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  • 1. MERCADO FINANCEIRO
  • 1.1. INTRODUÇÃO
  • 1.2. HISTÓRIA DO DINHEIRO E DOS BANCOS
  • 1.2.1. História do Dinheiro1
  • 1.2.2. Origem e Desenvolvimento dos Bancos e do Dinheiro de Papel
  • 1.2.3. História das Bolsas de Valores
  • 1.2.4. Configuração Atual do Mercado Financeiro
  • 1.3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN)8
  • 1.3.1. Composição do Sistema Financeiro Nacional
  • 1.3.2. Órgãos normativos
  • 1.3.3. Entidades Supervisoras
  • 1.3.4. Operadores
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • 2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO
  • 2.1. INTRODUÇÃO
  • 2.2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO AOS TIPOS E AS FINALIDADES
  • DAS OPERAÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO PRATICADAS
  • 2.2.1. Mercado Monetário
  • 2.2.2. Mercado de Crédito
  • 2.2.3. Mercado Cambial
  • 2.2.4. Mercado de Capitais
  • 2.2.5. Mercado de Derivativos
  • 2.3. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO A FORMA DE REMUNERAÇÃO E
  • CORREÇÃO MONETÁRIA
  • 2.3.1 Renda Fixa
  • 2.3.2 Renda Variável
  • 2.3.3. Fundos de Investimento
  • Fundos de investimentos
  • 3. MERCADO DE RENDA FIXA
  • 3.1. A MONTAGEM DO FLUXO DE CAIXA
  • 3.2. PREÇO E RENDIMENTO DE TÍTULOS DE RENDA FIXA
  • 3.3. TÍTULOS PÚBLICOS
  • 3.3.1. Letra do Tesouro Nacional - LTN
  • 3.3.2. Letra Financeira do Tesouro - LFT
  • 3.3.3. Nota do tesouro Nacional - NTN
  • 3.3.4. Nota do Banco Central do tipo E (com correção cambial) - NBC-E
  • 3.3.5. Exercícios
  • 3.4. PRODUTOS DE APLICAÇÃO (INVESTIMENTO) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINAN-
  • 3.4.1. Certificado/Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB)
  • 3.4.2. Certificado de Depósito Interfinanceiro - (CDI)
  • 3.4.3. Commercial Papers
  • 3.4.4. Export Note
  • 3.4.5. Debêntures
  • 3.4.6. Exercícios
  • 3.5. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO (EMPRÉSTIMOS) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINANCEIRO
  • E EMPRESAS
  • 3.5.1. Hot Money
  • 3.5.2. Desconto de Duplicatas e Notas Promissórias
  • 3.5.3. Commercial Papers
  • 3.5.4. Export Notes
  • 3.5.5. Securitização de Recebíveis
  • 3.5.6 Exercícios
  • 3.6. MERCADO INTERNACIONAL DE RENDA FIXA
  • 3.6.1. Money Market
  • 3.6.2. Capital Market
  • 4. MERCADO DE CAPITAIS (renda variável)
  • 4.1. INTRODUÇÃO
  • 4.2. MERCADO DE AÇÕES
  • 4.3. BOLSA DE VALORES
  • 4.4 SOCIEDADES CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS
  • 4.5 INVESTIDORES
  • 4.6. ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES
  • 4.6.1 Análise fundamentalista
  • 4.6.2 Análise Técnica
  • 5.1 BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO - BM&F
  • 5.2 MERCADO A TERMO
  • 5.3 MERCADO FUTURO
  • 5.4 MERCADO DE OPÇÕES
  • 6.5 SWAP

Sistema Financeiro Nacional

Marcos de Azevedo Reis






















PUC Minas 2 Sistema Financeiro Nacional
SUMÁRIO
1. MERCADO FINANCEIRO .................................................................................................................. 5
1.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 5
1.2. HISTÓRIA DO DINHEIRO E DOS BANCOS .................................................................................. 6
1.2.1. História do Dinheiro ................................................................................................................... 6
1.2.2. Origem e Desenvolvimento dos Bancos e do Dinheiro de Papel........................................... 8
1.2.3. História das Bolsas de Valores ............................................................................................... 11
1.2.4. Configuração Atual do Mercado Financeiro .......................................................................... 14
1.3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN) ................................................................................. 15
1.3.1. Composição do Sistema Financeiro Nacional ....................................................................... 16
1.3.2. Órgãos normativos ................................................................................................................... 18
1.3.3. Entidades Supervisoras ........................................................................................................... 18
1.3.4. Operadores ............................................................................................................................... 20
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................... 30
2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO ............................................................................ 31
2.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 31
2.2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO AOS TIPOS E AS FINALIDADES
DAS OPERAÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO PRATICADAS ................................................................ 31
2.2.1. Mercado Monetário ................................................................................................................... 31
2.2.2. Mercado de Crédito .................................................................................................................. 41
2.2.3. Mercado Cambial ...................................................................................................................... 41
2.2.4. Mercado de Capitais ................................................................................................................. 44
2.2.5. Mercado de Derivativos ........................................................................................................... 44
2.3. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO A FORMA DE REMUNERAÇÃO E
CORREÇÃO MONETÁRIA .................................................................................................................. 45
2.3.1 Renda Fixa ................................................................................................................................. 45
2.3.2 Renda Variável ........................................................................................................................... 45
2.3.3. Fundos de Investimento .......................................................................................................... 46
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................... 55
3. MERCADO DE RENDA FIXA .......................................................................................................... 56
3.1. A MONTAGEM DO FLUXO DE CAIXA ........................................................................................ 56
3.2. PREÇO E RENDIMENTO DE TÍTULOS DE RENDA FIXA .......................................................... 59
PUC Minas 3 Sistema Financeiro Nacional
3.3. TÍTULOS PÚBLICOS .................................................................................................................... 64
3.3.1. Letra do Tesouro Nacional - LTN ............................................................................................ 65
3.3.2. Letra Financeira do Tesouro - LFT .......................................................................................... 67
3.3.3. Nota do tesouro Nacional - NTN.............................................................................................. 68
3.3.4. Nota do Banco Central do tipo E (com correção cambial) - NBC-E ..................................... 72
3.3.5. Exercícios ................................................................................................................................. 73
3.4. PRODUTOS DE APLICAÇÃO (INVESTIMENTO) OFERECIDOS PELO SISTEMA
FINANCEIRO E EMPRESAS ............................................................................................................... 79
3.4.1. Certificado/Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB) .......................................................... 79
3.4.2. Certificado de Depósito Interfinanceiro - (CDI) ...................................................................... 80
3.4.3. Commercial Papers .................................................................................................................. 80
3.4.4. Export Note ............................................................................................................................... 81
3.4.5. Debêntures ................................................................................................................................ 81
3.4.6. Exercícios ................................................................................................................................. 81
3.5. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO (EMPRÉSTIMOS) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINANCEIRO
E EMPRESAS ...................................................................................................................................... 83
3.5.1. Hot Money ................................................................................................................................. 83
3.5.2. Desconto de Duplicatas e Notas Promissórias ..................................................................... 83
3.5.3. Commercial Papers .................................................................................................................. 84
3.5.4. Export Notes ............................................................................................................................. 84
3.5.5. Securitização de Recebíveis ................................................................................................... 84
3.5.6 Exercícios .................................................................................................................................. 85
3.6. MERCADO INTERNACIONAL DE RENDA FIXA......................................................................... 86
3.6.1. Money Market............................................................................................................................ 86
3.6.2. Capital Market ........................................................................................................................... 86
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................... 87
4. MERCADO DE CAPITAIS (renda variável) .................................................................................... 88
4.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 88
4.2. MERCADO DE AÇÕES ................................................................................................................ 88
4.3. BOLSA DE VALORES .................................................................................................................. 90
4.4 SOCIEDADES CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS ................................. 92
4.5 INVESTIDORES ............................................................................................................................. 93
PUC Minas 4 Sistema Financeiro Nacional
4.6. ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES ................................................................................. 93
4.6.1 Análise fundamentalista ........................................................................................................... 94
4.6.2 Análise Técnica ....................................................................................................................... 102
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................. 102
5. MERCADO DE DERIVATIVOS ...................................................................................................... 103
5.1 BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO - BM&F ...................................................................... 103
5.2 MERCADO A TERMO ................................................................................................................. 104
5.3 MERCADO FUTURO ................................................................................................................... 104
5.4 MERCADO DE OPÇÕES ............................................................................................................. 105
6.5 SWAP ........................................................................................................................................... 105
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................. 105


PUC Minas 5 Sistema Financeiro Nacional
1. MERCADO FINANCEIRO




1.1. INTRODUÇÃO
O mercado financeiro deve ser entendido como um mercado mesmo: um local onde ocorrem transa-
ções comerciais, a troca de um bem ou serviço por dinheiro. No mercado financeiro, entretanto, quem
o procura ou quer comprar dinheiro ou quer vender dinheiro. Assim, quem precisa de dinheiro oferece
em troca pagar um valor maior, após um determinado prazo, por meio de um contrato que é chamado
de título, ou obrigação. Por exemplo, quem precisa “comprar” R$ 1.000,00 aceita pagar a quem lhe
vendeu R$ 1.100,00 após um ano de prazo, pagando juros de 10% ao ano.
Esse mercado só pode existir numa sociedade com divisão de trabalho, na qual exista o dinheiro,
pois as transações de compra e venda vão inevitavelmente ocorrer. Os agentes econômicos (pessoa
física, pessoa jurídica e governo) vão necessariamente ter uma fonte de renda (salário, lucro, juros,
aluguel ou impostos). Desse modo duas situações vão surgir: agentes cujas necessidades exigem um
valor maior do que o obtido pela sua fonte de renda e agentes com cujos recursos são mais do que
suficientes para cobrir suas necessidades.
Imagine um agente que tenha $150 de renda e utilize $100. O que irá fazer com os $50 que sobra-
ram? Imagine também outro que receba $100 como renda mas necessite,para atender suas necessi-
dades, de $150. Como obterá os $50 que faltam? O que sucederá é que haverá uma forma dos $50
que estão sobrando para um parar nas mãos daquele para quem os $50 estão faltando.
Em outras palavras, nesse mercado, há os que detêm recursos e não irão precisar deles no momento
(estão superavitários) e, assim sendo, disponibilizam-nos para os que precisam deles agora, que
estão deficitários. Para ceder a outrem os seus recursos fazem-no mediante compromisso de recebê-
los de volta, algum tempo depois, acrescidos de renda, depois de analisarem o risco de não recebe-
rem o valor compromissado no futuro. Esse mercado atende tanto o indivíduo, cuja receita não está
cobrindo suas despesas, quanto empresas que oferecem participação na sociedade para obter recur-
sos para investimento e capital de giro.
Os bancos participam desse mercado como intermediários, captando dos superavitários e empres-
tando aos deficitários. Imagine que alguém tenha recursos excedentes e queira aplicá-los para ter um
valor maior no futuro; dificilmente ele encontrará quem queira tomar emprestados esses recursos no
mesmo volume e prazo almejados pelo superavitário. Assim, os bancos captam de quem quer em-
prestar e emprestam para os deficitários, ganhando na diferença entre a taxa de captação e a de
aplicação, já que a primeira será sempre menor do que a segunda.
Outro participante do mercado financeiro é o governo que capta recursos para cobrir suas necessida-
des financeiras tomando emprestado, através da dívida pública, e por meio dos impostos.
A circulação do dinheiro vai garantir a acumulação de riqueza. Aqueles que não precisam de toda a
renda vão aplicar a sobra para gerar mais renda, ficando com um patrimônio maior e com uma renda
PUC Minas 6 Sistema Financeiro Nacional
maior também. A aplicação pode ser em investimento produtivo para ter lucro ou emprestando para
conseguir juros. Veremos que o mercado financeiro torna possíveis e facilita as duas alternativas para
todos, pois se encontram certos títulos que oferecem o pagamento de juros e outros que permitem a
participação nos lucros de empresas. Esses títulos também são chamados de obrigações porque, na
verdade, são contratos que exigem obrigações de quem os vendeu: pagar juros ou lucros.
Sendo assim, a existência de um mercado financeiro desenvolvido em uma sociedade com divisão do
trabalho e distribuição justa da renda pode incrementar a democratização da riqueza, permitindo que
parte da renda seja transformada em aplicação.
Portanto, no mercado financeiro, historicamente, foram sendo criados instrumentos para permitir a
transferência dos superavitários para os deficitários. Mas os instrumentos e as instituições atuantes
observados hoje foram criados recentemente. O maior desenvolvimento ocorreu a partir do século
dezenove. Com a globalização, os instrumentos e as instituições também se globalizaram e tornaram-
se mais sofisticados.

1.2. HISTÓRIA DO DINHEIRO E DOS BANCOS

1.2.1. História do Dinheiro
1

A humanidade, em sua origem, não utilizava dinheiro, tudo o que se necessitava era obtido pela ação
individual. Quando desejava comer, caçava ou colhia frutos. Ainda hoje há sociedades que não usam
dinheiro: os índios atendem suas demandas, em comunidade, repartindo o que o grupo obtém. Há na
história da humanidade momentos em que quase não se usava a moeda, como na Idade Média, no
feudalismo: o servo produzia quase tudo de que necessitava, até a parte do senhor era paga com o
resultado de sua produção. No feudo, a alimentação provinha da produção agropecuária; a casa e a
mobília eram feitas com madeira do bosque; o vestuário e outros objetos de pano eram feitos com a
lã dos carneiros, que pastavam nas áreas comuns, e com o algodão cultivado nas terras destinadas
ao servo. As rocas eram usadas para criar o fio e os teares, feitos com a madeira do bosque, teciam
os panos. No feudalismo, o que se adquiria pelo comércio era muito pouco.
Quanto mais divisão do trabalho mais a moeda é necessária. A partir da necessidade de sua utiliza-
ção nós construiremos seu conceito. Em primeiro lugar, a moeda é uma coisa que serve para trocar
por outras coisas.
O homem primitivo trocava uma coisa que possuía por outra que não possuía, fazia escambo; mas
não havia uma coisa que era usada apenas para trocar por outra. Se havia, por exemplo, quem se
dedicava, durante o dia, à pesca, ao final estaria com alguns peixes; ele separava, então, o que iria
consumir e procurava alguém para trocar o restante pelo que também precisava; precisando de mi-
lho, ia atrás do que cultivou o milho e fazia a troca.

1
Figuras extraídas em ORIGEM e evolução do dinheiro. História do dinheiro. Museu de Valores. Banco Central do Brasil.
Apresenta artigo sobre a história do dinheiro com figuras e fotos de elementos do museu. Disponível em:
<http://www.bcb.gov.br/mPag.asp?perfil=1&cod=718&codP=83>. Acesso em 10 de janeiro de 2002.
PUC Minas 7 Sistema Financeiro Nacional

Mas poderia acontecer que ele não encontrasse quem detinha o milho, ou ainda que este não esti-
vesse querendo trocar. Desse modo ele procurava alguém que quisesse trocar o peixe por algo não
perecível, pois o peixe estraga de um dia para o outro. Então, foram eleitas certas coisas que não
eram perecíveis e que eram aceitas por todos no escambo, por exemplo: o sal foi usado, daí, salário
do latim salariu; o boi, pecus, o que originou pecúnia (dinheiro) do latim pecunia e pecuniário do latim
pecuniariu. A prática era trocar as coisas perecíveis pelas não perecíveis.

Na era da pedra lascada, em que os objetos eram criados a partir do trabalho sobre a pedra, foi feita
a primeira moeda com o trabalho humano, uma moeda de pedra. Então, foi descoberto o metal, que,
por suas características de ter valor, como ouro, prata, cobre, ferro, etc., preenchia um dos requisitos
de ser moeda, ser reserva de valor, ademais era a coisa menos perecível, logo, a mais apropriada
para ser moeda.
Quando começou a fundição dos metais, foram feitas moedas com formatos de objetos É o caso das
moedas faca e chave, encontradas no Oriente
2
.


2
Na China, no século XII antes de Cristo, Ver ORIGEM e evolução do dinheiro. (op. cit.). Disponível em:
<http://www.bcb.gov.br/mPag.asp?codP=83&cod=718&perfil=1>. Acesso em 6 de janeiro de 2002.
PUC Minas 8 Sistema Financeiro Nacional
Entretanto, moedas com peso e valor definidos só vieram a ser feitas, segundo Heródoto
3
, pelos reis
da Lídia, por volta do final do Século oitavo A.C., eram pequenos lingotes ovais de uma liga de ouro e
prata chamados eletro. Já, Alexandre o Grande iniciou o costume de representar a cabeça do sobe-
rano nas moedas. Para facilitar o transporte, começaram a fazê-las redondas.

1.2.2. Origem e Desenvolvimento dos Bancos e do Dinheiro de Papel
Na antiguidade, as moedas de metal foram amplamente usadas e os bancos tinham como atividade
precípua a custódia de valores e não o ato de emprestar, o empréstimo poderia vir de qualquer um
que tivesse o valor suficiente. Os bancos surgiram, essencialmente, para dar segurança aos proprie-
tários do dinheiro de que este ficaria guardado sem risco de ser roubado. Desse modo, além da moe-
da de metal precioso, que continha seu valor intrínseco, recibos de depositários (que davam ao pos-
suidor o direito de sacar a quantia indicada nos bancos), o papel-moeda, também serviam como di-
nheiro, meio de troca e reserva de valor.

Certificado de Barra emitido por casa de fundição, na época do Brasil-Colônia: documento que acompanhava cada uma
das barras de ouro produzidas nas Casas de Fundição. Comprovava o pagamento do quinto e era aceito como moeda no
comércio local.

“No Brasil, os primeiros bilhetes de banco, precursores das cédulas atuais, foram lançados pelo Banco do Brasil, em 1810.
Tinham seu valor preenchido à mão, tal como, hoje, fazemos com os cheques”
4
.
Os bancos foram importantes no império romano, quando recebiam moedas que eram cunhadas em

3
Apud GALBRAITH (1977)
4
ORIGEM e evolução do dinheiro. (op. cit.). Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/mPag.asp?perfil=1&cod=718&codP=83>
PUC Minas 9 Sistema Financeiro Nacional
várias localidades diferentes e analisavam a pureza do metal. Na Idade Média, com a diminuição do
comércio essa atividade arrefeceu; mas, na época do renascimento, ela surgiu com toda força, sedi a-
da nas cidades-portos da Itália (Veneza, Gênova, etc.).
A seguir, três histórias que ilustram bem as características e o processo do sistema de crédito que foi
surgindo com o advento do Estado Nacional e a evolução do sistema bancário, até a criação do pri-
meiro banco central.
A falsificação do dinheiro sempre foi um procedimento corriqueiro. Na antiguidade, não havia contro-
le, como hoje, das cédulas e moedas. Desse modo, surgiam muitas falsificações com relação ao peso
e à pureza do metal: cortavam-se pedaços das moedas, adulteravam-se as balanças, misturavam-se
metais menos nobres, etc.
Amsterdã, no início do século XVII, era um ponto comercial muito importante. Lá circulavam moedas
de todas as partes do mundo. Em 1606, foi publicado um manual enumerando 341 moedas de prata
e 505 de ouro. Muitas delas não tinham seu valor de face correspondendo ao valor em peso do me-
tal
5
. Por isso, em 1609, foi estabelecido um banco para controlar a qualidade das moedas, pesando-
as e avaliando o grau de pureza do metal. Este banco recebia as moedas estrangeiras e transforma-
va seu valor intrínseco em depósito, depois de deduzidas as despesas com cunhagem e com os gas-
tos de administração. Foi o primeiro banco público criado para regular e controlar a qualidade do di-
nheiro em circulação.
6

Durante um século, os recibos de depósito desse banco realmente correspondiam ao dinheiro físico
guardado no banco, podiam todos os depositantes requerer o saque que o banco lhes entregaria as
moedas depositadas. Quando, em 1672, o exército francês cercou Amsterdã, houve uma corrida ao
banco para saques e todos foram atendidos. Mas, por causa da relação estreita entre o prefeito e os
membros do senado da cidade com os proprietários da Companhia Holandesa das Índias Orientais,
que, afinal, eram as mesmas pessoas, o banco passou a financiar a Companhia e, então, começou
uma prática que hoje é comum no sistema bancário: o banco emprestava o dinheiro dos depositantes
e, se todos eles fossem sacar, não seriam atendidos.
No fim do século XVII, a Companhia passava por dificuldades, os déficits e as dívidas cresciam; a
guerra com a Inglaterra provocou perdas de cargas e navios, e o banco já não recebia o pagamento
dos seus empréstimos em dia. Além disso, o governo municipal também se endividou junto ao banco.
O próximo passo, já que não havia metal precioso disponível no caixa do banco para pagamento aos
depositantes, foi a limitação dos saques a um determinado valor. O passo seguinte foi o fechamento
do banco em 1819.
Uma história semelhante ocorreu na França, no séc. XVIII. Quando John Law chegou à França em
1716, o reino estava altamente deficitário e o tesouro, falido, por causa dos altos gastos da corte na

5
No padrão ouro, a moeda cunhada e o metal bruto com peso correspondente, invariavelmente tinham o mesmo valor: o
custo de produção; pois se a moeda tivesse valor maior que o metal bruto com seu peso, haveria aumento da produção lo-
cal e viria também metal de fora para ser transformado em moeda. O aumento da oferta de moedas geraria inflação até seu
valor igualar-se ao preço do metal com o mesmo peso. No caso do metal bruto valendo mais que a moeda com o mesmo
peso, haveria uma busca frenética pela fundição das moedas, transformando-as em lingotes para serem vendidas como
metal bruto, assim, as moedas sairiam de circulação e ocorreria deflação até o preço do mesmo peso do metal bruto equiva-
ler-se ao valor impresso na face da moeda.
6
Com o surgimento dos Estados Nacionais, isso se tornou uma das suas atribuições.
PUC Minas 10 Sistema Financeiro Nacional
época dos luíses. Ele recebeu permissão para fundar um banco, desde que entrasse com determina-
do capital. O banco foi autorizado a emitir notas, emprestando, principalmente para o Estado. O re-
gente
7
utilizou as notas para pagar as despesas e os credores, e, com essas notas podia-se pagar os
impostos. Devido ao grande movimento de notas, o banco cresceu e abriu filiais em várias cidades
francesas. O regente, entusiasmado com o resultado da emissão, solicitou mais empréstimos. Mas a
principal ambição de Law não era ser fornecedor de dinheiro para a aristocracia francesa, ele queria
mesmo era fundar a Companhia do Mississipi para encontrar metais preciosos na América. Esse
empreendimento transformou-se na Companhia das Índias que obteve do regente privilégios exclusi-
vos para o comércio com a Índia, China e nos mares do sul. Além disso, obteve o monopólio do co-
mércio do fumo, o direito de cunhar moedas e de arrecadar impostos.
A colocação de ações da Companhia foi um tremendo sucesso, todos que podiam compravam. Entre-
tanto, os recursos conseguidos não eram aplicados nas atividades de prospecção de minérios, nem
no comércio; a maior parte era transformada em notas de empréstimo para o Estado, que, por seu
lado, pagava os fornecedores e os credores do governo que, por sua vez, compravam ações da
Companhia com as notas emitidas, ou seja, as notas voltavam para o banco de origem. Desse modo,
quanto mais o banco emprestava para o Estado, mais seu passivo aumentava com o resto da soci e-
dade.
Quando a população desconfiou que não havia ouro da América guardado no banco, correu para
sacar, e, como era de se esperar, muita gente ficou sem dinheiro, muitas fortunas desapareceram. Na
verdade, foram transferidas para o Estado que, em última instância, era o verdadeiro devedor.
As duas histórias, a do Banco de Amsterdã e a do banco de John Law, mostram que uma instituição
bancária mal administrada pode gerar prejuízos para os depositantes. Outra questão importante é
que o financiamento do Estado por um banco não significava garantia de que o metal precioso estaria
garantido para os depositantes.
A seguir a história da criação do primeiro banco central. O Banco da Inglaterra foi fundado em 1694 e
sua finalidade principal era financiar o tesouro e, para isso, ele emitia notas e podia emprestá-las para
o setor privado. Segundo, Galbraith (1977, p. 35) isto era “[...] a maravilha do banco”: receber juros do
governo e dos tomadores privados. As notas eram, invariavelmente, convertidas em dinheiro, o que
não acontecia com as dos outros bancos, que tiveram suas notas preteridas em relação às do Banco
da Inglaterra. Por volta de 1770, o Banco da Inglaterra tornara-se, praticamente, a única fonte de
papel-moeda em Londres, enquanto que, no interior, as notas de outros bancos ainda foram emitidas
até o século seguinte. O Banco da Inglaterra tornara-se o guardião da oferta de moeda e a base fi-
nanceira do governo inglês. Uma vez que detinha o monopólio sobre a emissão de notas, estava
criado o primeiro Banco Central, ou o que tinha pelo menos uma de suas funções exclusivas: o mo-
nopólio da emissão.
Por causa das guerras contra Napoleão e a colônia, os gastos do governo inglês aumentaram bastan-
te e as notas já não eram passíveis de conversão em dinheiro em ouro, então, em 1797, o banco
suspendeu o direito de resgate das notas. O preço do ouro subiu, bem como o de outras mercadori-
as: trigo, pão, etc. As moedas de ouro e prata desapareceram, para transformarem-se em barras de

7
Luis XV era menor de idade.
PUC Minas 11 Sistema Financeiro Nacional
metal e serem vendidas a peso. Mas o Banco da Inglaterra não foi extinto, como os acima, e trans-
formou-se no primeiro banco central: tornou-se emprestador de última instância, constituindo um fun-
do destinado a cobrir rombos em instituições bancárias que não pudessem atender a eventuais corri-
das para saques, garantindo a liquidez do sistema financeiro. As suas notas continuaram a ser acei-
tas por causa da garantia do governo de que elas teriam validade para ele. Então, todos sabiam que
poderiam pagar impostos e taxas com elas que seriam aceitas.
Entretanto, este primeiro banco central não emitia as cédulas como as conhecemos hoje, sem lastro,
pois todas tinham que ter uma base para emissão: ou depósitos em ouro ou títulos do tesouro. Se-
gundo Galbraith (1977) os pioneiros na emissão foram os colonos da América do Norte, cujos gover-
nos locais descobriram que podiam emitir cédulas com a garantia apenas da assinatura da autoridade
governamental (no nosso caso, o ministro da fazenda e o presidente do Banco Central). A sociedade
acredita que o governo se responsabiliza pela emissão, de modo que os pedaços de papel não se
desvalorizem em relação às mercadorias.
Após a criação do Banco da Inglaterra, outros bancos centrais surgiram. Depois da grande crise de
1929, os bancos centrais passaram a controlar também variáveis-chaves, como taxa de juros e taxa
de câmbio, com o objetivo de influir o comportamento da economia. O Banco central do Brasil foi
criado em 1964. Antes disso, o Banco do Brasil e a Superintendência da Moeda e do Crédito (SU-
MOC) cumpriam as funções do Banco Central.

1.2.3. História das Bolsas de Valores
As empresas, do setor produtivo, também podem estar deficitárias tanto com relação às necessida-
des de capital de giro quanto com as necessidades de capital fixo, investimentos de longo prazo.
Para conseguir os recursos dos superavitários, elas não recorrem apenas a empréstimos, os obtém
também aumentando o capital, aceitando novos sócios. A venda das partes do capital adicional, as
ações novas, bem como o comércio das já emitidas, ocorre geralmente em uma bolsa de valores,
entidade criada para facilitar as negociações, oferecendo liquidez ao papel e garantias de lisura nas
operações. A seguir, então será apresentada uma breve história da evolução das bolsas de valores
no mundo e no Brasil.
Quando uma Bolsa de Valores foi inaugurada em Amsterdã, em 1602, a palavra bilhão talvez não
existisse. As cotações eram colocadas num papel e afixadas num quadro com um prego grande: essa
é a origem do “pregão”. Hoje, a Bolsa de Amsterdã negocia um bilhão de dólares a cada dois dias. O
dinheiro grande, de fontes inteligentes, aumenta de volume e sofistica-se a cada dia que passa.
Os negócios financeiros e de movimentação de capitais convergem especialmente para os Estados
Unidos, com o Japão e algumas nações da Europa Ocidental em segundo - e destacado - plano.
A Bolsa de Valores de Nova Iorque gira mais de US$ 1 bilhão num dia normal de pregão, fechando o
ano em torno de 4% do Produto Nacional Bruto dos Estados Unidos. Um em cada 10 americanos tem
interesse direto nas cotações de ações e de commodities de seu país, seja como investidor, como
cotista de fundos mútuos, ou como participante de fundos de pensão.

PUC Minas 12 Sistema Financeiro Nacional
Origens
A origem das Bolsas de Valores é bastante remota. Alguns escritores a localizam nos emporium dos
gregos, outros nos collegium mercatorum dos romanos, ou nos funduks (bazares) dos palestinos.
Não há uma definição histórica clara sobre isso. Sabe-se, apenas, que elas surgiram, em épocas
distantes, com atribuições que não as vinculavam especificamente a valores mobiliários. Mas o com-
portamento dos mercadores sintetizava o procedimento comercial que daria vida às Bolsas: a negoci-
ação de viva voz, superando barreiras geográficas, lingüísticas e ideológicas.
Durante toda a Idade Média e até o século XVII, as operações de Bolsa resumiram-se à compra e
venda de moedas, letras de câmbio e metais preciosos.
A palavra Bolsa, no seu sentido comercial e financeiro, nasceu em Bruges, cidade lacustre da Bélgi-
ca, capital de Flandres, pertencente à Liga Hanseática, onde se realizavam assembléias de comerci-
antes, na casa de um senhor chamado Van der Burse, em cuja fachada havia um escudo com três
bolsas, brasão de armas do proprietário.
Joseph de la Vega, o primeiro narrador a contar a história das Bolsas em 1688, diz que a Bolsa "é
uma pequena praça rodeada de pilares, e chama-se assim já por encenarem-se nela os mercadores
como em uma Bolsa, já pelas diligências que cada um faz de aí encher a sua..."
A Bourse de Paris foi implantada por Luís VII em 1141, sendo regulamentada em 1304. Os agents de
change, todavia, preferiam reunir-se na Pont-aux-Changes sobre o Sena. Napoleão I fixou-a, depois,
num prédio suntuoso, onde permanece até hoje. Aí se organizou a corbeille, espaço circular onde os
corretores apregoavam os negócios.
Em 1698 foi fundada a Bolsa de Fundos Públicos de Londres, de acesso vedado ao público em geral,
orientada por um delegado, e com associados brokers (corretores intermediários) e jobbers (que ne-
gociavam por conta própria).
Pouco tempo antes, os ingleses haviam instalado o Banco da Inglaterra, enquanto Sir Isaac Newton,
administrando a Casa da Moeda, fixava para sempre o padrão de purificação de ouro e cunhagem de
moedas de ouro.
Esses fatos criavam, por assim dizer, o primeiro sistema financeiro integrado do mundo moderno.
Embora as operações com valores já estivessem legalizadas, o enorme crescimento das negociações
naquele ano exigiu a organização da Bolsa em caráter oficial.
Mas foi apenas no Século XVIII que essas instituições atingiram grande desenvolvimento, quando as
exigências de crédito público obrigaram os banqueiros a fracionar os empréstimos em títulos de parti-
cipação. Com a expansão das sociedades por ações, permitindo grandes agrupamentos de recursos,
elas assumiram um papel preponderante na oferta e procura de capitais.

Evolução no Brasil
Desde os mercados medievais até hoje, as Bolsas de Valores vêm sofrendo profundas transforma-
ções em sua estrutura. No Brasil, seu desenvolvimento está intrinsecamente ligado ao desenvolvi-
mento da estrutura financeira do País, que se assentou basicamente sobre dois tipos de instituições:
PUC Minas 13 Sistema Financeiro Nacional
os bancos comerciais e as Bolsas de Valores.
No entanto, somente na segunda metade do século XX começaram a surgir instituições especializa-
das em diferentes tipos de crédito. Antes do século XIX não se encontravam i nstituições organizadas,
mas apenas indivíduos exercendo as funções de banqueiros ou corretores.
A reestruturação econômica do País, na primeira metade do século XIX, exigiu a reorganização do
sistema financeiro, abrangendo também a figura do corretor, contemporânea ao período colonial. As
disposições sobre o ofício já apareciam na legislação, a partir do século XVIII, mas a regulamentação
da atividade só viria a acontecer em 1845, através do Decreto n.º 417, com o objetivo principal de
evitar a interferência, nessas operações, de um número irrestrito de pessoas.
Desde então, os Corretores Oficiais de Fundos Públicos passaram a ter cargos vitalícios, mediante
nomeação do Ministro da Fazenda, tendo em vista que representavam o Governo em seus atos.
A rua Direita, hoje rua 1º de Março, no Rio de Janeiro, era o seu ponto de encontro. Ali ficavam a
Alfândega e o Paço Imperial, enclave político e econômico do maior porto exportador do País. A reu-
nião espontânea promoveu um sistema de liquidez mais eficiente, para onde convergiam comprado-
res e vendedores, agindo em nome de comerciantes e produtores dos mais diversos pontos do Brasil
e da Europa.
O Estado tinha interesses evidentes na organização dos corretores. Em 1876, era decretada a cota-
ção de títulos em pregão e, no ano seguinte, aconteceu a regulamentação do pregão, considerada o
marco inicial do funcionamento do pregão da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Esse decreto orga-
nizava a Corporação de Corretores de Fundos Públicos e dispunha sobre as operações por eles rea-
lizadas em Bolsa. Preceituava, em um de seus artigos, que caberia ao Poder Executivo expedir de-
creto regulamentando a investidura e o exercício dos corretores e as respectivas operações. A regu-
lamentação não provocou modificações imediatas no movimento da Bolsa.
Apenas em 1878 surgiu maior confiança no mercado, provocando um aumento de 530% nas transa-
ções e de mais de 100% no número de companhias com títulos na Bolsa.
Em 13 de março de 1897 foi expedido o Decreto no 2.475, que veio a se constituir na espinha dorsal
da legislação sobre Bolsas e Corretoras. Entretanto, todos esses diplomas legais levaram em consi-
deração somente a Bolsa e os Corretores do Distrito Federal, omitindo-se quanto a essa atividade em
outros Estados.
Em São Paulo, em dezembro de 1894, foi aprovada uma tabela de corretagem para a embrionária
Bolsa Livre de Valores, por ato do governo estadual. Tal fato representou o passo inicial para a cri a-
ção dos primeiros cargos de corretores de fundos públicos. Em 1897, o Governo Estadual instituía a
Bolsa Oficial de títulos de São Paulo.
As atividades das Bolsas e Corretoras dos demais Estados (além do então Distrito Federal) foram
regulamentadas pelo Governo Federal somente em 1934, através do Decreto n.º 24.275. Mas a legi s-
lação tornou-se mais afirmativa, passando a reger todas as instituições bolsísticas do País, a partir do
Decreto-Lei n.º 1.344 de 1939. No entanto, mesmo depois dele, elas continuaram sendo entidades
públicas com ingerência dos governos estaduais em suas administrações.
Foi a partir das reformas que institucionalizaram o sistema financeiro nacional, iniciadas em 1964,
PUC Minas 14 Sistema Financeiro Nacional
que as Bolsas de Valores assumiram as características que hoje possuem.

1.2.4. Configuração Atual do Mercado Financeiro
Vimos, então, que o dinheiro foi configurando-se na forma de moedas e cédulas que não necessita-
vam de contar com o lastro em metal precioso no banco do governo (o banco central). Este banco,
com a aposição da assinatura de autoridade (no caso do Brasil, o ministro da fazenda e o presidente
do Banco central), pode colocar em circulação pedaços de metal e de papel, com valores monetários
expressos em sua face, com total aceitação e confiança da sociedade.
Um conceito de dinheiro que deve ser trabalhado aqui é o de Meios de Pagamento, também chama-
dos de M1. Os meios de pagamento são o papel-moeda em circulação (moedas e cédulas) e os de-
pósitos à vista nos bancos. Esse conceito refere-se àquilo com o que se pode realizar pagamentos.
Na sociedade em que existe o dinheiro, só podem ser realizados pagamentos com meios de paga-
mento: papel-moeda ou alguma forma de débito em conta corrente (depósitos à vista), como o che-
que, por exemplo. No mercado financeiro, ocorre, então, a transferência dos superavitários para os
deficitários, por meio da troca de meios de pagamento por títulos que garantem a quem os compra o
direito de receber o capital investido acrescido de renda num momento posterior.
Foi visto também que o mercado financeiro passou a existir com a participação de bancos, do gover-
no e, finalmente do banco do governo (Banco Central) com a função de emitir dinheiro e atuar no
sentido de evitar que haja falta de recursos nos bancos para seus depositantes. Nesse mercado tam-
bém estarão os governos emitindo papéis para financiar seus gastos e determinando o comportamen-
to de variáveis que determinam o comportamento da economia (taxa de juros, taxa de câmbio e i m-
postos). As empresas também procuram os recursos dos superavitários, oferecendo participação no
capital. Uma ilustração do mercado financeiro, que surgiu e desenvolve-se num sistema econômico
do qual fazem parte e interagem o sistema produtivo, o sistema financeiro e o governo, poderia ser o
diagrama a seguir.











MERCADO FINANCEIRO
SISTEMA
FINANCEIRO
SETOR
PRODUTIVO
GESTÃO ECONÔMICA
(GOVERNO)

SISTEMA ECONÔMICO
PUC Minas 15 Sistema Financeiro Nacional
Portanto, no mercado financeiro há ativos que provêm de todos os setores. O governo emite títulos
que pagam renda, o setor produtivo oferece, por seu lado, papéis que também pagam renda e o si s-
tema financeiro da mesma forma. Todos os setores, dessa forma, têm no mercado fonte de recursos.
O setor produtivo, ao captar esses recursos irá aplicá-lo na produção de bens e serviços de modo
que, ao final consiga obter uma renda maior que a que deve ser paga aos que lhe forneceram recur-
sos; o governo obterá no mercado recursos para cobrir suas necessidades de despesas, determinan-
do também as taxas de juros, a taxa de câmbio e os impostos, e o sistema financeiro irá captar no
mercado recursos que aplicará em empréstimos e outras alternativas, cobrando juros maiores que os
pagos na captação.
Hoje, temos um mercado altamente desenvolvido, que oferece várias alternativas de aplicação e cap-
tação. Um mercado globalizado, pois não podemos mais falar de mercado restrito a um local ou país.
Os papéis são negociados em todo o mundo on line. Dessa forma, ações de companhias brasileiras e
do resto do mundo são negociadas na Bolsa de Nova York, assim como os papéis do governo e de
instituições financeiras são negociados no mercado internacional.

1.3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN)
8-
Pode-se conceituar Sistema Financeiro como um conjunto de instituições e instrumentos financeiros
que possibilitam a transferência de recursos dos ofertadores últimos para os tomadores últimos e que
criam condições para que os títulos tenham liquidez no mercado.
Os tomadores últimos de recursos são aqueles que se encontram em posição de déficit financeiro,
isto é, aqueles que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) mais do que sua renda. Eles
precisam do complemento de poupanças de outros para executar seus planos. Os ofertadores últi-
mos de recursos são aqueles que se encontram em posição de superávit financeiro, isto é, aqueles
que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) menos do que sua renda.
Usam-se as expressões ofertadores últimos ou ofertadores finais e tomadores últimos ou tomadores
finais de recursos (e não simplesmente tomadores e ofertadores de recursos), para diferenciar esses
indivíduos dos intermediários financeiros, que oferecem recursos dos ofertadores últimos e não o seu
próprio superávit financeiro e tomam recursos não para cobrir o seu próprio déficit financeiro, mas
para repassá-lo aos tomadores finais para que cubram seus déficits.
Consideram-se instituições financeiras as pessoas jurídicas, públicas ou privadas, que tenham como
atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios
ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.
Em geral, as instituições que operam no Sistema Financeiro são classificadas em dois grupos: as
bancárias e as monetárias, às quais é facultado o direito de criação de moedas ou de meios de pa-
gamento.
A criação de meios de pagamento é realizada pelo Banco Central, que emite o papel -moeda, e pelos
bancos comerciais, que estão autorizados a receber depósitos à vista. A criação de meios de paga-

8
Esta seção contou como base de consulta a apostila do Prof. José Tomáz Pereira.
-
© PUCMINAS, 2003
PUC Minas 16 Sistema Financeiro Nacional
mento pelo Banco Central é bastante simples de se entender, uma vez que ela se reflete na própria
emissão do papel-moeda.
A criação da moeda por parte dos bancos comerciais, por outro lado, pode ser melhor entendida atra-
vés do seguinte exemplo: suponhamos que 100 indivíduos depositem em um banco comercial R$
100.000,00. Para que eles possam depositar essa quantia, obviamente, já houve, antes, uma criação
de moeda, representada pela emissão do papel-moeda pelo Banco Central. O simples ato de deposi-
tar não significa a criação de meios de pagamento, uma vez que os indivíduos estarão simplesmente
trocando um ativo monetário (dinheiro) por outro (depósito à vista). Contudo, por uma questão de
probabilidade, o banco sabe que pode emprestar parte desses depósitos, porque nem todos sacam
seus recursos ao mesmo tempo. Assim, parte desses depósitos ele mantém em caixa (como encai-
xe), para atender aos saques dos depositantes; parte ele recolhe compulsoriamente ao Banco Central
e o restante ele empresta a tomadores, que poderão depositá-lo em outros bancos, os quais, por sua
vez, usarão o mesmo processo. Desse modo, pelo efeito multiplicador, o depósito inicial de R$
100.000,00 transforma-se em vários outros de menor porte. Esse é, em essência, o mecanismo bási-
co de criação de moeda.

1.3.1. Composição do Sistema Financeiro Nacional
O Banco Central do Brasil apresenta o Sistema Financeiro Nacional composto por Órgãos Normati-
vos, Entidades Supervisoras e Operadores. Os Órgãos Normativos são entidades governamentais
que têm a finalidade de definir as políticas governamentais para o Sistema Financeiro e transformá-
las em normas; as Entidades Supervisoras fiscalizam e orientam no sentido de fazer cumprir as políti-
cas e as normas emanadas do Governo; os Operadores são instituições que operam no mercado
financeiro com o papel de transferir recursos dos superavitários para os deficitários, tudo em confor-
midade às normas emitidas pelos Órgãos Normativos e seguindo as orientações e o acompanhamen-
to das Entidades Supervisoras.
O quadro a seguir apresenta a composição do Sistema Financeiro Nacional segundo o Banco Central
do Brasil. O quadro e a definição de cada instituição componente do Sistema Financeiro Nacional são
transcritos do contido na página da Internet do Banco Central do Brasil
9
.

9
<http://www.bcb.gov.br/?SFNCOMP>. Acesso em 30/01/04.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 17
Composição do Sistema Financeiro Nacional

Órgãos Norma-
tivos
Entidades Super-
visoras
Operadores
Conselho Mo-
netário Nacio-
nal - CMN
Banco Central do
Brasil – Bacen
Instituições financei-
ras captadoras de de-
pósitos à vista
Bancos Múltiplos
Bancos Comerciais
Caixa Econômica Federal
Cooperativas de Crédito
Demais instituições
financeiras
Agências de Fomento
Associações de Poupança e Empréstimo
Bancos de Desenvolvimento
Bancos de Investimento
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES)
Companhias Hipotecárias
Cooperativas Centrais de Crédito
Sociedades de Crédito, Financiamento e Inves-
timento
Sociedades de Crédito Imobiliário
Sociedades de Crédito ao Microempreendedor
Outros intermediários
financeiros e adminis-
tradores de recursos
de terceiros
Administradoras de Consórcio
Sociedades de arrendamento mercantil
Sociedades corretoras de câmbio
Sociedades corretoras de títulos e valores mobi-
liários
Sociedades distribuidoras de títulos e valores
mobiliários
Comissão de Va-
lores Mobiliários
- CVM
Bolsas de valores
Bolsas de mercadorias e futuros
Conselho Na-
cional de Se-
guros Privados
- CNSP
Superintendência
de Seguros Pri-
vados – Susep

IRB – Brasil Res-
seguros
Sociedades seguradoras
Sociedades de capitalização
Entidades abertas de previdência complementar
Conselho de
Gestão da Pre-
vidência Com-
plementar -
CGPC
Secretaria de
Previdência
Complementar –
SPC
Entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão)


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 18
1.3.2. Órgãos normativos

O Conselho Monetário Nacional (CMN)
O Conselho Monetário Nacional (CMN), que foi instituído pela Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964,
é o órgão responsável por expedir diretrizes gerais para o bom funcionamento do SFN. Integram o
CMN o Ministro da Fazenda (Presidente), o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Pre-
sidente do Banco Central do Brasil. Dentre suas funções estão: adaptar o volume dos meios de pa-
gamento às reais necessidades da economia; regular o valor interno e externo da moeda e o equilí-
brio do balanço de pagamentos; orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras; propi-
ciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros; zelar pela liquidez e solvência
das instituições financeiras; coordenar as políticas monetária, creditícia, orçamentária e da dívida
pública interna e externa.

Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) - órgão responsável por fixar as diretrizes e normas
da política de seguros privados; é composto pelo Ministro da Fazenda (Presidente), representante do
Ministério da Justiça, representante do Ministério da Previdência Social, Superintendente da Superi n-
tendência de Seguros Privados, representante do Banco Central do Brasil e representante da Comis-
são de Valores Mobiliários. Dentre as funções do CNSP estão: regular a constituição, organização,
funcionamento e fiscalização dos que exercem atividades subordinadas ao SNSP, bem como a apl i-
cação das penalidades previstas; fixar as características gerais dos contratos de seguro, previdência
privada aberta, capitalização e resseguro; estabelecer as diretrizes gerais das operações de ressegu-
ro; prescrever os critérios de constituição das Sociedades Seguradoras, de Capitalização, Entidades
de Previdência Privada Aberta e Resseguradores, com fixação dos limites legais e técnicos das res-
pectivas operações e disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor.

Conselho de Gestão da Previdência Complementar - CGPC
O Conselho de Gestão de Previdência Complementar (CGPC) é um órgão colegiado que integra a
estrutura do Ministério da Previdência Social e cuja competência é regular, normatizar e coordenar as
atividades das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão). Também ca-
be ao CGPC julgar, em última instância, os recursos interpostos contra as decisões da Secretaria de
Previdência Complementar. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço
www.previdenciasocial.gov.br

1.3.3. Entidades Supervisoras

Banco Central do Brasil – Bacen
O Banco Central do Brasil (Bacen) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, que também

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 19
foi criada pela Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964. É o principal executor das orientações do Con-
selho Monetário Nacional e responsável por garantir o poder de compra da moeda nacional, tendo
por objetivos: zelar pela adequada liquidez da economia; manter as reservas internacionais em nível
adequado; estimular a formação de poupança; zelar pela estabilidade e promover o permanente aper-
feiçoamento do sistema financeiro. Dentre suas atribuições estão: emitir papel-moeda e moeda metá-
lica; executar os serviços do meio circulante; receber recolhimentos compulsórios e voluntários das
instituições financeiras e bancárias; realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições
financeiras; regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis; efetuar
operações de compra e venda de títulos públicos federais; exercer o controle de crédito; exercer a
fiscalização das instituições financeiras; autorizar o funcionamento das instituições financeiras; esta-
belecer as condições para o exercício de quaisquer cargos de direção nas instituições financeiras;
vigiar a interferência de outras empresas nos mercados financeiros e de capitais e controlar o fluxo de
capitais estrangeiros no país. Sua sede fica em Brasília, capital do País, e tem representações nas
capitais dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia,
Pernambuco, Ceará e Pará.

Comissão de Valores Mobiliários - CVM
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fa-
zenda, instituída pela Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976. É responsável por regulamentar, desen-
volver, controlar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários do país. Para este fim, exerce as fun-
ções de: assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão; proteger
os titulares de valores mobiliários; evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação no merca-
do; assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários negociados e sobre as
companhias que os tenham emitido; assegurar a observância de práticas comerciais eqüitativas no
mercado de valores mobiliários; estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobi-
liários; promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e estimular
as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias abertas. Maiores informações
poderão ser encontradas no endereço:www.cvm.gov.br

Superintendência de Seguros Privados – Susep
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) - autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda; é
responsável pelo controle e fiscalização do mercado de seguro, previdência privada aberta e capital i-
zação. Dentre suas atribuições estão: fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e opera-
ção das Sociedades Seguradoras, de Capitalização, Entidades de Previdência Privada Aberta e Res-
seguradores, na qualidade de executora da política traçada pelo CNSP; atuar no sentido de proteger
a captação de poupança popular que se efetua através das operações de seguro, previdência privada
aberta, de capitalização e resseguro; zelar pela defesa dos interesses dos consumidores dos merca-
dos supervisionados; promover o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos operacionais a
eles vinculados; promover a estabilidade dos mercados sob sua jurisdição; zelar pela liquidez e sol-
vência das sociedades que integram o mercado; disciplinar e acompanhar os investimentos daquelas
entidades, em especial os efetuados em bens garantidores de provisões técnicas; cumprir e fazer

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 20
cumprir as deliberações do CNSP e exercer as atividades que por este forem delegadas; prover os
serviços de Secretaria Executiva do CNSP. Maiores informações poderão ser encontradas no ende-
reço: www.susep.gov.br

IRB – Brasil Resseguros
Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) - sociedade de economia mista com controle acionário da
União, jurisdicionada ao Ministério da Fazenda, com o objetivo de regular o cosseguro, o resseguro e
a retrocessão, além de promover o desenvolvimento das operações de seguros no País. Maiores
informações poderão ser encontradas no endereço: www.irb-brasilre.com.br

Secretaria de Previdência Complementar – SPC
A Secretaria de Previdência Complementar (SPC) é um órgão do Ministério da Previdência Social,
responsável por fiscalizar as atividades das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fun-
dos de pensão). A SPC se relaciona com os órgãos normativos do sistema financeiro na observação
das exigências legais de aplicação das reservas técnicas, fundos especiais e provisões que as enti-
dades sob sua jurisdição são obrigadas a constituir e que tem diretrizes estabelecidas pelo Conselho
Monetário Nacional. À SPC compete: propor as diretrizes básicas para o Sistema de Previdência
Complementar; harmonizar as atividades das entidades fechadas de previdência privada com as pol í-
ticas de desenvolvimento social e econômico-financeira do Governo; fiscalizar, supervisionar, coorde-
nar, orientar e controlar as atividades relacionadas com a previdência complementar fechada; anal i-
sar e aprovar os pedidos de autorização para constituição, funcionamento, fusão, incorporação, gru-
pamento, transferência de controle das entidades fechadas de previdência complementar, bem como
examinar e aprovar os estatutos das referidas entidades, os regulamentos dos planos de benefícios e
suas alterações; examinar e aprovar os convênios de adesão celebrados por patrocinadores e por
instituidores, bem como autorizar a retirada de patrocínio e decretar a administração especial em
planos de benefícios operados pelas entidades fechadas de previdência complementar, bem como
propor ao Ministro a decretação de intervenção ou liquidação das referidas entidades. Maiores infor-
mações poderão ser encontradas no endereço: www.previdenciasocial.gov.br

1.3.4. Operadores
Os operadores executam movimentações financeiras servindo como intermediários na transferência
de recursos dos superavitários para os deficitários. As operações passivas, ou de captação, servem
para recolher os recursos dos superavitários, oferecendo em troca alguma remuneração; e as opera-
ções ativas, ou de aplicação, servem para transferir os recursos para os deficitários, exigindo, em
troca, uma remuneração. A diferença entre as taxas de captação e as de aplicação, o chamado spre-
ad bancário, é que promoverá a rentabilidade das instituições.
A seguir, são definidas as instituições, destacando-se as principais formas de captação e de aplica-
ção.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 21
Instituições Financeiras Captadoras de Depósitos à Vista

Bancos Múltiplos
Os bancos múltiplos são instituições financeiras privadas ou públicas que realizam as operações ati-
vas, passivas e acessórias das diversas instituições financeiras, por intermédio das seguintes cartei-
ras: comercial, de investimento e/ou de desenvolvimento, de crédito imobiliário, de arrendamento
mercantil e de crédito, financiamento e investimento. Essas operações estão sujeitas às mesmas
normas legais e regulamentares aplicáveis às instituições singulares correspondentes às suas cartei-
ras. A carteira de desenvolvimento somente poderá ser operada por banco público. O banco múltiplo
deve ser constituído com, no mínimo, duas carteiras, sendo uma delas, obrigatoriamente, comercial
ou de investimento, e ser organizado sob a forma de sociedade anônima. As instituições com carteira
comercial podem captar depósitos à vista. Na sua denominação social deve constar a expressão
"Banco" (Resolução CMN 2.099, de 1994).
As formas de captação dos bancos múltiplos são as mesmas das carteiras administradas por ele, de
modo que serão apresentadas quando da definição da instituição relacionada àquele tipo de carteira.
Geralmente têm a carteira de banco comercial e, por esse motivo, estão incluídos dentre as institui-
ções captadoras de depósitos à vista.

Bancos Comerciais
Os bancos comerciais são instituições financeiras privadas ou públicas que têm como objetivo princi-
pal proporcionar suprimento de recursos necessários para financiar, a curto e a médio prazos, o co-
mércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e terceiros em geral. A
captação de depósitos à vista, livremente movimentáveis, é atividade típica do banco comercial, o
qual pode também captar depósitos a prazo. Deve ser constituído sob a forma de sociedade anônima
e na sua denominação social deve constar a expressão "Banco" (Resolução CMN 2.099, de 1994).
CAPTAÇÃO: depósitos à vista; depósitos a prazo fixo, obrigações contraídas no País e no exterior
relativamente a repasses e refinanciamentos; emissão de Cédulas Pignoratícias de Debêntures; col o-
cação de letras de Câmbio de aceite com base em operações com caução de Warrants; certificados
de depósito de médio ou de longo prazo em moeda estrangeira.
APLICAÇÃO: descontos de títulos; abertura de crédito simples e em conta-corrente; crédito rural (fi-
nanciamento de custeio, investimento e comercialização); operações de repasses e refinanciamentos;
aplicação em títulos, valores mobiliários e quotas de fundos de investimento; financiamento de proje-
tos ligados a programas de fomento.
OPERAÇÕES ESPECIAIS: operações de câmbio; custódia de títulos e valores; prestação de fianças
e outras garantias bancárias; operações compromissadas; compra e venda de ouro no mercado físi-
co.
OPERAÇÕES ACESSÓRIAS: ordens de pagamento e transferência de fundos; cheques de viagem;
cobrança; serviços de correspondente; recebimentos e pagamentos de interesse de terceiros; reco-
lhimento e entrega de numerário a domicílio; saneamento do meio circulante e fornecimento de troco;

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 22
intermediação na aquisição de títulos federais em leilões; serviços ligados ao câmbio e ao comércio
internacional; aluguel de cofres.
CONVÊNIOS: recebimento de tributos, INSS, PIS, prêmios de seguro e contas de água, energia elé-
trica, gás e telefone; pagamentos para o FGTS, INSS, PIS e segurados em geral; prestação de servi-
ços a outras instituições financeiras e a empresas de atividades complementares ou subsidiárias:
turismo, cartão de crédito, administração de bens, processamento de dados e armazéns gerais.

Caixa Econômica Federal
A Caixa Econômica Federal, criada em 1.861, está regulada pelo Decreto-Lei 759, de 12 de agosto
de 1969, como empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda. Trata-se de instituição asseme-
lhada aos bancos comerciais, podendo captar depósitos à vista, realizar operações ativas e efetuar
prestação de serviços. Uma característica distintiva da Caixa é que ela prioriza a concessão de em-
préstimos e financiamentos a programas e projetos nas áreas de assistência social, saúde, educação,
trabalho, transportes urbanos e esporte. Pode operar com crédito direto ao consumidor, financiando
bens de consumo duráveis, emprestar sob garantia de penhor industri al e caução de títulos, bem
como tem o monopólio do empréstimo sob penhor de bens pessoais e sob consignação e tem o mo-
nopólio da venda de bilhetes de loteria federal. Além de centralizar o recolhimento e posterior aplica-
ção de todos os recursos oriundos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), integra o
Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e o Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www.caixa.gov.br

Cooperativas de Crédito
As cooperativas de crédito observam, além da legislação e normas do sistema financeiro, a Lei 5.764,
de 16 de dezembro de 1971, que define a política nacional de cooperativismo e institui o regime jurí-
dico das sociedades cooperativas. Atuando tanto no setor rural quanto no urbano, as cooperativas de
crédito podem se originar da associação de funcionários de uma mesma empresa ou grupo de em-
presas, de profissionais de determinado segmento, de empresários ou mesmo adotar a livre admis-
são de associados em uma área determinada de atuação, sob certas condições. Os eventuais lucros
auferidos com suas operações - prestação de serviços e oferecimento de crédito aos cooperados -
são repartidos entre os associados. As cooperativas de crédito devem adotar, obrigatoriamente, em
sua denominação social, a expressão "cooperativa", vedada a utilização da palavra "banco". Devem
possuir o número mínimo de vinte cooperados e adequar sua área de ação às possibilidades de reu-
nião, controle, operações e prestações de serviços.
São Classificadas em: a) Singulares, quando são constituídas por no mínimo 20 pessoas físicas e
prestam assistência financeira a seus associados; b) Centrais ou Federações de Cooperativas, reu-
nindo no mínimo três cooperativas singulares e organizam os serviços financeiros e assistenciais
prestados a seus filiados; c) Confederações de Cooperativas reúnem no mínimo três cooperativas
centrais da mesma modalidade (de economia ou crédito mútuo ou popular ou de crédito rural).
CAPTAÇÃO: depósitos à vista e a prazo somente de associados; empréstimos, repasses e refinanci-
amentos de outras entidades financeiras; doações.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 23
APLICAÇÃO: concessão de crédito, somente a associados - desconto de títulos, abertura de crédito,
simples e em conta-corrente, crédito rural, repasse de recursos de instituições financeiras, adianta-
mentos a depositantes; aplicação de recursos no mercado financeiro (Resolução CMN 3.106, de
2003).
OPERAÇÕES ACESSÓRIAS: cobrança de títulos; recebimentos e pagamentos de conveniados; cor-
respondente no País; custódia.
OPERAÇÕES ESPECIAIS: aplicações financeiras temporárias de recursos ociosos.

Demais Instituições Financeiras

Agências de fomento
As agências de fomento têm como objeto social a concessão de financiamento de capital fixo e de
giro associado a projetos na unidade da federação onde tenham sede. Devem ser constituídas sob a
forma de sociedade anônima de capital fechado e estar sob o controle de unidade da federação, sen-
do que cada unidade só pode constituir uma agência. Tais entidades têm status de instituição finan-
ceira, mas não podem captar recursos junto ao público, recorrer ao redesconto, ter conta de reserva
no banco central, contratar depósitos interfinanceiros na qualidade de depositante ou de depositária e
nem ter participação societária em outras instituições financeiras. De sua denominação social deve
constar a expressão "agência de fomento" acrescida da indicação da unidade da federação control a-
dora. É vedada a sua transformação em qualquer outro tipo de instituição integrante do sistema fi-
nanceiro nacional. As agências de fomento devem constituir e manter, permanentemente, fundo de
liquidez equivalente, no mínimo, a 10% do valor de suas obrigações, a ser integralmente aplicado em
títulos públicos federais. (Resolução CMN 2.828, de 2001).

Associações de poupança e empréstimo
As associações de poupança e empréstimo são constituídas sob a forma de sociedade civil, sendo de
propriedade comum de seus associados. Os depositantes dessas entidades são consi derados acio-
nistas da associação e, por isso, não recebem rendimentos, mas dividendos. Os recursos dos deposi-
tantes são, assim, classificados no patrimônio líquido da associação e não no passivo exigível (Reso-
lução CMN 52, de 1967).
CAPTAÇÃO: emissão de letras e cédulas hipotecárias; depósitos de poupança dos associados; refi-
nanciamentos concedidos pela CEF; empréstimos e financiamentos contraídos no exterior; depósitos
interfinanceiros.
APLICAÇÃO: financiamentos habitacionais aos associados; financiamentos de empreendimentos de
construção de habitações para venda aos associados.
OPERAÇÕES DE FAIXA LIVRE: financiamentos habitacionais não contemplados pelo SFH; financi-
amento de capital de giro a empresas produtoras e distribuidoras de materiais de construção; financi-
amento de capital de giro a empresas incorporadoras; aquisição de títulos da dívida pública; aquisi-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 24
ção de direitos creditórios de outras instituições financeiras; arrendamento mercantil de bens imóveis
para o próprio vendedor; aquisição de direitos creditórios de contratos de arrendamento mercantil;
depósitos interfinanceiros; empréstimos hipotecários; financiamentos imobiliários não habitacionais.

Bancos de desenvolvimento
Os bancos de desenvolvimento são instituições financeiras controladas pelos governos estaduais, e
têm como objetivo precípuo proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessá-
rios ao financiamento, a médio e a longo prazos, de programas e projetos que visem a promover o
desenvolvimento econômico e social do respectivo Estado. Devem ser constituídos sob a forma de
sociedade anônima, com sede na capital do Estado que detiver seu controle acionário, devendo ado-
tar, obrigatória e privativamente, em sua denominação social, a expressão "Banco de Desenvolvimen-
to", seguida do nome do Estado em que tenha sede (Resolução CMN 394, de 1976).
CAPTAÇÃO: depósitos a prazo, empréstimos externos, emissão ou endosso de cédulas hipotecárias,
emissão de cédulas pignoratícias de debêntures e de Títulos de Desenvolvimento Econômico.
APLICAÇÃO: empréstimos e financiamentos, dirigidos prioritariamente ao setor privado.

Bancos de investimento
Os bancos de investimento são instituições financeiras privadas especializadas em operações de
participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimen-
to de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros. Devem ser constituídos sob a
forma de sociedade anônima e adotar, obrigatoriamente, em sua denominação social, a expressão
“Banco de Investimento”. Não possuem contas correntes e captam recursos via depósitos a prazo,
repasses de recursos externos, internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles admi-
nistrados. Não podem atuar nas bolsas de valores, somente o fazem através de uma corretora.
CAPTAÇÃO: depósitos a prazo fixo; empréstimos externos; empréstimos no País oriundos de recur-
sos de instituições financeiras oficiais; emissão ou endosso de cédulas hipotecárias; emissão de certi-
ficados de depósitos de valores mobiliários em garantia; emissão de cédulas pignoratícias de debên-
tures.
APLICAÇÃO: financiamento de capital de giro e capital fixo, subscrição ou aquisição de títulos e val o-
res mobiliários, depósitos interfinanceiros; repasses de empréstimos externos (Resolução CMN
2.624, de 1999); repasse de recursos oficiais; repasse de empréstimos externos; arrendamento mer-
cantil; operações com entidades públicas; crédito rural; financiamento de projetos de programas de
fomento.
OPERAÇÕES ESPECIAIS: administração de fundos de investimentos e de carteiras de títulos e valo-
res mobiliários; distribuição, intermediação ou colocação no mercado de títulos e valores mobiliários;
custódia e recebimento de rendimentos de títulos e valores mobiliários; operações compromissadas;
fiança, aval ou coobrigações assumidas; operações de câmbio; operações de compra e venda de
ouro no mercado físico.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 25
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criado em 1952 como autar-
quia federal, foi enquadrado como uma empresa pública federal, com personalidade jurídica de direito
privado e patrimônio próprio, pela Lei 5.662, de 21 de junho de 1971. O BNDES é um órgão vinculado
ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e tem como objetivo apoiar empre-
endimentos que contribuam para o desenvolvimento do país. Suas linhas de apoio contemplam finan-
ciamentos de longo prazo e custos competitivos, para o desenvolvimento de projetos de investimen-
tos e para a comercialização de máquinas e equipamentos novos, fabricados no país, bem como para
o incremento das exportações brasileiras. Contribui, também, para o fortalecimento da estrutura de
capital das empresas privadas e desenvolvimento do mercado de capitais. A BNDESPAR, subsidiária
integral, investe em empresas nacionais através da subscrição de ações e debêntures conversíveis.
O BNDES considera ser de fundamental importância, na execução de sua política de apoio, a obser-
vância de princípios ético-ambientais e assume o compromisso com os princípios do desenvolvimento
sustentável. As linhas de apoio financeiro e os programas do BNDES atendem às necessidades de
investimentos das empresas de qualquer porte e setor, estabelecidas no país. A parceria com institui-
ções financeiras, com agências estabelecidas em todo o país, permite a disseminação do crédito,
possibilitando um maior acesso aos recursos do BNDES. Maiores informações poderão ser encontra-
das no endereço: www.bndes.gov.br

Companhias hipotecárias
As companhias hipotecárias são instituições financeiras constituídas sob a forma de sociedade anô-
nima, que têm por objeto social conceder financiamentos destinados à produção, reforma ou comer-
cialização de imóveis residenciais ou comerciais aos quais não se aplicam as normas do Sistema
Financeiro da Habitação (SFH).
CAPTAÇÃO: letras hipotecárias, debêntures, empréstimos e financiamentos no País e no Exterior.
APLICAÇÃO: financiamentos imobiliários residenciais ou comerciais, aquisição de créditos hipotecá-
rios, refinanciamentos de créditos hipotecários e repasses de recursos para financiamentos imobili á-
rios.
OPERAÇÕES ESPECIAIS: administração de créditos hipotecários de terceiros e de fundos de inves-
timento imobiliário (Resolução CMN 2.122, de 1994).

Cooperativas centrais de crédito
As cooperativas centrais de crédito, formadas por cooperativas singulares, organizam em maior esca-
la as estruturas de administração e suporte de interesse comum das cooperativas singulares filiadas,
exercendo sobre elas, entre outras funções, supervisão de funcionamento, capacitação de admini s-
tradores, gerentes e associados, e auditoria de demonstrações financeiras (Resolução CMN 3.106,
de 2003).



PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 26
Sociedades de crédito, financiamento e investimento
As sociedades de crédito, financiamento e investimento, também conhecidas por financeiras, foram
instituídas pela Portaria do Ministério da Fazenda 309, de 30 de novembro de 1959. São instituições
financeiras privadas que têm como objetivo básico a realização de financiamento para a aquisição de
bens, serviços e capital de giro. Devem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima e na sua
denominação social deve constar a expressão "Crédito, Financiamento e Investimento". Tais entida-
des captam recursos por meio de aceite e colocação de Letras de Câmbio (Resolução CMN 45, de
1966).
CAPTAÇÃO: recursos obtidos com o aceite de letras de câmbio; depósitos de acionistas; repasses de
instituições oficiais para programas específicos; mercado interfinanceiro.
APLICAÇÃO: financiamento de bens e serviços a pessoas físicas e jurídicas; financiamento de capital
de giro a pessoas jurídicas; refinanciamento de operações de arrendamento mercantil.

Sociedades de crédito imobiliário
As sociedades de crédito imobiliário são instituições financeiras criadas pela Lei 4.380, de 21 de a-
gosto de 1964, para atuar no financiamento habitacional. Devem ser constituídas sob a forma de so-
ciedade anônima, adotando obrigatoriamente em sua denominação social a expressão "Crédito Imo-
biliário". (Resolução CMN 2.735, de 2000).
CAPTAÇÃO: depósitos de poupança; emissão de letras e cédulas hipotecárias; emissão de letras
imobiliárias; refinanciamentos concedidos pela CEF; depósitos interfinanceiros.
APLICAÇÃO: financiamento para construção de habitações; abertura de crédito para compra ou
construção de casa própria; financiamento de capital de giro a empresas incorporadoras, produtoras
e distribuidoras de material de construção.
OPERAÇÕES DE FAIXA LIVRE: financiamentos habitacionais não contemplados pelo SFH; financi-
amento de capital de giro a empresas produtoras e distribuidoras de materiais de construção; financi-
amento de capital de giro a incorporadoras; aquisição de títulos da dívida pública; aquisição de direi-
tos creditórios de outras instituições financeiras; arrendamento mercantil de bens imóveis celebrado
com o próprio vendedor do bem; aquisição de direitos creditórios de contratos de arrendamento mer-
cantil; depósitos interfinanceiros; empréstimos hipotecários; financiamentos imobiliários não habita-
cionais.

Sociedades de crédito ao microempreendedor
As sociedades de crédito ao microempreendedor, criadas pela Lei 10.194, de 14 de fevereiro de
2001, são entidades que têm por objeto social exclusivo a concessão de financiamentos e a presta-
ção de garantias a pessoas físicas, bem como a pessoas jurídicas classificadas como microempre-
sas, com vistas a viabilizar empreendimentos de natureza profissional, comercial ou industrial de pe-
queno porte. São impedidas de captar, sob qualquer forma, recursos junto ao público, bem como
emitir títulos e valores mobiliários destinados à colocação e oferta públicas. Devem ser constituídas
sob a forma de companhia fechada ou de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, ado-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 27
tando obrigatoriamente em sua denominação social a expressão “Sociedade de Crédito ao Microem-
preendedor”, vedada a utilização da palavra “Banco” (Resolução CMN 2.874, de 2001).

Outros Intermediários Financeiros e Administradores de Recursos de Terceiros

Administradoras de consórcio
As administradoras de consórcio são pessoas jurídicas prestadoras de serviços relativos à formação,
organização e administração de grupos de consórcio, cujas operações estão estabelecidas na Lei
5.768, de 20 de dezembro de 1971. Ao Banco Central do Brasil (Bacen), por força do disposto no art.
33 da Lei 8.177, de 1º de março de 1991, cabe autorizar a constituição de grupos de consórcio, a
pedido de administradoras previamente constituídas sem interferência expressa da referida Autarqui-
a, mas que atendam a requisitos estabelecidos, particularmente quanto à capacidade financeira, eco-
nômica e gerencial da empresa. Também cumpre ao Bacen fiscalizar as operações da espécie e
aplicar as penalidades cabíveis. Ademais, com base no art. 10 da Lei 5.768, o Bacen pode intervir
nas empresas de consórcio e decretar sua liquidação extrajudicial. O grupo é uma sociedade de fato,
constituída na data da realização da primeira assembléia geral ordinária por consorciados reunidos
pela administradora, que coletam poupança com vistas à aquisição de bens, conjunto de bens ou
serviço turístico, por meio de autofinanciamento (Circular BCB 2.766, de 1997).

Sociedades de arrendamento mercantil
As sociedades de arrendamento mercantil são constituídas sob a forma de sociedade anônima, de-
vendo constar obrigatoriamente na sua denominação social a expressão "Arrendamento Mercantil".
São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 2.309, de 1996).
CAPTAÇÃO: emissão de debêntures (principal forma de captação); dívida externa; cessão de direitos
creditórios de contratos de arrendamento mercantil; cessão de contratos de arrendamento mercantil;
pode negociar CDIs.; empréstimos e financiamentos de instituições financeiras; repasses de institui-
ções financeiras oficiais em programas especiais.
APLICAÇÃO: arrendamento mercantil de bens móveis, de produção nacional ou estrangeira, e bens
imóveis adquiridos pela entidade arrendadora para fins de uso próprio do arrendatário; títulos da dívi-
da pública, cessão de direitos creditórios.

Sociedades corretoras de câmbio
As sociedades corretoras de câmbio são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por quo-
tas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social a expressão "Corretora
de Câmbio". Têm por objeto social exclusivo a intermediação em operações de câmbio e a prática de
operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes. São supervisionadas pelo Banco Central do
Brasil (Resolução CMN 1.770, de 1990).

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 28
Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários
As sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de sociedade
anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. Dentre seus objetivos estão: operar em bolsas
de valores, subscrever emissões de títulos e valores mobiliários no mercado; comprar e vender títulos
e valores mobiliários por conta própria e de terceiros; encarregar-se da administração de carteiras e
da custódia de títulos e valores mobiliários; exercer funções de agente fiduciário; instituir, organizar e
administrar fundos e clubes de investimento; emitir certificados de depósito de ações e cédulas pigno-
ratícias de debêntures; intermediar operações de câmbio; praticar operações no mercado de câmbio
de taxas flutuantes; praticar operações de conta margem; realizar operações compromissadas; prati-
car operações de compra e venda de metais preciosos, no mercado físico, por conta própria e de
terceiros; operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros. São super-
visionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 1.655, de 1989). Os FUNDOS DE INVES-
TIMENTO, administrados por corretoras ou outros intermediários financeiros, são constituídos sob
forma de condomínio e representam a reunião de recursos para a aplicação em carteira diversificada
de títulos e valores mobiliários, com o objetivo de propiciar aos condôminos valorização de quotas, a
um custo global mais baixo. A normatização, concessão de autorização, registro e a supervisão dos
fundos de investimento são de competência da Comissão de Valores Mobiliários.

Clubes de investimento
Os clubes de investimento correspondem a associações voluntárias de investidores que se consorci-
am com a finalidade de realizar aplicações no mercado acionário, administrando diretamente essas
carteiras com a assistência e a assessoria das Sociedades Corretoras e Distribuidoras.
Muito embora o clube objetive basicamente o investimento em ações, outros ativos financeiros são
passíveis de aquisição. Além de debêntures conversíveis em ações, podem, em caráter excepcional,
ser adquiridos títulos de renda fixa, especificamente debêntures simples e títulos públicos. Isso signi-
fica que um administrador de carteira ágil pode vender toda a posição de ações, se julgar que a bolsa
irá entrar em fase de baixa, desde que essa situação seja eventual. Por outro lado, pode concentrar
todos os recursos em ações, se assim o desejar.

Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários
As sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de socieda-
de anônima ou por quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social
a expressão "Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários". Algumas de suas atividades: intermedei-
am a oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; administram e custodi-
am as carteiras de títulos e valores mobiliários; instituem, organizam e administram fundos e clubes
de investimento; operam no mercado acionário, comprando, vendendo e distribuindo títulos e valores
mobiliários, inclusive ouro financeiro, por conta de terceiros; fazem a intermediação com as bolsas de
valores e de mercadorias; efetuam lançamentos públicos de ações; operam no mercado aberto e
intermedeiam operações de câmbio. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução
CMN 1.120, de 1986).

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 29
Bolsas de mercadorias e futuros
As bolsas de mercadorias e futuros são associações privadas civis, sem finalidade lucrativa, com
objetivo de efetuar o registro, a compensação e a liquidação, física e financeira, das operações reali-
zadas em pregão ou em sistema eletrônico. Para tanto, devem desenvolver, organizar e operacional i-
zar um mercado de derivativos livre e transparente, que proporcione aos agentes econômicos a opor-
tunidade de efetuarem operações de hedging (proteção) ante flutuações de preço de commodities
agropecuárias, índices, taxas de juro, moedas e metais, bem como de todo e qualquer instrumento ou
variável macroeconômica cuja incerteza de preço no futuro possa influenciar negativamente suas
atividades. Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa e são fiscalizadas pela Co-
missão de Valores Mobiliários.

Bolsas de valores
As bolsas de valores são associações privadas civis, sem finalidade lucrativa, com objetivo de manter
local adequado ao encontro de seus membros e à realização, entre eles, de transações de compra e
venda de títulos e valores mobiliários pertencentes a pessoas jurídicas públicas e privadas, em mer-
cado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado por seus membros e pela Comissão de
Valores Mobiliários. Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa (Resolução CMN
2.690, de 2000).

Sociedades seguradoras
São entidades, constituídas sob a forma de sociedades anônimas, especializadas em pactuar contra-
to, por meio do qual assumem a obrigação de pagar ao contratante (segurado), ou a quem este de-
signar, uma indenização, no caso em que advenha o risco indicado e temido, recebendo, para isso, o
prêmio estabelecido. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www.susep.gov.br

Sociedades de Capitalização
São entidades, constituídas sob a forma de sociedades anônimas, que negociam contratos (títulos de
capitalização) que têm por objeto o depósito periódico de prestações pecuniárias pelo contratante, o
qual terá, depois de cumprido o prazo contratado, o direito de resgatar parte dos valores depositados
corrigidos por uma taxa de juros estabelecida contratualmente; conferindo, ainda, quando previsto, o
direito de concorrer a sorteios de prêmios em dinheiro. Maiores informações poderão ser encontradas
no endereço: www.susep.gov.br

Entidades abertas de previdência complementar
São entidades constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo insti-
tuir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continua-
da ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas. São regidas pelo Decreto-Lei 73, de
21 de novembro de 1966, e pela Lei Complementar 109, de 29 de maio de 2001. As funções do órgão

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 30
regulador e do órgão fiscalizador são exercidas pelo Ministério da Fazenda, por intermédio do Conse-
lho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www.susep.gov.br

As entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão)
São organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos e são acessíveis,
exclusivamente, aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas ou aos servidores da Uni-
ão, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entes denominados patrocinadores ou aos
associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denomina-
das instituidores. As entidades de previdência fechada devem seguir as diretrizes estabelecidas pelo
Conselho Monetário Nacional, por meio da Resolução 3.121, de 25 de setembro de 2003, no que
tange à aplicação dos recursos dos planos de benefícios. Também são regidas pela Lei Complemen-
tar 109, de 29 de maio de 2001. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço:
www.previdenciasocial.gov.br

Factoring
As empresas de factoring não são instituições financeiras. São empresas comerciais que operam por
meio de aquisições de duplicatas, cheques e etc., de forma similar a uma operação de desconto ban-
cário. A diferença fundamental é que o risco do título negociado passa a ser de exclusiva competên-
cia da empresa de factoring, eximindo a empresa-cliente das responsabilidades de recebimento. Para
isso, cobram juros, repassando ao cliente os resultados líquidos no ato da operação.
O factoring não é considerado uma operação financeira de crédito, e sim uma transferência (cessão)
plena dos créditos da empresa produtora para o factor, isto é, uma aquisição definitiva dos valores
recebíveis, inclusive do risco inerente ao pagamento desses valores.
As empresas de factoring têm como fonte de recursos, principalmente, os fundos próprios e emprési-
mos bancários.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FORTUNA, E. Mercado Financeiro: Produtos e Serviços. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.
GALBRAITH, J. K. Moeda: de onde veio, para onde foi. São Paulo: Pioneira, 1977.
www.bcb.gov.br

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 31
2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO




2.1. INTRODUÇÃO
O mercado financeiro costuma ser subdividido em “mercados” que apresentam determinadas caracte-
rísticas que os distinguem uns dos outros, para melhor entendimento das operações realizadas e
suas finalidades.
As finalidades de atuação no mercado podem ser: obter liquidez, intermediar recursos entre deficitá-
rios e superavitários, aplicar disponibilidades, obter moeda estrangeira, obter proteção contra vari a-
ção de resultados de forma inesperada, financiar operações de capital de giro, financiar capital fixo,
trocar posições, etc.
A subdivisão geralmente é feita em: mercado monetário; mercado de crédito; mercado de capitais e
mercado cambial.

2.2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO AOS TIPOS E AS FINALIDADES
DAS OPERAÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO PRATICADAS

Segmentação dos Mercados Financeiros

Segmentos Prazos Finalidade
Intermediário Finan-
ceiro
Mercado de crédito Curto, médio e aleatório Financiamento do con-
sumo pessoal e capital
de giro das empresas
Bancário e não-
bancário
Mercado de capitais Médio, longo e indeter-
minado
Financiamento de capi-
tal de giro, capital fixo
das empresas
Não-bancário
Mercado Monetário Curto e curtíssimo Controle da liquidez
monetária da economia
e suprimentos momen-
tâneos de caixa
Bancário e não-
bancário
Mercado cambial Curto e à vista Transformação de valo-
res em moeda estran-
geira em nacional e
vice-versa.
Bancário e auxiliares
(Sociedades Correto-
ras)

2.2.1. Mercado Monetário
É o segmento em que se realizam operações de curto e de curtíssimo prazos. É por meio desse mer-
cado que os agentes econômicos e os próprios intermediários financeiros suprem suas necessidades

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 32
momentâneas de caixa. A liquidez desse segmento de mercado é regulada por operações abertas
pelas autoridades monetárias, via colocação, recompra e resgate de títulos da dívida pública de curto
prazo.

Mercado Aberto (Open market)
É um mercado sem limitações de local específico, em que o Governo negocia títulos públicos, por
intermédio do Banco Central, com o objetivo principal de praticar a política econômica: determinar a
taxa de juros de mercado dos títulos públicos, que serve de referência, ou de piso, para as demais
taxas praticadas no sistema financeiro.

SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia
Sistema desenvolvido pelo Banco Central e pela ANDIMA (Associação Nacional das Instituições do
Mercado Aberto) para realizar e controlar a liquidação e custódia nas operações com títulos públicos.
A taxa Selic é:
a taxa apurada no Selic, obtida mediante o cálculo da taxa média ponderada e ajustada das
operações de financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no
referido Sistema na forma de operações compromissadas.
Esclarecemos que, neste caso, as operações compromissadas são operações de venda de tí-
tulos com compromisso de recompra assumido pelo vendedor, conjugadamente com compro-
misso de revenda assumido pelo comprador, para liquidação no dia útil seguinte.
Ressaltamos, ainda, que estão aptas a realizar operações compromissadas, por um dia útil,
fundamentalmente as instituições financeiras habilitadas, tais como bancos comerciais, bancos
de investimento, corretoras e distribuidoras de valores.
10

Política Monetária
A política monetária consiste em controlar a oferta de moeda, a taxa de juros e o crédito. Na verdade,
a política monetária é controlar a taxa de juros, não obstante correntes de teoria econômica afirma-
rem o contrário, pois ficou comprovada a endogeneidade da moeda, ou seja, o governo não conse-
gue controlar a oferta de moeda e ela adéqua-se à demanda. Há vários motivos para que isso acon-
teça. Um dos principais é que o volume das chamadas quase-moedas (ativos de altíssima liquidez-
M4) é muitas vezes maior que o volume dos meios de pagamento (M1). Mas há duas questões que
explicam claramente o porquê de a política monetária apenas determinar a taxa de juros.
Primeiro deve ser observado que há uma escolha necessária, um trade off, entre determinar a taxa
de juros e controlar a oferta de moeda. Nos modelos apresentados em manuais (monetarista, neo-
clássico, de Keynes, keynesiano IS-LM), a oferta de moeda é exógena, sendo representada grafica-
mente como uma reta vertical, totalmente inelástica em relação à taxa de juros. Observando os gráfi-
cos que mostram as práticas de política monetária, a partir dessa abordagem (moeda exógena),
constatamos que há que se optar entre controlar ou a oferta de moeda ou a taxa de juros.

10
Definição obtida em http://www.bcb.gov.br/?SELICDESCRICAO. Acesso em 25.02.04

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 33
Com efeito, se a política é manter a oferta de moeda sob controle (Gráfico 1), fixando-a em um de-
terminado valor – digamos, R$ X –, caso ocorra uma diminuição da demanda por moeda de D
1
para
D
2
, a taxa de juros diminuirá de j
1
para j
2
, já que a oferta de moeda permanece em O
1.
De outro modo,
se a política é fixar a taxa de juros (Gráfico 2), quando a demanda por moeda varia de D
1
para D
2
, o
banco central tem que ajustar a oferta de moeda à demanda, variando de O
1
para O
2
, de forma que
se situe no ponto em que a taxa de juros de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda seja a que
se fixou como objetivo da política monetária, j
1
.

Gráfico 1: Controle da Oferta de Moeda


j O
1


j
1


j
2

D
1



D
2


X M

Gráfico 2: Controle da Taxa de Juros


j O
2
O
1



j
1

D
1
D
2




X
2
X
1
M

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 34
Constata-se, portanto, que não é possível controlar a taxa de juros, sem ajustar a oferta de moeda à
demanda no ponto em que há o equilíbrio à taxa de juros desejada, e, também, não se pode controlar
a oferta de moeda sem deixar que a taxa de juros varie para alcançar novos pontos de equilíbrio, em
função de variações da demanda por moeda, mantendo-se a oferta fixa.
O Banco Central do Brasil, na verdade, tem que adotar a política monetária tida como “passiva”, ou
seja, controla a taxa de juros e não a base monetária, porque deve perseguir as metas de manuten-
ção dos níveis de poupança financeira, de combate à prática de retenção de estoques, de evitar a
fuga de capitais, de influenciar a taxa referencial (básica) e de conciliar com a política cambial. Além
disso, mas não menos importante, a fixação da base monetária provoca oscilações violentas nas
taxas de juros, fazendo com que o suposto benefício do controle da base seja menor que esse custo.
As oscilações acontecem porque dificilmente a demanda por “Reservas Bancárias” (o compulsório)
coincide com a oferta. Se o saldo agregado da conta “Reservas Bancárias” ultrapassa o compulsório,
o sistema rejeita esse saldo excedente, porque não é remunerado, tentando repassá-lo entre si. Com
isso, a taxa de juros aproxima-se de zero. De modo contrário, se há uma redução imprevista da liqui-
dez, a tendência será a taxa de juros elevar-se consideravelmente.
Portanto, conclui-se que há dois motivos para que se abandone a busca de impedir variações na
base monetária: em primeiro lugar, deve-se controlar a taxa de juros para que se alcancem os resul-
tados pretendidos de política econômica; em segundo lugar, o banco central tem que impedir oscil a-
ções violentas na taxa de juros, as quais aconteceriam sempre, se o valor da base monetária fosse
fixado pela autoridade monetária. Desse modo, a taxa de juros, quando aumentada, serve para con-
trolar a inflação, e, quando diminuída, serve para incentivar a atividade econômica.

A questão da determinação da taxa de juros
Atualmente, a política monetária funciona da seguinte maneira:
1) Se há indícios de que os preços estão subindo, ou seja, de que há inflação, o banco central eleva
as taxas de juros para desestimular o consumo e o investimento, fazendo com que o mercado
desaqueça e os vendedores não aumentem os preços.
2) Se há indícios de que os preços não sobem e a economia encontra-se em recessão, o banco
central diminui as taxas de juros para estimular o consumo e o investimento.
Num país com desequilíbrio na área externa, que precisa de moeda estrangeira para pagar sua dívi-
da externa e para fazer outras remessas para o exterior (como lucros), a taxa de juros é usada para
atrair o capital estrangeiro e evitar a sua saída, tornando possível cobrir o déficit em Transações Cor-
rentes
11
, sem recorrer à queima de reservas e sem tomar emprestado.
Num país assim, que é o caso do Brasil até ter acumulado um volume de reservas internacionais
satisfatório, se há falta de moeda estrangeira, ocorre que a demanda por dólares (no caso o dólar é a
moeda de troca internacional) fica maior que a oferta e, no mercado cambial, como qualquer merca-
doria o dólar sobe de preço (a taxa de câmbio aumenta – reais necessários para comprar um dólar,

11
Veja o conceito de Transações Correntes à frente no texto.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 35
R$/US$). Quando isso acontece, a inflação surge, porque os preços em reais dos produtos importa-
dos aumenta: a gasolina vai ter que ter seu preço aumentado em virtude do aumento do preço em
reais do petróleo que a Petrobras importa.
Portanto, há o risco do ataque especulativo contra a moeda do país. Vejamos como funciona um ata-
que especulativo. Um país como o Brasil recebe muito capital externo para investimento em ativos de
alta liquidez, como títulos públicos e blue chips. Esse capital é considerado especulativo. Se ele iden-
tificar rentabilidade maior no mercado financeiro exterior, irá vender seus ativos no país, converterá
os reais correspondentes em dólares, aumentando a demanda e provocando a elevação da taxa de
câmbio, e com isso provocará duas coisas, deixará o país com menos reservas internacionais e pro-
vocará inflação. Portanto, é importante para um país como o Brasil evitar esse ataque especulativo.
Mas, como isso pode ser feito?
Vamos abordar a questão a partir das colocações de Gustavo Franco (2002) que aponta os funda-
mentos da política monetária para a determinação da taxa de juros no período em que se perseguia a
manutenção da âncora cambial, do início do Plano Real – julho de 1994 – até a maxidesvalorização
de janeiro de 1999 (destacamos que o desequilíbrio externo persiste, ainda que menor).
Segundo ele, as taxas de juros domésticas devem ser tais que evitem entradas e saídas contínuas de
capital, que ocorrem por causa da “arbitragem internacional”, ou seja, no olhar do especulador inter-
nacional, as taxas internas tem que ser tão boas quanto as de fora, devem ter o mesmo risco.
Ao compararmos dois títulos do governo brasileiro: um título da dívida interna com juros prefixados e
um título da dívida externa que paga juros e amortizações, sendo que os títulos da dívida externa são
cotados diariamente no mercado internacional e trazem embutidos em sua rentabilidade o risco ine-
rente, o título da dívida interna deve oferecer o mesmo retorno.
O título da dívida externa é comprado com um desconto, fazendo com que os juros recebi dos efeti-
vamente sejam maiores que os contratuais. Para explicar como se determina o retorno do título da
dívida externa, Gustavo Franco mostra que em fevereiro (de 2002), um bônus podia ser comprado de
modo a oferecer um retorno de uns 14% a.a que pode ser decomposto em duas partes:
1) 2% que equivale à taxa de juros do Tesouro Americano.
2) 12% que é o chamado risco país
12
.
Essa deve ser a base de remuneração do título prefixado da dívida interna e a ela deve-se acrescen-
tar a desvalorização cambial. Portanto, para responder à questão sobre qual o juro doméstico de
equilíbrio, colocamos a seguinte fórmula matemática:
J = j
TA
+ R
B
+ c
Onde:
J = juros domésticos

12
O risco país é calculado pelas agências de rating e indica a capacidade do devedor, no caso o país, de cumprir suas obriga-
ções com os devedores. O risco país é dado em pontos percentuais que mostram a taxa acima do título do tesouro america-
no que se acresce à rentabilidade do título para cobrir o risco de inadimplência. Por exemplo, risco país de 1.500 pontos sig-
nifica 15% acima da remuneração do título do tesouro americano.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 36
j
TA
= taxa de juros do Tesouro dos EUA
R
B
= Risco Brasil
c = desvalorização cambial (expectativa)
O gráfico, a seguir, mostra os valores assumidos por essa taxa “atrativa”, calculada a partir dos juros
dos Fed Funds, a taxa de juros da política monetária nos EUA; mais o “risco Brasil”, obtido do JPMor-
gan, o Sovereign Spread
13
, o spread médio, oferecido pelos títulos da dívida externa brasileira, acima
da taxa dos títulos do Tesouro Americano; mais a desvalorização cambial de 8% a.a.
14
, verificada, no
período de 1995 a 1998, em que a política cambial era a de bandas.

Observamos que a taxa Selic não acompanhou esse modelo. Então, qual seria o modelo de determi-
nação da taxa? Há uma relação muito próxima entre a taxa Selic e o risco Brasil em que a taxa Selic
é um múltiplo do risco Brasil.

Podemos concluir, portanto, em vista do fato das taxas de juros do Tesouro Americano não terem se

13
Disponível em < http://morganmarkets.jpmorgan.com/mmrc/100/index/0,6922,-337-14--25|----1,00.html>.
14
Ver FRANCO (1999)
Taxa Selic e Taxa atrativa
% a.a.
10
30
50
70
90
110
130
150
170
jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov
Taxa SELIC Taxa Atrativa
1995 1996 1997 1998
Fonte: Banco Central e JPMorgan - elaboração do autor
Relação entre Risco Brasil e Taxa Selic
%
3
5
7
9
11
13
15
17
jan f ev abr jun jul set out dez f ev mar mai jul ago out nov jan mar abr jun ago set novdez f ev abr jun jul set out dez
15
25
35
45
55
65
75
85
Risco Brasil Taxa SELIC
1995 1998
Font e: Banco Cent ral e JPMorgan - elaboração do aut or
1996 1997

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 37
situado em níveis muito altos e da desvalorização média do câmbio ter sido de 8% a.a., no período
em questão, que o componente que tornava as taxas de juros internas tão altas era um múltiplo do
Risco Brasil.

Determinação da Taxa de Juros Selic
No Mercado Monetário se pratica a política monetária: negociação de títulos públicos, por parte do
Banco Central, no Selic, efetivando a taxa de juros determinada pelo COPOM (Comitê de Política
Monetária do Banco Central). É nesse mercado, também, que se procura obter, por meio de venda de
ativos ou por empréstimos, a liquidez (meios de pagamento) necessária para a realização de paga-
mentos.
Todo pagamento somente pode ser realizado com dinheiro (cédulas e moedas, também chamado de
papel-moeda) ou saques em conta-corrente (depósitos à vista). Como maneiras de realizar o saque
em conta-corrente, temos o cheque, o cartão de débito, ou outras formas de ordens de pagamento.
Pode ser alegado que há outras formas de pagamento como cartão de crédito, carnês, duplicatas
etc., mas essas são apenas formas de postergação do pagamento, pois, se, na data de vencimento
do prazo, não for feito o pagamento em dinheiro no caixa, será realizado um débito em conta-corrente
do pagador.
Portanto, o conceito de meios de pagamento (aquilo com o que se pode realizar pagamentos - a li-
quidez por excelência) refere-se a papel-moeda e a depósitos à vista
15
.
Entretanto, como liquidez das Instituições Financeiras não se incluem os depósitos à vista em outras
instituições financeiras, porque seria absurdo pagar pelo serviço de manter os recursos nesse tipo de
conta, em outra instituição, quando é possível mantê-los, sem custo, em seu próprio caixa.
Todavia, todas as instituições financeiras mantêm uma espécie de conta-corrente no Banco Central,
que funciona como os depósitos à vista de qualquer correntista das instituições financeiras, ou seja, a
conta não é remunerada e seu saldo pode ser sacado a qualquer momento. Por manter essas contas
e por atuar como emprestador de última instância para o sistema financeiro, o Banco Central é cha-
mado de Banco dos Bancos. Essa espécie de “conta-corrente” dos bancos no Banco Central é de-
nominada Reservas Bancárias e o conceito do saldo agregado da liquidez dos bancos, composto
pelo papel-moeda em caixa nas agências e pelas Reservas Bancárias, é denominado Base Monetá-
ria.
Todas as transações que realizam entre si as instituições financeiras, ou que envolvem o Banco Cen-
tral e uma instituição financeira necessitam de um lançamento na conta Reservas Bancárias das insti-
tuições financeiras envolvidas.
Os fatos geradores de lançamentos nas contas Reservas Bancárias são conhecidos como Fatores
Condicionantes da Liquidez. Os principais estão relacionados a seguir:
a) Resultado das Operações Cambiais: todas as movimentações com o exterior são registradas
no Banco Central. Há compra ou venda de moeda estrangeira de quem está movimentando
com uma instituição financeira e, depois, desta com o Banco Central. Por exemplo, um expor-

15
O montante agregado desses ativos para todo um país é chamado de M1.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 38
tador recebe dólares por meio de uma instituição financeira, que os compra e repassa o valor
correspondente, em reais, ao exportador. A instituição financeira, por seu lado, vende os dó-
lares para o Banco Central e o valor correspondente em reais é creditado na conta Reservas
Bancárias da instituição financeira.
b) Resultado das Operações com o Tesouro Nacional: a arrecadação de tributos é realizada a-
través dos bancos, que os recebem para repassá-los, depois, ao Tesouro Nacional. Os re-
passes do Tesouro também chegam ao destino final, por meio das contas Reservas Bancá-
rias.
c) Fundo de Participação de Estados e Municípios: repasse do Tesouro aos estados e municí-
pios.
d) Papel-Moeda em Poder do Público: todos os dias úteis, há um movimento dos bancos, sa-
cando e depositando nas contas Reservas Bancárias, para suprir a sociedade de dinheiro em
espécie (cédulas e moedas) em boas condições de uso, e retirando da circulação o dinheiro
imprestável. Geralmente, na parte da manhã, os bancos sacam o dinheiro para suprir suas
agências e esses saques são realizados a débito da conta Reservas Bancárias; e, no fim do
dia, depositam a crédito das contas Reservas Bancárias. Nas capitais onde há representação
do Banco Central, o movimento é feito diretamente nele; no interior, o Banco do Brasil atua
como representante do Banco Central, pagando os saques dos bancos nas contas Reservas
Bancárias e recebendo depósitos.
e) Outros (FAF, SBPE. etc.): repasses do Governo Federal para determinados fins, como em-
préstimos a juros baixos.
f) Extra-Mercado, Mercados Secundário e Primário: os resultados das operações com títulos
públicos, tanto no mercado primário (a primeira negociação, o lançamento, dos títulos no
mercado) quanto no secundário, são lançados a débito ou a crédito nas contas Reservas
Bancárias
g) Atuação do DEMAB (Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central) no
Mercado Secundário – Zeragem Automática: é na atuação do DEMAB na zeragem automáti-
ca que se efetiva a política monetária de determinação da taxa de juros no Selic.
Passamos, agora, a explicar como o Banco Central consegue efetivar a negociação dos títulos no
Selic, adotando a taxa de juros determinada pelo Copom.
Para entender como o Banco Central consegue determinar a taxa de juros, é necessário compreen-
der como funciona o mercado de Reservas Bancárias, no mercado monetário, onde as instituições
financeiras procuram satisfazer as suas necessidades de liquidez.
A conta Reservas Bancárias, como destacamos anteriormente, não é remunerada; portanto, as insti-
tuições não têm interesse em manter saldos nessa conta. Mas, por determinação do Banco Central,
há uma obrigatoriedade de manter um saldo na conta, que é conhecida como depósito compulsório.
O depósito compulsório foi instituído para evitar a expansão ilimitada do crédito. Se todo depósito
pudesse tornar-se crédito e, em seguida, depósito, não haveria como controlar a expansão monetá-
ria, com conseqüências graves no tocante ao controle da inflação pela autoridade monetária e no
controle da capacidade de fazer frente aos saques dos depositantes nos bancos. Se não houvesse

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 39
limitação à concessão do crédito, caso houvesse, por exemplo, cinco solicitações de crédito, um de-
pósito inicial de R$ 100,00 transformar-se-ia em um saldo de depósitos à vista de R$ 600,00, no ban-
co. Com o estabelecimento de um depósito compulsório de 40% do saldo de depósitos à vista, o de-
pósito inicial de R$ 100,00 tornar-se-ia, no final, apenas um saldo de R$ 238,34.
A tabela a seguir mostra o saldo final, após um número de solicitações de crédito que esgota a dispo-
nibilidade de crédito, levando em conta um compulsório de 40%.

DEPÓSITO COMPULSÓRIO (40%) DISPONIBILIDADE PARA CRÉDITO
1 R$ 100,00 R$ 40,00 R$ 60,00
2 R$ 60,00 R$ 24,00 R$ 36,00
3 R$ 36,00 R$ 14,40 R$ 21,60
4 R$ 21,60 R$ 8,64 R$ 12,96
5 R$ 12,96 R$ 5,18 R$ 7,78
6 R$ 7,78 R$ 3,11 R$ 4,67
7 R$ 4,67 R$ 1,87 R$ 2,80
8 R$ 2,80 R$ 1,12 R$ 1,68
9 R$ 1,68 R$ 0,67 R$ 1,10
10 R$ 1,10 R$ 0,44 R$ 0,66
11 R$ 0,66 R$ 0,26 R$ 0,40
12 R$ 0,40 R$ 0,16 R$ 0,24
E R$ 249,65

Então, a fórmula de cálculo da criação de depósitos à vista, a partir de um depósito inicial, é:
1
SD
COMP
= , sendo SD o saldo final dos depósitos à vista e COMP o percentual de compulsório
aplicado sobre os depósitos à vista. No nosso caso, com compulsório de 40%,
1
SD= =2,5
0,4
, isto é: o
depósito inicial fica multiplicado por 2,5. A diferença do resultado obtido na tabela deve-se a arredon-
damentos. Com o compulsório igual a 0, o depósito inicial seria multiplicado pelo número de solicita-
ções de crédito e SD tende a infinito.
Na verdade, o Banco Central fixa um depósito compulsório para todos os tipos de depósito: poupan-
ça, depósitos a prazo, etc., mesmo que o percentual aplicado seja 0%, devido às circunstâncias de
política econômica (expansão maior ou menor do crédito, obviamente com influências sobre a taxa de
juros).
Para mostrar como funciona o mercado de Reservas Bancárias, vamos utilizar o mais importante - o
compulsório sobre os depósitos à vista que, atualmente, é de 45%.
Para o cômputo do compulsório, as instituições financeiras são dividi das em dois grupos homogê-
neos, para os quais há o período de cálculo e o período de verificação. O fato é que as instituições
têm que manter depositados na conta Reservas Bancárias, no período de verificação, 45% do saldo
médio em depósitos à vista, apurado no período de cálculo.
Já que a conta Reservas Bancárias não é remunerada, manter um saldo acima do exigível pelo com-
pulsório é perder dinheiro, uma vez que os valores - que são sempre altos - poderiam estar sendo

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 40
aplicados. Por outro lado, se a instituição financeira estiver com saldo na conta Reservas Bancárias
abaixo do exigível, paga uma multa pesada. Assim, a demanda por Reservas Bancárias é exatamen-
te o compulsório.
Consideremos, então, duas situações:
1) Num momento em que há muita exportação, o Banco Central está comprando muitos dólares e
creditando a conta Reservas Bancárias das instituições, que ficarão com sobra de liquidez. Tendo
em vista que a conta Reservas Bancárias não é remunerada, procurarão aplicar o saldo exceden-
te ao compulsório, tentando conceder crédito ou mesmo emitindo CDIs e negociando com outras
instituições financeiras. Mas, se no final do dia, após todas as tentativas de negociação, ainda
sobrar um saldo agregado de todas as contas Reservas Bancárias, a taxa de juros poderá des-
pencar, pois as instituições aceitarão quaisquer taxas, mesmo que seja 0,1% a.a., para não man-
terem valores elevados sem remuneração.
2) Se ocorrerem muitas remessas de dólares ao exterior para pagamento de dívidas, o saldo agre-
gado das contas Reservas Bancárias pode ficar abaixo do compulsório. Nesse caso, as institui-
ções procurarão comprar Reservas Bancárias para não pagarem multa, e, para isso, podem ofe-
recer taxas de juros altíssimas pelo empréstimo, podendo chegar, por exemplo, a 100% a.a.
Na realidade, ocorrem as duas situações, em momentos alternados. Caso o Governo permitisse que
o mercado buscasse o equilíbrio entre a oferta e a demanda de Reservas Bancárias, ocorreriam osci-
lações muito fortes na taxa de juros, o que seria extremamente prejudicial à economia do país, uma
vez que os agentes econômicos não teriam horizontes possíveis para trabalhar. Sendo assim, o Go-
verno atua no mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos, para fixar a taxa de juros bá-
sica em determinado patamar, evitando as oscilações violentas e praticando a política monetária,
usando a taxa de juros básica para influir no comportamento de variáveis econômicas e para contro-
lar a inflação.
Podemos mostrar como a taxa de juros Selic (como fixada pelo Copom) é determinada no mercado
de Reservas Bancárias, utilizando o gráfico a seguir.
No gráfico, a reta vertical D representa a demanda por Reservas Bancárias, que é dada anteriormen-
te no período de cálculo e que, então, independe da taxa de juros e é exatamente o valor do compul-
sório: DR. Se a oferta de Reservas Bancárias aumenta de O
1
para O
2
, como ocorreria no primeiro
caso descrito acima, a taxa de juros de equilíbrio entre oferta e demanda de Reservas Bancárias
cairia de T
1
para T
2
.
O Banco Central, entretanto, fixou a taxa de juros básica, por exemplo, em 16,5%, T
1.
Para evitar a
oscilação na taxa e garantir que ela fique no nível determinado, 16,5%, ele diminui a oferta de Reser-
vas Bancárias, vendendo títulos públicos no Mercado Aberto, principalmente por meio de operações
compromissadas, de modo que a oferta de Reservas Bancárias volte a ser O
1
.





PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 41
Determinação da Taxa de Juros
Atuação do Banco Central na "zerada final"

Taxa de Juros
D O
1


O
2



T
1




T
2






DR Reservas Bancárias
Esse mecanismo de atuação do Banco Central é chamado de zeragem automática, pois, no final do
dia, ele iguala a oferta de Reservas Bancárias à demanda, não restando nenhum saldo a maior nem
a menor que o compulsório. E existem vantagens em ambos os casos a seguir: se o saldo agregado
está acima do compulsório e ele vende títulos públicos remunerando à taxa determinada, ainda as-
sim, qualquer remuneração é melhor do que nada; já se o saldo está abaixo do compulsório e ele
compra títulos públicos recebendo a taxa que fixar, de qualquer forma, para a instituição financeira é
melhor pagar essa taxa do que pagar multa.
Portanto, desse modo, o Banco Central consegue que a taxa praticada no Selic seja a fixada pelo
Copom, que tanto pode ser 0,5% a.a. quanto 100% a.a, que as instituições financeiras negociarão os
títulos.

2.2.2. Mercado de Crédito
É o segmento que atende aos agentes econômicos quanto às suas necessidades de crédito de curto
e médio prazos. Particularmente, são atendidas solicitações de crédito para financiamento da aquisi-
ção de bens duráveis pelos consumidores e do capital de giro das empresas. A maior parte do supri-
mento desse tipo de crédito é feita pelos intermediários financeiros bancários e não-bancários.

2.2.3. Mercado Cambial
É o segmento em que se realizam operações de compra e venda de moedas estrangeiras conversí-
veis. Podem ocorrer operações a prazo (normalmente curto), para suprimento de necessidades mo-
mentâneas de moeda estrangeira, por exemplo, para fechamento de câmbio de incorporações. Inver-
samente, podem ser adquiridas divisas por antecipação, por exemplo, de exportadores que trocam,
antecipadamente, por moeda corrente do país, as divisas estrangeiras que receberão. As operações
nesse segmento de mercado são feitas sob a intermediação de instituições financei ras autorizadas,
bancárias e não-bancárias.
O
1
O
2
O
1

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 42
Política Cambial
A política cambial tem como meta a busca do equilíbrio nas contas externas, no Balanço de Paga-
mentos, do país. Portanto, para compreender como deve funcionar essa política devemos entender,
em primeiro lugar, o Balanço de Pagamentos. As suas contas identificam, com valores em dólares, as
movimentações entre o país e o estrangeiro.
Temos dois tipos de políticas, ou uma mistura de ambas: de taxa de câmbio fixo, quando o governo
determina o preço da moeda estrangeira, a taxa de câmbio; de taxa de câmbio flutuante, quando o
governo não interfere e a lei de oferta e procura determinará o preço do dólar. No Brasil, de 1995 a
janeiro de 1999, tivemos a taxa de câmbio fixa, podendo variar dentro de determi nadas bandas. Hoje,
temos um regime de taxas de câmbio flutuantes, com o governo apenas atuando no mercado, com-
prando ou vendendo dólares, quando há variações muito acentuadas.
Na verdade, o governo deve atuar para evitar grandes oscilações. Para a manutenção da taxa real no
mesmo nível deve-se provocar uma variação que incorpore a inflação local e no exterior. Se um ex-
portador vende um produto por U$ 1.000,00, e ocorre uma inflação interna de 10%, a taxa de câmbio
deve desvalorizar-se em 10%, para que ele receba 10% mais reais para cobrir os custos que aumen-
taram nessa proporção. Entretanto, se houve uma inflação no exterior de 5%, ele receberá 5% a mais
de dólares e a taxa de câmbio pode valorizar-se em 5%. Se a taxa era de R$ 1,00 / U$ 1,00, a atual
deverá ser de: desvalorização de 10% => R$ 1,10 / US$ 1,00; valorização de 5% => 1,0476
16
. Desse
modo, ao receber U$ 1.050,00 pela exportação, ele transformará em R$ 1.100,00. Em outras pal a-
vras, para manutenção da taxa de câmbio real, a taxa anterior deve ser multiplicada por um fator que
é igual ao resultado da divisão (1+ inflação no país) / (1 + inflação fora do país).
Se o governo, no entanto, quiser estimular as exportações e desestimular as importações, deverá
colocar a taxa acima desse nível e vice-versa. Mas, num regime de taxas flutuantes (como é o caso
brasileiro), o governo não age e o mercado, pela lei de oferta e procura, irá determinar a taxa. Assim,
no caso de déficit no Balanço, a tendência é de desvalorização, e, no caso de superávit, a tendência
é de valorização.
Há também a questão da taxa de câmbio de equilíbrio. Na verdade, o problema principal para o go-
verno é a dependência do capital estrangeiro (poupança externa). Um déficit em transações correntes
significa necessidade de poupança externa para equilibrar o Balanço de Pagamentos. Portanto, a
taxa de câmbio de equilíbrio é a que faz com que não haja déficit em transações correntes.
Mas, de modo geral, quando há queda continuada das reservas internacionais, podemos esperar
aumento da taxa de câmbio, e, quando há aumento da oferta de dólares, podemos esperar diminui-
ção do preço do dólar.
Veja, por exemplo, no período que antecedeu a maxi-desvalorização de janeiro de 1999. Até meados
de janeiro de 1999 a taxa de câmbio era fixa no regime de bandas. O governo segurou a taxa muito
abaixo do preço de mercado, pois a oferta vinha diminuindo, até que não pode segurar mais. Observe
no gráfico a seguir que as reservas internacionais caem abruptamente: de US$ 75 bilhões em abril de
1998 a US$ 36 bilhões em janeiro de 1999. Como a oferta caiu muito, o preço do dólar, a taxa de

16
Tx. de Câmbio = 1.100 / 1.050.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 43
câmbio deveria aumentar. O Governo tentou colocar um limite superior da banda mais alto, mas foi
menor do que o esperado pelo mercado e daí não conseguiu segurar a cotação, liberando a taxa que
passou de R$1,2 / US$ em dezembro de 1994 para R$1,91 / US$ em fevereiro de 1999, uma alta de
59%.

Observe também no gráfico que havia um período de queda da taxa de câmbio ocorreu, por causa da
elevação das reservas, de outubro de 2001 a abril de 2002, e que, em seguida, houve uma alta ele-
vada da taxa de câmbio até outubro de 2002, com decrescimento das reservas. Esse fato é explicado
pelo medo dos investidores estrangeiros diante da grande probabilidade da eleição de Lula, que os
levou a retirar recursos do país. Após compromissos assumidos pelo novo governo de não contrariar
os interesses do capital especulativo internacional, este voltou, as reservas cresceram e a taxa de
câmbio vem caindo desde então.
Portanto, é importante acompanhar a evolução das Reservas Internacionais para saber se a taxa de
câmbio vai subir ou não. Esse acompanhamento deve ser feito através da leitura analítica das contas
e subcontas do balanço de pagamentos para acompanhar tendências e tentar fazer previsões.

O Balanço de Pagamentos
O Balanço de Pagamentos indica os registros das movimentações em moeda estrangeira do país
com o exterior e vice-versa. O Balanço de Pagamentos tem o formato do quadro abaixo, se conside-
rarmos as principais contas e subcontas. A conta de transações correntes apresenta o saldo das mo-
vimentações da balança comercial: exportações de bens e serviços menos importações; mais o saldo
da conta serviços que inclui o pagamento por serviços realizados como transportes, seguros, aluguéis
de equipamentos, royalties, etc; mais o saldo dos pagamentos da conta de rendas: salários, lucros,
dividendos, bonificações, juros, etc. Geralmente as contas de serviços e rendas de um país em de-
senvolvimento como o Brasil têm um saldo negativo que, se não for coberto por um superávit da ba-
lança comercial gerará a necessidade de financiamento externo. A conta de Capital e Financeira re-
Relação entre Taxa de Câmbio e Reservas Internacionais
Brasil 1995 - 2005
0,8
1,0
1,2
1,4
1,6
1,8
2,0
2,2
2,4
2,6
2,8
3,0
3,2
3,4
3,6
3,8
4,0
jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai
R$ / US$
28.000
32.000
36.000
40.000
44.000
48.000
52.000
56.000
60.000
64.000
68.000
72.000
76.000 US$ milhões
Taxa de Câmbio Reservas Internacionais Fonte: Banco Central
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 44
gistra os movimentos de capitais e financeiros como investimento direto: aumento de capital de uma
empresa ou criação de uma nova; e investimentos na formação de portfólios de ações e renda fixa.
Com a finalidade de acompanhar a evolução da taxa de câmbio num regime de taxas flutuantes é
importante acompanhar e entender os determinantes dos fluxos nas diversas contas do Balanço de
Pagamentos
17
.
Balanço de Pagamentos
Transações correntes
Balança comercial (FOB)
Serviços
Rendas
Transferências unilaterais correntes
Conta capital e financeira
Conta capital
/

Conta financeira
Investimento direto (líquido)
Investimentos em carteira
Derivativos
Outros investimentos
/

Erros e omissões
Resultado do balanço

2.2.4. Mercado de Capitais
É o conjunto dos meios e instrumentos necessários à geração e distribuição de valores mobiliários. É
o segmento que atende aos agentes econômicos produtivos (na área pública e privada) quanto às
suas necessidades de financiamento de médio e, sobretudo, de longo prazos, essencialmente rel a-
cionados com investimentos em capital fixo. A maior parte dos recursos financeiros de longo prazo é
suprida por intermediários financeiros não-bancários. As operações que se realizam nas bolsas de
valores (particularmente com ações) são parte integrante desse mercado.

2.2.5. Mercado de Derivativos
Derivativos são instrumentos financeiros que derivam de outros. O contrato derivativo deriva de um
valor ligado a um ativo: commodities, ações, taxas de juros, moeda estrangeira etc. As transações

17
Na Nota Técnica 1, disponível na página do Banco Central (www.bcb.gov.br) há a explicação detalhada de cada conta.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 45
são realizadas nos mercados futuros, a termo, de opções, swaps
18
, etc.
O objetivo desses contratos é oferecer proteção contra prejuízos ocasionados por variações imprevi s-
tas nos valores de ativos, de taxas e de índices. Para garantir um determinado valor em reais, na data
do recebimento pelas suas vendas, um exportador faz um contrato futuro de venda de moeda estran-
geira a uma determinada taxa de câmbio. Obviamente, quem faz esse contrato com ele espera que a
taxa de câmbio esteja maior que a firmada no contrato.
Os participantes desse mercado são:
- Hedger: participa no intuito de conseguir hedge (proteção) contra variações não esperadas.
Procura, assim, minimizar os riscos de flutuações nos preços de ativos (moedas, ações,
commodities, etc.), índices e taxas de juros.
- Especulador: assume o risco do hedger, esperando obter ganhos financeiros.
- Arbitrador: atua em vários mercados ao mesmo tempo, aproveitando-se de diferenças de
preços entre eles.

2.3. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO A FORMA DE REMUNERAÇÃO E
CORREÇÃO MONETÁRIA
O mercado financeiro também pode ser secionado pelas características dos produtos quanto à renta-
bilidade e correção monetária. Temos então dois mercados distintos: de renda fixa e de renda vari á-
vel.

2.3.1 Renda Fixa
Investimentos de renda fixa são investimentos em títulos públicos e privados, nos quais a rentabilida-
de será proporcionada por uma taxa de juros prefixada ou pós-fixada. A taxa prefixada é a taxa defi-
nida no ato do investimento, portanto o investidor sabe qual será a rentabilidade. A taxa pós-fixada é
a rentabilidade dada por uma taxa de juros determinada no ato da aplicação, mais atualização mone-
tária estabelecida em função de um indexador, portando só é possível conhecer o total de rendimen-
tos no vencimento da operação. Indexadores mais conhecidos: IGPM - Índice Geral de Preços de
Mercado, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); IPCA - Índice de Preços ao Consumidor
Amplo, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Taxa Selic.

2.3.2 Renda Variável
Investimentos de renda variável são considerados investimentos de risco cuja rentabilidade depende
das condições futuras de mercado. Os exemplos mais comuns são os investimentos em ações e em
ativos financeiros, como ouro ou dólar.

18
Swap significa troca. No mercado, realizar swap significa trocar um item de um contrato por outro. Por exemplo, um devedor
de um empréstimo com juros pré-fixados acredita que a taxa de juros vai diminuir no futuro e propõe-se a trocar seu fluxo de
pagamentos futuros por outro, com juros pós-fixados. Por outro lado, um devedor com juros pós-fixados acredita que os ju-
ros vão subir. Então é realizado o swap das dívidas.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 46
2.3.3. Fundos de Investimento
Segundo a Anbid (Associação Nacional de Bancos de Investimento):
Um fundo de investimento é um condomínio que reúne recursos de um conjunto de investidores,
com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira de títulos ou valo-
res mobiliários.
Existem desde o século XIX, sendo que o primeiro foi criado na Bélgica e logo depois na Holanda,
França e Inglaterra. O primeiro fundo mútuo nos Estados Unidos iniciou suas operações em 1924,
e existe até hoje. No Brasil, o primeiro fundo iniciou suas atividades em 1957, e já em 1967, nasce
a ANBID.
Através dos fundos, os pequenos investidores têm acesso a melhores condições de mercado,
menores custos e contam com administração profissional, colocando-os em igualdade com os
grandes investidores.
Os fundos tornam possível a diversificação dos investimentos, através da aplicação em suas dife-
rentes classes, visando diluir o risco e aumentar o potencial de retorno. É válido também ressaltar
que os recursos dos fundos nunca se misturam aos da instituição administradora.
Atualmente funcionam sobre a autorização da CVM - Comissão de Valores Mobiliários, órgão res-
ponsável por sua regulação e fiscalização, buscando a proteção do investidor. A Instrução CVM
No. 409 dispõe sobre a constituição, a administração, o funcionamento e a divulgação de informa-
ções dos fundos de investimento, conceituados como: "uma comunhão de recursos constituída
sob a forma de condomínio, destinado à aplicação em títulos e valores mobiliários, bem como em
quaisquer outros ativos disponíveis no mercado financeiro e de capitais"
Cabe à ANBID auxiliar na construção, modernização e aperfeiçoamento da legislação de fundos
de investimento, influenciar e dar suporte à indústria para explorar adequadamente as oportunida-
des de crescimento e melhorar constantemente seus pilares.

Fundos de investimentos
Existem no Brasil desde o final da década de 50. Seu objetivo é a redução do risco inerente às apl i-
cações do mercado financeiro.
Os fundos mútuos de investimento são instrumentos de captação de pequenas poupanças do públi-
co, para investi-las nos mercados de ações e de renda fixa. São condomínios que reúnem os recur-
sos de vários investidores para aplicar em diversos ativos, como títulos públicos/privados, ações
CDB’s, etc.
As aplicações feitas em moeda (R$) são convertidas em números de quotas. Os recursos são obtidos
mediante a venda de cotas, as quais devem ser recompradas ou resgatadas quando o solicitarem. O
dinheiro é aplicado na formação de uma carteira de títulos. O patrimônio formado tem o seu valor
determinado pela cotação dos papéis que o compõem. O valor de cada cota, em cada momento (dia),
é obtido pela divisão do valor do patrimônio pelo número de cotas. Assim, caso haja valorização dos
títulos que constam da carreira, as cotas se valorizam também.
Todo fundo de investimento apresenta um regulamento próprio. O principal objetivo é obter maior
remuneração para os recursos aplicados, que totalizam no chamado patrimônio do Fundo. Dessa

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 47
forma, os investidores obtêm juntos uma remuneração maior em suas aplicações do que individual-
mente. Além disso, propicia uma redução do risco inerente às aplicações no mercado financeiro, visto
que é raro se ter investimento livre. Considera-se que o risco da carteira é diferenciado do risco do
ativo individual, pelo benefício da diversificação no mercado. Quando se forma uma carteira aplicando
em diferentes classes de ativos – Títulos de Renda Variável, Títulos de renda Fixa e Instrumentos de
Curto Prazo – minimiza-se o risco de sofrer perdas com investimentos, dada a diversificação da sua
carteira.
Essa modalidade de investimento, além de representar mais uma opção no mercado, favorece pe-
quenos e médios investidores, pois possibilita que invistam em ativos aos quais, de outra forma, não
teriam acesso, como os títulos públicos que não são vendidos diretamente ao pequeno investidor.
Atualmente, há no mercado os chamados Fundos de Investimento Financeiro – FIFs; os Fundos de
Aplicação em Cotas de Fundos de Investimento Financeiro - FAQs; os Fundos de Investimento no
Exterior - FIEX, e os Fundos de Investimento em Títulos e Valores Mobiliários - FITVM. Na verdade
quem aplica dinheiro num FAQ, aplica num fundo que irá aplicar seu patrimônio total num FIF. Os que
aplicam quantias pequenas aplicam em FAQs e somente quem aplica volumes maiores aplica no FIF.
O FAQ paga taxa de administração ao FIF e cobra também do aplicador. Portanto as menores taxas
de administração são as dos FIFs.
A legislação que rege os fundos de investimentos estabelece as seguintes espécies de fundos:
- Fundos de ações - Aplicam a maior parte de seus recursos em ações e/ou debêntures conversíveis
em ações;
- Fundos de renda fixa
19
- Aplicam a maior parte de seus recursos em títulos de renda fixa. Os índi-
ces que irão corrigir os investimentos são conhecidos a priori;
- Fundos de renda variável – A correção segue os preços do mercado.
As informações a seguir foram obtidas da página da Anbid, www.anbid.com.br
20
.

19
Os conceitos de renda fixa e renda variável serão vistos na próxima unidade.
20
Obtido em
<http://novosite.anbid.com.br/institucional/servlet/CalandraRedirect?temp=5&proj=ANBID&pub=T&comp=sec_A_ANBID&db=C
alSQL2000&docid=4EBDDD76E9B84E3C83256E3000620AF9>, acesso em 21/08/2005.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 48
Tipos de Fundo de Investimento – classificação ANBID

Categoria ANBID Tipo ANBID Riscos
Curto Prazo Curto Prazo DI/SELIC
Referenciados
Referenciado DI
Indexador de Referência
Referenciado Outros
Renda Fixa
Renda Fixa Juros
Renda Fixa Crédito Juros + Crédito
Renda fixa Multi-índices Juros + Crédito + Ind de preços
Renda fixa com Alavancagem Juros + Crédito + Ind de preços + Alavancagem
Multimercados
Balanceados
Diversas Classes de ativos
Multimercados Sem RV
Multimercados Com RV
Multimercados Sem RV Com Alavancagem
Multimercados Com RV Com Alavancagem
Capital Protegido
Investimento no Exterior Investimento no Exterior Títulos da dívida externa e taxa de câmbio
IBOVESPA
Ações IBOVESPA Indexado
Índice de Referência.
Ações IBOVESPA Ativos
Ações IBOVESPA Ativo Alavancado Índice de Referência + Alavancagem
IBX
Ações IBX Indexado
Indexador referência + Alavancagem
Ações IBX Ativo
Ações IBX Ativo Com Alavancagem Índice de Referência + Alavancagem
Ações Setoriais
Ações Setoriais Telecomunicações
Risco do Setor
Ações Setoriais Energia
Ações Outros
Ações Outros -
Ações Outros Com Alavancagem Alavancagem
Cambial
Cambial Dólar Indexado
Moeda de Referência.
Cambial Euro Indexado
Cambial Dólar sem alavancagem
Cambial Dólar com alavancagem Moeda de Referência + alavancagem
Cambial Outros sem alavancagem Variação das moedas
Cambial Outros com alavancagem Variação das moedas+alavancagem

Curto Prazo
Busca retorno por meio de investimentos em títulos indexados à CDI/Selic ou em papéis prefixados,
desde que indexados e/ou sintetizados para CDI/Selic; de emissão do Tesouro Nacional (TN) e/ou do
BACEN; com prazo máximo a decorrer de 375 dias e prazo médio da carteira de, no máximo, 60 dias.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 49
É permitida, também, a realização de Operações Compromissadas, desde que: sejam indexadas à
CDI/Selic; lastreadas em títulos do TN ou do BACEN e com contraparte classificada como baixo risco
de crédito. No caso específico da contraparte ser o BACEN é permitida a operação pré fixada com
prazo máximo de 7 dias, desde que corresponda a períodos de feriados prol ongados; ou de 60 dias,
desde que indexada à CDI/Selic.

Referenciados
Os fundos referenciados são aqueles que têm como objetivo seguir o mais próximo possível as vari a-
ções de um índice. Se dividem em dois tipos, de acordo com o índice escolhido como referência.

Referenciados DI: Fundos que objetivam investir, no mínimo, 95% do valor de sua carteira em títulos
ou operações que busquem acompanhar as variações do CDI ou SELIC, estando também sujeitos às
oscilações decorrentes do ágio/deságio dos títulos em relação a estes parâmetros de referência. O
montante não aplicado em operações que busquem acompanhar as variações destes parâmetros de
referência, devem ser aplicados somente em operações permitidas para os Fundos Curto Prazo. Es-
tes fundos seguem as disposições do artigo 94 da Instrução CVM 409
21
.
Referenciados Outros: Fundos que objetivam investir, no mínimo, 95% do valor de sua carteira em
títulos ou operações que busquem acompanhar as variações de um parâmetro de referência diferente
daqueles definidos no item Referenciados DI acima, estando também sujeitos às oscilações decor-
rentes do ágio/deságio dos títulos em relação ao seu parâmetro de referência. O montante não apl i-
cado em operações que busquem acompanhar as variações do parâmetro de referência, devem ser
aplicados somente em operações permitidas para os Fundos Curto Prazo. Estes fundos seguem as
disposições do artigo 94 da Instrução CVM 409. Nesta categoria não são permitidos os parâmetros
de referência moedas estrangeiras ou mercado acionário.

Renda Fixa

Renda Fixa: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa (sendo aceitos títulos
sintetizados através do uso de derivativos). Excluem-se estratégias que impliquem em risco de índi-
ces de preço, de moeda estrangeira ou de renda variável (ações, etc.). Devem manter, no mínimo,
80% de sua carteira em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito. Não admitem
alavancagem
22
.
Renda Fixa Crédito: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qualquer
espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos). Excl u-

21
Entende-se por proteção da carteira, ou hedge, qualquer operação que tenha por objetivo neutralizar riscos diferentes do
parâmetro de referência do fundo, ou sintetizar riscos que atrelem o fundo ao parâmetro de referência, limitado ao valor do
seu patrimônio.
22
Um fundo é considerado alavancado sempre que existir possibilidade (diferente de zero) de perda superior ao patrimônio do
fundo, desconsiderando-se casos de default nos ativos do fundo.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 50
em-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço, de moeda estrangeira ou de renda
variável (ações, etc.). Não admitem alavancagem².
Renda Fixa Multi-índices: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qual-
quer espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos),
incluindo-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. Excluem-se, porém, investimen-
tos que impliquem em risco de oscilações de moeda estrangeira e de renda variável (ações, etc.).
Não admitem alavancagem².
Renda Fixa Alavancados: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qual-
quer espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos),
incluindo-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. Excluem-se, porém, investimen-
tos que impliquem em risco de oscilações de moeda estrangeira e de renda variável (ações, etc.).
Estes fundos podem, inclusive, realizar operações que impliquem em alavancagem² do patrimônio.

Multimercados
Estes fundos combinam investimentos em ativos de renda fixa, câmbio, ações e derivativos.
Balanceados: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através
de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa, ações, câmbio, etc.). Estes fundos utilizam
uma estratégia de investimento diversificada e, deslocamentos táticos entre as classes de ativos ou
estratégia explícita de rebalanceamento de curto prazo Estes fundos devem ter explicitado o mix de
ativos (percentual de cada classe de ativo) com o qual devem ser comparados (asset allocation ben-
chmark). Sendo assim, esses fundos não podem ser comparados a indicador de desempenho que
reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). Não admitem alavancagem².
Multimercados sem alavancagem, sem renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos
que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda
fixa, câmbio, etc.) exceto renda variável (ações, etc.). Estes fundos não têm explicitado o mix de ati-
vos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem, inclusive, ser compa-
rados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI).
Não admitem alavancagem².
Multimercados sem alavancagem, com renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos
que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda
fixa, câmbio, etc.) incluindo renda variável (ações, etc.). Estes fundos não têm explicitado o mix de
ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem, inclusive, ser com-
parados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100%
CDI). Não admitem alavancagem².
Multimercados com alavancagem, sem renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos
que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda
fixa, câmbio, etc.) exceto renda variável (ações, etc.). Estes fundos não têm explicitado o mix de ati-
vos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem, inclusive, ser compa-
rados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI).
Admitem alavancagem².

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 51
Multimercados com alavancagem, com renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos
que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda
fixa, câmbio, etc.) incluindo renda variável (ações, etc.). Estes fundos não têm explicitado o mix de
ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem, inclusive, ser com-
parados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100%
CDI). Admitem alavancagem².
Capital Protegido: Busca retornos em mercados de risco procurando proteger parcial ou totalmente
o principal investido.

IBOVESPA
Fundos de Ações Ibovespa Indexado: São fundos cujo objetivo de investimento é acompanhar o
comportamento do Ibovespa. Não admitem alavancagem².
Fundos de Ações Ibovespa Ativo: São fundos que utilizam o Índice Bovespa como referência, ten-
do objetivo explícito de superar o este índice. Não admitem alavancagem².
Fundos de Ações Ibovespa Ativo com alavancagem: São fundos que utilizam o Índice Bovespa
como referência, tendo objetivo explícito de superar este índice. Admitem alavancagem².

IBX
Fundos que têm como parâmetro de referência o IBX e o IBX50, dois índices da Bolsa de Valores de
São Paulo.
Fundos de Ações IBX Indexado: São fundos cujo objetivo de investimento é acompanhar o compor-
tamento do IBX ou do IBX 50. Não admitem alavancagem².
Fundos de Ações IBX Ativo: São fundos que utilizam o IBX ou o IBX 50 como referência, tendo
objetivo explícito de superar o respectivo índice. Não admitem alavancagem².
Fundos de Ações IBX com alavancagem: São fundos que utilizam o IBX ou o IBX 50 como referên-
cia, tendo o objetivo explícito de superar o respectivo índice. Admitem alavancagem².

Fundos de Ações Setoriais
Fundos que investem em determinados setores da economia.
Telecomunicações: São fundos cuja estratégia é investir em ações do setor de telecomunicações.
Não admitem alavancagem².
Energia: São fundos cuja estratégia é investir em ações do setor de energia. Não admitem alavanca-
gem.

Fundos de Ações Outros
Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se enquadram em nenhum dos

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 52
segmentos anteriores
Outros sem alavancagem: Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se
enquadrem em nenhum dos segmentos anteriores. Não admitem alavancagem².
Outros com alavancagem: Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se
enquadrem em nenhum dos segmentos anteriores (IBOVESPA, IBX, Fundos de Ações Setoriais e
seus subsegmentos). Admitem alavancagem².

Fundos Cambiais
Objetiva acompanhar variação de preço apenas da moeda estrangeira ou da moeda estrangeira e da
taxa de juros dos títulos que investe.
Cambial Dólar sem alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em
ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados diretamente, ou sintetizados via deri-
vativos, à moeda norte-americana. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indire-
tamente ao dólar deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixa-
das a CDI/ SELIC). Não admitem alavancagem².
Cambial Dólar com alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em
ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados diretamente, ou sintetizados via deri-
vativos, à moeda norte-americana. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indire-
tamente ao dólar deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixa-
das a CDI/ SELIC). Estes fundos admitem alavancagem².
Cambial Euro sem Alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em
ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados diretamente, ou sintetizados via deri-
vativos, à moeda européia. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente
ao euro deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/
SELIC). Não admitem alavancagem.
Cambial Outros sem alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em
ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados diretamente, ou sintetizados via deri-
vativos, a uma ou mais moedas estrangeiras. O montante não aplicado em ativos relacionados direta
ou indiretamente a uma ou mais moedas estrangeiras deve ser aplicado somente em títulos e opera-
ções de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC). Não admitem alavancagem².
Cambial Outros com alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em
ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados diretamente, ou sintetizados via deri-
vativos, a uma ou mais moedas estrangeiras. O montante não aplicado em ativos relacionados direta
ou indiretamente a uma ou mais moedas estrangeiras deve ser aplicado somente em títulos e de
Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC). Estes fundos admitem alavancagem².

Fundos Mútuos de Privatização
São fundos destinados à aquisição de valores mobiliários, com recursos disponíveis da conta vincu-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 53
lada do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço - FGTS. São os fundos regulamentados pelas Ins-
truções CVM 141/1991, 157/1991, 266/1997, 279/1998 e suas modificações.

Fundos de Previdência: nesta categoria incluem-se os FAPI's e Fundos Exclusivos para PGBL's.

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios
Fundos destinados à aquisição de títulos de direitos creditórios, como títulos representativos de crédi-
to, originários de operações realizadas nos segmentos financeiro, comercial, industrial, imobiliário, de
hipotecas, de arrendamento mercantil e de prestação de serviços, entre outros. São os fundos regu-
lamentados pelas Instruções CVM 356/2001 e 399/2003 e suas modificações.

Fundos de Investimento Imobiliário
O Fundo de Investimento Imobiliário é um fundo fechado e destinado à aplicação em empreendimen-
tos imobiliários, e pode ter prazo de duração determinado ou indeterminado. São os fundos regul a-
mentados pelas Instruções CVM 205/1994 e 206/1994 e suas modificações.

Fundos de Índice
O fundo deve manter 95%, no mínimo, de seu patrimônio aplicado em valores mobiliários ou outros
ativos de renda variável, na proporção em que estes integram o índice de referência, ou em posições
compradas no mercado futuro do índice de referência, de forma a refletir a variação e rentabilidade de
tal índice. São os fundos regulamentados pela Instrução CVM 359/2002.

Fundos de Dívida Externa
São fundos que têm como objetivo investir preponderantemente em títulos representativos da dívida
externa de responsabilidade da União. Estes fundos seguem o disposto no artigo 96 da Instrução
CVM 409.

Fundos Offshore
Para efeitos desta classificação, será considerado fundo offshore aquele constituído fora do território
brasileiro, mas cujo gestor localiza-se no Brasil: Offshore Renda Fixa; Offshore Renda Variável; Off-
shore Mistos

Fundos Fechados
Três tipos: Fundos Fechados de Renda Fixa; Fundos Fechados de Ações; Fundos Fechados Mistos.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 54
Classificação CVM (As informações abaixo foram extraídas de www.cvm.com.br)

Curto Prazo
Investem seus recursos exclusivamente em títulos públicos federais ou privados de baixo risco
de crédito.
Estes títulos podem ser de renda fixa, pós ou prefixados, e geralmente, sua rentabilidade está
atrelada à taxa de juros usada nas operações entre os bancos (conhecida como taxa do CDI).
Investem em papéis com prazo máximo a decorrer de 375 dias e o prazo médio da carteira é de,
no máximo, 60 dias.
Por estas características, são considerados os mais conservadores, indicados para investidores
com objetivo de investimento de curtíssimo prazo, pois suas cotas são menos sensíveis as osci-
lações das taxas de juros.
Referenciado
Os fundos Referenciados identificam em seu nome o indicador de desempenho que sua carteira
tem por objetivo acompanhar.
Para tal, investe no mínimo 80% em títulos públicos federais ou em títulos de renda fixa privados
classificado na categoria baixo risco de crédito. Além disso, no mínimo 95% de sua carteira é
composta por ativos que acompanhem a variação do seu indicador de desempenho, o chamado
benchmark. Usam instrumentos de derivativos com o objetivo de proteção (hedge).
Os fundos referenciados mais conhecidos são os DI. Você provavelmente já ouviu falar deles.
São fundos que buscam acompanhar a variação diária das taxas de juros (Selic/CDI), e se bene-
ficiam em um cenário de alta de juros.
Renda Fixa
Aplicam uma parcela significativa de seu patrimônio (mínimo 80%) em títulos de renda fixa prefi-
xados (que rendem uma taxa de juro previamente acordada) ou pós-fixados (que acompanham a
variação da taxa de juros ou um índice de preço). Além disso, usam instrumentos de derivativos
com o objetivo de proteção (hedge).
Nos fundos de Renda Fixa acontece o oposto dos fundos Referenciados DI, pois se beneficiam
em um cenário de redução das taxas de juros.

Multimercado
São fundos que possuem políticas de investimento que envolve vários fatores de risco, pois
combinam investimentos nos mercados de renda fixa, câmbio, ações, entre outros. Além disso,
utilizam-se ativamente de instrumentos de derivativos para alavancagem de suas posições, ou
para proteção de suas carteiras (hedge). São fundos com alta flexibilidade de gestão, por isso
dependem do talento do gestor na escolha do melhor momento de alocar os recursos (market
timing), na seleção dos ativos da carteira e no percentual do patrimônio que será investido em
cada um dos mercados (asset mix).

Ações
São fundos que investem no mínimo 67% de seu patrimônio em ações negociadas em bolsa.
Dessa forma, estão sujeitos às oscilações de preços das ações que compõem sua carteira. Al-
guns fundos desta classe têm como objetivo de investimento acompanhar a variação de um índi-
ce do mercado acionário, tal como o Ibovespa ou o IBX. São mais indicados para quem tem ob-
jetivos de investimento de longo prazo.

Cambial
Estes fundos devem manter no mínimo, 80% de seu patrimônio investido em ativos que sejam
relacionados, diretamente ou indiretamente (via derivativos), à variação de preços de uma moe-
da estrangeira, ou à uma taxa de juros (o chamado de cupom cambial). Nesta classe os fundos
mais conhecidos são os chamados fundos Cambiais Dólar que objetivam seguir a variação da
cotação da moeda norte americana. Mas é importante ficar atendo, pois estes fundos não refle-
tem exatamente a cotação do dólar, pois nele estão envolvidos custos de taxa de administração,
imposto de renda, bem como a variação da taxa de juro.

Dívida Externa
Aplicam no mínimo 80% de seu patrimônio em títulos brasileiros negociados no mercado inter-
nacional. Os 20% restantes podem ser aplicados em outros títulos de crédito transacionados no
exterior. Estes títulos são mantidos no exterior.
Para o investidor no Brasil, este fundo é a única forma de aplicar nos papéis emitidos pelo go-
verno brasileiro negociados no exterior.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 55
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSAF NETO, A. Mercado financeiro / 4a. ed. São Paulo: Atlas, 2001.
CAVALCANTI, F; MISUMI, J. Y. Mercado de Capitais. Rio de Janeiro: Campus, 2001. 373p. ISBN 85-
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www.anbid.com.br
www.andima.com.br
www.bcb.gov.br
www.bmf.com.br
www.bovespa.com.br

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 56
3. MERCADO DE RENDA FIXA




3.1. A MONTAGEM DO FLUXO DE CAIXA


Uma vez que o investimento em ativos do mercado financeiro é a compra de um papel (título de pro-
priedade) que garante ao investidor um fluxo de caixa, no futuro, que transformará o capital investido
em um valor maior, em função da renda gerada, a primeira etapa para se avaliar um investimento é a
montagem do fluxo de caixa.
A seguir são apresentados produtos oferecidos no mercado e a respectiva montagem do fluxo de
caixa. Mas, antes, vamos tratar de alguns exemplos de títulos, destacando suas características com
dois ou mais fluxos de caixa.
Primeiramente, veremos exemplos de títulos com apenas dois fluxos de caixa: a saída no ato do in-
vestimento e uma entrada no resgate.

Exemplo 1: Título pré-fixado com dois fluxos de caixa

Título 001 Data de vencimento: 10/01/2006
R$1.200.000,00
Pague-se, ao portador deste, a quantia de R$1.200.000,00,
na data de vencimento acima.

Belo Horizonte, 10/01/2005

Banco de Desenvolvimento do Brasil

Geraldo Eugênio Miranda
Presidente

Esse título contém a promessa de pagamento de R$ 1.200.000,00 no vencimento. Portanto o com-
prador já sabe quanto receberá no resgate e o título é pré-fixado. Qual é o preço que o investidor
exigirá para abrir mão de seu capital em 10/01/2005 e receber R$1.200.000,00, em 10/01/2006? O
preço é a renda que ele receberá adicionada ao principal. Ele deve, a partir da imposição desse preço
(juros), calcular quanto pagaria, hoje, por esse título que lhe devolverá R$1.200.000,00 depois de um
ano. Se ele exige 20% de juros sobre o investimento, qual o valor a ser pago por esse título na emi s-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 57
são? Qual seu valor presente?
Podemos escrever essa questão algebricamente:
VP x 1,2 = 1.200.000
Então,
0 R$1.000.00
1,2
0 R$1.200.00
VP = =
Portanto, podemos escrever o valor presente de um investimento como esse da seguinte forma:
r 1
C
VP
1
+
=
em que C
1
é o fluxo de caixa na data 1 e r é a taxa de juros apropriada.
Montagem do fluxo de caixa:
10/01/2005 10/01/2006
-$1.000.000,00 $1.200.000,00

Exemplo 2: Título pós-fixado com dois fluxos de caixa

Título 002 Data de vencimento: 10/01/2006
R$1.000.000,00
Pague-se, ao portador deste, na data de vencimento acima, o valor de face
acrescido de juros de 8% ao ano mais a correção pelo IGP-M.

Belo Horizonte, 10/01/2005

Banco de Desenvolvimento do Brasil

Geraldo Eugênio Miranda
Presidente
Nesse caso, o valor de compra já é determinado, a incógnita é o rendimento, pois não se sabe qual
será a correção. O retorno sobre o investimento só será conhecido no dia do vencimento. Portanto, é
um título pós-fixado.
Considerando que se prevê a variação do IGP-M de 15% e que o retorno sobre o investimento será a
soma dessa correção com a taxa de juros, o valor a ser recebido no resgate será:
VF= VP (1+0,08+0,15) = R$ 1.000.000 * 1,23 = R$ 1.230.000.
A rentabilidade é de 23%.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 58
Montagem do fluxo de caixa:
No Exemplo 02, o valor de compra já é determinado no contrato: R$ 1.000.000,00. A entrada de cai-
xa, no futuro, só poderá ser conhecida na data do resgate, uma vez que depende de se saber a vari-
ação cambial até tal data.
O fluxo de caixa do Título 002 ficará, então, conforme os cálculos do valor do resgate, feitos em
10/01/2006:
10/01/2005 10/01/2006
-$1.000.000,00 $1.230.000,00
Vamos, agora, ver exemplos de títulos com mais de dois fluxos de caixa: a saída no ato do investi-
mento e várias entradas futuras.

Exemplo 3: Título pré-fixado com mais de dois fluxos de caixa

Uma debênture com valor de face de R$ 2.000.000,00 paga amortização ao final e juros de 7% a.s.
sobre o valor de emissão, durante 4 anos.
Debênture da Companhia Acarajé S.A.
R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais)
Pague-se ao portador juros de 7% a cada semestre, a contar da data de emissão,
por quatro anos e amortização ao final desse período.
Emissão em 10/01/2005.
Companhia Acarajé, com sede à Rua Walter Oliveira 500, Bairro Dourados, na ci-
dade do Rio de Janeiro - RJ. - CNPJ: 17.309.790/0001-94
George Walter Oliveira
Presidente
Juros= 0,07 x 2.000.000 = 140.000
Montagem do fluxo de caixa:
10/01/05 10/07/05 10/01/06 10/07/06 10/01/07 10/07/07 10/01/08 10/07/08 10/01/09
-$2.000.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $2.140.000,00

Exemplo 4: Título pós-fixado com mais de dois fluxos de caixa
Um título público (NTN-C), emitido em 01/07/2000, com vencimento em dez anos comprado em
01/01/2005, que paga 6% de juros ao ano, em pagamentos semestrais sobre o valor nominal de R$

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 59
250.000,00, corrigido pelo IGP-M, e o principal no vencimento.

Nota do Tesouro Nacional – série C
R$ 250. 000, 00
Pague-se, semestralmente, cupom de 6% de juros ao ano e o
principal no vencimento.
O valor nominal será corrigido pelo IGP-M do mês anterior.
01/07/2000

Montagem do fluxo de caixa:
01/01/05 01/07/05 01/01/06 01/07/06 01/01/07 01/07/07 01/01/08 01/07/08 01/01/09 01/07/09 01/01/10
-$250.000,00
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
103% do
valor no-
minal
corrigido


3.2. PREÇO E RENDIMENTO DE TÍTULOS DE RENDA FIXA
Como vimos, no mercado de renda fixa, no ato da aplicação, a forma de remuneração é estabelecida,
ou seja, no contrato do negócio está fixada como será paga a renda a ser recebida pela aplicação.
A remuneração pode ser prefixada, quando já se sabe no ato da aplicação qual será exatamente a
rentabilidade, e pode ser pósfixada, se há, no contrato do título, a previsão de utilização de um inde-
xador aplicado sobre o capital investido e os juros são calculados com base no valor corrigido.
Quando se realiza uma aplicação no mercado financeiro, o que ocorre é a criação de um fluxo de
caixa para o investidor, por meio de um contrato, chamado título, que pode ocorrer por meio de um
papel, ou de um registro em um sistema de informação.
Abaixo, será tratada a avaliação de investimentos no mercado de renda fixa com a utilização da ma-
temática financeira. O resultado dos exercícios propostos encontra-se no final desta seção.

Títulos prefixados
O título prefixado pode ser apresentado oferecendo o pagamento do principal e dos juros no venci-
mento, fluxo de caixa com uma saída e uma entrada, e pagando o principal e ou os juros em parce-
las, fluxo de caixa com uma saída e várias entradas. Essas modalidades de aplicação podem ser
oferecidas com o valor de resgate, valor de face, fixo e a rentabilidade sendo proporcionada pela
compra do título com deságio em relação a esse valor.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 60
Exemplo 1:
Aplicação: R$ 3.000,00
Rendimento: juros de 1,1% a.m.
Prazo: 1 ano.
Imposto de Renda descontado na fonte: 17,5%
23

Cálculo da Taxa de Juros Líquida:
( ) 3.420,85 1,011 3.000,00
12
= ×
A renda gerada é R$ 420,85. Considerando a alíquota de Imposto de Renda, recolhido na fonte, de
17,5%, a renda líquida será: 347,20 0,825 420,85 = × e a taxa de juros liquida:
( ) 3.347,20 i 1 3.000,00 = + × .
Daí, 0,1157 1
3.000,00
3.347,20
i = ÷ = => i = 11,6% a.a.

Exercício 1: Calcule a taxa líquida de uma aplicação de R$ 3.000,00, pelo prazo de um ano, com
pagamento de juros de 1,5% a.m. e do principal no vencimento. O Imposto de Renda para aplicações
de 361 a 720 dias é 17,5%. Resp.: 16,3% a.a.

A seguir, vamos calcular a taxa líquida real, descontada a inflação, a qual nos permite saber o que
exatamente houve de ganho real.

Exemplo 2:
Cálculo da taxa líquida real: partindo de exercício anterior, cuja renda líquida é R$ 484,15, e conside-
rando que a inflação no período foi de 11%, primeiro calcula-se a correção monetária do investimen-
to: 3.330,00 1,11 3.000,00 = × . Então, podemos calcular o ganho real: 0,0046 1
3.330,00
3.484,15
i = ÷ = => i =
0,46% a.a.

Exercício 2: Calcule a taxa líquida real de uma aplicação de R$ 2.000,00, por dois anos, com paga-
mento de juros de 1,3% a.m. e do principal no vencimento. Considere que o Imposto de Renda para
aplicações por dois anos é de 15% e que a inflação no período é 17%. Resp.: 11,9% em dois anos.

Na maioria das situações em que temos que comparar alternativas diferentes de aplicação, as alter-

23
A partir de 2005, as alíquotas de IR são as seguintes: para aplicações até 180 dias: 22,5%; de 181 a 360 dias: 20%; de 361
a 720 dias: 17,5%; com prazo superior a 720 dias: 15%.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 61
nativas têm prazo diferente. É importante que calculemos a taxa de rentabilidade anual de todas as
alternativas de aplicação, para que possamos ter uma base de comparação, pois, Para isso, calcula-
mos a taxa equivalente. No mercado financeiro é recomendável utilizar dias úteis, pois a aplicação no
Over Night (por uma noite), com juros diários, de sexta-feira para segunda-feira é considerada como
aplicação por um dia apenas. Para os cálculos, considera-se o ano com 252 dias úteis.

Exemplo 3:
Cálculo da taxa anual equivalente: partindo do Exercício 2, calculamos a taxa equivalente:
( ) 1,119 i 1
2
= + . Então: 0,058 1 - 1,119 i = = => i = 5,8% a.a.

Exercício 3: Calcule a taxa líquida anual de uma aplicação com valor de face de R$ 1.000,00 e ven-
cimento em 01/04/2006, feita em 28/02/2005. Considere que o IR pago será de 17,5% e que, no perí-
odo, há 276 dias úteis e que, para efeitos de cálculo consideramos que o ano tem 252 dias úteis. O
título foi comprado com 17,12% de deságio sobre o valor de face, ou seja, por R$ 828,81. Resp.:
15,4% a.a.

Quando o título oferece o pagamento dos juros e ou principal em parcelas, devemos utilizar a Taxa
Interna de Retorno (TIR), como taxa de rentabilidade.
A taxa interna de retorno é a taxa que, descontando os valores futuros para a data da aplicação faz
com que o valor presente do fluxo de caixa futuro seja igual ao capital inicial.
( )
( ) ( )
n
n
TIR
FC
TIR
FC
TIR
FC
II
+
+ +
+
+
+
=
1
......
1
1
2
2 1
, onde: II = Investimento Inicial e FC
n
= Fluxo de Caixa no
momento n. Só podemos calcular a TIR, usando um computador ou calculadora financeira.

Exemplo 4: Um título de R$ 1.000,00 que paga 8% de juros ao ano sobre o valor de face, por cinco
anos, e o principal no vencimento, comprado por R$ 670,00, pode ter o fluxo de caixa representado
por uma linha horizontal com linhas perpendiculares para cima indicando fluxos positivos e a linha
para baixo indicando o fluxo negativo, conforme abaixo.

80 80 80 80 1.080


1 2 3 4 5

670
Cálculo da taxa de retorno: utilizamos a TIR para fazer o cálculo. Não vamos agora preocupar-nos

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 62
com o pagamento do imposto de renda (ele incide sobre cada cupom de juros pago) e nem com a
inflação (o título vence no futuro e poderíamos calcular o ganho real, levando cada valor recebido
para o vencimento e utilizando a taxa de rentabilidade do mercado financeiro e o capital aplicado
sendo corrigido pela inflação prevista).
Cálculo usando a HP12-C: 670 CHS CF
o
80 CF
j
4 N
j
1.080 CF
j
IRR.
TIR = 18,73% a.a.

Exercício 4: Calcule a taxa interna de retorno de uma aplicação com valor de face de R$ 1.000,00,
vencimento em três anos e pagamento de cupom de juros de 4% ao semestre e o principal no venci-
mento. O título está sendo negociado por R$ 725,00. Resp.: 21,9% a.a.

Títulos posfixados: no caso dos títulos posfixados, o cálculo é mesmo somente mudam os valores
devido à correção pelo indexador.

Solução dos Exercícios Propostos

Exercício 1: Calcule a taxa líquida de uma aplicação de R$ 3.000,00, pelo prazo de um ano, com
pagamento de juros de 1,5% a.m. e do principal no vencimento. O Imposto de Renda para aplicações
de 361 a 720 dias é 17,5%.
Cálculo da Taxa de Juros Líquida:
( ) 3.586,85 1,015 3.000,00
12
= ×
A renda gerada é R$ 586,85. Considerando a alíquota de Imposto de Renda, recolhido na fonte, de
17,5%, a renda líquida será: 484,15 0,825 586,85 = × e a taxa de juros liquida:
( ) 3.484,15 i 1 3.000,00 = + × . Daí, 0,163 1
3.000,00
3.484,15
i = ÷ = => i = 16,3% a.a.

Exercício 2: Calcule a taxa líquida real de uma aplicação de R$ 2.000,00, por dois anos, com paga-
mento de juros de 1,3% a.m. e do principal no vencimento. Considere que o Imposto de Renda para
aplicações por dois anos é de 15% e que a inflação no período é 17%.
( ) 2.726,82 1,013 2.000,00
24
= ×
A renda gerada é R$ 726,82. Considerando a alíquota de Imposto de Renda, recolhido na fonte, de
15%, a renda líquida será: 617,80 0,85 726,82 = × .
Cálculo da taxa líquida real: partindo da renda líquida de R$ 617,80, e considerando que a inflação no
período foi de 17%, primeiro calcula-se a correção monetária do investimento:
2.340,00 1,17 2.000,00 = × . Então, podemos calcular o ganho real: 0,119 1
2.340,00
2.617,80
i = ÷ = => i =

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 63
11,9% em dois anos.

Exercício 3: Calcule a taxa líquida real anual de uma aplicação com valor de face de R$ 1.000,00 e
vencimento em 01/04/2006, feita em 28/02/2005. Considere que o IR pago será de 17,5% e que, no
período, há 276 dias úteis e que, para efeitos de cálculo consideramos o ano tem 252 dias úteis. O
título foi comprado com 17,12% de deságio sobre o valor de face, ou seja, por R$ 828,81.
Renda: 1.000,00 – 828,81 = 171,19
Renda Líquida: 171,19 x 0,825 = 141,23
Valor Líquido recebido no vencimento: 828,81 + 141,23 = 970,04

970,04

276 dias úteis


828,81
Cálculo da rentabilidade no período de 276 dias úteis: 0,17 1
828,81
970,04
i = ÷ = => i = 17% no período.
Para calcular a taxa equivalente anual, calcula-se a taxa diária, por dia útil, e a taxa anual referente a
252 dias úteis.
Cálculo da rentabilidade líquida anual:
276
252
a
1,17 i 1 = +
1 1,17 i
276
252
a
÷ = , i
a
= 0,154

=> i = 15,4% a.a.


Exercício 4: Calcule a taxa interna de retorno de uma aplicação com valor de face de R$ 1.000,00,
vencimento em três anos e pagamento de cupom de juros de 4% ao semestre e o principal no venci-
mento. O título está sendo negociado por R$ 725,00.
1.040
40 40 40 40 40



725
Cálculo usando a HP12-C: 725 CHS CF
o
40 CF
j
5 N
j
1.040 CF
j
IRR.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 64
TIR = 10,4% ao semestre.
Cálculo da taxa de retorno anual: 1 + i
a
= 1,104
2

i
a
= 1,104
2
- 1, i
a
= 0,219

=> i = 21,9% a.a.

3.3. TÍTULOS PÚBLICOS
Os títulos públicos podem ser emitidos pelo Governo Federal e pelos estados e municípios. Anterior-
mente, o Banco Central podia emitir títulos próprios, mas, atualmente, isso é proibido por lei
24
.
O Governo Federal oferece títulos públicos no mercado para:
1) Fazer a política monetária, regulando a liquidez da economia;
2) Financiar o déficit orçamentário e de caixa do Governo;
3) Prover o Governo de recursos para realizar investimentos públicos;
4) Conseguir recursos em moeda estrangeira.
Os títulos do Governo Federal são emitidos pelo Tesouro Nacional, o qual faz, também, a administra-
ção da dívida pública. Há títulos emitidos no mercado interno (em reais) e no mercado internacional
(em dólares). Os títulos da dívida externa brasileira, os chamados brasilian bonds, compõem a dívida
reestruturada, papéis pelos quais foi trocada a dívida contratual existente até 1994, e a dívida de e-
missão soberana, após essa data.
A tabela abaixo indica a composição da maior parte (98.3%) da dívida pública federal interna em títu-
los fora do Banco Central em novembro de 2010. Somando-se a carteira do Banco Central de R$
639.287 milhões e aos 1,7% de outros títulos, chega-se a um total no mercado de R$ 2.269.740 mi-
lhões em títulos públicos da dívida interna. Em novembro de 2010, do total da carteira fora do Banco
Central, pouco mais de um terço era de títulos prefixados; por volta de um terço tinha correção pelo
Over/Selic e o restante era corrigido monetariamente por índices de preços, 28,1%, TR, 0,9% e vari-
ação cambial, 0,6%.

Títulos Públicos Federais em Mercado fora do Banco Central

Novembro de 2010 R$ milhões
Título Valor Participação %

LFT 521.001 33,1
LTN 338.451 21,5
NTN 688.588 43,7
TOTAL 1.548.040 98,3


Fonte: Banco Central do Brasil


24
De acordo com a Lei Complementar 101, de 4.5.2000 (D.O.U. 5.5.2000), o Banco Central do Brasil não pode emitir títulos
da dívida pública, a partir de dois anos após a data de sua publicação (artigo 34).

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 65
Títulos Públicos Federais - Novembro de 2010
Participação por Indexador

Indexador Participação %

Selic 33,1
Prefixado 37,4
IGP-M, IPCA, Câmbio, TR, IGP-DI, TJLP, Outros 29,6

Fonte: Banco Central do Brasil
A dívida pública externa líquida era de US$ 54,3 bilhões em junho de 2009. A tabela abaixo mostra os
saldos devedores da dívida mobiliária externa de responsabilidade do Tesouro Nacional de US$ 43
bilhões, excluindo-se a dívida contratual de US$ 11, 3 bilhões com organismos internacionais, bancos
privados, agências de governos e Clube de Paris.

Dívida Mobiliária Externa - Brasil
Novembro de 2010
US$ mil
Discriminação Valor Participação %

DÍVIDA MOBILIÁRIA – Externa 42.997.867 100,0
Dívida Reestruturada 94.463 0,2
Captações no Mercado Internacional 42.903.404 99,8
Euro Bonds 3.846.261 8,9
Global Bonds 39.057.144 90.8


Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional
Devido à grande variedade de títulos públicos, serão apresentados apenas os mais importantes, não
obstante esses serem bem representativos de todos.
Para maiores informações sobre os títulos acesse a página do Tesouro Nacional:
www.tesouro.fazenda.gov.br. No acesso ao Tesouro Direto encontra-se a metodologia de cálculo
para fins de análise de investimento. Essa metodologia será abordada a seguir na apresentação dos
títulos. Mas é interessante que seja lido o texto “Metodologia de Cálculo” disponível na página do
Tesouro Nacional.

3.3.1. Letra do Tesouro Nacional - LTN
O título LTN 011003, tem o valor nominal de R$ 1.000,00 e a data de vencimento é 01/10/2003. Te-
mos que calcular o preço de compra, dada uma rentabilidade exigida de, por exemplo, 27,33% a.a.,
ou a rentabilidade, dado o preço de mercado do título.
A montagem do fluxo de caixa, considerando que o título está sendo oferecido por R$ 879,43, fica
assim:



PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 66

21/03/03
879,43
1.000,00
01/10/03

Como se calcula a rentabilidade desse título?
O valor nominal de R$1.000,00, VN, é igual ao valor desembolsado para comprar o título de
R$879,43, PREÇO, vezes um mais a rentabilidade, (1+TAXA).
Então: PREÇO x (1+TAXA) = VN
Daí,
VN
TAXA= -1
PREÇO

O seja,
1.000,00
TAXA= -1
879,43
= 0,1371
Temos, então, que a rentabilidade foi de 13,71%, no período entre a data da liquidação da compra
21/03/03 e a data de vencimento 01/10/2003, de 134 dias úteis.
Fica difícil comparar essa com outras aplicações que trazem a rentabilidade anual. Portanto, deve ser
calculada a rentabilidade anual:
Para isso, em primeiro lugar, considerando que estamos tratando de juros compostos, trazemos a
rentabilidade do período para a rentabilidade diária, elevando (1 + TAXA do período) ao inverso do
número de dias úteis do período: ( )
1
134 1+TAXA do período . Em seguida, levamos a rentabilidade
diária à rentabilidade anual, elevando (1 + TAXA do período) ao número de dias úteis do ano, 252.
Portanto,
(1+TAXA anual) = ( )
252
134 1+TAXA do período
Sendo assim, podemos refazer o cálculo, substituindo a TAXA do período, por sua fórmula de cálculo:
(1+TAXA anual) =
| |
|
\ .
252
134
VN
1+ -1
PREÇO

Logo, (1+TAXA anual) =
| |
|
\ .
252
134
VN
PREÇO

E, TAXA anual =
| |
|
\ .
252
134
VN
PREÇO
- 1
Portanto, TAXA anual =
| |
|
\ .
252
134
1.000,00
879,43
- 1 = 0,2733, ou: 27,33% ao ano.
No caso de exigir-se uma rentabilidade, calcula-se o preço do título da seguinte forma:

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 67
Utilizando a relação PREÇO x (1+TAXA) = VN, e considerando que a incógnita agora é o preço, fa-
zemos:
VN
PREÇO=
1+TAXA

No entanto, já que a taxa exigida é anual, e considerando que (1+TAXA anual) =
( )
252
134 1+TAXA do período e que ( )
134
252 1+TAXA anual = ( ) 1+TAXA do período , devemos substituir na
equação acima:
( )
134
252
VN
PREÇO=
1+TAXA anual

Então,
( )
134
252
1.000,00
PREÇO=
1+0,2733
= 879,43

3.3.2. Letra Financeira do Tesouro - LFT
A LFT tem o valor nominal corrigido pela taxa Selic, que é a taxa de rentabilidade dos títulos públicos
no mercado aberto - definida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Na ver-
dade, a taxa Selic varia pouco em relação à meta determinada pelo COPOM. O Banco Central atua
no sentido de aproximá-la da meta. Além da correção pela taxa Selic, a LFT pode render mais um
adicional garantido pela compra do título com deságio.
A abordagem seguinte segue a metodologia do Tesouro Nacional:
A COTAÇÃO é o fator de multiplicação do Valor Nominal Atualizado (VNA = R$ 1.000 x fator Selic)
para se obter o PREÇO DE COMPRA do título de modo que se obtenha como rentabilidade a taxa
Selic mais o adicional proporcionado pela compra com deságio.
No exemplo do texto do Tesouro, a taxa anual adicional é de 0,31%, ou seja, a LFT deverá render a
taxa Selic mais 0,31%.
A COTAÇÃO é calculada da seguinte forma:
DU
252
100
COTAÇÃO=
(1+TAXA)
, truncado na quarta casa decimal
Onde DU é o número de dias úteis entre a data de liquidação do boleto bancário (inclusive) e a data
de vencimento (exclusive), e TAXA é o adicional por ano a ser recebido como rentabilidade além da
taxa Selic.
No exemplo, então, a COTAÇÃO é:
212
252
100
COTAÇÃO= =99,7399
(1+0,0031)

Para o título render 0,31% a.a. além da taxa Selic, o cálculo para chegar ao seu preço é como segue:
Considerando que o fator Selic entre 01/07/2000 e 21/03/2003 é 1,58304863,
= × = VNA R$1.000,00 1,583804863 R$1.583,804863, e:

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 68
( )
PREÇO=VNA× COTAÇÃO/100
Temos, então:
( ) PREÇO=1.583,804863× 99,7399/100 , truncado na segunda casa decimal.
E, portanto, PREÇO=1.579,68
Para calcular a rentabilidade acima da taxa Selic que será obtida, dado o preço de mercado, faze-
mos:
De (1) temos que:
| |
|
\ .
252
DU
100
TAXA= -1
COTAÇÃO

E de (2) obtemos:
PREÇO×100
COTAÇÃO=
VNA

Substituindo (4) em (3),
| |
|
\ .
252
DU
VNA
TAXA= -1
PREÇO

No exemplo, então:
| |
|
\ .
252
212
1.583,804863
TAXA= -1=0,0031046452597842140796470046803224
1.579,68
.
Esse número multiplicado por 100 nos dá a taxa em percentual, que é: 3,1% a.a.

3.3.3. Nota do tesouro Nacional - NTN
A NTN tem o valor nominal corrigido por um indexador (IGP-M, IPCA, taxa de câmbio, etc.) e, além
disso, pode proporcionar uma renda adicional proporcionada pela compra com deságio em relação ao
valor nominal atualizado.
Exemplos:
NTN-C: o valor nominal é atualizado pelo IGP-M
Veja, por exemplo, o título NTN-C 01122005, com as seguintes características:
Data de compra: 20/11/2003
Data de liquidação: 21/11/2003
Valor na data-base (01/07/2000): R$ 1.000,00
Data de vencimento: 01/12/2005
Indexador para atualizar o valor nominal: IGP-M
Pagamento de juros: 6% a.a. semestralmente

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 69
Relembramos que as datas de pagamento dos cupons são dadas retrospectivamente a cada seis
meses a partir da data de vencimento. Se a data não for dia útil, o pagamento ocorrerá no primeiro
dia útil subseqüente.
Para avaliar o investimento no título, podemos deparar-nos com duas situações: 1) cálculo do preço
de compra dada uma taxa de retorno requerida; 2) cálculo da TIR dado um preço de mercado.
1) Cálculo do preço de compra dada uma TIR de 30% a.a..
Primeiro, calcula-se o valor nominal atualizado até o dia 1
o
de novembro de 2003:
VNA* = R$ 1.000 x fator de variação do IGP-M entre 01/07/2000 e o 1
o
dia de novembro de 2003.
O fator de variação do IGP-M nesse período é 1,5846, obtido em <www.fgv.br>÷<Produtos e servi-
ços>÷<Base de dados>÷<Como obter índices>÷<Séries gratuitas>÷<Índice geral de preços do
mercado – IGP-M – Fechamento mensal (% a.m.)>.
Então:
VNA* = R$ 1.000 x 1,5846 = R$ 1.584,60
Para atualizar o valor nominal até a data de liquidação do boleto (21/11/2003), a efetiva saída de cai-
xa para realizar o investimento, calcula-se a parcela do período mensal em que será computada a
variação do IGP-M.
Então, temos que
21
x = = 0,7
30
.
O IGP-M projetado pelo mercado para o mês de novembro de 2003 é 0,5%, obtido em
<www.bcb.gov.br>÷<Economia e finanças>÷<Indicadores de conjuntura>÷<Indicadores econômi-
cos consolidados>÷<Estimativas de índices de preços>
Então,
( )
0,7
VNA=VNA*× 1+0,005
0,7
VNA=R$1.584,60×1,005 =R$1.590,142
A Montagem do Fluxo de Caixa:
A montagem do fluxo de caixa deve considerar o valor nominal como 1, pois não se pode saber qual
vai ser o real valor de cada cupom e do valor nominal de resgate do título no vencimento, já que es-
ses valores dependerão do IGP-M. Portanto será obtida a TIR real, ou seja, a taxa de retorno acima
da inflação medida pelo IGP-M.
Fluxo de caixa:
Período Dias úteis
De 21/11/03 a 01/12/03 7
De 21/11/03 a 01/06/04 132
De 21/11/03 a 01/12/04 258
De 21/11/03 a 01/06/05 383
De 21/11/03 a 01/12/05 510

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 70
Data: 01/12/03 01/06/04 01/12/04 01/06/05 01/12/05 01/12/05
0,5 0,5 0,5 0,5 0,5
7 132 258 383 510 510
252 252 252 252 252 252
1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1
COTAÇÃO = + + + + +
(1,3) (1,3) (1,3) (1,3) (1,3) (1,3)

7 132 258 383 510 510
252 252 252 252 252 252
0,02956 0,02956 0,02956 0,02956 0,02956 1
COTAÇÃO = + + + + +
(1,3) (1,3) (1,3) (1,3) (1,3) (1,3)

COTAÇÃO=0,702971
PREÇO=VNA×COTAÇÃO
PREÇO=R$1.590,14×0,702971=R$1.117,82
Portanto, para que o investidor tenha uma taxa de retorno de 30% a.a. acima do IGP-M, o título deve
ser comprado por R$1.117,82
2) Cálculo da TIR, dado o preço de mercado de R$1.500,00.
PREÇO
COTAÇÃO=
VNA

1.500,00
COTAÇÃO= =0,94331
1.590,14

Para calcular a TIR, fazemos:
0,5 0,5 0,5 0,5 0,5
7 132 258 383 510 510
252 252 252 252 252 252
1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1
0 = - COTAÇÃO + + + + + +
(1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR)

0,5 0,5 0,5 0,5 0,5
7 132 258 383 510 510
252 252 252 252 252 252
1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1
0 = - 0,94331 + + + + + +
(1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR)

Utilizando o Excel, chega-se à TIR de 10,97% a.a.

NTN-B: o valor nominal é corrigido pelo IPCA. O IPCA, índice de preços ao consumidor ampliado, do
IBGE, é calculado do dia 15 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. Paga cupons semestrais
de 6% de juros a.a. O valor na data-base, 15/07/2000, é R$ 1.000,00.

Exemplo com uma NTN-B com as seguintes características:
Data de compra: 18/02/2008
Data de liquidação: 23/02/2008
Vencimento: 15/05/2011
Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1,6740078
IPCA projetado para fevereiro/2008: 0,53%
Preço: R$ 1.652,28


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 71
Período Dias úteis
De 23/02/08 a 15/05/08 55
De 23/02/08 a 15/11/08 186
De 23/02/08 a 15/05/09 308
De 23/02/08 a 15/11/09 435
De 23/02/08 a 15/05/10 559
De 23/02/08 a 15/11/10 685
De 23/02/08 a 15/05/11 810
x = nº de dias entre a data da liquidação da compra e o dia 15 do mês anterior sobre o nº de dias
entre os dias 15 de cada mês.
x =
31
39
= 1,26
VNA* = R$ 1.000 x 1,6740078 = R$ 1.674,01
VNA = R$ 1.674,01 x 1,0053
1,26
= R$ 1.685,20
20 , 685 . 1
28 , 652 . 1
COTAÇÃO= = 0,98
Data: 15/05/08 15/11/08 15/05/09 15/11/09 15/05/10 15/11/10 15/05/11
( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( )
252
810
5 , 0
252
685
5 , 0
252
559
5 , 0
252
435
5 , 0
252
308
5 , 0
252
186
5 , 0
252
55
5 , 0
TIR 1
06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
98 , 0
+
+
+
÷
+
+
÷
+
+
÷
+
+
÷
+
+
÷
+
+
÷
=

Utilizando o Excel, chega-se à TIR de 6,45%.

Calcule o preço da NTN-B acima para uma taxa exigida de 4,7%.
( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( )
252
810
5 , 0
252
685
5 , 0
252
559
5 , 0
252
435
5 , 0
252
308
5 , 0
252
186
5 , 0
252
55
5 , 0
047 , 1
06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
COTAÇÃO +
÷
+
÷
+
÷
+
÷
+
÷
+
÷
=

COTAÇÃO = 1,02865
PREÇO = R$ 1.685,20 x 1,02865 = R$ 1.733,46
Portanto, para que o investidor tenha uma taxa de retorno de 4,7% a.a. acima do IPC-A, o título deve
ser comprado por R$1.733,46

NTN-F: é prefixada. Paga cupons de juros semestrais de 10% a.a. sobre o valor de face de R$
1.000,00.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 72
Exemplo com uma NTN-F com as seguintes características:
Data de compra: 08/01/2006
Data de liquidação: 09/01/2006
Vencimento: 01/01/2008
Preço: R$ 946,20
Período Dias úteis
De 09/01/06 a 01/07/06 119
De 09/01/06 a 01/01/07 247
De 09/01/06 a 01/07/07 371
De 09/01/06 a 01/01/08 498

( ) ( ) ( ) ( )
252
498
5 , 0
252
371
5 , 0
252
247
5 , 0
252
119
5 , 0
TIR 1
1 , 1
000 . 1
TIR 1
1 1 , 1
000 . 1
TIR 1
1 1 , 1
000 . 1
TIR 1
1 1 , 1
000 . 1 20 , 946
+
× +
+
÷
× +
+
÷
× +
+
÷
× =
Utilizando o Excel, chega-se à TIR de 13,5%.
Calcule o preço da NTN-F acima para uma taxa exigida de 12,5% a.a.
252
498
5 , 0
252
371
5 , 0
252
247
5 , 0
252
119
5 , 0
125 , 1
1 , 1
000 . 1
125 , 1
1 1 , 1
000 . 1
125 , 1
1 1 , 1
000 . 1
125 , 1
1 1 , 1
000 . 1 PREÇO × +
÷
× +
÷
× +
÷
× =
PREÇO = R$ 961,71

3.3.4. Nota do Banco Central do tipo E (com correção cambial) - NBC-E
A NBC-E não é mais emitida após a proibição do Banco Central emitir títulos próprios, Mas vejamos a
seguir um exemplo desse tipo de título, com variação cambial.
Para o cálculo da taxa de retorno, utilizando o método da TIRM, de um investimento em NBCE, com
valor nominal R$ 1.000,00, data-base em 01.07.2000, vencimento em 18.04.2002, com 12% de juros
a.a. sobre o valor nominal atualizado, pagos semestralmente (juros simples), e amortização única no
vencimento, considere que o título foi comprado em 01.08.2000 por R$ 980,00, que a rentabilidade
líquida oferecida no mercado financeiro para aplicação dos cupons (juros) recebidos é de 1,6% a.m.,
que os cupons começam a ser pagos em 18.10.00 e que a taxa de câmbio em 30.6.00 era
R$1,8/US$; em 17/10/00, R$1,8795; em 17/4/01, R$2,188/US$; em 17/10/01, R$2,7211/US$ e em
17.4.02, R$2,3165/US$.
Montagem do fluxo de caixa:
Fluxos de caixa levados à data de vencimento:

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 73
1) Cupom em 18.10.00 = Valor nominal atualizado em 18.10.00 x 0,06 =
=
17/10/00
30/06/00
taxa de câmbio
×1.000
taxa de câmbio
x 0,06 =
1,8795
×1.000×0,06
1,8
= 62,65
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 62,65 * 1,016
18
= 83,37
2) Cupom em 18.4.01 = Valor nominal atualizado em 18.4.01 x 0,06 =
=
17/4/01
30/06/00
taxa de câmbio
×1.000
taxa de câmbio
x 0,06 =
2,1888
×1.000×0,06
1,8
= 72,96
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 72,96 * 1,016
12
= 88,27
3) Cupom em 18.10.01 = Valor nominal atualizado em 18.10.01 x 0,06 =
=
17/10/01
30/06/00
taxa de câmbio
×1.000
taxa de câmbio
x 0,06 =
2,7211
×1.000×0,06
1,8
= 90,70
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 90,70 * 1,016
6
= 99,77
4) Cupom + Amortização no vencimento:
=
17/4/02
30/06/00
taxa de câmbio
×1.000
taxa de câmbio
x 1,06 =
2,3165
×1.000×1,06
1,8
= 1.364,16
Valor final do investimento em 18/4/02: 83,37+88,27+99,77+1.364,16 = 1.635,57
Taxa de retorno, utilizando o método TIRM:
Para obter a taxa anual, consideramos que o investimento foi feito em 01/8/00 e que até 18/4/02 há
625 dias. O período do investimento é, portanto, a razão entre 625 e 365 dias.
Então, TIRM =
(
| |
(
|
(
\ .
(
¸ ¸
365
625
1635,57
-1 ×100
980,00
= 34,87% a.a.
Para o título anterior, considere que o investidor exige uma rentabilidade de 50% a.a. Calcule o preço
que pagou por ele.
Como o preço é o valor presente da aplicação que lhe pagou, em 18/4/02, R$ 1635,57:
625
365
VP×1,5 =1635,57 . Logo,
625
365
1635,57
VP= =
1,5
R$ 816,85

3.3.5. Exercícios

Exercícios Resolvidos
1) Considerando uma LTN com valor de face de R$1.000,00 e vencimento em 01/10/05, comprada
em 04/01/05, por R$ 850,00, calcule a rentabilidade líquida anual. Considere que a liquidação da
compra se dá no dia seguinte à transação e que há a cobrança de imposto de renda de 20%, recolhi-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 74
do na fonte para aplicações com prazo entre 181 e 360 dias e que há 186 dias úteis entre 05/01/05 e
01/10/05. Em seguida, calcule o preço de compra, dada uma rentabilidade bruta exigida de 20% a.a.
Cálculo do imposto de renda: (R$ 1.000 - R$ 850,00) x 0,2 = R$ 30,00
Fluxo de caixa:
05/01/05 01/10/05
- 850,00 970,00
Rentabilidade =
252
186
970,00
1 0,1959
850,00
| |
÷ =
|
\ .
 19,6% a.a.
Preço =
( )252
186
0,2 1
1.000,00
+
= 874,09

2) Para a LFT abaixo, calcule o preço de compra.
- Data de compra: 04/01/2005
- Data de liquidação: 05/01/2005
- Valor na data-base: (01/07/2000): R$ 1.000,00
- Data de Vencimento: 18/01/2006
- Taxa anual acima da Taxa Selic: 1% (taxa que o comprador exige, ou o mercado oferece na compra
com deságio)
- Dias úteis entre 05/01/2005 e 18/01/2006: 261
- Fator Selic
25
entre 01/07/2000 e 05/01/2005: 2,1670101039984884
Considere que se paga 20% de imposto de renda retido na fonte para aplicações com resgate entre
361 e 720 dias.
Obs: a informação sobre a cobrança do imposto de renda é para que se saiba que a rentabilidade
anual (taxa Selic + 1%) deverá ser multiplicada por 0,8 para que se calcule a rentabilidade líquida.
Uma vez que o rendimento é pós-fixado, esse cálculo só pode ser feito no vencimento, pois só aí
saberemos qual foi a taxa Selic. Não obstante pode ser feita uma previsão.
( )
9747 , 98
252
261
=
+
=
0,1 1
100
COTAÇÃO
VNA = R$ 1.000,00 x 2,16701 = R$ 2.167,01
PREÇO = R$ 2.167,01 x (98,9747 / 100)
PREÇO = R$ 2.144,79

25
Obtido na página do Banco Central: <www.bcb.gov.br> , Economia e Finanças -> Selic – Mercado de títulos públicos ->
Taxa Selic -> Variação

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 75
3) Se o mesmo título está sendo oferecido no mercado por R$ 2.050,00, calcule a rentabilidade aci-
ma da taxa Selic que proporcionará a compra por esse preço.
0,055 1
2.050,00
2.167,01
TAXA
261
252
= ÷ |
.
|

\
|
= ¬ 5,5% a.a.

4) Calcule o preço da NTN-B com as seguintes características:
Data de compra: 18/02/2009
Data de liquidação: 19/02/2009
Vencimento: 15/05/2011
Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1,8002803
IPCA projetado para fevereiro/2009: 0,43%
TIR: 5,7%
Período Dias úteis
De 19/02/09 a 15/05/09 58
De 19/02/09 a 15/11/09 189
De 19/02/09 a 15/05/10 311
De 19/02/09 a 15/11/10 438
De 23/02/08 a 15/05/11 562
x =
31
35
= 1,13
VNA* = R$ 1.000 x 1,8002803 = R$ 1.800,2803
VNA = R$ 1.800,2803 x 1,0043
1,13
= R$ 1.809,03
( ) ( ) ( ) ( ) ( )
252
562
0,5
252
438
0,5
252
311
0,5
252
189
0,5
252
85
0,5
1,057
1,06
1,057
1 1,06
1,057
1 1,06
1,057
1 1,06
1,057
1 1,06
COTAÇÃO +
÷
+
÷
+
÷
+
÷
=
COTAÇÃO = 1,0218
PREÇO = R$ 1.809,03 x 1,0218 = R$ 1.848,47

5) Calcule o preço da NTN-F com as seguintes características:
Data de compra: 08/01/2006
Data de liquidação: 09/01/2006
Vencimento: 01/01/2008

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 76
TIR: 10,5%
Período Dias úteis
De 09/01/06 a 01/07/06 119
De 09/01/06 a 01/01/07 247
De 09/01/06 a 01/07/07 371
De 09/01/06 a 01/01/08 498

252
498
5 , 0
252
371
5 , 0
252
247
5 , 0
252
119
5 , 0
105 , 1
1 , 1
000 . 1
105 , 1
1 1 , 1
000 . 1
105 , 1
1 1 , 1
000 . 1
105 , 1
1 1 , 1
000 . 1 PREÇO × +
÷
× +
÷
× +
÷
× =
PREÇO = R$ 993,96

6) Considere um investimento em NBCE, com valor nominal R$ 1.000,00, data-base em 01.07.2000,
vencimento em 18.04.2002, com 12% de juros a.a. incidentes sobre o valor nominal atualizado, pagos
semestralmente (juros simples), e amortização única no vencimento. Considere que o título foi com-
prado em 01.08.2000 por R$ 980,00. A rentabilidade líquida obtida pela aplicação no mercado finan-
ceiro é 1,7% a.m. A taxa de câmbio em 30.6.00 era R$1,8/US$; em 17/10/00, R$1,8795; em 17/4/01,
R$2,188/US$; em 17/10/01, R$2,7211/US$ e em 17.4.02, R$2,3165/US$. Calcule a taxa de retorno,
utilizando o método da TIRM
26
. Considere ainda que o investidor exigiu uma rentabilidade de 30%
a.a. e calcule o preço que pagou por ele. O prazo é 625 dias corridos.

Fluxos de caixa levados à data de vencimento:
1) Cupom em 18.10.00 = Valor nominal atualizado em 18.10.00 x 0,06 =
65 , 62 06 , 0 000 . 1
8 , 1
8795 , 1
06 , 0 000 . 1
câmbi o de taxa
câmbi o de taxa
30/06/00
17/10/00
= × × = × ×
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 62,65 * 1,017
18
= 84,85

2) Cupom em 18.4.01 = Valor nominal atualizado em 18.4.01 x 0,06 =
96 , 72 06 , 0 000 . 1
8 , 1
1888 , 2
06 , 0 000 . 1
câmbi o de taxa
câmbi o de taxa
30/06/00
17/04/01
= × × = × ×
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 72,96 * 1,017
12
= 89,31


26
Para calcular a TIRM (taxa interna de retorno modificada) deve-se levar os fluxos de caixa positivos para o fim do período,
ajustados pela taxa de rentabilidade do mercado financeiro e, com o valor final do investimento, chegar à taxa anual de re-
torno.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 77
3) Cupom em 18.10.01 = Valor nominal atualizado em 18.10.01 x 0,06 =
70 , 90 06 , 0 000 . 1
8 , 1
7211 , 2
06 , 0 000 . 1
câmbi o de taxa
câmbi o de taxa
30/06/00
17/10/01
= × × = × ×
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 90,70 * 1,017
6
= 100,35

4) Cupom + Amortização no vencimento:
16 , 364 . 1 06 , 1 000 . 1
8 , 1
3165 , 2
06 , 1 000 . 1
câmbi o de taxa
câmbi o de taxa
30/06/00
17/04/02
= × × = × ×
Valor final do investimento em 18/4/02: 84,85 + 89,31 + 100,35 + 1.364,16 = 1.638,67

Cálculo da taxa de retorno, utilizando o método TIRM:
Para obter a taxa anual, consideramos que o investimento foi feito em 01/8/00 e que até 18/4/02 há
625 dias.
O período do investimento é, portanto, a razão entre 625 e 365 dias.
TIRM = 100 1
00 , 980
67 , 638 . 1
625
365
×
(
(
(
¸
(

¸

÷ |
.
|

\
|
= 35,01% a.a.

Cálculo do preço:
365
625
3 , 1
67 , 638 . 1
VP = = 1.045,64

Exercícios Propostos

1) Considerando uma LTN com valor de face de R$1.000,00 e vencimento em 20/07/04, comprada
em 22/03/04, por R$ 970,00, calcule a rentabilidade líquida anual. Considere que a liquidação da
compra se dá no dia seguinte à transação e que há a cobrança de imposto de renda de 22,5%, reco-
lhido na fonte e que há 84 dias úteis entre 23/03/04 e 20/07/04. Em seguida, calcule o preço de com-
pra, dada uma rentabilidade exigida de 33,53% a.a.
Respostas: rentabilidade = 7,36% a.a.; preço = 908,11

2) Para a LFT abaixo, calcule o preço de compra.
- Data de compra: 20/03/2004
- Data de liquidação: 21/03/2004

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 78
- Valor na data-base: (01/07/2000): R$ 1.500,00
- Data de Vencimento: 20/07/2004
- Taxa anual: 8% (taxa que o comprador exige, ou o mercado oferece na compra com deságio)
- Dias úteis entre 21/03/2004 e 20/07/2004: 86
- Fator Selic entre 01/07/2000 e 21/03/2004: 1,9216853
Considere que se paga 22,5% de imposto de renda retido na fonte.
Obs: a informação sobre a cobrança do imposto de renda é para que se saiba que a rentabilidade
anual (taxa Selic + 8%) deverá ser multiplicada por 0,8 para que se calcule a rentabilidade líquida.
Uma vez que o rendimento é pós-fixado, esse cálculo só pode ser feito no vencimento, pois só aí
saberemos qual foi a taxa Selic. Não obstante pode ser feita uma previsão, como feito na Unidade 03.
Resposta: preço = R$ 2.807,80

3) Se o mesmo título está sendo oferecido no mercado por R$ 2.727,93, calcule a rentabilidade aci-
ma da taxa Selic que proporcionará a compra por esse preço.
Resposta: taxa = 17,53% a.a.

4) Calcule o preço da NTN-B com as seguintes características:
Data de compra: 18/02/2009
Data de liquidação: 19/02/2009
Vencimento: 15/05/2011
Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1,8002803
IPCA projetado para fevereiro/2009: 0,43%
TIR: 8,5%
Período Dias úteis
De 19/02/09 a 15/05/09 58
De 19/02/09 a 15/11/09 189
De 19/02/09 a 15/05/10 311
De 19/02/09 a 15/11/10 438
De 23/02/08 a 15/05/11 562
Resposta: R$ 1.750,24

5) Calcule o preço da NTN-F com as seguintes características:

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 79
Data de compra: 08/01/2006
Data de liquidação: 09/01/2006
Vencimento: 01/01/2008
TIR: 15,5%
Período Dias úteis
De 09/01/06 a 01/07/06 119
De 09/01/06 a 01/01/07 247
De 09/01/06 a 01/07/07 371
De 09/01/06 a 01/01/08 498
Resposta: R$ 916,36

6) Considere um investimento em NBCE, com valor nominal R$ 1.500,00, data-base em 01.07.2000,
vencimento em 18.04.2002, com 10% de juros a.a. incidentes sobre o valor nominal atualizado, pagos
semestralmente (juros simples), e amortização única no vencimento. Considere que o título foi com-
prado em 01.08.2000 por R$ 1.385,00. A rentabilidade líquida obtida pela aplicação no mercado fi-
nanceiro é 1% a.m. A taxa de câmbio em 30.6.00 era R$1,8/US$; em 17/10/00, R$1,8795; em
17/4/01, R$2,188/US$; em 17/10/01, R$2,7211/US$ e em 17.4.02, R$2,3165/US$. Calcule a taxa de
retorno, utilizando o método da TIRM. Considere ainda que o investidor exigiu uma rentabilidade de
33.53% a.a. e calcule o preço que pagou por ele. O prazo é 625 dias corridos.
Respostas: TIRM = 35,96% a.a.; preço = 1.045,64

3.4. PRODUTOS DE APLICAÇÃO (INVESTIMENTO) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINAN-
CEIRO E EMPRESAS

3.4.1. Certificado/Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB)
Títulos de renda fixa, emitidos pelos Bancos Comerciais/Múltiplos e de Investimento.
Finalidade: lastrear operações de financiamento de capital de giro.
A diferença entre CDB e RDB é que este não pode ser transferido por endosso nominativo e aquele
pode.
Rendimento: juros prefixados e pagam 20% de IR sobre o rendimento.
O CDB também pode pagar taxa over
27
, em que a taxa efetiva é calculada da seguinte forma:

27
Taxa over = Taxa linear mensal capitalizada pelos dias úteis.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 80
100 1
du
30
100
over
1 TE ×
¦
¦
)
¦
¦
`
¹
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
÷
(
(
(
¸
(

¸

|
|
|
.
|

\
|
+ =
sendo TE a taxa efetiva no período, over, a taxa over e du, o número de dias úteis da compra do título
até seu vencimento.

3.4.2. Certificado de Depósito Interfinanceiro - (CDI)
Títulos emitidos pelas instituições financeiras.
Finalidade: lastrear operações no mercado interfinanceiro.
Rendimento: juros definidos pela taxa over. Isento de IR.
A taxa efetiva é calculada, considerando que a taxa over considerada é a de cada dia e que o valor é
reaplicado diariamente.
Taxa Over ao dia no dia 1: 100
30
100
Over
Over
m1
d1
× =
Taxa Over ao dia no dia 2: 100
30
100
Over
Over
m2
d2
× =
Taxa Over ao dia no dia 3: 100
30
100
Over
Over
m3
d3
× =
em que Over
d1
é a taxa over diária no dia 1 e Over
m1
é a taxa over mensal no dia 1.
A taxa efetiva, portanto, no período é dada por:
100 1
100
Over
1
100
Over
1
100
Over
1 TE
d3 d2 d1
×
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
÷
(
¸
(

¸

|
|
.
|

\
|
+ ×
|
|
.
|

\
|
+ ×
|
|
.
|

\
|
+ =

3.4.3. Commercial Papers
Títulos emitidos pelas empresas e negociados no mercado. Têm como vantagens o baixo custo fi-
nanceiro e a maior agilidade para obter os recursos, já que eliminam a intermediação bancária.
Finalidade: financiar o capital de giro
Rendimento: compra com deságio sobre o valor de emissão.
A rentabilidade, então, é dada a partir do seguinte cálculo:
100
P
P Ve
Re ×
÷
=
em que Re é a rentabilidade, Ve é o valor de emissão e P é o preço de compra do título.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 81
3.4.4. Export Note
Títulos para cessão de créditos de exportação, emitidos por exportadores que venderam a prazo.
Finalidade: adiantamento de um crédito futuro
Rendimento: deságio sobre o valor do crédito em dólar.
100 1
tc P
tc Ve
Re
C
R
×
|
|
.
|

\
|
÷
×
×
=
em que Ve é o valor de emissão em dólares, P é o preço de compra em dólares, tc
R
é a taxa de câm-
bio na data do resgate e tc
C
é a taxa de câmbio na data da compra do título.

3.4.5. Debêntures
Títulos de longo prazo emitidos por companhias de capital aberto e que podem ser conversíveis em
ações.
Finalidade: financiar projetos de financiamento (capital fixo e capital de giro)
Rendimento: dado pelo cálculo da TIR de um fluxo de caixa futuro oferecido pelo papel.

3.4.6. Exercícios

Exercícios Resolvidos
1) Calcule a taxa efetiva líquida anual para aplicação nos dois tipos de CDBs abaixo, apontando a
melhor alternativa de investimento. Considere que o investidor aplicará, por um ano, que o imposto
sobre a renda de aplicação financeira pelo prazo de 361 a720 dias é 17,5% e que, nesse período, há
252 dias úteis.

a) CDB que paga 1,2% a.m.
b) CDB com taxa over de 1,5% a.m.
a) (1,012
12
– 1) x 100 x 0,825 = 12,7% a.a.
b) 100 1
30
100
5 , 1
1
252
×
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
÷
(
(
(
¸
(

¸

|
|
|
.
|

\
|
+ x 0,825 = 11,08% a.a.
A melhor alternativa é a do CDB que paga 1,2% a.m.

2) Calcule a taxa efetiva líquida de uma aplicação em uma Export Note, emitida pelo prazo de 3 me-
ses, com valor nominal de U$ 15.000,00 e taxa de desconto de 20% a.a. (no contrato da Export Note,
o desconto é por dentro, ou seja, o valor nominal – de resgate – é o resultado da soma do valor apli-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 82
cado com a taxa de desconto aplicada a este valor). Considere que a taxa de câmbio, no momento da
operação, era de R$ 2,941/US$ e, no dia do resgate, passou para R$ 3,10/US$. Considere, ainda,
que a alíquota de imposto sobre a renda de aplicação financeira por prazo menor que 180 dias é
22,5%. Observe que, nesse caso também, a taxa de desconto é calculada, utilizando-se de juros
simples.
Valor aplicado =
|
|
|
.
|

\
|
× + 3
12
100
20
1
15.000
= US$ 14.285,71
Valor aplicado em R$ = U$ 14.285,71 x R$ 2,941/US$ = R$ 42.014,27
Valor resgatado em R$ = U$ 15.000,00 x R$ 3,1/US$ = R$ 46.500,00
Rentabilidade líquida no período (três meses) = |
.
|

\
|
÷1
42.014,27
46.500,00
x 100 x 0,775 = 8,27%
Rentabilidade líquida anual: (1,0827
4
–1) x 100 = 37,41%

3) Calcule a TIR de uma debênture conversível em 100.000 ações, comprada por R$ 3.000.000,00,
em 30/03/2004, com vencimento em dois anos, que paga Amortização ao final e juros de 8% a.s.
sobre o valor de emissão. A previsão de preço da ação para daqui a dois anos é R$ 36,00.
Juros= 0,08 x 3.000.000 = 240.000
Resgate, convertendo em ações = 100.000 x 36,00 = 3.600.000
( ) ( ) ( ) ( )
0
i 1
3.840.000
i 1
240.000
i 1
240.000
i 1
240.000
3.000.000 -
4 3 2 1
=
+
+
+
+
+
+
+
+
Cálculo Utilizando a HP 12-C:
3.000.000 CHS Cf
0
240.000 Cf
j
3 N
j
3.840.000 Cf
j
IRR
TIR = 12,17% ao semestre => (1,1217
2
– 1) x 100 = 25,82% a.a.

Exercícios Propostos
1) Calcule a taxa efetiva líquida anual para aplicação nos dois tipos de CDBs abaixo, apontando a
melhor alternativa de investimento. Considere que o investidor aplicará, por dois anos, que o imposto
sobre a renda de aplicação financeira por mais de 720 dias é 15% e que, nesse período, há 504 dias
úteis.
Respostas: a) rentabilidade = 10,88% a.a.; b) rentabilidade = 9,0,8% a.a.
Melhor alternativa: a

2) Calcule a taxa efetiva líquida de uma aplicação em uma Export Note, emitida pelo prazo de 6 me-
ses, com valor nominal de U$ 25.000,00 e taxa de desconto de 17% a.a. (no contrato da Export Note,
o desconto é por dentro, ou seja, o valor nominal – de resgate – é o resultado da soma do valor apli-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 83
cado com a taxa de desconto aplicada a este valor). Considere que a taxa de câmbio, no momento da
operação, era de R$ 2,941/US$ e, no dia do resgate, passou para R$ 3,10/US$. Considere, ainda,
que a alíquota de imposto sobre a renda é 22,5%. Observe que, nesse caso também, a taxa de des-
conto é calculada, utilizando-se de juros simples.
Resposta: rentabilidade líquida no período (seis meses) = 11,13%
Rentabilidade líquida anual = 23,5%

3) Calcule a TIR de uma debênture conversível em 100.000 ações, comprada por R$ 3.000.000,00,
em 30/03/2004, com vencimento em dois anos, que paga Amortização ao final e juros de 6% a.s.
sobre o valor de emissão. A previsão de preço da ação para daqui a dois anos é R$ 32,00.
Resposta: TIR = 9,18% ao semestre => 19,2% a.a.

3.5. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO (EMPRÉSTIMOS) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINANCEIRO
E EMPRESAS
Veremos a seguir títulos que servem para captação e o importante aqui é poder comparar as alterna-
tivas para obter o crédito mais barato.

3.5.1. Hot Money
Operações de curtíssimo prazo (um dia)
Finalidade: necessidades imediatas de caixa das empresas.
Custo: juros, tendo como referencial a taxa CDI acrescida de um spread. Paga IOF calculado diaria-
mente.

3.5.2. Desconto de Duplicatas e Notas Promissórias
Operação com desconto simples por fora (incidindo sobre o montante da dívida).
Finalidade: financiar capital de giro.
Custo: O custo efetivo é maior que a taxa da operação, pois ainda se cobra IOF (0,0041% ao dia
sobre o valor nominal) e uma taxa de abertura do crédito (TAC).
Assim, o custo efetivo é calculado da seguinte forma:
( )
100 1
P
30
100
TAC
p 0,000041 p
30
100
d
1 VN
VN
CE ×
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

÷
|
|
|
|
|
|
|
|
.
|

\
|
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
(
(
(
¸
(

¸

+ × +
|
|
|
.
|

\
|
× ÷ ×
=

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 84
em que CE é o custo efetivo; VN, o valor nominal do título; d, a taxa de desconto; p, período desde a
efetivação do desconto até o vencimento do título e TAC, a taxa de abertura de crédito.
A organização do cálculo apresentada acima é uma simplificação dos cálculos do desconto, da taxa
de abertura de crédito e do IOF, aplicados sobre o valor nominal do título e do custo efetivo. Coloca-
mos em evidência o valor nominal do título, subtraindo dele os valores a serem subtraídos, chegando
ao valor captado e comparando-o ao valor do título para chegar ao custo efetivo. Essa forma de cal-
cular não pode ser confundida com fórmula, pois o cálculo pode ser feito de forma mais demorada,
passo a passo, calculando os valores a serem subtraídos para chegar ao valor captado.

3.5.3. Commercial Papers
Títulos emitidos pelas empresas e negociados no mercado. Têm como vantagens o baixo custo fi-
nanceiro e a maior agilidade para obter os recursos, já que elimina a intermediação bancária.
Finalidade: financiar o capital de giro
Custo: desconto oferecido “por fora” (sobre o valor de emissão) mais despesas de lançamento
O custo efetivo será calculado da seguinte forma:
( )
100 1
Ve dl d 1
Ve
Ce ×
(
¸
(

¸

÷
|
|
.
|

\
|
× ÷ ÷
=
em que Ve é o valor de emissão, d é a taxa de desconto e dl é o percentual sobre o valor de emissão
que corresponde à despesa de lançamento.

3.5.4. Export Notes
Títulos para cessão de créditos de exportação, que podem ser emitidos por exportadores que vende-
ram a prazo.
Finalidade: adiantamento de um crédito futuro.
Custo: desconto oferecido “por fora” sobre o valor nominal do título.
( )
100 1
tc Vn d 1
tc Vn
Ce
C
V
×
(
(
¸
(

¸

÷
|
|
.
|

\
|
× × ÷
×
=
em que Vn é o valor nominal da emissão, d é a taxa de desconto a ser aplicada, tc
V
é a taxa de câm-
bio na data do vencimento e tc
C
é a taxa de câmbio na data da comercialização do título.

3.5.5. Securitização de Recebíveis
Títulos emitidos garantidos pela caução de recebíveis (vendas a prazo de uma empresa).
Finalidade: financiar capital de giro.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 85
3.5.6 Exercícios

Exercícios Resolvidos

1) Calcule o custo efetivo de uma captação feita por uma empresa, em 30/03/2004, por meio da
emissão de um Commercial Paper de valor nominal R$ 1.200.000,00, com taxa de desconto de 7%
ao trimestre, despesas de lançamento de 1% sobre o valor de captação e vencimento em 30/06/2004.
No contrato do Commercial Paper, o desconto é por fora, ou seja, aplicado sobre o valor nominal (de
face) do título.
Valor captado = R$ 1.200.000,00 x (1 - 0,07 - 0,01) = R$ 1.104.000,00
Custo efetivo no período (três meses) = |
.
|

\
|
÷1
00 1.104.000,
00 1.200.000,
x 100 = 8,69%
Custo efetivo anual = (1,0869
4
– 1) x 100 = 39,56%

2) Calcule o custo efetivo do desconto de duplicata com valor nominal de R$ 15.000,00, prazo de
120 dias, taxa de desconto de 2,5% a.m., taxa de abertura de crédito de 1% sobre o valor nominal e
IOF incidente sobre a operação de 0,0041% ao dia. Observe que o desconto é feito por fora, ou seja,
é aplicado sobre o valor nominal (de face).
Valor captado = ( )
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
(
(
(
¸
(

¸

+ × +
|
|
|
.
|

\
|
× ÷ × 01 , 0 120 000041 , 0 120
30
100
2,5
1 000 . 15 = 13.276,20
Custo efetivo no período (120 dias) = |
.
|

\
|
÷1
13.276,20
15.000,00
x 100 = 12,98%
Custo efetivo anual = (1,1298
3
– 1) x 100 = 44,21%

Exercícios Propostos

1) Calcule o custo efetivo de uma captação feita por uma empresa, em 30/03/2004, por meio da
emissão de um Commercial Paper de valor nominal R$ 1.000.000,00, com taxa de desconto de 10%
ao semestre, despesas de lançamento de 1% sobre o valor de captação e vencimento em
30/06/2004. No contrato do Commercial Paper, o desconto é por fora, ou seja, aplicado sobre o valor
nominal (de face) do título.
Resposta: custo efetivo no período (três meses) = 12,36%; custo efetivo anual = 26,24%

2) Calcule o custo efetivo do desconto de duplicata com valor nominal de R$ 100.000,00, prazo de
120 dias, taxa de desconto de 4,5% a.m., taxa de abertura de crédito de 1% sobre o valor nominal e

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 86
IOF incidente sobre a operação de 0,0041% ao dia. Observe que o desconto é feito por fora, ou seja,
é aplicado sobre o valor nominal (de face).
Resposta: custo efetivo no período (120 dias) = 24,21%; custo efetivo anual = 91,63%
3.6. MERCADO INTERNACIONAL DE RENDA FIXA
No mercado internacional de renda fixa pode ser feita a classificação por prazo de vencimento. Te-
mos o mercado de curto prazo, para financiar a liquidez de empresas financeiras e não financeiras,
chamado de Money Market, onde são negociados títulos públicos e privados; e há o mercado de mé-
dio e longo prazo, para financiar investimentos de médio e longo prazo, onde também são negoci a-
dos títulos públicos e privados.

3.6.1. Money Market
Os títulos negociados no mercado monetário, geralmente, não pagam juros e fornecem a rentabilida-
de por meio da compra com deságio.
No mercado de títulos privados o mais negociado é o Commercial Paper, pode ser utilizado como
instrumento de captação tanto por empresas financeiras quanto por não financeiras. No mercado
americano, as emissões são feitas sem a necessidade de brokers. Empresas brasileiras têm feito
emissões de commercial papers no mercado internacional. O prazo máximo desses papéis no mer-
cado americano é de 270 dias; prazos superiores necessitam de autorização da Security Exchange
Commission (SEC).
No mercado de títulos públicos há a atuação, nos Estados Unidos, do FED, através da negociação
dos FED FUNDS, títulos de emissão própria, para praticar a política monetária.

3.6.2. Capital Market
No mercado de capitais, estão os títulos de médio e longo prazo, que, geralmente, pagam juros peri-
ódicos, chamados de cupons. Os produtos mais comuns negociados nesse mercado são os Trea-
sury-Notes & Bonds, os Coporate Bonds e as Mortgage Backed Securities (Letras Hipotecárias).
Os títulos do mercado de capitais que não pagam cupons são chamados de Zero Coupon Bonds têm
a mesma estrutura dos títulos de curto prazo, ou seja, são vendidos com deságio sobre o valor de
face.
Dentre os títulos públicos emitidos há as Treasury Notes (T-Notes) e os Treasury Bonds (T-Bonds)
emitidos pelo Tesouro Americano.
Os principais títulos públicos brasileiros negociados no mercado internacional estão divididos em
dívida renegociada (títulos oriundos da renegociação da dívida externa, finalizada em 1994)
28
e cap-
tações soberanas. Para conhecer as características desses títulos acesse, respectivamente,
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/divida_publica/downloads/bradiescaracteristicas_prn.pdf e
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/divida_publica/downloads/soberanosinternet.xls.

28
Esses títulos estão sendo objeto de recompra pelo Tesouro Nacional,com o objetivo de diminuir o risco país.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 87
Nos Corporate Notes & Bonds há vários tipos como: Taxa Fixa (Fixed-Rate); Callable & Putable
Bonds ( podem ser cancelados antes do vencimento pelo emissor); Floating-Rate (indexados a algu-
ma taxa de juros, como a Libor); Convertible & Exchangeable Bonds (podem ter a opção de serem
conversíveis em ações); Commodity-Linked; Sinking-Fund Provision (podem exigir as retiradas perió-
dicas de parcelas do principal).
Globais
A cotação dos globais é feita como percentagem do seu preço. Caso a data da compra não coincida
com a data de pagamento de cupom, calcula-se juros pró rata sobre o valor de face (US$ 1.000),
utilizando-se de juros simples, considerando os dias corridos entre a data de pagamento do último
cupom e a data atual, da compra, convencionando 30/360.
Na convenção 30/360, os meses têm 30 dias, de modo que d = (A2 – A1) x 360 + (M2- M1) x 30 +
(D2 – D1). Onde: d = número de dias entre as datas inicial e final; D1, M1 e A1 = dia, mês e ano da
data inicial; D2, M2 e A2 = dia, mês e ano da data final. Com as seguintes ressalvas: 1) se D1 for 31
ou o último dia de fevereiro, fica como 30; 2) se D2 for 31 e D1 for 31, 30 ou o último dia de fevereiro,
D2 fica como 30; 3) se D2 for 31 e D1 não for nem 31, nem 30, nem o último dia de fevereiro, D2 fica
1, M2 torna-se o mês subseqüente e, se for o caso, A2 o ano subseqüente.

Exemplo: compra de Global 40 (título público brasileiro com maior volume disponível no mercado),
que paga juros semestrais de 11% a.a., em 19/04/05, por 100+ ¼.
O último pagamento de cupom foi em 17/02/05. Deve-se acrescentar os três dias úteis para a liquida-
ção, a fim de calcular os juros pró rata, de modo que a data da liquidação foi em 22/04/05.
Então: d = (2005 – 2005) x 360 + (4 – 2) x 30 + (22 – 17) = 65
Preço (cotação) = 1.000 x 100,25 / 100 = 1.002,5
Juros pró rata = 11% x 65/360 x 1.000 = 19,8621
Valor de liquidação = 1.002,5 + 19,86211 = 1.022,3611

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSAF NETO, A. Mercado financeiro / 4a. ed. São Paulo: Atlas, 2001.
BODIE, Z. Fundamentos de Investimento. 3ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2000.
FARIA, R. G. de. Mercado financeiro: instrumentos e operações. São Paulo: Prentice Hall, 2003.
282p. ISBN 85-87918-x
ROSS, S.A. Administração Financeira. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2002
SECURATO, J. R. Mercado Financeiro e Análise de Investimento. 1ª. São Paulo: Saint Paul. 2005.
ISBN: 85-98838-08-X.
www.tesouro.fazenda.gov.br

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 88
4. MERCADO DE CAPITAIS (renda variável)




4.1. INTRODUÇÃO
O Mercado de Capitais é considerado como o mercado onde se negociam títulos para o financiamen-
to de capital fixo (investimento de longo prazo), mais especificamente ações e debêntures negociadas
pelas companhias de capital aberto. As ações são a menor parte do capital social de uma empresa
de capital aberto.
A existência do mercado de capitais favorece o desenvolvimento econômico, na medida em que vi a-
biliza capital para investimentos produtivos, contribuindo também para a formação de poupança pri-
vada e sua canalização para a produção. Desse modo, aumenta a participação coletiva na riqueza,
nos resultados da economia, oferecendo a oportunidade dos indivíduos participarem dos lucros das
empresas.

4.2. MERCADO DE AÇÕES

Mercado Primário
No mercado primário, ocorre a primeira negociação do título (subscrição), que permite a capitalização
das empresas. A negociação pode acontecer das seguintes formas:
Subscrição particular: feita totalmente pelos antigos acionistas (diretamente na empresa ou em bolsa
de valores)
Subscrição pública (underwriting): um intermediário financeiro é contratado para colocação dos títulos
no mercado.
Os contratos de underwriting podem ser dos tipos:
- Firme: as instituições subscrevem integralmente a emissão de ações e depois tentam re-
passá-las para o público
- Residual ou com garantias de sobras (stand-by): o intermediário financeiro compromete-
se a colocar as sobras de ações para o público por um determinado período de tempo e,
após, subscrever
- Melhores esforços (best-efforts): o intermediário financeiro compromete-se em colocar as
ações por um período de tempo, sem a obrigação de comprá-las
As ações podem ser negociadas como:
- Ordinárias ou comuns: direito de participação na administração da sociedade, direito de

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 89
voto
- Preferenciais: não têm direito a voto, mas gozam de privilégios na distribuição de dividen-
dos.
De acordo com a lei das S/A, uma empresa deve obrigatoriamente emitir um mínimo de 1/3 do capital
em ações ordinárias e no máximo 2/3 de ações preferenciais.
Os resultados financeiros do investimento em ações são os seguintes:
- Dividendos: distribuição do lucro líquido – pela lei, no mínimo 25%
- Bonificações: capitalização de reservas e/ou resultados, com distribuição de novas ações
- Alterações no valor nominal/substituições: aumento do valor nominal, com capitalização
de reservas e/ou resultados; aumento do capital com subscrição em valores inferiores ao
de mercado
- Lucro (ganho de capital) na venda
A Mudança no número de ações representativo do capital ocorre de duas formas:
- Split (desdobramento): distribuição de novas ações aos acionistas pela distribuição do
capital por um número maior de ações. Objetiva dar maior liquidez aos títulos no mercado
- Inplit (agrupamento): diminuição do número de ações – aumento do valor patrimonial da
ação. Objetiva ajustar o valor nominal da ação
Os valores das ações considerados pelos investidores são:
- Valor de Mercado: valor aceito pelos vendedores e compradores nos negócios realizados
- Valor Nominal: estabelecido pelo estatuto da companhia (capital dividido pelo número de
ações)
- Valor Patrimonial: valor global do patrimônio líquido dividido pelo número de ações
- Valor contábil: valor lançado no estatuto e livros da companhia: pode ser explícito ou di s-
criminado (sem valor)
- Valor intrínseco: calculado na análise fundamentalista, com base no fluxo de caixa espe-
rado
- Valor de liquidação: valor avaliado em caso de encerramento das atividades da compa-
nhia
- Valor de subscrição: preço de emissão

Mercado Secundário
A função do mercado secundário é dar liquidez ao investidor. Os mercados onde ocorrem as negoci-
ações são:
- Mercado de balcão: não tem local determinado, negociação feita principalmente por tel e-
fone; as ações ficam fora da garantia e do controle da bolsa de valores

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 90
- Mercado de bolsa: a decisão de ter ações negociadas em bolsa é da empresa e depende
de apresentação de projeto à CVM
Encontramos, nesse mercado, os seguintes tipos de atuação nas bolsas de valores:
- Especuladores: procuram obter lucros em curto prazo, nas negociações de compra e
venda.
- Investidores: procuram rendimento em longo prazo, esperam os lucros das empresas,
tornando-se sócios delas.
- Gestores financeiros: procuram captar recursos a custo baixo e investir disponibilidades
sem risco e com prazos adequados
Participam do Sistema de Distribuição e Intermediação do mercado de capitais brasileiro as seguintes
instituições:
- Sociedades Corretoras de Valores Mobiliários
- Sociedades Distribuidoras de Valores Mobiliários
- Bancos de Investimento
- Bancos de Desenvolvimento
- Empresas de Liquidação e Custódia

4.3. BOLSA DE VALORES
As bolsas de valores são entidades sem fins lucrativos, em cujo recinto são realizadas transações de
compra e venda de títulos e valores mobiliários.
Além disso, as bolsas de valores exercem uma importante atividade: fiscalizar as operações efetua-
das por seus membros. Por essa razão, são consideradas entidades auto-reguladoras, uma vez que
seus próprios associados cuidam de expedir e fazer cumprir determinadas regras de conduta.
As bolsas são consideradas, atualmente, a partir da lei n°6.385/76, como órgãos auxiliares da CVM,
devendo, portanto, cooperar com essa comissão, nas atividades de fiscalização do mercado bursátil.
Consideram-se membros das bolsas de valores seus respectivos associados, ou seja, as sociedades
corretoras, revestidas da forma de sociedades comerciais por ações nominativas ou por cotas de
responsabilidade limitada. O ingresso das corretoras nas bolsas de valores se verifica mediante a
compra de títulos patrimoniais. Nas bolsas de valores, são negociados os títulos e valores mobiliários
de emissão ou co-responsabilidade de pessoas jurídicas, quer de direito público, quer de direito pri-
vado, registradas na CVM. Portanto, os negócios em bolsas de valores são realizados pelas socieda-
des corretoras.

Unificação das bolsas e negociação eletrônica
Até 1999, havia nove bolsas de valores no Brasil: Bovespa, BVRJ, BVES, BVBSA, Bovmesb, BVPR,
BVPP, BVRg, BVSt. Com o desenvolvimento da informática e das telecomunicações, a tendência é

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 91
de centralizar os negócios nas bolsas mais importantes. Atualmente no Brasil os negócios são reali-
zados apenas na Bovespa. Há uma tendência mundial de centralizar as negociações na Bolsa de
Nova York.
O sistema eletrônico no qual são operadas as negociações na Bovespa é chamado de Megabolsa. A
internet permite a existência do Home Broker, compra por meio do site da corretora, e do After Mar-
ket: sessão noturna de negociação eletrônica.
O Sistema Eletrônico de Negociação Nacional (SENN): interliga as bolsas de valores, as corretoras e
demais participantes.

Objetivos Sociais das Bolsas:
As Bolsas de Valores possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa, sujeitas à fiscaliza-
ção da Comissão de Valores Mobiliários (C.V.M.) e às diretrizes emanadas pelo Conselho Monetário
Nacional (C.M.N.).
Os principais objetivos sociais das Bolsas são:
- Manter local adequado ao encontro de seus membros (Sociedades Corretoras), e à real i-
zação, entre eles, de transações de compra e de venda de títulos e valores mobiliários,
em mercado livre e aberto, organizado e fiscalizado pelos próprios membros e autorida-
des monetárias.
- Criar e organizar materiais e técnicos para a realização das negociações, em local ade-
quado e transparente. O pregão da Bolsa.
- Estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao
mercado de títulos e valores mobiliários.

Regulamento das Bolsas:
As Resoluções 1.655 e 1.656 de 26 de outubro de 1989 deram nova disciplina ao funcionamento das
Bolsas de Valores e das Sociedades Corretoras. Substituíram a Resolução no 922 de 15 de maio de
1984.
A administração das Bolsas de Valores cabe ao Conselho de Administração, ao Superintendente
Geral e aos demais Superintendentes, todos responsáveis por sua gestão.
O Conselho de Administração é integrado por no mínimo 9 e no máximo 13 conselheiros, sendo:
- Representantes de corretoras;
- 1 representante das Companhias Abertas (S/A's);
- 1 representante dos investidores pessoa física;
- 1 representante dos investidores institucionais;
- Superintendente Geral, membro nato do Conselho.
Compete ao Conselho de Administração das Bolsas:

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 92
- estabelecer a política geral da Bolsa de Valores e zelar por sua boa execução;
- aprovar o regimento interno e as demais normas operacionais;
- eleger seu Presidente e Vice-Presidente;
- escolher e exonerar o Superintendente Geral.
Compete ao Superintendente Geral:
- dar execução à política e às determinações do Conselho de Administração, bem como di-
rigir todos os trabalhos da Bolsa de Valores, inclusive o sistema de registro, compensa-
ção e liquidação das operações.
- praticar todos os atos necessários ao funcionamento regular da Bolsa de Valores.

O Recinto de Negociações (Pregão):
Até 2005, havia o pregão na Bovespa, onde eram feitas as negociações viva voz por meio dos repre-
sentantes das corretoras. Hoje não mais há esse forma de negociação, somente o pregão eletrônico
funciona, de 10 às 17 h

Tipos de Ordem de Negociação
- Ordem de mercado: executadas imediatamente pelo preço de mercado
- Ordem limitada: o cliente estabelece o preço máximo ou mínimo
- Ordem administrada: o cliente estabelece quantidade e características das ações e a e-
xecução fica a critério da corretora
- Ordem casada: compra de um título condicionada à realização da venda de outro
- Ordem de financiamento: Ordem de compra (ou venda) de um título condicionada à ven-
da (compra) do mesmo título no mesmo ou em outros mercados, com prazos de venci-
mento distintos.
- Ordem com Stop: o cliente estipula preço mínimo ou máximo pelo qual a ordem será exe-
cutada, visando limitar perdas ou ganhos.

4.4 SOCIEDADES CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS
A lei 4.728/65 instituiu as sociedades corretoras como instituições financeiras auxiliares, membros
das bolsas de valores, constituídas sob a forma de sociedades anônimas ou sociedades por cotas de
responsabilidade limitada.
Para o exercício de suas atividades, as corretoras dependem de prévia autorização da CVM. Tais
atividades são, basicamente, as seguintes:
- Operar com exclusividade em bolsas de valores, com títulos e valores mobiliários de ne-
gociação autorizada;

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 93
- Comprar, vender e distribuir títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros;
- Formar e gerir consórcios para lançamento público de ações (underwriting) e, ainda, en-
carregar-se de sua distribuição e colocação no Mercado de Capitais;
- Encarregar-se da administração de carteiras de valores e da custódia de títulos e valores
mobiliários;
- Instituir, organizar e administrar fundos mútuos de investimentos, sob a forma de condo-
mínio aberto e sociedade de investimento (Decreto lei 1.401) e clubes de investimentos; e
- Operar no mercado aberto (open-market) e intermediar as operações de câmbio.
Dessa forma, as sociedades corretoras exercem o papel de unificadoras do mercado, dando segu-
rança ao sistema e liquidez aos títulos transacionados, promovendo, de forma eficiente, a aproxima-
ção entre compradores e vendedores de títulos e valores mobiliários, dando-lhes negociabilidade
adequada, através de leilões realizados em bolsa aos quais confere.

4.5 INVESTIDORES
Os investidores nas bolsas de valores são classificados como:
Individuais: pessoas físicas ou jurídicas que participam diretamente do mercado
Institucionais: são pessoas jurídicas que constituem carteiras e movimentam muitos recursos de ter-
ceiros:
- Sociedades seguradoras;
- Entidades de previdência privada – fundos de pensão;
- Clubes de investimento;
- Sociedades de capitalização;
- Fundos externos de investimento;
- Fundos mútuos de investimento

4.6. ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES
O resultado advindo de um investimento em ações dependerá do fluxo de caixa fornecido pela distri-
buição dos lucros aos acionistas, na forma de dividendos ou aumento no valor do capital da empresa,
e pela venda das ações.
Há várias maneiras de analisar o investimento em ações. Na verdade, os métodos devem ser utiliza-
dos em conjunto, pois cada um fornece uma informação diferente. Temos as anál ises técnica, funda-
mentalista e de demonstrações contábeis.
A análise técnica utiliza-se de gráficos e projeções que tratam de evoluções das cotações, tendências
observadas e alterações em parâmetros da oferta e procura.
A análise fundamentalista objetiva fixar o valor de uma ação, utilizando técnicas e informações. A

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 94
partir da obtenção desse valor, faz-se a comparação com o preço de mercado, para, então, tomar-se
a decisão de comprar.
O preço de mercado de uma ação é fixado pelas forças de mercado, a demanda e a oferta. Se o valor
da ação, calculado pela análise fundamentalista, for maior que o preço de mercado, é vantajoso com-
prar, pois, provavelmente, além de ganhar com os lucros distribuídos, há o ganho com a venda futura,
devido à tendência de valorização do preço de mercado.
A análise fundamentalista considera alguns níveis de abordagem: a análise da conjuntura macroeco-
nômica, se haverá crescimento econômico, se a taxa de juros irá variar etc; a análise da conjuntura
do setor econômico do qual a empresa faz parte; e a análise de indicadores a partir de informações
de dentro da própria empresa, para avaliar o seu desempenho econômico e financeiro.
Há que se destacar a diferença de posicionamento frente ao mercado assumido por aquele que privi-
legia a análise técnica e o que se posiciona mais a partir da análise fundamentalista. O perfil de “es-
peculador” ajusta-se mais ao primeiro, pois ele não se preocupa em obter ganhos advindos dos resul-
tados da empresa. Sua preocupação é mais voltada para os movimentos verificados no preço de
mercado; ele procura comprar na baixa e vender na alta. Já o que se preocupa em avaliar os result a-
dos esperados da empresa, montar um fluxo de caixa com base neles e avaliar o valor atual da ação
em comparação com o preço de mercado está mais preocupado em tornar-se efetivamente um sócio
da empresa; o lucro da empresa é sua maior preocupação. Para isso, ele vai analisar a conjuntura
econômica macro e setorialmente, e ainda a situação de atuação da empresa. Preocupa-se também
com a política e até com a ética dos administradores.

4.6.1 Análise fundamentalista
A análise fundamentalista faz a análise do desempenho da empresa, utilizando os fundamentos eco-
nômico-financeiros para a determinação do valor da empresa. Considera que as ações têm um valor
intrínseco que está associado com a performance da empresa e com a conjuntura econômica. Estuda
os fatores (valores fundamentalistas) que explicam esse valor intrínseco, adota a hipótese de que o
mercado de capitais é eficiente no longo prazo, calcula o valor hipotético da empresa, seu “preço
justo”, compara com o valor de mercado e investe na empresa com maior relação valor intrínse-
co/preço de mercado.
A estimação do valor da ação é feita com as análises das demonstrações financeiras passadas e de
projeções, da situação atual da economia e estimativas de variáveis que influenciam o valor e o preço
de todas as ações e da intervenção governamental.
O Valor da empresa pode ser definido pelo Lucro esperado em exercícios futuros, pelos Investimen-
tos realizados e a realizar e pelas Fontes de financiamento.
As principais Fontes de Pesquisa utilizadas são:
- Relatórios macroeconômicos
- Relatórios setoriais
- Relatórios de administração

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 95
- Demonstrativos contábeis
- Meios de comunicação especializados
Há dois tipos de enfoques utilizados na análise de investimento: o enfoque Top Down - de cima para
baixo – e o Bottom Up - de baixo para cima.

Enfoque Top Down
O enfoque Top Down primeiro analisa a economia, depois analisa os setores da economia e, em se-
guida, analisa as empresas no setor em que atuam.
A análise da economia considera que a bolsa de valores deve refletir o desempenho da economia.
Portanto, a capacidade de prever a macroeconomia pode traduzir-se em oportunidades de investi-
mento. Já a análise setorial faz a comparação do setor analisado com os outros setores.
Na análise econômica, as principais Variáveis estudadas são:
- Nível de atividade: Consumo; Produção; Emprego; Renda;
- Exportações e importações;
- Taxa de juros;
- Taxa de câmbio.

Enfoque Bottom Up
O enfoque Bottom Up faz o cálculo do valor de ações e compara com o valor de mercado, utilizando
métodos de valoração Teórica de Ações:
- Desconto dos fluxos de caixa, utilizando o Custo Médio Ponderado de Capital (WACC)
- Desconto dos dividendos, utilizando o retorno esperado da ação

Índices de avaliação de ações
Há índices que são bastante utilizados pelos investidores:

1) Valor Patrimonial da Ação (VPA):
Ações de Número
Líqui do Patri môni o

Analisa-se a evolução da relação
VPA
Preço


2) Lucro por Ação (LPA):
Emi ti das Ações de Número
Líqui do Lucro

Indica o lucro líquido por ação.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 96
3) Preço/Lucro (P/L):
(LPA) Ação por Lucro
Ação da Mercado de Preço

Indica a relação entre o preço de aquisição e o lucro unitário periódico.
O P/L indica o número de anos que o investidor em que o capital investido será recuperado.

4) Taxa de retorno esperada (TR):
L / P
1

É o inverso do P/L e indica a lucratividade da ação.

5) Dividendos por ação (DPA):
Emi ti das Ações de Número
Di vi dendos


6) Taxa de rentabilidade dos dividendos (Yeld):
eço Pr
ação por Di vi dendo

Rentabilidade oferecida ao acionista somente com o pagamento dos dividendos

7) Taxa de distribuição de dividendos (Pay Out):
Líqui do Lucro
Di vi dendos

Proporção do lucro líquido que a companhia distribui.

8) Valor de Mercado / Valor Patrimonial
O quociente entre valor de mercado e valor patrimonial indica o quanto de valor foi agregado ao valor
patrimonial da empresa, em função do seu poder de gerar lucros e crescer, advindo de elementos
não agregados ao patrimônio da empresa e que são valores difíceis de serem quantificados monet a-
riamente, como o nome da empresa, goodwill. A Coca-Cola, por exemplo, tinha um índice Valor de
Mercado / Valor Patrimonial igual a 21,4.

9) Q de Tobin
O Q de Tobin é calculado de forma semelhante: ele divide o valor de mercado do capital próprio so-
mado ao valor de mercado do capital de terceiros (dívidas) pelo valor de reposição de seus ativos (no
momento e não seu custo histórico). Assim como o índice Valor de Mercado / Valor Patrimonial o Q
de Tobin maior que 1 indica a capacidade de uma empresa de gerar valor acima do exigido pelo mer-
cado e um Q menor que 1 indica que o valor pelo qual a empresa pode ser vendida no mercado é
inferior ao que se gastaria para construí-la, ou seja, que a empresa não gera um retorno satisfatório.



PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 97
Cálculo do valor da ação
O valor de um título no momento atual é o valor presente dos fluxos de caixa futuros (esperados)
dada uma taxa de rentabilidade. Em outras palavras, para determinarmos o valor atual de uma ação,
calcular o valor presente do fluxo de caixa futuro descontado à taxa exigida de rentabilidade. Por ou-
tro lado, se o preço da ação é dado no mercado, podemos calcular a rentabilidade oferecida pelo
fluxo de caixa futuro, utilizando, para isso, a TIR, ou a TIRM.
No caso das ações, é mais difícil obtermos o fluxo de caixa futuro, pois os valores dos fluxos de caixa
não são previamente conhecidos. Os fluxos de caixa serão os dividendos e o valor recebido pela
venda das ações. Mas pode-se fazer um esforço, a fim de prever esses valores. No caso dos divi-
dendos, pode-se prever com base na política de distribuição de dividendos da empresa, ou política de
retenção de lucros, e a partir da rentabilidade esperada sobre o capital próprio. Essas informações
podem ser obtidas, juntamente com outras, na análise das demonstrações contábeis e na pesquisa
sobre as políticas da empresa.

Modelo Básico de Desconto
O valor intrínseco da ação, ou seu valor presente é dado pela seguinte fórmula:
( ) ( )
n
n n
t
t
t
k
P
k
D
P
+
+
+
=
¿
=
1 1
1 0

em que D é o dividendo e k a taxa requerida de retorno.
Exemplo: Se se projeta um dividendo de R$ 0,20 por ação, que a ação será vendida ao final de três
anos por R$ 2,60 e que a taxa de retorno exigida é 30% a.a., calcule o valor intrínseco da ação.
3 2 1
0
3 , 1
8 , 2
3 , 1
2 , 0
3 , 1
2 , 0
+ + = P = 1,547
Se não há o propósito de vender a ação no futuro, temos que calcular um fluxo de caixa na perpetui-
dade:
( )
¿
·
=
·
+
=
1 0
1
t
t
k
D
P
Que equivale a:
k
D
P =
0

Exemplo: Para o exemplo acima, considere que a ação não será vendida e calcule o valor intrínseco.
0,3
0,2
P
0
= = 0,67

Modelo de Crescimento: Fórmula de Gordon
Se a empresa tem uma política de distribuição de lucros em que uma parte deles é distribuída aos
acionistas e outra é retida para a realização de investimentos, então o fluxo de caixa altera-se, pois, a
cada período, o valor do lucro será maior em função do investimento realizado.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 98
Pressupondo que a política da empresa não se altere, ou seja, que o crescimento dos lucros distribu-
ídos seja constante, podemos avaliar o fluxo de caixa com o modelo de crescimento de Gordon, que
considera o valor dos dividendos crescendo a uma taxa constante g.
A formulação para calcular o valor teórico da ação é a seguinte:
Os dividendos, a cada período, serão:
D
1
= D
0
(1 + g), o dividendo no tempo 1 é igual ao dividendo no tempo 0 vezes 1 mais a taxa de cres-
cimento.
Então,
D
2
= D
0
(1 + g)
2
D
3
= D
0
(1 + g)
2

.
.
.
.
D
n
= D
0
(1 + g)
n

E,
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
·
·
+
+
+ +
+
+
+
+
+
+
+
+
=
k
g D
k
g D
k
g D
k
g D
P
1
1
......
1
1
1
1
1
1
0
3
3
0
2
2
0 0
0

Essa perpetuidade pode ser simplificada como:
g k
D
P
÷
=
1
0

E podemos obter também a rentabilidade:
g
P
D
k + =
0
1


Exercícios

Exercícios Resolvidos
1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0,65 por ação nos próximos quatro anos;
a partir do quinto ano, os dividendos elevar-se-ão para R$ 0,85. Calcule o valor teórico da ação,
considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 31% a.a..
P
0
=
4 4 3 2 1
31 , 1 31 , 0
85 , 0
31 , 1
65 , 0
31 , 1
65 , 0
31 , 1
65 , 0
31 , 1
65 , 0
×
+ + + + = 2,31


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 99
2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$
1,20 por ação. Espera-se uma taxa de 10% de crescimento constante dos dividendos. A taxa de
retorno exigida é 31% a.a..
P
0
=
1 , 0 31 , 0
1 , 1 2 , 1
÷
×
= 6,286

3) Uma ação paga R$ 1,30 de dividendos por ação, a taxa de crescimento anual dos dividendos é
9% e está sendo comercializada por R$ 5,00. Calcule o retorno produzido por esse investimento.
k = 09 , 0
5
09 , 1 3 , 1
+
×
= 0,3734 => a rentabilidade é 37,34% a.a.

4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1,35 por ação, feita por uma empresa que está investi n-
do para aumentar a produção daqui a dois anos. A taxa de crescimento dos dividendos é 7% ao
ano, e, após os dois anos, passará a 10% ao ano. Calcule o valor teórico da ação. A taxa de re-
torno exigida é 31% a.a..
P
0
=
( )
2
2
2
2
1
31 , 1 1 , 0 31 , 0
1 , 1 07 , 1 35 , 1
31 , 1
07 , 1 35 , 1
31 , 1
07 , 1 35 , 1
× ÷
× ×
+
×
+
×
= 6,72

5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 36,00 e o LPA é R$ 9,00. Qual a lucrati-
vidade anual dessa ação?
P/L =
9,00
36,00
= 4 anos
TR =
4
1
= 0,25 => 25% a.a.

Exercícios Propostos
1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0,50 por ação nos próximos três anos; a
partir do quarto ano, os dividendos elevar-se-ão para R$ 0,75. Calcule o valor teórico da ação,
considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 33,5% a.a..
2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$
1,00 por ação. Espera-se uma taxa de 8% de crescimento constante dos dividendos. A taxa de re-
torno exigida é 33,5% a.a..
3) Uma ação paga R$ 1,70 de dividendos por ação, a taxa de crescimento anual dos dividendos é
8% e está sendo comercializada por R$ 15,00. Calcule o retorno produzido por esse investimento.
4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1,53 por ação, feita por uma empresa que está investin-
do para aumentar a produção daqui a três anos. A taxa de crescimento dos dividendos é 11% ao
ano, e, após os três anos, passará a 17% ao ano. Calcule o valor teórico da ação. A taxa de re-
torno exigida é 33,5% a.a..

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 100
5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 140,00 e o LPA é R$ 11,70. Qual a lucra-
tividade anual dessa ação?

Solução dos Exercícios propostos
1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0,50 por ação nos próximos três anos; a
partir do quarto ano, os dividendos elevar-se-ão para R$ 0,75. Calcule o valor teórico da ação,
considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 33,5% a.a..
P
0
=
3 3 2 1
335 , 1 335 , 0
75 , 0
335 , 1
50 , 0
335 , 1
50 , 0
335 , 1
50 , 0
×
+ + + = 1,49

2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$
1,00 por ação. Espera-se uma taxa de 8% de crescimento constante dos dividendos. A taxa de re-
torno exigida é 33,5% a.a..
P
0
=
08 , 0 335 , 0
08 , 1 00 , 1
÷
×
= 4,23

3) Uma ação paga R$ 1,70 de dividendos por ação, a taxa de crescimento anual dos dividendos é
8% e está sendo comercializada por R$ 15,00. Calcule o retorno produzido por esse investimento.
k = 08 , 0
00 , 15
08 , 1 70 , 1
+
×
= 0,2024 => a rentabilidade é 20,24% a.a.

4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1,53 por ação, feita por uma empresa que está investin-
do para aumentar a produção daqui a três anos. A taxa de crescimento dos dividendos é 11% ao
ano, e, após os três anos, passará a 17% ao ano. Calcule o valor teórico da ação. A taxa de re-
torno exigida é 33,5% a.a..
P
0
=
( )
3
3
3
3
2
2
1
335 , 1 17 , 0 335 , 0
17 , 1 11 , 1 53 , 1
335 , 1
11 , 1 53 , 1
335 , 1
11 , 1 53 , 1
335 , 1
11 , 1 53 , 1
× ÷
× ×
+
×
+
×
+
×
= 9,44

5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 140,00 e o LPA é R$ 11,70. Qual a lucra-
tividade anual dessa ação?
P/L =
11,70
140,00
= 12 anos
TR =
12
1
= 0,083 => 8,3% a.a.

Precificação de Ações
Os modelos de precificação de ações partem da questão de que todo ativo tem um risco associado a

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 101
ele e que quanto maior o risco maior a rentabilidade exigida pelo investidor. Esse risco não deve ter a
conotação de ser ruim, de ser perda. No caso dos modelos de precificação, o risco está associado à
variação esperada dos retornos de um investimento e pode significar, em vez de perda, oportunidade
de ganhos maiores do que a média. O risco, então, é medido pela variação do retorno do título, na
prática pela sua variância.

Modelo de Precificação de Ativos de Capital – CAPM (Capital Asset Price Management)
O modelo considera que a diversificação elimina o risco específico de cada empresa, que pode ser
chamado de risco diversificável e assume que a diversificação não tem custo e que todos os ativos
podem ser negociados, de modo que a “Carteira de Mercado” contém todos os ativos com risco. Além
disso, no modelo, todo investidor mantém alguma combinação de ativos sem risco (títulos públicos) e
de ativos da Carteira de Mercado.

Mensurando o Risco de um ativo
O risco de qualquer ativo é o risco que ele adiciona à Carteira de Mercado. Os ativos que se movi-
mentam mais com a Carteira de Mercado são mais arriscados do que os que não se relacionam com
ela, porque os movimentos não relacionados são eliminados com a agregação do ativo à Carteira de
Mercado, com a diversificação. O risco agregado à Carteira de Mercado é medido pela covariância do
título com a Carteira.
Mas a covariância não é uma medida padrão do risco do mercado, do ativo médio. Ao dividir a cova-
riância de um título em relação à Carteira de Mercado pela variância da Carteira de Mercado, obt e-
mos uma medida padrão, o | do título. O | de qualquer título é uma medida padrão do risco que ele
agrega à Carteira de Mercado, é a medida do risco não diversificável. Já que a covariância da Cartei-
ra de Mercado consigo mesma é a variância da Carteira de Mercado, o | da Carteira de Mercado é 1.
Se um título é mais arriscado do a Carteira de Mercado, seu | é maior que 1; se menos arriscado,
seu | é menor que 1.
| do ativo =
Covariância do Retorno do Ativo em relação ao Retorno Médio do Mercado
Variância do Retorno Médio do Mercado

O CAPM, então, usa a variância como medida de risco e considera que apenas a parte da variância
que não é diversificável é remunerada. A variância de um investimento mede a diferença entre o re-
torno esperado e o retorno verificado. O risco (variância) de um investimento pode ser dividido em
duas fontes: o risco específico da firma (só afeta a firma) e o risco de mercado (afeta todas as firmas).
Mede-se o risco não diversificável com o |, padronizado em torno de 1 e procura-se utilizar o b para
calcular o retorno esperado.
Desse modo,
Retorno Esperado do Ativo i= Taxa Livre de Risco + |
Prêmio de Risco = retorno extra exigido para investir no ativo i
Retorno Esperado para o acionista = Rf + | do ativo x [E(Rm) - Rf]

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 102
Rf = Taxa livre de risco
E(Rm) = Retorno esperado do Índice de Mercado
Como retorno do Índice de Mercado utiliza-se um índice de Bolsa de Valores representativo do mer-
cado como um todo. No Brasil, o recomendável é utilizar o IBX da Bovespa.
Na análise de investimento em uma ação, a taxa de retorno esperada pelo acionista será utilizada
como taxa de desconto para o fluxo de caixa do acionista, gerado pela empresa, de modo que, o
valor presente desse fluxo de caixa é considerado o valor justo para a ação, o qual deve ser compa-
rado ao preço de mercado e analisadas duas situações: se o preço de mercado estiver abaixo do
valor justo, há potencial de alta do preço de mercado e, se o preço de mercado estiver acima do valor
justo, há potencial de baixa do preço de mercado.

4.6.2 Análise Técnica
A análise técnica é a o acompanhamento das cotações, a partir de gráficos, estatísticas e indicadores
com base nos preços de mercado e volume de negociações. Essa análise procura identificar o senti-
mento do mercado, ou seja, se há a avaliação de que o preço está baixo ou alto. A partir dessa aval i-
ação, o comportamento do mercado pode ser de alta, de baixa ou de indefinição. Observando-se,
portanto, as tendências de alta ou de baixa, pode-se segui-las comprando no início de uma tendência
de alta e vendendo no início de uma baixa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BODIE, Z. Fundamentos de Investimento. 3ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2000
CAVALCANTI, F; MISUMI, J. Y. Mercado de Capitais. Rio de Janeiro: Campus, 2001. 373p. ISBN 85-
352-0942-5
PINHEIRO, J. L. Mercado de Capitais: fundamentos e técnicas. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2005.
PÓVOA, A. Valuation: como precificar ações. São Paulo: Globo, 2004.
www.analistademercado.com.br
www.bastter.com.br
www.bovespa.com.br
www.cvm.gov.br
www.dojistar.com.br
www.infomoney.com.br
www.leandrostormer.com.br
www.nelogica.com.br
www.timing.com.br

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 103
5. MERCADO DE DERIVATIVOS



Derivativos são contratos cujos valores derivam de outros ativos. São contratos de Futuros, a
Termo, Swaps e Opções. Distinguem-se dos demais contratos, porque permitem proteção contra
riscos de preços (hedge) e apostas em variações de preços, de moedas e de taxas de juros.
Categorias de derivativos:
- Taxas de juros
- Taxas de câmbio
- Commodity (mercadoria)
- Índices de ações
As finalidades dos participantes são:
- Fazer hedge: proteger-se contra movimentos adversos no futuro
- Especular: apostar em movimentos de preços futuros para obter ganhos
- Fazer arbitragem: tirar proveito da diferença na variação entre o preço de dois ativos ou
dois mercados
Os contratos são negociados no balcão ou na BM&F.

5.1 BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO - BM&F
O objetivo maior da BM&F é efetuar o registro, a compensação e a liquidação, física e financeira, das
operações realizadas em pregão ou em sistema eletrônico, bem como desenvolver, organizar e ope-
racionalizar mercados livres e transparentes, para negociação de títulos e/ou contratos que possuam
como referência ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias e moedas, nas modalida-
des a vista e de liquidação futura.
Para tanto, mantém local e sistemas de negociação, registro, compensação e liquidação adequados à
realização de operações de compra e de venda, dotando-os de todas as facilidades e aprimoramen-
tos tecnológicos necessários, a fim de divulgar as transações com rapidez e abrangência. Além disso,
possui mecanismos para acompanhar e regular seus mercados e normas que asseguram aos partici-
pantes de seus mercados o adimplemento das obrigações assumidas, em face das operações efetu-
adas em seus pregões e/ou registradas em quaisquer de seus sistemas de negociação, registro,
compensação e liquidação.
Destaca-se, nesse particular, o reconhecimento, pelo órgão regulador do mercado norte-americano -
a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) -, em julho de 2002, da adequação desses siste-
mas e mecanismos, o que significa que são equiparáveis, perante a CFTC, aos adotados pelo mer-
cado local.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 104
No âmbito de seu poder de auto-regulação, a Bolsa de Mercadorias & Futuro:
(a) Estabelece normas visando à preservação de princípios eqüitativos de negociação e co-
mércio e de elevados padrões éticos para as pessoas que nela atuam, direta ou indireta-
mente;
(b) regulamenta e fiscaliza as negociações e as atividades de seus associados;
(c) resolve questões operacionais;
(d) aplica penalidades aos infratores das normas legais, regulamentares e operacionais;
(e) Concede crédito operacional a seus associados, de acordo com seus programas e objeti-
vos;
(f) defende seus interesses, bem como os de seus associados, junto às autoridades consti-
tuídas;
(g) dissemina a cultura dos mercados de derivativos no País, por meio de eventos educacio-
nais, treinamentos e publicações.
A BM&F exige um capital mínimo para o agente de compensação e oferece como garantias:
- Margens depositadas
- Garantias e títulos de propriedade da corretora
- Garantias e títulos de propriedade do agente de compensação
- Fundo da BM&F
- Patrimônio da BM&F

5.2 MERCADO A TERMO
No contrato a termo, o investidor compromete-se a comprar ou vender uma certa quantidade de uma
ação (ação-objeto) por um preço fixado dentro de prazo predeterminado
As garantias do contrato são:
- Cobertura: depósito dos títulos na Bovespa
- Margem: percentual do valor do contrato – no mínimo 20% e no máximo 100%
As garantias podem sofrer ajustes.

5.3 MERCADO FUTURO
O Mercado Futuro pode ser considerado um aperfeiçoamento do Mercado a Termo. O Contrato de
Futuro representa um compromisso (promessa) de compra ou venda de determinada quantidade de
um bem, a um preço livremente acordado entre as partes, para liquidação numa data futura. Essa
“promessa” pode ser encerrada ou transferida a terceiros antes do vencimento. Nos preços dos con-
tratos está embutido um prêmio sobre os preços à vista que reflete o custo de carregamento até o
vencimento. A liquidação Ocorre na Câmara de Liquidação e Custódia (Clearing House). Para asse-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 105
gurar o cumprimento dos compromissos são depositadas margens de garantia. O comprador ganha
se o preço sobe e o vendedor ganha quando o preço cai.

5.4 MERCADO DE OPÇÕES
No Mercado de Opções não se negociam ativos, mas direitos sobre eles. Direitos de uma parte com-
prar ou vender à outra, até determinada data, certa quantidade de ativos-objetos.
São negociadas Opções sobre:
- Ações
- Índices de bolsa
- Taxas de juros
- Títulos ou Bônus
- Câmbio ou divisas
- Futuros
Nas Opções de Compra (Call Options) o Vendedor do direito de compra recebe o prêmio e não pode
desistir; o Comprador do direito de compra Paga o prêmio e Pode desistir. Neste caso diz-se que ele
deixou o papel (contrato) virar pó.
Nas Opções de Venda (Put), Para ter os direitos, o titular paga um prêmio e, se desistir, o perde; o
Vendedor do direito de venda (lançador) Recebe o prêmio e Não pode desistir; já o Comprador do
direito de venda (titular) Paga o prêmio e Pode desistir (deixar virar pó).

6.5 SWAP
Swaps são acordos entre as partes para a troca de fluxos de caixa futuros como, por exemplo: troca
de pagamentos de juros pós-fixados por prefixados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FIGUEIREDO, Antonio Carlos. Introdução aos derivativos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning,
2002. 143p. ISBN 8522102813
HULL, John. Introdução aos mercados futuros e de opções. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Bolsa de
Mercadorias & Futuros: Cultura, 1996. 2v. ISBN 8529300207
MARINS, Andre Cabral. Mercados derivativos e análise de risco. 2 v. Rio de Janeiro: AMS Editora.
2004. ISBN: 85-98162-02-7.
SILVA NETO, Lauro de Araújo. Derivativos: definições, emprego e risco. 2. ed. São Paulo: Atlas,
1998. 282p. ISBN 8522418403 : (Broch.).
www.bmf.com.br

SUMÁRIO 1. MERCADO FINANCEIRO ..................................................................................................................5 1.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................5 1.2. HISTÓRIA DO DINHEIRO E DOS BANCOS ..................................................................................6 1.2.1. História do Dinheiro ...................................................................................................................6 1.2.2. Origem e Desenvolvimento dos Bancos e do Dinheiro de Papel...........................................8 1.2.3. História das Bolsas de Valores ...............................................................................................11 1.2.4. Configuração Atual do Mercado Financeiro ..........................................................................14 1.3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN) .................................................................................15 1.3.1. Composição do Sistema Financeiro Nacional .......................................................................16 1.3.2. Órgãos normativos...................................................................................................................18 1.3.3. Entidades Supervisoras ...........................................................................................................18 1.3.4. Operadores ...............................................................................................................................20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................30 2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO ............................................................................31 2.1. INTRODUÇÃO ..............................................................................................................................31 2.2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO AOS TIPOS E AS FINALIDADES DAS OPERAÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO PRATICADAS ................................................................31 2.2.1. Mercado Monetário ...................................................................................................................31 2.2.2. Mercado de Crédito ..................................................................................................................41 2.2.3. Mercado Cambial ......................................................................................................................41 2.2.4. Mercado de Capitais .................................................................................................................44 2.2.5. Mercado de Derivativos ...........................................................................................................44 2.3. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO A FORMA DE REMUNERAÇÃO E CORREÇÃO MONETÁRIA ..................................................................................................................45 2.3.1 Renda Fixa .................................................................................................................................45 2.3.2 Renda Variável ...........................................................................................................................45 2.3.3. Fundos de Investimento ..........................................................................................................46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................55 3. MERCADO DE RENDA FIXA ..........................................................................................................56 3.1. A MONTAGEM DO FLUXO DE CAIXA ........................................................................................56 3.2. PREÇO E RENDIMENTO DE TÍTULOS DE RENDA FIXA ..........................................................59

PUC Minas

2

Sistema Financeiro Nacional

3.3. TÍTULOS PÚBLICOS....................................................................................................................64 3.3.1. Letra do Tesouro Nacional - LTN ............................................................................................65 3.3.2. Letra Financeira do Tesouro - LFT..........................................................................................67 3.3.3. Nota do tesouro Nacional - NTN..............................................................................................68 3.3.4. Nota do Banco Central do tipo E (com correção cambial) - NBC-E .....................................72 3.3.5. Exercícios .................................................................................................................................73 3.4. PRODUTOS DE APLICAÇÃO (INVESTIMENTO) OFERECIDOS PELO SISTEMA

FINANCEIRO E EMPRESAS ...............................................................................................................79 3.4.1. Certificado/Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB) ..........................................................79 3.4.2. Certificado de Depósito Interfinanceiro - (CDI) ......................................................................80 3.4.3. Commercial Papers ..................................................................................................................80 3.4.4. Export Note ...............................................................................................................................81 3.4.5. Debêntures ................................................................................................................................81 3.4.6. Exercícios .................................................................................................................................81 3.5. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO (EMPRÉSTIMOS) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINANCEIRO E EMPRESAS ......................................................................................................................................83 3.5.1. Hot Money .................................................................................................................................83 3.5.2. Desconto de Duplicatas e Notas Promissórias .....................................................................83 3.5.3. Commercial Papers ..................................................................................................................84 3.5.4. Export Notes .............................................................................................................................84 3.5.5. Securitização de Recebíveis ...................................................................................................84 3.5.6 Exercícios ..................................................................................................................................85 3.6. MERCADO INTERNACIONAL DE RENDA FIXA.........................................................................86 3.6.1. Money Market............................................................................................................................86 3.6.2. Capital Market ...........................................................................................................................86 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................87 4. MERCADO DE CAPITAIS (renda variável) ....................................................................................88 4.1. INTRODUÇÃO ..............................................................................................................................88 4.2. MERCADO DE AÇÕES ................................................................................................................88 4.3. BOLSA DE VALORES ..................................................................................................................90 4.4 SOCIEDADES CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS .................................92 4.5 INVESTIDORES .............................................................................................................................93

PUC Minas

3

Sistema Financeiro Nacional

...... 105 PUC Minas 4 Sistema Financeiro Nacional ......................... 103 5.....................1 BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO ................................... 105 6............................................................ 105 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................1 Análise fundamentalista .....................................94 4........................... 104 5............6.5 SWAP ...................................................................... 102 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................... 104 5......................................................................4..........................................BM&F .93 4....................................................................................... ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES ................................................ MERCADO DE DERIVATIVOS ...................................................................................................................................................................................................................... 102 5...........................................................................................6...... 103 5.............4 MERCADO DE OPÇÕES ...........................................................................2 Análise Técnica .......................................6..........3 MERCADO FUTURO ..................................................................2 MERCADO A TERMO .............................................

Assim. O que irá fazer com os $50 que sobraram? Imagine também outro que receba $100 como renda mas necessite. por meio de um contrato que é chamado de título. há os que detêm recursos e não irão precisar deles no momento (estão superavitários) e. Imagine que alguém tenha recursos excedentes e queira aplicá-los para ter um valor maior no futuro. nesse mercado. Para ceder a outrem os seus recursos fazem-no mediante compromisso de recebêlos de volta. quanto empresas que oferecem participação na sociedade para obter recursos para investimento e capital de giro. os bancos captam de quem quer e mprestar e emprestam para os deficitários.para atender suas necessidades. juros.00 após um ano de prazo. Os bancos participam desse mercado como intermediários. já que a primeira será sempre menor do que a segunda.1. INTRODUÇÃO O mercado financeiro deve ser entendido como um mercado mesmo: um local onde ocorrem transações comerciais. Os agentes econômicos (pessoa física. MERCADO FINANCEIRO 1. a troca de um bem ou serviço por dinheiro.1. dificilmente ele encontrará quem queira tomar emprestados esses recursos no mesmo volume e prazo almejados pelo superavitário. Esse mercado atende tanto o indivíduo. quem o procura ou quer comprar dinheiro ou quer vender dinheiro. acrescidos de renda. captando dos superavitários e emprestando aos deficitários. que estão deficitários. aluguel ou impostos). lucro. após um determinado prazo. Imagine um agente que tenha $150 de renda e utilize $100. Por exemplo. algum tempo depois. de $150. quem precisa “comprar” R$ 1. No mercado financeiro.00 aceita pagar a quem lhe vendeu R$ 1. pois as transações de compra e venda vão inevitavelmente ocorrer. Aqueles que não precisam de toda a renda vão aplicar a sobra para gerar mais renda. Outro participante do mercado financeiro é o governo que capta recursos para cobrir suas necessidades financeiras tomando emprestado. cuja receita não está cobrindo suas despesas. Como obterá os $50 que faltam? O que sucederá é que haverá uma forma dos $50 que estão sobrando para um parar nas mãos daquele para quem os $50 estão faltando.100. depois de analisarem o risco de não receberem o valor compromissado no futuro. Esse mercado só pode existir numa sociedade com divisão de trabalho. assim sendo. entretanto.000. Assim. ficando com um patrimônio maior e com uma renda PUC Minas 5 Sistema Financeiro Nacional . Em outras palavras. pagando juros de 10% ao ano. quem precisa de dinheiro oferece em troca pagar um valor maior. ou obrigação. ganhando na diferença entre a taxa de captação e a de aplicação. e por meio dos impostos. disponibilizam-nos para os que precisam deles agora. na qual exista o dinheiro. pessoa jurídica e governo) vão necessariamente ter uma fonte de renda (salário. A circulação do dinheiro vai garantir a acumulação de riqueza. Desse modo duas situações vão surgir: agentes cujas necessidades exigem um valor maior do que o obtido pela sua fonte de renda e agentes com cujos recursos são mais do que suficientes para cobrir suas necessidades. através da dívida pública.

O maior desenvolvimento ocorreu a partir do século dezenove.asp?perfil=1&cod=718&codP=83>. Banco Central do Brasil. 1 Figuras extraídas em ORIGEM e evolução do dinheiro. os instrumentos e as instituições também se globalizaram e tornaramse mais sofisticados. quem se dedicava. teciam os panos. fazia escambo. Quanto mais divisão do trabalho mais a moeda é necessária. permitindo que parte da renda seja transformada em aplicação. Disponível em: <http://www. repartindo o que o grupo obtém. em comunidade. não utilizava dinheiro. História do Dinheiro1 A humanidade.maior também. No feudalismo. 1. Há na história da humanidade momentos em que quase não se usava a moeda. por exemplo. o que se adquiria pelo comércio era muito pouco. a alimentação provinha da produção agropecuária. A partir da necessidade de sua utilização nós construiremos seu conceito. Apresenta artigo sobre a história do dinheiro com figuras e fotos de elementos do museu. Mas os instrumentos e as instituições atuantes observados hoje foram criados recentemente. tudo o que se necessitava era obtido pela ação individual. Portanto. que pastavam nas áreas comuns. na verdade. Se havia. foram sendo criados instrumentos para permitir a transferência dos superavitários para os deficitários. mas não havia uma coisa que era usada apenas para trocar por outra. pois se encontram certos títulos que oferecem o pagamento de juros e outros que permitem a participação nos lucros de empresas. e com o algodão cultivado nas terras destinadas ao servo. As rocas eram usadas para criar o fio e os teares. como na Idade Média. precisando de milho.br/mPag. caçava ou colhia frutos. ao final estaria com alguns peixes. História do dinheiro.bcb. Veremos que o mercado financeiro torna possíveis e facilita as duas alternativas para todos. no feudalismo: o servo produzia quase tudo de que necessitava. Em primeiro lugar. HISTÓRIA DO DINHEIRO E DOS BANCOS 1. então. a moeda é uma coisa que serve para trocar por outras coisas. em sua origem. Com a globalização. à pesca. feitos com a madeira do bosque. PUC Minas 6 Sistema Financeiro Nacional . No feudo. A aplicação pode ser em investimento produtivo para ter lucro ou emprestando para conseguir juros. Quando desejava comer. até a parte do senhor era paga com o resultado de sua produção. historicamente. a existência de um mercado financeiro desenvolvido em uma sociedade com divisão do trabalho e distribuição justa da renda pode incrementar a democratização da riqueza.2. durante o dia. o que iria consumir e procurava alguém para trocar o restante pelo que também precisava. O homem primitivo trocava uma coisa que possuía por outra que não possuía. a casa e a mobília eram feitas com madeira do bosque. Acesso em 10 de janeiro de 2002. são contratos que exigem obrigações de quem os vendeu: pagar juros ou lucros.2. Museu de Valores.gov. ia atrás do que cultivou o milho e fazia a troca.1. no mercado financeiro. Esses títulos também são chamados de obrigações porque. Ainda hoje há sociedades que não usam dinheiro: os índios atendem suas demandas. o vestuário e outros objetos de pano eram feitos com a lã dos carneiros. Sendo assim. ele separava.

como ouro. cit. foi descoberto o metal. Quando começou a fundição dos metais.br/mPag. foi feita a primeira moeda com o trabalho humano. etc. cobre. por suas características de ter valor. preenchia um dos requisitos de ser moeda. o boi. Disponível em: <http://www. ferro. salário do latim salariu. Acesso em 6 de janeiro de 2002. foram eleitas certas coisas que não eram perecíveis e que eram aceitas por todos no escambo. ou ainda que este não estivesse querendo trocar.gov. o que originou pecúnia (dinheiro) do latim pecunia e pecuniário do latim pecuniariu. a mais apropriada para ser moeda. Ver ORIGEM e evolução do dinheiro.. daí. Então. logo. Na era da pedra lascada. pecus. ademais era a coisa menos perecível. por exemplo: o sal foi usado.asp?codP=83&cod=718&perfil=1>.Mas poderia acontecer que ele não encontrasse quem detinha o milho. encontradas no Oriente2. ser reserva de valor. Desse modo ele procurava alguém que quisesse trocar o peixe por algo não perecível. uma moeda de pedra.bcb. Então. no século XII antes de Cristo. pois o peixe estraga de um dia para o outro. A prática era trocar as coisas perecíveis pelas não perecíveis.). que. foram feitas moedas com formatos de objetos É o caso das moedas faca e chave. em que os objetos eram criados a partir do trabalho sobre a pedra. prata. PUC Minas 7 Sistema Financeiro Nacional . (op. 2 Na China.

os primeiros bilhetes de banco. Os bancos foram importantes no império romano. na época do Brasil-Colônia: documento que acompanhava cada uma das barras de ouro produzidas nas Casas de Fundição. “No Brasil.asp?perfil=1&cod=718&codP=83> PUC Minas 8 Sistema Financeiro Nacional . hoje.. o papel-moeda. além da moeda de metal precioso. Certificado de Barra emitido por casa de fundição.gov. Disponível em: <http://www. em 1810. quando recebiam moedas que eram cunhadas em 3 4 Apud GALBRAITH (1977) ORIGEM e evolução do dinheiro. recibos de depositários (que davam ao possuidor o direito de sacar a quantia indicada nos bancos). Alexandre o Grande iniciou o costume de representar a cabeça do soberano nas moedas. que continha seu valor intrínseco. Já. moedas com peso e valor definidos só vieram a ser feitas. para dar segurança aos proprietários do dinheiro de que este ficaria guardado sem risco de ser roubado. meio de troca e reserva de valor.C.2.Entretanto. essencialmente. o empréstimo poderia vir de qualquer um que tivesse o valor suficiente. Desse modo. foram lançados pelo Banco do Brasil. fazemos com os cheques” 4.bcb.br/mPag. também serviam como dinheiro. Os bancos surgiram. por volta do final do Século oitavo A. cit. as moedas de metal foram amplamente usadas e os bancos tinham como atividade precípua a custódia de valores e não o ato de emprestar. Comprovava o pagamento do quinto e era aceito como moeda no comércio local.). Origem e Desenvolvimento dos Bancos e do Dinheiro de Papel Na antiguidade. começaram a fazê-las redondas. precursores das cédulas atuais. eram pequenos lingotes ovais de uma liga de ouro e prata chamados eletro. segundo Heródoto 3. 1. (op. Para facilitar o transporte. Tinham seu valor preenchido à mão. tal como. pelos reis da Lídia.2.

A falsificação do dinheiro sempre foi um procedimento corriqueiro. PUC Minas 9 Sistema Financeiro Nacional 6 . pois se a moeda tivesse valor maior que o metal bruto com seu peso. por causa dos altos gastos da corte na 5 No padrão ouro. a Companhia passava por dificuldades. O passo seguinte foi o fechamento do banco em 1819. Em 1606. Além disso. podiam todos os depositantes requerer o saque que o banco lhes entregaria as moedas depositadas. o exército francês cercou Amsterdã. Lá circulavam moedas de todas as partes do mundo. haveria aumento da produção local e viria também metal de fora para ser transformado em moeda. as moedas sairiam de circulação e ocorreria deflação até o preço do mesmo peso do metal bruto equivaler-se ao valor impresso na face da moeda. três histórias que ilustram bem as características e o processo do sistema de crédito que foi surgindo com o advento do Estado Nacional e a evolução do sistema bancário. os déficits e as dívidas cresciam. até a criação do primeiro banco central. invariavelmente tinham o mesmo valor: o custo de produção. sediada nas cidades-portos da Itália (Veneza. com a diminuição do comércio essa atividade arrefeceu. os recibos de depósito desse banco realmente correspondiam ao dinheiro físico guardado no banco. etc. que. e o banco já não recebia o pagamento dos seus empréstimos em dia. a moeda cunhada e o metal bruto com peso correspondente. Amsterdã. Uma história semelhante ocorreu na França. o governo municipal também se endividou junto ao banco. o reino estava altamente deficitário e o tesouro.várias localidades diferentes e analisavam a pureza do metal. Quando John Law chegou à França em 1716. misturavam-se metais menos nobres. foi estabelecido um banco para controlar a qualidade das moedas. como hoje. eram as mesmas pessoas. na época do renascimento. Por isso.6 Durante um século. afinal. haveria uma busca frenética pela fundição das moedas. Quando. No caso do metal bruto valendo mais que a moeda com o mesmo peso. pesandoas e avaliando o grau de pureza do metal. Na Idade Média.). não seriam atendidos. então. depois de deduzidas as despesas com cunhagem e com os gastos de administração. surgiam muitas falsificações com relação ao peso e à pureza do metal: cortavam-se pedaços das moedas. Com o surgimento dos Estados Nacionais. no séc. foi a limitação dos saques a um determinado valor. começou uma prática que hoje é comum no sistema bancário: o banco emprestava o dinheiro dos depositantes e. No fim do século XVII. adulteravam-se as balanças. era um ponto comercial muito importante. em 1609. no início do século XVII. ela surgiu com toda força. das cédulas e moedas. se todos eles fossem sacar. transformando-as em lingotes para serem vendidas como metal bruto. Este banco recebia as moedas estrangeiras e transformava seu valor intrínseco em depósito. Gênova. O próximo passo. Muitas delas não tinham seu valor de face correspondendo ao valor em peso do metal5. não havia controle. A seguir. em 1672. o banco passou a financiar a Companhia e. Mas. foi publicado um manual enumerando 341 moedas de prata e 505 de ouro. Desse modo. O aumento da oferta de moedas geraria inflação até seu valor igualar-se ao preço do metal com o mesmo peso. etc. Na antiguidade. mas. XVIII. falido. isso se tornou uma das suas atribuições. a guerra com a Inglaterra provocou perdas de cargas e navios. assim. já que não havia metal precioso disponível no caixa do banco para pagamento aos depositantes. houve uma corrida ao banco para saques e todos foram atendidos. Foi o primeiro banco público criado para regular e controlar a qualidade do dinheiro em circulação. por causa da relação estreita entre o prefeito e os membros do senado da cidade com os proprietários da Companhia Holandesa das Índias Orientais.

Mas a principal ambição de Law não era ser fornecedor de dinheiro para a aristocracia francesa. em 1797. com essas notas podia-se pagar os impostos. O Banco da Inglaterra foi fundado em 1694 e sua finalidade principal era financiar o tesouro e. a maior parte era transformada em notas de empréstimo para o Estado. A seguir a história da criação do primeiro banco central. então. Esse empreendimento transformou-se na Companhia das Índias que obteve do regente privilégios exclusivos para o comércio com a Índia. Quando a população desconfiou que não havia ouro da América guardado no banco. As duas histórias. O banco foi autorizado a emitir notas. a única fonte de papel-moeda em Londres. Ele recebeu permissão para fundar um banco.. 35) isto era “[. todos que podiam compravam. o direito de cunhar moedas e de arrecadar impostos. o Banco da Inglaterra tornara-se. estava criado o primeiro Banco Central. Devido ao grande movimento de notas.. obteve o monopólio do comércio do fumo. o banco cresceu e abriu filiais em várias cidades francesas. as notas voltavam para o banco de origem. nem no comércio. praticamente. em última instância. para transformarem-se em barras de 7 Luis XV era menor de idade. Galbraith (1977. emprestando. por seu lado. os gastos do governo inglês aumentaram bastante e as notas já não eram passíveis de conversão em dinheiro em ouro. O regente. que tiveram suas notas preteridas em relação às do Banco da Inglaterra. o banco suspendeu o direito de resgate das notas. quanto mais o banco emprestava para o Estado. desde que entrasse com determinado capital. Desse modo. solicitou mais empréstimos. que. o que não acontecia com as dos outros bancos. enquanto que. Por causa das guerras contra Napoleão e a colônia. muita gente ficou sem dinheiro. p. mais seu passivo aumentava com o resto da sociedade. Uma vez que detinha o monopólio sobre a emissão de notas. para isso. Por volta de 1770. as notas de outros bancos ainda foram emitidas até o século seguinte. mostram que uma instituição bancária mal administrada pode gerar prejuízos para os depositantes. As notas eram. pão. ou seja. O Banco da Inglaterra tornara-se o guardião da oferta de moeda e a base financeira do governo inglês. Segundo. como era de se esperar. Outra questão importante é que o financiamento do Estado por um banco não significava garantia de que o metal precioso estaria garantido para os depositantes. ele queria mesmo era fundar a Companhia do Mississipi para encontrar metais preciosos na América. no interior. muitas fortunas desapareceram. A colocação de ações da Companhia foi um tremendo sucesso. principalmente para o Estado. os recursos conseguidos não eram aplicados nas atividades de prospecção de minérios. correu para sacar. foram transferidas para o Estado que. entusiasmado com o resultado da emissão. Além disso. pagava os fornecedores e os credores do governo que. O regente7 utilizou as notas para pagar as despesas e os credores. convertidas em dinheiro. Na verdade. ou o que tinha pelo menos uma de suas funções exclusivas: o monopólio da emissão. etc. era o verdadeiro devedor.época dos luíses.] a maravilha do banco”: receber juros do governo e dos tomadores privados. e. China e nos mares do sul. O preço do ouro subiu. bem como o de outras mercadorias: trigo. As moedas de ouro e prata desapareceram. compravam ações da Companhia com as notas emitidas. a do Banco de Amsterdã e a do banco de John Law. PUC Minas 10 Sistema Financeiro Nacional . invariavelmente. Entretanto. por sua vez. ele emitia notas e podia emprestá-las para o setor privado. e.

como taxa de juros e taxa de câmbio. cujos governos locais descobriram que podiam emitir cédulas com a garantia apenas da assinatura da autoridade governamental (no nosso caso. Quando uma Bolsa de Valores foi inaugurada em Amsterdã. também podem estar deficitárias tanto com relação às necessidades de capital de giro quanto com as necessidades de capital fixo. investimentos de longo prazo.2. Segundo Galbraith (1977) os pioneiros na emissão foram os colonos da América do Norte. PUC Minas 11 Sistema Financeiro Nacional . As cotações eram colocadas num papel e afixadas num quadro com um prego grande: essa é a origem do “pregão”. Entretanto. de modo que os pedaços de papel não se desvalorizem em relação às mercadorias.e destacado . seja como investidor. O dinheiro grande. do setor produtivo.3. Hoje. A venda das partes do capital adicional. a Bolsa de Amsterdã negocia um bilhão de dólares a cada dois dias. História das Bolsas de Valores As empresas. fechando o ano em torno de 4% do Produto Nacional Bruto dos Estados Unidos. As suas notas continuaram a ser aceitas por causa da garantia do governo de que elas teriam validade para ele. a palavra bilhão talvez não existisse. A seguir. Mas o Banco da Inglaterra não foi extinto. A sociedade acredita que o governo se responsabiliza pela emissão. como cotista de fundos mútuos. e transformou-se no primeiro banco central: tornou-se emprestador de última instância. com o Japão e algumas nações da Europa Ocidental em segundo . em 1602. entidade criada para facilitar as negociações. Então. elas não recorrem apenas a empréstimos. com o objetivo de influir o comportamento da economia. sem lastro. aumenta de volume e sofistica-se a cada dia que passa. de fontes inteligentes. Os negócios financeiros e de movimentação de capitais convergem especialmente para os Estados Unidos. o ministro da fazenda e o presidente do Banco Central). garantindo a liquidez do sistema financeiro. como os acima. outros bancos centrais surgiram. aceitando novos sócios. todos sabiam que poderiam pagar impostos e taxas com elas que seriam aceitas. então será apresentada uma breve história da evolução das bolsas de valores no mundo e no Brasil. oferecendo liquidez ao papel e garantias de lisura nas operações. O Banco central do Brasil foi criado em 1964. 1. o Banco do Brasil e a Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC) cumpriam as funções do Banco Central. Antes disso. as ações novas. Após a criação do Banco da Inglaterra.metal e serem vendidas a peso. este primeiro banco central não emitia as cédulas como as conhecemos hoje. bem como o comércio das já emitidas. constituindo um fundo destinado a cobrir rombos em instituições bancárias que não pudessem atender a eventuais corridas para saques. pois todas tinham que ter uma base para emissão: ou depósitos em ouro ou títulos do tesouro. ocorre geralmente em uma bolsa de valores. Para conseguir os recursos dos superavitários. Um em cada 10 americanos tem interesse direto nas cotações de ações e de commodities de seu país. os obtém também aumentando o capital. Depois da grande crise de 1929. os bancos centrais passaram a controlar também variáveis-chaves. ou como participante de fundos de pensão. A Bolsa de Valores de Nova Iorque gira mais de US$ 1 bilhão num dia normal de pregão.plano.

Alguns escritores a localizam nos emporium dos gregos. o primeiro narrador a contar a história das Bolsas em 1688. em cuja fachada havia um escudo com três bolsas. apenas. já pelas diligências que cada um faz de aí encher a sua. No Brasil. enquanto Sir Isaac Newton. espaço circular onde os corretores apregoavam os negócios. elas assumiram um papel preponderante na oferta e procura de capitais. em épocas distantes. que se assentou basicamente sobre dois tipos de instituições: PUC Minas 12 Sistema Financeiro Nacional . num prédio suntuoso. Os agents de change. permitindo grandes agrupamentos de recursos. todavia. Evolução no Brasil Desde os mercados medievais até hoje. Mas foi apenas no Século XVIII que essas instituições atingiram grande desenvolvimento. Em 1698 foi fundada a Bolsa de Fundos Públicos de Londres. e com associados brokers (corretores intermediários) e jobbers (que negociavam por conta própria). cidade lacustre da Bélgica. Mas o comportamento dos mercadores sintetizava o procedimento comercial que daria vida às Bolsas: a negociação de viva voz. o enorme crescimento das negociações naquele ano exigiu a organização da Bolsa em caráter oficial. Esses fatos criavam. com atribuições que não as vinculavam especificamente a valores mobiliários. outros nos collegium mercatorum dos romanos. capital de Flandres. Não há uma definição histórica clara sobre isso. de acesso vedado ao público em geral.. Joseph de la Vega. depois. Aí se organizou a corbeille. que elas surgiram. nasceu em Bruges. por assim dizer. no seu sentido comercial e financeiro. Embora as operações com valores já estivessem legalizadas. seu desenvolvimento está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento da estrutura financeira do País. sendo regulamentada em 1304. Pouco tempo antes. Napoleão I fixou-a. as Bolsas de Valores vêm sofrendo profundas transformações em sua estrutura. fixava para sempre o padrão de purificação de ouro e cunhagem de moedas de ouro. onde permanece até hoje.Origens A origem das Bolsas de Valores é bastante remota. administrando a Casa da Moeda. Durante toda a Idade Média e até o século XVII. letras de câmbio e metais preciosos. os ingleses haviam instalado o Banco da Inglaterra. ou nos funduks (bazares) dos palestinos.. Sabe-se. na casa de um senhor chamado Van der Burse." A Bourse de Paris foi implantada por Luís VII em 1141. quando as exigências de crédito público obrigaram os banqueiros a fracionar os empréstimos em títulos de participação. brasão de armas do proprietário. o primeiro sistema financeiro integrado do mundo moderno. diz que a Bolsa "é uma pequena praça rodeada de pilares. lingüísticas e ideológicas. A palavra Bolsa. onde se realizavam assembléias de comerciantes. orientada por um delegado. as operações de Bolsa resumiram-se à compra e venda de moedas. superando barreiras geográficas. preferiam reunir-se na Pont-aux-Changes sobre o Sena. e chama-se assim já por encenarem-se nela os mercadores como em uma Bolsa. pertencente à Liga Hanseática. Com a expansão das sociedades por ações.

provocando um aumento de 530% nas transações e de mais de 100% no número de companhias com títulos na Bolsa. omitindo-se quanto a essa atividade em outros Estados. no Rio de Janeiro. em dezembro de 1894. Mas a legislação tornou-se mais afirmativa. A regulamentação não provocou modificações imediatas no movimento da Bolsa. aconteceu a regulamentação do pregão. Em São Paulo. Tal fato representou o passo inicial para a criação dos primeiros cargos de corretores de fundos públicos. Antes do século XIX não se encontravam instituições organizadas. A rua Direita. através do Decreto n. No entanto. Em 1897. somente na segunda metade do século XX começaram a surgir instituições especializadas em diferentes tipos de crédito. A reunião espontânea promoveu um sistema de liquidez mais eficiente. de um número irrestrito de pessoas. Em 13 de março de 1897 foi expedido o Decreto no 2. todos esses diplomas legais levaram em consideração somente a Bolsa e os Corretores do Distrito Federal.º 24. O Estado tinha interesses evidentes na organização dos corretores. mesmo depois dele. agindo em nome de comerciantes e produtores dos mais diversos pontos do Brasil e da Europa. nessas operações. Ali ficavam a Alfândega e o Paço Imperial. mediante nomeação do Ministro da Fazenda. os Corretores Oficiais de Fundos Públicos passaram a ter cargos vitalícios. enclave político e econômico do maior porto exportador do País. mas apenas indivíduos exercendo as funções de banqueiros ou corretores. contemporânea ao período colonial.º 417.os bancos comerciais e as Bolsas de Valores. em um de seus artigos. no ano seguinte. na primeira metade do século XIX. Foi a partir das reformas que institucionalizaram o sistema financeiro nacional. Entretanto. foi aprovada uma tabela de corretagem para a embrionária Bolsa Livre de Valores. Desde então. tendo em vista que representavam o Governo em seus atos. era decretada a cotação de títulos em pregão e. era o seu ponto de encontro. mas a regulamentação da atividade só viria a acontecer em 1845. abrangendo também a figura do corretor. elas continuaram sendo entidades públicas com ingerência dos governos estaduais em suas administrações. considerada o marco inicial do funcionamento do pregão da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Esse decreto organizava a Corporação de Corretores de Fundos Públicos e dispunha sobre as operações por eles realizadas em Bolsa. a partir do século XVIII. As disposições sobre o ofício já apareciam na legislação. Apenas em 1878 surgiu maior confiança no mercado. através do Decreto n. a partir do Decreto-Lei n. exigiu a reorganização do sistema financeiro. iniciadas em 1964. que caberia ao Poder Executivo expedir decreto regulamentando a investidura e o exercício dos corretores e as respectivas operações. Em 1876. Preceituava.º 1. hoje rua 1º de Março. com o objetivo principal de evitar a interferência. As atividades das Bolsas e Corretoras dos demais Estados (além do então Distrito Federal) foram regulamentadas pelo Governo Federal somente em 1934.344 de 1939. que veio a se constituir na espinha dorsal da legislação sobre Bolsas e Corretoras. A reestruturação econômica do País.475. por ato do governo estadual. o Governo Estadual instituía a Bolsa Oficial de títulos de São Paulo. No entanto. para onde convergiam compradores e vendedores. passando a reger todas as instituições bolsísticas do País. PUC Minas 13 Sistema Financeiro Nacional .275.

Uma ilustração do mercado financeiro. só podem ser realizados pagamentos com meios de pagamento: papel-moeda ou alguma forma de débito em conta corrente (depósitos à vista). Um conceito de dinheiro que deve ser trabalhado aqui é o de Meios de Pagamento.2. também chamados de M1. do governo e. taxa de câmbio e impostos). Esse conceito refere-se àquilo com o que se pode realizar pagamentos. por meio da troca de meios de pagamento por títulos que garantem a quem os compra o direito de receber o capital investido acrescido de renda num momento posterior. então. Foi visto também que o mercado financeiro passou a existir com a participação de bancos. como o cheque. que o dinheiro foi configurando-se na forma de moedas e cédulas que não necessitavam de contar com o lastro em metal precioso no banco do governo (o banco central). o ministro da fazenda e o presidente do Banco central). finalmente do banco do governo (Banco Central) com a função de emitir dinheiro e atuar no sentido de evitar que haja falta de recursos nos bancos para seus depositantes. Nesse mercado também estarão os governos emitindo papéis para financiar seus gastos e determinando o comportamento de variáveis que determinam o comportamento da economia (taxa de juros. a transferência dos superavitários para os deficitários. com a aposição da assinatura de autoridade (no caso do Brasil. que surgiu e desenvolve-se num sistema econômico do qual fazem parte e interagem o sistema produtivo. oferecendo participação no capital.4.que as Bolsas de Valores assumiram as características que hoje possuem. Na sociedade em que existe o dinheiro. poderia ser o diagrama a seguir. por exemplo. Configuração Atual do Mercado Financeiro Vimos. As empresas também procuram os recursos dos superavitários. com valores monetários expressos em sua face. 1. GESTÃO ECONÔMICA (GOVERNO) SETOR PRODUTIVO SISTEMA FINANCEIRO SISTEMA ECONÔMICO MERCADO FINANCEIRO PUC Minas 14 Sistema Financeiro Nacional . pode colocar em circulação pedaços de metal e de papel. No mercado financeiro. então. ocorre. o sistema financeiro e o governo. com total aceitação e confiança da sociedade. Este banco. Os meios de pagamento são o papel-moeda em circulação (moedas e cédulas) e os depósitos à vista nos bancos.

2003 PUC Minas 15 Sistema Financeiro Nacional . papéis que também pagam renda e o si stema financeiro da mesma forma. ações de companhias brasileiras e do resto do mundo são negociadas na Bolsa de Nova York. e pelos bancos comerciais. Eles precisam do complemento de poupanças de outros para executar seus planos. isto é. 1. e o sistema financeiro irá captar no mercado recursos que aplicará em empréstimos e outras alternativas. Consideram-se instituições financeiras as pessoas jurídicas. determinando também as taxas de juros. o governo obterá no mercado recursos para cobrir suas necessidades de despesas. por seu lado. dessa forma. Os tomadores últimos de recursos são aqueles que se encontram em posição de déficit financeiro. que oferece várias alternativas de aplicação e captação. assim como os papéis do governo e de instituições financeiras são negociados no mercado internacional. Em geral. que tenham como atividade principal ou acessória a coleta. às quais é facultado o direito de criação de moedas ou de meios de pagamento. José Tomáz Pereira. intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros. Os ofertadores últimos de recursos são aqueles que se encontram em posição de superávit financeiro. aqueles que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) menos do que sua renda. Um mercado globalizado. pois não podemos mais falar de mercado restrito a um local ou país. o setor produtivo oferece. Hoje. isto é. as instituições que operam no Sistema Financeiro são classificadas em dois grupos: as bancárias e as monetárias. Todos os setores. que oferecem recursos dos ofertadores últimos e não o seu próprio superávit financeiro e tomam recursos não para cobrir o seu próprio déficit financeiro. a taxa de câmbio e os impostos. em moeda nacional ou estrangeira. O governo emite títulos que pagam renda. temos um mercado altamente desenvolvido. no mercado financeiro há ativos que provêm de todos os setores. © PUCMINAS. A criação de meios de pagamento é realizada pelo Banco Central. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN)8 Pode-se conceituar Sistema Financeiro como um conjunto de instituições e instrumentos financeiros que possibilitam a transferência de recursos dos ofertadores últimos para os tomadores últimos e que criam condições para que os títulos tenham liquidez no mercado. A criação de meios de paga- 8  Esta seção contou como base de consulta a apostila do Prof. Usam-se as expressões ofertadores últimos ou ofertadores finais e tomadores últimos ou tomadores finais de recursos (e não simplesmente tomadores e ofertadores de recursos). aqueles que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) mais do que sua renda. mas para repassá-lo aos tomadores finais para que cubram seus déficits.Portanto.3. têm no mercado fonte de recursos. públicas ou privadas. e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Dessa forma. que estão autorizados a receber depósitos à vista. ao captar esses recursos irá aplicá-lo na produção de bens e serviços de modo que. que emite o papel-moeda. cobrando juros maiores que os pagos na captação. O setor produtivo. para diferenciar esses indivíduos dos intermediários financeiros. ao final consiga obter uma renda maior que a que deve ser paga aos que lhe forneceram recursos. Os papéis são negociados em todo o mundo on line.

uma vez que ela se reflete na própria emissão do papel-moeda.bcb. porque nem todos sacam seus recursos ao mesmo tempo. Esse é. para atender aos saques dos depositantes. O simples ato de depositar não significa a criação de meios de pagamento. o depósito inicial de R$ 100. tudo em conformidade às normas emitidas pelos Órgãos Normativos e seguindo as orientações e o acompanhamento das Entidades Supervisoras. O quadro a seguir apresenta a composição do Sistema Financeiro Nacional segundo o Banco Central do Brasil. PUC Minas 16 Sistema Financeiro Nacional . O quadro e a definição de cada instituição componente do Sistema Financeiro Nacional são transcritos do contido na página da Internet do Banco Central do Brasil9. uma criação de moeda. Contudo. as Entidades Supervisoras fiscalizam e orientam no sentido de fazer cumprir as políticas e as normas emanadas do Governo. por sua vez.mento pelo Banco Central é bastante simples de se entender. os quais. que poderão depositá-lo em outros bancos. o banco sabe que pode emprestar parte desses depósitos. Assim. pode ser melhor entendida através do seguinte exemplo: suponhamos que 100 indivíduos depositem em um banco comercial R$ 100. já houve. Os Órgãos Normativos são entidades governamentais que têm a finalidade de definir as políticas governamentais para o Sistema Financeiro e transformálas em normas. Acesso em 30/01/04.00 transforma-se em vários outros de menor porte. antes.000. por uma questão de probabilidade. o mecanismo básico de criação de moeda.000. obviamente. em essência. pelo efeito multiplicador. A criação da moeda por parte dos bancos comerciais. usarão o mesmo processo. 1.gov. Entidades Supervisoras e Operadores. parte desses depósitos ele mantém em caixa (como encaixe). Desse modo.br/?SFNCOMP>.3.1. por outro lado. parte ele recolhe compulsoriamente ao Banco Central e o restante ele empresta a tomadores. representada pela emissão do papel-moeda pelo Banco Central. os Operadores são instituições que operam no mercado financeiro com o papel de transferir recursos dos superavitários para os deficitários. 9 <http://www. uma vez que os indivíduos estarão simplesmente trocando um ativo monetário (dinheiro) por outro (depósito à vista). Para que eles possam depositar essa quantia.00. Composição do Sistema Financeiro Nacional O Banco Central do Brasil apresenta o Sistema Financeiro Nacional composto por Órgãos Normativos.

CMN Banco Central do Brasil – Bacen Demais instituições financeiras Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Companhias Hipotecárias Cooperativas Centrais de Crédito Sociedades de Crédito.CVM Conselho Nacional de Seguros Privados .Composição do Sistema Financeiro Nacional Órgãos Norma.Entidades Supertivos visoras Instituições financeiras captadoras de depósitos à vista Operadores Bancos Múltiplos Bancos Comerciais Caixa Econômica Federal Cooperativas de Crédito Agências de Fomento Associações de Poupança e Empréstimo Bancos de Desenvolvimento Bancos de Investimento Conselho Monetário Nacional .CNSP Conselho de Gestão da Previdência Complementar CGPC Bolsas de valores Bolsas de mercadorias e futuros Superintendência Sociedades seguradoras de Seguros Privados – Susep Sociedades de capitalização IRB – Brasil Resseguros Secretaria de Previdência Complementar – SPC Entidades abertas de previdência complementar Entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão) PUC Minas 17 Sistema Financeiro Nacional . Financiamento e Investimento Sociedades de Crédito Imobiliário Sociedades de Crédito ao Microempreendedor Administradoras de Consórcio Outros intermediários financeiros e administradores de recursos de terceiros Sociedades de arrendamento mercantil Sociedades corretoras de câmbio Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários Comissão de Valores Mobiliários .

regular o valor interno e externo da moeda e o equilíbrio do balanço de pagamentos. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço www. Superintendente da Superintendência de Seguros Privados. em última instância. coordenar as políticas monetária. que também PUC Minas 18 Sistema Financeiro Nacional . orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras. Orçamento e Gestão e o Presidente do Banco Central do Brasil. fixar as características gerais dos contratos de seguro. Integram o CMN o Ministro da Fazenda (Presidente). de Capitalização. bem como a aplicação das penalidades previstas. organização. estabelecer as diretrizes gerais das operações de resseguro. de 31 de dezembro de 1964. Dentre as funções do CNSP estão: regular a constituição. creditícia. Conselho de Gestão da Previdência Complementar .3. Entidades Supervisoras Banco Central do Brasil – Bacen O Banco Central do Brasil (Bacen) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda.3. funcionamento e fiscalização dos que exercem atividades subordinadas ao SNSP. previdência privada aberta. orçamentária e da dívida pública interna e externa. com fixação dos limites legais e técnicos das respectivas operações e disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor. Também cabe ao CGPC julgar.gov.2. os recursos interpostos contra as decisões da Secretaria de Previdência Complementar. Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) .órgão responsável por fixar as diretrizes e normas da política de seguros privados.br 1. zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras. representante do Ministério da Justiça. Dentre suas funções estão: adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da economia. Órgãos normativos O Conselho Monetário Nacional (CMN) O Conselho Monetário Nacional (CMN).1.CGPC O Conselho de Gestão de Previdência Complementar (CGPC) é um órgão colegiado que integra a estrutura do Ministério da Previdência Social e cuja competência é regular. normatizar e coordenar as atividades das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão). propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros. representante do Ministério da Previdência Social. Entidades de Previdência Privada Aberta e Resseguradores. prescrever os critérios de constituição das Sociedades Seguradoras.595. é composto pelo Ministro da Fazenda (Presidente).3. representante do Banco Central do Brasil e representante da Comissão de Valores Mobiliários. que foi instituído pela Lei 4. capitalização e resseguro. o Ministro do Planejamento.previdenciasocial. é o órgão responsável por expedir diretrizes gerais para o bom funcionamento do SFN.

regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis. promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias abertas. manter as reservas internacionais em nível adequado. Rio de Janeiro. controlar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários do país. realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições financeiras. executar os serviços do meio circulante. na qualidade de executora da política traçada pelo CNSP. proteger os titulares de valores mobiliários.cvm. Pernambuco. autorizar o funcionamento das instituições financeiras. assegurar a observância de práticas comerciais eqüitativas no mercado de valores mobiliários. vigiar a interferência de outras empresas nos mercados financeiros e de capitais e controlar o fluxo de capitais estrangeiros no país. em especial os efetuados em bens garantidores de provisões técnicas. promover o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos operacionais a eles vinculados. previdência privada aberta e capitalização. Paraná. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço:www.CVM A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda.385. evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação no mercado. promover a estabilidade dos mercados sob sua jurisdição. atuar no sentido de proteger a captação de poupança popular que se efetua através das operações de seguro. Para este fim. zelar pela liquidez e solvência das sociedades que integram o mercado. de capitalização e resseguro. cumprir e fazer PUC Minas 19 Sistema Financeiro Nacional . desenvolver. instituída pela Lei 6. capital do País. efetuar operações de compra e venda de títulos públicos federais. É o principal executor das orientações do Conselho Monetário Nacional e responsável por garantir o poder de compra da moeda nacional. Dentre suas atribuições estão: emitir papel-moeda e moeda metálica.595. disciplinar e acompanhar os investimentos daquelas entidades. Ceará e Pará.autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. Entidades de Previdência Privada Aberta e Resseguradores. previdência privada aberta.br Superintendência de Seguros Privados – Susep Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) . organização. Comissão de Valores Mobiliários . é responsável pelo controle e fiscalização do mercado de seguro. exercer a fiscalização das instituições financeiras. São Paulo. e tem representações nas capitais dos Estados do Rio Grande do Sul. tendo por objetivos: zelar pela adequada liquidez da economia. Dentre suas atribuições estão: fiscalizar a constituição. receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições financeiras e bancárias. de 31 de dezembro de 1964. estimular a formação de poupança. Minas Gerais.gov. zelar pela estabilidade e promover o permanente aperfeiçoamento do sistema financeiro. de 7 de dezembro de 1976.foi criada pela Lei 4. É responsável por regulamentar. exerce as funções de: assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão. assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários negociados e sobre as companhias que os tenham emitido. zelar pela defesa dos interesses dos consumidores dos mercados supervisionados. exercer o controle de crédito. de Capitalização. funcionamento e operação das Sociedades Seguradoras. estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários. estabelecer as condições para o exercício de quaisquer cargos de direção nas instituições financeiras. Sua sede fica em Brasília. Bahia.

o chamado spread bancário. com o objetivo de regular o cosseguro.previdenciasocial.4. funcionamento. examinar e aprovar os convênios de adesão celebrados por patrocinadores e por instituidores. responsável por fiscalizar as atividades das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão). Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. A diferença entre as taxas de captação e as de aplicação. supervisionar. servem para transferir os recursos para os deficitários.irb-brasilre. A SPC se relaciona com os órgãos normativos do sistema financeiro na observação das exigências legais de aplicação das reservas técnicas.gov. harmonizar as atividades das entidades fechadas de previdência privada com as políticas de desenvolvimento social e econômico-financeira do Governo. PUC Minas 20 Sistema Financeiro Nacional . e as operações ativas.br 1. fusão.cumprir as deliberações do CNSP e exercer as atividades que por este forem delegadas. em troca.br Secretaria de Previdência Complementar – SPC A Secretaria de Previdência Complementar (SPC) é um órgão do Ministério da Previdência Social. orientar e controlar as atividades relacionadas com a previdência complementar fechada. é que promoverá a rentabilidade das instituições. bem como examinar e aprovar os estatutos das referidas entidades. oferecendo em troca alguma remuneração. além de promover o desenvolvimento das operações de seguros no País. são definidas as instituições. As operações passivas. servem para recolher os recursos dos superavitários. À SPC compete: propor as diretrizes básicas para o Sistema de Previdência Complementar. incorporação. transferência de controle das entidades fechadas de previdência complementar.gov. uma remuneração. o resseguro e a retrocessão.3. coordenar. exigindo. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. bem como autorizar a retirada de patrocínio e decretar a administração especial em planos de benefícios operados pelas entidades fechadas de previdência complementar. os regulamentos dos planos de benefícios e suas alterações. fiscalizar. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. jurisdicionada ao Ministério da Fazenda. bem como propor ao Ministro a decretação de intervenção ou liquidação das referidas entidades. A seguir. analisar e aprovar os pedidos de autorização para constituição. ou de captação. fundos especiais e provisões que as entidades sob sua jurisdição são obrigadas a constituir e que tem diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.susep. ou de aplicação. prover os serviços de Secretaria Executiva do CNSP.sociedade de economia mista com controle acionário da União.br IRB – Brasil Resseguros Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) . destacando-se as principais formas de captação e de aplicação.com. grupamento. Operadores Os operadores executam movimentações financeiras servindo como intermediários na transferência de recursos dos superavitários para os deficitários.

estão incluídos dentre as instituições captadoras de depósitos à vista.099. compra e venda de ouro no mercado físico. Geralmente têm a carteira de banco comercial e. de investimento e/ou de desenvolvimento. PUC Minas 21 Sistema Financeiro Nacional . livremente movimentáveis. investimento e comercialização). de 1994). OPERAÇÕES ESPECIAIS: operações de câmbio. recolhimento e entrega de numerário a domicílio. depósitos a prazo fixo. financiamento de projetos ligados a programas de fomento. o qual pode também captar depósitos a prazo. A captação de depósitos à vista. A carteira de desenvolvimento somente poderá ser operada por banco público. é atividade típica do banco comercial. Essas operações estão sujeitas às mesmas normas legais e regulamentares aplicáveis às instituições singulares correspondentes às suas carteiras. operações de repasses e refinanciamentos. serviços de correspondente. por intermédio das seguintes carteiras: comercial. saneamento do meio circulante e fornecimento de troco. duas carteiras. O banco múltiplo deve ser constituído com. custódia de títulos e valores. cobrança. recebimentos e pagamentos de interesse de terceiros. Na sua denominação social deve constar a expressão "Banco" (Resolução CMN 2. prestação de fianças e outras garantias bancárias. Deve ser constituído sob a forma de sociedade anônima e na sua denominação social deve constar a expressão "Banco" (Resolução CMN 2. a curto e a médio prazos. comercial ou de investimento. certificados de depósito de médio ou de longo prazo em moeda estrangeira. colocação de letras de Câmbio de aceite com base em operações com caução de Warrants. OPERAÇÕES ACESSÓRIAS: ordens de pagamento e transferência de fundos. APLICAÇÃO: descontos de títulos. As instituições com carteira comercial podem captar depósitos à vista. Bancos Comerciais Os bancos comerciais são instituições financeiras privadas ou públicas que têm como objetivo principal proporcionar suprimento de recursos necessários para financiar. no mínimo. por esse motivo. de arrendamento mercantil e de crédito. a indústria. de 1994). de crédito imobiliário. valores mobiliários e quotas de fundos de investimento. operações compromissadas. aplicação em títulos. sendo uma delas. cheques de viagem. obrigatoriamente. As formas de captação dos bancos múltiplos são as mesmas das carteiras administradas por ele. crédito rural (financiamento de custeio. as pessoas físicas e terceiros em geral. financiamento e investimento. e ser organizado sob a forma de sociedade anônima.Instituições Financeiras Captadoras de Depósitos à Vista Bancos Múltiplos Os bancos múltiplos são instituições financeiras privadas ou públicas que realizam as operações ativas. as empresas prestadoras de serviços. emissão de Cédulas Pignoratícias de Debêntures.099. o comércio. abertura de crédito simples e em conta-corrente. obrigações contraídas no País e no exterior relativamente a repasses e refinanciamentos. de modo que serão apresentadas quando da definição da instituição relacionada àquele tipo de carteira. CAPTAÇÃO: depósitos à vista. passivas e acessórias das diversas instituições financeiras.

prêmios de seguro e contas de água. CONVÊNIOS: recebimento de tributos. INSS. CAPTAÇÃO: depósitos à vista e a prazo somente de associados. b) Centrais ou Federações de Cooperativas. PIS. Trata-se de instituição assemelhada aos bancos comerciais. cartão de crédito. administração de bens. reunindo no mínimo três cooperativas singulares e organizam os serviços financeiros e assistenciais prestados a seus filiados. de empresários ou mesmo adotar a livre admissão de associados em uma área determinada de atuação. além da legislação e normas do sistema financeiro. podendo captar depósitos à vista. bem como tem o monopólio do empréstimo sob penhor de bens pessoais e sob consignação e tem o monopólio da venda de bilhetes de loteria federal.br Cooperativas de Crédito As cooperativas de crédito observam. educação. de 12 de agosto de 1969. Atuando tanto no setor rural quanto no urbano. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. gás e telefone. como empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda.prestação de serviços e oferecimento de crédito aos cooperados são repartidos entre os associados. c) Confederações de Cooperativas reúnem no mínimo três cooperativas centrais da mesma modalidade (de economia ou crédito mútuo ou popular ou de crédito rural). PUC Minas 22 Sistema Financeiro Nacional . Caixa Econômica Federal A Caixa Econômica Federal. vedada a utilização da palavra "banco".intermediação na aquisição de títulos federais em leilões. repasses e refinanciamentos de outras entidades financeiras. quando são constituídas por no mínimo 20 pessoas físicas e prestam assistência financeira a seus associados. As cooperativas de crédito devem adotar. prestação de serviços a outras instituições financeiras e a empresas de atividades complementares ou subsidiárias: turismo. operações e prestações de serviços. pagamentos para o FGTS. saúde. Uma característica distintiva da Caixa é que ela prioriza a concessão de empréstimos e financiamentos a programas e projetos nas áreas de assistência social. trabalho. INSS.gov. controle. serviços ligados ao câmbio e ao comércio internacional. emprestar sob garantia de penhor industrial e caução de títulos. em sua denominação social. transportes urbanos e esporte. empréstimos. realizar operações ativas e efetuar prestação de serviços. as cooperativas de crédito podem se originar da associação de funcionários de uma mesma empresa ou grupo de empresas. Pode operar com crédito direto ao consumidor. integra o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e o Sistema Financeiro da Habitação (SFH). aluguel de cofres.861. doações. a expressão "cooperativa". energia elétrica. obrigatoriamente. sob certas condições. de profissionais de determinado segmento. de 16 de dezembro de 1971. Os eventuais lucros auferidos com suas operações . financiando bens de consumo duráveis. São Classificadas em: a) Singulares. processamento de dados e armazéns gerais. Além de centralizar o recolhimento e posterior aplicação de todos os recursos oriundos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).764. criada em 1. Devem possuir o número mínimo de vinte cooperados e adequar sua área de ação às possibilidades de reunião. PIS e segurados em geral. está regulada pelo Decreto-Lei 759. a Lei 5.caixa. que define a política nacional de cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas.

(Resolução CMN 2. CAPTAÇÃO: emissão de letras e cédulas hipotecárias. OPERAÇÕES DE FAIXA LIVRE: financiamentos habitacionais não contemplados pelo SFH. sendo que cada unidade só pode constituir uma agência. não recebem rendimentos. ter conta de reserva no banco central. financiamento de capital de giro a empresas incorporadoras. repasse de recursos de instituições financeiras. É vedada a sua transformação em qualquer outro tipo de instituição integrante do sistema financeiro nacional. recorrer ao redesconto. a 10% do valor de suas obrigações. Os recursos dos depositantes são. por isso. recebimentos e pagamentos de conveniados. permanentemente. adiantamentos a depositantes. assim.828. Devem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima de capital fechado e estar sob o controle de unidade da federação. financiamentos de empreendimentos de construção de habitações para venda aos associados. Os depositantes dessas entidades são considerados acionistas da associação e. Demais Instituições Financeiras Agências de fomento As agências de fomento têm como objeto social a concessão de financiamento de capital fixo e de giro associado a projetos na unidade da federação onde tenham sede. refinanciamentos concedidos pela CEF.APLICAÇÃO: concessão de crédito. classificados no patrimônio líquido da associação e não no passivo exigível (Resolução CMN 52. APLICAÇÃO: financiamentos habitacionais aos associados. contratar depósitos interfinanceiros na qualidade de depositante ou de depositária e nem ter participação societária em outras instituições financeiras. correspondente no País. de 2003). De sua denominação social deve constar a expressão "agência de fomento" acrescida da indicação da unidade da federação controladora. mas dividendos. aquisi- PUC Minas 23 Sistema Financeiro Nacional . simples e em conta-corrente. de 2001). financiamento de capital de giro a empresas produtoras e distribuidoras de materiais de construção. Associações de poupança e empréstimo As associações de poupança e empréstimo são constituídas sob a forma de sociedade civil. depósitos de poupança dos associados. mas não podem captar recursos junto ao público. empréstimos e financiamentos contraídos no exterior. OPERAÇÕES ACESSÓRIAS: cobrança de títulos. abertura de crédito.106. As agências de fomento devem constituir e manter. custódia. depósitos interfinanceiros. crédito rural. no mínimo. Tais entidades têm status de instituição financeira. aquisição de títulos da dívida pública.desconto de títulos. OPERAÇÕES ESPECIAIS: aplicações financeiras temporárias de recursos ociosos. fundo de liquidez equivalente. a ser integralmente aplicado em títulos públicos federais. somente a associados . sendo de propriedade comum de seus associados. aplicação de recursos no mercado financeiro (Resolução CMN 3. de 1967).

empréstimos externos. e têm como objetivo precípuo proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessários ao financiamento. a expressão "Banco de Desenvolvimento". obrigatoriamente. emissão de cédulas pignoratícias de debêntures. de 1999). operações com entidades públicas. intermediação ou colocação no mercado de títulos e valores mobiliários. fiança. Bancos de desenvolvimento Os bancos de desenvolvimento são instituições financeiras controladas pelos governos estaduais. financiamento de projetos de programas de fomento. crédito rural. emissão de cédulas pignoratícias de debêntures e de Títulos de Desenvolvimento Econômico. dirigidos prioritariamente ao setor privado. Bancos de investimento Os bancos de investimento são instituições financeiras privadas especializadas em operações de participação societária de caráter temporário. empréstimos no País oriundos de recursos de instituições financeiras oficiais. emissão de certificados de depósitos de valores mobiliários em garantia. Não podem atuar nas bolsas de valores. emissão ou endosso de cédulas hipotecárias. operações de compra e venda de ouro no mercado físico. de programas e projetos que visem a promover o desenvolvimento econômico e social do respectivo Estado. financiamentos imobiliários não habitacionais. depósitos interfinanceiros. CAPTAÇÃO: depósitos a prazo fixo. APLICAÇÃO: empréstimos e financiamentos. CAPTAÇÃO: depósitos a prazo. subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários. com sede na capital do Estado que detiver seu controle acionário.624. em sua denominação social. distribuição. PUC Minas 24 Sistema Financeiro Nacional . operações de câmbio. aval ou coobrigações assumidas. de 1976). arrendamento mercantil de bens imóveis para o próprio vendedor. Não possuem contas correntes e captam recursos via depósitos a prazo.ção de direitos creditórios de outras instituições financeiras. OPERAÇÕES ESPECIAIS: administração de fundos de investimentos e de carteiras de títulos e valores mobiliários. obrigatória e privativamente. depósitos interfinanceiros. emissão ou endosso de cédulas hipotecárias. repasses de recursos externos. seguida do nome do Estado em que tenha sede (Resolução CMN 394. devendo adotar. repasses de empréstimos externos (Resolução CMN 2. internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles administrados. aquisição de direitos creditórios de contratos de arrendamento mercantil. empréstimos hipotecários. repasse de empréstimos externos. custódia e recebimento de rendimentos de títulos e valores mobiliários. em sua denominação social. Devem ser constituídos sob a forma de sociedade anônima. arrendamento mercantil. repasse de recursos oficiais. APLICAÇÃO: financiamento de capital de giro e capital fixo. a médio e a longo prazos. Devem ser constituídos sob a forma de sociedade anônima e adotar. operações compromissadas. a expressão “Banco de Investimento”. somente o fazem através de uma corretora. empréstimos externos. de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros.

pela Lei 5. de 21 de junho de 1971.br Companhias hipotecárias As companhias hipotecárias são instituições financeiras constituídas sob a forma de sociedade anônima.106. foi enquadrado como uma empresa pública federal.Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). a observância de princípios ético-ambientais e assume o compromisso com os princípios do desenvolvimento sustentável. A parceria com instituições financeiras. APLICAÇÃO: financiamentos imobiliários residenciais ou comerciais. para o desenvolvimento de projetos de investimentos e para a comercialização de máquinas e equipamentos novos. empréstimos e financiamentos no País e no Exterior. bem como para o incremento das exportações brasileiras. PUC Minas 25 Sistema Financeiro Nacional . investe em empresas nacionais através da subscrição de ações e debêntures conversíveis. O BNDES é um órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento. A BNDESPAR. OPERAÇÕES ESPECIAIS: administração de créditos hipotecários de terceiros e de fundos de investimento imobiliário (Resolução CMN 2. gerentes e associados.662. subsidiária integral. CAPTAÇÃO: letras hipotecárias. As linhas de apoio financeiro e os programas do BNDES atendem às necessidades de investimentos das empresas de qualquer porte e setor. Contribui. que têm por objeto social conceder financiamentos destinados à produção. O BNDES considera ser de fundamental importância. refinanciamentos de créditos hipotecários e repasses de recursos para financiamentos imobiliários. também.gov. debêntures. Indústria e Comércio Exterior e tem como objetivo apoiar empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do país. para o fortalecimento da estrutura de capital das empresas privadas e desenvolvimento do mercado de capitais. capacitação de administradores. de 2003).bndes. permite a disseminação do crédito. aquisição de créditos hipotecários. criado em 1952 como autarquia federal. e auditoria de demonstrações financeiras (Resolução CMN 3. fabricados no país. com personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio. entre outras funções. supervisão de funcionamento. organizam em maior escala as estruturas de administração e suporte de interesse comum das cooperativas singulares filiadas. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. na execução de sua política de apoio. possibilitando um maior acesso aos recursos do BNDES. de 1994). formadas por cooperativas singulares. exercendo sobre elas. com agências estabelecidas em todo o país. Suas linhas de apoio contemplam financiamentos de longo prazo e custos competitivos. reforma ou comercialização de imóveis residenciais ou comerciais aos quais não se aplicam as normas do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).122. Cooperativas centrais de crédito As cooperativas centrais de crédito. estabelecidas no país.

Sociedades de crédito, financiamento e investimento As sociedades de crédito, financiamento e investimento, também conhecidas por financeiras, foram instituídas pela Portaria do Ministério da Fazenda 309, de 30 de novembro de 1959. São instituições financeiras privadas que têm como objetivo básico a realização de financiamento para a aquisição de bens, serviços e capital de giro. Devem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima e na sua denominação social deve constar a expressão "Crédito, Financiamento e Investimento". Tais entidades captam recursos por meio de aceite e colocação de Letras de Câmbio (Resolução CMN 45, de 1966). CAPTAÇÃO: recursos obtidos com o aceite de letras de câmbio; depósitos de acionistas; repasses de instituições oficiais para programas específicos; mercado interfinanceiro. APLICAÇÃO: financiamento de bens e serviços a pessoas físicas e jurídicas; financiamento de capital de giro a pessoas jurídicas; refinanciamento de operações de arrendamento mercantil.

Sociedades de crédito imobiliário As sociedades de crédito imobiliário são instituições financeiras criadas pela Lei 4.380, de 21 de agosto de 1964, para atuar no financiamento habitacional. Devem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima, adotando obrigatoriamente em sua denominação social a expressão "Crédito Imobiliário". (Resolução CMN 2.735, de 2000). CAPTAÇÃO: depósitos de poupança; emissão de letras e cédulas hipotecárias; emissão de letras imobiliárias; refinanciamentos concedidos pela CEF; depósitos interfinanceiros. APLICAÇÃO: financiamento para construção de habitações; abertura de crédito para compra ou construção de casa própria; financiamento de capital de giro a empresas incorporadoras, produtoras e distribuidoras de material de construção. OPERAÇÕES DE FAIXA LIVRE: financiamentos habitacionais não contemplados pelo SFH; financiamento de capital de giro a empresas produtoras e distribuidoras de materiais de construção; financiamento de capital de giro a incorporadoras; aquisição de títulos da dívida pública; aquisição de direitos creditórios de outras instituições financeiras; arrendamento mercantil de bens imóveis celebrado com o próprio vendedor do bem; aquisição de direitos creditórios de contratos de arrendamento mercantil; depósitos interfinanceiros; empréstimos hipotecários; financiamentos imobiliários não habitacionais.

Sociedades de crédito ao microempreendedor As sociedades de crédito ao microempreendedor, criadas pela Lei 10.194, de 14 de fevereiro de 2001, são entidades que têm por objeto social exclusivo a concessão de financiamentos e a prestação de garantias a pessoas físicas, bem como a pessoas jurídicas classificadas como microempresas, com vistas a viabilizar empreendimentos de natureza profissional, comercial ou industrial de pequeno porte. São impedidas de captar, sob qualquer forma, recursos junto ao público, bem como emitir títulos e valores mobiliários destinados à colocação e oferta públicas. Devem ser constituídas sob a forma de companhia fechada ou de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, adoPUC Minas 26 Sistema Financeiro Nacional

tando obrigatoriamente em sua denominação social a expressão “Sociedade de Crédito ao Microempreendedor”, vedada a utilização da palavra “Banco” (Resolução CMN 2.874, de 2001).

Outros Intermediários Financeiros e Administradores de Recursos de Terceiros

Administradoras de consórcio As administradoras de consórcio são pessoas jurídicas prestadoras de serviços relativos à formação, organização e administração de grupos de consórcio, cujas operações estão estabelecidas na Lei 5.768, de 20 de dezembro de 1971. Ao Banco Central do Brasil (Bacen), por força do disposto no art. 33 da Lei 8.177, de 1º de março de 1991, cabe autorizar a constituição de grupos de consórcio, a pedido de administradoras previamente constituídas sem interferência expressa da referida Autarquia, mas que atendam a requisitos estabelecidos, particularmente quanto à capacidade financeira, econômica e gerencial da empresa. Também cumpre ao Bacen fiscalizar as operações da espécie e aplicar as penalidades cabíveis. Ademais, com base no art. 10 da Lei 5.768, o Bacen pode intervir nas empresas de consórcio e decretar sua liquidação extrajudicial. O grupo é uma sociedade de fato, constituída na data da realização da primeira assembléia geral ordinária por consorciados reunidos pela administradora, que coletam poupança com vistas à aquisição de bens, conjunto de bens ou serviço turístico, por meio de autofinanciamento (Circular BCB 2.766, de 1997).

Sociedades de arrendamento mercantil As sociedades de arrendamento mercantil são constituídas sob a forma de sociedade anônima, devendo constar obrigatoriamente na sua denominação social a expressão "Arrendamento Mercantil". São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 2.309, de 1996). CAPTAÇÃO: emissão de debêntures (principal forma de captação); dívida externa; cessão de direitos creditórios de contratos de arrendamento mercantil; cessão de contratos de arrendamento mercantil; pode negociar CDIs.; empréstimos e financiamentos de instituições financeiras; repasses de instituições financeiras oficiais em programas especiais. APLICAÇÃO: arrendamento mercantil de bens móveis, de produção nacional ou estrangeira, e bens imóveis adquiridos pela entidade arrendadora para fins de uso próprio do arrendatário; títulos da dívida pública, cessão de direitos creditórios.

Sociedades corretoras de câmbio As sociedades corretoras de câmbio são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social a expressão "Corretora de Câmbio". Têm por objeto social exclusivo a intermediação em operações de câmbio e a prática de operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 1.770, de 1990).

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Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários As sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. Dentre seus objetivos estão: operar em bolsas de valores, subscrever emissões de títulos e valores mobiliários no mercado; comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros; encarregar-se da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários; exercer funções de agente fiduciário; instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento; emitir certificados de depósito de ações e cédulas pignoratícias de debêntures; intermediar operações de câmbio; praticar operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes; praticar operações de conta margem; realizar operações compromissadas; praticar operações de compra e venda de metais preciosos, no mercado físico, por conta própria e de terceiros; operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 1.655, de 1989). Os FUNDOS DE INVESTIMENTO, administrados por corretoras ou outros intermediários financeiros, são constituídos sob forma de condomínio e representam a reunião de recursos para a aplicação em carteira diversificada de títulos e valores mobiliários, com o objetivo de propiciar aos condôminos valorização de quotas, a um custo global mais baixo. A normatização, concessão de autorização, registro e a supervisão dos fundos de investimento são de competência da Comissão de Valores Mobiliários.

Clubes de investimento Os clubes de investimento correspondem a associações voluntárias de investidores que se consorciam com a finalidade de realizar aplicações no mercado acionário, administrando diretamente essas carteiras com a assistência e a assessoria das Sociedades Corretoras e Distribuidoras. Muito embora o clube objetive basicamente o investimento em ações, outros ativos financeiros são passíveis de aquisição. Além de debêntures conversíveis em ações, podem, em caráter excepcional, ser adquiridos títulos de renda fixa, especificamente debêntures simples e títulos públicos. Isso significa que um administrador de carteira ágil pode vender toda a posição de ações, se julgar que a bolsa irá entrar em fase de baixa, desde que essa situação seja eventual. Por outro lado, pode concentrar todos os recursos em ações, se assim o desejar.

Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários As sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social a expressão "Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários". Algumas de suas atividades: intermedeiam a oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; administram e custodiam as carteiras de títulos e valores mobiliários; instituem, organizam e administram fundos e clubes de investimento; operam no mercado acionário, comprando, vendendo e distribuindo títulos e valores mobiliários, inclusive ouro financeiro, por conta de terceiros; fazem a intermediação com as bolsas de valores e de mercadorias; efetuam lançamentos públicos de ações; operam no mercado aberto e intermedeiam operações de câmbio. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 1.120, de 1986).

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br Sociedades de Capitalização São entidades. de transações de compra e venda de títulos e valores mobiliários pertencentes a pessoas jurídicas públicas e privadas. Possuem autonomia financeira. no caso em que advenha o risco indicado e temido. constituídas sob a forma de sociedades anônimas. sem finalidade lucrativa. recebendo. Bolsas de valores As bolsas de valores são associações privadas civis. o direito de concorrer a sorteios de prêmios em dinheiro. especializadas em pactuar contrato. moedas e metais. patrimonial e administrativa e são fiscalizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. conferindo. ou a quem este designar. em mercado livre e aberto. devem desenvolver. organizar e operacionalizar um mercado de derivativos livre e transparente. depois de cumprido o prazo contratado. São regidas pelo Decreto-Lei 73. constituídas sob a forma de sociedades anônimas.gov. sem finalidade lucrativa. de 29 de maio de 2001. índices. ainda. quando previsto. bem como de todo e qualquer instrumento ou variável macroeconômica cuja incerteza de preço no futuro possa influenciar negativamente suas atividades. uma indenização. com objetivo de efetuar o registro. entre eles. com objetivo de manter local adequado ao encontro de seus membros e à realização. que proporcione aos agentes econômicos a oportunidade de efetuarem operações de hedging (proteção) ante flutuações de preço de commodities agropecuárias. de 2000). taxas de juro. o direito de resgatar parte dos valores depositados corrigidos por uma taxa de juros estabelecida contratualmente.susep. acessíveis a quaisquer pessoas físicas. que negociam contratos (títulos de capitalização) que têm por objeto o depósito periódico de prestações pecuniárias pelo contratante. para isso. As funções do órgão PUC Minas 29 Sistema Financeiro Nacional . e pela Lei Complementar 109. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. a compensação e a liquidação. de 21 de novembro de 1966. Sociedades seguradoras São entidades.Bolsas de mercadorias e futuros As bolsas de mercadorias e futuros são associações privadas civis. o qual terá. por meio do qual assumem a obrigação de pagar ao contratante (segurado). o prêmio estabelecido.gov.690. física e financeira. especialmente organizado e fiscalizado por seus membros e pela Comissão de Valores Mobiliários.br Entidades abertas de previdência complementar São entidades constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único. das operações realizadas em pregão ou em sistema eletrônico. Para tanto. patrimonial e administrativa (Resolução CMN 2.susep. Possuem autonomia financeira.

de 25 de setembro de 2003. do Distrito Federal e dos Municípios.regulador e do órgão fiscalizador são exercidas pelo Ministério da Fazenda. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www.br Factoring As empresas de factoring não são instituições financeiras. isto é. 2002. para onde foi. As empresas de factoring têm como fonte de recursos. São empresas comerciais que operam por meio de aquisições de duplicatas. denominadas instituidores. www.121.gov. O factoring não é considerado uma operação financeira de crédito. e sim uma transferência (cessão) plena dos créditos da empresa produtora para o factor. A diferença fundamental é que o risco do título negociado passa a ser de exclusiva competência da empresa de factoring. de forma similar a uma operação de desconto bancário. 1977. de 29 de maio de 2001. J. aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas ou aos servidores da União. repassando ao cliente os resultados líquidos no ato da operação. eximindo a empresa-cliente das responsabilidades de recebimento.susep. Para isso. exclusivamente.gov. sem fins lucrativos e são acessíveis. classista ou setorial. cheques e etc. Mercado Financeiro: Produtos e Serviços. cobram juros. principalmente.gov. Também são regidas pela Lei Complementar 109. inclusive do risco inerente ao pagamento desses valores. entes denominados patrocinadores ou aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional. por intermédio do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). GALBRAITH. os fundos próprios e emprésimos bancários. São Paulo: Pioneira. As entidades de previdência fechada devem seguir as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.bcb. K.br As entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão) São organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FORTUNA. por meio da Resolução 3. E.. dos Estados.br PUC Minas 30 Sistema Financeiro Nacional . Moeda: de onde veio. no que tange à aplicação dos recursos dos planos de benefícios. uma aquisição definitiva dos valores recebíveis. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www.previdenciasocial. Rio de Janeiro: Qualitymark.

capital fixo das empresas Controle da liquidez monetária da economia e suprimentos momentâneos de caixa Transformação de valores em moeda estrangeira em nacional e vice-versa.1. mercado de crédito.2. obter moeda estrangeira. As finalidades de atuação no mercado podem ser: obter liquidez. Mercado Monetário É o segmento em que se realizam operações de curto e de curtíssimo prazos. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO AOS TIPOS E AS FINALIDADES DAS OPERAÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO PRATICADAS Segmentação dos Mercados Financeiros Segmentos Mercado de crédito Prazos Finalidade Intermediário Financeiro Bancário e nãobancário Não-bancário Curto. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO 2. mercado de capitais e mercado cambial. INTRODUÇÃO O mercado financeiro costuma ser subdividido em “mercados” que apresentam determinadas características que os distinguem uns dos outros.2. médio e aleatório Financiamento do consumo pessoal e capital de giro das empresas Médio. longo e indeterminado Curto e curtíssimo Financiamento de capital de giro. trocar posições. para melhor entendimento das operações realizadas e suas finalidades. É por meio desse mercado que os agentes econômicos e os próprios intermediários financeiros suprem suas necessidades PUC Minas 31 Sistema Financeiro Nacional . A subdivisão geralmente é feita em: mercado monetário.2.1. obter proteção contra variação de resultados de forma inesperada. financiar operações de capital de giro. financiar capital fixo. 2. intermediar recursos entre deficitários e superavitários. aplicar disponibilidades. etc. Mercado de capitais Mercado Monetário Bancário e nãobancário Mercado cambial Curto e à vista Bancário e auxiliares (Sociedades Corretoras) 2.

lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no referido Sistema na forma de operações compromissadas. neoclássico. via colocação. A liquidez desse segmento de mercado é regulada por operações abertas pelas autoridades monetárias. para as demais taxas praticadas no sistema financeiro. não obstante correntes de teoria econômica afirmarem o contrário. corretoras e distribuidoras de valores. por um dia útil. bancos de investimento. Observando os gráficos que mostram as práticas de política monetária.bcb. neste caso. as operações compromissadas são operações de venda de títulos com compromisso de recompra assumido pelo vendedor. Na verdade. Acesso em 25. entre determinar a taxa de juros e controlar a oferta de moeda. que estão aptas a realizar operações compromissadas. Um dos principais é que o volume das chamadas quase-moedas (ativos de altíssima liquidezM4) é muitas vezes maior que o volume dos meios de pagamento (M1). obtida mediante o cálculo da taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia.gov. totalmente inelástica em relação à taxa de juros.04 PUC Minas 32 Sistema Financeiro Nacional . em que o Governo negocia títulos públicos. de Keynes. o governo não consegue controlar a oferta de moeda e ela adéqua-se à demanda. Ressaltamos. 10 Definição obtida em http://www. Esclarecemos que. Nos modelos apresentados em manuais (monetarista. pois ficou comprovada a endogeneidade da moeda. Primeiro deve ser observado que há uma escolha necessária. fundamentalmente as instituições financeiras habilitadas. sendo representada graficamente como uma reta vertical. por intermédio do Banco Central. a taxa de juros e o crédito. um trade off. Há vários motivos para que isso aconteça. tais como bancos comerciais. 10 Política Monetária A política monetária consiste em controlar a oferta de moeda. constatamos que há que se optar entre controlar ou a oferta de moeda ou a taxa de juros. SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia Sistema desenvolvido pelo Banco Central e pela ANDIMA (Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto) para realizar e controlar a liquidação e custódia nas operações com títulos públicos. com o objetivo principal de praticar a política econômica: determinar a taxa de juros de mercado dos títulos públicos. a oferta de moeda é exógena.02. para liquidação no dia útil seguinte. ainda. a partir dessa abordagem (moeda exógena). ou de piso. Mercado Aberto (Open market) É um mercado sem limitações de local específico. recompra e resgate de títulos da dívida pública de curto prazo. a política monetária é controlar a taxa de juros. que serve de referência. conjugadamente com compromisso de revenda assumido pelo comprador. ou seja. A taxa Selic é: a taxa apurada no Selic.momentâneas de caixa. Mas há duas questões que explicam claramente o porquê de a política monetária apenas determinar a taxa de juros.br/?SELICDESCRICAO. keynesiano IS-LM).

De outro modo. de forma que se situe no ponto em que a taxa de juros de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda seja a que se fixou como objetivo da política monetária. quando a demanda por moeda varia de D 1 para D2. a taxa de juros diminuirá de j1 para j2. se a política é fixar a taxa de juros (Gráfico 2). já que a oferta de moeda permanece em O1. Gráfico 1: Controle da Oferta de Moeda j O1 j1 j2 D1 D2 X Gráfico 2: Controle da Taxa de Juros M j O2 O1 j1 D1 D2 X2 X1 M PUC Minas 33 Sistema Financeiro Nacional . variando de O 1 para O2. fixando-a em um determinado valor – digamos. o banco central tem que ajustar a oferta de moeda à demanda. j1. R$ X –. se a política é manter a oferta de moeda sob controle (Gráfico 1).Com efeito. caso ocorra uma diminuição da demanda por moeda de D 1 para D2.

as quais aconteceriam sempre. ocorre que a demanda por dólares (no caso o dólar é a moeda de troca internacional) fica maior que a oferta e. Se o saldo agregado da conta “Reservas Bancárias” ultrapassa o compulsório. em segundo lugar. a taxa de juros. se há falta de moeda estrangeira. tem que adotar a política monetária tida como “passiva”. PUC Minas 34 Sistema Financeiro Nacional . na verdade. e.Constata-se. o banco central tem que impedir oscilações violentas na taxa de juros. não se pode controlar a oferta de moeda sem deixar que a taxa de juros varie para alcançar novos pontos de equilíbrio. De modo contrário. o banco central eleva as taxas de juros para desestimular o consumo e o investimento. Além disso. conclui-se que há dois motivos para que se abandone a busca de impedir variações na base monetária: em primeiro lugar. controla a taxa de juros e não a base monetária. tornando possível cobrir o déficit em Transações Correntes11. que precisa de moeda estrangeira para pagar sua dívida externa e para fazer outras remessas para o exterior (como lucros). As oscilações acontecem porque dificilmente a demanda por “Reservas Bancárias” (o compulsório) coincide com a oferta. a taxa de juros aproxima-se de zero. porque deve perseguir as metas de manutenção dos níveis de poupança financeira. sem ajustar a oferta de moeda à demanda no ponto em que há o equilíbrio à taxa de juros desejada. mantendo-se a oferta fixa. fazendo com que o mercado desaqueça e os vendedores não aumentem os preços. mas não menos importante. se o valor da base monetária fosse fixado pela autoridade monetária. ou seja. se há uma redução imprevista da liquidez. sem recorrer à queima de reservas e sem tomar emprestado. que é o caso do Brasil até ter acumulado um volume de reservas internacionais satisfatório. O Banco Central do Brasil. como qualquer mercadoria o dólar sobe de preço (a taxa de câmbio aumenta – reais necessários para comprar um dólar. porque não é remunerado. Desse modo. a tendência será a taxa de juros elevar-se consideravelmente. e. em função de variações da demanda por moeda. deve-se controlar a taxa de juros para que se alcancem os resultados pretendidos de política econômica. A questão da determinação da taxa de juros Atualmente. quando diminuída. fazendo com que o suposto benefício do controle da base seja menor que esse custo. Com isso. tentando repassá-lo entre si. de que há inflação. quando aumentada. a fixação da base monetária provoca oscilações violentas nas taxas de juros. Portanto. de evitar a fuga de capitais. que não é possível controlar a taxa de juros. o sistema rejeita esse saldo excedente. serve para incentivar a atividade econômica. no mercado cambial. a política monetária funciona da seguinte maneira: 1) Se há indícios de que os preços estão subindo. de influenciar a taxa referencial (básica) e de conciliar com a política cambial. Num país com desequilíbrio na área externa. também. o banco central diminui as taxas de juros para estimular o consumo e o investimento. Num país assim. 11 Veja o conceito de Transações Correntes à frente no texto. ou seja. 2) Se há indícios de que os preços não sobem e a economia encontra-se em recessão. a taxa de juros é usada para atrair o capital estrangeiro e evitar a sua saída. portanto. serve para controlar a inflação. de combate à prática de retenção de estoques.

Gustavo Franco mostra que em fevereiro (de 2002). a inflação surge. de cumprir suas obrigações com os devedores. 2) 12% que é o chamado risco país12. Por exemplo. um bônus podia ser comprado de modo a oferecer um retorno de uns 14% a.a que pode ser decomposto em duas partes: 1) 2% que equivale à taxa de juros do Tesouro Americano. colocamos a seguinte fórmula matemática: J = jTA + RB + c Onde: J = juros domésticos 12 O risco país é calculado pelas agências de rating e indica a capacidade do devedor. as taxas internas tem que ser tão boas quanto as de fora. sendo que os títulos da dívida externa são cotados diariamente no mercado internacional e trazem embutidos em sua rentabilidade o risco inerente. há o risco do ataque especulativo contra a moeda do país. PUC Minas 35 Sistema Financeiro Nacional . fazendo com que os juros recebidos efetivamente sejam maiores que os contratuais. irá vender seus ativos no país. do início do Plano Real – julho de 1994 – até a maxidesvalorização de janeiro de 1999 (destacamos que o desequilíbrio externo persiste. Vejamos como funciona um ataque especulativo.500 pontos significa 15% acima da remuneração do título do tesouro americano. Um país como o Brasil recebe muito capital externo para investimento em ativos de alta liquidez. Se ele identificar rentabilidade maior no mercado financeiro exterior. Essa deve ser a base de remuneração do título prefixado da dívida interna e a ela deve-se acrescentar a desvalorização cambial. ainda que menor). Portanto. Para explicar como se determina o retorno do título da dívida externa. aumentando a demanda e provocando a elevação da taxa de câmbio. deixará o país com menos reservas internacionais e provocará inflação. no olhar do especulador internacional. Quando isso acontece. O risco país é dado em pontos percentuais que mostram a taxa acima do título do tesouro americano que se acresce à rentabilidade do título para cobrir o risco de inadimplência. as taxas de juros domésticas devem ser tais que evitem entradas e saídas contínuas de capital. O título da dívida externa é comprado com um desconto. que ocorrem por causa da “arbitragem internacional”. Segundo ele. como isso pode ser feito? Vamos abordar a questão a partir das colocações de Gustavo Franco (2002) que aponta os fundamentos da política monetária para a determinação da taxa de juros no período em que se perseguia a manutenção da âncora cambial. converterá os reais correspondentes em dólares. o título da dívida interna deve oferecer o mesmo retorno. Ao compararmos dois títulos do governo brasileiro: um título da dívida interna com juros prefixados e um título da dívida externa que paga juros e amortizações. Portanto. ou seja.R$/US$). como títulos públicos e blue chips. é importante para um país como o Brasil evitar esse ataque especulativo. Mas. Esse capital é considerado especulativo. porque os preços em reais dos produtos importados aumenta: a gasolina vai ter que ter seu preço aumentado em virtude do aumento do preço em reais do petróleo que a Petrobras importa. Portanto. risco país de 1. devem ter o mesmo risco. para responder à questão sobre qual o juro doméstico de equilíbrio. no caso o país. e com isso provocará duas coisas.

o spread médio.html>. qual seria o modelo de determinação da taxa? Há uma relação muito próxima entre a taxa Selic e o risco Brasil em que a taxa Selic é um múltiplo do risco Brasil. 170 150 130 110 90 70 50 30 10 jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov 1995 1996 1997 Taxa SELIC 1998 Taxa Atrativa Fonte: Banco Central e JPMorgan . oferecido pelos títulos da dívida externa brasileira. a seguir. Taxa Selic e Taxa atrativa % a. em vista do fato das taxas de juros do Tesouro Americano não terem se 13 14 Disponível em < http://morganmarkets. obtido do JPMorgan.jpmorgan.-337-14--25|----1. portanto. acima da taxa dos títulos do Tesouro Americano. Relação entre Risco Brasil e Taxa Selic % 17 85 15 75 13 11 9 7 5 3 jan fev abr jun jul set out dez fev mar mai jul ago out nov jan mar abr jun ago set nov dez fev abr jun jul set out dez 1995 1996 1997 1998 Fonte: Banco Central e JPM organ . verificada.elaboração do autor Observamos que a taxa Selic não acompanhou esse modelo. mostra os valores assumidos por essa taxa “atrativa”. no período de 1995 a 1998. calculada a partir dos juros dos Fed Funds. 14. a taxa de juros da política monetária nos EUA.elaboração do autor Risco Brasil Taxa SELIC 65 55 45 35 25 15 Podemos concluir. Então.com/mmrc/100/index/0.00. mais a desvalorização cambial de 8% a. em que a política cambial era a de bandas.6922.jTA = taxa de juros do Tesouro dos EUA RB = Risco Brasil c = desvalorização cambial (expectativa) O gráfico. mais o “risco Brasil”. o Sovereign Spread13.a.a. Ver FRANCO (1999) PUC Minas 36 Sistema Financeiro Nacional .

será realizado um débito em conta-corrente do pagador. Determinação da Taxa de Juros Selic No Mercado Monetário se pratica a política monetária: negociação de títulos públicos. se. que se procura obter. ou seja. o Banco Central é chamado de Banco dos Bancos. Todavia.situado em níveis muito altos e da desvalorização média do câmbio ter sido de 8% a. o conceito de meios de pagamento (aquilo com o que se pode realizar pagamentos . em seu próprio caixa. Pode ser alegado que há outras formas de pagamento como cartão de crédito. depois. como liquidez das Instituições Financeiras não se incluem os depósitos à vista em outras instituições financeiras.a liquidez por excelência) refere-se a papel-moeda e a depósitos à vista15. por meio de venda de ativos ou por empréstimos. composto pelo papel-moeda em caixa nas agências e pelas Reservas Bancárias.. todas as instituições financeiras mantêm uma espécie de conta-corrente no Banco Central. Por manter essas contas e por atuar como emprestador de última instância para o sistema financeiro. Essa espécie de “conta-corrente” dos bancos no Banco Central é denominada Reservas Bancárias e o conceito do saldo agregado da liquidez dos bancos. temos o cheque. efetivando a taxa de juros determinada pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central). em outra instituição. mas essas são apenas formas de postergação do pagamento. porque seria absurdo pagar pelo serviço de manter os recursos nesse tipo de conta. Entretanto. a liquidez (meios de pagamento) necessária para a realização de pagamentos. pois. não for feito o pagamento em dinheiro no caixa. ou outras formas de ordens de pagamento. Há compra ou venda de moeda estrangeira de quem está movimentando com uma instituição financeira e. também. É nesse mercado. que funciona como os depósitos à vista de qualquer correntista das instituições financeiras. também chamado de papel-moeda) ou saques em conta-corrente (depósitos à vista). Os principais estão relacionados a seguir: a) Resultado das Operações Cambiais: todas as movimentações com o exterior são registradas no Banco Central. duplicatas etc. PUC Minas 37 Sistema Financeiro Nacional . que o componente que tornava as taxas de juros internas tão altas era um múltiplo do Risco Brasil. um expor15 O montante agregado desses ativos para todo um país é chamado de M1. Os fatos geradores de lançamentos nas contas Reservas Bancárias são conhecidos como Fatores Condicionantes da Liquidez. Todas as transações que realizam entre si as instituições financeiras. Todo pagamento somente pode ser realizado com dinheiro (cédulas e moedas. Portanto. o cartão de débito.a. no período em questão. Como maneiras de realizar o saque em conta-corrente. quando é possível mantê-los. desta com o Banco Central. carnês. Por exemplo.. a conta não é remunerada e seu saldo pode ser sacado a qualquer momento. por parte do Banco Central. sem custo. na data de vencimento do prazo. ou que envolvem o Banco Central e uma instituição financeira necessitam de um lançamento na conta Reservas Bancárias das instituições financeiras envolvidas. é denominado Base Monetária. no Selic.

no mercado monetário. A instituição financeira. no fim do dia. que os recebem para repassá-los. d) Papel-Moeda em Poder do Público: todos os dias úteis. em seguida. A conta Reservas Bancárias. não é remunerada. e) Outros (FAF. que os compra e repassa o valor correspondente. portanto. por determinação do Banco Central. por meio das contas Reservas Bancárias. depois. onde as instituições financeiras procuram satisfazer as suas necessidades de liquidez. os bancos sacam o dinheiro para suprir suas agências e esses saques são realizados a débito da conta Reservas Bancárias. com conseqüências graves no tocante ao controle da inflação pela autoridade monetária e no controle da capacidade de fazer frente aos saques dos depositantes nos bancos. f) Extra-Mercado. são lançados a débito ou a crédito nas contas Reservas Bancárias g) Atuação do DEMAB (Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central) no Mercado Secundário – Zeragem Automática: é na atuação do DEMAB na zeragem automática que se efetiva a política monetária de determinação da taxa de juros no Selic. SBPE. por seu lado. Se todo depósito pudesse tornar-se crédito e. tanto no mercado primário (a primeira negociação. depósito. para suprir a sociedade de dinheiro em espécie (cédulas e moedas) em boas condições de uso. Mercados Secundário e Primário: os resultados das operações com títulos públicos. ao exportador. ao Tesouro Nacional. como empréstimos a juros baixos. adotando a taxa de juros determinada pelo Copom. não haveria como controlar a expansão monetária. em reais. o movimento é feito diretamente nele. e retirando da circulação o dinheiro imprestável. há uma obrigatoriedade de manter um saldo na conta. etc. agora. Se não houvesse PUC Minas 38 Sistema Financeiro Nacional . que é conhecida como depósito compulsório. e. Passamos. como destacamos anteriormente. Geralmente. sacando e depositando nas contas Reservas Bancárias. na parte da manhã. O depósito compulsório foi instituído para evitar a expansão ilimitada do crédito. a explicar como o Banco Central consegue efetivar a negociação dos títulos no Selic. pagando os saques dos bancos nas contas Reservas Bancárias e recebendo depósitos. no interior.tador recebe dólares por meio de uma instituição financeira. dos títulos no mercado) quanto no secundário. b) Resultado das Operações com o Tesouro Nacional: a arrecadação de tributos é realizada através dos bancos. vende os dólares para o Banco Central e o valor correspondente em reais é creditado na conta Reservas Bancárias da instituição financeira. há um movimento dos bancos. o Banco do Brasil atua como representante do Banco Central.): repasses do Governo Federal para determinados fins. é necessário compreender como funciona o mercado de Reservas Bancárias. as instituições não têm interesse em manter saldos nessa conta. depositam a crédito das contas Reservas Bancárias. c) Fundo de Participação de Estados e Municípios: repasse do Tesouro aos estados e municípios. Mas. Nas capitais onde há representação do Banco Central. Para entender como o Banco Central consegue determinar a taxa de juros. Os repasses do Tesouro também chegam ao destino final. o lançamento.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12  DEPÓSITO COMPULSÓRIO (40%) R$ 100. após um número de solicitações de crédito que esgota a disponibilidade de crédito.24 Então.64 R$ 12.26 R$ 0.40 R$ 21.4 depósito inicial fica multiplicado por 2.00 R$ 14. por exemplo. apenas um saldo de R$ 238. a partir de um depósito inicial.5.67 R$ 1.80 R$ 1. as instituições financeiras são divididas em dois grupos homogêneos.12 R$ 1.10 R$ 0. o Banco Central fixa um depósito compulsório para todos os tipos de depósito: poupança. no banco.68 R$ 0. um depósito inicial de R$ 100.00 R$ 40.67 R$ 1.00 R$ 21.40 R$ 0. SD= =2.60 R$ 8.00 R$ 36.00 R$ 60.66 R$ 0. vamos utilizar o mais importante .68 R$ 1.. no período de verificação. atualmente.87 R$ 2. cinco solicitações de crédito.poderiam estar sendo PUC Minas 39 Sistema Financeiro Nacional .00. A diferença do resultado obtido na tabela deve-se a arredondamentos.44 R$ 0.00 R$ 24.00 tornar-se-ia. levando em conta um compulsório de 40%. obviamente com influências sobre a taxa de juros). Com o compulsório igual a 0.que são sempre altos .10 R$ 0. apurado no período de cálculo. devido às circunstâncias de política econômica (expansão maior ou menor do crédito.limitação à concessão do crédito.66 R$ 0. Para o cômputo do compulsório. é de 45%. manter um saldo acima do exigível pelo compulsório é perder dinheiro. é: 1 .60 R$ 12. 45% do saldo médio em depósitos à vista.o compulsório sobre os depósitos à vista que.65 DISPONIBILIDADE PARA CRÉDITO R$ 60.11 R$ 4.78 R$ 3.67 R$ 2. etc. O fato é que as instituições têm que manter depositados na conta Reservas Bancárias.5 . o depósito inicial seria multiplicado pelo número de solicitações de crédito e SD tende a infinito. a fórmula de cálculo da criação de depósitos à vista. mesmo que o percentual aplicado seja 0%.34.00 transformar-se-ia em um saldo de depósitos à vista de R$ 600.16 R$ 249. o depósito inicial de R$ 100.80 R$ 1. Com o estabelecimento de um depósito compulsório de 40% do saldo de depósitos à vista. depósitos a prazo.40 R$ 0. No nosso caso. para os quais há o período de cálculo e o período de verificação. A tabela a seguir mostra o saldo final. isto é: o 0. uma vez que os valores . caso houvesse. sendo SD o saldo final dos depósitos à vista e COMP o percentual de compulsório SD  COMP 1 aplicado sobre os depósitos à vista. Na verdade.18 R$ 7. no final. Já que a conta Reservas Bancárias não é remunerada.00 R$ 36.78 R$ 4. Para mostrar como funciona o mercado de Reservas Bancárias. com compulsório de 40%.96 R$ 7.96 R$ 5.

O Banco Central. então. paga uma multa pesada. em 16. o saldo agregado das contas Reservas Bancárias pode ficar abaixo do compulsório.. usando a taxa de juros básica para influir no comportamento de variáveis econômicas e para controlar a inflação. Se a oferta de Reservas Bancárias aumenta de O 1 para O2. a taxa de juros poderá despencar. a 100% a.aplicados. uma vez que os agentes econômicos não teriam horizontes possíveis para trabalhar. mesmo que seja 0. ele diminui a oferta de Reservas Bancárias. o Banco Central está comprando muitos dólares e creditando a conta Reservas Bancárias das instituições.a. de modo que a oferta de Reservas Bancárias volte a ser O 1. por exemplo. evitando as oscilações violentas e praticando a política monetária. por exemplo.5%. Na realidade. independe da taxa de juros e é exatamente o valor do compulsório: DR. 16. entretanto. para fixar a taxa de juros básica em determinado patamar. tentando conceder crédito ou mesmo emitindo CDIs e negociando com outras instituições financeiras. PUC Minas 40 Sistema Financeiro Nacional . podendo chegar. ainda sobrar um saldo agregado de todas as contas Reservas Bancárias. procurarão aplicar o saldo excedente ao compulsório. T 1. se a instituição financeira estiver com saldo na conta Reservas Bancárias abaixo do exigível. a taxa de juros de equilíbrio entre oferta e demanda de Reservas Bancárias cairia de T1 para T2.5%. o que seria extremamente prejudicial à economia do país. as instituições procurarão comprar Reservas Bancárias para não pagarem multa. a demanda por Reservas Bancárias é exatamente o compulsório. Nesse caso. podem oferecer taxas de juros altíssimas pelo empréstimo. a reta vertical D representa a demanda por Reservas Bancárias. Caso o Governo permitisse que o mercado buscasse o equilíbrio entre a oferta e a demanda de Reservas Bancárias. e.a. para não manterem valores elevados sem remuneração. o Governo atua no mercado aberto. Assim.1% a. No gráfico. após todas as tentativas de negociação. se no final do dia. Tendo em vista que a conta Reservas Bancárias não é remunerada. para isso. fixou a taxa de juros básica. em momentos alternados. duas situações: 1) Num momento em que há muita exportação. ocorreriam oscilações muito fortes na taxa de juros. utilizando o gráfico a seguir. Sendo assim. comprando e vendendo títulos públicos. como ocorreria no primeiro caso descrito acima. Consideremos. principalmente por meio de operações compromissadas. Para evitar a oscilação na taxa e garantir que ela fique no nível determinado. Por outro lado. 2) Se ocorrerem muitas remessas de dólares ao exterior para pagamento de dívidas. Podemos mostrar como a taxa de juros Selic (como fixada pelo Copom) é determinada no mercado de Reservas Bancárias. Mas. que é dada anteriormente no período de cálculo e que. ocorrem as duas situações. que ficarão com sobra de liquidez. vendendo títulos públicos no Mercado Aberto. pois as instituições aceitarão quaisquer taxas. então.

A maior parte do suprimento desse tipo de crédito é feita pelos intermediários financeiros bancários e não-bancários.2.a.2. ele iguala a oferta de Reservas Bancárias à demanda. para a instituição financeira é melhor pagar essa taxa do que pagar multa. não restando nenhum saldo a maior nem a menor que o compulsório. Inversamente. para fechamento de câmbio de incorporações. As operações nesse segmento de mercado são feitas sob a intermediação de instituições financeiras autorizadas. de exportadores que trocam.Determinação da Taxa de Juros Atuação do Banco Central na "zerada final" Taxa de Juros D O1 O2 T1 T2 DR Reservas Bancárias Esse mecanismo de atuação do Banco Central é chamado de zeragem automática. 2.a. E existem vantagens em ambos os casos a seguir: se o saldo agregado está acima do compulsório e ele vende títulos públicos remunerando à taxa determinada. já se o saldo está abaixo do compulsório e ele compra títulos públicos recebendo a taxa que fixar. para suprimento de necessidades momentâneas de moeda estrangeira. desse modo. bancárias e não-bancárias. PUC Minas 41 Sistema Financeiro Nacional .2. no final do dia. Mercado de Crédito É o segmento que atende aos agentes econômicos quanto às suas necessidades de crédito de curto e médio prazos. Mercado Cambial É o segmento em que se realizam operações de compra e venda de moedas estrangeiras conversíveis. 2.3. que as instituições financeiras negociarão os títulos. o Banco Central consegue que a taxa praticada no Selic seja a fixada pelo Copom. por moeda corrente do país. ainda assim. pois. por exemplo. são atendidas solicitações de crédito para financiamento da aquisição de bens duráveis pelos consumidores e do capital de giro das empresas. Particularmente. qualquer remuneração é melhor do que nada. Podem ocorrer operações a prazo (normalmente curto). que tanto pode ser 0. podem ser adquiridas divisas por antecipação. antecipadamente. de qualquer forma. Portanto. por exemplo. quanto 100% a. as divisas estrangeiras que receberão.5% a.

podemos esperar aumento da taxa de câmbio. comprando ou vendendo dólares. quando o governo determina o preço da moeda estrangeira.0476 16. ele transformará em R$ 1.000. Na verdade. Um déficit em transações correntes significa necessidade de poupança externa para equilibrar o Balanço de Pagamentos. podemos esperar diminuição do preço do dólar. temos um regime de taxas de câmbio flutuantes. no caso de superávit. Para a manutenção da taxa real no mesmo nível deve-se provocar uma variação que incorpore a inflação local e no exterior. ele receberá 5% a mais de dólares e a taxa de câmbio pode valorizar-se em 5%. de taxa de câmbio flutuante. Veja. Há também a questão da taxa de câmbio de equilíbrio. podendo variar dentro de determinadas bandas. no período que antecedeu a maxi-desvalorização de janeiro de 1999.100.00. Assim. se houve uma inflação no exterior de 5%. Se um exportador vende um produto por U$ 1. a taxa de câmbio deve desvalorizar-se em 10%. Se o governo. deverá colocar a taxa acima desse nível e vice-versa. em primeiro lugar. a atual deverá ser de: desvalorização de 10% => R$ 1. Em outras palavras. quiser estimular as exportações e desestimular as importações. ou uma mistura de ambas: de taxa de câmbio fixo. quando o governo não interfere e a lei de oferta e procura determinará o preço do dólar. para que ele receba 10% mais reais para cobrir os custos que aumentaram nessa proporção.00 / U$ 1. Até meados de janeiro de 1999 a taxa de câmbio era fixa no regime de bandas. e.10 / US$ 1. Mas. no entanto. Observe no gráfico a seguir que as reservas internacionais caem abruptamente: de US$ 75 bilhões em abril de 1998 a US$ 36 bilhões em janeiro de 1999. Desse modo. no caso de déficit no Balanço. quando há aumento da oferta de dólares. Mas. para compreender como deve funcionar essa política devemos entender. no Balanço de Pagamentos. o preço do dólar.Política Cambial A política cambial tem como meta a busca do equilíbrio nas contas externas. Se a taxa era de R$ 1. por exemplo. Entretanto. o Balanço de Pagamentos. a tendência é de desvalorização. irá determinar a taxa. pois a oferta vinha diminuindo.00. e ocorre uma inflação interna de 10%. a taxa de 16 Tx. o problema principal para o governo é a dependência do capital estrangeiro (poupança externa). tivemos a taxa de câmbio fixa. o governo não age e o mercado.00 pela exportação. quando há variações muito acentuadas. Portanto. ao receber U$ 1. de modo geral. PUC Minas 42 Sistema Financeiro Nacional . Temos dois tipos de políticas.050. a taxa de câmbio de equilíbrio é a que faz com que não haja déficit em transações correntes. com o governo apenas atuando no mercado. de Câmbio = 1.050. quando há queda continuada das reservas internacionais. para manutenção da taxa de câmbio real. as movimentações entre o país e o estrangeiro. As suas contas identificam. Como a oferta caiu muito. de 1995 a janeiro de 1999.100 / 1. com valores em dólares.00. a tendência é de valorização. Na verdade. Hoje. num regime de taxas flutuantes (como é o caso brasileiro). até que não pode segurar mais. No Brasil. Portanto. O governo segurou a taxa muito abaixo do preço de mercado. pela lei de oferta e procura. a taxa de câmbio. a taxa anterior deve ser multiplicada por um fator que é igual ao resultado da divisão (1+ inflação no país) / (1 + inflação fora do país). valorização de 5% => 1.00. e. o governo deve atuar para evitar grandes oscilações. do país.

000 60. Relação entre Taxa de Câmbio e Reservas Internacionais Brasil 1995 .000 US$ milhões Observe também no gráfico que havia um período de queda da taxa de câmbio ocorreu.000 40. etc.6 2. mais o saldo dos pagamentos da conta de rendas: salários. dividendos.0 3. se considerarmos as principais contas e subcontas. O Balanço de Pagamentos tem o formato do quadro abaixo.000 56.000 44.2 2.2 1. Esse acompanhamento deve ser feito através da leitura analítica das contas e subcontas do balanço de pagamentos para acompanhar tendências e tentar fazer previsões.2 / US$ em dezembro de 1994 para R$1.91 / US$ em fevereiro de 1999. este voltou. Após compromissos assumidos pelo novo governo de não contrariar os interesses do capital especulativo internacional. O Governo tentou colocar um limite superior da banda mais alto. juros.000 28. por causa da elevação das reservas.4 2. Portanto.000 72.8 1.4 3.0 1. em seguida. é importante acompanhar a evolução das Reservas Internacionais para saber se a taxa de câmbio vai subir ou não.câmbio deveria aumentar. se não for coberto por um superávit da balança comercial gerará a necessidade de financiamento externo.2 3. mas foi menor do que o esperado pelo mercado e daí não conseguiu segurar a cotação. aluguéis de equipamentos. A conta de Capital e Financeira rePUC Minas 43 Sistema Financeiro Nacional . uma alta de 59%.0 2. liberando a taxa que passou de R$1. lucros.000 64. as reservas cresceram e a taxa de câmbio vem caindo desde então.000 48.2005 R$ / US$ 4.8 3.0 0.4 1. etc. houve uma alta elevada da taxa de câmbio até outubro de 2002. seguros.8 2. que os levou a retirar recursos do país.000 76. mais o saldo da conta serviços que inclui o pagamento por serviços realizados como transportes. Geralmente as contas de serviços e rendas de um país em desenvolvimento como o Brasil têm um saldo negativo que.000 68. com decrescimento das reservas. royalties. bonificações.000 36.6 1. O Balanço de Pagamentos O Balanço de Pagamentos indica os registros das movimentações em moeda estrangeira do país com o exterior e vice-versa. de outubro de 2001 a abril de 2002. e que.000 52.6 3.8 jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: Banco Central Taxa de Câmbio Reservas Internacionais 32. Esse fato é explicado pelo medo dos investidores estrangeiros diante da grande probabilidade da eleição de Lula. A conta de transações correntes apresenta o saldo das movimentações da balança comercial: exportações de bens e serviços menos importações.

O contrato derivativo deriva de um valor ligado a um ativo: commodities.gistra os movimentos de capitais e financeiros como investimento direto: aumento de capital de uma empresa ou criação de uma nova. Mercado de Derivativos Derivativos são instrumentos financeiros que derivam de outros. É o segmento que atende aos agentes econômicos produtivos (na área pública e privada) quanto às suas necessidades de financiamento de médio e.5. disponível na página do Banco Central (www. Balanço de Pagamentos Transações correntes Balança comercial (FOB) Serviços Rendas Transferências unilaterais correntes Conta capital e financeira Conta capital/ Conta financeira Investimento direto (líquido) Investimentos em carteira Derivativos Outros investimentos/ Erros e omissões Resultado do balanço 2.2. moeda estrangeira etc. Com a finalidade de acompanhar a evolução da taxa de câmbio num regime de taxas flutuantes é importante acompanhar e entender os determinantes dos fluxos nas diversas contas do Balanço de Pagamentos17. 2.bcb. de longo prazos. Mercado de Capitais É o conjunto dos meios e instrumentos necessários à geração e distribuição de valores mobiliários. PUC Minas 44 Sistema Financeiro Nacional . As transações 17 Na Nota Técnica 1. A maior parte dos recursos financeiros de longo prazo é suprida por intermediários financeiros não-bancários.2. As operações que se realizam nas bolsas de valores (particularmente com ações) são parte integrante desse mercado. essencialmente relacionados com investimentos em capital fixo. ações. taxas de juros.gov.br) há a explicação detalhada de cada conta. e investimentos na formação de portfólios de ações e renda fixa.4. sobretudo.

). calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa pós-fixada é a rentabilidade dada por uma taxa de juros determinada no ato da aplicação. um exportador faz um contrato futuro de venda de moeda estrangeira a uma determinada taxa de câmbio. Por outro lado.2 Renda Variável Investimentos de renda variável são considerados investimentos de risco cuja rentabilidade depende das condições futuras de mercado. quem faz esse contrato com ele espera que a taxa de câmbio esteja maior que a firmada no contrato. na data do recebimento pelas suas vendas. 2. No mercado. portando só é possível conhecer o total de rendimentos no vencimento da operação. nos quais a rentabilidade será proporcionada por uma taxa de juros prefixada ou pós-fixada. de opções. swaps18. de taxas e de índices. como ouro ou dólar. aproveitando-se de diferenças de preços entre eles. 2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO A FORMA DE REMUNERAÇÃO E CORREÇÃO MONETÁRIA O mercado financeiro também pode ser secionado pelas características dos produtos quanto à rentabilidade e correção monetária.3. esperando obter ganhos financeiros. A taxa prefixada é a taxa definida no ato do investimento. 18 Swap significa troca. calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). com juros pós-fixados. assim. Então é realizado o swap das dívidas. Para garantir um determinado valor em reais.3. Os participantes desse mercado são: Hedger: participa no intuito de conseguir hedge (proteção) contra variações não esperadas. PUC Minas 45 Sistema Financeiro Nacional . Indexadores mais conhecidos: IGPM . Por exemplo. índices e taxas de juros. a termo. Os exemplos mais comuns são os investimentos em ações e em ativos financeiros. Taxa Selic.Índice Geral de Preços de Mercado. O objetivo desses contratos é oferecer proteção contra prejuízos ocasionados por variações imprevistas nos valores de ativos. Procura.1 Renda Fixa Investimentos de renda fixa são investimentos em títulos públicos e privados.3. ações. portanto o investidor sabe qual será a rentabilidade.são realizadas nos mercados futuros. Arbitrador: atua em vários mercados ao mesmo tempo.Índice de Preços ao Consumidor Amplo. commodities. mais atualização monetária estabelecida em função de um indexador. Especulador: assume o risco do hedger. Obviamente. um devedor de um empréstimo com juros pré-fixados acredita que a taxa de juros vai diminuir no futuro e propõe-se a trocar seu fluxo de pagamentos futuros por outro. IPCA . minimizar os riscos de flutuações nos preços de ativos (moedas. realizar swap significa trocar um item de um contrato por outro. um devedor com juros pós-fixados acredita que os juros vão subir. 2. etc. etc. Temos então dois mercados distintos: de renda fixa e de renda variável.

Os fundos mútuos de investimento são instrumentos de captação de pequenas poupanças do público. e existe até hoje. Seu objetivo é a redução do risco inerente às aplicações do mercado financeiro. As aplicações feitas em moeda (R$) são convertidas em números de quotas. Os fundos tornam possível a diversificação dos investimentos. O dinheiro é aplicado na formação de uma carteira de títulos. buscando a proteção do investidor. França e Inglaterra. colocando-os em igualdade com os grandes investidores. Assim. para investi-las nos mercados de ações e de renda fixa. O patrimônio formado tem o seu valor determinado pela cotação dos papéis que o compõem. Fundos de Investimento Segundo a Anbid (Associação Nacional de Bancos de Investimento): Um fundo de investimento é um condomínio que reúne recursos de um conjunto de investidores. Fundos de investimentos Existem no Brasil desde o final da década de 50. menores custos e contam com administração profissional. órgão responsável por sua regulação e fiscalização. Dessa PUC Minas 46 Sistema Financeiro Nacional . o funcionamento e a divulgação de informações dos fundos de investimento. que totalizam no chamado patrimônio do Fundo. destinado à aplicação em títulos e valores mobiliários.3. O primeiro fundo mútuo nos Estados Unidos iniciou suas operações em 1924. A Instrução CVM No. etc. e já em 1967. as cotas se valorizam também. com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira de títulos ou valores mobiliários. O valor de cada cota. visando diluir o risco e aumentar o potencial de retorno. o primeiro fundo iniciou suas atividades em 1957. bem como em quaisquer outros ativos disponíveis no mercado financeiro e de capitais" Cabe à ANBID auxiliar na construção. nasce a ANBID.Comissão de Valores Mobiliários. através da aplicação em suas diferentes classes. Atualmente funcionam sobre a autorização da CVM . ações CDB’s. sendo que o primeiro foi criado na Bélgica e logo depois na Holanda. O principal objetivo é obter maior remuneração para os recursos aplicados.3. Os recursos são obtidos mediante a venda de cotas. caso haja valorização dos títulos que constam da carreira. como títulos públicos/privados. as quais devem ser recompradas ou resgatadas quando o solicitarem.2. a administração. Todo fundo de investimento apresenta um regulamento próprio. Através dos fundos. modernização e aperfeiçoamento da legislação de fundos de investimento. em cada momento (dia). é obtido pela divisão do valor do patrimônio pelo número de cotas. São condomínios que reúnem os recursos de vários investidores para aplicar em diversos ativos. influenciar e dar suporte à indústria para explorar adequadamente as oportunidades de crescimento e melhorar constantemente seus pilares. No Brasil. conceituados como: "uma comunhão de recursos constituída sob a forma de condomínio. os pequenos investidores têm acesso a melhores condições de mercado. 409 dispõe sobre a constituição. É válido também ressaltar que os recursos dos fundos nunca se misturam aos da instituição administradora. Existem desde o século XIX.

acesso em 21/08/2005.com. pois possibilita que invistam em ativos aos quais. não teriam acesso. dada a diversificação da sua carteira. .br 20.Fundos de renda variável – A correção segue os preços do mercado. PUC Minas 47 Sistema Financeiro Nacional . 19 20 Os conceitos de renda fixa e renda variável serão vistos na próxima unidade. Na verdade quem aplica dinheiro num FAQ.br/institucional/servlet/CalandraRedirect?temp=5&proj=ANBID&pub=T&comp=sec_A_ANBID&db=C alSQL2000&docid=4EBDDD76E9B84E3C83256E3000620AF9>.FIEX. Portanto as menores taxas de administração são as dos FIFs. aplica num fundo que irá aplicar seu patrimônio total num FIF.Aplicam a maior parte de seus recursos em ações e/ou debêntures conversíveis em ações. propicia uma redução do risco inerente às aplicações no mercado financeiro.com. os investidores obtêm juntos uma remuneração maior em suas aplicações do que individualmente. Os que aplicam quantias pequenas aplicam em FAQs e somente quem aplica volumes maiores aplica no FIF.anbid. Os índices que irão corrigir os investimentos são conhecidos a priori.forma. favorece pequenos e médios investidores. visto que é raro se ter investimento livre.FAQs. A legislação que rege os fundos de investimentos estabelece as seguintes espécies de fundos: . O FAQ paga taxa de administração ao FIF e cobra também do aplicador.Aplicam a maior parte de seus recursos em títulos de renda fixa. os Fundos de Aplicação em Cotas de Fundos de Investimento Financeiro . Títulos de renda Fixa e Instrumentos de Curto Prazo – minimiza-se o risco de sofrer perdas com investimentos. os Fundos de Investimento no Exterior . Quando se forma uma carteira aplicando em diferentes classes de ativos – Títulos de Renda Variável. como os títulos públicos que não são vendidos diretamente ao pequeno investidor. além de representar mais uma opção no mercado. e os Fundos de Investimento em Títulos e Valores Mobiliários .FITVM. Obtido em <http://novosite. Atualmente.Fundos de ações . . pelo benefício da diversificação no mercado. Considera-se que o risco da carteira é diferenciado do risco do ativo individual.Fundos de renda fixa19 . Além disso. há no mercado os chamados Fundos de Investimento Financeiro – FIFs.anbid. www. de outra forma. As informações a seguir foram obtidas da página da Anbid. Essa modalidade de investimento.

no máximo. 60 dias. PUC Minas 48 Sistema Financeiro Nacional .Tipos de Fundo de Investimento – classificação ANBID Categoria ANBID Curto Prazo Referenciados Referenciado Outros Renda Fixa Renda Fixa Crédito Renda Fixa Renda fixa Multi-índices Renda fixa com Alavancagem Balanceados Multimercados Sem RV Multimercados Com RV Multimercados Multimercados Sem RV Com Alavancagem Multimercados Com RV Com Alavancagem Capital Protegido Investimento no Exterior Investimento no Exterior Ações IBOVESPA Indexado Índice de Referência. Alavancagem Risco do Setor Índice de Referência + Alavancagem Índice de Referência + Alavancagem Títulos da dívida externa e taxa de câmbio Diversas Classes de ativos Juros + Crédito + Ind de preços Juros + Crédito + Ind de preços + Alavancagem Juros Juros + Crédito Tipo ANBID Curto Prazo Referenciado DI Indexador de Referência Riscos DI/SELIC Curto Prazo Busca retorno por meio de investimentos em títulos indexados à CDI/Selic ou em papéis prefixados. IBOVESPA Ações IBOVESPA Ativos Ações IBOVESPA Ativo Alavancado Ações IBX Indexado Indexador referência + Alavancagem IBX Ações IBX Ativo Ações IBX Ativo Com Alavancagem Ações Setoriais Telecomunicações Ações Setoriais Ações Setoriais Energia Ações Outros Ações Outros Ações Outros Com Alavancagem Cambial Dólar Indexado Cambial Euro Indexado Cambial Dólar sem alavancagem Cambial Cambial Dólar com alavancagem Cambial Outros sem alavancagem Cambial Outros com alavancagem Moeda de Referência + alavancagem Variação das moedas Variação das moedas+alavancagem Moeda de Referência. desde que indexados e/ou sintetizados para CDI/Selic. de emissão do Tesouro Nacional (TN) e/ou do BACEN. com prazo máximo a decorrer de 375 dias e prazo médio da carteira de.

Estes fundos seguem as disposições do artigo 94 da Instrução CVM 409. Se dividem em dois tipos. qualquer operação que tenha por objetivo neutralizar riscos diferentes do parâmetro de referência do fundo. estando também sujeitos às oscilações decorrentes do ágio/deságio dos títulos em relação ao seu parâmetro de referência. Referenciados Outros: Fundos que objetivam investir. Referenciados Os fundos referenciados são aqueles que têm como objetivo seguir o mais próximo possível as variações de um índice.). Referenciados DI: Fundos que objetivam investir. no mínimo. desde que corresponda a períodos de feriados prolongados. 22 Um fundo é considerado alavancado sempre que existir possibilidade (diferente de zero) de perda superior ao patrimônio do fundo. O montante não aplicado em operações que busquem acompanhar as variações destes parâmetros de referência. de acordo com o índice escolhido como referência. PUC Minas 49 Sistema Financeiro Nacional . Não admitem alavancagem22. devem ser aplicados somente em operações permitidas para os Fundos Curto Prazo. etc. lastreadas em títulos do TN ou do BACEN e com contraparte classificada como baixo risco de crédito. a realização de Operações Compromissadas. 80% de sua carteira em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito. No caso específico da contraparte ser o BACEN é permitida a operação pré fixada com prazo máximo de 7 dias. no mínimo. estando também sujeitos às oscilações decorrentes do ágio/deságio dos títulos em relação a estes parâmetros de referência. desde que: sejam indexadas à CDI/Selic. devem ser aplicados somente em operações permitidas para os Fundos Curto Prazo. de moeda estrangeira ou de renda variável (ações. Nesta categoria não são permitidos os parâmetros de referência moedas estrangeiras ou mercado acionário. Devem manter. 95% do valor de sua carteira em títulos ou operações que busquem acompanhar as variações de um parâmetro de referência diferente daqueles definidos no item Referenciados DI acima. também. ou de 60 dias. ou hedge. Renda Fixa Renda Fixa: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos). Excluem-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. limitado ao valor do seu patrimônio. ou sintetizar riscos que atrelem o fundo ao parâmetro de referência. no mínimo. 95% do valor de sua carteira em títulos ou operações que busquem acompanhar as variações do CDI ou SELIC. O montante não aplicado em operações que busquem acompanhar as variações do parâmetro de referência. Estes fundos seguem as disposições do artigo 94 da Instrução CVM 40921. desconsiderando-se casos de default nos ativos do fundo.É permitida. Renda Fixa Crédito: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qualquer espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos). Exclu21 Entende-se por proteção da carteira. desde que indexada à CDI/Selic.

Não admitem alavancagem². inclusive. câmbio. Admitem alavancagem². etc. Estes fundos não têm explicitado o mix de ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem. ações. Estes fundos não têm explicitado o mix de ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem. incluindo-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. etc.em-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. Não admitem alavancagem².) exceto renda variável (ações. porém. investimentos que impliquem em risco de oscilações de moeda estrangeira e de renda variável (ações. Multimercados sem alavancagem. Renda Fixa Alavancados: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qualquer espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos). etc. realizar operações que impliquem em alavancagem² do patrimônio. sem renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa. inclusive. Não admitem alavancagem². ser comparados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI).). câmbio. ações e derivativos. Estes fundos não têm explicitado o mix de ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem. esses fundos não podem ser comparados a indicador de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). PUC Minas 50 Sistema Financeiro Nacional . Excluem-se.) exceto renda variável (ações. inclusive. ser comparados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). câmbio. de moeda estrangeira ou de renda variável (ações. inclusive. Sendo assim. deslocamentos táticos entre as classes de ativos ou estratégia explícita de rebalanceamento de curto prazo Estes fundos devem ter explicitado o mix de ativos (percentual de cada classe de ativo) com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark). etc. Estes fundos utilizam uma estratégia de investimento diversificada e. porém.).). Balanceados: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa. Multimercados Estes fundos combinam investimentos em ativos de renda fixa. Não admitem alavancagem².). etc. sem renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa. Estes fundos podem. câmbio. Multimercados sem alavancagem. ser comparados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). incluindo-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. Multimercados com alavancagem. etc. etc. câmbio. Renda Fixa Multi-índices: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qualquer espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos).). Excluem-se.) incluindo renda variável (ações. etc. investimentos que impliquem em risco de oscilações de moeda estrangeira e de renda variável (ações.). com renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa. etc. etc.). Não admitem alavancagem².

Capital Protegido: Busca retornos em mercados de risco procurando proteger parcial ou totalmente o principal investido. câmbio.Multimercados com alavancagem. com renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa.). inclusive. Fundos de Ações IBX Indexado: São fundos cujo objetivo de investimento é acompanhar o comportamento do IBX ou do IBX 50.) incluindo renda variável (ações. ser comparados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). tendo objetivo explícito de superar o este índice. Fundos de Ações Ibovespa Ativo: São fundos que utilizam o Índice Bovespa como referência. tendo objetivo explícito de superar o respectivo índice. Admitem alavancagem². etc. Não admitem alavancagem². etc. tendo objetivo explícito de superar este índice. Não admitem alavancagem². Fundos de Ações IBX com alavancagem: São fundos que utilizam o IBX ou o IBX 50 como referência. IBX Fundos que têm como parâmetro de referência o IBX e o IBX50. Fundos de Ações Ibovespa Ativo com alavancagem: São fundos que utilizam o Índice Bovespa como referência. IBOVESPA Fundos de Ações Ibovespa Indexado: São fundos cujo objetivo de investimento é acompanhar o comportamento do Ibovespa. tendo o objetivo explícito de superar o respectivo índice. Fundos de Ações IBX Ativo: São fundos que utilizam o IBX ou o IBX 50 como referência. Não admitem alavancagem². Não admitem alavancagem². Admitem alavancagem². Estes fundos não têm explicitado o mix de ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem. Telecomunicações: São fundos cuja estratégia é investir em ações do setor de telecomunicações. Fundos de Ações Outros Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se enquadram em nenhum dos PUC Minas 51 Sistema Financeiro Nacional . Não admitem alavancagem². Não admitem alavancagem. Energia: São fundos cuja estratégia é investir em ações do setor de energia. Fundos de Ações Setoriais Fundos que investem em determinados setores da economia. dois índices da Bolsa de Valores de São Paulo. Admitem alavancagem².

O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente a uma ou mais moedas estrangeiras deve ser aplicado somente em títulos e de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC). IBX. Fundos de Ações Setoriais e seus subsegmentos).segmentos anteriores Outros sem alavancagem: Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se enquadrem em nenhum dos segmentos anteriores.relacionados diretamente. Fundos Cambiais Objetiva acompanhar variação de preço apenas da moeda estrangeira ou da moeda estrangeira e da taxa de juros dos títulos que investe. à moeda norte-americana. ou sintetizados via derivativos. à moeda européia. Outros com alavancagem: Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se enquadrem em nenhum dos segmentos anteriores (IBOVESPA. Cambial Dólar com alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos . O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente ao dólar deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC). Não admitem alavancagem². a uma ou mais moedas estrangeiras.de qualquer espectro de risco de crédito . a uma ou mais moedas estrangeiras. Cambial Outros sem alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos . Admitem alavancagem². O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente a uma ou mais moedas estrangeiras deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC).de qualquer espectro de risco de crédito .relacionados diretamente. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente ao euro deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC).de qualquer espectro de risco de crédito . ou sintetizados via derivativos. ou sintetizados via derivativos. ou sintetizados via derivativos.de qualquer espectro de risco de crédito . Cambial Dólar sem alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos . com recursos disponíveis da conta vincu- PUC Minas 52 Sistema Financeiro Nacional . Estes fundos admitem alavancagem².relacionados diretamente. à moeda norte-americana. Cambial Outros com alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos . Fundos Mútuos de Privatização São fundos destinados à aquisição de valores mobiliários. ou sintetizados via derivativos.relacionados diretamente. Não admitem alavancagem². Cambial Euro sem Alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos .relacionados diretamente.de qualquer espectro de risco de crédito . Estes fundos admitem alavancagem². Não admitem alavancagem. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente ao dólar deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC). Não admitem alavancagem².

São os fundos regulamentados pela Instrução CVM 359/2002.FGTS. na proporção em que estes integram o índice de referência.lada do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço . Estes fundos seguem o disposto no artigo 96 da Instrução CVM 409. PUC Minas 53 Sistema Financeiro Nacional . será considerado fundo offshore aquele constituído fora do território brasileiro. Fundos Fechados Mistos. ou em posições compradas no mercado futuro do índice de referência. de arrendamento mercantil e de prestação de serviços. Fundos Offshore Para efeitos desta classificação. industrial. Fundos de Investimento Imobiliário O Fundo de Investimento Imobiliário é um fundo fechado e destinado à aplicação em empreendimentos imobiliários. Fundos de Dívida Externa São fundos que têm como objetivo investir preponderantemente em títulos representativos da dívida externa de responsabilidade da União. de forma a refletir a variação e rentabilidade de tal índice. de hipotecas. Offshore Renda Variável. Fundos de Índice O fundo deve manter 95%. 279/1998 e suas modificações. Fundos de Previdência: nesta categoria incluem-se os FAPI's e Fundos Exclusivos para PGBL's. Offshore Mistos Fundos Fechados Três tipos: Fundos Fechados de Renda Fixa. São os fundos regulamentados pelas Instruções CVM 356/2001 e 399/2003 e suas modificações. originários de operações realizadas nos segmentos financeiro. imobiliário. e pode ter prazo de duração determinado ou indeterminado. comercial. Fundos de Investimento em Direitos Creditórios Fundos destinados à aquisição de títulos de direitos creditórios. mas cujo gestor localiza-se no Brasil: Offshore Renda Fixa. de seu patrimônio aplicado em valores mobiliários ou outros ativos de renda variável. 266/1997. Fundos Fechados de Ações. entre outros. São os fundos regulamentados pelas Instruções CVM 205/1994 e 206/1994 e suas modificações. 157/1991. no mínimo. como títulos representativos de crédito. São os fundos regulamentados pelas Instruções CVM 141/1991.

pós ou prefixados. à variação de preços de uma moeda estrangeira. são considerados os mais conservadores. Mas é importante ficar atendo. Além disso. no máximo. PUC Minas 54 Sistema Financeiro Nacional . Estes títulos podem ser de renda fixa. 80% de seu patrimônio investido em ativos que sejam relacionados. Os fundos Referenciados identificam em seu nome o indicador de desempenho que sua carteira tem por objetivo acompanhar. por isso dependem do talento do gestor na escolha do melhor momento de alocar os recursos (market timing). câmbio. São fundos que buscam acompanhar a variação diária das taxas de juros (Selic/CDI). imposto de renda. Dessa forma. Para o investidor no Brasil. pois se beneficiam em um cenário de redução das taxas de juros.br) Curto Prazo Referenciado Renda Fixa Investem seus recursos exclusivamente em títulos públicos federais ou privados de baixo risco de crédito. bem como a variação da taxa de juro. tal como o Ibovespa ou o IBX. no mínimo 95% de sua carteira é composta por ativos que acompanhem a variação do seu indicador de desempenho. investe no mínimo 80% em títulos públicos federais ou em títulos de renda fixa privados classificado na categoria baixo risco de crédito. diretamente ou indiretamente (via derivativos). Para tal. este fundo é a única forma de aplicar nos papéis emitidos pelo governo brasileiro negociados no exterior. Você provavelmente já ouviu falar deles. ações. ou à uma taxa de juros (o chamado de cupom cambial). São fundos com alta flexibilidade de gestão. pois nele estão envolvidos custos de taxa de administração. Os 20% restantes podem ser aplicados em outros títulos de crédito transacionados no Dívida Externa exterior. entre outros. Estes fundos devem manter no mínimo. na seleção dos ativos da carteira e no percentual do patrimônio que será investido em cada um dos mercados (asset mix).cvm. usam instrumentos de derivativos com o objetivo de proteção (hedge). Além disso. Além disso. pois combinam investimentos nos mercados de renda fixa. Por estas características. Investem em papéis com prazo máximo a decorrer de 375 dias e o prazo médio da carteira é de. São fundos que investem no mínimo 67% de seu patrimônio em ações negociadas em bolsa. o chamado benchmark. sua rentabilidade está atrelada à taxa de juros usada nas operações entre os bancos (conhecida como taxa do CDI). utilizam-se ativamente de instrumentos de derivativos para alavancagem de suas posições. Nesta classe os fundos mais conhecidos são os chamados fundos Cambiais Dólar que objetivam seguir a variação da cotação da moeda norte americana. pois estes fundos não refletem exatamente a cotação do dólar. Nos fundos de Renda Fixa acontece o oposto dos fundos Referenciados DI. Multimercado Ações Cambial Aplicam no mínimo 80% de seu patrimônio em títulos brasileiros negociados no mercado internacional.com. São mais indicados para quem tem objetivos de investimento de longo prazo.Classificação CVM (As informações abaixo foram extraídas de www. indicados para investidores com objetivo de investimento de curtíssimo prazo. e geralmente. Os fundos referenciados mais conhecidos são os DI. e se beneficiam em um cenário de alta de juros. 60 dias. Alguns fundos desta classe têm como objetivo de investimento acompanhar a variação de um índice do mercado acionário. Aplicam uma parcela significativa de seu patrimônio (mínimo 80%) em títulos de renda fixa prefixados (que rendem uma taxa de juro previamente acordada) ou pós-fixados (que acompanham a variação da taxa de juros ou um índice de preço). ou para proteção de suas carteiras (hedge). estão sujeitos às oscilações de preços das ações que compõem sua carteira. Usam instrumentos de derivativos com o objetivo de proteção (hedge). São fundos que possuem políticas de investimento que envolve vários fatores de risco. Estes títulos são mantidos no exterior. pois suas cotas são menos sensíveis as oscilações das taxas de juros.

G. A. e atual.br www.anbid. de. E. J. Y. R. Mercado de Capitais. 2003. 2001. rev. São Paulo: Saint Paul. Rio de Janeiro: Qualitymark. São Paulo: Prentice Hall. Mercado financeiro / 4a.br www. MISUMI. São Paulo: Atlas.br www. ISBN 85-87918-x FORTUNA. R.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSAF NETO. 2001. SECURATO. CAVALCANTI.bcb.com. www. J. Mercado financeiro: produtos e serviços. 2008. 282p.com. 1ª. 373p. ed. ISBN 85352-0942-5 FARIA. Mercado Financeiro e Análise de Investimento. Rio de Janeiro: Campus.br www. 17. ed. Mercado financeiro: instrumentos e operações.bovespa.com. 2005.com.br PUC Minas 55 Sistema Financeiro Nacional .bmf. ISBN: 85-98838-08-X.andima.gov. F.

00 depois de um ano. ao portador deste. vamos tratar de alguns exemplos de títulos. em 10/01/2006? O preço é a renda que ele receberá adicionada ao principal. Ele deve. Se ele exige 20% de juros sobre o investimento.000.1. veremos exemplos de títulos com apenas dois fluxos de caixa: a saída no ato do investimento e uma entrada no resgate. destacando suas características com dois ou mais fluxos de caixa. calcular quanto pagaria. hoje. 10/01/2005 Banco de Desenvolvimento do Brasil Geraldo Eugênio Miranda Presidente Esse título contém a promessa de pagamento de R$ 1. a primeira etapa para se avaliar um investimento é a montagem do fluxo de caixa. Portanto o comprador já sabe quanto receberá no resgate e o título é pré-fixado. a partir da imposição desse preço (juros). Mas.00 Pague-se. Primeiramente. Belo Horizonte.000. MERCADO DE RENDA FIXA 3.000.200. que transformará o capital investido em um valor maior.200. na data de vencimento acima.00. no futuro.200. Exemplo 1: Título pré-fixado com dois fluxos de caixa Título 001 Data de vencimento: 10/01/2006 R$1.200. A seguir são apresentados produtos oferecidos no mercado e a respectiva montagem do fluxo de caixa. qual o valor a ser pago por esse título na emi sPUC Minas 56 Sistema Financeiro Nacional .00. Qual é o preço que o investidor exigirá para abrir mão de seu capital em 10/01/2005 e receber R$1. por esse título que lhe devolverá R$1. a quantia de R$1. A MONTAGEM DO FLUXO DE CAIXA Uma vez que o investimento em ativos do mercado financeiro é a compra de um papel (título de propriedade) que garante ao investidor um fluxo de caixa.000.200. antes.3. em função da renda gerada.000.00 no vencimento.

o valor de face acrescido de juros de 8% ao ano mais a correção pelo IGP-M.08+0.23 = R$ 1.230.2 = 1. PUC Minas 57 Sistema Financeiro Nacional . 10/01/2005 Banco de Desenvolvimento do Brasil Geraldo Eugênio Miranda Presidente Nesse caso.000.000.00 Pague-se. na data de vencimento acima. ao portador deste.000 * 1. O retorno sobre o investimento só será conhecido no dia do vencimento.200.000 Então.200. Portanto.000. pois não se sabe qual será a correção.200.15) = R$ 1. A rentabilidade é de 23%.2 Portanto.000.00 0 1.00 0  R$1. o valor a ser recebido no resgate será: VF= VP (1+0. Montagem do fluxo de caixa: 10/01/2005 10/01/2006 -$1.00 $1.000. Considerando que se prevê a variação do IGP-M de 15% e que o retorno sobre o investimento será a soma dessa correção com a taxa de juros. podemos escrever o valor presente de um investimento como esse da seguinte forma: VP  C1 1 r em que C1 é o fluxo de caixa na data 1 e r é a taxa de juros apropriada.00 Exemplo 2: Título pós-fixado com dois fluxos de caixa Título 002 Data de vencimento: 10/01/2006 R$1.000. a incógnita é o rendimento.000. VP  R$1. o valor de compra já é determinado. Belo Horizonte.são? Qual seu valor presente? Podemos escrever essa questão algebricamente: VP x 1.000. é um título pós-fixado.

a contar da data de emissão.00 Vamos.CNPJ: 17.00 10/01/06 $140.00 10/07/08 $140.00 10/01/09 $2.790/0001-94 George Walter Oliveira Presidente Juros= 0. Bairro Dourados.000. o valor de compra já é determinado no contrato: R$ 1.00 Exemplo 4: Título pós-fixado com mais de dois fluxos de caixa Um título público (NTN-C).000. durante 4 anos. . então.00 10/01/07 $140. emitido em 01/07/2000.000. O fluxo de caixa do Título 002 ficará. A entrada de caixa.000. no futuro.309.000. Emissão em 10/01/2005. em pagamentos semestrais sobre o valor nominal de R$ PUC Minas 58 Sistema Financeiro Nacional .000. com vencimento em dez anos comprado em 01/01/2005.000.000.07 x 2. por quatro anos e amortização ao final desse período.00 10/01/08 $140.000.00 $1.000.00 paga amortização ao final e juros de 7% a. Debênture da Companhia Acarajé S.000. Exemplo 3: Título pré-fixado com mais de dois fluxos de caixa Uma debênture com valor de face de R$ 2. sobre o valor de emissão.000.140.000.00 10/07/07 $140.00 10/07/05 $140.000. que paga 6% de juros ao ano.A. R$ 2.00.000 = 140. uma vez que depende de se saber a variação cambial até tal data.000. feitos em 10/01/2006: 10/01/2005 10/01/2006 -$1. Companhia Acarajé.s.000. só poderá ser conhecida na data do resgate.000 Montagem do fluxo de caixa: 10/01/05 -$2. na cidade do Rio de Janeiro . com sede à Rua Walter Oliveira 500.Montagem do fluxo de caixa: No Exemplo 02.000. agora.00 10/07/06 $140.230.RJ.00 (dois milhões de reais) Pague-se ao portador juros de 7% a cada semestre.000.000. conforme os cálculos do valor do resgate.000. ver exemplos de títulos com mais de dois fluxos de caixa: a saída no ato do investimento e várias entradas futuras.

no ato da aplicação. PREÇO E RENDIMENTO DE TÍTULOS DE RENDA FIXA Como vimos. o que ocorre é a criação de um fluxo de caixa para o investidor. corrigido pelo IGP-M. a forma de remuneração é estabelecida. quando já se sabe no ato da aplicação qual será exatamente a rentabilidade. Nota do Tesouro Nacional – série C R$ 250. se há. a previsão de utilização de um indexador aplicado sobre o capital investido e os juros são calculados com base no valor corrigido. que pode ocorrer por meio de um papel. e pode ser pósfixada.000.000.00 minal corrigido 3.250. fluxo de caixa com uma saída e uma entrada. no contrato do título. chamado título. Quando se realiza uma aplicação no mercado financeiro. O valor nominal será corrigido pelo IGP-M do mês anterior. O resultado dos exercícios propostos encontra-se no final desta seção. Títulos prefixados O título prefixado pode ser apresentado oferecendo o pagamento do principal e dos juros no vencimento. fluxo de caixa com uma saída e várias entradas. 01/07/2000 Montagem do fluxo de caixa: 01/01/05 01/07/05 01/01/06 3% do valor nominal corrigido 01/07/06 3% do valor nominal corrigido 01/01/07 3% do valor nominal corrigido 01/07/07 3% do valor nominal corrigido 01/01/08 3% do valor nominal corrigido 01/07/08 01/01/09 01/07/09 3% do valor nominal corrigido 3% do valor nominal corrigido 3% do valor nominal corrigido 01/01/10 103% do valor nominal corrigido 3% do valor no-$250. no contrato do negócio está fixada como será paga a renda a ser recebida pela aplicação. semestralmente. e o principal no vencimento. Abaixo. A remuneração pode ser prefixada. cupom de 6% de juros ao ano e o principal no vencimento. por meio de um contrato. Essas modalidades de aplicação podem ser oferecidas com o valor de resgate. e pagando o principal e ou os juros em parcelas. PUC Minas 59 Sistema Financeiro Nacional .2. valor de face. ou de um registro em um sistema de informação. fixo e a rentabilidade sendo proporcionada pela compra do título com deságio em relação a esse valor. será tratada a avaliação de investimentos no mercado de renda fixa com a utilização da matemática financeira. ou seja.000.00.00 Pague-se. no mercado de renda fixa.

Então.825  347. A seguir. com prazo superior a 720 dias: 15%. cuja renda líquida é R$ 484.00 Rendimento: juros de 1.347.00. as alter23 A partir de 2005.5%.000. com pagamento de juros de 1.1% a.m.484.00 0.6% a.20  1  0.000. Imposto de Renda descontado na fonte: 17.3% a. a qual nos permite saber o que exatamente houve de ganho real. de 361 a 720 dias: 17. vamos calcular a taxa líquida real.347.000.001. e do principal no vencimento. as alíquotas de IR são as seguintes: para aplicações até 180 dias: 22. Na maioria das situações em que temos que comparar alternativas diferentes de aplicação.m.5% Cálculo da Taxa de Juros Líquida: 23  3.00. primeiro calcula-se a correção monetária do investimen3.11 3.01112  3.00 Exercício 1: Calcule a taxa líquida de uma aplicação de R$ 3.85 0. por dois anos. de 17. Daí.: 16.000. i  3. de 181 a 360 dias: 20%.9% em dois anos.1157 => i = 11. Exercício 2: Calcule a taxa líquida real de uma aplicação de R$ 2.330.330. e do principal no vencimento. O Imposto de Renda para aplicações de 361 a 720 dias é 17.20 e a taxa de juros liquida: 3.000. a renda líquida será: 420.0046 => i = 3.85.00. Prazo: 1 ano. Resp.420. Resp.00 1 i  3.85 A renda gerada é R$ 420. Considerando a alíquota de Imposto de Renda. Considere que o Imposto de Renda para aplicações por dois anos é de 15% e que a inflação no período é 17%.000. descontada a inflação.46% a. Exemplo 2: Cálculo da taxa líquida real: partindo de exercício anterior.a. pelo prazo de um ano.15 to: 3.00 1.5%.Exemplo 1: Aplicação: R$ 3.20.000. 3.: 11.15.a.5%.a. PUC Minas 60 Sistema Financeiro Nacional . recolhido na fonte.3% a. e considerando que a inflação no período foi de 11%. podemos calcular o ganho real: i   1  0.5% a. com pagamento de juros de 1.5%.m.

há 276 dias úteis e que. por R$ 828. Para os cálculos. para que possamos ter uma base de comparação.119 . O título foi comprado com 17. usando um computador ou calculadora financeira. Para isso. conforme abaixo.nativas têm prazo diferente. 80 80 80 80 1..a. comprado por R$ 670.8% a. com juros diários. Exemplo 3: Cálculo da taxa anual equivalente: partindo do Exercício 2. É importante que calculemos a taxa de rentabilidade anual de todas as alternativas de aplicação. pode ter o fluxo de caixa representado por uma linha horizontal com linhas perpendiculares para cima indicando fluxos positivos e a linha para baixo indicando o fluxo negativo. 1  TIRn FC n . feita em 28/02/2005.12% de deságio sobre o valor de face. no período. Exemplo 4: Um título de R$ 1.1  0. Só podemos calcular a TIR.000. descontando os valores futuros para a data da aplicação faz com que o valor presente do fluxo de caixa futuro seja igual ao capital inicial.81.5% e que. Exercício 3: Calcule a taxa líquida anual de uma aplicação com valor de face de R$ 1.00 que paga 8% de juros ao ano sobre o valor de face... Quando o título oferece o pagamento dos juros e ou principal em parcelas..000. calculamos a taxa equivalente: 1 i2  1. Não vamos agora preocupar-nos PUC Minas 61 Sistema Financeiro Nacional .. e o principal no vencimento. ou seja. onde: II = Investimento Inicial e FCn = Fluxo de Caixa no momento n. Então: i  1. pois a aplicação no Over Night (por uma noite). A taxa interna de retorno é a taxa que. calculamos a taxa equivalente. para efeitos de cálculo consideramos que o ano tem 252 dias úteis. pois. de sexta-feira para segunda-feira é considerada como aplicação por um dia apenas.00. Resp.4% a.: 15. por cinco anos. como taxa de rentabilidade.119. II  1  TIR 1  TIR2 FC1  FC 2  .080 1 2 3 4 5 670 Cálculo da taxa de retorno: utilizamos a TIR para fazer o cálculo. considera-se o ano com 252 dias úteis.00 e vencimento em 01/04/2006. devemos utilizar a Taxa Interna de Retorno (TIR). Considere que o IR pago será de 17.a. No mercado financeiro é recomendável utilizar dias úteis.058 => i = 5.

Solução dos Exercícios Propostos Exercício 1: Calcule a taxa líquida de uma aplicação de R$ 3. de 15%.080 CFj IRR.000.a.000. i  3. 3.00.825  484.00. com pagamento de juros de 1. com pagamento de juros de 1.119 => i = 2.80.5% a.: 21.3% a.000.00 1.000.000. O título está sendo negociado por R$ 725. Cálculo usando a HP12-C: 670 CHS CFo 80 CFj 4 Nj 1.617. Considerando a alíquota de Imposto de Renda. Títulos posfixados: no caso dos títulos posfixados.9% a.85 0. Cálculo da Taxa de Juros Líquida: 3. Exercício 4: Calcule a taxa interna de retorno de uma aplicação com valor de face de R$ 1. 2. Cálculo da taxa líquida real: partindo da renda líquida de R$ 617. Considere que o Imposto de Renda para aplicações por dois anos é de 15% e que a inflação no período é 17%.340. de 17. podemos calcular o ganho real: i   1  0.15. O Imposto de Renda para aplicações de 361 a 720 dias é 17. a renda líquida será: 586.484. e considerando que a inflação no período monetária do investimento: 2.000.726.82 A renda gerada é R$ 726.17  2. por dois anos.5%.15 e a taxa de juros liquida: 3.85 A renda gerada é R$ 586.00 1 i  3. levando cada valor recebido para o vencimento e utilizando a taxa de rentabilidade do mercado financeiro e o capital aplicado sendo corrigido pela inflação prevista).a.com o pagamento do imposto de renda (ele incide sobre cada cupom de juros pago) e nem com a inflação (o título vence no futuro e poderíamos calcular o ganho real. Resp. pelo prazo de um ano.5%.m.00 1.586. Considerando a alíquota de Imposto de Renda. a renda líquida será: 726.01324  2.80 .m.340. primeiro calcula-se a correção PUC Minas 62 Sistema Financeiro Nacional . Então.001.85  617.00 Exercício 2: Calcule a taxa líquida real de uma aplicação de R$ 2.163 => i = 16.000.82.82 0. vencimento em três anos e pagamento de cupom de juros de 4% ao semestre e o principal no vencimento.484. Daí.15  1  0.00 foi de 17%. recolhido na fonte.a.01512  3. o cálculo é mesmo somente mudam os valores devido à correção pelo indexador.3% a.00. e do principal no vencimento. e do principal no vencimento. recolhido na fonte.00.00.73% a.85.80 2.000. TIR = 18.

há 276 dias úteis e que. para efeitos de cálculo consideramos o ano tem 252 dias úteis. 1.154 => i = 15. no período.04 276 dias úteis 828. feita em 28/02/2005. O título está sendo negociado por R$ 725.23 Valor Líquido recebido no vencimento: 828. calcula-se a taxa diária. ia = 0.81 Cálculo da rentabilidade no período de 276 dias úteis: i  970.040 CFj IRR.000.04 970. Exercício 4: Calcule a taxa interna de retorno de uma aplicação com valor de face de R$ 1. 828.a. Considere que o IR pago será de 17. 252 Cálculo da rentabilidade líquida anual: 1 i a  1.00.81. e a taxa anual referente a 252 dias úteis.19 x 0.12% de deságio sobre o valor de face.19 Renda Líquida: 171. por dia útil.00 e vencimento em 01/04/2006.81 + 141.825 = 141. vencimento em três anos e pagamento de cupom de juros de 4% ao semestre e o principal no vencimento. Exercício 3: Calcule a taxa líquida real anual de uma aplicação com valor de face de R$ 1.17 => i = 17% no período.04  1  0.000.17 276  1 .00.4% a.81 = 171.23 = 970. PUC Minas 63 Sistema Financeiro Nacional . Renda: 1. ou seja.11.17 276 252 i a  1.9% em dois anos.81 Para calcular a taxa equivalente anual.040 40 40 40 40 40 725 Cálculo usando a HP12-C: 725 CHS CFo 40 CFj 5 Nj 1. O título foi comprado com 17.5% e que. por R$ 828.000.00 – 828.

TR. Somando-se a carteira do Banco Central de R$ 639.5.TIR = 10. do total da carteira fora do Banco Central.3 24 De acordo com a Lei Complementar 101. chega-se a um total no mercado de R$ 2.4% ao semestre. Há títulos emitidos no mercado interno (em reais) e no mercado internacional (em dólares). ia = 0. 4) Conseguir recursos em moeda estrangeira. A tabela abaixo indica a composição da maior parte (98.548. Os títulos da dívida externa brasileira.1042 ia = 1. de 4. 5.5. PUC Minas 64 Sistema Financeiro Nacional .269. regulando a liquidez da economia.1%. isso é proibido por lei 24.a.6%. por volta de um terço tinha correção pelo Over/Selic e o restante era corrigido monetariamente por índices de preços.3%) da dívida pública federal interna em títulos fora do Banco Central em novembro de 2010.1.2000). atualmente. o Banco Central do Brasil não pode emitir títulos da dívida pública.O. 0. 2) Financiar o déficit orçamentário e de caixa do Governo.9% e variação cambial. 28.1042 .7% de outros títulos. 0. O Governo Federal oferece títulos públicos no mercado para: 1) Fazer a política monetária. o Banco Central podia emitir títulos próprios. 3) Prover o Governo de recursos para realizar investimentos públicos.1 21. 3. papéis pelos quais foi trocada a dívida contratual existente até 1994. os chamados brasilian bonds.3. a administração da dívida pública.7 98. também. Os títulos do Governo Federal são emitidos pelo Tesouro Nacional. Anteriormente. Em novembro de 2010.219 => i = 21. TÍTULOS PÚBLICOS Os títulos públicos podem ser emitidos pelo Governo Federal e pelos estados e municípios. o qual faz. a partir de dois anos após a data de sua publicação (artigo 34). pouco mais de um terço era de títulos prefixados.588 1.740 milhões em títulos públicos da dívida interna. Títulos Públicos Federais em Mercado fora do Banco Central Novembro de 2010 Título Valor R$ milhões Participação % LFT LTN NTN TOTAL Fonte: Banco Central do Brasil 521. após essa data.001 338. mas.2000 (D.287 milhões e aos 1.9% a. Cálculo da taxa de retorno anual: 1 + i a = 1.451 688. e a dívida de emissão soberana.U. compõem a dívida reestruturada.040 33.5 43.

A montagem do fluxo de caixa.144 100.Novembro de 2010 Participação por Indexador Indexador Selic Prefixado IGP-M. dado o preço de mercado do título.gov. Temos que calcular o preço de compra.846.997.1.057.463 42.000. Letra do Tesouro Nacional .6 A dívida pública externa líquida era de US$ 54.1 37.fazenda. A tabela abaixo mostra os saldos devedores da dívida mobiliária externa de responsabilidade do Tesouro Nacional de US$ 43 bilhões. Dívida Mobiliária Externa . 27.8 8. por exemplo.903.br.261 39.8 Devido à grande variedade de títulos públicos. TJLP. 3 bilhões com organismos internacionais. ou a rentabilidade.Títulos Públicos Federais . tem o valor nominal de R$ 1.LTN O título LTN 011003. Câmbio.43. não obstante esses serem bem representativos de todos.3 bilhões em junho de 2009. excluindo-se a dívida contratual de US$ 11.a. IGP-DI. IPCA.9 90. considerando que o título está sendo oferecido por R$ 879.33% a. 3. TR.Brasil Novembro de 2010 US$ mil Discriminação DÍVIDA MOBILIÁRIA – Externa Dívida Reestruturada Captações no Mercado Internacional Euro Bonds Global Bonds Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional Valor Participação % 42. serão apresentados apenas os mais importantes. Para maiores informações sobre os títulos acesse a página do Tesouro Nacional: www.3. Mas é interessante que seja lido o texto “Metodologia de Cálculo” disponível na página do Tesouro Nacional.4 29. Essa metodologia será abordada a seguir na apresentação dos títulos. bancos privados.867 94. Outros Fonte: Banco Central do Brasil Participação % 33.0 0. agências de governos e Clube de Paris.404 3. fica assim: PUC Minas 65 Sistema Financeiro Nacional .00 e a data de vencimento é 01/10/2003. dada uma rentabilidade exigida de.. No acesso ao Tesouro Direto encontra-se a metodologia de cálculo para fins de análise de investimento.2 99.tesouro.

Portanto. deve ser calculada a rentabilidade anual: Para isso. elevando (1 + TAXA do período) ao inverso do número de dias úteis do período: 1+TAXA do período 134 . por sua fórmula de cálculo:   134 VN (1+TAXA anual) =  1+ -1  PREÇO  252  VN  134 Logo.1 = 0. PREÇO. TAXA anual =   -1  PREÇO  252 252  1. 252.00.2733. de 134 dias úteis. então. VN. Em seguida. ou: 27.43 O seja. trazemos a rentabilidade do período para a rentabilidade diária. elevando (1 + TAXA do período) ao número de dias úteis do ano.71%.00 01/10/03 Como se calcula a rentabilidade desse título? O valor nominal de R$1.21/03/03 879. TAXA= Temos.  879.000. Então: PREÇO x (1+TAXA) = VN Daí. substituindo a TAXA do período.43 1. (1+TAXA anual) = 1+TAXA do período 134 252 1 Sendo assim. podemos refazer o cálculo. (1+TAXA). que a rentabilidade foi de 13.43  252 No caso de exigir-se uma rentabilidade. em primeiro lugar.1371 879. Portanto. TAXA= VN -1 PREÇO 1.33% ao ano.00  134 Portanto.000. calcula-se o preço do título da seguinte forma: PUC Minas 66 Sistema Financeiro Nacional . é igual ao valor desembolsado para comprar o título de R$879. vezes um mais a rentabilidade. considerando que estamos tratando de juros compostos. no período entre a data da liquidação da compra 21/03/03 e a data de vencimento 01/10/2003.00 -1 = 0.43. Fica difícil comparar essa com outras aplicações que trazem a rentabilidade anual.000.000. TAXA anual =   . (1+TAXA anual) =    PREÇO   VN  134 E. levamos a rentabilidade diária à rentabilidade anual.

e considerando que a incógnita agora é o preço. faVN zemos: PREÇO= 1+TAXA No entanto. ou seja. a LFT deverá render a taxa Selic mais 0. Na verdade. já que a taxa exigida é anual.000. VNA  R$1. No exemplo do texto do Tesouro. devemos substituir na 134 1+TAXA anual 252 1. e TAXA é o adicional por ano a ser recebido como rentabilidade além da taxa Selic. truncado na quarta casa decimal Onde DU é o número de dias úteis entre a data de liquidação do boleto bancário (inclusive) e a data de vencimento (exclusive).LFT A LFT tem o valor nominal corrigido pela taxa Selic. a taxa anual adicional é de 0. o cálculo para chegar ao seu preço é como segue: Considerando que o fator Selic entre 01/07/2000 e 21/03/2003 é 1.31%. a taxa Selic varia pouco em relação à meta determinada pelo COPOM.31% a.2733  252 134 = 879. PREÇO= 1+0.31%.2.43 3.0031) 212 252 =99. Letra Financeira do Tesouro .583. então.804863 .00  1 . No exemplo.583804863  R$1. e: PUC Minas 67 Sistema Financeiro Nacional . A abordagem seguinte segue a metodologia do Tesouro Nacional: A COTAÇÃO é o fator de multiplicação do Valor Nominal Atualizado (VNA = R$ 1. a LFT pode render mais um adicional garantido pela compra do título com deságio. e considerando que (1+TAXA anual) = 1+TAXA do período 134 equação acima: PREÇO= VN 252 e que 1+TAXA anual 252 = 1+TAXA do período  .definida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central).00 134 Então.58304863. a COTAÇÃO é: COTAÇÃO= 100 (1+0.3.000.a. O Banco Central atua no sentido de aproximá-la da meta. que é a taxa de rentabilidade dos títulos públicos no mercado aberto .Utilizando a relação PREÇO x (1+TAXA) = VN.7399 Para o título render 0. além da taxa Selic.000 x fator Selic) para se obter o PREÇO DE COMPRA do título de modo que se obtenha como rentabilidade a taxa Selic mais o adicional proporcionado pela compra com deságio. Além da correção pela taxa Selic. A COTAÇÃO é calculada da seguinte forma: COTAÇÃO= 100 (1+TAXA) DU 252 .

PREÇO=VNA×  COTAÇÃO/100 

Temos, então:

PREÇO=1.583,804863× 99,7399/100 , truncado na segunda casa decimal.
E, portanto, PREÇO=1.579,68 Para calcular a rentabilidade acima da taxa Selic que será obtida, dado o preço de mercado, fazemos:
  100 De (1) temos que: TAXA=   COTAÇÃO  
252 DU

-1

E de (2) obtemos: COTAÇÃO=

PREÇO×100 VNA
252 DU

 VNA  Substituindo (4) em (3), TAXA=    PREÇO 

-1

No exemplo, então:
 1.583,804863  TAXA=    1.579,68 
252 212

-1=0,0031046452597842140796470046803224 .

Esse número multiplicado por 100 nos dá a taxa em percentual, que é: 3,1% a.a.

3.3.3. Nota do tesouro Nacional - NTN A NTN tem o valor nominal corrigido por um indexador (IGP-M, IPCA, taxa de câmbio, etc.) e, além disso, pode proporcionar uma renda adicional proporcionada pela compra com deságio em relação ao valor nominal atualizado. Exemplos: NTN-C: o valor nominal é atualizado pelo IGP-M Veja, por exemplo, o título NTN-C 01122005, com as seguintes características: Data de compra: 20/11/2003 Data de liquidação: 21/11/2003 Valor na data-base (01/07/2000): R$ 1.000,00 Data de vencimento: 01/12/2005 Indexador para atualizar o valor nominal: IGP-M Pagamento de juros: 6% a.a. semestralmente

PUC Minas

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Sistema Financeiro Nacional

Relembramos que as datas de pagamento dos cupons são dadas retrospectivamente a cada seis meses a partir da data de vencimento. Se a data não for dia útil, o pagamento ocorrerá no primeiro dia útil subseqüente. Para avaliar o investimento no título, podemos deparar-nos com duas situações: 1) cálculo do preço de compra dada uma taxa de retorno requerida; 2) cálculo da TIR dado um preço de mercado. 1) Cálculo do preço de compra dada uma TIR de 30% a.a.. Primeiro, calcula-se o valor nominal atualizado até o dia 1o de novembro de 2003: VNA* = R$ 1.000 x fator de variação do IGP-M entre 01/07/2000 e o 1o dia de novembro de 2003. O fator de variação do IGP-M nesse período é 1,5846, obtido em <www.fgv.br><Produtos e serviços><Base de dados><Como obter índices><Séries gratuitas><Índice geral de preços do mercado – IGP-M – Fechamento mensal (% a.m.)>. Então: VNA* = R$ 1.000 x 1,5846 = R$ 1.584,60 Para atualizar o valor nominal até a data de liquidação do boleto (21/11/2003), a efetiva saída de caixa para realizar o investimento, calcula-se a parcela do período mensal em que será computada a variação do IGP-M. Então, temos que x =
21 = 0,7 . 30

O IGP-M projetado pelo mercado para o mês de novembro de 2003 é 0,5%, obtido em <www.bcb.gov.br><Economia e finanças><Indicadores de conjuntura><Indicadores econômicos consolidados><Estimativas de índices de preços> Então,

VNA=VNA*×1+0,005 

0,7

VNA=R$1.584,60×1,0050,7 =R$1.590,142

A Montagem do Fluxo de Caixa: A montagem do fluxo de caixa deve considerar o valor nominal como 1, pois não se pode saber qual vai ser o real valor de cada cupom e do valor nominal de resgate do título no vencimento, já que esses valores dependerão do IGP-M. Portanto será obtida a TIR real, ou seja, a taxa de retorno acima da inflação medida pelo IGP-M. Fluxo de caixa: Período De 21/11/03 a 01/12/03 De 21/11/03 a 01/06/04 De 21/11/03 a 01/12/04 De 21/11/03 a 01/06/05 De 21/11/03 a 01/12/05 Dias úteis 7 132 258 383 510

PUC Minas

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Sistema Financeiro Nacional

Data:
COTAÇÃO =

01/12/03
1,060,5 -1 (1,3)
7 252

01/06/04
+ 1,060,5 -1 (1,3)
+
132 252

01/12/04
+ 1,060,5 -1 (1,3)
+
258 252

01/06/05
+ 1,060,5 -1 (1,3)
+
383 252

01/12/05
+ 1,060,5 -1 (1,3)
+
510 252

01/12/05
+ 1 (1,3)
+
510 252

COTAÇÃO =

0,02956 (1,3)
7 252

0,02956 (1,3)
132 252

0,02956 (1,3)
258 252

0,02956 (1,3)
383 252

0,02956 (1,3)
510 252

1 (1,3)
510 252

COTAÇÃO=0,702971 PREÇO=VNA×COTAÇÃO

PREÇO=R$1.590,14×0,702971=R$1.117,82

Portanto, para que o investidor tenha uma taxa de retorno de 30% a.a. acima do IGP-M, o título deve ser comprado por R$1.117,82 2) Cálculo da TIR, dado o preço de mercado de R$1.500,00.

COTAÇÃO=
COTAÇÃO=

PREÇO VNA
1.500,00 =0,94331 1.590,14

Para calcular a TIR, fazemos:
0 = - COTAÇÃO + 1,060,5 -1 (1+TIR)
7 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
132 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
258 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
383 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
510 252

+

1 (1+TIR)
510 252

0 = - 0,94331 +

1,060,5 -1 (1+TIR)
7 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
132 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
258 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
383 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
510 252

+

1 (1+TIR)
510 252

Utilizando o Excel, chega-se à TIR de 10,97% a.a.

NTN-B: o valor nominal é corrigido pelo IPCA. O IPCA, índice de preços ao consumidor ampliado, do IBGE, é calculado do dia 15 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. Paga cupons semestrais de 6% de juros a.a. O valor na data-base, 15/07/2000, é R$ 1.000,00.

Exemplo com uma NTN-B com as seguintes características: Data de compra: 18/02/2008 Data de liquidação: 23/02/2008 Vencimento: 15/05/2011 Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1,6740078 IPCA projetado para fevereiro/2008: 0,53% Preço: R$ 1.652,28

PUC Minas

70

Sistema Financeiro Nacional

5  1 .00.  15/11/09 1060.26 31 VNA* = R$ 1.652. PUC Minas 71 Sistema Financeiro Nacional .00531.46 NTN-F: é prefixada.000 x 1.5  1 .047 685 252 1. x= 39 = 1.000.20 x 1.  1060.  1060.01 x 1. COTAÇÃO  1060.7%. chega-se à TIR de 6.02865 PREÇO = R$ 1.  15/11/08 1060.  15/11/10 1060.a.5  1 .5 .685.685.02865 = R$ 1.01 VNA = R$ 1.  1060.5  1 .  15/05/10 1060.  1060.Período De 23/02/08 a 15/05/08 De 23/02/08 a 15/11/08 De 23/02/08 a 15/05/09 De 23/02/08 a 15/11/09 De 23/02/08 a 15/05/10 De 23/02/08 a 15/11/10 De 23/02/08 a 15/05/11 Dias úteis 55 186 308 435 559 685 810 x = nº de dias entre a data da liquidação da compra e o dia 15 do mês anterior sobre o nº de dias entre os dias 15 de cada mês.28 = 0.a.  1060.20 Data: 15/05/08 0.5  1 .  15/05/09 1060.98 1.733.6740078 = R$ 1. o título deve ser comprado por R$1.047 186 252 1.5  1 .5  1 .047 559 252 1. sobre o valor de face de R$ 1.047 435 252 1.685. para que o investidor tenha uma taxa de retorno de 4.20 COTAÇÃO  1.5  1 .  1060.45%.733. 1.5 .047 55 252 1.5  1 .674.5  1 . acima do IPC-A.674.7% a.  15/05/11 1060. Calcule o preço da NTN-B acima para uma taxa exigida de 4. Paga cupons de juros semestrais de 10% a.047 308 252 1.46 Portanto.5  1 .5  1 . 1  TIR55 252 1  TIR186 252 1  TIR308 252 1  TIR435 252 1  TIR559 252 1  TIR685 252 1  TIR810 252 Utilizando o Excel.047810 252 COTAÇÃO = 1.26 = R$ 1.98  1060.

considere que o título foi comprado em 01.6.4.00.5  1 . 247 252  1.8795.000  110.000  110. 1125 .5  1 . vencimento em 18. Para o cálculo da taxa de retorno. 252 3.000  110.5 .. em 17/10/01.000  110. 498 1125 . R$2. com 12% de juros a. Nota do Banco Central do tipo E (com correção cambial) .02.07.2000 por R$ 980.m. 1  TIR119 252  1.20  1. de um investimento em NBCE.04.000. Montagem do fluxo de caixa: Fluxos de caixa levados à data de vencimento: PUC Minas 72 Sistema Financeiro Nacional .NBC-E A NBC-E não é mais emitida após a proibição do Banco Central emitir títulos próprios. em 17/4/01.000  110. chega-se à TIR de 13.4.000  110.2002. Calcule o preço da NTN-F acima para uma taxa exigida de 12. R$2. em 17/10/00.5  1 . 1  TIR498 252 Utilizando o Excel.5  1 . que a rentabilidade líquida oferecida no mercado financeiro para aplicação dos cupons (juros) recebidos é de 1.5% a. 371 252  1.000  110.00 e que a taxa de câmbio em 30.5  1 .000  110.71 252 1125 .10. 119  1.08. Mas vejamos a seguir um exemplo desse tipo de título.00. com variação cambial.8/US$.Exemplo com uma NTN-F com as seguintes características: Data de compra: 08/01/2006 Data de liquidação: 09/01/2006 Vencimento: 01/01/2008 Preço: R$ 946. utilizando o método da TIRM.a. PREÇO = R$ 961. que os cupons começam a ser pagos em 18. R$2.5 .a.3165/US$.5%.6% a. 1125 . R$1. data-base em 01.00 era R$1.20 Período De 09/01/06 a 01/07/06 De 09/01/06 a 01/01/07 De 09/01/06 a 01/07/07 De 09/01/06 a 01/01/08 Dias úteis 119 247 371 498 946.5  1 . com valor nominal R$ 1.188/US$. 1  TIR371252  1. 1  TIR247 252  1.7211/US$ e em 17. e amortização única no vencimento.2000.3. PREÇO  1. pagos semestralmente (juros simples). sobre o valor nominal atualizado.

comprada em 04/01/05.8 taxa de câmbio 30/06/00 Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 72.000 x 0.06 = 90.57: 625 VP×1.57  625 -1 ×100 = 34. portanto.00 e vencimento em 01/10/05. 365    1635.96 1. considere que o investidor exige uma rentabilidade de 50% a.364.364. recolhiPUC Minas 73 Sistema Financeiro Nacional .016 18 = 83.635.a.000×1.06 = 72.16 1.10. calcule a rentabilidade líquida anual. Considere que a liquidação da compra se dá no dia seguinte à transação e que há a cobrança de imposto de renda de 20%.4.57 625 1.4.37+88.10.8 taxa de câmbio 30/06/00 Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 62.10.00.7211 ×1.77+1.70 * 1.70 1.8795 ×1.77 4) Cupom + Amortização no vencimento: = taxa de câmbio17/4/02 2.27 3) Cupom em 18.00        Para o título anterior.3.06 = ×1.016 6 = 99.8 taxa de câmbio 30/06/00 Valor final do investimento em 18/4/02: 83.00 = Valor nominal atualizado em 18.96 * 1.27+99.01 = Valor nominal atualizado em 18.a.8 taxa de câmbio 30/06/00 Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 90. consideramos que o investimento foi feito em 01/8/00 e que até 18/4/02 há 625 dias.000×0. O período do investimento é.06 = 1. Como o preço é o valor presente da aplicação que lhe pagou. utilizando o método TIRM: Para obter a taxa anual. TIRM =   980.65 * 1. Calcule o preço que pagou por ele.01 = Valor nominal atualizado em 18.06 = = taxa de câmbio17/4/01 2.5 365 =1635.06 = ×1. a razão entre 625 e 365 dias.06 = 62.000 x 0.01 x 0.1) Cupom em 18.5.06 = ×1. por R$ 850.000×0.000×0. VP= 1635.57 .65 1.57 Taxa de retorno.000 x 1.00 x 0.06 = = taxa de câmbio17/10/00 1. Exercícios Exercícios Resolvidos 1) Considerando uma LTN com valor de face de R$1. Então.3165 ×1.87% a.10. R$ 1635.16 = 1.85 3.1888 ×1.01612 = 88.06 = = taxa de câmbio17/10/01 2. Logo.06 = ×1.000.5 365 = R$ 816.37 2) Cupom em 18.000 x 0.01 x 0. em 18/4/02.

br> .Taxa anual acima da Taxa Selic: 1% (taxa que o comprador exige.bcb. calcule o preço de compra.1261252  98.Fator Selic entre 01/07/2000 e 05/01/2005: 2.9747 / 100) PREÇO = R$ 2.a.000.167. esse cálculo só pode ser feito no vencimento.00 1 0. .16701 = R$ 2.1959  19.Dias úteis entre 05/01/2005 e 18/01/2006: 261 . COTAÇÃO  100 25 1 0.00 .R$ 850.do na fonte para aplicações com prazo entre 181 e 360 dias e que há 186 dias úteis entre 05/01/05 e 01/10/05.a.Data de liquidação: 05/01/2005 . Em seguida.00 970. Economia e Finanças -> Selic – Mercado de títulos públicos -> Taxa Selic -> Variação PUC Minas 74 Sistema Financeiro Nacional .01 x (98.6% a.2 186 252 = 874.Data de compra: 04/01/2005 .144.79 25 Obtido na página do Banco Central: <www.00  970.9747 VNA = R$ 1. Obs: a informação sobre a cobrança do imposto de renda é para que se saiba que a rentabilidade anual (taxa Selic + 1%) deverá ser multiplicada por 0.000 .1670101039984884 Considere que se paga 20% de imposto de renda retido na fonte para aplicações com resgate entre 361 e 720 dias.850. Uma vez que o rendimento é pós-fixado.Data de Vencimento: 18/01/2006 .000. Preço = 1.00) x 0.00  252 186  1  0.00 Fluxo de caixa: 05/01/05 01/10/05 . Não obstante pode ser feita uma previsão.000. dada uma rentabilidade bruta exigida de 20% a.09 2) Para a LFT abaixo. Cálculo do imposto de renda: (R$ 1.Valor na data-base: (01/07/2000): R$ 1.00 x 2. calcule o preço de compra. ou o mercado oferece na compra com deságio) . pois só aí saberemos qual foi a taxa Selic.01 PREÇO = R$ 2.8 para que se calcule a rentabilidade líquida.167.00  Rentabilidade =    850.2 = R$ 30.gov.

00431.060. 4) Calcule o preço da NTN-B com as seguintes características: Data de compra: 18/02/2009 Data de liquidação: 19/02/2009 Vencimento: 15/05/2011 Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1.43% TIR: 5.01 TAXA     2.5% a.167.03 x 1.13= R$ 1.0218 = R$ 1.13 31 Dias úteis 58 189 311 438 562 VNA* = R$ 1.057562 252 COTAÇÃO = 1.5  1  1.0218 PREÇO = R$ 1.  2.057189 252 1.057311252 1.03 COTAÇÃO  1.8002803 IPCA projetado para fevereiro/2009: 0.5  1  1.848.050.2803 VNA = R$ 1.060.000 x 1.00 252 261  1  0.800.060.060.8002803 = R$ 1.800.2803 x 1.a.00.47 5) Calcule o preço da NTN-F com as seguintes características: Data de compra: 08/01/2006 Data de liquidação: 09/01/2006 Vencimento: 01/01/2008 PUC Minas 75 Sistema Financeiro Nacional .809.7% Período De 19/02/09 a 15/05/09 De 19/02/09 a 15/11/09 De 19/02/09 a 15/05/10 De 19/02/09 a 15/11/10 De 23/02/08 a 15/05/11 x= 35 = 1.055  5.3) Se o mesmo título está sendo oferecido no mercado por R$ 2.050.5  1  1. calcule a rentabilidade acima da taxa Selic que proporcionará a compra por esse preço.809.05785 252 1.5 1.5  1  1.057438 252 1.060.

5 .2000. ajustados pela taxa de rentabilidade do mercado financeiro e. 371 252  1. PUC Minas 76 Sistema Financeiro Nacional . em 17/10/00.96 252 1105 .85 2) Cupom em 18. utilizando o método da TIRM26.06 = taxa de câmbio 2. 1105 .3165/US$.00.6.01 = Valor nominal atualizado em 18.000  0. O prazo é 625 dias corridos. 252 6) Considere um investimento em NBCE.8/US$. Calcule a taxa de retorno.08. R$2.000  0.96 * 1. 119  1.4.017 12 = 89.1888 17/04/01  1.m.TIR: 10. e calcule o preço que pagou por ele.4.06   1. e amortização única no vencimento. com 12% de juros a. em 17/10/01.06  62.7211/US$ e em 17.2002.5  1 . em 17/4/01.02.5  1 .a. 247 252  1.000.000  0.04.017 18 = 84.06  72.2000 por R$ 980. pagos semestralmente (juros simples).06 = taxa de câmbio 18795 .5% Período De 09/01/06 a 01/07/06 De 09/01/06 a 01/01/07 De 09/01/06 a 01/07/07 De 09/01/06 a 01/01/08 Dias úteis 119 247 371 498 PREÇO  1. R$2.000  110. R$1. com valor nominal R$ 1.00 = Valor nominal atualizado em 18.a.06   1.01 x 0. incidentes sobre o valor nominal atualizado.07.10. Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 62. Considere ainda que o investidor exigiu uma rentabilidade de 30% a. 498 1105 . 1105 .00.96 taxa de câmbio30/06/00 18 . R$2. 17/10/00  1.000  110. data-base em 01.65 taxa de câmbio30/06/00 18 .7% a.8795.000  110. com o valor final do investimento. A taxa de câmbio em 30.31 26 Para calcular a TIRM (taxa interna de retorno modificada) deve-se levar os fluxos de caixa positivos para o fim do período.65 * 1. A rentabilidade líquida obtida pela aplicação no mercado financeiro é 1.4. vencimento em 18. PREÇO = R$ 993.188/US$.5  1 .00 era R$1. Fluxos de caixa levados à data de vencimento: 1) Cupom em 18. Considere que o título foi comprado em 01.10. chegar à taxa anual de retorno.00 x 0.000  0.000  110. Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 72.

638.10. recolhido na fonte e que há 84 dias úteis entre 23/03/04 e 20/07/04.3) Cupom em 18.638.000 106  1.53% a. preço = 908.00 e vencimento em 20/07/04.  1.7211 17/10/01  1.70 taxa de câmbio30/06/00 18 .Data de liquidação: 21/03/2004 PUC Minas 77 Sistema Financeiro Nacional .045.364. dada uma rentabilidade exigida de 33. utilizando o método TIRM: Para obter a taxa anual.638. calcule o preço de compra.67 Cálculo da taxa de retorno. O período do investimento é. portanto. TIRM =    980. Respostas: rentabilidade = 7. Valor final do investimento em 18/4/02: 84.70 * 1.000  0.67  625  1  100 = 35. Considere que a liquidação da compra se dá no dia seguinte à transação e que há a cobrança de imposto de renda de 22.364.000  0.67 13 .06  90. .64 Exercícios Propostos 1) Considerando uma LTN com valor de face de R$1.10.00.35 4) Cupom + Amortização no vencimento: taxa de câmbio 2.a.01% a.Data de compra: 20/03/2004 .35 + 1.31 + 100.000  106  . comprada em 22/03/04.85 + 89.01 = Valor nominal atualizado em 18.a. calcule a rentabilidade líquida anual.3165 17/04/02  1.5%. 365    1.16 = 1.16 . por R$ 970. Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 90.36% a. consideramos que o investimento foi feito em 01/8/00 e que até 18/4/02 há 625 dias. 625 365 = 1..06 = taxa de câmbio 2.000.00       Cálculo do preço: VP  1.06   1.11 2) Para a LFT abaixo.a. taxa de câmbio30/06/00 18 .017 6 = 100. Em seguida. calcule o preço de compra. a razão entre 625 e 365 dias.01 x 0.

500.Dias úteis entre 21/03/2004 e 20/07/2004: 86 . Resposta: taxa = 17.93.5% de imposto de renda retido na fonte.. Uma vez que o rendimento é pós-fixado.9216853 Considere que se paga 22.Taxa anual: 8% (taxa que o comprador exige.80 3) Se o mesmo título está sendo oferecido no mercado por R$ 2.00 .43% TIR: 8.8 para que se calcule a rentabilidade líquida. Resposta: preço = R$ 2.Data de Vencimento: 20/07/2004 .8002803 IPCA projetado para fevereiro/2009: 0.727. 4) Calcule o preço da NTN-B com as seguintes características: Data de compra: 18/02/2009 Data de liquidação: 19/02/2009 Vencimento: 15/05/2011 Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1. pois só aí saberemos qual foi a taxa Selic. Obs: a informação sobre a cobrança do imposto de renda é para que se saiba que a rentabilidade anual (taxa Selic + 8%) deverá ser multiplicada por 0. como feito na Unidade 03. esse cálculo só pode ser feito no vencimento.5% Período De 19/02/09 a 15/05/09 De 19/02/09 a 15/11/09 De 19/02/09 a 15/05/10 De 19/02/09 a 15/11/10 De 23/02/08 a 15/05/11 Resposta: R$ 1. calcule a rentabilidade acima da taxa Selic que proporcionará a compra por esse preço.53% a.24 Dias úteis 58 189 311 438 562 5) Calcule o preço da NTN-F com as seguintes características: PUC Minas 78 Sistema Financeiro Nacional .Fator Selic entre 01/07/2000 e 21/03/2004: 1. ou o mercado oferece na compra com deságio) . Não obstante pode ser feita uma previsão.807.Valor na data-base: (01/07/2000): R$ 1.750.a.

e amortização única no vencimento.36 Dias úteis 119 247 371 498 6) Considere um investimento em NBCE. R$1. Rendimento: juros prefixados e pagam 20% de IR sobre o rendimento.00 era R$1.m. utilizando o método da TIRM. em 17/10/00.6.7211/US$ e em 17. em 17/10/01. O prazo é 625 dias corridos. R$2.a.2000. incidentes sobre o valor nominal atualizado. Certificado/Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB) Títulos de renda fixa.07.08. em que a taxa efetiva é calculada da seguinte forma: 27 Taxa over = Taxa linear mensal capitalizada pelos dias úteis.4.8/US$. com valor nominal R$ 1. vencimento em 18.2000 por R$ 1.5% Período De 09/01/06 a 01/07/06 De 09/01/06 a 01/01/07 De 09/01/06 a 01/07/07 De 09/01/06 a 01/01/08 Resposta: R$ 916.385.04. R$2. Considere ainda que o investidor exigiu uma rentabilidade de 33.a.96% a. Finalidade: lastrear operações de financiamento de capital de giro. data-base em 01.64 3.a.. emitidos pelos Bancos Comerciais/Múltiplos e de Investimento. em 17/4/01.3165/US$. e calcule o preço que pagou por ele.53% a. PUC Minas 79 Sistema Financeiro Nacional . Considere que o título foi comprado em 01. pagos semestralmente (juros simples).8795.4.Data de compra: 08/01/2006 Data de liquidação: 09/01/2006 Vencimento: 01/01/2008 TIR: 15. Respostas: TIRM = 35. com 10% de juros a. Calcule a taxa de retorno. R$2.2002. preço = 1.1. PRODUTOS DE APLICAÇÃO (INVESTIMENTO) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINAN- CEIRO E EMPRESAS 3.500.02. A rentabilidade líquida obtida pela aplicação no mercado financeiro é 1% a.4.188/US$. O CDB também pode pagar taxa over27.00.00. A taxa de câmbio em 30.045. A diferença entre CDB e RDB é que este não pode ser transferido por endosso nominativo e aquele pode.

a taxa over e du. no período é dada por:  Overd1   Overd2  TE  1   1  100   100       Overd3   1   100        1  100     3. A taxa efetiva é calculada. A rentabilidade.2. já que eliminam a intermediação bancária. Têm como vantagens o baixo custo financeiro e a maior agilidade para obter os recursos. Rendimento: juros definidos pela taxa over. Overm1 Taxa Over ao dia no dia 1: Overd1  30 Overm2 100  100 Taxa Over ao dia no dia 2: Overd2  30 Overm3 100  100 Taxa Over ao dia no dia 3: Overd3  30 100  100 em que Overd1 é a taxa over diária no dia 1 e Overm1 é a taxa over mensal no dia 1. considerando que a taxa over considerada é a de cada dia e que o valor é reaplicado diariamente. over. então.du     over100       TE   1   1  100    30           sendo TE a taxa efetiva no período. portanto. Commercial Papers Títulos emitidos pelas empresas e negociados no mercado.4. Ve é o valor de emissão e P é o preço de compra do título.4. 3. é dada a partir do seguinte cálculo: Re  Ve  P  100 P em que Re é a rentabilidade. Certificado de Depósito Interfinanceiro . PUC Minas 80 Sistema Financeiro Nacional . Finalidade: lastrear operações no mercado interfinanceiro. A taxa efetiva.(CDI) Títulos emitidos pelas instituições financeiras.3. Isento de IR. Finalidade: financiar o capital de giro Rendimento: compra com deságio sobre o valor de emissão. o número de dias úteis da compra do título até seu vencimento.

5% e que.4.a. Considere que o investidor aplicará. Exercícios Exercícios Resolvidos 1) Calcule a taxa efetiva líquida anual para aplicação nos dois tipos de CDBs abaixo. 3. o desconto é por dentro.a.08% a. emitida pelo prazo de 3 meses. o valor nominal – de resgate – é o resultado da soma do valor apli- PUC Minas 81 Sistema Financeiro Nacional .4.m. Finalidade: adiantamento de um crédito futuro Rendimento: deságio sobre o valor do crédito em dólar.2% a.4. que o imposto sobre a renda de aplicação financeira pelo prazo de 361 a720 dias é 17. há 252 dias úteis. Export Note Títulos para cessão de créditos de exportação. nesse período. Finalidade: financiar projetos de financiamento (capital fixo e capital de giro) Rendimento: dado pelo cálculo da TIR de um fluxo de caixa futuro oferecido pelo papel. tc R é a taxa de câmbio na data do resgate e tcC é a taxa de câmbio na data da compra do título.3.5.825 = 11. P é o preço de compra em dólares.000. a) CDB que paga 1. 2) Calcule a taxa efetiva líquida de uma aplicação em uma Export Note.2% a.01212 – 1) x 100 x 0.a.m.6. ou seja. Debêntures Títulos de longo prazo emitidos por companhias de capital aberto e que podem ser conversíveis em ações.5% a.m. 252   15  .00 e taxa de desconto de 20% a.4.825 = 12. a) (1. (no contrato da Export Note. emitidos por exportadores que venderam a prazo.   30          A melhor alternativa é a do CDB que paga 1. por um ano. apontando a melhor alternativa de investimento.  Ve  tc R   Re    P  tc  1  100 C   em que Ve é o valor de emissão em dólares.    100   b)  1    1  100 x 0. 3. com valor nominal de U$ 15.7% a. b) CDB com taxa over de 1.

sobre o valor de emissão.82% a.000 = US$ 14.10/US$.41% 3) Calcule a TIR de uma debênture conversível em 100.000 240.12172 – 1) x 100 = 25.014.000 Cfj 3 Nj 3.88% a.600. emitida pelo prazo de 6 meses.500.s. Juros= 0.000 3.a.941/US$ e. b) rentabilidade = 9. Respostas: a) rentabilidade = 10.000.27%  42. no momento da operação. que a alíquota de imposto sobre a renda de aplicação financeira por prazo menor que 180 dias é 22. ainda. o valor nominal – de resgate – é o resultado da soma do valor apliPUC Minas 82 Sistema Financeiro Nacional .00. por dois anos.000 x 36. Considere que o investidor aplicará. convertendo em ações = 100.000.000.285.840. o desconto é por dentro.a.00  46.000. Exercícios Propostos 1) Calcule a taxa efetiva líquida anual para aplicação nos dois tipos de CDBs abaixo. Melhor alternativa: a 2) Calcule a taxa efetiva líquida de uma aplicação em uma Export Note.00 = 3.a.1/US$ = R$ 46. era de R$ 2.08274 –1) x 100 = 37.000 = 240.00  Rentabilidade líquida no período (três meses) =  1 x 100 x 0. ou seja.08 x 3.000 .a.27 Valor resgatado em R$ = U$ 15.000. que o imposto sobre a renda de aplicação financeira por mais de 720 dias é 15% e que.000. A previsão de preço da ação para daqui a dois anos é R$ 36.5%.000 Resgate. Considere que a taxa de câmbio.3.17% ao semestre => (1.285. Considere.0. há 504 dias úteis.500. nesse período. apontando a melhor alternativa de investimento. que paga Amortização ao final e juros de 8% a. Observe que.00. com valor nominal de U$ 25. utilizando-se de juros simples.71 x R$ 2. passou para R$ 3.014.000 240. a taxa de desconto é calculada.000    0 1 i1 1 i2 1 i3 1 i4 Cálculo Utilizando a HP 12-C: 3.775 = 8.000 CHS Cf0 240. no dia do resgate.000 Cfj IRR TIR = 12. comprada por R$ 3.cado com a taxa de desconto aplicada a este valor).71  20    1   100  3   12    Valor aplicado em R$ = U$ 14.840. (no contrato da Export Note. com vencimento em dois anos.00 e taxa de desconto de 17% a.00 x R$ 3.8% a.000.000 ações.000 240. Valor aplicado = 15.27  Rentabilidade líquida anual: (1. nesse caso também.941/US$ = R$ 42.. em 30/03/2004.

000 ações.cado com a taxa de desconto aplicada a este valor).000. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO (EMPRÉSTIMOS) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINANCEIRO E EMPRESAS Veremos a seguir títulos que servem para captação e o importante aqui é poder comparar as alternativas para obter o crédito mais barato. 3.5% 3) Calcule a TIR de uma debênture conversível em 100.18% ao semestre => 19. tendo como referencial a taxa CDI acrescida de um spread.000041 p   TAC           100       30               PUC Minas 83 Sistema Financeiro Nacional . no dia do resgate.5. 3.2% a.000.a. Observe que. Desconto de Duplicatas e Notas Promissórias Operação com desconto simples por fora (incidindo sobre o montante da dívida). Assim. Paga IOF calculado diariamente. Resposta: rentabilidade líquida no período (seis meses) = 11. no momento da operação.0041% ao dia sobre o valor nominal) e uma taxa de abertura do crédito (TAC). Finalidade: financiar capital de giro. que paga Amortização ao final e juros de 6% a.00. em 30/03/2004. a taxa de desconto é calculada. o custo efetivo é calculado da seguinte forma: 30     P          VN  CE    1  100     d     VN 1  100  p   0. sobre o valor de emissão.5%. Hot Money Operações de curtíssimo prazo (um dia) Finalidade: necessidades imediatas de caixa das empresas.10/US$. Considere que a taxa de câmbio.5. comprada por R$ 3.5.1. que a alíquota de imposto sobre a renda é 22. passou para R$ 3. A previsão de preço da ação para daqui a dois anos é R$ 32.941/US$ e.2. Considere. 3.00. Resposta: TIR = 9.13% Rentabilidade líquida anual = 23. era de R$ 2. com vencimento em dois anos. Custo: O custo efetivo é maior que a taxa da operação. utilizando-se de juros simples. Custo: juros. ainda.s. nesse caso também. pois ainda se cobra IOF (0.

Essa forma de calcular não pode ser confundida com fórmula. Securitização de Recebíveis Títulos emitidos garantidos pela caução de recebíveis (vendas a prazo de uma empresa). da taxa de abertura de crédito e do IOF. A organização do cálculo apresentada acima é uma simplificação dos cálculos do desconto.5. subtraindo dele os valores a serem subtraídos. d é a taxa de desconto a ser aplicada. Commercial Papers Títulos emitidos pelas empresas e negociados no mercado. 3.5. Finalidade: financiar capital de giro. a taxa de desconto. Finalidade: adiantamento de um crédito futuro. p. que podem ser emitidos por exportadores que venderam a prazo. d. a taxa de abertura de crédito. VN.5. aplicados sobre o valor nominal do título e do custo efetivo. Colocamos em evidência o valor nominal do título.  Vn  tc V Ce    1 d Vn  tc  C      1  100     em que Vn é o valor nominal da emissão. período desde a efetivação do desconto até o vencimento do título e TAC.em que CE é o custo efetivo. passo a passo. 3. Custo: desconto oferecido “por fora” sobre o valor nominal do título. já que elimina a intermediação bancária. calculando os valores a serem subtraídos para chegar ao valor captado. chegando ao valor captado e comparando-o ao valor do título para chegar ao custo efetivo. d é a taxa de desconto e dl é o percentual sobre o valor de emissão que corresponde à despesa de lançamento.5. 3. pois o cálculo pode ser feito de forma mais demorada. Têm como vantagens o baixo custo financeiro e a maior agilidade para obter os recursos.3. o valor nominal do título. PUC Minas 84 Sistema Financeiro Nacional .4. Finalidade: financiar o capital de giro Custo: desconto oferecido “por fora” (sobre o valor de emissão) mais despesas de lançamento O custo efetivo será calculado da seguinte forma:    Ve Ce    1 d  dl Ve   1  100     em que Ve é o valor de emissão. tc V é a taxa de câmbio na data do vencimento e tcC é a taxa de câmbio na data da comercialização do título. Export Notes Títulos para cessão de créditos de exportação.

0. Observe que o desconto é feito por fora. No contrato do Commercial Paper. prazo de 120 dias. o desconto é por fora. em 30/03/2004.6 Exercícios Exercícios Resolvidos 1) Calcule o custo efetivo de uma captação feita por uma empresa.000.276. custo efetivo anual = 26. o desconto é por fora.12983 – 1) x 100 = 44.00. com taxa de desconto de 7% ao trimestre.276.24% 2) Calcule o custo efetivo do desconto de duplicata com valor nominal de R$ 100. é aplicado sobre o valor nominal (de face).000041 120  0.104.000. despesas de lançamento de 1% sobre o valor de captação e vencimento em 30/06/2004.01) = R$ 1..07 . Valor captado = R$ 1.00 x (1 . taxa de desconto de 4. com taxa de desconto de 10% ao semestre.0. taxa de desconto de 2. prazo de 120 dias.m. por meio da emissão de um Commercial Paper de valor nominal R$ 1.5. Resposta: custo efetivo no período (três meses) = 12.00 00   1.0041% ao dia.20 Valor captado = 15.000. taxa de abertura de crédito de 1% sobre o valor nominal e PUC Minas 85 Sistema Financeiro Nacional .08694 – 1) x 100 = 39.000  1          30       15.21% Exercícios Propostos 1) Calcule o custo efetivo de uma captação feita por uma empresa.104.5% a.000. ou seja. Custo efetivo no período (três meses) =  1 x 100 = 8. ou seja.200.000.36%. aplicado sobre o valor nominal (de face) do título.200.01  = 13. despesas de lançamento de 1% sobre o valor de captação e vencimento em 30/06/2004.   2.5% a.00.000. por meio da emissão de um Commercial Paper de valor nominal R$ 1.20  Custo efetivo anual = (1.5     100  120  0.56% 2) Calcule o custo efetivo do desconto de duplicata com valor nominal de R$ 15. No contrato do Commercial Paper.000.000. ou seja.000.00  Custo efetivo no período (120 dias) =  1 x 100 = 12.69% 00   1. aplicado sobre o valor nominal (de face) do título.3.m.000.00. Custo efetivo anual = (1.00. em 30/03/2004..98%  13.200. taxa de abertura de crédito de 1% sobre o valor nominal e IOF incidente sobre a operação de 0.

para financiar a liquidez de empresas financeiras e não financeiras. os Coporate Bonds e as Mortgage Backed Securities (Letras Hipotecárias).tesouro. MERCADO INTERNACIONAL DE RENDA FIXA No mercado internacional de renda fixa pode ser feita a classificação por prazo de vencimento.0041% ao dia. não pagam juros e fornecem a rentabilidade por meio da compra com deságio.2.br/divida_publica/downloads/bradiescaracteristicas_prn.pdf http://www.IOF incidente sobre a operação de 0. Os principais títulos públicos brasileiros negociados no mercado internacional estão divididos em dívida renegociada (títulos oriundos da renegociação da dívida externa. Temos o mercado de curto prazo. Observe que o desconto é feito por fora.63% 3. geralmente. é aplicado sobre o valor nominal (de face). onde são negociados títulos públicos e privados. prazos superiores necessitam de autorização da Security Exchange Commission (SEC). Para conhecer as características desses títulos acesse. 3.com o objetivo de diminuir o risco país. e 28 Esses títulos estão sendo objeto de recompra pelo Tesouro Nacional. Money Market Os títulos negociados no mercado monetário.1. 3. e há o mercado de médio e longo prazo. Os produtos mais comuns negociados nesse mercado são os Treasury-Notes & Bonds. PUC Minas 86 Sistema Financeiro Nacional . custo efetivo anual = 91.fazenda.br/divida_publica/downloads/soberanosinternet. Empresas brasileiras têm feito emissões de commercial papers no mercado internacional.6. são vendidos com deságio sobre o valor de face.6.fazenda. geralmente. finalizada em 1994)28 e captações soberanas. No mercado americano.6. que. No mercado de títulos públicos há a atuação. chamados de cupons. estão os títulos de médio e longo prazo.tesouro. nos Estados Unidos. Os títulos do mercado de capitais que não pagam cupons são chamados de Zero Coupon Bonds têm a mesma estrutura dos títulos de curto prazo. http://www. chamado de Money Market. pagam juros periódicos.21%.gov. Capital Market No mercado de capitais.gov. pode ser utilizado como instrumento de captação tanto por empresas financeiras quanto por não financeiras. para financiar investimentos de médio e longo prazo. Resposta: custo efetivo no período (120 dias) = 24. do FED. ou seja. através da negociação dos FED FUNDS. ou seja. O prazo máximo desses papéis no mercado americano é de 270 dias. Dentre os títulos públicos emitidos há as Treasury Notes (T-Notes) e os Treasury Bonds (T-Bonds) emitidos pelo Tesouro Americano. respectivamente. onde também são negoci ados títulos públicos e privados. para praticar a política monetária. títulos de emissão própria.xls. No mercado de títulos privados o mais negociado é o Commercial Paper. as emissões são feitas sem a necessidade de brokers.

São Paulo: Atlas. que paga juros semestrais de 11% a.M1) x 30 + (D2 – D1). D2. Porto Alegre: Bookman..8621 Valor de liquidação = 1. como a Libor). R. a fim de calcular os juros pró rata. 2001. Fundamentos de Investimento. Z. A. A2 o ano subseqüente.000). fica como 30.86211 = 1.br PUC Minas 87 Sistema Financeiro Nacional . Globais A cotação dos globais é feita como percentagem do seu preço. em 19/04/05. nem o último dia de fevereiro. Convertible & Exchangeable Bonds (podem ter a opção de serem conversíveis em ações). Então: d = (2005 – 2005) x 360 + (4 – 2) x 30 + (22 – 17) = 65 Preço (cotação) = 1. J. São Paulo: Prentice Hall. de modo que a data da liquidação foi em 22/04/05. nem 30. D2 fica 1. Exemplo: compra de Global 40 (título público brasileiro com maior volume disponível no mercado). se for o caso.002. Deve-se acrescentar os três dias úteis para a liquidação. Commodity-Linked. Floating-Rate (indexados a alguma taxa de juros. ed.tesouro.fazenda. da compra.gov.a. M2 torna-se o mês subseqüente e.002. 2003. 3ª ed. Onde: d = número de dias entre as datas inicial e final. 1ª. Mercado financeiro / 4a. São Paulo: Atlas.A. R. BODIE. de modo que d = (A2 – A1) x 360 + (M2. mês e ano da data inicial. www. FARIA. O último pagamento de cupom foi em 17/02/05. Administração Financeira. convencionando 30/360. por 100+ ¼. S. mês e ano da data final.25 / 100 = 1.3611 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSAF NETO. 2ª ed. 2000.000 = 19. de.5 + 19. Com as seguintes ressalvas: 1) se D1 for 31 ou o último dia de fevereiro. D1. Na convenção 30/360. os meses têm 30 dias. calcula-se juros pró rata sobre o valor de face (US$ 1. 2005. Sinking-Fund Provision (podem exigir as retiradas periódicas de parcelas do principal).5 Juros pró rata = 11% x 65/360 x 1.022. D2 fica como 30. 2002 SECURATO. Mercado Financeiro e Análise de Investimento. Mercado financeiro: instrumentos e operações. 2) se D2 for 31 e D1 for 31. ISBN 85-87918-x ROSS. 30 ou o último dia de fevereiro.Nos Corporate Notes & Bonds há vários tipos como: Taxa Fixa (Fixed-Rate). São Paulo: Saint Paul. 3) se D2 for 31 e D1 não for nem 31. G. utilizando-se de juros simples. Callable & Putable Bonds ( podem ser cancelados antes do vencimento pelo emissor). 282p. ISBN: 85-98838-08-X. M2 e A2 = dia. M1 e A1 = dia.000 x 100. considerando os dias corridos entre a data de pagamento do último cupom e a data atual. Caso a data da compra não coincida com a data de pagamento de cupom.

nos resultados da economia. na medida em que viabiliza capital para investimentos produtivos. Os contratos de underwriting podem ser dos tipos:  Firme: as instituições subscrevem integralmente a emissão de ações e depois tentam repassá-las para o público  Residual ou com garantias de sobras (stand-by): o intermediário financeiro comprometese a colocar as sobras de ações para o público por um determinado período de tempo e. Desse modo. mais especificamente ações e debêntures negociadas pelas companhias de capital aberto. INTRODUÇÃO O Mercado de Capitais é considerado como o mercado onde se negociam títulos para o financiamento de capital fixo (investimento de longo prazo). direito de PUC Minas 88 Sistema Financeiro Nacional . MERCADO DE CAPITAIS (renda variável) 4. A existência do mercado de capitais favorece o desenvolvimento econômico. contribuindo também para a formação de poupança privada e sua canalização para a produção.1. 4. subscrever  Melhores esforços (best-efforts): o intermediário financeiro compromete-se em colocar as ações por um período de tempo. oferecendo a oportunidade dos indivíduos participarem dos lucros das empresas.2. A negociação pode acontecer das seguintes formas: Subscrição particular: feita totalmente pelos antigos acionistas (diretamente na empresa ou em bolsa de valores) Subscrição pública (underwriting): um intermediário financeiro é contratado para colocação dos títulos no mercado. ocorre a primeira negociação do título (subscrição). aumenta a participação coletiva na riqueza. após. MERCADO DE AÇÕES Mercado Primário No mercado primário. que permite a capitalização das empresas.4. sem a obrigação de comprá-las As ações podem ser negociadas como:  Ordinárias ou comuns: direito de participação na administração da sociedade. As ações são a menor parte do capital social de uma empresa de capital aberto.

voto  Preferenciais: não têm direito a voto. no mínimo 25% Bonificações: capitalização de reservas e/ou resultados. com base no fluxo de caixa esperado  Valor de liquidação: valor avaliado em caso de encerramento das atividades da companhia  Valor de subscrição: preço de emissão Mercado Secundário A função do mercado secundário é dar liquidez ao investidor. as ações ficam fora da garantia e do controle da bolsa de valores PUC Minas 89 Sistema Financeiro Nacional . Os resultados financeiros do investimento em ações são os seguintes:    Dividendos: distribuição do lucro líquido – pela lei. De acordo com a lei das S/A. mas gozam de privilégios na distribuição de dividendos. com distribuição de novas ações Alterações no valor nominal/substituições: aumento do valor nominal. Os mercados onde ocorrem as negociações são:  Mercado de balcão: não tem local determinado. aumento do capital com subscrição em valores inferiores ao de mercado  Lucro (ganho de capital) na venda A Mudança no número de ações representativo do capital ocorre de duas formas:  Split (desdobramento): distribuição de novas ações aos acionistas pela distribuição do capital por um número maior de ações. Objetiva ajustar o valor nominal da ação Os valores das ações considerados pelos investidores são:   Valor de Mercado: valor aceito pelos vendedores e compradores nos negócios realizados Valor Nominal: estabelecido pelo estatuto da companhia (capital dividido pelo número de ações)   Valor Patrimonial: valor global do patrimônio líquido dividido pelo número de ações Valor contábil: valor lançado no estatuto e livros da companhia: pode ser explícito ou discriminado (sem valor)  Valor intrínseco: calculado na análise fundamentalista. com capitalização de reservas e/ou resultados. Objetiva dar maior liquidez aos títulos no mercado  Inplit (agrupamento): diminuição do número de ações – aumento do valor patrimonial da ação. uma empresa deve obrigatoriamente emitir um mínimo de 1/3 do capital em ações ordinárias e no máximo 2/3 de ações preferenciais. negociação feita principalmente por telefone.

tornando-se sócios delas. atualmente.  Investidores: procuram rendimento em longo prazo. cooperar com essa comissão. esperam os lucros das empresas. Além disso. as bolsas de valores exercem uma importante atividade: fiscalizar as operações efetuadas por seus membros. BVSt. quer de direito privado. nas negociações de compra e venda. BVRg. a partir da lei n° 6. nesse mercado. Unificação das bolsas e negociação eletrônica Até 1999. Por essa razão. BOLSA DE VALORES As bolsas de valores são entidades sem fins lucrativos. são consideradas entidades auto-reguladoras.3. BVRJ. uma vez que seus próprios associados cuidam de expedir e fazer cumprir determinadas regras de conduta. Portanto. ou seja. são negociados os títulos e valores mobiliários de emissão ou co-responsabilidade de pessoas jurídicas. quer de direito público. As bolsas são consideradas. Nas bolsas de valores. revestidas da forma de sociedades comerciais por ações nominativas ou por cotas de responsabilidade limitada. BVPR.  Gestores financeiros: procuram captar recursos a custo baixo e investir disponibilidades sem risco e com prazos adequados Participam do Sistema de Distribuição e Intermediação do mercado de capitais brasileiro as seguintes instituições:      Sociedades Corretoras de Valores Mobiliários Sociedades Distribuidoras de Valores Mobiliários Bancos de Investimento Bancos de Desenvolvimento Empresas de Liquidação e Custódia 4. portanto. os negócios em bolsas de valores são realizados pelas sociedades corretoras. havia nove bolsas de valores no Brasil: Bovespa. como órgãos auxiliares da CVM. BVBSA. Com o desenvolvimento da informática e das telecomunicações. nas atividades de fiscalização do mercado bursátil. BVES. Mercado de bolsa: a decisão de ter ações negociadas em bolsa é da empresa e depende de apresentação de projeto à CVM Encontramos. O ingresso das corretoras nas bolsas de valores se verifica mediante a compra de títulos patrimoniais. BVPP.385/76. os seguintes tipos de atuação nas bolsas de valores:  Especuladores: procuram obter lucros em curto prazo. Bovmesb. devendo. Consideram-se membros das bolsas de valores seus respectivos associados. em cujo recinto são realizadas transações de compra e venda de títulos e valores mobiliários. a tendência é PUC Minas 90 Sistema Financeiro Nacional . as sociedades corretoras. registradas na CVM.

 Estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários. as corretoras e demais participantes. Há uma tendência mundial de centralizar as negociações na Bolsa de Nova York. e do After Market: sessão noturna de negociação eletrônica.). A administração das Bolsas de Valores cabe ao Conselho de Administração. entre eles. Substituíram a Resolução no 922 de 15 de maio de 1984.de centralizar os negócios nas bolsas mais importantes. sujeitas à fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (C. Objetivos Sociais das Bolsas: As Bolsas de Valores possuem autonomia financeira.M. O Conselho de Administração é integrado por no mínimo 9 e no máximo 13 conselheiros. em mercado livre e aberto. e à realização. em local adequado e transparente. Compete ao Conselho de Administração das Bolsas: PUC Minas 91 Sistema Financeiro Nacional . Superintendente Geral. Atualmente no Brasil os negócios são realizados apenas na Bovespa. patrimonial e administrativa. todos responsáveis por sua gestão. Regulamento das Bolsas: As Resoluções 1.  Criar e organizar materiais e técnicos para a realização das negociações. 1 representante dos investidores institucionais. O pregão da Bolsa. 1 representante dos investidores pessoa física.656 de 26 de outubro de 1989 deram nova disciplina ao funcionamento das Bolsas de Valores e das Sociedades Corretoras.655 e 1.N. ao Superintendente Geral e aos demais Superintendentes. 1 representante das Companhias Abertas (S/A's).V. organizado e fiscalizado pelos próprios membros e autoridades monetárias. de transações de compra e de venda de títulos e valores mobiliários.M. membro nato do Conselho. Os principais objetivos sociais das Bolsas são:  Manter local adequado ao encontro de seus membros (Sociedades Corretoras). compra por meio do site da corretora. O Sistema Eletrônico de Negociação Nacional (SENN): interliga as bolsas de valores. A internet permite a existência do Home Broker. sendo:      Representantes de corretoras.) e às diretrizes emanadas pelo Conselho Monetário Nacional (C. O sistema eletrônico no qual são operadas as negociações na Bovespa é chamado de Megabolsa.

escolher e exonerar o Superintendente Geral. somente o pregão eletrônico funciona.4 SOCIEDADES CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS A lei 4. as corretoras dependem de prévia autorização da CVM. Compete ao Superintendente Geral:  dar execução à política e às determinações do Conselho de Administração. basicamente.728/65 instituiu as sociedades corretoras como instituições financeiras auxiliares. eleger seu Presidente e Vice-Presidente. Para o exercício de suas atividades. com prazos de vencimento distintos. PUC Minas 92 Sistema Financeiro Nacional . de 10 às 17 h Tipos de Ordem de Negociação    Ordem de mercado: executadas imediatamente pelo preço de mercado Ordem limitada: o cliente estabelece o preço máximo ou mínimo Ordem administrada: o cliente estabelece quantidade e características das ações e a execução fica a critério da corretora   Ordem casada: compra de um título condicionada à realização da venda de outro Ordem de financiamento: Ordem de compra (ou venda) de um título condicionada à venda (compra) do mesmo título no mesmo ou em outros mercados. aprovar o regimento interno e as demais normas operacionais. inclusive o sistema de registro. O Recinto de Negociações (Pregão): Até 2005. Hoje não mais há esse forma de negociação. Tais atividades são.  Ordem com Stop: o cliente estipula preço mínimo ou máximo pelo qual a ordem será executada. membros das bolsas de valores.    estabelecer a política geral da Bolsa de Valores e zelar por sua boa execução.  praticar todos os atos necessários ao funcionamento regular da Bolsa de Valores. 4. constituídas sob a forma de sociedades anônimas ou sociedades por cotas de responsabilidade limitada. com títulos e valores mobiliários de negociação autorizada. havia o pregão na Bovespa. as seguintes:  Operar com exclusividade em bolsas de valores. compensação e liquidação das operações. visando limitar perdas ou ganhos. bem como dirigir todos os trabalhos da Bolsa de Valores. onde eram feitas as negociações viva voz por meio dos representantes das corretoras.

na forma de dividendos ou aumento no valor do capital da empresa.  Instituir. e  Operar no mercado aberto (open-market) e intermediar as operações de câmbio. encarregar-se de sua distribuição e colocação no Mercado de Capitais. promovendo. Clubes de investimento. 4. utilizando técnicas e informações. dando-lhes negociabilidade adequada.  Comprar. dando segurança ao sistema e liquidez aos títulos transacionados. através de leilões realizados em bolsa aos quais confere. a aproximação entre compradores e vendedores de títulos e valores mobiliários. e pela venda das ações. vender e distribuir títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros.6. ainda. sob a forma de condomínio aberto e sociedade de investimento (Decreto lei 1. as sociedades corretoras exercem o papel de unificadoras do mercado. Formar e gerir consórcios para lançamento público de ações (underwriting) e. pois cada um fornece uma informação diferente.  Encarregar-se da administração de carteiras de valores e da custódia de títulos e valores mobiliários.401) e clubes de investimentos. Na verdade. Temos as análises técnica. Fundos mútuos de investimento 4. fundamentalista e de demonstrações contábeis. ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES O resultado advindo de um investimento em ações dependerá do fluxo de caixa fornecido pela distribuição dos lucros aos acionistas. A análise técnica utiliza-se de gráficos e projeções que tratam de evoluções das cotações. Há várias maneiras de analisar o investimento em ações. Dessa forma. de forma eficiente. Fundos externos de investimento.5 INVESTIDORES Os investidores nas bolsas de valores são classificados como: Individuais: pessoas físicas ou jurídicas que participam diretamente do mercado Institucionais: são pessoas jurídicas que constituem carteiras e movimentam muitos recursos de terceiros:       Sociedades seguradoras. tendências observadas e alterações em parâmetros da oferta e procura. os métodos devem ser utilizados em conjunto. organizar e administrar fundos mútuos de investimentos. Entidades de previdência privada – fundos de pensão. Sociedades de capitalização. A análise fundamentalista objetiva fixar o valor de uma ação. A PUC Minas 93 Sistema Financeiro Nacional .

ele procura comprar na baixa e vender na alta. Já o que se preocupa em avaliar os resultados esperados da empresa. seu “preço justo”. para avaliar o seu desempenho econômico e financeiro. faz-se a comparação com o preço de mercado. pois ele não se preocupa em obter ganhos advindos dos resultados da empresa. a análise da conjuntura do setor econômico do qual a empresa faz parte. for maior que o preço de mercado. calcula o valor hipotético da empresa. calculado pela análise fundamentalista. O Valor da empresa pode ser definido pelo Lucro esperado em exercícios futuros. e a análise de indicadores a partir de informações de dentro da própria empresa. Considera que as ações têm um valor intrínseco que está associado com a performance da empresa e com a conjuntura econômica. Estuda os fatores (valores fundamentalistas) que explicam esse valor intrínseco. O preço de mercado de uma ação é fixado pelas forças de mercado. então. Para isso. se haverá crescimento econômico. pelos Investimentos realizados e a realizar e pelas Fontes de financiamento. montar um fluxo de caixa com base neles e avaliar o valor atual da ação em comparação com o preço de mercado está mais preocupado em tornar-se efetivamente um sócio da empresa. pois. provavelmente. ele vai analisar a conjuntura econômica macro e setorialmente. A estimação do valor da ação é feita com as análises das demonstrações financeiras passadas e de projeções.partir da obtenção desse valor. Preocupa-se também com a política e até com a ética dos administradores. e ainda a situação de atuação da empresa. As principais Fontes de Pesquisa utilizadas são:    Relatórios macroeconômicos Relatórios setoriais Relatórios de administração PUC Minas 94 Sistema Financeiro Nacional . Há que se destacar a diferença de posicionamento frente ao mercado assumido por aquele que privilegia a análise técnica e o que se posiciona mais a partir da análise fundamentalista.1 Análise fundamentalista A análise fundamentalista faz a análise do desempenho da empresa. o lucro da empresa é sua maior preocupação. O perfil de “especulador” ajusta-se mais ao primeiro. além de ganhar com os lucros distribuídos. 4. a demanda e a oferta. devido à tendência de valorização do preço de mercado. é vantajoso comprar. compara com o valor de mercado e investe na empresa com maior relação valor intrínseco/preço de mercado. se a taxa de juros irá variar etc.6. Sua preocupação é mais voltada para os movimentos verificados no preço de mercado. tomar-se a decisão de comprar. adota a hipótese de que o mercado de capitais é eficiente no longo prazo. A análise fundamentalista considera alguns níveis de abordagem: a análise da conjuntura macroeconômica. para. utilizando os fundamentos econômico-financeiros para a determinação do valor da empresa. da situação atual da economia e estimativas de variáveis que influenciam o valor e o preço de todas as ações e da intervenção governamental. há o ganho com a venda futura. Se o valor da ação.

utilizando o retorno esperado da ação Índices de avaliação de ações Há índices que são bastante utilizados pelos investidores: 1) Valor Patrimonial da Ação (VPA): PatrimônioLíquido Número de Ações Analisa-se a evolução da relação Preço VPA 2) Lucro por Ação (LPA): Lucro Líquido Número de AçõesEmitidas Indica o lucro líquido por ação. A análise da economia considera que a bolsa de valores deve refletir o desempenho da economia. Portanto. analisa as empresas no setor em que atuam. PUC Minas 95 Sistema Financeiro Nacional . Taxa de câmbio. em seguida. Enfoque Bottom Up O enfoque Bottom Up faz o cálculo do valor de ações e compara com o valor de mercado. Taxa de juros. Enfoque Top Down O enfoque Top Down primeiro analisa a economia. Já a análise setorial faz a comparação do setor analisado com os outros setores.de baixo para cima. Exportações e importações. Na análise econômica. Renda.de cima para baixo – e o Bottom Up . Produção. as principais Variáveis estudadas são:     Nível de atividade: Consumo.  Demonstrativos contábeis Meios de comunicação especializados Há dois tipos de enfoques utilizados na análise de investimento: o enfoque Top Down . utilizando o Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) Desconto dos dividendos. Emprego. utilizando métodos de valoração Teórica de Ações:   Desconto dos fluxos de caixa. a capacidade de prever a macroeconomia pode traduzir-se em oportunidades de investimento. depois analisa os setores da economia e.

4) Taxa de retorno esperada (TR): 1 P/L É o inverso do P/L e indica a lucratividade da ação. como o nome da empresa. ou seja. O P/L indica o número de anos que o investidor em que o capital investido será recuperado. que a empresa não gera um retorno satisfatório.3) Preço/Lucro (P/L): Preço de Mercado da Ação Lucro por Ação (LPA) Indica a relação entre o preço de aquisição e o lucro unitário periódico. PUC Minas 96 Sistema Financeiro Nacional . em função do seu poder de gerar lucros e crescer.4. A Coca-Cola. por exemplo. goodwill. tinha um índice Valor de Mercado / Valor Patrimonial igual a 21. 5) Dividendos por ação (DPA): Dividendos Número de AçõesEmitidas 6) Taxa de rentabilidade dos dividendos (Yeld): Dividendopor ação Pr eço Rentabilidade oferecida ao acionista somente com o pagamento dos dividendos 7) Taxa de distribuição de dividendos (Pay Out): Dividendos Lucro Líquido Proporção do lucro líquido que a companhia distribui. 8) Valor de Mercado / Valor Patrimonial O quociente entre valor de mercado e valor patrimonial indica o quanto de valor foi agregado ao valor patrimonial da empresa. Assim como o índice Valor de Mercado / Valor Patrimonial o Q de Tobin maior que 1 indica a capacidade de uma empresa de gerar valor acima do exigido pelo mercado e um Q menor que 1 indica que o valor pelo qual a empresa pode ser vendida no mercado é inferior ao que se gastaria para construí-la. 9) Q de Tobin O Q de Tobin é calculado de forma semelhante: ele divide o valor de mercado do capital próprio somado ao valor de mercado do capital de terceiros (dívidas) pelo valor de reposição de seus ativos (no momento e não seu custo histórico). advindo de elementos não agregados ao patrimônio da empresa e que são valores difíceis de serem quantificados monetariamente.

Exemplo: Se se projeta um dividendo de R$ 0. ou seu valor presente é dado pela seguinte fórmula: P0  tn1 1  k  Dt t  1  k n Pn em que D é o dividendo e k a taxa requerida de retorno. então o fluxo de caixa altera-se. e a partir da rentabilidade esperada sobre o capital próprio. No caso das ações. P0  0.2 13 .60 e que a taxa de retorno exigida é 30% a. PUC Minas 97 Sistema Financeiro Nacional . P0  0. = 1. utilizando. calcular o valor presente do fluxo de caixa futuro descontado à taxa exigida de rentabilidade. Os fluxos de caixa serão os dividendos e o valor recebido pela venda das ações. que a ação será vendida ao final de três anos por R$ 2. temos que calcular um fluxo de caixa na perpetuidade: P0  Dt t 1  1  k  D k Que equivale a: P0  Exemplo: Para o exemplo acima. Modelo Básico de Desconto O valor intrínseco da ação. a TIR. calcule o valor intrínseco da ação. Mas pode-se fazer um esforço. Em outras palavras. é mais difícil obtermos o fluxo de caixa futuro.2 = 0. para isso. considere que a ação não será vendida e calcule o valor intrínseco. a fim de prever esses valores. a cada período. o valor do lucro será maior em função do investimento realizado. se o preço da ação é dado no mercado.8 133 . Por outro lado.547 Se não há o propósito de vender a ação no futuro. pois. juntamente com outras. 2  2.Cálculo do valor da ação O valor de um título no momento atual é o valor presente dos fluxos de caixa futuros (esperados) dada uma taxa de rentabilidade. No caso dos dividendos. na análise das demonstrações contábeis e na pesquisa sobre as políticas da empresa.3 Modelo de Crescimento: Fórmula de Gordon Se a empresa tem uma política de distribuição de lucros em que uma parte deles é distribuída aos acionistas e outra é retida para a realização de investimentos. ou política de retenção de lucros. pode-se prever com base na política de distribuição de dividendos da empresa.20 por ação. Essas informações podem ser obtidas.67 0.2 13 .a. ou a TIRM.. pois os valores dos fluxos de caixa não são previamente conhecidos. podemos calcular a rentabilidade oferecida pelo fluxo de caixa futuro. 1  0. para determinarmos o valor atual de uma ação.

considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 31% a. PUC Minas 98 Sistema Financeiro Nacional .. a cada período.31 1314 . D2 = D0 (1 + g)2 D3 = D0 (1 + g)2 .65 por ação nos próximos quatro anos.a. . os dividendos elevar-se-ão para R$ 0.. a partir do quinto ano..65 0.65 0. Então. . ..85. .65 0. P0 = 0. que o crescimento dos lucros distribuídos seja constante. o dividendo no tempo 1 é igual ao dividendo no tempo 0 vezes 1 mais a taxa de crescimento.. ou seja. P0  D0 1  g  D0 1  g 2 D0 1  g 3 D 1  g     . Calcule o valor teórico da ação. serão: D1 = D0 (1 + g). Dn = D0 (1 + g)n E.Pressupondo que a política da empresa não se altere. .31 131 1312 1313 1314 0. A formulação para calcular o valor teórico da ação é a seguinte: Os dividendos.85     = 2. .  0 1  k  1  k 2 1  k 3 1  k  Essa perpetuidade pode ser simplificada como: P0  D1 k g E podemos obter também a rentabilidade: k D1 g P0 Exercícios Exercícios Resolvidos 1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0.. que considera o valor dos dividendos crescendo a uma taxa constante g. podemos avaliar o fluxo de caixa com o modelo de crescimento de Gordon.65 0. 1 .

Qual a lucratividade anual dessa ação? P/L = 36.286 0. .5% a.a.a.a. após os três anos.a. A taxa de retorno exigida é 33.a.312 131 . . PUC Minas 99 Sistema Financeiro Nacional .31 0. 4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1.. .2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$ 1.70 de dividendos por ação. feita por uma empresa que está investindo para aumentar a produção daqui a três anos.00. A taxa de retorno exigida é 31% a. Calcule o retorno produzido por esse investimento. P0 = 1 2  11 . Espera-se uma taxa de 8% de crescimento constante dos dividendos. k= 13  109 . 2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$ 1. . 4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1.00 TR = 1 = 0. 4 Exercícios Propostos 1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0.72   1 2 0.30 de dividendos por ação.5% a.1 3) Uma ação paga R$ 1.a. A taxa de retorno exigida é 31% a.. considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 33.53 por ação. Calcule o valor teórico da ação. 5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 36. Calcule o valor teórico da ação.25 => 25% a.31 0. 135  1072  11 .00. A taxa de retorno exigida é 33.. Espera-se uma taxa de 10% de crescimento constante dos dividendos.20 por ação. Calcule o retorno produzido por esse investimento.. feita por uma empresa que está investindo para aumentar a produção daqui a dois anos. . a partir do quarto ano.1  1.a. .00 por ação.75. passará a 17% ao ano. A taxa de crescimento dos dividendos é 7% ao ano. 131 .  0.09 = 0. 3) Uma ação paga R$ 1. após os dois anos. passará a 10% ao ano.00 = 4 anos 9.00. e. e. A taxa de crescimento dos dividendos é 11% ao ano.00 e o LPA é R$ 9. Calcule o valor teórico da ação.35 por ação. = 6.. P0 = 135  107 135  1072 . os dividendos elevar-se-ão para R$ 0. .50 por ação nos próximos três anos.34% a. = 6. a taxa de crescimento anual dos dividendos é 8% e está sendo comercializada por R$ 15. a taxa de crescimento anual dos dividendos é 9% e está sendo comercializada por R$ 5.3734 5 => a rentabilidade é 37.5% a.

50 0.3% a. Qual a lucratividade anual dessa ação? P/L = 140.53 por ação. a taxa de crescimento anual dos dividendos é 8% e está sendo comercializada por R$ 15.a.. .335  0. = 4. k= 170  108 .23 0.49    13351 13352 13353 0. após os três anos. Espera-se uma taxa de 8% de crescimento constante dos dividendos. e. . considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 33. .083 => 8. feita por uma empresa que está investindo para aumentar a produção daqui a três anos. Calcule o valor teórico da ação.50 0. . A taxa de retorno exigida é 33.00 e o LPA é R$ 11. Calcule o valor teórico da ação. 153  1113  117 .5% a. . A taxa de retorno exigida é 33. P0 = 0. .5% a.00 = 12 anos 11. 5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 140.08 3) Uma ação paga R$ 1.70. 2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$ 1. Qual a lucratividade anual dessa ação? Solução dos Exercícios propostos 1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0. 15.08 = 0. . os dividendos elevar-se-ão para R$ 0. 1335 . P0 = 153  111 153  1112 153  1113 .50 0.3353 1335 .5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 140..335  0.75.70.335  13353 . = 9.00.44    1 2 3 0.17 1.70 TR = 1 = 0. Calcule o retorno produzido por esse investimento.  0. 12 Precificação de Ações Os modelos de precificação de ações partem da questão de que todo ativo tem um risco associado a PUC Minas 100 Sistema Financeiro Nacional . P0 = 100  108 .00 4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1. a partir do quarto ano.24% a.75 = 1. passará a 17% ao ano.a. .a.2024 => a rentabilidade é 20.a.50 por ação nos próximos três anos. ..70 de dividendos por ação.5% a. 1335 .a. A taxa de crescimento dos dividendos é 11% ao ano. .00 e o LPA é R$ 11.00 por ação. . .

Modelo de Precificação de Ativos de Capital – CAPM (Capital Asset Price Management) O modelo considera que a diversificação elimina o risco específico de cada empresa. Mede-se o risco não diversificável com o . do ativo médio. oportunidade de ganhos maiores do que a média. Esse risco não deve ter a conotação de ser ruim. O risco. o  da Carteira de Mercado é 1. Os ativos que se movimentam mais com a Carteira de Mercado são mais arriscados do que os que não se relacionam com ela. padronizado em torno de 1 e procura-se utilizar o b para calcular o retorno esperado. No caso dos modelos de precificação. Retorno Esperado do Ativo i= Taxa Livre de Risco +  Prêmio de Risco = retorno extra exigido para investir no ativo i Retorno Esperado para o acionista = Rf +  do ativo x [E(Rm) . com a diversificação. Mensurando o Risco de um ativo O risco de qualquer ativo é o risco que ele adiciona à Carteira de Mercado. O risco (variância) de um investimento pode ser dividido em duas fontes: o risco específico da firma (só afeta a firma) e o risco de mercado (afeta todas as firmas). usa a variância como medida de risco e considera que apenas a parte da variância que não é diversificável é remunerada. o risco está associado à variação esperada dos retornos de um investimento e pode significar. O risco agregado à Carteira de Mercado é medido pela covariância do título com a Carteira. Desse modo. de ser perda. então. se menos arriscado. então.Rf] PUC Minas 101 Sistema Financeiro Nacional . porque os movimentos não relacionados são eliminados com a agregação do ativo à Carteira de Mercado. seu  é menor que 1. A variância de um investimento mede a diferença entre o retorno esperado e o retorno verificado. que pode ser chamado de risco diversificável e assume que a diversificação não tem custo e que todos os ativos podem ser negociados. é a medida do risco não diversificável. todo investidor mantém alguma combinação de ativos sem risco (títulos públicos) e de ativos da Carteira de Mercado.ele e que quanto maior o risco maior a rentabilidade exigida pelo investidor. obtemos uma medida padrão. Mas a covariância não é uma medida padrão do risco do mercado. Se um título é mais arriscado do a Carteira de Mercado. Já que a covariância da Carteira de Mercado consigo mesma é a variância da Carteira de Mercado.  do ativo = Covariância do Retorno do Ativo em relação ao Retorno Médio do Mercado Variância do Retorno Médio do Mercado O CAPM. na prática pela sua variância. Ao dividir a covariância de um título em relação à Carteira de Mercado pela variância da Carteira de Mercado. em vez de perda. de modo que a “Carteira de Mercado” contém todos os ativos com risco. O  de qualquer título é uma medida padrão do risco que ele agrega à Carteira de Mercado. Além disso. no modelo. o  do título. seu  é maior que 1. é medido pela variação do retorno do título.

estatísticas e indicadores com base nos preços de mercado e volume de negociações.com. A. São Paulo: Globo. 2004. PÓVOA.br PUC Minas 102 Sistema Financeiro Nacional .br www. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BODIE. Porto Alegre: Bookman.bastter.gov. a partir de gráficos.com.br www. pode-se segui-las comprando no início de uma tendência de alta e vendendo no início de uma baixa.2 Análise Técnica A análise técnica é a o acompanhamento das cotações.6.timing.com.infomoney.com. Na análise de investimento em uma ação. o recomendável é utilizar o IBX da Bovespa.cvm. L.analistademercado. Z. o qual deve ser comparado ao preço de mercado e analisadas duas situações: se o preço de mercado estiver abaixo do valor justo.br www. Valuation: como precificar ações. gerado pela empresa.br www. Fundamentos de Investimento. de modo que. há potencial de alta do preço de mercado e. se o preço de mercado estiver acima do valor justo.com. Essa análise procura identificar o sentimento do mercado. 4. há potencial de baixa do preço de mercado.br www. o valor presente desse fluxo de caixa é considerado o valor justo para a ação.br www. No Brasil.leandrostormer.com. de baixa ou de indefinição. J.com. se há a avaliação de que o preço está baixo ou alto. Rio de Janeiro: Campus.br www.com. São Paulo: Atlas. Observando-se. as tendências de alta ou de baixa. F.bovespa. ISBN 85352-0942-5 PINHEIRO.br www. 3ª ed. portanto. o comportamento do mercado pode ser de alta. 2001. MISUMI.Rf = Taxa livre de risco E(Rm) = Retorno esperado do Índice de Mercado Como retorno do Índice de Mercado utiliza-se um índice de Bolsa de Valores representativo do mercado como um todo. Y. J. Mercado de Capitais: fundamentos e técnicas. ou seja. 3ª ed. www. 2005. 2000 CAVALCANTI. Mercado de Capitais.nelogica.dojistar. a taxa de retorno esperada pelo acionista será utilizada como taxa de desconto para o fluxo de caixa do acionista. A partir dessa avaliação. 373p.

Além disso. 5. pelo órgão regulador do mercado norte-americano a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) -. compensação e liquidação. registro. São contratos de Futuros. porque permitem proteção contra riscos de preços (hedge) e apostas em variações de preços. das operações realizadas em pregão ou em sistema eletrônico. física e financeira. Para tanto. PUC Minas 103 Sistema Financeiro Nacional . a compensação e a liquidação. perante a CFTC. dotando-os de todas as facilidades e aprimoramentos tecnológicos necessários. de moedas e de taxas de juros. o reconhecimento.5. nas modalidades a vista e de liquidação futura.BM&F O objetivo maior da BM&F é efetuar o registro. registro. em face das operações efetuadas em seus pregões e/ou registradas em quaisquer de seus sistemas de negociação. possui mecanismos para acompanhar e regular seus mercados e normas que asseguram aos participantes de seus mercados o adimplemento das obrigações assumidas.1 BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO . organizar e operacionalizar mercados livres e transparentes. bem como desenvolver. Swaps e Opções. o que significa que são equiparáveis. MERCADO DE DERIVATIVOS Derivativos são contratos cujos valores derivam de outros ativos. a fim de divulgar as transações com rapidez e abrangência. para negociação de títulos e/ou contratos que possuam como referência ativos financeiros. aos adotados pelo mercado local. Categorias de derivativos:     Taxas de juros Taxas de câmbio Commodity (mercadoria) Índices de ações As finalidades dos participantes são:    Fazer hedge: proteger-se contra movimentos adversos no futuro Especular: apostar em movimentos de preços futuros para obter ganhos Fazer arbitragem: tirar proveito da diferença na variação entre o preço de dois ativos ou dois mercados Os contratos são negociados no balcão ou na BM&F. Distinguem-se dos demais contratos. indicadores. taxas. compensação e liquidação adequados à realização de operações de compra e de venda. da adequação desses sistemas e mecanismos. Destaca-se. mercadorias e moedas. índices. mantém local e sistemas de negociação. a Termo. nesse particular. em julho de 2002.

junto às autoridades constituídas. a Bolsa de Mercadorias & Futuro: (a) Estabelece normas visando à preservação de princípios eqüitativos de negociação e comércio e de elevados padrões éticos para as pessoas que nela atuam. por meio de eventos educacionais. (b) (c) (d) (e) regulamenta e fiscaliza as negociações e as atividades de seus associados. O Contrato de Futuro representa um compromisso (promessa) de compra ou venda de determinada quantidade de um bem. (f) defende seus interesses. o investidor compromete-se a comprar ou vender uma certa quantidade de uma ação (ação-objeto) por um preço fixado dentro de prazo predeterminado As garantias do contrato são:   Cobertura: depósito dos títulos na Bovespa Margem: percentual do valor do contrato – no mínimo 20% e no máximo 100% As garantias podem sofrer ajustes. 5. Essa “promessa” pode ser encerrada ou transferida a terceiros antes do vencimento.2 MERCADO A TERMO No contrato a termo. Para assePUC Minas 104 Sistema Financeiro Nacional . Concede crédito operacional a seus associados. de acordo com seus programas e objetivos. treinamentos e publicações. direta ou indiretamente. para liquidação numa data futura. resolve questões operacionais. bem como os de seus associados.No âmbito de seu poder de auto-regulação. A BM&F exige um capital mínimo para o agente de compensação e oferece como garantias:      Margens depositadas Garantias e títulos de propriedade da corretora Garantias e títulos de propriedade do agente de compensação Fundo da BM&F Patrimônio da BM&F 5. aplica penalidades aos infratores das normas legais. a um preço livremente acordado entre as partes.3 MERCADO FUTURO O Mercado Futuro pode ser considerado um aperfeiçoamento do Mercado a Termo. regulamentares e operacionais. Nos preços dos contratos está embutido um prêmio sobre os preços à vista que reflete o custo de carregamento até o vencimento. A liquidação Ocorre na Câmara de Liquidação e Custódia (Clearing House). (g) dissemina a cultura dos mercados de derivativos no País.

ed. Introdução aos mercados futuros e de opções. 2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FIGUEIREDO. Introdução aos derivativos. o Comprador do direito de compra Paga o prêmio e Pode desistir. São Paulo: Atlas. o perde. 1996. ISBN 8529300207 MARINS. 2v. ISBN 8522102813 HULL. Andre Cabral. por exemplo: troca de pagamentos de juros pós-fixados por prefixados. 1998. O comprador ganha se o preço sobe e o vendedor ganha quando o preço cai.4 MERCADO DE OPÇÕES No Mercado de Opções não se negociam ativos. rev. 2. o Vendedor do direito de venda (lançador) Recebe o prêmio e Não pode desistir. 2004. São Paulo: Bolsa de Mercadorias & Futuros: Cultura.). o titular paga um prêmio e.br PUC Minas 105 Sistema Financeiro Nacional . já o Comprador do direito de venda (titular) Paga o prêmio e Pode desistir (deixar virar pó). www.5 SWAP Swaps são acordos entre as partes para a troca de fluxos de caixa futuros como. Para ter os direitos. emprego e risco. Antonio Carlos. ISBN 8522418403 : (Broch.com. John.gurar o cumprimento dos compromissos são depositadas margens de garantia. e ampl. 282p.bmf. 143p. Direitos de uma parte comprar ou vender à outra. 5. até determinada data. 2 v. Nas Opções de Venda (Put). ed. Lauro de Araújo. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. Neste caso diz-se que ele deixou o papel (contrato) virar pó. mas direitos sobre eles. 6. 2002. Derivativos: definições. Rio de Janeiro: AMS Editora. São negociadas Opções sobre:       Ações Índices de bolsa Taxas de juros Títulos ou Bônus Câmbio ou divisas Futuros Nas Opções de Compra (Call Options) o Vendedor do direito de compra recebe o prêmio e não pode desistir. se desistir. Mercados derivativos e análise de risco. ISBN: 85-98162-02-7. certa quantidade de ativos-objetos. SILVA NETO.

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