CURSO LIDERANÇA

“A melhor equipe para concursos públicos”

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS EDUCAÇÃO, TRABALHO E CIDADANIA: A EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O DESAFIO DA FORMAÇÃO NO ATUAL CENÁRIO HISTÓRICO (Antônio J. Severino). A humanidade vive, hoje, um momento de sua história marcado por grandes transformações, decorrentes, sobretudo do avanço tecnológico, nas diversas esferas de sua existência: na produção econômica dos bens naturais; nas relações políticas da vida social; e na construção cultural. Esta nova condição exige um redimensionamento de todas as práticas mediadoras de sua realidade histórica, quais sejam, o trabalho, a sociabilidade e a cultura simbólica. Espera-se, pois, da educação, como mediação dessas práticas, que se torne, para enfrentar o grande desafio do 3º milênio, investimento sistemático nas forças construtivas dessas práticas, de modo a contribuir mais eficazmente na construção da cidadania, tornando-se fundamentalmente educação do homem social. A educação, como processo pedagógico sistematizado de intervenção na dinâmica da vida social, é considerada hoje objeto priorizado de estudos científicos com vistas à definição de políticas estratégicas para o desenvolvimento integral das sociedades. Ela é entendida como mediação básica da vida social de todas as comunidades humanas. Esta reavaliação, que levou à sua revalorização, não pode, no entanto, fundar-se apenas na sua operacionalidade para a eficácia funcional do sistema socioeconômico, como muitas vezes tendem a vê-la as organizações oficiais, grandes economistas e outros especialistas que focam a questão sob a perspectiva da teoria do capital humano. Sem dúvida, a existência real dos homens é profundamente marcada pelos aspectos econômicos, até porque esta dimensão econômica, devidamente entendida, constitui mesmo uma referência condicionante para as outras dimensões da vida humana, uma vez que ela se liga à própria sobrevivência da vida material. Porém, a significação dos processos sociais e, no seu âmbito, dos processos educacionais não se restringe a essa sua funcionalidade operatória. Se, de um lado, é a realidade dos fatos que permite que a educação tenha alguma incidência social, de outro, essa eficácia só ganha legitimidade humana se se referir a significações que ultrapassem sua mera facticidade e seu desempenho operacional. A Nova Ordem Mundial: a Promessa. De acordo com um senso comum atualizado, vigente nos meios acadêmicos, nos meios de comunicação e até mesmo nos meios populares, estaríamos vivendo hoje um mundo totalmente diferente daquele projetado pela visão iluminista da modernidade, constituindo uma nova ordem mundial. Estaríamos vivendo um momento de plena revolução tecnológica, capaz de lidar com a produção e transmissão de informações em extraordinária velocidade, num processo de globalização não só da cultura, mas também da economia e da política. Tratarse-ia de um momento marcado pelo privilegiamento da iniciativa privada, pela minimalização da ingerência do Estado nos negócios humanos, pela maximalização das

leis do mercado, pela ruptura de todas as fronteiras. Tal situação leva Octavio Ianni (1998:28) a afirmar que “o que está em causa é a busca de maior e crescente produtividade, competitividade e lucratividade, tendo em conta mercados nacionais, regionais e mundiais. Daí a impressão de que o mundo se transforma no território de uma vasta e complexa fábrica global e, ao mesmo tempo, em shopping center global e disneylândia global”. No entanto, este modo de ver e existir atuais, de perfil assumidamente neoliberal, com suas decorrências e expressões no plano cultural, com sua exacerbação do individualismo, do produtivismo, do consumismo, da indústria cultural, da mercadorização até mesmo dos bens simbólicos, não instaura nenhuma pósmodernidade. Com efeito, o que está de fato acontecendo é a plena maturação das premissas e promessas da própria modernidade. Nada mais moderno do que esta expansão e consolidação do capitalismo, envolvido numa aura ideológica de liberalismo extremado; nada mais moderno do que esta tecnicização, viabilizada pela revolução informacional. Finalmente, a modernidade está realizando as promessas embutidas em seu projeto civilizatório. Nada mais moderno do que o individualismo egoísta dos dias de hoje. No fundo, é a mesma racionalidade que continua dirigindo os rumos da história humana, em que pesem as críticas que são feitas à sua forma de expressão até o século 19. Educação E Formação do Homem Social Ao contrário do que sempre alegaram a metafísica tradicional e a ciência moderna, todas as formas de manifestação concreta da existência humana se realizam mediante a ação real, o agir prático. Com efeito, a substância do existir é a prática. Só se é algo mediante um contínuo processo de agir, só se é algo mediante a ação. Assim, diferentemente do que pensavam os metafísicos clássicos, não é o agir que decorre do ser, mas é o modo de ser que decorre do agir. É a ação que delineia, circunscreve e determina a essência dos homens. É na e pela prática que as coisas humanas efetivamente acontecem, que a história se faz. Este é o sentido da historicidade da existência humana, ou seja, os homens não são a mera expressão de uma essência metafísica predeterminada, nem a mera resultante de um processo de transformações naturais que estariam em evolução. Ao contrário, naquilo em que são especificamente humanos, eles são seres em permanente processo de construção. Nunca estão prontos e acabados, nem no plano individual, nem no plano coletivo, como espécie. Por sobre um lastro de uma natureza físico-biológica prévia, mas que é préhumana, compartilhada com todos os demais seres vivos, eles vão se transformando e se reconstruindo como seres especificamente humanos, como seres “culturais”. E isso não apenas na linha de um necessário aprimoramento, de um aperfeiçoamento contínuo ou de progresso: ao contrário, estas mudanças transformativas, decorrentes de sua prática, podem ser regressivas, nem sempre sinalizando para uma eventual direção de aprimoramento de nosso modo de ser. O que é importante observar é que os seres humanos vão sendo aquilo que se vão fazendo e este fazer-se, este constituir se só se dá mediante a ação e não pelos seus desejos, pelos seus pensamentos e teorias. Assim, a educação não poderá mais ser vista como processo mecânico de desenvolvimento de

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potencialidades. Ela será necessariamente um processo de construção, ou seja, uma prática mediante a qual os homens estão se construindo ao longo do tempo. Educação como Mediadora da Existência Histórica Pode-se então equacionar a existência humana como se dando mediada pelo tríplice universo do trabalho, da sociedade e da cultura. Como os três ângulos de um triângulo, esses três universos se complementam e se implicam mutuamente, um dependendo do outro, a partir de sua própria especificidade. É nesse contexto que se pode entender as relações do conhecimento com o universo social. Com efeito, o conhecimento pressupõe um solo de relações sociais, não apenas como referência circunstancial, mas como matriz, como placenta que nutre todo seu processamento. Entretanto, essa trama de relações sociais em que se tece a existência real dos homens, como se viu antes, não se caracteriza apenas pelas relações de gregaridade dos indivíduos, tal qual ocorre nas “sociedades” animais, mas sobretudo por relações de hierarquização, envolvendo o elemento específico a interferir no social humano, o poder, que torna política a sociedade. O saber aparece, portanto, como instrumento para o fazer técnico-produtivo, como mediação do poder e como ferramenta da própria criação dos símbolos, voltando-se sobre si mesmo, ou seja, é sempre um processo de intencionalização. Assim, é graças a essa intencionalização que nossa atividade técnica deixa de ser mecânica e passa a se dar em função de uma projetividade, o trabalho ganhando um sentido. Do mesmo modo, a atividade propriamente política se ideologiza e a atividade cultural transfigura a utilidade pragmática imediata de todas as coisas. Como entender então a educação nesse contexto das mediações histórico-sociais que efetivamente manifestam e concretizam a existência humana na realidade? Ela deve ser entendida como prática simultaneamente técnica e política, atravessada por uma intencionalidade teórica, fecundada pela significação simbólica, mediando a integração dos sujeitos educandos nesse tríplice universo das mediações existenciais: no universo do trabalho, da produção material, das relações econômicas; no universo das mediações institucionais da vida social, lugar das relações políticas, esfera do poder; no universo da cultura simbólica, lugar da experiência da identidade subjetiva, esfera das relações intencionais. A educação só se legitima intencionalizando a prática histórica dos homens. Com efeito, se se espera, acertadamente, que a educação seja de fato um processo de humanização, é preciso que ela se torne mediação que viabilize, que invista na construção dessas mediações mais básicas, contribuindo para que elas se efetivem em suas condições objetivas reais. Ora, esse processo não é automático, não é decorrência mecânica da vida da espécie. É verdade que, ao superar a transitividade do instinto e com ela a univocidade das respostas às situações, a espécie humana ganha em flexibilidade, mas, ao mesmo tempo, torna-se vítima fácil das forças alienantes, uma vez que todas as mediações são ambivalentes: constituem, simultaneamente, o lugar da personalização, e o lugar da desumanização, da despersonalização. Assim, a vida individual, a vida em sociedade, o trabalho, as formas culturais e as vivências subjetivas podem estar levando não a uma forma mais adequada de existência, da perspectiva humana, mas antes a

formas de despersonalização individual e coletiva, ao império da alienação. Sempre é bom não perder de vista que o trabalho pode degradar o homem, a vida social pode oprimi-lo e a cultura pode aliená-lo, ideologizando-o. Daí se esperar da educação que ela se constitua, em sua efetividade prática, um decidido investimento na consolidação das forças construtivas dessas mediações. É por isso que, ao lado do investimento na transmissão aos educandos, dos conhecimentos científicos e técnicos, impõe-se garantir que a educação seja mediação da percepção das relações situacionais, que ela lhes possibilite a apreensão das intrincadas redes políticas da realidade social, pois só a partir daí poderão se dar conta também do significado de suas atividades técnicas e culturais. Por outro lado, cabe ainda à educação, no plano da intencionalidade da consciência, desvendar os mascaramentos ideológicos de sua própria atividade, evitando assim que se instaure como mera força de reprodução social e se torne força de transformação da sociedade, contribuindo para extirpar do tecido desta todos os focos da alienação. FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA: RELAÇÃO ESCOLA E SOCIEDADE A escola, ao caracterizar-se como estabelecimento de educação ou de ensino, em de ser vista como organização e instituição. Seu fazer educativo não se confunde com o que acontece na família, no trabalho, na mídia, no lazer e nas demais formas de convívio social. A escola também não se confunde com a comunidade, a autarquia local, associações ou sindicatos. A escola é, antes de mais nada, uma organização, isto é, uma unidade social criada e estruturada explicitamente para realizar determinados fins (por exemplo: educação, ensino, formação. O que a distingue da família é a existência de um aparelho de autoridade (por exemplo, órgãos de administração e gestão) e de um corpo de regras, normas e procedimentos (por exemplo, regimento, regulamento interno, projeto educativo),formalmente instituídos para atingir um certo número de objetivos, alguns dos quais podem (e devem) ser igualmente prosseguidos pela família e outras instâncias de socialização (MUSGRAVE, 1979; HAECHT, 1992; PINTO, 1977). Mas a escola, tal como a empresa, não pode ser vista apenas sob o aspecto formal (o organograma, o estatuto, a missão oficial, o regulamento, as competências dos órgãos de administração e gestão). À semelhança do iceberg a escola tem uma parte imediatamente não visível (ou manifesta), porque submersa (ou latente): 1) são as relações informais que os membros (pessoal docente e não docente, alunos, pais e encarregados de educação, outros representantes da comunidade) estabelecem entre si; 2) essas relações, sobretudo, relações de poder (saber/não saber, ensino/aprendizagem, conformidade/desvio). Enquanto organização, a escola tem sido pouco estudada. Todavia, ela pode ser vista segundo diferentes modelos sociológicos; por exemplo, Burgess (1980) centrou a sua atenção em três abordagens. Convém, no entanto, começar por recorda que ela é, antes de mais, uma instituição e que patê de um sistema de ação a que chamamos a educação (ou sistema educativo). A Escola como Instituição

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A escola não existe num vácuo (social, cultural, administrativo ou político), ela articula-se com diferentes sistemas de ação que a modelam e legitimam (a começar pelo /estado, o poder legislativo, executivo e judicial, passando pelo mercado de trabalho, as empresas, a proteção social, a saúde, a ciência, e a tecnologia, as associações profissionais, as associações de pais e encarregados de educação, as autarquias); em suma, a escola articula-se com o sistema social mais vaso de que faz parte (Estado e sociedade civil, incluindo a família). Tanto a saúde como a educação são, por excelência, instituições, ou seja, conjuntos de idéias, crenças, valores e normas de comportamento propostos (e muitas vezes impostos) ao indivíduo numa dada sociedade. Para compreender as normas, as regras, os valores e as finalidades da escola e as transformações históricas por que tem passado, teremos que levar em conta o papel dos seus atores externos: todo os que são (ou foram) detentores de interesses específicos no campo da educação e do ensino. A escola, tal como a conhecemos hoje (universal, gratuita, laica, de freqüência obrigatória etc.), não pode ser desligada do contexto da luta de classes que deu origem ao estado moderno (a reforma, a ascensão econômica, política e cultural da burguesia, o Século das Luzes, a Revolução Industrial). • Com a Revolução Francesa, o Estado burguês vai nacionalizar o ensino, substituindose, desse modo, a Igreja. • Na esteira de Pombal e dos primeiros reformadores liberais, a república portuguesa vai inspirar-se nas leis escolares de Jules Ferry, e transformar a escola na Nova Igreja Cívica do Povo”. • Apoderando-se do antigo carisma dos homens da Igreja, o professor é posto no altar, promovido a “sacerdote do ensino”, a “apóstolo (laico) da religião social”, de acordo com a ideologia positivista que transparece dos diplomas legais que estão na origem da reforma do ensino primário (1911) e do técnico (1917) (FORMOSINHO e MACHADO, 2000, p. 99). A escola como organização como tantas outras (as empresas, os partidos políticos, as associações sindicais, os tribunais, as igrejas, os hospitais etc.). E, como tal, tem sido objeto de análise sociológica (e sobretudo psicosociológica), na medida em que é constituída por diferentes indivíduos e grupos, reunidos em função de um determinado objetivo e estabelecendo entre si determinados tipos de relações, de trabalho e de poder. Ao foca essencialmente o modo como os alunos poderão aprender mais matemática, ciências, história etc. (o que, certamente, não é um problema insignificante), negligenciou-se o amplo contexto em que as escolas existem, um contexto que pode mesmo dificultar o progresso dos alunos. Por um lado, não tem sido dada a devida atenção ás complexidades da interação diária na escola, ao processo educativo e à dinâmica interna da instituição. Por outro, as tendências internas da escola são desligadas do contexto ideológico, econômico e político em que estão inseridas. Enquanto instituição e organização, da escola é possível, todavia, fazer uma análise comparativa em diferentes contextos históricos, e encontrar traços ou características comuns:

1) A escola como organização tem sido em cada época uma missão ou finalidade própria, manifesta ou latente, explícita ou implícita, qualquer que seja o seu sistema de funcionamento ou o seu estatuto jurídico-legal (laico ou religioso, público ou privado etc.). 2) Além disso, e (cada vez mais) o local de trabalho de grupos socioprofissionais muito particulares, que diretamente afetam o processo educativo (professores, pedagogos, psicólogos), com funções de administração e gestão. 3) Tem um sistema de poder e de autoridade, embora diferente de outras organizações, como as empresas, dada a importância e o peso do seu staff profissional, nomeadamente de há um século para cá. 4) Tem, igualmente, um sistema técnico e organizacional de trabalho, se bem que é diferente da empresa que transforma matériasprimas em produtos acabados, já que o seu objeto de trabalho são seres humanos (crianças, adolescentes, jovens adultos). 5) Tem, por fim, uma cultura muito própria, ligada a ideologias e estratégias profissionais dos professores, não obstante o processo de racionalização da organização do trabalho educativo e de proletarização a que está hoje submetido o pessoal docente (em sua maioria do sexo feminino) (APPLE, 2002). O que distingue a escola de uma empresa é o fato de poder ser classificada categoria das organizações especializadas (ETZIONI, 1967, P. 117-128), ou seja, aquelas que são estabelecidas com o fim específico de criar, aplicar, manter ou comunicar o conhecimento, e empregando, no mínimo, 50% de especialistas ou profissionais. À escola sabe ensinar, isto é, garantir a aprendizagem de certas habilidades e conteúdos que são necessários para a vida em sociedade. Nesse sentido, como ela pode contribuir no processo de inserção social das novas gerações? Oferecendo instrumentos de compreensão da realidade local e, também, favorecendo a participação dos educandos em relações sociais diversificadas e cada vez mais amplas. A vida escolar possibilita exercer diferentes papéis, em grupos variados, facilitando a integração dos jovens no contexto maior. Para cumprir sua função social, a escola precisa considerar as práticas de nossa sociedade, sejam elas de natureza econômica, política, social, cultural, ética ou moral. Tem que considerar também as relações dietas ou indiretas dessas práticas com os problemas específicos da comunidade local a que presta serviços. A consciência política dos professores deve convergir para o trabalho que se faz dentro da escola. Numeroso contingente de alunos provenientes das camadas populares matricula-se na escola e os próprios pais fazem sacrifícios para mantê-los estudando. O ensino é uma tarefa real, concreta, que expressa o compromisso social e político do professor, pois o domínio das habilidades de ler e escreve, dos conhecimentos científicos da História, da /geografia, da Matemática e das ciências, é requisito para a participação dos alunos na vida profissional, na política e sindical, e para enfrentar situações, problemas e desafios da vida prática. Um ensino de baixa qualidade empurra as crianças, cada vez mais, para a marginalização social.

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Há, pois, um trabalho pedagógico-didático a se efetivar dentro da escola, que se expressa no planejamento do ensino, na formulação dos objetivos, na seleção dos conteúdos, no aprimoramento de métodos de ensino, na organização escolar e na avaliação. Ligar a escolarização às lutas pela democratização da sociedade implica, pois, que a escola cumpra a tarefa que lhe é própria: promover o ensino. Democratização do ensino significa, basicamente, possibilitar aos alunos o melhor domínio possível das matérias, dos métodos de estudo, e, por meio disso, o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais, com especial destaque à aprendizagem da leitura e da escrita. A escola é um meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas, na medida em que possibilita às classes populares, ao terem o acesso ao saber sistematizado e às condições de aperfeiçoamento das potencialidades intelectuais, participarem ativamente do processo político, sindical e cultural. Uma pedagogia voltada para os interesses populares, de transformação da sociedade, compreende o trabalho pedagógico e docente como o processo de transmissão/assimilação ativa dos conteúdos escolares, inserido na totalidade mais ampla do processo social. É uma pedagogia que articula os conhecimentos sistematizados com as condições concretas de vida e de trabalho dos alunos, suas necessidades, interesses e lutas. Indubitavelmente, um dos fatores que mais concorrem para a permanência dos quadros nacionais de fracasso escolar é o descompasso entre a escola e a comunidade, cultura e aprendizagem. Tais argumentos sustentam a evidência de que não aprendemos só pelo repertório de habilidades, pelo potencial de inteligência ou pela disponibilidade de estruturas cognitivas, mas, também, pelo que somos, buscamos, concebemos, valorizamos e fazemos. Cultura e aprendizagem são faces inseparáveis na condução do ensino e decisivas na constatação de seus resultados. Assim como se pode dirigir o curso de aprendizagem em uma única trajetória, não se podem controla os significados atribuídos ao saber ou aos usos do conhecimento conquistado. Peando a partir de parâmetros elitistas, etnocêntricos e didaticamente inflexíveis, a prática pedagógica leva ao fracasso, pois não está preparada para lidar com a pluralidade de contextos. Em síntese, muitas escolas não falam a mesma língua de seus alunos. O produto desse diálogo de mudos e surdos são os mecanismos de seleção e exclusão, frente aos quais muitos alunos reagem ativamente, mesmo que sob a forma da inteligência contra si mesmo. AS TEORIAS PEDAGÓGICAS MODERNAS (José Carlos Libâneo). Penso ser acertado dizer que as teorias modernas da educação são aquelas gestadas em plena modernidade, quando a idéia de uma formação geral para todos toma lugar na reflexão pedagógica. Comênio lança em 1657 o lema do “ensinar tudo a todos” e, não por acaso, é considerado o arauto da educação moderna. O movimento iluminista do século XVIII fortalece essa idéia de formação geral, válida para todos os homens, como condição de emancipação e esclarecimento. As teorias pedagógicas modernas estão ligadas, assim, a acontecimentos cruciais como a Reforma Protestante, o Iluminismo, a Revolução Francesa, a formação dos Estados Nacionais, a industrialização. Pedagogos como Pestalozzi, Kant, Herbart, Froebel, Durkheim, Dewey vão consolidando

teorias sobre a prática educativa assentadas na manutenção de uma ordem social mais estável, garantidas pela racionalidade e pelo progresso em todos os campos, especialmente na ciência. São também teorias fincadas nas idéias de natureza humana universal, de autonomia do sujeito, de educabilidade humana, de emancipação humana pela razão de libertação da ignorância e do obscurantismo pelo saber. Especificamente na pedagogia, o discurso iluminista acentua o papel da formação geral, o poder da razão no processo formativo, a capacidade do ser humano de gerir seu próprio destino, de ter autodomínio, de se comprometer com o destino da história em função de ideais. As teorias modernas da educação hoje apresentam-se em várias versões, variando das abordagens tradicionais às mais avançadas, conforme se situem em relação aos seus temas básicos: a natureza do ato educativo, a relação entre sociedade e educação, os objetivos e conteúdos da formação, as formas institucionalizadas de ensino, a relação educativa. A literatura internacional e a nacional dispõem de conhecidas classificações de teorias da educação ora chamadas de tendências ou correntes, ora de paradigmas. Em âmbito internacional são conhecidos os trabalhos de Guy Palmade, Robert Clausse, Jesus Palácios, Georges Snyders, Bogdan Suchodolski, Renée Gilbert, Bernard Charlot, entre outros. Em âmbito nacional há os trabalhos de Dermeval Saviani, José Carlos Libâneo, Maria das Graças Misukami, Moacir Gadotti, entre outros. Sem pretender retomar as abordagens teóricas que resultam nas classificações de teorias pedagógicas, são modernas a pedagogia tradicional, a pedagogia renovada, o tecnicismo educacional, e todas as pedagogias críticas inspiradas na tradição moderna como a pedagogia libertária, a pedagogia libertadora, a pedagogia crítico-social. Um olhar sobre as práticas pedagógicas correntes nas escolas brasileiras mostra que tais tendências continuam ativas e estáveis, mantendo seu núcleo teórico forte, ainda que as pesquisas dos últimos anos venham mostrando outras nuanças, outros focos de compreensão teórica, outras formas de aplicabilidade pedagógica. A meu ver, não há outras boas razões para alterar essa classificação. Isso não significa que não se apontem novas tendências, algumas já experimentadas em nível operacional, outras ainda restritas ao mundo acadêmico. Esquematicamente, essas teorias apresentam como características em comum: + Acentuação do poder da razão, isto é, da atividade racional, científica, tecnológica, enquanto objeto de conhecimento que leva as pessoas a pensarem com autonomia e objetividade contra todas as formas de ignorância e arbitrariedade. + Conhecimentos e modos de ação, deduzidos de uma cultura universal objetiva, precisam ser comunicados às novas gerações e recriados em função da continuidade dessa cultura. + Os seres humanos possuem uma natureza humana básica, postulando-se a partir daí direitos básicos universais. + Os educadores são representantes legítimos dessa cultura e cabe-lhes ajudar os alunos a internalizarem valores universais, tais como racionalidade, autoconsciência, autonomia, liberdade, seja pela intervenção pedagógica direta seja pelo esclarecimento de valores em âmbito pessoal.

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A partir desse conjunto de ideais, as pedagogias modernas, nos seus vários matizes, adquirem suas peculiaridades, formulando distintos entendimentos sobre as formas de conhecimento, função da ciência, conceito de liberdade etc., sem, todavia, renunciar à idéia de criação de uma sociedade racional. Uma herança comum dessas teorias, vista pelos críticos como negativa, é que em nome da razão e da ciência se abafam o sentimento, a imaginação, a subjetividade e, até, a liberdade, à medida que a razão institui-se como instrumento de dominação sobre os seres humanos. Nesse sentido, a questão problemática na racionalidade instrumental é a separação entre razão e sujeito, entre o mundo científico e tecnológico e o mundo da subjetividade. Outra questão problemática refere-se as conseqüências da grande acumulação de conhecimentos científicos e técnicos produzidos pela modernidade. Entre elas, a mais típica foi a constituição de campos disciplinares isolados, fragmentados, ignorando o conjunto de que faz par te e a per da de significação. Com isso, a própria sociedade reproduz essa fragmentação, disso ciando a cultura, a economia, a política, o sistema de valores, a personalidade. Quadro das Tendências Pedagógicas. Pedagogia Liberal Pedagogia Progressista 1. Tradicional 1. Libertadora 2. Renovada progressista 2. Libertária 3. Renovada Não- 3. Crítico social dos Diretiva Conteúdos 4. Tecnicista Reforça e justifica a Fundamenta-se na sociedade de classes, na análise crítica da medida em que realidade social. compreende a escola Compreensão da como preparadora de educação como processo indivíduos para o sócio-político. desempenho de papéis sociais, de acordo com suas aptidões. Fonte: LIBÂNEO – Didática. São Paulo: Cortez, 1994. Cada tendência é marcada por características que as distinguem das demais. 1. Pedagogia Liberal: primeiramente, precisamos pensar o que significa a palavra liberal neste contexto. Segundo Libâneo (1992, p. 21), o termo liberal não tem o sentido de ‘avançada’, ‘democrático’, ‘aberto’, como costuma ser usado. A doutrina liberal apareceu como justificação do sistema capitalista que, ao defender a predominância da liberdade e dos interesses individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção, também denominada sociedade de classes. Portanto, nos últimos 60 anos os professores têm adotado esta pedagogia, ora adotando um caráter mais conservador, ora mais um renovado, m as sempre tendo como objetivo preparar os alunos para desempenharem papéis sociais de acordo com as suas aptidões individuais. Para isso, segundo Libâneo (1992), os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes. 1.1. Pedagogia Liberal tradicional: A pedagogia tradicional teve sua vigência do período que vai dos jesuítas até os anos que precedem o lançamento do Movimento dos Pioneiros da Educação Nova (LIBÂNEO,

2000, p. 87). Mas sabemos que esta tendência continua prevalecendo na prática educativa atual. É caracterizada por ser centrada na figura do professor, que geralmente, utiliza-se da oralidade para transmitir seus conhecimentos aos alunos, que devem prestar a máxima atenção às palavras deste para aprender. Nesta tendência, acredita-se que o aluno aprende por ouvir o professor, visualizar objetos, mapas, gravuras e por realizar exercícios repetitivos: lembram-se quando o professor pedia para fazermos cinco vezes cada cópia? Ou cem vezes a tabuada? Pois é, assim pensavam que aprenderíamos mais rapidamente. Com isto, objetiva-se formar um aluno ideal, desvinculado da sua realidade concreta. O objetivo inicial desta pedagogia, que era o de formação indivíduo, fica hoje descaracterizado, com um ensino meramente decorado, sem sentido, reduzido à simples memorização de conteúdos desconexos da realidade do aluno. 1.2. Pedagogia Liberal Renovada Progressista: Esta pedagogia está baseada na teoria de John Dewey, autor que acreditava na idéia da relação entre teoria e a prática e na crença de que o conhecimento é construído quando compartilhamos experiências, num ambiente democrático. Portanto, o objetivo desta pedagogia é formar o indivíduo para atuar no meio, por isso deve-se “adequar as necessidades individuais ao meio social” (LIBÂNEO, 1992, p. 85), e por isso também, a escola deve fornecer ao aluno a oportunidade de experienciar, para que satisfaça os interesses deste às exigências sociais. 1.3. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva: A escola nesta tendência tem o papel de formar atitudes. Para tanto, o professor deve ser facilitador como diz Carl Rogers, principal teórico que aborda esta tendência. Para este autor, o professor deve aceitar a pessoa do aluno, fazendo com este se autodesenvolva, a partir da busca daquilo que é de seu interesse, adequando sua pessoa àquilo que o ambiente solicita. Como diz Libâneo (1992), “o resultado de uma boa educação (na tendência não-diretiva) é muito semelhante ao de uma boa terapia” (p. 27). 1.4. Tendência Liberal Tecnicista: Como o próprio nome sugere, esta tendência está baseada na técnica. A preocupação é com a formação de indivíduos para atuarem no mercado de trabalho, mantendo a ordem vigente: o capitalismo. Está embasada, teoricamente, pela análise comportamental, que tem como teórico principal B. F. Skinner, o que garante a objetividade da prática escolar. O objetivo é transmitir ao aluno “eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas” (LIBÂNEO, 1992, p. 29). Há alguns exemplos de escolas que utilizam-se desta tendência, escolas que oferecem cursos apostilados de digitação, programação, cursos de aprendizagem em instituições como SENAI e SENAC. 2. Pedagogia Progressista: “O termo ‘progressista’ (...) é usado aqui para designar s tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação” (LIBÂNEO, 1992, p. 32). Por isso, essas são tendências que analisam, criticam e discutem os aspectos sociopolíticos e econômicos da sociedade, realidade em que vivemos. Fato que leva estas tendências a serem utilizadas mais na educação informal do que na formal. 2.1. Tendência Progressista Libertadora: Esta tendência é mais conhecida como Pedagogia Paulo Freire e está mais presente em situações não formais

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O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. como diz Libâneo (1992): “professores e educadores engajados no ensino escolar vêm adotando pressupostos dessa pedagogia” (p. É uma ação intencional. com base no que temos.3. Redação provisória de lei. pois a complexidade dos indivíduos e da sociedade não permite a existência de uma única forma de se perceber a realidade e nela intervir. preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos. uma direção. 1992. corporativas e autoritárias. lugar de debate. de realizar. pesquisadores e instituições educacionais em nível nacional. A escola é o lugar de concepção. Portanto. grupos informais e escolas autogestionárias. esta tendência está presente em associações. Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos: O objetivo primordial desta tendência é a difusão de conteúdos. Geralmente. buscando o possível. Pode parecer complicado. sem esperar que as esferas administrativas superiores tomem essa iniciativa. conceituando projeto político-pedagógico. p. um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária. Neste sentido é que se deve considerar o projeto político-pedagógico como um processo permanente de reflexão e discussão dos problemas da escola. Por isso. que é a formação do cidadão participativo. na segunda parte. Político e pedagógico têm assim uma significação indissociável. mas que lhe dêem as condições necessárias para levá-Ia adiante. trataremos de trazer nossas reflexões para a análise dos princípios norteadores. 2. posteriormente. procurando preservar a visão de totalidade. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. particípio passado do verbo projicere. o projeto político-pedagógico vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diversas. planejamos o que temos intenção de fazer.2. Plano geral de edificação (Ferreira 1975. Lançamo-nos para diante. mas voltado à autogestão. o termo projeto vem do latim projectu. na primeira parte. crítico e criativo. Empresa. Tendência Progressista Libertária: Esta pedagogia tem como objetivo transformar a personalidade do aluno para atuar no sistema. apesar de. 2. é importante que se tenha clareza de que não existe uma prática pura na qual se passa constatar uma única tendência. Para isso. Nessa perspectiva. diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. É antever um futuro diferente do presente. que "não é descritiva ou constatativa. e sim um conteúdo contextualizado. "A dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica" (Saviani 1983. incluindo sua relação com o contexto social imediato. uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. p. esta pedagogia tem um caráter político intenso. Pedagógico. 33). compromissado. todo projeto pedagógico da escola é. realização e avaliação de seu projeto educativo. rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola. para que haja o entendimento e apreensão da realidade para. por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. O projeto busca um rumo. mas não qualquer conteúdo. A principal possibilidade de construção do projeto político-pedagógico passa pela relativa autonomia da escola. O projeto político-pedagógico tem sido objeto de estudos para professores.144). da organização do trabalho pedagógico. entendido como a própria organização do trabalho pedagógico da escola como um todo. PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA (Ilma Passos Alencastro Veiga). propicia a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. È uma educação crítica porque tenta entender as relações do homem com a natureza e dos homens entre si. 93). no sentido de definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade. Nessa perspectiva. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos. Plano. com um sentido explícito. mas é constitutiva" (Marques 1990. um conteúdo que não pode se dissociar da realidade social. responsável. p. Nesta caminhada será importante ressaltar que o projeto político-pedagógico busca a organização do trabalho pedagógico da escola na sua globalidade. Desse modo. poder se interferir no processo de transformação desta mesma realidade. na busca de alternativas viáveis á efetivação de sua intencionalidade.1. é importante que se fortaleçam as relações entre escola e sistema de ensino. O projeto político-pedagógico. para atuarem na realidade social em que vivem. Ao construirmos os projetos de nossas escolas. o projeto político-pedagógico tem a ver com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis: como organização da escola como um todo e como organização da sala de aula. “agir dentro dela é também agir no rumo da transformação” (LIBÂNEO. portanto. buscando eliminar as relações competitivas. necessários à construção do projeto político-pedagógico. estadual e municipal. Finalizaremos discutindo os elementos básicos. 39). Em seguida. p. 23). empreendimento. O presente estudo tem a intenção de refletir acerca da construção do projeto político-pedagógico.de ensino. de sua capacidade de delinear sua própria identidade. do diálogo. por meio do professor e da sua própria participação. intento. comum compromisso definido coletivamente. Embora demarcados a partir de suas características. fundado na 6 . Tem um caráter político também. em busca da melhoria da qualidade do ensino. Conceituando o Projeto Político-Pedagógico No sentido etimológico. esta escola irá formar adultos que se apropriarem de conteúdos contextualizados. ao se constituir em processo democrático de decisões. Para tanto. Por outro lado. Na dimensão pedagógica reside a possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola. começaremos. que significa lançar para diante. desígnio. ou seja. Isto significa resgatar a escola como espaço público. é fundamental que ela assuma suas responsabilidades. porque a escola é parte integrante da sociedade. mas trata-se de uma relação recíproca entre a dimensão política e a dimensão pedagógica da escola. também.

A relevância conferida à família tanto pela constituição no seu Cap. necessitamos de um referencial que fundamente a construção do projeto político-pedagógico. pois. Ao examinar-se a realidade. neste estudo. a) Igualdade de condições para acesso e permanência na escola. à dependência e aos efeitos negativos do poder autoritário e centralizador dos órgãos da administração central. b) Qualidade que não pode ser privilégio de minorias econômicas e sociais. Nessa perspectiva. A escola. Essa constatação nos leva a refletir sobre as dimensões da interrelação escola-família no âmbito da comunidade e se intenta verificar a possibilidade de operacionalizar uma orientação que possa refletir a viabilização de uma interrelação mais efetiva. notamos que as práticas postuladas nos documentos se constituem em vias de acesso que as escolas possuem para implementar processos de integração e participação familiar que podem e devem ser organizados e executados pela escola. Para tanto ela precisa de um tempo razoável de reflexão e ação. Geralmente a iniciação das pessoas na cultura. Buscar uma nova organização para a escola constitui uma ousadia para os educadores. c) Gestão democrática é um princípio consagrado pela Constituição vigente e abrange as dimensões pedagógica. para se desvencilhar da divisão do trabalho. de sua fragmentação e do controle hierárquico. Cazelli). Faz-se necessário. do adolescente e do ancião em seus artigos 226. b) Estrutura Organizacional. para gestar uma nova organização do trabalho pedagógico. Portanto. que parta da prática social e esteja compromissada em solucionar os problemas da educação e do ensino de nossa escola. saber a qual referencial temos que recorrer para a compreensão de nossa prática pedagógica. A reorganização da escola deverá ser buscada de dentro para fora. por sua vez. A construção do projeto político-pedagógico. A escola é concebida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias. O projeto político-pedagógico é entendido. como pelo Estatuto da Criança e do Adolescente em seu Cap. A construção do projeto políticopedagógico parte dos princípios de igualdade. Princípios Norteadores do Projeto PolíticoPedagógico. e) Processo de Decisão. nos valores e nas normas da sociedade começam na família. A construção do projeto político-pedagógico requer continuidade das ações. de sua fragmentação e do controle hierárquico precisa criar condições para gerar uma outra forma de organização do trabalho pedagógico. há que se pensar que o movimento de luta e resistência dos educadores é indispensável para ampliar as possibilidades e apressar as mudanças que se fazem necessárias dentro e fora dos muros da escola. E para enfrentarmos essa ousadia.P. é uma forma de contrapor-se à fragmentação do trabalho pedagógico e sua rotinização. temos que nos alicerçar nos pressupostos de uma teoria pedagógica crítica viável. Nesse sentido. também. o tempo escolar. d) Liberdade é outro princípio constitucional. Construindo o Projeto Político-Pedagógico. o currículo. e) Valorização do magistério. pais. a avaliação. d) Tempo escolar. gestão democrática e valorização do magistério. a prática pedagógica que ali se processa deve estar ligada aos interesses da maioria da população. f) As Relações de Trabalho. o domínio das bases teórico-metodológicas indispensáveis à concretização das concepções assumidas coletivamente. como a própria organização do trabalho pedagógico da escola. e que devem também colocar-se em posição efetiva de gerar iniciativas dirigidas à elevação e 7 . Uma teoria que subsidie o projeto político-pedagógico e. administrativa e financeira. contribuindo para a qualidade do ensino ministrado na escola e seu sucesso na tarefa de formar o cidadão. qualidade. g) Avaliação. para se ter um mínimo necessário à consolidação de sua proposta. passa pela reflexão anteriormente feita sobre os princípios. O princípio da liberdade está sempre associado à idéia de autonomia. as relações de trabalho.reflexão coletiva. o processo de decisão. 227 e 228. atenção e educação das crianças. A questão é. A IMPORTÂNCIA DA INTEGRAÇÃO ESCOLAFAMÍLIA NO PROCESSO PEDAGÓGICO (Luiza Helena P. no sentido de se gestar uma nova organização que reduza os efeitos de sua divisão do trabalho. alunos e funcionários. que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. O fulcro para a realização dessa tarefa será o empenho coletivo na construção de um projeto político-pedagógico e isso implica fazer rupturas com o existente para avançar. descentralização. a) Finalidades da Escola. a estrutura organizacional. c) Currículo. Elementos Básicos para a Construção do P. da criança. que apontam para a luta e/ou acomodação de todos os envolvidos na organização do trabalho pedagógico.P. Acreditamos que a análise dos elementos constitutivos da organização trará contribuições relevantes para a construção do projeto políticopedagógico. Pelo menos sete elementos básicos podem ser apontados: as finalidades da escola. Para que o desenvolvimento da personalidade das crianças seja harmonioso é necessário que seu ambiente familiar traduza uma atmosfera de crescente progressão educativa. É preciso entender o projeto político-pedagógico da escola como uma reflexão de seu cotidiano. a construção do projeto políticopedagógico é um instrumento de luta. ressaltado anteriormente. III – Do direito à convivência familiar e comunitária nos estimulam a empreender uma incursão de caráter teórico-conceitual sobre as leis existentes que referendam a questão familiar e sua relação com as práticas de políticas sociais desde o ponto de vista educacional. democratização do processo de tomada de decisões e instalação de um processo coletivo de avaliação de cunho emancipatório Finalmente. VII – Da família. Todavia estamos convencidos que todas as instituições e especialmente a escola deve não só apoiar e respeitar os esforços dos pais e responsáveis pelos cuidados. liberdade. é preciso entender que o projeto político-pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico. O que pretendemos enfatizar é que devemos analisar e compreender a organização do trabalho pedagógico.

quanto da família. um objeto) de interesse pessoal de quem produz” (p. pela eficácia das ações e pela luta por uma cidadania digna. em cada uma dessas instâncias do projeto. Promover a família nas ações dos projetos pedagógicos significa enfatizar ações em seu favor e lutar para que possa dar vida as leis. e mais precisamente no acompanhamento das novas gerações. A dependência mútua de todas as pessoas. Tanto as comunidades escolares como as comunidades familiares não podem permanecer distanciadas em seu processo de desenvolvimento e funcionamento organizacional. certamente. Conectar a interrelação escola-família de forma mais estreita significa construir e desenvolver comunidades nas quais poderemos satisfazer nossas necessidades básicas ao aspirar uma melhor qualidade de vida para as gerações futuras. Segundo Valente (1999). A integração desses fatores nessa proposta nos fornece uma nova configuração da relação escola-família e ressalta a importância da função reitora da escola no sentido de considerar as necessidades familiares no que diz respeito aos aspectos psicológicos. os debates. Mais do que criar um novo espaço para tratar das questões da família ou da escola. Nas suas relações cada um influencia o outro e desde essa perspectiva educativa. o construcionismo “significa a construção de conhecimento baseada na realização concreta de uma ação que produz um produto palpável (um artigo. como reflete os parâmetros curriculares ““. contribui para que tenhamos uma maior clareza do que podemos fazer no enfrentamento das questões sócio-educativas no conjunto do movimento social. As ações de caráter pedagógico que as escolas podem dirigir para favorecer as famílias devem fazer parte de seu projeto e para que isso possa acontecer é fundamental que as ações em favor da família sejam desenvolvidas e presididas pelos princípios da convergência e da complementaridade. necessidades e motivações dos alunos. 8 . 141). A cooperação é o segundo princípio no estabelecimento das relações sociais. O primeiro desses princípios é a noção de interdependência. os estudos e as propostas de ação possam servir de embasamento para que o desenvolvimento social se concretize por meio de práticas pedagógicas educativas efetiva. integrando as diversas mídias e conteúdos curriculares numa perspectiva de aprendizagem CONSTRUCIONISTA. Mas que projeto? O projeto políticopedagógico da escola? O projeto de sala de aula? O projeto do professor? O projeto dos alunos? O projeto de informática? O projeto da TV Escola? O projeto da biblioteca? Essa diversidade de projetos que circula freqüentemente no âmbito do sistema de ensino. A escola tem necessidade de encontrar formas variadas de mobilizações e de organização dos alunos. um projeto. Existem. Precisamos revitalizar nossas comunidades colaborando para colocar claramente os princípios da interrelação numa prática de relações sociais fortalecidas pelo respeito. as mudanças estruturais e conjunturais dos componentes educacionais em questão necessitam incorporar nas suas relações as formulações desses princípios e utiliza-los como guias para manter pais e professores no caminho do desenvolvimento estável e progressivo. A incorporação desse princípio relacional se torna significativo na medida em que vai se consolidando a integração da escola com a família. a questão é como conceber e tratar a articulação entre as instâncias do projeto. a escola por sua maior aproximação às famílias constitui-se em instituição social importante na busca de mecanismos que favoreça um trabalho avançado em favor de uma atuação que mobilize os integrantes tanto da escola. 1897). A troca de recursos educacionais e de impressões educativas se mantém e se sustentam quando permanece fortalecida a ajuda mútua. de maneira a assegurar que as reflexões. uma das temáticas que vêm sendo discutida no cenário educacional é o trabalho por projetos. Nesse sentido é importante que o projeto inicial se faça levando em conta os grandes e sérios problemas sociais tanto da escola como da família. para que de fato seja reconstruída na escola uma nova forma de ensinar. os professores são considerados como as pessoas mais preparadas e capazes de elevar o nível de desenvolvimento não só dos alunos mas de sua família também. Substancialmente o que a escola deve fazer é melhorar a posição da família na agenda escolar já implementada pela legislação existente. social e educacional. é uma necessidade essencial: isso significa considerar características. a própria escola deve articular seus recursos institucionais. sua finalidade.. seu foco. dos pais e da comunidade. Nessa perspectiva. Nesse sentido. de crescimento da própria competência educativa ou de uma participação na definição do significado experiencial da sua vida pessoal. a discussão estava embasada numa concepção de que a “educação é um processo de vida e não uma preparação para a vida futura e que a escola deve representar a vida presente tão real e vital para o aluno como a que ele vive em casa. integrando os diversos espaços educacionais que existem na sociedade. A discussão sobre a pedagogia de projetos surge no início do século XX com John Dewey e outros representantes da chamada PEDAGOGIA ATIVA. mas devem estar vinculadas e aberta aos recursos educacionais que dispõem e determinar por sua historicidade a dimensão cognitiva e educativa que pretendem aplicar no processo de desenvolvimento humano.. repensar sobre o papel e sobre a função da educação escolar. sociais e éticos de uma relação significativa com os outros. Para isso precisamos não só aprender sobre os princípios de convivências comunitária como também exercitar esses princípios por meio de relações mais frutíferas e compromissadas com o desenvolvimento educacional e social. Essa visão. ânsias. no bairro ou no pátio” (DEWEY. deixa o professor preocupado para saber como situar a sua prática pedagógica em termos de propiciar aos alunos uma nova forma de aprender integrando as diferentes mídias nas atividades do espaço escolar. As ações relacionais só podem ser mantidas por meio desse processo. Compreender a interdependência social significa compreender relacionamentos e valorizar a importância que eles têm na formação e no desenvolvimento das pessoas. em direção a uma maior capacidade de dar respostas aos desafios que impõe nossa sociedade. Já nessa época. Essa é a natureza de todo e qualquer relacionamento social. da comunidade local e da sociedade em que ela se insere. propostas e trabalhos interessantes.aprimoramento social e educacional de seus educandos e respectivas famílias. seus valores. PEDAGOGIA DE PROJETOS Atualmente. O terceiro princípio é a interação dos agentes escolares e familiares. muitas vezes.

ele também precisa sentir a presença do professor que ouve. descobertas. alunos) da comunidade escolar pode facilitar a busca de soluções que permitem viabilizar a realização de novas prática pedagógicas. trabalhar em grupo. disponíveis no contexto da escola. finalmente. enfim desenvolver COMPETÊNCIAS INTERPESSOAIS para aprender de forma colaborativa com seus pares. os quais. os métodos para desenvolver projetos. 49). colha as informações e. A pedagogia de projetos. desenvolvia sua ação pedagógica – tal como havia sido preparado durante a sua vida acadêmica e pela sua experiência em sala de aula – se vê diante de uma situação que implica novas aprendizagens e mudanças na prática pedagógica. pois não existe um modelo ideal pronto e acabado que dê conta da complexidade que envolve a realidade de sala de aula. bem como sua cultura. televisão) na escola. e que todas precisam ser tratadas com seriedade para que a comunidade escolar possa constituir-se em um espaço de aprendizagem. É necessário que o projeto vise um propósito real e tenha valor prático para o ensino. bem como possíveis implicações envolvidas na perspectiva da pedagogia de projetos. Essa compreensão é fundamental. questiona e orienta. para fazer a MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA. o professor precisa acompanhar o processo de aprendizagem do aluno. saberes e protagonistas. Na pedagogia de projetos. entender seu caminho. Nesta situação de aprendizagem. é fundamental que o professor tenha clareza da sua intencionalidade pedagógica para saber intervir no processo de aprendizagem do aluno. acabam se frustrando. cabendo ao professor realizar as mediações necessárias para que o aluno possa encontrar sentido naquilo que está aprendendo. Internet. um dos principais objetivos da Pedagogia de Projetos é promover a integração e a cooperação entre docentes e discentes em sala de aula. na postura do professor. Mas que realidade? Claro que existem diferenças. Uma realidade em que o professor se depara atualmente é caracterizada pela chegada de novas tecnologias (computador. cultural e social dos alunos. mas como uma maneira de repensar a função da escola” (p. pode viabilizar ao aluno um modo de aprender baseado na INTEGRAÇÃO entre conteúdos das várias áreas do conhecimento. compreensões e reconstruções de conhecimento. o aluno precisa selecionar informações significativas. materiais da biblioteca e a televisão. E. intuitivamente ou não. Por essa razão. podem fragilizar qualquer iniciativa de melhoria de qualidade na aprendizagem dos alunos e de mudança da prática do professor. do contexto escolar. afetivo. sem a devida compreensão. portanto. livros). que incentivam novas buscas. o papel do professor deixa de ser aquele que ensina por meio da transmissão de informações – que tem como centro do processo a atuação do professor –. história e contexto de vida. 9 . seu universo cognitivo e afetivo. tomar decisões. que se viabiliza pela articulação entre mídias. que apontam novos desafios para a comunidade escolar. que por sua vez visa propiciar o desenvolvimento de projetos em torno de uma problemática de interesse de um grupo de alunos. garantindo que os conceitos utilizados. televisão. horário de aula de 50 minutos e uma grade curricular seqüencial – que dificulta o desenvolvimento de projetos que envolvam ações interdisciplinares. Hernández (1988) enfatiza que o trabalho por projeto “não deve ser visto como uma opção puramente metodológica. O fato de um projeto de gestão escolar estar articulado com o projeto de sala de aula do professor. pois ao mesmo tempo em que o aluno precisa reconhecer a sua própria autoria no projeto. gerenciar confronto de idéias. o aluno aprende no processo de produzir. O trabalho por projetos requer MUDANÇAS NA CONCEPÇÃO de ensino e aprendizagem e. existem três aspectos fundamentais que o professor precisa considerar para trabalhar com projetos: as possibilidades de desenvolvimento de seus alunos.A Pedagogia de Projetos pode ser definida como um método no qual a classe se ocupa em atividades proveitosas e com propósitos definidos. Isto porque a parceria que se estabelece entre os protagonistas (gestores. porque aqueles que buscam apenas conhecer os procedimentos. as dinâmicas sociais do contexto em que atua e as possibilidades de sua mediação pedagógica. valores e crenças próprios do contexto em que vivem. leve a efeito os seus planos. a partir das relações criadas nessas situações. que contemplem o uso de diferentes mídias disponíveis na realidade da escola e impliquem aprendizagens que extrapolam o tempo da aula e o espaço físico da sala de aula e da escola. torna-se fundamental para o processo de reconstrução de uma nova escola. de pesquisar e de criar relações. Além disso. Em outras palavras. bem como entre diversas mídias (computador. tendo em vista a aprendizagem para a vida. ou seja. para criar situações de aprendizagem cujo foco incide sobre as relações que se estabelecem neste processo. Este método coloca o aluno em contato com algum projeto concreto em que esteja interessa do e em que planeje o empreendido. vídeo. os tópicos a seguir abordam e discutem alguns conceitos. envolve a interrelação de conceitos e de princípios. de levantar dúvidas. na perspectiva da integração entre diferentes mídias e conteúdos. Daí a importância do desenvolvimento de PROJETOS ARTICULADOS envolvendo a co-autoria dos vários PROTAGONISTAS do processo educacional. na realização do projeto sejam compreendidos. favorecendo o desenvolvimento cognitivo. Outro aspecto importante na atuação do professor é o de propiciar o estabelecimento de relações interpessoais entre os alunos e respectivas dinâmicas sociais. embora constitua um novo desafio para o professor. confortavelmente. Portanto. O que fazer diante desse novo cenário? De repente o professor que. Os projetos devem visar também a resolução de algum problema ou algum empreendimento que esteja em harmonia com os interesses dos alunos e relacionados às suas próprias experiências. sistematizados e formalizados pelo aluno. conseqüentemente. Aprendendo e “Ensinando” com Projetos A pedagogia de projetos deve permitir que o aluno APRENDA-FAZENDO e reconheça a própria AUTORIA naquilo que produz por meio de QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO que lhe impulsionam a CONTEXTUALIZAR CONCEITOS já conhecidos e DESCOBRIR outros que emergem durante o desenvolvimento do projeto. Por outro lado. que mantém uma organização funcional e operacional – como. A pedagogia de projetos. Em virtude de as atividades educativas serem elaboradas por alunos e professores. integrando o computador. é o ensino através da experiência. por exemplo. No entanto. professores. A MEDIAÇÃO do professor é fundamental. esses novos desafios educacionais ainda não se encaixam na estrutura do sistema de ensino.

O conhecimento específico – disciplinar – oferece ao aluno a possibilidade de reconhecer e compreender as particularidades de um determinado conteúdo. principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino. a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas. Isto de fato pode ocorrer. com a nova LDB Nº 9. No entanto. e o conhecimento integrado – interdisciplinar – lhe dá a possibilidade de estabelecer relações significativas entre conhecimentos. Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. pois Fazenda (1994) enfatiza que a interdisciplinaridade se dá sem que haja perda da identidade das disciplinas. mas um meio que pode interferir no processo de o aluno reorganizar as suas idéias e a maneira de expressá-las. para poder atuar com a informática na educação.394/96 e com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).) que o projeto rompe com as fronteiras disciplinares.692/71. os quais permitem ao aluno expressar seu pensamento por meio de diferentes linguagens e formas de representação. Este mesmo pensamento serve para orientar a INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS. a pedagogia de projetos é vista pelo seu caráter de potencializar a INTERDISCIPLINARIDADE. E para isto não basta que ele aprenda a operacionalizar os recursos tecnológicos.. Essa visão é equivocada. bem como estabelecer relações significativas entre conhecimentos. Desde então. Apesar disso. Prado (2001) destaca a possibilidade de o aluno recontextualizar aquilo que aprendeu. mais ainda. INTERDISCIPLINARIDADE (Jairo Gonçalves Carlos) Segundo Ivani Fazenda. mobilizadas na investigação de problemáticas e situações da realidade. conforme suas potencialidades e características. ao mesmo tempo. recentemente. a qual tem como pano de fundo a unicidade do conhecimento em construção” (p. Isto nos faz reportar a uma situação já conhecida de muitos professores que atuam com a informática na educação. A mediação implica a CRIAÇÃO DE SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM que permitam ao aluno fazer regulações. no entanto. Almeida (2002) corrobora com estas idéias destacando: “(. sua presença no cenário educacional brasileiro tem se intensificado e. Um especialista em informática que não compreende as questões relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem terá muita dificuldade para fazer a integração das duas áreas de conhecimento – informática e educação. principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino. a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas. pois hoje com a tecnologia basta ter o apoio institucional que prioriza a qualidade do trabalho educacional. diz respeito à FORMAÇÃO DO PROFESSOR – aquela que poderá ser desenvolvida na sua própria ação e de forma continuada. De fato. Isso não significa abandonar as disciplinas. Claro que não se espera a mesma “expertise” nas duas áreas de conhecimento. mas integrá-las no desenvolvimento das investigações. Para integrá-las. mas o desconhecimento de uma das áreas pode desvirtuar uma proposta integradora da informática na educação. uma vez que os conteúdos envolvidos no projeto precisam ser sistematizados para que os alunos possam formalizar os conhecimentos colocados em ação. no desenvolvimento de projetos. ampliar o seu universo de aprendizagem. assim como a integração de várias mídias e recursos. um período marcado pelos movimentos estudantis que. Do ponto de vista de aprendizagem no trabalho por projeto. aprofundando-as verticalmente em sua própria identidade. com isso. favorecendo o estabelecimento de elos entre as diferentes áreas de conhecimento numa situação contextualizada da aprendizagem. política e econômica da época. a interdisciplinaridade chegou ao Brasil e logo exerceu influência na elaboração da Lei de Diretrizes e Bases Nº 5. Conhecer as especificidades e as implicações do uso pedagógico de cada mídia disponível no contexto da escola favorece ao professor criar situações para que o aluno possa integrá-las de forma significativa e adequada ao desenvolvimento do seu projeto. muitas vezes o professor atribui valor para as práticas interdisciplinares e com isso passa a negar qualquer atividade disciplinar. a integração efetiva poderá ser desenvolvida à medida que sejam compreendidas as especificidades de cada universo envolvido. de modo que as diferentes mídias possam ser integradas ao projeto. Uma preocupação com isso é que o professor não foi preparado para desenvolver o uso pedagógico das mídias. é importante que o professor conheça o que envolve o uso deste recurso em termos de ser um meio pedagógico. o aluno pode ressignificar os conceitos e as estratégias utilizadas na solução do problema de investigação que originou o projeto e. é preciso compreender as características inerentes às duas áreas e às práticas pedagógicas nas quais essa integração se concretiza. implicações e possibilidades interativas envolvidas nos diferentes recursos computacionais. No final da década de 60. que estabelecem articulações horizontais numa relação de reciprocidade entre elas. a exigência em termos de desenvolver novas formas de ensinar e de aprender é muito maior. Nesse sentido. Esta questão. Estar atento e buscando a compreensão do uso das mídias no processo de ensino e aprendizagem é fundamental para a sua integração no trabalho por projetos.. Nesse processo. estudos têm revelado que a interdisciplinaridade ainda é pouco conhecida.visando propiciar a construção de conhecimento do aluno. na medida em que os grandes problemas da época não poderiam ser resolvidos por uma única disciplina ou área do saber. tornando-as permeáveis na ação de articular diferentes áreas de conhecimento. Da mesma forma em relação a outras mídias que estão ao alcance do trabalho pedagógico. Por exemplo. a interdisciplinaridade surgiu na França e na Itália em meados da década de 60. uma vez que o desenvolvimento da tecnologia avança vertiginosamente e a sua presença na escola torna-se mais freqüente a cada dia.58). A interdisciplinaridade teria sido uma resposta a tal reivindicação. dentre outras coisas. Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. caso contrário. reivindicavam um ensino mais sintonizado com as grandes questões de ordem social. E é com 10 . Isto também acontece no caso de um especialista da educação que não conhece as funcionalidades. Em se tratando dos conteúdos. O trabalho por projeto potencializa a integração de diferentes áreas de conhecimento. Ambos se realimentam e um não existe sem o outro. Esta visão atualmente se apresenta de forma mais ampla. pois o trabalho com projetos permite romper com as fronteiras disciplinares. quando o aluno utiliza o computador para digitar um texto. corre-se o risco da simples justaposição de mídias ou de sua subutilização.

dizemos que na interdisciplinaridade há cooperação e diálogo entre as disciplinas do conhecimento. pois a existência ou não de cooperação e diálogo entre as disciplinas é determinante para diferenciar esses níveis de interação entre as disciplinas. mas de ação. ainda é muito fragmentada. em se considerando seus objetivos e metodologias próprias. Desta forma. Mas. Na verdade. diferentemente do nível anterior. são peças fundamentais na realização comportamental e profissional de um indivíduo. mas a inter-relação entre as disciplinas. a integração de conteúdos. igual. não deve colocar-se na posição de detentor do saber. Interdisciplinaridade Finalmente. Multidisciplinaridade A multidisciplinaridade representa o primeiro nível de integração entre os conhecimentos disciplinares. Para que isto possa ser 11 . Em seguida. organização. 1999. defendemos que a interdisciplinaridade não deveria ser considerada como uma meta obsessivamente perseguida no meio educacional simplesmente por força da lei. Muitas das atividades e práticas de ensino nas escolas se enquadram nesse nível. Pelo contrário. essa interação pode acontecer em níveis de complexidade diferentes. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos. colocar-se na posição de quem não sabe tudo. Essa atuação.o objetivo de contribuir para o entendimento desse tema que apresentaremos a seguir um breve resumo das principais concepções e controvérsias em torno desse tema. todavia. reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida (GADOTTI. Uma ação pedagógica interdisciplinar requer. Níveis de Interação entre as Disciplinas Quando falamos em interdisciplinaridade. A interdisciplinaridade não é uma categoria de conhecimentos. Segundo Japiassú. as condições e o nível do diálogo com um ou com todos os alunos da classe. Pluridisciplinaridade Na pluridisciplinaridade. é preciso entender que há estágios mais avançados que devem ser buscados na prática pedagógica. Não significa. ela seria um empreendimento trabalhoso demais para atingir objetivos que poderiam ser alcançados de forma mais simples. Neste sentido. pois a educação é uma das fontes mais importantes do desenvolvimento comportamental e agregação de valores nos membros da espécie humana. interdisciplinaridade faz-se. ela se refere ao elemento (ou eixo) de integração das disciplinas. não havendo ainda nenhum tipo de coordenação proveniente de um nível hierarquicamente superior. o que não as invalida. antes de tudo. observamos a presença de algum tipo de interação entre os conhecimentos interdisciplinares. ela pressupõe uma organização. Cabe ao professor saber o momento certo. p. A classificação apresentada abaixo é a mais comum e foi proposta originalmente por Eric Jantsch e sofreu algumas adaptações de Hilton Japiassú (1976). antes. Além do mais. Transdisciplinaridade A transdisciplinaridade representa um nível de integração disciplinar além da interdisciplinaridade. para depois concretizar-se nas disciplinas. a interdisciplinaridade representa o terceiro nível de interação entre as disciplinas. Interrelacionar não é integrar. embora eles ainda se situem num mesmo nível hierárquico. sistematização didática para facilitar o aprendizado dos alunos e exposição onde o professor demonstrará seus conteúdos. Desta maneira. é caracterizada pela presença de uma axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas e definida no nível hierárquico imediatamente superior. E no limite. na medida em que não se explora a relação entre os conhecimentos disciplinares e não há nenhum tipo de cooperação entre as disciplinas. O educador para pôr em prática o diálogo. pois não é uma tarefa que cumprem com satisfação. a multidisciplinaridade se caracteriza por uma ação simultânea de uma gama de disciplinas em torno de uma temática comum. um dos pioneiros da interdisciplinaridade no Brasil. uma atitude interdisciplinar. uma articulação voluntária e coordenada das ações disciplinares orientadas por um interesse comum. Nesse ponto de vista. mas nesse caso se trata de uma ação coordenada. a análise dos relacionamentos entre professor-aluno envolve interesses e intenções. a interação estabelecida caracteriza-se pela seleção de conteúdos. sendo esta interação o expoente das consequências. deve antes. interdisciplinaridade e transdisciplinaridade foram criados. o que introduz a noção de finalidade. Japiassú a define como sendo uma espécie de coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado. sendo em alguns casos encarada como obrigação. Trata-se de uma proposta relativamente recente no campo epistemológico. pode assumir as mais variadas formas. Portanto. essa axiomática comum. sobre a base de uma axiomática geral. ou seja. perdendo-se de vista a especificidade de cada objeto de conhecimento. como tem acontecido em alguns casos. embora complexas. esperamos contribuir para um uso mais cuidadoso de tais termos no cotidiano escolar. globalizar. no entanto. Dessa forma. 2). a interdisciplinaridade só vale a pena se for uma maneira eficaz de se atingir metas educacionais previamente estabelecidas e compartilhadas pelos membros da unidade escolar. entre os indivíduos. Todavia. deve prevalecer entre aqueles que são os responsáveis para o encaminhamento do processo educacional. Alguns estudiosos não chegam a estabelecer nenhuma diferença entre a multidisciplinaridade e a pluridisciplinaridade. Caso contrário. discorreremos sucintamente sobre cada um deles buscando esclarecer as distinções entre tais terminologias. O PAPEL DA RELAÇÃO PROFESSOR–ALUNO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM (Daniele Salvalagio Abrahim) As relações humanas. Não há como esperar que o aluno tome essa iniciativa. E é justamente para distinguir tais níveis que termos como multidisciplinaridade. estamos de algum modo nos referindo a uma espécie de interação entre as disciplinas ou áreas do saber. O diálogo como forma de comunicação em nível comum. preferimos considerá-la. pluridisciplinaridade. Com isso. o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. E. segundo Japiassú. mencionada por Japiassú. tampouco. que norteia e orienta as ações interdisciplinares.

direta ou indiretamente. 96). O ponto alto do empirismo é o teste da experiência: nada aceitar que não tenha passado pelo crivo da experiência. de idéias inatas ou princípios a priori. sentimentos. CONCEPÇÕES DE CONHECIMENTO As diversas teorias do desenvolvimento têm como apoio as diferentes concepções de homem. podemos representar a relação entre o sujeito e o objeto da seguinte maneira: OBJETO SUJEITO A concepção racionalista. mas também pelo processo de construção da cidadania do aluno. constituindo-se na totalidade de seu saber. para que isto ocorra. do seu ambiente. quanto em relação às necessidades de sua maneira de se comportar para conviver no meio em que se encontra. então. a memória sensível. MASETTO (1996. fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor. 1996. suas incertezas. já se encontrariam basicamente prontas por ocasião do nascimento. a existência. etc. escrita. trabalhando o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais. Seus alunos cansam. Assim. nem à capacidades mentais da pessoa: inteligência. seus valores. Logo. acompanhando suas ações no desenvolver das atividades. principalmente. Sob esta perspectiva. o tato e o paladar. trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Apesar da importância da existência de afetividade. confiança. para a autonomia. também chamada de ambientalista ou objetivista. não podemos pensar que a construção do conhecimento é entendida como individual. sendo que o mundo deste é que determina o sujeito. Trazer o aluno para a realidade social é.melhor cultivado. parte do pressuposto de que as qualidades a capacidades básicas do ser humano: sua personalidade. os conteúdos da vida mental sobre um indivíduo. portanto. (FREIRE.. onde as percepções e experiências iriam inscrevendo as idéias. de sua capacidade de ouvir. a atenção. é necessário a conscientização do professor de que seu papel é de facilitador de aprendizagem. que inscreveria. procurando compreender. O conhecimento é produto da atividade e do conhecimento humano marcado social e culturalmente. O conhecimento é algo que vem do mundo do objeto. uma folha em branco ou um balde vazio. no espírito humano. suas crenças. desta forma. que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade”. O professor não deve preocupar-se somente com o conhecimento através da absorção de informações. que afirmava que os nossos conhecimentos resultam de nossa sensações e experiências e que comparava a nossa mente. empatia e respeito entre professores e alunos para que possa desenvolver todas as nuances do processo de aprendizagem (leitura. O aluno. não deveriam fazer parte das atitudes de um “formador de opiniões. 1). Dessa forma. o olfato. destacando-se os trabalhos de Watson e Skinner. que possui um ambiente social e cultural aberto em casa. das experiências pelas quais ele passa. focalizando as questões filosóficas clássicas referentes ao conhecimento: O que é o conhecimento? Como se chega a ele? Como se passa de um tipo a outro qualitativamente superior? Como os conhecimentos se ampliam? Pela concepção empirista. p. Os adeptos dessa corrente acreditam que o conhecimento processa-se por força dos sentidos. Indica também que o professor deve buscar educar para as mudanças. suas dúvidas. 115). aptidões. (DANTAS. é impossível um conhecimento que transcenda a experiência. constituindo-se a fonte e a explicação última do fenômeno do conhecimento. vontades. também conhecida como inatismo ou apriorismo. a audição. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento. dos estímulos do meio em que ele vive. o professor deve despertar a curiosidade dos alunos. como alguma coisa que vem do mundo físico ou social do objeto. a relação entre professor e aluno depende. apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia. da relação empática com seus alunos. as condições e possibilidades de conhecimento seriam 12 . o papel da experiência sensorial (percepção). fossem eles sentidos internos: a fantasia. enquanto fala. fundamentalmente. bem como não se dá importância à maturação biológica. a uma “tábula rasa”. nem sempre tem facilidade para entender os padrões de uma sociedade e os modos empregados para a sua formação tanto no que refere aos conhecimentos necessários para a sua promoção na escola. sua maneira de pensar. que é determinante do sujeito. visto com um ser extremamente plástico – uma tábula rasa. não dormem. fossem eles externos: a visão. também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tentar levá-los a autorealização. situações diferenciadas adotadas com um determinado aluno (como melhorar a nota deste. para citar algumas figuras metafóricas comumente usadas. aberto às novas experiências. Os sentidos produziriam o dado a ser conhecido. p. o desenvolvimento do ser humano depende. Um dos precursores dessa corrente filosófica foi John Locke. O papel do professor consiste em agir como intermediário entre os conteúdos da aprendizagem e a atividade construtiva para assimilação. antes de ter tido qualquer experiência. De modo concreto. para que ele não fique de recuperação). Apesar de tal. Os seguidores atuais desta concepção empirista podem ser encontrados nos adeptos das teorias behaviorista e neobehaviorista. o contato que o homem tem por meio dos sentidos. para a liberdade possível numa abordagem global. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Nega-se. a uma página em branco. Assim. O trabalho do professor em sala de aula e seu relacionamento com os alunos são expressos através da relação que ele tem com a sociedade e com cultura. também. Esquematicamente. numa relação empática. do clima estabelecido pelo professor. o conhecimento humano reduz-se ao sentir dos sentidos. isto é. a imaginação sensível. supervalorizando. mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos. afirma que “é o modo de agir do professor em sala de aula. 1992. reflexão e pesquisa autônoma). refletir e discutir o nível de compreensão dos alunos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. O conhecimento é visto. Os educadores não podem permitir que tais sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu dever de professor. função do educador e da instituição educacional em conjunto com os membros da família: O bom professor é o que consegue. p. etc. surpreendem suas pausas.

uma modificação deste comportamento. Não se pode. Sob este prisma pedagógico. independentemente e antes mesmo de qualquer intervenção dos sentidos e sem a interveniência de qualquer dado exterior ao próprio intelecto. a razão é a fonte do conhecimento fornecendo-nos. leva em conta. e das concepções ambientalistas. nessa concepção. previsão e. reprovação. então. a fragmentação e a descontextualização dos conteúdos e ações educativas. que decorre de princípios a priori. também. exigindo por parte dele a aplicação à prática. transmitir conhecimento. de uma pedagogia centrada no professor. As duas correntes teóricas principais do construtivismo/interacionismo são a elaborada por Piaget. tanto fatores orgânicos como fatores ambientais.inatas. que acentua a contínua interação entre as estruturas orgânicas da criança e as condições sociais em que ela vive. a memorização mecânica. mediante recitação. A aprendizagem confunde-se com condicionamento e. pode contribuir o professor. O foco da concepção racionalista/inatista encontra-se no aluno visto como indivíduo que nasce com grandes possibilidades de desenvolvimento. Sob esta ótica. no desenvolvimento do ser humano. O papel do professor é o de observar o comportamento do aluno. aptidões e possibilidades inatas do aluno. ao contrário da concepção empirista. u influenciando o outro. Esquematicamente. assim. Temos. que propõe que o sistema nervoso humano contém mecanismos inatos que possibilitam à criança construir as regras da linguagem. Trata-se. não é o de ensinar. mas o de permitir o desenvolvimento das capacidades. Nesse enfoque construtivista. entre o sujeito e o objeto. elogios. os conceitos e as idéias inatas que são o conteúdo do conhecimento. sem criatividade e nem originalidade. um grande destaque dado ao estudo das diferenças individuais. o professor tende a ensinar a teoria ao aluno. bem como do planejamento das aulas. resgatando dos pólos da relação professor-aluno. frutos apenas do espírito. desmerecendo o papel e o valor do conhecimento sensível e o da experiência sensorial. entre defensores mais recentes dessa corrente. prêmios. em que se atribui ao sujeito um papel essencialmente ativo. A origem do conhecimento encontra-se na interação entre o mundo do sujeito e o mundo do objeto. de forma a obter uma compreensão. pois as características de sua intervenção. valorize a criatividade do aluno e do professor (escola prazerosa). cabendo ao professor simplesmente interferir o mínimo possível neste processo. subestimando-se o papel do professor e do conhecimento sistematizado (acervo cultural da humanidade). Os seus pressupostos apoiam-se na idéia da interação entre o organismo e o meio. na sua origem. o psicolinguísta Noam Chomsky. Assim. a se destacar: a valorização do papel do professor. decorrentes de estímulos do ambiente (por estímulo-resposta). O papel do professor. Esta corrente postula a idéia de que nosso intelecto é dotado de algum conteúdo prévio. e a desenvolvida por Vigotsky. A concepção empirista define a aprendizagem como uma mudança de comportamento ou mesmo adoção de novas formas comportamentais. e o psicólogo Carl Rogers. a avaliação como forma de verificação da retenção do conhecimento e com caráter de premiação ou punição. cabendo a este organizar as intervenções adequadas para desafiar o aluno na construção do conhecimento. os efeitos benéficos da corrente empirista. Destacam-se. um mero receptor passivo e subserviente. valorizando a bagagem hereditária e cultural. a importância da definição dos objetivos do ensino. mero receptáculo de informações. sendo que o meio físico e social não participa dela. interação ativada pela ação do sujeito. O modelo epistemológico que representa esquematicamente a relação entre o sujeito e o objeto nesta concepção é o seguinte. todo o conhecimento. etc. notas baixas. O professor é visto como detentor e transmissor do conhecimento e o aluno. nega-se o autoritarismo do professor (empirismo) e o autoritarismo o do aluno (inatismo). através de estímulos reforçadores (notas altas. o tipo de resposta desejável e o estado físico e psicológico do organismo.). Neste modelo didático-pedagógico. sem nenhum ripo de ação crítica e reflexiva. A esta teoria construtivista implica numa visão de ensino que considere a vivência e interesses dos alunos. o aluno já traz em si. porque ignoram fatores maturacionais. todavia. até mesmo. para que ocorra aprendizagem é necessário considerar a natureza dos estímulos. Pela concepção construtivista. memorização da teoria dada. que é considerado um ser ativo. SUJEITO OBJETO Relações entre as Concepções Epistemológicas e a Prática Pedagógica. entre o organismo e o meio. os recursos por ele utilizados. dos testes de inteligência. uma relação dinâmica e dialética entre o indivíduo e a sociedade. dos dados da experiência e dos sentidos. o aluno é que aprende sendo que ninguém pode substituí-lo neste papel. de forma potencial. O aluno é visto como um aprendiz passivo. temos a seguinte relação epistemológica entre o sujeito e o objeto: SUJEITO OBJETO O construtivismo. Desta forma. Desta forma. os interacionistas discordam das teorias inatistas. propiciam uma 13 . estando o conhecimento determinado na bagagem hereditária ou submetido ao processo maturacional. as tarefas que propõe. as idéias e os juízos básicos do conhecimento seriam construídos somente pela razão. isto é. imersos em processo de contínua e intensa interação. o sujeito já nasce com a possibilidade de conhecer. valorizando as relações hierárquicas. sendo que esta interação provoca mudanças sobre o indivíduo. a priori. evidentes e irrecusáveis. fato este que pode ser gerador de preconceitos prejudiciais ao trabalho na sala de aula. o professor deve seguir um caminho didático-pedagógico que procura conhecer o aluno como uma síntese individual da interação do sujeito com o seu meio cultural. Desta forma. o centro do processo ensino-aprendizagem está na interação entre professor e aluno. que valoriza as questões da psicogênese do conhecimento. Só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. completamente independentes. toda a atividade do conhecimento é exclusiva do sujeito. Assim. que exercem uma ação recíproca. prestígio) ou de uma punição (castigo. Verifica-se. resultantes do treino ou da experiência. então. também chamado de interacionismo. de aptidão e de prontidão para a aprendizagem. Mas. por meio de aulas tradicionalmente expositivas. por desprezarem o papel do ambiente.

os professores (às vezes auxiliados por especialistas) congregam esforços para juntos estabelecerem linhas comuns de ação. PLANO DE AULA (Patrícia Aparecida P. O planejamento. Às vezes. Afinal. reconhecendo nele não um sujeito passivo. o livre debate de idéias. na situação ensinoaprendizagem. Considerando que o planejamento deve ser pensado como um ato político-social. sem dificuldades. acreditando na capacidade do aluno de construir ativamente seu conhecimento. tendo em mira a efetivação do processo ensino-aprendizagem. o planejamento curricular é definido de acordo como planejamento educacional e determina a linha de ação proposta pelas escolas. temos o planejamento de ensino cooperativo. Este. alguém que acompanha e participa do processo de construção do conhecimento dos seus alunos. com vistas a resultados semelhantes e bastante válidos para a clientela atendida. Na maioria das situações. o planejamento.Disciplinar partes da ação pretendida no plano global (PLANO DE UNIDADE). Indica a atividade direcional. isto é. não se pode conceber que o professor não realize o mínimo de planejamento necessário para seus alunos. passando a ser um orientador. esses professores desenvolvem habilidades necessárias à vida em comum com os colegas. prevendo a estruturação e o funcionamento da totalidade do sistema educacional. é indispensável ter sempre bem presente que a interação professor-aluno é o suporte estrutural. um limitador das ações tanto 14 . Pelo envolvimento no processo ensino-aprendizagem. e processo de tomada de decisões bem informadas que visam a racionalização das atividades do professor e doa aluno. ajustamento às mudanças. executando e avaliando juntos. Na esfera educacional. diminuindo a importância do trabalho individualizado. o professor renuncia ao papel do “dono do saber”. no planejamento curricular. em classe. ou seja. o planejamento de ensino. Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à atividade do professor e alunos. Elaine Mandelli Arns). bem como na verificação da qualidade e quantidade do ensino que está sendo orientado pelo mestre e pela escola. deve estar familiarizado com o que por em prática. O professor que deseja realizar uma boa atuação docente sabe que deve participar. durante o período (ano ou semestre) letivo. existem vários níveis de planejamento: o planejamento educacional. maior produtividade. O professor. Essa nova forma de relacionamento do professor com a classe estimula o diálogo. coerência e flexibilidade de seu planejamento. O professor.Conduzir os alunos ao alcance dos objetivos. efetuar uma aprendizagem tão significativa quanto o permitam suas possibilidades e necessidades. O professor deve ser um catalizador do desabrochar intelectual. vai: . vários professores compartilham a responsabilidade de sua elaboração. não deve ser visto como regulador das ações humanas. Este é a tradução. em consequência. P. toda a parte a ser empreendida (PLANO DE CURSO). no entanto. a ação de planejálo é predominantemente importante para incrementar a eficiência da ação a ser desencadeada no âmbito escolar. Grande parte da eficácia de seu ensino depende da originalidade. Requisitos Por maior complexidade que em volva a organização da escola. outras vezes. e o planejamento do ensino é o que parte das decisões dos planejamentos anteriores. determina as diretrizes da política nacional de educação. oferecendo maior segurança na consecução dos objetivos previstos.Especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores (PLANO DE AULA). em nível mais específico. Isso proporciona. assim como também os meios necessários para alcançá-los. consideramos as seguintes: Planejamento de ensino é: previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho escolar que envolvem as atividades docentes e discentes. Inúmeras são as conceituações sobre planejamento de ensino encontradas nos diferentes autores consultados. de modo a tornar o ensino seguro. e . . emocional e afetivo do aluno. crescimento profissional.verificar a marcha do professor ecucativo. surge. segundo Menegolla e Sant’anna (2001). tendo sempre que adaptar seus projetos às circunstâncias e exigências do meio. . de maneira que possa selecionar o que é melhor. Considerando que o ensino é o guia das situações de aprendizagem e que ajuda os estudantes a alcançarem os resultados desejados. isto é. cuja dinâmica concretiza o fenômeno educativo. PLANEJAMENTO DO ENSINO (Nelson Valente) Alicerçardo nas linhas mestra de ação da escola. por sua natureza. ao planejar o trabalho. resulta de uma atividade de grupo. deverá estar bem informado dos requisitos técnicos para que possa planejar. metódica e sistematizada que será empreendida pelo professor junto a seus alunos. pode organizar três tipos de planos de ensino. Neste último caso. econômico e eficiente. adaptando tudo isto às necessidades e interesses de seus alunos. Assim.Assegurar um ensino efetivo e econômico. Ainda temos a considerar que as condições de trabalho diferem de escola pra escola. seus alunos. em busca de propósitos definidos. O planejamento tende a prevenir as vacilações do professor. independentemente. O professor. em termos mais próximos e concretos. envolve a previsão de resultados desejáveis. É da competência do professor. Portanto. passa a considerá-lo o centro do processo ensinoaprendizagem. globalmente. de Castro. da ação que ficou configurada em nível de escola. não um mero reprodutor do conhecimento que lhe é imposto. . o planejamento de ensino deve ser alicerçado neste pressuposto básico. o plano é elaborado apenas por um professor. Planejando. no processo educativo. Objetivos São objetivos do planejamento de ensino: . a interação social. e . Por isso. o professor dependerá de seus próprios recursos para elaborar seus planos de trabalho. possibilitando melhores resultados e.racionalizar as atividades educativas. A responsabilidade do mestre é imensa. neste caso. mais amplo e abrangente. É da competência dos estabelecimentos de ensino. ele deve estimular a participação do aluno. Por ordem de abrangência. Cristiane Costa Tucunduva. a fim de que este possa. entre outros aspectos. previsão das situações específicas do professor com a classe. elaborar e organizar planos em diferentes níveis de complexidade para atender. responsabilidade e união a nível de decisões conjuntas. No entanto. realmente.Delinear. exercício de autodisciplina.maior ou menor margem para a atividade construtiva do aluno. é considerado etapa obrigatória de todo o trabalho docente.

Fala se os objetivos da aprendizagem foram alcançados ou não. uma vez que ambos são atuantes em sala de aula. Partindo do princípio de que o professor deve ensinar os conteúdos e também deve formar o aluno para que ele se torne atuante na sociedade. se efetua através de um mecanismo auto-regulatório que consiste no processo de equilíbração progressiva do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido. conhecer a epistemologia e a metodologia mais adequada às características das disciplinas. não existe um modelo único de planejamento e sim vários modelos. como procuraremos expor em seguida. ou do pensamento lógico do homem. Estes estão diretamente subordinados aos objetivos definidos para o ensino ou para aula. argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata préformada no sujeito. métodos. disciplina ou na aula mesmo. significando entender com isso que as formas primitivas da mente. pois serão estas etapas que darão uma visão do que é necessário conveniente ao professor e aos alunos.físico e social . pois é ele quem conhece as reais aspirações de cada turma. A UNESCO confiou-lhe a elaboração da obra O direito à educação. Vale lembrar. tópicos que serão trabalhados/abordados em cada disciplina. A segunda forma de aprendizagem é limitada à aquisição de novas respostas a situações específicas ou à aquisição de novas estruturas para algumas operações mentais específicas. doutorando-se no ano seguinte. A partir das definições das principais etapas que devem conter um planejamento o professor já tem condições necessárias para fazê-lo e utilizá-lo adequadamente. 2003. seja num contexto histórico. equivale ao próprio desenvolvimento da inteligência. sem bases científicas que norteiam o professor. pois. que seja funcional e de bons resultados. Quer dizer. Piaget formula o conceito de epigênese. técnicas e modalidades de ensino que possuem o intuito de facilitar o ensino. é possível esclarecer os objetivos da mesma. na tomada de decisões.pessoais como sociais. op. Conhecer todos os componentes acima possibilita ao professor escolher as estratégias que melhor se encaixam nas características citadas aumentando as chances de se obter sucesso nas aulas. o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo auto-regulatório que tem como base um 'kit' de condições biológicas (inatas portanto). Também não existe um modelo melhor do que outro. escrito ou mentalmente. anunciados e exigidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). de 1952 a 1963.que o rodeia (Coll. são reorganizadas pela psique socializada. Freitas. existe uma relação de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. Outro grupo que deve estar atento à importância de elaborar planos de aula são os professores em início da carreira. por sua vez. Presidente da Comissão Suíça na UNESCO. Interessou-se pela psicologia. em consequência de seu desempenho na escola. Florença e Rio de Janeiro. Porém é de responsabilidade do professor elaborar o plano de aula. mas deve ser estruturado. há duas formas de aprendizagem. ao elaborar o plano de aula. temas. biologicamente constituídas. conhecer o contexto social de seus alunos. essa base científica utilizada para organizar o trabalho pedagógico são os pilares e princípios da educação.cit. Menegolla e Sant’anna (2001) ainda completam argumentando que o plano das aulas visa a liberdade de ação e não pode ser planejado somente pelo bom senso. La Taille. para seu dia-a-dia ou para seu futuro. Diplomou-se em ciências naturais aos 21 anos. Segundo Shimitz (2000) ele não precisa ser descrito minuciosamente. em 1896. Moreto (2007) acredita que o professor. que segundo Menegolla e Sant’anna (2001). Conteúdo: conjunto de assuntos. Para ele. transmissão social e desenvolvimento do equilíbrio. Lausanne e Genebra e de psicologia genética na Sorbonne. o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . 2000.). porém. 1992. ou seja. São elas: Objetivos: apontam para aquilo que se deseja que o estudante seja capaz de realizar após a atividade do ensino. TEORIAS DE APRENDIZAGEM JEAN PIAGET E O CONSTRUTIVISMO (Nelson Valente e Márcia Regina Terra). uma vez que no plano de aula. tanto a experiência sensorial quanto o raciocínio são fundantes do processo de constituição da inteligência. mas o acompanha sempre e em todo momento. sistematizar as atividades e facilitar seu acompanhamento. e sim ser visto e planejado no intuito de nortear o ser humano na busca da autonomia. Alguns autores sugerem que o planejamento tenha algumas etapas principais. mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget. por este motivo. ele deve organizar seu plano de aula de modo que o aluno possa perceber a importância do que está sendo ensinado. não se discute a necessidade e a importância de se elaborar o pano de aula.físico e social (Rappaport. realizando estudos em Zurique e em Paris. Paris. série. Segundo Gutenberg (2008). cabe ao professor escolher aquele que melhor atenda às necessidades deste e de seus alunos. na Suíça. tais como: conhecer a sua personalidade enquanto professor. faz-se necessário conhecê-los e compreendê-los muito bem. Foi professor dessa matéria nas Universidades de Neuchâtel. que é ativado pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . Quer dizer. esses profissionais iniciando sua carreira no magistério adquirem confiança para dar aula. já que é um instrumento de feedback aos atores desse processo. etc. conhecer seus alunos (características psicossociais e cognitivas). experiência. deve considerara alguns componentes fundamentais. na resolução de problemas e principalmente na capacidade de escolher seus caminhos. Método: São atividades. Piaget abordou o desenvolvimento da inteligência através do processo de maturação biológica. 1976 apud Freitas 2000:64). A primeira. Menegolla e Sant’anna (2001) explicam que o planejamento também serve para desenvolver tanto nos professores como nos alunos uma ação eficaz de ensino e aprendizagem. pra Schmitiz (2000). São os modos de organizar as condições externas a fim de facilitar o ensino. mais ampla. Mediante todos os fatos pesquisados até agora. Jean Piaget nasceu em Neuchâtel. foi enviado em missão a Beirute. Este desenvolvimento é um processo espontâneo e contínuo que inclui maturação. 15 .). Avaliação: Vale lembrar que a avaliação não é um momento do processo ensino-aprendizagem. 1992. Piaget tornou-se membro do Conselho Executivo da instituição. porém. Id est. Esse processo.

entre os quais situa a si mesma como um objeto específico.). leu e comentou os elogios e as críticas que Vygotsky lhe fizera em 1932. como o elemento complementar das interações sujeito-objeto. ele buscou a resposta na Psicologia e acabou por elaborar uma teoria do desenvolvimento intelectual. Vygotsky sempre acreditou em uma sociedade mais justa sem conflito social e exploração. causalidade objetivados e solidários. toda experiência é assimilada a uma estrutura de idéias já existentes (esquemas) podendo provocar uma transformação nesses esquemas. haja vista que no processo de interação podem ocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo. consequentemente. Contudo. Formou-se em literatura e direito na Universidade de Moscou e mais tarde estudou medicina. deficiência física e mental e educação. Nessa concepção. ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior. eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça. 12 anos): neste período. Pressupostos Essenciais Histórico de Vygotsky do Modelo Sócio- 16 . Apenas em meados dos anos 60 seus livros chegaram ao Ocidente. 2003). a inteligência é anterior à emergência da linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica. Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividade de interpretação da realidade que o rodeia e. o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio. é a emergência da linguagem. Essa busca do organismo por novas formas de adaptação envolvem dois mecanismos que apesar de distintos são indissociáveis e que se complementam: a assimilação e a acomodação. A esse respeito. portanto. o egocentrismo intelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações e coordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem) e de integrá-los de modo lógico e coerente. somando conhecimentos. mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em que o indivíduo está inserido. (d) Período das operações formais (12 anos em diante): nesta fase. os modos de relacionamento com a realidade são divididos em 4 períodos. Partidário da revolução russa. ao atingir esta fase. a saber: (a) Período Sensório-motor (0 a 2 anos): caraceteriza –se por uma forma de inteligência empírica. exploratória. No entanto. agente e paciente dos eventos que nele ocorrem" (La Taille. b) Acomodação: por sua vez. Vygotsky morreu de tuberculose 3m 1934. pois ele representa o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano.). espaço. psicologia. Assim. sustentando que todo conhecimento é construído socialmente. a) Assimiliação: consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência. um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência de esquemas conceituais). examinando e experimentando com os objetos ao seu alcance. op. sendo essa teoria considerada histórico-social.cit. gerando um processo de acomodação. principalmente os políticos. paradoxalmente. em sua essência. tempo. ou seja. para Piaget. op.cit. Em síntese. De acordo com a tese piagetiana.cit. Um outro aspecto importante neste estágio refere-se ao aparecimento da capacidade da criança de interiorizar as ações. a criança. ou seja. Em síntese. (c) Período das operações concretas (7 a 11. Só então o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). esse processo de transformação vai depender sempre de como o indivíduo vai elaborar e assimilar as suas interações com o meio. op. lamentando que os dois não tivessem se conhecido. isso porque a visada conquista da equilibração do organismo reflete as elaborações possibilitadas pelos níveis de desenvolvimento cognitivo que o organismo detém nos diversos estágios da sua vida. dedicando-se aos campos da pedagogia e psicologia. pode-se dizer que. a criança vai aperfeiçoando tais movimentos reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor já se concebendo dentro de um cosmo "com objetos. um caráter universal. que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Gillièron. no âmbito das relações humanas. ela começa a realizar operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da inteligência sensório-motor. ou seja. VYGOTSKY E O SÓCIO-INTERACIONISMO Nasceu na Bielo-Rússia em 5 de novembro de 1896. a acomodação representa "o momento da ação do objeto sobre o sujeito" (Freitas. Sua obra enfrentou décadas de silêncio imposto pelo regime stalinista. para Piaget. ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta. aos 38 anos. Vygotsky viveu na mesma época que Piaget (ambos nasceram em 1896). nesta fase. já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal.:65) emergindo. A criança aprende pela experiência. devido a vários fatores.O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget. o que marca a passagem do período sensóriomotor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica. Quer dizer. consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. neste estágio. tanto os esquemas conceituais como as ações executadas mentalmente se referem. embora a criança consiga raciocinar de forma coerente. Progressivamente. a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta. tendo que se adaptar a ela. Foi professor do ginásio e se fazia uma pergunta fundamental: como o homem cria cultura? Dono de uma inteligência brilhante. Pesquisou sobre literatura. enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. mas que paradoxalmente nunca alcança (La Taille. não-verbal. ou seja. Trata-se de um fenômeno que tem. já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos da espécie humana. No entanto. (b) Período pré-operatório (2 a 7 anos): para Piaget. eles não chegaram a se encontrar em vida. Sua teoria tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico. embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas sensoriais-motores na fase anterior) ela apresentará. o equilíbrio é o norte que o organismo almeja.

como a consciência. sistema simbólico dos grupos humanos. Essa evolução acontece pela elaboração das informações recebidas do meio. conceitos e significações. apenas refletindo o que aprende. no entanto. É isso que caracterizará a individualidade. É na troca com os outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos. o universo de significações que permite construir a interpretação do mundo real. Essas concepções fundamentam sua idéia de que a criança nasce dotada apenas de FUNÇÕES PSICOLÓGICAS ELEMENTARES. Desse modo.1. passa a perceber a realidade. explícita ou implicitamente. Poder-se-ía assim dizer que o desenvolvimento cultural do aluno. características exclusivas do homem. carregando significados sociais e históricos. Natureza social Vygotsky interessou-se por enfatizar o papel da interação social ao longo do desenvolvimento do homem. Maria Teresa Freitas resume: "Nenhum conhecimento é construído pela pessoa sozinha. Processo de internalização O processo de internalização é fundamental para o desenvolvimento do funcionamento psicológico humano. ou seja. interiorizações desenvolvidas através da linguagem 17 . ou seja. como os reflexos e a atenção involuntária. São sempre intermediadas. o homem não se constrói homem". as funções psicológicas superiores referem-se a processos voluntários. a aprendizagem entre eles. Mediação A questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio e. A cultura fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade. da organização do ambiente. o conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade. ontológico e filogenético. ocorrem por assimilações de ações exteriores. A percepção da realidade requer processos biológicos como determinantes de experiência. A criança passa a ver o mundo com sua própria visão. A linguagem. A informação de que esses processos biológicos tornamse disponível no organismo é organizado pela própria criança através de experiência social e cultural. Por isso a linguagem é duplamente importante para Vygotsky. Evidentemente só a realidade dos fatores externos não determinam completamente essa percepção. representa um salto qualitativo na evolução da espécie. do mundo cultural que rodeia o indivíduo. Ela dá o local de negociações no qual seus membros estão em constante processo de recriação e reinterpretação de informações. ações conscientes. Para Vygotsky. através de recortes do real. parte dessas funções básicas transforma-se em FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES. o que permite a formação de conhecimentos e da própria consciência. É ela que fornece os conceitos. As funções psicológicas superiores são construídas ao longo da história social do homem. sociedades e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas. As informações nunca são absorvidas diretamente do meio. "na ausência do outro. Em outras palavras. A internalização envolve uma atividade externa que deve ser modificada para tornar-se uma atividade interna. Atento à "natureza social" do ser humano. e suas peculiaridades definem limites e possibilidades para o desenvolvimento humano. O outro social pode apresentar-se por meio de objetos. Isto quer dizer que o homem é herdeiro de toda a evolução filogenética (espécie) e cultural. em que todas as funções aparecem duas vezes: primeiro no nível social e depois no nível individual. que desde o berço vive rodeado por seus pares em um ambiente impregnado pela cultura. assim como no construtivismo e sim. Vygotsky defendeu que o próprio desenvolvimento da inteligência é produto dessa convivência. os vygotskianos entendem que os processos psíquicos. 2. portanto. se dá mediante o processo de relação do aluno com o professor ou com outros alunos mais competentes. papéis e funções sociais. Quando a criança deixa de sofrer influência desses processos biológicos. e seu desenvolvimento dar-se-á em função de características do meio social em que vive. Vygotsky e Luria (1930/1993) explicam isto na área da percepção: a criança no início de sua vida tem apenas sensações orgânicas tensãodor calor. as formas de organização do real. principalmente nas áreas mais sensíveis. a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico em ser humano. portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações. Com o aprendizado cultural. As concepções de Vygotsky sobre o funcionamento do cérebro humano sinalizam que o cérebro é a base biológica. Donde surge o termo sóciocultural ou histórico atribuído nesta teoria. administrando-o sob seu ponto de vista. presentes em todos os animais mais desenvolvidos. É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas. é interpessoal e se torna intrapessoal. mas acesso mediado. Para ele. assim como. E assim assinalam-se constantemente a busca de explicar os processos mentais superiores baseados na imersão social do homem que por sua vez é histórico. pelas pessoas que rodeiam a criança. sua aprendizagem. o planejamento e a deliberação. pela mediação feita por outros sujeitos. Além de ser o principal instrumento de intermediação do conhecimento entre os seres humanos. Para Vygotsky. o desenvolvimento cultural da criança aparece segundo a lei da dupla formação. mas interativo. em sua relação com o mundo. O sujeito não é apenas ativo. As informações intermediadas são reelaboradas numa espécie de linguagem interna. o conhecimento é sempre mediado. portanto. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. É pela APRENDIZAGEM nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso desenvolvimento mental. ou seja. a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. primeiro entre as pessoas (interpsicológica) e depois no interior da criança (intrapsicológica). Enquanto sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos. que são os mediadores". mecanismos intencionais e dependem de processos de aprendizagem. ela tem relação direta com o próprio desenvolvimento psicológico. Isso não significa que o indivíduo seja como um espelho. Conceitos Básicos da Teoria de Vygotsky 1. mas sim em parceria com as outras. Desenvolvimento do cérebro A redução de reações biológicas é uma condição prévia para o aparecimento de fenômenos psicológicos. porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais. 2. permitindo que seu organismo passe a ser afetado por fatores externos.

à medida que o homem toma consciência da consciência que possui. depois se interioriza convertendo em linguagem interna). Zona de Desenvolvimento Proximal Segundo Vygotsky. A aprendizagem é produzida através de um diálogo constante entre o exterior e o interior do indivíduo. etc. verbal e de diversos graus de generalizações e assimilações. Desenvolvimento Real: É determinado por aquilo que a criança é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Observe que. e as ações mentais são formadas a partir das variáveis externas (concretas). inicialmente. que definiu como a "distância entre o nível de desenvolvimento real. e o nível de desenvolvimento potencial. por exemplo. formando apenas um complexo associativo restrito a um determinado tipo de conexão perceptual. como por exemplo. nesse diverso campo da consciência. que a aprendizagem entre eles. determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes". Relação desenvolvimento/aprendizagem Vygotsky e a escola de psicologia dialética soviética e seus seguidores Luria (1902/1977) e Leontiev (1903/1979) estabelecem uma relação inseparável entre aprendizagem / desenvolvimento. 3. interiorizações desenvolvidas através de linguagem interior que permite formar abstrações. E esses elementos da consciência vão dar origem aos denominados processos mentais superiores. Já que nessa abordagem não se questiona o fato de que todos os indivíduos tenham uma capacidade de aprendizagem que. com diferentes formas de manifestações. A fim de explicar esse processo. verbal –linguagem . produzindo abertura nas zonas de desenvolvimento proximal nas quais as interações sociais são centrais. A aprendizagem é considerada como parte de atividades coletivas que precedem a aquisição individual (linguagem infantil: primeiro aparece como forma de comunicação. assim. O que nos faz pensar que esse processo de aprendizagem se desenvolve do concreto (segundo as variáveis externas) a abstrata (as ações mentais). A aprendizagem interage com o desenvolvimento. que se costuma determinar através da solução independente de problemas. Entendem que os processos psíquicos. um conceito que se pretenda trabalhar. assim como. envolvendo memorização ativa seguida de pensamento abstrato.5. que para este autor a consciência é o estado supremo do homem. esse é um nível de desenvolvimento real. uma multiplicação simples.ou intelectual – pensamento -) e diversos graus de generalização e assimilação. Privilegiam o ambiente social. Tomada de consciência Vigotsky abstrai que o ser humano é criado histórico e socialmente.os diferentes níveis de funcionamento psicológico. a evolução intelectual é caracterizada por saltos qualitativos de um nível de conhecimento para outro. Nesta fase a criança se orienta pela semelhança concreta visual. ele desenvolveu o conceito de ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL.4.6. envolvendo a psique do indivíduo. 3. • Conceitos: formação de conceito atividade complexa e abstrata. Por outro lado. assim como na de Piaget . uma vez que para formar ações mentais tem que partir das trocas com o mundo externo. Nessa teoria não se tem estágios de desenvolvimento explicado detalhadamente sobre o surgimento e desenvolvimento das funções psíquicas através de acumulação de processos elementares. orientadas por instruções e com a ajuda de um adulto ou por resultado da interação com iguais. Diríamos de certa forma. quando ela já sabe somar.interna que permite formar abstrações. Se domina a adição. pelo constante diálogo entre o exterior e interior do indivíduo. Com isto. o que na teoria vygotskiniana é chamado de Tomada de Consciência.2. Isto porque o autor preocupou em descrever e entender o que ocorre ao longo da gênese de certas funções. 3. são assimilações de ações exteriores. a finalidade da aprendizagem é a assimilação consciente do mundo físico mediante a interiorização gradual de atos externos e suas transformações em ações mentais. 18 . que usa o signo. requer sempre um grau de experiência anterior para a criança. Para Vygotsky. ambos os processos. • Conceitos cotidianos: aprendidos assistematicamente. chegando a afirmar que o desenvolvimento vem depois da aprendizagem.1. em matemática. Aprendizagem é a assimilação consciente do mundo físico mediante a interiorização gradual de atos externos e sua transformação em ações mentais. ou palavra. Desenvolvimento Potencial: se manifesta quando a criança realiza tarefas mais complexas. São as relações sociais que dão ao indivíduo instrumentos para ativar os processos internos que favorecem o desenvolvimento. existe como base metodológica e objeto de estudo a intencionalidade da consciência. cuja da interiorização surge a capacidade da atividades abstratas que a sua vez permite elevar a cabo ações externas. • Conceitos científicos: constituído por um sistema hierárquico de inter-relação. que são interiorizadas surgindo a capacidade de atividade abstrata (ações mentais) com varias formas de manifestação (material . está condicionada pelo nível de desenvolvimento alcançado. mas o pensamento ocorre por cadeia e de natureza factual e concreta. são os conceitos aprendidos na escola sistematicamente. e que suas relações com a natureza e com os outros homens no nível da consciência são lidados de forma espontânea apenas quando ele não tem percepção da consciência sobre aquilo que está fazendo. os quais são diferentes dos processos mecânicos. como meio de condução das operações mentais. Nesse processo. estando então. aprendizagem e desenvolvimento.ações externas -. tanto intelectual. Dois níveis de desenvolvimento Existem. cada qual com características específicas: • Pseudo-conceitos: aqui ainda a criança não consegue formular conceitos. interrelacionados. por estes serem ações conscientes. Mas existe na teoria de Vygotsky. mais e mais ele abstrai sobre seus atos e sobre o meio. controladas ou voluntárias. 3. 3. pelo menos dois níveis de desenvolvimento identificados por Vygotsky: 3. a aprendizagem se produz. seus atos deixam de ser espontâneos (no sentido biológico do termo) para se tornarem atos sociais e históricos. Por exemplo. estes conceitos dispensam a necessidade da escola para a sua formulação. no estudo da linguagem da formação de conceitos. Costuma-se destacar que a abordagem de Vygotsky tem explicação das mudanças de ordem qualitativa.

Para Vygotsky. O termo socioconstrutivismo (ou. Ou seja. Nesse meio. Porém. É graças as implicações teóricas destes psicólogos que se pode hoje trabalhar visando ultrapassar a metodologia pedagógica arraigada na repetição de conceitos. como ser útil ou inútil. Antes de chegar à psicologia passou pela filosofia e medicina e ao longo de sua carreira foi cada vez mais explícita a aproximação com a educação. como sócio-cultural. por considerar que Piaget não deu a devida importância a situação social e ao meio. Assim que infância termine. as crianças individuais constroem conhecimento através de suas próprias ações: entender é inventar. de outra forma. mas Vygotsky destaca o papel do contexto histórico e cultural nos processos de desenvolvimento e aprendizagem. o meio é sempre revestido de significados culturais. relações sociais são secundárias à natureza biológica da criança. é o primeiro que gera o segundo. Ambos são construtivistas em suas concepções do desenvolvimento intelectual. o indivíduo começa a participar de relações sociais. também a critica. cognitivo. o objeto armário (meio) não tem sentido em si. entendendo que a compreensão do ser humano deve ter presente que ele é organicamente social. a criança participa das relações sociais. valioso ou não. Wallon faz oposição a qualquer espécie de reducionismo orgânico ou social e ao dualismo corpo e alma. antes de 2 anos de idade. Ele afirmou que mecanismos naturais governam o comportamento da crianças. Mecanismos biológicos operam durante curto espaço de tempo. no sentido de buscar compreender a realidade de seus alunos tanto do ponto de vista psicológico. Esse confronto se dá uma vez que os autores possuem vários pontos divergentes que separam os seus pensamentos em abordagens ou pontos de vista diferentes. básico para Vygotsky. Ambos autores fazem parte das correntes interacionista (através de dialética externas de adaptação entre o organismo psicológico do indivíduo e seu mundo circundante ou contexto) e construtivista (dialéticas internas de organização entre as partes do organismo psicológico. como explicação da mudança adaptativa). Só tem o sentido cultural que lhe damos. Ele também afirmou que processos cognitivos são originalmente egoístas e anti-sociais. relações sociais constituem a psicologia da criança desde o começo. sustentam que a inteligência é construída a partir das relações recíprocas do homem com o meio. isto 19 . O que tem encorajado inúmeros educadores a inovarem sua prática pedagógica. Psicologia e Filosofia. é a diferença central entre os dois teóricos construtivistas. Vygotsky considerou a criança como um indivíduo social. É justamente a comprovação. sendo chamado de sóciointeracionista e não apenas interacionista como Piaget. Piaget afirmou que a mente é governada através de mecanismos biológicos. Ambos atribuem grande importância ao organismo ativo. Piaget. Laurinda Ramalho de Almeida. Não é surpresa devido ao endosso de Piaget aos conceitos de Freud. da existência de uma zona de desenvolvimento potencial que desprende ou desvincula a proposta de uma concepção distinta da ajuda pedagógica de que surge das teorias de Piaget. HENRY WALLON e a PESSOA COMPLETA (Abigail Alvarenga Mahoney. Para Vigotsky é a compreensão através do contraste social e origem. Para Piaget. Para Piaget. As críticas a Piaget não foram diferentes das dirigidas a Freud. é possível utilizar as discussões mencionada na concepção interacionista e construtivista dos autores e colocar-se como condutor dessa interação do aluno com o meio e fazer desse meio um ambiente de estímulo para que o sujeito desenvolva os seus aspectos cognitivos. ao contrário. seriam impossíveis". possam trabalhar rumo a uma educação significativa e construtiva – a qual possa conduzir o aluno a ser sujeito consciente de sua autonomia social. "o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que. Os dois se opõem tanto à teoria empirista (para a qual a evolução da inteligência é produto apenas da ação do meio sobre o indivíduo) quanto à concepção racionalista (que parte do princípio de que já nascemos com a inteligência pré-formada). eles são substituídos rapidamente através de influências sociais. ele também vai refletindo e aplicando essas teorias que são valiosas para resolverem diversos males que afligem o contexto educacional. com adaptações). Apesar dos autores serem de complexa interpretação. VYGOTSKY X PIAGET A discussão do pensamento de Vygotsky na área educacional e psicológica nos remete a uma reflexão sobre as relações entre ele e Piaget. percebe-se que à medida que o educador vai tecendo sua prática. E os significados culturais só são aprendidos com a participação dos mediadores. sociointeracionismo) é usado para fazer distinção entre a corrente teórica de Vygotsky e o construtivismo Jean Piaget.Nesta concepção a educação é considerada um sistema que facilita a apropriação de conteúdos próprios de cada cultura. afetivo. Para Vygotsky. Vygotsky colocou uma concepção bastante diferente da criança. Se em Piaget havia que ter em conta o desenvolvimento como um limite para adequar o tipo de conteúdo de ensino a um nível evolutivo do aluno. Ambos divergem também quanto à seqüência dos processos de APRENDIZAGEM e de DESENVOLVIMENTO MENTAL. Eles só são dirigidos à realidade e ao relacionamento social depois de 7 a 8 anos de idade. É desta concepção que Vygotsky afirma que a aprendizagem vai em frente do desenvolvimento Vygotsky teve contato com a obra de Piaget e embora teça elogios a ela em vários aspectos. Para o ser humano. segundo Vygotsky. a partir daí. Por exemplo. Nasceu na França em 1879. Relações sociais formam o contexto desenvolvente de crianças e constituem a natureza da criança. defende que é o desenvolvimento progressivo das estruturas intelectuais que nos torna capazes de aprender (fases pré-operatóra ou lógico-formal). e pouco enfatizado por Piaget. Em suas palavras. O fator cultural. por Vigotsky. Possuía formação nas áreas de Medicina (Neurologia e Psiquiatria). Piaget considerou como anti-social. impulsionando ao longo de novas aquisições. como preferem alguns especialistas. Piaget e Vygotsky contribuíram para a elaboração de metodologias inovativas que ultrapassam aquelas existentes na escola tradicional. De forma geral. em Vygotsky o que tem que estabelecer é a sequência que permite o progresso de forma adequada. Porém. Isto para que. sem esperar a maduração "mecânica" e evitando que possa pressupor as dificuldades para prosperar por não delinear um desequilíbrio adequado. rústico ou sofisticado e assim por diante.

nas quais a dimensão temporal toma relevo. como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. a criança desdobra. Aurora Gaspar). com o pensamento ideomotriz (representação das imagens mentais por meio de ações). a criança se volta para o mundo externo (sensibilidade exteroceptiva). portanto. O autor estudou a criança contextualizada. Carl Rogers nasceu em Chicago em 1902 e faleceu em La Jolla. com o meio. e uma grande variedade de fatores ambientais. Implulsivo-Emocional (0 a 1 ano): a criança expressa sua afetividade através de movimentos descoordenados. Personalismo (3 a 6 anos): Nesse estágio desenvolve-se a construção da consciência de si mediante as interações sociais. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. uma vez que o aluno pensa. respondendo a sensibilidades corporais: proprioceptiva (sensibilidade dos músculos) e interoceptiva (sensibilidade das vísceras). mediante atividades de confronto. Rita de Cássia Pareja. As atividades predominantes estão voltadas para a construção do eu e para as relações afetivas com o outro. para o conhecimento e conquista do mundo exterior Nesse período. onde ocorrem as representações claras. contatos epidérmicos. contrapondo-se aos valores tal qual interpretados pelos adultos com quem convive. vai se familiarizando e apreendendo o mundo. reorientando o interesse das crianças pelas pessoas. através da ação e interpretação do meio entre humanos. sente de forma integral. Wallon trouxe a compreensão de que o organismo é a primeira instância da aprendizagem. sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para se atualizar. que pressupõe a ampla liberdade de escolha. para ele. Na ótica Rogeriana. iniciada com a integração das diferenciações produzidas durante o período pré-categorial. como se formam. ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. que possibilitam a substituição dos objetos pelas palavras correspondentes a partir da apropriação da linguagem (Wallon. por pelo menos três anos. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. morais e existenciais são trazidas à tona. 1981). pouco claras. Segundo ele. Aqui. Puberdade e Adolescência (11 anos em diante): Ocorre novas definições dos contornos da personalidade. possibilita a discriminação mais clara dos limites de sua autonomia e de sua dependência. categorização em níveis de abstração até chegarem a nível categorial. iniciando o processo de diferenciação. Categorial (6 aos 11 anos): Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas. físico. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. Através dessa fusão. pela descoberta do que a distingue de outras pessoas. Sensório-Motor e Projetivo (1 a 3 anos): quando já dispõe da fala e da marcha. Rogers é um dos precursores da teoria humanista. É a fase de se descobrir diferente das outras crianças e do adulto. não existe sentido se falar em comportamento ou em cognição sem considerar o domínio afetivo. aplicou à Educação princípios da Psicologia Clínica. 4.aprendizagem os sentimentos do aluno devem ser considerados. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. A organização do mundo em categorias bem definidas possibilita também uma representação mais nítida de si mesma. existindo outro tipo de interação: a criança e o outro. precisas. classificação. na busca por uma identidade autônoma. Inicialmente atuou como psicoterapeuta e posteriormente dedicou-se à educação com a proposta de ensino centrado no aluno. autoafirmação. aparece a exploração de si mesmo. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. embale. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. porém. Durante esse período. típico da espécie. para Wallon. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. que segure. a teoria de desenvolvimento de Wallon assume que o desenvolvimento da pessoa se faz a partir da interação do potencial genético. ele 20 . assim como Piaget. o predomínio é da razão. daí a importância de se ligar ao seu cuidador (a). no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". a 4 de fevereiro de 1987. desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. construindo suas próprias emoções. Ao olhar uma pessoa como um todo a ser considerado. a criança aprende principalmente pela oposição ao outro. a criança participa intensamente de seu ambiente e apesar de percepções. foi psicoterapeuta por mais de 30 anos. Como neste estágio. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. mediante atividades externas de agrupamento. Formado em História e Psicologia. O recurso de aprendizagem nesse momento é a fusão com os outros. e para isso se submete e se apóia nos pares. A diferenciação mais nítida entre o eu e o outro dá condições mais estáveis para a exploração mental do mundo externo. para um intenso contato com os objetos e a indagação insistente do que são. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. carregue. complementando os processos intelectuais. CARL ROGERS E O HUMANISMO (Clarice Salgueiro.é. sem fragmentação e sem privilégio por determinada área. 3. Pela imitação. é um desenvolvimento conflituoso. esses estágios seriam os seguintes: 1. O foco da teoria é essa interação da criança. Antes do surgimento da linguagem falada. 5. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. Nesse estágio. é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. O domínio de categorias cognitivas de maior nível de abstração. sensações nebulosas. Partindo de uma perspectiva psicogenética da pessoa completa. na Califórnia. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. uma relação complementar entre os fatores orgânicos e socioculturais. que se transformarão com o tempo. questionamentos. a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. Questões pessoais. Liège Frainer Barbosa. suas condições de existência. que só se verifica mediante a busca pela pessoa completa. Imitando. e no processo ensino. como funcionam. O processo ensino-aprendizagem exige respostas corporais. passa a haver a representação das coisas e a explicação do real. lentamente. a direção é para si mesma. que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. em conceitos e princípios. isto é. 2. A criança. Segundo GALVÃO (2000).

A vida é um processo de mudança – tudo ao seu redor é questionável e tudo se mistura. Rogers combate a aprendizagem do tipo “tarefas”. A teoria rogeriana pressupõe conceitos teóricos que possibilitam uma melhor compreensão do ser humano. isto para que o indivíduo possa transformar. é proporcionar as descobertas e o conhecimento com significação pessoal. Esse tipo de aprendizado é esquecido com o tempo. Para Freire a educação é um ato de amor. em qualquer instância: na ótica terapêutica ou no processo ensino. por isso um ato de coragem. a congruência e a consideração positiva incondicional. alienado. dos seus sentimentos. Tais ações servem de premissa para visualizar o poder do educador sobre o educando e como conseqüência a possibilidade de formar sujeitos ativos. já estabelecidas na relação professor-aluno. o seu olhar.265). nessa concepção. Juliana Ferreira Taveira. os marginalizados da sociedade.269). que procuram no ato de conhecer a significação da realidade e na práxis o poder da transformação. não existe aquele que sabe e aquele que ensina. Freire coloca a Humanização como algo que é vocação de todos os homens e a desumanização que está presente na realidade opressora. que parecem ser de fundamental importância no processo de alfabetização científica. A empatia é o conceito que corresponde a olhar o outro como se fosse visto do seu interior. Referindo-se ao fato de proporcionar ao aluno a liberdade para escolher. e sim aquele que auxilia os educandos a aprender a viver como indivíduos em processo de transformação. que são: a empatia. pois não tem relevância com os sentimentos. implicam um ensino centrado nesse último. ensinar é mais que transmitir conhecimento – é despertar a curiosidade. levando em conta a ótica do outro. do qual pode utilizar-se. Para isso fundamenta conceitos essencialmente importantes. Rogers enfatiza entre os seus “princípios de aprendizagem3”. Não pode fugir à realidade. segundo a qual esta se encontra sempre no outro (Freire.a absolutização da ignorância. para fundamentar um entendimento pautado na essência do outro. A consideração positiva incondicional que consiste em aceitar as expressões negativas. transportando para a educação esta convivência em busca de uma aprendizagem significativa e qualitativa. Freire busca como ideal a conscientização para o conhecimento da realidade e das relações de poder existente na sociedade. o sujeito é educado para não desenvolver a consciência crítica. expondo seus sentimentos mais profundos. “não a encarnação abstrata de uma exigência curricular ou um canal estéril do qual o saber passa de geração em geração” (1991. imposto. De fato. Carl Rogers afirma que “evitar-se-ia assim obrigá-lo ao conformismo. Para Rogers. do educador é facilitar a aprendizagem. consciente de sua constante transformação. Para Freire. p. Uma pessoa instruída é capaz de se adaptar às mudanças que ocorrem durante a sua vida (a aprendizagem é contínua). Não pode temer o debate. se solidifica. do eu olhar. e que devem servir de base para a formação de outras. na formação das suas competências. a importância de ser uma pessoa real. São palavras do universo vocabular do estudante. sob pena de ser uma farsa. a sua perspectiva. constituiu um referencial teórico que hoje é cenário essencial para compreensão das relações humanas PAULO FREIRE E A PROBLEMATIZAÇÃO (José Roberto Tagliati.aprendizagem. não mais aquele que transmite conhecimento. Um ingrediente que pode motivar um início dessa troca de idéias talvez esteja nas palavras “geradoras” de Freire. o objetivo maior da educação e. A congruência significa ser transparente na relação. críticos e não domesticados. O educando é instado a buscar o seu próprio conhecimento. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão . modificar o que lhe é oferecido como se fosse o máximo que poderíamos ter e muitas vezes ver o dominador como um sujeito generoso. O dominador faz do dominado massa de manobra. Assim. Os conhecimentos do professor são oferecidos como mais um recurso ao estudante. livremente. A aceitação e a compreensão. respeitando-se como pessoa. Entende-se por pedagogia em Freire. ou seja. Rogers. é instigar o desejo de ir além do conhecido. e não provoca uma curiosidade que leve o indivíduo a aprofundar mais e mais. não considerando o indivíduo como um todo. que constitui o que chamamos de alienação da ignorância. captando suas formas peculiar de analisar e interpretar o ambiente externo. baseados na própria experiência como terapeuta. de domesticação e alienação transferidas do educador para o aluno através do conhecimento dado. o conhecimento é algo que. favorecendo a relação que se intensifica. Para o autor. é negado o direito do homem de se humanizar e o direito do pensar autêntico como menciona Freire (2005). Daniele Fortes Martin). com esse olhar para a dimensão afetiva. questionando os aspectos de relevância para a sua própria aprendizagem. a importância de um educador consciente de suas atitudes e sua capacidade de compreender os sentimentos e as reações do seu aluno. que só utiliza as operações mentais.quebra o paradigma do relacionamento formal e cria um relacionamento interpessoal. É desafiar a pessoa a confiar em si mesmo e dar um novo passo em busca de mais. p. Para este 21 . desprazeirosas com uma condição de aconchego. É educar para a vida e para novos relacionamentos. conseqüentemente. a ação que pode e deve ser muito mais que um processo de treinamento ou domesticação. como uma distorção histórica. uma vez que todo ser humano apresenta uma tendência natural e particular para aprender. educação é um encontro entre interlocutores. Na visão "bancária" da educação. A Educação Bancária que Freire abomina se alicerça nos princípios de dominação. Por isso. O professor passa a ser considerado um facilitador da aprendizagem. Essa forma de interação garante uma relação afetiva satisfatória. que é o sentimento que se nutre quando são expressos os sentimentos positivos. a sacrificar a sua criatividade e a levar a sua vida em termos estandardizados” (1991. sem fachada. 1991. porque sua ideologia já corrompeu e alienou o cidadão. o "saber" é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. passa a ser absorvido passivamente. por ser imposto. um processo que nasce da observação e da reflexão e culmina na ação transformadora. as emoções e sensações do educando. p. Paulo Freire em sua longa caminhada em busca da educação problematizadora e libertadora se empenha nos seus trabalhos em expressar o seu sentimento de transformação da realidade opressora em realidade igualitária. 58). todos sabem alguma coisa e todos aprendem alguma coisa com alguém. sua luta é a favor dos menos favorecidos. Luciene de Fátima da Silva.

por uma parte diversificada. programas de ensino. mas é simétrica. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. caracterizando-se como um instrumento facilitador da administração escolar. Teórica: a teoria do currículo aborda três tipos de abordagem curricular.394/96. De acordo com a lei 9. Dialógica porque é através da comunicação que estabelecemos relações com o outro. a educação não é via de mão única. pedagógico. CURRÍCULO (Cleres Carvalho. Art. Porém. Desde os seus primórdios. Freire nos conduz à reflexão crítica da sociedade. A educação progressista que Freire defende desenvolve a consciência crítica. Há inúmeras conceituações: literal etimológico. é estabelecer relações entre eu–mundo–outro. subjetivo–objetivo. sua representação ou apresentação. é necessário um estudo preciso e profundo de cada um destes. ao elencar os temas. legal. da atividade prática da escola. O objetivo desta educação é manter o status quo e formar uma parcela de trabalhadores alienados. Por isso que suas obras são uma denúncia aos modos que constituem a educação oferecida aos homens das camadas populares. Já a educação bancária que Freire (2005) descreve trabalha com a consciência ingênua esta educação está presente em sociedades divididas em classes e eminentemente capitalistas que excluem as camadas populares do processo de democratização. ou seja. currículo envolvia uma associação entre o conceito de ordem e método. currículo tradicional e conseqüentemente o seu conceito representarão todo o emaranhado que envolve a organização educacional. sendo que para a transformação social este tipo de consciência é condição primordial. continuidade. Por volta de 1865. nosso percurso de vida. Tudo o que cerca o aluno. Quando elaboramos um curriculum vitae. constitui matéria para currículo. Literal etimológico do latim “curriculum” e do grego “Kurrikulu” (“currere”) = ato de correr. O termo currículo é encontrado em registros do século XVII. dialética porque não podemos dicotomizar os fundamentos da educação que são: ação–reflexão. é ‘ler as entrelinhas’. Sua pedagogia se caracteriza por ser dialógica e também dialética.pedagogo. Assim. Isto não quer dizer que Freire nega a ciência. ou seja. para a construção de uma nova práxis pedagógica que valoriza o ser em sua integridade. dadas determinadas condições. Partindo da realidade social o educador reconhecerá as necessidades a serem supridas. classifica. ou seja. com adaptações de Osvaldo Jr). onde os resultados da aprendizagem eram descritos 22 . dialogar com a comunidade para que futuramente possam ser estabelecidos os temas a serem desenvolvidos são os pré-requisitos básicos para a pedagogia do oprimido. jornada. em todas as horas do dia. designando a estes apenas uma educação de despejo de conteúdos alheios a ele. do mundo. causalidade e etc. Nestes parâmetros. que desconhecem a sua função dentro da sociedade. o modo pelo qual se selecionam. e o mundo é o objeto cognoscente que se deseja desvendar. da cultura. Pedagógico – na concepção tradicionalista era praticamente sinônimo de ciclo didático. nos faz pensar sobre as relações de poder. Toda investigação temática de caráter conscientizador se faz pedagógica e toda autêntica educação se faz investigação do pensar (FREIRE. sempre relacionado a um projeto de controle do ensino e da aprendizagem. A história do currículo se confunde com história da escola. Pedra (1997) conceitua currículo como a representação da cultura no cotidiano escolar. todas com raízes nas questões sócio-políticas e epistemológicas no campo da educação e das concepções de aprendizagem: a) Tradicional: ligada a questões de organização e preocupada com resultados concretos e mensuráveis. o conhecimento é algo a ser construídos na coletividade. Percebe-se que a definição do que vem a ser currículo. circunstância que se dão. escola tradicional. ou seja. mas via de mão dupla não é assimétrica. é o olhar crítico e clínico sob o mundo. entre a teoria (idéias. 26 – os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. temos a valorização do homem como ser histórico e atuante na sociedade que é o que nos diferencia dos animais. suposições e aspirações) e a prática possível. isto é currículo é o ambiente em ação. nestas relações não há o que é mais importante e o menos importante. da economia e da clientela. com suas respectivas cargas horária (plano de estudo ou grade curricular). não há disciplina estanques. explicita nossa carreira da vida. não há a hierarquia de um sobre o outro. E em 1955 aparece como: um conjunto de curso ensinado numa instituição. é compreender a sua própria história. analisa a problemática dos processos de ensino aprendizagem através do jogo de interesses políticos. econômicos. pelo qual o movimento da ação–reflexão é tida como fundamental. Sacristán (1989) explica que o currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. De forma ampla ou restrita o currículo escolar abrange as atividades desenvolvidas dentro da escola. é reconhecer o contexto que está inserido. Investigar e conhecer a realidade dos educandos são os alicerces desta pedagogia. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares. Os elementos constantes nas construções de currículo são: Objetivos processos ensino-aprendizagem. Ir a campo. 2005). educador–educando. homem– mundo. pelo contrário. o termo currículo significava: uma pista de corrida em curso geral. carreira. Dentro da perspectiva de Freire há um posicionamento sociológico e antropológico da condição do homem participante de um meio e dos pressupostos que envolvem a educação. Através do diálogo o professor investigará seus alunos a fim de estruturar um trabalho pedagógico que mobilize a todos os envolvidos neste processo de conscientização. percurso a ser realizado. disposição de disciplina em quadro. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. as idéias equivocadas e o conteúdo a ser trabalhado com os educandos. Reconhecer a própria história é se situar no tempo e espaço. sociais e culturais. 2005). É perceber que estas relações são mediadas pelo mundo. as origens. Legal – É a totalidade das experiências de aprendizagem planejadas e patrocinadas pela escola. Currículo é tudo o que acontece na vida de uma criança. Neste modelo não há currículos pré-estabelecidos. Dentro deste processo de conscientização. na vida de seus pais e de seus professores. em suma através de nossa realidade. que edificamos a dialética em nossa vida (FREIRE. varia de acordo com cada época vivenciada pela sociedade no setor educacional. esta ação é um dos primeiros momentos para a tomada de consciência. instituição e pessoal.

que subsidiaram a escolha e sistematização dos conteúdos a ser trabalhado em cada série. De certa forma as idéias do Psicólogo Russo Vigotsky.2 Concepções de organização curricular: Como se verá mais adiante uma pequena síntese abordando a organização curricular que de certa forma concretizam as intenções pedagógicas vivenciadas pela sociedade em cada etapa evolutiva.175): “Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. portanto que os níveis do currículo se entrelaçam na prática dos docentes em sala. Sobre o enfoque tradicional comenta Libâneo (2004 p. na atividade. significados.1. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico”. Este modelo de currículo está embasado nas idéias de John Dewey. diferença.174): O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). poder. avaliação. o currículo racional-tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental. etnia. cultura. centrado no professor e na matéria. Elementos: identidade. portanto. b) Críticas: possuem como lema a desconfiança. No que diz respeito à função do currículo construtivista relata Libâneo (2004 p. no ritmo de cada um. Libâneo (2004.177): Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. o ensino é transmissivo e reprodutor. é a efetivação do que foi planejado. →Currículo oculto: São as influencias que de certa forma afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores que tem origem no meio social e vivenciados na própria escola. que algumas vezes divergem entre si. Elementos: aprendizagem. gênero. os conteúdos escolares não são colocados como verdades absolutas. organização. onde acontece à junção do currículo formal com os currículos real e oculto. traz consigo toda sua herança cultural que eventualmente serão demonstradas na sua atuação em sala de aula. por que destacam o papel do meio. precisamente na ação didática da escola objetiva desenvolver a capacidade do educando de aprender de forma ética e crítica. partem do que é normalizado pelo governo. sendo que algumas valorizam as questões políticas no processo da formação. tendo como ponto chave a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. o aluno um receptor de conhecimentos. Visto que. multiculturalismo. Elementos: ideologia. classe social. metodologia. o que remete.172) explica: É a execução de um plano. que compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. O professor atua como facilitador da aprendizagem. 23 . Percebe-se. assim como o que fica na percepção dos alunos. Levantam uma narrativa sobre etnia e raça e sobre as relações de saber e poder. saber e poder. libertação. significação e discurso. valoriza-se a atividade de pesquisa do aluno. eficiência. Em termos metodológicos referem-se à introdução no ambiente escolar dos aparatos tecnológicos. →Currículo tradicional: é caracterizado pela organização do conhecimento por disciplinas. que atualmente é a informática e a mídia que precisarão para ser utilizado como instrumentos de aprendizagem de técnicas mais refinadas de transmissão. →Currículo real: acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. intervenção da própria experiência dos professores. visto que a maior parte dos educadores que trabalham com essa idéia são conhecidos como sociointeracionista. →Currículo construtivista: Está diretamente ligado as idéias de Jean Piaget e seus seguidores. assim como educando o educador.172) descreve: “O currículo está oculto porque ele não é prescrito. →Currículo sociocrítico (ou histórico-social): Nesta abordagem existem várias correntes. E chamado de currículo legal expresso em diretrizes curriculares. resistência. Ênfase no planejamento e nos instrumentos de medição. currículo oculto. em última instancia ao papel do ensino na aprendizagem. pois questionam a neutralidade das teorias e práticas curriculares. dos conhecimentos anteriores e do professor. 2. raça. embora se constitua como importante fator de aprendizagem”. bem como as relações de gênero e da pedagogia feminina. relações sociais de produção. reprodução cultural e social. ensino. de adequação ao meio. valorizando a cultura de todos para que ocorra o desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. que irão contemplar os interesse do mercado na sociedade. Níveis de Currículo: Podemos distinguir alguns tipos de currículo. da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. decorrentes dos seus valores. c) Pós-críticas: referem as questões do multiculturalismo (diferença e identidade). organizados numa grade curricular. crenças. deve-se levar em conta as etapas de desenvolvimento citadas por Piaget. didática. alteridade. subjetividade.através de comportamentos explícitos. sexualidade. É um conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. enquanto que outras colocam a relação pedagógica como mediadora na formação política. Ao organizar um currículo construtivista. dão ênfase às relações sociais e aos conceitos que são desenvolvidos. 2. (por exemplo: Parâmetros Curriculares Nacionais). Também questionam a aparente neutralidade da ciência e das abordagens pedagógicas. sem preocupa-se com e por que ensinar. mais precisamente para responder à seguinte pergunta: o que o currículo faz. representação. É currículo que sai da prática dos professores. p. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem passados aos alunos. →Currículo racional-tecnológico (tecnicista): sua característica central é que este é previamente prescritos por especialista. partindo de critérios científicos e técnicos. Além disso. capitalismo. p. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. também tem papel importante no currículo construtivista. →Currículo Escolanovista (ou progressivista): Dá ênfase nas necessidades e interesse dos alunos. como segue: →Currículo formal: é estabelecido pelo sistema de ensino ou instituição escolar. Prioriza-se a formação cidadã onde o educando está inserido na sociedade como ser ativo. Libâneo (2004. A escola tem a função apenas de ensinar. capaz de transformar a sua realidade social. não aparece no planejamento. Na educação. emancipação. daí organiza-se o currículo. O professor é o facilitador da aprendizagem e os conteúdos são retirados das experiências dos alunos. objetivos e conteúdos das aéreas ou disciplinas de estudo. Como resume Libâneo (2004 p. levando em conta o clima psicológico e social da sala de aula. tem um caráter livresco e verbalista. conscientização. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa. em seguida pelo o que é elaborado e planejado na instituição de ensino e posto em prática no dia-a-dia do ambiente escolar.

tecnicista.3 Tipos de currículo: Os tipos de currículo estão diretamente ligados às concepções e a visão de alguns teóricos sobre o que é ensino. vêem a escola como uma reprodutora do poder político. não fica suficientemente esclarecida nessa proposta a forma pela qual os professores transformam as análises dos fundamentos sociais e culturais do currículo em práticas de sala de aula nas suas matérias. representa as idéias da abordagem curricular tradicional. etc. Todos os segmentos da escola. o aprender a aprender (Torres Santomé. a escola não tem autonomia para tomar decisões.185): É o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. classificação. centrado na valorização de elementos causais. Desta forma o educador deve utilizar todos os lugares da escola. inscrito numa grade curricular. destaca Libâneo (2004 p. destacando a importância da interdisciplinaridade. se preste atenção a tudo o que acontece na escola. Estabelecer ligações entre teoria e prática. que norteiam todo os caminhos a serem percorridos no Brasil no âmbito educacional. CONSELHO ESCOLAR Qual a principal função do Conselho Escolar? (12 02 2007) -. no currículo oculto. comunicação. envolvendo os métodos e as técnicas a serem utilizados para a transmissão de conhecimento de geração para geração. de recursos eficazes de promoção de aprendizagens mais sólidas e duradouras pelos alunos. Autoria de Maria Luiza Latour Nogueira . →Currículo integrado ou globalizado: Este currículo tem como percussores os autores espanhóis (Torres Santomé. ao lado dos conteúdos culturais. se elaboram e se transformam esses conhecimentos. como o currículo construtivista. procedimentos. 1989). utilizado o método de projetos. tem mais flexibilidade no que diz respeito aos conteúdo. estes podem ser organizado por aéreas de conhecimento.Última Atualização: (20 03 2007). →Currículos fechados: É caracterizado por disciplinas isoladas. a vivencia cultural dos alunos.SEB . ou seja. sociólogos. deve-se acolher a diversidade. nas aulas. não só pela mudança da compreensão do ato de aprender. enquanto que o currículo aberto representa o movimento por uma escola nova. que foram responsáveis. antropólogos. comparação. á diversificação da cultura escolar. entre outros). na esfera da escola e do currículo. privilegiam a classe burguesa. Esta citação de Libâneo. não é levado em conta os saberes e competências dos profissionais da educação. síntese. 2.LDB. sem no entanto acumular déficit de conteúdos. apenas seguem o que foi prescrito no currículo. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. Eu sei que os professores precisam compreender as formas pelas quais o conhecimento escolar se constitui e em que grau as relações sociais na sala estão impregnadas de relações de poder. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes. Hernandez. como a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Sobre o resultado prático da interdisciplinaridade explica Libâneo (2004 p. a teoria e os conteúdos culturais sistematizado.178): Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. tomada de decisões. → Currículo como produção cultural: os autores que defendem este modelo de currículo. a sistematização do currículo tem como pano de fundo. envolve várias práticas educativas que possam ajudar no processo de ensino-aprendizagem. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. laboratórios. ou seja. Alguns princípios que norteiam a interdisciplinaridade são: Ter como referencia o sujeito que aprende e sua relação com o saber. Refletindo sobre esta idéia. da convivência social na escola. de modo que os conhecimentos. vídeos. fortuitos. Estabelecer ligações entre os pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. critica também a forma como são construídos os saberes escolares. pretende-se que. e sim demonstrar meios para que o aluno possa construir seu conhecimento de forma critica e reflexiva. Deste modo. As idéias que norteiam este modelo curricular são: buscar a integração de conhecimento e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e critica da realidade. Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. atitudes sejam integrados na estrutura mental do aluno. sem termos um norte denominado currículo e programas. os objetivos e os conteúdos são determinados. p. 24 . têm vez e voz na definição dos temas geradores a ser desenvolvido. integrado ou globalizado.). a importância dos processos mentais na aprendizagem (observação. ou seja. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. simultaneamente. minimizando ou até recusando um currículo formal. que é um dos elementos utilizados pela escola. no currículo em ação. das diferenças. as crenças. A esse respeito Libâneo (2004. onde se notam fragmentos de currículos ligados às idéias de psicólogos.Neste olhar. os alunos dificilmente farão analises da realidade e não serão aptos a formular estratégias para sua atuação.180) enfoca: Com essa orientação. Suscitar e garantir processos integradores e apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos. Neste panorama. o currículo fechado. de certa forma se adequar à inquietação de alguns educadores. visto que não adianta romper com poder. Mas. a interdisciplinaridade. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. análise. que são colocados em prática na escola. para favorecer a integração da aprendizagens e os saberes que serão úteis ao educando para lidar com questões e problemas da realidade. currículo como produção cultural.183): Além disso. que na concepção deles. Sobre a concepção deste modelo de currículo esclarece Libâneo (2004 p. que são permeados de idéias sociais e de renovação pedagógica. como também ressaltar. sociocrítico. os anseios de um povo. mas de grandes reformas educacionais. visitas. →Currículos abertos: Tem como norte a interdisciplinaridade. qual o verdadeiro papel da educação em épocas distintas de modos e costumes vividas pela sociedade. Resumindo na prática este modelo de currículo. daí. sempre com um olhar analisador a cerca da sistematização dos conteúdos do currículo. como também todos os momentos para desenvolver a ação de educar. a escola é um local de reconstrução do conhecimento. no que tange a confecção do currículo nacional. deixando de fora a classe dos oprimidos. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. Incorpora-se também neste modelo. a compreensão de como produzem. como se realiza o trabalho efetivo de ensino? Qual é a contribuição desses autores sobre as condições de provimento de melhores situações de aprendizagem. sem os conceitos.

enfatizando a transformação da ação (Liberali. Esse pensamento é primordial para que o conselho de classe seja um espaço. do processo ensino-aprendizagem. Toda essa postura de acompanhamento tem uma finalidade maior: a construção de uma educação democrática e emancipadora. a fim de que os professores desenvolvam o pensamento crítico. construírem uma educação de qualidade e socialmente relevante. CONSELHO DE CLASSE (Mônica Galante Gorini Guerra). para expressar suas idéias e pontos de vista (Brookfield. mas os espaços nos quais podem exercer esse direito”. Sendo assim. para que tal atitude aconteça os professores e coordenadores precisam entender que o ensino-aprendizagem requer reflexão e troca de experiências. Vale dizer. Assim. prioritariamente. sabendo onde se deseja chegar e que tipo de educação se deseja desenvolver. séries ou ciclos. 2004). pode-se compreender porque a função do Conselho Escolar é fundamentalmente político-pedagógica. não se afirma como um fim em si mesmo. Compreendendo a educação como prática social que visa o desenvolvimento de cidadãos conscientes. o processo de participação dos diversos segmentos nas atividades escolares. Com esse propósito. o Grêmio Estudantil. divide-se o poder e as conseqüentes responsabilidades. Cada professor traz as suas experiências e a de seus alunos. quais os que devem ser revistos na prática cotidiana da escola e quais novos procedimentos precisam ser propostos. mas sim a toda ação consciente e intencional que vise manter ou mudar a realidade. tudo irá decorrer dela: os conteúdos a serem desenvolvidos em sala de aula. então. entre tantos outros possíveis. contudo. onde o aspecto técnico é o mais enfatizado. O conselho de classe é uma atividade em que a avaliação é constituída a partir das experiências vividas na sala de aula.Para que haja uma gestão democrática na escola é fundamental a existência de espaços propícios para que novas relações sociais entre os diversos segmentos escolares possam acontecer. Ocorre que o Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental: ele se constitui uma forma colegiada da gestão democrática. A construção da avaliação é feita através da oportunidade de rever métodos. pois estabelece os mecanismos necessários para que essa transformação realmente aconteça. Nesse acompanhamento co-responsável. o Conselho Escolar participa da elaboração do projeto políticopedagógico e acompanha o desenrolar das ações da escola. 1998). na qual os segmentos escolares e a comunidade local se congregam para. o foco é a troca de experiências e a reflexão antes da decisão. uma organização interdisciplinar e apresenta como centro do trabalho a avaliação dos alunos. é sua focalização principal. Assim. Se. a pergunta que o Conselho Escolar pode fazer é: Queremos que nossa escola desenvolva uma educação que mantenha a realidade em que vivemos ou uma educação que contribua para a transformação dessa mesma realidade? Pode-se imaginar. na implementação e na avaliação das ações da escola. mas como um parceiro de todas as atividades que se desenvolvem no interior da escola. Cabe destacar que o sentido político aqui desenvolvido não se refere à política partidária. Dessa forma. uma vez que. ou mesmo os supervisores e orientadores educacionais. 1987). a Associação de Pais e Mestres. não como instrumento de controle externo. a metodologia a ser empregada pelos docentes. E é pedagógica. O conselho de classe é um órgão colegiado em que “vários professores das diversas disciplinas. tendo como foco privilegiado a aprendizagem. por sua vez. a forma de participação direta de todos os profissionais que atuam no processo pedagógico. a função do Conselho Escolar. Assim. deliberativo e de mobilização mais importante do processo de gestão democrática. qual seja: no planejamento. como eventualmente ocorre. onde se sintam livres para colocar-se. será a que mais se enquadra nessa finalidade. o Conselho Escolar constitui um desses espaços. acompanhar o desenvolvimento da prática educativa. autônomos e emancipados e entendendo o Conselho Escolar como um mecanismo de gestão democrática colegiada. Inclusive. de processos de ensinoaprendizagem diferentes. 2004:31). A partir de então. nesse processo. “quando se quer saber se houve um desenvolvimento da democracia num dado país. para torná-la uma prática democrática comprometida com a qualidade socialmente referenciada. pela opção escolhida. Se a opção escolhida pela escola for pela manutenção da realidade. a educação emancipadora – por ter caráter político-pedagógica – é a que pode vir a ser mediadora dessas mudanças sociais. Assim. e. no entanto. que são socialmente construídas (Vygotsky. o papel do Conselho Escolar é o de ser o órgão consultivo. juntos. Com isso. a primeira atividade que o Conselho Escolar traz para si é a de discutir e definir o tipo de educação ser desenvolvido na escola. que a principal função do Conselho Escolar é político-pedagógica. juntamente com o Conselho de Classe. o certo é procurar saber se aumentou não o número dos que têm direito de participar das decisões que lhes dizem respeito. Sua participação. juntamente com os coordenadores pedagógicos. o Conselho Escolar pode iniciar uma ação consciente e ativa na escola. na medida em que estabelece as transformações desejáveis na prática educativa escolar. isto é. indica quais aspectos podem ser mantidos. Com isso definido. 25 . a opção da escola for a de ser instrumento para a transformação da realidade. os professores juntamente com o coordenador pedagógico refletem sobre os acontecimentos escolares e juntos analisam a atitude a ser tomada (Dalben. a avaliação da aprendizagem escolhida. o conselho de classe apresenta como características principais. sua função básica e primordial é a de conhecer a realidade e indicar caminhos que levem à realidade desejada. ao menos dois tipos de educação e. nas suas diversas dimensões. como apresentação da realidade que. Seja qual for a opção desejada pelo sistema de ensino e pela escola. ou seja. De acordo com a autora. Nesse sentido.” (Dalben. num processo permanente de acompanhamento e avaliação. portanto. à essência do trabalho escolar. reúnem-se para refletir e avaliar o desempenho pedagógico dos alunos das diversas turmas. Nesse contexto. Tudo isso. a gestão deixa de ser o exercício de uma só pessoa e passa a ser uma gestão colegiada. para Bobbio (2000). precisa estar ligada. sua tarefa mais importante. a função político-pedagógica do Conselho Escolar se expressa no “olhar” comprometido que desenvolve durante todo o processo educacional. É política. Esses momentos de avaliação servem como diagnóstico. até mesmo. a educação voltada apenas para o conteúdo.

A autora atribui a esse fenômeno o nome de “co-construção de raciocínio”. elaborações.). 2004). O estudo da origem dos conselhos de classe no Brasil (Rocha 1986 e Dalben 1992) possibilita constatar que sua implantação advém da necessidade sentida pela comunidade escolar. nem você muda sempre na direção com que você sonha. excluindo a participação de setores representativos da sociedade. 2005:71-73). o Encontro Internacional sobre Educação Ambiental. foi no ano de 1972 que ocorreu os eventos mais decisivos para a evolução da abordagem ambiental no mundo. onde o objeto do discurso é compartilhado entre os participantes. a UNESCO promoveu em Belgrado. os problemas ambientais já mostravam a irracionalidade do modelo econômico. que estruturava o sistema educacional. As concepções de ensino e avaliação. Mas a mudança é possível!” (Freire. adquirindo relevância e vigência internacionais. Quer dizer. Somente em março de 1965. a mudança está submetida a dificuldades. o homem ouviu falar em extinção de espécimes da fauna e flora. do dia 5 a16 de julho. em particular. fornecendo aos professores meios para desenvolver um pensamento autônomo que proporcione as dinâmicas de um trabalho livre e criativo com foco à construção de uma identidade profissional. é social. Quanto a isso. pois “o raciocínio sobre um argumento específico dentre aqueles propostos se constrói muitas vezes pela contribuição de vários interlocutores: em outras palavras. No encontro. compartilhando experiências. Evidentemente. colocou-se pela primeira vez a expressão Educação Ambiental. Essa situação pode ser relacionada com a organização da escola. na Suécia. a revolução agrícola acarretou impactos sobre a natureza. é a partir da ação partilhada que se constrói o conhecimento e neste contexto de pesquisa é de suma importância o desenvolvimento de um trabalho de colaboração entre o coordenador pedagógico e os professores. na Inglaterra. na Conferência de Educação da Universidade de Keele. segundo os quais esta deveria ser contínua. nos possibilitando redimensionar o passado e construir novas práticas. multidisciplinar. O coordenador pode.. constatou-se que os conselhos de classe desenvolvem momentos de análise para verbalizarem notas e a avaliação escolar presos às medidas de rendimento. 1992). também. é pelo diálogo entre o coordenador pedagógico e os professores em um contexto de reflexão crítica que é possível observar e perceber os problemas do cotidiano escolar buscando soluções cabíveis. os conselhos de classe. sendo o aluno o portador de problemas quanto a falta de estudo. unindo especialistas de 65 países. como uma dimensão individual. A colaboração é um processo complexo sendo necessário à participação de todos. a “Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano”. no contexto da implantação da lei nº 5692/71. possibilitando análises globais do aluno em relação aos trabalhos desenvolvidos e a estruturação de trabalhos pedagógicos. como ficou consagrada. 2001:168). supondo uma função de cunho essencialmente pedagógico. Sendo assim. pelas derrubadas das florestas. mesmo hoje regidos pela lei nº 9394/96 esse problema permanece na maioria dos cotidianos escolares. uma vez que através dessas enunciações demonstram como está sendo construída a avaliação dos alunos. com a recomendação de que ela deveria se tornar uma parte essencial de educação de todos os cidadãos. A partir de 10 mil anos a. buscando auxiliar o processo avaliativo a partir da necessidade de maior conhecimento do aluno. justificava-se a prática dos conselhos de classe presa à simples legitimação dos resultados já apresentados pelos professores. EDUCAÇÃO AMBIENTAL (Tânia Regina Effting e adaptações). Assim. A discussão sobre as terríveis disparidades entre os países do Norte e do 26 . ocorre um ‘pensar em conjunto’( . Desde então. que se manifesta de diferentes formas conversacionais. No conselho de classe. estimular os professores a verbalizarem as suas experiências. tudo transcorria em uma relação individualizada e de isolamento profissional. No início da década de 60. tensões. O fio condutor do discurso passa naturalmente de um participante para o outro ou. essa busca pela transformação na construção da avaliação dos alunos pode ser observada pela linguagem dos participantes e “no momento que nós inventamos uma linguagem e a produção social dessa linguagem. Assim. E de acordo com Dalben (2004: 37). No entanto através de pesquisas desenvolvidas por Dalben (1992) e Fongaro (1998). foram formulados princípios e orientações para um Programa Internacional de Educação Ambiental. pela retomada com o objetivo de acrescentar variações. Iugoslávia. Conhecer as origens do conselho de classe é fundamental. Nesse sentido. integrada ás diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais. então. O que é preciso é saber que a mudança não é individual. poluição do ar pelas queimadas. mas ainda não se falava em Educação Ambiental. A Organização das Nações Unidas promoveu. recomendou que devesse ser estabelecido um Programa Internacional de Educação Ambiental. Dentro desse panorama.” (Pontecorvo. estavam enraizadas na necessidade de controle interno do fenômeno pedagógico. ou durante as interações verbais. aglutinariam as diferentes análises e avaliações dos diversos profissionais. Quando o coordenador pedagógico pensa em colaborar é necessário ter ciência que implica em conflitos. No ano de 1975.1930/2002) e que passam a fazer parte do conselho de classe. num clima político pautado pelo autoritarismo. excesso de matéria orgânica e erosão. Muitas ações ocorridas no conselho de classe buscavam controlar e racionalizar os nossos motivos e atos (Bordieu. (MUCELIN. De acordo com Dias (1991). nesse contexto. mudar é possível. distanciamentos e compreensões sobre e nos discursos durante o conselho de classe relacionando-os com valores e metas definidos pela escola em seu projeto político pedagógico. a mudança não é arbitrária. pois fornece bases para compreensão da orientação política inicial e os rumos dados até os dias atuais. você não muda porque quer. (ou Conferência de Estocolmo).C. falta de assiduidade e falta de interesse. a Conferência estabeleceu um “Plano de Ação Mundial” e. Trabalhar em grupo durante o conselho de classe é primordial porque trabalhamos com a interação entre os membros da equipe. transmitindo conteúdos instrucionais definidos por especialistas e assim. Considerada um marco histórico-político internacional. poluição do solo. a formação docente deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva. Foi onde a Educação Ambiental passou a ser considerada como campo de ação pedagógica. é possível construir um significado do quanto é relevante a dimensão da construção social do pensamento e do raciocínio em contextos de discussão sobre a avaliação dos alunos. não há dúvida.

URSS. orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente.1999 e do seu regulamento. a EA deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conforma o ambiente. de 27. que se transformou num momento especial também para a evolução da Educação Ambiental. elaborados pela Comissão Internacional para preparação da Rio-92. é o aprendizado para compreender. com o decreto nº 73. Rússia. foram marcantes: a "1ª Jornada Internacional de Educação Ambiental". a evolução dos conceitos de EA esteve diretamente relacionada á evolução do conceito de meio ambiente e ao modo como este era percebido. que constitui até hoje o ponto culminante do Programa Internacional de Educação Ambiental. um dos encontros do Fórum Global atraiu cerca de 600 educadores do mundo todo. quinze depois de Tbilisi e cinco depois de Moscou. A Carta Brasileira para a Educação Ambiental. Dessa forma podem-se analisar vários conceitos de EA no decorrer da evolução. significa aprender a ver o quadro global que cerca um problema específico . definiu a AE como um processo de formação e informação.2002. Marco Legal A aprovação da Lei nº 9795. definiu a AE como uma dimensão dada ao conteúdo e á prática da educação. de modo integrado e sustentável. Assim sendo. a respeito das questões relacionada com a conservação e adequada utilização dos recursos naturais. Além dos debates oficiais. estabelecendo a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). entre os incontáveis eventos paralelos. a conferência realizada em Tbilisi. é a aprendizagem de como gerenciar e melhorar as relações entre a sociedade humana e o ambiente. O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. a Carta de Belgrado. a Internacional Union for the Conservation of Nature (IUCN) definiu a EA como um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos. o decreto nº4281. promovido pela UNESCO. para elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa. Minini relatou que a AE é um processo que consiste em propiciar ás pessoa uma compreensão crítica e global do ambiente. sua cultura e seu entorno biofísico: • Em 1972. da poluição e da dominação e exploração humana. no presente o no futuro: • Em 2000. deve desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas. De acordo com Dias (1991). pois há muito já se fazia educação ambiental. • Em 1996. baseado em um complexo e sensível entendimento das relações do homem com o ambiente e a sua volta: • Em 1977. do analfabetismo. na qual se expressava a necessidade do exercício de uma nova ética global. a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). sob uma perspectiva holística. minorar os danos existentes. Vinte anos após Estocolmo. nasceram três documentos que hoje estão entre as principais referências para quem quer praticar Educação Ambiental: Agenda 21. Nessa conferência foram definidos os objetivos e as estratégias pertinentes. devendo considerar as condições e o estágio de cada país. Acrescentou-se aos princípios básicos da Carta de Belgrado que a Educação Ambiental deve ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais. Educação Ambiental: Definições Educação Ambiental é a preparação de pessoas para a sua vida enquanto membros da biosfera. celebrou-se em Tbilisi. utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para a aquisição de conhecimentos. Assim. Já aparecia em 1973. dois. da fome. e o "Workshop sobre Educação Ambiental" organizado pelo MEC. trouxe grande esperança. chegou-se a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). nesse encontro. especialmente para os educadores. sem esquecer da necessidade de realização de atividades práticas e de experiências pessoais. em nível nacional e internacional. que criou a Secretaria especial de Meio Ambiente explicitando. a EA foi definida como um processo que deveria objetivar a formação de cidadãos: • Em 1970.6. seus valores. região e comunidade. em favor do bem-estar da comunidade humana.Sul gerou. Destes eventos. através de um enfoque interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade.030. e os processos naturais ou artificiais que o causam e que sugerem ações para saná-lo.4. que é a necessidade de universalização dessa prática educativa por toda a sociedade. cultural e histórica. conhecer e utilizar novas oportunidades e tomar decisões acertadas. de 25. não podendo basear-se em pautas rígidas e de aplicação universal. realizou-se o Congresso Internacional sobre a Educação e Formação Relativas ao Meio Ambiente (1987) em Moscou. Educação Ambiental: Conceitos e sua Evolução. apreciar. na satisfação material e espiritual da sociedade. significa aprender a empregar novas tecnologias.sua história. • Em 1969. em 1977. fatores econômicos e tecnológicos. independente de haver ou não um marco legal. percepções. orientada para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais e de atividade que levem á participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental: • Em 1992. para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado. Postulou-se que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação global. que proporcionasse a erradicação da pobreza. com vista a utilizar racionalmente os recursos do meio. a promoção do “esclarecimento e educação do povo brasileiro para o uso adequado dos recursos 27 . saber lidar e manter os sistemas ambientais na sua totalidade. orientada para a resolução dos problemas. voltado para o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias á compreensão e apreciação das inter-relações entre o homem. ambientalistas e professores. reconhecendo o valor do saber prévio dos estudantes. Passados dez anos da Conferência de Tbilisi. política. A trajetória da presença da educação ambiental na legislação brasileira apresenta uma tendência em comum. evitar desastres ambientais. entre suas atribuições. Mellows apresentou a AE como um processo no qual deveria ocorrer um desenvolvimento progressivo de um senso de preocupação com o meio ambiente. a EA se caracteriza por incorporar a dimensão socioeconômica. aumentar a produtividade.

• concentrar-se nas situações ambientais atuais. Importância da Educação Ambiental As estratégias de enfrentamento da problemática ambiental. inciso IV). técnico. a necessidade de desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas.. como espaços privilegiados na implementação de atividades que propiciem essa reflexão. necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente. em seu artigo 2º inciso X. §1º. tendo em conta também a perspectiva histórica. §1º. começando pelo pré-escolar. social. Educação Ambiental: Princípios Gerais • Sensibilização: processo de alerta. • Responsabilidade: reconhecimento do ser humano como principal protagonista. Atribui-se ao Estado o dever de “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e conscientização pública para a conservação do meio ambiente” (art. para o ensino fundamental. Na legislação educacional. a presença. inciso II. sociais. e de potencializar a função da educação para as mudanças culturais e sociais. assim. surgindo. de modo que os educandos se identifiquem com as condições ambientais de outras regiões geográficas. com ações orientadas em projetos e em processos de participação que levem à autoconfiança. é o primeiro passo para alcançar o pensamento sistêmico. A lei nº 6938. tendo em vista a conservação do meio ambiente”. a educação assume posição de destaque para construir os fundamentos da sociedade sustentável. da tecnologia. nacional e internacional. de modo que se adquira uma perspectiva global e equilibrada. a todas as pessoas. segundo o qual os currículos do ensino fundamental e médio “devem abranger. Na Lei de Diretrizes e Bases. tecnológicos. de 31. do ser humano com ele mesmo e do ser humano com seus semelhantes é condição imprescindível para que a Educação Ambiental ocorra. • utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para comunicar e adquirir conhecimento sobre o meio ambiente.. nacional e internacional para prevenir e resolver problemas ambientais. existem poucas menções à questão ambiental. Dessa forma. ou seja. inclusive a educação da comunidade. Mas a Constituição Federal de 1988 elevou ainda o status do direito à educação ambiental. a existência da interdependência econômica. o direito constitucional de todos os cidadãos brasileiros terem acesso à educação ambiental. segundo o qual se exige. a atitudes positivas e ao comprometimento pessoal com a proteção ambiental implementados de modo 28 . é no sentido de promover a articulação das ações educativas voltadas às atividades de proteção. a necessidade de promover “educação ambiental a todos os níveis de ensino. incluindo nesse contexto as ações em educação ambiental. • construir um processo contínuo e permanente.naturais. • Cidadania: participar ativamente e resgatar direitos e promover uma nova ética capaz de conciliar o ambiente e a sociedade. histórico-cultural.8.1981. acentuando devidamente as atividades práticas e as experiências pessoais. a “compreensão ambiental natural e social do sistema político. e no artigo 36. e continuando através de todas as fases do ensino formal e não-formal. da reflexão sobre as relações dos seres entre si. • Competência: capacidade de avaliar e agir efetivamente no sistema. o interesse ativo a as atitudes. ainda é superficial a menção que se faz à educação ambiental. política e ecológica. nº 9394/96. envolvem uma articulação coordenada entre todos os tipos de intervenção ambiental direta.) o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. • Proporcionar. assim como as medidas políticas. sobressaem-se as escolas. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade”. • aplicar um enfoque interdisciplinar. especialmente do Brasil”. 225. a possibilidade de adquirir os conhecimentos. apresentando uma dupla função a essa transição societária: propiciar os processos de mudanças culturais em direção a instauração de uma ética ecológica e de mudanças sociais em direção ao empoderamento dos indivíduos. recuperação e melhoria sócia ambiental. recuperação e melhoria sócio ambiental. grupos e sociedades que se encontram em condições de vulnerabilidade face aos desafios da contemporaneidade. em conseqüência. • ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais. a referência é feita no artigo 32. no tempo e no espaço. (PRONEA) Para VASCONCELLOS (1997). que organiza a estruturação dos serviços educacionais e estabelece competências. ao mencioná-la como um componente essencial para a qualidade de vida ambiental. nas zonas urbanas e rurais. aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina. do ponto de vista do local. A Escola na Educação Ambiental Considerando toda essa importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo. • considerar de maneira explícita. em seus aspectos naturais e criados pelo homem. • examinar as principais questões ambientais. (ProNea) E nesse contexto onde os sistemas sociais atuam na promoção da mudança ambiental. as atitudes. que institui a política Nacional do Meio Ambiente. o sentido dos valores. regional. • destacar a complexidade dos problemas ambientais (sócioambientais) e. pois isso necessita de atividades de sala de aula e atividades de campo. os aspectos ambientais nos planos de desenvolvimento e de crescimento. jurídicas. moral e estético. • Induzir novas formas de conduta nos indivíduos. político. • Compreensão: conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem os sistemas naturais. Objetivando capacitá-la para a participação ativa na defesa do meio ambiente”. exprimindo. que se insere a Educação Ambiental no planejamento estratégico para o desenvolvimento sustentável. em todas as práticas educativas. despontam também as atividades no âmbito educativo. obrigatoriamente (. para surtirem o efeito desejável na construção de sociedades sustentáveis. a respeito do meio ambiente. • insistir no valor e na necessidade da cooperação local. nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto. Educação Ambiental: Princípios Básicos • considerar o meio ambiente em sua totalidade. Portanto. Educação Ambiental: Suas Finalidades • Ajudar a fazer e compreender claramente. econômico. institucionais e econômicas voltadas à proteção. também evidenciou a capilaridade que se desejava imprimir a essa dimensão pedagógica no Brasil.

da atualização dos conhecimentos obtidos na formação inicial. Talvez aqui seja interessante distinguir a questão da racionalidade técnica da racionalidade prática. de áreas. só possíveis de serem adquiridos por via escolar. segundo a qual as insuficiências da formação inicial. o indivíduo só pode procriar depois que seu organismo está formado. Não lhe ocorre em nenhum momento nessa fase imaginar a sua formação. de acordo com as regras existentes. Essa idéia fica ainda mais assumida em Pimenta quando afirma: “O. Tendo a clareza que a natureza não é fonte inesgotável de recursos. mais precisamente. Por estas relações pode-se perceber que entre os referidos processos existe o mesmo tipo de tensão que encontramos entre o crescimento e a procriação do ser vivo. senão. com a aquisição de determinadas habilidades. atingindo tanto o bairro no qual a escola está inserida como comunidades mais afastadas nas quais residam alunos. enfim. SOUZA (2000) afirma. palestras. só se torna professor depois de se formar e essa formação depende de determinados requisitos indispensáveis para iniciar-se na profissão. O aluno trabalha nela como se ela fosse sinônima da sua habilitação. as ações humanas e sua conseqüência para consigo. A formação inicial estaria. da reciclagem.interdisciplinar (DIAS. à elaboração de pequenos projetos de intervenção. em um ambiente saudável. ou seja. É como se na prática. para sua própria espécie. da atribuição de um papel central ao sujeito que aprende (em vez de o atribuir à figura do formador)”. Dentro da escola deveremos encontrar meios efetivos para que cada aluno compreenda os fenômenos naturais. auxiliando-o a analisar criticamente os princípios que tem levado à destruição inconseqüente dos recursos naturais e de várias espécies. E o organismo precisa estar formado de uma certa maneira. quase sempre. suas reservas são finitas e devem ser utilizadas de maneira racional. Por isso é que o futuro professor se concentra nessa fase com as demandas próprias da sua condição de estudante. Esse processo de sensibilização da comunidade escolar pode fomentar iniciativas que transcendam o ambiente escolar. a relação não é diferente. falarmos de formação do professor no seu sentido continuado quer seja ela em serviço ou não. ou da prática docente? Mantemos o modelo cuja característica marcante é se realizar. a formação de um profissional não é um processo indefinido – o limite é dado no momento em que recebe um certificado de habilitação para o exercício da profissão docente. Assim sendo. Da prioridade da racionalidade técnica sobre a racionalidade prática. professores e funcionários. ou vice-versa. a tendência atual consiste em focalizar a atenção no potencial formador e transformador dos saberes adquiridos na experiência do cotidiano da prática docente. a partir da coleta de dados. da racionalidade prática sobre a racionalidade técnica. Em seu lugar têm-se proposto. portanto. pois. principalmente o ambiente da escola. Exatamente nesse ponto emerge a questão de fundo da discussão sobre a formação continuada de professor: de que ponto de vista metodológica deve-se continuar o processo de formação do professor? Por meio da extensão. profissional não pode constituir seu saber-fazer. colaborando para a construção de uma sociedade socialmente justa. que o estreitamento das relações intra e extra-escolar é bastante útil na conservação do ambiente. etc. colocando em segundo plano qualquer noção de formação continuada destinada a atualizar ou suprir lacunas diagnosticadas na formação inicial dos professores. e a outra preocupada com a obtenção de competências sócioprofissionais. diretamente relacionada. mínimas e indispensáveis. Ressaltado que as gerações que forem assim formadas crescerão dentro de um novo modelo de educação criando novas visões do que é o planeta Terra. disciplinas. pode-se dizer que o primeiro problema complexo da formação dos professores diz espeito ao caráter lógico-dissociativo entre o ambiente escolar onde o aluno se habilita para a profissão e a escola em que ele trabalha como professor. Esse período é marcado pela ênfase na certificação de habilidades. inclusive. A escola dentro da Educação Ambiental deve sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente e as demais espécies que habitam o planeta. oficinas e saídas a campo. para a prática docente? A tendência hoje fortemente questionada. Esse processo oferece possibilidades para os professores atuarem de maneira a englobar toda a comunidade escolar e do bairro na coleta de dados para resgatar a história da área para. segundo Canário (1997) é colocar em questão qualquer solução baseada na perspectiva cumulativa da aquisição de conhecimentos. sobretudo. também como um produto do seu desenvolvimento profissional. contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis. evitando o desperdício e considerando a reciclagem como processo vital. Desta feita. Pensa-se exclusivamente de um ponto de vista acadêmico. No processo de formação de professor. ele deixa de concretizar o ato da procriação. currículos. 1992). Assim sendo a escola é o espaço social e o local onde o aluno será sensibilizado para as ações ambientais e fora do âmbito escolar ele será capaz de dar seqüência ao seu processo de socialização. no cotidiano da vida escolar. Assim. exclusivamente obtidas mediante o exercício prático da profissão. FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES (Fernando Casadei Salles) É preciso esclarecer a verdadeira natureza das relações entre os processos de formação inicial e continuada. como ação planejada de fora para dentro da escola? Ou invertemos a situação e trazemos o modelo de formação dos professores para o interior da escola. se tratasse de duas lógicas incomunicáveis entre si: uma preocupada com a aquisição de determinados saberes escolares. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática. É fundamental que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos sociais construtivos. conhecer seu meio e levantar os problemas ambientais e. A metodologia teórica e prática dos projetos ocorrerão por intermédio do estudo de temas geradores que englobam aulas críticas. conjugada com a obsolescência desses conhecimento os sirvam de justificativa para processos formativos estruturados pela noção de “reciclagem”. para os outros seres vivos e o ambiente. onde ele efetivamente realiza o seu desenvolvimento profissional. para simplesmente não cairmos no maniqueísmo disto ou daquilo. senão a partir de seu próprio 29 . significa antes de qualquer coisa falarmos do caráter lógico-associativo que essa prática precisa assumir frente aos problemas da teoria e da prática envolvidas no processo de formação do professor. Assim. segundo Canário (1997:4): “uma forte valorização dos saberes adquiridos por via experiencial e.

lembramos que os professores se formam também nas lutas democráticas e sindicais. no contexto de suas experiências empírico-profissionais. além. É necessário compreendermos o caráter complementar de cada momento do processo de formação dos professores para que o campo da prática não acabe se tornando o único domínio da formação dos professores. pois exige um conhecimento mínimo de dinâmica de grupo. da universidade. está em seu desempenho na sala de aula. Não podem (nem devem!) ser descarregadas nos alunos. não faria sentido as críticas de aligeiramento da formação inicial que caracterizam a atual política de formação de professores e tampouco as reivindicações de políticas que. é uma qualidade de relacionamento humano entre o corpo docente e os alunos em uma sala de aula e. a formação inicial do professor. que não têm a ver com o problema. Como em qualquer relacionamento humano. Portanto. Senão. quatro funções: 1. Senão é como se estivéssemos tentando continuar uma coisa que nem bem começou. ele não deve simplesmente fazer o que bem entender. escola não é clínica. especialmente. Seria falta de lealdade ficar sabotando os colegas perante os alunos. suas experiências intra-escolares. possibilitam aos professores manterem-se atualizados diante das diferentes condições de trabalho permanentemente colocadas nas suas práticas docentes. A única forma de solucionar um problema é identificar o erro. não significa tomá-la. bem como noções básicas de psicologia para manter a autoridade de coordenador. começou aligeirada e precariamente. como toda a certeza. é como se fosse possível substituirmos simplesmente uma forma de racionalidade por outra. descartáveis ou sem função. além das características do ambiente. Não é por que as nossas convicções teóricas de análise discordam dos modelos de racionalidade técnica empregados. Pode ser um comunicador nato ou vir a desenvolver essa qualidade por meio da própria experiência. o professor tem direitos e obrigações. O professor e essencial para a socialização comunitária e tem. no entanto.se de um único professor. Por isso é importante que os professores adotem um padrão básico de atitudes perante as indisciplinas Mais 30 . 2. Eventuais insatisfações ou desavenças empregatícias devem ser resolvidas por meio dos canais competentes. Em outras palavras. LIMITES E DISCIPLINA NA ESCOLA (IÇAMI TIBA) O desafio dos professores A disciplina escolar é um conjunto de regras que devem ser obedecidas tanto pelos professores quanto pelos alunos para que o aprendizado escolar tenha êxito. mas não são irreconciliáveis. basicamente. na função de coordenador de alunos. como o espaço exclusivo da “verdadeira” (e por que não única?) educação continuada. Portanto. Numa escola em que cada professor atua como bem entende. nos momentos de lazer e de fruição estética e em tantos outros que. é sinal de que algo está errado. Esta função não é habitualmente ensinada no currículo. principalmente. na vida familiar. Apesar de concordar com a idéia da prática como critério da verdade proposta por Garrido. é preciso. PROFESSOR PROPRIAMENTE DITO. a racionalidade técnica pela racionalidade prática. na escola. como fazem os estudantes.fazer. Se muitos alunos queixam. COORDENADOR DO GRUPO DE ALUNOS. Um professor pode ouvir a reclamação de um aluno sobre outro professor e fazer com que chegue ao envolvido para que este possa tomar alguma providência no sentido de responder adequadamente à reclamação. ou que se começou. O que implica uma estratégia de política de formação continuada fortemente voltada para a superação dessa deficiência. Os professores devem ajudar. A maior força do professor. a priori. tendo em vista. Como todo o ser humano. são vistas e comparadas com as de formação realizadas em serviço. sobretudo despolitizar o tema da formação dos professores. ao privilegiarmos a prática docente como o lócus preferencial de formação da identidade profissional do professor. ou discordam do sentido burocrático dado ao processo de certificação das habilidades escolares obtidas na formação inicial.se mutuamente. enquanto elaboração teórica se constitui” (1999:26). quanto à constante introdução de novos saberes escolares. que vamos desmerecer a necessidade para o desenvolvimento profissional docente de uma sólida formação inicial e na continuidade de uma renovação. na disciplina é preciso levar em consideração as características de cada um dos envolvidos no c aso: professor e aluno. amplificando. conseqüentemente. é preciso que sejam consideradas distintas. de tempos em tempos. 3. Independentemente da maneira como as estratégias de formação continuada. como se pode perceber. Não é senão sobre essa base que o saber. via de regra. extensão e atualização permanente dessa formação. ao representar a instituição escolar. MEMBRO DO CORPO DOCENTE. Portanto. na formação de professores. Elegermos a escola ou o fazer-docente como o campo por excelência da formação dos professores. Isso se aprende no círculo profissional. jogando um professor contra outro. Para poder ensinar. Só para destacarmos o que talvez se possa considerar como dos mais importantes espaços de formação docente. é necessário saber o que se ensina. o diagnóstico quase unânime em relação à precariedade da formação inicial dos professores do país. sobretudo perante as indisciplinas dos alunos. o professor tem que identificar as dificuldades existentes na c lasse para poder dar um bom andamento à aula. ou mesmo aprimorando. inspiradas nos modelos da racionalidade técnica. haverá. destacar o limite dessa afirmação no sentido de que a prática se mantenha apenas como critério e não se confunda com a própria verdade. por excelência. Se assim fosse. no entanto. EMPREGADO DE UMA INSTITUIÇÃO. Partem de pressupostos teóricos e metodológicos distintos. inspiradas nos modelos da racionalidade prática. excedem a experiência profissional restrita ao ambiente escolar. o professor também pode estar errado. não venhamos excluir ou reduzir indevidamente o espaço de outras instâncias da formação dos professores. Saber como ensinar: o professor precisa conseguir transmitir o que sabe. elas não podem ser consideradas. Sala de aula não é consultório. 4. evidentemente. não há também porque negarmos a formação desses profissionais em outros contextos. negar que os professores se formam além das suas experiências empírico-profissionais significa desculturar e. O fato de ser professor não é garantia de estar sempre certo. Como todo empregado. Assim como não há por que rejeitarmos o princípio de que os professores se formam. discórdias dentro do corpo docente e os alunos saberão aproveitar-se dessas desavenças. Ao nosso ver. Os alunos correm o risco de ser manipulados pelo professor em virtude da própria posição de poder que ele exerce na c lasse.

em 1909. Este campo. música. como se todos vestissem o mesmo uniforme comportamental. A Educação Tecnológica. incorpora também as dimensões correlatas da questão do trabalho e. Ela teve início pelo então ensino técnico que criou as suas primeiras escolas técnicas propriamente ditas. ou da filosofia da tecnologia. com o surgimento da industrialização. que tem suporte nos dois eixos básicos de sua concepção. A Educação Tecnológica pode ser focalizada de vários pontos de vista: do mundo da educação. empreendedoras e. mais se pensa que não é preciso saber mais. para aqueles que irão lidar com a realidade de uma sociedade tecnologizada. Os melhores alunos são os que acabam aprendendo mais. Posteriormente. No entanto. Ela vai além dos conhecimentos das técnicas ou de um ensino técnico para comprometer-se com uma visão de mundo que contempla os valores que o fundamentam e determinam. isto é. mais se quer aprender.se de um fator imponderável. O ambiente também interfere na disciplina. da produção de conhecimentos. Em termos de sabedoria.. com o objetivo de formar artífices.6. esportes. Uma escola em crise. mais preparado estará. Na década de 60. a propósito. Portanto.1978. volta-se à questão do ensino técnico. mas há que se ter um tratamento específico sobre sua estreita relação com a própria Pedagogia e sua aplicação no campo educacional. hoje retornando ao cenário pelas mãos do ensino técnico x ensino médio. Seus idealizadores ressaltaram no Relatório do Grupo de Trabalho. muitas vezes. Em 1978. De um modo geral. descartáveis após a prova. portanto. políticos ou sociais. de 30. com a obrigatoriedade do ensino profissionalizante. que esteja passando por greves e os conseqüentes conflitos entre grevistas e fura-greves. que pode fazer “cair na prova” o que o vestibulando mais estudou e “não cair” justamente o que estudou. com conhecimentos. a maior dificuldade que encontra para estudar é a falta de motivação. esta determinação legal trouxe à tona o velho debate sobre educação geral x formação profissional. Estudar para quê? Para passar de ano? Para ganhar presente? Para ter sabedoria? Pra os pais não “pegarem no pé”? Entretanto. encaminhando aos órgãos superiores. Rodrigues mostra que. Em termos de ignorância.. Conceitos de Educação Tecnológica O conceito de Educação tecnológica prende-se. Afirmaram também que “os CEFET’s exerceriam uma liderança natural do ensino de tecnologia. apesar das duas expressões terem significados complementares. quanto mais estudar. Esse uniforme protege a individualidade do professor. EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA (MIRIAN PAURA SABROSA ZIPPIN GRINSPUN e José Roberto Mendes) A educação tecnológica é muito antiga na realidade brasileira. quanto mais se sabe. pessoas que dominassem o trabalho manual. O aluno também é peça-chave para disciplina escolar e o sucesso do aprendizado. Sem entrar no mérito da discussão. disciplinadas. Sobre esse tema.. são as pessoas mais animadas. alagadas ou sem condições de acomodar todos os estudantes são locais pouco prováveis de conseguir uma boa disciplina. das práticas sociais em que esse trabalho vai ocorrer. em aspectos econômicos. escuras. e aulas ministradas durante grandes eventos populares são situações que dificultam o aprendizado. com o avanço do desenvolvimento tecnológico. ou seja. quanto mais conhecimento tiver. aos conceitos específicos de sua expressão. o que estimula (no passado mais ainda) o estudo suficiente apenas para passar de ano. elas não são idênticas e que esse último tipo de produção seria possivelmente a educação que deveríamos dar a todos os jovens para os adequar a vida contemporânea (1996:1). menos ele dependerá da sorte.). conceitos e categorias particulares de diferentes campos científicos.. Os estudos que vem sendo desenvolvidos têm se pautado por áreas mais ou menos específicos num enfoque teórico que se respalda. em outras décadas. da necessidade de novas metodologias. nas quais ninguém ouve ninguém. quando a ela se refere mais precisamente ao tipo de educação para os que irão aprender a fazer tecnologia. A primeira voltada para os que irão aprender a fazer tecnologia e a segunda. que no tocante aos aspectos pedagógicos teve seu ápice na lei 5692/71. A autora faz uma diferença entre as expressões educação tecnológica e educação para a tecnologia.. afinal.. também. há que se ter uma visão um pouco mais objetiva do que entendemos atualmente por educação Tecnológica. A necessidade de busca de um domínio mais pedagógico é um fato marcante no campo da Educação Tecnológica. pode referir-se aos mecanismos e processos advindos do desenvolvimento científico tecnológico. sugiro a leitura do meu livro Ensinar Aprendendo. menos. por certo. a motivação para estudar é acumular saber. mas as normas da escola. coleções etc. sendo o seu modelo paradigma para o ensino nesta área. que as novas autarquias educacionais seriam instituições de ensino técnico com a finalidade de ministrar cursos da área de tecnologia e de formação de professores. bem como brigas entre classe e professor. depende do domínio de enfoques teóricos. O ensino fundamental e médio tende a ser aprovativo.comuns. portanto. a condição ambiental mais prejudicial é o estado psicológico do grupo. Atualmente. não está simplesmente desrespeitando um professor em particular. do mundo do trabalho. evidentemente. quando estão interessados em algum assunto em particular (computação. e os piores. em que instituições como o SENAI começaram a preparar mãode-obra qualificada para o mercado de trabalho. No vestibular. foi assinada a lei 6545. salas muito quentes. quanto menos se sabe. bem diferente de atingir uma média 5 para não repetir de ano. uma vez que pode se direcionar mais para os aspectos inerentes à educação e ao ensino técnico. Na medida em que a Educação tecnológica ampliou o seu núcleo de atividades de comportando diferentes formas de atuação e concepção. como. mas na sua interação e integração diz 31 . A Educação Tecnológica vai aos poucos solidificando sua estrutura cuja base se encontra no ensino técnico”. geralmente. Trata. criando os Centros Federais de Educação Tecnológica. Quando um aluno ultrapassa os limites. numa interação dialética. o fator sorte é mais decisivo quanto menor for o conhecimento. tem início uma educação técnica paralela ao sistema regular de ensino. A expressão Tecnológica não possui um consenso no seu significado. Classes muito barulhentas. Já o vestibular para a faculdade é um sistema competitivo e depende da sabedoria.

mas. problemas de recepção. das novas relações sociais. mas como uma busca da compreensão dos novos papéis e funções que o homem tem na sociedade.. com novos instrumentos nas produções e relações sociais. por sua vez. Em suma. disfunções no processamento de informações por ruptura dos processos psicológicos superiores. integração.) conjunto de situações de ensino-aprendizagem que visam facilitar nos educandos a análise de conjunturas. Examinando-se inúmeras definições de dificuldades de aprendizagem. observou-se. tais como: (.. promove o despertar para a interpretação do contexto atual à luz de seus condicionamentos e fundamentos. sobressaindo a dimensão ética num mundo crivado de tecnologia em todos os setores sociais. modelos e definições para esclarecer esse problema. fazendo com que se entendam as questões vivenciadas pelos educandos. “O conceito de Educação Tecnológica implica a formação de profissionais habilitados a transmitir conhecimentos tecnológicos sem perder de vista a finalidade última da tecnologia que é a de melhorar a qualidade de vida do homem e da sociedade” (PEREIRA. não havia. ou do saber-fazer para uma grande categoria do saber-ser. da capacitação de mão-de-obra.respeito ou à formação do indivíduo para viver na era tecnológica. não determinantes dos resultados econômicos e sociais. etiologia. Há muitas teorias. a Educação Tecnológica caracteriza-se por um dinamismo constante. precisamos estar atentos e acreditar numa educação crítica que dê lugar tanto aos fundamentos básicos teóricos quanto à prática social que ela caracteriza. ou à aquisição de conhecimentos necessários à formação profissional (tanto uma formação geral como específica). ressaltando a rede de conhecimentos advindos das teorias existentes e da necessidade de rever a prática pelos sinais indicados pela teoria. prevalência e aos tipos de intervenção apropriados. então. Passemos. de uma forma mais crítica e mais humana. integra necessariamente as diferentes categorias do saber. pois aprofunda-se com o projeto político-pedagógico dessa instituição. A Educação Tecnológica segue o caminho das inovações não como descobertas em si. envolvendo tanto a invenção como a inovação tecnológica. sociais e econômicos que tem a ver com desenvolvimento” (BRASIL. nos dias atuais. das relações de trabalho e outros exigidos pelos avanços tecnológicos. Bastos (1998) diz que ela não admite aceitar a técnica como autônoma por si só e. determinismo ou conformismo a um status quo social. assim como às questões mais contextuais da tecnologia. as dificuldades de aprendizagem constituem. elaboração e de expressão. Educação é esse misto de responsabilidade e de muita esperança na possibilidade de transformação da sociedade. de pensamentos hipotéticos. repercussão multidisfuncional 32 . não se iniciam com um trabalho. como vertente do sistema educativo indo até outros campos legais que cobrem setores da produção. com novos impactos tecnológicos. em que a técnica é fator determinante” (BAPTISTA. mas são permanentemente solicitados a pensar-refletir-agir num mundo marcado por progressivas transformações. hiperatividade. que vai além de uma proposta de ensino na escola. em todas. • A Educação Tecnológica busca integrar ensino e pesquisa. acarretando problemas de linguagem. “(. cálculo – no ensino fundamental e em disciplinas nucleares do ensino médio – etiologia disfuncional do sistema nervoso central. desorientação espacial. 1994). com adaptações). as novas exigências impostas pelas relações sociais e a maneira pela qual poderemos superar as dificuldades existentes no mercado de trabalho.) baixo aproveitamento escolar em leitura. 1993). Na Educação Especial. consequentemente. tendo a complexidade do meio (tanto em termos científicos como sociais) e a prospecção do futuro como faróis de seu projeto pedagógico. a partir do trabalho.) a educação tecnológica assume um papel que ultrapassa as fronteiras legais das normas e procedimentos a que está sujeita. a Educação Tecnológica está baseada na concepção de uma educação transformada. consenso quanto à sua conceituação. Seu aparecimento exprimiu a convicção de educadores. que não se esgotam na transmissão de conhecimentos. oriundos. dificuldades interacionais. do fazer. ditado. porém. sim. da Ciência e da Tecnologia. saber-pensar e criar. perpetuação dos distúrbios de aprendizagem ao longo da vida. comportamentos comuns aos alunos com esse problema. Em outras palavras.. Características da Educação Tecnológica • A Educação Tecnológica não impõe o ensino das novas tecnologias. aptos ao ingresso imediato no mercado de trabalho (. A expressão “dificuldades de aprendizagem” começou a ser usada mais frequentemente no século passado. desmotivação. área das mais difíceis de se conceituar. mas sim em fazer despertar nesse indivíduo o valor da tecnologia. impulsividade. e sim um posicionamento. PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM (Sahda Marta Ide e Edinalva Sidronêz de Mendonça. um conhecimento e um envolvimento com saberes que não acabam na escola. problemas conceituais. 1996). década de 60.. talvez. mas iniciam-se na busca da construção de conhecimentos que possibilitem transformar e superar o conhecido e ensinado. propiciando os requisitos básicos pra viver numa sociedade em transformação. envolvendo processos de raciocínio. • A Educação Tecnológica exige uma interação da teoria com a prática. MEC/SEMTEC. • A Educação Tecnológica pretende levantar questões relativas aos valores pertinentes ao momento atual. por certo. para descrever uma série de incapacidades relacionadas com o insucesso escolar. • A Educação Tecnológica procura identificar. Para que alcancemos estas etapas. sua utilização e a capacidade e possibilidade que ele possui de poder transformar e criar novas tecnologias. O importante na Educação Tecnológica é o trabalho de formação da cidadania.. a alguns conceitos de educação tecnológica: “A Educação Tecnológica é a vertente da educação voltada para a formação de profissionais em todos os níveis de ensino e para todos os setores da economia. especialistas e pais. • A fundamentação básica da Educação Tecnológica resume-se no saber-fazer. • A Educação Tecnológica não é tecnicismo.. de que algumas crianças possuíam problemas de aprendizagem que não se enquadravam nas categorias existentes. estruturas e contingentes. Não há uma preocupação específica em ensinar uma tarefa/ofício a um educando. o que.

Fatores Psicógenos: relacionados com a dimensão que considera a aprendizagem como função do eu e que pode explicar a diminuição das funções implícitas no aprender ou a transformação dessas funções. disfunção cerebral mínima. dando-se. a partir de aspectos individuais. uma nova definição para o problema: Uma criança com dificuldade de aprendizagem possui uma deficiência em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou uso da linguagem falada ou escrita. separada ou concomitantemente. pois passou-se a considerar a criança com dificuldade de aprendizagem como possuidora de um potencial intelectual acima da sua realização escolar. Elas não incluem problemas de aprendizagem. porque não consideram a influência dos fatores externos como os pedagógicos. de deficiência mental. urge que se tomem os necessários cuidados. coexistência de outros problemas emergentes dessas condições de dificuldades. motora. e mais desejada pelos pais. Dislexia: refere-se à falha no processamento da habilidade da leitura e da escrita durante o 33 . Ultimamente e pela crescente importância que tem sido dada ao modelo social de conceituar as deficiências e as incapacidades. 1968. a maioria dos educadores ainda situam no aprendente a única responsabilidade das dificuldades de aprendizagem que manifesta. audiológicos. sob a influência do modelo médico de conceituação das deficiências e incapacidades. resultantes de uma possível disfunção cerebral e/ou de distúrbios de comportamento que não dependem de deficiência mental. as pessoas com dificuldades de aprendizagem ou com outras limitações são representadas no imaginário social com marcas. 2. é mais aceita. um número muito grande de comportamentos e problemas atribuídos a crianças que. por algum motivo. quando se tornarem adultos. na escrita. alertando que possibilitam uma visão ampla e total do ser humano. não são passíveis de constatação orgânica. facilitando ou não sua aprendizagem. Fatores Específicos: mais relacionados à dimensão cognitiva. Do elenco de fatores citados por Pamplona. cultural ou de um conjunto de fatores pedagógicos. 3. para que não se caia na armadilha de considerar todo problema escolar como dificuldade de aprendizagem. Principais Dificuldades de Aprendizagem: 1. Fatores que Intervêm na Aprendizagem Pamplona considera que os fatores que podem levar ao fracasso escolar (ou sucesso) escolar podem ser divididos em: psicológicos. além dos sócioeconômicos. na atribuição de significados. dislexia. Se o aluno não aprende. na fala. culturais e pedagógicos que envolvem o aprendiz e que são externos aos sujeitos. (KIRK. Estudos e pesquisas evidenciam que. devido ao seu caráter abrangente. p. sob a ótica do subjetivismo e na unidirecionalidade de uma análise que considera o aprendiz como um ser a-histórico. como cidadãos de segunda classe. da leitura. que a vêem como uma forma mais branda de denominação para os problemas de seus filhos. seja uma lesão. oftalmológicos. A dificuldade de aprendizagem seria a manifestação de uma discrepância educacional significativa entre o potencial intelectual estimado da criança e o seu nível atual de realização. subjetivos. Fatores Orgânicos: relacionados com a dimensão biológica. num ou mais processos da linguagem falada. 4. mas podem manifestar-se na área da leitura. Esse autor elaborou para a National Advisory Commitee on Handicapped Children. seja uma disfunção que o incapacita ou outro problema. perturbação emocional severa ou perda sensorial. da escrita. conferindo-se maior importância aos fatores decorrentes de fatores sócioeconômicos. fonoaudiológicos. na soletração ou na aritmética.dos distúrbios de aprendizagem. (FONSECA. no terreno individual. principalmente de deficiência visual. que exige diagnóstico clínico. linguísticos e biológicos. culturais. lesão cerebral. na leitura. na idéia de dificuldade de aprendizagem como característica definitiva que os colocará. Entretanto. no pensamento. alicerçadas em juízos de valor. resultantes. neurológicos. p. Valoriza-se a dificuldade e perde-se a pessoa em sua dimensão de integralidade. audiológicos. incluem transtornos na adequação perceptivo-motora. o foco tem se deslocado da subjetividade para a objetividade. erradamente. econômicos. ou na organização espacial e temporal. oftalmológicos. etc. não aprendem de acordo com o seu potencial. frequência e abundância de estímulos. De modo geral. pedagógicos. desse modo. da ortografia ou da aritmética. 1987. poderiam estar comprometidos os aspectos psicológicos. Tais dificuldades incluem condições que têm sido referidas como deficiência perpétua. fonoaudiológicos e biológicos do aprendiz. tomando-se a parte pelo todo. Tal entendimento constituiu um marco histórico. afasia de desenvolvimento. do sistema nervoso central e das glândulas. referem-se às possibilidades reais que o ambiente oferece ao indivíduo em termos da quantidade e da qualidade. neurológicos. de perturbação emocional ou de desvantagem ambiental. numa perspectiva educacional. “lesão cerebral” ou “disfunção cerebral mínima”. etc. Criam-se os preconceitos e os estereótipos que desencadeiam discriminações. ele deve ter limitações decorrentes de alguns problemas pessoais. isto é. prevalece a crença de que é. As baixas expectativas em relação às potencialidades desses sujeitos também refletem o imaginário coletivo inspirado. gerando inibições na aprendizagem ou sintomas de dificuldades. que se localizam as verdadeiras causas do fracasso. por privação cultural e/ou educacional. A dificuldade para aprender é um sintoma com uma função tão integrativa como a do aprender e que pode ser determinada por: 1.225-226). Somente em 1962 é que “dificuldade de aprendizagem” foi utilizada por Samuel Kirk em seu livro Educating Exceptional Child e entendida como um atraso. respectivamente. uma desordem ou imaturidade.34). Estas dificuldades podem manifestar-se por desordens na recepção da linguagem. subjetivos articulados com fatores contextuais e objetivos. de privação social. A expressão “dificuldade de aprendizagem”. que estaria relacionada com as desordens básicas dos processos de aprendizagem que podem ser ou não acompanhadas por disfunção do sistema nervoso central e que não são causadas por deficiência mental. porque retira o estigma associado a “atraso”. culturais e linguísticos. Fatores Ambientais: relacionados à dimensão social. com ênfase para o corpo que precisa ter integridade anatômica com bom funcionamento dos órgãos dos sentidos. auditiva. Enfim. relevância ao componente educacional em detrimento do clínico. hoje. Apesar das críticas que se fazem às teorias que ressaltam os fatores individuais.

As discussões sobre método na cultura ocidental são bastante antigas. que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. inscrito na dialética da ação-reflexão-ação. As trocas ortográficas são normais durante a primeira e segunda séries do ensino fundamental. ao plano e à obra de Deus. 5. capacidade intelectual limitada e disfunções do sistema nervoso central. por terem sido criados como almas individuais. o termo autonomia é oriundo do grego . Caracteriza-se pelo lento traçado das letras. ou não. os aspectos relacionados ao trabalho. fonológica. referindo-se.isto é. aqui. occipital. METODOLOGIA ATIVA (Mitre et all). tendo sido empregado no seio da democracia grega para indicar as formas de governo autárquicas . o que torna imperiosa a adoção de uma postura crítica sobre a inscrição do sujeito no mundo aqui incluído o trabalho . 2.que permitiram a construção do indivíduo moderno. nos quais vêm sendo amplamente debatidas as melhores veredas para a formação (e. vale a pena recuperar o ideal grego de paidéia. É a dificuldade em aprender aritmética pode ter várias causas: pedagógicas.a inequívoca influência dos meios de comunicação na construção/formatação do homem/profissional nesses primórdios do século XXI. é um atraso no desenvolvimento ou a diminuição em traduzir sons (fonemas) em símbolos gráficos e compreender qualquer material escrito. de αuτοζ = próprio. ou seja. Ademais. que em geral são ilegíveis. A educação deve ser capaz de desencadear uma visão do todo . Já nas primeiras comunidades cristãs. De fato.desenvolvimento. . quase marca desse tempo. que admitam uma prática pedagógica ética. os humanos têm o livre-arbítrio para receber e aderir. A acepção originária de método diz respeito ao caminho a ser seguido .a perspectiva vigente. e mista. Foram as coordenadas espaço-temporais propícias o humanismo renascentista. Disgrafia. inquietude e impulsividade. a revolução científica e a redescoberta do ceticismo antigo .do grego meta = atrás.caracterizando um verdadeiro ato de resistência.a configuração de uma nova modalidade de organização do espaço-tempo social. ela não consegue idealizar no plano motor o que captou no plano visual. aos passos que deverão ser dados para se atingir um lugar ou um fim. mediada pelo lóbulo occipital. justamente. Se a autonomia pode ser buscada. por conseguinte. de causas genéticas. algo explícito na invocação de Paulo Freire. 3. No entanto. em um contexto em que a produção de conhecimento é extremamente veloz. as quais embotam as possibilidades de reflexão sobre a vida. na medida em que estes. com mediação das áreas frontal. Mas por que tem se tornado imperioso rediscutir os processos de ensino-aprendizagem necessários à formação? A resposta a tal indagação passa pelo reconhecimento das profundas modificações que transparecem no mundo contemporâneo.de interdependência e de transdisciplinaridade -. a reforma protestante.a velocidade das transformações nas sociedades laicas e plurais contemporâneas. a formação do cidadão para a vida na pólis) de homens e mulheres capazes de viver adequadamente em sociedade. se constituirá como eu pessoal. A criança disgráfica não é portadora de defeito visual nem motor. entre as tradições helênica e cristã22. originariamente. a inserção no mundo e a própria práxis. de colocar em xeque os valores até então considerados intocáveis. para efetivamente alcançar a formação do homem como um ser histórico. O ensinar exige respeito à autonomia e à dignidade de cada sujeito. aos ensinamentos do Cristo. em seguida. reflexiva e transformadora. as sociedades de controle.αuτονομια. capaz de conhecer o mundo (sujeito epistêmico) e de agir autonomamente no âmbito da ética (sujeito moral). O grande desafio deste início de século está na perspectiva de se desenvolver a autonomia individual em íntima coalizão com o coletivo. um necessário produto da modernidade burguesa e protestante. à idéia de autogoverno. Portanto. Sem embargo. marcada por um genuíno bombardeio de imagens. mediada pelo lóbulo temporal. havendo trocas ortográficas e confusão de letras. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção. com a conseqüente expansão da consciência individual e coletiva. porque a relação entre a palavra impressa e os sons ainda não está totalmente dominada. . especialmente. sob um ponto de vista histórico-conceitual. e νoμοζ = leis remetendo. nos últimos anos. Discalculia: falha na aquisição da capacidade e na habilidade de com conceitos e símbolos matemáticos. o cristianismo primitivo. tornando ainda mais provisórias as verdades construídas no saber-fazer científico. pertencem. cabendo citar: . A educação contemporânea deve pressupor um discente capaz de autogerenciar ou autogovernar seu processo de formação. erigindo os valores que nortearão o julgamento e a práxis em sua vida social. à imagem e semelhança do Pai.na reflexão de filósofos como Platão e Aristóteles. ressurgindo no âmago da filosofia helênica . 4. crítica. Essa dificuldade não implica a diminuição da qualidade do traçado das letras. na crescente tendência à busca de métodos inovadores. através e hodós = caminho -. o que pressupõe a assunção de determinados papéis. . um dos seus méritos está. São de três tipos: visual. Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): é um transtorno neurobiológico. será com o advento da modernidade que o indivíduo. temporal e préfrontal.período clássico . a orientação do conceito de autonomia à condição humana pode ser buscada em outro nicho antigo. a πoλιζ (pólis = cidade-estado). além de possibilitar a construção de redes de mudanças sociais. ultrapassando os limites do treinamento puramente técnico. celebrava-se a igualdade entre os homens. Recorrer ao sentido etimológico de método tornase bastante pertinente ao se considerar a educação como esse fim. e tampouco de qualquer comprometimento intelectual ou neurológico. É a dificuldade em passar para a escrita o estímulo visual da palavra impressa. ou seja. alicerce para uma educação que leva em consideração o indivíduo como um ser que 34 . indiviso. Fundamentos Teóricos das Metodologias Ativas As metodologias ativas estão alicerçadas em um princípio teórico significativo: a autonomia. com destaque para a atuação profissional. Essas desordens têm sido consideradas como formas de discalculia (Cohn). Disortografia: Caracteriza-se pela incapacidade de transcrever corretamente a linguagem oral. especialmente no âmago de uma abordagem progressiva. em igual medida.

processual e formativa para a inclusão. se lhe for permitido um ambiente de liberdade e apoio. Para o primeiro. ou seja. na aprendizagem mecânica. Iniciativa criadora. necessita desenvolver novas habilidades. interessantes e que estimulem o pensamento. As metodologias ativas utilizam a problematização como estratégia de ensino-aprendizagem. dinâmica e complexa. ampara e protege -. A aprendizagem que envolve a autoiniciativa. e seus sujeitos.se reconhecem mutuamente (e aqui se pode recuperar a dialética do senhor e do escravo de Hegel). por outro lado. E. a produção de novos saberes exige a convicção de que a mudança é possível. desencadeando ressignificações/reconstruções e contribuindo para a sua utilização em diferentes situações35. deve se perguntar: (1) como. sínteses anteriores e outros -. exercitando a práxis para formar a consciência da práxis. De acordo com Berbel. Ao perceber que a nova aprendizagem é um instrumento necessário e significativo para ampliar suas possibilidades e caminhos. a aprendizagem significativa se estrutura. diz respeito ao modo de concretização desse reconhecimento à autonomia do discente. ele se detém. curiosidade científica. na qual o sujeito busca soluções para a realidade em que vive e o torna capaz de transformá-las pela sua própria ação. ética e sensibilidade na assistência são características fundamentais a serem desenvolvidas em seu perfil. reflete. bem como aos seus saberes construídos na prática comunitária.e dentro do coração . da intuição. questionar. Ao contrário. denominado tutor aquele que defende. portanto. Já em Freire. irá refletir sobre a situação global de uma realidade concreta.para confrontar. do processo de produção. Zanotto discute a problematização em Dewey. é enfatizado o sujeito ativo. As Metodologias Ativas: Revendo Estratégias E Papéis A atividade desenvolvida com o propósito de ensinar deve ser apreciada por todos aqueles que dela participam. em um movimento de continuidade/ruptura. irá buscar e utilizar as informações e instrumentos mais adequados. atuar e reconhecê-lo. o sujeito percorre algumas etapas e. torna-se mais duradoura e sólida. Saviani e Freire. o ganho substantivo advindo da sua interação com o estudante e a importância de sua avaliação pelo aprendiz. Esse respeito só emerge no âmago de uma relação dialética na qual os atores envolvidos . o conteúdo novo deve apoiar-se em estruturas cognitivas já existentes. relaciona a sua história e passa a ressignificar suas descobertas. expor e discutir os conflitos inerentes e que sustentam o problema. escutar com empatia e acreditar na capacidade potencial do discente para desenvolver e aprender. cooperação para o trabalho em equipe. para transformá-las. não é apenas apresentar questões. levando o aprendiz a ultrapassar as suas vivências conceitos prévios. Após observar a situação. Problematizar. da emoção e da responsabilização. capacidade para auto-avaliação. pode-se responder com Freire. organizadas como subsunçores.o respeito à autonomia parece ser o melhor modo para a compreensão. que impõe requisitos de radicalidade. descondicionando-se da atitude de mero receptor de conteúdos. com propósitos definidos. uma vez mais. que precisa ter uma situação autêntica de experiência. complexamente. Nessa ação. com o objetivo de alcançar e motivar o discente. A disposição para respeitar. buscando efetivamente conhecimentos relevantes aos problemas e aos objetivos da aprendizagem. esse poderá exercitar a liberdade e a autonomia na realização de escolhas e na tomada de decisões. A avaliação precisa ser. ou seja. os quais deverão ser trabalhados pela análise crítica. um processo reconstrutivo. devendo o resultado do trabalho ser concreto e comprovado por meio de sua aplicação prática. dentro de uma perspectiva de transformação da realidade. a ação de problematizar enfatiza a práxis. que permita o estabelecimento de diferentes tipos de relações entre fatos e objetos.aproximação metódica . por parte do binômio docente/discente. O docente nessa perspectiva. (2) como se vive e se sente a aprendizagem. a postura própria do discente que permite estabelecer associações entre os elementos novos e aqueles já presentes na sua estrutura cognitiva. ele detecta novos problemas num processo ininterrupto de buscas e transformações. o exercício da curiosidade. porém a busca da resposta é identificada com a reflexão filosófica. O processo de continuidade é aquele no qual o estudante é capaz de relacionar o conteúdo apreendido aos conhecimentos prévios. mas. na medida em que as duas se explicam. apesar das diferenças. com a finalidade de solucionar os impasses e promover o seu próprio desenvolvimento. pois diante do problema. ato contínuo. conhecer é transformar. Ter sempre diante dos olhos . de modo a não haver docência sem discência. espírito crítico-reflexivo. A questão que se impõe. antes de tudo. 35 . afinal. os limites de seu conhecimento. por que e quando se aprende. nesse processo. Ademais. alcançando as dimensões afetivas e intelectuais. Nesse sentido. e (3) quais as suas conseqüências sobre a vida. qualquer estratégia de inovação deve levar em conta suas práticas de avaliação. não se consegue estabelecer relações entre o novo e o anteriormente aprendido. ao mesmo tempo em que se transforma. na problematização. ao se propor um processo ensino-aprendizagem que pressuponha o respeito à bagagem cultural do discente. como a vontade e a capacidade de permitir ao discente participar ativamente de seu processo de aprendizagem. instaura-se a partir do surgimento de novos desafios. Como facilitador do processo ensino-aprendizagem. Para Saviani. além da capacidade crítica de observar e perseguir o objeto . integrá-las à reflexão. expressão e apreensão do conhecimento. são essenciais nesta nova postura. não se reduzem à condição de objeto um do outro. tensão que acaba por possibilitar a ampliação de suas possibilidades de conhecimento.constrói a sua própria história. sobretudo. portanto. existem duas condições para a construção da aprendizagem significativa: a existência de um conteúdo potencialmente significativo e a adoção de uma atitude favorável para a aprendizagem. O ato de aprender deve ser. O processo de ruptura. O estudante precisa assumir um papel cada vez mais ativo. conhecer. senso de responsabilidade. examina. rigor e globalidade relacionados dialeticamente.docente e discente . A problematização pode levá-lo ao contato com as informações e à produção do conhecimento. a noção do problema se apresenta como em Dewey. Isto só se torna possível na medida em que o docente tenha como características principais a humildade reconhecendo sua finitude. De acordo com Coll. principalmente. Nessa perspectiva.

exigindo a interdisciplinaridade para sua solução. a auto-avaliação e o diálogo têm sido utilizados como estratégias norteadoras desse processo. Se a teorização é adequada. enquanto o discente irá refletir sobre si mesmo e a construção do conhecimento realizado. denominado Método do Arco por Charles Maguerez. ultrapassando o modelo tradicional de simples verificação de conteúdos acumulados e memorizados e puramente voltados à esfera da cognição. poderá. hipóteses de solução e aplicação a realidade. para representá-lo. O processo ensino-aprendizagem está relacionado com um determinado aspecto da realidade. quanto à sua relevância para a resolução do problema.autonomia. Na auto-avaliação. a aplicação à realidade. ele expressa suas percepções pessoais. à criatividade. por meio da análise reflexiva. instrumentos de acompanhamento do processo ensinoaprendizagem têm sido construídos. pontos-chave. dois instrumentos vêm sendo reconhecidos como ativadores da integração ensino e serviço de saúde: o ensino pela problematização e a organização curricular em torno da Aprendizagem Baseada em Problemas . verificar se suas hipóteses de solução são aplicáveis à realidade. O docente pode registrar o desenvolvimento do discente no que se refere à autonomia. no empenho com a nova formação. elaborando os pontos essenciais que devem ser abordados para a compreensão do problema. Nesse momento. Marcada pela dimensão política da educação e da sociedade. Os registros. Bordenave e Pereira utilizam o diagrama. nos princípios do materialismo histórico-dialético e no construtivismo de Piaget. e o Curso de Medicina da Universidade Estadual de 36 . definindo a maneira como os estudantes aprendiam e quais habilidades cognitivas e afetivas seriam tadora de Paulo Freire. Após o estudo de um problema. é preciso um trabalho planejado e executado com a participação de todos os envolvidos. Ao completar o Arco de Maguerez. No Brasil. seleciona o que é relevante. bem como ao seu relacionamento com o grupo e sua comunicação. exercitando tomadas de decisões e aperfeiçoando sua destreza. efetuando. Na última fase. podem surgir novos desdobramentos. Nessa observação. Na segunda etapa. em 1997. Deve. teorização. também. o ensino pela problematização procura mobilizar o potencial social. Nesse propósito. mas numa construção dialógica. Da Episteme à Práxis: Problematização e Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) A metodologia ativa tem permitido a articulação entre a universidade. Assim. e o grupo pode ajudar nessa confrontação. o desenvolvimento do pensamento crítico e a responsabilidade do estudante pela própria aprendizagem. ainda. o serviço e a comunidade. O ensino pela problematização ou ensino baseado na investigação (Inquiry Based Learning) teve início em 1980. A avaliação inovadora deve se fundamentar na colaboração. tendo sempre como ponto de partida a realidade social40. bancária e estática. O momento do diálogo servirá para reflexão sobre a relação e a interação entre docente e discente. diálogo e reflexões coletivas. pontos-chave. As informações pesquisadas precisam ser analisadas e avaliadas. no ato comum de conhecer e reconhecer o objeto de estudo. Para isso.ABP. Na terceira etapa. o estudante passa à teorização do problema ou à investigação propriamente dita. como proposta metodológica que buscava um currículo orientado para os problemas. agora não mais numa relação verticalizada. o estudante se vê naturalmente movido a uma quarta etapa: a formulação de hipóteses de solução para o problema em estudo. o estudante executa as soluções que o grupo encontrou como sendo mais viáveis e aprende a generalizar o aprendido para utilizá-lo em diferentes situações. inclusive ao próprio programa e à atividade docente. o qual o estudante observa atentamente. por possibilitar uma leitura e intervenção consistente sobre a realidade. A originalidade e a criatividade serão estimuladas e o estudante precisará deixar sua imaginação livre e pensar de maneira inovadora. na busca de respostas e caminhos para os problemas detectados. Nesse sentido. assim. na década de 1960. à sua participação e a condições de elaboração. valorizar todos os atores no processo de construção coletiva e seus diferentes conhecimentos e promover a liberdade no processo de pensar e no trabalho em equipe. político e ético do estudante. Na confrontação da realidade com sua teorização. o papel do professor será um importante estímulo para a participação ativa do estudante. o estudante realiza um estudo mais cuidadoso e. mas oferece diretrizes para se tomar decisões e definir prioridades. à capacidade de organização. nem estigmatiza. o estudante pode exercitar a dialética de ação-reflexão-ação. durante o processo de detecção de problemas reais e de busca por soluções originais. A primeira etapa é da observação da realidade. Essa concepção pedagógica baseia-se no aumento da capacidade do discente em participar como agente de transformação social. para que este atue como cidadão e profissional em formação38. discriminar em que circunstâncias não são possíveis ou convenientes sua aplicação. pode-se rever a metodologia utilizada na prática pedagógica. Não pune. uma primeira leitura sincrética da realidade. o aluno atinge a compreensão do problema nos aspectos práticos ou situacionais e nos princípios teóricos que o sustentam. para um processo mais abrangente orientado a todos os seus aspectos. na Universidade do Havaí. as instituições pioneiras na implantação dessa modalidade de estrutura curricular foram a Faculdade de Medicina de Marília. A ABP foi primeiramente instituída na Faculdade de Medicina da Universidade de McMaster (Canadá). o qual é constituído pelos seguintes movimentos (Figura 1): observação da realidade.

como amplamente problematizado por teóricos como Paulo Freire. Na ABP. A possibilidade da circulação da informação em tempo real é um avanço. Com efeito. desenvolvendo teias ou redes de informação e ação política. as reflexões sobre as penalidades e as medidas que deveriam ser tomadas ganham os bancos escolares. que produzem o “educativo”. Em segundo lugar. haverá uma gestão mais propícia (ou menos propícia) ao desenvolvimento de 37 . Assim.. podendo-se estabelecer uma aproximação à proposta educativa formulada por John Dewey. No campo das múltiplas dimensões da prática pedagógica (professor. Salientam-se as modificações no campo cultural. que é social. a definição de objetivos. Ademais. A violência é outro tema presente no campo social e cultural. assim como a troca com os pares na confrontação de modelos e expectativas. tais como a ampliação das inovações tecnológicas. concepção de educação e de escola).. (6) a avaliação formativa. bem como movimentos identitários. É inegável. evidenciando as mazelas de uma sociedade com concentração de renda expressiva e excessiva. com forte motivação prática e estímulo cognitivo para evocar as reflexões necessárias à busca de adequadas escolhas e soluções criativas.Londrina. metodologia. Todas as pessoas estão codificadas. seja via cartão de crédito. interrompe-se o ciclo da fragmentação e do reducionismo do ensino tradicional. oriundo de uma abertura política lenta e intensificado por movimentos sociais de diversas categorias de trabalhadores. ao mesmo tempo em que se facilita a integração ensino-serviço e a perspectiva interdisciplinar. a importância da intervenção e da mediação do docente. parte-se de problemas ou situações que objetivam gerar dúvidas. dentre inúmeras senhas que vão sendo acopladas aos processos de identificação social. o fortalecimento das temáticas identitárias e aquelas relacionadas ao direito à diferença conquistaram espaço na sociedade. podem ser pontuados como principais aspectos da ABP: (1) a aprendizagem significativa. Por um lado. Como diz Giroux (1997. as diversas áreas e as disciplinas. localizado numa determinada situação no mundo. No Estado do Rio de Janeiro. portanto. tendo a dimensão do depósito de conteúdo como característica central. p. Na adoção de qualquer um desses instrumentos metodológicos. supervisão. entre a universidade e a comunidade. via articulação dos movimentos e organizações sociais. Por outro lado. aos referenciais da teoria piagetiana da equilibração e desequilibração cognitiva -. fazendo emergir novas facetas educacionais. Podem ser atividades planejadas com o intuito de possibilitar a transformação ou podem ser atividades bancárias. a qual considera que o conhecimento deve ser produzido a partir da interseção entre sujeito e mundo. ao se tratar de maneira integral temas e conteúdos. a gestão democrática da escola e processos participativos são elementos fundantes para o repensar da prática pedagógica. empreender mudanças amplas e profundas no processo ensino-aprendizagem e na formação profissional de saúde significa transformar a relação entre docente e discente. (4) o trabalho em pequeno grupo. mas na dinâmica das relações sociais que produzem aprendizagens.relacionada. (3) o respeito à autonomia do estudante.] Tornar o político mais pedagógico significa utilizar formas de pedagogia que incorporem interesses políticos que tenham natureza emancipadora [. a estratégia de negociação. a ABP se inscreve em uma perspectiva construtivista .. Dentre elas. comunidade local e comunidade escolar. O discente deve ser reconhecido como um indivíduo capaz de construir. tendo como conteúdos centrais a política. aluno. assim como elaborou uma proposta de educação libertadora. Na esfera do cotidiano escolar e das reflexões conjunturais. desequilíbrios ou perturbações intelectuais. modificar e integrar idéias se tiver a oportunidade de interagir com outros atores. PRÁTICA PEDAGÓGICA (Maria Antônia de Souza e Valdete Jane Cordeiro) A sociedade brasileira viveu modificações expressivas no campo social e cultural. destacam-se aquelas que são sóciopolíticas como o processo de democratização. avaliação.. há a divulgação da violência como uma característica cotidiana e rotineira na sociedade brasileira. Dependendo da porosidade existente nas relações direção. nos últimos anos do século XX. os movimentos sociais. O anúncio de algumas modificações evidentes na sociedade brasileira contribui para a compreensão de aspectos que envolvem a prática pedagógica. Os terminais bancários foram informatizados. o primeiro curso a utilizar a ABP foi o da Fundação Educacional Serra dos Órgãos -FESO -. também. Nessa perspectiva. a prática pedagógica expressa as atividades rotineiras que são desenvolvidas no cenário escolar. Novos elementos tecnológicos no ensino não garantem por si a ruptura de velhos paradigmas. especialmente. com fins mercadológicos e financeiros. (2) a indissociabilidade entre teoria e prática. seja via carteira de identidade. que precisa tornar-se um fórum de debate e negociação permanente de concepções e representações da realidade. a organização. Paulo Freire (1987) expressou inúmeras críticas à educação que denomina bancária. os movimentos sociais de trabalhadores produzem uma prática pedagógica. apropria e vive a educação. Ela envolve a dimensão educativa não apenas na esfera escolar. É necessário que se transformem as concepções inerentes ao processo ensino-aprendizagem para ressignificá-las em uma perspectiva emancipadora da educação. em 1998. Em primeiro lugar. Também. em 2005. Além disso. ainda que a maioria da população brasileira não tenha acesso à internet. é importante considerar a prática pedagógica como parte de um processo social e de uma prática social maior. a articulação com outras organizações sociais. (5) a educação permanente. professores. pressupõe mudanças na própria estrutura e organização da universidade. com objetos e situações que exijam o seu envolvimento.]. Tornar o pedagógico mais político significa inserir a escolarização diretamente na esfera da política. voltada para a transformação social e. no qual o conhecimento é compartilhado. relação professor e alunos. enfim. argumentando-se que as escolas representam tanto um esforço para definir-se o significado quanto uma luta em torno das relações de poder [. as características conjunturais e estruturais da sociedade são fundamentais para o entendimento da escola e da ação do professor. 163): Essencial para a categoria de intelectual transformador é a necessidade de tornar o pedagógico mais político e o político mais pedagógico. o currículo deve se configurar de maneira integrada e. centralizada no sujeito histórico que produz.

uma prática social orientada por objetivos. estas podem constituir abstração se não levar em conta o trabalho assalariado e o capital. que não é meramente a reprodução de conteúdos. política e social. caso não sejam levados em conta elementos como classes. Sexualidade.. Com isso. autonomia intelectual. caracterizado como cansativo e sem sentido para a vida prática. movimento social e reforma agrária têm destaque. após analisar tais elementos concretos. entretanto. outros elaborados no próprio contexto escolar.. juntamente com a valorização dos conteúdos e dos saberes que os alunos trazem da sua prática social.. nos quais a incerteza pode ter lugar especial. ainda. A prática pedagógica é uma dimensão da prática social . de outro lado. é importante afirmar que a pesquisa é elemento essencial para uma prática pedagógica que possibilite a superação da alienação e da relação de subalternidade cultural.. uma vez que participam de um contexto cultural. Os mesmos destacaram temas que poderiam ser pesquisados na instituição escolar. poderia ser feito o retorno e a compreensão do conceito de população através da totalidade das determinações e relações diversas.. saberes específicos. que o impede de realizar questionamentos de cunho científico. há o predomínio de uma cultura escolar que impede o professor de “enxergar” além do seu trabalho pedagógico. p. a informação e o desenvolvimento de conhecimentos científicos são fatores impulsionadores da participação nas atividades escolares – no campo da prática pedagógica e da gestão da escola. Como afirma Veiga (1992. a valorização da trajetória de vida dos educandos. do saber falar. a formação de um coletivo que estudaria as relações que se passam no espaço escolar. Com isso. foi possível constatar o interesse dos professores e funcionários da escola pelo processo de investigação escolar. a intenção é afirmar que a prática pedagógica é influenciada pelos aspectos conjunturais e estruturais da sociedade brasileira. inovações e projetos escolares originais. É um exercício de aprendizagem constante. por fim. Estes. É sabido que a prática social está imbuída de contradições e de características sócioculturais predominantes na sociedade. É possível afirmar. ouvir. sendo que o mais focalizado foi a Violência. A pesquisa como característica da formação e da prática do professor e como elemento de motivação para a atitude investigativa entre os educandos. 16) a prática pedagógica é “.. do desenvolvimento das propostas curriculares. Neste contexto. de forma que a apropriação dos conhecimentos ocorra via problematização e não simplesmente pela transmissão de conteúdos poucos significativos socialmente. questionar. Delineia-se prática pedagógica que evidencia “rotinas escolares”. Neste contexto. conforme as necessidade locais e. Corpo etc. Por sua vez. a saber: práticas eminentemente reprodutivas em relação às propostas municipais de educação e práticas que geram inquietações. Ao analisar os múltiplos determinantes na prática pedagógica dos professores das séries iniciais. que o que tem possibilitado o transporte para além da sala de aula é a diversidade cultural dos educandos. tem-se como referência a contribuição de Marx. mas que faz emergir as intenções e possibilidades pedagógicas. Marx afirma que ao estudar a população. a existência de projetos escolares. Percebe-se que os professores utilizam vários procedimentos metodológicos e têm interesse em aprofundar os assuntos. trajetória de vida. Ou. os professores trabalham com projetos que abordam os temas Saúde. luta pela terra. A conjuntura pode ser visualizada nos aspectos da gestão educacional. Assim. sempre maior capacidade de raciocínio. se o professor deve ver a sua aula também como um encontro de gente com gente. A revolução tecnológica e o processo de reorganização do trabalho demandam uma completa revisão dos currículos. por sua vez. no qual não foram (não somos) incentivados a participar. torna-se importante investigar como os professores estão compreendendo suas práticas e quais suas percepções sobre as mesmas. por exemplo. pensamento crítico. uma vez que se exige dos trabalhadores. além das dimensões da dominação do campo da política internacional e dos processos decisórios que geram impactos na esfera escolar. um processo que está intrinsecamente ligado à teoria e à prática da docência. propor. ou transmitir. A prática pedagógica pode ser considerada como o trabalho de repassar. com diferentes títulos – alguns sugeridos pelas secretarias de educação. São professores que aprimoraram o sentido da busca do objetivo educacional. Diante do exposto. focalizam aquelas que são relevantes e aquelas que precisam ser modificadas. tanto da educação básica quanto da educação profissional. é preciso proteger essa idéia de reducionismos” (p. Numa das escolas. finalidades e conhecimentos. nas pesquisas desenvolvidas foi possível perceber dois grandes grupos de práticas pedagógicas. Cabe lembrar Novaski (1993) quando afirma que “. As práticas que inquietam geram angústias entre os professores que se perguntam a respeito de qual é o caminho mais adequado para a educação.projetos de pesquisa e neles a reflexão sobre o projeto político pedagógico da escola. cabe destacar a disposição dos professores para o enfrentamento de novos processos educativos. contrariar e complementar. percebe-se que os tema comunidade. O autor expressa uma questão pertinente à reflexão que vem sendo empreendida neste texto ao dizer que “Para que serve uma sala de aula se não for capaz de nos transportar além da sala de aula?” (p. espaço de pesquisa. A estrutura é marcada pelas relações sociais de classe.”. quando a característica dialógica predomina nas relações sociais. Meio Ambiente. iniciativa própria e espírito 38 .14). ou seja. manifesta na aula. políticas de cotas etc.15). supõe a troca. em doses crescentes. uma vez que estes apresentam resistências ao processo educativo. divisão do trabalho. a mesma pode tornar-se uma abstração. Água. A participação ocorre quando há disponibilidade individual para superar as deficiências e quando há liberdade e respeito entre os envolvidos. mas sim a provocação da indagação entre os alunos. preços etc. No entanto. Em todas as escolas. desenvolver o exercício da participação é um desafio para os próprios professores e pesquisadores envolvidos no projeto. As práticas reprodutivas expressam a necessidade de controle dos alunos na sala de aula. quando questionou o método da Economia Política. nas escolas focalizadas nos nossos projetos de pesquisa. Nas escolas do campo. na “Introdução à Crítica da Economia Política”. e inserida no contexto da prática social. conhecer. dos programas sociais – a exemplo do Bolsa Escola -. Nesse sentindo. de desigualdades e de concentração de renda.

em regime de colaboração. percebe-se que há a necessidade de o professor possuir conhecimentos amplos sobre a pedagogia e áreas do conhecimento. por meio do ensino. por meio de programas suplementares de material didático-escolar. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente.valorização da experiência extra-escolar. permitindo-se reconhecer nos alunos as competências que lhe proporcionarão o desenvolvimento profissional e educacional. Mas.061. VII . ensinar.liberdade de aprender.igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. V . TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. II . Neste contexto. Art.700. segundo a capacidade de cada um..pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas.atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. associação comunitária. transporte.valorização do profissional da educação escolar. por aluno.garantia de padrão de qualidade.fazer-lhes a chamada pública. de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. deve se especializar na área em que desenvolve aptidões. na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino. (Incluído pela Lei nº 11. com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. contribuindo na ampliação de suas capacidades em sua prática. o Ministério Público.respeito à liberdade e apreço à tolerância. bem como capacidade de visualização e resolução de problemas (CORDÃO. VI . no trabalho. no ensino fundamental público.coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. podendo qualquer cidadão.atendimento ao educando.universalização do ensino médio gratuito. VIII . de 2009) III . § 2º Em todas as esferas administrativas. II . nas instituições de ensino e pesquisa. na convivência humana. em instituições próprias. VI . o pensamento. VIII . III . II .acesso aos níveis mais elevados do ensino. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório. Neste sentido. Conclui-se que os professores.] como pesquisador de sua própria prática. junto aos pais ou responsáveis. V . § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário. através de suas práticas. entidade de classe ou outra legalmente constituída. transforma-a em objeto de indagação dirigida à melhoria de suas qualidades educativas”. de 2008). III . nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. obrigatório e gratuito. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB 9394/96) TÍTULO I Da Educação Art.zelar. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. IX . da pesquisa e da criação artística.ensino fundamental.gestão democrática do ensino público. XI . 2º A educação. Ainda.empreendedor. preferencialmente na rede regular de ensino. inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana. pesquisar e divulgar a cultura. e. X . 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: I .padrões mínimos de qualidade de ensino. acionar o Poder Público para exigi-lo.vinculação entre a educação escolar. poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo. e com a assistência da União: I .oferta de ensino noturno regular. pela freqüência à escola. especialmente. sendo participante ativo de sua formação continuada. necessitam atualizar seus conhecimentos de forma constante. alimentação e assistência à saúde. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. na hipótese do § 2º do art. IV . como os profissionais formados por eles. os professores. nos termos deste artigo.gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino. o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório. definidos como a variedade e quantidade mínimas. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. que se desenvolve. O professor permite-se reconstruir suas ações e expressar sua prática e indagações.. influem positivamente na formação dos futuros profissionais. 2002). Contreras. 208 da Constituição Federal. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade. organização sindical. Art. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I . IV . ainda. a formação profissional não finda com a conclusão de um curso. grupo de cidadãos. conforme as prioridades constitucionais e legais. o trabalho e as práticas sociais. adequado às condições do educando. IX . Ou seja. e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso. dever da família e do Estado.atendimento gratuito em creches e préescolas às crianças de zero a seis anos de idade. (Redação dada pela Lei nº 12.recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. predominantemente. tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando. (2002) apresenta o professor “[. a arte e o saber. 39 . VII .

credenciar. com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino.2003) Parágrafo único. Os Municípios incumbir-se-ão de: I .prestar assistência técnica e financeira aos Estados. de modo a assegurar formação básica comum. III capacidade de autofinanciamento.oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas.7. Art.cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino. II . competências e diretrizes para a educação infantil. com prioridade. terão a incumbência de: I . 8º A União.baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação. § 1º Na estrutura educacional. haverá um Conselho Nacional de Educação. formas de colaboração na oferta do ensino fundamental.§ 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino. IX autorizar.2003) Parágrafo único. que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos.coletar. Art.assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior. os respectivos sistemas de ensino. com prioridade. 213 da Constituição Federal. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios. 7º O ensino é livre à iniciativa privada. III . II . Os Municípios poderão optar.administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros.organizar. o Distrito Federal e os Municípios organizarão. VIII . integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados. em colaboração com os sistemas de ensino. em regime de colaboração. Os estabelecimentos de ensino. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios. credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino. a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. V . o Distrito Federal e os Municípios. criado por lei. com funções normativas e de supervisão e atividade permanente. independentemente da escolarização anterior. 11. desde que mantenham instituições de educação superior.exercer ação redistributiva em relação às suas escolas. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei. 12. VI . com os Municípios. IV autorizar. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação.assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. (Redação dada pela Lei nº 11. de 31. V . reconhecer.elaborar o Plano Nacional de Educação.assegurar o ensino fundamental e oferecer. 38 desta Lei. de 2005) Art. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX.061. Os Estados incumbir-se-ão de: I .autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público.7.709. VII .709. por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. VI . (Incluído pela Lei nº 10. objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. III . III . em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação. respectivamente. ressalvado o previsto no art.definir. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I . Art. supervisionar e avaliar. atendidas as seguintes condições: I . de 2009) VII . supervisionar e avaliar.autorizar. a partir dos seis anos de idade. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores. credenciar. VI . analisar e disseminar informações sobre a educação.organizar. em colaboração com os Estados. médio e superior.elaborar e executar políticas e planos educacionais. II .organizar. no ensino fundamental.assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. II . articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa. (Redação dada pela Lei nº 12. o ensino fundamental e o ensino médio. IV . respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. 10. o ensino médio a todos que o demandarem.estabelecer.assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas. 40 . reconhecer. e. o ensino fundamental. as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades. II . § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. Art. Art. III . TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Art. ainda. o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino. exercendo sua função redistributiva e supletiva. respectivamente.baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino.114. os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. IV . V . (Incluído pela Lei nº 10.elaborar e executar sua proposta pedagógica. de 31. de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. respeitado o disposto no art. em colaboração com os Estados.assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. o Distrito Federal e os Municípios. integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios. os Estados.

(Incluído pela Lei nº 10.as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada.filantrópicas.elaborar e cumprir plano de trabalho. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I . Art.as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada.prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento. 22. assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I .participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. II . Art.as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada. criando processos de integração da sociedade com a escola. 14. 13. assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. II . os responsáveis legais. Art. II . ou por forma diversa de organização.287. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I . sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior.articular-se com as famílias e a comunidade. respectivamente. de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município. Art.privadas. assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I . CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art. que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade.comunitárias. II . assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior. VII . médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal. além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento. Os sistemas municipais de ensino compreendem: I . sem com 41 . na competência e em outros critérios. bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola. 19. tendo como base as normas curriculares gerais.participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. III .as instituições de ensino mantidas. se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 12. a critério do respectivo sistema de ensino. períodos semestrais.educação superior. IV . VI . II . grupos não-seriados. mantidas e administradas pelo Poder Público. No Distrito Federal. de 2009) III .educação básica. com base na idade. observadas as normas gerais de direito financeiro público. 20. II . formada pela educação infantil. ensino fundamental e ensino médio. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica.informar pai e mãe. criadas e mantidas pela iniciativa privada.as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal.estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento. IV . de 2001) Art.ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos. A educação escolar compõe-se de: I . Art. respectivamente. Art. na forma da lei. alternância regular de períodos de estudos. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira. assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas. 23. III – os órgãos municipais de educação. inclusive cooperativas educacionais.colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. VI . 21. inclusive climáticas e econômicas. IV . assim entendidas as criadas ou incorporadas. II . sobre a frequência e rendimento dos alunos. Art.IV .particulares em sentido estrito. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Art.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. à avaliação e ao desenvolvimento profissional.020.velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente.os órgãos federais de educação. as instituições de educação infantil. III . 17.confessionais. II . integram seu sistema de ensino. § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais.013. pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal. ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinqüenta por cento do percentual permitido em lei. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais.as instituições de ensino mantidas pela União.os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal. 16. e. 18. V .públicas. III . segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino.zelar pela aprendizagem dos alunos. 15. sem fins lucrativos. Parágrafo único. ciclos. Art. V . A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando. conviventes ou não com seus filhos.as instituições do ensino fundamental. (Redação dada pela Lei nº 12. O sistema federal de ensino compreende: I . Os docentes incumbir-se-ão de: I .

Cabe ao respectivo sistema de ensino. torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afrobrasileira e indígena. 42 . artes. cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar.793. a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos. resgatando as suas contribuições nas áreas social. de 1º.cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares.12. de 1º.12. a série ou fase anterior.isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei.12. de 21 de outubro de 1969. a partir desses dois grupos étnicos. (Incluído pela Lei nº 10. estiver obrigado à prática da educação física. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil. em situação similar. Art.2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas.a carga horária mínima anual será de oitocentas horas. Parágrafo único. 26-A. II . (Redação dada pela Lei nº 11. A educação básica. de 2010) § 3o A educação física.12.poderão organizar-se classes. de 1º. (Redação dada pela Lei nº 12. (Incluído pela Lei nº 10.645. de 2008). africana e européia. excluído o tempo reservado aos exames finais. a ser complementada. de 2008). a partir da quinta série.793. mediante avaliação feita pela escola. exceto a primeira do ensino fundamental. obrigatoriamente. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado. da cultura. exigida a freqüência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação.2003) V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.2003) II – maior de trinta anos de idade. especialmente do Brasil. conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino. é componente curricular obrigatório da educação básica. 24. especialmente das matrizes indígena. do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor. 26. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum.12. com aproveitamento. com as especificações cabíveis.nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série. (Incluído pela Lei nº 10. pertinentes à história do Brasil. de 1º. obrigatoriamente. será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I .645.12. (Incluído pela Lei nº 10. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. a carga horária e as condições materiais do estabelecimento. Art. que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada. tais como o estudo da história da África e dos africanos. de 1º. (Redação dada pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 10. dentro das possibilidades da instituição. a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional. c) independentemente de escolarização anterior. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10. mas não exclusivo. públicos e privados. de 1º. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger. com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais. para o ensino de línguas estrangeiras.044.a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno. b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar. para candidatos procedentes de outras escolas.2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro. de 2008).o controle de freqüência fica a cargo da escola. constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica. ou outros componentes curriculares. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação.793. § 2o O ensino da arte. de preferência paralelos ao período letivo. quando houver.645. o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial. VI . à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. ou turmas. 25. VII . conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira. especialmente em suas expressões regionais.793. III . com alunos de séries distintas. econômica e política. § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório.287. b) por transferência. o estudo da língua portuguesa e da matemática. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio. pode ser feita: a) por promoção. nos níveis fundamental e médio.793. (Incluído pela Lei nº 11.2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que. IV .793. § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído. por uma parte diversificada. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar. para alunos que cursaram.2003) VI – que tenha prole.a classificação em qualquer série ou etapa. em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. na própria escola. distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar. desde que preservada a seqüência do currículo. com níveis equivalentes de adiantamento na matéria. estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo.12. de 1º. (Redação dada pela Lei nº 11.2003) IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.793. integrada à proposta pedagógica da escola. para os casos de baixo rendimento escolar. da economia e da clientela.769. de 2008) Art. V . Art.

33. ou entidades equivalentes. 30. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento. IV . relacionando a teoria com a prática. Art. 31. assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. 43 . § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil. para crianças de até três anos de idade. sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. para as crianças de quatro a seis anos de idade.o desenvolvimento da capacidade de aprender. complementando a ação da família e da comunidade." Art. constituída pelas diferentes denominações religiosas. O ensino religioso. em seus aspectos físico. IV .7. 28. terá por objetivo a formação básica do cidadão. A educação infantil. tendo como diretriz a Lei no 8. com duração de 9 (nove) anos. dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.a difusão de valores fundamentais ao interesse social. ainda.a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. Art. terá como finalidades: I .orientação para o trabalho.o aprimoramento do educando como pessoa humana.adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes. da tecnologia. § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I . observada a produção e distribuição de material didático adequado. § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa. Na oferta de educação básica para a população rural. de 13 de julho de 1990. a critério dos sistemas de ensino. etapa final da educação básica. do sistema político.525. de 2007).consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento. III .1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região. aos direitos e deveres dos cidadãos. sem o objetivo de promoção. de respeito ao bem comum e à ordem democrática.Art. 29.o fortalecimento dos vínculos de família. no ensino de cada disciplina. das letras e das artes. para a definição dos conteúdos do ensino religioso. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. IV . a compreensão do significado da ciência.creches. observadas as normas do respectivo sistema de ensino. III .274. 34. (Incluído pela Lei nº 11. mediante: (Redação dada pela Lei nº 11. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores. vedadas quaisquer formas de proselitismo.adequação à natureza do trabalho na zona rural. das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. II . possibilitando o prosseguimento de estudos. II . Art. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. III . 27. O ensino médio. tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura.pré-escolas. A educação infantil será oferecida em: I . incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas. de 22.o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem. II . Seção III Do Ensino Fundamental Art. mesmo para o acesso ao ensino fundamental. 32.destacará a educação tecnológica básica. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. obrigatoriamente. as seguintes diretrizes: I . § 4º O ensino fundamental será presencial. III . sem prejuízo da avaliação do processo de ensinoaprendizagem. psicológico. Seção II Da Educação Infantil Art. II . conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes.a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos. que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão. sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. gratuito na escola pública. (Redação dada pela Lei nº 9. assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil.promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais. para continuar aprendendo. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral. Seção IV Do Ensino Médio Art. II . II . 35.conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural. é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. O ensino fundamental obrigatório. de matrícula facultativa. primeira etapa da educação básica. iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade. de 2006) I . a língua portuguesa como instrumento de comunicação. § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada. Art.a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando.475. da escrita e do cálculo. com duração mínima de três anos.069. especialmente: I . Art. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. intelectual e social. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula.organização escolar própria. 36.a compreensão do ambiente natural e social.

a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) 44 . sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio. 36-C. consideradas as características do alunado.(Incluído pela Lei nº 11. integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho. aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis. II .741. de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. de 2008) I .741.741. 36-D. de 2008) Parágrafo único.subseqüente. de 2008) Art. seus interesses. A educação profissional e tecnológica.os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. quando registrados.684. de 2008) § 1º Os conteúdos. para os maiores de dezoito anos. 37.741. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se. e uma segunda. A preparação geral para o trabalho e.741. visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado.741. (Incluído pela Lei nº 11. 36-B desta Lei.741.III . Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11. atendida a formação geral do educando. (Redação dada pela Lei nº 11.741. de 2008) I . aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis. para os maiores de quinze anos. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) II . de 2008) I . de 2008) Art. (Incluído pela Lei nº 11. como disciplina obrigatória.741. facultativamente. oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando. poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas.741.no nível de conclusão do ensino médio. dentro das disponibilidades da instituição.as exigências de cada instituição de ensino.741.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11.741. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola. (Incluído pela Lei nº 11. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I . condições de vida e de trabalho.no nível de conclusão do ensino fundamental. preferencialmente.domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. (Incluído pela Lei nº 11.será incluída uma língua estrangeira moderna. escolhida pela comunidade escolar. 36-A.741. o ensino médio. de 2008) III .741. § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I . de 2008) Art. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo. no cumprimento dos objetivos da educação nacional. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. de 2008) Parágrafo único. 38. de 2008) Art. (Incluído pela Lei nº 11. mediante convênios de intercomplementaridade. (Incluído pela Lei nº 11. habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.articulada com o ensino médio. II . em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio.741.741. efetuando-se matrícula única para cada aluno.741. oportunidades educacionais apropriadas. 39. com a educação profissional. de 2008) a) na mesma instituição de ensino.741. terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior.741. será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio. de 2008) II . (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art. de 2008) Parágrafo único. que compreenderão a base nacional comum do currículo. de 2008) b) em instituições de ensino distintas. prevista no inciso I do caput do art. na mesma instituição de ensino.741.as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino. na forma do regulamento. efetuando-se matrículas distintas para cada curso. 36-B.integrada. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. (Incluído pela Lei nº 11. quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade. de 2008) II . nos termos de seu projeto pedagógico. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11. mediante cursos e exames. de 2008) Art. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental. de 2008) c) em instituições de ensino distintas. com aproveitamento. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio. nas formas articulada concomitante e subseqüente. A educação profissional técnica de nível médio articulada. possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão. em caráter optativo. mediante ações integradas e complementares entre si.741. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. da ciência e da tecnologia.concomitante. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio.

Parágrafo único. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada. terão prazos limitados.632. V . abertos à comunidade. sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I . IV . 42.331. em intervenção na instituição. de 2008) Art.incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica. aplicados por banca examinadora especial. de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11. duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. tem.de extensão. além dos seus cursos regulares.741. II . características e duração. obrigando-se a cumprir as respectivas condições. As instituições de educação profissional e tecnológica.estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente. 45. científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino. observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.de graduação. 40. poderão ter 45 . se necessários. possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos. independente do ano civil. (Regulamento) Art. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica. II .§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos.741. excluído o tempo reservado aos exames finais. o ano letivo regular. públicas ou privadas. (Incluído pela Lei nº 11. de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação.formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento. de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizarse-ão. Na educação superior. quando houver. de publicações ou de outras formas de comunicação.741.741. visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura. compreendendo programas de mestrado e doutorado. integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração. de diferentes níveis de abrangência. em particular os nacionais e regionais. em desativação de cursos e habilitações. requisitos. o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos. aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira. de 2006) Art. e colaborar na sua formação contínua.741. no que concerne a objetivos. 46. Art. (Regulamento) § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo. VI . (Redação dada pela Lei nº 11. 44. (Redação dada pela Lei nº 11.cursos seqüenciais por campo de saber. e. para a superação das deficiências. de 2008) Art. III . abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. IV . sua duração.741. ou em descredenciamento. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. com variados graus de abrangência ou especialização. 47. inclusive no trabalho. 41. antes de cada período letivo. aberta à participação da população. condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. (Incluído pela Lei nº 11. cursos de especialização. de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. sendo renovados. A autorização e o reconhecimento de cursos.estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. os programas dos cursos e demais componentes curriculares. de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. 43. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior. A educação superior tem por finalidade: I . prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade. (Incluído pela Lei nº 11. desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive. Art. haverá reavaliação. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior. de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio. conforme o caso. em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. poderá ser objeto de avaliação. qualificação dos professores. no mínimo. aperfeiçoamento e outros. desse modo.promover a extensão. (Incluído pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. oferecerão cursos especiais. recursos disponíveis e critérios de avaliação. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. periodicamente. em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia. reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente. (Redação dada pela Lei nº 11. (Regulamento) Art. de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo.741.suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização. após processo regular de avaliação. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública. VII . bem como do cronograma das chamadas para matrícula. III de pós-graduação. bem como o credenciamento de instituições de educação superior. que poderá resultar. de 2007).741. § 1º As instituições informarão aos interessados. demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos.promover a divulgação de conhecimentos culturais. de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art. a respectiva ordem de classificação.

IV . instalações e equipamentos. Parágrafo único. técnico e administrativo. IX . abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito. de extensão e de domínio e cultivo do saber humano. as universidades públicas poderão: I . articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino. acordos e convênios. § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem 46 . As transferências ex officio darse-ão na forma da lei.criação. Art. bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais. (Regulamento) Art. nas leis e nos respectivos estatutos. são asseguradas às universidades. serviços e aquisições em geral. É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. organização e financiamento pelo Poder Público. Parágrafo único. V . V . para aquisição de bens imóveis. VIII .realizar operações de crédito ou de financiamento. Para garantir a autonomia didático-científica das universidades. de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor. e mediante processo seletivo. II . § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados. III . legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. que se caracterizam por: (Regulamento) I .elaboração da programação dos cursos. serviços e aquisições em geral. além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior. programas e projetos de investimentos referentes a obras.estabelecer planos. Parágrafo único. tanto do ponto de vista científico e cultural. 51. 49. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior.propor o seu quadro de pessoal docente. quanto regional e nacional.efetuar transferências. V . mediante processo seletivo prévio.fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio. quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária. garantida a necessária previsão orçamentária. pelo menos. II . sem prejuízo de outras. em sua sede. financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. Art. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir. produção artística e atividades de extensão. 48. diplomas e outros títulos.criar. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos.produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes. 54. sobre: I . de pesquisa.firmar contratos. no período noturno. expansão. III . terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular. as seguintes atribuições: I . As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares. § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. III . programas e projetos de pesquisa científica. programas e projetos de investimentos referentes a obras. As instituições de educação superior. na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior.planos de carreira docente. assim como um plano de cargos e salários.ampliação e diminuição de vagas. § 4º As instituições de educação superior oferecerão. 53. quando registrados. No exercício de sua autonomia. 52. de acordo com as normas dos sistemas de ensino. 50. IV .contratação e dispensa de professores. com aprovação do Poder competente. obedecendo às normas gerais da União e. respeitando-se os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação. sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas. VI .receber subvenções. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente.abreviada a duração dos seus cursos. VII . ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes. III . do respectivo sistema de ensino. assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. IV . quando for o caso. Art. para cursos afins. As instituições de educação superior credenciadas como universidades. (Regulamento) Art. (Regulamento) II . na hipótese de existência de vagas. heranças. levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio. VII . quando da ocorrência de vagas. Art.elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes. e aqueles conferidos por instituições não-universitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. observadas as diretrizes gerais pertinentes.aprovar e executar planos. de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura.elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais. com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. VI . X . cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei. cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno.fixar os currículos dos seus cursos e programas. atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis.um terço do corpo docente. II .aprovar e executar planos.conferir graus. VI . dentro dos recursos orçamentários disponíveis. § 3º É obrigatória a freqüência de alunos e professores. (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia. Art.programação das pesquisas e das atividades de extensão.um terço do corpo docente em regime de tempo integral. na forma da lei. salvo nos programas de educação a distância.elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes. doações. modificação e extinção de cursos.administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão.adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento. organizar e extinguir.

supervisão. em seu Orçamento Geral. 55. 61. (Incluído pela Lei nº 12. bem como da escolha de dirigentes.056. que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12. de 2009) Art. deverão promover a formação inicial. (Incluído pela Lei nº 12. 58. admitida. A formação dos profissionais da educação.014. de 2009) III – trabalhadores em educação. (Incluído pela Lei nº 12. 63. dever constitucional do Estado. planejamento. técnicas.014. Caberá à União assegurar. Parágrafo único. terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática.014. Parágrafo único. de graduação plena. bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. intelectual ou psicomotora. a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. (Incluído pela Lei nº 12. de 2009) II – a associação entre teorias e práticas. a oferecida em nível médio. IV . § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. 62.professores com especialização adequada em nível médio ou superior. Art. de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades. mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço.educação especial para o trabalho. em função das condições específicas dos alunos. a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino. subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados. com base em avaliação realizada pelo Poder Público. local e regional. de que participarão os segmentos da comunidade institucional. para atender às suas necessidades. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos. inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. 59. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. em curso de licenciatura. o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. § 1º Haverá. Entende-se por educação especial. em universidades e institutos superiores de educação. 56. Nas instituições públicas de educação superior.014. Art. inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais. II . escolas ou serviços especializados. (Incluído pela Lei nº 12. recursos educativos e organização específicos. V . como alternativa preferencial. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I . § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial. de 2009). métodos. serviços de apoio especializado.acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I . de 2009). o Distrito Federal. são: (Redação dada pela Lei nº 12.014. destinado à formação de docentes para a educação 47 . (Redação dada pela Lei nº 12. visando a sua efetiva integração na vida em sociedade.056. (Regulamento) CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística. inspeção e orientação educacional. assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos. para educandos portadores de necessidades especiais. para atendimento especializado. de 2009) Parágrafo único. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. de 2009) I – a presença de sólida formação básica. Art.alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa. bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas. tem início na faixa etária de zero a seis anos. Art. (Redação dada pela Lei nº 12.014. a modalidade de educação escolar. de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores.currículos. Art. 57. independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. mediante articulação com os órgãos oficiais afins. sempre que. (Incluído pela Lei nº 12. (Regulamento) § 1º A União. na escola regular.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. § 2º O atendimento educacional será feito em classes. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. em regime de colaboração. na modalidade Normal. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art. recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas. de 2009). Em qualquer caso. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior.cursos formadores de profissionais para a educação básica. III . inclusive o curso normal superior. bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica. os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. com habilitação em administração. quando necessário. anualmente. para os efeitos desta Lei. de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia.014. de 2009) I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. 60. em instituições de ensino e em outras atividades. § 3º A oferta de educação especial. nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que. em virtude de suas deficiências.014. portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim.056. O Poder Público adotará. Art. durante a educação infantil. os Estados e os Municípios.

A formação de profissionais de educação para administração. exceto para a educação superior.período reservado a estudos.301. 70. 66. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis. até o vigésimo dia. quando não vinculada às instituições de ensino.recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês. ajustada. inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim. 65. III . II .piso salarial profissional.progressão funcional baseada na titulação ou habilitação. poderá suprir a exigência de título acadêmico.outros recursos previstos em lei. vinte e cinco por cento. II . compreendendo as que se destinam a: I . (Renumerado pela Lei nº 11. quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades.infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental. as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais. com base no eventual excesso de arrecadação. § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União. III .realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino. II . será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual.levantamentos estatísticos. V . assegurando-lhes. § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas. V . prioritariamente em programas de mestrado e doutorado. Art. 40 e no § 8o do art. 71.condições adequadas de trabalho. planejamento e avaliação. A formação docente. de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. supervisão e orientação educacional para a educação básica. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação.aquisição. receita do governo que a transferir. e na avaliação do desempenho. até o trigésimo dia. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação.aperfeiçoamento profissional continuado. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I .programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. 201 da Constituição Federal. que não vise. ou pelos Estados aos respectivos Municípios.aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. VIII . A União aplicará. ou. anualmente. e os Estados. nos termos das normas de cada sistema de ensino. dos Estados. observados os seguintes prazos: I . ao Distrito Federal e aos Municípios. na manutenção e desenvolvimento do ensino público. da receita resultante de impostos. de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art. trezentas horas. nunca menos de dezoito. incluirá prática de ensino de. ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão. garantida. Parágrafo único. II . dos Estados. incluído na carga de trabalho. IV . não será considerada.remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação. para efeito do cálculo previsto neste artigo. III . § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados. § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo. planejamento. Art.programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. quando for o caso. do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação. Art. O notório saber. a critério da instituição de ensino.receita de transferências constitucionais e outras transferências. ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas. III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. VII . construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino. 67. VI . 69. são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas. compreendidas as transferências constitucionais. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I .amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo. Art. 68. VI .301. Art. precipuamente. § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos. nesta formação. serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro. Art.receita do salário-educação e de outras contribuições sociais. quando efetivada fora dos sistemas de ensino. inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I . V . incluídas. III . § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. até o décimo dia do mês subseqüente.receita de incentivos fiscais. reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim. Art. manutenção. que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios. 64.recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês. no mínimo. além do exercício da docência.receita de impostos próprios da União. estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino. II . IV .recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês. IV .concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pósgraduação. o Distrito Federal e os Municípios.pesquisa. (Incluído pela Lei nº 11. 48 . § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério. a base comum nacional. inspeção. do Distrito Federal e dos Municípios.

A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir. em número inferior à sua capacidade de atendimento. § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. 72. a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino. § 2º Os programas a que se refere este artigo. assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. Art.formação de quadros especiais para a administração pública. II . A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados. Parágrafo único. em colaboração com os Estados. dividendos. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10. sejam militares ou civis. § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. inclusive diplomáticos.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar. e outras formas de assistência social. a reafirmação de suas identidades étnicas. 165 da Constituição Federal. III . com validade para o ano subseqüente. de 9. desportivo ou cultural. 79. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando. II .proporcionar aos índios. confessionais ou filantrópicas que: I . desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa. prioritariamente. TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art. Art. ou ao Poder Público. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano. incluídos nos Planos Nacionais de Educação.fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua materna de cada comunidade indígena. para oferta de educação escolar bilingüe e intercultural aos povos indígenas. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado. na área de ensino de sua responsabilidade.pessoal docente e demais trabalhadores da educação. na forma da lei. estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental.1. Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 10. Art.manter programas de formação de pessoal especializado.elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado. 78. farmacêutica e psicológica. Art. V .II .639. o acesso às informações.programas suplementares de alimentação. progressivamente. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. O Sistema de Ensino da União. 73. as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. 76. A União.2003) Art.comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados. a valorização de suas línguas e ciências. conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. considerado o número de alunos que efetivamente freqüentam a escola. 79-B. baseado no cálculo do custo mínimo por aluno. IV . relativo ao padrão mínimo de qualidade. bonificações.apliquem seus excedentes financeiros em educação. participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto. do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. 77. Art.2003) Art. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades. a recuperação de suas memórias históricas. 10 e o inciso V do art. IV . (Regulamento) 49 . o Distrito Federal e os Municípios. considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. suas comunidades e povos. assistência médico-odontológica. no art. capaz de assegurar ensino de qualidade. e de educação continuada. terão os seguintes objetivos: I . § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno. IV . podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios.obras de infra-estrutura. desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. o cumprimento do disposto no art. VI . destinado à educação escolar nas comunidades indígenas.1.subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial. 11 desta Lei. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. sem prejuízo de outras prescrições legais. III . em todos os níveis e modalidades de ensino. Art. § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. Os órgãos fiscalizadores examinarão. com os seguintes objetivos: I . na prestação de contas de recursos públicos. de 9. 79-A.639.prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. II . Art. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º.desenvolver currículos e programas específicos. 74. Art. no caso de encerramento de suas atividades. III . 80. dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas. quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. suas comunidades e povos. filantrópica ou confessional. inclusive mediante bolsas de estudo. 212 da Constituição Federal.garantir aos índios. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas. conforme o inciso VI do art. 75.

(Redação dada pela Lei nº 11. de 11 de agosto de 1971 e 7. a contar da publicação desta Lei. Art. de 2006) § 3o O Distrito Federal. 88. 175º da Independência e 108º da República. exercendo funções de monitoria. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino.692. as Leis nºs 5. de 18 de outubro de 1982. Art.274.§ 1º A educação a distância. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental. § 3º As normas para produção. e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário.044. por mais de seis anos. de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais. II . ressalvados os direitos assegurados pelos arts. para isto. observada a lei federal sobre a matéria. 87.274. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino. de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. 20 de dezembro de 1996. 84. com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art. . nos prazos por estes estabelecidos. encaminhará. § 1º A União. de 20 de dezembro de 1961.integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. a partir da data de sua publicação.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição. de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental. e. o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano. 52 é de oito anos. (Regulamento) § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino. supletivamente. ainda.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos.274. 81. com diretrizes e metas para os dez anos seguintes. na sua condição de instituições de pesquisa. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. pelos concessionários de canais comerciais. que incluirá: I .788.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou. 90. 91. A União. preservada a autonomia universitária. 82. bem como a dos Estados aos seus Municípios. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão. 86. caberão aos respectivos sistemas de ensino. 83. É instituída a Década da Educação. ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. também. utilizando também. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4. nos termos da legislação específica. 89. (Redação dada pela Lei nº 11. os Estados. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. § 6º A assistência financeira da União aos Estados. de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11. 85. o Plano Nacional de Educação. organizada com abertura e regime especiais. 92. a União. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art. no prazo de três anos. Art. ao Congresso Nacional. mediante delegação deste. ao Distrito Federal e aos Municípios.024. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. cada Estado e Município. III . devem: (Redação dada pela Lei nº 11. III . GESTÃO DO PROCESSO DE ENSINOAPRENDIZAGEM (Armindo José Rodrigues Revista Brasileira de Educação Especial) 50 .192. Art. de 21 de dezembro de 1995 e. Art.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados. de 24 de novembro de 1995 e 9. sem ônus para o Poder Público. admitida a equivalência de estudos. IV . desde que obedecidas as disposições desta Lei. Art. Art. de 2008) Art. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei.274. ficam condicionadas ao cumprimento do art. os recursos da educação a distância. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado.330.540. e 5. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei. As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. de 2006) II .274. (Redação dada pela Lei nº 11. Brasília.reserva de tempo mínimo. Art. de 28 de novembro de 1968. Art.131. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. integrar-se ao respectivo sistema de ensino. não alteradas pelas Leis nºs 9. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. O ensino militar é regulado em lei específica.

selecionar e organizar os recursos. Efetivamente. é efetivamente durante a planificação que se procede à seleção. alguns outros resultados fornecidos por esses estudos têm igualmente de ser mencionados. o ensino dos conteúdos dos programas (dar o programa. avaliar as aprendizagens. tendo experimentado um progressivo desenvolvimento e aprofundamento. os quais adotavam. tendo por objetivo. estruturar. por vezes.. para abarcar a dimensão aprendizagem: "a gestão da classe consiste num conjunto de regras e de disposições necessárias para criar e manter um ambiente ordeiro favorável tanto ao ensino como à aprendizagem". Não deve. É a "dupla agenda do professor". obter descrições cada vez mais finas dos acontecimentos da sala de aula e dos vários estilos e funções do ensino. Por isso. etc. horários sobrecarregados. entre os professores que são bem sucedidos e aqueles que o não são não residem na sua resposta aos alunos perturbadores. É o que demonstraram os estudos sobre a gestão da aula realizados por Kounin e colaboradores que revelam que as diferenças importantes. mas também com a implantação e a comunicação de regras. logo no início do ano letivo. de que falam Shulman (1986) e Leinardt (1990). por exemplo. que define as rotinas como "conjuntos de procedimentos estabelecidos que têm por função controlar e coordenar sequências específicas de comportamentos". desde as características pessoais do professor. citados por MARTINEAU. turmas numerosas. GAUTHIER e colaboradores (1998:241) acentuam que " o planejamento da gestão da classe começa não somente com o trabalho de preparação. de que derivam as duas tarefas principais da atividade do professor: as funções relativas à gestão da classe (organização dos grupos. garantir um clima de ordem na sala. também ROY. 1999. Esta centralidade das questões disciplinares parece ter decorrido diretamente das profundas transformações sofridas no pós-guerra. em seguida. se interessa explicitar em traços largos a evolução do conceito de gestão da classe. conduzir e supervisionar as atividades de ensino. p. Citando Brophy (1983). quando a população discente pertencia quase exclusivamente à classe dominante. uma parte da tarefa de preparação com vista a uma gestão eficaz da aula é simultaneamente uma preparação com vista ao ensino eficaz da matéria. comportamentos agressivos e hostis. Os resultados das pesquisas remetem claramente para uma concepção de gestão da classe numa perspectiva holística. subsequentemente. não é menos verdade que vários outros poderão ser invocados. na gestão da classe. regras de interação. princípios orientadores da ação docente. logo desde os primeiros anos de prática. motivar os alunos. pois um aluno pode não perturbar o clima da aula sem que. quando a escola passou a acolher públicos cada vez mais numerosos e diversificados. de relações e de expectativas em face dos alunos assim que o ano se inicia". este modo de agir opõe-se ao método coercitivo. etc). com vista à antecipação e prevenção dos problemas. Procurava-se. identificar e caracterizar os traços marcantes do professor eficaz e competente. DOYLE (1986) proporá a ampliação do conceito. criando constantes conflitos de concepções e de conduta entre o professor e certos grupos de alunos. estava-se agora em presença de uma multiplicidade e diversidade de valores. da ética e do desenvolvimento pessoal e social. iniciar-se com uma planificação cuidada. nomeadamente as dimensões da cidadania. primeiro. Efetivamente. de procedimentos. Segundo o mesmo autor. que consiste em reagir após o aparecimento dos problemas. ao contexto de trabalho (espaços físicos deficientes. o que acontece na planificação. articulação e sequenciação das atividades. o ensino tem duas dimensões fundamentais. Em consequência. organização e distribuição das rotinas. Foi um período em que se multiplicaram as observações sistemáticas de aulas. com o propósito de. programas extensos. em vez da tradicional continuidade e complementaridade entre escola e família. então. Para Yinger (1977). A antecipação e prevenção conseguem-se através da tomada de decisões acerca de quais devam ser as rotinas a implantar na vida da turma. pensar-se que o professor tem que.) e à própria direção da escola. 1977. muitos deles "desviados" dos modelos socialmente aceites. etc) que definem o contexto em que se desenvolve o processo ensinoaprendizagem.469) A gestão da classe deve. Se os fatores socioeconômicos pesaram fortemente para tornar mais difícil a gestão da aula.As modalidades de organização e gestão da classe. as análises interacionais e a aplicação de questionários. afinal. Promovendo a automatização de uma série de procedimentos que visam o controle e a coordenação de sequências de comportamentos aplicáveis a situações específicas. As primeiras pesquisas sobre a organização e gestão da sala de aula centraram-se essencialmente em questões relacionadas com a manutenção da ordem e da disciplina. (BROPHY e PUTNAM. as diferenças remetem antes para a planificação e preparação da matéria e para as técnicas de gestão da classe que os professores utilizam para prevenir a inatenção e as perturbações. Não se pode ignorar que há professores para quem a instauração e manutenção de um ambiente de trabalho nas aulas é tarefa de tal modo difícil e desgastante que pouco tempo e energia lhes restam para dedicar às atividades de ensino propriamente ditas. acabando por realçar vários outros aspectos importantes. rotinas de ensino. rotinas e estratégias. encontrar modelos de formação inicial susceptíveis de desenvolver nos futuros professores aqueles saberes e aquelas habilidades que têm maior impacto num desempenho profissional igualmente eficaz e competente. GAUTHIER e DESBIENS. no entanto. estrutura e encadeamento das atividades. E. Em primeiro lugar. de normas e códigos sociais. Ou que outros professores se centram de tal modo nas atividades estritas de ensino que esquecem as demais dimensões do universo da turma. 1979:189. não têm merecido. rotinas de supervisão e rotinas de execução (YINGER.). a necessária atenção por parte dos investigadores. sobretudo nos Estados Unidos. 1991). esta problemática tem sido objeto de importantes investigações desde meados do século passado. procedimentos e sanções disciplinares. particularmente depois dos anos sessenta e setenta. para. se empenhe ativamente nas aprendizagens. antes do início do ano letivo. tornou-se evidente que a manutenção da ordem não é um fim em si mesma. no entanto. entendidas como o conjunto de condições préestabelecidas (agrupamento e distribuição espacial dos alunos. entre nós. definição de regras. as rotinas 51 .. porém. as pesquisas depressa ultrapassaram os estreitos limites das questões da ordem e da disciplina. Este autor distingue quatro tipos de rotinas: rotinas de atividade. Efetivamente. Porém.

Ou seja. só vão ganhando forma à medida que os traços da atividade (localização. livros e outros materiais. (GAUTHIER et al. As atividades ou tarefas constituem-se assim no elemento chave de análise do processo ensinoaprendizagem. semanas e até meses. O professor é apenas um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno.) ambos são espectadores frente à verdade objetiva. Segundo Hill. segundo Yinger (1980). interações entre os componentes físicos e o modelo configurado de conduta. ao observador torna-se fácil identificar as atividades e os seus traços distintivos. Só a apreensão da sua estrutura e encadeamento sequencial. pois. os interesses dos alunos. 1977).242) A PLANIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE ENSINO Até aos anos setenta do séc. por exemplo. um modelo configurado de conduta. na perspectiva da psicologia ecológica (BARKER. Assim. uma boa planificação caracterizavase "por objetivos de ensino cuidadosamente especificados (geralmente expostos em termos comportamentais). nos tornará possível compreender qual seja o esquema integrador que define as orientações. Taylor (1970). na perspectiva tyleriana. um meio físico com utensílios. a planificação das atividades de ensino-aprendizagem foi dominada pelo modelo de Tyler (1949).têm por efeito 1) reduzir o número de indicações a serem tratadas pelos professores. a importância que as atividades assumem para o professor. quando o professor estrutura as atividades a realizar na aula. que são as atividades de ensino. bem como uma definição clara dos papéis de professor e aluno. 3) aumentar a estabilidade das atividades. EXERCÍCIO 1. as metas e objetivos do ensino. as instituições de formação de professores davam grande ênfase ao treino de procedimentos muito elaborados que visavam a eficácia na especificação dos objetivos comportamentais. 1968. ao contrário do que se seria levado a pensar numa perspectiva de planificação sistemática e linear. e não os resultados da aprendizagem. por exemplo. DOYLE.. porquanto os comportamentos de professor e alunos são dirigidos pelo "quadro" definido. b) tecnicista. 5) diminuir a ansiedade dos alunos. as concepções e as práticas de um determinado professor. seleção das atividades de aprendizagem. que se estruturava em quatro etapas: definição dos objetivos. analisando os processos de planificação adotados em escolas secundárias inglesas. O que define as relações é o grau de estruturação e objetividade. a) libertadora. ao enfatizar que. duração. tornando os professores mais previsíveis. elas são "estruturas de situação que organizam e orientam o pensamento e a ação" (DOYLE & CARTER. As atividades constituem. XX. As atividades (ou tarefas) configuram. Para Yinger (1980). organização das atividades de aprendizagem. define de antemão os limites e orientações gerais da conduta. mas é muito difícil inferir quais os objetivos visados. conteúdos e materiais de ensino) vão sendo elaborados e especificados. p. aliás. tanto na planificação como na ação. 4) aumentar a disponibilidade dos professores diante das reações dos alunos. reduzir ou ampliar. 2000). Efetivamente. Em consequência. pois. a oportunidade para aprender. sendo por conseguinte o cerne tanto da planificação como da ação (Jackson. poderá explicar-se pelo fato de os professores não esperarem grandes mudanças nos seus alunos. quadros de conduta controlada. alguns estudos empíricos. As correntes cognitivistas deram um contributo valioso para a compreensão do processo ensino-aprendizagem e do papel central nele desempenhado pelas atividades ou tarefas. estruturam o modelo de organização e gestão da classe e definem a intencionalidade e a cobertura que é dada ao currículo. bem como os modos peculiares de as desenvolver. 1998. movimentos instrucionais do professor. estrutura e sequência. essas atividades ou tarefas desenhadas. Por conseguinte. mas esta só ocorrerá na medida em que os alunos estejam interessados e implicados nas atividades que lhes são propostas/impostas pelo professor ou negociadas/decididas conjuntamente. Sacristan. Parece. selecionando e organizando as rotinas. A comunicação professor-aluno tem um sentido exclusivamente técnico. c) progressista.. Um quadro de conduta é uma unidade ecológica de conduta possuidora de quatro traços distintos: limites espaciais e temporais definidos. A descrição acima refere-se à concepção de educação. e regulam a prática. concebida nessa perspectiva. desde cedo puseram em evidência que aquele modelo não correspondia às práticas efetivas dos professores. relativamente aos procedimentos de planificação.. como vimos acima. os professores equacionam as mudanças apenas após a exposição de vários conceitos no decurso de dias. comportamento aceitável dos alunos. As atividades de ensino representariam. particularmente do rendimento escolar dos alunos". constituem a oportunidade para aprender. ao moldar o ambiente e o processo de aprendizagem. nas suas práticas quotidianas. aprende e fixa as informações. Segundo os autores mencionados. fundados numa atitude crítica relativamente aos modelos e perspectivas behavioristas. considerações sobre os conteúdos da disciplina respectiva. É óbvio que os professores se preocupam com a aprendizagem dos alunos. para além de configurarem a interação professor-aluno. aumentando as probabilidades de que essa mesma conduta ocorra segundo os seus intentos. os professores. 2) reduzir o número de decisões a serem tomadas durante a intervenção. através da sua planificação antecipada. quando planifica as aulas. não obedeciam às recomendações dos teóricos sobre a planificação sistemática e linear. o predomínio das atividades explica-se mediante o conceito de "quadro de conduta". Como recorda Arends (1995). mas o próprio quadro de conduta é definido e controlado antecipadamente pelo professor. que é o de garantir a eficácia da transmissão do conhecimento. seleção dos procedimentos de avaliação. no final de cada aula. As próprias metas de ensino. propostas e reguladas pelo professor. concluiu que os professores tendem a considerar. Este último recebe. então. ações e estratégias de ensino concebidas para promoverem objetivos prescritos e medições cuidadas dos resultados. que constituem a meta e o enfoque da planificação do professor. (. participantes. No entanto. 1963. 52 . assim. por ordem de importância: fatores associados ao contexto docente. Yinger e Robins (1983). 1986). materiais e recursos.

De maneira alguma. A prática educativa existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais. a veneração de um trabalho intelectual que se acha quase sempre fora do aparelho escolar. competição. autonomia e eleição direta. e) a descentralização administrativo-financeira e pedagógica. baseado na busca de respostas para os estímulos previamente planejados. b) desenvolver um processo ensino-aprendizagem comportamentalista. 1975:288): Com base na citação acima. sendo a sua força de trabalho. C) progressista libertária. (d) Prepará-los para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias na vida social. qual é o papel fundamental da escola na formação dos indivíduos? (a) Prepará-los para o mercado de trabalho. o docente deve se pôr a serviço do discente. em seu lado intelectual. assumem postura passiva que os torna capazes de atuar como agentes de mudança. transformando o aluno em sujeito de sua própria aprendizagem. D) liberal tradicional. A gestão democrática no âmbito da educação teve seu início a partir da década de 80. 4.’’ (Poulantzas. tem a seguinte função na atualidade: a) transmitir conhecimentos científicos e tecnológicos. hierarquia. racionalização. c) Certeza. “Só se pode dizer de forma totalmente análoga e aproximativa que a escola forma trabalho intelectual de um lado e trabalho manual (formação técnica) de outro. 3. sendo uma atividade humana necessária à existência e ao funcionamento de todas as sociedades”. também este o é em relação aos alunos”. de instrutor-monitor à disposição do grupo é a A) liberal tecnicista. o respeito à autoridade. supervisão escolar e orientador educacional. Quando o professor valoriza a aprendizagem informal. visa-se favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. 16-17). gestão racional e centralização. c) inserir o indivíduo na estrutura da sociedade. B) progressista crítico-social dos conteúdos. a aprendizagem e a economia de mercado. Acerca da relação entre educação e sociedade. O papel da escola na perspectiva da Pedagogia Libera Tradicional é: a) transmitir o saber sistematizado e a cultura. E) liberal renovada não-diretiva. (B) as funções da escola só podem ser analisadas em função das classes sociais às quais dirige sua ação. Embora professor e aluno sejam diferentes e desiguais. Caso isso ocorresse não haveria nenhum tipo de modalidade social. e) discutir os problemas sociais e relacioná-los com a cultura. religiosa. e) crítico-social dos conteúdos. Segundo Libâneo (1994. Isso nos permite encontrar na escola capitalista uma reprodução da divisão social do trabalho.. (c) Exigir que o conhecimento possa ser utilizado sistematicamente. d) Paradigma de consenso. Nesse sentido. LUCKESI (1990) afirma que “se os alunos são livres frente ao professor. decorrentes da organização econômica. e) Eleição.) O que se ensina principalmente à classe operária é a disciplina. 8. (A) A educação exerce influência no meio social sobre os indivíduos e estes. pode-se afirmar que: (A) a função da escola não está interligada apenas com as classes sociais às quais dirige sua atenção. que deve ter uma postura empática. podendo construir saberes indispensáveis à inserção social do aluno. a constituição e funcionamento de colegiados e a participação de diferentes segmentos consultivos e deliberativos. (B) A educação compreende os processos formativos que ocorrem no meio social. são eles: a) a base teórica fundamentada no enfoque. dicotomia democrática e competição. (C) A educação que ocorre em instituições específicas. via grupo. A gestão educacional democrática engloba um conjunto de elementos que a diferem da administração tradicional. c) a administração científica baseada em um planejamento gerencial. 2. com finalidades explícitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente e planejada. mais importante do que repassar conhecimento é desenvolver no aluno a capacidade de aprender. as coisas se apresentam da mesma forma para a nova pequena burguesia e para o trabalho intelectual. b) desenvolver as competências e habilidades do aluno. c) desenvolver experiências de vida prática e autogestão. política.d) renovada. sendo um professor estimulador. e a negação de toda forma de repressão. (D) Formar o cidadão não é tarefa apenas da escola. Quais características definem melhor este tipo de gestão? a) Centralização. (. sem imposições de idéias e concepções.. 6. dos costumes e formas de convivência humana. efetivamente formada pela escola. frente ao do professor. No que se refere a relação professor/aluno. está é diretamente ligada á formação do sujeito. ao assimilarem essas influências. é chamada Educação Intencional ou Formal. enquanto instituição social. Para a nova educação que se propõe. escolares ou não. em outras vezes. objetivos sociais e precisão. d) promover uma formação geral que engloba o desenvolvimento cognitivo e operativo a partir dos âmbitos científicos. p. orientador e um catalisador no meio dos educandos. b) Descentralização. promovendo situações de reflexão em comum. 5. As instituições 53 . b) a eleição direta do administrador escolar. 7. como local privilegiado de trabalho com o conhecimento. no qual o indivíduo está envolvido pelo simples fato de viver em sociedade. a tendência pedagógica que considera os alunos livres no seu pensar e agir. No entanto. (b) Prepará-los para atuar no meio econômico. (C) a escola capitalista não forma apenas para a reprodução da divisão social do trabalho. d) a base teórica fundamentada na psicologia social. “a prática educativa é um fenômeno social e universal. d) trabalhar os valores sociais do contexto em que estão inseridos. assinale a opção INCORRETA. exercendo a função de "conselheiro" e. a escola tem grande responsabilidade nessa formação. enfim. 9. A escola. e) articular o ensino. estéticos e éticos. formas democráticas de escolha dos gestores e diálogo.

bem no escopo do movimento de reivindicação de direitos sociais por parte do proletariado. constitui o grande desafio que ela está chamada a enfrentar”. Sobre a relação da educação e sociedade.2011) A Revolução Industrial foi um dos grandes marcos históricos na transição do feudalismo para o capitalismo. No que se refere ao campo educacional. ao caminho que o indivíduo vai percorrer para desenvolver funções que estão em processo de amadurecimento e que se tornarão funções consolidadas. Enquanto sujeito do conhecimento. A zona de desenvolvimento proximal referese. Através dessa revolução. Isso nos permite afirmar que na escola capitalista não há somente uma reprodução da divisão social do trabalho. (A) A organização dos grupos sociais não interfere em suas práticas educativas. apenas. mas um acesso mediado. (B) A educação determina as relações sociais e possibilita as mudanças econômicas e sociais. II e III. c) ocorresse de forma independente ao do processo de aprendizado. Tende a silenciá-la e neutralizá-la. que transformou a cidade no centro social por excelência. (C) O movimento pedagógico surgido no século XIX procurou se preocupar com a formação integral do homem. assegurando. feito através dos recortes do real. “a escola sempre teve dificuldade em lidar com a pluralidade e a diferença. (D) III. é incorreto afirmar que: (A) A consolidação da democracia burguesa trouxe a reflexão do papel da educação no tocante à sua função para o status quo social. 14. 11. políticas e ideológicas. o homem não tem acesso direto aos objetos. ação do sujeito sobre a realidade IV. Segundo Vygotsky. onde o princípio do homem indivíduo veio a tornar-se predominante na educação. a diferença e para o cruzamento de culturas. apenas. apenas. (E) I. garantindo que os diferentes sujeitos socioculturais se reconheçam. o conceito de mediação inclui: I. 15. (C) II e III. políticas e culturais de uma determinada sociedade. isto é. estabelecidas no nível de desenvolvimento real. b) avançasse em ritmo mais acelerado que o processo de aprendizado. na qual o ensino era transmitido de pais para filhos. o modo de produção capitalista se consolidou como hegemônico no mundo. que teve como objetivo primordial a superação da exclusão e da ignorância da população. e) progredisse mais lentamente que o processo de aprendizado. Segundo Piaget. reconstruir o que se considera “comum” a todos.de ensino ou redes escolares são um espaço de formação da cidadania. 16. Uma idéia central para a compreensão das concepções de Vygotsky sobre o desenvolvimento humano como processo sócio-histórico é a idéia de mediação. promover processos de desnaturalização e explicitar a rede de estereótipos e preconceitos que povoam os imaginários das pessoas em relação aos diferentes grupos socioculturais. promover uma política de universalização da escolarização que favoreça a integração de todos na sociedade. apenas. d) caminhasse de forma igual ao do processo de aprendizagem. A educação como fenômeno social é parte integrante das relações sociais. III. É como se o processo de desenvolvimento a) apresentasse características diferentes do processo de aprendizagem. dentro da lógica da difusão e consolidação da instrução pública como modelo de inserção social da grande massa da população. II. (B) I e III. c) Pré-operatório. (D) a análise da reprodução da divisão social do trabalho não pode ser resumida apenas às funções da escola. econômicas. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. (C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como consequência um ritmo educacional laicizado. que a igualdade se explicite nas diferenças. Está correto o que se afirma em (A) I. assinale a opção correta. também impôs à educação um modelo de centralização social alijado das questões políticas e ideológicas. 10. (D) O século XVI foi marcado pelo surgimento das primeiras escolas públicas estatais. Isso exige da escola I. pois esta dirige sua ação para a formação da cidadania e preparo para a sociedade capitalista. b) Das operações concretas. mudando as relações sociais e educacionais estabelecidas até então. ou seja. (Osvaldo Jr . assim. 12. (B) O surgimento e consolidação da propriedade privada imprimiu na educação um dinamismo maior e mais amplo de instrução. em consonância com o regime tribal de convivência social. assim. d) Sensório motor. abrir espaços para a diversidade. os estilos de pensamentos intuitivo e mágico e o jogo simbólico são característicos do estágio: a) Das operações formais. (C) A prática educativa está determinada por fins e exigências sociais. Para Moreira e Candau (2003). (D) A estrutura social e a organização dos grupos humanos independem dos processos educativos e do acúmulo de conhecimentos desses grupos. processo de representação mental II. processo de equilibração Estão CORRETOS apenas os itens: 54 . (D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento da burguesia como classe dominante favoreceu a chamada difusão da instrução. sistemas simbólicos III. na cultura hegemônica. (E) as funções da escola podem ser analisadas em função das classes sociais às quais dirige sua atenção. 13. No entanto. fazendo com que entrasse em extinção a chamada aprendizagem mútua. (B) A urbanização. Vygotsky define a zona de desenvolvimento proximal como a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial. é correto afirmar que: (A) A antiguidade guarda a relação educacional espontânea. Acerca desse assunto. Sente-se mais confortável com a homogeneização e a padronização.

B) a libertadora. que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar. Nesse sentido. assinale a opção correta. 2002. de acordo com Piaget. marque a alternativa CORRETA: A) A educação bancária tem por finalidade problematizar a realidade social. ocorre no estágio: a) Sensório-Motor b) Pré-Operatório c) Operatório d) Simbólico e) Inteligência Intuitiva 19. 22. inspirado nos princípios da dialética materialista histórica. Segundo Vigotsky. As dimensões política. que se aperfeiçoa e se objetiva na caminhada. (B) um exercício de autonomia escolar. A respeito da evolução histórica do conceito e da concepção do currículo. p. Devido a isso. a elaboração do Projeto Pedagógico. são elas: A) a humanista. duração e diagnóstico. entre oprimidos e opressores. a construção do conhecimento desloca-se do sujeito individual para os processos coletivos. A instituição escolar é repleta de influências dos campos político. a liberal renovada e a liberal avançada. a libertária e a crítico-social dos conteúdos. e) intelectuais e manifestações culturais. 25. (E) discussão coletiva dos conhecimentos a serem refletidos. (D) responsabilidade principal da equipe técnica. B) A educação bancária tem por finalidade promover a transformação social. estando uma diretamente subordinada à outra. São características do Projeto Político Pedagógico: (A) abrangência. (D) O referencial tradicional de currículo encara o conhecimento como estático. assinale a opção INCORRETA. a revolucionária e a mundancista. C) a liberal. 24. 21. 17. 20. (C) momento privilegiado de avaliação das competências profissionais dos educadores. C) A educação bancária tem por finalidade promover o diálogo entre os sábios e os que nada sabem. dos processos sociais. afastado de determinantes históricos e condicionantes mais amplos. c) individuais e das condições de existência. se constitui em: (A) solução para se obter o ensino de qualidade. (A) A igualdade pressupõe a expansão quantitativa de oferta de vagas em detrimento da manutenção da qualidade. participação e diagnóstico. Podem ter seus efeitos amplamente transformados pelas circunstâncias sociais nas quais se insere cada existência individual e mesmo por deliberação voluntária do sujeito. a técnica e a política. E) a reprodutivista. (B) O referencial pós-crítico de currículo caracteriza o período contemporâneo da ciência. e a diversidade humana tornase uma referência básica para a prática curricular. (B) abrangência. (C) A qualidade implica duas dimensões dissociáveis. Considerando a Educação Bancária preconizada por Paulo Freire.a) I e II. de um processo de planejamento participativo. (A) No referencial tradicional de currículo. este visto como produto de uma reflexão crítica sobre a relação entre os saberes científicos e a prática social. advoga o currículo como conhecimento. nunca definitiva. ela se configura como espaço de conflitos e contradições que permeiam o trabalho pedagógico-didático 55 . c) II e III. gestão democrática e valorização do magistério. são referências relativas e variáveis. Em relação a esses princípios. (C) abrangência. social e cultural do Projeto Pedagógico se traduzem pela explicitação dos principais problemas de cada instituição educacional. b) I e III. pela proposição de soluções e definição de responsabilidades coletivas e individuais na superação desses problemas. d) maturacionais e de fatores emocionais. social e ideológico. objetivo. A capacidade de classificar. visando à sua socialização. duração e participação. 17). citado por Rabelo (2001). Os fatores orgânicos são os responsáveis pela seqüência fixa que se verifica entre os estágios do desenvolvimento. 26. ou seja. a capacidade que uma criança tem de poder cumprir uma tarefa sem ajuda externa é chamada de: a) Zona de Desenvolvimento Proximal b) Nível de Desenvolvimento Potencial c) Desenvolvimento prospectivo d) Zona de Estabilidade Variável e) Nível de Desenvolvimento Real 18. liberdade. 23. em dependência de características a) biológicas e de manifestações de afetividade. mas se produz nos processos intersubjetivos e dialogais que acontecem na prática escolar. a moderna e a tradicional. (B) A gestão democrática implica o repensar da estrutura de poder da escola. manifestando-se por meio da linguagem e da comunicação. D) A educação bancária tem por finalidade conscientizar os alunos de sua condição de oprimido. a mediadora e a do consenso. A Pedagogia Progressista manifestou-se em três tendências. (D) abrangência. (A) A liberdade deve ser considerada como liberdade para aprender e ensinar a arte e o saber direcionados para uma intencionalidade definida pela direção da escola. a duração de cada estágio e as idades a que correspondem. qualidade. b) genéticas e do desenvolvimento cognitivo. d) III e IV. A construção do projeto político-pedagógico na perspectiva da emancipação parte dos princípios de igualdade. a partir de um posicionamento quanto à sua intencionalidade e de uma leitura da realidade” (VASCONCELLOS. E) A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. D) a do conflito. todavia não garantem uma homogeneidade no seu tempo de duração. adotando a concepção de que o conhecimento provém da ativação das estruturas cognitivas dos sujeitos educacionais. Pode ser entendido como a sistematização. diagnóstico e concretização. Segundo Wallon. definitivo. “O Projeto Político Pedagógico é o plano global da instituição. (C) O referencial crítico de currículo.

para atuação na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. d) Educação infantil. F. é uma problemática complexa e que requer ainda muitos avanços em sua execução no campo escolar. (C) O ensino como tarefa real e concreta. com nível superior em magistério ou cursos afins. do desejo difuso e da simples intenção visto que prevê passos. a saber: I. c) dos Estados. II. juntamente com suas alterações. direito da criança. ( ) O planejamento se dá em cima de uma ação específica. como profissionais da educação. que trabalham na educação. ela traz à tona a) A necessidade de se estabelecer currículos fechados sobre o tema. com prioridade. onde o princípio do homem indivíduo veio a tornar-se predominante na educação. III. Assim. D) o processo pedagógico deve considerar as crianças em sua totalidade. V. c) Educação Básica. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre a relação da educação e sociedade. esse trabalho jamais é neutro e descompromissado. De acordo com a LDB. Estão corretas as afirmativas: a) I. a educação profissional e o ensino superior. V. especifica os que em efetivo exercício e formados em cursos reconhecidos. o ensino fundamental. compreendendo graduação e pós graduação.assegurar o ensino fundamental e oferecer. A Educação Ambiental. buscando sempre uma sistematização que favoreça o desempenho da instituição escolar. V. com diploma de pedagogia com habilitação em administração. justiça social. C) quanto ao funcionamento. II e III b) II. 9394/96. ensino fundamental e ensino médio. V. pós – graduação a níveis de lacto e stricto sensu. opção da família o atendimento gratuito em instituições públicas de Educação Infantil. respectivamente. ( ) O planejamento é uma forma de antever e interagir com as condições dadas. médio e superior. A LDBEN (Lei 9394/96). F e) F. II – oferecer a educação infantil em creches e préescolas e. nos direitos humanos. V. V. Habilitados em nível médio ou superior. Técnicos em educação. V d) V. o ensino médio. b) Educação Básica: ensino superior presencial nas modalidades: semi-presencial e a distância. 32. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação N. superior e complementar. planejamento. IV. na qual o ensino era transmitido de pais para filhos. F. V. III e IV d) I. B) a política de Educação Infantil deve focar-se na cultura. V c) F. compreendendo o ensino fundamental e médio. F. V b) F. pois não possui com ela uma relação intrínseca. F 29. III – assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental. dos Municípios e da União. ( ) O planejamento não difere da imaginação. III e IV 56 . Trabalhadores em educação. ( ) O planejamento não remete à prática. 33. b) dos Estados. (D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento da burguesia como classe dominante favoreceu a chamada difusão da instrução. os enunciados I. Assim.desenvolvido por ela. EXCETO: A) é dever do Estado. compreendendo as seguintes etapas: a educação infantil. A sequência CORRETA é a) V. V. 30. Tendo em vista que planejar significa antecipar mentalmente uma ação que se quer realizar. c) A organização pedagógica fundamentada numa ação concreta que vise o fim da problemática ambiental. No que diz respeito à organização do Sistema Municipal de Ensino é possível afirmar. apesar de não se constituir numa “Pedagogia Ambiental”. da União e dos Municípios. responsabilidades a) da União. 31. dos Municípios e dos Estados. Considere os enunciados: I . em consonância com o regime tribal de convivência social. e) Educação Básica. ensino fundamental. na medida em que em ambos há o compromisso com a prática. 27. e a Educação Superior. (B) A utilização de métodos de ensino-aprendizagem. a educação escolar está composta dos seguintes níveis: a) Educação Básica. d) Uma política educacional que corresponda aos anseios de grupos de preservação ambiental. que teve como objetivo primordial a superação da exclusão e da ignorância da população. Nesse sentido. é correto afirmar que: (A) A antiguidade guarda a relação educacional espontânea. b) A importância de ações estruturantes. que sugerem fomento aos projetos escolares na área. avalie as sentenças abaixo como verdadeiras (V) ou falsas (F). (D) Sei lá. ( ) O planejamento difere do sonho. F. com ou sem pós-graduação. V. ensino médio e ensino superior. V. com prioridade. as Instituições de Educação Infantil poderão organizar o atendimento em regime parcial e/ou integral e funcionar ininterruptamente durante o ano civil. III e V c) II. dos Estados e dos Municípios. 28. Portadores de curso técnico ou superior em pedagogia ou área afim. (B) O surgimento e consolidação da propriedade privada imprimiu na educação um dinamismo maior e mais amplo de instrução. observando suas especificidades. II e III identificam. em uma situação concreta somente. Professores com nível superior para exercerem docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. dos Estados e da União. inspeção e orientação educacional. supervisão. F. constitui-se em elemento do trabalho didático-pedagógico da escola o (a): (A) Igualdade de condições para todos os educandos. sem se preocupar com as políticas destinadas a outras organizações da sociedade civil. as diferenças entre elas e sua forma privilegiada de conhecer o mundo por meio do brincar. e) da União. d) dos Municípios. V. sequência e ação. (C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como consequência um ritmo educacional laicizado. fazendo com que entrasse em extinção a chamada aprendizagem mútua.

IV e V 34. Os novos processos de interação e comunicação no ensino mediado pelas tecnologias visam a formação de um novo homem: A) para a era interplanetária. análise teórica. Sobre as situações de aprendizagem. que a participação da comunidade no meio escolar influi: a) Apenas na democratização da gestão escolar. médio e de educação infantil mantidas pela prefeitura.394/96 e deve ser assegurada no Projeto Político Pedagógico da unidade escolar. c) Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. em seu fazer diário. D) exige apenas o ensino de metodologias ativas. sem um objetivo específico. acompanhar melhor a educação ali oferecida” (GADOTTI E ROMÃO. B) Consistem em atividades planejadas pelo professor. b) As instituições de ensino fundamental e médio. intensificar seu envolvimento com ela e. Os autores afirmam. A afirmação acima nos chama atenção para a importância de se (A) buscar bases conceituais que respaldem e sustentem as metodologias utilizadas na prática educativa. 42.e) III. 39. 9. D) para atuar sem precisão no ambiente virtual. como se a educação pudesse melhorar apenas a partir da metodologia de ensino. a) Estabelecer ligações entre teoria e prática. d) Previsto no Regimento Escolar. responsabilidade e complexidade. propostas e dirigidas pelo professor para a aprendizagem dos alunos. formalidade e burocracia. d) No rendimento acadêmico do aluno e na melhoria da qualidade do ensino. c) Na democratização da gestão escolar e na melhoria da qualidade do ensino. 35. C) Consistem em atividades dirigidas pelo professor. C) responsabilidade. bem como os órgãos municipais. O artigo 18 da LDBEN (Lei 9394/96) normatiza os sistemas municipais de ensino. O Conselho Escolar possui uma característica própria que lhe dá dimensão fundamental. e) Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto do conhecimento. das criadas e mantidas pela iniciativa privada para a educação infantil. A formação inicial deve preparar o futuro docente para uma profissão que: A) não exige tanta qualificação ao longo da vida profissional. tendo em vista somente os alunos com dificuldades. (D) A prerrogativa de representar a SEMED local. D) Consistem em atividades planejadas. 43. analise as afirmativas seguintes e marque a alternativa CORRETA: A) Consistem em atividades lúdicas criadas pelos alunos. E) autônomo. d) Pelas instituições: do ensino fundamental. consciente da sua responsabilidade individual e social. D) exaustividade. e) Apenas na melhoria da qualidade do ensino. 38. (B) pesquisar cuidadosamente técnicas e metodologias mais atuais que contemplem a motivação dos orientandos. b) Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. 1997). c) A instituição sabe as necessidades de formação de seus profissionais e elabora um programa de formação dos mesmos contando com a participação dos órgãos centrais para efetivar o referido programa. c) Pelas escolas de ensino fundamental e de educação infantil mantidas pelo poder público municipal. juntamente com as de educação infantil. 57 . 41. Pode-se afirmar que NÃO faz parte dos princípios da interdisciplinaridade. E) Consistem em atividades não programadas pelo professor. que acontecem ocasionalmente em sala de aula. além das de iniciativas privada com o mesmo fim. e os órgãos municipais. preocupam-se em demasia com métodos e técnicas em um verdadeiro endeusamento dessas questões. Podemos afirmar que ela se torna efetiva quando: a) A instituição adota deliberadamente os programas do governo capacitando o seu pessoal em sintonia com os anseios da equipe gestora da instituição. portanto. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham. São tipos de modalidades de educação ambiental. que é: (A) A sua inserção nas atividades rotineiras da escola. 44. complexidade e resolução de problemas. exaustividade e complexidade. Os educadores. e) mamãe mandou!!!!! 37. A formação continuada do professor é assegurada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. registrado em cartório e com uso aleatório das verbas públicas. complexidade e resolução de problemas. 30. B) simbolização. B) exige que se continue a estudar durante toda a vida profissional. (C) Se constituir em uma forma colegiada da gestão democrática. B) que manipule a máquina sem autonomia. b) Está previsto no Projeto Político-Pedagógico para dar formação continuada de professores dentro dos parâmetros das políticas em educação para aligeiramento deste profissional. “Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola. E) exige exclusivamente o ensino de como agir coletivamente na escola. responsabilidade e autonomia dos alunos. (B) O seu papel mediador entre os docentes e a direção da escola. São características do trabalho desenvolvido pela Pedagogia de Projetos: A) ocasionalidade. C) exige somente o ensino de técnicas pedagógicas. mantidas pelo município. assim. b) Apenas no rendimento acadêmico do aluno. C) para um mundo inter-ecológico. 40. exceto: a) Difusa b) Educação à distância c) Presencial d) Semi-presencial 36. os quais compreendem: a) Somente as instituições de educação infantil e ensino fundamental mantidas pelas prefeituras. autenticidade. crítico. d) Adotar a prática de um currículo fechado. E) intencionalidade.

pode-se afirmar que: a) A grande dificuldade da EA é a ausência de uma legislação específica para a mesma. exceto: a) História de vida dos educandos. mas aquilo que quer aprender. ou seja. (Osvaldo Jr – 2011) Sem dúvida. Um projeto. Sendo assim. e) Sociocultural. d) A definição de objetivos. numa relação de completa reciprocidade entre o que a teoria diz e a prática reforça. metas e finalidades da ação educativa. explicações práticas e casuais. Affonso Romano de Sant’Anna (com adaptações). com expressões próprias. De acordo com Clovis Roberto. onde pouco interesse se vê nos estudantes para desenvolverem atividades voltadas ao meio ambiente. c) Nos dias atuais. um dos grandes desafios para os educadores da contemporaneidade é efetivar a Educação Ambiental (EA). 45. Brasília: Ed. (Osvaldo Jr – 2011) Qual dos elementos abaixo é considerado como dimensão da prática pedagógica no âmbito escolar: a) Os objetivos definidos. 46. Zaíra Leita Ramos. buscando além da mera transmissão de conhecimentos um processo construtivo que possibilite a superação do conhecido e ensinado. A estrutura da exposição deve conduzir à problematização e ao raciocínio. b) Embora não haja consenso conceitual e de práticas de EA na atualidade. exponham suas idéias. (A) Coerência entre teoria e prática. seus argumentos e suas experiências. 2005. d) Uma forma de concretizar plenamente esse tema na escola é engajar estudantes e professores em atividades práticas de reciclagem de lixo escolar. (Osvaldo Jr – 2011) É fator que contribui para o bom desenvolvimento da prática pedagógica no âmbito escolar. 2007 (com adaptações). típico da prática interdisciplinar que deve permear este na escola. Vestcon. aquilo que recolheu nos livros da vida. c) A diversidade cultural. d) A gestão democrática e participativa. é possível perceber o surgimento de uma unidade maior ao redor do tema. a avaliação significa uma forma de verificar o rendimento escolar por meio de produções livres. de maneira que esta possa cada vez mais trazer à tona a problemática do meio ambiente. (D) O professor deve ser um comunicador dialogal e não um transmissor unilateral de informação. entre outras coisas. e) A filosofia da educação adotada. alterar uma situação ou criar novas alternativas. capacidade para o diálogo e competência didática são algumas características do professor que facilitam a aprendizagem. 47. 49. constitui apenas um documento que representa um processo de planejamento que determina.(C) dinamizar as práticas educativas a partir de atividades significativas para todos os orientandos. assinale a alternativa incorreta: a) É baseada numa concepção educacional transformadora e progressista. sobretudo no ambiente escolar. 51. b) Exige uma interação entre teoria e prática. d) Humanista. (E) preparar melhor as técnicas educativas para que os orientandos assimilem com maior facilidade o conhecimento ensinado. nota-se cada vez mais o empenho acadêmico em formar professores engajados na EA. mas o aluno aprende do professor não necessariamente o que o outro quer ensinar. valorizando as iniciativas individuais e fracionadas. um movimento de práxis educacional. relacionamentos. Considerando a metodologia de projetos e sua relação com a prática pedagógica. com os condicionantes e fundamentos existentes no mundo tecnológico. o que favoreceria a uniformidade das práticas educativas sobre o tema. reflexo dos conteúdos pedagógico e político implementados completamente na formação docente. A metodologia de Projetos de Aprendizagem pretende subsidiar práticas pedagógicas inovadoras. 48. O professor pensa ensinar o que sabe. com sobressalto da dimensão ética no uso das tecnologias. no qual professor e alunos trabalhem juntos. e) A EA ainda é um grande desafio para a escola. b) A diversidade cultural dos atores escolares. suas opiniões. 58 . assinale a opção inCORRETA. d) Não impõe o uso das novas tecnologias. c) O processo ensino-aprendizagem e suas nuances. c) Procura levantar questões que se relacionam com o momento contextual considerado. saber-pensar e criar. coopera de forma fundamental para que haja aprendizagem. Conhecimentos pedagógicos. e) Sua fundamentação básica encontra-se no interjogo do saber-fazer. é correto afirmar que. nos projetos de aprendizagem: (A) a escolha dos temas a serem investigados é feita em conjunto por professores e coordenação pedagógica. (B) Um ambiente de participação. e deve ser pautada na observância dos conteúdos próprios para a série e não na relação destes com a vida e os interesses dos alunos. e) A disponibilidade individual de professores e estudantes em superar obstáculos às práticas educativas. principalmente na atualidade. o que favorece a formação de pessoas com criticidade para o uso racional e produtivo da tecnologia. c) Tradicional. as ações e condições necessárias para resolver problemas. no seu sentido mais formal. promovendo um despertar para a interpretação do contexto atual. o texto acima se refere à avaliação inerente à concepção de educação fundamentada na abordagem: a) Comportamentalista. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre as características inerentes a educação tecnológica. 50. A respeito da relação professor/aluno. b) Cognitivista. b) A ação do professor. e não à absorção passiva das idéias e informações do professor. Em um determinado contexto histórico educacional. (D) procurar o interesse prático dos orientandos para então escolher a técnica mais adequada a ser desenvolvida. (C) A escolha dos temas a serem trabalhados em sala de aula é função do professor.

Estes são apresentados segundo a curiosidade.B 50.B 51. (C) o professor é o agente de transmissão do conhecimento e o responsável pela definição da seqüência dos conteúdos do currículo. (D) o aluno apresenta-se receptivo às definições de regras e atividades orientadas pelo sistema educacional.B 59 . GABARITO 010203040506070809101112B C B A E D D A E C B A 131415161718192021222324D E C A E C C E B C A B 252627282930313233343536B B A C A C C B C C D D 373839404142434445464748C D B D E E C A C B E E 49. vontade e desejo do aprendiz.(B) não há uma seqüência única e geral na apresentação dos conteúdos.

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