CURSO LIDERANÇA

“A melhor equipe para concursos públicos”

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS EDUCAÇÃO, TRABALHO E CIDADANIA: A EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O DESAFIO DA FORMAÇÃO NO ATUAL CENÁRIO HISTÓRICO (Antônio J. Severino). A humanidade vive, hoje, um momento de sua história marcado por grandes transformações, decorrentes, sobretudo do avanço tecnológico, nas diversas esferas de sua existência: na produção econômica dos bens naturais; nas relações políticas da vida social; e na construção cultural. Esta nova condição exige um redimensionamento de todas as práticas mediadoras de sua realidade histórica, quais sejam, o trabalho, a sociabilidade e a cultura simbólica. Espera-se, pois, da educação, como mediação dessas práticas, que se torne, para enfrentar o grande desafio do 3º milênio, investimento sistemático nas forças construtivas dessas práticas, de modo a contribuir mais eficazmente na construção da cidadania, tornando-se fundamentalmente educação do homem social. A educação, como processo pedagógico sistematizado de intervenção na dinâmica da vida social, é considerada hoje objeto priorizado de estudos científicos com vistas à definição de políticas estratégicas para o desenvolvimento integral das sociedades. Ela é entendida como mediação básica da vida social de todas as comunidades humanas. Esta reavaliação, que levou à sua revalorização, não pode, no entanto, fundar-se apenas na sua operacionalidade para a eficácia funcional do sistema socioeconômico, como muitas vezes tendem a vê-la as organizações oficiais, grandes economistas e outros especialistas que focam a questão sob a perspectiva da teoria do capital humano. Sem dúvida, a existência real dos homens é profundamente marcada pelos aspectos econômicos, até porque esta dimensão econômica, devidamente entendida, constitui mesmo uma referência condicionante para as outras dimensões da vida humana, uma vez que ela se liga à própria sobrevivência da vida material. Porém, a significação dos processos sociais e, no seu âmbito, dos processos educacionais não se restringe a essa sua funcionalidade operatória. Se, de um lado, é a realidade dos fatos que permite que a educação tenha alguma incidência social, de outro, essa eficácia só ganha legitimidade humana se se referir a significações que ultrapassem sua mera facticidade e seu desempenho operacional. A Nova Ordem Mundial: a Promessa. De acordo com um senso comum atualizado, vigente nos meios acadêmicos, nos meios de comunicação e até mesmo nos meios populares, estaríamos vivendo hoje um mundo totalmente diferente daquele projetado pela visão iluminista da modernidade, constituindo uma nova ordem mundial. Estaríamos vivendo um momento de plena revolução tecnológica, capaz de lidar com a produção e transmissão de informações em extraordinária velocidade, num processo de globalização não só da cultura, mas também da economia e da política. Tratarse-ia de um momento marcado pelo privilegiamento da iniciativa privada, pela minimalização da ingerência do Estado nos negócios humanos, pela maximalização das

leis do mercado, pela ruptura de todas as fronteiras. Tal situação leva Octavio Ianni (1998:28) a afirmar que “o que está em causa é a busca de maior e crescente produtividade, competitividade e lucratividade, tendo em conta mercados nacionais, regionais e mundiais. Daí a impressão de que o mundo se transforma no território de uma vasta e complexa fábrica global e, ao mesmo tempo, em shopping center global e disneylândia global”. No entanto, este modo de ver e existir atuais, de perfil assumidamente neoliberal, com suas decorrências e expressões no plano cultural, com sua exacerbação do individualismo, do produtivismo, do consumismo, da indústria cultural, da mercadorização até mesmo dos bens simbólicos, não instaura nenhuma pósmodernidade. Com efeito, o que está de fato acontecendo é a plena maturação das premissas e promessas da própria modernidade. Nada mais moderno do que esta expansão e consolidação do capitalismo, envolvido numa aura ideológica de liberalismo extremado; nada mais moderno do que esta tecnicização, viabilizada pela revolução informacional. Finalmente, a modernidade está realizando as promessas embutidas em seu projeto civilizatório. Nada mais moderno do que o individualismo egoísta dos dias de hoje. No fundo, é a mesma racionalidade que continua dirigindo os rumos da história humana, em que pesem as críticas que são feitas à sua forma de expressão até o século 19. Educação E Formação do Homem Social Ao contrário do que sempre alegaram a metafísica tradicional e a ciência moderna, todas as formas de manifestação concreta da existência humana se realizam mediante a ação real, o agir prático. Com efeito, a substância do existir é a prática. Só se é algo mediante um contínuo processo de agir, só se é algo mediante a ação. Assim, diferentemente do que pensavam os metafísicos clássicos, não é o agir que decorre do ser, mas é o modo de ser que decorre do agir. É a ação que delineia, circunscreve e determina a essência dos homens. É na e pela prática que as coisas humanas efetivamente acontecem, que a história se faz. Este é o sentido da historicidade da existência humana, ou seja, os homens não são a mera expressão de uma essência metafísica predeterminada, nem a mera resultante de um processo de transformações naturais que estariam em evolução. Ao contrário, naquilo em que são especificamente humanos, eles são seres em permanente processo de construção. Nunca estão prontos e acabados, nem no plano individual, nem no plano coletivo, como espécie. Por sobre um lastro de uma natureza físico-biológica prévia, mas que é préhumana, compartilhada com todos os demais seres vivos, eles vão se transformando e se reconstruindo como seres especificamente humanos, como seres “culturais”. E isso não apenas na linha de um necessário aprimoramento, de um aperfeiçoamento contínuo ou de progresso: ao contrário, estas mudanças transformativas, decorrentes de sua prática, podem ser regressivas, nem sempre sinalizando para uma eventual direção de aprimoramento de nosso modo de ser. O que é importante observar é que os seres humanos vão sendo aquilo que se vão fazendo e este fazer-se, este constituir se só se dá mediante a ação e não pelos seus desejos, pelos seus pensamentos e teorias. Assim, a educação não poderá mais ser vista como processo mecânico de desenvolvimento de

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potencialidades. Ela será necessariamente um processo de construção, ou seja, uma prática mediante a qual os homens estão se construindo ao longo do tempo. Educação como Mediadora da Existência Histórica Pode-se então equacionar a existência humana como se dando mediada pelo tríplice universo do trabalho, da sociedade e da cultura. Como os três ângulos de um triângulo, esses três universos se complementam e se implicam mutuamente, um dependendo do outro, a partir de sua própria especificidade. É nesse contexto que se pode entender as relações do conhecimento com o universo social. Com efeito, o conhecimento pressupõe um solo de relações sociais, não apenas como referência circunstancial, mas como matriz, como placenta que nutre todo seu processamento. Entretanto, essa trama de relações sociais em que se tece a existência real dos homens, como se viu antes, não se caracteriza apenas pelas relações de gregaridade dos indivíduos, tal qual ocorre nas “sociedades” animais, mas sobretudo por relações de hierarquização, envolvendo o elemento específico a interferir no social humano, o poder, que torna política a sociedade. O saber aparece, portanto, como instrumento para o fazer técnico-produtivo, como mediação do poder e como ferramenta da própria criação dos símbolos, voltando-se sobre si mesmo, ou seja, é sempre um processo de intencionalização. Assim, é graças a essa intencionalização que nossa atividade técnica deixa de ser mecânica e passa a se dar em função de uma projetividade, o trabalho ganhando um sentido. Do mesmo modo, a atividade propriamente política se ideologiza e a atividade cultural transfigura a utilidade pragmática imediata de todas as coisas. Como entender então a educação nesse contexto das mediações histórico-sociais que efetivamente manifestam e concretizam a existência humana na realidade? Ela deve ser entendida como prática simultaneamente técnica e política, atravessada por uma intencionalidade teórica, fecundada pela significação simbólica, mediando a integração dos sujeitos educandos nesse tríplice universo das mediações existenciais: no universo do trabalho, da produção material, das relações econômicas; no universo das mediações institucionais da vida social, lugar das relações políticas, esfera do poder; no universo da cultura simbólica, lugar da experiência da identidade subjetiva, esfera das relações intencionais. A educação só se legitima intencionalizando a prática histórica dos homens. Com efeito, se se espera, acertadamente, que a educação seja de fato um processo de humanização, é preciso que ela se torne mediação que viabilize, que invista na construção dessas mediações mais básicas, contribuindo para que elas se efetivem em suas condições objetivas reais. Ora, esse processo não é automático, não é decorrência mecânica da vida da espécie. É verdade que, ao superar a transitividade do instinto e com ela a univocidade das respostas às situações, a espécie humana ganha em flexibilidade, mas, ao mesmo tempo, torna-se vítima fácil das forças alienantes, uma vez que todas as mediações são ambivalentes: constituem, simultaneamente, o lugar da personalização, e o lugar da desumanização, da despersonalização. Assim, a vida individual, a vida em sociedade, o trabalho, as formas culturais e as vivências subjetivas podem estar levando não a uma forma mais adequada de existência, da perspectiva humana, mas antes a

formas de despersonalização individual e coletiva, ao império da alienação. Sempre é bom não perder de vista que o trabalho pode degradar o homem, a vida social pode oprimi-lo e a cultura pode aliená-lo, ideologizando-o. Daí se esperar da educação que ela se constitua, em sua efetividade prática, um decidido investimento na consolidação das forças construtivas dessas mediações. É por isso que, ao lado do investimento na transmissão aos educandos, dos conhecimentos científicos e técnicos, impõe-se garantir que a educação seja mediação da percepção das relações situacionais, que ela lhes possibilite a apreensão das intrincadas redes políticas da realidade social, pois só a partir daí poderão se dar conta também do significado de suas atividades técnicas e culturais. Por outro lado, cabe ainda à educação, no plano da intencionalidade da consciência, desvendar os mascaramentos ideológicos de sua própria atividade, evitando assim que se instaure como mera força de reprodução social e se torne força de transformação da sociedade, contribuindo para extirpar do tecido desta todos os focos da alienação. FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA: RELAÇÃO ESCOLA E SOCIEDADE A escola, ao caracterizar-se como estabelecimento de educação ou de ensino, em de ser vista como organização e instituição. Seu fazer educativo não se confunde com o que acontece na família, no trabalho, na mídia, no lazer e nas demais formas de convívio social. A escola também não se confunde com a comunidade, a autarquia local, associações ou sindicatos. A escola é, antes de mais nada, uma organização, isto é, uma unidade social criada e estruturada explicitamente para realizar determinados fins (por exemplo: educação, ensino, formação. O que a distingue da família é a existência de um aparelho de autoridade (por exemplo, órgãos de administração e gestão) e de um corpo de regras, normas e procedimentos (por exemplo, regimento, regulamento interno, projeto educativo),formalmente instituídos para atingir um certo número de objetivos, alguns dos quais podem (e devem) ser igualmente prosseguidos pela família e outras instâncias de socialização (MUSGRAVE, 1979; HAECHT, 1992; PINTO, 1977). Mas a escola, tal como a empresa, não pode ser vista apenas sob o aspecto formal (o organograma, o estatuto, a missão oficial, o regulamento, as competências dos órgãos de administração e gestão). À semelhança do iceberg a escola tem uma parte imediatamente não visível (ou manifesta), porque submersa (ou latente): 1) são as relações informais que os membros (pessoal docente e não docente, alunos, pais e encarregados de educação, outros representantes da comunidade) estabelecem entre si; 2) essas relações, sobretudo, relações de poder (saber/não saber, ensino/aprendizagem, conformidade/desvio). Enquanto organização, a escola tem sido pouco estudada. Todavia, ela pode ser vista segundo diferentes modelos sociológicos; por exemplo, Burgess (1980) centrou a sua atenção em três abordagens. Convém, no entanto, começar por recorda que ela é, antes de mais, uma instituição e que patê de um sistema de ação a que chamamos a educação (ou sistema educativo). A Escola como Instituição

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A escola não existe num vácuo (social, cultural, administrativo ou político), ela articula-se com diferentes sistemas de ação que a modelam e legitimam (a começar pelo /estado, o poder legislativo, executivo e judicial, passando pelo mercado de trabalho, as empresas, a proteção social, a saúde, a ciência, e a tecnologia, as associações profissionais, as associações de pais e encarregados de educação, as autarquias); em suma, a escola articula-se com o sistema social mais vaso de que faz parte (Estado e sociedade civil, incluindo a família). Tanto a saúde como a educação são, por excelência, instituições, ou seja, conjuntos de idéias, crenças, valores e normas de comportamento propostos (e muitas vezes impostos) ao indivíduo numa dada sociedade. Para compreender as normas, as regras, os valores e as finalidades da escola e as transformações históricas por que tem passado, teremos que levar em conta o papel dos seus atores externos: todo os que são (ou foram) detentores de interesses específicos no campo da educação e do ensino. A escola, tal como a conhecemos hoje (universal, gratuita, laica, de freqüência obrigatória etc.), não pode ser desligada do contexto da luta de classes que deu origem ao estado moderno (a reforma, a ascensão econômica, política e cultural da burguesia, o Século das Luzes, a Revolução Industrial). • Com a Revolução Francesa, o Estado burguês vai nacionalizar o ensino, substituindose, desse modo, a Igreja. • Na esteira de Pombal e dos primeiros reformadores liberais, a república portuguesa vai inspirar-se nas leis escolares de Jules Ferry, e transformar a escola na Nova Igreja Cívica do Povo”. • Apoderando-se do antigo carisma dos homens da Igreja, o professor é posto no altar, promovido a “sacerdote do ensino”, a “apóstolo (laico) da religião social”, de acordo com a ideologia positivista que transparece dos diplomas legais que estão na origem da reforma do ensino primário (1911) e do técnico (1917) (FORMOSINHO e MACHADO, 2000, p. 99). A escola como organização como tantas outras (as empresas, os partidos políticos, as associações sindicais, os tribunais, as igrejas, os hospitais etc.). E, como tal, tem sido objeto de análise sociológica (e sobretudo psicosociológica), na medida em que é constituída por diferentes indivíduos e grupos, reunidos em função de um determinado objetivo e estabelecendo entre si determinados tipos de relações, de trabalho e de poder. Ao foca essencialmente o modo como os alunos poderão aprender mais matemática, ciências, história etc. (o que, certamente, não é um problema insignificante), negligenciou-se o amplo contexto em que as escolas existem, um contexto que pode mesmo dificultar o progresso dos alunos. Por um lado, não tem sido dada a devida atenção ás complexidades da interação diária na escola, ao processo educativo e à dinâmica interna da instituição. Por outro, as tendências internas da escola são desligadas do contexto ideológico, econômico e político em que estão inseridas. Enquanto instituição e organização, da escola é possível, todavia, fazer uma análise comparativa em diferentes contextos históricos, e encontrar traços ou características comuns:

1) A escola como organização tem sido em cada época uma missão ou finalidade própria, manifesta ou latente, explícita ou implícita, qualquer que seja o seu sistema de funcionamento ou o seu estatuto jurídico-legal (laico ou religioso, público ou privado etc.). 2) Além disso, e (cada vez mais) o local de trabalho de grupos socioprofissionais muito particulares, que diretamente afetam o processo educativo (professores, pedagogos, psicólogos), com funções de administração e gestão. 3) Tem um sistema de poder e de autoridade, embora diferente de outras organizações, como as empresas, dada a importância e o peso do seu staff profissional, nomeadamente de há um século para cá. 4) Tem, igualmente, um sistema técnico e organizacional de trabalho, se bem que é diferente da empresa que transforma matériasprimas em produtos acabados, já que o seu objeto de trabalho são seres humanos (crianças, adolescentes, jovens adultos). 5) Tem, por fim, uma cultura muito própria, ligada a ideologias e estratégias profissionais dos professores, não obstante o processo de racionalização da organização do trabalho educativo e de proletarização a que está hoje submetido o pessoal docente (em sua maioria do sexo feminino) (APPLE, 2002). O que distingue a escola de uma empresa é o fato de poder ser classificada categoria das organizações especializadas (ETZIONI, 1967, P. 117-128), ou seja, aquelas que são estabelecidas com o fim específico de criar, aplicar, manter ou comunicar o conhecimento, e empregando, no mínimo, 50% de especialistas ou profissionais. À escola sabe ensinar, isto é, garantir a aprendizagem de certas habilidades e conteúdos que são necessários para a vida em sociedade. Nesse sentido, como ela pode contribuir no processo de inserção social das novas gerações? Oferecendo instrumentos de compreensão da realidade local e, também, favorecendo a participação dos educandos em relações sociais diversificadas e cada vez mais amplas. A vida escolar possibilita exercer diferentes papéis, em grupos variados, facilitando a integração dos jovens no contexto maior. Para cumprir sua função social, a escola precisa considerar as práticas de nossa sociedade, sejam elas de natureza econômica, política, social, cultural, ética ou moral. Tem que considerar também as relações dietas ou indiretas dessas práticas com os problemas específicos da comunidade local a que presta serviços. A consciência política dos professores deve convergir para o trabalho que se faz dentro da escola. Numeroso contingente de alunos provenientes das camadas populares matricula-se na escola e os próprios pais fazem sacrifícios para mantê-los estudando. O ensino é uma tarefa real, concreta, que expressa o compromisso social e político do professor, pois o domínio das habilidades de ler e escreve, dos conhecimentos científicos da História, da /geografia, da Matemática e das ciências, é requisito para a participação dos alunos na vida profissional, na política e sindical, e para enfrentar situações, problemas e desafios da vida prática. Um ensino de baixa qualidade empurra as crianças, cada vez mais, para a marginalização social.

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Há, pois, um trabalho pedagógico-didático a se efetivar dentro da escola, que se expressa no planejamento do ensino, na formulação dos objetivos, na seleção dos conteúdos, no aprimoramento de métodos de ensino, na organização escolar e na avaliação. Ligar a escolarização às lutas pela democratização da sociedade implica, pois, que a escola cumpra a tarefa que lhe é própria: promover o ensino. Democratização do ensino significa, basicamente, possibilitar aos alunos o melhor domínio possível das matérias, dos métodos de estudo, e, por meio disso, o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais, com especial destaque à aprendizagem da leitura e da escrita. A escola é um meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas, na medida em que possibilita às classes populares, ao terem o acesso ao saber sistematizado e às condições de aperfeiçoamento das potencialidades intelectuais, participarem ativamente do processo político, sindical e cultural. Uma pedagogia voltada para os interesses populares, de transformação da sociedade, compreende o trabalho pedagógico e docente como o processo de transmissão/assimilação ativa dos conteúdos escolares, inserido na totalidade mais ampla do processo social. É uma pedagogia que articula os conhecimentos sistematizados com as condições concretas de vida e de trabalho dos alunos, suas necessidades, interesses e lutas. Indubitavelmente, um dos fatores que mais concorrem para a permanência dos quadros nacionais de fracasso escolar é o descompasso entre a escola e a comunidade, cultura e aprendizagem. Tais argumentos sustentam a evidência de que não aprendemos só pelo repertório de habilidades, pelo potencial de inteligência ou pela disponibilidade de estruturas cognitivas, mas, também, pelo que somos, buscamos, concebemos, valorizamos e fazemos. Cultura e aprendizagem são faces inseparáveis na condução do ensino e decisivas na constatação de seus resultados. Assim como se pode dirigir o curso de aprendizagem em uma única trajetória, não se podem controla os significados atribuídos ao saber ou aos usos do conhecimento conquistado. Peando a partir de parâmetros elitistas, etnocêntricos e didaticamente inflexíveis, a prática pedagógica leva ao fracasso, pois não está preparada para lidar com a pluralidade de contextos. Em síntese, muitas escolas não falam a mesma língua de seus alunos. O produto desse diálogo de mudos e surdos são os mecanismos de seleção e exclusão, frente aos quais muitos alunos reagem ativamente, mesmo que sob a forma da inteligência contra si mesmo. AS TEORIAS PEDAGÓGICAS MODERNAS (José Carlos Libâneo). Penso ser acertado dizer que as teorias modernas da educação são aquelas gestadas em plena modernidade, quando a idéia de uma formação geral para todos toma lugar na reflexão pedagógica. Comênio lança em 1657 o lema do “ensinar tudo a todos” e, não por acaso, é considerado o arauto da educação moderna. O movimento iluminista do século XVIII fortalece essa idéia de formação geral, válida para todos os homens, como condição de emancipação e esclarecimento. As teorias pedagógicas modernas estão ligadas, assim, a acontecimentos cruciais como a Reforma Protestante, o Iluminismo, a Revolução Francesa, a formação dos Estados Nacionais, a industrialização. Pedagogos como Pestalozzi, Kant, Herbart, Froebel, Durkheim, Dewey vão consolidando

teorias sobre a prática educativa assentadas na manutenção de uma ordem social mais estável, garantidas pela racionalidade e pelo progresso em todos os campos, especialmente na ciência. São também teorias fincadas nas idéias de natureza humana universal, de autonomia do sujeito, de educabilidade humana, de emancipação humana pela razão de libertação da ignorância e do obscurantismo pelo saber. Especificamente na pedagogia, o discurso iluminista acentua o papel da formação geral, o poder da razão no processo formativo, a capacidade do ser humano de gerir seu próprio destino, de ter autodomínio, de se comprometer com o destino da história em função de ideais. As teorias modernas da educação hoje apresentam-se em várias versões, variando das abordagens tradicionais às mais avançadas, conforme se situem em relação aos seus temas básicos: a natureza do ato educativo, a relação entre sociedade e educação, os objetivos e conteúdos da formação, as formas institucionalizadas de ensino, a relação educativa. A literatura internacional e a nacional dispõem de conhecidas classificações de teorias da educação ora chamadas de tendências ou correntes, ora de paradigmas. Em âmbito internacional são conhecidos os trabalhos de Guy Palmade, Robert Clausse, Jesus Palácios, Georges Snyders, Bogdan Suchodolski, Renée Gilbert, Bernard Charlot, entre outros. Em âmbito nacional há os trabalhos de Dermeval Saviani, José Carlos Libâneo, Maria das Graças Misukami, Moacir Gadotti, entre outros. Sem pretender retomar as abordagens teóricas que resultam nas classificações de teorias pedagógicas, são modernas a pedagogia tradicional, a pedagogia renovada, o tecnicismo educacional, e todas as pedagogias críticas inspiradas na tradição moderna como a pedagogia libertária, a pedagogia libertadora, a pedagogia crítico-social. Um olhar sobre as práticas pedagógicas correntes nas escolas brasileiras mostra que tais tendências continuam ativas e estáveis, mantendo seu núcleo teórico forte, ainda que as pesquisas dos últimos anos venham mostrando outras nuanças, outros focos de compreensão teórica, outras formas de aplicabilidade pedagógica. A meu ver, não há outras boas razões para alterar essa classificação. Isso não significa que não se apontem novas tendências, algumas já experimentadas em nível operacional, outras ainda restritas ao mundo acadêmico. Esquematicamente, essas teorias apresentam como características em comum: + Acentuação do poder da razão, isto é, da atividade racional, científica, tecnológica, enquanto objeto de conhecimento que leva as pessoas a pensarem com autonomia e objetividade contra todas as formas de ignorância e arbitrariedade. + Conhecimentos e modos de ação, deduzidos de uma cultura universal objetiva, precisam ser comunicados às novas gerações e recriados em função da continuidade dessa cultura. + Os seres humanos possuem uma natureza humana básica, postulando-se a partir daí direitos básicos universais. + Os educadores são representantes legítimos dessa cultura e cabe-lhes ajudar os alunos a internalizarem valores universais, tais como racionalidade, autoconsciência, autonomia, liberdade, seja pela intervenção pedagógica direta seja pelo esclarecimento de valores em âmbito pessoal.

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A partir desse conjunto de ideais, as pedagogias modernas, nos seus vários matizes, adquirem suas peculiaridades, formulando distintos entendimentos sobre as formas de conhecimento, função da ciência, conceito de liberdade etc., sem, todavia, renunciar à idéia de criação de uma sociedade racional. Uma herança comum dessas teorias, vista pelos críticos como negativa, é que em nome da razão e da ciência se abafam o sentimento, a imaginação, a subjetividade e, até, a liberdade, à medida que a razão institui-se como instrumento de dominação sobre os seres humanos. Nesse sentido, a questão problemática na racionalidade instrumental é a separação entre razão e sujeito, entre o mundo científico e tecnológico e o mundo da subjetividade. Outra questão problemática refere-se as conseqüências da grande acumulação de conhecimentos científicos e técnicos produzidos pela modernidade. Entre elas, a mais típica foi a constituição de campos disciplinares isolados, fragmentados, ignorando o conjunto de que faz par te e a per da de significação. Com isso, a própria sociedade reproduz essa fragmentação, disso ciando a cultura, a economia, a política, o sistema de valores, a personalidade. Quadro das Tendências Pedagógicas. Pedagogia Liberal Pedagogia Progressista 1. Tradicional 1. Libertadora 2. Renovada progressista 2. Libertária 3. Renovada Não- 3. Crítico social dos Diretiva Conteúdos 4. Tecnicista Reforça e justifica a Fundamenta-se na sociedade de classes, na análise crítica da medida em que realidade social. compreende a escola Compreensão da como preparadora de educação como processo indivíduos para o sócio-político. desempenho de papéis sociais, de acordo com suas aptidões. Fonte: LIBÂNEO – Didática. São Paulo: Cortez, 1994. Cada tendência é marcada por características que as distinguem das demais. 1. Pedagogia Liberal: primeiramente, precisamos pensar o que significa a palavra liberal neste contexto. Segundo Libâneo (1992, p. 21), o termo liberal não tem o sentido de ‘avançada’, ‘democrático’, ‘aberto’, como costuma ser usado. A doutrina liberal apareceu como justificação do sistema capitalista que, ao defender a predominância da liberdade e dos interesses individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção, também denominada sociedade de classes. Portanto, nos últimos 60 anos os professores têm adotado esta pedagogia, ora adotando um caráter mais conservador, ora mais um renovado, m as sempre tendo como objetivo preparar os alunos para desempenharem papéis sociais de acordo com as suas aptidões individuais. Para isso, segundo Libâneo (1992), os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes. 1.1. Pedagogia Liberal tradicional: A pedagogia tradicional teve sua vigência do período que vai dos jesuítas até os anos que precedem o lançamento do Movimento dos Pioneiros da Educação Nova (LIBÂNEO,

2000, p. 87). Mas sabemos que esta tendência continua prevalecendo na prática educativa atual. É caracterizada por ser centrada na figura do professor, que geralmente, utiliza-se da oralidade para transmitir seus conhecimentos aos alunos, que devem prestar a máxima atenção às palavras deste para aprender. Nesta tendência, acredita-se que o aluno aprende por ouvir o professor, visualizar objetos, mapas, gravuras e por realizar exercícios repetitivos: lembram-se quando o professor pedia para fazermos cinco vezes cada cópia? Ou cem vezes a tabuada? Pois é, assim pensavam que aprenderíamos mais rapidamente. Com isto, objetiva-se formar um aluno ideal, desvinculado da sua realidade concreta. O objetivo inicial desta pedagogia, que era o de formação indivíduo, fica hoje descaracterizado, com um ensino meramente decorado, sem sentido, reduzido à simples memorização de conteúdos desconexos da realidade do aluno. 1.2. Pedagogia Liberal Renovada Progressista: Esta pedagogia está baseada na teoria de John Dewey, autor que acreditava na idéia da relação entre teoria e a prática e na crença de que o conhecimento é construído quando compartilhamos experiências, num ambiente democrático. Portanto, o objetivo desta pedagogia é formar o indivíduo para atuar no meio, por isso deve-se “adequar as necessidades individuais ao meio social” (LIBÂNEO, 1992, p. 85), e por isso também, a escola deve fornecer ao aluno a oportunidade de experienciar, para que satisfaça os interesses deste às exigências sociais. 1.3. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva: A escola nesta tendência tem o papel de formar atitudes. Para tanto, o professor deve ser facilitador como diz Carl Rogers, principal teórico que aborda esta tendência. Para este autor, o professor deve aceitar a pessoa do aluno, fazendo com este se autodesenvolva, a partir da busca daquilo que é de seu interesse, adequando sua pessoa àquilo que o ambiente solicita. Como diz Libâneo (1992), “o resultado de uma boa educação (na tendência não-diretiva) é muito semelhante ao de uma boa terapia” (p. 27). 1.4. Tendência Liberal Tecnicista: Como o próprio nome sugere, esta tendência está baseada na técnica. A preocupação é com a formação de indivíduos para atuarem no mercado de trabalho, mantendo a ordem vigente: o capitalismo. Está embasada, teoricamente, pela análise comportamental, que tem como teórico principal B. F. Skinner, o que garante a objetividade da prática escolar. O objetivo é transmitir ao aluno “eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas” (LIBÂNEO, 1992, p. 29). Há alguns exemplos de escolas que utilizam-se desta tendência, escolas que oferecem cursos apostilados de digitação, programação, cursos de aprendizagem em instituições como SENAI e SENAC. 2. Pedagogia Progressista: “O termo ‘progressista’ (...) é usado aqui para designar s tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação” (LIBÂNEO, 1992, p. 32). Por isso, essas são tendências que analisam, criticam e discutem os aspectos sociopolíticos e econômicos da sociedade, realidade em que vivemos. Fato que leva estas tendências a serem utilizadas mais na educação informal do que na formal. 2.1. Tendência Progressista Libertadora: Esta tendência é mais conhecida como Pedagogia Paulo Freire e está mais presente em situações não formais

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O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. do diálogo. Lançamo-nos para diante. 1992. Para isso. Conceituando o Projeto Político-Pedagógico No sentido etimológico. Tem um caráter político também. buscando eliminar as relações competitivas. trataremos de trazer nossas reflexões para a análise dos princípios norteadores. começaremos. um conteúdo que não pode se dissociar da realidade social. entendido como a própria organização do trabalho pedagógico da escola como um todo. mas trata-se de uma relação recíproca entre a dimensão política e a dimensão pedagógica da escola. Tendência Progressista Libertária: Esta pedagogia tem como objetivo transformar a personalidade do aluno para atuar no sistema. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. que significa lançar para diante. PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA (Ilma Passos Alencastro Veiga). Geralmente. esta tendência está presente em associações. empreendimento. O projeto busca um rumo. intento. A escola é o lugar de concepção. e sim um conteúdo contextualizado. mas voltado à autogestão. É antever um futuro diferente do presente. responsável. A principal possibilidade de construção do projeto político-pedagógico passa pela relativa autonomia da escola. portanto. estadual e municipal. 2. poder se interferir no processo de transformação desta mesma realidade. desígnio. mas é constitutiva" (Marques 1990. esta pedagogia tem um caráter político intenso. p. Redação provisória de lei. O projeto político-pedagógico. é fundamental que ela assuma suas responsabilidades. Isto significa resgatar a escola como espaço público. corporativas e autoritárias. Para tanto. Ao construirmos os projetos de nossas escolas. 33). por meio do professor e da sua própria participação. pois a complexidade dos indivíduos e da sociedade não permite a existência de uma única forma de se perceber a realidade e nela intervir. uma direção. com base no que temos. É uma ação intencional. é importante que se tenha clareza de que não existe uma prática pura na qual se passa constatar uma única tendência. realização e avaliação de seu projeto educativo. sem esperar que as esferas administrativas superiores tomem essa iniciativa. é importante que se fortaleçam as relações entre escola e sistema de ensino.144). que é a formação do cidadão participativo. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. p. de realizar. O projeto político-pedagógico tem sido objeto de estudos para professores. em busca da melhoria da qualidade do ensino. Por isso. necessários à construção do projeto político-pedagógico. Político e pedagógico têm assim uma significação indissociável. crítico e criativo. Nessa perspectiva. posteriormente. buscando o possível. na primeira parte. 2. particípio passado do verbo projicere. preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. o projeto político-pedagógico tem a ver com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis: como organização da escola como um todo e como organização da sala de aula. fundado na 6 . também. com um sentido explícito. Pode parecer complicado. p. que "não é descritiva ou constatativa. da organização do trabalho pedagógico. grupos informais e escolas autogestionárias. Plano. mas não qualquer conteúdo. Neste sentido é que se deve considerar o projeto político-pedagógico como um processo permanente de reflexão e discussão dos problemas da escola. para que haja o entendimento e apreensão da realidade para. ou seja. Por outro lado. Em seguida. na segunda parte. Embora demarcados a partir de suas características. o projeto político-pedagógico vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diversas. Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos: O objetivo primordial desta tendência é a difusão de conteúdos. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos. Pedagógico. compromissado. uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. Desse modo. Empresa. "A dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica" (Saviani 1983. para atuarem na realidade social em que vivem. planejamos o que temos intenção de fazer. um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária. lugar de debate. Finalizaremos discutindo os elementos básicos. Portanto.1. O presente estudo tem a intenção de refletir acerca da construção do projeto político-pedagógico. “agir dentro dela é também agir no rumo da transformação” (LIBÂNEO. 39). apesar de. comum compromisso definido coletivamente. propicia a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. Plano geral de edificação (Ferreira 1975. no sentido de definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade. o termo projeto vem do latim projectu. È uma educação crítica porque tenta entender as relações do homem com a natureza e dos homens entre si. 93). na busca de alternativas viáveis á efetivação de sua intencionalidade. esta escola irá formar adultos que se apropriarem de conteúdos contextualizados. 23). incluindo sua relação com o contexto social imediato.3. Nesta caminhada será importante ressaltar que o projeto político-pedagógico busca a organização do trabalho pedagógico da escola na sua globalidade.de ensino. porque a escola é parte integrante da sociedade. mas que lhe dêem as condições necessárias para levá-Ia adiante. Na dimensão pedagógica reside a possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola. pesquisadores e instituições educacionais em nível nacional. por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. como diz Libâneo (1992): “professores e educadores engajados no ensino escolar vêm adotando pressupostos dessa pedagogia” (p. procurando preservar a visão de totalidade. p. ao se constituir em processo democrático de decisões. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. todo projeto pedagógico da escola é. conceituando projeto político-pedagógico. Nessa perspectiva.2.

É preciso entender o projeto político-pedagógico da escola como uma reflexão de seu cotidiano. Elementos Básicos para a Construção do P. e que devem também colocar-se em posição efetiva de gerar iniciativas dirigidas à elevação e 7 . como a própria organização do trabalho pedagógico da escola. do adolescente e do ancião em seus artigos 226. e) Valorização do magistério. Para que o desenvolvimento da personalidade das crianças seja harmonioso é necessário que seu ambiente familiar traduza uma atmosfera de crescente progressão educativa. O projeto político-pedagógico é entendido. o processo de decisão. para gestar uma nova organização do trabalho pedagógico. f) As Relações de Trabalho. é preciso entender que o projeto político-pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico. Ao examinar-se a realidade. passa pela reflexão anteriormente feita sobre os princípios. a construção do projeto políticopedagógico é um instrumento de luta. descentralização. b) Qualidade que não pode ser privilégio de minorias econômicas e sociais. da criança. de sua fragmentação e do controle hierárquico precisa criar condições para gerar uma outra forma de organização do trabalho pedagógico. A escola. o domínio das bases teórico-metodológicas indispensáveis à concretização das concepções assumidas coletivamente. e) Processo de Decisão. g) Avaliação. o currículo. temos que nos alicerçar nos pressupostos de uma teoria pedagógica crítica viável. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. Cazelli). ressaltado anteriormente. que parta da prática social e esteja compromissada em solucionar os problemas da educação e do ensino de nossa escola. como pelo Estatuto da Criança e do Adolescente em seu Cap. no sentido de se gestar uma nova organização que reduza os efeitos de sua divisão do trabalho. Nessa perspectiva. E para enfrentarmos essa ousadia. nos valores e nas normas da sociedade começam na família. A escola é concebida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias. Para tanto ela precisa de um tempo razoável de reflexão e ação. há que se pensar que o movimento de luta e resistência dos educadores é indispensável para ampliar as possibilidades e apressar as mudanças que se fazem necessárias dentro e fora dos muros da escola. que apontam para a luta e/ou acomodação de todos os envolvidos na organização do trabalho pedagógico. as relações de trabalho. alunos e funcionários. à dependência e aos efeitos negativos do poder autoritário e centralizador dos órgãos da administração central. Geralmente a iniciação das pessoas na cultura. O princípio da liberdade está sempre associado à idéia de autonomia. c) Currículo. A construção do projeto políticopedagógico parte dos princípios de igualdade. d) Liberdade é outro princípio constitucional. contribuindo para a qualidade do ensino ministrado na escola e seu sucesso na tarefa de formar o cidadão. a estrutura organizacional. liberdade. A relevância conferida à família tanto pela constituição no seu Cap. saber a qual referencial temos que recorrer para a compreensão de nossa prática pedagógica. A construção do projeto político-pedagógico. O que pretendemos enfatizar é que devemos analisar e compreender a organização do trabalho pedagógico. a avaliação. Princípios Norteadores do Projeto PolíticoPedagógico. gestão democrática e valorização do magistério. atenção e educação das crianças. A questão é. Faz-se necessário. democratização do processo de tomada de decisões e instalação de um processo coletivo de avaliação de cunho emancipatório Finalmente.reflexão coletiva. necessitamos de um referencial que fundamente a construção do projeto político-pedagógico. A IMPORTÂNCIA DA INTEGRAÇÃO ESCOLAFAMÍLIA NO PROCESSO PEDAGÓGICO (Luiza Helena P. A reorganização da escola deverá ser buscada de dentro para fora.P. O fulcro para a realização dessa tarefa será o empenho coletivo na construção de um projeto político-pedagógico e isso implica fazer rupturas com o existente para avançar. 227 e 228. neste estudo. A construção do projeto político-pedagógico requer continuidade das ações. também. d) Tempo escolar. Construindo o Projeto Político-Pedagógico. Uma teoria que subsidie o projeto político-pedagógico e. para se ter um mínimo necessário à consolidação de sua proposta. qualidade. Buscar uma nova organização para a escola constitui uma ousadia para os educadores. para se desvencilhar da divisão do trabalho. c) Gestão democrática é um princípio consagrado pela Constituição vigente e abrange as dimensões pedagógica. notamos que as práticas postuladas nos documentos se constituem em vias de acesso que as escolas possuem para implementar processos de integração e participação familiar que podem e devem ser organizados e executados pela escola. a) Finalidades da Escola. Nesse sentido. a prática pedagógica que ali se processa deve estar ligada aos interesses da maioria da população. Todavia estamos convencidos que todas as instituições e especialmente a escola deve não só apoiar e respeitar os esforços dos pais e responsáveis pelos cuidados. b) Estrutura Organizacional. Acreditamos que a análise dos elementos constitutivos da organização trará contribuições relevantes para a construção do projeto políticopedagógico. o tempo escolar. pois. por sua vez. III – Do direito à convivência familiar e comunitária nos estimulam a empreender uma incursão de caráter teórico-conceitual sobre as leis existentes que referendam a questão familiar e sua relação com as práticas de políticas sociais desde o ponto de vista educacional. a) Igualdade de condições para acesso e permanência na escola. Essa constatação nos leva a refletir sobre as dimensões da interrelação escola-família no âmbito da comunidade e se intenta verificar a possibilidade de operacionalizar uma orientação que possa refletir a viabilização de uma interrelação mais efetiva. pais. é uma forma de contrapor-se à fragmentação do trabalho pedagógico e sua rotinização. VII – Da família. de sua fragmentação e do controle hierárquico.P. Pelo menos sete elementos básicos podem ser apontados: as finalidades da escola. administrativa e financeira. Portanto.

A troca de recursos educacionais e de impressões educativas se mantém e se sustentam quando permanece fortalecida a ajuda mútua. é uma necessidade essencial: isso significa considerar características. PEDAGOGIA DE PROJETOS Atualmente. a discussão estava embasada numa concepção de que a “educação é um processo de vida e não uma preparação para a vida futura e que a escola deve representar a vida presente tão real e vital para o aluno como a que ele vive em casa.. Compreender a interdependência social significa compreender relacionamentos e valorizar a importância que eles têm na formação e no desenvolvimento das pessoas. da comunidade local e da sociedade em que ela se insere. Nessa perspectiva. um projeto. a escola por sua maior aproximação às famílias constitui-se em instituição social importante na busca de mecanismos que favoreça um trabalho avançado em favor de uma atuação que mobilize os integrantes tanto da escola. de crescimento da própria competência educativa ou de uma participação na definição do significado experiencial da sua vida pessoal. um objeto) de interesse pessoal de quem produz” (p. uma das temáticas que vêm sendo discutida no cenário educacional é o trabalho por projetos. Substancialmente o que a escola deve fazer é melhorar a posição da família na agenda escolar já implementada pela legislação existente. os debates. A integração desses fatores nessa proposta nos fornece uma nova configuração da relação escola-família e ressalta a importância da função reitora da escola no sentido de considerar as necessidades familiares no que diz respeito aos aspectos psicológicos. dos pais e da comunidade. Para isso precisamos não só aprender sobre os princípios de convivências comunitária como também exercitar esses princípios por meio de relações mais frutíferas e compromissadas com o desenvolvimento educacional e social. O terceiro princípio é a interação dos agentes escolares e familiares. repensar sobre o papel e sobre a função da educação escolar. A escola tem necessidade de encontrar formas variadas de mobilizações e de organização dos alunos. contribui para que tenhamos uma maior clareza do que podemos fazer no enfrentamento das questões sócio-educativas no conjunto do movimento social. a própria escola deve articular seus recursos institucionais.aprimoramento social e educacional de seus educandos e respectivas famílias. sociais e éticos de uma relação significativa com os outros. a questão é como conceber e tratar a articulação entre as instâncias do projeto. Promover a família nas ações dos projetos pedagógicos significa enfatizar ações em seu favor e lutar para que possa dar vida as leis. As ações de caráter pedagógico que as escolas podem dirigir para favorecer as famílias devem fazer parte de seu projeto e para que isso possa acontecer é fundamental que as ações em favor da família sejam desenvolvidas e presididas pelos princípios da convergência e da complementaridade. Tanto as comunidades escolares como as comunidades familiares não podem permanecer distanciadas em seu processo de desenvolvimento e funcionamento organizacional. integrando as diversas mídias e conteúdos curriculares numa perspectiva de aprendizagem CONSTRUCIONISTA. ânsias. e mais precisamente no acompanhamento das novas gerações. quanto da família. integrando os diversos espaços educacionais que existem na sociedade. para que de fato seja reconstruída na escola uma nova forma de ensinar. 8 . sua finalidade. O primeiro desses princípios é a noção de interdependência. Existem. Precisamos revitalizar nossas comunidades colaborando para colocar claramente os princípios da interrelação numa prática de relações sociais fortalecidas pelo respeito. Segundo Valente (1999). Mais do que criar um novo espaço para tratar das questões da família ou da escola. 141). Conectar a interrelação escola-família de forma mais estreita significa construir e desenvolver comunidades nas quais poderemos satisfazer nossas necessidades básicas ao aspirar uma melhor qualidade de vida para as gerações futuras. o construcionismo “significa a construção de conhecimento baseada na realização concreta de uma ação que produz um produto palpável (um artigo. pela eficácia das ações e pela luta por uma cidadania digna. em cada uma dessas instâncias do projeto. seus valores. propostas e trabalhos interessantes. certamente. A cooperação é o segundo princípio no estabelecimento das relações sociais. Mas que projeto? O projeto políticopedagógico da escola? O projeto de sala de aula? O projeto do professor? O projeto dos alunos? O projeto de informática? O projeto da TV Escola? O projeto da biblioteca? Essa diversidade de projetos que circula freqüentemente no âmbito do sistema de ensino. Já nessa época. de maneira a assegurar que as reflexões. A dependência mútua de todas as pessoas. 1897). mas devem estar vinculadas e aberta aos recursos educacionais que dispõem e determinar por sua historicidade a dimensão cognitiva e educativa que pretendem aplicar no processo de desenvolvimento humano. as mudanças estruturais e conjunturais dos componentes educacionais em questão necessitam incorporar nas suas relações as formulações desses princípios e utiliza-los como guias para manter pais e professores no caminho do desenvolvimento estável e progressivo. os professores são considerados como as pessoas mais preparadas e capazes de elevar o nível de desenvolvimento não só dos alunos mas de sua família também. necessidades e motivações dos alunos. Essa é a natureza de todo e qualquer relacionamento social. seu foco. Nas suas relações cada um influencia o outro e desde essa perspectiva educativa.. A incorporação desse princípio relacional se torna significativo na medida em que vai se consolidando a integração da escola com a família. Nesse sentido. A discussão sobre a pedagogia de projetos surge no início do século XX com John Dewey e outros representantes da chamada PEDAGOGIA ATIVA. muitas vezes. no bairro ou no pátio” (DEWEY. os estudos e as propostas de ação possam servir de embasamento para que o desenvolvimento social se concretize por meio de práticas pedagógicas educativas efetiva. As ações relacionais só podem ser mantidas por meio desse processo. Nesse sentido é importante que o projeto inicial se faça levando em conta os grandes e sérios problemas sociais tanto da escola como da família. Essa visão. deixa o professor preocupado para saber como situar a sua prática pedagógica em termos de propiciar aos alunos uma nova forma de aprender integrando as diferentes mídias nas atividades do espaço escolar. social e educacional. como reflete os parâmetros curriculares ““. em direção a uma maior capacidade de dar respostas aos desafios que impõe nossa sociedade.

garantindo que os conceitos utilizados. favorecendo o desenvolvimento cognitivo. na perspectiva da integração entre diferentes mídias e conteúdos. 49). torna-se fundamental para o processo de reconstrução de uma nova escola. afetivo. desenvolvia sua ação pedagógica – tal como havia sido preparado durante a sua vida acadêmica e pela sua experiência em sala de aula – se vê diante de uma situação que implica novas aprendizagens e mudanças na prática pedagógica. para criar situações de aprendizagem cujo foco incide sobre as relações que se estabelecem neste processo. e que todas precisam ser tratadas com seriedade para que a comunidade escolar possa constituir-se em um espaço de aprendizagem. acabam se frustrando. na realização do projeto sejam compreendidos. horário de aula de 50 minutos e uma grade curricular seqüencial – que dificulta o desenvolvimento de projetos que envolvam ações interdisciplinares. tomar decisões. que contemplem o uso de diferentes mídias disponíveis na realidade da escola e impliquem aprendizagens que extrapolam o tempo da aula e o espaço físico da sala de aula e da escola. vídeo. Aprendendo e “Ensinando” com Projetos A pedagogia de projetos deve permitir que o aluno APRENDA-FAZENDO e reconheça a própria AUTORIA naquilo que produz por meio de QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO que lhe impulsionam a CONTEXTUALIZAR CONCEITOS já conhecidos e DESCOBRIR outros que emergem durante o desenvolvimento do projeto. enfim desenvolver COMPETÊNCIAS INTERPESSOAIS para aprender de forma colaborativa com seus pares. confortavelmente. Internet. portanto. de pesquisar e de criar relações. disponíveis no contexto da escola. um dos principais objetivos da Pedagogia de Projetos é promover a integração e a cooperação entre docentes e discentes em sala de aula. Além disso. sem a devida compreensão. televisão. leve a efeito os seus planos. cultural e social dos alunos. as dinâmicas sociais do contexto em que atua e as possibilidades de sua mediação pedagógica. Hernández (1988) enfatiza que o trabalho por projeto “não deve ser visto como uma opção puramente metodológica. finalmente. envolve a interrelação de conceitos e de princípios. pois ao mesmo tempo em que o aluno precisa reconhecer a sua própria autoria no projeto. história e contexto de vida. A pedagogia de projetos. Daí a importância do desenvolvimento de PROJETOS ARTICULADOS envolvendo a co-autoria dos vários PROTAGONISTAS do processo educacional. Uma realidade em que o professor se depara atualmente é caracterizada pela chegada de novas tecnologias (computador. que incentivam novas buscas. questiona e orienta. esses novos desafios educacionais ainda não se encaixam na estrutura do sistema de ensino. de levantar dúvidas. do contexto escolar. 9 . compreensões e reconstruções de conhecimento. seu universo cognitivo e afetivo. O que fazer diante desse novo cenário? De repente o professor que. Nesta situação de aprendizagem. conseqüentemente. No entanto. ele também precisa sentir a presença do professor que ouve. descobertas. Por essa razão. pois não existe um modelo ideal pronto e acabado que dê conta da complexidade que envolve a realidade de sala de aula. professores. o papel do professor deixa de ser aquele que ensina por meio da transmissão de informações – que tem como centro do processo a atuação do professor –. os quais. entender seu caminho. Em virtude de as atividades educativas serem elaboradas por alunos e professores. os métodos para desenvolver projetos. valores e crenças próprios do contexto em que vivem. integrando o computador. a partir das relações criadas nessas situações. O fato de um projeto de gestão escolar estar articulado com o projeto de sala de aula do professor. os tópicos a seguir abordam e discutem alguns conceitos. alunos) da comunidade escolar pode facilitar a busca de soluções que permitem viabilizar a realização de novas prática pedagógicas. o aluno aprende no processo de produzir. livros). Outro aspecto importante na atuação do professor é o de propiciar o estabelecimento de relações interpessoais entre os alunos e respectivas dinâmicas sociais. Este método coloca o aluno em contato com algum projeto concreto em que esteja interessa do e em que planeje o empreendido. materiais da biblioteca e a televisão. Em outras palavras. que mantém uma organização funcional e operacional – como. Mas que realidade? Claro que existem diferenças. Os projetos devem visar também a resolução de algum problema ou algum empreendimento que esteja em harmonia com os interesses dos alunos e relacionados às suas próprias experiências. bem como sua cultura. é o ensino através da experiência. porque aqueles que buscam apenas conhecer os procedimentos. Portanto. saberes e protagonistas. na postura do professor. podem fragilizar qualquer iniciativa de melhoria de qualidade na aprendizagem dos alunos e de mudança da prática do professor. pode viabilizar ao aluno um modo de aprender baseado na INTEGRAÇÃO entre conteúdos das várias áreas do conhecimento. A MEDIAÇÃO do professor é fundamental. para fazer a MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA. cabendo ao professor realizar as mediações necessárias para que o aluno possa encontrar sentido naquilo que está aprendendo. existem três aspectos fundamentais que o professor precisa considerar para trabalhar com projetos: as possibilidades de desenvolvimento de seus alunos. O trabalho por projetos requer MUDANÇAS NA CONCEPÇÃO de ensino e aprendizagem e. o aluno precisa selecionar informações significativas. gerenciar confronto de idéias. bem como entre diversas mídias (computador. E. ou seja. embora constitua um novo desafio para o professor. Por outro lado. intuitivamente ou não. é fundamental que o professor tenha clareza da sua intencionalidade pedagógica para saber intervir no processo de aprendizagem do aluno. Isto porque a parceria que se estabelece entre os protagonistas (gestores. Essa compreensão é fundamental. bem como possíveis implicações envolvidas na perspectiva da pedagogia de projetos. tendo em vista a aprendizagem para a vida. sistematizados e formalizados pelo aluno. por exemplo. É necessário que o projeto vise um propósito real e tenha valor prático para o ensino. Na pedagogia de projetos. trabalhar em grupo. que apontam novos desafios para a comunidade escolar.A Pedagogia de Projetos pode ser definida como um método no qual a classe se ocupa em atividades proveitosas e com propósitos definidos. que se viabiliza pela articulação entre mídias. A pedagogia de projetos. que por sua vez visa propiciar o desenvolvimento de projetos em torno de uma problemática de interesse de um grupo de alunos. o professor precisa acompanhar o processo de aprendizagem do aluno. colha as informações e. mas como uma maneira de repensar a função da escola” (p. televisão) na escola.

mas um meio que pode interferir no processo de o aluno reorganizar as suas idéias e a maneira de expressá-las. pois o trabalho com projetos permite romper com as fronteiras disciplinares. pois hoje com a tecnologia basta ter o apoio institucional que prioriza a qualidade do trabalho educacional. bem como estabelecer relações significativas entre conhecimentos.visando propiciar a construção de conhecimento do aluno. Isso não significa abandonar as disciplinas. dentre outras coisas. muitas vezes o professor atribui valor para as práticas interdisciplinares e com isso passa a negar qualquer atividade disciplinar. Isto de fato pode ocorrer. INTERDISCIPLINARIDADE (Jairo Gonçalves Carlos) Segundo Ivani Fazenda. pois Fazenda (1994) enfatiza que a interdisciplinaridade se dá sem que haja perda da identidade das disciplinas. Claro que não se espera a mesma “expertise” nas duas áreas de conhecimento. a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas. ampliar o seu universo de aprendizagem. E é com 10 . com isso. Estar atento e buscando a compreensão do uso das mídias no processo de ensino e aprendizagem é fundamental para a sua integração no trabalho por projetos. na medida em que os grandes problemas da época não poderiam ser resolvidos por uma única disciplina ou área do saber. diz respeito à FORMAÇÃO DO PROFESSOR – aquela que poderá ser desenvolvida na sua própria ação e de forma continuada. Este mesmo pensamento serve para orientar a INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS. estudos têm revelado que a interdisciplinaridade ainda é pouco conhecida. é preciso compreender as características inerentes às duas áreas e às práticas pedagógicas nas quais essa integração se concretiza. Nesse processo. um período marcado pelos movimentos estudantis que. assim como a integração de várias mídias e recursos. Apesar disso. a qual tem como pano de fundo a unicidade do conhecimento em construção” (p. Para integrá-las. o aluno pode ressignificar os conceitos e as estratégias utilizadas na solução do problema de investigação que originou o projeto e. que estabelecem articulações horizontais numa relação de reciprocidade entre elas. Nesse sentido. a pedagogia de projetos é vista pelo seu caráter de potencializar a INTERDISCIPLINARIDADE. Isto também acontece no caso de um especialista da educação que não conhece as funcionalidades. é importante que o professor conheça o que envolve o uso deste recurso em termos de ser um meio pedagógico. A mediação implica a CRIAÇÃO DE SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM que permitam ao aluno fazer regulações. No final da década de 60.) que o projeto rompe com as fronteiras disciplinares. mais ainda. uma vez que o desenvolvimento da tecnologia avança vertiginosamente e a sua presença na escola torna-se mais freqüente a cada dia. Em se tratando dos conteúdos. Um especialista em informática que não compreende as questões relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem terá muita dificuldade para fazer a integração das duas áreas de conhecimento – informática e educação.. conforme suas potencialidades e características. Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino. recentemente. no entanto. Do ponto de vista de aprendizagem no trabalho por projeto. ao mesmo tempo. uma vez que os conteúdos envolvidos no projeto precisam ser sistematizados para que os alunos possam formalizar os conhecimentos colocados em ação. caso contrário. corre-se o risco da simples justaposição de mídias ou de sua subutilização.692/71. Esta questão. com a nova LDB Nº 9. sua presença no cenário educacional brasileiro tem se intensificado e. quando o aluno utiliza o computador para digitar um texto. O trabalho por projeto potencializa a integração de diferentes áreas de conhecimento.58). mas integrá-las no desenvolvimento das investigações. a interdisciplinaridade chegou ao Brasil e logo exerceu influência na elaboração da Lei de Diretrizes e Bases Nº 5. Essa visão é equivocada. implicações e possibilidades interativas envolvidas nos diferentes recursos computacionais. tornando-as permeáveis na ação de articular diferentes áreas de conhecimento. principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino. Uma preocupação com isso é que o professor não foi preparado para desenvolver o uso pedagógico das mídias. política e econômica da época. Desde então. mobilizadas na investigação de problemáticas e situações da realidade. No entanto. Isto nos faz reportar a uma situação já conhecida de muitos professores que atuam com a informática na educação. de modo que as diferentes mídias possam ser integradas ao projeto..394/96 e com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). De fato. Almeida (2002) corrobora com estas idéias destacando: “(. a interdisciplinaridade surgiu na França e na Itália em meados da década de 60. Ambos se realimentam e um não existe sem o outro. a exigência em termos de desenvolver novas formas de ensinar e de aprender é muito maior. Esta visão atualmente se apresenta de forma mais ampla. e o conhecimento integrado – interdisciplinar – lhe dá a possibilidade de estabelecer relações significativas entre conhecimentos. no desenvolvimento de projetos. favorecendo o estabelecimento de elos entre as diferentes áreas de conhecimento numa situação contextualizada da aprendizagem. O conhecimento específico – disciplinar – oferece ao aluno a possibilidade de reconhecer e compreender as particularidades de um determinado conteúdo. A interdisciplinaridade teria sido uma resposta a tal reivindicação. a integração efetiva poderá ser desenvolvida à medida que sejam compreendidas as especificidades de cada universo envolvido. Por exemplo. Prado (2001) destaca a possibilidade de o aluno recontextualizar aquilo que aprendeu. os quais permitem ao aluno expressar seu pensamento por meio de diferentes linguagens e formas de representação. Conhecer as especificidades e as implicações do uso pedagógico de cada mídia disponível no contexto da escola favorece ao professor criar situações para que o aluno possa integrá-las de forma significativa e adequada ao desenvolvimento do seu projeto. reivindicavam um ensino mais sintonizado com as grandes questões de ordem social. a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas. Da mesma forma em relação a outras mídias que estão ao alcance do trabalho pedagógico. aprofundando-as verticalmente em sua própria identidade. para poder atuar com a informática na educação. E para isto não basta que ele aprenda a operacionalizar os recursos tecnológicos. Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. mas o desconhecimento de uma das áreas pode desvirtuar uma proposta integradora da informática na educação.

uma atitude interdisciplinar. a interação estabelecida caracteriza-se pela seleção de conteúdos. Trata-se de uma proposta relativamente recente no campo epistemológico. O diálogo como forma de comunicação em nível comum. ainda é muito fragmentada. que norteia e orienta as ações interdisciplinares. preferimos considerá-la. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos. perdendo-se de vista a especificidade de cada objeto de conhecimento. pois não é uma tarefa que cumprem com satisfação. E no limite. no entanto.o objetivo de contribuir para o entendimento desse tema que apresentaremos a seguir um breve resumo das principais concepções e controvérsias em torno desse tema. E. globalizar. como tem acontecido em alguns casos. antes de tudo. diferentemente do nível anterior. 1999. entre os indivíduos. Uma ação pedagógica interdisciplinar requer. essa axiomática comum. discorreremos sucintamente sobre cada um deles buscando esclarecer as distinções entre tais terminologias. são peças fundamentais na realização comportamental e profissional de um indivíduo. a análise dos relacionamentos entre professor-aluno envolve interesses e intenções. Para que isto possa ser 11 . O PAPEL DA RELAÇÃO PROFESSOR–ALUNO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM (Daniele Salvalagio Abrahim) As relações humanas. a interdisciplinaridade representa o terceiro nível de interação entre as disciplinas. O educador para pôr em prática o diálogo. estamos de algum modo nos referindo a uma espécie de interação entre as disciplinas ou áreas do saber. reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida (GADOTTI. sendo em alguns casos encarada como obrigação. p. não deve colocar-se na posição de detentor do saber. pluridisciplinaridade. essa interação pode acontecer em níveis de complexidade diferentes. Com isso. Dessa forma. Em seguida. um dos pioneiros da interdisciplinaridade no Brasil. o que não as invalida. o que introduz a noção de finalidade. Na verdade. para depois concretizar-se nas disciplinas. Além do mais. o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. colocar-se na posição de quem não sabe tudo. Multidisciplinaridade A multidisciplinaridade representa o primeiro nível de integração entre os conhecimentos disciplinares. mencionada por Japiassú. as condições e o nível do diálogo com um ou com todos os alunos da classe. Interdisciplinaridade Finalmente. Transdisciplinaridade A transdisciplinaridade representa um nível de integração disciplinar além da interdisciplinaridade. Não significa. Não há como esperar que o aluno tome essa iniciativa. a interdisciplinaridade só vale a pena se for uma maneira eficaz de se atingir metas educacionais previamente estabelecidas e compartilhadas pelos membros da unidade escolar. E é justamente para distinguir tais níveis que termos como multidisciplinaridade. ela seria um empreendimento trabalhoso demais para atingir objetivos que poderiam ser alcançados de forma mais simples. segundo Japiassú. Neste sentido. é preciso entender que há estágios mais avançados que devem ser buscados na prática pedagógica. sobre a base de uma axiomática geral. esperamos contribuir para um uso mais cuidadoso de tais termos no cotidiano escolar. Desta maneira. Nesse ponto de vista. Japiassú a define como sendo uma espécie de coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado. é caracterizada pela presença de uma axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas e definida no nível hierárquico imediatamente superior. tampouco. pois a educação é uma das fontes mais importantes do desenvolvimento comportamental e agregação de valores nos membros da espécie humana. Muitas das atividades e práticas de ensino nas escolas se enquadram nesse nível. organização. na medida em que não se explora a relação entre os conhecimentos disciplinares e não há nenhum tipo de cooperação entre as disciplinas. Pelo contrário. mas de ação. pois a existência ou não de cooperação e diálogo entre as disciplinas é determinante para diferenciar esses níveis de interação entre as disciplinas. Todavia. Interrelacionar não é integrar. Caso contrário. pode assumir as mais variadas formas. em se considerando seus objetivos e metodologias próprias. A classificação apresentada abaixo é a mais comum e foi proposta originalmente por Eric Jantsch e sofreu algumas adaptações de Hilton Japiassú (1976). Portanto. interdisciplinaridade e transdisciplinaridade foram criados. ou seja. igual. deve prevalecer entre aqueles que são os responsáveis para o encaminhamento do processo educacional. 2). Níveis de Interação entre as Disciplinas Quando falamos em interdisciplinaridade. Pluridisciplinaridade Na pluridisciplinaridade. sistematização didática para facilitar o aprendizado dos alunos e exposição onde o professor demonstrará seus conteúdos. a multidisciplinaridade se caracteriza por uma ação simultânea de uma gama de disciplinas em torno de uma temática comum. interdisciplinaridade faz-se. ela se refere ao elemento (ou eixo) de integração das disciplinas. ela pressupõe uma organização. sendo esta interação o expoente das consequências. a integração de conteúdos. mas a inter-relação entre as disciplinas. Mas. não havendo ainda nenhum tipo de coordenação proveniente de um nível hierarquicamente superior. embora eles ainda se situem num mesmo nível hierárquico. A interdisciplinaridade não é uma categoria de conhecimentos. Cabe ao professor saber o momento certo. deve antes. todavia. mas nesse caso se trata de uma ação coordenada. Segundo Japiassú. Desta forma. uma articulação voluntária e coordenada das ações disciplinares orientadas por um interesse comum. observamos a presença de algum tipo de interação entre os conhecimentos interdisciplinares. Essa atuação. Alguns estudiosos não chegam a estabelecer nenhuma diferença entre a multidisciplinaridade e a pluridisciplinaridade. dizemos que na interdisciplinaridade há cooperação e diálogo entre as disciplinas do conhecimento. antes. embora complexas. defendemos que a interdisciplinaridade não deveria ser considerada como uma meta obsessivamente perseguida no meio educacional simplesmente por força da lei.

surpreendem suas pausas. o tato e o paladar. o olfato. portanto. das experiências pelas quais ele passa. trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. aberto às novas experiências. fundamentalmente. etc. p. O aluno. Trazer o aluno para a realidade social é. supervalorizando. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. afirma que “é o modo de agir do professor em sala de aula.melhor cultivado. Logo. seus valores. também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tentar levá-los a autorealização. é impossível um conhecimento que transcenda a experiência. O trabalho do professor em sala de aula e seu relacionamento com os alunos são expressos através da relação que ele tem com a sociedade e com cultura. escrita. numa relação empática. constituindo-se a fonte e a explicação última do fenômeno do conhecimento. Apesar de tal. bem como não se dá importância à maturação biológica. constituindo-se na totalidade de seu saber. que inscreveria. a uma página em branco. de idéias inatas ou princípios a priori. os conteúdos da vida mental sobre um indivíduo. 115). O conhecimento é algo que vem do mundo do objeto. Os seguidores atuais desta concepção empirista podem ser encontrados nos adeptos das teorias behaviorista e neobehaviorista. de sua capacidade de ouvir. Indica também que o professor deve buscar educar para as mudanças. destacando-se os trabalhos de Watson e Skinner. que é determinante do sujeito. 1996. 1). Os adeptos dessa corrente acreditam que o conhecimento processa-se por força dos sentidos. que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade”. Os sentidos produziriam o dado a ser conhecido. sentimentos. as condições e possibilidades de conhecimento seriam 12 . podemos representar a relação entre o sujeito e o objeto da seguinte maneira: OBJETO SUJEITO A concepção racionalista. aptidões. fossem eles sentidos internos: a fantasia. função do educador e da instituição educacional em conjunto com os membros da família: O bom professor é o que consegue. O conhecimento é visto. já se encontrariam basicamente prontas por ocasião do nascimento. O ponto alto do empirismo é o teste da experiência: nada aceitar que não tenha passado pelo crivo da experiência. onde as percepções e experiências iriam inscrevendo as idéias. suas crenças. antes de ter tido qualquer experiência. (DANTAS. reflexão e pesquisa autônoma). Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento. para que ele não fique de recuperação). que afirmava que os nossos conhecimentos resultam de nossa sensações e experiências e que comparava a nossa mente. Sob esta perspectiva. do clima estabelecido pelo professor. De modo concreto. 1992.. Seus alunos cansam. p. não deveriam fazer parte das atitudes de um “formador de opiniões. visto com um ser extremamente plástico – uma tábula rasa. uma folha em branco ou um balde vazio. para a liberdade possível numa abordagem global. etc. focalizando as questões filosóficas clássicas referentes ao conhecimento: O que é o conhecimento? Como se chega a ele? Como se passa de um tipo a outro qualitativamente superior? Como os conhecimentos se ampliam? Pela concepção empirista. refletir e discutir o nível de compreensão dos alunos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. Assim. mas também pelo processo de construção da cidadania do aluno. também conhecida como inatismo ou apriorismo. não dormem. o contato que o homem tem por meio dos sentidos. trabalhando o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais. dos estímulos do meio em que ele vive. também. principalmente. acompanhando suas ações no desenvolver das atividades. é necessário a conscientização do professor de que seu papel é de facilitador de aprendizagem. para que isto ocorra. isto é. no espírito humano. como alguma coisa que vem do mundo físico ou social do objeto. Assim. sendo que o mundo deste é que determina o sujeito. vontades. da relação empática com seus alunos. nem à capacidades mentais da pessoa: inteligência. Um dos precursores dessa corrente filosófica foi John Locke. o papel da experiência sensorial (percepção). não podemos pensar que a construção do conhecimento é entendida como individual. o conhecimento humano reduz-se ao sentir dos sentidos. o desenvolvimento do ser humano depende. então. direta ou indiretamente. nem sempre tem facilidade para entender os padrões de uma sociedade e os modos empregados para a sua formação tanto no que refere aos conhecimentos necessários para a sua promoção na escola. 96). Nega-se. Dessa forma. a audição. a atenção. parte do pressuposto de que as qualidades a capacidades básicas do ser humano: sua personalidade. (FREIRE. fossem eles externos: a visão. apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia. a uma “tábula rasa”. O professor não deve preocupar-se somente com o conhecimento através da absorção de informações. para a autonomia. p. também chamada de ambientalista ou objetivista. a existência. para citar algumas figuras metafóricas comumente usadas. a imaginação sensível. do seu ambiente. a memória sensível. Apesar da importância da existência de afetividade. sua maneira de pensar. enquanto fala. CONCEPÇÕES DE CONHECIMENTO As diversas teorias do desenvolvimento têm como apoio as diferentes concepções de homem. o professor deve despertar a curiosidade dos alunos. MASETTO (1996. suas incertezas. situações diferenciadas adotadas com um determinado aluno (como melhorar a nota deste. suas dúvidas. procurando compreender. confiança. fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor. O papel do professor consiste em agir como intermediário entre os conteúdos da aprendizagem e a atividade construtiva para assimilação. Os educadores não podem permitir que tais sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu dever de professor. empatia e respeito entre professores e alunos para que possa desenvolver todas as nuances do processo de aprendizagem (leitura. que possui um ambiente social e cultural aberto em casa. quanto em relação às necessidades de sua maneira de se comportar para conviver no meio em que se encontra. mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos. desta forma. O conhecimento é produto da atividade e do conhecimento humano marcado social e culturalmente. a relação entre professor e aluno depende. Esquematicamente.

os conceitos e as idéias inatas que são o conteúdo do conhecimento. as tarefas que propõe. tanto fatores orgânicos como fatores ambientais. prêmios. a se destacar: a valorização do papel do professor. de uma pedagogia centrada no professor. prestígio) ou de uma punição (castigo. memorização da teoria dada. etc. O papel do professor. entre o organismo e o meio. Sob este prisma pedagógico. o sujeito já nasce com a possibilidade de conhecer. evidentes e irrecusáveis. sendo que o meio físico e social não participa dela. mero receptáculo de informações. notas baixas. ao contrário da concepção empirista. Os seus pressupostos apoiam-se na idéia da interação entre o organismo e o meio. reprovação. então. um mero receptor passivo e subserviente. cabendo ao professor simplesmente interferir o mínimo possível neste processo. elogios. as idéias e os juízos básicos do conhecimento seriam construídos somente pela razão. em que se atribui ao sujeito um papel essencialmente ativo. Desta forma. Assim. que é considerado um ser ativo. os recursos por ele utilizados. que exercem uma ação recíproca. todavia. de forma potencial. a fragmentação e a descontextualização dos conteúdos e ações educativas. uma relação dinâmica e dialética entre o indivíduo e a sociedade. através de estímulos reforçadores (notas altas. Esquematicamente. o professor deve seguir um caminho didático-pedagógico que procura conhecer o aluno como uma síntese individual da interação do sujeito com o seu meio cultural. mediante recitação. o professor tende a ensinar a teoria ao aluno. que valoriza as questões da psicogênese do conhecimento. pode contribuir o professor. transmitir conhecimento. Trata-se. também. independentemente e antes mesmo de qualquer intervenção dos sentidos e sem a interveniência de qualquer dado exterior ao próprio intelecto. mas o de permitir o desenvolvimento das capacidades. a avaliação como forma de verificação da retenção do conhecimento e com caráter de premiação ou punição. que propõe que o sistema nervoso humano contém mecanismos inatos que possibilitam à criança construir as regras da linguagem. resultantes do treino ou da experiência. e das concepções ambientalistas. Neste modelo didático-pedagógico. isto é. fato este que pode ser gerador de preconceitos prejudiciais ao trabalho na sala de aula. até mesmo. para que ocorra aprendizagem é necessário considerar a natureza dos estímulos. o centro do processo ensino-aprendizagem está na interação entre professor e aluno. Verifica-se. bem como do planejamento das aulas. toda a atividade do conhecimento é exclusiva do sujeito. uma modificação deste comportamento. por desprezarem o papel do ambiente. não é o de ensinar. O aluno é visto como um aprendiz passivo. sem criatividade e nem originalidade. de forma a obter uma compreensão. Esta corrente postula a idéia de que nosso intelecto é dotado de algum conteúdo prévio. pois as características de sua intervenção. a importância da definição dos objetivos do ensino. subestimando-se o papel do professor e do conhecimento sistematizado (acervo cultural da humanidade). Mas. por meio de aulas tradicionalmente expositivas. na sua origem. O professor é visto como detentor e transmissor do conhecimento e o aluno. aptidões e possibilidades inatas do aluno. Pela concepção construtivista. valorizando a bagagem hereditária e cultural. Só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. sendo que esta interação provoca mudanças sobre o indivíduo. o aluno já traz em si. propiciam uma 13 . de aptidão e de prontidão para a aprendizagem. dos testes de inteligência. imersos em processo de contínua e intensa interação. frutos apenas do espírito. porque ignoram fatores maturacionais. a razão é a fonte do conhecimento fornecendo-nos. e a desenvolvida por Vigotsky.inatas. no desenvolvimento do ser humano. Destacam-se. a memorização mecânica. dos dados da experiência e dos sentidos. que acentua a contínua interação entre as estruturas orgânicas da criança e as condições sociais em que ela vive. SUJEITO OBJETO Relações entre as Concepções Epistemológicas e a Prática Pedagógica. A aprendizagem confunde-se com condicionamento e. nega-se o autoritarismo do professor (empirismo) e o autoritarismo o do aluno (inatismo). também chamado de interacionismo. A concepção empirista define a aprendizagem como uma mudança de comportamento ou mesmo adoção de novas formas comportamentais. Temos. Nesse enfoque construtivista. Desta forma. interação ativada pela ação do sujeito. os efeitos benéficos da corrente empirista. O papel do professor é o de observar o comportamento do aluno. O foco da concepção racionalista/inatista encontra-se no aluno visto como indivíduo que nasce com grandes possibilidades de desenvolvimento. previsão e. então. um grande destaque dado ao estudo das diferenças individuais. o aluno é que aprende sendo que ninguém pode substituí-lo neste papel.). valorize a criatividade do aluno e do professor (escola prazerosa). entre defensores mais recentes dessa corrente. todo o conhecimento. Sob esta ótica. temos a seguinte relação epistemológica entre o sujeito e o objeto: SUJEITO OBJETO O construtivismo. o psicolinguísta Noam Chomsky. entre o sujeito e o objeto. Desta forma. resgatando dos pólos da relação professor-aluno. os interacionistas discordam das teorias inatistas. As duas correntes teóricas principais do construtivismo/interacionismo são a elaborada por Piaget. A origem do conhecimento encontra-se na interação entre o mundo do sujeito e o mundo do objeto. O modelo epistemológico que representa esquematicamente a relação entre o sujeito e o objeto nesta concepção é o seguinte. u influenciando o outro. estando o conhecimento determinado na bagagem hereditária ou submetido ao processo maturacional. e o psicólogo Carl Rogers. o tipo de resposta desejável e o estado físico e psicológico do organismo. leva em conta. nessa concepção. desmerecendo o papel e o valor do conhecimento sensível e o da experiência sensorial. assim. decorrentes de estímulos do ambiente (por estímulo-resposta). Não se pode. exigindo por parte dele a aplicação à prática. que decorre de princípios a priori. sem nenhum ripo de ação crítica e reflexiva. completamente independentes. cabendo a este organizar as intervenções adequadas para desafiar o aluno na construção do conhecimento. Assim. A esta teoria construtivista implica numa visão de ensino que considere a vivência e interesses dos alunos. a priori. valorizando as relações hierárquicas.

não um mero reprodutor do conhecimento que lhe é imposto. coerência e flexibilidade de seu planejamento. Às vezes. A responsabilidade do mestre é imensa. determina as diretrizes da política nacional de educação. de maneira que possa selecionar o que é melhor. ajustamento às mudanças. deverá estar bem informado dos requisitos técnicos para que possa planejar. entre outros aspectos. Portanto. O professor deve ser um catalizador do desabrochar intelectual. com vistas a resultados semelhantes e bastante válidos para a clientela atendida. no planejamento curricular. em consequência. Considerando que o ensino é o guia das situações de aprendizagem e que ajuda os estudantes a alcançarem os resultados desejados. em nível mais específico. Considerando que o planejamento deve ser pensado como um ato político-social. assim como também os meios necessários para alcançá-los. o professor dependerá de seus próprios recursos para elaborar seus planos de trabalho. elaborar e organizar planos em diferentes níveis de complexidade para atender. Grande parte da eficácia de seu ensino depende da originalidade. reconhecendo nele não um sujeito passivo. P. . o plano é elaborado apenas por um professor. ele deve estimular a participação do aluno. possibilitando melhores resultados e. o planejamento. a ação de planejálo é predominantemente importante para incrementar a eficiência da ação a ser desencadeada no âmbito escolar. O planejamento tende a prevenir as vacilações do professor. Pelo envolvimento no processo ensino-aprendizagem. O professor.Disciplinar partes da ação pretendida no plano global (PLANO DE UNIDADE). . é considerado etapa obrigatória de todo o trabalho docente. tendo em mira a efetivação do processo ensino-aprendizagem. responsabilidade e união a nível de decisões conjuntas. no processo educativo. não deve ser visto como regulador das ações humanas. mais amplo e abrangente. no entanto. metódica e sistematizada que será empreendida pelo professor junto a seus alunos. É da competência dos estabelecimentos de ensino. Inúmeras são as conceituações sobre planejamento de ensino encontradas nos diferentes autores consultados. previsão das situações específicas do professor com a classe. passa a considerá-lo o centro do processo ensinoaprendizagem. Afinal. tendo sempre que adaptar seus projetos às circunstâncias e exigências do meio.verificar a marcha do professor ecucativo. No entanto. em termos mais próximos e concretos. crescimento profissional. passando a ser um orientador. na situação ensinoaprendizagem. Este é a tradução. o planejamento de ensino. resulta de uma atividade de grupo. o planejamento curricular é definido de acordo como planejamento educacional e determina a linha de ação proposta pelas escolas. PLANEJAMENTO DO ENSINO (Nelson Valente) Alicerçardo nas linhas mestra de ação da escola.maior ou menor margem para a atividade construtiva do aluno. prevendo a estruturação e o funcionamento da totalidade do sistema educacional. é indispensável ter sempre bem presente que a interação professor-aluno é o suporte estrutural. Na maioria das situações. efetuar uma aprendizagem tão significativa quanto o permitam suas possibilidades e necessidades. econômico e eficiente. ao planejar o trabalho. neste caso.Assegurar um ensino efetivo e econômico. cuja dinâmica concretiza o fenômeno educativo. Isso proporciona. pode organizar três tipos de planos de ensino. exercício de autodisciplina. O professor. Planejando. ou seja. alguém que acompanha e participa do processo de construção do conhecimento dos seus alunos. Indica a atividade direcional. e processo de tomada de decisões bem informadas que visam a racionalização das atividades do professor e doa aluno. existem vários níveis de planejamento: o planejamento educacional. e o planejamento do ensino é o que parte das decisões dos planejamentos anteriores. em busca de propósitos definidos. Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à atividade do professor e alunos. O professor. PLANO DE AULA (Patrícia Aparecida P. não se pode conceber que o professor não realize o mínimo de planejamento necessário para seus alunos. segundo Menegolla e Sant’anna (2001). .racionalizar as atividades educativas. Cristiane Costa Tucunduva. outras vezes. Por isso.Delinear. Por ordem de abrangência. seus alunos. por sua natureza. Assim. os professores (às vezes auxiliados por especialistas) congregam esforços para juntos estabelecerem linhas comuns de ação. diminuindo a importância do trabalho individualizado.Conduzir os alunos ao alcance dos objetivos. isto é. esses professores desenvolvem habilidades necessárias à vida em comum com os colegas. O planejamento. toda a parte a ser empreendida (PLANO DE CURSO). sem dificuldades. temos o planejamento de ensino cooperativo. e . Essa nova forma de relacionamento do professor com a classe estimula o diálogo. realmente. vários professores compartilham a responsabilidade de sua elaboração. globalmente. durante o período (ano ou semestre) letivo. em classe. Elaine Mandelli Arns). bem como na verificação da qualidade e quantidade do ensino que está sendo orientado pelo mestre e pela escola. a interação social. Ainda temos a considerar que as condições de trabalho diferem de escola pra escola. Neste último caso. e . de Castro. envolve a previsão de resultados desejáveis. emocional e afetivo do aluno. independentemente. O professor que deseja realizar uma boa atuação docente sabe que deve participar. deve estar familiarizado com o que por em prática. o professor renuncia ao papel do “dono do saber”. Na esfera educacional. isto é. surge. executando e avaliando juntos. adaptando tudo isto às necessidades e interesses de seus alunos. maior produtividade. Objetivos São objetivos do planejamento de ensino: . acreditando na capacidade do aluno de construir ativamente seu conhecimento. oferecendo maior segurança na consecução dos objetivos previstos. a fim de que este possa. vai: . de modo a tornar o ensino seguro. Este. consideramos as seguintes: Planejamento de ensino é: previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho escolar que envolvem as atividades docentes e discentes. o livre debate de idéias. É da competência do professor.Especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores (PLANO DE AULA). o planejamento de ensino deve ser alicerçado neste pressuposto básico. Requisitos Por maior complexidade que em volva a organização da escola. um limitador das ações tanto 14 . da ação que ficou configurada em nível de escola.

Conhecer todos os componentes acima possibilita ao professor escolher as estratégias que melhor se encaixam nas características citadas aumentando as chances de se obter sucesso nas aulas. Fala se os objetivos da aprendizagem foram alcançados ou não. equivale ao próprio desenvolvimento da inteligência. se efetua através de um mecanismo auto-regulatório que consiste no processo de equilíbração progressiva do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido. 15 . deve considerara alguns componentes fundamentais. tópicos que serão trabalhados/abordados em cada disciplina. Interessou-se pela psicologia. doutorando-se no ano seguinte. mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget. 2003. série. seja num contexto histórico. Avaliação: Vale lembrar que a avaliação não é um momento do processo ensino-aprendizagem. métodos. Conteúdo: conjunto de assuntos. Partindo do princípio de que o professor deve ensinar os conteúdos e também deve formar o aluno para que ele se torne atuante na sociedade. uma vez que ambos são atuantes em sala de aula. que seja funcional e de bons resultados. conhecer o contexto social de seus alunos.físico e social (Rappaport. Mediante todos os fatos pesquisados até agora. experiência. A segunda forma de aprendizagem é limitada à aquisição de novas respostas a situações específicas ou à aquisição de novas estruturas para algumas operações mentais específicas. pois. conhecer a epistemologia e a metodologia mais adequada às características das disciplinas. como procuraremos expor em seguida. Freitas. são reorganizadas pela psique socializada. A UNESCO confiou-lhe a elaboração da obra O direito à educação. argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata préformada no sujeito. biologicamente constituídas. 1992. e sim ser visto e planejado no intuito de nortear o ser humano na busca da autonomia. de 1952 a 1963. ou do pensamento lógico do homem. esses profissionais iniciando sua carreira no magistério adquirem confiança para dar aula. pois é ele quem conhece as reais aspirações de cada turma. Paris. Alguns autores sugerem que o planejamento tenha algumas etapas principais. tanto a experiência sensorial quanto o raciocínio são fundantes do processo de constituição da inteligência. significando entender com isso que as formas primitivas da mente.que o rodeia (Coll. Porém é de responsabilidade do professor elaborar o plano de aula. Presidente da Comissão Suíça na UNESCO. na Suíça. Segundo Shimitz (2000) ele não precisa ser descrito minuciosamente. por sua vez. tais como: conhecer a sua personalidade enquanto professor. essa base científica utilizada para organizar o trabalho pedagógico são os pilares e princípios da educação. porém. TEORIAS DE APRENDIZAGEM JEAN PIAGET E O CONSTRUTIVISMO (Nelson Valente e Márcia Regina Terra). disciplina ou na aula mesmo. técnicas e modalidades de ensino que possuem o intuito de facilitar o ensino. mas deve ser estruturado. Florença e Rio de Janeiro. La Taille. 1976 apud Freitas 2000:64). uma vez que no plano de aula.pessoais como sociais. op. transmissão social e desenvolvimento do equilíbrio. sem bases científicas que norteiam o professor. Piaget abordou o desenvolvimento da inteligência através do processo de maturação biológica. Jean Piaget nasceu em Neuchâtel. na resolução de problemas e principalmente na capacidade de escolher seus caminhos. realizando estudos em Zurique e em Paris. não se discute a necessidade e a importância de se elaborar o pano de aula. Esse processo. Diplomou-se em ciências naturais aos 21 anos. Estes estão diretamente subordinados aos objetivos definidos para o ensino ou para aula. Foi professor dessa matéria nas Universidades de Neuchâtel. Método: São atividades. 2000. escrito ou mentalmente. Menegolla e Sant’anna (2001) explicam que o planejamento também serve para desenvolver tanto nos professores como nos alunos uma ação eficaz de ensino e aprendizagem. ao elaborar o plano de aula. ou seja. em consequência de seu desempenho na escola. Piaget formula o conceito de epigênese. na tomada de decisões. sistematizar as atividades e facilitar seu acompanhamento. mais ampla. Vale lembrar. não existe um modelo único de planejamento e sim vários modelos. faz-se necessário conhecê-los e compreendê-los muito bem. por este motivo. ele deve organizar seu plano de aula de modo que o aluno possa perceber a importância do que está sendo ensinado. o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo auto-regulatório que tem como base um 'kit' de condições biológicas (inatas portanto). há duas formas de aprendizagem. mas o acompanha sempre e em todo momento. temas. pra Schmitiz (2000). São os modos de organizar as condições externas a fim de facilitar o ensino. A partir das definições das principais etapas que devem conter um planejamento o professor já tem condições necessárias para fazê-lo e utilizá-lo adequadamente. Este desenvolvimento é um processo espontâneo e contínuo que inclui maturação. é possível esclarecer os objetivos da mesma.cit. A primeira. porém. em 1896. anunciados e exigidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). cabe ao professor escolher aquele que melhor atenda às necessidades deste e de seus alunos. Segundo Gutenberg (2008). Piaget tornou-se membro do Conselho Executivo da instituição. conhecer seus alunos (características psicossociais e cognitivas). já que é um instrumento de feedback aos atores desse processo. foi enviado em missão a Beirute. Menegolla e Sant’anna (2001) ainda completam argumentando que o plano das aulas visa a liberdade de ação e não pode ser planejado somente pelo bom senso.). existe uma relação de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. Lausanne e Genebra e de psicologia genética na Sorbonne. Outro grupo que deve estar atento à importância de elaborar planos de aula são os professores em início da carreira. para seu dia-a-dia ou para seu futuro. pois serão estas etapas que darão uma visão do que é necessário conveniente ao professor e aos alunos. 1992. Também não existe um modelo melhor do que outro. Para ele. que segundo Menegolla e Sant’anna (2001). Quer dizer. etc.físico e social . que é ativado pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . São elas: Objetivos: apontam para aquilo que se deseja que o estudante seja capaz de realizar após a atividade do ensino. Quer dizer.). o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . Moreto (2007) acredita que o professor. Id est.

No entanto. op. Vygotsky sempre acreditou em uma sociedade mais justa sem conflito social e exploração. a acomodação representa "o momento da ação do objeto sobre o sujeito" (Freitas. pode-se dizer que. a criança.O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget. que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Gillièron. ela começa a realizar operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da inteligência sensório-motor. os modos de relacionamento com a realidade são divididos em 4 períodos. tendo que se adaptar a ela. Vygotsky morreu de tuberculose 3m 1934. VYGOTSKY E O SÓCIO-INTERACIONISMO Nasceu na Bielo-Rússia em 5 de novembro de 1896. Em síntese. De acordo com a tese piagetiana. tempo. ou seja. eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça. Vygotsky viveu na mesma época que Piaget (ambos nasceram em 1896). somando conhecimentos. dedicando-se aos campos da pedagogia e psicologia. lamentando que os dois não tivessem se conhecido. Pesquisou sobre literatura. o equilíbrio é o norte que o organismo almeja. agente e paciente dos eventos que nele ocorrem" (La Taille. no âmbito das relações humanas. psicologia. sendo essa teoria considerada histórico-social. aos 38 anos. Nessa concepção. Assim. Pressupostos Essenciais Histórico de Vygotsky do Modelo Sócio- 16 . um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência de esquemas conceituais). já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal. esse processo de transformação vai depender sempre de como o indivíduo vai elaborar e assimilar as suas interações com o meio. é a emergência da linguagem. Apenas em meados dos anos 60 seus livros chegaram ao Ocidente.:65) emergindo. a) Assimiliação: consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência. entre os quais situa a si mesma como um objeto específico.). Contudo. (d) Período das operações formais (12 anos em diante): nesta fase. embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas sensoriais-motores na fase anterior) ela apresentará. toda experiência é assimilada a uma estrutura de idéias já existentes (esquemas) podendo provocar uma transformação nesses esquemas. devido a vários fatores. op. Formou-se em literatura e direito na Universidade de Moscou e mais tarde estudou medicina. Em síntese. Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividade de interpretação da realidade que o rodeia e. ele buscou a resposta na Psicologia e acabou por elaborar uma teoria do desenvolvimento intelectual. eles não chegaram a se encontrar em vida. consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. neste estágio. para Piaget. 12 anos): neste período. haja vista que no processo de interação podem ocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo. leu e comentou os elogios e as críticas que Vygotsky lhe fizera em 1932. deficiência física e mental e educação. o que marca a passagem do período sensóriomotor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica. espaço. a inteligência é anterior à emergência da linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica. ou seja. ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta. portanto. como o elemento complementar das interações sujeito-objeto. sustentando que todo conhecimento é construído socialmente. causalidade objetivados e solidários. A criança aprende pela experiência. ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior. Só então o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). para Piaget. Um outro aspecto importante neste estágio refere-se ao aparecimento da capacidade da criança de interiorizar as ações. pois ele representa o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano.cit. Foi professor do ginásio e se fazia uma pergunta fundamental: como o homem cria cultura? Dono de uma inteligência brilhante. 2003). não-verbal.cit. (c) Período das operações concretas (7 a 11. o egocentrismo intelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações e coordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem) e de integrá-los de modo lógico e coerente. isso porque a visada conquista da equilibração do organismo reflete as elaborações possibilitadas pelos níveis de desenvolvimento cognitivo que o organismo detém nos diversos estágios da sua vida. nesta fase. Sua obra enfrentou décadas de silêncio imposto pelo regime stalinista. A esse respeito. examinando e experimentando com os objetos ao seu alcance. enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. Essa busca do organismo por novas formas de adaptação envolvem dois mecanismos que apesar de distintos são indissociáveis e que se complementam: a assimilação e a acomodação. tanto os esquemas conceituais como as ações executadas mentalmente se referem. b) Acomodação: por sua vez. gerando um processo de acomodação. Quer dizer. Partidário da revolução russa. a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta. Progressivamente. Sua teoria tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico. em sua essência. o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio. a criança vai aperfeiçoando tais movimentos reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor já se concebendo dentro de um cosmo "com objetos. mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em que o indivíduo está inserido. Trata-se de um fenômeno que tem. mas que paradoxalmente nunca alcança (La Taille. a saber: (a) Período Sensório-motor (0 a 2 anos): caraceteriza –se por uma forma de inteligência empírica. um caráter universal. principalmente os políticos. consequentemente. exploratória.). paradoxalmente. (b) Período pré-operatório (2 a 7 anos): para Piaget. No entanto. ao atingir esta fase. embora a criança consiga raciocinar de forma coerente. ou seja. op.cit. já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos da espécie humana. ou seja.

operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. como os reflexos e a atenção involuntária. mecanismos intencionais e dependem de processos de aprendizagem. principalmente nas áreas mais sensíveis. As funções psicológicas superiores são construídas ao longo da história social do homem. que são os mediadores". As concepções de Vygotsky sobre o funcionamento do cérebro humano sinalizam que o cérebro é a base biológica. Ela dá o local de negociações no qual seus membros estão em constante processo de recriação e reinterpretação de informações. Desenvolvimento do cérebro A redução de reações biológicas é uma condição prévia para o aparecimento de fenômenos psicológicos. ontológico e filogenético. ou seja. as formas de organização do real. parte dessas funções básicas transforma-se em FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES. porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais. o planejamento e a deliberação. administrando-o sob seu ponto de vista. conceitos e significações. Mediação A questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio e. pela mediação feita por outros sujeitos. É isso que caracterizará a individualidade. se dá mediante o processo de relação do aluno com o professor ou com outros alunos mais competentes. ou seja. As informações nunca são absorvidas diretamente do meio. Com o aprendizado cultural. Isto quer dizer que o homem é herdeiro de toda a evolução filogenética (espécie) e cultural. o que permite a formação de conhecimentos e da própria consciência. da organização do ambiente. Enquanto sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos. Essas concepções fundamentam sua idéia de que a criança nasce dotada apenas de FUNÇÕES PSICOLÓGICAS ELEMENTARES. interiorizações desenvolvidas através da linguagem 17 . apenas refletindo o que aprende. O outro social pode apresentar-se por meio de objetos. As informações intermediadas são reelaboradas numa espécie de linguagem interna. e suas peculiaridades definem limites e possibilidades para o desenvolvimento humano. ocorrem por assimilações de ações exteriores. no entanto. É ela que fornece os conceitos. Poder-se-ía assim dizer que o desenvolvimento cultural do aluno. presentes em todos os animais mais desenvolvidos. Em outras palavras. o conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade. sua aprendizagem. O sujeito não é apenas ativo. "na ausência do outro. A criança passa a ver o mundo com sua própria visão. em que todas as funções aparecem duas vezes: primeiro no nível social e depois no nível individual. É pela APRENDIZAGEM nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso desenvolvimento mental. sociedades e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas. Natureza social Vygotsky interessou-se por enfatizar o papel da interação social ao longo do desenvolvimento do homem. Processo de internalização O processo de internalização é fundamental para o desenvolvimento do funcionamento psicológico humano. Essa evolução acontece pela elaboração das informações recebidas do meio. assim como no construtivismo e sim. A percepção da realidade requer processos biológicos como determinantes de experiência. Para Vygotsky. o conhecimento é sempre mediado. o universo de significações que permite construir a interpretação do mundo real. Quando a criança deixa de sofrer influência desses processos biológicos. A linguagem. Evidentemente só a realidade dos fatores externos não determinam completamente essa percepção. portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações. ela tem relação direta com o próprio desenvolvimento psicológico. as funções psicológicas superiores referem-se a processos voluntários. A informação de que esses processos biológicos tornamse disponível no organismo é organizado pela própria criança através de experiência social e cultural. representa um salto qualitativo na evolução da espécie. pelas pessoas que rodeiam a criança. 2. E assim assinalam-se constantemente a busca de explicar os processos mentais superiores baseados na imersão social do homem que por sua vez é histórico. explícita ou implicitamente. A internalização envolve uma atividade externa que deve ser modificada para tornar-se uma atividade interna. Atento à "natureza social" do ser humano. Para Vygotsky. sistema simbólico dos grupos humanos. ou seja. Vygotsky defendeu que o próprio desenvolvimento da inteligência é produto dessa convivência. através de recortes do real. Vygotsky e Luria (1930/1993) explicam isto na área da percepção: a criança no início de sua vida tem apenas sensações orgânicas tensãodor calor. como a consciência. Conceitos Básicos da Teoria de Vygotsky 1. Para ele. assim como. papéis e funções sociais. 2. passa a perceber a realidade. o desenvolvimento cultural da criança aparece segundo a lei da dupla formação. Donde surge o termo sóciocultural ou histórico atribuído nesta teoria. o homem não se constrói homem". A cultura fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade. e seu desenvolvimento dar-se-á em função de características do meio social em que vive.1. mas sim em parceria com as outras. portanto. portanto. São sempre intermediadas. É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas. os vygotskianos entendem que os processos psíquicos. características exclusivas do homem. ações conscientes. Maria Teresa Freitas resume: "Nenhum conhecimento é construído pela pessoa sozinha. a aprendizagem entre eles. Desse modo. que desde o berço vive rodeado por seus pares em um ambiente impregnado pela cultura. primeiro entre as pessoas (interpsicológica) e depois no interior da criança (intrapsicológica). Por isso a linguagem é duplamente importante para Vygotsky. mas acesso mediado. É na troca com os outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos. é interpessoal e se torna intrapessoal. permitindo que seu organismo passe a ser afetado por fatores externos. mas interativo. a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Isso não significa que o indivíduo seja como um espelho. a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico em ser humano. em sua relação com o mundo. Além de ser o principal instrumento de intermediação do conhecimento entre os seres humanos. carregando significados sociais e históricos. do mundo cultural que rodeia o indivíduo.

pelo constante diálogo entre o exterior e interior do indivíduo. que são interiorizadas surgindo a capacidade de atividade abstrata (ações mentais) com varias formas de manifestação (material . 3.os diferentes níveis de funcionamento psicológico. A aprendizagem é considerada como parte de atividades coletivas que precedem a aquisição individual (linguagem infantil: primeiro aparece como forma de comunicação. Isto porque o autor preocupou em descrever e entender o que ocorre ao longo da gênese de certas funções. pelo menos dois níveis de desenvolvimento identificados por Vygotsky: 3. Observe que. aprendizagem e desenvolvimento. nesse diverso campo da consciência. como meio de condução das operações mentais. por estes serem ações conscientes. são os conceitos aprendidos na escola sistematicamente. O que nos faz pensar que esse processo de aprendizagem se desenvolve do concreto (segundo as variáveis externas) a abstrata (as ações mentais). 3. assim como. que se costuma determinar através da solução independente de problemas. Aprendizagem é a assimilação consciente do mundo físico mediante a interiorização gradual de atos externos e sua transformação em ações mentais. controladas ou voluntárias. Com isto. depois se interioriza convertendo em linguagem interna). Já que nessa abordagem não se questiona o fato de que todos os indivíduos tenham uma capacidade de aprendizagem que. cada qual com características específicas: • Pseudo-conceitos: aqui ainda a criança não consegue formular conceitos. ambos os processos. em matemática. 18 .4. chegando a afirmar que o desenvolvimento vem depois da aprendizagem.1. esse é um nível de desenvolvimento real. orientadas por instruções e com a ajuda de um adulto ou por resultado da interação com iguais. São as relações sociais que dão ao indivíduo instrumentos para ativar os processos internos que favorecem o desenvolvimento. mais e mais ele abstrai sobre seus atos e sobre o meio. verbal –linguagem . que usa o signo. 3. como por exemplo. determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes". inicialmente. E esses elementos da consciência vão dar origem aos denominados processos mentais superiores. Nesse processo. a finalidade da aprendizagem é a assimilação consciente do mundo físico mediante a interiorização gradual de atos externos e suas transformações em ações mentais. A aprendizagem interage com o desenvolvimento. a evolução intelectual é caracterizada por saltos qualitativos de um nível de conhecimento para outro. uma vez que para formar ações mentais tem que partir das trocas com o mundo externo. Nesta fase a criança se orienta pela semelhança concreta visual. 3. estando então. que para este autor a consciência é o estado supremo do homem. uma multiplicação simples. Desenvolvimento Real: É determinado por aquilo que a criança é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. etc. • Conceitos científicos: constituído por um sistema hierárquico de inter-relação. ele desenvolveu o conceito de ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL. que definiu como a "distância entre o nível de desenvolvimento real. Costuma-se destacar que a abordagem de Vygotsky tem explicação das mudanças de ordem qualitativa. Tomada de consciência Vigotsky abstrai que o ser humano é criado histórico e socialmente. Por outro lado. tanto intelectual. Diríamos de certa forma. a aprendizagem se produz. Zona de Desenvolvimento Proximal Segundo Vygotsky. os quais são diferentes dos processos mecânicos.ações externas -. existe como base metodológica e objeto de estudo a intencionalidade da consciência. Dois níveis de desenvolvimento Existem. A aprendizagem é produzida através de um diálogo constante entre o exterior e o interior do indivíduo. Desenvolvimento Potencial: se manifesta quando a criança realiza tarefas mais complexas. • Conceitos: formação de conceito atividade complexa e abstrata. no estudo da linguagem da formação de conceitos. por exemplo. interrelacionados. cuja da interiorização surge a capacidade da atividades abstratas que a sua vez permite elevar a cabo ações externas. 3.5. Se domina a adição. está condicionada pelo nível de desenvolvimento alcançado. • Conceitos cotidianos: aprendidos assistematicamente. Privilegiam o ambiente social. um conceito que se pretenda trabalhar. quando ela já sabe somar. à medida que o homem toma consciência da consciência que possui. Nessa teoria não se tem estágios de desenvolvimento explicado detalhadamente sobre o surgimento e desenvolvimento das funções psíquicas através de acumulação de processos elementares. Mas existe na teoria de Vygotsky. são assimilações de ações exteriores. o que na teoria vygotskiniana é chamado de Tomada de Consciência. envolvendo memorização ativa seguida de pensamento abstrato.interna que permite formar abstrações. A fim de explicar esse processo. e o nível de desenvolvimento potencial.2. verbal e de diversos graus de generalizações e assimilações. Por exemplo. e as ações mentais são formadas a partir das variáveis externas (concretas). envolvendo a psique do indivíduo. assim. formando apenas um complexo associativo restrito a um determinado tipo de conexão perceptual. requer sempre um grau de experiência anterior para a criança. seus atos deixam de ser espontâneos (no sentido biológico do termo) para se tornarem atos sociais e históricos. produzindo abertura nas zonas de desenvolvimento proximal nas quais as interações sociais são centrais. Para Vygotsky. assim como na de Piaget . estes conceitos dispensam a necessidade da escola para a sua formulação. Entendem que os processos psíquicos. mas o pensamento ocorre por cadeia e de natureza factual e concreta.6. que a aprendizagem entre eles.ou intelectual – pensamento -) e diversos graus de generalização e assimilação. interiorizações desenvolvidas através de linguagem interior que permite formar abstrações. com diferentes formas de manifestações. e que suas relações com a natureza e com os outros homens no nível da consciência são lidados de forma espontânea apenas quando ele não tem percepção da consciência sobre aquilo que está fazendo. Relação desenvolvimento/aprendizagem Vygotsky e a escola de psicologia dialética soviética e seus seguidores Luria (1902/1977) e Leontiev (1903/1979) estabelecem uma relação inseparável entre aprendizagem / desenvolvimento. ou palavra.

É desta concepção que Vygotsky afirma que a aprendizagem vai em frente do desenvolvimento Vygotsky teve contato com a obra de Piaget e embora teça elogios a ela em vários aspectos. rústico ou sofisticado e assim por diante. Ou seja. Para Piaget. de outra forma. Ambos divergem também quanto à seqüência dos processos de APRENDIZAGEM e de DESENVOLVIMENTO MENTAL. Por exemplo. Eles só são dirigidos à realidade e ao relacionamento social depois de 7 a 8 anos de idade. básico para Vygotsky. mas Vygotsky destaca o papel do contexto histórico e cultural nos processos de desenvolvimento e aprendizagem. Ele também afirmou que processos cognitivos são originalmente egoístas e anti-sociais. ao contrário. em Vygotsky o que tem que estabelecer é a sequência que permite o progresso de forma adequada. sendo chamado de sóciointeracionista e não apenas interacionista como Piaget. Psicologia e Filosofia. como preferem alguns especialistas. Porém. Vygotsky considerou a criança como um indivíduo social. as crianças individuais constroem conhecimento através de suas próprias ações: entender é inventar. O que tem encorajado inúmeros educadores a inovarem sua prática pedagógica. HENRY WALLON e a PESSOA COMPLETA (Abigail Alvarenga Mahoney. defende que é o desenvolvimento progressivo das estruturas intelectuais que nos torna capazes de aprender (fases pré-operatóra ou lógico-formal). eles são substituídos rapidamente através de influências sociais. Ambos autores fazem parte das correntes interacionista (através de dialética externas de adaptação entre o organismo psicológico do indivíduo e seu mundo circundante ou contexto) e construtivista (dialéticas internas de organização entre as partes do organismo psicológico. Em suas palavras. Nesse meio. Isto para que. cognitivo. sustentam que a inteligência é construída a partir das relações recíprocas do homem com o meio. Porém. Para Vygotsky. Piaget considerou como anti-social. por Vigotsky. é possível utilizar as discussões mencionada na concepção interacionista e construtivista dos autores e colocar-se como condutor dessa interação do aluno com o meio e fazer desse meio um ambiente de estímulo para que o sujeito desenvolva os seus aspectos cognitivos. VYGOTSKY X PIAGET A discussão do pensamento de Vygotsky na área educacional e psicológica nos remete a uma reflexão sobre as relações entre ele e Piaget. seriam impossíveis". Os dois se opõem tanto à teoria empirista (para a qual a evolução da inteligência é produto apenas da ação do meio sobre o indivíduo) quanto à concepção racionalista (que parte do princípio de que já nascemos com a inteligência pré-formada). valioso ou não. O termo socioconstrutivismo (ou. isto 19 . no sentido de buscar compreender a realidade de seus alunos tanto do ponto de vista psicológico. Possuía formação nas áreas de Medicina (Neurologia e Psiquiatria). O fator cultural. Se em Piaget havia que ter em conta o desenvolvimento como um limite para adequar o tipo de conteúdo de ensino a um nível evolutivo do aluno. relações sociais são secundárias à natureza biológica da criança. percebe-se que à medida que o educador vai tecendo sua prática. Ambos são construtivistas em suas concepções do desenvolvimento intelectual. Wallon faz oposição a qualquer espécie de reducionismo orgânico ou social e ao dualismo corpo e alma. o meio é sempre revestido de significados culturais. por considerar que Piaget não deu a devida importância a situação social e ao meio. É justamente a comprovação. Não é surpresa devido ao endosso de Piaget aos conceitos de Freud. É graças as implicações teóricas destes psicólogos que se pode hoje trabalhar visando ultrapassar a metodologia pedagógica arraigada na repetição de conceitos. é o primeiro que gera o segundo. Para Piaget. sem esperar a maduração "mecânica" e evitando que possa pressupor as dificuldades para prosperar por não delinear um desequilíbrio adequado. com adaptações). De forma geral. sociointeracionismo) é usado para fazer distinção entre a corrente teórica de Vygotsky e o construtivismo Jean Piaget. Apesar dos autores serem de complexa interpretação. Só tem o sentido cultural que lhe damos. Para Vygotsky. Esse confronto se dá uma vez que os autores possuem vários pontos divergentes que separam os seus pensamentos em abordagens ou pontos de vista diferentes. Nasceu na França em 1879. impulsionando ao longo de novas aquisições.Nesta concepção a educação é considerada um sistema que facilita a apropriação de conteúdos próprios de cada cultura. segundo Vygotsky. Para Vigotsky é a compreensão através do contraste social e origem. relações sociais constituem a psicologia da criança desde o começo. afetivo. As críticas a Piaget não foram diferentes das dirigidas a Freud. Mecanismos biológicos operam durante curto espaço de tempo. Vygotsky colocou uma concepção bastante diferente da criança. Ambos atribuem grande importância ao organismo ativo. e pouco enfatizado por Piaget. como sócio-cultural. Assim que infância termine. o indivíduo começa a participar de relações sociais. entendendo que a compreensão do ser humano deve ter presente que ele é organicamente social. Laurinda Ramalho de Almeida. Relações sociais formam o contexto desenvolvente de crianças e constituem a natureza da criança. possam trabalhar rumo a uma educação significativa e construtiva – a qual possa conduzir o aluno a ser sujeito consciente de sua autonomia social. a criança participa das relações sociais. Piaget. antes de 2 anos de idade. Ele afirmou que mecanismos naturais governam o comportamento da crianças. ele também vai refletindo e aplicando essas teorias que são valiosas para resolverem diversos males que afligem o contexto educacional. o objeto armário (meio) não tem sentido em si. Para o ser humano. Antes de chegar à psicologia passou pela filosofia e medicina e ao longo de sua carreira foi cada vez mais explícita a aproximação com a educação. Piaget e Vygotsky contribuíram para a elaboração de metodologias inovativas que ultrapassam aquelas existentes na escola tradicional. como ser útil ou inútil. E os significados culturais só são aprendidos com a participação dos mediadores. a partir daí. "o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que. também a critica. como explicação da mudança adaptativa). é a diferença central entre os dois teóricos construtivistas. Piaget afirmou que a mente é governada através de mecanismos biológicos. da existência de uma zona de desenvolvimento potencial que desprende ou desvincula a proposta de uma concepção distinta da ajuda pedagógica de que surge das teorias de Piaget.

para o conhecimento e conquista do mundo exterior Nesse período. porém. As atividades predominantes estão voltadas para a construção do eu e para as relações afetivas com o outro. e para isso se submete e se apóia nos pares. no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". Sensório-Motor e Projetivo (1 a 3 anos): quando já dispõe da fala e da marcha. aparece a exploração de si mesmo. Formado em História e Psicologia. suas condições de existência. lentamente. a teoria de desenvolvimento de Wallon assume que o desenvolvimento da pessoa se faz a partir da interação do potencial genético. a 4 de fevereiro de 1987. nas quais a dimensão temporal toma relevo. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. como funcionam. questionamentos. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. O autor estudou a criança contextualizada. Como neste estágio. categorização em níveis de abstração até chegarem a nível categorial. construindo suas próprias emoções. carregue. que só se verifica mediante a busca pela pessoa completa. que se transformarão com o tempo. iniciando o processo de diferenciação. Durante esse período. a direção é para si mesma. Liège Frainer Barbosa. CARL ROGERS E O HUMANISMO (Clarice Salgueiro. o predomínio é da razão. pouco claras. como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. Imitando. na busca por uma identidade autônoma. Categorial (6 aos 11 anos): Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas. existindo outro tipo de interação: a criança e o outro. daí a importância de se ligar ao seu cuidador (a). a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. através da ação e interpretação do meio entre humanos. iniciada com a integração das diferenciações produzidas durante o período pré-categorial. O domínio de categorias cognitivas de maior nível de abstração. e uma grande variedade de fatores ambientais. Puberdade e Adolescência (11 anos em diante): Ocorre novas definições dos contornos da personalidade. O recurso de aprendizagem nesse momento é a fusão com os outros. precisas. sensações nebulosas. onde ocorrem as representações claras. aplicou à Educação princípios da Psicologia Clínica. Aurora Gaspar). Pela imitação. assim como Piaget. isto é. possibilita a discriminação mais clara dos limites de sua autonomia e de sua dependência. passa a haver a representação das coisas e a explicação do real. Questões pessoais. a criança desdobra. sente de forma integral. que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. 3. físico. O processo ensino-aprendizagem exige respostas corporais. Partindo de uma perspectiva psicogenética da pessoa completa. embale. ele 20 . como se formam. vai se familiarizando e apreendendo o mundo. É a fase de se descobrir diferente das outras crianças e do adulto. sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para se atualizar. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. 2. sem fragmentação e sem privilégio por determinada área. que possibilitam a substituição dos objetos pelas palavras correspondentes a partir da apropriação da linguagem (Wallon. respondendo a sensibilidades corporais: proprioceptiva (sensibilidade dos músculos) e interoceptiva (sensibilidade das vísceras). desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Implulsivo-Emocional (0 a 1 ano): a criança expressa sua afetividade através de movimentos descoordenados. é um desenvolvimento conflituoso. Na ótica Rogeriana. A criança. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. para um intenso contato com os objetos e a indagação insistente do que são. Rogers é um dos precursores da teoria humanista.é. que pressupõe a ampla liberdade de escolha. que segure. Carl Rogers nasceu em Chicago em 1902 e faleceu em La Jolla. classificação. foi psicoterapeuta por mais de 30 anos. esses estágios seriam os seguintes: 1. pela descoberta do que a distingue de outras pessoas. típico da espécie. Aqui. O foco da teoria é essa interação da criança. para Wallon. uma vez que o aluno pensa. Através dessa fusão. reorientando o interesse das crianças pelas pessoas. Segundo GALVÃO (2000). com o meio. contrapondo-se aos valores tal qual interpretados pelos adultos com quem convive. Rita de Cássia Pareja. a criança participa intensamente de seu ambiente e apesar de percepções. Personalismo (3 a 6 anos): Nesse estágio desenvolve-se a construção da consciência de si mediante as interações sociais. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. na Califórnia. morais e existenciais são trazidas à tona. mediante atividades de confronto. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. Segundo ele. uma relação complementar entre os fatores orgânicos e socioculturais. a criança aprende principalmente pela oposição ao outro. e no processo ensino.aprendizagem os sentimentos do aluno devem ser considerados. Inicialmente atuou como psicoterapeuta e posteriormente dedicou-se à educação com a proposta de ensino centrado no aluno. portanto. por pelo menos três anos. mediante atividades externas de agrupamento. Wallon trouxe a compreensão de que o organismo é a primeira instância da aprendizagem. Ao olhar uma pessoa como um todo a ser considerado. 5. Nesse estágio. contatos epidérmicos. 1981). A diferenciação mais nítida entre o eu e o outro dá condições mais estáveis para a exploração mental do mundo externo. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. Antes do surgimento da linguagem falada. 4. em conceitos e princípios. autoafirmação. para ele. não existe sentido se falar em comportamento ou em cognição sem considerar o domínio afetivo. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. complementando os processos intelectuais. a criança se volta para o mundo externo (sensibilidade exteroceptiva). ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. A organização do mundo em categorias bem definidas possibilita também uma representação mais nítida de si mesma. com o pensamento ideomotriz (representação das imagens mentais por meio de ações). é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo.

que são: a empatia. passa a ser absorvido passivamente. A teoria rogeriana pressupõe conceitos teóricos que possibilitam uma melhor compreensão do ser humano. que é o sentimento que se nutre quando são expressos os sentimentos positivos. desprazeirosas com uma condição de aconchego. implicam um ensino centrado nesse último. sem fachada. consciente de sua constante transformação. não existe aquele que sabe e aquele que ensina. Para este 21 . baseados na própria experiência como terapeuta. Não pode temer o debate.quebra o paradigma do relacionamento formal e cria um relacionamento interpessoal. O dominador faz do dominado massa de manobra. um processo que nasce da observação e da reflexão e culmina na ação transformadora. Referindo-se ao fato de proporcionar ao aluno a liberdade para escolher. alienado. a importância de um educador consciente de suas atitudes e sua capacidade de compreender os sentimentos e as reações do seu aluno. Para o autor. Na visão "bancária" da educação. Essa forma de interação garante uma relação afetiva satisfatória. que só utiliza as operações mentais. 58). Para isso fundamenta conceitos essencialmente importantes. uma vez que todo ser humano apresenta uma tendência natural e particular para aprender. favorecendo a relação que se intensifica. Paulo Freire em sua longa caminhada em busca da educação problematizadora e libertadora se empenha nos seus trabalhos em expressar o seu sentimento de transformação da realidade opressora em realidade igualitária. a ação que pode e deve ser muito mais que um processo de treinamento ou domesticação. ou seja. O educando é instado a buscar o seu próprio conhecimento. Uma pessoa instruída é capaz de se adaptar às mudanças que ocorrem durante a sua vida (a aprendizagem é contínua).aprendizagem. Freire coloca a Humanização como algo que é vocação de todos os homens e a desumanização que está presente na realidade opressora. isto para que o indivíduo possa transformar. é proporcionar as descobertas e o conhecimento com significação pessoal. não considerando o indivíduo como um todo. modificar o que lhe é oferecido como se fosse o máximo que poderíamos ter e muitas vezes ver o dominador como um sujeito generoso. Não pode fugir à realidade. levando em conta a ótica do outro. 1991. e sim aquele que auxilia os educandos a aprender a viver como indivíduos em processo de transformação. na formação das suas competências. “não a encarnação abstrata de uma exigência curricular ou um canal estéril do qual o saber passa de geração em geração” (1991. Rogers enfatiza entre os seus “princípios de aprendizagem3”. A congruência significa ser transparente na relação.a absolutização da ignorância. o seu olhar. Rogers. porque sua ideologia já corrompeu e alienou o cidadão. Assim. É educar para a vida e para novos relacionamentos. expondo seus sentimentos mais profundos. Tais ações servem de premissa para visualizar o poder do educador sobre o educando e como conseqüência a possibilidade de formar sujeitos ativos. a congruência e a consideração positiva incondicional. p. Entende-se por pedagogia em Freire. São palavras do universo vocabular do estudante. que parecem ser de fundamental importância no processo de alfabetização científica. A Educação Bancária que Freire abomina se alicerça nos princípios de dominação. Daniele Fortes Martin). Para Rogers. Os conhecimentos do professor são oferecidos como mais um recurso ao estudante. e não provoca uma curiosidade que leve o indivíduo a aprofundar mais e mais. conseqüentemente. Um ingrediente que pode motivar um início dessa troca de idéias talvez esteja nas palavras “geradoras” de Freire. livremente. do qual pode utilizar-se. ensinar é mais que transmitir conhecimento – é despertar a curiosidade.265). dos seus sentimentos. Carl Rogers afirma que “evitar-se-ia assim obrigá-lo ao conformismo. O professor passa a ser considerado um facilitador da aprendizagem. Esse tipo de aprendizado é esquecido com o tempo. A empatia é o conceito que corresponde a olhar o outro como se fosse visto do seu interior. pois não tem relevância com os sentimentos. De fato. para fundamentar um entendimento pautado na essência do outro. é negado o direito do homem de se humanizar e o direito do pensar autêntico como menciona Freire (2005). em qualquer instância: na ótica terapêutica ou no processo ensino. a importância de ser uma pessoa real. p. captando suas formas peculiar de analisar e interpretar o ambiente externo. Freire busca como ideal a conscientização para o conhecimento da realidade e das relações de poder existente na sociedade. educação é um encontro entre interlocutores. respeitando-se como pessoa. Rogers combate a aprendizagem do tipo “tarefas”. que constitui o que chamamos de alienação da ignorância. que procuram no ato de conhecer a significação da realidade e na práxis o poder da transformação. Por isso. o objetivo maior da educação e. A aceitação e a compreensão. já estabelecidas na relação professor-aluno. o sujeito é educado para não desenvolver a consciência crítica. constituiu um referencial teórico que hoje é cenário essencial para compreensão das relações humanas PAULO FREIRE E A PROBLEMATIZAÇÃO (José Roberto Tagliati. sob pena de ser uma farsa. críticos e não domesticados. A vida é um processo de mudança – tudo ao seu redor é questionável e tudo se mistura. A consideração positiva incondicional que consiste em aceitar as expressões negativas. do eu olhar. sua luta é a favor dos menos favorecidos. a sacrificar a sua criatividade e a levar a sua vida em termos estandardizados” (1991. o "saber" é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. como uma distorção histórica. p. Luciene de Fátima da Silva. por isso um ato de coragem. Para Freire. os marginalizados da sociedade. segundo a qual esta se encontra sempre no outro (Freire. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão . de domesticação e alienação transferidas do educador para o aluno através do conhecimento dado. por ser imposto. questionando os aspectos de relevância para a sua própria aprendizagem. Juliana Ferreira Taveira. se solidifica. transportando para a educação esta convivência em busca de uma aprendizagem significativa e qualitativa. não mais aquele que transmite conhecimento. é instigar o desejo de ir além do conhecido. a sua perspectiva. e que devem servir de base para a formação de outras. as emoções e sensações do educando. Para Freire a educação é um ato de amor. com esse olhar para a dimensão afetiva. todos sabem alguma coisa e todos aprendem alguma coisa com alguém. o conhecimento é algo que.269). imposto. do educador é facilitar a aprendizagem. É desafiar a pessoa a confiar em si mesmo e dar um novo passo em busca de mais. nessa concepção.

subjetivo–objetivo. por uma parte diversificada. do mundo.pedagogo. Há inúmeras conceituações: literal etimológico. econômicos. Por volta de 1865. com suas respectivas cargas horária (plano de estudo ou grade curricular). Porém. Dentro da perspectiva de Freire há um posicionamento sociológico e antropológico da condição do homem participante de um meio e dos pressupostos que envolvem a educação. designando a estes apenas uma educação de despejo de conteúdos alheios a ele. na vida de seus pais e de seus professores. continuidade. suposições e aspirações) e a prática possível. A história do currículo se confunde com história da escola. CURRÍCULO (Cleres Carvalho. Pedra (1997) conceitua currículo como a representação da cultura no cotidiano escolar. é reconhecer o contexto que está inserido. pelo contrário. percurso a ser realizado. da cultura. da economia e da clientela. Dentro deste processo de conscientização. 2005). ou seja. mas é simétrica. sendo que para a transformação social este tipo de consciência é condição primordial. carreira. Desde os seus primórdios. É perceber que estas relações são mediadas pelo mundo. Reconhecer a própria história é se situar no tempo e espaço. da atividade prática da escola. Tudo o que cerca o aluno. Por isso que suas obras são uma denúncia aos modos que constituem a educação oferecida aos homens das camadas populares. é o olhar crítico e clínico sob o mundo. Percebe-se que a definição do que vem a ser currículo. Pedagógico – na concepção tradicionalista era praticamente sinônimo de ciclo didático. jornada. Currículo é tudo o que acontece na vida de uma criança.394/96. a educação não é via de mão única. instituição e pessoal. as idéias equivocadas e o conteúdo a ser trabalhado com os educandos. é necessário um estudo preciso e profundo de cada um destes. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares. currículo tradicional e conseqüentemente o seu conceito representarão todo o emaranhado que envolve a organização educacional. o modo pelo qual se selecionam. e o mundo é o objeto cognoscente que se deseja desvendar. O objetivo desta educação é manter o status quo e formar uma parcela de trabalhadores alienados. educador–educando. ou seja. Sua pedagogia se caracteriza por ser dialógica e também dialética. De acordo com a lei 9. o termo currículo significava: uma pista de corrida em curso geral. Neste modelo não há currículos pré-estabelecidos. nos faz pensar sobre as relações de poder. Através do diálogo o professor investigará seus alunos a fim de estruturar um trabalho pedagógico que mobilize a todos os envolvidos neste processo de conscientização. E em 1955 aparece como: um conjunto de curso ensinado numa instituição. disposição de disciplina em quadro. causalidade e etc. esta ação é um dos primeiros momentos para a tomada de consciência. escola tradicional. Isto não quer dizer que Freire nega a ciência. é estabelecer relações entre eu–mundo–outro. ao elencar os temas. Dialógica porque é através da comunicação que estabelecemos relações com o outro. ou seja. pedagógico. constitui matéria para currículo. isto é currículo é o ambiente em ação. mas via de mão dupla não é assimétrica. Freire nos conduz à reflexão crítica da sociedade. Nestes parâmetros. dialética porque não podemos dicotomizar os fundamentos da educação que são: ação–reflexão. com adaptações de Osvaldo Jr). caracterizando-se como um instrumento facilitador da administração escolar. em todas as horas do dia. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. Assim. Sacristán (1989) explica que o currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. que edificamos a dialética em nossa vida (FREIRE. De forma ampla ou restrita o currículo escolar abrange as atividades desenvolvidas dentro da escola. Investigar e conhecer a realidade dos educandos são os alicerces desta pedagogia. Partindo da realidade social o educador reconhecerá as necessidades a serem supridas. classifica. circunstância que se dão. Teórica: a teoria do currículo aborda três tipos de abordagem curricular. explicita nossa carreira da vida. é compreender a sua própria história. temos a valorização do homem como ser histórico e atuante na sociedade que é o que nos diferencia dos animais. as origens. 2005). Legal – É a totalidade das experiências de aprendizagem planejadas e patrocinadas pela escola. O termo currículo é encontrado em registros do século XVII. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. 26 – os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. currículo envolvia uma associação entre o conceito de ordem e método. dadas determinadas condições. dialogar com a comunidade para que futuramente possam ser estabelecidos os temas a serem desenvolvidos são os pré-requisitos básicos para a pedagogia do oprimido. analisa a problemática dos processos de ensino aprendizagem através do jogo de interesses políticos. nestas relações não há o que é mais importante e o menos importante. sempre relacionado a um projeto de controle do ensino e da aprendizagem. A educação progressista que Freire defende desenvolve a consciência crítica. para a construção de uma nova práxis pedagógica que valoriza o ser em sua integridade. é ‘ler as entrelinhas’. que desconhecem a sua função dentro da sociedade. todas com raízes nas questões sócio-políticas e epistemológicas no campo da educação e das concepções de aprendizagem: a) Tradicional: ligada a questões de organização e preocupada com resultados concretos e mensuráveis. Os elementos constantes nas construções de currículo são: Objetivos processos ensino-aprendizagem. o conhecimento é algo a ser construídos na coletividade. Literal etimológico do latim “curriculum” e do grego “Kurrikulu” (“currere”) = ato de correr. em suma através de nossa realidade. Toda investigação temática de caráter conscientizador se faz pedagógica e toda autêntica educação se faz investigação do pensar (FREIRE. não há disciplina estanques. programas de ensino. Já a educação bancária que Freire (2005) descreve trabalha com a consciência ingênua esta educação está presente em sociedades divididas em classes e eminentemente capitalistas que excluem as camadas populares do processo de democratização. varia de acordo com cada época vivenciada pela sociedade no setor educacional. sua representação ou apresentação. entre a teoria (idéias. Ir a campo. legal. ou seja. pelo qual o movimento da ação–reflexão é tida como fundamental. Art. homem– mundo. nosso percurso de vida. não há a hierarquia de um sobre o outro. onde os resultados da aprendizagem eram descritos 22 . sociais e culturais. Quando elaboramos um curriculum vitae.

→Currículo sociocrítico (ou histórico-social): Nesta abordagem existem várias correntes.172) descreve: “O currículo está oculto porque ele não é prescrito. partem do que é normalizado pelo governo. cultura. o aluno um receptor de conhecimentos. Elementos: aprendizagem. b) Críticas: possuem como lema a desconfiança. subjetividade. traz consigo toda sua herança cultural que eventualmente serão demonstradas na sua atuação em sala de aula. Percebe-se. também tem papel importante no currículo construtivista. da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. Em termos metodológicos referem-se à introdução no ambiente escolar dos aparatos tecnológicos. o currículo racional-tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental. assim como educando o educador. o que remete. avaliação. 23 . etnia. multiculturalismo. →Currículo real: acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. por que destacam o papel do meio. diferença. A escola tem a função apenas de ensinar. os conteúdos escolares não são colocados como verdades absolutas. valorizando a cultura de todos para que ocorra o desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. p. Ao organizar um currículo construtivista. Também questionam a aparente neutralidade da ciência e das abordagens pedagógicas. em última instancia ao papel do ensino na aprendizagem. alteridade. onde acontece à junção do currículo formal com os currículos real e oculto. gênero. significados. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem passados aos alunos. tendo como ponto chave a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. é a efetivação do que foi planejado. sem preocupa-se com e por que ensinar. tem um caráter livresco e verbalista. raça. resistência. eficiência. Além disso. Níveis de Currículo: Podemos distinguir alguns tipos de currículo. mais precisamente para responder à seguinte pergunta: o que o currículo faz. Ênfase no planejamento e nos instrumentos de medição.através de comportamentos explícitos. →Currículo oculto: São as influencias que de certa forma afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores que tem origem no meio social e vivenciados na própria escola. intervenção da própria experiência dos professores. 2. partindo de critérios científicos e técnicos. centrado no professor e na matéria. organizados numa grade curricular. levando em conta o clima psicológico e social da sala de aula. Sobre o enfoque tradicional comenta Libâneo (2004 p. c) Pós-críticas: referem as questões do multiculturalismo (diferença e identidade). classe social. daí organiza-se o currículo. Elementos: ideologia.172) explica: É a execução de um plano. pois questionam a neutralidade das teorias e práticas curriculares. →Currículo tradicional: é caracterizado pela organização do conhecimento por disciplinas. É currículo que sai da prática dos professores. decorrentes dos seus valores. dos conhecimentos anteriores e do professor. (por exemplo: Parâmetros Curriculares Nacionais). Prioriza-se a formação cidadã onde o educando está inserido na sociedade como ser ativo. Libâneo (2004. relações sociais de produção. emancipação. Libâneo (2004. sendo que algumas valorizam as questões políticas no processo da formação. reprodução cultural e social.174): O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). O professor é o facilitador da aprendizagem e os conteúdos são retirados das experiências dos alunos. como segue: →Currículo formal: é estabelecido pelo sistema de ensino ou instituição escolar. Na educação. em seguida pelo o que é elaborado e planejado na instituição de ensino e posto em prática no dia-a-dia do ambiente escolar. didática. portanto que os níveis do currículo se entrelaçam na prática dos docentes em sala. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico”. De certa forma as idéias do Psicólogo Russo Vigotsky. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. →Currículo racional-tecnológico (tecnicista): sua característica central é que este é previamente prescritos por especialista. não aparece no planejamento. embora se constitua como importante fator de aprendizagem”. bem como as relações de gênero e da pedagogia feminina. ensino.2 Concepções de organização curricular: Como se verá mais adiante uma pequena síntese abordando a organização curricular que de certa forma concretizam as intenções pedagógicas vivenciadas pela sociedade em cada etapa evolutiva. currículo oculto. 2. no ritmo de cada um. Levantam uma narrativa sobre etnia e raça e sobre as relações de saber e poder.1. objetivos e conteúdos das aéreas ou disciplinas de estudo. valoriza-se a atividade de pesquisa do aluno. capaz de transformar a sua realidade social. No que diz respeito à função do currículo construtivista relata Libâneo (2004 p. precisamente na ação didática da escola objetiva desenvolver a capacidade do educando de aprender de forma ética e crítica. enquanto que outras colocam a relação pedagógica como mediadora na formação política. metodologia. organização. o ensino é transmissivo e reprodutor. conscientização. poder. É um conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. Elementos: identidade. libertação. que subsidiaram a escolha e sistematização dos conteúdos a ser trabalhado em cada série. capitalismo. que algumas vezes divergem entre si. →Currículo construtivista: Está diretamente ligado as idéias de Jean Piaget e seus seguidores.177): Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. dão ênfase às relações sociais e aos conceitos que são desenvolvidos. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa. na atividade. que atualmente é a informática e a mídia que precisarão para ser utilizado como instrumentos de aprendizagem de técnicas mais refinadas de transmissão. deve-se levar em conta as etapas de desenvolvimento citadas por Piaget. sexualidade. que irão contemplar os interesse do mercado na sociedade. visto que a maior parte dos educadores que trabalham com essa idéia são conhecidos como sociointeracionista. portanto. Visto que. saber e poder. de adequação ao meio. significação e discurso. Este modelo de currículo está embasado nas idéias de John Dewey. representação. crenças. O professor atua como facilitador da aprendizagem. que compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. p.175): “Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. Como resume Libâneo (2004 p. E chamado de currículo legal expresso em diretrizes curriculares. →Currículo Escolanovista (ou progressivista): Dá ênfase nas necessidades e interesse dos alunos. assim como o que fica na percepção dos alunos.

sempre com um olhar analisador a cerca da sistematização dos conteúdos do currículo. → Currículo como produção cultural: os autores que defendem este modelo de currículo.LDB. representa as idéias da abordagem curricular tradicional. sem no entanto acumular déficit de conteúdos. Autoria de Maria Luiza Latour Nogueira . das diferenças. Sobre a concepção deste modelo de currículo esclarece Libâneo (2004 p. destaca Libâneo (2004 p. currículo como produção cultural. inscrito numa grade curricular. sociocrítico. As idéias que norteiam este modelo curricular são: buscar a integração de conhecimento e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e critica da realidade. os alunos dificilmente farão analises da realidade e não serão aptos a formular estratégias para sua atuação. não só pela mudança da compreensão do ato de aprender. a escola não tem autonomia para tomar decisões. deixando de fora a classe dos oprimidos.180) enfoca: Com essa orientação. Neste panorama. os objetivos e os conteúdos são determinados. sem termos um norte denominado currículo e programas. envolve várias práticas educativas que possam ajudar no processo de ensino-aprendizagem. que foram responsáveis. simultaneamente. minimizando ou até recusando um currículo formal. Desta forma o educador deve utilizar todos os lugares da escola. A esse respeito Libâneo (2004. mas de grandes reformas educacionais.3 Tipos de currículo: Os tipos de currículo estão diretamente ligados às concepções e a visão de alguns teóricos sobre o que é ensino. Esta citação de Libâneo. a escola é um local de reconstrução do conhecimento. integrado ou globalizado. tecnicista. tem mais flexibilidade no que diz respeito aos conteúdo. →Currículos abertos: Tem como norte a interdisciplinaridade. antropólogos. enquanto que o currículo aberto representa o movimento por uma escola nova. laboratórios. a interdisciplinaridade. estes podem ser organizado por aéreas de conhecimento. ao lado dos conteúdos culturais. Incorpora-se também neste modelo. Todos os segmentos da escola. a vivencia cultural dos alunos. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. e sim demonstrar meios para que o aluno possa construir seu conhecimento de forma critica e reflexiva. que norteiam todo os caminhos a serem percorridos no Brasil no âmbito educacional. 24 . no currículo em ação. Mas. que são colocados em prática na escola. centrado na valorização de elementos causais. não fica suficientemente esclarecida nessa proposta a forma pela qual os professores transformam as análises dos fundamentos sociais e culturais do currículo em práticas de sala de aula nas suas matérias. CONSELHO ESCOLAR Qual a principal função do Conselho Escolar? (12 02 2007) -. pretende-se que. qual o verdadeiro papel da educação em épocas distintas de modos e costumes vividas pela sociedade. á diversificação da cultura escolar. Estabelecer ligações entre teoria e prática. a compreensão de como produzem.SEB . Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. sociólogos. a sistematização do currículo tem como pano de fundo. Eu sei que os professores precisam compreender as formas pelas quais o conhecimento escolar se constitui e em que grau as relações sociais na sala estão impregnadas de relações de poder. 2. fortuitos. Deste modo. daí. deve-se acolher a diversidade. onde se notam fragmentos de currículos ligados às idéias de psicólogos. Sobre o resultado prático da interdisciplinaridade explica Libâneo (2004 p. as crenças. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. o currículo fechado. os anseios de um povo. para favorecer a integração da aprendizagens e os saberes que serão úteis ao educando para lidar com questões e problemas da realidade.Última Atualização: (20 03 2007). utilizado o método de projetos. como o currículo construtivista. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. p. tomada de decisões. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes. ou seja. se elaboram e se transformam esses conhecimentos. como também todos os momentos para desenvolver a ação de educar. de modo que os conhecimentos. →Currículos fechados: É caracterizado por disciplinas isoladas. que na concepção deles. de recursos eficazes de promoção de aprendizagens mais sólidas e duradouras pelos alunos. entre outros). a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. que são permeados de idéias sociais e de renovação pedagógica. análise.185): É o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. visto que não adianta romper com poder.178): Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. comparação. como também ressaltar. têm vez e voz na definição dos temas geradores a ser desenvolvido. sem os conceitos. destacando a importância da interdisciplinaridade. da convivência social na escola. o aprender a aprender (Torres Santomé. Hernandez. no que tange a confecção do currículo nacional. ou seja. na esfera da escola e do currículo. comunicação. vêem a escola como uma reprodutora do poder político. Estabelecer ligações entre os pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. procedimentos. Suscitar e garantir processos integradores e apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos. como a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação. etc. atitudes sejam integrados na estrutura mental do aluno. 1989). Alguns princípios que norteiam a interdisciplinaridade são: Ter como referencia o sujeito que aprende e sua relação com o saber. envolvendo os métodos e as técnicas a serem utilizados para a transmissão de conhecimento de geração para geração. de certa forma se adequar à inquietação de alguns educadores. se preste atenção a tudo o que acontece na escola.183): Além disso. ou seja. a importância dos processos mentais na aprendizagem (observação. nas aulas. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. →Currículo integrado ou globalizado: Este currículo tem como percussores os autores espanhóis (Torres Santomé. Resumindo na prática este modelo de currículo. como se realiza o trabalho efetivo de ensino? Qual é a contribuição desses autores sobre as condições de provimento de melhores situações de aprendizagem. apenas seguem o que foi prescrito no currículo. privilegiam a classe burguesa. a teoria e os conteúdos culturais sistematizado. critica também a forma como são construídos os saberes escolares. não é levado em conta os saberes e competências dos profissionais da educação. Refletindo sobre esta idéia.Neste olhar. síntese. classificação. visitas. que é um dos elementos utilizados pela escola. vídeos. no currículo oculto.).

do processo ensino-aprendizagem. uma organização interdisciplinar e apresenta como centro do trabalho a avaliação dos alunos. portanto. juntamente com o Conselho de Classe. Ocorre que o Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental: ele se constitui uma forma colegiada da gestão democrática. o papel do Conselho Escolar é o de ser o órgão consultivo. pode-se compreender porque a função do Conselho Escolar é fundamentalmente político-pedagógica. séries ou ciclos. Nesse acompanhamento co-responsável. o foco é a troca de experiências e a reflexão antes da decisão. a avaliação da aprendizagem escolhida. 1987). então. será a que mais se enquadra nessa finalidade. A partir de então. a metodologia a ser empregada pelos docentes. a gestão deixa de ser o exercício de uma só pessoa e passa a ser uma gestão colegiada. na implementação e na avaliação das ações da escola. Esses momentos de avaliação servem como diagnóstico. Nesse contexto. os professores juntamente com o coordenador pedagógico refletem sobre os acontecimentos escolares e juntos analisam a atitude a ser tomada (Dalben. qual seja: no planejamento. Vale dizer. ao menos dois tipos de educação e. a opção da escola for a de ser instrumento para a transformação da realidade. o Conselho Escolar pode iniciar uma ação consciente e ativa na escola. reúnem-se para refletir e avaliar o desempenho pedagógico dos alunos das diversas turmas. autônomos e emancipados e entendendo o Conselho Escolar como um mecanismo de gestão democrática colegiada. na qual os segmentos escolares e a comunidade local se congregam para. pela opção escolhida. juntamente com os coordenadores pedagógicos.Para que haja uma gestão democrática na escola é fundamental a existência de espaços propícios para que novas relações sociais entre os diversos segmentos escolares possam acontecer. Se. tudo irá decorrer dela: os conteúdos a serem desenvolvidos em sala de aula. É política. o Conselho Escolar constitui um desses espaços. o Grêmio Estudantil. e. Assim. uma vez que. para Bobbio (2000). enfatizando a transformação da ação (Liberali. 2004:31). Dessa forma. CONSELHO DE CLASSE (Mônica Galante Gorini Guerra). até mesmo. O conselho de classe é um órgão colegiado em que “vários professores das diversas disciplinas. indica quais aspectos podem ser mantidos. Cada professor traz as suas experiências e a de seus alunos. De acordo com a autora. por sua vez. sua função básica e primordial é a de conhecer a realidade e indicar caminhos que levem à realidade desejada. precisa estar ligada. a pergunta que o Conselho Escolar pode fazer é: Queremos que nossa escola desenvolva uma educação que mantenha a realidade em que vivemos ou uma educação que contribua para a transformação dessa mesma realidade? Pode-se imaginar. onde o aspecto técnico é o mais enfatizado. 1998). Com esse propósito. o processo de participação dos diversos segmentos nas atividades escolares. tendo como foco privilegiado a aprendizagem. o conselho de classe apresenta como características principais. mas os espaços nos quais podem exercer esse direito”. como apresentação da realidade que. mas como um parceiro de todas as atividades que se desenvolvem no interior da escola. ou mesmo os supervisores e orientadores educacionais. isto é. como eventualmente ocorre. para torná-la uma prática democrática comprometida com a qualidade socialmente referenciada. Se a opção escolhida pela escola for pela manutenção da realidade. a fim de que os professores desenvolvam o pensamento crítico. O conselho de classe é uma atividade em que a avaliação é constituída a partir das experiências vividas na sala de aula. Cabe destacar que o sentido político aqui desenvolvido não se refere à política partidária. acompanhar o desenvolvimento da prática educativa. “quando se quer saber se houve um desenvolvimento da democracia num dado país. que a principal função do Conselho Escolar é político-pedagógica. Esse pensamento é primordial para que o conselho de classe seja um espaço. E é pedagógica. Assim. o Conselho Escolar participa da elaboração do projeto políticopedagógico e acompanha o desenrolar das ações da escola. construírem uma educação de qualidade e socialmente relevante. mas sim a toda ação consciente e intencional que vise manter ou mudar a realidade. 2004). Seja qual for a opção desejada pelo sistema de ensino e pela escola. Sendo assim. Nesse sentido. Assim. Inclusive. onde se sintam livres para colocar-se. num processo permanente de acompanhamento e avaliação. Assim. Sua participação. divide-se o poder e as conseqüentes responsabilidades. sua tarefa mais importante. Tudo isso. é sua focalização principal. a forma de participação direta de todos os profissionais que atuam no processo pedagógico. a educação voltada apenas para o conteúdo. 25 . Compreendendo a educação como prática social que visa o desenvolvimento de cidadãos conscientes. prioritariamente. que são socialmente construídas (Vygotsky. à essência do trabalho escolar. para que tal atitude aconteça os professores e coordenadores precisam entender que o ensino-aprendizagem requer reflexão e troca de experiências. de processos de ensinoaprendizagem diferentes. a Associação de Pais e Mestres. no entanto. a primeira atividade que o Conselho Escolar traz para si é a de discutir e definir o tipo de educação ser desenvolvido na escola. Com isso. sabendo onde se deseja chegar e que tipo de educação se deseja desenvolver. juntos. a educação emancipadora – por ter caráter político-pedagógica – é a que pode vir a ser mediadora dessas mudanças sociais. a função político-pedagógica do Conselho Escolar se expressa no “olhar” comprometido que desenvolve durante todo o processo educacional. para expressar suas idéias e pontos de vista (Brookfield. a função do Conselho Escolar. nas suas diversas dimensões. o certo é procurar saber se aumentou não o número dos que têm direito de participar das decisões que lhes dizem respeito. não como instrumento de controle externo. Com isso definido. pois estabelece os mecanismos necessários para que essa transformação realmente aconteça. deliberativo e de mobilização mais importante do processo de gestão democrática. entre tantos outros possíveis. ou seja. na medida em que estabelece as transformações desejáveis na prática educativa escolar.” (Dalben. não se afirma como um fim em si mesmo. A construção da avaliação é feita através da oportunidade de rever métodos. contudo. nesse processo. quais os que devem ser revistos na prática cotidiana da escola e quais novos procedimentos precisam ser propostos. Toda essa postura de acompanhamento tem uma finalidade maior: a construção de uma educação democrática e emancipadora.

ocorre um ‘pensar em conjunto’( . Mas a mudança é possível!” (Freire. justificava-se a prática dos conselhos de classe presa à simples legitimação dos resultados já apresentados pelos professores. é pelo diálogo entre o coordenador pedagógico e os professores em um contexto de reflexão crítica que é possível observar e perceber os problemas do cotidiano escolar buscando soluções cabíveis. os problemas ambientais já mostravam a irracionalidade do modelo econômico. 2001:168). também. como uma dimensão individual. O estudo da origem dos conselhos de classe no Brasil (Rocha 1986 e Dalben 1992) possibilita constatar que sua implantação advém da necessidade sentida pela comunidade escolar. 2005:71-73). transmitindo conteúdos instrucionais definidos por especialistas e assim.. foram formulados princípios e orientações para um Programa Internacional de Educação Ambiental. que estruturava o sistema educacional. adquirindo relevância e vigência internacionais. No início da década de 60. aglutinariam as diferentes análises e avaliações dos diversos profissionais. do dia 5 a16 de julho. pois fornece bases para compreensão da orientação política inicial e os rumos dados até os dias atuais. onde o objeto do discurso é compartilhado entre os participantes. a UNESCO promoveu em Belgrado. na Inglaterra. Desde então. Somente em março de 1965. na Suécia. possibilitando análises globais do aluno em relação aos trabalhos desenvolvidos e a estruturação de trabalhos pedagógicos. A partir de 10 mil anos a. compartilhando experiências. No ano de 1975. Foi onde a Educação Ambiental passou a ser considerada como campo de ação pedagógica. Nesse sentido. Dentro desse panorama. pois “o raciocínio sobre um argumento específico dentre aqueles propostos se constrói muitas vezes pela contribuição de vários interlocutores: em outras palavras. a Conferência estabeleceu um “Plano de Ação Mundial” e. 1992). mas ainda não se falava em Educação Ambiental. uma vez que através dessas enunciações demonstram como está sendo construída a avaliação dos alunos. Quer dizer. De acordo com Dias (1991). então. a revolução agrícola acarretou impactos sobre a natureza. a mudança não é arbitrária. é a partir da ação partilhada que se constrói o conhecimento e neste contexto de pesquisa é de suma importância o desenvolvimento de um trabalho de colaboração entre o coordenador pedagógico e os professores. tudo transcorria em uma relação individualizada e de isolamento profissional. como ficou consagrada. a “Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano”. No encontro. pelas derrubadas das florestas. recomendou que devesse ser estabelecido um Programa Internacional de Educação Ambiental. O que é preciso é saber que a mudança não é individual. o Encontro Internacional sobre Educação Ambiental. estavam enraizadas na necessidade de controle interno do fenômeno pedagógico. E de acordo com Dalben (2004: 37). Quanto a isso. O coordenador pode. estimular os professores a verbalizarem as suas experiências. você não muda porque quer. é possível construir um significado do quanto é relevante a dimensão da construção social do pensamento e do raciocínio em contextos de discussão sobre a avaliação dos alunos. tensões. elaborações. multidisciplinar. na Conferência de Educação da Universidade de Keele. é social. nem você muda sempre na direção com que você sonha. A colaboração é um processo complexo sendo necessário à participação de todos.1930/2002) e que passam a fazer parte do conselho de classe. Quando o coordenador pedagógico pensa em colaborar é necessário ter ciência que implica em conflitos. sendo o aluno o portador de problemas quanto a falta de estudo. foi no ano de 1972 que ocorreu os eventos mais decisivos para a evolução da abordagem ambiental no mundo. O fio condutor do discurso passa naturalmente de um participante para o outro ou. nos possibilitando redimensionar o passado e construir novas práticas. a mudança está submetida a dificuldades. ou durante as interações verbais. (ou Conferência de Estocolmo). No entanto através de pesquisas desenvolvidas por Dalben (1992) e Fongaro (1998). Muitas ações ocorridas no conselho de classe buscavam controlar e racionalizar os nossos motivos e atos (Bordieu. buscando auxiliar o processo avaliativo a partir da necessidade de maior conhecimento do aluno. poluição do ar pelas queimadas. As concepções de ensino e avaliação. mesmo hoje regidos pela lei nº 9394/96 esse problema permanece na maioria dos cotidianos escolares. mudar é possível. que se manifesta de diferentes formas conversacionais. supondo uma função de cunho essencialmente pedagógico. Conhecer as origens do conselho de classe é fundamental. excesso de matéria orgânica e erosão. os conselhos de classe.C. Assim. A discussão sobre as terríveis disparidades entre os países do Norte e do 26 . Evidentemente. segundo os quais esta deveria ser contínua. no contexto da implantação da lei nº 5692/71. Considerada um marco histórico-político internacional. em particular. A Organização das Nações Unidas promoveu. essa busca pela transformação na construção da avaliação dos alunos pode ser observada pela linguagem dos participantes e “no momento que nós inventamos uma linguagem e a produção social dessa linguagem. falta de assiduidade e falta de interesse. No conselho de classe. excluindo a participação de setores representativos da sociedade. o homem ouviu falar em extinção de espécimes da fauna e flora. constatou-se que os conselhos de classe desenvolvem momentos de análise para verbalizarem notas e a avaliação escolar presos às medidas de rendimento. a formação docente deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva. (MUCELIN. não há dúvida. com a recomendação de que ela deveria se tornar uma parte essencial de educação de todos os cidadãos. Essa situação pode ser relacionada com a organização da escola. poluição do solo. integrada ás diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais. Sendo assim. unindo especialistas de 65 países. colocou-se pela primeira vez a expressão Educação Ambiental.” (Pontecorvo. EDUCAÇÃO AMBIENTAL (Tânia Regina Effting e adaptações). num clima político pautado pelo autoritarismo. A autora atribui a esse fenômeno o nome de “co-construção de raciocínio”. Iugoslávia. nesse contexto. pela retomada com o objetivo de acrescentar variações. Assim. Trabalhar em grupo durante o conselho de classe é primordial porque trabalhamos com a interação entre os membros da equipe. distanciamentos e compreensões sobre e nos discursos durante o conselho de classe relacionando-os com valores e metas definidos pela escola em seu projeto político pedagógico. fornecendo aos professores meios para desenvolver um pensamento autônomo que proporcione as dinâmicas de um trabalho livre e criativo com foco à construção de uma identidade profissional. 2004).).

celebrou-se em Tbilisi. sua cultura e seu entorno biofísico: • Em 1972. com vista a utilizar racionalmente os recursos do meio. do analfabetismo. fatores econômicos e tecnológicos. evitar desastres ambientais. e o "Workshop sobre Educação Ambiental" organizado pelo MEC. em 1977. chegou-se a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). cultural e histórica. deve desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas. a EA foi definida como um processo que deveria objetivar a formação de cidadãos: • Em 1970. é a aprendizagem de como gerenciar e melhorar as relações entre a sociedade humana e o ambiente. URSS. no presente o no futuro: • Em 2000. em favor do bem-estar da comunidade humana.1999 e do seu regulamento. Marco Legal A aprovação da Lei nº 9795. com o decreto nº 73. independente de haver ou não um marco legal. Já aparecia em 1973. utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para a aquisição de conhecimentos.6. a respeito das questões relacionada com a conservação e adequada utilização dos recursos naturais. Nessa conferência foram definidos os objetivos e as estratégias pertinentes. que proporcionasse a erradicação da pobreza. para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado. e os processos naturais ou artificiais que o causam e que sugerem ações para saná-lo. o decreto nº4281.4. voltado para o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias á compreensão e apreciação das inter-relações entre o homem. trouxe grande esperança. reconhecendo o valor do saber prévio dos estudantes. conhecer e utilizar novas oportunidades e tomar decisões acertadas. a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. orientada para a resolução dos problemas. foram marcantes: a "1ª Jornada Internacional de Educação Ambiental".sua história. Assim sendo. A Carta Brasileira para a Educação Ambiental. • Em 1996. em nível nacional e internacional. realizou-se o Congresso Internacional sobre a Educação e Formação Relativas ao Meio Ambiente (1987) em Moscou. é o aprendizado para compreender. a conferência realizada em Tbilisi. saber lidar e manter os sistemas ambientais na sua totalidade. devendo considerar as condições e o estágio de cada país. seus valores. Minini relatou que a AE é um processo que consiste em propiciar ás pessoa uma compreensão crítica e global do ambiente. entre suas atribuições. significa aprender a ver o quadro global que cerca um problema específico . quinze depois de Tbilisi e cinco depois de Moscou. Postulou-se que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação global. na satisfação material e espiritual da sociedade. de modo integrado e sustentável. o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Educação Ambiental: Conceitos e sua Evolução. que se transformou num momento especial também para a evolução da Educação Ambiental. a Carta de Belgrado. De acordo com Dias (1991). pois há muito já se fazia educação ambiental. sem esquecer da necessidade de realização de atividades práticas e de experiências pessoais. aumentar a produtividade. elaborados pela Comissão Internacional para preparação da Rio-92. entre os incontáveis eventos paralelos. da poluição e da dominação e exploração humana. política. minorar os danos existentes. Além dos debates oficiais. baseado em um complexo e sensível entendimento das relações do homem com o ambiente e a sua volta: • Em 1977. percepções. Passados dez anos da Conferência de Tbilisi.2002. orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente. • Em 1969. definiu a AE como um processo de formação e informação. que é a necessidade de universalização dessa prática educativa por toda a sociedade. Assim. Mellows apresentou a AE como um processo no qual deveria ocorrer um desenvolvimento progressivo de um senso de preocupação com o meio ambiente. a promoção do “esclarecimento e educação do povo brasileiro para o uso adequado dos recursos 27 . não podendo basear-se em pautas rígidas e de aplicação universal. que constitui até hoje o ponto culminante do Programa Internacional de Educação Ambiental. a EA se caracteriza por incorporar a dimensão socioeconômica. A trajetória da presença da educação ambiental na legislação brasileira apresenta uma tendência em comum. orientada para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais e de atividade que levem á participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental: • Em 1992. da fome. Acrescentou-se aos princípios básicos da Carta de Belgrado que a Educação Ambiental deve ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais. especialmente para os educadores. Dessa forma podem-se analisar vários conceitos de EA no decorrer da evolução. a EA deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conforma o ambiente. Vinte anos após Estocolmo. dois. para elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa. ambientalistas e professores. que criou a Secretaria especial de Meio Ambiente explicitando.Sul gerou. região e comunidade. na qual se expressava a necessidade do exercício de uma nova ética global. significa aprender a empregar novas tecnologias.030. Educação Ambiental: Definições Educação Ambiental é a preparação de pessoas para a sua vida enquanto membros da biosfera. a evolução dos conceitos de EA esteve diretamente relacionada á evolução do conceito de meio ambiente e ao modo como este era percebido. Destes eventos. apreciar. nesse encontro. promovido pela UNESCO. O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. de 27. estabelecendo a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). definiu a AE como uma dimensão dada ao conteúdo e á prática da educação. a Internacional Union for the Conservation of Nature (IUCN) definiu a EA como um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos. sob uma perspectiva holística. através de um enfoque interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade. Rússia. de 25. nasceram três documentos que hoje estão entre as principais referências para quem quer praticar Educação Ambiental: Agenda 21. um dos encontros do Fórum Global atraiu cerca de 600 educadores do mundo todo.

naturais. em seu artigo 2º inciso X. nas zonas urbanas e rurais. Importância da Educação Ambiental As estratégias de enfrentamento da problemática ambiental. também evidenciou a capilaridade que se desejava imprimir a essa dimensão pedagógica no Brasil. de 31. tendo em conta também a perspectiva histórica. assim como as medidas políticas. do ponto de vista do local. recuperação e melhoria sócio ambiental. e de potencializar a função da educação para as mudanças culturais e sociais. o interesse ativo a as atitudes. regional. (ProNea) E nesse contexto onde os sistemas sociais atuam na promoção da mudança ambiental. técnico. inciso II. é o primeiro passo para alcançar o pensamento sistêmico. despontam também as atividades no âmbito educativo. a “compreensão ambiental natural e social do sistema político. tendo em vista a conservação do meio ambiente”. em todas as práticas educativas.. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade”. ou seja. social. o sentido dos valores. a educação assume posição de destaque para construir os fundamentos da sociedade sustentável. o direito constitucional de todos os cidadãos brasileiros terem acesso à educação ambiental. no tempo e no espaço. necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente. segundo o qual os currículos do ensino fundamental e médio “devem abranger. para o ensino fundamental. • Proporcionar. • destacar a complexidade dos problemas ambientais (sócioambientais) e. • considerar de maneira explícita. as atitudes.8. da reflexão sobre as relações dos seres entre si. segundo o qual se exige. moral e estético. é no sentido de promover a articulação das ações educativas voltadas às atividades de proteção. a referência é feita no artigo 32. Atribui-se ao Estado o dever de “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e conscientização pública para a conservação do meio ambiente” (art. §1º. acentuando devidamente as atividades práticas e as experiências pessoais. • Induzir novas formas de conduta nos indivíduos. existem poucas menções à questão ambiental. e no artigo 36. da tecnologia. Na Lei de Diretrizes e Bases. econômico. do ser humano com ele mesmo e do ser humano com seus semelhantes é condição imprescindível para que a Educação Ambiental ocorra. (PRONEA) Para VASCONCELLOS (1997). exprimindo. incluindo nesse contexto as ações em educação ambiental. a necessidade de desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas. em conseqüência. • Competência: capacidade de avaliar e agir efetivamente no sistema. a existência da interdependência econômica. nº 9394/96. Educação Ambiental: Princípios Gerais • Sensibilização: processo de alerta. como espaços privilegiados na implementação de atividades que propiciem essa reflexão. para surtirem o efeito desejável na construção de sociedades sustentáveis. • aplicar um enfoque interdisciplinar. inclusive a educação da comunidade. especialmente do Brasil”. Educação Ambiental: Suas Finalidades • Ajudar a fazer e compreender claramente. Dessa forma. os aspectos ambientais nos planos de desenvolvimento e de crescimento. aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina. política e ecológica. que organiza a estruturação dos serviços educacionais e estabelece competências. • Cidadania: participar ativamente e resgatar direitos e promover uma nova ética capaz de conciliar o ambiente e a sociedade. • examinar as principais questões ambientais.. A lei nº 6938. ao mencioná-la como um componente essencial para a qualidade de vida ambiental. apresentando uma dupla função a essa transição societária: propiciar os processos de mudanças culturais em direção a instauração de uma ética ecológica e de mudanças sociais em direção ao empoderamento dos indivíduos. envolvem uma articulação coordenada entre todos os tipos de intervenção ambiental direta. a todas as pessoas. a atitudes positivas e ao comprometimento pessoal com a proteção ambiental implementados de modo 28 . de modo que os educandos se identifiquem com as condições ambientais de outras regiões geográficas. • insistir no valor e na necessidade da cooperação local.) o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. Mas a Constituição Federal de 1988 elevou ainda o status do direito à educação ambiental. nacional e internacional para prevenir e resolver problemas ambientais. pois isso necessita de atividades de sala de aula e atividades de campo. recuperação e melhoria sócia ambiental. jurídicas. • construir um processo contínuo e permanente. a possibilidade de adquirir os conhecimentos. Na legislação educacional. 225. assim. inciso IV). §1º. que institui a política Nacional do Meio Ambiente. a necessidade de promover “educação ambiental a todos os níveis de ensino. • utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para comunicar e adquirir conhecimento sobre o meio ambiente. começando pelo pré-escolar. nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto. A Escola na Educação Ambiental Considerando toda essa importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo. nacional e internacional. Portanto. histórico-cultural. de modo que se adquira uma perspectiva global e equilibrada. • Compreensão: conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem os sistemas naturais. Objetivando capacitá-la para a participação ativa na defesa do meio ambiente”. e continuando através de todas as fases do ensino formal e não-formal. que se insere a Educação Ambiental no planejamento estratégico para o desenvolvimento sustentável. grupos e sociedades que se encontram em condições de vulnerabilidade face aos desafios da contemporaneidade. • concentrar-se nas situações ambientais atuais. • ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais. • Responsabilidade: reconhecimento do ser humano como principal protagonista. político. a respeito do meio ambiente. surgindo. ainda é superficial a menção que se faz à educação ambiental. institucionais e econômicas voltadas à proteção. a presença. com ações orientadas em projetos e em processos de participação que levem à autoconfiança.1981. obrigatoriamente (. Educação Ambiental: Princípios Básicos • considerar o meio ambiente em sua totalidade. sobressaem-se as escolas. sociais. em seus aspectos naturais e criados pelo homem. tecnológicos.

e a outra preocupada com a obtenção de competências sócioprofissionais. senão. Desta feita. portanto. enfim. currículos. mais precisamente. Esse período é marcado pela ênfase na certificação de habilidades. Pensa-se exclusivamente de um ponto de vista acadêmico. para os outros seres vivos e o ambiente. segundo Canário (1997:4): “uma forte valorização dos saberes adquiridos por via experiencial e. É como se na prática. E o organismo precisa estar formado de uma certa maneira. Esse processo de sensibilização da comunidade escolar pode fomentar iniciativas que transcendam o ambiente escolar. A formação inicial estaria. A metodologia teórica e prática dos projetos ocorrerão por intermédio do estudo de temas geradores que englobam aulas críticas. da atribuição de um papel central ao sujeito que aprende (em vez de o atribuir à figura do formador)”. No processo de formação de professor. sobretudo. ou da prática docente? Mantemos o modelo cuja característica marcante é se realizar. colocando em segundo plano qualquer noção de formação continuada destinada a atualizar ou suprir lacunas diagnosticadas na formação inicial dos professores. É fundamental que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos sociais construtivos. se tratasse de duas lógicas incomunicáveis entre si: uma preocupada com a aquisição de determinados saberes escolares. só se torna professor depois de se formar e essa formação depende de determinados requisitos indispensáveis para iniciar-se na profissão. oficinas e saídas a campo. Dentro da escola deveremos encontrar meios efetivos para que cada aluno compreenda os fenômenos naturais. Exatamente nesse ponto emerge a questão de fundo da discussão sobre a formação continuada de professor: de que ponto de vista metodológica deve-se continuar o processo de formação do professor? Por meio da extensão. Esse processo oferece possibilidades para os professores atuarem de maneira a englobar toda a comunidade escolar e do bairro na coleta de dados para resgatar a história da área para. Assim. o indivíduo só pode procriar depois que seu organismo está formado. Não lhe ocorre em nenhum momento nessa fase imaginar a sua formação. ele deixa de concretizar o ato da procriação. Ressaltado que as gerações que forem assim formadas crescerão dentro de um novo modelo de educação criando novas visões do que é o planeta Terra. a relação não é diferente. profissional não pode constituir seu saber-fazer. da reciclagem. como ação planejada de fora para dentro da escola? Ou invertemos a situação e trazemos o modelo de formação dos professores para o interior da escola. Talvez aqui seja interessante distinguir a questão da racionalidade técnica da racionalidade prática. SOUZA (2000) afirma. pois. para a prática docente? A tendência hoje fortemente questionada. onde ele efetivamente realiza o seu desenvolvimento profissional. inclusive. diretamente relacionada. em um ambiente saudável. para simplesmente não cairmos no maniqueísmo disto ou daquilo. Por isso é que o futuro professor se concentra nessa fase com as demandas próprias da sua condição de estudante. Por estas relações pode-se perceber que entre os referidos processos existe o mesmo tipo de tensão que encontramos entre o crescimento e a procriação do ser vivo. a partir da coleta de dados. conjugada com a obsolescência desses conhecimento os sirvam de justificativa para processos formativos estruturados pela noção de “reciclagem”. quase sempre. mínimas e indispensáveis. A escola dentro da Educação Ambiental deve sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente e as demais espécies que habitam o planeta. à elaboração de pequenos projetos de intervenção. evitando o desperdício e considerando a reciclagem como processo vital. no cotidiano da vida escolar. de áreas. senão a partir de seu próprio 29 . 1992). segundo a qual as insuficiências da formação inicial. Essa idéia fica ainda mais assumida em Pimenta quando afirma: “O. da racionalidade prática sobre a racionalidade técnica. Em seu lugar têm-se proposto. de acordo com as regras existentes. auxiliando-o a analisar criticamente os princípios que tem levado à destruição inconseqüente dos recursos naturais e de várias espécies. O aluno trabalha nela como se ela fosse sinônima da sua habilitação. disciplinas. exclusivamente obtidas mediante o exercício prático da profissão. pode-se dizer que o primeiro problema complexo da formação dos professores diz espeito ao caráter lógico-dissociativo entre o ambiente escolar onde o aluno se habilita para a profissão e a escola em que ele trabalha como professor. Tendo a clareza que a natureza não é fonte inesgotável de recursos. significa antes de qualquer coisa falarmos do caráter lógico-associativo que essa prática precisa assumir frente aos problemas da teoria e da prática envolvidas no processo de formação do professor. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática. só possíveis de serem adquiridos por via escolar. contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis. Assim. ou vice-versa. colaborando para a construção de uma sociedade socialmente justa. para sua própria espécie. a tendência atual consiste em focalizar a atenção no potencial formador e transformador dos saberes adquiridos na experiência do cotidiano da prática docente. também como um produto do seu desenvolvimento profissional. professores e funcionários. palestras. com a aquisição de determinadas habilidades. Assim sendo. ou seja. as ações humanas e sua conseqüência para consigo. principalmente o ambiente da escola. falarmos de formação do professor no seu sentido continuado quer seja ela em serviço ou não. da atualização dos conhecimentos obtidos na formação inicial. Da prioridade da racionalidade técnica sobre a racionalidade prática. que o estreitamento das relações intra e extra-escolar é bastante útil na conservação do ambiente. segundo Canário (1997) é colocar em questão qualquer solução baseada na perspectiva cumulativa da aquisição de conhecimentos. atingindo tanto o bairro no qual a escola está inserida como comunidades mais afastadas nas quais residam alunos. a formação de um profissional não é um processo indefinido – o limite é dado no momento em que recebe um certificado de habilitação para o exercício da profissão docente. Assim sendo a escola é o espaço social e o local onde o aluno será sensibilizado para as ações ambientais e fora do âmbito escolar ele será capaz de dar seqüência ao seu processo de socialização.interdisciplinar (DIAS. suas reservas são finitas e devem ser utilizadas de maneira racional. conhecer seu meio e levantar os problemas ambientais e. etc. FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES (Fernando Casadei Salles) É preciso esclarecer a verdadeira natureza das relações entre os processos de formação inicial e continuada.

ao representar a instituição escolar. MEMBRO DO CORPO DOCENTE. escola não é clínica. via de regra. é como se fosse possível substituirmos simplesmente uma forma de racionalidade por outra. não significa tomá-la.fazer. basicamente. amplificando. Portanto. Portanto. Não é por que as nossas convicções teóricas de análise discordam dos modelos de racionalidade técnica empregados. Em outras palavras. a priori. começou aligeirada e precariamente. são vistas e comparadas com as de formação realizadas em serviço. bem como noções básicas de psicologia para manter a autoridade de coordenador. não há também porque negarmos a formação desses profissionais em outros contextos. COORDENADOR DO GRUPO DE ALUNOS. A maior força do professor. como toda a certeza. Não é senão sobre essa base que o saber. Se assim fosse. como fazem os estudantes. Partem de pressupostos teóricos e metodológicos distintos. Por isso é importante que os professores adotem um padrão básico de atitudes perante as indisciplinas Mais 30 . Os professores devem ajudar. evidentemente. PROFESSOR PROPRIAMENTE DITO. EMPREGADO DE UMA INSTITUIÇÃO. Elegermos a escola ou o fazer-docente como o campo por excelência da formação dos professores.se mutuamente. Isso se aprende no círculo profissional. Apesar de concordar com a idéia da prática como critério da verdade proposta por Garrido. Seria falta de lealdade ficar sabotando os colegas perante os alunos. Se muitos alunos queixam. sobretudo despolitizar o tema da formação dos professores. além das características do ambiente. mas não são irreconciliáveis. jogando um professor contra outro. negar que os professores se formam além das suas experiências empírico-profissionais significa desculturar e. principalmente. é preciso. destacar o limite dessa afirmação no sentido de que a prática se mantenha apenas como critério e não se confunda com a própria verdade. O que implica uma estratégia de política de formação continuada fortemente voltada para a superação dessa deficiência. na função de coordenador de alunos. LIMITES E DISCIPLINA NA ESCOLA (IÇAMI TIBA) O desafio dos professores A disciplina escolar é um conjunto de regras que devem ser obedecidas tanto pelos professores quanto pelos alunos para que o aprendizado escolar tenha êxito. Senão. sobretudo perante as indisciplinas dos alunos. Esta função não é habitualmente ensinada no currículo. Os alunos correm o risco de ser manipulados pelo professor em virtude da própria posição de poder que ele exerce na c lasse. na disciplina é preciso levar em consideração as características de cada um dos envolvidos no c aso: professor e aluno. haverá. é uma qualidade de relacionamento humano entre o corpo docente e os alunos em uma sala de aula e. Como todo empregado. Um professor pode ouvir a reclamação de um aluno sobre outro professor e fazer com que chegue ao envolvido para que este possa tomar alguma providência no sentido de responder adequadamente à reclamação. de tempos em tempos. inspiradas nos modelos da racionalidade prática. além. quatro funções: 1. a formação inicial do professor. extensão e atualização permanente dessa formação. ou discordam do sentido burocrático dado ao processo de certificação das habilidades escolares obtidas na formação inicial. da universidade. Portanto. ou mesmo aprimorando. no entanto. descartáveis ou sem função. É necessário compreendermos o caráter complementar de cada momento do processo de formação dos professores para que o campo da prática não acabe se tornando o único domínio da formação dos professores. quanto à constante introdução de novos saberes escolares. é sinal de que algo está errado. o professor também pode estar errado. a racionalidade técnica pela racionalidade prática. é necessário saber o que se ensina. o diagnóstico quase unânime em relação à precariedade da formação inicial dos professores do país. elas não podem ser consideradas. Numa escola em que cada professor atua como bem entende. Sala de aula não é consultório. que vamos desmerecer a necessidade para o desenvolvimento profissional docente de uma sólida formação inicial e na continuidade de uma renovação.se de um único professor. Saber como ensinar: o professor precisa conseguir transmitir o que sabe. Só para destacarmos o que talvez se possa considerar como dos mais importantes espaços de formação docente. inspiradas nos modelos da racionalidade técnica. Senão é como se estivéssemos tentando continuar uma coisa que nem bem começou. Independentemente da maneira como as estratégias de formação continuada. lembramos que os professores se formam também nas lutas democráticas e sindicais. Pode ser um comunicador nato ou vir a desenvolver essa qualidade por meio da própria experiência. o professor tem que identificar as dificuldades existentes na c lasse para poder dar um bom andamento à aula. no contexto de suas experiências empírico-profissionais. Não podem (nem devem!) ser descarregadas nos alunos. Como em qualquer relacionamento humano. é preciso que sejam consideradas distintas. na formação de professores. possibilitam aos professores manterem-se atualizados diante das diferentes condições de trabalho permanentemente colocadas nas suas práticas docentes. que não têm a ver com o problema. 4. 2. excedem a experiência profissional restrita ao ambiente escolar. como se pode perceber. Ao nosso ver. pois exige um conhecimento mínimo de dinâmica de grupo. 3. Assim como não há por que rejeitarmos o princípio de que os professores se formam. ou que se começou. Para poder ensinar. conseqüentemente. por excelência. especialmente. enquanto elaboração teórica se constitui” (1999:26). o professor tem direitos e obrigações. está em seu desempenho na sala de aula. não venhamos excluir ou reduzir indevidamente o espaço de outras instâncias da formação dos professores. O fato de ser professor não é garantia de estar sempre certo. como o espaço exclusivo da “verdadeira” (e por que não única?) educação continuada. na vida familiar. na escola. tendo em vista. não faria sentido as críticas de aligeiramento da formação inicial que caracterizam a atual política de formação de professores e tampouco as reivindicações de políticas que. ele não deve simplesmente fazer o que bem entender. discórdias dentro do corpo docente e os alunos saberão aproveitar-se dessas desavenças. no entanto. A única forma de solucionar um problema é identificar o erro. Como todo o ser humano. nos momentos de lazer e de fruição estética e em tantos outros que. Eventuais insatisfações ou desavenças empregatícias devem ser resolvidas por meio dos canais competentes. ao privilegiarmos a prática docente como o lócus preferencial de formação da identidade profissional do professor. O professor e essencial para a socialização comunitária e tem. suas experiências intra-escolares.

. coleções etc. quanto mais estudar. com a obrigatoriedade do ensino profissionalizante. mas há que se ter um tratamento específico sobre sua estreita relação com a própria Pedagogia e sua aplicação no campo educacional. depende do domínio de enfoques teóricos. Afirmaram também que “os CEFET’s exerceriam uma liderança natural do ensino de tecnologia. pessoas que dominassem o trabalho manual. de 30. O ensino fundamental e médio tende a ser aprovativo. que pode fazer “cair na prova” o que o vestibulando mais estudou e “não cair” justamente o que estudou.comuns.1978. A Educação Tecnológica pode ser focalizada de vários pontos de vista: do mundo da educação. a propósito. Uma escola em crise. e os piores. tem início uma educação técnica paralela ao sistema regular de ensino. empreendedoras e. conceitos e categorias particulares de diferentes campos científicos. alagadas ou sem condições de acomodar todos os estudantes são locais pouco prováveis de conseguir uma boa disciplina. Classes muito barulhentas.. em aspectos econômicos. mais se quer aprender. da necessidade de novas metodologias.. quanto mais se sabe. bem como brigas entre classe e professor. sugiro a leitura do meu livro Ensinar Aprendendo. criando os Centros Federais de Educação Tecnológica. O ambiente também interfere na disciplina. Sem entrar no mérito da discussão. em 1909. Trata... Seus idealizadores ressaltaram no Relatório do Grupo de Trabalho. foi assinada a lei 6545. esta determinação legal trouxe à tona o velho debate sobre educação geral x formação profissional. menos ele dependerá da sorte. esportes. há que se ter uma visão um pouco mais objetiva do que entendemos atualmente por educação Tecnológica. em que instituições como o SENAI começaram a preparar mãode-obra qualificada para o mercado de trabalho. portanto. Estudar para quê? Para passar de ano? Para ganhar presente? Para ter sabedoria? Pra os pais não “pegarem no pé”? Entretanto. numa interação dialética. Esse uniforme protege a individualidade do professor. Sobre esse tema. Este campo. Quando um aluno ultrapassa os limites. com o objetivo de formar artífices. afinal. Posteriormente. quanto menos se sabe. políticos ou sociais. e aulas ministradas durante grandes eventos populares são situações que dificultam o aprendizado. com o surgimento da industrialização. muitas vezes. que tem suporte nos dois eixos básicos de sua concepção. bem diferente de atingir uma média 5 para não repetir de ano. quando estão interessados em algum assunto em particular (computação. O aluno também é peça-chave para disciplina escolar e o sucesso do aprendizado. escuras. De um modo geral. Ela vai além dos conhecimentos das técnicas ou de um ensino técnico para comprometer-se com uma visão de mundo que contempla os valores que o fundamentam e determinam. descartáveis após a prova. hoje retornando ao cenário pelas mãos do ensino técnico x ensino médio. Já o vestibular para a faculdade é um sistema competitivo e depende da sabedoria. volta-se à questão do ensino técnico.6. A expressão Tecnológica não possui um consenso no seu significado. ou seja. encaminhando aos órgãos superiores. o que estimula (no passado mais ainda) o estudo suficiente apenas para passar de ano. com o avanço do desenvolvimento tecnológico. Em 1978. para aqueles que irão lidar com a realidade de uma sociedade tecnologizada. a motivação para estudar é acumular saber. a condição ambiental mais prejudicial é o estado psicológico do grupo. Portanto. sendo o seu modelo paradigma para o ensino nesta área. mais se pensa que não é preciso saber mais. apesar das duas expressões terem significados complementares. Os melhores alunos são os que acabam aprendendo mais. Na medida em que a Educação tecnológica ampliou o seu núcleo de atividades de comportando diferentes formas de atuação e concepção. Ela teve início pelo então ensino técnico que criou as suas primeiras escolas técnicas propriamente ditas. isto é. Os estudos que vem sendo desenvolvidos têm se pautado por áreas mais ou menos específicos num enfoque teórico que se respalda. do mundo do trabalho. com conhecimentos. A Educação Tecnológica vai aos poucos solidificando sua estrutura cuja base se encontra no ensino técnico”. o fator sorte é mais decisivo quanto menor for o conhecimento. também. como. aos conceitos específicos de sua expressão. mas na sua interação e integração diz 31 . Em termos de ignorância.. elas não são idênticas e que esse último tipo de produção seria possivelmente a educação que deveríamos dar a todos os jovens para os adequar a vida contemporânea (1996:1).se de um fator imponderável.). mas as normas da escola. quando a ela se refere mais precisamente ao tipo de educação para os que irão aprender a fazer tecnologia. Na década de 60. menos. disciplinadas. em outras décadas. que as novas autarquias educacionais seriam instituições de ensino técnico com a finalidade de ministrar cursos da área de tecnologia e de formação de professores. pode referir-se aos mecanismos e processos advindos do desenvolvimento científico tecnológico. geralmente. Conceitos de Educação Tecnológica O conceito de Educação tecnológica prende-se. a maior dificuldade que encontra para estudar é a falta de motivação. que esteja passando por greves e os conseqüentes conflitos entre grevistas e fura-greves. Rodrigues mostra que. música. da produção de conhecimentos. No vestibular. como se todos vestissem o mesmo uniforme comportamental. EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA (MIRIAN PAURA SABROSA ZIPPIN GRINSPUN e José Roberto Mendes) A educação tecnológica é muito antiga na realidade brasileira. salas muito quentes. não está simplesmente desrespeitando um professor em particular. Em termos de sabedoria. A necessidade de busca de um domínio mais pedagógico é um fato marcante no campo da Educação Tecnológica. são as pessoas mais animadas. por certo. nas quais ninguém ouve ninguém. No entanto. que no tocante aos aspectos pedagógicos teve seu ápice na lei 5692/71. incorpora também as dimensões correlatas da questão do trabalho e. quanto mais conhecimento tiver. A Educação Tecnológica. uma vez que pode se direcionar mais para os aspectos inerentes à educação e ao ensino técnico. portanto. Atualmente. A autora faz uma diferença entre as expressões educação tecnológica e educação para a tecnologia. A primeira voltada para os que irão aprender a fazer tecnologia e a segunda. das práticas sociais em que esse trabalho vai ocorrer. mais preparado estará. ou da filosofia da tecnologia. evidentemente.

ou do saber-fazer para uma grande categoria do saber-ser. disfunções no processamento de informações por ruptura dos processos psicológicos superiores. em que a técnica é fator determinante” (BAPTISTA. da capacitação de mão-de-obra. • A fundamentação básica da Educação Tecnológica resume-se no saber-fazer. não determinantes dos resultados econômicos e sociais. desorientação espacial. talvez.) a educação tecnológica assume um papel que ultrapassa as fronteiras legais das normas e procedimentos a que está sujeita. oriundos. determinismo ou conformismo a um status quo social. especialistas e pais. hiperatividade. mas iniciam-se na busca da construção de conhecimentos que possibilitem transformar e superar o conhecido e ensinado. ditado. repercussão multidisfuncional 32 . por sua vez. elaboração e de expressão. problemas de recepção. precisamos estar atentos e acreditar numa educação crítica que dê lugar tanto aos fundamentos básicos teóricos quanto à prática social que ela caracteriza. de que algumas crianças possuíam problemas de aprendizagem que não se enquadravam nas categorias existentes. mas sim em fazer despertar nesse indivíduo o valor da tecnologia. • A Educação Tecnológica procura identificar. não se iniciam com um trabalho.) baixo aproveitamento escolar em leitura. com novos impactos tecnológicos. observou-se. um conhecimento e um envolvimento com saberes que não acabam na escola. a Educação Tecnológica está baseada na concepção de uma educação transformada.) conjunto de situações de ensino-aprendizagem que visam facilitar nos educandos a análise de conjunturas. PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM (Sahda Marta Ide e Edinalva Sidronêz de Mendonça. 1994). que vai além de uma proposta de ensino na escola. como vertente do sistema educativo indo até outros campos legais que cobrem setores da produção. mas como uma busca da compreensão dos novos papéis e funções que o homem tem na sociedade. O importante na Educação Tecnológica é o trabalho de formação da cidadania. prevalência e aos tipos de intervenção apropriados. Bastos (1998) diz que ela não admite aceitar a técnica como autônoma por si só e. das relações de trabalho e outros exigidos pelos avanços tecnológicos... não havia. promove o despertar para a interpretação do contexto atual à luz de seus condicionamentos e fundamentos.. para descrever uma série de incapacidades relacionadas com o insucesso escolar. • A Educação Tecnológica busca integrar ensino e pesquisa. • A Educação Tecnológica pretende levantar questões relativas aos valores pertinentes ao momento atual. mas. década de 60. envolvendo tanto a invenção como a inovação tecnológica. perpetuação dos distúrbios de aprendizagem ao longo da vida... consequentemente. Educação é esse misto de responsabilidade e de muita esperança na possibilidade de transformação da sociedade. por certo. sim. saber-pensar e criar. A Educação Tecnológica segue o caminho das inovações não como descobertas em si. tais como: (. dificuldades interacionais. consenso quanto à sua conceituação. A expressão “dificuldades de aprendizagem” começou a ser usada mais frequentemente no século passado. problemas conceituais. • A Educação Tecnológica não é tecnicismo. sua utilização e a capacidade e possibilidade que ele possui de poder transformar e criar novas tecnologias. assim como às questões mais contextuais da tecnologia. e sim um posicionamento. propiciando os requisitos básicos pra viver numa sociedade em transformação. estruturas e contingentes. fazendo com que se entendam as questões vivenciadas pelos educandos. área das mais difíceis de se conceituar.. cálculo – no ensino fundamental e em disciplinas nucleares do ensino médio – etiologia disfuncional do sistema nervoso central. comportamentos comuns aos alunos com esse problema. a partir do trabalho. em todas. sociais e econômicos que tem a ver com desenvolvimento” (BRASIL. tendo a complexidade do meio (tanto em termos científicos como sociais) e a prospecção do futuro como faróis de seu projeto pedagógico. modelos e definições para esclarecer esse problema. impulsividade. que não se esgotam na transmissão de conhecimentos. Não há uma preocupação específica em ensinar uma tarefa/ofício a um educando. a alguns conceitos de educação tecnológica: “A Educação Tecnológica é a vertente da educação voltada para a formação de profissionais em todos os níveis de ensino e para todos os setores da economia. ressaltando a rede de conhecimentos advindos das teorias existentes e da necessidade de rever a prática pelos sinais indicados pela teoria. Há muitas teorias. • A Educação Tecnológica exige uma interação da teoria com a prática. 1996).respeito ou à formação do indivíduo para viver na era tecnológica. ou à aquisição de conhecimentos necessários à formação profissional (tanto uma formação geral como específica). Em suma. Características da Educação Tecnológica • A Educação Tecnológica não impõe o ensino das novas tecnologias. Na Educação Especial. acarretando problemas de linguagem. “O conceito de Educação Tecnológica implica a formação de profissionais habilitados a transmitir conhecimentos tecnológicos sem perder de vista a finalidade última da tecnologia que é a de melhorar a qualidade de vida do homem e da sociedade” (PEREIRA. integração. nos dias atuais. etiologia. sobressaindo a dimensão ética num mundo crivado de tecnologia em todos os setores sociais. integra necessariamente as diferentes categorias do saber. o que. Passemos. Para que alcancemos estas etapas. de uma forma mais crítica e mais humana. envolvendo processos de raciocínio. Examinando-se inúmeras definições de dificuldades de aprendizagem. MEC/SEMTEC. Em outras palavras. “(. porém. da Ciência e da Tecnologia. desmotivação. então. Seu aparecimento exprimiu a convicção de educadores. a Educação Tecnológica caracteriza-se por um dinamismo constante. as novas exigências impostas pelas relações sociais e a maneira pela qual poderemos superar as dificuldades existentes no mercado de trabalho. com adaptações). com novos instrumentos nas produções e relações sociais. mas são permanentemente solicitados a pensar-refletir-agir num mundo marcado por progressivas transformações. de pensamentos hipotéticos. aptos ao ingresso imediato no mercado de trabalho (. as dificuldades de aprendizagem constituem. do fazer. pois aprofunda-se com o projeto político-pedagógico dessa instituição. 1993). das novas relações sociais.

separada ou concomitantemente. audiológicos. como cidadãos de segunda classe. 4. a maioria dos educadores ainda situam no aprendente a única responsabilidade das dificuldades de aprendizagem que manifesta. para que não se caia na armadilha de considerar todo problema escolar como dificuldade de aprendizagem. Fatores Psicógenos: relacionados com a dimensão que considera a aprendizagem como função do eu e que pode explicar a diminuição das funções implícitas no aprender ou a transformação dessas funções. e mais desejada pelos pais. sob a influência do modelo médico de conceituação das deficiências e incapacidades. etc. as pessoas com dificuldades de aprendizagem ou com outras limitações são representadas no imaginário social com marcas. por algum motivo. ele deve ter limitações decorrentes de alguns problemas pessoais. Estudos e pesquisas evidenciam que. referem-se às possibilidades reais que o ambiente oferece ao indivíduo em termos da quantidade e da qualidade. neurológicos. de privação social. Estas dificuldades podem manifestar-se por desordens na recepção da linguagem. pedagógicos. na fala. p. na idéia de dificuldade de aprendizagem como característica definitiva que os colocará. Ultimamente e pela crescente importância que tem sido dada ao modelo social de conceituar as deficiências e as incapacidades. perturbação emocional severa ou perda sensorial. disfunção cerebral mínima. subjetivos articulados com fatores contextuais e objetivos. num ou mais processos da linguagem falada. dando-se. devido ao seu caráter abrangente. gerando inibições na aprendizagem ou sintomas de dificuldades. A dificuldade para aprender é um sintoma com uma função tão integrativa como a do aprender e que pode ser determinada por: 1.dos distúrbios de aprendizagem. além dos sócioeconômicos. Criam-se os preconceitos e os estereótipos que desencadeiam discriminações. culturais e pedagógicos que envolvem o aprendiz e que são externos aos sujeitos. audiológicos. Dislexia: refere-se à falha no processamento da habilidade da leitura e da escrita durante o 33 . da ortografia ou da aritmética. (FONSECA. afasia de desenvolvimento. a partir de aspectos individuais. isto é. facilitando ou não sua aprendizagem. fonoaudiológicos e biológicos do aprendiz. neurológicos. ou na organização espacial e temporal. culturais e linguísticos. Elas não incluem problemas de aprendizagem. da escrita. etc. Tais dificuldades incluem condições que têm sido referidas como deficiência perpétua. pois passou-se a considerar a criança com dificuldade de aprendizagem como possuidora de um potencial intelectual acima da sua realização escolar. com ênfase para o corpo que precisa ter integridade anatômica com bom funcionamento dos órgãos dos sentidos. principalmente de deficiência visual. 1987. que se localizam as verdadeiras causas do fracasso. A expressão “dificuldade de aprendizagem”. que a vêem como uma forma mais branda de denominação para os problemas de seus filhos.34). A dificuldade de aprendizagem seria a manifestação de uma discrepância educacional significativa entre o potencial intelectual estimado da criança e o seu nível atual de realização. Enfim. quando se tornarem adultos. Tal entendimento constituiu um marco histórico. um número muito grande de comportamentos e problemas atribuídos a crianças que. na leitura. Fatores Orgânicos: relacionados com a dimensão biológica. 2. Do elenco de fatores citados por Pamplona. não são passíveis de constatação orgânica. porque não consideram a influência dos fatores externos como os pedagógicos. poderiam estar comprometidos os aspectos psicológicos. o foco tem se deslocado da subjetividade para a objetividade. oftalmológicos. porque retira o estigma associado a “atraso”. Fatores que Intervêm na Aprendizagem Pamplona considera que os fatores que podem levar ao fracasso escolar (ou sucesso) escolar podem ser divididos em: psicológicos. culturais. de perturbação emocional ou de desvantagem ambiental. Entretanto. por privação cultural e/ou educacional. 1968. resultantes de uma possível disfunção cerebral e/ou de distúrbios de comportamento que não dependem de deficiência mental. coexistência de outros problemas emergentes dessas condições de dificuldades.225-226). fonoaudiológicos. alicerçadas em juízos de valor. desse modo. motora. Somente em 1962 é que “dificuldade de aprendizagem” foi utilizada por Samuel Kirk em seu livro Educating Exceptional Child e entendida como um atraso. é mais aceita. seja uma lesão. “lesão cerebral” ou “disfunção cerebral mínima”. dislexia. que exige diagnóstico clínico. hoje. no pensamento. sob a ótica do subjetivismo e na unidirecionalidade de uma análise que considera o aprendiz como um ser a-histórico. na atribuição de significados. 3. conferindo-se maior importância aos fatores decorrentes de fatores sócioeconômicos. auditiva. p. Se o aluno não aprende. tomando-se a parte pelo todo. Valoriza-se a dificuldade e perde-se a pessoa em sua dimensão de integralidade. na soletração ou na aritmética. relevância ao componente educacional em detrimento do clínico. frequência e abundância de estímulos. uma nova definição para o problema: Uma criança com dificuldade de aprendizagem possui uma deficiência em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou uso da linguagem falada ou escrita. Apesar das críticas que se fazem às teorias que ressaltam os fatores individuais. linguísticos e biológicos. do sistema nervoso central e das glândulas. resultantes. incluem transtornos na adequação perceptivo-motora. mas podem manifestar-se na área da leitura. uma desordem ou imaturidade. De modo geral. que estaria relacionada com as desordens básicas dos processos de aprendizagem que podem ser ou não acompanhadas por disfunção do sistema nervoso central e que não são causadas por deficiência mental. alertando que possibilitam uma visão ampla e total do ser humano. cultural ou de um conjunto de fatores pedagógicos. oftalmológicos. Principais Dificuldades de Aprendizagem: 1. na escrita. respectivamente. urge que se tomem os necessários cuidados. (KIRK. seja uma disfunção que o incapacita ou outro problema. Fatores Ambientais: relacionados à dimensão social. numa perspectiva educacional. As baixas expectativas em relação às potencialidades desses sujeitos também refletem o imaginário coletivo inspirado. Esse autor elaborou para a National Advisory Commitee on Handicapped Children. não aprendem de acordo com o seu potencial. econômicos. de deficiência mental. erradamente. subjetivos. da leitura. Fatores Específicos: mais relacionados à dimensão cognitiva. no terreno individual. lesão cerebral. prevalece a crença de que é.

um dos seus méritos está. São de três tipos: visual. o cristianismo primitivo. aos passos que deverão ser dados para se atingir um lugar ou um fim. a orientação do conceito de autonomia à condição humana pode ser buscada em outro nicho antigo.de interdependência e de transdisciplinaridade -. e mista. De fato. por conseguinte. e νoμοζ = leis remetendo. marcada por um genuíno bombardeio de imagens. Caracteriza-se pelo lento traçado das letras. a formação do cidadão para a vida na pólis) de homens e mulheres capazes de viver adequadamente em sociedade. que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. os humanos têm o livre-arbítrio para receber e aderir. O grande desafio deste início de século está na perspectiva de se desenvolver a autonomia individual em íntima coalizão com o coletivo. Disortografia: Caracteriza-se pela incapacidade de transcrever corretamente a linguagem oral. Mas por que tem se tornado imperioso rediscutir os processos de ensino-aprendizagem necessários à formação? A resposta a tal indagação passa pelo reconhecimento das profundas modificações que transparecem no mundo contemporâneo. através e hodós = caminho -. à imagem e semelhança do Pai.a inequívoca influência dos meios de comunicação na construção/formatação do homem/profissional nesses primórdios do século XXI. . Se a autonomia pode ser buscada. As trocas ortográficas são normais durante a primeira e segunda séries do ensino fundamental. 2. que em geral são ilegíveis. As discussões sobre método na cultura ocidental são bastante antigas. a reforma protestante. originariamente.período clássico . ressurgindo no âmago da filosofia helênica . capaz de conhecer o mundo (sujeito epistêmico) e de agir autonomamente no âmbito da ética (sujeito moral). Sem embargo. com a conseqüente expansão da consciência individual e coletiva. inquietude e impulsividade. de causas genéticas. que admitam uma prática pedagógica ética. ou seja. ou não. temporal e préfrontal. na crescente tendência à busca de métodos inovadores. Essa dificuldade não implica a diminuição da qualidade do traçado das letras. especialmente. O ensinar exige respeito à autonomia e à dignidade de cada sujeito. um necessário produto da modernidade burguesa e protestante. o que pressupõe a assunção de determinados papéis.do grego meta = atrás. a inserção no mundo e a própria práxis. as quais embotam as possibilidades de reflexão sobre a vida. tendo sido empregado no seio da democracia grega para indicar as formas de governo autárquicas . Foram as coordenadas espaço-temporais propícias o humanismo renascentista. occipital.a perspectiva vigente. ou seja. Fundamentos Teóricos das Metodologias Ativas As metodologias ativas estão alicerçadas em um princípio teórico significativo: a autonomia. porque a relação entre a palavra impressa e os sons ainda não está totalmente dominada.desenvolvimento. É a dificuldade em passar para a escrita o estímulo visual da palavra impressa. ela não consegue idealizar no plano motor o que captou no plano visual. especialmente no âmago de uma abordagem progressiva. A educação deve ser capaz de desencadear uma visão do todo . em igual medida.caracterizando um verdadeiro ato de resistência. nos quais vêm sendo amplamente debatidas as melhores veredas para a formação (e. tornando ainda mais provisórias as verdades construídas no saber-fazer científico. cabendo citar: . aos ensinamentos do Cristo. além de possibilitar a construção de redes de mudanças sociais. 3. a revolução científica e a redescoberta do ceticismo antigo . crítica. Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): é um transtorno neurobiológico. será com o advento da modernidade que o indivíduo. nos últimos anos. erigindo os valores que nortearão o julgamento e a práxis em sua vida social. A educação contemporânea deve pressupor um discente capaz de autogerenciar ou autogovernar seu processo de formação. mediada pelo lóbulo occipital. reflexiva e transformadora. de αuτοζ = próprio. a πoλιζ (pólis = cidade-estado). havendo trocas ortográficas e confusão de letras. sob um ponto de vista histórico-conceitual. na medida em que estes. algo explícito na invocação de Paulo Freire. à idéia de autogoverno. A acepção originária de método diz respeito ao caminho a ser seguido . o que torna imperiosa a adoção de uma postura crítica sobre a inscrição do sujeito no mundo aqui incluído o trabalho . para efetivamente alcançar a formação do homem como um ser histórico. justamente. METODOLOGIA ATIVA (Mitre et all). as sociedades de controle. os aspectos relacionados ao trabalho. Disgrafia. Portanto. . ao plano e à obra de Deus. inscrito na dialética da ação-reflexão-ação.αuτονομια. 4. Já nas primeiras comunidades cristãs. se constituirá como eu pessoal. . entre as tradições helênica e cristã22. quase marca desse tempo. e tampouco de qualquer comprometimento intelectual ou neurológico.a configuração de uma nova modalidade de organização do espaço-tempo social. Discalculia: falha na aquisição da capacidade e na habilidade de com conceitos e símbolos matemáticos. É a dificuldade em aprender aritmética pode ter várias causas: pedagógicas. alicerce para uma educação que leva em consideração o indivíduo como um ser que 34 . mediada pelo lóbulo temporal.a velocidade das transformações nas sociedades laicas e plurais contemporâneas. com destaque para a atuação profissional. No entanto. Recorrer ao sentido etimológico de método tornase bastante pertinente ao se considerar a educação como esse fim. por terem sido criados como almas individuais. indiviso. em seguida. em um contexto em que a produção de conhecimento é extremamente veloz. de colocar em xeque os valores até então considerados intocáveis. o termo autonomia é oriundo do grego . Ele se caracteriza por sintomas de desatenção. A criança disgráfica não é portadora de defeito visual nem motor. vale a pena recuperar o ideal grego de paidéia. Essas desordens têm sido consideradas como formas de discalculia (Cohn).na reflexão de filósofos como Platão e Aristóteles. Ademais. referindo-se. capacidade intelectual limitada e disfunções do sistema nervoso central. aqui. é um atraso no desenvolvimento ou a diminuição em traduzir sons (fonemas) em símbolos gráficos e compreender qualquer material escrito. pertencem. ultrapassando os limites do treinamento puramente técnico.que permitiram a construção do indivíduo moderno. 5. com mediação das áreas frontal. fonológica.isto é. celebrava-se a igualdade entre os homens.

ética e sensibilidade na assistência são características fundamentais a serem desenvolvidas em seu perfil. a ação de problematizar enfatiza a práxis. o exercício da curiosidade. Nessa perspectiva. ou seja. da emoção e da responsabilização. A avaliação precisa ser. atuar e reconhecê-lo. conhecer é transformar. A questão que se impõe. exercitando a práxis para formar a consciência da práxis. Após observar a situação. um processo reconstrutivo. Para o primeiro. para transformá-las. O docente nessa perspectiva. complexamente. Esse respeito só emerge no âmago de uma relação dialética na qual os atores envolvidos . na qual o sujeito busca soluções para a realidade em que vive e o torna capaz de transformá-las pela sua própria ação. De acordo com Berbel. com o objetivo de alcançar e motivar o discente. Como facilitador do processo ensino-aprendizagem. sínteses anteriores e outros -. a noção do problema se apresenta como em Dewey. ampara e protege -. As metodologias ativas utilizam a problematização como estratégia de ensino-aprendizagem.docente e discente . ao se propor um processo ensino-aprendizagem que pressuponha o respeito à bagagem cultural do discente. curiosidade científica. integrá-las à reflexão. Iniciativa criadora. na problematização. O estudante precisa assumir um papel cada vez mais ativo. por parte do binômio docente/discente. que permita o estabelecimento de diferentes tipos de relações entre fatos e objetos. Nesse sentido. irá refletir sobre a situação global de uma realidade concreta. Ao perceber que a nova aprendizagem é um instrumento necessário e significativo para ampliar suas possibilidades e caminhos. que impõe requisitos de radicalidade. não se reduzem à condição de objeto um do outro. O processo de continuidade é aquele no qual o estudante é capaz de relacionar o conteúdo apreendido aos conhecimentos prévios. capacidade para auto-avaliação. 35 . deve se perguntar: (1) como. por que e quando se aprende. porém a busca da resposta é identificada com a reflexão filosófica. ele se detém. senso de responsabilidade. Problematizar. não é apenas apresentar questões. sobretudo. expressão e apreensão do conhecimento. processual e formativa para a inclusão.aproximação metódica . com propósitos definidos. o sujeito percorre algumas etapas e. uma vez mais. e seus sujeitos. necessita desenvolver novas habilidades. Zanotto discute a problematização em Dewey. ou seja. E. na medida em que as duas se explicam. nesse processo. os quais deverão ser trabalhados pela análise crítica. apesar das diferenças. com a finalidade de solucionar os impasses e promover o seu próprio desenvolvimento. A disposição para respeitar. O ato de aprender deve ser. instaura-se a partir do surgimento de novos desafios. rigor e globalidade relacionados dialeticamente. mas. os limites de seu conhecimento. Ademais. devendo o resultado do trabalho ser concreto e comprovado por meio de sua aplicação prática. torna-se mais duradoura e sólida. descondicionando-se da atitude de mero receptor de conteúdos. espírito crítico-reflexivo. o conteúdo novo deve apoiar-se em estruturas cognitivas já existentes. a postura própria do discente que permite estabelecer associações entre os elementos novos e aqueles já presentes na sua estrutura cognitiva. questionar. Isto só se torna possível na medida em que o docente tenha como características principais a humildade reconhecendo sua finitude. desencadeando ressignificações/reconstruções e contribuindo para a sua utilização em diferentes situações35. As Metodologias Ativas: Revendo Estratégias E Papéis A atividade desenvolvida com o propósito de ensinar deve ser apreciada por todos aqueles que dela participam. e (3) quais as suas conseqüências sobre a vida. Já em Freire. o ganho substantivo advindo da sua interação com o estudante e a importância de sua avaliação pelo aprendiz. qualquer estratégia de inovação deve levar em conta suas práticas de avaliação. a produção de novos saberes exige a convicção de que a mudança é possível. esse poderá exercitar a liberdade e a autonomia na realização de escolhas e na tomada de decisões. Ter sempre diante dos olhos . conhecer. cooperação para o trabalho em equipe. que precisa ter uma situação autêntica de experiência. portanto. existem duas condições para a construção da aprendizagem significativa: a existência de um conteúdo potencialmente significativo e a adoção de uma atitude favorável para a aprendizagem.o respeito à autonomia parece ser o melhor modo para a compreensão. ato contínuo. ao mesmo tempo em que se transforma. principalmente. De acordo com Coll. escutar com empatia e acreditar na capacidade potencial do discente para desenvolver e aprender. em um movimento de continuidade/ruptura. pode-se responder com Freire. Saviani e Freire. Para Saviani. além da capacidade crítica de observar e perseguir o objeto . buscando efetivamente conhecimentos relevantes aos problemas e aos objetivos da aprendizagem. dinâmica e complexa.e dentro do coração . interessantes e que estimulem o pensamento. diz respeito ao modo de concretização desse reconhecimento à autonomia do discente. do processo de produção. a aprendizagem significativa se estrutura. examina. bem como aos seus saberes construídos na prática comunitária. denominado tutor aquele que defende. na aprendizagem mecânica. expor e discutir os conflitos inerentes e que sustentam o problema. dentro de uma perspectiva de transformação da realidade. como a vontade e a capacidade de permitir ao discente participar ativamente de seu processo de aprendizagem.para confrontar. pois diante do problema. tensão que acaba por possibilitar a ampliação de suas possibilidades de conhecimento. ele detecta novos problemas num processo ininterrupto de buscas e transformações. relaciona a sua história e passa a ressignificar suas descobertas. levando o aprendiz a ultrapassar as suas vivências conceitos prévios. portanto. Nessa ação. A problematização pode levá-lo ao contato com as informações e à produção do conhecimento. organizadas como subsunçores.constrói a sua própria história. não se consegue estabelecer relações entre o novo e o anteriormente aprendido. A aprendizagem que envolve a autoiniciativa. por outro lado. O processo de ruptura. de modo a não haver docência sem discência. (2) como se vive e se sente a aprendizagem. alcançando as dimensões afetivas e intelectuais. antes de tudo. da intuição. afinal. Ao contrário. reflete. são essenciais nesta nova postura.se reconhecem mutuamente (e aqui se pode recuperar a dialética do senhor e do escravo de Hegel). irá buscar e utilizar as informações e instrumentos mais adequados. é enfatizado o sujeito ativo. se lhe for permitido um ambiente de liberdade e apoio.

o qual é constituído pelos seguintes movimentos (Figura 1): observação da realidade. na década de 1960. no ato comum de conhecer e reconhecer o objeto de estudo. dois instrumentos vêm sendo reconhecidos como ativadores da integração ensino e serviço de saúde: o ensino pela problematização e a organização curricular em torno da Aprendizagem Baseada em Problemas . denominado Método do Arco por Charles Maguerez. As informações pesquisadas precisam ser analisadas e avaliadas. definindo a maneira como os estudantes aprendiam e quais habilidades cognitivas e afetivas seriam tadora de Paulo Freire. por meio da análise reflexiva. no empenho com a nova formação. efetuando. para que este atue como cidadão e profissional em formação38. uma primeira leitura sincrética da realidade. assim. o estudante executa as soluções que o grupo encontrou como sendo mais viáveis e aprende a generalizar o aprendido para utilizá-lo em diferentes situações. Se a teorização é adequada. Na última fase. político e ético do estudante. teorização. Nesse propósito. na Universidade do Havaí. Marcada pela dimensão política da educação e da sociedade. pontos-chave. poderá. enquanto o discente irá refletir sobre si mesmo e a construção do conhecimento realizado. agora não mais numa relação verticalizada. O momento do diálogo servirá para reflexão sobre a relação e a interação entre docente e discente. para um processo mais abrangente orientado a todos os seus aspectos. Após o estudo de um problema. nem estigmatiza. ultrapassando o modelo tradicional de simples verificação de conteúdos acumulados e memorizados e puramente voltados à esfera da cognição. o estudante pode exercitar a dialética de ação-reflexão-ação. diálogo e reflexões coletivas. Essa concepção pedagógica baseia-se no aumento da capacidade do discente em participar como agente de transformação social. tendo sempre como ponto de partida a realidade social40. bancária e estática. exigindo a interdisciplinaridade para sua solução. A originalidade e a criatividade serão estimuladas e o estudante precisará deixar sua imaginação livre e pensar de maneira inovadora. Na auto-avaliação. as instituições pioneiras na implantação dessa modalidade de estrutura curricular foram a Faculdade de Medicina de Marília. ainda. nos princípios do materialismo histórico-dialético e no construtivismo de Piaget.autonomia. o estudante se vê naturalmente movido a uma quarta etapa: a formulação de hipóteses de solução para o problema em estudo. Deve.ABP. quanto à sua relevância para a resolução do problema. A ABP foi primeiramente instituída na Faculdade de Medicina da Universidade de McMaster (Canadá). o desenvolvimento do pensamento crítico e a responsabilidade do estudante pela própria aprendizagem. Da Episteme à Práxis: Problematização e Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) A metodologia ativa tem permitido a articulação entre a universidade. mas oferece diretrizes para se tomar decisões e definir prioridades. inclusive ao próprio programa e à atividade docente. à sua participação e a condições de elaboração. hipóteses de solução e aplicação a realidade. por possibilitar uma leitura e intervenção consistente sobre a realidade. a aplicação à realidade. Nesse sentido. em 1997. Na terceira etapa. pode-se rever a metodologia utilizada na prática pedagógica. o ensino pela problematização procura mobilizar o potencial social. pontos-chave. como proposta metodológica que buscava um currículo orientado para os problemas. Não pune. O docente pode registrar o desenvolvimento do discente no que se refere à autonomia. à criatividade. também. podem surgir novos desdobramentos. A avaliação inovadora deve se fundamentar na colaboração. o papel do professor será um importante estímulo para a participação ativa do estudante. exercitando tomadas de decisões e aperfeiçoando sua destreza. durante o processo de detecção de problemas reais e de busca por soluções originais. ele expressa suas percepções pessoais. à capacidade de organização. O processo ensino-aprendizagem está relacionado com um determinado aspecto da realidade. a auto-avaliação e o diálogo têm sido utilizados como estratégias norteadoras desse processo. Na confrontação da realidade com sua teorização. é preciso um trabalho planejado e executado com a participação de todos os envolvidos. Nessa observação. e o grupo pode ajudar nessa confrontação. Para isso. e o Curso de Medicina da Universidade Estadual de 36 . No Brasil. Ao completar o Arco de Maguerez. Bordenave e Pereira utilizam o diagrama. elaborando os pontos essenciais que devem ser abordados para a compreensão do problema. o aluno atinge a compreensão do problema nos aspectos práticos ou situacionais e nos princípios teóricos que o sustentam. Nesse momento. o estudante realiza um estudo mais cuidadoso e. Na segunda etapa. valorizar todos os atores no processo de construção coletiva e seus diferentes conhecimentos e promover a liberdade no processo de pensar e no trabalho em equipe. o estudante passa à teorização do problema ou à investigação propriamente dita. verificar se suas hipóteses de solução são aplicáveis à realidade. mas numa construção dialógica. o serviço e a comunidade. Assim. bem como ao seu relacionamento com o grupo e sua comunicação. na busca de respostas e caminhos para os problemas detectados. discriminar em que circunstâncias não são possíveis ou convenientes sua aplicação. O ensino pela problematização ou ensino baseado na investigação (Inquiry Based Learning) teve início em 1980. seleciona o que é relevante. instrumentos de acompanhamento do processo ensinoaprendizagem têm sido construídos. A primeira etapa é da observação da realidade. Os registros. para representá-lo. o qual o estudante observa atentamente.

podem ser pontuados como principais aspectos da ABP: (1) a aprendizagem significativa. que produzem o “educativo”. a articulação com outras organizações sociais. também. assim como elaborou uma proposta de educação libertadora. evidenciando as mazelas de uma sociedade com concentração de renda expressiva e excessiva. interrompe-se o ciclo da fragmentação e do reducionismo do ensino tradicional. (3) o respeito à autonomia do estudante. Salientam-se as modificações no campo cultural. desequilíbrios ou perturbações intelectuais. que precisa tornar-se um fórum de debate e negociação permanente de concepções e representações da realidade. no qual o conhecimento é compartilhado. (5) a educação permanente. O discente deve ser reconhecido como um indivíduo capaz de construir. assim como a troca com os pares na confrontação de modelos e expectativas.] Tornar o político mais pedagógico significa utilizar formas de pedagogia que incorporem interesses políticos que tenham natureza emancipadora [. o primeiro curso a utilizar a ABP foi o da Fundação Educacional Serra dos Órgãos -FESO -. via articulação dos movimentos e organizações sociais. É necessário que se transformem as concepções inerentes ao processo ensino-aprendizagem para ressignificá-las em uma perspectiva emancipadora da educação. com objetos e situações que exijam o seu envolvimento. Com efeito. Paulo Freire (1987) expressou inúmeras críticas à educação que denomina bancária. a estratégia de negociação. os movimentos sociais. Dependendo da porosidade existente nas relações direção. 163): Essencial para a categoria de intelectual transformador é a necessidade de tornar o pedagógico mais político e o político mais pedagógico. a gestão democrática da escola e processos participativos são elementos fundantes para o repensar da prática pedagógica. argumentando-se que as escolas representam tanto um esforço para definir-se o significado quanto uma luta em torno das relações de poder [. Tornar o pedagógico mais político significa inserir a escolarização diretamente na esfera da política. pressupõe mudanças na própria estrutura e organização da universidade. mas na dinâmica das relações sociais que produzem aprendizagens. avaliação. em 1998. a definição de objetivos. o fortalecimento das temáticas identitárias e aquelas relacionadas ao direito à diferença conquistaram espaço na sociedade. A possibilidade da circulação da informação em tempo real é um avanço. é importante considerar a prática pedagógica como parte de um processo social e de uma prática social maior. No Estado do Rio de Janeiro. centralizada no sujeito histórico que produz. A violência é outro tema presente no campo social e cultural. localizado numa determinada situação no mundo. Nessa perspectiva. Assim. entre a universidade e a comunidade. Em primeiro lugar. seja via carteira de identidade. apropria e vive a educação.. as características conjunturais e estruturais da sociedade são fundamentais para o entendimento da escola e da ação do professor. nos últimos anos do século XX. haverá uma gestão mais propícia (ou menos propícia) ao desenvolvimento de 37 .. especialmente. voltada para a transformação social e. Ademais. Também. parte-se de problemas ou situações que objetivam gerar dúvidas. Todas as pessoas estão codificadas. aluno. bem como movimentos identitários. como amplamente problematizado por teóricos como Paulo Freire.. metodologia. Por um lado. ao mesmo tempo em que se facilita a integração ensino-serviço e a perspectiva interdisciplinar.relacionada. tendo como conteúdos centrais a política. empreender mudanças amplas e profundas no processo ensino-aprendizagem e na formação profissional de saúde significa transformar a relação entre docente e discente. Como diz Giroux (1997. as reflexões sobre as penalidades e as medidas que deveriam ser tomadas ganham os bancos escolares. enfim. tendo a dimensão do depósito de conteúdo como característica central. p. desenvolvendo teias ou redes de informação e ação política. comunidade local e comunidade escolar. que é social. Podem ser atividades planejadas com o intuito de possibilitar a transformação ou podem ser atividades bancárias. (2) a indissociabilidade entre teoria e prática. Na ABP. há a divulgação da violência como uma característica cotidiana e rotineira na sociedade brasileira. em 2005. Os terminais bancários foram informatizados. dentre inúmeras senhas que vão sendo acopladas aos processos de identificação social. Novos elementos tecnológicos no ensino não garantem por si a ruptura de velhos paradigmas. oriundo de uma abertura política lenta e intensificado por movimentos sociais de diversas categorias de trabalhadores. portanto. a importância da intervenção e da mediação do docente. Ela envolve a dimensão educativa não apenas na esfera escolar. aos referenciais da teoria piagetiana da equilibração e desequilibração cognitiva -. destacam-se aquelas que são sóciopolíticas como o processo de democratização. Na esfera do cotidiano escolar e das reflexões conjunturais.]. (6) a avaliação formativa. modificar e integrar idéias se tiver a oportunidade de interagir com outros atores. No campo das múltiplas dimensões da prática pedagógica (professor.Londrina. a organização. com forte motivação prática e estímulo cognitivo para evocar as reflexões necessárias à busca de adequadas escolhas e soluções criativas. a prática pedagógica expressa as atividades rotineiras que são desenvolvidas no cenário escolar. fazendo emergir novas facetas educacionais. a ABP se inscreve em uma perspectiva construtivista . as diversas áreas e as disciplinas. É inegável.. o currículo deve se configurar de maneira integrada e. a qual considera que o conhecimento deve ser produzido a partir da interseção entre sujeito e mundo. Em segundo lugar. Dentre elas. seja via cartão de crédito. PRÁTICA PEDAGÓGICA (Maria Antônia de Souza e Valdete Jane Cordeiro) A sociedade brasileira viveu modificações expressivas no campo social e cultural. relação professor e alunos. professores. concepção de educação e de escola). Por outro lado. (4) o trabalho em pequeno grupo. com fins mercadológicos e financeiros. ainda que a maioria da população brasileira não tenha acesso à internet. os movimentos sociais de trabalhadores produzem uma prática pedagógica. Na adoção de qualquer um desses instrumentos metodológicos. Além disso. ao se tratar de maneira integral temas e conteúdos. supervisão. O anúncio de algumas modificações evidentes na sociedade brasileira contribui para a compreensão de aspectos que envolvem a prática pedagógica. tais como a ampliação das inovações tecnológicas. podendo-se estabelecer uma aproximação à proposta educativa formulada por John Dewey.

tanto da educação básica quanto da educação profissional. os professores trabalham com projetos que abordam os temas Saúde. Com isso. de desigualdades e de concentração de renda. Nas escolas do campo. percebe-se que os tema comunidade. é preciso proteger essa idéia de reducionismos” (p. é importante afirmar que a pesquisa é elemento essencial para uma prática pedagógica que possibilite a superação da alienação e da relação de subalternidade cultural. Cabe lembrar Novaski (1993) quando afirma que “. na “Introdução à Crítica da Economia Política”. sendo que o mais focalizado foi a Violência. A participação ocorre quando há disponibilidade individual para superar as deficiências e quando há liberdade e respeito entre os envolvidos. a valorização da trajetória de vida dos educandos. nos quais a incerteza pode ter lugar especial. Numa das escolas. Ao analisar os múltiplos determinantes na prática pedagógica dos professores das séries iniciais. nas pesquisas desenvolvidas foi possível perceber dois grandes grupos de práticas pedagógicas. São professores que aprimoraram o sentido da busca do objetivo educacional. se o professor deve ver a sua aula também como um encontro de gente com gente. luta pela terra. No entanto. É um exercício de aprendizagem constante. desenvolver o exercício da participação é um desafio para os próprios professores e pesquisadores envolvidos no projeto. Diante do exposto. a mesma pode tornar-se uma abstração. entretanto. Neste contexto. caracterizado como cansativo e sem sentido para a vida prática. Meio Ambiente. em doses crescentes. Nesse sentindo. pensamento crítico. questionar. além das dimensões da dominação do campo da política internacional e dos processos decisórios que geram impactos na esfera escolar. sempre maior capacidade de raciocínio.. mas que faz emergir as intenções e possibilidades pedagógicas. Em todas as escolas. uma vez que estes apresentam resistências ao processo educativo. outros elaborados no próprio contexto escolar. ainda. A estrutura é marcada pelas relações sociais de classe. propor. Os mesmos destacaram temas que poderiam ser pesquisados na instituição escolar. ouvir. trajetória de vida. há o predomínio de uma cultura escolar que impede o professor de “enxergar” além do seu trabalho pedagógico. após analisar tais elementos concretos. a formação de um coletivo que estudaria as relações que se passam no espaço escolar. que o impede de realizar questionamentos de cunho científico. a saber: práticas eminentemente reprodutivas em relação às propostas municipais de educação e práticas que geram inquietações. uma vez que participam de um contexto cultural. supõe a troca.. e inserida no contexto da prática social.. foi possível constatar o interesse dos professores e funcionários da escola pelo processo de investigação escolar. espaço de pesquisa. Sexualidade. uma vez que se exige dos trabalhadores. As práticas reprodutivas expressam a necessidade de controle dos alunos na sala de aula.projetos de pesquisa e neles a reflexão sobre o projeto político pedagógico da escola.. ou seja. Ou. por fim. conhecer. A prática pedagógica pode ser considerada como o trabalho de repassar.14). de forma que a apropriação dos conhecimentos ocorra via problematização e não simplesmente pela transmissão de conteúdos poucos significativos socialmente.”. a informação e o desenvolvimento de conhecimentos científicos são fatores impulsionadores da participação nas atividades escolares – no campo da prática pedagógica e da gestão da escola. É possível afirmar.15). Com isso. caso não sejam levados em conta elementos como classes. Como afirma Veiga (1992. Delineia-se prática pedagógica que evidencia “rotinas escolares”. um processo que está intrinsecamente ligado à teoria e à prática da docência. 16) a prática pedagógica é “. inovações e projetos escolares originais. do saber falar. p. de outro lado. do desenvolvimento das propostas curriculares.. nas escolas focalizadas nos nossos projetos de pesquisa. divisão do trabalho. Marx afirma que ao estudar a população. política e social. Neste contexto. por exemplo.. Estes. no qual não foram (não somos) incentivados a participar. manifesta na aula. juntamente com a valorização dos conteúdos e dos saberes que os alunos trazem da sua prática social. A prática pedagógica é uma dimensão da prática social . saberes específicos. dos programas sociais – a exemplo do Bolsa Escola -. ou transmitir. quando questionou o método da Economia Política. Por sua vez. a existência de projetos escolares. estas podem constituir abstração se não levar em conta o trabalho assalariado e o capital. quando a característica dialógica predomina nas relações sociais. que o que tem possibilitado o transporte para além da sala de aula é a diversidade cultural dos educandos. uma prática social orientada por objetivos. preços etc. iniciativa própria e espírito 38 . cabe destacar a disposição dos professores para o enfrentamento de novos processos educativos. autonomia intelectual. políticas de cotas etc. tem-se como referência a contribuição de Marx. contrariar e complementar. A conjuntura pode ser visualizada nos aspectos da gestão educacional. focalizam aquelas que são relevantes e aquelas que precisam ser modificadas. Água. A pesquisa como característica da formação e da prática do professor e como elemento de motivação para a atitude investigativa entre os educandos. É sabido que a prática social está imbuída de contradições e de características sócioculturais predominantes na sociedade. que não é meramente a reprodução de conteúdos. poderia ser feito o retorno e a compreensão do conceito de população através da totalidade das determinações e relações diversas. movimento social e reforma agrária têm destaque. Percebe-se que os professores utilizam vários procedimentos metodológicos e têm interesse em aprofundar os assuntos. As práticas que inquietam geram angústias entre os professores que se perguntam a respeito de qual é o caminho mais adequado para a educação. torna-se importante investigar como os professores estão compreendendo suas práticas e quais suas percepções sobre as mesmas. A revolução tecnológica e o processo de reorganização do trabalho demandam uma completa revisão dos currículos. com diferentes títulos – alguns sugeridos pelas secretarias de educação. por sua vez. O autor expressa uma questão pertinente à reflexão que vem sendo empreendida neste texto ao dizer que “Para que serve uma sala de aula se não for capaz de nos transportar além da sala de aula?” (p. a intenção é afirmar que a prática pedagógica é influenciada pelos aspectos conjunturais e estruturais da sociedade brasileira. finalidades e conhecimentos. Corpo etc. conforme as necessidade locais e. mas sim a provocação da indagação entre os alunos. Assim.

e. § 2º Em todas as esferas administrativas.garantia de padrão de qualidade. da pesquisa e da criação artística. na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino. influem positivamente na formação dos futuros profissionais.. VI .igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. transforma-a em objeto de indagação dirigida à melhoria de suas qualidades educativas”. IV . 39 . nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.atendimento ao educando. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. em regime de colaboração.atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais. acionar o Poder Público para exigi-lo. VIII . Ou seja. pela freqüência à escola. Art.zelar. no ensino fundamental público. VI .700. a arte e o saber. na convivência humana. dever da família e do Estado.liberdade de aprender.respeito à liberdade e apreço à tolerância.gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. 2002). e com a assistência da União: I . contribuindo na ampliação de suas capacidades em sua prática. transporte. associação comunitária. através de suas práticas. o trabalho e as práticas sociais.] como pesquisador de sua própria prática.valorização do profissional da educação escolar. TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. obrigatório e gratuito. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I .valorização da experiência extra-escolar. necessitam atualizar seus conhecimentos de forma constante. permitindo-se reconhecer nos alunos as competências que lhe proporcionarão o desenvolvimento profissional e educacional. o pensamento. os professores. (2002) apresenta o professor “[. tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando. V . especialmente. no trabalho. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade. II . VII . § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. (Incluído pela Lei nº 11. que se desenvolve. pesquisar e divulgar a cultura. Art.universalização do ensino médio gratuito.acesso aos níveis mais elevados do ensino. junto aos pais ou responsáveis. segundo a capacidade de cada um. XI . 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. sendo participante ativo de sua formação continuada. como os profissionais formados por eles. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios. deve se especializar na área em que desenvolve aptidões. 2º A educação. o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório..padrões mínimos de qualidade de ensino. II . grupo de cidadãos. VII . contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório. o Ministério Público. IX . predominantemente. preferencialmente na rede regular de ensino.pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. Mas. V . nos termos deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 12. poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade. podendo qualquer cidadão. sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente. inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana.oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. Contreras. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB 9394/96) TÍTULO I Da Educação Art.gestão democrática do ensino público. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar. definidos como a variedade e quantidade mínimas. VIII . de 2008). a formação profissional não finda com a conclusão de um curso. Neste contexto. em instituições próprias. II . nas instituições de ensino e pesquisa. X . organização sindical. alimentação e assistência à saúde.ensino fundamental. por meio de programas suplementares de material didático-escolar.coexistência de instituições públicas e privadas de ensino.vinculação entre a educação escolar.061. Conclui-se que os professores.recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. entidade de classe ou outra legalmente constituída. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo. conforme as prioridades constitucionais e legais. § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário. IX .oferta de ensino noturno regular. 208 da Constituição Federal. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. adequado às condições do educando. ensinar. O professor permite-se reconstruir suas ações e expressar sua prática e indagações. III . III . de 2009) III . com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. ainda. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: I . percebe-se que há a necessidade de o professor possuir conhecimentos amplos sobre a pedagogia e áreas do conhecimento.fazer-lhes a chamada pública. bem como capacidade de visualização e resolução de problemas (CORDÃO.empreendedor. Ainda.atendimento gratuito em creches e préescolas às crianças de zero a seis anos de idade. por meio do ensino. por aluno. IV . na hipótese do § 2º do art. Neste sentido. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.

o Distrito Federal e os Municípios. haverá um Conselho Nacional de Educação.709.2003) Parágrafo único. terão a incumbência de: I . III capacidade de autofinanciamento.organizar. credenciar. no ensino fundamental. exercendo sua função redistributiva e supletiva. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX.oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas. V . 38 desta Lei. de 2009) VII . por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. os respectivos sistemas de ensino. o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino. em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação. com prioridade.assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior. Os Estados incumbir-se-ão de: I .autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público. ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória.assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas. em colaboração com os sistemas de ensino. de 2005) Art. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino.autorizar. 7º O ensino é livre à iniciativa privada. competências e diretrizes para a educação infantil. III . (Redação dada pela Lei nº 12. 11. formas de colaboração na oferta do ensino fundamental. objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino. Art. (Incluído pela Lei nº 10. VII .assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental.assegurar o ensino fundamental e oferecer. em colaboração com os Estados. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. respectivamente. supervisionar e avaliar. VI . V . o ensino médio a todos que o demandarem. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. atendidas as seguintes condições: I . de modo a assegurar formação básica comum. com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino. Art. os Estados. Os estabelecimentos de ensino. com os Municípios. integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados. ainda.7. Os Municípios incumbir-se-ão de: I .709. 10.elaborar e executar sua proposta pedagógica. 12. independentemente da escolarização anterior. a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais.exercer ação redistributiva em relação às suas escolas. integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios. médio e superior. analisar e disseminar informações sobre a educação.organizar.assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. respeitado o disposto no art.2003) Parágrafo único. que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos.administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros. com prioridade. II .baixar normas complementares para o seu sistema de ensino.definir. 8º A União. a partir dos seis anos de idade.§ 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino. o Distrito Federal e os Municípios organizarão. IV autorizar. reconhecer. (Redação dada pela Lei nº 11.elaborar e executar políticas e planos educacionais. (Incluído pela Lei nº 10.organizar. § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal.coletar. de 31. III . 213 da Constituição Federal.114. VIII .061.7. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. respectivamente. Art. as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades. II . III . TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Art. IV . 40 . credenciar. VI .baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. III . redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. IV . § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação. V . 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I . § 1º Na estrutura educacional. Art.elaborar o Plano Nacional de Educação. Os Municípios poderão optar. de 31. o ensino fundamental. ressalvado o previsto no art. reconhecer.prestar assistência técnica e financeira aos Estados. II . desde que mantenham instituições de educação superior. IX autorizar. criado por lei. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei. em regime de colaboração. VI . articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios.cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino. o Distrito Federal e os Municípios.estabelecer. supervisionar e avaliar. II . credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino. e. em colaboração com os Estados.assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. com funções normativas e de supervisão e atividade permanente. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. II .baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação. o ensino fundamental e o ensino médio. Art.

ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos. criando processos de integração da sociedade com a escola.os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal.as instituições de ensino mantidas pela União. sem com 41 . ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinqüenta por cento do percentual permitido em lei. II . VI . sobre a frequência e rendimento dos alunos. tendo como base as normas curriculares gerais. os responsáveis legais. inclusive cooperativas educacionais. 21. alternância regular de períodos de estudos.colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.comunitárias.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal. inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior. assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo. (Redação dada pela Lei nº 12. No Distrito Federal. grupos não-seriados. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais. II . se for o caso. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I . V . Parágrafo único. conviventes ou não com seus filhos. de 2009) III . Art. IV . IV .articular-se com as famílias e a comunidade. Os sistemas municipais de ensino compreendem: I .as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada. VI . § 1º A escola poderá reclassificar os alunos.prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento.privadas. III .educação superior. II . § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais. Art. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando.públicas. Art. II . e. criadas e mantidas pela iniciativa privada.IV . 15. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica.confessionais. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I .estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. 17. 22. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Art. ciclos.velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente. ensino fundamental e ensino médio. Art. A educação escolar compõe-se de: I . 13. à avaliação e ao desenvolvimento profissional.filantrópicas.as instituições de ensino mantidas. bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola. 19. II . períodos semestrais. observadas as normas gerais de direito financeiro público. de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município. 23. 18. 14.os órgãos federais de educação. II . II . que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade. respectivamente. 20. inclusive climáticas e econômicas. integram seu sistema de ensino. assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. respectivamente. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior. sem fins lucrativos.as instituições do ensino fundamental. 16. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I .020. II . Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. (Incluído pela Lei nº 10. V .as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. Art.zelar pela aprendizagem dos alunos.informar pai e mãe.as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada. as instituições de educação infantil. além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento. ou por forma diversa de organização. assim entendidas as criadas ou incorporadas. Os docentes incumbir-se-ão de: I .013. (Redação dada pela Lei nº 12.participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. na competência e em outros critérios. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art.educação básica. VII . segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. III . médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal. III – os órgãos municipais de educação. Art.particulares em sentido estrito.287. com base na idade. de 2001) Art. Art.participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. Art. na forma da lei. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I . formada pela educação infantil. a critério do respectivo sistema de ensino.elaborar e cumprir plano de trabalho. O sistema federal de ensino compreende: I . mantidas e administradas pelo Poder Público. pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal. sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. III . assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. IV .

com as especificações cabíveis.645. desde que preservada a seqüência do currículo. a carga horária e as condições materiais do estabelecimento. a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos.793.793. declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos.12. a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional. VII . § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído. com alunos de séries distintas. cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar. conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino. a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil. obrigatoriamente. a série ou fase anterior. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor.2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas. (Incluído pela Lei nº 10.isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro.793. (Incluído pela Lei nº 10. VI .12. econômica e política. artes. de 2008) Art.793. em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.12. para o ensino de línguas estrangeiras. obrigatoriamente. conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino. com aproveitamento. de preferência paralelos ao período letivo. (Incluído pela Lei nº 11. para alunos que cursaram. à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais.2003) VI – que tenha prole.12. resgatando as suas contribuições nas áreas social. é componente curricular obrigatório da educação básica. constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica.645. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação. distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar.769.12. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna.645. na própria escola. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10. (Redação dada pela Lei nº 11. pertinentes à história do Brasil.cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares. A educação básica. IV . Cabe ao respectivo sistema de ensino. ou turmas. exceto a primeira do ensino fundamental. 26-A. dentro das possibilidades da instituição. quando houver. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. 24. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado. públicos e privados. mediante avaliação feita pela escola.o controle de freqüência fica a cargo da escola. a partir desses dois grupos étnicos. de 1º.a carga horária mínima anual será de oitocentas horas. torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afrobrasileira e indígena. de 2008). de 2008).2003) IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1. a partir da quinta série. ou outros componentes curriculares.793.poderão organizar-se classes. II . 42 . Parágrafo único. especialmente das matrizes indígena. (Incluído pela Lei nº 10. III .2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que. b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar. estiver obrigado à prática da educação física. de 1º. africana e européia. 25. excluído o tempo reservado aos exames finais. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada. (Incluído pela Lei nº 10. (Redação dada pela Lei nº 11. de 1º. de 1º. para candidatos procedentes de outras escolas. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. a ser complementada. b) por transferência. Art. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio. exigida a freqüência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação. em situação similar.12.793. (Redação dada pela Lei nº 11. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. Art.287.793. nos níveis fundamental e médio. mas não exclusivo. integrada à proposta pedagógica da escola. tais como o estudo da história da África e dos africanos.nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série.a classificação em qualquer série ou etapa. de 1º.2003) V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno. estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo. § 2o O ensino da arte. de 1º. V . de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. para os casos de baixo rendimento escolar. o estudo da língua portuguesa e da matemática. de 21 de outubro de 1969. pode ser feita: a) por promoção.044.2003) II – maior de trinta anos de idade. § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório. (Incluído pela Lei nº 10. da economia e da clientela. do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar. especialmente do Brasil. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito.12. 26. da cultura. especialmente em suas expressões regionais. de 1º. com níveis equivalentes de adiantamento na matéria. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger. por uma parte diversificada. c) independentemente de escolarização anterior. de 2010) § 3o A educação física. de 2008). Art. será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I .

de 13 de julho de 1990. das letras e das artes. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. II . Seção II Da Educação Infantil Art. relacionando a teoria com a prática. 28. 29. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula. os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região. para as crianças de quatro a seis anos de idade.a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. etapa final da educação básica. de 2006) I .1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores.o aprimoramento do educando como pessoa humana." Art.pré-escolas. § 4º O ensino fundamental será presencial. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. em seus aspectos físico. 30. sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. terá como finalidades: I . § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral. a língua portuguesa como instrumento de comunicação. é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.o desenvolvimento da capacidade de aprender.o fortalecimento dos vínculos de família. 43 . especialmente: I . conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes. aos direitos e deveres dos cidadãos. da tecnologia. as seguintes diretrizes: I . Art. III .Art. Art.adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes. O ensino fundamental obrigatório. Seção IV Do Ensino Médio Art.orientação para o trabalho. assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil. sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.a difusão de valores fundamentais ao interesse social. mediante: (Redação dada pela Lei nº 11. assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. II .a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. A educação infantil. iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade. 33.promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais. tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. Art. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei.7. (Redação dada pela Lei nº 9. primeira etapa da educação básica. 34. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão.consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento.069. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I .274.organização escolar própria. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. A educação infantil será oferecida em: I . III . § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá. intelectual e social. IV . § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada. complementando a ação da família e da comunidade. II . com duração mínima de três anos. psicológico. IV .o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. ou entidades equivalentes. sem o objetivo de promoção. 35. gratuito na escola pública.525. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores.conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural. para crianças de até três anos de idade. a compreensão do significado da ciência. do sistema político. II . de 22. incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas. com duração de 9 (nove) anos.a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos. possibilitando o prosseguimento de estudos. da escrita e do cálculo. III . tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura. 36.creches. (Incluído pela Lei nº 11.destacará a educação tecnológica básica. mesmo para o acesso ao ensino fundamental. a critério dos sistemas de ensino. O ensino religioso. tendo como diretriz a Lei no 8. de respeito ao bem comum e à ordem democrática. para a definição dos conteúdos do ensino religioso. no ensino de cada disciplina. O ensino médio. 32. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento. III . ainda. 31. II .adequação à natureza do trabalho na zona rural. II . de 2007). § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa. vedadas quaisquer formas de proselitismo. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. Art. Na oferta de educação básica para a população rural. sem prejuízo da avaliação do processo de ensinoaprendizagem. para continuar aprendendo.475. constituída pelas diferentes denominações religiosas. 27. Art. observada a produção e distribuição de material didático adequado. terá por objetivo a formação básica do cidadão. obrigatoriamente.a compreensão do ambiente natural e social. Seção III Do Ensino Fundamental Art. § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil. IV . de matrícula facultativa.

prevista no inciso I do caput do art. de 2008) Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio. mediante convênios de intercomplementaridade. de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. efetuando-se matrícula única para cada aluno. (Incluído pela Lei nº 11.III .741.741. de 2008) b) em instituições de ensino distintas. de 2008) I . de 2008) Art. 36-B desta Lei. escolhida pela comunidade escolar. de 2008) II . A educação profissional técnica de nível médio articulada. para os maiores de quinze anos. facultativamente.integrada. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio.741. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se. 36-B.741. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos. 36-C.741.741. mediante cursos e exames. II . (Incluído pela Lei nº 11. seus interesses.741. na forma do regulamento. e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.741. de 2008) Art.741. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) 44 . Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo. de 2008) § 1º Os conteúdos.(Incluído pela Lei nº 11. § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola. A educação profissional e tecnológica. sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio.741. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. e uma segunda. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11.741.684. (Incluído pela Lei nº 11.741. de 2008) Parágrafo único. CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11. de 2008) c) em instituições de ensino distintas. visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. de 2008) Art. atendida a formação geral do educando. dentro das disponibilidades da instituição. condições de vida e de trabalho.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. (Incluído pela Lei nº 11.741. de 2008) Art. nos termos de seu projeto pedagógico. habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho. 38. II .será incluída uma língua estrangeira moderna.no nível de conclusão do ensino fundamental.741.subseqüente. (Incluído pela Lei nº 11.741. de 2008) Parágrafo único. terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior.domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. para os maiores de dezoito anos. quando registrados. preferencialmente. a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. com a educação profissional.no nível de conclusão do ensino médio. será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11. no cumprimento dos objetivos da educação nacional. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I . A preparação geral para o trabalho e. com aproveitamento. nas formas articulada concomitante e subseqüente.741. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) I .741. em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis. de 2008) Art. poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas.741. na mesma instituição de ensino.741. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I . mediante ações integradas e complementares entre si. que compreenderão a base nacional comum do currículo. quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade. efetuando-se matrículas distintas para cada curso. 39. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. 37. consideradas as características do alunado. oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando.741. oportunidades educacionais apropriadas. oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. de 2008) Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art. Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11. (Redação dada pela Lei nº 11. 36-D.os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão.741.concomitante. (Incluído pela Lei nº 11.as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino. em caráter optativo. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. de 2008) III . o ensino médio. de 2008) II . (Incluído pela Lei nº 11. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11. como disciplina obrigatória. da ciência e da tecnologia. de 2008) II . 36-A.as exigências de cada instituição de ensino. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) I . de 2008) a) na mesma instituição de ensino.articulada com o ensino médio.

tem.741. científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino. 45.formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. no mínimo. de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11. condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. aberta à participação da população. sua duração. de diferentes níveis de abrangência. (Redação dada pela Lei nº 11. haverá reavaliação.741. As instituições de educação profissional e tecnológica. a respectiva ordem de classificação. Art. periodicamente. prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade. integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração. desse modo. 47. VII . sendo renovados. 40. V . aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. (Incluído pela Lei nº 11. Na educação superior. características e duração. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional. reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. (Incluído pela Lei nº 11. visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica.promover a extensão. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação.741. demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos. quando houver. (Regulamento) Art. de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art. de 2008) Art. compreendendo programas de mestrado e doutorado. observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. para a superação das deficiências. II .741. antes de cada período letivo. abertos à comunidade. duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. em intervenção na instituição. inclusive no trabalho.promover a divulgação de conhecimentos culturais.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. os programas dos cursos e demais componentes curriculares. VI . Parágrafo único. 43. (Redação dada pela Lei nº 11. desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente. Art. (Incluído pela Lei nº 11. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica. de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. poderá ser objeto de avaliação. (Redação dada pela Lei nº 11.estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente. sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados. poderão ter 45 . A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada. 44. 41. 42. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. requisitos. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. o ano letivo regular. se necessários. o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais. em particular os nacionais e regionais. de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação.741. III de pós-graduação. e.632.cursos seqüenciais por campo de saber. cursos de especialização. oferecerão cursos especiais. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos. IV .de graduação. (Regulamento) Art. bem como do cronograma das chamadas para matrícula. de 2007). Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior. conforme o caso. com variados graus de abrangência ou especialização. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. de publicações ou de outras formas de comunicação. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública. possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos. 46.331. recursos disponíveis e critérios de avaliação. de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio. aperfeiçoamento e outros. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. (Incluído pela Lei nº 11. no que concerne a objetivos. A educação superior tem por finalidade: I . aplicados por banca examinadora especial. excluído o tempo reservado aos exames finais. qualificação dos professores. terão prazos limitados. A autorização e o reconhecimento de cursos.§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos. III .suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização.de extensão. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior. independente do ano civil.741. que poderá resultar. públicas ou privadas. e colaborar na sua formação contínua.741. em desativação de cursos e habilitações. II . A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I . bem como o credenciamento de instituições de educação superior. (Incluído pela Lei nº 11. desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. após processo regular de avaliação. obrigando-se a cumprir as respectivas condições. IV . de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizarse-ão. além dos seus cursos regulares. § 1º As instituições informarão aos interessados.741. ou em descredenciamento. (Regulamento) § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo. em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia. de 2006) Art.

programas e projetos de investimentos referentes a obras.efetuar transferências. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão. V . VI .criação. 50. nas leis e nos respectivos estatutos.ampliação e diminuição de vagas. que se caracterizam por: (Regulamento) I . sem prejuízo de outras. As transferências ex officio darse-ão na forma da lei. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos. para cursos afins. organização e financiamento pelo Poder Público.aprovar e executar planos. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir. III . as seguintes atribuições: I . serviços e aquisições em geral. As instituições de educação superior credenciadas como universidades.propor o seu quadro de pessoal docente. quando da ocorrência de vagas. de acordo com as normas dos sistemas de ensino. pelo menos. Art.elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes.estabelecer planos. do respectivo sistema de ensino. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares.elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais. na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior.adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento. obedecendo às normas gerais da União e. garantida a necessária previsão orçamentária. assim como um plano de cargos e salários. terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular.contratação e dispensa de professores. programas e projetos de pesquisa científica. em sua sede. IX . e mediante processo seletivo. organizar e extinguir. IV .elaboração da programação dos cursos. de pesquisa. levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio.programação das pesquisas e das atividades de extensão. VI . programas e projetos de investimentos referentes a obras. expansão. Art. 48. financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. No exercício de sua autonomia. abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito. assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. 53. Art. serviços e aquisições em geral. Art. V . com aprovação do Poder competente. instalações e equipamentos. heranças. IV . § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior. modificação e extinção de cursos. as universidades públicas poderão: I . observadas as diretrizes gerais pertinentes.fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio. produção artística e atividades de extensão. doações.abreviada a duração dos seus cursos. legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. no período noturno. diplomas e outros títulos. Parágrafo único.firmar contratos. articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino. para aquisição de bens imóveis. VIII . dentro dos recursos orçamentários disponíveis. mediante processo seletivo prévio.conferir graus. sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas. V .fixar os currículos dos seus cursos e programas. Para garantir a autonomia didático-científica das universidades. quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária. III . III . na forma da lei. bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais. quando registrados.administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição. quanto regional e nacional. sobre: I . II . acordos e convênios.aprovar e executar planos. com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. técnico e administrativo. X . VII . de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura. IV . (Regulamento) II . § 3º É obrigatória a freqüência de alunos e professores.um terço do corpo docente em regime de tempo integral. salvo nos programas de educação a distância. 52. (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes.realizar operações de crédito ou de financiamento. § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem 46 . e aqueles conferidos por instituições não-universitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. Parágrafo único. na hipótese de existência de vagas. Art. ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes. VII . 54.elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes. 51.criar. As instituições de educação superior. Parágrafo único. quando for o caso. atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis. (Regulamento) Art. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano. são asseguradas às universidades. II . É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. respeitando-se os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados.receber subvenções. cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno. II . (Regulamento) Art. 49. tanto do ponto de vista científico e cultural. de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor.um terço do corpo docente. § 4º As instituições de educação superior oferecerão. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente. VI . III .planos de carreira docente.

55. assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art. a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino. com habilitação em administração. (Incluído pela Lei nº 12. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I . 62. portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. para os efeitos desta Lei. de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores. terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12. Parágrafo único. de 2009) III – trabalhadores em educação. dever constitucional do Estado. Art. de 2009) I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. Entende-se por educação especial. IV . 60. os Estados e os Municípios.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. de 2009). Art. de que participarão os segmentos da comunidade institucional. II . Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos. Caberá à União assegurar. em regime de colaboração. supervisão. Nas instituições públicas de educação superior. a oferecida em nível médio. em instituições de ensino e em outras atividades. de graduação plena. intelectual ou psicomotora. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. em função das condições específicas dos alunos. A formação dos profissionais da educação. em universidades e institutos superiores de educação. 56. § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas. subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. para educandos portadores de necessidades especiais. os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. § 3º A oferta de educação especial. a modalidade de educação escolar. § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial. Art. (Incluído pela Lei nº 12. (Regulamento) CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. na escola regular. 59. para atender às suas necessidades. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática. são: (Redação dada pela Lei nº 12. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental.currículos. em virtude de suas deficiências. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados. V . Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que. 63. de 2009) I – a presença de sólida formação básica. bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica. de 2009).014. para atendimento especializado. independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. inspeção e orientação educacional. métodos. sempre que. com base em avaliação realizada pelo Poder Público. (Incluído pela Lei nº 12. deverão promover a formação inicial. anualmente. (Regulamento) § 1º A União. que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho. técnicas. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. § 1º Haverá. como alternativa preferencial. nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos. recursos educativos e organização específicos.056. inclusive o curso normal superior.014. O Poder Público adotará. de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. 58.educação especial para o trabalho.alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa. em seu Orçamento Geral. de 2009) Art. (Incluído pela Lei nº 12.014. destinado à formação de docentes para a educação 47 . Art. 61.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. (Incluído pela Lei nº 12. quando necessário. (Incluído pela Lei nº 12. de 2009). 57.014.014. III . de 2009) II – a associação entre teorias e práticas.056. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I . local e regional. (Incluído pela Lei nº 12. mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço. § 2º O atendimento educacional será feito em classes.014. Em qualquer caso. de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 12. de 2009) Parágrafo único. tem início na faixa etária de zero a seis anos. durante a educação infantil. admitida. (Redação dada pela Lei nº 12. Parágrafo único. o Distrito Federal. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. em curso de licenciatura. a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. serviços de apoio especializado. o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas. planejamento. Art. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. Art. bem como da escolha de dirigentes. inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais. na modalidade Normal. visando a sua efetiva integração na vida em sociedade.014.014.056.cursos formadores de profissionais para a educação básica. escolas ou serviços especializados.

nesta formação.aquisição.piso salarial profissional. § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos.aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. prioritariamente em programas de mestrado e doutorado. ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas. quando efetivada fora dos sistemas de ensino. ou pelos Estados aos respectivos Municípios.receita de transferências constitucionais e outras transferências. II . Art. para efeito do cálculo previsto neste artigo. 68. II . quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades. § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I . 69. 48 . 64. IV .programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais. II . de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art. poderá suprir a exigência de título acadêmico. inspeção. § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas. com base no eventual excesso de arrecadação. e os Estados. Parágrafo único. nunca menos de dezoito. da receita resultante de impostos.301. vinte e cinco por cento. no mínimo.receita de impostos próprios da União. anualmente. A formação docente. planejamento. não será considerada. 65. quando for o caso.receita de incentivos fiscais. serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro.recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pósgraduação. são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas. ajustada.levantamentos estatísticos.outros recursos previstos em lei. até o trigésimo dia. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados. 71. de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art. do Distrito Federal e dos Municípios. ao Distrito Federal e aos Municípios. precipuamente.pesquisa.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos.realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino.remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação. Art. 40 e no § 8o do art. até o décimo dia do mês subseqüente. inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim. quando não vinculada às instituições de ensino. ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão. Art. garantida. que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios. além do exercício da docência. exceto para a educação superior.concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas. § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União. incluirá prática de ensino de.aperfeiçoamento profissional continuado. III . estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino. IV . § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. compreendendo as que se destinam a: I . será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual. III . planejamento e avaliação. A formação de profissionais de educação para administração. manutenção. incluídas. Art.infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental. que não vise. (Renumerado pela Lei nº 11. construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino. e na avaliação do desempenho. II . 201 da Constituição Federal. na manutenção e desenvolvimento do ensino público. dos Estados. V . V . VI .301. III . 70.recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês.período reservado a estudos. incluído na carga de trabalho. V .recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês. 67. VII . ou. II . receita do governo que a transferir. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação. O notório saber. as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério.condições adequadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 11. reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim. a critério da instituição de ensino. a base comum nacional. VIII . o Distrito Federal e os Municípios. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I . Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis.receita do salário-educação e de outras contribuições sociais. IV . observados os seguintes prazos: I .progressão funcional baseada na titulação ou habilitação. trezentas horas. Art.amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo. Art. nos termos das normas de cada sistema de ensino. Art. supervisão e orientação educacional para a educação básica. do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação. até o vigésimo dia. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação. assegurando-lhes. compreendidas as transferências constitucionais. 66. A União aplicará. III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. III . dos Estados. VI . inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I .programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis.

III .comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados.subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial. § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal. II . § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno. com validade para o ano subseqüente. (Incluído pela Lei nº 10. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10. III . desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa.2003) Art. bonificações. TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art. 10 e o inciso V do art. 80. § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. 73. Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei. suas comunidades e povos. em número inferior à sua capacidade de atendimento.639. sem prejuízo de outras prescrições legais. 79. inclusive mediante bolsas de estudo. em todos os níveis e modalidades de ensino. confessionais ou filantrópicas que: I . relativo ao padrão mínimo de qualidade. Art. a valorização de suas línguas e ciências. § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º. Os órgãos fiscalizadores examinarão. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. 212 da Constituição Federal. Art. a recuperação de suas memórias históricas. progressivamente. a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente.apliquem seus excedentes financeiros em educação. dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas.2003) Art. na prestação de contas de recursos públicos. § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades. prioritariamente. Parágrafo único. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local.formação de quadros especiais para a administração pública. dividendos. desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. 77. assistência médico-odontológica.programas suplementares de alimentação. Art. inclusive diplomáticos. e de educação continuada. considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. considerado o número de alunos que efetivamente freqüentam a escola. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. V . com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público.elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado. 76. ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar. sejam militares ou civis. 78.proporcionar aos índios. as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. IV . baseado no cálculo do custo mínimo por aluno. Art. com os seguintes objetivos: I . II .manter programas de formação de pessoal especializado. IV . de 9. de 9. 11 desta Lei. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados.639.pessoal docente e demais trabalhadores da educação. o acesso às informações. na forma da lei. conforme o inciso VI do art. 74. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano. Art. Art.1. o cumprimento do disposto no art.garantir aos índios. VI . na área de ensino de sua responsabilidade. a reafirmação de suas identidades étnicas. em colaboração com os Estados. destinado à educação escolar nas comunidades indígenas. e outras formas de assistência social. 72. incluídos nos Planos Nacionais de Educação. terão os seguintes objetivos: I . A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir. assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art.1. capaz de assegurar ensino de qualidade. para oferta de educação escolar bilingüe e intercultural aos povos indígenas.fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua materna de cada comunidade indígena. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. suas comunidades e povos. 75. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando. O Sistema de Ensino da União. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado. farmacêutica e psicológica.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. II .desenvolver currículos e programas específicos. no art. filantrópica ou confessional.obras de infra-estrutura. desportivo ou cultural. (Regulamento) 49 . o Distrito Federal e os Municípios. ou ao Poder Público. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica.II . A União. no caso de encerramento de suas atividades. § 2º Os programas a que se refere este artigo. IV . 79-A. 79-B. participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas. do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. Art. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. III . 165 da Constituição Federal. quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino.prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. Art.

540.024. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado. Art. Art. de 24 de novembro de 1995 e 9. ainda. 89. A União.788. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. utilizando também.274.reserva de tempo mínimo. o Plano Nacional de Educação. para isto. cada Estado e Município. III . Art. Brasília.274. admitida a equivalência de estudos. Art. Art.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão. (Redação dada pela Lei nº 11.044. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. integrar-se ao respectivo sistema de ensino. TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art. de 2008) Art. de 2006) § 3o O Distrito Federal. As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão. sem ônus para o Poder Público. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. não alteradas pelas Leis nºs 9.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. de 2006) II . ao Congresso Nacional. 87. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino. 175º da Independência e 108º da República. 82. (Redação dada pela Lei nº 11.§ 1º A educação a distância. II . que incluirá: I . 81. 91. O ensino militar é regulado em lei específica. de 18 de outubro de 1982. § 1º A União.330. de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. § 6º A assistência financeira da União aos Estados. de 20 de dezembro de 1961. § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental.692. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. por mais de seis anos. Art. encaminhará.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. supletivamente. Art. observada a lei federal sobre a matéria. nos prazos por estes estabelecidos. Art. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. 84. IV . . Revogam-se as disposições das Leis nºs 4. a contar da publicação desta Lei. mediante delegação deste.274. 90. caberão aos respectivos sistemas de ensino. com diretrizes e metas para os dez anos seguintes. no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. ressalvados os direitos assegurados pelos arts. preservada a autonomia universitária. de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados. pelos concessionários de canais comerciais. na sua condição de instituições de pesquisa. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. e. É instituída a Década da Educação.274. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou. organizada com abertura e regime especiais. pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino. com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. as Leis nºs 5. devem: (Redação dada pela Lei nº 11. ficam condicionadas ao cumprimento do art. no prazo de três anos. 52 é de oito anos. de 28 de novembro de 1968. bem como a dos Estados aos seus Municípios. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental.integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. nos termos da legislação específica. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. (Regulamento) § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino. § 3º As normas para produção. Art. III . GESTÃO DO PROCESSO DE ENSINOAPRENDIZAGEM (Armindo José Rodrigues Revista Brasileira de Educação Especial) 50 . a partir da data de sua publicação. ao Distrito Federal e aos Municípios. Art. 92. os recursos da educação a distância.192. também. e 5. desde que obedecidas as disposições desta Lei. ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art. 86.274. os Estados. de 11 de agosto de 1971 e 7. o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano. a União.131. de 21 de dezembro de 1995 e. exercendo funções de monitoria. e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. 88. 83. 85. de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. 20 de dezembro de 1996.

em seguida. de procedimentos.469) A gestão da classe deve. tendo por objetivo. pensar-se que o professor tem que. organização e distribuição das rotinas. Para Yinger (1977). com o propósito de. Procurava-se. estruturar. programas extensos. alguns outros resultados fornecidos por esses estudos têm igualmente de ser mencionados. uma parte da tarefa de preparação com vista a uma gestão eficaz da aula é simultaneamente uma preparação com vista ao ensino eficaz da matéria. rotinas de supervisão e rotinas de execução (YINGER. estrutura e encadeamento das atividades. para. Porém. tornou-se evidente que a manutenção da ordem não é um fim em si mesma. se empenhe ativamente nas aprendizagens. mas também com a implantação e a comunicação de regras. articulação e sequenciação das atividades. Por isso. E. horários sobrecarregados. As primeiras pesquisas sobre a organização e gestão da sala de aula centraram-se essencialmente em questões relacionadas com a manutenção da ordem e da disciplina. Não se pode ignorar que há professores para quem a instauração e manutenção de um ambiente de trabalho nas aulas é tarefa de tal modo difícil e desgastante que pouco tempo e energia lhes restam para dedicar às atividades de ensino propriamente ditas. Os resultados das pesquisas remetem claramente para uma concepção de gestão da classe numa perspectiva holística. também ROY. (BROPHY e PUTNAM.). então. quando a população discente pertencia quase exclusivamente à classe dominante. subsequentemente. regras de interação. que define as rotinas como "conjuntos de procedimentos estabelecidos que têm por função controlar e coordenar sequências específicas de comportamentos". entendidas como o conjunto de condições préestabelecidas (agrupamento e distribuição espacial dos alunos. etc. 1999. Em primeiro lugar. rotinas e estratégias.) e à própria direção da escola. quando a escola passou a acolher públicos cada vez mais numerosos e diversificados. os quais adotavam. Efetivamente. as pesquisas depressa ultrapassaram os estreitos limites das questões da ordem e da disciplina. acabando por realçar vários outros aspectos importantes. p.. etc) que definem o contexto em que se desenvolve o processo ensinoaprendizagem. procedimentos e sanções disciplinares. comportamentos agressivos e hostis. Esta centralidade das questões disciplinares parece ter decorrido diretamente das profundas transformações sofridas no pós-guerra. de relações e de expectativas em face dos alunos assim que o ano se inicia". Efetivamente. Se os fatores socioeconômicos pesaram fortemente para tornar mais difícil a gestão da aula. turmas numerosas. o ensino dos conteúdos dos programas (dar o programa. as rotinas 51 . DOYLE (1986) proporá a ampliação do conceito. de que derivam as duas tarefas principais da atividade do professor: as funções relativas à gestão da classe (organização dos grupos. de que falam Shulman (1986) e Leinardt (1990).As modalidades de organização e gestão da classe. estava-se agora em presença de uma multiplicidade e diversidade de valores. A antecipação e prevenção conseguem-se através da tomada de decisões acerca de quais devam ser as rotinas a implantar na vida da turma. primeiro. avaliar as aprendizagens. por exemplo. o que acontece na planificação. porém. as análises interacionais e a aplicação de questionários. Promovendo a automatização de uma série de procedimentos que visam o controle e a coordenação de sequências de comportamentos aplicáveis a situações específicas. Citando Brophy (1983). Foi um período em que se multiplicaram as observações sistemáticas de aulas. que consiste em reagir após o aparecimento dos problemas. afinal. Ou que outros professores se centram de tal modo nas atividades estritas de ensino que esquecem as demais dimensões do universo da turma. com vista à antecipação e prevenção dos problemas. o ensino tem duas dimensões fundamentais. entre nós. desde as características pessoais do professor. identificar e caracterizar os traços marcantes do professor eficaz e competente. a necessária atenção por parte dos investigadores. 1979:189. no entanto. pois um aluno pode não perturbar o clima da aula sem que. citados por MARTINEAU. conduzir e supervisionar as atividades de ensino. ao contexto de trabalho (espaços físicos deficientes. no entanto. selecionar e organizar os recursos. por vezes. obter descrições cada vez mais finas dos acontecimentos da sala de aula e dos vários estilos e funções do ensino. da ética e do desenvolvimento pessoal e social. as diferenças remetem antes para a planificação e preparação da matéria e para as técnicas de gestão da classe que os professores utilizam para prevenir a inatenção e as perturbações. em vez da tradicional continuidade e complementaridade entre escola e família. rotinas de ensino. Segundo o mesmo autor. antes do início do ano letivo. se interessa explicitar em traços largos a evolução do conceito de gestão da classe. definição de regras.. não têm merecido. etc). é efetivamente durante a planificação que se procede à seleção. iniciar-se com uma planificação cuidada. É o que demonstraram os estudos sobre a gestão da aula realizados por Kounin e colaboradores que revelam que as diferenças importantes. encontrar modelos de formação inicial susceptíveis de desenvolver nos futuros professores aqueles saberes e aquelas habilidades que têm maior impacto num desempenho profissional igualmente eficaz e competente. GAUTHIER e colaboradores (1998:241) acentuam que " o planejamento da gestão da classe começa não somente com o trabalho de preparação. 1977. Em consequência. particularmente depois dos anos sessenta e setenta. na gestão da classe. garantir um clima de ordem na sala. nomeadamente as dimensões da cidadania. muitos deles "desviados" dos modelos socialmente aceites. motivar os alunos. Não deve. sobretudo nos Estados Unidos. logo desde os primeiros anos de prática. Efetivamente. Este autor distingue quatro tipos de rotinas: rotinas de atividade. logo no início do ano letivo. de normas e códigos sociais. para abarcar a dimensão aprendizagem: "a gestão da classe consiste num conjunto de regras e de disposições necessárias para criar e manter um ambiente ordeiro favorável tanto ao ensino como à aprendizagem". GAUTHIER e DESBIENS. não é menos verdade que vários outros poderão ser invocados. criando constantes conflitos de concepções e de conduta entre o professor e certos grupos de alunos. este modo de agir opõe-se ao método coercitivo. entre os professores que são bem sucedidos e aqueles que o não são não residem na sua resposta aos alunos perturbadores. princípios orientadores da ação docente. tendo experimentado um progressivo desenvolvimento e aprofundamento. É a "dupla agenda do professor". 1991). esta problemática tem sido objeto de importantes investigações desde meados do século passado.

EXERCÍCIO 1. Sacristan. então. ao observador torna-se fácil identificar as atividades e os seus traços distintivos. na perspectiva da psicologia ecológica (BARKER. interações entre os componentes físicos e o modelo configurado de conduta. aprende e fixa as informações. (GAUTHIER et al. livros e outros materiais. duração. pois. conteúdos e materiais de ensino) vão sendo elaborados e especificados. a oportunidade para aprender. b) tecnicista. poderá explicar-se pelo fato de os professores não esperarem grandes mudanças nos seus alunos. por exemplo. a importância que as atividades assumem para o professor. XX. define de antemão os limites e orientações gerais da conduta. elas são "estruturas de situação que organizam e orientam o pensamento e a ação" (DOYLE & CARTER. estruturam o modelo de organização e gestão da classe e definem a intencionalidade e a cobertura que é dada ao currículo. ao moldar o ambiente e o processo de aprendizagem. desde cedo puseram em evidência que aquele modelo não correspondia às práticas efetivas dos professores. 1986). através da sua planificação antecipada. As atividades ou tarefas constituem-se assim no elemento chave de análise do processo ensinoaprendizagem. que são as atividades de ensino. Só a apreensão da sua estrutura e encadeamento sequencial. Yinger e Robins (1983). um modelo configurado de conduta. DOYLE. analisando os processos de planificação adotados em escolas secundárias inglesas. considerações sobre os conteúdos da disciplina respectiva. reduzir ou ampliar. As atividades constituem. p. essas atividades ou tarefas desenhadas.têm por efeito 1) reduzir o número de indicações a serem tratadas pelos professores. Assim. ao enfatizar que. um meio físico com utensílios. as concepções e as práticas de um determinado professor. 1977). Taylor (1970). assim. A descrição acima refere-se à concepção de educação. mas é muito difícil inferir quais os objetivos visados. por ordem de importância: fatores associados ao contexto docente. comportamento aceitável dos alunos. seleção das atividades de aprendizagem. Segundo Hill. Para Yinger (1980). Por conseguinte. mas o próprio quadro de conduta é definido e controlado antecipadamente pelo professor. a planificação das atividades de ensino-aprendizagem foi dominada pelo modelo de Tyler (1949). nas suas práticas quotidianas. concebida nessa perspectiva.. as metas e objetivos do ensino. 1998. selecionando e organizando as rotinas. alguns estudos empíricos. semanas e até meses. Um quadro de conduta é uma unidade ecológica de conduta possuidora de quatro traços distintos: limites espaciais e temporais definidos. Parece. No entanto. no final de cada aula. que constituem a meta e o enfoque da planificação do professor. seleção dos procedimentos de avaliação. as instituições de formação de professores davam grande ênfase ao treino de procedimentos muito elaborados que visavam a eficácia na especificação dos objetivos comportamentais. na perspectiva tyleriana. particularmente do rendimento escolar dos alunos". 1963. movimentos instrucionais do professor. materiais e recursos. bem como uma definição clara dos papéis de professor e aluno. O professor é apenas um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno. bem como os modos peculiares de as desenvolver. 5) diminuir a ansiedade dos alunos. Em consequência. organização das atividades de aprendizagem. que é o de garantir a eficácia da transmissão do conhecimento. ações e estratégias de ensino concebidas para promoverem objetivos prescritos e medições cuidadas dos resultados. A comunicação professor-aluno tem um sentido exclusivamente técnico. 52 . tornando os professores mais previsíveis. concluiu que os professores tendem a considerar. Segundo os autores mencionados. Efetivamente. sendo por conseguinte o cerne tanto da planificação como da ação (Jackson. que se estruturava em quatro etapas: definição dos objetivos. ao contrário do que se seria levado a pensar numa perspectiva de planificação sistemática e linear. por exemplo. Como recorda Arends (1995). aumentando as probabilidades de que essa mesma conduta ocorra segundo os seus intentos. fundados numa atitude crítica relativamente aos modelos e perspectivas behavioristas.242) A PLANIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE ENSINO Até aos anos setenta do séc. a) libertadora. Este último recebe. tanto na planificação como na ação. nos tornará possível compreender qual seja o esquema integrador que define as orientações. não obedeciam às recomendações dos teóricos sobre a planificação sistemática e linear. segundo Yinger (1980). os interesses dos alunos. como vimos acima. pois. estrutura e sequência. É óbvio que os professores se preocupam com a aprendizagem dos alunos. para além de configurarem a interação professor-aluno. O que define as relações é o grau de estruturação e objetividade. 1968. c) progressista. 2) reduzir o número de decisões a serem tomadas durante a intervenção. As correntes cognitivistas deram um contributo valioso para a compreensão do processo ensino-aprendizagem e do papel central nele desempenhado pelas atividades ou tarefas. mas esta só ocorrerá na medida em que os alunos estejam interessados e implicados nas atividades que lhes são propostas/impostas pelo professor ou negociadas/decididas conjuntamente. Ou seja. quando planifica as aulas. (. porquanto os comportamentos de professor e alunos são dirigidos pelo "quadro" definido. propostas e reguladas pelo professor. os professores. e regulam a prática.. uma boa planificação caracterizavase "por objetivos de ensino cuidadosamente especificados (geralmente expostos em termos comportamentais). os professores equacionam as mudanças apenas após a exposição de vários conceitos no decurso de dias. relativamente aos procedimentos de planificação. constituem a oportunidade para aprender. As atividades (ou tarefas) configuram. As atividades de ensino representariam. 4) aumentar a disponibilidade dos professores diante das reações dos alunos. o predomínio das atividades explica-se mediante o conceito de "quadro de conduta". As próprias metas de ensino. quando o professor estrutura as atividades a realizar na aula.) ambos são espectadores frente à verdade objetiva. 3) aumentar a estabilidade das atividades. só vão ganhando forma à medida que os traços da atividade (localização. participantes. quadros de conduta controlada. aliás. e não os resultados da aprendizagem. 2000)..

formas democráticas de escolha dos gestores e diálogo. com finalidades explícitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente e planejada. a escola tem grande responsabilidade nessa formação. 6. D) liberal tradicional. que deve ter uma postura empática. dos costumes e formas de convivência humana. “a prática educativa é um fenômeno social e universal. e) a descentralização administrativo-financeira e pedagógica. sendo a sua força de trabalho. b) desenvolver as competências e habilidades do aluno.’’ (Poulantzas. via grupo. b) a eleição direta do administrador escolar. c) inserir o indivíduo na estrutura da sociedade. d) Paradigma de consenso. c) desenvolver experiências de vida prática e autogestão. pode-se afirmar que: (A) a função da escola não está interligada apenas com as classes sociais às quais dirige sua atenção. frente ao do professor. Segundo Libâneo (1994. enquanto instituição social. no qual o indivíduo está envolvido pelo simples fato de viver em sociedade. c) Certeza. d) trabalhar os valores sociais do contexto em que estão inseridos. e) discutir os problemas sociais e relacioná-los com a cultura. (B) as funções da escola só podem ser analisadas em função das classes sociais às quais dirige sua ação. supervisão escolar e orientador educacional. d) a base teórica fundamentada na psicologia social. Isso nos permite encontrar na escola capitalista uma reprodução da divisão social do trabalho. e) articular o ensino. de instrutor-monitor à disposição do grupo é a A) liberal tecnicista. 2. 4. mais importante do que repassar conhecimento é desenvolver no aluno a capacidade de aprender. b) desenvolver um processo ensino-aprendizagem comportamentalista. Quais características definem melhor este tipo de gestão? a) Centralização. podendo construir saberes indispensáveis à inserção social do aluno. a veneração de um trabalho intelectual que se acha quase sempre fora do aparelho escolar. No que se refere a relação professor/aluno. 16-17). estéticos e éticos. gestão racional e centralização. enfim. (C) A educação que ocorre em instituições específicas. C) progressista libertária. Caso isso ocorresse não haveria nenhum tipo de modalidade social. em seu lado intelectual. como local privilegiado de trabalho com o conhecimento. baseado na busca de respostas para os estímulos previamente planejados. transformando o aluno em sujeito de sua própria aprendizagem. (C) a escola capitalista não forma apenas para a reprodução da divisão social do trabalho. o respeito à autoridade. A prática educativa existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais. religiosa. orientador e um catalisador no meio dos educandos. e a negação de toda forma de repressão. b) Descentralização. A gestão educacional democrática engloba um conjunto de elementos que a diferem da administração tradicional. sendo um professor estimulador. “Só se pode dizer de forma totalmente análoga e aproximativa que a escola forma trabalho intelectual de um lado e trabalho manual (formação técnica) de outro. dicotomia democrática e competição. a constituição e funcionamento de colegiados e a participação de diferentes segmentos consultivos e deliberativos. Embora professor e aluno sejam diferentes e desiguais.. sendo uma atividade humana necessária à existência e ao funcionamento de todas as sociedades”. racionalização. e) Eleição. hierarquia. Quando o professor valoriza a aprendizagem informal. é chamada Educação Intencional ou Formal. A escola. (d) Prepará-los para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias na vida social. B) progressista crítico-social dos conteúdos. visa-se favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. a aprendizagem e a economia de mercado. LUCKESI (1990) afirma que “se os alunos são livres frente ao professor. são eles: a) a base teórica fundamentada no enfoque. O papel da escola na perspectiva da Pedagogia Libera Tradicional é: a) transmitir o saber sistematizado e a cultura. No entanto. assinale a opção INCORRETA. objetivos sociais e precisão. ao assimilarem essas influências. qual é o papel fundamental da escola na formação dos indivíduos? (a) Prepará-los para o mercado de trabalho. (B) A educação compreende os processos formativos que ocorrem no meio social. Para a nova educação que se propõe.) O que se ensina principalmente à classe operária é a disciplina. (. decorrentes da organização econômica. p. 5. tem a seguinte função na atualidade: a) transmitir conhecimentos científicos e tecnológicos. a tendência pedagógica que considera os alunos livres no seu pensar e agir. (b) Prepará-los para atuar no meio econômico. d) promover uma formação geral que engloba o desenvolvimento cognitivo e operativo a partir dos âmbitos científicos. Nesse sentido. As instituições 53 . De maneira alguma. e) crítico-social dos conteúdos. (c) Exigir que o conhecimento possa ser utilizado sistematicamente. (A) A educação exerce influência no meio social sobre os indivíduos e estes. as coisas se apresentam da mesma forma para a nova pequena burguesia e para o trabalho intelectual. está é diretamente ligada á formação do sujeito. em outras vezes. exercendo a função de "conselheiro" e. 8. 7. o docente deve se pôr a serviço do discente. também este o é em relação aos alunos”. A gestão democrática no âmbito da educação teve seu início a partir da década de 80. 1975:288): Com base na citação acima. 3. 9. sem imposições de idéias e concepções. autonomia e eleição direta. (D) Formar o cidadão não é tarefa apenas da escola. promovendo situações de reflexão em comum. competição. E) liberal renovada não-diretiva. escolares ou não. assumem postura passiva que os torna capazes de atuar como agentes de mudança. política.. Acerca da relação entre educação e sociedade. efetivamente formada pela escola.d) renovada. c) a administração científica baseada em um planejamento gerencial.

assinale a opção correta. na qual o ensino era transmitido de pais para filhos. 16. (C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como consequência um ritmo educacional laicizado. Isso exige da escola I. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. pois esta dirige sua ação para a formação da cidadania e preparo para a sociedade capitalista. promover processos de desnaturalização e explicitar a rede de estereótipos e preconceitos que povoam os imaginários das pessoas em relação aos diferentes grupos socioculturais. II e III. II. 13. (B) A educação determina as relações sociais e possibilita as mudanças econômicas e sociais. mudando as relações sociais e educacionais estabelecidas até então. processo de representação mental II. políticas e culturais de uma determinada sociedade. o modo de produção capitalista se consolidou como hegemônico no mundo. assegurando. estabelecidas no nível de desenvolvimento real. (B) A urbanização. e) progredisse mais lentamente que o processo de aprendizado. (A) A organização dos grupos sociais não interfere em suas práticas educativas. ação do sujeito sobre a realidade IV. (C) O movimento pedagógico surgido no século XIX procurou se preocupar com a formação integral do homem. ao caminho que o indivíduo vai percorrer para desenvolver funções que estão em processo de amadurecimento e que se tornarão funções consolidadas. (D) III. mas um acesso mediado. 11. Segundo Vygotsky. políticas e ideológicas. (D) A estrutura social e a organização dos grupos humanos independem dos processos educativos e do acúmulo de conhecimentos desses grupos. Isso nos permite afirmar que na escola capitalista não há somente uma reprodução da divisão social do trabalho. apenas. que a igualdade se explicite nas diferenças. É como se o processo de desenvolvimento a) apresentasse características diferentes do processo de aprendizagem. os estilos de pensamentos intuitivo e mágico e o jogo simbólico são característicos do estágio: a) Das operações formais. fazendo com que entrasse em extinção a chamada aprendizagem mútua. Sente-se mais confortável com a homogeneização e a padronização. (B) O surgimento e consolidação da propriedade privada imprimiu na educação um dinamismo maior e mais amplo de instrução. constitui o grande desafio que ela está chamada a enfrentar”. Sobre a relação da educação e sociedade. Segundo Piaget. b) Das operações concretas. Enquanto sujeito do conhecimento. é correto afirmar que: (A) A antiguidade guarda a relação educacional espontânea. dentro da lógica da difusão e consolidação da instrução pública como modelo de inserção social da grande massa da população. apenas. A educação como fenômeno social é parte integrante das relações sociais. feito através dos recortes do real. c) Pré-operatório. na cultura hegemônica. (D) O século XVI foi marcado pelo surgimento das primeiras escolas públicas estatais. (D) a análise da reprodução da divisão social do trabalho não pode ser resumida apenas às funções da escola. 10. isto é.de ensino ou redes escolares são um espaço de formação da cidadania. No entanto. processo de equilibração Estão CORRETOS apenas os itens: 54 . ou seja. (E) as funções da escola podem ser analisadas em função das classes sociais às quais dirige sua atenção. 15. é incorreto afirmar que: (A) A consolidação da democracia burguesa trouxe a reflexão do papel da educação no tocante à sua função para o status quo social. Uma idéia central para a compreensão das concepções de Vygotsky sobre o desenvolvimento humano como processo sócio-histórico é a idéia de mediação. reconstruir o que se considera “comum” a todos. abrir espaços para a diversidade. o conceito de mediação inclui: I. o homem não tem acesso direto aos objetos. (Osvaldo Jr . a diferença e para o cruzamento de culturas. onde o princípio do homem indivíduo veio a tornar-se predominante na educação. A zona de desenvolvimento proximal referese. 12. apenas. econômicas. d) caminhasse de forma igual ao do processo de aprendizagem. d) Sensório motor. bem no escopo do movimento de reivindicação de direitos sociais por parte do proletariado. Acerca desse assunto. Tende a silenciá-la e neutralizá-la. No que se refere ao campo educacional. Através dessa revolução. (C) A prática educativa está determinada por fins e exigências sociais. também impôs à educação um modelo de centralização social alijado das questões políticas e ideológicas. que transformou a cidade no centro social por excelência. Está correto o que se afirma em (A) I. assim. em consonância com o regime tribal de convivência social. b) avançasse em ritmo mais acelerado que o processo de aprendizado. promover uma política de universalização da escolarização que favoreça a integração de todos na sociedade. Vygotsky define a zona de desenvolvimento proximal como a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial. apenas. garantindo que os diferentes sujeitos socioculturais se reconheçam. (E) I.2011) A Revolução Industrial foi um dos grandes marcos históricos na transição do feudalismo para o capitalismo. (B) I e III. 14. III. assim. que teve como objetivo primordial a superação da exclusão e da ignorância da população. c) ocorresse de forma independente ao do processo de aprendizado. sistemas simbólicos III. (D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento da burguesia como classe dominante favoreceu a chamada difusão da instrução. (C) II e III. Para Moreira e Candau (2003). “a escola sempre teve dificuldade em lidar com a pluralidade e a diferença.

social e cultural do Projeto Pedagógico se traduzem pela explicitação dos principais problemas de cada instituição educacional. D) a do conflito. adotando a concepção de que o conhecimento provém da ativação das estruturas cognitivas dos sujeitos educacionais. a elaboração do Projeto Pedagógico. b) I e III. (B) O referencial pós-crítico de currículo caracteriza o período contemporâneo da ciência. 25. qualidade. A construção do projeto político-pedagógico na perspectiva da emancipação parte dos princípios de igualdade. A capacidade de classificar. (B) A gestão democrática implica o repensar da estrutura de poder da escola. que se aperfeiçoa e se objetiva na caminhada. assinale a opção correta. 24. (C) momento privilegiado de avaliação das competências profissionais dos educadores. em dependência de características a) biológicas e de manifestações de afetividade. (A) A liberdade deve ser considerada como liberdade para aprender e ensinar a arte e o saber direcionados para uma intencionalidade definida pela direção da escola. d) maturacionais e de fatores emocionais. Nesse sentido. c) individuais e das condições de existência. são referências relativas e variáveis. A respeito da evolução histórica do conceito e da concepção do currículo. objetivo. d) III e IV. ocorre no estágio: a) Sensório-Motor b) Pré-Operatório c) Operatório d) Simbólico e) Inteligência Intuitiva 19. Pode ser entendido como a sistematização. Considerando a Educação Bancária preconizada por Paulo Freire. de acordo com Piaget. citado por Rabelo (2001). B) A educação bancária tem por finalidade promover a transformação social. 2002. ela se configura como espaço de conflitos e contradições que permeiam o trabalho pedagógico-didático 55 . (B) um exercício de autonomia escolar. C) a liberal. (E) discussão coletiva dos conhecimentos a serem refletidos. de um processo de planejamento participativo. duração e diagnóstico.a) I e II. que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar. a partir de um posicionamento quanto à sua intencionalidade e de uma leitura da realidade” (VASCONCELLOS. nunca definitiva. e) intelectuais e manifestações culturais. Segundo Vigotsky. social e ideológico. a libertária e a crítico-social dos conteúdos. b) genéticas e do desenvolvimento cognitivo. A Pedagogia Progressista manifestou-se em três tendências. manifestando-se por meio da linguagem e da comunicação. Devido a isso. a duração de cada estágio e as idades a que correspondem. ou seja. a revolucionária e a mundancista. entre oprimidos e opressores. p. As dimensões política. (A) A igualdade pressupõe a expansão quantitativa de oferta de vagas em detrimento da manutenção da qualidade. marque a alternativa CORRETA: A) A educação bancária tem por finalidade problematizar a realidade social. Em relação a esses princípios. 22. afastado de determinantes históricos e condicionantes mais amplos. 17. e a diversidade humana tornase uma referência básica para a prática curricular. a liberal renovada e a liberal avançada. 17). pela proposição de soluções e definição de responsabilidades coletivas e individuais na superação desses problemas. Os fatores orgânicos são os responsáveis pela seqüência fixa que se verifica entre os estágios do desenvolvimento. dos processos sociais. C) A educação bancária tem por finalidade promover o diálogo entre os sábios e os que nada sabem. (C) A qualidade implica duas dimensões dissociáveis. todavia não garantem uma homogeneidade no seu tempo de duração. Podem ter seus efeitos amplamente transformados pelas circunstâncias sociais nas quais se insere cada existência individual e mesmo por deliberação voluntária do sujeito. são elas: A) a humanista. gestão democrática e valorização do magistério. (C) O referencial crítico de currículo. assinale a opção INCORRETA. a técnica e a política. definitivo. B) a libertadora. a moderna e a tradicional. duração e participação. E) a reprodutivista. 23. a mediadora e a do consenso. 20. a capacidade que uma criança tem de poder cumprir uma tarefa sem ajuda externa é chamada de: a) Zona de Desenvolvimento Proximal b) Nível de Desenvolvimento Potencial c) Desenvolvimento prospectivo d) Zona de Estabilidade Variável e) Nível de Desenvolvimento Real 18. (C) abrangência. estando uma diretamente subordinada à outra. c) II e III. liberdade. (B) abrangência. este visto como produto de uma reflexão crítica sobre a relação entre os saberes científicos e a prática social. “O Projeto Político Pedagógico é o plano global da instituição. (D) responsabilidade principal da equipe técnica. (A) No referencial tradicional de currículo. (D) abrangência. 21. D) A educação bancária tem por finalidade conscientizar os alunos de sua condição de oprimido. A instituição escolar é repleta de influências dos campos político. Segundo Wallon. se constitui em: (A) solução para se obter o ensino de qualidade. a construção do conhecimento desloca-se do sujeito individual para os processos coletivos. visando à sua socialização. advoga o currículo como conhecimento. inspirado nos princípios da dialética materialista histórica. (D) O referencial tradicional de currículo encara o conhecimento como estático. 26. participação e diagnóstico. E) A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. São características do Projeto Político Pedagógico: (A) abrangência. diagnóstico e concretização. mas se produz nos processos intersubjetivos e dialogais que acontecem na prática escolar.

pós – graduação a níveis de lacto e stricto sensu. F. apesar de não se constituir numa “Pedagogia Ambiental”. avalie as sentenças abaixo como verdadeiras (V) ou falsas (F). Habilitados em nível médio ou superior. em uma situação concreta somente. e a Educação Superior. c) A organização pedagógica fundamentada numa ação concreta que vise o fim da problemática ambiental. B) a política de Educação Infantil deve focar-se na cultura. que sugerem fomento aos projetos escolares na área. inspeção e orientação educacional. compreendendo o ensino fundamental e médio. V. V. III. A sequência CORRETA é a) V. 32. ( ) O planejamento difere do sonho. a saber: I. fazendo com que entrasse em extinção a chamada aprendizagem mútua. b) Educação Básica: ensino superior presencial nas modalidades: semi-presencial e a distância. Assim. V b) F. dos Estados e dos Municípios. b) dos Estados. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre a relação da educação e sociedade. (B) O surgimento e consolidação da propriedade privada imprimiu na educação um dinamismo maior e mais amplo de instrução. (C) O ensino como tarefa real e concreta. II. V. para atuação na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. dos Municípios e dos Estados. II e III identificam. do desejo difuso e da simples intenção visto que prevê passos. III e V c) II. é uma problemática complexa e que requer ainda muitos avanços em sua execução no campo escolar. e) Educação Básica. constitui-se em elemento do trabalho didático-pedagógico da escola o (a): (A) Igualdade de condições para todos os educandos. De acordo com a LDB. Portadores de curso técnico ou superior em pedagogia ou área afim. o ensino fundamental. ( ) O planejamento não remete à prática. Tendo em vista que planejar significa antecipar mentalmente uma ação que se quer realizar. com diploma de pedagogia com habilitação em administração. as diferenças entre elas e sua forma privilegiada de conhecer o mundo por meio do brincar. D) o processo pedagógico deve considerar as crianças em sua totalidade. ( ) O planejamento não difere da imaginação. é correto afirmar que: (A) A antiguidade guarda a relação educacional espontânea. supervisão. dos Municípios e da União. Assim. V. V. Considere os enunciados: I . compreendendo graduação e pós graduação. observando suas especificidades. ( ) O planejamento se dá em cima de uma ação específica. III – assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. nos direitos humanos. II – oferecer a educação infantil em creches e préescolas e. V. V c) F. V d) V. com prioridade. c) Educação Básica. b) A importância de ações estruturantes. C) quanto ao funcionamento. IV. Técnicos em educação. F. d) dos Municípios. 27. com ou sem pós-graduação. ensino fundamental e ensino médio. Professores com nível superior para exercerem docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. respectivamente. F. opção da família o atendimento gratuito em instituições públicas de Educação Infantil. (D) Sei lá. A LDBEN (Lei 9394/96). Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação N. III e IV d) I. as Instituições de Educação Infantil poderão organizar o atendimento em regime parcial e/ou integral e funcionar ininterruptamente durante o ano civil. compreendendo as seguintes etapas: a educação infantil. II e III b) II. o ensino médio. na medida em que em ambos há o compromisso com a prática. Trabalhadores em educação. 28. a educação escolar está composta dos seguintes níveis: a) Educação Básica. V. buscando sempre uma sistematização que favoreça o desempenho da instituição escolar. na qual o ensino era transmitido de pais para filhos. c) dos Estados. III e IV 56 . ensino médio e ensino superior. Estão corretas as afirmativas: a) I. A Educação Ambiental. V. planejamento. ela traz à tona a) A necessidade de se estabelecer currículos fechados sobre o tema. os enunciados I. V. dos Estados e da União. em consonância com o regime tribal de convivência social. d) Educação infantil. especifica os que em efetivo exercício e formados em cursos reconhecidos. 30. 33. V. esse trabalho jamais é neutro e descompromissado. EXCETO: A) é dever do Estado.desenvolvido por ela. d) Uma política educacional que corresponda aos anseios de grupos de preservação ambiental. superior e complementar. F. que trabalham na educação. com nível superior em magistério ou cursos afins. V. ensino fundamental. (D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento da burguesia como classe dominante favoreceu a chamada difusão da instrução. No que diz respeito à organização do Sistema Municipal de Ensino é possível afirmar. 31. que teve como objetivo primordial a superação da exclusão e da ignorância da população. justiça social. onde o princípio do homem indivíduo veio a tornar-se predominante na educação. Nesse sentido. da União e dos Municípios. médio e superior. responsabilidades a) da União. F e) F. ( ) O planejamento é uma forma de antever e interagir com as condições dadas. sem se preocupar com as políticas destinadas a outras organizações da sociedade civil. 9394/96. e) da União. F 29. F.assegurar o ensino fundamental e oferecer. a educação profissional e o ensino superior. sequência e ação. pois não possui com ela uma relação intrínseca. (B) A utilização de métodos de ensino-aprendizagem. com prioridade. direito da criança. (C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como consequência um ritmo educacional laicizado. juntamente com suas alterações. como profissionais da educação.

B) Consistem em atividades planejadas pelo professor. A afirmação acima nos chama atenção para a importância de se (A) buscar bases conceituais que respaldem e sustentem as metodologias utilizadas na prática educativa. Os educadores. 35. c) A instituição sabe as necessidades de formação de seus profissionais e elabora um programa de formação dos mesmos contando com a participação dos órgãos centrais para efetivar o referido programa. exaustividade e complexidade. que é: (A) A sua inserção nas atividades rotineiras da escola. 41. complexidade e resolução de problemas. (D) A prerrogativa de representar a SEMED local. complexidade e resolução de problemas. E) Consistem em atividades não programadas pelo professor. crítico. consciente da sua responsabilidade individual e social. A formação inicial deve preparar o futuro docente para uma profissão que: A) não exige tanta qualificação ao longo da vida profissional. C) exige somente o ensino de técnicas pedagógicas. c) Na democratização da gestão escolar e na melhoria da qualidade do ensino. 44. E) intencionalidade. das criadas e mantidas pela iniciativa privada para a educação infantil.e) III. além das de iniciativas privada com o mesmo fim. que acontecem ocasionalmente em sala de aula. C) responsabilidade. como se a educação pudesse melhorar apenas a partir da metodologia de ensino. e) Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto do conhecimento. 42. em seu fazer diário. b) Apenas no rendimento acadêmico do aluno. A formação continuada do professor é assegurada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. e) mamãe mandou!!!!! 37. C) para um mundo inter-ecológico. juntamente com as de educação infantil. c) Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. assim. 30. c) Pelas escolas de ensino fundamental e de educação infantil mantidas pelo poder público municipal. 43. B) exige que se continue a estudar durante toda a vida profissional. tendo em vista somente os alunos com dificuldades. E) autônomo. B) simbolização. exceto: a) Difusa b) Educação à distância c) Presencial d) Semi-presencial 36. b) Está previsto no Projeto Político-Pedagógico para dar formação continuada de professores dentro dos parâmetros das políticas em educação para aligeiramento deste profissional. a) Estabelecer ligações entre teoria e prática. D) para atuar sem precisão no ambiente virtual. 57 . preocupam-se em demasia com métodos e técnicas em um verdadeiro endeusamento dessas questões. que a participação da comunidade no meio escolar influi: a) Apenas na democratização da gestão escolar. São tipos de modalidades de educação ambiental. propostas e dirigidas pelo professor para a aprendizagem dos alunos. O artigo 18 da LDBEN (Lei 9394/96) normatiza os sistemas municipais de ensino. Sobre as situações de aprendizagem. b) Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. analise as afirmativas seguintes e marque a alternativa CORRETA: A) Consistem em atividades lúdicas criadas pelos alunos. IV e V 34. São características do trabalho desenvolvido pela Pedagogia de Projetos: A) ocasionalidade. Podemos afirmar que ela se torna efetiva quando: a) A instituição adota deliberadamente os programas do governo capacitando o seu pessoal em sintonia com os anseios da equipe gestora da instituição. intensificar seu envolvimento com ela e. C) Consistem em atividades dirigidas pelo professor. análise teórica. D) exige apenas o ensino de metodologias ativas. responsabilidade e complexidade. 9. 1997). B) que manipule a máquina sem autonomia. d) Pelas instituições: do ensino fundamental. O Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental. formalidade e burocracia. autenticidade. 38. portanto. acompanhar melhor a educação ali oferecida” (GADOTTI E ROMÃO. d) Adotar a prática de um currículo fechado. d) Previsto no Regimento Escolar. responsabilidade e autonomia dos alunos. e) Apenas na melhoria da qualidade do ensino. registrado em cartório e com uso aleatório das verbas públicas. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham. mantidas pelo município. Os novos processos de interação e comunicação no ensino mediado pelas tecnologias visam a formação de um novo homem: A) para a era interplanetária. médio e de educação infantil mantidas pela prefeitura. os quais compreendem: a) Somente as instituições de educação infantil e ensino fundamental mantidas pelas prefeituras. (C) Se constituir em uma forma colegiada da gestão democrática. Pode-se afirmar que NÃO faz parte dos princípios da interdisciplinaridade.394/96 e deve ser assegurada no Projeto Político Pedagógico da unidade escolar. bem como os órgãos municipais. sem um objetivo específico. (B) O seu papel mediador entre os docentes e a direção da escola. e os órgãos municipais. d) No rendimento acadêmico do aluno e na melhoria da qualidade do ensino. D) Consistem em atividades planejadas. D) exaustividade. E) exige exclusivamente o ensino de como agir coletivamente na escola. 39. Os autores afirmam. 40. “Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola. (B) pesquisar cuidadosamente técnicas e metodologias mais atuais que contemplem a motivação dos orientandos. b) As instituições de ensino fundamental e médio.

d) A gestão democrática e participativa. De acordo com Clovis Roberto. valorizando as iniciativas individuais e fracionadas. mas o aluno aprende do professor não necessariamente o que o outro quer ensinar. o que favoreceria a uniformidade das práticas educativas sobre o tema. onde pouco interesse se vê nos estudantes para desenvolverem atividades voltadas ao meio ambiente. 50. com expressões próprias. (E) preparar melhor as técnicas educativas para que os orientandos assimilem com maior facilidade o conhecimento ensinado. d) Humanista. e) A filosofia da educação adotada. nota-se cada vez mais o empenho acadêmico em formar professores engajados na EA. 49. b) A diversidade cultural dos atores escolares. Em um determinado contexto histórico educacional. A estrutura da exposição deve conduzir à problematização e ao raciocínio. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre as características inerentes a educação tecnológica. pode-se afirmar que: a) A grande dificuldade da EA é a ausência de uma legislação específica para a mesma. as ações e condições necessárias para resolver problemas. saber-pensar e criar. reflexo dos conteúdos pedagógico e político implementados completamente na formação docente. um movimento de práxis educacional. coopera de forma fundamental para que haja aprendizagem. (Osvaldo Jr – 2011) Sem dúvida. Sendo assim. com os condicionantes e fundamentos existentes no mundo tecnológico. d) A definição de objetivos. e) A disponibilidade individual de professores e estudantes em superar obstáculos às práticas educativas. (Osvaldo Jr – 2011) É fator que contribui para o bom desenvolvimento da prática pedagógica no âmbito escolar. seus argumentos e suas experiências. é correto afirmar que. promovendo um despertar para a interpretação do contexto atual. Conhecimentos pedagógicos. 46. ou seja. (A) Coerência entre teoria e prática. principalmente na atualidade. e) Sua fundamentação básica encontra-se no interjogo do saber-fazer. b) Cognitivista. exceto: a) História de vida dos educandos. a avaliação significa uma forma de verificar o rendimento escolar por meio de produções livres. relacionamentos. c) Nos dias atuais. o texto acima se refere à avaliação inerente à concepção de educação fundamentada na abordagem: a) Comportamentalista. c) Tradicional. 58 . exponham suas idéias. c) Procura levantar questões que se relacionam com o momento contextual considerado. 45. entre outras coisas. no seu sentido mais formal. 48. com sobressalto da dimensão ética no uso das tecnologias. O professor pensa ensinar o que sabe. suas opiniões. constitui apenas um documento que representa um processo de planejamento que determina. explicações práticas e casuais. típico da prática interdisciplinar que deve permear este na escola. 51. Zaíra Leita Ramos. o que favorece a formação de pessoas com criticidade para o uso racional e produtivo da tecnologia. d) Não impõe o uso das novas tecnologias. metas e finalidades da ação educativa. Vestcon. de maneira que esta possa cada vez mais trazer à tona a problemática do meio ambiente. e deve ser pautada na observância dos conteúdos próprios para a série e não na relação destes com a vida e os interesses dos alunos. 47. assinale a opção inCORRETA. (D) procurar o interesse prático dos orientandos para então escolher a técnica mais adequada a ser desenvolvida. b) Embora não haja consenso conceitual e de práticas de EA na atualidade. A respeito da relação professor/aluno. Affonso Romano de Sant’Anna (com adaptações). e) Sociocultural. sobretudo no ambiente escolar. buscando além da mera transmissão de conhecimentos um processo construtivo que possibilite a superação do conhecido e ensinado. nos projetos de aprendizagem: (A) a escolha dos temas a serem investigados é feita em conjunto por professores e coordenação pedagógica. b) Exige uma interação entre teoria e prática. aquilo que recolheu nos livros da vida. capacidade para o diálogo e competência didática são algumas características do professor que facilitam a aprendizagem. (B) Um ambiente de participação.(C) dinamizar as práticas educativas a partir de atividades significativas para todos os orientandos. é possível perceber o surgimento de uma unidade maior ao redor do tema. 2007 (com adaptações). c) A diversidade cultural. (C) A escolha dos temas a serem trabalhados em sala de aula é função do professor. e) A EA ainda é um grande desafio para a escola. e não à absorção passiva das idéias e informações do professor. Brasília: Ed. assinale a alternativa incorreta: a) É baseada numa concepção educacional transformadora e progressista. (D) O professor deve ser um comunicador dialogal e não um transmissor unilateral de informação. b) A ação do professor. Um projeto. mas aquilo que quer aprender. Considerando a metodologia de projetos e sua relação com a prática pedagógica. alterar uma situação ou criar novas alternativas. A metodologia de Projetos de Aprendizagem pretende subsidiar práticas pedagógicas inovadoras. c) O processo ensino-aprendizagem e suas nuances. 2005. (Osvaldo Jr – 2011) Qual dos elementos abaixo é considerado como dimensão da prática pedagógica no âmbito escolar: a) Os objetivos definidos. um dos grandes desafios para os educadores da contemporaneidade é efetivar a Educação Ambiental (EA). d) Uma forma de concretizar plenamente esse tema na escola é engajar estudantes e professores em atividades práticas de reciclagem de lixo escolar. numa relação de completa reciprocidade entre o que a teoria diz e a prática reforça. no qual professor e alunos trabalhem juntos.

(B) não há uma seqüência única e geral na apresentação dos conteúdos. vontade e desejo do aprendiz.B 59 . Estes são apresentados segundo a curiosidade. (D) o aluno apresenta-se receptivo às definições de regras e atividades orientadas pelo sistema educacional. GABARITO 010203040506070809101112B C B A E D D A E C B A 131415161718192021222324D E C A E C C E B C A B 252627282930313233343536B B A C A C C B C C D D 373839404142434445464748C D B D E E C A C B E E 49.B 50. (C) o professor é o agente de transmissão do conhecimento e o responsável pela definição da seqüência dos conteúdos do currículo.B 51.

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