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A OUTRA FACE DA DOENÇA

Título Original
“Shinji no Kenko”

ÍNDICE DO LIVRO

Apresentação
Prefácio

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Palestra proferida pelo fundador da Igreja Messiânica Mundial no auditório do “Hibiya


Public Hall” – Tóquio, Japão
Eu e a Igreja Messiânica Mundial
O que é a Igreja Messiânica Mundial
A transformação do mundo em Paraíso e o problema referente à saúde
O mundo isento de doença, pobreza e conflito
Os descrentes e os crentes

SAÚDE

A verdade sobre a saúde


O homem é um poço de saúde
A verdadeira saúde e a saúde aparente
Como tornar as crianças saudáveis
Método para qualquer pessoa engordar
Método para a mulher se tornar mais bela
Medicina desportiva
A bebida e a Religião
Meu método de saúde
O que é a morte?
Morte natural e a morte antinatural

TOXINAS

Análise das toxinas


Os três tipos de toxinas
Toxinas urinarias
A causa do pecado esta nos medicamentos
A causa dos acidentes

PROCESSO DE PURIFICAÇÃO

O tratamento natural
Os pontos falhos da Medicina e a capacidade de recuperação natural
O que é a doença
A verdadeira causa das doenças
O que é a doença? A gripe
A verdadeira causa da doença está no “Espírito”
A causa das doenças e o pecado
O pecado e a doença
O que é o estado ligeiramente febril
Sobre a purificação proporcional
A doença e o caráter do homem
A advertência dos antepassados
A reencarnação

JOHREI

O primeiro mundo
A grande transição do mundo
Transição da Noite para o Dia
Sou um cientista em Religião
O espírito precede a matéria
Espírito e corpo
Medicina espiritual
Princípio do JOHREI
A trilogia dos órgãos internos e o JOHREI
A força absoluta
Minha luz
Quem é o salvador?

NUTRIÇÃO

Alimentação e nutrição
A dietética
A comédia da nutrição

AGRICULTURA NATURAL

Agricultura Natural – Introdução


A força do solo
Princípio da Agricultura Natural
A grande revolução da agricultura
Danos causados pelas pragas
Danos causados pelas chuvas e ventos
A higiênica e agradável agricultura natural nas hortas caseiras
O globo terrestre respira

Posfácio

APRESENTAÇÃO
Esta obra é uma coletânea dos ensinamentos relacionados à saúde, escritos por
Meishu-Sama, nome religioso de Mokiti Okada, fundador da nossa Igreja.
Meishu-Sama afirmou que, em obediência à ordem Divina, iria construir uma nova
civilização, ou seja, o Paraíso Terrestre - mundo de saúde, riqueza e paz. Ele nos
ensinou que a obtenção da saúde seria a condição fundamental para o
estabelecimento desse mundo. De fato, ela é fator de primordial importância e
constitui a base da felicidade e da prosperidade de todos os seres humanos.
Os ensinamentos contidos no presente livro foram divulgados pelo próprio Mestre
através dos periódicos da Igreja. Na época, ele desejava difundi-los o quanto antes,
a fim de poder salvar o maior número de pessoas que estavam sofrendo. Assim, em
respeito ao amor de Meishu-Sama pela humanidade, a nossa Igreja promoveu a
compilação de seus ensinamentos, esperando nova oportunidade para publicá-los.
Felizmente, com o Cinqüentenário da Fundação da Igreja, pudemos concretizar esse
desejo, razão pela qual nos sentimos profundamente gratos, pois se trata de uma
grande permissão concedida por ele.
Neste sentido, objetivando que, por intermédio da obra que estamos editando, o
maior número de pessoas possam despertar para o verdadeiro conceito de saúde e
tornar-se verdadeiramente saudáveis, gostaríamos de conclamar a todos para um
grande empenho na concretização do ideal comum a toda a humanidade - a
construção do Paraíso Terrestre - através da profissão de cada um e das várias
atividades do servir.

PREFÁCIO

5 de fevereiro de 1947

Qual será o maior e o último objetivo do homem? Resumindo numa só palavra, é a


felicidade. Não há, certamente, quem possa negá-lo. Todavia, tanto as pessoas que
buscam a felicidade como aquelas que sentem já tê-la alcançado e desejam mantê-
la, não conseguem desligar-se de um problema: a questão referente à saúde. Com
razão Jesus de Nazaré disse que de nada adianta o homem ganhar o mundo inteiro
e perder a vida.
Eu consegui salvar o homem do sofrimento causado pela doença formando pessoas
sadias e como resultado, obtive sucesso quanto à possibilidade de prolongar a vida
humana. Concretizou-se, assim, o grande ideal que a humanidade perseguia e
ansiava há milhares de anos.
Quanto ao "prolongamento da vida", todos, sem exceção, acreditavam não passar
de um sonho de gente tola. Nesse sentido, estou certo de não existir, na história da
humanidade, absolutamente nada que possa ser comparado a tão grandiosa
descoberta. Por isso acredito que, quando o JOHREI chegar ao conhecimento de
todos os homens, motivará uma grande revolução no mundo. Entretanto, leitores,
não há motivo para temor, pois ela difere fundamentalmente das revoluções
sangrentas e cheias de ódio que ocorreram no passado: é uma revolução repleta de
alegria, luz e glória. Assim, serão consolidados pela eternidade os alicerces da paz.
Minhas palavras talvez pareçam demasiado audazes. Contudo, creio que, se lerem
compenetradamente este livro, examinando a fundo seu conteúdo e pondo-o em
prática, reconhecerão que não há nenhuma mentira em minhas afirmações.
O que significa progresso da cultura? Obviamente, significa aumento progressivo do
bem-estar de cada ser humano.
Mas qual a base desse progresso? Principalmente a saúde e o prolongamento da
vida do homem. É sabido que a humanidade, acreditando poder alcançar tal objetivo
apenas pelo progresso da Medicina, sempre fez todo empenho para atingi-lo. A
Medicina, sem ficar à margem de outras ciências, mantém pomposa aparência,
como salas de cirurgia em grandes hospitais, inúmeros medicamentos, potentes
microscópios, aparelhos de radiografia, equipamentos de irradiações diversas, etc.
Faz profundas pesquisas científicas, atenta aos mínimos detalhes, e as pessoas
ficam fascinadas com a ocorrência freqüente de novas descobertas e a divulgação
de novas teorias. Não é, pois, de se admirar que as pessoas acreditem que, um dia,
praticamente todas as doenças serão debeladas. Tal objetivo, entretanto, está
demasiadamente longe de ser alcançado e não se tem idéia de quando o será.
Não pretendo criticar a Medicina. Quero apenas alertar que ela está caminhando no
sentido totalmente oposto ao do seu verdadeiro objetivo. Teve, porém, seu mérito: a
explicação minuciosa do funcionamento do organismo, obtida graças à análise e
dissecção, pela qual, inclusive, merece o nosso agradecimento.
Mas por que será que a humanidade durante tanto tempo não percebeu os erros da
Medicina? É realmente um grande mistério do mundo. O JOHREI, criado por mim,
abre agora as portas desse mistério, que estiveram cerradas durante milênios.
Acredito que Deus me confiou a execução da grandiosa tarefa de fazer o homem
retornar ao seu estado original de saúde.

PALESTRA PROFERIDA PELO FUNDADOR DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL


NO AUDITÓRIO DO "HIBIYA PUBLIC HALL" - TÓQUIO, JAPÃO

22 de maio de 1951

Creio que minha palestra é bastante original. Pretendo tratar de assuntos que nunca
foram tratados antes.
Em primeiro lugar eu gostaria de dizer que muita gente, confundindo cultura com
civilização, diz que a cultura da atualidade é avançada, ou que estamos na Era da
Cultura. Na verdade, porém, cultura e civilização são coisas diferentes. Civilização é
um mundo ideal, sem nenhuma selvageria; a isso nós chamamos de mundo
civilizado. Já a cultura é o estágio intermediário entre a selvageria e a civilização.
Portanto, o que se chama BUN-NO-KE, ou seja, BUNKA (Cultura), é uma sombra, é
um fantasma.
Observando o estado atual da humanidade, notamos que os homens estão
apaixonados por essa sombra, achando que ela é o que há de melhor e que, com o
seu progresso, o mundo se tornará aprazível. Mas o mundo civilizado a que eu me
refiro é diferente daquilo que as pessoas têm em mente.
O que é a verdadeira civilização? Em palavras simples, é sinônimo de vida. Deve ser
a época em que a humanidade possa viver com segurança. Mas, como o Sr. Suzuki
disse há pouco, hoje há coisas realmente temíveis, como a bomba atômica, a bomba
bacteriológica, o Juízo Final, etc. São temíveis porque põem em risco a segurança
da vida. Isso não é um mundo civilizado. É a cultura; a Era da Cultura. Isto é,
estamos na fase de transição entre a selvageria e a civilização. O que vou falar
agora não é sobre a cultura, e sim sobre a civilização.
As doenças e as guerras são o que mais põe em risco a vida. Se não tivéssemos
guerras nem doenças, teríamos garantia de vida, e este seria o verdadeiro mundo
civilizado. Já chegamos à época em que precisamos ir até aí. Daí a razão de ser do
lema da Igreja Messiânica Mundial: o mundo absolutamente isento de doença,
pobreza e conflito. Como a guerra é um conflito em maior escala, propomos a
construção do mundo sem doença, pobreza e guerra.
Todos os infortúnios são decorrentes da doença. Costuma-se entender como doença
aquilo que provoca dores, coceira ou outras reações; interpreta-se sempre no
sentido físico. Mas não é bem assim. Há dois tipos de doenças: doenças físicas e
doenças do espírito. Dizem que este ano a tuberculose e outras doenças
contagiosas, a disenteria, etc. aumentaram bastante e por isso as pessoas estão
receosas. Entretanto, se hoje não se conseguir encontrar solução para esse
problema, jamais se formará um mundo civilizado, nem mesmo daqui a centenas ou
milhares de anos.
Quanto à pobreza, sua origem é a doença do corpo. Basta escolher uma pessoa
pobre e procurar saber a causa da sua pobreza. É invariavelmente a doença. São
casos como a perda de emprego devido à enfermidade, ou a impossibilidade de
trabalhar pelo mesmo motivo. A doença, acrescida do fato de não se receber salário,
constitui uma dose dupla de sofrimento. Isso se reflete negativamente não só no
próprio doente como em seus parentes e amigos.
A causa das guerras também é a doença. Trata-se da doença mental. É comum
utilizar-se a expressão "fabricantes de guerras", para aqueles que as causam.
Observando-se a História, encontramos inúmeros exemplos. E eles recebem o nome
de heróis. Esses indivíduos importantes têm força e inteligência, mas no fundo
sofrem de uma espécie de doença nervosa. Por isso torna-se necessário erradicar
não só a doença do corpo como também a do espírito. Quanto à do corpo, as
pessoas acreditam que é possível curá-la através da Medicina e se esforçam nesse
sentido, mas não há nada que resolva a doença espiritual. Para isso, só existe um
meio: a Religião.
Na teoria pode ser assim, mas surge a dúvida: conseguir-se-á, na prática, erradicar
ambos os tipos de doenças? Aí é que entra o JOHREI, ao qual se referiu há pouco o
Sr. Suzuki: ele irá erradicar a doença da mente e a do corpo. Dessa forma, surgirá o
mundo civilizado.
Observando o estado em que se encontra a humanidade e a cultura, concluo que de
maneira alguma isto é civilização. Pelo contrário, é até um estado extremamente
bárbaro. As guerras de hoje são mais terríveis que as da época selvagem. Sendo
assim, podemos afirmar que a cultura ou civilização da atualidade não passa de
aparência; a humanidade está iludida com essa aparência, e as pessoas se sentem
gratas. Analisando seu conteúdo, veremos que ele é selvagem; ou melhor, meio
civilizado e meio selvagem. A cultura contemporânea assemelha-se a uma bela
mulher, vestida com um bonito quimano, com a qual todos ficassem impressionados,
mas que, quando tirasse a roupa, se mostrasse corroída pela sífilis, toda coberta de
pus.
Acredito, por conseguinte, que a nossa Igreja Messiânica Mundial não é uma
religião. Se fosse possível resolver os problemas do homem com a Religião, eles já
teriam sido resolvidos, pois até o presente apareceram importantes líderes e
fundadores de religiões, filósofos, moralistas, etc. É verdade que selvagens nus e de
rosto pintado restam poucos. Conseguiu-se, também, que tudo assumisse um
aspecto bonito, culto. Mas ainda não foi possível garantir a vida humana, porque as
religiões que surgiram até hoje não tinham força suficiente. Tiveram força para tornar
cultos os selvagens, mas não para ir além, ou seja, para tornar os homens
civilizados.
Há, ainda, inúmeros inventos que não são utilizados no bom sentido: muito pelo
contrário. Dizem que a bomba atômica pode matar vinte milhões de pessoas de uma
só vez; entretanto, se essa energia for aplicada para o bem, com uma pequena
porção do tamanho da ponta de um dedo, poder-se-á fazer rodar trens ou
automóveis por muitos dias. O avião, sendo utilizado como meio de transporte, não
existe nada mais rápido e útil; utilizado para lançar bombas, não há máquina mais
temível.
Esta é a cultura científica de hoje. Chegamos até aqui com o progresso da cultura
científica, mas falta algo - algo muito importante. Devido a essa falta tende-se a fazer
mau emprego das coisas. Eis o motivo da aflição da humanidade. Para utilizar as
coisas em sentido positivo, torna-se necessário ir às raízes, isto é, ao Espírito.
Mudando o Espírito das criaturas do mal para o bem, elas saberão utilizar tudo no
bom sentido e assim se conseguirá um mundo maravilhoso. Cristo referiu-se a isso
com a expressão "É chegado o Reino dos Céus". Sakyamuni, por sua vez, disse:
"Após a extinção do Budismo, aparecerá Miroku Bossatsu, e surgirá o Mundo de
Miroku". Só que Sakyamuni falou que seria após 5,67 bilhões de anos. Acredito,
entretanto, que ele quis apenas se referir aos números 5 6,7. Se realmente estivesse
profetizando algo para daí a 5,67 bilhões de anos, Sakyamuni não estaria bom da
cabeça, pois não há nenhum sentido em profetizar algo para um futuro tão distante.
Nessa época, a humanidade e a Terra já teriam passado por uma mudança tão
grande que nem se poderia imaginar.
Os messiânicos conhecem bem o significado dos números 5,6,7. Caso eu fosse
explicá-lo, isso me tomaria bastante tempo e aí eu não poderia falar de coisas
importantes. Com relação à profecia de Cristo, ao invés de dizer "É chegado o Reino
dos Céus", ele poderia ter dito "Vou construir o Reino dos Céus". Mas naquela época
o mundo ainda não havia alcançado o estágio necessário para isso, ou seja, o
progresso da cultura ainda era insuficiente para a construção do verdadeiro mundo
civilizado.
No entanto, a cultura material progrediu, chegando ao estágio em que se encontra
atualmente; o progresso foi tal, que se estendeu ao mundo todo. O que eu estou
dizendo pode ser ouvido, através dos modernos meios de comunicação, nos quatro
cantos do mundo. Os meios de transporte se desenvolveram tanto, que é possível ir
de avião até os Estados Unidos num dia. Dessa forma, o progresso da cultura
material já atingiu o ponto em que estão preenchidas quase todas as condições
necessárias ao mundo civilizado. O primordial dessa questão é que a alma humana
ainda não se evoluiu o suficiente para utilização do progresso no bom sentido. Sobre
essa alma, é imperativo empenhar-nos para que as pessoas a utilizem positivamente
e, ao mesmo tempo, para que a humanidade tome conhecimento disso. Em várias
oportunidades falei sobre o assunto, e os fiéis já têm alguma noção a respeito.
A propósito, comecei a escrever, há cerca de seis meses, um livro intitulado "A
Criação da Civilização". Meu objetivo é esclarecer que a civilização atual não é a
verdadeira civilização e que, nesta, a Medicina, a Política, a Educação, a Arte, etc.
serão bem diferentes. A parte que se refere à Medicina já está quase pronta, mas
tenciono escrever, ainda este ano, a parte referente às outras áreas. Quando o livro
estiver concluído, pretendo traduzi-lo para o inglês e tomar providências para que ele
seja lido por professores universitários, cientistas, enfim, por intelectuais do mundo
inteiro. Vou enviá-lo, também, à Comissão Examinadora do Prêmio Nobel, mas
acredito que, no início, não o receberão bem, pois a Comissão é integrada por
eminentes personalidades da cultura material. Todavia, como se trata de um livro
que aborda justamente aquilo que as pessoas eminentes estão buscando, acredito
que os integrantes da Comissão não deixarão de entendê-lo e exclamar: "É isto!"
Assim, poderiam conceder-me dez ou vinte Prêmios Nobel. Quando esse livro for
publicado, eu gostaria que todos os povos o lessem.
Dessa forma, ao mesmo tempo que mostramos como estará constituída a
verdadeira civilização, damos a conhecer o JOHREI. Com o JOHREI as doenças
saram milagrosamente, mas ele não se destina a curar doenças. Em resumo, o
JOHREI cura o espírito, ou seja, o mal que existe nele. Em termos mais claros, o mal
é o caráter selvagem, e este não pode ser removido, pois não se pode viver sem
espírito. O que se pode fazer é mudar a maneira de pensar das pessoas, ou seja,
diminuir-lhes as partes más, fazendo com que as partes boas aumentem. Assim,
todos farão apenas coisas boas, isto é, acharão que devem fazer o bem.
Costumo dizer aos fiéis que os homens da atualidade estão sempre pensando em
praticar o mal. Mesmo que não queiram fazê-lo, acham que é bobagem praticar o
bem, que isso só traz prejuízos, que se deve fazer as coisas de maneira mais "fácil".
Entretanto, essa forma de pensar é o oposto da verdade. Faço tal afirmativa porque
já houve época em que eu também pensava assim. Gradativamente, porém,
comecei a ter melhor compreensão sobre Deus, através da Fé, e vi que estava
totalmente do "avesso". Aí passei a querer praticar o bem e sempre buscava um
meio para isso. Estava sempre procurando fazer algo em benefício das outras
pessoas, algo que as deixasse felizes, satisfeitas. Com essa atitude, minha sorte
melhorou. Mesmo antes de me dedicar inteiramente à Fé, aconteciam-me coisas
boas quando eu ficava nesse estado de espírito. Assim, pensei como seria bom se
as pessoas soubessem os benefícios que nos advêm quando procuramos fazer a
felicidade do próximo.
À medida que eu ia acumulando tais experiências da vida real, comecei a ter plena
compreensão de que realmente Deus e o demônio existiam. A partir daí passei por
uma fase de aprimoramento espiritual. Com a ocorrência de vários milagres, pude
compreender a grande missão que me era destinada. Foi assim que instituí a Igreja
Messiânica Mundial e estou desenvolvendo minhas atividades.
Outro ponto que eu gostaria de abordar é o "Juízo Final", do cristianismo, e o "Fim
do Budismo", profetizado por Sakyamuni. Apesar de muitos líderes e fundadores de
religiões terem feito profecias semelhantes, vou tratar, aqui, apenas destas duas.
Que vem a ser o Juízo Final? Os homens estão imaginando que virá um deus para
fazer o julgamento neste mundo, mas isso não corresponde à verdade. É um ponto
de difícil entendimento para os não-fiéis, mas o Mundo Espiritual é uma realidade. O
mundo em que vemos e sentimos a matéria é o Mundo Material; além deste, há o
Mundo Espiritual e, no meio dos dois, o Mundo Atmosférico. Este último já é
conhecido, mas ainda não se conhece o Mundo Espiritual. É como a ordem em que
se dispõem a era do barbarismo, a era da cultura e a era da civilização. Da mesma
forma, o Universo obedece a uma constituição tripla: Mundo Material, Mundo
Atmosférico e Mundo Espiritual.
Há, ainda, os ciclos do mundo: assim como existe transição entre o claro e o escuro,
entre o dia e a noite no espaço de um dia, há a mesma transição no espaço de um
ano. O claro e o escuro em um ano podem ser comparados ao verão e ao inverno,
respectivamente. Os raios solares são mais fortes no verão e mais fracos no inverno,
ocasionando o contraste entre o claro e o escuro. E existem períodos idênticos no
espaço de dez e de cem anos. A História registra épocas de paz e de guerra, que
correspondem ao claro e ao escuro. Refiro-me, portanto, a esse ritmo.
Igual período existe também no espaço de mil e de dez mil anos.
Estávamos até agora na escuridão, no período das trevas; vamos passar para o
período da claridade. Passando-se para o período da claridade, tudo que existia no
período das trevas sofrerá uma seleção. Esses ciclos do mundo, nós os designamos
com as expressões Mundo da Noite, Mundo do Dia, Cultura da Noite, Cultura do Dia.
Assim, desaparecerá uma série de coisas que não serão mais necessárias. Durante
o dia, por exemplo, não é preciso lâmpadas. Tudo aquilo que pertence à Era da
Noite e se tornar desnecessário será eliminado.
O Juízo Final representa a separação do que é do Dia e do que é da Noite. O que for
inútil ficará inativo ou será destruído. A partir de agora, as coisas do Dia irão sendo
construídas gradativamente.
O que acontecerá quando o Mundo Espiritual se tornar claro? Vejamos o homem.
Nele, entre a matéria e o espírito existe a água, que corresponde ao ar. Ela existe em
grande quantidade no corpo humano. Assim, o homem apresenta uma constituição
tripla; dela, faz parte o espírito, a que também se poderia chamar alma. O espírito
está subordinado ao Mundo Espiritual. Tornando-se claro esse mundo, aqueles cujo
espírito não corresponder a essa claridade terão de ter as suas máculas removidas.
Não significa que elas serão arrancadas, mas ocorrerá naturalmente a purificação,
para limpar o que está sujo. À medida que o Mundo Espiritual vai clareando, as
pessoas possuidoras de máculas no espírito passam por uma limpeza, que é o
sofrimento. O princípio da doença obedece a essa explicação. Através dela pode-se
compreender perfeitamente o que e a doença.
Até agora não se conhecia o espírito. Desprezava-se a sua existência. Como o Sr.
Tokugawa disse há pouco, é uma questão de alma. A ação da alma é muito grande.
Ontem fui visitado por uma pessoa que eu não via há cerca de um ano. Anteontem
eu tinha pensado: "Como estará ele passando?" No dia seguinte ele apareceu. Aí eu
disse para mim mesmo: "Ah, o espírito dele veio aqui antes! Digamos, por exemplo,
que o Sr. Tokugawa pense: "O Sr. Matsunami está escrevendo com afinco." Então
este pensamento vai até o Sr. Matsunami, penetra no seu corpo e se aloja na sua
cabeça. Aí, ele se lembra do Sr. Tokugawa. É como se a pessoa chegasse, após ter
avisado. Nessas ocasiões, as criaturas se comunicam através dos elos espirituais. O
trabalho desses elos, no caso do relacionamento amoroso, é muito interessante.
Mas o meu objetivo, no momento, não é o problema do amor. O assunto se tornará
claro, para os senhores, quando abraçarem a Fé. O amor é muito bom, mas quase
sempre acaba em tragédia. Para entender melhor esse fim trágico, é necessário
conhecer o lado espiritual, a existência dos elos espirituais. Isso não pode ser
menosprezado. Em vários problemas da vida há mulheres; dizem mesmo que por
trás dos crimes existe sempre uma mulher, ou melhor, o amor. Com a compreensão
das causas, é possível eliminar as tragédias e os males sociais. Mas vamos deixar
este assunto por aqui.
Como eu estava falando há pouco, as máculas do espírito irão sendo eliminadas
para ele corresponder à claridade do Mundo Espiritual. Se isso terminar numa
simples doença, está tudo bem, mas pode acontecer que a pessoa fique gravemente
enferma e acabe falecendo. A doença chega aos poucos, e por isso é que se chama
doença. Se vier de uma vez, a pessoa morre. Juízo Final é isso. Com o clarear do
Mundo Espiritual, a transformação pode ocorrer repentinamente e aí as criaturas não
resistiriam. Haveria mortes em massa. Deus quer evitá-las e por isso manda avisos.
É vontade de Deus que a humanidade seja avisada, para que ela se salve. E Ele me
incumbiu dessa tarefa. Estou, portanto, avisando.
Tanto Sakyamuni como Cristo profetizaram o advento do Paraíso, a chegada do
Novo Mundo. Eles foram os profetas, e eu sou o concretizador. Deus me ordenou
que concretizasse essas profecias, ou seja, que eu construísse o Paraíso Terrestre,
livre de doença, pobreza e conflito. Entretanto, eu não me canso, pois não sou eu
quem planeja. Tudo é planejado por Deus. Apenas dou forma às coisas. Isso
realmente é fácil, mas de enorme responsabilidade. Provavelmente não houve
ninguém com responsabilidade maior que a minha em toda a história da
humanidade. Dessa maneira, as profecias de Cristo e Sakyamuni começam a ter
sentido: se elas não tivessem possibilidade de ser concretizadas, seriam falsas
profecias. Falsas profecias significam mentiras. Mas não seria possível pessoas tão
importantes terem mentido. Por conseguinte, era preciso haver alguém que tornasse
realidade tais profecias, e o escolhido fui eu. Na verdade, me é penoso afirmar um
empreendimento de tamanha grandeza. Não falei nisso até agora justamente por ser
uma missão demasiado grande. Mas o tempo se aproxima, já é chegada a Era do
Dia. Para salvar a humanidade, preciso avisar rapidamente o maior número de
pessoas, e é por isso que estou hoje falando aos senhores.
O Sr. Suzuki falou há pouco sobre o Dilúvio e a Arca de Noé, mas isso é algo
semelhante ao Juízo Final. Há duas versões a respeito: uma diz que choveu
quarenta dias seguidos, outra diz que foram cem dias. Fossem quarenta ou cem, o
que interessa é que choveu durante muitos dias consecutivos. A água foi subindo
cada vez mais e se tornou um dilúvio, salvando-se apenas os que estavam na arca.
Aqueles que estavam em barcos comuns ou que subiram às montanhas acabaram
perecendo; estes últimos, devorados por animais que também haviam subido.
Apenas oito pessoas se salvaram, e dizem que os representantes da raça branca
são seus descendentes. Acredito que, em linhas gerais, essa história não está
errada.
No Japão, conta-se a história de Izanagui-no-Mikoto e de Izanami-no-Mikoto. Estes
dois deuses, de cima da ponte flutuante dos Céus, empunhando uma espada,
mexeram algo semelhante a espuma, e daí surgiram as ilhas e os continentes. Essa
deve ter sido a causa do Dilúvio. De acordo com a tese xintoísta, houve ação da
maré alta e da maré baixa. A maré baixa é o recuo das águas, e Izanagui-no-Mikoto
encarregou-se disso. O nascimento das ilhas e das nações significa que se jogou
fora a água do Dilúvio, fazendo emergir aquilo que estava submerso. Penso que
essa ocorrência corresponde à época do Dilúvio.
Com relação ao cristianismo, dizem que João fez o batismo pela água e Cristo fará o
batismo pelo fogo. Agora está para vir o batismo pelo fogo, o extraordinário
acontecimento que promoverá a eliminação do Mal. Isso tem muitos outros sentidos,
mas, como já está se esgotando o tempo, vou parar por aqui.

22 de maio de 1951

EU E A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

25 de novembro de 1950

A Igreja Messiânica Mundial é completamente diferente das outras religiões, e quem


nela ingressar entenderá por quê. Mas em que aspecto ela difere das demais? No
momento ainda não posso entrar em detalhes, mas falarei em linhas gerais.
Em primeiro lugar, observando bem as religiões existentes, parece-nos que elas se
classificam em dois tipos. A umas nem cabe o nome religião, tal a sua simplicidade;
trata-se, em poucas palavras, de fé passiva. É aquela que consiste em ir ao templo
rezar de vez em quando, receber talismãs e amuletos, queimar incenso, ver a sorte
e, se a pessoa tem posses, mandar executar músicas sacras, fazer doações e
oferendas e voltar para casa agradecida, sentindo-se bem. É uma fé popular, que se
costuma chamar de devoção. Entretanto, esse tipo de fé pode ser considerado
religião, pois, no fundo, possui normalmente uma estrutura religiosa. O outro tipo
poderia ser chamado de fé pura. Nela se faz o registro de todos os fiéis, havendo
dirigentes, funcionários, ministros e até encarregados de difusão, que se dedicam
profissionalmente às atividades religiosas. Constitui, portanto, genuinamente, uma
religião. Ao contrário da fé passiva, seus fiéis agem com seriedade e, quando se
aprofundam, dedicam-se fervorosamente, de corpo e alma, às suas tarefas. Entre
essas religiões, existem as recentes e as antigas. As antigas, em sua maioria, são
pouco atuantes, devido, talvez, à mudança dos tempos; algumas, segundo dizem, só
a muito custo conseguem manter-se na atual posição. As recentes foram fundadas
aproximadamente do fim do xogunato ao início da Era Meiji, (1867), e são as que
apresentam maior atividade e progresso. Entre elas, destaca-se o xintoísmo. No
campo do budismo, só uma seita - a Nitiren - apresenta algum fôlego; as demais são
praticamente inativas.
Num rápido exame das religiões, observamos que elas apresentam várias
formalidades, mas em geral têm como alicerce os ensinamentos de seu fundador ou
o espírito que norteou sua fundação, os quais são divulgados e transmitidos aos
fiéis. Estes, por sua vez, oferecem-lhes sua devoção, em agradecimento pela
proteção recebida de Deus. Obviamente não se pode generalizar, pois até mesmo
na fé existem altos e baixos.
Concordamos plenamente que todas as religiões têm como objetivo a concretização
de um mundo melhor e por isso tentam satisfazer o conceito de felicidade do
homem. A maioria, entretanto, toma como principal fator o aspecto espiritual,
demonstrando pouco interesse pelos benefícios materiais.

A VERDADEIRA SALVAÇÃO

Na Igreja Messiânica Mundial, não negligenciamos de maneira alguma a salvação do


espírito, mas julgamos que, salvando o homem apenas espiritualmente, sua
salvação não é perfeita, ou seja, ele não está realmente salvo. Temos de salvar-lhe
também a parte material, e neste ponto é que reside a grande diferença entre a
nossa religião e as demais. Ainda que como ser humano seu espírito esteja salvo,
essa idéia não basta para ele ser verdadeiramente feliz. Numa sociedade complexa
como esta em que vivemos, não se sabe quando tal felicidade será destruída, e isso
está claramente provado pela realidade que nos cerca.
Exemplificando, há pessoas que adoecem, que são roubadas, que têm prejuízos,
que são enganadas por indivíduos inescrupulosos, que sofrem devido a elevadas
taxações de impostos, etc. No caso dos impostos elevados, podemos apontar, entre
outras causas, a existência de malfeitores, que justifica a necessidade de polícia e
tribunais; o surto de muitas doenças, cujo combate requer a aplicação de dinheiro;
uma pessoa errada que provoca uma grande guerra, acarretando despesas
decorrentes de indenizações, e assim por diante. Devido a tais fatores, atingir um
estado de segurança e de paz espiritual torna se utopia. Portanto, num mundo como
este, se não houver salvação espiritual e material, não se poderá obter a verdadeira
felicidade. A nossa Igreja promove a salvação em ambos aspectos. Individualmente,
isso se expressa através de benefícios materiais; socialmente, através do progresso
da cultura. Entretanto, segundo a Revelação Divina, há um grande erro na cultura
moderna, apesar de, até agora, ninguém o ter percebido. É um erro tão
surpreendente, que o que se faz pensando ser bom, na verdade é o contrário, e por
causa disso a humanidade tem sofrido sérios danos. Em poucas palavras, o que se
julgava contribuir para o aumento da felicidade acabava por resultar em aumento da
infelicidade. Os fatos, melhor do que qualquer outra coisa, comprovam o que
estamos dizendo.
Houve um grande progresso da cultura, mas a felicidade deixou de acompanhar
esse ritmo; aliás, o sofrimento do homem é cada vez maior. Se a cultura moderna foi
edificada graças ao esforço conjunto de sábios, santos e outros grandes
personagens que vêm se sucedendo há milênios, poder-se-á dizer que se trata de
uma cultura do mais elevado nível. É difícil, portanto, imaginar que em seu conteúdo
possa existir um erro marcante. Como eu já disse, conhecendo o grande erro da
cultura moderna, desejo, o mais breve possível, não só fazer com que o maior
número de pessoas o compreendam, mas também compartilhar com elas dessa
felicidade e, ao mesmo tempo, mostrar-lhes as diretrizes para a formação do Novo
Mundo, caracterizado por uma cultura nova, ideal. Essa é a Vontade de Deus.
Agora vou falar sobre mim. Pelo que já passei em minha vida, sou uma pessoa
comum, igual a tantas outras. Tenho, porém, uma vida tão mística, que não encontra
paralelo na história de toda a humanidade. Digo isso porque me fizeram nascer com
a grande missão de salvar o mundo, completamente diferente da missão de famosos
religiosos como Sakyamuni. Cristo e Maomé. Ou seja, fui investido do poder de
executar aquilo que esses grandes personagens não puderam realizar. Isso é
absoluta verdade, como todos os fiéis estão cientes.
Por exemplo, qualquer coisa que eu desejar saber, eu fico sabendo. Tomo
conhecimento de tudo que for importante, a começar dos três mundos - Divino,
Espiritual e Material - assim como também do passado, do presente e do futuro. É
claro que isso está limitado ao que concerne à salvação da humanidade e à
construção do Paraíso Terrestre. Antevejo como será o mundo daqui a um ano ou a
vários anos, e também o meu próprio destino. É até engraçado. E note-se, pela
experiência que tenho tido até agora, que geralmente os fatos previstos por mim
acabam acontecendo, isto é, as visões tornam-se realidade. Tenho elaborado e
executado vários planos, e tudo tem corrido conforme os meus desejos.
Com relação à literatura, se penso em escrever um artigo, as palavras me fluem
naturalmente, o quanto eu desejar. Como todos sabem, dedico-me também à
composição de poemas e não encontro nenhuma dificuldade nisso; componho cerca
de cinqüenta em uma hora. Gostaria, inclusive, de escrever haicais, poemas
satíricos, obras de ficção, dramas, etc. mas não o tenho feito por falta de tempo.
Além desses gêneros, escrevo sátiras e comédias; como elas têm sido publicadas,
os leitores devem conhecê-las. As orações entoadas pelos fiéis também são de
minha autoria, e parece-me que, apesar de eu não ter tido, anteriormente, qualquer
experiência nesse sentido, elas ficaram muito boas.
Por outro lado, já é do conhecimento de todos que estou construindo um protótipo do
Paraíso Terrestre de grande porte; nessa obra, as pedras, as árvores, as flores,
enfim, tudo sou eu quem escolho e planejo. Naturalmente, o projeto do jardim e dos
prédios e até a ornamentação também são trabalhos meus. O Templo Messiânico,
que se erguerá no Solo Sagrado de Atami, mas que ainda está em fase de projeto,
seguirá um estilo mais moderno que o do arquiteto suíço Le Corbusier, estilo esse
que nos últimos anos se tornou moda arquitetônica no mundo inteiro. Portanto,
quando o templo for inaugurado, deverá ser alvo da atenção mundial. Só de estar no
local e olhar o terreno, os prédios e os jardins se projetam aos meus olhos, não
havendo necessidade de pensar. Na verdade nunca estudei esses assuntos, nem
ninguém me ensinou nada a respeito; entretanto, se quero fazer algo, imediatamente
brotam, dentro de mim, excelentes idéias. Além disso, faço vivificações florais,
escrita a pincel e pinto quadros. Dessas atividades, a única que estudei um pouco foi
pintura, mas nas outras sou totalmente leigo. Com relação à Política, Educação,
Economia, Filosofia e Medicina, sei das coisas que irão acontecer até daqui a um
século. Sei principalmente o erro em que está baseada a cultura atual e fico
impaciente quando penso que, se ele fosse logo corrigido, a humanidade seria salva
e a felicidade reinaria no mundo. Nada, porém, pode ser feito enquanto não chegar o
tempo certo. Atualmente, seguindo a ordem Divina, estou apenas apontando o
problema da doença e os erros da agricultura, questões fundamentais para a
construção do Paraíso Terrestre.

UTILIZAÇÃO DO ESPÍRITO

O que eu acho mais misterioso em mim é que, utilizando o espírito, estou fazendo
com que os fiéis erradiquem as doenças. Os resultados são realmente excelentes.
Cristo e muitos santos e profetas também praticaram milagres em relação às
enfermidades; entretanto, na maioria das vezes eram curas de uma pessoa para
outra. Ora, uma só pessoa não poderia salvar milhões; para salvar toda a
humanidade é preciso que seja concedida a cada indivíduo uma força ilimitada,
capaz de eliminar as doenças. É o que estou fazendo atualmente, com resultados
admiráveis. A expansão da nossa Igreja é a melhor prova do que digo. Como já falei,
é uma obra que nem Cristo nem Buda puderam realizar.
Não pretendo dizer que a minha força seja superior à dos grandes santos, mas
expresso a realidade tal como ela se apresenta, e isso porque; chegado o tempo,
Deus me faz falar sobre o assunto. Quando penso que uma força tão grandiosa foi
concedida à minha pessoa, sinto a enorme importância da minha missão.
Naturalmente Deus não cria nada além do que é preciso. Tudo é criado e eliminado
de acordo com as necessidades. Sendo essa a Verdade, que eu sempre afirmo, fica
bem clara a minha missão, determinada pelos Céus. A mim é dado conhecer todos
os mistérios, sendo-me atribuído, de maneira ilimitada, o poder da Inteligência
Superior. Sob a Orientação Divina, estou trabalhando para levar esse fato ao
conhecimento de toda a humanidade e edificar a nova cultura, a cultura ideal.
Todavia, como o homem da atualidade possui uma inteligência muito desenvolvida,
ele não iria aceitar que lhe dessem uma explicação de maneira simples como nos
tempos antigos. Segundo a Vontade de Deus, é necessário mostrar-lhe milagres
comprobatórios e, ao mesmo tempo, transmitir-lhe as teorias de forma que elas
possam ser aceitas. É por essa razão que Ele faz ocorrer milagres em grande
quantidade. Nesse sentido, por um lado apontam-se os erros; por outro, dão-se
provas através de milagres. Sinto-me, portanto, extremamente grato e sensibilizado
pela grandeza da Providência de Deus.
Observando-se a Divina tarefa que no momento estou executando, não haverá
qualquer margem para dúvidas sobre a veracidade de minhas palavras.
Provavelmente a humanidade jamais sonhou com uma obra de tão grande porte e
de absoluta salvação. Por conseguinte, se uma pessoa, tomando conhecimento
dela, não consegue despertar, é porque é cega de alma e não tem possibilidade de
ser salva pela eternidade. Além disso, se forem submetidos, no futuro próximo, ao
supremo perigo representado pelo "Fim do Mundo", aqueles que não estiverem
preparados serão tomados de pânico e irão se arrepender, mas aí já será demasiado
tarde.

25 de novembro de 1950

O QUE É A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

25 de janeiro de 1949

Esta Igreja tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma
civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material.
Não há dúvida de que "paraíso Terrestre" é uma expressão que se refere ao mundo
ideal, onde não existe a doença, a pobreza e o conflito.
O "Mundo de Miroku", anunciado por Buda, a chegada do "Reino dos Céus",
profetizada por Cristo, a "Agricultura Justa", proclamada por Nitiren, e o "Pavilhão da
Doçura", idealizado pela Igreja Tenri-kyo, têm o mesmo significado que o Paraíso
Terrestre a que nos referimos. A diferença é que eles não fizeram indicação de
tempo. Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que
significa isto? É a hora da
"Destruição da Lei", prevista por Buda, e do "Fim do Mundo" ou "Juízo Final",
profetizado por Cristo.
Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso
afetasse o homem. Antes, porém, é indispensável destruir o velho mundo a que
pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do
prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável - e essa
seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne
útil para o mundo vindouro.
Transpor a grande fase de transição, significa ser aprovado no exame divino. A Fé é
o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa
fase são as seguintes:
a) tornar-se um homem saudável não apenas na aparência, mas verdadeiramente
sadio;
b) um homem que se libertou da pobreza;
c) um homem de paz, que odeia o conflito.
Deus resguardará aquele que for possuidor dessas três grandes qualificações e dele
se utilizará, como um ente precioso, no mundo que vai surgir.
Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser
humano. Portanto, haverá um caminho que possibilite estabelecer as condições
requeridas. E como poderemos obtê-las?
Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmitir-lhes a Graça Divina,
de modo a criar essas condições.

25 de janeiro de 1949
A TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO EM PARAÍSO
E O PROBLEMA REFERENTE À SAÚDE

25 de junho de 1949

Que espécie de mundo será o Paraíso Terrestre pregado pela Igreja Messiânica
Mundial? Talvez nem fosse necessário repetir, porque já tenho me referido ao
assunto diversas vezes.
O Paraíso Terrestre é um mundo de onde foram eliminados os três grandes
sofrimentos do homem: doença, pobreza e conflito. Evidentemente, a maior dessas
calamidades é a doença. Portanto, se Deus fosse salvar a humanidade neste
momento, precisaria colocar a solução desse problema em primeiro plano e, daí,
partir para a solução dos demais.
Que felicidade pode haver quando não se tem saúde? A ciência ou a religião, sejam
elas quais forem, que não tiverem força para resolver o problema da doença, são
desprovidas de validade, pois a solução da pobreza e do conflito só será possível
com a solução da doença. Certamente não houve até agora nenhuma religião ou
ciência que fizessem uma proposição tão ousada como a da nossa Igreja: criar um
mundo absolutamente isento desses três males. Além do mais, sendo esse o seu
objetivo, ela não poderia fazer tal afirmativa caso não tivesse plena convicção do que
está dizendo. Se, por ventura, proclamássemos um empreendimento de tal grandeza
sem estarmos absolutamente certos de poder realizá-lo, nos equipararíamos aos
grandes mistificadores ou, então, seríamos loucos varridos.
Como dissemos, a Igreja Messiânica Mundial proclama a solução do problema da
saúde e desenvolve sua atuação tendo como prioridade a erradicação das doenças.
Para levar esse propósito ao conhecimento de todos, sempre que possível temos
publicado fatos verídicos no jornal "Hikari" (Luz )e na revista "Tijô-Tengoku" (Paraíso
Terrestre), editados pela Igreja. Mas as pessoas, principalmente autoridades,
cientistas e especialistas, irão, em princípio, levantar dúvidas, pois, em sua maioria,
são milagres quase impossíveis de ocorrer. É de se presumir, portanto, que, através
de seus órgãos competentes, eles farão uma pesquisa pormenorizada a respeito.
Em conseqüência disso, haverá até o perigo de serem levantadas questões inéditas.
É o caso, pois, de se procurar saber se as inúmeras Experiências de Fé que
publicamos são verdadeiras. Entretanto, chegando-se à conclusão de que são fatos
verídicos, sem nenhum exagero ou mentira, que aconteceria? Talvez, por ser uma
questão sem precedentes em toda a história da humanidade, poderia criar-se uma
situação nada fácil e nunca imaginada.
Mas a realidade é sempre realidade e a verdade é sempre verdade. Nós mesmos,
por que iríamos cometer a tolice de lançar-nos voluntariamente num redemoinho que
poderia gerar um problema de gigantescas proporções? Assim, se retrocedermos
um passo e meditarmos profundamente, veremos que uma obra de tal envergadura
só poderia ser a manifestação de uma autoridade absoluta chamada "Tempo" e
reconheceremos aí o verdadeiro e grandioso amor de Deus.
Como se pode constatar pelos inúmeros relatos de graças alcançadas, há exemplos
de pessoas que, sofrendo de doenças graves, encontravam-se no abismo do
desespero, pois, apesar de se submeterem a todos os tipos de tratamentos, não
obtinham a cura. Logo, porém, que conheceram o JOHREI, experimentaram a
alegria de escapar da morte e retornar à vida, não contendo palavras de gratidão.
Como verão as pessoas esta realidade? Se houver quem a negue ou duvide dela, é
porque não pôde sentir o problema na sua própria pele. Entretanto, caso venha a
compreender, depois de uma pesquisa aprofundada, que não há mentira em nossas
afirmações, qual deverá ser o comportamento do homem? O certo não seria
aproveitar a força da nossa Igreja e lançar-se firmemente à solução dos sofrimentos
do mundo? Se existirem criaturas que, mesmo assim, não movam um só dedo, é
porque lhes falta amor à humanidade, ou porque as circunstâncias em que se
encontram não o permitem, ou então porque são portadoras de doenças mentais.
Não há outra maneira de encarar tal comportamento.
Acredito que expusemos os argumentos acima sem nenhuma reserva, mas para
nós, que agimos de acordo com a Vontade Divina de salvar o mundo, trata-se de um
brado que não conseguimos conter.

25 de junho de 1949

O MUNDO ISENTO DE DOENÇA, POBREZA E CONFLITO

15 de setembro de 1935

Qualquer pessoa dirá que um mundo sem doença, pobreza e conflito é


simplesmente utopia, não podendo existir na realidade. Nós, porém, estamos
convictos de que ele é perfeitamente viável. Mas em que se fundamenta a
eliminação desses três males? Fundamenta-se na extinção da doença.
Suponhamos que uma pessoa adoeça. As despesas advindas da enfermidade e o
prejuízo que ela tem por não poder trabalhar vão se acumulando com o
prolongamento da doença e normalmente terminam consumindo os bens da família.
As economias obtidas com sacrifício ao longo dos anos acabam por se esgotar, e a
pessoa toma emprestado tudo que lhe for possível, com parentes e amigos. Assim,
nada mais resta do ambiente alegre, harmonioso e estável de tempos passados.
Não são poucos os exemplos como esses na vida real, em que muitas famílias se
vêem na mais triste situação, sofrendo por causa da doença e por problemas
financeiros. Além disso, quando uma pessoa está gravemente enferma, sua família
inteira termina arcando com as responsabilidades. Ela causa transtornos e prejuízos
de grandes ou pequenas proporções a parentes, a amigos e, dependendo das
circunstâncias, até à firma onde trabalha. Portanto, as conseqüências da doença são
desastrosas, pois o sofrimento atinge não só o próprio doente, como também vários
de seus familiares e até estranhos. Se duas ou três pessoas ficarem doentes
consecutivamente e vierem a morrer, mesmo que se trate de família possuidora de
muitos bens, ver-se-á obrigada a mudar-se para cortiços e outros lugares menos
favorecidos, como o provam inúmeros exemplos.
As pessoas juntam dinheiro levadas por duas razões: uma delas é a vontade de
fazer fortuna; a outra é a eventualidade de despesas médico-hospitalares, em caso
de doença. A primeira razão é positiva, enquanto que a segunda é negativa, mas
todos sabem que os negativistas são bem mais numerosos. Se afirmarmos,
portanto, que a principal causa da pobreza é a doença, ninguém poderá negá-lo.
Com relação ao conflito, seja entre países, seja entre pessoas, a maioria é motivada
por razões de ordem econômica. Assim, se queremos eliminar a doença, a pobreza
e o conflito, devemos solucionar primeiro a raiz do problema, que é a doença. Essa é
a ordem correta. Pessoas livres de doenças: eis a questão principal. É a única forma
de salvação: não existe outra. E só há uma força capaz de concretizá-la: o PODER
KANNON. Por isso, nem mesmo Cristo ou Sakyamuni conceberam obra tão
maravilhosa. Podemos afirmar que as pessoas que conseguirem nela acreditar
serão felizes como jamais existiu alguém até hoje.

15 de setembro de 1935

OS DESCRENTES E OS CRENTES

20 de março de 1949

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que, com a expressão "crentes",


queremos nos referir aos que professam a nossa religião, e não a praticantes de
outras religiões.
Sem retroceder ao passado, mas observando, de maneira objetiva, as pessoas que
vivem no mundo atual, chegamos à conclusão de que a expressão "pobres ovelhas",
usada por Cristo, é bem adequada. Pensemos: quantas criaturas vivem realmente
sem qualquer preocupação? Certamente nenhuma. Entre as preocupações que
afligem o homem, a que se poderia colocar em primeiro plano é a doença. Ninguém
sabe quando será acometido por alguma enfermidade. Pode ser que fiquemos
gripados daqui a uma hora; pode ser, inclusive, que a gripe se agrave em pneumonia
ou seja o início de uma tuberculose. É possível que esta noite tenhamos uma crise
de apendicite e acabemos nos contorcendo em dores agudas, ou que, de uma hora
para outra, venhamos a contrair tifo ou alguma doença de origem desconhecida.
Quem tem filhos, corre o risco de vê-los acometidos por epidemias, como difteria ou
meningite, por exemplo, e em poucos dias ver as suas vidas ceifadas. As pessoas
de idade, por sua vez, podem a qualquer momento viver a tragédia de um derrame
cerebral que lhes paralise metade do corpo, prendendo-as ao leito durante anos a
fio. É possível, também, que algum de nossos familiares contraia uma moléstia
infecto-contagiosa e tenha de ficar internado em isolamento.
Mas as coisas não param aí. Da maneira como são altas as despesas médico-
hospitalares, não se sabe quanto se gastará com tratamentos e internação. Se a
doença for debelada em pouco tempo, ainda bem; todavia, se o tratamento for
prolongado, as economias feitas com sacrifício, ao longo dos anos, serão totalmente
consumidas. Pode mesmo acontecer que, embora recupere a saúde, a pessoa seja
despedida do emprego e termine perambulando pelas ruas. Conseguindo ter a vida
salva, ela ainda pode trabalhar e se reerguer, mas se, por um golpe de azar, ficar
inválida ou acabar falecendo, que acontecerá? Tratando-se de um chefe de família,
como irão sobreviver seus familiares? Ele próprio deixará inacabados seus
empreendimentos ou seu trabalho. Ora, é realmente lamentável que um homem, no
auge da vida, tenha que deixar este mundo; é insuportável ver cortados os laços de
amor e afeto que o unem à esposa e aos filhos. E qual chefe de família poderá
garantir que tal situação não se lhe apresente de um momento para outro? Quando
pensamos em circunstâncias desse tipo, sentimos que o medo com relação às
doenças pesa como chumbo, e continuamente, sobre todas as pessoas, sem
exceção de ninguém.
Se a vida é tão terrível como dizemos, se não podemos nos livrar da intranqüilidade,
é como afirmou Sakyamuni: "Este mundo é um purgatório, um mundo de dor, e o
homem não pode escapar destes quatro sofrimentos: nascimento, doença, velhice e
morte; não há outro jeito a não ser ele se resignar e suportar essas condições. Isso é
o que chamamos "Iluminação."
Diante de semelhante quadro, não haveria salvação maior que o aparecimento de
uma religião capaz de libertar o homem, totalmente, da angústia da doença.
Entretanto, quem ouvir falar pela primeira vez sobre o aparecimento de uma religião
dessa natureza, dirá: "Como pode haver tamanha tolice neste mundo? A cabeça da
pessoa que diz isso não deve estar funcionando bem". Provavelmente essa pessoa
seria considerada como estando a um passo da loucura. Mas, creiam, apareceu uma
religião com o poder que dissemos. Os leitores poderão duvidar uma vez, duas
vezes, ou até negar. Mas, se souberem que se trata de uma verdade, que farão? O
rebuliço seria tal que ultrapassaria os moldes de um grande acontecimento,
provocando, sem a menor dúvida, a maior sensação no mundo inteiro.
Vou falar aqui, de maneira bem simples, sobre a Fé Messiânica e a doença. As
pessoas que tiverem compreendido a verdadeira natureza da fé através desta
religião, ficarão completamente despreocupadas em relação às enfermidades. E não
é só isso. Esclarecidas sobre a origem da doença, ao invés de temor, sentirão até
alegria, cientes de que ela é uma ação fisiológica natural para aumentar a saúde,
constituindo uma grande bênção de Deus.
Além da doença, existem várias outras causas de infelicidade. Exemplifiquemos. Na
vida moderna temos um estreito relacionamento com os meios de transporte, dos
quais não podemos prescindir; inclusive, dependendo de suas atividades, muitas
pessoas os ocupam a maior parte da sua vida. Como é do conhecimento de todos,
não pode ser menosprezada a preocupação com acidentes e com os danos que
deles decorrem. Além disso, temos os acidentes provocados pelas máquinas, nas
indústrias, os incêndios, os prejuízos causados por assaltantes e, mais raras, porém
sérias, as inundações e os terremotos.
A vida moderna está, portanto, cercada de muitos perigos como enfermidades ou
desastres, os quais não sabemos quando irão nos atacar. Pensando nisso, não
podemos sentirmos tranqüilos um instante sequer. Em face dessa situação, os
órgãos governamentais e civis têm tomado medidas de defesa, tal como seguros de
saúde, seguros contra acidentes e desemprego, sistema de poupança e instalações
assistenciais. Entretanto, medidas de ordem material como essas não garantem a
tranqüilidade além de certo limite. Apenas um seguro abstrato, isto é, o seguro
proporcionado por Deus, é que nos pode assegurar a tranqüilidade absoluta. O
homem moderno, no entanto, vive num dilema: vê que as medidas materiais não lhe
proporcionam uma vida tranqüila, mas dificilmente aceita o conceito de força
abstrata ou seguro proporcionado por Deus. Sendo assim, ele não passa de uma
pobre ovelha.
Para nós, que professamos a Fé Messiânica, é realmente insuportável ver a situação
aflitiva e insegura dos descrentes, os quais vivem como ervas flutuantes, sem ter
onde firmar-se. É como se nos dirigíssemos a uma pessoa que tenta controlar um
pequeno barco em alto mar e a convidássemos para embarcar num transatlântico,
mas essa pessoa só ficasse a fitar o seu próprio barco e não conseguisse notar a
existência da embarcação de grande porte. Assim, embora convidemos os
descrentes a ingressarem em nossa Fé, eles não conseguem sair das trevas da
negação.
Admitimos que seja difícil acreditar numa força de salvação tão grandiosa, pois trata-
se de algo inédito na história da humanidade. Contudo, só pelo fato de ter surgido
essa extraordinária salvação, as pessoas devem se conscientizar de que, sem a
menor sombra de dúvida, está bem próximo o advento do Paraíso Terrestre, mundo
absolutamente isento de doença, pobreza e conflito.

20 de março de 1949

A VERDADE SOBRE A SAÚDE

20 de abril de 1950

Para explanar sobre o assunto, devo dizer inicialmente que a verdade, em matéria
de saúde, está na adaptação e no respeito à Natureza. Essa é a condição
fundamental.
Antes de mais nada, deve-se pensar: com que objetivo Deus criou o homem?
Segundo nossa interpretação, foi para construir um mundo perfeito, de Verdade,
Bem e Belo. É de se esperar, entretanto, que uma teoria como essa não seja aceita
com muita facilidade. Evidentemente, não se sabe se levará dezenas, centenas,
milhares ou até milhões de anos para se concretizar o mundo ideal. Todavia,
observando os fatos do passado, vemos claramente que o mundo vem caminhando
passo a passo neste sentido; ninguém poderá negá-lo. Deus é o espírito, e o homem
é a matéria; ambos, o espírito e a matéria, em trabalho conjunto, estão em infinita
evolução, tornando-se desnecessário dizer que o homem existe como instrumento
de Deus para a construção do Mundo Perfeito. Conseqüentemente, sua
responsabilidade é enorme.
A condição fundamental para a execução dessa obra grandiosa é a saúde. Deus
atribuiu uma missão a cada pessoa, concedendo-lhe, logicamente, a saúde
necessária para cumpri-la. Com efeito, se o homem estiver doente, significa que o
sagrado objetivo de Deus não será alcançado. Tomando este princípio por base,
concluiremos que a saúde é inerente ao homem, devendo ser o seu estado normal.
O estranho é as pessoas serem acometidas de doenças com tanta facilidade, ou
seja, ficarem em estado anormal. Sendo assim, apreender claramente os princípios
da saúde e fazer o homem retornar ao estado normal está coerente com o objetivo
de Deus.
Mas o que descobrimos ao examinar o corpo humano em estado anormal? Em
primeiro lugar ressalta que ele está em desacordo com a Natureza; perceber a real
situação desse estado antinatural, corrigi-lo, fazendo voltar a normalidade, é a
verdadeira Medicina. E mais: tornar possível esse retorno é a forma existencial da
correta Medicina. Passarei, portanto, a explicar o que vem a ser o estado antinatural.
Quando nasce, o homem alimenta-se com o leite materno ou com leite animal, pois
ainda não tem dentes, e seu aparelho digestivo, recém-formado, é muito frágil.
Gradualmente, porém, nascem-lhe os dentes, e, à medida que suas funções
orgânicas se desenvolvem, ele começa a ingerir alimentação adequada. Existe uma
variedade de alimentos, cada um com sabor característico, sendo que o homem é
dotado de paladar para comê-los com prazer. Além disso, o ar, o fogo e a água
existem em proporções adequadas à saúde, de modo que tudo está ordenado de
maneira realmente perfeita. Quanto ao corpo humano, vejamos: do cérebro nascem
a razão, a memória e o sentimento; os objetos são criados com as mãos; a
locomoção é feita livremente, por meio dos pés, e o corpo está provido de partes
muito necessárias, como cabelos, pele, unhas, olhos, nariz, boca, ouvidos, etc.
Acrescente-se a isso que o corpo todo, a começar pela face, está recoberto de pele,
que ressalta sua beleza. Um rápido exame já evidencia que o ser humano é uma
obra maravilhosa; analisando-o mais profundamente, concluiremos que ele é um
milagre da Criação, difícil de se expressar com palavras.
As flores, as folhas, a beleza dos rios e das montanhas, os pássaros, os insetos, os
peixes e outros animais não podem deixar de ser admirados como obras
extraordinárias da Arte Divina, mas o homem é, inegavelmente, a obra-prima do
Criador. Principalmente no que se refere ao processo de procriação, como
preservação da espécie, a Providência é tão hábil, que não encontramos palavras
para exprimir sua perfeição. Ora, sendo o homem a obra máxima de Deus, devemos
pensar, séria e profundamente, que erros, que ações antinaturais estamos
cometendo para a ocorrência das anormalidades chamadas doenças, as quais
impedem suas atividades. Homens, eis um ponto importantíssimo, sobre o qual
devem fazer uma profunda reflexão.

20 de abril de 1950

O HOMEM É UM POÇO DE SAÚDE

20 de abril de I950

Costuma-se dizer, desde a antigüidade, que o homem é um poço de doenças, mas a


expressão está completamente errada. Corrigindo-a, diremos que ele é um poço de
saúde. Como já expliquei anteriormente, o homem é saudável por natureza.
Acontece, porém, que, na atualidade, a doença é sua companheira, sendo isso
considerado problema insolúvel, o que levou muitos a se conformarem, aceitando o
fato como predestinação. Com efeito, uma vez a pessoa acometida pela doença, sua
cura torna-se difícil. Às vezes se adoece por um longo período, ou então com
freqüência: há mesmo quem passe mais tempo doente do que com saúde. Justifica-
se, pois, dizer que o homem é um poço de doenças; aliás a expressão deve ter
surgido devido ao prolongamento de tal situação. Isso aconteceu porque ainda não
se conhecia a natureza da doença, tornando-se compreensível que tanto esta como
a morte fossem inevitáveis. Foi por essa razão que Sakyamuni afirmou: "O homem
tem de se resignar com o sofrimento do nascimento, da doença, da velhice e da
morte."
Falarei, agora, sobre a antinatureza, que é a fonte da doença.
Quando adoece, o homem utiliza os medicamentos como se fossem o único recurso,
e aí já está o erro. Na medicina chinesa, os remédios são extraídos das raízes das
plantas ou das cascas das árvores; quanto à medicina ocidental, busca seus
produtos nos minerais, nas plantas ou em outras fontes. Tudo isso é
fundamentalmente antinatural. Pensem bem: as substâncias assim obtidas possuem
sabor amargo, odor desagradável, acidez, etc., que invariavelmente provocam
aversão. A conhecida expressão "tirar da boca o gosto de remédio" ilustra bem o
fato. Mas por que é tão desagradável tomar remédios? A resposta é a seguinte:
Deus está mostrando que não se deve tomá-los, porque eles são tóxicos. Quanto
aos alimentos, todos são produzidos de maneira que agradem ao paladar do
homem; ingeri-los, portanto, é uma ação natural.
Costuma-se dizer que determinados alimentos são nutritivos e que outros não o são,
mas isso também é um erro. Apesar de existir alguma diferença, dependendo do
clima e das características da região, todos os alimentos são produzidos de maneira
adequada às pessoas aí nascidas. Os indivíduos de raça amarela alimentam-se de
arroz, e os de raça branca, de trigo; da mesma forma, como o Japão é um
arquipélago, significa que seu povo deve comer bastante peixe, não havendo,
também, nenhuma inconveniência em que as pessoas do continente comam carne.
Pelo mesmo raciocínio, as refeições dos agricultores, à base de vegetais, estão de
acordo com a Natureza. O fato deles suportarem o trabalho braçal contínuo mostra a
adequação da alimentação vegetariana. Desconhecendo esse princípio, a dietética
está se empenhando, atualmente, para que os agricultores comam peixe; entretanto,
se eles assim fizerem, resultará na diminuição da sua capacidade produtiva. Por
outro lado, devido às refeições à base de peixe, os pescadores não suportam
trabalho contínuo e por isso trabalham de maneira intermitente. Além disso, esse tipo
de alimentação ajuda a aguçar a sensibilidade; portanto, é apropriado à atividade da
pesca, donde se conclui que a Natureza é realmente perfeita.

20 de abril de I950

A VERDADEIRA SAÚDE E A SAÚDE APARENTE

5 de fevereiro de 1947

Podemos afirmar que a humanidade, ou, pelo menos, a maioria dos povos
civilizados são doentes. A diferença está apenas em doença manifesta e não-
manifesta. Pessoas doentes são aquelas em quem a doença já se manifestou;
pessoas consideradas sadias, aquelas em quem a doença está para se manifestar.
Torna-se desnecessária qualquer explicação sobre as primeiras; limitar-me-ei,
portanto, a estas últimas.
Como já expliquei, as pessoas que estão por adoecer são aquelas em quem ainda
não foi iniciada a ação purificadora dos nódulos formados pelas toxinas. Assim, a
verdadeira saúde é a dos portadores de corpos físicos totalmente livres de toxinas;
neles, conseqüentemente, não ocorre purificação. Há pessoas, entretanto, que,
embora tenham toxinas acumuladas ainda conseguem manter a saúde e
desempenhar suas atividades diárias, agüentando trabalhos físicos; aos olhos de
qualquer um, parecem saudáveis. Visto que, através dos exames feitos pela
medicina atual, é difícil descobrir a presença das toxinas, tais pessoas são
consideradas sadias. A elas eu denomino "pessoas de saúde aparente". Fico, pois,
apreensivo ao pensar no grande número de portadores de "bombas que estão
dançando no palco da vida.
Fala-se, desde os tempos antigos, que o homem é um poço de doenças, mas essa
expressão refere-se exatamente à saúde aparente.

5 de fevereiro de 1947

COMO TORNAR AS CRIANÇAS SAUDÁVEIS

14 de março de 1951

As crianças de hoje têm saúde muito precária. É desencorajador verificar, em toda


parte, o grande número de crianças magras e pálidas. Até pouco tempo, isso só
ocorria na cidade, mas ultimamente vem se observando a mesma tendência no
interior. Em certa vila do Estado de Nagano constatou-se, após exame de saúde,
que, entre cem alunos da escola primária, oitenta e um apresentavam suspeitas de
tuberculose pulmonar. De vez em quando aparecem notícias semelhantes nos
jornais. Tomando conhecimento de tais ocorrências, qualquer pessoa achará
estranho, pois hoje o progresso da Medicina atinge até mesmo as vilas do interior. E
o que torna mais grave o problema é que se desconhece totalmente a sua
verdadeira causa.
O fato que expusemos acima só pode ser decorrente da higiene e nutrição erradas.
Atualmente, acreditando-se que é bom fazer tudo à moda do Ocidente, dá-se às
crianças japonesas o mesmo tratamento dispensado às ocidentais. Isso constitui um
grande erro, porque, na realidade, os japoneses e os ocidentais são essencialmente
diferentes. Essa educação errada limitava-se às grandes cidades, mas parece que
nos últimos tempos vem se adotando no interior o sistema educacional urbano. A
falha está em desprezar a Natureza e atribuir pouca importância ao leite materno,
como acontece no Ocidente, dando às crianças leite de vaca em excesso,
dispensando-lhes cuidados exagerados, fazendo-as ingerir remédios em demasia e
aplicando-lhes injeções inadequadas. Isso, ainda que teoricamente esteja correto, na
verdade acaba enfraquecendo o corpo. Para os ocidentais não há problema, pois
foram criados dessa maneira desde os seus ancestrais; com relação aos japoneses,
entretanto, a mudança brusca é nociva. Para eles, o melhor método de criação é o
japonês, empregado desde a antigüidade; caso não seja possível aplicá-lo, a
mudança deve ser feita gradativamente. Os fatos reais são bem ilustrativos. Parece-
me que as crianças de alguns anos atrás, quando a Medicina ainda não havia
alcançado o progresso atual, eram muito mais saudáveis.
Vou agora expor a forma correta de criar os filhos. A mãe, na medida do possível,
deve trabalhar até o mês do parto; deve amamentar seu filho, restringindo o leite de
vaca aos casos imprescindíveis; não deve temer que ele fique gripado; deve fazer
tudo de acordo com a Natureza, isto é, deixar a criança à vontade, não lhe colocando
cinteiro, evitando o máximo possível o uso de medicamentos, etc. Em suma, basta
reconhecer a grande verdade de que o homem foi feito para crescer naturalmente,
com saúde. Por conseguinte, é evidente que quanto mais cuidados a criança
receber, mais fraca ela se tornará. Sem se deixar influenciar pela moda, os pais
devem criar seus filhos de acordo com o método que lhes foi legado pelos seus
antepassados, levando em conta apenas os pontos positivos do progresso da era
moderna, as práticas realmente boas, e não as teorias. Nesse particular, queremos
pedir profunda reflexão às autoridades e aos especialistas no assunto.

14 de março de 1951

MÉTODO PARA QUALQUER PESSOA ENGORDAR

10 de janeiro de 1951

Acredito que muitas pessoas magras de nascença estão frustradas por não
conseguirem engordar, apesar de haverem tentado vários métodos. Há mulheres
que, embora sejam muito bonitas de rosto, não conseguem fazer sobressair sua
beleza natural, por serem excessivamente magras. Quando vejo mulheres assim,
fico com muita pena, imaginando como seriam belas se fossem um pouco mais
gordas. Provavelmente todos conhecem casos semelhantes. Também observo
crianças magrinhas e raquíticas cujos pais, na tentativa de engordá-las, obrigam-nas
a ingerir vários alimentos e vitaminas, como leite e óleo de fígado de bacalhau, mas
não obtêm os resultados desejados. Provavelmente há muitos pais angustiados com
esse problema.
Existe, porém, um método infalível para se ganhar peso e, ao mesmo tempo,
melhorar a cor das faces. Não é realmente motivo de alegria? Portanto, vou ensinar
esse método.
Examinando-se os ombros das pessoas magras, vemos que eles são rijos como
pedras e têm sempre uma ligeira febre: isso provoca perda de apetite e desgaste
das células. À medida que, através do JOHREI, os ombros vão amolecendo, o
apetite aumenta e, assim, a pessoa começa a engordar. Dessa forma, a salvação de
Deus não só torna as pessoas mais saudáveis como também mais bonitas. Se isso
chegar ao conhecimento de todos, acontecerá um fato muito auspicioso: aumentará
cada vez mais o número de criaturas belas. É claro que as crianças saudáveis
também serão mais numerosas e, desse modo, os pais se sentirão imensamente
felizes.

10 de janeiro de 1951

MÉTODO PARA A MULHER SE TORNAR MAIS BELA

3 de setembro de 1949

A beleza feminina pode ser classificada em três grandes tipos: artificial, natural e
sensível. Beleza artificial é a que se obtém artificialmente, através do uso de
cosméticos. A beleza natural é decorrente da saúde; nesse caso, a pessoa é corada
e tem muita vivacidade. Beleza sensível é a beleza de coração; ela atrai o nosso
respeito e estima, e não podemos deixar de ter afeição pela pessoa. Atualmente, as
mulheres procuram mostrar-se mais belas usando cosméticos em profusão, como
pó de arroz, "rouge", batom, etc; agem assim porque se esquecem de que há outras
maneiras de ficarem bonitas, além da artificial.
Existe um método para a mulher se tornar realmente bela sem precisar dos
cosméticos caríssimos que vem usando hoje em dia. Trata-se da purificação do
sangue, através da qual se obtém a beleza saudável, que é a verdadeira beleza.
Muitas mulheres da atualidade apresentam pele enrugada, sem brilho, sem vida,
como a das pessoas idosas, e, além disso, com uma coloração azulada, dando a
impressão de estar inchada. Isso é uma conseqüência da larga utilização de
remédios. Na tentativa de esconder tais imperfeições, elas usam cosméticos
indiscriminadamente. É evidente, porém, que, se os seus corações não forem belos,
não se poderá dizer que a sua beleza seja verdadeira. Aí se nota a importância da fé.
A prova é que as pessoas que ingressam em nossa Igreja adquirem, com o passar
do tempo, uma beleza que as torna, às vezes, irreconhecíveis.

3 de setembro de 1949

MEDICINA DESPORTIVA

5 de fevereiro de 1947
Por que será que os desportistas, apesar de sua excelente forma física e de sua
resistência, têm vida relativamente curta? Isso constitui um mistério até mesmo para
a Medicina, mas agora iremos decifrá-lo.
Embora existam vários tipos de esporte, a maioria das pessoas restringe-se à prática
de apenas um. No caso de o praticarem constantemente, fazendo sempre os
mesmos movimentos, as toxinas existentes em seu corpo aglomeram-se e
solidificam-se nos pontos onde se concentra o esforço físico. Com o tempo, começa
a ação purificadora. Nos desportistas, as toxinas estão mais solidificadas; portanto, o
processo de purificação é persistente, o que torna difícil a cura. Baseado na minha
experiência, posso dizer que os atletas de natação possuem toxinas acumuladas
num dos ombros, formando um nódulo protuberante. Quando ocorre o processo
purificador, aparecem-lhes sintomas semelhantes aos da tuberculose, e por isso, na
maioria das vezes, os médicos diagnosticam essa doença. Assim se explica a
incidência de tantos casos de tuberculose entre esses atletas. Por outro lado, os
praticantes de golfe contraem moléstias renais com muita facilidade, porque fazem
esforço nos quadris, provocando o acúmulo de toxinas na altura dos rins. Além do
mais, ninguém desconhece a hipertrofia do coração dos corredores de maratona.
A meu ver, do ponto de vista da saúde, os desportistas deveriam praticar dois ou
mais esportes. Mas o problema não se restringe aos desportistas. Os músicos
também precisam tomar cuidado, pois há possibilidade de contraírem doenças
devido à unilateralidade dos movimentos que executam. No caso dos pianistas, as
toxinas tendem a se solidificar na região torácica, pois o esforço se concentra em
ambos os braços, tal como o dos violinistas se concentra nos ombros, o dos
violoncelistas no ombro esquerdo e quadris, etc. Os músicos não deveriam
menosprezar tais fatos, procurando fazer outros tipos de exercícios, para
conseguirem o equilíbrio.

5 de fevereiro de 1947

A BEBIDA E A RELIGIÃO

5 de setembro de 1948

Há um estreito relacionamento entre bebida e Religião, mas parece que pouca gente
tem conhecimento disso. Passarei, em seguida, a tecer considerações sobre o
assunto.
A bebida ingerida em quantidade normal dispensa comentários, mas o hábito de
beber em demasia é causado por um fator de ordem espiritual. Os espíritos de
"Tengu"(), texugo e, mais raramente, o espírito de dragão, que apreciam muito a
bebida, instalam-se no ventre dos beberrões e, como absorvem a energia da bebida,
a quantidade desta reduz-se a uma fração da que foi ingerida. É comum dizer-se que
ninguém consegue beber um garrafão (1,8 litro) de água, mas há quem consiga
tomar a mesma medida de saquê, como se houvesse esponjas em seu ventre.
Quando um indivíduo se embebeda e põe-se a esbanjar argumentos e críticas,
tornando-se arrogante, está dominado por espírito de "Tengu". Quando fica alegre,
dando gargalhadas, e, em seguida, mostra-se sonolento, é por influência do espírito
de texugo. O espírito de dragão, por sua vez, costuma fazer com que a pessoa fique
de olhar alterado e comece a importunar insistentemente os que estão à sua volta.
De maneira geral, observando-se a fisionomia dos bêbados, poder-se-á notar que
apresentam jeito de "Tengu" ou rosto de texugo; tratando-se do encosto de espírito
de dragão, animal cuja imagem conhecemos através de desenhos e esculturas, os
indivíduos são magros, de olhos fundos, ossos da face salientes e testa angular. Há,
ainda, o caso de pessoas que, quando bebem, perdem a razão e tomam atitudes
violentas, típicas de certos portadores de anormalidade mental. Geralmente, são
pessoas que, em outra vida, tiveram suas células cerebrais danificadas pelo excesso
de bebida. Devido a isso, elas são possuídas por espírito de animais; os tipos
perversos tornam-se violentos e causam transtornos àqueles que os rodeiam.
Assim, o hábito de beber demais deve ser corrigido, pois, como todos sabem, a
pessoa não só prejudica a si própria, mas também é motivo de constante sofrimento
para os seus familiares, destruindo a harmonia do lar e causando transtornos à
sociedade; seu fim geralmente é muito triste. Por outro lado, por mais que o
indivíduo tente corrigir-se, não o consegue, porque a causa do problema está no
hóspede invisível que habita o seu ventre. Torna-se, então, evidente que, para
corrigir o vício da bebida, deve-se utilizar o método espiritual, pois só através da
Religião é possível alcançar tal objetivo. Entretanto, parece que pouquíssimas
religiões têm esse poder; aliás, o método empregado por elas - abstinência pelo
rígido autocontrole - torna-se muito penoso, de modo que não é o mais
aconselhável.
Talvez achem que se trata de auto-elogio, mas a Igreja Messiânica Mundial não
recomenda absolutamente abstinência nem redução da bebida. Se a pessoa quiser
beber, pode fazê-lo à vontade. A princípio, os que têm esse vício ficam contentes,
mas, com o tempo, costumam dizer que pouco a pouco passaram a achar um gosto
ruim nas bebidas, embriagando-se mesmo com doses pequenas; por fim não
conseguem beber mais do que a quantidade normal.
Há inúmeros exemplos semelhantes em nossa Igreja. A explicação é que o espírito
do animal alojado no ventre da pessoa se enfraquece ao receber a Luz de Deus e,
conseqüentemente, ela começa a beber menos. Assim, seja qual for a religião, se
ela possui o esplendor da Luz Divina, conseguirá eliminar os beberrões do seu
quadro de fiéis.

() - Ser misterioso que, segundo a crença popular, habita as montanhas. Tem forma
humana, asas rosto vermelho e nariz comprido, sendo possuidor de poderes
extraordinários. Porta sempre um grande leque. É orgulhoso e amante de discussão
e jogo.

5 de setembro de 1948

MEU MÉTODO DE SAÚDE

20 de abril de 1950

Este ano completo sessenta e sete anos, mas tenho um vigor que supera o dos
jovens. Como estou desbravando terras, subo morros constantemente e, sempre
que isso acontece, sou eu quem deve diminuir a marcha, porque os jovens não
conseguem me acompanhar. Muitas vezes eles dizem: "Meishu-Sama, o senhor
deve estar cansado!" Em verdade eu não estou, de modo que fico sem saber o que
dizer.
Costumo dormir às duas e meia ou três da madrugada e acordo sempre às sete ou
sete e meia da manhã; durmo, portanto, cerca de quatro horas ou quatro horas e
meia por dia. Em relação ao trabalho, como as pessoas íntimas bem o sabem,
realizo a tarefa de umas dez pessoas, e parece que os jovens se vêem
embaraçados por não poderem seguir meu ritmo. Quanto a isso, porém, não posso
fazer outra coisa a não ser pedir-lhes paciência.
Tenho um método próprio para manter a saúde, mas ele é justamente o contrário do
método que se adota normalmente. Por esse motivo gostaria de ensiná-lo ao maior
número possível de pessoas, como ponto de referência.
Para a preservação da saúde, a medicina moderna recomenda, em primeiro lugar,
que as pessoas não se excedam, que repousem bastante, alimentem-se bem,
mastiguem demoradamente a comida, não usem demasiadamente a cabeça, etc.
Meu método é exatamente o oposto. Em primeiro lugar, recomendo a prática de
excessos, porque, dessa maneira, mais saúde se terá. Entretanto, até certo ponto
tenho evitado exceder-me muito, pois isso me é penoso. Quanto ao sono, há
diferenças de acordo com a idade; na minha faixa etária, dormir quatro ou cinco
horas é o bastante. Com referência à alimentação, sempre me preocupo com os
excessos. Isso porque recebo tantos alimentos que procuro comer pelo menos um
pouco de cada um, uma vez que essas oferendas representam o amor dos fiéis.
Posso dizer, portanto, que sou um bom garfo. Para contrabalançar, costumo comer
batata-doce após o desjejum; antes de dormir, como "chazuke"() e nunca dispenso
uma tigela de "oshiruko"(). Entre os alimentos, existem os positivos e os negativos, e
não é bom pender para um lado nem para o outro. Os negativos são os vegetais; os
positivos são as carnes, entre as quais, a de peixe. A pessoa deve controlá-los, para
manter o equilíbrio. Tenho observado a proporção de setenta por cento de negativo e
trinta de positivo pela manhã, meio a meio no almoço e setenta por cento de positivo
e trinta de negativo à noite. Entre os picles japoneses também há os positivos e os
negativos Os negativos são os verdes, e os positivos, os brancos, como o nabo, por
exemplo; procuro comê-los na proporção de meio a meio.
Costumo não mastigar muito, para não enfraquecer o estômago. Outra coisa: não
descanso após as refeições. Quando acabo de comer, levanto-me e começo a
trabalhar. Esse é um método de fortalecimento do estômago. Graças a ele, fiquei
curado do meu problema estomacal. Também não determino a quantidade dos
alimentos. Meu regime alimentar consiste em comer o que quero na hora e na
quantidade que desejar. Entretanto, como na vida real não posso me dar a tais
caprichos, não o tenho seguido à risca.
Outro princípio fora do comum: uso a cabeça o máximo possível. Trata-se de um
método para preservar a saúde, e as pessoas que o seguem gozam de longevidade.
Entretanto, encher a cabeça de preocupações é prejudicial à saúde. Ela deve ser
usada alegre e descontraidamente. Nesse ponto também podemos avaliar a
importância da fé. Quem tem fé, entrega as preocupações nas mãos de Deus, e,
assim, a maior parte delas acaba desaparecendo. Em outras palavras, significa
dividir a carga com Deus. É um procedimento impertinente, mas Ele fica até
contente com impertinências desse tipo.
Há muito tempo faço caminhadas pelo menos uma vez por dia. Tenho feito isso
mesmo em dias de chuva ou de ventania, andando o máximo que posso. Tomo
cerca de três cálices de saquê; de cerveja, um copo. Quanto ao cigarro, fumo a
quantidade normal().
Eis o meu método de saúde. Evidentemente nem me preocupo com bactérias.
Poderão achar que se trata de um procedimento um tanto descuidado, mas afirmo
que este é o verdadeiro método para preservar a saúde. Qualquer pessoa que venha
a praticá-lo, terá a saúde garantida; jamais se tornará o tipo intelectual de rosto
pálido.
() - Tigela de arroz embebido em chá.
() - Tigela de caldo doce, feito à base de feijão.
() - Meishu-Sama não tragava. Mas deleitava-se com a fragrância do cigarro.
Fumava quatro ou cinco cigarros por dia.

20 de abril de 1950

O QUE É A MORTE

1939

Entre as questões relacionadas à vida humana, nenhuma é tão séria quanto o


problema da morte. Todos o reconhecem; apesar disso, é a questão mais difícil de
ser compreendida. Eu cheguei a uma conclusão a respeito da morte depois de
prolongados estudos e pesquisas em todos os campos incluindo diversas religiões,
experiências espirituais realizadas no Ocidente, etc. Começarei minha explanação
falando sobre a constituição do homem.
O homem não é formado apenas pela matéria, ou seja, pelo corpo físico, como
afirmam os cientistas. É constituído por duas partes essenciais: espírito (elemento
fogo) e matéria. Esta, por sua vez, compõe-se dos elementos água e terra.
Entretanto, apenas com estes dois últimos elementos o homem não atua como ser
vivo. Juntando-se a eles o espírito, sem forma definida, é que se inicia a atividade
vital. O espírito assume, então, a forma do próprio corpo da pessoa. No momento
em que ele se separa do corpo, ocorre aquilo que chamamos morte.
E por que ocorre a separação? É porque o corpo se torna inútil, seja por velhice, por
doença, por ferimento ou por hemorragia intensa; no instante em que isso ultrapassa
certo parâmetro, entra em vigor a lei que obriga a separação. Com a morte,
imediatamente o corpo esfria, e o sangue se coagula em determinado local. O
esfriamento é decorrente da anulação do elemento espírito, isto é, do elemento fogo.
O que acontece, então, com o espírito? Ele vai para o Mundo Espiritual com a forma
exata do corpo. A esse respeito li, há algum tempo, o relato de uma experiência
realizada no Ocidente; corno se trata de um exemplo bem ilustrativo, vou reproduzi-
lo a seguir.
Certa vez, fitando um doente prestes a morrer, uma enfermeira observou que de sua
testa começou a subir uma fumaça esbranquiçada, como se fosse vapor d'água, o
qual se tornava cada vez mais denso. A princípio essa fumaça tomou o formato de
uma elipse no espaço, mas gradualmente foi adquirindo a forma de um corpo
humano; por fim, assumiu as mesmas características físicas da pessoa. O espírito
permanecia a uma distância de aproximadamente um metro acima do morto e
parecia querer dizer alguma coisa aos familiares que choravam à sua volta; logo,
porém, flutuando, saiu do quarto silenciosamente.
Em geral o espírito se desprende do corpo pela testa, pela região abdominal ou
pelos pés. No caso de morte por explosão, instantaneamente ele se espalha em
todas as direções, na forma de inúmeros corpúsculos, mas torna a se reunir de
maneira centrípeta, reassumindo o formato humano; assim, não difere nem um
pouco da morte por doença.
Quando os espíritos se deslocam, por vontade própria, para determinado local,
tomam a forma esférica. É com esse formato que muitas pessoas afirmam tê-los
visto. Com relação à visão da enfermeira de quem falamos, trata-se de uma
capacidade excepcional; aliás, existem criaturas que j á nasceram com essa
capacidade, e outras que a adquiriram através de treinamento. No Japão, desde a
antigüidade registram-se casos verídicos desse tipo, e eu mesmo já tive inúmeras
oportunidades de contatar com médiuns. Conheci uma senhora possuidora de
percepção espiritual fora do comum, a qual me foi de grande valia nas experiências
que realizei.

1939

MORTE NATURAL E MORTE ANTINATURAL

19 de junho de 1936

O que vem a ser a morte? Obviamente, é a extinção da vida. Isso significa que o
corpo material não consegue mais viver. É como uma árvore que seca e morre.
A morte tem várias causas, mas podemos dividi-la em dois grupos: morte natural e
antinatural. A primeira é causada pelo esgotamento natural da vida; a segunda, por
doença, assassinato, acidente ou suicídio. O certo é que ocorra morte natural,
podendo-se dizer que a morte antinatural constitui uma anomalia.
Um fato realmente incompreensível é que, apesar do avanço da cultura, venha
diminuindo cada vez mais a morte natural e aumentando a incidência de morte
antinatural, principalmente a motivada por doença. E por que razão, embora se
registre um grande progresso em todos os campos culturais, só na questão referente
à vida humana ocorre exatamente o inverso? Deve existir aí uma enorme falha..
Entretanto, ao invés de levantar dúvidas, o homem, que mostra um interesse
ilimitado por outros assuntos, permanece totalmente apático, conformado,
acreditando, talvez, que na questão da morte não existem alternativas. Tal atitude se
explica pelo fato de, até agora, como todos sabem, nenhuma religião ou ciência ter
conseguido resolver o problema. Portanto, é de se imaginar que o homem pensa em
deixá-lo à mercê da natureza, como única solução.
Mas, pensemos: Deus Todo-Poderoso criou o homem como animal do mais elevado
nível, e não há nada mais conflitante com a Vontade Divina que o reduzido número
de mortes naturais em relação às mortes antinaturais, número esse que está
diminuindo progressivamente. Ora, se Deus é Todo-Poderoso, cedo ou tarde Ele
deverá trazer o homem de volta à sua hierarquia espiritual de origem.
Evidentemente, Deus não fechará os olhos, por muito tempo, à anomalia ocorrida
com a vida humana. Refletindo sobre tudo isso, não será motivo de espanto que
Izunome-no-Okami, isto é, Kanzeon Bossatsu, o deus que recebeu do supremo
Deus a incumbência de salvar o homem, esteja prolongando a vida humana, isto é,
erradicando a morte antinatural.
Pelas razões expostas, o homem deve conscientizar-se de que está próxima a
chegada do Mundo da Divina Luz, ou seja, o mundo isento de doenças pelo qual a
humanidade vem ansiando há milênios.
19 de junho de 1936

ANÁLISE DAS TOXINAS

1° de dezembro de 1952

O que é toxina? Em última análise, é o mesmo que sangue sujo e mácula espiritual.
As máculas se originam do pecado, e este, naturalmente, tem origem no mal. Todos
sabem que essa visão do pecado é quase que um monopólio das religiões desde a
antigüidade; entretanto, agir simplesmente como se tem agido até agora, dizendo
que não se deve fazer isso ou aquilo porque é pecado, já não convence as pessoas
da atualidade, pois a maioria é muito inteligente e raciocina em termos científicos.
Deve-se, portanto, basear a teoria em fatos e argumentos sólidos.
Este mundo em que vivemos é formado pelo Mundo Espiritual e pelo Mundo
Material. Da mesma maneira, o homem é formado de espírito e corpo, e ambos,
numa relação íntima e inseparável, têm por princípio a identidade espírito-matéria.
Sendo assim, quando as máculas do espírito se refletem no corpo, o sangue se suja;
reciprocamente, quando isso se reflete no espírito, torna-se mácula. Como este
ponto é de importância fundamental, pediria que o levassem em consideração no
decorrer da leitura.
Explicando do ponto de vista espiritual, se o homem pratica más ações, esse pecado
gera máculas no espírito; quando o acúmulo das máculas atinge determinado nível,
sobrevem a ação purificadora, na forma de doenças, acidentes ou penalidades
legais. A parte que não foi atingida pela lei dos homens é punida espiritualmente,
pela Lei de Deus. Entretanto, como Deus é absoluto, se a pessoa escapar
habilmente a essas penalidades, o castigo se refletirá na matéria através de
sofrimentos maiores. Evidentemente, as doenças sobrevindas nesses casos são
malignas e, na sua maioria, colocam em risco a vida da pessoa. Quanto mais cedo
ocorrerem as penalidades, mais brandas serão, podendo-se compará-las a
empréstimos ou dívidas, que, quanto mais se demora a saldá-los, mais aumentam,
devido aos juros. De fato, se um malfeitor conseguir escapar em vida aos
julgamentos de Deus e do homem, quando morrer e o seu espírito passar para o
Mundo Espiritual, irá cair no chão do Inferno, devido ao peso dos pecados. É
exatamente o "Inferno Avíci" (reino de ilimitado sofrimento), citado no budismo, e o
"Reino do Fundo do Inferno", mencionado no xintoísmo. Trata-se de um mundo
absolutamente sem luz e calor, onde o espírito nada enxerga, permanecendo
congelado por centenas de anos; por isso, não há malfeitor, por pior que seja, que
não venha a se arrepender. Para as pessoas da atualidade, talvez seja difícil
acreditar em situações como estas, mas gostaria que me dessem crédito, pois são
fatos que me foram transmitidos diretamente pelos espíritos, nas pesquisas por mim
realizadas, e posso garantir que não existe nenhum equívoco.
Voltando à minha explanação, em conseqüência dos pecados começa-se a sentir
peso na consciência, e esse sofrimento já é uma leve purificação. Seria bom que
nesse momento as pessoas se arrependessem, mas isso é difícil. Assim, na maioria
das vezes, os pecados tendem a se acumular. É claro que a quantidade das
máculas é proporcional à maior ou menor gravidade dos pecados, mas há também
outra maneira de criá-las. Quando se faz alguém sofrer, a pessoa atingida se
enfurece, sente ódio por aquele que lhe causou o sofrimento, e esse ódio é
transmitido, através do elo espiritual, como ondas de rádio, ao espírito do malfeitor,
gerando-lhe máculas. Ao contrário, quando se pratica uma boa ação, as pessoas se
alegram e sua gratidão se transmite, na forma de Luz, ao espírito do benfeitor, o que
fará diminuir as máculas que o cobrem. Entretanto, mesmo quando se trata de boas
ações, quanto mais elas forem praticadas sem que os beneficiados saibam, maiores
serão as bênçãos de Deus; essa é a inviolável Lei dos Céus.
O que acabamos de expor é o mecanismo do Mundo Espiritual. Como representa
uma verdade absoluta, a única alternativa é crer e obedecer. Portanto, já que as
doenças e outros infortúnios são decorrentes da ação purificadora das máculas, o
homem, se quiser alcançar a felicidade, deve deixar o mal, praticar o bem e esforçar-
se para não macular seu espírito.
Passarei, agora, a falar do ponto de vista material.
A origem da doença é o sangue sujo, que, obviamente, tem como causa os tóxicos
dos medicamentos. Todos os medicamentos, por natureza, são tóxicos, mas durante
muito tempo, por desconhecimento dos princípios da ação purificadora, vieram
sendo erroneamente interpretados como remédios.
Baseado na minha experiência, posso afirmar que há casos de reincidência da
doença depois de algum tempo, mesmo em pessoas que já obtiveram melhora
através do JOHREI. Chamo a isso de repurificação. O que acontece é que o JOHREI
promove a eliminação das toxinas em processo de dissolução, e com isso o doente
tem uma melhora temporária; entretanto, logo que ele retoma suas atividades, já
com vigor razoável, surge uma ação purificadora mais intensa. Resumindo, com a
purificação a pessoa ganha saúde, e com a saúde surge a purificação. Pela
repetição desse processo é que se obtém o completo restabelecimento da saúde.
A repurificação manifesta-se relativamente intensa, através de febre alta, tosse forte
e eliminação de antigas e solidificadas toxinas em forma de catarro, sendo isso
perceptível pela densidade deste e pelo cheiro de remédio. Obviamente alguns
casos são acrescidos da perda de apetite e do enfraquecimento do corpo, podendo,
às vezes, o doente partir para o Mundo Espiritual.
Deus fez do homem o senhor da Terra e por isso criou alimentos suficientes para a
sua subsistência, atribuindo sabor a cada um deles e, ao homem, o paladar.
Portanto, comer com satisfação aquilo que desejar é suficiente para o ser humano
manter a saúde, sem precisar preocupar-se com assuntos complexos como nutrição.
Assemelha-se ao desejo sexual, cujo objetivo não é fazer outro homem; todavia,
apesar do objetivo ser outro, inconscientemente ocorre a procriação. Sendo assim, o
homem não deve ingerir nada que não esteja determinado como alimento, ou seja,
deve excluir tudo que é insípido ou que tem sabor desagradável, pois essas
características já definem aquilo que não é comestível. Por desconhecimento desse
princípio, costuma-se dizer, desde a antigüidade, que "o bom remédio é sempre
amargo", o que constitui um flagrante equívoco.
1° de dezembro de 1952

OS TRÊS TIPOS DE TOXINAS

5 de fevereiro de 1947

A origem de todas as doenças são as toxinas, que podem ser hereditárias, urinárias
e medicinais.
Que são toxinas hereditárias? São heranças dos tóxicos contidos nos
medicamentos; esses tóxicos, após passarem por várias gerações, transformam-se
numa espécie de toxina.
As toxinas urinárias são decorrentes da urina que não é eliminada, em conseqüência
do atrofiamento da atividade renal.
Não entrarei em detalhes sobre as toxinas medicinais, pois o assunto já foi
abordado, mas vou explicar como elas se manifestam. Seus principais sintomas são
febre, dores, coceira, diarréia, vômitos, dormência, mal-estar, etc. A febre é
proporcional à quantidade de toxinas e pode-se até dizer que não se observa a
ocorrência deste sintoma entre pessoas que nunca tomaram remédios. Quanto às
dores, as produzidas pelos medicamentos ocidentais são mais agudas, podendo ser,
por exemplo, picantes (como picada de agulha), perfurantes e rápidas. Já os
medicamentos chineses, quase todos, produzem dores brandas.

5 de fevereiro de 1947

TOXINAS URINÁRIAS

1939

Já me referi várias vezes à facilidade com que as toxinas tendem a se acumular em


locais de alta concentração nervosa. Quando faz esforço físico, o homem força a
região dos quadris, ó que provoca a acumulação de toxinas à altura dos rins. Uma
prova disso é a alta incidência de problemas renais entre os praticantes de golfe. As
toxinas acumuladas pressionam os rins, atrofiando-os. Se os rins normais
conseguem eliminar, por exemplo, dez unidades de urina, os atrofiados eliminam
nove, sendo que uma unidade permanece no organismo sem ser eliminada. Essa
unidade de urina retida constitui a toxina urinária, a qual tende a se acumular, da
mesma forma que as outras toxinas, em locais de alta concentração nervosa, como
na região dos rins e da barriga, nos gânglios linfáticos da região das virilhas, no
peritônio, nos ombros, no pescoço, etc. O maior acúmulo de toxinas no lado
esquerdo ou direito depende do maior atrofiamento de um dos rins em relação ao
outro.
A quantidade de resíduos das toxinas hereditárias é limitada, e a das toxinas
medicinais também se restringe ao uso dos medicamentos. As toxinas urinárias,
porém, são produzidas, dia e noite, ininterruptamente; portanto, são as que causam
maiores problemas. Essas três toxinas são responsáveis por todas as doenças.

1939

A CAUSA DO PECADO ESTÁ NOS MEDICAMENTOS

6 de fevereiro de 1952

Provavelmente o título deste artigo cause muito espanto, pois nem em sonho as
pessoas poderiam imaginar que haja relação entre o pecado e os medicamentos.
Entretanto, por incrível que pareça, há bastante relação. Vou explicá-la.
Sempre digo que remédio é veneno. Quando ele é introduzido no corpo, suja o
sangue; sujando-se o sangue, o espírito se macula; como seu espírito está
maculado, a pessoa sente-se irritada. Isso é perigoso, pois, quando ficamos irritados,
esbravejamos com facilidade, o que acaba resultando em conflito. Se estamos de
bom humor, ainda que sejamos provocados, as coisas se ajeitam entre risos; ao
contrário, se estamos mal-humorados, estouramos pelos motivos mais
insignificantes. Dessa maneira, o homem depende do seu estado de espírito para
tornar-se alegre ou triste. Não podemos menosprezar tal aspecto, pois ele também
tem grande relação com a sorte ou o azar. No relacionamento diário entre as
pessoas, não há nada mais importante que os sentimentos, pois deles pode resultar
a separação de um casal, brigas familiares, atritos entre namorados, perda de
emprego e até casos piores. Ninguém desconhece, também, a grande influência dos
sentimentos sobre a confiança dos superiores em seus subordinados, nas empresas
ou repartições públicas, ou sobre o bom relacionamento entre colegas de serviço, a
preferência dos fregueses por determinado comerciante, o desempenho de um
técnico, o êxito nos estudos, etc. Essas situações são habituais, mas, com o seu
aumento, pode haver conseqüências graves.
Muitas pessoas comuns, que não passaram por suficiente aprimoramento, acabam
procurando estimulantes na tentativa de disfarçar sua irritação. Os mais freqüentes
são a bebida e o jogo. Ultimamente, a moda das corridas de cavalos, da loteria e
outras podem ser explicadas dessa forma. Há indivíduos que, por ganharem bem e
ocuparem certa posição social, vivem luxuosamente e buscam estímulos em
diversões na companhia de mulheres. É claro que isso acarreta despesas, e eles
acabam procurando obter dinheiro por meios ilícitos, incorrendo em apropriação
indébita, fraude, corrupção, etc. Mas o mais grave é que existem pessoas que
matam até mesmo por quantias insignificantes. Observando tais fatos, muitos dizem
que na sombra dos crimes sempre há mulheres, mas eu diria que atrás deles estão
os medicamentos. Devido à procura de estímulos cada vez mais fortes, proliferam as
diversões de baixo nível, que, atualmente, ao contrário dos tempos antigos, tornam-
se facilmente acessíveis, devido à facilidade de locomoção. Acrescente-se que, em
decorrência da abolição das classes sociais, muita gente acha tolice levar uma vida
séria e honesta.
Falei acima sobre aspectos superficiais e visíveis da sociedade, mas quais serão os
seus aspectos interiores? Temos uma situação bastante séria, a qual, em grande
parte, é causada pela doença. Como o homem moderno toma remédios, as doenças
proliferam, crescendo o número de criaturas mal-humoradas e irritadas. Dessa
forma, aumentam as despesas médico-hospitalares, que, aliadas à falta ao trabalho,
diminuem a receita das pessoas, levando-as a fazer empréstimos e causar prejuízos
ao próximo. A vida, assim, vai se tornando cada vez mais desagradável. Como não
se trata o mal pela raiz, a doença tende a se prolongar e, nessa angústia, muitos
praticam furtos; os indivíduos de caráter fraco acabam se suicidando, sendo que, às
vezes, ocorre o suicídio de uma família inteira. Tragédias desse tipo têm
movimentado o noticiário dos jornais, e as mais freqüentes são causadas pela
tuberculose.
Analisando sob esse ângulo, podemos concluir que a causa do crime é a doença, e
a causa desta, o remédio. Assim, espero que tenham compreendido o título do
presente artigo.

6 de fevereiro de 1952

A CAUSA DOS ACIDENTES


16 de julho de 1952

Tem crescido, ultimamente, o número de acidentes, a começar pelos de trânsito, e


esse número tende a aumentar a cada ano, apesar dos esforços das autoridades
competentes. O que se deve fazer, então? No momento, como a verdadeira causa
dos acidentes é totalmente desconhecida, só nos resta prestar redobrada atenção
para evitá-los.
Segundo interpretamos, os acidentes são motivados por problemas de sistema
nervoso do homem moderno. Em outras palavras, eles ocorrem quando o sistema
nervoso de quem dirige não trabalha de forma adequada. O menor atraso no
procedimento a ser tomado num instante de perigo - seja ele o espaço da décima
parte do segundo - pode tornar-se causa direta de um acidente, e não há outro
recurso senão remediá-lo.
Neste aspecto, eu fico impressionado com a falta de agilidade dos jovens atuais.
Muitos são mais lentos do que eu, que estou completando setenta anos. Várias
atividades minhas realizadas em tempo normal eles dizem que são executadas
rapidamente. Qual é, portanto, a causa da lentidão de reflexos do homem moderno?
É que ele recorre aos remédios por qualquer coisa, e, além do mais, as bebidas que
ele bebe contêm vários ingredientes químicos, como os conservantes; até mesmo os
produtos agrícolas, devido à utilização de adubos e inseticidas, estão carregados de
venenos, os quais, com o decorrer do tempo, vão se acumulando e gerando toxinas
no organismo das pessoas.
Assim, poderíamos dizer que o homem atual está praticamente mergulhado em
remédios; acrescente-se que, como a vida se torna cada vez mais agitada e
complexa, ele sobrecarrega o seu cérebro, onde as toxinas se concentram e se
solidificam. Em contrapartida, ocorre uma ação purificadora, fraca mas ininterrupta;
por isso, normalmente as pessoas sentem-se como que atordoadas, a cabeça
pesada, quente e doendo constantemente. Justifica-se, portanto, dizer que hoje em
dia não há quem tenha a cabeça leve. Essa é a causa não só de desastres mas
também de homicídios, tão noticiados nos jornais da atualidade.

16 de julho de 1952

O TRATAMENTO NATURAL

1935

O homem é a obra-prima da criação de Deus, não havendo nada que se lhe possa
comparar. Segundo a Bíblia, ele foi feito à imagem de Deus, o que é uma verdade
inegável. Sua estrutura mística é um mistério que jamais será desvendado pela
Ciência. Quando muito, esta o conhece superficialmente ou em pequena parte;
assim, é impossível afirmar se levará milhares de anos para desvendá-lo ou se
nunca irá conseguir isso. Pensemos com calma. O funcionamento de vários órgãos
do corpo, a sutileza da vontade-pensamento, a expressão dos estados de satisfação,
ira, tristeza ou prazer, a extrema sensibilidade do tato a ponto de a pessoa sentir
coceira quando é picada por uma pulga, a capacidade de exprimir todas as idéias
através do código lingüístico e de distinguir o sabor dos alimentos, a misteriosa
diferença na expressão fisionômica dos l,8 bilhões de habitantes do globo terrestre,
cujos rostos, que não medem mais que um palmo, nunca são iguais, todos estes
mistérios e maravilhas fazem-nos louvar o poder do Criador. Não há palavras
principalmente para expressar a capacidade da procriação, da qual é dotado o
homem, e o mistério que envolve o processo da formação de um ser humano. É
óbvio, portanto, que a Ciência nunca poderá desvendar o mistério da vida, pois o
homem não é criação sua, como os robôs.
Quando a pessoa adoece, logo se inicia, nela própria, uma grande atividade
destinada a eliminar a doença. Dentro de seu organismo começa a ser fabricado o
seu próprio remédio. É como se houvesse, no corpo humano, um grande laboratório
farmacêutico e um professor em Medicina. Se o corpo é invadido pela impureza
chamada doença, o médico que há no seu interior faz imediatamente o diagnóstico e
ordena que o farmacêutico prepare o medicamento, iniciando logo o tratamento.
Aparelhos e medicamentos, todos eles são ultra-eficazes, e a cura é maravilhosa. Se
comemos algo nocivo, a farmácia existente dentro do corpo imediatamente produz
um laxante para provocar a diarréia e eliminá-lo. Se entram no organismo bactérias
nocivas, o tratamento asséptico baseado na febre entra em ação. Se ocorre uma
intoxicação alimentar, produz-se uma reação na pele e, através de calor e coceira,
procura-se neutralizá-la, a fim de que ela não atinja os órgãos internos. Dependendo
da intoxicação, os rins entram em grande atividade, processando uma lavagem com
líquido, o qual é eliminado na forma de urina. Quando se inspira uma grande
quantidade de poeira, ela é eliminada na forma de escarros. E assim por diante.
Realmente, o corpo humano é de uma infabilidade extraordinária.
Em geral, as doenças se curam naturalmente, à mercê da Natureza; entretanto, por
desconhecimento deste princípio, as pessoas recorrem aos medicamentos e aos
tratamentos através da Ciência, fazendo com que a doença se prolongue, pois são
impostos sérios obstáculos ao processo de cura natural.
Mas será que com o tratamento natural a Medicina não perderá sua utilidade? Não é
bem assim. Entre seus ramos, existem alguns que são muito úteis, como a
bacteriologia, uma parte da higiene, a cirurgia no tempo de guerra, a odontologia, as
clínicas de fraturas, etc.

1935

OS PONTOS FALHOS DA MEDICINA


E A CAPACIDADE DE RECUPERAÇÃO NATURAL

25 de julho de 1951

Como é do conhecimento de todos, venho chamando a atenção para os erros da


Medicina atual, mas o ponto mais grave é o seu absoluto desprezo à capacidade de
recuperação natural do organismo, inerente a todo ser humano.
Quando alguém adoece e vai procurar um médico, na maioria das vezes ele diz: "Foi
bom ter vindo logo. Se demorasse mais, talvez o problema já se tivesse tornado um
caso perdido." Os médicos acreditam que, se deixarmos uma doença sem
tratamento, ela se agravará cada vez mais.
Desejo esclarecer que o grande erro da Medicina consiste na crença de que o
tratamento de uma doença deva ser iniciado o mais cedo possível, antes que seja
demasiado tarde, e na aplicação de tratamentos baseados em inúmeros
medicamentos, para evitar que o mal progrida.
Tenho sempre afirmado que a doença é um processo de eliminação de toxinas;
portanto, se deixarmos que esse processo se desenvolva, as toxinas serão
eliminadas e, conseqüentemente, a doença desaparecerá, ou seja, a pessoa ficará
curada. Sofrimentos como febre, tosse, escarro, catarro, suor, diarréia, dores e
coceiras são decorrentes do curso do referido processo. Basta, por conseguinte,
suportar um pouco até que as impurezas sejam eliminadas e o corpo fique limpo.
Assim, não há razão em se dizer a uma pessoa que é "tarde demais" para ela se
tratar.
Desconhecendo tal princípio, a Medicina interpreta as doenças de forma totalmente
contrária e por isso teme deixá-las sem tratamento. Em suma, considera que o certo
é impedir a saída das impurezas, solidificando-as. Com esse procedimento, é óbvio
que não poderá haver erradicação das doenças.
Vejamos outro ponto falho da Medicina. Quando alguém se machuca ou se queima,
geralmente há formação de pus; como este é muito temido, tomam-se várias
providências para evitá-lo, mas devo dizer que se trata de um grande erro. Todas as
pessoas possuem toxinas acumuladas em seu corpo, o qual tenta eliminá-las na
primeira oportunidade. Quando ocorrem estímulos como ferimentos, elas tendem a
se concentrar nesse ponto e o organismo faz com que sejam eliminadas. Portanto,
quanto maior a área inflamada, isto é, a área onde se localiza o pus, maior é a
eliminação de toxinas, e não existe nada melhor.
Dessa maneira, o corpo humano realiza um constante trabalho de limpeza através
da eliminação de substâncias nocivas, trabalho esse que denominamos capacidade
de recuperação natural. Uma vez que o homem já nasceu com a capacidade de
curar as doenças naturalmente, a Medicina deveria respeitá-la, deixando-a atuar;
atualmente, porém, não só ela tenta bloqueá-la, como avança nesta teoria. Podemos
notar, então, o quanto a Medicina está errada. E o que estamos dizendo não é teoria;
é a constatação de fatos verídicos.
O homem recebeu dos Céus essa maravilhosa capacidade de recuperação natural,
e nenhum tratamento médico consegue sequer chegar-lhe aos pés. O simples fato
de se tomar conhecimento disso já constitui uma grande felicidade.

25 de julho de 1951

O QUE É A DOENÇA

1° de janeiro de 1953

Todos os homens, sem exceção, possuem toxinas hereditárias e adquiridas. Toxinas


hereditárias são as que se herdam dos pais, e toxinas adquiridas são as dos
medicamentos tomados após o nascimento. Talvez achem estranha tal afirmação,
pois normalmente se acredita que os medicamentos existem para curar as doenças
e restabelecer a saúde.
É crença geral que com a obtenção de melhores remédios se conseguirá resolver o
problema da doença, sendo este o principal objetivo dos tratamentos médicos. Todos
sabem que especialmente os Estados Unidos têm voltado sua atenção para esse
aspecto, concentrando grandes esforços na descoberta de novos medicamentos.
Ora, se os remédios possibilitassem a cura das doenças, estas deveriam diminuir
gradualmente; por que, então, ocorre justamente o inverso? Não há contradição
maior.
Por natureza, na Terra não existe nada que se possa chamar de remédio. O que há
são produtos tóxicos que, justamente por isso, fazem efeito. Com a ação do veneno
chamado remédio verifica-se uma diminuição dos sintomas da doença, dando a
impressão de que houve cura; não se trata, porém, de cura verdadeira.
Mas por que os remédios são venenos?
Quando criou o homem, Deus criou também os alimentos, para manutenção da sua
vida. A eles, atribuiu sabor, e ao homem, o sentido do paladar. Portanto, basta a
pessoa comer com satisfação aquilo que desejar, para estar nutrida. Só de
atentarmos para esse aspecto, perceberemos a perfeição do Criador. Assim, a
expressão correta é "o homem vive pela alimentação", e não "o homem se alimenta
para viver." E o mesmo que acontece com a procriação: apesar do homem e da
mulher se unirem por motivos que não são especificamente esse, dessa união
resultam filhos, o que constitui um grande mistério.
Em conseqüência do que acabamos de dizer, as funções orgânicas do homem não
estão habilitadas a eliminar de maneira completa as substâncias que não são
determinadas como alimentos. Encontram-se neste caso os tóxicos dos
medicamentos. O mais agravante, no entanto, é que esses tóxicos se concentram
em vários pontos do organismo e, com o passar do tempo, acabam se solidificando.
Isso se restringe às regiões de atividade nervosa, tal como a parte superior do corpo,
principalmente do pescoço para cima. Mais especificamente, o cérebro, seguido
pelos olhos, ouvidos, nariz, boca, etc. Antes, porém, as toxinas se solidificam nas
proximidades do pescoço, razão pela qual as pessoas sentem nódulos nesse local e
nos ombros. Quando elas atingem certo nível, ocorre o processo natural de
eliminação, ou seja, a ação purificadora. Nesse caso, as toxinas se dissolvem devido
à ação da febre, sendo eliminadas através de tosse, catarro, escarro, suor, urina e
outros meios. A isso denominamos gripe; logo, esta é um processo de eliminação de
toxinas. Embora seja um pouco penoso, basta a pessoa suportar e deixar a Natureza
agir. Com a eliminação das toxinas, o corpo ficará limpo e obter-se-á a cura. A gripe,
portanto, é a mais simples ação fisiológica criada pela Divina Providência, e por ela
devemos ter gratidão. Ignorando isso, o homem interpreta mal os sofrimentos e as
dores da purificação e, para cortá-los, inventou os tratamentos médicos.
Quanto maior a vitalidade da pessoa, mais facilmente ocorrerá a ação purificadora.
Para impedi-la, basta enfraquecer essa vitalidade. Daí a utilização do veneno
denominado remédio. Desde a antigüidade, ele é extraído de ervas, raízes, cascas
de árvores, minerais, vísceras de animais e outras fontes, sendo aplicado sob
diversas formas, como chás, pós, medicamentos líquidos, comprimidos, ungüentos,
injeções, etc. Aplica-se o veneno em pequenas doses, várias vezes ao dia; se as
doses forem grandes, coloca-se em risco a vida da pessoa. É considerado bom
remédio aquele cujo veneno é razoavelmente forte, mas não a ponto de causar
intoxicação.
Através de medicamentos venenosos, o homem veio solidificando toxinas que
estavam para ser eliminadas, podendo-se imaginar a grande quantidade de toxinas
que o homem moderno possui em seu corpo. Dessa forma, ele se torna uma presa
fácil das doenças, fato evidenciado pelo aparecimento da medicina preventiva e pelo
temor da gripe. Por outro lado, as pessoas estão contentes porque a vida média do
ser humano alcançou a casa dos sessenta anos. Grande erro, pois, se conseguir
libertar-se das doenças, o homem poderá viver tranqüilamente por mais de cem
anos. A morte antes dessa idade é antinatural; uma vez livre das doenças, ele
morrerá de morte natural e, obviamente, sua vida irá se prolongar.
Os tratamentos médicos, por conseguinte, não curam as doenças; simplesmente
minoram durante algum tempo seus sintomas. Todos os tratamentos recomendados
- repouso absoluto, aplicação de compressas, ungüentos, bolsas de gelo,
eletricidade, banhos de luz e outros - são métodos para solidificar as toxinas. Entre
eles, diferem um pouco os tratamentos por meio de calor e a moxa, mas estes
apenas conduzem as toxinas para determinado ponto. Através do estímulo do calor
consegue-se alívio, mas, com o passar do tempo, elas voltam à sua posição original.
Portanto, o único método que promove a verdadeira cura das doenças é aquele que
dissolve e elimina as toxinas.

1° de janeiro de 1953

A VERDADEIRA CAUSA DAS DOENÇAS

5 de fevereiro de 1947

Já me referi, anteriormente, à existência de vários tipos de toxinas no corpo do


homem desde o seu nascimento. Devido a essas toxinas é que ele não consegue
manter plena saúde, e por isso seu corpo é feito de maneira que lhe possibilite
eliminá-las fisiologicamente. A tal fenômeno denominamos processo natural de
purificação. Quando ele ocorre, sobrevêm sofrimentos de certo nível, e essa fase de
dor e mal-estar constitui aquilo que se chama de doença. Para explicar tal fenômeno,
vamos tomar como exemplo a doença mais comum, ou seja, a gripe, pois não há
uma única pessoa que não a tenha contraído. A Medicina ainda desconhece suas
causas, mas, segundo descobri, ela é uma das mais simples formas da ação
purificadora, vindo acompanhada de sofrimentos como febre, dor de cabeça, tosse,
escarro, catarro, perda de apetite, suor, indisposição, etc.
Antes de mais nada, o que vem a ser o processo de purificação? A grosso modo, ele
compreende duas etapas. A primeira consiste na concentração e solidificação das
diversas toxinas contidas no sangue em diferentes pontos do corpo, especialmente
os locais de grande atividade nervosa e as partes que ficam em posição inferior
quando o corpo se encontra em repouso. Com o passar do tempo, as toxinas
concentradas vão endurecendo, o que vem a ser causa de enrijecimento dos
músculos. Às vezes não há sofrimento algum: quando muito, rigidez nos ombros. A
segunda etapa da purificação começa quando a solidificação ultrapassa determinado
nível, sobrevindo aí o processo natural de eliminação. Para facilitá-lo, surge uma
ação destinada a dissolver as toxinas, isto é, a febre.
O grau da febre depende não só da natureza, quantidade e rigidez das toxinas, mas
também da própria natureza do doente. Muitas vezes, a febre aparece como
resultado do cansaço, após a prática de exercícios físicos, pois estes aceleram o
processo de purificação. As toxinas liqüefeitas são eliminadas na forma de suor,
catarro, secreção nasal, etc. A tosse e o espirro são como ações de bombeamento: a
primeira, para eliminação de catarro; o segundo, para eliminação de secreção nasal.
Isso se tornará bastante claro se observarmos que realmente eliminamos catarro
quando tossimos, e secreção nasal quando espirramos. Por outro lado, a perda de
apetite é causada pela febre, pela tosse e pelos medicamentos. As dores de cabeça
e nas juntas são decorrentes da dissolução das toxinas existentes nesses pontos, as
quais excitam os nervos no momento de sua eliminação em estado líquido. A dor de
garganta ocorre porque as toxinas contidas no catarro irritam a mucosa que a
reveste, ocasionando sua inflamação; a rouquidão baseia-se no mesmo princípio,
sendo causada pela inflamação das cordas vocais.
Eis, portanto, o que é a gripe. Não há necessidade de tratamento algum; basta a
pessoa deixar seu organismo em paz, sem tomar medicamentos, que em poucos
dias, terminado o processo de purificação, estará curada. Desde que a cura seja
natural, com a redução de toxinas, a saúde aumentará.
Apesar da gripe ser altamente recomendável, por constituir o mais simples processo
de purificação, as pessoas a temem, e a Medicina chega a dizer que preveni-la é a
condição número um para não contraí-la. Os leitores precisam compreender que isso
é um grande erro. Desde a antigüidade acredita-se que a gripe é a origem de mil
doenças, mas na verdade ela é a única maneira de se escapar a essas mil doenças.
Desconhecendo-lhe a causa, a Medicina toma várias medidas quando a pessoa fica
gripada, todas elas no sentido de deter o processo purificador. Tais medidas
começam com a tentativa de baixar a febre através de medicamentos antitérmicos,
bolsas de gelo, compressas e outros meios. Isso faz com que o processo de
purificação retroceda ao primeiro estágio, ou seja, que as toxinas que começaram a
ser dissolvidas voltem a se solidificar. Com a solidificação, a pessoa sente-se
aliviada dos sofrimentos causados pela febre, escarro, secreção nasal, etc., e tanto
ela como o médico têm a ilusão de que a gripe está melhorando. Quando ocorre a
solidificação completa, pensam que a cura está selada. Na realidade, porém, voltou-
se à situação anterior; logo, é natural que haja uma recaída.
Chamo atenção para o fato de que os tratamentos baseados em antitérmicos, bolsas
de gelo, compressas e outros semelhantes, detendo o processo purificador,
constituem a causa de sintomas mais intensos nas próximas doenças que o
indivíduo contrair. Pode-se compreender, portanto, que as doenças graves são
causadas pela repetida interrupção dos processos purificadores de menor
intensidade, através da utilização sucessiva de remédios, o que aumenta o acúmulo
de toxinas, tornando necessária a ocorrência de um processo purificador muito
intenso.

5 de fevereiro de 1947

O QUE É A DOENÇA?

15 de agosto de 1951

A GRIPE

A própria Medicina reconhece que o homem tem, "a priori", várias toxinas. Elas são
eliminadas por um processo fisiológico natural, que nós chamamos processo de
purificação. Primeiramente as toxinas se concentram em vários locais, notadamente
naqueles onde há mais atividade nervosa. No homem, isso ocorre na metade
superior do corpo. Quanto mais próximo do cérebro, maior a concentração, porque,
enquanto se está acordado, o cérebro, os olhos, os ouvidos, o nariz, a boca, etc.,
trabalham ininterruptamente, mesmo que os braços e as pernas estejam em
repouso. Portanto, as toxinas tendem a se concentrar nos ombros, no pescoço, nos
gânglios linfáticos, no encéfalo, na parótida e em outros pontos. Com o passar do
tempo, elas vão se solidificando gradualmente. Quando o acúmulo ultrapassa
determinado limite, começa o processo de purificação. Aí podemos ver o benefício
que a Natureza nos proporciona. A solidificação das toxinas provoca má circulação
sangüínea, rigidez dos ombros e do pescoço, dor de cabeça acompanhada de
sensação de peso, diminuição da capacidade visual, auditiva e olfativa, entupimento
do nariz, inflamação dos alvéolos, enfraquecimento dos dentes, falta de fôlego,
flacidez dos músculos dos braços e das pernas, dor nos quadris, inchação, etc. Tais
fatores determinam uma acentuada diminuição da atividade, de modo que o homem
fica impossibilitado de cumprir sua missão. Foi justamente por isso que Deus criou o
excelente processo de purificação denominado doença.
Conforme dissemos, se a doença é o sofrimento decorrente da eliminação de
toxinas, ela é processo de purificação do sangue, indispensável à manutenção da
saúde. Portanto, podemos considerá-la a maior bênção que Deus nos concedeu. Se
a eliminarmos, o homem irá enfraquecendo gradativamente e, por fim, estará até
ameaçado de extinção. Os leitores poderão achar que se trata de uma incoerência,
pois eu sempre afirmo que construirei um mundo sem doenças. Entretanto, não há
nenhuma incoerência em minhas palavras, visto que, se o homem se livrar das
toxinas, não haverá mais necessidade de processo purificador; conseqüentemente,
as doenças desaparecerão. Vou expor minha teoria de maneira mais aprofundada e
de modo a facilitar ao máximo sua compreensão.
Logo que uma pessoa contrai gripe, sobrevem-lhe a febre. Para facilitar a eliminação
das toxinas, a Natureza faz com que elas se dissolvam através do calor. Na forma
líquida, as toxinas infiltram-se rapidamente nos pulmões. Trata-se de um processo
realmente misterioso. Do mesmo modo, quando as dissolvemos através do JOHREI,
elas penetram imediatamente nos pulmões, atravessando os músculos e até os
ossos. Se as toxinas se encontram solidificadas em um ou dois pontos, as doenças
são leves, mas estas se agravam na medida em que é maior o número de pontos. É
por isso que uma gripe que a princípio parecia fraca, vai se agravando cada vez
mais.
No caso de serem pouco densas, as toxinas liqüefeitas são eliminadas
imediatamente, na forma de catarro; ao contrário, quando sua densidade é maior,
ficam temporariamente nos pulmões, aguardando a ação de bombeamento
denominada tosse, e aí são eliminadas pelas vias respiratórias. Isso se evidencia
pelo fato de a tosse ser sempre seguida de catarro. Obedecendo ao mesmo
princípio, o espirro vem sempre seguido de secreção nasal. Assim, as dores de
cabeça e de garganta, a inflamação dos ouvidos, dos gânglios linfáticos, das
articulações dos pés, das mãos e da região inguinal decorrem da dissolução das
toxinas e do seu deslocamento em busca de saída do corpo. Esse movimento
pressiona os nervos, provocando a dor.
As toxinas líquidas estão divididas em concentradas e diluídas. As concentradas são
eliminadas na forma de catarro, secreção nasal, diarréia, etc., e as diluídas, na forma
de suor e urina. A ação purificadora se processa de modo tão natural, que não
podemos deixar de louvar a Providência do Criador. Foi Deus que criou o homem, e
por isso não haveria razão para lhe proporcionar sofrimentos e atrapalhar sua
atividade através da doença. O ser humano precisa estar sempre saudável, mas ele
próprio cria toxinas e, com base em teorias errôneas, faz com que elas se
acumulem, surgindo então a necessidade de eliminá-las. Eis, portanto, o que é a
doença. No caso da gripe, se a deixarmos desenvolver-se sem nenhuma
interferência, por conta da Natureza, a purificação decorrerá normalmente e a cura
será completa, aumentando, assim, a saúde da pessoa.
Por incrível que pareça, e não se sabe desde quando, o homem interpretou de
maneira inversa o referido processo de purificação. Dessa forma, quando a doença
se declara, ele emprega todos os recursos para estancá-la. Confundindo-se no
tocante às dores do processo, acha que elas são decorrentes do agravamento da
doença. Baseado nisso, trata de fazer baixar a febre. Com a diminuição desta,
interrompe-se a dissolução das toxinas e diminuem os sintomas, como a tosse, o
catarro e outros. Parece, então, que está ocorrendo a cura. Em outras palavras, faz-
se retornar ao estado sólido as toxinas que tinham começado a se dissolver. Essa
solidificação é promovida pelos tratamentos médicos, entre os quais se inclui a
aplicação de compressas, bolsas de gelo, remédios, etc. Quando ocorre a completa
solidificação das toxinas e desaparecem os sintomas, as pessoas ficam contentes,
julgando-se curadas. Mal sabem elas que estão prendendo a mão que executaria a
limpeza de seu corpo. E os fatos o comprovam. Fala-se muitas vezes em recaída,
mas esta nada mais é que o resultado do choque entre duas ações: a do corpo, que
procura executar a purificação, e a do tratamento, que tenta impedi-la, provocando,
assim, o prolongamento da doença. Isso pode ser constatado pela reincidência da
gripe que se pensava ter sido curada. Posso afirmar, portanto, que o tratamento
médico é apenas uma forma de adiar a doença e não de curá-la. O verdadeiro
processo de cura consiste em eliminar as toxinas do corpo, purificando-o, ou seja,
acabando com a causa da doença.
A verdadeira Medicina é aquela que, ocorrendo o processo purificador, acelera a
dissolução das toxinas e faz com que elas sejam eliminadas na maior quantidade
possível. Não há outro tratamento além deste.

15 de agosto de 1951

A VERDADEIRA CAUSA DA DOENÇA ESTÁ NO "ESPÍRITO"

1935

Tudo que existe no mundo é composto de matéria e espirito, sendo que a


deterioração e decomposição da matéria é causada pelo abandono do espírito.
Mesmo em relação às pedras, existe um tipo, chamado pedra morta, que se esfarela
com facilidade, e isso também se deve à ausência de espírito. A ferrugem que se
forma no ferro tem a mesma causa, podendo-se dizer que ela é o cadáver do ferro. A
existência de pouca ferrugem em espadas bastante polidas ou espelhos antigos,
explica-se pelo fato de estar impregnado neles o espírito do artesão.
O homem é constituído pela união inseparável do espírito com o corpo físico; a
partida do espírito para o Mundo Espiritual constitui aquilo a que chamamos morte.
Todos os animais possuem, no centro do espírito, a consciência e, no centro deste, a
alma. O tamanho da consciência é 1% do espírito, e o da alma é 1% da consciência.
Assim, primeiramente há ação da alma e da consciência; com a ação desta última,
verifica-se a ação do espírito e, com esta, a ação do corpo físico. Dessa forma, todas
as ações do homem e fenômenos do corpo físico têm origem na alma. Relacionando
com o bem e o mal, o corpo físico representa o mal; a consciência, o bem. Da
mesma forma, a consciência representa o mal, e a alma, o bem. O repetido atrito
entre o bem e o mal gera a harmonia, manifestando-se como força e capacidade de
viver.
De acordo com o princípio exposto, o aparecimento da própria doença ocorre numa
parte do espírito, que move o corpo material. Apesar de pequena, a alma é auto-
elástico: quando o homem está acordado e em atividade, ele toma a forma humana;
quando o homem está dormindo, toma a forma esférica. A bola de fogo que se
observa muitas vezes por ocasião da morte, é a alma, que, nesse momento, assume
o formato esférico, acontecendo o mesmo com a consciência e com o espírito. Essa
bola de fogo é ocasionalmente visível porque tem luz. O aparecimento da doença
numa parte da alma significa que nessa parte a luz ficou escassa. Isso se reflete na
consciência, no espírito e, por fim, no corpo, em forma de doença. Portanto, se não
surgirem máculas em seu espírito, a pessoa jamais ficará doente.
Mas por que razão se formam máculas no espírito? Por causa do pecado. Para
explicar isso, eu teria de entrar no campo da Religião, de modo que vou parar por
aqui e falar apenas sobre a manifestação da doença no corpo físico.
Como eu já disse, se surgem máculas numa parte do espírito (a parte
correspondente à região pulmonar, por exemplo), o sangue dessa área fica sujo. E
isso não se restringe às doenças pulmonares; praticamente todas as doenças têm
essa origem. O princípio da cura deve basear-se na eliminação das máculas do
espírito. Entretanto, desconhecendo esse princípio, a Medicina empenha-se em
tratar apenas os sintomas que aparecem no corpo, porque só tem conhecimento do
efeito, e não da causa do problema. Desse modo, mesmo que se consiga uma
pequena melhora, não se obtém a cura completa da doença.
Com o JOHREI, eliminam-se as máculas do espírito através da Luz de KANNON; ao
mesmo tempo, ocorre a eliminação das toxinas, e a doença melhora ou desaparece.
Por conseguinte, a purificação do espírito reflete-se no corpo, ocasionando a cura da
doença. Ainda assim, não podemos afirmar que o mal foi cortado pela raiz. Isso
porque, se a alma não foi elevada é impossível estar-se verdadeiramente tranqüilo e
seguro. A elevação da alma só poderá ser obtida se a pessoa apreender a correta fé
e praticá-la. Esse aprimoramento constitui a prática messiânica. Chegando a esse
ponto, a pessoa não cometerá mais pecados; pelo contrário, começará a acumular
virtudes. Assim, além de ficar isenta de doenças e desgraças, poderá viver repleta
de alegria e obter a graça de uma vida longa e virtuosa. Dessa forma, haverá
progresso de toda a sua linha familiar.
Falarei, agora, sobre outro aspecto relacionado ao espírito. Há pessoas que ficam
aflitas por qualquer coisa, e outras que estão sempre inseguras e inquietas. Isso
acontece porque a sua alma está fraca e a sua resistência aos choques externos é
pequena. Os neuróticos, cujo número tem aumentado muito ultimamente,
enquadram-se nesse tipo. A causa da neurose são as máculas existentes no espírito;
por isso os portadores desse mal são fracos. A maioria possui toxinas solidificadas
no pescoço; dissolvendo-se essas toxinas, eles ficarão curados. Quando o mal se
agrava, produz-se a insônia. Mesmo após obter a cura, o melhor meio de evitar uma
recaída é a pessoa ingressar na Igreja Messiânica Mundial, a fim de que seu espírito
seja iluminado pela Luz Divina e não volte a criar máculas.

1935

A CAUSA DAS DOENÇAS E O PECADO

1936
A causa das doenças são os nódulos constituídos pela mistura de sangue sujo e
pus, os quais se formam como reflexos das máculas do espírito. Mas de onde
surgiram e como vieram essas máculas? Elas se originam dos pecados.
Há dois tipos de pecados: os gerados nesta vida e os hereditários. Estes últimos são
o acúmulo global dos pecados cometidos por muitos antepassados; os primeiros
representam a soma dos atos pecaminosos praticados pela própria pessoa.
Nós que vivemos atualmente, não somos seres surgidos do nada, sem relação com
nada. Na verdade, representamos a síntese de centenas ou milhares de
antepassados e existimos na extremidade desse elo. Somos, portanto, seres
intermediários de uma seqüência infinita, formando uma existência individualizada
no tempo. Em sentido amplo, somos um elo da corrente que une os antepassados
com as gerações futuras; em sentido restrito, somos uma peça como a cunha,
destinada a firmar a ligação entre nossos pais e nossos filhos.
Para explicar as doenças causadas pelos pecados dos antepassados, preciso falar
sobre a vida após a morte, isto é, sobre a constituição do Mundo Espiritual.
Ao deixar este mundo e passar pelo portão da morte, o homem tem de despir a
roupa denominada corpo. Este pertence ao Mundo Material, e o espírito, ao Mundo
Espiritual. Quando o corpo, devido à doença ou à idade avançada, torna-se
imprestável, o espírito abandona-o e vai para o Mundo Espiritual. Aí ele deve se
preparar para renascer no Mundo Material, ou seja, reencarnar. Este preparo
constitui o processo da purificação do espírito.
A maior parte das pessoas carrega uma quantidade considerável de máculas,
originadas dos pecados. Assim, quando são submetidas ao julgamento do Mundo
Espiritual, feito com absoluta imparcialidade, a maioria acaba caindo no Inferno.
Devido ao sofrimento da pena imposta, o espírito vai pouco a pouco se elevando,
mas os resíduos da purificação dos pecados fluem contínua e incessantemente para
os seus descendentes que vivem no Mundo Material. Isso é como uma lei redentora,
baseada na causa e efeito, em que o descendente - resultado da soma global dos
seus antepassados - arca com uma parte dos pecados cometidos por eles. Trata-se
de uma Lei Divina inerente à criação; por conseguinte, o homem não tem outro
recurso senão obedecer a ela. Esses resíduos espirituais fluem sem cessar para o
cérebro e a coluna vertebral do descendente, e, penetrando em seu espírito,
imediatamente se materializam na forma de pus, que é a origem de todas as
doenças.
Agora vou falar sobre o segundo tipo de pecados, isto é, os pecados individuais, que
todos entendem com facilidade.
Ninguém consegue viver sem cometer pecados. Estes podem ser graves, médios e
leves, admitindo cada um desses tipos uma infinidade de classificações.
Exemplificando, há pecados contra a lei, contra a moral ou contra a sociedade;
pecados de natureza carnal, que se evidenciam nas ações do indivíduo, e também
pecados psicológicos, cometidos apenas na mente da pessoa. Conforme disse
Cristo, só o fato de desejar a mulher do próximo já constitui crime de adultério. É
uma afirmação correta, apesar de bastante rigorosa. Portanto, embora não se esteja
violando nenhuma lei, pecados leves cometidos no dia-a-dia, os quais ninguém
considera pecados, como ter raiva do próximo, querer que alguém sofra ou desejar
adultério, se forem acumulados por longo tempo, acabarão assumindo proporções
consideráveis. Vencer uma competição ou alcançar sucesso na vida, condutas que
envolvem disputa e acabam provocando a inveja e o conseqüente ódio do perdedor,
também constitui uma espécie de pecado, pois envolve o ódio. Matar animais, ser
preguiçoso e desperdiçado, agredir as pessoas, não cumprir os compromissos,
mentir, dormir demais pela manhã, etc..., tudo isso são pecados que as pessoas
acumulam sem saber. Essa infinidade de pecados leves, acumulando-se ao longo
do tempo, refletem-se no espírito em forma de mácula. É comum pensar que os
recém nascidos não possuem pecado algum, mas não é bem assim. Todos os
homens, até se tornarem independentes, vivem sob a tutela dos pais e por isso
devem dividir com eles a carga dos pecados. Poderão entender melhor este
raciocínio fazendo uma analogia com as árvores: os pais constituem o tronco,
enquanto os filhos são os galhos, e os netos, os galhos menores. Assim, é
impossível as máculas dos pais não exercerem influência sobre os filhos.
Os pecados gerados nesta vida tornam-se bem claros através de exemplos. Vou
expor alguns deles.
Conheci duas pessoas que, após enganarem a terceiros, ficaram cegas. Uma delas
era um especialista em confecção de painéis chamado Kyoguin, o qual residia em
Senzoku-cho, Assakussa, Tóquio. Ele produzia quadros falsos com uma técnica
aprimorada e fazia painéis novos parecerem antigos, vendendo-os como autênticos.
Em poucos anos acumulou considerável fortuna, mas foi acometido de cegueira
incurável, vindo, mais tarde, a falecer. Lembro-me de que quando eu era criança ia
brincar em sua casa e ouvia as histórias diretamente dele. O outro caso ocorreu em
Hanakawa-do, também em Assakussa, onde havia uma casa de móveis e utensílios
chamada Hanagame. Certa vez, o bonzo responsável por um templo de Shizuoka
expôs em Tóquio a imagem principal do templo. Acontece que a exposição foi um
completo fracasso e, ficando sem meios para voltar, ele tomou dinheiro emprestado
na Casa Hanagame, deixando a imagem como garantia do pagamento da dívida.
Após conseguir o dinheiro, foi devolvê-lo, mas Hanagame, o dono da loja, que
vendera a imagem, por altíssimo preço, a um interessado, cinicamente alegou que
nunca a tivera sob sua guarda. No auge do desespero, o bonzo acabou se
enforcando no teto da referida loja. O proprietário investiu a vultosa quantia obtida
com a venda da imagem na ampliação dos seus negócios, que foram de vento em
popa. Em pouco tempo ele estava milionário. Entretanto, na velhice, ficou cego e seu
herdeiro acabou esbanjando toda a fortuna com bebidas e mulheres. Por fim, em
estado lastimável de profunda decadência, Hanagame perambulava pela cidade
conduzido por sua mulher, também já idosa. Lembro-me de tê-los visto algumas
vezes e de ter tomado conhecimento de sua história por intermédio de meu pai. O
que ocorreu, só pode ter sido causado pelo profundo ódio do bonzo.
O exemplo que se segue diz respeito ao reflexo dos pecados dos pais sobre os
filhos. Refere-se a uma empregada que eu tive, moça de dezessete ou dezoito anos
aproximadamente, a qual era cega de um olho. Perguntando-lhe eu a causa desse
problema, ela me disse que o filho de um casal para quem trabalhara havia
disparado acidentalmente uma espingarda de pressão, atingindo seu olho.
Indagando maiores detalhes, eu soube que o pai dela havia enriquecido vendendo
coral falso. No início da Era Meiji, por volta de 1867, utilizando látex, ele fabricara
gemas falsas de coral. Levando-as para o interior, conseguira vendê-las a preços
altos, como se fossem verdadeiras. Acredito que o ódio das pessoas enganadas se
refletiu em sua filha, que acabou perdendo uma vista. Pareceu-me realmente uma
pena, pois ela era muito bonita e, se não tivesse esse defeito, teria progredido
bastante na vida.
Outro caso é referente a um ancião que veio me procurar por causa de uma dor que
sentia no pulso. Ministrei-lhe JOHREI por mais de dez dias, mas ele não
apresentava melhora. Intrigado, indaguei-o a respeito de sua fé, e ele me disse que
venerava certa divindade há mais de vinte anos. Vendo que estava aí a causa do
problema, convenci-o a parar com as orações. A partir desse dia, o ancião começou
a melhorar gradativamente; após uma semana, já estava totalmente curado.
Portanto, professar uma fé errada ou venerar falsas divindades provoca paralisia ou
dores nas mãos, impossibilidade de dobrar os joelhos, etc. Casos desse tipo
ocorrem com certa freqüência.
Através dos exemplos citados, podemos ver que não se devem menosprezar nem
mesmo os pecados cometidos sem querer. As pessoas que sofrem constantes
acidentes ou são acometidas de doenças precisam refletir sobre seus pecados e,
encontrando-lhes a causa, regenerar-se imediatamente.

1936

O PECADO E A DOENÇA

23 de outubro de 1943

Gostaria de esclarecer que não pretendo desenvolver este tema sob o aspecto
religioso, como se poderia pensar. Vou abordá-lo sob o aspecto moral. O termo
pecado é bastante usado pelos religiosos, mas o que explicarei a seguir não é
hipótese nem imaginação, e os leitores hão de concordar comigo, após a leitura.
Conforme já dissemos, desejando mal ao próximo e praticando más ações, o
homem acumula máculas em seu espírito, as quais, pela constância das práticas
maléficas, tornam-se cada vez mais densas. Quando a densidade das máculas
atinge certo limite, ocorre uma ação natural para eliminá-las. Evidentemente
ninguém pode escapar a isso, pois se trata de uma rigorosa lei do Mundo Espiritual.
Esse processo de purificação manifesta-se mais na forma de doença, mas
ocasionalmente pode assumir outras formas. No caso da doença, de nada adianta
esgotar os recursos da Medicina, porque não há resultados, e isso se deve ao erro
de querer curar com remédios e instrumentos algo cuja causa é de natureza
espiritual. Existem pessoas que pedem ajuda às divindades e o pedido surte algum
efeito. Como, por natureza, essas divindades são espíritos, é claro que com sua
ajuda se consegue razoável eliminação das máculas. Entretanto, quanto mais
correta for a divindade, mais justa ela é; assim, tratando-se de pecados acumulados
ao longo dos anos, ela não deixa que tudo se resuma à redução do sofrimento.
Exemplificando, as pessoas que infringem as leis do país não são perdoadas por
mais que se arrependam. O máximo que conseguem é a redução da pena.
Às vezes dá-se a eliminação de máculas antes de surgir o processo purificador
natural. Nesse caso, são máculas relativamente de pouca densidade, e o processo
de purificação é brando. Essa eliminação é decorrente do arrependimento,
ocorrendo por determinado motivo, que, entre outros, pode ser o despertar espiritual
através da leitura de alguma história religiosa, como as da Bíblia, ou de experiências
de pessoas ilustres. Seria até desnecessário dizer a influência de bons livros,
palestras, filmes, peças teatrais, etc. para o despertar da alma ou do lado bom das
pessoas.
Mas que acontece com o espírito do homem quando este desperta? No centro do
espírito há a consciência e, no centro desta, a alma. Assim, por natureza, ele está
formado de três camadas. Originariamente a alma é pura mas fica como se
estivesse maculada, devido às constantes influências externas. Ela é uma bola de
luz como o sol e a lua. Entretanto, se a consciência, que é mais externa, se macular,
o esplendor da luz da alma ficará anulado e ela adormecerá. Por essa razão, quando
se atinge o estado espiritual semelhante a um espelho ou lago cristalino, a alma
brilha como o sol e a lua no céu límpido.
Quando o homem desperta, significa que a sua alma recomeça a brilhar. Até hoje, os
únicos meios disponíveis para se conseguir isso têm sido os métodos de natureza
moral, como histórias ou leituras. Com o despertar da alma, seu brilho dissipa as
máculas da consciência; em seguida, o espírito é purificado. Assim, os três
elementos - alma, consciência e espírito - estão em constante equilíbrio de luz ou
escuridão. O nosso método, porém, é o inverso desses métodos. Através de uma
ação externa, purificamos o espírito; com isso, eliminam-se as máculas da
consciência e, assim, queira ou não, a alma despertará. Despertar a alma e a
consciência através dos métodos de natureza moral, gera sofrimento para a pessoa,
decorrente do autocontrole, o que por sua vez se reflete no espírito, dando origem à
doença e outros sofrimentos. O nosso JOHREI, no entanto, além de proporcionar a
erradicação da doença, desperta a alma sem que a pessoa o perceba; por
conseguinte, é o método ideal de reforma do corpo e do espírito.

23 de outubro de 1943

O QUE É O ESTADO LIGEIRAMENTE FEBRIL

5 de setembro de 1951

Provavelmente não há ninguém que não apresente um pouco de febre, mas muitas
pessoas nem têm consciência disso. Esse estado ligeiramente febril exerce uma
forte influência sobre o homem. Vejamos.
O indivíduo sente dor e peso na cabeça, sua capacidade de concentração diminui,
torna-se disperso, sua memória enfraquece, não faz nada com afinco, tudo lhe
parece difícil, sente o corpo pesado e por qualquer coisa vai para a cama. Além
disso, quase não tem apetite, mostra muitas preferências e restrições em matéria de
comida, toma muito líquido e irrita-se com facilidade. Como nada lhe vai bem, passa
a encarar as coisas com pessimismo. A histeria também é motivada pela febre
branda. Essas pessoas são passivas em tudo, preferem o tempo chuvoso ao tempo
bom, contraem gripe com freqüência, ficam com o nariz entupido, ouvem zumbidos,
suas amígdalas inflamam facilmente, perdem o fôlego ao subir ladeiras ou quando
andam rápido, e suas pernas ficam pesadas. Em rápida análise, esse é o quadro
que se apresenta, e que não é nada desprezível.
Com tudo o que dissemos, é fácil deduzir que tais indivíduos não se dão bem com
os amigos. Aliás, não se dão bem com, ninguém, nem com os próprios familiares.
No lar, isso se reflete no mau relacionamento entre o casal e entre pais e filhos. Eles
tentam impor seus pontos de vista, agem de maneira egoísta e ainda procuram
apresentar razões para a sua conduta. A justificativa mais alegada é o liberalismo.
Como acham desagradável a vida no lar, facilmente abandonam a família.
Ultimamente muitos rapazes e moças têm fugido de casa, e a explicação deve ser a
que estamos expondo. Os casos mais trágicos acabam em suicídio coletivo da
família.
E não fica por aí. No tocante ao convívio social, muitas pessoas procuram
justificativas egoístas para suas condutas e dessa forma criam desarmonia ao seu
redor, discutem por motivos insignificantes e brigam sem nenhuma necessidade.
Tudo isso é causado pelo excesso de egocentrismo. Parece que tais ocorrências são
freqüentes entre os políticos. Mesmo nas associações, em caso de discussão de
determinado assunto, há muito falatório, levando-se um tempo enorme para chegar-
se a um acordo. Parece que as pessoas não conseguem perceber a causa desses
fatos e também não têm interesse nisso.
Numa sociedade complicada como a que acabamos de mencionar, as criaturas
estão crivadas de problemas e, logicamente, procuram fugir dos aborrecimentos. Aí
vem a bebida. Deve ser por essa razão que, por mais que esta suba de preço, seu
consumo não diminui. Além disso, na ânsia de fugir dos problemas, as pessoas
acabam procurando diversões que lhes proporcionem fortes estímulos. Os jovens
procuram cabarés, discotecas, fliperamas, etc. Os indivíduos de mais idade, desde
que tenham algumas posses, procuram refúgio em concubinas ou em
relacionamentos de caráter leviano. Assim é que, no mundo atual, proliferam
diversões insanas.
Se a origem de um quadro tão sombrio, conforme dissemos, é o estado ligeiramente
febril que as pessoas normalmente apresentam, não há nada mais temível que esse
estado. Mas qual é a causa da febre? São as toxinas medicinais, as quais se
encontram solidificadas em vários pontos do corpo, determinando um processo
brando de purificação. Para eliminá-la de verdade, não há absolutamente nada a não
ser o JOHREI. À medida que aumentam os fiéis de nossa Igreja, tende a
desaparecer o quadro sombrio que descrevemos, não havendo, portanto, a menor
dúvida de que surgirá uma sociedade extremamente agradável. Esta é justamente a
imagem do Paraíso Terrestre.

5 de setembro de 1951

SOBRE A PURIFICAÇÃO PROPORCIONAL

22 de abril de 1950

Existe um ponto que preciso esclarecer. Refere-se à ocorrência da purificação


proporcional.
Suponhamos que a pessoa esteja sentindo dor no braço direito. Quando a dor
melhora, pela ministração do JOHREI, o braço esquerdo começa a doer. Parece,
então, que a dor se deslocou, mas isso é que se chama purificação proporcional.
Eliminadas as toxinas do braço direito e havendo toxinas no esquerdo, ocorre aí o
processo de purificação natural, para estabelecer o equilíbrio. Evidentemente isso
não se limita ao braço. Seja no ventre ou nas costas, não existe deslocamento da
dor. Trata-se tão somente de purificação proporcional.

22 de abril de 1950

A DOENÇA E O CARÁTER DO HOMEM

1936
Através da minha larga experiência, constatei que a doença e o caráter do homem
se encaixam perfeitamente. Isso se torna bem visível por ocasião do tratamento das
doenças. As pessoas de caráter dócil curam-se sem tropeços; nas pessoas simples,
a doença também apresenta sintomas simples. Ao contrário, nas criaturas de gênio
forte, ela tende a se prolongar. Assim, naquelas que são obstinadas, a doença
também o é. Em pessoas cujo comportamento é fácil de mudar, a doença muda
facilmente; em pessoas irônicas, ela também toma aspectos irônicos.
Pela razão acima, quando uma pessoa adoece, se fizermos com que ela mude os
aspectos negativos do seu caráter, isso influenciará positivamente sobre a cura da
doença. O melhor a fazer é as pessoas se tornarem dóceis.

1936

A ADVERTÊNCIA DOS ANTEPASSADOS

5 de fevereiro de 1947

Os antepassados desejam a felicidade de seus descendentes e a prosperidade de


sua linha familiar. Por conseguinte, não negligenciam sua guarda um instante
sequer, impedindo-os de cometerem erros e pecados, ou seja, evitando que trilhem
o mau caminho. Se um descendente, induzido pelo demônio, comete uma má ação,
aplicam-lhe castigos na forma de acidentes ou doenças não só como advertência
mas também para a limpeza dos pecados cometidos anteriormente. No caso do
enriquecimento ilícito por parte do descendente, fazem com que este tenha
prejuízos, ocasionando, por exemplo, um incêndio ou outras formas de perda, que
lhe esgotam a fortuna. Conforme o pecado, aplica-se também a doença como
processo de purificação.
Suponhamos que uma criança contraia gripe. Uma gripe comum seria facilmente
solucionada através do JOHREI; nesse caso, entretanto, não se verificam bons
resultados. A criança tem vômitos freqüentes, perda de apetite, acentuado
enfraquecimento em poucos dias e acaba morrendo. É uma situação estranha, que
se enquadra justamente no que falamos acima: advertência dos antepassados. As
causas pode ser varias, entre elas o relacionamento amoroso do pai com outra
mulher. Se ele não perceber na primeira advertência, poderão ocorrer-lhe sucessivas
perdas de filhos. Estes são sacrificados por um prazer passageiro; trata-se, portanto,
de uma conduta bastante reprovável. Os antepassados evitam sacrificar o chefe da
família por ser ele o seu sustentáculo, de modo que os filhos tomam o seu lugar.
Vejamos outro exemplo. O chefe de uma família, homem de aproximadamente
quarenta anos, nunca havia rezado perante o oratório de antepassados que havia
em sua casa. Sua filha, preocupada, conversou com um tio, irmão do pai, e
transferiu o oratório para a casa dele. Pensando no futuro, o tio foi à casa do irmão e
pediu-lhe que reconhecesse, por escrito, a transferência do oratório, que havia sido
transmitido por várias gerações e que estava agora sob a sua guarda. O irmão
concordou, mas, quando pegou a caneta, sua mão começou a tremer em espasmos,
sua língua contraiu-se e ele não conseguiu mais falar nem escrever. Tentaram vários
tratamentos sem nenhum resultado, e por fim vieram a um discípulo meu em busca
de cura. Lembro-me de ter ouvido dele a história que a filha desse homem lhe
contara. No caso em questão, os antepassados não admitiram que o oratório fosse
retirado definitivamente da casa do primogênito, que, por tradição, deveria guardá-lo.
Se isso acontecesse, a linhagem da família ficaria alterada, podendo, então, ocorrer
a sua extinção.

5 de fevereiro de 1947

A REENCARNAÇÃO

23 de outubro de 1943

O tempo que o homem leva para reencarnar é bastante variável, podendo a


reencarnação ocorrer cedo ou tarde. A rapidez ou atraso são determinados pela
própria vontade da pessoa. Quando alguém morre e tem muito apego a este mundo,
reencarna mais cedo. Mas isso não traz bons resultados, porque no Mundo Espiritual
a purificação é mais rigorosa e, quanto mais tempo o espírito lá permanecer, mais
será purificado. Quanto mais purificado estiver, mais feliz será ao reencarnar. No
caso de reencarnação prematura, a purificação não foi completa, restando
impurezas que deverão ser purificadas neste mundo. Ora, a purificação no Mundo
Material traduz-se em sofrimentos como doenças, pobreza, acidentes, etc.;
obviamente, a pessoa terá um destino infeliz.
O fato de uma pessoa ser feliz ou infeliz desde o seu nascimento, na maioria das
vezes deve-se ao que acabamos de expor. Perceberão, portanto, que a felicidade ou
a infelicidade não são mero acaso, existindo razões para ambas. Contudo, existe
outra explicação. Quando a família do falecido lhe presta homenagens póstumas e
ofícios religiosos, ou quando seus descendentes praticam o amor ao próximo e
trabalham em benefício da sociedade e da nação, somando o bem e a virtude, isso
ajuda a acelerar a purificação dos espíritos dos antepassados. Por esse motivo, o
amor e a devoção filial devem ser praticados não só quando os pais ainda estão
neste mundo, mas muito mais através de ofícios religiosos e do altruísmo, quando
eles já se encontram no Mundo Espiritual. Costuma-se dizer: "Os filhos querem
colocar em prática a devoção filial quando seus pais já não existem." Quem diz tais
palavras, desconhece como é aquele mundo.
Há pessoas que já nascem com anomalias físicas. Isso significa que houve
reencarnação antes de ser completada a purificação no Mundo Espiritual.
Exemplificando, no caso de uma pessoa cair de um lugar alto e fraturar os braços ou
as pernas, se ela morrer e reencarnar antes da cura completa, poderá apresentar
anomalia nesses membros.
Entretanto, a reencarnação prematura explica-se não só pelo apego da própria
pessoa, como também pelo apego dos seus familiares. Por exemplo: quando uma
mãe perde um filho muito querido, pode acontecer que ela engravide logo em
seguida, provocando-lhe a rápida reencarnação devido ao seu forte apego. Em tais
casos, normalmente esse filho não terá uma vida muito feliz.

23 de outubro de 1943

O PRIMEIRO MUNDO

4 de julho de 1951
Ao analisarmos a civilização atual, percebemos que a base de sua estrutura é a
ciência da matéria. Escreverei sobre isso a seguir, mas, em primeiro lugar, explicarei
a constituição do Universo. Serão dispensados os detalhes que não se relacionam
diretamente com o homem, abordando-se apenas os pontos mais importantes.
O Universo é constituído de três elementos fundamentais: Sol, Lua e Terra. Esses
elementos são formados respectivamente pela essência do fogo, da água e da terra,
que constituem o Mundo Espiritual, o Mundo Atmosférico e o Mundo Material, os
quais se fundem e se harmonizam perfeitamente. Até agora, no entanto, só eram
conhecidos o Mundo Atmosférico e o Mundo Material; desconhecia-se a existência
de mais um mundo, isto é, o Espiritual, que a ciência da matéria não conseguiu
detectar. A cultura atual formou-se com o progresso obtido naqueles dois mundos,
razão pela qual ela abrange apenas dois terços. Na realidade, porém, o Mundo
Espiritual, justamente o terço considerado inexistente, é mais importante que os
outros dois juntos, constituindo a fonte da força fundamental. Ignorando-se a sua
existência, jamais surgirá a civilização perfeita. O fato do homem, apesar do
considerável avanço da cultura baseada no Mundo Material e no Mundo Atmosférico,
não conseguir realizar o seu maior desejo - a felicidade - comprova muito bem o que
estou afirmando.
Examinando-se atentamente a origem dessa contradição, descobrimos que há uma
profunda razão para ela. Se a humanidade, desde o começo, conhecesse a
existência do Primeiro Mundo, ou seja, o Mundo Espiritual, a civilização material não
teria alcançado o maravilhoso progresso que vemos hoje. Isso porque do
desconhecimento do Mundo Espiritual é que nasceu o pensamento ateísta, que deu
origem ao mal. Atormentada pelo sofrimento decorrente da luta entre o mal e o bem,
a humanidade só teve um recurso: desenvolver a cultura material. Portanto,
pensando bem, que representa isso senão o profundo Plano de Deus? Há um
perigo, contudo: ocorrer um colapso da cultura material se ela progredir além de
certo limite. A invenção da bomba atômica é uma das facetas desse progresso, mas,
atingido esse nível, é chegado o tempo determinado pelos Céus de haver uma
grande mudança no desenvolvimento da cultura. Como primeiro passo, está sendo
revelada a toda a humanidade a existência do Primeiro Mundo, do qual não se tinha
conhecimento; tratando-se, porém, de uma existência invisível, logicamente não se
poderá comprová-la pelos métodos científicos. Daí a manifestação de uma grandiosa
força jamais experimentada pela humanidade, isto é, o Poder de Deus. Como o
homem contemporâneo há longo tempo está obstinado na concepção materialista, é
muito difícil convencê-lo. Entretanto, em nossa Igreja existe o único método para se
conseguir isso: o milagre do JOHREI. Por mais ateísta que seja, o indivíduo não
poderá deixar de aceitar e se submeter. Assim, à medida que o JOHREI se tornar
conhecido por toda a humanidade, haverá inevitavelmente uma mudança de cento e
oitenta graus no rumo da cultura, surgindo, então, a Verdadeira Civilização, comum
ao mundo todo.
Resta, no entanto, um problema: como a cultura atual foi erigida ao longo de
milhares de anos, não se sabe quanto mal foi praticado até agora. Por "mal" refiro-
me obviamente ao pecado e, conseqüentemente, às máculas espirituais, cujo
grande acúmulo constituirá um obstáculo para a construção do mundo novo, É como
se durante a construção de uma casa houvesse sujeira espalhada por todo lado,
como pedaços de madeira, tijolos quebrados, etc., tornando-se indispensável uma
ação de limpeza. Deve ser isto o Juízo Final profetizado por Cristo.
Os maravilhosos e incontáveis milagres manifestados pela nossa Igreja não poderão
ser senão o plano de Deus para mostrar a existência do Primeiro Mundo. E Deus me
encarregou desta grandiosa missão.

4 de julho de 1951

A GRANDE TRANSIÇÃO DO MUNDO

23 de outubro de 1943

Vou explicar detalhadamente como nasceu o JOHREI criado por mim e a razão pela
qual ainda não se descobriu a causa das doenças e os erros de quase todos os
tratamentos.
No Grande Universo, a começar do espaço, que se estende infinitamente, até as
mais minúsculas existências, impossíveis de serem detectadas mesmo com uso de
microscópios, todas as matérias, sejam elas grandes, médias ou pequenas, cada
qual obedecendo à Lei da Concordância, nascem, crescem, unem-se e separam-se,
aglomeram-se e espalham-se, destroem-se e constroem-se, numa seqüência infinita
na cadeia da evolução. Além disso, existe o positivo e o negativo em tudo, a
diferença entre o frio e o calor durante o ano, entre o dia e a noite no espaço de um
dia e num período de dez, cem, mil, dez mil anos, e assim por diante. Por essa
razão, em vários milhares ou milhões de anos também há, naturalmente, períodos
de transição da noite para o dia. Atualmente está se aproximando esse tempo.
Encontramo-nos no momento correspondente ao alvorecer. É provável que, fixados
na idéia da existência do dia e da noite no espaço de um só dia, muitos leitores
estranhem o que estou dizendo. Dessa forma, a explicação torna-se muito difícil,
mas creio que ela poderá ser compreendida por qualquer pessoa.
O mundo em que vivemos, como já expliquei minuciosamente, é constituído de três
planos: o Mundo Espiritual, o Mundo Atmosférico e o Mundo Material. Poderíamos
também separá-lo em dois planos, pois o elemento água, do ar, e o elemento terra,
do globo terrestre, são materiais, ao passo que o espírito, ou seja, o elemento fogo,
é totalmente imaterial. Se distinguirmos o espírito da matéria, teremos o Mundo
Espiritual e o Mundo Material.
Para mostrar a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material, é importante
entenderem que todo acontecimento ocorre primeiramente no Mundo Espiritual e
depois se reflete no Mundo Material. Fazendo uma comparação, é como se aquele
fosse o filme, e este, a tela de projeção. Essa é a absoluta Lei do Céu e da Terra.
Quando o homem movimenta os braços ou as pernas, por exemplo, a vontade,
invisível aos olhos, é que age primeiro e, pelo seu comando, os membros se
movimentam. Analogamente, o Mundo Espiritual representa a vontade, e o Mundo
Material, os membros.
A transição da noite para o dia, que, segundo dissemos, advém em vários milhares
ou milhões de anos, é um fenômeno ocorrido no Mundo Espiritual. Assim, o mundo
até hoje encontrava-se num longo período noturno, mas agora está iminente a
transição para o Mundo do Dia. Isso está simbolizado na abertura da Porta da Rocha
do Céu, que consta no "Kojiki" (coletânea de histórias antigas do Japão). O
aparecimento do deus Amaterassu Omikami também constitui uma grande profecia
do advento desse mundo. Acredito que a expressão "Luz do Oriente", usada no
Ocidente desde a antigüidade, refere-se à mesma profecia.
23 de outubro de 1943

TRANSIÇÃO DA NOITE PARA O DIA

5 de fevereiro de 1947

Conforme dissemos no capítulo anterior, explicando a relação entre o Mundo


Espiritual e o Mundo Material, tudo o que acontece no Mundo Material é reflexo do
Mundo Espiritual. Neste último, está ocorrendo atualmente uma grande transição;
conhecendo esse fato, tudo se torna claro aos nossos olhos.
Todas as coisas existentes no Universo nascem e crescem, são criadas e
destruídas, numa evolução infinita, pela ação dos dois mundos. Se observarmos
com visão ampla, veremos que o Universo, ao mesmo tempo que é macroinfinito,
também é o Mundo Material, um corpo constituído de microinfinitos. Por sua
contínua transformação, há uma ininterrupta evolução da cultura. Meditando sobre
isso, não podemos deixar de sentir a
"vontade" do Universo, isto é, o objetivo e os planos de Deus. Em tudo há positivo e
negativo, claro e escuro; assim, também, há diferença entre noite e dia. Quando
observamos a mudança das quatro estações do ano, o progresso e declínio de todas
as coisas, notamos que isso se encaixa perfeitamente à vida humana. Existe
diferença entre o grande, o médio e o pequeno em tudo. Com relação ao tempo,
temos o contraste entre o dia e a noite não só no espaço de um dia, mas também
em intervalos de um, dez, cem, mil, milhares ou milhões de anos. É um fenômeno
que ocorre no Mundo Espiritual; no Mundo Material, entretanto, só notamos essa
diferença no espaço de vinte e quatro horas.
No Mundo Espiritual, é chegada a hora da transição que se processa em intervalos
de milhares ou milhões de anos. Trata-se de um fato extremamente importante, cujo
conhecimento, além de nos permitir entender o princípio do JOHREI, torna possível
a previsão do futuro do mundo e nos dá paz e tranqüilidade. Explicarei, a seguir,
como essa mudança está se refletindo no Mundo Material.
Até agora era noite no Mundo Espiritual. Nele, da mesma forma que no Mundo
Material, a noite é escura, e só periodicamente há luar. Como conseqüência,
predomina o elemento água. Quando a lua se esconde, resta apenas a luz das
estrelas; se estas forem encobertas pelas nuvens, a escuridão será completa.
Observando-se os fatos do Mundo Material, que são a projeção do que ocorre no
Mundo Espiritual, isso se torna muito claro. Pelas marcas deixadas até os nossos
dias, os períodos de guerra e paz, de ascensão e queda das nações, podem ser
comparados às fases crescentes ou minguantes da lua. É chegada, portanto, a hora
de se iniciar mais um ciclo, ou seja, encontramo-nos na iminência da mudança para
o dia. Estamos justamente na fase do seu alvorecer.
A transição da noite para o dia no Mundo Espiritual ocasionará uma experiência
inédita para a humanidade. Uma grande, espantosa, temível e ao mesmo tempo feliz
mudança está para ocorrer, e seus sinais já estão aparecendo. Vejamos.
O dia, no Mundo Espiritual, é como no Mundo Material: primeiro aparecem
pinceladas de luz do sol no horizonte, a leste. Atentem, por exemplo, para a grande
transformação ocorrida no Japão, o País do Sol Nascente. Nele já se iniciou o
colapso da cultura da noite, ou seja, da cultura já formada. Observem, também, o
desmoronamento das grandes metrópoles da cultura, a situação calamitosa da
economia industrial, a queda dos superpoderes, das classes privilegiadas, etc. Tudo
isso é conseqüência da mudança a que nos referimos. Logo virá a construção da
Cultura do Dia, que também já está raiando, representada, no Japão, pelo
desarmamento total, seguido da ascensão da democracia. Esses dois fatos,
absolutamente imprevisíveis desde a instituição do país como Nação, há dois mil e
seiscentos anos, será o primeiro passo para o estabelecimento da eterna paz
mundial.
O Mundo da Noite é um mundo de trevas, caracterizado pelas lutas, pela fome, pelas
doenças. Em contraposição, o Mundo do Dia é um mundo de luz, caracterizado pela
paz, pela abundância e pela saúde. O Japão atual expressa bem a fase de transição
entre esses dois mundos. O sol que desponta no leste deverá atingir o zênite. E o
que significa isso? Significa o colapso total da Cultura da Noite; ao mesmo tempo,
ouvir-se-á o brado do nascimento da Cultura do Dia. Pode-se mais ou menos ter
uma idéia disso pelos fatos ocorridos no Japão, os quais, em pequena escala, já
mostram um modelo da nova cultura. Assim, aproxima-se o momento decisivo para
toda a humanidade, e ninguém poderá escapar. Resta ao homem apenas esforçar-
se para tornar os efeitos dessa ocorrência o mais brandos possível. Para isso, ele só
tem um meio: conhecer o princípio do JOHREI e unir-se ao trabalho de construção
da cultura do dia.
Há um trecho da Bíblia que diz que seria pregado o Evangelho do Paraíso ao mundo
inteiro e depois viria o fim. Que quer dizer isso? Acredito firmemente que essa
missão será cumprida pelos meus Ensinamentos.
Para explicar o princípio do JOHREI, eu tive de avançar até o destino do mundo.
Todavia, era sumamente importante que o fizesse, pois tanto a descoberta dos erros
da Medicina como o princípio do JOHREI apoiam-se fundamentalmente neste ponto:
a Transição da Noite para o Dia.
Se a causa das doenças, como já expliquei, são as máculas do espírito, e se a única
maneira de acabá-las é a eliminação dessas máculas, resta uma grande dúvida: por
que não se descobriu isso antes da descoberta do JOHREI?
O princípio do JOHREI está baseado na misteriosa luz invisível emanada do corpo
humano. E qual é a natureza dessa luz? Ela é uma espécie de energia espiritual,
peculiar ao corpo humano, e seu componente principal é o elemento fogo. Portanto,
na ministração do JOHREI, necessita-se de grande quantidade desse elemento; à
medida, porém, que se aproxima o Mundo do Dia, ele aumenta gradativamente, pois
sua fonte de irradiação é o Sol. Assim, além de ser eficiente na eliminação das
doenças, o elemento fogo possui mais um fator de importância decisiva: seu
incremento no Mundo Espiritual acelera o processo de purificação do corpo material,
porque a transformação ocorrida naquele mundo causa influência direta no corpo
espiritual. O aumento do elemento fogo tem a função de auxiliar a intensificação da
energia purificadora das máculas espirituais. Por isso, ao mesmo tempo que se torna
mais fácil surgirem doenças, ó tratamento solidificador empregado pela Medicina
atual terá efeitos cada vez menores, acabando por se tornar impraticável. No Mundo
da Noite, era preciso que transcorressem vários anos para haver uma nova
liquefação das toxinas anteriormente solidificadas, mas esse período irá diminuindo
para um ano, meio ano, três meses, um mês, até ser impossível a solidificação.
Pelo exposto, os leitores poderão entender que pouco a pouco está se processando
a Transição da Noite para o Dia. No Mundo da Noite, para o tratamento das doenças
era mais vantajoso solidificar as toxinas que derretê-las, pois não havia quantidade
suficiente do elemento fogo para promover sua liquefação. Assim, era inevitável
adotar-se provisoriamente o método de solidificação. Eis, portanto, o grave erro que
se tornou a causa dos sofrimentos da humanidade, como as guerras, a fome, as
doenças, a abreviação da vida, etc.

5 de fevereiro de 1947

SOU UM CIENTISTA EM RELIGIÃO

7 de abril de 1954

Se eu, um religioso, disser que sou também cientista, todos estranharão, mas estou
certo de que, ao término desta leitura, hão de concordar comigo.
Sempre digo que a Ciência atual ainda está num nível muito baixo, nem podendo ser
considerada como Ciência. Sua importância reside, sem dúvida, na descoberta e no
estudo de corpos microscópicos. É claro que isso se deve ao aperfeiçoamento do
microscópio, graças ao qual o avanço nesse estudo é impressionante. Conseguem-
se distinguir corpúsculos extremamente pequenos, frações da ordem de um
milésimo, milionésimo ou bilionésimo. Trata-se de um avanço contínuo, chegando-se
ao extremo do microscópico; atualmente se está quase prestes a entrar no mundo
do infinito. A palavra espírito, muito empregada ultimamente, deve estar indicando
esse mundo.
É evidente que o conhecimento do mundo do infinito não se deve a experiências de
natureza científica; entretanto, ao aprofundar-se nos estudos científicos, o homem
levantou uma tese hipotética sobre ele, baseada na dedução. Se não fosse assim,
acabar-se-ia num beco-sem-saída. Ora, o mundo a que nos referimos é justamente o
Mundo Espiritual, o que significa que a Ciência, finalmente, está chegando ao lugar
certo. Dessa maneira, deixando de lado os subterfúgios, ela, que por tanto tempo
insistiu em negar a existência do espírito, acabou derrotada. Caso venha a
apreendê-la com precisão, elevar-se-á a um nível mais alto e terá dado mais um
passo em busca da Verdade. Sendo assim, tomará como objeto de seus estudos o
espírito e não mais a matéria, de modo que a ciência que até agora raciocinava com
base na matéria será considerada como ciência da primeira fase, e a ciência
baseada no espírito, como ciência da segunda fase. Com isso haverá uma mudança
de cento e oitenta graus no rumo da Ciência. Em termos mais claros, será traçada
uma linha demarcatória no mundo científico: a ciência da matéria ficará situada
abaixo, e a ciência do espírito acima. Esta é uma visão no sentido vertical; no
sentido horizontal, a primeira seria a parte externa, e a segunda, a interna ou
conteúdo. Em outras palavras, significa que haverá uma evolução da ciência do
concreto para a ciência do abstrato, o que é realmente motivo de alegria.
Mas aqui se apresenta um problema: não adianta apenas conhecer a existência do
Mundo Espiritual; é necessário apreender sua natureza e colocá-lo a serviço da
humanidade. A ciência da matéria não tem meios para isso, pois, para o espírito, o
meio deve ser o espírito; todavia, é possível superar esta dificuldade. Aliás, ela já foi
superada: tenho obtido resultados admiráveis na resolução de problemas espirituais
através do espírito. Refiro-me justamente à questão das doenças. Explicando de
forma sucinta, a causa de todas as doenças são as impurezas acumuladas no
espírito, tornando-se evidente que, se eliminarmos tais impurezas, as doenças serão
erradicadas, de acordo com a Lei do Espírito Precede a Matéria. Meu método
consiste na irradiação de um espírito específico que pode ser considerado como a
bomba atômica espiritual para queimar as impurezas. Esse método, denominado
JOHREI, constitui uma fórmula científica de alto nível. Não se limitando apenas ao
campo da Medicina, ele consegue resolver problemas que nenhuma religião ou
ciência conseguiu. Se isso não é uma superciência, o que será?
A ciência que trata da matéria ainda se encontra em baixo nível, evidenciando-se
que, através dela, é impossível resolver problemas vitais de um ser de tão elevado
nível como o homem. Isso se torna claro ao observarmos que doenças graves,
consideradas incuráveis pela Medicina, estão sendo vencidas facilmente, por meio
do JOHREI. Dessa forma, a ciência do espírito pode ser considerada como o suporte
da ciência da matéria.
A natureza do Mundo Espiritual é constituída pela essência do Sol, da Lua e da
Terra, que, na Ciência, correspondem, respectivamente, ao oxigênio, ao hidrogênio e
ao nitrogênio. O Mundo Espiritual, segundo a doutrina messiânica, é a junção do
elemento fogo, do elemento água e do elemento terra. A Terra é a natureza da
matéria; o Sol é a natureza do espírito, e a Lua é a natureza do ar. O elemento fogo
e o elemento água controlam a atmosfera que preenche o espaço terrestre. Embora
o elemento fogo seja o mais forte, por ser extremamente rarefeito, não foi possível
detectar, através da ciência da matéria, a não ser suas propriedades de luz e calor,
razão pela qual sua natureza como espírito ainda não é conhecida. Assim, a Ciência
tomou como objeto de estudo apenas os elementos água e terra, e por isso a cultura
está baseada nesses dois elementos, o que constitui a maior falha da civilização
atual.
Agora devo falar sobre um acontecimento extraordinário. Como já explicamos, os
fenômenos do Mundo Material são produzidos pela união dos elementos Sol, Lua e
Terra. A distinção entre o dia e a noite é decorrente da alternância do Sol e da Lua.
Acontece que no Mundo Espiritual também existe dia e noite. Evidentemente, a
ciência da matéria não consegue compreender isso, mas a ciência espiritual o
consegue. O acontecimento extraordinário a que me refiro é a grande mudança que
está para ter início no mundo. Um acontecimento surpreendente, jamais imaginado
pela humanidade, isto é, um fenômeno histórico: a Transição da Noite para o Dia.
Para entendê-lo, torna-se necessário um estudo do ponto de vista Tempo.
No Mundo Espiritual há transição da noite para o dia em períodos de dez, cem, mil
ou milhões de anos. Portanto, assim como a Terra é formada pelos três elementos
fundamentais - o fogo, a água e a terra - o número três é a base de todo o Universo.
Isso constitui uma lei imutável. Mesmo o dia e a noite são formados de três, trinta,
trezentos, três mil anos e assim por diante. É claro que, dependendo do caráter das
coisas e da sua grandeza - maior, média ou menor - elas se refletem do espírito para
a matéria com maior ou menor rapidez, mas o essencial move-se com precisão.
Agora está justamente ocorrendo a transição de um período de três mil anos;
estamos no alvorecer de um novo período. Já me referi a isso antes, e até a data
acha-se bem definida. Foi a 15 de junho de 1931 que o Mundo Espiritual começou a
se transformar em dia. A mudança se processará até certo tempo e gradualmente se
refletirá no Mundo Material. Gostaria de dar uma explicação mais profunda, mas vou
abreviá-la, porque teria de entrar no campo da Religião. Entretanto, é preciso
acreditar no que estou dizendo, pois se trata da verdade absoluta.
O fato de o Mundo Espiritual estar se tornando dia significa que ha uma
intensificação do elemento fogo. Apesar de ser uma mudança gradativa, já está se
projetando no Mundo Material. Assim, o mundo em que a água predominava sobre o
fogo, tornar-se-á o mundo em que o fogo predominará sobre a água. Através da
ciência da matéria não se pode perceber tal fenômeno, mas as pessoas dotadas de
alta espiritualidade conseguem percebê-lo plenamente. Com essa mudança, todos
os problemas para os quais não se encontrava solução, serão resolvidos de maneira
clara e precisa. Com base no que acabo de expor, vou criar a Verdadeira Civilização
elevando o nível da Ciência atual.

7 de abril de 1954

O ESPÍRITO PRECEDE A MATÉRIA

15 de agosto de 1951

Vou tecer considerações sobre a relação entre o Mundo Espiritual e a doença.


O homem é constituído pela união do corpo e do espírito. O corpo é uma matéria
visível, e por isso todos podem compreendê-lo; o espírito é invisível, mas existe,
sendo uma espécie de éter. Assim como o corpo é uma existência do Mundo
Atmosférico, o espírito é uma existência do Mundo Espiritual. O Mundo Espiritual,
conforme já expliquei, é transparente, mais rarefeito que o ar, comparando-se ao
nada. Na realidade, porém, ele é a fonte geradora da força infinita e absoluta, que
por ora chamaremos de força cósmica. É um mundo fantástico, impossível de ser
imaginado, cuja natureza está formada pela fusão das essências do Sol, da Lua e da
Terra. Com a força cósmica tudo nasce, tudo se transforma e cresce, mas ao mesmo
tempo acumulam-se impurezas, que são submetidas à purificação. É como o
acúmulo de sujeira no corpo humano, que necessita de banho. Portanto, quando se
juntam impurezas na atmosfera, elas são concentradas num determinado ponto e aí
surge uma ação purificadora denominada "baixa pressão", que executa a limpeza.
Os raios e os incêndios causados pelo homem têm a mesma explicação. Se houver
aglomeração de impurezas, surgirá a ação purificadora, que tem início no espírito.
As sujeiras, ou seja, as máculas acumuladas no espírito humano, que é
transparente, são opacidades surgidas em alguns pontos. Há dois tipos de máculas:
as que se originam no próprio espírito e as que são reflexo do corpo. Vejamos o
primeiro tipo.
O interior do espírito está constituído de três camadas dispostas de forma centrípeta.
Analisando-o a partir do centro, seu núcleo é a alma, a partícula do homem que se
instala no ventre da mulher e que resultará no nascimento de outro ser. A alma está
envolta pela consciência, e esta, pelo espírito. O que acontece na alma se reflete na
consciência e, daí, no espírito, e vice-versa. Assim, a alma, a consciência e o espírito
estão interrelacionados, constituindo uma trilogia. Naturalmente, todas as pessoas,
assim como praticam o bem, também praticam o mal durante sua vida. Se o mal é
maior que o bem, a diferença entre eles constituirá o pecado, que, refletindo-se na
alma diminui-se o brilho; por esse motivo, a consciência ficará maculada e, em
seguida, o espírito. Através da ação purificadora, é realizada a eliminação das
máculas. Durante o processo, o volume delas diminui provisoriamente; com isso,
elas se tornam mais densas, concentrando-se em determinadas parte do corpo. O
interessante é que, dependendo do pecado, o local da concentração é diferente. Por
exemplo: os pecados da vista, nos olhos; os pecados da cabeça, na cabeça; os
pecados do tórax, no tórax, e assim por diante, tudo enquadrado na concordância.
Passemos, agora, ao segundo tipo de máculas, isto é, as que se refletem do corpo
para o espírito. Neste caso, primeiro o sangue se suja e, como conseqüência, o
espírito fica maculado. Originariamente, o sangue é a materialização do espírito e,
reciprocamente, o espírito é a espiritualização do sangue. Isso mostra a identidade
do espírito e da matéria. Assim, quando as máculas se tornam densas e se refletem
no corpo, transformam-se em sangue sujo, e este, concentrando-se mais,
transforma-se em toxinas solidificadas. Estas, depois de dissolvidas e liqüefeitas,
são eliminadas por diversos pontos do corpo. O sofrimento decorrente desse
processo constitui aquilo a que se dá o nome de doença.
Mas por que o sangue se suja? A causa é bastante surpreendente: são os remédios,
que paradoxalmente ocupam a posição de maior destaque nos tratamentos médicos.
Como todo remédio é veneno, só de ingeri-lo o sangue já se suja e os fatos são a
maior prova do que estamos dizendo. Portanto, não há nada de estranho em que,
estando a pessoa sob tratamento médico, a doença se prolongue ou piore, ou que
até surjam outras doenças.
Se o sangue sujo existente no corpo se reflete no espírito em forma de máculas e
estas se tornam a causa das doenças, o próprio processo de cura das doenças
acaba se tornando o meio de provocá-las. Não se obterá a erradicação completa se
primeiramente não forem removidas as máculas do espírito, de acordo com a Lei
Universal do Espírito Precede a Matéria. Como o JOHREI é a aplicação dessa lei,
purificando-se o espírito as doenças saram pela raiz. É por isso que ele tem esse
nome JOHREI - que significa "purificação do espírito". Desconhecendo tal princípio,
a Medicina despreza o espírito e tenta curar apenas o corpo. Assim, por mais que ela
progrida, as curas serão sempre efêmeras.

15 de agosto de 1951

ESPÍRITO E CORPO

10 de setembro de 1953

Se tudo que ocorre no Universo está fundamentado na precedência do espírito sobre


a matéria, não há nada de estranho nos inúmeros milagres que acontecem. Para
entender esses milagres, precisamos conhecer a relação entre o Mundo Espiritual e
o Mundo Material.
Tal como o homem possui roupas para o corpo, o espírito também possui uma veste,
que é a aura. Esta é uma espécie de éter; é a luz emanada do espírito. Não obstante
ser algo vago, há quem consiga enxergá-la. Ela pode ser comparada ao tempo: ora
está clara, ora está nublada. Se pensamos o bem e o praticamos, a aura fica clara;
se pensamos e praticamos o mal, ela fica maculada. Assim, se cremos numa
divindade verdadeira, recebemos sua Luz, que dissipa as máculas; se cremos numa
divindade falsa, as máculas aumentam. Geralmente por falta de conhecimento
espiritual, as pessoas pensam que toda divindade é correta e verdadeira, mas aí
está um gravíssimo erro, pois, na realidade, os falsos deuses são em maior número.
A prova é que muitas famílias, embora sejam devotas há várias gerações, não
param de ser atormentadas pela infelicidade. Isso ocorre porque estão adorando um
deus falso, ou de fraco poder. O homem deve, portanto, converter-se ao verdadeiro
Deus e salvar o próximo; quanto mais méritos e virtudes ele somar, mais luminosa e
maior se tornará a sua aura.
A aura de uma pessoa comum tem aproximadamente três centímetros, mas no caso
de um virtuoso varia entre quinze e trinta centímetros. Os virtuosos que alcançaram
nível de divindade possuem aura de alguns metros ou mesmo quilômetros. Entre os
grandes religiosos há aqueles cuja aura alcança diversos países ou povos. Cristo e
Sakyamuni, por exemplo. A aura do Salvador do Mundo, no entanto, possui a força
máxima, ou seja, uma força que envolve em Luz toda a humanidade; mas a História
mostra que até agora ainda não apareceu o Salvador do Mundo.
Como dissemos, a aura aumenta ou diminui de acordo com a boa vontade e o
esforço de cada um. Os homens precisam crer nisso e praticar o bem.
Exemplificando, no caso de alguém sofrer um acidente automobilístico ou ferroviário,
se a sua aura for espessa, o espírito do veículo esbarrará nela e não atingirá a
pessoa, salvando-a; todavia, se a aura for fina ou quase inexistente, ocorrerão
ferimentos graves ou mesmo morte. É por esse motivo que os nossos fiéis
conseguem escapar dos acidentes.
A sorte ou azar da pessoa obedece ao mesmo princípio. O corpo pertence ao Mundo
Material, e o espírito ao Mundo Espiritual; esta é a organização dos dois mundos. O
Mundo Espiritual está dividido em três planos: Superior, Médio e Inferior. Cada plano
subdivide-se em sessenta camadas, distribuídas, por sua vez, em três níveis de vinte
camadas cada um, totalizando cento e oitenta camadas. É claro que o plano mais
baixo corresponde ao Inferno; em seguida vem o mundo intermediário, equivalente
ao nível do Mundo Material; o mais alto é o Céu. A maior parte das pessoas se situa
no plano intermediário, mas, dependendo da prática do bem ou do mal, elas podem
descer ou subir de plano. Assim, se praticam o bem, sobem ao Céu; se praticam o
mal, caem no Inferno. Além do mais, no Mundo Espiritual existe absoluta justiça e
não há privilégios, o que é desagradável para os malfeitores. Aqueles que
acreditarem nisso, poderão alcançar a verdadeira felicidade.
É evidente que no Inferno reina a inveja, o ódio, a cobiça, o ciúme, a pobreza, etc., e
quanto mais se desce, mais intensos se tornam, sendo que o nível mais baixo é
chamado de Reino do Fundo da Raiz ou Inferno de Trevas e Frio Absolutos.
Entretanto, não só após a morte, mas desde que o corpo está no Mundo Material, o
espírito se reflete nele no estado em que se encontra. É por isso que vemos até
casos de suicídio de uma família inteira, após um sofrimento extremo. São
ocorrências que sempre figuram nos jornais, mostrando que a sorte ou o azar
dependem da posição (nível) da pessoa no Mundo Espiritual. Obviamente trata-se
de uma conseqüência da lei de causa e efeito entre o bem e o mal, de modo que
não há ninguém mais tolo que o malfeitor. Mesmo que consiga progredir na vida
valendo-se do mal, esse êxito é passageiro; um dia ele acabará arruinado, já que no
Mundo Espiritual sua posição é no Inferno. Em contrapartida, por mais azarada que
uma pessoa seja, se ela praticar o bem, sua posição no Mundo Espiritual irá se
elevando e algum dia ela se tornará feliz. É uma Lei Divina que jamais poderá ser
infringida. Todavia, embora a pregação deste ensinamento seja a missão original das
religiões, isso não ocorreu de maneira efetiva, pois, considerando os ensinamentos e
os sermões como sendo o mais importante, elas não os faziam acompanhar da força
que tem o real poder, ou seja, os milagres.
Entretanto, é chegado o tempo, e Deus está manifestando o Poder Absoluto,
fazendo surgir surpreendentes milagres através da nossa Igreja, para despertar a
humanidade da ilusão em que ela se encontra; por isso, por mais incrédulo que
alguém seja, não poderá deixar de crer.

10 de setembro de 1953
MEDICINA ESPIRITUAL

23 de outubro de 1943

Mostrei, sob diversos ângulos, que a Era do Dia é o mundo em que o espírito
precede a matéria. Aplicando isso ao corpo humano, as toxinas - causa de todas as
doenças - são matérias estranhas acumuladas no corpo. Mas, nesse caso, como se
encontra o espírito da pessoa? Nos locais do corpo espiritual correspondentes aos
pontos onde se encontram as toxinas, estão as máculas. Quando se procura anular
as toxinas promovendo apenas a sua eliminação do corpo, isso terá um efeito
temporário; com o passar do tempo, elas surgirão novamente, de acordo com a Lei
do Espírito Precede a Matéria. Assim, para eliminá-las radicalmente, devemos
eliminar as máculas do corpo espiritual.
Como todos os métodos utilizados até agora basearam-se unicamente na eliminação
das toxinas ou então na sua solidificação, tomando apenas o corpo como objeto do
tratamento, é óbvio que eles propiciassem uma cura passageira, mas jamais a cura
radical, o que está bem caracterizado pelo uso da palavra recaída. Conforme já
explanei, os métodos empregados pela Medicina são dois: a solidificação e a
remoção cirúrgica. Entre as formas populares de tratamento existe a solidificação por
meio de banhos de luz ou eletricidade e a queima através da moxa, método este que
consiste em queimar determinados pontos para concentrar neles o pus e eliminá-lo.
O nosso JOHREI, todavia, fundamenta-se na eliminação das máculas do corpo
espiritual. O método consiste em irradiar, pela palma da mão, uma espécie de ondas
espirituais, que têm como agente principal o elemento fogo. Por ora, vou chamar
essas ondas de raios misteriosos. Todas a pessoas os possuem em determinada
quantidade, ou melhor, esses raios existem em número ilimitado no espaço aéreo
acima do Planeta, isto é, no Mundo Espiritual. Mas por que será que ninguém
descobriu antes esse método que consiste na eliminação das máculas através das
ondas espirituais? Foi porque, conforme j á dissemos, era noite no mundo, ou seja, o
mundo estava às escuras. Como luz, existia apenas uma claridade semelhante à da
Lua, e por isso era impossível obter-se a força para curar as doenças, ou seja, raios
misteriosos em quantidade suficiente para apagar as máculas. Não é que eles
fossem totalmente nulos, tanto assim que alguns religiosos e ascetas procediam ao
tratamento das doenças e até certo ponto tinham êxito. Como é do conhecimento de
todos, os fundadores de algumas religiões ganharam considerável fama. Acontece,
porém, que o principal componente da luz da Lua é o elemento água, e por essa
razão a força para curar as doenças limitava-se a algumas espécies ou a efeitos
temporários. Com base no elemento água, essa luz é de natureza fria, e por isso sua
aplicação torna-se um tratamento solidificador. No JOHREI, entretanto, o principal
agente é o elemento fogo, capaz de queimar qualquer mácula; por conseguinte, ele
apresenta efeitos extraordinários. O principal motivo que me levou a descobri-lo foi o
conhecimento sobre a Transição da Era da Noite para a Era do Dia e o conseqüente
aumento de partículas do elemento fogo, que, concentrando-os no corpo produz-se
uma poderosa luz purificadora. Irradiando-a, então, no local afetado, há um efeito
extraordinário.

23 de outubro de 1943

PRINCÍPIO DO JOHREI
30 de maio de 1949

PRIMEIRA PARTE

O princípio do JOHREI é um assunto por demais difícil para a compreensão das


pessoas da atualidade, dado o seu nível de instrução. Isso é inevitável, já que a
educação está totalmente baseada no materialismo. Por outro lado, através de
documentos escritos e da tradição oral, constatamos que invariavelmente os
fundadores de diversas religiões realizaram milagres. O fato é mais evidente nas
grandes religiões. No entanto, pelo nível cultural daquela época, era possível
convencer o povo apenas pela concessão de benefícios e pela realização de
milagres, pois ele não buscava esclarecimentos sobre a teoria ou o conteúdo das
religiões. O lamentável é que, se não tivesse havido a redenção, Cristo, quem mais
milagres realizou, talvez conseguisse, durante a sua vida, salvar uma grande parte
da humanidade e ampliar muito mais a sua doutrina. Seu período de atuação foi
bastante curto, sem dúvida por causa da força de Satanás, que, na época, era
inegavelmente mais forte, em virtude da prematuridade do tempo no Mundo
Espiritual. Entretanto, finalmente o tempo amadureceu e adveio a grande transição
naquele mundo. Através da nossa percepção espiritual, podemos ver claramente
que a força de Satanás está enfraquecendo dia a dia.
Por Revelação Divina foi-me esclarecida a causa de vários fatos até hoje
considerados mistérios do mundo. Assim, me é possível distinguir o justo e o
satânico, determinar a raiz do bem e do mal, corrigir o erro de todas as coisas. Em
face do desequilíbrio do mundo contemporâneo, decorrente do progresso unilateral
da cultura, ou seja, o progresso apenas da cultura material, vou incrementar
extraordinariamente a cultura espiritual e, com o desenvolvimento paralelo de
ambas, fazer surgir o mundo perfeito: o Paraíso Terrestre.
Como eu disse anteriormente, diferindo dos homens primitivos e dos homens de
épocas de baixo nível cultural, o homem da atualidade não consegue confiar apenas
em milagres, mesmo que estes sejam manifestados concretamente. Ele não se
convence sem uma explicação teórica dos fatos. Uma das causas da decadência
das religiões tradicionais é justamente elas negarem a cultura material e não
conseguirem proporcionar benefícios concretos aos fiéis.
Vou explicar agora o princípio do JOHREI, um dos métodos pelos quais os fiéis da
nossa Igreja vêm obtendo magníficos resultados, expressos sob a forma de
surpreendentes milagres. Quando se estende a mão em direção à pessoa enferma,
as doenças mais difíceis e os enfermos mais graves começam a melhorar. Mesmo
as dores mais fortes são aliviadas ou extintas em curto espaço de tempo. Portanto,
só podemos dizer que se trata de "milagre".
A Medicina atual é o resultado de milhares de anos de estudo e prática constante
realizada por renomados estudiosos de vários países, e suas terapias minuciosas e
refinadas são dignas de elogio. Entretanto, um indivíduo comum obtém resultados
notáveis ministrando JOHREI em doentes que não conseguiram se restabelecer com
o trabalho das autoridades médicas, formadas à custa de elevadas despesas com
estudos e pesquisas durante dezenas de anos. É realmente um fato que está além
da razão. Não seria, pois, exagero definir o JOHREI como a maravilha do século.
Todavia, pelo simples conhecimento dos seus resultados reais através de notícias,
as pessoas não o aceitam facilmente. Mais do que isso: vêem-no pela ótica da
superstição ou da anormalidade psíquica, o que talvez seja uma reação natural.
O aparecimento do JOHREI é um grande acontecimento, inédito na História. A
afirmação, feita por nossa Igreja, de que irá construir um "mundo livre de doença,
pobreza e conflito" não seria possível se ela não estivesse absolutamente convicta
do que está dizendo. Se não tivesse competência para isso, ela estaria enganando o
mundo e cometendo um delito imperdoável. Para nós, no entanto, como eu disse
anteriormente, milagres como os que citamos, não são milagres. Eles possuem uma
base totalmente fundamentada na explicação científica e ocorrem porque devem
ocorrer. Vou, a seguir, explicá-los mais profundamente.

SEGUNDA PARTE

Para explicar o princípio do JOHREI, torna-se indispensável o conhecimento de um


fato: todas as coisas existentes no Universo são constituídas não apenas da parte
material, mas também de uma parte espiritual, invisível aos nossos olhos. O homem,
logicamente, também está constituído de matéria e espírito. Numa classificação
sumária, o espírito é a essência do Sol; o corpo físico, a essência da Lua e da Terra.
Em termos mais compreensíveis, o espírito é fogo, positivo, masculino, frente,
vertical e dia; o corpo, por sua vez, é água, negativo, feminino, verso, horizontal e
noite. Entretanto, a Ciência não admite a existência do espírito, objetivando somente
a matéria. Ora, se o homem fosse desprovido de espírito, não passaria de um
simples objeto. Seria uma matéria como o pau e a pedra, sem vida e sem atividade
mental. Não compreender essa teoria tão simples constitui o erro fundamental da
Ciência até hoje. Para os cientistas, no espaço só existe o ar, nada mais. Mas a
verdade é que, além do ar, existe um número incalculável de elementos invisíveis;
lamentavelmente a Ciência ainda não progrediu a ponto de detectá-los. Por
felicidade eu descobri a natureza desses elementos, tendo dado aos conhecimentos
obtidos o nome de Ciência Espiritual. Com essa descoberta, evidentemente, chegou-
se à época em que terá início a eliminação das doenças, o maior sofrimento da
humanidade.
A seguir, vou mostrar a causa do aparecimento das doenças. Conforme eu já disse,
o homem é constituído de duas partes - a material e a espiritual. O fato dele estar
vivo e se movimentar acha-se relacionado à estreita união entre o espírito e a
matéria, ou seja, esta é movida pelo espírito. O espírito possui a mesma forma do
corpo físico, e dentro dele localiza-se a consciência, no centro do qual, por sua vez,
está a alma. A atividade dessa trilogia manifesta-se como vontade-pensamento, a
qual é invisível. Essa vontade-pensamento é que governa o corpo; portanto, o
espírito é o principal, e a matéria, o secundário, isto é, o espírito precede a matéria.
Quando uma pessoa movimenta os braços e as pernas, eles não se movem
livremente, por si próprios, mas sim obedecendo à vontade da pessoa. Todas as
partes do corpo, sem exceção, inclusive a boca, o nariz, os olhos, etc., movimentam-
se dessa forma. Até a doença obedece ao mesmo princípio. Para que possam
entender bem, vou exemplificar com o furúnculo, do qual todo mundo tem
experiência.
O furúnculo surge como uma pequena protuberância e vai inchando gradualmente e
tomando uma cor avermelhada. Normalmente vem acompanhado de febre, e a
pessoa começa a sentir dores e coceiras no local. Esse fenômeno constitui uma
atividade de eliminação das toxinas do corpo físico, por ação fisiológica natural. As
toxinas acumuladas em determinada parte do corpo são dissolvidas pela febre e
liqüefeitas, para que sua eliminação seja mais fácil. É a atuação da força de
recuperação natural. Para formar um orifício de saída, a pele fica muito fina e flácida.
Portanto, a coloração avermelhada é o sangue impuro, visível através da pele, que
se tornou fina e transparente. Depois, abrindo-se um pequeno orifício, o sangue
purulento começa a sair imediatamente; com essa eliminação de pus, termina a
purificação.
A explicação acima diz respeito ao corpo. Mas em que condições se encontra o
espírito nessa ocasião? Ele apresenta uma espécie de nebulosidade igual ao
furúnculo; em outras palavras, máculas. Quanto mais grave a doença, mais densas
são as máculas. E por que motivo elas ficam concentradas numa parte do espírito?
E pela ação purificadora constante. Depois que as máculas espalhadas por todo o
espírito se reúnem em determinado local, surge a ação eliminatória. Isso constitui a
doença. Existe, pois, uma relação inseparável entre o espírito e o corpo.
Falei há pouco sobre o princípio do Espírito Precede a Matéria, mas ele não se
aplica apenas ao ser humano; todas as coisas do Universo, sem exceção,
obedecem a esse princípio.
Por conseguinte, o objetivo do JOHREI é eliminar as máculas espirituais.
Através dele, as máculas ficam no estado de morte. Em outras palavras, o JOHREI
tira-lhes a vida. Mortas, obviamente elas perdem toda a sua força e deixam de
pressionar os nervos. Esta é a razão do desaparecimento das dores.

TERCEIRA PARTE

O método do JOHREI que tenho empregado atualmente, consiste em outorgar às


pessoas um papel onde está escrita a palavra HI KARI, ou seja, LUZ. Os efeitos se
manifestam quando esse papel é usado no peito, pendurado ao pescoço. Isso
acontece porque da palavra HI KARI se irradiam poderosas ondas de Luz, as quais
são transmitidas através do corpo, do braço e da palma da mão do fiel que ministra o
JOHREI.
E por que motivo se irradiam ondas de Luz da palavra HIKARI? Essas ondas são
emitidas do meu corpo e, pelo elo espiritual, transmitem-se instantaneamente à
palavra em questão. É muito semelhante às ondas de rádio. Todavia, se as ondas de
Luz são emitidas do meu corpo e transmitidas através do elo espiritual, surge a
seguinte pergunta: que segredo existe no meu espírito? Quando compreenderem
isto, a dúvida desaparecerá. No meu ventre há uma bola de Luz que normalmente
mede uns 6 cm de diâmetro; ela já foi vista por algumas pessoas. Dela, as ondas de
Luz irradiam-se infinitamente. A fonte dessa bola está no "Nyoi-no-Tama" de
Kanzeon Bossatsu, no Mundo Espiritual; daí me é fornecida uma Luz infinita. Esse é
o PODER KANNON, também conhecido como Poder Incognoscível ou Poder da
Inteligência Superior. A bola que Nyoirin Kannon traz consigo é igual à de Kanzeon
Bossatsu.

QUARTA PARTE

Convém falar aqui a respeito de Kanzeon Bossatsu. Dentre muitos budas, Ele era
considerado o mais oculto. Há nisso um profundo mistério, mas não posso divulgá-lo
totalmente, pois ainda não chegou o tempo certo. Pretendo fazê-lo tão logo Deus me
permita. Sendo assim, escreverei apenas sobre o mistério relacionado com o
JOHREI.
A atuação de Kanzeon Bossatsu vem desde o advento do budismo, mas daquela
época até pouco tempo atrás Ele promovia tão somente a salvação do espírito.
Evidentemente, através da oração conseguiam-se graças, mas estas eram
extremamente limitadas. A razão disso está no fato de que a Luz era formada pela
união do elemento fogo e do elemento água, mas faltava o elemento terra. Como
havia apenas dois elementos, a força era insuficiente. Entretanto, chegou a hora de
uma grande mudança no Mundo Espiritual: é o Final dos Tempos, o Juízo Final
citado na Bíblia. Tornou-se necessária, portanto, uma força poderosa e absoluta que
salvasse toda a humanidade. Essa força é constituída pela união do fogo, da água e
da terra; a força da terra é o elemento da matéria e corresponde ao corpo humano.
Ao passar pelo corpo, a Luz é acrescida do elemento terra e daí nasce a força da
trilogia, ou seja, o PODER KANNON. Explicando de maneira mais acessível, a Luz
emitida pelo "Nyoi-no-Tama" de Kanzeon Bossatsu, passando pelo meu corpo,
manifesta-se como PODER KANNON, o qual, através do corpo do messiânico,
torna-se a força purificadora.
Exemplificarei o que acabo de dizer. É sabido, desde a antigüidade, que orar diante
da imagem de Kanzeon Bossatsu traz como benefício a solução das doenças e dos
infortúnios, mas os fiéis da nossa Igreja têm obtido resultados várias vezes mais
poderosos com o JOHREI. Isso porque as ondas de Luz emitidas pelas imagens ou
estátuas de Kanzeon Bossatsu são constituídas apenas pela força dos elementos
fogo e água; nelas não está incluída a importante força do corpo. Outra razão é a
grande transição a que eu já tenho me referido várias vezes, ocorrida no Mundo
Espiritual. Ela teve início em meados de junho de 1931. Até essa data havia muito
elemento água e pouco elemento fogo no Mundo Espiritual, mas a partir daí a
quantidade deste último começou a aumentar gradativamente. É verdade que a
grande transição já havia se iniciado dezenas de anos antes dessa data, mas o
elemento fogo ainda estava bastante rarefeito. Se a Luz é forte, significa que há
maior quantidade de elemento fogo. Da mesma forma, no caso das lâmpadas
elétricas, quanto mais intensa é a luz, maior é a quantidade de calor emitido.
Outro exemplo é a existência de uma massa de elemento fogo em meu ventre. As
pessoas falam que minha temperatura é bem mais alta que a das pessoas comuns.
Praticamente todas as noites fazem-me massagens nos ombros, e todos dizem que
de mim emana muito calor. No inverno, sempre acabo tirando um ou dois agasalhos.
Se permaneço num cômodo durante algum tempo, as pessoas acham que ele ficou
aquecido, e muitas vezes brinco dizendo que substituo o aquecedor. Mesmo em dias
de frio costumo ficar uma ou duas horas de pijama, após o banho. Além disso, gosto
especialmente de banhos mornos. Isso obedece ao princípio do aumento de calor
quando se joga água no fogo, e do frio mais intenso nos dias ensolarados de
inverno.

30 de maio de 1949

A TRILOGIA DOS ÓRGÃOS INTERNOS E O JOHREI

6 de agosto de 1949
Os órgãos internos mais importantes para a vida do homem são certamente o
coração, os pulmões e o estômago. Como sempre venho expondo, isso decorre da
ação de três elementos fundamentais: o fogo, a água e a terra. Em síntese, o
coração, os pulmões e o estômago correspondem, respectivamente, a esses três
elementos, pois o coração tem a função de absorver o elemento fogo; os pulmões, a
função de absorver o elemento água; o estômago, a função de absorver o elemento
terra. Mas a explicação dada pela Medicina, até agora, sobre os órgãos em questão,
era bastante superficial. No que se refere à purificação do sangue sujo, dizem que
ela é decorrente do oxigênio absorvido pelos pulmões, mas é óbvio que apenas isso
não atinge o cerne do fenômeno. Vou dar uma explicação baseada na revelação de
Deus e para isso devo partir da verdade relativa ao Mundo Espiritual. A existência
desse mundo está fora do alcance dos sentidos do homem e corresponde
praticamente ao nada, mas na realidade ele é a fonte onde tudo se origina. Sem
conhecer isso, é impossível apreender a Verdade.
Já me referi ao princípio do fogo arder pela água e da água se mover pelo fogo.
Esse princípio constitui justamente a chave para a solução de tudo. Para explicar o
Mundo Espiritual, que é invisível, começarei falando do Mundo Atmosférico. O que a
Ciência chama de oxigênio é a essência do fogo; o hidrogênio é a essência da água,
e o nitrogênio é a essência da terra. Essas três essências formam uma trilogia,
constituindo a natureza de tudo que existe no Universo. Se tanto ó calor intenso,
como o frio exagerado e a temperatura amena estão apropriados à manutenção da
vida, deve-se à força vital desses três elementos extremamente misteriosos. Se, por
acaso, conseguíssemos eliminar o elemento água da Terra, ocorreria uma explosão
imediata; se eliminássemos o elemento fogo, tudo se congelaria num instante; se
eliminássemos o elemento terra, tudo desmoronaria e se tornaria zero. Essa é a
Verdade.
Raciocinando nesses termos, poderão compreender o sentido básico do coração,
dos pulmões e do estômago. O coração absorve o elemento fogo do Mundo
Espiritual através da pulsação. Da mesma forma, os pulmões absorvem o elemento
água através da respiração. O estômago absorve o elemento terra pela digestão dos
alimentos. Mas vamos aprofundar ainda mais esse princípio.
Para dissolver as toxinas solidificadas, que são a origem de todas as doenças,
necessita-se de calor. Esta é a primeira atividade do processo de purificação. Se
esse processo constitui os sintomas das doenças, a febre alta, em tal oportunidade,
é necessária, para dissolução das toxinas. Ao mesmo tempo, a pulsação torna-se
acelerada, para absorver o calor. Quanto ao frio que se sente, é causado pela
concentração do calor no local enfermo e pela diminuição temporária da temperatura
em outras partes. Da mesma maneira, a respiração se acelera para estimular a
atividade do coração, e, para evitar o ressecamento, os pulmões absorvem o
elemento água em grande quantidade.
A origem do elemento fogo é a energia emitida pelo Sol; a do elemento água é a
energia emitida pela Lua; a do elemento terra, a energia emitida pela Terra. É claro
que dos três órgãos que citamos o mais importante é o coração, pois ele movimenta
os pulmões, que, por sua vez, movimentam o estômago. De acordo com este
raciocínio, não há perigo imediato de vida mesmo que falte alimento ao estômago;
entretanto, os pulmões só mantêm a vida por poucos minutos, e para o coração é
impossível mantê-la durante mais de alguns segundos. Isso se evidencia por ocasião
da morte, que a Medicina atribui, invariavelmente, à parada cardíaca, nada falando
sobre pulmões ou estômago. Nesse momento, caracterizado primeiramente pela
cessação da atividade do coração, o espírito, isto é, o elemento fogo, que ocupava
todo o corpo, abandona-o, e o corpo fica sem calor. Logicamente, isso ocorre porque
o espírito retorna ao Mundo Espiritual. Com a parada dos pulmões, o elemento água
existente no interior do corpo retorna ao Mundo Atmosférico e o corpo começa a
secar. Com a parada do estômago, a ingestão de alimentos torna-se impossível, e
começa o processo de endurecimento do corpo. Todos esses fenômenos constituem
evidências que atestam a veracidade do que foi exposto.
Portanto, como o corpo humano é formado pela trilogia fogo-água-terra, o método
lógico para a erradicação das doenças deve basear-se nessa trilogia. Isso constitui o
princípio do JOHREI da nossa Igreja, o qual está baseado no PODER KANNON.
Esse poder é a Luz transmitida por Kanzeon Bossatsu, uma luz espiritual, invisível
aos olhos humanos. A luz visível, como a do Sol, a das lâmpadas, a do fogo, etc., é o
"corpo" da luz. A natureza da luz é resultante da união do fogo e da água, ou seja, é
formada pelos elementos fogo e água. E será mais forte quanto maior for a
quantidade do elemento fogo. Acontece que a força proveniente da luz constituída
apenas por esses elementos ainda é insuficiente, tornando-se necessária a essência
da terra. A manifestação da força perfeita da trilogia fogo-água-terra torna-se uma
extraordinária força de purificação. As ondas dessa Luz atravessam o corpo,
extinguindo as máculas do espírito, o que se reflete no físico, como erradicação da
doença.
O meio concreto para se obter o que foi exposto é uma folha de papel dobrada, com
a palavra HIKARI, ou seja, LUZ, escrita em letra grande, a qual se usa no peito,
pendurada ao pescoço. Nessa palavra está impregnada, de forma concentrada, a
energia das ondas de Luz transmitidas através do meu braço para o pincel, e deste
para as letras. Assim, a palavra HIKARI está unida, por elos espirituais, à fonte da
Luz, situada dentro do meu corpo, a qual lhe transmite ondas incessantemente. É
claro que a atividade do elo espiritual que me liga a Kanzeon Bossatsu ocorre de
maneira idêntica, e d'Ele me são transmitidas, ilimitadamente, as ondas de Luz para
a salvação da humanidade.
Sendo o corpo formado pela trilogia fogo-água-terra, conforme expusemos, poder-
se-á dizer que o método purificador das máculas baseado na força dessa trilogia
constitui a própria Verdade. É evidente, portanto, que se consegue obter uma força
de purificação jamais vista. Apesar da explicação deste princípio ser extremamente
difícil, acredito que os leitores tenham conseguido entender até certo ponto como
isso se processa.

6 de agosto de 1949

A FORÇA ABSOLUTA

16 de janeiro de 1952

Seria desnecessário dizer que a fonte de todas as atividades e de todos os


fenômenos do Universo é a Força de Deus. Todos os nascimentos e transformações
são a manifestação da Força, e a ela se deve o movimento ou a inércia de todas as
coisas. Começando pelo homem, todos os animais e mesmo as bactérias nascem e
morrem graças à Força. Em suma, ela é o Senhor Absoluto e Infinito. Vou deter-me
aqui, pois o assunto é inesgotável, mas, resumindo, o Universo em si é a própria
Força. Assim, tecerei considerações a respeito sob diversos ângulos.
Analisemos o espírito da palavra TIKARA (força): TI significa sangue, espírito; KARA
significa vazio, corpo, matéria. A formação do termo mostra-nos, portanto, que a
força nasce da união do espírito e da matéria. Analisando agora a palavra HITO
(pessoa), HI é espírito e TO é parar; por conseguinte, HITO é "espírito parado no
corpo".
Para se escrever o ideograma correspondente à palavra força (TIKARA), faz-se um
traço vertical e, em seguida, um traço horizontal, formando uma cruz; a partir do fim
do traço horizontal puxa-se um traço um pouco inclinado, com a ponta virada para
cima e para dentro ( *TIF* ). Isso quer dizer que logo que se verifica o cruzamento do
horizontal e do vertical ocorre a atividade e começa a rotação da esquerda para a
direita, isto é, a ação da força. Assim, pode-se perceber que tanto o espírito das
palavras como as letras foram criadas por Deus.
Vamos agora analisar na prática. Em sentido amplo, isso está representado pelas
duas grandes correntes ideológicas: o pensamento teísta e o pensamento ateísta, ou
seja, o espiritualismo e o materialismo, a cultura espiritual e a cultura material.
Vejamos do aspecto religioso, pois assim é mais fácil compreender.
O budismo e o cristianismo, as duas grandes religiões do mundo, são a
manifestação desses dois pensamentos. O budismo é oriental e, como sempre digo,
constitui o aspecto vertical, espiritual, enquanto o cristianismo é ocidental e
representa o aspecto horizontal, material. Até agora o vertical e o horizontal estavam
separados e por isso não conseguiam produzir a verdadeira força. A prova é que.,
como não foi possível realizar a unificação universal, a humanidade não foi salva.
O objetivo das principais religiões era, sem dúvida, a concretização de um mundo
ideal, mas, como podem ver, a situação do mundo se apresenta caótica, cheia de
conflitos e problemas sem fim, havendo uma grande distância entre o sonho e a
realidade. Assim, aquele objetivo está demasiadamente fora do nosso alcance. É
inegável que a causa dessa situação seja a falta de força, que, por sua vez, se deve
à falta de cruzamento do vertical e do horizontal. Mas isso também era uma questão
de tempo e, do ponto de vista do Plano Divino, não havia outra alternativa.
Explicando minha missão, creio que entenderão melhor o que acabei de expor. A
atividade que agora estou realizando, está centralizada no JOHREI. Meus discípulos
sabem muito bem que basta colocar no peito o OHI KARI (Luz Divina), que contém
um papel escrito por mim, para ser-lhes concedida uma força capaz de gerar
milagres, até mesmo no caso de doentes desenganados pelos médicos. Já
outorguei milhares de OHI KARI, mas mesmo que seu número aumente
infinitamente, não haverá nenhuma alteração nessa força. E os milagres do JOHREI
não se limitam à doença; há uma reforma do espírito humano, a personalidade se
eleva, e a pessoa é salva de perigos iminentes. Dessa forma, graças aos inúmeros
milagres ocorridos a cada dia, aumenta significativamente o número de pessoas
felizes. E tudo isso se deve à força emanada do OHIKARI. Não tenho a pretensão de
vangloriar-me de tais feitos, mas, como se trata da pura verdade, creio que não há
problema em divulgá-la. É desnecessário dizer que até agora a História não registrou
o aparecimento de uma pessoa com força tão poderosa quanto a minha. Os
inúmeros milagres a que nos referimos são registrados como experiências de fé;
logo, não há do que duvidar. Essa é a força gerada pelo cruzamento do horizontal
com o vertical. Em termos budistas, é o PODER KANNON ou Poder da Inteligência
Superior; em termos cristãos, é o Poder do Messias.
Atualmente, a força manifesta-se mais no sentido espiritual, mas um dia atuará no
sentido material. Nessa ocasião, será alcançado o objetivo de Deus, nascendo a
verdadeira cultura, resultante do cruzamento da cultura espiritual do Oriente e a
cultura material do Ocidente. Essa é a Vontade Divina. Será, portanto, executada a
maior obra de salvação da humanidade desde a criação do mundo.

16 de janeiro de 1952

MINHA LUZ

25 de maio de 1952

Escrevi, sobre o budismo, muitas coisas que ninguém até hoje havia explicado. Os
leitores talvez se surpreendam, mas todo o meu conhecimento eu o obtive através
da Revelação Divina. São revelações que não tinham sido feitas até agora devido ao
fator Tempo. Ainda não se havia chegado ao grande marco de épocas que é a
Transição da Noite para o Dia, ou seja, o desaparecimento do prolongado mundo
das trevas para dar lugar a um mundo esplendoroso de luz solar. Entretanto, embora
fosse um mundo de trevas, podia-se enxergar alguma coisa, pois existia a luz da
Lua, e o homem se contentava com esse pouco. Essa luz eram os ensinamentos da
aparente verdade da Lua, isto é, o budismo.
As coisas não podiam ser enxergadas nitidamente porque a intensidade da luz da
Lua é cerca de 1 /60 da luz solar. Durante a noite, é óbvio que nada se enxergava
direito, inclusive as religiões; por isso os homens estavam desorientados e não
obtinham a verdadeira tranqüilidade. Com a chegada do dia, sob a luz solar, tudo
sobre a face da Terra ficará visível e não existirá mais dúvida alguma. Assim,
cabendo a mim a missão de criar a Civilização do Dia, é lógico que eu tenha
conhecimento de tudo.
Vou aprofundar a relação que existe entre minha pessoa e o Mundo do Dia.
Meu corpo abriga a bola de Luz Divina conhecida desde a antigüidade pela
expressão CINTAMANI (palavra sânscrita que serve para designar a fabulosa bola
com poder de atender a todos os pedidos do homem). Já me referi a isso antes, mas
vou explicar mais detalhadamente.
Falando-se em Luz, os leitores poderão pensar na luz solar, mas não é bem assim.
Na verdade, trata-se da união do Sol e da Lua. Como a natureza da Luz que se
abriga em meu corpo é constituída pelos dois elementos extremos, forma-se a
trilogia fogo-água-terra, já que o corpo é constituído pelo elemento terra. Mas será
que as pessoas comuns são formadas apenas por esse elemento? Absolutamente.
Elas também possuem luz, embora pouca e fraca. Minha Luz, no entanto, é
extraordinariamente forte: é milhões de vezes superior à de uma pessoa comum,
ultrapassando os limites da imaginação; chega praticamente ao infinito.
Tomemos como exemplo o OHIKARI, que pode ser de três tipos: HIKARI (Luz),
KOMYO (Luz Divina) e DAIKOMYO (Grande Luz Divina). Colocando-o junto ao
corpo, manifesta-se imediatamente a força capaz de conseguir a erradicação das
doenças. Isso se deve à força da Luz irradiada da palavra escrita por mim no
OHIKARI. Entretanto, nunca precisei rezar ou fazer qualquer coisa especial para
escrevê-la. Simplesmente escrevo rapidamente, palavra por palavra. Levo em média
sete segundos em cada uma e escrevo facilmente cerca de quinhentas por hora.
Com apenas essa folha de papel, milhares de doentes podem ser beneficiados;
doravante, mesmo que eu conceda milhares ou milhões de OHIKARI, o efeito de
cada um será o mesmo. Creio que com isso poderão compreender o quanto é
poderosa a força da minha Luz.
Possuindo tal força, não há nada que eu desconheça. Como os fiéis sabem, nunca
tenho dificuldade em responder a qualquer pergunta que me é dirigida. Às vezes
recebo telegramas solicitando-me auxílio para pessoas distantes e muitas obtêm a
graça apenas com esse pedido. Isso ocorre porque, no momento em que tomo
conhecimento do problema, minha Luz se subdivide e liga-se a essa pessoa. Assim,
através do elo espiritual, ela recebe a graça. Dessa forma, é uma Luz muito prática e
eficiente, pois pode aumentar milhões de vezes e alcançar qualquer local, por mais
distante que ele seja. Para melhor compreensão, a Luz irradiada de mim é como se
fossem "balas" de luz. A diferença entre ela e uma bala de fuzil, por exemplo, é que
esta mata, mas eu dou vida às pessoas; aquela é limitada, ao passo que eu sou
infinito.
A explicação acima corresponde apenas a uma pequena parte da minha força. Não é
fácil explicá-la totalmente. O ideal seria que os leitores acompanhassem
atentamente o trabalho que vou realizar daqui para frente. Se forem ágeis de
inteligência, poderão entender até certo limite. Do ponto de vista da fé, as pessoas
compreendem de acordo com o seu nível espiritual, e por isso o melhor a fazer é
polir a alma e deixá-la sem máculas, pois aí terão sabedoria para compreender a
virtude do meu poder.

25 de maio de 1952

QUEM É O SALVADOR?

20 de outubro de 1948

Acho o título acima bem inusitado, e sem dúvida os leitores pensarão da mesma
forma. A propósito dele, pretendo fazer uma análise psicológica da minha pessoa.
Gostaria, porém, de deixar claro que se trata de uma análise objetiva do meu interior
e que não há nada inventado ou fictício. Portanto, espero que leiam com esse
espírito.
A palavra Messias, ou seja, Salvador, é muito usada no mundo inteiro, sem distinção
de tempo e de lugar, tanto no Ocidente como no Oriente. Com exceção de uma
parcela de pessoas religiosas, a grande maioria considera que a vinda ou o
nascimento do Salvador tão esperado, possuidor de poder sobre-humano, não passa
de um grande sonho, ou uma grande esperança utópica. É verdade que já
apareceram pessoas que se autoproclamavam Messias, mas, com o passar do
tempo, acabaram desaparecendo, donde se conclui que ainda não surgiu o
verdadeiro Salvador.
Devo confessar que não gosto de afirmar que sou o Salvador, mas por outro lado
também não posso dizer que não o seja. Sendo algo tão sério, inédito em toda a
história da humanidade, a vinda do Salvador é um assunto que não pode ser
discutido de maneira leviana. Contudo, não se pode também afirmar que se trate
apenas de um sonho, nem deixar de acreditar na sua viabilidade, pois a Segunda
Vinda do Cristo, a Vinda do Messias e o Nascimento de Miroku foram previstos por
grandes profetas e santos.
Há muito tempo venho pensando na condição número um que deve ser preenchida
pelo Salvador. Antes de tudo, ele deve ter força para livrar as pessoas das doenças.
Por conseguinte, além de conceder-lhes o método absoluto para obterem plena
saúde e completarem o tempo de vida que lhes foi predestinado, ele deve possuir
força para a concretização desse objetivo. Essa é a qualificação fundamental do
Salvador.
É óbvio que a saúde do corpo deve acompanhar a saúde do espírito. Cristo disse
que de nada adianta o homem ganhar o mundo se vier a perder a vida. Parece-nos
que essa afirmativa evidencia a verdade acima. Assim, as religiões e os líderes
religiosos que não possuem força para eliminar as doenças da humanidade, têm
valor limitado. Eu sempre abracei essa tese, e certo dia, mais de dez anos após
entrar na vida da fé, obtive conhecimento sobre o princípio fundamental das doenças
e a sua solução. Ah, ninguém poderá imaginar o espanto e a alegria que senti
naquela hora, pois nunca ninguém fizera uma descoberta tão importante! Se a
compararmos com as grandes descobertas ou as grandes invenções, estas não
chegariam a seus pés.
Realmente eu sou uma pessoa que nasceu com um destino misterioso.

20 de outubro de 1948

ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO

Junho de 1935

Gostaria de alertar aos especialistas que não há nada tão errado quanto a
alimentação e a nutrição da atualidade. Eles transformaram-nas em teorias
acadêmicas, demasiado distantes da realidade. Durante mais de dez anos fiz
pesquisas profundas sobre o assunto e, surpreendentemente, os resultados obtidos
foram exatamente o oposto do que a Dietética recomenda. Vou explicá-los partindo
da minha própria experiência.
Até cerca de quinze ou dezesseis anos atrás, eu era um grande apreciador de carne,
e o meu jantar consistia quase sempre de comida ocidental à base desse alimento,
ou, eventualmente, de comida chinesa. Esse tipo de alimentação, segundo os
nutricionistas, é o mais próximo do ideal, mas naquele tempo eu era magro e ficava
doente com a maior facilidade. Vivia sempre gripado, com problemas de estômago,
e não havia um só mês em que não fosse ao médico. Na tentativa de melhorar meu
estado de saúde, experimentei todos os tratamentos que estavam em moda, na
época, e mais outras práticas, como respiração profunda, banhos de água fria,
meditação, etc. Eles fizeram algum efeito, mas não a ponto de melhorar minha
constituição física.
Quando eu soube que a carne não fazia bem, voltei a alimentar-me de comida
japonesa, que consiste em verduras e peixes. Então meu peso aumentou de 56 para
60 quilos em dois ou três anos; ao mesmo tempo, tornei-me resistente às gripes.
Acabei até esquecendo que sofria do estômago e dos intestinos e pude sentir pela
primeira vez a alegria de gozar boa saúde. De lá para cá, e isso já faz mais de dez
anos, tenho trabalhado sempre com bastante disposição.
Resolvi, então, experimentar o método em mais de dez pessoas da minha família,
inclusive meus seis filhos, e obtive bons resultados, conseguindo banir do meu lar o
fantasma da doença. O mais interessante foi que experimentei ministrar-lhes uma
dieta pobre em elementos protéicos. Assim, mandei que minha mulher e minha
empregada dessem refeições pobres às crianças. Foi utilizado arroz 70% refinado,
bastante verdura e, de vez em quando, peixe, mas apenas salmão salgado, sardinha
seca e peixes comuns. Além disso, "ochazuke" (arroz embebido em chá) ou
"shiomussubi" (bolinho de arroz com sal) acompanhados de picles japonês, ou,
ainda "norimaki" (bolinho de arroz envolto em alga marinha) feito em casa, etc. Do
ponto de vista da Dietética, uma alimentação carente de valor protéico.
O resultado foi surpreendente: durante os cursos primário e secundário meus filhos
tiveram porte físico dos melhores. A nutrição foi boa porque, começando pelo mais
velho, de dezesseis anos, até o mais novo, de quatro anos, nenhum teve doença
grave. Todos os anos eles monopolizavam o prêmio de assiduidade, por não terem
faltado um dia sequer às aulas.
Aproveitando a valiosa experiência obtida através dessa prática, tentei o mesmo
método em centenas de pessoas que me procuraram desde que comecei a tratar de
doentes, há oito anos. Os resultados foram excelentes, sem exceção. A alimentação
à base de verduras tem sido muito eficaz principalmente no caso de pessoas
portadoras de problemas pulmonares e pleurite. Gostaria, portanto, que os médicos
pesquisassem como essa alimentação é benéfica para tais casos.
Pelos fatos que expus, poderão ver que a Dietética, cujo progresso é vertiginoso em
nossos dias, apresenta um erro fundamental. Não me acanho de apontá-lo, pois
constitui um sério problema do ponto de vista da saúde. E estou alertando
firmemente não só os estudiosos do assunto como também as pessoas em geral. Se
esta nova alimentação que tenho defendido se tornar uma prática comum, será uma
grande boa nova, até mesmo do ponto de vista da economia nacional. Os
agricultores do nosso país possuem resistência física ao trabalho porque têm uma
alimentação pobre; caso eles passassem a se alimentar de carne, cujo valor protéico
é muito alto, garanto que não suportariam o trabalho da lavoura.

Junho de 1935

A DIETÉTICA

5 de fevereiro de 1947

O erro fundamental da dietética moderna é basear suas pesquisas em apenas um


dos dois aspectos da nutrição. Ela toma o alimento como objeto principal dessas
pesquisas, negligenciando a parte que se refere às funções orgânicas.
As funções orgânicas do homem são tão perfeitas que, ao nível da Ciência atual,
não se consegue entendê-las. A partir dos alimentos, elas transformam e produzem
livremente os nutrientes necessários. Vejam: esse verdadeiro cientista chamado
aparelho digestivo transforma os alimentos ingeridos, como arroz, pão, verduras,
batatas, feijão, etc., em sangue, músculos e ossos. Por mais que se analisem os
componentes desses alimentos, não se conseguirá descobrir um glóbulo sangüíneo
sequer, nem um milímetro de células musculares. Por outro lado, por mais que se
dissequem os alimentos, não será possível localizar uma só molécula dos
componentes das fezes ou da urina, nem tampouco traços da amônia. Assim, se
fornecermos vitaminas ou plasma sangüíneo ao corpo, considerando-os nutrientes,
qual será o resultado? Acentuar-se-á o enfraquecimento do corpo.
Suponhamos que haja uma fábrica destinada a determinada produção. Dispondo-se
de matéria-prima como ferro e carvão e do trabalho dos operários, da ação das
máquinas, da queima do carvão e de vários outros processos, conseguir-se-á um
produto acabado. Portanto, esse processo constitui a própria vida de uma fábrica.
Se, desde o início, transportássemos para lá produtos já acabados, não haveria mais
necessidade do carvão, nem do trabalho dos operários e das máquinas, e a fábrica
deixaria até de soltar fumaça pelas chaminés. Não havendo atividade, dispensar-se-
iam os operários, e as máquinas acabariam enferrujando. Analogamente, se
ingerimos alimentos já processados, a fábrica produtora de nutrientes fica sem
atividade e o corpo enfraquece. Assim, é necessário estarmos cientes de que a
vitalidade do homem provém da atividade de transformação dos alimentos
inacabados em acabados. É claro que todos os nutrientes industrializados, como as
vitaminas, são produtos acabados, sintéticos.
A dietética atual também menospreza o valor nutritivo dos cereais, acreditando que
os nutrientes estão contidos, em sua maior parte, nos pratos complementares, e não
no prato principal. Isso também constitui um erro. Na verdade, o valor nutritivo dos
cereais é o mais importante; o dos pratos complementares é secundário. Pode-se
dizer que eles servem para tornar mais apetitosos os cereais.
O organismo do homem foi criado de modo a se adaptar ao meio ambiente. Se
comemos pratos pobres continuamente, nosso paladar se modifica e começamos a
achá-los saborosos. Entretanto, parece que pouca gente tem conhecimento disso.
Caso a pessoa se acostume com belos pratos, passará a não mais se satisfazer,
exigindo iguarias cada vez melhores. Isso se observa em pessoas extravagantes.
A seguir explicarei o significado dos alimentos. Eles foram concedidos não apenas
ao homem, mas a todos os seres, para que estes possam se manter vivos. Foram
feitos de forma adequada a cada espécie. O Criador destinou o alimento certo ao
homem, aos animais quadrúpedes e às aves. Quais são, então, os alimentos
atribuídos ao homem? É fácil reconhecê-los, porque eles têm sabor e as pessoas
têm paladar. Portanto, saboreando os alimentos e ficando satisfeitos, elas absorvem
os nutrientes naturalmente, o que irá constituir a base da saúde. Deverão, pois,
saber que tomar cápsulas de vitaminas, por exemplo, que não precisam ser
mastigadas nem exigem o trabalho da função digestiva, não só representa um grave
erro como até faz mal. Dessa maneira, como as condições ambientais, profissionais
e orgânicas são diferentes, basta a pessoa comer aquilo que estiver desejando
comer, porque é isso que ela está necessitando. Ou seja, cada um deve se alimentar
de modo natural, sem se apegar às teorias da Dietética.
As verduras contêm grande quantidade de nutrientes. Assim, do ponto de vista da
nutrição, elas e os cereais já proporcionam alimentação suficiente. Os fatos
comprovam minhas palavras: os agricultores e os monges budistas, que se
alimentam principalmente de verduras, gozam de saúde e longevidade, enquanto as
pessoas da cidade, que se alimentam continuamente de carnes, peixes e aves,
contraem doenças com facilidade e têm vida curta.

5 de fevereiro de 1947

A COMÉDIA DA NUTRIÇÃO

20 de abril de 1950

Os leitores provavelmente estranharão o título deste artigo. Eu também não gostaria


de utilizá-lo, mas não encontro outra expressão adequada. Assim, pedirei a
compreensão de todos.
Atualmente temos nutrientes com formas e aplicações diversas, como vitaminas,
aminoácidos, glicose, carboidratos, gorduras, proteínas, etc. Todos estão a par do
aumento que ocorre, a cada ano, na variedade de vitaminas. Todavia, a ingestão ou
injeção dessas substâncias não produz efeitos permanentes, e sim temporários. No
fim das contas, o que se observa é o efeito oposto: quanto mais se tomam vitaminas,
mais o corpo enfraquece.
Não seria preciso explicar, a essas alturas, que o alimento serve para manter a vida;
na interpretação desse aspecto, porém, há uma grande diferença entre a teoria atual
e a realidade. Quando o homem ingere um alimento; em primeiro lugar ele o
mastiga; passando pelas vias digestivas, o bolo alimentar vai para o estômago e,
daí, para o intestino. As partes necessárias são absorvidas, enquanto que o resto é
eliminado. Até chegar a esse processo, entram em ação diversos órgãos, como o
fígado, a vesícula biliar, os rins, o pâncreas e outros, que extraem, produzem e
distribuem os nutrientes necessários ao sangue, músculos, ossos, pele, cabelos,
dentes, unhas, etc. Assim, é realizada incessantemente a atividade de manutenção
da vida. Trata-se de uma misteriosa obra da Criação, impossível de ser expressa por
meio de palavras. É esse o estado normal da Natureza.
Conforme dissemos, os nutrientes indispensáveis à manutenção da vida humana
estão presentes em todos os alimentos. Se há uma grande variedade de alimentos,
é porque todos eles são necessários. A quantidade e a preferência variam conforme
a pessoa e a hora; a variedade do que se quer comer também depende da
necessidade do organismo. Por exemplo, a pessoa come quando tem fome; bebe
água quando está com sede; se deseja comer algo doce, é porque tem falta de
açúcar em seu organismo; se lhe apetece algo salgado, é porque tem falta de sal, e
assim por diante. Por conseguinte, as necessidades naturais do homem evidenciam
o princípio exposto. A melhor prova é que quando a pessoa está desejando algo,
esse algo lhe é saboroso. Por isso podemos compreender o quanto está errado
ingerir contra a vontade coisas que não são saborosas, como os remédios, por
exemplo. A frase "Todo bom medicamento é amargo" também encerra um grande
erro. O sabor amargo já é indicação do Criador de que aquilo é veneno e não deve
ser ingerido. Assim, quanto mais saboroso o alimento, mais nutritivo ele é, porque a
sua energia espiritual é mais densa e contém uma grande quantidade de nutrientes.
Pela mesma razão, quanto mais frescos forem os peixes e as verduras, mais
saborosos eles são; com o passar do tempo, a energia espiritual vai aos poucos
abandonando-os, razão pela qual seu sabor vai diminuindo.
Vou dar uma explicação sobre os compostos vitamínicos. O organismo produz todos
os nutrientes indispensáveis - sejam eles vitaminas ou não - a partir de quaisquer
alimentos, e na quantidade exata que for preciso. Em outras palavras, a misteriosa
função nutritiva do organismo consegue produzir vitaminas, na quantidade
necessária, até mesmo a partir de alimentos que não as contêm. Assim, a atividade
de produção de nutrientes constitui a própria força vital do homem, ou seja, a
transformação do alimento inacabado em alimento acabado não é senão o próprio
viver. Por essa razão, quando se ingerem compostos vitamínicos, que são produtos
sintéticos, os órgãos encarregados da produção de vitaminas tornam-se inúteis e
acabam se atrofiando naturalmente. Com isso, os outros órgãos relacionados
também se atrofiam, o que vai enfraquecendo gradativamente o corpo. Vou citar
alguns exemplos.
Houve uma época, nos Estados Unidos, em que esteve em moda um regime
alimentar chamado Fletcher's. Esse método consistia em mastigar ao máximo os
alimentos, considerando que quanto mais pastosos eles estivessem ao serem
engolidos, melhor seria a digestão. Segui o método à risca durante um mês.
Acontece que fui ficando fraco, não podendo fazer força como desejava.
Desapontado, acabei abandonando o método, e assim as minhas energias voltaram
ao normal. Foi aí que descobri que é um grande erro mastigar excessivamente os
alimentos, pois, como os dentes os trituram bem, torna-se desnecessária a atividade
do estômago e isso o enfraquece. Portanto, o melhor é mastigar os alimentos pela
metade. Desde os tempos antigos, dizem que as pessoas que comem depressa e na
hora de defecar também o fazem rapidamente são pessoas sadias. Nesse aspecto,
o homem daquela época estava mais avançado que o homem moderno.
Por outro lado, se ingerimos medicamentos destinados a facilitar a digestão, a
atividade estomacal se reduz, o que acaba enfraquecendo o estômago. Aí a pessoa
toma remédio de novo, e esse órgão enfraquece mais ainda. Assim, a causa das
doenças estomacais está realmente na utilização de remédios para o estômago. É
comum ouvirmos pessoas que sofriam de problemas estômaco-intestinais crônicos
dizerem que, não conseguindo curar-se com uma alimentação baseada em
alimentos de fácil digestão, optaram por alimentos de digestão mais difícil, como o
"ochazuke" e o picles japonês, e com isso conseguiram ficar curadas.
Comparemos essa força vital baseada na transformação dos alimentos inacabados
em alimentos acabados com a atividade de uma fábrica de máquinas. Em primeiro
lugar, adquirimos o material necessário. A fábrica queima o carvão, movimenta as
máquinas e, pelo trabalho dos operários, produzem-se novas máquinas. Essa é a
razão da existência da fábrica. Suponhamos, agora, que compremos máquinas
prontas. Não haverá mais necessidade da queima do combustível, do movimento
das máquinas nem do trabalho dos operários, e por isso não há outra alternativa
senão fechar a fábrica.

20 de abril de 1950

AGRICULTURA NATURAL

l° de julho de 1949

INTRODUÇÃO

Em geral as pessoas não conseguem aceitar minha tese sobre a Agricultura Natural.
Ficam pasmadas com ela, pois acham que é uma visão completamente diferente em
relação à agricultura. Mas a verdade é que não só os produtos agrícolas, mas o
próprio homem se encontra intoxicado pelos adubos.
Muitos depositam confiança na tese por ser minha. Apesar disso, colocam-na em
prática meio temerosos, experiência confessada em todos os relatórios. Antes,
porém, da colheita, ocorre uma surpreendente mudança na plantação e conseguem-
se excelentes resultados, superando todas as expectativas.
É desnecessário afirmar que "mais vale um fato que cem teorias". Creio que, em
conseqüência dessa importante descoberta, não apenas ocorrerá uma grande
revolução na agricultura japonesa, como também poderá haver, um dia, uma
revolução na agricultura em escala mundial. Sendo assim, esta grande salvação da
humanidade será uma boa-nova sem precedentes; para a nossa Igreja, entretanto,
cujo objetivo é a construção do Paraíso Terrestre, não passará de algo mais do que
óbvio.
Para explicar o que é a Agricultura Natural, vou partir do seu princípio básico. Em
primeiro lugar, o que vem a ser o solo? Sem dúvida, é uma obra do Criador e serve
para a cultura de cereais e verduras, importantíssimos para a manutenção da vida
humana. Por conseguinte, sua natureza é misteriosa, impossível de ser decifrada
pela ciência da matéria.
A agricultura atual, sem saber, acabou tomando o caminho errado e, como
conseqüência, menosprezou a força do solo, chegando à errônea conclusão de que,
para se obterem melhores resultados, deveria haver interferência humana. Com
base nesse raciocínio, passou a utilizar estercos, adubos químicos, etc. Dessa
maneira, a natureza do solo foi pouco a pouco se degradando, sofrendo
transformações, e a sua força original acabou diminuindo. Contudo, o homem não
percebe isso e acredita que a causa das más colheitas é a falta de adubos. Assim,
utiliza-os em maior quantidade, o que reduz ainda mais a força do solo. Atualmente o
solo japonês está tão pobre, que todos os agricultores lamentam o fato.
Vou mostrar como são temíveis os adubos artificiais:
1 - O maior problema, talvez, é o aparecimento de pragas. Sem pesquisar as causas
dessa ocorrência, concentra-se todo o empenho no sentido de combatê-las. Mas é
provavelmente por desconhecerem a causa das pragas que os agricultores se
empenham na sua eliminação. Na verdade, elas surgem dos adubos, e o aumento
das espécies de pragas é decorrente do aumento dos tipos de adubos. Os
agricultores desconhecem, também, que os pesticidas, ainda que consigam eliminá-
las, infiltram-se no solo, causando-lhe prejuízos e tornando-se a causa do
aparecimento de novas pragas.
2 - Absorvendo os adubos, as plantas enfraquecem bastante e tornam-se facilmente
quebradiças ante a ação dos ventos e das águas. Como ocorre a queda das flores,
os frutos são em menor quantidade. Além disso, pelo fato de as plantas alcançarem
maior altura e suas folhas serem maiores, os frutos acabam ficando na sombra, o
que, no caso do arroz, do trigo, da soja, etc., faz com que a casca seja mais grossa e
os grãos sejam menores.
3 - A amônia contida no estrume e o sulfato de amônia e outros adubos químicos são
venenos violentos que, absorvidos pelas plantas, acabam sendo absorvidos também
pelo homem; mesmo que seja em quantidades ínfimas, não se pode dizer que eles
não façam mal à saúde. A própria Medicina tem afirmado que, se suspendessem por
dois ou três anos a utilização de esterco como adubo, o problema de lombrigas e
outros parasitas deixaria de existir. Também nesse aspecto verificamos o fabuloso
resultado da Agricultura Natural.
4 - Ultimamente, o preço dos adubos tem aumentado muito, de modo que a despesa
que se tem com eles quase empata com a receita oriunda da venda da colheita, o
que acaba forçando a sua venda no mercado negro.
5 - O trabalho que se tem com a compra e a aplicação de adubos e inseticidas é
excessivo.
6 - Os produtos obtidos através da Agricultura Natural são mais saborosos e
apresentam melhor crescimento, sendo maiores que os produtos obtidos com
adubos. Sua quantidade também é maior.
Com o que acabamos de expor, creio que os leitores puderam compreender como
são temíveis os tóxicos dos adubos e como é melhor o cultivo que não os utiliza.
Não seria exagero afirmar que se trata de uma revolução jamais vista na agricultura
japonesa.
Vou, agora, mostrar em que consiste o método e os resultados que obtive através da
minha própria experiência e dos relatos feitos por pessoas que já experimentaram
esse tipo de cultivo. Antes, porém, gostaríamos de perguntar: quantas pessoas
conhecem realmente o sabor das verduras? Diríamos que pouquíssimas. Isso
porque não há verduras em que não tenham sido utilizados adubos químico e
esterco. Absorvendo esses elementos, os produtos acabam perdendo o sabor
atribuído pelos Céus. Se, ao invés disso, fizermos com que absorvam os nutrientes
da própria terra, eles terão seu sabor natural e, portanto, serão muito mais
saborosos. Como aumentou o meu estado de felicidade após conhecer o sabor das
verduras cultivadas sem adubos! Além do dinheiro e da mão-de-obra que se poupa,
fica-se livre do mau cheiro e da transmissão de parasitas, as pragas diminuem e o
sabor e a quantidade dos produtos aumentam. Enfim, matam-se sete coelhos numa
só cajadada.
Não posso me calar diante de problema tão grave. Gostaria de comunicar esta boa-
nova a todos e compartilhar dos seus benefícios.
Qual é a propriedade do solo? Ele é constituído pela união de três elementos - terra,
água e fogo - os quais formam uma força trinitária. Evidentemente, a força básica
responsável pelo crescimento das plantas é o elemento terra: o elemento água e o
elemento fogo são forças auxiliares. A qualidade do solo é um fator importantíssimo,
pois representa a força primordial para o bom ou mau resultado da colheita.
Portanto, a condição principal para obtermos boas colheitas é a melhoria da
qualidade do solo. Quanto melhor for o elemento terra, melhores serão os
resultados.
O método para fertilizar o solo consiste em fortalecer sua energia. Para isso, é
necessário, primeiramente, torná-lo puro e limpo, pois, quanto mais puro o solo,
maior é a sua força para o desenvolvimento das plantas. Acontece, porém, que até
hoje a agricultura considera bom encharcar o solo com substâncias impuras,
contrariando frontalmente o que foi exposto acima, donde se pode concluir o quanto
ela está errada. Para explicar esse erro usarei a antítese, o que, penso eu, ajudará a
compreensão dos leitores.
Desde a antigüidade os adubos são considerados como elementos indispensáveis
ao plantio, mas a verdade é que quanto mais os agricultores os aplicam, mais eles
vão matando o solo. Com a adubagem, conseguem-se bons resultados
temporariamente; pouco a pouco, no entanto, o solo vai ficando intoxicado, tornando
necessário o uso de mais adubos, para a obtenção de boas colheitas. Assim, quanto
maior for a quantidade de adubos, mais contrários são os resultados.
Quando a colheita do arroz começa a declinar, os rizicultores acrescentam-lhe terra
tirada de locais onde não foram utilizados adubos. Com isso, a colheita melhora
durante algum tempo. Nessas ocasiões, eles se baseiam num raciocínio errado,
interpretando que, como cultivam ano após ano, a plantação absorve os nutrientes
do solo, causando o empobrecimento deste. Esquecem, entretanto, que isso ocorreu
devido à utilização de adubos. Como nas novas terras a força vital é mais intensa,
podem-se obter bons resultados. Deixando de lado as teorias, vou explicar, na
prática, as vantagens da Agricultura Natural.
Em primeiro lugar, uma das características desse tipo de cultivo é a menor estatura
das plantas. No cultivo com adubos, elas crescem mais e têm folhas maiores;
tratando-se de plantas leguminosas, como dissemos antes, isso faz com que os
frutos fiquem à sombra e não tenham bom crescimento. Ocorre, também, a queda
das flores, trazendo como conseqüência a menor quantidade de frutos. No caso da
soja, quando não se utilizam adubos consegue-se o dobro da colheita, e nenhum
grão se apresenta bichado; além disso, seu sabor é incomparável. Evidentemente,
em outras espécies como ervilhas e favas obtém-se o mesmo resultado, e a casca é
bastante macia.
Outro aspecto digno de observação é a não-ocorrência de nenhum fracasso. Muitas
vezes um leigo resolve plantar batatas e colhe-as em pequena quantidade e
tamanho reduzido. Nesses casos, é costume a pessoa se lamentar, dizendo que a
colheita foi péssima, mas ela não percebe que isso resultou do uso excessivo de
adubos. Interpretando os resultados de maneira errada, ou seja, atribuindo o
fracasso à pouca utilização de adubos, passa a usá-los em maior quantidade, o que
faz piorar ainda mais a situação. Quando indagados a respeito, os especialistas e os
orientadores, que não percebem a verdadeira causa do problema, respondem de
maneiras totalmente desconcertantes, como por exemplo: "A causa está nas
sementes, que, ou não eram boas ou foram semeadas fora da época apropriada".
Ou então:
"O problema foi causado pela acidez do solo".
As batatas plantadas sem adubos, no entanto, são muito brancas e cremosas,
possuem bastante aroma e agradam logo ao primeiro contato com o paladar. São
tão saborosas que, a princípio, pensa-se que são de alguma espécie diferente. O
mesmo acontece com o inhame e a batata-doce. Esta última deve ser plantada em
canteiros altos e em fileiras, entre as quais deve haver uma boa distância, de modo
que a planta receba bastante sol. Assim, conseguir-se-ão batatas enormes e
deliciosas, capazes de impressionar qualquer pessoa. Aliás, parece que os próprios
agricultores não costumam adicionar muitos adubos ao solo quando se trata de
batata-doce.
Agora tecerei considerações a respeito do milho. Seu cultivo sem adubos tem
apresentado ótimos resultados. Gostaria, portanto, de dar-lhe um destaque especial.
No início, por um ou dois anos, a colheita pode não satisfazer as expectativas, visto
que as sementes ainda contêm as toxinas dos adubos, mas no terceiro ano os
resultados já começam a aparecer. Sem toxinas no solo nem nas sementes, o milho
cresce com o caule bastante forte, e suas folhas apresentam um verde vivo. Caso
cresça num local onde não falta água nem sol, apresenta espigas longas, com os
grãos tão bem dispostos que não há espaços vazios entre eles; logo na primeira
mordida se percebe que são macios e doces, apresentando um sabor inesquecível.
Quanto aos nabos, são branquinhos, grossos, consistentes e doces, o que os torna
muito saborosos. A aspereza e a acidez dos nabos são decorrentes das toxinas dos
adubos. Aliás, as verduras produzidas sem adubos apresentam boa coloração,
maciez e um aroma que abre o apetite, sendo livres de pragas. Evidentemente, são
mais higiênicas, pela não-utilização de esterco.
O que eu também gostaria de recomendar são as berinjelas. Elas apresentam
excelente coloração e aroma, casca macia e realmente dão água na boca. Em
minha casa ninguém consegue mais comer berinjelas produzidas com adubos.
Tratando-se do plantio de arroz, mistura-se palha cortada ao solo alagado, que,
assim, se aquece, pois a palha absorve o calor. Há, ainda, outro detalhe, já bastante
conhecido: a água fria das montanhas faz mal à plantação. Por isso, devem-se fazer
as valetas o mais rasas e longas possível, a fim de aquecer a água. Não se devem,
também, fazer lagos no trecho intermediário, pois nestes, devido à profundidade, a
água não esquenta de forma adequada.
No caso do pepino, melancia, abóbora, etc., obtêm-se resultados como jamais
haviam sido conseguidos. Quanto ao arroz e ao trigo, têm estatura baixa e
apresentam excelente quantidade e qualidade. O arroz, sobretudo, tem brilho e
consistência especiais, além de excelente paladar, sendo sempre classificado como
arroz de especial categoria.
Eis, portanto, as vantagens da Agricultura Natural. Não poderia haver melhor boa-
nova, principalmente para quem tem horta caseira. O manuseio de esterco não só é
insuportável para os amadores, como também traz o inconveniente de indesejáveis
larvas de parasitas acabarem se hospedando na pessoa. Até agora, por
desconhecimento desses fatos, trabalhava-se muito e no fim se obtinham maus
resultados. No meu caso, por exemplo, apenas semeio as verduras e não tenho
maiores trabalhos a não ser, de vez em quando, remover o mato que começa a
crescer. Assim, obtenho excelentes verduras, e não há nada tão gratificante.
Como eu já disse, não há necessidade de adubos químicos nem de estrume, mas é
preciso usar compostos naturais em larga escala. O mais importante, em qualquer
cultivo, é ter cuidado para que as pontas dos pêlos absorventes cresçam livremente;
para isso, deve-se evitar o endurecimento do solo. O composto natural deve estar
meio decomposto apenas, pois, se o estiver totalmente, acaba endurecendo. Aquele
que é feito somente com capim decompõe-se rapidamente, mas o de folhas de
árvores demora muito mais, devido às fibras e nervuras, que são duras; portanto,
deve-se deixá-lo decompondo por longo tempo, até sua suficiente decomposição. A
razão disso é que as pontas dos pêlos absorventes têm o seu crescimento
prejudicado pelas fibras das folhas utilizadas como compostos orgânicos.
Ultimamente dizem que é bom arejar a raiz das plantas, mas isso não tem sentido,
pois se é um solo que até deixa passar o ar, nele se processa o bom
desenvolvimento das raízes. Na verdade, o ar nada tem a ver com isso.
Outro ponto importante é o aquecimento do solo. No caso das radicelas e dos pêlos
absorventes das verduras comuns, basta fazer uma camada de composto natural
com mais ou menos 30 centímetros, numa profundidade aproximadamente igual.
Tratando-se de nabo, cenoura, bardana ou outros vegetais em que se visam as
raízes, a profundidade deve ser compatível com o comprimento da raiz de cada
planta. O composto à base de capim deve ser bem misturado com a terra, utilizando-
se o composto à base de folhas de árvores para formar o leito abaixo do solo, como
já foi explicado. Esse é o ideal.
Ultimamente fala-se muito em solo ácido, mas a causa da acidez está nos adubos.
Portanto, o problema desaparece quando se deixa de usá-los.
É muito comum evitar-se o uso do mesmo solo para culturas repetitivas. Entretanto,
eu tenho obtido ótimos resultados através delas(). E os resultados têm melhorado a
cada ano. Pode parecer milagre, mas há uma boa razão para isso. Como tenho
afirmado, para vivificar o solo e ativar sua força, é necessário fazer culturas
repetitivas, pois, com elas, o solo vai se adaptando naturalmente à cultura em
questão.
Quanto às pragas, com a eliminação dos adubos seu número poderá não chegar a
zero, mas reduz-se a uma fração do atual. Os próprios agricultores afirmam que o
excesso de adubos aumenta as pragas.
Com relação ao fumo para charuto, sabe-se que o melhor é o produzido em Manila e
Havana. Não apresenta folhas bichadas e tem excelente aroma; certa vez eu ouvi
um especialista no assunto dizer que na sua produção não se utilizam adubos. A
inexistência de insetos em folhas do mato e o excelente aroma que algumas delas
possuem são decorrentes da ausência de adubos.
Há um aspecto que deve ser observado: quando se introduz a Agricultura Natural
num local já tratado com adubos, não se obtêm bons resultados durante um ou dois
anos, porque a terra está intoxicada. É como um beberrão que deixa de beber
abruptamente e por algum tempo fica meio atordoado. O mesmo problema acontece
com os fumantes inveterados quando, de repente, suspendem o fumo, ou quando os
viciados em morfina ou cocaína ficam sem estes entorpecentes. Deve-se, portanto,
ter paciência por dois ou três anos; nesse espaço de tempo e com a diminuição
gradativa das toxinas de adubos no solo e nas sementes, o solo começará a
manifestar sua força.
Com as considerações que acabamos de tecer sobre a Agricultura Natural, os
leitores deverão ter compreendido o quanto a agricultura tradicional está errada.
Evidentemente, o novo método não tem nenhuma ligação com a fé, bastando
apenas utilizar-se os compostos naturais para se obterem resultados revolucionários.
Devem, contudo, reconhecer que, somando-se a esse procedimento a purificação do
solo através da Luz de Deus, conseguem-se melhores resultados ainda.

() - Além do solo, vários fatores influenciam os resultados das culturas repetitivas;


por isso, para a sua prática, torna-se necessário um bom planejamento.

l° de julho de 1949

A FORÇA DO SOLO

5 de maio de 1953

O princípio básico da Agricultura Natural consiste em fazer manifestar a força do


solo. Até agora o homem desconhecia a verdadeira natureza do solo, ou melhor, não
lhe era dado conhecê-la. Tal desconhecimento levou-o a adotar o uso de adubos e
acabou por colocá-lo numa situação de total dependência em relação a eles,
tornando essa prática uma espécie de superstição.
No começo, por melhor que eu explicasse o processo da Agricultura Natural, as
pessoas não me davam ouvidos e acabavam em gargalhadas. Pouco a pouco,
porém, minhas explicações foram sendo aceitas e, ultimamente, de ano para ano,
aumenta o contingente de praticantes do novo método, mesmo porque as colheitas,
em toda parte, vêm dando prodigiosos resultados. Ainda que a maioria pertença à
esfera dos fiéis de nossa Igreja, em várias regiões já está aparecendo, fora dessa
esfera, um número considerável de simpatizantes e praticantes da Agricultura
Natural, número este que tende a aumentar rapidamente. Já se pode imaginar que
não está longe o dia em que a veremos praticada em todo o território japonês.
Falando abertamente, a divulgação do nosso método de agricultura poderá ser
definida como "movimento para destruir a superstição dos adubos".
Não usando absolutamente nada daquilo a que se dá o nome de adubo, seja de
origem animal ou química, pois é um cultivo que utiliza apenas compostos naturais,
o método é, realmente, o que seu nome diz: Agricultura Natural. As folhas e capins
secos formam-se naturalmente, ao passo que os adubos químicos e mesmo o
estrume de cavalo ou galinha, assim como os resíduos de peixe, carvão de madeira,
etc., não caem do céu, nem brotam da terra: são transportados pelo homem.
Portanto, não é preciso dizer que são antinaturais.
Nada poderia existir no Universo sem os benefícios da Grande Natureza, ou seja,
nada nasceria nem se desenvolveria sem os três elementos básicos: o fogo, a água
e a terra. Em termos científicos, esses elementos correspondem, respectivamente,
ao oxigênio, ao hidrogênio e ao nitrogênio. Todos os produtos agrícolas existentes
são gerados por eles. Dessa forma, Deus fez com que possam ser produzidas todas
as espécies de cereais e verduras que constituem a alimentação do homem.
Seguindo a lógica, tudo será perfeitamente compreendido. Não seria absurdo se
Deus criasse o homem e não providenciasse os alimentos que lhe possibilitariam a
vida? Logo, se determinado país não consegue produzir os alimentos necessários à
sua população é porque, em algum ponto, ele não está de acordo com as leis da
Natureza criada por Deus. Enquanto não se atentar para isso, não se poderá sequer
imaginar uma solução para o problema da escassez de alimentos.
A Agricultura Natural proposta por mim tem como base o princípio citado. O
empobrecimento e as dificuldades dos agricultores serão solucionados
satisfatoriamente com a adoção desse método. Deus deseja corrigir a penosa
situação em que eles se encontram, e por isso está se dignando, com Sua
benevolência e compaixão, a revelar e fazer propagar o princípio da Agricultura
Natural, através de mim, para todo o mundo. Urge, portanto, que os agricultores
despertem o mais rápido possível e adotem esse novo método agrícola. Só assim
eles serão verdadeiramente salvos.
Conforme dissemos, se os três elementos básicos - fogo, água e terra - são forças
motrizes para desenvolver os produtos agrícolas, bastará que estes sejam plantados
numa terra pura, expostos ao sol e suficientemente abastecidos com água, para se
obter um grande êxito, jamais visto até hoje. Não se sabe desde quando, mas o
homem cometeu um enorme equívoco ao usar adubos, pois ignorou,
completamente, a natureza do solo.

EFEITOS CONTRÁRIOS DOS ADUBOS

No início, a utilização de adubos traz bons resultados, mas, se essa prática continuar
por muito tempo, gradativamente começarão a surgir efeitos contrários. Entre outras
conseqüências, as plantas vão perdendo sua função inerente de absorver os
nutrientes do solo e mudam suas características, passando a absorver os adubos
como nutrientes. Se fizermos uma comparação com os toxicômanos, poderão
compreender isso muito bem. Quando alguém começa a fazer uso de tóxicos, sente
uma sensação muito agradável e durante certo período seu cérebro se torna mais
lúcido. Por não conseguir esquecer esse prazer, a pessoa cai, pouco a pouco, num
vício profundo, do qual é difícil se livrar. Entretanto, quando o efeito do tóxico acaba,
ela fica em estado de letargia ou sente dores violentas. Como a situação é
intolerável, ingere tóxico novamente, embora saiba o mal que isso lhe faz. E chega
até ao roubo, para obter os recursos com que comprá-lo. Histórias com este
seguimento são constantemente noticiadas nos jornais. Aplicando tal esquema à
agricultura, podemos dizer que, hoje, todos os solos cultiváveis do Japão estão sob
os efeitos de tóxicos e, por isso, gravemente enfermos. Todavia, tendo-se tornado
cegos adeptos dos adubos, os agricultores não conseguem libertar-se deles. Ao
ouvirem minhas explicações, esperançosos, resolvem suspendê-los, iniciando o
cultivo natural. No entanto, como nos primeiros meses os resultados são
insatisfatórios, eles concluem, precipitadamente, que o mais certo é desistir da
mudança e voltar à prática habitual.
O nosso método de cultivo está baseado na fé, e por isso muitos o praticam sem
duvidar do que eu digo. Assim fazendo, chegam à total compreensão do verdadeiro
valor da Agricultura Natural.
Descreverei agora a seqüência dos fatos que ocorrem com a mudança da agricultura
tradicional para a natural. No caso do arroz, ao transplantar-se a muda para o arrozal
alagado, durante algum tempo a coloração das folhas não é boa, e os talos são
finos; geralmente o visual é bem inferior ao de outros arrozais. Isso dá ensejo à
zombaria por parte dos agricultores das proximidades, o que leva o plantador a
vacilar, questionando se está no caminho certo. Cheio de preocupação e
intranqüilidade, ele começa a fazer promessas a Deus. Entretanto, passados dois ou
três meses, os pés de arroz começam a apresentar-se com mais vigor, melhorando
tanto na época do florescimento, que o agricultor se sente aliviado. Finalmente, por
ocasião da colheita, estão com o crescimento normal, ou acima dele. Ao se proceder
à colheita, a quantidade do arroz sempre ultrapassa as previsões; além disso ele é
de boa qualidade, tendo brilho, aderência e sabor agradável. Geralmente é um
produto de primeira ou segunda classe, podendo-se dizer que não aparecem tipos
abaixo desse nível de classificação. E mais ainda: seu peso varia de 5 a 10% acima
do peso do arroz cultivado com adubos, e, o que é especialmente interessante,
devido à sua consistência é um arroz que não se reduz com o cozimento, antes
duplica ou triplica seu volume. Sustenta tanto que, mesmo comendo 30% menos, a
pessoa se sente plenamente satisfeita. Logo, há uma grande vantagem do ponto de
vista econômico.
Se todos os japoneses comessem arroz cultivado pelo método da Agricultura
Natural, teríamos um resultado igual ao que se obteria se a produção fosse
aumentada em 30%, tornando-se desnecessária a importação de arroz. E como isso
seria esplêndido para a economia nacional!

A SUPERSTIÇÃO DOS ADUBOS

Esclareçamos melhor o assunto tratado anteriormente. O fato de a plantação,


durante dois ou três meses, apresentar um aspecto inferior, pode ser explicado pela
presença de tóxicos no solo e nas sementes, mesmo que sejam só resíduos. Com o
passar dos dias, esses tóxicos vão sendo eliminados e o solo e a plantação tendem
a melhorar, restaurando-se a sua capacidade natural. Isso me parece perfeitamente
compreensível por parte dos agricultores, pois eles sabem que, após uma troca de
água ou uma chuva muito forte, mesmo os arrozais alagados de pior qualidade
melhoram um pouco. Em verdade, isso ocorre porque os tóxicos dos adubos foram
lavados e diminuíram. Quando o crescimento dos produtos agrícolas não é bom,
costuma-se acrescentar terra ao solo. Se eles melhoram, os agricultores crêem ver
confirmada sua suposição de que o solo estava pobre devido a contínuas plantações
que absorveram seus nutrientes. Isso também é errado, pois o enfraquecimento do
solo é causado pelos tóxicos de adubos utilizados ano após ano. Assim, percebe-se
facilmente que os agricultores se deixaram dominar pela superstição dos adubos.

OS EFEITOS DO USO DE COMPOSTOS NATURAIS


Vejamos, agora, de que maneira a Natureza colabora com a Agricultura Natural.
Quando se trata do cultivo de arroz em terreno alagado, procede-se ao corte da
palha em pedaços bem pequenos, os quais serão misturados ao solo, para aquecê-
lo. No caso do cultivo em terra firme, misturar-se-ão folhas e capins secos,
apodrecidos até que suas nervuras fiquem macias. A razão disso é que, quando o
solo está endurecido, o desenvolvimento das raízes fica dificultado, porque as
pontas encontram resistência. Atualmente, dizem ser bom que o ar vá até as raízes,
mas não é verdade, pois não há nenhuma razão para isso. Apenas, se ele chega até
elas, é porque o solo não está endurecido. No caso de produtos cujas raízes não se
aprofundam muito no solo, o ideal seria misturar, a este, compostos de folhas e
capins; para os produtos de raízes profundas, deve-se preparar um leito composto
de folhas de árvores a mais ou menos 35 cm de profundidade. Isso servirá para
aquecer a terra. Variando a profundidade das raízes, o leito será formado na
proporção adequada.
Geralmente as pessoas pensam que nos compostos naturais existem elementos
fertilizantes, mas isso não corresponde à realidade. O papel desempenhado por eles
é o de aquecer o solo, não o deixando endurecer. No caso de ressecamento do solo
junto às raízes, devem-se colocar os compostos naturais numa espessura
apropriada, pois isso conserva a umidade do solo. São esses os três benefícios dos
compostos naturais.
Como se poderá perceber pelo que foi dito acima, o mais importante na Agricultura
Natural é vivificar o solo. Vivificar o solo significa conservá-lo sempre puro, não
utilizando matérias impuras como os adubos. Dessa forma, já que não existem
obstáculos, ele pode manifestar suficientemente a sua capacidade original. É
engraçado que os agricultores falem em "deixar o solo descansar". Trata-se,
também, de um grande erro. Quanto mais cultivado, melhor será o solo. Em termos
humanos, quanto mais se trabalha, mais saúde se tem; quanto mais se descansa,
mais fraco se fica. Os agricultores, ao contrário, acreditam que, quanto mais se
cultiva o solo, mais fraco ele vai ficando, devido ao consumo dos seus nutrientes por
parte dos produtos agrícolas. Assim, procuram beneficiá-lo dando-lhe repouso, ou
seja, suspendem as culturas repetitivas, mudando sempre a área de plantio. Isto é
uma idiotice.

CULTURA REPETITIVA, COLHEITA FARTA

De acordo com o nosso método, a cultura repetitiva é uma prática muito


recomendável. Uma prova disso é que estou cultivando milho, pelo sétimo ano
consecutivo, em Gora-Hakone, numa terra em que há mistura de pequenas pedras.
Apesar da má qualidade da terra, as espigas são mais longas que o normal, e os
grãos, juntinhos e enfileirados, são adocicados, macios e saborosos.
Para justificar a cultura repetitiva, basta lembrar a capacidade inerente ao solo de se
adaptar ao produto que é plantado. Compreenderemos isso muito bem se fizermos
uma comparação com o ser humano. As pessoas que executam trabalhos braçais
têm seus músculos desenvolvidos; quando se trata de atividade intelectual, é o
cérebro que se desenvolve. Por essa mesma razão, quem muda constantemente de
profissão ou de residência não obtém sucesso, o que nos leva a concluir o quanto
estiveram errados os agricultores até hoje.

AS BOAS - NOVAS PARA A SERICULTURA


Finalizando gostaria de dizer que, se cultivarmos o bicho-da-seda com folhas de
amoreira tratada sem adubos, ele não adoecerá, seus fios serão de muito boa
qualidade, resistentes, brilhantes, e a produção aumentará. Tal prática ocasionaria
uma grande evolução no mundo da sericultura e traria incalculáveis benefícios à
economia do país.

5 de maio de 1953

PRINCÍPIO DA AGRICULTURA NATURAL

27 de janeiro de 1954

Para que todos entendam realmente o princípio da Agricultura Natural, proponho-me


explicá-lo através da ciência do espírito - da qual tomei conhecimento por meio da
Revelação Divina - pois é impossível fazê-lo através do pensamento que norteia a
ciência da matéria. No início, talvez seja muito difícil compreender esse princípio;
todavia, à medida que o lerem várias vezes e o saborearem bem, fatalmente a
dificuldade irá diminuindo. Caso isso não aconteça, é porque a pessoa está muito
presa às superstições da Ciência.
O que eu exponho é a Verdade Absoluta. Os próprios fatos o comprovam. Como
todos sabem, o método agrícola utilizado atualmente consiste na fusão do método
primitivo com o método científico. Julga-se que houve um grande progresso, porém
os resultados mostram exatamente o contrário, conforme podemos constatar pela
grande diminuição da produção no ano passado. Os pés de arroz não tinham força
suficiente para vencer as diversas calamidades que ocorreram, e essa foi a causa
direta daquela diminuição. Mas qual a causa do enfraquecimento dos pés de arroz?
Se eu disser que o fenômeno foi causado pelo tóxico chamado adubo, todos se
surpreenderão, pois os agricultores, até agora, vieram acreditando cegamente que o
adubo é algo imprescindível no cultivo agrícola. Devido a essa crença, ao pouco
conhecimento dos agricultores e à cegueira da Ciência, não foi possível descobrir os
malefícios dos adubos.
É inegável o valor da Ciência em relação a muitos aspectos; entretanto no que se
refere à agricultura, ela não tem nenhuma força, ou melhor, está muito equivocada,
pois considera bom o método criado pelo homem, negligenciando o Poder da
Natureza. Isso acontece porque ainda se desconhece a natureza do solo e dos
adubos. Há longos anos, o governo, os grandes agricultores e os cientistas vêm
desenvolvendo um grande esforço conjunto, mas não se vê nenhum progresso ou
melhoria. Diante de uma fraca produção como a do ano passado, podemos dizer que
a Ciência não consegue fazer nada, sendo vencida pela Natureza sem oferecer
nenhuma resistência. Não há mais nenhum método a ser empregado. A agricultura
japonesa está realmente num beco-sem-saída. Mas devemos alegrar-nos, pois Deus
ensinou-me o meio de sair dele - a Agricultura Natural. Afirmo que, além dessa, não
existe outra maneira de salvar o Japão.
A base do problema é a falta de conhecimento em relação ao solo. A agricultura, até
agora, tem negligenciado esse fator, que é o principal, dando maior importância ao
adubo, algo acessório. Pensem bem. Sem a terra, o que podem fazer as plantas,
sejam elas quais forem? Um bom exemplo é o daquele soldado americano que,
após a guerra, praticou o cultivo na água, despertando grande interesse. Creio que
ainda devem estar lembrados disso. No início, os resultados foram excelentes, mas
ultimamente, pelo que tenho ouvido falar, eles foram decaindo, e o método acabou
sendo abandonado.
Até hoje os agricultores fizeram pouco caso do solo, chegando a acreditar que os
adubos eram o alimento das plantações. Com essa atitude, cometeram um
espantoso engano. O resultado é que o solo se tornou ácido, perdendo seu vigor
original. Isso está muito bem comprovado pela grande diminuição da safra no ano
passado. Não percebendo seu erro, os agricultores gastam inutilmente elevadas
somas em adubos, despendendo árduo esforço. É uma grande tolice, pois se está
produzindo a própria causa dos danos.
Empregarei agora o bisturi da ciência espiritual para explicar a natureza do solo.
Antes, porém, é preciso conhecer seu significado original.
Deus, Criador do Universo, assim que criou o homem criou o solo, a fim de que este
produzisse os alimentos para nutri-lo. Basta semear a terra que a semente
germinará, e o caule, as folhas, as flores e os frutos se desenvolverão,
proporcionando-nos fartas colheitas no outono. Assim, o solo, que produz alimentos,
é um maravilhoso técnico ao qual deveríamos dar grande preferência. Obviamente,
como se trata do Poder da Natureza, a Ciência deveria pesquisá-lo. Entretanto, ela
cometeu um grande erro: confiou mais no poder humano.
Mas o que é o Poder da Natureza? É a incógnita surgida da fusão do Sol, da Lua e
da Terra, ou seja, dos elementos fogo, água e solo. O centro da Terra, como todos
sabem, é uma massa de fogo, a qual é a fonte geradora do calor do solo. A essência
desse calor, infiltrando-se pela crosta terrestre, preenche o espaço até a estratosfera.
Nessa essência também existem duas partes: a espiritual e a material. A parte
material é conhecida pela Ciência com o nome de nitrogênio, mas a parte espiritual
ainda não foi descoberta por ela. Paralelamente, a essência emanada do Sol é o
elemento fogo, que também possui uma parte espiritual e uma parte material; esta
última é a luz e o calor, mas aquela também ainda não foi detectada pela Ciência. A
essência emanada da Lua é o elemento água, e a sua parte material é constituída
por todas as formas em que a água se apresenta; quanto à parte espiritual, também
ainda não foi descoberta. O produto da união desses três elementos espirituais ainda
não detectados constitui a incógnita X através da qual todas as coisas existentes no
Universo nascem e crescem. Essa incógnita X é semelhante ao nada, mas é a
origem da força vital de todas as coisas. Conseqüentemente, o desenvolvimento dos
produtos agrícolas também se deve a esse poder. Por isso, podemos dizer que ele é
o fertilizante infinito. Reconhecendo-se essa verdade, amando-se e respeitando-se o
solo, a capacidade deste se fortalece espantosamente. A Agricultura Natural é, pois,
o verdadeiro método agrícola. Não existe outro. Através de sua prática, o problema
da agricultura será solucionado pelas raízes.
Sem dúvida as pessoas ficarão boquiabertas, mas existe outro fator importante. O
homem, até agora, pensava que a vontade-pensamento, assim como a razão e o
sentimento, limitava-se aos seres animados. Entretanto, eles existem também nos
corpos inorgânicos. Obviamente, como o solo e as plantações estão nesse caso,
respeitando-se e amando-se o solo sua capacidade natural se manifestará ao
máximo. Para tanto, o mais importante é não sujá-lo, mas torná-lo ainda mais puro.
Com isso, ele ficará alegre e, logicamente, se tornará mais ativo. A única diferença é
que a vontade-pensamento, nos seres animados, é mais livre e móvel, ao passo
que, ô solo e as plantas não têm liberdade nem movimento. Assim, se pedirmos uma
farta colheita com sentimento de gratidão, nosso sentimento se transmitirá ao solo,
que não deixará de corresponder-nos. Por desconhecimento desse princípio, a
Ciência comete uma grande falha, considerando que tudo aquilo que é invisível e
impalpável não existe.

27 de janeiro de 1954

A GRANDE REVOLUÇÃO DA AGRICULTURA

5 de maio de 1953

PARTE I

Há mais de dez anos descobri e venho propondo o método agrícola que,


dispensando o uso dos adubos químicos e do estrume de origem animal e humana,
possibilita a obtenção de grandes colheitas. Naquela época, conquanto eu me
esforçasse bastante, tentando convencer os agricultores, ninguém queria me ouvir.
Entretanto, é minha convicção, desde o princípio, que o método natural de cultivo
representa a Verdade Absoluta, e estou certo de que todos chegarão à mesma
conclusão, compreendendo também que, se não se apoiarem nisso, não só os
agricultores nunca poderão ser salvos, mas o próprio destino da nação ficará
comprometido. É por esse motivo que venho insistindo no assunto até hoje.
Como a situação foi se tornando séria, exatamente como eu temia que acontecesse
- não sei se feliz ou infelizmente sinto uma necessidade cada vez maior de fazer os
agricultores japoneses e todos os povos entenderem a Agricultura Natural. Comecei,
também, a enxergar luz no futuro da nossa agricultura, motivo que me leva a
anunciá-la aqui, de maneira ampla, certo de que afinal chegou a hora.
O fato de eu ser um religioso favoreceu a implantação da Agricultura Natural. Com
efeito, não foram poucos os fiéis que, embora não compreendessem bem as minhas
explicações, passaram a praticar esse método de cultivo, podendo constatar seus
resultados positivos num espaço de tempo relativamente curto. Pouco a pouco foi
crescendo o número de simpatizantes, inclusive entre agricultores fora da esfera da
Igreja.
Explicarei agora, minuciosamente, o princípio básico da Agricultura Natural, método
que permite a obtenção de grandes colheitas utilizando apenas compostos naturais.
Abordarei, em primeiro lugar, as vantagens do método: não serão necessários
gastos com adubos, o dano causado pelos insetos nocivos diminuirá de forma
considerável, ficarão reduzidos a menos da metade os prejuízos causados pelos
ventos e pelas chuvas. Logo, é um método assombroso. Tudo isso refere-se ao
arroz, mas aplica-se a qualquer tipo de produção agrícola. Resumindo, todos os
produtos cultivados pela Agricultura Natural apresentarão maravilhosos resultados.
No caso da batata-doce, por exemplo, obter-se-ão batatas enormes, de causar
espanto; nas leguminosas os grãos serão grandes, e a quantidade maior; o nabo
terá uma bela cor branca, textura fina, consistente e macia, e um excelente sabor; as
verduras, não carcomidas pelos insetos, terão boa coloração, serão macias e de
sabor esplêndido. Além dessas espécies, o milho, a melancia, a abóbora, enfim,
todos os cereais, legumes, verduras ou frutas, serão de ótima qualidade.
Merece especial destaque o maravilhoso sabor dos produtos da Agricultura Natural;
quem experimentar seu arroz, trigo e verduras, é provável que nunca mais tenha
vontade de comer os que são produzidos através do cultivo com adubos. Atualmente
eu me alimento apenas com produtos naturais e, como felizmente os praticantes do
método vêm aumentando cada vez mais, ganho-os em grande quantidade, a ponto
de não poder consumir tudo.
Quanto às frutas, são de qualidade muito boa, tendo tido sua safra aumentada após
a suspensão do uso de adubos; como a receita decorrente de sua venda também
aumentou, todos os interessados estão agradecidos. Do mesmo modo, as flores são
maiores, de coloração mais bonita e viva; usadas em vivificações florais, por
exemplo, duram mais tempo, contentando mais e melhor a muitas pessoas.
Logo em seguida à adoção da Agricultura Natural, ocorre uma acentuada diminuição
de insetos nocivos. Estes surgem dos adubos artificiais e por isso é óbvio que, se os
agricultores deixarem de usar tais adubos, eles não se criarão mais. Hoje em dia,
entretanto, na tentativa de exterminá-los, utilizam-se intensamente os defensivos
agrícolas que, penetrando no solo, tornam-se a causa da proliferação dos insetos
nocivos. De tal forma isso revela ignorância, que nos causa compaixão.
Nos últimos tempos, os produtos agrícolas mostram-se mais vulneráveis aos danos
causados pelos ventos e pelas chuvas que ocorrem todos os anos; na Agricultura
Natural, tais prejuízos diminuirão muito, porque, deixando de absorver adubos
artificiais, que os enfraquecem demasiadamente, os produtos resistirão melhor às
intempéries.
Descobri que tanto os adubos de origem animal como os adubos químicos, ao
serem absorvidos pelas plantas, tornam-se venenos e que esses venenos vêm a
constituir alimento para os insetos nocivos, os quais passam a se multiplicar
ferozmente. Conforme o tipo de adubo, a partir dele próprio proliferam
microorganismos que começam a carcomer as plantas. Se surgirem na raiz,
carcomerão os pêlos absorventes e acabarão por enfraquecer o vegetal. Aí está a
causa das folhas secas, caules quebrados, queda das flores, frutos imaturos e
atrofiamento das batatas. Inúmeros outros tipos de microorganismos podem
proliferar nas diversas partes da planta, mas, se esta for saudável, terá força para
eliminá-los. Entretanto devido ao enfraquecimento causado pela aplicação de
adubos, as plantas acabam sendo vencidas por eles.
A planta sem adubos é mais resistente aos ventos e às chuvas, não se prostrando
com facilidade; ainda que caia, logo se reerguerá, ao passo que a cultivada com
adubos permanecerá caída, ocasionando um prejuízo enorme. Poderão
compreendê-lo bem se observarem a ponta das raízes. Nas plantas cultivadas sem
adubos, os pêlos absorventes são muito mais numerosos e compridos, e a
ramificação é bem maior; portanto, o enraizamento é mais forte. Quer se trate de
arroz, quer se trate de verduras, qualquer agricultor sabe que quanto menor é a
estatura da planta e quanto mais curtas são as suas folhas, mais frutos ela dará. Em
contrapartida, as plantas cultivadas com adubos são mais altas, têm folhas grandes,
mas, embora à primeira vista sejam magníficas, sua frutificação não é tão boa.
Correlatamente, no caso do bicho-da-seda, se o cultivarmos com amoreira tratada
sem adubos, ele será saudável, seu casulo terá mais resistência e brilho, e a
produção será maior. Isso também se deve à não-proliferação de doenças no bicho-
da-seda.
Conforme vemos, todos os produtos cultivados pela Agricultura Natural são
incomparavelmente vantajosos em relação aos que são cultivados com adubos.
O que se deve conhecer em primeiro lugar, é a capacidade específica do solo. Antes
de mais nada, ele foi criado por Deus, Criador do Universo, a fim de produzir
alimento suficiente para prover o homem e os animais. Por essa razão, a terra já
está em si mesma abundantemente adubada - podemos até dizer que toda ela é
uma massa de adubos. Desconhecendo isso até hoje, os homens se enganaram ao
pensar que os alimentos das plantas são os adubos. Baseados nessa crença,
vieram aplicando adubos artificiais e, conseqüentemente, foram enfraquecendo, de
forma desastrosa, a energia original do solo. Não é um equívoco espantoso?
Para que a produção agrícola aumente, deve-se fortalecer ao máximo a própria
energia do solo. E como se poderá fazer isso? Não lhe misturando nada a não ser os
compostos naturais, fazendo-o permanecer puro e preservando-o o mais que se
puder. Assim se obterão ótimos resultados, mas, com a mentalidade que tem
vigorado até agora, jamais se conseguirá acreditar nisso.
Com base nas razões citadas, vemos que o princípio fundamental da Agricultura
Natural é o absoluto respeito à Natureza, que é uma grande mestra. Quando
observamos o desenvolvimento e o crescimento de tudo que existe,
compreendemos que não há nada que não dependa da força da Grande Natureza,
isto é, do Sol, da Lua e da Terra, ou, em outras palavras, do fogo, da água e da terra.
Sem dúvida isso ocorre também com as plantações, pois, se a terra for mantida pura
e elas forem expostas ao sol e abundantemente abastecidas de água, produzir-se-á
mais do que o necessário para o sustento do ser humano. Dirijam seu olhar para a
superfície do solo das matas e atentem para a abundância de capins secos e folhas
caídas, cuja provisão é renovada em cada outono. Eles representam o trabalho da
Natureza para enriquecer o solo, e ela nos ensina que devemos utilizá-los. Os
agricultores acreditam haver elementos fertilizantes nesses capins secos e folhas
caídas, que eles consideram adubos naturais, mas isso não é verdade. A eficácia do
"adubo natural" consiste em aquecer a terra e não deixar que ela resseque e
endureça; em síntese, fazer que a terra absorva água e calor e não fique dura.
Assim, para darmos "adubo natural" ao arroz, basta cortar a palha em pedaços
pequeninos e misturá-los bem à terra. Esse é o processo natural. A palha é do
próprio arroz e é eficaz para o aquecimento das raízes. A existência de bosques
perto das hortas é bem significativa: devemos usar as folhas e capins secos para o
cultivo de nossas verduras. O centro do globo terrestre é uma enorme massa de
fogo da qual se irradia constantemente o calor, isto é, o espírito do solo. Aí está o
nitrogênio - adubo que nos foi concedido por Deus - o qual atravessa as camadas do
planeta, eleva-se a uma certa altitude e aí permanece, até que, com a chuva, desça
para sua superfície e penetre no solo. Esse nitrogênio caído do céu é adubo natural
e, sem dúvida, sua quantidade é a ideal, sem excesso nem falta.
Mas por que razão começaram a empregar adubos de nitrogênio? Por ocasião da
Primeira Grande Guerra, devido à falta de alimentos e à necessidade de aumentar
rapidamente sua produção, a Alemanha descobriu o meio de obter nitrogênio da
atmosfera. Ao empregá-lo, conseguiu que a produção tivesse um aumento enorme.
A partir de então, tal resultado foi difundido mundialmente, mas a verdade é que se
trata de algo passageiro, que não se prolongará por muito tempo. Fatalmente o
excesso de nitrogênio provocará o enfraquecimento do solo e acabará fazendo a
produção diminuir. Entretanto, ainda não se compreendeu esse mecanismo. Em
outras palavras, basta pensarmos que tudo isso é semelhante ao que ocorre com os
toxicômanos.
Há um fato para o qual devo chamar atenção: embora se adote a Agricultura Natural,
a quantidade de tóxicos existentes no solo e nas sementes em conseqüência do
cultivo tradicional, exercerá uma grande influência. Por exemplo: em alguns arrozais,
a partir do primeiro ano haverá um aumento de 10% na produção; em outros, no
primeiro e no segundo ano haverá uma redução de l0a 20%; finalmente, a partir do
terceiro ano, haverá um aumento de 10 a 20%, e daí em diante os resultados
gradativamente alcançarão os índices esperados. Contudo, enquanto os resultados
se apresentarem demasiado ruins, é porque ainda restam tóxicos de adubos
artificiais em grande quantidade; para amenizar a ação destes últimos é bom
acrescentar ao solo, provisoriamente, terras isentas de adubos.
Existe outro fato muito importante: uma vez que o arroz absorve adubos químicos
como o sulfato de amônia, esse violento tóxico é ingerido pelo homem diariamente e,
mesmo em doses mínimas, de forma imperceptível, é óbvio que irá causar-lhe
danos. Pode-se dizer que talvez seja essa uma das causas do aumento percentual
das pessoas hoje acometidas por doenças.
A seguir, enumero, de forma rápida, as vantagens econômicas do cultivo natural:
1 - Os gastos com adubos serão dispensados.
2 - Os trabalhos diminuirão pela metade.
3 - A safra aumentará enormemente.
4 - Os produtos aumentarão de peso específico, não diminuirão de volume ao serem
cozidos e terão um delicioso sabor.
5 - O prejuízo causado pelos insetos nocivos diminuirá muito.
6 - Problemas que preocupam o homem como o das larvas e parasitas intestinais
desaparecerão.
Através das vantagens acima, poderão compreender a enorme bênção que é o
nosso método de cultivo. Com a Agricultura Natural, o problema alimentar do Japão
ficará solucionado, o que, além de tudo, irá motivar ou exercer boa influência sobre
outros problemas - principalmente o que concerne à saúde do homem. Se essa
técnica for difundida pelo nosso país, incrementar-se-á sua reconstrução, e não há a
menor dúvida de que, um dia, ele chegará a ser visto, por todos os outros países,
como uma nação de cultura elevada. Trabalhando nesse sentido, desejo fazer que o
maior número possível de japoneses leia esta publicação especial.
Por último, quero frisar que não tenho o mínimo propósito de divulgar nossa Igreja
através do presente artigo, mesmo porque as pessoas alheias a ela poderão praticar
a Agricultura Natural e alcançar bons resultados, conforme dissemos anteriormente.

PARTE II

Examinando os relatórios provindos de várias regiões sobre os resultados da


Agricultura Natural no ano passado, constatei que alguns agricultores, infelizmente,
por ser ainda muito cedo, não puderam efetuar colheitas. Entretanto, como tenho
dados suficientes, passo a relatar minhas impressões.
Visto que a Agricultura Natural, antes de tudo, dispensa os adubos, até agora
considerados como a vida dos produtos agrícolas, todos os tipos de censura lhe
foram feitos pelos próprios familiares dos agricultores e por pessoas de suas aldeias,
terminando por torná-la alvo de gozação e risos. Mas os praticantes do método
suportaram tudo isso em silêncio e persistiram. Ao ler esses relatos, lágrimas de
emoção me sobem aos olhos; sinto, também, um aperto no coração quando penso
que, não fosse pela sua fé, eles nada teriam conseguido. Entretanto, partindo de
pessoas que descendem de longas gerações totalmente dominadas pela superstição
dos adubos, essa descrença de muitos é natural. Tudo isso me faz lembrar certos
descobridores e inventores que a História registrou, cujas obras ainda hoje prestam
serviços à humanidade, e que, mesmo sofrendo por mal-entendidos e opressões,
continuaram lutando para ver reconhecidos os frutos de sua inteligência e trabalho.
Esse difícil procedimento não poderia deixar de nos comover.
Com base nisso, eu estava certo de que a Agricultura Natural encontraria, por algum
tempo, oposição e dificuldades, mas também acreditava que ela não tardaria a
mostrar resultados surpreendentes, bastando ter paciência durante certo período.
Como eu esperava, posso notar, através dos relatórios chegados às minhas mãos,
que finalmente o cultivo sem adubos está despertando interesse em vários setores.
No início, as circunstâncias eram muito desfavoráveis e` como os próprios
agricultores não tinham muita confiança no novo método, foram poucos os que
abertamente começaram a praticá-lo; a grande maioria começou a experimentá-lo
naquele estado de "confiar, desconfiando". Além do mais, como a terra e as
sementes ainda estavam muito impregnadas de tóxicos, no primeiro ano as plantas
apresentavam folhas amarelas e talos muito finos, de modo que os plantadores
chegavam a achar que elas secariam. Segundo suas próprias informações, isso os
deixava tão inseguros e impacientes, que só lhes restava orar a Deus por um
milagre; entretanto, diante dos bons resultados na época das colheitas, eles ficaram
mais tranqüilos, embora só viessem a receber a coroa da vitória depois de
ultrapassada essa fase difícil.

5 de maio de 1953

DANOS CAUSADOS PELAS PRAGAS

15 de janeiro de 1951

São três as preocupações dos agricultores: o elevado preço dos adubos, os


prejuízos causados pelas pragas e os danos decorrentes dos ventos e das chuvas.
Como já expliquei, em capítulos anteriores, os malefícios dos adubos, passarei a
falar agora sobre os danos causados pelas pragas.
É importante saber, de forma conclusiva, que as pragas se originam dos adubos.
Aplicados ao solo, eles acabam tornando-o impuro, modificam suas características,
fazem regredir sua capacidade e, ao mesmo tempo, deixam sujeiras como resíduos.
É óbvio que todas as matérias sujas apodrecem. Aí aparecem larvas ou ovos,
juntamente com bactérias. Se essa é a lei da matéria, nela se enquadram as plantas.
O aparecimento de vermes nas fossas comprova o que dizemos. As várias espécies
de pragas originam-se dos diversos tipos de adubos. Dizem que ultimamente
surgiram novas espécies, mas isso nada mais é que uma conseqüência do
aparecimento de novos adubos. O fato é evidenciado pela afirmação dos agricultores
de que existem muitos insetos nocivos em locais próximos às fossas.
Outro ponto importante é que, quando aparecem pragas, utilizam-se defensivos
agrícolas para combatê-las, o que é extremamente prejudicial. Os inseticidas são
venenos e matam os insetos, mas, quando se infiltram no solo, acabam
contaminando-o e enfraquecendo-o ainda mais. Assim, o que nele for cultivado
sofrerá os danos causados por mais um veneno, além dos tóxicos dos adubos. O
solo, da mesma forma que o homem, perde a resistência, e as pragas se
multiplicam. É realmente um círculo vicioso. Nesse aspecto, inclusive, pode-se notar
o quanto a agricultura tradicional está errada. Além do mais, ingerindo alimentos que
absorveram substâncias venenosas como o sulfato de amônia contido nos
fertilizantes, o corpo humano sofre os seus efeitos; e é óbvio que isso faça mal à
saúde, pois suja o sangue. No caso do arroz, por exemplo, que se come
diariamente, mesmo que a quantidade de veneno ingerido em cada refeição seja
ínfima, ela vai se acumulando ao longo do tempo e torna-se a causa de doenças.

15 de janeiro de 1951

DANOS CAUSADOS PELAS CHUVAS E VENTOS

15 de janeiro de 1951

Os danos causados pelas chuvas e ventos tendem a aumentar de ano para ano, e
tanto o governo como o povo estão bastante preocupados em evitá-los. As obras
preventivas são de altíssimo custo, de modo que, no momento, adotam-se apenas
soluções improvisadas; todavia, alguma coisa deverá ser feita, já que os prejuízos se
repetem a cada ano. Atualmente, não há outra alternativa a não ser procurar diminuí-
los.
Com a nossa Agricultura Natural, entretanto, as raízes das plantas se tornam mais
resistentes, a incidência de quebra dos caules é mínima, e não ocorre queda das
flores nem apodrecimento dos caules após a irrigação. Mesmo quando as outras
áreas de plantio são afetadas consideravelmente, as da Agricultura Natural sofrem
danos irrisórios, o que as pessoas acham muito estranho. Observando as
extremidades das raízes, vemos que elas apresentam formações capilares mais
longas e em maior quantidade que as das plantações convencionais, circunstância
que lhes proporciona enorme resistência nessas ocasiões.
Estabelecendo analogia com o homem, está comprovado que as pessoas que
comem apenas alimentos frescos e sem tóxicos são sadias. O mesmo acontece com
as plantas, e isso não se limita ao trigo ou arroz. Segundo os agricultores, as plantas
de baixa estatura e folhas pequenas são as que oferecem as melhores safras, as
que dão mais frutos. É justamente o que ocorre na Agricultura Natural; pode-se ver,
portanto, como ela é ideal. Além do mais, seus produtos apresentam excelente
qualidade e sabor, reconhecidos por todos aqueles que já a experimentaram. A razão
disso é que, quando se utilizam adubos, os nutrientes são absorvidos na maior parte
pelas folhas, o que as faz crescer demasiadamente, afetando a frutificação.
Acrescente-se que a quantidade de arroz obtida através da Agricultura Natural é bem
maior; já se conseguiram até cento e cinqüenta brotos com uma só semente,
resultando em cerca de quinze mil grãos - recorde admirável. Outra característica do
arroz produzido por esse método é que a sua palha se apresenta bastante forte e
fácil de ser trabalhada.

15 de janeiro de 1951

A HIGIÊNICA E AGRADÁVEL AGRICULTURA NATURAL


NAS HORTAS CASEIRAS

30 de março de 1949

No primeiro número da revista "Tijô-Tengoku", publiquei um minucioso artigo sobre a


Agricultura Natural, dirigido aos agricultores profissionais; desta vez, enfocarei as
hortas caseiras.
Como tenho publicado, na referida revista e no nosso jornal, os excelentes
resultados obtidos através desse novo método agrícola, acredito que os leitores
tenham entendido, em parte, as suas vantagens. Posso afirmar que, no caso das
hortas caseiras, feitas por amadores, a boa-nova da Agricultura Natural é como a luz
que surge nas trevas. Nelas, utilizava-se principalmente o estrume, cujo manuseio é
insuportável sob vários aspectos, inclusive olfativo. Adotando-se o cultivo sem
adubos, esse sofrimento desaparece, e o trabalho, por ser higiênico, torna-se
agradável. Além disso, os resultados são bem melhores e o trabalho é menor,
matando-se dois coelhos numa só cajadada. Vou enumerar as vantagens do
método:
1 - Sendo utilizados apenas compostos naturais, não há o mal-estar causado pelo
uso do estrume, e o trabalho é menor.
2 - As verduras obtidas são da melhor qualidade, e o seu sabor nem se compara ao
das verduras tratadas com adubos.
3 - O volume e a quantidade dos produtos são maiores.
4 - O aparecimento de pragas reduz-se a uma pequena fração
do que acontece no caso do emprego de adubos; portanto, não há necessidade de
defensivos.
5 - Não existe problema de transmissão de larvas e pragas. Muitas outras vantagens
poderiam ser citadas; relacionei apenas as principais.
Como nas hortas caseiras normalmente não se planta arroz nem trigo, mas quase
sempre verduras e legumes, vou explicar a experiência que tive com estes.
As batatas são brancas, consistentes, têm um forte aroma, e até dão água na boca.
O tamanho reduzido e a pequena quantidade apontados pelos amadores são
conseqüência dos adubos; sem estes, as batatas são maiores e em maior
quantidade. Principalmente as batatas-doces são enormes; se demorarmos a
arrancá-las, atingem proporções nunca vistas. Os pés de milho possuem caule
grosso, folhas bem verdes, e logo à primeira vista se percebe que são maiores que o
normal. Suas espigas são mais grossas e compridas, com os grãos bem juntos e
enfileirados, macios e doces; todos ficam admirados com o seu paladar. Os nabos
são brancos, consistentes, de textura fina e ótimo sabor, apresentando comprimento
e grossura maiores que os nabos cultivados com adubos. A aspereza e a acidez de
muitos nabos são causadas pelos adubos. A acelga, o espinafre e o repolho têm
excelente aroma, são volumosos, macios e apetitosos. No final do ano passado, um
amador trouxe-me três acelgas que pesavam 5,6 kg cada uma. Eu nunca tinha visto
acelga daquele tamanho. Quanto à soja, é baixa, com folhas menores, mas colhe-se
o dobro. As berinjelas apresentam boa coloração, casca macia e forte aroma; não só
pela estética como pelo paladar, ninguém que já as tenha provado consegue comer
as que são tratadas com adubos. A cebola, a cebolinha, o tomate, a abóbora e o
pepino são de ótima qualidade; a abóbora é muito consistente e tem sabor
adocicado.
Quanto às árvores frutíferas., também produzem frutos muito saborosos,
principalmente as frutas cítricas, o caqui, o pêssego, etc.
Explicarei agora o princípio e a utilização dos compostos naturais.
A Agricultura Natural utiliza compostos naturais de dois tipos: o de capim e o de
folhas de árvores. O primeiro é próprio para ser misturado à terra, e o segundo é
indicado para fazer um leito abaixo do solo.
A diferença entre a agricultura tradicional e a nossa, é que esta considera o solo
como uma matéria profundamente misteriosa criada por Deus para o
desenvolvimento de alimentos vegetais. Por conseguinte, ativar ao máximo a força
do solo significa alcançar o objetivo original com que ele foi criado. Desconhecendo
este princípio, os antigos passaram, não se sabe quando e baseados numa
interpretação errônea, a usar adubos, prática cujo resultado é a diminuição da
produtividade e a morte do solo. Na tentativa de cobrir esse enfraquecimento,
utilizam-se adubos em quantidade cada vez maior, o que leva à intoxicação das
plantas. Dizem que o solo japonês empobreceu, e isso pode ser atribuído aos
adubos; os adubos químicos modernos, principalmente, aceleram o processo de
empobrecimento do solo. Uma boa prova disso é que há uma melhora temporária
quando se lhe acrescentam terras virgens de outros lugares, em virtude da queda da
produção. Os agricultores interpretam que esta caiu porque os cultivos efetuados por
longos anos esgotaram os nutrientes da terra. Acham, portanto, que as terras virgens
conseguirão suprir os nutrientes. Isso é um grave erro, pois na verdade o solo
perdeu sua força devido à utilização de adubos. Com o acréscimo de terra isenta de
tóxicos, ele em parte se recupera.
Por outro lado, os compostos naturais têm por finalidade impedir o endurecimento do
solo e também aquecê-lo. O fundamental, para ativar o crescimento das plantas, é
promover o desenvolvimento da raiz, sendo que o primeiro passo nesse sentido
consiste em não deixar o solo endurecer; daí a necessidade de se misturar bem, a
ele, o composto natural. Para incentivar o crescimento dos "cabelos" da raiz, deve-se
utilizar o composto natural à base de capim, pois as fibras deste são macias e não
atrapalham o crescimento. As fibras das folhas de árvores, no entanto, são mais
duras, e por isso não convém misturá-las ao solo. O melhor é utilizá-las para fazer
um leito abaixo do solo, a fim de aquecê-lo. O ideal seria uma camada de uns 30 cm
de terra misturada com composto à base de capim e, abaixo dela, um leito da
mesma espessura, à base de folhas de árvores.
No caso de verduras, soja, etc., o processo descrito é conveniente mas tratando-se
de nabos, cenouras e similares, devem-se dimensionar as camadas de maneira
adequada, fazer montes de terra e plantá-los aí, para que suas raízes recebam
bastante sol, pois assim o crescimento será excelente. Se a batata-doce, por
exemplo, for plantada em montes de mais ou menos 60 cm, dispondo-se as mudas
numa distância de 30cm uma da outra, colher-se-ão batatas gigantes. Ouve-se dizer
freqüentemente que o melhor é dispor os montes de terra em sentido norte-sul ou
leste-oeste, de modo que as plantas recebam bastante energia solar. Para isso,
entretanto, basta dispô-las segundo as condições locais, e levando em consideração
a direção do vento. Quando este é muito forte, os caules se quebram; assim, é
necessário plantar árvores em volta ou fazer cercas, a fim de diminuir a ação do
vento.
Quanto mais limpo for mantido o solo, maior será a sua vitalidade. Portanto, a
utilização de impurezas como o estrume traz resultados adversos. Devido ao
desconhecimento desse fato, o trabalho não só tem sido infrutífero como
contraproducente.
Os americanos não comem verduras produzidas no Japão, pois temem a presença
de parasitas. No caso da Agricultura Natural, essa preocupação desaparece. Trata-
se realmente de uma fabulosa revolução da agricultura, constituindo uma grande
boa-nova dirigida aos nossos irmãos.

30 de março de 1949
O GLOBO TERRESTRE RESPIRA

5 de setembro de 1948

Todos sabem que os seres vivos respiram. Na verdade, a respiração é uma


propriedade de todos os seres até mesmo dos vegetais e dos minerais. Se eu disser
que o globo terrestre também respira, muitos poderão achar estranho; todavia, com
a explanação que farei a seguir, tenho certeza de que ninguém irá discordar.
O globo terrestre respira uma vez por ano. A expiração inicia-se na primavera e
chega ao ponto culminante no verão. O ar que ele expira é quente, como no caso da
respiração do homem, e isso se deve à dispersão do seu próprio calor. Na primavera
essa dispersão é mais intensa, e tudo começa a crescer; as folhas começam a
brotar e até o homem se sente mais leve. Com a chegada do verão, as folhas
tornam-se mais vigorosas e, atingido o clímax da expiração, o globo terrestre
recomeça a inspirar; daí as folhas principiarem a cair. Tudo toma, então, um sentido
decrescente, e o próprio homem fica mais austero. O outro ponto culminante é o
inverno. Essa é a imagem da Natureza.
O ar expirado pelo globo terrestre é a energia espiritual do solo, que a Ciência
denomina nitrogênio; graças a ele as plantas se desenvolvem. O nitrogênio sobe às
camadas mais altas da atmosfera junto com a corrente de ar ascendente e lá se
acumula, retornando ao solo com as chuvas. Esse é o adubo da Natureza, à base de
nitrogênio. Por essa razão, é um erro retirar o nitrogênio do ar e utilizá-lo como
adubo. É certo que com a aplicação de adubo químico à base de nitrogênio
consegue-se o aumento da produção, mas seu uso prolongado acarreta intoxicação
e envelhecimento do solo, pois a força deste diminui. Como é do conhecimento
geral, o adubo à base de nitrogênio foi elaborado pela primeira vez na Alemanha,
durante a Primeira Guerra Mundial. No caso de ser necessário aumentar a produção
de alimentos devido à guerra, ele satisfaz o objetivo; entretanto, com o fim da guerra
e o conseqüente retorno à normalidade, seu uso deve ser suspenso.
Outro aspecto importante é o que diz respeito às manchas solares, que desde a
antigüidade têm servido de assunto para muitos debates. A verdade é que essas
manchas representam a respiração do Sol. Dizem que elas aumentam de número de
onze em onze anos, mas isso acontece porque a expiração chegou ao ponto
culminante. Com relação ao luar, considera-se que ele é o reflexo da luz do Sol, mas
convém saber que o Sol arde graças ao elemento água, proveniente da Lua. Esta
possui um ciclo de vinte e oito dias, e isso também constitui o seu movimento de
respiração.

5 de setembro de 1948

POSFÁCIO

1947

Através desta obra apontei a solução do problema da saúde - fonte da felicidade do


homem - e mostrei a viabilidade da construção do mundo sem doença, pobreza e
conflito. Falei, também, sobre o Mundo Espiritual, onde se encontra a origem de
tudo, e expliquei o princípio de que a solução dos problemas naquele mundo é que
nos permitirá alcançar o objetivo proposto. Além disso, procurei evitar teorias,
conduzindo minha explanação com base na experiência e em exemplos reais. Dessa
forma, acredito que tenham compreendido as linhas gerais dos princípios aqui
expostos e obtido relativa tranqüilidade e esperança.
Como deve ter ficado claro no decorrer deste trabalho meu verdadeiro objetivo é
salvar o maior número possível dos dois bilhões de habitantes que constituem a
população da Terra os quais estão à mercê de perecimento nesta grande fase de
transição final entre a Era da Noite e o alvorecer da Era do Dia, isto é, a transição
entre o Mundo Velho e o Mundo Novo. Em relação a isso, creio que os leitores hão
de expressar sua plena aprovação. Além de promover a revolução da Medicina,
estou também cumprindo o papel de projetista do novo mundo que há de vir - o
Paraíso Terrestre, ideal da humanidade.
Nesse sentido, a tese que tenho pregado e executado é Ciência e não é Ciência; é
Religião e não é Religião. Na verdade, é também Ciência e Religião e, além disso,
está relacionada à Política, à Economia, à Educação, à Moral e à Arte. Eu profetizo
que está prestes a nascer uma nova cultura e que, da cultura da Noite, restará
apenas o que for útil, sendo extinto tudo que for desnecessário. A tese da Federação
Mundial de que se tem falado ultimamente parece ser um indício dessa nova cultura.
Pretendo anunciar, em futuro próximo, minha nova tese sobre o processo de
formação da cultura do Mundo Novo: Religião, Política, Economia, Educação, Arte,
etc. Evidentemente, todos esses aspectos da atividade humana, da mesma forma
que a Medicina, serão totalmente inéditos. A própria construção do Paraíso Terrestre
é um fato sem precedentes; portanto, será necessário estabelecer idéias igualmente
sem precedentes.
Cristo disse: "Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus". Sakyamuni
anunciou: "Após a extinção do Budismo surgirá o Mundo de Miroku". Essas profecias
referem-se ao novo mundo prestes a nascer, sendo que, agora, o mundo inteiro está
passando pelo sofrimento e pelas dores de parto.
1947