CURSO LIDERANÇA

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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS EDUCAÇÃO, TRABALHO E CIDADANIA: A EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O DESAFIO DA FORMAÇÃO NO ATUAL CENÁRIO HISTÓRICO (Antônio J. Severino). A humanidade vive, hoje, um momento de sua história marcado por grandes transformações, decorrentes, sobretudo do avanço tecnológico, nas diversas esferas de sua existência: na produção econômica dos bens naturais; nas relações políticas da vida social; e na construção cultural. Esta nova condição exige um redimensionamento de todas as práticas mediadoras de sua realidade histórica, quais sejam, o trabalho, a sociabilidade e a cultura simbólica. Espera-se, pois, da educação, como mediação dessas práticas, que se torne, para enfrentar o grande desafio do 3º milênio, investimento sistemático nas forças construtivas dessas práticas, de modo a contribuir mais eficazmente na construção da cidadania, tornando-se fundamentalmente educação do homem social. A educação, como processo pedagógico sistematizado de intervenção na dinâmica da vida social, é considerada hoje objeto priorizado de estudos científicos com vistas à definição de políticas estratégicas para o desenvolvimento integral das sociedades. Ela é entendida como mediação básica da vida social de todas as comunidades humanas. Esta reavaliação, que levou à sua revalorização, não pode, no entanto, fundar-se apenas na sua operacionalidade para a eficácia funcional do sistema socioeconômico, como muitas vezes tendem a vê-la as organizações oficiais, grandes economistas e outros especialistas que focam a questão sob a perspectiva da teoria do capital humano. Sem dúvida, a existência real dos homens é profundamente marcada pelos aspectos econômicos, até porque esta dimensão econômica, devidamente entendida, constitui mesmo uma referência condicionante para as outras dimensões da vida humana, uma vez que ela se liga à própria sobrevivência da vida material. Porém, a significação dos processos sociais e, no seu âmbito, dos processos educacionais não se restringe a essa sua funcionalidade operatória. Se, de um lado, é a realidade dos fatos que permite que a educação tenha alguma incidência social, de outro, essa eficácia só ganha legitimidade humana se se referir a significações que ultrapassem sua mera facticidade e seu desempenho operacional. A Nova Ordem Mundial: a Promessa. De acordo com um senso comum atualizado, vigente nos meios acadêmicos, nos meios de comunicação e até mesmo nos meios populares, estaríamos vivendo hoje um mundo totalmente diferente daquele projetado pela visão iluminista da modernidade, constituindo uma nova ordem mundial. Estaríamos vivendo um momento de plena revolução tecnológica, capaz de lidar com a produção e transmissão de informações em extraordinária velocidade, num processo de globalização não só da cultura, mas também da economia e da política. Tratarse-ia de um momento marcado pelo privilegiamento da iniciativa privada, pela minimalização da ingerência do Estado nos negócios humanos, pela maximalização das

leis do mercado, pela ruptura de todas as fronteiras. Tal situação leva Octavio Ianni (1998:28) a afirmar que “o que está em causa é a busca de maior e crescente produtividade, competitividade e lucratividade, tendo em conta mercados nacionais, regionais e mundiais. Daí a impressão de que o mundo se transforma no território de uma vasta e complexa fábrica global e, ao mesmo tempo, em shopping center global e disneylândia global”. No entanto, este modo de ver e existir atuais, de perfil assumidamente neoliberal, com suas decorrências e expressões no plano cultural, com sua exacerbação do individualismo, do produtivismo, do consumismo, da indústria cultural, da mercadorização até mesmo dos bens simbólicos, não instaura nenhuma pósmodernidade. Com efeito, o que está de fato acontecendo é a plena maturação das premissas e promessas da própria modernidade. Nada mais moderno do que esta expansão e consolidação do capitalismo, envolvido numa aura ideológica de liberalismo extremado; nada mais moderno do que esta tecnicização, viabilizada pela revolução informacional. Finalmente, a modernidade está realizando as promessas embutidas em seu projeto civilizatório. Nada mais moderno do que o individualismo egoísta dos dias de hoje. No fundo, é a mesma racionalidade que continua dirigindo os rumos da história humana, em que pesem as críticas que são feitas à sua forma de expressão até o século 19. Educação E Formação do Homem Social Ao contrário do que sempre alegaram a metafísica tradicional e a ciência moderna, todas as formas de manifestação concreta da existência humana se realizam mediante a ação real, o agir prático. Com efeito, a substância do existir é a prática. Só se é algo mediante um contínuo processo de agir, só se é algo mediante a ação. Assim, diferentemente do que pensavam os metafísicos clássicos, não é o agir que decorre do ser, mas é o modo de ser que decorre do agir. É a ação que delineia, circunscreve e determina a essência dos homens. É na e pela prática que as coisas humanas efetivamente acontecem, que a história se faz. Este é o sentido da historicidade da existência humana, ou seja, os homens não são a mera expressão de uma essência metafísica predeterminada, nem a mera resultante de um processo de transformações naturais que estariam em evolução. Ao contrário, naquilo em que são especificamente humanos, eles são seres em permanente processo de construção. Nunca estão prontos e acabados, nem no plano individual, nem no plano coletivo, como espécie. Por sobre um lastro de uma natureza físico-biológica prévia, mas que é préhumana, compartilhada com todos os demais seres vivos, eles vão se transformando e se reconstruindo como seres especificamente humanos, como seres “culturais”. E isso não apenas na linha de um necessário aprimoramento, de um aperfeiçoamento contínuo ou de progresso: ao contrário, estas mudanças transformativas, decorrentes de sua prática, podem ser regressivas, nem sempre sinalizando para uma eventual direção de aprimoramento de nosso modo de ser. O que é importante observar é que os seres humanos vão sendo aquilo que se vão fazendo e este fazer-se, este constituir se só se dá mediante a ação e não pelos seus desejos, pelos seus pensamentos e teorias. Assim, a educação não poderá mais ser vista como processo mecânico de desenvolvimento de

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potencialidades. Ela será necessariamente um processo de construção, ou seja, uma prática mediante a qual os homens estão se construindo ao longo do tempo. Educação como Mediadora da Existência Histórica Pode-se então equacionar a existência humana como se dando mediada pelo tríplice universo do trabalho, da sociedade e da cultura. Como os três ângulos de um triângulo, esses três universos se complementam e se implicam mutuamente, um dependendo do outro, a partir de sua própria especificidade. É nesse contexto que se pode entender as relações do conhecimento com o universo social. Com efeito, o conhecimento pressupõe um solo de relações sociais, não apenas como referência circunstancial, mas como matriz, como placenta que nutre todo seu processamento. Entretanto, essa trama de relações sociais em que se tece a existência real dos homens, como se viu antes, não se caracteriza apenas pelas relações de gregaridade dos indivíduos, tal qual ocorre nas “sociedades” animais, mas sobretudo por relações de hierarquização, envolvendo o elemento específico a interferir no social humano, o poder, que torna política a sociedade. O saber aparece, portanto, como instrumento para o fazer técnico-produtivo, como mediação do poder e como ferramenta da própria criação dos símbolos, voltando-se sobre si mesmo, ou seja, é sempre um processo de intencionalização. Assim, é graças a essa intencionalização que nossa atividade técnica deixa de ser mecânica e passa a se dar em função de uma projetividade, o trabalho ganhando um sentido. Do mesmo modo, a atividade propriamente política se ideologiza e a atividade cultural transfigura a utilidade pragmática imediata de todas as coisas. Como entender então a educação nesse contexto das mediações histórico-sociais que efetivamente manifestam e concretizam a existência humana na realidade? Ela deve ser entendida como prática simultaneamente técnica e política, atravessada por uma intencionalidade teórica, fecundada pela significação simbólica, mediando a integração dos sujeitos educandos nesse tríplice universo das mediações existenciais: no universo do trabalho, da produção material, das relações econômicas; no universo das mediações institucionais da vida social, lugar das relações políticas, esfera do poder; no universo da cultura simbólica, lugar da experiência da identidade subjetiva, esfera das relações intencionais. A educação só se legitima intencionalizando a prática histórica dos homens. Com efeito, se se espera, acertadamente, que a educação seja de fato um processo de humanização, é preciso que ela se torne mediação que viabilize, que invista na construção dessas mediações mais básicas, contribuindo para que elas se efetivem em suas condições objetivas reais. Ora, esse processo não é automático, não é decorrência mecânica da vida da espécie. É verdade que, ao superar a transitividade do instinto e com ela a univocidade das respostas às situações, a espécie humana ganha em flexibilidade, mas, ao mesmo tempo, torna-se vítima fácil das forças alienantes, uma vez que todas as mediações são ambivalentes: constituem, simultaneamente, o lugar da personalização, e o lugar da desumanização, da despersonalização. Assim, a vida individual, a vida em sociedade, o trabalho, as formas culturais e as vivências subjetivas podem estar levando não a uma forma mais adequada de existência, da perspectiva humana, mas antes a

formas de despersonalização individual e coletiva, ao império da alienação. Sempre é bom não perder de vista que o trabalho pode degradar o homem, a vida social pode oprimi-lo e a cultura pode aliená-lo, ideologizando-o. Daí se esperar da educação que ela se constitua, em sua efetividade prática, um decidido investimento na consolidação das forças construtivas dessas mediações. É por isso que, ao lado do investimento na transmissão aos educandos, dos conhecimentos científicos e técnicos, impõe-se garantir que a educação seja mediação da percepção das relações situacionais, que ela lhes possibilite a apreensão das intrincadas redes políticas da realidade social, pois só a partir daí poderão se dar conta também do significado de suas atividades técnicas e culturais. Por outro lado, cabe ainda à educação, no plano da intencionalidade da consciência, desvendar os mascaramentos ideológicos de sua própria atividade, evitando assim que se instaure como mera força de reprodução social e se torne força de transformação da sociedade, contribuindo para extirpar do tecido desta todos os focos da alienação. FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA: RELAÇÃO ESCOLA E SOCIEDADE A escola, ao caracterizar-se como estabelecimento de educação ou de ensino, em de ser vista como organização e instituição. Seu fazer educativo não se confunde com o que acontece na família, no trabalho, na mídia, no lazer e nas demais formas de convívio social. A escola também não se confunde com a comunidade, a autarquia local, associações ou sindicatos. A escola é, antes de mais nada, uma organização, isto é, uma unidade social criada e estruturada explicitamente para realizar determinados fins (por exemplo: educação, ensino, formação. O que a distingue da família é a existência de um aparelho de autoridade (por exemplo, órgãos de administração e gestão) e de um corpo de regras, normas e procedimentos (por exemplo, regimento, regulamento interno, projeto educativo),formalmente instituídos para atingir um certo número de objetivos, alguns dos quais podem (e devem) ser igualmente prosseguidos pela família e outras instâncias de socialização (MUSGRAVE, 1979; HAECHT, 1992; PINTO, 1977). Mas a escola, tal como a empresa, não pode ser vista apenas sob o aspecto formal (o organograma, o estatuto, a missão oficial, o regulamento, as competências dos órgãos de administração e gestão). À semelhança do iceberg a escola tem uma parte imediatamente não visível (ou manifesta), porque submersa (ou latente): 1) são as relações informais que os membros (pessoal docente e não docente, alunos, pais e encarregados de educação, outros representantes da comunidade) estabelecem entre si; 2) essas relações, sobretudo, relações de poder (saber/não saber, ensino/aprendizagem, conformidade/desvio). Enquanto organização, a escola tem sido pouco estudada. Todavia, ela pode ser vista segundo diferentes modelos sociológicos; por exemplo, Burgess (1980) centrou a sua atenção em três abordagens. Convém, no entanto, começar por recorda que ela é, antes de mais, uma instituição e que patê de um sistema de ação a que chamamos a educação (ou sistema educativo). A Escola como Instituição

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A escola não existe num vácuo (social, cultural, administrativo ou político), ela articula-se com diferentes sistemas de ação que a modelam e legitimam (a começar pelo /estado, o poder legislativo, executivo e judicial, passando pelo mercado de trabalho, as empresas, a proteção social, a saúde, a ciência, e a tecnologia, as associações profissionais, as associações de pais e encarregados de educação, as autarquias); em suma, a escola articula-se com o sistema social mais vaso de que faz parte (Estado e sociedade civil, incluindo a família). Tanto a saúde como a educação são, por excelência, instituições, ou seja, conjuntos de idéias, crenças, valores e normas de comportamento propostos (e muitas vezes impostos) ao indivíduo numa dada sociedade. Para compreender as normas, as regras, os valores e as finalidades da escola e as transformações históricas por que tem passado, teremos que levar em conta o papel dos seus atores externos: todo os que são (ou foram) detentores de interesses específicos no campo da educação e do ensino. A escola, tal como a conhecemos hoje (universal, gratuita, laica, de freqüência obrigatória etc.), não pode ser desligada do contexto da luta de classes que deu origem ao estado moderno (a reforma, a ascensão econômica, política e cultural da burguesia, o Século das Luzes, a Revolução Industrial). • Com a Revolução Francesa, o Estado burguês vai nacionalizar o ensino, substituindose, desse modo, a Igreja. • Na esteira de Pombal e dos primeiros reformadores liberais, a república portuguesa vai inspirar-se nas leis escolares de Jules Ferry, e transformar a escola na Nova Igreja Cívica do Povo”. • Apoderando-se do antigo carisma dos homens da Igreja, o professor é posto no altar, promovido a “sacerdote do ensino”, a “apóstolo (laico) da religião social”, de acordo com a ideologia positivista que transparece dos diplomas legais que estão na origem da reforma do ensino primário (1911) e do técnico (1917) (FORMOSINHO e MACHADO, 2000, p. 99). A escola como organização como tantas outras (as empresas, os partidos políticos, as associações sindicais, os tribunais, as igrejas, os hospitais etc.). E, como tal, tem sido objeto de análise sociológica (e sobretudo psicosociológica), na medida em que é constituída por diferentes indivíduos e grupos, reunidos em função de um determinado objetivo e estabelecendo entre si determinados tipos de relações, de trabalho e de poder. Ao foca essencialmente o modo como os alunos poderão aprender mais matemática, ciências, história etc. (o que, certamente, não é um problema insignificante), negligenciou-se o amplo contexto em que as escolas existem, um contexto que pode mesmo dificultar o progresso dos alunos. Por um lado, não tem sido dada a devida atenção ás complexidades da interação diária na escola, ao processo educativo e à dinâmica interna da instituição. Por outro, as tendências internas da escola são desligadas do contexto ideológico, econômico e político em que estão inseridas. Enquanto instituição e organização, da escola é possível, todavia, fazer uma análise comparativa em diferentes contextos históricos, e encontrar traços ou características comuns:

1) A escola como organização tem sido em cada época uma missão ou finalidade própria, manifesta ou latente, explícita ou implícita, qualquer que seja o seu sistema de funcionamento ou o seu estatuto jurídico-legal (laico ou religioso, público ou privado etc.). 2) Além disso, e (cada vez mais) o local de trabalho de grupos socioprofissionais muito particulares, que diretamente afetam o processo educativo (professores, pedagogos, psicólogos), com funções de administração e gestão. 3) Tem um sistema de poder e de autoridade, embora diferente de outras organizações, como as empresas, dada a importância e o peso do seu staff profissional, nomeadamente de há um século para cá. 4) Tem, igualmente, um sistema técnico e organizacional de trabalho, se bem que é diferente da empresa que transforma matériasprimas em produtos acabados, já que o seu objeto de trabalho são seres humanos (crianças, adolescentes, jovens adultos). 5) Tem, por fim, uma cultura muito própria, ligada a ideologias e estratégias profissionais dos professores, não obstante o processo de racionalização da organização do trabalho educativo e de proletarização a que está hoje submetido o pessoal docente (em sua maioria do sexo feminino) (APPLE, 2002). O que distingue a escola de uma empresa é o fato de poder ser classificada categoria das organizações especializadas (ETZIONI, 1967, P. 117-128), ou seja, aquelas que são estabelecidas com o fim específico de criar, aplicar, manter ou comunicar o conhecimento, e empregando, no mínimo, 50% de especialistas ou profissionais. À escola sabe ensinar, isto é, garantir a aprendizagem de certas habilidades e conteúdos que são necessários para a vida em sociedade. Nesse sentido, como ela pode contribuir no processo de inserção social das novas gerações? Oferecendo instrumentos de compreensão da realidade local e, também, favorecendo a participação dos educandos em relações sociais diversificadas e cada vez mais amplas. A vida escolar possibilita exercer diferentes papéis, em grupos variados, facilitando a integração dos jovens no contexto maior. Para cumprir sua função social, a escola precisa considerar as práticas de nossa sociedade, sejam elas de natureza econômica, política, social, cultural, ética ou moral. Tem que considerar também as relações dietas ou indiretas dessas práticas com os problemas específicos da comunidade local a que presta serviços. A consciência política dos professores deve convergir para o trabalho que se faz dentro da escola. Numeroso contingente de alunos provenientes das camadas populares matricula-se na escola e os próprios pais fazem sacrifícios para mantê-los estudando. O ensino é uma tarefa real, concreta, que expressa o compromisso social e político do professor, pois o domínio das habilidades de ler e escreve, dos conhecimentos científicos da História, da /geografia, da Matemática e das ciências, é requisito para a participação dos alunos na vida profissional, na política e sindical, e para enfrentar situações, problemas e desafios da vida prática. Um ensino de baixa qualidade empurra as crianças, cada vez mais, para a marginalização social.

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Há, pois, um trabalho pedagógico-didático a se efetivar dentro da escola, que se expressa no planejamento do ensino, na formulação dos objetivos, na seleção dos conteúdos, no aprimoramento de métodos de ensino, na organização escolar e na avaliação. Ligar a escolarização às lutas pela democratização da sociedade implica, pois, que a escola cumpra a tarefa que lhe é própria: promover o ensino. Democratização do ensino significa, basicamente, possibilitar aos alunos o melhor domínio possível das matérias, dos métodos de estudo, e, por meio disso, o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais, com especial destaque à aprendizagem da leitura e da escrita. A escola é um meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas, na medida em que possibilita às classes populares, ao terem o acesso ao saber sistematizado e às condições de aperfeiçoamento das potencialidades intelectuais, participarem ativamente do processo político, sindical e cultural. Uma pedagogia voltada para os interesses populares, de transformação da sociedade, compreende o trabalho pedagógico e docente como o processo de transmissão/assimilação ativa dos conteúdos escolares, inserido na totalidade mais ampla do processo social. É uma pedagogia que articula os conhecimentos sistematizados com as condições concretas de vida e de trabalho dos alunos, suas necessidades, interesses e lutas. Indubitavelmente, um dos fatores que mais concorrem para a permanência dos quadros nacionais de fracasso escolar é o descompasso entre a escola e a comunidade, cultura e aprendizagem. Tais argumentos sustentam a evidência de que não aprendemos só pelo repertório de habilidades, pelo potencial de inteligência ou pela disponibilidade de estruturas cognitivas, mas, também, pelo que somos, buscamos, concebemos, valorizamos e fazemos. Cultura e aprendizagem são faces inseparáveis na condução do ensino e decisivas na constatação de seus resultados. Assim como se pode dirigir o curso de aprendizagem em uma única trajetória, não se podem controla os significados atribuídos ao saber ou aos usos do conhecimento conquistado. Peando a partir de parâmetros elitistas, etnocêntricos e didaticamente inflexíveis, a prática pedagógica leva ao fracasso, pois não está preparada para lidar com a pluralidade de contextos. Em síntese, muitas escolas não falam a mesma língua de seus alunos. O produto desse diálogo de mudos e surdos são os mecanismos de seleção e exclusão, frente aos quais muitos alunos reagem ativamente, mesmo que sob a forma da inteligência contra si mesmo. AS TEORIAS PEDAGÓGICAS MODERNAS (José Carlos Libâneo). Penso ser acertado dizer que as teorias modernas da educação são aquelas gestadas em plena modernidade, quando a idéia de uma formação geral para todos toma lugar na reflexão pedagógica. Comênio lança em 1657 o lema do “ensinar tudo a todos” e, não por acaso, é considerado o arauto da educação moderna. O movimento iluminista do século XVIII fortalece essa idéia de formação geral, válida para todos os homens, como condição de emancipação e esclarecimento. As teorias pedagógicas modernas estão ligadas, assim, a acontecimentos cruciais como a Reforma Protestante, o Iluminismo, a Revolução Francesa, a formação dos Estados Nacionais, a industrialização. Pedagogos como Pestalozzi, Kant, Herbart, Froebel, Durkheim, Dewey vão consolidando

teorias sobre a prática educativa assentadas na manutenção de uma ordem social mais estável, garantidas pela racionalidade e pelo progresso em todos os campos, especialmente na ciência. São também teorias fincadas nas idéias de natureza humana universal, de autonomia do sujeito, de educabilidade humana, de emancipação humana pela razão de libertação da ignorância e do obscurantismo pelo saber. Especificamente na pedagogia, o discurso iluminista acentua o papel da formação geral, o poder da razão no processo formativo, a capacidade do ser humano de gerir seu próprio destino, de ter autodomínio, de se comprometer com o destino da história em função de ideais. As teorias modernas da educação hoje apresentam-se em várias versões, variando das abordagens tradicionais às mais avançadas, conforme se situem em relação aos seus temas básicos: a natureza do ato educativo, a relação entre sociedade e educação, os objetivos e conteúdos da formação, as formas institucionalizadas de ensino, a relação educativa. A literatura internacional e a nacional dispõem de conhecidas classificações de teorias da educação ora chamadas de tendências ou correntes, ora de paradigmas. Em âmbito internacional são conhecidos os trabalhos de Guy Palmade, Robert Clausse, Jesus Palácios, Georges Snyders, Bogdan Suchodolski, Renée Gilbert, Bernard Charlot, entre outros. Em âmbito nacional há os trabalhos de Dermeval Saviani, José Carlos Libâneo, Maria das Graças Misukami, Moacir Gadotti, entre outros. Sem pretender retomar as abordagens teóricas que resultam nas classificações de teorias pedagógicas, são modernas a pedagogia tradicional, a pedagogia renovada, o tecnicismo educacional, e todas as pedagogias críticas inspiradas na tradição moderna como a pedagogia libertária, a pedagogia libertadora, a pedagogia crítico-social. Um olhar sobre as práticas pedagógicas correntes nas escolas brasileiras mostra que tais tendências continuam ativas e estáveis, mantendo seu núcleo teórico forte, ainda que as pesquisas dos últimos anos venham mostrando outras nuanças, outros focos de compreensão teórica, outras formas de aplicabilidade pedagógica. A meu ver, não há outras boas razões para alterar essa classificação. Isso não significa que não se apontem novas tendências, algumas já experimentadas em nível operacional, outras ainda restritas ao mundo acadêmico. Esquematicamente, essas teorias apresentam como características em comum: + Acentuação do poder da razão, isto é, da atividade racional, científica, tecnológica, enquanto objeto de conhecimento que leva as pessoas a pensarem com autonomia e objetividade contra todas as formas de ignorância e arbitrariedade. + Conhecimentos e modos de ação, deduzidos de uma cultura universal objetiva, precisam ser comunicados às novas gerações e recriados em função da continuidade dessa cultura. + Os seres humanos possuem uma natureza humana básica, postulando-se a partir daí direitos básicos universais. + Os educadores são representantes legítimos dessa cultura e cabe-lhes ajudar os alunos a internalizarem valores universais, tais como racionalidade, autoconsciência, autonomia, liberdade, seja pela intervenção pedagógica direta seja pelo esclarecimento de valores em âmbito pessoal.

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A partir desse conjunto de ideais, as pedagogias modernas, nos seus vários matizes, adquirem suas peculiaridades, formulando distintos entendimentos sobre as formas de conhecimento, função da ciência, conceito de liberdade etc., sem, todavia, renunciar à idéia de criação de uma sociedade racional. Uma herança comum dessas teorias, vista pelos críticos como negativa, é que em nome da razão e da ciência se abafam o sentimento, a imaginação, a subjetividade e, até, a liberdade, à medida que a razão institui-se como instrumento de dominação sobre os seres humanos. Nesse sentido, a questão problemática na racionalidade instrumental é a separação entre razão e sujeito, entre o mundo científico e tecnológico e o mundo da subjetividade. Outra questão problemática refere-se as conseqüências da grande acumulação de conhecimentos científicos e técnicos produzidos pela modernidade. Entre elas, a mais típica foi a constituição de campos disciplinares isolados, fragmentados, ignorando o conjunto de que faz par te e a per da de significação. Com isso, a própria sociedade reproduz essa fragmentação, disso ciando a cultura, a economia, a política, o sistema de valores, a personalidade. Quadro das Tendências Pedagógicas. Pedagogia Liberal Pedagogia Progressista 1. Tradicional 1. Libertadora 2. Renovada progressista 2. Libertária 3. Renovada Não- 3. Crítico social dos Diretiva Conteúdos 4. Tecnicista Reforça e justifica a Fundamenta-se na sociedade de classes, na análise crítica da medida em que realidade social. compreende a escola Compreensão da como preparadora de educação como processo indivíduos para o sócio-político. desempenho de papéis sociais, de acordo com suas aptidões. Fonte: LIBÂNEO – Didática. São Paulo: Cortez, 1994. Cada tendência é marcada por características que as distinguem das demais. 1. Pedagogia Liberal: primeiramente, precisamos pensar o que significa a palavra liberal neste contexto. Segundo Libâneo (1992, p. 21), o termo liberal não tem o sentido de ‘avançada’, ‘democrático’, ‘aberto’, como costuma ser usado. A doutrina liberal apareceu como justificação do sistema capitalista que, ao defender a predominância da liberdade e dos interesses individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção, também denominada sociedade de classes. Portanto, nos últimos 60 anos os professores têm adotado esta pedagogia, ora adotando um caráter mais conservador, ora mais um renovado, m as sempre tendo como objetivo preparar os alunos para desempenharem papéis sociais de acordo com as suas aptidões individuais. Para isso, segundo Libâneo (1992), os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes. 1.1. Pedagogia Liberal tradicional: A pedagogia tradicional teve sua vigência do período que vai dos jesuítas até os anos que precedem o lançamento do Movimento dos Pioneiros da Educação Nova (LIBÂNEO,

2000, p. 87). Mas sabemos que esta tendência continua prevalecendo na prática educativa atual. É caracterizada por ser centrada na figura do professor, que geralmente, utiliza-se da oralidade para transmitir seus conhecimentos aos alunos, que devem prestar a máxima atenção às palavras deste para aprender. Nesta tendência, acredita-se que o aluno aprende por ouvir o professor, visualizar objetos, mapas, gravuras e por realizar exercícios repetitivos: lembram-se quando o professor pedia para fazermos cinco vezes cada cópia? Ou cem vezes a tabuada? Pois é, assim pensavam que aprenderíamos mais rapidamente. Com isto, objetiva-se formar um aluno ideal, desvinculado da sua realidade concreta. O objetivo inicial desta pedagogia, que era o de formação indivíduo, fica hoje descaracterizado, com um ensino meramente decorado, sem sentido, reduzido à simples memorização de conteúdos desconexos da realidade do aluno. 1.2. Pedagogia Liberal Renovada Progressista: Esta pedagogia está baseada na teoria de John Dewey, autor que acreditava na idéia da relação entre teoria e a prática e na crença de que o conhecimento é construído quando compartilhamos experiências, num ambiente democrático. Portanto, o objetivo desta pedagogia é formar o indivíduo para atuar no meio, por isso deve-se “adequar as necessidades individuais ao meio social” (LIBÂNEO, 1992, p. 85), e por isso também, a escola deve fornecer ao aluno a oportunidade de experienciar, para que satisfaça os interesses deste às exigências sociais. 1.3. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva: A escola nesta tendência tem o papel de formar atitudes. Para tanto, o professor deve ser facilitador como diz Carl Rogers, principal teórico que aborda esta tendência. Para este autor, o professor deve aceitar a pessoa do aluno, fazendo com este se autodesenvolva, a partir da busca daquilo que é de seu interesse, adequando sua pessoa àquilo que o ambiente solicita. Como diz Libâneo (1992), “o resultado de uma boa educação (na tendência não-diretiva) é muito semelhante ao de uma boa terapia” (p. 27). 1.4. Tendência Liberal Tecnicista: Como o próprio nome sugere, esta tendência está baseada na técnica. A preocupação é com a formação de indivíduos para atuarem no mercado de trabalho, mantendo a ordem vigente: o capitalismo. Está embasada, teoricamente, pela análise comportamental, que tem como teórico principal B. F. Skinner, o que garante a objetividade da prática escolar. O objetivo é transmitir ao aluno “eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas” (LIBÂNEO, 1992, p. 29). Há alguns exemplos de escolas que utilizam-se desta tendência, escolas que oferecem cursos apostilados de digitação, programação, cursos de aprendizagem em instituições como SENAI e SENAC. 2. Pedagogia Progressista: “O termo ‘progressista’ (...) é usado aqui para designar s tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação” (LIBÂNEO, 1992, p. 32). Por isso, essas são tendências que analisam, criticam e discutem os aspectos sociopolíticos e econômicos da sociedade, realidade em que vivemos. Fato que leva estas tendências a serem utilizadas mais na educação informal do que na formal. 2.1. Tendência Progressista Libertadora: Esta tendência é mais conhecida como Pedagogia Paulo Freire e está mais presente em situações não formais

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para que haja o entendimento e apreensão da realidade para. esta escola irá formar adultos que se apropriarem de conteúdos contextualizados. Isto significa resgatar a escola como espaço público. Plano. p. 2. "A dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica" (Saviani 1983. p. pesquisadores e instituições educacionais em nível nacional. crítico e criativo. no sentido de definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade. Nessa perspectiva. esta tendência está presente em associações. Pode parecer complicado. Empresa.de ensino. Conceituando o Projeto Político-Pedagógico No sentido etimológico. Tendência Progressista Libertária: Esta pedagogia tem como objetivo transformar a personalidade do aluno para atuar no sistema. Portanto. é importante que se fortaleçam as relações entre escola e sistema de ensino. Em seguida. È uma educação crítica porque tenta entender as relações do homem com a natureza e dos homens entre si. empreendimento. corporativas e autoritárias. realização e avaliação de seu projeto educativo. todo projeto pedagógico da escola é. Desse modo. com base no que temos. que é a formação do cidadão participativo. também. Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos: O objetivo primordial desta tendência é a difusão de conteúdos. Nessa perspectiva. Político e pedagógico têm assim uma significação indissociável. fundado na 6 . comum compromisso definido coletivamente. responsável. particípio passado do verbo projicere. Finalizaremos discutindo os elementos básicos. é fundamental que ela assuma suas responsabilidades. entendido como a própria organização do trabalho pedagógico da escola como um todo. p. É uma ação intencional.144). pois a complexidade dos indivíduos e da sociedade não permite a existência de uma única forma de se perceber a realidade e nela intervir. preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. da organização do trabalho pedagógico. mas que lhe dêem as condições necessárias para levá-Ia adiante. posteriormente. Embora demarcados a partir de suas características. 93). Ao construirmos os projetos de nossas escolas. como diz Libâneo (1992): “professores e educadores engajados no ensino escolar vêm adotando pressupostos dessa pedagogia” (p. 2. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. mas trata-se de uma relação recíproca entre a dimensão política e a dimensão pedagógica da escola. 23). apesar de. portanto. Redação provisória de lei. um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos. desígnio. p. Por isso. na segunda parte. começaremos. Por outro lado.3. porque a escola é parte integrante da sociedade. conceituando projeto político-pedagógico. com um sentido explícito. necessários à construção do projeto político-pedagógico. para atuarem na realidade social em que vivem. é importante que se tenha clareza de que não existe uma prática pura na qual se passa constatar uma única tendência. o projeto político-pedagógico tem a ver com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis: como organização da escola como um todo e como organização da sala de aula. na busca de alternativas viáveis á efetivação de sua intencionalidade. mas não qualquer conteúdo. Lançamo-nos para diante. Na dimensão pedagógica reside a possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola. ao se constituir em processo democrático de decisões.2. procurando preservar a visão de totalidade. esta pedagogia tem um caráter político intenso. poder se interferir no processo de transformação desta mesma realidade. lugar de debate. sem esperar que as esferas administrativas superiores tomem essa iniciativa. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. Neste sentido é que se deve considerar o projeto político-pedagógico como um processo permanente de reflexão e discussão dos problemas da escola. o termo projeto vem do latim projectu. buscando eliminar as relações competitivas. O projeto político-pedagógico tem sido objeto de estudos para professores. A escola é o lugar de concepção. e sim um conteúdo contextualizado. trataremos de trazer nossas reflexões para a análise dos princípios norteadores. propicia a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. intento. Para tanto. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. Pedagógico. um conteúdo que não pode se dissociar da realidade social. Plano geral de edificação (Ferreira 1975. incluindo sua relação com o contexto social imediato. do diálogo. buscando o possível. É antever um futuro diferente do presente. o projeto político-pedagógico vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diversas. mas é constitutiva" (Marques 1990. por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. de realizar. mas voltado à autogestão. O projeto político-pedagógico. 39). grupos informais e escolas autogestionárias. Tem um caráter político também. que significa lançar para diante. uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. uma direção. planejamos o que temos intenção de fazer. em busca da melhoria da qualidade do ensino. Nesta caminhada será importante ressaltar que o projeto político-pedagógico busca a organização do trabalho pedagógico da escola na sua globalidade. 33). 1992.1. que "não é descritiva ou constatativa. O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA (Ilma Passos Alencastro Veiga). na primeira parte. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. O presente estudo tem a intenção de refletir acerca da construção do projeto político-pedagógico. O projeto busca um rumo. ou seja. A principal possibilidade de construção do projeto político-pedagógico passa pela relativa autonomia da escola. estadual e municipal. Para isso. Geralmente. compromissado. por meio do professor e da sua própria participação. “agir dentro dela é também agir no rumo da transformação” (LIBÂNEO.

Buscar uma nova organização para a escola constitui uma ousadia para os educadores. Cazelli). A escola. Todavia estamos convencidos que todas as instituições e especialmente a escola deve não só apoiar e respeitar os esforços dos pais e responsáveis pelos cuidados. 227 e 228. Uma teoria que subsidie o projeto político-pedagógico e. no sentido de se gestar uma nova organização que reduza os efeitos de sua divisão do trabalho. Para tanto ela precisa de um tempo razoável de reflexão e ação. b) Estrutura Organizacional. o processo de decisão. notamos que as práticas postuladas nos documentos se constituem em vias de acesso que as escolas possuem para implementar processos de integração e participação familiar que podem e devem ser organizados e executados pela escola. como a própria organização do trabalho pedagógico da escola. Princípios Norteadores do Projeto PolíticoPedagógico. Essa constatação nos leva a refletir sobre as dimensões da interrelação escola-família no âmbito da comunidade e se intenta verificar a possibilidade de operacionalizar uma orientação que possa refletir a viabilização de uma interrelação mais efetiva. é uma forma de contrapor-se à fragmentação do trabalho pedagógico e sua rotinização. e) Processo de Decisão. O projeto político-pedagógico é entendido. também. Pelo menos sete elementos básicos podem ser apontados: as finalidades da escola. c) Gestão democrática é um princípio consagrado pela Constituição vigente e abrange as dimensões pedagógica. Nesse sentido. democratização do processo de tomada de decisões e instalação de um processo coletivo de avaliação de cunho emancipatório Finalmente. atenção e educação das crianças. para se desvencilhar da divisão do trabalho. para gestar uma nova organização do trabalho pedagógico. qualidade. nos valores e nas normas da sociedade começam na família. A relevância conferida à família tanto pela constituição no seu Cap. temos que nos alicerçar nos pressupostos de uma teoria pedagógica crítica viável. neste estudo. descentralização. e) Valorização do magistério. Ao examinar-se a realidade. Construindo o Projeto Político-Pedagógico. passa pela reflexão anteriormente feita sobre os princípios. saber a qual referencial temos que recorrer para a compreensão de nossa prática pedagógica. de sua fragmentação e do controle hierárquico. o tempo escolar. III – Do direito à convivência familiar e comunitária nos estimulam a empreender uma incursão de caráter teórico-conceitual sobre as leis existentes que referendam a questão familiar e sua relação com as práticas de políticas sociais desde o ponto de vista educacional. A questão é. gestão democrática e valorização do magistério. Portanto.reflexão coletiva. da criança. d) Tempo escolar. Geralmente a iniciação das pessoas na cultura. A construção do projeto político-pedagógico. a construção do projeto políticopedagógico é um instrumento de luta. necessitamos de um referencial que fundamente a construção do projeto político-pedagógico. liberdade. o domínio das bases teórico-metodológicas indispensáveis à concretização das concepções assumidas coletivamente. como pelo Estatuto da Criança e do Adolescente em seu Cap. e que devem também colocar-se em posição efetiva de gerar iniciativas dirigidas à elevação e 7 . que parta da prática social e esteja compromissada em solucionar os problemas da educação e do ensino de nossa escola. do adolescente e do ancião em seus artigos 226.P. é preciso entender que o projeto político-pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico. b) Qualidade que não pode ser privilégio de minorias econômicas e sociais. A construção do projeto políticopedagógico parte dos princípios de igualdade. a avaliação. A reorganização da escola deverá ser buscada de dentro para fora. a) Finalidades da Escola. contribuindo para a qualidade do ensino ministrado na escola e seu sucesso na tarefa de formar o cidadão. Para que o desenvolvimento da personalidade das crianças seja harmonioso é necessário que seu ambiente familiar traduza uma atmosfera de crescente progressão educativa. pois. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. administrativa e financeira. a) Igualdade de condições para acesso e permanência na escola. Elementos Básicos para a Construção do P. de sua fragmentação e do controle hierárquico precisa criar condições para gerar uma outra forma de organização do trabalho pedagógico. c) Currículo. pais. E para enfrentarmos essa ousadia. a estrutura organizacional. Faz-se necessário. alunos e funcionários. f) As Relações de Trabalho. para se ter um mínimo necessário à consolidação de sua proposta. à dependência e aos efeitos negativos do poder autoritário e centralizador dos órgãos da administração central. ressaltado anteriormente. que apontam para a luta e/ou acomodação de todos os envolvidos na organização do trabalho pedagógico. há que se pensar que o movimento de luta e resistência dos educadores é indispensável para ampliar as possibilidades e apressar as mudanças que se fazem necessárias dentro e fora dos muros da escola. por sua vez. A IMPORTÂNCIA DA INTEGRAÇÃO ESCOLAFAMÍLIA NO PROCESSO PEDAGÓGICO (Luiza Helena P. d) Liberdade é outro princípio constitucional. A construção do projeto político-pedagógico requer continuidade das ações. VII – Da família. É preciso entender o projeto político-pedagógico da escola como uma reflexão de seu cotidiano. o currículo. O que pretendemos enfatizar é que devemos analisar e compreender a organização do trabalho pedagógico. A escola é concebida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias. a prática pedagógica que ali se processa deve estar ligada aos interesses da maioria da população. as relações de trabalho. Acreditamos que a análise dos elementos constitutivos da organização trará contribuições relevantes para a construção do projeto políticopedagógico.P. Nessa perspectiva. O princípio da liberdade está sempre associado à idéia de autonomia. O fulcro para a realização dessa tarefa será o empenho coletivo na construção de um projeto político-pedagógico e isso implica fazer rupturas com o existente para avançar. g) Avaliação.

Nessa perspectiva. 8 . A dependência mútua de todas as pessoas. A discussão sobre a pedagogia de projetos surge no início do século XX com John Dewey e outros representantes da chamada PEDAGOGIA ATIVA. e mais precisamente no acompanhamento das novas gerações. a questão é como conceber e tratar a articulação entre as instâncias do projeto. as mudanças estruturais e conjunturais dos componentes educacionais em questão necessitam incorporar nas suas relações as formulações desses princípios e utiliza-los como guias para manter pais e professores no caminho do desenvolvimento estável e progressivo. Para isso precisamos não só aprender sobre os princípios de convivências comunitária como também exercitar esses princípios por meio de relações mais frutíferas e compromissadas com o desenvolvimento educacional e social. deixa o professor preocupado para saber como situar a sua prática pedagógica em termos de propiciar aos alunos uma nova forma de aprender integrando as diferentes mídias nas atividades do espaço escolar. em direção a uma maior capacidade de dar respostas aos desafios que impõe nossa sociedade. a escola por sua maior aproximação às famílias constitui-se em instituição social importante na busca de mecanismos que favoreça um trabalho avançado em favor de uma atuação que mobilize os integrantes tanto da escola. propostas e trabalhos interessantes. Tanto as comunidades escolares como as comunidades familiares não podem permanecer distanciadas em seu processo de desenvolvimento e funcionamento organizacional. os debates. no bairro ou no pátio” (DEWEY. O primeiro desses princípios é a noção de interdependência. pela eficácia das ações e pela luta por uma cidadania digna. Segundo Valente (1999). quanto da família. de maneira a assegurar que as reflexões. Promover a família nas ações dos projetos pedagógicos significa enfatizar ações em seu favor e lutar para que possa dar vida as leis. Precisamos revitalizar nossas comunidades colaborando para colocar claramente os princípios da interrelação numa prática de relações sociais fortalecidas pelo respeito. mas devem estar vinculadas e aberta aos recursos educacionais que dispõem e determinar por sua historicidade a dimensão cognitiva e educativa que pretendem aplicar no processo de desenvolvimento humano. 1897). Já nessa época. um projeto. A troca de recursos educacionais e de impressões educativas se mantém e se sustentam quando permanece fortalecida a ajuda mútua. necessidades e motivações dos alunos. Mais do que criar um novo espaço para tratar das questões da família ou da escola. Essa é a natureza de todo e qualquer relacionamento social. O terceiro princípio é a interação dos agentes escolares e familiares.. um objeto) de interesse pessoal de quem produz” (p. As ações de caráter pedagógico que as escolas podem dirigir para favorecer as famílias devem fazer parte de seu projeto e para que isso possa acontecer é fundamental que as ações em favor da família sejam desenvolvidas e presididas pelos princípios da convergência e da complementaridade. Nesse sentido. Compreender a interdependência social significa compreender relacionamentos e valorizar a importância que eles têm na formação e no desenvolvimento das pessoas. é uma necessidade essencial: isso significa considerar características. integrando os diversos espaços educacionais que existem na sociedade. Nesse sentido é importante que o projeto inicial se faça levando em conta os grandes e sérios problemas sociais tanto da escola como da família. Mas que projeto? O projeto políticopedagógico da escola? O projeto de sala de aula? O projeto do professor? O projeto dos alunos? O projeto de informática? O projeto da TV Escola? O projeto da biblioteca? Essa diversidade de projetos que circula freqüentemente no âmbito do sistema de ensino. A integração desses fatores nessa proposta nos fornece uma nova configuração da relação escola-família e ressalta a importância da função reitora da escola no sentido de considerar as necessidades familiares no que diz respeito aos aspectos psicológicos. muitas vezes. os estudos e as propostas de ação possam servir de embasamento para que o desenvolvimento social se concretize por meio de práticas pedagógicas educativas efetiva.. sua finalidade. Nas suas relações cada um influencia o outro e desde essa perspectiva educativa. ânsias. sociais e éticos de uma relação significativa com os outros. como reflete os parâmetros curriculares ““. A escola tem necessidade de encontrar formas variadas de mobilizações e de organização dos alunos. certamente. A cooperação é o segundo princípio no estabelecimento das relações sociais. para que de fato seja reconstruída na escola uma nova forma de ensinar. Existem. da comunidade local e da sociedade em que ela se insere. A incorporação desse princípio relacional se torna significativo na medida em que vai se consolidando a integração da escola com a família. seu foco.aprimoramento social e educacional de seus educandos e respectivas famílias. os professores são considerados como as pessoas mais preparadas e capazes de elevar o nível de desenvolvimento não só dos alunos mas de sua família também. de crescimento da própria competência educativa ou de uma participação na definição do significado experiencial da sua vida pessoal. Essa visão. Substancialmente o que a escola deve fazer é melhorar a posição da família na agenda escolar já implementada pela legislação existente. integrando as diversas mídias e conteúdos curriculares numa perspectiva de aprendizagem CONSTRUCIONISTA. a própria escola deve articular seus recursos institucionais. o construcionismo “significa a construção de conhecimento baseada na realização concreta de uma ação que produz um produto palpável (um artigo. PEDAGOGIA DE PROJETOS Atualmente. repensar sobre o papel e sobre a função da educação escolar. social e educacional. As ações relacionais só podem ser mantidas por meio desse processo. 141). em cada uma dessas instâncias do projeto. dos pais e da comunidade. a discussão estava embasada numa concepção de que a “educação é um processo de vida e não uma preparação para a vida futura e que a escola deve representar a vida presente tão real e vital para o aluno como a que ele vive em casa. Conectar a interrelação escola-família de forma mais estreita significa construir e desenvolver comunidades nas quais poderemos satisfazer nossas necessidades básicas ao aspirar uma melhor qualidade de vida para as gerações futuras. seus valores. uma das temáticas que vêm sendo discutida no cenário educacional é o trabalho por projetos. contribui para que tenhamos uma maior clareza do que podemos fazer no enfrentamento das questões sócio-educativas no conjunto do movimento social.

seu universo cognitivo e afetivo. o papel do professor deixa de ser aquele que ensina por meio da transmissão de informações – que tem como centro do processo a atuação do professor –. portanto. embora constitua um novo desafio para o professor. que contemplem o uso de diferentes mídias disponíveis na realidade da escola e impliquem aprendizagens que extrapolam o tempo da aula e o espaço físico da sala de aula e da escola. intuitivamente ou não. ou seja. existem três aspectos fundamentais que o professor precisa considerar para trabalhar com projetos: as possibilidades de desenvolvimento de seus alunos. saberes e protagonistas. esses novos desafios educacionais ainda não se encaixam na estrutura do sistema de ensino. gerenciar confronto de idéias. alunos) da comunidade escolar pode facilitar a busca de soluções que permitem viabilizar a realização de novas prática pedagógicas. Em virtude de as atividades educativas serem elaboradas por alunos e professores. bem como entre diversas mídias (computador. vídeo. Isto porque a parceria que se estabelece entre os protagonistas (gestores. os métodos para desenvolver projetos. televisão. envolve a interrelação de conceitos e de princípios. ele também precisa sentir a presença do professor que ouve. compreensões e reconstruções de conhecimento. Daí a importância do desenvolvimento de PROJETOS ARTICULADOS envolvendo a co-autoria dos vários PROTAGONISTAS do processo educacional. o aluno aprende no processo de produzir. para fazer a MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA. É necessário que o projeto vise um propósito real e tenha valor prático para o ensino. A pedagogia de projetos.A Pedagogia de Projetos pode ser definida como um método no qual a classe se ocupa em atividades proveitosas e com propósitos definidos. A MEDIAÇÃO do professor é fundamental. questiona e orienta. horário de aula de 50 minutos e uma grade curricular seqüencial – que dificulta o desenvolvimento de projetos que envolvam ações interdisciplinares. Além disso. O fato de um projeto de gestão escolar estar articulado com o projeto de sala de aula do professor. na perspectiva da integração entre diferentes mídias e conteúdos. leve a efeito os seus planos. de pesquisar e de criar relações. livros). acabam se frustrando. cultural e social dos alunos. colha as informações e. desenvolvia sua ação pedagógica – tal como havia sido preparado durante a sua vida acadêmica e pela sua experiência em sala de aula – se vê diante de uma situação que implica novas aprendizagens e mudanças na prática pedagógica. os tópicos a seguir abordam e discutem alguns conceitos. o professor precisa acompanhar o processo de aprendizagem do aluno. as dinâmicas sociais do contexto em que atua e as possibilidades de sua mediação pedagógica. sem a devida compreensão. Por essa razão. torna-se fundamental para o processo de reconstrução de uma nova escola. Internet. Em outras palavras. na postura do professor. No entanto. tomar decisões. um dos principais objetivos da Pedagogia de Projetos é promover a integração e a cooperação entre docentes e discentes em sala de aula. professores. os quais. Mas que realidade? Claro que existem diferenças. e que todas precisam ser tratadas com seriedade para que a comunidade escolar possa constituir-se em um espaço de aprendizagem. do contexto escolar. Na pedagogia de projetos. O trabalho por projetos requer MUDANÇAS NA CONCEPÇÃO de ensino e aprendizagem e. história e contexto de vida. bem como sua cultura. entender seu caminho. sistematizados e formalizados pelo aluno. mas como uma maneira de repensar a função da escola” (p. O que fazer diante desse novo cenário? De repente o professor que. Aprendendo e “Ensinando” com Projetos A pedagogia de projetos deve permitir que o aluno APRENDA-FAZENDO e reconheça a própria AUTORIA naquilo que produz por meio de QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO que lhe impulsionam a CONTEXTUALIZAR CONCEITOS já conhecidos e DESCOBRIR outros que emergem durante o desenvolvimento do projeto. Hernández (1988) enfatiza que o trabalho por projeto “não deve ser visto como uma opção puramente metodológica. trabalhar em grupo. bem como possíveis implicações envolvidas na perspectiva da pedagogia de projetos. que se viabiliza pela articulação entre mídias. descobertas. para criar situações de aprendizagem cujo foco incide sobre as relações que se estabelecem neste processo. Uma realidade em que o professor se depara atualmente é caracterizada pela chegada de novas tecnologias (computador. na realização do projeto sejam compreendidos. podem fragilizar qualquer iniciativa de melhoria de qualidade na aprendizagem dos alunos e de mudança da prática do professor. Nesta situação de aprendizagem. pois não existe um modelo ideal pronto e acabado que dê conta da complexidade que envolve a realidade de sala de aula. a partir das relações criadas nessas situações. tendo em vista a aprendizagem para a vida. confortavelmente. que apontam novos desafios para a comunidade escolar. finalmente. pode viabilizar ao aluno um modo de aprender baseado na INTEGRAÇÃO entre conteúdos das várias áreas do conhecimento. garantindo que os conceitos utilizados. porque aqueles que buscam apenas conhecer os procedimentos. integrando o computador. Os projetos devem visar também a resolução de algum problema ou algum empreendimento que esteja em harmonia com os interesses dos alunos e relacionados às suas próprias experiências. valores e crenças próprios do contexto em que vivem. materiais da biblioteca e a televisão. de levantar dúvidas. Este método coloca o aluno em contato com algum projeto concreto em que esteja interessa do e em que planeje o empreendido. Portanto. pois ao mesmo tempo em que o aluno precisa reconhecer a sua própria autoria no projeto. é fundamental que o professor tenha clareza da sua intencionalidade pedagógica para saber intervir no processo de aprendizagem do aluno. que por sua vez visa propiciar o desenvolvimento de projetos em torno de uma problemática de interesse de um grupo de alunos. por exemplo. afetivo. enfim desenvolver COMPETÊNCIAS INTERPESSOAIS para aprender de forma colaborativa com seus pares. televisão) na escola. 49). Essa compreensão é fundamental. Por outro lado. o aluno precisa selecionar informações significativas. que mantém uma organização funcional e operacional – como. cabendo ao professor realizar as mediações necessárias para que o aluno possa encontrar sentido naquilo que está aprendendo. E. é o ensino através da experiência. A pedagogia de projetos. favorecendo o desenvolvimento cognitivo. que incentivam novas buscas. 9 . conseqüentemente. Outro aspecto importante na atuação do professor é o de propiciar o estabelecimento de relações interpessoais entre os alunos e respectivas dinâmicas sociais. disponíveis no contexto da escola.

ao mesmo tempo. assim como a integração de várias mídias e recursos. no desenvolvimento de projetos. a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas.visando propiciar a construção de conhecimento do aluno. a qual tem como pano de fundo a unicidade do conhecimento em construção” (p. dentre outras coisas. estudos têm revelado que a interdisciplinaridade ainda é pouco conhecida. mais ainda. No final da década de 60. principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino. Isto nos faz reportar a uma situação já conhecida de muitos professores que atuam com a informática na educação. pois Fazenda (1994) enfatiza que a interdisciplinaridade se dá sem que haja perda da identidade das disciplinas. mas integrá-las no desenvolvimento das investigações. o aluno pode ressignificar os conceitos e as estratégias utilizadas na solução do problema de investigação que originou o projeto e. INTERDISCIPLINARIDADE (Jairo Gonçalves Carlos) Segundo Ivani Fazenda. quando o aluno utiliza o computador para digitar um texto. Esta questão. corre-se o risco da simples justaposição de mídias ou de sua subutilização. Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. Por exemplo. Um especialista em informática que não compreende as questões relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem terá muita dificuldade para fazer a integração das duas áreas de conhecimento – informática e educação. Do ponto de vista de aprendizagem no trabalho por projeto.) que o projeto rompe com as fronteiras disciplinares. A interdisciplinaridade teria sido uma resposta a tal reivindicação. reivindicavam um ensino mais sintonizado com as grandes questões de ordem social. política e econômica da época. a exigência em termos de desenvolver novas formas de ensinar e de aprender é muito maior. favorecendo o estabelecimento de elos entre as diferentes áreas de conhecimento numa situação contextualizada da aprendizagem. Conhecer as especificidades e as implicações do uso pedagógico de cada mídia disponível no contexto da escola favorece ao professor criar situações para que o aluno possa integrá-las de forma significativa e adequada ao desenvolvimento do seu projeto. Claro que não se espera a mesma “expertise” nas duas áreas de conhecimento. A mediação implica a CRIAÇÃO DE SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM que permitam ao aluno fazer regulações. caso contrário. com isso. é importante que o professor conheça o que envolve o uso deste recurso em termos de ser um meio pedagógico. Para integrá-las. E para isto não basta que ele aprenda a operacionalizar os recursos tecnológicos. Essa visão é equivocada. aprofundando-as verticalmente em sua própria identidade..58). a pedagogia de projetos é vista pelo seu caráter de potencializar a INTERDISCIPLINARIDADE. Esta visão atualmente se apresenta de forma mais ampla. O conhecimento específico – disciplinar – oferece ao aluno a possibilidade de reconhecer e compreender as particularidades de um determinado conteúdo. Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. diz respeito à FORMAÇÃO DO PROFESSOR – aquela que poderá ser desenvolvida na sua própria ação e de forma continuada. mobilizadas na investigação de problemáticas e situações da realidade. Nesse processo. na medida em que os grandes problemas da época não poderiam ser resolvidos por uma única disciplina ou área do saber. Em se tratando dos conteúdos. Prado (2001) destaca a possibilidade de o aluno recontextualizar aquilo que aprendeu. pois o trabalho com projetos permite romper com as fronteiras disciplinares. é preciso compreender as características inerentes às duas áreas e às práticas pedagógicas nas quais essa integração se concretiza. uma vez que o desenvolvimento da tecnologia avança vertiginosamente e a sua presença na escola torna-se mais freqüente a cada dia. no entanto. que estabelecem articulações horizontais numa relação de reciprocidade entre elas. No entanto.394/96 e com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). para poder atuar com a informática na educação. tornando-as permeáveis na ação de articular diferentes áreas de conhecimento. De fato.. conforme suas potencialidades e características. Almeida (2002) corrobora com estas idéias destacando: “(. muitas vezes o professor atribui valor para as práticas interdisciplinares e com isso passa a negar qualquer atividade disciplinar. O trabalho por projeto potencializa a integração de diferentes áreas de conhecimento. Isto de fato pode ocorrer. Ambos se realimentam e um não existe sem o outro. bem como estabelecer relações significativas entre conhecimentos. Estar atento e buscando a compreensão do uso das mídias no processo de ensino e aprendizagem é fundamental para a sua integração no trabalho por projetos. Isso não significa abandonar as disciplinas. Nesse sentido. implicações e possibilidades interativas envolvidas nos diferentes recursos computacionais. Desde então. E é com 10 . a integração efetiva poderá ser desenvolvida à medida que sejam compreendidas as especificidades de cada universo envolvido. mas o desconhecimento de uma das áreas pode desvirtuar uma proposta integradora da informática na educação. a interdisciplinaridade surgiu na França e na Itália em meados da década de 60. os quais permitem ao aluno expressar seu pensamento por meio de diferentes linguagens e formas de representação. Apesar disso. a interdisciplinaridade chegou ao Brasil e logo exerceu influência na elaboração da Lei de Diretrizes e Bases Nº 5. de modo que as diferentes mídias possam ser integradas ao projeto. principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino. e o conhecimento integrado – interdisciplinar – lhe dá a possibilidade de estabelecer relações significativas entre conhecimentos. Isto também acontece no caso de um especialista da educação que não conhece as funcionalidades. pois hoje com a tecnologia basta ter o apoio institucional que prioriza a qualidade do trabalho educacional. Uma preocupação com isso é que o professor não foi preparado para desenvolver o uso pedagógico das mídias. um período marcado pelos movimentos estudantis que. Este mesmo pensamento serve para orientar a INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS. sua presença no cenário educacional brasileiro tem se intensificado e. a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas. ampliar o seu universo de aprendizagem. uma vez que os conteúdos envolvidos no projeto precisam ser sistematizados para que os alunos possam formalizar os conhecimentos colocados em ação.692/71. recentemente. Da mesma forma em relação a outras mídias que estão ao alcance do trabalho pedagógico. mas um meio que pode interferir no processo de o aluno reorganizar as suas idéias e a maneira de expressá-las. com a nova LDB Nº 9.

a interação estabelecida caracteriza-se pela seleção de conteúdos. uma articulação voluntária e coordenada das ações disciplinares orientadas por um interesse comum. ou seja. esperamos contribuir para um uso mais cuidadoso de tais termos no cotidiano escolar. o que não as invalida. essa interação pode acontecer em níveis de complexidade diferentes. embora eles ainda se situem num mesmo nível hierárquico. antes. como tem acontecido em alguns casos. a integração de conteúdos. deve prevalecer entre aqueles que são os responsáveis para o encaminhamento do processo educacional. mas a inter-relação entre as disciplinas. organização. não deve colocar-se na posição de detentor do saber. Essa atuação. todavia. Uma ação pedagógica interdisciplinar requer. diferentemente do nível anterior. defendemos que a interdisciplinaridade não deveria ser considerada como uma meta obsessivamente perseguida no meio educacional simplesmente por força da lei. pode assumir as mais variadas formas. Além do mais. embora complexas. Transdisciplinaridade A transdisciplinaridade representa um nível de integração disciplinar além da interdisciplinaridade. Neste sentido. no entanto. Desta forma. E é justamente para distinguir tais níveis que termos como multidisciplinaridade. mas de ação. essa axiomática comum. mencionada por Japiassú. sobre a base de uma axiomática geral. Com isso. antes de tudo. Alguns estudiosos não chegam a estabelecer nenhuma diferença entre a multidisciplinaridade e a pluridisciplinaridade. Muitas das atividades e práticas de ensino nas escolas se enquadram nesse nível. a interdisciplinaridade representa o terceiro nível de interação entre as disciplinas. uma atitude interdisciplinar. preferimos considerá-la. Cabe ao professor saber o momento certo. entre os indivíduos. O PAPEL DA RELAÇÃO PROFESSOR–ALUNO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM (Daniele Salvalagio Abrahim) As relações humanas. colocar-se na posição de quem não sabe tudo. estamos de algum modo nos referindo a uma espécie de interação entre as disciplinas ou áreas do saber. Trata-se de uma proposta relativamente recente no campo epistemológico. Interdisciplinaridade Finalmente. as condições e o nível do diálogo com um ou com todos os alunos da classe. Segundo Japiassú. Níveis de Interação entre as Disciplinas Quando falamos em interdisciplinaridade. Mas. a multidisciplinaridade se caracteriza por uma ação simultânea de uma gama de disciplinas em torno de uma temática comum. Na verdade. sendo esta interação o expoente das consequências. A classificação apresentada abaixo é a mais comum e foi proposta originalmente por Eric Jantsch e sofreu algumas adaptações de Hilton Japiassú (1976). pois a existência ou não de cooperação e diálogo entre as disciplinas é determinante para diferenciar esses níveis de interação entre as disciplinas. interdisciplinaridade faz-se. Multidisciplinaridade A multidisciplinaridade representa o primeiro nível de integração entre os conhecimentos disciplinares. pois não é uma tarefa que cumprem com satisfação. é preciso entender que há estágios mais avançados que devem ser buscados na prática pedagógica. deve antes. E. é caracterizada pela presença de uma axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas e definida no nível hierárquico imediatamente superior. globalizar. ainda é muito fragmentada. Não significa. Dessa forma. Pelo contrário. Interrelacionar não é integrar. Japiassú a define como sendo uma espécie de coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado. são peças fundamentais na realização comportamental e profissional de um indivíduo. Portanto. ela seria um empreendimento trabalhoso demais para atingir objetivos que poderiam ser alcançados de forma mais simples. discorreremos sucintamente sobre cada um deles buscando esclarecer as distinções entre tais terminologias. o que introduz a noção de finalidade. não havendo ainda nenhum tipo de coordenação proveniente de um nível hierarquicamente superior. segundo Japiassú. na medida em que não se explora a relação entre os conhecimentos disciplinares e não há nenhum tipo de cooperação entre as disciplinas. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos. sendo em alguns casos encarada como obrigação. a análise dos relacionamentos entre professor-aluno envolve interesses e intenções. Nesse ponto de vista. Em seguida. dizemos que na interdisciplinaridade há cooperação e diálogo entre as disciplinas do conhecimento. o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula.o objetivo de contribuir para o entendimento desse tema que apresentaremos a seguir um breve resumo das principais concepções e controvérsias em torno desse tema. 1999. reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida (GADOTTI. ela se refere ao elemento (ou eixo) de integração das disciplinas. sistematização didática para facilitar o aprendizado dos alunos e exposição onde o professor demonstrará seus conteúdos. ela pressupõe uma organização. O diálogo como forma de comunicação em nível comum. Todavia. 2). Para que isto possa ser 11 . Não há como esperar que o aluno tome essa iniciativa. observamos a presença de algum tipo de interação entre os conhecimentos interdisciplinares. um dos pioneiros da interdisciplinaridade no Brasil. igual. p. para depois concretizar-se nas disciplinas. E no limite. pois a educação é uma das fontes mais importantes do desenvolvimento comportamental e agregação de valores nos membros da espécie humana. a interdisciplinaridade só vale a pena se for uma maneira eficaz de se atingir metas educacionais previamente estabelecidas e compartilhadas pelos membros da unidade escolar. pluridisciplinaridade. interdisciplinaridade e transdisciplinaridade foram criados. perdendo-se de vista a especificidade de cada objeto de conhecimento. que norteia e orienta as ações interdisciplinares. Desta maneira. O educador para pôr em prática o diálogo. em se considerando seus objetivos e metodologias próprias. Caso contrário. tampouco. A interdisciplinaridade não é uma categoria de conhecimentos. mas nesse caso se trata de uma ação coordenada. Pluridisciplinaridade Na pluridisciplinaridade.

para a autonomia. procurando compreender. para que ele não fique de recuperação). é necessário a conscientização do professor de que seu papel é de facilitador de aprendizagem. destacando-se os trabalhos de Watson e Skinner. afirma que “é o modo de agir do professor em sala de aula. é impossível um conhecimento que transcenda a experiência. nem à capacidades mentais da pessoa: inteligência. situações diferenciadas adotadas com um determinado aluno (como melhorar a nota deste. fundamentalmente. portanto. a atenção. como alguma coisa que vem do mundo físico ou social do objeto. O conhecimento é visto. seus valores. também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tentar levá-los a autorealização. fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor. para que isto ocorra. também conhecida como inatismo ou apriorismo. Esquematicamente. o tato e o paladar. trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. visto com um ser extremamente plástico – uma tábula rasa. onde as percepções e experiências iriam inscrevendo as idéias. a imaginação sensível. quanto em relação às necessidades de sua maneira de se comportar para conviver no meio em que se encontra. sendo que o mundo deste é que determina o sujeito. Os seguidores atuais desta concepção empirista podem ser encontrados nos adeptos das teorias behaviorista e neobehaviorista. focalizando as questões filosóficas clássicas referentes ao conhecimento: O que é o conhecimento? Como se chega a ele? Como se passa de um tipo a outro qualitativamente superior? Como os conhecimentos se ampliam? Pela concepção empirista. refletir e discutir o nível de compreensão dos alunos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. que inscreveria. p. Apesar da importância da existência de afetividade. p. também. escrita. 1992. o professor deve despertar a curiosidade dos alunos. isto é. o conhecimento humano reduz-se ao sentir dos sentidos. a uma “tábula rasa”. para a liberdade possível numa abordagem global. suas crenças. aptidões. antes de ter tido qualquer experiência. mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos. Os sentidos produziriam o dado a ser conhecido. MASETTO (1996. dos estímulos do meio em que ele vive. não podemos pensar que a construção do conhecimento é entendida como individual.melhor cultivado. já se encontrariam basicamente prontas por ocasião do nascimento. empatia e respeito entre professores e alunos para que possa desenvolver todas as nuances do processo de aprendizagem (leitura. podemos representar a relação entre o sujeito e o objeto da seguinte maneira: OBJETO SUJEITO A concepção racionalista. a relação entre professor e aluno depende. sentimentos. 96). etc. das experiências pelas quais ele passa. fossem eles externos: a visão. principalmente. etc. também chamada de ambientalista ou objetivista. a uma página em branco. p. então. da relação empática com seus alunos. fossem eles sentidos internos: a fantasia. Assim. surpreendem suas pausas. direta ou indiretamente. CONCEPÇÕES DE CONHECIMENTO As diversas teorias do desenvolvimento têm como apoio as diferentes concepções de homem. que possui um ambiente social e cultural aberto em casa. que é determinante do sujeito. o olfato. Apesar de tal. aberto às novas experiências. Nega-se. 115). Assim. vontades. no espírito humano. sua maneira de pensar. de idéias inatas ou princípios a priori. (DANTAS. não deveriam fazer parte das atitudes de um “formador de opiniões. constituindo-se na totalidade de seu saber. a audição. nem sempre tem facilidade para entender os padrões de uma sociedade e os modos empregados para a sua formação tanto no que refere aos conhecimentos necessários para a sua promoção na escola. que afirmava que os nossos conhecimentos resultam de nossa sensações e experiências e que comparava a nossa mente. mas também pelo processo de construção da cidadania do aluno. O professor não deve preocupar-se somente com o conhecimento através da absorção de informações. numa relação empática. supervalorizando. suas dúvidas. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento. função do educador e da instituição educacional em conjunto com os membros da família: O bom professor é o que consegue. o desenvolvimento do ser humano depende. as condições e possibilidades de conhecimento seriam 12 . constituindo-se a fonte e a explicação última do fenômeno do conhecimento. Os adeptos dessa corrente acreditam que o conhecimento processa-se por força dos sentidos. Dessa forma. suas incertezas. enquanto fala. trabalhando o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais. do seu ambiente. reflexão e pesquisa autônoma). que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade”. Trazer o aluno para a realidade social é. não dormem. os conteúdos da vida mental sobre um indivíduo.. De modo concreto. (FREIRE. para citar algumas figuras metafóricas comumente usadas. desta forma. 1996. Logo. bem como não se dá importância à maturação biológica. uma folha em branco ou um balde vazio. O papel do professor consiste em agir como intermediário entre os conteúdos da aprendizagem e a atividade construtiva para assimilação. O aluno. O ponto alto do empirismo é o teste da experiência: nada aceitar que não tenha passado pelo crivo da experiência. Os educadores não podem permitir que tais sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu dever de professor. de sua capacidade de ouvir. parte do pressuposto de que as qualidades a capacidades básicas do ser humano: sua personalidade. do clima estabelecido pelo professor. Um dos precursores dessa corrente filosófica foi John Locke. Sob esta perspectiva. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia. o papel da experiência sensorial (percepção). O conhecimento é produto da atividade e do conhecimento humano marcado social e culturalmente. Seus alunos cansam. O conhecimento é algo que vem do mundo do objeto. confiança. 1). a memória sensível. Indica também que o professor deve buscar educar para as mudanças. O trabalho do professor em sala de aula e seu relacionamento com os alunos são expressos através da relação que ele tem com a sociedade e com cultura. a existência. o contato que o homem tem por meio dos sentidos. acompanhando suas ações no desenvolver das atividades.

nessa concepção. elogios. o aluno é que aprende sendo que ninguém pode substituí-lo neste papel. dos dados da experiência e dos sentidos. Destacam-se. sem nenhum ripo de ação crítica e reflexiva. também. Sob este prisma pedagógico. interação ativada pela ação do sujeito. A esta teoria construtivista implica numa visão de ensino que considere a vivência e interesses dos alunos. Sob esta ótica. toda a atividade do conhecimento é exclusiva do sujeito. Verifica-se. que é considerado um ser ativo. a memorização mecânica. Temos. assim. sendo que esta interação provoca mudanças sobre o indivíduo. uma modificação deste comportamento. A concepção empirista define a aprendizagem como uma mudança de comportamento ou mesmo adoção de novas formas comportamentais. mero receptáculo de informações. e o psicólogo Carl Rogers. aptidões e possibilidades inatas do aluno. o tipo de resposta desejável e o estado físico e psicológico do organismo. isto é. O foco da concepção racionalista/inatista encontra-se no aluno visto como indivíduo que nasce com grandes possibilidades de desenvolvimento. a se destacar: a valorização do papel do professor. um mero receptor passivo e subserviente. O papel do professor. a fragmentação e a descontextualização dos conteúdos e ações educativas. e das concepções ambientalistas. por desprezarem o papel do ambiente. o aluno já traz em si. etc. Assim. dos testes de inteligência. porque ignoram fatores maturacionais. todavia. As duas correntes teóricas principais do construtivismo/interacionismo são a elaborada por Piaget. propiciam uma 13 . até mesmo. mas o de permitir o desenvolvimento das capacidades. que acentua a contínua interação entre as estruturas orgânicas da criança e as condições sociais em que ela vive. independentemente e antes mesmo de qualquer intervenção dos sentidos e sem a interveniência de qualquer dado exterior ao próprio intelecto. os conceitos e as idéias inatas que são o conteúdo do conhecimento. Assim. O aluno é visto como um aprendiz passivo. evidentes e irrecusáveis. então. os efeitos benéficos da corrente empirista. Trata-se. Só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. A aprendizagem confunde-se com condicionamento e. prêmios. Não se pode. bem como do planejamento das aulas. exigindo por parte dele a aplicação à prática. que decorre de princípios a priori. temos a seguinte relação epistemológica entre o sujeito e o objeto: SUJEITO OBJETO O construtivismo. as idéias e os juízos básicos do conhecimento seriam construídos somente pela razão. a avaliação como forma de verificação da retenção do conhecimento e com caráter de premiação ou punição. sem criatividade e nem originalidade. o centro do processo ensino-aprendizagem está na interação entre professor e aluno. valorize a criatividade do aluno e do professor (escola prazerosa). as tarefas que propõe. leva em conta. a importância da definição dos objetivos do ensino. o professor tende a ensinar a teoria ao aluno. que valoriza as questões da psicogênese do conhecimento. Desta forma. em que se atribui ao sujeito um papel essencialmente ativo. de uma pedagogia centrada no professor. de aptidão e de prontidão para a aprendizagem. notas baixas. u influenciando o outro. decorrentes de estímulos do ambiente (por estímulo-resposta). uma relação dinâmica e dialética entre o indivíduo e a sociedade. subestimando-se o papel do professor e do conhecimento sistematizado (acervo cultural da humanidade). O professor é visto como detentor e transmissor do conhecimento e o aluno. Neste modelo didático-pedagógico. fato este que pode ser gerador de preconceitos prejudiciais ao trabalho na sala de aula. um grande destaque dado ao estudo das diferenças individuais. para que ocorra aprendizagem é necessário considerar a natureza dos estímulos. completamente independentes. que propõe que o sistema nervoso humano contém mecanismos inatos que possibilitam à criança construir as regras da linguagem. A origem do conhecimento encontra-se na interação entre o mundo do sujeito e o mundo do objeto. valorizando as relações hierárquicas. o sujeito já nasce com a possibilidade de conhecer. Esquematicamente. através de estímulos reforçadores (notas altas. na sua origem. valorizando a bagagem hereditária e cultural. estando o conhecimento determinado na bagagem hereditária ou submetido ao processo maturacional. não é o de ensinar. tanto fatores orgânicos como fatores ambientais. sendo que o meio físico e social não participa dela. entre o organismo e o meio. entre defensores mais recentes dessa corrente. cabendo ao professor simplesmente interferir o mínimo possível neste processo. imersos em processo de contínua e intensa interação. nega-se o autoritarismo do professor (empirismo) e o autoritarismo o do aluno (inatismo). Desta forma. pois as características de sua intervenção. Os seus pressupostos apoiam-se na idéia da interação entre o organismo e o meio. o professor deve seguir um caminho didático-pedagógico que procura conhecer o aluno como uma síntese individual da interação do sujeito com o seu meio cultural. mediante recitação. entre o sujeito e o objeto. por meio de aulas tradicionalmente expositivas. Pela concepção construtivista. prestígio) ou de uma punição (castigo. pode contribuir o professor. SUJEITO OBJETO Relações entre as Concepções Epistemológicas e a Prática Pedagógica. os interacionistas discordam das teorias inatistas. que exercem uma ação recíproca. de forma a obter uma compreensão. Nesse enfoque construtivista. O modelo epistemológico que representa esquematicamente a relação entre o sujeito e o objeto nesta concepção é o seguinte. também chamado de interacionismo. previsão e. os recursos por ele utilizados. no desenvolvimento do ser humano.inatas.). de forma potencial. transmitir conhecimento. então. memorização da teoria dada. ao contrário da concepção empirista. a priori. Desta forma. resgatando dos pólos da relação professor-aluno. Mas. Esta corrente postula a idéia de que nosso intelecto é dotado de algum conteúdo prévio. O papel do professor é o de observar o comportamento do aluno. resultantes do treino ou da experiência. a razão é a fonte do conhecimento fornecendo-nos. reprovação. todo o conhecimento. o psicolinguísta Noam Chomsky. cabendo a este organizar as intervenções adequadas para desafiar o aluno na construção do conhecimento. desmerecendo o papel e o valor do conhecimento sensível e o da experiência sensorial. frutos apenas do espírito. e a desenvolvida por Vigotsky.

. bem como na verificação da qualidade e quantidade do ensino que está sendo orientado pelo mestre e pela escola. emocional e afetivo do aluno. não deve ser visto como regulador das ações humanas. o professor dependerá de seus próprios recursos para elaborar seus planos de trabalho. vai: . a fim de que este possa. previsão das situações específicas do professor com a classe. existem vários níveis de planejamento: o planejamento educacional. globalmente. . Portanto. tendo sempre que adaptar seus projetos às circunstâncias e exigências do meio. isto é. de maneira que possa selecionar o que é melhor. crescimento profissional. a ação de planejálo é predominantemente importante para incrementar a eficiência da ação a ser desencadeada no âmbito escolar. Indica a atividade direcional. durante o período (ano ou semestre) letivo. o planejamento de ensino. de Castro. no processo educativo. na situação ensinoaprendizagem. neste caso.Delinear. coerência e flexibilidade de seu planejamento. Afinal. e processo de tomada de decisões bem informadas que visam a racionalização das atividades do professor e doa aluno. maior produtividade.Especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores (PLANO DE AULA). Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à atividade do professor e alunos. determina as diretrizes da política nacional de educação. Pelo envolvimento no processo ensino-aprendizagem. sem dificuldades. e .verificar a marcha do professor ecucativo. efetuar uma aprendizagem tão significativa quanto o permitam suas possibilidades e necessidades. de modo a tornar o ensino seguro. Essa nova forma de relacionamento do professor com a classe estimula o diálogo. reconhecendo nele não um sujeito passivo. Assim. O professor. O professor que deseja realizar uma boa atuação docente sabe que deve participar. executando e avaliando juntos. exercício de autodisciplina. em termos mais próximos e concretos. assim como também os meios necessários para alcançá-los. Na esfera educacional. Considerando que o planejamento deve ser pensado como um ato político-social. o plano é elaborado apenas por um professor. Neste último caso. não um mero reprodutor do conhecimento que lhe é imposto. No entanto. com vistas a resultados semelhantes e bastante válidos para a clientela atendida. possibilitando melhores resultados e. no entanto. o professor renuncia ao papel do “dono do saber”. PLANEJAMENTO DO ENSINO (Nelson Valente) Alicerçardo nas linhas mestra de ação da escola. o livre debate de idéias. Na maioria das situações. diminuindo a importância do trabalho individualizado.Disciplinar partes da ação pretendida no plano global (PLANO DE UNIDADE).Conduzir os alunos ao alcance dos objetivos. pode organizar três tipos de planos de ensino. É da competência dos estabelecimentos de ensino. realmente. O professor deve ser um catalizador do desabrochar intelectual.Assegurar um ensino efetivo e econômico. Objetivos São objetivos do planejamento de ensino: . Ainda temos a considerar que as condições de trabalho diferem de escola pra escola.racionalizar as atividades educativas. passando a ser um orientador. é considerado etapa obrigatória de todo o trabalho docente. Considerando que o ensino é o guia das situações de aprendizagem e que ajuda os estudantes a alcançarem os resultados desejados. O professor. Planejando. consideramos as seguintes: Planejamento de ensino é: previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho escolar que envolvem as atividades docentes e discentes. P. adaptando tudo isto às necessidades e interesses de seus alunos. deve estar familiarizado com o que por em prática. em busca de propósitos definidos. O planejamento. Às vezes. ou seja. passa a considerá-lo o centro do processo ensinoaprendizagem. outras vezes. Cristiane Costa Tucunduva. os professores (às vezes auxiliados por especialistas) congregam esforços para juntos estabelecerem linhas comuns de ação. Elaine Mandelli Arns). seus alunos. e o planejamento do ensino é o que parte das decisões dos planejamentos anteriores. vários professores compartilham a responsabilidade de sua elaboração. resulta de uma atividade de grupo. prevendo a estruturação e o funcionamento da totalidade do sistema educacional. Inúmeras são as conceituações sobre planejamento de ensino encontradas nos diferentes autores consultados. o planejamento curricular é definido de acordo como planejamento educacional e determina a linha de ação proposta pelas escolas. é indispensável ter sempre bem presente que a interação professor-aluno é o suporte estrutural. responsabilidade e união a nível de decisões conjuntas. acreditando na capacidade do aluno de construir ativamente seu conhecimento. ele deve estimular a participação do aluno. ajustamento às mudanças. A responsabilidade do mestre é imensa. deverá estar bem informado dos requisitos técnicos para que possa planejar. cuja dinâmica concretiza o fenômeno educativo. entre outros aspectos. o planejamento. econômico e eficiente. independentemente. . É da competência do professor. PLANO DE AULA (Patrícia Aparecida P. um limitador das ações tanto 14 . mais amplo e abrangente. temos o planejamento de ensino cooperativo. Por ordem de abrangência. metódica e sistematizada que será empreendida pelo professor junto a seus alunos. segundo Menegolla e Sant’anna (2001). por sua natureza. Isso proporciona. ao planejar o trabalho. Por isso. oferecendo maior segurança na consecução dos objetivos previstos. envolve a previsão de resultados desejáveis. da ação que ficou configurada em nível de escola. em classe. surge. tendo em mira a efetivação do processo ensino-aprendizagem. elaborar e organizar planos em diferentes níveis de complexidade para atender. a interação social. no planejamento curricular. não se pode conceber que o professor não realize o mínimo de planejamento necessário para seus alunos. em consequência. Requisitos Por maior complexidade que em volva a organização da escola. Este. e . o planejamento de ensino deve ser alicerçado neste pressuposto básico. em nível mais específico.maior ou menor margem para a atividade construtiva do aluno. alguém que acompanha e participa do processo de construção do conhecimento dos seus alunos. toda a parte a ser empreendida (PLANO DE CURSO). O professor. Grande parte da eficácia de seu ensino depende da originalidade. Este é a tradução. esses professores desenvolvem habilidades necessárias à vida em comum com os colegas. O planejamento tende a prevenir as vacilações do professor. isto é.

Interessou-se pela psicologia. conhecer seus alunos (características psicossociais e cognitivas). por sua vez. métodos. Piaget tornou-se membro do Conselho Executivo da instituição. o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . 1992. Para ele. não existe um modelo único de planejamento e sim vários modelos. pois é ele quem conhece as reais aspirações de cada turma. A partir das definições das principais etapas que devem conter um planejamento o professor já tem condições necessárias para fazê-lo e utilizá-lo adequadamente. Também não existe um modelo melhor do que outro. pois. Vale lembrar. Menegolla e Sant’anna (2001) ainda completam argumentando que o plano das aulas visa a liberdade de ação e não pode ser planejado somente pelo bom senso.cit. ou do pensamento lógico do homem. tais como: conhecer a sua personalidade enquanto professor. Outro grupo que deve estar atento à importância de elaborar planos de aula são os professores em início da carreira. 2003. que seja funcional e de bons resultados. Estes estão diretamente subordinados aos objetivos definidos para o ensino ou para aula.pessoais como sociais. Id est. há duas formas de aprendizagem. temas. Florença e Rio de Janeiro. porém. na Suíça. doutorando-se no ano seguinte. Partindo do princípio de que o professor deve ensinar os conteúdos e também deve formar o aluno para que ele se torne atuante na sociedade. cabe ao professor escolher aquele que melhor atenda às necessidades deste e de seus alunos. pra Schmitiz (2000). pois serão estas etapas que darão uma visão do que é necessário conveniente ao professor e aos alunos. Alguns autores sugerem que o planejamento tenha algumas etapas principais. disciplina ou na aula mesmo. Quer dizer. Paris. 2000. Este desenvolvimento é um processo espontâneo e contínuo que inclui maturação. uma vez que no plano de aula. Conteúdo: conjunto de assuntos. experiência. o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo auto-regulatório que tem como base um 'kit' de condições biológicas (inatas portanto). 1992. se efetua através de um mecanismo auto-regulatório que consiste no processo de equilíbração progressiva do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido. mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget. Segundo Shimitz (2000) ele não precisa ser descrito minuciosamente. biologicamente constituídas. Lausanne e Genebra e de psicologia genética na Sorbonne. deve considerara alguns componentes fundamentais. já que é um instrumento de feedback aos atores desse processo. de 1952 a 1963. anunciados e exigidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). op. Mediante todos os fatos pesquisados até agora. Segundo Gutenberg (2008). em 1896. porém. faz-se necessário conhecê-los e compreendê-los muito bem. ele deve organizar seu plano de aula de modo que o aluno possa perceber a importância do que está sendo ensinado. La Taille. tópicos que serão trabalhados/abordados em cada disciplina. série. Presidente da Comissão Suíça na UNESCO. não se discute a necessidade e a importância de se elaborar o pano de aula. são reorganizadas pela psique socializada. para seu dia-a-dia ou para seu futuro.físico e social (Rappaport. A UNESCO confiou-lhe a elaboração da obra O direito à educação. Porém é de responsabilidade do professor elaborar o plano de aula. Fala se os objetivos da aprendizagem foram alcançados ou não. argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata préformada no sujeito. Conhecer todos os componentes acima possibilita ao professor escolher as estratégias que melhor se encaixam nas características citadas aumentando as chances de se obter sucesso nas aulas. mais ampla.que o rodeia (Coll. Foi professor dessa matéria nas Universidades de Neuchâtel. São os modos de organizar as condições externas a fim de facilitar o ensino. mas o acompanha sempre e em todo momento. tanto a experiência sensorial quanto o raciocínio são fundantes do processo de constituição da inteligência. Moreto (2007) acredita que o professor. sem bases científicas que norteiam o professor. por este motivo. escrito ou mentalmente. conhecer o contexto social de seus alunos. 1976 apud Freitas 2000:64). sistematizar as atividades e facilitar seu acompanhamento. A primeira. Piaget formula o conceito de epigênese. São elas: Objetivos: apontam para aquilo que se deseja que o estudante seja capaz de realizar após a atividade do ensino. Diplomou-se em ciências naturais aos 21 anos.). significando entender com isso que as formas primitivas da mente. equivale ao próprio desenvolvimento da inteligência. Piaget abordou o desenvolvimento da inteligência através do processo de maturação biológica. Avaliação: Vale lembrar que a avaliação não é um momento do processo ensino-aprendizagem. foi enviado em missão a Beirute. é possível esclarecer os objetivos da mesma. esses profissionais iniciando sua carreira no magistério adquirem confiança para dar aula. que segundo Menegolla e Sant’anna (2001). TEORIAS DE APRENDIZAGEM JEAN PIAGET E O CONSTRUTIVISMO (Nelson Valente e Márcia Regina Terra). existe uma relação de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. 15 . na resolução de problemas e principalmente na capacidade de escolher seus caminhos.físico e social . técnicas e modalidades de ensino que possuem o intuito de facilitar o ensino. ou seja. conhecer a epistemologia e a metodologia mais adequada às características das disciplinas. que é ativado pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . e sim ser visto e planejado no intuito de nortear o ser humano na busca da autonomia. realizando estudos em Zurique e em Paris.). Método: São atividades. na tomada de decisões. transmissão social e desenvolvimento do equilíbrio. uma vez que ambos são atuantes em sala de aula. mas deve ser estruturado. Freitas. Esse processo. essa base científica utilizada para organizar o trabalho pedagógico são os pilares e princípios da educação. etc. Jean Piaget nasceu em Neuchâtel. como procuraremos expor em seguida. seja num contexto histórico. A segunda forma de aprendizagem é limitada à aquisição de novas respostas a situações específicas ou à aquisição de novas estruturas para algumas operações mentais específicas. em consequência de seu desempenho na escola. Menegolla e Sant’anna (2001) explicam que o planejamento também serve para desenvolver tanto nos professores como nos alunos uma ação eficaz de ensino e aprendizagem. ao elaborar o plano de aula. Quer dizer.

Pesquisou sobre literatura. para Piaget. Nessa concepção. esse processo de transformação vai depender sempre de como o indivíduo vai elaborar e assimilar as suas interações com o meio. a criança. ou seja. ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta. 2003). gerando um processo de acomodação. Apenas em meados dos anos 60 seus livros chegaram ao Ocidente. nesta fase. A esse respeito. a) Assimiliação: consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência. toda experiência é assimilada a uma estrutura de idéias já existentes (esquemas) podendo provocar uma transformação nesses esquemas. Essa busca do organismo por novas formas de adaptação envolvem dois mecanismos que apesar de distintos são indissociáveis e que se complementam: a assimilação e a acomodação. a saber: (a) Período Sensório-motor (0 a 2 anos): caraceteriza –se por uma forma de inteligência empírica. Sua obra enfrentou décadas de silêncio imposto pelo regime stalinista. ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior. deficiência física e mental e educação.cit. já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal. a inteligência é anterior à emergência da linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica. Partidário da revolução russa. Foi professor do ginásio e se fazia uma pergunta fundamental: como o homem cria cultura? Dono de uma inteligência brilhante. (c) Período das operações concretas (7 a 11. neste estágio. Trata-se de um fenômeno que tem. sendo essa teoria considerada histórico-social. Vygotsky morreu de tuberculose 3m 1934. ou seja. portanto. No entanto. Progressivamente. os modos de relacionamento com a realidade são divididos em 4 períodos. a criança vai aperfeiçoando tais movimentos reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor já se concebendo dentro de um cosmo "com objetos. como o elemento complementar das interações sujeito-objeto. um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência de esquemas conceituais).O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget. tendo que se adaptar a ela. eles não chegaram a se encontrar em vida. Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividade de interpretação da realidade que o rodeia e. causalidade objetivados e solidários. 12 anos): neste período. ou seja. Contudo. (b) Período pré-operatório (2 a 7 anos): para Piaget. ele buscou a resposta na Psicologia e acabou por elaborar uma teoria do desenvolvimento intelectual. mas que paradoxalmente nunca alcança (La Taille. é a emergência da linguagem. espaço. dedicando-se aos campos da pedagogia e psicologia. somando conhecimentos. entre os quais situa a si mesma como um objeto específico. Só então o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). ou seja. pode-se dizer que. VYGOTSKY E O SÓCIO-INTERACIONISMO Nasceu na Bielo-Rússia em 5 de novembro de 1896. ao atingir esta fase. b) Acomodação: por sua vez. um caráter universal. No entanto. em sua essência. a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta. tempo. isso porque a visada conquista da equilibração do organismo reflete as elaborações possibilitadas pelos níveis de desenvolvimento cognitivo que o organismo detém nos diversos estágios da sua vida. a acomodação representa "o momento da ação do objeto sobre o sujeito" (Freitas. A criança aprende pela experiência. já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos da espécie humana. consequentemente. exploratória. para Piaget. sustentando que todo conhecimento é construído socialmente. (d) Período das operações formais (12 anos em diante): nesta fase. principalmente os políticos. Vygotsky sempre acreditou em uma sociedade mais justa sem conflito social e exploração. enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. Sua teoria tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico. tanto os esquemas conceituais como as ações executadas mentalmente se referem. embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas sensoriais-motores na fase anterior) ela apresentará. op. o que marca a passagem do período sensóriomotor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica. lamentando que os dois não tivessem se conhecido. Em síntese. o egocentrismo intelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações e coordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem) e de integrá-los de modo lógico e coerente. Um outro aspecto importante neste estágio refere-se ao aparecimento da capacidade da criança de interiorizar as ações. Formou-se em literatura e direito na Universidade de Moscou e mais tarde estudou medicina. eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça. que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Gillièron. mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em que o indivíduo está inserido.cit. ela começa a realizar operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da inteligência sensório-motor. paradoxalmente. devido a vários fatores. haja vista que no processo de interação podem ocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo. no âmbito das relações humanas. op. psicologia. pois ele representa o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano. Em síntese. Vygotsky viveu na mesma época que Piaget (ambos nasceram em 1896). leu e comentou os elogios e as críticas que Vygotsky lhe fizera em 1932. o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio. Quer dizer. embora a criança consiga raciocinar de forma coerente. examinando e experimentando com os objetos ao seu alcance. aos 38 anos.). Assim. não-verbal. o equilíbrio é o norte que o organismo almeja. De acordo com a tese piagetiana. Pressupostos Essenciais Histórico de Vygotsky do Modelo Sócio- 16 . agente e paciente dos eventos que nele ocorrem" (La Taille. op.:65) emergindo.).cit. consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento.

assim como. que são os mediadores". Natureza social Vygotsky interessou-se por enfatizar o papel da interação social ao longo do desenvolvimento do homem. pelas pessoas que rodeiam a criança. passa a perceber a realidade. como os reflexos e a atenção involuntária. Evidentemente só a realidade dos fatores externos não determinam completamente essa percepção. portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações. Essas concepções fundamentam sua idéia de que a criança nasce dotada apenas de FUNÇÕES PSICOLÓGICAS ELEMENTARES. sua aprendizagem. papéis e funções sociais. Desse modo. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. sociedades e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas. Essa evolução acontece pela elaboração das informações recebidas do meio. "na ausência do outro. As informações nunca são absorvidas diretamente do meio. a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Com o aprendizado cultural. representa um salto qualitativo na evolução da espécie. e seu desenvolvimento dar-se-á em função de características do meio social em que vive. A cultura fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade. A criança passa a ver o mundo com sua própria visão. como a consciência. As concepções de Vygotsky sobre o funcionamento do cérebro humano sinalizam que o cérebro é a base biológica. Ela dá o local de negociações no qual seus membros estão em constante processo de recriação e reinterpretação de informações. o homem não se constrói homem". Maria Teresa Freitas resume: "Nenhum conhecimento é construído pela pessoa sozinha. explícita ou implicitamente. Atento à "natureza social" do ser humano. Isso não significa que o indivíduo seja como um espelho. as formas de organização do real. primeiro entre as pessoas (interpsicológica) e depois no interior da criança (intrapsicológica). os vygotskianos entendem que os processos psíquicos. E assim assinalam-se constantemente a busca de explicar os processos mentais superiores baseados na imersão social do homem que por sua vez é histórico. 2. as funções psicológicas superiores referem-se a processos voluntários. apenas refletindo o que aprende. o conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade. o que permite a formação de conhecimentos e da própria consciência. A internalização envolve uma atividade externa que deve ser modificada para tornar-se uma atividade interna. porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais. características exclusivas do homem. É isso que caracterizará a individualidade. Vygotsky defendeu que o próprio desenvolvimento da inteligência é produto dessa convivência. mas acesso mediado. A percepção da realidade requer processos biológicos como determinantes de experiência. Para Vygotsky. portanto. em que todas as funções aparecem duas vezes: primeiro no nível social e depois no nível individual. Em outras palavras.1. Poder-se-ía assim dizer que o desenvolvimento cultural do aluno. através de recortes do real. o planejamento e a deliberação. ou seja. O outro social pode apresentar-se por meio de objetos. ou seja. é interpessoal e se torna intrapessoal. pela mediação feita por outros sujeitos. carregando significados sociais e históricos. mas sim em parceria com as outras. interiorizações desenvolvidas através da linguagem 17 . São sempre intermediadas. ela tem relação direta com o próprio desenvolvimento psicológico. Isto quer dizer que o homem é herdeiro de toda a evolução filogenética (espécie) e cultural. ocorrem por assimilações de ações exteriores. do mundo cultural que rodeia o indivíduo. o universo de significações que permite construir a interpretação do mundo real. É pela APRENDIZAGEM nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso desenvolvimento mental. Desenvolvimento do cérebro A redução de reações biológicas é uma condição prévia para o aparecimento de fenômenos psicológicos. Mediação A questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio e. em sua relação com o mundo. É na troca com os outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos. no entanto. Além de ser o principal instrumento de intermediação do conhecimento entre os seres humanos. O sujeito não é apenas ativo. o desenvolvimento cultural da criança aparece segundo a lei da dupla formação. principalmente nas áreas mais sensíveis. e suas peculiaridades definem limites e possibilidades para o desenvolvimento humano. mas interativo. Donde surge o termo sóciocultural ou histórico atribuído nesta teoria. se dá mediante o processo de relação do aluno com o professor ou com outros alunos mais competentes. mecanismos intencionais e dependem de processos de aprendizagem. da organização do ambiente. Para ele. presentes em todos os animais mais desenvolvidos. portanto. Por isso a linguagem é duplamente importante para Vygotsky. a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico em ser humano. parte dessas funções básicas transforma-se em FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES. ações conscientes. As funções psicológicas superiores são construídas ao longo da história social do homem. Para Vygotsky. Processo de internalização O processo de internalização é fundamental para o desenvolvimento do funcionamento psicológico humano. ou seja. Enquanto sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos. É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas. permitindo que seu organismo passe a ser afetado por fatores externos. a aprendizagem entre eles. conceitos e significações. ontológico e filogenético. assim como no construtivismo e sim. Vygotsky e Luria (1930/1993) explicam isto na área da percepção: a criança no início de sua vida tem apenas sensações orgânicas tensãodor calor. As informações intermediadas são reelaboradas numa espécie de linguagem interna. sistema simbólico dos grupos humanos. administrando-o sob seu ponto de vista. Conceitos Básicos da Teoria de Vygotsky 1. A linguagem. que desde o berço vive rodeado por seus pares em um ambiente impregnado pela cultura. 2. Quando a criança deixa de sofrer influência desses processos biológicos. A informação de que esses processos biológicos tornamse disponível no organismo é organizado pela própria criança através de experiência social e cultural. o conhecimento é sempre mediado. É ela que fornece os conceitos.

Privilegiam o ambiente social. assim como. Isto porque o autor preocupou em descrever e entender o que ocorre ao longo da gênese de certas funções. por exemplo. que se costuma determinar através da solução independente de problemas. envolvendo memorização ativa seguida de pensamento abstrato. assim como na de Piaget . uma multiplicação simples. verbal e de diversos graus de generalizações e assimilações. que usa o signo. A aprendizagem é considerada como parte de atividades coletivas que precedem a aquisição individual (linguagem infantil: primeiro aparece como forma de comunicação. seus atos deixam de ser espontâneos (no sentido biológico do termo) para se tornarem atos sociais e históricos. no estudo da linguagem da formação de conceitos. pelo menos dois níveis de desenvolvimento identificados por Vygotsky: 3.interna que permite formar abstrações. ou palavra. A aprendizagem é produzida através de um diálogo constante entre o exterior e o interior do indivíduo.1. O que nos faz pensar que esse processo de aprendizagem se desenvolve do concreto (segundo as variáveis externas) a abstrata (as ações mentais). cada qual com características específicas: • Pseudo-conceitos: aqui ainda a criança não consegue formular conceitos. Mas existe na teoria de Vygotsky. Zona de Desenvolvimento Proximal Segundo Vygotsky. e que suas relações com a natureza e com os outros homens no nível da consciência são lidados de forma espontânea apenas quando ele não tem percepção da consciência sobre aquilo que está fazendo. produzindo abertura nas zonas de desenvolvimento proximal nas quais as interações sociais são centrais. quando ela já sabe somar. existe como base metodológica e objeto de estudo a intencionalidade da consciência. que são interiorizadas surgindo a capacidade de atividade abstrata (ações mentais) com varias formas de manifestação (material . 18 . nesse diverso campo da consciência. com diferentes formas de manifestações. Relação desenvolvimento/aprendizagem Vygotsky e a escola de psicologia dialética soviética e seus seguidores Luria (1902/1977) e Leontiev (1903/1979) estabelecem uma relação inseparável entre aprendizagem / desenvolvimento. Nesse processo. que para este autor a consciência é o estado supremo do homem. tanto intelectual. Costuma-se destacar que a abordagem de Vygotsky tem explicação das mudanças de ordem qualitativa.ou intelectual – pensamento -) e diversos graus de generalização e assimilação. que a aprendizagem entre eles. Nesta fase a criança se orienta pela semelhança concreta visual. como por exemplo. 3.2. formando apenas um complexo associativo restrito a um determinado tipo de conexão perceptual. chegando a afirmar que o desenvolvimento vem depois da aprendizagem. pelo constante diálogo entre o exterior e interior do indivíduo. • Conceitos cotidianos: aprendidos assistematicamente. e as ações mentais são formadas a partir das variáveis externas (concretas). mais e mais ele abstrai sobre seus atos e sobre o meio. aprendizagem e desenvolvimento. Entendem que os processos psíquicos. orientadas por instruções e com a ajuda de um adulto ou por resultado da interação com iguais. Já que nessa abordagem não se questiona o fato de que todos os indivíduos tenham uma capacidade de aprendizagem que. são os conceitos aprendidos na escola sistematicamente. • Conceitos científicos: constituído por um sistema hierárquico de inter-relação. depois se interioriza convertendo em linguagem interna). São as relações sociais que dão ao indivíduo instrumentos para ativar os processos internos que favorecem o desenvolvimento. Desenvolvimento Potencial: se manifesta quando a criança realiza tarefas mais complexas. Por exemplo. 3. o que na teoria vygotskiniana é chamado de Tomada de Consciência. ele desenvolveu o conceito de ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL. são assimilações de ações exteriores.4. Para Vygotsky. como meio de condução das operações mentais.5. cuja da interiorização surge a capacidade da atividades abstratas que a sua vez permite elevar a cabo ações externas. • Conceitos: formação de conceito atividade complexa e abstrata. interrelacionados. E esses elementos da consciência vão dar origem aos denominados processos mentais superiores. interiorizações desenvolvidas através de linguagem interior que permite formar abstrações. Se domina a adição. 3. Dois níveis de desenvolvimento Existem. requer sempre um grau de experiência anterior para a criança. Observe que. verbal –linguagem . controladas ou voluntárias. inicialmente. assim.6. 3. esse é um nível de desenvolvimento real. um conceito que se pretenda trabalhar. Com isto. A aprendizagem interage com o desenvolvimento. ambos os processos. etc. Por outro lado. envolvendo a psique do indivíduo. 3. a evolução intelectual é caracterizada por saltos qualitativos de um nível de conhecimento para outro. a aprendizagem se produz. estes conceitos dispensam a necessidade da escola para a sua formulação. à medida que o homem toma consciência da consciência que possui. por estes serem ações conscientes. Diríamos de certa forma. os quais são diferentes dos processos mecânicos.os diferentes níveis de funcionamento psicológico. estando então. mas o pensamento ocorre por cadeia e de natureza factual e concreta. a finalidade da aprendizagem é a assimilação consciente do mundo físico mediante a interiorização gradual de atos externos e suas transformações em ações mentais. uma vez que para formar ações mentais tem que partir das trocas com o mundo externo. Desenvolvimento Real: É determinado por aquilo que a criança é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. que definiu como a "distância entre o nível de desenvolvimento real.ações externas -. determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes". Tomada de consciência Vigotsky abstrai que o ser humano é criado histórico e socialmente. está condicionada pelo nível de desenvolvimento alcançado. Aprendizagem é a assimilação consciente do mundo físico mediante a interiorização gradual de atos externos e sua transformação em ações mentais. Nessa teoria não se tem estágios de desenvolvimento explicado detalhadamente sobre o surgimento e desenvolvimento das funções psíquicas através de acumulação de processos elementares. A fim de explicar esse processo. em matemática. e o nível de desenvolvimento potencial.

Para Vigotsky é a compreensão através do contraste social e origem. é o primeiro que gera o segundo. relações sociais constituem a psicologia da criança desde o começo.Nesta concepção a educação é considerada um sistema que facilita a apropriação de conteúdos próprios de cada cultura. ele também vai refletindo e aplicando essas teorias que são valiosas para resolverem diversos males que afligem o contexto educacional. como ser útil ou inútil. Piaget afirmou que a mente é governada através de mecanismos biológicos. afetivo. Laurinda Ramalho de Almeida. Assim que infância termine. eles são substituídos rapidamente através de influências sociais. com adaptações). isto 19 . as crianças individuais constroem conhecimento através de suas próprias ações: entender é inventar. como explicação da mudança adaptativa). possam trabalhar rumo a uma educação significativa e construtiva – a qual possa conduzir o aluno a ser sujeito consciente de sua autonomia social. Em suas palavras. em Vygotsky o que tem que estabelecer é a sequência que permite o progresso de forma adequada. Ou seja. Ambos autores fazem parte das correntes interacionista (através de dialética externas de adaptação entre o organismo psicológico do indivíduo e seu mundo circundante ou contexto) e construtivista (dialéticas internas de organização entre as partes do organismo psicológico. O termo socioconstrutivismo (ou. rústico ou sofisticado e assim por diante. Antes de chegar à psicologia passou pela filosofia e medicina e ao longo de sua carreira foi cada vez mais explícita a aproximação com a educação. Ambos são construtivistas em suas concepções do desenvolvimento intelectual. Ambos atribuem grande importância ao organismo ativo. Para Vygotsky. O fator cultural. o meio é sempre revestido de significados culturais. Para Piaget. por Vigotsky. ao contrário. Para Piaget. o indivíduo começa a participar de relações sociais. sem esperar a maduração "mecânica" e evitando que possa pressupor as dificuldades para prosperar por não delinear um desequilíbrio adequado. VYGOTSKY X PIAGET A discussão do pensamento de Vygotsky na área educacional e psicológica nos remete a uma reflexão sobre as relações entre ele e Piaget. E os significados culturais só são aprendidos com a participação dos mediadores. por considerar que Piaget não deu a devida importância a situação social e ao meio. relações sociais são secundárias à natureza biológica da criança. percebe-se que à medida que o educador vai tecendo sua prática. Relações sociais formam o contexto desenvolvente de crianças e constituem a natureza da criança. Os dois se opõem tanto à teoria empirista (para a qual a evolução da inteligência é produto apenas da ação do meio sobre o indivíduo) quanto à concepção racionalista (que parte do princípio de que já nascemos com a inteligência pré-formada). Mecanismos biológicos operam durante curto espaço de tempo. como preferem alguns especialistas. antes de 2 anos de idade. Psicologia e Filosofia. Isto para que. sendo chamado de sóciointeracionista e não apenas interacionista como Piaget. Ele também afirmou que processos cognitivos são originalmente egoístas e anti-sociais. Se em Piaget havia que ter em conta o desenvolvimento como um limite para adequar o tipo de conteúdo de ensino a um nível evolutivo do aluno. Ambos divergem também quanto à seqüência dos processos de APRENDIZAGEM e de DESENVOLVIMENTO MENTAL. seriam impossíveis". Para Vygotsky. impulsionando ao longo de novas aquisições. mas Vygotsky destaca o papel do contexto histórico e cultural nos processos de desenvolvimento e aprendizagem. e pouco enfatizado por Piaget. É desta concepção que Vygotsky afirma que a aprendizagem vai em frente do desenvolvimento Vygotsky teve contato com a obra de Piaget e embora teça elogios a ela em vários aspectos. Por exemplo. entendendo que a compreensão do ser humano deve ter presente que ele é organicamente social. Possuía formação nas áreas de Medicina (Neurologia e Psiquiatria). Vygotsky considerou a criança como um indivíduo social. como sócio-cultural. sustentam que a inteligência é construída a partir das relações recíprocas do homem com o meio. Wallon faz oposição a qualquer espécie de reducionismo orgânico ou social e ao dualismo corpo e alma. É justamente a comprovação. O que tem encorajado inúmeros educadores a inovarem sua prática pedagógica. é possível utilizar as discussões mencionada na concepção interacionista e construtivista dos autores e colocar-se como condutor dessa interação do aluno com o meio e fazer desse meio um ambiente de estímulo para que o sujeito desenvolva os seus aspectos cognitivos. Apesar dos autores serem de complexa interpretação. valioso ou não. Piaget considerou como anti-social. é a diferença central entre os dois teóricos construtivistas. Nesse meio. a criança participa das relações sociais. de outra forma. no sentido de buscar compreender a realidade de seus alunos tanto do ponto de vista psicológico. Ele afirmou que mecanismos naturais governam o comportamento da crianças. a partir daí. também a critica. As críticas a Piaget não foram diferentes das dirigidas a Freud. cognitivo. HENRY WALLON e a PESSOA COMPLETA (Abigail Alvarenga Mahoney. "o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que. Porém. Piaget e Vygotsky contribuíram para a elaboração de metodologias inovativas que ultrapassam aquelas existentes na escola tradicional. Nasceu na França em 1879. Porém. Esse confronto se dá uma vez que os autores possuem vários pontos divergentes que separam os seus pensamentos em abordagens ou pontos de vista diferentes. básico para Vygotsky. sociointeracionismo) é usado para fazer distinção entre a corrente teórica de Vygotsky e o construtivismo Jean Piaget. da existência de uma zona de desenvolvimento potencial que desprende ou desvincula a proposta de uma concepção distinta da ajuda pedagógica de que surge das teorias de Piaget. segundo Vygotsky. De forma geral. Piaget. Vygotsky colocou uma concepção bastante diferente da criança. Eles só são dirigidos à realidade e ao relacionamento social depois de 7 a 8 anos de idade. É graças as implicações teóricas destes psicólogos que se pode hoje trabalhar visando ultrapassar a metodologia pedagógica arraigada na repetição de conceitos. o objeto armário (meio) não tem sentido em si. Não é surpresa devido ao endosso de Piaget aos conceitos de Freud. Para o ser humano. defende que é o desenvolvimento progressivo das estruturas intelectuais que nos torna capazes de aprender (fases pré-operatóra ou lógico-formal). Só tem o sentido cultural que lhe damos.

Personalismo (3 a 6 anos): Nesse estágio desenvolve-se a construção da consciência de si mediante as interações sociais. na busca por uma identidade autônoma. esses estágios seriam os seguintes: 1. suas condições de existência. existindo outro tipo de interação: a criança e o outro. A criança. respondendo a sensibilidades corporais: proprioceptiva (sensibilidade dos músculos) e interoceptiva (sensibilidade das vísceras). Antes do surgimento da linguagem falada. uma vez que o aluno pensa. a criança se volta para o mundo externo (sensibilidade exteroceptiva). contatos epidérmicos. aplicou à Educação princípios da Psicologia Clínica. morais e existenciais são trazidas à tona. como se formam. o predomínio é da razão. O domínio de categorias cognitivas de maior nível de abstração. O foco da teoria é essa interação da criança. para ele. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. Questões pessoais. foi psicoterapeuta por mais de 30 anos. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. que se transformarão com o tempo. é um desenvolvimento conflituoso. O autor estudou a criança contextualizada. Ao olhar uma pessoa como um todo a ser considerado. Como neste estágio. Na ótica Rogeriana. A diferenciação mais nítida entre o eu e o outro dá condições mais estáveis para a exploração mental do mundo externo. daí a importância de se ligar ao seu cuidador (a). Rita de Cássia Pareja. contrapondo-se aos valores tal qual interpretados pelos adultos com quem convive. que pressupõe a ampla liberdade de escolha. 4. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. que segure. Formado em História e Psicologia. não existe sentido se falar em comportamento ou em cognição sem considerar o domínio afetivo. Puberdade e Adolescência (11 anos em diante): Ocorre novas definições dos contornos da personalidade. embale. a teoria de desenvolvimento de Wallon assume que o desenvolvimento da pessoa se faz a partir da interação do potencial genético. 5. para Wallon. iniciada com a integração das diferenciações produzidas durante o período pré-categorial. mediante atividades externas de agrupamento.é. classificação. Partindo de uma perspectiva psicogenética da pessoa completa. para o conhecimento e conquista do mundo exterior Nesse período. O recurso de aprendizagem nesse momento é a fusão com os outros. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". na Califórnia. Implulsivo-Emocional (0 a 1 ano): a criança expressa sua afetividade através de movimentos descoordenados. como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. Wallon trouxe a compreensão de que o organismo é a primeira instância da aprendizagem. a 4 de fevereiro de 1987. como funcionam. Inicialmente atuou como psicoterapeuta e posteriormente dedicou-se à educação com a proposta de ensino centrado no aluno. Carl Rogers nasceu em Chicago em 1902 e faleceu em La Jolla. pouco claras. 3. Aqui. em conceitos e princípios. categorização em níveis de abstração até chegarem a nível categorial. lentamente. a direção é para si mesma. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. É a fase de se descobrir diferente das outras crianças e do adulto. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. questionamentos. para um intenso contato com os objetos e a indagação insistente do que são. a criança participa intensamente de seu ambiente e apesar de percepções. possibilita a discriminação mais clara dos limites de sua autonomia e de sua dependência. sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para se atualizar. onde ocorrem as representações claras. Segundo GALVÃO (2000).aprendizagem os sentimentos do aluno devem ser considerados. Categorial (6 aos 11 anos): Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas. aparece a exploração de si mesmo. Pela imitação. que só se verifica mediante a busca pela pessoa completa. que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. complementando os processos intelectuais. sensações nebulosas. é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. nas quais a dimensão temporal toma relevo. através da ação e interpretação do meio entre humanos. 1981). vai se familiarizando e apreendendo o mundo. precisas. a criança aprende principalmente pela oposição ao outro. a criança desdobra. com o pensamento ideomotriz (representação das imagens mentais por meio de ações). assim como Piaget. Liège Frainer Barbosa. reorientando o interesse das crianças pelas pessoas. O processo ensino-aprendizagem exige respostas corporais. 2. As atividades predominantes estão voltadas para a construção do eu e para as relações afetivas com o outro. ele 20 . carregue. sem fragmentação e sem privilégio por determinada área. Aurora Gaspar). Segundo ele. autoafirmação. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. e uma grande variedade de fatores ambientais. A organização do mundo em categorias bem definidas possibilita também uma representação mais nítida de si mesma. físico. Através dessa fusão. construindo suas próprias emoções. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. porém. e no processo ensino. mediante atividades de confronto. Imitando. por pelo menos três anos. Durante esse período. passa a haver a representação das coisas e a explicação do real. CARL ROGERS E O HUMANISMO (Clarice Salgueiro. uma relação complementar entre os fatores orgânicos e socioculturais. sente de forma integral. portanto. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. Sensório-Motor e Projetivo (1 a 3 anos): quando já dispõe da fala e da marcha. com o meio. pela descoberta do que a distingue de outras pessoas. Nesse estágio. isto é. e para isso se submete e se apóia nos pares. Rogers é um dos precursores da teoria humanista. que possibilitam a substituição dos objetos pelas palavras correspondentes a partir da apropriação da linguagem (Wallon. típico da espécie. iniciando o processo de diferenciação.

questionando os aspectos de relevância para a sua própria aprendizagem. uma vez que todo ser humano apresenta uma tendência natural e particular para aprender. levando em conta a ótica do outro. É educar para a vida e para novos relacionamentos. o sujeito é educado para não desenvolver a consciência crítica. favorecendo a relação que se intensifica. p. “não a encarnação abstrata de uma exigência curricular ou um canal estéril do qual o saber passa de geração em geração” (1991. Tais ações servem de premissa para visualizar o poder do educador sobre o educando e como conseqüência a possibilidade de formar sujeitos ativos. São palavras do universo vocabular do estudante. De fato. o seu olhar. não considerando o indivíduo como um todo. que parecem ser de fundamental importância no processo de alfabetização científica. 58). nessa concepção. Esse tipo de aprendizado é esquecido com o tempo. de domesticação e alienação transferidas do educador para o aluno através do conhecimento dado. transportando para a educação esta convivência em busca de uma aprendizagem significativa e qualitativa. o conhecimento é algo que. educação é um encontro entre interlocutores. os marginalizados da sociedade. Para o autor. modificar o que lhe é oferecido como se fosse o máximo que poderíamos ter e muitas vezes ver o dominador como um sujeito generoso. p. p. a importância de um educador consciente de suas atitudes e sua capacidade de compreender os sentimentos e as reações do seu aluno. alienado. Rogers combate a aprendizagem do tipo “tarefas”. a importância de ser uma pessoa real. Entende-se por pedagogia em Freire. A aceitação e a compreensão. 1991.quebra o paradigma do relacionamento formal e cria um relacionamento interpessoal. A Educação Bancária que Freire abomina se alicerça nos princípios de dominação. que só utiliza as operações mentais. Por isso. pois não tem relevância com os sentimentos. conseqüentemente. do eu olhar. Freire busca como ideal a conscientização para o conhecimento da realidade e das relações de poder existente na sociedade. consciente de sua constante transformação. segundo a qual esta se encontra sempre no outro (Freire. Um ingrediente que pode motivar um início dessa troca de idéias talvez esteja nas palavras “geradoras” de Freire. O educando é instado a buscar o seu próprio conhecimento. não existe aquele que sabe e aquele que ensina. O professor passa a ser considerado um facilitador da aprendizagem. todos sabem alguma coisa e todos aprendem alguma coisa com alguém. Carl Rogers afirma que “evitar-se-ia assim obrigá-lo ao conformismo. Não pode temer o debate.269). porque sua ideologia já corrompeu e alienou o cidadão. Assim. por isso um ato de coragem. a ação que pode e deve ser muito mais que um processo de treinamento ou domesticação. que é o sentimento que se nutre quando são expressos os sentimentos positivos. constituiu um referencial teórico que hoje é cenário essencial para compreensão das relações humanas PAULO FREIRE E A PROBLEMATIZAÇÃO (José Roberto Tagliati. Para isso fundamenta conceitos essencialmente importantes. que são: a empatia. críticos e não domesticados. sob pena de ser uma farsa.a absolutização da ignorância. Rogers enfatiza entre os seus “princípios de aprendizagem3”. isto para que o indivíduo possa transformar. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão . A consideração positiva incondicional que consiste em aceitar as expressões negativas. Para Freire. já estabelecidas na relação professor-aluno. a congruência e a consideração positiva incondicional. o objetivo maior da educação e. imposto. na formação das suas competências. implicam um ensino centrado nesse último. Para Rogers. que procuram no ato de conhecer a significação da realidade e na práxis o poder da transformação. Para este 21 . Luciene de Fátima da Silva. do educador é facilitar a aprendizagem. Para Freire a educação é um ato de amor. por ser imposto. passa a ser absorvido passivamente. Referindo-se ao fato de proporcionar ao aluno a liberdade para escolher. dos seus sentimentos. sem fachada. é negado o direito do homem de se humanizar e o direito do pensar autêntico como menciona Freire (2005). respeitando-se como pessoa. expondo seus sentimentos mais profundos. Juliana Ferreira Taveira. um processo que nasce da observação e da reflexão e culmina na ação transformadora. sua luta é a favor dos menos favorecidos. A teoria rogeriana pressupõe conceitos teóricos que possibilitam uma melhor compreensão do ser humano.aprendizagem. Paulo Freire em sua longa caminhada em busca da educação problematizadora e libertadora se empenha nos seus trabalhos em expressar o seu sentimento de transformação da realidade opressora em realidade igualitária. ou seja. Rogers. Não pode fugir à realidade. A empatia é o conceito que corresponde a olhar o outro como se fosse visto do seu interior. Na visão "bancária" da educação. com esse olhar para a dimensão afetiva. em qualquer instância: na ótica terapêutica ou no processo ensino. se solidifica. baseados na própria experiência como terapeuta. que constitui o que chamamos de alienação da ignorância. o "saber" é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. Freire coloca a Humanização como algo que é vocação de todos os homens e a desumanização que está presente na realidade opressora. não mais aquele que transmite conhecimento. Uma pessoa instruída é capaz de se adaptar às mudanças que ocorrem durante a sua vida (a aprendizagem é contínua). Daniele Fortes Martin). do qual pode utilizar-se. e sim aquele que auxilia os educandos a aprender a viver como indivíduos em processo de transformação. livremente. Essa forma de interação garante uma relação afetiva satisfatória. as emoções e sensações do educando. ensinar é mais que transmitir conhecimento – é despertar a curiosidade. é instigar o desejo de ir além do conhecido. A congruência significa ser transparente na relação. é proporcionar as descobertas e o conhecimento com significação pessoal. Os conhecimentos do professor são oferecidos como mais um recurso ao estudante. O dominador faz do dominado massa de manobra. para fundamentar um entendimento pautado na essência do outro. e não provoca uma curiosidade que leve o indivíduo a aprofundar mais e mais. captando suas formas peculiar de analisar e interpretar o ambiente externo. e que devem servir de base para a formação de outras. desprazeirosas com uma condição de aconchego.265). a sacrificar a sua criatividade e a levar a sua vida em termos estandardizados” (1991. A vida é um processo de mudança – tudo ao seu redor é questionável e tudo se mistura. como uma distorção histórica. É desafiar a pessoa a confiar em si mesmo e dar um novo passo em busca de mais. a sua perspectiva.

Currículo é tudo o que acontece na vida de uma criança. causalidade e etc. Tudo o que cerca o aluno. Investigar e conhecer a realidade dos educandos são os alicerces desta pedagogia. Já a educação bancária que Freire (2005) descreve trabalha com a consciência ingênua esta educação está presente em sociedades divididas em classes e eminentemente capitalistas que excluem as camadas populares do processo de democratização. na vida de seus pais e de seus professores. é compreender a sua própria história. mas é simétrica. Isto não quer dizer que Freire nega a ciência. dialogar com a comunidade para que futuramente possam ser estabelecidos os temas a serem desenvolvidos são os pré-requisitos básicos para a pedagogia do oprimido. e o mundo é o objeto cognoscente que se deseja desvendar.pedagogo. Sua pedagogia se caracteriza por ser dialógica e também dialética. homem– mundo. esta ação é um dos primeiros momentos para a tomada de consciência. dadas determinadas condições. legal. 26 – os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares. sendo que para a transformação social este tipo de consciência é condição primordial. Reconhecer a própria história é se situar no tempo e espaço. Dentro deste processo de conscientização. classifica. Dialógica porque é através da comunicação que estabelecemos relações com o outro. ou seja. É perceber que estas relações são mediadas pelo mundo. circunstância que se dão. escola tradicional. Sacristán (1989) explica que o currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. o termo currículo significava: uma pista de corrida em curso geral. que desconhecem a sua função dentro da sociedade. Ir a campo. Percebe-se que a definição do que vem a ser currículo. nestas relações não há o que é mais importante e o menos importante. subjetivo–objetivo. 2005). A história do currículo se confunde com história da escola. caracterizando-se como um instrumento facilitador da administração escolar. Há inúmeras conceituações: literal etimológico. currículo envolvia uma associação entre o conceito de ordem e método. ou seja. disposição de disciplina em quadro. as idéias equivocadas e o conteúdo a ser trabalhado com os educandos. Através do diálogo o professor investigará seus alunos a fim de estruturar um trabalho pedagógico que mobilize a todos os envolvidos neste processo de conscientização. De forma ampla ou restrita o currículo escolar abrange as atividades desenvolvidas dentro da escola. do mundo. ou seja. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. ao elencar os temas. econômicos. não há disciplina estanques. em suma através de nossa realidade. percurso a ser realizado.394/96. Os elementos constantes nas construções de currículo são: Objetivos processos ensino-aprendizagem. ou seja. explicita nossa carreira da vida. onde os resultados da aprendizagem eram descritos 22 . designando a estes apenas uma educação de despejo de conteúdos alheios a ele. pelo contrário. sempre relacionado a um projeto de controle do ensino e da aprendizagem. Art. todas com raízes nas questões sócio-políticas e epistemológicas no campo da educação e das concepções de aprendizagem: a) Tradicional: ligada a questões de organização e preocupada com resultados concretos e mensuráveis. suposições e aspirações) e a prática possível. Quando elaboramos um curriculum vitae. Partindo da realidade social o educador reconhecerá as necessidades a serem supridas. educador–educando. CURRÍCULO (Cleres Carvalho. é estabelecer relações entre eu–mundo–outro. é reconhecer o contexto que está inserido. entre a teoria (idéias. carreira. é ‘ler as entrelinhas’. A educação progressista que Freire defende desenvolve a consciência crítica. com suas respectivas cargas horária (plano de estudo ou grade curricular). que edificamos a dialética em nossa vida (FREIRE. continuidade. Por volta de 1865. temos a valorização do homem como ser histórico e atuante na sociedade que é o que nos diferencia dos animais. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. 2005). E em 1955 aparece como: um conjunto de curso ensinado numa instituição. Dentro da perspectiva de Freire há um posicionamento sociológico e antropológico da condição do homem participante de um meio e dos pressupostos que envolvem a educação. Neste modelo não há currículos pré-estabelecidos. Pedagógico – na concepção tradicionalista era praticamente sinônimo de ciclo didático. Nestes parâmetros. analisa a problemática dos processos de ensino aprendizagem através do jogo de interesses políticos. Porém. da cultura. dialética porque não podemos dicotomizar os fundamentos da educação que são: ação–reflexão. Por isso que suas obras são uma denúncia aos modos que constituem a educação oferecida aos homens das camadas populares. programas de ensino. pedagógico. não há a hierarquia de um sobre o outro. currículo tradicional e conseqüentemente o seu conceito representarão todo o emaranhado que envolve a organização educacional. instituição e pessoal. Legal – É a totalidade das experiências de aprendizagem planejadas e patrocinadas pela escola. para a construção de uma nova práxis pedagógica que valoriza o ser em sua integridade. constitui matéria para currículo. jornada. mas via de mão dupla não é assimétrica. nosso percurso de vida. o conhecimento é algo a ser construídos na coletividade. varia de acordo com cada época vivenciada pela sociedade no setor educacional. as origens. De acordo com a lei 9. o modo pelo qual se selecionam. é o olhar crítico e clínico sob o mundo. Desde os seus primórdios. com adaptações de Osvaldo Jr). é necessário um estudo preciso e profundo de cada um destes. da atividade prática da escola. sua representação ou apresentação. pelo qual o movimento da ação–reflexão é tida como fundamental. Assim. Literal etimológico do latim “curriculum” e do grego “Kurrikulu” (“currere”) = ato de correr. Pedra (1997) conceitua currículo como a representação da cultura no cotidiano escolar. isto é currículo é o ambiente em ação. O termo currículo é encontrado em registros do século XVII. Teórica: a teoria do currículo aborda três tipos de abordagem curricular. Toda investigação temática de caráter conscientizador se faz pedagógica e toda autêntica educação se faz investigação do pensar (FREIRE. sociais e culturais. nos faz pensar sobre as relações de poder. Freire nos conduz à reflexão crítica da sociedade. em todas as horas do dia. por uma parte diversificada. a educação não é via de mão única. O objetivo desta educação é manter o status quo e formar uma parcela de trabalhadores alienados. da economia e da clientela.

que irão contemplar os interesse do mercado na sociedade. 2. →Currículo Escolanovista (ou progressivista): Dá ênfase nas necessidades e interesse dos alunos. significados. b) Críticas: possuem como lema a desconfiança. Libâneo (2004. Visto que.177): Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. (por exemplo: Parâmetros Curriculares Nacionais). →Currículo racional-tecnológico (tecnicista): sua característica central é que este é previamente prescritos por especialista. relações sociais de produção. sem preocupa-se com e por que ensinar. como segue: →Currículo formal: é estabelecido pelo sistema de ensino ou instituição escolar. Ao organizar um currículo construtivista. ensino.1. sendo que algumas valorizam as questões políticas no processo da formação. partem do que é normalizado pelo governo. classe social. 2. →Currículo tradicional: é caracterizado pela organização do conhecimento por disciplinas. E chamado de currículo legal expresso em diretrizes curriculares. gênero. o que remete. valorizando a cultura de todos para que ocorra o desenvolvimento cognitivo e social dos alunos.174): O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). Levantam uma narrativa sobre etnia e raça e sobre as relações de saber e poder. No que diz respeito à função do currículo construtivista relata Libâneo (2004 p. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. →Currículo construtivista: Está diretamente ligado as idéias de Jean Piaget e seus seguidores. resistência. Ênfase no planejamento e nos instrumentos de medição. decorrentes dos seus valores. onde acontece à junção do currículo formal com os currículos real e oculto.2 Concepções de organização curricular: Como se verá mais adiante uma pequena síntese abordando a organização curricular que de certa forma concretizam as intenções pedagógicas vivenciadas pela sociedade em cada etapa evolutiva. capaz de transformar a sua realidade social. da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. sexualidade. representação. Além disso. Também questionam a aparente neutralidade da ciência e das abordagens pedagógicas. visto que a maior parte dos educadores que trabalham com essa idéia são conhecidos como sociointeracionista. portanto.172) explica: É a execução de um plano. na atividade. dão ênfase às relações sociais e aos conceitos que são desenvolvidos. o aluno um receptor de conhecimentos. de adequação ao meio. saber e poder. Libâneo (2004. currículo oculto. É um conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. p. Em termos metodológicos referem-se à introdução no ambiente escolar dos aparatos tecnológicos. levando em conta o clima psicológico e social da sala de aula. diferença. precisamente na ação didática da escola objetiva desenvolver a capacidade do educando de aprender de forma ética e crítica. multiculturalismo. daí organiza-se o currículo. c) Pós-críticas: referem as questões do multiculturalismo (diferença e identidade). assim como educando o educador. libertação. que compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. em última instancia ao papel do ensino na aprendizagem. é a efetivação do que foi planejado. metodologia. traz consigo toda sua herança cultural que eventualmente serão demonstradas na sua atuação em sala de aula. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico”. intervenção da própria experiência dos professores. valoriza-se a atividade de pesquisa do aluno. Prioriza-se a formação cidadã onde o educando está inserido na sociedade como ser ativo. dos conhecimentos anteriores e do professor. Elementos: identidade. portanto que os níveis do currículo se entrelaçam na prática dos docentes em sala. organizados numa grade curricular. também tem papel importante no currículo construtivista. →Currículo real: acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. partindo de critérios científicos e técnicos. Elementos: ideologia. raça. significação e discurso. mais precisamente para responder à seguinte pergunta: o que o currículo faz. alteridade. tem um caráter livresco e verbalista. O professor é o facilitador da aprendizagem e os conteúdos são retirados das experiências dos alunos. no ritmo de cada um. É currículo que sai da prática dos professores. crenças. cultura. avaliação. Na educação. →Currículo sociocrítico (ou histórico-social): Nesta abordagem existem várias correntes. emancipação. →Currículo oculto: São as influencias que de certa forma afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores que tem origem no meio social e vivenciados na própria escola. não aparece no planejamento. Este modelo de currículo está embasado nas idéias de John Dewey. conscientização. por que destacam o papel do meio. eficiência. enquanto que outras colocam a relação pedagógica como mediadora na formação política. em seguida pelo o que é elaborado e planejado na instituição de ensino e posto em prática no dia-a-dia do ambiente escolar. organização.175): “Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. O professor atua como facilitador da aprendizagem.172) descreve: “O currículo está oculto porque ele não é prescrito. p. subjetividade. A escola tem a função apenas de ensinar. De certa forma as idéias do Psicólogo Russo Vigotsky. etnia. deve-se levar em conta as etapas de desenvolvimento citadas por Piaget. o currículo racional-tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental. tendo como ponto chave a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. Como resume Libâneo (2004 p. 23 . bem como as relações de gênero e da pedagogia feminina. Sobre o enfoque tradicional comenta Libâneo (2004 p. Níveis de Currículo: Podemos distinguir alguns tipos de currículo. poder. Elementos: aprendizagem. didática. embora se constitua como importante fator de aprendizagem”. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa.através de comportamentos explícitos. capitalismo. Percebe-se. que atualmente é a informática e a mídia que precisarão para ser utilizado como instrumentos de aprendizagem de técnicas mais refinadas de transmissão. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem passados aos alunos. centrado no professor e na matéria. o ensino é transmissivo e reprodutor. assim como o que fica na percepção dos alunos. que subsidiaram a escolha e sistematização dos conteúdos a ser trabalhado em cada série. que algumas vezes divergem entre si. objetivos e conteúdos das aéreas ou disciplinas de estudo. pois questionam a neutralidade das teorias e práticas curriculares. reprodução cultural e social. os conteúdos escolares não são colocados como verdades absolutas.

visitas. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. destaca Libâneo (2004 p. atitudes sejam integrados na estrutura mental do aluno. Todos os segmentos da escola. como se realiza o trabalho efetivo de ensino? Qual é a contribuição desses autores sobre as condições de provimento de melhores situações de aprendizagem. onde se notam fragmentos de currículos ligados às idéias de psicólogos. Refletindo sobre esta idéia. qual o verdadeiro papel da educação em épocas distintas de modos e costumes vividas pela sociedade. as crenças. Estabelecer ligações entre teoria e prática. sociólogos. sem no entanto acumular déficit de conteúdos. tecnicista. ou seja. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. Deste modo. comunicação. a compreensão de como produzem. Alguns princípios que norteiam a interdisciplinaridade são: Ter como referencia o sujeito que aprende e sua relação com o saber. á diversificação da cultura escolar. tem mais flexibilidade no que diz respeito aos conteúdo. no currículo em ação.180) enfoca: Com essa orientação. enquanto que o currículo aberto representa o movimento por uma escola nova. como também ressaltar. visto que não adianta romper com poder. a importância dos processos mentais na aprendizagem (observação. como também todos os momentos para desenvolver a ação de educar. →Currículos fechados: É caracterizado por disciplinas isoladas. que na concepção deles. 2. sempre com um olhar analisador a cerca da sistematização dos conteúdos do currículo. os objetivos e os conteúdos são determinados. envolvendo os métodos e as técnicas a serem utilizados para a transmissão de conhecimento de geração para geração. no currículo oculto. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. apenas seguem o que foi prescrito no currículo. das diferenças. antropólogos. → Currículo como produção cultural: os autores que defendem este modelo de currículo. tomada de decisões. entre outros). não é levado em conta os saberes e competências dos profissionais da educação. Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. mas de grandes reformas educacionais. simultaneamente. análise. de certa forma se adequar à inquietação de alguns educadores. Mas. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. Eu sei que os professores precisam compreender as formas pelas quais o conhecimento escolar se constitui e em que grau as relações sociais na sala estão impregnadas de relações de poder. da convivência social na escola. ou seja. Esta citação de Libâneo.SEB .178): Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. síntese. minimizando ou até recusando um currículo formal. critica também a forma como são construídos os saberes escolares.3 Tipos de currículo: Os tipos de currículo estão diretamente ligados às concepções e a visão de alguns teóricos sobre o que é ensino. a escola é um local de reconstrução do conhecimento. →Currículos abertos: Tem como norte a interdisciplinaridade. currículo como produção cultural. têm vez e voz na definição dos temas geradores a ser desenvolvido. 24 . os alunos dificilmente farão analises da realidade e não serão aptos a formular estratégias para sua atuação. na esfera da escola e do currículo. a teoria e os conteúdos culturais sistematizado. o currículo fechado. As idéias que norteiam este modelo curricular são: buscar a integração de conhecimento e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e critica da realidade. se preste atenção a tudo o que acontece na escola. CONSELHO ESCOLAR Qual a principal função do Conselho Escolar? (12 02 2007) -. fortuitos. deixando de fora a classe dos oprimidos. Autoria de Maria Luiza Latour Nogueira .183): Além disso. como o currículo construtivista.185): É o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. estes podem ser organizado por aéreas de conhecimento. de recursos eficazes de promoção de aprendizagens mais sólidas e duradouras pelos alunos. Sobre o resultado prático da interdisciplinaridade explica Libâneo (2004 p. Neste panorama. sociocrítico. a interdisciplinaridade. de modo que os conhecimentos. Hernandez. e sim demonstrar meios para que o aluno possa construir seu conhecimento de forma critica e reflexiva. classificação.Neste olhar.). vêem a escola como uma reprodutora do poder político. pretende-se que. Sobre a concepção deste modelo de currículo esclarece Libâneo (2004 p. Suscitar e garantir processos integradores e apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos. Estabelecer ligações entre os pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. sem os conceitos. privilegiam a classe burguesa. o aprender a aprender (Torres Santomé. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes. etc. ou seja. se elaboram e se transformam esses conhecimentos. no que tange a confecção do currículo nacional. deve-se acolher a diversidade. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. envolve várias práticas educativas que possam ajudar no processo de ensino-aprendizagem. Resumindo na prática este modelo de currículo. a escola não tem autonomia para tomar decisões. centrado na valorização de elementos causais.Última Atualização: (20 03 2007). utilizado o método de projetos. vídeos. daí. A esse respeito Libâneo (2004. 1989). destacando a importância da interdisciplinaridade.LDB. integrado ou globalizado. que norteiam todo os caminhos a serem percorridos no Brasil no âmbito educacional. comparação. →Currículo integrado ou globalizado: Este currículo tem como percussores os autores espanhóis (Torres Santomé. laboratórios. Desta forma o educador deve utilizar todos os lugares da escola. os anseios de um povo. a vivencia cultural dos alunos. procedimentos. sem termos um norte denominado currículo e programas. nas aulas. Incorpora-se também neste modelo. não fica suficientemente esclarecida nessa proposta a forma pela qual os professores transformam as análises dos fundamentos sociais e culturais do currículo em práticas de sala de aula nas suas matérias. p. como a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação. que são permeados de idéias sociais e de renovação pedagógica. que foram responsáveis. ao lado dos conteúdos culturais. representa as idéias da abordagem curricular tradicional. inscrito numa grade curricular. que é um dos elementos utilizados pela escola. não só pela mudança da compreensão do ato de aprender. para favorecer a integração da aprendizagens e os saberes que serão úteis ao educando para lidar com questões e problemas da realidade. que são colocados em prática na escola. a sistematização do currículo tem como pano de fundo.

contudo. O conselho de classe é uma atividade em que a avaliação é constituída a partir das experiências vividas na sala de aula. mas os espaços nos quais podem exercer esse direito”. a fim de que os professores desenvolvam o pensamento crítico. 1998). De acordo com a autora. sua função básica e primordial é a de conhecer a realidade e indicar caminhos que levem à realidade desejada. ou mesmo os supervisores e orientadores educacionais. a opção da escola for a de ser instrumento para a transformação da realidade. Compreendendo a educação como prática social que visa o desenvolvimento de cidadãos conscientes. para torná-la uma prática democrática comprometida com a qualidade socialmente referenciada. até mesmo. Nesse contexto. ao menos dois tipos de educação e. que são socialmente construídas (Vygotsky. Se a opção escolhida pela escola for pela manutenção da realidade.” (Dalben. Cada professor traz as suas experiências e a de seus alunos. Assim. a função do Conselho Escolar. é sua focalização principal. na medida em que estabelece as transformações desejáveis na prática educativa escolar. reúnem-se para refletir e avaliar o desempenho pedagógico dos alunos das diversas turmas. a educação voltada apenas para o conteúdo. portanto. Toda essa postura de acompanhamento tem uma finalidade maior: a construção de uma educação democrática e emancipadora. A partir de então. no entanto. juntamente com os coordenadores pedagógicos. então. sabendo onde se deseja chegar e que tipo de educação se deseja desenvolver. o certo é procurar saber se aumentou não o número dos que têm direito de participar das decisões que lhes dizem respeito. pela opção escolhida. CONSELHO DE CLASSE (Mônica Galante Gorini Guerra). tudo irá decorrer dela: os conteúdos a serem desenvolvidos em sala de aula. Ocorre que o Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental: ele se constitui uma forma colegiada da gestão democrática. indica quais aspectos podem ser mantidos. divide-se o poder e as conseqüentes responsabilidades. Tudo isso. Dessa forma. a primeira atividade que o Conselho Escolar traz para si é a de discutir e definir o tipo de educação ser desenvolvido na escola. num processo permanente de acompanhamento e avaliação. a função político-pedagógica do Conselho Escolar se expressa no “olhar” comprometido que desenvolve durante todo o processo educacional. É política. “quando se quer saber se houve um desenvolvimento da democracia num dado país. 1987). mas como um parceiro de todas as atividades que se desenvolvem no interior da escola. mas sim a toda ação consciente e intencional que vise manter ou mudar a realidade. que a principal função do Conselho Escolar é político-pedagógica. de processos de ensinoaprendizagem diferentes. entre tantos outros possíveis. e. autônomos e emancipados e entendendo o Conselho Escolar como um mecanismo de gestão democrática colegiada. enfatizando a transformação da ação (Liberali. a metodologia a ser empregada pelos docentes. Com esse propósito. a forma de participação direta de todos os profissionais que atuam no processo pedagógico. deliberativo e de mobilização mais importante do processo de gestão democrática. tendo como foco privilegiado a aprendizagem. a pergunta que o Conselho Escolar pode fazer é: Queremos que nossa escola desenvolva uma educação que mantenha a realidade em que vivemos ou uma educação que contribua para a transformação dessa mesma realidade? Pode-se imaginar. para Bobbio (2000). como eventualmente ocorre. Assim. construírem uma educação de qualidade e socialmente relevante. a gestão deixa de ser o exercício de uma só pessoa e passa a ser uma gestão colegiada. nesse processo. não como instrumento de controle externo. não se afirma como um fim em si mesmo. Assim. Assim. o conselho de classe apresenta como características principais. Esse pensamento é primordial para que o conselho de classe seja um espaço. O conselho de classe é um órgão colegiado em que “vários professores das diversas disciplinas. isto é. Sendo assim. o Conselho Escolar constitui um desses espaços. por sua vez. Com isso definido. o Conselho Escolar participa da elaboração do projeto políticopedagógico e acompanha o desenrolar das ações da escola. Nesse sentido. Cabe destacar que o sentido político aqui desenvolvido não se refere à política partidária. como apresentação da realidade que. pode-se compreender porque a função do Conselho Escolar é fundamentalmente político-pedagógica. uma vez que. o Conselho Escolar pode iniciar uma ação consciente e ativa na escola. uma organização interdisciplinar e apresenta como centro do trabalho a avaliação dos alunos. pois estabelece os mecanismos necessários para que essa transformação realmente aconteça. 2004:31). ou seja. o foco é a troca de experiências e a reflexão antes da decisão. séries ou ciclos. o processo de participação dos diversos segmentos nas atividades escolares. onde se sintam livres para colocar-se. prioritariamente. Se. do processo ensino-aprendizagem. Sua participação. o papel do Conselho Escolar é o de ser o órgão consultivo. acompanhar o desenvolvimento da prática educativa. a Associação de Pais e Mestres. Vale dizer. qual seja: no planejamento. à essência do trabalho escolar. sua tarefa mais importante. a avaliação da aprendizagem escolhida. juntos. Nesse acompanhamento co-responsável. quais os que devem ser revistos na prática cotidiana da escola e quais novos procedimentos precisam ser propostos. será a que mais se enquadra nessa finalidade. Com isso. na implementação e na avaliação das ações da escola. a educação emancipadora – por ter caráter político-pedagógica – é a que pode vir a ser mediadora dessas mudanças sociais. Inclusive. para que tal atitude aconteça os professores e coordenadores precisam entender que o ensino-aprendizagem requer reflexão e troca de experiências. onde o aspecto técnico é o mais enfatizado. E é pedagógica. 25 .Para que haja uma gestão democrática na escola é fundamental a existência de espaços propícios para que novas relações sociais entre os diversos segmentos escolares possam acontecer. Seja qual for a opção desejada pelo sistema de ensino e pela escola. Esses momentos de avaliação servem como diagnóstico. 2004). nas suas diversas dimensões. A construção da avaliação é feita através da oportunidade de rever métodos. para expressar suas idéias e pontos de vista (Brookfield. na qual os segmentos escolares e a comunidade local se congregam para. o Grêmio Estudantil. precisa estar ligada. juntamente com o Conselho de Classe. os professores juntamente com o coordenador pedagógico refletem sobre os acontecimentos escolares e juntos analisam a atitude a ser tomada (Dalben.

mas ainda não se falava em Educação Ambiental. excluindo a participação de setores representativos da sociedade. supondo uma função de cunho essencialmente pedagógico. No encontro. com a recomendação de que ela deveria se tornar uma parte essencial de educação de todos os cidadãos. é social. Quanto a isso. Essa situação pode ser relacionada com a organização da escola. na Suécia. a mudança está submetida a dificuldades. O fio condutor do discurso passa naturalmente de um participante para o outro ou. então. foram formulados princípios e orientações para um Programa Internacional de Educação Ambiental. Assim. buscando auxiliar o processo avaliativo a partir da necessidade de maior conhecimento do aluno. Quando o coordenador pedagógico pensa em colaborar é necessário ter ciência que implica em conflitos. poluição do ar pelas queimadas. a “Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano”. A partir de 10 mil anos a. ou durante as interações verbais. colocou-se pela primeira vez a expressão Educação Ambiental. que estruturava o sistema educacional. A colaboração é um processo complexo sendo necessário à participação de todos. Somente em março de 1965.. não há dúvida. o Encontro Internacional sobre Educação Ambiental. E de acordo com Dalben (2004: 37). compartilhando experiências. Evidentemente. o homem ouviu falar em extinção de espécimes da fauna e flora. Mas a mudança é possível!” (Freire. Considerada um marco histórico-político internacional. a mudança não é arbitrária. elaborações. (ou Conferência de Estocolmo).). transmitindo conteúdos instrucionais definidos por especialistas e assim. na Conferência de Educação da Universidade de Keele. O estudo da origem dos conselhos de classe no Brasil (Rocha 1986 e Dalben 1992) possibilita constatar que sua implantação advém da necessidade sentida pela comunidade escolar. uma vez que através dessas enunciações demonstram como está sendo construída a avaliação dos alunos. No entanto através de pesquisas desenvolvidas por Dalben (1992) e Fongaro (1998). excesso de matéria orgânica e erosão. poluição do solo. Iugoslávia. a revolução agrícola acarretou impactos sobre a natureza. em particular. mesmo hoje regidos pela lei nº 9394/96 esse problema permanece na maioria dos cotidianos escolares. Foi onde a Educação Ambiental passou a ser considerada como campo de ação pedagógica. também. pelas derrubadas das florestas. fornecendo aos professores meios para desenvolver um pensamento autônomo que proporcione as dinâmicas de um trabalho livre e criativo com foco à construção de uma identidade profissional. As concepções de ensino e avaliação. é possível construir um significado do quanto é relevante a dimensão da construção social do pensamento e do raciocínio em contextos de discussão sobre a avaliação dos alunos. como uma dimensão individual. No ano de 1975. é pelo diálogo entre o coordenador pedagógico e os professores em um contexto de reflexão crítica que é possível observar e perceber os problemas do cotidiano escolar buscando soluções cabíveis. O coordenador pode. tudo transcorria em uma relação individualizada e de isolamento profissional. Desde então. mudar é possível. você não muda porque quer. essa busca pela transformação na construção da avaliação dos alunos pode ser observada pela linguagem dos participantes e “no momento que nós inventamos uma linguagem e a produção social dessa linguagem. A discussão sobre as terríveis disparidades entre os países do Norte e do 26 . pois fornece bases para compreensão da orientação política inicial e os rumos dados até os dias atuais. possibilitando análises globais do aluno em relação aos trabalhos desenvolvidos e a estruturação de trabalhos pedagógicos. estavam enraizadas na necessidade de controle interno do fenômeno pedagógico. recomendou que devesse ser estabelecido um Programa Internacional de Educação Ambiental. estimular os professores a verbalizarem as suas experiências. como ficou consagrada. unindo especialistas de 65 países. adquirindo relevância e vigência internacionais. tensões. falta de assiduidade e falta de interesse. 2001:168). onde o objeto do discurso é compartilhado entre os participantes. No conselho de classe.1930/2002) e que passam a fazer parte do conselho de classe. De acordo com Dias (1991). nesse contexto. os conselhos de classe. que se manifesta de diferentes formas conversacionais. Dentro desse panorama. justificava-se a prática dos conselhos de classe presa à simples legitimação dos resultados já apresentados pelos professores. a Conferência estabeleceu um “Plano de Ação Mundial” e. 2005:71-73). Quer dizer. (MUCELIN. Conhecer as origens do conselho de classe é fundamental. No início da década de 60. nos possibilitando redimensionar o passado e construir novas práticas. no contexto da implantação da lei nº 5692/71. Muitas ações ocorridas no conselho de classe buscavam controlar e racionalizar os nossos motivos e atos (Bordieu. pois “o raciocínio sobre um argumento específico dentre aqueles propostos se constrói muitas vezes pela contribuição de vários interlocutores: em outras palavras. do dia 5 a16 de julho. ocorre um ‘pensar em conjunto’( . Nesse sentido. Assim. multidisciplinar. nem você muda sempre na direção com que você sonha.” (Pontecorvo. A Organização das Nações Unidas promoveu. 2004). a UNESCO promoveu em Belgrado. EDUCAÇÃO AMBIENTAL (Tânia Regina Effting e adaptações). aglutinariam as diferentes análises e avaliações dos diversos profissionais. a formação docente deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva. O que é preciso é saber que a mudança não é individual. os problemas ambientais já mostravam a irracionalidade do modelo econômico. foi no ano de 1972 que ocorreu os eventos mais decisivos para a evolução da abordagem ambiental no mundo. A autora atribui a esse fenômeno o nome de “co-construção de raciocínio”. segundo os quais esta deveria ser contínua. pela retomada com o objetivo de acrescentar variações. distanciamentos e compreensões sobre e nos discursos durante o conselho de classe relacionando-os com valores e metas definidos pela escola em seu projeto político pedagógico. integrada ás diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais.C. sendo o aluno o portador de problemas quanto a falta de estudo. na Inglaterra. constatou-se que os conselhos de classe desenvolvem momentos de análise para verbalizarem notas e a avaliação escolar presos às medidas de rendimento. 1992). num clima político pautado pelo autoritarismo. Sendo assim. é a partir da ação partilhada que se constrói o conhecimento e neste contexto de pesquisa é de suma importância o desenvolvimento de um trabalho de colaboração entre o coordenador pedagógico e os professores. Trabalhar em grupo durante o conselho de classe é primordial porque trabalhamos com a interação entre os membros da equipe.

de modo integrado e sustentável. Postulou-se que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação global. um dos encontros do Fórum Global atraiu cerca de 600 educadores do mundo todo. para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado. fatores econômicos e tecnológicos. Nessa conferência foram definidos os objetivos e as estratégias pertinentes. orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente. a EA se caracteriza por incorporar a dimensão socioeconômica. a EA foi definida como um processo que deveria objetivar a formação de cidadãos: • Em 1970. URSS. Assim. reconhecendo o valor do saber prévio dos estudantes. celebrou-se em Tbilisi. Educação Ambiental: Conceitos e sua Evolução. em favor do bem-estar da comunidade humana. foram marcantes: a "1ª Jornada Internacional de Educação Ambiental". sob uma perspectiva holística. realizou-se o Congresso Internacional sobre a Educação e Formação Relativas ao Meio Ambiente (1987) em Moscou. evitar desastres ambientais. e o "Workshop sobre Educação Ambiental" organizado pelo MEC. em nível nacional e internacional. O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. para elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa. Acrescentou-se aos princípios básicos da Carta de Belgrado que a Educação Ambiental deve ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais. baseado em um complexo e sensível entendimento das relações do homem com o ambiente e a sua volta: • Em 1977. do analfabetismo. trouxe grande esperança. cultural e histórica. na qual se expressava a necessidade do exercício de uma nova ética global.2002. entre suas atribuições.4. Já aparecia em 1973. é a aprendizagem de como gerenciar e melhorar as relações entre a sociedade humana e o ambiente. devendo considerar as condições e o estágio de cada país. com o decreto nº 73. que constitui até hoje o ponto culminante do Programa Internacional de Educação Ambiental. percepções. quinze depois de Tbilisi e cinco depois de Moscou. o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). promovido pela UNESCO. A Carta Brasileira para a Educação Ambiental. De acordo com Dias (1991). com vista a utilizar racionalmente os recursos do meio.1999 e do seu regulamento. definiu a AE como um processo de formação e informação. Rússia. que se transformou num momento especial também para a evolução da Educação Ambiental. Dessa forma podem-se analisar vários conceitos de EA no decorrer da evolução. da fome. a EA deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conforma o ambiente. apreciar. deve desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas. entre os incontáveis eventos paralelos. é o aprendizado para compreender. sua cultura e seu entorno biofísico: • Em 1972. de 25. a evolução dos conceitos de EA esteve diretamente relacionada á evolução do conceito de meio ambiente e ao modo como este era percebido. a Internacional Union for the Conservation of Nature (IUCN) definiu a EA como um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos. de 27. minorar os danos existentes. que proporcionasse a erradicação da pobreza. através de um enfoque interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade. política. conhecer e utilizar novas oportunidades e tomar decisões acertadas. Educação Ambiental: Definições Educação Ambiental é a preparação de pessoas para a sua vida enquanto membros da biosfera. Mellows apresentou a AE como um processo no qual deveria ocorrer um desenvolvimento progressivo de um senso de preocupação com o meio ambiente. saber lidar e manter os sistemas ambientais na sua totalidade. • Em 1969.030. significa aprender a ver o quadro global que cerca um problema específico . chegou-se a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). Minini relatou que a AE é um processo que consiste em propiciar ás pessoa uma compreensão crítica e global do ambiente. Destes eventos. elaborados pela Comissão Internacional para preparação da Rio-92. e os processos naturais ou artificiais que o causam e que sugerem ações para saná-lo.6. orientada para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais e de atividade que levem á participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental: • Em 1992. que é a necessidade de universalização dessa prática educativa por toda a sociedade. Assim sendo. voltado para o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias á compreensão e apreciação das inter-relações entre o homem. a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. estabelecendo a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). a Carta de Belgrado. definiu a AE como uma dimensão dada ao conteúdo e á prática da educação. Vinte anos após Estocolmo. nesse encontro. independente de haver ou não um marco legal. significa aprender a empregar novas tecnologias. • Em 1996. a conferência realizada em Tbilisi. região e comunidade. sem esquecer da necessidade de realização de atividades práticas e de experiências pessoais. a promoção do “esclarecimento e educação do povo brasileiro para o uso adequado dos recursos 27 .sua história. da poluição e da dominação e exploração humana. Marco Legal A aprovação da Lei nº 9795. pois há muito já se fazia educação ambiental. utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para a aquisição de conhecimentos. seus valores. ambientalistas e professores. dois. nasceram três documentos que hoje estão entre as principais referências para quem quer praticar Educação Ambiental: Agenda 21. em 1977. a respeito das questões relacionada com a conservação e adequada utilização dos recursos naturais. A trajetória da presença da educação ambiental na legislação brasileira apresenta uma tendência em comum. especialmente para os educadores. na satisfação material e espiritual da sociedade.Sul gerou. no presente o no futuro: • Em 2000. o decreto nº4281. que criou a Secretaria especial de Meio Ambiente explicitando. orientada para a resolução dos problemas. não podendo basear-se em pautas rígidas e de aplicação universal. aumentar a produtividade. Além dos debates oficiais. Passados dez anos da Conferência de Tbilisi.

em seus aspectos naturais e criados pelo homem. inclusive a educação da comunidade. de 31. segundo o qual os currículos do ensino fundamental e médio “devem abranger. envolvem uma articulação coordenada entre todos os tipos de intervenção ambiental direta. e de potencializar a função da educação para as mudanças culturais e sociais. para surtirem o efeito desejável na construção de sociedades sustentáveis.8. aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina. a referência é feita no artigo 32. da reflexão sobre as relações dos seres entre si. Portanto. que institui a política Nacional do Meio Ambiente. nas zonas urbanas e rurais. apresentando uma dupla função a essa transição societária: propiciar os processos de mudanças culturais em direção a instauração de uma ética ecológica e de mudanças sociais em direção ao empoderamento dos indivíduos. os aspectos ambientais nos planos de desenvolvimento e de crescimento. e continuando através de todas as fases do ensino formal e não-formal. jurídicas. • Responsabilidade: reconhecimento do ser humano como principal protagonista. política e ecológica. ao mencioná-la como um componente essencial para a qualidade de vida ambiental. pois isso necessita de atividades de sala de aula e atividades de campo. • examinar as principais questões ambientais. surgindo. • utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para comunicar e adquirir conhecimento sobre o meio ambiente. é o primeiro passo para alcançar o pensamento sistêmico. político. Objetivando capacitá-la para a participação ativa na defesa do meio ambiente”. recuperação e melhoria sócia ambiental. necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente. Dessa forma. despontam também as atividades no âmbito educativo. moral e estético. A Escola na Educação Ambiental Considerando toda essa importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo. é no sentido de promover a articulação das ações educativas voltadas às atividades de proteção. de modo que se adquira uma perspectiva global e equilibrada. • construir um processo contínuo e permanente. a necessidade de promover “educação ambiental a todos os níveis de ensino. obrigatoriamente (. nacional e internacional. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade”. regional. (ProNea) E nesse contexto onde os sistemas sociais atuam na promoção da mudança ambiental. que se insere a Educação Ambiental no planejamento estratégico para o desenvolvimento sustentável. que organiza a estruturação dos serviços educacionais e estabelece competências. Educação Ambiental: Princípios Gerais • Sensibilização: processo de alerta. Importância da Educação Ambiental As estratégias de enfrentamento da problemática ambiental. inciso II. 225. em todas as práticas educativas. do ponto de vista do local. Educação Ambiental: Princípios Básicos • considerar o meio ambiente em sua totalidade. em conseqüência. ou seja. • aplicar um enfoque interdisciplinar. também evidenciou a capilaridade que se desejava imprimir a essa dimensão pedagógica no Brasil. • concentrar-se nas situações ambientais atuais. e no artigo 36. A lei nº 6938. começando pelo pré-escolar. como espaços privilegiados na implementação de atividades que propiciem essa reflexão. inciso IV). nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto. a educação assume posição de destaque para construir os fundamentos da sociedade sustentável. a atitudes positivas e ao comprometimento pessoal com a proteção ambiental implementados de modo 28 . a existência da interdependência econômica. as atitudes. técnico. • insistir no valor e na necessidade da cooperação local. Educação Ambiental: Suas Finalidades • Ajudar a fazer e compreender claramente. existem poucas menções à questão ambiental. sobressaem-se as escolas. tecnológicos. econômico. §1º. Atribui-se ao Estado o dever de “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e conscientização pública para a conservação do meio ambiente” (art.1981. • Competência: capacidade de avaliar e agir efetivamente no sistema. sociais. Na legislação educacional. com ações orientadas em projetos e em processos de participação que levem à autoconfiança.) o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. ainda é superficial a menção que se faz à educação ambiental. no tempo e no espaço. • Induzir novas formas de conduta nos indivíduos. social. §1º. segundo o qual se exige. o direito constitucional de todos os cidadãos brasileiros terem acesso à educação ambiental. assim. • destacar a complexidade dos problemas ambientais (sócioambientais) e. (PRONEA) Para VASCONCELLOS (1997). nº 9394/96. a presença. a possibilidade de adquirir os conhecimentos. do ser humano com ele mesmo e do ser humano com seus semelhantes é condição imprescindível para que a Educação Ambiental ocorra.. Mas a Constituição Federal de 1988 elevou ainda o status do direito à educação ambiental.. a respeito do meio ambiente. • ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais. recuperação e melhoria sócio ambiental. Na Lei de Diretrizes e Bases. de modo que os educandos se identifiquem com as condições ambientais de outras regiões geográficas. o sentido dos valores. especialmente do Brasil”.naturais. nacional e internacional para prevenir e resolver problemas ambientais. grupos e sociedades que se encontram em condições de vulnerabilidade face aos desafios da contemporaneidade. institucionais e econômicas voltadas à proteção. histórico-cultural. a “compreensão ambiental natural e social do sistema político. • Cidadania: participar ativamente e resgatar direitos e promover uma nova ética capaz de conciliar o ambiente e a sociedade. tendo em vista a conservação do meio ambiente”. a todas as pessoas. • Compreensão: conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem os sistemas naturais. em seu artigo 2º inciso X. da tecnologia. a necessidade de desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas. incluindo nesse contexto as ações em educação ambiental. assim como as medidas políticas. • considerar de maneira explícita. o interesse ativo a as atitudes. acentuando devidamente as atividades práticas e as experiências pessoais. exprimindo. para o ensino fundamental. • Proporcionar. tendo em conta também a perspectiva histórica.

Dentro da escola deveremos encontrar meios efetivos para que cada aluno compreenda os fenômenos naturais. Desta feita. ou seja. colocando em segundo plano qualquer noção de formação continuada destinada a atualizar ou suprir lacunas diagnosticadas na formação inicial dos professores. Tendo a clareza que a natureza não é fonte inesgotável de recursos. sobretudo. Não lhe ocorre em nenhum momento nessa fase imaginar a sua formação. ou da prática docente? Mantemos o modelo cuja característica marcante é se realizar. A metodologia teórica e prática dos projetos ocorrerão por intermédio do estudo de temas geradores que englobam aulas críticas. contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis. 1992). palestras. auxiliando-o a analisar criticamente os princípios que tem levado à destruição inconseqüente dos recursos naturais e de várias espécies. significa antes de qualquer coisa falarmos do caráter lógico-associativo que essa prática precisa assumir frente aos problemas da teoria e da prática envolvidas no processo de formação do professor. pois. quase sempre. também como um produto do seu desenvolvimento profissional. mínimas e indispensáveis. diretamente relacionada. segundo Canário (1997:4): “uma forte valorização dos saberes adquiridos por via experiencial e. Esse período é marcado pela ênfase na certificação de habilidades. Talvez aqui seja interessante distinguir a questão da racionalidade técnica da racionalidade prática. a tendência atual consiste em focalizar a atenção no potencial formador e transformador dos saberes adquiridos na experiência do cotidiano da prática docente. Esse processo de sensibilização da comunidade escolar pode fomentar iniciativas que transcendam o ambiente escolar. Pensa-se exclusivamente de um ponto de vista acadêmico.interdisciplinar (DIAS. exclusivamente obtidas mediante o exercício prático da profissão. Da prioridade da racionalidade técnica sobre a racionalidade prática. inclusive. só se torna professor depois de se formar e essa formação depende de determinados requisitos indispensáveis para iniciar-se na profissão. portanto. Esse processo oferece possibilidades para os professores atuarem de maneira a englobar toda a comunidade escolar e do bairro na coleta de dados para resgatar a história da área para. currículos. ele deixa de concretizar o ato da procriação. e a outra preocupada com a obtenção de competências sócioprofissionais. Por estas relações pode-se perceber que entre os referidos processos existe o mesmo tipo de tensão que encontramos entre o crescimento e a procriação do ser vivo. para a prática docente? A tendência hoje fortemente questionada. pode-se dizer que o primeiro problema complexo da formação dos professores diz espeito ao caráter lógico-dissociativo entre o ambiente escolar onde o aluno se habilita para a profissão e a escola em que ele trabalha como professor. A escola dentro da Educação Ambiental deve sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente e as demais espécies que habitam o planeta. A formação inicial estaria. conhecer seu meio e levantar os problemas ambientais e. disciplinas. Assim sendo a escola é o espaço social e o local onde o aluno será sensibilizado para as ações ambientais e fora do âmbito escolar ele será capaz de dar seqüência ao seu processo de socialização. só possíveis de serem adquiridos por via escolar. enfim. mais precisamente. Assim. senão. evitando o desperdício e considerando a reciclagem como processo vital. No processo de formação de professor. atingindo tanto o bairro no qual a escola está inserida como comunidades mais afastadas nas quais residam alunos. FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES (Fernando Casadei Salles) É preciso esclarecer a verdadeira natureza das relações entre os processos de formação inicial e continuada. ou vice-versa. Ressaltado que as gerações que forem assim formadas crescerão dentro de um novo modelo de educação criando novas visões do que é o planeta Terra. É fundamental que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos sociais construtivos. de acordo com as regras existentes. com a aquisição de determinadas habilidades. à elaboração de pequenos projetos de intervenção. Assim sendo. E o organismo precisa estar formado de uma certa maneira. profissional não pode constituir seu saber-fazer. como ação planejada de fora para dentro da escola? Ou invertemos a situação e trazemos o modelo de formação dos professores para o interior da escola. para sua própria espécie. Assim. da reciclagem. Por isso é que o futuro professor se concentra nessa fase com as demandas próprias da sua condição de estudante. o indivíduo só pode procriar depois que seu organismo está formado. que o estreitamento das relações intra e extra-escolar é bastante útil na conservação do ambiente. conjugada com a obsolescência desses conhecimento os sirvam de justificativa para processos formativos estruturados pela noção de “reciclagem”. a partir da coleta de dados. a relação não é diferente. oficinas e saídas a campo. da atribuição de um papel central ao sujeito que aprende (em vez de o atribuir à figura do formador)”. senão a partir de seu próprio 29 . para simplesmente não cairmos no maniqueísmo disto ou daquilo. onde ele efetivamente realiza o seu desenvolvimento profissional. no cotidiano da vida escolar. principalmente o ambiente da escola. É como se na prática. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática. em um ambiente saudável. falarmos de formação do professor no seu sentido continuado quer seja ela em serviço ou não. SOUZA (2000) afirma. etc. suas reservas são finitas e devem ser utilizadas de maneira racional. para os outros seres vivos e o ambiente. Exatamente nesse ponto emerge a questão de fundo da discussão sobre a formação continuada de professor: de que ponto de vista metodológica deve-se continuar o processo de formação do professor? Por meio da extensão. as ações humanas e sua conseqüência para consigo. da atualização dos conhecimentos obtidos na formação inicial. segundo Canário (1997) é colocar em questão qualquer solução baseada na perspectiva cumulativa da aquisição de conhecimentos. de áreas. colaborando para a construção de uma sociedade socialmente justa. segundo a qual as insuficiências da formação inicial. se tratasse de duas lógicas incomunicáveis entre si: uma preocupada com a aquisição de determinados saberes escolares. da racionalidade prática sobre a racionalidade técnica. a formação de um profissional não é um processo indefinido – o limite é dado no momento em que recebe um certificado de habilitação para o exercício da profissão docente. O aluno trabalha nela como se ela fosse sinônima da sua habilitação. Essa idéia fica ainda mais assumida em Pimenta quando afirma: “O. professores e funcionários. Em seu lugar têm-se proposto.

Se muitos alunos queixam. na função de coordenador de alunos. Portanto. principalmente. ao representar a instituição escolar. Senão. especialmente. no entanto. possibilitam aos professores manterem-se atualizados diante das diferentes condições de trabalho permanentemente colocadas nas suas práticas docentes. além das características do ambiente. não significa tomá-la. não há também porque negarmos a formação desses profissionais em outros contextos. discórdias dentro do corpo docente e os alunos saberão aproveitar-se dessas desavenças. extensão e atualização permanente dessa formação. O fato de ser professor não é garantia de estar sempre certo. Como em qualquer relacionamento humano. como se pode perceber. Seria falta de lealdade ficar sabotando os colegas perante os alunos. o diagnóstico quase unânime em relação à precariedade da formação inicial dos professores do país. Para poder ensinar. são vistas e comparadas com as de formação realizadas em serviço. da universidade. ele não deve simplesmente fazer o que bem entender. inspiradas nos modelos da racionalidade técnica. Saber como ensinar: o professor precisa conseguir transmitir o que sabe. escola não é clínica. que vamos desmerecer a necessidade para o desenvolvimento profissional docente de uma sólida formação inicial e na continuidade de uma renovação. sobretudo despolitizar o tema da formação dos professores. o professor tem que identificar as dificuldades existentes na c lasse para poder dar um bom andamento à aula. começou aligeirada e precariamente. Se assim fosse. amplificando.fazer. 3. EMPREGADO DE UMA INSTITUIÇÃO. como o espaço exclusivo da “verdadeira” (e por que não única?) educação continuada. não faria sentido as críticas de aligeiramento da formação inicial que caracterizam a atual política de formação de professores e tampouco as reivindicações de políticas que. como toda a certeza. Não é senão sobre essa base que o saber. conseqüentemente. PROFESSOR PROPRIAMENTE DITO. jogando um professor contra outro. elas não podem ser consideradas. Senão é como se estivéssemos tentando continuar uma coisa que nem bem começou. Portanto. Pode ser um comunicador nato ou vir a desenvolver essa qualidade por meio da própria experiência. Os professores devem ajudar. ou que se começou. Isso se aprende no círculo profissional. nos momentos de lazer e de fruição estética e em tantos outros que. Os alunos correm o risco de ser manipulados pelo professor em virtude da própria posição de poder que ele exerce na c lasse. negar que os professores se formam além das suas experiências empírico-profissionais significa desculturar e. haverá. na disciplina é preciso levar em consideração as características de cada um dos envolvidos no c aso: professor e aluno.se de um único professor. Como todo o ser humano.se mutuamente. MEMBRO DO CORPO DOCENTE. na escola. por excelência. que não têm a ver com o problema. destacar o limite dessa afirmação no sentido de que a prática se mantenha apenas como critério e não se confunda com a própria verdade. COORDENADOR DO GRUPO DE ALUNOS. é preciso. a formação inicial do professor. no entanto. Portanto. ou mesmo aprimorando. no contexto de suas experiências empírico-profissionais. Partem de pressupostos teóricos e metodológicos distintos. Apesar de concordar com a idéia da prática como critério da verdade proposta por Garrido. Sala de aula não é consultório. o professor tem direitos e obrigações. pois exige um conhecimento mínimo de dinâmica de grupo. a racionalidade técnica pela racionalidade prática. Não é por que as nossas convicções teóricas de análise discordam dos modelos de racionalidade técnica empregados. LIMITES E DISCIPLINA NA ESCOLA (IÇAMI TIBA) O desafio dos professores A disciplina escolar é um conjunto de regras que devem ser obedecidas tanto pelos professores quanto pelos alunos para que o aprendizado escolar tenha êxito. A única forma de solucionar um problema é identificar o erro. de tempos em tempos. bem como noções básicas de psicologia para manter a autoridade de coordenador. enquanto elaboração teórica se constitui” (1999:26). excedem a experiência profissional restrita ao ambiente escolar. na vida familiar. A maior força do professor. Numa escola em que cada professor atua como bem entende. é uma qualidade de relacionamento humano entre o corpo docente e os alunos em uma sala de aula e. descartáveis ou sem função. Em outras palavras. como fazem os estudantes. ao privilegiarmos a prática docente como o lócus preferencial de formação da identidade profissional do professor. basicamente. Não podem (nem devem!) ser descarregadas nos alunos. Elegermos a escola ou o fazer-docente como o campo por excelência da formação dos professores. suas experiências intra-escolares. tendo em vista. Eventuais insatisfações ou desavenças empregatícias devem ser resolvidas por meio dos canais competentes. está em seu desempenho na sala de aula. lembramos que os professores se formam também nas lutas democráticas e sindicais. ou discordam do sentido burocrático dado ao processo de certificação das habilidades escolares obtidas na formação inicial. evidentemente. não venhamos excluir ou reduzir indevidamente o espaço de outras instâncias da formação dos professores. via de regra. Por isso é importante que os professores adotem um padrão básico de atitudes perante as indisciplinas Mais 30 . Assim como não há por que rejeitarmos o princípio de que os professores se formam. O professor e essencial para a socialização comunitária e tem. é como se fosse possível substituirmos simplesmente uma forma de racionalidade por outra. quanto à constante introdução de novos saberes escolares. Como todo empregado. 2. Esta função não é habitualmente ensinada no currículo. Só para destacarmos o que talvez se possa considerar como dos mais importantes espaços de formação docente. O que implica uma estratégia de política de formação continuada fortemente voltada para a superação dessa deficiência. é necessário saber o que se ensina. na formação de professores. é preciso que sejam consideradas distintas. a priori. é sinal de que algo está errado. Ao nosso ver. Um professor pode ouvir a reclamação de um aluno sobre outro professor e fazer com que chegue ao envolvido para que este possa tomar alguma providência no sentido de responder adequadamente à reclamação. inspiradas nos modelos da racionalidade prática. mas não são irreconciliáveis. É necessário compreendermos o caráter complementar de cada momento do processo de formação dos professores para que o campo da prática não acabe se tornando o único domínio da formação dos professores. o professor também pode estar errado. quatro funções: 1. Independentemente da maneira como as estratégias de formação continuada. 4. além. sobretudo perante as indisciplinas dos alunos.

do mundo do trabalho. Uma escola em crise.. escuras. mas na sua interação e integração diz 31 . em 1909. Sem entrar no mérito da discussão. Em termos de ignorância. quanto mais se sabe. coleções etc. mais preparado estará. de 30. com conhecimentos. em aspectos econômicos. quanto mais conhecimento tiver. Na década de 60. A Educação Tecnológica vai aos poucos solidificando sua estrutura cuja base se encontra no ensino técnico”. música. A necessidade de busca de um domínio mais pedagógico é um fato marcante no campo da Educação Tecnológica. ou da filosofia da tecnologia. depende do domínio de enfoques teóricos. e os piores. alagadas ou sem condições de acomodar todos os estudantes são locais pouco prováveis de conseguir uma boa disciplina. portanto. quanto menos se sabe. menos. Atualmente. pessoas que dominassem o trabalho manual. da necessidade de novas metodologias. também. em outras décadas. conceitos e categorias particulares de diferentes campos científicos. isto é... Conceitos de Educação Tecnológica O conceito de Educação tecnológica prende-se. No vestibular. como se todos vestissem o mesmo uniforme comportamental. Os estudos que vem sendo desenvolvidos têm se pautado por áreas mais ou menos específicos num enfoque teórico que se respalda. como. Os melhores alunos são os que acabam aprendendo mais. Afirmaram também que “os CEFET’s exerceriam uma liderança natural do ensino de tecnologia. para aqueles que irão lidar com a realidade de uma sociedade tecnologizada. mas as normas da escola. Portanto. numa interação dialética. por certo. sugiro a leitura do meu livro Ensinar Aprendendo. mais se pensa que não é preciso saber mais.. com o surgimento da industrialização. a motivação para estudar é acumular saber. não está simplesmente desrespeitando um professor em particular. elas não são idênticas e que esse último tipo de produção seria possivelmente a educação que deveríamos dar a todos os jovens para os adequar a vida contemporânea (1996:1). O ensino fundamental e médio tende a ser aprovativo. O aluno também é peça-chave para disciplina escolar e o sucesso do aprendizado. com o objetivo de formar artífices. são as pessoas mais animadas. das práticas sociais em que esse trabalho vai ocorrer. com a obrigatoriedade do ensino profissionalizante. O ambiente também interfere na disciplina. quando estão interessados em algum assunto em particular (computação. Sobre esse tema. a maior dificuldade que encontra para estudar é a falta de motivação. que no tocante aos aspectos pedagógicos teve seu ápice na lei 5692/71.6. aos conceitos específicos de sua expressão. salas muito quentes. Rodrigues mostra que. bem como brigas entre classe e professor. a propósito. A Educação Tecnológica pode ser focalizada de vários pontos de vista: do mundo da educação. Posteriormente. pode referir-se aos mecanismos e processos advindos do desenvolvimento científico tecnológico. o que estimula (no passado mais ainda) o estudo suficiente apenas para passar de ano. No entanto. A primeira voltada para os que irão aprender a fazer tecnologia e a segunda. tem início uma educação técnica paralela ao sistema regular de ensino.se de um fator imponderável. esta determinação legal trouxe à tona o velho debate sobre educação geral x formação profissional.. sendo o seu modelo paradigma para o ensino nesta área. Esse uniforme protege a individualidade do professor. criando os Centros Federais de Educação Tecnológica. Trata. evidentemente. A autora faz uma diferença entre as expressões educação tecnológica e educação para a tecnologia. EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA (MIRIAN PAURA SABROSA ZIPPIN GRINSPUN e José Roberto Mendes) A educação tecnológica é muito antiga na realidade brasileira. afinal. Em termos de sabedoria. descartáveis após a prova. portanto. o fator sorte é mais decisivo quanto menor for o conhecimento. Seus idealizadores ressaltaram no Relatório do Grupo de Trabalho. Em 1978. apesar das duas expressões terem significados complementares. uma vez que pode se direcionar mais para os aspectos inerentes à educação e ao ensino técnico. De um modo geral. nas quais ninguém ouve ninguém. empreendedoras e. Ela vai além dos conhecimentos das técnicas ou de um ensino técnico para comprometer-se com uma visão de mundo que contempla os valores que o fundamentam e determinam. incorpora também as dimensões correlatas da questão do trabalho e. que as novas autarquias educacionais seriam instituições de ensino técnico com a finalidade de ministrar cursos da área de tecnologia e de formação de professores.comuns. Ela teve início pelo então ensino técnico que criou as suas primeiras escolas técnicas propriamente ditas. Quando um aluno ultrapassa os limites. ou seja. Este campo. políticos ou sociais.1978. mais se quer aprender. hoje retornando ao cenário pelas mãos do ensino técnico x ensino médio. encaminhando aos órgãos superiores. geralmente. Na medida em que a Educação tecnológica ampliou o seu núcleo de atividades de comportando diferentes formas de atuação e concepção.. esportes. com o avanço do desenvolvimento tecnológico. volta-se à questão do ensino técnico. disciplinadas. Estudar para quê? Para passar de ano? Para ganhar presente? Para ter sabedoria? Pra os pais não “pegarem no pé”? Entretanto. que pode fazer “cair na prova” o que o vestibulando mais estudou e “não cair” justamente o que estudou. que esteja passando por greves e os conseqüentes conflitos entre grevistas e fura-greves. quanto mais estudar. que tem suporte nos dois eixos básicos de sua concepção. em que instituições como o SENAI começaram a preparar mãode-obra qualificada para o mercado de trabalho. e aulas ministradas durante grandes eventos populares são situações que dificultam o aprendizado. há que se ter uma visão um pouco mais objetiva do que entendemos atualmente por educação Tecnológica. mas há que se ter um tratamento específico sobre sua estreita relação com a própria Pedagogia e sua aplicação no campo educacional. Classes muito barulhentas.). muitas vezes. a condição ambiental mais prejudicial é o estado psicológico do grupo. bem diferente de atingir uma média 5 para não repetir de ano. Já o vestibular para a faculdade é um sistema competitivo e depende da sabedoria. foi assinada a lei 6545. A expressão Tecnológica não possui um consenso no seu significado. da produção de conhecimentos. menos ele dependerá da sorte. quando a ela se refere mais precisamente ao tipo de educação para os que irão aprender a fazer tecnologia. A Educação Tecnológica.

• A Educação Tecnológica busca integrar ensino e pesquisa. área das mais difíceis de se conceituar. tais como: (. em todas. propiciando os requisitos básicos pra viver numa sociedade em transformação. saber-pensar e criar. envolvendo processos de raciocínio. não determinantes dos resultados econômicos e sociais. Em outras palavras. • A Educação Tecnológica procura identificar. elaboração e de expressão. que não se esgotam na transmissão de conhecimentos. modelos e definições para esclarecer esse problema. mas. cálculo – no ensino fundamental e em disciplinas nucleares do ensino médio – etiologia disfuncional do sistema nervoso central. consequentemente. desmotivação. precisamos estar atentos e acreditar numa educação crítica que dê lugar tanto aos fundamentos básicos teóricos quanto à prática social que ela caracteriza. as dificuldades de aprendizagem constituem. por certo. das relações de trabalho e outros exigidos pelos avanços tecnológicos. assim como às questões mais contextuais da tecnologia. envolvendo tanto a invenção como a inovação tecnológica. a Educação Tecnológica caracteriza-se por um dinamismo constante. 1993). hiperatividade. promove o despertar para a interpretação do contexto atual à luz de seus condicionamentos e fundamentos. • A fundamentação básica da Educação Tecnológica resume-se no saber-fazer. Seu aparecimento exprimiu a convicção de educadores. ou à aquisição de conhecimentos necessários à formação profissional (tanto uma formação geral como específica). sobressaindo a dimensão ética num mundo crivado de tecnologia em todos os setores sociais. de pensamentos hipotéticos. Não há uma preocupação específica em ensinar uma tarefa/ofício a um educando. ou do saber-fazer para uma grande categoria do saber-ser. mas são permanentemente solicitados a pensar-refletir-agir num mundo marcado por progressivas transformações. a partir do trabalho. 1996). mas como uma busca da compreensão dos novos papéis e funções que o homem tem na sociedade. repercussão multidisfuncional 32 . comportamentos comuns aos alunos com esse problema.. Há muitas teorias. integração. especialistas e pais. • A Educação Tecnológica não é tecnicismo. Passemos. da Ciência e da Tecnologia. com novos impactos tecnológicos. porém. observou-se.. não havia. mas iniciam-se na busca da construção de conhecimentos que possibilitem transformar e superar o conhecido e ensinado. como vertente do sistema educativo indo até outros campos legais que cobrem setores da produção. MEC/SEMTEC. Na Educação Especial. de que algumas crianças possuíam problemas de aprendizagem que não se enquadravam nas categorias existentes. um conhecimento e um envolvimento com saberes que não acabam na escola. nos dias atuais. sociais e econômicos que tem a ver com desenvolvimento” (BRASIL. Bastos (1998) diz que ela não admite aceitar a técnica como autônoma por si só e. então. “O conceito de Educação Tecnológica implica a formação de profissionais habilitados a transmitir conhecimentos tecnológicos sem perder de vista a finalidade última da tecnologia que é a de melhorar a qualidade de vida do homem e da sociedade” (PEREIRA. sua utilização e a capacidade e possibilidade que ele possui de poder transformar e criar novas tecnologias. estruturas e contingentes. PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM (Sahda Marta Ide e Edinalva Sidronêz de Mendonça. problemas de recepção. Em suma. a Educação Tecnológica está baseada na concepção de uma educação transformada.. talvez. Características da Educação Tecnológica • A Educação Tecnológica não impõe o ensino das novas tecnologias. dificuldades interacionais. e sim um posicionamento. fazendo com que se entendam as questões vivenciadas pelos educandos. consenso quanto à sua conceituação. ressaltando a rede de conhecimentos advindos das teorias existentes e da necessidade de rever a prática pelos sinais indicados pela teoria.respeito ou à formação do indivíduo para viver na era tecnológica. O importante na Educação Tecnológica é o trabalho de formação da cidadania. para descrever uma série de incapacidades relacionadas com o insucesso escolar. o que. A expressão “dificuldades de aprendizagem” começou a ser usada mais frequentemente no século passado. sim. com novos instrumentos nas produções e relações sociais. do fazer. Para que alcancemos estas etapas. das novas relações sociais. não se iniciam com um trabalho. disfunções no processamento de informações por ruptura dos processos psicológicos superiores. desorientação espacial. integra necessariamente as diferentes categorias do saber. em que a técnica é fator determinante” (BAPTISTA. prevalência e aos tipos de intervenção apropriados. tendo a complexidade do meio (tanto em termos científicos como sociais) e a prospecção do futuro como faróis de seu projeto pedagógico.) conjunto de situações de ensino-aprendizagem que visam facilitar nos educandos a análise de conjunturas. • A Educação Tecnológica exige uma interação da teoria com a prática. Examinando-se inúmeras definições de dificuldades de aprendizagem. com adaptações). mas sim em fazer despertar nesse indivíduo o valor da tecnologia.. A Educação Tecnológica segue o caminho das inovações não como descobertas em si.) a educação tecnológica assume um papel que ultrapassa as fronteiras legais das normas e procedimentos a que está sujeita. pois aprofunda-se com o projeto político-pedagógico dessa instituição. determinismo ou conformismo a um status quo social. 1994). • A Educação Tecnológica pretende levantar questões relativas aos valores pertinentes ao momento atual. as novas exigências impostas pelas relações sociais e a maneira pela qual poderemos superar as dificuldades existentes no mercado de trabalho. problemas conceituais.. acarretando problemas de linguagem. a alguns conceitos de educação tecnológica: “A Educação Tecnológica é a vertente da educação voltada para a formação de profissionais em todos os níveis de ensino e para todos os setores da economia. ditado. Educação é esse misto de responsabilidade e de muita esperança na possibilidade de transformação da sociedade. oriundos. aptos ao ingresso imediato no mercado de trabalho (. que vai além de uma proposta de ensino na escola. da capacitação de mão-de-obra. “(..) baixo aproveitamento escolar em leitura. etiologia. por sua vez. de uma forma mais crítica e mais humana. perpetuação dos distúrbios de aprendizagem ao longo da vida. década de 60. impulsividade.

incluem transtornos na adequação perceptivo-motora. seja uma lesão. 3. disfunção cerebral mínima. subjetivos articulados com fatores contextuais e objetivos. na soletração ou na aritmética. da ortografia ou da aritmética. urge que se tomem os necessários cuidados. no terreno individual. isto é. de deficiência mental. afasia de desenvolvimento. motora. etc. neurológicos. a partir de aspectos individuais. fonoaudiológicos e biológicos do aprendiz. De modo geral. 4. alicerçadas em juízos de valor. é mais aceita. A expressão “dificuldade de aprendizagem”. da leitura. uma nova definição para o problema: Uma criança com dificuldade de aprendizagem possui uma deficiência em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou uso da linguagem falada ou escrita. que estaria relacionada com as desordens básicas dos processos de aprendizagem que podem ser ou não acompanhadas por disfunção do sistema nervoso central e que não são causadas por deficiência mental. Ultimamente e pela crescente importância que tem sido dada ao modelo social de conceituar as deficiências e as incapacidades. Fatores Orgânicos: relacionados com a dimensão biológica. Enfim. Criam-se os preconceitos e os estereótipos que desencadeiam discriminações. não são passíveis de constatação orgânica. Estudos e pesquisas evidenciam que. auditiva. as pessoas com dificuldades de aprendizagem ou com outras limitações são representadas no imaginário social com marcas. Estas dificuldades podem manifestar-se por desordens na recepção da linguagem. frequência e abundância de estímulos. facilitando ou não sua aprendizagem. dando-se. subjetivos. fonoaudiológicos. não aprendem de acordo com o seu potencial. uma desordem ou imaturidade. separada ou concomitantemente. perturbação emocional severa ou perda sensorial. oftalmológicos. A dificuldade para aprender é um sintoma com uma função tão integrativa como a do aprender e que pode ser determinada por: 1. sob a ótica do subjetivismo e na unidirecionalidade de uma análise que considera o aprendiz como um ser a-histórico. quando se tornarem adultos. porque retira o estigma associado a “atraso”. Valoriza-se a dificuldade e perde-se a pessoa em sua dimensão de integralidade. que a vêem como uma forma mais branda de denominação para os problemas de seus filhos. seja uma disfunção que o incapacita ou outro problema.dos distúrbios de aprendizagem. um número muito grande de comportamentos e problemas atribuídos a crianças que. principalmente de deficiência visual. erradamente. numa perspectiva educacional. 2. o foco tem se deslocado da subjetividade para a objetividade. além dos sócioeconômicos. na leitura. oftalmológicos. Do elenco de fatores citados por Pamplona. Fatores Psicógenos: relacionados com a dimensão que considera a aprendizagem como função do eu e que pode explicar a diminuição das funções implícitas no aprender ou a transformação dessas funções. para que não se caia na armadilha de considerar todo problema escolar como dificuldade de aprendizagem. relevância ao componente educacional em detrimento do clínico. com ênfase para o corpo que precisa ter integridade anatômica com bom funcionamento dos órgãos dos sentidos. p. A dificuldade de aprendizagem seria a manifestação de uma discrepância educacional significativa entre o potencial intelectual estimado da criança e o seu nível atual de realização.225-226). Fatores Específicos: mais relacionados à dimensão cognitiva. e mais desejada pelos pais.34). ou na organização espacial e temporal. desse modo. hoje. conferindo-se maior importância aos fatores decorrentes de fatores sócioeconômicos. (KIRK. Fatores que Intervêm na Aprendizagem Pamplona considera que os fatores que podem levar ao fracasso escolar (ou sucesso) escolar podem ser divididos em: psicológicos. audiológicos. Fatores Ambientais: relacionados à dimensão social. etc. por algum motivo. culturais e pedagógicos que envolvem o aprendiz e que são externos aos sujeitos. coexistência de outros problemas emergentes dessas condições de dificuldades. na idéia de dificuldade de aprendizagem como característica definitiva que os colocará. Entretanto. Somente em 1962 é que “dificuldade de aprendizagem” foi utilizada por Samuel Kirk em seu livro Educating Exceptional Child e entendida como um atraso. resultantes. no pensamento. Apesar das críticas que se fazem às teorias que ressaltam os fatores individuais. (FONSECA. porque não consideram a influência dos fatores externos como os pedagógicos. gerando inibições na aprendizagem ou sintomas de dificuldades. tomando-se a parte pelo todo. na fala. alertando que possibilitam uma visão ampla e total do ser humano. resultantes de uma possível disfunção cerebral e/ou de distúrbios de comportamento que não dependem de deficiência mental. Se o aluno não aprende. culturais e linguísticos. na atribuição de significados. audiológicos. sob a influência do modelo médico de conceituação das deficiências e incapacidades. de privação social. na escrita. como cidadãos de segunda classe. neurológicos. Elas não incluem problemas de aprendizagem. Dislexia: refere-se à falha no processamento da habilidade da leitura e da escrita durante o 33 . por privação cultural e/ou educacional. prevalece a crença de que é. ele deve ter limitações decorrentes de alguns problemas pessoais. Principais Dificuldades de Aprendizagem: 1. Esse autor elaborou para a National Advisory Commitee on Handicapped Children. pedagógicos. pois passou-se a considerar a criança com dificuldade de aprendizagem como possuidora de um potencial intelectual acima da sua realização escolar. mas podem manifestar-se na área da leitura. poderiam estar comprometidos os aspectos psicológicos. p. num ou mais processos da linguagem falada. cultural ou de um conjunto de fatores pedagógicos. dislexia. Tais dificuldades incluem condições que têm sido referidas como deficiência perpétua. Tal entendimento constituiu um marco histórico. As baixas expectativas em relação às potencialidades desses sujeitos também refletem o imaginário coletivo inspirado. que se localizam as verdadeiras causas do fracasso. devido ao seu caráter abrangente. respectivamente. que exige diagnóstico clínico. lesão cerebral. culturais. de perturbação emocional ou de desvantagem ambiental. 1968. “lesão cerebral” ou “disfunção cerebral mínima”. linguísticos e biológicos. do sistema nervoso central e das glândulas. referem-se às possibilidades reais que o ambiente oferece ao indivíduo em termos da quantidade e da qualidade. econômicos. a maioria dos educadores ainda situam no aprendente a única responsabilidade das dificuldades de aprendizagem que manifesta. 1987. da escrita.

quase marca desse tempo. As discussões sobre método na cultura ocidental são bastante antigas. a formação do cidadão para a vida na pólis) de homens e mulheres capazes de viver adequadamente em sociedade. entre as tradições helênica e cristã22. . um necessário produto da modernidade burguesa e protestante. por terem sido criados como almas individuais. além de possibilitar a construção de redes de mudanças sociais. Disortografia: Caracteriza-se pela incapacidade de transcrever corretamente a linguagem oral. São de três tipos: visual. tornando ainda mais provisórias as verdades construídas no saber-fazer científico. em um contexto em que a produção de conhecimento é extremamente veloz.a perspectiva vigente. havendo trocas ortográficas e confusão de letras. de causas genéticas. nos quais vêm sendo amplamente debatidas as melhores veredas para a formação (e. que em geral são ilegíveis.desenvolvimento. referindo-se. cabendo citar: . de colocar em xeque os valores até então considerados intocáveis. Foram as coordenadas espaço-temporais propícias o humanismo renascentista. Ademais.período clássico . a inserção no mundo e a própria práxis.do grego meta = atrás. justamente. sob um ponto de vista histórico-conceitual. aqui. occipital. em igual medida. Já nas primeiras comunidades cristãs. capacidade intelectual limitada e disfunções do sistema nervoso central. capaz de conhecer o mundo (sujeito epistêmico) e de agir autonomamente no âmbito da ética (sujeito moral). celebrava-se a igualdade entre os homens. A educação contemporânea deve pressupor um discente capaz de autogerenciar ou autogovernar seu processo de formação. Disgrafia. por conseguinte. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção.a configuração de uma nova modalidade de organização do espaço-tempo social. um dos seus méritos está. fonológica.αuτονομια. Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): é um transtorno neurobiológico. ressurgindo no âmago da filosofia helênica . o que torna imperiosa a adoção de uma postura crítica sobre a inscrição do sujeito no mundo aqui incluído o trabalho . inquietude e impulsividade. indiviso. originariamente. mediada pelo lóbulo occipital. as quais embotam as possibilidades de reflexão sobre a vida. que admitam uma prática pedagógica ética. de αuτοζ = próprio. tendo sido empregado no seio da democracia grega para indicar as formas de governo autárquicas . e mista. 4. O grande desafio deste início de século está na perspectiva de se desenvolver a autonomia individual em íntima coalizão com o coletivo. Sem embargo. porque a relação entre a palavra impressa e os sons ainda não está totalmente dominada. Se a autonomia pode ser buscada. especialmente no âmago de uma abordagem progressiva. à imagem e semelhança do Pai. ou não. ultrapassando os limites do treinamento puramente técnico. marcada por um genuíno bombardeio de imagens. alicerce para uma educação que leva em consideração o indivíduo como um ser que 34 . crítica. Recorrer ao sentido etimológico de método tornase bastante pertinente ao se considerar a educação como esse fim. No entanto. especialmente. os aspectos relacionados ao trabalho. Fundamentos Teóricos das Metodologias Ativas As metodologias ativas estão alicerçadas em um princípio teórico significativo: a autonomia. aos ensinamentos do Cristo. inscrito na dialética da ação-reflexão-ação. A educação deve ser capaz de desencadear uma visão do todo . . a reforma protestante. com a conseqüente expansão da consciência individual e coletiva. é um atraso no desenvolvimento ou a diminuição em traduzir sons (fonemas) em símbolos gráficos e compreender qualquer material escrito. algo explícito na invocação de Paulo Freire. Essa dificuldade não implica a diminuição da qualidade do traçado das letras. em seguida. ao plano e à obra de Deus. temporal e préfrontal. se constituirá como eu pessoal. O ensinar exige respeito à autonomia e à dignidade de cada sujeito. ou seja. com destaque para a atuação profissional. o que pressupõe a assunção de determinados papéis. ela não consegue idealizar no plano motor o que captou no plano visual. 2. É a dificuldade em passar para a escrita o estímulo visual da palavra impressa. na crescente tendência à busca de métodos inovadores. Caracteriza-se pelo lento traçado das letras. a orientação do conceito de autonomia à condição humana pode ser buscada em outro nicho antigo. o termo autonomia é oriundo do grego . .na reflexão de filósofos como Platão e Aristóteles. a revolução científica e a redescoberta do ceticismo antigo . os humanos têm o livre-arbítrio para receber e aderir. pertencem. será com o advento da modernidade que o indivíduo. e tampouco de qualquer comprometimento intelectual ou neurológico. à idéia de autogoverno.que permitiram a construção do indivíduo moderno. vale a pena recuperar o ideal grego de paidéia. na medida em que estes. através e hodós = caminho -. METODOLOGIA ATIVA (Mitre et all). Mas por que tem se tornado imperioso rediscutir os processos de ensino-aprendizagem necessários à formação? A resposta a tal indagação passa pelo reconhecimento das profundas modificações que transparecem no mundo contemporâneo. mediada pelo lóbulo temporal. que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. com mediação das áreas frontal. 3. e νoμοζ = leis remetendo. É a dificuldade em aprender aritmética pode ter várias causas: pedagógicas. Essas desordens têm sido consideradas como formas de discalculia (Cohn). A acepção originária de método diz respeito ao caminho a ser seguido . Discalculia: falha na aquisição da capacidade e na habilidade de com conceitos e símbolos matemáticos. 5. erigindo os valores que nortearão o julgamento e a práxis em sua vida social. reflexiva e transformadora. nos últimos anos. Portanto.caracterizando um verdadeiro ato de resistência.isto é. as sociedades de controle.a velocidade das transformações nas sociedades laicas e plurais contemporâneas. As trocas ortográficas são normais durante a primeira e segunda séries do ensino fundamental.a inequívoca influência dos meios de comunicação na construção/formatação do homem/profissional nesses primórdios do século XXI. De fato. A criança disgráfica não é portadora de defeito visual nem motor.de interdependência e de transdisciplinaridade -. ou seja. o cristianismo primitivo. a πoλιζ (pólis = cidade-estado). para efetivamente alcançar a formação do homem como um ser histórico. aos passos que deverão ser dados para se atingir um lugar ou um fim.

35 . Para Saviani. são essenciais nesta nova postura. A disposição para respeitar. atuar e reconhecê-lo. nesse processo. de modo a não haver docência sem discência. rigor e globalidade relacionados dialeticamente. conhecer é transformar. bem como aos seus saberes construídos na prática comunitária. afinal. em um movimento de continuidade/ruptura. os limites de seu conhecimento. ampara e protege -. Saviani e Freire. que impõe requisitos de radicalidade. ética e sensibilidade na assistência são características fundamentais a serem desenvolvidas em seu perfil. expressão e apreensão do conhecimento. os quais deverão ser trabalhados pela análise crítica. não se reduzem à condição de objeto um do outro. Nessa perspectiva. Já em Freire. porém a busca da resposta é identificada com a reflexão filosófica. principalmente. Problematizar. dentro de uma perspectiva de transformação da realidade. com propósitos definidos. ou seja.para confrontar. o ganho substantivo advindo da sua interação com o estudante e a importância de sua avaliação pelo aprendiz. denominado tutor aquele que defende. portanto. do processo de produção. levando o aprendiz a ultrapassar as suas vivências conceitos prévios.constrói a sua própria história. um processo reconstrutivo. ao mesmo tempo em que se transforma. Ao perceber que a nova aprendizagem é um instrumento necessário e significativo para ampliar suas possibilidades e caminhos. tensão que acaba por possibilitar a ampliação de suas possibilidades de conhecimento. por que e quando se aprende. Esse respeito só emerge no âmago de uma relação dialética na qual os atores envolvidos . interessantes e que estimulem o pensamento. A avaliação precisa ser. a noção do problema se apresenta como em Dewey. com a finalidade de solucionar os impasses e promover o seu próprio desenvolvimento. a aprendizagem significativa se estrutura. existem duas condições para a construção da aprendizagem significativa: a existência de um conteúdo potencialmente significativo e a adoção de uma atitude favorável para a aprendizagem. irá refletir sobre a situação global de uma realidade concreta. apesar das diferenças. como a vontade e a capacidade de permitir ao discente participar ativamente de seu processo de aprendizagem. espírito crítico-reflexivo. qualquer estratégia de inovação deve levar em conta suas práticas de avaliação. curiosidade científica. uma vez mais. organizadas como subsunçores. portanto. esse poderá exercitar a liberdade e a autonomia na realização de escolhas e na tomada de decisões. dinâmica e complexa. E. que permita o estabelecimento de diferentes tipos de relações entre fatos e objetos. O docente nessa perspectiva. e seus sujeitos. Ter sempre diante dos olhos . ele se detém. devendo o resultado do trabalho ser concreto e comprovado por meio de sua aplicação prática. mas. processual e formativa para a inclusão. buscando efetivamente conhecimentos relevantes aos problemas e aos objetivos da aprendizagem. que precisa ter uma situação autêntica de experiência.o respeito à autonomia parece ser o melhor modo para a compreensão. Ademais. sínteses anteriores e outros -. ele detecta novos problemas num processo ininterrupto de buscas e transformações. alcançando as dimensões afetivas e intelectuais. relaciona a sua história e passa a ressignificar suas descobertas. a postura própria do discente que permite estabelecer associações entre os elementos novos e aqueles já presentes na sua estrutura cognitiva. reflete.docente e discente . torna-se mais duradoura e sólida. As Metodologias Ativas: Revendo Estratégias E Papéis A atividade desenvolvida com o propósito de ensinar deve ser apreciada por todos aqueles que dela participam. senso de responsabilidade. não se consegue estabelecer relações entre o novo e o anteriormente aprendido. A problematização pode levá-lo ao contato com as informações e à produção do conhecimento. sobretudo. integrá-las à reflexão. A questão que se impõe. necessita desenvolver novas habilidades. O estudante precisa assumir um papel cada vez mais ativo. Como facilitador do processo ensino-aprendizagem. o sujeito percorre algumas etapas e. se lhe for permitido um ambiente de liberdade e apoio. o exercício da curiosidade. O ato de aprender deve ser. A aprendizagem que envolve a autoiniciativa. De acordo com Coll. além da capacidade crítica de observar e perseguir o objeto . a ação de problematizar enfatiza a práxis. deve se perguntar: (1) como. diz respeito ao modo de concretização desse reconhecimento à autonomia do discente. Zanotto discute a problematização em Dewey. Ao contrário. As metodologias ativas utilizam a problematização como estratégia de ensino-aprendizagem. questionar. capacidade para auto-avaliação. cooperação para o trabalho em equipe. o conteúdo novo deve apoiar-se em estruturas cognitivas já existentes. descondicionando-se da atitude de mero receptor de conteúdos. conhecer. antes de tudo. Após observar a situação. pode-se responder com Freire. Isto só se torna possível na medida em que o docente tenha como características principais a humildade reconhecendo sua finitude. De acordo com Berbel. ato contínuo. da intuição. exercitando a práxis para formar a consciência da práxis. escutar com empatia e acreditar na capacidade potencial do discente para desenvolver e aprender. instaura-se a partir do surgimento de novos desafios.aproximação metódica .e dentro do coração . Nessa ação. complexamente. examina. da emoção e da responsabilização. é enfatizado o sujeito ativo. na medida em que as duas se explicam. para transformá-las. desencadeando ressignificações/reconstruções e contribuindo para a sua utilização em diferentes situações35. pois diante do problema. a produção de novos saberes exige a convicção de que a mudança é possível. na qual o sujeito busca soluções para a realidade em que vive e o torna capaz de transformá-las pela sua própria ação. e (3) quais as suas conseqüências sobre a vida. Iniciativa criadora. expor e discutir os conflitos inerentes e que sustentam o problema. O processo de continuidade é aquele no qual o estudante é capaz de relacionar o conteúdo apreendido aos conhecimentos prévios. ao se propor um processo ensino-aprendizagem que pressuponha o respeito à bagagem cultural do discente. não é apenas apresentar questões. O processo de ruptura. com o objetivo de alcançar e motivar o discente. na problematização. na aprendizagem mecânica. por outro lado.se reconhecem mutuamente (e aqui se pode recuperar a dialética do senhor e do escravo de Hegel). por parte do binômio docente/discente. Nesse sentido. (2) como se vive e se sente a aprendizagem. irá buscar e utilizar as informações e instrumentos mais adequados. Para o primeiro. ou seja.

Deve. efetuando. ele expressa suas percepções pessoais. No Brasil. a auto-avaliação e o diálogo têm sido utilizados como estratégias norteadoras desse processo. A originalidade e a criatividade serão estimuladas e o estudante precisará deixar sua imaginação livre e pensar de maneira inovadora. denominado Método do Arco por Charles Maguerez.ABP. agora não mais numa relação verticalizada. Para isso. por meio da análise reflexiva. ainda. Nesse momento. valorizar todos os atores no processo de construção coletiva e seus diferentes conhecimentos e promover a liberdade no processo de pensar e no trabalho em equipe. Não pune. o estudante executa as soluções que o grupo encontrou como sendo mais viáveis e aprende a generalizar o aprendido para utilizá-lo em diferentes situações. o serviço e a comunidade. em 1997. verificar se suas hipóteses de solução são aplicáveis à realidade. no empenho com a nova formação. Após o estudo de um problema. inclusive ao próprio programa e à atividade docente. na Universidade do Havaí. quanto à sua relevância para a resolução do problema. Ao completar o Arco de Maguerez. o papel do professor será um importante estímulo para a participação ativa do estudante. Assim. o estudante realiza um estudo mais cuidadoso e. teorização. na busca de respostas e caminhos para os problemas detectados. Bordenave e Pereira utilizam o diagrama. à capacidade de organização. diálogo e reflexões coletivas. e o grupo pode ajudar nessa confrontação. à sua participação e a condições de elaboração. por possibilitar uma leitura e intervenção consistente sobre a realidade. o estudante passa à teorização do problema ou à investigação propriamente dita. o qual o estudante observa atentamente. pontos-chave. ultrapassando o modelo tradicional de simples verificação de conteúdos acumulados e memorizados e puramente voltados à esfera da cognição. O docente pode registrar o desenvolvimento do discente no que se refere à autonomia. é preciso um trabalho planejado e executado com a participação de todos os envolvidos. Nesse propósito. uma primeira leitura sincrética da realidade. As informações pesquisadas precisam ser analisadas e avaliadas. definindo a maneira como os estudantes aprendiam e quais habilidades cognitivas e afetivas seriam tadora de Paulo Freire. Se a teorização é adequada. poderá. bancária e estática. no ato comum de conhecer e reconhecer o objeto de estudo. hipóteses de solução e aplicação a realidade. nem estigmatiza. o aluno atinge a compreensão do problema nos aspectos práticos ou situacionais e nos princípios teóricos que o sustentam. o ensino pela problematização procura mobilizar o potencial social. Nesse sentido. Na última fase. pode-se rever a metodologia utilizada na prática pedagógica. A avaliação inovadora deve se fundamentar na colaboração. A primeira etapa é da observação da realidade. tendo sempre como ponto de partida a realidade social40. instrumentos de acompanhamento do processo ensinoaprendizagem têm sido construídos. dois instrumentos vêm sendo reconhecidos como ativadores da integração ensino e serviço de saúde: o ensino pela problematização e a organização curricular em torno da Aprendizagem Baseada em Problemas . à criatividade. A ABP foi primeiramente instituída na Faculdade de Medicina da Universidade de McMaster (Canadá). para representá-lo. a aplicação à realidade. político e ético do estudante. o desenvolvimento do pensamento crítico e a responsabilidade do estudante pela própria aprendizagem. Da Episteme à Práxis: Problematização e Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) A metodologia ativa tem permitido a articulação entre a universidade. na década de 1960. como proposta metodológica que buscava um currículo orientado para os problemas. as instituições pioneiras na implantação dessa modalidade de estrutura curricular foram a Faculdade de Medicina de Marília. O ensino pela problematização ou ensino baseado na investigação (Inquiry Based Learning) teve início em 1980. Essa concepção pedagógica baseia-se no aumento da capacidade do discente em participar como agente de transformação social. enquanto o discente irá refletir sobre si mesmo e a construção do conhecimento realizado. seleciona o que é relevante. Na segunda etapa. discriminar em que circunstâncias não são possíveis ou convenientes sua aplicação. assim. pontos-chave. o qual é constituído pelos seguintes movimentos (Figura 1): observação da realidade. para que este atue como cidadão e profissional em formação38. Os registros. o estudante pode exercitar a dialética de ação-reflexão-ação. Na terceira etapa. e o Curso de Medicina da Universidade Estadual de 36 . mas oferece diretrizes para se tomar decisões e definir prioridades. mas numa construção dialógica. O processo ensino-aprendizagem está relacionado com um determinado aspecto da realidade. nos princípios do materialismo histórico-dialético e no construtivismo de Piaget. bem como ao seu relacionamento com o grupo e sua comunicação. o estudante se vê naturalmente movido a uma quarta etapa: a formulação de hipóteses de solução para o problema em estudo. também. podem surgir novos desdobramentos. Nessa observação.autonomia. exercitando tomadas de decisões e aperfeiçoando sua destreza. Marcada pela dimensão política da educação e da sociedade. para um processo mais abrangente orientado a todos os seus aspectos. durante o processo de detecção de problemas reais e de busca por soluções originais. exigindo a interdisciplinaridade para sua solução. Na confrontação da realidade com sua teorização. Na auto-avaliação. O momento do diálogo servirá para reflexão sobre a relação e a interação entre docente e discente. elaborando os pontos essenciais que devem ser abordados para a compreensão do problema.

há a divulgação da violência como uma característica cotidiana e rotineira na sociedade brasileira. Também. Em segundo lugar. especialmente. (4) o trabalho em pequeno grupo. 163): Essencial para a categoria de intelectual transformador é a necessidade de tornar o pedagógico mais político e o político mais pedagógico.. bem como movimentos identitários. o fortalecimento das temáticas identitárias e aquelas relacionadas ao direito à diferença conquistaram espaço na sociedade..]. via articulação dos movimentos e organizações sociais.. os movimentos sociais de trabalhadores produzem uma prática pedagógica. tais como a ampliação das inovações tecnológicas. mas na dinâmica das relações sociais que produzem aprendizagens. Dependendo da porosidade existente nas relações direção. O anúncio de algumas modificações evidentes na sociedade brasileira contribui para a compreensão de aspectos que envolvem a prática pedagógica. evidenciando as mazelas de uma sociedade com concentração de renda expressiva e excessiva. Por outro lado. no qual o conhecimento é compartilhado. A possibilidade da circulação da informação em tempo real é um avanço. ao se tratar de maneira integral temas e conteúdos. desenvolvendo teias ou redes de informação e ação política. Na adoção de qualquer um desses instrumentos metodológicos. modificar e integrar idéias se tiver a oportunidade de interagir com outros atores. aluno. com forte motivação prática e estímulo cognitivo para evocar as reflexões necessárias à busca de adequadas escolhas e soluções criativas. avaliação. (3) o respeito à autonomia do estudante. como amplamente problematizado por teóricos como Paulo Freire. centralizada no sujeito histórico que produz. No campo das múltiplas dimensões da prática pedagógica (professor. concepção de educação e de escola). Na esfera do cotidiano escolar e das reflexões conjunturais. ainda que a maioria da população brasileira não tenha acesso à internet. professores. argumentando-se que as escolas representam tanto um esforço para definir-se o significado quanto uma luta em torno das relações de poder [. portanto.. O discente deve ser reconhecido como um indivíduo capaz de construir. aos referenciais da teoria piagetiana da equilibração e desequilibração cognitiva -. Tornar o pedagógico mais político significa inserir a escolarização diretamente na esfera da política. Na ABP.relacionada. Assim. também. tendo como conteúdos centrais a política. Nessa perspectiva. desequilíbrios ou perturbações intelectuais. entre a universidade e a comunidade. localizado numa determinada situação no mundo. parte-se de problemas ou situações que objetivam gerar dúvidas. Paulo Freire (1987) expressou inúmeras críticas à educação que denomina bancária. dentre inúmeras senhas que vão sendo acopladas aos processos de identificação social. (6) a avaliação formativa. metodologia. Novos elementos tecnológicos no ensino não garantem por si a ruptura de velhos paradigmas. Por um lado. p. as características conjunturais e estruturais da sociedade são fundamentais para o entendimento da escola e da ação do professor. Com efeito. interrompe-se o ciclo da fragmentação e do reducionismo do ensino tradicional. a estratégia de negociação. voltada para a transformação social e. a qual considera que o conhecimento deve ser produzido a partir da interseção entre sujeito e mundo. assim como a troca com os pares na confrontação de modelos e expectativas.Londrina. com fins mercadológicos e financeiros. seja via cartão de crédito. Os terminais bancários foram informatizados. é importante considerar a prática pedagógica como parte de um processo social e de uma prática social maior. a definição de objetivos. podendo-se estabelecer uma aproximação à proposta educativa formulada por John Dewey. a prática pedagógica expressa as atividades rotineiras que são desenvolvidas no cenário escolar. podem ser pontuados como principais aspectos da ABP: (1) a aprendizagem significativa. (2) a indissociabilidade entre teoria e prática. haverá uma gestão mais propícia (ou menos propícia) ao desenvolvimento de 37 . apropria e vive a educação. Em primeiro lugar. Ademais. pressupõe mudanças na própria estrutura e organização da universidade. o currículo deve se configurar de maneira integrada e. a ABP se inscreve em uma perspectiva construtivista . destacam-se aquelas que são sóciopolíticas como o processo de democratização. empreender mudanças amplas e profundas no processo ensino-aprendizagem e na formação profissional de saúde significa transformar a relação entre docente e discente. No Estado do Rio de Janeiro. Como diz Giroux (1997. seja via carteira de identidade. PRÁTICA PEDAGÓGICA (Maria Antônia de Souza e Valdete Jane Cordeiro) A sociedade brasileira viveu modificações expressivas no campo social e cultural. tendo a dimensão do depósito de conteúdo como característica central. que é social. oriundo de uma abertura política lenta e intensificado por movimentos sociais de diversas categorias de trabalhadores.] Tornar o político mais pedagógico significa utilizar formas de pedagogia que incorporem interesses políticos que tenham natureza emancipadora [. (5) a educação permanente. a articulação com outras organizações sociais. Ela envolve a dimensão educativa não apenas na esfera escolar. assim como elaborou uma proposta de educação libertadora. que precisa tornar-se um fórum de debate e negociação permanente de concepções e representações da realidade. supervisão. comunidade local e comunidade escolar. em 2005. relação professor e alunos. as reflexões sobre as penalidades e as medidas que deveriam ser tomadas ganham os bancos escolares. A violência é outro tema presente no campo social e cultural. Além disso. a importância da intervenção e da mediação do docente. fazendo emergir novas facetas educacionais. os movimentos sociais. É inegável. que produzem o “educativo”. em 1998. a organização. É necessário que se transformem as concepções inerentes ao processo ensino-aprendizagem para ressignificá-las em uma perspectiva emancipadora da educação. com objetos e situações que exijam o seu envolvimento. o primeiro curso a utilizar a ABP foi o da Fundação Educacional Serra dos Órgãos -FESO -. as diversas áreas e as disciplinas. ao mesmo tempo em que se facilita a integração ensino-serviço e a perspectiva interdisciplinar. Todas as pessoas estão codificadas. a gestão democrática da escola e processos participativos são elementos fundantes para o repensar da prática pedagógica. Dentre elas. Podem ser atividades planejadas com o intuito de possibilitar a transformação ou podem ser atividades bancárias. nos últimos anos do século XX. enfim. Salientam-se as modificações no campo cultural.

O autor expressa uma questão pertinente à reflexão que vem sendo empreendida neste texto ao dizer que “Para que serve uma sala de aula se não for capaz de nos transportar além da sala de aula?” (p. movimento social e reforma agrária têm destaque. pensamento crítico. A revolução tecnológica e o processo de reorganização do trabalho demandam uma completa revisão dos currículos. As práticas reprodutivas expressam a necessidade de controle dos alunos na sala de aula. de outro lado. preços etc. Por sua vez. inovações e projetos escolares originais. é preciso proteger essa idéia de reducionismos” (p. saberes específicos. ou transmitir. Nas escolas do campo.. É possível afirmar. foi possível constatar o interesse dos professores e funcionários da escola pelo processo de investigação escolar. uma vez que participam de um contexto cultural. há o predomínio de uma cultura escolar que impede o professor de “enxergar” além do seu trabalho pedagógico.14). É sabido que a prática social está imbuída de contradições e de características sócioculturais predominantes na sociedade. As práticas que inquietam geram angústias entre os professores que se perguntam a respeito de qual é o caminho mais adequado para a educação. após analisar tais elementos concretos. por exemplo. A conjuntura pode ser visualizada nos aspectos da gestão educacional. por fim. nas pesquisas desenvolvidas foi possível perceber dois grandes grupos de práticas pedagógicas.. na “Introdução à Crítica da Economia Política”. Ao analisar os múltiplos determinantes na prática pedagógica dos professores das séries iniciais. sempre maior capacidade de raciocínio. É um exercício de aprendizagem constante. Meio Ambiente. Água. no qual não foram (não somos) incentivados a participar. que o impede de realizar questionamentos de cunho científico. Assim. p. ou seja. Numa das escolas. e inserida no contexto da prática social. Diante do exposto. juntamente com a valorização dos conteúdos e dos saberes que os alunos trazem da sua prática social. Como afirma Veiga (1992. entretanto. Percebe-se que os professores utilizam vários procedimentos metodológicos e têm interesse em aprofundar os assuntos. propor. em doses crescentes. a formação de um coletivo que estudaria as relações que se passam no espaço escolar. é importante afirmar que a pesquisa é elemento essencial para uma prática pedagógica que possibilite a superação da alienação e da relação de subalternidade cultural. Neste contexto. de forma que a apropriação dos conhecimentos ocorra via problematização e não simplesmente pela transmissão de conteúdos poucos significativos socialmente.. desenvolver o exercício da participação é um desafio para os próprios professores e pesquisadores envolvidos no projeto. luta pela terra.projetos de pesquisa e neles a reflexão sobre o projeto político pedagógico da escola. poderia ser feito o retorno e a compreensão do conceito de população através da totalidade das determinações e relações diversas. trajetória de vida. políticas de cotas etc. Em todas as escolas. de desigualdades e de concentração de renda. tanto da educação básica quanto da educação profissional. Delineia-se prática pedagógica que evidencia “rotinas escolares”. a informação e o desenvolvimento de conhecimentos científicos são fatores impulsionadores da participação nas atividades escolares – no campo da prática pedagógica e da gestão da escola. A participação ocorre quando há disponibilidade individual para superar as deficiências e quando há liberdade e respeito entre os envolvidos. Ou. outros elaborados no próprio contexto escolar. a intenção é afirmar que a prática pedagógica é influenciada pelos aspectos conjunturais e estruturais da sociedade brasileira. Corpo etc. dos programas sociais – a exemplo do Bolsa Escola -. política e social. questionar.15). nos quais a incerteza pode ter lugar especial.. os professores trabalham com projetos que abordam os temas Saúde. supõe a troca. São professores que aprimoraram o sentido da busca do objetivo educacional. se o professor deve ver a sua aula também como um encontro de gente com gente. quando questionou o método da Economia Política. percebe-se que os tema comunidade. uma vez que estes apresentam resistências ao processo educativo. mas sim a provocação da indagação entre os alunos. conhecer. do saber falar. Sexualidade. A prática pedagógica é uma dimensão da prática social .. conforme as necessidade locais e. 16) a prática pedagógica é “. A estrutura é marcada pelas relações sociais de classe. Marx afirma que ao estudar a população. nas escolas focalizadas nos nossos projetos de pesquisa. estas podem constituir abstração se não levar em conta o trabalho assalariado e o capital. Cabe lembrar Novaski (1993) quando afirma que “. focalizam aquelas que são relevantes e aquelas que precisam ser modificadas. ainda. além das dimensões da dominação do campo da política internacional e dos processos decisórios que geram impactos na esfera escolar. sendo que o mais focalizado foi a Violência. contrariar e complementar.. finalidades e conhecimentos. Com isso. caracterizado como cansativo e sem sentido para a vida prática. do desenvolvimento das propostas curriculares. espaço de pesquisa. mas que faz emergir as intenções e possibilidades pedagógicas. que não é meramente a reprodução de conteúdos. caso não sejam levados em conta elementos como classes. a existência de projetos escolares.”. uma vez que se exige dos trabalhadores. A pesquisa como característica da formação e da prática do professor e como elemento de motivação para a atitude investigativa entre os educandos. com diferentes títulos – alguns sugeridos pelas secretarias de educação. cabe destacar a disposição dos professores para o enfrentamento de novos processos educativos. uma prática social orientada por objetivos. a saber: práticas eminentemente reprodutivas em relação às propostas municipais de educação e práticas que geram inquietações. quando a característica dialógica predomina nas relações sociais. Estes. autonomia intelectual. No entanto. a valorização da trajetória de vida dos educandos. A prática pedagógica pode ser considerada como o trabalho de repassar. Neste contexto. Nesse sentindo. ouvir. por sua vez. Com isso. manifesta na aula. tem-se como referência a contribuição de Marx. divisão do trabalho. a mesma pode tornar-se uma abstração. Os mesmos destacaram temas que poderiam ser pesquisados na instituição escolar. torna-se importante investigar como os professores estão compreendendo suas práticas e quais suas percepções sobre as mesmas. um processo que está intrinsecamente ligado à teoria e à prática da docência. iniciativa própria e espírito 38 . que o que tem possibilitado o transporte para além da sala de aula é a diversidade cultural dos educandos.

(Incluído pela Lei nº 11. IX . adequado às condições do educando. pesquisar e divulgar a cultura.garantia de padrão de qualidade. podendo qualquer cidadão.atendimento gratuito em creches e préescolas às crianças de zero a seis anos de idade.. 208 da Constituição Federal. junto aos pais ou responsáveis. 2º A educação. X . § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário. no ensino fundamental público.fazer-lhes a chamada pública. organização sindical. (Redação dada pela Lei nº 12. contribuindo na ampliação de suas capacidades em sua prática.zelar. ainda. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. VII .coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.] como pesquisador de sua própria prática. por meio do ensino. na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino. inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana. Ou seja. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório. (2002) apresenta o professor “[.oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. Mas.padrões mínimos de qualidade de ensino. O professor permite-se reconstruir suas ações e expressar sua prática e indagações.atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais. II . sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente. VI . de 2009) III . o trabalho e as práticas sociais. deve se especializar na área em que desenvolve aptidões.oferta de ensino noturno regular. Ainda. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade. Art. definidos como a variedade e quantidade mínimas.respeito à liberdade e apreço à tolerância.acesso aos níveis mais elevados do ensino.valorização do profissional da educação escolar. Contreras. conforme as prioridades constitucionais e legais.recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. na convivência humana. em instituições próprias. e. III . nos termos deste artigo. IX . o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório. o Ministério Público. transporte. que se desenvolve. VI . bem como capacidade de visualização e resolução de problemas (CORDÃO. percebe-se que há a necessidade de o professor possuir conhecimentos amplos sobre a pedagogia e áreas do conhecimento. contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino. especialmente. ensinar. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: I .pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. Neste sentido. em regime de colaboração. VIII . inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. IV . os professores.universalização do ensino médio gratuito. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios. preferencialmente na rede regular de ensino. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. alimentação e assistência à saúde. poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade.vinculação entre a educação escolar. segundo a capacidade de cada um.ensino fundamental. o pensamento.liberdade de aprender. VIII . e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso. II . através de suas práticas. influem positivamente na formação dos futuros profissionais. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. VII . § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB 9394/96) TÍTULO I Da Educação Art.700. transforma-a em objeto de indagação dirigida à melhoria de suas qualidades educativas”. entidade de classe ou outra legalmente constituída.igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. a arte e o saber. da pesquisa e da criação artística. acionar o Poder Público para exigi-lo. II . associação comunitária. XI . sendo participante ativo de sua formação continuada. 39 . V . tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando.empreendedor. Neste contexto. como os profissionais formados por eles. a formação profissional não finda com a conclusão de um curso. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I . dever da família e do Estado. de 2008).valorização da experiência extra-escolar. V . Conclui-se que os professores. e com a assistência da União: I . 2002).gestão democrática do ensino público. obrigatório e gratuito.061. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar. nas instituições de ensino e pesquisa. predominantemente. TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. § 2º Em todas as esferas administrativas. grupo de cidadãos. por aluno. IV ..atendimento ao educando. necessitam atualizar seus conhecimentos de forma constante. Art. permitindo-se reconhecer nos alunos as competências que lhe proporcionarão o desenvolvimento profissional e educacional.gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. III . seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. no trabalho. com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. pela freqüência à escola. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo. na hipótese do § 2º do art.

em regime de colaboração. de modo a assegurar formação básica comum. II . III capacidade de autofinanciamento.elaborar e executar políticas e planos educacionais. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. com os Municípios. Os estabelecimentos de ensino.709. 38 desta Lei.7.cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino.prestar assistência técnica e financeira aos Estados. com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino. respectivamente. 213 da Constituição Federal. respeitado o disposto no art.assegurar o ensino fundamental e oferecer. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios.definir. com prioridade. Art. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Art.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. 11. VI . manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios. o Distrito Federal e os Municípios. reconhecer.061.autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público. com funções normativas e de supervisão e atividade permanente. a partir dos seis anos de idade. III . de 31. III . Os Municípios poderão optar. desde que mantenham instituições de educação superior.organizar. objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino. articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa. de 2005) Art.oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas. independentemente da escolarização anterior.exercer ação redistributiva em relação às suas escolas. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX. VI . em colaboração com os Estados. V . em colaboração com os Estados. o ensino fundamental e o ensino médio. Os Estados incumbir-se-ão de: I . 7º O ensino é livre à iniciativa privada. VII .baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. Art. o Distrito Federal e os Municípios. e. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I . terão a incumbência de: I . o ensino fundamental.2003) Parágrafo único. Os Municípios incumbir-se-ão de: I . formas de colaboração na oferta do ensino fundamental. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei. respectivamente. os respectivos sistemas de ensino. credenciar.elaborar e executar sua proposta pedagógica. ressalvado o previsto no art. ainda. II . a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais.assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. no ensino fundamental. (Incluído pela Lei nº 10.administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros. em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação. V .assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. 40 . II . 8º A União. de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. competências e diretrizes para a educação infantil. os Estados.elaborar o Plano Nacional de Educação. IV autorizar. analisar e disseminar informações sobre a educação.assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas. supervisionar e avaliar. (Redação dada pela Lei nº 11. credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino. Art. integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados.709.autorizar.assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual.organizar. exercendo sua função redistributiva e supletiva. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos. III . criado por lei. reconhecer. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino.assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior. VIII . Art. credenciar. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. II . o ensino médio a todos que o demandarem. de 2009) VII .organizar.2003) Parágrafo único. IV . atendidas as seguintes condições: I . médio e superior. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. com prioridade. supervisionar e avaliar. IX autorizar. as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades.114. 10. II . V .coletar. Art. § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal. III . 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores. redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. IV .§ 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino. o Distrito Federal e os Municípios organizarão. VI . (Redação dada pela Lei nº 12.7. em colaboração com os sistemas de ensino.baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação. (Incluído pela Lei nº 10. haverá um Conselho Nacional de Educação. 12. integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios. § 1º Na estrutura educacional. ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória. de 31.estabelecer.

(Redação dada pela Lei nº 12. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando.as instituições do ensino fundamental.as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada. assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo. II . Art. assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. A educação escolar compõe-se de: I . II . os responsáveis legais. II .as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal. e.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. 17. períodos semestrais. (Redação dada pela Lei nº 12. segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino.velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente. VI . ou por forma diversa de organização. IV . assim entendidas as criadas ou incorporadas. 20. 15. mantidas e administradas pelo Poder Público. II . criando processos de integração da sociedade com a escola. de 2009) III . conviventes ou não com seus filhos. médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal. Os docentes incumbir-se-ão de: I .educação superior. tendo como base as normas curriculares gerais. respectivamente. IV .os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal. sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.os órgãos federais de educação. além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento. VI .confessionais. Parágrafo único.articular-se com as famílias e a comunidade.as instituições de ensino mantidas pela União. na forma da lei.elaborar e cumprir plano de trabalho. VII . formada pela educação infantil. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I . ciclos. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais. inclusive cooperativas educacionais. 22. sem fins lucrativos.prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento.participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. 21. O sistema federal de ensino compreende: I . 16.estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. Art. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica.particulares em sentido estrito. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas.ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos. II . de 2001) Art. integram seu sistema de ensino.013. Art.privadas. de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município.287. III – os órgãos municipais de educação. as instituições de educação infantil.as instituições de ensino mantidas. assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I . assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior. bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I . Art. II .filantrópicas. se for o caso. 23.zelar pela aprendizagem dos alunos. III . inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior.informar pai e mãe. com base na idade. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art. ensino fundamental e ensino médio.020. alternância regular de períodos de estudos.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. criadas e mantidas pela iniciativa privada. V . § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais. Art. IV .participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. II . à avaliação e ao desenvolvimento profissional. Art. Art. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I . na competência e em outros critérios. observadas as normas gerais de direito financeiro público. Os sistemas municipais de ensino compreendem: I .públicas.colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. sem com 41 . 18. pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal. III . 19. V . respectivamente. inclusive climáticas e econômicas. III .IV . II . 14. Art. No Distrito Federal.as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Art. a critério do respectivo sistema de ensino. 13.educação básica. que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos. ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinqüenta por cento do percentual permitido em lei. (Incluído pela Lei nº 10.comunitárias. grupos não-seriados. sobre a frequência e rendimento dos alunos.

exigida a freqüência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação. V . ou turmas. § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído.2003) V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10. especialmente das matrizes indígena. 26. a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. especialmente do Brasil. A educação básica. c) independentemente de escolarização anterior. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira. da economia e da clientela. (Redação dada pela Lei nº 11.2003) IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. 26-A. resgatando as suas contribuições nas áreas social. (Incluído pela Lei nº 10.cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares. de 1º. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar.769.2003) VI – que tenha prole. Cabe ao respectivo sistema de ensino. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado.o controle de freqüência fica a cargo da escola.645.793.12. 24. (Incluído pela Lei nº 11. ou outros componentes curriculares. cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar. especialmente em suas expressões regionais. em situação similar. (Incluído pela Lei nº 10. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. Art. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. Art. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. b) por transferência. conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino. de 1º. mas não exclusivo. de 2008). africana e européia. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito. a carga horária e as condições materiais do estabelecimento. conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino. estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo. nos níveis fundamental e médio. (Redação dada pela Lei nº 12. o estudo da língua portuguesa e da matemática.793.poderão organizar-se classes. integrada à proposta pedagógica da escola. distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar. quando houver.645. com aproveitamento. VII . da cultura. com as especificações cabíveis. § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório. por uma parte diversificada. que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada. de 2010) § 3o A educação física. (Redação dada pela Lei nº 11. dentro das possibilidades da instituição.a classificação em qualquer série ou etapa. a ser complementada. econômica e política. de 2008).a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno. Parágrafo único. mediante avaliação feita pela escola. estiver obrigado à prática da educação física. obrigatoriamente.287. de 1º. de preferência paralelos ao período letivo. VI . públicos e privados. a série ou fase anterior. § 2o O ensino da arte.793. para o ensino de línguas estrangeiras. à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais.12. para candidatos procedentes de outras escolas.793. é componente curricular obrigatório da educação básica. II . a partir da quinta série. III .2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas. com alunos de séries distintas. torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afrobrasileira e indígena.nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série. para alunos que cursaram.2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna. será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I . de 1º. pertinentes à história do Brasil. (Incluído pela Lei nº 10. excluído o tempo reservado aos exames finais. (Redação dada pela Lei nº 11. em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação.12. de 2008) Art. exceto a primeira do ensino fundamental.12. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger. de 1º. com níveis equivalentes de adiantamento na matéria.12. pode ser feita: a) por promoção. desde que preservada a seqüência do currículo.044. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional.2003) II – maior de trinta anos de idade. exigida pelas características regionais e locais da sociedade.793. declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos. (Incluído pela Lei nº 10. a partir desses dois grupos étnicos. de 1º. artes.2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro. constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor. o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. para os casos de baixo rendimento escolar.12. na própria escola. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio. obrigatoriamente.12. do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo.645. a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil. b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10. de 2008). 25.793.793. 42 .isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. de 1º.a carga horária mínima anual será de oitocentas horas. de 21 de outubro de 1969. IV . Art. (Incluído pela Lei nº 10. tais como o estudo da história da África e dos africanos.

§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. de 13 de julho de 1990. (Incluído pela Lei nº 11. para continuar aprendendo. com duração mínima de três anos. observada a produção e distribuição de material didático adequado. que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente.orientação para o trabalho. IV . terá como finalidades: I . 30.destacará a educação tecnológica básica. do sistema político. 35. gratuito na escola pública. § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil. IV . Os conteúdos curriculares da educação básica observarão. 31. (Redação dada pela Lei nº 9. vedadas quaisquer formas de proselitismo. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. a língua portuguesa como instrumento de comunicação. assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil. III . psicológico. para a definição dos conteúdos do ensino religioso. O ensino médio. obrigatoriamente. sem prejuízo da avaliação do processo de ensinoaprendizagem. para as crianças de quatro a seis anos de idade. de respeito ao bem comum e à ordem democrática. O ensino religioso. especialmente: I . § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada. § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá.1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. II . para crianças de até três anos de idade. no ensino de cada disciplina. II .a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. § 4º O ensino fundamental será presencial. II . 27." Art. aos direitos e deveres dos cidadãos. III . sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. de 2007).a compreensão do ambiente natural e social. mediante: (Redação dada pela Lei nº 11. terá por objetivo a formação básica do cidadão. 29. O ensino fundamental obrigatório. IV . 43 .conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural.274. primeira etapa da educação básica. ainda. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania.consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento. Art. 33. conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes. constituída pelas diferentes denominações religiosas. relacionando a teoria com a prática. 32.adequação à natureza do trabalho na zona rural. das letras e das artes.o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. complementando a ação da família e da comunidade. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula.o desenvolvimento da capacidade de aprender. incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas.o fortalecimento dos vínculos de família.adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes. III .o aprimoramento do educando como pessoa humana.7.pré-escolas. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. etapa final da educação básica. II . assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. da escrita e do cálculo. tendo como diretriz a Lei no 8. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. Seção III Do Ensino Fundamental Art. Seção IV Do Ensino Médio Art. iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade.promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento.a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos. em seus aspectos físico.475. ou entidades equivalentes. é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.Art. dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. 34. da tecnologia. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. Art. a critério dos sistemas de ensino. possibilitando o prosseguimento de estudos. III . A educação infantil será oferecida em: I . O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I .organização escolar própria. intelectual e social.a difusão de valores fundamentais ao interesse social. a compreensão do significado da ciência. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura. II . Art. Art. sem o objetivo de promoção. 28. A educação infantil. as seguintes diretrizes: I . os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região. Art. mesmo para o acesso ao ensino fundamental. de matrícula facultativa.525. de 22. Seção II Da Educação Infantil Art. II . Na oferta de educação básica para a população rural. sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. com duração de 9 (nove) anos. tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. 36.069.creches. de 2006) I . tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa.

habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. como disciplina obrigatória. de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho.subseqüente.741.no nível de conclusão do ensino médio. de 2008) Art.741. (Incluído pela Lei nº 11.741. mediante ações integradas e complementares entre si. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. de 2008) Art. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. de 2008) c) em instituições de ensino distintas.741.741. mediante convênios de intercomplementaridade. de 2008) II . § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I .741. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. (Incluído pela Lei nº 11. A educação profissional técnica de nível médio articulada. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos. de 2008) Art.741. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo. 38. de 2008) b) em instituições de ensino distintas. oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando.741.domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. de 2008) I .741. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio.741.os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio. dentro das disponibilidades da instituição. (Incluído pela Lei nº 11. seus interesses. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se.integrada. consideradas as características do alunado. (Incluído pela Lei nº 11.741. de 2008) Art. na mesma instituição de ensino. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. 36-D. oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental. 36-A. de 2008) III . (Incluído pela Lei nº 11.as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino.III .as exigências de cada instituição de ensino. 36-B. aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis. condições de vida e de trabalho. de 2008) a) na mesma instituição de ensino. e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11. 39.741. poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. na forma do regulamento. Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11. será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11.741. que compreenderão a base nacional comum do currículo. quando registrados. possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão. de 2008) Parágrafo único. II . de 2008) II . facultativamente. (Incluído pela Lei nº 11. (Redação dada pela Lei nº 11. efetuando-se matrícula única para cada aluno. de 2008) 44 . a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I . visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741. o ensino médio. quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade. 36-C. preferencialmente. (Incluído pela Lei nº 11. com a educação profissional. no cumprimento dos objetivos da educação nacional.concomitante. A preparação geral para o trabalho e. de 2008) I . de 2008) Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art.741. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11. para os maiores de quinze anos.741. de 2008) § 1º Os conteúdos. escolhida pela comunidade escolar. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola.741. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. nas formas articulada concomitante e subseqüente. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio. A educação profissional e tecnológica. § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11.741.(Incluído pela Lei nº 11. sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio. em caráter optativo. terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior. de 2008) Parágrafo único.684.articulada com o ensino médio. com aproveitamento.741. e uma segunda. de 2008) I . atendida a formação geral do educando. II . 37. para os maiores de dezoito anos.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. 36-B desta Lei. prevista no inciso I do caput do art. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11. efetuando-se matrículas distintas para cada curso. oportunidades educacionais apropriadas. de 2008) Parágrafo único. nos termos de seu projeto pedagógico.será incluída uma língua estrangeira moderna.741. integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho. de 2008) Art.741. CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11. mediante cursos e exames. de 2008) II . da ciência e da tecnologia.no nível de conclusão do ensino fundamental.

de diferentes níveis de abrangência. V .formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. qualificação dos professores. desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia.741. em particular os nacionais e regionais.632. III . aberta à participação da população. aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. requisitos.§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos. de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional. II . (Incluído pela Lei nº 11. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada. A autorização e o reconhecimento de cursos. quando houver. (Incluído pela Lei nº 11.de extensão. reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. independente do ano civil. conforme o caso. (Regulamento) Art.331. IV . com variados graus de abrangência ou especialização. integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração.741.741. públicas ou privadas. de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizarse-ão. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. tem. em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. para a superação das deficiências. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados. III de pós-graduação. terão prazos limitados. Art. além dos seus cursos regulares.741. características e duração. (Regulamento) Art. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. 47. antes de cada período letivo. 45. 41. oferecerão cursos especiais. o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais. em intervenção na instituição. de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I . após processo regular de avaliação. de 2007). de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação.estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente. haverá reavaliação. Na educação superior. visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. 43. o ano letivo regular. obrigando-se a cumprir as respectivas condições. bem como do cronograma das chamadas para matrícula. (Incluído pela Lei nº 11. a respectiva ordem de classificação. e colaborar na sua formação contínua. de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11. científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino. poderão ter 45 . no mínimo. VI . excluído o tempo reservado aos exames finais. possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos. poderá ser objeto de avaliação. desse modo. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos.741. (Redação dada pela Lei nº 11. 40. demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. (Redação dada pela Lei nº 11. II . (Redação dada pela Lei nº 11. de 2006) Art. prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica. 44. ou em descredenciamento. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior. Parágrafo único. de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio. 46. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior. desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente. periodicamente. (Incluído pela Lei nº 11. observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. que poderá resultar.de graduação.promover a divulgação de conhecimentos culturais. VII . condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. aplicados por banca examinadora especial. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. (Regulamento) § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo. abertos à comunidade. sua duração. (Incluído pela Lei nº 11. de publicações ou de outras formas de comunicação. 42. de 2008) Art. A educação superior tem por finalidade: I . sendo renovados. se necessários.incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica. inclusive no trabalho. de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art. Art.promover a extensão.741. de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. de 2008) Art. IV .cursos seqüenciais por campo de saber. compreendendo programas de mestrado e doutorado. recursos disponíveis e critérios de avaliação. duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. § 1º As instituições informarão aos interessados.741. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública. bem como o credenciamento de instituições de educação superior. os programas dos cursos e demais componentes curriculares. cursos de especialização. em desativação de cursos e habilitações. (Incluído pela Lei nº 11. As instituições de educação profissional e tecnológica. e. no que concerne a objetivos. aperfeiçoamento e outros.741.suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização.

§ 4º As instituições de educação superior oferecerão. III . quando for o caso. 50. programas e projetos de investimentos referentes a obras. 52. quando da ocorrência de vagas. modificação e extinção de cursos. II .um terço do corpo docente em regime de tempo integral.receber subvenções. programas e projetos de investimentos referentes a obras. II .realizar operações de crédito ou de financiamento. legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. nas leis e nos respectivos estatutos.aprovar e executar planos. V . IX . obedecendo às normas gerais da União e. II . (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia. IV . além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior. VII . VII . ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes.estabelecer planos.elaboração da programação dos cursos.aprovar e executar planos.adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento. heranças. de pesquisa. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir. assim como um plano de cargos e salários. que se caracterizam por: (Regulamento) I . para cursos afins. terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular.planos de carreira docente. tanto do ponto de vista científico e cultural. § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem 46 . 54. de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor. e aqueles conferidos por instituições não-universitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. III . assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. Art. na forma da lei. produção artística e atividades de extensão. Para garantir a autonomia didático-científica das universidades. no período noturno. diplomas e outros títulos. X . sem prejuízo de outras. abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano. em sua sede. § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. VI . organizar e extinguir. pelo menos. serviços e aquisições em geral. V .criação. Art. expansão. 48. V .criar. sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas. IV . para aquisição de bens imóveis. sobre: I . levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio. 53. É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura. III . Art. quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária.um terço do corpo docente. do respectivo sistema de ensino.elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais. são asseguradas às universidades. observadas as diretrizes gerais pertinentes. VI . serviços e aquisições em geral. acordos e convênios. atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei.elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados. articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino. mediante processo seletivo prévio.ampliação e diminuição de vagas. Parágrafo único. (Regulamento) Art. VI . programas e projetos de pesquisa científica. III . quanto regional e nacional. Parágrafo único. Art. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos.efetuar transferências. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior.propor o seu quadro de pessoal docente.conferir graus. as seguintes atribuições: I . as universidades públicas poderão: I . com aprovação do Poder competente. As transferências ex officio darse-ão na forma da lei. Art. 49. com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. (Regulamento) II . VIII . de acordo com as normas dos sistemas de ensino. garantida a necessária previsão orçamentária. 51. dentro dos recursos orçamentários disponíveis. As instituições de educação superior credenciadas como universidades. na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. doações. técnico e administrativo.abreviada a duração dos seus cursos. quando registrados.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes.fixar os currículos dos seus cursos e programas. bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais.administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição. IV . As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares. As instituições de educação superior.firmar contratos. No exercício de sua autonomia. instalações e equipamentos.contratação e dispensa de professores. salvo nos programas de educação a distância. e mediante processo seletivo. cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno. (Regulamento) Art. § 3º É obrigatória a freqüência de alunos e professores. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente. financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho.programação das pesquisas e das atividades de extensão.elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão. respeitando-se os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação.fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio. na hipótese de existência de vagas. organização e financiamento pelo Poder Público. Parágrafo único.

inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática. Art. (Regulamento) § 1º A União. métodos. 58. (Incluído pela Lei nº 12. (Incluído pela Lei nº 12. técnicas. inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais. III . Em qualquer caso. de 2009) Art.014. 62. de 2009). bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas. como alternativa preferencial. para atender às suas necessidades. de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia. os Estados e os Municípios. 55. com habilitação em administração. Art. de 2009). inclusive o curso normal superior.currículos. 59. o Distrito Federal.cursos formadores de profissionais para a educação básica. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. dever constitucional do Estado. V . a modalidade de educação escolar. de 2009) I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. sempre que. em virtude de suas deficiências. escolas ou serviços especializados. terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12. 63. assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos. visando a sua efetiva integração na vida em sociedade.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. de 2009) I – a presença de sólida formação básica. para os efeitos desta Lei.014. mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço. tem início na faixa etária de zero a seis anos. § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. Art. a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. para educandos portadores de necessidades especiais. subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. 57. IV . bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que. O Poder Público adotará.alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa. intelectual ou psicomotora. 60. 61. recursos educativos e organização específicos. de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores. para atendimento especializado. (Incluído pela Lei nº 12.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial. recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas. os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. (Incluído pela Lei nº 12. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I . de 2009) III – trabalhadores em educação. em regime de colaboração. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos. bem como da escolha de dirigentes. II . que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. Entende-se por educação especial. de graduação plena. (Incluído pela Lei nº 12. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística. de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades. independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. Art. a oferecida em nível médio. de 2009) II – a associação entre teorias e práticas. de que participarão os segmentos da comunidade institucional. quando necessário. na modalidade Normal. admitida. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial.056.014. Parágrafo único. (Regulamento) CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. serviços de apoio especializado. a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino. são: (Redação dada pela Lei nº 12. § 2º O atendimento educacional será feito em classes. Caberá à União assegurar. Art. em função das condições específicas dos alunos. durante a educação infantil. (Redação dada pela Lei nº 12. em universidades e institutos superiores de educação. Parágrafo único. 56. § 1º Haverá. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados.014. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. planejamento.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. deverão promover a formação inicial. bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I .014. local e regional. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. supervisão. (Incluído pela Lei nº 12. na escola regular. de 2009). destinado à formação de docentes para a educação 47 . anualmente.educação especial para o trabalho. § 3º A oferta de educação especial.056. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art. portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim.056. Nas instituições públicas de educação superior. com base em avaliação realizada pelo Poder Público. em seu Orçamento Geral. (Incluído pela Lei nº 12. nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos. em curso de licenciatura. Art. inspeção e orientação educacional. em instituições de ensino e em outras atividades. o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas.014. de 2009) Parágrafo único.014.014. (Redação dada pela Lei nº 12. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. A formação dos profissionais da educação.

trezentas horas. com base no eventual excesso de arrecadação. IV . 65. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pósgraduação.aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. a critério da instituição de ensino. quando for o caso. (Incluído pela Lei nº 11. III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. 64. II . para efeito do cálculo previsto neste artigo. compreendendo as que se destinam a: I . 69.receita de transferências constitucionais e outras transferências. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados. III . V . VI . IV . até o décimo dia do mês subseqüente. precipuamente.301. ou pelos Estados aos respectivos Municípios.período reservado a estudos. 48 . 201 da Constituição Federal. ajustada. § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. Art. da receita resultante de impostos. II . na manutenção e desenvolvimento do ensino público. ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas. § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos. planejamento e avaliação. 67. 71. A União aplicará. inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I . incluído na carga de trabalho. anualmente. 68. no mínimo. VIII .remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação. o Distrito Federal e os Municípios. V . quando não vinculada às instituições de ensino. observados os seguintes prazos: I . até o trigésimo dia. nos termos das normas de cada sistema de ensino.levantamentos estatísticos. 40 e no § 8o do art.aquisição. A formação docente. ou.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. não será considerada. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I . Art. do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação. e na avaliação do desempenho. Art. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério. O notório saber.receita do salário-educação e de outras contribuições sociais. Art. Parágrafo único. quando efetivada fora dos sistemas de ensino. dos Estados. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação. nesta formação.pesquisa. ao Distrito Federal e aos Municípios. de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art. II . II . exceto para a educação superior.programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. Art. III . que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios. III .recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês. II .condições adequadas de trabalho.receita de incentivos fiscais. inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim. (Renumerado pela Lei nº 11.recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês. e os Estados. a base comum nacional.progressão funcional baseada na titulação ou habilitação. serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro. Art. § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União. VI . assegurando-lhes. planejamento.recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês. estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino. do Distrito Federal e dos Municípios. garantida. construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino. as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades.realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino. de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art. ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis.301.programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. receita do governo que a transferir. dos Estados. incluirá prática de ensino de. Art. reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim.receita de impostos próprios da União. nunca menos de dezoito. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I .concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas. além do exercício da docência. são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas. § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo.amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo. manutenção. por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais. incluídas. V . § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas.aperfeiçoamento profissional continuado. vinte e cinco por cento. inspeção. 70. que não vise.piso salarial profissional. III . poderá suprir a exigência de título acadêmico. IV .infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental. será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual. prioritariamente em programas de mestrado e doutorado. supervisão e orientação educacional para a educação básica. até o vigésimo dia. A formação de profissionais de educação para administração. VII . compreendidas as transferências constitucionais. 66.outros recursos previstos em lei.

Art. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica. VI . no art. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. V . desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. sem prejuízo de outras prescrições legais. bonificações. inclusive mediante bolsas de estudo. Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei. o acesso às informações. § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal. farmacêutica e psicológica. considerado o número de alunos que efetivamente freqüentam a escola. relativo ao padrão mínimo de qualidade. as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10. a reafirmação de suas identidades étnicas. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados. 77. progressivamente. inclusive diplomáticos. baseado no cálculo do custo mínimo por aluno.comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados.639. § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art. e outras formas de assistência social. 212 da Constituição Federal.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. de 9. assistência médico-odontológica. desportivo ou cultural. confessionais ou filantrópicas que: I .1. Art. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância.pessoal docente e demais trabalhadores da educação.fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua materna de cada comunidade indígena.programas suplementares de alimentação. 79.apliquem seus excedentes financeiros em educação. dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas. considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. Art. terão os seguintes objetivos: I .desenvolver currículos e programas específicos. desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa.elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano. III . na forma da lei. assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. § 2º Os programas a que se refere este artigo. dividendos. filantrópica ou confessional.2003) Art. quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino.II . III .subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial.formação de quadros especiais para a administração pública.manter programas de formação de pessoal especializado. capaz de assegurar ensino de qualidade.obras de infra-estrutura. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. em número inferior à sua capacidade de atendimento. para os que demonstrarem insuficiência de recursos.2003) Art. § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. Art. § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º. 10 e o inciso V do art. destinado à educação escolar nas comunidades indígenas. na prestação de contas de recursos públicos. Parágrafo único. 79-B. ou ao Poder Público. a valorização de suas línguas e ciências. O Sistema de Ensino da União. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas.1. II . a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino. 73. 75. Os órgãos fiscalizadores examinarão. participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto. com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios. em colaboração com os Estados. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando.garantir aos índios. com os seguintes objetivos: I . As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público. Art. prioritariamente. 80. o cumprimento do disposto no art. ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar. do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. 76. 78. Art. IV . Art. (Regulamento) 49 . § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno. A União. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. e de educação continuada. sejam militares ou civis. Art. 11 desta Lei. II . incluídos nos Planos Nacionais de Educação.prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. 165 da Constituição Federal.proporcionar aos índios. (Incluído pela Lei nº 10. conforme o inciso VI do art. 74. IV . 79-A. de 9. para oferta de educação escolar bilingüe e intercultural aos povos indígenas. suas comunidades e povos. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir. em todos os níveis e modalidades de ensino. no caso de encerramento de suas atividades. na área de ensino de sua responsabilidade. 72. a recuperação de suas memórias históricas. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado. III . suas comunidades e povos. o Distrito Federal e os Municípios. IV . com validade para o ano subseqüente. conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias.639. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades. II .

§ 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. de 28 de novembro de 1968. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. de 2006) II . organizada com abertura e regime especiais. 84. O ensino militar é regulado em lei específica. com diretrizes e metas para os dez anos seguintes.274.§ 1º A educação a distância. 83.044. de 11 de agosto de 1971 e 7. IV . § 3º As normas para produção.692. 20 de dezembro de 1996. de 18 de outubro de 1982. Art. ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos.integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. (Redação dada pela Lei nº 11.reserva de tempo mínimo. ficam condicionadas ao cumprimento do art.274. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. 52 é de oito anos. 87. o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano. ao Distrito Federal e aos Municípios. II . exercendo funções de monitoria. e. nos prazos por estes estabelecidos. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. pelos concessionários de canais comerciais. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4.274. Brasília. 90. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado.274. o Plano Nacional de Educação. a partir da data de sua publicação. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. a União. de 24 de novembro de 1995 e 9. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão. para isto. Art. Art. pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino. § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental. de 2008) Art. (Regulamento) § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino. cada Estado e Município. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei. supletivamente.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens. na sua condição de instituições de pesquisa.540. observada a lei federal sobre a matéria. A União. É instituída a Década da Educação. 85. Art. os recursos da educação a distância.024. no prazo de três anos. nos termos da legislação específica. 82. Art. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. caberão aos respectivos sistemas de ensino. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. III . Art. de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. § 6º A assistência financeira da União aos Estados.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. III . integrar-se ao respectivo sistema de ensino. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino. com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. a contar da publicação desta Lei. que incluirá: I . e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. ainda. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. preservada a autonomia universitária. bem como a dos Estados aos seus Municípios. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou. 81.788. de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental. não alteradas pelas Leis nºs 9. 88. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. GESTÃO DO PROCESSO DE ENSINOAPRENDIZAGEM (Armindo José Rodrigues Revista Brasileira de Educação Especial) 50 . (Redação dada pela Lei nº 11. 175º da Independência e 108º da República.274. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art. por mais de seis anos. 86. admitida a equivalência de estudos. 89.192. 91. e 5.330. (Redação dada pela Lei nº 11. os Estados. As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão. de 20 de dezembro de 1961. § 1º A União. de 21 de dezembro de 1995 e. sem ônus para o Poder Público. Art. utilizando também. Art. ressalvados os direitos assegurados pelos arts.131. . Art. de 2006) § 3o O Distrito Federal. Art. as Leis nºs 5. 92. desde que obedecidas as disposições desta Lei. TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados. ao Congresso Nacional. mediante delegação deste. também. encaminhará. devem: (Redação dada pela Lei nº 11.

Citando Brophy (1983). avaliar as aprendizagens. os quais adotavam. Efetivamente. Para Yinger (1977). de que derivam as duas tarefas principais da atividade do professor: as funções relativas à gestão da classe (organização dos grupos. GAUTHIER e DESBIENS. as diferenças remetem antes para a planificação e preparação da matéria e para as técnicas de gestão da classe que os professores utilizam para prevenir a inatenção e as perturbações..As modalidades de organização e gestão da classe. Procurava-se. citados por MARTINEAU. que consiste em reagir após o aparecimento dos problemas. de normas e códigos sociais. Foi um período em que se multiplicaram as observações sistemáticas de aulas. no entanto. conduzir e supervisionar as atividades de ensino. Segundo o mesmo autor. estruturar. logo desde os primeiros anos de prática. logo no início do ano letivo. tendo por objetivo. as rotinas 51 . Esta centralidade das questões disciplinares parece ter decorrido diretamente das profundas transformações sofridas no pós-guerra. Em consequência. antes do início do ano letivo. etc). nomeadamente as dimensões da cidadania. de que falam Shulman (1986) e Leinardt (1990). porém. com vista à antecipação e prevenção dos problemas. Não se pode ignorar que há professores para quem a instauração e manutenção de um ambiente de trabalho nas aulas é tarefa de tal modo difícil e desgastante que pouco tempo e energia lhes restam para dedicar às atividades de ensino propriamente ditas. 1999. Os resultados das pesquisas remetem claramente para uma concepção de gestão da classe numa perspectiva holística. Por isso. muitos deles "desviados" dos modelos socialmente aceites. não é menos verdade que vários outros poderão ser invocados. desde as características pessoais do professor. em vez da tradicional continuidade e complementaridade entre escola e família. procedimentos e sanções disciplinares. organização e distribuição das rotinas. para abarcar a dimensão aprendizagem: "a gestão da classe consiste num conjunto de regras e de disposições necessárias para criar e manter um ambiente ordeiro favorável tanto ao ensino como à aprendizagem". no entanto. Efetivamente. as análises interacionais e a aplicação de questionários. estrutura e encadeamento das atividades. DOYLE (1986) proporá a ampliação do conceito. regras de interação. então. identificar e caracterizar os traços marcantes do professor eficaz e competente. tendo experimentado um progressivo desenvolvimento e aprofundamento. quando a população discente pertencia quase exclusivamente à classe dominante. motivar os alunos. Se os fatores socioeconômicos pesaram fortemente para tornar mais difícil a gestão da aula. rotinas de ensino. É a "dupla agenda do professor". garantir um clima de ordem na sala. o ensino tem duas dimensões fundamentais. (BROPHY e PUTNAM. Não deve. obter descrições cada vez mais finas dos acontecimentos da sala de aula e dos vários estilos e funções do ensino. criando constantes conflitos de concepções e de conduta entre o professor e certos grupos de alunos.469) A gestão da classe deve. rotinas de supervisão e rotinas de execução (YINGER. Ou que outros professores se centram de tal modo nas atividades estritas de ensino que esquecem as demais dimensões do universo da turma. Porém. quando a escola passou a acolher públicos cada vez mais numerosos e diversificados. para. articulação e sequenciação das atividades. etc. iniciar-se com uma planificação cuidada. se empenhe ativamente nas aprendizagens. pois um aluno pode não perturbar o clima da aula sem que. selecionar e organizar os recursos. Este autor distingue quatro tipos de rotinas: rotinas de atividade. a necessária atenção por parte dos investigadores. programas extensos. entre nós.) e à própria direção da escola. em seguida. GAUTHIER e colaboradores (1998:241) acentuam que " o planejamento da gestão da classe começa não somente com o trabalho de preparação. este modo de agir opõe-se ao método coercitivo. Promovendo a automatização de uma série de procedimentos que visam o controle e a coordenação de sequências de comportamentos aplicáveis a situações específicas. comportamentos agressivos e hostis. o ensino dos conteúdos dos programas (dar o programa. entre os professores que são bem sucedidos e aqueles que o não são não residem na sua resposta aos alunos perturbadores. E. 1991). esta problemática tem sido objeto de importantes investigações desde meados do século passado. ao contexto de trabalho (espaços físicos deficientes. A antecipação e prevenção conseguem-se através da tomada de decisões acerca de quais devam ser as rotinas a implantar na vida da turma. particularmente depois dos anos sessenta e setenta. princípios orientadores da ação docente.). da ética e do desenvolvimento pessoal e social. rotinas e estratégias. É o que demonstraram os estudos sobre a gestão da aula realizados por Kounin e colaboradores que revelam que as diferenças importantes. com o propósito de. é efetivamente durante a planificação que se procede à seleção. não têm merecido. etc) que definem o contexto em que se desenvolve o processo ensinoaprendizagem. Em primeiro lugar. entendidas como o conjunto de condições préestabelecidas (agrupamento e distribuição espacial dos alunos. o que acontece na planificação. uma parte da tarefa de preparação com vista a uma gestão eficaz da aula é simultaneamente uma preparação com vista ao ensino eficaz da matéria. de relações e de expectativas em face dos alunos assim que o ano se inicia". pensar-se que o professor tem que.. que define as rotinas como "conjuntos de procedimentos estabelecidos que têm por função controlar e coordenar sequências específicas de comportamentos". horários sobrecarregados. subsequentemente. por exemplo. se interessa explicitar em traços largos a evolução do conceito de gestão da classe. As primeiras pesquisas sobre a organização e gestão da sala de aula centraram-se essencialmente em questões relacionadas com a manutenção da ordem e da disciplina. 1977. estava-se agora em presença de uma multiplicidade e diversidade de valores. turmas numerosas. sobretudo nos Estados Unidos. na gestão da classe. primeiro. afinal. de procedimentos. definição de regras. 1979:189. as pesquisas depressa ultrapassaram os estreitos limites das questões da ordem e da disciplina. encontrar modelos de formação inicial susceptíveis de desenvolver nos futuros professores aqueles saberes e aquelas habilidades que têm maior impacto num desempenho profissional igualmente eficaz e competente. mas também com a implantação e a comunicação de regras. acabando por realçar vários outros aspectos importantes. por vezes. Efetivamente. p. também ROY. alguns outros resultados fornecidos por esses estudos têm igualmente de ser mencionados. tornou-se evidente que a manutenção da ordem não é um fim em si mesma.

no final de cada aula. as instituições de formação de professores davam grande ênfase ao treino de procedimentos muito elaborados que visavam a eficácia na especificação dos objetivos comportamentais. relativamente aos procedimentos de planificação. 2000). organização das atividades de aprendizagem. então. Yinger e Robins (1983). poderá explicar-se pelo fato de os professores não esperarem grandes mudanças nos seus alunos. 1986). quadros de conduta controlada. segundo Yinger (1980). Efetivamente. Sacristan. por exemplo. propostas e reguladas pelo professor. que se estruturava em quatro etapas: definição dos objetivos. fundados numa atitude crítica relativamente aos modelos e perspectivas behavioristas. define de antemão os limites e orientações gerais da conduta. ações e estratégias de ensino concebidas para promoverem objetivos prescritos e medições cuidadas dos resultados. ao moldar o ambiente e o processo de aprendizagem. que são as atividades de ensino. Só a apreensão da sua estrutura e encadeamento sequencial. A descrição acima refere-se à concepção de educação. o predomínio das atividades explica-se mediante o conceito de "quadro de conduta". por exemplo. aliás. Assim. as metas e objetivos do ensino. nos tornará possível compreender qual seja o esquema integrador que define as orientações. sendo por conseguinte o cerne tanto da planificação como da ação (Jackson. bem como os modos peculiares de as desenvolver. tornando os professores mais previsíveis. analisando os processos de planificação adotados em escolas secundárias inglesas. 1977). estrutura e sequência. e não os resultados da aprendizagem. Em consequência. mas o próprio quadro de conduta é definido e controlado antecipadamente pelo professor. EXERCÍCIO 1. mas é muito difícil inferir quais os objetivos visados. através da sua planificação antecipada. As correntes cognitivistas deram um contributo valioso para a compreensão do processo ensino-aprendizagem e do papel central nele desempenhado pelas atividades ou tarefas. considerações sobre os conteúdos da disciplina respectiva. pois. As atividades ou tarefas constituem-se assim no elemento chave de análise do processo ensinoaprendizagem. Segundo os autores mencionados. na perspectiva tyleriana. As atividades de ensino representariam. pois. livros e outros materiais. um meio físico com utensílios. Um quadro de conduta é uma unidade ecológica de conduta possuidora de quatro traços distintos: limites espaciais e temporais definidos. A comunicação professor-aluno tem um sentido exclusivamente técnico. materiais e recursos. as concepções e as práticas de um determinado professor. para além de configurarem a interação professor-aluno. desde cedo puseram em evidência que aquele modelo não correspondia às práticas efetivas dos professores. Segundo Hill. por ordem de importância: fatores associados ao contexto docente. constituem a oportunidade para aprender. elas são "estruturas de situação que organizam e orientam o pensamento e a ação" (DOYLE & CARTER. seleção dos procedimentos de avaliação. Taylor (1970). movimentos instrucionais do professor. bem como uma definição clara dos papéis de professor e aluno. 5) diminuir a ansiedade dos alunos. e regulam a prática. aprende e fixa as informações. 1963. (GAUTHIER et al. seleção das atividades de aprendizagem. concebida nessa perspectiva. essas atividades ou tarefas desenhadas. um modelo configurado de conduta. DOYLE. os professores. Parece. 52 . (. XX. alguns estudos empíricos. assim. É óbvio que os professores se preocupam com a aprendizagem dos alunos. os interesses dos alunos. selecionando e organizando as rotinas. Como recorda Arends (1995). duração. Por conseguinte. a importância que as atividades assumem para o professor. uma boa planificação caracterizavase "por objetivos de ensino cuidadosamente especificados (geralmente expostos em termos comportamentais). quando o professor estrutura as atividades a realizar na aula. No entanto. não obedeciam às recomendações dos teóricos sobre a planificação sistemática e linear. ao observador torna-se fácil identificar as atividades e os seus traços distintivos. como vimos acima. a planificação das atividades de ensino-aprendizagem foi dominada pelo modelo de Tyler (1949). Ou seja. p. Este último recebe. As próprias metas de ensino. só vão ganhando forma à medida que os traços da atividade (localização. a oportunidade para aprender.242) A PLANIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE ENSINO Até aos anos setenta do séc. particularmente do rendimento escolar dos alunos".. 3) aumentar a estabilidade das atividades. quando planifica as aulas. os professores equacionam as mudanças apenas após a exposição de vários conceitos no decurso de dias. comportamento aceitável dos alunos. O que define as relações é o grau de estruturação e objetividade. concluiu que os professores tendem a considerar. ao contrário do que se seria levado a pensar numa perspectiva de planificação sistemática e linear. estruturam o modelo de organização e gestão da classe e definem a intencionalidade e a cobertura que é dada ao currículo.. semanas e até meses. 2) reduzir o número de decisões a serem tomadas durante a intervenção. 1968. ao enfatizar que. As atividades (ou tarefas) configuram. O professor é apenas um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno. b) tecnicista. participantes. interações entre os componentes físicos e o modelo configurado de conduta. mas esta só ocorrerá na medida em que os alunos estejam interessados e implicados nas atividades que lhes são propostas/impostas pelo professor ou negociadas/decididas conjuntamente. na perspectiva da psicologia ecológica (BARKER. aumentando as probabilidades de que essa mesma conduta ocorra segundo os seus intentos. que constituem a meta e o enfoque da planificação do professor. As atividades constituem. tanto na planificação como na ação. nas suas práticas quotidianas. conteúdos e materiais de ensino) vão sendo elaborados e especificados.têm por efeito 1) reduzir o número de indicações a serem tratadas pelos professores. 1998. que é o de garantir a eficácia da transmissão do conhecimento. a) libertadora. reduzir ou ampliar. c) progressista..) ambos são espectadores frente à verdade objetiva. Para Yinger (1980). porquanto os comportamentos de professor e alunos são dirigidos pelo "quadro" definido. 4) aumentar a disponibilidade dos professores diante das reações dos alunos.

e) discutir os problemas sociais e relacioná-los com a cultura.) O que se ensina principalmente à classe operária é a disciplina. escolares ou não. via grupo. o docente deve se pôr a serviço do discente. Quando o professor valoriza a aprendizagem informal. (C) A educação que ocorre em instituições específicas. enfim. sem imposições de idéias e concepções. supervisão escolar e orientador educacional. no qual o indivíduo está envolvido pelo simples fato de viver em sociedade. e) crítico-social dos conteúdos. 9. (B) A educação compreende os processos formativos que ocorrem no meio social. LUCKESI (1990) afirma que “se os alunos são livres frente ao professor. C) progressista libertária. estéticos e éticos. p. d) trabalhar os valores sociais do contexto em que estão inseridos. d) Paradigma de consenso. (A) A educação exerce influência no meio social sobre os indivíduos e estes. com finalidades explícitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente e planejada.. competição. De maneira alguma. 8. sendo uma atividade humana necessária à existência e ao funcionamento de todas as sociedades”. dos costumes e formas de convivência humana. objetivos sociais e precisão. B) progressista crítico-social dos conteúdos. efetivamente formada pela escola. Nesse sentido. transformando o aluno em sujeito de sua própria aprendizagem. e) Eleição. enquanto instituição social. promovendo situações de reflexão em comum. religiosa. mais importante do que repassar conhecimento é desenvolver no aluno a capacidade de aprender. A prática educativa existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais. as coisas se apresentam da mesma forma para a nova pequena burguesia e para o trabalho intelectual. No que se refere a relação professor/aluno. A gestão democrática no âmbito da educação teve seu início a partir da década de 80. autonomia e eleição direta. Segundo Libâneo (1994. 16-17). formas democráticas de escolha dos gestores e diálogo. pode-se afirmar que: (A) a função da escola não está interligada apenas com as classes sociais às quais dirige sua atenção. “Só se pode dizer de forma totalmente análoga e aproximativa que a escola forma trabalho intelectual de um lado e trabalho manual (formação técnica) de outro. de instrutor-monitor à disposição do grupo é a A) liberal tecnicista. Para a nova educação que se propõe. c) a administração científica baseada em um planejamento gerencial. 7. D) liberal tradicional. visa-se favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. baseado na busca de respostas para os estímulos previamente planejados. (c) Exigir que o conhecimento possa ser utilizado sistematicamente. 5. exercendo a função de "conselheiro" e. também este o é em relação aos alunos”. assumem postura passiva que os torna capazes de atuar como agentes de mudança. (D) Formar o cidadão não é tarefa apenas da escola. dicotomia democrática e competição. sendo a sua força de trabalho. tem a seguinte função na atualidade: a) transmitir conhecimentos científicos e tecnológicos. A gestão educacional democrática engloba um conjunto de elementos que a diferem da administração tradicional. a tendência pedagógica que considera os alunos livres no seu pensar e agir. c) inserir o indivíduo na estrutura da sociedade. qual é o papel fundamental da escola na formação dos indivíduos? (a) Prepará-los para o mercado de trabalho. que deve ter uma postura empática. No entanto. O papel da escola na perspectiva da Pedagogia Libera Tradicional é: a) transmitir o saber sistematizado e a cultura. e) a descentralização administrativo-financeira e pedagógica. Quais características definem melhor este tipo de gestão? a) Centralização. A escola. gestão racional e centralização. ao assimilarem essas influências. frente ao do professor. 6. (. como local privilegiado de trabalho com o conhecimento. em seu lado intelectual. o respeito à autoridade. podendo construir saberes indispensáveis à inserção social do aluno. (B) as funções da escola só podem ser analisadas em função das classes sociais às quais dirige sua ação. é chamada Educação Intencional ou Formal.. a constituição e funcionamento de colegiados e a participação de diferentes segmentos consultivos e deliberativos. são eles: a) a base teórica fundamentada no enfoque. c) Certeza. em outras vezes. b) desenvolver as competências e habilidades do aluno. (b) Prepará-los para atuar no meio econômico.d) renovada. Isso nos permite encontrar na escola capitalista uma reprodução da divisão social do trabalho. a veneração de um trabalho intelectual que se acha quase sempre fora do aparelho escolar. As instituições 53 . d) promover uma formação geral que engloba o desenvolvimento cognitivo e operativo a partir dos âmbitos científicos. E) liberal renovada não-diretiva.’’ (Poulantzas. (C) a escola capitalista não forma apenas para a reprodução da divisão social do trabalho. a aprendizagem e a economia de mercado. b) desenvolver um processo ensino-aprendizagem comportamentalista. c) desenvolver experiências de vida prática e autogestão. hierarquia. política. “a prática educativa é um fenômeno social e universal. b) a eleição direta do administrador escolar. 1975:288): Com base na citação acima. assinale a opção INCORRETA. está é diretamente ligada á formação do sujeito. orientador e um catalisador no meio dos educandos. sendo um professor estimulador. d) a base teórica fundamentada na psicologia social. decorrentes da organização econômica. 2. Embora professor e aluno sejam diferentes e desiguais. b) Descentralização. a escola tem grande responsabilidade nessa formação. 3. e) articular o ensino. 4. Acerca da relação entre educação e sociedade. (d) Prepará-los para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias na vida social. racionalização. e a negação de toda forma de repressão. Caso isso ocorresse não haveria nenhum tipo de modalidade social.

(D) a análise da reprodução da divisão social do trabalho não pode ser resumida apenas às funções da escola. (B) A urbanização. apenas. (C) A prática educativa está determinada por fins e exigências sociais. (D) III. b) avançasse em ritmo mais acelerado que o processo de aprendizado. 16. ação do sujeito sobre a realidade IV. assegurando. Segundo Piaget. o conceito de mediação inclui: I. Vygotsky define a zona de desenvolvimento proximal como a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial. promover processos de desnaturalização e explicitar a rede de estereótipos e preconceitos que povoam os imaginários das pessoas em relação aos diferentes grupos socioculturais. constitui o grande desafio que ela está chamada a enfrentar”. que a igualdade se explicite nas diferenças. b) Das operações concretas. Isso exige da escola I. apenas. reconstruir o que se considera “comum” a todos. os estilos de pensamentos intuitivo e mágico e o jogo simbólico são característicos do estágio: a) Das operações formais. estabelecidas no nível de desenvolvimento real. (B) A educação determina as relações sociais e possibilita as mudanças econômicas e sociais. (Osvaldo Jr . c) Pré-operatório. Segundo Vygotsky. fazendo com que entrasse em extinção a chamada aprendizagem mútua. (C) O movimento pedagógico surgido no século XIX procurou se preocupar com a formação integral do homem. (D) A estrutura social e a organização dos grupos humanos independem dos processos educativos e do acúmulo de conhecimentos desses grupos. A zona de desenvolvimento proximal referese. abrir espaços para a diversidade. políticas e culturais de uma determinada sociedade. 13. processo de representação mental II. é incorreto afirmar que: (A) A consolidação da democracia burguesa trouxe a reflexão do papel da educação no tocante à sua função para o status quo social. processo de equilibração Estão CORRETOS apenas os itens: 54 . II. políticas e ideológicas. 12. (C) II e III.2011) A Revolução Industrial foi um dos grandes marcos históricos na transição do feudalismo para o capitalismo. assinale a opção correta. 10. apenas. o modo de produção capitalista se consolidou como hegemônico no mundo. Acerca desse assunto.de ensino ou redes escolares são um espaço de formação da cidadania. que teve como objetivo primordial a superação da exclusão e da ignorância da população. na qual o ensino era transmitido de pais para filhos. (C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como consequência um ritmo educacional laicizado. feito através dos recortes do real. (A) A organização dos grupos sociais não interfere em suas práticas educativas. (B) O surgimento e consolidação da propriedade privada imprimiu na educação um dinamismo maior e mais amplo de instrução. mas um acesso mediado. dentro da lógica da difusão e consolidação da instrução pública como modelo de inserção social da grande massa da população. III. (D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento da burguesia como classe dominante favoreceu a chamada difusão da instrução. Sente-se mais confortável com a homogeneização e a padronização. assim. d) caminhasse de forma igual ao do processo de aprendizagem. ao caminho que o indivíduo vai percorrer para desenvolver funções que estão em processo de amadurecimento e que se tornarão funções consolidadas. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. Para Moreira e Candau (2003). (D) O século XVI foi marcado pelo surgimento das primeiras escolas públicas estatais. Uma idéia central para a compreensão das concepções de Vygotsky sobre o desenvolvimento humano como processo sócio-histórico é a idéia de mediação. Sobre a relação da educação e sociedade. em consonância com o regime tribal de convivência social. assim. (E) as funções da escola podem ser analisadas em função das classes sociais às quais dirige sua atenção. pois esta dirige sua ação para a formação da cidadania e preparo para a sociedade capitalista. II e III. Através dessa revolução. Isso nos permite afirmar que na escola capitalista não há somente uma reprodução da divisão social do trabalho. No entanto. econômicas. o homem não tem acesso direto aos objetos. d) Sensório motor. a diferença e para o cruzamento de culturas. (B) I e III. (E) I. 15. É como se o processo de desenvolvimento a) apresentasse características diferentes do processo de aprendizagem. ou seja. A educação como fenômeno social é parte integrante das relações sociais. 14. também impôs à educação um modelo de centralização social alijado das questões políticas e ideológicas. que transformou a cidade no centro social por excelência. 11. isto é. c) ocorresse de forma independente ao do processo de aprendizado. Enquanto sujeito do conhecimento. na cultura hegemônica. apenas. No que se refere ao campo educacional. “a escola sempre teve dificuldade em lidar com a pluralidade e a diferença. Tende a silenciá-la e neutralizá-la. mudando as relações sociais e educacionais estabelecidas até então. e) progredisse mais lentamente que o processo de aprendizado. Está correto o que se afirma em (A) I. promover uma política de universalização da escolarização que favoreça a integração de todos na sociedade. é correto afirmar que: (A) A antiguidade guarda a relação educacional espontânea. sistemas simbólicos III. garantindo que os diferentes sujeitos socioculturais se reconheçam. bem no escopo do movimento de reivindicação de direitos sociais por parte do proletariado. onde o princípio do homem indivíduo veio a tornar-se predominante na educação.

“O Projeto Político Pedagógico é o plano global da instituição. participação e diagnóstico. a técnica e a política. A respeito da evolução histórica do conceito e da concepção do currículo. a capacidade que uma criança tem de poder cumprir uma tarefa sem ajuda externa é chamada de: a) Zona de Desenvolvimento Proximal b) Nível de Desenvolvimento Potencial c) Desenvolvimento prospectivo d) Zona de Estabilidade Variável e) Nível de Desenvolvimento Real 18. (A) A liberdade deve ser considerada como liberdade para aprender e ensinar a arte e o saber direcionados para uma intencionalidade definida pela direção da escola. de acordo com Piaget. d) maturacionais e de fatores emocionais. c) II e III. a liberal renovada e a liberal avançada. A instituição escolar é repleta de influências dos campos político. Pode ser entendido como a sistematização. (C) abrangência. a duração de cada estágio e as idades a que correspondem. 25. que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar. ela se configura como espaço de conflitos e contradições que permeiam o trabalho pedagógico-didático 55 . p. pela proposição de soluções e definição de responsabilidades coletivas e individuais na superação desses problemas. Podem ter seus efeitos amplamente transformados pelas circunstâncias sociais nas quais se insere cada existência individual e mesmo por deliberação voluntária do sujeito. d) III e IV. 20. (A) No referencial tradicional de currículo. D) a do conflito. objetivo. definitivo. b) I e III. este visto como produto de uma reflexão crítica sobre a relação entre os saberes científicos e a prática social. entre oprimidos e opressores. (B) um exercício de autonomia escolar. (C) momento privilegiado de avaliação das competências profissionais dos educadores. ocorre no estágio: a) Sensório-Motor b) Pré-Operatório c) Operatório d) Simbólico e) Inteligência Intuitiva 19.a) I e II. 24. inspirado nos princípios da dialética materialista histórica. a mediadora e a do consenso. mas se produz nos processos intersubjetivos e dialogais que acontecem na prática escolar. (C) O referencial crítico de currículo. E) A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. 2002. qualidade. Os fatores orgânicos são os responsáveis pela seqüência fixa que se verifica entre os estágios do desenvolvimento. nunca definitiva. Considerando a Educação Bancária preconizada por Paulo Freire. Devido a isso. A construção do projeto político-pedagógico na perspectiva da emancipação parte dos princípios de igualdade. São características do Projeto Político Pedagógico: (A) abrangência. 17). ou seja. 23. a moderna e a tradicional. 26. b) genéticas e do desenvolvimento cognitivo. adotando a concepção de que o conhecimento provém da ativação das estruturas cognitivas dos sujeitos educacionais. a construção do conhecimento desloca-se do sujeito individual para os processos coletivos. a elaboração do Projeto Pedagógico. (D) abrangência. Segundo Vigotsky. visando à sua socialização. a revolucionária e a mundancista. se constitui em: (A) solução para se obter o ensino de qualidade. manifestando-se por meio da linguagem e da comunicação. diagnóstico e concretização. são referências relativas e variáveis. assinale a opção INCORRETA. D) A educação bancária tem por finalidade conscientizar os alunos de sua condição de oprimido. citado por Rabelo (2001). social e ideológico. (B) A gestão democrática implica o repensar da estrutura de poder da escola. (B) O referencial pós-crítico de currículo caracteriza o período contemporâneo da ciência. gestão democrática e valorização do magistério. e a diversidade humana tornase uma referência básica para a prática curricular. (C) A qualidade implica duas dimensões dissociáveis. E) a reprodutivista. em dependência de características a) biológicas e de manifestações de afetividade. de um processo de planejamento participativo. B) a libertadora. C) a liberal. assinale a opção correta. 17. Nesse sentido. Segundo Wallon. (A) A igualdade pressupõe a expansão quantitativa de oferta de vagas em detrimento da manutenção da qualidade. duração e diagnóstico. (D) O referencial tradicional de currículo encara o conhecimento como estático. a libertária e a crítico-social dos conteúdos. (E) discussão coletiva dos conhecimentos a serem refletidos. B) A educação bancária tem por finalidade promover a transformação social. A capacidade de classificar. A Pedagogia Progressista manifestou-se em três tendências. Em relação a esses princípios. duração e participação. (D) responsabilidade principal da equipe técnica. advoga o currículo como conhecimento. são elas: A) a humanista. e) intelectuais e manifestações culturais. (B) abrangência. dos processos sociais. 21. C) A educação bancária tem por finalidade promover o diálogo entre os sábios e os que nada sabem. afastado de determinantes históricos e condicionantes mais amplos. todavia não garantem uma homogeneidade no seu tempo de duração. c) individuais e das condições de existência. As dimensões política. que se aperfeiçoa e se objetiva na caminhada. estando uma diretamente subordinada à outra. social e cultural do Projeto Pedagógico se traduzem pela explicitação dos principais problemas de cada instituição educacional. 22. liberdade. a partir de um posicionamento quanto à sua intencionalidade e de uma leitura da realidade” (VASCONCELLOS. marque a alternativa CORRETA: A) A educação bancária tem por finalidade problematizar a realidade social.

C) quanto ao funcionamento. De acordo com a LDB. onde o princípio do homem indivíduo veio a tornar-se predominante na educação. 30. justiça social. ( ) O planejamento se dá em cima de uma ação específica. d) dos Municípios. apesar de não se constituir numa “Pedagogia Ambiental”. observando suas especificidades. médio e superior. em uma situação concreta somente. V. é uma problemática complexa e que requer ainda muitos avanços em sua execução no campo escolar. ensino médio e ensino superior. como profissionais da educação. sequência e ação. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre a relação da educação e sociedade. Professores com nível superior para exercerem docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. compreendendo graduação e pós graduação. 31. o ensino médio. e a Educação Superior. esse trabalho jamais é neutro e descompromissado. respectivamente. constitui-se em elemento do trabalho didático-pedagógico da escola o (a): (A) Igualdade de condições para todos os educandos. V d) V. 9394/96. V. em consonância com o regime tribal de convivência social. V c) F. com diploma de pedagogia com habilitação em administração. II – oferecer a educação infantil em creches e préescolas e. c) Educação Básica. compreendendo as seguintes etapas: a educação infantil. ela traz à tona a) A necessidade de se estabelecer currículos fechados sobre o tema. 27. d) Educação infantil. ensino fundamental.assegurar o ensino fundamental e oferecer. pois não possui com ela uma relação intrínseca.desenvolvido por ela. (B) A utilização de métodos de ensino-aprendizagem. dos Municípios e dos Estados. da União e dos Municípios. na qual o ensino era transmitido de pais para filhos. o ensino fundamental. na medida em que em ambos há o compromisso com a prática. pós – graduação a níveis de lacto e stricto sensu. juntamente com suas alterações. compreendendo o ensino fundamental e médio. Assim. V. V. d) Uma política educacional que corresponda aos anseios de grupos de preservação ambiental. (C) O ensino como tarefa real e concreta. dos Estados e da União. F. os enunciados I. dos Municípios e da União. III – assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. V b) F. V. especifica os que em efetivo exercício e formados em cursos reconhecidos. V. planejamento. V. inspeção e orientação educacional. III e V c) II. III. as diferenças entre elas e sua forma privilegiada de conhecer o mundo por meio do brincar. Estão corretas as afirmativas: a) I. F 29. D) o processo pedagógico deve considerar as crianças em sua totalidade. para atuação na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. b) Educação Básica: ensino superior presencial nas modalidades: semi-presencial e a distância. com prioridade. 32. com ou sem pós-graduação. Considere os enunciados: I . c) A organização pedagógica fundamentada numa ação concreta que vise o fim da problemática ambiental. supervisão. II e III b) II. c) dos Estados. F e) F. F. ( ) O planejamento é uma forma de antever e interagir com as condições dadas. sem se preocupar com as políticas destinadas a outras organizações da sociedade civil. b) dos Estados. (D) Sei lá. A sequência CORRETA é a) V. (C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como consequência um ritmo educacional laicizado. com prioridade. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação N. A Educação Ambiental. avalie as sentenças abaixo como verdadeiras (V) ou falsas (F). ( ) O planejamento não difere da imaginação. II e III identificam. Assim. B) a política de Educação Infantil deve focar-se na cultura. superior e complementar. b) A importância de ações estruturantes. III e IV 56 . V. Nesse sentido. do desejo difuso e da simples intenção visto que prevê passos. direito da criança. responsabilidades a) da União. F. A LDBEN (Lei 9394/96). que trabalham na educação. e) Educação Básica. as Instituições de Educação Infantil poderão organizar o atendimento em regime parcial e/ou integral e funcionar ininterruptamente durante o ano civil. EXCETO: A) é dever do Estado. a educação escolar está composta dos seguintes níveis: a) Educação Básica. com nível superior em magistério ou cursos afins. é correto afirmar que: (A) A antiguidade guarda a relação educacional espontânea. que sugerem fomento aos projetos escolares na área. F. a saber: I. que teve como objetivo primordial a superação da exclusão e da ignorância da população. V. e) da União. Trabalhadores em educação. fazendo com que entrasse em extinção a chamada aprendizagem mútua. II. 33. ( ) O planejamento difere do sonho. Habilitados em nível médio ou superior. (B) O surgimento e consolidação da propriedade privada imprimiu na educação um dinamismo maior e mais amplo de instrução. ensino fundamental e ensino médio. No que diz respeito à organização do Sistema Municipal de Ensino é possível afirmar. opção da família o atendimento gratuito em instituições públicas de Educação Infantil. Portadores de curso técnico ou superior em pedagogia ou área afim. III e IV d) I. nos direitos humanos. a educação profissional e o ensino superior. IV. V. buscando sempre uma sistematização que favoreça o desempenho da instituição escolar. Tendo em vista que planejar significa antecipar mentalmente uma ação que se quer realizar. (D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento da burguesia como classe dominante favoreceu a chamada difusão da instrução. V. dos Estados e dos Municípios. Técnicos em educação. F. ( ) O planejamento não remete à prática. 28.

1997). c) Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. “Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola. exaustividade e complexidade. além das de iniciativas privada com o mesmo fim. B) exige que se continue a estudar durante toda a vida profissional. (B) pesquisar cuidadosamente técnicas e metodologias mais atuais que contemplem a motivação dos orientandos. como se a educação pudesse melhorar apenas a partir da metodologia de ensino. em seu fazer diário. médio e de educação infantil mantidas pela prefeitura. preocupam-se em demasia com métodos e técnicas em um verdadeiro endeusamento dessas questões. c) A instituição sabe as necessidades de formação de seus profissionais e elabora um programa de formação dos mesmos contando com a participação dos órgãos centrais para efetivar o referido programa. exceto: a) Difusa b) Educação à distância c) Presencial d) Semi-presencial 36. que é: (A) A sua inserção nas atividades rotineiras da escola. das criadas e mantidas pela iniciativa privada para a educação infantil. A formação continuada do professor é assegurada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. Os autores afirmam. portanto. D) Consistem em atividades planejadas. c) Na democratização da gestão escolar e na melhoria da qualidade do ensino. A afirmação acima nos chama atenção para a importância de se (A) buscar bases conceituais que respaldem e sustentem as metodologias utilizadas na prática educativa. b) Está previsto no Projeto Político-Pedagógico para dar formação continuada de professores dentro dos parâmetros das políticas em educação para aligeiramento deste profissional. b) As instituições de ensino fundamental e médio. D) para atuar sem precisão no ambiente virtual. C) para um mundo inter-ecológico. Sobre as situações de aprendizagem. B) simbolização. os quais compreendem: a) Somente as instituições de educação infantil e ensino fundamental mantidas pelas prefeituras. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham. 41. C) exige somente o ensino de técnicas pedagógicas. (D) A prerrogativa de representar a SEMED local. mantidas pelo município. b) Apenas no rendimento acadêmico do aluno. análise teórica. complexidade e resolução de problemas. 9. B) Consistem em atividades planejadas pelo professor. crítico. D) exaustividade. c) Pelas escolas de ensino fundamental e de educação infantil mantidas pelo poder público municipal. consciente da sua responsabilidade individual e social. O Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental.394/96 e deve ser assegurada no Projeto Político Pedagógico da unidade escolar. E) autônomo. intensificar seu envolvimento com ela e. São características do trabalho desenvolvido pela Pedagogia de Projetos: A) ocasionalidade. 57 . que a participação da comunidade no meio escolar influi: a) Apenas na democratização da gestão escolar. 42. que acontecem ocasionalmente em sala de aula. Podemos afirmar que ela se torna efetiva quando: a) A instituição adota deliberadamente os programas do governo capacitando o seu pessoal em sintonia com os anseios da equipe gestora da instituição. acompanhar melhor a educação ali oferecida” (GADOTTI E ROMÃO. autenticidade. (C) Se constituir em uma forma colegiada da gestão democrática. a) Estabelecer ligações entre teoria e prática. D) exige apenas o ensino de metodologias ativas.e) III. formalidade e burocracia. O artigo 18 da LDBEN (Lei 9394/96) normatiza os sistemas municipais de ensino. assim. d) Adotar a prática de um currículo fechado. responsabilidade e autonomia dos alunos. 44. d) Previsto no Regimento Escolar. E) Consistem em atividades não programadas pelo professor. d) No rendimento acadêmico do aluno e na melhoria da qualidade do ensino. E) exige exclusivamente o ensino de como agir coletivamente na escola. complexidade e resolução de problemas. Os educadores. d) Pelas instituições: do ensino fundamental. Os novos processos de interação e comunicação no ensino mediado pelas tecnologias visam a formação de um novo homem: A) para a era interplanetária. B) que manipule a máquina sem autonomia. 39. A formação inicial deve preparar o futuro docente para uma profissão que: A) não exige tanta qualificação ao longo da vida profissional. Pode-se afirmar que NÃO faz parte dos princípios da interdisciplinaridade. b) Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. 40. 43. C) Consistem em atividades dirigidas pelo professor. IV e V 34. (B) O seu papel mediador entre os docentes e a direção da escola. 38. 35. responsabilidade e complexidade. e) mamãe mandou!!!!! 37. São tipos de modalidades de educação ambiental. bem como os órgãos municipais. e os órgãos municipais. propostas e dirigidas pelo professor para a aprendizagem dos alunos. analise as afirmativas seguintes e marque a alternativa CORRETA: A) Consistem em atividades lúdicas criadas pelos alunos. tendo em vista somente os alunos com dificuldades. e) Apenas na melhoria da qualidade do ensino. e) Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto do conhecimento. C) responsabilidade. sem um objetivo específico. 30. E) intencionalidade. juntamente com as de educação infantil. registrado em cartório e com uso aleatório das verbas públicas.

De acordo com Clovis Roberto. um dos grandes desafios para os educadores da contemporaneidade é efetivar a Educação Ambiental (EA). (Osvaldo Jr – 2011) Qual dos elementos abaixo é considerado como dimensão da prática pedagógica no âmbito escolar: a) Os objetivos definidos. 48. (A) Coerência entre teoria e prática. e) A filosofia da educação adotada. o texto acima se refere à avaliação inerente à concepção de educação fundamentada na abordagem: a) Comportamentalista. aquilo que recolheu nos livros da vida. (D) procurar o interesse prático dos orientandos para então escolher a técnica mais adequada a ser desenvolvida. (C) A escolha dos temas a serem trabalhados em sala de aula é função do professor. Considerando a metodologia de projetos e sua relação com a prática pedagógica. assinale a opção inCORRETA. valorizando as iniciativas individuais e fracionadas. (D) O professor deve ser um comunicador dialogal e não um transmissor unilateral de informação. ou seja. sobretudo no ambiente escolar. com sobressalto da dimensão ética no uso das tecnologias. 45. com expressões próprias. seus argumentos e suas experiências. e não à absorção passiva das idéias e informações do professor. reflexo dos conteúdos pedagógico e político implementados completamente na formação docente. mas aquilo que quer aprender. e) A disponibilidade individual de professores e estudantes em superar obstáculos às práticas educativas. suas opiniões. pode-se afirmar que: a) A grande dificuldade da EA é a ausência de uma legislação específica para a mesma. b) Embora não haja consenso conceitual e de práticas de EA na atualidade. um movimento de práxis educacional. d) Humanista. no qual professor e alunos trabalhem juntos. promovendo um despertar para a interpretação do contexto atual. numa relação de completa reciprocidade entre o que a teoria diz e a prática reforça. 58 . o que favorece a formação de pessoas com criticidade para o uso racional e produtivo da tecnologia. Brasília: Ed. d) A definição de objetivos. Em um determinado contexto histórico educacional. 50. de maneira que esta possa cada vez mais trazer à tona a problemática do meio ambiente. e) A EA ainda é um grande desafio para a escola. 51. típico da prática interdisciplinar que deve permear este na escola. d) A gestão democrática e participativa. com os condicionantes e fundamentos existentes no mundo tecnológico. Vestcon. 2007 (com adaptações). (E) preparar melhor as técnicas educativas para que os orientandos assimilem com maior facilidade o conhecimento ensinado. c) Tradicional. Sendo assim. Affonso Romano de Sant’Anna (com adaptações). é correto afirmar que. Conhecimentos pedagógicos. b) A diversidade cultural dos atores escolares. c) Nos dias atuais. saber-pensar e criar. c) O processo ensino-aprendizagem e suas nuances. constitui apenas um documento que representa um processo de planejamento que determina. assinale a alternativa incorreta: a) É baseada numa concepção educacional transformadora e progressista. coopera de forma fundamental para que haja aprendizagem. onde pouco interesse se vê nos estudantes para desenvolverem atividades voltadas ao meio ambiente. nota-se cada vez mais o empenho acadêmico em formar professores engajados na EA. e) Sociocultural. b) A ação do professor. alterar uma situação ou criar novas alternativas. buscando além da mera transmissão de conhecimentos um processo construtivo que possibilite a superação do conhecido e ensinado. 49. as ações e condições necessárias para resolver problemas. exponham suas idéias. relacionamentos. b) Cognitivista. exceto: a) História de vida dos educandos. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre as características inerentes a educação tecnológica. d) Não impõe o uso das novas tecnologias. 46. 2005. (Osvaldo Jr – 2011) Sem dúvida. entre outras coisas. Zaíra Leita Ramos. b) Exige uma interação entre teoria e prática. 47. no seu sentido mais formal. d) Uma forma de concretizar plenamente esse tema na escola é engajar estudantes e professores em atividades práticas de reciclagem de lixo escolar.(C) dinamizar as práticas educativas a partir de atividades significativas para todos os orientandos. capacidade para o diálogo e competência didática são algumas características do professor que facilitam a aprendizagem. nos projetos de aprendizagem: (A) a escolha dos temas a serem investigados é feita em conjunto por professores e coordenação pedagógica. A estrutura da exposição deve conduzir à problematização e ao raciocínio. Um projeto. a avaliação significa uma forma de verificar o rendimento escolar por meio de produções livres. A respeito da relação professor/aluno. mas o aluno aprende do professor não necessariamente o que o outro quer ensinar. c) A diversidade cultural. principalmente na atualidade. (B) Um ambiente de participação. A metodologia de Projetos de Aprendizagem pretende subsidiar práticas pedagógicas inovadoras. o que favoreceria a uniformidade das práticas educativas sobre o tema. é possível perceber o surgimento de uma unidade maior ao redor do tema. e deve ser pautada na observância dos conteúdos próprios para a série e não na relação destes com a vida e os interesses dos alunos. e) Sua fundamentação básica encontra-se no interjogo do saber-fazer. c) Procura levantar questões que se relacionam com o momento contextual considerado. (Osvaldo Jr – 2011) É fator que contribui para o bom desenvolvimento da prática pedagógica no âmbito escolar. explicações práticas e casuais. metas e finalidades da ação educativa. O professor pensa ensinar o que sabe.

Estes são apresentados segundo a curiosidade. (D) o aluno apresenta-se receptivo às definições de regras e atividades orientadas pelo sistema educacional.B 50. (C) o professor é o agente de transmissão do conhecimento e o responsável pela definição da seqüência dos conteúdos do currículo. GABARITO 010203040506070809101112B C B A E D D A E C B A 131415161718192021222324D E C A E C C E B C A B 252627282930313233343536B B A C A C C B C C D D 373839404142434445464748C D B D E E C A C B E E 49.(B) não há uma seqüência única e geral na apresentação dos conteúdos. vontade e desejo do aprendiz.B 59 .B 51.

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