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Apostila Comunicação e Expressão

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COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO PARTE 1 – A COMUNICAÇÃO. A CORRESPONDÊNCIA EMPRESARIAL MODERNA. A correspondência empresarial é hoje também um instrumento de marketing.

É a responsável pela imagem da empresa perante os seus diversos públicos, internos ou externos. Exige-se eficiência quanto ao conteúdo que se quer transmitir, elegância quanto à forma que o embalará e correção quanto à língua através da qual a mensagem será expressa. O estilo da linguagem e a disposição dos elementos no documento têm sofrido alterações para que alcancem sucesso na tarefa que a redação profissional assumiu. O que se deseja é clareza, rapidez e objetividade e isso não se consegue com um texto desarrumado, deselegante e mal escrito. Portanto, há três questões a levar em conta quando o assunto é a produção textual nas empresas: a forma, o estilo e a língua. A forma É a embalagem do texto profissional. Como um produto da empresa que o emite, deve ser eficiente e elegante. Neste tópico, o redator aprenderá como dispor de forma prática e atraente as diversas informações que devem constar do texto, como a data, o remetente, o assunto, o destinatário, os endereços, etc. A língua Como já disse, o texto profissional é um dos diversos produtos da organização. É responsável, às vezes sozinho, pela comunicação da empresa com seus diversos públicos. Logo, devemos nos cercar de todos os cuidados para que nossa correspondência chegue aos seus destinatários sem deslizes gramaticais que certamente causarão uma má impressão que pode se tornar incontornável e inviabilizar acordos de qualquer natureza. O estilo É a soma dos dois anteriores e, por isso mesmo, o mais subjetivo. Escrever com estilo é transformar em linguagem escrita a imagem que se quer passar da empresa: limpa, transparente, objetiva, eficiente, prática, elegante e arrumada. É a medida certa entre a formalidade que se exige de um texto profissional e a informalidade que se deseja para conquistar clientes, fechar negócios e motivar colaboradores. Antes de estudarmos cada um desses tópicos, vamos ver rapidamente o que é comunicação, num sentido mais amplo e nas empresas, de uma maneira geral. A COMUNICAÇÃO. A palavra comunicação vem do latim communicare, que significa tornar comum, partilhar, repartir, associar, trocar opiniões. Assim, pode-se dizer que há uma grande diferença entre comunicar e informar, uma vez que a informação pressupõe algo frio e pré-formatado, transmitido sob a forma de um monólogo e que, portanto, não permite troca. 1

Comunicação ocorre quando a mensagem é transmitida e decodificada (compreendida).

Mensagem • é a informação (sinais codificados, língua) que um emissor (locutor) transmite a um receptor (interlocutor) por meio de um canal. Linguagem • é a propriedade do ser humano de representar o pensamento por meio de sinais codificados. Código • é um sistema de sinais preestabelecidos entre o emissor e o receptor empregado para a transmissão de mensagens. • Língua sistema de sinais comuns a todos os indivíduos de uma comunidade.

TIPOS DE LINGUAGEM • • Linguagem verbal divide-se em escrita e falada e é expressa por uma língua. Linguagem não-verbal sistema de comunicação que não faz uso de palavras.

LINGUAGEM VERBAL Falada • natural, cultural e social. • Escrita Artificial, cultural, social.

LINGUAGEM NÃO-VERBAL: Sinais visuais, olfativos, táteis e sonoros O SIGNO A linguagem parte sempre de um signo, elemento composto de duas partes: o significante, que é material (a representação) – acústico ou sonoro -, e o significado, que é imaterial – a idéia, sentimento, ação, pessoa ou objeto representado. Portanto, o signo engloba sempre um símbolo – um desenho, uma letra, uma palavra, um som, um sinal, uma cor, uma ilustração, uma figura – e a idéia, o sentimento, o ser – representado.

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– significante

COMPUTADOR

– significado SENTIDOS DA LINGUAGEM. Denotativo: sentido original, dicionarizado, aceito. “Há uma bomba no prédio.” Conotativo: sentido figurado, atribuído, abstrato. “Seu trabalho está uma bomba.” INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO. Informação • emissor comanda a elocução. Ocorre porque o receptor não tem conhecimento prévio (feedback) do conteúdo da mensagem. Estabelece-se o monólogo. Comunicação • emissor e receptor trocam de papéis porque ambos detêm o conteúdo. Há diálogo.

OS ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO. Contexto (Assunto ou ambiente da comunicação) Mensagem (Conteúdo da comunicação) Emissor (Redator) Canal (Texto) Receptor (Leitor)

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Código (Língua portuguesa) Emissor é o agente da comunicação, quem envia a mensagem. Receptor é o elemento a quem se destina a mensagem. Canal é o condutor da mensagem Contexto é o assunto da mensagem Código é a expressão material da mensagem, o signo. Mensagem é o teor da comunicação.

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AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM Emotiva – quando a mensagem é carregada de sentimentos e emoção e é centrada no próprio emissor. Exemplo: “Eu ‘tava triste, tristinho, Mas sem graça que a top model magrela na passarela Eu ‘tava só, sozinho, Mais solitário que um paulistano, Que um vilão de filme mexicano. ‘Tava mais bobo que banda rock, Que um palhaço do circo Wostock. Mas hoje eu recebi um telegrama, Era você da Aracaju, ou do Alabama, Dizendo: “nego, sinta-se feliz, Porque no mundo tem alguém que diz Que muito te ama.” (...) Apelativa – quando a mensagem constitui-se de um apelo, uma súplica, um pedido, uma ordem e é centrada no receptor. Exemplo: “Volta de novo pros meus braços, Volta depressa, que eu não faço nada Que não seja pensar no nosso amor. 4

Volta, são teus os meus carinhos, Volta, retoma o teu ninho, Tudo aqui está do jeito que ficou.” Fática – é a linguagem usada com o intuito de estabelecer a comunicação, mantê-la em atividade ou encerrá-la. Exemplo: “Olá, como vai? Eu vou indo, e você, tudo bem? Tudo bem eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro, e você? Eu vou indo em busca de um sono tranqüilo...” Metalingüística – é a linguagem (código) que explica o próprio código, num loop de comunicação. Exemplo: Verbetes de dicionário, o sistema de ajuda do Windows, etc. Referencial – é a linguagem que se emprega com o objetivo único ou fundamental de informar. Exemplo: O crescimento da aids, o aumento da criminalidade e a escalada das drogas representam grave ameaça à juventude no limiar do novo milênio. O diagnostico, sombrio, consta de recente relatório preparado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para muitos jovens, “especialmente os que crescem em zonas urbanas pobres, os anos da adolescência serão os mais perigosos da vida”, sublinha o documento. Segundo o texto da OMS, o crescimento da aids pode comprometer os progressos na área da saúde infantojuvenil feitos nas últimas décadas. (Jornal do Brasil, julho de 2005). Poética – a linguagem é centrada nela mesma, já que a sua transformação, seu embelezamento, sua desestruturação chama a atenção do receptor para a idéia contida nela. Exemplo: Mesmo que você feche os ouvidos E as janelas do vestido, Minha musa, vai cair em tentação. Mesmo porque estou falando grego Com a sua imaginação…” (Chico Buarque e Edu Lobo, Choro Bandido) Uma lata existe para conter algo Mas quando o poeta diz: "Lata" Pode estar querendo dizer o incontível Uma meta existe para ser um alvo Mas quando o poeta diz: "Meta" Pode estar querendo dizer o inatingível 5

Por isso, não se meta a exigir do poeta Que determine o conteúdo em sua lata Na lata do poeta tudo-nada cabe Pois ao poeta cabe fazer Com que na lata venha caber O incabível Deixe a meta do poeta, não discuta Deixe a sua meta fora da disputa Meta dentro e fora, lata absoluta Deixe-a simplesmente metáfora (Gilberto Gil, Metáfora) A COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL OU PROFISSIONAL A comunicação empresarial é uma espécie de baby-sitter da imagem da organização; é cada vez mais entendida como estratégica e indispensável. É uma atividade estratégica que tem como objetivos criar, manter ou mudar para favorável a imagem da empresa juntos aos seus públicos. As organizações de hoje têm que ser abertas e transparentes, criando canais de comunicação com a sociedade e prestando contas a ela. Não se esqueça: imagem de uma empresa é um de seus mais preciosos bens.

Stakeholders São públicos estratégicos de uma organização, formadores e disseminadores de opinião a seu respeito. São grupos de pessoas com interesses legítimos na empresa, que dependem ou são afetados por suas decisões ou operações. Em suma, são os diversos públicos com que uma organização se relaciona. Por isso, o profissional de comunicação também é chamado de relações públicas. Sim, porque nós já vimos que, não é de hoje, as empresas saíram do seu "mundinho" e passaram a se comunicar com o "mundão". E descobriram que há muito o que falar, para muita gente, em muitos lugares. E quem vai ter papel fundamental nesse relacionamento? Acertou se você pensou em comunicação empresarial, em geral escrita, elegante, clara, objetiva e obrigatoriamente em bom português.

PARTE 2 – A REDAÇÃO A redação empresarial é a comunicação entre a empresa e seus diversos públicos, como vimos até aqui. Para que ela seja eficiente e cumpra adequadamente o seu papel, o redator deve levar em conta o seguinte sobre os diversos níveis do texto. 6

Sobre a forma da comunicação empresarial escrita. Cada documento – texto profissional – tem um formato padrão, ainda que possa variar aqui ou ali, de uma empresa para outra. Conhecer cada um dos elementos que constitui os documentos e saber para que servem e como usá-los é da conta da forma dos textos empresariais. Sobre o estilo da comunicação empresarial escrita. Estilo tem a ver com objetividade e clareza. Para isso, é preciso que o redator de textos empresariais saiba 1. a quem se destina a correspondência; 2. qual a idéia principal a ser transmitida; 3. quais as idéias adjacentes. 1. O destinatário – saber a quem se destina a correspondência é definir o grau de informalidade que vai permear o texto e o quanto de intimidade se tem com a empresa ou pessoa que vai lê-lo. 2. A idéia principal – é o conteúdo da correspondência, a informação mais importante, motivadora do texto. Reconhecê-lo é não perder tempo com outros tópicos irrelevantes. 3. As idéias secundárias – o conteúdo que deve estar em volta da idéia principal para apoiá-la ou explicá-la. Sobre a língua da comunicação empresarial escrita. O texto profissional exige o padrão culto da língua. Nós devemos usar a língua em seu estágio mais elegante do mesmo modo que nós nos vestimos de maneira diferente, mais sóbria e sofisticada, para trabalhar. O ambiente é formal, portanto, o código que possibilitará a comunicação entre as pessoas – físicas ou jurídicas – deve ser o mais próximo possível do registro culto da língua. Redação – A estruturação do parágrafo Parágrafo-padrão O parágrafo-padrão é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve determinada idéia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela. O parágrafo é indicado por um afastamento da margem esquerda da folha. Ele facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar convenientemente as idéias principais de sua composição, permitindo ao leitor acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios. O tamanho do parágrafo Os parágrafos são moldáveis como a argila, podem ser aumentados ou diminuídos, conforme o tipo de redação, o leitor e o veículo de comunicação onde o texto vai ser divulgado. Se o escritor souber variar o tamanho dos parágrafos, dará colorido especial ao texto, captando a atenção do leitor, do começo ao fim. Em princípio, o parágrafo é mais longo que o período e menor que uma página impressa no livro, e a regra geral para determinar o tamanho é o bom senso. Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para leitores de pouca formação cultural. A notícia possui parágrafos curtos em colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter parágrafos mais longos. Revistas populares, livros didáticos destinados a alunos iniciantes, geralmente, apresentam parágrafos curtos. 7

Quando o parágrafo é muito longo, o escritor deve dividi-lo em parágrafos menores, seguindo critério claro e definido. O parágrafo curto também é empregado para movimentar o texto, no meio de longos parágrafos, ou para enfatizar uma idéia. Parágrafos médios - comuns em revistas e livros didáticos destinados a um leitor de nível médio. Cada parágrafo médio construído com três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. Em cada página de livro cabem cerca de três parágrafos médios. Parágrafos longos - em geral, as obras científicas e acadêmicas possuem longos parágrafos, por três razões: os textos são grandes e consomem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem várias idéias e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade e fôlego para acompanhá-los. Tópico frasal A idéia central do parágrafo é enunciada através do período denominado tópico frasal (também chamado de frase-síntese ou período tópico). Esse período orienta ou governa o resto do parágrafo; dele nascem outros períodos secundários ou periféricos; ele vai ser o roteiro do escritor na construção do parágrafo; ele é o período mestre, que contém a frasechave. Como o enunciado da tese, que dirige a atenção do leitor diretamente para o tema central, o tópico frasal ajuda o leitor a agarrar o fio da meada do raciocínio do escritor; como a tese, o tópico frasal introduz o assunto e o aspecto desse assunto, ou a idéia central com o potencial de gerar idéias-filhote; como a tese, o tópico frasal é enunciação argumentável, afirmação ou negação que leva o leitor a esperar mais do escritor (uma explicação, uma prova, detalhes, exemplos) para completar o parágrafo ou apresentar um raciocínio completo. Assim, o tópico frasal é enunciação, supõe desdobramento ou explicação. A idéia central ou tópico frasal geralmente vem no começo do parágrafo, seguida de outros períodos que explicam ou detalham a idéia central. Exemplos: Ao cuidar do gado, o peão monta e governa os cavalos sem maltratá-los. O modo de tratar o cavalo parece rude, mas o vaqueiro jamais é cruel. Ele sabe como o animal foi domado, conhece as qualidades e defeitos do animal, sabe onde, quando e quanto exigir do cavalo. O vaqueiro aprendeu que paciência e muitos exercícios são os principais meios para se obter sucesso na lida com os cavalos, e que não se pode exigir mais do que é esperado. A distribuição de renda no Brasil é injusta. Embora a renda per capita brasileira seja estimada em U$$2.000 anuais, a maioria do povo ganha menos, enquanto uma minoria ganha dezenas ou centena de vezes mais. A maioria dos trabalhadores ganha o salário mínimo, que vale U$$112 mensais; muitos nordestinos recebem a metade do salário mínimo,. Dividindo essa pequena quantia por uma família onde há crianças e mulheres, a renda per capita fica ainda mais reduzida; contando-se o número de desempregados, a renda diminui um pouco mais. Há pessoas que ganham cerca de U$$10.000 mensais, ou U$$ 120.000 anuais; outras ganham muito mais, ainda. O contraste entre o pouco que muitos ganham e o muito que poucos ganham prova que a distribuição de renda em nosso país é injusta. Tópico frasal desenvolvido por enumeração. Exemplo: A televisão, apesar das críticas que recebe, tem trazido muitos benefícios às pessoas, tais como: informação, por meio de noticiários que mostram o que acontece de importante em 8

qualquer parte do mundo; diversão, através de programas de entretenimento (shows, competições esportivas); cultura, por meio de filmes, debates, cursos. Faça o mesmo: 1. Na escolha de uma carreira profissional, precisamos considerar muitos aspectos, dentre os quais podemos citar: 2. O desrespeito aos direitos humanos manifesta-se de várias formas: 3. O bom relacionamento entre os membros de uma família depende de vários fatores, como: 4. A vida nas grandes cidades oferece vantagens e desvantagens. Dentre as vantagens, podemos lembrar e, dentre as desvantagens, Tópico frasal desenvolvido por descrição de detalhes É o processo típico do desenvolvimento de um parágrafo descritivo: Era o casarão clássico das antigas fazendas negreiras. Assobradado, erguia-se em alicerces o muramento, de pedra até meia altura e, dali em diante, de pau-a-pique (...) À porta da entrada ia ter uma escadaria dupla, com alpendre e parapeito desgastado.(Monteiro Lobato) Tópico frasal desenvolvido por confronto. Trata-se de estabelecer um confronto entre duas idéias, dois fatos, dois seres, seja por meio de contrastes das diferenças, seja do paralelo das semelhanças. Veja o exemplo: Embora a vida real não seja um jogo, mas algo muito sério, o xadrez pode ilustrar o fato de que, numa relação entre pais e filhos, não se pode planejar mais que uns poucos lances adiante. No xadrez, cada jogada depende da resposta à anterior, pois o jogador não pode seguir seu planos sem considerar os contra-ataques do adversário, senão será prontamente abatido. O mesmo acontecerá com um pai que tentar seguir um plano preconcebido, sem adaptar sua forma de agir às respostas do filho, sem reavaliar as constantes mudanças da situação geral, na medida em que se apresentam. (Bruno Betelheim, adaptado) Tópico frasal desenvolvido por razões No desenvolvimento apresentamos as razões, os motivos que comprovam o que afirmamos no tópico frasal. As adivinhações agradam particularmente às crianças. Por que isso acontece de maneira tão generalizada? Porque, mais ou menos, representam a forma concentrada, quase simbólica, da experiência infantil de conquista da realidade. Para uma criança, o mundo está cheio de objetos misteriosos, de acontecimentos incompreensíveis, de figuras indecifráveis. A própria presença da criança no mundo é, para ela, uma adivinhação a ser resolvida. Daí o prazer de experimentar de modo desinteressado, por brincadeira, a emoção da procura da surpresa. (Gianni Rodari, adaptado) Tópico frasal desenvolvido por análise É a divisão do todo em partes. Quatro funções básicas têm sido atribuídas aos meios de comunicação: informar, divertir, persuadir e ensinar. A primeira diz respeito à difusão de notícias, relatos e comentários sobre a realidade. A segunda atende à procura de distração, de evasão, de divertimento por parte do público. A terceira procura persuadir o indivíduo, convencê-lo a adquirir certo produto. A quarta é realizada de modo intencional ou não, por meio de material que 9

contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. (Samuel P. Netto, adaptado) Tópico frasal desenvolvido pela exemplificação Consiste em esclarecer o que foi afirmado no tópico frasal por meio de exemplos: A imaginação utópica e inerente ao homem, sempre existiu e continuará existindo. Sua presença é uma constante em diferentes momentos históricos: nas sociedades primitivas, sob a forma de lendas e crenças que apontam para um lugar melhor; nas formas do pensamento religioso que falam de um paraíso a alcançar; nas teorias de filósofos e cientistas sociais que, apregoando o sonho de uma vida mais justa, pedem-nos que “sejamos realistas, exijamos o impossível”. (Teixeira Coelho, adaptado). 1.0 – O DESENVOLVIMENTO DO PARÁGRAFO: frase(s) seguinte(s) ao tópico frasal. 1.1 – ENUMERAÇÃO OU DESCRIÇÃO DE DETALHES: enumeração de pormenores ou descrição de um detalhe. 1.2 – CONFRONTO: confronto de idéias, coisas, seres, fatos ou fenômenos, sem comparação explícita. 1.3 – ANALOGIA E COMPARAÇÃO: comparação explícita de idéias, coisas, seres, fatos ou fenômenos. 1.4 – CITAÇÃO DE EXEMPLOS: utilização de exemplos concretos para ilustrar uma declaração feita. 1.5 – CAUSAÇÃO E MOTIVAÇÃO: apresentação de causas e motivos. 1.6 – DIVISÃO E EXPLANAÇÃO DE IDÉIAS “EM CADEIA”: divisão de uma idéia, seguida do detalhamento de cada elemento da divisão. 1.7 – DEFINIÇÃO: conceituação de um vocábulo, termo ou expressão. 2.0 – PARÁGRAFO: unidade de composição do texto. 2.0 – ESTRUTURA DO PARÁGRAFO 2.1 – ABERTURA OU TÓPICO FRASAL: primeira frase do parágrafo. 2.1.1 – DECLARAÇÃO INICIAL: afirmação ou negação. 2.1.2 – DIVISÃO: divisão ou ramificação. 2.1.3 – DEFINICÃO: conceito de uma palavra, termo ou expressão. 2.1.4 – ALUSÃO HISTÓRICA: remissão a um fato histórico, lendário ou não. 2.1.5 – INTERROGAÇÃO: interrogativa direta. 2.1.6 – OMISSÃO DE DADOS IDENTIFICADORES: omissão de dados que “permitam identificar a personagem ou aprender a verdadeira intenção do autor...” 2.2 – DESENVOLVIMENTO: frase(s) seguinte(s) ao tópico frasal. Como fazer uma dissertação argumentativa Como fazer nossas dissertações? Como expor com clareza nosso ponto de vista? Como argumentar coerentemente e validamente? Como organizar a estrutura lógica de nosso texto, com introdução, desenvolvimento e conclusão? Vamos supor que o tema proposta seja Nenhum homem é uma ilha. Primeiro, precisamos entender o tema. Ilha, naturalmente, está em sentido figurado, significando solidão, isolamento. Vamos sugerir alguns passos para a elaboração do rascunho de sua redação. 10

1. Transforme o tema em uma pergunta: Nenhum homem é uma ilha? 2. Procure responder essa pergunta, de um modo simples e claro, concordando ou discordando (ou, ainda, concordando em parte e discordando em parte): essa resposta é o seu ponto de vista. 3. Pergunte a você mesmo, o porquê de sua resposta, uma causa, um motivo, uma razão para justificar sua posição: aí estará o seu argumento principal. 4. Agora, procure descobrir outros motivos que ajudem a defender o seu ponto de vista, a fundamentar sua posição. Estes serão argumentos auxiliares. 5.Em seguida, procure algum fato que sirva de exemplo para reforçar a sua posição. Este fato-exemplo pode vir de sua memória visual, das coisas que você ouviu, do que você leu. Pode ser um fato da vida política, econômica, social. Pode ser um fato histórico. Ele precisa ser bastante expressivo e coerente com o seu ponto de vista. O fato-exemplo, geralmente, dá força e clareza à nossa argumentação. Esclarece a nossa opinião, fortalece os nossos argumentos. Além disso, pessoaliza o nosso texto, diferencia o nosso texto: como ele nasce da experiência de vida, ele dá uma marca pessoal à dissertação. 6. A partir desses elementos, procure juntá-los num texto, que é o rascunho de sua redação. Por enquanto, você pode agrupá-los na seqüência que foi sugerida: Os passos 1) interrogar o tema; 2) responder, com a opinião 3) apresentar argumento básico 4) apresentar argumentos auxiliares 5) apresentar fato- exemplo 6) concluir (in Novo Manual da Nova Cultural - Redação, Gramática, Literatura e Interpretação de Textos, de Emília Amaral e outros) Como ficaria o esquema 1º parágrafo: a tese 2º parágrafo: argumento 1 3º parágrafo: argumento 2 4º parágrafo: fato-exemplo 5º parágrafo: conclusão Exemplo de redação com esse esquema: Tema: Como encarar a questão do erro Título: Buscar o sucesso Tese 1º§ O homem nunca pôde conhecer acertos sem lidar com seus erros. Argumentação 2º§ O erro pressupõe a falta de conhecimento ou experiência, a deficiência de sintonia entre o que se propõe a fazer e os meios para a realização do ato. Deriva-se de inúmeras causas, que incluem tanto a falta de informação, como a inabilidade em lidar com elas. 3º§ Já acertar, obter sucesso, constitui-se na exata coordenação entre informação e execução de qualquer atividade. É o alinhamento preciso entre o que fazer e como fazer, sendo esses dois pontos indispensáveis e inseparáveis. 11

Fato-exemplo 4º§ Como atingir o acento? A experiência é fundamental e, na maior das vezes, é alicerçada em erros anteriores, que ensinarão os caminhos para que cada experiência ruim não mais ocorra. Assim, um jovem que presta seu primeiro vestibular e fracassa pode, a partir do erro, descobrir seus pontos falhos e, aos poucos, aliar seus conhecimentos à capacidade de enfrentar uma situação de nova prova e pressão. Esse mesmo jovem, no mercado de trabalho, poderá estar envolvido em situações semelhantes: seus momentos de fracasso estimularão sua criatividade e maior empenho, o que fatalmente levará a posteriores acertos fundamentais em seu trabalho. Conclusão 5º§ Assim, o aparecimento dos erros nos atos humanos é inevitável. Porém, é preciso, acima de tudo, saber lidar com eles, conscientizar-se de cada ato falho e tomá-los como desafio, nunca se conformando, sempre buscando a superação e o sucesso. Antes do alcance da luz, será sempre preciso percorrer o túnel. (Redação de aluno.)

Esquema da antítese Como incluir a contra-argumentação numa dissertação argumentativa A dissertação argumentativa começa com a proposição clara e sucinta da idéia que irá ser comprovada, a TESE. A essa primeira parte do texto dissertativo chamamos de introdução. A segunda parte, chamada desenvolvimento, visa à apresentação dos argumentos que comprovem a tese, ou seja, a PROVA. É costume estruturar a argumentação em ordem crescente de importância, como foi explicado no início desta lição, a fim de prender cada vez mais a atenção do leitor às razões apresentadas. Essas razões baseiam-se em provas demonstráveis através dos fatos-exemplo, dados estatísticos e testemunhos. Na dissertação argumentativa mais formal, o desenvolvimento apresenta uma subdivisão, a ANTÍTESE, na qual se refutam possíveis contra-argumentos que possam contrariar a tese ou as provas. Nessa parte, a ordem de importância inverte-se, colocando-se, em primeiro lugar, a refutação do contra-argumento mais forte e, por último, do mais fraco, com o propósito de se depreciarem as idéias contrárias e ir-se, aos pontos, refutando a tese adversa,ao mesmo tempo em que se afasta o leitor ou ouvinte dos contra-argumentos mais poderosos. Na última parte, a conclusão, enumeraram-se os argumentos e conclui-se, reproduzindo as tese, isto é, faz-se uma SÍNTESE. Além de fazer uma síntese das idéias discutidas, pode-se propor, na conclusão, uma solução para o problema discutido. Esquema de uma dissertação com antítese Tema: Vestibular, um mal necessário. Tese: O vestibular privilegia os candidatos pertencentes às classes mais favorecidas economicamente. Prova: Os candidatos que estudaram em escolas com infra-estrutura deficiente, com as escolas públicas do Brasil, por mais que se esforcem, não têm condições de concorrer com aqueles que freqüentaram bons colégios. Antítese: Mesmo que o acesso à universidade fosse facilitado para candidatos de condição econômica inferior, o problema não seria resolvido, pois a falta de um aprendizado sólido, no primeiro e segundo grau, comprometeria o ritmo do curso superior. Conclusão (síntese´): As diferenças entre as escolas públicas e privadas são as verdadeiras responsáveis pela seleção dos candidatos mais ricos. 12

Relação entre causa e conseqüência Você possui um tema para ser analisado. Neste caso, a melhor forma de desenvolvê-la é estabelecer a relação causaconseqüência. Vamos à prática com o seguinte tema: Tema Constatamos que no Brasil existe um grande número de correntes migratórias que se deslocam do campo para as médias ou grandes cidades. Para encontrarmos uma causa, perguntamos: Por quê? ao tema acima. Dentre as respostas possíveis, poderíamos citar o seguinte fato: Causa: A zona rural apresenta inúmeros problemas que dificultam a permanência do homem no campo. No sentido de encontrar uma conseqüência para o problema enfocado no tema acima, cabe a seguinte pergunta: O que acontece em razão disso? Uma das possíveis respostas seria: Conseqüência: As cidades encontram-se despreparadas para absorver esses migrantes e oferecer-lhes condições de subsistência e de trabalho Veja que a causa e a conseqüência citadas neste exemplo podem ser perfeitamente substituídas por outras, encontradas por você, desde que tenham relação direta com o assunto. As sugestões apresentadas de maneira nenhuma são as únicas possíveis. Veja outros exemplos: Causa: As pessoas mais velhas têm medo do novo, elas são mais conservadoras, até em assuntos mais prosaicos. Tema: Muitas pessoas são analfabetas eletrônicas, pois não conseguem operar nem um videocassete. Conseqüência: Elas se tornam desajustadas, pois dependem dos mais jovens até para ligar um forno microondas, elas precisam acompanhar a evolução do mundo. Causa: A nação que deixa depredar as construções consideradas como patrimônios históricos destrói parte da História de seu país. Tema: É de fundamental importância a preservação das construções que se constituem em patrimônios históricos. Conseqüência: Isso demonstra claramente o subdesenvolvimento de uma nação, pois quando não se conhece o passado de um povo e não se valorizam suas tradições, estamos desprezando a herança cultural deixada por nossos antepassados. Causa: A maioria dos parlamentares preocupa-se muito mais com a discussão dos mecanismos que os fazem chegar ao poder do que com os problemas reais da população. Tema: A maior parte da classe política não goza de muito prestígio e confiabilidade por parte da população.

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Conseqüência: Os grandes problemas que afligem o povo brasileiro deixam de ser convenientemente discutidos. Causa: Algumas pessoas refugiam-se nas drogas na tentativa de esquecer seus problemas. Tema: Muitos jovens deixam-se dominar pelo vício em diversos tipos de entorpecentes, mal que se alastra cada vez mais em nossa sociedade. Conseqüência: Acabam formando-se dependentes dos psicóticos dos quais se utilizam e, na maioria das vezes, transformam-se em pessoas inúteis para si mesmas e para a comunidade.

Exercícios Apresentarei alguns temas e você se incumbirá de encontrar uma causa e uma conseqüência para cada um deles. Escreva-as, seguindo o modelo apresentado acima: 1 Tema: As linhas de ônibus que percorrem os bairros das grandes metrópoles não têm demonstrado muita eficiência no atendimento a seus usuários. Causa: Conseqüência: 2 A convivência familiar está muito difícil. causa: Conseqüência: 3 As novelas de televisão passaram a exercer uma profunda influência nos hábitos e na maneira de pensar da maioria dos telespectadores. Causa: Conseqüência: 4 As doenças infecto-contagiosas atingem particularmente as camadas mais carentes da população. Causa: Conseqüências: 5 Apesar de alertados por ecologistas, os lavradores continuam utilizando produtos agrotóxicos indiscriminadamente. Causa: Conseqüência: Esquema de redação com causa-conseqüência Título Introdução (o problema): 1º parágrafo: Apresentação do tema (com ligeira ampliação). Desenvolvimento: 2º parágrafo - Causa (explicações adicionais) 14

3º parágrafo - Conseqüência (com explicações adicionais) Conclusão(a solução): 4º § - Expressão inicial + reafirmação do tema + observação final Proposta de redação Escolha um dos temas apresentados nesta folha e redija um texto em quatro parágrafos, conforme o esquema desenhado acima. Não se esqueça de aplicar a relação causaconseqüência. (Do livro Técnicas Básicas de Redação, Branca Granatic, Editora Scipione)

Outro esquema interessante: O texto Aquilo por que vivi, de Bertrand Russel, revela uma estrutura que o vestibulando poderá usar em sua redação. Leia o texto: Aquilo por que vivi Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso, instável, por sobre o profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero. Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão – essa solidão terrível através da qual nossa trêmula percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do amor, numa miniatura mística, algo que prefigurava a visão que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que – afinal – encontrei. Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber por que cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui. Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a construir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida humana. Anseio por avaliar o mal, mas não posso, e também sofro. Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade. (Bertrand Russel, Autobiografia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.) O texto, cujo tema está explícito no título – os motivos fundamentais da vida do autor – apresenta cinco parágrafos. No primeiro parágrafo, o autor revela as suas “três paixões”: a) amor; b) conhecimento; 15

c) piedade. Em seguida, dedica três parágrafos para cada uma dessas paixões. O segundo parágrafo fala sobre a busca do amor; terceiro, sobre a procura do conhecimento; e o quarto, sobre a importância do sentimento piedade diante do sofrimento. O quinto e último parágrafo realiza a conclusão do texto.

Eis o esquema: 1º§ - a, b, c; 2º§ - a; 3º§ - b; 4º§ - c; 5º§ - a, b, c. ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE COMO FAZER RESENHA Resenha é um trabalho de síntese que revistas e jornais científicos publicam geralmente logo após a edição de uma obra, com o objetivo de divulgá-la. Não se trata de um simples resumo. O resumo deve se limitar ao conteúdo do trabalho, sem qualquer julgamento de valor. Já a resenha vai além, resume a obra e faz uma avaliação sobre ela, apresentando suas linhas básicas, deve avaliá-la, mostrando seus pontos fortes e fracos. A resenha pode ser de um ou mais capítulos, duma coleção ou mesmo dum filme. Apresenta falhas, lacunas e virtudes, explora o contexto histórico em que a obra fora elaborada e faz comparações com outros autores. Conhecida como resumo crítico, a resenha só pode ser elaborada por alguém com conhecimentos na área, pois sua elaboração exige opinião formada, pois além de resumir, o resenhista avalia a obra, sustentando suas considerações, deve embasá-las seja com evidências extraídas da própria obra ou de outras de que se valeu para elaborar a resenha. "Se o resumo do conteúdo da obra não está bem feito, o leitor que não a conhece encontrará dificuldades em acompanhar a análise crítica. Se, por outro lado, o recensor se limita a relatar o conteúdo, sem julgá-lo criticamente, ele estará escrevendo um resumo e não uma recensão crítica. Finalmente, se ele não sustenta ou ilustra seus julgamentos com dados extraídos da obra recenseada, ele não dá ao leitor a oportunidade de formar seus próprios julgamentos". De uma boa resenha devem constar: a referência bibliográfica da obra, preferencialmente seguindo a ABNT; alguns dados biográficos relevantes do autor (titulação, vínculo acadêmico e outras obras, por exemplo); 16

o resumo da obra, ou síntese do conteúdo, destacando a área do conhecimento, o tema, as idéias principais e, opcionalmente, as partes ou capítulos em que se divide o trabalho. Deve-se deter no essencial, mostrando qual é o objetivo do autor, evitando recorrer a detalhes e exemplos, com máxima concisão. Este momento é mais informativo que crítico, embora a crítica já possa estar presente; as categorias ou termos teóricos principais de que o autor se utiliza, precisando seu sentido, o que ajuda evidenciar seu approach teórico, situando-o no debate acadêmico e permitindo sua comparação com outros autores. Aqui não só se deve expor claramente como o autor conceitua ou define determinado termo teórico, mas já se deve introduzir críticas, seja à utilização ou à própria conceituação feita pelo autor [em uma resenha para revistas especializadas, esta parte pode ser dispensada, até por economia de espaço, mas é essencial em trabalhos de aula, em que o recensor é também aprendiz]; a avaliação crítica, nos termos já referidos anteriormente no item 1. Este é o ponto alto da resenha, onde o recensor mostra seu conhecimento, dialoga com o autor e/ou com leitor, dá-se ao direito de proceder a um julgamento. Há vários tipos de críticas, mas destacam-se: (a) a interna, quando se avalia o conteúdo da obra em si, a coerência diante de seus objetivos, se não apresenta falhas lógicas ou de conteúdo; e (b) a externa, quando se contextualiza o autor e a obra, inserindo-os em um quadro referencial mais amplo, seja histórico ou intelectual, mostrando sua contribuição diante de outros autores e sua originalidade. Atualmente quase todas as revistas científicas trazem boas seções de resenhas. Sempre é aconselhável ir a uma biblioteca e consultar alguns destes periódicos para observar atentamente como os mais destacados profissionais e pesquisadores da área as elaboram. Finalmente, deve-se lembrar que o recensor deve preocupar-se com a obra em sua totalidade, sem perder-se em detalhes e em passagens isoladas que podem distorcer idéias. Deve-se certamente apresentar e comentar pontos específicos, fortes ou fracos do trabalho, mas estes devem ser relevantes. Nada mais deplorável do que uma crítica vazia de conteúdo, sem base teórica ou empírica, que lembre preconceito. Ou elogios gratuitos, que podem parecer corporativismo ou "puxa-saquismo". Bibliografia: FRANÇA, Júnia Lessa et alii. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. Belo Horizonte, UFMG, 2000. SILVA, Rebeca Peixoto da Silva et alii. Redação técnica. 2.ed. Porto Alegre, Formação, 1976. Como resumir texto Ler não é apenas passar os olhos no texto. É preciso saber tirar dele o que é mais importante, facilitando o trabalho da memória. Saber resumir as idéias expressas em um texto não é difícil. Resumir um texto é reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor disse. Para se realizar um bom resumo, são necessárias algumas recomendações: 1. Ler todo o texto para descobrir do que se trata. 2. Reler uma ou mais vezes, sublinhando frases ou palavras importantes. Isto ajuda a identificar. 3. Distinguir os exemplos ou detalhes das idéias principais. 17

4. Observar as palavras que fazem a ligação entre as diferentes idéias do texto, também chamadas de conectivos: "por causa de", "assim sendo", "além do mais", "pois", "em decorrência de", "por outro lado", "da mesma forma". 5. Fazer o resumo de cada parágrafo, porque cada um encerra uma idéia diferente. 6. Ler os parágrafos resumidos e observar se há uma estrutura coerente, isto é, se todas as partes estão bem encadeadas e se formam um todo. 7. Num resumo, não se devem comentar as idéias do autor. Deve-se registrar apenas o que ele escreveu, sem usar expressões como "segundo o autor", "o autor afirmou que". 8. O tamanho do resumo pode variar conforme o tipo de assunto abordado. É recomendável que nunca ultrapasse vinte por cento da extensão do texto original. 9. Nos resumos de livros, não devem aparecer diálogos, descrições detalhadas, cenas ou personagens secundárias. Somente as personagens, os ambientes e as ações mais importantes devem ser registrados.

OS TEXTOS EMPRESARIAIS Toda comunicação entre empresas de qualquer nível dá-se, convencionalmente, num ambiente formal e a formalidade das negociações, instruções, determinações, deferimentos, requerimentos e apelos fica configurada no texto escrito, ainda que o preceda uma comunicação oral. Por isso, o texto profissional tem normas, padrões e balizas que devem ser levados em conta por quem assume a tarefa de redigir por e para uma empresa, de qualquer natureza. A CARTA É o documento empresarial por natureza. Toda correspondência profissional é, em síntese, uma carta, com pequenas alterações. E uma carta, de qualquer natureza, tem alguém que a escreva, que é o redator. Tem também um assunto que deve ser abordado, o contexto. E, obviamente, a pessoa a quem aquele assunto interessa e que, portanto, receberá a correspondência, o receptor. Definidos esses elementos fundamentais da comunicação, deve-se definir o padrão de texto a ser redigido, o canal, portanto, da mensagem – ata, memorando, ofício, requerimento, relatório – segundo os padrões que cada documento exige. Outra preocupação deve ser com a maneira pela qual o assunto será abordado, a mensagem, enfim. De maneira mais ou menos formal, incisiva ou branda, direta ou subliminar, conforme a gravidade da situação que motivou a correspondência. Tudo isso deve ser feito sem que o redator perca de vista os cuidados necessários com a língua portuguesa – o código – que expressa a mensagem. A FORMA DA CARTA Sua formatação hoje é feita à esquerda e os parágrafos são identificados pelo espaço maior entre um bloco de frases e outro. 18

Possui alguns itens que são obrigatórios e não devem ser esquecidos. Há lugares específicos para cada um deles na folha e uma ordem adequada na qual devem aparecer. Comecemos por ela, pois, os nossos estudos.

Veja o exemplo a seguir. Ct 23 (1) – DIPERH (2) Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2006. (3) À Empresa Eduprof Ltda. At: Professor José Arnaldo (4) Assunto: Convite para palestra (5) Prezado Senhor, (6) Gostaríamos de contar com sua presença em nossa empresa, nos dias 30 de outubro e 1º de novembro deste ano para compor a mesa de debates no Simpósio “Comunicação Empresarial Moderna” e como palestrante convidado. Queira por favor, enviar por correio eletrônico a lista de materiais com os quais o senhor deseja contar em sua palestra, que deverá ter duração máxima de duas horas e será realizada como encerramento do evento bem como as condições que a sua vinda possa ser viabilizada. Além do senhor, foram convidados palestrantes e professores especialistas na área da comunicação empresarial o que, por certo, será de grande estímulo para nossos funcionários. Aguardamos sua resposta breve para que possamos agilizar os preparativos do evento, que já mobiliza nossos colaboradores, e será, com certeza, um sucesso entre os que se interessam por tão importante tema. Atenciosamente, (8) Etelvina Braga Vamos identificar na carta-modelo os seus diversos itens obrigatórios. 1. Número de expedição – localiza o documento para fins de arquivamento. 2. Setor da empresa remetente. 3. Local e data – imprescindível para a organização dos documentos. 4. Destinatário - sem endereçamento, que só deve constar no envelope. O “À” é facultativo e pode variar para “Ao” caso a empresa pertença ao gênero masculino, como bancos, por exemplo. 5. Assunto – o tema que será tratado na correspondência. É diferente de referência que é uma informação meramente burocrática. 19

6. Vocativo – é a pessoa a quem se destina objetivamente a correspondência. A abreviatura At. Significa atenção e é importante, mas não é indispensável. 7. Texto – Inicia-se sem abertura de parágrafo, com letra maiúscula, e a separação dos parágrafos demonstra-se pelo espaço maior entre uma linha e outra. 8. Fecho – saudação de encerramento que depende do grau de relacionamento entre remetente e destinatário. É alinhado à esquerda, como um novo parágrafo. 9. Assinatura – Nome do remetente com o respectivo cargo que ocupa na empresa ou o setor do qual faz parte. O alinhamento é à esquerda como todos os outros parágrafos. OBS: O correio eletrônico é um canal de comunicação através do qual circulam as diversas formas de correspondência empresarial. Portanto, o chamado “e-mail” segue as normas que padronizam a comunicação profissional. Exercício 1. Identifique no documento abaixo os elementos constitutivos da correspondência empresarial. DIR – 439 Rio de Janeiro, 30 de novembro de 2006. À BELLANOTA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS Prezadas senhoras, Felicitamos pelo belo espetáculo realizado em nossas dependências, por ocasião da semana da criança, e informamos que a segunda parcela do pagamento por nós acordado já se encontra depositada na conta 978654-3, do Banco do Brasil, ag.546, conforme o contrato por nós firmado. Informamos ainda que, caso desejem, temos registros fotográficos e em áudio e vídeo do evento que podemos repassar a vossas senhorias para divulgação de seu ótimo trabalho. Solicitamos urgência, porém, no envio das notas de serviços e despesas decorrentes da produção e realização do evento para que possamos fechar nossa contabilidade mensal. Atenciosamente, Júlio Lemmon Diretor de Marketing Temas para a produção de carta comercial. 1. Pedido de remessa de lista de produtos a uma empresa. 2. Comunicação de extravio de documentos. 3. Solicitação de visita de representante comercial para avaliação de produtos e serviços. 4. Divulgação de novos preços e promoções. 20

5.

Cobrança.

O MEMORANDO (COMUNICAÇÃO INTERNA) É o instrumento empresarial de caráter rotineiro e interno. Versa sobre assuntos diversos do ambiente profissional. Não se faz mais distinção entre memorando e comunicação interna, pois ambos designam, modernamente, a transmissão de recados, ordens, instruções, pedidos e convites no âmbito empresarial de forma ampla para todos os fluxos de comunicação. O veículo mais comum de transmissão do memorando (comunicado interno) é o correio eletrônico. Alguns tópicos: Introdução: O texto pode ser iniciado sem o vocativo, ainda que não seja absolutamente dispensável. Fecho: Não é preciso colocar fecho formal, por ser o ambiente de transmissão interno. Veja o modelo a seguir, escrito de forma mais tradicional e impresso. TIMBRE DA EMPRESA MEMO nº 46 / FEDER Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2006. Senhores funcionários, Fica estabelecida a partir de hoje a obrigatoriedade do uso do crachá de identificação em todos os setores da empresa, por todos os funcionários de qualquer função, em qualquer situação. Esclarecemos que a medida é uma solicitação do setor de segurança da organização em virtude do acúmulo de pessoas não autorizadas que circulam por nossas dependências e os riscos e constrangimentos que isso tem nos trazido. Informamos que a não utilização do crachá impedirá o acesso à empresa ou a setores dela e será considerada falta grave, passível das punições cabíveis. Agradecemos a compreensão de todos. Atenciosamente, Tarcísio de Hollanda Supervisor de Pessoal.

21

Veja este outro modelo, menos formal, enviado por correio eletrônico. De: Hildebrando Nunes Para: Antônio Manuel, Marcos Brasil e Saulo Soprano Assunto: Reunião Pessoal, Nossa reunião semanal das sextas-feiras será realizada excepcionalmente amanhã, quintafeira, dia 9, às 17h, por conta da visita de nosso supervisor regional, Renato Alvim, que ocorrerá no dia seguinte. Tragam os assuntos já estudados e sugestões para o encontro que teremos com ele. Um abraço, Hildebrando. Temas para memorandos. 1. Comunicação ao Dep. Pessoal de saída antecipada da funcionária Maria Silvia dos Santos para atender a irmão que sofreu acidente. 2. Solicitação ao setor de reparos de manutenção no aparelho de ar-condicionado da contabilidade. 3. Convocação de funcionários ao RH para atualização de dados cadastrais. 4. Encaminhamento de novo funcionário ao setor de administração da empresa. COMUNICAÇÃO INTERNA Nº _______ Para:__________________________ Dep. ________________ De: ___________________________ Dep. ________________ Assunto: _____________________________ Data: ___ / ___ / _____ ................................................................................................................................................... ................................................................................................................................................... ................................................................................................................................................... ................................................................................................................................................... ................................................................................................................................................... ................................................................................................................................................... ................................................................................................................................................... ................................................................................................................................................... ................................................................................................................................................... A ATA É o registro escrito do que se passa ou se passou numa reunião, assembléia ou convenção. Expressa as ocorrências da reunião de forma clara e precisa. Elementos básicos: 1. Dia, mês, ano e hora da reunião. 22

2. 3. 4. 5. 6.

Local da reunião. Relação e identificação das pessoas presentes. Ordem do dia ou pauta. Identificação do presidente e do secretário. Fecho.

Não se devem criar espaços entre as linhas nem se recomenda o uso de parágrafos para que informações conflitantes não possam ser inseridas posteriormente. Recomenda-se ainda o registro dos numerais por extenso, pelo mesmo motivo. Em caso de erro constatado no momento de redigir a ata, emprega-se a partícula corretiva “digo”. Se o erro for notado após a redação da ata, recorre-se à expressão “em tempo”, que é colocada após o texto. “Em tempo, onde se lê bata, na linha 12, leia-se pata. Modelo de ata ATA DE REUNIÃO DA DIRETORIA Data: 05/02/2006 Hora: 14 horas Local: Av. Presidente Vargas, 423, 8º andar, Rio de Janeiro – RJ Pauta: 1. Análise do relatório da Consultoria Dédalo. 2. Deliberação sobre a liberação de verbas para treinamento do Setor de Atendimento ao Cliente. Presentes: Presidente – Sr. Dílson Palha Taveira. Diretor Financeiro – Sr. Jorge Moraes Barbosa. Gerente de RH – Sra. Dilma Roussef. Gerente de Marketing – Sr. Caio Bittencourt. Texto………………………………………………………………………………………… ……………………………………………………………………………………………… ……………………………………………………………………………………………… ……………………………………………………………………………………………… ……………………………………………………………………………………………… ………………………………………………………………………………. Rio de Janeiro, 5 de fevereiro de 2006. Assinatura dos presentes: ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ O RECIBO. Documento em que se declara o recebimento de algo ou alguma quantia. 23

Modelo. RECIBO Recebi da empresa TOP EVENTOS a quantia de R$150,00 (cento e cinqüenta reais) referente ao valor da diária relativa ao seminário ComunicaçÃo Empresarial Escrita, realizado em Recife, em 15 de janeiro de 2006. Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2006. José Arnaldo Guimarães Filho. SOBRE O ESTILO. Estilo tem a ver com objetividade e clareza. Para isso, é preciso que o redator de textos empresariais saiba 1. a quem se destina a correspondência; 2. qual a idéia principal a ser transmitida; 3. quais as idéias adjacentes. O destinatário – saber a quem se destina a correspondência é definir o grau de informalidade que vai permear o texto e o quanto de intimidade se tem com a empresa ou pessoa que vai lê-lo. A idéia principal – é o conteúdo da correspondência, a informação mais importante, motivadora do texto. Reconhecê-lo é não perder tempo com outros tópicos irrelevantes. As idéias secundárias – o conteúdo que deve estar em volta da idéia principal para apoiá-la ou explicá-la. Evitem-se ainda, em nome do estilo, as tautologias (“elo de ligação”, “surpresa inesperada”, “anexo junto à carta”, “certeza absoluta”, “encarar de frente”), os chavões (“reiteramos os protestos de elevada estima e consideração”, “vimos por meio destas mui mal traçadas linhas”, “sem mais para o momento”), as verbosidades (“acima citado”, “aproveitando o ensejo”, “devemos concluir”, “de acordo com o que dissemos acima”, “antecipadamente somos gratos”, “tendo em vista o assunto em epígrafe”), e o uso indiscriminado de jargão.

PARTE 3 – A LÍNGUA SOBRE A LÍNGUA. O cuidado com a língua portuguesa, o código que expressará a nossa mensagem, é vital para o sucesso da comunicação empresarial escrita. Alguns itens devem ser repassados com 24

cuidado antes de se aventurar na produção do texto profissional. Os exercícios a seguir têm esse objetivo. Substitua os segmentos não + verbo por um só verbo de sentido equivalente e faça as adaptações necessárias, conforme o modelo. Modelo: Um verdadeiro alemão não gosta de franceses. (detesta franceses) a) O presidente não aceitou o convite do governador. b) Com a greve, os operários não saíram de casa. c) Os ferroviários decidiram não continuar a paralisação. d) O ladrão não falou diante do juiz. e) O advogado não seguiu os conselhos do juiz. f) O guarda não liberou os documentos do carro. g) O adversário não se rendeu até o final do jogo. Reescreva as frases a seguir conforme o modelo: Ninguém sofre mais do que a mãe do porco-espinho. Todos sofrem menos do que a mãe do porco-espinho. a) Nada é pior do que a indiferença. b) O amor não admite passado nem futuro. c) O Rio de Janeiro não conseguiu expulsar a natureza. d) Os abusos, como os dentes, nunca se arrancam sem dores. e) Ninguém é melhor contista que Machado de Assis. Indique as ambigüidades nas frases a seguir, originárias de má colocação das palavras em destaque: a) O juiz declarou ter julgado o réu errado. b) Conheço uma professora de literatura inglesa. c) O piloto enjoado levantou vôo. d) Comprou o carro rápido. e) Deixou a sala vazia. Complete as frases do exercício seguinte com uma das opções oferecidas: 1. Recebi o prêmio em um bingo ______________________ realizado no Asilo do Carmo (beneficente / beneficiente) 2. Vão reformar a _____________ do adro central da igreja (abóboda / abóbada) 3. Suponho que os ________________ estejam comemorando o fim da colheita (aborígines / aborígenes) 4. Deixe-me ______________ o que você trouxe (adivinhar / advinhar) 5. O rapaz quase ficou _____________ naquele acidente (alejado / aleijado) 6. Você está dizendo um __________________ de tolices! (amontoado / amontuado) 7. Não podemos __________________-nos do que não é nosso! (apropiar / apropriar) 8. A cena foi tão real que senti um ______________ de pavor (arrepio / arripio) 9. Até hoje não consegui entender bem o uso do _____________________ (asterisco / asterístico) 10. Não concordo com isso e, por favor, não me venha com mais _________________(barganhas / breganhas) 11. Avise-os de que a __________________ de sua bermuda está aberta (barguilha / braguilha) 25

12. É só receber o salário e saí a comprar ______________________________ (bugingangas / bugigangas) 13. Já se nota nele um princípio de ____________________ (calvície / calvice) 14. Não posso dispensar sua ______________________ de jeito algum (companhia / compania) 15. Os pivetes fizeram a maior ______________________ na praça recém-inaugurada (depedração / depredação) 16. Conto com sua absoluta _____________________ sobre esse assunto (discrição / discreção) 17. Mandei fazer uns armários ______________________ na cozinha (embutidos / imbutidos) 18. Sua atitude hostil sempre foi o maior _______________________ para resolvermos essa questão (empecilho / impecílio) 19. Tem havido muitos casos de ________________ na periferia da cidade (estrupo / estupro) 20. Nesse caso, precisamos conhecer a ____________________ da palavra (etimologia / etmologia) 21. Demonstrava um ódio _________________________pelo irmão mais velho (fidagal / figadal) 22. Como é suave a ______________________ desse perfume (fragância / fragrância) 23. É uma pessoa muito ____________________ (irascível / irrascível) 24. Não posso ________________________ suas expectativas (frustrar / frustar) 25. Que criança ____________________ (irriquieta / irrequieta) 26. Veio aqui ______________________ das melhores intenções (imbuído / embuído) 27. Tenho o maior medo de ______________________ (lagartixas / largatixas) 28. O centro da cidade foi tomado pelos __________________________ (mendingos / mendigos) 29. Pedimos ao _____________________ juiz que aceitasse nossas desculpas (meritíssimo / meretíssimo) 30. Acho que encontraremos as _____________________ no mercado (mexiricas / mexericas) 31. Estou querendo meio quilo desta _____________________ (mortadela / mortandela) 32. Eles iniciaram a maior __________________ sobre isso (discussão / discursão) 33. Sua atitude provocou uma grande _______________________ (repercussão / repercursão) 34. Queria ter o _______________________ de ser o primeiro a lhe dar a notícia (privilégio / previlégio) 35. Precisamos aprender a ___________________ nossos direitos (reivindicar / revindicar) 36. É um sujeito muito ______________________ (retrógrado / retrógado) 37. Por favor, não depile as _______________________ (sobrancelhas / sombrancelhas) 38. Sua intenção era a de nos ______________________ (subjugar / subjulgar) 39. O problema é meu. Não tem nada ____________ com você (haver / a ver) 40. O governo ____________________ a força da classe média (substimou / subestimou) 41. Foi __________________ que você me chamou? (por isso / porisso) 26

42. Nada mais __________________ que encontrar velhos amigos (prazeroso / prazeiroso) 43. Fiz tudo _____________ de não o magoar (afim / a fim) 44. Brincadeiras _______________ acho que você está certo (aparte / à parte) 45. Se você não agir direito, vai ________________ comigo (aver-se / avir-se) 46. Por favor, coloque aqui sua _______________ (rúbrica / rubrica) 47. ______________________, concordo com você. (A princípio / Em princípio) 48. Produto biodegradável não _____________ a natureza (polui / polue) 49. Ela, em geral, acorda de ___________ humor (mal / mau) 50. Quando ficava zangado, nada o ___________ (detia / detinha) 51. O policial _______________ o assaltante (deteu / deteve) 52. A empregada _________________ as crianças (entretia / entretinha) 53. Agimos assim devido à ________________________ de recursos (precaridade / precariedade) 54. Ele se portou com grande __________________________ (espontaniedade / espontaneidade) 55. Pelo _______________________ chamava-se um médico (auto-falante / altofalante) 56. O jogador sofreu ____________ entorse (um / uma) 57. Foi uma queda feia, mas ele só sofreu pequenas ______________ (escoriações / excoriações) 58. Era grande nossa _______________________ pelo pagamento das ações judiciais (espectativa / expectativa) 59. O campo _____________________ prejudicou a partida (enxarcado / encharcado) Complete as lacunas utilizando corretamente as expressões abaixo: (afim / a fim de – de repente – por isso) Como são pessoas _______________, vão ao juiz ________________ se casarem. O carro estava sem gasolina, _________________ parou. Lutamos hoje ____________ que nossos filhos vivam melhor amanhã. Nossos interesses são ________________; ______________ nos associamos. Complete as lacunas substituindo a palavra em destaque pelo seu antônimo: Ontem acordei de bom humor. Hoje acordei de __________ humor. Fiquei em boa situação. Fiquei em ________ situação. Isso é bom olhado. Isso é ________ olhado. Teve boa educação, porém fez _____-criação. Tudo foi bem entendido? Não, houve um _______ entendido. Caí de bom jeito, não de _______ jeito. Complete com mas ou mais, conforme convenha: É __________ esperta do que a outra, _________ não a engana. São ______ novas, ________ parecem _________ velhas. Tenha _________ amor e menos confiança, _________ não desconfie de mim. Dou-lhe muita vitamina, ________ ele não cresce, por ________ que eu faça. Chegaram _________ alunos hoje. O mar parecia furioso, ________ estava belo. Cheguei ________ cedo. Antigamente estudava-se __________. 27

Ele trabalhava muito, _______ continuava pobre. Não é ________ diretor. Empregue adequadamente porque, porquê, por que e por quê. Não sabes ______________? Não sabes o ________________ da dúvida. Foi tragado pelas águas ________________ não sabia nadar. Sabes _______________ caminhos deves andar. Foste com eles _______________? _______________ viajaste? _________________ choras sem razão? É nobre a causa ______________ lutava. Ignoro as razões _______________ saíste cedo. Quem poderá conhecer o _________________ das coisas? Descobri _________________ motivo vieste tarde. Pergunto ______________ razão vieste tarde. O professor perguntou _______________ razão eu não viera ontem. A diretora quis saber _______________ meu irmão se atrasara. O futuro _______________ anseias está próximo. Preencha as lacunas adequadamente, usando a ou há. _____ pouco saímos do zoológico. Daqui ____ pouco sairemos do zoológico. Encontrei-___ no parque. A cidade fica ____ poucos quilômetros daqui. Daqui ____ tempos haverá novas provas De hoje ______ três dias sairão os resultados. ____ cerca de vinte pessoas na fila. ____ sempre descontentes da vida. Daqui ____ tempos haverá novo curso. De hoje ____ três dias sairá publicada a concorrência. Está na cidade _____ três dias, aproximadamente. Preencha as lacunas com um dos termos entre parênteses: O professor _____________ por bem adiar o treinamento (ouve / houve) Se ele agora ___________ é porque ____________ um verdadeiro milagre (ouve / houve) Fez _______________ esforço que não foi aprovado (tão pouco / tampouco). Ele não saiu; _____________ eu fui à escola hoje (tão pouco / tampouco) Suas idéias não ficam ____________ das minhas (abaixo / a baixo). Reescreva cada uma das frases seguintes, substituindo o termo em destaque por um pronome pessoal oblíquo átono: a) Leve sua resposta aos vereadores. ______________________________________ b) Leve sua resposta aos vereadores. ______________________________________ c) Mostre seus trabalhos ao professor. ______________________________________ d) Mostre seus trabalhos ao professor. ______________________________________ e) Indique o caminho aos turistas. ______________________________________ f) Indique o caminho aos turistas. ______________________________________ g) Apresentei as provas no tribunal. ______________________________________ 28

h) Paguei aos meus credores. i) Paguei as minhas dívidas.

______________________________________ ______________________________________

Proceda como no exercício anterior: a) Deram alguns pacotes ao rapaz b) Deram alguns pacotes ao rapaz c) Contaram a verdade ao homem d) Contaram a verdade ao homem. e) Vão construir uma nova ponte.

______________________________________ ______________________________________ ______________________________________ ______________________________________

Complete com eu ou mim. Para _____________, todos são iguais. Para _____________ chegar, peguei um táxi. Por _____________, todos devem entrar. Por _____________ ser nervoso, não me saí bem. É muito cedo para _______________. Entre ____________ e você há bom diálogo. Entre ____________ pedir e vocês atenderem, há diferença. Entre ____________ e você não há mais amor. Entre você e ____________ há muitos obstáculos Perante ____________ ninguém fala mal de você. Efetue a concordância, escolhendo a forma verbal adequada: Naquele dia ________________ dez alunos. (faltou / faltaram) ______________________, naquela época, fatos terríveis. (aconteceu / aconteceram) Ainda _______________ quarenta blocos. (falta / faltam) Ainda não ________________ os documentos. (chegou / chegaram) _________________ cinco minutos para começar a aula. (falta / faltam) ________________ quatro pessoas para fazer o trabalho. (basta / bastam) Um bando _________________. (chegou / chegaram) Um bando de alunos _______________. (chegou / chegaram) A multidão de torcedores _________________. (gritava / gritavam) A maioria _______________ à aula. (faltou / faltaram) A maioria dos alunos ______________ à aula. (faltou / faltaram) Grande parte ______________________ à cerimônia. (compareceu / compareceram) Grande parte dos convidados ________________________ à cerimônia. (compareceu / compareceram) Minas Gerais ________________ grandes escritores. (revelou / revelaram) As Minas Gerais _____________________ grandes escritores. (revelou / revelaram) Os Estados Unidos ________________ milho. (exporta / exportam) Campinas _______________ grandes jogadores. (revelou / revelaram) O Amazonas ___________ longe do São Francisco (fica / ficam) Os Lusíadas ____________ a viagem de Vasco da Gama. (contam / conta) Vossa Majestade __________________ à reunião? (compareceu / comparecestes) Vossas Excelências _________________ a decisão. (apoiaram / apoiastes) Vossa Alteza ________________ os problemas. (conhece / conheceis) 29

Fui eu que _______________ o problema. (resolvi / resolveu) Fomos nós que _______________ a dívida. (pagamos / pagou) Ele foi um dos que ____________________. (compareceu / compareceram) Valéria foi um das que _________________ no exame. (passou / passaram) Fui eu quem _______________ o exercício. (resolvi / resolveu) Fomos nós quem __________________ na campanha. (colaborou / colaboraram) Fomos nós quem ______________ a conta. (pagou / pagamos) Mais de um clube _______________ o campeonato. (ganhou / ganharam) Mais de duas pessoas _______________ à reunião. (faltou / faltaram) Mais de um aluno, mais de um professor________________ hoje. (faltou / faltaram) Mais de um veículo _________________. (chocou-se / chocaram-se) Cerca de vinte pessoas _______________________ à festa. (compareceu / compareceram) Perto de trinta soldados __________________ no combate. (morreu / morreram) Alguns de nós ____________________ o exercício. (resolveremos / resolverão) Quais de vós _________________ o candidato? (apoiastes / apoiaram) Poucos de nós ________________. (viajamos / viajaram) Qual de nós __________________ a decisão? (aceitará / aceitaremos) Algum de nós ___________________ o prêmio. (entregará / entregaremos) O relógio da igreja ______________ duas horas. (deu / deram) _____________ duas horas no relógio, (deu / deram) A torre da igreja________________ quatro horas. (bateu / bateram) __________________ quatro horas na torre da igreja. (bateu / bateram) ____________________-se em discos voadores. (acredita / acreditam) ______________________-se de assuntos importantes. (tratava / tratavam) ______________________-se aos pedidos do mestre. (obedeceu / obedeceram) ___________________-se em pessoas honestas. (confia, confiam) _________________-se casas. (vende / vendem) __________________-se apartamentos na praia. (aluga / alugam) ____________-se aulas de piano. (dá / dão) ______________-se roupas. (reforma / reformam) ____________ muitos torcedores no estádio. (havia / haviam) _____________ haver muitos torcedores no estádio. (deve / devem) Substitua a expressão em destaque pela palavra indicada entre parênteses, fazendo a concordância correta: Só tomei metade da taça de champanha. (meio) ___________________________________ Minha mulher está um tanto quanto agressiva. (meio) ______________________________ Disponho de muitas moedas antigas. (bastante) ____________________________________ São pessoas muito queridas. (bastante) ___________________________________________ Saímos sozinhos. (só) _________________________________ Substitua as expressões em destaque pelas dos parênteses: Estávamos todas mais ou menos cansadas. (meio) Deve ser metade baleia, metade tubarão. (meio) Alterou muitos detalhes do projeto original. (bastante) Suas aulas eram muito interessantes. (bastante) 30

Já estamos igualmente pagos. (quite) Graças a Deus, estou livre da dívida. (quite) Nem todos se sentem bem quando estão sozinhos. (só) Somente os primeiros inscritos serão chamados. (só)

Preencha as lacunas com o pronome relativo adequado, regido ou não de preposição. Conheço os livros _____________ acabaste de ler. Conheço os livros _____________vocês tanto gostaram. Conheço os livros _____________ necessitamos. Já li o livro ___________ você extraiu o texto. Já li os romances ____________ autores gosto. Já li os romances _____________ enredo você não se lembra. Já li os romances ______________ leitura você precisa. Li o artigo _____________ idéias você se referiu. Li os textos ____________ autores você falava. Já me apresentaram as pessoas _______________ vocês tanto gostam. Já me apresentaram as pessoas _______________ vocês se referiram. Já me apresentaram as pessoas ______________ eu dependerei. Já me apresentaram as pessoas ______________ não concordas. Já me apresentaram as pessoas _______________ necessitamos. Acabei de ler o autor ____________ livros as crianças gostam. Já cabei de ler o autor _____________ nome ninguém se lembra. Já acabei de ler o autor ___________ obra a crítica se revoltou. Acabei de ler o autor ____________ idéias você se referiu. Complete as frases com o verbo no tempo adequado do subjuntivo: a) responder: Talvez você ___________ à pergunta. Se você _____________ acertaria. Quando você ____________ acertará. b) conseguir: Talvez nós _________________ o empréstimo. Se nós ___________________ o empréstimo, estaríamos salvos. Quando nós _____________________ o empréstimo, estaremos salvos. c) encontrar: Talvez tu ________________ o lugar. Se tu _________________ o lugar, saberias onde mora Alice. d) querer: Talvez elas ________________ o número do telefone. Se elas _______________ o número do telefone, nós daríamos. Quando elas __________________ o número do telefone, nós daremos. Ao ler as frases, vá usando convenientemente o verbo em destaque: 31

a) Você só irá fazer o trabalho que lhe caber e mais nada. b) Só pararei de jogar quando reaver todo o dinheiro perdido. c) Se ele manter a palavra, seremos obrigados a ceder. d) Quem manter a palavra seria perdoado; quem não a manter será castigado. e) Você esperava que ele se conter? Quando ele se conter, eu me conter também. f) Se você se negar, se você abster-se, poderá até ser preso. g) O fiscal reter o nosso veículo ontem, e ninguém soube por quê. h) Se Luisa vir aqui e nos ver tão tristes, ficará triste também. i) Aquele que rever em tempo as suas posições ainda terá chance de ser admitido na empresa. j) Quem prever o fim do mundo será considerado um profeta. Coloque o acento da crase onde for necessário: 1 – Ele fez referência a tarefa feita por nós. 2 – Traçou uma reta oblíqua a do centro. 3 – Não conheço as que saíram. 4 – Ela se referia as que saíram. 5 – Apresentou-lhe a esposa. 6 – Apresentou-o a esposa. 7 – Era uma camisa semelhante a que o diretor usava. 8 – Ele não obedecia aquele regulamento. 9 – Ele desconhecia aquele regulamento. 10 – Não me refiro aquilo. Faça o mesmo abaixo: a) Assisti a regata internacional. b) Pintou o quadro a óleo. c) Isto cheira a tolice. d) Prefiro os cravos as margaridas. e) Fomos a uma loja do centro. f) O número dos aprovados não chega a cem. g) Isto pertence a mim. h) Não me referi a V.Exa. i) Rezo a Nossa Senhora. j) Fomos a Bahia. k) Iremos a Londrina. l) Fui a Botafogo. m) Estamos dispostos a trabalhar. n) Achava-se a distância de cem metros. o) Seguiram-nos a distância, espreitaram-nos. p) Voltamos a casa tristes. q) Voltou a casa paterna. r) Recorri a minha mãe. s) Referiu-se a minha viagem. t) Escrevei a Lúcia. Sublinhar e classificar os tópicos frasais dos parágrafos abaixo. 32

a) “Há muitos anos atrás, num reino distante localizado entre o Piauí e o Pará, nascia uma menina pobre, mas que, apesar dos sofrimentos por que passava, sempre via o lado bom da vida. Seu nome: Pollyana Sarney. Apesar de pobre, Pollyana nasceu em berço de ouro num magnífico palácio à beira-mar. Ainda criança, Pollyana não conseguia entender por que, sendo de uma família tão pobre e miserável, ela vivia uma vida nababesca de princesa. Seu bom pai então lhe explicou:” (O Globo, 17 de março de 2002) ________________________________________________________________________ b) “E o aparente descaso com o dinheiro? Na vida real, eles cheiram a grana como perdigueiros e, no entanto, se justificam: “Ihhh… como será que apareceu um milhão de reais na minha gaveta? Nem reparei. Ahhh… essa minha memória!…”” (O Globo, 12 de março de 2002) ________________________________________________________________________ c) “Adoro também ver as caras dos canalhas. Muitos são bochechudos, muitos têm cachaços grossos, contrastando com o style dos populares magros de seca, de fome, proletários chiques, elegantérrimos pela dieta da miséria.” (O Globo, 12 de março de 2002) ________________________________________________________________________ d) “Se o roteiro é uma história contada em imagens, então o que todas as histórias têm em comum? Um início, um meio e um fim, ainda que nem sempre nessa ordem. Se colocássemos um roteiro na parede como uma pintura e olhássemos para ele, ele se pareceria com o diagrama da página 3.” (FIELD, Syd. Manual do roteiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995) ________________________________________________________________________ e) “Francis admite não estar habituado a trabalhar assim. Conta que poucas vezes foi parceiro de metade da música, seu processo de criação sendo sempre o do melodista a serviço do letrista.” (O Globo, 10 de março de 2002) ________________________________________________________________________ f) “Aristóteles estabeleceu as três unidades de ação dramática: tempo, espaço e ação. O filme hollywoodiano normal tem a duração aproximada de duas horas, ou 120 minutos, ao passo que os europeus, ou filmes estrangeiros, têm aproximadamente 90 minutos. Uma página de roteiro equivale a um minuto de projeção. Não importa se o roteiro é todo descrito em ação em diálogos ou qualquer combinação de ambos; em geral, uma página de roteiro corresponde a um minuto de filme.” (FIELD, Syd. Manual do roteiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995) ________________________________________________________________________ g) “Frase é um enunciado de sentido completo. Ela é a unidade básica da comunicação lingüística, ou seja, a divisão elementar de qualquer enunciação discursiva. Insere-se, pois, em um processo mais amplo, através do qual um EMISSOR se dirige a pelo menos um RECEPTOR para tratar de um ASSUNTO em uma SITUAÇÃO concretamente determinada (ver CÂMARA JR., 1978).” (LEITÃO, Luiz Ricardo et alii. Gramática crítica. 2.ed. Rio de Janeiro: JOBRAN & Cooautor, 1995.) ________________________________________________________________________ – No texto abaixo, as frases dos parágrafos se encontram cifradas. Classificar as técnicas de desenvolvimento, de acordo com a cifragem proposta. |A novela O Clone, de Glória Perez, exibida pela Rede Globo de Televisão, despertou a opinião pública para os temas da clonagem de seres humanos e o uso de drogas.|F1 |Duas personagens, assim, cativaram a atenção do país: Mel e Leo.|F2 |A primeira, personagem da atriz Débora Falabela, causou grande impacto na família brasileira, fazendo-a refletir acerca 33

da atitude mais eficaz a ser tomada quanto à dependência química.|F3 |Leo, interpretado por Murilo Benício, levou o telespectador a pensar sobre a questão da clonagem humana e sobre as suas conseqüências no conceito de Homem.|F4 |Mas qual é a relevância dos temas abordados pela novela?|F1 |Com relação às drogas, sabemos que parte considerável da criminalidade nas grandes cidades brasileiras provém do tráfico.|F2 |O Rio de Janeiro, por exemplo, vive uma guerra civil entre dois grupos de distribuição, a saber, o Comando Vermelho e o Terceiro Comando, além das ações armadas do Estado, sejam por meio da polícia, sejam por meio das Forças Armadas.| F3 |Entretanto, enquanto houver consumidores de drogas, haverá tráfico e, conseqüentemente, disputas sangrentas entre grupos de traficantes por pontos de venda.|F4 |A solução mais producente, mesmo que a longo prazo, talvez esteja na diminuição do número de consumidores, através da conscientização dos males que a droga traz tanto ao homem, individualmente considerado, quanto à sociedade.|F1 |E para isso Mel serve de perfeita ilustração, mostrando a sua decadência pessoal e a desestabilização emocional sofrida pela família.|F2 |Igualmente à personagem de Débora Falabela, Lobato, interpretado por Osmar Prado, ao expor no divã os efeitos psicológicos causados pela dependência química, também funciona como mais um exemplo extraído do universo das drogas.|F3 |O segundo tema da novela, a clonagem, coloca em xeque a noção de ser humano.|F1 |Leo, clone de Lucas, gerado em laboratório, não foi originado a partir de gametas, o que o coloca em situação especial frente aos demais seres.|F2 |Para a nossa cultura, o homem é um prolongamento de seus progenitores, e progenitores são os que fornecem células sexuais, óvulo e espermatozóide, para a fecundação do feto.|F3 |Por conseguinte, não podemos considerar Lucas nem Deusa, personagem que apenas “hospedou” o feto em seu útero durante o processo embrionário, como os pais do clone.|F4 |De fato, a autora nos força a uma revisão de conceitos.|F5 |Na verdade, se correlacionarmos o problema das drogas ao da clonagem, veremos que o grande tema da novela é o ser humano.|F1 |Mel representaria, assim, a fragilidade do homem que chega ao terceiro milênio sucumbindo a um mal muito mais poderoso do que as pragas e cataclismos previstos pelos profetas, localizado no interior do próprio homem: o vício.|F2 |Leo, por sua vez, registra o homem que doravante terá de enfrentar o maior desafio humano: os valores, os conceitos criados por ele mesmo.|F3 Desenvolva também estes tópicos frasais dissertativos: a) A prática do esporte deve ser incentivada e amparada pelos órgãos públicos. b) O trabalho dignifica o homem, mas o homem não deve viver só para o trabalho. c) A propaganda de cigarros e de bebidas deve ser proibida. d) O direito à cultura é fundamental a qualquer ser humano. 6.23 Desenvolva os tópicos frasais seguintes, considerando os conectivos: a) O jornal pode ser um excelente meio de conscientização das pessoas, a não ser que b) As mulheres, atualmente, ocupam cada vez mais funções de destaque na vida social e política de muitos países; no entanto c) Um curso universitário pode ser um bom caminho para a realização profissional de uma pessoa, mas... d) Se não souber preservar a natureza, o ser humano estará pondo em risco sua própria existência, porque... e) Muitas pessoas propõem a pena de morte como medida para conter a violência que existe hoje em várias cidades; outras, porém f) Muitos alunos acham difícil fazer uma redação, porque. 34

g) Muitos alunos acham difícil fazer uma redação, no entanto h) Um meio de comunicação tão importante como a televisão não deve sofrer censura, pois i) Um meio de comunicação tão importante como a televisão não deve sofrer censura, entretanto j) O uso de drogas pelos jovens é, antes de tudo, um problema familiar, porque l) O uso de drogas pelos jovens é, antes de tudo, um problema familiar, embora

PARTE 4 - TEXTOS O náufrago e o navegador Há quem pense que as empresas jornalísticas, ao promover o uso de jornais na educação, o fazem unicamente com o objetivo de criar o leitor do futuro. Embora seja verdade que o hábito da leitura __ inclusive de jornais __ seja normalmente adquirido na infância ou na adolescência e que, por razões demográficas, a imprensa precise constantemente renovar sua base de leitores, ao pregar a utilização de jornais na educação, a Associação Nacional de Jornais, através de seu comitê de Leitura e circulação, não é movida por uma lógica utilitarista. A Associação nacional de Jornais (ANJ) tem defendido vigorosamente o uso do jornal no ensino porque, além de estar __ por motivos óbvios __ sempre atualizado, de ser atraente por cobrir os mais diversos aspectos da realidade e de ser mais barato que outros recursos pedagógicos, estimula o desenvolvimento do senso crítico dos leitores. Existem pesquisas (no Brasil poucas, é verdade) que comprovam que o desempenho dos alunos que utilizam jornais em suas atividades escolares é melhor, em média, que o daqueles que utilizam materiais convencionais. Ao contribuir para a formação do hábito da leitura entre os jovens __ e não apenas da leitura de jornais __ as empresas jornalísticas fazem mais do que estimular o futuro cidadão a consumir seu produto. Sem dúvida é importantíssimo formar (e não apenas instruir) o cidadão do futuro. Mas a realidade de hoje, marcada pela integração internacional e pelo desenvolvimento tecnológico acelerados, coloca o sistema de ensino sob tensão. Para o trabalhador, para o profissional, ou para o cidadão comum, seja escandinavo ou latino-americano, já não basta saber ler e escrever, ou ter aprendido algum ofício. De pouco serve ser uma enciclopédia (inevitavelmente superada) ambulante. Hoje, de acordo com o diagnóstico da American Library Association, “para ser um alfabetizado em termos de informação, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando a informação é necessária e ter a habilidade para localizá-la, avaliá-la e usar efetivamente a informação necessária. Em última análise, as pessoas alfabetizadas em termos de informação são aquelas que aprenderam como aprender”. Ora, isso é quase uma descrição da rotina de uma redação competente e do jornal por ela produzido. Ao se aproximar dos jovens por meio de programas de jornal na Educação bem concebidos, o que as empresas jornalísticas estão fazendo é muito mais do que lhes oferecer uma opção de lazer e de informações ou lhes garantir a própria sobrevivência. Estão transferindo seu Know-how de processamento de informações. Com a multiplicação das fontes de informação e entretenimento __ da qual fazem parte os sistemas de TV a Cabo que em breve terão mais de cem canais, talvez 500 __ boa parte do tempo que as pessoas passam diante do televisor será consumido na escolha do que assistir. Saber localizar, 35

compreender e utilizar as informações na era da Internet significa a diferença entre ser um navegador e ser um náufrago. (Pedro Pinciroli Junior in O Globo, 10 set. 1996). Tragédia brasileira Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade. Conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituta, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria. Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria. Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa. Viveram três anos assim. Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos... Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito, vestida de organdi azul. (Manuel Bandeira. Em Estrela da vida inteira. 2º. Rio de Janeiro J. Olympio, 1970. P.146.) Como comecei a escrever – Carlos Drummond de Andrade Aí por volta de 1910 não havia rádio nem televisão, e o cinema chegava ao interior do Brasil uma vez por semana, aos domingos. As notícias do mundo vinham pelo jornal, três dias depois de publicadas no Rio de Janeiro. Se chovia a potes, a mala do correio aparecia ensopada, uns sete dias mais tarde. Não dava para ler o papel transformado em mingau. Papai era assinante da "Gazeta de Notícias", e antes de aprender a ler eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras, e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar.Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Cada um de nós tinha de escrever uma carta, narrar um passeio, coisas assim. Criei gosto por esse dever, que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder de expressão contido nos sinais reunidos em palavras. Daí por diante as experiências foram-se acumulando, sem que eu percebesse que estava descobrindo a literatura. Alguns elogios da professora me animavam a continuar. Ninguém falava em conto ou poesia, mas a semente dessas coisas estava germinando. Meu irmão, estudante na Capital, mandava-me revistas e livros, e me habituei a viver entre eles. Depois, já rapaz, tive a sorte de conhecer outros rapazes que também gostavam de ler e escrever.Então, começou uma fase muito boa de troca de experiências e impressões. Na mesa do café-sentado (pois tomava-se café sentado nos bares, e podia-se conversar horas e horas sem incomodar nem ser incomodado) eu tirava do bolso o que escrevera durante o dia, e meus colegas criticavam. Eles também sacavam seus escritos, e eu tomava 36

parte nos comentários. Tudo com naturalidade e franqueza. Aprendi muito com os amigos, e tenho pena dos jovens de hoje que não desfrutam desse tipo de amizade crítica. Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 4 - Crônicas", Editora Ática - São Paulo, 1980, pág. 6 O amor e a história Embora seja um sentimento, fruto da individualidade de cada homem, o amor pode servir de fonte de estudo para momentos históricos. É o que mostra, por exemplo, o poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz, prêmio Nobel de Literatura, em seu livro A dupla chama: amor e erotismo, ilustrando como algo tão sentimental está impregnado de valores de uma determinada época, quer seja na antiga Grécia, em Roma ou na Idade Média. E o que nos diz Octavio Paz? Em primeiro lugar, o autor faz, no capítulo de abertura, uma distinção entre erotismo e amor. Aquele se constitui basicamente de um desvio da sexualidade da função meramente reprodutora para a fruição do prazer; este, de uma sublimação do próprio erotismo. Ao sentimento erótico é indiferente a exclusividade do outro, o que se opõe ao sentimento amoroso, que elege um outro, um ser em especial. Em seguida, Paz procede a uma análise histórica da noção de amor. O autor focaliza três momentos distintos: Grécia, Roma e Idade Média. Com relação à Grécia, o autor seleciona o pensamento de Platão como fonte de estudo e revela que a troca de virtudes, traço da nossa atual visão de amor, aparece pela primeira vez em tal filósofo. Em Roma, surge outro aspecto do sentimento amoroso: a eleição de um ser especial. E a partir da Idade Média, enfim, aparece a concepção das provas, das etapas que o amante deverá percorrer para que obtenha a aceitação da(o) amada(o). Mas como vislumbrar a História através desses dados? No que diz respeito a Platão, a troca de virtudes, conforme O Banquete aponta, tem por objetivo o aperfeiçoamento do cidadão e, por conseguinte, da cidade-estado: o que importa, na verdade, não é o indivíduo, mas o coletivo – Atenas. Por outro lado, a questão da exclusividade é causada pelo deslocamento de tônica do coletivo para o indivíduo, no momento em que na Roma republicana uma espécie de burguesia se cristaliza socialmente. As provas amorosas, por sua vez, estão intimamente ligadas ao imaginário feudal, em que a figura do(a) amado(a) se associava ao suserano, e a do amante, ao vassalo, serviçal que tinha que se submeter aos mandos de seus senhores. Talvez, para os mais sentimentais, este tipo de estudo denote frieza e falta de romantismo, entretanto é necessário para que a História seja feita. A História é um conhecimento hermenêutico, isto é, interpretativo, que tem por objeto o homem em sociedade num determinado tempo e espaço. Assim, na verdade, o que Paz nos possibilita é a interpretação do próprio homem a partir de um de seus sentimentos mais nobres: o amor.

Livro Com todo mundo saudando, a todo momento, novas “revoluções”, venho anunciar uma involução, definitiva, que fará com que o terceiro milênio seja totalmente diferente da 37

diferença que se anuncia. O produto me chega, paradoxalmente, através da Internet. Se chama “Listagem Integral de Variáveis Romanceadas ou Objetivas” __ L.I.V.R.O. L.i.v.r.o. é um depósito de informações, emoções, idéias e divertimentos, compacto e portátil, cabendo no bolso de qualquer pessoa e podendo ser usado em qualquer lugar, mesmo com o usuário sentado numa poltrona de avião ou no vaso de um banheiro. Num l.i.v.r.o. cabe tanta ou mais informação do que num CD-Rom. E basta olhar um livro para ter imediata noção do seu conteúdo, importância e qualidade. O que não se dá com um CD-Rom. L.i.v.r.o. é agradável ao tato e cada um é infinitamente diferente do outro. Tanto que se você tiver três l.i.v.r.o.s. numa bolsa, mesmo no escuro poderá escolher o de sua preferência, pelo tato. Cada l.i.v.r.o. é montado seqüencialmente, em folhas de “papel” (outra involução sensacional, reciclável), e cada página contém milhares de bits de informação. Essas páginas são mantidas juntas e em seqüência devido a um softer simples e engenhoso chamado encadernação. As informações contidas no l.i.v.r.o. vêm em ambos os lados da folha (páginas) o que diminui o custo e facilita a leitura. Cada página de um l.i.v.r.o. é escaneada oticamente, mas de forma biológica, impressionando diretamente seu cérebro, sem necessidade de qualquer intermediação técnica. As pessoas com algum problema no seu receptor oftalmológico necessitam apenas de simples amplificadores chamados “óculos”. Com o l.i.v.r.o. basta um dedo para levar você a outra página, outro grupo de informações. E se você está deitado e com as mãos ocupadas, consegue mudar de página com um pequeno sopro. O l.i.v.r.o. pode ser retomado a qualquer momento, abrindo-se onde se o fechou na última vez, bastando para isso que se tenha dobrado a pontinha de uma folha (prática não recomendável), ou procurando no índice remissivo. Para facilitar ainda mais a pesquisa, l.i.v.r.o.s. vêm acompanhados de um marcador padrão, que pode ser usado em qualquer l.i.v.r.o., de qualquer origem, língua ou linguagem. Portátil, durável, e mais variada e bonita de aspecto do que qualquer revolução, esta involução reserva espaço entre as linhas e nas margens para ser usado interativamente com o auxílio dessa outra involução maravilhosa, o Lineador de Assuntos e Partes Interessantes ou Setores (L.Á .P.I.S). L.i.v.r.o. não precisa ser formatado. E vários deles juntos, mesmo uns sobre outros, não interferem entre si, atrapalhando a leitura, nem “congelam”, deixando de funcionar. Além de tudo o mais, l.i.v.r.o. quase não tem bugs misteriosos. Só quando não usados durante muito tempo sofre a ação do bug traça, facilmente localizável e simples de extirpar. (Millôr Fernandes) A ARTE DE ESCREVER Há, portanto, uma arte de escrever – que é a redação. Não é uma prerrogativa dos literatos, senão uma atividade social indispensável, para a qual falta, não obstante, muitas vezes, uma preparação preliminar. A arte de falar, necessária à exposição oral, é mais fácil na medida em que se beneficia da prática da fala cotidiana, de cujos elementos parte em princípio. O que há de comum, antes de tudo, entre a exposição oral e a escrita é a necessidade da boa composição, isto é, uma distribuição metódica e compreensível de idéias. Impõe-se igualmente a visualização de um objetivo definido. Ninguém é capaz de escrever bem, se não sabe bem o que vai escrever. 38

Justamente por causa disto, as condições para a redação no exercício da vida profissional ou no intercâmbio amplo dentro da sociedade são muito diversas das da redação escolar. A convicção do que vamos dizer, a importância que há em dizê-lo, o domínio de um assunto da nossa especialidade tiram à redação o caráter negativo de mero exercício formal, com tem na escola. Qualquer um de nós senhor de um assunto é, em princípio, capaz de escrever sobre ele. Não há um jeito especial para a redação, ao contrário do que muita gente pensa. Há apenas uma falta de preparação inicial, que o esforço e a prática vencem. Por outro lado, a arte de escrever, na medida em que consubstancia a nossa capacidade de expressão do pensar e do sentir, tem de firmar raízes na nossa própria personalidade e decorre, em grande parte, de um trabalho nosso para desenvolver a personalidade por este ângulo.(...) A arte de escrever precisa assentar uma atividade preliminar já radicada, que parte do ensino escolar e de um hábito de leitura inteligentemente conduzido; depende muito, portanto, de nós mesmos, de uma disciplina mental adquirida pela autocrítica e pela observação cuidadosa do que outros com bom resultado escrevam. (CAMARA JR, Joaquim Mattoso. Manual de expressão oral e escrita 7. ed. Petrópolis.: Vozes, 1983. P. 58-9.) A BUSCA DA RAZÃO Sofreu muito com a adolescência. Jovem, ainda se queixava. Depois, todos os dias subia numa cadeira, agarrava uma argola presa ao teto e, pendurado, deixava-se ficar. Até a tarde em que se desprendeu esborrachando-se no chão: estava maduro. (COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgados: Rio de Janeiro, Tocco, 1986, p.65) A origem do desemprego 1 Há quatro anos, criei um site na Internet, o voluntários.com.br, com o objetivo de ajudar pessoas a ser voluntárias em ONGs. O site foi um enorme sucesso, a ponto de hoje muitas entidades recusarem voluntários, por excesso de procura, o que é uma boa e uma má notícia. A má notícia é que nem para trabalhar de graça hoje em dia há vaga neste país. E entre trabalhar de graça e receber o salário mínimo não existe muita diferença. 6 Como é possível ter milhares de voluntários e trabalhadores querendo trabalhar de graça e ao mesmo tempo termos necessidades materiais e milhares de problemas sociais precisando de ser resolvidos? O que falta neste país é o meio-de-campo, o gerente, o organizador. 10 A origem do desemprego está na equivocada visão economicista, que acredita que o desenvolvimento depende exclusivamente da estabilidade econômica, algo que se persegue há vinte anos. De um ambiente econômico propício, o crescimento emergiria naturalmente. Infelizmente, já se foi o tempo de Adam Smith, Jonh Maynard Keynes e Karl Marx, que acreditavam que um pouco de ganância e capital seriam suficientes para gerar empresas e empregos. Já se foi o tempo em que “agentes econômicos”, com um mínimo de “espírito empreendedor”, abriam empresas bem-sucedidas. 39

17 Hoje em dia, para montar uma empresa e ter sucesso, são necessários sólidos conhecimentos práticos e teóricos de administração de empresas. Oitenta por cento das empresas brasileiras quebram nos primeiros cinco anos por cometer um dos 100 erros banais citados nos livros de administração. 21 Só que o Brasil formou nestes últimos vinte anos menos de 250.000 administradores de empresas. O Conselho Federal de Administração tem menos de 90.000 inscritos. Aí está a principal razão para nosso desemprego, a desorganização de nossa economia e a estagnação econômica. Com 4.650.000 empresas, nem sequer temos um administrador por empresa. 26 Pela falta crônica de administradores formados, temos médicos que administram laboratórios de análises e engenheiros mecânicos que administram carteiras de ações. Perdemos assim excelentes médicos e engenheiros mecânicos formados com dinheiro público e ganhamos administradores sem formação, que acabam aprendendo administração de empresas à moda antiga: errado. 31 Os Estados Unidos tomaram outro caminho. De 1960 para cá formaram nada menos de 8 milhões de administradores de empresas. É a profissão mais freqüente, com 19% do total de 50 milhões dos americanos formados. É também a que dá o tom, a filosofia, o modus operandi de toda a economia americana. É o segredo bem escondido da economia americana. 36 De 1,5 milhão de formados pelas novas universidades federais e estaduais, somente 4,5% são administradores de empresas. Muitos governos foram contra esses cursos, coisa da direita a ser custeada pela iniciativa privada e não pelo Estado. Os próprios empresários achavam esses cursos desnecessários, já que suas empresas seriam geridas pelos filhos, treinados pela família, e não por administradores profissionais. Raras são as faculdades de administração no Brasil com nome de grandes empresários, como ocorre nos Estados Unidos. 43 Em pós-graduação a situação piora ainda mais. A Harvard Business School forma por ano mais MBAs que o Brasil inteiro. Os Estados Unidos têm 2.400.000 MBAs, 10% deles trabalhando no governo. O Brasil possui no máximo 5.000 mestres em administração, e a impressão que se tem é que nenhum deles trabalha no governo. 47 O ministro da Fazenda acredita que o país crescerá na hora em que ele julgar oportuno. Os “desenvolvimentistas”, do outro lado, acham que sete economistas estrategicamente colocados farão o país crescer na intensidade e direção que eles determinarem. Ledo engano. A mão invisível de Adam Smith não funciona mais no mundo moderno. Toda nação requer a mão firme e visível de centenas de milhares de pessoas treinadas e preparadas para criar empregos e organizações. Até para gerir voluntários que trabalhem de graça.(Stephen Kanitz. Veja. 22/set/99) Língua e Sociedade O caráter social de uma língua já parece ter sido fartamente demonstrado. Entendida como um sistema de signos convencionais que faculta aos membros de uma comunidade a possibilidade de comunicação, acredita-se, hoje, que seu papel seja cada vez mais importante nas relações humanas, razão pela qual seu estudo já envolve modernos processos científicos de pesquisa, interligados às mais novas ciências e técnicas, como, por exemplo, a própria Cibernética. Entre sociedade e língua, de fato, não há uma relação de mera casualidade, Desde que nascemos, um mundo de signos lingüísticos nos cerca e suas inúmeras possibilidades 40

comunicativas começam a tornar-se reais a partir do momento em que, pela imitação e associação, começamos a formular nossas mensagens. E toda a nossa vida em sociedade supõe um problema de intercâmbio e comunicação que se realiza fundamentalmente pela língua, o meio mais comum de que dispomos para tal. Sons, gestos imagens, diversos e imprevistos, cercam a vida do homem moderno, compondo mensagens de toda ordem (Henri Lefèbvre diria poeticamente que “niágaras de mensagens caem sobre pessoas mais ou menos interessadas e contagiadas”), transmitidas pelos mais diferentes canis, como a televisão, o cinema, a imprensa, o rádio, o telefone, o telégrafo, os cartazes de propaganda, os desenhos, a música e tantos outros. Em todos, a língua desempenha um papel preponderante, seja sua forma oral, seja através de seu código substitutivo escrito. E, através dela, o contato com o mundo que nos cerca é permanentemente atualizado. Nas grandes civilizações, a língua é o suporte de uma dinâmica social, que compreende, não só as relações diárias entre os membros da comunidade, como também uma atividade intelectual, que vai desde o fluxo informativo dos meios de comunicação de massa, até a vida cultural, científica ou literária.

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