CURSO LIDERANÇA

“A melhor equipe para concursos públicos”

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS EDUCAÇÃO, TRABALHO E CIDADANIA: A EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O DESAFIO DA FORMAÇÃO NO ATUAL CENÁRIO HISTÓRICO (Antônio J. Severino). A humanidade vive, hoje, um momento de sua história marcado por grandes transformações, decorrentes, sobretudo do avanço tecnológico, nas diversas esferas de sua existência: na produção econômica dos bens naturais; nas relações políticas da vida social; e na construção cultural. Esta nova condição exige um redimensionamento de todas as práticas mediadoras de sua realidade histórica, quais sejam, o trabalho, a sociabilidade e a cultura simbólica. Espera-se, pois, da educação, como mediação dessas práticas, que se torne, para enfrentar o grande desafio do 3º milênio, investimento sistemático nas forças construtivas dessas práticas, de modo a contribuir mais eficazmente na construção da cidadania, tornando-se fundamentalmente educação do homem social. A educação, como processo pedagógico sistematizado de intervenção na dinâmica da vida social, é considerada hoje objeto priorizado de estudos científicos com vistas à definição de políticas estratégicas para o desenvolvimento integral das sociedades. Ela é entendida como mediação básica da vida social de todas as comunidades humanas. Esta reavaliação, que levou à sua revalorização, não pode, no entanto, fundar-se apenas na sua operacionalidade para a eficácia funcional do sistema socioeconômico, como muitas vezes tendem a vê-la as organizações oficiais, grandes economistas e outros especialistas que focam a questão sob a perspectiva da teoria do capital humano. Sem dúvida, a existência real dos homens é profundamente marcada pelos aspectos econômicos, até porque esta dimensão econômica, devidamente entendida, constitui mesmo uma referência condicionante para as outras dimensões da vida humana, uma vez que ela se liga à própria sobrevivência da vida material. Porém, a significação dos processos sociais e, no seu âmbito, dos processos educacionais não se restringe a essa sua funcionalidade operatória. Se, de um lado, é a realidade dos fatos que permite que a educação tenha alguma incidência social, de outro, essa eficácia só ganha legitimidade humana se se referir a significações que ultrapassem sua mera facticidade e seu desempenho operacional. A Nova Ordem Mundial: a Promessa. De acordo com um senso comum atualizado, vigente nos meios acadêmicos, nos meios de comunicação e até mesmo nos meios populares, estaríamos vivendo hoje um mundo totalmente diferente daquele projetado pela visão iluminista da modernidade, constituindo uma nova ordem mundial. Estaríamos vivendo um momento de plena revolução tecnológica, capaz de lidar com a produção e transmissão de informações em extraordinária velocidade, num processo de globalização não só da cultura, mas também da economia e da política. Tratarse-ia de um momento marcado pelo privilegiamento da iniciativa privada, pela minimalização da ingerência do Estado nos negócios humanos, pela maximalização das

leis do mercado, pela ruptura de todas as fronteiras. Tal situação leva Octavio Ianni (1998:28) a afirmar que “o que está em causa é a busca de maior e crescente produtividade, competitividade e lucratividade, tendo em conta mercados nacionais, regionais e mundiais. Daí a impressão de que o mundo se transforma no território de uma vasta e complexa fábrica global e, ao mesmo tempo, em shopping center global e disneylândia global”. No entanto, este modo de ver e existir atuais, de perfil assumidamente neoliberal, com suas decorrências e expressões no plano cultural, com sua exacerbação do individualismo, do produtivismo, do consumismo, da indústria cultural, da mercadorização até mesmo dos bens simbólicos, não instaura nenhuma pósmodernidade. Com efeito, o que está de fato acontecendo é a plena maturação das premissas e promessas da própria modernidade. Nada mais moderno do que esta expansão e consolidação do capitalismo, envolvido numa aura ideológica de liberalismo extremado; nada mais moderno do que esta tecnicização, viabilizada pela revolução informacional. Finalmente, a modernidade está realizando as promessas embutidas em seu projeto civilizatório. Nada mais moderno do que o individualismo egoísta dos dias de hoje. No fundo, é a mesma racionalidade que continua dirigindo os rumos da história humana, em que pesem as críticas que são feitas à sua forma de expressão até o século 19. Educação E Formação do Homem Social Ao contrário do que sempre alegaram a metafísica tradicional e a ciência moderna, todas as formas de manifestação concreta da existência humana se realizam mediante a ação real, o agir prático. Com efeito, a substância do existir é a prática. Só se é algo mediante um contínuo processo de agir, só se é algo mediante a ação. Assim, diferentemente do que pensavam os metafísicos clássicos, não é o agir que decorre do ser, mas é o modo de ser que decorre do agir. É a ação que delineia, circunscreve e determina a essência dos homens. É na e pela prática que as coisas humanas efetivamente acontecem, que a história se faz. Este é o sentido da historicidade da existência humana, ou seja, os homens não são a mera expressão de uma essência metafísica predeterminada, nem a mera resultante de um processo de transformações naturais que estariam em evolução. Ao contrário, naquilo em que são especificamente humanos, eles são seres em permanente processo de construção. Nunca estão prontos e acabados, nem no plano individual, nem no plano coletivo, como espécie. Por sobre um lastro de uma natureza físico-biológica prévia, mas que é préhumana, compartilhada com todos os demais seres vivos, eles vão se transformando e se reconstruindo como seres especificamente humanos, como seres “culturais”. E isso não apenas na linha de um necessário aprimoramento, de um aperfeiçoamento contínuo ou de progresso: ao contrário, estas mudanças transformativas, decorrentes de sua prática, podem ser regressivas, nem sempre sinalizando para uma eventual direção de aprimoramento de nosso modo de ser. O que é importante observar é que os seres humanos vão sendo aquilo que se vão fazendo e este fazer-se, este constituir se só se dá mediante a ação e não pelos seus desejos, pelos seus pensamentos e teorias. Assim, a educação não poderá mais ser vista como processo mecânico de desenvolvimento de

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potencialidades. Ela será necessariamente um processo de construção, ou seja, uma prática mediante a qual os homens estão se construindo ao longo do tempo. Educação como Mediadora da Existência Histórica Pode-se então equacionar a existência humana como se dando mediada pelo tríplice universo do trabalho, da sociedade e da cultura. Como os três ângulos de um triângulo, esses três universos se complementam e se implicam mutuamente, um dependendo do outro, a partir de sua própria especificidade. É nesse contexto que se pode entender as relações do conhecimento com o universo social. Com efeito, o conhecimento pressupõe um solo de relações sociais, não apenas como referência circunstancial, mas como matriz, como placenta que nutre todo seu processamento. Entretanto, essa trama de relações sociais em que se tece a existência real dos homens, como se viu antes, não se caracteriza apenas pelas relações de gregaridade dos indivíduos, tal qual ocorre nas “sociedades” animais, mas sobretudo por relações de hierarquização, envolvendo o elemento específico a interferir no social humano, o poder, que torna política a sociedade. O saber aparece, portanto, como instrumento para o fazer técnico-produtivo, como mediação do poder e como ferramenta da própria criação dos símbolos, voltando-se sobre si mesmo, ou seja, é sempre um processo de intencionalização. Assim, é graças a essa intencionalização que nossa atividade técnica deixa de ser mecânica e passa a se dar em função de uma projetividade, o trabalho ganhando um sentido. Do mesmo modo, a atividade propriamente política se ideologiza e a atividade cultural transfigura a utilidade pragmática imediata de todas as coisas. Como entender então a educação nesse contexto das mediações histórico-sociais que efetivamente manifestam e concretizam a existência humana na realidade? Ela deve ser entendida como prática simultaneamente técnica e política, atravessada por uma intencionalidade teórica, fecundada pela significação simbólica, mediando a integração dos sujeitos educandos nesse tríplice universo das mediações existenciais: no universo do trabalho, da produção material, das relações econômicas; no universo das mediações institucionais da vida social, lugar das relações políticas, esfera do poder; no universo da cultura simbólica, lugar da experiência da identidade subjetiva, esfera das relações intencionais. A educação só se legitima intencionalizando a prática histórica dos homens. Com efeito, se se espera, acertadamente, que a educação seja de fato um processo de humanização, é preciso que ela se torne mediação que viabilize, que invista na construção dessas mediações mais básicas, contribuindo para que elas se efetivem em suas condições objetivas reais. Ora, esse processo não é automático, não é decorrência mecânica da vida da espécie. É verdade que, ao superar a transitividade do instinto e com ela a univocidade das respostas às situações, a espécie humana ganha em flexibilidade, mas, ao mesmo tempo, torna-se vítima fácil das forças alienantes, uma vez que todas as mediações são ambivalentes: constituem, simultaneamente, o lugar da personalização, e o lugar da desumanização, da despersonalização. Assim, a vida individual, a vida em sociedade, o trabalho, as formas culturais e as vivências subjetivas podem estar levando não a uma forma mais adequada de existência, da perspectiva humana, mas antes a

formas de despersonalização individual e coletiva, ao império da alienação. Sempre é bom não perder de vista que o trabalho pode degradar o homem, a vida social pode oprimi-lo e a cultura pode aliená-lo, ideologizando-o. Daí se esperar da educação que ela se constitua, em sua efetividade prática, um decidido investimento na consolidação das forças construtivas dessas mediações. É por isso que, ao lado do investimento na transmissão aos educandos, dos conhecimentos científicos e técnicos, impõe-se garantir que a educação seja mediação da percepção das relações situacionais, que ela lhes possibilite a apreensão das intrincadas redes políticas da realidade social, pois só a partir daí poderão se dar conta também do significado de suas atividades técnicas e culturais. Por outro lado, cabe ainda à educação, no plano da intencionalidade da consciência, desvendar os mascaramentos ideológicos de sua própria atividade, evitando assim que se instaure como mera força de reprodução social e se torne força de transformação da sociedade, contribuindo para extirpar do tecido desta todos os focos da alienação. FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA: RELAÇÃO ESCOLA E SOCIEDADE A escola, ao caracterizar-se como estabelecimento de educação ou de ensino, em de ser vista como organização e instituição. Seu fazer educativo não se confunde com o que acontece na família, no trabalho, na mídia, no lazer e nas demais formas de convívio social. A escola também não se confunde com a comunidade, a autarquia local, associações ou sindicatos. A escola é, antes de mais nada, uma organização, isto é, uma unidade social criada e estruturada explicitamente para realizar determinados fins (por exemplo: educação, ensino, formação. O que a distingue da família é a existência de um aparelho de autoridade (por exemplo, órgãos de administração e gestão) e de um corpo de regras, normas e procedimentos (por exemplo, regimento, regulamento interno, projeto educativo),formalmente instituídos para atingir um certo número de objetivos, alguns dos quais podem (e devem) ser igualmente prosseguidos pela família e outras instâncias de socialização (MUSGRAVE, 1979; HAECHT, 1992; PINTO, 1977). Mas a escola, tal como a empresa, não pode ser vista apenas sob o aspecto formal (o organograma, o estatuto, a missão oficial, o regulamento, as competências dos órgãos de administração e gestão). À semelhança do iceberg a escola tem uma parte imediatamente não visível (ou manifesta), porque submersa (ou latente): 1) são as relações informais que os membros (pessoal docente e não docente, alunos, pais e encarregados de educação, outros representantes da comunidade) estabelecem entre si; 2) essas relações, sobretudo, relações de poder (saber/não saber, ensino/aprendizagem, conformidade/desvio). Enquanto organização, a escola tem sido pouco estudada. Todavia, ela pode ser vista segundo diferentes modelos sociológicos; por exemplo, Burgess (1980) centrou a sua atenção em três abordagens. Convém, no entanto, começar por recorda que ela é, antes de mais, uma instituição e que patê de um sistema de ação a que chamamos a educação (ou sistema educativo). A Escola como Instituição

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A escola não existe num vácuo (social, cultural, administrativo ou político), ela articula-se com diferentes sistemas de ação que a modelam e legitimam (a começar pelo /estado, o poder legislativo, executivo e judicial, passando pelo mercado de trabalho, as empresas, a proteção social, a saúde, a ciência, e a tecnologia, as associações profissionais, as associações de pais e encarregados de educação, as autarquias); em suma, a escola articula-se com o sistema social mais vaso de que faz parte (Estado e sociedade civil, incluindo a família). Tanto a saúde como a educação são, por excelência, instituições, ou seja, conjuntos de idéias, crenças, valores e normas de comportamento propostos (e muitas vezes impostos) ao indivíduo numa dada sociedade. Para compreender as normas, as regras, os valores e as finalidades da escola e as transformações históricas por que tem passado, teremos que levar em conta o papel dos seus atores externos: todo os que são (ou foram) detentores de interesses específicos no campo da educação e do ensino. A escola, tal como a conhecemos hoje (universal, gratuita, laica, de freqüência obrigatória etc.), não pode ser desligada do contexto da luta de classes que deu origem ao estado moderno (a reforma, a ascensão econômica, política e cultural da burguesia, o Século das Luzes, a Revolução Industrial). • Com a Revolução Francesa, o Estado burguês vai nacionalizar o ensino, substituindose, desse modo, a Igreja. • Na esteira de Pombal e dos primeiros reformadores liberais, a república portuguesa vai inspirar-se nas leis escolares de Jules Ferry, e transformar a escola na Nova Igreja Cívica do Povo”. • Apoderando-se do antigo carisma dos homens da Igreja, o professor é posto no altar, promovido a “sacerdote do ensino”, a “apóstolo (laico) da religião social”, de acordo com a ideologia positivista que transparece dos diplomas legais que estão na origem da reforma do ensino primário (1911) e do técnico (1917) (FORMOSINHO e MACHADO, 2000, p. 99). A escola como organização como tantas outras (as empresas, os partidos políticos, as associações sindicais, os tribunais, as igrejas, os hospitais etc.). E, como tal, tem sido objeto de análise sociológica (e sobretudo psicosociológica), na medida em que é constituída por diferentes indivíduos e grupos, reunidos em função de um determinado objetivo e estabelecendo entre si determinados tipos de relações, de trabalho e de poder. Ao foca essencialmente o modo como os alunos poderão aprender mais matemática, ciências, história etc. (o que, certamente, não é um problema insignificante), negligenciou-se o amplo contexto em que as escolas existem, um contexto que pode mesmo dificultar o progresso dos alunos. Por um lado, não tem sido dada a devida atenção ás complexidades da interação diária na escola, ao processo educativo e à dinâmica interna da instituição. Por outro, as tendências internas da escola são desligadas do contexto ideológico, econômico e político em que estão inseridas. Enquanto instituição e organização, da escola é possível, todavia, fazer uma análise comparativa em diferentes contextos históricos, e encontrar traços ou características comuns:

1) A escola como organização tem sido em cada época uma missão ou finalidade própria, manifesta ou latente, explícita ou implícita, qualquer que seja o seu sistema de funcionamento ou o seu estatuto jurídico-legal (laico ou religioso, público ou privado etc.). 2) Além disso, e (cada vez mais) o local de trabalho de grupos socioprofissionais muito particulares, que diretamente afetam o processo educativo (professores, pedagogos, psicólogos), com funções de administração e gestão. 3) Tem um sistema de poder e de autoridade, embora diferente de outras organizações, como as empresas, dada a importância e o peso do seu staff profissional, nomeadamente de há um século para cá. 4) Tem, igualmente, um sistema técnico e organizacional de trabalho, se bem que é diferente da empresa que transforma matériasprimas em produtos acabados, já que o seu objeto de trabalho são seres humanos (crianças, adolescentes, jovens adultos). 5) Tem, por fim, uma cultura muito própria, ligada a ideologias e estratégias profissionais dos professores, não obstante o processo de racionalização da organização do trabalho educativo e de proletarização a que está hoje submetido o pessoal docente (em sua maioria do sexo feminino) (APPLE, 2002). O que distingue a escola de uma empresa é o fato de poder ser classificada categoria das organizações especializadas (ETZIONI, 1967, P. 117-128), ou seja, aquelas que são estabelecidas com o fim específico de criar, aplicar, manter ou comunicar o conhecimento, e empregando, no mínimo, 50% de especialistas ou profissionais. À escola sabe ensinar, isto é, garantir a aprendizagem de certas habilidades e conteúdos que são necessários para a vida em sociedade. Nesse sentido, como ela pode contribuir no processo de inserção social das novas gerações? Oferecendo instrumentos de compreensão da realidade local e, também, favorecendo a participação dos educandos em relações sociais diversificadas e cada vez mais amplas. A vida escolar possibilita exercer diferentes papéis, em grupos variados, facilitando a integração dos jovens no contexto maior. Para cumprir sua função social, a escola precisa considerar as práticas de nossa sociedade, sejam elas de natureza econômica, política, social, cultural, ética ou moral. Tem que considerar também as relações dietas ou indiretas dessas práticas com os problemas específicos da comunidade local a que presta serviços. A consciência política dos professores deve convergir para o trabalho que se faz dentro da escola. Numeroso contingente de alunos provenientes das camadas populares matricula-se na escola e os próprios pais fazem sacrifícios para mantê-los estudando. O ensino é uma tarefa real, concreta, que expressa o compromisso social e político do professor, pois o domínio das habilidades de ler e escreve, dos conhecimentos científicos da História, da /geografia, da Matemática e das ciências, é requisito para a participação dos alunos na vida profissional, na política e sindical, e para enfrentar situações, problemas e desafios da vida prática. Um ensino de baixa qualidade empurra as crianças, cada vez mais, para a marginalização social.

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Há, pois, um trabalho pedagógico-didático a se efetivar dentro da escola, que se expressa no planejamento do ensino, na formulação dos objetivos, na seleção dos conteúdos, no aprimoramento de métodos de ensino, na organização escolar e na avaliação. Ligar a escolarização às lutas pela democratização da sociedade implica, pois, que a escola cumpra a tarefa que lhe é própria: promover o ensino. Democratização do ensino significa, basicamente, possibilitar aos alunos o melhor domínio possível das matérias, dos métodos de estudo, e, por meio disso, o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais, com especial destaque à aprendizagem da leitura e da escrita. A escola é um meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas, na medida em que possibilita às classes populares, ao terem o acesso ao saber sistematizado e às condições de aperfeiçoamento das potencialidades intelectuais, participarem ativamente do processo político, sindical e cultural. Uma pedagogia voltada para os interesses populares, de transformação da sociedade, compreende o trabalho pedagógico e docente como o processo de transmissão/assimilação ativa dos conteúdos escolares, inserido na totalidade mais ampla do processo social. É uma pedagogia que articula os conhecimentos sistematizados com as condições concretas de vida e de trabalho dos alunos, suas necessidades, interesses e lutas. Indubitavelmente, um dos fatores que mais concorrem para a permanência dos quadros nacionais de fracasso escolar é o descompasso entre a escola e a comunidade, cultura e aprendizagem. Tais argumentos sustentam a evidência de que não aprendemos só pelo repertório de habilidades, pelo potencial de inteligência ou pela disponibilidade de estruturas cognitivas, mas, também, pelo que somos, buscamos, concebemos, valorizamos e fazemos. Cultura e aprendizagem são faces inseparáveis na condução do ensino e decisivas na constatação de seus resultados. Assim como se pode dirigir o curso de aprendizagem em uma única trajetória, não se podem controla os significados atribuídos ao saber ou aos usos do conhecimento conquistado. Peando a partir de parâmetros elitistas, etnocêntricos e didaticamente inflexíveis, a prática pedagógica leva ao fracasso, pois não está preparada para lidar com a pluralidade de contextos. Em síntese, muitas escolas não falam a mesma língua de seus alunos. O produto desse diálogo de mudos e surdos são os mecanismos de seleção e exclusão, frente aos quais muitos alunos reagem ativamente, mesmo que sob a forma da inteligência contra si mesmo. AS TEORIAS PEDAGÓGICAS MODERNAS (José Carlos Libâneo). Penso ser acertado dizer que as teorias modernas da educação são aquelas gestadas em plena modernidade, quando a idéia de uma formação geral para todos toma lugar na reflexão pedagógica. Comênio lança em 1657 o lema do “ensinar tudo a todos” e, não por acaso, é considerado o arauto da educação moderna. O movimento iluminista do século XVIII fortalece essa idéia de formação geral, válida para todos os homens, como condição de emancipação e esclarecimento. As teorias pedagógicas modernas estão ligadas, assim, a acontecimentos cruciais como a Reforma Protestante, o Iluminismo, a Revolução Francesa, a formação dos Estados Nacionais, a industrialização. Pedagogos como Pestalozzi, Kant, Herbart, Froebel, Durkheim, Dewey vão consolidando

teorias sobre a prática educativa assentadas na manutenção de uma ordem social mais estável, garantidas pela racionalidade e pelo progresso em todos os campos, especialmente na ciência. São também teorias fincadas nas idéias de natureza humana universal, de autonomia do sujeito, de educabilidade humana, de emancipação humana pela razão de libertação da ignorância e do obscurantismo pelo saber. Especificamente na pedagogia, o discurso iluminista acentua o papel da formação geral, o poder da razão no processo formativo, a capacidade do ser humano de gerir seu próprio destino, de ter autodomínio, de se comprometer com o destino da história em função de ideais. As teorias modernas da educação hoje apresentam-se em várias versões, variando das abordagens tradicionais às mais avançadas, conforme se situem em relação aos seus temas básicos: a natureza do ato educativo, a relação entre sociedade e educação, os objetivos e conteúdos da formação, as formas institucionalizadas de ensino, a relação educativa. A literatura internacional e a nacional dispõem de conhecidas classificações de teorias da educação ora chamadas de tendências ou correntes, ora de paradigmas. Em âmbito internacional são conhecidos os trabalhos de Guy Palmade, Robert Clausse, Jesus Palácios, Georges Snyders, Bogdan Suchodolski, Renée Gilbert, Bernard Charlot, entre outros. Em âmbito nacional há os trabalhos de Dermeval Saviani, José Carlos Libâneo, Maria das Graças Misukami, Moacir Gadotti, entre outros. Sem pretender retomar as abordagens teóricas que resultam nas classificações de teorias pedagógicas, são modernas a pedagogia tradicional, a pedagogia renovada, o tecnicismo educacional, e todas as pedagogias críticas inspiradas na tradição moderna como a pedagogia libertária, a pedagogia libertadora, a pedagogia crítico-social. Um olhar sobre as práticas pedagógicas correntes nas escolas brasileiras mostra que tais tendências continuam ativas e estáveis, mantendo seu núcleo teórico forte, ainda que as pesquisas dos últimos anos venham mostrando outras nuanças, outros focos de compreensão teórica, outras formas de aplicabilidade pedagógica. A meu ver, não há outras boas razões para alterar essa classificação. Isso não significa que não se apontem novas tendências, algumas já experimentadas em nível operacional, outras ainda restritas ao mundo acadêmico. Esquematicamente, essas teorias apresentam como características em comum: + Acentuação do poder da razão, isto é, da atividade racional, científica, tecnológica, enquanto objeto de conhecimento que leva as pessoas a pensarem com autonomia e objetividade contra todas as formas de ignorância e arbitrariedade. + Conhecimentos e modos de ação, deduzidos de uma cultura universal objetiva, precisam ser comunicados às novas gerações e recriados em função da continuidade dessa cultura. + Os seres humanos possuem uma natureza humana básica, postulando-se a partir daí direitos básicos universais. + Os educadores são representantes legítimos dessa cultura e cabe-lhes ajudar os alunos a internalizarem valores universais, tais como racionalidade, autoconsciência, autonomia, liberdade, seja pela intervenção pedagógica direta seja pelo esclarecimento de valores em âmbito pessoal.

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A partir desse conjunto de ideais, as pedagogias modernas, nos seus vários matizes, adquirem suas peculiaridades, formulando distintos entendimentos sobre as formas de conhecimento, função da ciência, conceito de liberdade etc., sem, todavia, renunciar à idéia de criação de uma sociedade racional. Uma herança comum dessas teorias, vista pelos críticos como negativa, é que em nome da razão e da ciência se abafam o sentimento, a imaginação, a subjetividade e, até, a liberdade, à medida que a razão institui-se como instrumento de dominação sobre os seres humanos. Nesse sentido, a questão problemática na racionalidade instrumental é a separação entre razão e sujeito, entre o mundo científico e tecnológico e o mundo da subjetividade. Outra questão problemática refere-se as conseqüências da grande acumulação de conhecimentos científicos e técnicos produzidos pela modernidade. Entre elas, a mais típica foi a constituição de campos disciplinares isolados, fragmentados, ignorando o conjunto de que faz par te e a per da de significação. Com isso, a própria sociedade reproduz essa fragmentação, disso ciando a cultura, a economia, a política, o sistema de valores, a personalidade. Quadro das Tendências Pedagógicas. Pedagogia Liberal Pedagogia Progressista 1. Tradicional 1. Libertadora 2. Renovada progressista 2. Libertária 3. Renovada Não- 3. Crítico social dos Diretiva Conteúdos 4. Tecnicista Reforça e justifica a Fundamenta-se na sociedade de classes, na análise crítica da medida em que realidade social. compreende a escola Compreensão da como preparadora de educação como processo indivíduos para o sócio-político. desempenho de papéis sociais, de acordo com suas aptidões. Fonte: LIBÂNEO – Didática. São Paulo: Cortez, 1994. Cada tendência é marcada por características que as distinguem das demais. 1. Pedagogia Liberal: primeiramente, precisamos pensar o que significa a palavra liberal neste contexto. Segundo Libâneo (1992, p. 21), o termo liberal não tem o sentido de ‘avançada’, ‘democrático’, ‘aberto’, como costuma ser usado. A doutrina liberal apareceu como justificação do sistema capitalista que, ao defender a predominância da liberdade e dos interesses individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção, também denominada sociedade de classes. Portanto, nos últimos 60 anos os professores têm adotado esta pedagogia, ora adotando um caráter mais conservador, ora mais um renovado, m as sempre tendo como objetivo preparar os alunos para desempenharem papéis sociais de acordo com as suas aptidões individuais. Para isso, segundo Libâneo (1992), os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes. 1.1. Pedagogia Liberal tradicional: A pedagogia tradicional teve sua vigência do período que vai dos jesuítas até os anos que precedem o lançamento do Movimento dos Pioneiros da Educação Nova (LIBÂNEO,

2000, p. 87). Mas sabemos que esta tendência continua prevalecendo na prática educativa atual. É caracterizada por ser centrada na figura do professor, que geralmente, utiliza-se da oralidade para transmitir seus conhecimentos aos alunos, que devem prestar a máxima atenção às palavras deste para aprender. Nesta tendência, acredita-se que o aluno aprende por ouvir o professor, visualizar objetos, mapas, gravuras e por realizar exercícios repetitivos: lembram-se quando o professor pedia para fazermos cinco vezes cada cópia? Ou cem vezes a tabuada? Pois é, assim pensavam que aprenderíamos mais rapidamente. Com isto, objetiva-se formar um aluno ideal, desvinculado da sua realidade concreta. O objetivo inicial desta pedagogia, que era o de formação indivíduo, fica hoje descaracterizado, com um ensino meramente decorado, sem sentido, reduzido à simples memorização de conteúdos desconexos da realidade do aluno. 1.2. Pedagogia Liberal Renovada Progressista: Esta pedagogia está baseada na teoria de John Dewey, autor que acreditava na idéia da relação entre teoria e a prática e na crença de que o conhecimento é construído quando compartilhamos experiências, num ambiente democrático. Portanto, o objetivo desta pedagogia é formar o indivíduo para atuar no meio, por isso deve-se “adequar as necessidades individuais ao meio social” (LIBÂNEO, 1992, p. 85), e por isso também, a escola deve fornecer ao aluno a oportunidade de experienciar, para que satisfaça os interesses deste às exigências sociais. 1.3. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva: A escola nesta tendência tem o papel de formar atitudes. Para tanto, o professor deve ser facilitador como diz Carl Rogers, principal teórico que aborda esta tendência. Para este autor, o professor deve aceitar a pessoa do aluno, fazendo com este se autodesenvolva, a partir da busca daquilo que é de seu interesse, adequando sua pessoa àquilo que o ambiente solicita. Como diz Libâneo (1992), “o resultado de uma boa educação (na tendência não-diretiva) é muito semelhante ao de uma boa terapia” (p. 27). 1.4. Tendência Liberal Tecnicista: Como o próprio nome sugere, esta tendência está baseada na técnica. A preocupação é com a formação de indivíduos para atuarem no mercado de trabalho, mantendo a ordem vigente: o capitalismo. Está embasada, teoricamente, pela análise comportamental, que tem como teórico principal B. F. Skinner, o que garante a objetividade da prática escolar. O objetivo é transmitir ao aluno “eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas” (LIBÂNEO, 1992, p. 29). Há alguns exemplos de escolas que utilizam-se desta tendência, escolas que oferecem cursos apostilados de digitação, programação, cursos de aprendizagem em instituições como SENAI e SENAC. 2. Pedagogia Progressista: “O termo ‘progressista’ (...) é usado aqui para designar s tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação” (LIBÂNEO, 1992, p. 32). Por isso, essas são tendências que analisam, criticam e discutem os aspectos sociopolíticos e econômicos da sociedade, realidade em que vivemos. Fato que leva estas tendências a serem utilizadas mais na educação informal do que na formal. 2.1. Tendência Progressista Libertadora: Esta tendência é mais conhecida como Pedagogia Paulo Freire e está mais presente em situações não formais

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Na dimensão pedagógica reside a possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola. pois a complexidade dos indivíduos e da sociedade não permite a existência de uma única forma de se perceber a realidade e nela intervir. e sim um conteúdo contextualizado. intento. Finalizaremos discutindo os elementos básicos. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. 2. procurando preservar a visão de totalidade. corporativas e autoritárias. Portanto. 93). p. todo projeto pedagógico da escola é. p. comum compromisso definido coletivamente. na primeira parte. na segunda parte. PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA (Ilma Passos Alencastro Veiga).1. buscando o possível. Lançamo-nos para diante. Plano. para que haja o entendimento e apreensão da realidade para. posteriormente. Para isso. mas é constitutiva" (Marques 1990. é fundamental que ela assuma suas responsabilidades.2. mas que lhe dêem as condições necessárias para levá-Ia adiante. de realizar. também. necessários à construção do projeto político-pedagógico. Conceituando o Projeto Político-Pedagógico No sentido etimológico. poder se interferir no processo de transformação desta mesma realidade. lugar de debate. 2. O projeto político-pedagógico tem sido objeto de estudos para professores. "A dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica" (Saviani 1983. mas voltado à autogestão. Redação provisória de lei. estadual e municipal. trataremos de trazer nossas reflexões para a análise dos princípios norteadores. Tem um caráter político também. apesar de. mas não qualquer conteúdo. Pode parecer complicado. para atuarem na realidade social em que vivem. na busca de alternativas viáveis á efetivação de sua intencionalidade. o termo projeto vem do latim projectu. Empresa. empreendimento. com base no que temos. é importante que se fortaleçam as relações entre escola e sistema de ensino. O projeto político-pedagógico. Para tanto. fundado na 6 . Ele é construído e vivenciado em todos os momentos. preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. da organização do trabalho pedagógico. começaremos. Por outro lado. Neste sentido é que se deve considerar o projeto político-pedagógico como um processo permanente de reflexão e discussão dos problemas da escola. Plano geral de edificação (Ferreira 1975. uma direção. porque a escola é parte integrante da sociedade. ou seja. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. planejamos o que temos intenção de fazer. Geralmente. É antever um futuro diferente do presente. que "não é descritiva ou constatativa. A escola é o lugar de concepção. incluindo sua relação com o contexto social imediato. Nesta caminhada será importante ressaltar que o projeto político-pedagógico busca a organização do trabalho pedagógico da escola na sua globalidade. Isto significa resgatar a escola como espaço público. portanto. com um sentido explícito. È uma educação crítica porque tenta entender as relações do homem com a natureza e dos homens entre si. 39). mas trata-se de uma relação recíproca entre a dimensão política e a dimensão pedagógica da escola. O projeto busca um rumo. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. Ao construirmos os projetos de nossas escolas. um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária. no sentido de definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade. em busca da melhoria da qualidade do ensino. o projeto político-pedagógico tem a ver com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis: como organização da escola como um todo e como organização da sala de aula. o projeto político-pedagógico vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diversas. compromissado.de ensino. sem esperar que as esferas administrativas superiores tomem essa iniciativa. p.3. A principal possibilidade de construção do projeto político-pedagógico passa pela relativa autonomia da escola. ao se constituir em processo democrático de decisões. propicia a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. Desse modo. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. O presente estudo tem a intenção de refletir acerca da construção do projeto político-pedagógico. O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. buscando eliminar as relações competitivas. uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. realização e avaliação de seu projeto educativo. Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos: O objetivo primordial desta tendência é a difusão de conteúdos. um conteúdo que não pode se dissociar da realidade social. crítico e criativo. entendido como a própria organização do trabalho pedagógico da escola como um todo. esta pedagogia tem um caráter político intenso. esta tendência está presente em associações. p. “agir dentro dela é também agir no rumo da transformação” (LIBÂNEO. que é a formação do cidadão participativo. responsável. Tendência Progressista Libertária: Esta pedagogia tem como objetivo transformar a personalidade do aluno para atuar no sistema. 33). é importante que se tenha clareza de que não existe uma prática pura na qual se passa constatar uma única tendência. do diálogo. Pedagógico. que significa lançar para diante. Nessa perspectiva. Em seguida. É uma ação intencional. por meio do professor e da sua própria participação. Político e pedagógico têm assim uma significação indissociável. como diz Libâneo (1992): “professores e educadores engajados no ensino escolar vêm adotando pressupostos dessa pedagogia” (p. esta escola irá formar adultos que se apropriarem de conteúdos contextualizados. por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. particípio passado do verbo projicere. Nessa perspectiva. conceituando projeto político-pedagógico. grupos informais e escolas autogestionárias. Por isso. desígnio. 1992.144). pesquisadores e instituições educacionais em nível nacional. 23). Embora demarcados a partir de suas características.

Essa constatação nos leva a refletir sobre as dimensões da interrelação escola-família no âmbito da comunidade e se intenta verificar a possibilidade de operacionalizar uma orientação que possa refletir a viabilização de uma interrelação mais efetiva. A escola é concebida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias. Nessa perspectiva. Todavia estamos convencidos que todas as instituições e especialmente a escola deve não só apoiar e respeitar os esforços dos pais e responsáveis pelos cuidados. Uma teoria que subsidie o projeto político-pedagógico e. g) Avaliação. pois. É preciso entender o projeto político-pedagógico da escola como uma reflexão de seu cotidiano. 227 e 228. qualidade. que parta da prática social e esteja compromissada em solucionar os problemas da educação e do ensino de nossa escola. A construção do projeto político-pedagógico requer continuidade das ações. O projeto político-pedagógico é entendido. administrativa e financeira. A construção do projeto político-pedagógico. o tempo escolar. A relevância conferida à família tanto pela constituição no seu Cap. A IMPORTÂNCIA DA INTEGRAÇÃO ESCOLAFAMÍLIA NO PROCESSO PEDAGÓGICO (Luiza Helena P. Cazelli). b) Estrutura Organizacional. b) Qualidade que não pode ser privilégio de minorias econômicas e sociais. é uma forma de contrapor-se à fragmentação do trabalho pedagógico e sua rotinização. Geralmente a iniciação das pessoas na cultura. liberdade. gestão democrática e valorização do magistério. para se desvencilhar da divisão do trabalho. VII – Da família. para gestar uma nova organização do trabalho pedagógico. alunos e funcionários. à dependência e aos efeitos negativos do poder autoritário e centralizador dos órgãos da administração central. Construindo o Projeto Político-Pedagógico. de sua fragmentação e do controle hierárquico precisa criar condições para gerar uma outra forma de organização do trabalho pedagógico. Princípios Norteadores do Projeto PolíticoPedagógico. há que se pensar que o movimento de luta e resistência dos educadores é indispensável para ampliar as possibilidades e apressar as mudanças que se fazem necessárias dentro e fora dos muros da escola. A questão é. nos valores e nas normas da sociedade começam na família. A construção do projeto políticopedagógico parte dos princípios de igualdade. d) Tempo escolar. Para que o desenvolvimento da personalidade das crianças seja harmonioso é necessário que seu ambiente familiar traduza uma atmosfera de crescente progressão educativa. necessitamos de um referencial que fundamente a construção do projeto político-pedagógico. como pelo Estatuto da Criança e do Adolescente em seu Cap. O fulcro para a realização dessa tarefa será o empenho coletivo na construção de um projeto político-pedagógico e isso implica fazer rupturas com o existente para avançar. Para tanto ela precisa de um tempo razoável de reflexão e ação. neste estudo. ressaltado anteriormente. E para enfrentarmos essa ousadia.reflexão coletiva. democratização do processo de tomada de decisões e instalação de um processo coletivo de avaliação de cunho emancipatório Finalmente. Acreditamos que a análise dos elementos constitutivos da organização trará contribuições relevantes para a construção do projeto políticopedagógico. também. no sentido de se gestar uma nova organização que reduza os efeitos de sua divisão do trabalho. a) Finalidades da Escola. f) As Relações de Trabalho. para se ter um mínimo necessário à consolidação de sua proposta. da criança. Portanto. o domínio das bases teórico-metodológicas indispensáveis à concretização das concepções assumidas coletivamente. que apontam para a luta e/ou acomodação de todos os envolvidos na organização do trabalho pedagógico. III – Do direito à convivência familiar e comunitária nos estimulam a empreender uma incursão de caráter teórico-conceitual sobre as leis existentes que referendam a questão familiar e sua relação com as práticas de políticas sociais desde o ponto de vista educacional. as relações de trabalho. por sua vez. A escola. o currículo. Elementos Básicos para a Construção do P. Pelo menos sete elementos básicos podem ser apontados: as finalidades da escola. a) Igualdade de condições para acesso e permanência na escola. c) Currículo. Nesse sentido. a construção do projeto políticopedagógico é um instrumento de luta. saber a qual referencial temos que recorrer para a compreensão de nossa prática pedagógica. do adolescente e do ancião em seus artigos 226. de sua fragmentação e do controle hierárquico. pais. O que pretendemos enfatizar é que devemos analisar e compreender a organização do trabalho pedagógico. contribuindo para a qualidade do ensino ministrado na escola e seu sucesso na tarefa de formar o cidadão. d) Liberdade é outro princípio constitucional. e) Processo de Decisão. Ao examinar-se a realidade. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. temos que nos alicerçar nos pressupostos de uma teoria pedagógica crítica viável.P. a prática pedagógica que ali se processa deve estar ligada aos interesses da maioria da população. A reorganização da escola deverá ser buscada de dentro para fora.P. como a própria organização do trabalho pedagógico da escola. a estrutura organizacional. O princípio da liberdade está sempre associado à idéia de autonomia. é preciso entender que o projeto político-pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico. e) Valorização do magistério. atenção e educação das crianças. notamos que as práticas postuladas nos documentos se constituem em vias de acesso que as escolas possuem para implementar processos de integração e participação familiar que podem e devem ser organizados e executados pela escola. e que devem também colocar-se em posição efetiva de gerar iniciativas dirigidas à elevação e 7 . o processo de decisão. descentralização. a avaliação. Faz-se necessário. c) Gestão democrática é um princípio consagrado pela Constituição vigente e abrange as dimensões pedagógica. passa pela reflexão anteriormente feita sobre os princípios. Buscar uma nova organização para a escola constitui uma ousadia para os educadores.

1897). é uma necessidade essencial: isso significa considerar características. contribui para que tenhamos uma maior clareza do que podemos fazer no enfrentamento das questões sócio-educativas no conjunto do movimento social. sua finalidade. como reflete os parâmetros curriculares ““. e mais precisamente no acompanhamento das novas gerações. certamente. quanto da família. sociais e éticos de uma relação significativa com os outros. mas devem estar vinculadas e aberta aos recursos educacionais que dispõem e determinar por sua historicidade a dimensão cognitiva e educativa que pretendem aplicar no processo de desenvolvimento humano. Nesse sentido é importante que o projeto inicial se faça levando em conta os grandes e sérios problemas sociais tanto da escola como da família. a própria escola deve articular seus recursos institucionais. Conectar a interrelação escola-família de forma mais estreita significa construir e desenvolver comunidades nas quais poderemos satisfazer nossas necessidades básicas ao aspirar uma melhor qualidade de vida para as gerações futuras. os estudos e as propostas de ação possam servir de embasamento para que o desenvolvimento social se concretize por meio de práticas pedagógicas educativas efetiva. 141). a escola por sua maior aproximação às famílias constitui-se em instituição social importante na busca de mecanismos que favoreça um trabalho avançado em favor de uma atuação que mobilize os integrantes tanto da escola. PEDAGOGIA DE PROJETOS Atualmente. dos pais e da comunidade. As ações relacionais só podem ser mantidas por meio desse processo. Segundo Valente (1999). uma das temáticas que vêm sendo discutida no cenário educacional é o trabalho por projetos. Já nessa época. A integração desses fatores nessa proposta nos fornece uma nova configuração da relação escola-família e ressalta a importância da função reitora da escola no sentido de considerar as necessidades familiares no que diz respeito aos aspectos psicológicos. Essa visão. a discussão estava embasada numa concepção de que a “educação é um processo de vida e não uma preparação para a vida futura e que a escola deve representar a vida presente tão real e vital para o aluno como a que ele vive em casa.. A incorporação desse princípio relacional se torna significativo na medida em que vai se consolidando a integração da escola com a família. seu foco. os professores são considerados como as pessoas mais preparadas e capazes de elevar o nível de desenvolvimento não só dos alunos mas de sua família também. Para isso precisamos não só aprender sobre os princípios de convivências comunitária como também exercitar esses princípios por meio de relações mais frutíferas e compromissadas com o desenvolvimento educacional e social. Nas suas relações cada um influencia o outro e desde essa perspectiva educativa. em direção a uma maior capacidade de dar respostas aos desafios que impõe nossa sociedade. Nesse sentido. Substancialmente o que a escola deve fazer é melhorar a posição da família na agenda escolar já implementada pela legislação existente. Mas que projeto? O projeto políticopedagógico da escola? O projeto de sala de aula? O projeto do professor? O projeto dos alunos? O projeto de informática? O projeto da TV Escola? O projeto da biblioteca? Essa diversidade de projetos que circula freqüentemente no âmbito do sistema de ensino. muitas vezes. Existem. o construcionismo “significa a construção de conhecimento baseada na realização concreta de uma ação que produz um produto palpável (um artigo. A dependência mútua de todas as pessoas.. repensar sobre o papel e sobre a função da educação escolar. um objeto) de interesse pessoal de quem produz” (p. necessidades e motivações dos alunos. a questão é como conceber e tratar a articulação entre as instâncias do projeto. Mais do que criar um novo espaço para tratar das questões da família ou da escola. 8 . pela eficácia das ações e pela luta por uma cidadania digna. Nessa perspectiva. integrando os diversos espaços educacionais que existem na sociedade. de crescimento da própria competência educativa ou de uma participação na definição do significado experiencial da sua vida pessoal. A escola tem necessidade de encontrar formas variadas de mobilizações e de organização dos alunos. as mudanças estruturais e conjunturais dos componentes educacionais em questão necessitam incorporar nas suas relações as formulações desses princípios e utiliza-los como guias para manter pais e professores no caminho do desenvolvimento estável e progressivo. A discussão sobre a pedagogia de projetos surge no início do século XX com John Dewey e outros representantes da chamada PEDAGOGIA ATIVA. em cada uma dessas instâncias do projeto. deixa o professor preocupado para saber como situar a sua prática pedagógica em termos de propiciar aos alunos uma nova forma de aprender integrando as diferentes mídias nas atividades do espaço escolar. As ações de caráter pedagógico que as escolas podem dirigir para favorecer as famílias devem fazer parte de seu projeto e para que isso possa acontecer é fundamental que as ações em favor da família sejam desenvolvidas e presididas pelos princípios da convergência e da complementaridade. integrando as diversas mídias e conteúdos curriculares numa perspectiva de aprendizagem CONSTRUCIONISTA. A cooperação é o segundo princípio no estabelecimento das relações sociais. Tanto as comunidades escolares como as comunidades familiares não podem permanecer distanciadas em seu processo de desenvolvimento e funcionamento organizacional. O primeiro desses princípios é a noção de interdependência. Essa é a natureza de todo e qualquer relacionamento social. seus valores. Compreender a interdependência social significa compreender relacionamentos e valorizar a importância que eles têm na formação e no desenvolvimento das pessoas. social e educacional.aprimoramento social e educacional de seus educandos e respectivas famílias. de maneira a assegurar que as reflexões. os debates. ânsias. um projeto. O terceiro princípio é a interação dos agentes escolares e familiares. para que de fato seja reconstruída na escola uma nova forma de ensinar. Precisamos revitalizar nossas comunidades colaborando para colocar claramente os princípios da interrelação numa prática de relações sociais fortalecidas pelo respeito. A troca de recursos educacionais e de impressões educativas se mantém e se sustentam quando permanece fortalecida a ajuda mútua. da comunidade local e da sociedade em que ela se insere. propostas e trabalhos interessantes. no bairro ou no pátio” (DEWEY. Promover a família nas ações dos projetos pedagógicos significa enfatizar ações em seu favor e lutar para que possa dar vida as leis.

tomar decisões. televisão) na escola. confortavelmente. professores. embora constitua um novo desafio para o professor. na postura do professor. A pedagogia de projetos. podem fragilizar qualquer iniciativa de melhoria de qualidade na aprendizagem dos alunos e de mudança da prática do professor. o aluno precisa selecionar informações significativas. os quais. o professor precisa acompanhar o processo de aprendizagem do aluno. é fundamental que o professor tenha clareza da sua intencionalidade pedagógica para saber intervir no processo de aprendizagem do aluno. Mas que realidade? Claro que existem diferenças. esses novos desafios educacionais ainda não se encaixam na estrutura do sistema de ensino. Hernández (1988) enfatiza que o trabalho por projeto “não deve ser visto como uma opção puramente metodológica. leve a efeito os seus planos. A pedagogia de projetos. envolve a interrelação de conceitos e de princípios. que incentivam novas buscas. intuitivamente ou não. ou seja. os métodos para desenvolver projetos. o aluno aprende no processo de produzir. Outro aspecto importante na atuação do professor é o de propiciar o estabelecimento de relações interpessoais entre os alunos e respectivas dinâmicas sociais. horário de aula de 50 minutos e uma grade curricular seqüencial – que dificulta o desenvolvimento de projetos que envolvam ações interdisciplinares. A MEDIAÇÃO do professor é fundamental. Por essa razão. livros). pois não existe um modelo ideal pronto e acabado que dê conta da complexidade que envolve a realidade de sala de aula. que mantém uma organização funcional e operacional – como. e que todas precisam ser tratadas com seriedade para que a comunidade escolar possa constituir-se em um espaço de aprendizagem. pois ao mesmo tempo em que o aluno precisa reconhecer a sua própria autoria no projeto.A Pedagogia de Projetos pode ser definida como um método no qual a classe se ocupa em atividades proveitosas e com propósitos definidos. bem como entre diversas mídias (computador. É necessário que o projeto vise um propósito real e tenha valor prático para o ensino. bem como possíveis implicações envolvidas na perspectiva da pedagogia de projetos. finalmente. as dinâmicas sociais do contexto em que atua e as possibilidades de sua mediação pedagógica. Em virtude de as atividades educativas serem elaboradas por alunos e professores. que apontam novos desafios para a comunidade escolar. seu universo cognitivo e afetivo. entender seu caminho. No entanto. Os projetos devem visar também a resolução de algum problema ou algum empreendimento que esteja em harmonia com os interesses dos alunos e relacionados às suas próprias experiências. pode viabilizar ao aluno um modo de aprender baseado na INTEGRAÇÃO entre conteúdos das várias áreas do conhecimento. O fato de um projeto de gestão escolar estar articulado com o projeto de sala de aula do professor. enfim desenvolver COMPETÊNCIAS INTERPESSOAIS para aprender de forma colaborativa com seus pares. cabendo ao professor realizar as mediações necessárias para que o aluno possa encontrar sentido naquilo que está aprendendo. gerenciar confronto de idéias. sistematizados e formalizados pelo aluno. é o ensino através da experiência. valores e crenças próprios do contexto em que vivem. ele também precisa sentir a presença do professor que ouve. cultural e social dos alunos. favorecendo o desenvolvimento cognitivo. o papel do professor deixa de ser aquele que ensina por meio da transmissão de informações – que tem como centro do processo a atuação do professor –. Essa compreensão é fundamental. E. Por outro lado. história e contexto de vida. para fazer a MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA. garantindo que os conceitos utilizados. que contemplem o uso de diferentes mídias disponíveis na realidade da escola e impliquem aprendizagens que extrapolam o tempo da aula e o espaço físico da sala de aula e da escola. de pesquisar e de criar relações. 9 . um dos principais objetivos da Pedagogia de Projetos é promover a integração e a cooperação entre docentes e discentes em sala de aula. alunos) da comunidade escolar pode facilitar a busca de soluções que permitem viabilizar a realização de novas prática pedagógicas. sem a devida compreensão. vídeo. Em outras palavras. acabam se frustrando. Aprendendo e “Ensinando” com Projetos A pedagogia de projetos deve permitir que o aluno APRENDA-FAZENDO e reconheça a própria AUTORIA naquilo que produz por meio de QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO que lhe impulsionam a CONTEXTUALIZAR CONCEITOS já conhecidos e DESCOBRIR outros que emergem durante o desenvolvimento do projeto. descobertas. portanto. Isto porque a parceria que se estabelece entre os protagonistas (gestores. trabalhar em grupo. Uma realidade em que o professor se depara atualmente é caracterizada pela chegada de novas tecnologias (computador. de levantar dúvidas. afetivo. saberes e protagonistas. por exemplo. Portanto. existem três aspectos fundamentais que o professor precisa considerar para trabalhar com projetos: as possibilidades de desenvolvimento de seus alunos. televisão. materiais da biblioteca e a televisão. Este método coloca o aluno em contato com algum projeto concreto em que esteja interessa do e em que planeje o empreendido. para criar situações de aprendizagem cujo foco incide sobre as relações que se estabelecem neste processo. a partir das relações criadas nessas situações. Nesta situação de aprendizagem. na perspectiva da integração entre diferentes mídias e conteúdos. O trabalho por projetos requer MUDANÇAS NA CONCEPÇÃO de ensino e aprendizagem e. O que fazer diante desse novo cenário? De repente o professor que. os tópicos a seguir abordam e discutem alguns conceitos. colha as informações e. na realização do projeto sejam compreendidos. mas como uma maneira de repensar a função da escola” (p. questiona e orienta. que se viabiliza pela articulação entre mídias. porque aqueles que buscam apenas conhecer os procedimentos. do contexto escolar. torna-se fundamental para o processo de reconstrução de uma nova escola. 49). Além disso. compreensões e reconstruções de conhecimento. conseqüentemente. disponíveis no contexto da escola. Daí a importância do desenvolvimento de PROJETOS ARTICULADOS envolvendo a co-autoria dos vários PROTAGONISTAS do processo educacional. tendo em vista a aprendizagem para a vida. desenvolvia sua ação pedagógica – tal como havia sido preparado durante a sua vida acadêmica e pela sua experiência em sala de aula – se vê diante de uma situação que implica novas aprendizagens e mudanças na prática pedagógica. Na pedagogia de projetos. bem como sua cultura. que por sua vez visa propiciar o desenvolvimento de projetos em torno de uma problemática de interesse de um grupo de alunos. integrando o computador. Internet.

mais ainda. mobilizadas na investigação de problemáticas e situações da realidade. Da mesma forma em relação a outras mídias que estão ao alcance do trabalho pedagógico. mas integrá-las no desenvolvimento das investigações. Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. No final da década de 60. A mediação implica a CRIAÇÃO DE SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM que permitam ao aluno fazer regulações. sua presença no cenário educacional brasileiro tem se intensificado e. a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas. Isto de fato pode ocorrer. assim como a integração de várias mídias e recursos. no entanto. Isso não significa abandonar as disciplinas. recentemente. bem como estabelecer relações significativas entre conhecimentos. principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino. conforme suas potencialidades e características.. no desenvolvimento de projetos. para poder atuar com a informática na educação. Nesse sentido. a exigência em termos de desenvolver novas formas de ensinar e de aprender é muito maior. tornando-as permeáveis na ação de articular diferentes áreas de conhecimento.58). uma vez que os conteúdos envolvidos no projeto precisam ser sistematizados para que os alunos possam formalizar os conhecimentos colocados em ação. um período marcado pelos movimentos estudantis que. Prado (2001) destaca a possibilidade de o aluno recontextualizar aquilo que aprendeu.. de modo que as diferentes mídias possam ser integradas ao projeto. Apesar disso. estudos têm revelado que a interdisciplinaridade ainda é pouco conhecida. que estabelecem articulações horizontais numa relação de reciprocidade entre elas. é importante que o professor conheça o que envolve o uso deste recurso em termos de ser um meio pedagógico. Para integrá-las. O conhecimento específico – disciplinar – oferece ao aluno a possibilidade de reconhecer e compreender as particularidades de um determinado conteúdo. muitas vezes o professor atribui valor para as práticas interdisciplinares e com isso passa a negar qualquer atividade disciplinar. a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas. Isto também acontece no caso de um especialista da educação que não conhece as funcionalidades. pois hoje com a tecnologia basta ter o apoio institucional que prioriza a qualidade do trabalho educacional. caso contrário. Um especialista em informática que não compreende as questões relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem terá muita dificuldade para fazer a integração das duas áreas de conhecimento – informática e educação. Em se tratando dos conteúdos. diz respeito à FORMAÇÃO DO PROFESSOR – aquela que poderá ser desenvolvida na sua própria ação e de forma continuada. ampliar o seu universo de aprendizagem. dentre outras coisas.) que o projeto rompe com as fronteiras disciplinares. Esta questão. pois o trabalho com projetos permite romper com as fronteiras disciplinares. a interdisciplinaridade surgiu na França e na Itália em meados da década de 60. a qual tem como pano de fundo a unicidade do conhecimento em construção” (p. com a nova LDB Nº 9. Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. a integração efetiva poderá ser desenvolvida à medida que sejam compreendidas as especificidades de cada universo envolvido. a interdisciplinaridade chegou ao Brasil e logo exerceu influência na elaboração da Lei de Diretrizes e Bases Nº 5. No entanto. INTERDISCIPLINARIDADE (Jairo Gonçalves Carlos) Segundo Ivani Fazenda. E é com 10 . A interdisciplinaridade teria sido uma resposta a tal reivindicação.692/71. Uma preocupação com isso é que o professor não foi preparado para desenvolver o uso pedagógico das mídias. Conhecer as especificidades e as implicações do uso pedagógico de cada mídia disponível no contexto da escola favorece ao professor criar situações para que o aluno possa integrá-las de forma significativa e adequada ao desenvolvimento do seu projeto. quando o aluno utiliza o computador para digitar um texto. o aluno pode ressignificar os conceitos e as estratégias utilizadas na solução do problema de investigação que originou o projeto e. e o conhecimento integrado – interdisciplinar – lhe dá a possibilidade de estabelecer relações significativas entre conhecimentos. Nesse processo. implicações e possibilidades interativas envolvidas nos diferentes recursos computacionais. reivindicavam um ensino mais sintonizado com as grandes questões de ordem social.394/96 e com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). corre-se o risco da simples justaposição de mídias ou de sua subutilização. Essa visão é equivocada. a pedagogia de projetos é vista pelo seu caráter de potencializar a INTERDISCIPLINARIDADE. uma vez que o desenvolvimento da tecnologia avança vertiginosamente e a sua presença na escola torna-se mais freqüente a cada dia. Claro que não se espera a mesma “expertise” nas duas áreas de conhecimento. Estar atento e buscando a compreensão do uso das mídias no processo de ensino e aprendizagem é fundamental para a sua integração no trabalho por projetos. Por exemplo. pois Fazenda (1994) enfatiza que a interdisciplinaridade se dá sem que haja perda da identidade das disciplinas. Do ponto de vista de aprendizagem no trabalho por projeto. Ambos se realimentam e um não existe sem o outro. principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino. ao mesmo tempo. O trabalho por projeto potencializa a integração de diferentes áreas de conhecimento. na medida em que os grandes problemas da época não poderiam ser resolvidos por uma única disciplina ou área do saber. Esta visão atualmente se apresenta de forma mais ampla. Este mesmo pensamento serve para orientar a INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS. com isso. favorecendo o estabelecimento de elos entre as diferentes áreas de conhecimento numa situação contextualizada da aprendizagem. aprofundando-as verticalmente em sua própria identidade. Desde então.visando propiciar a construção de conhecimento do aluno. E para isto não basta que ele aprenda a operacionalizar os recursos tecnológicos. Almeida (2002) corrobora com estas idéias destacando: “(. Isto nos faz reportar a uma situação já conhecida de muitos professores que atuam com a informática na educação. é preciso compreender as características inerentes às duas áreas e às práticas pedagógicas nas quais essa integração se concretiza. política e econômica da época. os quais permitem ao aluno expressar seu pensamento por meio de diferentes linguagens e formas de representação. mas o desconhecimento de uma das áreas pode desvirtuar uma proposta integradora da informática na educação. De fato. mas um meio que pode interferir no processo de o aluno reorganizar as suas idéias e a maneira de expressá-las.

na medida em que não se explora a relação entre os conhecimentos disciplinares e não há nenhum tipo de cooperação entre as disciplinas. Não significa. Uma ação pedagógica interdisciplinar requer. defendemos que a interdisciplinaridade não deveria ser considerada como uma meta obsessivamente perseguida no meio educacional simplesmente por força da lei. não havendo ainda nenhum tipo de coordenação proveniente de um nível hierarquicamente superior. as condições e o nível do diálogo com um ou com todos os alunos da classe. a análise dos relacionamentos entre professor-aluno envolve interesses e intenções. o que introduz a noção de finalidade. mas nesse caso se trata de uma ação coordenada. deve prevalecer entre aqueles que são os responsáveis para o encaminhamento do processo educacional. tampouco. Para que isto possa ser 11 . ou seja. 1999. diferentemente do nível anterior. é caracterizada pela presença de uma axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas e definida no nível hierárquico imediatamente superior. Interdisciplinaridade Finalmente. O educador para pôr em prática o diálogo. Segundo Japiassú. Na verdade. Muitas das atividades e práticas de ensino nas escolas se enquadram nesse nível. Desta forma. preferimos considerá-la. Neste sentido. Caso contrário. antes. a multidisciplinaridade se caracteriza por uma ação simultânea de uma gama de disciplinas em torno de uma temática comum. pois a existência ou não de cooperação e diálogo entre as disciplinas é determinante para diferenciar esses níveis de interação entre as disciplinas. um dos pioneiros da interdisciplinaridade no Brasil. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos. Níveis de Interação entre as Disciplinas Quando falamos em interdisciplinaridade. Desta maneira. pois não é uma tarefa que cumprem com satisfação. globalizar. é preciso entender que há estágios mais avançados que devem ser buscados na prática pedagógica. Nesse ponto de vista. Em seguida. Alguns estudiosos não chegam a estabelecer nenhuma diferença entre a multidisciplinaridade e a pluridisciplinaridade. A classificação apresentada abaixo é a mais comum e foi proposta originalmente por Eric Jantsch e sofreu algumas adaptações de Hilton Japiassú (1976). sistematização didática para facilitar o aprendizado dos alunos e exposição onde o professor demonstrará seus conteúdos. 2). ela se refere ao elemento (ou eixo) de integração das disciplinas. embora complexas. igual. mencionada por Japiassú. colocar-se na posição de quem não sabe tudo. Mas. em se considerando seus objetivos e metodologias próprias. mas de ação. deve antes. ainda é muito fragmentada. Pluridisciplinaridade Na pluridisciplinaridade. reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida (GADOTTI. o que não as invalida. mas a inter-relação entre as disciplinas. entre os indivíduos. uma articulação voluntária e coordenada das ações disciplinares orientadas por um interesse comum. para depois concretizar-se nas disciplinas. organização. ela seria um empreendimento trabalhoso demais para atingir objetivos que poderiam ser alcançados de forma mais simples. pois a educação é uma das fontes mais importantes do desenvolvimento comportamental e agregação de valores nos membros da espécie humana. interdisciplinaridade faz-se. O PAPEL DA RELAÇÃO PROFESSOR–ALUNO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM (Daniele Salvalagio Abrahim) As relações humanas. perdendo-se de vista a especificidade de cada objeto de conhecimento. Com isso. ela pressupõe uma organização. segundo Japiassú. no entanto. antes de tudo. a integração de conteúdos. Trata-se de uma proposta relativamente recente no campo epistemológico. Transdisciplinaridade A transdisciplinaridade representa um nível de integração disciplinar além da interdisciplinaridade. Não há como esperar que o aluno tome essa iniciativa. pluridisciplinaridade. Portanto. que norteia e orienta as ações interdisciplinares. Essa atuação. sobre a base de uma axiomática geral. discorreremos sucintamente sobre cada um deles buscando esclarecer as distinções entre tais terminologias. interdisciplinaridade e transdisciplinaridade foram criados. essa interação pode acontecer em níveis de complexidade diferentes. dizemos que na interdisciplinaridade há cooperação e diálogo entre as disciplinas do conhecimento. observamos a presença de algum tipo de interação entre os conhecimentos interdisciplinares. E é justamente para distinguir tais níveis que termos como multidisciplinaridade. a interação estabelecida caracteriza-se pela seleção de conteúdos. O diálogo como forma de comunicação em nível comum. E. sendo em alguns casos encarada como obrigação. Todavia. Interrelacionar não é integrar. uma atitude interdisciplinar. p. Dessa forma. o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. Além do mais. pode assumir as mais variadas formas. A interdisciplinaridade não é uma categoria de conhecimentos. E no limite. Cabe ao professor saber o momento certo. não deve colocar-se na posição de detentor do saber. Multidisciplinaridade A multidisciplinaridade representa o primeiro nível de integração entre os conhecimentos disciplinares. estamos de algum modo nos referindo a uma espécie de interação entre as disciplinas ou áreas do saber. a interdisciplinaridade representa o terceiro nível de interação entre as disciplinas. sendo esta interação o expoente das consequências. essa axiomática comum. como tem acontecido em alguns casos.o objetivo de contribuir para o entendimento desse tema que apresentaremos a seguir um breve resumo das principais concepções e controvérsias em torno desse tema. Japiassú a define como sendo uma espécie de coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado. todavia. a interdisciplinaridade só vale a pena se for uma maneira eficaz de se atingir metas educacionais previamente estabelecidas e compartilhadas pelos membros da unidade escolar. são peças fundamentais na realização comportamental e profissional de um indivíduo. embora eles ainda se situem num mesmo nível hierárquico. esperamos contribuir para um uso mais cuidadoso de tais termos no cotidiano escolar. Pelo contrário.

a atenção. etc. as condições e possibilidades de conhecimento seriam 12 .melhor cultivado. surpreendem suas pausas. principalmente. também. apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia. confiança. é impossível um conhecimento que transcenda a experiência. Sob esta perspectiva. das experiências pelas quais ele passa. não deveriam fazer parte das atitudes de um “formador de opiniões. de idéias inatas ou princípios a priori. que é determinante do sujeito. focalizando as questões filosóficas clássicas referentes ao conhecimento: O que é o conhecimento? Como se chega a ele? Como se passa de um tipo a outro qualitativamente superior? Como os conhecimentos se ampliam? Pela concepção empirista. 1). Logo. o olfato. vontades. Indica também que o professor deve buscar educar para as mudanças. Nega-se. O trabalho do professor em sala de aula e seu relacionamento com os alunos são expressos através da relação que ele tem com a sociedade e com cultura. p. Apesar da importância da existência de afetividade. trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. não podemos pensar que a construção do conhecimento é entendida como individual. a memória sensível. destacando-se os trabalhos de Watson e Skinner. MASETTO (1996. O conhecimento é algo que vem do mundo do objeto. Assim. O conhecimento é visto. também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tentar levá-los a autorealização. Os adeptos dessa corrente acreditam que o conhecimento processa-se por força dos sentidos. 96). do clima estabelecido pelo professor. Seus alunos cansam. refletir e discutir o nível de compreensão dos alunos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. dos estímulos do meio em que ele vive. sua maneira de pensar. direta ou indiretamente. nem sempre tem facilidade para entender os padrões de uma sociedade e os modos empregados para a sua formação tanto no que refere aos conhecimentos necessários para a sua promoção na escola. que possui um ambiente social e cultural aberto em casa. constituindo-se a fonte e a explicação última do fenômeno do conhecimento. o conhecimento humano reduz-se ao sentir dos sentidos. Apesar de tal. sentimentos. reflexão e pesquisa autônoma). desta forma. portanto. CONCEPÇÕES DE CONHECIMENTO As diversas teorias do desenvolvimento têm como apoio as diferentes concepções de homem. a uma “tábula rasa”. função do educador e da instituição educacional em conjunto com os membros da família: O bom professor é o que consegue. aptidões. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Trazer o aluno para a realidade social é. supervalorizando. fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor. visto com um ser extremamente plástico – uma tábula rasa. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento. mas também pelo processo de construção da cidadania do aluno. a existência. para que ele não fique de recuperação). no espírito humano. o professor deve despertar a curiosidade dos alunos. situações diferenciadas adotadas com um determinado aluno (como melhorar a nota deste. que afirmava que os nossos conhecimentos resultam de nossa sensações e experiências e que comparava a nossa mente. mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos. o desenvolvimento do ser humano depende. quanto em relação às necessidades de sua maneira de se comportar para conviver no meio em que se encontra. 1996. seus valores. isto é. onde as percepções e experiências iriam inscrevendo as idéias. Um dos precursores dessa corrente filosófica foi John Locke. a uma página em branco. Os seguidores atuais desta concepção empirista podem ser encontrados nos adeptos das teorias behaviorista e neobehaviorista. acompanhando suas ações no desenvolver das atividades. o tato e o paladar. Dessa forma. Esquematicamente. sendo que o mundo deste é que determina o sujeito. (FREIRE. a imaginação sensível. para a liberdade possível numa abordagem global. Os educadores não podem permitir que tais sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu dever de professor. parte do pressuposto de que as qualidades a capacidades básicas do ser humano: sua personalidade. o papel da experiência sensorial (percepção). 1992. O professor não deve preocupar-se somente com o conhecimento através da absorção de informações. para a autonomia. enquanto fala. então. escrita. para citar algumas figuras metafóricas comumente usadas. constituindo-se na totalidade de seu saber. suas incertezas. de sua capacidade de ouvir. podemos representar a relação entre o sujeito e o objeto da seguinte maneira: OBJETO SUJEITO A concepção racionalista. o contato que o homem tem por meio dos sentidos. que inscreveria. do seu ambiente. já se encontrariam basicamente prontas por ocasião do nascimento. empatia e respeito entre professores e alunos para que possa desenvolver todas as nuances do processo de aprendizagem (leitura. etc. fossem eles sentidos internos: a fantasia. da relação empática com seus alunos. p. afirma que “é o modo de agir do professor em sala de aula. nem à capacidades mentais da pessoa: inteligência. suas dúvidas. 115). O conhecimento é produto da atividade e do conhecimento humano marcado social e culturalmente. não dormem. fossem eles externos: a visão. Assim. para que isto ocorra. uma folha em branco ou um balde vazio. a audição. procurando compreender. p. (DANTAS. antes de ter tido qualquer experiência. Os sentidos produziriam o dado a ser conhecido. suas crenças. é necessário a conscientização do professor de que seu papel é de facilitador de aprendizagem. De modo concreto. bem como não se dá importância à maturação biológica. também conhecida como inatismo ou apriorismo. numa relação empática. O ponto alto do empirismo é o teste da experiência: nada aceitar que não tenha passado pelo crivo da experiência. trabalhando o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais. como alguma coisa que vem do mundo físico ou social do objeto. a relação entre professor e aluno depende. que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade”. aberto às novas experiências. os conteúdos da vida mental sobre um indivíduo. também chamada de ambientalista ou objetivista. fundamentalmente. O papel do professor consiste em agir como intermediário entre os conteúdos da aprendizagem e a atividade construtiva para assimilação.. O aluno.

as idéias e os juízos básicos do conhecimento seriam construídos somente pela razão. a memorização mecânica. O professor é visto como detentor e transmissor do conhecimento e o aluno. elogios. mas o de permitir o desenvolvimento das capacidades. ao contrário da concepção empirista. Mas. uma modificação deste comportamento. prestígio) ou de uma punição (castigo. O papel do professor. O modelo epistemológico que representa esquematicamente a relação entre o sujeito e o objeto nesta concepção é o seguinte. Temos. nessa concepção. de aptidão e de prontidão para a aprendizagem. para que ocorra aprendizagem é necessário considerar a natureza dos estímulos. sendo que esta interação provoca mudanças sobre o indivíduo. resultantes do treino ou da experiência. Verifica-se. entre defensores mais recentes dessa corrente. subestimando-se o papel do professor e do conhecimento sistematizado (acervo cultural da humanidade). até mesmo. prêmios. que valoriza as questões da psicogênese do conhecimento. a razão é a fonte do conhecimento fornecendo-nos. completamente independentes. nega-se o autoritarismo do professor (empirismo) e o autoritarismo o do aluno (inatismo). então. um grande destaque dado ao estudo das diferenças individuais. o centro do processo ensino-aprendizagem está na interação entre professor e aluno. Sob este prisma pedagógico. aptidões e possibilidades inatas do aluno. todavia. fato este que pode ser gerador de preconceitos prejudiciais ao trabalho na sala de aula. Desta forma. SUJEITO OBJETO Relações entre as Concepções Epistemológicas e a Prática Pedagógica. interação ativada pela ação do sujeito. que exercem uma ação recíproca. e a desenvolvida por Vigotsky. um mero receptor passivo e subserviente. o psicolinguísta Noam Chomsky. A origem do conhecimento encontra-se na interação entre o mundo do sujeito e o mundo do objeto. exigindo por parte dele a aplicação à prática. Esquematicamente. Desta forma. pode contribuir o professor.). Trata-se. de forma a obter uma compreensão. O aluno é visto como um aprendiz passivo. o aluno já traz em si. em que se atribui ao sujeito um papel essencialmente ativo. pois as características de sua intervenção. sem criatividade e nem originalidade. u influenciando o outro. Assim. e o psicólogo Carl Rogers. etc. por desprezarem o papel do ambiente. desmerecendo o papel e o valor do conhecimento sensível e o da experiência sensorial. então. valorizando a bagagem hereditária e cultural. não é o de ensinar. independentemente e antes mesmo de qualquer intervenção dos sentidos e sem a interveniência de qualquer dado exterior ao próprio intelecto. A aprendizagem confunde-se com condicionamento e. através de estímulos reforçadores (notas altas. Destacam-se. toda a atividade do conhecimento é exclusiva do sujeito. resgatando dos pólos da relação professor-aluno. propiciam uma 13 . no desenvolvimento do ser humano. As duas correntes teóricas principais do construtivismo/interacionismo são a elaborada por Piaget. decorrentes de estímulos do ambiente (por estímulo-resposta). de forma potencial. dos testes de inteligência. por meio de aulas tradicionalmente expositivas. na sua origem. valorizando as relações hierárquicas. a priori. porque ignoram fatores maturacionais. bem como do planejamento das aulas. assim. frutos apenas do espírito. os interacionistas discordam das teorias inatistas. isto é. entre o sujeito e o objeto. evidentes e irrecusáveis. de uma pedagogia centrada no professor. a se destacar: a valorização do papel do professor. todo o conhecimento. Desta forma. sendo que o meio físico e social não participa dela. Os seus pressupostos apoiam-se na idéia da interação entre o organismo e o meio. cabendo a este organizar as intervenções adequadas para desafiar o aluno na construção do conhecimento. imersos em processo de contínua e intensa interação. tanto fatores orgânicos como fatores ambientais. reprovação. os conceitos e as idéias inatas que são o conteúdo do conhecimento. a avaliação como forma de verificação da retenção do conhecimento e com caráter de premiação ou punição. uma relação dinâmica e dialética entre o indivíduo e a sociedade. também chamado de interacionismo. mediante recitação. que decorre de princípios a priori. Esta corrente postula a idéia de que nosso intelecto é dotado de algum conteúdo prévio. também. que é considerado um ser ativo. as tarefas que propõe. os efeitos benéficos da corrente empirista. cabendo ao professor simplesmente interferir o mínimo possível neste processo. o professor deve seguir um caminho didático-pedagógico que procura conhecer o aluno como uma síntese individual da interação do sujeito com o seu meio cultural. mero receptáculo de informações. sem nenhum ripo de ação crítica e reflexiva. Sob esta ótica.inatas. temos a seguinte relação epistemológica entre o sujeito e o objeto: SUJEITO OBJETO O construtivismo. o tipo de resposta desejável e o estado físico e psicológico do organismo. estando o conhecimento determinado na bagagem hereditária ou submetido ao processo maturacional. notas baixas. a importância da definição dos objetivos do ensino. o aluno é que aprende sendo que ninguém pode substituí-lo neste papel. Só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O foco da concepção racionalista/inatista encontra-se no aluno visto como indivíduo que nasce com grandes possibilidades de desenvolvimento. A concepção empirista define a aprendizagem como uma mudança de comportamento ou mesmo adoção de novas formas comportamentais. previsão e. transmitir conhecimento. que acentua a contínua interação entre as estruturas orgânicas da criança e as condições sociais em que ela vive. valorize a criatividade do aluno e do professor (escola prazerosa). O papel do professor é o de observar o comportamento do aluno. Neste modelo didático-pedagógico. que propõe que o sistema nervoso humano contém mecanismos inatos que possibilitam à criança construir as regras da linguagem. Pela concepção construtivista. leva em conta. A esta teoria construtivista implica numa visão de ensino que considere a vivência e interesses dos alunos. dos dados da experiência e dos sentidos. entre o organismo e o meio. a fragmentação e a descontextualização dos conteúdos e ações educativas. os recursos por ele utilizados. o professor tende a ensinar a teoria ao aluno. Não se pode. Nesse enfoque construtivista. Assim. o sujeito já nasce com a possibilidade de conhecer. e das concepções ambientalistas. memorização da teoria dada.

temos o planejamento de ensino cooperativo. Planejando. Essa nova forma de relacionamento do professor com a classe estimula o diálogo. tendo em mira a efetivação do processo ensino-aprendizagem. Inúmeras são as conceituações sobre planejamento de ensino encontradas nos diferentes autores consultados. assim como também os meios necessários para alcançá-los. Ainda temos a considerar que as condições de trabalho diferem de escola pra escola. acreditando na capacidade do aluno de construir ativamente seu conhecimento. resulta de uma atividade de grupo. é considerado etapa obrigatória de todo o trabalho docente. vai: . O professor. na situação ensinoaprendizagem. efetuar uma aprendizagem tão significativa quanto o permitam suas possibilidades e necessidades. o livre debate de idéias.Conduzir os alunos ao alcance dos objetivos. segundo Menegolla e Sant’anna (2001). ao planejar o trabalho. Por ordem de abrangência. Grande parte da eficácia de seu ensino depende da originalidade.maior ou menor margem para a atividade construtiva do aluno. O professor deve ser um catalizador do desabrochar intelectual. diminuindo a importância do trabalho individualizado. de modo a tornar o ensino seguro. mais amplo e abrangente. não se pode conceber que o professor não realize o mínimo de planejamento necessário para seus alunos. coerência e flexibilidade de seu planejamento. outras vezes. neste caso. cuja dinâmica concretiza o fenômeno educativo. o planejamento. É da competência do professor. sem dificuldades. toda a parte a ser empreendida (PLANO DE CURSO). elaborar e organizar planos em diferentes níveis de complexidade para atender. o planejamento de ensino. Às vezes. . adaptando tudo isto às necessidades e interesses de seus alunos. a interação social. crescimento profissional. econômico e eficiente. vários professores compartilham a responsabilidade de sua elaboração. os professores (às vezes auxiliados por especialistas) congregam esforços para juntos estabelecerem linhas comuns de ação. surge. realmente. O professor. O planejamento. em classe. pode organizar três tipos de planos de ensino.Delinear. consideramos as seguintes: Planejamento de ensino é: previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho escolar que envolvem as atividades docentes e discentes. Elaine Mandelli Arns). envolve a previsão de resultados desejáveis. no processo educativo. e . Afinal. o planejamento de ensino deve ser alicerçado neste pressuposto básico. executando e avaliando juntos. No entanto. no entanto. com vistas a resultados semelhantes e bastante válidos para a clientela atendida. ou seja. entre outros aspectos. em nível mais específico. não um mero reprodutor do conhecimento que lhe é imposto. esses professores desenvolvem habilidades necessárias à vida em comum com os colegas. da ação que ficou configurada em nível de escola. o plano é elaborado apenas por um professor. O planejamento tende a prevenir as vacilações do professor. É da competência dos estabelecimentos de ensino. isto é. ele deve estimular a participação do aluno. durante o período (ano ou semestre) letivo.Especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores (PLANO DE AULA). globalmente. passando a ser um orientador. o professor dependerá de seus próprios recursos para elaborar seus planos de trabalho. Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à atividade do professor e alunos. e . responsabilidade e união a nível de decisões conjuntas. emocional e afetivo do aluno. exercício de autodisciplina. Este. o planejamento curricular é definido de acordo como planejamento educacional e determina a linha de ação proposta pelas escolas. passa a considerá-lo o centro do processo ensinoaprendizagem. Assim. . e processo de tomada de decisões bem informadas que visam a racionalização das atividades do professor e doa aluno. oferecendo maior segurança na consecução dos objetivos previstos. PLANEJAMENTO DO ENSINO (Nelson Valente) Alicerçardo nas linhas mestra de ação da escola. determina as diretrizes da política nacional de educação.Assegurar um ensino efetivo e econômico. em busca de propósitos definidos. O professor que deseja realizar uma boa atuação docente sabe que deve participar.verificar a marcha do professor ecucativo. de maneira que possa selecionar o que é melhor. e o planejamento do ensino é o que parte das decisões dos planejamentos anteriores. isto é. PLANO DE AULA (Patrícia Aparecida P. em termos mais próximos e concretos. seus alunos. Considerando que o planejamento deve ser pensado como um ato político-social. . reconhecendo nele não um sujeito passivo. existem vários níveis de planejamento: o planejamento educacional. deve estar familiarizado com o que por em prática. Este é a tradução. por sua natureza. Objetivos São objetivos do planejamento de ensino: . maior produtividade. no planejamento curricular. previsão das situações específicas do professor com a classe. Neste último caso. Isso proporciona. Portanto. Cristiane Costa Tucunduva. em consequência.Disciplinar partes da ação pretendida no plano global (PLANO DE UNIDADE).racionalizar as atividades educativas. bem como na verificação da qualidade e quantidade do ensino que está sendo orientado pelo mestre e pela escola. de Castro. Na esfera educacional. independentemente. A responsabilidade do mestre é imensa. Na maioria das situações. não deve ser visto como regulador das ações humanas. Por isso. Indica a atividade direcional. o professor renuncia ao papel do “dono do saber”. a ação de planejálo é predominantemente importante para incrementar a eficiência da ação a ser desencadeada no âmbito escolar. metódica e sistematizada que será empreendida pelo professor junto a seus alunos. ajustamento às mudanças. a fim de que este possa. tendo sempre que adaptar seus projetos às circunstâncias e exigências do meio. Requisitos Por maior complexidade que em volva a organização da escola. O professor. prevendo a estruturação e o funcionamento da totalidade do sistema educacional. P. um limitador das ações tanto 14 . Considerando que o ensino é o guia das situações de aprendizagem e que ajuda os estudantes a alcançarem os resultados desejados. Pelo envolvimento no processo ensino-aprendizagem. deverá estar bem informado dos requisitos técnicos para que possa planejar. alguém que acompanha e participa do processo de construção do conhecimento dos seus alunos. possibilitando melhores resultados e. é indispensável ter sempre bem presente que a interação professor-aluno é o suporte estrutural.

porém. Florença e Rio de Janeiro. são reorganizadas pela psique socializada. seja num contexto histórico. há duas formas de aprendizagem. uma vez que ambos são atuantes em sala de aula. Id est. de 1952 a 1963. sem bases científicas que norteiam o professor. o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . A UNESCO confiou-lhe a elaboração da obra O direito à educação. Partindo do princípio de que o professor deve ensinar os conteúdos e também deve formar o aluno para que ele se torne atuante na sociedade. ao elaborar o plano de aula. Conteúdo: conjunto de assuntos. porém. mas deve ser estruturado. Para ele. experiência. Moreto (2007) acredita que o professor. argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata préformada no sujeito. na resolução de problemas e principalmente na capacidade de escolher seus caminhos.que o rodeia (Coll. TEORIAS DE APRENDIZAGEM JEAN PIAGET E O CONSTRUTIVISMO (Nelson Valente e Márcia Regina Terra). 1992. essa base científica utilizada para organizar o trabalho pedagógico são os pilares e princípios da educação. Quer dizer. Esse processo. realizando estudos em Zurique e em Paris.). disciplina ou na aula mesmo. 2000. faz-se necessário conhecê-los e compreendê-los muito bem. deve considerara alguns componentes fundamentais. tópicos que serão trabalhados/abordados em cada disciplina. como procuraremos expor em seguida. sistematizar as atividades e facilitar seu acompanhamento. anunciados e exigidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). que é ativado pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . A primeira. Vale lembrar. Segundo Gutenberg (2008). mas o acompanha sempre e em todo momento. 1992. Piaget abordou o desenvolvimento da inteligência através do processo de maturação biológica. cabe ao professor escolher aquele que melhor atenda às necessidades deste e de seus alunos. 1976 apud Freitas 2000:64). esses profissionais iniciando sua carreira no magistério adquirem confiança para dar aula. transmissão social e desenvolvimento do equilíbrio. conhecer a epistemologia e a metodologia mais adequada às características das disciplinas. pois é ele quem conhece as reais aspirações de cada turma. Diplomou-se em ciências naturais aos 21 anos. Método: São atividades. Paris. Outro grupo que deve estar atento à importância de elaborar planos de aula são os professores em início da carreira. na Suíça. Foi professor dessa matéria nas Universidades de Neuchâtel. não existe um modelo único de planejamento e sim vários modelos. foi enviado em missão a Beirute. Estes estão diretamente subordinados aos objetivos definidos para o ensino ou para aula. 15 . Jean Piaget nasceu em Neuchâtel. em consequência de seu desempenho na escola. pois serão estas etapas que darão uma visão do que é necessário conveniente ao professor e aos alunos. Quer dizer. mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget. pra Schmitiz (2000). A segunda forma de aprendizagem é limitada à aquisição de novas respostas a situações específicas ou à aquisição de novas estruturas para algumas operações mentais específicas. São elas: Objetivos: apontam para aquilo que se deseja que o estudante seja capaz de realizar após a atividade do ensino. La Taille. métodos. já que é um instrumento de feedback aos atores desse processo. Lausanne e Genebra e de psicologia genética na Sorbonne. etc. em 1896. conhecer seus alunos (características psicossociais e cognitivas). mais ampla. Piaget formula o conceito de epigênese. Este desenvolvimento é um processo espontâneo e contínuo que inclui maturação. temas. Avaliação: Vale lembrar que a avaliação não é um momento do processo ensino-aprendizagem. significando entender com isso que as formas primitivas da mente. é possível esclarecer os objetivos da mesma. série. e sim ser visto e planejado no intuito de nortear o ser humano na busca da autonomia. na tomada de decisões. Freitas. que seja funcional e de bons resultados. Presidente da Comissão Suíça na UNESCO. Segundo Shimitz (2000) ele não precisa ser descrito minuciosamente.físico e social . existe uma relação de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. não se discute a necessidade e a importância de se elaborar o pano de aula. conhecer o contexto social de seus alunos. op. técnicas e modalidades de ensino que possuem o intuito de facilitar o ensino. Alguns autores sugerem que o planejamento tenha algumas etapas principais.cit. ou do pensamento lógico do homem. Porém é de responsabilidade do professor elaborar o plano de aula.físico e social (Rappaport. Conhecer todos os componentes acima possibilita ao professor escolher as estratégias que melhor se encaixam nas características citadas aumentando as chances de se obter sucesso nas aulas. Menegolla e Sant’anna (2001) explicam que o planejamento também serve para desenvolver tanto nos professores como nos alunos uma ação eficaz de ensino e aprendizagem. Menegolla e Sant’anna (2001) ainda completam argumentando que o plano das aulas visa a liberdade de ação e não pode ser planejado somente pelo bom senso. Piaget tornou-se membro do Conselho Executivo da instituição. uma vez que no plano de aula. A partir das definições das principais etapas que devem conter um planejamento o professor já tem condições necessárias para fazê-lo e utilizá-lo adequadamente. ou seja. Interessou-se pela psicologia. escrito ou mentalmente. tanto a experiência sensorial quanto o raciocínio são fundantes do processo de constituição da inteligência. 2003. que segundo Menegolla e Sant’anna (2001). pois. se efetua através de um mecanismo auto-regulatório que consiste no processo de equilíbração progressiva do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido.pessoais como sociais. por este motivo. tais como: conhecer a sua personalidade enquanto professor. São os modos de organizar as condições externas a fim de facilitar o ensino. ele deve organizar seu plano de aula de modo que o aluno possa perceber a importância do que está sendo ensinado.). Mediante todos os fatos pesquisados até agora. biologicamente constituídas. Fala se os objetivos da aprendizagem foram alcançados ou não. para seu dia-a-dia ou para seu futuro. doutorando-se no ano seguinte. por sua vez. equivale ao próprio desenvolvimento da inteligência. o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo auto-regulatório que tem como base um 'kit' de condições biológicas (inatas portanto). Também não existe um modelo melhor do que outro.

cit. op. neste estágio. espaço.cit. um caráter universal. o equilíbrio é o norte que o organismo almeja. sustentando que todo conhecimento é construído socialmente. portanto. No entanto. psicologia. para Piaget. a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta. examinando e experimentando com os objetos ao seu alcance. (c) Período das operações concretas (7 a 11. devido a vários fatores. ou seja. Contudo. 12 anos): neste período. o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio.). principalmente os políticos. ela começa a realizar operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da inteligência sensório-motor. Só então o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). como o elemento complementar das interações sujeito-objeto. op. agente e paciente dos eventos que nele ocorrem" (La Taille. Um outro aspecto importante neste estágio refere-se ao aparecimento da capacidade da criança de interiorizar as ações. pode-se dizer que. Sua teoria tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico. No entanto.:65) emergindo. sendo essa teoria considerada histórico-social. Vygotsky morreu de tuberculose 3m 1934. Formou-se em literatura e direito na Universidade de Moscou e mais tarde estudou medicina. para Piaget. enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça. o que marca a passagem do período sensóriomotor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica. a saber: (a) Período Sensório-motor (0 a 2 anos): caraceteriza –se por uma forma de inteligência empírica. Em síntese. A criança aprende pela experiência. ou seja. embora a criança consiga raciocinar de forma coerente. Foi professor do ginásio e se fazia uma pergunta fundamental: como o homem cria cultura? Dono de uma inteligência brilhante. pois ele representa o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano. já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos da espécie humana. tendo que se adaptar a ela. nesta fase. a) Assimiliação: consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência. ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta. Partidário da revolução russa. Em síntese.). os modos de relacionamento com a realidade são divididos em 4 períodos. eles não chegaram a se encontrar em vida. consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. somando conhecimentos. Quer dizer. op. lamentando que os dois não tivessem se conhecido. ou seja. Nessa concepção. no âmbito das relações humanas. a criança vai aperfeiçoando tais movimentos reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor já se concebendo dentro de um cosmo "com objetos. Trata-se de um fenômeno que tem. mas que paradoxalmente nunca alcança (La Taille. Pressupostos Essenciais Histórico de Vygotsky do Modelo Sócio- 16 . esse processo de transformação vai depender sempre de como o indivíduo vai elaborar e assimilar as suas interações com o meio. já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal. aos 38 anos. entre os quais situa a si mesma como um objeto específico. Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividade de interpretação da realidade que o rodeia e. Progressivamente. tempo. isso porque a visada conquista da equilibração do organismo reflete as elaborações possibilitadas pelos níveis de desenvolvimento cognitivo que o organismo detém nos diversos estágios da sua vida. Vygotsky viveu na mesma época que Piaget (ambos nasceram em 1896). Essa busca do organismo por novas formas de adaptação envolvem dois mecanismos que apesar de distintos são indissociáveis e que se complementam: a assimilação e a acomodação.cit. leu e comentou os elogios e as críticas que Vygotsky lhe fizera em 1932. ao atingir esta fase. que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Gillièron. 2003). mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em que o indivíduo está inserido.O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget. ele buscou a resposta na Psicologia e acabou por elaborar uma teoria do desenvolvimento intelectual. (b) Período pré-operatório (2 a 7 anos): para Piaget. De acordo com a tese piagetiana. Sua obra enfrentou décadas de silêncio imposto pelo regime stalinista. A esse respeito. dedicando-se aos campos da pedagogia e psicologia. causalidade objetivados e solidários. exploratória. Pesquisou sobre literatura. haja vista que no processo de interação podem ocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo. o egocentrismo intelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações e coordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem) e de integrá-los de modo lógico e coerente. (d) Período das operações formais (12 anos em diante): nesta fase. Vygotsky sempre acreditou em uma sociedade mais justa sem conflito social e exploração. ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior. toda experiência é assimilada a uma estrutura de idéias já existentes (esquemas) podendo provocar uma transformação nesses esquemas. deficiência física e mental e educação. Assim. a criança. em sua essência. ou seja. gerando um processo de acomodação. não-verbal. b) Acomodação: por sua vez. um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência de esquemas conceituais). paradoxalmente. Apenas em meados dos anos 60 seus livros chegaram ao Ocidente. embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas sensoriais-motores na fase anterior) ela apresentará. é a emergência da linguagem. VYGOTSKY E O SÓCIO-INTERACIONISMO Nasceu na Bielo-Rússia em 5 de novembro de 1896. tanto os esquemas conceituais como as ações executadas mentalmente se referem. a acomodação representa "o momento da ação do objeto sobre o sujeito" (Freitas. consequentemente. a inteligência é anterior à emergência da linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica.

"na ausência do outro. em sua relação com o mundo. permitindo que seu organismo passe a ser afetado por fatores externos. 2. ela tem relação direta com o próprio desenvolvimento psicológico. a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico em ser humano. como os reflexos e a atenção involuntária. explícita ou implicitamente. É pela APRENDIZAGEM nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso desenvolvimento mental. Além de ser o principal instrumento de intermediação do conhecimento entre os seres humanos. E assim assinalam-se constantemente a busca de explicar os processos mentais superiores baseados na imersão social do homem que por sua vez é histórico. mecanismos intencionais e dependem de processos de aprendizagem. papéis e funções sociais. Por isso a linguagem é duplamente importante para Vygotsky. Desse modo. Para Vygotsky. A percepção da realidade requer processos biológicos como determinantes de experiência. 2. A internalização envolve uma atividade externa que deve ser modificada para tornar-se uma atividade interna. Essas concepções fundamentam sua idéia de que a criança nasce dotada apenas de FUNÇÕES PSICOLÓGICAS ELEMENTARES. É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas. mas sim em parceria com as outras. Isto quer dizer que o homem é herdeiro de toda a evolução filogenética (espécie) e cultural. os vygotskianos entendem que os processos psíquicos. carregando significados sociais e históricos. ou seja. É na troca com os outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos. em que todas as funções aparecem duas vezes: primeiro no nível social e depois no nível individual. Evidentemente só a realidade dos fatores externos não determinam completamente essa percepção. As informações intermediadas são reelaboradas numa espécie de linguagem interna. ou seja. primeiro entre as pessoas (interpsicológica) e depois no interior da criança (intrapsicológica). a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. As informações nunca são absorvidas diretamente do meio. Isso não significa que o indivíduo seja como um espelho. apenas refletindo o que aprende. sistema simbólico dos grupos humanos. porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais. sociedades e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas. pelas pessoas que rodeiam a criança. o desenvolvimento cultural da criança aparece segundo a lei da dupla formação. que desde o berço vive rodeado por seus pares em um ambiente impregnado pela cultura. As concepções de Vygotsky sobre o funcionamento do cérebro humano sinalizam que o cérebro é a base biológica. Vygotsky defendeu que o próprio desenvolvimento da inteligência é produto dessa convivência. São sempre intermediadas. e seu desenvolvimento dar-se-á em função de características do meio social em que vive. assim como no construtivismo e sim. portanto. as funções psicológicas superiores referem-se a processos voluntários. A cultura fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade. Poder-se-ía assim dizer que o desenvolvimento cultural do aluno. parte dessas funções básicas transforma-se em FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES. mas acesso mediado. principalmente nas áreas mais sensíveis. Para Vygotsky. administrando-o sob seu ponto de vista. As funções psicológicas superiores são construídas ao longo da história social do homem. Vygotsky e Luria (1930/1993) explicam isto na área da percepção: a criança no início de sua vida tem apenas sensações orgânicas tensãodor calor. É isso que caracterizará a individualidade. do mundo cultural que rodeia o indivíduo. interiorizações desenvolvidas através da linguagem 17 . o que permite a formação de conhecimentos e da própria consciência. o universo de significações que permite construir a interpretação do mundo real. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. portanto. O sujeito não é apenas ativo. o conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade. Quando a criança deixa de sofrer influência desses processos biológicos. é interpessoal e se torna intrapessoal. Donde surge o termo sóciocultural ou histórico atribuído nesta teoria. e suas peculiaridades definem limites e possibilidades para o desenvolvimento humano. Ela dá o local de negociações no qual seus membros estão em constante processo de recriação e reinterpretação de informações. O outro social pode apresentar-se por meio de objetos. ações conscientes. Processo de internalização O processo de internalização é fundamental para o desenvolvimento do funcionamento psicológico humano. A criança passa a ver o mundo com sua própria visão. o homem não se constrói homem". Conceitos Básicos da Teoria de Vygotsky 1. Atento à "natureza social" do ser humano. as formas de organização do real. Em outras palavras. se dá mediante o processo de relação do aluno com o professor ou com outros alunos mais competentes. características exclusivas do homem. A informação de que esses processos biológicos tornamse disponível no organismo é organizado pela própria criança através de experiência social e cultural. conceitos e significações. Natureza social Vygotsky interessou-se por enfatizar o papel da interação social ao longo do desenvolvimento do homem. pela mediação feita por outros sujeitos. presentes em todos os animais mais desenvolvidos. no entanto. através de recortes do real. A linguagem. Essa evolução acontece pela elaboração das informações recebidas do meio. Enquanto sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos. representa um salto qualitativo na evolução da espécie. a aprendizagem entre eles. ou seja. portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações. ontológico e filogenético. Maria Teresa Freitas resume: "Nenhum conhecimento é construído pela pessoa sozinha. sua aprendizagem. passa a perceber a realidade.1. ocorrem por assimilações de ações exteriores. como a consciência. assim como. Para ele. o conhecimento é sempre mediado. o planejamento e a deliberação. mas interativo. Mediação A questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio e. Com o aprendizado cultural. É ela que fornece os conceitos. da organização do ambiente. que são os mediadores". Desenvolvimento do cérebro A redução de reações biológicas é uma condição prévia para o aparecimento de fenômenos psicológicos.

verbal e de diversos graus de generalizações e assimilações. os quais são diferentes dos processos mecânicos. A aprendizagem é considerada como parte de atividades coletivas que precedem a aquisição individual (linguagem infantil: primeiro aparece como forma de comunicação. a finalidade da aprendizagem é a assimilação consciente do mundo físico mediante a interiorização gradual de atos externos e suas transformações em ações mentais. que são interiorizadas surgindo a capacidade de atividade abstrata (ações mentais) com varias formas de manifestação (material . depois se interioriza convertendo em linguagem interna). Já que nessa abordagem não se questiona o fato de que todos os indivíduos tenham uma capacidade de aprendizagem que. uma multiplicação simples. Nesse processo. Privilegiam o ambiente social. E esses elementos da consciência vão dar origem aos denominados processos mentais superiores. pelo menos dois níveis de desenvolvimento identificados por Vygotsky: 3.4. assim como na de Piaget . quando ela já sabe somar. e as ações mentais são formadas a partir das variáveis externas (concretas). em matemática. controladas ou voluntárias. que para este autor a consciência é o estado supremo do homem. Por outro lado. um conceito que se pretenda trabalhar. que se costuma determinar através da solução independente de problemas. Zona de Desenvolvimento Proximal Segundo Vygotsky. estes conceitos dispensam a necessidade da escola para a sua formulação. como por exemplo. • Conceitos cotidianos: aprendidos assistematicamente. são assimilações de ações exteriores. requer sempre um grau de experiência anterior para a criança. por estes serem ações conscientes. Observe que. interiorizações desenvolvidas através de linguagem interior que permite formar abstrações. Isto porque o autor preocupou em descrever e entender o que ocorre ao longo da gênese de certas funções. ele desenvolveu o conceito de ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL.interna que permite formar abstrações. ambos os processos.ou intelectual – pensamento -) e diversos graus de generalização e assimilação. 3. que a aprendizagem entre eles. • Conceitos científicos: constituído por um sistema hierárquico de inter-relação. produzindo abertura nas zonas de desenvolvimento proximal nas quais as interações sociais são centrais. chegando a afirmar que o desenvolvimento vem depois da aprendizagem. Com isto. a aprendizagem se produz. Se domina a adição. como meio de condução das operações mentais. 18 . Dois níveis de desenvolvimento Existem. assim. o que na teoria vygotskiniana é chamado de Tomada de Consciência. Costuma-se destacar que a abordagem de Vygotsky tem explicação das mudanças de ordem qualitativa. que usa o signo. assim como.5. existe como base metodológica e objeto de estudo a intencionalidade da consciência.os diferentes níveis de funcionamento psicológico. A fim de explicar esse processo. aprendizagem e desenvolvimento. estando então. envolvendo a psique do indivíduo. seus atos deixam de ser espontâneos (no sentido biológico do termo) para se tornarem atos sociais e históricos. Tomada de consciência Vigotsky abstrai que o ser humano é criado histórico e socialmente. ou palavra. Aprendizagem é a assimilação consciente do mundo físico mediante a interiorização gradual de atos externos e sua transformação em ações mentais. etc. Para Vygotsky. formando apenas um complexo associativo restrito a um determinado tipo de conexão perceptual. Diríamos de certa forma. tanto intelectual.6. 3. Relação desenvolvimento/aprendizagem Vygotsky e a escola de psicologia dialética soviética e seus seguidores Luria (1902/1977) e Leontiev (1903/1979) estabelecem uma relação inseparável entre aprendizagem / desenvolvimento. Nesta fase a criança se orienta pela semelhança concreta visual. verbal –linguagem . à medida que o homem toma consciência da consciência que possui. Entendem que os processos psíquicos.2. com diferentes formas de manifestações. mais e mais ele abstrai sobre seus atos e sobre o meio. cuja da interiorização surge a capacidade da atividades abstratas que a sua vez permite elevar a cabo ações externas. 3. pelo constante diálogo entre o exterior e interior do indivíduo. orientadas por instruções e com a ajuda de um adulto ou por resultado da interação com iguais. Nessa teoria não se tem estágios de desenvolvimento explicado detalhadamente sobre o surgimento e desenvolvimento das funções psíquicas através de acumulação de processos elementares. 3. Desenvolvimento Real: É determinado por aquilo que a criança é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. interrelacionados. São as relações sociais que dão ao indivíduo instrumentos para ativar os processos internos que favorecem o desenvolvimento. Por exemplo. Mas existe na teoria de Vygotsky.1. inicialmente. e o nível de desenvolvimento potencial. A aprendizagem é produzida através de um diálogo constante entre o exterior e o interior do indivíduo.ações externas -. mas o pensamento ocorre por cadeia e de natureza factual e concreta. A aprendizagem interage com o desenvolvimento. cada qual com características específicas: • Pseudo-conceitos: aqui ainda a criança não consegue formular conceitos. está condicionada pelo nível de desenvolvimento alcançado. e que suas relações com a natureza e com os outros homens no nível da consciência são lidados de forma espontânea apenas quando ele não tem percepção da consciência sobre aquilo que está fazendo. O que nos faz pensar que esse processo de aprendizagem se desenvolve do concreto (segundo as variáveis externas) a abstrata (as ações mentais). são os conceitos aprendidos na escola sistematicamente. • Conceitos: formação de conceito atividade complexa e abstrata. no estudo da linguagem da formação de conceitos. que definiu como a "distância entre o nível de desenvolvimento real. por exemplo. nesse diverso campo da consciência. esse é um nível de desenvolvimento real. determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes". envolvendo memorização ativa seguida de pensamento abstrato. 3. Desenvolvimento Potencial: se manifesta quando a criança realiza tarefas mais complexas. a evolução intelectual é caracterizada por saltos qualitativos de um nível de conhecimento para outro. uma vez que para formar ações mentais tem que partir das trocas com o mundo externo.

É graças as implicações teóricas destes psicólogos que se pode hoje trabalhar visando ultrapassar a metodologia pedagógica arraigada na repetição de conceitos. valioso ou não. Assim que infância termine. Para Vigotsky é a compreensão através do contraste social e origem. HENRY WALLON e a PESSOA COMPLETA (Abigail Alvarenga Mahoney. relações sociais são secundárias à natureza biológica da criança. relações sociais constituem a psicologia da criança desde o começo. percebe-se que à medida que o educador vai tecendo sua prática. básico para Vygotsky. Piaget afirmou que a mente é governada através de mecanismos biológicos. Relações sociais formam o contexto desenvolvente de crianças e constituem a natureza da criança. Piaget. o meio é sempre revestido de significados culturais. com adaptações). Não é surpresa devido ao endosso de Piaget aos conceitos de Freud. "o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que. cognitivo. Esse confronto se dá uma vez que os autores possuem vários pontos divergentes que separam os seus pensamentos em abordagens ou pontos de vista diferentes. antes de 2 anos de idade. Laurinda Ramalho de Almeida. e pouco enfatizado por Piaget. também a critica. Nesse meio. Ou seja. Ele também afirmou que processos cognitivos são originalmente egoístas e anti-sociais. Para Piaget. como preferem alguns especialistas. a criança participa das relações sociais. defende que é o desenvolvimento progressivo das estruturas intelectuais que nos torna capazes de aprender (fases pré-operatóra ou lógico-formal). Isto para que. Só tem o sentido cultural que lhe damos. sem esperar a maduração "mecânica" e evitando que possa pressupor as dificuldades para prosperar por não delinear um desequilíbrio adequado. o indivíduo começa a participar de relações sociais. sendo chamado de sóciointeracionista e não apenas interacionista como Piaget. O que tem encorajado inúmeros educadores a inovarem sua prática pedagógica. sustentam que a inteligência é construída a partir das relações recíprocas do homem com o meio. Por exemplo. segundo Vygotsky. como ser útil ou inútil. Piaget considerou como anti-social. Para Vygotsky. afetivo. seriam impossíveis". As críticas a Piaget não foram diferentes das dirigidas a Freud. O fator cultural. por Vigotsky. sociointeracionismo) é usado para fazer distinção entre a corrente teórica de Vygotsky e o construtivismo Jean Piaget. a partir daí. as crianças individuais constroem conhecimento através de suas próprias ações: entender é inventar. é o primeiro que gera o segundo. em Vygotsky o que tem que estabelecer é a sequência que permite o progresso de forma adequada. impulsionando ao longo de novas aquisições. Ele afirmou que mecanismos naturais governam o comportamento da crianças. Eles só são dirigidos à realidade e ao relacionamento social depois de 7 a 8 anos de idade. o objeto armário (meio) não tem sentido em si. como explicação da mudança adaptativa). de outra forma. É justamente a comprovação. mas Vygotsky destaca o papel do contexto histórico e cultural nos processos de desenvolvimento e aprendizagem. Para Vygotsky. Ambos são construtivistas em suas concepções do desenvolvimento intelectual. ao contrário. Porém. rústico ou sofisticado e assim por diante. Vygotsky colocou uma concepção bastante diferente da criança. da existência de uma zona de desenvolvimento potencial que desprende ou desvincula a proposta de uma concepção distinta da ajuda pedagógica de que surge das teorias de Piaget. Porém. é a diferença central entre os dois teóricos construtivistas. Ambos divergem também quanto à seqüência dos processos de APRENDIZAGEM e de DESENVOLVIMENTO MENTAL.Nesta concepção a educação é considerada um sistema que facilita a apropriação de conteúdos próprios de cada cultura. como sócio-cultural. Antes de chegar à psicologia passou pela filosofia e medicina e ao longo de sua carreira foi cada vez mais explícita a aproximação com a educação. De forma geral. Se em Piaget havia que ter em conta o desenvolvimento como um limite para adequar o tipo de conteúdo de ensino a um nível evolutivo do aluno. entendendo que a compreensão do ser humano deve ter presente que ele é organicamente social. O termo socioconstrutivismo (ou. Os dois se opõem tanto à teoria empirista (para a qual a evolução da inteligência é produto apenas da ação do meio sobre o indivíduo) quanto à concepção racionalista (que parte do princípio de que já nascemos com a inteligência pré-formada). por considerar que Piaget não deu a devida importância a situação social e ao meio. É desta concepção que Vygotsky afirma que a aprendizagem vai em frente do desenvolvimento Vygotsky teve contato com a obra de Piaget e embora teça elogios a ela em vários aspectos. Para o ser humano. Vygotsky considerou a criança como um indivíduo social. Em suas palavras. possam trabalhar rumo a uma educação significativa e construtiva – a qual possa conduzir o aluno a ser sujeito consciente de sua autonomia social. eles são substituídos rapidamente através de influências sociais. Mecanismos biológicos operam durante curto espaço de tempo. ele também vai refletindo e aplicando essas teorias que são valiosas para resolverem diversos males que afligem o contexto educacional. Ambos atribuem grande importância ao organismo ativo. VYGOTSKY X PIAGET A discussão do pensamento de Vygotsky na área educacional e psicológica nos remete a uma reflexão sobre as relações entre ele e Piaget. Para Piaget. no sentido de buscar compreender a realidade de seus alunos tanto do ponto de vista psicológico. isto 19 . Ambos autores fazem parte das correntes interacionista (através de dialética externas de adaptação entre o organismo psicológico do indivíduo e seu mundo circundante ou contexto) e construtivista (dialéticas internas de organização entre as partes do organismo psicológico. Apesar dos autores serem de complexa interpretação. Possuía formação nas áreas de Medicina (Neurologia e Psiquiatria). é possível utilizar as discussões mencionada na concepção interacionista e construtivista dos autores e colocar-se como condutor dessa interação do aluno com o meio e fazer desse meio um ambiente de estímulo para que o sujeito desenvolva os seus aspectos cognitivos. Psicologia e Filosofia. Wallon faz oposição a qualquer espécie de reducionismo orgânico ou social e ao dualismo corpo e alma. Piaget e Vygotsky contribuíram para a elaboração de metodologias inovativas que ultrapassam aquelas existentes na escola tradicional. Nasceu na França em 1879. E os significados culturais só são aprendidos com a participação dos mediadores.

construindo suas próprias emoções. na Califórnia. como se formam. 3. nas quais a dimensão temporal toma relevo. Carl Rogers nasceu em Chicago em 1902 e faleceu em La Jolla. portanto. sensações nebulosas. que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. embale. 4. é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo. pouco claras. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. a criança participa intensamente de seu ambiente e apesar de percepções. no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". CARL ROGERS E O HUMANISMO (Clarice Salgueiro. Antes do surgimento da linguagem falada. mediante atividades externas de agrupamento. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. contatos epidérmicos. com o pensamento ideomotriz (representação das imagens mentais por meio de ações). que pressupõe a ampla liberdade de escolha.aprendizagem os sentimentos do aluno devem ser considerados. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. respondendo a sensibilidades corporais: proprioceptiva (sensibilidade dos músculos) e interoceptiva (sensibilidade das vísceras). que possibilitam a substituição dos objetos pelas palavras correspondentes a partir da apropriação da linguagem (Wallon. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. Categorial (6 aos 11 anos): Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas. Wallon trouxe a compreensão de que o organismo é a primeira instância da aprendizagem. 5. isto é. sente de forma integral. Rogers é um dos precursores da teoria humanista. para o conhecimento e conquista do mundo exterior Nesse período. Durante esse período. daí a importância de se ligar ao seu cuidador (a). por pelo menos três anos. aparece a exploração de si mesmo. a criança aprende principalmente pela oposição ao outro. Questões pessoais. é um desenvolvimento conflituoso. com o meio. que segure. físico. Ao olhar uma pessoa como um todo a ser considerado. sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para se atualizar. que só se verifica mediante a busca pela pessoa completa. sem fragmentação e sem privilégio por determinada área. mediante atividades de confronto. Liège Frainer Barbosa. passa a haver a representação das coisas e a explicação do real. precisas. para ele. Formado em História e Psicologia. uma relação complementar entre os fatores orgânicos e socioculturais. Implulsivo-Emocional (0 a 1 ano): a criança expressa sua afetividade através de movimentos descoordenados. a criança se volta para o mundo externo (sensibilidade exteroceptiva). A diferenciação mais nítida entre o eu e o outro dá condições mais estáveis para a exploração mental do mundo externo. aplicou à Educação princípios da Psicologia Clínica. complementando os processos intelectuais. Na ótica Rogeriana. desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. classificação. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. ele 20 . o predomínio é da razão. A organização do mundo em categorias bem definidas possibilita também uma representação mais nítida de si mesma. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. Pela imitação. na busca por uma identidade autônoma. a teoria de desenvolvimento de Wallon assume que o desenvolvimento da pessoa se faz a partir da interação do potencial genético. Segundo ele. Aurora Gaspar). É a fase de se descobrir diferente das outras crianças e do adulto. e para isso se submete e se apóia nos pares. esses estágios seriam os seguintes: 1. que se transformarão com o tempo. possibilita a discriminação mais clara dos limites de sua autonomia e de sua dependência. morais e existenciais são trazidas à tona. O autor estudou a criança contextualizada. suas condições de existência. Imitando. através da ação e interpretação do meio entre humanos. 2. vai se familiarizando e apreendendo o mundo. existindo outro tipo de interação: a criança e o outro. Sensório-Motor e Projetivo (1 a 3 anos): quando já dispõe da fala e da marcha. Rita de Cássia Pareja. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. em conceitos e princípios.é. Personalismo (3 a 6 anos): Nesse estágio desenvolve-se a construção da consciência de si mediante as interações sociais. a 4 de fevereiro de 1987. a criança desdobra. típico da espécie. Como neste estágio. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. iniciada com a integração das diferenciações produzidas durante o período pré-categorial. As atividades predominantes estão voltadas para a construção do eu e para as relações afetivas com o outro. a direção é para si mesma. pela descoberta do que a distingue de outras pessoas. autoafirmação. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. questionamentos. O recurso de aprendizagem nesse momento é a fusão com os outros. reorientando o interesse das crianças pelas pessoas. Partindo de uma perspectiva psicogenética da pessoa completa. contrapondo-se aos valores tal qual interpretados pelos adultos com quem convive. Inicialmente atuou como psicoterapeuta e posteriormente dedicou-se à educação com a proposta de ensino centrado no aluno. Aqui. foi psicoterapeuta por mais de 30 anos. O processo ensino-aprendizagem exige respostas corporais. Nesse estágio. onde ocorrem as representações claras. Puberdade e Adolescência (11 anos em diante): Ocorre novas definições dos contornos da personalidade. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. para Wallon. porém. como funcionam. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. 1981). como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. Através dessa fusão. lentamente. ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. carregue. A criança. uma vez que o aluno pensa. O foco da teoria é essa interação da criança. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. não existe sentido se falar em comportamento ou em cognição sem considerar o domínio afetivo. categorização em níveis de abstração até chegarem a nível categorial. para um intenso contato com os objetos e a indagação insistente do que são. iniciando o processo de diferenciação. Segundo GALVÃO (2000). assim como Piaget. e no processo ensino. O domínio de categorias cognitivas de maior nível de abstração. e uma grande variedade de fatores ambientais. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e.

Rogers combate a aprendizagem do tipo “tarefas”. todos sabem alguma coisa e todos aprendem alguma coisa com alguém. imposto. Esse tipo de aprendizado é esquecido com o tempo.269). Para Freire a educação é um ato de amor. p. Tais ações servem de premissa para visualizar o poder do educador sobre o educando e como conseqüência a possibilidade de formar sujeitos ativos. Paulo Freire em sua longa caminhada em busca da educação problematizadora e libertadora se empenha nos seus trabalhos em expressar o seu sentimento de transformação da realidade opressora em realidade igualitária. segundo a qual esta se encontra sempre no outro (Freire. pois não tem relevância com os sentimentos. conseqüentemente. levando em conta a ótica do outro. Carl Rogers afirma que “evitar-se-ia assim obrigá-lo ao conformismo. os marginalizados da sociedade. Rogers enfatiza entre os seus “princípios de aprendizagem3”. por ser imposto. Freire coloca a Humanização como algo que é vocação de todos os homens e a desumanização que está presente na realidade opressora. sua luta é a favor dos menos favorecidos. “não a encarnação abstrata de uma exigência curricular ou um canal estéril do qual o saber passa de geração em geração” (1991. ou seja. um processo que nasce da observação e da reflexão e culmina na ação transformadora. Juliana Ferreira Taveira. favorecendo a relação que se intensifica. o "saber" é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. Daniele Fortes Martin). do qual pode utilizar-se. Freire busca como ideal a conscientização para o conhecimento da realidade e das relações de poder existente na sociedade. se solidifica. do eu olhar. A teoria rogeriana pressupõe conceitos teóricos que possibilitam uma melhor compreensão do ser humano. que procuram no ato de conhecer a significação da realidade e na práxis o poder da transformação. De fato. p. transportando para a educação esta convivência em busca de uma aprendizagem significativa e qualitativa. a sua perspectiva. O educando é instado a buscar o seu próprio conhecimento. porque sua ideologia já corrompeu e alienou o cidadão. questionando os aspectos de relevância para a sua própria aprendizagem. baseados na própria experiência como terapeuta. já estabelecidas na relação professor-aluno. que são: a empatia. do educador é facilitar a aprendizagem. com esse olhar para a dimensão afetiva. alienado. A consideração positiva incondicional que consiste em aceitar as expressões negativas. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão . que é o sentimento que se nutre quando são expressos os sentimentos positivos. consciente de sua constante transformação. para fundamentar um entendimento pautado na essência do outro. e que devem servir de base para a formação de outras. A aceitação e a compreensão. Para isso fundamenta conceitos essencialmente importantes. Um ingrediente que pode motivar um início dessa troca de idéias talvez esteja nas palavras “geradoras” de Freire. educação é um encontro entre interlocutores. o seu olhar. não existe aquele que sabe e aquele que ensina. sob pena de ser uma farsa. Por isso. 58). Para Freire. implicam um ensino centrado nesse último. é proporcionar as descobertas e o conhecimento com significação pessoal. modificar o que lhe é oferecido como se fosse o máximo que poderíamos ter e muitas vezes ver o dominador como um sujeito generoso. Entende-se por pedagogia em Freire. A empatia é o conceito que corresponde a olhar o outro como se fosse visto do seu interior. sem fachada. na formação das suas competências. 1991. respeitando-se como pessoa.aprendizagem. A Educação Bancária que Freire abomina se alicerça nos princípios de dominação. que só utiliza as operações mentais. Os conhecimentos do professor são oferecidos como mais um recurso ao estudante. livremente. Não pode fugir à realidade. a congruência e a consideração positiva incondicional.quebra o paradigma do relacionamento formal e cria um relacionamento interpessoal. passa a ser absorvido passivamente. de domesticação e alienação transferidas do educador para o aluno através do conhecimento dado. uma vez que todo ser humano apresenta uma tendência natural e particular para aprender. Essa forma de interação garante uma relação afetiva satisfatória. Luciene de Fátima da Silva. críticos e não domesticados. Uma pessoa instruída é capaz de se adaptar às mudanças que ocorrem durante a sua vida (a aprendizagem é contínua). A vida é um processo de mudança – tudo ao seu redor é questionável e tudo se mistura. que parecem ser de fundamental importância no processo de alfabetização científica. expondo seus sentimentos mais profundos. A congruência significa ser transparente na relação. que constitui o que chamamos de alienação da ignorância. em qualquer instância: na ótica terapêutica ou no processo ensino.a absolutização da ignorância. É desafiar a pessoa a confiar em si mesmo e dar um novo passo em busca de mais. e não provoca uma curiosidade que leve o indivíduo a aprofundar mais e mais. O professor passa a ser considerado um facilitador da aprendizagem. São palavras do universo vocabular do estudante. p. a importância de ser uma pessoa real. Rogers. o conhecimento é algo que. constituiu um referencial teórico que hoje é cenário essencial para compreensão das relações humanas PAULO FREIRE E A PROBLEMATIZAÇÃO (José Roberto Tagliati. como uma distorção histórica.265). Na visão "bancária" da educação. Referindo-se ao fato de proporcionar ao aluno a liberdade para escolher. ensinar é mais que transmitir conhecimento – é despertar a curiosidade. é instigar o desejo de ir além do conhecido. a ação que pode e deve ser muito mais que um processo de treinamento ou domesticação. Assim. O dominador faz do dominado massa de manobra. Para o autor. não considerando o indivíduo como um todo. Para Rogers. a sacrificar a sua criatividade e a levar a sua vida em termos estandardizados” (1991. Não pode temer o debate. nessa concepção. por isso um ato de coragem. isto para que o indivíduo possa transformar. É educar para a vida e para novos relacionamentos. as emoções e sensações do educando. e sim aquele que auxilia os educandos a aprender a viver como indivíduos em processo de transformação. a importância de um educador consciente de suas atitudes e sua capacidade de compreender os sentimentos e as reações do seu aluno. dos seus sentimentos. o sujeito é educado para não desenvolver a consciência crítica. é negado o direito do homem de se humanizar e o direito do pensar autêntico como menciona Freire (2005). desprazeirosas com uma condição de aconchego. o objetivo maior da educação e. não mais aquele que transmite conhecimento. Para este 21 . captando suas formas peculiar de analisar e interpretar o ambiente externo.

programas de ensino. Neste modelo não há currículos pré-estabelecidos. A educação progressista que Freire defende desenvolve a consciência crítica. ao elencar os temas. sempre relacionado a um projeto de controle do ensino e da aprendizagem. dialogar com a comunidade para que futuramente possam ser estabelecidos os temas a serem desenvolvidos são os pré-requisitos básicos para a pedagogia do oprimido. É perceber que estas relações são mediadas pelo mundo. em todas as horas do dia. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares. E em 1955 aparece como: um conjunto de curso ensinado numa instituição. legal. o modo pelo qual se selecionam. Partindo da realidade social o educador reconhecerá as necessidades a serem supridas. que desconhecem a sua função dentro da sociedade. Teórica: a teoria do currículo aborda três tipos de abordagem curricular. da atividade prática da escola. educador–educando. a educação não é via de mão única. Quando elaboramos um curriculum vitae. pedagógico. dialética porque não podemos dicotomizar os fundamentos da educação que são: ação–reflexão. 26 – os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. Por isso que suas obras são uma denúncia aos modos que constituem a educação oferecida aos homens das camadas populares. Dentro deste processo de conscientização. jornada. Por volta de 1865. varia de acordo com cada época vivenciada pela sociedade no setor educacional. Porém. Dentro da perspectiva de Freire há um posicionamento sociológico e antropológico da condição do homem participante de um meio e dos pressupostos que envolvem a educação. instituição e pessoal. 2005). o conhecimento é algo a ser construídos na coletividade. De acordo com a lei 9. Desde os seus primórdios. homem– mundo. ou seja. na vida de seus pais e de seus professores. ou seja. Isto não quer dizer que Freire nega a ciência. A história do currículo se confunde com história da escola. Art. esta ação é um dos primeiros momentos para a tomada de consciência. currículo envolvia uma associação entre o conceito de ordem e método. econômicos. causalidade e etc. Nestes parâmetros. subjetivo–objetivo. Sacristán (1989) explica que o currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. sociais e culturais. Os elementos constantes nas construções de currículo são: Objetivos processos ensino-aprendizagem. que edificamos a dialética em nossa vida (FREIRE. Literal etimológico do latim “curriculum” e do grego “Kurrikulu” (“currere”) = ato de correr. carreira. é reconhecer o contexto que está inserido. por uma parte diversificada. O objetivo desta educação é manter o status quo e formar uma parcela de trabalhadores alienados. e o mundo é o objeto cognoscente que se deseja desvendar. em suma através de nossa realidade. Investigar e conhecer a realidade dos educandos são os alicerces desta pedagogia. sua representação ou apresentação. mas via de mão dupla não é assimétrica. pelo qual o movimento da ação–reflexão é tida como fundamental. do mundo. constitui matéria para currículo. escola tradicional. com suas respectivas cargas horária (plano de estudo ou grade curricular). designando a estes apenas uma educação de despejo de conteúdos alheios a ele. circunstância que se dão. nos faz pensar sobre as relações de poder. dadas determinadas condições. isto é currículo é o ambiente em ação. da cultura. classifica. disposição de disciplina em quadro. analisa a problemática dos processos de ensino aprendizagem através do jogo de interesses políticos. não há a hierarquia de um sobre o outro. Há inúmeras conceituações: literal etimológico. Reconhecer a própria história é se situar no tempo e espaço. com adaptações de Osvaldo Jr). mas é simétrica. é o olhar crítico e clínico sob o mundo. para a construção de uma nova práxis pedagógica que valoriza o ser em sua integridade. nosso percurso de vida. caracterizando-se como um instrumento facilitador da administração escolar. é ‘ler as entrelinhas’. percurso a ser realizado. as origens. continuidade. Freire nos conduz à reflexão crítica da sociedade. Ir a campo. da economia e da clientela. explicita nossa carreira da vida. é compreender a sua própria história. onde os resultados da aprendizagem eram descritos 22 . é necessário um estudo preciso e profundo de cada um destes. ou seja. as idéias equivocadas e o conteúdo a ser trabalhado com os educandos. não há disciplina estanques. Tudo o que cerca o aluno. Percebe-se que a definição do que vem a ser currículo. CURRÍCULO (Cleres Carvalho. sendo que para a transformação social este tipo de consciência é condição primordial. Currículo é tudo o que acontece na vida de uma criança. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. entre a teoria (idéias. Pedagógico – na concepção tradicionalista era praticamente sinônimo de ciclo didático. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. o termo currículo significava: uma pista de corrida em curso geral. todas com raízes nas questões sócio-políticas e epistemológicas no campo da educação e das concepções de aprendizagem: a) Tradicional: ligada a questões de organização e preocupada com resultados concretos e mensuráveis. nestas relações não há o que é mais importante e o menos importante. Dialógica porque é através da comunicação que estabelecemos relações com o outro. ou seja. currículo tradicional e conseqüentemente o seu conceito representarão todo o emaranhado que envolve a organização educacional. Já a educação bancária que Freire (2005) descreve trabalha com a consciência ingênua esta educação está presente em sociedades divididas em classes e eminentemente capitalistas que excluem as camadas populares do processo de democratização. Assim. 2005). suposições e aspirações) e a prática possível. O termo currículo é encontrado em registros do século XVII. Sua pedagogia se caracteriza por ser dialógica e também dialética. Toda investigação temática de caráter conscientizador se faz pedagógica e toda autêntica educação se faz investigação do pensar (FREIRE. Através do diálogo o professor investigará seus alunos a fim de estruturar um trabalho pedagógico que mobilize a todos os envolvidos neste processo de conscientização. é estabelecer relações entre eu–mundo–outro. Pedra (1997) conceitua currículo como a representação da cultura no cotidiano escolar.394/96. Legal – É a totalidade das experiências de aprendizagem planejadas e patrocinadas pela escola.pedagogo. pelo contrário. temos a valorização do homem como ser histórico e atuante na sociedade que é o que nos diferencia dos animais. De forma ampla ou restrita o currículo escolar abrange as atividades desenvolvidas dentro da escola.

subjetividade. →Currículo construtivista: Está diretamente ligado as idéias de Jean Piaget e seus seguidores. Visto que. significação e discurso. precisamente na ação didática da escola objetiva desenvolver a capacidade do educando de aprender de forma ética e crítica. libertação. o aluno um receptor de conhecimentos. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem passados aos alunos. o que remete. que algumas vezes divergem entre si. como segue: →Currículo formal: é estabelecido pelo sistema de ensino ou instituição escolar. saber e poder. portanto. →Currículo Escolanovista (ou progressivista): Dá ênfase nas necessidades e interesse dos alunos. Percebe-se. 2. Como resume Libâneo (2004 p. Sobre o enfoque tradicional comenta Libâneo (2004 p. Levantam uma narrativa sobre etnia e raça e sobre as relações de saber e poder.177): Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. assim como o que fica na percepção dos alunos. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa. dos conhecimentos anteriores e do professor. O professor é o facilitador da aprendizagem e os conteúdos são retirados das experiências dos alunos. partem do que é normalizado pelo governo. sendo que algumas valorizam as questões políticas no processo da formação. também tem papel importante no currículo construtivista.174): O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). intervenção da própria experiência dos professores. levando em conta o clima psicológico e social da sala de aula. →Currículo sociocrítico (ou histórico-social): Nesta abordagem existem várias correntes. crenças. emancipação. sexualidade. decorrentes dos seus valores. classe social. centrado no professor e na matéria. Prioriza-se a formação cidadã onde o educando está inserido na sociedade como ser ativo. em última instancia ao papel do ensino na aprendizagem. metodologia. que compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. mais precisamente para responder à seguinte pergunta: o que o currículo faz. organizados numa grade curricular. alteridade. traz consigo toda sua herança cultural que eventualmente serão demonstradas na sua atuação em sala de aula. p. significados. multiculturalismo. organização. não aparece no planejamento. tem um caráter livresco e verbalista. conscientização. É um conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. cultura. É currículo que sai da prática dos professores.1. em seguida pelo o que é elaborado e planejado na instituição de ensino e posto em prática no dia-a-dia do ambiente escolar. visto que a maior parte dos educadores que trabalham com essa idéia são conhecidos como sociointeracionista. didática. sem preocupa-se com e por que ensinar. De certa forma as idéias do Psicólogo Russo Vigotsky. Além disso. capaz de transformar a sua realidade social. Ao organizar um currículo construtivista. é a efetivação do que foi planejado. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. 2. dão ênfase às relações sociais e aos conceitos que são desenvolvidos. b) Críticas: possuem como lema a desconfiança. Elementos: aprendizagem. gênero. daí organiza-se o currículo. portanto que os níveis do currículo se entrelaçam na prática dos docentes em sala. reprodução cultural e social. Em termos metodológicos referem-se à introdução no ambiente escolar dos aparatos tecnológicos.2 Concepções de organização curricular: Como se verá mais adiante uma pequena síntese abordando a organização curricular que de certa forma concretizam as intenções pedagógicas vivenciadas pela sociedade em cada etapa evolutiva. No que diz respeito à função do currículo construtivista relata Libâneo (2004 p. poder.através de comportamentos explícitos. Este modelo de currículo está embasado nas idéias de John Dewey. →Currículo real: acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. assim como educando o educador. deve-se levar em conta as etapas de desenvolvimento citadas por Piaget. Libâneo (2004. resistência. A escola tem a função apenas de ensinar. Também questionam a aparente neutralidade da ciência e das abordagens pedagógicas. relações sociais de produção. os conteúdos escolares não são colocados como verdades absolutas. o ensino é transmissivo e reprodutor. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico”. Ênfase no planejamento e nos instrumentos de medição. Elementos: identidade. o currículo racional-tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental. tendo como ponto chave a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. objetivos e conteúdos das aéreas ou disciplinas de estudo. →Currículo tradicional: é caracterizado pela organização do conhecimento por disciplinas. Na educação. O professor atua como facilitador da aprendizagem. currículo oculto. c) Pós-críticas: referem as questões do multiculturalismo (diferença e identidade). na atividade. eficiência. →Currículo oculto: São as influencias que de certa forma afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores que tem origem no meio social e vivenciados na própria escola. pois questionam a neutralidade das teorias e práticas curriculares. enquanto que outras colocam a relação pedagógica como mediadora na formação política. bem como as relações de gênero e da pedagogia feminina. valorizando a cultura de todos para que ocorra o desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. que subsidiaram a escolha e sistematização dos conteúdos a ser trabalhado em cada série. de adequação ao meio. representação.172) explica: É a execução de um plano. valoriza-se a atividade de pesquisa do aluno. que atualmente é a informática e a mídia que precisarão para ser utilizado como instrumentos de aprendizagem de técnicas mais refinadas de transmissão. E chamado de currículo legal expresso em diretrizes curriculares. embora se constitua como importante fator de aprendizagem”. raça. p.175): “Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. →Currículo racional-tecnológico (tecnicista): sua característica central é que este é previamente prescritos por especialista. etnia. no ritmo de cada um. Níveis de Currículo: Podemos distinguir alguns tipos de currículo. (por exemplo: Parâmetros Curriculares Nacionais).172) descreve: “O currículo está oculto porque ele não é prescrito. Elementos: ideologia. capitalismo. onde acontece à junção do currículo formal com os currículos real e oculto. partindo de critérios científicos e técnicos. diferença. 23 . da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. ensino. que irão contemplar os interesse do mercado na sociedade. Libâneo (2004. avaliação. por que destacam o papel do meio.

a sistematização do currículo tem como pano de fundo. as crenças. antropólogos. os objetivos e os conteúdos são determinados. privilegiam a classe burguesa. os anseios de um povo. envolvendo os métodos e as técnicas a serem utilizados para a transmissão de conhecimento de geração para geração.185): É o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. da convivência social na escola. utilizado o método de projetos. Deste modo. como a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação. fortuitos. tem mais flexibilidade no que diz respeito aos conteúdo. Autoria de Maria Luiza Latour Nogueira . como também todos os momentos para desenvolver a ação de educar. que foram responsáveis. a compreensão de como produzem. de recursos eficazes de promoção de aprendizagens mais sólidas e duradouras pelos alunos. representa as idéias da abordagem curricular tradicional. CONSELHO ESCOLAR Qual a principal função do Conselho Escolar? (12 02 2007) -. vídeos. nas aulas.3 Tipos de currículo: Os tipos de currículo estão diretamente ligados às concepções e a visão de alguns teóricos sobre o que é ensino. para favorecer a integração da aprendizagens e os saberes que serão úteis ao educando para lidar com questões e problemas da realidade. que são colocados em prática na escola. de modo que os conhecimentos. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. pretende-se que. ou seja.LDB. Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. → Currículo como produção cultural: os autores que defendem este modelo de currículo. integrado ou globalizado. a vivencia cultural dos alunos. →Currículos abertos: Tem como norte a interdisciplinaridade.Última Atualização: (20 03 2007). Esta citação de Libâneo. critica também a forma como são construídos os saberes escolares. simultaneamente. Suscitar e garantir processos integradores e apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos. análise. no currículo oculto. daí. destaca Libâneo (2004 p. Todos os segmentos da escola. de certa forma se adequar à inquietação de alguns educadores. minimizando ou até recusando um currículo formal. não fica suficientemente esclarecida nessa proposta a forma pela qual os professores transformam as análises dos fundamentos sociais e culturais do currículo em práticas de sala de aula nas suas matérias. apenas seguem o que foi prescrito no currículo. no que tange a confecção do currículo nacional. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. Refletindo sobre esta idéia. estes podem ser organizado por aéreas de conhecimento. os alunos dificilmente farão analises da realidade e não serão aptos a formular estratégias para sua atuação.SEB . sociólogos. procedimentos. tecnicista. sem termos um norte denominado currículo e programas. tomada de decisões. a escola não tem autonomia para tomar decisões. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade.180) enfoca: Com essa orientação. laboratórios. →Currículos fechados: É caracterizado por disciplinas isoladas. a teoria e os conteúdos culturais sistematizado. envolve várias práticas educativas que possam ajudar no processo de ensino-aprendizagem. inscrito numa grade curricular. 24 . sem no entanto acumular déficit de conteúdos. que na concepção deles. →Currículo integrado ou globalizado: Este currículo tem como percussores os autores espanhóis (Torres Santomé. Sobre a concepção deste modelo de currículo esclarece Libâneo (2004 p. ou seja. á diversificação da cultura escolar. A esse respeito Libâneo (2004. enquanto que o currículo aberto representa o movimento por uma escola nova. p. Mas. e sim demonstrar meios para que o aluno possa construir seu conhecimento de forma critica e reflexiva. têm vez e voz na definição dos temas geradores a ser desenvolvido. qual o verdadeiro papel da educação em épocas distintas de modos e costumes vividas pela sociedade. atitudes sejam integrados na estrutura mental do aluno. Sobre o resultado prático da interdisciplinaridade explica Libâneo (2004 p. deve-se acolher a diversidade. que são permeados de idéias sociais e de renovação pedagógica. Eu sei que os professores precisam compreender as formas pelas quais o conhecimento escolar se constitui e em que grau as relações sociais na sala estão impregnadas de relações de poder. que norteiam todo os caminhos a serem percorridos no Brasil no âmbito educacional. síntese. 1989).). o aprender a aprender (Torres Santomé. a interdisciplinaridade. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. se elaboram e se transformam esses conhecimentos. sempre com um olhar analisador a cerca da sistematização dos conteúdos do currículo. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes.Neste olhar. como se realiza o trabalho efetivo de ensino? Qual é a contribuição desses autores sobre as condições de provimento de melhores situações de aprendizagem. visto que não adianta romper com poder. entre outros). classificação. ao lado dos conteúdos culturais. centrado na valorização de elementos causais. não é levado em conta os saberes e competências dos profissionais da educação. como também ressaltar. sem os conceitos. Neste panorama. comunicação. Estabelecer ligações entre teoria e prática. não só pela mudança da compreensão do ato de aprender. a importância dos processos mentais na aprendizagem (observação. etc. currículo como produção cultural. comparação. Estabelecer ligações entre os pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento.178): Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. a escola é um local de reconstrução do conhecimento. na esfera da escola e do currículo. destacando a importância da interdisciplinaridade. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. sociocrítico. As idéias que norteiam este modelo curricular são: buscar a integração de conhecimento e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e critica da realidade. onde se notam fragmentos de currículos ligados às idéias de psicólogos. Alguns princípios que norteiam a interdisciplinaridade são: Ter como referencia o sujeito que aprende e sua relação com o saber. que é um dos elementos utilizados pela escola. no currículo em ação. das diferenças. como o currículo construtivista. 2. se preste atenção a tudo o que acontece na escola. visitas. deixando de fora a classe dos oprimidos. Desta forma o educador deve utilizar todos os lugares da escola. Incorpora-se também neste modelo. Resumindo na prática este modelo de currículo. Hernandez. mas de grandes reformas educacionais.183): Além disso. o currículo fechado. ou seja. vêem a escola como uma reprodutora do poder político.

Esse pensamento é primordial para que o conselho de classe seja um espaço. o certo é procurar saber se aumentou não o número dos que têm direito de participar das decisões que lhes dizem respeito. na qual os segmentos escolares e a comunidade local se congregam para. Nesse contexto. ou mesmo os supervisores e orientadores educacionais. Sendo assim. pode-se compreender porque a função do Conselho Escolar é fundamentalmente político-pedagógica. “quando se quer saber se houve um desenvolvimento da democracia num dado país. Com esse propósito. Toda essa postura de acompanhamento tem uma finalidade maior: a construção de uma educação democrática e emancipadora. a avaliação da aprendizagem escolhida. mas os espaços nos quais podem exercer esse direito”. 2004). séries ou ciclos. prioritariamente. ou seja. De acordo com a autora. do processo ensino-aprendizagem. o conselho de classe apresenta como características principais. sua tarefa mais importante. Vale dizer. juntamente com os coordenadores pedagógicos. Assim. autônomos e emancipados e entendendo o Conselho Escolar como um mecanismo de gestão democrática colegiada. será a que mais se enquadra nessa finalidade. nas suas diversas dimensões. o Conselho Escolar pode iniciar uma ação consciente e ativa na escola. a função político-pedagógica do Conselho Escolar se expressa no “olhar” comprometido que desenvolve durante todo o processo educacional. pela opção escolhida. Cabe destacar que o sentido político aqui desenvolvido não se refere à política partidária. e. para expressar suas idéias e pontos de vista (Brookfield. 1998). como eventualmente ocorre. a educação emancipadora – por ter caráter político-pedagógica – é a que pode vir a ser mediadora dessas mudanças sociais. Assim. entre tantos outros possíveis. 1987).” (Dalben. mas como um parceiro de todas as atividades que se desenvolvem no interior da escola. ao menos dois tipos de educação e. juntamente com o Conselho de Classe. para que tal atitude aconteça os professores e coordenadores precisam entender que o ensino-aprendizagem requer reflexão e troca de experiências. então. num processo permanente de acompanhamento e avaliação. a gestão deixa de ser o exercício de uma só pessoa e passa a ser uma gestão colegiada. na implementação e na avaliação das ações da escola. pois estabelece os mecanismos necessários para que essa transformação realmente aconteça. E é pedagógica. Sua participação. Nesse acompanhamento co-responsável. tudo irá decorrer dela: os conteúdos a serem desenvolvidos em sala de aula. construírem uma educação de qualidade e socialmente relevante. reúnem-se para refletir e avaliar o desempenho pedagógico dos alunos das diversas turmas. portanto. o foco é a troca de experiências e a reflexão antes da decisão. Com isso. Inclusive. Seja qual for a opção desejada pelo sistema de ensino e pela escola. acompanhar o desenvolvimento da prática educativa. O conselho de classe é uma atividade em que a avaliação é constituída a partir das experiências vividas na sala de aula. a Associação de Pais e Mestres. Se. É política. indica quais aspectos podem ser mantidos. A construção da avaliação é feita através da oportunidade de rever métodos. a opção da escola for a de ser instrumento para a transformação da realidade. não como instrumento de controle externo. até mesmo. o Conselho Escolar participa da elaboração do projeto políticopedagógico e acompanha o desenrolar das ações da escola. Dessa forma. como apresentação da realidade que. O conselho de classe é um órgão colegiado em que “vários professores das diversas disciplinas. 25 . isto é.Para que haja uma gestão democrática na escola é fundamental a existência de espaços propícios para que novas relações sociais entre os diversos segmentos escolares possam acontecer. à essência do trabalho escolar. uma vez que. para torná-la uma prática democrática comprometida com a qualidade socialmente referenciada. Compreendendo a educação como prática social que visa o desenvolvimento de cidadãos conscientes. Assim. é sua focalização principal. a forma de participação direta de todos os profissionais que atuam no processo pedagógico. sua função básica e primordial é a de conhecer a realidade e indicar caminhos que levem à realidade desejada. precisa estar ligada. o processo de participação dos diversos segmentos nas atividades escolares. o Conselho Escolar constitui um desses espaços. uma organização interdisciplinar e apresenta como centro do trabalho a avaliação dos alunos. não se afirma como um fim em si mesmo. CONSELHO DE CLASSE (Mônica Galante Gorini Guerra). Tudo isso. a metodologia a ser empregada pelos docentes. deliberativo e de mobilização mais importante do processo de gestão democrática. no entanto. 2004:31). de processos de ensinoaprendizagem diferentes. onde o aspecto técnico é o mais enfatizado. nesse processo. que a principal função do Conselho Escolar é político-pedagógica. a primeira atividade que o Conselho Escolar traz para si é a de discutir e definir o tipo de educação ser desenvolvido na escola. para Bobbio (2000). tendo como foco privilegiado a aprendizagem. contudo. divide-se o poder e as conseqüentes responsabilidades. o papel do Conselho Escolar é o de ser o órgão consultivo. Nesse sentido. enfatizando a transformação da ação (Liberali. a função do Conselho Escolar. A partir de então. quais os que devem ser revistos na prática cotidiana da escola e quais novos procedimentos precisam ser propostos. os professores juntamente com o coordenador pedagógico refletem sobre os acontecimentos escolares e juntos analisam a atitude a ser tomada (Dalben. mas sim a toda ação consciente e intencional que vise manter ou mudar a realidade. por sua vez. o Grêmio Estudantil. Esses momentos de avaliação servem como diagnóstico. Se a opção escolhida pela escola for pela manutenção da realidade. juntos. sabendo onde se deseja chegar e que tipo de educação se deseja desenvolver. qual seja: no planejamento. na medida em que estabelece as transformações desejáveis na prática educativa escolar. Ocorre que o Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental: ele se constitui uma forma colegiada da gestão democrática. que são socialmente construídas (Vygotsky. a educação voltada apenas para o conteúdo. a pergunta que o Conselho Escolar pode fazer é: Queremos que nossa escola desenvolva uma educação que mantenha a realidade em que vivemos ou uma educação que contribua para a transformação dessa mesma realidade? Pode-se imaginar. onde se sintam livres para colocar-se. Assim. a fim de que os professores desenvolvam o pensamento crítico. Com isso definido. Cada professor traz as suas experiências e a de seus alunos.

a mudança está submetida a dificuldades. 2004). Conhecer as origens do conselho de classe é fundamental. os problemas ambientais já mostravam a irracionalidade do modelo econômico. excesso de matéria orgânica e erosão. Essa situação pode ser relacionada com a organização da escola. mudar é possível. no contexto da implantação da lei nº 5692/71. é social.. tensões. estimular os professores a verbalizarem as suas experiências. então. Sendo assim. nem você muda sempre na direção com que você sonha. Assim. O que é preciso é saber que a mudança não é individual. mesmo hoje regidos pela lei nº 9394/96 esse problema permanece na maioria dos cotidianos escolares. EDUCAÇÃO AMBIENTAL (Tânia Regina Effting e adaptações). No ano de 1975. As concepções de ensino e avaliação. na Suécia. num clima político pautado pelo autoritarismo. segundo os quais esta deveria ser contínua. a Conferência estabeleceu um “Plano de Ação Mundial” e. nos possibilitando redimensionar o passado e construir novas práticas. A colaboração é um processo complexo sendo necessário à participação de todos. com a recomendação de que ela deveria se tornar uma parte essencial de educação de todos os cidadãos. Trabalhar em grupo durante o conselho de classe é primordial porque trabalhamos com a interação entre os membros da equipe. que estruturava o sistema educacional. Nesse sentido. do dia 5 a16 de julho. O coordenador pode. na Inglaterra. ou durante as interações verbais. Assim. Iugoslávia. 2001:168). elaborações.C. Quer dizer. justificava-se a prática dos conselhos de classe presa à simples legitimação dos resultados já apresentados pelos professores. No conselho de classe. O fio condutor do discurso passa naturalmente de um participante para o outro ou. também. você não muda porque quer. transmitindo conteúdos instrucionais definidos por especialistas e assim. os conselhos de classe. supondo uma função de cunho essencialmente pedagógico. buscando auxiliar o processo avaliativo a partir da necessidade de maior conhecimento do aluno. A partir de 10 mil anos a. é pelo diálogo entre o coordenador pedagógico e os professores em um contexto de reflexão crítica que é possível observar e perceber os problemas do cotidiano escolar buscando soluções cabíveis. na Conferência de Educação da Universidade de Keele. Desde então. No início da década de 60. a UNESCO promoveu em Belgrado. A autora atribui a esse fenômeno o nome de “co-construção de raciocínio”. a “Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano”.” (Pontecorvo. a formação docente deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva. No encontro. multidisciplinar. a mudança não é arbitrária. pela retomada com o objetivo de acrescentar variações.1930/2002) e que passam a fazer parte do conselho de classe. colocou-se pela primeira vez a expressão Educação Ambiental. poluição do solo. A Organização das Nações Unidas promoveu. fornecendo aos professores meios para desenvolver um pensamento autônomo que proporcione as dinâmicas de um trabalho livre e criativo com foco à construção de uma identidade profissional. 1992). O estudo da origem dos conselhos de classe no Brasil (Rocha 1986 e Dalben 1992) possibilita constatar que sua implantação advém da necessidade sentida pela comunidade escolar. estavam enraizadas na necessidade de controle interno do fenômeno pedagógico. poluição do ar pelas queimadas. Quando o coordenador pedagógico pensa em colaborar é necessário ter ciência que implica em conflitos. pelas derrubadas das florestas. em particular. como uma dimensão individual. a revolução agrícola acarretou impactos sobre a natureza. ocorre um ‘pensar em conjunto’( . 2005:71-73). o homem ouviu falar em extinção de espécimes da fauna e flora. A discussão sobre as terríveis disparidades entre os países do Norte e do 26 . é a partir da ação partilhada que se constrói o conhecimento e neste contexto de pesquisa é de suma importância o desenvolvimento de um trabalho de colaboração entre o coordenador pedagógico e os professores. uma vez que através dessas enunciações demonstram como está sendo construída a avaliação dos alunos. Muitas ações ocorridas no conselho de classe buscavam controlar e racionalizar os nossos motivos e atos (Bordieu. pois “o raciocínio sobre um argumento específico dentre aqueles propostos se constrói muitas vezes pela contribuição de vários interlocutores: em outras palavras. falta de assiduidade e falta de interesse. o Encontro Internacional sobre Educação Ambiental. onde o objeto do discurso é compartilhado entre os participantes. essa busca pela transformação na construção da avaliação dos alunos pode ser observada pela linguagem dos participantes e “no momento que nós inventamos uma linguagem e a produção social dessa linguagem. compartilhando experiências. que se manifesta de diferentes formas conversacionais. foi no ano de 1972 que ocorreu os eventos mais decisivos para a evolução da abordagem ambiental no mundo. Evidentemente. possibilitando análises globais do aluno em relação aos trabalhos desenvolvidos e a estruturação de trabalhos pedagógicos. como ficou consagrada. No entanto através de pesquisas desenvolvidas por Dalben (1992) e Fongaro (1998). mas ainda não se falava em Educação Ambiental. Quanto a isso. Somente em março de 1965. não há dúvida. adquirindo relevância e vigência internacionais. aglutinariam as diferentes análises e avaliações dos diversos profissionais. De acordo com Dias (1991). E de acordo com Dalben (2004: 37). Dentro desse panorama. (ou Conferência de Estocolmo). unindo especialistas de 65 países. foram formulados princípios e orientações para um Programa Internacional de Educação Ambiental. excluindo a participação de setores representativos da sociedade. distanciamentos e compreensões sobre e nos discursos durante o conselho de classe relacionando-os com valores e metas definidos pela escola em seu projeto político pedagógico. integrada ás diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais. Mas a mudança é possível!” (Freire.). tudo transcorria em uma relação individualizada e de isolamento profissional. recomendou que devesse ser estabelecido um Programa Internacional de Educação Ambiental. nesse contexto. (MUCELIN. pois fornece bases para compreensão da orientação política inicial e os rumos dados até os dias atuais. é possível construir um significado do quanto é relevante a dimensão da construção social do pensamento e do raciocínio em contextos de discussão sobre a avaliação dos alunos. Considerada um marco histórico-político internacional. Foi onde a Educação Ambiental passou a ser considerada como campo de ação pedagógica. constatou-se que os conselhos de classe desenvolvem momentos de análise para verbalizarem notas e a avaliação escolar presos às medidas de rendimento. sendo o aluno o portador de problemas quanto a falta de estudo.

o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). na qual se expressava a necessidade do exercício de uma nova ética global. voltado para o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias á compreensão e apreciação das inter-relações entre o homem. de 25. é a aprendizagem de como gerenciar e melhorar as relações entre a sociedade humana e o ambiente. com o decreto nº 73. baseado em um complexo e sensível entendimento das relações do homem com o ambiente e a sua volta: • Em 1977. Além dos debates oficiais. a EA foi definida como um processo que deveria objetivar a formação de cidadãos: • Em 1970. deve desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas. Assim sendo. a EA se caracteriza por incorporar a dimensão socioeconômica. para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado. a Carta de Belgrado.Sul gerou. orientada para a resolução dos problemas. a respeito das questões relacionada com a conservação e adequada utilização dos recursos naturais. dois. na satisfação material e espiritual da sociedade. entre os incontáveis eventos paralelos. trouxe grande esperança.sua história. A Carta Brasileira para a Educação Ambiental. minorar os danos existentes. sob uma perspectiva holística. e os processos naturais ou artificiais que o causam e que sugerem ações para saná-lo. Minini relatou que a AE é um processo que consiste em propiciar ás pessoa uma compreensão crítica e global do ambiente. fatores econômicos e tecnológicos. Nessa conferência foram definidos os objetivos e as estratégias pertinentes. aumentar a produtividade. Já aparecia em 1973. • Em 1996. saber lidar e manter os sistemas ambientais na sua totalidade. especialmente para os educadores. • Em 1969. para elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa. Assim. A trajetória da presença da educação ambiental na legislação brasileira apresenta uma tendência em comum. Educação Ambiental: Definições Educação Ambiental é a preparação de pessoas para a sua vida enquanto membros da biosfera. chegou-se a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). e o "Workshop sobre Educação Ambiental" organizado pelo MEC. apreciar. utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para a aquisição de conhecimentos. o decreto nº4281. pois há muito já se fazia educação ambiental. cultural e histórica. da fome. não podendo basear-se em pautas rígidas e de aplicação universal.2002. que constitui até hoje o ponto culminante do Programa Internacional de Educação Ambiental. que proporcionasse a erradicação da pobreza.4. Educação Ambiental: Conceitos e sua Evolução. do analfabetismo. Rússia. Acrescentou-se aos princípios básicos da Carta de Belgrado que a Educação Ambiental deve ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais. celebrou-se em Tbilisi. orientada para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais e de atividade que levem á participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental: • Em 1992. em 1977. sem esquecer da necessidade de realização de atividades práticas e de experiências pessoais. a Internacional Union for the Conservation of Nature (IUCN) definiu a EA como um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos. um dos encontros do Fórum Global atraiu cerca de 600 educadores do mundo todo. política. independente de haver ou não um marco legal. ambientalistas e professores. nesse encontro. Postulou-se que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação global. quinze depois de Tbilisi e cinco depois de Moscou. Mellows apresentou a AE como um processo no qual deveria ocorrer um desenvolvimento progressivo de um senso de preocupação com o meio ambiente. nasceram três documentos que hoje estão entre as principais referências para quem quer praticar Educação Ambiental: Agenda 21. Vinte anos após Estocolmo.030. reconhecendo o valor do saber prévio dos estudantes. conhecer e utilizar novas oportunidades e tomar decisões acertadas. com vista a utilizar racionalmente os recursos do meio. elaborados pela Comissão Internacional para preparação da Rio-92. que se transformou num momento especial também para a evolução da Educação Ambiental. evitar desastres ambientais. percepções. definiu a AE como um processo de formação e informação. entre suas atribuições. a promoção do “esclarecimento e educação do povo brasileiro para o uso adequado dos recursos 27 . que criou a Secretaria especial de Meio Ambiente explicitando. seus valores. definiu a AE como uma dimensão dada ao conteúdo e á prática da educação. de 27. Dessa forma podem-se analisar vários conceitos de EA no decorrer da evolução. que é a necessidade de universalização dessa prática educativa por toda a sociedade. no presente o no futuro: • Em 2000. através de um enfoque interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade. significa aprender a empregar novas tecnologias. em favor do bem-estar da comunidade humana. Destes eventos. em nível nacional e internacional.1999 e do seu regulamento. devendo considerar as condições e o estágio de cada país. é o aprendizado para compreender. O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.6. Passados dez anos da Conferência de Tbilisi. significa aprender a ver o quadro global que cerca um problema específico . a evolução dos conceitos de EA esteve diretamente relacionada á evolução do conceito de meio ambiente e ao modo como este era percebido. de modo integrado e sustentável. a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. Marco Legal A aprovação da Lei nº 9795. promovido pela UNESCO. estabelecendo a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). a EA deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conforma o ambiente. realizou-se o Congresso Internacional sobre a Educação e Formação Relativas ao Meio Ambiente (1987) em Moscou. De acordo com Dias (1991). orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente. sua cultura e seu entorno biofísico: • Em 1972. região e comunidade. URSS. da poluição e da dominação e exploração humana. foram marcantes: a "1ª Jornada Internacional de Educação Ambiental". a conferência realizada em Tbilisi.

• aplicar um enfoque interdisciplinar. em seu artigo 2º inciso X. de modo que os educandos se identifiquem com as condições ambientais de outras regiões geográficas. A Escola na Educação Ambiental Considerando toda essa importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo. econômico. • destacar a complexidade dos problemas ambientais (sócioambientais) e. política e ecológica. A lei nº 6938. é no sentido de promover a articulação das ações educativas voltadas às atividades de proteção. a necessidade de promover “educação ambiental a todos os níveis de ensino. institucionais e econômicas voltadas à proteção. recuperação e melhoria sócia ambiental.8. do ser humano com ele mesmo e do ser humano com seus semelhantes é condição imprescindível para que a Educação Ambiental ocorra. o interesse ativo a as atitudes. para surtirem o efeito desejável na construção de sociedades sustentáveis. jurídicas. político. obrigatoriamente (. assim. a presença. inclusive a educação da comunidade. e continuando através de todas as fases do ensino formal e não-formal. a atitudes positivas e ao comprometimento pessoal com a proteção ambiental implementados de modo 28 . inciso II. aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina. • ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais. é o primeiro passo para alcançar o pensamento sistêmico. nº 9394/96. a possibilidade de adquirir os conhecimentos. tecnológicos. nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto. segundo o qual os currículos do ensino fundamental e médio “devem abranger. §1º. que organiza a estruturação dos serviços educacionais e estabelece competências. necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente. e no artigo 36. em conseqüência. para o ensino fundamental. as atitudes. Dessa forma. com ações orientadas em projetos e em processos de participação que levem à autoconfiança. 225. segundo o qual se exige. • utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para comunicar e adquirir conhecimento sobre o meio ambiente. a existência da interdependência econômica. incluindo nesse contexto as ações em educação ambiental. • Cidadania: participar ativamente e resgatar direitos e promover uma nova ética capaz de conciliar o ambiente e a sociedade. inciso IV).) o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. e de potencializar a função da educação para as mudanças culturais e sociais.. apresentando uma dupla função a essa transição societária: propiciar os processos de mudanças culturais em direção a instauração de uma ética ecológica e de mudanças sociais em direção ao empoderamento dos indivíduos. especialmente do Brasil”. Educação Ambiental: Princípios Básicos • considerar o meio ambiente em sua totalidade. despontam também as atividades no âmbito educativo. sobressaem-se as escolas. Atribui-se ao Estado o dever de “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e conscientização pública para a conservação do meio ambiente” (art. de 31. a respeito do meio ambiente. a “compreensão ambiental natural e social do sistema político. surgindo. exprimindo. da tecnologia. de modo que se adquira uma perspectiva global e equilibrada. também evidenciou a capilaridade que se desejava imprimir a essa dimensão pedagógica no Brasil. pois isso necessita de atividades de sala de aula e atividades de campo. • construir um processo contínuo e permanente. recuperação e melhoria sócio ambiental. • examinar as principais questões ambientais. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade”. a referência é feita no artigo 32. • Induzir novas formas de conduta nos indivíduos. da reflexão sobre as relações dos seres entre si. no tempo e no espaço. que institui a política Nacional do Meio Ambiente. em seus aspectos naturais e criados pelo homem. os aspectos ambientais nos planos de desenvolvimento e de crescimento. ao mencioná-la como um componente essencial para a qualidade de vida ambiental. moral e estético. • Proporcionar.. • Compreensão: conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem os sistemas naturais. nacional e internacional.naturais. • concentrar-se nas situações ambientais atuais. grupos e sociedades que se encontram em condições de vulnerabilidade face aos desafios da contemporaneidade. a todas as pessoas. Mas a Constituição Federal de 1988 elevou ainda o status do direito à educação ambiental. acentuando devidamente as atividades práticas e as experiências pessoais. • insistir no valor e na necessidade da cooperação local. social. sociais.1981. Importância da Educação Ambiental As estratégias de enfrentamento da problemática ambiental. o sentido dos valores. do ponto de vista do local. (PRONEA) Para VASCONCELLOS (1997). • Responsabilidade: reconhecimento do ser humano como principal protagonista. • Competência: capacidade de avaliar e agir efetivamente no sistema. assim como as medidas políticas. Na Lei de Diretrizes e Bases. (ProNea) E nesse contexto onde os sistemas sociais atuam na promoção da mudança ambiental. ou seja. técnico. regional. histórico-cultural. existem poucas menções à questão ambiental. em todas as práticas educativas. Na legislação educacional. Objetivando capacitá-la para a participação ativa na defesa do meio ambiente”. tendo em conta também a perspectiva histórica. que se insere a Educação Ambiental no planejamento estratégico para o desenvolvimento sustentável. a necessidade de desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas. a educação assume posição de destaque para construir os fundamentos da sociedade sustentável. nas zonas urbanas e rurais. nacional e internacional para prevenir e resolver problemas ambientais. • considerar de maneira explícita. como espaços privilegiados na implementação de atividades que propiciem essa reflexão. o direito constitucional de todos os cidadãos brasileiros terem acesso à educação ambiental. ainda é superficial a menção que se faz à educação ambiental. tendo em vista a conservação do meio ambiente”. Educação Ambiental: Princípios Gerais • Sensibilização: processo de alerta. envolvem uma articulação coordenada entre todos os tipos de intervenção ambiental direta. Educação Ambiental: Suas Finalidades • Ajudar a fazer e compreender claramente. §1º. Portanto. começando pelo pré-escolar.

com a aquisição de determinadas habilidades. mais precisamente. SOUZA (2000) afirma. à elaboração de pequenos projetos de intervenção. só se torna professor depois de se formar e essa formação depende de determinados requisitos indispensáveis para iniciar-se na profissão. exclusivamente obtidas mediante o exercício prático da profissão. É como se na prática. em um ambiente saudável. Esse período é marcado pela ênfase na certificação de habilidades. oficinas e saídas a campo. da atribuição de um papel central ao sujeito que aprende (em vez de o atribuir à figura do formador)”. para a prática docente? A tendência hoje fortemente questionada. para simplesmente não cairmos no maniqueísmo disto ou daquilo. professores e funcionários. ou da prática docente? Mantemos o modelo cuja característica marcante é se realizar. falarmos de formação do professor no seu sentido continuado quer seja ela em serviço ou não. de áreas. currículos. senão a partir de seu próprio 29 . para sua própria espécie. segundo Canário (1997) é colocar em questão qualquer solução baseada na perspectiva cumulativa da aquisição de conhecimentos. Assim sendo. palestras. a formação de um profissional não é um processo indefinido – o limite é dado no momento em que recebe um certificado de habilitação para o exercício da profissão docente. inclusive. É fundamental que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos sociais construtivos. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática. Tendo a clareza que a natureza não é fonte inesgotável de recursos. da reciclagem. quase sempre. conjugada com a obsolescência desses conhecimento os sirvam de justificativa para processos formativos estruturados pela noção de “reciclagem”. auxiliando-o a analisar criticamente os princípios que tem levado à destruição inconseqüente dos recursos naturais e de várias espécies. enfim. Por estas relações pode-se perceber que entre os referidos processos existe o mesmo tipo de tensão que encontramos entre o crescimento e a procriação do ser vivo. atingindo tanto o bairro no qual a escola está inserida como comunidades mais afastadas nas quais residam alunos. Desta feita.interdisciplinar (DIAS. Assim. A formação inicial estaria. segundo a qual as insuficiências da formação inicial. O aluno trabalha nela como se ela fosse sinônima da sua habilitação. colocando em segundo plano qualquer noção de formação continuada destinada a atualizar ou suprir lacunas diagnosticadas na formação inicial dos professores. Essa idéia fica ainda mais assumida em Pimenta quando afirma: “O. No processo de formação de professor. principalmente o ambiente da escola. sobretudo. ou vice-versa. para os outros seres vivos e o ambiente. a partir da coleta de dados. Em seu lugar têm-se proposto. colaborando para a construção de uma sociedade socialmente justa. Esse processo oferece possibilidades para os professores atuarem de maneira a englobar toda a comunidade escolar e do bairro na coleta de dados para resgatar a história da área para. Da prioridade da racionalidade técnica sobre a racionalidade prática. evitando o desperdício e considerando a reciclagem como processo vital. FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES (Fernando Casadei Salles) É preciso esclarecer a verdadeira natureza das relações entre os processos de formação inicial e continuada. da racionalidade prática sobre a racionalidade técnica. de acordo com as regras existentes. diretamente relacionada. também como um produto do seu desenvolvimento profissional. que o estreitamento das relações intra e extra-escolar é bastante útil na conservação do ambiente. suas reservas são finitas e devem ser utilizadas de maneira racional. se tratasse de duas lógicas incomunicáveis entre si: uma preocupada com a aquisição de determinados saberes escolares. Assim sendo a escola é o espaço social e o local onde o aluno será sensibilizado para as ações ambientais e fora do âmbito escolar ele será capaz de dar seqüência ao seu processo de socialização. Assim. onde ele efetivamente realiza o seu desenvolvimento profissional. as ações humanas e sua conseqüência para consigo. profissional não pode constituir seu saber-fazer. conhecer seu meio e levantar os problemas ambientais e. e a outra preocupada com a obtenção de competências sócioprofissionais. 1992). ou seja. significa antes de qualquer coisa falarmos do caráter lógico-associativo que essa prática precisa assumir frente aos problemas da teoria e da prática envolvidas no processo de formação do professor. só possíveis de serem adquiridos por via escolar. segundo Canário (1997:4): “uma forte valorização dos saberes adquiridos por via experiencial e. a relação não é diferente. senão. Esse processo de sensibilização da comunidade escolar pode fomentar iniciativas que transcendam o ambiente escolar. como ação planejada de fora para dentro da escola? Ou invertemos a situação e trazemos o modelo de formação dos professores para o interior da escola. E o organismo precisa estar formado de uma certa maneira. no cotidiano da vida escolar. Pensa-se exclusivamente de um ponto de vista acadêmico. A metodologia teórica e prática dos projetos ocorrerão por intermédio do estudo de temas geradores que englobam aulas críticas. contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis. da atualização dos conhecimentos obtidos na formação inicial. mínimas e indispensáveis. pois. etc. Não lhe ocorre em nenhum momento nessa fase imaginar a sua formação. a tendência atual consiste em focalizar a atenção no potencial formador e transformador dos saberes adquiridos na experiência do cotidiano da prática docente. Dentro da escola deveremos encontrar meios efetivos para que cada aluno compreenda os fenômenos naturais. Talvez aqui seja interessante distinguir a questão da racionalidade técnica da racionalidade prática. Ressaltado que as gerações que forem assim formadas crescerão dentro de um novo modelo de educação criando novas visões do que é o planeta Terra. Exatamente nesse ponto emerge a questão de fundo da discussão sobre a formação continuada de professor: de que ponto de vista metodológica deve-se continuar o processo de formação do professor? Por meio da extensão. Por isso é que o futuro professor se concentra nessa fase com as demandas próprias da sua condição de estudante. pode-se dizer que o primeiro problema complexo da formação dos professores diz espeito ao caráter lógico-dissociativo entre o ambiente escolar onde o aluno se habilita para a profissão e a escola em que ele trabalha como professor. disciplinas. o indivíduo só pode procriar depois que seu organismo está formado. portanto. A escola dentro da Educação Ambiental deve sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente e as demais espécies que habitam o planeta. ele deixa de concretizar o ato da procriação.

além. Não é por que as nossas convicções teóricas de análise discordam dos modelos de racionalidade técnica empregados. Sala de aula não é consultório. elas não podem ser consideradas. ou que se começou. o professor tem que identificar as dificuldades existentes na c lasse para poder dar um bom andamento à aula. Se muitos alunos queixam. que vamos desmerecer a necessidade para o desenvolvimento profissional docente de uma sólida formação inicial e na continuidade de uma renovação. como se pode perceber. escola não é clínica. de tempos em tempos. possibilitam aos professores manterem-se atualizados diante das diferentes condições de trabalho permanentemente colocadas nas suas práticas docentes. Não é senão sobre essa base que o saber. na vida familiar. MEMBRO DO CORPO DOCENTE. Os alunos correm o risco de ser manipulados pelo professor em virtude da própria posição de poder que ele exerce na c lasse. 4. tendo em vista. Se assim fosse. ou mesmo aprimorando. não venhamos excluir ou reduzir indevidamente o espaço de outras instâncias da formação dos professores. é como se fosse possível substituirmos simplesmente uma forma de racionalidade por outra. o professor tem direitos e obrigações. o diagnóstico quase unânime em relação à precariedade da formação inicial dos professores do país. na escola. Portanto. Ao nosso ver. Portanto. no contexto de suas experiências empírico-profissionais. A maior força do professor. quanto à constante introdução de novos saberes escolares. quatro funções: 1.fazer. é sinal de que algo está errado. O professor e essencial para a socialização comunitária e tem. O fato de ser professor não é garantia de estar sempre certo. Saber como ensinar: o professor precisa conseguir transmitir o que sabe. LIMITES E DISCIPLINA NA ESCOLA (IÇAMI TIBA) O desafio dos professores A disciplina escolar é um conjunto de regras que devem ser obedecidas tanto pelos professores quanto pelos alunos para que o aprendizado escolar tenha êxito. Senão é como se estivéssemos tentando continuar uma coisa que nem bem começou. evidentemente. no entanto. Independentemente da maneira como as estratégias de formação continuada. Partem de pressupostos teóricos e metodológicos distintos. ou discordam do sentido burocrático dado ao processo de certificação das habilidades escolares obtidas na formação inicial. lembramos que os professores se formam também nas lutas democráticas e sindicais. sobretudo perante as indisciplinas dos alunos. sobretudo despolitizar o tema da formação dos professores. A única forma de solucionar um problema é identificar o erro. principalmente. pois exige um conhecimento mínimo de dinâmica de grupo. Como todo empregado. O que implica uma estratégia de política de formação continuada fortemente voltada para a superação dessa deficiência. jogando um professor contra outro. enquanto elaboração teórica se constitui” (1999:26). como o espaço exclusivo da “verdadeira” (e por que não única?) educação continuada. ao privilegiarmos a prática docente como o lócus preferencial de formação da identidade profissional do professor. Não podem (nem devem!) ser descarregadas nos alunos. Assim como não há por que rejeitarmos o princípio de que os professores se formam. haverá. a formação inicial do professor. Eventuais insatisfações ou desavenças empregatícias devem ser resolvidas por meio dos canais competentes. Numa escola em que cada professor atua como bem entende. não faria sentido as críticas de aligeiramento da formação inicial que caracterizam a atual política de formação de professores e tampouco as reivindicações de políticas que. na função de coordenador de alunos. como toda a certeza. a racionalidade técnica pela racionalidade prática. é preciso que sejam consideradas distintas. PROFESSOR PROPRIAMENTE DITO. é necessário saber o que se ensina. Isso se aprende no círculo profissional. ele não deve simplesmente fazer o que bem entender. nos momentos de lazer e de fruição estética e em tantos outros que. além das características do ambiente. descartáveis ou sem função. Um professor pode ouvir a reclamação de um aluno sobre outro professor e fazer com que chegue ao envolvido para que este possa tomar alguma providência no sentido de responder adequadamente à reclamação. Senão.se mutuamente. Para poder ensinar. por excelência. Seria falta de lealdade ficar sabotando os colegas perante os alunos. Esta função não é habitualmente ensinada no currículo. destacar o limite dessa afirmação no sentido de que a prática se mantenha apenas como critério e não se confunda com a própria verdade. como fazem os estudantes. Portanto. 3. Apesar de concordar com a idéia da prática como critério da verdade proposta por Garrido. conseqüentemente. extensão e atualização permanente dessa formação.se de um único professor. não há também porque negarmos a formação desses profissionais em outros contextos. inspiradas nos modelos da racionalidade prática. via de regra. 2. amplificando. a priori. da universidade. na formação de professores. está em seu desempenho na sala de aula. Por isso é importante que os professores adotem um padrão básico de atitudes perante as indisciplinas Mais 30 . mas não são irreconciliáveis. são vistas e comparadas com as de formação realizadas em serviço. negar que os professores se formam além das suas experiências empírico-profissionais significa desculturar e. Elegermos a escola ou o fazer-docente como o campo por excelência da formação dos professores. Pode ser um comunicador nato ou vir a desenvolver essa qualidade por meio da própria experiência. Em outras palavras. é uma qualidade de relacionamento humano entre o corpo docente e os alunos em uma sala de aula e. COORDENADOR DO GRUPO DE ALUNOS. bem como noções básicas de psicologia para manter a autoridade de coordenador. é preciso. É necessário compreendermos o caráter complementar de cada momento do processo de formação dos professores para que o campo da prática não acabe se tornando o único domínio da formação dos professores. no entanto. especialmente. o professor também pode estar errado. Os professores devem ajudar. não significa tomá-la. Como em qualquer relacionamento humano. Como todo o ser humano. excedem a experiência profissional restrita ao ambiente escolar. inspiradas nos modelos da racionalidade técnica. começou aligeirada e precariamente. ao representar a instituição escolar. Só para destacarmos o que talvez se possa considerar como dos mais importantes espaços de formação docente. suas experiências intra-escolares. EMPREGADO DE UMA INSTITUIÇÃO. discórdias dentro do corpo docente e os alunos saberão aproveitar-se dessas desavenças. na disciplina é preciso levar em consideração as características de cada um dos envolvidos no c aso: professor e aluno. basicamente. que não têm a ver com o problema.

sugiro a leitura do meu livro Ensinar Aprendendo. isto é. da necessidade de novas metodologias. das práticas sociais em que esse trabalho vai ocorrer. quanto mais conhecimento tiver. que esteja passando por greves e os conseqüentes conflitos entre grevistas e fura-greves. políticos ou sociais. empreendedoras e. salas muito quentes. em outras décadas. portanto. descartáveis após a prova. quanto mais estudar. Estudar para quê? Para passar de ano? Para ganhar presente? Para ter sabedoria? Pra os pais não “pegarem no pé”? Entretanto. menos ele dependerá da sorte. A primeira voltada para os que irão aprender a fazer tecnologia e a segunda. afinal. pessoas que dominassem o trabalho manual. ou da filosofia da tecnologia. bem diferente de atingir uma média 5 para não repetir de ano. esta determinação legal trouxe à tona o velho debate sobre educação geral x formação profissional. Quando um aluno ultrapassa os limites. são as pessoas mais animadas. mais preparado estará. com o surgimento da industrialização. apesar das duas expressões terem significados complementares. A expressão Tecnológica não possui um consenso no seu significado. O aluno também é peça-chave para disciplina escolar e o sucesso do aprendizado. com a obrigatoriedade do ensino profissionalizante. volta-se à questão do ensino técnico. a propósito. que pode fazer “cair na prova” o que o vestibulando mais estudou e “não cair” justamente o que estudou. da produção de conhecimentos. Na medida em que a Educação tecnológica ampliou o seu núcleo de atividades de comportando diferentes formas de atuação e concepção. Trata. incorpora também as dimensões correlatas da questão do trabalho e. a condição ambiental mais prejudicial é o estado psicológico do grupo. que as novas autarquias educacionais seriam instituições de ensino técnico com a finalidade de ministrar cursos da área de tecnologia e de formação de professores. foi assinada a lei 6545. Seus idealizadores ressaltaram no Relatório do Grupo de Trabalho. No entanto. A necessidade de busca de um domínio mais pedagógico é um fato marcante no campo da Educação Tecnológica. em que instituições como o SENAI começaram a preparar mãode-obra qualificada para o mercado de trabalho. mas na sua interação e integração diz 31 . por certo. Em termos de ignorância. Sem entrar no mérito da discussão. disciplinadas. também. EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA (MIRIAN PAURA SABROSA ZIPPIN GRINSPUN e José Roberto Mendes) A educação tecnológica é muito antiga na realidade brasileira. mais se quer aprender. como. Os estudos que vem sendo desenvolvidos têm se pautado por áreas mais ou menos específicos num enfoque teórico que se respalda. esportes. No vestibular. sendo o seu modelo paradigma para o ensino nesta área. Ela teve início pelo então ensino técnico que criou as suas primeiras escolas técnicas propriamente ditas. música.. O ensino fundamental e médio tende a ser aprovativo. e os piores. A Educação Tecnológica pode ser focalizada de vários pontos de vista: do mundo da educação. que no tocante aos aspectos pedagógicos teve seu ápice na lei 5692/71. há que se ter uma visão um pouco mais objetiva do que entendemos atualmente por educação Tecnológica. quando estão interessados em algum assunto em particular (computação. escuras. bem como brigas entre classe e professor. Em termos de sabedoria. coleções etc. criando os Centros Federais de Educação Tecnológica. com conhecimentos. para aqueles que irão lidar com a realidade de uma sociedade tecnologizada. menos. Classes muito barulhentas.6. que tem suporte nos dois eixos básicos de sua concepção. quanto menos se sabe. Uma escola em crise.se de um fator imponderável. como se todos vestissem o mesmo uniforme comportamental. uma vez que pode se direcionar mais para os aspectos inerentes à educação e ao ensino técnico. Este campo. A Educação Tecnológica vai aos poucos solidificando sua estrutura cuja base se encontra no ensino técnico”. Ela vai além dos conhecimentos das técnicas ou de um ensino técnico para comprometer-se com uma visão de mundo que contempla os valores que o fundamentam e determinam. de 30. Rodrigues mostra que. hoje retornando ao cenário pelas mãos do ensino técnico x ensino médio.. a maior dificuldade que encontra para estudar é a falta de motivação. portanto. em aspectos econômicos.). Já o vestibular para a faculdade é um sistema competitivo e depende da sabedoria. depende do domínio de enfoques teóricos. Na década de 60. Afirmaram também que “os CEFET’s exerceriam uma liderança natural do ensino de tecnologia. em 1909. do mundo do trabalho. tem início uma educação técnica paralela ao sistema regular de ensino. Atualmente. O ambiente também interfere na disciplina. geralmente. pode referir-se aos mecanismos e processos advindos do desenvolvimento científico tecnológico. a motivação para estudar é acumular saber. Sobre esse tema. De um modo geral. A Educação Tecnológica. quanto mais se sabe. mas há que se ter um tratamento específico sobre sua estreita relação com a própria Pedagogia e sua aplicação no campo educacional.. conceitos e categorias particulares de diferentes campos científicos. ou seja. Conceitos de Educação Tecnológica O conceito de Educação tecnológica prende-se.. não está simplesmente desrespeitando um professor em particular. Portanto. mas as normas da escola. evidentemente. mais se pensa que não é preciso saber mais. Os melhores alunos são os que acabam aprendendo mais. encaminhando aos órgãos superiores. muitas vezes. alagadas ou sem condições de acomodar todos os estudantes são locais pouco prováveis de conseguir uma boa disciplina. o que estimula (no passado mais ainda) o estudo suficiente apenas para passar de ano. numa interação dialética. aos conceitos específicos de sua expressão.. A autora faz uma diferença entre as expressões educação tecnológica e educação para a tecnologia. quando a ela se refere mais precisamente ao tipo de educação para os que irão aprender a fazer tecnologia. Esse uniforme protege a individualidade do professor. nas quais ninguém ouve ninguém.1978. Em 1978. e aulas ministradas durante grandes eventos populares são situações que dificultam o aprendizado. com o objetivo de formar artífices.comuns. Posteriormente. elas não são idênticas e que esse último tipo de produção seria possivelmente a educação que deveríamos dar a todos os jovens para os adequar a vida contemporânea (1996:1). com o avanço do desenvolvimento tecnológico. o fator sorte é mais decisivo quanto menor for o conhecimento..

não se iniciam com um trabalho. o que. prevalência e aos tipos de intervenção apropriados. tendo a complexidade do meio (tanto em termos científicos como sociais) e a prospecção do futuro como faróis de seu projeto pedagógico. determinismo ou conformismo a um status quo social. integração. para descrever uma série de incapacidades relacionadas com o insucesso escolar. • A Educação Tecnológica não é tecnicismo. envolvendo tanto a invenção como a inovação tecnológica. integra necessariamente as diferentes categorias do saber.) conjunto de situações de ensino-aprendizagem que visam facilitar nos educandos a análise de conjunturas. sociais e econômicos que tem a ver com desenvolvimento” (BRASIL. MEC/SEMTEC. Passemos.respeito ou à formação do indivíduo para viver na era tecnológica. hiperatividade. A expressão “dificuldades de aprendizagem” começou a ser usada mais frequentemente no século passado.. Há muitas teorias. problemas de recepção. mas iniciam-se na busca da construção de conhecimentos que possibilitem transformar e superar o conhecido e ensinado. com adaptações). assim como às questões mais contextuais da tecnologia. Não há uma preocupação específica em ensinar uma tarefa/ofício a um educando. mas como uma busca da compreensão dos novos papéis e funções que o homem tem na sociedade. acarretando problemas de linguagem. mas são permanentemente solicitados a pensar-refletir-agir num mundo marcado por progressivas transformações. a partir do trabalho. repercussão multidisfuncional 32 . Seu aparecimento exprimiu a convicção de educadores. década de 60. ou do saber-fazer para uma grande categoria do saber-ser. Educação é esse misto de responsabilidade e de muita esperança na possibilidade de transformação da sociedade. em todas. Em suma. • A Educação Tecnológica exige uma interação da teoria com a prática. oriundos.. • A fundamentação básica da Educação Tecnológica resume-se no saber-fazer. Para que alcancemos estas etapas. das novas relações sociais. Características da Educação Tecnológica • A Educação Tecnológica não impõe o ensino das novas tecnologias. que vai além de uma proposta de ensino na escola. das relações de trabalho e outros exigidos pelos avanços tecnológicos. de pensamentos hipotéticos. perpetuação dos distúrbios de aprendizagem ao longo da vida. como vertente do sistema educativo indo até outros campos legais que cobrem setores da produção.) baixo aproveitamento escolar em leitura. não determinantes dos resultados econômicos e sociais.. nos dias atuais. comportamentos comuns aos alunos com esse problema. por certo. ditado. sua utilização e a capacidade e possibilidade que ele possui de poder transformar e criar novas tecnologias. desorientação espacial. promove o despertar para a interpretação do contexto atual à luz de seus condicionamentos e fundamentos. pois aprofunda-se com o projeto político-pedagógico dessa instituição. mas sim em fazer despertar nesse indivíduo o valor da tecnologia. com novos impactos tecnológicos. um conhecimento e um envolvimento com saberes que não acabam na escola. porém. que não se esgotam na transmissão de conhecimentos. elaboração e de expressão. precisamos estar atentos e acreditar numa educação crítica que dê lugar tanto aos fundamentos básicos teóricos quanto à prática social que ela caracteriza. modelos e definições para esclarecer esse problema. da Ciência e da Tecnologia. fazendo com que se entendam as questões vivenciadas pelos educandos.. a alguns conceitos de educação tecnológica: “A Educação Tecnológica é a vertente da educação voltada para a formação de profissionais em todos os níveis de ensino e para todos os setores da economia. Examinando-se inúmeras definições de dificuldades de aprendizagem. estruturas e contingentes. O importante na Educação Tecnológica é o trabalho de formação da cidadania. mas.. • A Educação Tecnológica procura identificar. envolvendo processos de raciocínio. da capacitação de mão-de-obra. especialistas e pais. “(. aptos ao ingresso imediato no mercado de trabalho (. cálculo – no ensino fundamental e em disciplinas nucleares do ensino médio – etiologia disfuncional do sistema nervoso central. sobressaindo a dimensão ética num mundo crivado de tecnologia em todos os setores sociais. de que algumas crianças possuíam problemas de aprendizagem que não se enquadravam nas categorias existentes. 1994). sim. por sua vez. do fazer. as novas exigências impostas pelas relações sociais e a maneira pela qual poderemos superar as dificuldades existentes no mercado de trabalho. não havia. consequentemente. consenso quanto à sua conceituação. a Educação Tecnológica está baseada na concepção de uma educação transformada. impulsividade. observou-se.) a educação tecnológica assume um papel que ultrapassa as fronteiras legais das normas e procedimentos a que está sujeita. • A Educação Tecnológica busca integrar ensino e pesquisa. A Educação Tecnológica segue o caminho das inovações não como descobertas em si. talvez. propiciando os requisitos básicos pra viver numa sociedade em transformação. PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM (Sahda Marta Ide e Edinalva Sidronêz de Mendonça. a Educação Tecnológica caracteriza-se por um dinamismo constante. disfunções no processamento de informações por ruptura dos processos psicológicos superiores. e sim um posicionamento. Em outras palavras. 1993). etiologia. ou à aquisição de conhecimentos necessários à formação profissional (tanto uma formação geral como específica). tais como: (. as dificuldades de aprendizagem constituem. em que a técnica é fator determinante” (BAPTISTA. dificuldades interacionais. com novos instrumentos nas produções e relações sociais. Bastos (1998) diz que ela não admite aceitar a técnica como autônoma por si só e. 1996). então. saber-pensar e criar. ressaltando a rede de conhecimentos advindos das teorias existentes e da necessidade de rever a prática pelos sinais indicados pela teoria. de uma forma mais crítica e mais humana. • A Educação Tecnológica pretende levantar questões relativas aos valores pertinentes ao momento atual. problemas conceituais. desmotivação.. área das mais difíceis de se conceituar. “O conceito de Educação Tecnológica implica a formação de profissionais habilitados a transmitir conhecimentos tecnológicos sem perder de vista a finalidade última da tecnologia que é a de melhorar a qualidade de vida do homem e da sociedade” (PEREIRA. Na Educação Especial.

resultantes. Enfim. Apesar das críticas que se fazem às teorias que ressaltam os fatores individuais. etc. afasia de desenvolvimento. ou na organização espacial e temporal. disfunção cerebral mínima. não aprendem de acordo com o seu potencial. neurológicos.225-226). Dislexia: refere-se à falha no processamento da habilidade da leitura e da escrita durante o 33 . no terreno individual. p. oftalmológicos. respectivamente. facilitando ou não sua aprendizagem. 2. dislexia. alertando que possibilitam uma visão ampla e total do ser humano. como cidadãos de segunda classe. Valoriza-se a dificuldade e perde-se a pessoa em sua dimensão de integralidade. ele deve ter limitações decorrentes de alguns problemas pessoais. 1987. a partir de aspectos individuais. auditiva. porque retira o estigma associado a “atraso”. subjetivos articulados com fatores contextuais e objetivos. pedagógicos. neurológicos. (KIRK. tomando-se a parte pelo todo. culturais. separada ou concomitantemente. de perturbação emocional ou de desvantagem ambiental. incluem transtornos na adequação perceptivo-motora. culturais e pedagógicos que envolvem o aprendiz e que são externos aos sujeitos. seja uma disfunção que o incapacita ou outro problema. subjetivos. o foco tem se deslocado da subjetividade para a objetividade. Estudos e pesquisas evidenciam que. de deficiência mental. conferindo-se maior importância aos fatores decorrentes de fatores sócioeconômicos. Fatores Específicos: mais relacionados à dimensão cognitiva. referem-se às possibilidades reais que o ambiente oferece ao indivíduo em termos da quantidade e da qualidade. Do elenco de fatores citados por Pamplona. na escrita. erradamente. oftalmológicos. fonoaudiológicos e biológicos do aprendiz. audiológicos. por privação cultural e/ou educacional. sob a influência do modelo médico de conceituação das deficiências e incapacidades. econômicos. motora. que se localizam as verdadeiras causas do fracasso. porque não consideram a influência dos fatores externos como os pedagógicos. Esse autor elaborou para a National Advisory Commitee on Handicapped Children. Tais dificuldades incluem condições que têm sido referidas como deficiência perpétua. as pessoas com dificuldades de aprendizagem ou com outras limitações são representadas no imaginário social com marcas. poderiam estar comprometidos os aspectos psicológicos. Ultimamente e pela crescente importância que tem sido dada ao modelo social de conceituar as deficiências e as incapacidades. isto é. relevância ao componente educacional em detrimento do clínico. Fatores que Intervêm na Aprendizagem Pamplona considera que os fatores que podem levar ao fracasso escolar (ou sucesso) escolar podem ser divididos em: psicológicos. no pensamento. uma desordem ou imaturidade. A dificuldade de aprendizagem seria a manifestação de uma discrepância educacional significativa entre o potencial intelectual estimado da criança e o seu nível atual de realização. uma nova definição para o problema: Uma criança com dificuldade de aprendizagem possui uma deficiência em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou uso da linguagem falada ou escrita. que a vêem como uma forma mais branda de denominação para os problemas de seus filhos. na soletração ou na aritmética. etc. (FONSECA. desse modo. do sistema nervoso central e das glândulas. Fatores Ambientais: relacionados à dimensão social. que exige diagnóstico clínico. Tal entendimento constituiu um marco histórico. por algum motivo. perturbação emocional severa ou perda sensorial. urge que se tomem os necessários cuidados. audiológicos. da escrita. e mais desejada pelos pais. alicerçadas em juízos de valor. devido ao seu caráter abrangente. da leitura. resultantes de uma possível disfunção cerebral e/ou de distúrbios de comportamento que não dependem de deficiência mental. Se o aluno não aprende. linguísticos e biológicos. Fatores Orgânicos: relacionados com a dimensão biológica. frequência e abundância de estímulos. na atribuição de significados. num ou mais processos da linguagem falada. na leitura. na fala. pois passou-se a considerar a criança com dificuldade de aprendizagem como possuidora de um potencial intelectual acima da sua realização escolar. que estaria relacionada com as desordens básicas dos processos de aprendizagem que podem ser ou não acompanhadas por disfunção do sistema nervoso central e que não são causadas por deficiência mental. 1968.34). A expressão “dificuldade de aprendizagem”. gerando inibições na aprendizagem ou sintomas de dificuldades. a maioria dos educadores ainda situam no aprendente a única responsabilidade das dificuldades de aprendizagem que manifesta. lesão cerebral. cultural ou de um conjunto de fatores pedagógicos. dando-se. 4. principalmente de deficiência visual. 3. prevalece a crença de que é. Estas dificuldades podem manifestar-se por desordens na recepção da linguagem. quando se tornarem adultos. é mais aceita. Principais Dificuldades de Aprendizagem: 1. A dificuldade para aprender é um sintoma com uma função tão integrativa como a do aprender e que pode ser determinada por: 1. da ortografia ou da aritmética. de privação social. não são passíveis de constatação orgânica. Fatores Psicógenos: relacionados com a dimensão que considera a aprendizagem como função do eu e que pode explicar a diminuição das funções implícitas no aprender ou a transformação dessas funções. De modo geral. para que não se caia na armadilha de considerar todo problema escolar como dificuldade de aprendizagem. p. um número muito grande de comportamentos e problemas atribuídos a crianças que. Entretanto. coexistência de outros problemas emergentes dessas condições de dificuldades. fonoaudiológicos. com ênfase para o corpo que precisa ter integridade anatômica com bom funcionamento dos órgãos dos sentidos. mas podem manifestar-se na área da leitura. na idéia de dificuldade de aprendizagem como característica definitiva que os colocará. sob a ótica do subjetivismo e na unidirecionalidade de uma análise que considera o aprendiz como um ser a-histórico. Somente em 1962 é que “dificuldade de aprendizagem” foi utilizada por Samuel Kirk em seu livro Educating Exceptional Child e entendida como um atraso.dos distúrbios de aprendizagem. Criam-se os preconceitos e os estereótipos que desencadeiam discriminações. “lesão cerebral” ou “disfunção cerebral mínima”. além dos sócioeconômicos. As baixas expectativas em relação às potencialidades desses sujeitos também refletem o imaginário coletivo inspirado. numa perspectiva educacional. Elas não incluem problemas de aprendizagem. seja uma lesão. hoje. culturais e linguísticos.

na crescente tendência à busca de métodos inovadores. nos últimos anos.a velocidade das transformações nas sociedades laicas e plurais contemporâneas. mediada pelo lóbulo occipital. a revolução científica e a redescoberta do ceticismo antigo . originariamente. A criança disgráfica não é portadora de defeito visual nem motor.período clássico . porque a relação entre a palavra impressa e os sons ainda não está totalmente dominada. havendo trocas ortográficas e confusão de letras. e mista. ela não consegue idealizar no plano motor o que captou no plano visual. erigindo os valores que nortearão o julgamento e a práxis em sua vida social. . a orientação do conceito de autonomia à condição humana pode ser buscada em outro nicho antigo. occipital. além de possibilitar a construção de redes de mudanças sociais. Mas por que tem se tornado imperioso rediscutir os processos de ensino-aprendizagem necessários à formação? A resposta a tal indagação passa pelo reconhecimento das profundas modificações que transparecem no mundo contemporâneo. indiviso. referindo-se. que em geral são ilegíveis. a formação do cidadão para a vida na pólis) de homens e mulheres capazes de viver adequadamente em sociedade. 5. Essa dificuldade não implica a diminuição da qualidade do traçado das letras. que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. o cristianismo primitivo. por terem sido criados como almas individuais. tornando ainda mais provisórias as verdades construídas no saber-fazer científico.a inequívoca influência dos meios de comunicação na construção/formatação do homem/profissional nesses primórdios do século XXI. com destaque para a atuação profissional. com a conseqüente expansão da consciência individual e coletiva. Caracteriza-se pelo lento traçado das letras.caracterizando um verdadeiro ato de resistência. as quais embotam as possibilidades de reflexão sobre a vida. cabendo citar: . em igual medida. que admitam uma prática pedagógica ética. Portanto. o termo autonomia é oriundo do grego . As trocas ortográficas são normais durante a primeira e segunda séries do ensino fundamental. especialmente. Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): é um transtorno neurobiológico. na medida em que estes. algo explícito na invocação de Paulo Freire. 3. A acepção originária de método diz respeito ao caminho a ser seguido . um dos seus méritos está.a perspectiva vigente. 4. mediada pelo lóbulo temporal. crítica. capacidade intelectual limitada e disfunções do sistema nervoso central. aqui. alicerce para uma educação que leva em consideração o indivíduo como um ser que 34 .de interdependência e de transdisciplinaridade -. A educação deve ser capaz de desencadear uma visão do todo . aos passos que deverão ser dados para se atingir um lugar ou um fim.αuτονομια. um necessário produto da modernidade burguesa e protestante. de causas genéticas. ou seja. Disortografia: Caracteriza-se pela incapacidade de transcrever corretamente a linguagem oral. aos ensinamentos do Cristo. O ensinar exige respeito à autonomia e à dignidade de cada sujeito. os humanos têm o livre-arbítrio para receber e aderir. Foram as coordenadas espaço-temporais propícias o humanismo renascentista. temporal e préfrontal. à imagem e semelhança do Pai. em seguida. Discalculia: falha na aquisição da capacidade e na habilidade de com conceitos e símbolos matemáticos.isto é. à idéia de autogoverno. quase marca desse tempo. através e hodós = caminho -. O grande desafio deste início de século está na perspectiva de se desenvolver a autonomia individual em íntima coalizão com o coletivo. com mediação das áreas frontal. inscrito na dialética da ação-reflexão-ação. É a dificuldade em passar para a escrita o estímulo visual da palavra impressa.que permitiram a construção do indivíduo moderno. o que pressupõe a assunção de determinados papéis. os aspectos relacionados ao trabalho. as sociedades de controle. ultrapassando os limites do treinamento puramente técnico.desenvolvimento. marcada por um genuíno bombardeio de imagens. É a dificuldade em aprender aritmética pode ter várias causas: pedagógicas.na reflexão de filósofos como Platão e Aristóteles. Se a autonomia pode ser buscada. ao plano e à obra de Deus. vale a pena recuperar o ideal grego de paidéia. capaz de conhecer o mundo (sujeito epistêmico) e de agir autonomamente no âmbito da ética (sujeito moral). nos quais vêm sendo amplamente debatidas as melhores veredas para a formação (e. São de três tipos: visual. entre as tradições helênica e cristã22. ressurgindo no âmago da filosofia helênica . 2. Sem embargo. METODOLOGIA ATIVA (Mitre et all). e νoμοζ = leis remetendo. e tampouco de qualquer comprometimento intelectual ou neurológico. Fundamentos Teóricos das Metodologias Ativas As metodologias ativas estão alicerçadas em um princípio teórico significativo: a autonomia. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção. De fato. em um contexto em que a produção de conhecimento é extremamente veloz. As discussões sobre método na cultura ocidental são bastante antigas. Recorrer ao sentido etimológico de método tornase bastante pertinente ao se considerar a educação como esse fim. pertencem. ou não. é um atraso no desenvolvimento ou a diminuição em traduzir sons (fonemas) em símbolos gráficos e compreender qualquer material escrito. de colocar em xeque os valores até então considerados intocáveis. de αuτοζ = próprio. Disgrafia. A educação contemporânea deve pressupor um discente capaz de autogerenciar ou autogovernar seu processo de formação. será com o advento da modernidade que o indivíduo. . sob um ponto de vista histórico-conceitual. por conseguinte. o que torna imperiosa a adoção de uma postura crítica sobre a inscrição do sujeito no mundo aqui incluído o trabalho .do grego meta = atrás. . Já nas primeiras comunidades cristãs. tendo sido empregado no seio da democracia grega para indicar as formas de governo autárquicas . fonológica. inquietude e impulsividade. especialmente no âmago de uma abordagem progressiva. celebrava-se a igualdade entre os homens. a reforma protestante. a inserção no mundo e a própria práxis. para efetivamente alcançar a formação do homem como um ser histórico. justamente. a πoλιζ (pólis = cidade-estado). Essas desordens têm sido consideradas como formas de discalculia (Cohn). Ademais. No entanto. ou seja. se constituirá como eu pessoal. reflexiva e transformadora.a configuração de uma nova modalidade de organização do espaço-tempo social.

conhecer é transformar. e (3) quais as suas conseqüências sobre a vida. denominado tutor aquele que defende. em um movimento de continuidade/ruptura. não se reduzem à condição de objeto um do outro. Como facilitador do processo ensino-aprendizagem.aproximação metódica . E. descondicionando-se da atitude de mero receptor de conteúdos. por outro lado. De acordo com Berbel. desencadeando ressignificações/reconstruções e contribuindo para a sua utilização em diferentes situações35. na medida em que as duas se explicam. Zanotto discute a problematização em Dewey. sobretudo. um processo reconstrutivo.e dentro do coração . escutar com empatia e acreditar na capacidade potencial do discente para desenvolver e aprender.docente e discente .constrói a sua própria história. a aprendizagem significativa se estrutura. ele se detém. o exercício da curiosidade. com o objetivo de alcançar e motivar o discente. uma vez mais. questionar. curiosidade científica. integrá-las à reflexão. existem duas condições para a construção da aprendizagem significativa: a existência de um conteúdo potencialmente significativo e a adoção de uma atitude favorável para a aprendizagem. A aprendizagem que envolve a autoiniciativa. irá refletir sobre a situação global de uma realidade concreta. ato contínuo. por parte do binômio docente/discente. relaciona a sua história e passa a ressignificar suas descobertas. nesse processo. deve se perguntar: (1) como. De acordo com Coll. da intuição. ampara e protege -. reflete. do processo de produção. portanto. expor e discutir os conflitos inerentes e que sustentam o problema. Saviani e Freire. Nessa ação. Iniciativa criadora. com propósitos definidos. esse poderá exercitar a liberdade e a autonomia na realização de escolhas e na tomada de decisões. Para Saviani. espírito crítico-reflexivo. exercitando a práxis para formar a consciência da práxis. diz respeito ao modo de concretização desse reconhecimento à autonomia do discente. tensão que acaba por possibilitar a ampliação de suas possibilidades de conhecimento. ética e sensibilidade na assistência são características fundamentais a serem desenvolvidas em seu perfil. e seus sujeitos. torna-se mais duradoura e sólida. A disposição para respeitar. além da capacidade crítica de observar e perseguir o objeto . pois diante do problema. Ademais. As metodologias ativas utilizam a problematização como estratégia de ensino-aprendizagem. Problematizar. Ao perceber que a nova aprendizagem é um instrumento necessário e significativo para ampliar suas possibilidades e caminhos. rigor e globalidade relacionados dialeticamente. Ao contrário. devendo o resultado do trabalho ser concreto e comprovado por meio de sua aplicação prática. organizadas como subsunçores. As Metodologias Ativas: Revendo Estratégias E Papéis A atividade desenvolvida com o propósito de ensinar deve ser apreciada por todos aqueles que dela participam. bem como aos seus saberes construídos na prática comunitária. Já em Freire. na problematização.se reconhecem mutuamente (e aqui se pode recuperar a dialética do senhor e do escravo de Hegel). Para o primeiro. A avaliação precisa ser. Isto só se torna possível na medida em que o docente tenha como características principais a humildade reconhecendo sua finitude. afinal. complexamente. ao se propor um processo ensino-aprendizagem que pressuponha o respeito à bagagem cultural do discente. Esse respeito só emerge no âmago de uma relação dialética na qual os atores envolvidos . é enfatizado o sujeito ativo. ou seja.para confrontar. que precisa ter uma situação autêntica de experiência. sínteses anteriores e outros -. da emoção e da responsabilização. O docente nessa perspectiva. o ganho substantivo advindo da sua interação com o estudante e a importância de sua avaliação pelo aprendiz. Ter sempre diante dos olhos . examina. O processo de continuidade é aquele no qual o estudante é capaz de relacionar o conteúdo apreendido aos conhecimentos prévios. interessantes e que estimulem o pensamento. expressão e apreensão do conhecimento. mas. dinâmica e complexa. de modo a não haver docência sem discência. capacidade para auto-avaliação. ele detecta novos problemas num processo ininterrupto de buscas e transformações. na aprendizagem mecânica. necessita desenvolver novas habilidades. Após observar a situação. na qual o sujeito busca soluções para a realidade em que vive e o torna capaz de transformá-las pela sua própria ação. principalmente. Nessa perspectiva. o sujeito percorre algumas etapas e. por que e quando se aprende. O estudante precisa assumir um papel cada vez mais ativo. 35 . o conteúdo novo deve apoiar-se em estruturas cognitivas já existentes. alcançando as dimensões afetivas e intelectuais. A questão que se impõe. os quais deverão ser trabalhados pela análise crítica. instaura-se a partir do surgimento de novos desafios.o respeito à autonomia parece ser o melhor modo para a compreensão. pode-se responder com Freire. senso de responsabilidade. portanto. os limites de seu conhecimento. conhecer. qualquer estratégia de inovação deve levar em conta suas práticas de avaliação. não é apenas apresentar questões. levando o aprendiz a ultrapassar as suas vivências conceitos prévios. (2) como se vive e se sente a aprendizagem. a noção do problema se apresenta como em Dewey. se lhe for permitido um ambiente de liberdade e apoio. irá buscar e utilizar as informações e instrumentos mais adequados. ou seja. buscando efetivamente conhecimentos relevantes aos problemas e aos objetivos da aprendizagem. com a finalidade de solucionar os impasses e promover o seu próprio desenvolvimento. porém a busca da resposta é identificada com a reflexão filosófica. a postura própria do discente que permite estabelecer associações entre os elementos novos e aqueles já presentes na sua estrutura cognitiva. cooperação para o trabalho em equipe. O ato de aprender deve ser. Nesse sentido. que impõe requisitos de radicalidade. não se consegue estabelecer relações entre o novo e o anteriormente aprendido. A problematização pode levá-lo ao contato com as informações e à produção do conhecimento. atuar e reconhecê-lo. para transformá-las. que permita o estabelecimento de diferentes tipos de relações entre fatos e objetos. processual e formativa para a inclusão. antes de tudo. a produção de novos saberes exige a convicção de que a mudança é possível. apesar das diferenças. a ação de problematizar enfatiza a práxis. ao mesmo tempo em que se transforma. dentro de uma perspectiva de transformação da realidade. são essenciais nesta nova postura. como a vontade e a capacidade de permitir ao discente participar ativamente de seu processo de aprendizagem. O processo de ruptura.

teorização. também. A avaliação inovadora deve se fundamentar na colaboração. nem estigmatiza. Da Episteme à Práxis: Problematização e Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) A metodologia ativa tem permitido a articulação entre a universidade. político e ético do estudante. podem surgir novos desdobramentos. Se a teorização é adequada. pontos-chave. A originalidade e a criatividade serão estimuladas e o estudante precisará deixar sua imaginação livre e pensar de maneira inovadora. o estudante pode exercitar a dialética de ação-reflexão-ação.ABP. valorizar todos os atores no processo de construção coletiva e seus diferentes conhecimentos e promover a liberdade no processo de pensar e no trabalho em equipe. nos princípios do materialismo histórico-dialético e no construtivismo de Piaget. na década de 1960. Nesse momento. inclusive ao próprio programa e à atividade docente. o estudante se vê naturalmente movido a uma quarta etapa: a formulação de hipóteses de solução para o problema em estudo. assim. e o grupo pode ajudar nessa confrontação. o ensino pela problematização procura mobilizar o potencial social. e o Curso de Medicina da Universidade Estadual de 36 . enquanto o discente irá refletir sobre si mesmo e a construção do conhecimento realizado. bancária e estática. em 1997. pode-se rever a metodologia utilizada na prática pedagógica. Após o estudo de um problema. o qual é constituído pelos seguintes movimentos (Figura 1): observação da realidade. as instituições pioneiras na implantação dessa modalidade de estrutura curricular foram a Faculdade de Medicina de Marília. elaborando os pontos essenciais que devem ser abordados para a compreensão do problema. ultrapassando o modelo tradicional de simples verificação de conteúdos acumulados e memorizados e puramente voltados à esfera da cognição. para um processo mais abrangente orientado a todos os seus aspectos. tendo sempre como ponto de partida a realidade social40. Nesse propósito. à criatividade. mas oferece diretrizes para se tomar decisões e definir prioridades.autonomia. ele expressa suas percepções pessoais. O ensino pela problematização ou ensino baseado na investigação (Inquiry Based Learning) teve início em 1980. Na segunda etapa. Os registros. na Universidade do Havaí. Na última fase. definindo a maneira como os estudantes aprendiam e quais habilidades cognitivas e afetivas seriam tadora de Paulo Freire. O docente pode registrar o desenvolvimento do discente no que se refere à autonomia. A primeira etapa é da observação da realidade. a auto-avaliação e o diálogo têm sido utilizados como estratégias norteadoras desse processo. o papel do professor será um importante estímulo para a participação ativa do estudante. dois instrumentos vêm sendo reconhecidos como ativadores da integração ensino e serviço de saúde: o ensino pela problematização e a organização curricular em torno da Aprendizagem Baseada em Problemas . no ato comum de conhecer e reconhecer o objeto de estudo. mas numa construção dialógica. o estudante executa as soluções que o grupo encontrou como sendo mais viáveis e aprende a generalizar o aprendido para utilizá-lo em diferentes situações. instrumentos de acompanhamento do processo ensinoaprendizagem têm sido construídos. verificar se suas hipóteses de solução são aplicáveis à realidade. pontos-chave. o serviço e a comunidade. Marcada pela dimensão política da educação e da sociedade. Deve. As informações pesquisadas precisam ser analisadas e avaliadas. Essa concepção pedagógica baseia-se no aumento da capacidade do discente em participar como agente de transformação social. uma primeira leitura sincrética da realidade. poderá. para representá-lo. Assim. Ao completar o Arco de Maguerez. O processo ensino-aprendizagem está relacionado com um determinado aspecto da realidade. é preciso um trabalho planejado e executado com a participação de todos os envolvidos. diálogo e reflexões coletivas. à capacidade de organização. quanto à sua relevância para a resolução do problema. bem como ao seu relacionamento com o grupo e sua comunicação. Na auto-avaliação. hipóteses de solução e aplicação a realidade. durante o processo de detecção de problemas reais e de busca por soluções originais. por possibilitar uma leitura e intervenção consistente sobre a realidade. ainda. o estudante passa à teorização do problema ou à investigação propriamente dita. exigindo a interdisciplinaridade para sua solução. na busca de respostas e caminhos para os problemas detectados. Não pune. Para isso. Na terceira etapa. o estudante realiza um estudo mais cuidadoso e. Nesse sentido. por meio da análise reflexiva. Na confrontação da realidade com sua teorização. discriminar em que circunstâncias não são possíveis ou convenientes sua aplicação. à sua participação e a condições de elaboração. Nessa observação. o aluno atinge a compreensão do problema nos aspectos práticos ou situacionais e nos princípios teóricos que o sustentam. Bordenave e Pereira utilizam o diagrama. no empenho com a nova formação. seleciona o que é relevante. exercitando tomadas de decisões e aperfeiçoando sua destreza. agora não mais numa relação verticalizada. O momento do diálogo servirá para reflexão sobre a relação e a interação entre docente e discente. denominado Método do Arco por Charles Maguerez. para que este atue como cidadão e profissional em formação38. A ABP foi primeiramente instituída na Faculdade de Medicina da Universidade de McMaster (Canadá). o desenvolvimento do pensamento crítico e a responsabilidade do estudante pela própria aprendizagem. o qual o estudante observa atentamente. a aplicação à realidade. efetuando. No Brasil. como proposta metodológica que buscava um currículo orientado para os problemas.

tendo como conteúdos centrais a política. aos referenciais da teoria piagetiana da equilibração e desequilibração cognitiva -. concepção de educação e de escola). mas na dinâmica das relações sociais que produzem aprendizagens.. a definição de objetivos. em 2005. via articulação dos movimentos e organizações sociais. especialmente. Novos elementos tecnológicos no ensino não garantem por si a ruptura de velhos paradigmas.relacionada. que precisa tornar-se um fórum de debate e negociação permanente de concepções e representações da realidade. O anúncio de algumas modificações evidentes na sociedade brasileira contribui para a compreensão de aspectos que envolvem a prática pedagógica. A violência é outro tema presente no campo social e cultural. em 1998. seja via carteira de identidade. Assim. as características conjunturais e estruturais da sociedade são fundamentais para o entendimento da escola e da ação do professor. com fins mercadológicos e financeiros.. empreender mudanças amplas e profundas no processo ensino-aprendizagem e na formação profissional de saúde significa transformar a relação entre docente e discente. o primeiro curso a utilizar a ABP foi o da Fundação Educacional Serra dos Órgãos -FESO -. (6) a avaliação formativa. ao mesmo tempo em que se facilita a integração ensino-serviço e a perspectiva interdisciplinar. localizado numa determinada situação no mundo. portanto. aluno. metodologia. desequilíbrios ou perturbações intelectuais. Ademais. a qual considera que o conhecimento deve ser produzido a partir da interseção entre sujeito e mundo.Londrina. oriundo de uma abertura política lenta e intensificado por movimentos sociais de diversas categorias de trabalhadores. Dependendo da porosidade existente nas relações direção. Em segundo lugar. A possibilidade da circulação da informação em tempo real é um avanço. centralizada no sujeito histórico que produz. Na ABP. (3) o respeito à autonomia do estudante. (2) a indissociabilidade entre teoria e prática. Paulo Freire (1987) expressou inúmeras críticas à educação que denomina bancária. evidenciando as mazelas de uma sociedade com concentração de renda expressiva e excessiva. No campo das múltiplas dimensões da prática pedagógica (professor. enfim. professores. Nessa perspectiva. que é social. destacam-se aquelas que são sóciopolíticas como o processo de democratização. Tornar o pedagógico mais político significa inserir a escolarização diretamente na esfera da política. relação professor e alunos. assim como a troca com os pares na confrontação de modelos e expectativas. interrompe-se o ciclo da fragmentação e do reducionismo do ensino tradicional. O discente deve ser reconhecido como um indivíduo capaz de construir. bem como movimentos identitários. Também. apropria e vive a educação.. 163): Essencial para a categoria de intelectual transformador é a necessidade de tornar o pedagógico mais político e o político mais pedagógico. comunidade local e comunidade escolar. os movimentos sociais. argumentando-se que as escolas representam tanto um esforço para definir-se o significado quanto uma luta em torno das relações de poder [. a gestão democrática da escola e processos participativos são elementos fundantes para o repensar da prática pedagógica.. com forte motivação prática e estímulo cognitivo para evocar as reflexões necessárias à busca de adequadas escolhas e soluções criativas. Salientam-se as modificações no campo cultural. Por um lado. Na esfera do cotidiano escolar e das reflexões conjunturais. ao se tratar de maneira integral temas e conteúdos. É inegável. Ela envolve a dimensão educativa não apenas na esfera escolar. Como diz Giroux (1997. (4) o trabalho em pequeno grupo. tais como a ampliação das inovações tecnológicas. p. ainda que a maioria da população brasileira não tenha acesso à internet. seja via cartão de crédito. nos últimos anos do século XX. É necessário que se transformem as concepções inerentes ao processo ensino-aprendizagem para ressignificá-las em uma perspectiva emancipadora da educação. Os terminais bancários foram informatizados.] Tornar o político mais pedagógico significa utilizar formas de pedagogia que incorporem interesses políticos que tenham natureza emancipadora [. a articulação com outras organizações sociais. também.]. a estratégia de negociação. a ABP se inscreve em uma perspectiva construtivista . a importância da intervenção e da mediação do docente. tendo a dimensão do depósito de conteúdo como característica central. o fortalecimento das temáticas identitárias e aquelas relacionadas ao direito à diferença conquistaram espaço na sociedade. podendo-se estabelecer uma aproximação à proposta educativa formulada por John Dewey. entre a universidade e a comunidade. Além disso. os movimentos sociais de trabalhadores produzem uma prática pedagógica. Em primeiro lugar. dentre inúmeras senhas que vão sendo acopladas aos processos de identificação social. as diversas áreas e as disciplinas. há a divulgação da violência como uma característica cotidiana e rotineira na sociedade brasileira. as reflexões sobre as penalidades e as medidas que deveriam ser tomadas ganham os bancos escolares. voltada para a transformação social e. Todas as pessoas estão codificadas. avaliação. desenvolvendo teias ou redes de informação e ação política. como amplamente problematizado por teóricos como Paulo Freire. fazendo emergir novas facetas educacionais. a prática pedagógica expressa as atividades rotineiras que são desenvolvidas no cenário escolar. assim como elaborou uma proposta de educação libertadora. Podem ser atividades planejadas com o intuito de possibilitar a transformação ou podem ser atividades bancárias. PRÁTICA PEDAGÓGICA (Maria Antônia de Souza e Valdete Jane Cordeiro) A sociedade brasileira viveu modificações expressivas no campo social e cultural. modificar e integrar idéias se tiver a oportunidade de interagir com outros atores. com objetos e situações que exijam o seu envolvimento. supervisão. a organização. No Estado do Rio de Janeiro. (5) a educação permanente. é importante considerar a prática pedagógica como parte de um processo social e de uma prática social maior. Na adoção de qualquer um desses instrumentos metodológicos. parte-se de problemas ou situações que objetivam gerar dúvidas. Por outro lado. podem ser pontuados como principais aspectos da ABP: (1) a aprendizagem significativa. Dentre elas. que produzem o “educativo”. o currículo deve se configurar de maneira integrada e. pressupõe mudanças na própria estrutura e organização da universidade. no qual o conhecimento é compartilhado. haverá uma gestão mais propícia (ou menos propícia) ao desenvolvimento de 37 . Com efeito.

políticas de cotas etc. uma vez que estes apresentam resistências ao processo educativo.. Como afirma Veiga (1992. Meio Ambiente. desenvolver o exercício da participação é um desafio para os próprios professores e pesquisadores envolvidos no projeto. mas sim a provocação da indagação entre os alunos. A prática pedagógica é uma dimensão da prática social . Com isso. Em todas as escolas. tem-se como referência a contribuição de Marx. O autor expressa uma questão pertinente à reflexão que vem sendo empreendida neste texto ao dizer que “Para que serve uma sala de aula se não for capaz de nos transportar além da sala de aula?” (p. percebe-se que os tema comunidade.. Por sua vez. há o predomínio de uma cultura escolar que impede o professor de “enxergar” além do seu trabalho pedagógico. a valorização da trajetória de vida dos educandos.14). por fim. iniciativa própria e espírito 38 . manifesta na aula. dos programas sociais – a exemplo do Bolsa Escola -. no qual não foram (não somos) incentivados a participar. Assim. As práticas reprodutivas expressam a necessidade de controle dos alunos na sala de aula. autonomia intelectual..15). por sua vez.”. após analisar tais elementos concretos. Diante do exposto. por exemplo. uma prática social orientada por objetivos. Nesse sentindo. nas pesquisas desenvolvidas foi possível perceber dois grandes grupos de práticas pedagógicas. cabe destacar a disposição dos professores para o enfrentamento de novos processos educativos. As práticas que inquietam geram angústias entre os professores que se perguntam a respeito de qual é o caminho mais adequado para a educação. A estrutura é marcada pelas relações sociais de classe. É sabido que a prática social está imbuída de contradições e de características sócioculturais predominantes na sociedade. nos quais a incerteza pode ter lugar especial. espaço de pesquisa. contrariar e complementar. com diferentes títulos – alguns sugeridos pelas secretarias de educação. do saber falar. 16) a prática pedagógica é “. a intenção é afirmar que a prática pedagógica é influenciada pelos aspectos conjunturais e estruturais da sociedade brasileira. sendo que o mais focalizado foi a Violência. que o que tem possibilitado o transporte para além da sala de aula é a diversidade cultural dos educandos. quando questionou o método da Economia Política. divisão do trabalho. do desenvolvimento das propostas curriculares. que não é meramente a reprodução de conteúdos. em doses crescentes.projetos de pesquisa e neles a reflexão sobre o projeto político pedagógico da escola. na “Introdução à Crítica da Economia Política”. p. luta pela terra. Neste contexto. de forma que a apropriação dos conhecimentos ocorra via problematização e não simplesmente pela transmissão de conteúdos poucos significativos socialmente.. além das dimensões da dominação do campo da política internacional e dos processos decisórios que geram impactos na esfera escolar. mas que faz emergir as intenções e possibilidades pedagógicas. Percebe-se que os professores utilizam vários procedimentos metodológicos e têm interesse em aprofundar os assuntos. uma vez que se exige dos trabalhadores. A prática pedagógica pode ser considerada como o trabalho de repassar. questionar. Os mesmos destacaram temas que poderiam ser pesquisados na instituição escolar. caracterizado como cansativo e sem sentido para a vida prática. ou seja. conhecer. Nas escolas do campo. entretanto. tanto da educação básica quanto da educação profissional. propor. supõe a troca. A revolução tecnológica e o processo de reorganização do trabalho demandam uma completa revisão dos currículos. caso não sejam levados em conta elementos como classes. outros elaborados no próprio contexto escolar. preços etc. Numa das escolas. Cabe lembrar Novaski (1993) quando afirma que “. foi possível constatar o interesse dos professores e funcionários da escola pelo processo de investigação escolar. quando a característica dialógica predomina nas relações sociais.. a existência de projetos escolares. de outro lado. Estes. Ao analisar os múltiplos determinantes na prática pedagógica dos professores das séries iniciais. ainda. e inserida no contexto da prática social. a saber: práticas eminentemente reprodutivas em relação às propostas municipais de educação e práticas que geram inquietações. ou transmitir. inovações e projetos escolares originais. É um exercício de aprendizagem constante. sempre maior capacidade de raciocínio. A pesquisa como característica da formação e da prática do professor e como elemento de motivação para a atitude investigativa entre os educandos. É possível afirmar. Marx afirma que ao estudar a população. é preciso proteger essa idéia de reducionismos” (p. um processo que está intrinsecamente ligado à teoria e à prática da docência. a formação de um coletivo que estudaria as relações que se passam no espaço escolar. torna-se importante investigar como os professores estão compreendendo suas práticas e quais suas percepções sobre as mesmas. a informação e o desenvolvimento de conhecimentos científicos são fatores impulsionadores da participação nas atividades escolares – no campo da prática pedagógica e da gestão da escola. focalizam aquelas que são relevantes e aquelas que precisam ser modificadas. Água. São professores que aprimoraram o sentido da busca do objetivo educacional. estas podem constituir abstração se não levar em conta o trabalho assalariado e o capital. juntamente com a valorização dos conteúdos e dos saberes que os alunos trazem da sua prática social. Sexualidade. A conjuntura pode ser visualizada nos aspectos da gestão educacional. nas escolas focalizadas nos nossos projetos de pesquisa. No entanto. uma vez que participam de um contexto cultural. A participação ocorre quando há disponibilidade individual para superar as deficiências e quando há liberdade e respeito entre os envolvidos. pensamento crítico. política e social. é importante afirmar que a pesquisa é elemento essencial para uma prática pedagógica que possibilite a superação da alienação e da relação de subalternidade cultural. a mesma pode tornar-se uma abstração. movimento social e reforma agrária têm destaque. se o professor deve ver a sua aula também como um encontro de gente com gente. que o impede de realizar questionamentos de cunho científico. ouvir. Neste contexto. trajetória de vida. Corpo etc. Com isso. Delineia-se prática pedagógica que evidencia “rotinas escolares”. poderia ser feito o retorno e a compreensão do conceito de população através da totalidade das determinações e relações diversas. finalidades e conhecimentos. saberes específicos. Ou. de desigualdades e de concentração de renda. conforme as necessidade locais e. os professores trabalham com projetos que abordam os temas Saúde..

padrões mínimos de qualidade de ensino. e com a assistência da União: I . IX . através de suas práticas. O professor permite-se reconstruir suas ações e expressar sua prática e indagações. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I .valorização da experiência extra-escolar. II . grupo de cidadãos. Ou seja. XI . junto aos pais ou responsáveis. 39 . VIII . o trabalho e as práticas sociais. IV .ensino fundamental.atendimento ao educando. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório. IV . Ainda. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria.atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais.universalização do ensino médio gratuito. § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário.700.pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas..zelar. 2º A educação. o Ministério Público. TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. transforma-a em objeto de indagação dirigida à melhoria de suas qualidades educativas”. VII . organização sindical. os professores. de 2009) III .respeito à liberdade e apreço à tolerância.vinculação entre a educação escolar. especialmente. preferencialmente na rede regular de ensino. definidos como a variedade e quantidade mínimas.igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. nos termos deste artigo. V .garantia de padrão de qualidade. adequado às condições do educando. sendo participante ativo de sua formação continuada.empreendedor. o pensamento. Art. a arte e o saber. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. em instituições próprias. transporte.gestão democrática do ensino público. percebe-se que há a necessidade de o professor possuir conhecimentos amplos sobre a pedagogia e áreas do conhecimento. no ensino fundamental público. III . VIII . 208 da Constituição Federal. Neste sentido. II . entidade de classe ou outra legalmente constituída. predominantemente. 2002). o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório.oferta de educação escolar regular para jovens e adultos.recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.061. no trabalho.acesso aos níveis mais elevados do ensino.. ainda. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino. influem positivamente na formação dos futuros profissionais. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios.fazer-lhes a chamada pública. V . na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino. X . (2002) apresenta o professor “[. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. associação comunitária. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo. VI . e. da pesquisa e da criação artística. conforme as prioridades constitucionais e legais. a formação profissional não finda com a conclusão de um curso. segundo a capacidade de cada um. sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente. permitindo-se reconhecer nos alunos as competências que lhe proporcionarão o desenvolvimento profissional e educacional.valorização do profissional da educação escolar. II . alimentação e assistência à saúde. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB 9394/96) TÍTULO I Da Educação Art. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade. poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade.] como pesquisador de sua própria prática.gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. Art. pela freqüência à escola. na hipótese do § 2º do art. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. dever da família e do Estado. contribuindo na ampliação de suas capacidades em sua prática. na convivência humana. Contreras. (Redação dada pela Lei nº 12. VII . Conclui-se que os professores.oferta de ensino noturno regular. com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. nas instituições de ensino e pesquisa. necessitam atualizar seus conhecimentos de forma constante. § 2º Em todas as esferas administrativas. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. ensinar. Neste contexto. e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar. podendo qualquer cidadão.liberdade de aprender. por aluno. Mas. que se desenvolve. tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando. pesquisar e divulgar a cultura. de 2008). III .atendimento gratuito em creches e préescolas às crianças de zero a seis anos de idade. deve se especializar na área em que desenvolve aptidões. bem como capacidade de visualização e resolução de problemas (CORDÃO. obrigatório e gratuito. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. como os profissionais formados por eles.coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: I . acionar o Poder Público para exigi-lo. por meio do ensino. IX . (Incluído pela Lei nº 11. em regime de colaboração. VI . inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana.

Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada.organizar. supervisionar e avaliar. Art. objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores.elaborar e executar políticas e planos educacionais. por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. médio e superior. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação.7. Art. V . Art. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios. no ensino fundamental. supervisionar e avaliar. em colaboração com os sistemas de ensino. IV autorizar. de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. II . com os Municípios. credenciar. 10.autorizar.§ 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino.2003) Parágrafo único. de 2009) VII . credenciar. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I . reconhecer. III capacidade de autofinanciamento.709. competências e diretrizes para a educação infantil. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. e. IV . Os Municípios poderão optar. exercendo sua função redistributiva e supletiva. respeitado o disposto no art.709. criado por lei. analisar e disseminar informações sobre a educação. integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios. em colaboração com os Estados. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa.autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público. a partir dos seis anos de idade. respectivamente. ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória. III . (Redação dada pela Lei nº 11. as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades. V . VI .baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação. redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais.organizar. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino.assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. IV .114. o Distrito Federal e os Municípios. respectivamente. 12.organizar. de 31. o Distrito Federal e os Municípios organizarão. VI . formas de colaboração na oferta do ensino fundamental. III . II . 8º A União. com prioridade.coletar. o Distrito Federal e os Municípios. III . § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal. reconhecer. § 1º Na estrutura educacional. de 31. III . de 2005) Art. haverá um Conselho Nacional de Educação.2003) Parágrafo único. os Estados. os respectivos sistemas de ensino. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino.assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Art. II . atendidas as seguintes condições: I . com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino. o ensino fundamental. em regime de colaboração. o ensino médio a todos que o demandarem. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios. (Incluído pela Lei nº 10. VIII . IX autorizar.oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas. desde que mantenham instituições de educação superior. 213 da Constituição Federal. 40 . o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino. em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação. de modo a assegurar formação básica comum.assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. o ensino fundamental e o ensino médio. VII .baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. 38 desta Lei. Os Municípios incumbir-se-ão de: I . Os estabelecimentos de ensino.exercer ação redistributiva em relação às suas escolas. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. (Incluído pela Lei nº 10.assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas. II . os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. com prioridade.elaborar o Plano Nacional de Educação. ressalvado o previsto no art.cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino.assegurar o ensino fundamental e oferecer. em colaboração com os Estados. Art.assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior.061.7.estabelecer. VI . independentemente da escolarização anterior. com funções normativas e de supervisão e atividade permanente.prestar assistência técnica e financeira aos Estados. que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos. terão a incumbência de: I . integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados. 11. (Redação dada pela Lei nº 12. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX.elaborar e executar sua proposta pedagógica.administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros. a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino. ainda. II . § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei. Os Estados incumbir-se-ão de: I . V .definir.

II .informar pai e mãe. Art. III – os órgãos municipais de educação. de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município. criando processos de integração da sociedade com a escola. 17. VI . Parágrafo único. assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais.ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos.confessionais.elaborar e cumprir plano de trabalho. (Redação dada pela Lei nº 12. Art.educação básica. os responsáveis legais. conviventes ou não com seus filhos. tendo como base as normas curriculares gerais. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Art.filantrópicas. inclusive climáticas e econômicas. que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade.comunitárias. sem com 41 . II . grupos não-seriados. períodos semestrais. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando. alternância regular de períodos de estudos.os órgãos federais de educação. integram seu sistema de ensino. com base na idade. respectivamente. na forma da lei. ensino fundamental e ensino médio. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. 23.privadas. inclusive cooperativas educacionais. IV . na competência e em outros critérios. II . Art. II . de 2001) Art. § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais. assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. VII . ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinqüenta por cento do percentual permitido em lei. ciclos. 14.as instituições do ensino fundamental. II . Art. observadas as normas gerais de direito financeiro público. criadas e mantidas pela iniciativa privada.prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento.as instituições de ensino mantidas pela União. formada pela educação infantil. de 2009) III . Art. III .as instituições de ensino mantidas.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino.as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada. V . médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I .os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal. 15. II . A educação escolar compõe-se de: I .colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola. III .estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento. (Incluído pela Lei nº 10. pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal. além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento. Art. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I . sobre a frequência e rendimento dos alunos. assim entendidas as criadas ou incorporadas. Os sistemas municipais de ensino compreendem: I .zelar pela aprendizagem dos alunos. O sistema federal de ensino compreende: I . mantidas e administradas pelo Poder Público. Art. III .articular-se com as famílias e a comunidade. 20. inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior. segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. IV .educação superior. Os docentes incumbir-se-ão de: I .participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. as instituições de educação infantil. V . se for o caso.velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. 21.IV .287.participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. IV . 13. II . 16.013.particulares em sentido estrito. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I .as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada. à avaliação e ao desenvolvimento profissional. VI .020. respectivamente. Art.públicas. sem fins lucrativos. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior. No Distrito Federal. ou por forma diversa de organização. 22. II . (Redação dada pela Lei nº 12. sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. 18. e. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I . Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica. a critério do respectivo sistema de ensino. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art. 19.

A educação básica. (Redação dada pela Lei nº 11. a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. (Incluído pela Lei nº 10. de preferência paralelos ao período letivo.044.793.287. na própria escola.2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum.793. de 1º.poderão organizar-se classes. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito.645. VII . com níveis equivalentes de adiantamento na matéria. (Redação dada pela Lei nº 11. da cultura.12. obrigatoriamente. é componente curricular obrigatório da educação básica. para alunos que cursaram. tais como o estudo da história da África e dos africanos. para o ensino de línguas estrangeiras. africana e européia. a partir desses dois grupos étnicos. de 1º. a carga horária e as condições materiais do estabelecimento. do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. com aproveitamento.769. constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica. II .2003) IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1. conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino. de 1º.a classificação em qualquer série ou etapa. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino. mediante avaliação feita pela escola. resgatando as suas contribuições nas áreas social.o controle de freqüência fica a cargo da escola. em situação similar. econômica e política. IV . declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar. especialmente do Brasil. a série ou fase anterior. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna. exigida a freqüência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. da economia e da clientela.12.12. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira. especialmente em suas expressões regionais. de 2008) Art. Art.12. especialmente das matrizes indígena. (Redação dada pela Lei nº 12. distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar. de 1º. Parágrafo único.12. 26-A. Cabe ao respectivo sistema de ensino. o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial. Art. de 1º. exceto a primeira do ensino fundamental.2003) II – maior de trinta anos de idade.2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas. (Incluído pela Lei nº 10. artes. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. VI . pode ser feita: a) por promoção. obrigatoriamente.793. com alunos de séries distintas. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. estiver obrigado à prática da educação física. à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais. públicos e privados. V .2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro.isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. de 1º.793. b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar. c) independentemente de escolarização anterior. Art. 42 . desde que preservada a seqüência do currículo. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger. a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil. 25. de 2008). 26.nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série. dentro das possibilidades da instituição. a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional. por uma parte diversificada. com as especificações cabíveis. (Incluído pela Lei nº 10. pertinentes à história do Brasil. de 21 de outubro de 1969. ou outros componentes curriculares. (Incluído pela Lei nº 10.2003) VI – que tenha prole. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10. b) por transferência.793. III . em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I . c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado.645. nos níveis fundamental e médio.793.12. 24. integrada à proposta pedagógica da escola. (Incluído pela Lei nº 10. § 2o O ensino da arte. excluído o tempo reservado aos exames finais. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação. a ser complementada. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor. mas não exclusivo. quando houver. para os casos de baixo rendimento escolar. § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório. de 2008).cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares.12. de 2008). de 2010) § 3o A educação física. ou turmas. o estudo da língua portuguesa e da matemática. estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo. torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afrobrasileira e indígena. que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada.793. cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar. § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído. (Incluído pela Lei nº 11. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. a partir da quinta série. (Redação dada pela Lei nº 11.2003) V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.645. para candidatos procedentes de outras escolas. de 1º.a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política.a carga horária mínima anual será de oitocentas horas.

no ensino de cada disciplina. tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral. para as crianças de quatro a seis anos de idade. 28. 34.1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. em seus aspectos físico. II . tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade.consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento." Art. O ensino religioso. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes. Art. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I . complementando a ação da família e da comunidade. psicológico. 30.conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural. Seção III Do Ensino Fundamental Art.a difusão de valores fundamentais ao interesse social. mediante: (Redação dada pela Lei nº 11. aos direitos e deveres dos cidadãos. constituída pelas diferentes denominações religiosas. de 2006) I . iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade. A educação infantil será oferecida em: I . a compreensão do significado da ciência.adequação à natureza do trabalho na zona rural. (Redação dada pela Lei nº 9. observada a produção e distribuição de material didático adequado. II . 33. de 2007). III . assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.orientação para o trabalho. as seguintes diretrizes: I .a compreensão do ambiente natural e social. é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. a critério dos sistemas de ensino.o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. 29.destacará a educação tecnológica básica. II . especialmente: I .a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos. com duração mínima de três anos. com duração de 9 (nove) anos. ainda. IV . § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada. II . a língua portuguesa como instrumento de comunicação. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. das letras e das artes.adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes. ou entidades equivalentes. obrigatoriamente. § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá.a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. 43 . gratuito na escola pública. 35. Art.7. para continuar aprendendo. possibilitando o prosseguimento de estudos. de 13 de julho de 1990. (Incluído pela Lei nº 11. sem prejuízo da avaliação do processo de ensinoaprendizagem.o aprimoramento do educando como pessoa humana. do sistema político. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. relacionando a teoria com a prática. III .Art. assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil. II . de matrícula facultativa. os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região. Art. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. sem o objetivo de promoção. Art. Na oferta de educação básica para a população rural. incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos.o fortalecimento dos vínculos de família.069. 27. primeira etapa da educação básica. intelectual e social. que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei.525. terá por objetivo a formação básica do cidadão.274. de 22.promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão. IV . 32.organização escolar própria. sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. para a definição dos conteúdos do ensino religioso. para crianças de até três anos de idade.o desenvolvimento da capacidade de aprender. 36. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. O ensino fundamental obrigatório. sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. III . de respeito ao bem comum e à ordem democrática. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula. etapa final da educação básica. Seção II Da Educação Infantil Art.a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. tendo como diretriz a Lei no 8. § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil. O ensino médio. terá como finalidades: I . da escrita e do cálculo. II . Art.creches. § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa. III .pré-escolas. Seção IV Do Ensino Médio Art. vedadas quaisquer formas de proselitismo. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento. dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.475. 31. § 4º O ensino fundamental será presencial. mesmo para o acesso ao ensino fundamental. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura. da tecnologia. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. A educação infantil. IV .

741. e uma segunda. mediante convênios de intercomplementaridade. 36-A. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I . A educação profissional técnica de nível médio articulada. de 2008) Art. efetuando-se matrículas distintas para cada curso.domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. 38. oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando.741. aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis. será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) II .741. de 2008) Parágrafo único.integrada.concomitante. II . visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado.será incluída uma língua estrangeira moderna. terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior. de 2008) Art. de 2008) Parágrafo único. para os maiores de dezoito anos.741.741.741.684. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos. 36-C. de 2008) I .741. em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. como disciplina obrigatória. mediante cursos e exames. consideradas as características do alunado. CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11.741. de 2008) Art.741. (Incluído pela Lei nº 11. nas formas articulada concomitante e subseqüente. preferencialmente.741.741. de 2008) c) em instituições de ensino distintas. (Incluído pela Lei nº 11. escolhida pela comunidade escolar. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem.741. 36-B. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I . efetuando-se matrícula única para cada aluno. mediante ações integradas e complementares entre si.(Incluído pela Lei nº 11.no nível de conclusão do ensino médio. de 2008) II . § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola. seus interesses.741. de 2008) § 1º Os conteúdos. na forma do regulamento. de 2008) 44 . prevista no inciso I do caput do art.as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino.no nível de conclusão do ensino fundamental. II . de 2008) II .subseqüente.741. que compreenderão a base nacional comum do currículo. em caráter optativo. nos termos de seu projeto pedagógico. 36-D. de 2008) III . facultativamente. na mesma instituição de ensino.741.741. 39.741. de 2008) Art. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11. oportunidades educacionais apropriadas. habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. da ciência e da tecnologia. A preparação geral para o trabalho e.as exigências de cada instituição de ensino. (Incluído pela Lei nº 11. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. de 2008) b) em instituições de ensino distintas. de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. (Redação dada pela Lei nº 11. de 2008) Art. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) I . com a educação profissional. quando registrados. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se. 36-B desta Lei. oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo. A educação profissional e tecnológica. (Incluído pela Lei nº 11.os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. atendida a formação geral do educando. § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11. no cumprimento dos objetivos da educação nacional. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio. quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade. e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11. dentro das disponibilidades da instituição.741. sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio. de 2008) a) na mesma instituição de ensino. (Incluído pela Lei nº 11. integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho. poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Parágrafo único. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. com aproveitamento. de 2008) I . de 2008) Art.III . para os maiores de quinze anos. possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão.741. de 2008) Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art.741.741. condições de vida e de trabalho. 37.articulada com o ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. o ensino médio.

quando houver.741. poderão ter 45 . conforme o caso. características e duração. bem como do cronograma das chamadas para matrícula. a respectiva ordem de classificação. sua duração. e.promover a extensão.suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização. excluído o tempo reservado aos exames finais. de 2007). periodicamente. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior.741. qualificação dos professores. de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art. IV .cursos seqüenciais por campo de saber. desse modo. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino.incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica. V . de diferentes níveis de abrangência. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. A autorização e o reconhecimento de cursos. além dos seus cursos regulares. de 2008) Art. duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. Na educação superior. integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração.formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada.741. 41. condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação.de graduação.741. prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade.741. aperfeiçoamento e outros. os programas dos cursos e demais componentes curriculares. se necessários. de 2006) Art. de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I . A educação superior tem por finalidade: I . de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11. independente do ano civil. III . 47. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica. (Redação dada pela Lei nº 11. Art. compreendendo programas de mestrado e doutorado. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. Parágrafo único. em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia. sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados. no mínimo.741. desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive.741. observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Regulamento) Art. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. (Incluído pela Lei nº 11. III de pós-graduação. cursos de especialização. II . visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.promover a divulgação de conhecimentos culturais. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior. VII .de extensão.741. tem. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública. As instituições de educação profissional e tecnológica. haverá reavaliação. (Regulamento) § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo. o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais. (Regulamento) Art. obrigando-se a cumprir as respectivas condições. (Incluído pela Lei nº 11. terão prazos limitados. antes de cada período letivo. inclusive no trabalho. aberta à participação da população. para a superação das deficiências. 42. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos. poderá ser objeto de avaliação. IV . demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos. abertos à comunidade. 45. (Redação dada pela Lei nº 11. públicas ou privadas.estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente. oferecerão cursos especiais. após processo regular de avaliação. VI . em desativação de cursos e habilitações. de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio. 43. aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. § 1º As instituições informarão aos interessados. em intervenção na instituição. de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. (Incluído pela Lei nº 11. que poderá resultar. Art. de publicações ou de outras formas de comunicação. possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos. (Redação dada pela Lei nº 11. sendo renovados. desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente. no que concerne a objetivos.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. (Incluído pela Lei nº 11.632. 46.331. II . em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. requisitos. bem como o credenciamento de instituições de educação superior. ou em descredenciamento. (Incluído pela Lei nº 11. reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional. aplicados por banca examinadora especial.§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos. 40. recursos disponíveis e critérios de avaliação. com variados graus de abrangência ou especialização. em particular os nacionais e regionais. o ano letivo regular. de 2008) Art. e colaborar na sua formação contínua. 44. científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino. de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizarse-ão.

IV . as universidades públicas poderão: I . de acordo com as normas dos sistemas de ensino. de pesquisa. (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia. programas e projetos de investimentos referentes a obras. na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente. As transferências ex officio darse-ão na forma da lei. III .criação. e mediante processo seletivo. com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei. III . programas e projetos de investimentos referentes a obras. heranças. tanto do ponto de vista científico e cultural. IV . 51.programação das pesquisas e das atividades de extensão. 50. quanto regional e nacional. § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem 46 . sem prejuízo de outras. são asseguradas às universidades. (Regulamento) Art.administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição. e aqueles conferidos por instituições não-universitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes. § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. Art. VIII . modificação e extinção de cursos. diplomas e outros títulos. de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor.fixar os currículos dos seus cursos e programas. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares. As instituições de educação superior credenciadas como universidades. garantida a necessária previsão orçamentária. (Regulamento) Art. VI .propor o seu quadro de pessoal docente. 49. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano. IV . observadas as diretrizes gerais pertinentes. VII . V . além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior.conferir graus. quando registrados. sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas.firmar contratos. Art. II . obedecendo às normas gerais da União e. II . levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio. Para garantir a autonomia didático-científica das universidades. organizar e extinguir. mediante processo seletivo prévio. As instituições de educação superior. abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito. para aquisição de bens imóveis. expansão. serviços e aquisições em geral. acordos e convênios. Parágrafo único. salvo nos programas de educação a distância. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos. VII .elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais.elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes. bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais. legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. II . atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis.um terço do corpo docente em regime de tempo integral. articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino.contratação e dispensa de professores. que se caracterizam por: (Regulamento) I . serviços e aquisições em geral.estabelecer planos.receber subvenções.aprovar e executar planos. 54. 53. para cursos afins. sobre: I . No exercício de sua autonomia. VI . na forma da lei. produção artística e atividades de extensão. § 3º É obrigatória a freqüência de alunos e professores. assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. dentro dos recursos orçamentários disponíveis. doações. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados. É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. Parágrafo único. Art.fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio. VI .realizar operações de crédito ou de financiamento. pelo menos. do respectivo sistema de ensino.ampliação e diminuição de vagas. assim como um plano de cargos e salários. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior. Art. 52.aprovar e executar planos. em sua sede. programas e projetos de pesquisa científica. § 4º As instituições de educação superior oferecerão. quando for o caso.planos de carreira docente. III . respeitando-se os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação. financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. na hipótese de existência de vagas. quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária. instalações e equipamentos. III . (Regulamento) II .abreviada a duração dos seus cursos. com aprovação do Poder competente. no período noturno.elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes. X . técnico e administrativo.um terço do corpo docente. cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno. V . Art.adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento. IX .elaboração da programação dos cursos. nas leis e nos respectivos estatutos. organização e financiamento pelo Poder Público. de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura. terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular. 48.efetuar transferências. V . Parágrafo único.criar. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir. quando da ocorrência de vagas. as seguintes atribuições: I . ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes.

planejamento.alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa. § 1º Haverá. escolas ou serviços especializados.014. o Distrito Federal. de 2009). § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial. Parágrafo único. 60. de que participarão os segmentos da comunidade institucional. subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. 62. § 3º A oferta de educação especial. de 2009) Parágrafo único. § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. 61.014. de 2009) III – trabalhadores em educação. intelectual ou psicomotora. inspeção e orientação educacional. anualmente. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art. com habilitação em administração. de 2009). local e regional. (Incluído pela Lei nº 12.056.cursos formadores de profissionais para a educação básica. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados. 63. inclusive o curso normal superior. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. A formação dos profissionais da educação. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica. supervisão. a modalidade de educação escolar. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. Art. em curso de licenciatura. dever constitucional do Estado. (Incluído pela Lei nº 12. portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática. Art. 59. para atender às suas necessidades. de 2009) I – a presença de sólida formação básica.014. Entende-se por educação especial. (Regulamento) § 1º A União. admitida. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. (Incluído pela Lei nº 12. (Redação dada pela Lei nº 12. o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas. são: (Redação dada pela Lei nº 12. em instituições de ensino e em outras atividades. deverão promover a formação inicial. técnicas.educação especial para o trabalho. em virtude de suas deficiências. bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas. § 2º O atendimento educacional será feito em classes. Art. Nas instituições públicas de educação superior. de 2009) I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. bem como da escolha de dirigentes. 57. a oferecida em nível médio. O Poder Público adotará.014. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. os Estados e os Municípios. independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. de 2009) Art. V . como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. (Regulamento) CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. IV . quando necessário. de graduação plena. de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia. tem início na faixa etária de zero a seis anos. de 2009) II – a associação entre teorias e práticas. que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho. bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. (Redação dada pela Lei nº 12. a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. em universidades e institutos superiores de educação. com base em avaliação realizada pelo Poder Público. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos.014. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que. a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino. na escola regular. em seu Orçamento Geral. de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores. Art. mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço. para atendimento especializado.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. durante a educação infantil. Caberá à União assegurar. recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas. Em qualquer caso. (Incluído pela Lei nº 12. em função das condições específicas dos alunos. de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades. serviços de apoio especializado. Art. de 2009). III . 58.014. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12. 55. para educandos portadores de necessidades especiais. como alternativa preferencial.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. (Incluído pela Lei nº 12. II . Parágrafo único. 56. os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão. para os efeitos desta Lei.014. (Incluído pela Lei nº 12. destinado à formação de docentes para a educação 47 . sempre que. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística. (Incluído pela Lei nº 12.056. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I . inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I . Art.014. métodos. visando a sua efetiva integração na vida em sociedade. recursos educativos e organização específicos. em regime de colaboração.056.currículos. assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos. na modalidade Normal.

nunca menos de dezoito. nesta formação. até o décimo dia do mês subseqüente. até o trigésimo dia.aquisição. de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art. II . as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. e os Estados. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação. a critério da instituição de ensino. III .receita do salário-educação e de outras contribuições sociais. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I . A formação de profissionais de educação para administração.amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo. V .pesquisa. compreendidas as transferências constitucionais. II .recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês. nos termos das normas de cada sistema de ensino. 66. quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades. Art. incluído na carga de trabalho. ao Distrito Federal e aos Municípios. ajustada. O notório saber. IV . VI . Art. assegurando-lhes. incluirá prática de ensino de. 201 da Constituição Federal. ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas. vinte e cinco por cento. de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art. II . 67. construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis. planejamento e avaliação. III . ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão. 40 e no § 8o do art.progressão funcional baseada na titulação ou habilitação. observados os seguintes prazos: I . Art. Art. garantida. do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação. receita do governo que a transferir. precipuamente. trezentas horas. IV . 68. serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro.aperfeiçoamento profissional continuado. IV . inspeção.receita de incentivos fiscais. § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. A União aplicará. compreendendo as que se destinam a: I . o Distrito Federal e os Municípios. a base comum nacional. prioritariamente em programas de mestrado e doutorado. V . § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados. na manutenção e desenvolvimento do ensino público. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I . (Renumerado pela Lei nº 11. VIII . inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim. dos Estados. no mínimo. anualmente. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério.301.receita de transferências constitucionais e outras transferências.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. do Distrito Federal e dos Municípios.piso salarial profissional. por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais.recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês. exceto para a educação superior. até o vigésimo dia. III .receita de impostos próprios da União. com base no eventual excesso de arrecadação.período reservado a estudos. § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas. 64. além do exercício da docência. incluídas.outros recursos previstos em lei. reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim. 71.aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. poderá suprir a exigência de título acadêmico.condições adequadas de trabalho.realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino. II .301. VII . VI . A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pósgraduação.programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. Art. V . para efeito do cálculo previsto neste artigo.recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês. dos Estados. III . será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual. que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação. manutenção.concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas. ou. III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. II . 69.remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação. e na avaliação do desempenho. estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino. que não vise. Art. (Incluído pela Lei nº 11. 65. A formação docente. 70. Art. quando efetivada fora dos sistemas de ensino. supervisão e orientação educacional para a educação básica. ou pelos Estados aos respectivos Municípios. quando não vinculada às instituições de ensino. 48 . Parágrafo único. inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I . são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas.programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. quando for o caso. não será considerada.levantamentos estatísticos.infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental. da receita resultante de impostos. § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos. § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo. planejamento. § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União.

prioritariamente. 75. na área de ensino de sua responsabilidade. 165 da Constituição Federal. 80. considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. suas comunidades e povos. estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado. com validade para o ano subseqüente. inclusive mediante bolsas de estudo. o Distrito Federal e os Municípios. § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. o acesso às informações. § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno. Os órgãos fiscalizadores examinarão. de 9. Art. III . TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art. Art. § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º. 76. ou ao Poder Público. dividendos. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando. com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios. 74. desportivo ou cultural. III . dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas. 11 desta Lei. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. destinado à educação escolar nas comunidades indígenas. participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto. a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino. terão os seguintes objetivos: I . (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10. A União. Art. § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal. na forma da lei.comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados. 72. 79-B. e outras formas de assistência social. a valorização de suas línguas e ciências. sejam militares ou civis. suas comunidades e povos.formação de quadros especiais para a administração pública.II . com os seguintes objetivos: I . 212 da Constituição Federal.1. progressivamente.manter programas de formação de pessoal especializado.garantir aos índios. desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa. do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. em colaboração com os Estados. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir. inclusive diplomáticos. para oferta de educação escolar bilingüe e intercultural aos povos indígenas.subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial. 77. § 2º Os programas a que se refere este artigo. o cumprimento do disposto no art. no caso de encerramento de suas atividades. as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. O Sistema de Ensino da União. II . neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades.fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua materna de cada comunidade indígena. Parágrafo único. em todos os níveis e modalidades de ensino.639. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. baseado no cálculo do custo mínimo por aluno. Art.2003) Art. a reafirmação de suas identidades étnicas. na prestação de contas de recursos públicos. e de educação continuada. III . podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. Art.pessoal docente e demais trabalhadores da educação. Art. conforme o inciso VI do art. 78. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados. II . VI . sem prejuízo de outras prescrições legais. Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei. relativo ao padrão mínimo de qualidade.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. de 9. IV . a recuperação de suas memórias históricas. II . ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar.2003) Art. Art.elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado.desenvolver currículos e programas específicos.639. Art. 73. 79-A.prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos.programas suplementares de alimentação.obras de infra-estrutura. bonificações. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas. capaz de assegurar ensino de qualidade. 79. (Regulamento) 49 . incluídos nos Planos Nacionais de Educação. assistência médico-odontológica. conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. em número inferior à sua capacidade de atendimento. considerado o número de alunos que efetivamente freqüentam a escola. filantrópica ou confessional. confessionais ou filantrópicas que: I . assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. V .apliquem seus excedentes financeiros em educação. farmacêutica e psicológica. 10 e o inciso V do art. (Incluído pela Lei nº 10. desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. IV . no art. IV .1.proporcionar aos índios.

de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4. 175º da Independência e 108º da República. de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens. III . ressalvados os direitos assegurados pelos arts. a União.integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. preservada a autonomia universitária.692. de 20 de dezembro de 1961. O ensino militar é regulado em lei específica. os recursos da educação a distância. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. exercendo funções de monitoria. A União. 85. § 1º A União. também.192.274. TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art. 52 é de oito anos. por mais de seis anos. o Plano Nacional de Educação. 92.330. As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão. de 11 de agosto de 1971 e 7. os Estados. mediante delegação deste. de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. nos termos da legislação específica. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. (Regulamento) § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino.131. Art. e. cada Estado e Município. 81. caberão aos respectivos sistemas de ensino.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados. de 2006) II .§ 1º A educação a distância.274. É instituída a Década da Educação. ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia.024.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. nos prazos por estes estabelecidos. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. encaminhará. Art. o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano. integrar-se ao respectivo sistema de ensino. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino. (Redação dada pela Lei nº 11. devem: (Redação dada pela Lei nº 11. e 5. de 2008) Art. de 28 de novembro de 1968. Art. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos.274. pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino. de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. no prazo de três anos.274. sem ônus para o Poder Público. supletivamente. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. com diretrizes e metas para os dez anos seguintes. Art. admitida a equivalência de estudos. (Redação dada pela Lei nº 11. § 3º As normas para produção. de 2006) § 3o O Distrito Federal. não alteradas pelas Leis nºs 9. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental.788. (Redação dada pela Lei nº 11. ainda. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art. na sua condição de instituições de pesquisa. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou. organizada com abertura e regime especiais. . Art. no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei. § 6º A assistência financeira da União aos Estados. observada a lei federal sobre a matéria. 84. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. Brasília. pelos concessionários de canais comerciais. para isto.044.274. de 21 de dezembro de 1995 e. que incluirá: I . II . a contar da publicação desta Lei. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. 91. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. bem como a dos Estados aos seus Municípios. 89. IV . Art. 83. as Leis nºs 5.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. de 18 de outubro de 1982.540. 20 de dezembro de 1996. utilizando também. 90. GESTÃO DO PROCESSO DE ENSINOAPRENDIZAGEM (Armindo José Rodrigues Revista Brasileira de Educação Especial) 50 . Art. ao Distrito Federal e aos Municípios. 87. III . Art. desde que obedecidas as disposições desta Lei. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado. a partir da data de sua publicação. de 24 de novembro de 1995 e 9. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição. 82. e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. Art. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão. ao Congresso Nacional. com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. ficam condicionadas ao cumprimento do art. Art. 88.reserva de tempo mínimo. 86.

encontrar modelos de formação inicial susceptíveis de desenvolver nos futuros professores aqueles saberes e aquelas habilidades que têm maior impacto num desempenho profissional igualmente eficaz e competente. rotinas de ensino. logo no início do ano letivo. afinal. da ética e do desenvolvimento pessoal e social. rotinas e estratégias. iniciar-se com uma planificação cuidada. pensar-se que o professor tem que. as rotinas 51 . o ensino tem duas dimensões fundamentais. tendo experimentado um progressivo desenvolvimento e aprofundamento. p. A antecipação e prevenção conseguem-se através da tomada de decisões acerca de quais devam ser as rotinas a implantar na vida da turma. horários sobrecarregados. Foi um período em que se multiplicaram as observações sistemáticas de aulas. que define as rotinas como "conjuntos de procedimentos estabelecidos que têm por função controlar e coordenar sequências específicas de comportamentos". primeiro. Citando Brophy (1983). Para Yinger (1977). É o que demonstraram os estudos sobre a gestão da aula realizados por Kounin e colaboradores que revelam que as diferenças importantes. 1999.) e à própria direção da escola. as pesquisas depressa ultrapassaram os estreitos limites das questões da ordem e da disciplina. quando a população discente pertencia quase exclusivamente à classe dominante. GAUTHIER e DESBIENS. etc. entendidas como o conjunto de condições préestabelecidas (agrupamento e distribuição espacial dos alunos. particularmente depois dos anos sessenta e setenta. também ROY. Se os fatores socioeconômicos pesaram fortemente para tornar mais difícil a gestão da aula. as análises interacionais e a aplicação de questionários. comportamentos agressivos e hostis. desde as características pessoais do professor. antes do início do ano letivo. Efetivamente. é efetivamente durante a planificação que se procede à seleção. uma parte da tarefa de preparação com vista a uma gestão eficaz da aula é simultaneamente uma preparação com vista ao ensino eficaz da matéria. GAUTHIER e colaboradores (1998:241) acentuam que " o planejamento da gestão da classe começa não somente com o trabalho de preparação. garantir um clima de ordem na sala. Segundo o mesmo autor. Promovendo a automatização de uma série de procedimentos que visam o controle e a coordenação de sequências de comportamentos aplicáveis a situações específicas. mas também com a implantação e a comunicação de regras. Não deve. Efetivamente. As primeiras pesquisas sobre a organização e gestão da sala de aula centraram-se essencialmente em questões relacionadas com a manutenção da ordem e da disciplina. DOYLE (1986) proporá a ampliação do conceito. Em primeiro lugar. entre nós. acabando por realçar vários outros aspectos importantes.. os quais adotavam. subsequentemente. se empenhe ativamente nas aprendizagens. quando a escola passou a acolher públicos cada vez mais numerosos e diversificados. então. turmas numerosas. o ensino dos conteúdos dos programas (dar o programa. no entanto. criando constantes conflitos de concepções e de conduta entre o professor e certos grupos de alunos. entre os professores que são bem sucedidos e aqueles que o não são não residem na sua resposta aos alunos perturbadores. ao contexto de trabalho (espaços físicos deficientes. Por isso. (BROPHY e PUTNAM. Os resultados das pesquisas remetem claramente para uma concepção de gestão da classe numa perspectiva holística. citados por MARTINEAU.. o que acontece na planificação. selecionar e organizar os recursos. alguns outros resultados fornecidos por esses estudos têm igualmente de ser mencionados. obter descrições cada vez mais finas dos acontecimentos da sala de aula e dos vários estilos e funções do ensino. programas extensos. para abarcar a dimensão aprendizagem: "a gestão da classe consiste num conjunto de regras e de disposições necessárias para criar e manter um ambiente ordeiro favorável tanto ao ensino como à aprendizagem". E. porém. para. motivar os alunos. sobretudo nos Estados Unidos. definição de regras. etc) que definem o contexto em que se desenvolve o processo ensinoaprendizagem. É a "dupla agenda do professor". nomeadamente as dimensões da cidadania. procedimentos e sanções disciplinares. pois um aluno pode não perturbar o clima da aula sem que. Efetivamente.As modalidades de organização e gestão da classe. etc). de relações e de expectativas em face dos alunos assim que o ano se inicia". organização e distribuição das rotinas. 1991). no entanto. estava-se agora em presença de uma multiplicidade e diversidade de valores. Esta centralidade das questões disciplinares parece ter decorrido diretamente das profundas transformações sofridas no pós-guerra. na gestão da classe. 1977. que consiste em reagir após o aparecimento dos problemas. Ou que outros professores se centram de tal modo nas atividades estritas de ensino que esquecem as demais dimensões do universo da turma. estruturar. este modo de agir opõe-se ao método coercitivo. articulação e sequenciação das atividades. de que derivam as duas tarefas principais da atividade do professor: as funções relativas à gestão da classe (organização dos grupos. Em consequência. por vezes. avaliar as aprendizagens. rotinas de supervisão e rotinas de execução (YINGER. com o propósito de. se interessa explicitar em traços largos a evolução do conceito de gestão da classe. identificar e caracterizar os traços marcantes do professor eficaz e competente. Porém. muitos deles "desviados" dos modelos socialmente aceites. não têm merecido. conduzir e supervisionar as atividades de ensino.). tendo por objetivo. logo desde os primeiros anos de prática.469) A gestão da classe deve. com vista à antecipação e prevenção dos problemas. princípios orientadores da ação docente. 1979:189. não é menos verdade que vários outros poderão ser invocados. por exemplo. a necessária atenção por parte dos investigadores. de procedimentos. em seguida. as diferenças remetem antes para a planificação e preparação da matéria e para as técnicas de gestão da classe que os professores utilizam para prevenir a inatenção e as perturbações. esta problemática tem sido objeto de importantes investigações desde meados do século passado. regras de interação. Este autor distingue quatro tipos de rotinas: rotinas de atividade. em vez da tradicional continuidade e complementaridade entre escola e família. Não se pode ignorar que há professores para quem a instauração e manutenção de um ambiente de trabalho nas aulas é tarefa de tal modo difícil e desgastante que pouco tempo e energia lhes restam para dedicar às atividades de ensino propriamente ditas. de normas e códigos sociais. Procurava-se. de que falam Shulman (1986) e Leinardt (1990). estrutura e encadeamento das atividades. tornou-se evidente que a manutenção da ordem não é um fim em si mesma.

A descrição acima refere-se à concepção de educação. tanto na planificação como na ação. elas são "estruturas de situação que organizam e orientam o pensamento e a ação" (DOYLE & CARTER. as concepções e as práticas de um determinado professor. (GAUTHIER et al. ações e estratégias de ensino concebidas para promoverem objetivos prescritos e medições cuidadas dos resultados. poderá explicar-se pelo fato de os professores não esperarem grandes mudanças nos seus alunos. a importância que as atividades assumem para o professor. p. as metas e objetivos do ensino. que é o de garantir a eficácia da transmissão do conhecimento. Um quadro de conduta é uma unidade ecológica de conduta possuidora de quatro traços distintos: limites espaciais e temporais definidos. só vão ganhando forma à medida que os traços da atividade (localização. Sacristan.têm por efeito 1) reduzir o número de indicações a serem tratadas pelos professores. mas esta só ocorrerá na medida em que os alunos estejam interessados e implicados nas atividades que lhes são propostas/impostas pelo professor ou negociadas/decididas conjuntamente. aumentando as probabilidades de que essa mesma conduta ocorra segundo os seus intentos. Como recorda Arends (1995). semanas e até meses. no final de cada aula. 2000). As atividades ou tarefas constituem-se assim no elemento chave de análise do processo ensinoaprendizagem. os professores. reduzir ou ampliar. alguns estudos empíricos. 1998. seleção das atividades de aprendizagem. por ordem de importância: fatores associados ao contexto docente. As próprias metas de ensino. bem como os modos peculiares de as desenvolver. um meio físico com utensílios. EXERCÍCIO 1. os professores equacionam as mudanças apenas após a exposição de vários conceitos no decurso de dias. desde cedo puseram em evidência que aquele modelo não correspondia às práticas efetivas dos professores. 4) aumentar a disponibilidade dos professores diante das reações dos alunos. seleção dos procedimentos de avaliação. considerações sobre os conteúdos da disciplina respectiva. mas é muito difícil inferir quais os objetivos visados. a) libertadora. como vimos acima. quando planifica as aulas. É óbvio que os professores se preocupam com a aprendizagem dos alunos. aliás. DOYLE. selecionando e organizando as rotinas. Yinger e Robins (1983). a planificação das atividades de ensino-aprendizagem foi dominada pelo modelo de Tyler (1949). por exemplo. relativamente aos procedimentos de planificação. particularmente do rendimento escolar dos alunos". assim. então. Segundo os autores mencionados. porquanto os comportamentos de professor e alunos são dirigidos pelo "quadro" definido. ao contrário do que se seria levado a pensar numa perspectiva de planificação sistemática e linear. a oportunidade para aprender. fundados numa atitude crítica relativamente aos modelos e perspectivas behavioristas. Este último recebe. Só a apreensão da sua estrutura e encadeamento sequencial. por exemplo. sendo por conseguinte o cerne tanto da planificação como da ação (Jackson. 1968. nas suas práticas quotidianas. interações entre os componentes físicos e o modelo configurado de conduta. e regulam a prática. para além de configurarem a interação professor-aluno. segundo Yinger (1980). um modelo configurado de conduta. movimentos instrucionais do professor. estrutura e sequência. concebida nessa perspectiva. As atividades constituem.) ambos são espectadores frente à verdade objetiva. as instituições de formação de professores davam grande ênfase ao treino de procedimentos muito elaborados que visavam a eficácia na especificação dos objetivos comportamentais. conteúdos e materiais de ensino) vão sendo elaborados e especificados. O que define as relações é o grau de estruturação e objetividade. 1986). 2) reduzir o número de decisões a serem tomadas durante a intervenção. mas o próprio quadro de conduta é definido e controlado antecipadamente pelo professor. Em consequência. materiais e recursos. o predomínio das atividades explica-se mediante o conceito de "quadro de conduta". Efetivamente. 3) aumentar a estabilidade das atividades. livros e outros materiais. As atividades de ensino representariam. e não os resultados da aprendizagem. na perspectiva da psicologia ecológica (BARKER. b) tecnicista. que se estruturava em quatro etapas: definição dos objetivos.. Para Yinger (1980). através da sua planificação antecipada. 1963. Por conseguinte. define de antemão os limites e orientações gerais da conduta. uma boa planificação caracterizavase "por objetivos de ensino cuidadosamente especificados (geralmente expostos em termos comportamentais). analisando os processos de planificação adotados em escolas secundárias inglesas. nos tornará possível compreender qual seja o esquema integrador que define as orientações. aprende e fixa as informações.. comportamento aceitável dos alunos. (. constituem a oportunidade para aprender. os interesses dos alunos. As atividades (ou tarefas) configuram. que são as atividades de ensino. tornando os professores mais previsíveis. Segundo Hill. que constituem a meta e o enfoque da planificação do professor. participantes.. O professor é apenas um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno. não obedeciam às recomendações dos teóricos sobre a planificação sistemática e linear.242) A PLANIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE ENSINO Até aos anos setenta do séc. propostas e reguladas pelo professor. pois. A comunicação professor-aluno tem um sentido exclusivamente técnico. na perspectiva tyleriana. 52 . duração. essas atividades ou tarefas desenhadas. ao observador torna-se fácil identificar as atividades e os seus traços distintivos. Ou seja. XX. ao enfatizar que. c) progressista. Assim. concluiu que os professores tendem a considerar. organização das atividades de aprendizagem. quando o professor estrutura as atividades a realizar na aula. Taylor (1970). 5) diminuir a ansiedade dos alunos. ao moldar o ambiente e o processo de aprendizagem. pois. Parece. As correntes cognitivistas deram um contributo valioso para a compreensão do processo ensino-aprendizagem e do papel central nele desempenhado pelas atividades ou tarefas. 1977). bem como uma definição clara dos papéis de professor e aluno. No entanto. quadros de conduta controlada. estruturam o modelo de organização e gestão da classe e definem a intencionalidade e a cobertura que é dada ao currículo.

assinale a opção INCORRETA. (C) a escola capitalista não forma apenas para a reprodução da divisão social do trabalho. enquanto instituição social. ao assimilarem essas influências. a tendência pedagógica que considera os alunos livres no seu pensar e agir. as coisas se apresentam da mesma forma para a nova pequena burguesia e para o trabalho intelectual. “Só se pode dizer de forma totalmente análoga e aproximativa que a escola forma trabalho intelectual de um lado e trabalho manual (formação técnica) de outro. visa-se favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. De maneira alguma. decorrentes da organização econômica. dos costumes e formas de convivência humana. racionalização. e) articular o ensino. b) desenvolver as competências e habilidades do aluno.. A gestão democrática no âmbito da educação teve seu início a partir da década de 80. com finalidades explícitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente e planejada. Nesse sentido. tem a seguinte função na atualidade: a) transmitir conhecimentos científicos e tecnológicos. A gestão educacional democrática engloba um conjunto de elementos que a diferem da administração tradicional. política. LUCKESI (1990) afirma que “se os alunos são livres frente ao professor. Quando o professor valoriza a aprendizagem informal. podendo construir saberes indispensáveis à inserção social do aluno. (d) Prepará-los para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias na vida social. e) crítico-social dos conteúdos.) O que se ensina principalmente à classe operária é a disciplina. d) Paradigma de consenso. está é diretamente ligada á formação do sujeito. pode-se afirmar que: (A) a função da escola não está interligada apenas com as classes sociais às quais dirige sua atenção. frente ao do professor. O papel da escola na perspectiva da Pedagogia Libera Tradicional é: a) transmitir o saber sistematizado e a cultura. competição. 2. 4. baseado na busca de respostas para os estímulos previamente planejados. sendo uma atividade humana necessária à existência e ao funcionamento de todas as sociedades”. a escola tem grande responsabilidade nessa formação. (D) Formar o cidadão não é tarefa apenas da escola.d) renovada. autonomia e eleição direta. A escola. (B) as funções da escola só podem ser analisadas em função das classes sociais às quais dirige sua ação. No entanto. Para a nova educação que se propõe. transformando o aluno em sujeito de sua própria aprendizagem. também este o é em relação aos alunos”. E) liberal renovada não-diretiva. d) trabalhar os valores sociais do contexto em que estão inseridos. 9. C) progressista libertária.. b) desenvolver um processo ensino-aprendizagem comportamentalista. (. Isso nos permite encontrar na escola capitalista uma reprodução da divisão social do trabalho. (b) Prepará-los para atuar no meio econômico. mais importante do que repassar conhecimento é desenvolver no aluno a capacidade de aprender. e) Eleição. Caso isso ocorresse não haveria nenhum tipo de modalidade social. gestão racional e centralização. enfim. Segundo Libâneo (1994.’’ (Poulantzas. em seu lado intelectual. religiosa. escolares ou não. (c) Exigir que o conhecimento possa ser utilizado sistematicamente. 16-17). (B) A educação compreende os processos formativos que ocorrem no meio social. b) a eleição direta do administrador escolar. c) desenvolver experiências de vida prática e autogestão. em outras vezes. 7. Acerca da relação entre educação e sociedade. 6. d) a base teórica fundamentada na psicologia social. B) progressista crítico-social dos conteúdos. Embora professor e aluno sejam diferentes e desiguais. 5. qual é o papel fundamental da escola na formação dos indivíduos? (a) Prepará-los para o mercado de trabalho. a constituição e funcionamento de colegiados e a participação de diferentes segmentos consultivos e deliberativos. “a prática educativa é um fenômeno social e universal. via grupo. D) liberal tradicional. efetivamente formada pela escola. orientador e um catalisador no meio dos educandos. c) a administração científica baseada em um planejamento gerencial. As instituições 53 . formas democráticas de escolha dos gestores e diálogo. 1975:288): Com base na citação acima. dicotomia democrática e competição. de instrutor-monitor à disposição do grupo é a A) liberal tecnicista. a aprendizagem e a economia de mercado. como local privilegiado de trabalho com o conhecimento. é chamada Educação Intencional ou Formal. sendo um professor estimulador. sendo a sua força de trabalho. Quais características definem melhor este tipo de gestão? a) Centralização. e) a descentralização administrativo-financeira e pedagógica. c) Certeza. estéticos e éticos. sem imposições de idéias e concepções. b) Descentralização. a veneração de um trabalho intelectual que se acha quase sempre fora do aparelho escolar. p. e a negação de toda forma de repressão. hierarquia. (A) A educação exerce influência no meio social sobre os indivíduos e estes. exercendo a função de "conselheiro" e. o respeito à autoridade. No que se refere a relação professor/aluno. são eles: a) a base teórica fundamentada no enfoque. 3. e) discutir os problemas sociais e relacioná-los com a cultura. objetivos sociais e precisão. c) inserir o indivíduo na estrutura da sociedade. que deve ter uma postura empática. o docente deve se pôr a serviço do discente. d) promover uma formação geral que engloba o desenvolvimento cognitivo e operativo a partir dos âmbitos científicos. 8. promovendo situações de reflexão em comum. supervisão escolar e orientador educacional. assumem postura passiva que os torna capazes de atuar como agentes de mudança. (C) A educação que ocorre em instituições específicas. A prática educativa existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais. no qual o indivíduo está envolvido pelo simples fato de viver em sociedade.

que a igualdade se explicite nas diferenças. mudando as relações sociais e educacionais estabelecidas até então. isto é. 10. (B) I e III. que transformou a cidade no centro social por excelência. também impôs à educação um modelo de centralização social alijado das questões políticas e ideológicas. políticas e ideológicas. A zona de desenvolvimento proximal referese. os estilos de pensamentos intuitivo e mágico e o jogo simbólico são característicos do estágio: a) Das operações formais. apenas. II e III. Através dessa revolução. b) Das operações concretas. e) progredisse mais lentamente que o processo de aprendizado. estabelecidas no nível de desenvolvimento real. (B) A urbanização. que teve como objetivo primordial a superação da exclusão e da ignorância da população. o conceito de mediação inclui: I. constitui o grande desafio que ela está chamada a enfrentar”. ao caminho que o indivíduo vai percorrer para desenvolver funções que estão em processo de amadurecimento e que se tornarão funções consolidadas. Isso exige da escola I. (A) A organização dos grupos sociais não interfere em suas práticas educativas. 12. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. onde o princípio do homem indivíduo veio a tornar-se predominante na educação. (D) a análise da reprodução da divisão social do trabalho não pode ser resumida apenas às funções da escola. 11. apenas. Vygotsky define a zona de desenvolvimento proximal como a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial. III.de ensino ou redes escolares são um espaço de formação da cidadania. b) avançasse em ritmo mais acelerado que o processo de aprendizado. Segundo Piaget. Isso nos permite afirmar que na escola capitalista não há somente uma reprodução da divisão social do trabalho.2011) A Revolução Industrial foi um dos grandes marcos históricos na transição do feudalismo para o capitalismo. (D) A estrutura social e a organização dos grupos humanos independem dos processos educativos e do acúmulo de conhecimentos desses grupos. “a escola sempre teve dificuldade em lidar com a pluralidade e a diferença. o modo de produção capitalista se consolidou como hegemônico no mundo. (E) as funções da escola podem ser analisadas em função das classes sociais às quais dirige sua atenção. (C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como consequência um ritmo educacional laicizado. promover processos de desnaturalização e explicitar a rede de estereótipos e preconceitos que povoam os imaginários das pessoas em relação aos diferentes grupos socioculturais. abrir espaços para a diversidade. políticas e culturais de uma determinada sociedade. pois esta dirige sua ação para a formação da cidadania e preparo para a sociedade capitalista. (C) O movimento pedagógico surgido no século XIX procurou se preocupar com a formação integral do homem. processo de equilibração Estão CORRETOS apenas os itens: 54 . mas um acesso mediado. Está correto o que se afirma em (A) I. (C) A prática educativa está determinada por fins e exigências sociais. 14. Segundo Vygotsky. (C) II e III. Sobre a relação da educação e sociedade. d) Sensório motor. garantindo que os diferentes sujeitos socioculturais se reconheçam. (D) O século XVI foi marcado pelo surgimento das primeiras escolas públicas estatais. apenas. assinale a opção correta. c) Pré-operatório. o homem não tem acesso direto aos objetos. Acerca desse assunto. II. (D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento da burguesia como classe dominante favoreceu a chamada difusão da instrução. feito através dos recortes do real. Enquanto sujeito do conhecimento. 15. assegurando. ação do sujeito sobre a realidade IV. na qual o ensino era transmitido de pais para filhos. É como se o processo de desenvolvimento a) apresentasse características diferentes do processo de aprendizagem. c) ocorresse de forma independente ao do processo de aprendizado. 16. Uma idéia central para a compreensão das concepções de Vygotsky sobre o desenvolvimento humano como processo sócio-histórico é a idéia de mediação. A educação como fenômeno social é parte integrante das relações sociais. promover uma política de universalização da escolarização que favoreça a integração de todos na sociedade. (B) A educação determina as relações sociais e possibilita as mudanças econômicas e sociais. bem no escopo do movimento de reivindicação de direitos sociais por parte do proletariado. processo de representação mental II. econômicas. reconstruir o que se considera “comum” a todos. na cultura hegemônica. (E) I. é correto afirmar que: (A) A antiguidade guarda a relação educacional espontânea. é incorreto afirmar que: (A) A consolidação da democracia burguesa trouxe a reflexão do papel da educação no tocante à sua função para o status quo social. assim. No entanto. (D) III. Para Moreira e Candau (2003). assim. d) caminhasse de forma igual ao do processo de aprendizagem. Tende a silenciá-la e neutralizá-la. em consonância com o regime tribal de convivência social. ou seja. (Osvaldo Jr . fazendo com que entrasse em extinção a chamada aprendizagem mútua. dentro da lógica da difusão e consolidação da instrução pública como modelo de inserção social da grande massa da população. 13. apenas. a diferença e para o cruzamento de culturas. sistemas simbólicos III. Sente-se mais confortável com a homogeneização e a padronização. (B) O surgimento e consolidação da propriedade privada imprimiu na educação um dinamismo maior e mais amplo de instrução. No que se refere ao campo educacional.

(D) abrangência. adotando a concepção de que o conhecimento provém da ativação das estruturas cognitivas dos sujeitos educacionais. C) A educação bancária tem por finalidade promover o diálogo entre os sábios e os que nada sabem. pela proposição de soluções e definição de responsabilidades coletivas e individuais na superação desses problemas. A Pedagogia Progressista manifestou-se em três tendências. B) a libertadora. gestão democrática e valorização do magistério. 17). d) maturacionais e de fatores emocionais. (B) abrangência. social e ideológico. Segundo Vigotsky. 21. Os fatores orgânicos são os responsáveis pela seqüência fixa que se verifica entre os estágios do desenvolvimento. 25. D) A educação bancária tem por finalidade conscientizar os alunos de sua condição de oprimido. C) a liberal. (A) A igualdade pressupõe a expansão quantitativa de oferta de vagas em detrimento da manutenção da qualidade. Em relação a esses princípios. visando à sua socialização. assinale a opção INCORRETA. E) A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. a libertária e a crítico-social dos conteúdos. E) a reprodutivista. (C) abrangência. Podem ter seus efeitos amplamente transformados pelas circunstâncias sociais nas quais se insere cada existência individual e mesmo por deliberação voluntária do sujeito. duração e diagnóstico. Devido a isso. (D) O referencial tradicional de currículo encara o conhecimento como estático. diagnóstico e concretização. Nesse sentido. e) intelectuais e manifestações culturais. b) I e III. ela se configura como espaço de conflitos e contradições que permeiam o trabalho pedagógico-didático 55 . 24. (C) A qualidade implica duas dimensões dissociáveis. a moderna e a tradicional. p. a duração de cada estágio e as idades a que correspondem. (D) responsabilidade principal da equipe técnica. assinale a opção correta. citado por Rabelo (2001). liberdade. c) II e III. a mediadora e a do consenso. são elas: A) a humanista. este visto como produto de uma reflexão crítica sobre a relação entre os saberes científicos e a prática social. (C) momento privilegiado de avaliação das competências profissionais dos educadores. a capacidade que uma criança tem de poder cumprir uma tarefa sem ajuda externa é chamada de: a) Zona de Desenvolvimento Proximal b) Nível de Desenvolvimento Potencial c) Desenvolvimento prospectivo d) Zona de Estabilidade Variável e) Nível de Desenvolvimento Real 18. (E) discussão coletiva dos conhecimentos a serem refletidos. duração e participação. mas se produz nos processos intersubjetivos e dialogais que acontecem na prática escolar. São características do Projeto Político Pedagógico: (A) abrangência. D) a do conflito. a liberal renovada e a liberal avançada. Segundo Wallon. 17. afastado de determinantes históricos e condicionantes mais amplos. 26. 23. A construção do projeto político-pedagógico na perspectiva da emancipação parte dos princípios de igualdade. estando uma diretamente subordinada à outra. (A) No referencial tradicional de currículo. em dependência de características a) biológicas e de manifestações de afetividade. A capacidade de classificar. de um processo de planejamento participativo. entre oprimidos e opressores. 22.a) I e II. que se aperfeiçoa e se objetiva na caminhada. a elaboração do Projeto Pedagógico. c) individuais e das condições de existência. todavia não garantem uma homogeneidade no seu tempo de duração. se constitui em: (A) solução para se obter o ensino de qualidade. ou seja. 20. advoga o currículo como conhecimento. definitivo. (B) A gestão democrática implica o repensar da estrutura de poder da escola. dos processos sociais. social e cultural do Projeto Pedagógico se traduzem pela explicitação dos principais problemas de cada instituição educacional. a técnica e a política. objetivo. A respeito da evolução histórica do conceito e da concepção do currículo. de acordo com Piaget. d) III e IV. nunca definitiva. (C) O referencial crítico de currículo. 2002. (B) O referencial pós-crítico de currículo caracteriza o período contemporâneo da ciência. Pode ser entendido como a sistematização. a revolucionária e a mundancista. (B) um exercício de autonomia escolar. participação e diagnóstico. a partir de um posicionamento quanto à sua intencionalidade e de uma leitura da realidade” (VASCONCELLOS. ocorre no estágio: a) Sensório-Motor b) Pré-Operatório c) Operatório d) Simbólico e) Inteligência Intuitiva 19. inspirado nos princípios da dialética materialista histórica. As dimensões política. manifestando-se por meio da linguagem e da comunicação. b) genéticas e do desenvolvimento cognitivo. B) A educação bancária tem por finalidade promover a transformação social. a construção do conhecimento desloca-se do sujeito individual para os processos coletivos. (A) A liberdade deve ser considerada como liberdade para aprender e ensinar a arte e o saber direcionados para uma intencionalidade definida pela direção da escola. marque a alternativa CORRETA: A) A educação bancária tem por finalidade problematizar a realidade social. são referências relativas e variáveis. qualidade. A instituição escolar é repleta de influências dos campos político. e a diversidade humana tornase uma referência básica para a prática curricular. Considerando a Educação Bancária preconizada por Paulo Freire. “O Projeto Político Pedagógico é o plano global da instituição. que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar.

V. V. V. médio e superior. ( ) O planejamento não remete à prática. V.assegurar o ensino fundamental e oferecer. 32. V. constitui-se em elemento do trabalho didático-pedagógico da escola o (a): (A) Igualdade de condições para todos os educandos. d) Educação infantil. responsabilidades a) da União. ( ) O planejamento difere do sonho. compreendendo as seguintes etapas: a educação infantil. do desejo difuso e da simples intenção visto que prevê passos. direito da criança. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre a relação da educação e sociedade. Estão corretas as afirmativas: a) I. Assim. ela traz à tona a) A necessidade de se estabelecer currículos fechados sobre o tema. III – assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. III e IV d) I. d) Uma política educacional que corresponda aos anseios de grupos de preservação ambiental. o ensino médio. dos Municípios e dos Estados. apesar de não se constituir numa “Pedagogia Ambiental”. V. F. o ensino fundamental. d) dos Municípios. com nível superior em magistério ou cursos afins. D) o processo pedagógico deve considerar as crianças em sua totalidade. II e III b) II. (C) O ensino como tarefa real e concreta. e) Educação Básica. IV. b) Educação Básica: ensino superior presencial nas modalidades: semi-presencial e a distância. na qual o ensino era transmitido de pais para filhos. III e V c) II. ( ) O planejamento não difere da imaginação. V c) F. Professores com nível superior para exercerem docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. A Educação Ambiental. opção da família o atendimento gratuito em instituições públicas de Educação Infantil. No que diz respeito à organização do Sistema Municipal de Ensino é possível afirmar. (B) O surgimento e consolidação da propriedade privada imprimiu na educação um dinamismo maior e mais amplo de instrução. dos Municípios e da União. F. na medida em que em ambos há o compromisso com a prática. em consonância com o regime tribal de convivência social. ensino médio e ensino superior. a saber: I. EXCETO: A) é dever do Estado. e) da União. dos Estados e da União. pois não possui com ela uma relação intrínseca. V. 28. com ou sem pós-graduação. sequência e ação. Assim. A LDBEN (Lei 9394/96). ensino fundamental e ensino médio. F 29. especifica os que em efetivo exercício e formados em cursos reconhecidos. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação N. C) quanto ao funcionamento. as Instituições de Educação Infantil poderão organizar o atendimento em regime parcial e/ou integral e funcionar ininterruptamente durante o ano civil. V. (D) Sei lá. b) A importância de ações estruturantes. da União e dos Municípios. c) A organização pedagógica fundamentada numa ação concreta que vise o fim da problemática ambiental. que teve como objetivo primordial a superação da exclusão e da ignorância da população. superior e complementar. onde o princípio do homem indivíduo veio a tornar-se predominante na educação.desenvolvido por ela. F e) F. Habilitados em nível médio ou superior. II – oferecer a educação infantil em creches e préescolas e. II. c) Educação Básica. Portadores de curso técnico ou superior em pedagogia ou área afim. De acordo com a LDB. F. que sugerem fomento aos projetos escolares na área. é uma problemática complexa e que requer ainda muitos avanços em sua execução no campo escolar. é correto afirmar que: (A) A antiguidade guarda a relação educacional espontânea. buscando sempre uma sistematização que favoreça o desempenho da instituição escolar. dos Estados e dos Municípios. III e IV 56 . compreendendo o ensino fundamental e médio. 30. V. V. para atuação na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. as diferenças entre elas e sua forma privilegiada de conhecer o mundo por meio do brincar. ( ) O planejamento é uma forma de antever e interagir com as condições dadas. compreendendo graduação e pós graduação. avalie as sentenças abaixo como verdadeiras (V) ou falsas (F). II e III identificam. 27. com prioridade. ( ) O planejamento se dá em cima de uma ação específica. observando suas especificidades. a educação escolar está composta dos seguintes níveis: a) Educação Básica. Tendo em vista que planejar significa antecipar mentalmente uma ação que se quer realizar. F. sem se preocupar com as políticas destinadas a outras organizações da sociedade civil. B) a política de Educação Infantil deve focar-se na cultura. Técnicos em educação. como profissionais da educação. fazendo com que entrasse em extinção a chamada aprendizagem mútua. (D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento da burguesia como classe dominante favoreceu a chamada difusão da instrução. e a Educação Superior. 33. planejamento. juntamente com suas alterações. inspeção e orientação educacional. Nesse sentido. ensino fundamental. b) dos Estados. V b) F. pós – graduação a níveis de lacto e stricto sensu. respectivamente. que trabalham na educação. (B) A utilização de métodos de ensino-aprendizagem. (C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como consequência um ritmo educacional laicizado. com diploma de pedagogia com habilitação em administração. os enunciados I. esse trabalho jamais é neutro e descompromissado. Trabalhadores em educação. III. A sequência CORRETA é a) V. supervisão. justiça social. F. 31. V d) V. a educação profissional e o ensino superior. 9394/96. c) dos Estados. Considere os enunciados: I . V. em uma situação concreta somente. com prioridade. nos direitos humanos.

D) exige apenas o ensino de metodologias ativas. (B) pesquisar cuidadosamente técnicas e metodologias mais atuais que contemplem a motivação dos orientandos. (B) O seu papel mediador entre os docentes e a direção da escola. complexidade e resolução de problemas. propostas e dirigidas pelo professor para a aprendizagem dos alunos. B) exige que se continue a estudar durante toda a vida profissional. 35. 1997). 43. e) Apenas na melhoria da qualidade do ensino. Pode-se afirmar que NÃO faz parte dos princípios da interdisciplinaridade. juntamente com as de educação infantil. C) exige somente o ensino de técnicas pedagógicas. c) Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. O Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental. B) que manipule a máquina sem autonomia. 57 . Os autores afirmam. (C) Se constituir em uma forma colegiada da gestão democrática. exceto: a) Difusa b) Educação à distância c) Presencial d) Semi-presencial 36. c) Na democratização da gestão escolar e na melhoria da qualidade do ensino. São tipos de modalidades de educação ambiental. São características do trabalho desenvolvido pela Pedagogia de Projetos: A) ocasionalidade. médio e de educação infantil mantidas pela prefeitura. acompanhar melhor a educação ali oferecida” (GADOTTI E ROMÃO. E) Consistem em atividades não programadas pelo professor. C) para um mundo inter-ecológico. d) No rendimento acadêmico do aluno e na melhoria da qualidade do ensino. B) simbolização. registrado em cartório e com uso aleatório das verbas públicas. Os novos processos de interação e comunicação no ensino mediado pelas tecnologias visam a formação de um novo homem: A) para a era interplanetária. que acontecem ocasionalmente em sala de aula. responsabilidade e complexidade. analise as afirmativas seguintes e marque a alternativa CORRETA: A) Consistem em atividades lúdicas criadas pelos alunos. preocupam-se em demasia com métodos e técnicas em um verdadeiro endeusamento dessas questões. 39. A afirmação acima nos chama atenção para a importância de se (A) buscar bases conceituais que respaldem e sustentem as metodologias utilizadas na prática educativa. 41. em seu fazer diário. 38. como se a educação pudesse melhorar apenas a partir da metodologia de ensino. E) intencionalidade. E) exige exclusivamente o ensino de como agir coletivamente na escola. B) Consistem em atividades planejadas pelo professor. consciente da sua responsabilidade individual e social. portanto. responsabilidade e autonomia dos alunos. que a participação da comunidade no meio escolar influi: a) Apenas na democratização da gestão escolar. bem como os órgãos municipais. E) autônomo.394/96 e deve ser assegurada no Projeto Político Pedagógico da unidade escolar. “Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola. A formação continuada do professor é assegurada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. formalidade e burocracia. b) Apenas no rendimento acadêmico do aluno. autenticidade. das criadas e mantidas pela iniciativa privada para a educação infantil. 42. 9. A formação inicial deve preparar o futuro docente para uma profissão que: A) não exige tanta qualificação ao longo da vida profissional.e) III. 40. d) Adotar a prática de um currículo fechado. Podemos afirmar que ela se torna efetiva quando: a) A instituição adota deliberadamente os programas do governo capacitando o seu pessoal em sintonia com os anseios da equipe gestora da instituição. C) Consistem em atividades dirigidas pelo professor. d) Pelas instituições: do ensino fundamental. e) Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto do conhecimento. 44. exaustividade e complexidade. 30. crítico. mantidas pelo município. que é: (A) A sua inserção nas atividades rotineiras da escola. b) As instituições de ensino fundamental e médio. análise teórica. tendo em vista somente os alunos com dificuldades. (D) A prerrogativa de representar a SEMED local. Sobre as situações de aprendizagem. C) responsabilidade. IV e V 34. D) exaustividade. D) Consistem em atividades planejadas. complexidade e resolução de problemas. D) para atuar sem precisão no ambiente virtual. os quais compreendem: a) Somente as instituições de educação infantil e ensino fundamental mantidas pelas prefeituras. intensificar seu envolvimento com ela e. e) mamãe mandou!!!!! 37. b) Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. e os órgãos municipais. a) Estabelecer ligações entre teoria e prática. d) Previsto no Regimento Escolar. b) Está previsto no Projeto Político-Pedagógico para dar formação continuada de professores dentro dos parâmetros das políticas em educação para aligeiramento deste profissional. c) A instituição sabe as necessidades de formação de seus profissionais e elabora um programa de formação dos mesmos contando com a participação dos órgãos centrais para efetivar o referido programa. sem um objetivo específico. c) Pelas escolas de ensino fundamental e de educação infantil mantidas pelo poder público municipal. além das de iniciativas privada com o mesmo fim. Os educadores. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham. O artigo 18 da LDBEN (Lei 9394/96) normatiza os sistemas municipais de ensino. assim.

nos projetos de aprendizagem: (A) a escolha dos temas a serem investigados é feita em conjunto por professores e coordenação pedagógica. d) Uma forma de concretizar plenamente esse tema na escola é engajar estudantes e professores em atividades práticas de reciclagem de lixo escolar. b) A ação do professor. um dos grandes desafios para os educadores da contemporaneidade é efetivar a Educação Ambiental (EA). e deve ser pautada na observância dos conteúdos próprios para a série e não na relação destes com a vida e os interesses dos alunos. numa relação de completa reciprocidade entre o que a teoria diz e a prática reforça. A estrutura da exposição deve conduzir à problematização e ao raciocínio. no seu sentido mais formal. 2005. Sendo assim. seus argumentos e suas experiências. (B) Um ambiente de participação. 58 . e) A EA ainda é um grande desafio para a escola. 48. capacidade para o diálogo e competência didática são algumas características do professor que facilitam a aprendizagem. buscando além da mera transmissão de conhecimentos um processo construtivo que possibilite a superação do conhecido e ensinado. Zaíra Leita Ramos. mas aquilo que quer aprender. coopera de forma fundamental para que haja aprendizagem. Um projeto. assinale a opção inCORRETA. as ações e condições necessárias para resolver problemas. nota-se cada vez mais o empenho acadêmico em formar professores engajados na EA. A metodologia de Projetos de Aprendizagem pretende subsidiar práticas pedagógicas inovadoras. d) A gestão democrática e participativa. é correto afirmar que. 51. d) Humanista. reflexo dos conteúdos pedagógico e político implementados completamente na formação docente. 50. Brasília: Ed. Em um determinado contexto histórico educacional. o que favorece a formação de pessoas com criticidade para o uso racional e produtivo da tecnologia. (D) procurar o interesse prático dos orientandos para então escolher a técnica mais adequada a ser desenvolvida. entre outras coisas. b) Exige uma interação entre teoria e prática. (Osvaldo Jr – 2011) Sem dúvida. relacionamentos. com os condicionantes e fundamentos existentes no mundo tecnológico. é possível perceber o surgimento de uma unidade maior ao redor do tema.(C) dinamizar as práticas educativas a partir de atividades significativas para todos os orientandos. promovendo um despertar para a interpretação do contexto atual. d) A definição de objetivos. 49. A respeito da relação professor/aluno. com sobressalto da dimensão ética no uso das tecnologias. a avaliação significa uma forma de verificar o rendimento escolar por meio de produções livres. o texto acima se refere à avaliação inerente à concepção de educação fundamentada na abordagem: a) Comportamentalista. (Osvaldo Jr – 2011) Qual dos elementos abaixo é considerado como dimensão da prática pedagógica no âmbito escolar: a) Os objetivos definidos. Vestcon. um movimento de práxis educacional. d) Não impõe o uso das novas tecnologias. típico da prática interdisciplinar que deve permear este na escola. 2007 (com adaptações). de maneira que esta possa cada vez mais trazer à tona a problemática do meio ambiente. pode-se afirmar que: a) A grande dificuldade da EA é a ausência de uma legislação específica para a mesma. b) Cognitivista. explicações práticas e casuais. aquilo que recolheu nos livros da vida. 45. exponham suas idéias. com expressões próprias. De acordo com Clovis Roberto. e) Sociocultural. 47. c) Nos dias atuais. e) Sua fundamentação básica encontra-se no interjogo do saber-fazer. no qual professor e alunos trabalhem juntos. principalmente na atualidade. alterar uma situação ou criar novas alternativas. onde pouco interesse se vê nos estudantes para desenvolverem atividades voltadas ao meio ambiente. sobretudo no ambiente escolar. (D) O professor deve ser um comunicador dialogal e não um transmissor unilateral de informação. Considerando a metodologia de projetos e sua relação com a prática pedagógica. o que favoreceria a uniformidade das práticas educativas sobre o tema. c) A diversidade cultural. (A) Coerência entre teoria e prática. suas opiniões. O professor pensa ensinar o que sabe. b) Embora não haja consenso conceitual e de práticas de EA na atualidade. assinale a alternativa incorreta: a) É baseada numa concepção educacional transformadora e progressista. c) O processo ensino-aprendizagem e suas nuances. exceto: a) História de vida dos educandos. (C) A escolha dos temas a serem trabalhados em sala de aula é função do professor. c) Tradicional. (Osvaldo Jr – 2011) É fator que contribui para o bom desenvolvimento da prática pedagógica no âmbito escolar. constitui apenas um documento que representa um processo de planejamento que determina. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre as características inerentes a educação tecnológica. b) A diversidade cultural dos atores escolares. Conhecimentos pedagógicos. ou seja. c) Procura levantar questões que se relacionam com o momento contextual considerado. valorizando as iniciativas individuais e fracionadas. metas e finalidades da ação educativa. 46. saber-pensar e criar. e) A filosofia da educação adotada. Affonso Romano de Sant’Anna (com adaptações). e) A disponibilidade individual de professores e estudantes em superar obstáculos às práticas educativas. e não à absorção passiva das idéias e informações do professor. mas o aluno aprende do professor não necessariamente o que o outro quer ensinar. (E) preparar melhor as técnicas educativas para que os orientandos assimilem com maior facilidade o conhecimento ensinado.

(D) o aluno apresenta-se receptivo às definições de regras e atividades orientadas pelo sistema educacional. vontade e desejo do aprendiz. (C) o professor é o agente de transmissão do conhecimento e o responsável pela definição da seqüência dos conteúdos do currículo.(B) não há uma seqüência única e geral na apresentação dos conteúdos.B 50.B 51. Estes são apresentados segundo a curiosidade. GABARITO 010203040506070809101112B C B A E D D A E C B A 131415161718192021222324D E C A E C C E B C A B 252627282930313233343536B B A C A C C B C C D D 373839404142434445464748C D B D E E C A C B E E 49.B 59 .

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