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  • 1. MERCADO FINANCEIRO
  • 1.1. INTRODUÇÃO
  • 1.2. HISTÓRIA DO DINHEIRO E DOS BANCOS
  • 1.2.1. História do Dinheiro1
  • 1.2.2. Origem e Desenvolvimento dos Bancos e do Dinheiro de Papel
  • 1.2.3. História das Bolsas de Valores
  • 1.2.4. Configuração Atual do Mercado Financeiro
  • 1.3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN)8
  • 1.3.1. Composição do Sistema Financeiro Nacional
  • 1.3.2. Órgãos normativos
  • 1.3.3. Entidades Supervisoras
  • 1.3.4. Operadores
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • 2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO
  • 2.1. INTRODUÇÃO
  • 2.2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO AOS TIPOS E AS FINALIDADES
  • DAS OPERAÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO PRATICADAS
  • 2.2.1. Mercado Monetário
  • 2.2.2. Mercado de Crédito
  • 2.2.3. Mercado Cambial
  • 2.2.4. Mercado de Capitais
  • 2.2.5. Mercado de Derivativos
  • 2.3. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO A FORMA DE REMUNERAÇÃO E
  • CORREÇÃO MONETÁRIA
  • 2.3.1 Renda Fixa
  • 2.3.2 Renda Variável
  • 2.3.3. Fundos de Investimento
  • Fundos de investimentos
  • 3. MERCADO DE RENDA FIXA
  • 3.1. A MONTAGEM DO FLUXO DE CAIXA
  • 3.2. PREÇO E RENDIMENTO DE TÍTULOS DE RENDA FIXA
  • 3.3. TÍTULOS PÚBLICOS
  • 3.3.1. Letra do Tesouro Nacional - LTN
  • 3.3.2. Letra Financeira do Tesouro - LFT
  • 3.3.3. Nota do tesouro Nacional - NTN
  • 3.3.4. Nota do Banco Central do tipo E (com correção cambial) - NBC-E
  • 3.3.5. Exercícios
  • 3.4. PRODUTOS DE APLICAÇÃO (INVESTIMENTO) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINAN-
  • 3.4.1. Certificado/Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB)
  • 3.4.2. Certificado de Depósito Interfinanceiro - (CDI)
  • 3.4.3. Commercial Papers
  • 3.4.4. Export Note
  • 3.4.5. Debêntures
  • 3.4.6. Exercícios
  • 3.5. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO (EMPRÉSTIMOS) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINANCEIRO
  • E EMPRESAS
  • 3.5.1. Hot Money
  • 3.5.2. Desconto de Duplicatas e Notas Promissórias
  • 3.5.3. Commercial Papers
  • 3.5.4. Export Notes
  • 3.5.5. Securitização de Recebíveis
  • 3.5.6 Exercícios
  • 3.6. MERCADO INTERNACIONAL DE RENDA FIXA
  • 3.6.1. Money Market
  • 3.6.2. Capital Market
  • 4. MERCADO DE CAPITAIS (renda variável)
  • 4.1. INTRODUÇÃO
  • 4.2. MERCADO DE AÇÕES
  • 4.3. BOLSA DE VALORES
  • 4.4 SOCIEDADES CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS
  • 4.5 INVESTIDORES
  • 4.6. ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES
  • 4.6.1 Análise fundamentalista
  • 4.6.2 Análise Técnica
  • 5.1 BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO - BM&F
  • 5.2 MERCADO A TERMO
  • 5.3 MERCADO FUTURO
  • 5.4 MERCADO DE OPÇÕES
  • 6.5 SWAP

Sistema Financeiro Nacional

Marcos de Azevedo Reis






















PUC Minas 2 Sistema Financeiro Nacional
SUMÁRIO
1. MERCADO FINANCEIRO .................................................................................................................. 5
1.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 5
1.2. HISTÓRIA DO DINHEIRO E DOS BANCOS .................................................................................. 6
1.2.1. História do Dinheiro ................................................................................................................... 6
1.2.2. Origem e Desenvolvimento dos Bancos e do Dinheiro de Papel........................................... 8
1.2.3. História das Bolsas de Valores ............................................................................................... 11
1.2.4. Configuração Atual do Mercado Financeiro .......................................................................... 14
1.3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN) ................................................................................. 15
1.3.1. Composição do Sistema Financeiro Nacional ....................................................................... 16
1.3.2. Órgãos normativos ................................................................................................................... 18
1.3.3. Entidades Supervisoras ........................................................................................................... 18
1.3.4. Operadores ............................................................................................................................... 20
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................... 30
2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO ............................................................................ 31
2.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 31
2.2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO AOS TIPOS E AS FINALIDADES
DAS OPERAÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO PRATICADAS ................................................................ 31
2.2.1. Mercado Monetário ................................................................................................................... 31
2.2.2. Mercado de Crédito .................................................................................................................. 41
2.2.3. Mercado Cambial ...................................................................................................................... 41
2.2.4. Mercado de Capitais ................................................................................................................. 44
2.2.5. Mercado de Derivativos ........................................................................................................... 44
2.3. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO A FORMA DE REMUNERAÇÃO E
CORREÇÃO MONETÁRIA .................................................................................................................. 45
2.3.1 Renda Fixa ................................................................................................................................. 45
2.3.2 Renda Variável ........................................................................................................................... 45
2.3.3. Fundos de Investimento .......................................................................................................... 46
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................... 55
3. MERCADO DE RENDA FIXA .......................................................................................................... 56
3.1. A MONTAGEM DO FLUXO DE CAIXA ........................................................................................ 56
3.2. PREÇO E RENDIMENTO DE TÍTULOS DE RENDA FIXA .......................................................... 59
PUC Minas 3 Sistema Financeiro Nacional
3.3. TÍTULOS PÚBLICOS .................................................................................................................... 64
3.3.1. Letra do Tesouro Nacional - LTN ............................................................................................ 65
3.3.2. Letra Financeira do Tesouro - LFT .......................................................................................... 67
3.3.3. Nota do tesouro Nacional - NTN.............................................................................................. 68
3.3.4. Nota do Banco Central do tipo E (com correção cambial) - NBC-E ..................................... 72
3.3.5. Exercícios ................................................................................................................................. 73
3.4. PRODUTOS DE APLICAÇÃO (INVESTIMENTO) OFERECIDOS PELO SISTEMA
FINANCEIRO E EMPRESAS ............................................................................................................... 79
3.4.1. Certificado/Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB) .......................................................... 79
3.4.2. Certificado de Depósito Interfinanceiro - (CDI) ...................................................................... 80
3.4.3. Commercial Papers .................................................................................................................. 80
3.4.4. Export Note ............................................................................................................................... 81
3.4.5. Debêntures ................................................................................................................................ 81
3.4.6. Exercícios ................................................................................................................................. 81
3.5. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO (EMPRÉSTIMOS) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINANCEIRO
E EMPRESAS ...................................................................................................................................... 83
3.5.1. Hot Money ................................................................................................................................. 83
3.5.2. Desconto de Duplicatas e Notas Promissórias ..................................................................... 83
3.5.3. Commercial Papers .................................................................................................................. 84
3.5.4. Export Notes ............................................................................................................................. 84
3.5.5. Securitização de Recebíveis ................................................................................................... 84
3.5.6 Exercícios .................................................................................................................................. 85
3.6. MERCADO INTERNACIONAL DE RENDA FIXA......................................................................... 86
3.6.1. Money Market............................................................................................................................ 86
3.6.2. Capital Market ........................................................................................................................... 86
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................... 87
4. MERCADO DE CAPITAIS (renda variável) .................................................................................... 88
4.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 88
4.2. MERCADO DE AÇÕES ................................................................................................................ 88
4.3. BOLSA DE VALORES .................................................................................................................. 90
4.4 SOCIEDADES CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS ................................. 92
4.5 INVESTIDORES ............................................................................................................................. 93
PUC Minas 4 Sistema Financeiro Nacional
4.6. ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES ................................................................................. 93
4.6.1 Análise fundamentalista ........................................................................................................... 94
4.6.2 Análise Técnica ....................................................................................................................... 102
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................. 102
5. MERCADO DE DERIVATIVOS ...................................................................................................... 103
5.1 BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO - BM&F ...................................................................... 103
5.2 MERCADO A TERMO ................................................................................................................. 104
5.3 MERCADO FUTURO ................................................................................................................... 104
5.4 MERCADO DE OPÇÕES ............................................................................................................. 105
6.5 SWAP ........................................................................................................................................... 105
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................. 105


PUC Minas 5 Sistema Financeiro Nacional
1. MERCADO FINANCEIRO




1.1. INTRODUÇÃO
O mercado financeiro deve ser entendido como um mercado mesmo: um local onde ocorrem transa-
ções comerciais, a troca de um bem ou serviço por dinheiro. No mercado financeiro, entretanto, quem
o procura ou quer comprar dinheiro ou quer vender dinheiro. Assim, quem precisa de dinheiro oferece
em troca pagar um valor maior, após um determinado prazo, por meio de um contrato que é chamado
de título, ou obrigação. Por exemplo, quem precisa “comprar” R$ 1.000,00 aceita pagar a quem lhe
vendeu R$ 1.100,00 após um ano de prazo, pagando juros de 10% ao ano.
Esse mercado só pode existir numa sociedade com divisão de trabalho, na qual exista o dinheiro,
pois as transações de compra e venda vão inevitavelmente ocorrer. Os agentes econômicos (pessoa
física, pessoa jurídica e governo) vão necessariamente ter uma fonte de renda (salário, lucro, juros,
aluguel ou impostos). Desse modo duas situações vão surgir: agentes cujas necessidades exigem um
valor maior do que o obtido pela sua fonte de renda e agentes com cujos recursos são mais do que
suficientes para cobrir suas necessidades.
Imagine um agente que tenha $150 de renda e utilize $100. O que irá fazer com os $50 que sobra-
ram? Imagine também outro que receba $100 como renda mas necessite,para atender suas necessi-
dades, de $150. Como obterá os $50 que faltam? O que sucederá é que haverá uma forma dos $50
que estão sobrando para um parar nas mãos daquele para quem os $50 estão faltando.
Em outras palavras, nesse mercado, há os que detêm recursos e não irão precisar deles no momento
(estão superavitários) e, assim sendo, disponibilizam-nos para os que precisam deles agora, que
estão deficitários. Para ceder a outrem os seus recursos fazem-no mediante compromisso de recebê-
los de volta, algum tempo depois, acrescidos de renda, depois de analisarem o risco de não recebe-
rem o valor compromissado no futuro. Esse mercado atende tanto o indivíduo, cuja receita não está
cobrindo suas despesas, quanto empresas que oferecem participação na sociedade para obter recur-
sos para investimento e capital de giro.
Os bancos participam desse mercado como intermediários, captando dos superavitários e empres-
tando aos deficitários. Imagine que alguém tenha recursos excedentes e queira aplicá-los para ter um
valor maior no futuro; dificilmente ele encontrará quem queira tomar emprestados esses recursos no
mesmo volume e prazo almejados pelo superavitário. Assim, os bancos captam de quem quer em-
prestar e emprestam para os deficitários, ganhando na diferença entre a taxa de captação e a de
aplicação, já que a primeira será sempre menor do que a segunda.
Outro participante do mercado financeiro é o governo que capta recursos para cobrir suas necessida-
des financeiras tomando emprestado, através da dívida pública, e por meio dos impostos.
A circulação do dinheiro vai garantir a acumulação de riqueza. Aqueles que não precisam de toda a
renda vão aplicar a sobra para gerar mais renda, ficando com um patrimônio maior e com uma renda
PUC Minas 6 Sistema Financeiro Nacional
maior também. A aplicação pode ser em investimento produtivo para ter lucro ou emprestando para
conseguir juros. Veremos que o mercado financeiro torna possíveis e facilita as duas alternativas para
todos, pois se encontram certos títulos que oferecem o pagamento de juros e outros que permitem a
participação nos lucros de empresas. Esses títulos também são chamados de obrigações porque, na
verdade, são contratos que exigem obrigações de quem os vendeu: pagar juros ou lucros.
Sendo assim, a existência de um mercado financeiro desenvolvido em uma sociedade com divisão do
trabalho e distribuição justa da renda pode incrementar a democratização da riqueza, permitindo que
parte da renda seja transformada em aplicação.
Portanto, no mercado financeiro, historicamente, foram sendo criados instrumentos para permitir a
transferência dos superavitários para os deficitários. Mas os instrumentos e as instituições atuantes
observados hoje foram criados recentemente. O maior desenvolvimento ocorreu a partir do século
dezenove. Com a globalização, os instrumentos e as instituições também se globalizaram e tornaram-
se mais sofisticados.

1.2. HISTÓRIA DO DINHEIRO E DOS BANCOS

1.2.1. História do Dinheiro
1

A humanidade, em sua origem, não utilizava dinheiro, tudo o que se necessitava era obtido pela ação
individual. Quando desejava comer, caçava ou colhia frutos. Ainda hoje há sociedades que não usam
dinheiro: os índios atendem suas demandas, em comunidade, repartindo o que o grupo obtém. Há na
história da humanidade momentos em que quase não se usava a moeda, como na Idade Média, no
feudalismo: o servo produzia quase tudo de que necessitava, até a parte do senhor era paga com o
resultado de sua produção. No feudo, a alimentação provinha da produção agropecuária; a casa e a
mobília eram feitas com madeira do bosque; o vestuário e outros objetos de pano eram feitos com a
lã dos carneiros, que pastavam nas áreas comuns, e com o algodão cultivado nas terras destinadas
ao servo. As rocas eram usadas para criar o fio e os teares, feitos com a madeira do bosque, teciam
os panos. No feudalismo, o que se adquiria pelo comércio era muito pouco.
Quanto mais divisão do trabalho mais a moeda é necessária. A partir da necessidade de sua utiliza-
ção nós construiremos seu conceito. Em primeiro lugar, a moeda é uma coisa que serve para trocar
por outras coisas.
O homem primitivo trocava uma coisa que possuía por outra que não possuía, fazia escambo; mas
não havia uma coisa que era usada apenas para trocar por outra. Se havia, por exemplo, quem se
dedicava, durante o dia, à pesca, ao final estaria com alguns peixes; ele separava, então, o que iria
consumir e procurava alguém para trocar o restante pelo que também precisava; precisando de mi-
lho, ia atrás do que cultivou o milho e fazia a troca.

1
Figuras extraídas em ORIGEM e evolução do dinheiro. História do dinheiro. Museu de Valores. Banco Central do Brasil.
Apresenta artigo sobre a história do dinheiro com figuras e fotos de elementos do museu. Disponível em:
<http://www.bcb.gov.br/mPag.asp?perfil=1&cod=718&codP=83>. Acesso em 10 de janeiro de 2002.
PUC Minas 7 Sistema Financeiro Nacional

Mas poderia acontecer que ele não encontrasse quem detinha o milho, ou ainda que este não esti-
vesse querendo trocar. Desse modo ele procurava alguém que quisesse trocar o peixe por algo não
perecível, pois o peixe estraga de um dia para o outro. Então, foram eleitas certas coisas que não
eram perecíveis e que eram aceitas por todos no escambo, por exemplo: o sal foi usado, daí, salário
do latim salariu; o boi, pecus, o que originou pecúnia (dinheiro) do latim pecunia e pecuniário do latim
pecuniariu. A prática era trocar as coisas perecíveis pelas não perecíveis.

Na era da pedra lascada, em que os objetos eram criados a partir do trabalho sobre a pedra, foi feita
a primeira moeda com o trabalho humano, uma moeda de pedra. Então, foi descoberto o metal, que,
por suas características de ter valor, como ouro, prata, cobre, ferro, etc., preenchia um dos requisitos
de ser moeda, ser reserva de valor, ademais era a coisa menos perecível, logo, a mais apropriada
para ser moeda.
Quando começou a fundição dos metais, foram feitas moedas com formatos de objetos É o caso das
moedas faca e chave, encontradas no Oriente
2
.


2
Na China, no século XII antes de Cristo, Ver ORIGEM e evolução do dinheiro. (op. cit.). Disponível em:
<http://www.bcb.gov.br/mPag.asp?codP=83&cod=718&perfil=1>. Acesso em 6 de janeiro de 2002.
PUC Minas 8 Sistema Financeiro Nacional
Entretanto, moedas com peso e valor definidos só vieram a ser feitas, segundo Heródoto
3
, pelos reis
da Lídia, por volta do final do Século oitavo A.C., eram pequenos lingotes ovais de uma liga de ouro e
prata chamados eletro. Já, Alexandre o Grande iniciou o costume de representar a cabeça do sobe-
rano nas moedas. Para facilitar o transporte, começaram a fazê-las redondas.

1.2.2. Origem e Desenvolvimento dos Bancos e do Dinheiro de Papel
Na antiguidade, as moedas de metal foram amplamente usadas e os bancos tinham como atividade
precípua a custódia de valores e não o ato de emprestar, o empréstimo poderia vir de qualquer um
que tivesse o valor suficiente. Os bancos surgiram, essencialmente, para dar segurança aos proprie-
tários do dinheiro de que este ficaria guardado sem risco de ser roubado. Desse modo, além da moe-
da de metal precioso, que continha seu valor intrínseco, recibos de depositários (que davam ao pos-
suidor o direito de sacar a quantia indicada nos bancos), o papel-moeda, também serviam como di-
nheiro, meio de troca e reserva de valor.

Certificado de Barra emitido por casa de fundição, na época do Brasil-Colônia: documento que acompanhava cada uma
das barras de ouro produzidas nas Casas de Fundição. Comprovava o pagamento do quinto e era aceito como moeda no
comércio local.

“No Brasil, os primeiros bilhetes de banco, precursores das cédulas atuais, foram lançados pelo Banco do Brasil, em 1810.
Tinham seu valor preenchido à mão, tal como, hoje, fazemos com os cheques”
4
.
Os bancos foram importantes no império romano, quando recebiam moedas que eram cunhadas em

3
Apud GALBRAITH (1977)
4
ORIGEM e evolução do dinheiro. (op. cit.). Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/mPag.asp?perfil=1&cod=718&codP=83>
PUC Minas 9 Sistema Financeiro Nacional
várias localidades diferentes e analisavam a pureza do metal. Na Idade Média, com a diminuição do
comércio essa atividade arrefeceu; mas, na época do renascimento, ela surgiu com toda força, sedi a-
da nas cidades-portos da Itália (Veneza, Gênova, etc.).
A seguir, três histórias que ilustram bem as características e o processo do sistema de crédito que foi
surgindo com o advento do Estado Nacional e a evolução do sistema bancário, até a criação do pri-
meiro banco central.
A falsificação do dinheiro sempre foi um procedimento corriqueiro. Na antiguidade, não havia contro-
le, como hoje, das cédulas e moedas. Desse modo, surgiam muitas falsificações com relação ao peso
e à pureza do metal: cortavam-se pedaços das moedas, adulteravam-se as balanças, misturavam-se
metais menos nobres, etc.
Amsterdã, no início do século XVII, era um ponto comercial muito importante. Lá circulavam moedas
de todas as partes do mundo. Em 1606, foi publicado um manual enumerando 341 moedas de prata
e 505 de ouro. Muitas delas não tinham seu valor de face correspondendo ao valor em peso do me-
tal
5
. Por isso, em 1609, foi estabelecido um banco para controlar a qualidade das moedas, pesando-
as e avaliando o grau de pureza do metal. Este banco recebia as moedas estrangeiras e transforma-
va seu valor intrínseco em depósito, depois de deduzidas as despesas com cunhagem e com os gas-
tos de administração. Foi o primeiro banco público criado para regular e controlar a qualidade do di-
nheiro em circulação.
6

Durante um século, os recibos de depósito desse banco realmente correspondiam ao dinheiro físico
guardado no banco, podiam todos os depositantes requerer o saque que o banco lhes entregaria as
moedas depositadas. Quando, em 1672, o exército francês cercou Amsterdã, houve uma corrida ao
banco para saques e todos foram atendidos. Mas, por causa da relação estreita entre o prefeito e os
membros do senado da cidade com os proprietários da Companhia Holandesa das Índias Orientais,
que, afinal, eram as mesmas pessoas, o banco passou a financiar a Companhia e, então, começou
uma prática que hoje é comum no sistema bancário: o banco emprestava o dinheiro dos depositantes
e, se todos eles fossem sacar, não seriam atendidos.
No fim do século XVII, a Companhia passava por dificuldades, os déficits e as dívidas cresciam; a
guerra com a Inglaterra provocou perdas de cargas e navios, e o banco já não recebia o pagamento
dos seus empréstimos em dia. Além disso, o governo municipal também se endividou junto ao banco.
O próximo passo, já que não havia metal precioso disponível no caixa do banco para pagamento aos
depositantes, foi a limitação dos saques a um determinado valor. O passo seguinte foi o fechamento
do banco em 1819.
Uma história semelhante ocorreu na França, no séc. XVIII. Quando John Law chegou à França em
1716, o reino estava altamente deficitário e o tesouro, falido, por causa dos altos gastos da corte na

5
No padrão ouro, a moeda cunhada e o metal bruto com peso correspondente, invariavelmente tinham o mesmo valor: o
custo de produção; pois se a moeda tivesse valor maior que o metal bruto com seu peso, haveria aumento da produção lo-
cal e viria também metal de fora para ser transformado em moeda. O aumento da oferta de moedas geraria inflação até seu
valor igualar-se ao preço do metal com o mesmo peso. No caso do metal bruto valendo mais que a moeda com o mesmo
peso, haveria uma busca frenética pela fundição das moedas, transformando-as em lingotes para serem vendidas como
metal bruto, assim, as moedas sairiam de circulação e ocorreria deflação até o preço do mesmo peso do metal bruto equiva-
ler-se ao valor impresso na face da moeda.
6
Com o surgimento dos Estados Nacionais, isso se tornou uma das suas atribuições.
PUC Minas 10 Sistema Financeiro Nacional
época dos luíses. Ele recebeu permissão para fundar um banco, desde que entrasse com determina-
do capital. O banco foi autorizado a emitir notas, emprestando, principalmente para o Estado. O re-
gente
7
utilizou as notas para pagar as despesas e os credores, e, com essas notas podia-se pagar os
impostos. Devido ao grande movimento de notas, o banco cresceu e abriu filiais em várias cidades
francesas. O regente, entusiasmado com o resultado da emissão, solicitou mais empréstimos. Mas a
principal ambição de Law não era ser fornecedor de dinheiro para a aristocracia francesa, ele queria
mesmo era fundar a Companhia do Mississipi para encontrar metais preciosos na América. Esse
empreendimento transformou-se na Companhia das Índias que obteve do regente privilégios exclusi-
vos para o comércio com a Índia, China e nos mares do sul. Além disso, obteve o monopólio do co-
mércio do fumo, o direito de cunhar moedas e de arrecadar impostos.
A colocação de ações da Companhia foi um tremendo sucesso, todos que podiam compravam. Entre-
tanto, os recursos conseguidos não eram aplicados nas atividades de prospecção de minérios, nem
no comércio; a maior parte era transformada em notas de empréstimo para o Estado, que, por seu
lado, pagava os fornecedores e os credores do governo que, por sua vez, compravam ações da
Companhia com as notas emitidas, ou seja, as notas voltavam para o banco de origem. Desse modo,
quanto mais o banco emprestava para o Estado, mais seu passivo aumentava com o resto da soci e-
dade.
Quando a população desconfiou que não havia ouro da América guardado no banco, correu para
sacar, e, como era de se esperar, muita gente ficou sem dinheiro, muitas fortunas desapareceram. Na
verdade, foram transferidas para o Estado que, em última instância, era o verdadeiro devedor.
As duas histórias, a do Banco de Amsterdã e a do banco de John Law, mostram que uma instituição
bancária mal administrada pode gerar prejuízos para os depositantes. Outra questão importante é
que o financiamento do Estado por um banco não significava garantia de que o metal precioso estaria
garantido para os depositantes.
A seguir a história da criação do primeiro banco central. O Banco da Inglaterra foi fundado em 1694 e
sua finalidade principal era financiar o tesouro e, para isso, ele emitia notas e podia emprestá-las para
o setor privado. Segundo, Galbraith (1977, p. 35) isto era “[...] a maravilha do banco”: receber juros do
governo e dos tomadores privados. As notas eram, invariavelmente, convertidas em dinheiro, o que
não acontecia com as dos outros bancos, que tiveram suas notas preteridas em relação às do Banco
da Inglaterra. Por volta de 1770, o Banco da Inglaterra tornara-se, praticamente, a única fonte de
papel-moeda em Londres, enquanto que, no interior, as notas de outros bancos ainda foram emitidas
até o século seguinte. O Banco da Inglaterra tornara-se o guardião da oferta de moeda e a base fi-
nanceira do governo inglês. Uma vez que detinha o monopólio sobre a emissão de notas, estava
criado o primeiro Banco Central, ou o que tinha pelo menos uma de suas funções exclusivas: o mo-
nopólio da emissão.
Por causa das guerras contra Napoleão e a colônia, os gastos do governo inglês aumentaram bastan-
te e as notas já não eram passíveis de conversão em dinheiro em ouro, então, em 1797, o banco
suspendeu o direito de resgate das notas. O preço do ouro subiu, bem como o de outras mercadori-
as: trigo, pão, etc. As moedas de ouro e prata desapareceram, para transformarem-se em barras de

7
Luis XV era menor de idade.
PUC Minas 11 Sistema Financeiro Nacional
metal e serem vendidas a peso. Mas o Banco da Inglaterra não foi extinto, como os acima, e trans-
formou-se no primeiro banco central: tornou-se emprestador de última instância, constituindo um fun-
do destinado a cobrir rombos em instituições bancárias que não pudessem atender a eventuais corri-
das para saques, garantindo a liquidez do sistema financeiro. As suas notas continuaram a ser acei-
tas por causa da garantia do governo de que elas teriam validade para ele. Então, todos sabiam que
poderiam pagar impostos e taxas com elas que seriam aceitas.
Entretanto, este primeiro banco central não emitia as cédulas como as conhecemos hoje, sem lastro,
pois todas tinham que ter uma base para emissão: ou depósitos em ouro ou títulos do tesouro. Se-
gundo Galbraith (1977) os pioneiros na emissão foram os colonos da América do Norte, cujos gover-
nos locais descobriram que podiam emitir cédulas com a garantia apenas da assinatura da autoridade
governamental (no nosso caso, o ministro da fazenda e o presidente do Banco Central). A sociedade
acredita que o governo se responsabiliza pela emissão, de modo que os pedaços de papel não se
desvalorizem em relação às mercadorias.
Após a criação do Banco da Inglaterra, outros bancos centrais surgiram. Depois da grande crise de
1929, os bancos centrais passaram a controlar também variáveis-chaves, como taxa de juros e taxa
de câmbio, com o objetivo de influir o comportamento da economia. O Banco central do Brasil foi
criado em 1964. Antes disso, o Banco do Brasil e a Superintendência da Moeda e do Crédito (SU-
MOC) cumpriam as funções do Banco Central.

1.2.3. História das Bolsas de Valores
As empresas, do setor produtivo, também podem estar deficitárias tanto com relação às necessida-
des de capital de giro quanto com as necessidades de capital fixo, investimentos de longo prazo.
Para conseguir os recursos dos superavitários, elas não recorrem apenas a empréstimos, os obtém
também aumentando o capital, aceitando novos sócios. A venda das partes do capital adicional, as
ações novas, bem como o comércio das já emitidas, ocorre geralmente em uma bolsa de valores,
entidade criada para facilitar as negociações, oferecendo liquidez ao papel e garantias de lisura nas
operações. A seguir, então será apresentada uma breve história da evolução das bolsas de valores
no mundo e no Brasil.
Quando uma Bolsa de Valores foi inaugurada em Amsterdã, em 1602, a palavra bilhão talvez não
existisse. As cotações eram colocadas num papel e afixadas num quadro com um prego grande: essa
é a origem do “pregão”. Hoje, a Bolsa de Amsterdã negocia um bilhão de dólares a cada dois dias. O
dinheiro grande, de fontes inteligentes, aumenta de volume e sofistica-se a cada dia que passa.
Os negócios financeiros e de movimentação de capitais convergem especialmente para os Estados
Unidos, com o Japão e algumas nações da Europa Ocidental em segundo - e destacado - plano.
A Bolsa de Valores de Nova Iorque gira mais de US$ 1 bilhão num dia normal de pregão, fechando o
ano em torno de 4% do Produto Nacional Bruto dos Estados Unidos. Um em cada 10 americanos tem
interesse direto nas cotações de ações e de commodities de seu país, seja como investidor, como
cotista de fundos mútuos, ou como participante de fundos de pensão.

PUC Minas 12 Sistema Financeiro Nacional
Origens
A origem das Bolsas de Valores é bastante remota. Alguns escritores a localizam nos emporium dos
gregos, outros nos collegium mercatorum dos romanos, ou nos funduks (bazares) dos palestinos.
Não há uma definição histórica clara sobre isso. Sabe-se, apenas, que elas surgiram, em épocas
distantes, com atribuições que não as vinculavam especificamente a valores mobiliários. Mas o com-
portamento dos mercadores sintetizava o procedimento comercial que daria vida às Bolsas: a negoci-
ação de viva voz, superando barreiras geográficas, lingüísticas e ideológicas.
Durante toda a Idade Média e até o século XVII, as operações de Bolsa resumiram-se à compra e
venda de moedas, letras de câmbio e metais preciosos.
A palavra Bolsa, no seu sentido comercial e financeiro, nasceu em Bruges, cidade lacustre da Bélgi-
ca, capital de Flandres, pertencente à Liga Hanseática, onde se realizavam assembléias de comerci-
antes, na casa de um senhor chamado Van der Burse, em cuja fachada havia um escudo com três
bolsas, brasão de armas do proprietário.
Joseph de la Vega, o primeiro narrador a contar a história das Bolsas em 1688, diz que a Bolsa "é
uma pequena praça rodeada de pilares, e chama-se assim já por encenarem-se nela os mercadores
como em uma Bolsa, já pelas diligências que cada um faz de aí encher a sua..."
A Bourse de Paris foi implantada por Luís VII em 1141, sendo regulamentada em 1304. Os agents de
change, todavia, preferiam reunir-se na Pont-aux-Changes sobre o Sena. Napoleão I fixou-a, depois,
num prédio suntuoso, onde permanece até hoje. Aí se organizou a corbeille, espaço circular onde os
corretores apregoavam os negócios.
Em 1698 foi fundada a Bolsa de Fundos Públicos de Londres, de acesso vedado ao público em geral,
orientada por um delegado, e com associados brokers (corretores intermediários) e jobbers (que ne-
gociavam por conta própria).
Pouco tempo antes, os ingleses haviam instalado o Banco da Inglaterra, enquanto Sir Isaac Newton,
administrando a Casa da Moeda, fixava para sempre o padrão de purificação de ouro e cunhagem de
moedas de ouro.
Esses fatos criavam, por assim dizer, o primeiro sistema financeiro integrado do mundo moderno.
Embora as operações com valores já estivessem legalizadas, o enorme crescimento das negociações
naquele ano exigiu a organização da Bolsa em caráter oficial.
Mas foi apenas no Século XVIII que essas instituições atingiram grande desenvolvimento, quando as
exigências de crédito público obrigaram os banqueiros a fracionar os empréstimos em títulos de parti-
cipação. Com a expansão das sociedades por ações, permitindo grandes agrupamentos de recursos,
elas assumiram um papel preponderante na oferta e procura de capitais.

Evolução no Brasil
Desde os mercados medievais até hoje, as Bolsas de Valores vêm sofrendo profundas transforma-
ções em sua estrutura. No Brasil, seu desenvolvimento está intrinsecamente ligado ao desenvolvi-
mento da estrutura financeira do País, que se assentou basicamente sobre dois tipos de instituições:
PUC Minas 13 Sistema Financeiro Nacional
os bancos comerciais e as Bolsas de Valores.
No entanto, somente na segunda metade do século XX começaram a surgir instituições especializa-
das em diferentes tipos de crédito. Antes do século XIX não se encontravam i nstituições organizadas,
mas apenas indivíduos exercendo as funções de banqueiros ou corretores.
A reestruturação econômica do País, na primeira metade do século XIX, exigiu a reorganização do
sistema financeiro, abrangendo também a figura do corretor, contemporânea ao período colonial. As
disposições sobre o ofício já apareciam na legislação, a partir do século XVIII, mas a regulamentação
da atividade só viria a acontecer em 1845, através do Decreto n.º 417, com o objetivo principal de
evitar a interferência, nessas operações, de um número irrestrito de pessoas.
Desde então, os Corretores Oficiais de Fundos Públicos passaram a ter cargos vitalícios, mediante
nomeação do Ministro da Fazenda, tendo em vista que representavam o Governo em seus atos.
A rua Direita, hoje rua 1º de Março, no Rio de Janeiro, era o seu ponto de encontro. Ali ficavam a
Alfândega e o Paço Imperial, enclave político e econômico do maior porto exportador do País. A reu-
nião espontânea promoveu um sistema de liquidez mais eficiente, para onde convergiam comprado-
res e vendedores, agindo em nome de comerciantes e produtores dos mais diversos pontos do Brasil
e da Europa.
O Estado tinha interesses evidentes na organização dos corretores. Em 1876, era decretada a cota-
ção de títulos em pregão e, no ano seguinte, aconteceu a regulamentação do pregão, considerada o
marco inicial do funcionamento do pregão da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Esse decreto orga-
nizava a Corporação de Corretores de Fundos Públicos e dispunha sobre as operações por eles rea-
lizadas em Bolsa. Preceituava, em um de seus artigos, que caberia ao Poder Executivo expedir de-
creto regulamentando a investidura e o exercício dos corretores e as respectivas operações. A regu-
lamentação não provocou modificações imediatas no movimento da Bolsa.
Apenas em 1878 surgiu maior confiança no mercado, provocando um aumento de 530% nas transa-
ções e de mais de 100% no número de companhias com títulos na Bolsa.
Em 13 de março de 1897 foi expedido o Decreto no 2.475, que veio a se constituir na espinha dorsal
da legislação sobre Bolsas e Corretoras. Entretanto, todos esses diplomas legais levaram em consi-
deração somente a Bolsa e os Corretores do Distrito Federal, omitindo-se quanto a essa atividade em
outros Estados.
Em São Paulo, em dezembro de 1894, foi aprovada uma tabela de corretagem para a embrionária
Bolsa Livre de Valores, por ato do governo estadual. Tal fato representou o passo inicial para a cri a-
ção dos primeiros cargos de corretores de fundos públicos. Em 1897, o Governo Estadual instituía a
Bolsa Oficial de títulos de São Paulo.
As atividades das Bolsas e Corretoras dos demais Estados (além do então Distrito Federal) foram
regulamentadas pelo Governo Federal somente em 1934, através do Decreto n.º 24.275. Mas a legi s-
lação tornou-se mais afirmativa, passando a reger todas as instituições bolsísticas do País, a partir do
Decreto-Lei n.º 1.344 de 1939. No entanto, mesmo depois dele, elas continuaram sendo entidades
públicas com ingerência dos governos estaduais em suas administrações.
Foi a partir das reformas que institucionalizaram o sistema financeiro nacional, iniciadas em 1964,
PUC Minas 14 Sistema Financeiro Nacional
que as Bolsas de Valores assumiram as características que hoje possuem.

1.2.4. Configuração Atual do Mercado Financeiro
Vimos, então, que o dinheiro foi configurando-se na forma de moedas e cédulas que não necessita-
vam de contar com o lastro em metal precioso no banco do governo (o banco central). Este banco,
com a aposição da assinatura de autoridade (no caso do Brasil, o ministro da fazenda e o presidente
do Banco central), pode colocar em circulação pedaços de metal e de papel, com valores monetários
expressos em sua face, com total aceitação e confiança da sociedade.
Um conceito de dinheiro que deve ser trabalhado aqui é o de Meios de Pagamento, também chama-
dos de M1. Os meios de pagamento são o papel-moeda em circulação (moedas e cédulas) e os de-
pósitos à vista nos bancos. Esse conceito refere-se àquilo com o que se pode realizar pagamentos.
Na sociedade em que existe o dinheiro, só podem ser realizados pagamentos com meios de paga-
mento: papel-moeda ou alguma forma de débito em conta corrente (depósitos à vista), como o che-
que, por exemplo. No mercado financeiro, ocorre, então, a transferência dos superavitários para os
deficitários, por meio da troca de meios de pagamento por títulos que garantem a quem os compra o
direito de receber o capital investido acrescido de renda num momento posterior.
Foi visto também que o mercado financeiro passou a existir com a participação de bancos, do gover-
no e, finalmente do banco do governo (Banco Central) com a função de emitir dinheiro e atuar no
sentido de evitar que haja falta de recursos nos bancos para seus depositantes. Nesse mercado tam-
bém estarão os governos emitindo papéis para financiar seus gastos e determinando o comportamen-
to de variáveis que determinam o comportamento da economia (taxa de juros, taxa de câmbio e i m-
postos). As empresas também procuram os recursos dos superavitários, oferecendo participação no
capital. Uma ilustração do mercado financeiro, que surgiu e desenvolve-se num sistema econômico
do qual fazem parte e interagem o sistema produtivo, o sistema financeiro e o governo, poderia ser o
diagrama a seguir.











MERCADO FINANCEIRO
SISTEMA
FINANCEIRO
SETOR
PRODUTIVO
GESTÃO ECONÔMICA
(GOVERNO)

SISTEMA ECONÔMICO
PUC Minas 15 Sistema Financeiro Nacional
Portanto, no mercado financeiro há ativos que provêm de todos os setores. O governo emite títulos
que pagam renda, o setor produtivo oferece, por seu lado, papéis que também pagam renda e o si s-
tema financeiro da mesma forma. Todos os setores, dessa forma, têm no mercado fonte de recursos.
O setor produtivo, ao captar esses recursos irá aplicá-lo na produção de bens e serviços de modo
que, ao final consiga obter uma renda maior que a que deve ser paga aos que lhe forneceram recur-
sos; o governo obterá no mercado recursos para cobrir suas necessidades de despesas, determinan-
do também as taxas de juros, a taxa de câmbio e os impostos, e o sistema financeiro irá captar no
mercado recursos que aplicará em empréstimos e outras alternativas, cobrando juros maiores que os
pagos na captação.
Hoje, temos um mercado altamente desenvolvido, que oferece várias alternativas de aplicação e cap-
tação. Um mercado globalizado, pois não podemos mais falar de mercado restrito a um local ou país.
Os papéis são negociados em todo o mundo on line. Dessa forma, ações de companhias brasileiras e
do resto do mundo são negociadas na Bolsa de Nova York, assim como os papéis do governo e de
instituições financeiras são negociados no mercado internacional.

1.3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN)
8-
Pode-se conceituar Sistema Financeiro como um conjunto de instituições e instrumentos financeiros
que possibilitam a transferência de recursos dos ofertadores últimos para os tomadores últimos e que
criam condições para que os títulos tenham liquidez no mercado.
Os tomadores últimos de recursos são aqueles que se encontram em posição de déficit financeiro,
isto é, aqueles que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) mais do que sua renda. Eles
precisam do complemento de poupanças de outros para executar seus planos. Os ofertadores últi-
mos de recursos são aqueles que se encontram em posição de superávit financeiro, isto é, aqueles
que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) menos do que sua renda.
Usam-se as expressões ofertadores últimos ou ofertadores finais e tomadores últimos ou tomadores
finais de recursos (e não simplesmente tomadores e ofertadores de recursos), para diferenciar esses
indivíduos dos intermediários financeiros, que oferecem recursos dos ofertadores últimos e não o seu
próprio superávit financeiro e tomam recursos não para cobrir o seu próprio déficit financeiro, mas
para repassá-lo aos tomadores finais para que cubram seus déficits.
Consideram-se instituições financeiras as pessoas jurídicas, públicas ou privadas, que tenham como
atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios
ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.
Em geral, as instituições que operam no Sistema Financeiro são classificadas em dois grupos: as
bancárias e as monetárias, às quais é facultado o direito de criação de moedas ou de meios de pa-
gamento.
A criação de meios de pagamento é realizada pelo Banco Central, que emite o papel -moeda, e pelos
bancos comerciais, que estão autorizados a receber depósitos à vista. A criação de meios de paga-

8
Esta seção contou como base de consulta a apostila do Prof. José Tomáz Pereira.
-
© PUCMINAS, 2003
PUC Minas 16 Sistema Financeiro Nacional
mento pelo Banco Central é bastante simples de se entender, uma vez que ela se reflete na própria
emissão do papel-moeda.
A criação da moeda por parte dos bancos comerciais, por outro lado, pode ser melhor entendida atra-
vés do seguinte exemplo: suponhamos que 100 indivíduos depositem em um banco comercial R$
100.000,00. Para que eles possam depositar essa quantia, obviamente, já houve, antes, uma criação
de moeda, representada pela emissão do papel-moeda pelo Banco Central. O simples ato de deposi-
tar não significa a criação de meios de pagamento, uma vez que os indivíduos estarão simplesmente
trocando um ativo monetário (dinheiro) por outro (depósito à vista). Contudo, por uma questão de
probabilidade, o banco sabe que pode emprestar parte desses depósitos, porque nem todos sacam
seus recursos ao mesmo tempo. Assim, parte desses depósitos ele mantém em caixa (como encai-
xe), para atender aos saques dos depositantes; parte ele recolhe compulsoriamente ao Banco Central
e o restante ele empresta a tomadores, que poderão depositá-lo em outros bancos, os quais, por sua
vez, usarão o mesmo processo. Desse modo, pelo efeito multiplicador, o depósito inicial de R$
100.000,00 transforma-se em vários outros de menor porte. Esse é, em essência, o mecanismo bási-
co de criação de moeda.

1.3.1. Composição do Sistema Financeiro Nacional
O Banco Central do Brasil apresenta o Sistema Financeiro Nacional composto por Órgãos Normati-
vos, Entidades Supervisoras e Operadores. Os Órgãos Normativos são entidades governamentais
que têm a finalidade de definir as políticas governamentais para o Sistema Financeiro e transformá-
las em normas; as Entidades Supervisoras fiscalizam e orientam no sentido de fazer cumprir as políti-
cas e as normas emanadas do Governo; os Operadores são instituições que operam no mercado
financeiro com o papel de transferir recursos dos superavitários para os deficitários, tudo em confor-
midade às normas emitidas pelos Órgãos Normativos e seguindo as orientações e o acompanhamen-
to das Entidades Supervisoras.
O quadro a seguir apresenta a composição do Sistema Financeiro Nacional segundo o Banco Central
do Brasil. O quadro e a definição de cada instituição componente do Sistema Financeiro Nacional são
transcritos do contido na página da Internet do Banco Central do Brasil
9
.

9
<http://www.bcb.gov.br/?SFNCOMP>. Acesso em 30/01/04.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 17
Composição do Sistema Financeiro Nacional

Órgãos Norma-
tivos
Entidades Super-
visoras
Operadores
Conselho Mo-
netário Nacio-
nal - CMN
Banco Central do
Brasil – Bacen
Instituições financei-
ras captadoras de de-
pósitos à vista
Bancos Múltiplos
Bancos Comerciais
Caixa Econômica Federal
Cooperativas de Crédito
Demais instituições
financeiras
Agências de Fomento
Associações de Poupança e Empréstimo
Bancos de Desenvolvimento
Bancos de Investimento
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES)
Companhias Hipotecárias
Cooperativas Centrais de Crédito
Sociedades de Crédito, Financiamento e Inves-
timento
Sociedades de Crédito Imobiliário
Sociedades de Crédito ao Microempreendedor
Outros intermediários
financeiros e adminis-
tradores de recursos
de terceiros
Administradoras de Consórcio
Sociedades de arrendamento mercantil
Sociedades corretoras de câmbio
Sociedades corretoras de títulos e valores mobi-
liários
Sociedades distribuidoras de títulos e valores
mobiliários
Comissão de Va-
lores Mobiliários
- CVM
Bolsas de valores
Bolsas de mercadorias e futuros
Conselho Na-
cional de Se-
guros Privados
- CNSP
Superintendência
de Seguros Pri-
vados – Susep

IRB – Brasil Res-
seguros
Sociedades seguradoras
Sociedades de capitalização
Entidades abertas de previdência complementar
Conselho de
Gestão da Pre-
vidência Com-
plementar -
CGPC
Secretaria de
Previdência
Complementar –
SPC
Entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão)


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 18
1.3.2. Órgãos normativos

O Conselho Monetário Nacional (CMN)
O Conselho Monetário Nacional (CMN), que foi instituído pela Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964,
é o órgão responsável por expedir diretrizes gerais para o bom funcionamento do SFN. Integram o
CMN o Ministro da Fazenda (Presidente), o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Pre-
sidente do Banco Central do Brasil. Dentre suas funções estão: adaptar o volume dos meios de pa-
gamento às reais necessidades da economia; regular o valor interno e externo da moeda e o equilí-
brio do balanço de pagamentos; orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras; propi-
ciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros; zelar pela liquidez e solvência
das instituições financeiras; coordenar as políticas monetária, creditícia, orçamentária e da dívida
pública interna e externa.

Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) - órgão responsável por fixar as diretrizes e normas
da política de seguros privados; é composto pelo Ministro da Fazenda (Presidente), representante do
Ministério da Justiça, representante do Ministério da Previdência Social, Superintendente da Superi n-
tendência de Seguros Privados, representante do Banco Central do Brasil e representante da Comis-
são de Valores Mobiliários. Dentre as funções do CNSP estão: regular a constituição, organização,
funcionamento e fiscalização dos que exercem atividades subordinadas ao SNSP, bem como a apl i-
cação das penalidades previstas; fixar as características gerais dos contratos de seguro, previdência
privada aberta, capitalização e resseguro; estabelecer as diretrizes gerais das operações de ressegu-
ro; prescrever os critérios de constituição das Sociedades Seguradoras, de Capitalização, Entidades
de Previdência Privada Aberta e Resseguradores, com fixação dos limites legais e técnicos das res-
pectivas operações e disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor.

Conselho de Gestão da Previdência Complementar - CGPC
O Conselho de Gestão de Previdência Complementar (CGPC) é um órgão colegiado que integra a
estrutura do Ministério da Previdência Social e cuja competência é regular, normatizar e coordenar as
atividades das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão). Também ca-
be ao CGPC julgar, em última instância, os recursos interpostos contra as decisões da Secretaria de
Previdência Complementar. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço
www.previdenciasocial.gov.br

1.3.3. Entidades Supervisoras

Banco Central do Brasil – Bacen
O Banco Central do Brasil (Bacen) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, que também

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 19
foi criada pela Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964. É o principal executor das orientações do Con-
selho Monetário Nacional e responsável por garantir o poder de compra da moeda nacional, tendo
por objetivos: zelar pela adequada liquidez da economia; manter as reservas internacionais em nível
adequado; estimular a formação de poupança; zelar pela estabilidade e promover o permanente aper-
feiçoamento do sistema financeiro. Dentre suas atribuições estão: emitir papel-moeda e moeda metá-
lica; executar os serviços do meio circulante; receber recolhimentos compulsórios e voluntários das
instituições financeiras e bancárias; realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições
financeiras; regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis; efetuar
operações de compra e venda de títulos públicos federais; exercer o controle de crédito; exercer a
fiscalização das instituições financeiras; autorizar o funcionamento das instituições financeiras; esta-
belecer as condições para o exercício de quaisquer cargos de direção nas instituições financeiras;
vigiar a interferência de outras empresas nos mercados financeiros e de capitais e controlar o fluxo de
capitais estrangeiros no país. Sua sede fica em Brasília, capital do País, e tem representações nas
capitais dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia,
Pernambuco, Ceará e Pará.

Comissão de Valores Mobiliários - CVM
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fa-
zenda, instituída pela Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976. É responsável por regulamentar, desen-
volver, controlar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários do país. Para este fim, exerce as fun-
ções de: assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão; proteger
os titulares de valores mobiliários; evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação no merca-
do; assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários negociados e sobre as
companhias que os tenham emitido; assegurar a observância de práticas comerciais eqüitativas no
mercado de valores mobiliários; estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobi-
liários; promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e estimular
as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias abertas. Maiores informações
poderão ser encontradas no endereço:www.cvm.gov.br

Superintendência de Seguros Privados – Susep
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) - autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda; é
responsável pelo controle e fiscalização do mercado de seguro, previdência privada aberta e capital i-
zação. Dentre suas atribuições estão: fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e opera-
ção das Sociedades Seguradoras, de Capitalização, Entidades de Previdência Privada Aberta e Res-
seguradores, na qualidade de executora da política traçada pelo CNSP; atuar no sentido de proteger
a captação de poupança popular que se efetua através das operações de seguro, previdência privada
aberta, de capitalização e resseguro; zelar pela defesa dos interesses dos consumidores dos merca-
dos supervisionados; promover o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos operacionais a
eles vinculados; promover a estabilidade dos mercados sob sua jurisdição; zelar pela liquidez e sol-
vência das sociedades que integram o mercado; disciplinar e acompanhar os investimentos daquelas
entidades, em especial os efetuados em bens garantidores de provisões técnicas; cumprir e fazer

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 20
cumprir as deliberações do CNSP e exercer as atividades que por este forem delegadas; prover os
serviços de Secretaria Executiva do CNSP. Maiores informações poderão ser encontradas no ende-
reço: www.susep.gov.br

IRB – Brasil Resseguros
Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) - sociedade de economia mista com controle acionário da
União, jurisdicionada ao Ministério da Fazenda, com o objetivo de regular o cosseguro, o resseguro e
a retrocessão, além de promover o desenvolvimento das operações de seguros no País. Maiores
informações poderão ser encontradas no endereço: www.irb-brasilre.com.br

Secretaria de Previdência Complementar – SPC
A Secretaria de Previdência Complementar (SPC) é um órgão do Ministério da Previdência Social,
responsável por fiscalizar as atividades das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fun-
dos de pensão). A SPC se relaciona com os órgãos normativos do sistema financeiro na observação
das exigências legais de aplicação das reservas técnicas, fundos especiais e provisões que as enti-
dades sob sua jurisdição são obrigadas a constituir e que tem diretrizes estabelecidas pelo Conselho
Monetário Nacional. À SPC compete: propor as diretrizes básicas para o Sistema de Previdência
Complementar; harmonizar as atividades das entidades fechadas de previdência privada com as pol í-
ticas de desenvolvimento social e econômico-financeira do Governo; fiscalizar, supervisionar, coorde-
nar, orientar e controlar as atividades relacionadas com a previdência complementar fechada; anal i-
sar e aprovar os pedidos de autorização para constituição, funcionamento, fusão, incorporação, gru-
pamento, transferência de controle das entidades fechadas de previdência complementar, bem como
examinar e aprovar os estatutos das referidas entidades, os regulamentos dos planos de benefícios e
suas alterações; examinar e aprovar os convênios de adesão celebrados por patrocinadores e por
instituidores, bem como autorizar a retirada de patrocínio e decretar a administração especial em
planos de benefícios operados pelas entidades fechadas de previdência complementar, bem como
propor ao Ministro a decretação de intervenção ou liquidação das referidas entidades. Maiores infor-
mações poderão ser encontradas no endereço: www.previdenciasocial.gov.br

1.3.4. Operadores
Os operadores executam movimentações financeiras servindo como intermediários na transferência
de recursos dos superavitários para os deficitários. As operações passivas, ou de captação, servem
para recolher os recursos dos superavitários, oferecendo em troca alguma remuneração; e as opera-
ções ativas, ou de aplicação, servem para transferir os recursos para os deficitários, exigindo, em
troca, uma remuneração. A diferença entre as taxas de captação e as de aplicação, o chamado spre-
ad bancário, é que promoverá a rentabilidade das instituições.
A seguir, são definidas as instituições, destacando-se as principais formas de captação e de aplica-
ção.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 21
Instituições Financeiras Captadoras de Depósitos à Vista

Bancos Múltiplos
Os bancos múltiplos são instituições financeiras privadas ou públicas que realizam as operações ati-
vas, passivas e acessórias das diversas instituições financeiras, por intermédio das seguintes cartei-
ras: comercial, de investimento e/ou de desenvolvimento, de crédito imobiliário, de arrendamento
mercantil e de crédito, financiamento e investimento. Essas operações estão sujeitas às mesmas
normas legais e regulamentares aplicáveis às instituições singulares correspondentes às suas cartei-
ras. A carteira de desenvolvimento somente poderá ser operada por banco público. O banco múltiplo
deve ser constituído com, no mínimo, duas carteiras, sendo uma delas, obrigatoriamente, comercial
ou de investimento, e ser organizado sob a forma de sociedade anônima. As instituições com carteira
comercial podem captar depósitos à vista. Na sua denominação social deve constar a expressão
"Banco" (Resolução CMN 2.099, de 1994).
As formas de captação dos bancos múltiplos são as mesmas das carteiras administradas por ele, de
modo que serão apresentadas quando da definição da instituição relacionada àquele tipo de carteira.
Geralmente têm a carteira de banco comercial e, por esse motivo, estão incluídos dentre as institui-
ções captadoras de depósitos à vista.

Bancos Comerciais
Os bancos comerciais são instituições financeiras privadas ou públicas que têm como objetivo princi-
pal proporcionar suprimento de recursos necessários para financiar, a curto e a médio prazos, o co-
mércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e terceiros em geral. A
captação de depósitos à vista, livremente movimentáveis, é atividade típica do banco comercial, o
qual pode também captar depósitos a prazo. Deve ser constituído sob a forma de sociedade anônima
e na sua denominação social deve constar a expressão "Banco" (Resolução CMN 2.099, de 1994).
CAPTAÇÃO: depósitos à vista; depósitos a prazo fixo, obrigações contraídas no País e no exterior
relativamente a repasses e refinanciamentos; emissão de Cédulas Pignoratícias de Debêntures; col o-
cação de letras de Câmbio de aceite com base em operações com caução de Warrants; certificados
de depósito de médio ou de longo prazo em moeda estrangeira.
APLICAÇÃO: descontos de títulos; abertura de crédito simples e em conta-corrente; crédito rural (fi-
nanciamento de custeio, investimento e comercialização); operações de repasses e refinanciamentos;
aplicação em títulos, valores mobiliários e quotas de fundos de investimento; financiamento de proje-
tos ligados a programas de fomento.
OPERAÇÕES ESPECIAIS: operações de câmbio; custódia de títulos e valores; prestação de fianças
e outras garantias bancárias; operações compromissadas; compra e venda de ouro no mercado físi-
co.
OPERAÇÕES ACESSÓRIAS: ordens de pagamento e transferência de fundos; cheques de viagem;
cobrança; serviços de correspondente; recebimentos e pagamentos de interesse de terceiros; reco-
lhimento e entrega de numerário a domicílio; saneamento do meio circulante e fornecimento de troco;

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 22
intermediação na aquisição de títulos federais em leilões; serviços ligados ao câmbio e ao comércio
internacional; aluguel de cofres.
CONVÊNIOS: recebimento de tributos, INSS, PIS, prêmios de seguro e contas de água, energia elé-
trica, gás e telefone; pagamentos para o FGTS, INSS, PIS e segurados em geral; prestação de servi-
ços a outras instituições financeiras e a empresas de atividades complementares ou subsidiárias:
turismo, cartão de crédito, administração de bens, processamento de dados e armazéns gerais.

Caixa Econômica Federal
A Caixa Econômica Federal, criada em 1.861, está regulada pelo Decreto-Lei 759, de 12 de agosto
de 1969, como empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda. Trata-se de instituição asseme-
lhada aos bancos comerciais, podendo captar depósitos à vista, realizar operações ativas e efetuar
prestação de serviços. Uma característica distintiva da Caixa é que ela prioriza a concessão de em-
préstimos e financiamentos a programas e projetos nas áreas de assistência social, saúde, educação,
trabalho, transportes urbanos e esporte. Pode operar com crédito direto ao consumidor, financiando
bens de consumo duráveis, emprestar sob garantia de penhor industri al e caução de títulos, bem
como tem o monopólio do empréstimo sob penhor de bens pessoais e sob consignação e tem o mo-
nopólio da venda de bilhetes de loteria federal. Além de centralizar o recolhimento e posterior aplica-
ção de todos os recursos oriundos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), integra o
Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e o Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www.caixa.gov.br

Cooperativas de Crédito
As cooperativas de crédito observam, além da legislação e normas do sistema financeiro, a Lei 5.764,
de 16 de dezembro de 1971, que define a política nacional de cooperativismo e institui o regime jurí-
dico das sociedades cooperativas. Atuando tanto no setor rural quanto no urbano, as cooperativas de
crédito podem se originar da associação de funcionários de uma mesma empresa ou grupo de em-
presas, de profissionais de determinado segmento, de empresários ou mesmo adotar a livre admis-
são de associados em uma área determinada de atuação, sob certas condições. Os eventuais lucros
auferidos com suas operações - prestação de serviços e oferecimento de crédito aos cooperados -
são repartidos entre os associados. As cooperativas de crédito devem adotar, obrigatoriamente, em
sua denominação social, a expressão "cooperativa", vedada a utilização da palavra "banco". Devem
possuir o número mínimo de vinte cooperados e adequar sua área de ação às possibilidades de reu-
nião, controle, operações e prestações de serviços.
São Classificadas em: a) Singulares, quando são constituídas por no mínimo 20 pessoas físicas e
prestam assistência financeira a seus associados; b) Centrais ou Federações de Cooperativas, reu-
nindo no mínimo três cooperativas singulares e organizam os serviços financeiros e assistenciais
prestados a seus filiados; c) Confederações de Cooperativas reúnem no mínimo três cooperativas
centrais da mesma modalidade (de economia ou crédito mútuo ou popular ou de crédito rural).
CAPTAÇÃO: depósitos à vista e a prazo somente de associados; empréstimos, repasses e refinanci-
amentos de outras entidades financeiras; doações.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 23
APLICAÇÃO: concessão de crédito, somente a associados - desconto de títulos, abertura de crédito,
simples e em conta-corrente, crédito rural, repasse de recursos de instituições financeiras, adianta-
mentos a depositantes; aplicação de recursos no mercado financeiro (Resolução CMN 3.106, de
2003).
OPERAÇÕES ACESSÓRIAS: cobrança de títulos; recebimentos e pagamentos de conveniados; cor-
respondente no País; custódia.
OPERAÇÕES ESPECIAIS: aplicações financeiras temporárias de recursos ociosos.

Demais Instituições Financeiras

Agências de fomento
As agências de fomento têm como objeto social a concessão de financiamento de capital fixo e de
giro associado a projetos na unidade da federação onde tenham sede. Devem ser constituídas sob a
forma de sociedade anônima de capital fechado e estar sob o controle de unidade da federação, sen-
do que cada unidade só pode constituir uma agência. Tais entidades têm status de instituição finan-
ceira, mas não podem captar recursos junto ao público, recorrer ao redesconto, ter conta de reserva
no banco central, contratar depósitos interfinanceiros na qualidade de depositante ou de depositária e
nem ter participação societária em outras instituições financeiras. De sua denominação social deve
constar a expressão "agência de fomento" acrescida da indicação da unidade da federação control a-
dora. É vedada a sua transformação em qualquer outro tipo de instituição integrante do sistema fi-
nanceiro nacional. As agências de fomento devem constituir e manter, permanentemente, fundo de
liquidez equivalente, no mínimo, a 10% do valor de suas obrigações, a ser integralmente aplicado em
títulos públicos federais. (Resolução CMN 2.828, de 2001).

Associações de poupança e empréstimo
As associações de poupança e empréstimo são constituídas sob a forma de sociedade civil, sendo de
propriedade comum de seus associados. Os depositantes dessas entidades são consi derados acio-
nistas da associação e, por isso, não recebem rendimentos, mas dividendos. Os recursos dos deposi-
tantes são, assim, classificados no patrimônio líquido da associação e não no passivo exigível (Reso-
lução CMN 52, de 1967).
CAPTAÇÃO: emissão de letras e cédulas hipotecárias; depósitos de poupança dos associados; refi-
nanciamentos concedidos pela CEF; empréstimos e financiamentos contraídos no exterior; depósitos
interfinanceiros.
APLICAÇÃO: financiamentos habitacionais aos associados; financiamentos de empreendimentos de
construção de habitações para venda aos associados.
OPERAÇÕES DE FAIXA LIVRE: financiamentos habitacionais não contemplados pelo SFH; financi-
amento de capital de giro a empresas produtoras e distribuidoras de materiais de construção; financi-
amento de capital de giro a empresas incorporadoras; aquisição de títulos da dívida pública; aquisi-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 24
ção de direitos creditórios de outras instituições financeiras; arrendamento mercantil de bens imóveis
para o próprio vendedor; aquisição de direitos creditórios de contratos de arrendamento mercantil;
depósitos interfinanceiros; empréstimos hipotecários; financiamentos imobiliários não habitacionais.

Bancos de desenvolvimento
Os bancos de desenvolvimento são instituições financeiras controladas pelos governos estaduais, e
têm como objetivo precípuo proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessá-
rios ao financiamento, a médio e a longo prazos, de programas e projetos que visem a promover o
desenvolvimento econômico e social do respectivo Estado. Devem ser constituídos sob a forma de
sociedade anônima, com sede na capital do Estado que detiver seu controle acionário, devendo ado-
tar, obrigatória e privativamente, em sua denominação social, a expressão "Banco de Desenvolvimen-
to", seguida do nome do Estado em que tenha sede (Resolução CMN 394, de 1976).
CAPTAÇÃO: depósitos a prazo, empréstimos externos, emissão ou endosso de cédulas hipotecárias,
emissão de cédulas pignoratícias de debêntures e de Títulos de Desenvolvimento Econômico.
APLICAÇÃO: empréstimos e financiamentos, dirigidos prioritariamente ao setor privado.

Bancos de investimento
Os bancos de investimento são instituições financeiras privadas especializadas em operações de
participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimen-
to de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros. Devem ser constituídos sob a
forma de sociedade anônima e adotar, obrigatoriamente, em sua denominação social, a expressão
“Banco de Investimento”. Não possuem contas correntes e captam recursos via depósitos a prazo,
repasses de recursos externos, internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles admi-
nistrados. Não podem atuar nas bolsas de valores, somente o fazem através de uma corretora.
CAPTAÇÃO: depósitos a prazo fixo; empréstimos externos; empréstimos no País oriundos de recur-
sos de instituições financeiras oficiais; emissão ou endosso de cédulas hipotecárias; emissão de certi-
ficados de depósitos de valores mobiliários em garantia; emissão de cédulas pignoratícias de debên-
tures.
APLICAÇÃO: financiamento de capital de giro e capital fixo, subscrição ou aquisição de títulos e val o-
res mobiliários, depósitos interfinanceiros; repasses de empréstimos externos (Resolução CMN
2.624, de 1999); repasse de recursos oficiais; repasse de empréstimos externos; arrendamento mer-
cantil; operações com entidades públicas; crédito rural; financiamento de projetos de programas de
fomento.
OPERAÇÕES ESPECIAIS: administração de fundos de investimentos e de carteiras de títulos e valo-
res mobiliários; distribuição, intermediação ou colocação no mercado de títulos e valores mobiliários;
custódia e recebimento de rendimentos de títulos e valores mobiliários; operações compromissadas;
fiança, aval ou coobrigações assumidas; operações de câmbio; operações de compra e venda de
ouro no mercado físico.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 25
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criado em 1952 como autar-
quia federal, foi enquadrado como uma empresa pública federal, com personalidade jurídica de direito
privado e patrimônio próprio, pela Lei 5.662, de 21 de junho de 1971. O BNDES é um órgão vinculado
ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e tem como objetivo apoiar empre-
endimentos que contribuam para o desenvolvimento do país. Suas linhas de apoio contemplam finan-
ciamentos de longo prazo e custos competitivos, para o desenvolvimento de projetos de investimen-
tos e para a comercialização de máquinas e equipamentos novos, fabricados no país, bem como para
o incremento das exportações brasileiras. Contribui, também, para o fortalecimento da estrutura de
capital das empresas privadas e desenvolvimento do mercado de capitais. A BNDESPAR, subsidiária
integral, investe em empresas nacionais através da subscrição de ações e debêntures conversíveis.
O BNDES considera ser de fundamental importância, na execução de sua política de apoio, a obser-
vância de princípios ético-ambientais e assume o compromisso com os princípios do desenvolvimento
sustentável. As linhas de apoio financeiro e os programas do BNDES atendem às necessidades de
investimentos das empresas de qualquer porte e setor, estabelecidas no país. A parceria com institui-
ções financeiras, com agências estabelecidas em todo o país, permite a disseminação do crédito,
possibilitando um maior acesso aos recursos do BNDES. Maiores informações poderão ser encontra-
das no endereço: www.bndes.gov.br

Companhias hipotecárias
As companhias hipotecárias são instituições financeiras constituídas sob a forma de sociedade anô-
nima, que têm por objeto social conceder financiamentos destinados à produção, reforma ou comer-
cialização de imóveis residenciais ou comerciais aos quais não se aplicam as normas do Sistema
Financeiro da Habitação (SFH).
CAPTAÇÃO: letras hipotecárias, debêntures, empréstimos e financiamentos no País e no Exterior.
APLICAÇÃO: financiamentos imobiliários residenciais ou comerciais, aquisição de créditos hipotecá-
rios, refinanciamentos de créditos hipotecários e repasses de recursos para financiamentos imobili á-
rios.
OPERAÇÕES ESPECIAIS: administração de créditos hipotecários de terceiros e de fundos de inves-
timento imobiliário (Resolução CMN 2.122, de 1994).

Cooperativas centrais de crédito
As cooperativas centrais de crédito, formadas por cooperativas singulares, organizam em maior esca-
la as estruturas de administração e suporte de interesse comum das cooperativas singulares filiadas,
exercendo sobre elas, entre outras funções, supervisão de funcionamento, capacitação de admini s-
tradores, gerentes e associados, e auditoria de demonstrações financeiras (Resolução CMN 3.106,
de 2003).



PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 26
Sociedades de crédito, financiamento e investimento
As sociedades de crédito, financiamento e investimento, também conhecidas por financeiras, foram
instituídas pela Portaria do Ministério da Fazenda 309, de 30 de novembro de 1959. São instituições
financeiras privadas que têm como objetivo básico a realização de financiamento para a aquisição de
bens, serviços e capital de giro. Devem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima e na sua
denominação social deve constar a expressão "Crédito, Financiamento e Investimento". Tais entida-
des captam recursos por meio de aceite e colocação de Letras de Câmbio (Resolução CMN 45, de
1966).
CAPTAÇÃO: recursos obtidos com o aceite de letras de câmbio; depósitos de acionistas; repasses de
instituições oficiais para programas específicos; mercado interfinanceiro.
APLICAÇÃO: financiamento de bens e serviços a pessoas físicas e jurídicas; financiamento de capital
de giro a pessoas jurídicas; refinanciamento de operações de arrendamento mercantil.

Sociedades de crédito imobiliário
As sociedades de crédito imobiliário são instituições financeiras criadas pela Lei 4.380, de 21 de a-
gosto de 1964, para atuar no financiamento habitacional. Devem ser constituídas sob a forma de so-
ciedade anônima, adotando obrigatoriamente em sua denominação social a expressão "Crédito Imo-
biliário". (Resolução CMN 2.735, de 2000).
CAPTAÇÃO: depósitos de poupança; emissão de letras e cédulas hipotecárias; emissão de letras
imobiliárias; refinanciamentos concedidos pela CEF; depósitos interfinanceiros.
APLICAÇÃO: financiamento para construção de habitações; abertura de crédito para compra ou
construção de casa própria; financiamento de capital de giro a empresas incorporadoras, produtoras
e distribuidoras de material de construção.
OPERAÇÕES DE FAIXA LIVRE: financiamentos habitacionais não contemplados pelo SFH; financi-
amento de capital de giro a empresas produtoras e distribuidoras de materiais de construção; financi-
amento de capital de giro a incorporadoras; aquisição de títulos da dívida pública; aquisição de direi-
tos creditórios de outras instituições financeiras; arrendamento mercantil de bens imóveis celebrado
com o próprio vendedor do bem; aquisição de direitos creditórios de contratos de arrendamento mer-
cantil; depósitos interfinanceiros; empréstimos hipotecários; financiamentos imobiliários não habita-
cionais.

Sociedades de crédito ao microempreendedor
As sociedades de crédito ao microempreendedor, criadas pela Lei 10.194, de 14 de fevereiro de
2001, são entidades que têm por objeto social exclusivo a concessão de financiamentos e a presta-
ção de garantias a pessoas físicas, bem como a pessoas jurídicas classificadas como microempre-
sas, com vistas a viabilizar empreendimentos de natureza profissional, comercial ou industrial de pe-
queno porte. São impedidas de captar, sob qualquer forma, recursos junto ao público, bem como
emitir títulos e valores mobiliários destinados à colocação e oferta públicas. Devem ser constituídas
sob a forma de companhia fechada ou de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, ado-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 27
tando obrigatoriamente em sua denominação social a expressão “Sociedade de Crédito ao Microem-
preendedor”, vedada a utilização da palavra “Banco” (Resolução CMN 2.874, de 2001).

Outros Intermediários Financeiros e Administradores de Recursos de Terceiros

Administradoras de consórcio
As administradoras de consórcio são pessoas jurídicas prestadoras de serviços relativos à formação,
organização e administração de grupos de consórcio, cujas operações estão estabelecidas na Lei
5.768, de 20 de dezembro de 1971. Ao Banco Central do Brasil (Bacen), por força do disposto no art.
33 da Lei 8.177, de 1º de março de 1991, cabe autorizar a constituição de grupos de consórcio, a
pedido de administradoras previamente constituídas sem interferência expressa da referida Autarqui-
a, mas que atendam a requisitos estabelecidos, particularmente quanto à capacidade financeira, eco-
nômica e gerencial da empresa. Também cumpre ao Bacen fiscalizar as operações da espécie e
aplicar as penalidades cabíveis. Ademais, com base no art. 10 da Lei 5.768, o Bacen pode intervir
nas empresas de consórcio e decretar sua liquidação extrajudicial. O grupo é uma sociedade de fato,
constituída na data da realização da primeira assembléia geral ordinária por consorciados reunidos
pela administradora, que coletam poupança com vistas à aquisição de bens, conjunto de bens ou
serviço turístico, por meio de autofinanciamento (Circular BCB 2.766, de 1997).

Sociedades de arrendamento mercantil
As sociedades de arrendamento mercantil são constituídas sob a forma de sociedade anônima, de-
vendo constar obrigatoriamente na sua denominação social a expressão "Arrendamento Mercantil".
São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 2.309, de 1996).
CAPTAÇÃO: emissão de debêntures (principal forma de captação); dívida externa; cessão de direitos
creditórios de contratos de arrendamento mercantil; cessão de contratos de arrendamento mercantil;
pode negociar CDIs.; empréstimos e financiamentos de instituições financeiras; repasses de institui-
ções financeiras oficiais em programas especiais.
APLICAÇÃO: arrendamento mercantil de bens móveis, de produção nacional ou estrangeira, e bens
imóveis adquiridos pela entidade arrendadora para fins de uso próprio do arrendatário; títulos da dívi-
da pública, cessão de direitos creditórios.

Sociedades corretoras de câmbio
As sociedades corretoras de câmbio são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por quo-
tas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social a expressão "Corretora
de Câmbio". Têm por objeto social exclusivo a intermediação em operações de câmbio e a prática de
operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes. São supervisionadas pelo Banco Central do
Brasil (Resolução CMN 1.770, de 1990).

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 28
Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários
As sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de sociedade
anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. Dentre seus objetivos estão: operar em bolsas
de valores, subscrever emissões de títulos e valores mobiliários no mercado; comprar e vender títulos
e valores mobiliários por conta própria e de terceiros; encarregar-se da administração de carteiras e
da custódia de títulos e valores mobiliários; exercer funções de agente fiduciário; instituir, organizar e
administrar fundos e clubes de investimento; emitir certificados de depósito de ações e cédulas pigno-
ratícias de debêntures; intermediar operações de câmbio; praticar operações no mercado de câmbio
de taxas flutuantes; praticar operações de conta margem; realizar operações compromissadas; prati-
car operações de compra e venda de metais preciosos, no mercado físico, por conta própria e de
terceiros; operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros. São super-
visionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 1.655, de 1989). Os FUNDOS DE INVES-
TIMENTO, administrados por corretoras ou outros intermediários financeiros, são constituídos sob
forma de condomínio e representam a reunião de recursos para a aplicação em carteira diversificada
de títulos e valores mobiliários, com o objetivo de propiciar aos condôminos valorização de quotas, a
um custo global mais baixo. A normatização, concessão de autorização, registro e a supervisão dos
fundos de investimento são de competência da Comissão de Valores Mobiliários.

Clubes de investimento
Os clubes de investimento correspondem a associações voluntárias de investidores que se consorci-
am com a finalidade de realizar aplicações no mercado acionário, administrando diretamente essas
carteiras com a assistência e a assessoria das Sociedades Corretoras e Distribuidoras.
Muito embora o clube objetive basicamente o investimento em ações, outros ativos financeiros são
passíveis de aquisição. Além de debêntures conversíveis em ações, podem, em caráter excepcional,
ser adquiridos títulos de renda fixa, especificamente debêntures simples e títulos públicos. Isso signi-
fica que um administrador de carteira ágil pode vender toda a posição de ações, se julgar que a bolsa
irá entrar em fase de baixa, desde que essa situação seja eventual. Por outro lado, pode concentrar
todos os recursos em ações, se assim o desejar.

Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários
As sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de socieda-
de anônima ou por quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social
a expressão "Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários". Algumas de suas atividades: intermedei-
am a oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; administram e custodi-
am as carteiras de títulos e valores mobiliários; instituem, organizam e administram fundos e clubes
de investimento; operam no mercado acionário, comprando, vendendo e distribuindo títulos e valores
mobiliários, inclusive ouro financeiro, por conta de terceiros; fazem a intermediação com as bolsas de
valores e de mercadorias; efetuam lançamentos públicos de ações; operam no mercado aberto e
intermedeiam operações de câmbio. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução
CMN 1.120, de 1986).

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 29
Bolsas de mercadorias e futuros
As bolsas de mercadorias e futuros são associações privadas civis, sem finalidade lucrativa, com
objetivo de efetuar o registro, a compensação e a liquidação, física e financeira, das operações reali-
zadas em pregão ou em sistema eletrônico. Para tanto, devem desenvolver, organizar e operacional i-
zar um mercado de derivativos livre e transparente, que proporcione aos agentes econômicos a opor-
tunidade de efetuarem operações de hedging (proteção) ante flutuações de preço de commodities
agropecuárias, índices, taxas de juro, moedas e metais, bem como de todo e qualquer instrumento ou
variável macroeconômica cuja incerteza de preço no futuro possa influenciar negativamente suas
atividades. Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa e são fiscalizadas pela Co-
missão de Valores Mobiliários.

Bolsas de valores
As bolsas de valores são associações privadas civis, sem finalidade lucrativa, com objetivo de manter
local adequado ao encontro de seus membros e à realização, entre eles, de transações de compra e
venda de títulos e valores mobiliários pertencentes a pessoas jurídicas públicas e privadas, em mer-
cado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado por seus membros e pela Comissão de
Valores Mobiliários. Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa (Resolução CMN
2.690, de 2000).

Sociedades seguradoras
São entidades, constituídas sob a forma de sociedades anônimas, especializadas em pactuar contra-
to, por meio do qual assumem a obrigação de pagar ao contratante (segurado), ou a quem este de-
signar, uma indenização, no caso em que advenha o risco indicado e temido, recebendo, para isso, o
prêmio estabelecido. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www.susep.gov.br

Sociedades de Capitalização
São entidades, constituídas sob a forma de sociedades anônimas, que negociam contratos (títulos de
capitalização) que têm por objeto o depósito periódico de prestações pecuniárias pelo contratante, o
qual terá, depois de cumprido o prazo contratado, o direito de resgatar parte dos valores depositados
corrigidos por uma taxa de juros estabelecida contratualmente; conferindo, ainda, quando previsto, o
direito de concorrer a sorteios de prêmios em dinheiro. Maiores informações poderão ser encontradas
no endereço: www.susep.gov.br

Entidades abertas de previdência complementar
São entidades constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo insti-
tuir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continua-
da ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas. São regidas pelo Decreto-Lei 73, de
21 de novembro de 1966, e pela Lei Complementar 109, de 29 de maio de 2001. As funções do órgão

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 30
regulador e do órgão fiscalizador são exercidas pelo Ministério da Fazenda, por intermédio do Conse-
lho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www.susep.gov.br

As entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão)
São organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos e são acessíveis,
exclusivamente, aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas ou aos servidores da Uni-
ão, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entes denominados patrocinadores ou aos
associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denomina-
das instituidores. As entidades de previdência fechada devem seguir as diretrizes estabelecidas pelo
Conselho Monetário Nacional, por meio da Resolução 3.121, de 25 de setembro de 2003, no que
tange à aplicação dos recursos dos planos de benefícios. Também são regidas pela Lei Complemen-
tar 109, de 29 de maio de 2001. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço:
www.previdenciasocial.gov.br

Factoring
As empresas de factoring não são instituições financeiras. São empresas comerciais que operam por
meio de aquisições de duplicatas, cheques e etc., de forma similar a uma operação de desconto ban-
cário. A diferença fundamental é que o risco do título negociado passa a ser de exclusiva competên-
cia da empresa de factoring, eximindo a empresa-cliente das responsabilidades de recebimento. Para
isso, cobram juros, repassando ao cliente os resultados líquidos no ato da operação.
O factoring não é considerado uma operação financeira de crédito, e sim uma transferência (cessão)
plena dos créditos da empresa produtora para o factor, isto é, uma aquisição definitiva dos valores
recebíveis, inclusive do risco inerente ao pagamento desses valores.
As empresas de factoring têm como fonte de recursos, principalmente, os fundos próprios e emprési-
mos bancários.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FORTUNA, E. Mercado Financeiro: Produtos e Serviços. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.
GALBRAITH, J. K. Moeda: de onde veio, para onde foi. São Paulo: Pioneira, 1977.
www.bcb.gov.br

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 31
2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO




2.1. INTRODUÇÃO
O mercado financeiro costuma ser subdividido em “mercados” que apresentam determinadas caracte-
rísticas que os distinguem uns dos outros, para melhor entendimento das operações realizadas e
suas finalidades.
As finalidades de atuação no mercado podem ser: obter liquidez, intermediar recursos entre deficitá-
rios e superavitários, aplicar disponibilidades, obter moeda estrangeira, obter proteção contra vari a-
ção de resultados de forma inesperada, financiar operações de capital de giro, financiar capital fixo,
trocar posições, etc.
A subdivisão geralmente é feita em: mercado monetário; mercado de crédito; mercado de capitais e
mercado cambial.

2.2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO AOS TIPOS E AS FINALIDADES
DAS OPERAÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO PRATICADAS

Segmentação dos Mercados Financeiros

Segmentos Prazos Finalidade
Intermediário Finan-
ceiro
Mercado de crédito Curto, médio e aleatório Financiamento do con-
sumo pessoal e capital
de giro das empresas
Bancário e não-
bancário
Mercado de capitais Médio, longo e indeter-
minado
Financiamento de capi-
tal de giro, capital fixo
das empresas
Não-bancário
Mercado Monetário Curto e curtíssimo Controle da liquidez
monetária da economia
e suprimentos momen-
tâneos de caixa
Bancário e não-
bancário
Mercado cambial Curto e à vista Transformação de valo-
res em moeda estran-
geira em nacional e
vice-versa.
Bancário e auxiliares
(Sociedades Correto-
ras)

2.2.1. Mercado Monetário
É o segmento em que se realizam operações de curto e de curtíssimo prazos. É por meio desse mer-
cado que os agentes econômicos e os próprios intermediários financeiros suprem suas necessidades

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 32
momentâneas de caixa. A liquidez desse segmento de mercado é regulada por operações abertas
pelas autoridades monetárias, via colocação, recompra e resgate de títulos da dívida pública de curto
prazo.

Mercado Aberto (Open market)
É um mercado sem limitações de local específico, em que o Governo negocia títulos públicos, por
intermédio do Banco Central, com o objetivo principal de praticar a política econômica: determinar a
taxa de juros de mercado dos títulos públicos, que serve de referência, ou de piso, para as demais
taxas praticadas no sistema financeiro.

SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia
Sistema desenvolvido pelo Banco Central e pela ANDIMA (Associação Nacional das Instituições do
Mercado Aberto) para realizar e controlar a liquidação e custódia nas operações com títulos públicos.
A taxa Selic é:
a taxa apurada no Selic, obtida mediante o cálculo da taxa média ponderada e ajustada das
operações de financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no
referido Sistema na forma de operações compromissadas.
Esclarecemos que, neste caso, as operações compromissadas são operações de venda de tí-
tulos com compromisso de recompra assumido pelo vendedor, conjugadamente com compro-
misso de revenda assumido pelo comprador, para liquidação no dia útil seguinte.
Ressaltamos, ainda, que estão aptas a realizar operações compromissadas, por um dia útil,
fundamentalmente as instituições financeiras habilitadas, tais como bancos comerciais, bancos
de investimento, corretoras e distribuidoras de valores.
10

Política Monetária
A política monetária consiste em controlar a oferta de moeda, a taxa de juros e o crédito. Na verdade,
a política monetária é controlar a taxa de juros, não obstante correntes de teoria econômica afirma-
rem o contrário, pois ficou comprovada a endogeneidade da moeda, ou seja, o governo não conse-
gue controlar a oferta de moeda e ela adéqua-se à demanda. Há vários motivos para que isso acon-
teça. Um dos principais é que o volume das chamadas quase-moedas (ativos de altíssima liquidez-
M4) é muitas vezes maior que o volume dos meios de pagamento (M1). Mas há duas questões que
explicam claramente o porquê de a política monetária apenas determinar a taxa de juros.
Primeiro deve ser observado que há uma escolha necessária, um trade off, entre determinar a taxa
de juros e controlar a oferta de moeda. Nos modelos apresentados em manuais (monetarista, neo-
clássico, de Keynes, keynesiano IS-LM), a oferta de moeda é exógena, sendo representada grafica-
mente como uma reta vertical, totalmente inelástica em relação à taxa de juros. Observando os gráfi-
cos que mostram as práticas de política monetária, a partir dessa abordagem (moeda exógena),
constatamos que há que se optar entre controlar ou a oferta de moeda ou a taxa de juros.

10
Definição obtida em http://www.bcb.gov.br/?SELICDESCRICAO. Acesso em 25.02.04

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 33
Com efeito, se a política é manter a oferta de moeda sob controle (Gráfico 1), fixando-a em um de-
terminado valor – digamos, R$ X –, caso ocorra uma diminuição da demanda por moeda de D
1
para
D
2
, a taxa de juros diminuirá de j
1
para j
2
, já que a oferta de moeda permanece em O
1.
De outro modo,
se a política é fixar a taxa de juros (Gráfico 2), quando a demanda por moeda varia de D
1
para D
2
, o
banco central tem que ajustar a oferta de moeda à demanda, variando de O
1
para O
2
, de forma que
se situe no ponto em que a taxa de juros de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda seja a que
se fixou como objetivo da política monetária, j
1
.

Gráfico 1: Controle da Oferta de Moeda


j O
1


j
1


j
2

D
1



D
2


X M

Gráfico 2: Controle da Taxa de Juros


j O
2
O
1



j
1

D
1
D
2




X
2
X
1
M

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 34
Constata-se, portanto, que não é possível controlar a taxa de juros, sem ajustar a oferta de moeda à
demanda no ponto em que há o equilíbrio à taxa de juros desejada, e, também, não se pode controlar
a oferta de moeda sem deixar que a taxa de juros varie para alcançar novos pontos de equilíbrio, em
função de variações da demanda por moeda, mantendo-se a oferta fixa.
O Banco Central do Brasil, na verdade, tem que adotar a política monetária tida como “passiva”, ou
seja, controla a taxa de juros e não a base monetária, porque deve perseguir as metas de manuten-
ção dos níveis de poupança financeira, de combate à prática de retenção de estoques, de evitar a
fuga de capitais, de influenciar a taxa referencial (básica) e de conciliar com a política cambial. Além
disso, mas não menos importante, a fixação da base monetária provoca oscilações violentas nas
taxas de juros, fazendo com que o suposto benefício do controle da base seja menor que esse custo.
As oscilações acontecem porque dificilmente a demanda por “Reservas Bancárias” (o compulsório)
coincide com a oferta. Se o saldo agregado da conta “Reservas Bancárias” ultrapassa o compulsório,
o sistema rejeita esse saldo excedente, porque não é remunerado, tentando repassá-lo entre si. Com
isso, a taxa de juros aproxima-se de zero. De modo contrário, se há uma redução imprevista da liqui-
dez, a tendência será a taxa de juros elevar-se consideravelmente.
Portanto, conclui-se que há dois motivos para que se abandone a busca de impedir variações na
base monetária: em primeiro lugar, deve-se controlar a taxa de juros para que se alcancem os resul-
tados pretendidos de política econômica; em segundo lugar, o banco central tem que impedir oscil a-
ções violentas na taxa de juros, as quais aconteceriam sempre, se o valor da base monetária fosse
fixado pela autoridade monetária. Desse modo, a taxa de juros, quando aumentada, serve para con-
trolar a inflação, e, quando diminuída, serve para incentivar a atividade econômica.

A questão da determinação da taxa de juros
Atualmente, a política monetária funciona da seguinte maneira:
1) Se há indícios de que os preços estão subindo, ou seja, de que há inflação, o banco central eleva
as taxas de juros para desestimular o consumo e o investimento, fazendo com que o mercado
desaqueça e os vendedores não aumentem os preços.
2) Se há indícios de que os preços não sobem e a economia encontra-se em recessão, o banco
central diminui as taxas de juros para estimular o consumo e o investimento.
Num país com desequilíbrio na área externa, que precisa de moeda estrangeira para pagar sua dívi-
da externa e para fazer outras remessas para o exterior (como lucros), a taxa de juros é usada para
atrair o capital estrangeiro e evitar a sua saída, tornando possível cobrir o déficit em Transações Cor-
rentes
11
, sem recorrer à queima de reservas e sem tomar emprestado.
Num país assim, que é o caso do Brasil até ter acumulado um volume de reservas internacionais
satisfatório, se há falta de moeda estrangeira, ocorre que a demanda por dólares (no caso o dólar é a
moeda de troca internacional) fica maior que a oferta e, no mercado cambial, como qualquer merca-
doria o dólar sobe de preço (a taxa de câmbio aumenta – reais necessários para comprar um dólar,

11
Veja o conceito de Transações Correntes à frente no texto.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 35
R$/US$). Quando isso acontece, a inflação surge, porque os preços em reais dos produtos importa-
dos aumenta: a gasolina vai ter que ter seu preço aumentado em virtude do aumento do preço em
reais do petróleo que a Petrobras importa.
Portanto, há o risco do ataque especulativo contra a moeda do país. Vejamos como funciona um ata-
que especulativo. Um país como o Brasil recebe muito capital externo para investimento em ativos de
alta liquidez, como títulos públicos e blue chips. Esse capital é considerado especulativo. Se ele iden-
tificar rentabilidade maior no mercado financeiro exterior, irá vender seus ativos no país, converterá
os reais correspondentes em dólares, aumentando a demanda e provocando a elevação da taxa de
câmbio, e com isso provocará duas coisas, deixará o país com menos reservas internacionais e pro-
vocará inflação. Portanto, é importante para um país como o Brasil evitar esse ataque especulativo.
Mas, como isso pode ser feito?
Vamos abordar a questão a partir das colocações de Gustavo Franco (2002) que aponta os funda-
mentos da política monetária para a determinação da taxa de juros no período em que se perseguia a
manutenção da âncora cambial, do início do Plano Real – julho de 1994 – até a maxidesvalorização
de janeiro de 1999 (destacamos que o desequilíbrio externo persiste, ainda que menor).
Segundo ele, as taxas de juros domésticas devem ser tais que evitem entradas e saídas contínuas de
capital, que ocorrem por causa da “arbitragem internacional”, ou seja, no olhar do especulador inter-
nacional, as taxas internas tem que ser tão boas quanto as de fora, devem ter o mesmo risco.
Ao compararmos dois títulos do governo brasileiro: um título da dívida interna com juros prefixados e
um título da dívida externa que paga juros e amortizações, sendo que os títulos da dívida externa são
cotados diariamente no mercado internacional e trazem embutidos em sua rentabilidade o risco ine-
rente, o título da dívida interna deve oferecer o mesmo retorno.
O título da dívida externa é comprado com um desconto, fazendo com que os juros recebi dos efeti-
vamente sejam maiores que os contratuais. Para explicar como se determina o retorno do título da
dívida externa, Gustavo Franco mostra que em fevereiro (de 2002), um bônus podia ser comprado de
modo a oferecer um retorno de uns 14% a.a que pode ser decomposto em duas partes:
1) 2% que equivale à taxa de juros do Tesouro Americano.
2) 12% que é o chamado risco país
12
.
Essa deve ser a base de remuneração do título prefixado da dívida interna e a ela deve-se acrescen-
tar a desvalorização cambial. Portanto, para responder à questão sobre qual o juro doméstico de
equilíbrio, colocamos a seguinte fórmula matemática:
J = j
TA
+ R
B
+ c
Onde:
J = juros domésticos

12
O risco país é calculado pelas agências de rating e indica a capacidade do devedor, no caso o país, de cumprir suas obriga-
ções com os devedores. O risco país é dado em pontos percentuais que mostram a taxa acima do título do tesouro america-
no que se acresce à rentabilidade do título para cobrir o risco de inadimplência. Por exemplo, risco país de 1.500 pontos sig-
nifica 15% acima da remuneração do título do tesouro americano.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 36
j
TA
= taxa de juros do Tesouro dos EUA
R
B
= Risco Brasil
c = desvalorização cambial (expectativa)
O gráfico, a seguir, mostra os valores assumidos por essa taxa “atrativa”, calculada a partir dos juros
dos Fed Funds, a taxa de juros da política monetária nos EUA; mais o “risco Brasil”, obtido do JPMor-
gan, o Sovereign Spread
13
, o spread médio, oferecido pelos títulos da dívida externa brasileira, acima
da taxa dos títulos do Tesouro Americano; mais a desvalorização cambial de 8% a.a.
14
, verificada, no
período de 1995 a 1998, em que a política cambial era a de bandas.

Observamos que a taxa Selic não acompanhou esse modelo. Então, qual seria o modelo de determi-
nação da taxa? Há uma relação muito próxima entre a taxa Selic e o risco Brasil em que a taxa Selic
é um múltiplo do risco Brasil.

Podemos concluir, portanto, em vista do fato das taxas de juros do Tesouro Americano não terem se

13
Disponível em < http://morganmarkets.jpmorgan.com/mmrc/100/index/0,6922,-337-14--25|----1,00.html>.
14
Ver FRANCO (1999)
Taxa Selic e Taxa atrativa
% a.a.
10
30
50
70
90
110
130
150
170
jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov
Taxa SELIC Taxa Atrativa
1995 1996 1997 1998
Fonte: Banco Central e JPMorgan - elaboração do autor
Relação entre Risco Brasil e Taxa Selic
%
3
5
7
9
11
13
15
17
jan f ev abr jun jul set out dez f ev mar mai jul ago out nov jan mar abr jun ago set novdez f ev abr jun jul set out dez
15
25
35
45
55
65
75
85
Risco Brasil Taxa SELIC
1995 1998
Font e: Banco Cent ral e JPMorgan - elaboração do aut or
1996 1997

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 37
situado em níveis muito altos e da desvalorização média do câmbio ter sido de 8% a.a., no período
em questão, que o componente que tornava as taxas de juros internas tão altas era um múltiplo do
Risco Brasil.

Determinação da Taxa de Juros Selic
No Mercado Monetário se pratica a política monetária: negociação de títulos públicos, por parte do
Banco Central, no Selic, efetivando a taxa de juros determinada pelo COPOM (Comitê de Política
Monetária do Banco Central). É nesse mercado, também, que se procura obter, por meio de venda de
ativos ou por empréstimos, a liquidez (meios de pagamento) necessária para a realização de paga-
mentos.
Todo pagamento somente pode ser realizado com dinheiro (cédulas e moedas, também chamado de
papel-moeda) ou saques em conta-corrente (depósitos à vista). Como maneiras de realizar o saque
em conta-corrente, temos o cheque, o cartão de débito, ou outras formas de ordens de pagamento.
Pode ser alegado que há outras formas de pagamento como cartão de crédito, carnês, duplicatas
etc., mas essas são apenas formas de postergação do pagamento, pois, se, na data de vencimento
do prazo, não for feito o pagamento em dinheiro no caixa, será realizado um débito em conta-corrente
do pagador.
Portanto, o conceito de meios de pagamento (aquilo com o que se pode realizar pagamentos - a li-
quidez por excelência) refere-se a papel-moeda e a depósitos à vista
15
.
Entretanto, como liquidez das Instituições Financeiras não se incluem os depósitos à vista em outras
instituições financeiras, porque seria absurdo pagar pelo serviço de manter os recursos nesse tipo de
conta, em outra instituição, quando é possível mantê-los, sem custo, em seu próprio caixa.
Todavia, todas as instituições financeiras mantêm uma espécie de conta-corrente no Banco Central,
que funciona como os depósitos à vista de qualquer correntista das instituições financeiras, ou seja, a
conta não é remunerada e seu saldo pode ser sacado a qualquer momento. Por manter essas contas
e por atuar como emprestador de última instância para o sistema financeiro, o Banco Central é cha-
mado de Banco dos Bancos. Essa espécie de “conta-corrente” dos bancos no Banco Central é de-
nominada Reservas Bancárias e o conceito do saldo agregado da liquidez dos bancos, composto
pelo papel-moeda em caixa nas agências e pelas Reservas Bancárias, é denominado Base Monetá-
ria.
Todas as transações que realizam entre si as instituições financeiras, ou que envolvem o Banco Cen-
tral e uma instituição financeira necessitam de um lançamento na conta Reservas Bancárias das insti-
tuições financeiras envolvidas.
Os fatos geradores de lançamentos nas contas Reservas Bancárias são conhecidos como Fatores
Condicionantes da Liquidez. Os principais estão relacionados a seguir:
a) Resultado das Operações Cambiais: todas as movimentações com o exterior são registradas
no Banco Central. Há compra ou venda de moeda estrangeira de quem está movimentando
com uma instituição financeira e, depois, desta com o Banco Central. Por exemplo, um expor-

15
O montante agregado desses ativos para todo um país é chamado de M1.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 38
tador recebe dólares por meio de uma instituição financeira, que os compra e repassa o valor
correspondente, em reais, ao exportador. A instituição financeira, por seu lado, vende os dó-
lares para o Banco Central e o valor correspondente em reais é creditado na conta Reservas
Bancárias da instituição financeira.
b) Resultado das Operações com o Tesouro Nacional: a arrecadação de tributos é realizada a-
través dos bancos, que os recebem para repassá-los, depois, ao Tesouro Nacional. Os re-
passes do Tesouro também chegam ao destino final, por meio das contas Reservas Bancá-
rias.
c) Fundo de Participação de Estados e Municípios: repasse do Tesouro aos estados e municí-
pios.
d) Papel-Moeda em Poder do Público: todos os dias úteis, há um movimento dos bancos, sa-
cando e depositando nas contas Reservas Bancárias, para suprir a sociedade de dinheiro em
espécie (cédulas e moedas) em boas condições de uso, e retirando da circulação o dinheiro
imprestável. Geralmente, na parte da manhã, os bancos sacam o dinheiro para suprir suas
agências e esses saques são realizados a débito da conta Reservas Bancárias; e, no fim do
dia, depositam a crédito das contas Reservas Bancárias. Nas capitais onde há representação
do Banco Central, o movimento é feito diretamente nele; no interior, o Banco do Brasil atua
como representante do Banco Central, pagando os saques dos bancos nas contas Reservas
Bancárias e recebendo depósitos.
e) Outros (FAF, SBPE. etc.): repasses do Governo Federal para determinados fins, como em-
préstimos a juros baixos.
f) Extra-Mercado, Mercados Secundário e Primário: os resultados das operações com títulos
públicos, tanto no mercado primário (a primeira negociação, o lançamento, dos títulos no
mercado) quanto no secundário, são lançados a débito ou a crédito nas contas Reservas
Bancárias
g) Atuação do DEMAB (Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central) no
Mercado Secundário – Zeragem Automática: é na atuação do DEMAB na zeragem automáti-
ca que se efetiva a política monetária de determinação da taxa de juros no Selic.
Passamos, agora, a explicar como o Banco Central consegue efetivar a negociação dos títulos no
Selic, adotando a taxa de juros determinada pelo Copom.
Para entender como o Banco Central consegue determinar a taxa de juros, é necessário compreen-
der como funciona o mercado de Reservas Bancárias, no mercado monetário, onde as instituições
financeiras procuram satisfazer as suas necessidades de liquidez.
A conta Reservas Bancárias, como destacamos anteriormente, não é remunerada; portanto, as insti-
tuições não têm interesse em manter saldos nessa conta. Mas, por determinação do Banco Central,
há uma obrigatoriedade de manter um saldo na conta, que é conhecida como depósito compulsório.
O depósito compulsório foi instituído para evitar a expansão ilimitada do crédito. Se todo depósito
pudesse tornar-se crédito e, em seguida, depósito, não haveria como controlar a expansão monetá-
ria, com conseqüências graves no tocante ao controle da inflação pela autoridade monetária e no
controle da capacidade de fazer frente aos saques dos depositantes nos bancos. Se não houvesse

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 39
limitação à concessão do crédito, caso houvesse, por exemplo, cinco solicitações de crédito, um de-
pósito inicial de R$ 100,00 transformar-se-ia em um saldo de depósitos à vista de R$ 600,00, no ban-
co. Com o estabelecimento de um depósito compulsório de 40% do saldo de depósitos à vista, o de-
pósito inicial de R$ 100,00 tornar-se-ia, no final, apenas um saldo de R$ 238,34.
A tabela a seguir mostra o saldo final, após um número de solicitações de crédito que esgota a dispo-
nibilidade de crédito, levando em conta um compulsório de 40%.

DEPÓSITO COMPULSÓRIO (40%) DISPONIBILIDADE PARA CRÉDITO
1 R$ 100,00 R$ 40,00 R$ 60,00
2 R$ 60,00 R$ 24,00 R$ 36,00
3 R$ 36,00 R$ 14,40 R$ 21,60
4 R$ 21,60 R$ 8,64 R$ 12,96
5 R$ 12,96 R$ 5,18 R$ 7,78
6 R$ 7,78 R$ 3,11 R$ 4,67
7 R$ 4,67 R$ 1,87 R$ 2,80
8 R$ 2,80 R$ 1,12 R$ 1,68
9 R$ 1,68 R$ 0,67 R$ 1,10
10 R$ 1,10 R$ 0,44 R$ 0,66
11 R$ 0,66 R$ 0,26 R$ 0,40
12 R$ 0,40 R$ 0,16 R$ 0,24
E R$ 249,65

Então, a fórmula de cálculo da criação de depósitos à vista, a partir de um depósito inicial, é:
1
SD
COMP
= , sendo SD o saldo final dos depósitos à vista e COMP o percentual de compulsório
aplicado sobre os depósitos à vista. No nosso caso, com compulsório de 40%,
1
SD= =2,5
0,4
, isto é: o
depósito inicial fica multiplicado por 2,5. A diferença do resultado obtido na tabela deve-se a arredon-
damentos. Com o compulsório igual a 0, o depósito inicial seria multiplicado pelo número de solicita-
ções de crédito e SD tende a infinito.
Na verdade, o Banco Central fixa um depósito compulsório para todos os tipos de depósito: poupan-
ça, depósitos a prazo, etc., mesmo que o percentual aplicado seja 0%, devido às circunstâncias de
política econômica (expansão maior ou menor do crédito, obviamente com influências sobre a taxa de
juros).
Para mostrar como funciona o mercado de Reservas Bancárias, vamos utilizar o mais importante - o
compulsório sobre os depósitos à vista que, atualmente, é de 45%.
Para o cômputo do compulsório, as instituições financeiras são dividi das em dois grupos homogê-
neos, para os quais há o período de cálculo e o período de verificação. O fato é que as instituições
têm que manter depositados na conta Reservas Bancárias, no período de verificação, 45% do saldo
médio em depósitos à vista, apurado no período de cálculo.
Já que a conta Reservas Bancárias não é remunerada, manter um saldo acima do exigível pelo com-
pulsório é perder dinheiro, uma vez que os valores - que são sempre altos - poderiam estar sendo

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 40
aplicados. Por outro lado, se a instituição financeira estiver com saldo na conta Reservas Bancárias
abaixo do exigível, paga uma multa pesada. Assim, a demanda por Reservas Bancárias é exatamen-
te o compulsório.
Consideremos, então, duas situações:
1) Num momento em que há muita exportação, o Banco Central está comprando muitos dólares e
creditando a conta Reservas Bancárias das instituições, que ficarão com sobra de liquidez. Tendo
em vista que a conta Reservas Bancárias não é remunerada, procurarão aplicar o saldo exceden-
te ao compulsório, tentando conceder crédito ou mesmo emitindo CDIs e negociando com outras
instituições financeiras. Mas, se no final do dia, após todas as tentativas de negociação, ainda
sobrar um saldo agregado de todas as contas Reservas Bancárias, a taxa de juros poderá des-
pencar, pois as instituições aceitarão quaisquer taxas, mesmo que seja 0,1% a.a., para não man-
terem valores elevados sem remuneração.
2) Se ocorrerem muitas remessas de dólares ao exterior para pagamento de dívidas, o saldo agre-
gado das contas Reservas Bancárias pode ficar abaixo do compulsório. Nesse caso, as institui-
ções procurarão comprar Reservas Bancárias para não pagarem multa, e, para isso, podem ofe-
recer taxas de juros altíssimas pelo empréstimo, podendo chegar, por exemplo, a 100% a.a.
Na realidade, ocorrem as duas situações, em momentos alternados. Caso o Governo permitisse que
o mercado buscasse o equilíbrio entre a oferta e a demanda de Reservas Bancárias, ocorreriam osci-
lações muito fortes na taxa de juros, o que seria extremamente prejudicial à economia do país, uma
vez que os agentes econômicos não teriam horizontes possíveis para trabalhar. Sendo assim, o Go-
verno atua no mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos, para fixar a taxa de juros bá-
sica em determinado patamar, evitando as oscilações violentas e praticando a política monetária,
usando a taxa de juros básica para influir no comportamento de variáveis econômicas e para contro-
lar a inflação.
Podemos mostrar como a taxa de juros Selic (como fixada pelo Copom) é determinada no mercado
de Reservas Bancárias, utilizando o gráfico a seguir.
No gráfico, a reta vertical D representa a demanda por Reservas Bancárias, que é dada anteriormen-
te no período de cálculo e que, então, independe da taxa de juros e é exatamente o valor do compul-
sório: DR. Se a oferta de Reservas Bancárias aumenta de O
1
para O
2
, como ocorreria no primeiro
caso descrito acima, a taxa de juros de equilíbrio entre oferta e demanda de Reservas Bancárias
cairia de T
1
para T
2
.
O Banco Central, entretanto, fixou a taxa de juros básica, por exemplo, em 16,5%, T
1.
Para evitar a
oscilação na taxa e garantir que ela fique no nível determinado, 16,5%, ele diminui a oferta de Reser-
vas Bancárias, vendendo títulos públicos no Mercado Aberto, principalmente por meio de operações
compromissadas, de modo que a oferta de Reservas Bancárias volte a ser O
1
.





PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 41
Determinação da Taxa de Juros
Atuação do Banco Central na "zerada final"

Taxa de Juros
D O
1


O
2



T
1




T
2






DR Reservas Bancárias
Esse mecanismo de atuação do Banco Central é chamado de zeragem automática, pois, no final do
dia, ele iguala a oferta de Reservas Bancárias à demanda, não restando nenhum saldo a maior nem
a menor que o compulsório. E existem vantagens em ambos os casos a seguir: se o saldo agregado
está acima do compulsório e ele vende títulos públicos remunerando à taxa determinada, ainda as-
sim, qualquer remuneração é melhor do que nada; já se o saldo está abaixo do compulsório e ele
compra títulos públicos recebendo a taxa que fixar, de qualquer forma, para a instituição financeira é
melhor pagar essa taxa do que pagar multa.
Portanto, desse modo, o Banco Central consegue que a taxa praticada no Selic seja a fixada pelo
Copom, que tanto pode ser 0,5% a.a. quanto 100% a.a, que as instituições financeiras negociarão os
títulos.

2.2.2. Mercado de Crédito
É o segmento que atende aos agentes econômicos quanto às suas necessidades de crédito de curto
e médio prazos. Particularmente, são atendidas solicitações de crédito para financiamento da aquisi-
ção de bens duráveis pelos consumidores e do capital de giro das empresas. A maior parte do supri-
mento desse tipo de crédito é feita pelos intermediários financeiros bancários e não-bancários.

2.2.3. Mercado Cambial
É o segmento em que se realizam operações de compra e venda de moedas estrangeiras conversí-
veis. Podem ocorrer operações a prazo (normalmente curto), para suprimento de necessidades mo-
mentâneas de moeda estrangeira, por exemplo, para fechamento de câmbio de incorporações. Inver-
samente, podem ser adquiridas divisas por antecipação, por exemplo, de exportadores que trocam,
antecipadamente, por moeda corrente do país, as divisas estrangeiras que receberão. As operações
nesse segmento de mercado são feitas sob a intermediação de instituições financei ras autorizadas,
bancárias e não-bancárias.
O
1
O
2
O
1

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 42
Política Cambial
A política cambial tem como meta a busca do equilíbrio nas contas externas, no Balanço de Paga-
mentos, do país. Portanto, para compreender como deve funcionar essa política devemos entender,
em primeiro lugar, o Balanço de Pagamentos. As suas contas identificam, com valores em dólares, as
movimentações entre o país e o estrangeiro.
Temos dois tipos de políticas, ou uma mistura de ambas: de taxa de câmbio fixo, quando o governo
determina o preço da moeda estrangeira, a taxa de câmbio; de taxa de câmbio flutuante, quando o
governo não interfere e a lei de oferta e procura determinará o preço do dólar. No Brasil, de 1995 a
janeiro de 1999, tivemos a taxa de câmbio fixa, podendo variar dentro de determi nadas bandas. Hoje,
temos um regime de taxas de câmbio flutuantes, com o governo apenas atuando no mercado, com-
prando ou vendendo dólares, quando há variações muito acentuadas.
Na verdade, o governo deve atuar para evitar grandes oscilações. Para a manutenção da taxa real no
mesmo nível deve-se provocar uma variação que incorpore a inflação local e no exterior. Se um ex-
portador vende um produto por U$ 1.000,00, e ocorre uma inflação interna de 10%, a taxa de câmbio
deve desvalorizar-se em 10%, para que ele receba 10% mais reais para cobrir os custos que aumen-
taram nessa proporção. Entretanto, se houve uma inflação no exterior de 5%, ele receberá 5% a mais
de dólares e a taxa de câmbio pode valorizar-se em 5%. Se a taxa era de R$ 1,00 / U$ 1,00, a atual
deverá ser de: desvalorização de 10% => R$ 1,10 / US$ 1,00; valorização de 5% => 1,0476
16
. Desse
modo, ao receber U$ 1.050,00 pela exportação, ele transformará em R$ 1.100,00. Em outras pal a-
vras, para manutenção da taxa de câmbio real, a taxa anterior deve ser multiplicada por um fator que
é igual ao resultado da divisão (1+ inflação no país) / (1 + inflação fora do país).
Se o governo, no entanto, quiser estimular as exportações e desestimular as importações, deverá
colocar a taxa acima desse nível e vice-versa. Mas, num regime de taxas flutuantes (como é o caso
brasileiro), o governo não age e o mercado, pela lei de oferta e procura, irá determinar a taxa. Assim,
no caso de déficit no Balanço, a tendência é de desvalorização, e, no caso de superávit, a tendência
é de valorização.
Há também a questão da taxa de câmbio de equilíbrio. Na verdade, o problema principal para o go-
verno é a dependência do capital estrangeiro (poupança externa). Um déficit em transações correntes
significa necessidade de poupança externa para equilibrar o Balanço de Pagamentos. Portanto, a
taxa de câmbio de equilíbrio é a que faz com que não haja déficit em transações correntes.
Mas, de modo geral, quando há queda continuada das reservas internacionais, podemos esperar
aumento da taxa de câmbio, e, quando há aumento da oferta de dólares, podemos esperar diminui-
ção do preço do dólar.
Veja, por exemplo, no período que antecedeu a maxi-desvalorização de janeiro de 1999. Até meados
de janeiro de 1999 a taxa de câmbio era fixa no regime de bandas. O governo segurou a taxa muito
abaixo do preço de mercado, pois a oferta vinha diminuindo, até que não pode segurar mais. Observe
no gráfico a seguir que as reservas internacionais caem abruptamente: de US$ 75 bilhões em abril de
1998 a US$ 36 bilhões em janeiro de 1999. Como a oferta caiu muito, o preço do dólar, a taxa de

16
Tx. de Câmbio = 1.100 / 1.050.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 43
câmbio deveria aumentar. O Governo tentou colocar um limite superior da banda mais alto, mas foi
menor do que o esperado pelo mercado e daí não conseguiu segurar a cotação, liberando a taxa que
passou de R$1,2 / US$ em dezembro de 1994 para R$1,91 / US$ em fevereiro de 1999, uma alta de
59%.

Observe também no gráfico que havia um período de queda da taxa de câmbio ocorreu, por causa da
elevação das reservas, de outubro de 2001 a abril de 2002, e que, em seguida, houve uma alta ele-
vada da taxa de câmbio até outubro de 2002, com decrescimento das reservas. Esse fato é explicado
pelo medo dos investidores estrangeiros diante da grande probabilidade da eleição de Lula, que os
levou a retirar recursos do país. Após compromissos assumidos pelo novo governo de não contrariar
os interesses do capital especulativo internacional, este voltou, as reservas cresceram e a taxa de
câmbio vem caindo desde então.
Portanto, é importante acompanhar a evolução das Reservas Internacionais para saber se a taxa de
câmbio vai subir ou não. Esse acompanhamento deve ser feito através da leitura analítica das contas
e subcontas do balanço de pagamentos para acompanhar tendências e tentar fazer previsões.

O Balanço de Pagamentos
O Balanço de Pagamentos indica os registros das movimentações em moeda estrangeira do país
com o exterior e vice-versa. O Balanço de Pagamentos tem o formato do quadro abaixo, se conside-
rarmos as principais contas e subcontas. A conta de transações correntes apresenta o saldo das mo-
vimentações da balança comercial: exportações de bens e serviços menos importações; mais o saldo
da conta serviços que inclui o pagamento por serviços realizados como transportes, seguros, aluguéis
de equipamentos, royalties, etc; mais o saldo dos pagamentos da conta de rendas: salários, lucros,
dividendos, bonificações, juros, etc. Geralmente as contas de serviços e rendas de um país em de-
senvolvimento como o Brasil têm um saldo negativo que, se não for coberto por um superávit da ba-
lança comercial gerará a necessidade de financiamento externo. A conta de Capital e Financeira re-
Relação entre Taxa de Câmbio e Reservas Internacionais
Brasil 1995 - 2005
0,8
1,0
1,2
1,4
1,6
1,8
2,0
2,2
2,4
2,6
2,8
3,0
3,2
3,4
3,6
3,8
4,0
jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai
R$ / US$
28.000
32.000
36.000
40.000
44.000
48.000
52.000
56.000
60.000
64.000
68.000
72.000
76.000 US$ milhões
Taxa de Câmbio Reservas Internacionais Fonte: Banco Central
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 44
gistra os movimentos de capitais e financeiros como investimento direto: aumento de capital de uma
empresa ou criação de uma nova; e investimentos na formação de portfólios de ações e renda fixa.
Com a finalidade de acompanhar a evolução da taxa de câmbio num regime de taxas flutuantes é
importante acompanhar e entender os determinantes dos fluxos nas diversas contas do Balanço de
Pagamentos
17
.
Balanço de Pagamentos
Transações correntes
Balança comercial (FOB)
Serviços
Rendas
Transferências unilaterais correntes
Conta capital e financeira
Conta capital
/

Conta financeira
Investimento direto (líquido)
Investimentos em carteira
Derivativos
Outros investimentos
/

Erros e omissões
Resultado do balanço

2.2.4. Mercado de Capitais
É o conjunto dos meios e instrumentos necessários à geração e distribuição de valores mobiliários. É
o segmento que atende aos agentes econômicos produtivos (na área pública e privada) quanto às
suas necessidades de financiamento de médio e, sobretudo, de longo prazos, essencialmente rel a-
cionados com investimentos em capital fixo. A maior parte dos recursos financeiros de longo prazo é
suprida por intermediários financeiros não-bancários. As operações que se realizam nas bolsas de
valores (particularmente com ações) são parte integrante desse mercado.

2.2.5. Mercado de Derivativos
Derivativos são instrumentos financeiros que derivam de outros. O contrato derivativo deriva de um
valor ligado a um ativo: commodities, ações, taxas de juros, moeda estrangeira etc. As transações

17
Na Nota Técnica 1, disponível na página do Banco Central (www.bcb.gov.br) há a explicação detalhada de cada conta.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 45
são realizadas nos mercados futuros, a termo, de opções, swaps
18
, etc.
O objetivo desses contratos é oferecer proteção contra prejuízos ocasionados por variações imprevi s-
tas nos valores de ativos, de taxas e de índices. Para garantir um determinado valor em reais, na data
do recebimento pelas suas vendas, um exportador faz um contrato futuro de venda de moeda estran-
geira a uma determinada taxa de câmbio. Obviamente, quem faz esse contrato com ele espera que a
taxa de câmbio esteja maior que a firmada no contrato.
Os participantes desse mercado são:
- Hedger: participa no intuito de conseguir hedge (proteção) contra variações não esperadas.
Procura, assim, minimizar os riscos de flutuações nos preços de ativos (moedas, ações,
commodities, etc.), índices e taxas de juros.
- Especulador: assume o risco do hedger, esperando obter ganhos financeiros.
- Arbitrador: atua em vários mercados ao mesmo tempo, aproveitando-se de diferenças de
preços entre eles.

2.3. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO A FORMA DE REMUNERAÇÃO E
CORREÇÃO MONETÁRIA
O mercado financeiro também pode ser secionado pelas características dos produtos quanto à renta-
bilidade e correção monetária. Temos então dois mercados distintos: de renda fixa e de renda vari á-
vel.

2.3.1 Renda Fixa
Investimentos de renda fixa são investimentos em títulos públicos e privados, nos quais a rentabilida-
de será proporcionada por uma taxa de juros prefixada ou pós-fixada. A taxa prefixada é a taxa defi-
nida no ato do investimento, portanto o investidor sabe qual será a rentabilidade. A taxa pós-fixada é
a rentabilidade dada por uma taxa de juros determinada no ato da aplicação, mais atualização mone-
tária estabelecida em função de um indexador, portando só é possível conhecer o total de rendimen-
tos no vencimento da operação. Indexadores mais conhecidos: IGPM - Índice Geral de Preços de
Mercado, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); IPCA - Índice de Preços ao Consumidor
Amplo, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Taxa Selic.

2.3.2 Renda Variável
Investimentos de renda variável são considerados investimentos de risco cuja rentabilidade depende
das condições futuras de mercado. Os exemplos mais comuns são os investimentos em ações e em
ativos financeiros, como ouro ou dólar.

18
Swap significa troca. No mercado, realizar swap significa trocar um item de um contrato por outro. Por exemplo, um devedor
de um empréstimo com juros pré-fixados acredita que a taxa de juros vai diminuir no futuro e propõe-se a trocar seu fluxo de
pagamentos futuros por outro, com juros pós-fixados. Por outro lado, um devedor com juros pós-fixados acredita que os ju-
ros vão subir. Então é realizado o swap das dívidas.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 46
2.3.3. Fundos de Investimento
Segundo a Anbid (Associação Nacional de Bancos de Investimento):
Um fundo de investimento é um condomínio que reúne recursos de um conjunto de investidores,
com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira de títulos ou valo-
res mobiliários.
Existem desde o século XIX, sendo que o primeiro foi criado na Bélgica e logo depois na Holanda,
França e Inglaterra. O primeiro fundo mútuo nos Estados Unidos iniciou suas operações em 1924,
e existe até hoje. No Brasil, o primeiro fundo iniciou suas atividades em 1957, e já em 1967, nasce
a ANBID.
Através dos fundos, os pequenos investidores têm acesso a melhores condições de mercado,
menores custos e contam com administração profissional, colocando-os em igualdade com os
grandes investidores.
Os fundos tornam possível a diversificação dos investimentos, através da aplicação em suas dife-
rentes classes, visando diluir o risco e aumentar o potencial de retorno. É válido também ressaltar
que os recursos dos fundos nunca se misturam aos da instituição administradora.
Atualmente funcionam sobre a autorização da CVM - Comissão de Valores Mobiliários, órgão res-
ponsável por sua regulação e fiscalização, buscando a proteção do investidor. A Instrução CVM
No. 409 dispõe sobre a constituição, a administração, o funcionamento e a divulgação de informa-
ções dos fundos de investimento, conceituados como: "uma comunhão de recursos constituída
sob a forma de condomínio, destinado à aplicação em títulos e valores mobiliários, bem como em
quaisquer outros ativos disponíveis no mercado financeiro e de capitais"
Cabe à ANBID auxiliar na construção, modernização e aperfeiçoamento da legislação de fundos
de investimento, influenciar e dar suporte à indústria para explorar adequadamente as oportunida-
des de crescimento e melhorar constantemente seus pilares.

Fundos de investimentos
Existem no Brasil desde o final da década de 50. Seu objetivo é a redução do risco inerente às apl i-
cações do mercado financeiro.
Os fundos mútuos de investimento são instrumentos de captação de pequenas poupanças do públi-
co, para investi-las nos mercados de ações e de renda fixa. São condomínios que reúnem os recur-
sos de vários investidores para aplicar em diversos ativos, como títulos públicos/privados, ações
CDB’s, etc.
As aplicações feitas em moeda (R$) são convertidas em números de quotas. Os recursos são obtidos
mediante a venda de cotas, as quais devem ser recompradas ou resgatadas quando o solicitarem. O
dinheiro é aplicado na formação de uma carteira de títulos. O patrimônio formado tem o seu valor
determinado pela cotação dos papéis que o compõem. O valor de cada cota, em cada momento (dia),
é obtido pela divisão do valor do patrimônio pelo número de cotas. Assim, caso haja valorização dos
títulos que constam da carreira, as cotas se valorizam também.
Todo fundo de investimento apresenta um regulamento próprio. O principal objetivo é obter maior
remuneração para os recursos aplicados, que totalizam no chamado patrimônio do Fundo. Dessa

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 47
forma, os investidores obtêm juntos uma remuneração maior em suas aplicações do que individual-
mente. Além disso, propicia uma redução do risco inerente às aplicações no mercado financeiro, visto
que é raro se ter investimento livre. Considera-se que o risco da carteira é diferenciado do risco do
ativo individual, pelo benefício da diversificação no mercado. Quando se forma uma carteira aplicando
em diferentes classes de ativos – Títulos de Renda Variável, Títulos de renda Fixa e Instrumentos de
Curto Prazo – minimiza-se o risco de sofrer perdas com investimentos, dada a diversificação da sua
carteira.
Essa modalidade de investimento, além de representar mais uma opção no mercado, favorece pe-
quenos e médios investidores, pois possibilita que invistam em ativos aos quais, de outra forma, não
teriam acesso, como os títulos públicos que não são vendidos diretamente ao pequeno investidor.
Atualmente, há no mercado os chamados Fundos de Investimento Financeiro – FIFs; os Fundos de
Aplicação em Cotas de Fundos de Investimento Financeiro - FAQs; os Fundos de Investimento no
Exterior - FIEX, e os Fundos de Investimento em Títulos e Valores Mobiliários - FITVM. Na verdade
quem aplica dinheiro num FAQ, aplica num fundo que irá aplicar seu patrimônio total num FIF. Os que
aplicam quantias pequenas aplicam em FAQs e somente quem aplica volumes maiores aplica no FIF.
O FAQ paga taxa de administração ao FIF e cobra também do aplicador. Portanto as menores taxas
de administração são as dos FIFs.
A legislação que rege os fundos de investimentos estabelece as seguintes espécies de fundos:
- Fundos de ações - Aplicam a maior parte de seus recursos em ações e/ou debêntures conversíveis
em ações;
- Fundos de renda fixa
19
- Aplicam a maior parte de seus recursos em títulos de renda fixa. Os índi-
ces que irão corrigir os investimentos são conhecidos a priori;
- Fundos de renda variável – A correção segue os preços do mercado.
As informações a seguir foram obtidas da página da Anbid, www.anbid.com.br
20
.

19
Os conceitos de renda fixa e renda variável serão vistos na próxima unidade.
20
Obtido em
<http://novosite.anbid.com.br/institucional/servlet/CalandraRedirect?temp=5&proj=ANBID&pub=T&comp=sec_A_ANBID&db=C
alSQL2000&docid=4EBDDD76E9B84E3C83256E3000620AF9>, acesso em 21/08/2005.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 48
Tipos de Fundo de Investimento – classificação ANBID

Categoria ANBID Tipo ANBID Riscos
Curto Prazo Curto Prazo DI/SELIC
Referenciados
Referenciado DI
Indexador de Referência
Referenciado Outros
Renda Fixa
Renda Fixa Juros
Renda Fixa Crédito Juros + Crédito
Renda fixa Multi-índices Juros + Crédito + Ind de preços
Renda fixa com Alavancagem Juros + Crédito + Ind de preços + Alavancagem
Multimercados
Balanceados
Diversas Classes de ativos
Multimercados Sem RV
Multimercados Com RV
Multimercados Sem RV Com Alavancagem
Multimercados Com RV Com Alavancagem
Capital Protegido
Investimento no Exterior Investimento no Exterior Títulos da dívida externa e taxa de câmbio
IBOVESPA
Ações IBOVESPA Indexado
Índice de Referência.
Ações IBOVESPA Ativos
Ações IBOVESPA Ativo Alavancado Índice de Referência + Alavancagem
IBX
Ações IBX Indexado
Indexador referência + Alavancagem
Ações IBX Ativo
Ações IBX Ativo Com Alavancagem Índice de Referência + Alavancagem
Ações Setoriais
Ações Setoriais Telecomunicações
Risco do Setor
Ações Setoriais Energia
Ações Outros
Ações Outros -
Ações Outros Com Alavancagem Alavancagem
Cambial
Cambial Dólar Indexado
Moeda de Referência.
Cambial Euro Indexado
Cambial Dólar sem alavancagem
Cambial Dólar com alavancagem Moeda de Referência + alavancagem
Cambial Outros sem alavancagem Variação das moedas
Cambial Outros com alavancagem Variação das moedas+alavancagem

Curto Prazo
Busca retorno por meio de investimentos em títulos indexados à CDI/Selic ou em papéis prefixados,
desde que indexados e/ou sintetizados para CDI/Selic; de emissão do Tesouro Nacional (TN) e/ou do
BACEN; com prazo máximo a decorrer de 375 dias e prazo médio da carteira de, no máximo, 60 dias.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 49
É permitida, também, a realização de Operações Compromissadas, desde que: sejam indexadas à
CDI/Selic; lastreadas em títulos do TN ou do BACEN e com contraparte classificada como baixo risco
de crédito. No caso específico da contraparte ser o BACEN é permitida a operação pré fixada com
prazo máximo de 7 dias, desde que corresponda a períodos de feriados prol ongados; ou de 60 dias,
desde que indexada à CDI/Selic.

Referenciados
Os fundos referenciados são aqueles que têm como objetivo seguir o mais próximo possível as vari a-
ções de um índice. Se dividem em dois tipos, de acordo com o índice escolhido como referência.

Referenciados DI: Fundos que objetivam investir, no mínimo, 95% do valor de sua carteira em títulos
ou operações que busquem acompanhar as variações do CDI ou SELIC, estando também sujeitos às
oscilações decorrentes do ágio/deságio dos títulos em relação a estes parâmetros de referência. O
montante não aplicado em operações que busquem acompanhar as variações destes parâmetros de
referência, devem ser aplicados somente em operações permitidas para os Fundos Curto Prazo. Es-
tes fundos seguem as disposições do artigo 94 da Instrução CVM 409
21
.
Referenciados Outros: Fundos que objetivam investir, no mínimo, 95% do valor de sua carteira em
títulos ou operações que busquem acompanhar as variações de um parâmetro de referência diferente
daqueles definidos no item Referenciados DI acima, estando também sujeitos às oscilações decor-
rentes do ágio/deságio dos títulos em relação ao seu parâmetro de referência. O montante não apl i-
cado em operações que busquem acompanhar as variações do parâmetro de referência, devem ser
aplicados somente em operações permitidas para os Fundos Curto Prazo. Estes fundos seguem as
disposições do artigo 94 da Instrução CVM 409. Nesta categoria não são permitidos os parâmetros
de referência moedas estrangeiras ou mercado acionário.

Renda Fixa

Renda Fixa: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa (sendo aceitos títulos
sintetizados através do uso de derivativos). Excluem-se estratégias que impliquem em risco de índi-
ces de preço, de moeda estrangeira ou de renda variável (ações, etc.). Devem manter, no mínimo,
80% de sua carteira em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito. Não admitem
alavancagem
22
.
Renda Fixa Crédito: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qualquer
espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos). Excl u-

21
Entende-se por proteção da carteira, ou hedge, qualquer operação que tenha por objetivo neutralizar riscos diferentes do
parâmetro de referência do fundo, ou sintetizar riscos que atrelem o fundo ao parâmetro de referência, limitado ao valor do
seu patrimônio.
22
Um fundo é considerado alavancado sempre que existir possibilidade (diferente de zero) de perda superior ao patrimônio do
fundo, desconsiderando-se casos de default nos ativos do fundo.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 50
em-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço, de moeda estrangeira ou de renda
variável (ações, etc.). Não admitem alavancagem².
Renda Fixa Multi-índices: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qual-
quer espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos),
incluindo-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. Excluem-se, porém, investimen-
tos que impliquem em risco de oscilações de moeda estrangeira e de renda variável (ações, etc.).
Não admitem alavancagem².
Renda Fixa Alavancados: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qual-
quer espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos),
incluindo-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. Excluem-se, porém, investimen-
tos que impliquem em risco de oscilações de moeda estrangeira e de renda variável (ações, etc.).
Estes fundos podem, inclusive, realizar operações que impliquem em alavancagem² do patrimônio.

Multimercados
Estes fundos combinam investimentos em ativos de renda fixa, câmbio, ações e derivativos.
Balanceados: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através
de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa, ações, câmbio, etc.). Estes fundos utilizam
uma estratégia de investimento diversificada e, deslocamentos táticos entre as classes de ativos ou
estratégia explícita de rebalanceamento de curto prazo Estes fundos devem ter explicitado o mix de
ativos (percentual de cada classe de ativo) com o qual devem ser comparados (asset allocation ben-
chmark). Sendo assim, esses fundos não podem ser comparados a indicador de desempenho que
reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). Não admitem alavancagem².
Multimercados sem alavancagem, sem renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos
que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda
fixa, câmbio, etc.) exceto renda variável (ações, etc.). Estes fundos não têm explicitado o mix de ati-
vos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem, inclusive, ser compa-
rados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI).
Não admitem alavancagem².
Multimercados sem alavancagem, com renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos
que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda
fixa, câmbio, etc.) incluindo renda variável (ações, etc.). Estes fundos não têm explicitado o mix de
ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem, inclusive, ser com-
parados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100%
CDI). Não admitem alavancagem².
Multimercados com alavancagem, sem renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos
que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda
fixa, câmbio, etc.) exceto renda variável (ações, etc.). Estes fundos não têm explicitado o mix de ati-
vos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem, inclusive, ser compa-
rados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI).
Admitem alavancagem².

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 51
Multimercados com alavancagem, com renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos
que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda
fixa, câmbio, etc.) incluindo renda variável (ações, etc.). Estes fundos não têm explicitado o mix de
ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem, inclusive, ser com-
parados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100%
CDI). Admitem alavancagem².
Capital Protegido: Busca retornos em mercados de risco procurando proteger parcial ou totalmente
o principal investido.

IBOVESPA
Fundos de Ações Ibovespa Indexado: São fundos cujo objetivo de investimento é acompanhar o
comportamento do Ibovespa. Não admitem alavancagem².
Fundos de Ações Ibovespa Ativo: São fundos que utilizam o Índice Bovespa como referência, ten-
do objetivo explícito de superar o este índice. Não admitem alavancagem².
Fundos de Ações Ibovespa Ativo com alavancagem: São fundos que utilizam o Índice Bovespa
como referência, tendo objetivo explícito de superar este índice. Admitem alavancagem².

IBX
Fundos que têm como parâmetro de referência o IBX e o IBX50, dois índices da Bolsa de Valores de
São Paulo.
Fundos de Ações IBX Indexado: São fundos cujo objetivo de investimento é acompanhar o compor-
tamento do IBX ou do IBX 50. Não admitem alavancagem².
Fundos de Ações IBX Ativo: São fundos que utilizam o IBX ou o IBX 50 como referência, tendo
objetivo explícito de superar o respectivo índice. Não admitem alavancagem².
Fundos de Ações IBX com alavancagem: São fundos que utilizam o IBX ou o IBX 50 como referên-
cia, tendo o objetivo explícito de superar o respectivo índice. Admitem alavancagem².

Fundos de Ações Setoriais
Fundos que investem em determinados setores da economia.
Telecomunicações: São fundos cuja estratégia é investir em ações do setor de telecomunicações.
Não admitem alavancagem².
Energia: São fundos cuja estratégia é investir em ações do setor de energia. Não admitem alavanca-
gem.

Fundos de Ações Outros
Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se enquadram em nenhum dos

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 52
segmentos anteriores
Outros sem alavancagem: Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se
enquadrem em nenhum dos segmentos anteriores. Não admitem alavancagem².
Outros com alavancagem: Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se
enquadrem em nenhum dos segmentos anteriores (IBOVESPA, IBX, Fundos de Ações Setoriais e
seus subsegmentos). Admitem alavancagem².

Fundos Cambiais
Objetiva acompanhar variação de preço apenas da moeda estrangeira ou da moeda estrangeira e da
taxa de juros dos títulos que investe.
Cambial Dólar sem alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em
ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados diretamente, ou sintetizados via deri-
vativos, à moeda norte-americana. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indire-
tamente ao dólar deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixa-
das a CDI/ SELIC). Não admitem alavancagem².
Cambial Dólar com alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em
ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados diretamente, ou sintetizados via deri-
vativos, à moeda norte-americana. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indire-
tamente ao dólar deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixa-
das a CDI/ SELIC). Estes fundos admitem alavancagem².
Cambial Euro sem Alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em
ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados diretamente, ou sintetizados via deri-
vativos, à moeda européia. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente
ao euro deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/
SELIC). Não admitem alavancagem.
Cambial Outros sem alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em
ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados diretamente, ou sintetizados via deri-
vativos, a uma ou mais moedas estrangeiras. O montante não aplicado em ativos relacionados direta
ou indiretamente a uma ou mais moedas estrangeiras deve ser aplicado somente em títulos e opera-
ções de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC). Não admitem alavancagem².
Cambial Outros com alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em
ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados diretamente, ou sintetizados via deri-
vativos, a uma ou mais moedas estrangeiras. O montante não aplicado em ativos relacionados direta
ou indiretamente a uma ou mais moedas estrangeiras deve ser aplicado somente em títulos e de
Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC). Estes fundos admitem alavancagem².

Fundos Mútuos de Privatização
São fundos destinados à aquisição de valores mobiliários, com recursos disponíveis da conta vincu-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 53
lada do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço - FGTS. São os fundos regulamentados pelas Ins-
truções CVM 141/1991, 157/1991, 266/1997, 279/1998 e suas modificações.

Fundos de Previdência: nesta categoria incluem-se os FAPI's e Fundos Exclusivos para PGBL's.

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios
Fundos destinados à aquisição de títulos de direitos creditórios, como títulos representativos de crédi-
to, originários de operações realizadas nos segmentos financeiro, comercial, industrial, imobiliário, de
hipotecas, de arrendamento mercantil e de prestação de serviços, entre outros. São os fundos regu-
lamentados pelas Instruções CVM 356/2001 e 399/2003 e suas modificações.

Fundos de Investimento Imobiliário
O Fundo de Investimento Imobiliário é um fundo fechado e destinado à aplicação em empreendimen-
tos imobiliários, e pode ter prazo de duração determinado ou indeterminado. São os fundos regul a-
mentados pelas Instruções CVM 205/1994 e 206/1994 e suas modificações.

Fundos de Índice
O fundo deve manter 95%, no mínimo, de seu patrimônio aplicado em valores mobiliários ou outros
ativos de renda variável, na proporção em que estes integram o índice de referência, ou em posições
compradas no mercado futuro do índice de referência, de forma a refletir a variação e rentabilidade de
tal índice. São os fundos regulamentados pela Instrução CVM 359/2002.

Fundos de Dívida Externa
São fundos que têm como objetivo investir preponderantemente em títulos representativos da dívida
externa de responsabilidade da União. Estes fundos seguem o disposto no artigo 96 da Instrução
CVM 409.

Fundos Offshore
Para efeitos desta classificação, será considerado fundo offshore aquele constituído fora do território
brasileiro, mas cujo gestor localiza-se no Brasil: Offshore Renda Fixa; Offshore Renda Variável; Off-
shore Mistos

Fundos Fechados
Três tipos: Fundos Fechados de Renda Fixa; Fundos Fechados de Ações; Fundos Fechados Mistos.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 54
Classificação CVM (As informações abaixo foram extraídas de www.cvm.com.br)

Curto Prazo
Investem seus recursos exclusivamente em títulos públicos federais ou privados de baixo risco
de crédito.
Estes títulos podem ser de renda fixa, pós ou prefixados, e geralmente, sua rentabilidade está
atrelada à taxa de juros usada nas operações entre os bancos (conhecida como taxa do CDI).
Investem em papéis com prazo máximo a decorrer de 375 dias e o prazo médio da carteira é de,
no máximo, 60 dias.
Por estas características, são considerados os mais conservadores, indicados para investidores
com objetivo de investimento de curtíssimo prazo, pois suas cotas são menos sensíveis as osci-
lações das taxas de juros.
Referenciado
Os fundos Referenciados identificam em seu nome o indicador de desempenho que sua carteira
tem por objetivo acompanhar.
Para tal, investe no mínimo 80% em títulos públicos federais ou em títulos de renda fixa privados
classificado na categoria baixo risco de crédito. Além disso, no mínimo 95% de sua carteira é
composta por ativos que acompanhem a variação do seu indicador de desempenho, o chamado
benchmark. Usam instrumentos de derivativos com o objetivo de proteção (hedge).
Os fundos referenciados mais conhecidos são os DI. Você provavelmente já ouviu falar deles.
São fundos que buscam acompanhar a variação diária das taxas de juros (Selic/CDI), e se bene-
ficiam em um cenário de alta de juros.
Renda Fixa
Aplicam uma parcela significativa de seu patrimônio (mínimo 80%) em títulos de renda fixa prefi-
xados (que rendem uma taxa de juro previamente acordada) ou pós-fixados (que acompanham a
variação da taxa de juros ou um índice de preço). Além disso, usam instrumentos de derivativos
com o objetivo de proteção (hedge).
Nos fundos de Renda Fixa acontece o oposto dos fundos Referenciados DI, pois se beneficiam
em um cenário de redução das taxas de juros.

Multimercado
São fundos que possuem políticas de investimento que envolve vários fatores de risco, pois
combinam investimentos nos mercados de renda fixa, câmbio, ações, entre outros. Além disso,
utilizam-se ativamente de instrumentos de derivativos para alavancagem de suas posições, ou
para proteção de suas carteiras (hedge). São fundos com alta flexibilidade de gestão, por isso
dependem do talento do gestor na escolha do melhor momento de alocar os recursos (market
timing), na seleção dos ativos da carteira e no percentual do patrimônio que será investido em
cada um dos mercados (asset mix).

Ações
São fundos que investem no mínimo 67% de seu patrimônio em ações negociadas em bolsa.
Dessa forma, estão sujeitos às oscilações de preços das ações que compõem sua carteira. Al-
guns fundos desta classe têm como objetivo de investimento acompanhar a variação de um índi-
ce do mercado acionário, tal como o Ibovespa ou o IBX. São mais indicados para quem tem ob-
jetivos de investimento de longo prazo.

Cambial
Estes fundos devem manter no mínimo, 80% de seu patrimônio investido em ativos que sejam
relacionados, diretamente ou indiretamente (via derivativos), à variação de preços de uma moe-
da estrangeira, ou à uma taxa de juros (o chamado de cupom cambial). Nesta classe os fundos
mais conhecidos são os chamados fundos Cambiais Dólar que objetivam seguir a variação da
cotação da moeda norte americana. Mas é importante ficar atendo, pois estes fundos não refle-
tem exatamente a cotação do dólar, pois nele estão envolvidos custos de taxa de administração,
imposto de renda, bem como a variação da taxa de juro.

Dívida Externa
Aplicam no mínimo 80% de seu patrimônio em títulos brasileiros negociados no mercado inter-
nacional. Os 20% restantes podem ser aplicados em outros títulos de crédito transacionados no
exterior. Estes títulos são mantidos no exterior.
Para o investidor no Brasil, este fundo é a única forma de aplicar nos papéis emitidos pelo go-
verno brasileiro negociados no exterior.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 55
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSAF NETO, A. Mercado financeiro / 4a. ed. São Paulo: Atlas, 2001.
CAVALCANTI, F; MISUMI, J. Y. Mercado de Capitais. Rio de Janeiro: Campus, 2001. 373p. ISBN 85-
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www.anbid.com.br
www.andima.com.br
www.bcb.gov.br
www.bmf.com.br
www.bovespa.com.br

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 56
3. MERCADO DE RENDA FIXA




3.1. A MONTAGEM DO FLUXO DE CAIXA


Uma vez que o investimento em ativos do mercado financeiro é a compra de um papel (título de pro-
priedade) que garante ao investidor um fluxo de caixa, no futuro, que transformará o capital investido
em um valor maior, em função da renda gerada, a primeira etapa para se avaliar um investimento é a
montagem do fluxo de caixa.
A seguir são apresentados produtos oferecidos no mercado e a respectiva montagem do fluxo de
caixa. Mas, antes, vamos tratar de alguns exemplos de títulos, destacando suas características com
dois ou mais fluxos de caixa.
Primeiramente, veremos exemplos de títulos com apenas dois fluxos de caixa: a saída no ato do in-
vestimento e uma entrada no resgate.

Exemplo 1: Título pré-fixado com dois fluxos de caixa

Título 001 Data de vencimento: 10/01/2006
R$1.200.000,00
Pague-se, ao portador deste, a quantia de R$1.200.000,00,
na data de vencimento acima.

Belo Horizonte, 10/01/2005

Banco de Desenvolvimento do Brasil

Geraldo Eugênio Miranda
Presidente

Esse título contém a promessa de pagamento de R$ 1.200.000,00 no vencimento. Portanto o com-
prador já sabe quanto receberá no resgate e o título é pré-fixado. Qual é o preço que o investidor
exigirá para abrir mão de seu capital em 10/01/2005 e receber R$1.200.000,00, em 10/01/2006? O
preço é a renda que ele receberá adicionada ao principal. Ele deve, a partir da imposição desse preço
(juros), calcular quanto pagaria, hoje, por esse título que lhe devolverá R$1.200.000,00 depois de um
ano. Se ele exige 20% de juros sobre o investimento, qual o valor a ser pago por esse título na emi s-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 57
são? Qual seu valor presente?
Podemos escrever essa questão algebricamente:
VP x 1,2 = 1.200.000
Então,
0 R$1.000.00
1,2
0 R$1.200.00
VP = =
Portanto, podemos escrever o valor presente de um investimento como esse da seguinte forma:
r 1
C
VP
1
+
=
em que C
1
é o fluxo de caixa na data 1 e r é a taxa de juros apropriada.
Montagem do fluxo de caixa:
10/01/2005 10/01/2006
-$1.000.000,00 $1.200.000,00

Exemplo 2: Título pós-fixado com dois fluxos de caixa

Título 002 Data de vencimento: 10/01/2006
R$1.000.000,00
Pague-se, ao portador deste, na data de vencimento acima, o valor de face
acrescido de juros de 8% ao ano mais a correção pelo IGP-M.

Belo Horizonte, 10/01/2005

Banco de Desenvolvimento do Brasil

Geraldo Eugênio Miranda
Presidente
Nesse caso, o valor de compra já é determinado, a incógnita é o rendimento, pois não se sabe qual
será a correção. O retorno sobre o investimento só será conhecido no dia do vencimento. Portanto, é
um título pós-fixado.
Considerando que se prevê a variação do IGP-M de 15% e que o retorno sobre o investimento será a
soma dessa correção com a taxa de juros, o valor a ser recebido no resgate será:
VF= VP (1+0,08+0,15) = R$ 1.000.000 * 1,23 = R$ 1.230.000.
A rentabilidade é de 23%.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 58
Montagem do fluxo de caixa:
No Exemplo 02, o valor de compra já é determinado no contrato: R$ 1.000.000,00. A entrada de cai-
xa, no futuro, só poderá ser conhecida na data do resgate, uma vez que depende de se saber a vari-
ação cambial até tal data.
O fluxo de caixa do Título 002 ficará, então, conforme os cálculos do valor do resgate, feitos em
10/01/2006:
10/01/2005 10/01/2006
-$1.000.000,00 $1.230.000,00
Vamos, agora, ver exemplos de títulos com mais de dois fluxos de caixa: a saída no ato do investi-
mento e várias entradas futuras.

Exemplo 3: Título pré-fixado com mais de dois fluxos de caixa

Uma debênture com valor de face de R$ 2.000.000,00 paga amortização ao final e juros de 7% a.s.
sobre o valor de emissão, durante 4 anos.
Debênture da Companhia Acarajé S.A.
R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais)
Pague-se ao portador juros de 7% a cada semestre, a contar da data de emissão,
por quatro anos e amortização ao final desse período.
Emissão em 10/01/2005.
Companhia Acarajé, com sede à Rua Walter Oliveira 500, Bairro Dourados, na ci-
dade do Rio de Janeiro - RJ. - CNPJ: 17.309.790/0001-94
George Walter Oliveira
Presidente
Juros= 0,07 x 2.000.000 = 140.000
Montagem do fluxo de caixa:
10/01/05 10/07/05 10/01/06 10/07/06 10/01/07 10/07/07 10/01/08 10/07/08 10/01/09
-$2.000.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $140.000,00 $2.140.000,00

Exemplo 4: Título pós-fixado com mais de dois fluxos de caixa
Um título público (NTN-C), emitido em 01/07/2000, com vencimento em dez anos comprado em
01/01/2005, que paga 6% de juros ao ano, em pagamentos semestrais sobre o valor nominal de R$

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 59
250.000,00, corrigido pelo IGP-M, e o principal no vencimento.

Nota do Tesouro Nacional – série C
R$ 250. 000, 00
Pague-se, semestralmente, cupom de 6% de juros ao ano e o
principal no vencimento.
O valor nominal será corrigido pelo IGP-M do mês anterior.
01/07/2000

Montagem do fluxo de caixa:
01/01/05 01/07/05 01/01/06 01/07/06 01/01/07 01/07/07 01/01/08 01/07/08 01/01/09 01/07/09 01/01/10
-$250.000,00
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
3% do
valor no-
minal
corrigido
103% do
valor no-
minal
corrigido


3.2. PREÇO E RENDIMENTO DE TÍTULOS DE RENDA FIXA
Como vimos, no mercado de renda fixa, no ato da aplicação, a forma de remuneração é estabelecida,
ou seja, no contrato do negócio está fixada como será paga a renda a ser recebida pela aplicação.
A remuneração pode ser prefixada, quando já se sabe no ato da aplicação qual será exatamente a
rentabilidade, e pode ser pósfixada, se há, no contrato do título, a previsão de utilização de um inde-
xador aplicado sobre o capital investido e os juros são calculados com base no valor corrigido.
Quando se realiza uma aplicação no mercado financeiro, o que ocorre é a criação de um fluxo de
caixa para o investidor, por meio de um contrato, chamado título, que pode ocorrer por meio de um
papel, ou de um registro em um sistema de informação.
Abaixo, será tratada a avaliação de investimentos no mercado de renda fixa com a utilização da ma-
temática financeira. O resultado dos exercícios propostos encontra-se no final desta seção.

Títulos prefixados
O título prefixado pode ser apresentado oferecendo o pagamento do principal e dos juros no venci-
mento, fluxo de caixa com uma saída e uma entrada, e pagando o principal e ou os juros em parce-
las, fluxo de caixa com uma saída e várias entradas. Essas modalidades de aplicação podem ser
oferecidas com o valor de resgate, valor de face, fixo e a rentabilidade sendo proporcionada pela
compra do título com deságio em relação a esse valor.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 60
Exemplo 1:
Aplicação: R$ 3.000,00
Rendimento: juros de 1,1% a.m.
Prazo: 1 ano.
Imposto de Renda descontado na fonte: 17,5%
23

Cálculo da Taxa de Juros Líquida:
( ) 3.420,85 1,011 3.000,00
12
= ×
A renda gerada é R$ 420,85. Considerando a alíquota de Imposto de Renda, recolhido na fonte, de
17,5%, a renda líquida será: 347,20 0,825 420,85 = × e a taxa de juros liquida:
( ) 3.347,20 i 1 3.000,00 = + × .
Daí, 0,1157 1
3.000,00
3.347,20
i = ÷ = => i = 11,6% a.a.

Exercício 1: Calcule a taxa líquida de uma aplicação de R$ 3.000,00, pelo prazo de um ano, com
pagamento de juros de 1,5% a.m. e do principal no vencimento. O Imposto de Renda para aplicações
de 361 a 720 dias é 17,5%. Resp.: 16,3% a.a.

A seguir, vamos calcular a taxa líquida real, descontada a inflação, a qual nos permite saber o que
exatamente houve de ganho real.

Exemplo 2:
Cálculo da taxa líquida real: partindo de exercício anterior, cuja renda líquida é R$ 484,15, e conside-
rando que a inflação no período foi de 11%, primeiro calcula-se a correção monetária do investimen-
to: 3.330,00 1,11 3.000,00 = × . Então, podemos calcular o ganho real: 0,0046 1
3.330,00
3.484,15
i = ÷ = => i =
0,46% a.a.

Exercício 2: Calcule a taxa líquida real de uma aplicação de R$ 2.000,00, por dois anos, com paga-
mento de juros de 1,3% a.m. e do principal no vencimento. Considere que o Imposto de Renda para
aplicações por dois anos é de 15% e que a inflação no período é 17%. Resp.: 11,9% em dois anos.

Na maioria das situações em que temos que comparar alternativas diferentes de aplicação, as alter-

23
A partir de 2005, as alíquotas de IR são as seguintes: para aplicações até 180 dias: 22,5%; de 181 a 360 dias: 20%; de 361
a 720 dias: 17,5%; com prazo superior a 720 dias: 15%.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 61
nativas têm prazo diferente. É importante que calculemos a taxa de rentabilidade anual de todas as
alternativas de aplicação, para que possamos ter uma base de comparação, pois, Para isso, calcula-
mos a taxa equivalente. No mercado financeiro é recomendável utilizar dias úteis, pois a aplicação no
Over Night (por uma noite), com juros diários, de sexta-feira para segunda-feira é considerada como
aplicação por um dia apenas. Para os cálculos, considera-se o ano com 252 dias úteis.

Exemplo 3:
Cálculo da taxa anual equivalente: partindo do Exercício 2, calculamos a taxa equivalente:
( ) 1,119 i 1
2
= + . Então: 0,058 1 - 1,119 i = = => i = 5,8% a.a.

Exercício 3: Calcule a taxa líquida anual de uma aplicação com valor de face de R$ 1.000,00 e ven-
cimento em 01/04/2006, feita em 28/02/2005. Considere que o IR pago será de 17,5% e que, no perí-
odo, há 276 dias úteis e que, para efeitos de cálculo consideramos que o ano tem 252 dias úteis. O
título foi comprado com 17,12% de deságio sobre o valor de face, ou seja, por R$ 828,81. Resp.:
15,4% a.a.

Quando o título oferece o pagamento dos juros e ou principal em parcelas, devemos utilizar a Taxa
Interna de Retorno (TIR), como taxa de rentabilidade.
A taxa interna de retorno é a taxa que, descontando os valores futuros para a data da aplicação faz
com que o valor presente do fluxo de caixa futuro seja igual ao capital inicial.
( )
( ) ( )
n
n
TIR
FC
TIR
FC
TIR
FC
II
+
+ +
+
+
+
=
1
......
1
1
2
2 1
, onde: II = Investimento Inicial e FC
n
= Fluxo de Caixa no
momento n. Só podemos calcular a TIR, usando um computador ou calculadora financeira.

Exemplo 4: Um título de R$ 1.000,00 que paga 8% de juros ao ano sobre o valor de face, por cinco
anos, e o principal no vencimento, comprado por R$ 670,00, pode ter o fluxo de caixa representado
por uma linha horizontal com linhas perpendiculares para cima indicando fluxos positivos e a linha
para baixo indicando o fluxo negativo, conforme abaixo.

80 80 80 80 1.080


1 2 3 4 5

670
Cálculo da taxa de retorno: utilizamos a TIR para fazer o cálculo. Não vamos agora preocupar-nos

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 62
com o pagamento do imposto de renda (ele incide sobre cada cupom de juros pago) e nem com a
inflação (o título vence no futuro e poderíamos calcular o ganho real, levando cada valor recebido
para o vencimento e utilizando a taxa de rentabilidade do mercado financeiro e o capital aplicado
sendo corrigido pela inflação prevista).
Cálculo usando a HP12-C: 670 CHS CF
o
80 CF
j
4 N
j
1.080 CF
j
IRR.
TIR = 18,73% a.a.

Exercício 4: Calcule a taxa interna de retorno de uma aplicação com valor de face de R$ 1.000,00,
vencimento em três anos e pagamento de cupom de juros de 4% ao semestre e o principal no venci-
mento. O título está sendo negociado por R$ 725,00. Resp.: 21,9% a.a.

Títulos posfixados: no caso dos títulos posfixados, o cálculo é mesmo somente mudam os valores
devido à correção pelo indexador.

Solução dos Exercícios Propostos

Exercício 1: Calcule a taxa líquida de uma aplicação de R$ 3.000,00, pelo prazo de um ano, com
pagamento de juros de 1,5% a.m. e do principal no vencimento. O Imposto de Renda para aplicações
de 361 a 720 dias é 17,5%.
Cálculo da Taxa de Juros Líquida:
( ) 3.586,85 1,015 3.000,00
12
= ×
A renda gerada é R$ 586,85. Considerando a alíquota de Imposto de Renda, recolhido na fonte, de
17,5%, a renda líquida será: 484,15 0,825 586,85 = × e a taxa de juros liquida:
( ) 3.484,15 i 1 3.000,00 = + × . Daí, 0,163 1
3.000,00
3.484,15
i = ÷ = => i = 16,3% a.a.

Exercício 2: Calcule a taxa líquida real de uma aplicação de R$ 2.000,00, por dois anos, com paga-
mento de juros de 1,3% a.m. e do principal no vencimento. Considere que o Imposto de Renda para
aplicações por dois anos é de 15% e que a inflação no período é 17%.
( ) 2.726,82 1,013 2.000,00
24
= ×
A renda gerada é R$ 726,82. Considerando a alíquota de Imposto de Renda, recolhido na fonte, de
15%, a renda líquida será: 617,80 0,85 726,82 = × .
Cálculo da taxa líquida real: partindo da renda líquida de R$ 617,80, e considerando que a inflação no
período foi de 17%, primeiro calcula-se a correção monetária do investimento:
2.340,00 1,17 2.000,00 = × . Então, podemos calcular o ganho real: 0,119 1
2.340,00
2.617,80
i = ÷ = => i =

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 63
11,9% em dois anos.

Exercício 3: Calcule a taxa líquida real anual de uma aplicação com valor de face de R$ 1.000,00 e
vencimento em 01/04/2006, feita em 28/02/2005. Considere que o IR pago será de 17,5% e que, no
período, há 276 dias úteis e que, para efeitos de cálculo consideramos o ano tem 252 dias úteis. O
título foi comprado com 17,12% de deságio sobre o valor de face, ou seja, por R$ 828,81.
Renda: 1.000,00 – 828,81 = 171,19
Renda Líquida: 171,19 x 0,825 = 141,23
Valor Líquido recebido no vencimento: 828,81 + 141,23 = 970,04

970,04

276 dias úteis


828,81
Cálculo da rentabilidade no período de 276 dias úteis: 0,17 1
828,81
970,04
i = ÷ = => i = 17% no período.
Para calcular a taxa equivalente anual, calcula-se a taxa diária, por dia útil, e a taxa anual referente a
252 dias úteis.
Cálculo da rentabilidade líquida anual:
276
252
a
1,17 i 1 = +
1 1,17 i
276
252
a
÷ = , i
a
= 0,154

=> i = 15,4% a.a.


Exercício 4: Calcule a taxa interna de retorno de uma aplicação com valor de face de R$ 1.000,00,
vencimento em três anos e pagamento de cupom de juros de 4% ao semestre e o principal no venci-
mento. O título está sendo negociado por R$ 725,00.
1.040
40 40 40 40 40



725
Cálculo usando a HP12-C: 725 CHS CF
o
40 CF
j
5 N
j
1.040 CF
j
IRR.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 64
TIR = 10,4% ao semestre.
Cálculo da taxa de retorno anual: 1 + i
a
= 1,104
2

i
a
= 1,104
2
- 1, i
a
= 0,219

=> i = 21,9% a.a.

3.3. TÍTULOS PÚBLICOS
Os títulos públicos podem ser emitidos pelo Governo Federal e pelos estados e municípios. Anterior-
mente, o Banco Central podia emitir títulos próprios, mas, atualmente, isso é proibido por lei
24
.
O Governo Federal oferece títulos públicos no mercado para:
1) Fazer a política monetária, regulando a liquidez da economia;
2) Financiar o déficit orçamentário e de caixa do Governo;
3) Prover o Governo de recursos para realizar investimentos públicos;
4) Conseguir recursos em moeda estrangeira.
Os títulos do Governo Federal são emitidos pelo Tesouro Nacional, o qual faz, também, a administra-
ção da dívida pública. Há títulos emitidos no mercado interno (em reais) e no mercado internacional
(em dólares). Os títulos da dívida externa brasileira, os chamados brasilian bonds, compõem a dívida
reestruturada, papéis pelos quais foi trocada a dívida contratual existente até 1994, e a dívida de e-
missão soberana, após essa data.
A tabela abaixo indica a composição da maior parte (98.3%) da dívida pública federal interna em títu-
los fora do Banco Central em novembro de 2010. Somando-se a carteira do Banco Central de R$
639.287 milhões e aos 1,7% de outros títulos, chega-se a um total no mercado de R$ 2.269.740 mi-
lhões em títulos públicos da dívida interna. Em novembro de 2010, do total da carteira fora do Banco
Central, pouco mais de um terço era de títulos prefixados; por volta de um terço tinha correção pelo
Over/Selic e o restante era corrigido monetariamente por índices de preços, 28,1%, TR, 0,9% e vari-
ação cambial, 0,6%.

Títulos Públicos Federais em Mercado fora do Banco Central

Novembro de 2010 R$ milhões
Título Valor Participação %

LFT 521.001 33,1
LTN 338.451 21,5
NTN 688.588 43,7
TOTAL 1.548.040 98,3


Fonte: Banco Central do Brasil


24
De acordo com a Lei Complementar 101, de 4.5.2000 (D.O.U. 5.5.2000), o Banco Central do Brasil não pode emitir títulos
da dívida pública, a partir de dois anos após a data de sua publicação (artigo 34).

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 65
Títulos Públicos Federais - Novembro de 2010
Participação por Indexador

Indexador Participação %

Selic 33,1
Prefixado 37,4
IGP-M, IPCA, Câmbio, TR, IGP-DI, TJLP, Outros 29,6

Fonte: Banco Central do Brasil
A dívida pública externa líquida era de US$ 54,3 bilhões em junho de 2009. A tabela abaixo mostra os
saldos devedores da dívida mobiliária externa de responsabilidade do Tesouro Nacional de US$ 43
bilhões, excluindo-se a dívida contratual de US$ 11, 3 bilhões com organismos internacionais, bancos
privados, agências de governos e Clube de Paris.

Dívida Mobiliária Externa - Brasil
Novembro de 2010
US$ mil
Discriminação Valor Participação %

DÍVIDA MOBILIÁRIA – Externa 42.997.867 100,0
Dívida Reestruturada 94.463 0,2
Captações no Mercado Internacional 42.903.404 99,8
Euro Bonds 3.846.261 8,9
Global Bonds 39.057.144 90.8


Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional
Devido à grande variedade de títulos públicos, serão apresentados apenas os mais importantes, não
obstante esses serem bem representativos de todos.
Para maiores informações sobre os títulos acesse a página do Tesouro Nacional:
www.tesouro.fazenda.gov.br. No acesso ao Tesouro Direto encontra-se a metodologia de cálculo
para fins de análise de investimento. Essa metodologia será abordada a seguir na apresentação dos
títulos. Mas é interessante que seja lido o texto “Metodologia de Cálculo” disponível na página do
Tesouro Nacional.

3.3.1. Letra do Tesouro Nacional - LTN
O título LTN 011003, tem o valor nominal de R$ 1.000,00 e a data de vencimento é 01/10/2003. Te-
mos que calcular o preço de compra, dada uma rentabilidade exigida de, por exemplo, 27,33% a.a.,
ou a rentabilidade, dado o preço de mercado do título.
A montagem do fluxo de caixa, considerando que o título está sendo oferecido por R$ 879,43, fica
assim:



PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 66

21/03/03
879,43
1.000,00
01/10/03

Como se calcula a rentabilidade desse título?
O valor nominal de R$1.000,00, VN, é igual ao valor desembolsado para comprar o título de
R$879,43, PREÇO, vezes um mais a rentabilidade, (1+TAXA).
Então: PREÇO x (1+TAXA) = VN
Daí,
VN
TAXA= -1
PREÇO

O seja,
1.000,00
TAXA= -1
879,43
= 0,1371
Temos, então, que a rentabilidade foi de 13,71%, no período entre a data da liquidação da compra
21/03/03 e a data de vencimento 01/10/2003, de 134 dias úteis.
Fica difícil comparar essa com outras aplicações que trazem a rentabilidade anual. Portanto, deve ser
calculada a rentabilidade anual:
Para isso, em primeiro lugar, considerando que estamos tratando de juros compostos, trazemos a
rentabilidade do período para a rentabilidade diária, elevando (1 + TAXA do período) ao inverso do
número de dias úteis do período: ( )
1
134 1+TAXA do período . Em seguida, levamos a rentabilidade
diária à rentabilidade anual, elevando (1 + TAXA do período) ao número de dias úteis do ano, 252.
Portanto,
(1+TAXA anual) = ( )
252
134 1+TAXA do período
Sendo assim, podemos refazer o cálculo, substituindo a TAXA do período, por sua fórmula de cálculo:
(1+TAXA anual) =
| |
|
\ .
252
134
VN
1+ -1
PREÇO

Logo, (1+TAXA anual) =
| |
|
\ .
252
134
VN
PREÇO

E, TAXA anual =
| |
|
\ .
252
134
VN
PREÇO
- 1
Portanto, TAXA anual =
| |
|
\ .
252
134
1.000,00
879,43
- 1 = 0,2733, ou: 27,33% ao ano.
No caso de exigir-se uma rentabilidade, calcula-se o preço do título da seguinte forma:

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 67
Utilizando a relação PREÇO x (1+TAXA) = VN, e considerando que a incógnita agora é o preço, fa-
zemos:
VN
PREÇO=
1+TAXA

No entanto, já que a taxa exigida é anual, e considerando que (1+TAXA anual) =
( )
252
134 1+TAXA do período e que ( )
134
252 1+TAXA anual = ( ) 1+TAXA do período , devemos substituir na
equação acima:
( )
134
252
VN
PREÇO=
1+TAXA anual

Então,
( )
134
252
1.000,00
PREÇO=
1+0,2733
= 879,43

3.3.2. Letra Financeira do Tesouro - LFT
A LFT tem o valor nominal corrigido pela taxa Selic, que é a taxa de rentabilidade dos títulos públicos
no mercado aberto - definida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Na ver-
dade, a taxa Selic varia pouco em relação à meta determinada pelo COPOM. O Banco Central atua
no sentido de aproximá-la da meta. Além da correção pela taxa Selic, a LFT pode render mais um
adicional garantido pela compra do título com deságio.
A abordagem seguinte segue a metodologia do Tesouro Nacional:
A COTAÇÃO é o fator de multiplicação do Valor Nominal Atualizado (VNA = R$ 1.000 x fator Selic)
para se obter o PREÇO DE COMPRA do título de modo que se obtenha como rentabilidade a taxa
Selic mais o adicional proporcionado pela compra com deságio.
No exemplo do texto do Tesouro, a taxa anual adicional é de 0,31%, ou seja, a LFT deverá render a
taxa Selic mais 0,31%.
A COTAÇÃO é calculada da seguinte forma:
DU
252
100
COTAÇÃO=
(1+TAXA)
, truncado na quarta casa decimal
Onde DU é o número de dias úteis entre a data de liquidação do boleto bancário (inclusive) e a data
de vencimento (exclusive), e TAXA é o adicional por ano a ser recebido como rentabilidade além da
taxa Selic.
No exemplo, então, a COTAÇÃO é:
212
252
100
COTAÇÃO= =99,7399
(1+0,0031)

Para o título render 0,31% a.a. além da taxa Selic, o cálculo para chegar ao seu preço é como segue:
Considerando que o fator Selic entre 01/07/2000 e 21/03/2003 é 1,58304863,
= × = VNA R$1.000,00 1,583804863 R$1.583,804863, e:

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 68
( )
PREÇO=VNA× COTAÇÃO/100
Temos, então:
( ) PREÇO=1.583,804863× 99,7399/100 , truncado na segunda casa decimal.
E, portanto, PREÇO=1.579,68
Para calcular a rentabilidade acima da taxa Selic que será obtida, dado o preço de mercado, faze-
mos:
De (1) temos que:
| |
|
\ .
252
DU
100
TAXA= -1
COTAÇÃO

E de (2) obtemos:
PREÇO×100
COTAÇÃO=
VNA

Substituindo (4) em (3),
| |
|
\ .
252
DU
VNA
TAXA= -1
PREÇO

No exemplo, então:
| |
|
\ .
252
212
1.583,804863
TAXA= -1=0,0031046452597842140796470046803224
1.579,68
.
Esse número multiplicado por 100 nos dá a taxa em percentual, que é: 3,1% a.a.

3.3.3. Nota do tesouro Nacional - NTN
A NTN tem o valor nominal corrigido por um indexador (IGP-M, IPCA, taxa de câmbio, etc.) e, além
disso, pode proporcionar uma renda adicional proporcionada pela compra com deságio em relação ao
valor nominal atualizado.
Exemplos:
NTN-C: o valor nominal é atualizado pelo IGP-M
Veja, por exemplo, o título NTN-C 01122005, com as seguintes características:
Data de compra: 20/11/2003
Data de liquidação: 21/11/2003
Valor na data-base (01/07/2000): R$ 1.000,00
Data de vencimento: 01/12/2005
Indexador para atualizar o valor nominal: IGP-M
Pagamento de juros: 6% a.a. semestralmente

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 69
Relembramos que as datas de pagamento dos cupons são dadas retrospectivamente a cada seis
meses a partir da data de vencimento. Se a data não for dia útil, o pagamento ocorrerá no primeiro
dia útil subseqüente.
Para avaliar o investimento no título, podemos deparar-nos com duas situações: 1) cálculo do preço
de compra dada uma taxa de retorno requerida; 2) cálculo da TIR dado um preço de mercado.
1) Cálculo do preço de compra dada uma TIR de 30% a.a..
Primeiro, calcula-se o valor nominal atualizado até o dia 1
o
de novembro de 2003:
VNA* = R$ 1.000 x fator de variação do IGP-M entre 01/07/2000 e o 1
o
dia de novembro de 2003.
O fator de variação do IGP-M nesse período é 1,5846, obtido em <www.fgv.br>÷<Produtos e servi-
ços>÷<Base de dados>÷<Como obter índices>÷<Séries gratuitas>÷<Índice geral de preços do
mercado – IGP-M – Fechamento mensal (% a.m.)>.
Então:
VNA* = R$ 1.000 x 1,5846 = R$ 1.584,60
Para atualizar o valor nominal até a data de liquidação do boleto (21/11/2003), a efetiva saída de cai-
xa para realizar o investimento, calcula-se a parcela do período mensal em que será computada a
variação do IGP-M.
Então, temos que
21
x = = 0,7
30
.
O IGP-M projetado pelo mercado para o mês de novembro de 2003 é 0,5%, obtido em
<www.bcb.gov.br>÷<Economia e finanças>÷<Indicadores de conjuntura>÷<Indicadores econômi-
cos consolidados>÷<Estimativas de índices de preços>
Então,
( )
0,7
VNA=VNA*× 1+0,005
0,7
VNA=R$1.584,60×1,005 =R$1.590,142
A Montagem do Fluxo de Caixa:
A montagem do fluxo de caixa deve considerar o valor nominal como 1, pois não se pode saber qual
vai ser o real valor de cada cupom e do valor nominal de resgate do título no vencimento, já que es-
ses valores dependerão do IGP-M. Portanto será obtida a TIR real, ou seja, a taxa de retorno acima
da inflação medida pelo IGP-M.
Fluxo de caixa:
Período Dias úteis
De 21/11/03 a 01/12/03 7
De 21/11/03 a 01/06/04 132
De 21/11/03 a 01/12/04 258
De 21/11/03 a 01/06/05 383
De 21/11/03 a 01/12/05 510

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 70
Data: 01/12/03 01/06/04 01/12/04 01/06/05 01/12/05 01/12/05
0,5 0,5 0,5 0,5 0,5
7 132 258 383 510 510
252 252 252 252 252 252
1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1
COTAÇÃO = + + + + +
(1,3) (1,3) (1,3) (1,3) (1,3) (1,3)

7 132 258 383 510 510
252 252 252 252 252 252
0,02956 0,02956 0,02956 0,02956 0,02956 1
COTAÇÃO = + + + + +
(1,3) (1,3) (1,3) (1,3) (1,3) (1,3)

COTAÇÃO=0,702971
PREÇO=VNA×COTAÇÃO
PREÇO=R$1.590,14×0,702971=R$1.117,82
Portanto, para que o investidor tenha uma taxa de retorno de 30% a.a. acima do IGP-M, o título deve
ser comprado por R$1.117,82
2) Cálculo da TIR, dado o preço de mercado de R$1.500,00.
PREÇO
COTAÇÃO=
VNA

1.500,00
COTAÇÃO= =0,94331
1.590,14

Para calcular a TIR, fazemos:
0,5 0,5 0,5 0,5 0,5
7 132 258 383 510 510
252 252 252 252 252 252
1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1
0 = - COTAÇÃO + + + + + +
(1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR)

0,5 0,5 0,5 0,5 0,5
7 132 258 383 510 510
252 252 252 252 252 252
1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1,06 -1 1
0 = - 0,94331 + + + + + +
(1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR) (1+TIR)

Utilizando o Excel, chega-se à TIR de 10,97% a.a.

NTN-B: o valor nominal é corrigido pelo IPCA. O IPCA, índice de preços ao consumidor ampliado, do
IBGE, é calculado do dia 15 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. Paga cupons semestrais
de 6% de juros a.a. O valor na data-base, 15/07/2000, é R$ 1.000,00.

Exemplo com uma NTN-B com as seguintes características:
Data de compra: 18/02/2008
Data de liquidação: 23/02/2008
Vencimento: 15/05/2011
Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1,6740078
IPCA projetado para fevereiro/2008: 0,53%
Preço: R$ 1.652,28


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 71
Período Dias úteis
De 23/02/08 a 15/05/08 55
De 23/02/08 a 15/11/08 186
De 23/02/08 a 15/05/09 308
De 23/02/08 a 15/11/09 435
De 23/02/08 a 15/05/10 559
De 23/02/08 a 15/11/10 685
De 23/02/08 a 15/05/11 810
x = nº de dias entre a data da liquidação da compra e o dia 15 do mês anterior sobre o nº de dias
entre os dias 15 de cada mês.
x =
31
39
= 1,26
VNA* = R$ 1.000 x 1,6740078 = R$ 1.674,01
VNA = R$ 1.674,01 x 1,0053
1,26
= R$ 1.685,20
20 , 685 . 1
28 , 652 . 1
COTAÇÃO= = 0,98
Data: 15/05/08 15/11/08 15/05/09 15/11/09 15/05/10 15/11/10 15/05/11
( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( )
252
810
5 , 0
252
685
5 , 0
252
559
5 , 0
252
435
5 , 0
252
308
5 , 0
252
186
5 , 0
252
55
5 , 0
TIR 1
06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
TIR 1
1 06 , 1
98 , 0
+
+
+
÷
+
+
÷
+
+
÷
+
+
÷
+
+
÷
+
+
÷
=

Utilizando o Excel, chega-se à TIR de 6,45%.

Calcule o preço da NTN-B acima para uma taxa exigida de 4,7%.
( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( )
252
810
5 , 0
252
685
5 , 0
252
559
5 , 0
252
435
5 , 0
252
308
5 , 0
252
186
5 , 0
252
55
5 , 0
047 , 1
06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
047 , 1
1 06 , 1
COTAÇÃO +
÷
+
÷
+
÷
+
÷
+
÷
+
÷
=

COTAÇÃO = 1,02865
PREÇO = R$ 1.685,20 x 1,02865 = R$ 1.733,46
Portanto, para que o investidor tenha uma taxa de retorno de 4,7% a.a. acima do IPC-A, o título deve
ser comprado por R$1.733,46

NTN-F: é prefixada. Paga cupons de juros semestrais de 10% a.a. sobre o valor de face de R$
1.000,00.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 72
Exemplo com uma NTN-F com as seguintes características:
Data de compra: 08/01/2006
Data de liquidação: 09/01/2006
Vencimento: 01/01/2008
Preço: R$ 946,20
Período Dias úteis
De 09/01/06 a 01/07/06 119
De 09/01/06 a 01/01/07 247
De 09/01/06 a 01/07/07 371
De 09/01/06 a 01/01/08 498

( ) ( ) ( ) ( )
252
498
5 , 0
252
371
5 , 0
252
247
5 , 0
252
119
5 , 0
TIR 1
1 , 1
000 . 1
TIR 1
1 1 , 1
000 . 1
TIR 1
1 1 , 1
000 . 1
TIR 1
1 1 , 1
000 . 1 20 , 946
+
× +
+
÷
× +
+
÷
× +
+
÷
× =
Utilizando o Excel, chega-se à TIR de 13,5%.
Calcule o preço da NTN-F acima para uma taxa exigida de 12,5% a.a.
252
498
5 , 0
252
371
5 , 0
252
247
5 , 0
252
119
5 , 0
125 , 1
1 , 1
000 . 1
125 , 1
1 1 , 1
000 . 1
125 , 1
1 1 , 1
000 . 1
125 , 1
1 1 , 1
000 . 1 PREÇO × +
÷
× +
÷
× +
÷
× =
PREÇO = R$ 961,71

3.3.4. Nota do Banco Central do tipo E (com correção cambial) - NBC-E
A NBC-E não é mais emitida após a proibição do Banco Central emitir títulos próprios, Mas vejamos a
seguir um exemplo desse tipo de título, com variação cambial.
Para o cálculo da taxa de retorno, utilizando o método da TIRM, de um investimento em NBCE, com
valor nominal R$ 1.000,00, data-base em 01.07.2000, vencimento em 18.04.2002, com 12% de juros
a.a. sobre o valor nominal atualizado, pagos semestralmente (juros simples), e amortização única no
vencimento, considere que o título foi comprado em 01.08.2000 por R$ 980,00, que a rentabilidade
líquida oferecida no mercado financeiro para aplicação dos cupons (juros) recebidos é de 1,6% a.m.,
que os cupons começam a ser pagos em 18.10.00 e que a taxa de câmbio em 30.6.00 era
R$1,8/US$; em 17/10/00, R$1,8795; em 17/4/01, R$2,188/US$; em 17/10/01, R$2,7211/US$ e em
17.4.02, R$2,3165/US$.
Montagem do fluxo de caixa:
Fluxos de caixa levados à data de vencimento:

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 73
1) Cupom em 18.10.00 = Valor nominal atualizado em 18.10.00 x 0,06 =
=
17/10/00
30/06/00
taxa de câmbio
×1.000
taxa de câmbio
x 0,06 =
1,8795
×1.000×0,06
1,8
= 62,65
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 62,65 * 1,016
18
= 83,37
2) Cupom em 18.4.01 = Valor nominal atualizado em 18.4.01 x 0,06 =
=
17/4/01
30/06/00
taxa de câmbio
×1.000
taxa de câmbio
x 0,06 =
2,1888
×1.000×0,06
1,8
= 72,96
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 72,96 * 1,016
12
= 88,27
3) Cupom em 18.10.01 = Valor nominal atualizado em 18.10.01 x 0,06 =
=
17/10/01
30/06/00
taxa de câmbio
×1.000
taxa de câmbio
x 0,06 =
2,7211
×1.000×0,06
1,8
= 90,70
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 90,70 * 1,016
6
= 99,77
4) Cupom + Amortização no vencimento:
=
17/4/02
30/06/00
taxa de câmbio
×1.000
taxa de câmbio
x 1,06 =
2,3165
×1.000×1,06
1,8
= 1.364,16
Valor final do investimento em 18/4/02: 83,37+88,27+99,77+1.364,16 = 1.635,57
Taxa de retorno, utilizando o método TIRM:
Para obter a taxa anual, consideramos que o investimento foi feito em 01/8/00 e que até 18/4/02 há
625 dias. O período do investimento é, portanto, a razão entre 625 e 365 dias.
Então, TIRM =
(
| |
(
|
(
\ .
(
¸ ¸
365
625
1635,57
-1 ×100
980,00
= 34,87% a.a.
Para o título anterior, considere que o investidor exige uma rentabilidade de 50% a.a. Calcule o preço
que pagou por ele.
Como o preço é o valor presente da aplicação que lhe pagou, em 18/4/02, R$ 1635,57:
625
365
VP×1,5 =1635,57 . Logo,
625
365
1635,57
VP= =
1,5
R$ 816,85

3.3.5. Exercícios

Exercícios Resolvidos
1) Considerando uma LTN com valor de face de R$1.000,00 e vencimento em 01/10/05, comprada
em 04/01/05, por R$ 850,00, calcule a rentabilidade líquida anual. Considere que a liquidação da
compra se dá no dia seguinte à transação e que há a cobrança de imposto de renda de 20%, recolhi-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 74
do na fonte para aplicações com prazo entre 181 e 360 dias e que há 186 dias úteis entre 05/01/05 e
01/10/05. Em seguida, calcule o preço de compra, dada uma rentabilidade bruta exigida de 20% a.a.
Cálculo do imposto de renda: (R$ 1.000 - R$ 850,00) x 0,2 = R$ 30,00
Fluxo de caixa:
05/01/05 01/10/05
- 850,00 970,00
Rentabilidade =
252
186
970,00
1 0,1959
850,00
| |
÷ =
|
\ .
 19,6% a.a.
Preço =
( )252
186
0,2 1
1.000,00
+
= 874,09

2) Para a LFT abaixo, calcule o preço de compra.
- Data de compra: 04/01/2005
- Data de liquidação: 05/01/2005
- Valor na data-base: (01/07/2000): R$ 1.000,00
- Data de Vencimento: 18/01/2006
- Taxa anual acima da Taxa Selic: 1% (taxa que o comprador exige, ou o mercado oferece na compra
com deságio)
- Dias úteis entre 05/01/2005 e 18/01/2006: 261
- Fator Selic
25
entre 01/07/2000 e 05/01/2005: 2,1670101039984884
Considere que se paga 20% de imposto de renda retido na fonte para aplicações com resgate entre
361 e 720 dias.
Obs: a informação sobre a cobrança do imposto de renda é para que se saiba que a rentabilidade
anual (taxa Selic + 1%) deverá ser multiplicada por 0,8 para que se calcule a rentabilidade líquida.
Uma vez que o rendimento é pós-fixado, esse cálculo só pode ser feito no vencimento, pois só aí
saberemos qual foi a taxa Selic. Não obstante pode ser feita uma previsão.
( )
9747 , 98
252
261
=
+
=
0,1 1
100
COTAÇÃO
VNA = R$ 1.000,00 x 2,16701 = R$ 2.167,01
PREÇO = R$ 2.167,01 x (98,9747 / 100)
PREÇO = R$ 2.144,79

25
Obtido na página do Banco Central: <www.bcb.gov.br> , Economia e Finanças -> Selic – Mercado de títulos públicos ->
Taxa Selic -> Variação

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 75
3) Se o mesmo título está sendo oferecido no mercado por R$ 2.050,00, calcule a rentabilidade aci-
ma da taxa Selic que proporcionará a compra por esse preço.
0,055 1
2.050,00
2.167,01
TAXA
261
252
= ÷ |
.
|

\
|
= ¬ 5,5% a.a.

4) Calcule o preço da NTN-B com as seguintes características:
Data de compra: 18/02/2009
Data de liquidação: 19/02/2009
Vencimento: 15/05/2011
Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1,8002803
IPCA projetado para fevereiro/2009: 0,43%
TIR: 5,7%
Período Dias úteis
De 19/02/09 a 15/05/09 58
De 19/02/09 a 15/11/09 189
De 19/02/09 a 15/05/10 311
De 19/02/09 a 15/11/10 438
De 23/02/08 a 15/05/11 562
x =
31
35
= 1,13
VNA* = R$ 1.000 x 1,8002803 = R$ 1.800,2803
VNA = R$ 1.800,2803 x 1,0043
1,13
= R$ 1.809,03
( ) ( ) ( ) ( ) ( )
252
562
0,5
252
438
0,5
252
311
0,5
252
189
0,5
252
85
0,5
1,057
1,06
1,057
1 1,06
1,057
1 1,06
1,057
1 1,06
1,057
1 1,06
COTAÇÃO +
÷
+
÷
+
÷
+
÷
=
COTAÇÃO = 1,0218
PREÇO = R$ 1.809,03 x 1,0218 = R$ 1.848,47

5) Calcule o preço da NTN-F com as seguintes características:
Data de compra: 08/01/2006
Data de liquidação: 09/01/2006
Vencimento: 01/01/2008

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 76
TIR: 10,5%
Período Dias úteis
De 09/01/06 a 01/07/06 119
De 09/01/06 a 01/01/07 247
De 09/01/06 a 01/07/07 371
De 09/01/06 a 01/01/08 498

252
498
5 , 0
252
371
5 , 0
252
247
5 , 0
252
119
5 , 0
105 , 1
1 , 1
000 . 1
105 , 1
1 1 , 1
000 . 1
105 , 1
1 1 , 1
000 . 1
105 , 1
1 1 , 1
000 . 1 PREÇO × +
÷
× +
÷
× +
÷
× =
PREÇO = R$ 993,96

6) Considere um investimento em NBCE, com valor nominal R$ 1.000,00, data-base em 01.07.2000,
vencimento em 18.04.2002, com 12% de juros a.a. incidentes sobre o valor nominal atualizado, pagos
semestralmente (juros simples), e amortização única no vencimento. Considere que o título foi com-
prado em 01.08.2000 por R$ 980,00. A rentabilidade líquida obtida pela aplicação no mercado finan-
ceiro é 1,7% a.m. A taxa de câmbio em 30.6.00 era R$1,8/US$; em 17/10/00, R$1,8795; em 17/4/01,
R$2,188/US$; em 17/10/01, R$2,7211/US$ e em 17.4.02, R$2,3165/US$. Calcule a taxa de retorno,
utilizando o método da TIRM
26
. Considere ainda que o investidor exigiu uma rentabilidade de 30%
a.a. e calcule o preço que pagou por ele. O prazo é 625 dias corridos.

Fluxos de caixa levados à data de vencimento:
1) Cupom em 18.10.00 = Valor nominal atualizado em 18.10.00 x 0,06 =
65 , 62 06 , 0 000 . 1
8 , 1
8795 , 1
06 , 0 000 . 1
câmbi o de taxa
câmbi o de taxa
30/06/00
17/10/00
= × × = × ×
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 62,65 * 1,017
18
= 84,85

2) Cupom em 18.4.01 = Valor nominal atualizado em 18.4.01 x 0,06 =
96 , 72 06 , 0 000 . 1
8 , 1
1888 , 2
06 , 0 000 . 1
câmbi o de taxa
câmbi o de taxa
30/06/00
17/04/01
= × × = × ×
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 72,96 * 1,017
12
= 89,31


26
Para calcular a TIRM (taxa interna de retorno modificada) deve-se levar os fluxos de caixa positivos para o fim do período,
ajustados pela taxa de rentabilidade do mercado financeiro e, com o valor final do investimento, chegar à taxa anual de re-
torno.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 77
3) Cupom em 18.10.01 = Valor nominal atualizado em 18.10.01 x 0,06 =
70 , 90 06 , 0 000 . 1
8 , 1
7211 , 2
06 , 0 000 . 1
câmbi o de taxa
câmbi o de taxa
30/06/00
17/10/01
= × × = × ×
Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 90,70 * 1,017
6
= 100,35

4) Cupom + Amortização no vencimento:
16 , 364 . 1 06 , 1 000 . 1
8 , 1
3165 , 2
06 , 1 000 . 1
câmbi o de taxa
câmbi o de taxa
30/06/00
17/04/02
= × × = × ×
Valor final do investimento em 18/4/02: 84,85 + 89,31 + 100,35 + 1.364,16 = 1.638,67

Cálculo da taxa de retorno, utilizando o método TIRM:
Para obter a taxa anual, consideramos que o investimento foi feito em 01/8/00 e que até 18/4/02 há
625 dias.
O período do investimento é, portanto, a razão entre 625 e 365 dias.
TIRM = 100 1
00 , 980
67 , 638 . 1
625
365
×
(
(
(
¸
(

¸

÷ |
.
|

\
|
= 35,01% a.a.

Cálculo do preço:
365
625
3 , 1
67 , 638 . 1
VP = = 1.045,64

Exercícios Propostos

1) Considerando uma LTN com valor de face de R$1.000,00 e vencimento em 20/07/04, comprada
em 22/03/04, por R$ 970,00, calcule a rentabilidade líquida anual. Considere que a liquidação da
compra se dá no dia seguinte à transação e que há a cobrança de imposto de renda de 22,5%, reco-
lhido na fonte e que há 84 dias úteis entre 23/03/04 e 20/07/04. Em seguida, calcule o preço de com-
pra, dada uma rentabilidade exigida de 33,53% a.a.
Respostas: rentabilidade = 7,36% a.a.; preço = 908,11

2) Para a LFT abaixo, calcule o preço de compra.
- Data de compra: 20/03/2004
- Data de liquidação: 21/03/2004

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 78
- Valor na data-base: (01/07/2000): R$ 1.500,00
- Data de Vencimento: 20/07/2004
- Taxa anual: 8% (taxa que o comprador exige, ou o mercado oferece na compra com deságio)
- Dias úteis entre 21/03/2004 e 20/07/2004: 86
- Fator Selic entre 01/07/2000 e 21/03/2004: 1,9216853
Considere que se paga 22,5% de imposto de renda retido na fonte.
Obs: a informação sobre a cobrança do imposto de renda é para que se saiba que a rentabilidade
anual (taxa Selic + 8%) deverá ser multiplicada por 0,8 para que se calcule a rentabilidade líquida.
Uma vez que o rendimento é pós-fixado, esse cálculo só pode ser feito no vencimento, pois só aí
saberemos qual foi a taxa Selic. Não obstante pode ser feita uma previsão, como feito na Unidade 03.
Resposta: preço = R$ 2.807,80

3) Se o mesmo título está sendo oferecido no mercado por R$ 2.727,93, calcule a rentabilidade aci-
ma da taxa Selic que proporcionará a compra por esse preço.
Resposta: taxa = 17,53% a.a.

4) Calcule o preço da NTN-B com as seguintes características:
Data de compra: 18/02/2009
Data de liquidação: 19/02/2009
Vencimento: 15/05/2011
Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1,8002803
IPCA projetado para fevereiro/2009: 0,43%
TIR: 8,5%
Período Dias úteis
De 19/02/09 a 15/05/09 58
De 19/02/09 a 15/11/09 189
De 19/02/09 a 15/05/10 311
De 19/02/09 a 15/11/10 438
De 23/02/08 a 15/05/11 562
Resposta: R$ 1.750,24

5) Calcule o preço da NTN-F com as seguintes características:

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 79
Data de compra: 08/01/2006
Data de liquidação: 09/01/2006
Vencimento: 01/01/2008
TIR: 15,5%
Período Dias úteis
De 09/01/06 a 01/07/06 119
De 09/01/06 a 01/01/07 247
De 09/01/06 a 01/07/07 371
De 09/01/06 a 01/01/08 498
Resposta: R$ 916,36

6) Considere um investimento em NBCE, com valor nominal R$ 1.500,00, data-base em 01.07.2000,
vencimento em 18.04.2002, com 10% de juros a.a. incidentes sobre o valor nominal atualizado, pagos
semestralmente (juros simples), e amortização única no vencimento. Considere que o título foi com-
prado em 01.08.2000 por R$ 1.385,00. A rentabilidade líquida obtida pela aplicação no mercado fi-
nanceiro é 1% a.m. A taxa de câmbio em 30.6.00 era R$1,8/US$; em 17/10/00, R$1,8795; em
17/4/01, R$2,188/US$; em 17/10/01, R$2,7211/US$ e em 17.4.02, R$2,3165/US$. Calcule a taxa de
retorno, utilizando o método da TIRM. Considere ainda que o investidor exigiu uma rentabilidade de
33.53% a.a. e calcule o preço que pagou por ele. O prazo é 625 dias corridos.
Respostas: TIRM = 35,96% a.a.; preço = 1.045,64

3.4. PRODUTOS DE APLICAÇÃO (INVESTIMENTO) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINAN-
CEIRO E EMPRESAS

3.4.1. Certificado/Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB)
Títulos de renda fixa, emitidos pelos Bancos Comerciais/Múltiplos e de Investimento.
Finalidade: lastrear operações de financiamento de capital de giro.
A diferença entre CDB e RDB é que este não pode ser transferido por endosso nominativo e aquele
pode.
Rendimento: juros prefixados e pagam 20% de IR sobre o rendimento.
O CDB também pode pagar taxa over
27
, em que a taxa efetiva é calculada da seguinte forma:

27
Taxa over = Taxa linear mensal capitalizada pelos dias úteis.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 80
100 1
du
30
100
over
1 TE ×
¦
¦
)
¦
¦
`
¹
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
÷
(
(
(
¸
(

¸

|
|
|
.
|

\
|
+ =
sendo TE a taxa efetiva no período, over, a taxa over e du, o número de dias úteis da compra do título
até seu vencimento.

3.4.2. Certificado de Depósito Interfinanceiro - (CDI)
Títulos emitidos pelas instituições financeiras.
Finalidade: lastrear operações no mercado interfinanceiro.
Rendimento: juros definidos pela taxa over. Isento de IR.
A taxa efetiva é calculada, considerando que a taxa over considerada é a de cada dia e que o valor é
reaplicado diariamente.
Taxa Over ao dia no dia 1: 100
30
100
Over
Over
m1
d1
× =
Taxa Over ao dia no dia 2: 100
30
100
Over
Over
m2
d2
× =
Taxa Over ao dia no dia 3: 100
30
100
Over
Over
m3
d3
× =
em que Over
d1
é a taxa over diária no dia 1 e Over
m1
é a taxa over mensal no dia 1.
A taxa efetiva, portanto, no período é dada por:
100 1
100
Over
1
100
Over
1
100
Over
1 TE
d3 d2 d1
×
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
÷
(
¸
(

¸

|
|
.
|

\
|
+ ×
|
|
.
|

\
|
+ ×
|
|
.
|

\
|
+ =

3.4.3. Commercial Papers
Títulos emitidos pelas empresas e negociados no mercado. Têm como vantagens o baixo custo fi-
nanceiro e a maior agilidade para obter os recursos, já que eliminam a intermediação bancária.
Finalidade: financiar o capital de giro
Rendimento: compra com deságio sobre o valor de emissão.
A rentabilidade, então, é dada a partir do seguinte cálculo:
100
P
P Ve
Re ×
÷
=
em que Re é a rentabilidade, Ve é o valor de emissão e P é o preço de compra do título.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 81
3.4.4. Export Note
Títulos para cessão de créditos de exportação, emitidos por exportadores que venderam a prazo.
Finalidade: adiantamento de um crédito futuro
Rendimento: deságio sobre o valor do crédito em dólar.
100 1
tc P
tc Ve
Re
C
R
×
|
|
.
|

\
|
÷
×
×
=
em que Ve é o valor de emissão em dólares, P é o preço de compra em dólares, tc
R
é a taxa de câm-
bio na data do resgate e tc
C
é a taxa de câmbio na data da compra do título.

3.4.5. Debêntures
Títulos de longo prazo emitidos por companhias de capital aberto e que podem ser conversíveis em
ações.
Finalidade: financiar projetos de financiamento (capital fixo e capital de giro)
Rendimento: dado pelo cálculo da TIR de um fluxo de caixa futuro oferecido pelo papel.

3.4.6. Exercícios

Exercícios Resolvidos
1) Calcule a taxa efetiva líquida anual para aplicação nos dois tipos de CDBs abaixo, apontando a
melhor alternativa de investimento. Considere que o investidor aplicará, por um ano, que o imposto
sobre a renda de aplicação financeira pelo prazo de 361 a720 dias é 17,5% e que, nesse período, há
252 dias úteis.

a) CDB que paga 1,2% a.m.
b) CDB com taxa over de 1,5% a.m.
a) (1,012
12
– 1) x 100 x 0,825 = 12,7% a.a.
b) 100 1
30
100
5 , 1
1
252
×
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
÷
(
(
(
¸
(

¸

|
|
|
.
|

\
|
+ x 0,825 = 11,08% a.a.
A melhor alternativa é a do CDB que paga 1,2% a.m.

2) Calcule a taxa efetiva líquida de uma aplicação em uma Export Note, emitida pelo prazo de 3 me-
ses, com valor nominal de U$ 15.000,00 e taxa de desconto de 20% a.a. (no contrato da Export Note,
o desconto é por dentro, ou seja, o valor nominal – de resgate – é o resultado da soma do valor apli-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 82
cado com a taxa de desconto aplicada a este valor). Considere que a taxa de câmbio, no momento da
operação, era de R$ 2,941/US$ e, no dia do resgate, passou para R$ 3,10/US$. Considere, ainda,
que a alíquota de imposto sobre a renda de aplicação financeira por prazo menor que 180 dias é
22,5%. Observe que, nesse caso também, a taxa de desconto é calculada, utilizando-se de juros
simples.
Valor aplicado =
|
|
|
.
|

\
|
× + 3
12
100
20
1
15.000
= US$ 14.285,71
Valor aplicado em R$ = U$ 14.285,71 x R$ 2,941/US$ = R$ 42.014,27
Valor resgatado em R$ = U$ 15.000,00 x R$ 3,1/US$ = R$ 46.500,00
Rentabilidade líquida no período (três meses) = |
.
|

\
|
÷1
42.014,27
46.500,00
x 100 x 0,775 = 8,27%
Rentabilidade líquida anual: (1,0827
4
–1) x 100 = 37,41%

3) Calcule a TIR de uma debênture conversível em 100.000 ações, comprada por R$ 3.000.000,00,
em 30/03/2004, com vencimento em dois anos, que paga Amortização ao final e juros de 8% a.s.
sobre o valor de emissão. A previsão de preço da ação para daqui a dois anos é R$ 36,00.
Juros= 0,08 x 3.000.000 = 240.000
Resgate, convertendo em ações = 100.000 x 36,00 = 3.600.000
( ) ( ) ( ) ( )
0
i 1
3.840.000
i 1
240.000
i 1
240.000
i 1
240.000
3.000.000 -
4 3 2 1
=
+
+
+
+
+
+
+
+
Cálculo Utilizando a HP 12-C:
3.000.000 CHS Cf
0
240.000 Cf
j
3 N
j
3.840.000 Cf
j
IRR
TIR = 12,17% ao semestre => (1,1217
2
– 1) x 100 = 25,82% a.a.

Exercícios Propostos
1) Calcule a taxa efetiva líquida anual para aplicação nos dois tipos de CDBs abaixo, apontando a
melhor alternativa de investimento. Considere que o investidor aplicará, por dois anos, que o imposto
sobre a renda de aplicação financeira por mais de 720 dias é 15% e que, nesse período, há 504 dias
úteis.
Respostas: a) rentabilidade = 10,88% a.a.; b) rentabilidade = 9,0,8% a.a.
Melhor alternativa: a

2) Calcule a taxa efetiva líquida de uma aplicação em uma Export Note, emitida pelo prazo de 6 me-
ses, com valor nominal de U$ 25.000,00 e taxa de desconto de 17% a.a. (no contrato da Export Note,
o desconto é por dentro, ou seja, o valor nominal – de resgate – é o resultado da soma do valor apli-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 83
cado com a taxa de desconto aplicada a este valor). Considere que a taxa de câmbio, no momento da
operação, era de R$ 2,941/US$ e, no dia do resgate, passou para R$ 3,10/US$. Considere, ainda,
que a alíquota de imposto sobre a renda é 22,5%. Observe que, nesse caso também, a taxa de des-
conto é calculada, utilizando-se de juros simples.
Resposta: rentabilidade líquida no período (seis meses) = 11,13%
Rentabilidade líquida anual = 23,5%

3) Calcule a TIR de uma debênture conversível em 100.000 ações, comprada por R$ 3.000.000,00,
em 30/03/2004, com vencimento em dois anos, que paga Amortização ao final e juros de 6% a.s.
sobre o valor de emissão. A previsão de preço da ação para daqui a dois anos é R$ 32,00.
Resposta: TIR = 9,18% ao semestre => 19,2% a.a.

3.5. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO (EMPRÉSTIMOS) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINANCEIRO
E EMPRESAS
Veremos a seguir títulos que servem para captação e o importante aqui é poder comparar as alterna-
tivas para obter o crédito mais barato.

3.5.1. Hot Money
Operações de curtíssimo prazo (um dia)
Finalidade: necessidades imediatas de caixa das empresas.
Custo: juros, tendo como referencial a taxa CDI acrescida de um spread. Paga IOF calculado diaria-
mente.

3.5.2. Desconto de Duplicatas e Notas Promissórias
Operação com desconto simples por fora (incidindo sobre o montante da dívida).
Finalidade: financiar capital de giro.
Custo: O custo efetivo é maior que a taxa da operação, pois ainda se cobra IOF (0,0041% ao dia
sobre o valor nominal) e uma taxa de abertura do crédito (TAC).
Assim, o custo efetivo é calculado da seguinte forma:
( )
100 1
P
30
100
TAC
p 0,000041 p
30
100
d
1 VN
VN
CE ×
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

÷
|
|
|
|
|
|
|
|
.
|

\
|
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
(
(
(
¸
(

¸

+ × +
|
|
|
.
|

\
|
× ÷ ×
=

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 84
em que CE é o custo efetivo; VN, o valor nominal do título; d, a taxa de desconto; p, período desde a
efetivação do desconto até o vencimento do título e TAC, a taxa de abertura de crédito.
A organização do cálculo apresentada acima é uma simplificação dos cálculos do desconto, da taxa
de abertura de crédito e do IOF, aplicados sobre o valor nominal do título e do custo efetivo. Coloca-
mos em evidência o valor nominal do título, subtraindo dele os valores a serem subtraídos, chegando
ao valor captado e comparando-o ao valor do título para chegar ao custo efetivo. Essa forma de cal-
cular não pode ser confundida com fórmula, pois o cálculo pode ser feito de forma mais demorada,
passo a passo, calculando os valores a serem subtraídos para chegar ao valor captado.

3.5.3. Commercial Papers
Títulos emitidos pelas empresas e negociados no mercado. Têm como vantagens o baixo custo fi-
nanceiro e a maior agilidade para obter os recursos, já que elimina a intermediação bancária.
Finalidade: financiar o capital de giro
Custo: desconto oferecido “por fora” (sobre o valor de emissão) mais despesas de lançamento
O custo efetivo será calculado da seguinte forma:
( )
100 1
Ve dl d 1
Ve
Ce ×
(
¸
(

¸

÷
|
|
.
|

\
|
× ÷ ÷
=
em que Ve é o valor de emissão, d é a taxa de desconto e dl é o percentual sobre o valor de emissão
que corresponde à despesa de lançamento.

3.5.4. Export Notes
Títulos para cessão de créditos de exportação, que podem ser emitidos por exportadores que vende-
ram a prazo.
Finalidade: adiantamento de um crédito futuro.
Custo: desconto oferecido “por fora” sobre o valor nominal do título.
( )
100 1
tc Vn d 1
tc Vn
Ce
C
V
×
(
(
¸
(

¸

÷
|
|
.
|

\
|
× × ÷
×
=
em que Vn é o valor nominal da emissão, d é a taxa de desconto a ser aplicada, tc
V
é a taxa de câm-
bio na data do vencimento e tc
C
é a taxa de câmbio na data da comercialização do título.

3.5.5. Securitização de Recebíveis
Títulos emitidos garantidos pela caução de recebíveis (vendas a prazo de uma empresa).
Finalidade: financiar capital de giro.


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 85
3.5.6 Exercícios

Exercícios Resolvidos

1) Calcule o custo efetivo de uma captação feita por uma empresa, em 30/03/2004, por meio da
emissão de um Commercial Paper de valor nominal R$ 1.200.000,00, com taxa de desconto de 7%
ao trimestre, despesas de lançamento de 1% sobre o valor de captação e vencimento em 30/06/2004.
No contrato do Commercial Paper, o desconto é por fora, ou seja, aplicado sobre o valor nominal (de
face) do título.
Valor captado = R$ 1.200.000,00 x (1 - 0,07 - 0,01) = R$ 1.104.000,00
Custo efetivo no período (três meses) = |
.
|

\
|
÷1
00 1.104.000,
00 1.200.000,
x 100 = 8,69%
Custo efetivo anual = (1,0869
4
– 1) x 100 = 39,56%

2) Calcule o custo efetivo do desconto de duplicata com valor nominal de R$ 15.000,00, prazo de
120 dias, taxa de desconto de 2,5% a.m., taxa de abertura de crédito de 1% sobre o valor nominal e
IOF incidente sobre a operação de 0,0041% ao dia. Observe que o desconto é feito por fora, ou seja,
é aplicado sobre o valor nominal (de face).
Valor captado = ( )
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
(
(
(
¸
(

¸

+ × +
|
|
|
.
|

\
|
× ÷ × 01 , 0 120 000041 , 0 120
30
100
2,5
1 000 . 15 = 13.276,20
Custo efetivo no período (120 dias) = |
.
|

\
|
÷1
13.276,20
15.000,00
x 100 = 12,98%
Custo efetivo anual = (1,1298
3
– 1) x 100 = 44,21%

Exercícios Propostos

1) Calcule o custo efetivo de uma captação feita por uma empresa, em 30/03/2004, por meio da
emissão de um Commercial Paper de valor nominal R$ 1.000.000,00, com taxa de desconto de 10%
ao semestre, despesas de lançamento de 1% sobre o valor de captação e vencimento em
30/06/2004. No contrato do Commercial Paper, o desconto é por fora, ou seja, aplicado sobre o valor
nominal (de face) do título.
Resposta: custo efetivo no período (três meses) = 12,36%; custo efetivo anual = 26,24%

2) Calcule o custo efetivo do desconto de duplicata com valor nominal de R$ 100.000,00, prazo de
120 dias, taxa de desconto de 4,5% a.m., taxa de abertura de crédito de 1% sobre o valor nominal e

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 86
IOF incidente sobre a operação de 0,0041% ao dia. Observe que o desconto é feito por fora, ou seja,
é aplicado sobre o valor nominal (de face).
Resposta: custo efetivo no período (120 dias) = 24,21%; custo efetivo anual = 91,63%
3.6. MERCADO INTERNACIONAL DE RENDA FIXA
No mercado internacional de renda fixa pode ser feita a classificação por prazo de vencimento. Te-
mos o mercado de curto prazo, para financiar a liquidez de empresas financeiras e não financeiras,
chamado de Money Market, onde são negociados títulos públicos e privados; e há o mercado de mé-
dio e longo prazo, para financiar investimentos de médio e longo prazo, onde também são negoci a-
dos títulos públicos e privados.

3.6.1. Money Market
Os títulos negociados no mercado monetário, geralmente, não pagam juros e fornecem a rentabilida-
de por meio da compra com deságio.
No mercado de títulos privados o mais negociado é o Commercial Paper, pode ser utilizado como
instrumento de captação tanto por empresas financeiras quanto por não financeiras. No mercado
americano, as emissões são feitas sem a necessidade de brokers. Empresas brasileiras têm feito
emissões de commercial papers no mercado internacional. O prazo máximo desses papéis no mer-
cado americano é de 270 dias; prazos superiores necessitam de autorização da Security Exchange
Commission (SEC).
No mercado de títulos públicos há a atuação, nos Estados Unidos, do FED, através da negociação
dos FED FUNDS, títulos de emissão própria, para praticar a política monetária.

3.6.2. Capital Market
No mercado de capitais, estão os títulos de médio e longo prazo, que, geralmente, pagam juros peri-
ódicos, chamados de cupons. Os produtos mais comuns negociados nesse mercado são os Trea-
sury-Notes & Bonds, os Coporate Bonds e as Mortgage Backed Securities (Letras Hipotecárias).
Os títulos do mercado de capitais que não pagam cupons são chamados de Zero Coupon Bonds têm
a mesma estrutura dos títulos de curto prazo, ou seja, são vendidos com deságio sobre o valor de
face.
Dentre os títulos públicos emitidos há as Treasury Notes (T-Notes) e os Treasury Bonds (T-Bonds)
emitidos pelo Tesouro Americano.
Os principais títulos públicos brasileiros negociados no mercado internacional estão divididos em
dívida renegociada (títulos oriundos da renegociação da dívida externa, finalizada em 1994)
28
e cap-
tações soberanas. Para conhecer as características desses títulos acesse, respectivamente,
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/divida_publica/downloads/bradiescaracteristicas_prn.pdf e
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/divida_publica/downloads/soberanosinternet.xls.

28
Esses títulos estão sendo objeto de recompra pelo Tesouro Nacional,com o objetivo de diminuir o risco país.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 87
Nos Corporate Notes & Bonds há vários tipos como: Taxa Fixa (Fixed-Rate); Callable & Putable
Bonds ( podem ser cancelados antes do vencimento pelo emissor); Floating-Rate (indexados a algu-
ma taxa de juros, como a Libor); Convertible & Exchangeable Bonds (podem ter a opção de serem
conversíveis em ações); Commodity-Linked; Sinking-Fund Provision (podem exigir as retiradas perió-
dicas de parcelas do principal).
Globais
A cotação dos globais é feita como percentagem do seu preço. Caso a data da compra não coincida
com a data de pagamento de cupom, calcula-se juros pró rata sobre o valor de face (US$ 1.000),
utilizando-se de juros simples, considerando os dias corridos entre a data de pagamento do último
cupom e a data atual, da compra, convencionando 30/360.
Na convenção 30/360, os meses têm 30 dias, de modo que d = (A2 – A1) x 360 + (M2- M1) x 30 +
(D2 – D1). Onde: d = número de dias entre as datas inicial e final; D1, M1 e A1 = dia, mês e ano da
data inicial; D2, M2 e A2 = dia, mês e ano da data final. Com as seguintes ressalvas: 1) se D1 for 31
ou o último dia de fevereiro, fica como 30; 2) se D2 for 31 e D1 for 31, 30 ou o último dia de fevereiro,
D2 fica como 30; 3) se D2 for 31 e D1 não for nem 31, nem 30, nem o último dia de fevereiro, D2 fica
1, M2 torna-se o mês subseqüente e, se for o caso, A2 o ano subseqüente.

Exemplo: compra de Global 40 (título público brasileiro com maior volume disponível no mercado),
que paga juros semestrais de 11% a.a., em 19/04/05, por 100+ ¼.
O último pagamento de cupom foi em 17/02/05. Deve-se acrescentar os três dias úteis para a liquida-
ção, a fim de calcular os juros pró rata, de modo que a data da liquidação foi em 22/04/05.
Então: d = (2005 – 2005) x 360 + (4 – 2) x 30 + (22 – 17) = 65
Preço (cotação) = 1.000 x 100,25 / 100 = 1.002,5
Juros pró rata = 11% x 65/360 x 1.000 = 19,8621
Valor de liquidação = 1.002,5 + 19,86211 = 1.022,3611

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSAF NETO, A. Mercado financeiro / 4a. ed. São Paulo: Atlas, 2001.
BODIE, Z. Fundamentos de Investimento. 3ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2000.
FARIA, R. G. de. Mercado financeiro: instrumentos e operações. São Paulo: Prentice Hall, 2003.
282p. ISBN 85-87918-x
ROSS, S.A. Administração Financeira. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2002
SECURATO, J. R. Mercado Financeiro e Análise de Investimento. 1ª. São Paulo: Saint Paul. 2005.
ISBN: 85-98838-08-X.
www.tesouro.fazenda.gov.br

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 88
4. MERCADO DE CAPITAIS (renda variável)




4.1. INTRODUÇÃO
O Mercado de Capitais é considerado como o mercado onde se negociam títulos para o financiamen-
to de capital fixo (investimento de longo prazo), mais especificamente ações e debêntures negociadas
pelas companhias de capital aberto. As ações são a menor parte do capital social de uma empresa
de capital aberto.
A existência do mercado de capitais favorece o desenvolvimento econômico, na medida em que vi a-
biliza capital para investimentos produtivos, contribuindo também para a formação de poupança pri-
vada e sua canalização para a produção. Desse modo, aumenta a participação coletiva na riqueza,
nos resultados da economia, oferecendo a oportunidade dos indivíduos participarem dos lucros das
empresas.

4.2. MERCADO DE AÇÕES

Mercado Primário
No mercado primário, ocorre a primeira negociação do título (subscrição), que permite a capitalização
das empresas. A negociação pode acontecer das seguintes formas:
Subscrição particular: feita totalmente pelos antigos acionistas (diretamente na empresa ou em bolsa
de valores)
Subscrição pública (underwriting): um intermediário financeiro é contratado para colocação dos títulos
no mercado.
Os contratos de underwriting podem ser dos tipos:
- Firme: as instituições subscrevem integralmente a emissão de ações e depois tentam re-
passá-las para o público
- Residual ou com garantias de sobras (stand-by): o intermediário financeiro compromete-
se a colocar as sobras de ações para o público por um determinado período de tempo e,
após, subscrever
- Melhores esforços (best-efforts): o intermediário financeiro compromete-se em colocar as
ações por um período de tempo, sem a obrigação de comprá-las
As ações podem ser negociadas como:
- Ordinárias ou comuns: direito de participação na administração da sociedade, direito de

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 89
voto
- Preferenciais: não têm direito a voto, mas gozam de privilégios na distribuição de dividen-
dos.
De acordo com a lei das S/A, uma empresa deve obrigatoriamente emitir um mínimo de 1/3 do capital
em ações ordinárias e no máximo 2/3 de ações preferenciais.
Os resultados financeiros do investimento em ações são os seguintes:
- Dividendos: distribuição do lucro líquido – pela lei, no mínimo 25%
- Bonificações: capitalização de reservas e/ou resultados, com distribuição de novas ações
- Alterações no valor nominal/substituições: aumento do valor nominal, com capitalização
de reservas e/ou resultados; aumento do capital com subscrição em valores inferiores ao
de mercado
- Lucro (ganho de capital) na venda
A Mudança no número de ações representativo do capital ocorre de duas formas:
- Split (desdobramento): distribuição de novas ações aos acionistas pela distribuição do
capital por um número maior de ações. Objetiva dar maior liquidez aos títulos no mercado
- Inplit (agrupamento): diminuição do número de ações – aumento do valor patrimonial da
ação. Objetiva ajustar o valor nominal da ação
Os valores das ações considerados pelos investidores são:
- Valor de Mercado: valor aceito pelos vendedores e compradores nos negócios realizados
- Valor Nominal: estabelecido pelo estatuto da companhia (capital dividido pelo número de
ações)
- Valor Patrimonial: valor global do patrimônio líquido dividido pelo número de ações
- Valor contábil: valor lançado no estatuto e livros da companhia: pode ser explícito ou di s-
criminado (sem valor)
- Valor intrínseco: calculado na análise fundamentalista, com base no fluxo de caixa espe-
rado
- Valor de liquidação: valor avaliado em caso de encerramento das atividades da compa-
nhia
- Valor de subscrição: preço de emissão

Mercado Secundário
A função do mercado secundário é dar liquidez ao investidor. Os mercados onde ocorrem as negoci-
ações são:
- Mercado de balcão: não tem local determinado, negociação feita principalmente por tel e-
fone; as ações ficam fora da garantia e do controle da bolsa de valores

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 90
- Mercado de bolsa: a decisão de ter ações negociadas em bolsa é da empresa e depende
de apresentação de projeto à CVM
Encontramos, nesse mercado, os seguintes tipos de atuação nas bolsas de valores:
- Especuladores: procuram obter lucros em curto prazo, nas negociações de compra e
venda.
- Investidores: procuram rendimento em longo prazo, esperam os lucros das empresas,
tornando-se sócios delas.
- Gestores financeiros: procuram captar recursos a custo baixo e investir disponibilidades
sem risco e com prazos adequados
Participam do Sistema de Distribuição e Intermediação do mercado de capitais brasileiro as seguintes
instituições:
- Sociedades Corretoras de Valores Mobiliários
- Sociedades Distribuidoras de Valores Mobiliários
- Bancos de Investimento
- Bancos de Desenvolvimento
- Empresas de Liquidação e Custódia

4.3. BOLSA DE VALORES
As bolsas de valores são entidades sem fins lucrativos, em cujo recinto são realizadas transações de
compra e venda de títulos e valores mobiliários.
Além disso, as bolsas de valores exercem uma importante atividade: fiscalizar as operações efetua-
das por seus membros. Por essa razão, são consideradas entidades auto-reguladoras, uma vez que
seus próprios associados cuidam de expedir e fazer cumprir determinadas regras de conduta.
As bolsas são consideradas, atualmente, a partir da lei n°6.385/76, como órgãos auxiliares da CVM,
devendo, portanto, cooperar com essa comissão, nas atividades de fiscalização do mercado bursátil.
Consideram-se membros das bolsas de valores seus respectivos associados, ou seja, as sociedades
corretoras, revestidas da forma de sociedades comerciais por ações nominativas ou por cotas de
responsabilidade limitada. O ingresso das corretoras nas bolsas de valores se verifica mediante a
compra de títulos patrimoniais. Nas bolsas de valores, são negociados os títulos e valores mobiliários
de emissão ou co-responsabilidade de pessoas jurídicas, quer de direito público, quer de direito pri-
vado, registradas na CVM. Portanto, os negócios em bolsas de valores são realizados pelas socieda-
des corretoras.

Unificação das bolsas e negociação eletrônica
Até 1999, havia nove bolsas de valores no Brasil: Bovespa, BVRJ, BVES, BVBSA, Bovmesb, BVPR,
BVPP, BVRg, BVSt. Com o desenvolvimento da informática e das telecomunicações, a tendência é

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 91
de centralizar os negócios nas bolsas mais importantes. Atualmente no Brasil os negócios são reali-
zados apenas na Bovespa. Há uma tendência mundial de centralizar as negociações na Bolsa de
Nova York.
O sistema eletrônico no qual são operadas as negociações na Bovespa é chamado de Megabolsa. A
internet permite a existência do Home Broker, compra por meio do site da corretora, e do After Mar-
ket: sessão noturna de negociação eletrônica.
O Sistema Eletrônico de Negociação Nacional (SENN): interliga as bolsas de valores, as corretoras e
demais participantes.

Objetivos Sociais das Bolsas:
As Bolsas de Valores possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa, sujeitas à fiscaliza-
ção da Comissão de Valores Mobiliários (C.V.M.) e às diretrizes emanadas pelo Conselho Monetário
Nacional (C.M.N.).
Os principais objetivos sociais das Bolsas são:
- Manter local adequado ao encontro de seus membros (Sociedades Corretoras), e à real i-
zação, entre eles, de transações de compra e de venda de títulos e valores mobiliários,
em mercado livre e aberto, organizado e fiscalizado pelos próprios membros e autorida-
des monetárias.
- Criar e organizar materiais e técnicos para a realização das negociações, em local ade-
quado e transparente. O pregão da Bolsa.
- Estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao
mercado de títulos e valores mobiliários.

Regulamento das Bolsas:
As Resoluções 1.655 e 1.656 de 26 de outubro de 1989 deram nova disciplina ao funcionamento das
Bolsas de Valores e das Sociedades Corretoras. Substituíram a Resolução no 922 de 15 de maio de
1984.
A administração das Bolsas de Valores cabe ao Conselho de Administração, ao Superintendente
Geral e aos demais Superintendentes, todos responsáveis por sua gestão.
O Conselho de Administração é integrado por no mínimo 9 e no máximo 13 conselheiros, sendo:
- Representantes de corretoras;
- 1 representante das Companhias Abertas (S/A's);
- 1 representante dos investidores pessoa física;
- 1 representante dos investidores institucionais;
- Superintendente Geral, membro nato do Conselho.
Compete ao Conselho de Administração das Bolsas:

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 92
- estabelecer a política geral da Bolsa de Valores e zelar por sua boa execução;
- aprovar o regimento interno e as demais normas operacionais;
- eleger seu Presidente e Vice-Presidente;
- escolher e exonerar o Superintendente Geral.
Compete ao Superintendente Geral:
- dar execução à política e às determinações do Conselho de Administração, bem como di-
rigir todos os trabalhos da Bolsa de Valores, inclusive o sistema de registro, compensa-
ção e liquidação das operações.
- praticar todos os atos necessários ao funcionamento regular da Bolsa de Valores.

O Recinto de Negociações (Pregão):
Até 2005, havia o pregão na Bovespa, onde eram feitas as negociações viva voz por meio dos repre-
sentantes das corretoras. Hoje não mais há esse forma de negociação, somente o pregão eletrônico
funciona, de 10 às 17 h

Tipos de Ordem de Negociação
- Ordem de mercado: executadas imediatamente pelo preço de mercado
- Ordem limitada: o cliente estabelece o preço máximo ou mínimo
- Ordem administrada: o cliente estabelece quantidade e características das ações e a e-
xecução fica a critério da corretora
- Ordem casada: compra de um título condicionada à realização da venda de outro
- Ordem de financiamento: Ordem de compra (ou venda) de um título condicionada à ven-
da (compra) do mesmo título no mesmo ou em outros mercados, com prazos de venci-
mento distintos.
- Ordem com Stop: o cliente estipula preço mínimo ou máximo pelo qual a ordem será exe-
cutada, visando limitar perdas ou ganhos.

4.4 SOCIEDADES CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS
A lei 4.728/65 instituiu as sociedades corretoras como instituições financeiras auxiliares, membros
das bolsas de valores, constituídas sob a forma de sociedades anônimas ou sociedades por cotas de
responsabilidade limitada.
Para o exercício de suas atividades, as corretoras dependem de prévia autorização da CVM. Tais
atividades são, basicamente, as seguintes:
- Operar com exclusividade em bolsas de valores, com títulos e valores mobiliários de ne-
gociação autorizada;

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 93
- Comprar, vender e distribuir títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros;
- Formar e gerir consórcios para lançamento público de ações (underwriting) e, ainda, en-
carregar-se de sua distribuição e colocação no Mercado de Capitais;
- Encarregar-se da administração de carteiras de valores e da custódia de títulos e valores
mobiliários;
- Instituir, organizar e administrar fundos mútuos de investimentos, sob a forma de condo-
mínio aberto e sociedade de investimento (Decreto lei 1.401) e clubes de investimentos; e
- Operar no mercado aberto (open-market) e intermediar as operações de câmbio.
Dessa forma, as sociedades corretoras exercem o papel de unificadoras do mercado, dando segu-
rança ao sistema e liquidez aos títulos transacionados, promovendo, de forma eficiente, a aproxima-
ção entre compradores e vendedores de títulos e valores mobiliários, dando-lhes negociabilidade
adequada, através de leilões realizados em bolsa aos quais confere.

4.5 INVESTIDORES
Os investidores nas bolsas de valores são classificados como:
Individuais: pessoas físicas ou jurídicas que participam diretamente do mercado
Institucionais: são pessoas jurídicas que constituem carteiras e movimentam muitos recursos de ter-
ceiros:
- Sociedades seguradoras;
- Entidades de previdência privada – fundos de pensão;
- Clubes de investimento;
- Sociedades de capitalização;
- Fundos externos de investimento;
- Fundos mútuos de investimento

4.6. ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES
O resultado advindo de um investimento em ações dependerá do fluxo de caixa fornecido pela distri-
buição dos lucros aos acionistas, na forma de dividendos ou aumento no valor do capital da empresa,
e pela venda das ações.
Há várias maneiras de analisar o investimento em ações. Na verdade, os métodos devem ser utiliza-
dos em conjunto, pois cada um fornece uma informação diferente. Temos as anál ises técnica, funda-
mentalista e de demonstrações contábeis.
A análise técnica utiliza-se de gráficos e projeções que tratam de evoluções das cotações, tendências
observadas e alterações em parâmetros da oferta e procura.
A análise fundamentalista objetiva fixar o valor de uma ação, utilizando técnicas e informações. A

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 94
partir da obtenção desse valor, faz-se a comparação com o preço de mercado, para, então, tomar-se
a decisão de comprar.
O preço de mercado de uma ação é fixado pelas forças de mercado, a demanda e a oferta. Se o valor
da ação, calculado pela análise fundamentalista, for maior que o preço de mercado, é vantajoso com-
prar, pois, provavelmente, além de ganhar com os lucros distribuídos, há o ganho com a venda futura,
devido à tendência de valorização do preço de mercado.
A análise fundamentalista considera alguns níveis de abordagem: a análise da conjuntura macroeco-
nômica, se haverá crescimento econômico, se a taxa de juros irá variar etc; a análise da conjuntura
do setor econômico do qual a empresa faz parte; e a análise de indicadores a partir de informações
de dentro da própria empresa, para avaliar o seu desempenho econômico e financeiro.
Há que se destacar a diferença de posicionamento frente ao mercado assumido por aquele que privi-
legia a análise técnica e o que se posiciona mais a partir da análise fundamentalista. O perfil de “es-
peculador” ajusta-se mais ao primeiro, pois ele não se preocupa em obter ganhos advindos dos resul-
tados da empresa. Sua preocupação é mais voltada para os movimentos verificados no preço de
mercado; ele procura comprar na baixa e vender na alta. Já o que se preocupa em avaliar os result a-
dos esperados da empresa, montar um fluxo de caixa com base neles e avaliar o valor atual da ação
em comparação com o preço de mercado está mais preocupado em tornar-se efetivamente um sócio
da empresa; o lucro da empresa é sua maior preocupação. Para isso, ele vai analisar a conjuntura
econômica macro e setorialmente, e ainda a situação de atuação da empresa. Preocupa-se também
com a política e até com a ética dos administradores.

4.6.1 Análise fundamentalista
A análise fundamentalista faz a análise do desempenho da empresa, utilizando os fundamentos eco-
nômico-financeiros para a determinação do valor da empresa. Considera que as ações têm um valor
intrínseco que está associado com a performance da empresa e com a conjuntura econômica. Estuda
os fatores (valores fundamentalistas) que explicam esse valor intrínseco, adota a hipótese de que o
mercado de capitais é eficiente no longo prazo, calcula o valor hipotético da empresa, seu “preço
justo”, compara com o valor de mercado e investe na empresa com maior relação valor intrínse-
co/preço de mercado.
A estimação do valor da ação é feita com as análises das demonstrações financeiras passadas e de
projeções, da situação atual da economia e estimativas de variáveis que influenciam o valor e o preço
de todas as ações e da intervenção governamental.
O Valor da empresa pode ser definido pelo Lucro esperado em exercícios futuros, pelos Investimen-
tos realizados e a realizar e pelas Fontes de financiamento.
As principais Fontes de Pesquisa utilizadas são:
- Relatórios macroeconômicos
- Relatórios setoriais
- Relatórios de administração

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 95
- Demonstrativos contábeis
- Meios de comunicação especializados
Há dois tipos de enfoques utilizados na análise de investimento: o enfoque Top Down - de cima para
baixo – e o Bottom Up - de baixo para cima.

Enfoque Top Down
O enfoque Top Down primeiro analisa a economia, depois analisa os setores da economia e, em se-
guida, analisa as empresas no setor em que atuam.
A análise da economia considera que a bolsa de valores deve refletir o desempenho da economia.
Portanto, a capacidade de prever a macroeconomia pode traduzir-se em oportunidades de investi-
mento. Já a análise setorial faz a comparação do setor analisado com os outros setores.
Na análise econômica, as principais Variáveis estudadas são:
- Nível de atividade: Consumo; Produção; Emprego; Renda;
- Exportações e importações;
- Taxa de juros;
- Taxa de câmbio.

Enfoque Bottom Up
O enfoque Bottom Up faz o cálculo do valor de ações e compara com o valor de mercado, utilizando
métodos de valoração Teórica de Ações:
- Desconto dos fluxos de caixa, utilizando o Custo Médio Ponderado de Capital (WACC)
- Desconto dos dividendos, utilizando o retorno esperado da ação

Índices de avaliação de ações
Há índices que são bastante utilizados pelos investidores:

1) Valor Patrimonial da Ação (VPA):
Ações de Número
Líqui do Patri môni o

Analisa-se a evolução da relação
VPA
Preço


2) Lucro por Ação (LPA):
Emi ti das Ações de Número
Líqui do Lucro

Indica o lucro líquido por ação.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 96
3) Preço/Lucro (P/L):
(LPA) Ação por Lucro
Ação da Mercado de Preço

Indica a relação entre o preço de aquisição e o lucro unitário periódico.
O P/L indica o número de anos que o investidor em que o capital investido será recuperado.

4) Taxa de retorno esperada (TR):
L / P
1

É o inverso do P/L e indica a lucratividade da ação.

5) Dividendos por ação (DPA):
Emi ti das Ações de Número
Di vi dendos


6) Taxa de rentabilidade dos dividendos (Yeld):
eço Pr
ação por Di vi dendo

Rentabilidade oferecida ao acionista somente com o pagamento dos dividendos

7) Taxa de distribuição de dividendos (Pay Out):
Líqui do Lucro
Di vi dendos

Proporção do lucro líquido que a companhia distribui.

8) Valor de Mercado / Valor Patrimonial
O quociente entre valor de mercado e valor patrimonial indica o quanto de valor foi agregado ao valor
patrimonial da empresa, em função do seu poder de gerar lucros e crescer, advindo de elementos
não agregados ao patrimônio da empresa e que são valores difíceis de serem quantificados monet a-
riamente, como o nome da empresa, goodwill. A Coca-Cola, por exemplo, tinha um índice Valor de
Mercado / Valor Patrimonial igual a 21,4.

9) Q de Tobin
O Q de Tobin é calculado de forma semelhante: ele divide o valor de mercado do capital próprio so-
mado ao valor de mercado do capital de terceiros (dívidas) pelo valor de reposição de seus ativos (no
momento e não seu custo histórico). Assim como o índice Valor de Mercado / Valor Patrimonial o Q
de Tobin maior que 1 indica a capacidade de uma empresa de gerar valor acima do exigido pelo mer-
cado e um Q menor que 1 indica que o valor pelo qual a empresa pode ser vendida no mercado é
inferior ao que se gastaria para construí-la, ou seja, que a empresa não gera um retorno satisfatório.



PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 97
Cálculo do valor da ação
O valor de um título no momento atual é o valor presente dos fluxos de caixa futuros (esperados)
dada uma taxa de rentabilidade. Em outras palavras, para determinarmos o valor atual de uma ação,
calcular o valor presente do fluxo de caixa futuro descontado à taxa exigida de rentabilidade. Por ou-
tro lado, se o preço da ação é dado no mercado, podemos calcular a rentabilidade oferecida pelo
fluxo de caixa futuro, utilizando, para isso, a TIR, ou a TIRM.
No caso das ações, é mais difícil obtermos o fluxo de caixa futuro, pois os valores dos fluxos de caixa
não são previamente conhecidos. Os fluxos de caixa serão os dividendos e o valor recebido pela
venda das ações. Mas pode-se fazer um esforço, a fim de prever esses valores. No caso dos divi-
dendos, pode-se prever com base na política de distribuição de dividendos da empresa, ou política de
retenção de lucros, e a partir da rentabilidade esperada sobre o capital próprio. Essas informações
podem ser obtidas, juntamente com outras, na análise das demonstrações contábeis e na pesquisa
sobre as políticas da empresa.

Modelo Básico de Desconto
O valor intrínseco da ação, ou seu valor presente é dado pela seguinte fórmula:
( ) ( )
n
n n
t
t
t
k
P
k
D
P
+
+
+
=
¿
=
1 1
1 0

em que D é o dividendo e k a taxa requerida de retorno.
Exemplo: Se se projeta um dividendo de R$ 0,20 por ação, que a ação será vendida ao final de três
anos por R$ 2,60 e que a taxa de retorno exigida é 30% a.a., calcule o valor intrínseco da ação.
3 2 1
0
3 , 1
8 , 2
3 , 1
2 , 0
3 , 1
2 , 0
+ + = P = 1,547
Se não há o propósito de vender a ação no futuro, temos que calcular um fluxo de caixa na perpetui-
dade:
( )
¿
·
=
·
+
=
1 0
1
t
t
k
D
P
Que equivale a:
k
D
P =
0

Exemplo: Para o exemplo acima, considere que a ação não será vendida e calcule o valor intrínseco.
0,3
0,2
P
0
= = 0,67

Modelo de Crescimento: Fórmula de Gordon
Se a empresa tem uma política de distribuição de lucros em que uma parte deles é distribuída aos
acionistas e outra é retida para a realização de investimentos, então o fluxo de caixa altera-se, pois, a
cada período, o valor do lucro será maior em função do investimento realizado.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 98
Pressupondo que a política da empresa não se altere, ou seja, que o crescimento dos lucros distribu-
ídos seja constante, podemos avaliar o fluxo de caixa com o modelo de crescimento de Gordon, que
considera o valor dos dividendos crescendo a uma taxa constante g.
A formulação para calcular o valor teórico da ação é a seguinte:
Os dividendos, a cada período, serão:
D
1
= D
0
(1 + g), o dividendo no tempo 1 é igual ao dividendo no tempo 0 vezes 1 mais a taxa de cres-
cimento.
Então,
D
2
= D
0
(1 + g)
2
D
3
= D
0
(1 + g)
2

.
.
.
.
D
n
= D
0
(1 + g)
n

E,
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
·
·
+
+
+ +
+
+
+
+
+
+
+
+
=
k
g D
k
g D
k
g D
k
g D
P
1
1
......
1
1
1
1
1
1
0
3
3
0
2
2
0 0
0

Essa perpetuidade pode ser simplificada como:
g k
D
P
÷
=
1
0

E podemos obter também a rentabilidade:
g
P
D
k + =
0
1


Exercícios

Exercícios Resolvidos
1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0,65 por ação nos próximos quatro anos;
a partir do quinto ano, os dividendos elevar-se-ão para R$ 0,85. Calcule o valor teórico da ação,
considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 31% a.a..
P
0
=
4 4 3 2 1
31 , 1 31 , 0
85 , 0
31 , 1
65 , 0
31 , 1
65 , 0
31 , 1
65 , 0
31 , 1
65 , 0
×
+ + + + = 2,31


PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 99
2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$
1,20 por ação. Espera-se uma taxa de 10% de crescimento constante dos dividendos. A taxa de
retorno exigida é 31% a.a..
P
0
=
1 , 0 31 , 0
1 , 1 2 , 1
÷
×
= 6,286

3) Uma ação paga R$ 1,30 de dividendos por ação, a taxa de crescimento anual dos dividendos é
9% e está sendo comercializada por R$ 5,00. Calcule o retorno produzido por esse investimento.
k = 09 , 0
5
09 , 1 3 , 1
+
×
= 0,3734 => a rentabilidade é 37,34% a.a.

4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1,35 por ação, feita por uma empresa que está investi n-
do para aumentar a produção daqui a dois anos. A taxa de crescimento dos dividendos é 7% ao
ano, e, após os dois anos, passará a 10% ao ano. Calcule o valor teórico da ação. A taxa de re-
torno exigida é 31% a.a..
P
0
=
( )
2
2
2
2
1
31 , 1 1 , 0 31 , 0
1 , 1 07 , 1 35 , 1
31 , 1
07 , 1 35 , 1
31 , 1
07 , 1 35 , 1
× ÷
× ×
+
×
+
×
= 6,72

5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 36,00 e o LPA é R$ 9,00. Qual a lucrati-
vidade anual dessa ação?
P/L =
9,00
36,00
= 4 anos
TR =
4
1
= 0,25 => 25% a.a.

Exercícios Propostos
1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0,50 por ação nos próximos três anos; a
partir do quarto ano, os dividendos elevar-se-ão para R$ 0,75. Calcule o valor teórico da ação,
considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 33,5% a.a..
2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$
1,00 por ação. Espera-se uma taxa de 8% de crescimento constante dos dividendos. A taxa de re-
torno exigida é 33,5% a.a..
3) Uma ação paga R$ 1,70 de dividendos por ação, a taxa de crescimento anual dos dividendos é
8% e está sendo comercializada por R$ 15,00. Calcule o retorno produzido por esse investimento.
4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1,53 por ação, feita por uma empresa que está investin-
do para aumentar a produção daqui a três anos. A taxa de crescimento dos dividendos é 11% ao
ano, e, após os três anos, passará a 17% ao ano. Calcule o valor teórico da ação. A taxa de re-
torno exigida é 33,5% a.a..

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 100
5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 140,00 e o LPA é R$ 11,70. Qual a lucra-
tividade anual dessa ação?

Solução dos Exercícios propostos
1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0,50 por ação nos próximos três anos; a
partir do quarto ano, os dividendos elevar-se-ão para R$ 0,75. Calcule o valor teórico da ação,
considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 33,5% a.a..
P
0
=
3 3 2 1
335 , 1 335 , 0
75 , 0
335 , 1
50 , 0
335 , 1
50 , 0
335 , 1
50 , 0
×
+ + + = 1,49

2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$
1,00 por ação. Espera-se uma taxa de 8% de crescimento constante dos dividendos. A taxa de re-
torno exigida é 33,5% a.a..
P
0
=
08 , 0 335 , 0
08 , 1 00 , 1
÷
×
= 4,23

3) Uma ação paga R$ 1,70 de dividendos por ação, a taxa de crescimento anual dos dividendos é
8% e está sendo comercializada por R$ 15,00. Calcule o retorno produzido por esse investimento.
k = 08 , 0
00 , 15
08 , 1 70 , 1
+
×
= 0,2024 => a rentabilidade é 20,24% a.a.

4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1,53 por ação, feita por uma empresa que está investin-
do para aumentar a produção daqui a três anos. A taxa de crescimento dos dividendos é 11% ao
ano, e, após os três anos, passará a 17% ao ano. Calcule o valor teórico da ação. A taxa de re-
torno exigida é 33,5% a.a..
P
0
=
( )
3
3
3
3
2
2
1
335 , 1 17 , 0 335 , 0
17 , 1 11 , 1 53 , 1
335 , 1
11 , 1 53 , 1
335 , 1
11 , 1 53 , 1
335 , 1
11 , 1 53 , 1
× ÷
× ×
+
×
+
×
+
×
= 9,44

5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 140,00 e o LPA é R$ 11,70. Qual a lucra-
tividade anual dessa ação?
P/L =
11,70
140,00
= 12 anos
TR =
12
1
= 0,083 => 8,3% a.a.

Precificação de Ações
Os modelos de precificação de ações partem da questão de que todo ativo tem um risco associado a

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 101
ele e que quanto maior o risco maior a rentabilidade exigida pelo investidor. Esse risco não deve ter a
conotação de ser ruim, de ser perda. No caso dos modelos de precificação, o risco está associado à
variação esperada dos retornos de um investimento e pode significar, em vez de perda, oportunidade
de ganhos maiores do que a média. O risco, então, é medido pela variação do retorno do título, na
prática pela sua variância.

Modelo de Precificação de Ativos de Capital – CAPM (Capital Asset Price Management)
O modelo considera que a diversificação elimina o risco específico de cada empresa, que pode ser
chamado de risco diversificável e assume que a diversificação não tem custo e que todos os ativos
podem ser negociados, de modo que a “Carteira de Mercado” contém todos os ativos com risco. Além
disso, no modelo, todo investidor mantém alguma combinação de ativos sem risco (títulos públicos) e
de ativos da Carteira de Mercado.

Mensurando o Risco de um ativo
O risco de qualquer ativo é o risco que ele adiciona à Carteira de Mercado. Os ativos que se movi-
mentam mais com a Carteira de Mercado são mais arriscados do que os que não se relacionam com
ela, porque os movimentos não relacionados são eliminados com a agregação do ativo à Carteira de
Mercado, com a diversificação. O risco agregado à Carteira de Mercado é medido pela covariância do
título com a Carteira.
Mas a covariância não é uma medida padrão do risco do mercado, do ativo médio. Ao dividir a cova-
riância de um título em relação à Carteira de Mercado pela variância da Carteira de Mercado, obt e-
mos uma medida padrão, o | do título. O | de qualquer título é uma medida padrão do risco que ele
agrega à Carteira de Mercado, é a medida do risco não diversificável. Já que a covariância da Cartei-
ra de Mercado consigo mesma é a variância da Carteira de Mercado, o | da Carteira de Mercado é 1.
Se um título é mais arriscado do a Carteira de Mercado, seu | é maior que 1; se menos arriscado,
seu | é menor que 1.
| do ativo =
Covariância do Retorno do Ativo em relação ao Retorno Médio do Mercado
Variância do Retorno Médio do Mercado

O CAPM, então, usa a variância como medida de risco e considera que apenas a parte da variância
que não é diversificável é remunerada. A variância de um investimento mede a diferença entre o re-
torno esperado e o retorno verificado. O risco (variância) de um investimento pode ser dividido em
duas fontes: o risco específico da firma (só afeta a firma) e o risco de mercado (afeta todas as firmas).
Mede-se o risco não diversificável com o |, padronizado em torno de 1 e procura-se utilizar o b para
calcular o retorno esperado.
Desse modo,
Retorno Esperado do Ativo i= Taxa Livre de Risco + |
Prêmio de Risco = retorno extra exigido para investir no ativo i
Retorno Esperado para o acionista = Rf + | do ativo x [E(Rm) - Rf]

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 102
Rf = Taxa livre de risco
E(Rm) = Retorno esperado do Índice de Mercado
Como retorno do Índice de Mercado utiliza-se um índice de Bolsa de Valores representativo do mer-
cado como um todo. No Brasil, o recomendável é utilizar o IBX da Bovespa.
Na análise de investimento em uma ação, a taxa de retorno esperada pelo acionista será utilizada
como taxa de desconto para o fluxo de caixa do acionista, gerado pela empresa, de modo que, o
valor presente desse fluxo de caixa é considerado o valor justo para a ação, o qual deve ser compa-
rado ao preço de mercado e analisadas duas situações: se o preço de mercado estiver abaixo do
valor justo, há potencial de alta do preço de mercado e, se o preço de mercado estiver acima do valor
justo, há potencial de baixa do preço de mercado.

4.6.2 Análise Técnica
A análise técnica é a o acompanhamento das cotações, a partir de gráficos, estatísticas e indicadores
com base nos preços de mercado e volume de negociações. Essa análise procura identificar o senti-
mento do mercado, ou seja, se há a avaliação de que o preço está baixo ou alto. A partir dessa aval i-
ação, o comportamento do mercado pode ser de alta, de baixa ou de indefinição. Observando-se,
portanto, as tendências de alta ou de baixa, pode-se segui-las comprando no início de uma tendência
de alta e vendendo no início de uma baixa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BODIE, Z. Fundamentos de Investimento. 3ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2000
CAVALCANTI, F; MISUMI, J. Y. Mercado de Capitais. Rio de Janeiro: Campus, 2001. 373p. ISBN 85-
352-0942-5
PINHEIRO, J. L. Mercado de Capitais: fundamentos e técnicas. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2005.
PÓVOA, A. Valuation: como precificar ações. São Paulo: Globo, 2004.
www.analistademercado.com.br
www.bastter.com.br
www.bovespa.com.br
www.cvm.gov.br
www.dojistar.com.br
www.infomoney.com.br
www.leandrostormer.com.br
www.nelogica.com.br
www.timing.com.br

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 103
5. MERCADO DE DERIVATIVOS



Derivativos são contratos cujos valores derivam de outros ativos. São contratos de Futuros, a
Termo, Swaps e Opções. Distinguem-se dos demais contratos, porque permitem proteção contra
riscos de preços (hedge) e apostas em variações de preços, de moedas e de taxas de juros.
Categorias de derivativos:
- Taxas de juros
- Taxas de câmbio
- Commodity (mercadoria)
- Índices de ações
As finalidades dos participantes são:
- Fazer hedge: proteger-se contra movimentos adversos no futuro
- Especular: apostar em movimentos de preços futuros para obter ganhos
- Fazer arbitragem: tirar proveito da diferença na variação entre o preço de dois ativos ou
dois mercados
Os contratos são negociados no balcão ou na BM&F.

5.1 BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO - BM&F
O objetivo maior da BM&F é efetuar o registro, a compensação e a liquidação, física e financeira, das
operações realizadas em pregão ou em sistema eletrônico, bem como desenvolver, organizar e ope-
racionalizar mercados livres e transparentes, para negociação de títulos e/ou contratos que possuam
como referência ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias e moedas, nas modalida-
des a vista e de liquidação futura.
Para tanto, mantém local e sistemas de negociação, registro, compensação e liquidação adequados à
realização de operações de compra e de venda, dotando-os de todas as facilidades e aprimoramen-
tos tecnológicos necessários, a fim de divulgar as transações com rapidez e abrangência. Além disso,
possui mecanismos para acompanhar e regular seus mercados e normas que asseguram aos partici-
pantes de seus mercados o adimplemento das obrigações assumidas, em face das operações efetu-
adas em seus pregões e/ou registradas em quaisquer de seus sistemas de negociação, registro,
compensação e liquidação.
Destaca-se, nesse particular, o reconhecimento, pelo órgão regulador do mercado norte-americano -
a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) -, em julho de 2002, da adequação desses siste-
mas e mecanismos, o que significa que são equiparáveis, perante a CFTC, aos adotados pelo mer-
cado local.

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 104
No âmbito de seu poder de auto-regulação, a Bolsa de Mercadorias & Futuro:
(a) Estabelece normas visando à preservação de princípios eqüitativos de negociação e co-
mércio e de elevados padrões éticos para as pessoas que nela atuam, direta ou indireta-
mente;
(b) regulamenta e fiscaliza as negociações e as atividades de seus associados;
(c) resolve questões operacionais;
(d) aplica penalidades aos infratores das normas legais, regulamentares e operacionais;
(e) Concede crédito operacional a seus associados, de acordo com seus programas e objeti-
vos;
(f) defende seus interesses, bem como os de seus associados, junto às autoridades consti-
tuídas;
(g) dissemina a cultura dos mercados de derivativos no País, por meio de eventos educacio-
nais, treinamentos e publicações.
A BM&F exige um capital mínimo para o agente de compensação e oferece como garantias:
- Margens depositadas
- Garantias e títulos de propriedade da corretora
- Garantias e títulos de propriedade do agente de compensação
- Fundo da BM&F
- Patrimônio da BM&F

5.2 MERCADO A TERMO
No contrato a termo, o investidor compromete-se a comprar ou vender uma certa quantidade de uma
ação (ação-objeto) por um preço fixado dentro de prazo predeterminado
As garantias do contrato são:
- Cobertura: depósito dos títulos na Bovespa
- Margem: percentual do valor do contrato – no mínimo 20% e no máximo 100%
As garantias podem sofrer ajustes.

5.3 MERCADO FUTURO
O Mercado Futuro pode ser considerado um aperfeiçoamento do Mercado a Termo. O Contrato de
Futuro representa um compromisso (promessa) de compra ou venda de determinada quantidade de
um bem, a um preço livremente acordado entre as partes, para liquidação numa data futura. Essa
“promessa” pode ser encerrada ou transferida a terceiros antes do vencimento. Nos preços dos con-
tratos está embutido um prêmio sobre os preços à vista que reflete o custo de carregamento até o
vencimento. A liquidação Ocorre na Câmara de Liquidação e Custódia (Clearing House). Para asse-

PUC Minas Sistema Financeiro Nacional 105
gurar o cumprimento dos compromissos são depositadas margens de garantia. O comprador ganha
se o preço sobe e o vendedor ganha quando o preço cai.

5.4 MERCADO DE OPÇÕES
No Mercado de Opções não se negociam ativos, mas direitos sobre eles. Direitos de uma parte com-
prar ou vender à outra, até determinada data, certa quantidade de ativos-objetos.
São negociadas Opções sobre:
- Ações
- Índices de bolsa
- Taxas de juros
- Títulos ou Bônus
- Câmbio ou divisas
- Futuros
Nas Opções de Compra (Call Options) o Vendedor do direito de compra recebe o prêmio e não pode
desistir; o Comprador do direito de compra Paga o prêmio e Pode desistir. Neste caso diz-se que ele
deixou o papel (contrato) virar pó.
Nas Opções de Venda (Put), Para ter os direitos, o titular paga um prêmio e, se desistir, o perde; o
Vendedor do direito de venda (lançador) Recebe o prêmio e Não pode desistir; já o Comprador do
direito de venda (titular) Paga o prêmio e Pode desistir (deixar virar pó).

6.5 SWAP
Swaps são acordos entre as partes para a troca de fluxos de caixa futuros como, por exemplo: troca
de pagamentos de juros pós-fixados por prefixados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FIGUEIREDO, Antonio Carlos. Introdução aos derivativos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning,
2002. 143p. ISBN 8522102813
HULL, John. Introdução aos mercados futuros e de opções. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Bolsa de
Mercadorias & Futuros: Cultura, 1996. 2v. ISBN 8529300207
MARINS, Andre Cabral. Mercados derivativos e análise de risco. 2 v. Rio de Janeiro: AMS Editora.
2004. ISBN: 85-98162-02-7.
SILVA NETO, Lauro de Araújo. Derivativos: definições, emprego e risco. 2. ed. São Paulo: Atlas,
1998. 282p. ISBN 8522418403 : (Broch.).
www.bmf.com.br

SUMÁRIO 1. MERCADO FINANCEIRO ..................................................................................................................5 1.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................5 1.2. HISTÓRIA DO DINHEIRO E DOS BANCOS ..................................................................................6 1.2.1. História do Dinheiro ...................................................................................................................6 1.2.2. Origem e Desenvolvimento dos Bancos e do Dinheiro de Papel...........................................8 1.2.3. História das Bolsas de Valores ...............................................................................................11 1.2.4. Configuração Atual do Mercado Financeiro ..........................................................................14 1.3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN) .................................................................................15 1.3.1. Composição do Sistema Financeiro Nacional .......................................................................16 1.3.2. Órgãos normativos...................................................................................................................18 1.3.3. Entidades Supervisoras ...........................................................................................................18 1.3.4. Operadores ...............................................................................................................................20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................30 2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO ............................................................................31 2.1. INTRODUÇÃO ..............................................................................................................................31 2.2. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO AOS TIPOS E AS FINALIDADES DAS OPERAÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO PRATICADAS ................................................................31 2.2.1. Mercado Monetário ...................................................................................................................31 2.2.2. Mercado de Crédito ..................................................................................................................41 2.2.3. Mercado Cambial ......................................................................................................................41 2.2.4. Mercado de Capitais .................................................................................................................44 2.2.5. Mercado de Derivativos ...........................................................................................................44 2.3. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO A FORMA DE REMUNERAÇÃO E CORREÇÃO MONETÁRIA ..................................................................................................................45 2.3.1 Renda Fixa .................................................................................................................................45 2.3.2 Renda Variável ...........................................................................................................................45 2.3.3. Fundos de Investimento ..........................................................................................................46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................55 3. MERCADO DE RENDA FIXA ..........................................................................................................56 3.1. A MONTAGEM DO FLUXO DE CAIXA ........................................................................................56 3.2. PREÇO E RENDIMENTO DE TÍTULOS DE RENDA FIXA ..........................................................59

PUC Minas

2

Sistema Financeiro Nacional

3.3. TÍTULOS PÚBLICOS....................................................................................................................64 3.3.1. Letra do Tesouro Nacional - LTN ............................................................................................65 3.3.2. Letra Financeira do Tesouro - LFT..........................................................................................67 3.3.3. Nota do tesouro Nacional - NTN..............................................................................................68 3.3.4. Nota do Banco Central do tipo E (com correção cambial) - NBC-E .....................................72 3.3.5. Exercícios .................................................................................................................................73 3.4. PRODUTOS DE APLICAÇÃO (INVESTIMENTO) OFERECIDOS PELO SISTEMA

FINANCEIRO E EMPRESAS ...............................................................................................................79 3.4.1. Certificado/Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB) ..........................................................79 3.4.2. Certificado de Depósito Interfinanceiro - (CDI) ......................................................................80 3.4.3. Commercial Papers ..................................................................................................................80 3.4.4. Export Note ...............................................................................................................................81 3.4.5. Debêntures ................................................................................................................................81 3.4.6. Exercícios .................................................................................................................................81 3.5. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO (EMPRÉSTIMOS) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINANCEIRO E EMPRESAS ......................................................................................................................................83 3.5.1. Hot Money .................................................................................................................................83 3.5.2. Desconto de Duplicatas e Notas Promissórias .....................................................................83 3.5.3. Commercial Papers ..................................................................................................................84 3.5.4. Export Notes .............................................................................................................................84 3.5.5. Securitização de Recebíveis ...................................................................................................84 3.5.6 Exercícios ..................................................................................................................................85 3.6. MERCADO INTERNACIONAL DE RENDA FIXA.........................................................................86 3.6.1. Money Market............................................................................................................................86 3.6.2. Capital Market ...........................................................................................................................86 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................87 4. MERCADO DE CAPITAIS (renda variável) ....................................................................................88 4.1. INTRODUÇÃO ..............................................................................................................................88 4.2. MERCADO DE AÇÕES ................................................................................................................88 4.3. BOLSA DE VALORES ..................................................................................................................90 4.4 SOCIEDADES CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS .................................92 4.5 INVESTIDORES .............................................................................................................................93

PUC Minas

3

Sistema Financeiro Nacional

............................................................................................................................................................................................................................................. 104 5..........4 MERCADO DE OPÇÕES ....6...............................................................................................................................................................................................................................................2 Análise Técnica .................................................................. ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES .......... 105 6.2 MERCADO A TERMO ...........................................................................................6................... 105 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................4................................ 105 PUC Minas 4 Sistema Financeiro Nacional ................6...1 BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO .94 4...................................3 MERCADO FUTURO ............... 102 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........93 4............ 104 5............................. MERCADO DE DERIVATIVOS ......................BM&F ......................................................... 103 5.....1 Análise fundamentalista .................................................................... 102 5.......................................5 SWAP .................................... 103 5......................................

Os agentes econômicos (pessoa física. Assim. através da dívida pública. Imagine que alguém tenha recursos excedentes e queira aplicá-los para ter um valor maior no futuro. ganhando na diferença entre a taxa de captação e a de aplicação.00 após um ano de prazo. entretanto. cuja receita não está cobrindo suas despesas. Para ceder a outrem os seus recursos fazem-no mediante compromisso de recebêlos de volta. MERCADO FINANCEIRO 1. algum tempo depois. Os bancos participam desse mercado como intermediários. acrescidos de renda. juros. No mercado financeiro. INTRODUÇÃO O mercado financeiro deve ser entendido como um mercado mesmo: um local onde ocorrem transações comerciais. Outro participante do mercado financeiro é o governo que capta recursos para cobrir suas necessidades financeiras tomando emprestado. na qual exista o dinheiro. captando dos superavitários e emprestando aos deficitários. Esse mercado atende tanto o indivíduo.para atender suas necessidades. Esse mercado só pode existir numa sociedade com divisão de trabalho. já que a primeira será sempre menor do que a segunda. disponibilizam-nos para os que precisam deles agora. ou obrigação. assim sendo. lucro. Desse modo duas situações vão surgir: agentes cujas necessidades exigem um valor maior do que o obtido pela sua fonte de renda e agentes com cujos recursos são mais do que suficientes para cobrir suas necessidades. Como obterá os $50 que faltam? O que sucederá é que haverá uma forma dos $50 que estão sobrando para um parar nas mãos daquele para quem os $50 estão faltando.100. O que irá fazer com os $50 que sobraram? Imagine também outro que receba $100 como renda mas necessite. quanto empresas que oferecem participação na sociedade para obter recursos para investimento e capital de giro. pagando juros de 10% ao ano. de $150. os bancos captam de quem quer e mprestar e emprestam para os deficitários. quem precisa “comprar” R$ 1. pois as transações de compra e venda vão inevitavelmente ocorrer. A circulação do dinheiro vai garantir a acumulação de riqueza. que estão deficitários.00 aceita pagar a quem lhe vendeu R$ 1. ficando com um patrimônio maior e com uma renda PUC Minas 5 Sistema Financeiro Nacional . Aqueles que não precisam de toda a renda vão aplicar a sobra para gerar mais renda. pessoa jurídica e governo) vão necessariamente ter uma fonte de renda (salário. Em outras palavras. aluguel ou impostos). nesse mercado.1. quem precisa de dinheiro oferece em troca pagar um valor maior. a troca de um bem ou serviço por dinheiro. Assim. quem o procura ou quer comprar dinheiro ou quer vender dinheiro. Por exemplo. dificilmente ele encontrará quem queira tomar emprestados esses recursos no mesmo volume e prazo almejados pelo superavitário. por meio de um contrato que é chamado de título. depois de analisarem o risco de não receberem o valor compromissado no futuro. há os que detêm recursos e não irão precisar deles no momento (estão superavitários) e.000. e por meio dos impostos. após um determinado prazo.1. Imagine um agente que tenha $150 de renda e utilize $100.

Esses títulos também são chamados de obrigações porque. O homem primitivo trocava uma coisa que possuía por outra que não possuía. então. em comunidade.2. o que se adquiria pelo comércio era muito pouco. até a parte do senhor era paga com o resultado de sua produção. são contratos que exigem obrigações de quem os vendeu: pagar juros ou lucros. em sua origem. Com a globalização. Ainda hoje há sociedades que não usam dinheiro: os índios atendem suas demandas. 1 Figuras extraídas em ORIGEM e evolução do dinheiro. no feudalismo: o servo produzia quase tudo de que necessitava. permitindo que parte da renda seja transformada em aplicação. a existência de um mercado financeiro desenvolvido em uma sociedade com divisão do trabalho e distribuição justa da renda pode incrementar a democratização da riqueza.gov. Disponível em: <http://www. Banco Central do Brasil. caçava ou colhia frutos. 1. historicamente. Quanto mais divisão do trabalho mais a moeda é necessária. ao final estaria com alguns peixes. ele separava. PUC Minas 6 Sistema Financeiro Nacional . O maior desenvolvimento ocorreu a partir do século dezenove. Acesso em 10 de janeiro de 2002. como na Idade Média. os instrumentos e as instituições também se globalizaram e tornaramse mais sofisticados. foram sendo criados instrumentos para permitir a transferência dos superavitários para os deficitários. fazia escambo.br/mPag. Veremos que o mercado financeiro torna possíveis e facilita as duas alternativas para todos. feitos com a madeira do bosque. Apresenta artigo sobre a história do dinheiro com figuras e fotos de elementos do museu. não utilizava dinheiro. No feudalismo. pois se encontram certos títulos que oferecem o pagamento de juros e outros que permitem a participação nos lucros de empresas.2. e com o algodão cultivado nas terras destinadas ao servo. Sendo assim. na verdade. à pesca. a moeda é uma coisa que serve para trocar por outras coisas.maior também. quem se dedicava. Portanto. Mas os instrumentos e as instituições atuantes observados hoje foram criados recentemente. HISTÓRIA DO DINHEIRO E DOS BANCOS 1. no mercado financeiro.bcb. As rocas eram usadas para criar o fio e os teares. Há na história da humanidade momentos em que quase não se usava a moeda. Quando desejava comer. tudo o que se necessitava era obtido pela ação individual.1.asp?perfil=1&cod=718&codP=83>. a casa e a mobília eram feitas com madeira do bosque. durante o dia. Museu de Valores. Em primeiro lugar. História do dinheiro. Se havia. o vestuário e outros objetos de pano eram feitos com a lã dos carneiros. ia atrás do que cultivou o milho e fazia a troca. No feudo. A aplicação pode ser em investimento produtivo para ter lucro ou emprestando para conseguir juros. História do Dinheiro1 A humanidade. que pastavam nas áreas comuns. precisando de milho. por exemplo. A partir da necessidade de sua utilização nós construiremos seu conceito. repartindo o que o grupo obtém. a alimentação provinha da produção agropecuária. o que iria consumir e procurava alguém para trocar o restante pelo que também precisava. teciam os panos. mas não havia uma coisa que era usada apenas para trocar por outra.

daí. cit. prata. Acesso em 6 de janeiro de 2002. uma moeda de pedra. Quando começou a fundição dos metais. Desse modo ele procurava alguém que quisesse trocar o peixe por algo não perecível. etc. Ver ORIGEM e evolução do dinheiro. no século XII antes de Cristo. PUC Minas 7 Sistema Financeiro Nacional .Mas poderia acontecer que ele não encontrasse quem detinha o milho. 2 Na China. logo. pois o peixe estraga de um dia para o outro. cobre.). Disponível em: <http://www. Na era da pedra lascada. o que originou pecúnia (dinheiro) do latim pecunia e pecuniário do latim pecuniariu. por suas características de ter valor.br/mPag. em que os objetos eram criados a partir do trabalho sobre a pedra. pecus. o boi. por exemplo: o sal foi usado. ou ainda que este não estivesse querendo trocar. ser reserva de valor. ademais era a coisa menos perecível. foram eleitas certas coisas que não eram perecíveis e que eram aceitas por todos no escambo. preenchia um dos requisitos de ser moeda. como ouro. foi descoberto o metal.gov.bcb. ferro. encontradas no Oriente2. Então. salário do latim salariu. A prática era trocar as coisas perecíveis pelas não perecíveis.asp?codP=83&cod=718&perfil=1>. a mais apropriada para ser moeda. (op. que. foi feita a primeira moeda com o trabalho humano. foram feitas moedas com formatos de objetos É o caso das moedas faca e chave. Então..

eram pequenos lingotes ovais de uma liga de ouro e prata chamados eletro. fazemos com os cheques” 4. que continha seu valor intrínseco. Comprovava o pagamento do quinto e era aceito como moeda no comércio local. Os bancos foram importantes no império romano. o papel-moeda. por volta do final do Século oitavo A.2.C. começaram a fazê-las redondas.bcb. essencialmente. segundo Heródoto 3. o empréstimo poderia vir de qualquer um que tivesse o valor suficiente.. Já. hoje. Alexandre o Grande iniciou o costume de representar a cabeça do soberano nas moedas.br/mPag. “No Brasil. foram lançados pelo Banco do Brasil.gov. Para facilitar o transporte. em 1810.). pelos reis da Lídia. recibos de depositários (que davam ao possuidor o direito de sacar a quantia indicada nos bancos). além da moeda de metal precioso. (op. para dar segurança aos proprietários do dinheiro de que este ficaria guardado sem risco de ser roubado. tal como. também serviam como dinheiro. precursores das cédulas atuais. Desse modo. cit. quando recebiam moedas que eram cunhadas em 3 4 Apud GALBRAITH (1977) ORIGEM e evolução do dinheiro. os primeiros bilhetes de banco. meio de troca e reserva de valor.asp?perfil=1&cod=718&codP=83> PUC Minas 8 Sistema Financeiro Nacional . Certificado de Barra emitido por casa de fundição. as moedas de metal foram amplamente usadas e os bancos tinham como atividade precípua a custódia de valores e não o ato de emprestar. 1. Disponível em: <http://www. Tinham seu valor preenchido à mão.2.Entretanto. moedas com peso e valor definidos só vieram a ser feitas. na época do Brasil-Colônia: documento que acompanhava cada uma das barras de ouro produzidas nas Casas de Fundição. Os bancos surgiram. Origem e Desenvolvimento dos Bancos e do Dinheiro de Papel Na antiguidade.

pois se a moeda tivesse valor maior que o metal bruto com seu peso. Quando John Law chegou à França em 1716. se todos eles fossem sacar. a moeda cunhada e o metal bruto com peso correspondente. XVIII. Uma história semelhante ocorreu na França. transformando-as em lingotes para serem vendidas como metal bruto. foi a limitação dos saques a um determinado valor. adulteravam-se as balanças. Na antiguidade. Muitas delas não tinham seu valor de face correspondendo ao valor em peso do metal5. foi publicado um manual enumerando 341 moedas de prata e 505 de ouro. eram as mesmas pessoas. o banco passou a financiar a Companhia e. Além disso. não havia controle. PUC Minas 9 Sistema Financeiro Nacional 6 . Quando. então. e o banco já não recebia o pagamento dos seus empréstimos em dia. Por isso.várias localidades diferentes e analisavam a pureza do metal.6 Durante um século. o reino estava altamente deficitário e o tesouro. com a diminuição do comércio essa atividade arrefeceu. no séc. Foi o primeiro banco público criado para regular e controlar a qualidade do dinheiro em circulação. etc. misturavam-se metais menos nobres. Lá circulavam moedas de todas as partes do mundo. três histórias que ilustram bem as características e o processo do sistema de crédito que foi surgindo com o advento do Estado Nacional e a evolução do sistema bancário. foi estabelecido um banco para controlar a qualidade das moedas. o governo municipal também se endividou junto ao banco. No caso do metal bruto valendo mais que a moeda com o mesmo peso. haveria aumento da produção local e viria também metal de fora para ser transformado em moeda. Gênova. surgiam muitas falsificações com relação ao peso e à pureza do metal: cortavam-se pedaços das moedas.). Mas. era um ponto comercial muito importante. Na Idade Média. O aumento da oferta de moedas geraria inflação até seu valor igualar-se ao preço do metal com o mesmo peso. A falsificação do dinheiro sempre foi um procedimento corriqueiro. por causa da relação estreita entre o prefeito e os membros do senado da cidade com os proprietários da Companhia Holandesa das Índias Orientais. podiam todos os depositantes requerer o saque que o banco lhes entregaria as moedas depositadas. por causa dos altos gastos da corte na 5 No padrão ouro. A seguir. das cédulas e moedas. em 1609. Em 1606. O próximo passo. sediada nas cidades-portos da Itália (Veneza. os recibos de depósito desse banco realmente correspondiam ao dinheiro físico guardado no banco. em 1672. etc. como hoje. houve uma corrida ao banco para saques e todos foram atendidos. os déficits e as dívidas cresciam. a Companhia passava por dificuldades. afinal. Com o surgimento dos Estados Nacionais. O passo seguinte foi o fechamento do banco em 1819. pesandoas e avaliando o grau de pureza do metal. falido. Desse modo. na época do renascimento. no início do século XVII. assim. mas. que. começou uma prática que hoje é comum no sistema bancário: o banco emprestava o dinheiro dos depositantes e. não seriam atendidos. ela surgiu com toda força. isso se tornou uma das suas atribuições. No fim do século XVII. a guerra com a Inglaterra provocou perdas de cargas e navios. invariavelmente tinham o mesmo valor: o custo de produção. Amsterdã. as moedas sairiam de circulação e ocorreria deflação até o preço do mesmo peso do metal bruto equivaler-se ao valor impresso na face da moeda. haveria uma busca frenética pela fundição das moedas. já que não havia metal precioso disponível no caixa do banco para pagamento aos depositantes. o exército francês cercou Amsterdã. até a criação do primeiro banco central. depois de deduzidas as despesas com cunhagem e com os gastos de administração. Este banco recebia as moedas estrangeiras e transformava seu valor intrínseco em depósito.

a do Banco de Amsterdã e a do banco de John Law. o que não acontecia com as dos outros bancos. mostram que uma instituição bancária mal administrada pode gerar prejuízos para os depositantes. Na verdade. então. p. O banco foi autorizado a emitir notas. ele emitia notas e podia emprestá-las para o setor privado. Esse empreendimento transformou-se na Companhia das Índias que obteve do regente privilégios exclusivos para o comércio com a Índia. Por volta de 1770. A colocação de ações da Companhia foi um tremendo sucesso. Galbraith (1977. praticamente. as notas voltavam para o banco de origem. entusiasmado com o resultado da emissão. Quando a população desconfiou que não havia ouro da América guardado no banco. quanto mais o banco emprestava para o Estado. todos que podiam compravam. invariavelmente. PUC Minas 10 Sistema Financeiro Nacional . o banco suspendeu o direito de resgate das notas. Segundo. Por causa das guerras contra Napoleão e a colônia. com essas notas podia-se pagar os impostos. foram transferidas para o Estado que. que tiveram suas notas preteridas em relação às do Banco da Inglaterra. as notas de outros bancos ainda foram emitidas até o século seguinte. Entretanto. muitas fortunas desapareceram. muita gente ficou sem dinheiro. obteve o monopólio do comércio do fumo. correu para sacar.. O preço do ouro subiu. em 1797. a maior parte era transformada em notas de empréstimo para o Estado.época dos luíses. o direito de cunhar moedas e de arrecadar impostos. a única fonte de papel-moeda em Londres. As duas histórias. bem como o de outras mercadorias: trigo. O regente. emprestando. convertidas em dinheiro. para isso. e. desde que entrasse com determinado capital. como era de se esperar. ele queria mesmo era fundar a Companhia do Mississipi para encontrar metais preciosos na América. os recursos conseguidos não eram aplicados nas atividades de prospecção de minérios. ou o que tinha pelo menos uma de suas funções exclusivas: o monopólio da emissão. Uma vez que detinha o monopólio sobre a emissão de notas. O Banco da Inglaterra tornara-se o guardião da oferta de moeda e a base financeira do governo inglês. por seu lado. era o verdadeiro devedor. o banco cresceu e abriu filiais em várias cidades francesas. os gastos do governo inglês aumentaram bastante e as notas já não eram passíveis de conversão em dinheiro em ouro. China e nos mares do sul. Outra questão importante é que o financiamento do Estado por um banco não significava garantia de que o metal precioso estaria garantido para os depositantes. enquanto que. pagava os fornecedores e os credores do governo que. ou seja. compravam ações da Companhia com as notas emitidas. Desse modo. mais seu passivo aumentava com o resto da sociedade. em última instância. A seguir a história da criação do primeiro banco central. etc. Devido ao grande movimento de notas. estava criado o primeiro Banco Central. As notas eram. O Banco da Inglaterra foi fundado em 1694 e sua finalidade principal era financiar o tesouro e. que. As moedas de ouro e prata desapareceram. no interior. solicitou mais empréstimos. O regente7 utilizou as notas para pagar as despesas e os credores. para transformarem-se em barras de 7 Luis XV era menor de idade. pão. 35) isto era “[. Ele recebeu permissão para fundar um banco. por sua vez. nem no comércio. Mas a principal ambição de Law não era ser fornecedor de dinheiro para a aristocracia francesa. e.] a maravilha do banco”: receber juros do governo e dos tomadores privados. principalmente para o Estado.. Além disso. o Banco da Inglaterra tornara-se.

do setor produtivo. Então. de modo que os pedaços de papel não se desvalorizem em relação às mercadorias. As suas notas continuaram a ser aceitas por causa da garantia do governo de que elas teriam validade para ele. entidade criada para facilitar as negociações. Quando uma Bolsa de Valores foi inaugurada em Amsterdã. PUC Minas 11 Sistema Financeiro Nacional . este primeiro banco central não emitia as cédulas como as conhecemos hoje. com o Japão e algumas nações da Europa Ocidental em segundo . os obtém também aumentando o capital. 1. Depois da grande crise de 1929. aumenta de volume e sofistica-se a cada dia que passa. então será apresentada uma breve história da evolução das bolsas de valores no mundo e no Brasil. Segundo Galbraith (1977) os pioneiros na emissão foram os colonos da América do Norte.3.plano. a Bolsa de Amsterdã negocia um bilhão de dólares a cada dois dias.2. Mas o Banco da Inglaterra não foi extinto. Entretanto. a palavra bilhão talvez não existisse. A seguir. os bancos centrais passaram a controlar também variáveis-chaves. como os acima. bem como o comércio das já emitidas. A sociedade acredita que o governo se responsabiliza pela emissão. garantindo a liquidez do sistema financeiro. Os negócios financeiros e de movimentação de capitais convergem especialmente para os Estados Unidos. História das Bolsas de Valores As empresas. investimentos de longo prazo. Antes disso.metal e serem vendidas a peso. Hoje. ocorre geralmente em uma bolsa de valores. As cotações eram colocadas num papel e afixadas num quadro com um prego grande: essa é a origem do “pregão”. sem lastro. elas não recorrem apenas a empréstimos. O Banco central do Brasil foi criado em 1964. A venda das partes do capital adicional. constituindo um fundo destinado a cobrir rombos em instituições bancárias que não pudessem atender a eventuais corridas para saques. outros bancos centrais surgiram. de fontes inteligentes. pois todas tinham que ter uma base para emissão: ou depósitos em ouro ou títulos do tesouro. como cotista de fundos mútuos. ou como participante de fundos de pensão. aceitando novos sócios. O dinheiro grande. também podem estar deficitárias tanto com relação às necessidades de capital de giro quanto com as necessidades de capital fixo. e transformou-se no primeiro banco central: tornou-se emprestador de última instância. o Banco do Brasil e a Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC) cumpriam as funções do Banco Central. com o objetivo de influir o comportamento da economia. oferecendo liquidez ao papel e garantias de lisura nas operações. cujos governos locais descobriram que podiam emitir cédulas com a garantia apenas da assinatura da autoridade governamental (no nosso caso. A Bolsa de Valores de Nova Iorque gira mais de US$ 1 bilhão num dia normal de pregão. seja como investidor. Para conseguir os recursos dos superavitários. Um em cada 10 americanos tem interesse direto nas cotações de ações e de commodities de seu país. todos sabiam que poderiam pagar impostos e taxas com elas que seriam aceitas. as ações novas.e destacado . como taxa de juros e taxa de câmbio. fechando o ano em torno de 4% do Produto Nacional Bruto dos Estados Unidos. em 1602. Após a criação do Banco da Inglaterra. o ministro da fazenda e o presidente do Banco Central).

Mas o comportamento dos mercadores sintetizava o procedimento comercial que daria vida às Bolsas: a negociação de viva voz. superando barreiras geográficas. e com associados brokers (corretores intermediários) e jobbers (que negociavam por conta própria). enquanto Sir Isaac Newton. Mas foi apenas no Século XVIII que essas instituições atingiram grande desenvolvimento. orientada por um delegado. por assim dizer. em épocas distantes. Joseph de la Vega. fixava para sempre o padrão de purificação de ouro e cunhagem de moedas de ouro. Sabe-se. com atribuições que não as vinculavam especificamente a valores mobiliários. e chama-se assim já por encenarem-se nela os mercadores como em uma Bolsa. capital de Flandres. quando as exigências de crédito público obrigaram os banqueiros a fracionar os empréstimos em títulos de participação.. outros nos collegium mercatorum dos romanos. espaço circular onde os corretores apregoavam os negócios." A Bourse de Paris foi implantada por Luís VII em 1141. onde se realizavam assembléias de comerciantes. administrando a Casa da Moeda. Em 1698 foi fundada a Bolsa de Fundos Públicos de Londres. Evolução no Brasil Desde os mercados medievais até hoje. Embora as operações com valores já estivessem legalizadas. que se assentou basicamente sobre dois tipos de instituições: PUC Minas 12 Sistema Financeiro Nacional . Alguns escritores a localizam nos emporium dos gregos. o enorme crescimento das negociações naquele ano exigiu a organização da Bolsa em caráter oficial. seu desenvolvimento está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento da estrutura financeira do País. as Bolsas de Valores vêm sofrendo profundas transformações em sua estrutura. A palavra Bolsa. o primeiro narrador a contar a história das Bolsas em 1688. Esses fatos criavam. de acesso vedado ao público em geral. sendo regulamentada em 1304. no seu sentido comercial e financeiro. o primeiro sistema financeiro integrado do mundo moderno. Não há uma definição histórica clara sobre isso. os ingleses haviam instalado o Banco da Inglaterra. No Brasil. permitindo grandes agrupamentos de recursos. Aí se organizou a corbeille. Com a expansão das sociedades por ações. pertencente à Liga Hanseática. preferiam reunir-se na Pont-aux-Changes sobre o Sena. todavia. letras de câmbio e metais preciosos. Napoleão I fixou-a. apenas. diz que a Bolsa "é uma pequena praça rodeada de pilares. as operações de Bolsa resumiram-se à compra e venda de moedas. Durante toda a Idade Média e até o século XVII. ou nos funduks (bazares) dos palestinos. brasão de armas do proprietário. lingüísticas e ideológicas. em cuja fachada havia um escudo com três bolsas.. Pouco tempo antes. onde permanece até hoje. já pelas diligências que cada um faz de aí encher a sua. Os agents de change. na casa de um senhor chamado Van der Burse. nasceu em Bruges. que elas surgiram. num prédio suntuoso. cidade lacustre da Bélgica. depois. elas assumiram um papel preponderante na oferta e procura de capitais.Origens A origem das Bolsas de Valores é bastante remota.

Antes do século XIX não se encontravam instituições organizadas. Mas a legislação tornou-se mais afirmativa.º 24. na primeira metade do século XIX. A reestruturação econômica do País. hoje rua 1º de Março. tendo em vista que representavam o Governo em seus atos. Entretanto. iniciadas em 1964. mas apenas indivíduos exercendo as funções de banqueiros ou corretores. no Rio de Janeiro. por ato do governo estadual.os bancos comerciais e as Bolsas de Valores. para onde convergiam compradores e vendedores. no ano seguinte. em um de seus artigos. exigiu a reorganização do sistema financeiro. a partir do Decreto-Lei n. era decretada a cotação de títulos em pregão e. Ali ficavam a Alfândega e o Paço Imperial. agindo em nome de comerciantes e produtores dos mais diversos pontos do Brasil e da Europa. A regulamentação não provocou modificações imediatas no movimento da Bolsa.344 de 1939. a partir do século XVIII. contemporânea ao período colonial. Desde então. PUC Minas 13 Sistema Financeiro Nacional . Em 13 de março de 1897 foi expedido o Decreto no 2. provocando um aumento de 530% nas transações e de mais de 100% no número de companhias com títulos na Bolsa. As atividades das Bolsas e Corretoras dos demais Estados (além do então Distrito Federal) foram regulamentadas pelo Governo Federal somente em 1934. os Corretores Oficiais de Fundos Públicos passaram a ter cargos vitalícios. todos esses diplomas legais levaram em consideração somente a Bolsa e os Corretores do Distrito Federal. mas a regulamentação da atividade só viria a acontecer em 1845. que caberia ao Poder Executivo expedir decreto regulamentando a investidura e o exercício dos corretores e as respectivas operações.475. A reunião espontânea promoveu um sistema de liquidez mais eficiente. considerada o marco inicial do funcionamento do pregão da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. elas continuaram sendo entidades públicas com ingerência dos governos estaduais em suas administrações. Tal fato representou o passo inicial para a criação dos primeiros cargos de corretores de fundos públicos. No entanto. Em São Paulo. No entanto. enclave político e econômico do maior porto exportador do País. Apenas em 1878 surgiu maior confiança no mercado. com o objetivo principal de evitar a interferência. somente na segunda metade do século XX começaram a surgir instituições especializadas em diferentes tipos de crédito. Em 1876. era o seu ponto de encontro. mesmo depois dele. Em 1897. omitindo-se quanto a essa atividade em outros Estados. As disposições sobre o ofício já apareciam na legislação.º 417. O Estado tinha interesses evidentes na organização dos corretores. passando a reger todas as instituições bolsísticas do País. através do Decreto n. A rua Direita. abrangendo também a figura do corretor. Foi a partir das reformas que institucionalizaram o sistema financeiro nacional. Esse decreto organizava a Corporação de Corretores de Fundos Públicos e dispunha sobre as operações por eles realizadas em Bolsa. aconteceu a regulamentação do pregão. de um número irrestrito de pessoas. o Governo Estadual instituía a Bolsa Oficial de títulos de São Paulo. através do Decreto n.º 1. foi aprovada uma tabela de corretagem para a embrionária Bolsa Livre de Valores. que veio a se constituir na espinha dorsal da legislação sobre Bolsas e Corretoras.275. em dezembro de 1894. mediante nomeação do Ministro da Fazenda. nessas operações. Preceituava.

No mercado financeiro. então. com total aceitação e confiança da sociedade. 1. o ministro da fazenda e o presidente do Banco central). pode colocar em circulação pedaços de metal e de papel. como o cheque. Esse conceito refere-se àquilo com o que se pode realizar pagamentos. só podem ser realizados pagamentos com meios de pagamento: papel-moeda ou alguma forma de débito em conta corrente (depósitos à vista). taxa de câmbio e impostos). Foi visto também que o mercado financeiro passou a existir com a participação de bancos. por exemplo. por meio da troca de meios de pagamento por títulos que garantem a quem os compra o direito de receber o capital investido acrescido de renda num momento posterior. poderia ser o diagrama a seguir. ocorre.4. Os meios de pagamento são o papel-moeda em circulação (moedas e cédulas) e os depósitos à vista nos bancos.2. Uma ilustração do mercado financeiro. GESTÃO ECONÔMICA (GOVERNO) SETOR PRODUTIVO SISTEMA FINANCEIRO SISTEMA ECONÔMICO MERCADO FINANCEIRO PUC Minas 14 Sistema Financeiro Nacional . o sistema financeiro e o governo. Nesse mercado também estarão os governos emitindo papéis para financiar seus gastos e determinando o comportamento de variáveis que determinam o comportamento da economia (taxa de juros. a transferência dos superavitários para os deficitários. Este banco. também chamados de M1. com valores monetários expressos em sua face. As empresas também procuram os recursos dos superavitários. que surgiu e desenvolve-se num sistema econômico do qual fazem parte e interagem o sistema produtivo. Configuração Atual do Mercado Financeiro Vimos. oferecendo participação no capital. finalmente do banco do governo (Banco Central) com a função de emitir dinheiro e atuar no sentido de evitar que haja falta de recursos nos bancos para seus depositantes. do governo e. Um conceito de dinheiro que deve ser trabalhado aqui é o de Meios de Pagamento. Na sociedade em que existe o dinheiro. que o dinheiro foi configurando-se na forma de moedas e cédulas que não necessitavam de contar com o lastro em metal precioso no banco do governo (o banco central). com a aposição da assinatura de autoridade (no caso do Brasil. então.que as Bolsas de Valores assumiram as características que hoje possuem.

mas para repassá-lo aos tomadores finais para que cubram seus déficits. A criação de meios de paga- 8  Esta seção contou como base de consulta a apostila do Prof. Todos os setores. O governo emite títulos que pagam renda. Consideram-se instituições financeiras as pessoas jurídicas. que oferece várias alternativas de aplicação e captação. ao captar esses recursos irá aplicá-lo na produção de bens e serviços de modo que. dessa forma. José Tomáz Pereira. Em geral. 2003 PUC Minas 15 Sistema Financeiro Nacional . isto é. que emite o papel-moeda. O setor produtivo. assim como os papéis do governo e de instituições financeiras são negociados no mercado internacional. ações de companhias brasileiras e do resto do mundo são negociadas na Bolsa de Nova York. cobrando juros maiores que os pagos na captação. às quais é facultado o direito de criação de moedas ou de meios de pagamento. Um mercado globalizado. públicas ou privadas. Eles precisam do complemento de poupanças de outros para executar seus planos. por seu lado. A criação de meios de pagamento é realizada pelo Banco Central.3. Hoje. que oferecem recursos dos ofertadores últimos e não o seu próprio superávit financeiro e tomam recursos não para cobrir o seu próprio déficit financeiro. isto é. Os tomadores últimos de recursos são aqueles que se encontram em posição de déficit financeiro. e pelos bancos comerciais. papéis que também pagam renda e o si stema financeiro da mesma forma. determinando também as taxas de juros. e o sistema financeiro irá captar no mercado recursos que aplicará em empréstimos e outras alternativas. em moeda nacional ou estrangeira. Os papéis são negociados em todo o mundo on line. para diferenciar esses indivíduos dos intermediários financeiros. Os ofertadores últimos de recursos são aqueles que se encontram em posição de superávit financeiro. a taxa de câmbio e os impostos. aqueles que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) mais do que sua renda. Usam-se as expressões ofertadores últimos ou ofertadores finais e tomadores últimos ou tomadores finais de recursos (e não simplesmente tomadores e ofertadores de recursos). que estão autorizados a receber depósitos à vista. temos um mercado altamente desenvolvido. no mercado financeiro há ativos que provêm de todos os setores. têm no mercado fonte de recursos. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN)8 Pode-se conceituar Sistema Financeiro como um conjunto de instituições e instrumentos financeiros que possibilitam a transferência de recursos dos ofertadores últimos para os tomadores últimos e que criam condições para que os títulos tenham liquidez no mercado. intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros. pois não podemos mais falar de mercado restrito a um local ou país. e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Dessa forma.Portanto. as instituições que operam no Sistema Financeiro são classificadas em dois grupos: as bancárias e as monetárias. ao final consiga obter uma renda maior que a que deve ser paga aos que lhe forneceram recursos. o governo obterá no mercado recursos para cobrir suas necessidades de despesas. 1. que tenham como atividade principal ou acessória a coleta. aqueles que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) menos do que sua renda. © PUCMINAS. o setor produtivo oferece.

Para que eles possam depositar essa quantia. Acesso em 30/01/04. uma vez que os indivíduos estarão simplesmente trocando um ativo monetário (dinheiro) por outro (depósito à vista). Os Órgãos Normativos são entidades governamentais que têm a finalidade de definir as políticas governamentais para o Sistema Financeiro e transformálas em normas. os quais. O quadro e a definição de cada instituição componente do Sistema Financeiro Nacional são transcritos do contido na página da Internet do Banco Central do Brasil9.br/?SFNCOMP>. 1.gov. o mecanismo básico de criação de moeda.00 transforma-se em vários outros de menor porte. o depósito inicial de R$ 100. PUC Minas 16 Sistema Financeiro Nacional . representada pela emissão do papel-moeda pelo Banco Central. parte ele recolhe compulsoriamente ao Banco Central e o restante ele empresta a tomadores. pode ser melhor entendida através do seguinte exemplo: suponhamos que 100 indivíduos depositem em um banco comercial R$ 100. para atender aos saques dos depositantes. O simples ato de depositar não significa a criação de meios de pagamento. O quadro a seguir apresenta a composição do Sistema Financeiro Nacional segundo o Banco Central do Brasil.1. por outro lado.000. por sua vez. por uma questão de probabilidade. usarão o mesmo processo. Contudo. Entidades Supervisoras e Operadores. os Operadores são instituições que operam no mercado financeiro com o papel de transferir recursos dos superavitários para os deficitários. já houve. uma vez que ela se reflete na própria emissão do papel-moeda.000. Composição do Sistema Financeiro Nacional O Banco Central do Brasil apresenta o Sistema Financeiro Nacional composto por Órgãos Normativos. as Entidades Supervisoras fiscalizam e orientam no sentido de fazer cumprir as políticas e as normas emanadas do Governo. porque nem todos sacam seus recursos ao mesmo tempo. A criação da moeda por parte dos bancos comerciais. que poderão depositá-lo em outros bancos. Esse é.3.bcb. tudo em conformidade às normas emitidas pelos Órgãos Normativos e seguindo as orientações e o acompanhamento das Entidades Supervisoras. uma criação de moeda. Desse modo. o banco sabe que pode emprestar parte desses depósitos. 9 <http://www.mento pelo Banco Central é bastante simples de se entender. em essência. pelo efeito multiplicador. antes. obviamente.00. parte desses depósitos ele mantém em caixa (como encaixe). Assim.

Financiamento e Investimento Sociedades de Crédito Imobiliário Sociedades de Crédito ao Microempreendedor Administradoras de Consórcio Outros intermediários financeiros e administradores de recursos de terceiros Sociedades de arrendamento mercantil Sociedades corretoras de câmbio Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários Comissão de Valores Mobiliários .Composição do Sistema Financeiro Nacional Órgãos Norma.CNSP Conselho de Gestão da Previdência Complementar CGPC Bolsas de valores Bolsas de mercadorias e futuros Superintendência Sociedades seguradoras de Seguros Privados – Susep Sociedades de capitalização IRB – Brasil Resseguros Secretaria de Previdência Complementar – SPC Entidades abertas de previdência complementar Entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão) PUC Minas 17 Sistema Financeiro Nacional .Entidades Supertivos visoras Instituições financeiras captadoras de depósitos à vista Operadores Bancos Múltiplos Bancos Comerciais Caixa Econômica Federal Cooperativas de Crédito Agências de Fomento Associações de Poupança e Empréstimo Bancos de Desenvolvimento Bancos de Investimento Conselho Monetário Nacional .CMN Banco Central do Brasil – Bacen Demais instituições financeiras Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Companhias Hipotecárias Cooperativas Centrais de Crédito Sociedades de Crédito.CVM Conselho Nacional de Seguros Privados .

3. Integram o CMN o Ministro da Fazenda (Presidente). coordenar as políticas monetária. Superintendente da Superintendência de Seguros Privados. creditícia. normatizar e coordenar as atividades das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão). representante do Ministério da Previdência Social.órgão responsável por fixar as diretrizes e normas da política de seguros privados. Orçamento e Gestão e o Presidente do Banco Central do Brasil.1. é o órgão responsável por expedir diretrizes gerais para o bom funcionamento do SFN. previdência privada aberta. Entidades de Previdência Privada Aberta e Resseguradores. Dentre suas funções estão: adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da economia. Dentre as funções do CNSP estão: regular a constituição.previdenciasocial.3. os recursos interpostos contra as decisões da Secretaria de Previdência Complementar. Entidades Supervisoras Banco Central do Brasil – Bacen O Banco Central do Brasil (Bacen) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda.CGPC O Conselho de Gestão de Previdência Complementar (CGPC) é um órgão colegiado que integra a estrutura do Ministério da Previdência Social e cuja competência é regular.595. de 31 de dezembro de 1964.gov. com fixação dos limites legais e técnicos das respectivas operações e disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor. representante do Ministério da Justiça. é composto pelo Ministro da Fazenda (Presidente). orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras. prescrever os critérios de constituição das Sociedades Seguradoras. bem como a aplicação das penalidades previstas. Órgãos normativos O Conselho Monetário Nacional (CMN) O Conselho Monetário Nacional (CMN). Também cabe ao CGPC julgar. capitalização e resseguro. zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras. orçamentária e da dívida pública interna e externa. estabelecer as diretrizes gerais das operações de resseguro.2. organização. propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros. representante do Banco Central do Brasil e representante da Comissão de Valores Mobiliários. o Ministro do Planejamento. funcionamento e fiscalização dos que exercem atividades subordinadas ao SNSP. Conselho de Gestão da Previdência Complementar . que também PUC Minas 18 Sistema Financeiro Nacional . que foi instituído pela Lei 4.3. de Capitalização.br 1. regular o valor interno e externo da moeda e o equilíbrio do balanço de pagamentos. Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) . fixar as características gerais dos contratos de seguro. em última instância. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço www.

estimular a formação de poupança.385. Rio de Janeiro. manter as reservas internacionais em nível adequado. promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias abertas. em especial os efetuados em bens garantidores de provisões técnicas. vigiar a interferência de outras empresas nos mercados financeiros e de capitais e controlar o fluxo de capitais estrangeiros no país. de 7 de dezembro de 1976. realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições financeiras.autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda.595. autorizar o funcionamento das instituições financeiras. zelar pela liquidez e solvência das sociedades que integram o mercado. efetuar operações de compra e venda de títulos públicos federais. previdência privada aberta. regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis.gov. Para este fim. promover a estabilidade dos mercados sob sua jurisdição.foi criada pela Lei 4. de capitalização e resseguro. zelar pela estabilidade e promover o permanente aperfeiçoamento do sistema financeiro. assegurar a observância de práticas comerciais eqüitativas no mercado de valores mobiliários. controlar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários do país. exerce as funções de: assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão. zelar pela defesa dos interesses dos consumidores dos mercados supervisionados. Comissão de Valores Mobiliários .CVM A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço:www. executar os serviços do meio circulante. cumprir e fazer PUC Minas 19 Sistema Financeiro Nacional . disciplinar e acompanhar os investimentos daquelas entidades. atuar no sentido de proteger a captação de poupança popular que se efetua através das operações de seguro. Entidades de Previdência Privada Aberta e Resseguradores. de 31 de dezembro de 1964.br Superintendência de Seguros Privados – Susep Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) . Dentre suas atribuições estão: emitir papel-moeda e moeda metálica. Pernambuco.cvm. funcionamento e operação das Sociedades Seguradoras. Ceará e Pará. proteger os titulares de valores mobiliários. desenvolver. Bahia. capital do País. Sua sede fica em Brasília. assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários negociados e sobre as companhias que os tenham emitido. é responsável pelo controle e fiscalização do mercado de seguro. estabelecer as condições para o exercício de quaisquer cargos de direção nas instituições financeiras. É o principal executor das orientações do Conselho Monetário Nacional e responsável por garantir o poder de compra da moeda nacional. São Paulo. É responsável por regulamentar. na qualidade de executora da política traçada pelo CNSP. de Capitalização. evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação no mercado. estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários. tendo por objetivos: zelar pela adequada liquidez da economia. exercer o controle de crédito. previdência privada aberta e capitalização. Dentre suas atribuições estão: fiscalizar a constituição. instituída pela Lei 6. organização. Minas Gerais. exercer a fiscalização das instituições financeiras. promover o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos operacionais a eles vinculados. Paraná. receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições financeiras e bancárias. e tem representações nas capitais dos Estados do Rio Grande do Sul.

os regulamentos dos planos de benefícios e suas alterações. incorporação. uma remuneração. ou de captação. além de promover o desenvolvimento das operações de seguros no País. As operações passivas. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. exigindo. Operadores Os operadores executam movimentações financeiras servindo como intermediários na transferência de recursos dos superavitários para os deficitários. e as operações ativas. A seguir.com.susep. em troca. A diferença entre as taxas de captação e as de aplicação. grupamento. fiscalizar. PUC Minas 20 Sistema Financeiro Nacional . transferência de controle das entidades fechadas de previdência complementar. orientar e controlar as atividades relacionadas com a previdência complementar fechada. fusão. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www.br IRB – Brasil Resseguros Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) . servem para transferir os recursos para os deficitários. bem como autorizar a retirada de patrocínio e decretar a administração especial em planos de benefícios operados pelas entidades fechadas de previdência complementar. fundos especiais e provisões que as entidades sob sua jurisdição são obrigadas a constituir e que tem diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. são definidas as instituições. oferecendo em troca alguma remuneração.br Secretaria de Previdência Complementar – SPC A Secretaria de Previdência Complementar (SPC) é um órgão do Ministério da Previdência Social.gov.previdenciasocial. o resseguro e a retrocessão. jurisdicionada ao Ministério da Fazenda. coordenar. ou de aplicação.cumprir as deliberações do CNSP e exercer as atividades que por este forem delegadas. bem como examinar e aprovar os estatutos das referidas entidades. harmonizar as atividades das entidades fechadas de previdência privada com as políticas de desenvolvimento social e econômico-financeira do Governo. responsável por fiscalizar as atividades das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão).4. A SPC se relaciona com os órgãos normativos do sistema financeiro na observação das exigências legais de aplicação das reservas técnicas.irb-brasilre.gov. destacando-se as principais formas de captação e de aplicação. com o objetivo de regular o cosseguro. À SPC compete: propor as diretrizes básicas para o Sistema de Previdência Complementar. o chamado spread bancário. analisar e aprovar os pedidos de autorização para constituição.sociedade de economia mista com controle acionário da União. supervisionar. bem como propor ao Ministro a decretação de intervenção ou liquidação das referidas entidades. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. funcionamento. examinar e aprovar os convênios de adesão celebrados por patrocinadores e por instituidores. é que promoverá a rentabilidade das instituições.3.br 1. servem para recolher os recursos dos superavitários. prover os serviços de Secretaria Executiva do CNSP.

depósitos a prazo fixo. colocação de letras de Câmbio de aceite com base em operações com caução de Warrants. cheques de viagem. operações compromissadas. de 1994). de modo que serão apresentadas quando da definição da instituição relacionada àquele tipo de carteira. obrigatoriamente. certificados de depósito de médio ou de longo prazo em moeda estrangeira. as empresas prestadoras de serviços. sendo uma delas. investimento e comercialização). por esse motivo. de 1994). Na sua denominação social deve constar a expressão "Banco" (Resolução CMN 2. O banco múltiplo deve ser constituído com. a curto e a médio prazos. o qual pode também captar depósitos a prazo. As instituições com carteira comercial podem captar depósitos à vista. obrigações contraídas no País e no exterior relativamente a repasses e refinanciamentos. serviços de correspondente. comercial ou de investimento. financiamento e investimento. a indústria. de arrendamento mercantil e de crédito. Geralmente têm a carteira de banco comercial e. recebimentos e pagamentos de interesse de terceiros. CAPTAÇÃO: depósitos à vista. OPERAÇÕES ESPECIAIS: operações de câmbio.099.Instituições Financeiras Captadoras de Depósitos à Vista Bancos Múltiplos Os bancos múltiplos são instituições financeiras privadas ou públicas que realizam as operações ativas. APLICAÇÃO: descontos de títulos. no mínimo. Bancos Comerciais Os bancos comerciais são instituições financeiras privadas ou públicas que têm como objetivo principal proporcionar suprimento de recursos necessários para financiar. e ser organizado sob a forma de sociedade anônima. saneamento do meio circulante e fornecimento de troco. livremente movimentáveis. PUC Minas 21 Sistema Financeiro Nacional . por intermédio das seguintes carteiras: comercial.099. valores mobiliários e quotas de fundos de investimento. o comércio. duas carteiras. A captação de depósitos à vista. de investimento e/ou de desenvolvimento. custódia de títulos e valores. cobrança. abertura de crédito simples e em conta-corrente. emissão de Cédulas Pignoratícias de Debêntures. é atividade típica do banco comercial. aplicação em títulos. compra e venda de ouro no mercado físico. As formas de captação dos bancos múltiplos são as mesmas das carteiras administradas por ele. Deve ser constituído sob a forma de sociedade anônima e na sua denominação social deve constar a expressão "Banco" (Resolução CMN 2. de crédito imobiliário. A carteira de desenvolvimento somente poderá ser operada por banco público. recolhimento e entrega de numerário a domicílio. OPERAÇÕES ACESSÓRIAS: ordens de pagamento e transferência de fundos. financiamento de projetos ligados a programas de fomento. prestação de fianças e outras garantias bancárias. as pessoas físicas e terceiros em geral. operações de repasses e refinanciamentos. crédito rural (financiamento de custeio. Essas operações estão sujeitas às mesmas normas legais e regulamentares aplicáveis às instituições singulares correspondentes às suas carteiras. passivas e acessórias das diversas instituições financeiras. estão incluídos dentre as instituições captadoras de depósitos à vista.

aluguel de cofres. Os eventuais lucros auferidos com suas operações . financiando bens de consumo duráveis. empréstimos. quando são constituídas por no mínimo 20 pessoas físicas e prestam assistência financeira a seus associados. além da legislação e normas do sistema financeiro. podendo captar depósitos à vista. vedada a utilização da palavra "banco". pagamentos para o FGTS. administração de bens. CAPTAÇÃO: depósitos à vista e a prazo somente de associados. doações. cartão de crédito. prestação de serviços a outras instituições financeiras e a empresas de atividades complementares ou subsidiárias: turismo. Pode operar com crédito direto ao consumidor. operações e prestações de serviços. as cooperativas de crédito podem se originar da associação de funcionários de uma mesma empresa ou grupo de empresas. Trata-se de instituição assemelhada aos bancos comerciais. PIS e segurados em geral.prestação de serviços e oferecimento de crédito aos cooperados são repartidos entre os associados. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. a Lei 5. trabalho. criada em 1. Caixa Econômica Federal A Caixa Econômica Federal. de 12 de agosto de 1969. As cooperativas de crédito devem adotar. de profissionais de determinado segmento.gov. Devem possuir o número mínimo de vinte cooperados e adequar sua área de ação às possibilidades de reunião. prêmios de seguro e contas de água. gás e telefone. São Classificadas em: a) Singulares.intermediação na aquisição de títulos federais em leilões. em sua denominação social.br Cooperativas de Crédito As cooperativas de crédito observam. PUC Minas 22 Sistema Financeiro Nacional . processamento de dados e armazéns gerais. como empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda.caixa. obrigatoriamente. sob certas condições. a expressão "cooperativa".861. serviços ligados ao câmbio e ao comércio internacional. c) Confederações de Cooperativas reúnem no mínimo três cooperativas centrais da mesma modalidade (de economia ou crédito mútuo ou popular ou de crédito rural). transportes urbanos e esporte.764. INSS. reunindo no mínimo três cooperativas singulares e organizam os serviços financeiros e assistenciais prestados a seus filiados. Além de centralizar o recolhimento e posterior aplicação de todos os recursos oriundos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Uma característica distintiva da Caixa é que ela prioriza a concessão de empréstimos e financiamentos a programas e projetos nas áreas de assistência social. PIS. CONVÊNIOS: recebimento de tributos. emprestar sob garantia de penhor industrial e caução de títulos. Atuando tanto no setor rural quanto no urbano. educação. saúde. energia elétrica. de 16 de dezembro de 1971. controle. bem como tem o monopólio do empréstimo sob penhor de bens pessoais e sob consignação e tem o monopólio da venda de bilhetes de loteria federal. INSS. que define a política nacional de cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. integra o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e o Sistema Financeiro da Habitação (SFH). está regulada pelo Decreto-Lei 759. b) Centrais ou Federações de Cooperativas. realizar operações ativas e efetuar prestação de serviços. repasses e refinanciamentos de outras entidades financeiras. de empresários ou mesmo adotar a livre admissão de associados em uma área determinada de atuação.

OPERAÇÕES ESPECIAIS: aplicações financeiras temporárias de recursos ociosos. simples e em conta-corrente. Associações de poupança e empréstimo As associações de poupança e empréstimo são constituídas sob a forma de sociedade civil. abertura de crédito. assim. mas não podem captar recursos junto ao público. a ser integralmente aplicado em títulos públicos federais. Os depositantes dessas entidades são considerados acionistas da associação e. As agências de fomento devem constituir e manter. APLICAÇÃO: financiamentos habitacionais aos associados.828. aplicação de recursos no mercado financeiro (Resolução CMN 3. fundo de liquidez equivalente. recorrer ao redesconto. empréstimos e financiamentos contraídos no exterior. classificados no patrimônio líquido da associação e não no passivo exigível (Resolução CMN 52. CAPTAÇÃO: emissão de letras e cédulas hipotecárias. não recebem rendimentos. recebimentos e pagamentos de conveniados. depósitos de poupança dos associados. financiamentos de empreendimentos de construção de habitações para venda aos associados. depósitos interfinanceiros. mas dividendos. É vedada a sua transformação em qualquer outro tipo de instituição integrante do sistema financeiro nacional. sendo de propriedade comum de seus associados. financiamento de capital de giro a empresas produtoras e distribuidoras de materiais de construção. Devem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima de capital fechado e estar sob o controle de unidade da federação. OPERAÇÕES ACESSÓRIAS: cobrança de títulos. de 2003). OPERAÇÕES DE FAIXA LIVRE: financiamentos habitacionais não contemplados pelo SFH. De sua denominação social deve constar a expressão "agência de fomento" acrescida da indicação da unidade da federação controladora. a 10% do valor de suas obrigações. ter conta de reserva no banco central. custódia. crédito rural.APLICAÇÃO: concessão de crédito. permanentemente. financiamento de capital de giro a empresas incorporadoras. de 1967). aquisição de títulos da dívida pública. adiantamentos a depositantes. somente a associados . Tais entidades têm status de instituição financeira. contratar depósitos interfinanceiros na qualidade de depositante ou de depositária e nem ter participação societária em outras instituições financeiras. no mínimo. correspondente no País. Os recursos dos depositantes são. refinanciamentos concedidos pela CEF. aquisi- PUC Minas 23 Sistema Financeiro Nacional . (Resolução CMN 2. por isso.106. repasse de recursos de instituições financeiras. Demais Instituições Financeiras Agências de fomento As agências de fomento têm como objeto social a concessão de financiamento de capital fixo e de giro associado a projetos na unidade da federação onde tenham sede. sendo que cada unidade só pode constituir uma agência. de 2001).desconto de títulos.

seguida do nome do Estado em que tenha sede (Resolução CMN 394. CAPTAÇÃO: depósitos a prazo fixo. internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles administrados. a médio e a longo prazos. de 1976). subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários. somente o fazem através de uma corretora. emissão de certificados de depósitos de valores mobiliários em garantia. obrigatória e privativamente. empréstimos hipotecários. fiança. emissão ou endosso de cédulas hipotecárias. custódia e recebimento de rendimentos de títulos e valores mobiliários. emissão de cédulas pignoratícias de debêntures e de Títulos de Desenvolvimento Econômico. emissão de cédulas pignoratícias de debêntures. empréstimos externos. operações com entidades públicas. depósitos interfinanceiros. arrendamento mercantil de bens imóveis para o próprio vendedor. financiamentos imobiliários não habitacionais. de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros. APLICAÇÃO: financiamento de capital de giro e capital fixo. crédito rural. operações compromissadas. OPERAÇÕES ESPECIAIS: administração de fundos de investimentos e de carteiras de títulos e valores mobiliários.ção de direitos creditórios de outras instituições financeiras. Devem ser constituídos sob a forma de sociedade anônima. a expressão “Banco de Investimento”. aquisição de direitos creditórios de contratos de arrendamento mercantil. repasses de empréstimos externos (Resolução CMN 2. financiamento de projetos de programas de fomento. aval ou coobrigações assumidas. APLICAÇÃO: empréstimos e financiamentos.624. PUC Minas 24 Sistema Financeiro Nacional . Bancos de desenvolvimento Os bancos de desenvolvimento são instituições financeiras controladas pelos governos estaduais. devendo adotar. repasse de empréstimos externos. empréstimos externos. de 1999). em sua denominação social. emissão ou endosso de cédulas hipotecárias. operações de câmbio. repasse de recursos oficiais. Não possuem contas correntes e captam recursos via depósitos a prazo. com sede na capital do Estado que detiver seu controle acionário. a expressão "Banco de Desenvolvimento". depósitos interfinanceiros. empréstimos no País oriundos de recursos de instituições financeiras oficiais. intermediação ou colocação no mercado de títulos e valores mobiliários. CAPTAÇÃO: depósitos a prazo. arrendamento mercantil. em sua denominação social. dirigidos prioritariamente ao setor privado. obrigatoriamente. operações de compra e venda de ouro no mercado físico. Bancos de investimento Os bancos de investimento são instituições financeiras privadas especializadas em operações de participação societária de caráter temporário. de programas e projetos que visem a promover o desenvolvimento econômico e social do respectivo Estado. Devem ser constituídos sob a forma de sociedade anônima e adotar. e têm como objetivo precípuo proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessários ao financiamento. repasses de recursos externos. distribuição. Não podem atuar nas bolsas de valores.

foi enquadrado como uma empresa pública federal. organizam em maior escala as estruturas de administração e suporte de interesse comum das cooperativas singulares filiadas. também. APLICAÇÃO: financiamentos imobiliários residenciais ou comerciais.gov. subsidiária integral. Indústria e Comércio Exterior e tem como objetivo apoiar empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do país. exercendo sobre elas. aquisição de créditos hipotecários. Cooperativas centrais de crédito As cooperativas centrais de crédito. A parceria com instituições financeiras. estabelecidas no país.662. com personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio. formadas por cooperativas singulares. entre outras funções. de 2003). CAPTAÇÃO: letras hipotecárias. empréstimos e financiamentos no País e no Exterior. de 1994).106. Contribui. supervisão de funcionamento. As linhas de apoio financeiro e os programas do BNDES atendem às necessidades de investimentos das empresas de qualquer porte e setor. debêntures. com agências estabelecidas em todo o país. bem como para o incremento das exportações brasileiras. Suas linhas de apoio contemplam financiamentos de longo prazo e custos competitivos. PUC Minas 25 Sistema Financeiro Nacional . para o desenvolvimento de projetos de investimentos e para a comercialização de máquinas e equipamentos novos. gerentes e associados. refinanciamentos de créditos hipotecários e repasses de recursos para financiamentos imobiliários.bndes. possibilitando um maior acesso aos recursos do BNDES. para o fortalecimento da estrutura de capital das empresas privadas e desenvolvimento do mercado de capitais. criado em 1952 como autarquia federal. fabricados no país.122. de 21 de junho de 1971. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. capacitação de administradores. investe em empresas nacionais através da subscrição de ações e debêntures conversíveis. O BNDES considera ser de fundamental importância. pela Lei 5.br Companhias hipotecárias As companhias hipotecárias são instituições financeiras constituídas sob a forma de sociedade anônima. que têm por objeto social conceder financiamentos destinados à produção. O BNDES é um órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento. A BNDESPAR. e auditoria de demonstrações financeiras (Resolução CMN 3. permite a disseminação do crédito. OPERAÇÕES ESPECIAIS: administração de créditos hipotecários de terceiros e de fundos de investimento imobiliário (Resolução CMN 2. na execução de sua política de apoio. reforma ou comercialização de imóveis residenciais ou comerciais aos quais não se aplicam as normas do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). a observância de princípios ético-ambientais e assume o compromisso com os princípios do desenvolvimento sustentável.

Sociedades de crédito, financiamento e investimento As sociedades de crédito, financiamento e investimento, também conhecidas por financeiras, foram instituídas pela Portaria do Ministério da Fazenda 309, de 30 de novembro de 1959. São instituições financeiras privadas que têm como objetivo básico a realização de financiamento para a aquisição de bens, serviços e capital de giro. Devem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima e na sua denominação social deve constar a expressão "Crédito, Financiamento e Investimento". Tais entidades captam recursos por meio de aceite e colocação de Letras de Câmbio (Resolução CMN 45, de 1966). CAPTAÇÃO: recursos obtidos com o aceite de letras de câmbio; depósitos de acionistas; repasses de instituições oficiais para programas específicos; mercado interfinanceiro. APLICAÇÃO: financiamento de bens e serviços a pessoas físicas e jurídicas; financiamento de capital de giro a pessoas jurídicas; refinanciamento de operações de arrendamento mercantil.

Sociedades de crédito imobiliário As sociedades de crédito imobiliário são instituições financeiras criadas pela Lei 4.380, de 21 de agosto de 1964, para atuar no financiamento habitacional. Devem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima, adotando obrigatoriamente em sua denominação social a expressão "Crédito Imobiliário". (Resolução CMN 2.735, de 2000). CAPTAÇÃO: depósitos de poupança; emissão de letras e cédulas hipotecárias; emissão de letras imobiliárias; refinanciamentos concedidos pela CEF; depósitos interfinanceiros. APLICAÇÃO: financiamento para construção de habitações; abertura de crédito para compra ou construção de casa própria; financiamento de capital de giro a empresas incorporadoras, produtoras e distribuidoras de material de construção. OPERAÇÕES DE FAIXA LIVRE: financiamentos habitacionais não contemplados pelo SFH; financiamento de capital de giro a empresas produtoras e distribuidoras de materiais de construção; financiamento de capital de giro a incorporadoras; aquisição de títulos da dívida pública; aquisição de direitos creditórios de outras instituições financeiras; arrendamento mercantil de bens imóveis celebrado com o próprio vendedor do bem; aquisição de direitos creditórios de contratos de arrendamento mercantil; depósitos interfinanceiros; empréstimos hipotecários; financiamentos imobiliários não habitacionais.

Sociedades de crédito ao microempreendedor As sociedades de crédito ao microempreendedor, criadas pela Lei 10.194, de 14 de fevereiro de 2001, são entidades que têm por objeto social exclusivo a concessão de financiamentos e a prestação de garantias a pessoas físicas, bem como a pessoas jurídicas classificadas como microempresas, com vistas a viabilizar empreendimentos de natureza profissional, comercial ou industrial de pequeno porte. São impedidas de captar, sob qualquer forma, recursos junto ao público, bem como emitir títulos e valores mobiliários destinados à colocação e oferta públicas. Devem ser constituídas sob a forma de companhia fechada ou de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, adoPUC Minas 26 Sistema Financeiro Nacional

tando obrigatoriamente em sua denominação social a expressão “Sociedade de Crédito ao Microempreendedor”, vedada a utilização da palavra “Banco” (Resolução CMN 2.874, de 2001).

Outros Intermediários Financeiros e Administradores de Recursos de Terceiros

Administradoras de consórcio As administradoras de consórcio são pessoas jurídicas prestadoras de serviços relativos à formação, organização e administração de grupos de consórcio, cujas operações estão estabelecidas na Lei 5.768, de 20 de dezembro de 1971. Ao Banco Central do Brasil (Bacen), por força do disposto no art. 33 da Lei 8.177, de 1º de março de 1991, cabe autorizar a constituição de grupos de consórcio, a pedido de administradoras previamente constituídas sem interferência expressa da referida Autarquia, mas que atendam a requisitos estabelecidos, particularmente quanto à capacidade financeira, econômica e gerencial da empresa. Também cumpre ao Bacen fiscalizar as operações da espécie e aplicar as penalidades cabíveis. Ademais, com base no art. 10 da Lei 5.768, o Bacen pode intervir nas empresas de consórcio e decretar sua liquidação extrajudicial. O grupo é uma sociedade de fato, constituída na data da realização da primeira assembléia geral ordinária por consorciados reunidos pela administradora, que coletam poupança com vistas à aquisição de bens, conjunto de bens ou serviço turístico, por meio de autofinanciamento (Circular BCB 2.766, de 1997).

Sociedades de arrendamento mercantil As sociedades de arrendamento mercantil são constituídas sob a forma de sociedade anônima, devendo constar obrigatoriamente na sua denominação social a expressão "Arrendamento Mercantil". São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 2.309, de 1996). CAPTAÇÃO: emissão de debêntures (principal forma de captação); dívida externa; cessão de direitos creditórios de contratos de arrendamento mercantil; cessão de contratos de arrendamento mercantil; pode negociar CDIs.; empréstimos e financiamentos de instituições financeiras; repasses de instituições financeiras oficiais em programas especiais. APLICAÇÃO: arrendamento mercantil de bens móveis, de produção nacional ou estrangeira, e bens imóveis adquiridos pela entidade arrendadora para fins de uso próprio do arrendatário; títulos da dívida pública, cessão de direitos creditórios.

Sociedades corretoras de câmbio As sociedades corretoras de câmbio são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social a expressão "Corretora de Câmbio". Têm por objeto social exclusivo a intermediação em operações de câmbio e a prática de operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 1.770, de 1990).

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Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários As sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. Dentre seus objetivos estão: operar em bolsas de valores, subscrever emissões de títulos e valores mobiliários no mercado; comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros; encarregar-se da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários; exercer funções de agente fiduciário; instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento; emitir certificados de depósito de ações e cédulas pignoratícias de debêntures; intermediar operações de câmbio; praticar operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes; praticar operações de conta margem; realizar operações compromissadas; praticar operações de compra e venda de metais preciosos, no mercado físico, por conta própria e de terceiros; operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 1.655, de 1989). Os FUNDOS DE INVESTIMENTO, administrados por corretoras ou outros intermediários financeiros, são constituídos sob forma de condomínio e representam a reunião de recursos para a aplicação em carteira diversificada de títulos e valores mobiliários, com o objetivo de propiciar aos condôminos valorização de quotas, a um custo global mais baixo. A normatização, concessão de autorização, registro e a supervisão dos fundos de investimento são de competência da Comissão de Valores Mobiliários.

Clubes de investimento Os clubes de investimento correspondem a associações voluntárias de investidores que se consorciam com a finalidade de realizar aplicações no mercado acionário, administrando diretamente essas carteiras com a assistência e a assessoria das Sociedades Corretoras e Distribuidoras. Muito embora o clube objetive basicamente o investimento em ações, outros ativos financeiros são passíveis de aquisição. Além de debêntures conversíveis em ações, podem, em caráter excepcional, ser adquiridos títulos de renda fixa, especificamente debêntures simples e títulos públicos. Isso significa que um administrador de carteira ágil pode vender toda a posição de ações, se julgar que a bolsa irá entrar em fase de baixa, desde que essa situação seja eventual. Por outro lado, pode concentrar todos os recursos em ações, se assim o desejar.

Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários As sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social a expressão "Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários". Algumas de suas atividades: intermedeiam a oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; administram e custodiam as carteiras de títulos e valores mobiliários; instituem, organizam e administram fundos e clubes de investimento; operam no mercado acionário, comprando, vendendo e distribuindo títulos e valores mobiliários, inclusive ouro financeiro, por conta de terceiros; fazem a intermediação com as bolsas de valores e de mercadorias; efetuam lançamentos públicos de ações; operam no mercado aberto e intermedeiam operações de câmbio. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 1.120, de 1986).

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br Sociedades de Capitalização São entidades. com objetivo de efetuar o registro. em mercado livre e aberto. das operações realizadas em pregão ou em sistema eletrônico. quando previsto. o direito de concorrer a sorteios de prêmios em dinheiro. que proporcione aos agentes econômicos a oportunidade de efetuarem operações de hedging (proteção) ante flutuações de preço de commodities agropecuárias. ou a quem este designar. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. com objetivo de manter local adequado ao encontro de seus membros e à realização. o direito de resgatar parte dos valores depositados corrigidos por uma taxa de juros estabelecida contratualmente. entre eles. sem finalidade lucrativa.690. índices. o qual terá. organizar e operacionalizar um mercado de derivativos livre e transparente. constituídas sob a forma de sociedades anônimas. As funções do órgão PUC Minas 29 Sistema Financeiro Nacional . no caso em que advenha o risco indicado e temido. devem desenvolver. física e financeira. Para tanto. o prêmio estabelecido.susep. e pela Lei Complementar 109. por meio do qual assumem a obrigação de pagar ao contratante (segurado).gov. que negociam contratos (títulos de capitalização) que têm por objeto o depósito periódico de prestações pecuniárias pelo contratante. taxas de juro. ainda. para isso. depois de cumprido o prazo contratado. São regidas pelo Decreto-Lei 73. de 21 de novembro de 1966. Bolsas de valores As bolsas de valores são associações privadas civis. Possuem autonomia financeira. patrimonial e administrativa e são fiscalizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. de 29 de maio de 2001.Bolsas de mercadorias e futuros As bolsas de mercadorias e futuros são associações privadas civis. uma indenização. sem finalidade lucrativa. constituídas sob a forma de sociedades anônimas. de 2000). acessíveis a quaisquer pessoas físicas. especialmente organizado e fiscalizado por seus membros e pela Comissão de Valores Mobiliários. especializadas em pactuar contrato. a compensação e a liquidação. Sociedades seguradoras São entidades. patrimonial e administrativa (Resolução CMN 2. Possuem autonomia financeira. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www.br Entidades abertas de previdência complementar São entidades constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único. recebendo. conferindo.susep. moedas e metais. bem como de todo e qualquer instrumento ou variável macroeconômica cuja incerteza de preço no futuro possa influenciar negativamente suas atividades. de transações de compra e venda de títulos e valores mobiliários pertencentes a pessoas jurídicas públicas e privadas.gov.

por meio da Resolução 3. GALBRAITH. Moeda: de onde veio. São Paulo: Pioneira. www. principalmente. O factoring não é considerado uma operação financeira de crédito.. São empresas comerciais que operam por meio de aquisições de duplicatas.previdenciasocial. E. 1977. denominadas instituidores. Para isso. A diferença fundamental é que o risco do título negociado passa a ser de exclusiva competência da empresa de factoring. cheques e etc. de forma similar a uma operação de desconto bancário. eximindo a empresa-cliente das responsabilidades de recebimento. cobram juros. de 29 de maio de 2001. os fundos próprios e emprésimos bancários. uma aquisição definitiva dos valores recebíveis.regulador e do órgão fiscalizador são exercidas pelo Ministério da Fazenda. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FORTUNA. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. de 25 de setembro de 2003.gov.br PUC Minas 30 Sistema Financeiro Nacional .susep. por intermédio do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas ou aos servidores da União.br As entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão) São organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil. J. 2002. exclusivamente. dos Estados.br Factoring As empresas de factoring não são instituições financeiras. K. inclusive do risco inerente ao pagamento desses valores. e sim uma transferência (cessão) plena dos créditos da empresa produtora para o factor. Rio de Janeiro: Qualitymark. isto é. sem fins lucrativos e são acessíveis. do Distrito Federal e dos Municípios. As entidades de previdência fechada devem seguir as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.gov.121. As empresas de factoring têm como fonte de recursos. classista ou setorial. Mercado Financeiro: Produtos e Serviços.gov. entes denominados patrocinadores ou aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional. para onde foi. Maiores informações poderão ser encontradas no endereço: www. no que tange à aplicação dos recursos dos planos de benefícios. Também são regidas pela Lei Complementar 109. repassando ao cliente os resultados líquidos no ato da operação.bcb.

SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO 2. As finalidades de atuação no mercado podem ser: obter liquidez. para melhor entendimento das operações realizadas e suas finalidades.1. trocar posições.1. capital fixo das empresas Controle da liquidez monetária da economia e suprimentos momentâneos de caixa Transformação de valores em moeda estrangeira em nacional e vice-versa. obter moeda estrangeira. É por meio desse mercado que os agentes econômicos e os próprios intermediários financeiros suprem suas necessidades PUC Minas 31 Sistema Financeiro Nacional . aplicar disponibilidades. INTRODUÇÃO O mercado financeiro costuma ser subdividido em “mercados” que apresentam determinadas características que os distinguem uns dos outros. 2. médio e aleatório Financiamento do consumo pessoal e capital de giro das empresas Médio. Mercado de capitais Mercado Monetário Bancário e nãobancário Mercado cambial Curto e à vista Bancário e auxiliares (Sociedades Corretoras) 2. mercado de capitais e mercado cambial.2. A subdivisão geralmente é feita em: mercado monetário. Mercado Monetário É o segmento em que se realizam operações de curto e de curtíssimo prazos. intermediar recursos entre deficitários e superavitários. longo e indeterminado Curto e curtíssimo Financiamento de capital de giro. financiar operações de capital de giro.2. etc. mercado de crédito. financiar capital fixo. obter proteção contra variação de resultados de forma inesperada. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO AOS TIPOS E AS FINALIDADES DAS OPERAÇÕES DE INTERMEDIAÇÃO PRATICADAS Segmentação dos Mercados Financeiros Segmentos Mercado de crédito Prazos Finalidade Intermediário Financeiro Bancário e nãobancário Não-bancário Curto.2.

a partir dessa abordagem (moeda exógena). um trade off. Mercado Aberto (Open market) É um mercado sem limitações de local específico. 10 Definição obtida em http://www. Na verdade.bcb. por intermédio do Banco Central. neoclássico. de Keynes. ou seja. conjugadamente com compromisso de revenda assumido pelo comprador. tais como bancos comerciais. Observando os gráficos que mostram as práticas de política monetária. recompra e resgate de títulos da dívida pública de curto prazo. o governo não consegue controlar a oferta de moeda e ela adéqua-se à demanda. entre determinar a taxa de juros e controlar a oferta de moeda. em que o Governo negocia títulos públicos. ainda. 10 Política Monetária A política monetária consiste em controlar a oferta de moeda. que estão aptas a realizar operações compromissadas. A liquidez desse segmento de mercado é regulada por operações abertas pelas autoridades monetárias. as operações compromissadas são operações de venda de títulos com compromisso de recompra assumido pelo vendedor. fundamentalmente as instituições financeiras habilitadas.02. Há vários motivos para que isso aconteça. Esclarecemos que. obtida mediante o cálculo da taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia. que serve de referência. keynesiano IS-LM). neste caso. pois ficou comprovada a endogeneidade da moeda.br/?SELICDESCRICAO. via colocação. não obstante correntes de teoria econômica afirmarem o contrário.04 PUC Minas 32 Sistema Financeiro Nacional . corretoras e distribuidoras de valores. ou de piso. a política monetária é controlar a taxa de juros.gov. por um dia útil. totalmente inelástica em relação à taxa de juros. para liquidação no dia útil seguinte. sendo representada graficamente como uma reta vertical. constatamos que há que se optar entre controlar ou a oferta de moeda ou a taxa de juros. SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia Sistema desenvolvido pelo Banco Central e pela ANDIMA (Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto) para realizar e controlar a liquidação e custódia nas operações com títulos públicos. a oferta de moeda é exógena. Acesso em 25. bancos de investimento. Um dos principais é que o volume das chamadas quase-moedas (ativos de altíssima liquidezM4) é muitas vezes maior que o volume dos meios de pagamento (M1). para as demais taxas praticadas no sistema financeiro. A taxa Selic é: a taxa apurada no Selic. Nos modelos apresentados em manuais (monetarista. lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no referido Sistema na forma de operações compromissadas. com o objetivo principal de praticar a política econômica: determinar a taxa de juros de mercado dos títulos públicos. Mas há duas questões que explicam claramente o porquê de a política monetária apenas determinar a taxa de juros. a taxa de juros e o crédito. Ressaltamos.momentâneas de caixa. Primeiro deve ser observado que há uma escolha necessária.

a taxa de juros diminuirá de j1 para j2. R$ X –.Com efeito. De outro modo. se a política é fixar a taxa de juros (Gráfico 2). quando a demanda por moeda varia de D 1 para D2. caso ocorra uma diminuição da demanda por moeda de D 1 para D2. fixando-a em um determinado valor – digamos. já que a oferta de moeda permanece em O1. variando de O 1 para O2. Gráfico 1: Controle da Oferta de Moeda j O1 j1 j2 D1 D2 X Gráfico 2: Controle da Taxa de Juros M j O2 O1 j1 D1 D2 X2 X1 M PUC Minas 33 Sistema Financeiro Nacional . j1. o banco central tem que ajustar a oferta de moeda à demanda. se a política é manter a oferta de moeda sob controle (Gráfico 1). de forma que se situe no ponto em que a taxa de juros de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda seja a que se fixou como objetivo da política monetária.

como qualquer mercadoria o dólar sobe de preço (a taxa de câmbio aumenta – reais necessários para comprar um dólar. tentando repassá-lo entre si. Num país com desequilíbrio na área externa. e. o banco central eleva as taxas de juros para desestimular o consumo e o investimento. a tendência será a taxa de juros elevar-se consideravelmente. fazendo com que o suposto benefício do controle da base seja menor que esse custo. conclui-se que há dois motivos para que se abandone a busca de impedir variações na base monetária: em primeiro lugar. mantendo-se a oferta fixa. controla a taxa de juros e não a base monetária. ou seja. também. serve para controlar a inflação. de combate à prática de retenção de estoques. quando diminuída. tornando possível cobrir o déficit em Transações Correntes11. Com isso. e. a fixação da base monetária provoca oscilações violentas nas taxas de juros. fazendo com que o mercado desaqueça e os vendedores não aumentem os preços. portanto. na verdade. se há falta de moeda estrangeira. a taxa de juros é usada para atrair o capital estrangeiro e evitar a sua saída. serve para incentivar a atividade econômica. A questão da determinação da taxa de juros Atualmente. as quais aconteceriam sempre. que é o caso do Brasil até ter acumulado um volume de reservas internacionais satisfatório. sem ajustar a oferta de moeda à demanda no ponto em que há o equilíbrio à taxa de juros desejada. se o valor da base monetária fosse fixado pela autoridade monetária. Portanto. De modo contrário. no mercado cambial. 2) Se há indícios de que os preços não sobem e a economia encontra-se em recessão. As oscilações acontecem porque dificilmente a demanda por “Reservas Bancárias” (o compulsório) coincide com a oferta. O Banco Central do Brasil. de influenciar a taxa referencial (básica) e de conciliar com a política cambial. Se o saldo agregado da conta “Reservas Bancárias” ultrapassa o compulsório. tem que adotar a política monetária tida como “passiva”. o banco central diminui as taxas de juros para estimular o consumo e o investimento. ocorre que a demanda por dólares (no caso o dólar é a moeda de troca internacional) fica maior que a oferta e. porque deve perseguir as metas de manutenção dos níveis de poupança financeira. em função de variações da demanda por moeda. PUC Minas 34 Sistema Financeiro Nacional . a taxa de juros aproxima-se de zero. sem recorrer à queima de reservas e sem tomar emprestado. de que há inflação. o banco central tem que impedir oscilações violentas na taxa de juros. que não é possível controlar a taxa de juros. 11 Veja o conceito de Transações Correntes à frente no texto. mas não menos importante.Constata-se. quando aumentada. a taxa de juros. ou seja. Num país assim. se há uma redução imprevista da liquidez. o sistema rejeita esse saldo excedente. em segundo lugar. deve-se controlar a taxa de juros para que se alcancem os resultados pretendidos de política econômica. Desse modo. de evitar a fuga de capitais. Além disso. porque não é remunerado. que precisa de moeda estrangeira para pagar sua dívida externa e para fazer outras remessas para o exterior (como lucros). a política monetária funciona da seguinte maneira: 1) Se há indícios de que os preços estão subindo. não se pode controlar a oferta de moeda sem deixar que a taxa de juros varie para alcançar novos pontos de equilíbrio.

a inflação surge. um bônus podia ser comprado de modo a oferecer um retorno de uns 14% a. PUC Minas 35 Sistema Financeiro Nacional . O risco país é dado em pontos percentuais que mostram a taxa acima do título do tesouro americano que se acresce à rentabilidade do título para cobrir o risco de inadimplência. fazendo com que os juros recebidos efetivamente sejam maiores que os contratuais. O título da dívida externa é comprado com um desconto. converterá os reais correspondentes em dólares. Quando isso acontece. no caso o país. as taxas internas tem que ser tão boas quanto as de fora. para responder à questão sobre qual o juro doméstico de equilíbrio. Um país como o Brasil recebe muito capital externo para investimento em ativos de alta liquidez. de cumprir suas obrigações com os devedores. há o risco do ataque especulativo contra a moeda do país. Mas. como títulos públicos e blue chips.a que pode ser decomposto em duas partes: 1) 2% que equivale à taxa de juros do Tesouro Americano. as taxas de juros domésticas devem ser tais que evitem entradas e saídas contínuas de capital. é importante para um país como o Brasil evitar esse ataque especulativo. no olhar do especulador internacional. ainda que menor).500 pontos significa 15% acima da remuneração do título do tesouro americano. do início do Plano Real – julho de 1994 – até a maxidesvalorização de janeiro de 1999 (destacamos que o desequilíbrio externo persiste. que ocorrem por causa da “arbitragem internacional”. Segundo ele. Portanto. Se ele identificar rentabilidade maior no mercado financeiro exterior. Vejamos como funciona um ataque especulativo. Por exemplo. Ao compararmos dois títulos do governo brasileiro: um título da dívida interna com juros prefixados e um título da dívida externa que paga juros e amortizações. colocamos a seguinte fórmula matemática: J = jTA + RB + c Onde: J = juros domésticos 12 O risco país é calculado pelas agências de rating e indica a capacidade do devedor. o título da dívida interna deve oferecer o mesmo retorno. deixará o país com menos reservas internacionais e provocará inflação. irá vender seus ativos no país. Gustavo Franco mostra que em fevereiro (de 2002). como isso pode ser feito? Vamos abordar a questão a partir das colocações de Gustavo Franco (2002) que aponta os fundamentos da política monetária para a determinação da taxa de juros no período em que se perseguia a manutenção da âncora cambial. sendo que os títulos da dívida externa são cotados diariamente no mercado internacional e trazem embutidos em sua rentabilidade o risco inerente.R$/US$). devem ter o mesmo risco. Esse capital é considerado especulativo. Essa deve ser a base de remuneração do título prefixado da dívida interna e a ela deve-se acrescentar a desvalorização cambial. ou seja. e com isso provocará duas coisas. 2) 12% que é o chamado risco país12. Portanto. porque os preços em reais dos produtos importados aumenta: a gasolina vai ter que ter seu preço aumentado em virtude do aumento do preço em reais do petróleo que a Petrobras importa. Portanto. risco país de 1. aumentando a demanda e provocando a elevação da taxa de câmbio. Para explicar como se determina o retorno do título da dívida externa.

14. em que a política cambial era a de bandas. mais a desvalorização cambial de 8% a. Taxa Selic e Taxa atrativa % a.jpmorgan.com/mmrc/100/index/0. oferecido pelos títulos da dívida externa brasileira. o Sovereign Spread13. a seguir. Relação entre Risco Brasil e Taxa Selic % 17 85 15 75 13 11 9 7 5 3 jan fev abr jun jul set out dez fev mar mai jul ago out nov jan mar abr jun ago set nov dez fev abr jun jul set out dez 1995 1996 1997 1998 Fonte: Banco Central e JPM organ .a.-337-14--25|----1. verificada.elaboração do autor Risco Brasil Taxa SELIC 65 55 45 35 25 15 Podemos concluir. portanto.6922. mais o “risco Brasil”.jTA = taxa de juros do Tesouro dos EUA RB = Risco Brasil c = desvalorização cambial (expectativa) O gráfico.html>. mostra os valores assumidos por essa taxa “atrativa”. em vista do fato das taxas de juros do Tesouro Americano não terem se 13 14 Disponível em < http://morganmarkets. calculada a partir dos juros dos Fed Funds. obtido do JPMorgan. Então.a. a taxa de juros da política monetária nos EUA. 170 150 130 110 90 70 50 30 10 jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov jan mar mai jul set nov 1995 1996 1997 Taxa SELIC 1998 Taxa Atrativa Fonte: Banco Central e JPMorgan .elaboração do autor Observamos que a taxa Selic não acompanhou esse modelo. acima da taxa dos títulos do Tesouro Americano. o spread médio. no período de 1995 a 1998.00. qual seria o modelo de determinação da taxa? Há uma relação muito próxima entre a taxa Selic e o risco Brasil em que a taxa Selic é um múltiplo do risco Brasil. Ver FRANCO (1999) PUC Minas 36 Sistema Financeiro Nacional .

sem custo. Os principais estão relacionados a seguir: a) Resultado das Operações Cambiais: todas as movimentações com o exterior são registradas no Banco Central. Os fatos geradores de lançamentos nas contas Reservas Bancárias são conhecidos como Fatores Condicionantes da Liquidez.a liquidez por excelência) refere-se a papel-moeda e a depósitos à vista15. a liquidez (meios de pagamento) necessária para a realização de pagamentos. ou seja. o Banco Central é chamado de Banco dos Bancos. também.. é denominado Base Monetária. que se procura obter. porque seria absurdo pagar pelo serviço de manter os recursos nesse tipo de conta. na data de vencimento do prazo. em outra instituição. se. ou que envolvem o Banco Central e uma instituição financeira necessitam de um lançamento na conta Reservas Bancárias das instituições financeiras envolvidas.. pois. Todo pagamento somente pode ser realizado com dinheiro (cédulas e moedas. Por manter essas contas e por atuar como emprestador de última instância para o sistema financeiro. o cartão de débito. por parte do Banco Central. no Selic. desta com o Banco Central. no período em questão.a. depois. Há compra ou venda de moeda estrangeira de quem está movimentando com uma instituição financeira e. será realizado um débito em conta-corrente do pagador. que funciona como os depósitos à vista de qualquer correntista das instituições financeiras. não for feito o pagamento em dinheiro no caixa. por meio de venda de ativos ou por empréstimos. temos o cheque. Essa espécie de “conta-corrente” dos bancos no Banco Central é denominada Reservas Bancárias e o conceito do saldo agregado da liquidez dos bancos. o conceito de meios de pagamento (aquilo com o que se pode realizar pagamentos . Determinação da Taxa de Juros Selic No Mercado Monetário se pratica a política monetária: negociação de títulos públicos. um expor15 O montante agregado desses ativos para todo um país é chamado de M1. que o componente que tornava as taxas de juros internas tão altas era um múltiplo do Risco Brasil. Todavia. Entretanto. Pode ser alegado que há outras formas de pagamento como cartão de crédito. Como maneiras de realizar o saque em conta-corrente. em seu próprio caixa. também chamado de papel-moeda) ou saques em conta-corrente (depósitos à vista). ou outras formas de ordens de pagamento. Todas as transações que realizam entre si as instituições financeiras. carnês. como liquidez das Instituições Financeiras não se incluem os depósitos à vista em outras instituições financeiras.situado em níveis muito altos e da desvalorização média do câmbio ter sido de 8% a. efetivando a taxa de juros determinada pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central). todas as instituições financeiras mantêm uma espécie de conta-corrente no Banco Central. a conta não é remunerada e seu saldo pode ser sacado a qualquer momento. PUC Minas 37 Sistema Financeiro Nacional . mas essas são apenas formas de postergação do pagamento. quando é possível mantê-los. Portanto. É nesse mercado. duplicatas etc. Por exemplo. composto pelo papel-moeda em caixa nas agências e pelas Reservas Bancárias.

e. como destacamos anteriormente. por determinação do Banco Central. são lançados a débito ou a crédito nas contas Reservas Bancárias g) Atuação do DEMAB (Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central) no Mercado Secundário – Zeragem Automática: é na atuação do DEMAB na zeragem automática que se efetiva a política monetária de determinação da taxa de juros no Selic. Passamos. Mas. adotando a taxa de juros determinada pelo Copom. em seguida. que os recebem para repassá-los. tanto no mercado primário (a primeira negociação. não haveria como controlar a expansão monetária. f) Extra-Mercado. ao exportador. Os repasses do Tesouro também chegam ao destino final. na parte da manhã. Se todo depósito pudesse tornar-se crédito e. Mercados Secundário e Primário: os resultados das operações com títulos públicos. portanto. depósito.): repasses do Governo Federal para determinados fins. dos títulos no mercado) quanto no secundário. agora. há uma obrigatoriedade de manter um saldo na conta. que os compra e repassa o valor correspondente. as instituições não têm interesse em manter saldos nessa conta. há um movimento dos bancos. que é conhecida como depósito compulsório. O depósito compulsório foi instituído para evitar a expansão ilimitada do crédito. c) Fundo de Participação de Estados e Municípios: repasse do Tesouro aos estados e municípios. no interior. A instituição financeira. com conseqüências graves no tocante ao controle da inflação pela autoridade monetária e no controle da capacidade de fazer frente aos saques dos depositantes nos bancos. em reais. por meio das contas Reservas Bancárias. é necessário compreender como funciona o mercado de Reservas Bancárias. Para entender como o Banco Central consegue determinar a taxa de juros. e retirando da circulação o dinheiro imprestável. e) Outros (FAF. A conta Reservas Bancárias. no mercado monetário. d) Papel-Moeda em Poder do Público: todos os dias úteis. para suprir a sociedade de dinheiro em espécie (cédulas e moedas) em boas condições de uso. como empréstimos a juros baixos. não é remunerada. por seu lado. os bancos sacam o dinheiro para suprir suas agências e esses saques são realizados a débito da conta Reservas Bancárias. pagando os saques dos bancos nas contas Reservas Bancárias e recebendo depósitos. depois. Geralmente. b) Resultado das Operações com o Tesouro Nacional: a arrecadação de tributos é realizada através dos bancos. SBPE. o movimento é feito diretamente nele. sacando e depositando nas contas Reservas Bancárias. a explicar como o Banco Central consegue efetivar a negociação dos títulos no Selic. Nas capitais onde há representação do Banco Central. o Banco do Brasil atua como representante do Banco Central. no fim do dia.tador recebe dólares por meio de uma instituição financeira. Se não houvesse PUC Minas 38 Sistema Financeiro Nacional . etc. vende os dólares para o Banco Central e o valor correspondente em reais é creditado na conta Reservas Bancárias da instituição financeira. depositam a crédito das contas Reservas Bancárias. onde as instituições financeiras procuram satisfazer as suas necessidades de liquidez. ao Tesouro Nacional. o lançamento.

10 R$ 0. caso houvesse. SD= =2. Com o compulsório igual a 0. vamos utilizar o mais importante .5.poderiam estar sendo PUC Minas 39 Sistema Financeiro Nacional . Com o estabelecimento de um depósito compulsório de 40% do saldo de depósitos à vista. o Banco Central fixa um depósito compulsório para todos os tipos de depósito: poupança.68 R$ 1.4 depósito inicial fica multiplicado por 2. no banco. apenas um saldo de R$ 238. uma vez que os valores . Na verdade.00 R$ 14. levando em conta um compulsório de 40%.o compulsório sobre os depósitos à vista que.00 R$ 21. no período de verificação. para os quais há o período de cálculo e o período de verificação.80 R$ 1.64 R$ 12.00 R$ 36. devido às circunstâncias de política econômica (expansão maior ou menor do crédito. o depósito inicial seria multiplicado pelo número de solicitações de crédito e SD tende a infinito.00 transformar-se-ia em um saldo de depósitos à vista de R$ 600. um depósito inicial de R$ 100.16 R$ 249.78 R$ 3.40 R$ 0.5 .96 R$ 5. cinco solicitações de crédito. depósitos a prazo. no final. com compulsório de 40%.limitação à concessão do crédito.66 R$ 0.67 R$ 1. A tabela a seguir mostra o saldo final. as instituições financeiras são divididas em dois grupos homogêneos. por exemplo. o depósito inicial de R$ 100. após um número de solicitações de crédito que esgota a disponibilidade de crédito. é: 1 . isto é: o 0. a fórmula de cálculo da criação de depósitos à vista. Para mostrar como funciona o mercado de Reservas Bancárias.66 R$ 0.00 tornar-se-ia. No nosso caso.60 R$ 12.12 R$ 1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12  DEPÓSITO COMPULSÓRIO (40%) R$ 100.00 R$ 40.80 R$ 1.40 R$ 0.18 R$ 7.00 R$ 36.00 R$ 24..11 R$ 4.26 R$ 0.87 R$ 2.24 Então. é de 45%.00 R$ 60. mesmo que o percentual aplicado seja 0%.60 R$ 8. manter um saldo acima do exigível pelo compulsório é perder dinheiro.78 R$ 4.67 R$ 1.67 R$ 2. apurado no período de cálculo. atualmente.00. Para o cômputo do compulsório. O fato é que as instituições têm que manter depositados na conta Reservas Bancárias. sendo SD o saldo final dos depósitos à vista e COMP o percentual de compulsório SD  COMP 1 aplicado sobre os depósitos à vista.68 R$ 0.34.que são sempre altos .10 R$ 0. 45% do saldo médio em depósitos à vista.96 R$ 7. etc. A diferença do resultado obtido na tabela deve-se a arredondamentos.44 R$ 0. obviamente com influências sobre a taxa de juros).40 R$ 21.65 DISPONIBILIDADE PARA CRÉDITO R$ 60. Já que a conta Reservas Bancárias não é remunerada. a partir de um depósito inicial.

ele diminui a oferta de Reservas Bancárias. então. então. o Governo atua no mercado aberto. por exemplo. a taxa de juros poderá despencar. Tendo em vista que a conta Reservas Bancárias não é remunerada.5%. como ocorreria no primeiro caso descrito acima. a demanda por Reservas Bancárias é exatamente o compulsório. e. 16. se a instituição financeira estiver com saldo na conta Reservas Bancárias abaixo do exigível. duas situações: 1) Num momento em que há muita exportação. fixou a taxa de juros básica. para isso. No gráfico. ocorrem as duas situações. Por outro lado. ocorreriam oscilações muito fortes na taxa de juros.a. pois as instituições aceitarão quaisquer taxas. paga uma multa pesada. uma vez que os agentes econômicos não teriam horizontes possíveis para trabalhar. O Banco Central.a. Podemos mostrar como a taxa de juros Selic (como fixada pelo Copom) é determinada no mercado de Reservas Bancárias. que é dada anteriormente no período de cálculo e que.1% a. Se a oferta de Reservas Bancárias aumenta de O 1 para O2. Assim. para não manterem valores elevados sem remuneração. por exemplo. T 1. que ficarão com sobra de liquidez. podendo chegar. Caso o Governo permitisse que o mercado buscasse o equilíbrio entre a oferta e a demanda de Reservas Bancárias. PUC Minas 40 Sistema Financeiro Nacional . usando a taxa de juros básica para influir no comportamento de variáveis econômicas e para controlar a inflação. se no final do dia. após todas as tentativas de negociação. comprando e vendendo títulos públicos. Para evitar a oscilação na taxa e garantir que ela fique no nível determinado. entretanto. o saldo agregado das contas Reservas Bancárias pode ficar abaixo do compulsório. a taxa de juros de equilíbrio entre oferta e demanda de Reservas Bancárias cairia de T1 para T2. de modo que a oferta de Reservas Bancárias volte a ser O 1. Mas. vendendo títulos públicos no Mercado Aberto. ainda sobrar um saldo agregado de todas as contas Reservas Bancárias. Consideremos. o Banco Central está comprando muitos dólares e creditando a conta Reservas Bancárias das instituições. Na realidade.5%. em 16. mesmo que seja 0. 2) Se ocorrerem muitas remessas de dólares ao exterior para pagamento de dívidas. em momentos alternados. principalmente por meio de operações compromissadas. Nesse caso. podem oferecer taxas de juros altíssimas pelo empréstimo. as instituições procurarão comprar Reservas Bancárias para não pagarem multa. utilizando o gráfico a seguir. Sendo assim. evitando as oscilações violentas e praticando a política monetária. procurarão aplicar o saldo excedente ao compulsório.aplicados. o que seria extremamente prejudicial à economia do país. para fixar a taxa de juros básica em determinado patamar. independe da taxa de juros e é exatamente o valor do compulsório: DR. tentando conceder crédito ou mesmo emitindo CDIs e negociando com outras instituições financeiras.. a 100% a. a reta vertical D representa a demanda por Reservas Bancárias.

por moeda corrente do país.Determinação da Taxa de Juros Atuação do Banco Central na "zerada final" Taxa de Juros D O1 O2 T1 T2 DR Reservas Bancárias Esse mecanismo de atuação do Banco Central é chamado de zeragem automática. já se o saldo está abaixo do compulsório e ele compra títulos públicos recebendo a taxa que fixar. pois. para a instituição financeira é melhor pagar essa taxa do que pagar multa. bancárias e não-bancárias. Inversamente. 2. Portanto.3. não restando nenhum saldo a maior nem a menor que o compulsório. Mercado de Crédito É o segmento que atende aos agentes econômicos quanto às suas necessidades de crédito de curto e médio prazos. antecipadamente. as divisas estrangeiras que receberão. de qualquer forma. ele iguala a oferta de Reservas Bancárias à demanda. Podem ocorrer operações a prazo (normalmente curto). desse modo.5% a. 2. quanto 100% a. A maior parte do suprimento desse tipo de crédito é feita pelos intermediários financeiros bancários e não-bancários. E existem vantagens em ambos os casos a seguir: se o saldo agregado está acima do compulsório e ele vende títulos públicos remunerando à taxa determinada.2. para suprimento de necessidades momentâneas de moeda estrangeira. por exemplo. que as instituições financeiras negociarão os títulos. no final do dia. o Banco Central consegue que a taxa praticada no Selic seja a fixada pelo Copom.2. Mercado Cambial É o segmento em que se realizam operações de compra e venda de moedas estrangeiras conversíveis.2. ainda assim. de exportadores que trocam. podem ser adquiridas divisas por antecipação. qualquer remuneração é melhor do que nada. por exemplo.a. PUC Minas 41 Sistema Financeiro Nacional . para fechamento de câmbio de incorporações. que tanto pode ser 0. são atendidas solicitações de crédito para financiamento da aquisição de bens duráveis pelos consumidores e do capital de giro das empresas.a. Particularmente. As operações nesse segmento de mercado são feitas sob a intermediação de instituições financeiras autorizadas.

PUC Minas 42 Sistema Financeiro Nacional . Temos dois tipos de políticas. Para a manutenção da taxa real no mesmo nível deve-se provocar uma variação que incorpore a inflação local e no exterior.00.050. Veja. tivemos a taxa de câmbio fixa. a atual deverá ser de: desvalorização de 10% => R$ 1. num regime de taxas flutuantes (como é o caso brasileiro). quando há queda continuada das reservas internacionais. o preço do dólar. Desse modo. com o governo apenas atuando no mercado. Na verdade. de taxa de câmbio flutuante. quando o governo determina o preço da moeda estrangeira. irá determinar a taxa. comprando ou vendendo dólares. as movimentações entre o país e o estrangeiro. Hoje. o problema principal para o governo é a dependência do capital estrangeiro (poupança externa). para manutenção da taxa de câmbio real. ou uma mistura de ambas: de taxa de câmbio fixo. por exemplo. No Brasil. quiser estimular as exportações e desestimular as importações. de 1995 a janeiro de 1999.00.00. Se a taxa era de R$ 1. Há também a questão da taxa de câmbio de equilíbrio. Assim. quando o governo não interfere e a lei de oferta e procura determinará o preço do dólar. no caso de déficit no Balanço. em primeiro lugar. Observe no gráfico a seguir que as reservas internacionais caem abruptamente: de US$ 75 bilhões em abril de 1998 a US$ 36 bilhões em janeiro de 1999. e. no entanto. pela lei de oferta e procura. temos um regime de taxas de câmbio flutuantes.00 pela exportação. Até meados de janeiro de 1999 a taxa de câmbio era fixa no regime de bandas. e. Portanto. valorização de 5% => 1. até que não pode segurar mais. a tendência é de valorização. podemos esperar diminuição do preço do dólar. e ocorre uma inflação interna de 10%. a taxa de câmbio de equilíbrio é a que faz com que não haja déficit em transações correntes. a taxa anterior deve ser multiplicada por um fator que é igual ao resultado da divisão (1+ inflação no país) / (1 + inflação fora do país). Entretanto. o governo não age e o mercado. Se um exportador vende um produto por U$ 1. Mas. pois a oferta vinha diminuindo. podendo variar dentro de determinadas bandas. Em outras palavras. o governo deve atuar para evitar grandes oscilações. Na verdade.050. Portanto. do país. se houve uma inflação no exterior de 5%.Política Cambial A política cambial tem como meta a busca do equilíbrio nas contas externas. para compreender como deve funcionar essa política devemos entender.0476 16. de Câmbio = 1. ele transformará em R$ 1. Como a oferta caiu muito. a taxa de 16 Tx. As suas contas identificam. a taxa de câmbio.100.00 / U$ 1.100 / 1. no Balanço de Pagamentos. a taxa de câmbio deve desvalorizar-se em 10%. no caso de superávit. ao receber U$ 1. deverá colocar a taxa acima desse nível e vice-versa. o Balanço de Pagamentos. ele receberá 5% a mais de dólares e a taxa de câmbio pode valorizar-se em 5%. podemos esperar aumento da taxa de câmbio. quando há variações muito acentuadas. Mas. O governo segurou a taxa muito abaixo do preço de mercado. quando há aumento da oferta de dólares. Se o governo. a tendência é de desvalorização. de modo geral.00. com valores em dólares. Um déficit em transações correntes significa necessidade de poupança externa para equilibrar o Balanço de Pagamentos. no período que antecedeu a maxi-desvalorização de janeiro de 1999.000. para que ele receba 10% mais reais para cobrir os custos que aumentaram nessa proporção.10 / US$ 1.

juros.8 3. em seguida.0 1.000 48. por causa da elevação das reservas.000 US$ milhões Observe também no gráfico que havia um período de queda da taxa de câmbio ocorreu. etc.000 60.000 64. com decrescimento das reservas. etc.000 72. Geralmente as contas de serviços e rendas de um país em desenvolvimento como o Brasil têm um saldo negativo que. e que. que os levou a retirar recursos do país.000 40. mais o saldo dos pagamentos da conta de rendas: salários. de outubro de 2001 a abril de 2002.2 2. se considerarmos as principais contas e subcontas.000 76.câmbio deveria aumentar. O Balanço de Pagamentos O Balanço de Pagamentos indica os registros das movimentações em moeda estrangeira do país com o exterior e vice-versa.2 / US$ em dezembro de 1994 para R$1. lucros.6 3. este voltou.000 28.4 2.4 1. é importante acompanhar a evolução das Reservas Internacionais para saber se a taxa de câmbio vai subir ou não.000 52. O Governo tentou colocar um limite superior da banda mais alto.000 56. Após compromissos assumidos pelo novo governo de não contrariar os interesses do capital especulativo internacional. A conta de transações correntes apresenta o saldo das movimentações da balança comercial: exportações de bens e serviços menos importações. liberando a taxa que passou de R$1. Esse acompanhamento deve ser feito através da leitura analítica das contas e subcontas do balanço de pagamentos para acompanhar tendências e tentar fazer previsões. mas foi menor do que o esperado pelo mercado e daí não conseguiu segurar a cotação. as reservas cresceram e a taxa de câmbio vem caindo desde então. seguros. uma alta de 59%. houve uma alta elevada da taxa de câmbio até outubro de 2002. bonificações.0 0.2 1.6 1.2 3. aluguéis de equipamentos. dividendos. mais o saldo da conta serviços que inclui o pagamento por serviços realizados como transportes.2005 R$ / US$ 4. royalties.8 2.4 3.91 / US$ em fevereiro de 1999. O Balanço de Pagamentos tem o formato do quadro abaixo. A conta de Capital e Financeira rePUC Minas 43 Sistema Financeiro Nacional . Relação entre Taxa de Câmbio e Reservas Internacionais Brasil 1995 .0 3. se não for coberto por um superávit da balança comercial gerará a necessidade de financiamento externo.000 68.000 44.000 36.8 1. Esse fato é explicado pelo medo dos investidores estrangeiros diante da grande probabilidade da eleição de Lula. Portanto.6 2.0 2.8 jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai set jan mai 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: Banco Central Taxa de Câmbio Reservas Internacionais 32.

de longo prazos. O contrato derivativo deriva de um valor ligado a um ativo: commodities.bcb. sobretudo. As transações 17 Na Nota Técnica 1. Mercado de Capitais É o conjunto dos meios e instrumentos necessários à geração e distribuição de valores mobiliários.br) há a explicação detalhada de cada conta. PUC Minas 44 Sistema Financeiro Nacional .gistra os movimentos de capitais e financeiros como investimento direto: aumento de capital de uma empresa ou criação de uma nova.5. essencialmente relacionados com investimentos em capital fixo.4.2. 2. taxas de juros. A maior parte dos recursos financeiros de longo prazo é suprida por intermediários financeiros não-bancários.2. moeda estrangeira etc. e investimentos na formação de portfólios de ações e renda fixa. Balanço de Pagamentos Transações correntes Balança comercial (FOB) Serviços Rendas Transferências unilaterais correntes Conta capital e financeira Conta capital/ Conta financeira Investimento direto (líquido) Investimentos em carteira Derivativos Outros investimentos/ Erros e omissões Resultado do balanço 2.gov. Mercado de Derivativos Derivativos são instrumentos financeiros que derivam de outros. ações. disponível na página do Banco Central (www. Com a finalidade de acompanhar a evolução da taxa de câmbio num regime de taxas flutuantes é importante acompanhar e entender os determinantes dos fluxos nas diversas contas do Balanço de Pagamentos17. É o segmento que atende aos agentes econômicos produtivos (na área pública e privada) quanto às suas necessidades de financiamento de médio e. As operações que se realizam nas bolsas de valores (particularmente com ações) são parte integrante desse mercado.

2 Renda Variável Investimentos de renda variável são considerados investimentos de risco cuja rentabilidade depende das condições futuras de mercado. 2. O objetivo desses contratos é oferecer proteção contra prejuízos ocasionados por variações imprevistas nos valores de ativos. a termo. Os exemplos mais comuns são os investimentos em ações e em ativos financeiros. um devedor de um empréstimo com juros pré-fixados acredita que a taxa de juros vai diminuir no futuro e propõe-se a trocar seu fluxo de pagamentos futuros por outro. realizar swap significa trocar um item de um contrato por outro. Os participantes desse mercado são: Hedger: participa no intuito de conseguir hedge (proteção) contra variações não esperadas.são realizadas nos mercados futuros. nos quais a rentabilidade será proporcionada por uma taxa de juros prefixada ou pós-fixada. portando só é possível conhecer o total de rendimentos no vencimento da operação. Temos então dois mercados distintos: de renda fixa e de renda variável. A taxa pós-fixada é a rentabilidade dada por uma taxa de juros determinada no ato da aplicação. Então é realizado o swap das dívidas.). etc. commodities. swaps18. um devedor com juros pós-fixados acredita que os juros vão subir. SEGMENTAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO QUANTO A FORMA DE REMUNERAÇÃO E CORREÇÃO MONETÁRIA O mercado financeiro também pode ser secionado pelas características dos produtos quanto à rentabilidade e correção monetária. índices e taxas de juros. 2.1 Renda Fixa Investimentos de renda fixa são investimentos em títulos públicos e privados.3. Obviamente. Arbitrador: atua em vários mercados ao mesmo tempo. etc. Taxa Selic. na data do recebimento pelas suas vendas. Por exemplo. com juros pós-fixados. No mercado. Indexadores mais conhecidos: IGPM . Especulador: assume o risco do hedger. IPCA . assim. Por outro lado. ações. PUC Minas 45 Sistema Financeiro Nacional . Procura. como ouro ou dólar. quem faz esse contrato com ele espera que a taxa de câmbio esteja maior que a firmada no contrato. A taxa prefixada é a taxa definida no ato do investimento. portanto o investidor sabe qual será a rentabilidade. minimizar os riscos de flutuações nos preços de ativos (moedas. de taxas e de índices. calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).3. de opções.3. um exportador faz um contrato futuro de venda de moeda estrangeira a uma determinada taxa de câmbio.Índice de Preços ao Consumidor Amplo. aproveitando-se de diferenças de preços entre eles. calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Índice Geral de Preços de Mercado. Para garantir um determinado valor em reais. 2. 18 Swap significa troca. mais atualização monetária estabelecida em função de um indexador. esperando obter ganhos financeiros.

Dessa PUC Minas 46 Sistema Financeiro Nacional . para investi-las nos mercados de ações e de renda fixa. visando diluir o risco e aumentar o potencial de retorno. Fundos de investimentos Existem no Brasil desde o final da década de 50. Todo fundo de investimento apresenta um regulamento próprio. O principal objetivo é obter maior remuneração para os recursos aplicados. caso haja valorização dos títulos que constam da carreira. Atualmente funcionam sobre a autorização da CVM . Os recursos são obtidos mediante a venda de cotas. o funcionamento e a divulgação de informações dos fundos de investimento. que totalizam no chamado patrimônio do Fundo. O primeiro fundo mútuo nos Estados Unidos iniciou suas operações em 1924. O dinheiro é aplicado na formação de uma carteira de títulos. São condomínios que reúnem os recursos de vários investidores para aplicar em diversos ativos. as quais devem ser recompradas ou resgatadas quando o solicitarem. Assim. Fundos de Investimento Segundo a Anbid (Associação Nacional de Bancos de Investimento): Um fundo de investimento é um condomínio que reúne recursos de um conjunto de investidores. com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira de títulos ou valores mobiliários. No Brasil. Os fundos tornam possível a diversificação dos investimentos. órgão responsável por sua regulação e fiscalização. Existem desde o século XIX.3. influenciar e dar suporte à indústria para explorar adequadamente as oportunidades de crescimento e melhorar constantemente seus pilares. A Instrução CVM No. a administração. as cotas se valorizam também.3. 409 dispõe sobre a constituição. França e Inglaterra. O patrimônio formado tem o seu valor determinado pela cotação dos papéis que o compõem. em cada momento (dia). nasce a ANBID. menores custos e contam com administração profissional. Os fundos mútuos de investimento são instrumentos de captação de pequenas poupanças do público.2. ações CDB’s. As aplicações feitas em moeda (R$) são convertidas em números de quotas. destinado à aplicação em títulos e valores mobiliários. Seu objetivo é a redução do risco inerente às aplicações do mercado financeiro. e existe até hoje. os pequenos investidores têm acesso a melhores condições de mercado. o primeiro fundo iniciou suas atividades em 1957. bem como em quaisquer outros ativos disponíveis no mercado financeiro e de capitais" Cabe à ANBID auxiliar na construção.Comissão de Valores Mobiliários. é obtido pela divisão do valor do patrimônio pelo número de cotas. como títulos públicos/privados. etc. colocando-os em igualdade com os grandes investidores. É válido também ressaltar que os recursos dos fundos nunca se misturam aos da instituição administradora. conceituados como: "uma comunhão de recursos constituída sob a forma de condomínio. modernização e aperfeiçoamento da legislação de fundos de investimento. e já em 1967. buscando a proteção do investidor. Através dos fundos. através da aplicação em suas diferentes classes. O valor de cada cota. sendo que o primeiro foi criado na Bélgica e logo depois na Holanda.

Quando se forma uma carteira aplicando em diferentes classes de ativos – Títulos de Renda Variável. dada a diversificação da sua carteira. 19 20 Os conceitos de renda fixa e renda variável serão vistos na próxima unidade.forma.anbid.Aplicam a maior parte de seus recursos em ações e/ou debêntures conversíveis em ações.Fundos de renda fixa19 .Aplicam a maior parte de seus recursos em títulos de renda fixa. O FAQ paga taxa de administração ao FIF e cobra também do aplicador.com. os Fundos de Investimento no Exterior . Considera-se que o risco da carteira é diferenciado do risco do ativo individual. Essa modalidade de investimento. como os títulos públicos que não são vendidos diretamente ao pequeno investidor. pois possibilita que invistam em ativos aos quais. além de representar mais uma opção no mercado. Na verdade quem aplica dinheiro num FAQ. acesso em 21/08/2005. PUC Minas 47 Sistema Financeiro Nacional . www.FAQs.anbid. As informações a seguir foram obtidas da página da Anbid.com.br/institucional/servlet/CalandraRedirect?temp=5&proj=ANBID&pub=T&comp=sec_A_ANBID&db=C alSQL2000&docid=4EBDDD76E9B84E3C83256E3000620AF9>. visto que é raro se ter investimento livre. os Fundos de Aplicação em Cotas de Fundos de Investimento Financeiro . Atualmente. aplica num fundo que irá aplicar seu patrimônio total num FIF. Os índices que irão corrigir os investimentos são conhecidos a priori. não teriam acesso. propicia uma redução do risco inerente às aplicações no mercado financeiro. de outra forma. Obtido em <http://novosite. Os que aplicam quantias pequenas aplicam em FAQs e somente quem aplica volumes maiores aplica no FIF. Além disso. pelo benefício da diversificação no mercado. .Fundos de renda variável – A correção segue os preços do mercado. há no mercado os chamados Fundos de Investimento Financeiro – FIFs. favorece pequenos e médios investidores.Fundos de ações . A legislação que rege os fundos de investimentos estabelece as seguintes espécies de fundos: .br 20. . os investidores obtêm juntos uma remuneração maior em suas aplicações do que individualmente.FITVM. Títulos de renda Fixa e Instrumentos de Curto Prazo – minimiza-se o risco de sofrer perdas com investimentos. e os Fundos de Investimento em Títulos e Valores Mobiliários .FIEX. Portanto as menores taxas de administração são as dos FIFs.

Alavancagem Risco do Setor Índice de Referência + Alavancagem Índice de Referência + Alavancagem Títulos da dívida externa e taxa de câmbio Diversas Classes de ativos Juros + Crédito + Ind de preços Juros + Crédito + Ind de preços + Alavancagem Juros Juros + Crédito Tipo ANBID Curto Prazo Referenciado DI Indexador de Referência Riscos DI/SELIC Curto Prazo Busca retorno por meio de investimentos em títulos indexados à CDI/Selic ou em papéis prefixados. no máximo. desde que indexados e/ou sintetizados para CDI/Selic. 60 dias.Tipos de Fundo de Investimento – classificação ANBID Categoria ANBID Curto Prazo Referenciados Referenciado Outros Renda Fixa Renda Fixa Crédito Renda Fixa Renda fixa Multi-índices Renda fixa com Alavancagem Balanceados Multimercados Sem RV Multimercados Com RV Multimercados Multimercados Sem RV Com Alavancagem Multimercados Com RV Com Alavancagem Capital Protegido Investimento no Exterior Investimento no Exterior Ações IBOVESPA Indexado Índice de Referência. de emissão do Tesouro Nacional (TN) e/ou do BACEN. PUC Minas 48 Sistema Financeiro Nacional . IBOVESPA Ações IBOVESPA Ativos Ações IBOVESPA Ativo Alavancado Ações IBX Indexado Indexador referência + Alavancagem IBX Ações IBX Ativo Ações IBX Ativo Com Alavancagem Ações Setoriais Telecomunicações Ações Setoriais Ações Setoriais Energia Ações Outros Ações Outros Ações Outros Com Alavancagem Cambial Dólar Indexado Cambial Euro Indexado Cambial Dólar sem alavancagem Cambial Cambial Dólar com alavancagem Cambial Outros sem alavancagem Cambial Outros com alavancagem Moeda de Referência + alavancagem Variação das moedas Variação das moedas+alavancagem Moeda de Referência. com prazo máximo a decorrer de 375 dias e prazo médio da carteira de.

estando também sujeitos às oscilações decorrentes do ágio/deságio dos títulos em relação ao seu parâmetro de referência. Referenciados Outros: Fundos que objetivam investir. 80% de sua carteira em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito. O montante não aplicado em operações que busquem acompanhar as variações do parâmetro de referência. Referenciados Os fundos referenciados são aqueles que têm como objetivo seguir o mais próximo possível as variações de um índice. devem ser aplicados somente em operações permitidas para os Fundos Curto Prazo. 95% do valor de sua carteira em títulos ou operações que busquem acompanhar as variações do CDI ou SELIC. a realização de Operações Compromissadas. de moeda estrangeira ou de renda variável (ações. etc. desconsiderando-se casos de default nos ativos do fundo. Estes fundos seguem as disposições do artigo 94 da Instrução CVM 409. no mínimo. Referenciados DI: Fundos que objetivam investir. Renda Fixa Crédito: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qualquer espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos). O montante não aplicado em operações que busquem acompanhar as variações destes parâmetros de referência. No caso específico da contraparte ser o BACEN é permitida a operação pré fixada com prazo máximo de 7 dias. 95% do valor de sua carteira em títulos ou operações que busquem acompanhar as variações de um parâmetro de referência diferente daqueles definidos no item Referenciados DI acima. qualquer operação que tenha por objetivo neutralizar riscos diferentes do parâmetro de referência do fundo. também. no mínimo. Renda Fixa Renda Fixa: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos). limitado ao valor do seu patrimônio. Exclu21 Entende-se por proteção da carteira. desde que: sejam indexadas à CDI/Selic. lastreadas em títulos do TN ou do BACEN e com contraparte classificada como baixo risco de crédito. PUC Minas 49 Sistema Financeiro Nacional . desde que indexada à CDI/Selic. 22 Um fundo é considerado alavancado sempre que existir possibilidade (diferente de zero) de perda superior ao patrimônio do fundo. estando também sujeitos às oscilações decorrentes do ágio/deságio dos títulos em relação a estes parâmetros de referência. Se dividem em dois tipos. Estes fundos seguem as disposições do artigo 94 da Instrução CVM 40921. Excluem-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. de acordo com o índice escolhido como referência. desde que corresponda a períodos de feriados prolongados. devem ser aplicados somente em operações permitidas para os Fundos Curto Prazo. ou sintetizar riscos que atrelem o fundo ao parâmetro de referência. ou de 60 dias.É permitida. Devem manter.). Nesta categoria não são permitidos os parâmetros de referência moedas estrangeiras ou mercado acionário. ou hedge. no mínimo. Não admitem alavancagem22.

Não admitem alavancagem². câmbio. com renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa. Estes fundos podem. Não admitem alavancagem². Multimercados sem alavancagem.). etc. inclusive. etc. de moeda estrangeira ou de renda variável (ações. Excluem-se. Não admitem alavancagem².).em-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço.) incluindo renda variável (ações. etc. Renda Fixa Alavancados: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qualquer espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos). Sendo assim. inclusive. ser comparados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). incluindo-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. etc. etc. sem renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa. Não admitem alavancagem². porém. Multimercados com alavancagem. Admitem alavancagem². ser comparados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). etc. câmbio. realizar operações que impliquem em alavancagem² do patrimônio. Estes fundos não têm explicitado o mix de ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem. Estes fundos utilizam uma estratégia de investimento diversificada e. inclusive. Multimercados sem alavancagem. PUC Minas 50 Sistema Financeiro Nacional . etc. investimentos que impliquem em risco de oscilações de moeda estrangeira e de renda variável (ações. deslocamentos táticos entre as classes de ativos ou estratégia explícita de rebalanceamento de curto prazo Estes fundos devem ter explicitado o mix de ativos (percentual de cada classe de ativo) com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark). incluindo-se estratégias que impliquem em risco de índices de preço. ações e derivativos. câmbio. ações. câmbio.). Estes fundos não têm explicitado o mix de ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem.). porém. etc. etc. Renda Fixa Multi-índices: Busca retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa de qualquer espectro de risco de crédito (sendo aceitos títulos sintetizados através do uso de derivativos).) exceto renda variável (ações. Excluem-se. Estes fundos não têm explicitado o mix de ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem. câmbio.).). Não admitem alavancagem². Balanceados: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa. ser comparados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). inclusive.) exceto renda variável (ações. sem renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa. etc.). esses fundos não podem ser comparados a indicador de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). Multimercados Estes fundos combinam investimentos em ativos de renda fixa. investimentos que impliquem em risco de oscilações de moeda estrangeira e de renda variável (ações.

Não admitem alavancagem². etc. câmbio. Admitem alavancagem². tendo objetivo explícito de superar este índice. com renda variável: Classificam-se neste segmento os fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimento em diversas classes de ativos (renda fixa. inclusive. tendo objetivo explícito de superar o este índice. Não admitem alavancagem².) incluindo renda variável (ações.Multimercados com alavancagem. Estes fundos não têm explicitado o mix de ativos com o qual devem ser comparados (asset allocation benchmark) e podem. Energia: São fundos cuja estratégia é investir em ações do setor de energia. Fundos de Ações IBX com alavancagem: São fundos que utilizam o IBX ou o IBX 50 como referência. tendo o objetivo explícito de superar o respectivo índice. dois índices da Bolsa de Valores de São Paulo. tendo objetivo explícito de superar o respectivo índice. Não admitem alavancagem². Fundos de Ações Ibovespa Ativo com alavancagem: São fundos que utilizam o Índice Bovespa como referência. Fundos de Ações Outros Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se enquadram em nenhum dos PUC Minas 51 Sistema Financeiro Nacional . Não admitem alavancagem. Não admitem alavancagem². IBOVESPA Fundos de Ações Ibovespa Indexado: São fundos cujo objetivo de investimento é acompanhar o comportamento do Ibovespa. Capital Protegido: Busca retornos em mercados de risco procurando proteger parcial ou totalmente o principal investido. ser comparados a parâmetro de desempenho que reflita apenas uma classe de ativos (por exemplo: 100% CDI). Admitem alavancagem². Fundos de Ações Setoriais Fundos que investem em determinados setores da economia. Fundos de Ações Ibovespa Ativo: São fundos que utilizam o Índice Bovespa como referência. Não admitem alavancagem². etc. IBX Fundos que têm como parâmetro de referência o IBX e o IBX50. Fundos de Ações IBX Ativo: São fundos que utilizam o IBX ou o IBX 50 como referência.). Telecomunicações: São fundos cuja estratégia é investir em ações do setor de telecomunicações. Admitem alavancagem². Fundos de Ações IBX Indexado: São fundos cujo objetivo de investimento é acompanhar o comportamento do IBX ou do IBX 50.

de qualquer espectro de risco de crédito . Cambial Dólar sem alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos . à moeda norte-americana. Não admitem alavancagem². à moeda européia. ou sintetizados via derivativos. a uma ou mais moedas estrangeiras. Admitem alavancagem².relacionados diretamente. Fundos Mútuos de Privatização São fundos destinados à aquisição de valores mobiliários. ou sintetizados via derivativos. Não admitem alavancagem². Fundos Cambiais Objetiva acompanhar variação de preço apenas da moeda estrangeira ou da moeda estrangeira e da taxa de juros dos títulos que investe. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente a uma ou mais moedas estrangeiras deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC). Cambial Dólar com alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos . Não admitem alavancagem. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente ao dólar deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC). Cambial Outros sem alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos .de qualquer espectro de risco de crédito .segmentos anteriores Outros sem alavancagem: Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se enquadrem em nenhum dos segmentos anteriores.de qualquer espectro de risco de crédito . Outros com alavancagem: Classificam-se neste segmento os fundos de ações abertos que não se enquadrem em nenhum dos segmentos anteriores (IBOVESPA. Fundos de Ações Setoriais e seus subsegmentos). ou sintetizados via derivativos. Cambial Outros com alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos . Estes fundos admitem alavancagem². O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente ao dólar deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC).de qualquer espectro de risco de crédito . O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente a uma ou mais moedas estrangeiras deve ser aplicado somente em títulos e de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC). Cambial Euro sem Alavancagem: São fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos .de qualquer espectro de risco de crédito .relacionados diretamente. ou sintetizados via derivativos. IBX.relacionados diretamente. O montante não aplicado em ativos relacionados direta ou indiretamente ao euro deve ser aplicado somente em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós fixadas a CDI/ SELIC).relacionados diretamente. com recursos disponíveis da conta vincu- PUC Minas 52 Sistema Financeiro Nacional .relacionados diretamente. ou sintetizados via derivativos. Não admitem alavancagem². a uma ou mais moedas estrangeiras. à moeda norte-americana. Estes fundos admitem alavancagem².

de hipotecas. mas cujo gestor localiza-se no Brasil: Offshore Renda Fixa. PUC Minas 53 Sistema Financeiro Nacional . entre outros. no mínimo. imobiliário. ou em posições compradas no mercado futuro do índice de referência. 266/1997. comercial. Fundos de Índice O fundo deve manter 95%.lada do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço . de seu patrimônio aplicado em valores mobiliários ou outros ativos de renda variável. São os fundos regulamentados pela Instrução CVM 359/2002. São os fundos regulamentados pelas Instruções CVM 141/1991. Fundos de Investimento Imobiliário O Fundo de Investimento Imobiliário é um fundo fechado e destinado à aplicação em empreendimentos imobiliários. Offshore Renda Variável. São os fundos regulamentados pelas Instruções CVM 356/2001 e 399/2003 e suas modificações. na proporção em que estes integram o índice de referência. de forma a refletir a variação e rentabilidade de tal índice. 157/1991. Fundos de Dívida Externa São fundos que têm como objetivo investir preponderantemente em títulos representativos da dívida externa de responsabilidade da União. Fundos Fechados de Ações.FGTS. Offshore Mistos Fundos Fechados Três tipos: Fundos Fechados de Renda Fixa. 279/1998 e suas modificações. São os fundos regulamentados pelas Instruções CVM 205/1994 e 206/1994 e suas modificações. será considerado fundo offshore aquele constituído fora do território brasileiro. industrial. Estes fundos seguem o disposto no artigo 96 da Instrução CVM 409. Fundos de Investimento em Direitos Creditórios Fundos destinados à aquisição de títulos de direitos creditórios. de arrendamento mercantil e de prestação de serviços. e pode ter prazo de duração determinado ou indeterminado. Fundos de Previdência: nesta categoria incluem-se os FAPI's e Fundos Exclusivos para PGBL's. como títulos representativos de crédito. Fundos Offshore Para efeitos desta classificação. originários de operações realizadas nos segmentos financeiro. Fundos Fechados Mistos.

tal como o Ibovespa ou o IBX. utilizam-se ativamente de instrumentos de derivativos para alavancagem de suas posições. Os fundos referenciados mais conhecidos são os DI. pois combinam investimentos nos mercados de renda fixa. Estes fundos devem manter no mínimo. bem como a variação da taxa de juro. pois nele estão envolvidos custos de taxa de administração. Nos fundos de Renda Fixa acontece o oposto dos fundos Referenciados DI. por isso dependem do talento do gestor na escolha do melhor momento de alocar os recursos (market timing). pós ou prefixados. Estes títulos são mantidos no exterior. diretamente ou indiretamente (via derivativos). Usam instrumentos de derivativos com o objetivo de proteção (hedge). PUC Minas 54 Sistema Financeiro Nacional . sua rentabilidade está atrelada à taxa de juros usada nas operações entre os bancos (conhecida como taxa do CDI). estão sujeitos às oscilações de preços das ações que compõem sua carteira. Multimercado Ações Cambial Aplicam no mínimo 80% de seu patrimônio em títulos brasileiros negociados no mercado internacional. usam instrumentos de derivativos com o objetivo de proteção (hedge). Mas é importante ficar atendo. Para tal.Classificação CVM (As informações abaixo foram extraídas de www. à variação de preços de uma moeda estrangeira. Os 20% restantes podem ser aplicados em outros títulos de crédito transacionados no Dívida Externa exterior. são considerados os mais conservadores. Além disso. 60 dias. Alguns fundos desta classe têm como objetivo de investimento acompanhar a variação de um índice do mercado acionário. São fundos que investem no mínimo 67% de seu patrimônio em ações negociadas em bolsa.cvm. entre outros. São fundos que buscam acompanhar a variação diária das taxas de juros (Selic/CDI). ações. ou para proteção de suas carteiras (hedge). Os fundos Referenciados identificam em seu nome o indicador de desempenho que sua carteira tem por objetivo acompanhar. São mais indicados para quem tem objetivos de investimento de longo prazo. Para o investidor no Brasil. o chamado benchmark. imposto de renda. Além disso. indicados para investidores com objetivo de investimento de curtíssimo prazo. Estes títulos podem ser de renda fixa. na seleção dos ativos da carteira e no percentual do patrimônio que será investido em cada um dos mercados (asset mix). Aplicam uma parcela significativa de seu patrimônio (mínimo 80%) em títulos de renda fixa prefixados (que rendem uma taxa de juro previamente acordada) ou pós-fixados (que acompanham a variação da taxa de juros ou um índice de preço). pois estes fundos não refletem exatamente a cotação do dólar. no mínimo 95% de sua carteira é composta por ativos que acompanhem a variação do seu indicador de desempenho. e geralmente.br) Curto Prazo Referenciado Renda Fixa Investem seus recursos exclusivamente em títulos públicos federais ou privados de baixo risco de crédito. Além disso. Dessa forma. investe no mínimo 80% em títulos públicos federais ou em títulos de renda fixa privados classificado na categoria baixo risco de crédito. São fundos que possuem políticas de investimento que envolve vários fatores de risco. este fundo é a única forma de aplicar nos papéis emitidos pelo governo brasileiro negociados no exterior. São fundos com alta flexibilidade de gestão. Investem em papéis com prazo máximo a decorrer de 375 dias e o prazo médio da carteira é de. câmbio. Por estas características. e se beneficiam em um cenário de alta de juros. pois se beneficiam em um cenário de redução das taxas de juros. Você provavelmente já ouviu falar deles. pois suas cotas são menos sensíveis as oscilações das taxas de juros. 80% de seu patrimônio investido em ativos que sejam relacionados. no máximo. ou à uma taxa de juros (o chamado de cupom cambial).com. Nesta classe os fundos mais conhecidos são os chamados fundos Cambiais Dólar que objetivam seguir a variação da cotação da moeda norte americana.

de. Y. São Paulo: Saint Paul. Rio de Janeiro: Campus. J. 2001. E.bmf.com. ISBN 85352-0942-5 FARIA. ed. Mercado financeiro: produtos e serviços. A. 2005. R. Rio de Janeiro: Qualitymark.com.br www. R. www.br www. ISBN 85-87918-x FORTUNA. 2003.br www. 2001. e atual.anbid.br PUC Minas 55 Sistema Financeiro Nacional . 17.bcb. 373p.andima. Mercado de Capitais. J. rev.br www.com. Mercado Financeiro e Análise de Investimento.com. MISUMI. São Paulo: Prentice Hall. São Paulo: Atlas. 2008. F.gov. ISBN: 85-98838-08-X. Mercado financeiro: instrumentos e operações. ed. SECURATO. CAVALCANTI.bovespa. Mercado financeiro / 4a. 1ª.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSAF NETO. 282p. G.

a quantia de R$1. MERCADO DE RENDA FIXA 3. Belo Horizonte. veremos exemplos de títulos com apenas dois fluxos de caixa: a saída no ato do investimento e uma entrada no resgate. qual o valor a ser pago por esse título na emi sPUC Minas 56 Sistema Financeiro Nacional . Ele deve.000.200. antes.000.200. que transformará o capital investido em um valor maior. 10/01/2005 Banco de Desenvolvimento do Brasil Geraldo Eugênio Miranda Presidente Esse título contém a promessa de pagamento de R$ 1. a partir da imposição desse preço (juros). Se ele exige 20% de juros sobre o investimento.1. em 10/01/2006? O preço é a renda que ele receberá adicionada ao principal. destacando suas características com dois ou mais fluxos de caixa. a primeira etapa para se avaliar um investimento é a montagem do fluxo de caixa. Portanto o comprador já sabe quanto receberá no resgate e o título é pré-fixado. Mas. A seguir são apresentados produtos oferecidos no mercado e a respectiva montagem do fluxo de caixa.000.00 no vencimento. na data de vencimento acima.3.200. no futuro. Exemplo 1: Título pré-fixado com dois fluxos de caixa Título 001 Data de vencimento: 10/01/2006 R$1. Qual é o preço que o investidor exigirá para abrir mão de seu capital em 10/01/2005 e receber R$1.200.00 depois de um ano. Primeiramente.00.00.00 Pague-se. vamos tratar de alguns exemplos de títulos.000. ao portador deste. em função da renda gerada. por esse título que lhe devolverá R$1. A MONTAGEM DO FLUXO DE CAIXA Uma vez que o investimento em ativos do mercado financeiro é a compra de um papel (título de propriedade) que garante ao investidor um fluxo de caixa. hoje.200.000. calcular quanto pagaria.

00 Exemplo 2: Título pós-fixado com dois fluxos de caixa Título 002 Data de vencimento: 10/01/2006 R$1.000.23 = R$ 1. pois não se sabe qual será a correção.000. na data de vencimento acima. o valor de compra já é determinado.2 = 1. podemos escrever o valor presente de um investimento como esse da seguinte forma: VP  C1 1 r em que C1 é o fluxo de caixa na data 1 e r é a taxa de juros apropriada. 10/01/2005 Banco de Desenvolvimento do Brasil Geraldo Eugênio Miranda Presidente Nesse caso.00 Pague-se. a incógnita é o rendimento.00 $1.000.200.200. Belo Horizonte.000.200. o valor de face acrescido de juros de 8% ao ano mais a correção pelo IGP-M. VP  R$1. ao portador deste.00 0 1.000 Então. Portanto.000 * 1.2 Portanto.000. A rentabilidade é de 23%.08+0. é um título pós-fixado. o valor a ser recebido no resgate será: VF= VP (1+0.230. PUC Minas 57 Sistema Financeiro Nacional .15) = R$ 1.são? Qual seu valor presente? Podemos escrever essa questão algebricamente: VP x 1.000. Considerando que se prevê a variação do IGP-M de 15% e que o retorno sobre o investimento será a soma dessa correção com a taxa de juros.00 0  R$1.000.000. Montagem do fluxo de caixa: 10/01/2005 10/01/2006 -$1. O retorno sobre o investimento só será conhecido no dia do vencimento.

A. a contar da data de emissão. Emissão em 10/01/2005. então.000. Companhia Acarajé. com sede à Rua Walter Oliveira 500.00 10/01/07 $140. A entrada de caixa.00 10/01/06 $140.000 = 140. emitido em 01/07/2000.000 Montagem do fluxo de caixa: 10/01/05 -$2.07 x 2. na cidade do Rio de Janeiro .Montagem do fluxo de caixa: No Exemplo 02.00 10/01/09 $2. só poderá ser conhecida na data do resgate.00 (dois milhões de reais) Pague-se ao portador juros de 7% a cada semestre.CNPJ: 17. durante 4 anos. O fluxo de caixa do Título 002 ficará.000.000.309.00.000.000. agora.00 10/07/05 $140.000.000. . com vencimento em dez anos comprado em 01/01/2005. que paga 6% de juros ao ano.000.RJ. conforme os cálculos do valor do resgate.00 10/07/08 $140.000. ver exemplos de títulos com mais de dois fluxos de caixa: a saída no ato do investimento e várias entradas futuras. em pagamentos semestrais sobre o valor nominal de R$ PUC Minas 58 Sistema Financeiro Nacional . sobre o valor de emissão. Debênture da Companhia Acarajé S.000.00 paga amortização ao final e juros de 7% a.00 10/07/07 $140.00 $1.00 Exemplo 4: Título pós-fixado com mais de dois fluxos de caixa Um título público (NTN-C).00 10/07/06 $140.790/0001-94 George Walter Oliveira Presidente Juros= 0.s.140. no futuro.000.000.00 10/01/08 $140.00 Vamos.000.230.000. Bairro Dourados. uma vez que depende de se saber a variação cambial até tal data.000. Exemplo 3: Título pré-fixado com mais de dois fluxos de caixa Uma debênture com valor de face de R$ 2. feitos em 10/01/2006: 10/01/2005 10/01/2006 -$1.000. R$ 2. o valor de compra já é determinado no contrato: R$ 1. por quatro anos e amortização ao final desse período.000.000.000.000.

corrigido pelo IGP-M.000. fluxo de caixa com uma saída e várias entradas. PUC Minas 59 Sistema Financeiro Nacional . por meio de um contrato. Títulos prefixados O título prefixado pode ser apresentado oferecendo o pagamento do principal e dos juros no vencimento. a forma de remuneração é estabelecida. a previsão de utilização de um indexador aplicado sobre o capital investido e os juros são calculados com base no valor corrigido. A remuneração pode ser prefixada.00 Pague-se. quando já se sabe no ato da aplicação qual será exatamente a rentabilidade. o que ocorre é a criação de um fluxo de caixa para o investidor.250. PREÇO E RENDIMENTO DE TÍTULOS DE RENDA FIXA Como vimos. se há.000. no contrato do título. semestralmente. Nota do Tesouro Nacional – série C R$ 250. fixo e a rentabilidade sendo proporcionada pela compra do título com deságio em relação a esse valor. valor de face. e pagando o principal e ou os juros em parcelas.000. no mercado de renda fixa. no contrato do negócio está fixada como será paga a renda a ser recebida pela aplicação.2. que pode ocorrer por meio de um papel.00. ou seja. e o principal no vencimento. Quando se realiza uma aplicação no mercado financeiro. Essas modalidades de aplicação podem ser oferecidas com o valor de resgate. no ato da aplicação. ou de um registro em um sistema de informação. 01/07/2000 Montagem do fluxo de caixa: 01/01/05 01/07/05 01/01/06 3% do valor nominal corrigido 01/07/06 3% do valor nominal corrigido 01/01/07 3% do valor nominal corrigido 01/07/07 3% do valor nominal corrigido 01/01/08 3% do valor nominal corrigido 01/07/08 01/01/09 01/07/09 3% do valor nominal corrigido 3% do valor nominal corrigido 3% do valor nominal corrigido 01/01/10 103% do valor nominal corrigido 3% do valor no-$250. O valor nominal será corrigido pelo IGP-M do mês anterior. será tratada a avaliação de investimentos no mercado de renda fixa com a utilização da matemática financeira. cupom de 6% de juros ao ano e o principal no vencimento.00 minal corrigido 3. Abaixo. O resultado dos exercícios propostos encontra-se no final desta seção. chamado título. fluxo de caixa com uma saída e uma entrada. e pode ser pósfixada.

00.: 11.9% em dois anos. primeiro calcula-se a correção monetária do investimen3.000. Imposto de Renda descontado na fonte: 17. Daí. 3.a. e considerando que a inflação no período foi de 11%.00 Rendimento: juros de 1.5% a.85 0. a qual nos permite saber o que exatamente houve de ganho real. as alíquotas de IR são as seguintes: para aplicações até 180 dias: 22. podemos calcular o ganho real: i   1  0.0046 => i = 3.85.: 16. Prazo: 1 ano. Considerando a alíquota de Imposto de Renda. A seguir.330.15. Resp.46% a. as alter23 A partir de 2005. Na maioria das situações em que temos que comparar alternativas diferentes de aplicação. vamos calcular a taxa líquida real.000. pelo prazo de um ano.347.5%. Resp.m.000. Então. por dois anos.5%.15 to: 3.11 3.01112  3.m.484. a renda líquida será: 420.000.Exemplo 1: Aplicação: R$ 3.1% a. Exercício 2: Calcule a taxa líquida real de uma aplicação de R$ 2. Considere que o Imposto de Renda para aplicações por dois anos é de 15% e que a inflação no período é 17%. Exemplo 2: Cálculo da taxa líquida real: partindo de exercício anterior. de 361 a 720 dias: 17.a.3% a. de 181 a 360 dias: 20%. e do principal no vencimento.5% Cálculo da Taxa de Juros Líquida: 23  3.000.00 0. i  3.825  347. O Imposto de Renda para aplicações de 361 a 720 dias é 17.3% a.00.000.00 Exercício 1: Calcule a taxa líquida de uma aplicação de R$ 3.00 1. com pagamento de juros de 1.420.00.20 e a taxa de juros liquida: 3.20.5%.330.m. recolhido na fonte.000.a.00 1 i  3.6% a. e do principal no vencimento. de 17. com pagamento de juros de 1.1157 => i = 11.001. com prazo superior a 720 dias: 15%.347.20  1  0. descontada a inflação.5%.85 A renda gerada é R$ 420. PUC Minas 60 Sistema Financeiro Nacional . cuja renda líquida é R$ 484.

No mercado financeiro é recomendável utilizar dias úteis. pois a aplicação no Over Night (por uma noite). devemos utilizar a Taxa Interna de Retorno (TIR). Então: i  1. Exercício 3: Calcule a taxa líquida anual de uma aplicação com valor de face de R$ 1. calculamos a taxa equivalente: 1 i2  1. para efeitos de cálculo consideramos que o ano tem 252 dias úteis. comprado por R$ 670.1  0. e o principal no vencimento. Considere que o IR pago será de 17. Não vamos agora preocupar-nos PUC Minas 61 Sistema Financeiro Nacional . O título foi comprado com 17.058 => i = 5.000. Para os cálculos.a.a. com juros diários.5% e que.080 1 2 3 4 5 670 Cálculo da taxa de retorno: utilizamos a TIR para fazer o cálculo.. conforme abaixo.81.00. descontando os valores futuros para a data da aplicação faz com que o valor presente do fluxo de caixa futuro seja igual ao capital inicial. feita em 28/02/2005.00 e vencimento em 01/04/2006. É importante que calculemos a taxa de rentabilidade anual de todas as alternativas de aplicação. por R$ 828.00 que paga 8% de juros ao ano sobre o valor de face.119 . pois. onde: II = Investimento Inicial e FCn = Fluxo de Caixa no momento n. Quando o título oferece o pagamento dos juros e ou principal em parcelas.. como taxa de rentabilidade.000. pode ter o fluxo de caixa representado por uma linha horizontal com linhas perpendiculares para cima indicando fluxos positivos e a linha para baixo indicando o fluxo negativo. Exemplo 3: Cálculo da taxa anual equivalente: partindo do Exercício 2.4% a. II  1  TIR 1  TIR2 FC1  FC 2  .nativas têm prazo diferente. ou seja. Só podemos calcular a TIR. 80 80 80 80 1.119. Resp.. A taxa interna de retorno é a taxa que. por cinco anos.12% de deságio sobre o valor de face. Para isso. no período.. calculamos a taxa equivalente. para que possamos ter uma base de comparação. considera-se o ano com 252 dias úteis. de sexta-feira para segunda-feira é considerada como aplicação por um dia apenas. há 276 dias úteis e que. Exemplo 4: Um título de R$ 1.: 15.8% a. usando um computador ou calculadora financeira.. 1  TIRn FC n .

Cálculo da Taxa de Juros Líquida: 3.340. 2.00. TIR = 18.a.000. Exercício 4: Calcule a taxa interna de retorno de uma aplicação com valor de face de R$ 1.73% a. e do principal no vencimento. Considere que o Imposto de Renda para aplicações por dois anos é de 15% e que a inflação no período é 17%. o cálculo é mesmo somente mudam os valores devido à correção pelo indexador.85.617.00. Cálculo usando a HP12-C: 670 CHS CFo 80 CFj 4 Nj 1.00.5% a.000.01512  3.01324  2. e do principal no vencimento. a renda líquida será: 586.a.com o pagamento do imposto de renda (ele incide sobre cada cupom de juros pago) e nem com a inflação (o título vence no futuro e poderíamos calcular o ganho real.000.000.825  484. recolhido na fonte.85  617. recolhido na fonte. primeiro calcula-se a correção PUC Minas 62 Sistema Financeiro Nacional . Cálculo da taxa líquida real: partindo da renda líquida de R$ 617. Considerando a alíquota de Imposto de Renda.5%.: 21. O Imposto de Renda para aplicações de 361 a 720 dias é 17.001.17  2. Títulos posfixados: no caso dos títulos posfixados.484. com pagamento de juros de 1.15 e a taxa de juros liquida: 3. e considerando que a inflação no período monetária do investimento: 2. Solução dos Exercícios Propostos Exercício 1: Calcule a taxa líquida de uma aplicação de R$ 3. de 17.80.00 1.00.340.82 A renda gerada é R$ 726.00 foi de 17%. vencimento em três anos e pagamento de cupom de juros de 4% ao semestre e o principal no vencimento. Considerando a alíquota de Imposto de Renda.00 Exercício 2: Calcule a taxa líquida real de uma aplicação de R$ 2.000.080 CFj IRR.85 0.119 => i = 2. levando cada valor recebido para o vencimento e utilizando a taxa de rentabilidade do mercado financeiro e o capital aplicado sendo corrigido pela inflação prevista).a.m.5%. a renda líquida será: 726.9% a.00 1 i  3.00 1.000.3% a.484. de 15%.80 2.000. podemos calcular o ganho real: i   1  0. Então.00.000.85 A renda gerada é R$ 586.82 0.15  1  0. com pagamento de juros de 1.15. O título está sendo negociado por R$ 725. i  3. 3.80 .726. por dois anos.586. pelo prazo de um ano. Daí.m. Resp.82.163 => i = 16.3% a.

1.17 276  1 .17 276 252 i a  1. 252 Cálculo da rentabilidade líquida anual: 1 i a  1. para efeitos de cálculo consideramos o ano tem 252 dias úteis.04 970. por R$ 828. há 276 dias úteis e que.17 => i = 17% no período.19 Renda Líquida: 171.23 Valor Líquido recebido no vencimento: 828.00. por dia útil. O título foi comprado com 17.04  1  0. feita em 28/02/2005.11.4% a. O título está sendo negociado por R$ 725.00 e vencimento em 01/04/2006. ou seja.825 = 141.81 Cálculo da rentabilidade no período de 276 dias úteis: i  970. Considere que o IR pago será de 17.040 40 40 40 40 40 725 Cálculo usando a HP12-C: 725 CHS CFo 40 CFj 5 Nj 1. 828. calcula-se a taxa diária. vencimento em três anos e pagamento de cupom de juros de 4% ao semestre e o principal no vencimento.81 = 171. PUC Minas 63 Sistema Financeiro Nacional .000.040 CFj IRR.00.00 – 828.a.000. Renda: 1.19 x 0.000.9% em dois anos. Exercício 4: Calcule a taxa interna de retorno de uma aplicação com valor de face de R$ 1.81 + 141. Exercício 3: Calcule a taxa líquida real anual de uma aplicação com valor de face de R$ 1.23 = 970.5% e que. no período.81.81 Para calcular a taxa equivalente anual.12% de deságio sobre o valor de face.154 => i = 15.04 276 dias úteis 828. ia = 0. e a taxa anual referente a 252 dias úteis.

6%. Em novembro de 2010. compõem a dívida reestruturada. TÍTULOS PÚBLICOS Os títulos públicos podem ser emitidos pelo Governo Federal e pelos estados e municípios. A tabela abaixo indica a composição da maior parte (98.7 98.287 milhões e aos 1. 28. após essa data.7% de outros títulos. mas.451 688.1%.9% a.588 1. 4) Conseguir recursos em moeda estrangeira. atualmente. 3) Prover o Governo de recursos para realizar investimentos públicos.3. o Banco Central do Brasil não pode emitir títulos da dívida pública.1. Os títulos do Governo Federal são emitidos pelo Tesouro Nacional.5 43. a partir de dois anos após a data de sua publicação (artigo 34).3%) da dívida pública federal interna em títulos fora do Banco Central em novembro de 2010. também.9% e variação cambial. 3. Somando-se a carteira do Banco Central de R$ 639. TR. Cálculo da taxa de retorno anual: 1 + i a = 1. pouco mais de um terço era de títulos prefixados. 2) Financiar o déficit orçamentário e de caixa do Governo. e a dívida de emissão soberana.740 milhões em títulos públicos da dívida interna. 5.269. 0.U. PUC Minas 64 Sistema Financeiro Nacional . ia = 0. do total da carteira fora do Banco Central. isso é proibido por lei 24. Anteriormente.O.3 24 De acordo com a Lei Complementar 101. os chamados brasilian bonds. papéis pelos quais foi trocada a dívida contratual existente até 1994. a administração da dívida pública.TIR = 10. Os títulos da dívida externa brasileira. de 4. 0.5.548. Títulos Públicos Federais em Mercado fora do Banco Central Novembro de 2010 Título Valor R$ milhões Participação % LFT LTN NTN TOTAL Fonte: Banco Central do Brasil 521.219 => i = 21. o qual faz. o Banco Central podia emitir títulos próprios.4% ao semestre. por volta de um terço tinha correção pelo Over/Selic e o restante era corrigido monetariamente por índices de preços.040 33.5.2000).a. Há títulos emitidos no mercado interno (em reais) e no mercado internacional (em dólares). O Governo Federal oferece títulos públicos no mercado para: 1) Fazer a política monetária.2000 (D.1 21.001 338.1042 ia = 1.1042 . regulando a liquidez da economia. chega-se a um total no mercado de R$ 2.

Dívida Mobiliária Externa .9 90. A montagem do fluxo de caixa. TR. IGP-DI. agências de governos e Clube de Paris.8 Devido à grande variedade de títulos públicos.4 29.8 8.867 94. TJLP.2 99. IPCA. Essa metodologia será abordada a seguir na apresentação dos títulos.261 39.057.fazenda..000. serão apresentados apenas os mais importantes.br. A tabela abaixo mostra os saldos devedores da dívida mobiliária externa de responsabilidade do Tesouro Nacional de US$ 43 bilhões. Temos que calcular o preço de compra. Para maiores informações sobre os títulos acesse a página do Tesouro Nacional: www.903. considerando que o título está sendo oferecido por R$ 879. ou a rentabilidade. Outros Fonte: Banco Central do Brasil Participação % 33.00 e a data de vencimento é 01/10/2003.1.144 100.0 0.3 bilhões em junho de 2009.1 37.Novembro de 2010 Participação por Indexador Indexador Selic Prefixado IGP-M.LTN O título LTN 011003.43. dado o preço de mercado do título. No acesso ao Tesouro Direto encontra-se a metodologia de cálculo para fins de análise de investimento.Brasil Novembro de 2010 US$ mil Discriminação DÍVIDA MOBILIÁRIA – Externa Dívida Reestruturada Captações no Mercado Internacional Euro Bonds Global Bonds Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional Valor Participação % 42.Títulos Públicos Federais .tesouro. bancos privados. Letra do Tesouro Nacional . 27.463 42.a. Mas é interessante que seja lido o texto “Metodologia de Cálculo” disponível na página do Tesouro Nacional.404 3. tem o valor nominal de R$ 1. dada uma rentabilidade exigida de.846. por exemplo. 3 bilhões com organismos internacionais.6 A dívida pública externa líquida era de US$ 54.997. não obstante esses serem bem representativos de todos. 3.33% a.3. excluindo-se a dívida contratual de US$ 11.gov. Câmbio. fica assim: PUC Minas 65 Sistema Financeiro Nacional .

podemos refazer o cálculo.00 -1 = 0.21/03/03 879. Então: PREÇO x (1+TAXA) = VN Daí.2733. no período entre a data da liquidação da compra 21/03/03 e a data de vencimento 01/10/2003. 252.000. Portanto.00 01/10/03 Como se calcula a rentabilidade desse título? O valor nominal de R$1. TAXA= VN -1 PREÇO 1.43. levamos a rentabilidade diária à rentabilidade anual.00. que a rentabilidade foi de 13.43  252 No caso de exigir-se uma rentabilidade.000.000. considerando que estamos tratando de juros compostos.00  134 Portanto. TAXA anual =   -1  PREÇO  252 252  1. elevando (1 + TAXA do período) ao inverso do número de dias úteis do período: 1+TAXA do período 134 . TAXA anual =   .33% ao ano. TAXA= Temos.1 = 0.1371 879. ou: 27.  879.43 O seja. (1+TAXA anual) =    PREÇO   VN  134 E. calcula-se o preço do título da seguinte forma: PUC Minas 66 Sistema Financeiro Nacional . em primeiro lugar. Em seguida. por sua fórmula de cálculo:   134 VN (1+TAXA anual) =  1+ -1  PREÇO  252  VN  134 Logo.000. vezes um mais a rentabilidade. trazemos a rentabilidade do período para a rentabilidade diária. PREÇO. de 134 dias úteis. elevando (1 + TAXA do período) ao número de dias úteis do ano. (1+TAXA anual) = 1+TAXA do período 134 252 1 Sendo assim. Portanto. substituindo a TAXA do período. Fica difícil comparar essa com outras aplicações que trazem a rentabilidade anual. VN. então.71%. deve ser calculada a rentabilidade anual: Para isso.43 1. (1+TAXA). é igual ao valor desembolsado para comprar o título de R$879.

PREÇO= 1+0.583804863  R$1.000 x fator Selic) para se obter o PREÇO DE COMPRA do título de modo que se obtenha como rentabilidade a taxa Selic mais o adicional proporcionado pela compra com deságio. Letra Financeira do Tesouro . No exemplo do texto do Tesouro.2.definida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central). faVN zemos: PREÇO= 1+TAXA No entanto. devemos substituir na 134 1+TAXA anual 252 1.000. já que a taxa exigida é anual.00  1 . a LFT pode render mais um adicional garantido pela compra do título com deságio. o cálculo para chegar ao seu preço é como segue: Considerando que o fator Selic entre 01/07/2000 e 21/03/2003 é 1. ou seja. que é a taxa de rentabilidade dos títulos públicos no mercado aberto .31% a.2733  252 134 = 879. então. VNA  R$1. e: PUC Minas 67 Sistema Financeiro Nacional .3.Utilizando a relação PREÇO x (1+TAXA) = VN. e considerando que a incógnita agora é o preço. a LFT deverá render a taxa Selic mais 0. e TAXA é o adicional por ano a ser recebido como rentabilidade além da taxa Selic.804863 .583. A abordagem seguinte segue a metodologia do Tesouro Nacional: A COTAÇÃO é o fator de multiplicação do Valor Nominal Atualizado (VNA = R$ 1.000.7399 Para o título render 0.00 134 Então.31%. a taxa Selic varia pouco em relação à meta determinada pelo COPOM. e considerando que (1+TAXA anual) = 1+TAXA do período 134 equação acima: PREÇO= VN 252 e que 1+TAXA anual 252 = 1+TAXA do período  .LFT A LFT tem o valor nominal corrigido pela taxa Selic. truncado na quarta casa decimal Onde DU é o número de dias úteis entre a data de liquidação do boleto bancário (inclusive) e a data de vencimento (exclusive).43 3. No exemplo. Além da correção pela taxa Selic.31%. Na verdade. a taxa anual adicional é de 0. além da taxa Selic. O Banco Central atua no sentido de aproximá-la da meta.a.58304863. a COTAÇÃO é: COTAÇÃO= 100 (1+0. A COTAÇÃO é calculada da seguinte forma: COTAÇÃO= 100 (1+TAXA) DU 252 .0031) 212 252 =99.

PREÇO=VNA×  COTAÇÃO/100 

Temos, então:

PREÇO=1.583,804863× 99,7399/100 , truncado na segunda casa decimal.
E, portanto, PREÇO=1.579,68 Para calcular a rentabilidade acima da taxa Selic que será obtida, dado o preço de mercado, fazemos:
  100 De (1) temos que: TAXA=   COTAÇÃO  
252 DU

-1

E de (2) obtemos: COTAÇÃO=

PREÇO×100 VNA
252 DU

 VNA  Substituindo (4) em (3), TAXA=    PREÇO 

-1

No exemplo, então:
 1.583,804863  TAXA=    1.579,68 
252 212

-1=0,0031046452597842140796470046803224 .

Esse número multiplicado por 100 nos dá a taxa em percentual, que é: 3,1% a.a.

3.3.3. Nota do tesouro Nacional - NTN A NTN tem o valor nominal corrigido por um indexador (IGP-M, IPCA, taxa de câmbio, etc.) e, além disso, pode proporcionar uma renda adicional proporcionada pela compra com deságio em relação ao valor nominal atualizado. Exemplos: NTN-C: o valor nominal é atualizado pelo IGP-M Veja, por exemplo, o título NTN-C 01122005, com as seguintes características: Data de compra: 20/11/2003 Data de liquidação: 21/11/2003 Valor na data-base (01/07/2000): R$ 1.000,00 Data de vencimento: 01/12/2005 Indexador para atualizar o valor nominal: IGP-M Pagamento de juros: 6% a.a. semestralmente

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Sistema Financeiro Nacional

Relembramos que as datas de pagamento dos cupons são dadas retrospectivamente a cada seis meses a partir da data de vencimento. Se a data não for dia útil, o pagamento ocorrerá no primeiro dia útil subseqüente. Para avaliar o investimento no título, podemos deparar-nos com duas situações: 1) cálculo do preço de compra dada uma taxa de retorno requerida; 2) cálculo da TIR dado um preço de mercado. 1) Cálculo do preço de compra dada uma TIR de 30% a.a.. Primeiro, calcula-se o valor nominal atualizado até o dia 1o de novembro de 2003: VNA* = R$ 1.000 x fator de variação do IGP-M entre 01/07/2000 e o 1o dia de novembro de 2003. O fator de variação do IGP-M nesse período é 1,5846, obtido em <www.fgv.br><Produtos e serviços><Base de dados><Como obter índices><Séries gratuitas><Índice geral de preços do mercado – IGP-M – Fechamento mensal (% a.m.)>. Então: VNA* = R$ 1.000 x 1,5846 = R$ 1.584,60 Para atualizar o valor nominal até a data de liquidação do boleto (21/11/2003), a efetiva saída de caixa para realizar o investimento, calcula-se a parcela do período mensal em que será computada a variação do IGP-M. Então, temos que x =
21 = 0,7 . 30

O IGP-M projetado pelo mercado para o mês de novembro de 2003 é 0,5%, obtido em <www.bcb.gov.br><Economia e finanças><Indicadores de conjuntura><Indicadores econômicos consolidados><Estimativas de índices de preços> Então,

VNA=VNA*×1+0,005 

0,7

VNA=R$1.584,60×1,0050,7 =R$1.590,142

A Montagem do Fluxo de Caixa: A montagem do fluxo de caixa deve considerar o valor nominal como 1, pois não se pode saber qual vai ser o real valor de cada cupom e do valor nominal de resgate do título no vencimento, já que esses valores dependerão do IGP-M. Portanto será obtida a TIR real, ou seja, a taxa de retorno acima da inflação medida pelo IGP-M. Fluxo de caixa: Período De 21/11/03 a 01/12/03 De 21/11/03 a 01/06/04 De 21/11/03 a 01/12/04 De 21/11/03 a 01/06/05 De 21/11/03 a 01/12/05 Dias úteis 7 132 258 383 510

PUC Minas

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Sistema Financeiro Nacional

Data:
COTAÇÃO =

01/12/03
1,060,5 -1 (1,3)
7 252

01/06/04
+ 1,060,5 -1 (1,3)
+
132 252

01/12/04
+ 1,060,5 -1 (1,3)
+
258 252

01/06/05
+ 1,060,5 -1 (1,3)
+
383 252

01/12/05
+ 1,060,5 -1 (1,3)
+
510 252

01/12/05
+ 1 (1,3)
+
510 252

COTAÇÃO =

0,02956 (1,3)
7 252

0,02956 (1,3)
132 252

0,02956 (1,3)
258 252

0,02956 (1,3)
383 252

0,02956 (1,3)
510 252

1 (1,3)
510 252

COTAÇÃO=0,702971 PREÇO=VNA×COTAÇÃO

PREÇO=R$1.590,14×0,702971=R$1.117,82

Portanto, para que o investidor tenha uma taxa de retorno de 30% a.a. acima do IGP-M, o título deve ser comprado por R$1.117,82 2) Cálculo da TIR, dado o preço de mercado de R$1.500,00.

COTAÇÃO=
COTAÇÃO=

PREÇO VNA
1.500,00 =0,94331 1.590,14

Para calcular a TIR, fazemos:
0 = - COTAÇÃO + 1,060,5 -1 (1+TIR)
7 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
132 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
258 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
383 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
510 252

+

1 (1+TIR)
510 252

0 = - 0,94331 +

1,060,5 -1 (1+TIR)
7 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
132 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
258 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
383 252

+

1,060,5 -1 (1+TIR)
510 252

+

1 (1+TIR)
510 252

Utilizando o Excel, chega-se à TIR de 10,97% a.a.

NTN-B: o valor nominal é corrigido pelo IPCA. O IPCA, índice de preços ao consumidor ampliado, do IBGE, é calculado do dia 15 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. Paga cupons semestrais de 6% de juros a.a. O valor na data-base, 15/07/2000, é R$ 1.000,00.

Exemplo com uma NTN-B com as seguintes características: Data de compra: 18/02/2008 Data de liquidação: 23/02/2008 Vencimento: 15/05/2011 Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1,6740078 IPCA projetado para fevereiro/2008: 0,53% Preço: R$ 1.652,28

PUC Minas

70

Sistema Financeiro Nacional

 1060.26 31 VNA* = R$ 1.  1060. para que o investidor tenha uma taxa de retorno de 4.047 435 252 1.  15/05/09 1060.047 685 252 1. Paga cupons de juros semestrais de 10% a.674.5  1 .46 Portanto.a.98 1.685.20 x 1.6740078 = R$ 1. acima do IPC-A.5  1 .047 186 252 1.685. Calcule o preço da NTN-B acima para uma taxa exigida de 4.047 308 252 1.5  1 .5  1 .047 55 252 1.a.01 x 1.  15/11/09 1060.  1060.00.000 x 1. chega-se à TIR de 6. sobre o valor de face de R$ 1.  15/11/10 1060.733.00531.047 559 252 1.000.5  1 .02865 = R$ 1.20 COTAÇÃO  1. 1.26 = R$ 1.5  1 .5  1 .5 .5  1 .20 Data: 15/05/08 0.5  1 .98  1060.5  1 .02865 PREÇO = R$ 1. o título deve ser comprado por R$1.733.  15/05/10 1060. PUC Minas 71 Sistema Financeiro Nacional .047810 252 COTAÇÃO = 1.7%.652.  1060.  15/11/08 1060.674.5 .5  1 .  1060. x= 39 = 1. 1  TIR55 252 1  TIR186 252 1  TIR308 252 1  TIR435 252 1  TIR559 252 1  TIR685 252 1  TIR810 252 Utilizando o Excel.Período De 23/02/08 a 15/05/08 De 23/02/08 a 15/11/08 De 23/02/08 a 15/05/09 De 23/02/08 a 15/11/09 De 23/02/08 a 15/05/10 De 23/02/08 a 15/11/10 De 23/02/08 a 15/05/11 Dias úteis 55 186 308 435 559 685 810 x = nº de dias entre a data da liquidação da compra e o dia 15 do mês anterior sobre o nº de dias entre os dias 15 de cada mês.45%.46 NTN-F: é prefixada.28 = 0.7% a.  1060.685.  15/05/11 1060. COTAÇÃO  1060.01 VNA = R$ 1.5  1 .

em 17/10/01.000  110. R$2.08. e amortização única no vencimento.5  1 . com variação cambial. 1  TIR119 252  1.4. R$2.5  1 . que a rentabilidade líquida oferecida no mercado financeiro para aplicação dos cupons (juros) recebidos é de 1. R$2.5% a.000  110. pagos semestralmente (juros simples). data-base em 01.20  1.a. 1  TIR498 252 Utilizando o Excel.4.04.8795.m. com valor nominal R$ 1. 119  1.00 era R$1. chega-se à TIR de 13.6.8/US$.a.5  1 .2000 por R$ 980. PREÇO = R$ 961.00 e que a taxa de câmbio em 30.00. em 17/10/00.7211/US$ e em 17.10.71 252 1125 .5  1 . 498 1125 . de um investimento em NBCE. Calcule o preço da NTN-F acima para uma taxa exigida de 12.00.02.5 . 1125 .5  1 .NBC-E A NBC-E não é mais emitida após a proibição do Banco Central emitir títulos próprios.3. considere que o título foi comprado em 01.000  110.000  110.20 Período De 09/01/06 a 01/07/06 De 09/01/06 a 01/01/07 De 09/01/06 a 01/07/07 De 09/01/06 a 01/01/08 Dias úteis 119 247 371 498 946.000  110.07.000  110. 247 252  1.5%. PREÇO  1. R$1.000  110.3165/US$. vencimento em 18.5 . com 12% de juros a. Montagem do fluxo de caixa: Fluxos de caixa levados à data de vencimento: PUC Minas 72 Sistema Financeiro Nacional .188/US$.2000.5  1 . 1125 .Exemplo com uma NTN-F com as seguintes características: Data de compra: 08/01/2006 Data de liquidação: 09/01/2006 Vencimento: 01/01/2008 Preço: R$ 946. 371 252  1. Nota do Banco Central do tipo E (com correção cambial) .000  110. utilizando o método da TIRM.. sobre o valor nominal atualizado. Mas vejamos a seguir um exemplo desse tipo de título. em 17/4/01. 1  TIR371252  1.2002.000.6% a. 252 3. Para o cálculo da taxa de retorno. 1  TIR247 252  1. que os cupons começam a ser pagos em 18.

por R$ 850. calcule a rentabilidade líquida anual. VP= 1635. a razão entre 625 e 365 dias. comprada em 04/01/05.4.57 .96 1.06 = 1.27+99.635.016 18 = 83.01 = Valor nominal atualizado em 18. 365    1635. Considere que a liquidação da compra se dá no dia seguinte à transação e que há a cobrança de imposto de renda de 20%.10.65 1.06 = = taxa de câmbio17/10/00 1.1) Cupom em 18. TIRM =   980.16 = 1.06 = = taxa de câmbio17/4/01 2.364.10.8 taxa de câmbio 30/06/00 Valor final do investimento em 18/4/02: 83.06 = ×1.000×0.06 = 90.06 = ×1. em 18/4/02.06 = 62.000. Calcule o preço que pagou por ele.8 taxa de câmbio 30/06/00 Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 62.87% a.77+1.364.4.8 taxa de câmbio 30/06/00 Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 90.1888 ×1.000 x 0.7211 ×1. utilizando o método TIRM: Para obter a taxa anual.57 625 1.000 x 0. O período do investimento é.00        Para o título anterior. considere que o investidor exige uma rentabilidade de 50% a.5 365 = R$ 816.8795 ×1.000 x 0. Então.57 Taxa de retorno.57: 625 VP×1.00 x 0.01 x 0.3165 ×1. Como o preço é o valor presente da aplicação que lhe pagou.01 = Valor nominal atualizado em 18. Exercícios Exercícios Resolvidos 1) Considerando uma LTN com valor de face de R$1. recolhiPUC Minas 73 Sistema Financeiro Nacional .70 * 1.10.16 1.00.000 x 1.06 = ×1.37+88.77 4) Cupom + Amortização no vencimento: = taxa de câmbio17/4/02 2.00 = Valor nominal atualizado em 18. portanto.5 365 =1635.01612 = 88.000×0.65 * 1.8 taxa de câmbio 30/06/00 Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 72.3. consideramos que o investimento foi feito em 01/8/00 e que até 18/4/02 há 625 dias.06 = 72.06 = = taxa de câmbio17/10/01 2.01 x 0.96 * 1.37 2) Cupom em 18.70 1.06 = ×1.000×0.27 3) Cupom em 18.016 6 = 99. R$ 1635.5.85 3.00 e vencimento em 01/10/05.a. Logo.a.57  625 -1 ×100 = 34.000×1.10.

R$ 850.09 2) Para a LFT abaixo.br> .Taxa anual acima da Taxa Selic: 1% (taxa que o comprador exige.9747 VNA = R$ 1.00 .2 = R$ 30. .00  252 186  1  0. COTAÇÃO  100 25 1 0.1670101039984884 Considere que se paga 20% de imposto de renda retido na fonte para aplicações com resgate entre 361 e 720 dias.bcb. Economia e Finanças -> Selic – Mercado de títulos públicos -> Taxa Selic -> Variação PUC Minas 74 Sistema Financeiro Nacional .a.00 970.144.Data de liquidação: 05/01/2005 .Data de compra: 04/01/2005 . Obs: a informação sobre a cobrança do imposto de renda é para que se saiba que a rentabilidade anual (taxa Selic + 1%) deverá ser multiplicada por 0.gov. esse cálculo só pode ser feito no vencimento.2 186 252 = 874. Uma vez que o rendimento é pós-fixado. ou o mercado oferece na compra com deságio) .79 25 Obtido na página do Banco Central: <www.00 x 2.167.167.16701 = R$ 2.Data de Vencimento: 18/01/2006 .Dias úteis entre 05/01/2005 e 18/01/2006: 261 .000.1959  19.000.00  Rentabilidade =    850.Valor na data-base: (01/07/2000): R$ 1.00 Fluxo de caixa: 05/01/05 01/10/05 . Preço = 1. calcule o preço de compra. Cálculo do imposto de renda: (R$ 1. dada uma rentabilidade bruta exigida de 20% a. calcule o preço de compra.1261252  98.01 x (98.000.000 . Em seguida.850. pois só aí saberemos qual foi a taxa Selic.6% a.00  970.do na fonte para aplicações com prazo entre 181 e 360 dias e que há 186 dias úteis entre 05/01/05 e 01/10/05.a. Não obstante pode ser feita uma previsão.Fator Selic entre 01/07/2000 e 05/01/2005: 2.8 para que se calcule a rentabilidade líquida.01 PREÇO = R$ 2.9747 / 100) PREÇO = R$ 2.00) x 0.00 1 0.

060.a.055  5.057562 252 COTAÇÃO = 1.3) Se o mesmo título está sendo oferecido no mercado por R$ 2.809.00431.060.800.5 1.47 5) Calcule o preço da NTN-F com as seguintes características: Data de compra: 08/01/2006 Data de liquidação: 09/01/2006 Vencimento: 01/01/2008 PUC Minas 75 Sistema Financeiro Nacional .848.5  1  1.13 31 Dias úteis 58 189 311 438 562 VNA* = R$ 1.05785 252 1.2803 VNA = R$ 1.00 252 261  1  0.057438 252 1.5  1  1.000 x 1.03 COTAÇÃO  1.01 TAXA     2.5  1  1.057189 252 1.809.060.  2.5  1  1.050.43% TIR: 5. 4) Calcule o preço da NTN-B com as seguintes características: Data de compra: 18/02/2009 Data de liquidação: 19/02/2009 Vencimento: 15/05/2011 Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1.13= R$ 1.0218 = R$ 1.050.167.2803 x 1.0218 PREÇO = R$ 1.060. calcule a rentabilidade acima da taxa Selic que proporcionará a compra por esse preço.8002803 IPCA projetado para fevereiro/2009: 0.00.7% Período De 19/02/09 a 15/05/09 De 19/02/09 a 15/11/09 De 19/02/09 a 15/05/10 De 19/02/09 a 15/11/10 De 23/02/08 a 15/05/11 x= 35 = 1.060.5% a.057311252 1.800.8002803 = R$ 1.03 x 1.

e calcule o preço que pagou por ele.10.000.2000. com o valor final do investimento. Fluxos de caixa levados à data de vencimento: 1) Cupom em 18.96 taxa de câmbio30/06/00 18 . em 17/10/01. PUC Minas 76 Sistema Financeiro Nacional .06 = taxa de câmbio 18795 . 1105 .7211/US$ e em 17.5  1 . 1105 .06   1. R$2. O prazo é 625 dias corridos.96 * 1.4.01 = Valor nominal atualizado em 18.6. PREÇO = R$ 993.00 x 0.a.00. em 17/4/01. Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 72. 371 252  1.06  72.04.5  1 .8/US$.10.65 * 1.00 = Valor nominal atualizado em 18. com valor nominal R$ 1.2002. Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 62. com 12% de juros a.06   1. ajustados pela taxa de rentabilidade do mercado financeiro e.08.000  0.65 taxa de câmbio30/06/00 18 .85 2) Cupom em 18.000  110.2000 por R$ 980.188/US$.000  0.000  110. 119  1. Considere ainda que o investidor exigiu uma rentabilidade de 30% a.06 = taxa de câmbio 2. 498 1105 .4.00. 252 6) Considere um investimento em NBCE.31 26 Para calcular a TIRM (taxa interna de retorno modificada) deve-se levar os fluxos de caixa positivos para o fim do período. A rentabilidade líquida obtida pela aplicação no mercado financeiro é 1.96 252 1105 .a.01 x 0.017 18 = 84.4. A taxa de câmbio em 30. 17/10/00  1. Considere que o título foi comprado em 01. e amortização única no vencimento.000  110.m. vencimento em 18. R$2. em 17/10/00. utilizando o método da TIRM26.017 12 = 89.000  110.000  0.5 .07. pagos semestralmente (juros simples). chegar à taxa anual de retorno.7% a.000  0.5  1 . incidentes sobre o valor nominal atualizado. R$1.8795.3165/US$. data-base em 01.02. R$2.1888 17/04/01  1.TIR: 10. 247 252  1. Calcule a taxa de retorno.06  62.00 era R$1.5% Período De 09/01/06 a 01/07/06 De 09/01/06 a 01/01/07 De 09/01/06 a 01/07/07 De 09/01/06 a 01/01/08 Dias úteis 119 247 371 498 PREÇO  1.

017 6 = 100. Considere que a liquidação da compra se dá no dia seguinte à transação e que há a cobrança de imposto de renda de 22.Data de compra: 20/03/2004 .000  0.000  0.35 + 1.67  625  1  100 = 35. calcule a rentabilidade líquida anual. preço = 908.06   1.16 .35 4) Cupom + Amortização no vencimento: taxa de câmbio 2. comprada em 22/03/04.67 Cálculo da taxa de retorno.06  90. TIRM =    980.364.3165 17/04/02  1. utilizando o método TIRM: Para obter a taxa anual. Valor do cupom aplicado até 18/04/02 = 90. Valor final do investimento em 18/4/02: 84. calcule o preço de compra.5%.a.000 106  1.000  106  . Respostas: rentabilidade = 7. . a razão entre 625 e 365 dias. 365    1. 625 365 = 1.70 * 1.7211 17/10/01  1.01% a.85 + 89.00 e vencimento em 20/07/04.045. calcule o preço de compra..10.a.11 2) Para a LFT abaixo.31 + 100.Data de liquidação: 21/03/2004 PUC Minas 77 Sistema Financeiro Nacional .06 = taxa de câmbio 2.00.638.01 x 0.  1.10. taxa de câmbio30/06/00 18 .70 taxa de câmbio30/06/00 18 . Em seguida.a. dada uma rentabilidade exigida de 33. portanto.638.53% a.67 13 . por R$ 970.01 = Valor nominal atualizado em 18.36% a.16 = 1. consideramos que o investimento foi feito em 01/8/00 e que até 18/4/02 há 625 dias.3) Cupom em 18.364.000. O período do investimento é.638. recolhido na fonte e que há 84 dias úteis entre 23/03/04 e 20/07/04.00       Cálculo do preço: VP  1.64 Exercícios Propostos 1) Considerando uma LTN com valor de face de R$1.

4) Calcule o preço da NTN-B com as seguintes características: Data de compra: 18/02/2009 Data de liquidação: 19/02/2009 Vencimento: 15/05/2011 Fator de variação do IPCA entre 15/07/2000 e o dia 15 do mês atual (01/2008): 1.5% Período De 19/02/09 a 15/05/09 De 19/02/09 a 15/11/09 De 19/02/09 a 15/05/10 De 19/02/09 a 15/11/10 De 23/02/08 a 15/05/11 Resposta: R$ 1.8002803 IPCA projetado para fevereiro/2009: 0.93. esse cálculo só pode ser feito no vencimento.a. ou o mercado oferece na compra com deságio) . calcule a rentabilidade acima da taxa Selic que proporcionará a compra por esse preço.24 Dias úteis 58 189 311 438 562 5) Calcule o preço da NTN-F com as seguintes características: PUC Minas 78 Sistema Financeiro Nacional .53% a. Uma vez que o rendimento é pós-fixado.Data de Vencimento: 20/07/2004 .00 .Dias úteis entre 21/03/2004 e 20/07/2004: 86 .Taxa anual: 8% (taxa que o comprador exige.43% TIR: 8. Não obstante pode ser feita uma previsão.750.500.727. Obs: a informação sobre a cobrança do imposto de renda é para que se saiba que a rentabilidade anual (taxa Selic + 8%) deverá ser multiplicada por 0.80 3) Se o mesmo título está sendo oferecido no mercado por R$ 2..807. pois só aí saberemos qual foi a taxa Selic.9216853 Considere que se paga 22.5% de imposto de renda retido na fonte. como feito na Unidade 03. Resposta: taxa = 17.Fator Selic entre 01/07/2000 e 21/03/2004: 1. Resposta: preço = R$ 2.8 para que se calcule a rentabilidade líquida.Valor na data-base: (01/07/2000): R$ 1.

A taxa de câmbio em 30. vencimento em 18. e amortização única no vencimento.04.2000.2002.08.Data de compra: 08/01/2006 Data de liquidação: 09/01/2006 Vencimento: 01/01/2008 TIR: 15.1. Certificado/Recibo de Depósito Bancário (CDB/RDB) Títulos de renda fixa. em 17/10/01.02. data-base em 01. PUC Minas 79 Sistema Financeiro Nacional . em que a taxa efetiva é calculada da seguinte forma: 27 Taxa over = Taxa linear mensal capitalizada pelos dias úteis.8795.00 era R$1.a. PRODUTOS DE APLICAÇÃO (INVESTIMENTO) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINAN- CEIRO E EMPRESAS 3. Considere ainda que o investidor exigiu uma rentabilidade de 33.00.4. pagos semestralmente (juros simples).4.m.385. O CDB também pode pagar taxa over27.96% a..6. com 10% de juros a.2000 por R$ 1. Respostas: TIRM = 35.5% Período De 09/01/06 a 01/07/06 De 09/01/06 a 01/01/07 De 09/01/06 a 01/07/07 De 09/01/06 a 01/01/08 Resposta: R$ 916. e calcule o preço que pagou por ele. Calcule a taxa de retorno. O prazo é 625 dias corridos.64 3.a.07. Rendimento: juros prefixados e pagam 20% de IR sobre o rendimento. emitidos pelos Bancos Comerciais/Múltiplos e de Investimento.8/US$.4. em 17/10/00. utilizando o método da TIRM. incidentes sobre o valor nominal atualizado. preço = 1. R$1.a.7211/US$ e em 17. Considere que o título foi comprado em 01.36 Dias úteis 119 247 371 498 6) Considere um investimento em NBCE. R$2.188/US$.53% a. Finalidade: lastrear operações de financiamento de capital de giro. A rentabilidade líquida obtida pela aplicação no mercado financeiro é 1% a.3165/US$. R$2. R$2. A diferença entre CDB e RDB é que este não pode ser transferido por endosso nominativo e aquele pode. com valor nominal R$ 1.045.500.00. em 17/4/01.

3. no período é dada por:  Overd1   Overd2  TE  1   1  100   100       Overd3   1   100        1  100     3. PUC Minas 80 Sistema Financeiro Nacional .du     over100       TE   1   1  100    30           sendo TE a taxa efetiva no período.2. então. Overm1 Taxa Over ao dia no dia 1: Overd1  30 Overm2 100  100 Taxa Over ao dia no dia 2: Overd2  30 Overm3 100  100 Taxa Over ao dia no dia 3: Overd3  30 100  100 em que Overd1 é a taxa over diária no dia 1 e Overm1 é a taxa over mensal no dia 1.(CDI) Títulos emitidos pelas instituições financeiras. Isento de IR. Finalidade: lastrear operações no mercado interfinanceiro. considerando que a taxa over considerada é a de cada dia e que o valor é reaplicado diariamente. já que eliminam a intermediação bancária. over. Finalidade: financiar o capital de giro Rendimento: compra com deságio sobre o valor de emissão. Ve é o valor de emissão e P é o preço de compra do título. Têm como vantagens o baixo custo financeiro e a maior agilidade para obter os recursos. portanto. a taxa over e du. o número de dias úteis da compra do título até seu vencimento.3.4.4. Commercial Papers Títulos emitidos pelas empresas e negociados no mercado. A taxa efetiva é calculada. A rentabilidade. A taxa efetiva. Rendimento: juros definidos pela taxa over. Certificado de Depósito Interfinanceiro . é dada a partir do seguinte cálculo: Re  Ve  P  100 P em que Re é a rentabilidade.

3. a) (1.825 = 11.a.a. P é o preço de compra em dólares.01212 – 1) x 100 x 0. emitida pelo prazo de 3 meses. nesse período.2% a.m. o desconto é por dentro. 3. apontando a melhor alternativa de investimento.4. b) CDB com taxa over de 1. Finalidade: financiar projetos de financiamento (capital fixo e capital de giro) Rendimento: dado pelo cálculo da TIR de um fluxo de caixa futuro oferecido pelo papel.5.  Ve  tc R   Re    P  tc  1  100 C   em que Ve é o valor de emissão em dólares.    100   b)  1    1  100 x 0. emitidos por exportadores que venderam a prazo.825 = 12.6.4. com valor nominal de U$ 15. 2) Calcule a taxa efetiva líquida de uma aplicação em uma Export Note. Exercícios Exercícios Resolvidos 1) Calcule a taxa efetiva líquida anual para aplicação nos dois tipos de CDBs abaixo. Considere que o investidor aplicará.   30          A melhor alternativa é a do CDB que paga 1.7% a. por um ano. (no contrato da Export Note. tc R é a taxa de câmbio na data do resgate e tcC é a taxa de câmbio na data da compra do título.3. há 252 dias úteis. que o imposto sobre a renda de aplicação financeira pelo prazo de 361 a720 dias é 17.08% a.5% a.a. ou seja.4. Debêntures Títulos de longo prazo emitidos por companhias de capital aberto e que podem ser conversíveis em ações.000. o valor nominal – de resgate – é o resultado da soma do valor apli- PUC Minas 81 Sistema Financeiro Nacional .5% e que. 252   15  . Export Note Títulos para cessão de créditos de exportação.4.2% a. Finalidade: adiantamento de um crédito futuro Rendimento: deságio sobre o valor do crédito em dólar.00 e taxa de desconto de 20% a. a) CDB que paga 1.m.m.

000.000 ações.27 Valor resgatado em R$ = U$ 15. (no contrato da Export Note. b) rentabilidade = 9.1/US$ = R$ 46.00 = 3.014.0. era de R$ 2. a taxa de desconto é calculada. utilizando-se de juros simples.27  Rentabilidade líquida anual: (1. A previsão de preço da ação para daqui a dois anos é R$ 36.000    0 1 i1 1 i2 1 i3 1 i4 Cálculo Utilizando a HP 12-C: 3. comprada por R$ 3.000.285. com vencimento em dois anos. Observe que.27%  42.s.000 Cfj 3 Nj 3.500.941/US$ = R$ 42.08274 –1) x 100 = 37. apontando a melhor alternativa de investimento.000 x 36. o valor nominal – de resgate – é o resultado da soma do valor apliPUC Minas 82 Sistema Financeiro Nacional .000.000 = 240.41% 3) Calcule a TIR de uma debênture conversível em 100. emitida pelo prazo de 6 meses.a.10/US$.a.82% a.000 .000.840.000 CHS Cf0 240. no dia do resgate. com valor nominal de U$ 25.000.00  46. há 504 dias úteis. que o imposto sobre a renda de aplicação financeira por mais de 720 dias é 15% e que.00  Rentabilidade líquida no período (três meses) =  1 x 100 x 0. Exercícios Propostos 1) Calcule a taxa efetiva líquida anual para aplicação nos dois tipos de CDBs abaixo.71  20    1   100  3   12    Valor aplicado em R$ = U$ 14.cado com a taxa de desconto aplicada a este valor)..88% a.08 x 3. ou seja. convertendo em ações = 100.00 e taxa de desconto de 17% a.014.840.000 240.000 Cfj IRR TIR = 12. Respostas: a) rentabilidade = 10.000 3.000 Resgate.000. Considere. que paga Amortização ao final e juros de 8% a.500.600.000. que a alíquota de imposto sobre a renda de aplicação financeira por prazo menor que 180 dias é 22. Considere que a taxa de câmbio.8% a. Valor aplicado = 15. nesse caso também.000 = US$ 14.3.a.5%. Juros= 0.775 = 8. o desconto é por dentro.71 x R$ 2. em 30/03/2004.a.285.17% ao semestre => (1.941/US$ e. Melhor alternativa: a 2) Calcule a taxa efetiva líquida de uma aplicação em uma Export Note.00. sobre o valor de emissão.000 240.12172 – 1) x 100 = 25. ainda. Considere que o investidor aplicará. por dois anos. no momento da operação. passou para R$ 3.000 240.00 x R$ 3. nesse período.00.

5. Custo: juros.000. Desconto de Duplicatas e Notas Promissórias Operação com desconto simples por fora (incidindo sobre o montante da dívida). 3. era de R$ 2. pois ainda se cobra IOF (0. Custo: O custo efetivo é maior que a taxa da operação. em 30/03/2004. Paga IOF calculado diariamente. Considere que a taxa de câmbio. tendo como referencial a taxa CDI acrescida de um spread.5. nesse caso também. Hot Money Operações de curtíssimo prazo (um dia) Finalidade: necessidades imediatas de caixa das empresas.5%.000. sobre o valor de emissão.2% a.cado com a taxa de desconto aplicada a este valor). Assim. Considere. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO (EMPRÉSTIMOS) OFERECIDOS PELO SISTEMA FINANCEIRO E EMPRESAS Veremos a seguir títulos que servem para captação e o importante aqui é poder comparar as alternativas para obter o crédito mais barato.0041% ao dia sobre o valor nominal) e uma taxa de abertura do crédito (TAC).00. comprada por R$ 3. a taxa de desconto é calculada. que a alíquota de imposto sobre a renda é 22. utilizando-se de juros simples.5% 3) Calcule a TIR de uma debênture conversível em 100. 3.18% ao semestre => 19.000 ações.a. com vencimento em dois anos. Resposta: TIR = 9.10/US$. Finalidade: financiar capital de giro. 3. A previsão de preço da ação para daqui a dois anos é R$ 32.000041 p   TAC           100       30               PUC Minas 83 Sistema Financeiro Nacional .00.1. que paga Amortização ao final e juros de 6% a.2. no momento da operação.13% Rentabilidade líquida anual = 23.941/US$ e. o custo efetivo é calculado da seguinte forma: 30     P          VN  CE    1  100     d     VN 1  100  p   0. Observe que. Resposta: rentabilidade líquida no período (seis meses) = 11.5. passou para R$ 3. ainda.s. no dia do resgate.

aplicados sobre o valor nominal do título e do custo efetivo. p. VN. Finalidade: financiar o capital de giro Custo: desconto oferecido “por fora” (sobre o valor de emissão) mais despesas de lançamento O custo efetivo será calculado da seguinte forma:    Ve Ce    1 d  dl Ve   1  100     em que Ve é o valor de emissão. Colocamos em evidência o valor nominal do título.5. d. período desde a efetivação do desconto até o vencimento do título e TAC. o valor nominal do título. Finalidade: adiantamento de um crédito futuro.5. que podem ser emitidos por exportadores que venderam a prazo.5. calculando os valores a serem subtraídos para chegar ao valor captado. pois o cálculo pode ser feito de forma mais demorada.4. Securitização de Recebíveis Títulos emitidos garantidos pela caução de recebíveis (vendas a prazo de uma empresa). Commercial Papers Títulos emitidos pelas empresas e negociados no mercado. chegando ao valor captado e comparando-o ao valor do título para chegar ao custo efetivo. Têm como vantagens o baixo custo financeiro e a maior agilidade para obter os recursos. Finalidade: financiar capital de giro. Essa forma de calcular não pode ser confundida com fórmula. a taxa de desconto. tc V é a taxa de câmbio na data do vencimento e tcC é a taxa de câmbio na data da comercialização do título. 3.5. Custo: desconto oferecido “por fora” sobre o valor nominal do título. PUC Minas 84 Sistema Financeiro Nacional . 3. a taxa de abertura de crédito. da taxa de abertura de crédito e do IOF. 3.  Vn  tc V Ce    1 d Vn  tc  C      1  100     em que Vn é o valor nominal da emissão. passo a passo. já que elimina a intermediação bancária. Export Notes Títulos para cessão de créditos de exportação. subtraindo dele os valores a serem subtraídos. d é a taxa de desconto a ser aplicada. d é a taxa de desconto e dl é o percentual sobre o valor de emissão que corresponde à despesa de lançamento. A organização do cálculo apresentada acima é uma simplificação dos cálculos do desconto.em que CE é o custo efetivo.3.

000041 120  0.000.5% a. em 30/03/2004. ou seja. Observe que o desconto é feito por fora.000.200.5% a.20 Valor captado = 15.5     100  120  0.276. custo efetivo anual = 26.69% 00   1.20  Custo efetivo anual = (1.000.276.000.08694 – 1) x 100 = 39..0.000. taxa de abertura de crédito de 1% sobre o valor nominal e IOF incidente sobre a operação de 0. No contrato do Commercial Paper. despesas de lançamento de 1% sobre o valor de captação e vencimento em 30/06/2004. por meio da emissão de um Commercial Paper de valor nominal R$ 1.000. prazo de 120 dias. ou seja.0.5. taxa de desconto de 4.24% 2) Calcule o custo efetivo do desconto de duplicata com valor nominal de R$ 100.00.   2.000.21% Exercícios Propostos 1) Calcule o custo efetivo de uma captação feita por uma empresa. taxa de abertura de crédito de 1% sobre o valor nominal e PUC Minas 85 Sistema Financeiro Nacional . o desconto é por fora.000. Valor captado = R$ 1. o desconto é por fora. Custo efetivo no período (três meses) =  1 x 100 = 8. Custo efetivo anual = (1.00.000.56% 2) Calcule o custo efetivo do desconto de duplicata com valor nominal de R$ 15.36%.3.07 .000  1          30       15. No contrato do Commercial Paper. aplicado sobre o valor nominal (de face) do título.01) = R$ 1..200.m.0041% ao dia. é aplicado sobre o valor nominal (de face). ou seja. despesas de lançamento de 1% sobre o valor de captação e vencimento em 30/06/2004.000.104.6 Exercícios Exercícios Resolvidos 1) Calcule o custo efetivo de uma captação feita por uma empresa. por meio da emissão de um Commercial Paper de valor nominal R$ 1.200.00  Custo efetivo no período (120 dias) =  1 x 100 = 12.00 00   1. prazo de 120 dias.00 x (1 . com taxa de desconto de 10% ao semestre.12983 – 1) x 100 = 44.m. Resposta: custo efetivo no período (três meses) = 12.98%  13.01  = 13. com taxa de desconto de 7% ao trimestre.104. aplicado sobre o valor nominal (de face) do título.00. em 30/03/2004.00. taxa de desconto de 2.

através da negociação dos FED FUNDS. Os produtos mais comuns negociados nesse mercado são os Treasury-Notes & Bonds. prazos superiores necessitam de autorização da Security Exchange Commission (SEC).tesouro. respectivamente.fazenda. pagam juros periódicos.br/divida_publica/downloads/bradiescaracteristicas_prn. que. pode ser utilizado como instrumento de captação tanto por empresas financeiras quanto por não financeiras.tesouro. do FED. chamados de cupons. Observe que o desconto é feito por fora.1. onde são negociados títulos públicos e privados. é aplicado sobre o valor nominal (de face).com o objetivo de diminuir o risco país.fazenda. PUC Minas 86 Sistema Financeiro Nacional . para financiar a liquidez de empresas financeiras e não financeiras. Para conhecer as características desses títulos acesse. títulos de emissão própria. Money Market Os títulos negociados no mercado monetário. as emissões são feitas sem a necessidade de brokers. Os títulos do mercado de capitais que não pagam cupons são chamados de Zero Coupon Bonds têm a mesma estrutura dos títulos de curto prazo. nos Estados Unidos.21%.gov. ou seja.2. e há o mercado de médio e longo prazo. 3. No mercado de títulos privados o mais negociado é o Commercial Paper.63% 3. são vendidos com deságio sobre o valor de face. Empresas brasileiras têm feito emissões de commercial papers no mercado internacional.pdf http://www. 3. e 28 Esses títulos estão sendo objeto de recompra pelo Tesouro Nacional.6.6.IOF incidente sobre a operação de 0. No mercado americano.0041% ao dia. Dentre os títulos públicos emitidos há as Treasury Notes (T-Notes) e os Treasury Bonds (T-Bonds) emitidos pelo Tesouro Americano. geralmente.br/divida_publica/downloads/soberanosinternet.xls. geralmente. estão os títulos de médio e longo prazo. chamado de Money Market.6. finalizada em 1994)28 e captações soberanas. para financiar investimentos de médio e longo prazo. os Coporate Bonds e as Mortgage Backed Securities (Letras Hipotecárias). Capital Market No mercado de capitais.gov. MERCADO INTERNACIONAL DE RENDA FIXA No mercado internacional de renda fixa pode ser feita a classificação por prazo de vencimento. onde também são negoci ados títulos públicos e privados. Os principais títulos públicos brasileiros negociados no mercado internacional estão divididos em dívida renegociada (títulos oriundos da renegociação da dívida externa. ou seja. http://www. para praticar a política monetária. não pagam juros e fornecem a rentabilidade por meio da compra com deságio. O prazo máximo desses papéis no mercado americano é de 270 dias. custo efetivo anual = 91. Resposta: custo efetivo no período (120 dias) = 24. No mercado de títulos públicos há a atuação. Temos o mercado de curto prazo.

calcula-se juros pró rata sobre o valor de face (US$ 1. M2 e A2 = dia. D2 fica como 30.5 Juros pró rata = 11% x 65/360 x 1. de modo que a data da liquidação foi em 22/04/05.8621 Valor de liquidação = 1. Sinking-Fund Provision (podem exigir as retiradas periódicas de parcelas do principal). mês e ano da data final. São Paulo: Prentice Hall. D2.3611 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSAF NETO. J. Z.M1) x 30 + (D2 – D1). fica como 30. ed. Mercado financeiro: instrumentos e operações. S. Callable & Putable Bonds ( podem ser cancelados antes do vencimento pelo emissor). Administração Financeira. nem 30. Commodity-Linked. Floating-Rate (indexados a alguma taxa de juros. 30 ou o último dia de fevereiro. ISBN 85-87918-x ROSS.tesouro. por 100+ ¼.A.fazenda. Globais A cotação dos globais é feita como percentagem do seu preço. os meses têm 30 dias. 2005. ISBN: 85-98838-08-X. de modo que d = (A2 – A1) x 360 + (M2. Com as seguintes ressalvas: 1) se D1 for 31 ou o último dia de fevereiro.gov. D2 fica 1.Nos Corporate Notes & Bonds há vários tipos como: Taxa Fixa (Fixed-Rate). R. São Paulo: Saint Paul. 282p. se for o caso.000 x 100. 2002 SECURATO. 2001. convencionando 30/360. 2003. de.25 / 100 = 1. G. mês e ano da data inicial. Na convenção 30/360. Então: d = (2005 – 2005) x 360 + (4 – 2) x 30 + (22 – 17) = 65 Preço (cotação) = 1. em 19/04/05. Convertible & Exchangeable Bonds (podem ter a opção de serem conversíveis em ações).86211 = 1. M2 torna-se o mês subseqüente e.000 = 19. Porto Alegre: Bookman. A.5 + 19. Mercado Financeiro e Análise de Investimento. R.002. considerando os dias corridos entre a data de pagamento do último cupom e a data atual. Caso a data da compra não coincida com a data de pagamento de cupom. Mercado financeiro / 4a.. 2) se D2 for 31 e D1 for 31. São Paulo: Atlas.a. Deve-se acrescentar os três dias úteis para a liquidação. 1ª. www. Exemplo: compra de Global 40 (título público brasileiro com maior volume disponível no mercado). como a Libor). 2000. A2 o ano subseqüente. O último pagamento de cupom foi em 17/02/05. nem o último dia de fevereiro.002. Fundamentos de Investimento. D1. 3) se D2 for 31 e D1 não for nem 31. que paga juros semestrais de 11% a. da compra.br PUC Minas 87 Sistema Financeiro Nacional . M1 e A1 = dia. 3ª ed. BODIE. utilizando-se de juros simples.022.000). a fim de calcular os juros pró rata. Onde: d = número de dias entre as datas inicial e final. São Paulo: Atlas. FARIA. 2ª ed.

na medida em que viabiliza capital para investimentos produtivos. sem a obrigação de comprá-las As ações podem ser negociadas como:  Ordinárias ou comuns: direito de participação na administração da sociedade. MERCADO DE AÇÕES Mercado Primário No mercado primário.1. contribuindo também para a formação de poupança privada e sua canalização para a produção. A existência do mercado de capitais favorece o desenvolvimento econômico. direito de PUC Minas 88 Sistema Financeiro Nacional . oferecendo a oportunidade dos indivíduos participarem dos lucros das empresas. que permite a capitalização das empresas. nos resultados da economia. subscrever  Melhores esforços (best-efforts): o intermediário financeiro compromete-se em colocar as ações por um período de tempo. aumenta a participação coletiva na riqueza. As ações são a menor parte do capital social de uma empresa de capital aberto. A negociação pode acontecer das seguintes formas: Subscrição particular: feita totalmente pelos antigos acionistas (diretamente na empresa ou em bolsa de valores) Subscrição pública (underwriting): um intermediário financeiro é contratado para colocação dos títulos no mercado. Desse modo. 4. MERCADO DE CAPITAIS (renda variável) 4. ocorre a primeira negociação do título (subscrição). mais especificamente ações e debêntures negociadas pelas companhias de capital aberto. Os contratos de underwriting podem ser dos tipos:  Firme: as instituições subscrevem integralmente a emissão de ações e depois tentam repassá-las para o público  Residual ou com garantias de sobras (stand-by): o intermediário financeiro comprometese a colocar as sobras de ações para o público por um determinado período de tempo e. INTRODUÇÃO O Mercado de Capitais é considerado como o mercado onde se negociam títulos para o financiamento de capital fixo (investimento de longo prazo).4.2. após.

Objetiva ajustar o valor nominal da ação Os valores das ações considerados pelos investidores são:   Valor de Mercado: valor aceito pelos vendedores e compradores nos negócios realizados Valor Nominal: estabelecido pelo estatuto da companhia (capital dividido pelo número de ações)   Valor Patrimonial: valor global do patrimônio líquido dividido pelo número de ações Valor contábil: valor lançado no estatuto e livros da companhia: pode ser explícito ou discriminado (sem valor)  Valor intrínseco: calculado na análise fundamentalista.voto  Preferenciais: não têm direito a voto. negociação feita principalmente por telefone. uma empresa deve obrigatoriamente emitir um mínimo de 1/3 do capital em ações ordinárias e no máximo 2/3 de ações preferenciais. no mínimo 25% Bonificações: capitalização de reservas e/ou resultados. com base no fluxo de caixa esperado  Valor de liquidação: valor avaliado em caso de encerramento das atividades da companhia  Valor de subscrição: preço de emissão Mercado Secundário A função do mercado secundário é dar liquidez ao investidor. as ações ficam fora da garantia e do controle da bolsa de valores PUC Minas 89 Sistema Financeiro Nacional . com capitalização de reservas e/ou resultados. Os resultados financeiros do investimento em ações são os seguintes:    Dividendos: distribuição do lucro líquido – pela lei. Objetiva dar maior liquidez aos títulos no mercado  Inplit (agrupamento): diminuição do número de ações – aumento do valor patrimonial da ação. mas gozam de privilégios na distribuição de dividendos. com distribuição de novas ações Alterações no valor nominal/substituições: aumento do valor nominal. Os mercados onde ocorrem as negociações são:  Mercado de balcão: não tem local determinado. aumento do capital com subscrição em valores inferiores ao de mercado  Lucro (ganho de capital) na venda A Mudança no número de ações representativo do capital ocorre de duas formas:  Split (desdobramento): distribuição de novas ações aos acionistas pela distribuição do capital por um número maior de ações. De acordo com a lei das S/A.

esperam os lucros das empresas. Mercado de bolsa: a decisão de ter ações negociadas em bolsa é da empresa e depende de apresentação de projeto à CVM Encontramos. quer de direito privado. nas atividades de fiscalização do mercado bursátil. quer de direito público. atualmente. ou seja. Além disso. BOLSA DE VALORES As bolsas de valores são entidades sem fins lucrativos. são negociados os títulos e valores mobiliários de emissão ou co-responsabilidade de pessoas jurídicas. como órgãos auxiliares da CVM. BVPP. as bolsas de valores exercem uma importante atividade: fiscalizar as operações efetuadas por seus membros. uma vez que seus próprios associados cuidam de expedir e fazer cumprir determinadas regras de conduta. portanto. BVBSA. em cujo recinto são realizadas transações de compra e venda de títulos e valores mobiliários. tornando-se sócios delas. os seguintes tipos de atuação nas bolsas de valores:  Especuladores: procuram obter lucros em curto prazo. a partir da lei n° 6. Consideram-se membros das bolsas de valores seus respectivos associados. as sociedades corretoras. Por essa razão. registradas na CVM. BVPR.  Gestores financeiros: procuram captar recursos a custo baixo e investir disponibilidades sem risco e com prazos adequados Participam do Sistema de Distribuição e Intermediação do mercado de capitais brasileiro as seguintes instituições:      Sociedades Corretoras de Valores Mobiliários Sociedades Distribuidoras de Valores Mobiliários Bancos de Investimento Bancos de Desenvolvimento Empresas de Liquidação e Custódia 4. BVRg. Portanto. As bolsas são consideradas. Nas bolsas de valores. a tendência é PUC Minas 90 Sistema Financeiro Nacional . cooperar com essa comissão.385/76. revestidas da forma de sociedades comerciais por ações nominativas ou por cotas de responsabilidade limitada. devendo. BVES. nas negociações de compra e venda.3. havia nove bolsas de valores no Brasil: Bovespa. são consideradas entidades auto-reguladoras. BVSt. BVRJ. Bovmesb.  Investidores: procuram rendimento em longo prazo. O ingresso das corretoras nas bolsas de valores se verifica mediante a compra de títulos patrimoniais. nesse mercado. os negócios em bolsas de valores são realizados pelas sociedades corretoras. Com o desenvolvimento da informática e das telecomunicações. Unificação das bolsas e negociação eletrônica Até 1999.

em mercado livre e aberto. as corretoras e demais participantes. sujeitas à fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (C.N. Superintendente Geral. Atualmente no Brasil os negócios são realizados apenas na Bovespa. e do After Market: sessão noturna de negociação eletrônica.de centralizar os negócios nas bolsas mais importantes. em local adequado e transparente. Há uma tendência mundial de centralizar as negociações na Bolsa de Nova York. ao Superintendente Geral e aos demais Superintendentes. O Conselho de Administração é integrado por no mínimo 9 e no máximo 13 conselheiros. organizado e fiscalizado pelos próprios membros e autoridades monetárias. membro nato do Conselho.655 e 1. entre eles. sendo:      Representantes de corretoras.  Criar e organizar materiais e técnicos para a realização das negociações.) e às diretrizes emanadas pelo Conselho Monetário Nacional (C. Regulamento das Bolsas: As Resoluções 1. compra por meio do site da corretora. O pregão da Bolsa. O Sistema Eletrônico de Negociação Nacional (SENN): interliga as bolsas de valores. todos responsáveis por sua gestão.V. O sistema eletrônico no qual são operadas as negociações na Bovespa é chamado de Megabolsa. patrimonial e administrativa. 1 representante dos investidores institucionais.M. Objetivos Sociais das Bolsas: As Bolsas de Valores possuem autonomia financeira. de transações de compra e de venda de títulos e valores mobiliários. 1 representante das Companhias Abertas (S/A's). A administração das Bolsas de Valores cabe ao Conselho de Administração.). Substituíram a Resolução no 922 de 15 de maio de 1984. 1 representante dos investidores pessoa física. Os principais objetivos sociais das Bolsas são:  Manter local adequado ao encontro de seus membros (Sociedades Corretoras).656 de 26 de outubro de 1989 deram nova disciplina ao funcionamento das Bolsas de Valores e das Sociedades Corretoras. e à realização. Compete ao Conselho de Administração das Bolsas: PUC Minas 91 Sistema Financeiro Nacional .M. A internet permite a existência do Home Broker.  Estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários.

basicamente. Tais atividades são. com títulos e valores mobiliários de negociação autorizada. onde eram feitas as negociações viva voz por meio dos representantes das corretoras. 4. O Recinto de Negociações (Pregão): Até 2005. as corretoras dependem de prévia autorização da CVM. compensação e liquidação das operações. Hoje não mais há esse forma de negociação. Para o exercício de suas atividades. de 10 às 17 h Tipos de Ordem de Negociação    Ordem de mercado: executadas imediatamente pelo preço de mercado Ordem limitada: o cliente estabelece o preço máximo ou mínimo Ordem administrada: o cliente estabelece quantidade e características das ações e a execução fica a critério da corretora   Ordem casada: compra de um título condicionada à realização da venda de outro Ordem de financiamento: Ordem de compra (ou venda) de um título condicionada à venda (compra) do mesmo título no mesmo ou em outros mercados. Compete ao Superintendente Geral:  dar execução à política e às determinações do Conselho de Administração. aprovar o regimento interno e as demais normas operacionais. constituídas sob a forma de sociedades anônimas ou sociedades por cotas de responsabilidade limitada.728/65 instituiu as sociedades corretoras como instituições financeiras auxiliares. visando limitar perdas ou ganhos. havia o pregão na Bovespa. as seguintes:  Operar com exclusividade em bolsas de valores. eleger seu Presidente e Vice-Presidente. escolher e exonerar o Superintendente Geral. PUC Minas 92 Sistema Financeiro Nacional . membros das bolsas de valores.    estabelecer a política geral da Bolsa de Valores e zelar por sua boa execução.  praticar todos os atos necessários ao funcionamento regular da Bolsa de Valores. somente o pregão eletrônico funciona.  Ordem com Stop: o cliente estipula preço mínimo ou máximo pelo qual a ordem será executada. com prazos de vencimento distintos.4 SOCIEDADES CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS A lei 4. bem como dirigir todos os trabalhos da Bolsa de Valores. inclusive o sistema de registro.

fundamentalista e de demonstrações contábeis. e pela venda das ações. 4. Sociedades de capitalização. ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES O resultado advindo de um investimento em ações dependerá do fluxo de caixa fornecido pela distribuição dos lucros aos acionistas. os métodos devem ser utilizados em conjunto. vender e distribuir títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros. e  Operar no mercado aberto (open-market) e intermediar as operações de câmbio. na forma de dividendos ou aumento no valor do capital da empresa. sob a forma de condomínio aberto e sociedade de investimento (Decreto lei 1. as sociedades corretoras exercem o papel de unificadoras do mercado. utilizando técnicas e informações. Dessa forma. a aproximação entre compradores e vendedores de títulos e valores mobiliários. organizar e administrar fundos mútuos de investimentos. Temos as análises técnica. tendências observadas e alterações em parâmetros da oferta e procura. promovendo. A análise fundamentalista objetiva fixar o valor de uma ação. Na verdade. encarregar-se de sua distribuição e colocação no Mercado de Capitais.6.  Comprar.401) e clubes de investimentos. Entidades de previdência privada – fundos de pensão. A análise técnica utiliza-se de gráficos e projeções que tratam de evoluções das cotações. de forma eficiente.  Instituir. através de leilões realizados em bolsa aos quais confere. dando segurança ao sistema e liquidez aos títulos transacionados.5 INVESTIDORES Os investidores nas bolsas de valores são classificados como: Individuais: pessoas físicas ou jurídicas que participam diretamente do mercado Institucionais: são pessoas jurídicas que constituem carteiras e movimentam muitos recursos de terceiros:       Sociedades seguradoras. Formar e gerir consórcios para lançamento público de ações (underwriting) e. A PUC Minas 93 Sistema Financeiro Nacional .  Encarregar-se da administração de carteiras de valores e da custódia de títulos e valores mobiliários. ainda. pois cada um fornece uma informação diferente. Há várias maneiras de analisar o investimento em ações. Clubes de investimento. Fundos externos de investimento. dando-lhes negociabilidade adequada. Fundos mútuos de investimento 4.

se haverá crescimento econômico. compara com o valor de mercado e investe na empresa com maior relação valor intrínseco/preço de mercado. a análise da conjuntura do setor econômico do qual a empresa faz parte. O perfil de “especulador” ajusta-se mais ao primeiro. calcula o valor hipotético da empresa. e a análise de indicadores a partir de informações de dentro da própria empresa.6. além de ganhar com os lucros distribuídos. pois. e ainda a situação de atuação da empresa. ele procura comprar na baixa e vender na alta. A análise fundamentalista considera alguns níveis de abordagem: a análise da conjuntura macroeconômica. O Valor da empresa pode ser definido pelo Lucro esperado em exercícios futuros. montar um fluxo de caixa com base neles e avaliar o valor atual da ação em comparação com o preço de mercado está mais preocupado em tornar-se efetivamente um sócio da empresa. há o ganho com a venda futura. pois ele não se preocupa em obter ganhos advindos dos resultados da empresa.1 Análise fundamentalista A análise fundamentalista faz a análise do desempenho da empresa. for maior que o preço de mercado. O preço de mercado de uma ação é fixado pelas forças de mercado. então. ele vai analisar a conjuntura econômica macro e setorialmente. Preocupa-se também com a política e até com a ética dos administradores. provavelmente. para. Já o que se preocupa em avaliar os resultados esperados da empresa. faz-se a comparação com o preço de mercado. tomar-se a decisão de comprar. devido à tendência de valorização do preço de mercado. para avaliar o seu desempenho econômico e financeiro. o lucro da empresa é sua maior preocupação. se a taxa de juros irá variar etc. Considera que as ações têm um valor intrínseco que está associado com a performance da empresa e com a conjuntura econômica. calculado pela análise fundamentalista. As principais Fontes de Pesquisa utilizadas são:    Relatórios macroeconômicos Relatórios setoriais Relatórios de administração PUC Minas 94 Sistema Financeiro Nacional . adota a hipótese de que o mercado de capitais é eficiente no longo prazo.partir da obtenção desse valor. Sua preocupação é mais voltada para os movimentos verificados no preço de mercado. A estimação do valor da ação é feita com as análises das demonstrações financeiras passadas e de projeções. é vantajoso comprar. Para isso. Se o valor da ação. 4. pelos Investimentos realizados e a realizar e pelas Fontes de financiamento. a demanda e a oferta. Estuda os fatores (valores fundamentalistas) que explicam esse valor intrínseco. da situação atual da economia e estimativas de variáveis que influenciam o valor e o preço de todas as ações e da intervenção governamental. utilizando os fundamentos econômico-financeiros para a determinação do valor da empresa. Há que se destacar a diferença de posicionamento frente ao mercado assumido por aquele que privilegia a análise técnica e o que se posiciona mais a partir da análise fundamentalista. seu “preço justo”.

utilizando métodos de valoração Teórica de Ações:   Desconto dos fluxos de caixa. Exportações e importações. utilizando o Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) Desconto dos dividendos.  Demonstrativos contábeis Meios de comunicação especializados Há dois tipos de enfoques utilizados na análise de investimento: o enfoque Top Down . Enfoque Bottom Up O enfoque Bottom Up faz o cálculo do valor de ações e compara com o valor de mercado. A análise da economia considera que a bolsa de valores deve refletir o desempenho da economia. Taxa de juros.de baixo para cima. depois analisa os setores da economia e. Enfoque Top Down O enfoque Top Down primeiro analisa a economia. as principais Variáveis estudadas são:     Nível de atividade: Consumo. Renda. Portanto. Já a análise setorial faz a comparação do setor analisado com os outros setores. analisa as empresas no setor em que atuam. PUC Minas 95 Sistema Financeiro Nacional . a capacidade de prever a macroeconomia pode traduzir-se em oportunidades de investimento. Taxa de câmbio. em seguida. Produção. Emprego. Na análise econômica. utilizando o retorno esperado da ação Índices de avaliação de ações Há índices que são bastante utilizados pelos investidores: 1) Valor Patrimonial da Ação (VPA): PatrimônioLíquido Número de Ações Analisa-se a evolução da relação Preço VPA 2) Lucro por Ação (LPA): Lucro Líquido Número de AçõesEmitidas Indica o lucro líquido por ação.de cima para baixo – e o Bottom Up .

que a empresa não gera um retorno satisfatório. 8) Valor de Mercado / Valor Patrimonial O quociente entre valor de mercado e valor patrimonial indica o quanto de valor foi agregado ao valor patrimonial da empresa. por exemplo. goodwill. em função do seu poder de gerar lucros e crescer.4. tinha um índice Valor de Mercado / Valor Patrimonial igual a 21. 4) Taxa de retorno esperada (TR): 1 P/L É o inverso do P/L e indica a lucratividade da ação. como o nome da empresa. A Coca-Cola. Assim como o índice Valor de Mercado / Valor Patrimonial o Q de Tobin maior que 1 indica a capacidade de uma empresa de gerar valor acima do exigido pelo mercado e um Q menor que 1 indica que o valor pelo qual a empresa pode ser vendida no mercado é inferior ao que se gastaria para construí-la.3) Preço/Lucro (P/L): Preço de Mercado da Ação Lucro por Ação (LPA) Indica a relação entre o preço de aquisição e o lucro unitário periódico. advindo de elementos não agregados ao patrimônio da empresa e que são valores difíceis de serem quantificados monetariamente. 9) Q de Tobin O Q de Tobin é calculado de forma semelhante: ele divide o valor de mercado do capital próprio somado ao valor de mercado do capital de terceiros (dívidas) pelo valor de reposição de seus ativos (no momento e não seu custo histórico). ou seja. O P/L indica o número de anos que o investidor em que o capital investido será recuperado. PUC Minas 96 Sistema Financeiro Nacional . 5) Dividendos por ação (DPA): Dividendos Número de AçõesEmitidas 6) Taxa de rentabilidade dos dividendos (Yeld): Dividendopor ação Pr eço Rentabilidade oferecida ao acionista somente com o pagamento dos dividendos 7) Taxa de distribuição de dividendos (Pay Out): Dividendos Lucro Líquido Proporção do lucro líquido que a companhia distribui.

PUC Minas 97 Sistema Financeiro Nacional . Por outro lado. para isso. a cada período.. temos que calcular um fluxo de caixa na perpetuidade: P0  Dt t 1  1  k  D k Que equivale a: P0  Exemplo: Para o exemplo acima. Os fluxos de caixa serão os dividendos e o valor recebido pela venda das ações.2 13 . ou política de retenção de lucros. pode-se prever com base na política de distribuição de dividendos da empresa.60 e que a taxa de retorno exigida é 30% a. Modelo Básico de Desconto O valor intrínseco da ação. para determinarmos o valor atual de uma ação. então o fluxo de caixa altera-se. é mais difícil obtermos o fluxo de caixa futuro. e a partir da rentabilidade esperada sobre o capital próprio. se o preço da ação é dado no mercado.Cálculo do valor da ação O valor de um título no momento atual é o valor presente dos fluxos de caixa futuros (esperados) dada uma taxa de rentabilidade. Essas informações podem ser obtidas. 2  2.547 Se não há o propósito de vender a ação no futuro. Mas pode-se fazer um esforço. que a ação será vendida ao final de três anos por R$ 2. pois.2 = 0. pois os valores dos fluxos de caixa não são previamente conhecidos. = 1. 1  0. a fim de prever esses valores.3 Modelo de Crescimento: Fórmula de Gordon Se a empresa tem uma política de distribuição de lucros em que uma parte deles é distribuída aos acionistas e outra é retida para a realização de investimentos.2 13 . No caso dos dividendos. calcule o valor intrínseco da ação. ou seu valor presente é dado pela seguinte fórmula: P0  tn1 1  k  Dt t  1  k n Pn em que D é o dividendo e k a taxa requerida de retorno. Exemplo: Se se projeta um dividendo de R$ 0. calcular o valor presente do fluxo de caixa futuro descontado à taxa exigida de rentabilidade. na análise das demonstrações contábeis e na pesquisa sobre as políticas da empresa. ou a TIRM. a TIR. utilizando. Em outras palavras. considere que a ação não será vendida e calcule o valor intrínseco. P0  0.67 0.20 por ação. o valor do lucro será maior em função do investimento realizado. No caso das ações. P0  0.8 133 .a. juntamente com outras. podemos calcular a rentabilidade oferecida pelo fluxo de caixa futuro.

Calcule o valor teórico da ação. 1 . considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 31% a. .31 131 1312 1313 1314 0.. Então. o dividendo no tempo 1 é igual ao dividendo no tempo 0 vezes 1 mais a taxa de crescimento..65 0. .85. que considera o valor dos dividendos crescendo a uma taxa constante g. .Pressupondo que a política da empresa não se altere.85     = 2. P0  D0 1  g  D0 1  g 2 D0 1  g 3 D 1  g     .. PUC Minas 98 Sistema Financeiro Nacional . P0 = 0.65 0.65 0.65 0. Dn = D0 (1 + g)n E.a. a cada período.. ou seja. que o crescimento dos lucros distribuídos seja constante. podemos avaliar o fluxo de caixa com o modelo de crescimento de Gordon. serão: D1 = D0 (1 + g). A formulação para calcular o valor teórico da ação é a seguinte: Os dividendos.  0 1  k  1  k 2 1  k 3 1  k  Essa perpetuidade pode ser simplificada como: P0  D1 k g E podemos obter também a rentabilidade: k D1 g P0 Exercícios Exercícios Resolvidos 1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0. ... os dividendos elevar-se-ão para R$ 0. D2 = D0 (1 + g)2 D3 = D0 (1 + g)2 . . a partir do quinto ano.65 por ação nos próximos quatro anos. .31 1314 .

. os dividendos elevar-se-ão para R$ 0. .2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$ 1.72   1 2 0.a.35 por ação. = 6. .. A taxa de crescimento dos dividendos é 11% ao ano.5% a. PUC Minas 99 Sistema Financeiro Nacional .1 3) Uma ação paga R$ 1.a. Espera-se uma taxa de 10% de crescimento constante dos dividendos. A taxa de retorno exigida é 33. A taxa de crescimento dos dividendos é 7% ao ano.a. .00.75. após os dois anos. P0 = 1 2  11 . a taxa de crescimento anual dos dividendos é 9% e está sendo comercializada por R$ 5. 4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1. e.50 por ação nos próximos três anos. e. considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 33.20 por ação. 3) Uma ação paga R$ 1. a partir do quarto ano.31 0. Espera-se uma taxa de 8% de crescimento constante dos dividendos. A taxa de retorno exigida é 33.30 de dividendos por ação.5% a. .a. = 6. 4 Exercícios Propostos 1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0.312 131 . 5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 36. . 4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1.00.. feita por uma empresa que está investindo para aumentar a produção daqui a dois anos.00 e o LPA é R$ 9.00 TR = 1 = 0.34% a. . após os três anos.  0.70 de dividendos por ação.a. Calcule o valor teórico da ação. feita por uma empresa que está investindo para aumentar a produção daqui a três anos. passará a 17% ao ano.286 0.. Calcule o retorno produzido por esse investimento. Calcule o valor teórico da ação. A taxa de retorno exigida é 31% a. Calcule o valor teórico da ação. Qual a lucratividade anual dessa ação? P/L = 36. . Calcule o retorno produzido por esse investimento. k= 13  109 . 135  1072  11 .00.25 => 25% a.00 por ação.a.09 = 0.3734 5 => a rentabilidade é 37..31 0. A taxa de retorno exigida é 31% a. 131 . P0 = 135  107 135  1072 .00 = 4 anos 9.5% a.a. passará a 10% ao ano.53 por ação. 2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$ 1.1  1. a taxa de crescimento anual dos dividendos é 8% e está sendo comercializada por R$ 15.

Qual a lucratividade anual dessa ação? Solução dos Exercícios propostos 1) Uma empresa propõe-se a pagar dividendos fixos de R$ 0. passará a 17% ao ano.5% a. . . a partir do quarto ano. Calcule o retorno produzido por esse investimento.5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 140.  0. .a.75 = 1. .50 0. após os três anos.3353 1335 . A taxa de retorno exigida é 33.5% a.08 3) Uma ação paga R$ 1.083 => 8.70 de dividendos por ação. k= 170  108 . P0 = 153  111 153  1112 153  1113 .335  0.50 0. 1335 . = 4.00. .a. 5) Calcule o P/L de uma ação cujo preço de mercado é R$ 140.70 TR = 1 = 0.335  0.5% a.50 0. .75. P0 = 100  108 . 2) Utilize a fórmula de Gordon para calcular o valor teórico de uma ação que paga dividendos de R$ 1. considerando que a taxa mínima de rentabilidade exigida é 33.00 e o LPA é R$ 11. Qual a lucratividade anual dessa ação? P/L = 140.53 por ação.50 por ação nos próximos três anos..335  13353 . . .. 12 Precificação de Ações Os modelos de precificação de ações partem da questão de que todo ativo tem um risco associado a PUC Minas 100 Sistema Financeiro Nacional .00 = 12 anos 11.23 0. a taxa de crescimento anual dos dividendos é 8% e está sendo comercializada por R$ 15. . .a.a.00 e o LPA é R$ 11.70.44    1 2 3 0.24% a.17 1. e. A taxa de crescimento dos dividendos é 11% ao ano. feita por uma empresa que está investindo para aumentar a produção daqui a três anos. os dividendos elevar-se-ão para R$ 0. A taxa de retorno exigida é 33. 153  1113  117 .70. 1335 .08 = 0. 15. = 9. Calcule o valor teórico da ação.00 4) Há uma distribuição de dividendos de R$ 1..00 por ação. . P0 = 0.49    13351 13352 13353 0.a.2024 => a rentabilidade é 20.3% a. Espera-se uma taxa de 8% de crescimento constante dos dividendos. . Calcule o valor teórico da ação.

Os ativos que se movimentam mais com a Carteira de Mercado são mais arriscados do que os que não se relacionam com ela. A variância de um investimento mede a diferença entre o retorno esperado e o retorno verificado. O risco. Além disso. O  de qualquer título é uma medida padrão do risco que ele agrega à Carteira de Mercado. Modelo de Precificação de Ativos de Capital – CAPM (Capital Asset Price Management) O modelo considera que a diversificação elimina o risco específico de cada empresa. então. de modo que a “Carteira de Mercado” contém todos os ativos com risco. Esse risco não deve ter a conotação de ser ruim. então. O risco (variância) de um investimento pode ser dividido em duas fontes: o risco específico da firma (só afeta a firma) e o risco de mercado (afeta todas as firmas).Rf] PUC Minas 101 Sistema Financeiro Nacional . O risco agregado à Carteira de Mercado é medido pela covariância do título com a Carteira. Já que a covariância da Carteira de Mercado consigo mesma é a variância da Carteira de Mercado. porque os movimentos não relacionados são eliminados com a agregação do ativo à Carteira de Mercado. Mede-se o risco não diversificável com o . oportunidade de ganhos maiores do que a média. padronizado em torno de 1 e procura-se utilizar o b para calcular o retorno esperado.  do ativo = Covariância do Retorno do Ativo em relação ao Retorno Médio do Mercado Variância do Retorno Médio do Mercado O CAPM. na prática pela sua variância. o risco está associado à variação esperada dos retornos de um investimento e pode significar. é a medida do risco não diversificável. Desse modo. que pode ser chamado de risco diversificável e assume que a diversificação não tem custo e que todos os ativos podem ser negociados. todo investidor mantém alguma combinação de ativos sem risco (títulos públicos) e de ativos da Carteira de Mercado. Mas a covariância não é uma medida padrão do risco do mercado. do ativo médio. se menos arriscado. No caso dos modelos de precificação. o  do título. seu  é menor que 1. seu  é maior que 1. Ao dividir a covariância de um título em relação à Carteira de Mercado pela variância da Carteira de Mercado. é medido pela variação do retorno do título.ele e que quanto maior o risco maior a rentabilidade exigida pelo investidor. em vez de perda. no modelo. o  da Carteira de Mercado é 1. usa a variância como medida de risco e considera que apenas a parte da variância que não é diversificável é remunerada. obtemos uma medida padrão. de ser perda. Retorno Esperado do Ativo i= Taxa Livre de Risco +  Prêmio de Risco = retorno extra exigido para investir no ativo i Retorno Esperado para o acionista = Rf +  do ativo x [E(Rm) . Mensurando o Risco de um ativo O risco de qualquer ativo é o risco que ele adiciona à Carteira de Mercado. com a diversificação. Se um título é mais arriscado do a Carteira de Mercado.

6. J. estatísticas e indicadores com base nos preços de mercado e volume de negociações. PÓVOA. 2001.gov.com. de modo que. o qual deve ser comparado ao preço de mercado e analisadas duas situações: se o preço de mercado estiver abaixo do valor justo. gerado pela empresa.br www. Mercado de Capitais: fundamentos e técnicas.analistademercado.Rf = Taxa livre de risco E(Rm) = Retorno esperado do Índice de Mercado Como retorno do Índice de Mercado utiliza-se um índice de Bolsa de Valores representativo do mercado como um todo.br www. São Paulo: Globo. Z.br www. de baixa ou de indefinição.com.br www. Mercado de Capitais.br PUC Minas 102 Sistema Financeiro Nacional . ou seja. a partir de gráficos. Valuation: como precificar ações.br www. Y. 3ª ed. o comportamento do mercado pode ser de alta.br www.infomoney. www.com. se há a avaliação de que o preço está baixo ou alto. o valor presente desse fluxo de caixa é considerado o valor justo para a ação. Porto Alegre: Bookman. há potencial de alta do preço de mercado e. se o preço de mercado estiver acima do valor justo. Observando-se.nelogica.timing. Na análise de investimento em uma ação. Rio de Janeiro: Campus. 2004. portanto. São Paulo: Atlas.br www.2 Análise Técnica A análise técnica é a o acompanhamento das cotações.leandrostormer. ISBN 85352-0942-5 PINHEIRO.com. pode-se segui-las comprando no início de uma tendência de alta e vendendo no início de uma baixa.br www. A partir dessa avaliação. L. J.com. há potencial de baixa do preço de mercado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BODIE. a taxa de retorno esperada pelo acionista será utilizada como taxa de desconto para o fluxo de caixa do acionista. as tendências de alta ou de baixa.bovespa. 2005. MISUMI. 2000 CAVALCANTI. 373p. 3ª ed. A. 4. o recomendável é utilizar o IBX da Bovespa.dojistar. No Brasil.bastter.com. Fundamentos de Investimento. Essa análise procura identificar o sentimento do mercado.com. F.com.cvm.

Para tanto. Swaps e Opções. registro. Destaca-se. índices. Distinguem-se dos demais contratos. para negociação de títulos e/ou contratos que possuam como referência ativos financeiros. o que significa que são equiparáveis. registro. organizar e operacionalizar mercados livres e transparentes.BM&F O objetivo maior da BM&F é efetuar o registro. de moedas e de taxas de juros. da adequação desses sistemas e mecanismos. das operações realizadas em pregão ou em sistema eletrônico. em face das operações efetuadas em seus pregões e/ou registradas em quaisquer de seus sistemas de negociação. a fim de divulgar as transações com rapidez e abrangência. taxas.5. 5. nesse particular. aos adotados pelo mercado local. a compensação e a liquidação.1 BOLSA DE MERCADORIAS & FUTURO . indicadores. Além disso. compensação e liquidação adequados à realização de operações de compra e de venda. PUC Minas 103 Sistema Financeiro Nacional . em julho de 2002. a Termo. bem como desenvolver. compensação e liquidação. pelo órgão regulador do mercado norte-americano a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) -. MERCADO DE DERIVATIVOS Derivativos são contratos cujos valores derivam de outros ativos. possui mecanismos para acompanhar e regular seus mercados e normas que asseguram aos participantes de seus mercados o adimplemento das obrigações assumidas. São contratos de Futuros. dotando-os de todas as facilidades e aprimoramentos tecnológicos necessários. porque permitem proteção contra riscos de preços (hedge) e apostas em variações de preços. Categorias de derivativos:     Taxas de juros Taxas de câmbio Commodity (mercadoria) Índices de ações As finalidades dos participantes são:    Fazer hedge: proteger-se contra movimentos adversos no futuro Especular: apostar em movimentos de preços futuros para obter ganhos Fazer arbitragem: tirar proveito da diferença na variação entre o preço de dois ativos ou dois mercados Os contratos são negociados no balcão ou na BM&F. o reconhecimento. nas modalidades a vista e de liquidação futura. física e financeira. mercadorias e moedas. mantém local e sistemas de negociação. perante a CFTC.

Nos preços dos contratos está embutido um prêmio sobre os preços à vista que reflete o custo de carregamento até o vencimento. A BM&F exige um capital mínimo para o agente de compensação e oferece como garantias:      Margens depositadas Garantias e títulos de propriedade da corretora Garantias e títulos de propriedade do agente de compensação Fundo da BM&F Patrimônio da BM&F 5. Essa “promessa” pode ser encerrada ou transferida a terceiros antes do vencimento. treinamentos e publicações. regulamentares e operacionais. O Contrato de Futuro representa um compromisso (promessa) de compra ou venda de determinada quantidade de um bem. (b) (c) (d) (e) regulamenta e fiscaliza as negociações e as atividades de seus associados.No âmbito de seu poder de auto-regulação. para liquidação numa data futura. bem como os de seus associados. (g) dissemina a cultura dos mercados de derivativos no País. aplica penalidades aos infratores das normas legais. A liquidação Ocorre na Câmara de Liquidação e Custódia (Clearing House). direta ou indiretamente. Concede crédito operacional a seus associados. a Bolsa de Mercadorias & Futuro: (a) Estabelece normas visando à preservação de princípios eqüitativos de negociação e comércio e de elevados padrões éticos para as pessoas que nela atuam. a um preço livremente acordado entre as partes. por meio de eventos educacionais. Para assePUC Minas 104 Sistema Financeiro Nacional .3 MERCADO FUTURO O Mercado Futuro pode ser considerado um aperfeiçoamento do Mercado a Termo. resolve questões operacionais. junto às autoridades constituídas. de acordo com seus programas e objetivos.2 MERCADO A TERMO No contrato a termo. (f) defende seus interesses. o investidor compromete-se a comprar ou vender uma certa quantidade de uma ação (ação-objeto) por um preço fixado dentro de prazo predeterminado As garantias do contrato são:   Cobertura: depósito dos títulos na Bovespa Margem: percentual do valor do contrato – no mínimo 20% e no máximo 100% As garantias podem sofrer ajustes. 5.

O comprador ganha se o preço sobe e o vendedor ganha quando o preço cai. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. ISBN 8522418403 : (Broch. ISBN 8529300207 MARINS. Derivativos: definições. mas direitos sobre eles. Direitos de uma parte comprar ou vender à outra. 2004. Mercados derivativos e análise de risco. Lauro de Araújo.4 MERCADO DE OPÇÕES No Mercado de Opções não se negociam ativos. 143p. Introdução aos mercados futuros e de opções. 1998.br PUC Minas 105 Sistema Financeiro Nacional . 282p.gurar o cumprimento dos compromissos são depositadas margens de garantia. 5. e ampl. até determinada data. Antonio Carlos.com. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FIGUEIREDO. se desistir. SILVA NETO. ISBN: 85-98162-02-7. 2. São Paulo: Bolsa de Mercadorias & Futuros: Cultura. 2. Introdução aos derivativos. rev. o Comprador do direito de compra Paga o prêmio e Pode desistir. certa quantidade de ativos-objetos. Para ter os direitos. São Paulo: Atlas. 2v. por exemplo: troca de pagamentos de juros pós-fixados por prefixados. emprego e risco. São negociadas Opções sobre:       Ações Índices de bolsa Taxas de juros Títulos ou Bônus Câmbio ou divisas Futuros Nas Opções de Compra (Call Options) o Vendedor do direito de compra recebe o prêmio e não pode desistir. www.5 SWAP Swaps são acordos entre as partes para a troca de fluxos de caixa futuros como.). ISBN 8522102813 HULL. o titular paga um prêmio e. 2002. o perde. Rio de Janeiro: AMS Editora. o Vendedor do direito de venda (lançador) Recebe o prêmio e Não pode desistir. ed. 6. Neste caso diz-se que ele deixou o papel (contrato) virar pó. Andre Cabral. 1996. John. Nas Opções de Venda (Put). 2 v. já o Comprador do direito de venda (titular) Paga o prêmio e Pode desistir (deixar virar pó).bmf.

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