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Artigo Sobre EIRELI

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A Lei nº 12.

441/2011: a empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI)
1.Histórico
Durante décadas os juristas especializados em Direito Empresarial e Tributário fazem coro com o setor empresarial para inclusão no ordenamento jurídico pátrio de um instituto facilitador da formalização de pequenos negócios. Ontem, dia 12 de julho de 2011, finalmente, após um trâmite legislativo de dois anos, foi publicada a Lei ordinária federal n. 12.441, instituindo a empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI), isto é, uma sociedade (pessoa jurídica) unipessoal (com apenas um sócio). No meu sentir, é uma vitória da lógica, da democracia e da sociedade. Ademais inúmeros países já possuem regramento específico para sociedades unipessoais, desde a década de 80. Explico a razão do meu entusiasmo. Durante algumas décadas se discute no meio jurídico as vantagens de se criar a sociedade unipessoal. Tal possibilidade ganhou força e a perdeu em vários momentos. Na década de 80, por exemplo, era dado como certo que a sociedade unipessoal seria incluída no estatuto da microempresa, naquela época em debate. Depois de idas e vindas, optou-se em postergar a inclusão da sociedade unipessoal no ordenamento jurídico. Já na década de 90, foi revigorada a proposta de criação do instituto inovador, pois o Conselho da Comunidade Europeia, em 1989, uniformizou as regras sobre sociedades unipessoais em toda a Europa. Ainda na década de 90, foi aventada a possibilidade de se incluir no Código Civil um regramento específico para regular as sociedades unipessoais, mas, mais uma vez, foi postergado. É importante lembrar que durante todas essas décadas, as atividades econômicas de menor porte foram, em regra, exercidas por sociedades limitadas (a partir do Código Civil de 2002, denominadas de sociedades simples ou de responsabilidade limitada), classificadas como micro ou pequenas empresas, conforme a variação da sua receita bruta anual, mas que possuíam em seus quadros societários, necessariamente, dois ou mais sócios, nos termos do artigo 981 do Código Civil que é taxativo: "celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam..." Diante do comando presente no Código Civil de 2002, é fácil perceber que a única alternativa que possuía uma pessoa empreendedora, que não desejasse por em risco todo o seu patrimônio pessoal, era a constituição de uma pessoa jurídica, por meio de um contrato firmado com um ou mais sócios. Não é necessário ser do meio acadêmico ou jurídico, para perceber que muitas pessoas jurídicas foram constituídas com um sócio ou mais, sem qualquer interesse legítimo em ser associar. Na verdade, o empreendedor,

caracterizado pelo . Assim.605 de autoria do Deputado Federal Marcos Montes. Justiça e Cidadania. voltou ao debate. Diante desse cenário caótico. a regulamentação da sociedade unipessoal. pelos fundamentos estampados na Mensagem n. o projeto recebeu no Senado Federal o número 18/2011 e passou pelo crivo da Comissão de Constituição. contudo. e por força do § 6º do projeto de lei. o projeto de lei seguiu para a Presidenta Dilma. surgiu o projeto de lei n. inclusive quanto à separação do patrimônio. inserido no artigo 2º do projeto de lei. Em 2009. no início da década de 2000.incluía sócios apenas para constituir uma sociedade e limitar sua responsabilidade diante das obrigações empresariais assumidas pela pessoa jurídica. 50 do Código Civil. conforme descrito em sua declaração anual de bens entregue ao órgão competente. não se confundindo em qualquer situação com o patrimônio da pessoa natural que a constitui. Esse dispositivo estabelecia o seguinte: "§ 4º Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da empresa individual de responsabilidade limitada. Foi vetado o § 4º do artigo 980-A. Depois de idas e vindas. O legislador perdeu a oportunidade de incluir o instituto no novo estatuto da microempresa – Lei Complementar 123/2006." Entendo que o veto não deveria ter ocorrido. pois era muito importante deixar claro que a regra geral é que o patrimônio do sócio não se confunde com o da sociedade. 4. Os reflexos da constituição de pessoas jurídicas com sócios que não possuíam interesse legítimo em associar-se são de fácil visualização nos tribunais do país e nas secretarias de fazenda municipais. previstas no art. Vale destacar que a Presidenta Dilma vetou apenas um dispositivo do projeto que lhe foi encaminhado pelo Congresso Nacional.Veto presidencial A Presidenta Dilma apresentou a seguinte justificativa para vetar o dispositivo: "Não obstante o mérito da proposta. o dispositivo traz a expressão 'em qualquer situação'. aplicar-se-á à EIRELI as regras da sociedade limitada. estaduais e federal. que o sancionou e publicou no dia 12 de julho de 20011. 259 de 11 de julho de 2011. com o intuito de instituir a empresa individual de responsabilidade limitada no ordenamento jurídico brasileiro." 2. pareceres favoráveis e aprovação na Câmara de Deputados. que pode gerar divergências quanto à aplicação das hipóteses gerais de desconsideração da personalidade jurídica. tendo como relator o Senador Francisco Dornelles. Devo ressaltar que o artigo 50 do Código Civil é o dispositivo que permite a desconsideração da personalidade jurídica na hipótese de abuso da personalidade jurídica. Após a aprovação pelo Congresso Nacional.

na falta de pluralidade de sócios. requeira. no que couber. Ademais.441/2011. portanto. Também foi acrescentado o artigo 980-A ao Código Civil. Vejamos o novo texto: "Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio remanescente. isto é. ou pela confusão patrimonial. 3. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas") também são taxativos ao determinarem que o patrimônio dos sócios não se confunde com o da sociedade que participam.113 a 1. senão depois de executados os bens sociais") e 1. O § 4º vetado pela Presidenta Dilma.024 ("os bens particulares dos sócios de sociedade simples não podem ser executados por dívidas da sociedade. foi acrescentado o inciso VI ao artigo 44 do Código Civil. que já permitia a existência de sociedade unipessoal de prazo determinado (180 dias) ou sua conversão em empresário individual com responsabilidade ilimitada. nas hipóteses nele previstas." Agora.052 ("na sociedade limitada. As EIRELIs.Sociedade unipessoal Com a publicação da Lei n. observado. 12. inclusive na hipótese de concentração de todas as cotas da sociedade sob sua titularidade. Vale lembrar ainda que os artigos 1. tornaria cristalino que o patrimônio do sócio. o disposto nos arts. .1. mas agora prevê também a possibilidade de conversão em uma EIRELI. deveria ser mantido.115 deste Código. a sociedade será dissolvida. 1." A conjugação dos dois dispositivos acrescentados institui no ordenamento jurídico brasileiro a pessoa jurídica constituída apenas por um único sócio. que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País.desvio de finalidade. são pessoas jurídicas de direito privado. com a seguinte redação: "A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social. não reconstituída no prazo de 180 dias. Por essa razão.033 do Código Civil. entendo que o dispositivo não deveria ser vetado. em regra. portanto. Atendo a tal constatação o legislador também alterou o parágrafo único do artigo 1. O novo texto do parágrafo único continua permitindo que uma sociedade unipessoal se converta no prazo de 180 dias em um empresário individual. a transformação do registro da sociedade para empresário individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada. não deveria confundir-se com o da sociedade. pois em nada afetaria a aplicação do artigo 50. desde que não se converta em um empresário individual ou em uma EIRELI.Principais características do EIRELI 3. no Registro Público de Empresas Mercantis. devidamente integralizado. uma sociedade unipessoal de prazo indeterminado.

Ora.000. Ainda quanto ao capital social. Ocorre.259/01. IV do Constituição Federal é claro ao determinar que é vedada a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. O artigo 7º. não considerou que muitos autores e até mesmo a jurisprudência atribuem ao piso salarial fixado no inciso V do artigo 7º da Constituição Federal e na Lei Complementar n. ao regular o "estabelecimento individual de responsabilidade . Para comprovar esse sentimento. Para comprovar que o legislador fixou um valor desproporcional.2. o Decreto-lei n.Integralização mínima do capital social O caput do artigo 980-A estabelece que a totalidade do capital social integralizado não poderá ser inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País. 123/06. será aquela pessoa física que possuir como receita bruta anual o valor de R$ 36. por exemplo. o piso salarial (ou salario mínimo regional) é maior do que o salário-mínimo nacional. Ademais. pois o salário-mínimo utilizado como base de cálculo pelo contador foi o Nacional e não o Estadual que é maior. contudo. É evidente que os institutos não se confundem (capital social x receita bruta). em minha opinião. verifico que o legislador poderia estabelecer um patamar mais razoável se observasse o que dispõe. regrado pela Lei Complementar n. 248 de 25 de agosto de 1986. no Rio de Janeiro. por exemplo. Ademais. todos os países que adotam essa espécie de sociedade estabelecem que o empreendedor terá um limite mínimo de capital social.00. merece uma reflexão. Esse pequeno detalhe pode ocasionar a seguinte situação: A Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro pode indeferir o registro de EIRELI. precisamos entender que a fixação de um valor mínimo é necessário. já que haverá uma separação entre o patrimônio aplicado na atividade econômica exercida pela sociedade unipessoal e o patrimônio pessoal (ou particular) do único sócio. que utilizar o salário-mínimo para fixar esse valor não é o mais adequado. por que não utilizar de forma paradigmática o estabelecido na legislação vigente? É interessante notar que o microempreendedor individual. o legislador ao determinar que o capital social não poderá ser inferior a 100 vezes o "maior salário-mínimo vigente no País". Inicialmente. Ora. observei que a fixação do valor de 100 salários mínimos (seja nacional ou regional) não foi uma decisão lastreada em estudos sobre a capacidade econômico-financeira dos prováveis interessados nesta espécie societária.3. Em Portugal. em seu artigo 18-A. a Lei 10. Esse dispositivo. basta observar como o instituto foi idealizado em outros países. nos termos das suas legislações internas. por exemplo. ao determinar que o Juizado Especial Federal Cível possui competência para processar. 103/00 natureza de salário mínimo fixado pelos Estados. conciliar e julgar causas que envolvam o valor de até 60 salários mínimos. se o legislador não utilizou um fundamento científico para estabelecer 100. em seu artigo 3º. mas vale a observação de como são próximos os valores estabelecidos na legislação.

até mesmo. ao menos. extinguiriam suas sociedades atuais para transformarem em EIRELIs. 3.115 do Código Civil.4. designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. 3. Na firma individual a EIRELI operará utilizando o nome de seu único sócio. com o único propósito de redução da carga tributária. não foi fixado um capital mínimo. completo ou abreviado.I. a EIRELI operará utilizando uma expressão linguística que deve designar o objeto da empresa.857/2003 – que autoriza o "Estabelecimento de empresas individuales de responsabilidade limitada – (E.Vedação de participação societária em outra EIRELI O parágrafo segundo do artigo 980-A estabelece que a pessoa natural (física) que constituir a EIRELI somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade.)". Já no Chile.3. Essa vedação é importante para evitar a evasão fiscal que poderia ser manejada por pessoas físicas que. 60 salários mínimos. 3.L. caso seja necessário. O nome empresarial das sociedades está regulado no Código Civil em seus artigos 1.000 euros. constituiriam diversas EIRELIs ou.155 a 1.I. Diante dessa constatação. por exemplo.limitada (E. Na denominação.6.Transformação de outras espécies societárias em EIRELI O parágrafo terceiro do artigo 980-A determina que a EIRELI também poderá resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num único sócio. se quiser.168. analisar os resultadas e. correspondente a R$ 11.Nome empresarial O parágrafo primeiro do artigo 980-A estabelece que o nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a firma ou a denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada.R. aditando-lhe. visando a redução da carga tributária. penso que é fundamental a observação da aplicação da nova legislação para. "Leonardo Pessoa EIRELI". no futuro. reduzir o valor do capital social de 100 para. como.00.113 a 1.205. como por exemplo. a Lei 19.R.Possibilidade da EIRELI e os direitos autorais do único sócio O parágrafo quinto do artigo 980-A estabelece que poderá ser atribuída à EIRELI constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente . 3.L. "Consultax EIRELI". Esse dispositivo está em sintonia com o disposto no artigo 1033 e com os artigos 1.)" estabeleceu um capital social mínimo de 5. independentemente das razões que motivaram tal concentração.5. É a possibilidade de constituir uma sociedade unipessoal de forma derivada.

Estaduais e a Federal produzam as normas infralegais necessárias para efetivamente possibilitarem o registro e o cumprimento das obrigações tributárias acessórias das EIRELIs. pois limitar a responsabilidade patrimonial dos sócios é uma previsão constante nos dispositivos aplicáveis às sociedades limitas. Hoje esses profissionais são obrigados a receberam suas remunerações como pessoas físicas.") 3.Conclusão Não há dúvida de que a instituição da EIRELI no Brasil é um avanço considerável nas relações empresariais. a legislação passou a regular o Microempreendedor Individual (MEI). Esse dispositivo confirma que o veto presidencial não era necessário. Esse ardil foi observado recentemente quando. nome.Vigência da EIRELI O artigo 3º da Lei n. em 2008. O prazo de seis meses é suficiente para que as Juntas Comerciais. necessariamente com outros sócios. marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica.Aplicação subsidiária das regras da Sociedade Limitada O parágrafo sexto do artigo 980-A determina que aplicam-se à EIRELI. em 08 de janeiro de 2012. Diversos países. A constituição de uma EIRELI para afastar a caracterização do vínculo empregatício. vinculados à atividade profissional. há décadas.da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem.8. obviamente. sob a dependência deste e mediante salário. no que couber. isto é. com uma tributação bem elevada ou a constituírem pessoas jurídicas. já possuem legislação regulando o . 4. não impedirá a incidência do artigo 3º da CLT ("considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador.441/2011 estabelece que as regras da EIRELI entrarão em vigor em 180 dias a partir de 12 de julho de 2011.7. as Secretarias de Fazenda Municipais. A partir da EIRELI eles poderão constituir isoladamente pessoas jurídicas para receberem suas remunerações. as regras previstas para as sociedades limitadas. Esse dispositivo certamente será muito utilizado por todos aqueles profissionais que desejarem reduzir a carga tributária incidente sobre a remuneração decorrente da cessão de direitos autorais. 3. Aqui vale destacar que a EIRELI não poderá ser utilizada para dissimular a contratação de empregados. 12. O Ministério Público Trabalhista e a Justiça do Trabalho já se manifestaram sobre a ilegalidade da contratação de empregados de forma fraudulenta com a constituição de sociedade interposta.

é positiva a instituição da EIRELI. . bem como sua vinculação ao saláriominimo (nacional ou regional). ao menos. Em síntese. Realmente. devemos refletir sobre a questão do limitador do capital mínimo.instituto. penso que. desde já. será a elaboração de normas infralegais pelos órgãos competentes que regulamentem a lei de modo a impedir o mau uso da EIRELI. mas. É importante que as normas infralegais não transbordem sua competência regulamentadora. sua redução para patamares mais proporcionais à realidade das micro e pequenas empresas brasileiras. a EIRELI é espécie societária fundamental para o fomento de atividades empreendedoras. As considerações que faço no presente arrazoado são apenas observações de quem lida com a constituição de sociedades empresariais a mais de 10 anos e sabe que interpretações divergentes podem criar obstáculos para a efetiva implementação do instituto inovador. Por fim. se a EIRELI é um instituto criado por diversos países para incentivar os micro e pequenos negócios. é fundamental uma reflexão sobre a possibilidade de eliminação do valor mínimo de capital social ou. Ora. debater e propor ajustes na legislação ou nas normas infralegais que serão elaboradas. Outro ponto crucial para que o instituto não seja manejado para dissimular vínculos empregatícios ou efetivar evasões fiscais. acredito que a sociedade deve aproveitar a vacatio legis de 180 dias para analisar.

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