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Instituição : Uninorte

Disciplina : Direito Eleitoral.


Assunto : Direitos Políticos. Suspensão e Perda.
Professora: Juíza Solange de Souza Fagundes

Voto

 Nossa Constituição consagra o voto secreto, obrigatório para os eleitores de 18 a


70 anos, facultativo para os analfabetos, os de 16 a 18 anos e os maiores de 70 anos,
direto, sem exceção e de valor igual;
 O voto é direito público subjetivo, uma função social (função da soberania popular
na democracia representativa) e um dever (jurídico ou social), ao mesmo tempo;
 A obrigatoriedade concilia-se com a liberdade, pois que a primeira impõe apenas
ao eleitor o dever jurídico de emitir o seu voto (comparecer a sua seção eleitoral e
depositar a sua cédula de votação na urna, assinando a folha individual de votação).
A liberdade do voto diz respeito a escolha do representante, dentre os candidatos
registrados. Assim, apesar de não ser voto “o voto em branco”, com ele o eleitor
cumpre o seu dever jurídico, embora sem cumprir seu dever social e político, isto
porque não desempenhou a função instrumental da soberania popular que lhe
incumbia naquele ato;
 O perfil democrático tratado no parágrafo único do art. 1º da CF/88 exige presença
da soberania popular (o povo detém com exclusividade a fonte do poder) e a forma
direta ou indireta de exercício do poder;

 O art. 14 da CF/88 afirma que a soberania popular será exercida pelo sufrágio
universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos

Princípio da igualdade – determina, entre outras coisas, a igualdade de informação


eleitoral, do acesso aos locais de votação e da proteção contra a influência do poder
econômico e do poder político;

Sufrágio Universal – aquele em que não se admite qualquer restrição ao exercício,


desde que preenchidos os requisitos legais para tanto (nacionalidade, capacidade
eleitoral e alistamento – art. 14, CF/88);

 Sufrágio (d. Plácido e Silva) é a manifestação da vontade de um povo, para escolha


de seus dirigentes, por meio do voto.
 (José Afonso da Silva cit. Carlos S. Fayt) trata-se de um direito público subjetivo
de natureza política, que tem o cidadão de eleger, ser eleito e de participar da
organização e da atividade do poder estatal;
 São titulares do sufrágio o eleitor (ativo) e o elegível (passivo);

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Formas especiais do exercício da soberania popular: mediante consulta (voto) ou
iniciativa direta da população (plebiscito e referendum - Lei 9.709/98 e iniciativa
popular - art. 61, §2º da CF) – Art. 14, caput, CF/88.

 A participação do povo no Governo (direito) dá-se pelo sufrágio. O exercício


desse direito dá-se pelo voto. E o modo de exercitá-lo é através do escrutínio, que
envolve todas as operações eleitorais destinadas a recolher e apurar os sufrágios,
compreendendo a votação e a apuração de voto.

Direitos Políticos Positivos e Negativos

 O Direito Democrático de participação do povo no Governo, por seus


representantes, exige a formação de um conjunto de normas legais permanentes,
denominados de Direitos Políticos.

 Sobre esses direitos – conjunto de normas que regula a atuação da soberania


popular, a Constituição (arts. 14 a 16) dispõe em desdobramento do princípio
democrático inscrito no art. 1º, parágrafo único.

 A expressão Direitos Políticos é empregada na Constituição, em seu sentido


estrito, como um conjunto de regras que regulam os problemas eleitorais,
dispondo apenas sobre os princípios básicos, tal que os pormenores constam de
outras diretrizes (Código Eleitoral, Leis das Inegibilidades e Leis dos Partidos
Políticos).

 Direitos Políticos Positivos: conjunto de normas que asseguram o direito


subjetivo de participação nos processos políticos dos órgãos governamentais, por
meio das diversas modalidades de sufrágio (direito de voto nas eleições, direito
de ser votado, direito de voto em plebiscitos e referendos, direito de participação
e de iniciativa popular, direito de organizar e participar de partidos políticos,
direito de ação popular

 As instituições fundamentais dos Direitos Políticos Positivos são as que


configuram Direito Eleitoral, tais o Direito de Sufrágio com seus dois aspectos
(ativo e passivo) e os Sistemas e Procedimentos Eleitorais.

 Direito Políticos Negativos: São as determinações constitucionais que, de uma


forma ou de outra, importem em privar o cidadão do direito de participação do
processo político e nos órgãos governamentais. Negam ao cidadão o direito de
eleger ou de ser eleito, ou de exercer atividade político-partidária ou de exercer
função pública.

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 Compõe-se, assim, das regras que privam o cidadão pela perda definitiva ou
temporária da totalidade dos direitos políticos de votar e ser votado, bem como
daquelas regras que determinam restrições à elegibilidade do cidadão, em certas
circunstâncias (inelegibilidade).

 Excepcionalmente, o cidadão pode ser privado dos direitos políticos, importando


isso como efeito imediato na perda da cidadania política (deixa de ser eleitor
ou torna-se inalistável), em conseqüência do que fica privado da elegibilidade e
dos demais direitos da qualidade de eleitor.

 Perda dos direitos políticos é privação definitiva.

 A privação temporária é a suspensão.

 A Constituição veda a cassação dos direitos políticos. Só admite, embora não


indique os casos específicos, a suspensão (incs. II, III e V) e a perda (I e IV art.
15).

 Reaquisição dos Direitos Políticos: A constituição não estatui sobre o tema.


Vigora, ainda que parcialmente, a Lei n. 818/49 (art. 40), naquilo em que a atual
Constituição não manteve das anteriores.

 Quem perdeu os direitos políticos em razão da perda da nacionalidade brasileira,


readquirida esta, está obrigado a novo alistamento eleitoral, reavendo assim seus
direitos políticos.

 Quem perdeu os direitos políticos em conseqüência da escusa de consciência,


regularizada a situação mediante o cumprimento da obrigação devida, readquire
também, com o alistamento, os direitos perdidos.

 A recuperação dos direitos políticos suspensos cessará automaticamente com a


cessação dos motivos que determinaram a suspensão, por ser medida transitória
que só dura enquanto durar a causa que a determinou.

 Inelegibilidade: Revela impedimento à capacidade eleitoral passiva (CF art. 14,


§4º ao 7º). Correlaciona-se com a democracia e possui um fundamento ético.
Podem ser absolutas ou relativas, implicando as primeiras em impedimento
eleitoral para qualquer cargo eletivo. Só desaparece quando a situação que a
produz for definitivamente eliminada. Só é legítima quando estabelecida na
própria Constituição, tais a que decorre da inalistabilidade e dos analfabetos (art.
14, §4º). As inelegibilidades relativas constituem restrições à elegibilidade para
determinados mandados em razão de situações especiais em que, no momento
da eleição, se encontra o cidadão. Pode se dar por motivos funcionais, para
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concorrência a outros cargos ou ao mesmo do período subsequente (Lei das
Inegibilidades) ou por motivo de parentesco (art. 14, §7º) ou, ainda, por motivo
de domicílio (art. 14, §3º, IV).

 Direitos Políticos, assim, tratam do Poder de que dispõe o indivíduo para


interferir na estrutura governamental, através do voto (Russomano, in Curso de
Direito Constitucional, p. 186).

Modalidades de Direitos Políticos – Modalidades de seu exercício

 O Direito de Sufrágio, instituição fundamental dos direitos políticos, tem dois


aspectos, quais o ativo e o passivo.

a) Direitos Políticos Ativos: Diz respeito as condições de o cidadão exercitar o


direito de voto.

b) Direitos Políticos Passivos: São normas específicas que garantem e regulam o


exercício da soberania popular, na forma direta ou indireta (Armando Antonio
Sobreiro Neto, in Direito Eleitoral, p. 33).

 Assenta-se na elegibilidade atributo de quem preenche as condições do direito de


ser votado (José Afonso da Silva, in Curso de Direito Constitucional Positivo, p.
331).

 Cidadão, no direito brasileiro, é o indivíduo que seja titular dos direitos políticos
de votar e ser votado.

 Só o titular da nacionalidade brasileira pode ser cidadão (nacionalidade é


pressuposto de cidadania).

 Cidadania é atributo político decorrente do direito de participar do Governo e


direito de ser ouvido pela representação política. Qualifica os participantes da
vida do Estado. É atributo das pessoas integradas na sociedade estatal.

 Pode-se dizer que a cidadania se adquire com a obtenção da qualidade do eleitor.

 O eleitor é cidadão, é titular da cidadania, embora nem sempre possa exercer


todos os direitos políticos, que só se adquirem em etapas sucessivas (referente a
idade).

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 Os direitos da Cidadania adquirem-se mediante alistamento eleitoral, que se
faz mediante a qualificação e inscrição da pessoa como eleitor perante a Justiça
Eleitoral.

 Alistabilidade: Capacitação para o exercício do sufrágio ativo, ou seja, de quem


preenche os requisitos legais para se tornar eleitor (CF, art. 14) - nacionalidade
brasileira, idade mínima de 16 anos e alistamento eleitoral.

 Elegibilidade: Conjunto de condições pessoais e legais necessárias à habilitação


do pleito (capacitação eleitoral passiva – CF art. 14, §3º e segs).

 Formas de Exercício da Soberania (CF art. 14) – sufrágio universal,


alistabilidade, elegibilidade, mandato político representativo/representação
política, sistema eleitoral/proporcional/majoritário, plebiscito, referendo e
iniciativa popular.

 Sufrágio: Exprime a manifestação da vontade de um povo, para escolha de seus


dirigentes, por meio do voto (Plácido e Silva, in Vocabulário Jurídico).

 Trata-se de um direito público subjetivo de natureza política, que tem o cidadão


de eleger, ser eleito e de participar da organização e da atividade do poder estatal
(José Afonso da Silva, in Direito Constitucional Positivo, cit. Carlos S. Fayt, p.
309).

 A Constituição emprega sufrágio e voto como sinônimos, mas dá-lhes sentidos


diferentes (art. 14). A participação do povo no Governo, direito, dá-se pelo
sufrágio. O exercício deste direito dá-se pelo voto. E o modo de exercitá-lo é
através do escrutínio.

 O escrutínio envolve todas as operações eleitorais destinadas a recolher e apurar


os sufrágios, compreendendo a votação e a apuração dos votos.

Formas de Sufrágio

a) Quanto a extensão: universal e restrito, subdividindo-se este em censitário e


capacitário.

b) Quanto a igualdade: igual e desigual, subdividindo-se este em plural, múltiplo e


familiar.

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 O que caracteriza o sufrágio universal, acolhido no art. 14 da Constituição, e
princípio basilar da democracia política, é que ele se apóia na identidade entre
governantes e governados.

 Universal, pois, é o sufrágio, quando se outorga o direito de votar a todos os


nacionais do país, sem restrições derivadas de condições de nascimento, de
fortuna ou de capacidade especial.

 Sufrágio igual, outra exigência democrática, é o que confere além do direito de


todos ao voto, um número igual de voto ao eleitor. Decorre de aplicação, no
campo do direito político, do princípio de igualdade de todos perante a lei.
Significa atribuir a todos iguais pressupostos para ser eleitor e para elegibilidade.

 O sufrágio é um direito público subjetivo democrático, que cabe ao povo nos


limites técnicos do princípio da universalidade e da igualdade de voto e de
elegibilidade. Fundamenta-se no princípio da soberania popular e no seu
exercício por meio de representantes.

Titulares do Direito de Sufrágio

 Como já dito, diz-se do direito de votar (ativo, que caracteriza o eleitor) e do


direito de ser votado (passivo, que caracteriza o elegível).

 São inelegíveis os inalistáveis, os analfabetos e os eleitores entre 16 e 18 anos


(CF art. 14, §4º). Mas também o são os não eleitores.

 Eleitores são todos os brasileiros, natos ou naturalizados, de qualquer sexo, que


à data da eleição contem com 16 anos de idade, alistados na forma da lei (CF art.
14, §1º).

 São estes, pois, os titulares de direito de sufrágio ativo e, potencialmente, do


direito de sufrágio passivo exceto para este os analfabetos e os eleitores entre 16
e 18 anos.