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VI - Carga e Descarga de Capacitores

49

Experimento VI
CARGA E DESCARGA DE CAPACITORES.

1. OBJETIVO: Verificar tempos característicos na carga e descarga de um capacitor, familiarizandose com o uso do osciloscópio na observação de fenômenos transitórios.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:

A figura 1 ao lado mostra o circuito básico a ser estudado. Trata-se de um circuito para estudar os transitórios de carga e descarga de um capacitor. Quando a chave S é ligada no ponto a, estando o capacitor completamente descarregado, estabelecese o transitório de carga do capacitor, pela fonte, através do resistor R1+R2. Após carregado, ligando-se a chave no ponto b tem-se o transitório de descarga do capacitor através do resistor R2. Um circuito como o da figura ao lado é, na realidade, uma representação pictórica de um circuito real, representação essa que pode estar correspondendo a uma bateria ligada através de um interruptor a um capacitor, podendo R1 e R2 estar, respectivamente, representando as resistências internas da bateria e do capacitor. Ao estudar uma situação real no Laboratório, o estudante deve ter em mente que os vários elementos físicos que compõem um circuito nem sempre se comportam como os seus correspondentes ideais. Uma bateria de automóvel de 12V, por exemplo,

nem sempre consegue manter fixa a tensão entre seus terminais como se fosse uma fonte ideal de tensão. Ao contrário, todos sabemos que ao ligar o motor de partida do carro, a tensão da bateria cai, o que podemos perceber bem se os faróis estiverem ligados. A bateria estaria se comportando como uma fonte ideal de tensão associada a uma resistência em série, responsável pela queda de tensão da bateria que é aproximadamente proporcional à corrente consumida. Também um resistor real pode não apresentar entre seus terminais a relação tensão corrente ideal, dada pela relação V = RI. Por exemplo, no caso de uma resistência feita de um fio longo enrolado, em forma de bobina, pode desenvolver-se entre seus terminais uma tensão induzida proporcional à taxa de variação da corrente que lhe atravessa, e teríamos V = RI + L(dI/dt). Nem tampouco, um capacitor real pode em todas as situações, ser representado por uma capacitância pura dada pela relação V = q/C ou (lembrando que I = dq/dt), ou I = C(dV/dt), onde C seria o valor constante da capacitância. O material do dielétrico do capacitor nunca é um isolante perfeito, podendo apresentar uma condutividade apreciável, de forma a levar o capacitor a se comporR1

a
S

b + − ε

R2 C

Figura 1. Circuito básico usado na análise da carga e descarga do capacitor.

tar como uma capacitância pura ligada em série com uma resistência. Voltaremos a esse assunto em maior detalhe na experiência IX. De um modo geral, o estudo detalhado do funcionamento de circuitos reais requer a realização de uma etapa inicial chamada modelamento que consiste na obtenção, a partir do circuito

Eletromagnetismo Experimental

L&M

(1) onde ε é a fem da fonte. R1 S toda carga porventura existente no capacitor já teria se escoado através da resistência e dos contatos da chave. descarregando-o. Da mesma forma que em 2a. capacitores nada mais são que duas peças de condutor colocadas muito próximas uma da outra. durante a carga do capacitor é: ε .Rdq/dt . circuitos com capacitores em situações de regime permanente. Comportam-se portanto. 2. Conforme é visto na literatura. a tensão nos terminais do capacitor seria inicialmente nula. tratável matematicamente que corresponda de modo mais próximo possível ao circuito real no que tange ao seu funcionamento. R1 a b I=0 R2 C VC a S b I=0 R2 C VC + − ε + − ε Figura 2a. depois de invertida a chave. Eletromagnetismo Experimental L&M .50 Carga e Descarga de Capacitores real. no circuito em questão. Se a chave estava inicialmente em b já há bastante tempo. em que todas as cargas já fluíram. estando completamente isoladas. Lembremo-nos que fisicamente. A equação diferencial resultante para o circuito em questão. com o capacitor já completamente carregado. onde todos os elementos podem ser matematicamente representados (por exemplo. o circuito comporta-se com se estivesse aberto. Portanto. o funcionamento do circuito durante a carga do capacitor é determinado. Antes da operação de carga ( S ligada no ponto b a longo tempo ) o capacitor comporta-se como se fosse um circuito aberto. R a resistência.1 CARGA DO CAPACITOR A operação de carga do capacitor (fig. de um circuito equivalente idealizado. 2a e 2b) se faz. aplicando-se a “lei das malhas” à malha (única) do circuito. mas que não se tocam. invertendo-se a chave S inicialmente em b. através de equações) que poderemos aplicar as poderosas ferramentas matemáticas de análise de que dispomos.q/C = 0. Uma das finalidades desta e das próximas experiências é a de nos familiarizarmos com o estabelecimento daquela relação entre as situações reais e seus modelos ideais. A esse circuito ideal. de forma a carregar ou descarregar completamente os capacitores existentes. como circuitos abertos. levando-a para a posição a. R1 S a b I=0 R2 C VC R1 S a b I=0 R2 C VC + − ε + − ε Figura 2b. damos o nome genérico de “modelo matemático” ou simplesmente “modelo” e é nesse circuito equivalente. Podemos analisar mais facilmente. C a capacitância e q a carga no capacitor no instante de tempo t.

Inicialmente a vazão é elevada./RC). t (3) A rapidez (ou lentidão) com que se dá a carga do capacitor. quando a tensão no capacitor é grande.e. é. mas a taxa de descarga diminui à medida em que a tensão vai diminuindo. . usualmente elevada. Integrando a equação (6). Uma situação semelhante se dá no esvaziamento de um pneu furado. Da equação (2). resulta: VC = q/C = ε (1 . O decaimento ou a desintegração de um átomo radioativo é de natureza estatística. a descarga é rápida no início. Assim. 4)). no caso do capacitor se descarregando. o qual usualmente denomina-se constante de tempo do circuito τ ou seja: τ ≡ RC (Obs. chama-se meia-vida ao tempo requerido para que a atividade da metade dos átomos instáveis decaia.(1) com ε=0 e realize os passos usados na obtenção das eqs.VI .Carga e Descarga de Capacitores 51 Resolvendo a equação (1) obtemos para a corrente a expressão i = dq/dt = (ε/R)e -t/RC (3) e então derive VC(t) em relação ao tempo. O que se pode dizer é que o número de átomos que se desintegram num certo intervalo de tempo é proporcional ao número de átomos radioativos presentes na amostra ou seja. ocorre com a radioatividade.37ε/R Corrente. Trata-se de situações em que a intensidade com que varia uma determinada variável é proporcional à magnitude da própria variável.. tem-se uma expressão exponencial para o decaimento radioativo. i (4) ε τ Tempo Figura 3.: Ohm x Farad = segundo). pois a atividade dela é proporcional ao número de átomos radioativos presentes. Acontece que a própria pressão decresce a uma taxa proporcional à vazão e. Ela decorre em razão da emissão de radiação resultante da desintegração de átomos radioativos existentes em determinados materiais. No caso dos materiais radioativos. 3). a corrente) é proporcional à própria tensão. nos terminais do capacitor. i. (5) onde a constante λ de proporcionalidade é denominada constante de decaimento radioativo (que corresponde ao inverso da constante de tempo (fig. e como resultado. i.λN(t). Um caso de comportamento exponencial bastante conhecido dos físicos. a partir de uma análise gráfica. a taxa de descarga (ou seja. VC ε/R Tensão. a corrente é proporcional à tensão. (2) e para a tensão VC. No caso da descarga do capacitor através de um resistor tem-se: VC(t) = −RC(dVC/dt). Resposta exponencial e constante de tempo capacitiva. à pressão.(2) e Eletromagnetismo Experimental L&M . depende do produto RC. Sugestão: Tome a eq. portanto. V 0. Questão 1: Deduza a equação (4). resultando um comportamento exponencial. nota-se que para t = τ = RC a corrente cai para 1/e (cerca de 37%) da amplitude (ε/R). pois ela é proporcional à pressão. pois dando-se a descarga através do resistor. a atividade da amostra decrescerá para a metade do seu valor inicial. Podemos portanto. dN(t)/dt = . determinar a constante de tempo τ (fig. Na natureza encontramos inúmeras situações em que os fenômenos ocorrem exponencialmente no tempo. sendo impossível prever quando um particular átomo irá se desintegrar.

52 Carga e Descarga de Capacitores N(t) = N0e-λt. O tempo que essa tensão levar para variar de -1V a +1V é o tempo que o ponto luminoso levará para deslocar-se da esquerda para a direita. uma senóide como a tensão da rede de energia.5 USO DO OSCILOSCÓPIO NA OBSERVAÇÃO DE TRANSITÓRIOS O osciloscópio é um instrumento em que um tubo de raios catódicos. Se enquanto é aplicada a tensão rampa nas placas de deflexão horizontal. Resultado da composição da rampa na horizontal com a senóide vertical. Por isso. da esquerda para a direita. uma tensão V que cresce linearmente com o tempo. (6) mento correspondente produzido no feixe chamamos de “varredura”. pois o deslocamento do feixe será uma composição dos deslocamentos nas direções horizontal e vertical. Sincronismo entre a descarga de um capacitor e a rampa. com o deslocamento na direção horizontal se dando proporcionalmente ao tempo. essa tensão rampa é chamada de “base-de-tempo e ao desloca- Vy Imagem Tempo Tempo Vx Rampa Figura 5. como o visto em experiências anteriores. Veja figura 5. Suponhamos que para o feixe deslocar-se da extrema esquerda para a extrema direita. é utilizado para visualizar fenômenos transitórios. Imagem Vy Tempo Tempo Vx Rampa Figura 6. o feixe “desenhará” na tela uma figura que é uma réplica do gráfico contra o tempo da senóide ou de outra tensão que estiver sendo aplicada nas placas de deflexão vertical. a tensão nas placas de deflexão tenha que variar de -1V a +1V. com o qual desenhamos na tela um gráfico de uma variável em função do tempo. Eletromagnetismo Experimental L&M . Se aplicarmos às placas de deflexão horizontal do tubo. traçando uma linha horizontal. ∆V/∆t. 2. onde N0 é o número de átomos radioativos existentes no instante inicial (t = 0) e N(t) é o número de átomos presentes no instante t. digamos. determinando a escala do tempo do eixo horizontal que está sendo desenhado pelo feixe. aplicarmos às placas de deflexão vertical uma tensão variável no tempo. pensando-se no feixe de elétrons do tubo de raios catódicos como uma espécie de esguicho. A velocidade de deslocamento do ponto luminoso é proporcional à “inclinação” da rampa aplicada nas placas de deflexão horizontal. veremos o ponto luminoso caminhar a uma velocidade constante no sentido horizontal. O princípio de funcionamento do osciloscópio pode ser facilmente compreendido. por exemplo. uma função “rampa”.

utilizando para isso.é igual à freqüência da tensão senóide fs. a) e b).Indutor (bobina) com L∼0. No caso da senóide. e a senóide nas placas de deflexão vertical for estabelecida.VI . . 7 Diagrama funcional do osciloscópio Com ajustes adequados pode-se fazer com que o gerador de rampa dispare no exato momento em que a exponencial se inicia. .Resistor 390Ω. a imagem aparecerá andando. 7). Figura. 6).Osciloscópio. .:Confirme com o professor ou com o técnico do laboratório as especificações acima dos dispositivos. como o sinal observado é periódico.6 O SINCRONISMO DO FEIXE COM O EVENTO Consideremos.85H.47µF . Obs. a observação de um transitório como o da descarga de um circuito capacitivo (fig.Fios de ligação. vistas no osciloscópio quando o sincronismo entre a tensão rampa. em b) temos fr =4fs) . o próprio sinal da exponencial.Carga e Descarga de Capacitores 53 2. 8: em a) a freqüência da tensão rampa. fr.Capacitor de 0. por um circuito que condicione adequadamente esse sinal para disparar a rampa. PARTE PRÁTICA Gerador de rampa Tensão de sincronismo 3. O osciloscópio possui internamente circuitos que realizam esse sincronismo (fig. Senóides. passando-o antes. se conseguirmos sincronizar a varredura com uma determinada fase de ciclos sucessivos da senóide. Eletromagnetismo Experimental L&M .Gerador de onda quadrada. 3.Caso contrário. . Sinal de entrada Amplificador Questão 5: Porque a imagem aparecerá deslocando-se na tela.1 MATERIAL NECESSÁRIO . Para que se possa observar o transitório desde o início a rampa Vx deve disparar um pouco antes ou exatamente junto com o início do transitório. caso não haja sincronismo entre a varredura e o sinal a ser observado? Figura 8. c). agora. a tela mostrará uma imagem parada da senóide (fig. É necessário sincronizar a rampa com o evento em observação.

meça o período (e a freqüência) da onda quadrada. Consulte o manual quando em dúvidas!) Ligue o osciloscópio e observe a onda quadrada de calibração (CAL 2 Vp-p).5 micro-segundos por divisão e. uma onda quadrada conforme mostra a figura 9. “SOURCE”. o tempo que ele leva desde que passa pelo nível de 10% da altura total. até os 90% dessa altura. Verifique e anote: a) Qual a posição do controle de base de tempo (TIME/DIV)? Mantendo o btão de ajuste fino do tempo de varredra (SWP. meça novamente o tempo-de-subida da onda quadrada do calibrador. meça o “tempo-de-subida” (“rise-time”) dos pulsos da onda quadrada. “COUPLING”. PROCEDIMENTO 3. “SLOPE”.2.54 Carga e Descarga de Capacitores 3.2. selecione a base de tempo (TIME/DIV) para obter aproximadamente 1 pulso a cada duas divisões da tela. “HOLD OFF” e “LEVEL”? e) Aumente a velocidade de varredura para 0. MODE”. Chama-se tempode-subida de um pulso. reajustando adequadamente o seletor VOLT/DIV.MODE”? c) Qual a posição do seletor de sensibilidade do sinal de entrada vertical (VOLT/DIV)? Qual a amplitude da onda quadrada? Qual foi a posição escolhida para o botão “VARIABLE”? Observe que além das opções “VAR” e “CAL” existe a opção “X5MAG”. Procure se esclarecer sobre a diferença observada e anote. L&M .VAR) em CAL. d) Quais posições dos controles de gatilhamento você escolheu para “SWEEP Eletromagnetismo Experimental Figura 9. f) Inverta o controle de atenuação da ponta de prova e. Com o botão de controle variável (VAR) da amplitude vertical “CAL”. selecione o controle de sensibilidade vertical (VOLTS/DIV) para uma amplitude de onda quadrada de aproximadamente quatro divisões. ajustando o nível de gatilhamento (LEVEL) de forma a poder observar o detalhe da subida dos pulsos desde o início(fig. Colocando o botão de ajuste fino do tempo de varredura (SWP. Ajuste os controles de forma a obter na tela. Familiarizando-se com o osciloscópio (Importante! Procure entender todas as funções do osciloscópio. aproximadamente. Compare esses valores com o tempo-de-subida do amplificador vertical especificado pelo fabricante no manual. Imagem da onda quadrada a ser obtida na tela do osciloscópio.1.VAR) na posição “CAL”. 10). Anote a atenuação que foi escolhida na ponta de prova. b) Qual a posição escolhida para a chave “VERT. do próprio osciloscópio utilizando a ponta de prova.

9A 0.VI . R = 390Ω e f ∼ 100Hz. Circuito RC a ser usado na observação da Carga e descarga de um capacitor (ou composição de capacitores).Carga e Descarga de Capacitores Tempo de subida VC 55 ts 0.47µF. 3. Sugerimos usar. o que impossibilita a medida do tempo τ. Portanto procure no gerador de ondas quadradas uma freqüência f adequada (f<1/τ. do capacitor. e compare com os valores medidos. o capacitor de 0. G é um gerador de ondas quadradas e O um osciloscópio. 1) Monte o circuito da figura 11. Tempo de subida de um pulso de amplitude A. Obs.2. inicialmente. não completa. talvez necessária. teoricamente.1A Tempo Figura 10. como mostrado na figura 12. 12): 2) Meça a tensão inicial na descarga e final na carga do capacitor e determine a constante de tempo capacitiva τ para cada caso (cada conjunto de capacitores considerados). ε O Onde observa-se que a carga e descarga do capacitor não se dá por completo. e observe os transitórios de carga e descarga do capacitor ( ou da composição série ou paralela de capacitores. onde G é um gerador de onda quadrada com fem ε de pico a pico.: Dependendo da freqüência f que se usa no gerador de onda quadrada pode-se observar no osciloscópio um transitório com a forma (Fig. Figura 11. R G C A ε Tempo Figura 12. Eletromagnetismo Experimental L&M . 3) Calcule os erros experimentais e expresse os valores medidos com os respectivos erros.Medição de transitórios em circuitos RC.2 . τ = RC) de modo a produzir a carga e descarga completa do capacitor. Uma seqüência de carga e descarga. para aumentar ou diminuir a constante de tempo τ de forma conveniente a uma melhor observação do transitório ). Baseie-se nos elementos da figura 19. 4) Calcule as constantes de tempo τ esperadas.

τ = RC. VC ε 0.56 Carga e Descarga de Capacitores VC ε Tempo Figura 13.37ε Carga Descarga τ Tempo Figura 14. completa. Tempo característico de carga e descarga de um capacitor.63ε 0. Seqüência carga e descarga. do capacitor. Eletromagnetismo Experimental L&M .

VI .Carga e Descarga de Capacitores 57 Anotações: Eletromagnetismo Experimental L&M .

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