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Teorias da Aprendizagem

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Aula Inaugural

Ao mesmo tempo que teorias aprimoram nosso olhar, nossa observação, e tornam nossas idéias mais claras e precisas, elas também são uma condição limitadora. É difícil abranger com elas toda a complexidade dos fenômenos estudados: ao mostrar, ao iluminar alguns componentes desses fenômenos, outros ficam obscurecidos. Uma boa teoria é aquela que permite descobrir dimensões para além do seu foco. (MAHONEY e ALMEIDA, 2004)

Seja bem-vindo a mais este espaço de aprendizagem. Estaremos trabalhando as Bases Teóricas da Aprendizagem. Você perceberá – e espero que sim – uma continuidade das discussões da Disciplina de Psicologia apresentadas na Unidade I do Semestre I. Pretendemos dar seqüência a estas reflexões e levar você ao aprofundamento do vasto campo teórico e prático da aprendizagem. Iniciamos mostrando a pluralidade teórica e conceitual de aprendizagem. Em seguida, analisaremos dois grupos distintos das Teorias da Aprendizagem: A Condutista e a Cognitiva. Abordaremos, também, problemas de aprendizagem, fracasso escolar e relação escola-família. Sugiro que ao participar de cada aula, procure refletir sobre as questões propostas. Suas reflexões/respostas juntamente com a lista dos objetivos de cada unidade e aula auxiliarão em uma revisão futura e em nossos espaços interativos. Quando um termo novo ou revisado for de muita importância estará definido em um glossário no final deste material. Estamos juntos nesta parceria a fim de construirmos uma aprendizagem significativa. Um ótimo trabalho a todos nós. Professora Elisete UNIMES VIRTUAL
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Aula: 01 Temática: Primeiras Explicações de Aprendizagem

Há uma grande discussão do que seja a Aprendizagem. Há diferentes conceituações sobre as quais falaremos a partir de agora. Perceba semelhanças e divergências, o que implicam claramente em visões de mundo e natureza humana diferentes. Convido você a iniciar estas reflexões. Não há neste momento uma teoria única e aceita globalmente que ofereça um marco explicativo completo e detalhado dos processos de aprendizagem escolar. Porém, coexistem diversas teorias e enfoques sobre a aprendizagem escolar que respondem a coordenadas históricas e epistemológicas diversas e que proporcionam conceitos e princípios explicativos também diversos, podendo, às vezes, ser considerados complementares e, dificilmente podem ser reconciliados. Vamos a elas! Primeiras Explicações de Aprendizagem Uma das primeiras explicações de aprendizagem veio de Aristóteles (384322 a.C.), ele dizia que lembramos coisas juntas (1) quando elas são semelhantes, (2) quando são contrastantes e (3) quando são contíguas. Este último princípio nos chama a atenção porque está incluído em todas as explicações de aprendizagem por associação. O princípio de contigüidade estabelece que, sempre que duas ou mais sensações ocorrem juntas com freqüência suficiente, elas se tornarão associadas. Posteriormente, quando apenas uma dessas sensações (estímulo) ocorre, a outra também será lembrada (resposta). Embora os teóricos discordem sobre a definição de aprendizagem, uma boa parte concorda que a aprendizagem ocorre quando a experiência provoca uma mudança no conhecimento ou comportamento de uma pessoa. Os teóricos do comportamento enfatizam o papel de estímulos ambientais na aprendizagem e focalizam-se no comportamento, ou seja, nas respostas observáveis. Aprendizagem e comportamento Os estudiosos do condutismo também chamados behavioristas fizeram uma revolução metodológica (estudando apenas os fatos observáveis) e UNIMES VIRTUAL
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uma teoria da aprendizagem ao mesmo tempo. Oriundo da física clássica, o modelo da aprendizagem é do tipo associativo: E R . Estímulos (externos) chegam ao indivíduo, que produz Respostas (internas ou comportamentais). A instalação de novos comportamentos pela repetição das associações E R define a aprendizagem por condicionamento. Esta é concebida como um processo no qual o repertório de comportamento daquele que aprende é determinado pelos reforços encontrados no meio. As respostas certas são recompensadas e reproduzidas; as respostas “erradas” são punidas e abandonadas. Este processo constituiria uma forma elementar de aprendizagem cujo campo de aplicação implicaria tanto no desenvolvimento dos hábitos como nos fenômenos comportamentais relacionados com as emoções e aprendizagens complexas. Processos e princípios básicos para explicar a aprendizagem De uma maneira bastante esquemática e com uma finalidade didática, é possível sintetizar diversos princípios de aprendizagem agrupando-os em torno de três grandes tipos de processos, principais responsáveis pela aprendizagem: 1. Os processos de condicionamento clássico. 2. Os processos de condicionamento operante. 3. Os processos de modelagem. Nos processos de condicionamento clássico, evidenciados nos conhecidos trabalhos do fisiólogo russo Pavlov (1849 – 1936), um estímulo anteriormente neutro é repetidamente combinado com um estímulo que evoca uma resposta emocional ou fisiológica. Mais tarde, o estímulo anteriormente neutro sozinho evoca a resposta – ou seja, o estímulo condicionado produz uma resposta condicionada. Na terminologia do condicionamento clássico, o estímulo que, inicialmente, desencadeia a conduta denomina-se “estímulo incondicionado”, já que, a princípio, provoca tal conduta de maneira automática e invariável. A resposta provocada desta maneira denomina-se, neste momento, resposta incondicionada. O estímulo inicialmente neutro que acaba provocando a conduta recebe o nome de “estímulo condicionado”, porque o seu valor como desencadeador dessa conduta depende da sua associação com o estímulo incondicionado. A resposta obtida a partir do estímulo condicionado passa então a ser uma resposta condicionada.

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Skinner. mesmo antes que lhe seja dado qualquer comida. B. soa-se o sino repetidas vezes. é o da aprendizagem por parte de um cachorro que apresenta a conduta de salivação ao ouvir o som de um sino: em um primeiro momento. No processo de condicionamento. porém não saliva diante do som do sino. extraído dos trabalhos de Pavlov. respondendo ao som do sino – resposta condicionada a um estímulo condicionado.ou a evitar . surge daí o adjetivo de “operante” na denominação desse tipo de processo. O reforço é o processo de fortalecimento de uma determinada resposta de acordo com suas conseqüências. o cachorro saliva – resposta incondicionada – quando lhe é oferecida alguma comida – estímulo incondicionado. Cachorro de Pavlov. o estudo central da obra desenvolvida no final dos anos 1930 pelo psicólogo B. porUNIMES VIRTUAL 14 TEORIAS DA APRENDIZAGEM .determinados comportamentos de acordo com as conseqüências positivas ou negativas que esses comportamentos tiverem: o organismo tende a repetir comportamentos que tenham conseqüências positivas e evitar comportamentos que ocasionem conseqüências negativas.F. O processo é o mesmo nos seres humanos. o organismo aprende a fazer . As respostas aprendidas dessa maneira permitem ao organismo operar de modo mais efetivo sobre o seu contexto em um sentido instrumental. ao apresentar a comida. o cachorro aprende a salivar. Outro tipo de condicionamento que permite a aprendizagem de novos comportamentos é o condicionamento operante. Skinner Nos processos de condicionamento operante. O conceito teórico central que explica os processos de condicionamento operante é a noção de “reforço”. simultaneamente. Museu Pavlov O exemplo mais famoso de condicionamento clássico. depois desse processo. F.A aprendizagem produz-se quando o estímulo condicionado provoca a resposta condicionada na ausência do estímulo incondicionado inicial.

quando ignoramos (ausência de reforço ou punição) a tendência é a extinção. 1. Elas incluem o elogio. 2. uma determinada classe de respostas aumenta a probabilidade de ocorrência no futuro. quando na presença de uma resposta não há nenhum estímulo a ser oferecido. por exemplo. ou seja.tanto. Segundo a Teoria Condutista ou também conhecida por Behaviorismo. é o processo pelo qual é possível transferir a aprendizagem efetuada por um estímulo contextual concreto a outros estímulos similares – por exemplo. de maneira que tais estímulos acabem tornando-se signos ou sinais específicos que regulam o comportamento tratado – como. o terceiro dos UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 15 . identificar uma letra não somente quando é manuscrita caligraficamente. aprender a identificar pelo nome uma determinada letra sem utilizar qualquer outra letra. Essa conexão funcional entre estímulos discriminativos e as respostas é obtida quando se reforça sistematicamente a resposta diante desses estímulos e não se reforça diante dos outros. em um processo de reforço. Exemplo típico é a birra em crianças. Há diversas formas específicas para encorajar comportamentos existentes ou ensinar novos. O condicionamento operante possibilita a aprendizagem de comportamentos novos mediante dois tipos de processos complementares: a discriminação e a generalização. As conseqüências específicas que aumentam a probabilidade de ocorrência futura de uma classe de respostas denominam-se “reforçadores”. Ou também. casos em que a apresentação de determinados reforços aumentam a probabilidade da reposta. encorajar comportamento é reforçá-lo. Conforme vimos. a modelagem e a observação. Os exemplos mais clássicos e intuitivos de reforço ilustram processos de reforço. por sua vez. A generalização. Quando damos atenção (reforço) há uma tendência em aumentar o comportamento. mas também quando diferentes pessoas a escrevem ou quando estiver escrita de maneiras diferentes. produzido sempre que se deixa de reforçar de modo sistemático uma resposta reforçada previamente. O processo complementar e contrário em relação ao reforço é a “extinção”. nesse caso. A discriminação é o processo pelo qual se aprende a dar uma resposta na presença de um certo estímulo ou classe de estímulos. a resposta em questão diminui a freqüência de maneira gradual até extinguir-se.

É notável a importância progressiva dos modelos que oferecem esse tipo de meios têm no nosso contexto histórico e cultural. por exemplo. Nesse caso. com o indivíduo em formação. Ross e Toss. Bandura é o mais conhecido dos autores que estudaram esses tipos de processos como um dos eixos centrais das suas teorias. Um conceito importante que Bandura propõe e que se vincula aos fatores de tipo motivacional que influem na aprendizagem pró-modelagem é o de UNIMES VIRTUAL 16 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . o mecanismo básico responsável pela aprendizagem é a imitação dos comportamentos dos modelos observados e o processo permite uma grande variedade de aprendizagens a partir da ativação. Os meios audiovisuais como uma fonte de aprendizagem Algumas pesquisas clássicas sobre a aprendizagem por modelagem mostraram que. comportamentos agressivos se observassem modelos filmados (Bandura. como diferentes processos de caráter cognitivo incidem nesse tipo de aprendizagem. por exemplo. 1980 apud Salvador. Esses resultados confirmam o papel da televisão e dos próprios vídeo-games como uma fonte potencial de aprendizagens. Trabalhos desde a década de 1980 confirmaram essa possibilidade fora do laboratório e mostraram. incluindo tanto a aprendizagem a partir de modelos imaginários. a aprendizagem a partir da observação de modelos. imitar a partir da fala ou de combinação de ambos os modelos. é preciso remarcar que os termos “observação” e “imitação” devem ser entendidos no sentido amplo. Alguns dos pesquisadores mais importantes dos processos de aprendizagem por modelagem remarcam. em determinadas situações de laboratório. 1963). quanto o que podemos denominar modelagem verbal.processos (a partir das teorias que consideramos). nas mais recentes obras. como em um desenho. que destaca-se como responsável principal pela aprendizagem é o processo de modelagem. isto é. da inibição ou da desinibição de comportamentos agressivos já presentes no repertório do sujeito diante de determinadas situações – até a aprendizagem de respostas e habilidades genuinamente novas por parte do observador. competindo cada vez mais com os modelos próximos oferecidos pelas pessoas que convivem. A partir desse aspecto. as crianças podiam aprender. ou seja. relações significativas entre a observação de modelos de comportamento agressivo na televisão e determinados comportamentos das crianças em situação de jogo (Singer e Singer. cada vez menos. 2000).

que comportem recompensas para aquilo que realizam. alguns com um caráter essencialmente prático e de intervenção. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 17 . como uma série ou seqüência ordenada de elementos breves. resumidamente. em maior grau. atua como um incentivo para imitar tal comportamento. a serem vistas na próxima aula. Portanto. diante dos quais os alunos devem responder constantemente. Dessa primeira premissa surge a noção de “programa”. e outros com um nível mais alto de desenvolvimento teórico e conceitual específico. condutas relativamente simples. Skinner propõe dividir a matéria de aprendizagem em passos muito pequenos. Esse interesse em aplicar os princípios gerais da aprendizagem às situações escolares incorporou uma série de trabalhos. Aguardo Você! As propostas iniciais de Skinner sobre o ensino programado partem de duas premissas básicas (SKINNER. organizando-as em torno de dois campos educativos. 2000). Trataremos de dois amplos campos educativos de aplicação provenientes dos princípios do condicionamento operante e das propostas de Skinner e de seus seguidores: o ensino programado e seu uso em contextos educativos das técnicas de modificação da conduta. A primeira é a necessidade de programar de maneira mais eficiente os reforços oferecidos ao aluno para manter a intensidade do seu comportamento. algumas das propostas surgidas desses trabalhos. De acordo com esse conceito. Veremos. que apresentem modelos atrativos e que sejam dadas em momentos nas quais dedicam atenção ativa a tais modelos. Para obtê-lo. as pessoas podem ter tendência a imitar mais as condutas daqueles que recebem recompensas do que daqueles que não as recebem. o fato de ver que uma outra pessoa recebe algum tipo de recompensa ou reforço positivo ao efetuar uma determinada conduta. A pesquisa empírica da influência desses fatores na aprendizagem por observação permitiu constatar que as crianças tendem a imitar. entendido como o incentivo que o aprendiz desenvolve ao observar que é dada uma recompensa ao outro. 1954 apud WOOLFOLK. com o objetivo de argumentar tanto quanto se possa a freqüência de reforços e reduzir ao mínimo os erros. de dificuldade crescente. incentiva-se o modelo.“incentivo vicário”. próximas à sua competência cognitiva. que apresenta uma pequena informação e propõe uma pergunta ao aluno para que proporcione as respostas finais estabelecidas pelo elaborador do programa.

Esse estabelecimento gradual é obtido com o reforço sistemático e diferencial dos diversos passos e aproximações e extingue paralelamente as respostas incorretas que não sejam adequadas à conduta a ser iniciada. Simplesmente “distribuir parabéns” não melhorará o comportamento. Algumas considerações em relação ao elogio como reforço A experiência tem demonstrado que os professores podem melhorar o comportamento do aluno ignorando os transgressores e elogiando alunos que estão seguindo as regras.0 (seis). por exemplo. Muitos orientadores aconselham professores a “acentuar o positivo” – elogiar generosamente alunos por bom comportamento enquanto ignoram erros e maus comportamentos. Consiste basicamente em estabelecer. Para ser efetivo. o aluno que. mesmo que a classe toda tenha tirado nota muito maior. é possível “modelar” a conduta pelo contato social com outros companheiros reforçando de maneira sistemática e diferencial alguns comportamentos desejados. Outro exemplo. “quente” está próximo. A palavra “frio” significa estar longe. a brincadeira de “quente e frio” que consiste em dar dicas para a criança alcançar o objetivo de achar o objeto escolhido e escondido no jogo.5 (seis e meio). “fervendo”está muito próximo. Os resultados positivos encontrados na pesquisa ocorrem quando os professores elogiam cuidadosa e sistematicamente seus alunos. Sabe-se que os comportamentos persistem quando os professores usam conseqüências positivas (principalmente elogios) como únicas estratégias de manejo da sala de aula. Assim. pois o objetivo é o avanço sucessivo desse estudante. Infelizmente. mas não deveríamos esperar resolver todos os problemas de manejo da sala de aula.As técnicas de modificação de conduta favorecem os processos de aprendizagem de comportamentos novos como estratégias centradas para manter e fortalecer respostas já aprendidas e também estratégias para controlar os estímulos do ambiente associativo à realização de determinadas condutas. o elogio nem sempre é dado adequada e efetivamente. o elogio deve (1) depender do comportamento a ser reforçado (2) especificar claramente o comporUNIMES VIRTUAL 18 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . uma série de pequenos passos ou aproximações sucessivas à conduta final que é preciso instaurar até consegui-la. O “modelamento” ou técnica de aproximações sucessivas é uma das estratégias de modificação de conduta para a aprendizagem de comportamentos novos. Há uma segunda consideração ao uso do elogio. quando obtiver 6. obtém nota 6. de maneira gradual. ou seja. “morno” está se aproximando. Essa abordagem “elogie-e-ignore” pode ser útil. deverá receber um elogio. constantemente.

incentivo para realizar tarefas e que não podemos criar a dependência da presença do professor. a princípio. Pense em situações de sala de aula em que percebemos nossos alunos necessitando de apoio. o elogio deve ser o reconhecimento sincero de um comportamento bem definido para que os alunos entendam o que precisam fazer para assegurar o reconhecimento. Consiste em retirar progressivamente determinados estímulos de ajuda e suporte utilizados. Em quê. a princípio. De qualquer forma. dos pais ou amigos. O objetivo final é que o aluno possa realizar a estratégia em questão sob a sua própria responsabilidade. o processo implica que. estas considerações podem nos ajudar? UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 19 . Em outras palavras. de maneira que. perguntas etc. Outra estratégia que permite a aprendizagem de condutas novas é a atenuação. depois. pistas. ou verbais: instruções. aplicando-a em distintas situações e sem ajuda do professor ou de um adulto.tamento que está sendo reforçado e (3) ser sincero. o aluno pode cumprir a conduta sem necessidade das ajudas e dos suportes iniciais. o seu comportamento fique estabelecido sem que seja necessária qualquer ajuda. o aluno somente seja capaz de realizar a conduta com ajuda. ao final. as ajudas diminuem progressivamente em quantidade e qualidade e. As ajudas iniciais podem ser físicas ou manipulativas: como quando o educador oferece ao aluno um modelo da conduta que deve imitar. para facilitar a resposta correta do aluno.

anteriormente. a sua elaboração teórica foi desenvolvida nas primeiras décadas do século XX e não teve prioritariamente preocupações educativas. Vimos.como é possível o conhecimento? Como se pode passar de um conhecimento menor a um maior? Que papel tem o indivíduo no ato do conhecimento? Naquela época. A teoria genética proposta por Piaget é uma das teorias da aprendizagem que mais tem contribuído para a renovação do ensino. a epistemologia estava dividida entre os que defendiam que o conhecimento era simplesmente uma cópia da UNIMES VIRTUAL 20 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . mas no processo de construção dos fenômenos psicológicos ao longo do desenvolvimento humano. constituição gerada de um ser ou de um fenômeno. Agora iniciaremos um segundo grupo em que estão as teorias que definem a aprendizagem como um processo de relação do sujeito com o mundo externo e que tem conseqüências no plano da organização interna do conhecimento (organização cognitiva).origem e processo de formação a partir da origem. a teoria que define a aprendizagem pela sua conseqüência comportamental e enfatiza as condições ambientais como determinantes para sua aquisição.Aula: 02 Temática: Teoria Genética da Aprendizagem Encontramos um número bastante grande de teorias da aprendizagem. Curioso é que no caso de Piaget. a Teoria Sócio-Histórica. cujo representante é Piaget. Piaget. e Teoria Significativa. Uma abordagem genética em psicologia não é uma abordagem centrada na transmissão hereditária de características psicológicas. Dentre as Teorias Cognitivas. A teoria genética da aprendizagem A expressão “genética” neste caso refere-se à gênese . o epistemólogo Jean Piaget (1896-1980) interessa-se desde o começo pelas questões epistemológicas . cujo referencial é Ausubel. a sua elaboração teórica pode ser entendida dentro do marco teórico geral traçado por esse autor. temos a Teoria Genética. No entanto. cujo expoente é Vygotsky.

o seu conhecimento não é simplesmente uma cópia da realidade como os empiristas crêem. Para Piaget. Por esse motivo. É provável também que a importância de Piaget no campo educativo tenha sido favorecida pelo esgotamento do paradigma condutista e das teorias associativas da aprendizagem dominante do princípio do século XX e que.e que nessa construção. Contudo. de alguma maneira. Nesse contexto. ou para um jovem que experimenta a flexibilidade de uma série de blocos. o sujeito é um organismo ativo que seleciona as informações que lhe chegam do mundo exterior. Dá uma base empírica às suas preocupações epistemológicas e. Assim.eram os principais agentes no ato do conhecimento. que. essa atividade é interna. um ao lado do outro. Piaget propõe uma terceira alternativa.e não as do sujeito como um organismo organizador da informação – e em um momento em que os sentidos – muito mais que a ação . Defendia que o conhecimento vai sendo construído – não é inato . em geral. Piaget começou a defender a sua teoria em um momento em que as teorias da aprendizagem enfatizavam sobretudo as prioridades do estímulo . mental. E isso serve tanto para o bebê que explora um objeto como para uma criança que coloca. o indivíduo tem um papel especial . filtrando-as e dando-lhes sentido. muitas de suas idéias vão ser estudadas graças às respostas que crianças de diferentes idades davam quando resolviam tarefas diversas.realidade exterior e adquirido por meio dos sentidos-empirismo. Esse poderia ser o caso das crianças pequenas. porém. ainda que se possa basear em UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 21 . atuar no sentido Piagetiano não se pode traduzir necessariamente por ações e movimentos externos e visíveis. na transmissão de conhecimentos e em uma certa passividade do aluno. inspiravam métodos pedagógicos baseados na instrução direta. interessa-se pela psicologia. conhecer é atuar diante da realidade que nos envolve. O sujeito constrói o seu conhecimento No processo de aquisição de novos conhecimentos. por isso. necessitam manipular a realidade que as envolve para poder entendê-la. sobretudo àquela que lhe permite seguir o processo de evolução dos conhecimentos ao longo da vida. e os que defendiam que o conhecimento era inato-inatismo. objetos que se parecem. O sujeito conhece na medida em que modifica a realidade através de suas ações. Na maioria dos casos.

passam a ser esquemas representativos – as ações são representadas mentalmente e não representadas de forma externa. o esquema corresponde ao aspecto organizativo de uma ação. (discutido na unidade II da disciplina de Psicologia. ordena.o sujeito dota-se de novos instrumentos de compreensão .permite. Piaget pensa que a maneira de ver o mundo de uma criança de 2 anos é diferente de uma criança de 7 ou de 15 anos. de modo simultâneo. Se conhecer é atuar. repercutem claUNIMES VIRTUAL 22 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . Eis aqui um diferencial importante em relação às demais teorias.o sujeito atribui à realidade significados diferentes. ações pautadas que se ativam automaticamente diante de determinados estímulos.e permite.) Segundo Piaget. vão aparecendo outros esquemas. Seria uma interpretação “simplista“ .objetos físicos. o que é comum às diversas repetições ou aplicações da mesma ação (Piaget. Os postulados piagetianos sobre a maneira como o sujeito vai construindo os seus conhecimentos.embora freqüente do construtivismo piagetiano. que a princípio são esquemas de ação no sentido restrito. Piaget escolhe definir uma unidade básica: o esquema de ação. a estrutura que permite que essa ação possa repetir-se e ser repetida e aplicada com ligeiras modificações . a partir de certo momento. Os primeiros esquemas de que o sujeito dispõe são esquemas reflexos. Portanto. construir a realidade . O mais importante é que a interação constante entre o sujeito e a realidade . Denominam esquema de ação aquilo que em uma ação é transportável. embora possam estar no mesmo ambiente físico e social. porém.realizada por meio da assimilação e da acomodação .como o reflexo de sucção. classifica.1982). conta ou faz deduções mentais. Pouco a pouco sobre essa base inata e reflexa. Isso não significa que os conhecimentos já existem e que ele os assimile com as suas ações. Veremos porque Piaget acredita que o Desenvolvimento vem antes da Aprendizagem. ao mesmo tempo. construir novos esquemas . Fique atento! O ponto essencial do construtivismo piagetiano é que o sujeito vai construindo espontaneamente os seus conhecimentos por meio da interação com a realidade que o envolve. Um sujeito pode estar mentalmente muito ativo sem que por isso tenha de mover ou manipular objetos: quando compara.em situações distintas para conseguir objetivos similares. generalizável ou diferenciável de uma outra ou. embora sejam muitos gerais.

subordina a aprendizagem ao desenvolvimento. resumidamente. memória e pensamento. O aluno aprende de maneira natural mediante as ações que desenvolvem em interação com os objetos e pessoas. aprender.ramente na maneira de entender as aprendizagens escolares. Embora existam muitos autores que estão de acordo com esse postulado geral. • A evolução dos esquemas permite que o mundo vá sendo organizado (especialmente. esquemas que lhe servem de marcos assimiladores para adquirir novos conhecimentos. um agente central na aquisição de novos conhecimentos. o que uma pessoa pode compreender. O que um aluno é capaz de aprender depende do que já sabe. portanto. desenvolve-se na interação entre o aluno e o mundo que o envolve. sobretudo. assimilar e. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 23 . quer dizer. a seguir. O desenvolvimento cognitivo. Piaget. Oferecem uma imagem interativa do processo de aprendizagem que. A importância do nível de desenvolvimento para a aprendizagem É inegável a afirmação que a aprendizagem é um processo relativo. Piaget faz-nos ver que aquilo que o aluno aprende depende. depende do seu nível de desenvolvimento. cada um o apresenta da sua maneira. dos esquemas que construiu e da maneira de os organizar. preocupado em mostrar que os conhecimentos se constroem ao longo da vida e que essa construção adota a mesma seqüência para todos os sujeitos. temporalmente. • O bebê começa a resolver problemas práticos cada vez mais complexos. • Começa a fazer uso da imitação. • Começa a reconhecer que os objetos não deixam de existir quando estão ocultos. causalmente). segundo Piaget. • Passa das ações reflexas para a atividade voltada a um objetivo. Centram a atenção sobre a natureza construtiva e ativa do conhecimento e sobre o aprendiz. segundo Piaget foi estudado na unidade I da disciplina de Psicologia e será lembrado. Estágio sensório-motor (aproximadamente 0 a 2 anos) • Inteligência prática.

• Capaz de pensar sobre as operações logicamente em uma direção. • Pensamento combinatório (capacidade de pensar em todas as combinações e variantes possíveis de um fenômeno). • Pensamento hipotético-dedutivo (capacidade de raciocinar por meio de hipóteses). • Egocentrismo (o ponto de vista da criança domina). • Pensamento intuitivo. • Capaz de resolver problemas abstratos de maneira lógica. • Tem dificuldade de ver o ponto de vista de outra pessoa. • Desenvolve o interesse por questões sociais. classificação e seriação). • Pensamento mais lógico e racional. pois não exerce reversibilidade de pensamento. • Gradualmente desenvolve o uso da linguagem e a capacidade de pensar de forma simbólica. • Compreende a reversibilidade de pensamento. Estágio das operações formais (aproximadamente a partir dos 11 anos) • Inteligência formal (pode aplicar-se a qualquer conteúdo). baseado na percepção. UNIMES VIRTUAL 24 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . Estágio das operações concretas (aproximadamente 6 a 11 anos) • Inteligência operatória (baseada em um conjunto de operações lógicas).Estágio pré-operatório (aproximadamente 2 a 6 anos) • Inteligência simbólica ou representativa (esquemas de ações interiorizadas). • As operações permitem organizar a realidade de uma maneira mais estável (conservações.

Recorra ao quadro apresentado no início da aula. Por isso sempre dá idades aproximativas para situar os estágios de desenvolvimento. ele é interacionista.Efetivamente. ou seja. Mesmo porque. não interessa a Piaget saber em que idade aparece determinada capacidade cognitiva. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 25 . acredita que a pessoa constrói seu conhecimento na interação com o meio. ficando o desenvolvimento e aprendizagem dependentes da interação do meio. Pesquise atividades que possam estimular a aprendizagem em cada estágio de desenvolvimento infantil. ou em que idade se manifesta com mais intensidade determinado erro de raciocínio.

dúvidas e conflitos.é possível graças a um tipo de atividade que Piaget denomina abstração simples ou empírica: o sujeito identifica e extrai as propriedades dos objetos pertinentes para o seu propósito . nesse caso. Tais conflitos têm um papel dinâmico muito importante no processo de aprendizagem. principalmente os cognitivos. Veja como Piaget aborda esta questão com a aprendizagem! Apesar das ressalvas diante da intervenção externa. Neste caso. Os estudos mostram. estrutural. aparece desequilíbrio. O primeiro tipo de aprendizagem – de conteúdos específicos . mas as propriedades dos esquemas de ação aplicados aos objetos e das suas relações. Piaget e colaboradores abordaram de forma explícita a questão da aprendizagem. O segundo tipo de atividade demanda uma atividade diferente. mas das suas próprias ações . ao mesmo tempo. ocorrem poucos progressos qualitativos e nível de compreensão. por um lado.Aula: 03 Temática: Aprendizagem . desequilíbrios e conflitos Ter conflito é importante.aprendizagem no sentido restrito . Se é uma atividade embasada em constatações empíricas ou na repetição de informações factuais.nas mudanças cognitivas e qualitativas que comporta uma nova maneira de organizar os esquemas. a forma. quando o sujeito enfrenta novos dados e novos desafios que não podem ser assimilados sem mais nem menos aos seus esquemas. uma nova forma de estruturar a realidade – aprendizagem no sentido amplo.equilíbrios. Esta somente é possível se o sujeito se envolver.organizadas em esquemas e em operações. a abstração reflexionante: o sujeito pode extrair propriedades não dos objetos. a medida. Naturalmente a preocupação não recai tanto na aquisição e na incorporação de informações específicas . esses resultados apontam que. o que demanda organizar o material e coordenar e relacionar os seus esquemas de ação. o resultado de sua atividade pode conduzir a uma mudança qualitativa. o sujeito adquire não refletem as propriedades dos objetos. Por outro lado. UNIMES VIRTUAL 26 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . ao longo das sessões de aprendizagem. Os conhecimentos que. o que uma pessoa é capaz de aprender depende muito do tipo de atividade que faz.o peso.

Segundo Piaget. São a manifestação do ponto de vista de um sujeito que se encontra em um determinado nível de desenvolvimento e que. o superará. mesmo que muitas vezes esses pareçam ineficazes e tenham de modificar-se ou organizar-se de maneira mais adequada. porém essencial para poder progredir. será fácil entender que entre ambas as tendências pode haver desequilíbrios.como uma aquisição espontânea ligada ao desenvolvimento. mas que as assimila ao seu esquema. O papel central que o conflito exerce na aprendizagem conduz a propostas potencialmente conflitivas.equilíbrios. complexo e sofreu muitas modificações ao longo dos anos.Aprendizagem . A partir dessa teoria. Enquanto a tendência natural de qualquer sujeito é assimilar a realidade aos seus esquemas. Isso ocorre quando o sujeito se dá conta que a aplicação de um esquema ou a coordenação de diversos esquemas para resolver um determinado problema leva a um resultado que ele julga insatisfatório. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 27 . em alguns casos. O que interessa destacar aqui é que a aquisição de novos conhecimentos . Se lembrarmos dos intercâmbios entre o sujeito e a realidade do seu meio em termos de assimilação/acomodação. surge uma outra tendência também necessária que consiste em modificar esses esquemas segundo a realidade que se assimila. nas quais os alunos têm oportunidade de estabelecer novas relações e de atingir uma compreensão mais avançada. que requerem ajustes e modificações dos esquemas. os erros não são nada mais que o resultado visível de um processo dinâmico que dirige todo o desenvolvimento: a tendência ao equilíbrio – denominada equilibração – nas interações entre o sujeito e seu meio. A tendência para restaurar um novo equilíbrio entre a atividade assimiladora do sujeito e as particularidades da realidade que exigem mudanças está presente ao longo de todo o desenvolvimento. São também indícios de que o sujeito não incorpora passivamente as informações do seu meio. certamente insuficiente. são acompanhados de um sentimento de conflito e até de contradição. com o tempo.implica. Os desequilíbrios podem manifestar-se em forma de erros e. Esses dois processos provocam desequilíbrios inevitáveis.novos equilíbrios . os erros são interpretados como indicadores de uma atividade organizadora e assimiladora. para Piaget.desequilíbrios etc. ou diretamente ligada a uma situação específica do ensino . uma sucessão de desequilíbrios – ajustes . desequilíbrios e conflitos Poucas teorias têm atribuído ao erro um lugar tão central como a teoria genética. O modelo de equilibração de Piaget é abstrato.

em algum momento. Esse modelo. Graças a Piaget. aspectos da realidade difíceis de assimilar e que isso provocará conflitos e uma tentativa de superá-los. em todos os sujeitos e que ocorre em condições mínimas de interação. sobretudo. culturalmente selecionadas para a escola. descobre. No entanto. o modelo de Piaget mais interessado em dar explicações sobre a evolução espontânea das capacidades lógicas dos alunos. em vez de explicar os mecanismos mais específicos de aprendizagem em situações escolares. como também demandam ser levados em consideração outros mecanismos de natureza social e cultural. nas primeiras etapas do desenvolvimento. o conflito não aparece somente na interação aluno-tarefa. temos um modelo de funcionamento individual e uma explicação dos mecanismos gerais por meio dos quais os alunos podem adquirir novos conhecimentos. ao longo do seu desenvolvimento. que pode servir para adquirir alguns conhecimentos gerais que aparecem. Esses últimos não somente demandam a intervenção de fatores específicos ligados à natureza do conteúdo. é incapaz de explicar as condições de aprendizagens mais específicas.Muitas dessas situações consistem em tarefas nas quais a exploração e a manipulação de materiais diversos são elementos essenciais de aprendizagem. elaborar tarefas. mas também entre alunos. organizar atividades na aula e entender as dificuldades que os alunos apresentam de acordo com as suas capacidades cognitivas. supõe-se que os alunos deveriam encarar. Ao mesmo tempo. A visão que Piaget nos oferece de aprendizagem tem a grande virtude de apontar a importância central do ponto de vista do aluno e a sua atividade em qualquer aquisição de conhecimento. analisa e estrutura a realidade graças à sua interação diretamente com o mundo físico. quando se deve coordenar pontos de vista diferentes sobre um mesmo fenômeno. desemboca em um modelo de aprendizagem espontâneo no qual o aluno. por si próprio. Também é essencial quando necessitamos planejar situações educativas que potencializem o papel intuitivo e criativo dos alunos e que se distanciem de modelos de transmissão passiva da informação (Piaget. E isso é essencial quando devemos delinear programas.1987). Em outros casos. Outras propostas de ensino baseiam-se no delineamento de situações que demandam o surgimento e a confrontação de pontos de vista divergentes quando se trata de descrever ou explicar algum fenômeno novo. UNIMES VIRTUAL 28 TEORIAS DA APRENDIZAGEM .

de um lado. parece pouco propícia à constituição de saberes gerais e torna difícil a integração e a recuperação dos mesmos na memória. segundo a Teoria do Condutismo ou Behaviorismo permitiu progressos incontestáveis no conhecimento das leis funcionais elementares que regem as aprendizagens simples. necessária. A Teoria Condutista apresenta pelo menos dois inconvenientes. O ensino tradicional enfatiza os aspectos figurativos do pensamento (as realizações) e considera o conhecimento como um acúmulo linear de conhecimentos enciclopédicos ou de técnicas. por sua vez à construção das aprendizagens. oferece um quadro de reflexão largamente importante para a educação. muitas vezes sem visão de conjunto. De outro. sendo suficiente a simples observação da atividade do outro para a estruturação de conhecimentos. O conflito cognitivo expressa a idéia que a conscientização pelo indivíduo de que existe uma resposta diferente da sua numa situação determinada provoca uma tensão interna de natureza cognitiva. Daí o fracionamento dos conteúdos e das tarefas de aprendizagem. Aprendizagem. tornando-se mediador entre conhecimentos e aluno. facilita a descoberta das noções e elaboração dos saberes e das competências. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 29 . Num tal dispositivo. enfatizando a dimensão quantitativa dos saberes. a pensar e a valorizar os aspectos operativos do pensamento (processos internos. bem como a hierarquização dos conhecimentos a serem adquiridos numa ordem linear e acumulativa. Mas constitui uma redução da realidade. As estratégias e os procedimentos utilizados pelo aprendiz ocupam um lugar essencial no êxito de suas aprendizagens. estruturalista e interacionista ao mesmo tempo. Evidenciar o papel benéfico do conflito cognitivo confere à abordagem piagetiana uma verdadeira dimensão educativa. cujo referencial é Piaget para a aprendizagem.Apresentaremos a seguir algumas contribuições e limites do condutismo e do cognitivismo. a fazer com que a criança experimente. define a escola como ambiente que deve estimular e favorecer esse processo de autoconstrução. pois exclui de sua análise os processos mentais dos indivíduos e não da conta das aprendizagens complexas tais como a aquisição da linguagem. deixa para segundo plano as condições nas quais as aquisições são realizadas. O modelo de desenvolvimento intelectual que Piaget propõe. a favorecer a manipulação para que possa tirar daí as leis abstratas. o professor. assim desenvolvida pelo aluno. torna-se uma poderosa fonte de motivação intrínseca. operações mentais). Visa ensinar. de apresentá-los à criança sob uma forma pré-estabelecida. Ao ressaltar o papel determinante da atividade da criança na aprendizagem. A atividade.

UNIMES VIRTUAL 30 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . Piaget negligencia o papel desempenhado pelos sistemas de representação (linguagem. para isto. a aprendizagem é igualmente a relação de um sujeito com um objeto e uma tarefa.O modelo piagetiano tem. se preocupar com os componentes e as imposições do sistema cognitivo. Continue pensando nelas. Um nível de análise estritamente intra-individual ou determinista do ambiente é certamente insuficiente para explicar as aquisições e os desempenhos cognitivos. deve-se também estudar seus mecanismos no indivíduo e. memória. Para que se compreenda a aprendizagem. Por um lado. Ora.. Por outro lado. não considera as diferenças entre os indivíduos ao que se refere às influências sociais. Para a educação escolar é sensato pensar que é a combinação de situações individuais e de situações de interação social que oferecem as condições de aprendizagem.). um sujeito confrontando individualmente com um certo número de tarefas cujos conhecimentos e habilidades são. a manipular informação simbólica. contudo. Todo educando é. Por outro lado. conforme veremos na próxima Unidade. na maioria. um sujeito concebido como capaz de adaptar-se às diversas situações é levado.. seus limites. restritas ao espaço lógico-matemático. ao atribuir um lugar predominante à atividade do sujeito. certamente. ao subordinar as aprendizagens apenas ao desenvolvimento das operações mentais. frutos de uma interação social. As contribuições e limites não param por aqui. acima de tudo.

A Teoria Sócio-Histórica da Aprendizagem considera que a interação do indivíduo com o meio social é o componente determinante de suas aquisições cognitivas. • O homem é um ser histórico. O processo de trabalho (transformação da natureza) é o processo privilegiado nessas relações homem/mundo.Aula: 04 Temática: Teoria Sócio-Histórica da Aprendizagem Compreender o papel do meio social na aprendizagem do homem tem sido uma das maiores preocupações das teorias da aprendizagem. UNIMES VIRTUAL 36 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . que se constrói através de suas relações com o mundo natural e social. política e espiritual do homem. Seus Fundamentos Vygotsky é o estudioso mais conhecido da corrente sociocognitiva ou sócio-histórica ou do interacionismo social. Veja seus fundamentos e representantes. Observe em que contexto surgiram seus estudos e como as idéias marxistas influenciaram os alicerces da Teoria Sócio-Histórica da Aprendizagem. Vygotsky via no materialismo histórico e dialético de Marx e Engels uma fonte importante para suas próprias elaborações teóricas. Alguns postulados básicos do marxismo claramente incorporados por Vygotsky são: • O modo de produção da vida material condiciona a vida social. Lev Vygotsky (1896 -1934) Idéias marxistas que influenciaram Vygotsky Marcado pela orientação predominante na União Soviética pós-revolucionária.

sem preocupação com a análise desses fenômenos em componentes mais simples. química etc). tomando o homem basicamente como corpo. Foi justamente na tentativa de superar essa crise da psicologia que Vygotsky e seus colaboradores buscaram uma abordagem alternativa. subjetiva e dirigida a fenômenos globais. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 37 . É um sistema dinâmico e contraditório. que procurava explicar processos elementares sensoriais e reflexos. Assim. que possibilitasse uma síntese entre as duas abordagens predominantes naquele momento. tomando o homem como mente. • As transformações qualitativas ocorrem por meio da chamada “síntese dialética” onde. a partir de elementos presentes numa determinada situação. Contexto das ciências Vygotsky viveu em um momento (1896 -1934) em que se buscava a construção de uma “nova psicologia” ou de uma ciência que estudasse a aprendizagem e o desenvolvimento humano. Ela atenderia a uma síntese entre duas fortes tendências presentes na psicologia do início do século XX. como membro da espécie humana e participante de um processo histórico. numa mesma perspectiva. consciência e espírito. que precisa ser compreendido como processo em mudança. fenômenos novos emergem. Essa é exatamente a concepção de síntese utilizada por Vygotsky ao longo de toda a sua obra. mais facilmente analisáveis. em desenvolvimento. como ser biológico e ser social.• A sociedade humana é uma totalidade em constante transformação. a abordagem que busca uma síntese para a psicologia integra. que descrevia as propriedades dos processos psicológicos superiores. que procurava aproximar seus métodos daqueles das outras ciências experimentais (física. Essa segunda tendência coloca a psicologia como sendo mais próxima da filosofia e das ciências humanas. Essa tendência relacionava-se com a psicologia experimental. preocupando-se com a quantificação de fenômenos observáveis e com a sub-divisão dos processos complexos em partes menores. De um lado. com uma abordagem descritiva. De outro lado havia a psicologia como ciência mental. a psicologia como ciência natural. o homem como corpo e mente.

que nos remete ao terceiro pressuposto vygotskiano e as funções psicológicas superiores são grandes diferenciadores desta Teoria. cuja estrutura e modos de funcionamento são moldados ao longo da história da espécie e do desenvolvimento individual. particularmente no que se refere às funções psicológicas superiores. as quais desenvolvem-se num processo histórico. como reflexos. • O funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais entre o indivíduo e o mundo exterior. • A relação homem/mundo é uma relação mediada por sistemas simbólicos. Os processos psicológicos superiores se diferenciam de mecanismos mais elementares. Essa diferenciação é essencial para a compreensão do funcionamento humano e foco privilegiado da preocupação de Vygotsky. sobre os três pilares básicos do pensamento de Vygotsky: • As funções psicológicas têm um suporte biológico. pois são produto da atividade cerebral. memorização. atenção voluntária. UNIMES VIRTUAL 38 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . Funções Psicológicas Superiores Funções ou processos psicológicos superiores são aqueles que caracterizam o funcionamento psicológico tipicamente humano: ações conscientemente controladas.que toca o outro extremo do funcionamento humano . está baseado fortemente nos modos culturalmente construídos de ordenar o real. mas um sistema aberto. descontextualizado. universal: o funcionamento psicológico. pensamento abstrato. Não podemos pensar o desenvolvimento psicológico como um processo abstrato. de grande plasticidade. tipicamente humanas. reações automáticas. A concepção de uma base material em desenvolvimento ao longo da vida do indivíduo e da espécie humana está diretamente ligada ao segundo pressuposto do trabalho de Vygotsky . associações simples. Compreende-se que o cérebro não é um sistema de funções fixas e imutáveis. comportamento intencional.Refletiremos. O conceito de mediação. num processo em que a cultura é parte essencial da constituição da natureza humana.o homem transforma-se de biológico em sócio-histórico.

resposta é substituído por um ato complexo. mas fundamentalmente. a relação entre o fio desencapado e a retirada da mão estará mediada pela lembrança da experiência anterior. Ao longo do desenvolvimento do indivíduo as relações mediadas passam a predominar sobre as relações diretas. é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação. Vygotsky distinguiu dois tipos de elementos mediadores: os instrumentos e os signos. Vygotsky trabalha. em outro caso. de ser direta e passa a ser mediada por esse elemento. A presença de elementos mediadores introduz um elo a mais nas relações organismo/meio. o indivíduo retirar a mão quando alguém lhe disser que pode tomar um choque. Se. tornando-as mais complexas. Se. com a noção de que a relação do homem com o mundo não é uma relação direta. em termos genéricos. 1984. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 39 . então. mediado da seguinte forma: S R S = estímulo R = resposta X X = elo intermediário ou X elemento mediador Nesse novo processo o impulso direto para reagir é inibido. a relação estará mediada.]o processo simples estímulo . p. As funções psicológicas superiores apresentam uma estrutura tal que entre o homem e o mundo real existem mediadores. Quando um indivíduo aproxima sua mão de um fio desencapado e a retira rapidamente ao sentir um choque.45). a relação deixa. no entanto. ferramentas auxiliares da atividade humana. e é incorporado um estímulo auxiliar que facilita a complementação da operação por meios indiretos” (Vygotsky. então.Mediação Simbólica Mediação.. uma relação mediada. está estabelecida uma relação direta entre o choque e a retirada da mão. “[.. o indivíduo retirar a mão quando observar o fio desencapado e lembrar-se da dor sentida em outra ocasião.

• A máquina de costura é um instrumento de trabalho da costureira. Exemplos • O martelo é um instrumento do marceneiro. como o homem. Na próxima aula estudaremos os signos. UNIMES VIRTUAL 40 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . • O giz é um instrumento do professor. Ele carrega consigo. É um objeto social e mediador da relação entre o indivíduo e o mundo. a função para a qual foi criado e o modo de utilização desenvolvido durante a história do trabalho coletivo. portanto. Os animais são capazes de transformar o ambiente num momento específico. ampliando as possibilidades de transformação da natureza.O instrumento é um elemento interposto entre o trabalhador e o objeto de seu trabalho. O instrumento é feito ou buscado especialmente para um certo objetivo. segundo a teoria de Vygostsky. mas não desenvolvem sua relação com o meio num processo histórico-cultural.

O uso dos signos A invenção e o uso de signos como meios auxiliares para solucionar um dado problema psicológico (comparar coisas. também chamados por Vygotsky de “instrumentos psicológicos” são ferramentas que auxiliam nos processos psicológicos em diversas situações conforme veremos a seguir. pois. uma ação motora dominada por uma escolha prévia. sobretudo. O processo de mediação possibilita um comportamento mais controlado. o uso de mediadores aumenta a capacidade de atenção e de memória e. mais poderosa que a memória não mediada. ferramentas auxiliares no controle da atividade psicológica e. A memória mediada por signos é. também. escolher etc) é análoga à invenção e uso de instrumentos. isto é. que auxilia o homem em tarefas que exigem memória ou atenção. fazendo uma analogia entre o papel dos instrumentos de trabalho na transformação e no controle da natureza. relatar. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 41 . Na sua forma mais elementar o signo é uma marca externa. Os sistemas simbólicos e o processo de internalização Em uma analogia com os instrumentos de trabalho que os signos aparecem como marcas externas fornecem um suporte concreto para a ação do homem no mundo. por sua vez. menos impulsiva. 1984). A ação psicológica torna-se mais sofisticada. permite maior controle voluntário do sujeito sobre sua atividade. O signo age como um instrumento de atividade psicológica de maneira análoga ao papel de um instrumento no trabalho (Vygotsky. o processo de internalização dos significados que é um dos principais mecanismos a serem compreendidos no estudo do ser humano. Os signos. Agora discutiremos o papel dos signos enquanto instrumentos psicológicos.Aula: 05 Temática: Os sistemas simbólicos e o processo de internalização dos significados Vimos que Vygotsky trabalha com a função mediadora dos instrumentos na atividade humana. só que agora no campo psicológico.

o indivíduo deixa de necessitar de marcas externas e passa a utilizar signos internos. seja através dos diversos elementos do ambiente culturalmente estruturado (escola. Os sistemas de representação da realidade – a linguagem é o sistema simbólico de todos os grupos humanos – são. É o grupo social onde o indivíduo se desenvolve que fornece formas de perceber e organizar o real. Como mediadores entre o indivíduo e o mundo real. A interação face a face entre os indivíduos desempenha um papel fundamental na construção do ser humano: é através da relação interpessoal concreta com outros homens que o indivíduo vai chegar a interiorizar as formas culturalmente estabelecidas de funcionamento psicológico. representações mentais que substituem os objetos do mundo real. de acordo com os modos culturalmente construídos de ordenar o real. imaginar. cinema etc) fornece a matéria-prima para o desenvolvimento psicológico do indivíduo. Portanto. socialmente dados. Essa capacidade de lidar com representações que substituem o próprio real é que possibilita ao homem libertar-se do espaço e do tempo presentes. fazer relações mentais na ausência das próprias coisas. seja diretamente com outros membros da cultura. esses sistemas de representação da realidade consistem numa espécie de “filtro” através do qual o homem será capaz de ver o mundo e operar sobre ele. Ao longo do processo de desenvolvimento. onde cada sujeito é ativo e onde acontece a interação entre o mundo cultural e o mundo subjetivo de cada um. portanto. É a partir de sua experiência com o mundo objetivo e do contato com as formas culturalmente determinadas de organização do real (e com os signos fornecidos pela cultura) que os indivíduos vão construir seu sistema de signos. as quais vão constituir os instrumentos psicológicos que fazem a mediação entre o indivíduo e o mundo. Os grupos culturais em que as crianças nascem e se desenvolvem funcionam no sentido de produzir adultos que operam psicologicamente de uma maneira particular. UNIMES VIRTUAL 42 TEORIAS DA APRENDIZAGEM .O processo de internalização como a utilização de sistemas simbólicos são essenciais para o desenvolvimento dos processos mentais superiores e evidenciam a importância das relações sociais entre os indivíduos na construção dos processos psicológicos. fazer planos e ter intenções. isto é. teatro. A vida social é um processo dinâmico. a interação social. o qual consistirá numa espécie de “código” para decifração do mundo.

Do ponto de vista do bebê. Reflita sobre este exemplo e acompanhe a trajetória das explicações. uma tentativa mal sucedida de alcançar o objeto. pois. ocorre uma transformação na situação. se dá “de fora para dentro“. sem conseguir tocá-lo. passa a ser dirigido para outra pessoa. A partir dessa interpretação é que será possível atribuir significados a suas próprias ações e desenvolver processos psicológicos internos que podem ser interpretados por ele próprio a partir dos mecanismos estabelecidos pelo grupo cultural e compreendidos por meio dos códigos compartilhados pelos membros desse grupo. por exemplo . um processo de absorção passiva. um dos principais mecanismos a serem compreendidos no estudo do ser humano. de síntese. como uma interação orientada não mais para o objeto. Aquele movimento que era uma relação entre a criança e o chocalho. na criança. Estica a mão na direção do chocalho fazendo.O processo pelo qual o indivíduo internaliza a matéria-prima fornecida pela cultura não é. Quando um adulto vê essa cena. Esse processo é. primeiramente o indivíduo realiza ações externas. como um exemplo que ilustra o processo de internalização de significados dados culturalmente. o adulto provavelmente reage dando o chocalho para a criança. Inicialmente o bebê tenta pegar. com a mão. O processo de desenvolvimento do ser humano. o individuo “tomasse posse” das formas de comportamento fornecidos pela cultura. a própria criança começa a incorporar o significado atribuído pelo adulto à situação e a compreender seu próprio gesto como sendo um gesto de apontar um objeto desejado. um objeto . que são interpretadas pelas pessoas ao seu redor. É como se. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 43 . de acordo com os significados culturalmente estabelecidos.que está fora de seu alcance. Vygotsky utiliza o desenvolvimento do gesto de apontar. Isto é. marcado por sua inserção em determinado grupo cultural. uma relação externa entre ele e esse chocalho. um movimento de pegar.um chocalho. este é um gesto dirigido ao chocalho. Na verdade estará interpretando aquele movimento mal sucedido de pegar o objeto como tendo o significado “Eu quero pegar o chocalho”. no ar. O movimento de pegar transforma-se no ato de apontar. intrapsicológicas. ao longo do seu desenvolvimento. mas para outra pessoa. Observando a tentativa da criança de pegar o chocalho. Ao longo de várias experiências semelhantes. mas de transformação. entretanto. num processo em que as atividades externas e funções interpessoais transformam-se em atividades internas. para Vygotsky.

UNIMES VIRTUAL 44 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . Essa função de comunicação com os outros é bem visível no bebê que está começando a falar: ele não sabe ainda articular palavras. nas relações sociais entre o indivíduo e os outros homens: para Vygotsky o fundamento do funcionamento psicológico tipicamente humano é o social. A linguagem ordena o real. carregados de significado cultural . inicialmente. eventos e situações do mundo real. a linguagem exercem um papel fundamental na comunicação entre os indivíduos e no estabelecimento de significados compartilhados que permitem interpretações de objetos. agrupando todas as ocorrências de uma mesma classe de objetos. A principal função é de intercâmbio social e de pensamento generalizante. situações. É a necessidade de comunicação que impulsiona. essencial para a compreensão do funcionamento psicológico do ser humano. pois. Essa função do pensamento generalizante que torna a linguagem um instrumento do pensamento: a linguagem fornece os conceitos e as formas de organização do real que constituem a mediação entre o sujeito e o objeto de conhecimento. Os sistemas simbólicos e. O Intercâmbio social é para se comunicar com seus semelhantes e para isso o homem cria e utiliza os sistemas de linguagem. A compreensão das relações entre pensamento e linguagem é. As origens das funções psicológicas superiores devem ser buscadas. signos e todos os elementos do ambiente humano.instrumentos. particularmente. sob uma mesma categoria conceitual. mas consegue comunicar seus desejos e seus estados emocionais aos outros através de sons. assim. O fenômeno que gera a segunda função da linguagem é o pensamento generalizante. nem é capaz de compreender o significado preciso das palavras utilizadas pelos adultos. eventos.são fornecidos pelas relações entre os homens. gestos e expressões.O significado do gesto é inicialmente estabelecido por uma situação objetiva. o desenvolvimento da linguagem. histórico. Vygotsky trabalha com duas funções básicas da linguagem. portanto. Os elementos mediadores na relação entre o homem e o mundo . a partir da interpretação dos outros. depois interpretado pelas pessoas que cercam a criança e a seguir incorporado pela própria criança.

primeiramente o indivíduo realiza ações externas. que são interpretadas pelas pessoas ao seu redor. marcado por sua inserção em determinado grupo cultural. se dá “de fora para dentro”.Crianças de 3 a 5 anos Reflita Processo de desenvolvimento do ser humano. Em que ponto esta afirmação converge para o exemplo do início da aula? Você concorda? UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 45 . Isto é. de acordo com os significados culturalmente estabelecidos.

Nessa fase de seu desenvolvimento. ocorre um processo semelhante àquele descrito para a história da espécie humana. Na evolução do indivíduo. observada desde o seu nascimento. sem mediação de representações simbólicas. A interação com membros mais maduros da cultura. embora não domine a linguagem enquanto sistema simbólico. antes que ocorra a estreita ligação entre esses dois fenômenos. também.histórico A linguagem é o sistema simbólico básico da humanidade. uma fase pré-verbal no desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem. já utiliza manifestações verbais. Veremos sua importância juntamente com o pensamento para possibilitar a passagem do homem predominantemente biológico para um ser sócio-histórico. UNIMES VIRTUAL 46 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . num determinado momento do desenvolvimento da criança (por volta dos dois anos de idade) o percurso do pensamento encontra-se com o da linguagem e inicia-se uma nova forma de funcionamento psicológico: a fala torna-se intelectual. Esta fase pré-verbal do desenvolvimento do pensamento pode ser associada ao período sensório-motor descrito por Piaget. o riso e o balbucio da criança pequena têm clara função de alívio emocional. é que vai provocar o salto qualitativo para o desenvolvimento verbal. de utilizar instrumentos e meios indiretos para conseguir determinados objetivos. com função simbólica. de comunicação difusa com outras pessoas. No desenvolvimento da espécie humana. a criança demonstra capacidade de resolver problemas práticos. no qual a ação da criança no mundo é feita por meio de sensações e movimentos. existe.Aula: 06 Temática: Pensamento e Linguagem – passagem do biológico para o sócio . O pensamento e a linguagem têm origens diferentes e desenvolvem-se segundo trajetórias diferentes e independentes. O choro. na criança até dois anos de idade. Antes de o pensamento e a linguagem se associarem. que já dispõem de uma linguagem estruturada. generalizante. a criança. mediado por significados dados pela linguagem. Antes de dominar a linguagem. mas também servem como meio de contato social. e o pensamento torna-se verbal.

por sua vez. de manter um contato social. compartilhado por todas as pessoas que a utilizam. que se completará em fases mais avançadas da aquisição da linguagem. então. interpsíquica. O significado propriamente dito. a internalização do discurso é um processo gradual. O sistema de relações e generalizações contidas numa palavra muda ao longo do desenvolvimento humano. A criança primeiramente utiliza a fala socializada. refere-se ao significado da palavra para cada indivíduo. Vygotsky distingue dois componentes do significado da palavra: o significado propriamente dito e o “sentido”. Com o desenvolvimento é que ela passa a ser capaz de utilizar a linguagem como instrumento de pensamento. O sentido. refere-se aos sistemas de relações objetivas que se formou no processo de desenvolvimento da palavra.Quando os processos de desenvolvimento do pensamento e da linguagem se unem. Vygotsky não chegou a formular uma concepção estruturada do desenvolvimento humano. mediado pelo sistema simbólico da linguagem. dos grupos culturais. consistindo num núcleo relativamente estável de compreensão da palavra. O significado das palavras Similar ao que acontece na história de uma língua. Ainda que o desenvolvimento (da espécie. isto é. intrapsíquica. O discurso interior e a fala egocêntrica Vygotsky postula para o processo de desenvolvimento do pensamento e da linguagem a mesma trajetória das outras funções psicológicas. a partir da qual pudéssemos interpretar o processo de construção psicológica do nascimento até a idade adulta. o pensamento verbal e a linguagem racional. Por volta dos dois anos o pensamento verbal passa a predominar na ação psicológica tipicamente humana e transforma o homem de um ser predominantemente biológico para um ser sócio-histórico. a transformação dos significados também ocorre no processo de aquisição da linguagem pela criança. com a função de adaptação pessoal. surgindo. composto por relações que dizem respeito ao contexto de uso da palavra e às vivências afetivas do indivíduo. dos indivíduos) seja objeto privilegiado de suas investigações Vygotsky não nos oferece uma UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 47 . o ser humano passa a ter a possibilidade de um modo de funcionamento psicológico mais sofisticado. para a atividade individualizada. com a função de comunicar. O percurso é da atividade social.

2001. o aprendizado está relacionado ao desenvolvimento e é “um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas” (VYGOTSKY. p. aquele que ensina a relação entre essas pessoas. atitudes. 1984.interpretação completa do percurso psicológico do ser humano. Vygotsky enfatiza a importância dos processos de aprendizado. a partir de seu contato com a realidade. habilidades. mas “é o aprendizado que possibilita o despertar de processos internos de desenvolvimento que. não ocorreriam” (Oliveira. Ao lado de sua preocupação constante com a questão do desenvolvimento. o meio ambiente. As funções psicológicas que fazem parte do nível de desenvolvimento real da criança em determinado momento de sua vida são aquelas bem estabelecidas naquele momento. O conceito de zona de desenvolvimento proximal Essa concepção de que é o aprendizado que possibilita o despertar de processos internos do indivíduo liga o desenvolvimento da pessoa a sua relação com o ambiente sócio-cultural em que vive e a sua situação de organismo que não se desenvolve plenamente sem o suporte de outros indivíduos de sua espécie. a idéia de aprendizado inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos no processo. conquistadas pela criança. Existe um percurso de desenvolvimento. São resultados de processos de desenvolvimento já completados. p. consolidados. Aprendizado ou aprendizagem É o processo pelo qual o indivíduo adquire informações. isto sim. reflexos e dados de pesquisa sobre vários aspectos do desenvolvimento. Para Vygotsky. Para ele. pertencente à espécie humana. 56). Vygotsky denomina a capacidade de realizar de forma independente do nível de desenvolvimento real. O nível de desenvolvimento real da criança refere-se à etapas já alcançadas. valores etc. justamente por sua ênfase nos processos sócio-históricos. oferecenos. as outras pessoas. não fosse o contato do indivíduo com certo ambiente cultural. desde o nascimento da criança. UNIMES VIRTUAL 48 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . O termo que ele utiliza em russo “obuchenie” significa algo como “processo de ensino-aprendizagem” incluindo sempre aquele que aprende.101). em parte definido pelo processo de maturação do organismo individual.

É na zona de desenvolvimento proximal que a interferência de outros indivíduos é a mais transformadora.97) A zona de desenvolvimento proximal é um domínio psicológico em constante transformação: aquilo que a criança é capaz de fazer com a ajuda de alguém hoje. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 49 . não necessitam da ação externa para serem desencadeados. não se beneficiam dessa ação externa. mas etapas posteriores. vão tornar-se parte das funções psicológicas consolidadas do indivíduo.que Vygotsky define a zona de desenvolvimento proximal como: “a distância entre o nível de desenvolvimento real. A idéia de nível de desenvolvimento potencial capta um momento do desenvolvimento que caracteriza não as etapas já alcançadas. que se costuma determinar através da solução independente de problemas. os adultos e as crianças mais experientes contribuem para movimentar os processos de desenvolvimento dos membros mais jovens da cultura. processos ainda nem iniciados. p. mas também seu nível de desenvolvimento potencial. isto é. ela conseguirá fazer sozinha amanhã.Considera que. para compreender adequadamente o desenvolvimento. Processos já consolidados. aos poucos. e o nível de desenvolvimento potencial. o aprendizado desperta processos de desenvolvimento que. É como se o processo de desenvolvimento progredisse mais lentamente que o processo de aprendizado. 1984. Só se beneficiaria do auxílio em uma tarefa a criança que ainda não aprendeu bem a fazê-lo. por outro lado. a capacidade de desempenhar tarefas com a ajuda de adultos ou de companheiros mais capazes. Há tarefas que uma criança não é capaz de realizar sozinha. Interferindo constantemente na zona de desenvolvimento proximal das crianças. por um lado. nas quais a interferência de outras pessoas afeta significativamente o resultado da ação individual. (Vygotsky. mas que se torna capaz de realizar se alguém lhe der orientação. determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou a colaboração com companheiros mais capazes”. já consolidadas. devemos considerar não apenas o nível de desenvolvimento real da criança. fornecer pistas ou assistência durante suas experiências. mas já desencadeou o processo de desenvolvimento dessa habilidade. É a partir da postulação da existência desses dois níveis de desenvolvimento – real e potencial . fizer uma demonstração.

Crianças 7-9 anos – Atividades em grupo UNIMES VIRTUAL 50 TEORIAS DA APRENDIZAGEM .

é aquele que se adianta ao desenvolvimento. o caminho do aprendizado. A intervenção de outras pessoas . a intervenção é um processo pedagógico privilegiado. Se o aprendizado impulsiona o desenvolvimento.que. O único bom ensino. em contato constante com animais para crianças que vivem em cidades e conhecem animais por vias mais indiretas. funcionando realmente como um motor de novas conquistas psicológicas. tomando como ponto de partida o nível de desenvolvimento real da criança – num dado momento e com relação a um determinado conteúdo a ser desenvolvido – e como ponto de chegada os objetivos estabelecidos pela escola. Os procedimentos regulares que ocorrem na escola – demonstração. supostamente adequados à faixa etária e ao nível de conhecimentos e habilidades de cada grupo de crianças. então a escola tem o papel essencial na construção do ser psicológico adulto dos indivíduos que vivem em sociedades escolarizadas. a escola dirigir o ensino não para etapas intelectuais já alcançadas.são fundamentais na promoção do “bom ensino”.Aula: 07 Temática: Zona de Desenvolvimento Proximal e o papel do Professor O papel do professor na aprendizagem escolar A implicação dessa concepção de Vygotsky para o ensino escolar é imediata. no caso específico da escola. são o professor e as UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 51 . é o próprio objetivo do processo escolar. O processo de ensino aprendizado na escola deve ser construído. instruções . isto é. mas sim para estágios de desenvolvimento ainda não incorporados pelos alunos. provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente. conhecendo o nível de desenvolvimento dos alunos. afirma Vygotsky. pelo seu nível de desenvolvimento potencial. Será muito diferente ensinar. O professor tem o papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos. a criança não tem condições de percorrer. fornecimento de pistas. Mas o desempenho desse papel só se dará adequadamente quando. O percurso a ser seguido nesse processo estará balizado também pelas possibilidades das crianças. Para a criança que freqüenta a escola. sozinha. por exemplo. isto é. o aprendizado escolar é o elemento central no seu desenvolvimento. a distinção entre aves e mamíferos para crianças que vivem na zona rural. Como na escola o aprendizado é um resultado desejável.

demais crianças – é fundamental para a promoção do desenvolvimento do indivíduo. Embora Vygotsky enfatize o papel da intervenção no desenvolvimento, seu objetivo é trabalhar com a importância do meio cultural e das relações entre indivíduos na definição de um percurso de desenvolvimento da pessoa humana, e não propor uma pedagogia diretiva, autoritária. Vygotsky trabalha explícita e constantemente com a idéia de reconstrução, de reelaboração, por parte do indivíduo, dos significados que lhe são transmitidos pelo grupo cultural. Ligado aos procedimentos escolares, mas não restrito à situação escolar, está o mecanismo de imitação, destacado explicitamente por Vygotsky. Imitação, para ele, não é mera cópia de um modelo, mas reconstrução individual daquilo que é observado nos outros. Essa reconstrução é balizada pelas possibilidades psicológicas da criança que realiza a imitação e constitui, para ela, criação de algo novo a partir do que observa no outro. Vygotsky não toma a atividade imitativa, portanto, como um processo mecânico, mas sim como uma oportunidade de a criança realizar ações que estão além das suas próprias capacidades, o que contribuiria para seu desenvolvimento. Com relação à atividade escolar, é interessante destacar que a interação entre os alunos também provoca intervenções no desenvolvimento das crianças. Os grupos de crianças são sempre heterogêneos quanto ao conhecimento já adquirido nas diversas áreas e uma criança mais avançada num determinado assunto pode contribuir para o desenvolvimento das outras. Assim como o adulto, uma criança também pode funcionar como mediadora entre uma outra criança e as ações e significados estabelecidos como relevantes no interior da cultura. Se o professor dá uma tarefa individual aos alunos em sala de aula, por exemplo, a troca de informações e de estratégias entre as crianças não deve ser considerada como procedimento errado, pois pode tornar a tarefa um projeto coletivo extremamente produtivo para cada criança. Do mesmo modo, quando um aluno recorre ao professor (ou aos pais, em casa) como fonte de informação para ajudá-lo a resolver algum tipo de problema escolar, não está burlando as regras do aprendizado, mas, ao contrário, utilizando-se de recursos legítimos para promover seu próprio desenvolvimento. Brinquedo: aprendizagem e desenvolvimento Quando Vygotsky discute o papel do brinquedo, refere-se especificamente à brincadeira de “faz-de-conta”, como brincar de casinha, brincar de escolinha, brincar com um cabo de vassoura como se fosse um cavalo. UNIMES VIRTUAL
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Faz referência a outros tipos de brinquedo, mas a brincadeira de “faz-deconta” é privilegiada em sua discussão sobre o papel do brinquedo na aprendizagem e no desenvolvimento. Em uma situação imaginária como a brincadeira de “faz-de-conta”, a criança é levada a agir num mundo imaginário onde a situação é definida pelo significado estabelecido pela brincadeira e não pelos elementos reais concretamente presentes. O brinquedo serve como uma representação de uma realidade ausente e ajuda a criança a separar objeto e significado. Constitui um passo importante no percurso que a levará a ser capaz de, como pensamento adulto, desvincular-se totalmente das situações concretas. O brinquedo provê, assim, uma situação de transição entre a ação da criança com objetos concretos e suas ações com significados. Além de ser uma situação imaginária, o brinquedo é também uma atividade regida por regras. São justamente as regras da brincadeira que fazem com que a criança se comporte de forma mais avançada do que aquela habitual para sua idade. Tanto pela criação da situação imaginária, como pela definição de regras específicas, o brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal. No brinquedo, a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real e também aprende a separar objeto e significado. Sendo assim, a promoção de atividades que favoreçam o envolvimento da criança em brincadeiras, principalmente aquelas que promovem a criação de situações imaginárias, tem nítida função pedagógica. A escola poderia investir esse tipo de situações para atuar no processo de aprendizagem e desenvolvimento da criança.

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Aula: 08 Temática: Teoria da Aprendizagem Significativa

Iniciaremos mais uma Teoria da Aprendizagem, a Aprendizagem Significativa. Pense em uma situação de aprendizagem. Por exemplo: você quer discutir com seus alunos. “O que é hidrogênio?”. Poderá investigar o que eles já sabem sobre este componente e iniciar associando-o a um conhecimento prévio – que, com certeza, quase todos, ou todos os estudantes, sabem o que é – trata-se da ÁGUA (H2O). E ilustrar que o Hidrogênio é um dos componentes da Água, ou seja, quando os alunos começam a entender e relacionar novos conhecimentos a outros está se estabelecendo uma aprendizagem significativa. Vamos nos aprofundar um pouco mais nos conceitos teóricos, como veremos abaixo:

D.P. Ausubel. A denominação “Teoria da Aprendizagem Significativa” identifica as propostas sobre a aprendizagem escolar e instrução formuladas pelo psicólogo norte-americano D.P. Ausubel. As idéias de Ausubel, sendo que suas formulações iniciais são dos anos 1960, encontram-se entre as primeiras propostas psicoeducativas que tentam explicar a aprendizagem escolar e o ensino a partir de um marco distanciado dos princípios condutistas (estímulo-resposta), apresentados em aulas anteriores, tendo, em troca, uma perspectiva cognitiva sobre esses processos. Dentre outros aspectos, essa perspectiva cognitiva significa entender a aprendizagem como um processo de modificação do conhecimento, em vez de comportamento em um sentido externo e observável reconhecendo a importância que os processos mentais têm nesse desenvolvimento. UNIMES VIRTUAL
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constituindo o núcleo da aprendizagem significativa. fatores que a delimitam qual a aprendizagem mais adequada para ser promovida entre os alunos. facilita a aprendizagem seguinte – a “reaprendizagem”.As idéias de Ausubel também se caracterizam por basearem-se em uma reflexão específica sobre a aprendizagem escolar e o ensino. Segundo a teoria de Ausubel. a interação entre a estrutura cognitiva prévia do aluno e o material ou conteúdo de aprendizagem. torna-se nesse momento o eixo central da teoria de Ausubel. como uma rede de conceitos organizados de modo hierárquico de acordo com o grau de abstração e de generalização. Em primeiro lugar. A aprendizagem significativa implica. A noção de aprendizagem significativa. e não tentar somente generalizar e transferir à aprendizagem escolar conceitos ou princípios explicativos de outras situações ou contextos de aprendizagem. na aprendizagem significativa há três vantagens essenciais em relação à aprendizagem memorística. As proposições de Ausubel partem da consideração de que os indivíduos apresentam uma organização cognitiva interna baseada em conhecimentos de caráter conceitual. fundamentalmente. como um processo central. Efetivamente. das relações que esses conceitos estabelecem entre si. definida dessa maneira. sendo que a sua complexidade depende. a aprendizagem significativa tem vantagens notáveis. mesmo se a informação original for esquecida. •A assimilação. uma vez esquecida. Em segundo lugar. Essa interação traduz-se em um processo de modificação mútua tanto da estrutura cognitiva inicial como do material que é preciso aprender. Entende-se que essas relações têm caráter hierárquico. Há três elementos que caracterizam o processo da aprendizagem significativa: • Conceito inclusor ou conceitos inclusores. muito mais que do número de conceitos presentes. A explicação dessas vantagens está nos processos específicos por meio dos quais se produz a aprendizagem significativa. tanto do ponto de vista do enriquecimento da estrutura cognitiva do aluno como do ponto de vista da lembrança posterior e a utilização para experimentar novas aprendizagens. de maneira que a estrutura cognitiva é compreendida. Em terceiro lugar. o conhecimento que se adquire de maneira significativa é retido e lembrado por mais tempo. • A inclusão obliteradora. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 61 . aumenta a capacidade de aprender outros materiais ou conteúdos relacionados de uma maneira mais fácil.

já que foram enriquecidos e diferenciados os conhecimentos prévios com os quais essas informações podem entrar em interação. o HIDROGÊNIO ganha seu significado ampliado por estar tão presente em nossas vidas através da ÁGUA que ingerimos todos os dias.Os conceitos inclusores ou âncora – ou simplesmente inclusores – são os conceitos ou idéias que existem previamente na estrutura cognitiva. De acordo com a classe de relação hierárquica que há entre o conhecimento que já existe na estrutura e a informação que é preciso aprender. Tanto o conceito inclusor como o novo material ficam modificados de alguma forma: o inclusor muda por causa do novo material enquanto vão sendo incorporados. Embora o material assimilado acabe. o que implica uma estrutura mais rica e diferenciada que a original. Para entender melhor: a aprendizagem significativa aumenta a capacidade da estrutura cognitiva de “receber” novas informações similares. que possa ser relevante para os inclusores. Assim esse material. a modificação que se produziu nos conceitos inclusores facilitará a incorporação significativa de qualquer informação posterior semelhante. E. o resultado dos processos de inclusão obliteradora é uma autêntica assimilação entre os significados anteriores e os novos. No exemplo do início dessa aula. o conhecimento sobre ÁGUA foi enriquecido. A inclusão obliteradora é o processo de interação entre o material de aprendizagem e os conceitos inclusores. em um sentido restrito. Os processos de inclusão obliteradora e assimilação permitem explicar a potencialidade da aprendizagem significativa do ponto de vista da lembrança. mas segundo o inclusor ou inclusores com os quais entra em interação. também possui características próprias dele. portanto. por sua vez. há três maneiras diferentes em que se pode realizar o processo da aprendizagem: UNIMES VIRTUAL 62 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . sendo esquecido com o tempo. ao longo do tempo. a ÁGUA é um conceito inclusor. como também a realização de novas aprendizagens ou aprendizagens posteriores. não se aprende ou incorpora estaticamente e como uma réplica. sabendo-se que um dos seus componentes é o hidrogênio e. servindo de ponto de localização para as novas idéias ou conceitos que são objeto de aprendizagem. por sua vez. Para Ausubel. isto é. Ou seja. novos materiais ou conteúdos de aprendizagem.

Na aprendizagem combinatória. Ao discutir. de modo a garantir a coerência da estrutura global. modificação ou limitação. nem confusa para facilitar o estabelecimento de relações substanciais com os conhecimentos prévios do aluno. extensão. Exemplificando poderíamos discutir o conceito de bomba atômica (conhecimento novo) partindo do conceito do HIDROGÊNIO (conhecimento prévio). caso. ou seja. A primeira. • Aprendizagem supra-ordenada. Nesse tipo de aprendizagem. é a que Ausubel denomina aprendizagem subordinada. por exemplo. remete à estrutura interna desse material. estabelecendo-se como uma idéia ou conceito de posição superior. poderíamos discutir o conceito do HIDROGÊNIO (conhecimento novo) partindo do conceito do OXIGÊNIO (conhecimento prévio). o conhecimento prévio é mais específico que o novo material. o reajustamento das relações entre os conceitos subordinados e os de posição superior. ou seja. mas todos se situam em um nível similar dentro da hierarquia conceitual da estrutura cognitiva como. inicialmente. a significatividade lógica do novo material que é preciso aprender. Na aprendizagem supra-ordenada. Nesse caso. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 63 . o processo-chave é a “reconciliação integradora”. Dentro do nosso exemplo inicial.• Aprendizagem subordinada. e mais importante. de maneira que este se vincula àqueles conceitos estabelecendo-se como um exemplo. Essa incorporação de novos conceitos em um mesmo nível pode comportar processos posteriores tanto de diferenciação progressiva como de reconciliação integradora. o conceito do HIDROGÊNIO (conhecimento novo) está subordinado ao conceito amplo da ÁGUA (conhecimento prévio). que inclui como exemplos. que pode implicar também estabelecer em seu interior diversos conceitos subordinados ou de nível inferior. não há relação hierárquica entre os conhecimentos prévios e o novo material. em que os conceitos inclusores são superiores na hierarquia da estrutura cognitiva ao do material que deve ser aprendido. que não deve ser nem arbitrária. Ausubel aponta três condições básicas necessárias para que possa haver um processo de aprendizagem significativa. produz-se uma “diferenciação progressiva” dos conceitos. em certos casos de aprendizagem por analogia. o caso do hidrogênio exemplificamos a aprendizagem subordinada. • Aprendizagem combinatória. casos ou extensões dos conceitos já existentes e que se apresentam inicialmente na estrutura cognitiva. A primeira.

o aluno deve dispor de uma estrutura cognitiva de conhecimentos prévios pertinentes e ativados que possa relacionar com o material que deve aprender. isto é. para relacionar o que aprende com o que já sabe. o aluno deve ter uma determinada atitude ou disposição favorável para aprender de maneira significativa.A segunda condição é a significatividade psicológica: para que a aprendizagem seja possível. Você considera que nosso ensino propicia condições para a aprendizagem significativa? UNIMES VIRTUAL 64 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . A terceira condição.

se o aluno tem uma predisposição para memorizá-lo repetitivamente (pois tende a demandar menos esforço e é mais simples fazê-lo dessa maneira). o maior ou menor grau de significatividade de aprendizagem dependerá. 1996) A partir dessas condições e no marco de uma análise das variáveis tanto intrapessoais como situacionais. Os “organizadores prévios” são materiais introdutórios que se apresentam antes do novo material de aprendizagem para criar e/ou mobilizar os inclusores pertinentes e que cumprem duas características básicas: por um lado. Ausubel considera a estrutura cognitiva do aluno e a da maneira de apresentar e organizar o conteúdo do ensino como aspectos-chave para favorecer a aprendizagem significativa. e tanto cognoscitivas como afetivosociais. Vamos agora abordar a importância da maneira de apresentar e organizar o conteúdo do ensino como aspectos-chave para favorecer a aprendizagem significativa. pode conformar-se em estabelecer uma relação concreta ou pode tentar integrar o novo material de aprendizagem com o maior número possível de elementos da sua estrutura cognitiva (Coll. pelo contrário. embora o material de aprendizagem seja potencialmente significativo. importantes para a aprendizagem escolar. da força da tendência para aprender significativamente: o aluno pode sentirse bem em adquirir conhecimentos vagos ou difusos. ou. Essa consideração encontra-se na base de duas propostas básicas para planejar e delinear o ensino: o uso dos “organizadores prévios” e o estabelecimento das “hierarquias conceituais” como a base para seqüenciar e organizar o ensino. apresentam um nível de generalidade e abstração UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 65 . Palácios e Marchesi. em grande parte. pode esforçar-se para construir significados precisos. os resultados não terão significação e terão pouco valor educativo. lógico e psicológico. O uso dos organizadores prévios remete diretamente à necessidade de dispor de inclusores pertinentes e de ativá-los para uma aprendizagem significativa. Dessa forma.Aula: 09 Temática: Sugestão de como planejar e organizar o ensino – Mapas Conceituais A última das condições para a aprendizagem significativa comentada na aula anterior foi a importância da atenção sobre o papel decisivo dos aspectos motivacionais. Vale comentar que.

para Ausubel. os conceitos em exemplos concretos que os ilustrem empiricamente. em primeiro lugar. Por outro lado. UNIMES VIRTUAL 66 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . são formulados em termos familiares para o aluno. como a tradição “aberta” e de aprendizagem por descoberta. também. Portanto tais princípios implicam em um processo continuado de “subir e descer” pela “escala” da hierarquia conceitual. esperou até os últimos anos para alcançar uma valorização crescente. partindo desses conceitos mais gerais e avançando até aos mais específicos. estabelecer. A teoria de Ausubel. introduzir os elementos mais específicos mostrando tanto as relações que mantêm com os mais gerais como as que mantêm entre si. ainda dominante no âmbito da aprendizagem. Com essas características. Em segundo lugar. Isso implica em respeitar alguns princípios básicos: apresentar.se seqüências de aprendizagem ordenadas. em maior ou menor grau. em torno dos conceitos que tiveram uma maior generalização e que permitem integrar o maior número possível de conceitos restantes. Tentar realizar uma seqüência de ensino desse tipo significa seguir dois passos ou duas tarefas sucessivas: Em primeiro lugar. paralela até certo ponto ao avanço progressivo das posições cognitivas no âmbito das teorias da aprendizagem. a proposta de estruturar e seqüenciar o ensino a partir de hierarquias conceituais surge como uma conseqüência do caráter hierárquico que. pela importância que atribui à aprendizagem subordinada e aos processos de diferenciação progressiva. os organizadores prévios podem ajudar a criar um contexto assimilativo significativo e a motivar o aluno para que o utilize. essa proposta significa organizar o ensino de acordo com uma proposta descendente. a estrutura cognitiva tem e. identifica-se os elementos fundamentais do conteúdo organizando-os em um esquema hierárquico e relacional. passando pelos conceitos intermediários. que aparece como uma alternativa fundamental às posições condutistas. passa-se a ordenar esses conceitos de acordo com o modelo ao mesmo tempo descendente e cíclico comentado anteriormente. surgida em um momento em que os seus postulados eram opostos.maior que o novo material e. de outro. tanto a tradição condutista. Resumindo. partindo dos conceitos mais gerais e inclusivos implicados no conteúdo que é preciso ensinar até chegar aos mais específicos.

Essas formulações projetam e colocam em prática processos do ensino que favorecem aos alunos a capacidade de “aprender a aprender”. representar uma rota ou trajetória de ensino e de aprendizagem ou extrair o significado de um trabalho de campo ou material escrito. como um elemento essencial para melhorar as suas capacidades de regular e controlar tal aprendizagem. Os mapas conceituais estimulam a reflexão do aluno sobre seus próprios processos cognitivos e de aprendizagem. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 67 . Observe o mapa conceitual na próxima página e veja como os conceitos podem ser relacionados de diferentes formas. foi sendo progressivamente enriquecida. A realização desses processos é feita com alguns instrumentos específicos. para explorar os conhecimentos prévios dos alunos. sendo que o seu uso é ensinado aos alunos para ajudá-los a representar o seu conhecimento sobre âmbitos particulares da realidade e para refletir sobre ela. sem contrastar os conhecimentos em dois momentos distintos do processo de aprendizagem. Um desses instrumentos são os mapas conceituais. com formulações diversas do próprio Ausubel e de outros autores. ao longo dos anos que se passaram desde as suas formulações iniciais. dentre outras coisas.A partir disso. Os mapas conceituais são representações hierárquicas das relações entre conceitos relativos para uma área de domínio particular. Podem ser usados.

D. horizontal (combinatória).72.1988. compartimentadas. Sugestão: Você poderá construir como exercício um mapa conceitual de uma temática discutida. p. pássaros.Tronco provém Proteção diante de diante de Alimento é contém é Suporte ºC Extremas Predadores afeta Energia Armazenada utilizam-na A madeira é Animais pequenos. Disserte sobre uma ou mais hierarquias. insetos.J. anfibios e serpente Larva dos insetos comem-na Insetos utilizam-na Terreno que utilizam Os carnívoros Fungos e Bactérias por decomposição produzem As plantas verdes comem-na Húmus Minerais Herbívoros Ex: mamíferos. Barcelona: Martinez Roca. B. animais pequenos Fonte: NOVAk. ascendente (supraordenada). como uma autoavaliação. e GOWIN. D. mas constituem conhecimento. as informações não se mostram isoladas. Planeja como esta ou outra aula poderia ser construída com seus alunos por meio das hierarquias: descendente (subordinada). Aprendendo a Aprender. Dessa maneira. Quantas outras dinâmicas de aprendizagem poderiam haver na elaboração e na reflexão sobre o mapa conceitual? UNIMES VIRTUAL 68 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . Neste exercício observe que o mapa conceitual poderá ser um apoio dentro da zona de desenvolvimento proximal.

Foi o primeiro a levar não só o corpo da criança. Em 1947. afetiva e social . pesquisador do desenvolvimento e da inteligência infantil contribuiu para o estudo da aprendizagem. Henri Wallon nasceu em Paris em 1878 e faleceu em 1962. o movimento. que o desenvolvimento intelectual envolve muito mais do que um simples cérebro. do nazismo e as revoluções socialistas. Coordenou o projeto Reforma do Ensino da França. mas também suas emoções. Teve contato com pessoas (ex-combatentes) com lesões cerebrais. Tal afirmação abalou as convicções da época em que memória e erudição eram as referências em termos de construção do conhecimento. Henri Wallon (1878 –1962) Sua teoria pedagógica já dizia desde o início do Século XX. Atuou como médico do exército francês durante a primeira Guerra. Foi médico.às crianças. Declarava enfaticamente que a escola deve proporcionar formação integral . Esta idéia constituiu uma verdadeira revolução no ensino da época. conhecido como Langevin-Wallon — conjunto de propostas equivalente à nossa Lei de Diretrizes e Bases. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 69 . o que possibilitou que revisse posições neurológicas sobre crianças com deficiências. propôs mudanças estruturais no sistema educacional francês. Baseou suas idéias em quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo: a afetividade.Aula: 10 Temática: Fundamentos da Teoria de Wallon para a Aprendizagem Veremos agora como Henri Wallon. marcando um novo olhar em seus estudos.intelectual. a inteligência e a formação do eu como pessoa. Viveu no período das duas Guerras Mundiais (1914 -1918. para dentro da sala de aula. 1939 -1945) presenciando o avanço do fascismo. psicólogo e filósofo.

de comunicação. só limitadas pela cultura. são os sinalizadores de como o ser humano é afetado pelo mundo interno e externo. seja para ser negado. Em geral são manifestações que expressam um universo importante e perceptível. passando pelo sensório-motor e categorial. então. melhores condições garantirá para a constituição do adulto. Quanto mais a sociedade investir na infância. por volta dos 3 anos. É por meio delas que o aluno exterioriza seus desejos e suas vontades. UNIMES VIRTUAL 70 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . com necessidades e características próprias. seja para ser referência. com uma grande variedade de fatores ambientais. em suas inúmeras possibilidades. Cada indivíduo tem uma forma própria e única. Existem. Sua teoria se baseia num enfoque interacionista em que todos os aspectos do desenvolvimento surgem da interação de predisposições geneticamente determinadas e características da espécie.Afetividade As emoções. Ou seja. e cuja função primordial é a constituição do adulto. Desenvolvimento – fatores orgânicos e sócio-culturais Wallon considera a infância um período claramente diferenciado. em que a negação do outro funciona como uma espécie de instrumento de descoberta de si própria. Eu como pessoa A pessoa expressa essa integração. exercendo atração sobre o outro com o apoio do ato motor. mas pouco estimulado pelos modelos tradicionais de ensino. o desenvolvimento da criança se constitui no entrelaçamento de suas condições orgânicas e sociais. marcada a partir do instante em que a criança começa a viver a chamada crise de oposição. A construção do eu na teoria de Wallon depende essencialmente do outro. infinitas possibilidades de personalidades. que caracteriza sua personalidade em movimento contínuo que vai desde a pessoa orgânica (predomínio do motor – nos três primeiros meses) até a pessoa moral (adolescência – predomínio do afetivo). São recursos de sociabilidade. para Wallon têm papel preponderante no desenvolvimento da pessoa.

contínuo de transformações dessa relação ao longo da vida. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 71 . É a cultura que determina o que a criança precisa aprender e como. ao desenvolvimento. Ele comporta fluxos e refluxos necessários ao ajuste das funções espontâneas da criança às exigências do meio. complementar entre fatores orgânicos e sócioculturais. afetivas e cognitivas naturais da criança. portanto seus primeiros recursos de aprendizagem. afetiva e social . por sua vez.sucedidas se respeitarem as características motoras. mas sim uma reorganização qualitativa. a afetividade. que serão mais bem. mais complexas. Vejamos A aprendizagem As atividades naturais e espontâneas da criança são seus primeiros recursos de interação com o mundo. para se adaptar à sociedade e fornecer os recursos para sua aprendizagem. a cognição e a pessoa. a aquisição de outros recursos para responder às exigências da cultura. O desenvolvimento é um processo em aberto porque a cada nova exigência do meio – meio que está sempre em movimento – novas possibilidades orgânicas poderão ser ativadas em múltiplas direções. Enquanto o indivíduo mantiver sua capacidade de adaptação. o meio social vai exigir outras aprendizagens. à aprendizagem.O meio social e físico. uma relação recíproca. O desenvolvimento é entendido como um processo constante. O foco das descrições e explicações da teoria de Henri Wallon é essa relação da criança com o seu meio formação integral . Essa relação está em consoante transformação e é nela que se constitui a pessoa. Posteriormente. Cada estágio não implica apenas acréscimo de atividades mais coordenadas. estará aberto a mudanças.intelectual.às crianças. que são responsáveis por novas funções e possibilitam novas aprendizagens. Essa reorganização qualitativa implica a transformação dos conjuntos funcionais que compõem o psiquismo: o motor. Cada estágio é marcado por configurações diferentes. colocam exigências a que a criança precisa responder para sobreviver e se adaptar a ele.

jogos. de recursos próprios que a habilitam a conhecer o mundo e. habilidade de concentração. como um dos motores do processo de desenvolvimento. em aberto. Essa apreensão sucessiva de componentes e de suas relações constitui o processo de diferenciação. ao mesmo tempo. igreja etc. afetivas ou cognitivas. afetivo. percepção de diferenças e semelhanças etc. sempre estão envolvidos os quatro conjuntos funcionais: motor. constante. também é um processo contínuo. Tendendo para maior rigor na representação simbólica e cada vez menor dependência do concreto e UNIMES VIRTUAL 72 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . ora mais voltados para fora (conhecimento do mundo). como uma totalidade cujos componentes e cujas relações que os unem são desconhecidos. O papel essencial da aprendizagem é a apreensão. brincadeiras.) como de maneira sistematizada. Ao se relacionar com o meio humano e físico. a cada estágio. a criança está sempre aprendendo. portanto. As oportunidades para que essas aprendizagens ocorram são proporcionadas pela sociedade. funcionando em conjunto. para que a aprendizagem se concretize na direção de conceitos cada vez mais diferenciados e mais abstratos. a se conhecer: reações circulares. Aprender é diferenciar O ensino deve oferecer pontos de referência. global. amigos. A aprendizagem é um recurso de que a criança dispõe para responder às exigências de adaptação ao meio humano e físico que a rodeia e constituir-se como indivíduo. então. A criança dispõe. tanto de maneira informal nos vários espaços freqüentados pelas crianças (família. atenção distribuída. Em todas as aprendizagens. A percepção inicial é. rua. a aquisição de significados. apesar de predominâncias e direções diferentes. cognitivo. como é o caso da escola. memória. a identificação dessas partes motoras. ora mais voltados para dentro (constituição de si).A aprendizagem. confusa. em que as partes estão misturadas de tal forma que podem impossibilitar o seu reconhecimento. Todo início de aprendizagem apresenta-se como uma situação nova. É. formação do “eu” como pessoa.

serão usados nos diferentes estágios. Daí a importância do professor compreender a teoria como um conjunto de afirmações hipotéticas a ser constantemente verificadas no confronto com os resultados da aprendizagem do aluno na situação concreta. Na medida em que a teoria de desenvolvimento descreve as características de cada estágio.do presente. pela repetição. Além dos conhecimentos teóricos é importante a sensibilidade e a observação do professor sobre o que se passa com o aluno e no processo ensino-aprendizagem Quais outras sugestões você daria para auxiliar o professor a oferecer condições favoráveis à aprendizagem? UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 73 . está também oferecendo elementos que podem tornar o processo ensino-aprendizagem mais produtivo. uma vez adquiridos. exercícios que. Esses recursos. Essa aprendizagem motora é para outras aprendizagens nos domínios cognitivos e afetivos. em condições variadas. oferecendo pontos de referência para orientar atividades adequadas ao estágio de desenvolvimento em que o aluno se encontra. A atividade mais primitiva da criança é a reação circular: exercícios motores em que a criança busca. A identificação das características de cada estágio pelo professor permitirá planejar atividades que promovam uma compatibilização das características e das condições de ensino. ajustar seus movimentos aos objetos ao seu alcance. permitem que a criança vá ajustando suas representações e expressões afetivas a novos conteúdos. pela repetição.

UNIMES VIRTUAL 80 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . No estágio personalismo (aproximadamente de 3 aos 6 anos). Daí a importância de a escola oferecer variedade de situações. Contribuições da Teoria do Desenvolvimento de Wallon A teoria do desenvolvimento torna-se um instrumento que pode ampliar a compreensão do professor sobre as possibilidades e os limites do aluno no processo de aprendizagem e fornecer indicações de como o ensino pode criar intencionalmente condições para favorecer esse processo. Quanto maior a variedade de oportunidades que a criança tem à sua disposição para exercitar as funções que amadurecem a cada estágio. mistura-se num todo indiscriminado. táteis. sensações visuais. predomina o contato direto e a manipulação dos objetos. pela descoberta do que a distingue dos outros: “eu sou diferente dos outros”.Aula: 11 Temática: Contribuições da Teoria do Desenvolvimento para Aprendizagem Vimos na unidade anterior os pilares da Teoria do Desenvolvimento de Walon. É o estágio impulsivo-emocional (aproximadamente de 0 a 1 ano) em que predomina a aprendizagem sobre o próprio corpo e em que se inicia a consciência de “o que sou?”. gustativas. melhor o desenvolvimento para enfrentar as exigências do meio. proporcionando a aprendizagem de novos comportamentos. No estágio sensório-motor e projetivo (aproximadamente de 1 a 3 anos). a criança aprende principalmente pela oposição ao outro. novos sentimentos. via emoção. auditivas. É a aprendizagem sensório-motora e a consciência de que “eu sou diferente dos objetos”. É o atendimento pelo outro que dá sentido às reações provocadas por essas sensações. de exercícios para as funções já amadurecidas a cada estágio. Essa fusão permite uma intensa participação no meio. novas idéias. Agora discutiremos suas contribuições para a aprendizagem escolar. A aprendizagem nos primeiros meses de vida se faz predominantemente pela fusão com o outro.

a aprendizagem se faz predominantemente pela descoberta de diferenças e semelhanças entre objetos. Nas fases anteriores. idéias.No categorial (aproximadamente dos 6 aos 11 anos) que coincide com o início do período escolar. Outro indicador do amadurecimento do adulto é o equilíbrio entre “estar centrado em si” e “estar centrado no outro”. Os valores se confirmam em suas escolhas e decisões. o recurso principal de aprendizagem volta a ser a oposição. inclusive do tempo. A interação social que facilita essas aprendizagens é aquela que respeita o momento em que a criança se encontra nesse processo.MUNDO). O adulto tem uma consciência mais clara de sua identidade. que é a consciência de guiar seus comportamentos pela conjugação de valores assumidos. de seus valores. continuou sempre o mesmo e único: “eu sei quem eu sou e quais são meus valores”. O compromisso com os próprios valores anuncia o final da adolescência. de seus limites. dos pontos de vista motor. estará livre para voltar-se para fora de si e em condições de acolher o outro solidariamente e continuar a se desenvolver com ele. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 81 . Na fase adulta. Essa interação deve ser guiada pelo adulto que se quer formar e pela aprendizagem mais apropriada para essa constituição. de suas possibilidades. e assim cria as condições para que ela vá superando esse momento e passando para um novo estágio. apesar de tantas transformações. próprios e dos outros: “Quem sou eu? Quais são meus valores? Quem serei no futuro?”. imagens. Na adolescência (a partir dos 11 anos). afetivo e cognitivo. representações: “o que é o mundo?”. que vai aprofundando as diferenças entre idéias. e revelam o mais central deles. valores. sentimentos. esse equilíbrio parece um pêndulo com predominância de um ou de outro pólo (EU. vai se delineando com mais clareza e nitidez a consciência de si como um ser que. e o adulto então.

Embora uma característica da cultura ocidental. buscando um equilíbrio entre os dois pólos: criança-escola. E lembrar sempre que a aprendizagem e o ensino. de decisões e indecisões. acolher a afetividade. de certezas e incertezas. conforme as condições orgânicas e sociais da criança no momento. expresso na aprendizagem das condições mais adequadas para a convivência e a sobrevivência humanas. por meio da promoção do seu desenvolvimento. A dimensão temporal atravessa todo o processo de aprendizagem na direção do futuro. Wallon dá um destaque especial para a solidariedade. juntos. de idas e voltas. É preciso não esquecer que o tempo e o espaço da criança são dela. compreender que convivemos com alunos/pessoas que atuam sempre a partir de suas disposições motoras e humanas. reconhecer a necessidade de movimento e as manifestações corpóreas dos sentimentos e emoções como atitudes provocadas e mobilizadas pelo processo de ensino-aprendizagem. sentimentos e emoções manifestos e latentes. porém em ritmos diferentes. a partir daí. na aprendizagem. além das cognitivas. e. significa considerar a pessoa do aluno. formam um processo único que se caracteriza por movimentos de fluxo e refluxo. como um valor que visa ao bem-estar de todos. tanto quanto o conhecimento. ao mesmo tempo é preciso encaixar essa dimensão temporal nos limites do funcionamento da escola. como elementos constitutivos e participantes do processo. Entender a afetividade e ato motor como constitutivos da aprendizagem. considerar a possibilidade de os canalizar a fim de colaborarem na construção do conhecimento. pode levar-nos a acolher as manifestações motoras e afetivas dos alunos. o que leva a ignorar a afetividade e o movimento. mais do que como indicadores do andamento do processo de ensino-aprendizagem.Na organização das atividades escolares. UNIMES VIRTUAL 82 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . ainda é considerado como função do professor a transmissão do conhecimento. considerando as necessidades de cada estágio. As condições organizadas pela escola também precisam ser avaliadas em sua dimensão espacial. tentando excluí-los das atividades de ensinoaprendizagem como se isso fosse possível. A pessoa do professor Como professores. É condição propícia à aprendizagem a criança ter espaço suficiente que permita liberdade de movimentação de forma confortável.

ou de expressão de afetividade ou de trabalho de movimento. ansiedade. apesar de precisarem ser compreendidas como naturais devido ao estágio de desenvolvimento precoce de seus recursos de controle. Considera-se que. Isto está sempre relacionado ao conteúdo ensinado. podemos atuar de forma mais adequada em relação às necessidades do aluno e. da vontade de aprender. referindo-se ao desenvolvimento de atividades lúdicas ou recreativas nas quais os alunos sintam-se bem. alerta-nos para a importância do papel do professor diante das crises emocionais das crianças. agitações. sinta orgulho de ter aprendido e. se dá sobre uma base motora (ato motor). retomam aos sentimentos e autoconceito originais. pois são indicadores do que está se passando com o aluno ao aprender. Trabalhar a auto-estima significa. auxiliá-lo para que ele aprenda. portanto. A auto-estima e o autoconceito estão fortemente relacionados a como o aluno se sente como aprendiz. medo (afetividade). mobiliza expectativas. então. fazer com que ele aprenda. depende da motivação. relaciona-se ao sentimento de ser capaz de realizar as atividades propostas. a partir daí.A compreensão da integração de funções de todos os domínios no processo de aprendizagem conduz à percepção de que não há atividade exclusivamente. tensões e apatias devem ser objetos de atenção e reflexo por parte do professor. Mas quando retornam às atividades relativas específicas aos conteúdos escolares e deparam-se com as mesmas dificuldades. perceba que aprendeu. A aprendizagem de um conteúdo. não podem se transformar em uma forma habitual de relacionar-se com o ambiente. considerada uma atividade predominantemente cognitiva. Um tema muito discutido quando falamos do papel da afetividade no processo de aprendizagem é a questão da autoestima. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 83 . ao qual devemos estar muito atentos. Essas emoções e esses sentimentos expressam-se no corpo. que. É muito comum falar na necessidade de realizar um trabalho junto aos alunos avaliados como tendo baixa-estima para melhorar o conceito e o sentimento que têm a respeito de si próprios. expressões faciais. no contexto escolar. olhares. A partir dessas observações. Wallon. sinta-se capaz de aprender mais.

pois. (Wallon. crises emotivas. cognição e movimento. professores. e nos relacionamos com um aluno. não apresente ocasionalmente uma incontinência emotiva. ansiedades e expectativas que vivenciamos em relação às situações de ensino-aprendizagem é uma boa forma de começar. 2000. cognição e movimento. A nós.Contudo. integral. a multiplicação ou não dessas crises depende muito do educador. podem ser produtivos. elas passam facilmente a constituir um meio de ação sobre o ambiente. não existe criança que. 117) Wallon. mais que isso. conflitos. Assim estaremos ensinando a eles que suas emoções e dificuldades. com afeto. Aliás. Somos pessoas completas: com afeto. p. legou-nos muitas outras lições. p. também pessoa completa. duas são particularmente importantes. necessidades e conflitos são legítimos e comuns aos indivíduos e. em condições normais. e os seus sentimentos.86) Informar aos alunos sobre sentimentos. (Almeida. psicólogo e educador. graças ao mecanismo de reflexo condicional. 1995b. explosões súbitas. UNIMES VIRTUAL 84 TEORIAS DA APRENDIZAGEM .

os jesuítas estabeleceram a idade de 7 anos. incluiriam UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 85 . teorias. Definição do termo problema ou dificuldade de aprendizagem Existem muitas controvérsias nas pesquisas das dificuldades de aprendizagem e parece que tal questão está ligada paralelamente ao desenvolvimento das sociedades. relacionando ao que já foi exposto. ao mesmo tempo em que deveria ser obrigatória para todos e não só para os filhos dos favorecidos ou privilegiados. O campo das dificuldades de aprendizagem agrupa efetivamente uma variedade de conceitos. já foi concebido que as dificuldades de aprendizagem incluiriam dificuldades acadêmicas e não acadêmicas. respectivamente. a segregação de algumas. no entanto. soletração e escrita.Aula: 12 Temática: Dificuldades de aprendizagem Abordamos vários pontos de referência sobre Aprendizagem. a escola foi impondo exigências. no século XVII. deveria haver a observância de uma gama de atributos e características cognitivas e comportamentais que constituiriam uma “taxonomia educacional” e comungar com propriedade uma definição teórica testável. havendo. Para as crianças ou jovens com dificuldades de aprendizagem serem assim identificados. e as não acadêmicas. o ensino era levado a todos e na base da diversidade. Agora. Mendel e outros reforçavam a necessidade de a escola estar aberta à vida. no século XVIII. As acadêmicas englobariam as dificuldades de leitura. modelos e hipóteses. Bazi (2003) menciona que. Historicamente. critérios. a iniciação na escola dava-se aos 9 e aos 5 anos. mas também dos processos de não adaptação. no século XVI. o que possibilitou não só o aumento das taxas de escolarização. e nos séculos XIX e XX. iniciaremos as discussões sobre problemas de aprendizagem. ao mesmo tempo em que se foi abrindo a um maior número de crianças. sendo utilizados muitos métodos pedagógicos para as crianças. Assim. as idéias de Montessori. O nome problemas de aprendizagem é conhecido no âmbito educacional como dificuldades de aprendizagem. nos séculos XIII e XIV. um fenômeno extremamente complexo. a entrada para a escola ocorria por volta dos 13 anos. nos reinados de Luís XIII e Luís XIV. assim. matemática. designando. Froebel.

na memória e também problemas perceptivos. sem problemas visuais. linguagem. relativamente. ou seja. afetiva/emocional e sociocultural. é um sistema deficitário quanto ao tratamento das dificuldades. 2006). podendo ocorrer em qualquer pessoa. além de. raciocínio. (2003) incluem as possíveis alterações que podem ocorrer nas dificuldades de aprendizagem quando se considera a evolução individual. o critério não é a causa da dificuldade. não sendo afetadas as bases psicobiológica ou neurológica e corresponderiam aos déficits de funções superiores (cognitivas. abrangendo várias áreas de conhecimento (Bartholomeu. que afetam as categorias cognitiva. no processamento fonológico. mas que apresentariam uma dificuldade específica. raciocínio lógico. aparentemente. atenção. Podem ocorrer ainda dificuldades momentâneas e/ou em áreas específicas. Autores como Barca Lozano e Porto Rioboo (1998) apud BAZI. dentre outros. percebe-se que o termo dificuldades de aprendizagem englobaria um grupo heterogêneo de transtornos que se manifestariam em dificuldades em tarefas cognitivas. na linguagem. englobando uma base neuropsicológica. cognitivos ou motores. mas alguma medida do nível de atuação da criança. biológica ou constitucional afetada. mencionam a existência das dificuldades de aprendizagem permanentes (ou também chamadas de distúrbios de aprendizagem). sensorial. e as estratégias e técnicas básicas de aprendizagem. b) No sistema de classificação funcional. UNIMES VIRTUAL 86 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . origens) desconhecida. pois um amplo número de dificuldades tem etiologia (causa. Sisto e Rueda. comuns ao se iniciar a aprendizagem escolar. auditivos. Dessa forma. perceptivo-atencional. ou se manifestarem concomitantemente a eles. No entanto. física/ motora. Este grupo seria formado por crianças com nível de desenvolvimento intelectual normal. afetivo-emocionais) transitórias e as devidas à baixa qualidade sócioambiental. memória. Para Dockrell e McShane (1997) apud BAZI (2003) existem dois tipos distintos de sistemas de classificação das dificuldades de aprendizagem: a) Etiológica. É importante considerar que certos erros são. As dificuldades de aprendizagem transitórias surgiriam em algum momento do processo evolutivo do sujeito. Em suma. estarem relacionados a problemas de comunicação. aqueles em que existe uma causa identificável da dificuldade e aqueles em que há uma hipótese acerca da causa.problemas visomotores. passando a assumir o caráter de dificuldade de aprendizagem de acordo com sua persistência ao longo da experiência escolar.

frágeis planejamento e habilidades organizacionais (a criança não parece ter qualquer sensação de tempo e. mesmo quando esta não funciona. na escrita. com freqüência. ilustrando a variabilidade do termo. na leitura. dados e hipóteses e ainda sobram questões sobre o diagnóstico das dificuldades de aprendizagem. 2006) Também existem alguns outros comportamentos problemáticos observados em pessoas com dificuldades de aprendizagem como: dificuldade em seguir instruções (os enganos são cometidos porque as instruções não são completamente entendidas). imaturidade social (a criança age como se fosse mais jovem que sua idade cronológica). de saúde ou educacionais. no raciocínio ou nas habilidades matemáticas. as habilidades motoras finas e a capacidade de fixar a atenção. as roupas e outros objetos. falta de destreza (a criança parece desajeitada e sem coordenação e. Em segundo lugar. por se referir a um termo genérico relacionado a um grupo heterogêneo de queixas. apresentam uma das seguintes características: possuem atraso de um ou mais anos quando a idade é relacionada às áreas de leitura. o processamento da linguagem. Primeiramente. dificuldade de conversação (dificuldade em encontrar palavras certas). Há referência a elementos nucleares que permitem caracterizar o campo das dificuldades de aprendizagem. Este baixo rendimento leva os alunos ao chamado fracasso na aprendizagem que. e percebem suas dificuldades em aprender. seja por razões sociais. por se relacionar com as dificuldades significativas na fala. SISTO e RUEDA. chega atrasada ou despreparada). por se referir a dificuldades intrínsecas ao indivíduo. 2001 apud BARTHOLOMEU. As deficiências que mais tendem a causar problemas acadêmicos são aquelas que afetam a percepção visual. em geral. distração (a criança freqüentemente perde a lição. deixa cair as coisas ou as derrama) e falta de controle dos impulsos (a criança toca tudo ou todos que prendem seu interesse. escrita e matemática. 2006) Definir que uma criança apresenta dificuldades de aprendizagem é muito complexo. resistindo a sugestões e ofertas de ajuda). SISTO e RUEDA. (Smith e Strick.Uma das manifestações de conduta mais evidentes de dificuldades de aprendizagem tem sido o baixo rendimento escolar. não constituindo algo unitário. interrompe ou muda abruptamente de assunto em conversas e/ou tem dificuldade em esperar). esquece-se de fazer as tarefas e trabalhos e/ou tem dificuldade em lembrar compromissos ou ocasiões sociais). (Smith e Strick. apud BARTHOLOMEU. sendo uma idéia que UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 87 . em geral. inflexibilidade (a criança teima em continuar fazendo as coisas à sua própria maneira. Em terceiro. econômicas. têm a possibilidade de abandonarem a escola. pois envolve uma multiplicidade de conceitos. verbaliza suas observações sem pensar.

as condições e relações político-sociais e econômicas vigentes. Em quarto lugar. isto é. que diz respeito à análise da instituição escola em seus diferentes níveis. Não faz parte de nenhuma categoria de deficiência. a questão na intra-subjetividade. portanto. de como essas informações lhe chegaram. c) A do aluno.se apóia nos enfoques neuropsicológicos e estudos genéticos. que devem ser bem avaliados durante o diagnóstico da dificuldade. dentre outros. assim. Essas questões constituem os aspectos externos do processo ensino-aprendizagem. afirmam que a criança com dificuldade de aprendizagem é uma criança normal que aprende de uma forma diferente. O fracasso escolar é causado por fatores interligados que influenciam o bom desempenho do aluno. reflete sempre a sociedade em que está inserido. que tem uma visão sócio-interacionista das dificuldades de aprendizagem. o tipo de estrutura social. fracasso escolar é uma resposta insuficiente do aluno a uma exigência ou demanda da escola. podendo ser analisado por diferentes perspectivas: a) A da sociedade. para se evitar a culpabilização de aspectos internos do aluno. como sendo a maior contribuinte para o fracasso escolar dos seus alunos. Fonseca (1995) e Azevedo (2004). Segundo esta autora. por poder ocorrer ao longo do ciclo vital das pessoas. A escola é um reflexo do sistema sócio-econômico. Segundo Weiss (2004). Tal possibilidade de estudo. as ideologias dominantes e as relações implícitas desses aspectos com a educação escolar. a possibilidade de absorção de certos conhecimentos pelo aluno dependerá. muito pelo contrário. em parte. pois o sistema de ensino. seja público seja particular. não pode ser vista isolada da anterior. que está ligada a ele como aprendente. pois possui um potencial normal que não é realizado em termos de aproveitamento escolar. não excluindo a possibilidade de que as dificuldades de aprendizagem possam ocorrer em pessoas que são talentosas. o que por sua vez dependerá das condições sociais que determinaram a qualidade do ensino. especificamente às condições internas de aprendizagem. abarcando todas as idades. apresenta uma discrepância entre o potencial atual e o esperado. b) A escola. a saber: UNIMES VIRTUAL 88 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . focando-se. os três enfoques da questão não são mutuamente excludentes. A não-aprendizagem na escola é uma das causas do fracasso escolar. que considera o tipo de cultura.

aos benefícios da escolarização e a permanência dos jovens brasileiros na escola pelo menos até o final do Ensino Fundamental. Avaliar a produção da queixa escolar e de seus instrumentos de investigação implica em buscar o quanto é possível. que estão ligados à perspectiva da sociedade em que estão inseridas a família e a escola. antecipação etc. sob denominação de dificuldades ou problemas escolares. afetando os fenômenos que a produzem. excluindo o aluno de sua própria realidade. que estariam ligados basicamente ao desenvolvimento e funcionamento das estruturas cognoscitivas em seus diferentes domínios (memória. depois pelo acréscimo da escola. Na maioria das escolas. c) Aspectos sociais. d) Aspectos pedagógicos. atenção. b) Aspectos emocionais ligados ao desenvolvimento afetivo e sua relação com a construção do conhecimento e a expressão deste através da produção escolar. o tipo de vínculo afetivo que ele tem com UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 89 . Caso um aluno apresente dificuldades na sala de aula. é necessário considerar o contexto da sala. Fazem uma análise do contexto social e de sua hegemonia através da escola enquanto reprodutora da classe dominante. isto é. transformando as desigualdades em dificuldades escolares. o rumo que pode levar ao fracasso. as interações que ocorrem entre o aluno. Destacamos a idéia básica de aprendizagem como um processo de construção que se dá na interação permanente do sujeito com o meio que o cerca.). ambos permeados pela sociedade em que estão.a) Aspectos cognitivos. massificam os métodos pedagógicos. 2004) Para entender as dificuldades que surgem na escola é preciso modificar o olhar que se dirige ao problema colocado. que não trabalham com as diferenças no aprendizado. (Weiss. alterar a produção dessa mesma queixa. Machado e Souza (1997). o fracasso escolar é sinônimo de “repetência e evasão (exclusão)” da escola e costuma aparecer. seus colegas e seu professor. explícita ou implicitamente. Meio esse expresso inicialmente pela família. em cada caso singular. Já Patto (1997). É necessário que o educador possa avaliar sua possibilidade e capacidade de alterar. Weiss (1992) e Falcion (2000) utilizam o termo “fracasso escolar” para explicar o fenômeno da incapacidade crônica da escola de garantir direito à educação escolar.

para a rotulação da criança como “problema”. no mínimo. depositando-as apenas no sujeito que aprende. Pense em um caso considerado fracasso escolar. responsabilizando somente a criança. freqüentemente. contribui para o aumento desta dificuldade. também. precariedade das condições estruturais e funcionais da escola. antes de nossa última aula e coloque-se no lugar da família e da criança. mas para as relações que ocorrem entre eles. 2004) Embora as dificuldades de aprendizagem possam ser causadas por problemas intrínsecos aos alunos. e a partir desta relação. O professor e o aluno estão em constante interação. Responsabilidade entre quem ensina e quem aprende. As condições em casa e na escola. constroem um terceiro elemento que é o processo de ensino-aprendizagem. como em sua família e com seus amigos. culminando na evasão da escola. a extensão em que os mesmos serão afetados por elas é decidida. Portanto. podemos obter pistas de onde estão os fatores que implicam em sua dificuldade de aprendizagem. Nesta perspectiva. a família e a escola Sabe-se que não é possível pensar em fracasso escolar. a criança traz para a escola as interações vividas em diferentes ambientes. pouco preparo do educador. quanto da existência de laços entre escola e a família. na verdade. é importante entender que os ambientes doméstico e escolar afetam o desenvolvimento intelectual da criança e. pelo ambiente no qual vivem.estas pessoas. Não se pode descontextualizar as dificuldades de aprendizagem. para o fracasso escolar. além de não solucionar a queixa apresentada. seu potencial para a aprendizagem. mas sim em um fracasso nas diversas relações entre sistemas em que ela atua: dinâmicas familiares conturbadas. (Azevedo. e o aprender pode depender tanto de como o conteúdo é ensinado. O aprender. Segundo Bronfenfrenner (1996). podem fazer a diferença entre uma leve dificuldade e um problema verdadeiramente incapacitante. É preciso também considerar sua história pessoal. se considerarmos estas interações expressas em seus comportamentos e atitudes no contexto escolar. e para uma possível desistência da educação formal. e. Pensar que a dificuldade está apenas na criança. UNIMES VIRTUAL 90 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . desmotivante. tornando a aprendizagem. que nem sempre condiz com a realidade da criança. falta de vinculação com o conteúdo a ser aprendido. na visão ecológica do desenvolvimento humano é necessário olhar não somente para os ambientes imediatos.

Sabe-se que um dos objetivos da escola é favorecer o desenvolvimento dos alunos. o qual implica o desejo de saber. Não podemos nem devemos deixar para segundo plano o processo afetivo. É importante investir nos ambientes doméstico e escolar que afetam o desenvolvimento intelectual da criança e.Diante da demanda há necessidade de encontrar uma forma de atuar que conceba o homem como transformador de sua vida e da história. realistas e compatíveis ao ritmo de cada aluno e. de seus interesses e necessidades. também. estas crianças são mais do que partes somadas e a realidade é percebida como uma rede de relações. que marcarão sua evolução. mas também nos afetivos e sociais. claras. o auto-conceito e o interesse pela aprendizagem. também. estabelecendo metas curtas. os fatores afetivomotivacionais teriam um alto nível de influência no rendimento do aluno. considerado como mais um elemento do processo “escola”. Precisa-se contextualizar e até mesmo analisar as crianças. É preciso que os educadores e a família invistam em medidas que realmente visem a modificar as relações envolvidas na educação formal e repensem os encaminhamentos a profissionais externos à Instituição quando a criança apresenta algum problema na aprendizagem. e que contribua para a percepção das tarefas e conteúdos escolares não como uma ameaça. mas como um meio para o desenvolvimento e enriquecimento das próprias capacidades. pessoas e “coisas”. O professor pode oferecer sua ajuda ao organizar os conteúdos. com a adoção de atitudes e condutas positivas que permitam ao sujeito sentimentos de que UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 91 . não somente nos aspectos cognitivos. As ações e os comportamentos de um dos membros influenciam e simultaneamente são influenciados pelos comportamentos de todos os outros. Desta forma. suas famílias e suas escolas/professores e a inter-relação entre eles. agindo e interagindo com tudo que as cercam. A escola e a família tendem a funcionar como um sistema total. históricos e causais é então. seu potencial para a aprendizagem. O aluno com dificuldade de aprendizagem ou problema de comportamento. de suas capacidades e conhecimentos. a estabilidade emocional. atividades e tarefas em função de sua autopercepção dos alunos. que tradicionalmente era pensado em termos lineares. ou seja. que só terá fim com sua morte física. em interação e movimento junto com os demais. pensando nessas crianças como um todo. o que pode ser realizado através da criação de um ambiente afetivo-emocional que sirva de apoio aos aspectos cognitivos da aprendizagem.

Esses estudos demonstram que a escola pode ajudar a desenvolver no aluno uma imagem positiva de si mesmo. métodos que servem para umas crianças e que não servem para outras. podendo modificar todo o seu potencial dinâmico de aprendizagem. eficácia. ao receberem intervenções psicopedagógicas adequadas e enriquecidas quanto ao processo ensino-aprendizagem. mas ao nível de interações. Um abraço e parabéns pela chegada! UNIMES VIRTUAL 92 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . autonomia e controle. e as de Austin (1963). mas sim. Chegamos ao término de nossas aulas. 2006) Parece que os professores ajudariam seus alunos de forma mais intensa se aceitassem que não há métodos bons e métodos maus. Harris (1968). sendo enquadradas aqui as crianças com história de repetências. mas com certeza. (Victor – Macri. podem adquirir informações e desbloquear suas dificuldades. fortalecendo nos seus alunos os sentimentos de confiança. centrando a atenção na criança. para que repercutam positivamente sobre sua imagem.é respeitado e valorizado. as crianças com dificuldades de aprendizagem. Tanneubaum e Cohen apud Fonseca (1995) concluíram que a variável “professor” é mais potente que a variável “método” quanto à obtenção de bons resultados escolares. Os professores que obtêm melhores resultados são os que proporcionam às crianças um ensino individualizado e adequado às suas necessidades e os resultados escolares tendem a melhorar se os métodos não forem expositivos. É importante mencionar investigações realizadas nessa área. o que favorece uma conduta afetiva saudável e a formação de uma personalidade mais equilibrada e amadurecida. não ao término das discussões. Dessa forma. pensamentos e sentimentos. como pessoas capazes de aprender sendo os agentes da aprendizagem.

Não há neste momento uma teoria única e aceita globalmente que ofereça um marco explicativo completo e detalhado dos processos de aprendizagem escolar. em particular. A apresentação das teorias da aprendizagem de inspiração “associacionista” e de conduta divide-se em três pontos principais. Na teoria genética. Sérgio Roberto K. Essas idéias servem de base para explicar a proposição piagetiana das relações entre aprendizagem e desenvolvimento. de desequilíbrio e de reequilíbrio a partir da interação com o meio. Fernando. (Orgs). 1999 (Cadernos de Autoria. e os princípios concretos que explicam a aprendizagem variaram.Unidade I Os pressupostos comuns de partida sobre aprendizagem concretizaram-se. às vezes. Referências Bibliográficas Básicas Becker. o condicionamento operante e a aprendizagem a partir de modelos. 3) UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 31 . o papel do conflito e o processo de equilíbrio. A partir dessa situação.Resumo . dificilmente podem ser reconciliados. podendo. intervêm na aprendizagem. Franco. Porto Alegre: Editora Mediação. destacam-se alguns dos processos e mecanismos que. esta Unidade procurou apresentar e discutir duas teorias e enfoques sobre a aprendizagem escolar. em menor ou maior grau. segundo Piaget. dentre as diversas teorias específicas. selecionados de acordo com um critério de relevância histórica e conceitual: as denominadas “teorias da aprendizagem”. progressivamente. apresentamos as idéias de Piaget sobre a aprendizagem e a aprendizagem escolar. de inspiração “associacionista” e de conduta e a teoria genética da aprendizagem. em uma grande variedade de posições teóricas. que submetem a aprendizagem ao desenvolvimento. Porém. ser considerados complementares e. Revisitando Piaget. o que nos levou a revisar idéias como a natureza ativa e construtiva do processo de conhecimento e o protagonismo do sujeito na aquisição de novos conhecimentos. coexistem diversas teorias e enfoques sobre a aprendizagem escolar que respondem a coordenadas históricas e epistemológicas diversas e que proporcionam conceitos e princípios explicativos também diversos. Finalmente. Os três processos básicos para explicar a aprendizagem que esse grupo de teorias postula são: o condicionamento clássico. às vezes.

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A Teoria Sócio-Histórica se distancia da abordagem cognitiva e privilegia a dimensão interpessoal na aprendizagem.Resumo . O conceito de zona de desenvolvimento proximal é fundamental nas propostas de aprendizagem. se dá “de fora para dentro“. num processo em que a cultura é parte essencial da constituição da natureza humana. de síntese. para Vygotsky. Organiza-se em torno de dois pontos: mediação simbólica por instrumentos dos processos psicológicos superiores e a relação entre aprendizagem e desenvolvimento. intrapsicológicas. UNIMES VIRTUAL 54 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . mas de transformação. A abordagem substitui a interação Sujeito-Objeto por uma interação Sujeito-OutroObjeto. pois. A primeira dedica-se a desenvolver as idéias fundamentais de Vygotsky sobre as relações entre pensamento e linguagem. desenvolvimento e aprendizagem. A questão do desenvolvimento da linguagem e suas relações com o pensamento é um dos temas centrais das investigações de Vygotsky. o indivíduo “toma posse” das formas de comportamento fornecido pela cultura. um processo de absorção passiva. Critica severamente as chamadas classes homogêneas.responsáveis pelo avanço por meio das zonas de desenvolvimento proximal . marcado por sua inserção em determinado grupo cultural. analisadas no seu contexto e no seu progresso histórico. Ao longo do seu desenvolvimento. A exposição da teoria estrutura-se em duas partes. Destaca a linguagem como sendo o sistema simbólico básico de todos os grupos humanos. O processo pelo qual o individuo internaliza a matéria-prima fornecida pela cultura não é.Unidade II A Teoria Sócio-Histórica da Aprendizagem destaca as propostas de Vygotsky. Concebe que o homem transforma-se de biológico em sócio-histórico. Algumas das linhas atuais de trabalho na perspectiva sócio-histórica referem-se ao delineamento de contextos escolares que . um dos principais mecanismos a serem compreendidos no estudo do ser humano. Esse processo é. O processo de desenvolvimento do ser humano.podem ser criados sob determinadas condições na interação professor/alunos e na relação entre alunos. num processo em que as atividades externas e funções interpessoais transformam-se em atividades internas.

que são interpretadas pelas pessoas ao seu redor. isto é.a memória natural. O que distingue as capacidades psicológicas tipicamente humanas . A.. Universidade Estadual de Campinas.V. 1996. 2001. (org. A análise que Vygotsky faz das relações entre desenvolvimento. Campinas. primeiramente o individuo realiza ações externas.e as separa dos processos psicológicos básicos..). Palácios. 1973. Marta Kohl de. mas aos significados representados por esses instrumentos mediadores. Porto Alegre: Artes Médicas. Ernest R. reagindo.(Org. a afetividade etc . reflete-se em sua tese. 3.. Elisete G. Vygotsky – Aprendizado e desenvolvimento – um processo sócio-histórico. tipicamente humanos. Oliveira. a inteligência não-simbólica. a atenção consciente. compartilhados com outras espécies animais . Hilgard. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 55 . no processo de desenvolvimento das capacidades humanas superiores. não tanto aos estímulos externos de maneira direta.a memória voluntária.é que as primeiras utilizam como um suporte uma série de instrumentos mediadores .). aparecem inicialmente no plano da relação com outras. assim. São Paulo: EDU.Isto é. Marchesi. Salvador.os “signos”-. de acordo com os significados culturalmente estabelecidos. J. os quais permitem controlar e regular o próprio comportamento e levá-lo à prática de maneira consciente. Cesár Coll. A importância que Vygotsky atribui à interação social. aprendizagem escolar e ensino parte da afirmação do caráter mediador dos processos psicológicos superiores. Referências Bibliográficas Básicas Coll. As Teorias da Aprendizagem. Tese de Doutorado. onde as funções superiores originam-se sempre entre pessoas. 2001. Natário. aprendizagem. para surgirem depois no plano estritamente individual. São Paulo: Scipione. a atenção involuntária. Porto Alegre: Artes Médicas. Psicologia do Ensino. o pensamento. Cesar. 2000. Programa de Pós-graduação em Educação. as reações emocionais etc . Programa de Intervenção com Monitores na Educação Superior. Desenvolvimento e Educação – Psicologia da Educação.

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também é um processo contínuo.intelectual. afetivo. apesar de predominâncias e direções diferentes. Baseou suas idéias em quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo: a afetividade. UNIMES VIRTUAL 74 TEORIAS DA APRENDIZAGEM . significatividade psicológica e o interesse em aprender. A Teoria da Aprendizagem Significativa destaca-se quanto à filiação cognitiva em sentido amplo e a oposição aos postulados condutistas dominantes no momento histórico em que aparece. Cada estágio do desenvolvimento é marcado por configurações diferentes. formação do “eu” como pessoa. Wallon em sua teoria pedagógica já dizia desde o início do Século XX. cognitivo. para dentro da sala de aula. que são responsáveis por novas funções e possibilitam novas aprendizagens. funcionando em conjunto. constante.Unidade III Nesta Unidade foram tratadas a Teoria da Aprendizagem Significativa e as Contribuições de Wallon para a aprendizagem. que a escola deve proporcionar formação integral . sempre estão envolvidos os quatro conjuntos funcionais: motor.Resumo . ora mais voltados para fora (conhecimento do mundo). A estrutura cognitiva do aluno e a maneira de apresentar e organizar o conteúdo do ensino são aspectos-chave para favorecer a aprendizagem significativa. a construção de mapas conceituais. em aberto. mas também suas emoções.às crianças. Em todas as aprendizagens. inclusão obliteradora e assimilação. a fim de que o aluno alcance a capacidade de aprender a aprender. a realização de aprendizagens significativas por meio de conceitos como os de organizadores prévios ou hierarquias conceituais. afetiva e social . A aprendizagem. Esta consideração encontra-se na base da teoria para favorecer. com a instrução. ora mais voltados para dentro (constituição de si). Ausubel considera três condições básicas e necessárias para que possa haver um processo de aprendizagem significativa: significatividade lógica. como um dos motores do processo de desenvolvimento. a inteligência e a formação do eu como pessoa. Destaca-se a idéia de como é importante o conhecimento prévio para a aprendizagem significativa e a explicação dos processos para relacionar – na estrutura cognitiva do aluno – esse conhecimento e o novo material que se deve aprender. o movimento. Os três elementos que caracterizam o processo da aprendizagem significativa são: conceito inclusor. Foi o primeiro a levar não só o corpo da criança.

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É importante considerar que certos erros são relativamente comuns ao se iniciar a aprendizagem escolar. podendo ocorrer em qualquer pessoa. o campo das dificuldades de aprendizagem tem sido uma manifestação do fracasso escolar. UNIMES VIRTUAL TEORIAS DA APRENDIZAGEM 93 . a atenção nesse campo era mais voltada para as crianças. caracterizado pela evasão escolar e repetência. auditivos. raciocínio. Em qualquer época da vida. as pessoas podem manifestar dificuldades de aprendizagem. devido à heterogeneidade dos “sintomas”. dentre outros. sob denominação de dificuldades ou problemas escolares. não se pode deixar de considerar que. emocionais e intelectuais. o fracasso escolar é sinônimo de “repetência e evasão (exclusão)” da escola. além de. ou se manifestarem concomitantemente a eles. Podem ocorrer ainda dificuldades momentâneas e/ou em áreas específicas. explícita ou implicitamente. Ao lado disso. Assim o termo dificuldades de aprendizagem englobaria um grupo heterogêneo de transtornos que se manifestariam em dificuldades em tarefas cognitivas. passando a assumir o caráter de dificuldade de aprendizagem de acordo com sua persistência ao longo da experiência escolar. De certa forma. sem problemas visuais. eram esses os critérios que orientavam a classificação de crianças com dificuldades de aprendizagem. não existe uma definição aceita universalmente do que seria considerado uma “dificuldade de aprendizagem”. estarem relacionados a problemas de comunicação. já que este último pressupõe problemas de ordem neurológica.Resumo . atenção memória. o acesso aos benefícios da escolarização. aparentemente. Na maioria das escolas. historicamente. com déficits físicos. No Brasil. abrangendo várias áreas de conhecimento.Unidade IV Ao se falar em dificuldades de aprendizagem. escondendo a incapacidade crônica da escola de garantir direito à educação escolar. cognitivos ou motores. sensoriais. devido à defasagem em todas ou algumas matérias específicas ou a um comportamento considerado inadequado. e costuma aparecer. Deve-se ressaltar que as dificuldades de aprendizagem diferem dos distúrbios de aprendizagem.

Petrópolis: Vozes. Tese de Doutorado. É necessário que o educador possa avaliar sua possibilidade e capacidade de alterar. afetando os fenômenos que a produzem. 2006. 9. Campinas. Avaliar a produção da queixa escolar e de seus instrumentos de investigação implica em buscar o quanto é possível alterar a produção dessa mesma queixa. Maringá. Gisele A. 1997. Referências Bibliográficas Básicas Azevedo. SP: Alínea. A Ecologia do Desenvolvimento Humano: Experimentos Naturais e Planejados. 1996. Brinquedoteca no Diagnóstico e Intervenção em Dificuldades Escolares. (Orgs. 2006.ed. em cada caso singular. M. U. J.C. Aprendendo a brincar. R. Rio de Janeiro: Zahar. A. São Paulo: Ática. de. Campinas. 2001. 2003.P. 11. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade de Taubaté. UNIMES VIRTUAL 94 TEORIAS DA APRENDIZAGEM .). Fabián J. 1997 Victor – Macri.R. R.. Jogos e Brincadeiras em uma Brinquedoteca Psicopedagógica: uma possibilidade de atuação na Visão Ecológica do Desenvolvimento Humano.e Rueda. Daniel. H. Emoções e aprendizagem. 1. Drowet. M. F. Universidade Estadual de Campinas. C. Distúrbios de Aprendizagem. Programa de Pós-graduação em Educação. n. Intervenção Psicopedagógica através de Brinquedos. Andréa. Patto. Falcion. A formação do símbolo na criança. v. Porto Alegre: Artes Médicas. Sisto. jan. Psicologia escolar: em busca de novos rumos. Porto Alegre: Artes Médicas. São Paulo: Casa do Psicólogo. V. & Souza. Fonseca.t Machado./abr. 1995. Psicologia em Estudo. 139-146. Introdução às dificuldades de Aprendizagem. Bartholomeu. S. M. A. Bazi.P. M. p. Bronfrenbrenner. o rumo que pode levar ao fracasso. Fermino. 2004. As dificuldades de aprendizagem na escrita e suas relações com traços de personalidade e emoções. 2000.C.Para entender as dificuldades que surgem na escola é preciso modificar o olhar que se dirige ao problema colocado.

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