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Conhec. Pedagógicos SEMEC - N11 Cadernão, Prof. Osvaldo

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CURSO LIDERANÇA

“A melhor equipe para concursos públicos”

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS EDUCAÇÃO, TRABALHO E CIDADANIA: A EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O DESAFIO DA FORMAÇÃO NO ATUAL CENÁRIO HISTÓRICO (Antônio J. Severino). A humanidade vive, hoje, um momento de sua história marcado por grandes transformações, decorrentes, sobretudo do avanço tecnológico, nas diversas esferas de sua existência: na produção econômica dos bens naturais; nas relações políticas da vida social; e na construção cultural. Esta nova condição exige um redimensionamento de todas as práticas mediadoras de sua realidade histórica, quais sejam, o trabalho, a sociabilidade e a cultura simbólica. Espera-se, pois, da educação, como mediação dessas práticas, que se torne, para enfrentar o grande desafio do 3º milênio, investimento sistemático nas forças construtivas dessas práticas, de modo a contribuir mais eficazmente na construção da cidadania, tornando-se fundamentalmente educação do homem social. A educação, como processo pedagógico sistematizado de intervenção na dinâmica da vida social, é considerada hoje objeto priorizado de estudos científicos com vistas à definição de políticas estratégicas para o desenvolvimento integral das sociedades. Ela é entendida como mediação básica da vida social de todas as comunidades humanas. Esta reavaliação, que levou à sua revalorização, não pode, no entanto, fundar-se apenas na sua operacionalidade para a eficácia funcional do sistema socioeconômico, como muitas vezes tendem a vê-la as organizações oficiais, grandes economistas e outros especialistas que focam a questão sob a perspectiva da teoria do capital humano. Sem dúvida, a existência real dos homens é profundamente marcada pelos aspectos econômicos, até porque esta dimensão econômica, devidamente entendida, constitui mesmo uma referência condicionante para as outras dimensões da vida humana, uma vez que ela se liga à própria sobrevivência da vida material. Porém, a significação dos processos sociais e, no seu âmbito, dos processos educacionais não se restringe a essa sua funcionalidade operatória. Se, de um lado, é a realidade dos fatos que permite que a educação tenha alguma incidência social, de outro, essa eficácia só ganha legitimidade humana se se referir a significações que ultrapassem sua mera facticidade e seu desempenho operacional. A Nova Ordem Mundial: a Promessa. De acordo com um senso comum atualizado, vigente nos meios acadêmicos, nos meios de comunicação e até mesmo nos meios populares, estaríamos vivendo hoje um mundo totalmente diferente daquele projetado pela visão iluminista da modernidade, constituindo uma nova ordem mundial. Estaríamos vivendo um momento de plena revolução tecnológica, capaz de lidar com a produção e transmissão de informações em extraordinária velocidade, num processo de globalização não só da cultura, mas também da economia e da política. Tratarse-ia de um momento marcado pelo privilegiamento da iniciativa privada, pela minimalização da ingerência do Estado nos negócios humanos, pela maximalização das

leis do mercado, pela ruptura de todas as fronteiras. Tal situação leva Octavio Ianni (1998:28) a afirmar que “o que está em causa é a busca de maior e crescente produtividade, competitividade e lucratividade, tendo em conta mercados nacionais, regionais e mundiais. Daí a impressão de que o mundo se transforma no território de uma vasta e complexa fábrica global e, ao mesmo tempo, em shopping center global e disneylândia global”. No entanto, este modo de ver e existir atuais, de perfil assumidamente neoliberal, com suas decorrências e expressões no plano cultural, com sua exacerbação do individualismo, do produtivismo, do consumismo, da indústria cultural, da mercadorização até mesmo dos bens simbólicos, não instaura nenhuma pósmodernidade. Com efeito, o que está de fato acontecendo é a plena maturação das premissas e promessas da própria modernidade. Nada mais moderno do que esta expansão e consolidação do capitalismo, envolvido numa aura ideológica de liberalismo extremado; nada mais moderno do que esta tecnicização, viabilizada pela revolução informacional. Finalmente, a modernidade está realizando as promessas embutidas em seu projeto civilizatório. Nada mais moderno do que o individualismo egoísta dos dias de hoje. No fundo, é a mesma racionalidade que continua dirigindo os rumos da história humana, em que pesem as críticas que são feitas à sua forma de expressão até o século 19. Educação E Formação do Homem Social Ao contrário do que sempre alegaram a metafísica tradicional e a ciência moderna, todas as formas de manifestação concreta da existência humana se realizam mediante a ação real, o agir prático. Com efeito, a substância do existir é a prática. Só se é algo mediante um contínuo processo de agir, só se é algo mediante a ação. Assim, diferentemente do que pensavam os metafísicos clássicos, não é o agir que decorre do ser, mas é o modo de ser que decorre do agir. É a ação que delineia, circunscreve e determina a essência dos homens. É na e pela prática que as coisas humanas efetivamente acontecem, que a história se faz. Este é o sentido da historicidade da existência humana, ou seja, os homens não são a mera expressão de uma essência metafísica predeterminada, nem a mera resultante de um processo de transformações naturais que estariam em evolução. Ao contrário, naquilo em que são especificamente humanos, eles são seres em permanente processo de construção. Nunca estão prontos e acabados, nem no plano individual, nem no plano coletivo, como espécie. Por sobre um lastro de uma natureza físico-biológica prévia, mas que é préhumana, compartilhada com todos os demais seres vivos, eles vão se transformando e se reconstruindo como seres especificamente humanos, como seres “culturais”. E isso não apenas na linha de um necessário aprimoramento, de um aperfeiçoamento contínuo ou de progresso: ao contrário, estas mudanças transformativas, decorrentes de sua prática, podem ser regressivas, nem sempre sinalizando para uma eventual direção de aprimoramento de nosso modo de ser. O que é importante observar é que os seres humanos vão sendo aquilo que se vão fazendo e este fazer-se, este constituir se só se dá mediante a ação e não pelos seus desejos, pelos seus pensamentos e teorias. Assim, a educação não poderá mais ser vista como processo mecânico de desenvolvimento de

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potencialidades. Ela será necessariamente um processo de construção, ou seja, uma prática mediante a qual os homens estão se construindo ao longo do tempo. Educação como Mediadora da Existência Histórica Pode-se então equacionar a existência humana como se dando mediada pelo tríplice universo do trabalho, da sociedade e da cultura. Como os três ângulos de um triângulo, esses três universos se complementam e se implicam mutuamente, um dependendo do outro, a partir de sua própria especificidade. É nesse contexto que se pode entender as relações do conhecimento com o universo social. Com efeito, o conhecimento pressupõe um solo de relações sociais, não apenas como referência circunstancial, mas como matriz, como placenta que nutre todo seu processamento. Entretanto, essa trama de relações sociais em que se tece a existência real dos homens, como se viu antes, não se caracteriza apenas pelas relações de gregaridade dos indivíduos, tal qual ocorre nas “sociedades” animais, mas sobretudo por relações de hierarquização, envolvendo o elemento específico a interferir no social humano, o poder, que torna política a sociedade. O saber aparece, portanto, como instrumento para o fazer técnico-produtivo, como mediação do poder e como ferramenta da própria criação dos símbolos, voltando-se sobre si mesmo, ou seja, é sempre um processo de intencionalização. Assim, é graças a essa intencionalização que nossa atividade técnica deixa de ser mecânica e passa a se dar em função de uma projetividade, o trabalho ganhando um sentido. Do mesmo modo, a atividade propriamente política se ideologiza e a atividade cultural transfigura a utilidade pragmática imediata de todas as coisas. Como entender então a educação nesse contexto das mediações histórico-sociais que efetivamente manifestam e concretizam a existência humana na realidade? Ela deve ser entendida como prática simultaneamente técnica e política, atravessada por uma intencionalidade teórica, fecundada pela significação simbólica, mediando a integração dos sujeitos educandos nesse tríplice universo das mediações existenciais: no universo do trabalho, da produção material, das relações econômicas; no universo das mediações institucionais da vida social, lugar das relações políticas, esfera do poder; no universo da cultura simbólica, lugar da experiência da identidade subjetiva, esfera das relações intencionais. A educação só se legitima intencionalizando a prática histórica dos homens. Com efeito, se se espera, acertadamente, que a educação seja de fato um processo de humanização, é preciso que ela se torne mediação que viabilize, que invista na construção dessas mediações mais básicas, contribuindo para que elas se efetivem em suas condições objetivas reais. Ora, esse processo não é automático, não é decorrência mecânica da vida da espécie. É verdade que, ao superar a transitividade do instinto e com ela a univocidade das respostas às situações, a espécie humana ganha em flexibilidade, mas, ao mesmo tempo, torna-se vítima fácil das forças alienantes, uma vez que todas as mediações são ambivalentes: constituem, simultaneamente, o lugar da personalização, e o lugar da desumanização, da despersonalização. Assim, a vida individual, a vida em sociedade, o trabalho, as formas culturais e as vivências subjetivas podem estar levando não a uma forma mais adequada de existência, da perspectiva humana, mas antes a

formas de despersonalização individual e coletiva, ao império da alienação. Sempre é bom não perder de vista que o trabalho pode degradar o homem, a vida social pode oprimi-lo e a cultura pode aliená-lo, ideologizando-o. Daí se esperar da educação que ela se constitua, em sua efetividade prática, um decidido investimento na consolidação das forças construtivas dessas mediações. É por isso que, ao lado do investimento na transmissão aos educandos, dos conhecimentos científicos e técnicos, impõe-se garantir que a educação seja mediação da percepção das relações situacionais, que ela lhes possibilite a apreensão das intrincadas redes políticas da realidade social, pois só a partir daí poderão se dar conta também do significado de suas atividades técnicas e culturais. Por outro lado, cabe ainda à educação, no plano da intencionalidade da consciência, desvendar os mascaramentos ideológicos de sua própria atividade, evitando assim que se instaure como mera força de reprodução social e se torne força de transformação da sociedade, contribuindo para extirpar do tecido desta todos os focos da alienação. FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA: RELAÇÃO ESCOLA E SOCIEDADE A escola, ao caracterizar-se como estabelecimento de educação ou de ensino, em de ser vista como organização e instituição. Seu fazer educativo não se confunde com o que acontece na família, no trabalho, na mídia, no lazer e nas demais formas de convívio social. A escola também não se confunde com a comunidade, a autarquia local, associações ou sindicatos. A escola é, antes de mais nada, uma organização, isto é, uma unidade social criada e estruturada explicitamente para realizar determinados fins (por exemplo: educação, ensino, formação. O que a distingue da família é a existência de um aparelho de autoridade (por exemplo, órgãos de administração e gestão) e de um corpo de regras, normas e procedimentos (por exemplo, regimento, regulamento interno, projeto educativo),formalmente instituídos para atingir um certo número de objetivos, alguns dos quais podem (e devem) ser igualmente prosseguidos pela família e outras instâncias de socialização (MUSGRAVE, 1979; HAECHT, 1992; PINTO, 1977). Mas a escola, tal como a empresa, não pode ser vista apenas sob o aspecto formal (o organograma, o estatuto, a missão oficial, o regulamento, as competências dos órgãos de administração e gestão). À semelhança do iceberg a escola tem uma parte imediatamente não visível (ou manifesta), porque submersa (ou latente): 1) são as relações informais que os membros (pessoal docente e não docente, alunos, pais e encarregados de educação, outros representantes da comunidade) estabelecem entre si; 2) essas relações, sobretudo, relações de poder (saber/não saber, ensino/aprendizagem, conformidade/desvio). Enquanto organização, a escola tem sido pouco estudada. Todavia, ela pode ser vista segundo diferentes modelos sociológicos; por exemplo, Burgess (1980) centrou a sua atenção em três abordagens. Convém, no entanto, começar por recorda que ela é, antes de mais, uma instituição e que patê de um sistema de ação a que chamamos a educação (ou sistema educativo). A Escola como Instituição

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A escola não existe num vácuo (social, cultural, administrativo ou político), ela articula-se com diferentes sistemas de ação que a modelam e legitimam (a começar pelo /estado, o poder legislativo, executivo e judicial, passando pelo mercado de trabalho, as empresas, a proteção social, a saúde, a ciência, e a tecnologia, as associações profissionais, as associações de pais e encarregados de educação, as autarquias); em suma, a escola articula-se com o sistema social mais vaso de que faz parte (Estado e sociedade civil, incluindo a família). Tanto a saúde como a educação são, por excelência, instituições, ou seja, conjuntos de idéias, crenças, valores e normas de comportamento propostos (e muitas vezes impostos) ao indivíduo numa dada sociedade. Para compreender as normas, as regras, os valores e as finalidades da escola e as transformações históricas por que tem passado, teremos que levar em conta o papel dos seus atores externos: todo os que são (ou foram) detentores de interesses específicos no campo da educação e do ensino. A escola, tal como a conhecemos hoje (universal, gratuita, laica, de freqüência obrigatória etc.), não pode ser desligada do contexto da luta de classes que deu origem ao estado moderno (a reforma, a ascensão econômica, política e cultural da burguesia, o Século das Luzes, a Revolução Industrial). • Com a Revolução Francesa, o Estado burguês vai nacionalizar o ensino, substituindose, desse modo, a Igreja. • Na esteira de Pombal e dos primeiros reformadores liberais, a república portuguesa vai inspirar-se nas leis escolares de Jules Ferry, e transformar a escola na Nova Igreja Cívica do Povo”. • Apoderando-se do antigo carisma dos homens da Igreja, o professor é posto no altar, promovido a “sacerdote do ensino”, a “apóstolo (laico) da religião social”, de acordo com a ideologia positivista que transparece dos diplomas legais que estão na origem da reforma do ensino primário (1911) e do técnico (1917) (FORMOSINHO e MACHADO, 2000, p. 99). A escola como organização como tantas outras (as empresas, os partidos políticos, as associações sindicais, os tribunais, as igrejas, os hospitais etc.). E, como tal, tem sido objeto de análise sociológica (e sobretudo psicosociológica), na medida em que é constituída por diferentes indivíduos e grupos, reunidos em função de um determinado objetivo e estabelecendo entre si determinados tipos de relações, de trabalho e de poder. Ao foca essencialmente o modo como os alunos poderão aprender mais matemática, ciências, história etc. (o que, certamente, não é um problema insignificante), negligenciou-se o amplo contexto em que as escolas existem, um contexto que pode mesmo dificultar o progresso dos alunos. Por um lado, não tem sido dada a devida atenção ás complexidades da interação diária na escola, ao processo educativo e à dinâmica interna da instituição. Por outro, as tendências internas da escola são desligadas do contexto ideológico, econômico e político em que estão inseridas. Enquanto instituição e organização, da escola é possível, todavia, fazer uma análise comparativa em diferentes contextos históricos, e encontrar traços ou características comuns:

1) A escola como organização tem sido em cada época uma missão ou finalidade própria, manifesta ou latente, explícita ou implícita, qualquer que seja o seu sistema de funcionamento ou o seu estatuto jurídico-legal (laico ou religioso, público ou privado etc.). 2) Além disso, e (cada vez mais) o local de trabalho de grupos socioprofissionais muito particulares, que diretamente afetam o processo educativo (professores, pedagogos, psicólogos), com funções de administração e gestão. 3) Tem um sistema de poder e de autoridade, embora diferente de outras organizações, como as empresas, dada a importância e o peso do seu staff profissional, nomeadamente de há um século para cá. 4) Tem, igualmente, um sistema técnico e organizacional de trabalho, se bem que é diferente da empresa que transforma matériasprimas em produtos acabados, já que o seu objeto de trabalho são seres humanos (crianças, adolescentes, jovens adultos). 5) Tem, por fim, uma cultura muito própria, ligada a ideologias e estratégias profissionais dos professores, não obstante o processo de racionalização da organização do trabalho educativo e de proletarização a que está hoje submetido o pessoal docente (em sua maioria do sexo feminino) (APPLE, 2002). O que distingue a escola de uma empresa é o fato de poder ser classificada categoria das organizações especializadas (ETZIONI, 1967, P. 117-128), ou seja, aquelas que são estabelecidas com o fim específico de criar, aplicar, manter ou comunicar o conhecimento, e empregando, no mínimo, 50% de especialistas ou profissionais. À escola sabe ensinar, isto é, garantir a aprendizagem de certas habilidades e conteúdos que são necessários para a vida em sociedade. Nesse sentido, como ela pode contribuir no processo de inserção social das novas gerações? Oferecendo instrumentos de compreensão da realidade local e, também, favorecendo a participação dos educandos em relações sociais diversificadas e cada vez mais amplas. A vida escolar possibilita exercer diferentes papéis, em grupos variados, facilitando a integração dos jovens no contexto maior. Para cumprir sua função social, a escola precisa considerar as práticas de nossa sociedade, sejam elas de natureza econômica, política, social, cultural, ética ou moral. Tem que considerar também as relações dietas ou indiretas dessas práticas com os problemas específicos da comunidade local a que presta serviços. A consciência política dos professores deve convergir para o trabalho que se faz dentro da escola. Numeroso contingente de alunos provenientes das camadas populares matricula-se na escola e os próprios pais fazem sacrifícios para mantê-los estudando. O ensino é uma tarefa real, concreta, que expressa o compromisso social e político do professor, pois o domínio das habilidades de ler e escreve, dos conhecimentos científicos da História, da /geografia, da Matemática e das ciências, é requisito para a participação dos alunos na vida profissional, na política e sindical, e para enfrentar situações, problemas e desafios da vida prática. Um ensino de baixa qualidade empurra as crianças, cada vez mais, para a marginalização social.

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Há, pois, um trabalho pedagógico-didático a se efetivar dentro da escola, que se expressa no planejamento do ensino, na formulação dos objetivos, na seleção dos conteúdos, no aprimoramento de métodos de ensino, na organização escolar e na avaliação. Ligar a escolarização às lutas pela democratização da sociedade implica, pois, que a escola cumpra a tarefa que lhe é própria: promover o ensino. Democratização do ensino significa, basicamente, possibilitar aos alunos o melhor domínio possível das matérias, dos métodos de estudo, e, por meio disso, o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais, com especial destaque à aprendizagem da leitura e da escrita. A escola é um meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas, na medida em que possibilita às classes populares, ao terem o acesso ao saber sistematizado e às condições de aperfeiçoamento das potencialidades intelectuais, participarem ativamente do processo político, sindical e cultural. Uma pedagogia voltada para os interesses populares, de transformação da sociedade, compreende o trabalho pedagógico e docente como o processo de transmissão/assimilação ativa dos conteúdos escolares, inserido na totalidade mais ampla do processo social. É uma pedagogia que articula os conhecimentos sistematizados com as condições concretas de vida e de trabalho dos alunos, suas necessidades, interesses e lutas. Indubitavelmente, um dos fatores que mais concorrem para a permanência dos quadros nacionais de fracasso escolar é o descompasso entre a escola e a comunidade, cultura e aprendizagem. Tais argumentos sustentam a evidência de que não aprendemos só pelo repertório de habilidades, pelo potencial de inteligência ou pela disponibilidade de estruturas cognitivas, mas, também, pelo que somos, buscamos, concebemos, valorizamos e fazemos. Cultura e aprendizagem são faces inseparáveis na condução do ensino e decisivas na constatação de seus resultados. Assim como se pode dirigir o curso de aprendizagem em uma única trajetória, não se podem controla os significados atribuídos ao saber ou aos usos do conhecimento conquistado. Peando a partir de parâmetros elitistas, etnocêntricos e didaticamente inflexíveis, a prática pedagógica leva ao fracasso, pois não está preparada para lidar com a pluralidade de contextos. Em síntese, muitas escolas não falam a mesma língua de seus alunos. O produto desse diálogo de mudos e surdos são os mecanismos de seleção e exclusão, frente aos quais muitos alunos reagem ativamente, mesmo que sob a forma da inteligência contra si mesmo. AS TEORIAS PEDAGÓGICAS MODERNAS (José Carlos Libâneo). Penso ser acertado dizer que as teorias modernas da educação são aquelas gestadas em plena modernidade, quando a idéia de uma formação geral para todos toma lugar na reflexão pedagógica. Comênio lança em 1657 o lema do “ensinar tudo a todos” e, não por acaso, é considerado o arauto da educação moderna. O movimento iluminista do século XVIII fortalece essa idéia de formação geral, válida para todos os homens, como condição de emancipação e esclarecimento. As teorias pedagógicas modernas estão ligadas, assim, a acontecimentos cruciais como a Reforma Protestante, o Iluminismo, a Revolução Francesa, a formação dos Estados Nacionais, a industrialização. Pedagogos como Pestalozzi, Kant, Herbart, Froebel, Durkheim, Dewey vão consolidando

teorias sobre a prática educativa assentadas na manutenção de uma ordem social mais estável, garantidas pela racionalidade e pelo progresso em todos os campos, especialmente na ciência. São também teorias fincadas nas idéias de natureza humana universal, de autonomia do sujeito, de educabilidade humana, de emancipação humana pela razão de libertação da ignorância e do obscurantismo pelo saber. Especificamente na pedagogia, o discurso iluminista acentua o papel da formação geral, o poder da razão no processo formativo, a capacidade do ser humano de gerir seu próprio destino, de ter autodomínio, de se comprometer com o destino da história em função de ideais. As teorias modernas da educação hoje apresentam-se em várias versões, variando das abordagens tradicionais às mais avançadas, conforme se situem em relação aos seus temas básicos: a natureza do ato educativo, a relação entre sociedade e educação, os objetivos e conteúdos da formação, as formas institucionalizadas de ensino, a relação educativa. A literatura internacional e a nacional dispõem de conhecidas classificações de teorias da educação ora chamadas de tendências ou correntes, ora de paradigmas. Em âmbito internacional são conhecidos os trabalhos de Guy Palmade, Robert Clausse, Jesus Palácios, Georges Snyders, Bogdan Suchodolski, Renée Gilbert, Bernard Charlot, entre outros. Em âmbito nacional há os trabalhos de Dermeval Saviani, José Carlos Libâneo, Maria das Graças Misukami, Moacir Gadotti, entre outros. Sem pretender retomar as abordagens teóricas que resultam nas classificações de teorias pedagógicas, são modernas a pedagogia tradicional, a pedagogia renovada, o tecnicismo educacional, e todas as pedagogias críticas inspiradas na tradição moderna como a pedagogia libertária, a pedagogia libertadora, a pedagogia crítico-social. Um olhar sobre as práticas pedagógicas correntes nas escolas brasileiras mostra que tais tendências continuam ativas e estáveis, mantendo seu núcleo teórico forte, ainda que as pesquisas dos últimos anos venham mostrando outras nuanças, outros focos de compreensão teórica, outras formas de aplicabilidade pedagógica. A meu ver, não há outras boas razões para alterar essa classificação. Isso não significa que não se apontem novas tendências, algumas já experimentadas em nível operacional, outras ainda restritas ao mundo acadêmico. Esquematicamente, essas teorias apresentam como características em comum: + Acentuação do poder da razão, isto é, da atividade racional, científica, tecnológica, enquanto objeto de conhecimento que leva as pessoas a pensarem com autonomia e objetividade contra todas as formas de ignorância e arbitrariedade. + Conhecimentos e modos de ação, deduzidos de uma cultura universal objetiva, precisam ser comunicados às novas gerações e recriados em função da continuidade dessa cultura. + Os seres humanos possuem uma natureza humana básica, postulando-se a partir daí direitos básicos universais. + Os educadores são representantes legítimos dessa cultura e cabe-lhes ajudar os alunos a internalizarem valores universais, tais como racionalidade, autoconsciência, autonomia, liberdade, seja pela intervenção pedagógica direta seja pelo esclarecimento de valores em âmbito pessoal.

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A partir desse conjunto de ideais, as pedagogias modernas, nos seus vários matizes, adquirem suas peculiaridades, formulando distintos entendimentos sobre as formas de conhecimento, função da ciência, conceito de liberdade etc., sem, todavia, renunciar à idéia de criação de uma sociedade racional. Uma herança comum dessas teorias, vista pelos críticos como negativa, é que em nome da razão e da ciência se abafam o sentimento, a imaginação, a subjetividade e, até, a liberdade, à medida que a razão institui-se como instrumento de dominação sobre os seres humanos. Nesse sentido, a questão problemática na racionalidade instrumental é a separação entre razão e sujeito, entre o mundo científico e tecnológico e o mundo da subjetividade. Outra questão problemática refere-se as conseqüências da grande acumulação de conhecimentos científicos e técnicos produzidos pela modernidade. Entre elas, a mais típica foi a constituição de campos disciplinares isolados, fragmentados, ignorando o conjunto de que faz par te e a per da de significação. Com isso, a própria sociedade reproduz essa fragmentação, disso ciando a cultura, a economia, a política, o sistema de valores, a personalidade. Quadro das Tendências Pedagógicas. Pedagogia Liberal Pedagogia Progressista 1. Tradicional 1. Libertadora 2. Renovada progressista 2. Libertária 3. Renovada Não- 3. Crítico social dos Diretiva Conteúdos 4. Tecnicista Reforça e justifica a Fundamenta-se na sociedade de classes, na análise crítica da medida em que realidade social. compreende a escola Compreensão da como preparadora de educação como processo indivíduos para o sócio-político. desempenho de papéis sociais, de acordo com suas aptidões. Fonte: LIBÂNEO – Didática. São Paulo: Cortez, 1994. Cada tendência é marcada por características que as distinguem das demais. 1. Pedagogia Liberal: primeiramente, precisamos pensar o que significa a palavra liberal neste contexto. Segundo Libâneo (1992, p. 21), o termo liberal não tem o sentido de ‘avançada’, ‘democrático’, ‘aberto’, como costuma ser usado. A doutrina liberal apareceu como justificação do sistema capitalista que, ao defender a predominância da liberdade e dos interesses individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção, também denominada sociedade de classes. Portanto, nos últimos 60 anos os professores têm adotado esta pedagogia, ora adotando um caráter mais conservador, ora mais um renovado, m as sempre tendo como objetivo preparar os alunos para desempenharem papéis sociais de acordo com as suas aptidões individuais. Para isso, segundo Libâneo (1992), os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes. 1.1. Pedagogia Liberal tradicional: A pedagogia tradicional teve sua vigência do período que vai dos jesuítas até os anos que precedem o lançamento do Movimento dos Pioneiros da Educação Nova (LIBÂNEO,

2000, p. 87). Mas sabemos que esta tendência continua prevalecendo na prática educativa atual. É caracterizada por ser centrada na figura do professor, que geralmente, utiliza-se da oralidade para transmitir seus conhecimentos aos alunos, que devem prestar a máxima atenção às palavras deste para aprender. Nesta tendência, acredita-se que o aluno aprende por ouvir o professor, visualizar objetos, mapas, gravuras e por realizar exercícios repetitivos: lembram-se quando o professor pedia para fazermos cinco vezes cada cópia? Ou cem vezes a tabuada? Pois é, assim pensavam que aprenderíamos mais rapidamente. Com isto, objetiva-se formar um aluno ideal, desvinculado da sua realidade concreta. O objetivo inicial desta pedagogia, que era o de formação indivíduo, fica hoje descaracterizado, com um ensino meramente decorado, sem sentido, reduzido à simples memorização de conteúdos desconexos da realidade do aluno. 1.2. Pedagogia Liberal Renovada Progressista: Esta pedagogia está baseada na teoria de John Dewey, autor que acreditava na idéia da relação entre teoria e a prática e na crença de que o conhecimento é construído quando compartilhamos experiências, num ambiente democrático. Portanto, o objetivo desta pedagogia é formar o indivíduo para atuar no meio, por isso deve-se “adequar as necessidades individuais ao meio social” (LIBÂNEO, 1992, p. 85), e por isso também, a escola deve fornecer ao aluno a oportunidade de experienciar, para que satisfaça os interesses deste às exigências sociais. 1.3. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva: A escola nesta tendência tem o papel de formar atitudes. Para tanto, o professor deve ser facilitador como diz Carl Rogers, principal teórico que aborda esta tendência. Para este autor, o professor deve aceitar a pessoa do aluno, fazendo com este se autodesenvolva, a partir da busca daquilo que é de seu interesse, adequando sua pessoa àquilo que o ambiente solicita. Como diz Libâneo (1992), “o resultado de uma boa educação (na tendência não-diretiva) é muito semelhante ao de uma boa terapia” (p. 27). 1.4. Tendência Liberal Tecnicista: Como o próprio nome sugere, esta tendência está baseada na técnica. A preocupação é com a formação de indivíduos para atuarem no mercado de trabalho, mantendo a ordem vigente: o capitalismo. Está embasada, teoricamente, pela análise comportamental, que tem como teórico principal B. F. Skinner, o que garante a objetividade da prática escolar. O objetivo é transmitir ao aluno “eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas” (LIBÂNEO, 1992, p. 29). Há alguns exemplos de escolas que utilizam-se desta tendência, escolas que oferecem cursos apostilados de digitação, programação, cursos de aprendizagem em instituições como SENAI e SENAC. 2. Pedagogia Progressista: “O termo ‘progressista’ (...) é usado aqui para designar s tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação” (LIBÂNEO, 1992, p. 32). Por isso, essas são tendências que analisam, criticam e discutem os aspectos sociopolíticos e econômicos da sociedade, realidade em que vivemos. Fato que leva estas tendências a serem utilizadas mais na educação informal do que na formal. 2.1. Tendência Progressista Libertadora: Esta tendência é mais conhecida como Pedagogia Paulo Freire e está mais presente em situações não formais

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comum compromisso definido coletivamente. Em seguida. o projeto político-pedagógico tem a ver com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis: como organização da escola como um todo e como organização da sala de aula. O projeto busca um rumo. mas trata-se de uma relação recíproca entre a dimensão política e a dimensão pedagógica da escola. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. Nessa perspectiva. na busca de alternativas viáveis á efetivação de sua intencionalidade. mas não qualquer conteúdo. Lançamo-nos para diante. intento. procurando preservar a visão de totalidade. preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. Plano. 2. Empresa. esta tendência está presente em associações. portanto. Nesta caminhada será importante ressaltar que o projeto político-pedagógico busca a organização do trabalho pedagógico da escola na sua globalidade. 39). Para isso. Para tanto. empreendimento. porque a escola é parte integrante da sociedade. com base no que temos. responsável. Nessa perspectiva. A escola é o lugar de concepção. Desse modo. O projeto político-pedagógico.2. Neste sentido é que se deve considerar o projeto político-pedagógico como um processo permanente de reflexão e discussão dos problemas da escola. posteriormente. particípio passado do verbo projicere. propicia a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. e sim um conteúdo contextualizado. que "não é descritiva ou constatativa. um conteúdo que não pode se dissociar da realidade social. ou seja. 93). o projeto político-pedagógico vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diversas. Isto significa resgatar a escola como espaço público. incluindo sua relação com o contexto social imediato. O projeto político-pedagógico tem sido objeto de estudos para professores. È uma educação crítica porque tenta entender as relações do homem com a natureza e dos homens entre si. desígnio. todo projeto pedagógico da escola é. p. no sentido de definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade. de realizar. é importante que se tenha clareza de que não existe uma prática pura na qual se passa constatar uma única tendência. Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos: O objetivo primordial desta tendência é a difusão de conteúdos. Embora demarcados a partir de suas características. esta escola irá formar adultos que se apropriarem de conteúdos contextualizados. Plano geral de edificação (Ferreira 1975. com um sentido explícito. corporativas e autoritárias. Portanto. p. na segunda parte. trataremos de trazer nossas reflexões para a análise dos princípios norteadores. 2. 23). na primeira parte. mas voltado à autogestão. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. que é a formação do cidadão participativo. mas que lhe dêem as condições necessárias para levá-Ia adiante. mas é constitutiva" (Marques 1990. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. compromissado. em busca da melhoria da qualidade do ensino. buscando eliminar as relações competitivas. Político e pedagógico têm assim uma significação indissociável. 1992. p. por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA (Ilma Passos Alencastro Veiga). O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. é importante que se fortaleçam as relações entre escola e sistema de ensino. realização e avaliação de seu projeto educativo. Na dimensão pedagógica reside a possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola. Finalizaremos discutindo os elementos básicos. "A dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica" (Saviani 1983. Por outro lado. também. poder se interferir no processo de transformação desta mesma realidade. do diálogo. começaremos. uma direção. Tendência Progressista Libertária: Esta pedagogia tem como objetivo transformar a personalidade do aluno para atuar no sistema. da organização do trabalho pedagógico. pesquisadores e instituições educacionais em nível nacional. conceituando projeto político-pedagógico. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. Ao construirmos os projetos de nossas escolas. esta pedagogia tem um caráter político intenso. buscando o possível. como diz Libâneo (1992): “professores e educadores engajados no ensino escolar vêm adotando pressupostos dessa pedagogia” (p. grupos informais e escolas autogestionárias. pois a complexidade dos indivíduos e da sociedade não permite a existência de uma única forma de se perceber a realidade e nela intervir. apesar de. sem esperar que as esferas administrativas superiores tomem essa iniciativa.1. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos.144). A principal possibilidade de construção do projeto político-pedagógico passa pela relativa autonomia da escola. Tem um caráter político também. É uma ação intencional.de ensino. um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária. p. é fundamental que ela assuma suas responsabilidades. o termo projeto vem do latim projectu.3. necessários à construção do projeto político-pedagógico. Pode parecer complicado. fundado na 6 . Redação provisória de lei. para atuarem na realidade social em que vivem. Conceituando o Projeto Político-Pedagógico No sentido etimológico. que significa lançar para diante. Geralmente. O presente estudo tem a intenção de refletir acerca da construção do projeto político-pedagógico. planejamos o que temos intenção de fazer. lugar de debate. 33). crítico e criativo. ao se constituir em processo democrático de decisões. Pedagógico. “agir dentro dela é também agir no rumo da transformação” (LIBÂNEO. para que haja o entendimento e apreensão da realidade para. por meio do professor e da sua própria participação. entendido como a própria organização do trabalho pedagógico da escola como um todo. estadual e municipal. É antever um futuro diferente do presente. Por isso. uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos.

d) Tempo escolar. o tempo escolar. O princípio da liberdade está sempre associado à idéia de autonomia.P. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. VII – Da família. a construção do projeto políticopedagógico é um instrumento de luta. à dependência e aos efeitos negativos do poder autoritário e centralizador dos órgãos da administração central. III – Do direito à convivência familiar e comunitária nos estimulam a empreender uma incursão de caráter teórico-conceitual sobre as leis existentes que referendam a questão familiar e sua relação com as práticas de políticas sociais desde o ponto de vista educacional. A escola é concebida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias. 227 e 228. O fulcro para a realização dessa tarefa será o empenho coletivo na construção de um projeto político-pedagógico e isso implica fazer rupturas com o existente para avançar. por sua vez. Para tanto ela precisa de um tempo razoável de reflexão e ação. A construção do projeto político-pedagógico requer continuidade das ações. a estrutura organizacional. no sentido de se gestar uma nova organização que reduza os efeitos de sua divisão do trabalho. administrativa e financeira. há que se pensar que o movimento de luta e resistência dos educadores é indispensável para ampliar as possibilidades e apressar as mudanças que se fazem necessárias dentro e fora dos muros da escola. c) Currículo. A reorganização da escola deverá ser buscada de dentro para fora. Uma teoria que subsidie o projeto político-pedagógico e. c) Gestão democrática é um princípio consagrado pela Constituição vigente e abrange as dimensões pedagógica. f) As Relações de Trabalho. democratização do processo de tomada de decisões e instalação de um processo coletivo de avaliação de cunho emancipatório Finalmente. as relações de trabalho. A questão é. para se ter um mínimo necessário à consolidação de sua proposta. notamos que as práticas postuladas nos documentos se constituem em vias de acesso que as escolas possuem para implementar processos de integração e participação familiar que podem e devem ser organizados e executados pela escola. passa pela reflexão anteriormente feita sobre os princípios. pois. Nessa perspectiva. O projeto político-pedagógico é entendido. o currículo. Ao examinar-se a realidade. é uma forma de contrapor-se à fragmentação do trabalho pedagógico e sua rotinização. b) Estrutura Organizacional. a prática pedagógica que ali se processa deve estar ligada aos interesses da maioria da população. como pelo Estatuto da Criança e do Adolescente em seu Cap. ressaltado anteriormente. o processo de decisão. A relevância conferida à família tanto pela constituição no seu Cap. de sua fragmentação e do controle hierárquico precisa criar condições para gerar uma outra forma de organização do trabalho pedagógico. b) Qualidade que não pode ser privilégio de minorias econômicas e sociais. e) Valorização do magistério. Nesse sentido. o domínio das bases teórico-metodológicas indispensáveis à concretização das concepções assumidas coletivamente. Faz-se necessário.P. Essa constatação nos leva a refletir sobre as dimensões da interrelação escola-família no âmbito da comunidade e se intenta verificar a possibilidade de operacionalizar uma orientação que possa refletir a viabilização de uma interrelação mais efetiva. temos que nos alicerçar nos pressupostos de uma teoria pedagógica crítica viável. A escola. contribuindo para a qualidade do ensino ministrado na escola e seu sucesso na tarefa de formar o cidadão. para gestar uma nova organização do trabalho pedagógico. que parta da prática social e esteja compromissada em solucionar os problemas da educação e do ensino de nossa escola. Princípios Norteadores do Projeto PolíticoPedagógico. É preciso entender o projeto político-pedagógico da escola como uma reflexão de seu cotidiano. Geralmente a iniciação das pessoas na cultura. que apontam para a luta e/ou acomodação de todos os envolvidos na organização do trabalho pedagógico. descentralização. Pelo menos sete elementos básicos podem ser apontados: as finalidades da escola. A IMPORTÂNCIA DA INTEGRAÇÃO ESCOLAFAMÍLIA NO PROCESSO PEDAGÓGICO (Luiza Helena P. é preciso entender que o projeto político-pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico. também. Acreditamos que a análise dos elementos constitutivos da organização trará contribuições relevantes para a construção do projeto políticopedagógico. Elementos Básicos para a Construção do P. Buscar uma nova organização para a escola constitui uma ousadia para os educadores. e que devem também colocar-se em posição efetiva de gerar iniciativas dirigidas à elevação e 7 . d) Liberdade é outro princípio constitucional. a avaliação. a) Igualdade de condições para acesso e permanência na escola. saber a qual referencial temos que recorrer para a compreensão de nossa prática pedagógica. Cazelli). Para que o desenvolvimento da personalidade das crianças seja harmonioso é necessário que seu ambiente familiar traduza uma atmosfera de crescente progressão educativa. A construção do projeto político-pedagógico. Portanto. E para enfrentarmos essa ousadia. liberdade. neste estudo. pais. Todavia estamos convencidos que todas as instituições e especialmente a escola deve não só apoiar e respeitar os esforços dos pais e responsáveis pelos cuidados. atenção e educação das crianças. Construindo o Projeto Político-Pedagógico. A construção do projeto políticopedagógico parte dos princípios de igualdade. gestão democrática e valorização do magistério. e) Processo de Decisão. a) Finalidades da Escola. O que pretendemos enfatizar é que devemos analisar e compreender a organização do trabalho pedagógico. nos valores e nas normas da sociedade começam na família. da criança. alunos e funcionários. de sua fragmentação e do controle hierárquico. qualidade.reflexão coletiva. do adolescente e do ancião em seus artigos 226. necessitamos de um referencial que fundamente a construção do projeto político-pedagógico. como a própria organização do trabalho pedagógico da escola. para se desvencilhar da divisão do trabalho. g) Avaliação.

As ações relacionais só podem ser mantidas por meio desse processo. a própria escola deve articular seus recursos institucionais. os estudos e as propostas de ação possam servir de embasamento para que o desenvolvimento social se concretize por meio de práticas pedagógicas educativas efetiva. O terceiro princípio é a interação dos agentes escolares e familiares. Tanto as comunidades escolares como as comunidades familiares não podem permanecer distanciadas em seu processo de desenvolvimento e funcionamento organizacional. PEDAGOGIA DE PROJETOS Atualmente. Compreender a interdependência social significa compreender relacionamentos e valorizar a importância que eles têm na formação e no desenvolvimento das pessoas. as mudanças estruturais e conjunturais dos componentes educacionais em questão necessitam incorporar nas suas relações as formulações desses princípios e utiliza-los como guias para manter pais e professores no caminho do desenvolvimento estável e progressivo. necessidades e motivações dos alunos. Essa é a natureza de todo e qualquer relacionamento social. A incorporação desse princípio relacional se torna significativo na medida em que vai se consolidando a integração da escola com a família. de maneira a assegurar que as reflexões. propostas e trabalhos interessantes. Já nessa época. os professores são considerados como as pessoas mais preparadas e capazes de elevar o nível de desenvolvimento não só dos alunos mas de sua família também. 1897). um objeto) de interesse pessoal de quem produz” (p. seus valores. de crescimento da própria competência educativa ou de uma participação na definição do significado experiencial da sua vida pessoal. ânsias. A integração desses fatores nessa proposta nos fornece uma nova configuração da relação escola-família e ressalta a importância da função reitora da escola no sentido de considerar as necessidades familiares no que diz respeito aos aspectos psicológicos. pela eficácia das ações e pela luta por uma cidadania digna. muitas vezes. repensar sobre o papel e sobre a função da educação escolar. deixa o professor preocupado para saber como situar a sua prática pedagógica em termos de propiciar aos alunos uma nova forma de aprender integrando as diferentes mídias nas atividades do espaço escolar. a questão é como conceber e tratar a articulação entre as instâncias do projeto. o construcionismo “significa a construção de conhecimento baseada na realização concreta de uma ação que produz um produto palpável (um artigo. no bairro ou no pátio” (DEWEY.. Essa visão. quanto da família. os debates. A escola tem necessidade de encontrar formas variadas de mobilizações e de organização dos alunos. uma das temáticas que vêm sendo discutida no cenário educacional é o trabalho por projetos. e mais precisamente no acompanhamento das novas gerações. para que de fato seja reconstruída na escola uma nova forma de ensinar. certamente. Segundo Valente (1999). A discussão sobre a pedagogia de projetos surge no início do século XX com John Dewey e outros representantes da chamada PEDAGOGIA ATIVA. A cooperação é o segundo princípio no estabelecimento das relações sociais. Nesse sentido. seu foco. O primeiro desses princípios é a noção de interdependência. sociais e éticos de uma relação significativa com os outros. é uma necessidade essencial: isso significa considerar características. Conectar a interrelação escola-família de forma mais estreita significa construir e desenvolver comunidades nas quais poderemos satisfazer nossas necessidades básicas ao aspirar uma melhor qualidade de vida para as gerações futuras. a escola por sua maior aproximação às famílias constitui-se em instituição social importante na busca de mecanismos que favoreça um trabalho avançado em favor de uma atuação que mobilize os integrantes tanto da escola.aprimoramento social e educacional de seus educandos e respectivas famílias. Nas suas relações cada um influencia o outro e desde essa perspectiva educativa. A troca de recursos educacionais e de impressões educativas se mantém e se sustentam quando permanece fortalecida a ajuda mútua. 141). em direção a uma maior capacidade de dar respostas aos desafios que impõe nossa sociedade. social e educacional. Para isso precisamos não só aprender sobre os princípios de convivências comunitária como também exercitar esses princípios por meio de relações mais frutíferas e compromissadas com o desenvolvimento educacional e social. Promover a família nas ações dos projetos pedagógicos significa enfatizar ações em seu favor e lutar para que possa dar vida as leis. Nessa perspectiva. Substancialmente o que a escola deve fazer é melhorar a posição da família na agenda escolar já implementada pela legislação existente. dos pais e da comunidade. mas devem estar vinculadas e aberta aos recursos educacionais que dispõem e determinar por sua historicidade a dimensão cognitiva e educativa que pretendem aplicar no processo de desenvolvimento humano. a discussão estava embasada numa concepção de que a “educação é um processo de vida e não uma preparação para a vida futura e que a escola deve representar a vida presente tão real e vital para o aluno como a que ele vive em casa. um projeto. 8 .. integrando as diversas mídias e conteúdos curriculares numa perspectiva de aprendizagem CONSTRUCIONISTA. Mas que projeto? O projeto políticopedagógico da escola? O projeto de sala de aula? O projeto do professor? O projeto dos alunos? O projeto de informática? O projeto da TV Escola? O projeto da biblioteca? Essa diversidade de projetos que circula freqüentemente no âmbito do sistema de ensino. Mais do que criar um novo espaço para tratar das questões da família ou da escola. contribui para que tenhamos uma maior clareza do que podemos fazer no enfrentamento das questões sócio-educativas no conjunto do movimento social. A dependência mútua de todas as pessoas. Precisamos revitalizar nossas comunidades colaborando para colocar claramente os princípios da interrelação numa prática de relações sociais fortalecidas pelo respeito. sua finalidade. As ações de caráter pedagógico que as escolas podem dirigir para favorecer as famílias devem fazer parte de seu projeto e para que isso possa acontecer é fundamental que as ações em favor da família sejam desenvolvidas e presididas pelos princípios da convergência e da complementaridade. Existem. como reflete os parâmetros curriculares ““. Nesse sentido é importante que o projeto inicial se faça levando em conta os grandes e sérios problemas sociais tanto da escola como da família. em cada uma dessas instâncias do projeto. da comunidade local e da sociedade em que ela se insere. integrando os diversos espaços educacionais que existem na sociedade.

que contemplem o uso de diferentes mídias disponíveis na realidade da escola e impliquem aprendizagens que extrapolam o tempo da aula e o espaço físico da sala de aula e da escola. questiona e orienta. disponíveis no contexto da escola. televisão) na escola. trabalhar em grupo. 49). o aluno precisa selecionar informações significativas. sem a devida compreensão. 9 . Em outras palavras. portanto. é fundamental que o professor tenha clareza da sua intencionalidade pedagógica para saber intervir no processo de aprendizagem do aluno. favorecendo o desenvolvimento cognitivo. na realização do projeto sejam compreendidos. ou seja. que incentivam novas buscas. Isto porque a parceria que se estabelece entre os protagonistas (gestores. ele também precisa sentir a presença do professor que ouve. O trabalho por projetos requer MUDANÇAS NA CONCEPÇÃO de ensino e aprendizagem e. afetivo. mas como uma maneira de repensar a função da escola” (p. esses novos desafios educacionais ainda não se encaixam na estrutura do sistema de ensino. pode viabilizar ao aluno um modo de aprender baseado na INTEGRAÇÃO entre conteúdos das várias áreas do conhecimento. vídeo. É necessário que o projeto vise um propósito real e tenha valor prático para o ensino. pois ao mesmo tempo em que o aluno precisa reconhecer a sua própria autoria no projeto. cultural e social dos alunos. Por essa razão. Os projetos devem visar também a resolução de algum problema ou algum empreendimento que esteja em harmonia com os interesses dos alunos e relacionados às suas próprias experiências. Este método coloca o aluno em contato com algum projeto concreto em que esteja interessa do e em que planeje o empreendido. valores e crenças próprios do contexto em que vivem. No entanto. Portanto. Daí a importância do desenvolvimento de PROJETOS ARTICULADOS envolvendo a co-autoria dos vários PROTAGONISTAS do processo educacional. Além disso. acabam se frustrando. podem fragilizar qualquer iniciativa de melhoria de qualidade na aprendizagem dos alunos e de mudança da prática do professor. Hernández (1988) enfatiza que o trabalho por projeto “não deve ser visto como uma opção puramente metodológica. que mantém uma organização funcional e operacional – como. embora constitua um novo desafio para o professor. Nesta situação de aprendizagem. E. sistematizados e formalizados pelo aluno. professores. que por sua vez visa propiciar o desenvolvimento de projetos em torno de uma problemática de interesse de um grupo de alunos. desenvolvia sua ação pedagógica – tal como havia sido preparado durante a sua vida acadêmica e pela sua experiência em sala de aula – se vê diante de uma situação que implica novas aprendizagens e mudanças na prática pedagógica. intuitivamente ou não. do contexto escolar. A MEDIAÇÃO do professor é fundamental. O fato de um projeto de gestão escolar estar articulado com o projeto de sala de aula do professor. Aprendendo e “Ensinando” com Projetos A pedagogia de projetos deve permitir que o aluno APRENDA-FAZENDO e reconheça a própria AUTORIA naquilo que produz por meio de QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO que lhe impulsionam a CONTEXTUALIZAR CONCEITOS já conhecidos e DESCOBRIR outros que emergem durante o desenvolvimento do projeto. materiais da biblioteca e a televisão. descobertas. confortavelmente. pois não existe um modelo ideal pronto e acabado que dê conta da complexidade que envolve a realidade de sala de aula. Em virtude de as atividades educativas serem elaboradas por alunos e professores. de pesquisar e de criar relações.A Pedagogia de Projetos pode ser definida como um método no qual a classe se ocupa em atividades proveitosas e com propósitos definidos. A pedagogia de projetos. colha as informações e. finalmente. na perspectiva da integração entre diferentes mídias e conteúdos. garantindo que os conceitos utilizados. é o ensino através da experiência. cabendo ao professor realizar as mediações necessárias para que o aluno possa encontrar sentido naquilo que está aprendendo. O que fazer diante desse novo cenário? De repente o professor que. os tópicos a seguir abordam e discutem alguns conceitos. enfim desenvolver COMPETÊNCIAS INTERPESSOAIS para aprender de forma colaborativa com seus pares. Uma realidade em que o professor se depara atualmente é caracterizada pela chegada de novas tecnologias (computador. para fazer a MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA. compreensões e reconstruções de conhecimento. bem como possíveis implicações envolvidas na perspectiva da pedagogia de projetos. integrando o computador. Na pedagogia de projetos. história e contexto de vida. bem como sua cultura. que apontam novos desafios para a comunidade escolar. saberes e protagonistas. entender seu caminho. o professor precisa acompanhar o processo de aprendizagem do aluno. seu universo cognitivo e afetivo. para criar situações de aprendizagem cujo foco incide sobre as relações que se estabelecem neste processo. as dinâmicas sociais do contexto em que atua e as possibilidades de sua mediação pedagógica. envolve a interrelação de conceitos e de princípios. A pedagogia de projetos. livros). por exemplo. o papel do professor deixa de ser aquele que ensina por meio da transmissão de informações – que tem como centro do processo a atuação do professor –. os métodos para desenvolver projetos. tendo em vista a aprendizagem para a vida. Essa compreensão é fundamental. torna-se fundamental para o processo de reconstrução de uma nova escola. alunos) da comunidade escolar pode facilitar a busca de soluções que permitem viabilizar a realização de novas prática pedagógicas. os quais. Por outro lado. um dos principais objetivos da Pedagogia de Projetos é promover a integração e a cooperação entre docentes e discentes em sala de aula. Internet. televisão. leve a efeito os seus planos. a partir das relações criadas nessas situações. existem três aspectos fundamentais que o professor precisa considerar para trabalhar com projetos: as possibilidades de desenvolvimento de seus alunos. o aluno aprende no processo de produzir. e que todas precisam ser tratadas com seriedade para que a comunidade escolar possa constituir-se em um espaço de aprendizagem. de levantar dúvidas. gerenciar confronto de idéias. Mas que realidade? Claro que existem diferenças. tomar decisões. porque aqueles que buscam apenas conhecer os procedimentos. Outro aspecto importante na atuação do professor é o de propiciar o estabelecimento de relações interpessoais entre os alunos e respectivas dinâmicas sociais. na postura do professor. que se viabiliza pela articulação entre mídias. conseqüentemente. horário de aula de 50 minutos e uma grade curricular seqüencial – que dificulta o desenvolvimento de projetos que envolvam ações interdisciplinares. bem como entre diversas mídias (computador.

que estabelecem articulações horizontais numa relação de reciprocidade entre elas. de modo que as diferentes mídias possam ser integradas ao projeto. a interdisciplinaridade chegou ao Brasil e logo exerceu influência na elaboração da Lei de Diretrizes e Bases Nº 5. a qual tem como pano de fundo a unicidade do conhecimento em construção” (p. E é com 10 . recentemente. com a nova LDB Nº 9. bem como estabelecer relações significativas entre conhecimentos. Isto de fato pode ocorrer. No final da década de 60. uma vez que os conteúdos envolvidos no projeto precisam ser sistematizados para que os alunos possam formalizar os conhecimentos colocados em ação. Essa visão é equivocada. implicações e possibilidades interativas envolvidas nos diferentes recursos computacionais. no desenvolvimento de projetos. Do ponto de vista de aprendizagem no trabalho por projeto. corre-se o risco da simples justaposição de mídias ou de sua subutilização. INTERDISCIPLINARIDADE (Jairo Gonçalves Carlos) Segundo Ivani Fazenda. Isto também acontece no caso de um especialista da educação que não conhece as funcionalidades. assim como a integração de várias mídias e recursos. e o conhecimento integrado – interdisciplinar – lhe dá a possibilidade de estabelecer relações significativas entre conhecimentos. O trabalho por projeto potencializa a integração de diferentes áreas de conhecimento. os quais permitem ao aluno expressar seu pensamento por meio de diferentes linguagens e formas de representação. mas integrá-las no desenvolvimento das investigações. a pedagogia de projetos é vista pelo seu caráter de potencializar a INTERDISCIPLINARIDADE. Apesar disso. reivindicavam um ensino mais sintonizado com as grandes questões de ordem social. Claro que não se espera a mesma “expertise” nas duas áreas de conhecimento. Estar atento e buscando a compreensão do uso das mídias no processo de ensino e aprendizagem é fundamental para a sua integração no trabalho por projetos. De fato. é preciso compreender as características inerentes às duas áreas e às práticas pedagógicas nas quais essa integração se concretiza. Isto nos faz reportar a uma situação já conhecida de muitos professores que atuam com a informática na educação. Desde então. a exigência em termos de desenvolver novas formas de ensinar e de aprender é muito maior. a interdisciplinaridade surgiu na França e na Itália em meados da década de 60. muitas vezes o professor atribui valor para as práticas interdisciplinares e com isso passa a negar qualquer atividade disciplinar.. mas um meio que pode interferir no processo de o aluno reorganizar as suas idéias e a maneira de expressá-las.. conforme suas potencialidades e características. E para isto não basta que ele aprenda a operacionalizar os recursos tecnológicos. Este mesmo pensamento serve para orientar a INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS. Ambos se realimentam e um não existe sem o outro.692/71. Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino. Para integrá-las. Nesse sentido.) que o projeto rompe com as fronteiras disciplinares. Por exemplo. a integração efetiva poderá ser desenvolvida à medida que sejam compreendidas as especificidades de cada universo envolvido. Em se tratando dos conteúdos. uma vez que o desenvolvimento da tecnologia avança vertiginosamente e a sua presença na escola torna-se mais freqüente a cada dia. a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas.394/96 e com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Prado (2001) destaca a possibilidade de o aluno recontextualizar aquilo que aprendeu. aprofundando-as verticalmente em sua própria identidade. Da mesma forma em relação a outras mídias que estão ao alcance do trabalho pedagógico. para poder atuar com a informática na educação. Nesse processo. favorecendo o estabelecimento de elos entre as diferentes áreas de conhecimento numa situação contextualizada da aprendizagem. o aluno pode ressignificar os conceitos e as estratégias utilizadas na solução do problema de investigação que originou o projeto e. com isso. mais ainda. na medida em que os grandes problemas da época não poderiam ser resolvidos por uma única disciplina ou área do saber. principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino. Esta questão. política e econômica da época. A interdisciplinaridade teria sido uma resposta a tal reivindicação. No entanto. quando o aluno utiliza o computador para digitar um texto. Conhecer as especificidades e as implicações do uso pedagógico de cada mídia disponível no contexto da escola favorece ao professor criar situações para que o aluno possa integrá-las de forma significativa e adequada ao desenvolvimento do seu projeto. pois Fazenda (1994) enfatiza que a interdisciplinaridade se dá sem que haja perda da identidade das disciplinas.visando propiciar a construção de conhecimento do aluno. estudos têm revelado que a interdisciplinaridade ainda é pouco conhecida. Esta visão atualmente se apresenta de forma mais ampla. ao mesmo tempo. Um especialista em informática que não compreende as questões relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem terá muita dificuldade para fazer a integração das duas áreas de conhecimento – informática e educação. tornando-as permeáveis na ação de articular diferentes áreas de conhecimento. Uma preocupação com isso é que o professor não foi preparado para desenvolver o uso pedagógico das mídias. ampliar o seu universo de aprendizagem. no entanto. pois o trabalho com projetos permite romper com as fronteiras disciplinares. um período marcado pelos movimentos estudantis que. pois hoje com a tecnologia basta ter o apoio institucional que prioriza a qualidade do trabalho educacional. Almeida (2002) corrobora com estas idéias destacando: “(.58). Isso não significa abandonar as disciplinas. mobilizadas na investigação de problemáticas e situações da realidade. mas o desconhecimento de uma das áreas pode desvirtuar uma proposta integradora da informática na educação. O conhecimento específico – disciplinar – oferece ao aluno a possibilidade de reconhecer e compreender as particularidades de um determinado conteúdo. é importante que o professor conheça o que envolve o uso deste recurso em termos de ser um meio pedagógico. caso contrário. sua presença no cenário educacional brasileiro tem se intensificado e. a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas. diz respeito à FORMAÇÃO DO PROFESSOR – aquela que poderá ser desenvolvida na sua própria ação e de forma continuada. A mediação implica a CRIAÇÃO DE SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM que permitam ao aluno fazer regulações. Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. dentre outras coisas.

o que introduz a noção de finalidade. essa axiomática comum. E no limite. uma articulação voluntária e coordenada das ações disciplinares orientadas por um interesse comum. Uma ação pedagógica interdisciplinar requer. Não significa. sendo esta interação o expoente das consequências. mas nesse caso se trata de uma ação coordenada. O educador para pôr em prática o diálogo. embora eles ainda se situem num mesmo nível hierárquico. discorreremos sucintamente sobre cada um deles buscando esclarecer as distinções entre tais terminologias. Multidisciplinaridade A multidisciplinaridade representa o primeiro nível de integração entre os conhecimentos disciplinares. Desta forma. colocar-se na posição de quem não sabe tudo. igual. sistematização didática para facilitar o aprendizado dos alunos e exposição onde o professor demonstrará seus conteúdos. Portanto. Pelo contrário. tampouco. mas de ação. como tem acontecido em alguns casos. O diálogo como forma de comunicação em nível comum. são peças fundamentais na realização comportamental e profissional de um indivíduo. A classificação apresentada abaixo é a mais comum e foi proposta originalmente por Eric Jantsch e sofreu algumas adaptações de Hilton Japiassú (1976). E é justamente para distinguir tais níveis que termos como multidisciplinaridade. todavia. o que não as invalida. pois não é uma tarefa que cumprem com satisfação. ela se refere ao elemento (ou eixo) de integração das disciplinas. para depois concretizar-se nas disciplinas. a interdisciplinaridade representa o terceiro nível de interação entre as disciplinas. reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida (GADOTTI. a análise dos relacionamentos entre professor-aluno envolve interesses e intenções. Todavia. estamos de algum modo nos referindo a uma espécie de interação entre as disciplinas ou áreas do saber. Na verdade. Não há como esperar que o aluno tome essa iniciativa. não havendo ainda nenhum tipo de coordenação proveniente de um nível hierarquicamente superior. Neste sentido. o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. defendemos que a interdisciplinaridade não deveria ser considerada como uma meta obsessivamente perseguida no meio educacional simplesmente por força da lei. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos. deve antes. a integração de conteúdos. não deve colocar-se na posição de detentor do saber. 2). as condições e o nível do diálogo com um ou com todos os alunos da classe. esperamos contribuir para um uso mais cuidadoso de tais termos no cotidiano escolar. embora complexas. pode assumir as mais variadas formas. antes. que norteia e orienta as ações interdisciplinares. globalizar. ela seria um empreendimento trabalhoso demais para atingir objetivos que poderiam ser alcançados de forma mais simples. A interdisciplinaridade não é uma categoria de conhecimentos. Transdisciplinaridade A transdisciplinaridade representa um nível de integração disciplinar além da interdisciplinaridade. a multidisciplinaridade se caracteriza por uma ação simultânea de uma gama de disciplinas em torno de uma temática comum.o objetivo de contribuir para o entendimento desse tema que apresentaremos a seguir um breve resumo das principais concepções e controvérsias em torno desse tema. um dos pioneiros da interdisciplinaridade no Brasil. Interrelacionar não é integrar. Para que isto possa ser 11 . interdisciplinaridade faz-se. interdisciplinaridade e transdisciplinaridade foram criados. em se considerando seus objetivos e metodologias próprias. na medida em que não se explora a relação entre os conhecimentos disciplinares e não há nenhum tipo de cooperação entre as disciplinas. observamos a presença de algum tipo de interação entre os conhecimentos interdisciplinares. ela pressupõe uma organização. dizemos que na interdisciplinaridade há cooperação e diálogo entre as disciplinas do conhecimento. essa interação pode acontecer em níveis de complexidade diferentes. mas a inter-relação entre as disciplinas. Cabe ao professor saber o momento certo. Níveis de Interação entre as Disciplinas Quando falamos em interdisciplinaridade. Muitas das atividades e práticas de ensino nas escolas se enquadram nesse nível. O PAPEL DA RELAÇÃO PROFESSOR–ALUNO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM (Daniele Salvalagio Abrahim) As relações humanas. Japiassú a define como sendo uma espécie de coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado. Desta maneira. Nesse ponto de vista. Segundo Japiassú. no entanto. perdendo-se de vista a especificidade de cada objeto de conhecimento. Trata-se de uma proposta relativamente recente no campo epistemológico. 1999. ainda é muito fragmentada. deve prevalecer entre aqueles que são os responsáveis para o encaminhamento do processo educacional. Essa atuação. mencionada por Japiassú. é preciso entender que há estágios mais avançados que devem ser buscados na prática pedagógica. é caracterizada pela presença de uma axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas e definida no nível hierárquico imediatamente superior. sobre a base de uma axiomática geral. pois a educação é uma das fontes mais importantes do desenvolvimento comportamental e agregação de valores nos membros da espécie humana. E. p. entre os indivíduos. Com isso. segundo Japiassú. antes de tudo. organização. Pluridisciplinaridade Na pluridisciplinaridade. a interdisciplinaridade só vale a pena se for uma maneira eficaz de se atingir metas educacionais previamente estabelecidas e compartilhadas pelos membros da unidade escolar. preferimos considerá-la. Caso contrário. Dessa forma. pluridisciplinaridade. Alguns estudiosos não chegam a estabelecer nenhuma diferença entre a multidisciplinaridade e a pluridisciplinaridade. uma atitude interdisciplinar. Mas. a interação estabelecida caracteriza-se pela seleção de conteúdos. Interdisciplinaridade Finalmente. diferentemente do nível anterior. sendo em alguns casos encarada como obrigação. Além do mais. Em seguida. ou seja. pois a existência ou não de cooperação e diálogo entre as disciplinas é determinante para diferenciar esses níveis de interação entre as disciplinas.

dos estímulos do meio em que ele vive. suas dúvidas. quanto em relação às necessidades de sua maneira de se comportar para conviver no meio em que se encontra. Logo. sentimentos. aptidões. situações diferenciadas adotadas com um determinado aluno (como melhorar a nota deste. o papel da experiência sensorial (percepção). o professor deve despertar a curiosidade dos alunos. também conhecida como inatismo ou apriorismo. que possui um ambiente social e cultural aberto em casa. para a autonomia. seus valores. que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade”. CONCEPÇÕES DE CONHECIMENTO As diversas teorias do desenvolvimento têm como apoio as diferentes concepções de homem. Esquematicamente. a existência. destacando-se os trabalhos de Watson e Skinner. etc. apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia. os conteúdos da vida mental sobre um indivíduo. Um dos precursores dessa corrente filosófica foi John Locke. p. reflexão e pesquisa autônoma). 1). fundamentalmente. fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor. focalizando as questões filosóficas clássicas referentes ao conhecimento: O que é o conhecimento? Como se chega a ele? Como se passa de um tipo a outro qualitativamente superior? Como os conhecimentos se ampliam? Pela concepção empirista. a memória sensível. Os educadores não podem permitir que tais sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu dever de professor. desta forma. é impossível um conhecimento que transcenda a experiência. portanto. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento. Dessa forma. O professor não deve preocupar-se somente com o conhecimento através da absorção de informações. Seus alunos cansam. surpreendem suas pausas. para citar algumas figuras metafóricas comumente usadas. Assim. que inscreveria. afirma que “é o modo de agir do professor em sala de aula. Sob esta perspectiva. nem à capacidades mentais da pessoa: inteligência. O papel do professor consiste em agir como intermediário entre os conteúdos da aprendizagem e a atividade construtiva para assimilação. sendo que o mundo deste é que determina o sujeito. o conhecimento humano reduz-se ao sentir dos sentidos. não dormem. podemos representar a relação entre o sujeito e o objeto da seguinte maneira: OBJETO SUJEITO A concepção racionalista. para que isto ocorra. isto é. trabalhando o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais. uma folha em branco ou um balde vazio. numa relação empática. (DANTAS. no espírito humano.melhor cultivado. parte do pressuposto de que as qualidades a capacidades básicas do ser humano: sua personalidade. sua maneira de pensar. acompanhando suas ações no desenvolver das atividades. Os seguidores atuais desta concepção empirista podem ser encontrados nos adeptos das teorias behaviorista e neobehaviorista. o tato e o paladar. a atenção. nem sempre tem facilidade para entender os padrões de uma sociedade e os modos empregados para a sua formação tanto no que refere aos conhecimentos necessários para a sua promoção na escola. (FREIRE. o olfato. p. Trazer o aluno para a realidade social é. de idéias inatas ou princípios a priori. já se encontrariam basicamente prontas por ocasião do nascimento. de sua capacidade de ouvir. constituindo-se a fonte e a explicação última do fenômeno do conhecimento. empatia e respeito entre professores e alunos para que possa desenvolver todas as nuances do processo de aprendizagem (leitura. suas incertezas. então. das experiências pelas quais ele passa. como alguma coisa que vem do mundo físico ou social do objeto. para a liberdade possível numa abordagem global. mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos. etc. 1992. do seu ambiente. Os adeptos dessa corrente acreditam que o conhecimento processa-se por força dos sentidos. Assim. confiança. a uma “tábula rasa”. O conhecimento é visto. direta ou indiretamente. a audição. da relação empática com seus alunos. aberto às novas experiências. o desenvolvimento do ser humano depende. p. suas crenças. não deveriam fazer parte das atitudes de um “formador de opiniões. também. Os sentidos produziriam o dado a ser conhecido. refletir e discutir o nível de compreensão dos alunos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. 1996. onde as percepções e experiências iriam inscrevendo as idéias. também chamada de ambientalista ou objetivista. fossem eles externos: a visão. o contato que o homem tem por meio dos sentidos. a imaginação sensível.. O trabalho do professor em sala de aula e seu relacionamento com os alunos são expressos através da relação que ele tem com a sociedade e com cultura. 115). Nega-se. escrita. O ponto alto do empirismo é o teste da experiência: nada aceitar que não tenha passado pelo crivo da experiência. para que ele não fique de recuperação). função do educador e da instituição educacional em conjunto com os membros da família: O bom professor é o que consegue. que é determinante do sujeito. trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. vontades. visto com um ser extremamente plástico – uma tábula rasa. que afirmava que os nossos conhecimentos resultam de nossa sensações e experiências e que comparava a nossa mente. constituindo-se na totalidade de seu saber. as condições e possibilidades de conhecimento seriam 12 . também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tentar levá-los a autorealização. bem como não se dá importância à maturação biológica. 96). supervalorizando. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. do clima estabelecido pelo professor. Apesar de tal. Apesar da importância da existência de afetividade. MASETTO (1996. Indica também que o professor deve buscar educar para as mudanças. fossem eles sentidos internos: a fantasia. é necessário a conscientização do professor de que seu papel é de facilitador de aprendizagem. a uma página em branco. O conhecimento é produto da atividade e do conhecimento humano marcado social e culturalmente. procurando compreender. enquanto fala. O aluno. O conhecimento é algo que vem do mundo do objeto. a relação entre professor e aluno depende. De modo concreto. antes de ter tido qualquer experiência. não podemos pensar que a construção do conhecimento é entendida como individual. mas também pelo processo de construção da cidadania do aluno. principalmente.

que propõe que o sistema nervoso humano contém mecanismos inatos que possibilitam à criança construir as regras da linguagem. o aluno já traz em si. de forma potencial. assim. os interacionistas discordam das teorias inatistas. Sob este prisma pedagógico. a memorização mecânica. todo o conhecimento. Temos. e das concepções ambientalistas. Assim. de uma pedagogia centrada no professor. Desta forma. O modelo epistemológico que representa esquematicamente a relação entre o sujeito e o objeto nesta concepção é o seguinte. sem criatividade e nem originalidade. mediante recitação. memorização da teoria dada. O professor é visto como detentor e transmissor do conhecimento e o aluno. porque ignoram fatores maturacionais. as tarefas que propõe. Só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. e a desenvolvida por Vigotsky. dos dados da experiência e dos sentidos. A aprendizagem confunde-se com condicionamento e. temos a seguinte relação epistemológica entre o sujeito e o objeto: SUJEITO OBJETO O construtivismo. até mesmo. então. através de estímulos reforçadores (notas altas. em que se atribui ao sujeito um papel essencialmente ativo. decorrentes de estímulos do ambiente (por estímulo-resposta). notas baixas. para que ocorra aprendizagem é necessário considerar a natureza dos estímulos. por meio de aulas tradicionalmente expositivas. a priori. prêmios. imersos em processo de contínua e intensa interação. Sob esta ótica. mas o de permitir o desenvolvimento das capacidades. O papel do professor é o de observar o comportamento do aluno. nega-se o autoritarismo do professor (empirismo) e o autoritarismo o do aluno (inatismo). entre defensores mais recentes dessa corrente. sendo que o meio físico e social não participa dela. Esta corrente postula a idéia de que nosso intelecto é dotado de algum conteúdo prévio. Esquematicamente. entre o organismo e o meio. o psicolinguísta Noam Chomsky. uma modificação deste comportamento. O foco da concepção racionalista/inatista encontra-se no aluno visto como indivíduo que nasce com grandes possibilidades de desenvolvimento. O papel do professor. subestimando-se o papel do professor e do conhecimento sistematizado (acervo cultural da humanidade).). a avaliação como forma de verificação da retenção do conhecimento e com caráter de premiação ou punição. Não se pode. O aluno é visto como um aprendiz passivo. o professor tende a ensinar a teoria ao aluno. o sujeito já nasce com a possibilidade de conhecer. Mas. elogios. então. A esta teoria construtivista implica numa visão de ensino que considere a vivência e interesses dos alunos. Neste modelo didático-pedagógico. A origem do conhecimento encontra-se na interação entre o mundo do sujeito e o mundo do objeto. que decorre de princípios a priori. Assim. uma relação dinâmica e dialética entre o indivíduo e a sociedade. que valoriza as questões da psicogênese do conhecimento. evidentes e irrecusáveis. valorizando a bagagem hereditária e cultural. a se destacar: a valorização do papel do professor. também chamado de interacionismo. A concepção empirista define a aprendizagem como uma mudança de comportamento ou mesmo adoção de novas formas comportamentais. que acentua a contínua interação entre as estruturas orgânicas da criança e as condições sociais em que ela vive. sem nenhum ripo de ação crítica e reflexiva. também. aptidões e possibilidades inatas do aluno. de forma a obter uma compreensão. prestígio) ou de uma punição (castigo. resgatando dos pólos da relação professor-aluno. não é o de ensinar. todavia. u influenciando o outro. a importância da definição dos objetivos do ensino. o professor deve seguir um caminho didático-pedagógico que procura conhecer o aluno como uma síntese individual da interação do sujeito com o seu meio cultural. de aptidão e de prontidão para a aprendizagem. SUJEITO OBJETO Relações entre as Concepções Epistemológicas e a Prática Pedagógica. que é considerado um ser ativo. um grande destaque dado ao estudo das diferenças individuais. sendo que esta interação provoca mudanças sobre o indivíduo. Trata-se. Os seus pressupostos apoiam-se na idéia da interação entre o organismo e o meio. transmitir conhecimento. valorize a criatividade do aluno e do professor (escola prazerosa). resultantes do treino ou da experiência. o aluno é que aprende sendo que ninguém pode substituí-lo neste papel. a fragmentação e a descontextualização dos conteúdos e ações educativas. Pela concepção construtivista. pode contribuir o professor. o tipo de resposta desejável e o estado físico e psicológico do organismo. desmerecendo o papel e o valor do conhecimento sensível e o da experiência sensorial. no desenvolvimento do ser humano. As duas correntes teóricas principais do construtivismo/interacionismo são a elaborada por Piaget. os conceitos e as idéias inatas que são o conteúdo do conhecimento. completamente independentes. Destacam-se. entre o sujeito e o objeto. previsão e. independentemente e antes mesmo de qualquer intervenção dos sentidos e sem a interveniência de qualquer dado exterior ao próprio intelecto. o centro do processo ensino-aprendizagem está na interação entre professor e aluno. interação ativada pela ação do sujeito. toda a atividade do conhecimento é exclusiva do sujeito. estando o conhecimento determinado na bagagem hereditária ou submetido ao processo maturacional. leva em conta. Nesse enfoque construtivista. nessa concepção. a razão é a fonte do conhecimento fornecendo-nos. cabendo ao professor simplesmente interferir o mínimo possível neste processo. exigindo por parte dele a aplicação à prática. Verifica-se. Desta forma. que exercem uma ação recíproca. propiciam uma 13 . Desta forma. por desprezarem o papel do ambiente. os recursos por ele utilizados. cabendo a este organizar as intervenções adequadas para desafiar o aluno na construção do conhecimento. as idéias e os juízos básicos do conhecimento seriam construídos somente pela razão. ao contrário da concepção empirista. fato este que pode ser gerador de preconceitos prejudiciais ao trabalho na sala de aula. valorizando as relações hierárquicas. frutos apenas do espírito. reprovação. um mero receptor passivo e subserviente. na sua origem. os efeitos benéficos da corrente empirista. etc.inatas. pois as características de sua intervenção. isto é. tanto fatores orgânicos como fatores ambientais. dos testes de inteligência. bem como do planejamento das aulas. e o psicólogo Carl Rogers. mero receptáculo de informações.

. neste caso. no planejamento curricular. com vistas a resultados semelhantes e bastante válidos para a clientela atendida. exercício de autodisciplina. diminuindo a importância do trabalho individualizado. . executando e avaliando juntos.verificar a marcha do professor ecucativo. tendo em mira a efetivação do processo ensino-aprendizagem. na situação ensinoaprendizagem. e o planejamento do ensino é o que parte das decisões dos planejamentos anteriores. em termos mais próximos e concretos. outras vezes. o planejamento de ensino deve ser alicerçado neste pressuposto básico. de modo a tornar o ensino seguro. Por isso. acreditando na capacidade do aluno de construir ativamente seu conhecimento. É da competência do professor. econômico e eficiente. ao planejar o trabalho. alguém que acompanha e participa do processo de construção do conhecimento dos seus alunos. resulta de uma atividade de grupo. o plano é elaborado apenas por um professor. determina as diretrizes da política nacional de educação. isto é. crescimento profissional. entre outros aspectos. prevendo a estruturação e o funcionamento da totalidade do sistema educacional. Cristiane Costa Tucunduva. Requisitos Por maior complexidade que em volva a organização da escola. sem dificuldades. da ação que ficou configurada em nível de escola. Por ordem de abrangência. é considerado etapa obrigatória de todo o trabalho docente. passando a ser um orientador. globalmente. passa a considerá-lo o centro do processo ensinoaprendizagem. o livre debate de idéias. o professor dependerá de seus próprios recursos para elaborar seus planos de trabalho. Ainda temos a considerar que as condições de trabalho diferem de escola pra escola. bem como na verificação da qualidade e quantidade do ensino que está sendo orientado pelo mestre e pela escola. Este é a tradução. P. Na esfera educacional. consideramos as seguintes: Planejamento de ensino é: previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho escolar que envolvem as atividades docentes e discentes. toda a parte a ser empreendida (PLANO DE CURSO). Planejando. assim como também os meios necessários para alcançá-los.Delinear. o planejamento curricular é definido de acordo como planejamento educacional e determina a linha de ação proposta pelas escolas.Conduzir os alunos ao alcance dos objetivos. É da competência dos estabelecimentos de ensino. No entanto. Considerando que o planejamento deve ser pensado como um ato político-social. A responsabilidade do mestre é imensa. Assim. e . um limitador das ações tanto 14 . ou seja. Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à atividade do professor e alunos. seus alunos. Elaine Mandelli Arns). elaborar e organizar planos em diferentes níveis de complexidade para atender. reconhecendo nele não um sujeito passivo. pode organizar três tipos de planos de ensino. Considerando que o ensino é o guia das situações de aprendizagem e que ajuda os estudantes a alcançarem os resultados desejados.racionalizar as atividades educativas. metódica e sistematizada que será empreendida pelo professor junto a seus alunos. deverá estar bem informado dos requisitos técnicos para que possa planejar. o planejamento de ensino. tendo sempre que adaptar seus projetos às circunstâncias e exigências do meio. Afinal. em busca de propósitos definidos. PLANEJAMENTO DO ENSINO (Nelson Valente) Alicerçardo nas linhas mestra de ação da escola. mais amplo e abrangente. . efetuar uma aprendizagem tão significativa quanto o permitam suas possibilidades e necessidades. responsabilidade e união a nível de decisões conjuntas. Inúmeras são as conceituações sobre planejamento de ensino encontradas nos diferentes autores consultados. vai: . de Castro. cuja dinâmica concretiza o fenômeno educativo. é indispensável ter sempre bem presente que a interação professor-aluno é o suporte estrutural. a ação de planejálo é predominantemente importante para incrementar a eficiência da ação a ser desencadeada no âmbito escolar. Este. em nível mais específico. durante o período (ano ou semestre) letivo. os professores (às vezes auxiliados por especialistas) congregam esforços para juntos estabelecerem linhas comuns de ação. PLANO DE AULA (Patrícia Aparecida P. esses professores desenvolvem habilidades necessárias à vida em comum com os colegas. maior produtividade. independentemente. por sua natureza. Às vezes. envolve a previsão de resultados desejáveis. a interação social.Disciplinar partes da ação pretendida no plano global (PLANO DE UNIDADE). O planejamento tende a prevenir as vacilações do professor. existem vários níveis de planejamento: o planejamento educacional. e processo de tomada de decisões bem informadas que visam a racionalização das atividades do professor e doa aluno. O professor que deseja realizar uma boa atuação docente sabe que deve participar. o professor renuncia ao papel do “dono do saber”. em consequência.Especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores (PLANO DE AULA). previsão das situações específicas do professor com a classe. O professor. realmente. Na maioria das situações.Assegurar um ensino efetivo e econômico. no entanto. no processo educativo. deve estar familiarizado com o que por em prática. isto é. O professor.maior ou menor margem para a atividade construtiva do aluno. Pelo envolvimento no processo ensino-aprendizagem. Indica a atividade direcional. a fim de que este possa. surge. emocional e afetivo do aluno. vários professores compartilham a responsabilidade de sua elaboração. não deve ser visto como regulador das ações humanas. em classe. não se pode conceber que o professor não realize o mínimo de planejamento necessário para seus alunos. ajustamento às mudanças. coerência e flexibilidade de seu planejamento. temos o planejamento de ensino cooperativo. O planejamento. Portanto. Grande parte da eficácia de seu ensino depende da originalidade. e . adaptando tudo isto às necessidades e interesses de seus alunos. o planejamento. oferecendo maior segurança na consecução dos objetivos previstos. ele deve estimular a participação do aluno. O professor deve ser um catalizador do desabrochar intelectual. de maneira que possa selecionar o que é melhor. Essa nova forma de relacionamento do professor com a classe estimula o diálogo. possibilitando melhores resultados e. segundo Menegolla e Sant’anna (2001). Neste último caso. Isso proporciona. O professor. Objetivos São objetivos do planejamento de ensino: . não um mero reprodutor do conhecimento que lhe é imposto.

mais ampla. por sua vez. seja num contexto histórico. experiência. Partindo do princípio de que o professor deve ensinar os conteúdos e também deve formar o aluno para que ele se torne atuante na sociedade. cabe ao professor escolher aquele que melhor atenda às necessidades deste e de seus alunos. Freitas. São os modos de organizar as condições externas a fim de facilitar o ensino.). em 1896. tais como: conhecer a sua personalidade enquanto professor. foi enviado em missão a Beirute. Piaget abordou o desenvolvimento da inteligência através do processo de maturação biológica. por este motivo. pois é ele quem conhece as reais aspirações de cada turma. Porém é de responsabilidade do professor elaborar o plano de aula. 15 . Estes estão diretamente subordinados aos objetivos definidos para o ensino ou para aula. Quer dizer. 2003. porém. Presidente da Comissão Suíça na UNESCO. Mediante todos os fatos pesquisados até agora. pois serão estas etapas que darão uma visão do que é necessário conveniente ao professor e aos alunos. 1976 apud Freitas 2000:64). Piaget formula o conceito de epigênese. não se discute a necessidade e a importância de se elaborar o pano de aula. conhecer seus alunos (características psicossociais e cognitivas). pra Schmitiz (2000). conhecer o contexto social de seus alunos. 1992. porém. Outro grupo que deve estar atento à importância de elaborar planos de aula são os professores em início da carreira. essa base científica utilizada para organizar o trabalho pedagógico são os pilares e princípios da educação. Segundo Shimitz (2000) ele não precisa ser descrito minuciosamente. La Taille. é possível esclarecer os objetivos da mesma. transmissão social e desenvolvimento do equilíbrio. Piaget tornou-se membro do Conselho Executivo da instituição. existe uma relação de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. na resolução de problemas e principalmente na capacidade de escolher seus caminhos. não existe um modelo único de planejamento e sim vários modelos. biologicamente constituídas. Conteúdo: conjunto de assuntos. e sim ser visto e planejado no intuito de nortear o ser humano na busca da autonomia. técnicas e modalidades de ensino que possuem o intuito de facilitar o ensino. mas deve ser estruturado. tanto a experiência sensorial quanto o raciocínio são fundantes do processo de constituição da inteligência. já que é um instrumento de feedback aos atores desse processo. há duas formas de aprendizagem. 2000. Para ele. deve considerara alguns componentes fundamentais. Esse processo. uma vez que ambos são atuantes em sala de aula. A partir das definições das principais etapas que devem conter um planejamento o professor já tem condições necessárias para fazê-lo e utilizá-lo adequadamente.que o rodeia (Coll. que é ativado pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . Vale lembrar. São elas: Objetivos: apontam para aquilo que se deseja que o estudante seja capaz de realizar após a atividade do ensino.). Paris. de 1952 a 1963. etc. Interessou-se pela psicologia. na tomada de decisões.físico e social (Rappaport. Conhecer todos os componentes acima possibilita ao professor escolher as estratégias que melhor se encaixam nas características citadas aumentando as chances de se obter sucesso nas aulas. Fala se os objetivos da aprendizagem foram alcançados ou não. tópicos que serão trabalhados/abordados em cada disciplina. A segunda forma de aprendizagem é limitada à aquisição de novas respostas a situações específicas ou à aquisição de novas estruturas para algumas operações mentais específicas. Este desenvolvimento é um processo espontâneo e contínuo que inclui maturação. pois. ou seja. Diplomou-se em ciências naturais aos 21 anos. disciplina ou na aula mesmo. Jean Piaget nasceu em Neuchâtel. esses profissionais iniciando sua carreira no magistério adquirem confiança para dar aula. op. Quer dizer. TEORIAS DE APRENDIZAGEM JEAN PIAGET E O CONSTRUTIVISMO (Nelson Valente e Márcia Regina Terra). sem bases científicas que norteiam o professor. doutorando-se no ano seguinte. Lausanne e Genebra e de psicologia genética na Sorbonne.cit. o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo auto-regulatório que tem como base um 'kit' de condições biológicas (inatas portanto).pessoais como sociais. anunciados e exigidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). realizando estudos em Zurique e em Paris. série. Moreto (2007) acredita que o professor. mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget. Menegolla e Sant’anna (2001) explicam que o planejamento também serve para desenvolver tanto nos professores como nos alunos uma ação eficaz de ensino e aprendizagem. Também não existe um modelo melhor do que outro. se efetua através de um mecanismo auto-regulatório que consiste no processo de equilíbração progressiva do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido. Alguns autores sugerem que o planejamento tenha algumas etapas principais. escrito ou mentalmente. que segundo Menegolla e Sant’anna (2001). ele deve organizar seu plano de aula de modo que o aluno possa perceber a importância do que está sendo ensinado. mas o acompanha sempre e em todo momento. ao elaborar o plano de aula. como procuraremos expor em seguida. A primeira. faz-se necessário conhecê-los e compreendê-los muito bem. sistematizar as atividades e facilitar seu acompanhamento. o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . A UNESCO confiou-lhe a elaboração da obra O direito à educação. são reorganizadas pela psique socializada. em consequência de seu desempenho na escola.físico e social . significando entender com isso que as formas primitivas da mente. Método: São atividades. Foi professor dessa matéria nas Universidades de Neuchâtel. equivale ao próprio desenvolvimento da inteligência. métodos. Avaliação: Vale lembrar que a avaliação não é um momento do processo ensino-aprendizagem. que seja funcional e de bons resultados. ou do pensamento lógico do homem. temas. Florença e Rio de Janeiro. 1992. para seu dia-a-dia ou para seu futuro. Segundo Gutenberg (2008). na Suíça. argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata préformada no sujeito. Id est. Menegolla e Sant’anna (2001) ainda completam argumentando que o plano das aulas visa a liberdade de ação e não pode ser planejado somente pelo bom senso. conhecer a epistemologia e a metodologia mais adequada às características das disciplinas. uma vez que no plano de aula.

Apenas em meados dos anos 60 seus livros chegaram ao Ocidente. ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta. Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividade de interpretação da realidade que o rodeia e. toda experiência é assimilada a uma estrutura de idéias já existentes (esquemas) podendo provocar uma transformação nesses esquemas.). para Piaget. Progressivamente. a criança. para Piaget. Nessa concepção. examinando e experimentando com os objetos ao seu alcance. o que marca a passagem do período sensóriomotor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica. a inteligência é anterior à emergência da linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica. consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. a) Assimiliação: consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência. ou seja. sustentando que todo conhecimento é construído socialmente. causalidade objetivados e solidários. Trata-se de um fenômeno que tem. portanto. 12 anos): neste período. Formou-se em literatura e direito na Universidade de Moscou e mais tarde estudou medicina. op. (c) Período das operações concretas (7 a 11. Sua obra enfrentou décadas de silêncio imposto pelo regime stalinista. tanto os esquemas conceituais como as ações executadas mentalmente se referem. Em síntese. devido a vários fatores. ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior. lamentando que os dois não tivessem se conhecido. o egocentrismo intelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações e coordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem) e de integrá-los de modo lógico e coerente. ou seja.). ou seja.cit. esse processo de transformação vai depender sempre de como o indivíduo vai elaborar e assimilar as suas interações com o meio. psicologia. mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em que o indivíduo está inserido. haja vista que no processo de interação podem ocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo. A esse respeito. espaço. A criança aprende pela experiência. pois ele representa o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano. 2003). leu e comentou os elogios e as críticas que Vygotsky lhe fizera em 1932. ela começa a realizar operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da inteligência sensório-motor. um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência de esquemas conceituais). Vygotsky viveu na mesma época que Piaget (ambos nasceram em 1896). que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Gillièron. tendo que se adaptar a ela. b) Acomodação: por sua vez. paradoxalmente. Pesquisou sobre literatura. gerando um processo de acomodação. Um outro aspecto importante neste estágio refere-se ao aparecimento da capacidade da criança de interiorizar as ações.cit. ou seja. neste estágio.O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget.cit. o equilíbrio é o norte que o organismo almeja. Essa busca do organismo por novas formas de adaptação envolvem dois mecanismos que apesar de distintos são indissociáveis e que se complementam: a assimilação e a acomodação. Em síntese. (d) Período das operações formais (12 anos em diante): nesta fase. Vygotsky sempre acreditou em uma sociedade mais justa sem conflito social e exploração. sendo essa teoria considerada histórico-social. embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas sensoriais-motores na fase anterior) ela apresentará. Só então o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). deficiência física e mental e educação. Foi professor do ginásio e se fazia uma pergunta fundamental: como o homem cria cultura? Dono de uma inteligência brilhante. ao atingir esta fase. pode-se dizer que. VYGOTSKY E O SÓCIO-INTERACIONISMO Nasceu na Bielo-Rússia em 5 de novembro de 1896. consequentemente. ele buscou a resposta na Psicologia e acabou por elaborar uma teoria do desenvolvimento intelectual. é a emergência da linguagem. eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça. No entanto. no âmbito das relações humanas. como o elemento complementar das interações sujeito-objeto. principalmente os políticos. enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. os modos de relacionamento com a realidade são divididos em 4 períodos. a acomodação representa "o momento da ação do objeto sobre o sujeito" (Freitas. aos 38 anos. em sua essência. Vygotsky morreu de tuberculose 3m 1934. a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta. a saber: (a) Período Sensório-motor (0 a 2 anos): caraceteriza –se por uma forma de inteligência empírica. mas que paradoxalmente nunca alcança (La Taille. a criança vai aperfeiçoando tais movimentos reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor já se concebendo dentro de um cosmo "com objetos. op. nesta fase. isso porque a visada conquista da equilibração do organismo reflete as elaborações possibilitadas pelos níveis de desenvolvimento cognitivo que o organismo detém nos diversos estágios da sua vida. não-verbal. entre os quais situa a si mesma como um objeto específico. somando conhecimentos. embora a criança consiga raciocinar de forma coerente. eles não chegaram a se encontrar em vida. tempo. Quer dizer. (b) Período pré-operatório (2 a 7 anos): para Piaget. Contudo.:65) emergindo. No entanto. Partidário da revolução russa. dedicando-se aos campos da pedagogia e psicologia. Sua teoria tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico. um caráter universal. op. De acordo com a tese piagetiana. agente e paciente dos eventos que nele ocorrem" (La Taille. já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal. já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos da espécie humana. Pressupostos Essenciais Histórico de Vygotsky do Modelo Sócio- 16 . o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio. exploratória. Assim.

carregando significados sociais e históricos. em que todas as funções aparecem duas vezes: primeiro no nível social e depois no nível individual. Evidentemente só a realidade dos fatores externos não determinam completamente essa percepção. Quando a criança deixa de sofrer influência desses processos biológicos. As funções psicológicas superiores são construídas ao longo da história social do homem. Essa evolução acontece pela elaboração das informações recebidas do meio. explícita ou implicitamente. mecanismos intencionais e dependem de processos de aprendizagem. sociedades e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas. Desse modo. a aprendizagem entre eles. os vygotskianos entendem que os processos psíquicos. A criança passa a ver o mundo com sua própria visão. portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações. sua aprendizagem. Isso não significa que o indivíduo seja como um espelho. Vygotsky e Luria (1930/1993) explicam isto na área da percepção: a criança no início de sua vida tem apenas sensações orgânicas tensãodor calor. as formas de organização do real. ou seja. mas sim em parceria com as outras. características exclusivas do homem. Processo de internalização O processo de internalização é fundamental para o desenvolvimento do funcionamento psicológico humano. Donde surge o termo sóciocultural ou histórico atribuído nesta teoria. Por isso a linguagem é duplamente importante para Vygotsky. que desde o berço vive rodeado por seus pares em um ambiente impregnado pela cultura. 2. Em outras palavras. pela mediação feita por outros sujeitos. Com o aprendizado cultural. como os reflexos e a atenção involuntária. porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais. As informações nunca são absorvidas diretamente do meio. Enquanto sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos. A informação de que esses processos biológicos tornamse disponível no organismo é organizado pela própria criança através de experiência social e cultural. A percepção da realidade requer processos biológicos como determinantes de experiência. passa a perceber a realidade. Natureza social Vygotsky interessou-se por enfatizar o papel da interação social ao longo do desenvolvimento do homem. ontológico e filogenético. o conhecimento é sempre mediado. presentes em todos os animais mais desenvolvidos. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. representa um salto qualitativo na evolução da espécie. A linguagem. ações conscientes.1. Essas concepções fundamentam sua idéia de que a criança nasce dotada apenas de FUNÇÕES PSICOLÓGICAS ELEMENTARES. que são os mediadores". Mediação A questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio e. As informações intermediadas são reelaboradas numa espécie de linguagem interna. no entanto. 2. É na troca com os outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos. o conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade. A internalização envolve uma atividade externa que deve ser modificada para tornar-se uma atividade interna. Para Vygotsky. Para Vygotsky. parte dessas funções básicas transforma-se em FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES. sistema simbólico dos grupos humanos. A cultura fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade. Conceitos Básicos da Teoria de Vygotsky 1. É pela APRENDIZAGEM nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso desenvolvimento mental. mas acesso mediado. interiorizações desenvolvidas através da linguagem 17 . Isto quer dizer que o homem é herdeiro de toda a evolução filogenética (espécie) e cultural. ou seja. conceitos e significações. Ela dá o local de negociações no qual seus membros estão em constante processo de recriação e reinterpretação de informações. o que permite a formação de conhecimentos e da própria consciência. assim como. é interpessoal e se torna intrapessoal. "na ausência do outro. administrando-o sob seu ponto de vista. Maria Teresa Freitas resume: "Nenhum conhecimento é construído pela pessoa sozinha. ocorrem por assimilações de ações exteriores. e seu desenvolvimento dar-se-á em função de características do meio social em que vive. Para ele. através de recortes do real. Vygotsky defendeu que o próprio desenvolvimento da inteligência é produto dessa convivência. o planejamento e a deliberação. Além de ser o principal instrumento de intermediação do conhecimento entre os seres humanos. papéis e funções sociais. E assim assinalam-se constantemente a busca de explicar os processos mentais superiores baseados na imersão social do homem que por sua vez é histórico. do mundo cultural que rodeia o indivíduo. a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Poder-se-ía assim dizer que o desenvolvimento cultural do aluno. as funções psicológicas superiores referem-se a processos voluntários. portanto. permitindo que seu organismo passe a ser afetado por fatores externos. o homem não se constrói homem". É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas. É isso que caracterizará a individualidade. Atento à "natureza social" do ser humano. apenas refletindo o que aprende. As concepções de Vygotsky sobre o funcionamento do cérebro humano sinalizam que o cérebro é a base biológica. em sua relação com o mundo. Desenvolvimento do cérebro A redução de reações biológicas é uma condição prévia para o aparecimento de fenômenos psicológicos. ou seja. principalmente nas áreas mais sensíveis. O outro social pode apresentar-se por meio de objetos. e suas peculiaridades definem limites e possibilidades para o desenvolvimento humano. o universo de significações que permite construir a interpretação do mundo real. O sujeito não é apenas ativo. da organização do ambiente. portanto. mas interativo. assim como no construtivismo e sim. É ela que fornece os conceitos. primeiro entre as pessoas (interpsicológica) e depois no interior da criança (intrapsicológica). o desenvolvimento cultural da criança aparece segundo a lei da dupla formação. se dá mediante o processo de relação do aluno com o professor ou com outros alunos mais competentes. pelas pessoas que rodeiam a criança. como a consciência. a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico em ser humano. ela tem relação direta com o próprio desenvolvimento psicológico. São sempre intermediadas.

São as relações sociais que dão ao indivíduo instrumentos para ativar os processos internos que favorecem o desenvolvimento. Isto porque o autor preocupou em descrever e entender o que ocorre ao longo da gênese de certas funções. Relação desenvolvimento/aprendizagem Vygotsky e a escola de psicologia dialética soviética e seus seguidores Luria (1902/1977) e Leontiev (1903/1979) estabelecem uma relação inseparável entre aprendizagem / desenvolvimento. Por outro lado. Nesse processo. O que nos faz pensar que esse processo de aprendizagem se desenvolve do concreto (segundo as variáveis externas) a abstrata (as ações mentais). existe como base metodológica e objeto de estudo a intencionalidade da consciência. • Conceitos científicos: constituído por um sistema hierárquico de inter-relação.2. 3. por exemplo. 3. que definiu como a "distância entre o nível de desenvolvimento real. controladas ou voluntárias. ambos os processos. os quais são diferentes dos processos mecânicos. cada qual com características específicas: • Pseudo-conceitos: aqui ainda a criança não consegue formular conceitos. envolvendo memorização ativa seguida de pensamento abstrato. são assimilações de ações exteriores.os diferentes níveis de funcionamento psicológico. tanto intelectual. seus atos deixam de ser espontâneos (no sentido biológico do termo) para se tornarem atos sociais e históricos. requer sempre um grau de experiência anterior para a criança. nesse diverso campo da consciência. cuja da interiorização surge a capacidade da atividades abstratas que a sua vez permite elevar a cabo ações externas. está condicionada pelo nível de desenvolvimento alcançado. Dois níveis de desenvolvimento Existem. esse é um nível de desenvolvimento real. que a aprendizagem entre eles. Tomada de consciência Vigotsky abstrai que o ser humano é criado histórico e socialmente. Observe que. Entendem que os processos psíquicos. assim como na de Piaget . com diferentes formas de manifestações. uma multiplicação simples. por estes serem ações conscientes. chegando a afirmar que o desenvolvimento vem depois da aprendizagem. como meio de condução das operações mentais. Desenvolvimento Potencial: se manifesta quando a criança realiza tarefas mais complexas. a finalidade da aprendizagem é a assimilação consciente do mundo físico mediante a interiorização gradual de atos externos e suas transformações em ações mentais.1. • Conceitos cotidianos: aprendidos assistematicamente. Nessa teoria não se tem estágios de desenvolvimento explicado detalhadamente sobre o surgimento e desenvolvimento das funções psíquicas através de acumulação de processos elementares. determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes". Privilegiam o ambiente social. Nesta fase a criança se orienta pela semelhança concreta visual. verbal –linguagem . Já que nessa abordagem não se questiona o fato de que todos os indivíduos tenham uma capacidade de aprendizagem que. orientadas por instruções e com a ajuda de um adulto ou por resultado da interação com iguais. depois se interioriza convertendo em linguagem interna). que são interiorizadas surgindo a capacidade de atividade abstrata (ações mentais) com varias formas de manifestação (material . Para Vygotsky.interna que permite formar abstrações. pelo constante diálogo entre o exterior e interior do indivíduo. E esses elementos da consciência vão dar origem aos denominados processos mentais superiores. 18 . Se domina a adição.ações externas -. estando então. à medida que o homem toma consciência da consciência que possui. Por exemplo. verbal e de diversos graus de generalizações e assimilações. envolvendo a psique do indivíduo. a aprendizagem se produz. quando ela já sabe somar. e que suas relações com a natureza e com os outros homens no nível da consciência são lidados de forma espontânea apenas quando ele não tem percepção da consciência sobre aquilo que está fazendo. um conceito que se pretenda trabalhar. Aprendizagem é a assimilação consciente do mundo físico mediante a interiorização gradual de atos externos e sua transformação em ações mentais. pelo menos dois níveis de desenvolvimento identificados por Vygotsky: 3. 3. uma vez que para formar ações mentais tem que partir das trocas com o mundo externo. • Conceitos: formação de conceito atividade complexa e abstrata.5. Mas existe na teoria de Vygotsky. aprendizagem e desenvolvimento. o que na teoria vygotskiniana é chamado de Tomada de Consciência. 3. como por exemplo. Desenvolvimento Real: É determinado por aquilo que a criança é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. A fim de explicar esse processo. que se costuma determinar através da solução independente de problemas. etc. mas o pensamento ocorre por cadeia e de natureza factual e concreta.ou intelectual – pensamento -) e diversos graus de generalização e assimilação. que para este autor a consciência é o estado supremo do homem. ele desenvolveu o conceito de ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL. inicialmente. que usa o signo. no estudo da linguagem da formação de conceitos.6. Costuma-se destacar que a abordagem de Vygotsky tem explicação das mudanças de ordem qualitativa. a evolução intelectual é caracterizada por saltos qualitativos de um nível de conhecimento para outro. formando apenas um complexo associativo restrito a um determinado tipo de conexão perceptual. assim. estes conceitos dispensam a necessidade da escola para a sua formulação. produzindo abertura nas zonas de desenvolvimento proximal nas quais as interações sociais são centrais. são os conceitos aprendidos na escola sistematicamente. interiorizações desenvolvidas através de linguagem interior que permite formar abstrações. A aprendizagem é considerada como parte de atividades coletivas que precedem a aquisição individual (linguagem infantil: primeiro aparece como forma de comunicação. A aprendizagem interage com o desenvolvimento. Zona de Desenvolvimento Proximal Segundo Vygotsky. 3. assim como. interrelacionados.4. e o nível de desenvolvimento potencial. A aprendizagem é produzida através de um diálogo constante entre o exterior e o interior do indivíduo. em matemática. Com isto. ou palavra. e as ações mentais são formadas a partir das variáveis externas (concretas). Diríamos de certa forma. mais e mais ele abstrai sobre seus atos e sobre o meio.

antes de 2 anos de idade. Psicologia e Filosofia. eles são substituídos rapidamente através de influências sociais. defende que é o desenvolvimento progressivo das estruturas intelectuais que nos torna capazes de aprender (fases pré-operatóra ou lógico-formal). Assim que infância termine. Ou seja. E os significados culturais só são aprendidos com a participação dos mediadores. "o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que. valioso ou não. Para o ser humano. Ele também afirmou que processos cognitivos são originalmente egoístas e anti-sociais. Nesse meio. é a diferença central entre os dois teóricos construtivistas. relações sociais constituem a psicologia da criança desde o começo. Vygotsky considerou a criança como um indivíduo social. em Vygotsky o que tem que estabelecer é a sequência que permite o progresso de forma adequada. Vygotsky colocou uma concepção bastante diferente da criança. da existência de uma zona de desenvolvimento potencial que desprende ou desvincula a proposta de uma concepção distinta da ajuda pedagógica de que surge das teorias de Piaget. básico para Vygotsky. Esse confronto se dá uma vez que os autores possuem vários pontos divergentes que separam os seus pensamentos em abordagens ou pontos de vista diferentes. de outra forma. É graças as implicações teóricas destes psicólogos que se pode hoje trabalhar visando ultrapassar a metodologia pedagógica arraigada na repetição de conceitos. sustentam que a inteligência é construída a partir das relações recíprocas do homem com o meio. Para Vigotsky é a compreensão através do contraste social e origem. a criança participa das relações sociais. sem esperar a maduração "mecânica" e evitando que possa pressupor as dificuldades para prosperar por não delinear um desequilíbrio adequado. Por exemplo. entendendo que a compreensão do ser humano deve ter presente que ele é organicamente social. como sócio-cultural. Se em Piaget havia que ter em conta o desenvolvimento como um limite para adequar o tipo de conteúdo de ensino a um nível evolutivo do aluno. o meio é sempre revestido de significados culturais. Para Piaget. o objeto armário (meio) não tem sentido em si. Não é surpresa devido ao endosso de Piaget aos conceitos de Freud. ele também vai refletindo e aplicando essas teorias que são valiosas para resolverem diversos males que afligem o contexto educacional.Nesta concepção a educação é considerada um sistema que facilita a apropriação de conteúdos próprios de cada cultura. cognitivo. Os dois se opõem tanto à teoria empirista (para a qual a evolução da inteligência é produto apenas da ação do meio sobre o indivíduo) quanto à concepção racionalista (que parte do princípio de que já nascemos com a inteligência pré-formada). Ele afirmou que mecanismos naturais governam o comportamento da crianças. Ambos atribuem grande importância ao organismo ativo. Eles só são dirigidos à realidade e ao relacionamento social depois de 7 a 8 anos de idade. as crianças individuais constroem conhecimento através de suas próprias ações: entender é inventar. Piaget. Relações sociais formam o contexto desenvolvente de crianças e constituem a natureza da criança. como preferem alguns especialistas. Laurinda Ramalho de Almeida. possam trabalhar rumo a uma educação significativa e construtiva – a qual possa conduzir o aluno a ser sujeito consciente de sua autonomia social. sociointeracionismo) é usado para fazer distinção entre a corrente teórica de Vygotsky e o construtivismo Jean Piaget. sendo chamado de sóciointeracionista e não apenas interacionista como Piaget. Wallon faz oposição a qualquer espécie de reducionismo orgânico ou social e ao dualismo corpo e alma. De forma geral. HENRY WALLON e a PESSOA COMPLETA (Abigail Alvarenga Mahoney. O termo socioconstrutivismo (ou. É desta concepção que Vygotsky afirma que a aprendizagem vai em frente do desenvolvimento Vygotsky teve contato com a obra de Piaget e embora teça elogios a ela em vários aspectos. O fator cultural. Ambos autores fazem parte das correntes interacionista (através de dialética externas de adaptação entre o organismo psicológico do indivíduo e seu mundo circundante ou contexto) e construtivista (dialéticas internas de organização entre as partes do organismo psicológico. isto 19 . Nasceu na França em 1879. Mecanismos biológicos operam durante curto espaço de tempo. Ambos divergem também quanto à seqüência dos processos de APRENDIZAGEM e de DESENVOLVIMENTO MENTAL. Para Vygotsky. Isto para que. VYGOTSKY X PIAGET A discussão do pensamento de Vygotsky na área educacional e psicológica nos remete a uma reflexão sobre as relações entre ele e Piaget. Piaget e Vygotsky contribuíram para a elaboração de metodologias inovativas que ultrapassam aquelas existentes na escola tradicional. Em suas palavras. rústico ou sofisticado e assim por diante. É justamente a comprovação. Apesar dos autores serem de complexa interpretação. afetivo. relações sociais são secundárias à natureza biológica da criança. percebe-se que à medida que o educador vai tecendo sua prática. Porém. Só tem o sentido cultural que lhe damos. por Vigotsky. como ser útil ou inútil. Piaget afirmou que a mente é governada através de mecanismos biológicos. Antes de chegar à psicologia passou pela filosofia e medicina e ao longo de sua carreira foi cada vez mais explícita a aproximação com a educação. As críticas a Piaget não foram diferentes das dirigidas a Freud. Para Vygotsky. a partir daí. mas Vygotsky destaca o papel do contexto histórico e cultural nos processos de desenvolvimento e aprendizagem. segundo Vygotsky. com adaptações). como explicação da mudança adaptativa). Piaget considerou como anti-social. é o primeiro que gera o segundo. o indivíduo começa a participar de relações sociais. Porém. seriam impossíveis". também a critica. e pouco enfatizado por Piaget. é possível utilizar as discussões mencionada na concepção interacionista e construtivista dos autores e colocar-se como condutor dessa interação do aluno com o meio e fazer desse meio um ambiente de estímulo para que o sujeito desenvolva os seus aspectos cognitivos. Ambos são construtivistas em suas concepções do desenvolvimento intelectual. Possuía formação nas áreas de Medicina (Neurologia e Psiquiatria). ao contrário. Para Piaget. por considerar que Piaget não deu a devida importância a situação social e ao meio. impulsionando ao longo de novas aquisições. no sentido de buscar compreender a realidade de seus alunos tanto do ponto de vista psicológico. O que tem encorajado inúmeros educadores a inovarem sua prática pedagógica.

a direção é para si mesma. Nesse estágio. lentamente. É a fase de se descobrir diferente das outras crianças e do adulto. Imitando. Formado em História e Psicologia. para ele. O processo ensino-aprendizagem exige respostas corporais. Puberdade e Adolescência (11 anos em diante): Ocorre novas definições dos contornos da personalidade. em conceitos e princípios. contatos epidérmicos. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. que possibilitam a substituição dos objetos pelas palavras correspondentes a partir da apropriação da linguagem (Wallon. no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". nas quais a dimensão temporal toma relevo. sensações nebulosas. que pressupõe a ampla liberdade de escolha. O recurso de aprendizagem nesse momento é a fusão com os outros. embale. vai se familiarizando e apreendendo o mundo. foi psicoterapeuta por mais de 30 anos. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. Segundo GALVÃO (2000). típico da espécie. Rogers é um dos precursores da teoria humanista. para Wallon. para o conhecimento e conquista do mundo exterior Nesse período. complementando os processos intelectuais. na Califórnia. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. onde ocorrem as representações claras. a criança desdobra. Rita de Cássia Pareja. daí a importância de se ligar ao seu cuidador (a). Sensório-Motor e Projetivo (1 a 3 anos): quando já dispõe da fala e da marcha. Wallon trouxe a compreensão de que o organismo é a primeira instância da aprendizagem. portanto. que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. Personalismo (3 a 6 anos): Nesse estágio desenvolve-se a construção da consciência de si mediante as interações sociais. que segure. pouco claras. iniciando o processo de diferenciação. As atividades predominantes estão voltadas para a construção do eu e para as relações afetivas com o outro. Categorial (6 aos 11 anos): Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas. O foco da teoria é essa interação da criança. a teoria de desenvolvimento de Wallon assume que o desenvolvimento da pessoa se faz a partir da interação do potencial genético. com o meio. 2. isto é. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo. morais e existenciais são trazidas à tona. 4. aplicou à Educação princípios da Psicologia Clínica. assim como Piaget. como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. Através dessa fusão. Partindo de uma perspectiva psicogenética da pessoa completa. Durante esse período. a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. o predomínio é da razão. como funcionam. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. O autor estudou a criança contextualizada. Antes do surgimento da linguagem falada. A criança. Aurora Gaspar). através da ação e interpretação do meio entre humanos. a criança aprende principalmente pela oposição ao outro. sente de forma integral. por pelo menos três anos. carregue. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. para um intenso contato com os objetos e a indagação insistente do que são.aprendizagem os sentimentos do aluno devem ser considerados. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. ele 20 . e uma grande variedade de fatores ambientais. 3. e no processo ensino. Como neste estágio. Na ótica Rogeriana. existindo outro tipo de interação: a criança e o outro. que se transformarão com o tempo. 1981). Implulsivo-Emocional (0 a 1 ano): a criança expressa sua afetividade através de movimentos descoordenados. iniciada com a integração das diferenciações produzidas durante o período pré-categorial. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. mediante atividades de confronto. físico. Liège Frainer Barbosa. A diferenciação mais nítida entre o eu e o outro dá condições mais estáveis para a exploração mental do mundo externo. esses estágios seriam os seguintes: 1. Ao olhar uma pessoa como um todo a ser considerado. porém. 5. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. precisas. como se formam. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. a criança participa intensamente de seu ambiente e apesar de percepções. possibilita a discriminação mais clara dos limites de sua autonomia e de sua dependência. passa a haver a representação das coisas e a explicação do real. que só se verifica mediante a busca pela pessoa completa. sem fragmentação e sem privilégio por determinada área.é. respondendo a sensibilidades corporais: proprioceptiva (sensibilidade dos músculos) e interoceptiva (sensibilidade das vísceras). aparece a exploração de si mesmo. Carl Rogers nasceu em Chicago em 1902 e faleceu em La Jolla. Segundo ele. Pela imitação. e para isso se submete e se apóia nos pares. contrapondo-se aos valores tal qual interpretados pelos adultos com quem convive. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. pela descoberta do que a distingue de outras pessoas. uma relação complementar entre os fatores orgânicos e socioculturais. questionamentos. com o pensamento ideomotriz (representação das imagens mentais por meio de ações). classificação. reorientando o interesse das crianças pelas pessoas. a 4 de fevereiro de 1987. autoafirmação. suas condições de existência. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. mediante atividades externas de agrupamento. O domínio de categorias cognitivas de maior nível de abstração. construindo suas próprias emoções. CARL ROGERS E O HUMANISMO (Clarice Salgueiro. Questões pessoais. não existe sentido se falar em comportamento ou em cognição sem considerar o domínio afetivo. Inicialmente atuou como psicoterapeuta e posteriormente dedicou-se à educação com a proposta de ensino centrado no aluno. Aqui. desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. A organização do mundo em categorias bem definidas possibilita também uma representação mais nítida de si mesma. sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para se atualizar. categorização em níveis de abstração até chegarem a nível categorial. uma vez que o aluno pensa. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. a criança se volta para o mundo externo (sensibilidade exteroceptiva). é um desenvolvimento conflituoso. na busca por uma identidade autônoma. ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear.

ensinar é mais que transmitir conhecimento – é despertar a curiosidade. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão . nessa concepção. não considerando o indivíduo como um todo. Não pode fugir à realidade. São palavras do universo vocabular do estudante. p. A teoria rogeriana pressupõe conceitos teóricos que possibilitam uma melhor compreensão do ser humano. o seu olhar. do eu olhar. que são: a empatia. na formação das suas competências. por ser imposto. conseqüentemente. os marginalizados da sociedade. desprazeirosas com uma condição de aconchego. Os conhecimentos do professor são oferecidos como mais um recurso ao estudante. que procuram no ato de conhecer a significação da realidade e na práxis o poder da transformação. O professor passa a ser considerado um facilitador da aprendizagem. a sua perspectiva. Referindo-se ao fato de proporcionar ao aluno a liberdade para escolher.aprendizagem. não mais aquele que transmite conhecimento. em qualquer instância: na ótica terapêutica ou no processo ensino.265). o "saber" é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. de domesticação e alienação transferidas do educador para o aluno através do conhecimento dado. é negado o direito do homem de se humanizar e o direito do pensar autêntico como menciona Freire (2005). o sujeito é educado para não desenvolver a consciência crítica. que constitui o que chamamos de alienação da ignorância. dos seus sentimentos. Rogers combate a aprendizagem do tipo “tarefas”. 1991. Para o autor.a absolutização da ignorância. A empatia é o conceito que corresponde a olhar o outro como se fosse visto do seu interior. A Educação Bancária que Freire abomina se alicerça nos princípios de dominação. que só utiliza as operações mentais. do educador é facilitar a aprendizagem. favorecendo a relação que se intensifica. implicam um ensino centrado nesse último. Para isso fundamenta conceitos essencialmente importantes. 58). que parecem ser de fundamental importância no processo de alfabetização científica. críticos e não domesticados. sem fachada. O educando é instado a buscar o seu próprio conhecimento. por isso um ato de coragem. constituiu um referencial teórico que hoje é cenário essencial para compreensão das relações humanas PAULO FREIRE E A PROBLEMATIZAÇÃO (José Roberto Tagliati. para fundamentar um entendimento pautado na essência do outro. que é o sentimento que se nutre quando são expressos os sentimentos positivos. é proporcionar as descobertas e o conhecimento com significação pessoal. livremente. sua luta é a favor dos menos favorecidos. A consideração positiva incondicional que consiste em aceitar as expressões negativas. do qual pode utilizar-se. questionando os aspectos de relevância para a sua própria aprendizagem. Rogers enfatiza entre os seus “princípios de aprendizagem3”. “não a encarnação abstrata de uma exigência curricular ou um canal estéril do qual o saber passa de geração em geração” (1991. segundo a qual esta se encontra sempre no outro (Freire. Tais ações servem de premissa para visualizar o poder do educador sobre o educando e como conseqüência a possibilidade de formar sujeitos ativos. Freire busca como ideal a conscientização para o conhecimento da realidade e das relações de poder existente na sociedade. uma vez que todo ser humano apresenta uma tendência natural e particular para aprender. Assim. Um ingrediente que pode motivar um início dessa troca de idéias talvez esteja nas palavras “geradoras” de Freire. isto para que o indivíduo possa transformar. e sim aquele que auxilia os educandos a aprender a viver como indivíduos em processo de transformação. É educar para a vida e para novos relacionamentos. a sacrificar a sua criatividade e a levar a sua vida em termos estandardizados” (1991. um processo que nasce da observação e da reflexão e culmina na ação transformadora. Para Rogers. Entende-se por pedagogia em Freire. De fato. Não pode temer o debate. Esse tipo de aprendizado é esquecido com o tempo. p. ou seja. e não provoca uma curiosidade que leve o indivíduo a aprofundar mais e mais. o objetivo maior da educação e. Uma pessoa instruída é capaz de se adaptar às mudanças que ocorrem durante a sua vida (a aprendizagem é contínua). todos sabem alguma coisa e todos aprendem alguma coisa com alguém. captando suas formas peculiar de analisar e interpretar o ambiente externo. com esse olhar para a dimensão afetiva. a congruência e a consideração positiva incondicional. porque sua ideologia já corrompeu e alienou o cidadão. baseados na própria experiência como terapeuta. Por isso. É desafiar a pessoa a confiar em si mesmo e dar um novo passo em busca de mais. levando em conta a ótica do outro. Luciene de Fátima da Silva. A congruência significa ser transparente na relação. não existe aquele que sabe e aquele que ensina. expondo seus sentimentos mais profundos. educação é um encontro entre interlocutores. Para Freire. A aceitação e a compreensão. o conhecimento é algo que. p. já estabelecidas na relação professor-aluno. modificar o que lhe é oferecido como se fosse o máximo que poderíamos ter e muitas vezes ver o dominador como um sujeito generoso. Rogers. como uma distorção histórica. as emoções e sensações do educando. sob pena de ser uma farsa. e que devem servir de base para a formação de outras. passa a ser absorvido passivamente. Carl Rogers afirma que “evitar-se-ia assim obrigá-lo ao conformismo. a ação que pode e deve ser muito mais que um processo de treinamento ou domesticação. Paulo Freire em sua longa caminhada em busca da educação problematizadora e libertadora se empenha nos seus trabalhos em expressar o seu sentimento de transformação da realidade opressora em realidade igualitária. Para Freire a educação é um ato de amor. O dominador faz do dominado massa de manobra. Freire coloca a Humanização como algo que é vocação de todos os homens e a desumanização que está presente na realidade opressora. transportando para a educação esta convivência em busca de uma aprendizagem significativa e qualitativa. respeitando-se como pessoa. alienado. pois não tem relevância com os sentimentos. Essa forma de interação garante uma relação afetiva satisfatória. imposto. A vida é um processo de mudança – tudo ao seu redor é questionável e tudo se mistura. Daniele Fortes Martin). a importância de um educador consciente de suas atitudes e sua capacidade de compreender os sentimentos e as reações do seu aluno. Na visão "bancária" da educação.quebra o paradigma do relacionamento formal e cria um relacionamento interpessoal. se solidifica.269). Juliana Ferreira Taveira. Para este 21 . consciente de sua constante transformação. a importância de ser uma pessoa real. é instigar o desejo de ir além do conhecido.

educador–educando. Percebe-se que a definição do que vem a ser currículo. dadas determinadas condições. Art. que desconhecem a sua função dentro da sociedade. ao elencar os temas. 2005). 2005). Há inúmeras conceituações: literal etimológico. CURRÍCULO (Cleres Carvalho.394/96. esta ação é um dos primeiros momentos para a tomada de consciência. Legal – É a totalidade das experiências de aprendizagem planejadas e patrocinadas pela escola. Quando elaboramos um curriculum vitae. sendo que para a transformação social este tipo de consciência é condição primordial. homem– mundo. escola tradicional. Reconhecer a própria história é se situar no tempo e espaço. onde os resultados da aprendizagem eram descritos 22 . Por volta de 1865. Nestes parâmetros. ou seja. as idéias equivocadas e o conteúdo a ser trabalhado com os educandos. carreira.pedagogo. designando a estes apenas uma educação de despejo de conteúdos alheios a ele. caracterizando-se como um instrumento facilitador da administração escolar. dialogar com a comunidade para que futuramente possam ser estabelecidos os temas a serem desenvolvidos são os pré-requisitos básicos para a pedagogia do oprimido. Através do diálogo o professor investigará seus alunos a fim de estruturar um trabalho pedagógico que mobilize a todos os envolvidos neste processo de conscientização. é necessário um estudo preciso e profundo de cada um destes. 26 – os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. jornada. percurso a ser realizado. com suas respectivas cargas horária (plano de estudo ou grade curricular). do mundo. Pedra (1997) conceitua currículo como a representação da cultura no cotidiano escolar. sociais e culturais. Tudo o que cerca o aluno. ou seja. entre a teoria (idéias. da atividade prática da escola. dialética porque não podemos dicotomizar os fundamentos da educação que são: ação–reflexão. nos faz pensar sobre as relações de poder. é o olhar crítico e clínico sob o mundo. analisa a problemática dos processos de ensino aprendizagem através do jogo de interesses políticos. O objetivo desta educação é manter o status quo e formar uma parcela de trabalhadores alienados. ou seja. E em 1955 aparece como: um conjunto de curso ensinado numa instituição. para a construção de uma nova práxis pedagógica que valoriza o ser em sua integridade. mas via de mão dupla não é assimétrica. todas com raízes nas questões sócio-políticas e epistemológicas no campo da educação e das concepções de aprendizagem: a) Tradicional: ligada a questões de organização e preocupada com resultados concretos e mensuráveis. Já a educação bancária que Freire (2005) descreve trabalha com a consciência ingênua esta educação está presente em sociedades divididas em classes e eminentemente capitalistas que excluem as camadas populares do processo de democratização. da cultura. sempre relacionado a um projeto de controle do ensino e da aprendizagem. o termo currículo significava: uma pista de corrida em curso geral. Currículo é tudo o que acontece na vida de uma criança. é estabelecer relações entre eu–mundo–outro. econômicos. o modo pelo qual se selecionam. pedagógico. não há disciplina estanques. é compreender a sua própria história. pelo contrário. legal. Assim. Teórica: a teoria do currículo aborda três tipos de abordagem curricular. da economia e da clientela. Ir a campo. com adaptações de Osvaldo Jr). Neste modelo não há currículos pré-estabelecidos. Os elementos constantes nas construções de currículo são: Objetivos processos ensino-aprendizagem. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. De forma ampla ou restrita o currículo escolar abrange as atividades desenvolvidas dentro da escola. circunstância que se dão. o conhecimento é algo a ser construídos na coletividade. é reconhecer o contexto que está inserido. na vida de seus pais e de seus professores. disposição de disciplina em quadro. e o mundo é o objeto cognoscente que se deseja desvendar. currículo tradicional e conseqüentemente o seu conceito representarão todo o emaranhado que envolve a organização educacional. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares. varia de acordo com cada época vivenciada pela sociedade no setor educacional. em suma através de nossa realidade. as origens. nosso percurso de vida. O termo currículo é encontrado em registros do século XVII. Sacristán (1989) explica que o currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. subjetivo–objetivo. Porém. ou seja. Pedagógico – na concepção tradicionalista era praticamente sinônimo de ciclo didático. isto é currículo é o ambiente em ação. temos a valorização do homem como ser histórico e atuante na sociedade que é o que nos diferencia dos animais. Dentro da perspectiva de Freire há um posicionamento sociológico e antropológico da condição do homem participante de um meio e dos pressupostos que envolvem a educação. continuidade. Partindo da realidade social o educador reconhecerá as necessidades a serem supridas. instituição e pessoal. Investigar e conhecer a realidade dos educandos são os alicerces desta pedagogia. É perceber que estas relações são mediadas pelo mundo. sua representação ou apresentação. em todas as horas do dia. Dialógica porque é através da comunicação que estabelecemos relações com o outro. Por isso que suas obras são uma denúncia aos modos que constituem a educação oferecida aos homens das camadas populares. A história do currículo se confunde com história da escola. é ‘ler as entrelinhas’. pelo qual o movimento da ação–reflexão é tida como fundamental. nestas relações não há o que é mais importante e o menos importante. a educação não é via de mão única. Literal etimológico do latim “curriculum” e do grego “Kurrikulu” (“currere”) = ato de correr. que edificamos a dialética em nossa vida (FREIRE. currículo envolvia uma associação entre o conceito de ordem e método. Desde os seus primórdios. programas de ensino. por uma parte diversificada. De acordo com a lei 9. constitui matéria para currículo. causalidade e etc. Dentro deste processo de conscientização. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. mas é simétrica. Freire nos conduz à reflexão crítica da sociedade. Toda investigação temática de caráter conscientizador se faz pedagógica e toda autêntica educação se faz investigação do pensar (FREIRE. não há a hierarquia de um sobre o outro. classifica. explicita nossa carreira da vida. A educação progressista que Freire defende desenvolve a consciência crítica. Sua pedagogia se caracteriza por ser dialógica e também dialética. Isto não quer dizer que Freire nega a ciência. suposições e aspirações) e a prática possível.

emancipação. visto que a maior parte dos educadores que trabalham com essa idéia são conhecidos como sociointeracionista. o aluno um receptor de conhecimentos. que subsidiaram a escolha e sistematização dos conteúdos a ser trabalhado em cada série. na atividade. Como resume Libâneo (2004 p.174): O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). Na educação. organizados numa grade curricular. crenças. também tem papel importante no currículo construtivista. traz consigo toda sua herança cultural que eventualmente serão demonstradas na sua atuação em sala de aula. sem preocupa-se com e por que ensinar. dos conhecimentos anteriores e do professor. como segue: →Currículo formal: é estabelecido pelo sistema de ensino ou instituição escolar. currículo oculto. é a efetivação do que foi planejado. 23 . metodologia. (por exemplo: Parâmetros Curriculares Nacionais). Elementos: identidade.2 Concepções de organização curricular: Como se verá mais adiante uma pequena síntese abordando a organização curricular que de certa forma concretizam as intenções pedagógicas vivenciadas pela sociedade em cada etapa evolutiva. classe social. Percebe-se. sendo que algumas valorizam as questões políticas no processo da formação. Libâneo (2004. significação e discurso. No que diz respeito à função do currículo construtivista relata Libâneo (2004 p. É currículo que sai da prática dos professores. →Currículo oculto: São as influencias que de certa forma afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores que tem origem no meio social e vivenciados na própria escola.175): “Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. →Currículo real: acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. por que destacam o papel do meio. De certa forma as idéias do Psicólogo Russo Vigotsky. 2. da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. que compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. daí organiza-se o currículo. Sobre o enfoque tradicional comenta Libâneo (2004 p. bem como as relações de gênero e da pedagogia feminina. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa. ensino. Levantam uma narrativa sobre etnia e raça e sobre as relações de saber e poder. onde acontece à junção do currículo formal com os currículos real e oculto.através de comportamentos explícitos. valoriza-se a atividade de pesquisa do aluno. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico”. sexualidade. Elementos: ideologia. O professor atua como facilitador da aprendizagem. b) Críticas: possuem como lema a desconfiança. partem do que é normalizado pelo governo. tendo como ponto chave a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. avaliação. objetivos e conteúdos das aéreas ou disciplinas de estudo. reprodução cultural e social. pois questionam a neutralidade das teorias e práticas curriculares. Ao organizar um currículo construtivista. no ritmo de cada um. capaz de transformar a sua realidade social. Elementos: aprendizagem. deve-se levar em conta as etapas de desenvolvimento citadas por Piaget. alteridade. dão ênfase às relações sociais e aos conceitos que são desenvolvidos.177): Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. que algumas vezes divergem entre si. eficiência.1. →Currículo tradicional: é caracterizado pela organização do conhecimento por disciplinas. não aparece no planejamento. O professor é o facilitador da aprendizagem e os conteúdos são retirados das experiências dos alunos. precisamente na ação didática da escola objetiva desenvolver a capacidade do educando de aprender de forma ética e crítica. →Currículo sociocrítico (ou histórico-social): Nesta abordagem existem várias correntes. Este modelo de currículo está embasado nas idéias de John Dewey. decorrentes dos seus valores. intervenção da própria experiência dos professores. embora se constitua como importante fator de aprendizagem”. que atualmente é a informática e a mídia que precisarão para ser utilizado como instrumentos de aprendizagem de técnicas mais refinadas de transmissão. o que remete. raça. Níveis de Currículo: Podemos distinguir alguns tipos de currículo. mais precisamente para responder à seguinte pergunta: o que o currículo faz. partindo de critérios científicos e técnicos. representação. 2. p. capitalismo.172) descreve: “O currículo está oculto porque ele não é prescrito. etnia. didática. significados. É um conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. →Currículo construtivista: Está diretamente ligado as idéias de Jean Piaget e seus seguidores. →Currículo racional-tecnológico (tecnicista): sua característica central é que este é previamente prescritos por especialista. multiculturalismo. levando em conta o clima psicológico e social da sala de aula. gênero. de adequação ao meio. diferença. valorizando a cultura de todos para que ocorra o desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. c) Pós-críticas: referem as questões do multiculturalismo (diferença e identidade). Ênfase no planejamento e nos instrumentos de medição. organização. A escola tem a função apenas de ensinar. subjetividade. Além disso. Em termos metodológicos referem-se à introdução no ambiente escolar dos aparatos tecnológicos. resistência. E chamado de currículo legal expresso em diretrizes curriculares. conscientização. em última instancia ao papel do ensino na aprendizagem. assim como o que fica na percepção dos alunos. libertação. tem um caráter livresco e verbalista. os conteúdos escolares não são colocados como verdades absolutas. em seguida pelo o que é elaborado e planejado na instituição de ensino e posto em prática no dia-a-dia do ambiente escolar. →Currículo Escolanovista (ou progressivista): Dá ênfase nas necessidades e interesse dos alunos. Também questionam a aparente neutralidade da ciência e das abordagens pedagógicas. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem passados aos alunos. o currículo racional-tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental.172) explica: É a execução de um plano. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. Prioriza-se a formação cidadã onde o educando está inserido na sociedade como ser ativo. Libâneo (2004. p. portanto. centrado no professor e na matéria. enquanto que outras colocam a relação pedagógica como mediadora na formação política. poder. o ensino é transmissivo e reprodutor. cultura. Visto que. saber e poder. relações sociais de produção. portanto que os níveis do currículo se entrelaçam na prática dos docentes em sala. que irão contemplar os interesse do mercado na sociedade. assim como educando o educador.

→ Currículo como produção cultural: os autores que defendem este modelo de currículo. onde se notam fragmentos de currículos ligados às idéias de psicólogos. procedimentos. no que tange a confecção do currículo nacional. a compreensão de como produzem. que é um dos elementos utilizados pela escola. enquanto que o currículo aberto representa o movimento por uma escola nova. privilegiam a classe burguesa. 1989). CONSELHO ESCOLAR Qual a principal função do Conselho Escolar? (12 02 2007) -. representa as idéias da abordagem curricular tradicional. pretende-se que. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. qual o verdadeiro papel da educação em épocas distintas de modos e costumes vividas pela sociedade. das diferenças. no currículo em ação. Autoria de Maria Luiza Latour Nogueira . Sobre o resultado prático da interdisciplinaridade explica Libâneo (2004 p. de recursos eficazes de promoção de aprendizagens mais sólidas e duradouras pelos alunos. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. á diversificação da cultura escolar. ou seja. atitudes sejam integrados na estrutura mental do aluno. Alguns princípios que norteiam a interdisciplinaridade são: Ter como referencia o sujeito que aprende e sua relação com o saber. envolvendo os métodos e as técnicas a serem utilizados para a transmissão de conhecimento de geração para geração. que foram responsáveis. apenas seguem o que foi prescrito no currículo. de modo que os conhecimentos. minimizando ou até recusando um currículo formal. Hernandez. estes podem ser organizado por aéreas de conhecimento. inscrito numa grade curricular. sociocrítico. que norteiam todo os caminhos a serem percorridos no Brasil no âmbito educacional. como se realiza o trabalho efetivo de ensino? Qual é a contribuição desses autores sobre as condições de provimento de melhores situações de aprendizagem.). ou seja. Esta citação de Libâneo. não fica suficientemente esclarecida nessa proposta a forma pela qual os professores transformam as análises dos fundamentos sociais e culturais do currículo em práticas de sala de aula nas suas matérias. destacando a importância da interdisciplinaridade. Desta forma o educador deve utilizar todos os lugares da escola. Mas. antropólogos. como também todos os momentos para desenvolver a ação de educar. currículo como produção cultural. fortuitos. Estabelecer ligações entre os pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. tecnicista. →Currículos fechados: É caracterizado por disciplinas isoladas. Neste panorama. no currículo oculto. 2. daí. Deste modo. As idéias que norteiam este modelo curricular são: buscar a integração de conhecimento e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e critica da realidade. sempre com um olhar analisador a cerca da sistematização dos conteúdos do currículo. que são permeados de idéias sociais e de renovação pedagógica. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. Incorpora-se também neste modelo.178): Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. mas de grandes reformas educacionais. A esse respeito Libâneo (2004. visto que não adianta romper com poder. na esfera da escola e do currículo.3 Tipos de currículo: Os tipos de currículo estão diretamente ligados às concepções e a visão de alguns teóricos sobre o que é ensino. Resumindo na prática este modelo de currículo. Estabelecer ligações entre teoria e prática.LDB. não é levado em conta os saberes e competências dos profissionais da educação. tem mais flexibilidade no que diz respeito aos conteúdo. o aprender a aprender (Torres Santomé. Eu sei que os professores precisam compreender as formas pelas quais o conhecimento escolar se constitui e em que grau as relações sociais na sala estão impregnadas de relações de poder.Neste olhar. para favorecer a integração da aprendizagens e os saberes que serão úteis ao educando para lidar com questões e problemas da realidade. Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. de certa forma se adequar à inquietação de alguns educadores. nas aulas. os anseios de um povo. da convivência social na escola. deixando de fora a classe dos oprimidos. sem no entanto acumular déficit de conteúdos. envolve várias práticas educativas que possam ajudar no processo de ensino-aprendizagem. →Currículo integrado ou globalizado: Este currículo tem como percussores os autores espanhóis (Torres Santomé. síntese. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. e sim demonstrar meios para que o aluno possa construir seu conhecimento de forma critica e reflexiva. visitas. classificação. a escola é um local de reconstrução do conhecimento. laboratórios. a sistematização do currículo tem como pano de fundo. simultaneamente. as crenças. destaca Libâneo (2004 p. etc. como a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação. utilizado o método de projetos. análise. Todos os segmentos da escola.185): É o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares.180) enfoca: Com essa orientação. ou seja. ao lado dos conteúdos culturais. a teoria e os conteúdos culturais sistematizado. tomada de decisões. p. a escola não tem autonomia para tomar decisões. a vivencia cultural dos alunos. centrado na valorização de elementos causais. a interdisciplinaridade. sem termos um norte denominado currículo e programas. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes. o currículo fechado. vêem a escola como uma reprodutora do poder político. comparação. vídeos. sem os conceitos. como também ressaltar. 24 . integrado ou globalizado. a importância dos processos mentais na aprendizagem (observação. têm vez e voz na definição dos temas geradores a ser desenvolvido. Sobre a concepção deste modelo de currículo esclarece Libâneo (2004 p. os alunos dificilmente farão analises da realidade e não serão aptos a formular estratégias para sua atuação. Suscitar e garantir processos integradores e apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos. Refletindo sobre esta idéia. →Currículos abertos: Tem como norte a interdisciplinaridade. que são colocados em prática na escola. sociólogos.183): Além disso.SEB .Última Atualização: (20 03 2007). não só pela mudança da compreensão do ato de aprender. se elaboram e se transformam esses conhecimentos. deve-se acolher a diversidade. que na concepção deles. se preste atenção a tudo o que acontece na escola. comunicação. os objetivos e os conteúdos são determinados. como o currículo construtivista. entre outros). critica também a forma como são construídos os saberes escolares.

o Conselho Escolar participa da elaboração do projeto políticopedagógico e acompanha o desenrolar das ações da escola. será a que mais se enquadra nessa finalidade.” (Dalben. a opção da escola for a de ser instrumento para a transformação da realidade. a pergunta que o Conselho Escolar pode fazer é: Queremos que nossa escola desenvolva uma educação que mantenha a realidade em que vivemos ou uma educação que contribua para a transformação dessa mesma realidade? Pode-se imaginar. mas como um parceiro de todas as atividades que se desenvolvem no interior da escola. Cabe destacar que o sentido político aqui desenvolvido não se refere à política partidária. Sua participação. para que tal atitude aconteça os professores e coordenadores precisam entender que o ensino-aprendizagem requer reflexão e troca de experiências. para expressar suas idéias e pontos de vista (Brookfield. Assim. o Conselho Escolar constitui um desses espaços. ou seja. o papel do Conselho Escolar é o de ser o órgão consultivo. pode-se compreender porque a função do Conselho Escolar é fundamentalmente político-pedagógica. “quando se quer saber se houve um desenvolvimento da democracia num dado país. é sua focalização principal. juntamente com o Conselho de Classe. a forma de participação direta de todos os profissionais que atuam no processo pedagógico. juntamente com os coordenadores pedagógicos. o Grêmio Estudantil. até mesmo. Compreendendo a educação como prática social que visa o desenvolvimento de cidadãos conscientes. De acordo com a autora. como eventualmente ocorre. O conselho de classe é uma atividade em que a avaliação é constituída a partir das experiências vividas na sala de aula. acompanhar o desenvolvimento da prática educativa. séries ou ciclos. pela opção escolhida. que são socialmente construídas (Vygotsky. Cada professor traz as suas experiências e a de seus alunos. para torná-la uma prática democrática comprometida com a qualidade socialmente referenciada. entre tantos outros possíveis. por sua vez. uma vez que. tudo irá decorrer dela: os conteúdos a serem desenvolvidos em sala de aula. a Associação de Pais e Mestres. a educação voltada apenas para o conteúdo. isto é. Vale dizer. na qual os segmentos escolares e a comunidade local se congregam para. então. nesse processo. Com esse propósito. Sendo assim. onde se sintam livres para colocar-se. sabendo onde se deseja chegar e que tipo de educação se deseja desenvolver. Esse pensamento é primordial para que o conselho de classe seja um espaço. os professores juntamente com o coordenador pedagógico refletem sobre os acontecimentos escolares e juntos analisam a atitude a ser tomada (Dalben. juntos. o processo de participação dos diversos segmentos nas atividades escolares. Se. tendo como foco privilegiado a aprendizagem. quais os que devem ser revistos na prática cotidiana da escola e quais novos procedimentos precisam ser propostos. portanto. sua tarefa mais importante. Assim. não se afirma como um fim em si mesmo. precisa estar ligada. nas suas diversas dimensões. divide-se o poder e as conseqüentes responsabilidades.Para que haja uma gestão democrática na escola é fundamental a existência de espaços propícios para que novas relações sociais entre os diversos segmentos escolares possam acontecer. ou mesmo os supervisores e orientadores educacionais. Dessa forma. o conselho de classe apresenta como características principais. Toda essa postura de acompanhamento tem uma finalidade maior: a construção de uma educação democrática e emancipadora. mas sim a toda ação consciente e intencional que vise manter ou mudar a realidade. 1998). a metodologia a ser empregada pelos docentes. A construção da avaliação é feita através da oportunidade de rever métodos. a gestão deixa de ser o exercício de uma só pessoa e passa a ser uma gestão colegiada. 25 . o certo é procurar saber se aumentou não o número dos que têm direito de participar das decisões que lhes dizem respeito. Esses momentos de avaliação servem como diagnóstico. uma organização interdisciplinar e apresenta como centro do trabalho a avaliação dos alunos. E é pedagógica. e. Nesse sentido. o Conselho Escolar pode iniciar uma ação consciente e ativa na escola. Assim. pois estabelece os mecanismos necessários para que essa transformação realmente aconteça. Assim. de processos de ensinoaprendizagem diferentes. Nesse contexto. sua função básica e primordial é a de conhecer a realidade e indicar caminhos que levem à realidade desejada. A partir de então. que a principal função do Conselho Escolar é político-pedagógica. 1987). Inclusive. deliberativo e de mobilização mais importante do processo de gestão democrática. Tudo isso. a função político-pedagógica do Conselho Escolar se expressa no “olhar” comprometido que desenvolve durante todo o processo educacional. autônomos e emancipados e entendendo o Conselho Escolar como um mecanismo de gestão democrática colegiada. não como instrumento de controle externo. reúnem-se para refletir e avaliar o desempenho pedagógico dos alunos das diversas turmas. num processo permanente de acompanhamento e avaliação. onde o aspecto técnico é o mais enfatizado. Ocorre que o Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental: ele se constitui uma forma colegiada da gestão democrática. mas os espaços nos quais podem exercer esse direito”. a primeira atividade que o Conselho Escolar traz para si é a de discutir e definir o tipo de educação ser desenvolvido na escola. a fim de que os professores desenvolvam o pensamento crítico. qual seja: no planejamento. Seja qual for a opção desejada pelo sistema de ensino e pela escola. prioritariamente. É política. ao menos dois tipos de educação e. a educação emancipadora – por ter caráter político-pedagógica – é a que pode vir a ser mediadora dessas mudanças sociais. O conselho de classe é um órgão colegiado em que “vários professores das diversas disciplinas. 2004:31). na implementação e na avaliação das ações da escola. no entanto. Com isso definido. 2004). a avaliação da aprendizagem escolhida. para Bobbio (2000). o foco é a troca de experiências e a reflexão antes da decisão. indica quais aspectos podem ser mantidos. Com isso. construírem uma educação de qualidade e socialmente relevante. na medida em que estabelece as transformações desejáveis na prática educativa escolar. a função do Conselho Escolar. à essência do trabalho escolar. enfatizando a transformação da ação (Liberali. Se a opção escolhida pela escola for pela manutenção da realidade. como apresentação da realidade que. Nesse acompanhamento co-responsável. contudo. do processo ensino-aprendizagem. CONSELHO DE CLASSE (Mônica Galante Gorini Guerra).

essa busca pela transformação na construção da avaliação dos alunos pode ser observada pela linguagem dos participantes e “no momento que nós inventamos uma linguagem e a produção social dessa linguagem. poluição do solo. compartilhando experiências. Nesse sentido. A colaboração é um processo complexo sendo necessário à participação de todos. As concepções de ensino e avaliação. Desde então. em particular. que estruturava o sistema educacional. a “Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano”. aglutinariam as diferentes análises e avaliações dos diversos profissionais. Muitas ações ocorridas no conselho de classe buscavam controlar e racionalizar os nossos motivos e atos (Bordieu. fornecendo aos professores meios para desenvolver um pensamento autônomo que proporcione as dinâmicas de um trabalho livre e criativo com foco à construção de uma identidade profissional. sendo o aluno o portador de problemas quanto a falta de estudo. No entanto através de pesquisas desenvolvidas por Dalben (1992) e Fongaro (1998). Trabalhar em grupo durante o conselho de classe é primordial porque trabalhamos com a interação entre os membros da equipe. Quanto a isso. transmitindo conteúdos instrucionais definidos por especialistas e assim. não há dúvida. pelas derrubadas das florestas. os conselhos de classe. poluição do ar pelas queimadas. o homem ouviu falar em extinção de espécimes da fauna e flora. De acordo com Dias (1991). tensões. os problemas ambientais já mostravam a irracionalidade do modelo econômico. mas ainda não se falava em Educação Ambiental. O que é preciso é saber que a mudança não é individual.C. é possível construir um significado do quanto é relevante a dimensão da construção social do pensamento e do raciocínio em contextos de discussão sobre a avaliação dos alunos. no contexto da implantação da lei nº 5692/71. como uma dimensão individual. Essa situação pode ser relacionada com a organização da escola. 1992). uma vez que através dessas enunciações demonstram como está sendo construída a avaliação dos alunos. Quando o coordenador pedagógico pensa em colaborar é necessário ter ciência que implica em conflitos. ocorre um ‘pensar em conjunto’( . No conselho de classe. E de acordo com Dalben (2004: 37). A autora atribui a esse fenômeno o nome de “co-construção de raciocínio”. A partir de 10 mil anos a. nos possibilitando redimensionar o passado e construir novas práticas. então. constatou-se que os conselhos de classe desenvolvem momentos de análise para verbalizarem notas e a avaliação escolar presos às medidas de rendimento. O estudo da origem dos conselhos de classe no Brasil (Rocha 1986 e Dalben 1992) possibilita constatar que sua implantação advém da necessidade sentida pela comunidade escolar. mudar é possível. do dia 5 a16 de julho. Considerada um marco histórico-político internacional. Dentro desse panorama. elaborações. foi no ano de 1972 que ocorreu os eventos mais decisivos para a evolução da abordagem ambiental no mundo. falta de assiduidade e falta de interesse. na Inglaterra. adquirindo relevância e vigência internacionais. distanciamentos e compreensões sobre e nos discursos durante o conselho de classe relacionando-os com valores e metas definidos pela escola em seu projeto político pedagógico. foram formulados princípios e orientações para um Programa Internacional de Educação Ambiental. Somente em março de 1965. a mudança não é arbitrária. você não muda porque quer. (ou Conferência de Estocolmo). A Organização das Nações Unidas promoveu. a Conferência estabeleceu um “Plano de Ação Mundial” e. a mudança está submetida a dificuldades. Iugoslávia. Mas a mudança é possível!” (Freire. pois fornece bases para compreensão da orientação política inicial e os rumos dados até os dias atuais. A discussão sobre as terríveis disparidades entre os países do Norte e do 26 . pois “o raciocínio sobre um argumento específico dentre aqueles propostos se constrói muitas vezes pela contribuição de vários interlocutores: em outras palavras. mesmo hoje regidos pela lei nº 9394/96 esse problema permanece na maioria dos cotidianos escolares. buscando auxiliar o processo avaliativo a partir da necessidade de maior conhecimento do aluno. EDUCAÇÃO AMBIENTAL (Tânia Regina Effting e adaptações). No encontro. recomendou que devesse ser estabelecido um Programa Internacional de Educação Ambiental. integrada ás diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais. excluindo a participação de setores representativos da sociedade. é a partir da ação partilhada que se constrói o conhecimento e neste contexto de pesquisa é de suma importância o desenvolvimento de um trabalho de colaboração entre o coordenador pedagógico e os professores. ou durante as interações verbais. (MUCELIN. Conhecer as origens do conselho de classe é fundamental. No ano de 1975. onde o objeto do discurso é compartilhado entre os participantes. O coordenador pode. Quer dizer.. a revolução agrícola acarretou impactos sobre a natureza. que se manifesta de diferentes formas conversacionais. unindo especialistas de 65 países. supondo uma função de cunho essencialmente pedagógico. o Encontro Internacional sobre Educação Ambiental. estavam enraizadas na necessidade de controle interno do fenômeno pedagógico. No início da década de 60. Evidentemente.” (Pontecorvo. pela retomada com o objetivo de acrescentar variações. na Conferência de Educação da Universidade de Keele. também. Assim. 2001:168). justificava-se a prática dos conselhos de classe presa à simples legitimação dos resultados já apresentados pelos professores. Sendo assim. 2005:71-73). nem você muda sempre na direção com que você sonha. num clima político pautado pelo autoritarismo. O fio condutor do discurso passa naturalmente de um participante para o outro ou. na Suécia. Foi onde a Educação Ambiental passou a ser considerada como campo de ação pedagógica. tudo transcorria em uma relação individualizada e de isolamento profissional. como ficou consagrada.). possibilitando análises globais do aluno em relação aos trabalhos desenvolvidos e a estruturação de trabalhos pedagógicos. estimular os professores a verbalizarem as suas experiências. a formação docente deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva. excesso de matéria orgânica e erosão. multidisciplinar.1930/2002) e que passam a fazer parte do conselho de classe. 2004). colocou-se pela primeira vez a expressão Educação Ambiental. com a recomendação de que ela deveria se tornar uma parte essencial de educação de todos os cidadãos. a UNESCO promoveu em Belgrado. nesse contexto. é pelo diálogo entre o coordenador pedagógico e os professores em um contexto de reflexão crítica que é possível observar e perceber os problemas do cotidiano escolar buscando soluções cabíveis. é social. segundo os quais esta deveria ser contínua. Assim.

De acordo com Dias (1991). percepções. dois. entre os incontáveis eventos paralelos. definiu a AE como um processo de formação e informação. para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado. nasceram três documentos que hoje estão entre as principais referências para quem quer praticar Educação Ambiental: Agenda 21. a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. na satisfação material e espiritual da sociedade. é o aprendizado para compreender. o decreto nº4281. que constitui até hoje o ponto culminante do Programa Internacional de Educação Ambiental. a Carta de Belgrado. a promoção do “esclarecimento e educação do povo brasileiro para o uso adequado dos recursos 27 .6. Além dos debates oficiais. nesse encontro. orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente. Nessa conferência foram definidos os objetivos e as estratégias pertinentes. devendo considerar as condições e o estágio de cada país. Educação Ambiental: Conceitos e sua Evolução. voltado para o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias á compreensão e apreciação das inter-relações entre o homem. que proporcionasse a erradicação da pobreza. Vinte anos após Estocolmo. significa aprender a ver o quadro global que cerca um problema específico . Mellows apresentou a AE como um processo no qual deveria ocorrer um desenvolvimento progressivo de um senso de preocupação com o meio ambiente. sem esquecer da necessidade de realização de atividades práticas e de experiências pessoais. de 27. orientada para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais e de atividade que levem á participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental: • Em 1992. não podendo basear-se em pautas rígidas e de aplicação universal. e os processos naturais ou artificiais que o causam e que sugerem ações para saná-lo. utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para a aquisição de conhecimentos.Sul gerou. Rússia. política. celebrou-se em Tbilisi. apreciar. orientada para a resolução dos problemas.sua história. sua cultura e seu entorno biofísico: • Em 1972. que se transformou num momento especial também para a evolução da Educação Ambiental. evitar desastres ambientais. do analfabetismo. trouxe grande esperança. elaborados pela Comissão Internacional para preparação da Rio-92. foram marcantes: a "1ª Jornada Internacional de Educação Ambiental". realizou-se o Congresso Internacional sobre a Educação e Formação Relativas ao Meio Ambiente (1987) em Moscou. A trajetória da presença da educação ambiental na legislação brasileira apresenta uma tendência em comum. pois há muito já se fazia educação ambiental. em favor do bem-estar da comunidade humana. Passados dez anos da Conferência de Tbilisi.030. definiu a AE como uma dimensão dada ao conteúdo e á prática da educação. quinze depois de Tbilisi e cinco depois de Moscou.2002. reconhecendo o valor do saber prévio dos estudantes. para elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa. Destes eventos. chegou-se a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). da poluição e da dominação e exploração humana. • Em 1996. um dos encontros do Fórum Global atraiu cerca de 600 educadores do mundo todo. seus valores. a EA deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conforma o ambiente. a Internacional Union for the Conservation of Nature (IUCN) definiu a EA como um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos. estabelecendo a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). a evolução dos conceitos de EA esteve diretamente relacionada á evolução do conceito de meio ambiente e ao modo como este era percebido. aumentar a produtividade. baseado em um complexo e sensível entendimento das relações do homem com o ambiente e a sua volta: • Em 1977. a conferência realizada em Tbilisi. especialmente para os educadores. da fome. em 1977. a EA foi definida como um processo que deveria objetivar a formação de cidadãos: • Em 1970. Educação Ambiental: Definições Educação Ambiental é a preparação de pessoas para a sua vida enquanto membros da biosfera. região e comunidade. Assim sendo. no presente o no futuro: • Em 2000. conhecer e utilizar novas oportunidades e tomar decisões acertadas. de 25. com vista a utilizar racionalmente os recursos do meio. sob uma perspectiva holística. a EA se caracteriza por incorporar a dimensão socioeconômica. Acrescentou-se aos princípios básicos da Carta de Belgrado que a Educação Ambiental deve ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais. através de um enfoque interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade. independente de haver ou não um marco legal. ambientalistas e professores. Postulou-se que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação global. fatores econômicos e tecnológicos. Dessa forma podem-se analisar vários conceitos de EA no decorrer da evolução. deve desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas. entre suas atribuições. Assim. Marco Legal A aprovação da Lei nº 9795.4. que criou a Secretaria especial de Meio Ambiente explicitando. que é a necessidade de universalização dessa prática educativa por toda a sociedade. cultural e histórica. de modo integrado e sustentável. significa aprender a empregar novas tecnologias. O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. com o decreto nº 73. Já aparecia em 1973. na qual se expressava a necessidade do exercício de uma nova ética global. saber lidar e manter os sistemas ambientais na sua totalidade.1999 e do seu regulamento. promovido pela UNESCO. e o "Workshop sobre Educação Ambiental" organizado pelo MEC. URSS. A Carta Brasileira para a Educação Ambiental. em nível nacional e internacional. o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). a respeito das questões relacionada com a conservação e adequada utilização dos recursos naturais. minorar os danos existentes. • Em 1969. é a aprendizagem de como gerenciar e melhorar as relações entre a sociedade humana e o ambiente. Minini relatou que a AE é um processo que consiste em propiciar ás pessoa uma compreensão crítica e global do ambiente.

aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina. em seus aspectos naturais e criados pelo homem. nacional e internacional. em todas as práticas educativas. recuperação e melhoria sócio ambiental. Portanto. segundo o qual os currículos do ensino fundamental e médio “devem abranger. especialmente do Brasil”. e de potencializar a função da educação para as mudanças culturais e sociais. obrigatoriamente (.naturais. de modo que se adquira uma perspectiva global e equilibrada. assim como as medidas políticas. acentuando devidamente as atividades práticas e as experiências pessoais. as atitudes. A Escola na Educação Ambiental Considerando toda essa importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo. nacional e internacional para prevenir e resolver problemas ambientais. tecnológicos. grupos e sociedades que se encontram em condições de vulnerabilidade face aos desafios da contemporaneidade. de 31. (PRONEA) Para VASCONCELLOS (1997). • construir um processo contínuo e permanente. para surtirem o efeito desejável na construção de sociedades sustentáveis. • Responsabilidade: reconhecimento do ser humano como principal protagonista. a presença. moral e estético. inclusive a educação da comunidade. a necessidade de promover “educação ambiental a todos os níveis de ensino. o sentido dos valores. nas zonas urbanas e rurais. nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto. da reflexão sobre as relações dos seres entre si. a necessidade de desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas. • insistir no valor e na necessidade da cooperação local. §1º. social. política e ecológica. o direito constitucional de todos os cidadãos brasileiros terem acesso à educação ambiental. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade”. • Proporcionar. a respeito do meio ambiente. Atribui-se ao Estado o dever de “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e conscientização pública para a conservação do meio ambiente” (art. Objetivando capacitá-la para a participação ativa na defesa do meio ambiente”. • Induzir novas formas de conduta nos indivíduos. ao mencioná-la como um componente essencial para a qualidade de vida ambiental.. despontam também as atividades no âmbito educativo. também evidenciou a capilaridade que se desejava imprimir a essa dimensão pedagógica no Brasil. §1º.8. a possibilidade de adquirir os conhecimentos. Na legislação educacional. • ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais. segundo o qual se exige. • Cidadania: participar ativamente e resgatar direitos e promover uma nova ética capaz de conciliar o ambiente e a sociedade. • Compreensão: conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem os sistemas naturais. incluindo nesse contexto as ações em educação ambiental. o interesse ativo a as atitudes. envolvem uma articulação coordenada entre todos os tipos de intervenção ambiental direta. • concentrar-se nas situações ambientais atuais. A lei nº 6938. histórico-cultural. a “compreensão ambiental natural e social do sistema político.1981. para o ensino fundamental. político. ou seja. • aplicar um enfoque interdisciplinar. a todas as pessoas. de modo que os educandos se identifiquem com as condições ambientais de outras regiões geográficas. Educação Ambiental: Princípios Gerais • Sensibilização: processo de alerta. a referência é feita no artigo 32. • considerar de maneira explícita. começando pelo pré-escolar. Mas a Constituição Federal de 1988 elevou ainda o status do direito à educação ambiental. regional. exprimindo. apresentando uma dupla função a essa transição societária: propiciar os processos de mudanças culturais em direção a instauração de uma ética ecológica e de mudanças sociais em direção ao empoderamento dos indivíduos. tendo em conta também a perspectiva histórica. inciso IV). com ações orientadas em projetos e em processos de participação que levem à autoconfiança. é o primeiro passo para alcançar o pensamento sistêmico. ainda é superficial a menção que se faz à educação ambiental. • Competência: capacidade de avaliar e agir efetivamente no sistema. Educação Ambiental: Princípios Básicos • considerar o meio ambiente em sua totalidade.. (ProNea) E nesse contexto onde os sistemas sociais atuam na promoção da mudança ambiental. a educação assume posição de destaque para construir os fundamentos da sociedade sustentável. e continuando através de todas as fases do ensino formal e não-formal. em conseqüência. pois isso necessita de atividades de sala de aula e atividades de campo. a atitudes positivas e ao comprometimento pessoal com a proteção ambiental implementados de modo 28 . sobressaem-se as escolas. 225. no tempo e no espaço. jurídicas. sociais. a existência da interdependência econômica. como espaços privilegiados na implementação de atividades que propiciem essa reflexão. e no artigo 36. do ponto de vista do local. Educação Ambiental: Suas Finalidades • Ajudar a fazer e compreender claramente. em seu artigo 2º inciso X. surgindo.) o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. que institui a política Nacional do Meio Ambiente. assim. tendo em vista a conservação do meio ambiente”. nº 9394/96. necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente. econômico. existem poucas menções à questão ambiental. Na Lei de Diretrizes e Bases. técnico. • utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para comunicar e adquirir conhecimento sobre o meio ambiente. Importância da Educação Ambiental As estratégias de enfrentamento da problemática ambiental. da tecnologia. institucionais e econômicas voltadas à proteção. inciso II. os aspectos ambientais nos planos de desenvolvimento e de crescimento. • examinar as principais questões ambientais. que se insere a Educação Ambiental no planejamento estratégico para o desenvolvimento sustentável. • destacar a complexidade dos problemas ambientais (sócioambientais) e. Dessa forma. é no sentido de promover a articulação das ações educativas voltadas às atividades de proteção. do ser humano com ele mesmo e do ser humano com seus semelhantes é condição imprescindível para que a Educação Ambiental ocorra. que organiza a estruturação dos serviços educacionais e estabelece competências. recuperação e melhoria sócia ambiental.

FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES (Fernando Casadei Salles) É preciso esclarecer a verdadeira natureza das relações entre os processos de formação inicial e continuada. da reciclagem. diretamente relacionada. pois. da racionalidade prática sobre a racionalidade técnica. de áreas. a relação não é diferente. atingindo tanto o bairro no qual a escola está inserida como comunidades mais afastadas nas quais residam alunos. ou seja. Assim. para a prática docente? A tendência hoje fortemente questionada. só se torna professor depois de se formar e essa formação depende de determinados requisitos indispensáveis para iniciar-se na profissão. significa antes de qualquer coisa falarmos do caráter lógico-associativo que essa prática precisa assumir frente aos problemas da teoria e da prática envolvidas no processo de formação do professor. a formação de um profissional não é um processo indefinido – o limite é dado no momento em que recebe um certificado de habilitação para o exercício da profissão docente. senão a partir de seu próprio 29 . ele deixa de concretizar o ato da procriação. currículos. segundo Canário (1997) é colocar em questão qualquer solução baseada na perspectiva cumulativa da aquisição de conhecimentos. que o estreitamento das relações intra e extra-escolar é bastante útil na conservação do ambiente. Essa idéia fica ainda mais assumida em Pimenta quando afirma: “O. profissional não pode constituir seu saber-fazer. 1992). E o organismo precisa estar formado de uma certa maneira. falarmos de formação do professor no seu sentido continuado quer seja ela em serviço ou não. Assim sendo a escola é o espaço social e o local onde o aluno será sensibilizado para as ações ambientais e fora do âmbito escolar ele será capaz de dar seqüência ao seu processo de socialização. contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis. É fundamental que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos sociais construtivos. O aluno trabalha nela como se ela fosse sinônima da sua habilitação. Esse processo oferece possibilidades para os professores atuarem de maneira a englobar toda a comunidade escolar e do bairro na coleta de dados para resgatar a história da área para. inclusive. conjugada com a obsolescência desses conhecimento os sirvam de justificativa para processos formativos estruturados pela noção de “reciclagem”. Esse período é marcado pela ênfase na certificação de habilidades. Talvez aqui seja interessante distinguir a questão da racionalidade técnica da racionalidade prática. Exatamente nesse ponto emerge a questão de fundo da discussão sobre a formação continuada de professor: de que ponto de vista metodológica deve-se continuar o processo de formação do professor? Por meio da extensão. auxiliando-o a analisar criticamente os princípios que tem levado à destruição inconseqüente dos recursos naturais e de várias espécies. Tendo a clareza que a natureza não é fonte inesgotável de recursos. Dentro da escola deveremos encontrar meios efetivos para que cada aluno compreenda os fenômenos naturais. Esse processo de sensibilização da comunidade escolar pode fomentar iniciativas que transcendam o ambiente escolar. para sua própria espécie. principalmente o ambiente da escola. da atualização dos conhecimentos obtidos na formação inicial. suas reservas são finitas e devem ser utilizadas de maneira racional. também como um produto do seu desenvolvimento profissional. portanto. para simplesmente não cairmos no maniqueísmo disto ou daquilo. onde ele efetivamente realiza o seu desenvolvimento profissional. A escola dentro da Educação Ambiental deve sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente e as demais espécies que habitam o planeta. Por estas relações pode-se perceber que entre os referidos processos existe o mesmo tipo de tensão que encontramos entre o crescimento e a procriação do ser vivo. colaborando para a construção de uma sociedade socialmente justa. A metodologia teórica e prática dos projetos ocorrerão por intermédio do estudo de temas geradores que englobam aulas críticas. como ação planejada de fora para dentro da escola? Ou invertemos a situação e trazemos o modelo de formação dos professores para o interior da escola. professores e funcionários. colocando em segundo plano qualquer noção de formação continuada destinada a atualizar ou suprir lacunas diagnosticadas na formação inicial dos professores. Não lhe ocorre em nenhum momento nessa fase imaginar a sua formação. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática. Em seu lugar têm-se proposto. no cotidiano da vida escolar. para os outros seres vivos e o ambiente.interdisciplinar (DIAS. Ressaltado que as gerações que forem assim formadas crescerão dentro de um novo modelo de educação criando novas visões do que é o planeta Terra. o indivíduo só pode procriar depois que seu organismo está formado. só possíveis de serem adquiridos por via escolar. e a outra preocupada com a obtenção de competências sócioprofissionais. disciplinas. senão. de acordo com as regras existentes. evitando o desperdício e considerando a reciclagem como processo vital. Da prioridade da racionalidade técnica sobre a racionalidade prática. a tendência atual consiste em focalizar a atenção no potencial formador e transformador dos saberes adquiridos na experiência do cotidiano da prática docente. Desta feita. etc. palestras. No processo de formação de professor. mínimas e indispensáveis. É como se na prática. Por isso é que o futuro professor se concentra nessa fase com as demandas próprias da sua condição de estudante. a partir da coleta de dados. sobretudo. segundo Canário (1997:4): “uma forte valorização dos saberes adquiridos por via experiencial e. pode-se dizer que o primeiro problema complexo da formação dos professores diz espeito ao caráter lógico-dissociativo entre o ambiente escolar onde o aluno se habilita para a profissão e a escola em que ele trabalha como professor. Pensa-se exclusivamente de um ponto de vista acadêmico. A formação inicial estaria. enfim. quase sempre. à elaboração de pequenos projetos de intervenção. segundo a qual as insuficiências da formação inicial. Assim sendo. exclusivamente obtidas mediante o exercício prático da profissão. ou da prática docente? Mantemos o modelo cuja característica marcante é se realizar. da atribuição de um papel central ao sujeito que aprende (em vez de o atribuir à figura do formador)”. Assim. ou vice-versa. oficinas e saídas a campo. as ações humanas e sua conseqüência para consigo. com a aquisição de determinadas habilidades. conhecer seu meio e levantar os problemas ambientais e. se tratasse de duas lógicas incomunicáveis entre si: uma preocupada com a aquisição de determinados saberes escolares. SOUZA (2000) afirma. em um ambiente saudável. mais precisamente.

O fato de ser professor não é garantia de estar sempre certo. pois exige um conhecimento mínimo de dinâmica de grupo. Em outras palavras. de tempos em tempos. inspiradas nos modelos da racionalidade prática. na vida familiar. tendo em vista. a formação inicial do professor. a priori. o professor tem direitos e obrigações. Os alunos correm o risco de ser manipulados pelo professor em virtude da própria posição de poder que ele exerce na c lasse. o professor também pode estar errado. COORDENADOR DO GRUPO DE ALUNOS. 3. Assim como não há por que rejeitarmos o princípio de que os professores se formam. basicamente.fazer. elas não podem ser consideradas. é como se fosse possível substituirmos simplesmente uma forma de racionalidade por outra. Um professor pode ouvir a reclamação de um aluno sobre outro professor e fazer com que chegue ao envolvido para que este possa tomar alguma providência no sentido de responder adequadamente à reclamação. Eventuais insatisfações ou desavenças empregatícias devem ser resolvidas por meio dos canais competentes. nos momentos de lazer e de fruição estética e em tantos outros que. bem como noções básicas de psicologia para manter a autoridade de coordenador. MEMBRO DO CORPO DOCENTE. Pode ser um comunicador nato ou vir a desenvolver essa qualidade por meio da própria experiência. Se assim fosse. que vamos desmerecer a necessidade para o desenvolvimento profissional docente de uma sólida formação inicial e na continuidade de uma renovação. Seria falta de lealdade ficar sabotando os colegas perante os alunos. Isso se aprende no círculo profissional. não significa tomá-la. ao representar a instituição escolar. no entanto. 4. Independentemente da maneira como as estratégias de formação continuada. evidentemente. é necessário saber o que se ensina. Apesar de concordar com a idéia da prática como critério da verdade proposta por Garrido. discórdias dentro do corpo docente e os alunos saberão aproveitar-se dessas desavenças. Elegermos a escola ou o fazer-docente como o campo por excelência da formação dos professores. como se pode perceber. na disciplina é preciso levar em consideração as características de cada um dos envolvidos no c aso: professor e aluno. Saber como ensinar: o professor precisa conseguir transmitir o que sabe. A maior força do professor. ele não deve simplesmente fazer o que bem entender. no contexto de suas experiências empírico-profissionais. ou discordam do sentido burocrático dado ao processo de certificação das habilidades escolares obtidas na formação inicial. suas experiências intra-escolares. Como em qualquer relacionamento humano. está em seu desempenho na sala de aula. haverá.se mutuamente. é preciso que sejam consideradas distintas. da universidade. que não têm a ver com o problema. quatro funções: 1. Como todo o ser humano. o diagnóstico quase unânime em relação à precariedade da formação inicial dos professores do país. não faria sentido as críticas de aligeiramento da formação inicial que caracterizam a atual política de formação de professores e tampouco as reivindicações de políticas que. Não podem (nem devem!) ser descarregadas nos alunos. O professor e essencial para a socialização comunitária e tem. é sinal de que algo está errado. amplificando. sobretudo perante as indisciplinas dos alunos. é preciso. excedem a experiência profissional restrita ao ambiente escolar. por excelência. inspiradas nos modelos da racionalidade técnica. Portanto. Esta função não é habitualmente ensinada no currículo. é uma qualidade de relacionamento humano entre o corpo docente e os alunos em uma sala de aula e. Os professores devem ajudar. conseqüentemente. como o espaço exclusivo da “verdadeira” (e por que não única?) educação continuada. não venhamos excluir ou reduzir indevidamente o espaço de outras instâncias da formação dos professores. Numa escola em que cada professor atua como bem entende.se de um único professor. PROFESSOR PROPRIAMENTE DITO. a racionalidade técnica pela racionalidade prática. sobretudo despolitizar o tema da formação dos professores. negar que os professores se formam além das suas experiências empírico-profissionais significa desculturar e. mas não são irreconciliáveis. Por isso é importante que os professores adotem um padrão básico de atitudes perante as indisciplinas Mais 30 . além. extensão e atualização permanente dessa formação. não há também porque negarmos a formação desses profissionais em outros contextos. como toda a certeza. via de regra. Só para destacarmos o que talvez se possa considerar como dos mais importantes espaços de formação docente. no entanto. Não é senão sobre essa base que o saber. Não é por que as nossas convicções teóricas de análise discordam dos modelos de racionalidade técnica empregados. Como todo empregado. Ao nosso ver. principalmente. O que implica uma estratégia de política de formação continuada fortemente voltada para a superação dessa deficiência. na escola. Senão. ou que se começou. LIMITES E DISCIPLINA NA ESCOLA (IÇAMI TIBA) O desafio dos professores A disciplina escolar é um conjunto de regras que devem ser obedecidas tanto pelos professores quanto pelos alunos para que o aprendizado escolar tenha êxito. Se muitos alunos queixam. são vistas e comparadas com as de formação realizadas em serviço. quanto à constante introdução de novos saberes escolares. Senão é como se estivéssemos tentando continuar uma coisa que nem bem começou. especialmente. ou mesmo aprimorando. destacar o limite dessa afirmação no sentido de que a prática se mantenha apenas como critério e não se confunda com a própria verdade. na função de coordenador de alunos. enquanto elaboração teórica se constitui” (1999:26). como fazem os estudantes. A única forma de solucionar um problema é identificar o erro. além das características do ambiente. Sala de aula não é consultório. na formação de professores. Portanto. começou aligeirada e precariamente. Portanto. É necessário compreendermos o caráter complementar de cada momento do processo de formação dos professores para que o campo da prática não acabe se tornando o único domínio da formação dos professores. lembramos que os professores se formam também nas lutas democráticas e sindicais. ao privilegiarmos a prática docente como o lócus preferencial de formação da identidade profissional do professor. o professor tem que identificar as dificuldades existentes na c lasse para poder dar um bom andamento à aula. EMPREGADO DE UMA INSTITUIÇÃO. Partem de pressupostos teóricos e metodológicos distintos. 2. descartáveis ou sem função. jogando um professor contra outro. Para poder ensinar. possibilitam aos professores manterem-se atualizados diante das diferentes condições de trabalho permanentemente colocadas nas suas práticas docentes. escola não é clínica.

a motivação para estudar é acumular saber. como. alagadas ou sem condições de acomodar todos os estudantes são locais pouco prováveis de conseguir uma boa disciplina. da necessidade de novas metodologias. que as novas autarquias educacionais seriam instituições de ensino técnico com a finalidade de ministrar cursos da área de tecnologia e de formação de professores. No vestibular. Em termos de sabedoria. bem diferente de atingir uma média 5 para não repetir de ano. salas muito quentes. não está simplesmente desrespeitando um professor em particular. A Educação Tecnológica vai aos poucos solidificando sua estrutura cuja base se encontra no ensino técnico”. ou da filosofia da tecnologia. Esse uniforme protege a individualidade do professor. Os melhores alunos são os que acabam aprendendo mais. para aqueles que irão lidar com a realidade de uma sociedade tecnologizada. pessoas que dominassem o trabalho manual. quanto mais se sabe. mais se pensa que não é preciso saber mais. o fator sorte é mais decisivo quanto menor for o conhecimento. com o objetivo de formar artífices. que tem suporte nos dois eixos básicos de sua concepção. apesar das duas expressões terem significados complementares. a condição ambiental mais prejudicial é o estado psicológico do grupo. Posteriormente. escuras. Estudar para quê? Para passar de ano? Para ganhar presente? Para ter sabedoria? Pra os pais não “pegarem no pé”? Entretanto. esta determinação legal trouxe à tona o velho debate sobre educação geral x formação profissional. esportes. Na medida em que a Educação tecnológica ampliou o seu núcleo de atividades de comportando diferentes formas de atuação e concepção. A necessidade de busca de um domínio mais pedagógico é um fato marcante no campo da Educação Tecnológica. Este campo. de 30. com a obrigatoriedade do ensino profissionalizante. com o surgimento da industrialização. geralmente. O aluno também é peça-chave para disciplina escolar e o sucesso do aprendizado. quanto mais estudar. No entanto. Sobre esse tema.se de um fator imponderável. ou seja. A autora faz uma diferença entre as expressões educação tecnológica e educação para a tecnologia. sugiro a leitura do meu livro Ensinar Aprendendo. De um modo geral. evidentemente. a maior dificuldade que encontra para estudar é a falta de motivação. bem como brigas entre classe e professor. música.. empreendedoras e.. mas na sua interação e integração diz 31 . quanto mais conhecimento tiver. aos conceitos específicos de sua expressão. Uma escola em crise.. afinal. volta-se à questão do ensino técnico. são as pessoas mais animadas.comuns. também. A Educação Tecnológica. isto é. EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA (MIRIAN PAURA SABROSA ZIPPIN GRINSPUN e José Roberto Mendes) A educação tecnológica é muito antiga na realidade brasileira. com o avanço do desenvolvimento tecnológico. conceitos e categorias particulares de diferentes campos científicos.. O ensino fundamental e médio tende a ser aprovativo. em que instituições como o SENAI começaram a preparar mãode-obra qualificada para o mercado de trabalho. das práticas sociais em que esse trabalho vai ocorrer. que pode fazer “cair na prova” o que o vestibulando mais estudou e “não cair” justamente o que estudou. em outras décadas. mas as normas da escola. Conceitos de Educação Tecnológica O conceito de Educação tecnológica prende-se. a propósito. e aulas ministradas durante grandes eventos populares são situações que dificultam o aprendizado. menos. políticos ou sociais. Classes muito barulhentas. mas há que se ter um tratamento específico sobre sua estreita relação com a própria Pedagogia e sua aplicação no campo educacional. Portanto. da produção de conhecimentos. por certo. coleções etc. incorpora também as dimensões correlatas da questão do trabalho e. A expressão Tecnológica não possui um consenso no seu significado. Em 1978. hoje retornando ao cenário pelas mãos do ensino técnico x ensino médio. muitas vezes.. em aspectos econômicos. Sem entrar no mérito da discussão. quanto menos se sabe. encaminhando aos órgãos superiores. depende do domínio de enfoques teóricos. mais preparado estará. Seus idealizadores ressaltaram no Relatório do Grupo de Trabalho. Ela teve início pelo então ensino técnico que criou as suas primeiras escolas técnicas propriamente ditas.. Em termos de ignorância. que no tocante aos aspectos pedagógicos teve seu ápice na lei 5692/71. foi assinada a lei 6545. criando os Centros Federais de Educação Tecnológica. com conhecimentos. o que estimula (no passado mais ainda) o estudo suficiente apenas para passar de ano. e os piores. quando a ela se refere mais precisamente ao tipo de educação para os que irão aprender a fazer tecnologia. portanto. Quando um aluno ultrapassa os limites. descartáveis após a prova. sendo o seu modelo paradigma para o ensino nesta área. O ambiente também interfere na disciplina. Já o vestibular para a faculdade é um sistema competitivo e depende da sabedoria. como se todos vestissem o mesmo uniforme comportamental. A primeira voltada para os que irão aprender a fazer tecnologia e a segunda. elas não são idênticas e que esse último tipo de produção seria possivelmente a educação que deveríamos dar a todos os jovens para os adequar a vida contemporânea (1996:1).6. Atualmente. menos ele dependerá da sorte. Afirmaram também que “os CEFET’s exerceriam uma liderança natural do ensino de tecnologia. Trata. disciplinadas. quando estão interessados em algum assunto em particular (computação. Os estudos que vem sendo desenvolvidos têm se pautado por áreas mais ou menos específicos num enfoque teórico que se respalda. A Educação Tecnológica pode ser focalizada de vários pontos de vista: do mundo da educação. em 1909. tem início uma educação técnica paralela ao sistema regular de ensino. uma vez que pode se direcionar mais para os aspectos inerentes à educação e ao ensino técnico.1978. Na década de 60. numa interação dialética. Rodrigues mostra que. há que se ter uma visão um pouco mais objetiva do que entendemos atualmente por educação Tecnológica. Ela vai além dos conhecimentos das técnicas ou de um ensino técnico para comprometer-se com uma visão de mundo que contempla os valores que o fundamentam e determinam. do mundo do trabalho. que esteja passando por greves e os conseqüentes conflitos entre grevistas e fura-greves. portanto. pode referir-se aos mecanismos e processos advindos do desenvolvimento científico tecnológico. mais se quer aprender.). nas quais ninguém ouve ninguém.

) baixo aproveitamento escolar em leitura.respeito ou à formação do indivíduo para viver na era tecnológica. 1994). aptos ao ingresso imediato no mercado de trabalho (. fazendo com que se entendam as questões vivenciadas pelos educandos. não determinantes dos resultados econômicos e sociais. que vai além de uma proposta de ensino na escola. por sua vez. de pensamentos hipotéticos. prevalência e aos tipos de intervenção apropriados. comportamentos comuns aos alunos com esse problema. precisamos estar atentos e acreditar numa educação crítica que dê lugar tanto aos fundamentos básicos teóricos quanto à prática social que ela caracteriza. com novos impactos tecnológicos. Na Educação Especial. com novos instrumentos nas produções e relações sociais. nos dias atuais. saber-pensar e criar. ditado. mas como uma busca da compreensão dos novos papéis e funções que o homem tem na sociedade. em todas. Para que alcancemos estas etapas. mas são permanentemente solicitados a pensar-refletir-agir num mundo marcado por progressivas transformações. O importante na Educação Tecnológica é o trabalho de formação da cidadania. a partir do trabalho. porém. das relações de trabalho e outros exigidos pelos avanços tecnológicos. não havia. como vertente do sistema educativo indo até outros campos legais que cobrem setores da produção. envolvendo tanto a invenção como a inovação tecnológica. Passemos. “(. a Educação Tecnológica caracteriza-se por um dinamismo constante. por certo. consenso quanto à sua conceituação. ou do saber-fazer para uma grande categoria do saber-ser. A Educação Tecnológica segue o caminho das inovações não como descobertas em si.. ou à aquisição de conhecimentos necessários à formação profissional (tanto uma formação geral como específica). sim.. que não se esgotam na transmissão de conhecimentos. do fazer. mas iniciam-se na busca da construção de conhecimentos que possibilitem transformar e superar o conhecido e ensinado. talvez. não se iniciam com um trabalho.) conjunto de situações de ensino-aprendizagem que visam facilitar nos educandos a análise de conjunturas. Em outras palavras. década de 60. de que algumas crianças possuíam problemas de aprendizagem que não se enquadravam nas categorias existentes. da Ciência e da Tecnologia. • A Educação Tecnológica exige uma interação da teoria com a prática. das novas relações sociais. impulsividade. • A fundamentação básica da Educação Tecnológica resume-se no saber-fazer.. assim como às questões mais contextuais da tecnologia. o que. especialistas e pais. promove o despertar para a interpretação do contexto atual à luz de seus condicionamentos e fundamentos. a Educação Tecnológica está baseada na concepção de uma educação transformada. em que a técnica é fator determinante” (BAPTISTA. desorientação espacial. integra necessariamente as diferentes categorias do saber.) a educação tecnológica assume um papel que ultrapassa as fronteiras legais das normas e procedimentos a que está sujeita. elaboração e de expressão.. determinismo ou conformismo a um status quo social.. consequentemente. • A Educação Tecnológica busca integrar ensino e pesquisa. • A Educação Tecnológica pretende levantar questões relativas aos valores pertinentes ao momento atual. mas sim em fazer despertar nesse indivíduo o valor da tecnologia. Seu aparecimento exprimiu a convicção de educadores. Bastos (1998) diz que ela não admite aceitar a técnica como autônoma por si só e. tais como: (. hiperatividade. de uma forma mais crítica e mais humana. com adaptações). área das mais difíceis de se conceituar. desmotivação. disfunções no processamento de informações por ruptura dos processos psicológicos superiores. acarretando problemas de linguagem. repercussão multidisfuncional 32 . as novas exigências impostas pelas relações sociais e a maneira pela qual poderemos superar as dificuldades existentes no mercado de trabalho. MEC/SEMTEC. propiciando os requisitos básicos pra viver numa sociedade em transformação. 1993).. observou-se. ressaltando a rede de conhecimentos advindos das teorias existentes e da necessidade de rever a prática pelos sinais indicados pela teoria. • A Educação Tecnológica procura identificar. Características da Educação Tecnológica • A Educação Tecnológica não impõe o ensino das novas tecnologias. oriundos. mas. um conhecimento e um envolvimento com saberes que não acabam na escola. 1996). sociais e econômicos que tem a ver com desenvolvimento” (BRASIL. envolvendo processos de raciocínio. Não há uma preocupação específica em ensinar uma tarefa/ofício a um educando. problemas conceituais. então. etiologia. a alguns conceitos de educação tecnológica: “A Educação Tecnológica é a vertente da educação voltada para a formação de profissionais em todos os níveis de ensino e para todos os setores da economia. sua utilização e a capacidade e possibilidade que ele possui de poder transformar e criar novas tecnologias. integração. sobressaindo a dimensão ética num mundo crivado de tecnologia em todos os setores sociais. perpetuação dos distúrbios de aprendizagem ao longo da vida. Há muitas teorias. e sim um posicionamento. dificuldades interacionais. • A Educação Tecnológica não é tecnicismo. estruturas e contingentes. problemas de recepção. da capacitação de mão-de-obra. PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM (Sahda Marta Ide e Edinalva Sidronêz de Mendonça. Examinando-se inúmeras definições de dificuldades de aprendizagem. as dificuldades de aprendizagem constituem. tendo a complexidade do meio (tanto em termos científicos como sociais) e a prospecção do futuro como faróis de seu projeto pedagógico. A expressão “dificuldades de aprendizagem” começou a ser usada mais frequentemente no século passado. para descrever uma série de incapacidades relacionadas com o insucesso escolar. Em suma. “O conceito de Educação Tecnológica implica a formação de profissionais habilitados a transmitir conhecimentos tecnológicos sem perder de vista a finalidade última da tecnologia que é a de melhorar a qualidade de vida do homem e da sociedade” (PEREIRA. cálculo – no ensino fundamental e em disciplinas nucleares do ensino médio – etiologia disfuncional do sistema nervoso central. pois aprofunda-se com o projeto político-pedagógico dessa instituição. Educação é esse misto de responsabilidade e de muita esperança na possibilidade de transformação da sociedade. modelos e definições para esclarecer esse problema.

ele deve ter limitações decorrentes de alguns problemas pessoais. por algum motivo. fonoaudiológicos. não aprendem de acordo com o seu potencial. alertando que possibilitam uma visão ampla e total do ser humano. separada ou concomitantemente. do sistema nervoso central e das glândulas. de privação social. como cidadãos de segunda classe. uma nova definição para o problema: Uma criança com dificuldade de aprendizagem possui uma deficiência em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou uso da linguagem falada ou escrita. Somente em 1962 é que “dificuldade de aprendizagem” foi utilizada por Samuel Kirk em seu livro Educating Exceptional Child e entendida como um atraso. audiológicos. da ortografia ou da aritmética. no pensamento. etc. culturais e linguísticos. Fatores Específicos: mais relacionados à dimensão cognitiva. neurológicos. Fatores Ambientais: relacionados à dimensão social. Enfim. Elas não incluem problemas de aprendizagem. referem-se às possibilidades reais que o ambiente oferece ao indivíduo em termos da quantidade e da qualidade. seja uma disfunção que o incapacita ou outro problema. coexistência de outros problemas emergentes dessas condições de dificuldades. ou na organização espacial e temporal. as pessoas com dificuldades de aprendizagem ou com outras limitações são representadas no imaginário social com marcas. oftalmológicos. Criam-se os preconceitos e os estereótipos que desencadeiam discriminações. que se localizam as verdadeiras causas do fracasso. 1968. A dificuldade para aprender é um sintoma com uma função tão integrativa como a do aprender e que pode ser determinada por: 1. que estaria relacionada com as desordens básicas dos processos de aprendizagem que podem ser ou não acompanhadas por disfunção do sistema nervoso central e que não são causadas por deficiência mental. facilitando ou não sua aprendizagem. culturais. lesão cerebral. seja uma lesão. por privação cultural e/ou educacional. resultantes de uma possível disfunção cerebral e/ou de distúrbios de comportamento que não dependem de deficiência mental. A dificuldade de aprendizagem seria a manifestação de uma discrepância educacional significativa entre o potencial intelectual estimado da criança e o seu nível atual de realização. além dos sócioeconômicos. oftalmológicos. Entretanto. na leitura. econômicos. neurológicos. da escrita. De modo geral. relevância ao componente educacional em detrimento do clínico. não são passíveis de constatação orgânica. que exige diagnóstico clínico. na atribuição de significados. que a vêem como uma forma mais branda de denominação para os problemas de seus filhos. uma desordem ou imaturidade. porque não consideram a influência dos fatores externos como os pedagógicos. é mais aceita. sob a influência do modelo médico de conceituação das deficiências e incapacidades. na idéia de dificuldade de aprendizagem como característica definitiva que os colocará. com ênfase para o corpo que precisa ter integridade anatômica com bom funcionamento dos órgãos dos sentidos. afasia de desenvolvimento. isto é. 2. dislexia. Apesar das críticas que se fazem às teorias que ressaltam os fatores individuais.dos distúrbios de aprendizagem. gerando inibições na aprendizagem ou sintomas de dificuldades. audiológicos. a maioria dos educadores ainda situam no aprendente a única responsabilidade das dificuldades de aprendizagem que manifesta. 1987. motora. erradamente.34). da leitura. frequência e abundância de estímulos. dando-se. na soletração ou na aritmética. (FONSECA. Fatores que Intervêm na Aprendizagem Pamplona considera que os fatores que podem levar ao fracasso escolar (ou sucesso) escolar podem ser divididos em: psicológicos. de deficiência mental. Valoriza-se a dificuldade e perde-se a pessoa em sua dimensão de integralidade. Tal entendimento constituiu um marco histórico. Dislexia: refere-se à falha no processamento da habilidade da leitura e da escrita durante o 33 . na fala. subjetivos articulados com fatores contextuais e objetivos. o foco tem se deslocado da subjetividade para a objetividade. Ultimamente e pela crescente importância que tem sido dada ao modelo social de conceituar as deficiências e as incapacidades. num ou mais processos da linguagem falada.225-226). sob a ótica do subjetivismo e na unidirecionalidade de uma análise que considera o aprendiz como um ser a-histórico. alicerçadas em juízos de valor. pois passou-se a considerar a criança com dificuldade de aprendizagem como possuidora de um potencial intelectual acima da sua realização escolar. prevalece a crença de que é. devido ao seu caráter abrangente. incluem transtornos na adequação perceptivo-motora. Estudos e pesquisas evidenciam que. principalmente de deficiência visual. de perturbação emocional ou de desvantagem ambiental. A expressão “dificuldade de aprendizagem”. fonoaudiológicos e biológicos do aprendiz. a partir de aspectos individuais. urge que se tomem os necessários cuidados. 3. para que não se caia na armadilha de considerar todo problema escolar como dificuldade de aprendizagem. disfunção cerebral mínima. resultantes. Tais dificuldades incluem condições que têm sido referidas como deficiência perpétua. Do elenco de fatores citados por Pamplona. (KIRK. pedagógicos. respectivamente. Se o aluno não aprende. Estas dificuldades podem manifestar-se por desordens na recepção da linguagem. conferindo-se maior importância aos fatores decorrentes de fatores sócioeconômicos. p. tomando-se a parte pelo todo. cultural ou de um conjunto de fatores pedagógicos. culturais e pedagógicos que envolvem o aprendiz e que são externos aos sujeitos. p. porque retira o estigma associado a “atraso”. desse modo. Esse autor elaborou para a National Advisory Commitee on Handicapped Children. quando se tornarem adultos. um número muito grande de comportamentos e problemas atribuídos a crianças que. no terreno individual. hoje. linguísticos e biológicos. mas podem manifestar-se na área da leitura. Fatores Psicógenos: relacionados com a dimensão que considera a aprendizagem como função do eu e que pode explicar a diminuição das funções implícitas no aprender ou a transformação dessas funções. e mais desejada pelos pais. numa perspectiva educacional. Fatores Orgânicos: relacionados com a dimensão biológica. Principais Dificuldades de Aprendizagem: 1. etc. perturbação emocional severa ou perda sensorial. poderiam estar comprometidos os aspectos psicológicos. 4. subjetivos. As baixas expectativas em relação às potencialidades desses sujeitos também refletem o imaginário coletivo inspirado. “lesão cerebral” ou “disfunção cerebral mínima”. auditiva. na escrita.

o termo autonomia é oriundo do grego . temporal e préfrontal. Se a autonomia pode ser buscada.isto é. Portanto. à imagem e semelhança do Pai. as quais embotam as possibilidades de reflexão sobre a vida. aqui. . um dos seus méritos está. a revolução científica e a redescoberta do ceticismo antigo . justamente. Foram as coordenadas espaço-temporais propícias o humanismo renascentista. A acepção originária de método diz respeito ao caminho a ser seguido . referindo-se. cabendo citar: . em igual medida. além de possibilitar a construção de redes de mudanças sociais. a formação do cidadão para a vida na pólis) de homens e mulheres capazes de viver adequadamente em sociedade. capaz de conhecer o mundo (sujeito epistêmico) e de agir autonomamente no âmbito da ética (sujeito moral).que permitiram a construção do indivíduo moderno. Mas por que tem se tornado imperioso rediscutir os processos de ensino-aprendizagem necessários à formação? A resposta a tal indagação passa pelo reconhecimento das profundas modificações que transparecem no mundo contemporâneo. 5. de colocar em xeque os valores até então considerados intocáveis. e mista. marcada por um genuíno bombardeio de imagens. Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): é um transtorno neurobiológico. em um contexto em que a produção de conhecimento é extremamente veloz. inscrito na dialética da ação-reflexão-ação. Já nas primeiras comunidades cristãs. as sociedades de controle. 4. por conseguinte. tornando ainda mais provisórias as verdades construídas no saber-fazer científico. especialmente. ou não. Fundamentos Teóricos das Metodologias Ativas As metodologias ativas estão alicerçadas em um princípio teórico significativo: a autonomia. o que pressupõe a assunção de determinados papéis. nos quais vêm sendo amplamente debatidas as melhores veredas para a formação (e. METODOLOGIA ATIVA (Mitre et all). a orientação do conceito de autonomia à condição humana pode ser buscada em outro nicho antigo. que em geral são ilegíveis.a perspectiva vigente. É a dificuldade em aprender aritmética pode ter várias causas: pedagógicas. 2.de interdependência e de transdisciplinaridade -. Ademais.do grego meta = atrás. Caracteriza-se pelo lento traçado das letras. à idéia de autogoverno. crítica.caracterizando um verdadeiro ato de resistência. por terem sido criados como almas individuais. De fato. nos últimos anos. sob um ponto de vista histórico-conceitual.a velocidade das transformações nas sociedades laicas e plurais contemporâneas. que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. ultrapassando os limites do treinamento puramente técnico. através e hodós = caminho -. mediada pelo lóbulo temporal. No entanto. fonológica. As trocas ortográficas são normais durante a primeira e segunda séries do ensino fundamental. os aspectos relacionados ao trabalho. A educação deve ser capaz de desencadear uma visão do todo . . tendo sido empregado no seio da democracia grega para indicar as formas de governo autárquicas . para efetivamente alcançar a formação do homem como um ser histórico.a inequívoca influência dos meios de comunicação na construção/formatação do homem/profissional nesses primórdios do século XXI. A educação contemporânea deve pressupor um discente capaz de autogerenciar ou autogovernar seu processo de formação.período clássico . Sem embargo. que admitam uma prática pedagógica ética. na crescente tendência à busca de métodos inovadores. Recorrer ao sentido etimológico de método tornase bastante pertinente ao se considerar a educação como esse fim. e νoμοζ = leis remetendo. pertencem. ou seja. será com o advento da modernidade que o indivíduo. na medida em que estes. indiviso. originariamente. São de três tipos: visual.na reflexão de filósofos como Platão e Aristóteles. um necessário produto da modernidade burguesa e protestante. alicerce para uma educação que leva em consideração o indivíduo como um ser que 34 . occipital. capacidade intelectual limitada e disfunções do sistema nervoso central. ela não consegue idealizar no plano motor o que captou no plano visual. de αuτοζ = próprio. com mediação das áreas frontal. entre as tradições helênica e cristã22. Disortografia: Caracteriza-se pela incapacidade de transcrever corretamente a linguagem oral. Discalculia: falha na aquisição da capacidade e na habilidade de com conceitos e símbolos matemáticos. aos passos que deverão ser dados para se atingir um lugar ou um fim.desenvolvimento. reflexiva e transformadora. ao plano e à obra de Deus. Essas desordens têm sido consideradas como formas de discalculia (Cohn). a reforma protestante. especialmente no âmago de uma abordagem progressiva. celebrava-se a igualdade entre os homens. O ensinar exige respeito à autonomia e à dignidade de cada sujeito. É a dificuldade em passar para a escrita o estímulo visual da palavra impressa. e tampouco de qualquer comprometimento intelectual ou neurológico. em seguida. de causas genéticas. algo explícito na invocação de Paulo Freire. . o que torna imperiosa a adoção de uma postura crítica sobre a inscrição do sujeito no mundo aqui incluído o trabalho .a configuração de uma nova modalidade de organização do espaço-tempo social. havendo trocas ortográficas e confusão de letras. 3. com destaque para a atuação profissional. O grande desafio deste início de século está na perspectiva de se desenvolver a autonomia individual em íntima coalizão com o coletivo. Essa dificuldade não implica a diminuição da qualidade do traçado das letras. o cristianismo primitivo. com a conseqüente expansão da consciência individual e coletiva. aos ensinamentos do Cristo. os humanos têm o livre-arbítrio para receber e aderir. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção. A criança disgráfica não é portadora de defeito visual nem motor.αuτονομια. porque a relação entre a palavra impressa e os sons ainda não está totalmente dominada. a πoλιζ (pólis = cidade-estado). é um atraso no desenvolvimento ou a diminuição em traduzir sons (fonemas) em símbolos gráficos e compreender qualquer material escrito. ressurgindo no âmago da filosofia helênica . Disgrafia. se constituirá como eu pessoal. inquietude e impulsividade. vale a pena recuperar o ideal grego de paidéia. erigindo os valores que nortearão o julgamento e a práxis em sua vida social. ou seja. quase marca desse tempo. a inserção no mundo e a própria práxis. As discussões sobre método na cultura ocidental são bastante antigas. mediada pelo lóbulo occipital.

Esse respeito só emerge no âmago de uma relação dialética na qual os atores envolvidos . Ter sempre diante dos olhos . Ao contrário. rigor e globalidade relacionados dialeticamente. ele se detém. a postura própria do discente que permite estabelecer associações entre os elementos novos e aqueles já presentes na sua estrutura cognitiva.se reconhecem mutuamente (e aqui se pode recuperar a dialética do senhor e do escravo de Hegel). A problematização pode levá-lo ao contato com as informações e à produção do conhecimento. por outro lado. o ganho substantivo advindo da sua interação com o estudante e a importância de sua avaliação pelo aprendiz. bem como aos seus saberes construídos na prática comunitária. Nessa ação. tensão que acaba por possibilitar a ampliação de suas possibilidades de conhecimento. que precisa ter uma situação autêntica de experiência. instaura-se a partir do surgimento de novos desafios. As metodologias ativas utilizam a problematização como estratégia de ensino-aprendizagem. para transformá-las. Ademais. torna-se mais duradoura e sólida. cooperação para o trabalho em equipe. que permita o estabelecimento de diferentes tipos de relações entre fatos e objetos. por que e quando se aprende. senso de responsabilidade. é enfatizado o sujeito ativo. integrá-las à reflexão. Saviani e Freire.para confrontar. examina. e seus sujeitos. sínteses anteriores e outros -. buscando efetivamente conhecimentos relevantes aos problemas e aos objetivos da aprendizagem. com o objetivo de alcançar e motivar o discente. O docente nessa perspectiva. nesse processo. Iniciativa criadora.constrói a sua própria história. interessantes e que estimulem o pensamento. pois diante do problema. processual e formativa para a inclusão. O estudante precisa assumir um papel cada vez mais ativo. A avaliação precisa ser. Para o primeiro. O processo de continuidade é aquele no qual o estudante é capaz de relacionar o conteúdo apreendido aos conhecimentos prévios. principalmente. Problematizar. desencadeando ressignificações/reconstruções e contribuindo para a sua utilização em diferentes situações35. Nessa perspectiva. conhecer. ética e sensibilidade na assistência são características fundamentais a serem desenvolvidas em seu perfil. da emoção e da responsabilização. um processo reconstrutivo. não é apenas apresentar questões. ou seja. escutar com empatia e acreditar na capacidade potencial do discente para desenvolver e aprender. O ato de aprender deve ser. da intuição. ampara e protege -. (2) como se vive e se sente a aprendizagem. ele detecta novos problemas num processo ininterrupto de buscas e transformações. com propósitos definidos. apesar das diferenças. e (3) quais as suas conseqüências sobre a vida. E. na aprendizagem mecânica. além da capacidade crítica de observar e perseguir o objeto . se lhe for permitido um ambiente de liberdade e apoio. A aprendizagem que envolve a autoiniciativa. conhecer é transformar. como a vontade e a capacidade de permitir ao discente participar ativamente de seu processo de aprendizagem. pode-se responder com Freire. na problematização. expor e discutir os conflitos inerentes e que sustentam o problema. sobretudo. a aprendizagem significativa se estrutura. curiosidade científica. dentro de uma perspectiva de transformação da realidade. irá refletir sobre a situação global de uma realidade concreta. os limites de seu conhecimento. Para Saviani. De acordo com Coll. deve se perguntar: (1) como. ao se propor um processo ensino-aprendizagem que pressuponha o respeito à bagagem cultural do discente. A questão que se impõe. os quais deverão ser trabalhados pela análise crítica. uma vez mais. em um movimento de continuidade/ruptura. Nesse sentido. o conteúdo novo deve apoiar-se em estruturas cognitivas já existentes. mas. A disposição para respeitar. são essenciais nesta nova postura.aproximação metódica . qualquer estratégia de inovação deve levar em conta suas práticas de avaliação. afinal. Ao perceber que a nova aprendizagem é um instrumento necessário e significativo para ampliar suas possibilidades e caminhos. irá buscar e utilizar as informações e instrumentos mais adequados. descondicionando-se da atitude de mero receptor de conteúdos. dinâmica e complexa. capacidade para auto-avaliação. questionar. a ação de problematizar enfatiza a práxis. não se reduzem à condição de objeto um do outro. espírito crítico-reflexivo. antes de tudo. porém a busca da resposta é identificada com a reflexão filosófica. ao mesmo tempo em que se transforma. Isto só se torna possível na medida em que o docente tenha como características principais a humildade reconhecendo sua finitude. Zanotto discute a problematização em Dewey. Já em Freire. Como facilitador do processo ensino-aprendizagem.e dentro do coração . denominado tutor aquele que defende. atuar e reconhecê-lo. a noção do problema se apresenta como em Dewey.o respeito à autonomia parece ser o melhor modo para a compreensão. 35 . organizadas como subsunçores. do processo de produção. reflete. não se consegue estabelecer relações entre o novo e o anteriormente aprendido. ato contínuo. As Metodologias Ativas: Revendo Estratégias E Papéis A atividade desenvolvida com o propósito de ensinar deve ser apreciada por todos aqueles que dela participam. esse poderá exercitar a liberdade e a autonomia na realização de escolhas e na tomada de decisões. o sujeito percorre algumas etapas e. a produção de novos saberes exige a convicção de que a mudança é possível. necessita desenvolver novas habilidades. De acordo com Berbel. levando o aprendiz a ultrapassar as suas vivências conceitos prévios. Após observar a situação. de modo a não haver docência sem discência. complexamente. existem duas condições para a construção da aprendizagem significativa: a existência de um conteúdo potencialmente significativo e a adoção de uma atitude favorável para a aprendizagem. portanto. diz respeito ao modo de concretização desse reconhecimento à autonomia do discente. ou seja. O processo de ruptura. na medida em que as duas se explicam. com a finalidade de solucionar os impasses e promover o seu próprio desenvolvimento. na qual o sujeito busca soluções para a realidade em que vive e o torna capaz de transformá-las pela sua própria ação.docente e discente . devendo o resultado do trabalho ser concreto e comprovado por meio de sua aplicação prática. portanto. por parte do binômio docente/discente. alcançando as dimensões afetivas e intelectuais. relaciona a sua história e passa a ressignificar suas descobertas. o exercício da curiosidade. expressão e apreensão do conhecimento. exercitando a práxis para formar a consciência da práxis. que impõe requisitos de radicalidade.

uma primeira leitura sincrética da realidade. durante o processo de detecção de problemas reais e de busca por soluções originais. na Universidade do Havaí. inclusive ao próprio programa e à atividade docente. definindo a maneira como os estudantes aprendiam e quais habilidades cognitivas e afetivas seriam tadora de Paulo Freire. no empenho com a nova formação. em 1997. o estudante se vê naturalmente movido a uma quarta etapa: a formulação de hipóteses de solução para o problema em estudo. Para isso. O ensino pela problematização ou ensino baseado na investigação (Inquiry Based Learning) teve início em 1980. ele expressa suas percepções pessoais. bem como ao seu relacionamento com o grupo e sua comunicação. discriminar em que circunstâncias não são possíveis ou convenientes sua aplicação. dois instrumentos vêm sendo reconhecidos como ativadores da integração ensino e serviço de saúde: o ensino pela problematização e a organização curricular em torno da Aprendizagem Baseada em Problemas . Se a teorização é adequada. seleciona o que é relevante. poderá. instrumentos de acompanhamento do processo ensinoaprendizagem têm sido construídos. quanto à sua relevância para a resolução do problema. Nesse momento. Não pune. Na segunda etapa. tendo sempre como ponto de partida a realidade social40. é preciso um trabalho planejado e executado com a participação de todos os envolvidos. podem surgir novos desdobramentos. o serviço e a comunidade. ainda. Os registros. O processo ensino-aprendizagem está relacionado com um determinado aspecto da realidade. à capacidade de organização. Nesse sentido. e o grupo pode ajudar nessa confrontação. mas numa construção dialógica. a auto-avaliação e o diálogo têm sido utilizados como estratégias norteadoras desse processo. Da Episteme à Práxis: Problematização e Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) A metodologia ativa tem permitido a articulação entre a universidade. o qual o estudante observa atentamente. na busca de respostas e caminhos para os problemas detectados. nos princípios do materialismo histórico-dialético e no construtivismo de Piaget. O momento do diálogo servirá para reflexão sobre a relação e a interação entre docente e discente. o estudante realiza um estudo mais cuidadoso e. ultrapassando o modelo tradicional de simples verificação de conteúdos acumulados e memorizados e puramente voltados à esfera da cognição. à criatividade. o aluno atinge a compreensão do problema nos aspectos práticos ou situacionais e nos princípios teóricos que o sustentam. diálogo e reflexões coletivas. Após o estudo de um problema. Na confrontação da realidade com sua teorização. o estudante pode exercitar a dialética de ação-reflexão-ação. para que este atue como cidadão e profissional em formação38. pontos-chave. Essa concepção pedagógica baseia-se no aumento da capacidade do discente em participar como agente de transformação social. Marcada pela dimensão política da educação e da sociedade. A primeira etapa é da observação da realidade. Bordenave e Pereira utilizam o diagrama. elaborando os pontos essenciais que devem ser abordados para a compreensão do problema. A avaliação inovadora deve se fundamentar na colaboração. pontos-chave. Na terceira etapa. bancária e estática. o estudante executa as soluções que o grupo encontrou como sendo mais viáveis e aprende a generalizar o aprendido para utilizá-lo em diferentes situações. o papel do professor será um importante estímulo para a participação ativa do estudante.autonomia. hipóteses de solução e aplicação a realidade.ABP. por meio da análise reflexiva. Ao completar o Arco de Maguerez. valorizar todos os atores no processo de construção coletiva e seus diferentes conhecimentos e promover a liberdade no processo de pensar e no trabalho em equipe. à sua participação e a condições de elaboração. no ato comum de conhecer e reconhecer o objeto de estudo. teorização. exercitando tomadas de decisões e aperfeiçoando sua destreza. efetuando. denominado Método do Arco por Charles Maguerez. Nesse propósito. Deve. o desenvolvimento do pensamento crítico e a responsabilidade do estudante pela própria aprendizagem. A ABP foi primeiramente instituída na Faculdade de Medicina da Universidade de McMaster (Canadá). para representá-lo. Assim. na década de 1960. para um processo mais abrangente orientado a todos os seus aspectos. as instituições pioneiras na implantação dessa modalidade de estrutura curricular foram a Faculdade de Medicina de Marília. o estudante passa à teorização do problema ou à investigação propriamente dita. assim. como proposta metodológica que buscava um currículo orientado para os problemas. enquanto o discente irá refletir sobre si mesmo e a construção do conhecimento realizado. o qual é constituído pelos seguintes movimentos (Figura 1): observação da realidade. No Brasil. por possibilitar uma leitura e intervenção consistente sobre a realidade. As informações pesquisadas precisam ser analisadas e avaliadas. A originalidade e a criatividade serão estimuladas e o estudante precisará deixar sua imaginação livre e pensar de maneira inovadora. exigindo a interdisciplinaridade para sua solução. a aplicação à realidade. pode-se rever a metodologia utilizada na prática pedagógica. mas oferece diretrizes para se tomar decisões e definir prioridades. também. O docente pode registrar o desenvolvimento do discente no que se refere à autonomia. e o Curso de Medicina da Universidade Estadual de 36 . o ensino pela problematização procura mobilizar o potencial social. Na auto-avaliação. Nessa observação. nem estigmatiza. político e ético do estudante. verificar se suas hipóteses de solução são aplicáveis à realidade. Na última fase. agora não mais numa relação verticalizada.

Assim. No Estado do Rio de Janeiro. (5) a educação permanente. entre a universidade e a comunidade. apropria e vive a educação. Com efeito. que produzem o “educativo”. desenvolvendo teias ou redes de informação e ação política. Dentre elas. especialmente. argumentando-se que as escolas representam tanto um esforço para definir-se o significado quanto uma luta em torno das relações de poder [. fazendo emergir novas facetas educacionais. tais como a ampliação das inovações tecnológicas. que é social. os movimentos sociais. empreender mudanças amplas e profundas no processo ensino-aprendizagem e na formação profissional de saúde significa transformar a relação entre docente e discente. Em primeiro lugar. evidenciando as mazelas de uma sociedade com concentração de renda expressiva e excessiva. Ela envolve a dimensão educativa não apenas na esfera escolar. ao se tratar de maneira integral temas e conteúdos. no qual o conhecimento é compartilhado. Paulo Freire (1987) expressou inúmeras críticas à educação que denomina bancária. Também. centralizada no sujeito histórico que produz. Nessa perspectiva. comunidade local e comunidade escolar. (4) o trabalho em pequeno grupo.Londrina. (2) a indissociabilidade entre teoria e prática. Os terminais bancários foram informatizados.. também. ao mesmo tempo em que se facilita a integração ensino-serviço e a perspectiva interdisciplinar. A possibilidade da circulação da informação em tempo real é um avanço. a articulação com outras organizações sociais. 163): Essencial para a categoria de intelectual transformador é a necessidade de tornar o pedagógico mais político e o político mais pedagógico. a definição de objetivos. o primeiro curso a utilizar a ABP foi o da Fundação Educacional Serra dos Órgãos -FESO -. destacam-se aquelas que são sóciopolíticas como o processo de democratização. via articulação dos movimentos e organizações sociais. as características conjunturais e estruturais da sociedade são fundamentais para o entendimento da escola e da ação do professor. a qual considera que o conhecimento deve ser produzido a partir da interseção entre sujeito e mundo. em 2005. É necessário que se transformem as concepções inerentes ao processo ensino-aprendizagem para ressignificá-las em uma perspectiva emancipadora da educação. Podem ser atividades planejadas com o intuito de possibilitar a transformação ou podem ser atividades bancárias. tendo como conteúdos centrais a política. seja via cartão de crédito.relacionada. O discente deve ser reconhecido como um indivíduo capaz de construir. com forte motivação prática e estímulo cognitivo para evocar as reflexões necessárias à busca de adequadas escolhas e soluções criativas. portanto. oriundo de uma abertura política lenta e intensificado por movimentos sociais de diversas categorias de trabalhadores. as reflexões sobre as penalidades e as medidas que deveriam ser tomadas ganham os bancos escolares. que precisa tornar-se um fórum de debate e negociação permanente de concepções e representações da realidade. Dependendo da porosidade existente nas relações direção. em 1998. (3) o respeito à autonomia do estudante. nos últimos anos do século XX.. Como diz Giroux (1997. A violência é outro tema presente no campo social e cultural. o currículo deve se configurar de maneira integrada e. O anúncio de algumas modificações evidentes na sociedade brasileira contribui para a compreensão de aspectos que envolvem a prática pedagógica. professores. Além disso. podendo-se estabelecer uma aproximação à proposta educativa formulada por John Dewey. modificar e integrar idéias se tiver a oportunidade de interagir com outros atores. mas na dinâmica das relações sociais que produzem aprendizagens. aluno. assim como elaborou uma proposta de educação libertadora.] Tornar o político mais pedagógico significa utilizar formas de pedagogia que incorporem interesses políticos que tenham natureza emancipadora [. a importância da intervenção e da mediação do docente. Na ABP. como amplamente problematizado por teóricos como Paulo Freire. supervisão. Ademais. as diversas áreas e as disciplinas. dentre inúmeras senhas que vão sendo acopladas aos processos de identificação social.]. Na esfera do cotidiano escolar e das reflexões conjunturais.. seja via carteira de identidade. com objetos e situações que exijam o seu envolvimento.. Tornar o pedagógico mais político significa inserir a escolarização diretamente na esfera da política. interrompe-se o ciclo da fragmentação e do reducionismo do ensino tradicional. tendo a dimensão do depósito de conteúdo como característica central. com fins mercadológicos e financeiros. Em segundo lugar. localizado numa determinada situação no mundo. enfim. p. é importante considerar a prática pedagógica como parte de um processo social e de uma prática social maior. os movimentos sociais de trabalhadores produzem uma prática pedagógica. a prática pedagógica expressa as atividades rotineiras que são desenvolvidas no cenário escolar. a organização. bem como movimentos identitários. voltada para a transformação social e. No campo das múltiplas dimensões da prática pedagógica (professor. metodologia. haverá uma gestão mais propícia (ou menos propícia) ao desenvolvimento de 37 . pressupõe mudanças na própria estrutura e organização da universidade. a gestão democrática da escola e processos participativos são elementos fundantes para o repensar da prática pedagógica. Por um lado. o fortalecimento das temáticas identitárias e aquelas relacionadas ao direito à diferença conquistaram espaço na sociedade. Novos elementos tecnológicos no ensino não garantem por si a ruptura de velhos paradigmas. Todas as pessoas estão codificadas. (6) a avaliação formativa. PRÁTICA PEDAGÓGICA (Maria Antônia de Souza e Valdete Jane Cordeiro) A sociedade brasileira viveu modificações expressivas no campo social e cultural. podem ser pontuados como principais aspectos da ABP: (1) a aprendizagem significativa. Na adoção de qualquer um desses instrumentos metodológicos. ainda que a maioria da população brasileira não tenha acesso à internet. concepção de educação e de escola). Salientam-se as modificações no campo cultural. É inegável. aos referenciais da teoria piagetiana da equilibração e desequilibração cognitiva -. parte-se de problemas ou situações que objetivam gerar dúvidas. assim como a troca com os pares na confrontação de modelos e expectativas. Por outro lado. avaliação. relação professor e alunos. a estratégia de negociação. a ABP se inscreve em uma perspectiva construtivista . desequilíbrios ou perturbações intelectuais. há a divulgação da violência como uma característica cotidiana e rotineira na sociedade brasileira.

a informação e o desenvolvimento de conhecimentos científicos são fatores impulsionadores da participação nas atividades escolares – no campo da prática pedagógica e da gestão da escola. quando questionou o método da Economia Política. os professores trabalham com projetos que abordam os temas Saúde. política e social. movimento social e reforma agrária têm destaque. supõe a troca. autonomia intelectual. Em todas as escolas. nas escolas focalizadas nos nossos projetos de pesquisa. saberes específicos. além das dimensões da dominação do campo da política internacional e dos processos decisórios que geram impactos na esfera escolar. a valorização da trajetória de vida dos educandos. cabe destacar a disposição dos professores para o enfrentamento de novos processos educativos. de desigualdades e de concentração de renda.”. São professores que aprimoraram o sentido da busca do objetivo educacional. Nas escolas do campo. A prática pedagógica pode ser considerada como o trabalho de repassar. Como afirma Veiga (1992. Ou. no qual não foram (não somos) incentivados a participar. O autor expressa uma questão pertinente à reflexão que vem sendo empreendida neste texto ao dizer que “Para que serve uma sala de aula se não for capaz de nos transportar além da sala de aula?” (p. No entanto. A participação ocorre quando há disponibilidade individual para superar as deficiências e quando há liberdade e respeito entre os envolvidos. um processo que está intrinsecamente ligado à teoria e à prática da docência. foi possível constatar o interesse dos professores e funcionários da escola pelo processo de investigação escolar. Delineia-se prática pedagógica que evidencia “rotinas escolares”. nas pesquisas desenvolvidas foi possível perceber dois grandes grupos de práticas pedagógicas. caracterizado como cansativo e sem sentido para a vida prática. Por sua vez. com diferentes títulos – alguns sugeridos pelas secretarias de educação. finalidades e conhecimentos. que o impede de realizar questionamentos de cunho científico. se o professor deve ver a sua aula também como um encontro de gente com gente. A revolução tecnológica e o processo de reorganização do trabalho demandam uma completa revisão dos currículos. torna-se importante investigar como os professores estão compreendendo suas práticas e quais suas percepções sobre as mesmas. manifesta na aula. tanto da educação básica quanto da educação profissional. que o que tem possibilitado o transporte para além da sala de aula é a diversidade cultural dos educandos.. por fim. Neste contexto. Com isso. uma vez que se exige dos trabalhadores. Estes. uma vez que estes apresentam resistências ao processo educativo. sempre maior capacidade de raciocínio. dos programas sociais – a exemplo do Bolsa Escola -. a mesma pode tornar-se uma abstração. uma prática social orientada por objetivos. A estrutura é marcada pelas relações sociais de classe. Neste contexto. conforme as necessidade locais e. Numa das escolas. Diante do exposto. tem-se como referência a contribuição de Marx. É possível afirmar. questionar. ainda. contrariar e complementar. uma vez que participam de um contexto cultural. divisão do trabalho. em doses crescentes. a existência de projetos escolares. A pesquisa como característica da formação e da prática do professor e como elemento de motivação para a atitude investigativa entre os educandos. juntamente com a valorização dos conteúdos e dos saberes que os alunos trazem da sua prática social. ou seja. poderia ser feito o retorno e a compreensão do conceito de população através da totalidade das determinações e relações diversas.. percebe-se que os tema comunidade. iniciativa própria e espírito 38 . por exemplo. quando a característica dialógica predomina nas relações sociais. é preciso proteger essa idéia de reducionismos” (p. A prática pedagógica é uma dimensão da prática social . e inserida no contexto da prática social. caso não sejam levados em conta elementos como classes.15). focalizam aquelas que são relevantes e aquelas que precisam ser modificadas.. p.. desenvolver o exercício da participação é um desafio para os próprios professores e pesquisadores envolvidos no projeto. políticas de cotas etc. propor. sendo que o mais focalizado foi a Violência. Assim. mas sim a provocação da indagação entre os alunos. mas que faz emergir as intenções e possibilidades pedagógicas. pensamento crítico. estas podem constituir abstração se não levar em conta o trabalho assalariado e o capital. após analisar tais elementos concretos. conhecer. a intenção é afirmar que a prática pedagógica é influenciada pelos aspectos conjunturais e estruturais da sociedade brasileira. ou transmitir. por sua vez. preços etc. Com isso. As práticas reprodutivas expressam a necessidade de controle dos alunos na sala de aula. do desenvolvimento das propostas curriculares. A conjuntura pode ser visualizada nos aspectos da gestão educacional. espaço de pesquisa. a formação de um coletivo que estudaria as relações que se passam no espaço escolar. de forma que a apropriação dos conhecimentos ocorra via problematização e não simplesmente pela transmissão de conteúdos poucos significativos socialmente. de outro lado. nos quais a incerteza pode ter lugar especial. do saber falar. Meio Ambiente. inovações e projetos escolares originais. Ao analisar os múltiplos determinantes na prática pedagógica dos professores das séries iniciais. é importante afirmar que a pesquisa é elemento essencial para uma prática pedagógica que possibilite a superação da alienação e da relação de subalternidade cultural. que não é meramente a reprodução de conteúdos. 16) a prática pedagógica é “... Corpo etc. outros elaborados no próprio contexto escolar. luta pela terra. Percebe-se que os professores utilizam vários procedimentos metodológicos e têm interesse em aprofundar os assuntos. Sexualidade.14). É sabido que a prática social está imbuída de contradições e de características sócioculturais predominantes na sociedade. ouvir. Marx afirma que ao estudar a população. Os mesmos destacaram temas que poderiam ser pesquisados na instituição escolar. há o predomínio de uma cultura escolar que impede o professor de “enxergar” além do seu trabalho pedagógico. Nesse sentindo. trajetória de vida.projetos de pesquisa e neles a reflexão sobre o projeto político pedagógico da escola. Cabe lembrar Novaski (1993) quando afirma que “. É um exercício de aprendizagem constante. As práticas que inquietam geram angústias entre os professores que se perguntam a respeito de qual é o caminho mais adequado para a educação. entretanto. na “Introdução à Crítica da Economia Política”. a saber: práticas eminentemente reprodutivas em relação às propostas municipais de educação e práticas que geram inquietações. Água.

X . predominantemente. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. Mas.valorização do profissional da educação escolar. Ainda. VI .garantia de padrão de qualidade.oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana. adequado às condições do educando.recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. II . 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo.ensino fundamental. definidos como a variedade e quantidade mínimas. o Ministério Público. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. como os profissionais formados por eles. bem como capacidade de visualização e resolução de problemas (CORDÃO. VI .acesso aos níveis mais elevados do ensino. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso. tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando. no trabalho. Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I .coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário. grupo de cidadãos. VII . nos termos deste artigo. V . na convivência humana.atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade. conforme as prioridades constitucionais e legais. 208 da Constituição Federal. poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade. permitindo-se reconhecer nos alunos as competências que lhe proporcionarão o desenvolvimento profissional e educacional. Ou seja. o trabalho e as práticas sociais. organização sindical. IX . na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino. deve se especializar na área em que desenvolve aptidões. o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório. a formação profissional não finda com a conclusão de um curso. que se desenvolve.respeito à liberdade e apreço à tolerância.. pesquisar e divulgar a cultura. os professores. pela freqüência à escola.atendimento ao educando. VII . garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB 9394/96) TÍTULO I Da Educação Art. e com a assistência da União: I . através de suas práticas. no ensino fundamental público.] como pesquisador de sua própria prática.empreendedor. nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. o pensamento.. Conclui-se que os professores. Neste contexto. preferencialmente na rede regular de ensino. da pesquisa e da criação artística. sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente. com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. contribuindo na ampliação de suas capacidades em sua prática. Art. ensinar. em regime de colaboração.liberdade de aprender.padrões mínimos de qualidade de ensino. e.atendimento gratuito em creches e préescolas às crianças de zero a seis anos de idade. 39 .700. IV . influem positivamente na formação dos futuros profissionais. Contreras.pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. O professor permite-se reconstruir suas ações e expressar sua prática e indagações. 2º A educação. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. V . especialmente. a arte e o saber. II . § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. entidade de classe ou outra legalmente constituída.fazer-lhes a chamada pública. (2002) apresenta o professor “[. transporte. IV . § 2º Em todas as esferas administrativas. VIII . § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar. necessitam atualizar seus conhecimentos de forma constante. obrigatório e gratuito. transforma-a em objeto de indagação dirigida à melhoria de suas qualidades educativas”. IX .oferta de ensino noturno regular.gestão democrática do ensino público. 2002). por aluno. contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino. alimentação e assistência à saúde. por meio do ensino. junto aos pais ou responsáveis. Neste sentido. em instituições próprias.zelar.valorização da experiência extra-escolar. ainda. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios. III .universalização do ensino médio gratuito. percebe-se que há a necessidade de o professor possuir conhecimentos amplos sobre a pedagogia e áreas do conhecimento. (Incluído pela Lei nº 11. III . associação comunitária. acionar o Poder Público para exigi-lo.gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. podendo qualquer cidadão. segundo a capacidade de cada um.vinculação entre a educação escolar. nas instituições de ensino e pesquisa. TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. de 2008). 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: I . § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório. dever da família e do Estado.061. II . XI . (Redação dada pela Lei nº 12. VIII . de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. de 2009) III . sendo participante ativo de sua formação continuada.igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. na hipótese do § 2º do art.

com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino.assegurar o ensino fundamental e oferecer. IV autorizar.709. Os estabelecimentos de ensino. redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. criado por lei. (Incluído pela Lei nº 10. analisar e disseminar informações sobre a educação. IV . 10. a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. em colaboração com os Estados. de modo a assegurar formação básica comum. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX. ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória. V . manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. 12.prestar assistência técnica e financeira aos Estados. no ensino fundamental. com prioridade. 213 da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 10. Os Municípios poderão optar. 40 . 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I . III capacidade de autofinanciamento. por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica.elaborar e executar sua proposta pedagógica. 38 desta Lei. Os Estados incumbir-se-ão de: I .§ 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino. integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados. Art. desde que mantenham instituições de educação superior. em colaboração com os Estados. ressalvado o previsto no art.061. III .exercer ação redistributiva em relação às suas escolas. ainda. o Distrito Federal e os Municípios organizarão. exercendo sua função redistributiva e supletiva. de 2009) VII . em colaboração com os sistemas de ensino. reconhecer. atendidas as seguintes condições: I . VII . § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei.7. em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação.organizar. (Redação dada pela Lei nº 12.elaborar e executar políticas e planos educacionais. o ensino fundamental. III . V . com os Municípios. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino.2003) Parágrafo único. competências e diretrizes para a educação infantil.assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. IV . o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino. de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. Art. credenciar.assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior. TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Art. o Distrito Federal e os Municípios. as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades. VI . respectivamente.organizar. articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa.coletar.2003) Parágrafo único. objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino. o Distrito Federal e os Municípios.114. VIII . integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios.cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino. de 31. que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos. Art. de 2005) Art. e. o ensino médio a todos que o demandarem.organizar.assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. a partir dos seis anos de idade. credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino. Art. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. 7º O ensino é livre à iniciativa privada. Art. III .elaborar o Plano Nacional de Educação.baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação. II . Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios. IX autorizar. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. (Redação dada pela Lei nº 11. § 1º Na estrutura educacional. em regime de colaboração. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. haverá um Conselho Nacional de Educação. independentemente da escolarização anterior. supervisionar e avaliar. com funções normativas e de supervisão e atividade permanente. formas de colaboração na oferta do ensino fundamental.definir. 8º A União. 11. V . permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação.estabelecer. os Estados.assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas. II .7.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. reconhecer. § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal. II . os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. o ensino fundamental e o ensino médio. terão a incumbência de: I .autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público. VI . com prioridade. respeitado o disposto no art. médio e superior. III . II .administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros. supervisionar e avaliar. VI . de 31.oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas.709. respectivamente. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores. II . credenciar. os respectivos sistemas de ensino.autorizar.assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. Os Municípios incumbir-se-ão de: I .

287. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. Art. II . As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I .participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. Art. observadas as normas gerais de direito financeiro público. VI . segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino.estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I . 18.velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente. assim entendidas as criadas ou incorporadas. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior. médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I . 16.colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. Os sistemas municipais de ensino compreendem: I . sem com 41 .particulares em sentido estrito.educação superior.as instituições de ensino mantidas pela União. na forma da lei. § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais.os órgãos federais de educação. 23. 17. tendo como base as normas curriculares gerais. respectivamente.prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento. 14. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I .as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada. III . ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinqüenta por cento do percentual permitido em lei. integram seu sistema de ensino. conviventes ou não com seus filhos. II .os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal. IV . ou por forma diversa de organização. V . III – os órgãos municipais de educação.públicas. II .as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada. criando processos de integração da sociedade com a escola. Art. inclusive climáticas e econômicas.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal. Art.informar pai e mãe.educação básica. bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola. alternância regular de períodos de estudos. de 2009) III . IV . 19. de 2001) Art. inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior. os responsáveis legais. grupos não-seriados.zelar pela aprendizagem dos alunos. A educação escolar compõe-se de: I . Os docentes incumbir-se-ão de: I . II . IV . O sistema federal de ensino compreende: I . A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando.as instituições do ensino fundamental. III . formada pela educação infantil. 15. VI . além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento. 13. Art. 22.privadas. sobre a frequência e rendimento dos alunos.as instituições de ensino mantidas. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica. 21. III . à avaliação e ao desenvolvimento profissional. (Redação dada pela Lei nº 12. inclusive cooperativas educacionais. II . assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.020. assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Art. No Distrito Federal. criadas e mantidas pela iniciativa privada. respectivamente. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art. ciclos. que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade. com base na idade. na competência e em outros critérios. (Incluído pela Lei nº 10. pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal.elaborar e cumprir plano de trabalho. V . (Redação dada pela Lei nº 12. a critério do respectivo sistema de ensino. se for o caso.filantrópicas. sem fins lucrativos. mantidas e administradas pelo Poder Público. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais.confessionais.013.IV .articular-se com as famílias e a comunidade. Art.comunitárias. Parágrafo único. as instituições de educação infantil.participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. II . VII . de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município. assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. e. sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. ensino fundamental e ensino médio. II .ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas. Art. Art. II . períodos semestrais. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. 20.

na própria escola. tais como o estudo da história da África e dos africanos. mas não exclusivo.2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro. exceto a primeira do ensino fundamental. b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar. com níveis equivalentes de adiantamento na matéria.044. (Incluído pela Lei nº 10. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar. do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. públicos e privados. ou outros componentes curriculares. excluído o tempo reservado aos exames finais. de 1º. de 2008). § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger. Art.cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor. de preferência paralelos ao período letivo. observadas as normas do respectivo sistema de ensino.a carga horária mínima anual será de oitocentas horas. § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído.12.2003) IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1. a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. econômica e política. VI . para candidatos procedentes de outras escolas.12. a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional. Art.769. de 1º. VII . com aproveitamento. (Incluído pela Lei nº 10. resgatando as suas contribuições nas áreas social.2003) VI – que tenha prole. obrigatoriamente. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação. (Redação dada pela Lei nº 11.a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno. de 1º. a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil. por uma parte diversificada. (Incluído pela Lei nº 10. de 2010) § 3o A educação física. da economia e da clientela. especialmente em suas expressões regionais.793. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna. com alunos de séries distintas. pertinentes à história do Brasil. desde que preservada a seqüência do currículo. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. 26-A. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito. Cabe ao respectivo sistema de ensino. b) por transferência. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. de 2008) Art. nos níveis fundamental e médio. para os casos de baixo rendimento escolar. estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo.12. torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afrobrasileira e indígena. especialmente do Brasil. em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. de 1º. (Incluído pela Lei nº 11.12. § 2o O ensino da arte. que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada. a partir da quinta série. III .isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial. 24. (Redação dada pela Lei nº 12. conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino. integrada à proposta pedagógica da escola.645.2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que. a série ou fase anterior. de 2008).793. II . distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. mediante avaliação feita pela escola.793.793. (Incluído pela Lei nº 10. obrigatoriamente. a carga horária e as condições materiais do estabelecimento. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10.a classificação em qualquer série ou etapa.nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série. é componente curricular obrigatório da educação básica. 25.poderão organizar-se classes. IV . africana e européia. para o ensino de línguas estrangeiras. c) independentemente de escolarização anterior.2003) V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10. com as especificações cabíveis. de 21 de outubro de 1969. de 2008). da cultura. (Incluído pela Lei nº 10. Art.12. constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica. pode ser feita: a) por promoção. 42 . a ser complementada. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira.645. para alunos que cursaram. conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino.12. em situação similar.793. de 1º.793. 26. especialmente das matrizes indígena. V . cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio.12. ou turmas. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado. de 1º. quando houver.o controle de freqüência fica a cargo da escola. de 1º.2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas. § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório. será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I . exigida pelas características regionais e locais da sociedade. dentro das possibilidades da instituição. a partir desses dois grupos étnicos. exigida a freqüência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação. Parágrafo único.287. o estudo da língua portuguesa e da matemática. estiver obrigado à prática da educação física. A educação básica.2003) II – maior de trinta anos de idade. artes. declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos.645. à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais. (Redação dada pela Lei nº 11.793. (Redação dada pela Lei nº 11.

§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade. os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região. § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil. 29. mesmo para o acesso ao ensino fundamental.a compreensão do ambiente natural e social. Seção III Do Ensino Fundamental Art. sem prejuízo da avaliação do processo de ensinoaprendizagem. que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. a critério dos sistemas de ensino. conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes. gratuito na escola pública. O ensino médio. do sistema político. A educação infantil. da tecnologia. aos direitos e deveres dos cidadãos. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. Seção IV Do Ensino Médio Art. no ensino de cada disciplina. § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa. possibilitando o prosseguimento de estudos.475. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura. IV .274. das letras e das artes. incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas. A educação infantil será oferecida em: I . a compreensão do significado da ciência. 30. III .a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. constituída pelas diferentes denominações religiosas. tendo como diretriz a Lei no 8. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I . ainda. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. III . § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada. III . primeira etapa da educação básica. assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil.a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. Art. para as crianças de quatro a seis anos de idade.destacará a educação tecnológica básica. 35.orientação para o trabalho. ou entidades equivalentes. Art. a língua portuguesa como instrumento de comunicação. para continuar aprendendo.organização escolar própria. de 13 de julho de 1990.pré-escolas. 27. sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. Seção II Da Educação Infantil Art. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. de 22. para crianças de até três anos de idade. tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. etapa final da educação básica.creches. II . 31. relacionando a teoria com a prática. as seguintes diretrizes: I . Art. para a definição dos conteúdos do ensino religioso.o fortalecimento dos vínculos de família." Art. com duração de 9 (nove) anos. observada a produção e distribuição de material didático adequado. 28. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula. intelectual e social. 36.promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais.Art. Art. de matrícula facultativa. IV . O ensino fundamental obrigatório. sem o objetivo de promoção.o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. obrigatoriamente. especialmente: I . dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. psicológico. II .a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. 32. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão. O ensino religioso. de 2007). o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá. com duração mínima de três anos.7.a difusão de valores fundamentais ao interesse social. é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. terá por objetivo a formação básica do cidadão. 33. assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. complementando a ação da família e da comunidade. em seus aspectos físico. (Redação dada pela Lei nº 9. 43 . vedadas quaisquer formas de proselitismo. Na oferta de educação básica para a população rural.consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento.1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. terá como finalidades: I . 34. de respeito ao bem comum e à ordem democrática.adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes.069.adequação à natureza do trabalho na zona rural. sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola.o desenvolvimento da capacidade de aprender.525. IV . (Incluído pela Lei nº 11. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento. de 2006) I . II . III . II .conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural. da escrita e do cálculo. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral. mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.o aprimoramento do educando como pessoa humana. II . II . Art. § 4º O ensino fundamental será presencial.

quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se. mediante cursos e exames. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. A educação profissional técnica de nível médio articulada.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. mediante convênios de intercomplementaridade. 39. poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio.741.concomitante. dentro das disponibilidades da instituição. CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11.741.741. efetuando-se matrícula única para cada aluno.741. de 2008) Art.741. Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11. 36-A. (Incluído pela Lei nº 11. no cumprimento dos objetivos da educação nacional. possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão.741. de 2008) b) em instituições de ensino distintas. § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. 36-B. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art.será incluída uma língua estrangeira moderna. seus interesses. nos termos de seu projeto pedagógico.741. de 2008) I . (Incluído pela Lei nº 11.741. A educação profissional e tecnológica. para os maiores de quinze anos. de 2008) I .domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna.741. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio. visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. o ensino médio. de 2008) Art. 36-C. oportunidades educacionais apropriadas.integrada. oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental. e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11. oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando.741. preferencialmente. de 2008) II .741. (Incluído pela Lei nº 11.no nível de conclusão do ensino médio. aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 11. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. de 2008) 44 . consideradas as características do alunado.684.741. de 2008) Art. de 2008) Art. nas formas articulada concomitante e subseqüente. em caráter optativo. a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. para os maiores de dezoito anos. de 2008) Parágrafo único.741. de 2008) I . prevista no inciso I do caput do art. será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11. 36-B desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) § 1º Os conteúdos. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos.(Incluído pela Lei nº 11. de 2008) a) na mesma instituição de ensino.741.741.741. que não puderam efetuar os estudos na idade regular.741.741. A preparação geral para o trabalho e.os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular.subseqüente. de 2008) Parágrafo único.741. (Incluído pela Lei nº 11. mediante ações integradas e complementares entre si. na forma do regulamento. na mesma instituição de ensino. integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho. em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. escolhida pela comunidade escolar. quando registrados. condições de vida e de trabalho. de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho.articulada com o ensino médio. 37. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I . (Redação dada pela Lei nº 11.741.741. facultativamente. de 2008) Parágrafo único. 36-D. de 2008) II . Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo.no nível de conclusão do ensino fundamental. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) II . (Incluído pela Lei nº 11. com aproveitamento. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. II . II . § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I . efetuando-se matrículas distintas para cada curso.III . atendida a formação geral do educando. de 2008) III .as exigências de cada instituição de ensino. e uma segunda. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio. com a educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio. como disciplina obrigatória. 38. de 2008) c) em instituições de ensino distintas. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. que compreenderão a base nacional comum do currículo. de 2008) Art. da ciência e da tecnologia. terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior.as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino.

duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. (Incluído pela Lei nº 11. o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada. de diferentes níveis de abrangência.cursos seqüenciais por campo de saber. excluído o tempo reservado aos exames finais. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. e colaborar na sua formação contínua. possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos. A educação superior tem por finalidade: I . 45. aperfeiçoamento e outros.741. Art. visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. poderá ser objeto de avaliação. (Redação dada pela Lei nº 11. (Regulamento) Art. II . independente do ano civil. As instituições de educação profissional e tecnológica.de graduação. de 2007). (Incluído pela Lei nº 11. III de pós-graduação. aplicados por banca examinadora especial. terão prazos limitados.formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. (Redação dada pela Lei nº 11. 41. A autorização e o reconhecimento de cursos. desse modo. em intervenção na instituição. III . O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica. de publicações ou de outras formas de comunicação. 42. antes de cada período letivo. inclusive no trabalho. Na educação superior. § 1º As instituições informarão aos interessados. desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente. de 2008) Art. abertos à comunidade.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo.741. haverá reavaliação.promover a extensão. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. e.741. condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. bem como do cronograma das chamadas para matrícula.incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica. aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior. características e duração. se necessários. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior. científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino. em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia. sua duração. demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos. (Regulamento) § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo. bem como o credenciamento de instituições de educação superior. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública.promover a divulgação de conhecimentos culturais. conforme o caso. IV . 46. de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade. de 2006) Art. 47. de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11. quando houver. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. em particular os nacionais e regionais. Art. desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. sendo renovados.741. recursos disponíveis e critérios de avaliação.741.estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente. no mínimo. (Incluído pela Lei nº 11. (Redação dada pela Lei nº 11.741. de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional. 40.741. de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio. tem. em desativação de cursos e habilitações. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. qualificação dos professores. de 2008) Art. cursos de especialização. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. Parágrafo único.331. de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. 43. no que concerne a objetivos. periodicamente. compreendendo programas de mestrado e doutorado. poderão ter 45 . além dos seus cursos regulares. para a superação das deficiências. de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizarse-ão. requisitos.de extensão. 44. integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração. VI . VII . § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos.741. que poderá resultar. públicas ou privadas. com variados graus de abrangência ou especialização. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados. em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. os programas dos cursos e demais componentes curriculares. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. IV . oferecerão cursos especiais. obrigando-se a cumprir as respectivas condições. reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos.§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos. ou em descredenciamento. a respectiva ordem de classificação. V . observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. o ano letivo regular. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I .suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização.632. após processo regular de avaliação. II . (Regulamento) Art. (Incluído pela Lei nº 11. aberta à participação da população. de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art.

III . V . para cursos afins. As instituições de educação superior credenciadas como universidades. Art. no período noturno. quando da ocorrência de vagas. quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária. nas leis e nos respectivos estatutos.aprovar e executar planos. § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. VI . de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor. do respectivo sistema de ensino. (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia. acordos e convênios. respeitando-se os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação.efetuar transferências. § 3º É obrigatória a freqüência de alunos e professores.conferir graus.um terço do corpo docente em regime de tempo integral.elaboração da programação dos cursos. quando registrados. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares. obedecendo às normas gerais da União e. levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio. as universidades públicas poderão: I . expansão. IX . quando for o caso. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados. produção artística e atividades de extensão. de pesquisa. programas e projetos de pesquisa científica.adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano. IV . § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente. em sua sede.fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio. são asseguradas às universidades. na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. IV . para aquisição de bens imóveis. V . e mediante processo seletivo. 51. VII . III . II . instalações e equipamentos.realizar operações de crédito ou de financiamento. observadas as diretrizes gerais pertinentes. serviços e aquisições em geral. técnico e administrativo.elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes. organizar e extinguir.administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição. Parágrafo único. IV .contratação e dispensa de professores. de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura. As instituições de educação superior. legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. Para garantir a autonomia didático-científica das universidades. Art. bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais. dentro dos recursos orçamentários disponíveis. articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino. garantida a necessária previsão orçamentária. V .estabelecer planos. abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito. Parágrafo único.ampliação e diminuição de vagas.abreviada a duração dos seus cursos.fixar os currículos dos seus cursos e programas. na forma da lei. É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. programas e projetos de investimentos referentes a obras. § 4º As instituições de educação superior oferecerão. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior.receber subvenções.aprovar e executar planos. financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. 49. VI . VII . além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior. II . cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno. VI . Art. heranças.criação. assim como um plano de cargos e salários.planos de carreira docente. assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. 50. 52. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão. modificação e extinção de cursos. programas e projetos de investimentos referentes a obras. (Regulamento) II . sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas.elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais. (Regulamento) Art. organização e financiamento pelo Poder Público. quanto regional e nacional. atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis. 54. salvo nos programas de educação a distância. terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular. sobre: I .um terço do corpo docente. mediante processo seletivo prévio.programação das pesquisas e das atividades de extensão. X . as seguintes atribuições: I . 48. Parágrafo único. que se caracterizam por: (Regulamento) I .elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes. tanto do ponto de vista científico e cultural. III . doações. na hipótese de existência de vagas. As transferências ex officio darse-ão na forma da lei. III . diplomas e outros títulos. VIII . pelo menos.propor o seu quadro de pessoal docente. 53. com aprovação do Poder competente. de acordo com as normas dos sistemas de ensino. No exercício de sua autonomia. II . (Regulamento) Art.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes. e aqueles conferidos por instituições não-universitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação.firmar contratos. Art. serviços e aquisições em geral. com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. sem prejuízo de outras. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos. Art. § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem 46 .criar. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei. ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes.

durante a educação infantil. para os efeitos desta Lei. IV . com habilitação em administração. de 2009) II – a associação entre teorias e práticas. terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12. de 2009) I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. (Incluído pela Lei nº 12. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática. (Incluído pela Lei nº 12. bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica.014. § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados. com base em avaliação realizada pelo Poder Público. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art.014. de 2009) Parágrafo único.educação especial para o trabalho.014. 56. § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial. de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia. em regime de colaboração. (Regulamento) § 1º A União. local e regional. (Incluído pela Lei nº 12.014. Em qualquer caso. Art. o Distrito Federal.currículos. a oferecida em nível médio. assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos. de 2009) Art. em universidades e institutos superiores de educação.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. admitida. 59. inspeção e orientação educacional. (Incluído pela Lei nº 12. (Incluído pela Lei nº 12.014. dever constitucional do Estado. Nas instituições públicas de educação superior. 60. mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço. intelectual ou psicomotora. 63. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. tem início na faixa etária de zero a seis anos. supervisão. na escola regular. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I . na modalidade Normal. Art. III . Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que. Parágrafo único. deverão promover a formação inicial. sempre que. em função das condições específicas dos alunos. a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores. para educandos portadores de necessidades especiais.014. escolas ou serviços especializados. § 3º A oferta de educação especial. o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas. Art. bem como da escolha de dirigentes. de 2009). destinado à formação de docentes para a educação 47 . a modalidade de educação escolar. recursos educativos e organização específicos. inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais. (Redação dada pela Lei nº 12. planejamento. § 2º O atendimento educacional será feito em classes. bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas. nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos. Art. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. anualmente. inclusive o curso normal superior. O Poder Público adotará. técnicas. (Incluído pela Lei nº 12. a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino.056. em seu Orçamento Geral. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I .alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa. (Redação dada pela Lei nº 12. de 2009). para atendimento especializado. Caberá à União assegurar. de 2009) I – a presença de sólida formação básica. quando necessário. métodos. Art. § 1º Haverá. para atender às suas necessidades. subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. serviços de apoio especializado. Parágrafo único. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos. em virtude de suas deficiências. que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística. de graduação plena. visando a sua efetiva integração na vida em sociedade.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. em instituições de ensino e em outras atividades. 58. Art.056. (Regulamento) CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. são: (Redação dada pela Lei nº 12. Entende-se por educação especial. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. 61. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. II . 62.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.cursos formadores de profissionais para a educação básica. 55. os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão. de que participarão os segmentos da comunidade institucional. de 2009) III – trabalhadores em educação. 57. em curso de licenciatura. bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades. de 2009). V . os Estados e os Municípios. como alternativa preferencial.014. A formação dos profissionais da educação. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.014. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. (Incluído pela Lei nº 12.056. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas.

III . § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. dos Estados. (Renumerado pela Lei nº 11.pesquisa. Art.período reservado a estudos.infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental. com base no eventual excesso de arrecadação. A formação de profissionais de educação para administração. do Distrito Federal e dos Municípios. II . VII .aquisição. (Incluído pela Lei nº 11. até o décimo dia do mês subseqüente. § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo. estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino. 71. 66. Art. nos termos das normas de cada sistema de ensino. receita do governo que a transferir.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. para efeito do cálculo previsto neste artigo. de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério. O notório saber. Parágrafo único. VIII . Art.levantamentos estatísticos. quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades. observados os seguintes prazos: I . Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I . V . 64. da receita resultante de impostos.amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo. anualmente. compreendendo as que se destinam a: I . nesta formação. a base comum nacional. compreendidas as transferências constitucionais. incluídas.remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação. II .receita do salário-educação e de outras contribuições sociais. a critério da instituição de ensino.programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. ao Distrito Federal e aos Municípios. 69. quando for o caso. do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação.piso salarial profissional. II . quando efetivada fora dos sistemas de ensino. A União aplicará. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados. IV . 67. poderá suprir a exigência de título acadêmico. II .recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês. inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I . § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas. até o trigésimo dia.condições adequadas de trabalho. III . vinte e cinco por cento. V . VI . 65. não será considerada. que não vise. § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pósgraduação. de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art.301.receita de transferências constitucionais e outras transferências. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I . e os Estados.progressão funcional baseada na titulação ou habilitação.outros recursos previstos em lei.programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. nunca menos de dezoito. Art. ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas. ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão. ou pelos Estados aos respectivos Municípios. 201 da Constituição Federal. III .aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. até o vigésimo dia. quando não vinculada às instituições de ensino. VI . IV . III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União.recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês. ou. trezentas horas. supervisão e orientação educacional para a educação básica. assegurando-lhes.aperfeiçoamento profissional continuado. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis.301. por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais. incluído na carga de trabalho. construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino. manutenção. 70. e na avaliação do desempenho. Art. além do exercício da docência. planejamento e avaliação. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação. serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação. são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas. reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim. na manutenção e desenvolvimento do ensino público.concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas. no mínimo. será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual. V . Art. Art. inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim. ajustada. as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. IV . III . incluirá prática de ensino de. que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios. o Distrito Federal e os Municípios.receita de impostos próprios da União.recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês. II . inspeção. garantida. planejamento.receita de incentivos fiscais. dos Estados. prioritariamente em programas de mestrado e doutorado.realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino. A formação docente. 40 e no § 8o do art. 48 . precipuamente. exceto para a educação superior. 68.

manter programas de formação de pessoal especializado. baseado no cálculo do custo mínimo por aluno. Art. 72.programas suplementares de alimentação. 74. 80. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados. § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal. Art.garantir aos índios. com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir. a reafirmação de suas identidades étnicas. bonificações. sem prejuízo de outras prescrições legais. III .639. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado. inclusive mediante bolsas de estudo. Os órgãos fiscalizadores examinarão. no caso de encerramento de suas atividades. o Distrito Federal e os Municípios. em número inferior à sua capacidade de atendimento. III .2003) Art. incluídos nos Planos Nacionais de Educação. 79. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica. Art. Art. 11 desta Lei. participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto. § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º. de 9. do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. prioritariamente. § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. 75. o cumprimento do disposto no art. terão os seguintes objetivos: I . capaz de assegurar ensino de qualidade. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino. assistência médico-odontológica.II . na forma da lei. (Regulamento) 49 . § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. progressivamente. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar. Art. 76. confessionais ou filantrópicas que: I .1. sejam militares ou civis. suas comunidades e povos. (Incluído pela Lei nº 10. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. V . filantrópica ou confessional.formação de quadros especiais para a administração pública. II .1. as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino.fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua materna de cada comunidade indígena. no art.2003) Art.obras de infra-estrutura. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando. Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei. inclusive diplomáticos. conforme o inciso VI do art. IV . 165 da Constituição Federal. o acesso às informações. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano. § 2º Os programas a que se refere este artigo. com validade para o ano subseqüente. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. 78. estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental.prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. 77. para oferta de educação escolar bilingüe e intercultural aos povos indígenas. de 9. O Sistema de Ensino da União. Art. com os seguintes objetivos: I . suas comunidades e povos. Parágrafo único. dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas. A União. IV .subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial. ou ao Poder Público. farmacêutica e psicológica. Art. assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. a valorização de suas línguas e ciências. desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa. na prestação de contas de recursos públicos. e de educação continuada. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. relativo ao padrão mínimo de qualidade. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas. na área de ensino de sua responsabilidade.desenvolver currículos e programas específicos.639. dividendos. IV . 10 e o inciso V do art. em todos os níveis e modalidades de ensino.pessoal docente e demais trabalhadores da educação. desportivo ou cultural. VI . III .assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. Art. § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno. a recuperação de suas memórias históricas. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10. destinado à educação escolar nas comunidades indígenas. considerado o número de alunos que efetivamente freqüentam a escola.proporcionar aos índios. desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa.elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado.comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados. TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art. em colaboração com os Estados. e outras formas de assistência social. 79-B. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades.apliquem seus excedentes financeiros em educação. 73. II . 79-A. quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. II . 212 da Constituição Federal.

Art. (Redação dada pela Lei nº 11. bem como a dos Estados aos seus Municípios. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. . podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. de 24 de novembro de 1995 e 9. pelos concessionários de canais comerciais. Art. ao Congresso Nacional.reserva de tempo mínimo. (Redação dada pela Lei nº 11. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. 20 de dezembro de 1996. II . os recursos da educação a distância.integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. § 6º A assistência financeira da União aos Estados. 92. as Leis nºs 5. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens.274. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei. GESTÃO DO PROCESSO DE ENSINOAPRENDIZAGEM (Armindo José Rodrigues Revista Brasileira de Educação Especial) 50 . As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão.274. ao Distrito Federal e aos Municípios.692. O ensino militar é regulado em lei específica. preservada a autonomia universitária. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado. que incluirá: I . pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino. TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art. também. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. Art. ainda. o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano. por mais de seis anos. As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão. 84. § 1º A União. 87. e 5.024. na sua condição de instituições de pesquisa. de 21 de dezembro de 1995 e. utilizando também. com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. A União. os Estados. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.274. desde que obedecidas as disposições desta Lei. (Regulamento) § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino. com diretrizes e metas para os dez anos seguintes. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4. III . 90. III . nos prazos por estes estabelecidos. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. 91.788. nos termos da legislação específica. admitida a equivalência de estudos. de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental. Art. supletivamente. a União. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. observada a lei federal sobre a matéria. Art. (Redação dada pela Lei nº 11. 82. para isto. encaminhará. 88.540. a contar da publicação desta Lei. mediante delegação deste. de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. 81. o Plano Nacional de Educação. 52 é de oito anos. IV .192. 175º da Independência e 108º da República. e. a partir da data de sua publicação. 85.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou. de 2008) Art. no prazo de três anos. de 2006) II .044. ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. § 3º As normas para produção.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art. 89. de 2006) § 3o O Distrito Federal.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. ressalvados os direitos assegurados pelos arts. § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental. caberão aos respectivos sistemas de ensino. de 28 de novembro de 1968. Brasília. não alteradas pelas Leis nºs 9. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 86. de 11 de agosto de 1971 e 7. Art.131.274. Art. devem: (Redação dada pela Lei nº 11. de 20 de dezembro de 1961. Art. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. de 18 de outubro de 1982.274. de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. integrar-se ao respectivo sistema de ensino.§ 1º A educação a distância. Art. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. exercendo funções de monitoria. organizada com abertura e regime especiais. É instituída a Década da Educação. cada Estado e Município. ficam condicionadas ao cumprimento do art.330. 83. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. sem ônus para o Poder Público. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição.

1977. horários sobrecarregados. Não deve. ao contexto de trabalho (espaços físicos deficientes. Ou que outros professores se centram de tal modo nas atividades estritas de ensino que esquecem as demais dimensões do universo da turma. entendidas como o conjunto de condições préestabelecidas (agrupamento e distribuição espacial dos alunos. entre os professores que são bem sucedidos e aqueles que o não são não residem na sua resposta aos alunos perturbadores. não é menos verdade que vários outros poderão ser invocados. estrutura e encadeamento das atividades.469) A gestão da classe deve. que consiste em reagir após o aparecimento dos problemas. se empenhe ativamente nas aprendizagens. os quais adotavam. articulação e sequenciação das atividades. GAUTHIER e colaboradores (1998:241) acentuam que " o planejamento da gestão da classe começa não somente com o trabalho de preparação. selecionar e organizar os recursos. 1991). no entanto. Não se pode ignorar que há professores para quem a instauração e manutenção de um ambiente de trabalho nas aulas é tarefa de tal modo difícil e desgastante que pouco tempo e energia lhes restam para dedicar às atividades de ensino propriamente ditas. pensar-se que o professor tem que.. estava-se agora em presença de uma multiplicidade e diversidade de valores. tendo experimentado um progressivo desenvolvimento e aprofundamento. de que derivam as duas tarefas principais da atividade do professor: as funções relativas à gestão da classe (organização dos grupos. por exemplo. este modo de agir opõe-se ao método coercitivo. avaliar as aprendizagens. iniciar-se com uma planificação cuidada. não têm merecido. organização e distribuição das rotinas. porém. encontrar modelos de formação inicial susceptíveis de desenvolver nos futuros professores aqueles saberes e aquelas habilidades que têm maior impacto num desempenho profissional igualmente eficaz e competente. Os resultados das pesquisas remetem claramente para uma concepção de gestão da classe numa perspectiva holística. programas extensos. É o que demonstraram os estudos sobre a gestão da aula realizados por Kounin e colaboradores que revelam que as diferenças importantes. Efetivamente. com vista à antecipação e prevenção dos problemas. definição de regras. criando constantes conflitos de concepções e de conduta entre o professor e certos grupos de alunos. alguns outros resultados fornecidos por esses estudos têm igualmente de ser mencionados. no entanto. as pesquisas depressa ultrapassaram os estreitos limites das questões da ordem e da disciplina. motivar os alunos. entre nós. uma parte da tarefa de preparação com vista a uma gestão eficaz da aula é simultaneamente uma preparação com vista ao ensino eficaz da matéria. citados por MARTINEAU. rotinas de ensino. quando a população discente pertencia quase exclusivamente à classe dominante. em vez da tradicional continuidade e complementaridade entre escola e família. regras de interação. etc). etc) que definem o contexto em que se desenvolve o processo ensinoaprendizagem. tendo por objetivo. turmas numerosas.As modalidades de organização e gestão da classe. antes do início do ano letivo. garantir um clima de ordem na sala. etc. estruturar. acabando por realçar vários outros aspectos importantes. E. GAUTHIER e DESBIENS. particularmente depois dos anos sessenta e setenta. o ensino tem duas dimensões fundamentais. a necessária atenção por parte dos investigadores. Este autor distingue quatro tipos de rotinas: rotinas de atividade. para abarcar a dimensão aprendizagem: "a gestão da classe consiste num conjunto de regras e de disposições necessárias para criar e manter um ambiente ordeiro favorável tanto ao ensino como à aprendizagem".. (BROPHY e PUTNAM. é efetivamente durante a planificação que se procede à seleção. que define as rotinas como "conjuntos de procedimentos estabelecidos que têm por função controlar e coordenar sequências específicas de comportamentos". quando a escola passou a acolher públicos cada vez mais numerosos e diversificados. para. também ROY.). Para Yinger (1977). o ensino dos conteúdos dos programas (dar o programa. 1979:189. Citando Brophy (1983). pois um aluno pode não perturbar o clima da aula sem que. logo desde os primeiros anos de prática. DOYLE (1986) proporá a ampliação do conceito. Foi um período em que se multiplicaram as observações sistemáticas de aulas. Em consequência. princípios orientadores da ação docente. rotinas de supervisão e rotinas de execução (YINGER. As primeiras pesquisas sobre a organização e gestão da sala de aula centraram-se essencialmente em questões relacionadas com a manutenção da ordem e da disciplina. de relações e de expectativas em face dos alunos assim que o ano se inicia". rotinas e estratégias. muitos deles "desviados" dos modelos socialmente aceites.) e à própria direção da escola. em seguida. Efetivamente. nomeadamente as dimensões da cidadania. A antecipação e prevenção conseguem-se através da tomada de decisões acerca de quais devam ser as rotinas a implantar na vida da turma. Por isso. identificar e caracterizar os traços marcantes do professor eficaz e competente. comportamentos agressivos e hostis. com o propósito de. Procurava-se. então. de normas e códigos sociais. as diferenças remetem antes para a planificação e preparação da matéria e para as técnicas de gestão da classe que os professores utilizam para prevenir a inatenção e as perturbações. procedimentos e sanções disciplinares. desde as características pessoais do professor. primeiro. Se os fatores socioeconômicos pesaram fortemente para tornar mais difícil a gestão da aula. se interessa explicitar em traços largos a evolução do conceito de gestão da classe. subsequentemente. de procedimentos. sobretudo nos Estados Unidos. conduzir e supervisionar as atividades de ensino. obter descrições cada vez mais finas dos acontecimentos da sala de aula e dos vários estilos e funções do ensino. É a "dupla agenda do professor". afinal. tornou-se evidente que a manutenção da ordem não é um fim em si mesma. Em primeiro lugar. por vezes. 1999. Segundo o mesmo autor. Esta centralidade das questões disciplinares parece ter decorrido diretamente das profundas transformações sofridas no pós-guerra. Porém. Promovendo a automatização de uma série de procedimentos que visam o controle e a coordenação de sequências de comportamentos aplicáveis a situações específicas. esta problemática tem sido objeto de importantes investigações desde meados do século passado. mas também com a implantação e a comunicação de regras. p. as análises interacionais e a aplicação de questionários. as rotinas 51 . de que falam Shulman (1986) e Leinardt (1990). da ética e do desenvolvimento pessoal e social. Efetivamente. o que acontece na planificação. na gestão da classe. logo no início do ano letivo.

(. É óbvio que os professores se preocupam com a aprendizagem dos alunos. ao observador torna-se fácil identificar as atividades e os seus traços distintivos. p. semanas e até meses. Sacristan. não obedeciam às recomendações dos teóricos sobre a planificação sistemática e linear. No entanto. Em consequência. particularmente do rendimento escolar dos alunos". um meio físico com utensílios. A comunicação professor-aluno tem um sentido exclusivamente técnico. 4) aumentar a disponibilidade dos professores diante das reações dos alunos. quadros de conduta controlada. XX.. analisando os processos de planificação adotados em escolas secundárias inglesas. por exemplo. Parece. assim. As atividades (ou tarefas) configuram. quando planifica as aulas. As atividades ou tarefas constituem-se assim no elemento chave de análise do processo ensinoaprendizagem. movimentos instrucionais do professor. seleção dos procedimentos de avaliação. uma boa planificação caracterizavase "por objetivos de ensino cuidadosamente especificados (geralmente expostos em termos comportamentais). Taylor (1970). nos tornará possível compreender qual seja o esquema integrador que define as orientações. considerações sobre os conteúdos da disciplina respectiva. que constituem a meta e o enfoque da planificação do professor. As correntes cognitivistas deram um contributo valioso para a compreensão do processo ensino-aprendizagem e do papel central nele desempenhado pelas atividades ou tarefas. Por conseguinte. Este último recebe. através da sua planificação antecipada. os interesses dos alunos. concebida nessa perspectiva. Segundo Hill.) ambos são espectadores frente à verdade objetiva. seleção das atividades de aprendizagem. b) tecnicista. um modelo configurado de conduta. o predomínio das atividades explica-se mediante o conceito de "quadro de conduta". tornando os professores mais previsíveis.. interações entre os componentes físicos e o modelo configurado de conduta. estrutura e sequência. 3) aumentar a estabilidade das atividades. 1968. mas o próprio quadro de conduta é definido e controlado antecipadamente pelo professor. por ordem de importância: fatores associados ao contexto docente. constituem a oportunidade para aprender. quando o professor estrutura as atividades a realizar na aula. aprende e fixa as informações. na perspectiva tyleriana. a) libertadora. ações e estratégias de ensino concebidas para promoverem objetivos prescritos e medições cuidadas dos resultados. 1986). 1963. As atividades constituem. 5) diminuir a ansiedade dos alunos. e não os resultados da aprendizagem. Ou seja. para além de configurarem a interação professor-aluno. mas é muito difícil inferir quais os objetivos visados. Efetivamente. mas esta só ocorrerá na medida em que os alunos estejam interessados e implicados nas atividades que lhes são propostas/impostas pelo professor ou negociadas/decididas conjuntamente. 1998. os professores. fundados numa atitude crítica relativamente aos modelos e perspectivas behavioristas. O professor é apenas um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno. livros e outros materiais. O que define as relações é o grau de estruturação e objetividade. que é o de garantir a eficácia da transmissão do conhecimento. Como recorda Arends (1995). que são as atividades de ensino. comportamento aceitável dos alunos. e regulam a prática. Segundo os autores mencionados. 1977). no final de cada aula. sendo por conseguinte o cerne tanto da planificação como da ação (Jackson. as metas e objetivos do ensino. EXERCÍCIO 1.. bem como os modos peculiares de as desenvolver. a planificação das atividades de ensino-aprendizagem foi dominada pelo modelo de Tyler (1949). bem como uma definição clara dos papéis de professor e aluno. poderá explicar-se pelo fato de os professores não esperarem grandes mudanças nos seus alunos. essas atividades ou tarefas desenhadas. segundo Yinger (1980). ao contrário do que se seria levado a pensar numa perspectiva de planificação sistemática e linear. As próprias metas de ensino. Só a apreensão da sua estrutura e encadeamento sequencial. relativamente aos procedimentos de planificação. duração. organização das atividades de aprendizagem. por exemplo. conteúdos e materiais de ensino) vão sendo elaborados e especificados. as concepções e as práticas de um determinado professor. a oportunidade para aprender. pois. então. como vimos acima. participantes. propostas e reguladas pelo professor. estruturam o modelo de organização e gestão da classe e definem a intencionalidade e a cobertura que é dada ao currículo. os professores equacionam as mudanças apenas após a exposição de vários conceitos no decurso de dias.têm por efeito 1) reduzir o número de indicações a serem tratadas pelos professores. as instituições de formação de professores davam grande ênfase ao treino de procedimentos muito elaborados que visavam a eficácia na especificação dos objetivos comportamentais. Yinger e Robins (1983). ao moldar o ambiente e o processo de aprendizagem. ao enfatizar que. desde cedo puseram em evidência que aquele modelo não correspondia às práticas efetivas dos professores. na perspectiva da psicologia ecológica (BARKER. 2) reduzir o número de decisões a serem tomadas durante a intervenção. pois. 2000). materiais e recursos. nas suas práticas quotidianas. DOYLE. elas são "estruturas de situação que organizam e orientam o pensamento e a ação" (DOYLE & CARTER. aliás. Um quadro de conduta é uma unidade ecológica de conduta possuidora de quatro traços distintos: limites espaciais e temporais definidos. A descrição acima refere-se à concepção de educação. tanto na planificação como na ação. As atividades de ensino representariam. porquanto os comportamentos de professor e alunos são dirigidos pelo "quadro" definido. define de antemão os limites e orientações gerais da conduta. que se estruturava em quatro etapas: definição dos objetivos.242) A PLANIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE ENSINO Até aos anos setenta do séc. aumentando as probabilidades de que essa mesma conduta ocorra segundo os seus intentos. concluiu que os professores tendem a considerar. (GAUTHIER et al. 52 . c) progressista. a importância que as atividades assumem para o professor. reduzir ou ampliar. alguns estudos empíricos. Para Yinger (1980). selecionando e organizando as rotinas. Assim. só vão ganhando forma à medida que os traços da atividade (localização.

via grupo. (d) Prepará-los para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias na vida social. e) articular o ensino. 16-17). ao assimilarem essas influências. 5. Acerca da relação entre educação e sociedade. Nesse sentido. Embora professor e aluno sejam diferentes e desiguais. e) a descentralização administrativo-financeira e pedagógica. (B) A educação compreende os processos formativos que ocorrem no meio social. estéticos e éticos. a tendência pedagógica que considera os alunos livres no seu pensar e agir. O papel da escola na perspectiva da Pedagogia Libera Tradicional é: a) transmitir o saber sistematizado e a cultura. sendo um professor estimulador. d) Paradigma de consenso. b) desenvolver um processo ensino-aprendizagem comportamentalista. em outras vezes. e a negação de toda forma de repressão. (A) A educação exerce influência no meio social sobre os indivíduos e estes. d) a base teórica fundamentada na psicologia social. Quando o professor valoriza a aprendizagem informal. promovendo situações de reflexão em comum. p. a veneração de um trabalho intelectual que se acha quase sempre fora do aparelho escolar. b) desenvolver as competências e habilidades do aluno. pode-se afirmar que: (A) a função da escola não está interligada apenas com as classes sociais às quais dirige sua atenção.. assinale a opção INCORRETA. As instituições 53 . de instrutor-monitor à disposição do grupo é a A) liberal tecnicista. efetivamente formada pela escola. c) desenvolver experiências de vida prática e autogestão. Segundo Libâneo (1994. a aprendizagem e a economia de mercado. C) progressista libertária. como local privilegiado de trabalho com o conhecimento. d) promover uma formação geral que engloba o desenvolvimento cognitivo e operativo a partir dos âmbitos científicos. A escola. 7. dicotomia democrática e competição. b) Descentralização. e) Eleição. D) liberal tradicional. Quais características definem melhor este tipo de gestão? a) Centralização. A prática educativa existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais. também este o é em relação aos alunos”. LUCKESI (1990) afirma que “se os alunos são livres frente ao professor. sem imposições de idéias e concepções. “Só se pode dizer de forma totalmente análoga e aproximativa que a escola forma trabalho intelectual de um lado e trabalho manual (formação técnica) de outro. o docente deve se pôr a serviço do discente. podendo construir saberes indispensáveis à inserção social do aluno. política.) O que se ensina principalmente à classe operária é a disciplina. enquanto instituição social. 6. (C) A educação que ocorre em instituições específicas. d) trabalhar os valores sociais do contexto em que estão inseridos. (. c) Certeza. frente ao do professor. 2. 1975:288): Com base na citação acima.d) renovada. E) liberal renovada não-diretiva. dos costumes e formas de convivência humana. 8. escolares ou não. autonomia e eleição direta. sendo a sua força de trabalho. No que se refere a relação professor/aluno. assumem postura passiva que os torna capazes de atuar como agentes de mudança. a escola tem grande responsabilidade nessa formação. com finalidades explícitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente e planejada. Caso isso ocorresse não haveria nenhum tipo de modalidade social. 3. c) a administração científica baseada em um planejamento gerencial. as coisas se apresentam da mesma forma para a nova pequena burguesia e para o trabalho intelectual. baseado na busca de respostas para os estímulos previamente planejados. (c) Exigir que o conhecimento possa ser utilizado sistematicamente.’’ (Poulantzas. 4. no qual o indivíduo está envolvido pelo simples fato de viver em sociedade. a constituição e funcionamento de colegiados e a participação de diferentes segmentos consultivos e deliberativos. 9. No entanto. são eles: a) a base teórica fundamentada no enfoque. c) inserir o indivíduo na estrutura da sociedade. (B) as funções da escola só podem ser analisadas em função das classes sociais às quais dirige sua ação. qual é o papel fundamental da escola na formação dos indivíduos? (a) Prepará-los para o mercado de trabalho. está é diretamente ligada á formação do sujeito. B) progressista crítico-social dos conteúdos. De maneira alguma. formas democráticas de escolha dos gestores e diálogo. orientador e um catalisador no meio dos educandos. racionalização. e) discutir os problemas sociais e relacioná-los com a cultura. em seu lado intelectual. sendo uma atividade humana necessária à existência e ao funcionamento de todas as sociedades”. A gestão educacional democrática engloba um conjunto de elementos que a diferem da administração tradicional. “a prática educativa é um fenômeno social e universal.. A gestão democrática no âmbito da educação teve seu início a partir da década de 80. gestão racional e centralização. supervisão escolar e orientador educacional. visa-se favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. (b) Prepará-los para atuar no meio econômico. hierarquia. e) crítico-social dos conteúdos. objetivos sociais e precisão. enfim. (D) Formar o cidadão não é tarefa apenas da escola. é chamada Educação Intencional ou Formal. b) a eleição direta do administrador escolar. competição. que deve ter uma postura empática. tem a seguinte função na atualidade: a) transmitir conhecimentos científicos e tecnológicos. (C) a escola capitalista não forma apenas para a reprodução da divisão social do trabalho. mais importante do que repassar conhecimento é desenvolver no aluno a capacidade de aprender. transformando o aluno em sujeito de sua própria aprendizagem. o respeito à autoridade. exercendo a função de "conselheiro" e. religiosa. Isso nos permite encontrar na escola capitalista uma reprodução da divisão social do trabalho. decorrentes da organização econômica. Para a nova educação que se propõe.

(D) III. o conceito de mediação inclui: I. c) Pré-operatório. 13. abrir espaços para a diversidade. ação do sujeito sobre a realidade IV. também impôs à educação um modelo de centralização social alijado das questões políticas e ideológicas. Está correto o que se afirma em (A) I. fazendo com que entrasse em extinção a chamada aprendizagem mútua. a diferença e para o cruzamento de culturas. Sente-se mais confortável com a homogeneização e a padronização. (C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como consequência um ritmo educacional laicizado. bem no escopo do movimento de reivindicação de direitos sociais por parte do proletariado. garantindo que os diferentes sujeitos socioculturais se reconheçam. Para Moreira e Candau (2003). dentro da lógica da difusão e consolidação da instrução pública como modelo de inserção social da grande massa da população. apenas. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. feito através dos recortes do real. (C) A prática educativa está determinada por fins e exigências sociais. políticas e culturais de uma determinada sociedade. d) caminhasse de forma igual ao do processo de aprendizagem. (Osvaldo Jr . (B) I e III. que a igualdade se explicite nas diferenças.2011) A Revolução Industrial foi um dos grandes marcos históricos na transição do feudalismo para o capitalismo. II. políticas e ideológicas. o homem não tem acesso direto aos objetos. (D) O século XVI foi marcado pelo surgimento das primeiras escolas públicas estatais. III. apenas. “a escola sempre teve dificuldade em lidar com a pluralidade e a diferença. 16. na qual o ensino era transmitido de pais para filhos. Isso nos permite afirmar que na escola capitalista não há somente uma reprodução da divisão social do trabalho. II e III. (D) a análise da reprodução da divisão social do trabalho não pode ser resumida apenas às funções da escola. ao caminho que o indivíduo vai percorrer para desenvolver funções que estão em processo de amadurecimento e que se tornarão funções consolidadas. os estilos de pensamentos intuitivo e mágico e o jogo simbólico são característicos do estágio: a) Das operações formais. b) Das operações concretas. 14. assegurando. na cultura hegemônica. c) ocorresse de forma independente ao do processo de aprendizado. Isso exige da escola I. Enquanto sujeito do conhecimento. 12. (D) A estrutura social e a organização dos grupos humanos independem dos processos educativos e do acúmulo de conhecimentos desses grupos. assinale a opção correta. A zona de desenvolvimento proximal referese. No que se refere ao campo educacional. (B) A educação determina as relações sociais e possibilita as mudanças econômicas e sociais. 15. 11. econômicas. promover processos de desnaturalização e explicitar a rede de estereótipos e preconceitos que povoam os imaginários das pessoas em relação aos diferentes grupos socioculturais. (D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento da burguesia como classe dominante favoreceu a chamada difusão da instrução. promover uma política de universalização da escolarização que favoreça a integração de todos na sociedade. Sobre a relação da educação e sociedade. é correto afirmar que: (A) A antiguidade guarda a relação educacional espontânea. constitui o grande desafio que ela está chamada a enfrentar”. pois esta dirige sua ação para a formação da cidadania e preparo para a sociedade capitalista. apenas. (E) as funções da escola podem ser analisadas em função das classes sociais às quais dirige sua atenção. Segundo Vygotsky. que transformou a cidade no centro social por excelência. processo de equilibração Estão CORRETOS apenas os itens: 54 . (B) A urbanização. apenas. Acerca desse assunto. em consonância com o regime tribal de convivência social. Vygotsky define a zona de desenvolvimento proximal como a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial.de ensino ou redes escolares são um espaço de formação da cidadania. Uma idéia central para a compreensão das concepções de Vygotsky sobre o desenvolvimento humano como processo sócio-histórico é a idéia de mediação. Através dessa revolução. onde o princípio do homem indivíduo veio a tornar-se predominante na educação. A educação como fenômeno social é parte integrante das relações sociais. No entanto. d) Sensório motor. reconstruir o que se considera “comum” a todos. sistemas simbólicos III. Tende a silenciá-la e neutralizá-la. mudando as relações sociais e educacionais estabelecidas até então. que teve como objetivo primordial a superação da exclusão e da ignorância da população. e) progredisse mais lentamente que o processo de aprendizado. (A) A organização dos grupos sociais não interfere em suas práticas educativas. mas um acesso mediado. b) avançasse em ritmo mais acelerado que o processo de aprendizado. processo de representação mental II. (E) I. assim. o modo de produção capitalista se consolidou como hegemônico no mundo. Segundo Piaget. estabelecidas no nível de desenvolvimento real. (C) II e III. isto é. assim. É como se o processo de desenvolvimento a) apresentasse características diferentes do processo de aprendizagem. é incorreto afirmar que: (A) A consolidação da democracia burguesa trouxe a reflexão do papel da educação no tocante à sua função para o status quo social. ou seja. (C) O movimento pedagógico surgido no século XIX procurou se preocupar com a formação integral do homem. 10. (B) O surgimento e consolidação da propriedade privada imprimiu na educação um dinamismo maior e mais amplo de instrução.

B) A educação bancária tem por finalidade promover a transformação social. A respeito da evolução histórica do conceito e da concepção do currículo. d) maturacionais e de fatores emocionais. Nesse sentido. A construção do projeto político-pedagógico na perspectiva da emancipação parte dos princípios de igualdade. (B) abrangência. a duração de cada estágio e as idades a que correspondem. ocorre no estágio: a) Sensório-Motor b) Pré-Operatório c) Operatório d) Simbólico e) Inteligência Intuitiva 19. a revolucionária e a mundancista. Devido a isso. c) individuais e das condições de existência. manifestando-se por meio da linguagem e da comunicação. Pode ser entendido como a sistematização. d) III e IV. 24. assinale a opção correta. citado por Rabelo (2001). C) a liberal. 2002. (A) A igualdade pressupõe a expansão quantitativa de oferta de vagas em detrimento da manutenção da qualidade. b) I e III. que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar. (A) A liberdade deve ser considerada como liberdade para aprender e ensinar a arte e o saber direcionados para uma intencionalidade definida pela direção da escola. (C) abrangência. liberdade. duração e diagnóstico. 21. 25. mas se produz nos processos intersubjetivos e dialogais que acontecem na prática escolar. (E) discussão coletiva dos conhecimentos a serem refletidos. 26. Podem ter seus efeitos amplamente transformados pelas circunstâncias sociais nas quais se insere cada existência individual e mesmo por deliberação voluntária do sujeito. a construção do conhecimento desloca-se do sujeito individual para os processos coletivos. Segundo Wallon. (A) No referencial tradicional de currículo. Os fatores orgânicos são os responsáveis pela seqüência fixa que se verifica entre os estágios do desenvolvimento. advoga o currículo como conhecimento. A instituição escolar é repleta de influências dos campos político. nunca definitiva. a moderna e a tradicional. 22. São características do Projeto Político Pedagógico: (A) abrangência. marque a alternativa CORRETA: A) A educação bancária tem por finalidade problematizar a realidade social. duração e participação. e) intelectuais e manifestações culturais. (B) O referencial pós-crítico de currículo caracteriza o período contemporâneo da ciência. D) A educação bancária tem por finalidade conscientizar os alunos de sua condição de oprimido. a capacidade que uma criança tem de poder cumprir uma tarefa sem ajuda externa é chamada de: a) Zona de Desenvolvimento Proximal b) Nível de Desenvolvimento Potencial c) Desenvolvimento prospectivo d) Zona de Estabilidade Variável e) Nível de Desenvolvimento Real 18. e a diversidade humana tornase uma referência básica para a prática curricular. (D) abrangência. gestão democrática e valorização do magistério. todavia não garantem uma homogeneidade no seu tempo de duração. em dependência de características a) biológicas e de manifestações de afetividade. afastado de determinantes históricos e condicionantes mais amplos. 17). diagnóstico e concretização. participação e diagnóstico. C) A educação bancária tem por finalidade promover o diálogo entre os sábios e os que nada sabem. A Pedagogia Progressista manifestou-se em três tendências. a elaboração do Projeto Pedagógico. a libertária e a crítico-social dos conteúdos. (D) O referencial tradicional de currículo encara o conhecimento como estático. social e cultural do Projeto Pedagógico se traduzem pela explicitação dos principais problemas de cada instituição educacional. E) a reprodutivista. 20. B) a libertadora. social e ideológico. Considerando a Educação Bancária preconizada por Paulo Freire. que se aperfeiçoa e se objetiva na caminhada. estando uma diretamente subordinada à outra. visando à sua socialização. A capacidade de classificar. ou seja. se constitui em: (A) solução para se obter o ensino de qualidade. (B) A gestão democrática implica o repensar da estrutura de poder da escola. (D) responsabilidade principal da equipe técnica. objetivo. qualidade. a técnica e a política. b) genéticas e do desenvolvimento cognitivo. pela proposição de soluções e definição de responsabilidades coletivas e individuais na superação desses problemas. assinale a opção INCORRETA. ela se configura como espaço de conflitos e contradições que permeiam o trabalho pedagógico-didático 55 . Segundo Vigotsky.a) I e II. p. a partir de um posicionamento quanto à sua intencionalidade e de uma leitura da realidade” (VASCONCELLOS. inspirado nos princípios da dialética materialista histórica. de acordo com Piaget. E) A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. dos processos sociais. a mediadora e a do consenso. (C) O referencial crítico de currículo. Em relação a esses princípios. (B) um exercício de autonomia escolar. (C) A qualidade implica duas dimensões dissociáveis. este visto como produto de uma reflexão crítica sobre a relação entre os saberes científicos e a prática social. entre oprimidos e opressores. (C) momento privilegiado de avaliação das competências profissionais dos educadores. 17. adotando a concepção de que o conhecimento provém da ativação das estruturas cognitivas dos sujeitos educacionais. 23. de um processo de planejamento participativo. são elas: A) a humanista. D) a do conflito. “O Projeto Político Pedagógico é o plano global da instituição. definitivo. a liberal renovada e a liberal avançada. c) II e III. são referências relativas e variáveis. As dimensões política.

F. ensino médio e ensino superior. F. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre a relação da educação e sociedade. com ou sem pós-graduação. (B) O surgimento e consolidação da propriedade privada imprimiu na educação um dinamismo maior e mais amplo de instrução. C) quanto ao funcionamento. Professores com nível superior para exercerem docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. d) dos Municípios. ( ) O planejamento se dá em cima de uma ação específica. juntamente com suas alterações. Técnicos em educação. as diferenças entre elas e sua forma privilegiada de conhecer o mundo por meio do brincar. (C) O ensino como tarefa real e concreta.assegurar o ensino fundamental e oferecer. c) dos Estados. fazendo com que entrasse em extinção a chamada aprendizagem mútua. que sugerem fomento aos projetos escolares na área. II e III identificam. ela traz à tona a) A necessidade de se estabelecer currículos fechados sobre o tema. 33. com diploma de pedagogia com habilitação em administração. compreendendo as seguintes etapas: a educação infantil. a educação escolar está composta dos seguintes níveis: a) Educação Básica. B) a política de Educação Infantil deve focar-se na cultura. V d) V. V. c) Educação Básica. d) Educação infantil. V b) F. especifica os que em efetivo exercício e formados em cursos reconhecidos. (B) A utilização de métodos de ensino-aprendizagem. III. inspeção e orientação educacional. Assim. e) da União. buscando sempre uma sistematização que favoreça o desempenho da instituição escolar. A Educação Ambiental. No que diz respeito à organização do Sistema Municipal de Ensino é possível afirmar. A LDBEN (Lei 9394/96). a saber: I. as Instituições de Educação Infantil poderão organizar o atendimento em regime parcial e/ou integral e funcionar ininterruptamente durante o ano civil. 27. nos direitos humanos. De acordo com a LDB. F. ( ) O planejamento não remete à prática. ensino fundamental e ensino médio. Estão corretas as afirmativas: a) I. ( ) O planejamento difere do sonho. respectivamente. V. IV. é correto afirmar que: (A) A antiguidade guarda a relação educacional espontânea. b) dos Estados. com nível superior em magistério ou cursos afins. 28. como profissionais da educação. III – assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. Tendo em vista que planejar significa antecipar mentalmente uma ação que se quer realizar. Nesse sentido. que teve como objetivo primordial a superação da exclusão e da ignorância da população. com prioridade. (D) Sei lá. V. 32. V. III e IV d) I. para atuação na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. V. avalie as sentenças abaixo como verdadeiras (V) ou falsas (F). 9394/96. compreendendo o ensino fundamental e médio. Trabalhadores em educação. b) Educação Básica: ensino superior presencial nas modalidades: semi-presencial e a distância. do desejo difuso e da simples intenção visto que prevê passos. ( ) O planejamento não difere da imaginação. responsabilidades a) da União. opção da família o atendimento gratuito em instituições públicas de Educação Infantil. A sequência CORRETA é a) V. em consonância com o regime tribal de convivência social. observando suas especificidades. F. EXCETO: A) é dever do Estado. sequência e ação. 31. dos Estados e dos Municípios. Assim. superior e complementar. V. supervisão. D) o processo pedagógico deve considerar as crianças em sua totalidade. V. dos Estados e da União. pós – graduação a níveis de lacto e stricto sensu. II. na medida em que em ambos há o compromisso com a prática. F 29. V. os enunciados I. e a Educação Superior. V. médio e superior. dos Municípios e da União. III e IV 56 . da União e dos Municípios. direito da criança. 30. constitui-se em elemento do trabalho didático-pedagógico da escola o (a): (A) Igualdade de condições para todos os educandos. em uma situação concreta somente. dos Municípios e dos Estados. II – oferecer a educação infantil em creches e préescolas e. apesar de não se constituir numa “Pedagogia Ambiental”. justiça social. F. Portadores de curso técnico ou superior em pedagogia ou área afim. compreendendo graduação e pós graduação. é uma problemática complexa e que requer ainda muitos avanços em sua execução no campo escolar. V. esse trabalho jamais é neutro e descompromissado. c) A organização pedagógica fundamentada numa ação concreta que vise o fim da problemática ambiental. onde o princípio do homem indivíduo veio a tornar-se predominante na educação. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação N. (D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento da burguesia como classe dominante favoreceu a chamada difusão da instrução. com prioridade. ( ) O planejamento é uma forma de antever e interagir com as condições dadas. planejamento. na qual o ensino era transmitido de pais para filhos. e) Educação Básica. que trabalham na educação.desenvolvido por ela. (C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como consequência um ritmo educacional laicizado. V c) F. ensino fundamental. Habilitados em nível médio ou superior. II e III b) II. o ensino médio. b) A importância de ações estruturantes. V. pois não possui com ela uma relação intrínseca. sem se preocupar com as políticas destinadas a outras organizações da sociedade civil. a educação profissional e o ensino superior. d) Uma política educacional que corresponda aos anseios de grupos de preservação ambiental. F e) F. o ensino fundamental. Considere os enunciados: I . III e V c) II.

Os educadores. Pode-se afirmar que NÃO faz parte dos princípios da interdisciplinaridade. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham. a) Estabelecer ligações entre teoria e prática. d) Pelas instituições: do ensino fundamental. Podemos afirmar que ela se torna efetiva quando: a) A instituição adota deliberadamente os programas do governo capacitando o seu pessoal em sintonia com os anseios da equipe gestora da instituição. e) mamãe mandou!!!!! 37. assim. 40. além das de iniciativas privada com o mesmo fim. propostas e dirigidas pelo professor para a aprendizagem dos alunos. E) exige exclusivamente o ensino de como agir coletivamente na escola. e) Apenas na melhoria da qualidade do ensino. juntamente com as de educação infantil. c) Na democratização da gestão escolar e na melhoria da qualidade do ensino. D) Consistem em atividades planejadas. D) para atuar sem precisão no ambiente virtual. exceto: a) Difusa b) Educação à distância c) Presencial d) Semi-presencial 36. C) exige somente o ensino de técnicas pedagógicas. 41. análise teórica. 1997). E) autônomo. D) exige apenas o ensino de metodologias ativas. B) exige que se continue a estudar durante toda a vida profissional. 39. A afirmação acima nos chama atenção para a importância de se (A) buscar bases conceituais que respaldem e sustentem as metodologias utilizadas na prática educativa. 9. D) exaustividade. B) simbolização. c) A instituição sabe as necessidades de formação de seus profissionais e elabora um programa de formação dos mesmos contando com a participação dos órgãos centrais para efetivar o referido programa. tendo em vista somente os alunos com dificuldades. d) Previsto no Regimento Escolar. 35. complexidade e resolução de problemas. das criadas e mantidas pela iniciativa privada para a educação infantil. (D) A prerrogativa de representar a SEMED local. sem um objetivo específico. autenticidade. os quais compreendem: a) Somente as instituições de educação infantil e ensino fundamental mantidas pelas prefeituras. A formação continuada do professor é assegurada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. que acontecem ocasionalmente em sala de aula. e os órgãos municipais. 38. Os novos processos de interação e comunicação no ensino mediado pelas tecnologias visam a formação de um novo homem: A) para a era interplanetária. exaustividade e complexidade. b) As instituições de ensino fundamental e médio. C) Consistem em atividades dirigidas pelo professor. A formação inicial deve preparar o futuro docente para uma profissão que: A) não exige tanta qualificação ao longo da vida profissional. mantidas pelo município. acompanhar melhor a educação ali oferecida” (GADOTTI E ROMÃO. B) que manipule a máquina sem autonomia.e) III. formalidade e burocracia. como se a educação pudesse melhorar apenas a partir da metodologia de ensino. São características do trabalho desenvolvido pela Pedagogia de Projetos: A) ocasionalidade. médio e de educação infantil mantidas pela prefeitura. c) Pelas escolas de ensino fundamental e de educação infantil mantidas pelo poder público municipal. (B) O seu papel mediador entre os docentes e a direção da escola. intensificar seu envolvimento com ela e.394/96 e deve ser assegurada no Projeto Político Pedagógico da unidade escolar. E) intencionalidade. Sobre as situações de aprendizagem. 43. b) Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. consciente da sua responsabilidade individual e social. portanto. que é: (A) A sua inserção nas atividades rotineiras da escola. d) Adotar a prática de um currículo fechado. preocupam-se em demasia com métodos e técnicas em um verdadeiro endeusamento dessas questões. c) Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. E) Consistem em atividades não programadas pelo professor. b) Está previsto no Projeto Político-Pedagógico para dar formação continuada de professores dentro dos parâmetros das políticas em educação para aligeiramento deste profissional. complexidade e resolução de problemas. 30. d) No rendimento acadêmico do aluno e na melhoria da qualidade do ensino. IV e V 34. (C) Se constituir em uma forma colegiada da gestão democrática. bem como os órgãos municipais. O Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental. C) responsabilidade. São tipos de modalidades de educação ambiental. 57 . responsabilidade e complexidade. O artigo 18 da LDBEN (Lei 9394/96) normatiza os sistemas municipais de ensino. 44. Os autores afirmam. (B) pesquisar cuidadosamente técnicas e metodologias mais atuais que contemplem a motivação dos orientandos. e) Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto do conhecimento. 42. responsabilidade e autonomia dos alunos. registrado em cartório e com uso aleatório das verbas públicas. em seu fazer diário. analise as afirmativas seguintes e marque a alternativa CORRETA: A) Consistem em atividades lúdicas criadas pelos alunos. “Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola. B) Consistem em atividades planejadas pelo professor. crítico. C) para um mundo inter-ecológico. b) Apenas no rendimento acadêmico do aluno. que a participação da comunidade no meio escolar influi: a) Apenas na democratização da gestão escolar.

entre outras coisas. c) O processo ensino-aprendizagem e suas nuances. mas o aluno aprende do professor não necessariamente o que o outro quer ensinar. e) Sociocultural. no qual professor e alunos trabalhem juntos. (C) A escolha dos temas a serem trabalhados em sala de aula é função do professor. exponham suas idéias. e deve ser pautada na observância dos conteúdos próprios para a série e não na relação destes com a vida e os interesses dos alunos. o texto acima se refere à avaliação inerente à concepção de educação fundamentada na abordagem: a) Comportamentalista. 50. A estrutura da exposição deve conduzir à problematização e ao raciocínio. c) Procura levantar questões que se relacionam com o momento contextual considerado. e não à absorção passiva das idéias e informações do professor.(C) dinamizar as práticas educativas a partir de atividades significativas para todos os orientandos. 47. Vestcon. pode-se afirmar que: a) A grande dificuldade da EA é a ausência de uma legislação específica para a mesma. assinale a opção inCORRETA. Sendo assim. sobretudo no ambiente escolar. Considerando a metodologia de projetos e sua relação com a prática pedagógica. onde pouco interesse se vê nos estudantes para desenvolverem atividades voltadas ao meio ambiente. b) Cognitivista. 2005. c) A diversidade cultural. relacionamentos. 58 . o que favorece a formação de pessoas com criticidade para o uso racional e produtivo da tecnologia. (Osvaldo Jr – 2011) Qual dos elementos abaixo é considerado como dimensão da prática pedagógica no âmbito escolar: a) Os objetivos definidos. b) Exige uma interação entre teoria e prática. seus argumentos e suas experiências. (A) Coerência entre teoria e prática. d) Uma forma de concretizar plenamente esse tema na escola é engajar estudantes e professores em atividades práticas de reciclagem de lixo escolar. nos projetos de aprendizagem: (A) a escolha dos temas a serem investigados é feita em conjunto por professores e coordenação pedagógica. A respeito da relação professor/aluno. d) Humanista. c) Tradicional. aquilo que recolheu nos livros da vida. De acordo com Clovis Roberto. alterar uma situação ou criar novas alternativas. 2007 (com adaptações). mas aquilo que quer aprender. (B) Um ambiente de participação. com expressões próprias. de maneira que esta possa cada vez mais trazer à tona a problemática do meio ambiente. coopera de forma fundamental para que haja aprendizagem. 51. d) A gestão democrática e participativa. com os condicionantes e fundamentos existentes no mundo tecnológico. exceto: a) História de vida dos educandos. buscando além da mera transmissão de conhecimentos um processo construtivo que possibilite a superação do conhecido e ensinado. Em um determinado contexto histórico educacional. valorizando as iniciativas individuais e fracionadas. Conhecimentos pedagógicos. típico da prática interdisciplinar que deve permear este na escola. metas e finalidades da ação educativa. (Osvaldo Jr – 2011) É fator que contribui para o bom desenvolvimento da prática pedagógica no âmbito escolar. (D) O professor deve ser um comunicador dialogal e não um transmissor unilateral de informação. ou seja. b) A diversidade cultural dos atores escolares. (D) procurar o interesse prático dos orientandos para então escolher a técnica mais adequada a ser desenvolvida. com sobressalto da dimensão ética no uso das tecnologias. reflexo dos conteúdos pedagógico e político implementados completamente na formação docente. Brasília: Ed. nota-se cada vez mais o empenho acadêmico em formar professores engajados na EA. constitui apenas um documento que representa um processo de planejamento que determina. as ações e condições necessárias para resolver problemas. (Osvaldo Jr – 2011) Sem dúvida. um dos grandes desafios para os educadores da contemporaneidade é efetivar a Educação Ambiental (EA). Um projeto. e) A disponibilidade individual de professores e estudantes em superar obstáculos às práticas educativas. promovendo um despertar para a interpretação do contexto atual. a avaliação significa uma forma de verificar o rendimento escolar por meio de produções livres. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre as características inerentes a educação tecnológica. 48. e) A filosofia da educação adotada. suas opiniões. numa relação de completa reciprocidade entre o que a teoria diz e a prática reforça. é possível perceber o surgimento de uma unidade maior ao redor do tema. capacidade para o diálogo e competência didática são algumas características do professor que facilitam a aprendizagem. o que favoreceria a uniformidade das práticas educativas sobre o tema. é correto afirmar que. A metodologia de Projetos de Aprendizagem pretende subsidiar práticas pedagógicas inovadoras. b) Embora não haja consenso conceitual e de práticas de EA na atualidade. O professor pensa ensinar o que sabe. e) Sua fundamentação básica encontra-se no interjogo do saber-fazer. no seu sentido mais formal. 45. 49. 46. e) A EA ainda é um grande desafio para a escola. principalmente na atualidade. d) Não impõe o uso das novas tecnologias. c) Nos dias atuais. explicações práticas e casuais. Zaíra Leita Ramos. d) A definição de objetivos. um movimento de práxis educacional. assinale a alternativa incorreta: a) É baseada numa concepção educacional transformadora e progressista. Affonso Romano de Sant’Anna (com adaptações). b) A ação do professor. (E) preparar melhor as técnicas educativas para que os orientandos assimilem com maior facilidade o conhecimento ensinado. saber-pensar e criar.

B 51. (D) o aluno apresenta-se receptivo às definições de regras e atividades orientadas pelo sistema educacional. Estes são apresentados segundo a curiosidade. GABARITO 010203040506070809101112B C B A E D D A E C B A 131415161718192021222324D E C A E C C E B C A B 252627282930313233343536B B A C A C C B C C D D 373839404142434445464748C D B D E E C A C B E E 49.B 50. (C) o professor é o agente de transmissão do conhecimento e o responsável pela definição da seqüência dos conteúdos do currículo.B 59 . vontade e desejo do aprendiz.(B) não há uma seqüência única e geral na apresentação dos conteúdos.

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