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Utilização de Software Livre na Universidade Federal do Estado do RJ – Currículo Livre

Utilização de Software Livre na Universidade Federal do Estado do RJ – Currículo Livre

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[Monografia] Proposta de Utilização de Software Livre no Bacharelado de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Projeto Currículo Livre
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UNIRIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CCET – CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA EIA – ESCOLA DE INFORMÁTICA APLICADA

Proposta de Utilização de Software Livre no Bacharelado de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Projeto Currículo Livre

Luiz Felipe Barbosa

Monografia desenvolvida sob orientação da Professora Doutora Morganna Carmem Diniz, apresentada ao Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro como requisito para obtenção do título de Bacharel em Sistemas de Informação.

Rio de Janeiro, 2007 Brasil

UNIRIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

MAGNÍFICA REITORA Profª. Malvina Tania Tuttman

VICE-REITOR Prof. Dr. Luiz Pedro San Gil Jutuca

DECANO DO CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA Prof. PHD Astério Tanaka

DIRETOR DA ESCOLA DE INFORMÁTICA APLICADA Prof. Dr. Alexandre Albino Andreatta

Agradecimentos:

À Professora Doutora Morganna Carmem Diniz pela orientação e entusiasmo pelo projeto. Aos integrantes da Escola de Informática Aplicada do CCET da UNIRIO que colaboraram com as pesquisas e apoiaram o projeto. Aos amigos e familiares que me auxiliaram, ainda que psicologicamente, na continuidade deste trabalho.

Dedico este trabalho a todos os Homens de bom coração que colaboram para melhorias à sociedade e, redundantemente a todos os meus amigos, minha maior motivação de acreditar que podemos sonhar em coletivo.

“O conhecimento tornou-se, hoje mais do que no passado, um dos principais fatores de superação de desigualdades, de agregação de valor, criação de emprego qualificado e de propagação do bem estar. A nova situação tem reflexos no sistema econômico e político. A soberania e a autonomia dos países passam mundialmente por uma nova leitura, e sua manutenção - que é essencial - depende nitidamente do conhecimento, da educação e do desenvolvimento científico e tecnológico”. [SOCINFO 2000]

ÍNDICE

UNIRIO .................................................................................................................... 2 CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO ............................................................................... 7 CAPÍTULO 2 – SOFTWARE LIVRE ..................................................................... 10
2.1- Histórico .................................................................................................................................... 10 2.2 – Conceitos de Software Livre ................................................................................................. 13 2.3 – Licenças Livres ...................................................................................................................... 15 2.3.1 - Licença GNU GPL (GNU General Public License) ....................................................... 16 2.3.2 - Licença BSD (Berkeley Software Distribution) .............................................................. 17 2.3.3 - Open Source Definitions ............................................................................................... 18 2.3.4 - Creative Commons ........................................................................................................ 18 2.4 – Software Livre X Proprietário ................................................................................................ 20 2.4.1 - Desenvolvimento Colaborativo...................................................................................... 20 2.4.2 - Custo Reduzido ............................................................................................................. 22 2.4.3 - Legalidade de utilização ................................................................................................ 23 2.4.4 - Redução da Dependência Tecnológica ........................................................................ 23 2.4.5 - Incentivo ao Desenvolvimento da Tecnologia Nacional................................................ 24 2.4.6 - Segurança e Confiabilidade .......................................................................................... 26 2.4.7 - Aproveitamento de Hardware........................................................................................ 27 2.4.8 - Responsabilidade .......................................................................................................... 29 2.5 – Software Livre em Órgãos Públicos..................................................................................... 31 2.5.1 - Aspectos Legais e Compromisso com o Poder Público ............................................... 31 2.5.2 - Armazenamento Digital Durável.................................................................................... 33 2.5.3 - Redução de Custos e Aproveitamento de Recursos Nacionais ................................... 33 2.5.4 - Privacidade .................................................................................................................... 35 2.5.5 - Diretrizes ....................................................................................................................... 36

CAPÍTULO 3 – CURRÍCULO LIVRE .................................................................... 38
3.1 – Software Livre e Educação.................................................................................................... 38 3.2 – Proposta da ENEC .................................................................................................................. 43 3.3 – Casos de Uso e Sucesso ....................................................................................................... 45

CAPÍTULO 4 – BACHARELADO EM SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NA UNIRIO .............................................................................................................................. 50
4.1 – Histórico .................................................................................................................................. 50 4.1.1 – Conceito MEC ................................................................................................................... 51 4.1.2 – Eventos e Participações ................................................................................................... 52 4.1.2.1 – Semana de Software Livre ........................................................................................ 52 4.1.2.2 – Representatividade Estudantil ................................................................................... 52 4.2 – Plano Pedagógico do Curso ................................................................................................. 53 4.3 – Estrutura Computacional ...................................................................................................... 57

CAPÍTULO 5 – SOFTWARE LIVRE NA UNIRIOTEC .......................................... 58
5.1- Análise e Discussão para migrações..................................................................................... 58 5.1.1 - Corpo discente do CCET ................................................................................................... 58 5.1.2 - Corpo docente do CCET ................................................................................................... 61 5.2 – Experiência de Software Livre em Disciplinas .................................................................... 64 5.2.1 - Sistemas Operacionais ...................................................................................................... 64 5.2.2 - Distribuição e Concorrência............................................................................................... 65 5.2.3 - Bancos de Dados .............................................................................................................. 65 5.2.4 - Desenvolvimento de Software para Web .......................................................................... 66 5.2.5 - Ambiente Operacional Unix ............................................................................................... 66 5.3- Projeto de Software por categoria de disciplina................................................................... 67

CAPÍTULO 6 – CONCLUSÕES ............................................................................ 79 BIBLIOGRAFIA .................................................................................................... 84 ANEXO1 – QUESTIONÁRIO PARA CORPO DISCENTE .................................... 91 ANEXO 2 – QUESTIONÁRIO PARA CORPO DOCENTE ................................... 92

Resumo
Este trabalho propõe-se a apresentar o Software Livre e suas principais vantagens, principalmente em ambientes universitários, sob o projeto Currículo Livre, uma iniciativa da ENEC que visa o incentivo do uso de sistemas livres em Universidades. Por conseqüência, participando do âmbito do projeto final de curso, esta monografia examina a viabilidade da adoção do Currículo Livre no curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO.

Capítulo 1 – Introdução

Sabe-se que, atualmente, a utilização de softwares é imprescindível em inúmeras instituições, independentemente de suas atividades primordiais. Dessa forma, a requisição por programas de computador aumentou de uma maneira assustadora, acarretando em uma expressiva demanda comercial de software no mercado. Segundo [PACITTI 2006], nas décadas de 60 e 70, era bastante comum o compartilhamento do código fonte1 entre seus programadores, possibilitando assim, fazer modificações no software e compartilhar com outros as mudanças, inclusive no Brasil. Esses hábitos se mostravam amplamente difundidos, principalmente em ambientes acadêmicos e sempre foram coerentes ao espírito de pesquisa nas universidades, tamanho fomento ao estudo na área da computação. No entanto, com a extensa propagação de softwares que atendiam corporações de alto poder financeiro, começaram a surgir estratégias de código fonte escondido e protegido como segredo comercial. Tais medidas eram de agrado ao cliente, pela sensação da segurança de informação e principalmente aos fornecedores do software, devido à atrelada dependência tecnológica. Em seguida, surgiram as licenças de software (ou EULAs2), repletas de restrições que deveriam ser respeitadas por quem comprava seus produtos. Essas licenças incluíam normas para domínio de pirataria. Assim, os clientes que compravam o produto, além de impossibilitados de modificar o programa, não podiam fazer cópias dos softwares que adquiriram, nem distribuí-los. Além disso, algumas políticas de software limitavam os casos específicos de utilização do produto. Ou seja, o cliente não era o dono do software, apenas comprava a licença de uso do programa, aceitando regras de restrição para apenas um computador.
Código fonte é um conjunto de palavras contendo instruções para ser feito o software, escrito em uma das linguagens de programação. 2 End User License Agreements
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Esse regime de práticas passou a ser adotado pela maioria das futuras empresas de desenvolvimento de software, e na maioria das vezes com elevadíssimos preços de licença, dificultando e inviabilizando as condições de aquisição de diversas organizações. O Software Livre é uma alternativa bastante aplicada nessa situação, tanto para o setor público como para o privado. O movimento Software Livre, iniciado na década de 80 através de pesquisas e compartilhamento de atividades da comunidade do cenário de conhecimento livre, proporcionou um certo amadurecimento de opções livres no mercado. Outro aspecto importante seria a maior compreensão do comportamento do programa, proporcionada a quem utiliza as tecnologias empregadas no software livre em contraposição à dependência da parte dos compradores em relação ao software escolhido, gerando diversas dificuldades, não apenas de aprendizado do método de produção, assim como problemas de compatibilidade entre sistemas que se comunicam entre si. Esse aprisionamento traz consigo um custo relevante na mudança de fornecedor, uma vez que se devem pesar os gastos relativos ao aprendizado e à supressão da incompatibilidade da utilização do novo sistema. Sendo assim, o estudo propõe analisar fatores que condicionam a conquista do software livre, tratando itens que favorecem e dificultam sua adoção, avaliando também suas vantagens na proposta do projeto Currículo Livre, que visa sua utilização no ambiente da Universidade, onde soluções que asseiam o caráter da difusão do conhecimento são tidas como primordiais. Além de estudos de casos reais de adoção e sucesso de software livre em outras instituições de ensino, este estudo aborda questões próprias da UNIRIO, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, suas individualidades estruturais e pessoais, analisando a viabilidade da migração e o desempenho de sistemas livres por professores e estudantes, levando em consideração os recursos do CCET3 (Centro de Ciências Exatas e Tecnologia), o curso de Bacharelado em Sistemas de Informação, seu plano pedagógico, as ferramentas necessárias para cada disciplina e pesquisas de opiniões dos corpos discente e docente. De modo organizacional, este trabalho possui a seguinte disposição:
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Disponível em http://www.uniriotec.br

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O Capítulo 2 trata de definições e conceitos ao longo do histórico do Software Livre, sua formação, seus principais ideais e vantagens de utilização em relação ao software proprietário, além de abordagens adicionais sobre a sua adoção em órgãos públicos. O Capítulo 3 apresenta o projeto Currículo Livre, focando as vantagens do uso de software livre na educação, seus méritos em ambientes educacionais, além de casos de uso e sucesso em universidades conhecidas. O Capítulo 4 contém materiais que dizem respeito sobre a UNIRIO, mais especificamente o CCET, o Centro onde se localiza o curso de Bacharelado em Sistemas de Informação, sob o qual este trabalho se encarrega de estudar a proposta de utilização de Software Livre. O Capítulo 5 descreve o processo de Análise da viabilidade exclusiva do uso de Software Livre na UNIRIO, apresentando as pesquisas do corpo docente e discente da Escola de Informática Aplicada e seus resultados. Além disso, exibe o projeto de pesquisa de ferramentas livres para o curso de Bacharelado de Sistemas de Informação, relacionada de acordo com as disciplinas oferecidas, por áreas. No Capítulo 6, apresenta-se a conclusão deste trabalho, descrevendo discussões adicionais a partir dos dados da observação estudados ao longo do mesmo e finalmente o desenlace das questões de viabilidade do uso de Software Livre no curso de Sistemas de Informação.

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Capítulo 2 – Software Livre
2.1- Histórico

O grande precursor do conceito de Software Livre foi o programador norte-americano do MIT4(Massachusetts Institute of Technology) Richard Stallman. A história se originou principalmente devido à sua repugnância ao fato de o resultado de um projeto acadêmico em que trabalhara ter sido vendido pelo MIT a uma empresa e, de forma restrita, sem acesso ao código fonte e protegido por licenças impenetráveis. Stallman pregava que os usuários de um software deveriam ter o direito de compartilhálo com seus vizinhos, de poder estudá-lo e fazer alterações. Classificava como atitudes antisociais e antiéticas as tentativas dos fabricantes de software em proibir tais liberdades aos usuários. Um caso conhecido retrata que certa vez sua impressora havia apresentado problemas enquanto realizava um trabalho no laboratório de Inteligência Artificial no MIT. Ao adquirir uma nova, era necessário o conhecimento de informações do funcionamento do dispositivo para a continuidade de seu trabalho. Entretanto, o fabricante do produto se negou a disponibilizar o código fonte do equipamento. Dessa forma, Stallman começou a pensar em uma forma de tornar acessíveis os conhecimentos de programas e seus códigos, surgindo então a idéia do Software Livre. Stallman tem como plataforma principal para sua filosofia a frase “Software deve ser livre”, e para ele tal liberdade é vital por causa dos usuários e da sociedade. E não pelos merecidos motivos da melhoria do software. No ano de 1984 publicou o manifesto de GNU5, delineando desde então sua direção determinada para criar um sistema livre denominado GNU, compatível com Unix6, o qual qualquer pessoa pudesse usar, copiar, modificar e distribuir. A razão da compatibilidade se dava a uma maior facilidade de migração para usuários do Unix para o novo sistema.

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O Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) é um centro universitário de educação e pesquisa, localizado em Cambridge (EUA), e um dos líderes mundiais em ciência e tecnologia. 5 GNU = GNU’s Not Unix (em português, GNU não é Unix). Disponível em http://www.gnu.org/ 6 Sistema operacional portável, multitarefa e multiusuário originalmente criado por um grupo de programadores da AT&T.

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Também era de seu interesse uma comunidade ativa de desenvolvedores que trabalhariam de maneira conjunta, justificando mais uma vez a necessidade do livre acesso ao código fonte do sistema. Segundo Richard, o desenvolvimento de um software deveria ocorrer de forma evolucionária, no qual um programador pudesse, a partir de um programa já existente, adicionar melhorias, novas funcionalidades, novos recursos e até mesmo aproveitar o código disponível para criar novos programas ao invés de recomeçar do ponto inicial. No ano seguinte, Stallman inventou e popularizou o conceito de copyleft, uma nova espécie de licença, sob a qual qualquer pessoa poderia usar, estudar, modificar e redistribuir um programa sob a condição de que o produto final permanecesse livre, ou seja, em copyleft. O termo foi uma sugestão de um artista e programador que incluiu a expressão “Copyleft – all rights reversed” numa carta. A frase é derivada de “copyright – all rights reserved” utilizada para afirmar os direitos autorais em publicações. O copyleft permitiria ao sistema operacional GNU vantagens sociais em relação ao sistema Unix, mesmo não oferecendo vantagens técnicas. Inicialmente Richard Stallman desenvolveu, adotando copyleft em suas licenças, o editor de texto GNU Emacs e logo em seguida o gcc (GNU C Compiler), compilador de código. Compilador é a ferramenta responsável em transformar o texto do código fonte em arquivos executáveis em linguagem de máquina, viabilizando o desenvolvimento de softwares. Conseqüentemente, incorporou a Free Software Foundation - FSF7 (Fundação do Software Livre) para empregar programadores livres de software e fomentar uma infraestrutura legal para a comunidade livre, com receita derivada de vendas de cd-rom com softwares livres. De início, a fundação desenvolveu o interpretador de comandos Bash (Bourn Again Shell), paródia do nome do famoso interpretador do sistema Unix, Bourn Shell. Por fim, em 1990, o sistema operacional Unix estava praticamente completo. No entanto carecia do kernel, o núcleo central do sistema, uma parte imprescindível de um

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Disponível em http://www.fsf.org/home.pt.html

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sistema operacional, o qual interage diretamente com os hardwares8 do computador. Os membros do projeto GNU trabalharam num kernel denominado Hurd, que fora excluído por motivos de complicações de design, o que o tornaria uma escolha bastante complicada. O acesso às ferramentas necessárias para criação de software oferecidas, em conjunto com a publicação de uma licença geral que poderia ser aplicada a todo o projeto de software e com a difusão da Internet no mundo, tornou possível que outras pessoas escrevessem softwares livres, independentemente do grupo GNU. Em 1991, um projeto independente de um estudante da Finlândia Linus Torvalds do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Helsinki, utilizando o gcc e baseado em Minix9, produziu o kernel Linux, um núcleo compatível com o Unix. Linus disponibilizou o código fonte na Internet a fim de obter melhorias no programa com a ajuda da comunidade livre. No ano seguinte, uma versão mais trabalhada do kernel Linux foi incorporada aos programas livres existentes GNU, consolidando um sistema operacional livre e completo, então chamado GNU/Linux. O GNU/Linux executa diversos aplicativos da plataforma Unix, continua evoluindo até os dias de hoje e, no geral, é o exemplo mais popular do software livre, com diversificados modelos personalizados de sistema operacional completo, prontos para instalação e uso, que recebem o nome de distribuições. Partindo da filosofia de compartilhamento de conhecimento livre, o processo de criação de software livre sofreu convenientes evoluções e atualmente apresenta produtos completamente eficientes em repositórios centralizadores, espaços para troca de informações, onde programadores podem reportar erros e falhas dos programas para a comunidade, demonstrar processos de instalação e utilização, transferir códigos fontes modificados, apresentar correções e recursos alternativos, fazer documentação para softwares existentes, entre outros modelos.

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Hardware é a denominação da parte física do computador. Compreende os dispositivos do sistema, como processador, placa de vídeo, memória, teclado e mouse, entre outros. 9 Sistema operacional semelhante ao Unix, porém gratuito e com o código fonte disponível, desenvolvido por Andrew Tanenbaum e criado inicialmente para fins educacionais.

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2.2 – Conceitos de Software Livre
Um programa de computador é considerado software livre quando atende a quatro liberdades, definidas inicialmente pela Free Software Foundation:

A liberdade para executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0);

A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1).

A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2);

A liberdade de aperfeiçoar o programa e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3).

A liberdade para executar o programa significa que qualquer pessoa física ou jurídica é livre para utilizar o programa em qualquer tipo de sistema computacional, para quaisquer tipos de trabalhos e atividades, sem que seja necessário atender alguma restrição pelo fornecedor. Não tendo acesso ao código fonte, o usuário é restringido na capacidade de entender e modificar esse software adquirido, já licenciado ou patenteado. Só pode utilizá-lo, como previsto no código binário original, que apenas a máquina compreende. Seria uma espécie de caixa preta. Desse modo, a disponibilidade desses arquivos é pré-requisito obrigatório para a liberdade do software. Caso o código fonte não seja distribuído junto com os arquivos executáveis, ou binários, deve ser disponibilizado em local de onde possa ser copiado, ou deve ser entregue ao usuário, se solicitado.

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Na liberdade referente à distribuição, por sua vez, está inclusa a liberdade do repasse dos códigos-fonte bem como, quando possível, seus arquivos binários gerados da compilação desses códigos, seja em sua versão original ou modificados. Assim, não é necessária a permissão do autor ou do distribuidor do programa para redistribuição do mesmo, uma vez que a licença do software livre já nitidamente a concede. Tais licenças devem ser irrevogáveis, para que sejam reais. Caso contrário, se o desenvolvedor do software tiver poder de revogar a licença, o software não é considerado livre. É válido ressaltar que, em momento algum nas licenças, há referências a custos ou preços envolvidos. Muitos associam diretamente o software livre ao termo gratuito. Mas como se vê, nada impede que uma cópia adquirida por alguém seja revendida, tendo sido modificada ou não por essa pessoa. Nada impede também que as alterações feitas num software para uso próprio sejam mantidas em segredo. Ninguém é obrigado a liberar suas modificações. Já o caso do software proprietário é completamente diferente. É, em sua maioria, regido sob uma variedade de normas que visam restrições de diversas naturezas. Uma delas é o limite de seu uso em computadores de acordo com o número de licenças adquiridas. São estabelecidas licenças pelas quais é necessário pagar por cada cópia instalada, geralmente valores demasiadamente elevados. Ademais, é ilícita a redistribuição de suas cópias. Além disso, normalmente as empresas que vendem seus softwares proprietários não disponibilizam seu código-fonte, tornando dessa forma impossível tomar conhecimento por completo dos cumprimentos realizados pelo programa e seu comportamento, tampouco corrigir erros e fazer modificações ou adaptações de acordo com as necessidades pessoais de seus clientes. Alguns dos softwares livres mais conhecidos atualmente são o sistema operacional GNU/Linux, a suíte de aplicativos para escritório OpenOffice e o navegador de Internet Mozilla Firefox. Em contrapartida, o fabricante de software proprietário mais conhecido é a Microsoft com programas como o sistema operacional Windows, o pacote Microsoft Office e o navegador Internet Explorer. 14

2.3 – Licenças Livres
A fim de garantir a perseverança do espírito do software livre durante os novos resultados de trabalho colaborativo, modificações, redistribuições e nascimento de novos programas, existem licenças nas quais são definidas as normas de utilização do software. Durante todo o caminho percorrido pelo movimento software livre, surgiram diversas licenças, portando políticas diferentes entre si, de acordo com as diretrizes defendidas em cada uma, embora possuam em comum, obviamente, as quatro liberdades anteriormente descritas que definem o software como livre. Em seu geral, as licenças se preocupam principalmente em estabelecer regras em domínios tais quais: • • • • •

Proteção da autoria do software original; Maneiras de redistribuição do software; Formas de distribuição de modificações e seu código fonte; Não restrição de venda do software; Instalação em número irrestrito de computadores.

Ilustração 1- Diagrama das categorias de software. Demais definições em: http://www.gnu.org/philosophy

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2.3.1 - Licença GNU GPL (GNU General Public License)

Trata-se da licença mais difundida de software livre, provavelmente a principal dentre todas as outras, devido seu pioneirismo e adoção do mecanismo do copyleft. Para agregar o recurso Copyleft a um software é necessário antes o registro do Copyright. Daí então se deduz que o Software Livre não contesta os direitos autorais, mas os reafirma na medida que somente o proprietário de uma obra pode promover a abdicação espontânea de seus direitos em prol do conhecimento. O software licenciado pela GPL10 pode ser distribuído com ou sem custo, estudado e modificado, reutilizado em outros projetos futuros, contanto que, caso algum pedaço do código de um software licenciado pela GPL seja utilizado, o novo programa distribuído deve do mesmo jeito adotar as medidas da licença GPL. Essa atitude impede que o software livre licenciado, ou parte dele, seja integrado em software proprietário. GPL é a licença que acompanha os pacotes distribuídos pelo projeto GNU, além de uma extensa variedade de softwares, incluindo o kernel Linux, o núcleo central do sistema operacional GNU/Linux. Além disso, existe uma licença alternativa do projeto GNU, a LGPL (Library General Public License) sucedida pela Lesser GPL em 1999, que se refere às bibliotecas de softwares desenvolvidas pela GNU, que através dessa licença, podem ser livremente utilizadas em aplicações comerciais, contanto que o software seja capaz de aceitar atualizações das bibliotecas livres. A GNU ainda possui uma outra licença que cobre documentação de software, a GNU FDL (Free Documentation License) que tem por fim manter livres documentos, manuais, livros, diagramas, sendo permitido alteração, cópia e redistribuição, com ou sem custo de venda.

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A Licença Pública Geral do GNU está disponível, em português em: http://creativecommons.org/licenses/GPL/2.0/legalcode.pt

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2.3.2 - Licença BSD (Berkeley Software Distribution)

Criada pela Universidade de Berkeley, que desenvolveu seu próprio sistema Unix quando passou a ser comercializado pela empresa AT&T. É conhecida como uma licença permissiva, pois impõe poucas limitações sobre as formas de uso, modificação e redistribuição sobre o software licenciado. Disponibiliza o desenvolvimento do software para a sociedade, não impede sua venda e não há obrigações quanto à utilização do seu código fonte, permitindo assim que o mesmo seja incluído em software proprietário. Esta licença defende o crédito aos autores do programa, contudo não se importa em garantir que trabalhos derivados de softwares livres permaneçam livres. Por conta dessa permissividade, pode-se usar o exemplo da Microsoft, que incorporou parte do código do sistema operacional FreeBSD para implementar a pilha de TCP/IP11, entre outros módulos, no sistema operacional proprietário Windows.

“Como de fato ocorreu: a Microsoft utilizou partes do código do FreeBSD em seus produtos, como mostrou o Wall Street Journal: ...[S]everal FreeBSD volunteers combing through Microsoft products, including the new Windows 2000 operating system, found numerous instances where Microsoft had made use of their software – something perfectly legal for it to do.” [FERRAZ 2002] Essa licença é bastante utilizada por desenvolvedores comerciais como a Sun12. Além disso, outros softwares gratuitos também a utilizam, tal como os sistemas operacionais FreeBSD e OpenBSD, e os programas Apache, BIND e Sendmail.

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Modelo de protocolo de controle de transmissão e Internet. TCP/IP (Transmission Control Protocol / Internet Protocol) 12 Stanford University Network – Empresa fundada por alunos de graduação da Universidade Stanford, uma das primeiras a defender a computação em rede baseada em Unix, promovendo TCP/IP e criou a difundida linguagem de programação Java. Disponível em http://www.sun.com/

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2.3.3 - Open Source Definitions

Open source não significa apenas um software com código fonte acessível.Os termos da distribuição devem cumprir com alguns critérios, copiados pela Open Source Initiative das definições da licença Debian13 (The Debian Free Software Guidelines), escritas originalmente por Bruno Perens em 1997, como parte de um contrato social entre o Debian e a comunidade software livre, onde foram removidas, obviamente, as referências específicas ao Debian. Essa licença possui critérios que vão além da publicação do código fonte do programa, que são: (a) a redistribuição deve ser livre; (b) o código fonte deve ser incluído e pode ser redistribuído; (c) trabalhos derivados podem ser redistribuídos sob a mesma licença do original; (d) pode haver restrições quanto à redistribuição do código fonte, se o original foi modificado; (e) a licença não pode discriminar contra qualquer pessoa ou grupo de pessoas, nem quanto a formas de utilização do software; (f) os direitos outorgados não podem depender da distribuição onde o software se encontra; (g) a licença não pode restringir outro software, ou outra tecnologia individual ou estilo de interface.

2.3.4 - Creative Commons

Creative Commons (CC) denomina um conjunto de licenças padronizadas para gestão livre, com a finalidade de facilitar compartilhamento, reutilização e recombinação de conteúdos e informação, utilizando a filosofia do copyleft.

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Conhecida distribuição não comercial do sistema operacional GNU/Linux. Disponível em http://www.debian.org/

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As licenças criadas pela organização norte americana sem fins lucrativos Creative Commons14 permitem que detentores de copyright possam abdicar, em favor do público, de alguns dos seus direitos inerentes às suas criações, mesmo que retenham outros desses direitos. Isso pode ser operacionalizado por meio de um sortimento de módulos padronizados de licenças, que resultam em licenças prontas para serem agregadas ao conteúdo que se queira licenciar. As licenças Creative Commons tiveram como influências a GPL (GNU Public License) e a GFDL (GNU Free Documentation License), e diferem-se das iniciativas anteriores por não possuírem necessariamente, dentre seus direitos públicos, as liberdades referentes ao código-fonte, uma característica específica de softwares. Desse modo, é perceptível a intenção de utilização de licenças livres em outros tipos de conteúdo, como textos, músicas, imagens e filmes. As principais licenças CC foram redigidas, a princípio, considerando o modelo legal dos Estados Unidos da América, seu país de origem. Dessa forma, conclui-se que as mesmas, eventualmente, podem não interagir de forma perfeita com a legislação vigente de outros países. No Brasil, as licenças já se encontram traduzidas para a língua portuguesa e totalmente adaptadas à legislação brasileira, assim como em mais de trinta países, como, dentre outros, França, Alemanha e Itália. O Governo Federal do Brasil fornece as licenças Creative Commons GNU GPL e Creative Commons GNU LGPL em seu site15 na Internet. Tais licenças constituem-se em meta-dados gerados pelo Creative Commons acrescidos às partes explicativas das licenças GNU, no âmbito de utilizar seus ideais voltados mais especificamente a questões do domínio de softwares.

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Sítio Oficial disponível em: http://creativecommons.org Disponível em: http://www.softwarelivre.gov.br/Licencas/

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2.4 – Software Livre X Proprietário

2.4.1 - Desenvolvimento Colaborativo

Um dos maiores tesouros do espírito do software livre é justamente sua comunidade ativa, que atua na propagação do conhecimento e, de uma forma colaborativa, impulsiona a riqueza de recursos na produção intelectual na área de software. O fato de permitir a liberdade do estudo e modificação do código fonte para o usuário, juntamente com a difusão mundial da Internet em meio de diversas insatisfações com o sistema proprietário de softwares, tece uma rede de notável dimensão de princípio cooperativo capaz de expandir a prática ideal para o desenvolvimento de um produto tecnológico: a de que diferentes programadores possam, tendo tal acesso ao código, alterar, modificar, acrescentar, reconhecer e resolver falhas, propor outras soluções e até mesmo novas funções para um determinado programa, alimentando a prática de seu ciclo de vida, de acordo com Roberto Hexsel, em [HEXSEL 2002]. Assim, os membros da Comunidade Software Livre enxergam o código de um sistema computacional de forma semelhante a conhecimentos matemáticos, ferramentas primordiais para se conquistar avanços tecnológicos e concretos.

“O ciclo de vida típico de um projeto de software livre de sucesso passa pelas seguintes fases. O processo de desenvolvimento se inicia quando o autor escreve uma versão inicial do programa Pv0 e publica o código fonte desta versão incompleta. Se o programa é interessante ou útil, outros programadores o instalam e experimentam. Erros são descobertos e corrigidos, e melhorias são propostas ou introduzidas no programa. Estas correções e melhorias são submetidas ao autor, que as incorpora e publica a nova versão de seu programa, Pv1. A versão melhorada atrai mais usuários, que descobrem outros erros e introduzem novas melhorias, o que leva a uma nova versão. Para programas considerados úteis, e que, portanto atraem muitos novos usuários, este ciclo se repete a cada poucos meses. Após algumas iterações, o programa P atinge estabilidade e passa a contar com um grupo razoavelmente grande de usuários. Nestas condições, a comunidade de suporte ao programa atinge massa crítica, e isso garante a continuidade de seu desenvolvimento e suporte.” [HEXSEL 2002]

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Embora possua, em sua maioria, participantes de grande conhecimento tecnológico, a comunidade Software Livre, hoje envolvendo mais de dez milhões de pessoas, não é constituída apenas de programadores no âmbito evolutivo do movimento. Agrega pessoas das mais variadas áreas e interesses que utilizam e contribuem para a fortificação do software livre, mesmo sem conhecimento de programação: seja traduzindo versões e ou documentação de softwares, seja reportando erros encontrados nos sítios centralizadores do programa para futuras correções ou até mesmo difundindo os ideais de liberdade e serventia entre outras pessoas do convívio. No software proprietário, o conhecimento é limitado a uma parcela extremamente reduzida de pessoas e a versão inicial de um programa só pode ser liberada após inúmeros testes e mesmo assim repleta de problemas que custam a ser percebidos e corrigidos pela empresa que o desenvolve, uma vez que os usuários não têm acesso ao código fonte e são mais afastados do processo de aprimoramento do software. A adoção de Software Livre é uma forma de luta contra o monopólio de grandes corporações que tentam se apropriar do conhecimento intelectual coletivo para benefício próprio. “O movimento do Software Livre clama pela descentralização da indústria de software. O mais importante é que todas essas conquistas ficam disponíveis, acessíveis à comunidade(...) Compartilhar informações e conhecimento foi o que permitiu a maioria dos grandes avanços da ciência.” [DIMANTAS 2003] O processo de escolha do tipo de tecnologia é um ponto de vital importância para a tomada de decisão de plano institucional. Por isso, é importante mostrar-se atentos às vantagens que a solução em estudo proverá para a realidade da estrutura do ambiente organizacional e principalmente educacional, como o caso deste trabalho. Assim, é aconselhável um estudo aprofundado das vantagens estratégicas, considerando não apenas reduções de custos, mas sim o conjunto de benefícios com a adoção de soluções livres.

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2.4.2 - Custo Reduzido

Para abordagens de custo deve-se levar em consideração todos os aspectos que o envolve. Dessa forma é necessário realizar um cálculo relativo a todos os gastos que um ambiente institucional teria para se manter operacional: a aquisição, instalação, utilização, atualização e manutenção do software. O software livre oferece diversas vantagens econômicas em relação ao software proprietário. A aquisição de softwares livres pode ser realizada a baixo custo, ou muitas vezes de forma gratuita, mediante o recurso de download16 na Internet. Em geral, o software proprietário possui elevados custos de aquisição em suas licenças. Além disso, sobre tal categoria de software, entra em questão a necessidade de adquirir licenças em relação à quantidade de máquinas onde se deseja instalar o produto. O caso contrário é considerado prática de pirataria. Uma questão bastante conhecida vinda da parte dos adeptos ao software proprietário é o gasto com a migração e o aprendizado na utilização do software livre. Pesquisas atuais revelam que tais investimentos são muito mais promissores e favoráveis que os gastos com licenças de softwares ocorridos conforme o ciclo de renovação de contrato dos produtos proprietários17, o que não acontece na plataforma livre, onde não há cobrança de licenças de uso de software. “(...)o Serpro informou que, desde o início da migração para software livre, economizou R$ 14,8 milhões. O investimento em treinamento, consultoria e suporte para software livre foi de R$ 396 mil. Como resultado final, o Serpro (leia-se governo) economizou R$ 14,4 milhões. Esclareceu também que, de 2001 a 2005, abriu vagas em concurso para 2.333 profissionais.” [SERPRO 2006]

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Download é uma transferência ou cópia de arquivos e programas da Internet para o computador. Os softwares ao decorrer do tempo sofrem casuais ou freqüentes atualizações ou lançamento de versões mais modernas. Há licenças de diversos softwares proprietários que sofrem validações de acordo com essas atualizações do produto, sendo necessárias renovações do contrato com o fornecedor ou distribuidor responsável.

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2.4.3 - Legalidade de utilização

Como se sabe, a cópia não autorizada de programas proprietários é prática de ato ilícito e considerada pirataria, mesmo sendo para utilização em ambientes que portem outras cópias em situação legal do mesmo software. As licenças de software proprietário prevêem restrições de uso em número restrito de máquinas. De acordo com suas liberdades definidas, o software livre oferece a possibilidade de instalação em número ilimitado de máquinas, de cópias e redistribuição do produto sem que esteja praticando nenhuma operação ilegal, como o da pirataria de software. “As liberdades do software livre (direitos de execução dos programas, adaptação, redistribuição, aperfeiçoamento e abertura do código fonte) são baseadas no direito autoral para sua manutenção. O que significa possuir uma licença que autorize o uso irrestrito e possibilidade de alterações, para melhor execução do que seja necessário”. [FERNANDES 2005] “Com a intensificação do combate a pirataria, esta prática pode sair cara, como mostra a Lei de Software, Lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Assim o artigo Art. 12º da lei enuncia que quem violar direitos de autor de programa de computador terá pena de detenção de seis meses a dois anos ou multa e se a violação consistir na reprodução, por qualquer meio, de programa de computador, no todo ou em parte, para fins de comércio, sem autorização expressa do autor ou de quem o represente a pena será de reclusão de um a quatro anos e multa”. [BACIC 2003] 2.4.4 - Redução da Dependência Tecnológica

Um dos erros mais graves na estratégia de adoção do modelo de software é definir como padrões as soluções proprietárias de um único fornecedor, segundo [FERREIRA 2005]. Desta forma, o cliente se torna aprisionado ao fornecedor que pode exercer poder de negociação sob ameaças de aumento de preço ou redução da qualidade dos produtos ou serviços oferecidos. Fornecedores poderosos podem, dessa maneira, absorver uma rentabilidade de uma corporação incapaz de corrigir tais aumentos de custos em seus próprios preços, ou explorar recursos de outras áreas importantes de uma instituição de ensino, por exemplo. 23

De modo contrário, o software livre reduz tal dependência, chegando a descartá-las em muitos casos. A adoção de padrões abertos permite o acesso ao código fonte e, com isso, o desenvolvimento interno das tecnologias ou então protege o conhecimento dentro da corporação. E se tais serviços tecnológicos forem oferecidos por uma empresa de consultoria específica, a opção de troca não é descartada, uma vez que o código fonte é conhecido. Assim, os clientes podem negociar preços e serviços de uma maneira justa com os fornecedores, sem temerem o risco de tornarem-se reféns tecnológicos. Tem-se um exemplo citado por [ALMEIDA 2003] em educação à distância18. Uma empresa líder mundial no ramo (WebCT) conseguiu seu atual sucesso oferecendo um pacote com custo acessível e de boa qualidade. Assim, com sua ampla difusão no mercado, reajustou os valores da tabela de preço de uma maneira abusiva. Muitas empresas de ensino não tiveram alternativa a não ser a de prover novos recursos para atenderem aos novos valores do fornecedor, muitas vezes desviados de outros setores, acarretando em prejuízos institucionais.

2.4.5 - Incentivo ao Desenvolvimento da Tecnologia Nacional O Brasil anualmente gasta bilhões de dólares em royalties19 em licenças de software para o exterior, principalmente os Estados Unidos da América, país que detém a maioria dos fabricantes de softwares proprietários mais utilizados, como a Microsoft20 e Borland21. Tais insumos gastos em patentes de produto estrangeiro poderiam ser retidos no próprio país e investidos em diversos setores básicos, como a saúde e educação. Atitudes de adoção ao Software Livre, além de proporcionar ganhos macroeconômicos, contribuem para o incentivo do crescimento de soluções livres em demais empresas nacionais. Pequenas e médias empresas de informática terão oportunidades de adaptar o

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Educação a distância é a modalidade de ensino que permite que professor e aluno não estejam fisicamente presentes em um ambiente formal de ensino, e sim conectados via Internet. 19 Importância cobrada pelo proprietário de uma patente de produto, processo de produção, marca, entre outros, ou pelo autor de uma obra, para permitir seu uso ou comercialização. 20 Maior e mais conhecida empresa de software no mundo, produtora do Microsoft Windows e do Microsoft Office, entre outros. 21 Famosa produtora de softwares dedicada, principalmente a compiladores de programas.

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programa de uma empresa para outra, oferecendo treinamento, desenvolvendo novas soluções em softwares que ainda não existem, prestando consultoria a corporações que estão em fase de migração do software proprietário para o software livre, fomentando dessa forma a independência tecnológica resultante do compartilhamento de conhecimento e o desenvolvimento de inovações de produtos e serviços no mercado nacional.

“Quanto mais se informatiza o cotidiano, mais são utilizados sistemas operacionais e demais aplicativos. Assim, mais se gastará em royalties enviados ao exterior como pagamento pelo uso de licenças de usos dos softwares proprietários. Porém, temos acúmulo suficiente para criar, em software livre, soluções similares às que importamos. O potencial criativo e produtivo do brasileiro é inegável, mesmo no cenário atual, e a Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia assegura que o Brasil é o 7º produtor mundial de soluções, logo depois dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália. Seria extremamente viável utilizarmos mais amplamente o software livre, pois além de não enviarmos royalties, poderíamos nos firmar como um grande produtor e distribuidor de soluções em código aberto”. [SILVEIRA 2003] Segundo dados22 do Ministério da Ciência e Tecnologia, cerca de 80% dos investimentos em software no Brasil são feitos em programas importados. Isso significa que, dos US$ 8 bilhões gastos com software a cada ano, US$ 6,4 bilhões são destinados a produtos estrangeiros.

“Apesar de produzir pouco do produto que consome, o Brasil dispõe de todas as condições, tecnologia e conhecimento para ter uma indústria forte de software”, afirmou o superintendente da Área Industrial do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), Carlos Gastaldoni em [MCT 2005].

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Disponível em : http://agenciact.mct.gov.br/index.php/content/view/24777.html/

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2.4.6 - Segurança e Confiabilidade

A segurança da informação é um dos principais aspectos em que o software livre mais se destaca. Para Nelson Corrêa, em [FERRAZ 2002], a segurança da informação tem o objetivo de preservar a confidencialidade, integridade e disponibilidade da informação em uma organização ou instituição, e isto é alcançado combinando bons componentes, boa arquitetura de projeto e boas práticas no sistema computacional. A confidencialidade é a capacidade de manter informações em segredo; a integridade se dá na exatidão dos dados e na certeza de que não sofreram alterações; e por sua vez, a disponibilidade se refere à qualidade da acessibilidade em um intervalo de tempo. O grau de importância dos três aspectos varia de acordo com a natureza do sistema. Contudo, geralmente, a característica de disponibilidade é considerada imprescindível, uma vez que o sistema indisponível não pode sequer ser utilizado. Viviane Bessa, em [FERREIRA 2005] defende que, pelo fato de o sistema livre disponibilizar amplamente seu código fonte, as falhas de segurança e erros não permanecem ocultos por muito tempo. Os bugs23 do sistema são freqüentemente descobertos e suas correções são comumente reportadas aos seus responsáveis. Quanto maior a abrangência de utilidade inerente de um software, conseqüentemente maior será o número de usuários testando e menor então o tempo de depuração e correção de falhas. Assim, inúmeros problemas de segurança serão mais facilmente descobertos e corrigidos e suas correções publicadas mais rapidamente via rede mundial de informação, o que se torna inviável pelo modelo de software proprietário, que contesta ao usuário o direito do conhecimento, dificultando a visão e a correção de problemas. Um argumento bastante comum de defensores do software proprietário é que o software livre é menos seguro, pois os hackers24 têm acesso ao software, que supostamente deveria
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Falhas na lógica programacional de um programa de computador. Indivíduos que elaboram e modificam software e hardware de computadores, seja desenvolvendo funcionalidades novas, seja adaptando as antigas, e são defensores da cooperação e disseminação do conhecimento através da liberdade de informação. Erroneamente, para muitos, o termo designa programadores maliciosos que agem com o intuito de violar ilegal ou imoralmente sistemas cibernéticos, o que nesse caso compete o conceito de crackers.

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se apresentar de forma oculta, para proteger os dados do sistema, e assim podem facilmente descobrir e explorar falhas no comportamento do projeto existentes. Embora guardar segredos normalmente não prejudique a segurança, a atitude de tornar em segredo o código fonte é um método muito fraco de segurança, portanto não pode ser considerado um argumento válido a favor da prática do software proprietário. O recurso de criptografia25 se constitui em proteções de dados, mesmo quando o algoritmo do sistema é conhecido. A segurança da informação é uma ciência que visa a proteção de dados de um sistema e suas técnicas são extremamente necessárias para tal. Outro aspecto bastante pertinente ao estudo é o conhecimento íntegro do comportamento do software livre, o qual não é apresentado no software proprietário. Com a disponibilização do código fonte, os usuários podem ter total ciência do que é composto o sistema. Já a situação do modelo proprietário é diferente. O usuário sabe apenas que o programa efetua as atividades que são visíveis a ele. Alguns estudos apontam funcionalidades do software proprietário além das funções utilizadas pelos clientes, como a retirada de informações privadas do usuário. Como a descrição de todos os comandos não é acessível ao usuário final, é impossível ter certeza de que seus dados não estão sendo enviados sem sua permissão. Em contrapartida, os usuários de softwares de plataforma aberta têm total clareza no que diz respeito a essa preocupação.

“Com software proprietário você não pode saber o que um determinado programa faz realmente. Vários softwares proprietários muito conhecidos foram encontrados a espiar os utilizadores e a enviar informação acerca do seu comportamento entre outras coisas.” [OPENSUSE 2006]

2.4.7 - Aproveitamento de Hardware

Com as constantes atualizações de softwares proprietários, principalmente em sistemas operacionais, os requisitos básicos de hardware da máquina para suportá-los são cada vez mais complexos em conseqüência de seus crescentes componentes carregados e pesados, na
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Área de estudo de técnicas para proteção da informação, de qualquer natureza que seja.

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sua maioria desnecessários e raramente utilizados. Essas freqüentes atualizações, transpostas ao usuário como necessárias, podem ser justificadas pela garantia constante de um fluxo de receitas financeiras pela parte do fornecedor de software e pelas parcerias com os fabricantes de hardware. Segundo Rubens Queiroz, em [ALMEIDA 2003], uma conseqüência dessa rigorosa exigência mercadológica que as empresas de software adotam, é o lançamento de sistemas operacionais e softwares viáveis apenas em computadores de última geração, fora do campo de alcance da maioria das instituições, principalmente públicas e universitárias. Em contrário a isso, os softwares livres adotam como diretrizes centrais a funcionalidade e a eficiência, podendo ser empregados e utilizados em um amplo campo de computadores, dos mais antigos e simples aos mais modernos e complexos, de acordo com suas necessidades reais. Laboratórios de ensino, servidores web, servidores de e-mails, dentre outros serviços podem ser criados de forma prática, com recursos já disponíveis e considerados obsoletos pela instituição. Tomando por base essa característica do software livre, e em busca de soluções alternativas para oferecer novos serviços aos usuários, foi implantado na UNIRIO, campus da Urca, pelos alunos de graduação de Sistemas de Informação um projeto para a instalação de um sistema com terminais remotos. Esse sistema, chamado de Boot Remoto permite à Universidade uma economia considerável no quesito de investimento em equipamentos. O procedimento dessa solução constitui em terminais remotos espalhados pelas instalações da universidade, em diversos prédios ao longo de quase toda extensão do campus (onde se localiza o curso de Sistemas de Informação) e obtendo o sistema operacional, dados de usuário e softwares utilitários diretamente de um servidor, sem a necessidade de armazenamento ou processamento de dados na máquina local. Tal recurso oferece um serviço transparente ao usuário, que não percebe diferença entre uma estação normal de trabalho e um terminal de servidor remoto.

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2.4.8 - Responsabilidade

Uma justificativa bastante freqüente contra a adoção de softwares livres em corporações é justamente a falta de responsabilidade em relação a possíveis problemas que ocorram com o sistema, mesmo acarretando em prejuízos. “É comum gerentes adotarem software proprietário porque está suportado por determinadas empresas, julgando que elas arcariam com as responsabilidades dos sistemas executarem exatamente o que se propõem, sem prejudicarem outros sistemas pré-existentes. Entretanto, essa é uma visão utópica, pois essa responsabilidade na prática inexiste ou é extremamente restrita”.[FERNANDES 2005] Como se pode observar, a seguir, diretamente na composição do contrato de licença para usuário final (EULA) para software Microsoft, a maior representante do software proprietário da atualidade. Além da presença de uma política de caráter restritiva aos direitos de seus clientes, as definições de seu contrato indicam que a mesma não se compromete a arcar com conseqüências danosas provenientes de possíveis erros e falhas do software, em contrário da idéia de que muitos têm sobre garantias da parte da mesma.

“(...) *Você não poderá divulgar os resultados de qualquer teste de desempenho do SOFTWARE a terceiros, sem o prévio consentimento, por escrito, da Microsoft.(...) Isenção de garantias. Na extensão máxima permitida pela legislação aplicável, a Microsoft e seus fornecedores fornecem a você os componentes do sistema operacional e quaisquer serviços de suporte (se houver) relativos aos componentes do sistema operacional ("serviços de suporte") no estado em que se encontram e com todas as falhas, e a Microsoft e seus fornecedores se isentam de todas as condições e garantias relacionadas aos componentes do sistema operacional e serviços de suporte, sejam expressas, implícitas ou legais, incluindo, mas não se limitando a quaisquer garantias ou condições (se houver) relacionadas a: comercialização, adequação a uma finalidade específica, ausência de vírus, respostas completas e corretas, resultados, ausência de negligência ou ausência de esforço de aprimoramento e 29

ausência de negligência. Também não há garantias ou condição de titularidade, uso pacífico, posse pacífica, correspondência à descrição ou não-violação com referência ao produto. Você assume todos os riscos resultantes do uso ou do desempenho dos componentes do SO e de qualquer serviço de suporte. Exclusão de danos incidentais, conseqüenciais e outros. Na extensão máxima permitida pela legislação aplicável, em nenhuma hipótese a Microsoft ou seus fornecedores serão responsáveis por quaisquer danos especiais, incidentais, indiretos, punitivos ou conseqüenciais (incluindo, sem limitações, danos por: por lucros cessantes, perda de informações confidenciais ou outras; interrupção nos negócios, danos pessoais, perda de privacidade, falha no cumprimento de qualquer obrigação (inclusive de boa fé e com cuidados razoáveis), negligência e qualquer outra perda financeira ou de qualquer natureza) resultantes do ou de qualquer forma relacionados com o uso ou inabilidade no uso do software atualizado ou dos serviços de suporte ou o fornecimento ou falha no fornecimento de serviços de suporte ou de outro modo sob ou com relação a qualquer disposição deste EULA, mesmo que a Microsoft ou qualquer fornecedor tenham sido alertados sobre a possibilidade de tais danos. (...) As limitações, exclusões e isenções de responsabilidade acima se aplicam na extensão máxima permitida pela legislação aplicável, mesmo que qualquer recurso não cumpra o seu propósito essencial.” [MICROSOFT 2005].

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2.5 – Software Livre em Órgãos Públicos
“Nesse cenário a filosofia do Software Livre surge como oportunidade para disseminação do conhecimento e nova modalidade de desenvolvimento tecnológico, em função do novo paradigma que se estabelece na relação de quem produz o software (sejam empresas sejam programadores autônomos) com a tecnologia propriamente dita. O Software Livre cumpre, ainda, as determinações do Governo Eletrônico, bem como os padrões estabelecidos pela e-PING26.” [MP 2004] A referência do parágrafo acima, do Ministério do Planejamento, foi retirada do Guia Livre, um conjunto de itens que visam a difusão do conhecimento e referências para o processo de migração para a utilização de Software Livre no Governo Federal.

“A questão do Software Livre está contextualizada em amplo cenário integrado, composto por ações de desenvolvimento tecnológico, inserção adequada do País na chamada “Sociedade da Informação”, promoção da cidadania, inclusão digital e racionalização de recursos. Diante do contexto, tornou-se fundamental criarmos um documento com o propósito de nortear as ações de migração para o Software Livre da Administração Pública Federal, cuja iniciativa de elaboração está consolidada neste Guia Livre.” [MP 2004] Neste tópico serão estudadas algumas razões para que instituições públicas optem pela escolha do software livre.

2.5.1 - Aspectos Legais e Compromisso com o Poder Público

“A Constituição da República Federativa do Brasil prevê em seu Art. 37, que a Administração Pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos Princípios Administrativos de: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência [BRASIL 1988].

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Conjunto de políticas e especificações técnicas regulamentadoras para a utilização da Tecnologia da Informação e da Comunicação, denominada “Arquitetura e-PING – Padrões de Interoperabilidade do Governo Eletrônico”.

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Legalidade: Qualquer ação ou ato administrativo deve estar expressamente autorizado em lei. Nada pode ser feito sem que haja uma lei ou dispositivo equivalente que autorize ou normatize os atos da Administração Pública. Impessoalidade: Princípio que regula o tratamento igual a todos os administrados, impedindo ou proibindo o favorecimento individual de um em detrimento de outrem. Com a observância desse princípio impede-se a auto-promoção das autoridades. Moralidade: Exigência de observação dos preceitos éticos, objetivando impedir que administradores públicos pratiquem ações privilegiando interesses próprios. Dessa forma, a atuação do administrador deve seguir padrões éticos de probidade, decoro e boafé. Publicidade: Trata-se neste princípio da transparência dos atos dos administradores, garantindo que os cidadãos exerçam seus direitos de fiscalização sobre os atos dos administradores públicos. Eficiência: Prevê que os serviços prestados pelo Estado devem ser de alta qualidade. É através da observância desse princípio que se obtém um melhor gerenciamento de recursos, maximizando resultados e minimizando custos. Obtêm-se isso com a utilização de métodos racionais, modernas técnicas e tudo dentro das normas de especificação. Os princípios constitucionais foram citados acima para demonstrar que o Administrador Público, quando da tomada de decisões, seja para migração do Software Livre ou para qualquer outra ação, deve obedecer principalmente a legislação vigente que normalmente está alinhada com os princípios constitucionais da administração pública acima, destacados”. [BALESTRIN 2005]

“Encaminho a Vossa Excelência o Acórdão nº 1521/2003 – Plenário, do Tribunal de Contas da União, que aborda, entre outros assuntos, o fornecimento de produtos e serviços de Informática. A propósito, solicito as providências de Vossa Excelência no sentido de, à vista do contido no item 9.2.4 do documento de início citado, avaliar a conveniência da utilização preferencial do software livre nas futuras aquisições de hardware. Por oportuno, solicito que seja transmitido aos Secretários de Administração e aos Diretores e Coordenadores de Tecnologia da Informação desse Órgão, o Relatório do Planejamento Estratégico realizado pelo Comitê Técnico para a 32

Implementação do Software Livre na Administração Pública Federal, anexo ao presente”. [BRASIL 2003]

2.5.2 - Armazenamento Digital Durável

O governo porta a responsabilidade pelo armazenamento de diversas informações públicas. Segundo a Constituição da República, anteriormente citada, no que se refere ao princípio administrativo de publicidade, a população tem o direito de conferir de que forma estão guardando tais informações e também a garantia de que esses dados estarão disponíveis quando forem necessários. Segundo Rafael Gomes Fernandes, em [FERNANDES 2005], para que sejam possíveis essas características, é imprescindível a tecnologia de livre acesso ao código-fonte, já que este permite a auditabilidade27 e sua manutenção sem que seja necessário acordo contratual escuso, da parte do fornecedor do software ou de outra empresa responsável, do setor privado.

“O software livre permite o governo auditar o código, mas também comunidades de cientistas e de usuários em vários lugares do mundo possam fazer essa aferição e detectar problemas. O que de outra forma não poderia ser feito nem se o governo tivesse equipe especializada para olhar um código que eventualmente fosse aberto pelo fornecedor”. [SANTANNA 2006]

2.5.3 - Redução de Custos e Aproveitamento de Recursos Nacionais

Por motivos da grande importância de tal aspecto, mesmo já antes citado no capítulo anterior, é importante entrar em alguns detalhes sobre a viabilidade econômica do software livre, principalmente quando o assunto se refere ao poder público.

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Possibilidade da verificação da integridade das informações, coerência e licitude da programação, e a capacidade da prática do rastreamento das atualizações significativas nos dados, contendo informações do autor e sua modificação, num horário definido.

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“O Ministério do Planejamento tem necessidade de aquisição de novas licenças de software, tanto para seu sistema de correio eletrônico como para implementação de novas instalações da ferramenta de automação de escritório. Estas aquisições representam um gasto de recursos em licença de software que pode ser minimizado significativamente com a adoção de ferramentas de software livre com funcionalidades similares. Aproveitando o momento propício, poderemos também adotar a utilização de software livre em outros segmentos, como por exemplo o navegador da Internet e o sistema operacional GNU/Linux. (...) A utilização de software livre possibilitará que deixemos de adquirir licenças de software proprietário, o que implicará inicialmente numa economia financeira, levando-se em consideração apenas os projetos de Migração do Pacote de Automação de Escritório e Migração do Correio Eletrônico. A economia estimada será da ordem de 2 milhões de reais, já considerando os gastos operacionais do próprio processo de migração e implementação das ferramentas livres, especialmente relacionados aos recursos humanos”. [MP 2005]

“Em outro exemplo de como a cultura do software pode estar mudando de forma acelerada, a Petrobrás trocou um supercomputador de US$ 8 milhões que operava com Windows por um cluster de alto processamento (vários microcomputadores interligados), desenvolvido pela Itautec por cerca de US$ 200 mil. O cluster opera com software livre”. [MCT 2004] No campo da Análise Financeira, Rafael [FERNANDES 2005] utilizou em seu trabalho duas técnicas de medidas de estudo econômico iniciadas pelo Grupo Gartner em 1986, o TCO (Total Cost of Ownership) e o ROI (Return On Investment). TCO constitui no custo total da apropriação de uma determinada solução tecnológica (não necessariamente compra de software). Foi utilizado inicialmente para definir a compra de produtos de informática, incluindo em seu cálculo o preço da nota fiscal, suporte, atualizações e manutenção. ROI é um índice financeiro que mede o retorno de um determinado investimento realizado e contabilizado em meses no qual ele será extinto para, doravante, gerar lucros. Trabalha juntamente com o TCO, para incluir as metas financeiras e o quanto o investimento em questão é promissor. Assim, a melhor maneira de comparar duas ou mais empresas é utilizando a tática do TCO, já que as empresas possuem objetivos e metas individualizados. Entretanto, deve-se

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ter uma concepção de TCO coberta de senso crítico analisando os diversos tipos de custos indiretos que podem estar envolvidos. [MARGULIUS 2003], em seu artigo, publicou uma demonstração da viabilidade econômica do Sistema Operacional GNU/Linux, tomando como base os índices de TCO: “(…)The more fully an enterprise adopts Linux across its infrastructure, the more financial leverage it is likely to get out of up-front investments in the OS. Those investments, which can be considerable, include Linux training and tools, and cost of migrating from a Windows or a Unix environment. And that financial leverage is improving steadily as better management tools, more thirdparty vendor support and more skilled Linux system administrators arrive on the market. (…) ‘It’s really hard to break Linux TCO down’. No matter which model you use, the financial benefit of switching to Linux from Unix or Windows is driven by for main cost categories: acquisition, migration, management and support. (…)”

2.5.4 - Privacidade

Tratando-se da Segurança da Informação, há riscos graves em relação ao acesso de dados. O Estado, assim como qualquer outro cliente do Software Proprietário, não tem garantia alguma referente a possíveis práticas de reencaminhamento de suas informações confidenciais para outros, pelas temidas “portas traseiras”, pois sem o acesso ao código fonte não é possível a tomada de conhecimento total do comportamento do software e suas conseqüências no computador, como já mencionado anteriormente. Tal situação põe em cheque a própria soberania do Estado, uma vez que seus conteúdos de segredo não se mostram em meios completamente confiáveis. Por esta, entre outras razões, que o Software Livre é empregado pela NASA, o Exército dos EUA, as forças armadas brasileiras e incontáveis outras instituições que prezam pela segurança e confiabilidade de seus conteúdos.

“É necessário que haja transparência para que a comunidade internacional possa fazer essa (auditoria) e contribuir para evitar que códigos maliciosos sejam embutidos dentro dos sistemas de governo por meio de softwares proprietários. Os softwares proprietários podem permitir operações de espionagem e varredura 35

dos computadores do governo introduzindo códigos desconhecidos que podem executar operações irregulares e não autorizadas. (...) A NASA é uma grande compradora de software livre. Há, inclusive, resoluções do governo norte-americano determinando a sua utilização no âmbito do exército, que é um tradicional comprador de encomendas tecnológicas e que exige soluções em software livre. As opções do Exército Americano, por exemplo, são todas apoiadas em software livre”. [SANTANNA 2006]

A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) funcionou como um ‘empurrão’ que faltava para estimular a adesão dos vários setores de governo ao software livre. Amadeu (presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI ) não entende, por exemplo, por que nos Estados Unidos, o país da Microsoft, órgãos do governo, como a Casa Branca, o FBI (a polícia federal americana) e o IRS (a Receita Federal), e do setor privado, como a Bolsa de Valores de Nova York e a General Electric, a maior empresa do mundo, utilizam softwares livres, enquanto, no Brasil, a maioria dos órgãos públicos paga para rodar o sistema Windows, da Microsoft”. [MCT 2004]

2.5.5 - Diretrizes

De acordo com [BRASIL 2003A], uma Oficina de Planejamento Estratégico para a implementação de Software Livre no governo federal resultou em diretrizes, objetivos e ações prioritárias. A oficina contou com a presença de mais de cem representantes de diversos órgãos do governo federal, permitindo assim, uma grande representatividade das necessidades, pontos de vista e dificuldades distintas do assunto.

“DIRETRIZES 01) Priorizar soluções, programas e serviços baseados em software livre que promovam a otimização de recursos e investimentos em tecnologia da informação. 02) Priorizar a plataforma Web no desenvolvimento de sistemas e interfaces de usuários. 03) Adotar padrões abertos no desenvolvimento de tecnologia da informação e comunicação e o desenvolvimento multiplataforma de serviços e aplicativos. 04) Popularizar o uso do software livre. 36

05) Ampliar a malha de serviços prestados ao cidadão através de software livre. 06) Garantir ao cidadão o direito de acesso aos serviços públicos sem obrigálo a usar plataformas específicas. 07) Utilizar o software livre como base dos programas de inclusão digital. 08) Garantir a auditabilidade plena e a segurança dos sistemas, respeitandose a legislação de sigilo e segurança. 09) Buscar a interoperabilidade com os sistemas legados 10) Restringir o crescimento do legado baseado em tecnologia proprietária. 11) Realizar a migração gradativa dos sistemas proprietários. 12) Priorizar a aquisição de hardware compatível às plataformas livres. 13) Garantir a livre distribuição dos sistemas em software livre de forma colaborativa e voluntária. 14) Fortalecer e compartilhar as ações existentes de software livre dentro e fora do governo. 15) Incentivar e fomentar o mercado nacional a adotar novos modelos de negócios em tecnologia da informação e comunicação baseados em software livre. 16) Promover as condições para a mudança da cultura organizacional para adoção do software livre. 17) Promover capacitação/formação de servidores públicos para utilização de software livre. 18) Formular uma política nacional para o software livre”. [BRASIL 2003A]

Sendo assim, pode-se afirmar que a política de adoção de software livre faz parte da linha de normas e conduta do governo federal do Brasil. Além disso, há ainda a idéia dirigida ao incentivo nacional e promoção técnico-cultural da utilização de software livre, também como instrumento para atividades de inclusão digital e garantia de auditabilidade e segurança de sistemas, entre outras vantagens reconhecidas pela sua prática.

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Capítulo 3 – Currículo Livre
3.1 – Software Livre e Educação
A educação é um dos setores que mais oferece potencial de crescimento para o país. Segundo [ALMEIDA 2003], a iniciativa privada vem explorando diversas possibilidades na educação, estabelecendo parcerias e lançando raízes no mercado de trabalho ascendente e com necessidades em inúmeros pontos, desde a educação formal até cursos profissionalizantes. O uso de computadores em instituições, seja de ensino a distância ou ensino regular, é imprescindível, propiciando um melhor acesso a professores e alunos, material didático e diversas outras atividades. A formação profissional é um importante instrumento para romper barreiras e dominar novas tecnologias. Dessa forma, a tecnologia e sua infraestrutura precisam de um estudo apropriado para seu emprego na instituição de ensino. Tal estudo engloba aspectos importantes, como recursos financeiros disponíveis, estrutura computacional do estabelecimento, recursos humanos e objetivos finais do uso da tecnologia. As questões financeiras geralmente constituem a maioria dos problemas no campo tecnológico em ambientes educacionais. Não bastando o enorme gasto com equipamentos e despesas operacionais de sistema, no caso, ainda haveria o custo de licenças de utilização de softwares proprietários, que em sua maioria são de valores elevadíssimos e limitadas a uma máquina, tornando assim, necessária a aquisição de diversas licenças de cada programa dentre todos necessários para as atividades da instituição. Como visto no capítulo anterior, o software livre é uma excelente alternativa para tais ocasiões, uma vez que não é necessário pagar pelas licenças de utilização de software, como no modelo proprietário, de caráter restritivo e aprisionador do conhecimento, levando à conseqüência da dependência de soluções tecnológicas, além da impossibilidade da difusão do aprendizado. Além da escassez de recursos financeiros, é bastante comum a necessidade da renovação periódica de equipamentos considerados obsoletos ou precários para atender aos 38

requisitos dos novos lançamentos de versões proprietárias. Tais motivos justificam a paridade de atualizações de hardware e software no mercado. Como já mencionado, o software livre preza pela eficiência e portabilidade28, ou seja, há aproveitamento de equipamentos considerados ultrapassados pela demanda moderna de softwares,

configurando, de uma maneira justa, as funcionalidades de acordo com as necessidades da aplicação. Dessa forma, a receita destinada à renovação de peças de um laboratório de uma universidade poderia ser aplicada na construção de um novo, com peças mais recentes e sistemas mais pesados e complexos, enquanto equipamentos anteriores continuariam sendo utilizados, seja no mesmo laboratório ou na implementação de novos projetos de pesquisa. Seguindo esse pensamento, Rubens Queiroz cita um exemplo: “(...) o Centro de Pesquisas Agrícolas da Unicamp, CEPAGRI, até pouco tempo atrás hospedava seu servidor Web em um computador modelo 486, 33 MHz, com 16MB de memória RAM. O CEPAGRI todos os dias tem uma exposição na televisão fornecendo a previsão do tempo para a repetidora da rede Globo e contabiliza milhares de acessos diários. Seu servidor Web, além de fornecer a previsão do tempo, disponibiliza também imagens de satélite para download. Um fator a ser lembrado é que com a rápida evolução dos sistemas livres, a instalação e configuração de um servidor Web pode ser feita com pouquíssima intervenção por parte do usuário com a maior parte do processo sendo totalmente automatizada. Este serviço roda hoje em um computador 486/66 MHz, com 32 MB RAM”. [ALMEIDA 2003] Como outra forma de utilização de hardware na educação com recursos livres, pode-se mencionar o projeto chamado ‘computador multiterminal’, desenvolvido na UFPR – Universidade Federal do Paraná. “Na UFPR, o grupo de Sunye29 desenvolveu uma forma de conectar quatro conjuntos de monitor, teclado e mouse em um único computador, sem queda de desempenho. É o computador multiterminal, no qual quatro pessoas podem usar a mesma máquina. (...) ‘Um dos nossos laboratórios tem somente 15 computadores, mas 60 pessoas podem usá-los ao mesmo tempo, aproveitando conjuntos antigos.’ (...) E essa descoberta vai ajudar o Governo do Paraná a ligar

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Capacidade de um software ser utilizado em um amplo espectro de ambientes computacionais (diferentes arquiteturas de hardware ou software) dos mais antigos aos mais modernos. 29 Professor do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal do Paraná - UFPR

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em rede 44 mil computadores em todas as 2.100 escolas estaduais do Paraná”. [COMIN 2006] Além desses, cabe mencionar novamente o projeto ‘Boot Remoto’, (exemplificado no capítulo anterior), onde são aproveitados equipamentos para terminais remotos sem armazenamento e processamento local de dados. O projeto já é uma prática adotada em outras universidades do país. Têm-se alguns exemplos além da UNIRIO, como a UFPR (Universidade Federal do Paraná), UEL (Universidade Estadual de Londrina) e UFPA (Universidade Federa do Pará).

“(...) o maior ganho com a utilização de terminais remotos está na reutilização de equipamentos ultrapassados, considerados sucatas tecnológicas. Na Universidade, a renovação do parque de máquinas é um processo lento e o sucateamento dos equipamentos é inevitável. Dessa forma, pode-se observar duas importantes vantagens no uso de terminais remotos. A primeira está na utilização de uma plataforma livre que suporta o boot remoto, economizando com licenças e compra de software proprietário. A segunda, e talvez mais importante, está no reaproveitamento das máquinas, atuando no caráter social e financeiro da Universidade, evitando grandes investimentos na compra de equipamentos”. [BONIFÁCIO 2003] Por outro lado, um intenso motivo pela alternativa da metodologia do software livre na educação é seu ilimitado potencial no âmbito do conhecimento, da pesquisa tecno-científica e da busca por melhorias sociais travadas por estudos. A utilização do software livre pela Universidade possibilita um exponencial crescimento da competência em diversos aspectos, tornando-se uma promissora ferramenta de análise e geração do aprendizado, ao contrário do regime restritivo e explorador do software proprietário, que se apropria de conhecimentos anteriores, decorrentes do processo da construção do próprio software, transmitindo apenas um limitado conhecimento da aplicação do programa, defendido por perversas licenças de uso.

“Na educação o software livre pode atuar como elemento incentivador à busca pela novidade, tornando o aprendizado mais agradável e produtivo, permitindo desta forma, que as novas gerações realmente consigam se apropriar e dominar as novas tecnologias, não ficando presas a utilização do software 40

proprietário. Além disso, sabe-se que o verdadeiro aprendizado esta na colaboração entre grupos e a troca de conhecimentos; o que é não é problema para o software livre”. [ZILLI 2004] O software livre não tem limites à inovação, oferece um caráter globalizado em ambientes multiculturais, multidisciplinares e influências expansivas de produção colaborativa. Estimula a competência em todos os níveis, onde estudantes são possibilitados ao estudo direto do programa, à adaptação de acordo com as necessidades individuais da pesquisa e ainda, à contribuição para outras possíveis feituras e aplicações deste ou de outro programa. Além da total compreensão comportamental do software, o acesso ao código fonte permite um desenvolvimento produtivo na máquina da educação, revolucionando todo um campo de estudo científico e possibilitando não apenas um tópico de disciplina, mas uma nova metodologia na gestão do conhecimento, por professores e alunos. Isso porque, tal proeza, de natureza evolutiva na formação profissional, é traçada por um melhor entendimento do produto final do campo de estudo: o software. academia é o principal foco de discussão e pesquisa do software livre. Por esse motivo, a

“O software livre, embora não seja uma solução universal, pode contribuir significativamente para a disseminação e uso em larga escala de soluções eficientes e de baixo custo para a educação, a distância e mediada por computador. A quantidade de relatos do uso bem sucedido do software livre em escolas e universidades são prova da viabilidade desta alternativa. Apesar do preconceito em geral contra o emprego de soluções baseadas em software livre para a educação em geral, os casos de sucesso são numerosos e representam uma prova eloqüente de sua viabilidade “. [ALMEIDA 2003] Sem contar que diversas atividades podem partir de centros universitários de pesquisa, proporcionando aplicações imediatas de conhecimento colaborativos em diferentes níveis e segmentos da sociedade. A adoção de tecnologias baseadas em software livre tem

contribuído para projetos de inclusão digital. Um exemplo de benefícios de caráter social promovidos pela Universidade é o acesso aos meios computacionais, promovidos por projetos como o Boot Remoto na UNIRIO, que atrai diariamente um grande número de 41

pessoas de diversos níveis sociais, desde estudantes e professores da universidade até alunos de escolas municipais próximas que não possuem computadores com acesso a Internet em casa.

“Atualmente existem várias alternativas que tentam encontrar soluções para acabar com a carência tecnológica da população. Uma das formas mais eficientes é através da criação de telecentros comunitários, que possibilitam à população o acesso aos recursos informacionais providos por computador. Os telecentros comunitários geram aprendizado cooperativo, facilitam a utilização de serviços gerais e do governo, e oferecem apoio à pesquisa e à capacitação profissional, dentre outras questões”. [LOPES 2004] Iniciativas como de telecentros geralmente são projetos que contam com apoio de prefeituras e universidades, que oferecem contato com computadores conectados a Internet em regiões pobres ou de grande concentração urbana, oferecendo, muitas vezes, desde aulas de aprendizado e monitoria de usabilidade básica de computadores até mini-cursos profissionalizantes.

“Também se deve destacar outra iniciativa, a Rede Escolar Livre, do governo do Rio Grande do Sul. Baseada totalmente em software livre, ela permite que estudantes, educadores, professores, funcionários e todos aqueles ligados à educação tenham acesso ao mundo da tecnologia e da informação digital, em qualquer parte, qualquer momento”. [DIMANTAS 2003] Além dessas iniciativas, espalham-se por todo o país outros projetos educacionais de utilização do software livre como ferramenta principal para fornecer conhecimento a grande número da população. Como defende [DIMANTAS 2003], faculdades, colégios de ensino médio e básico, prefeituras e ONGs, entre outras instituições e empresas, aprovam e utilizam o software livre nas mais diversas aplicações, oferecendo nos dias de hoje o conhecimento necessário para a futura inclusão digital do indivíduo, que faz parte do processo de desenvolvimento socioeconômico do país. Unificando as motivações da adoção do software livre em órgãos públicos com os diversos pontos vantajosos da aplicação do modelo livre na educação, convergimos ao

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pensamento da prioridade de ferramentas livres em universidades públicas, contemplando assim, toda a gama de benefícios e funcionalidades oferecidos pelo ambiente livre.

3.2 – Proposta da ENEC
A Executiva Nacional dos Estudantes de Computação - ENEC30, fundada em 10 de Setembro 1993, é o órgão de associação, coordenação, orientação e representação dos estudantes dos cursos universitários de graduação e pós-graduação na área de computação do Brasil. A ENEC é uma entidade civil, apartidária, sem fins lucrativos, gozando de autonomia administrativa, financeira e disciplinar, com prazo indeterminado de duração. Segundo o MEC, a área de computação no ensino superior compreende os cursos de Sistemas de Informação, Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Licenciatura em Computação. A cada ano, a ENEC organiza seu congresso, denominado ENECOMP, onde estudantes de diversos cursos do Brasil se encontram e discutem temas variados, relacionados à área computacional e/ou estudantil. No final de cada ENECOMP, é feita a Assembléia Geral, onde são definidas as propostas e diretrizes a serem seguidas pela executiva em seu próximo mandato, assim como a eleição de seus novos diretores. Estudando todas as questões da vertente do software livre, principalmente no ambiente das universidades, a ENEC defende a alternativa de software livre, principalmente em ambientes universitários. Por isso, foi construído o Projeto Currículo Livre, que preza pela adoção de ferramentas da plataforma livre em faculdades de computação em suas disciplinas, ao invés de software proprietários, absorvendo dessa forma, todas as vantagens de aspectos educacionais, sociais, econômicos, técnicos e legais, relatadas e estudadas derivadas da cultura livre.

“O Currículo Livre tem por objetivo relacionar software e documentação livre para uso de estudantes e professores de cursos superiores da área de
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Disponível em http://www.enec.org.br

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computação, assim como relatos de experiências de implantação de software livre nesses cursos. O projeto pretende incentivar o uso de software livre dentro das Universidades, além de conscientizar os alunos e professores quanto ao modelo de desenvolvimento colaborativo de software e documentação, que é um processo aberto e democrático, permitindo e incentivando a participação de todos. Sabendo disso, nada mais coerente que Universidades, que são espaços onde o objetivo-fim é a disseminação de conhecimento e a criação de novos saberes, façam uso de softwares que seguem esse modelo de desenvolvimento, que prima pela liberdade acima de qualquer coisa”. [ENEC 2005]

Segundo a executiva, as pessoas envolvidas no processo ensino-aprendizagem no ensino superior podem estabelecer não apenas a relação de aceitar as alternativas de softwares livres em salas de aula e laboratório, como também interagir de fato com essas, com seus desenvolvimentos e com a comunidade, como asseguram as liberdades oferecidas (executar o programa, estudar e modificar o código-fonte, copiar e redistribuir o programa). O motivo de ter se iniciado com o currículo dos cursos da área de computação se dá pela necessidade conhecida e pesquisada pelos envolvidos com o projeto desde sua concepção de elaboração. Sabendo do apoio ao software livre pela executiva, que ostenta tal bandeira como uma de suas principais diretrizes em suas gestões, a ENEC propôs uma contribuição efetiva para a sociedade, lançando a idéia de se construir ou reformar um curso completo de computação com a utilização de softwares livres. Tais ideais são defendidos e propostos em um texto de Paulino Michelazzo31, intitulado “Os benefícios da educação e da inclusão digital”:

“Iniciativas devem partir de todos, com a finalidade principal de modificar as atuais grades curriculares. Estas devem ser dotadas de mecanismos flexíveis para a adoção de novas tecnologias, como software livre e suas disciplinas correlatas. Sem essa premissa, pouco pode se fazer para aproveitar todo o potencial do software livre e cairmos no status quo da educação de uma geração de ‘apertadores de teclas’.
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Professor da Faculdade de Informática e Administração Paulista – FIAP e membro da ONG Quilombo Digital, grupo formado por pessoas que procuram entender quais as implicações do Software Livre nos aspectos político, econômico e sociológico. Mais informações em http://www.michelazzo.com.br

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O software livre, por suas características, é muito mais que isso. Ele deve ser explorado a fim de apresentar como as coisas ocorrem e não somente como programar para que ocorram. Isso não se refere apenas à questão técnica, mas também à questão social, onde cada um aprende a contribuir para o coletivo, mediante suas descobertas, seu aprendizado, seus erros e acertos. Formam-se profissionais com aptidões e também forma o seu caráter”. [MICHELAZZO 2003]

A metodologia do trabalho do projeto consiste na indicação de pelo menos uma alternativa livre para cada disciplina “macro” do currículo do curso de computação em estudo que utilize software. Essa alternativa deve possibilitar as atividades de ensino e as futuras aplicações daquele campo da computação. Assim, uma compilação desse trabalho é disponibilizada, de modo que instituições de ensino e professores tenham uma referência na aplicação de ferramentas livres em disciplinas específicas ou na totalidade de um curso de computação. A relação de alternativas livres pode ser conferida na Internet32, e por meio de uma ferramenta colaborativa, o TWIKI33, torna-se possível a cooperação de alunos e professores na informação de novas soluções da vertente do software livre nas disciplinas dos cursos de computação.

3.3 – Casos de Uso e Sucesso
Algumas universidades resolveram adotar soluções livres em seus cursos de informática, tendo em vista seus inúmeros benefícios oferecidos. Muitas vezes, tal fato é concebido por conseqüência de pesquisas de alunos e projetos de aplicação de software livre, outras por escolha do corpo docente, ou da própria direção da escola. O caso da UFPR – Universidade Federal do Paraná provavelmente seja o melhor exemplo de eficiência do uso de Software Livre na Universidade. Segundo o diretor do
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Disponível em http://curriculolivre.enec.org.br/ Ferramenta livre, de escrita colaborativa da web, que consiste em possibilitar várias pessoas, separadas geograficamente, de interagir, modificando o conteúdo das páginas apenas com a utilização do navegador da Internet, sem a necessidade de software especializado. Disponível em http://twiki.org/

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grupo de estudo que defende o fortalecimento do uso do código fonte aberto dentro da universidade, chamado Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL34), Marcos Sunye, numa entrevista disponível em [COMIN 2006], o curso inteiro de graduação em Ciência da Computação utiliza apenas ferramentas livres, principalmente por motivos de aprendizado, de desenvolvimento do espírito de prospecção oferecido pela opção livre que permite abrir o código do software e entender como funciona e ter seu domínio. Com isso, o software livre já trouxe grandes benefícios para a Universidade, além dos econômicos, como parcerias importantes com órgãos do governo, projetos que promovem melhorias para o ambiente computacional para a própria universidade e para a sociedade.

“Uma das nossas formas de atuação é a prestação de serviços à comunidade. Uma delas é a hospedagem de mirrors, ou seja, recebemos cópias de softwares que são originalmente disponibilizados em outros lugares para que a pessoa que está no Brasil possa baixá-lo mais rapidamente do que usando o endereço original. Além disso, temos mais de 100 mil projetos hospedados aqui. Também temos parcerias com diversos órgãos, como as secretarias de Estado, Celepar35, Câmara Municipal de Curitiba e outros. Alguns parceiros nos procuram para promover a migração para o software livre, como é o caso da Câmara de Curitiba. Outros para compartilhar conhecimento, como a Celepar. A inovação tecnológica é outra área em que procuramos ajudar. Um bom exemplo do nosso potencial é o desenvolvimento do computador multiterminal. (...) Quatro pessoas, cada uma na sua poltrona, operam um conjunto de mouse, teclado e monitor ao mesmo tempo, e o computador não perde velocidade por causa disso. Para se ter uma idéia do potencial que é desperdiçado com esses supercomputadores, conectamos oito conjuntos em um deles, sem grandes perdas. Além disso, usamos nos nossos laboratórios uma tecnologia conhecida como ‘boot remoto’.” [COMIN 2006] “Foi assinado na presidência da Câmara de Curitiba, convênio de repasse de tecnologia entre a Casa e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Com a parceria, a Câmara vai migrar todos os sistemas de informática utilizados para softwares livres, usando a tecnologia desenvolvida pela universidade, considerada referência nacional. (...) A Câmara já vem trabalhando em parceria com a UFPR, recebendo treinamento e repasse de tecnologia. Segundo o diretor de Informática da Casa, Carlos Niemeyer, as vantagens do Software Livre são a redução de custos, a
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Disponível em http://www.c3sl.ufpr.br/ Companhia de Informática do Paraná. Disponível em http://www.celepar.pr.gov.br/

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possibilidade de alterar e adaptar os programas (já que são de plataforma aberta) e o melhor aproveitamento das máquinas.” [CMC 2005] Segundo o professor Marcos Sunye, a utilização do software livre é recomendada porque possui uma melhor qualidade, possibilitando uma formação mais profunda aos estudantes da universidade: as pessoas devem procurar os programas de código aberto simplesmente porque eles são melhores que os fechados. Sua empresa vai funcionar melhor, o computador de sua casa vai travar menos, e por aí vai. Aqui em Curitiba isso já é uma realidade. Uma grande empresa de comunicação migrou para Linux porque a direção do departamento de informática, formada por ex-alunos nossos, indicou que Software Livre é a melhor escolha.” Sunye também defende que os professores devem incentivar a busca pelo software livre, tamanho seu poder de entendimento.

“Leciono a disciplina de Sistemas de Bancos de Dados. Quando você ensina uma disciplina dessas usando um software em que o aluno pode ver como ele funciona, o grau de compreensão dele é muito maior. Outra característica é como a tecnologia chega para o aluno. Disponibilizar software livre para o estudante é o mesmo que dizer: ‘o domínio tecnológico não depende de você ser empresário de uma firma norte-americana ou o quem quer que seja, depende só de você mesmo’. Nós ensinamos a linguagem em que o código foi feito. Cabe ao aluno entender e fazer bom uso.” [COMIN 2006] A UNICAMP também é uma universidade bastante experiente na utilização e divulgação do Software Livre na educação. O Centro de Computação possui um corpo acadêmico bastante ativo no cenário de Software Livre, envolvendo não apenas professores, como alunos. Os estudantes do curso de Computação da UNICAMP propõem debates sobre o entendimento das motivações do Software Livre e incentivam a difusão do mesmo com atividades sociais, como a do CCUE – Centro de Computação da Unicamp, que tem um projeto de montar um CD-ROM contendo uma coletânea de diversos softwares livres, que podem ser utilizados mesmo em plataforma Windows. Para conseguir o CD, só é necessário comparecer ao Centro de Computação, trocando uma mídia ‘virgem’ de CD pela coletânea de programas de livre uso e distribuição. 47

Na página do CCUE36 é possível encontrar diversos projetos desenvolvidos pela equipe de Software Livre da Unicamp, sob a licença GPL, como o ‘Rau-to’, sistema de perguntas e respostas, ‘Nou-rau’, armazenamento e indexação digital, ‘e-Science’, ferramenta de publicação dinâmica de pesquisa científica, entre outros. Um dos grandes clientes dos projetos do CCUE é a Biblioteca Digital37 da Unicamp, que oferece formato eletrônico de artigos, obras de arte, vídeo, teses e monografias entre outros documentos de interesse ao desenvolvimento científico, tecnológico e sócio-cultural.

“A Biblioteca Central da Unicamp utiliza o software htdig para fornecer acesso à sua base bibliográfica. A solução com htdig emprega um computador desktop com GNU/Linux, com apenas 128 MB de memória RAM. Esta solução foi desenvolvida em menos de uma semana e só foi possível graças ao emprego de software livre. O sistema de consulta ao acervo das bibliotecas da Unicamp encontra-se em http://www.unicamp.br/bc/.” [ALMEIDA 2003] A Unicamp também é responsável pelo desenvolvimento de um famoso projeto de ensino à distância baseado totalmente em Software Livre. “A Unicamp tem o projeto TelEduc38, desenvolvido na linguagem PHP e com o banco de dados MySQL. Este ambiente está sendo utilizado na UnB, no Instituto Phenix na PUC/SP, na UCPEL e em diversas outras instituições.” [ALMEIDA 2003] Rubens Queiroz de Almeida é o gerente do Centro de Computação da UNICAMP, e também mantenedor do site Dicas-L39, um repositório de códigos e instruções para melhor aproveitamento de sistemas operacionais de código aberto e trabalha com software livre desde 1991. Durante o CONISL de 2006, concedeu uma entrevista40, onde mencionou o emprego de Software Livre na Unicamp:

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Disponível em http://www.softwarelivre.unicamp.br/ Disponível em http://libdigi.unicamp.br/ 38 Mais informações sobre o TelEduc em http://hera.nied.unicamp.br/teleduc/ 39 Disponível em http://www.dicas-l.com.br/ 40 Entrevista concedida à InfomediaTV, disponível em http://infomediatv.terra.com.br/infomediatv/?section=11&article=16

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“Em toda esta caminhada com o software livre a Unicamp tem sido fundamental e sempre deu o apoio irrestrito a todas as idéias que nasceram. O serviço de FTP da Unicamp foi por muito tempo, e ainda continua sendo, um dos principais repositórios nacionais e tem contribuído enormemente para a consolidação do software livre. Nós temos diversos projetos em software livre. O projeto de maior destaque é a biblioteca digital, sistema Nou-Rau, que abriga a coleção de teses e dissertações da Universidade. São hoje mais de 10.000 documentos, disponíveis na Web em texto completo e indexados pelo conteúdo. Já foram baixados mais de 1 milhão de documentos, e este sistema, sem dúvida alguma, está desempenhando um papel importante no desenvolvimento nacional, através da oferta de uma quantidade tão grande de conhecimento, gerado na Unicamp. O software Nou-Rau é livre e é usado em outras universidades, como a Unesp, UEL e até mesmo no exterior. (...) Outro projeto, que admiro muito, é o Código Livre, que por felicidade, tive condição de participar como apoiador, trazendo o servidor para dentro do CPD do Centro de Computação da Unicamp, com todo o apoio da Unicamp e da direção do Centro de Computação. O Código Livre é mantido pela Solis41 e foi uma das muitas boas idéias do César Brod e de sua equipe.”

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Famosa empresa que desenvolve soluções em Software Livre

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Capítulo 4 – Bacharelado em Sistemas de Informação na UNIRIO
4.1 – Histórico
A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UNIRIO, foi fundada em 1979. Possui um corpo social constituído por discentes, técnico-administrativos e docentes de alta qualificação e titulados doutores, mestres e especialistas nas mais diversas áreas de conhecimento. Sua definição missionária é produzir e disseminar o conhecimento nos diversos campos do saber, contribuindo para o exercício pleno da cidadania mediante formação humanística, crítica e reflexiva, conseqüentemente preparando profissionais competentes e atualizados para o mundo do trabalho presente e futuro. Dentre outros, seus princípios gerais são a ética, credibilidade e transparência, visão humanística, comprometimento com a qualidade e com o social, profissionalismo e valorização dos recursos humanos e promoção da interdisciplinaridade universitária. Na sua estrutura administrativa, encontram-se a reitoria, pró-reitorias (de ensino de graduação, de pós-graduação, planejamento, extensão e administrativa propriamente dita) e órgãos complementares, como o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle42, o Centro de Processamento de Dados43 e A Biblioteca Central44, que contém um catálogo digital online, cujo acervo conta com mais de 188.000 itens de livros, folhetos, periódicos, monografias, teses, partituras, entre outros, abrangendo áreas de exatas, biomédicas, humanas e artes. A Universidade possui diversos centros acadêmicos, dentre os quais, pode-se destacar o CCET – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia, onde está contida a Escola de Informática Aplicada, que oferece o curso de graduação de Bacharelado em Sistemas de Informação e de pós-graduação em Mestrado em Informática nas seguintes linhas de pesquisa:

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Disponível em http://www.unirio.br/hugg/index.htm Disponível em http://www.unirio.br/cpd/index.htm 44 Disponível em http://www.unirio.br/biblioteca/

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Representação de Conhecimento e Raciocínio, Distribuição e Redes, e Sistemas de Apoio a Negócios. De acordo com o projeto acadêmico da UNIRIO, em [UNIRIO 1998], o curso de Bacharelado em Sistemas de Informação, elaborado em 1998, deve-se formar a interdisciplinaridade entre os diversos cursos e departamentos da UNIRIO, oferecendo aptidões a seus profissionais egressos, tais quais: prática a suporte em ambientes computacionais, conhecimento sólido em Ciência da Computação, conhecimento da Metodologia Científica, formação teórica e prática em Engenharia de Software e Sistemas de Informação, formação básica complementar em Ciências Administrativas, qualificação na comunicação oral e escrita e formação básica complementar numa área de conhecimento coberta por cursos de graduação oferecidos por outros centros da UNIRIO. Apesar de pouco tempo de existência, o curso de Sistemas de Informação da UNIRIO alcançou uma notável consideração nos mais variados meios, tanto no ambiente avaliador do Ministério da Educação, como em movimentos estudantis e comunidades de profissionais do campo de informática, como será apresentado a seguir.

4.1.1 – Conceito MEC
No ano de 2005, o MEC organizou a avaliação do ENADE dos cursos, dentre outras áreas, a de computação e informática. Como já mencionado anteriormente, o MEC reconhece nessa área quatro definições de cursos, tais quais: Sistemas de Informação, Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Licenciatura em Informática. A UNIRIO participou do processo de avaliação do programa do MEC, alcançando o grau máximo 5 (cinco), tornando-se a única, dentre as demais instituições do Estado do Rio de Janeiro, a portar o conceito máximo no curso de Sistemas de Informação. Conforme o resultado oferecido pelo INEP45, dentre as 404 (quatrocentos e quatro) cursos do Brasil, apenas 6 (seis) conseguiram tal conceito.

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Disponível em http://enade2005.inep.gov.br/resultados.php?c=CUniversidade&m=mostrar_lista_area

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4.1.2 – Eventos e Participações
4.1.2.1 – Semana de Software Livre

A UNIRIO sempre se mostrou participativa em eventos de Software Livre, tornando-se, dessa maneira, um ícone do cenário do Software Livre e uma grande referência do assunto para a cidade do Rio de Janeiro. Tem participado, durante três anos, do maior evento de Software Livre do estado, o Fórum de Software Livre do Rio de Janeiro46, que divide a sede com o Clube de Engenharia. Em 2006 a UNIRIO sediou o pólo técnico do evento, oferecendo palestras, minicursos de ferramentas livres, painéis e até apresentações artísticas durante sua abertura. A repercussão nacional do evento se dá principalmente por reunir os principais nomes do ambiente livre nacional e internacional, promover espaços para encontros de usuários livres e divulgar seus conhecimentos e divergências entre diferentes soluções livres no mercado.

4.1.2.2 – Representatividade Estudantil

A Unirio possui uma forte presença estudantil em eventos da área de computação. Desde 2003, estudantes de Sistemas de Informação da Unirio preenchem o cargo de representação do Estado do Rio de Janeiro junto à diretoria da ENEC – Executiva Nacional dos Estudantes de Computação e atualmente possui o vice-presidente, um conselheiro fiscal e suplente integrantes do curso47. Dessa forma, defendendo os ideais da executiva, como o apoio ao software livre, membros da UNIRIO já participaram de diversos eventos estudantis, como ENECOMP’s, Fórum Social Mundial, FISL, CONISL, Fórum de Software Livre do Rio de Janeiro, entre outros. A universidade tem como uma de suas principais referências a participação no movimento do Software Livre no país. Inclusive, além de organizar o Fórum de Software
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Disponível em http://www.forumsoftwarelivre.org.br/ As diretorias da executiva podem ser visualizadas em http://www.enec.org.br/bin/view/ENEC/DiretoriaDaENEC

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Livre do Rio de Janeiro, já abrigou figuras ilustres do cenário mundial, como Richard Stallman, em Abril de 2006, um dos grandes responsáveis pela criação e defesa do Software Livre.

4.2 – Plano Pedagógico do Curso
De acordo com o Projeto Acadêmico do curso, elaborado em 1998, pode-se apresentar uma proposta da estrutura de seu plano pedagógico para o estudo corrente.

“É proposto um programa de bacharelado pleno de quatro anos visando principalmente as áreas de Sistemas de Informação e Engenharia de Software. O currículo proposto tem uma carga horária total de 3.270 horas, com 218 créditos horas semanais a serem integralizados em, no mínimo, oito semestres, e, no máximo, 12 semestres. A estrutura curricular está organizada em dois núcleos, um de formação básica, constando de 110 créditos horas semanais, e um de formação profissional, constando de 108 créditos horas semanais.” [UNIRIO 1998] Segundo a Metodologia do Projeto Acadêmico, a Informática carrega seus fundamentos na Matemática, no Método Científico e na Engenharia e pode ser dividida em dez áreas fundamentais de formação: - Algoritmos e Estruturas de Dados - Linguagens e Compiladores - Arquitetura e Organização de Computadores; - Computação Numérica e Simbólica; - Sistemas Operacionais, Redes e Sistemas Distribuídos; - Engenharia de Software; - Sistemas de Informação e Banco de Dados; - Inteligência Artificial e Robótica; - Interface Homem x Máquina, Multimídia e Realidade Virtual; - Computação Gráfica e Processamento de Imagens

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Embora a ênfase do curso esteja em Engenharia de Software e Sistemas de Informação, a extensão das disciplinas permite a apresentação da maioria das áreas básicas em aspectos teóricos, problemas de modelagem e de projeto. Para detalhar o plano de ensino do curso, a seguir serão listadas as disciplinas oferecidas de cada área de estudo:

Área de Matemática

- Introdução à Lógica Computacional - Cálculo Diferencial e Integral I - Cálculo Diferencial e Integral II - Probabilidade e Estatística - Álgebra Linear

Área de Algoritmo e Estrutura de Dados

- Técnicas de Programação I - Estruturas Discretas - Técnicas de Programação II - Estrutura de Dados - Análise de Algoritmos - Programação Linear - Fluxos em Redes - Algoritmos para Problemas Combinatórios - Tópicos Avançados em Algoritmos - Inteligência Artificial

Área de Linguagens e Compiladores

- Programas Utilitários Básicos 54

- Linguagens Formais e Autômatos - Compiladores

Área de Arquitetura e Organização de Computadores

-Organização de Computadores

Área de Sistemas Operacionais, Redes e Sistemas Distribuídos

- Sistemas Operacionais - Redes de Computadores - Distribuição e Concorrência - Comunicação e Segurança de Dados - Projeto e Gerência de Redes Locais - Calibragem e Análise de Desempenho - Tópicos Avançados em Redes de Computadores - Ambiente Operacional UNIX

Área de Engenharia de Software

- Análise e Projeto de Sistemas - Programação Modular - Construção de Sistemas - Projeto e Construção de Sistemas em Ambientes de Programação - Gerência de Projetos em Informática - Desenvolvimento de Software para Web - Groupware - Tecnologias de Apoio à Colaboração - Desenvolvimento Baseado em Componentes - Tópicos Avançados em Engenharia de Software

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Área de Sistemas de Informação e Banco de Dados

- Produtividade Pessoal com Sistemas de Informação - Modelagem de Sistemas - Sistemas de Banco de Dados - Projeto e Construção de Sistemas com SGBD - Banco de Dados em Ambiente Cliente-Servidor - Administração de Banco de Dados - Banco de Dados Distribuídos e Datawarehousing - Tópicos Avançados em Banco de Dados

Área de Ciências Administrativas

- Análise Empresarial e Administrativa - Administração Financeira - Empresa de Informática

Área de Ciências Jurídicas

- Direito e Ética Profissional

Área de Comunicação

- Expressão Oral e Escrita - Leitura e Produção de Textos

Área de Multimídia e Computação Gráfica

- Sistemas Multimídia - Computação Gráfica e Processamento de Imagens 56

Outras Áreas

- História da Ciência e Tecnologia - Seminário sobre Optativas e Eletivas - Iniciação a Pesquisa - Projeto de Graduação - Estudo de Domínios de Aplicação - Atividades Curriculares de Extensão

4.3 – Estrutura Computacional
O Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas possui em sua estrutura, além de auditório e inúmeras salas de aula, quatro laboratórios de aula e três laboratórios de pesquisa, o LIPI, o LETRA e o RCCSW. Além disso, possui cerca de dez estações de computadores distribuídos ao longo do campus, entre seus centros, como terminais remotos, projeto de inclusão digital implantado no Departamento de Informática Aplicada da UNIRIO, produto do trabalho de estudantes membros do Diretório Acadêmico e a empresa de suporte conveniada.

57

Capítulo 5 – Software Livre na Uniriotec
5.1- Análise e Discussão para migrações
Para se estudar um futuro processo migratório de sistemas num ambiente, é importante uma análise prévia bastante cautelosa de alguns aspectos no ambiente computacional da instituição. Uma das grandes preocupações deve ser justamente o levantamento de requisitos dos usuários do sistema, que neste caso se trata de duas amostras diferentes da população da instituição, podendo ser dividida, de maneira funcional, em alunos e professores. Adotando o procedimento em [CONCEIÇÂO 2005], este projeto consultou uma amostra da população de usuários dos recursos computacionais do ambiente, focalizando dificuldades e necessidades divergentes entre ambos os modelos dos que se servem do sistema.

5.1.1 - Corpo discente do CCET
Para os alunos da Escola de Informática Aplicada foram elaboradas algumas perguntas num questionário impresso, com o intuito de colher dados que pudessem prever alguns possíveis impactos com a utilização de Software Livre na Universidade. Dessa forma, foram analisadas as diferentes idéias do modelo livre da parte dos alunos. A população total de alunos ativos do curso soma um total de 150, dentre eles, 50 foram entrevistados, com as perguntas encontradas no Anexo 1. Analisando as respostas dos alunos, foi verificado que os mesmos, em sua grande parte, conhecem o Sistema Operacional GNU/Linux, o maior exemplo de Software Livre na atualidade, e possuem instalado em casa, juntamente com outro sistema operacional proprietário (MS Windows).

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Conhecimento do Linux

11% 5%

Conhecem o Sistema Não conhecem mas têm interesse em conhecer Não conhecem e não têm interesse em conhecer

84%

Gráfico 1 - Conhecimento sobre o GNU/Linux por parte dos alunos

Conforme o gráfico, 84% dos alunos conhecem o sistema operacional GNU/Linux, e dentre os que não conhecem o sistema, um terço, praticamente, tem vontade de aprender.11% do total de alunos não fazem questão de conhecer o sistema operacional.

Utilização em Casa
Apenas Sistema Operacional Linux Apenas um Sistema Operacional Proprietário (Windows) Ambos os Sistemas

12%

40%

48%

Gráfico 2 - Sistemas Operacionais que os alunos utilizam em casa

59

Com base no gráfico 2, apesar de apenas 12% dos alunos utilizarem apenas o sistema operacional GNU/Linux em casa, uma boa parcela possui ambos os sistemas instalados em casa, o que evidencia o interesse de grande parte dos alunos no aprendizado em soluções livres.

Preferência de SO no Laboratório

21%

47%

Linux Windows Tanto Faz
32%

Gráfico 3 - Preferência de Sistema Operacional dos estudantes nos laboratórios da Universidade

Como se pode visualizar no gráfico 3, quase metade dos alunos não manifesta preferência na utilização do sistema operacional, se tratando de GNU/Linux ou Windows. Isso significa que a maioria dos estudantes não demonstra aversão ou preconceito ao uso de recursos livres na universidade. Também se pode notar aqui mais um sinal de interesse do corpo discente a soluções livres. O índice de alunos que optariam pelo GNU/Linux é maior que o índice dos alunos que o têm instalado em suas casas como sistema operacional único. O número de alunos que preferem utilizar o Windows na universidade é menor que o número de alunos que o possuem em suas casas como único sistema operacional.

60

5.1.2 - Corpo docente do CCET
A aplicação dos questionários aos professores, por sua vez, ocorreu de forma similar, porém com perguntas diferentes. A questão no caso do corpo docente toma uma responsabilidade maior, uma vez que o método de ensino pode ser comprometido, e também pode-se analisar, desse modo, o grau de compatibilidade e dificuldade dos profissionais acadêmicos na possível migração do sistema. Aos professores, foram feitas as perguntas em seus questionários, cujo modelo encontrase no Anexo 2. As perguntas tiveram uma grande importância para conhecer até que ponto o professor sabe do sistema operacional. Mais uma vez, foi utilizado o GNU/ Linux como representante de Software Livre, por se tratar do maior ícone de sistema operacional livre na atualidade. O resultado foi bastante positivo. Cerca de 77% dos professores entrevistados já tiveram algum contato com o Sistema Operacional Livre e, dentre esses, 50% na forma de nível administrativo ou de desenvolvimento. A segunda e a terceira perguntas são interessantes, pois tornam possível o colhimento de informações referentes aos recursos necessários nas aulas práticas, a natureza das ferramentas utilizadas, se há ou não alternativas livres correspondentes para os itens mencionados. De acordo com as respostas, 85% do corpo docente utilizam o laboratório da universidade. Dentre os softwares utilizados na universidade, foram relatados, em suma: - os sistemas operacionais (Windows e Linux), - o pacote de escritórios da Microsoft (Microsoft Office), - navegador de internet da Microsoft (Internet Explorer), - gerenciador de e-mail da Microsoft (Outlook Express), - software editor de imagens, - ferramentas para edição de html, - compiladores, - IDE’s de desenvolvimento de software (Delphi, Pascal), 61

- editores de xml - ferramentas de modelagem de dados. Alguns professores retornaram algumas alternativas livres correspondentes aos softwares proprietários que utilizavam; outros até já utilizavam softwares livres mesmo em sistema operacional proprietário. A quarta pergunta foi feita pelo propósito de analisar possíveis informações que estariam relacionadas ao impacto de uma migração de sistema livre para os professores. Poucos declararam falta de conhecimentos básicos do sistema operacional; alguns já demonstravam insegurança às interfaces livres, devido ao costume e hábito ao ambiente Microsoft. Dentre as respostas, pode-se apresentar: falta de conhecimento básico do sistema GNU/Linux, insegurança quanto à existência, compatibilidade e eficiência dos softwares livres correspondentes aos proprietários, costume a padrões de softwares proprietários, dificuldade com as interfaces, incompatibilidade de arquivos e drivers para dispositivos, tempo de aprendizado para operar o sistema GNU/Linux, estranhamento dos alunos, possível visão da universidade, da parte do aluno, relacionada mais a questões políticas que de negócio, dependência de uma equipe técnica com conhecimento da tecnologia GNU/Linux para manutenção do laboratório. Já a quinta pergunta, mais direta, considera o pensamento que o professor tem em relação ao Software Livre e ajuda a analisar o nível de cooperação ao incentivo da adoção de soluções livres no ambiente universitário. Também é importante para saber se o corpo docente se mostra ciente das diretrizes do movimento do software livre e não apenas se aceita ou não uma ferramenta específica.

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Opinião dos Professores Sobre o Software Livre

13%

Apoiam o incentivo ao Software Livre Não conhecem ainda a fundo os seus ideais Conhecem suas diretrizes e são indiferentes

54% 33%

Gráfico 4 – Opinião dos Professores da UNIRIO sobre o Software Livre

Como visto no gráfico 4, 54% dos professores apóiam a iniciativa do incentivo à utilização do Software Livre na universidade, enquanto nenhum professor se mostrou contra tal incentivo. No campo de opiniões adicionais, alguns professores levantaram questões e sugestões bastante interessantes. Alguns se mostraram motivados e interessados em utilizar software livre. Pode-se destacar algumas observações do corpo docente, tais quais: É sempre importante analisar outras tecnologias diferentes, principalmente dentro de uma universidade. Tenho a impressão de que o Software Livre ainda não atingiu a maturidade suficiente em termos de negócios. Tenho descrença em que coisas que não dêem lucro funcionem. É muito importante oferecer uma boa base de Software Livre para os alunos de Sistemas de Informação.

63

-

Deveria ser adotado amplamente este ambiente livre para ensino, desenvolvimento de pesquisa e para uso administrativo na Universidade, em função do projeto BROffice.org48.

-

É necessário utilizar Software Livre para pôr fim à pirataria na Universidade.

5.2 – Experiência de Software Livre em Disciplinas
Com o âmbito de avaliar a aceitação e o desempenho do Software Livre dentro da universidade e um melhor entendimento para mudanças de adoção de tecnologias, foi realizada também uma pesquisa qualitativa das disciplinas que atualmente já utilizam ferramentas livres e as alterações que sofreram com a adoção de software livre. Com isso, foram selecionadas algumas disciplinas, dentre todo o curso de Bacharelado em Sistemas de Informação. Para o colhimento de tais informações, foi necessária a colaboração mais uma vez de alguns alunos e professores que as ministraram.

5.2.1 - Sistemas Operacionais
Esta disciplina deixou de ser apenas teórica, passando a incorporar o estudo do Linux [LINUX 2007] na sua ementa. Por exemplo, ao estudar drivers, o aluno não aprende simplesmente o que é um driver e para que serve. Primeiro, o aluno aprende a identificar os drivers instalados no sistema e a atualizá-los. Em seguida, o aluno é introduzido na programação e na compilação de drivers. Além disso, dentro desse contexto, é discutida a importância da utilização das linguagens Assembler e C no sistema operacional. Outro exemplo interessante introduzido nessa disciplina é o estudo da segurança em sistemas operacionais. O aluno verifica, através de exemplos, porque o Linux é considerado um sistema mais seguro que o seu concorrente Windows. Isto é feito através do estudo dos níveis de acesso do sistema, da execução de programas maliciosos e da verificação de
48

Baseia-se num conjunto de documentos de licenciamento aberto para subsidiar projetos com Software Livre, principalmente de inclusão digital. Mais informações em http://www.broffice.org.br/

64

portas de comunicação disponibilizadas pelo administrador do sistema. Nesta fase, o aluno é incentivado a pesquisar e adaptar vírus e programas de invasão do Windows para o Linux e verificar porque eles normalmente não funcionam no segundo ambiente.

5.2.2 - Distribuição e Concorrência
Esta disciplina tem por objetivo introduzir o aluno na programação de sockets. Anteriormente, o aluno usava nessa disciplina a linguagem Java que possui interfaces prontas para a comunicação entre equipamentos. Essas interfaces montam o socket e retornam um código de erro em caso de problemas. O novo formato da disciplina introduziu o uso da linguagem C e da ferramenta gcc (coleção de compiladores GNU). A idéia foi obrigar o aluno a verificar a ocorrência dos problemas na comunicação e aprender as diversas formas de tratamento dos erros. Um exemplo mostrado na disciplina é a captura de sinais. A disciplina mostra que determinados erros na programação cliente-servidor podem gerar processos zumbis e o conseqüente desperdício de recursos. Esses erros nem sempre são visíveis ao programador e podem ser facilmente mascarados por linguagens de alto nível como Java. Outro fato interessante introduzido na disciplina foi o estudo das chamadas ao sistema (funções que se comunicam diretamente com o kernel do sistema). Para montar um socket, o aluno é obrigado a usar chamadas ao sistema, assim ele precisa verificar as diversas características dessas chamadas e decidir o que é melhor para a aplicação sendo desenvolvida. Por exemplo, a programação usando protocolo TCP difere da programação usando protocolo UDP (mesmo que usem várias chamadas em comum).

5.2.3 - Bancos de Dados
Após a disciplina Sistemas de Banco de Dados, que trata de conceitos e fundamentos, o curso oferece disciplinas de cunho mais prático, com uso de Sistemas de Gerência de Bancos de Dados (SGBDs) livres. Na disciplina Projeto/Construção de Sistemas com SGBD, vem sendo utilizado o SGBD PostgreSQL [PostgreSQL 2007] em conjunto com ferramentas livres de modelagem e projeto como DBDesigner e FERRET. Na disciplina 65

Administração de Bancos de Dados, são utilizados os SGBDs PostgreSQL e MySQL [MySQL 2007], com ferramentas de administração também livres como pgAdmin, phpPgAdmin e phpMyAdmin. O uso desses softwares livres vem permitindo um estudo profundo das disciplinas e conseqüente conhecimento dos assuntos mais atuais, através da interação de alunos e professores com a comunidade de usuários e desenvolvedores através de fóruns. Esse conhecimento motivou uma proposta de projeto de pesquisa na área de Inteligência de Negócios, para desenvolvimento e teste de ferramenta de processamento analítico OLAP [CG-OLAP 2007] em data warehouse geográfico, construído com PostgreSQL e PostGIS, sobre clusters de microcomputadores rodando sistema operacional Linux.

5.2.4 - Desenvolvimento de Software para Web
O objetivo dessa disciplina é capacitar o aluno no entendimento de metodologias, tecnologias e padrões em diversas fases do ciclo de desenvolvimento de softwares para o ambiente web. O curso utiliza a tecnologia de construção de softwares de conteúdo dinâmico para web JSP (JavaServer Pages), adotando um software livre chamado Eclipse, um dos IDEs (Integrated Development Environment) mais utilizados para a linguagem Java, que possui uma forte orientação ao desenvolvimento baseado em plug-ins que procuram atender às diferentes necessidades de diversos programadores. Para o exercício da implementação do armazenamento na web, é utilizado o servidor de aplicações Java para web Tomcat, um software livre originado pelo projeto Apache Jakarta, robusto e eficiente o suficiente para ser utilizado mesmo em um ambiente de produção.

5.2.5 - Ambiente Operacional Unix
A disciplina tem por objetivo introduzir o aluno no ambiente Unix utilizando, como base principal, o sistema operacional livre GNU/Linux Fedora. Com esta finalidade, são apresentados ao aluno, durante curso: os conceitos fundamentais do Unix, os comandos básicos e de customização do sistema, portabilidade de aplicações, diferenças importantes 66

entre o Unix e os outros sistemas operacionais, os procedimentos necessários para possíveis migrações, entre outros. Após a conclusão do curso, o aluno deverá estar apto a atividades, como procedimento de instalação, criação e manipulação de arquivos e diretórios, edição de arquivos texto pela ferramenta vi, formas de acesso a dispositivos e unidades de memória, e métodos de administração básica de sistemas operacionais baseados na tecnologia Unix, principalmente o GNU/Linux.

5.3- Projeto de Software por categoria de disciplina
Com o ideal de estudar o uso de software livre na Universidade, foi utilizado como base, nesta seção, o plano pedagógico do curso de Sistemas de Informação da UNIRIO. Dessa maneira, busca-se indicar alternativas livres que atendam ao domínio das disciplinas oferecidas.

Área de Matemática

- The R Project – R é uma linguagem e ambiente para utilização em estatística, na construção e estudos de gráficos e análises de cálculo. A ferramenta R Project gera desde diagramas básicos até gráficos tridimensionais. Maiores informações e download em http://www.r-project.org/.

- Scilab – Projeto para utilização em disciplinas de Cálculo. Possui uma vasta variedade de ferramentas que auxiliam na construção de gráficos, armazenamento de dados e outros. Disponível no endereço http://www.r-project.org/.

- Mathomatic – Ferramenta que executa cálculos algébricos. Criado desde 1986, e escrito em C. Roda em qualquer sistema operacional com compilador C. Disponível no endereço http://mathomatic.orgserve.de. 67

- Octave – Ferramenta que oferece uma interface de linha de comando para a resolução numérica de problemas lineares e não lineares, e também para outras experiências numéricas usando uma linguagem que é, na maior parte, compatível com o MatLab49. O Octave possui ferramentas extensivas para a resolução de problemas numéricos de álgebra linear, encontrando as raízes de equações não lineares, integrando funções ordinárias, manipulando polinômios e integrando equações diferenciais ordinárias e equações algébrico-diferenciais. É facilmente extensível e customizável através de funções definidas pelo usuário, escritas na linguagem própria do octave ou usando módulos dinamicamente carregados escritos em C++, C, Fortran ou outras linguagens. http://www.gnu.org/software/octave/

Área de Algoritmo e Estruturas de Dados

- GraphThing – Ferramenta que permite criar, manipular e estudar grafos. Com demonstrações gráficas, esclarece de uma forma bastante eficaz o conceito. Disponível em http://graph.seul.org/ . - C Algorithms – Biblioteca de algoritmos escritos em C. Os desenvolvedores podem reusar os códigos, incluindo em seus projetos. Disponível em

http://sourceforge.net/projects/c-algorithms/.

- Joone – Java Object Oriented Neural Engine – Ferramenta de trabalho para criar, treinar e estudar redes neurais, aplicada em Inteligência Artificial e desenvolvida em Java. Disponível em http://www.jooneworld.com/.

49

Conhecido programa desenvolvido pela MathWorks de alta performance voltado para o cálculo. Disponível em http://www.mathworks.com/

68

Área de Linguagem e Compiladores

- Emacs – É um conceituado editor de texto, utilizado notadamente por programadores e usuários que necessitam desenvolver documentos técnicos em diversos sistemas operacionais. Foi desenvolvido por Richard Stallman. Disponível em

http://www.gnu.org/software/emacs/.

- GCC – GNU Compiler Collection, o compilador clássico baseado na linguagem C e C++. Disponível em http://gcc.gnu.org/

- Curso de Linguagem C Online – Curso disponibilizado pela Universidade Federal de Mnas Gerais – UFMG. Inclui Aulas, Provas e Gabaritos. Disponível em

http://mico.ead.eee.ufmg.br:3128/cursos/C/

- Free Pascal Compiler – Compilador multiplataforma para linguagem Pascal e Pascal Orientado a Objeto. Uma boa alternativa ao Delphi. Disponível em

http://www.freepascal.eti.br/.

- NVU – Software Livre editor de html, desenvolve páginas na internet de maneira similar à do dreamweaver. Disponível no endereço: http://www.nvu.com/

- BlueFish – Um ótimo editor de desenvolvimento web, com suporte a múltiplas linguagens dinâmicas e estáticas. Utiliza 40%-45% menos memória em relação aos outros editores. Abre múltiplos documentos simultaneamente, Sintax highlight personalizado baseado em expressões regulares, compatíveis com Perl, com suporte para sub-padrões, e

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padrões definidos para: HTML, PHP, JavaScript, JSP, SQL, XML, Python, Perl, CSS, ColdFusion, Pascal. Oferece também fechamento automático de tags html e xml. http://bluefish.openoffice.nl/

Área de Arquitetura e Organização de Computadores

- XCircuit – Programa para construção de diagramas de circuitos eletrônicos. Disponível na página http://bach.ece.jhu.edu/~tim/programs/xcircuit/.

-gEDA Project – Possui ferramentas para o projeto de circuitos, simulação, prototipagem e produção. Página oficial : http://geda.seul.org/.

- Tkgate – Famoso simulador de circuito digital com uma eficiente interface gráfica. Oferece recursos de simulação lógica, suporta um vasto domínio de elementos de circuito primitivo e também módulos pré-definidos. Página Oficial: http://www.tkgate.org/.

- Digital Simulator – Programa que funciona como uma espécie de laboratório digital, permitindo ao usuário projetar, simular e exportar seus projetos de circuito e baseado em aplicações em ambientes Windows. Pode ser obtido pelo endereço

http://sourceforge.net/projects/digisimulator.

Área de Sistemas Operacionais, Redes e Sistemas Distribuídos

- Simmercast – Framework de simulação de eventos discretos, baseado em processos, que auxilia no projeto e avaliação de protocolo multicast. Oferece ao usuário um modelo de simulação de protocolo abstrato e de fácil entendimento, no qual pode-se gradualmente ampliar o nível de detalhe da simulação. Disponível em

http://www.inf.unisinos.br/~simmcast/

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- Jarp – Ferramenta de análise de redes de Petri, ou redes de transição, oferece recursos de composição visual e simulação interativa de redes. Disponível na página http://jarp.sourceforge.net/.

- GDB – Um debugger GNU baseado em linguagem Assembly que permite enxergar o que ocorre dentro do programa enquanto ele é executado ou o que outro programa estava desempenhando até um momento de conflito. GBD oferece várias funcionalidades, iniciando o programa e especificando qualquer indicação que possa comprometer seu comportamento. Efetua programação para o programa parar em momento específico, examina o que ocorreu, quando o seu programa parou, entre outras funções. Página oficial: http://www.gnu.org/software/gdb/.

- GCC – Compilador livre, em C e C++, já mencionado na área de linguagens e compiladores.

Área de Engenharia de Software

- Umbrello – Modelador UML que permite a criação de diagramas de desenvolvimento de software. Ferramenta bastante conhecida em ambientes universitários no mundo inteiro. Página oficial oferece downloads do programa, esclarecimentos, tópicos de ajuda, demonstração de operabilidade dos recursos, entre outros, no endereço

http://uml.sourceforge.net/.

- ArgoUML – Ferramenta de modelagem UML. Roda em qualquer plataforma Java e é disponibilizado em dez idiomas, inclusive Português. Desenvolvido pela Tigris.org. Interface gráfica de fácil aprendizado e funcionalidades completas para modelagem de sistemas UML. Página oficial: http://uml.sourceforge.net.

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- Eclipse – Famoso sistema que oferece ambiente de desenvolvimento de software em várias linguagens, principalmente Java, a mais utilizada pela sua comunidade. Utilizado para diversas funcionalidades, desde programas Java de aparelhos celulares até páginas JSP (JavaServerPages).

- Apache TomCat – Servidor de aplicações Java para a Web oficialmente endossado pela Sun como Implementação de Referência (RI) para as tecnologias Java Servlets e JSP. O Tomcat tem a capacidade de atuar também como servidor web/http, ou pode funcionar integrado a um servidor web dedicado.É robusto e eficiente, é capaz de ser utilizado mesmo em um ambiente de produção. Altamente recomendado para ambiente universitário. http://tomcat.apache.org/.

- DotProject – Um sistema de gerência de projeto, com um bom conjunto de funcionalidades e características que fazem dele uma boa escolha para ambientes corporativos. Mais informações, download e treinamento, podem ser encontrados na página oficial http://www.dotproject.net.

- Planner – Ferramenta destinada à administração de projetos. Faz parte da suíte de aplicativos do conhecido ambiente gráfico Gnome. Possui uma interface capaz de exibir as tarefas em formato de gráfico de Gantt, lista, sendo capaz de gerenciar recursos ligados aos projetos, inclusive oferecer uma ótima compatibilidade com o gerenciador de banco de dados PostgreSQL, também de plataforma livre. O Planner também pode ser aplicado a disciplinas da Área de Ciências Administrativas, pelo poder prático no campo de gerenciamento e organização. http://live.gnome.org/Planner

- OpenWorkBench – Opção aberta de um sistema de gerência de projetos, software desenvolvido pela Niku Corp, conhecido por mais de 50.000 usuários no mundo inteiro. Baseado em aplicação em ambiente Windows. Oferece organização potente e funcionalidades gerenciais, sendo utilizado no lugar do proprietário MS Project. A página 72

oficial com download, fórum de discussão do produto, contendo inclusive uma comparação detalhada em relação ao software da Microsoft encontra-se no endereço

http://www.openworkbench.org

- Subversion – Ferramenta para controle de versão, carrega ciclos de trabalho de controle de versão, executa operações avançadas de ramificação e rotulação, administra (cria, ajusta, efetua e recupera back-ups) repositórios e configura os

servidores e os acessos aos repositórios pelos membros das equipes. http://subversion.tigris.org/

- Trac – Software utilizado em Gerência de Configuração para controle de mudanças, que executa ciclos básicos, facilita a documentação do software, acompanha o andamento do projeto através de diversos tipos de relatórios e mecanismos, visualiza mudanças, arquivos, diretórios e mensagens de log do repositório do projeto. http://trac.edgewall.org/ - Ganttproject - Um utilitário que permite desenhar diagramas de Gantt, essas representações gráficas sobre dois eixos, que nos permitem planificar todas as tarefas e as atividades de um projeto no tempo, facilitando uma visualização amena do estado de progresso de cada atividade. Desenvolvido em Java, os projetos podem dividir-se em subtarefas, cada uma com suas datas de início e previsão de finalização, relacionadas a todas as demais atividades contíguas, com suas respectivas relações de dependência, recursos adjacentes, comentários e anotações diversas, etc. http://ganttproject.sourceforge.net/

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Área de Sistemas de Informação e Banco de Dados

- Ferret – Ferramenta CASE para editar modelo de dados. Pode ser implementado dentro de um domínio de base de dados relacional, como PostgreSQL e MySQL. http://www.gnu.org/software/ferret/

-MySQL – Um dos sistemas de gerenciamento de banco de dados mais populares que existe e, por ser otimizado para aplicações Web, é amplamente utilizado na internet. Outro fator que ajuda na popularidade do MySQL, além do fato de ser software livre, é sua alta disponibilidade para praticamente qualquer sistema operacional, como GNU/Linux, FreeBSD, Windows e Mac OS. http://www.mysql.com/

- PostgreSQL – Sistema gerenciador de banco de dados que teve origem na Universidade de Berkeley, na Califórnia, em 1986. O PostgreSQL é otimizado para aplicações complexas, isto é, que envolvem grandes volumes de dados ou que tratam de informações críticas. Assim, para um sistema de comércio eletrônico de porte médio/alto, por exemplo, o PostGreSQL é mais interessante, já que esse SGBD é capaz de lidar de maneira satisfatória com o volume de dados gerado pelas operações de consulta e venda. http://www.postgresql.org/

-

Firebird – Um software que oferece uma excelente solução como sistema

gerenciador de bancos de dados de alta performance. A origem do FireBird é a versão Open Source do conhecido Interbase® 6.0, quando a Borland liberou os fontes de seu produto em 2000, e hoje em dia, o Firebird é um programa completamente independente. O seu desenvolvimento é realizado em C e C++ para várias plataformas entre elas Windows, GNU/Linux, Hp-UX e FreeBSD. Além disso, o FireBird oferece excelente concorrência de acesso e uma poderosa linguagem com suporte a stored procedures e triggers de bancos. http://www.firebirdsql.org/

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-

SQLite - SQLite é uma biblioteca C que implementa um banco de dados SQL

embutido. Programas que usam a biblioteca SQLite podem ter acesso a banco de dados SQL sem executar um processo separado. SQLite não é uma biblioteca de cliente usada para conectar com um grande servidor de banco de dados, e sim o servidor. A biblioteca SQLite lê e escreve diretamente para e do arquivo do banco de dados no disco. Não necessita de instalação, configuração ou administração; o banco de dados é guardado em um único arquivo; mecanismo de armazenamento seguro com transações ACID50. http://www.sqlite.org/

- DBDesigner – Prestigiado sistema de projeto visual que integra projeto de banco de dados, modelagem, criação e manutenção dentro de um mesmo ambiente. Salva os arquivos em XML, importa modelos gerados no ERWin (xml)e gera relatórios em html. Página oficial: http://www.fabforce.net/dbdesigner4/

- Pentaho Business Intelligence – O projeto oferece poderosas ferramentas de análise de informações gerenciais, monitoramento de indicadores de desempenho, data mining51 e workflow para proporcionar maior eficácia e eficiência no uso de informações nas organizações. O Pentaho utiliza a revolucionária abordagem de desenvolvimento, distribuição e suporte dos softwares Open Source, proporcionando as vantagens de flexibilidade e independência de plataforma e fornecedor, alta confiabilidade, segurança e custo mínimo de implantação e manutenção. http://www.pentaho.com/

ACID é uma sigla referente às qualidades: Atomicidade, Consistência, Integridade e Durabilidade. Processo de procura automática por padrões em grandes volumes de dados. O data mining aplica técnicas provenientes da estatística, aprendizado de máquina e reconhecimento de padrões.
51

50

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Área de Multimídia e Computação Gráfica

- Matrixreal – Programa que atende o domínio matemático de aplicação de computação gráfica, que manipula e estuda matrizes, calculando valores, determinantes, vetores, resolvendo sistemas lineares de diversas maneiras, sobrecarga de operações entre outros. Também pode ser adotado na área de Matemática, uma vez que a Computação Gráfica utiliza em sua base numerosos conhecimentos de Cálculo, Álgebra Linear e Geometria Analítica. http://search.cpan.org/~leto/Math-MatrixReal-1.9/MatrixReal.pm

- Blender – Um Software Livre, sob a licença GPL, para modelagem tridimensional, renderização e texturização de imagens, animação e criação interativa. http://blender.org/

- Gimp – GNU Image Manipulation Program - Programa com inúmeros recursos de manipulação de imagem. Contem ferramentas de tratamento de fotos, composição de imagens, filtros automatizados de efeitos, entre outras. Utilizado pela maioria dos usuários de Software Livre e para diversos fins, desde retoques e montagens de fotografias digitais até na elaboração de páginas da web. http://www.gimp.org/

- Inkscape – Editor gráfico de imagem vetorizada, similar a programas proprietários bastante conhecidos, como o Adobe Illustrator e o Corel Draw. Ferramenta bastante utilizada na elaboração de projetos gráficos profissionais. http://www.inkscape.org/

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Disciplinas Gerais e Funcionalidade Administrativa da Escola

- Open Office – Pacote mais conhecido no cenário Software livre como suíte de escritórios. Apresenta uma portabilidade grande, podendo ser instalado em diversas plataformas, como GNU/Linux, FreeBSD, Windows e Mac OS X. Similar ao Microsoft Office, contém as ferramentas que se tornaram imprescindíveis para qualquer computador atualmente: . Open Office Writer - Editor de texto rico em funcionalidades especiais, similar ao software proprietário Microsoft Word, e ainda capaz de escrever documentos no formato Portable Documento Format (PDF) e editar documentos html. . Open Office Calc – Folha de cálculo e planilha similar ao Microsoft Excel. O Calc possui uma série de funções que não estão presentes no Excel, incluindo um sistema de definição de series para gráficos baseada na disposição dos dados na planilha. O Calc é capaz de escrever a folha de cálculo como um arquivo PDF. . Open Office Base – Sistema de gestão de base de dados, similar ao Microsoft Access. . Open Office Impress – Um programa de apresentação de slides ou transparências, similar em funcionalidades ao PowerPoint. Além das capacidades comuns de preparo de apresentações, a partir da versão 2.0, é capaz de exportá-las no formato Macromedia Flash (SWF). Além dessas ferramentas mais comuns, também há outras inclusas na suíte atual do Open Office, como editor de imagem vetorizada (OpenOffice Draw), editor de páginas html (OpenOffice Web) e o editor de fórmulas matemáticas (OpenOffice Math). http://www.openoffice.org/

- Mozilla Firefox – Navegador de Internet de plataforma livre e multi-plataforma mais conhecido na atualidade e que tem se destacado com uma alternativa eficaz ao produto da Microsoft, o Internet Explorer. http://www.mozilla.com/firefox/

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- Mozilla Thunderbird – Um gerenciador de e-mails de comportamento similar ao Microsoft Outlook Express. Oferece acesso a arquivos xml, bloqueia mensagens, tem filtro anti-spam embutido entre os diversos recursos. Fácil instalação e utilização, por conta de uma interface bastante intuitiva. Opera no modelo multi-plataforma. http://www.mozilla.com/thunderbird/

- Joomla – Sistema de controle de conteúdo de websites escrito em PHP e roda nos servidores Web Apache ou IIS. Joomla é um software livre licenciado pela GPL. http://www.joomla.org/

-Plone – Um dos gerenciadores de conteúdo mais conhecidos no mundo. Desenvolvido sob a linguagem Python e roda sobre um servidor de aplicações Zope. O Plone pode ser usado para a construção de portais de informação em intranets, extranets e na Internet. Pode ser usado também para construir sistemas de publicação de documentos ou até como ferramenta para trabalho colaborativo. O Plone roda em praticamente qualquer plataforma. http://www.plone.org/

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Capítulo 6 – Conclusões
Como se vê, não são poucos os motivos apresentados a favor da utilização do software livre em quaisquer que sejam os ambientes. As razões de economia no custo de licenças de uso de software estão sendo as mais impulsionadoras aos processos de migração para plataformas livres. Ao invés de aumentar os índices de dependência tecnológica que nosso país sempre apresentou em relação aos países de maiores níveis de desenvolvimento, devese incentivar e investir no aprimoramento do aprendizado em soluções que são promissoras no desenvolvimento de recursos próprios e de qualidade. O software livre é uma solução mais que necessária, uma vez que oferece ferramentas para uma liberdade de criação, desenvolvimento e manutenção de tecnologias, e com isso, fomenta a indústria interna de software no país. O grande potencial que possibilitou o desenvolvimento e a difusão do software livre foi seu vigoroso espírito colaborativo, partindo de uma filosofia que defende a informação como um bem comum, e que deve ser acessada por todos e também para benefício de todos. Tais paradigmas sociais do software livre ganharam forças para possibilitar o alcance da aceitação de uma grande parte do mercado de software internacional, sem nenhum apoio inicial de uma mega-corporação, competindo com esforços de multinacionais que investiam pesadíssimo em pesquisa e desenvolvimento, sem falar nas estratégias ultravagantes de marketing e parcerias de negócios. A adoção de softwares livres pelo mercado tem se mostrado de maneira crescente, não apenas por razões sócio-econômicas. É importante ressaltar o aspecto de qualidade que o programa de código fonte aberto oferece aos profissionais, possibilitando conhecimentos e pesquisas, além de aplicações customizadas e seguras dentro de um ambiente de produção, enquanto o usuário antes se via confinado a depender tecnologicamente do fornecedor do programa, além de depositar, cegamente, confiança na integridade das capacidades do comportamento do programa, tendo conhecimento limitado às funcionalidades propostas pelo responsável. Analisando tais critérios, dentre outros, que instituições de alta pesquisa e órgãos governamentais como forças armadas, principalmente, optam pelo ambiente do software livre e suas tecnologias, mesmo, muitas vezes, portando elevados mananciais 79

financeiros, o que torna justificável o pensamento de que as vantagens reais da prática do software livre não sejam apenas de cunho econômico. O grau de conhecimento oferecido pelo conjunto de tecnologias do movimento livre é de uma enorme preciosidade para se adotar, não apenas diretamente no mercado de trabalho como na academia. O ambiente universitário é o lugar ideal para o cultivo cooperativo de pesquisa e conhecimento. É o berço de um possível avanço tecnológico do país, que se mostra promissor com as qualidades favoráveis ao campo da informática com as propostas de metodologia de produção onde o conhecimento é aberto a todos e progride de forma colaborativa. Justamente por todas essas comprovações da perseverante conjuntura do software livre é que o autor deste trabalho defende a primordialidade da sua utilização, essencialmente na Universidade pública. Assim, utilizando como ferramenta motivadora a cativante idéia do projeto Currículo Livre foi levantado um estudo de adoção de ferramentas livres no curso de Sistemas de Informação da UNIRIO, seguindo o exemplo de diversas outras universidades, prestigiadas não apenas no Brasil como no mundo, ganhando melhorias em diversos aspectos, como: na economia de contratos de utilização de softwares; no aproveitamento de recursos de hardware da universidade; fonte colaborativa e acessível de aprendizado na área tecnológica; diminuição e erradicação das práticas de pirataria de softwares, não apenas na universidade como nas casas de alunos e professores; incentivo ao desenvolvimento de tecnologias independentes no país e incentivo ao surgimento e sustentabilidade de pequenas e médias empresas do ramo, fornecendo cada vez mais recursos e consultorias para a desenvoltura própria do país, sem o envio de royalties nem servir como refém do poderio tecnológico e conseqüentemente econômico do exterior. Para um estudo da migração para software livre, assim como em qualquer tipo de migração, é necessária uma identificação de alguns elementos de suma importância do ambiente. Neste trabalho, foi aplicado um método de análise ao corpo docente e discente da Escola de Informática Aplicada, na forma de questionários de perguntas diferentes para cada tipo de integrantes. Como visto, foram obtidos alguns resultados relevantes no estudo de mudança de tecnologia do ambiente computacional.

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De início, foram estudados os alunos do curso, que demonstraram, com o resultado, um bom índice de aceitação do modelo livre proposto e, principalmente, um grande interesse no aprendizado de tecnologia de software livre. A conseqüência da pesquisa também indicou uma aplicação sem dificuldades para que satisfaçam, sem perda alguma, as exigências de softwares utilizados na universidade. Mais de 90% dos alunos utilizam os terminais remotos da universidade, que são constituídos de tecnologias livres por completo. Além disso, houve um bom resultado na utilização do sistema operacional livre dos laboratórios. Os alunos, em observações sugeriram, em grande parte, uma mudança não bruta dos sistemas, caso ocorresse, e um auxílio no aprendizado da tecnologia do ambiente operacional GNU/Linux. Posteriormente, o corpo docente da Escola de Informática Aplicada foi analisado. Também foi obtida uma resposta favorável à implementação de software livre na faculdade, com algumas declarações de possíveis dificuldades dos professores. Alguns não têm conhecimento mais aprofundado que nível básico de usuário ou nunca tiveram contato com o sistema operacional GNU/Linux, enquanto outros o utilizam como único sistema operacional, tanto na universidade quanto em casa, em nível mais avançado. Na pesquisa de ferramentas utilizadas nos laboratórios durante as aulas, surpreendentemente a grande maioria das respostas continha softwares de uso básico de escritório, como programas de apresentação, editor de texto e navegadores de internet. Além desses, é claro, possuíam outros softwares de domínios mais específicos na área de informática, que apresentam softwares livres correspondentes para suas aplicações de uso, embora alguns professores não tenham conhecimento. Além disso, a maioria do corpo docente apóia o incentivo ao Software Livre na Universidade. Com esses resultados, pode-se afirmar a viabilidade da utilização de Software Livre na Uniriotec. Tomando como base os depoimentos pessoais de todos os integrantes da Escola, seria necessário um estudo da metodologia a ser seguida na migração de aplicações. Inicialmente, poderiam ser instalados os aplicativos livres que funcionam em ambiente proprietário, pois assim alunos não teriam um impacto tão grande e não precisariam instalar em suas casas o sistema operacional de maneira forçada e imediata. Programas, como o navegador Firefox, operam tanto em sistemas Windows como GNU/Linux. A utilização e os bons resultados desses softwares servem como motivação para a aceitação de demais 81

tecnologias livres. Também é importante observar o recurso empregado nos laboratórios, chamado de dual boot, que é apresentado no início da partida da máquina através de uma tela com opções de sistema operacional que se deseja usar. No caso da UNIRIO, os sistemas operacionais são o Windows e GNU/Linux. De acordo com os relatórios do corpo discente, alguns alunos da universidade tiveram seu primeiro contato direto com o ambiente GNU/Linux na universidade e, até por motivos de requisitos para o mercado de trabalho demonstraram interesse e se especializaram em administração do SO GNU/Linux. O autor do projeto de graduação também indica uma outra possível solução para uma melhor adaptação dos alunos ao uso do GNU/Linux, que seria uma disciplina cuja ementa fosse composta de conhecimentos introdutórios ao ambiente Unix, preferivelmente no primeiro semestre do curso, como disciplina optativa ou mesmo obrigatória. Também é necessário que os professores colaborem com o incentivo ao uso de software livre na universidade, adotando ferramentas livres que sejam correspondentes às proprietárias sempre que possível. Caso contrário, os softwares proprietários que não possuírem alternativos livres no mercado, podem operar sob emuladores de sistema até que seja lançado um que satisfaça às necessidades da disciplina, ou então, construído por algum projeto de pesquisa da faculdade, utilizando a liberdade oferecida pela tecnologia do software livre. E, como produto da pesquisa de softwares livres que atenderiam às necessidades das disciplinas oferecidas pelo curso de Sistemas de Informação, várias ferramentas indicaram eficiência, e observou-se uma enorme disposição de substituição aos softwares proprietários utilizados. Como exemplo, os softwares atualmente utilizados em disciplinas na área de Engenharia de Software como Rational Rose e MS Project podem ser substituídos por softwares livres que se encarregam das mesmas funcionalidades, como o Umbrello e o OpenWorkBench, respectivamente. O projeto de graduação listou, no geral, cinqüenta e uma ferramentas livres em todas as áreas oferecidas pelo curso, com descrição das funcionalidades de cada software e seu respectivo endereço para a página oficial. Dessa forma, o software livre se mostra como uma excelente alternativa para prover melhorias no ambiente universitário, de modo a trazer resultados positivos no aprendizado de desenvolvimento de software, obtendo benefícios para o próprio centro universitário, e 82

servindo no exercício de ajuda e implementação de soluções livres para outros cursos da Universidade, e preenchendo os deveres iniciais da formação do projeto do curso de Sistemas de Informação que trata do caráter interdisciplinar e do nome propriamente dito da Escola de Informática. Aplicada. Espera-se que este trabalho contribua, de fato, com melhorias tecnológicas, não apenas para a UNIRIO, como para todos aqueles pertencentes da sociedade, esta que tem direito à liberdade do conhecimento e a uma universidade pública de qualidade e detentora de excelência em ensino.

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Anexo1 – Questionário para corpo discente
UNIRIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CCET – ESCOLA DE INFORMÁTICA APLICADA QUESTIONÁRIO PARA CORPO DISCENTE DA ESCOLA Aluno: Período: 1- Você conhece o Sistema Operacional GNU/Linux? ( ) Sim. ( ) Não. Mas tenho interesse em conhecer. ( ) Não e não tenho nenhum interesse em conhecer. 2- Em casa você utiliza: ( ) Sistema Operacional Linux apenas. ( ) Apenas um sistema operacional proprietário (Windows). ( ) Ambos os sistemas acima. ( ) Não possuo computador em casa. 3- Você utiliza freqüentemente o laboratório da universidade: ( ) Sim. ( ) Não. 4- Se tivesse uma opção por Sistema Operacional no laboratório entre GNU/Linux e Windows, qual deles você escolheria ? ( ) Linux. ( ) Windows. ( ) Tanto faz. 5- Quais os softwares que você utiliza no laboratório?

6- Já utilizou o Boot remoto da universidade? ( ) Sim. ( ) Não. 7- O que você pensa a respeito da idéia da utilização de Software Livre na UNIRIO?

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Anexo 2 – Questionário para corpo docente UNIRIO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CCET – ESCOLA DE INFORMÁTICA APLICADA QUESTIONÁRIO PARA CORPO DOCENTE DA ESCOLA Professor:

Disciplinas:

1- Já teve algum contato com o sistema Operacional GNU/Linux? Até que nível?

2- Utiliza o laboratório na universidade? Utiliza geralmente para que finalidade?

3- Quais softwares utiliza? Conhece algum Software Livre que desempenha o mesmo trabalho que o utilizado no momento?

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4- Se a UNIRIO adotasse um sistema somente GNU/Linux, quais seriam as possíveis dificuldades que você acha que poderiam ter:

5- A respeito do Projeto Software Livre e seus fundamentos, qual a sua posição pessoal: ( ( ( ( ) Sou contra tais incentivos ao uso de software livreA ) Não conheço ainda a fundo suas diretrizes ) Conheço seus objetivos e para mim é indiferente ) Apoio o incentivo à utilização de software livre

6- Opiniões adicionais:

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