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Artigo apresentado em 22 de agosto de 2011

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O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL: DIÁLOGO COM ALGUNS AUTORES

Iury Gutterres Portalet1 Resumo. Este artigo tem como objetivo mostrar, através de pesquisa bibliográfica, a evolução das responsabilidades do Orientador Educacional em relação aos alunos, alunas e à escola. Indicando que a função passou da simples tarefa de encaminhar os estudantes considerados problema à psicólogos, para atualmente trabalhar intermediando conflitos escolares e ajudando professores a lidarem com crianças e jovens com dificuldade de aprendizagem, diferentemente do papel paternalista que vinha sendo desenvolvido de forma geral. Busca-se, com este artigo, ressaltar o verdadeiro papel do Orientador. Conclui-se que para que seja exercida a ação precípua da escola, educar, o aluno deve ser compreendido e orientado de forma qualificada, considerando-o como de fato um sujeito construído e transformado pela história, pelos valores e crenças, inserido em sua comunidade e no mundo globalizado.

Palavras-chave: Orientador Educacional, Papel do Orientador, Escola, Desenvolvimento. Abstract. This article aims to show, through bibliographic research, the evolving responsibilities of the Guidance Counselor in relation to students and school. Indicating that became from the simple task of guiding the students considered the problem to psychologists, to currently work mediating school conflicts and helping teachers to cope with children and young people with learning difficulties, differently of the paternalistic role that had been developed in general. The aim, with this article is highlight the true role of the supervisor. We conclude that for major duty is carried out on school action, school, students should be understood and directed so qualified, considering it as a guy actually built and transformed by history, values and beliefs embedded in their community and the globalized world. Key words: Guidance Counselor, Guidance Counselor's Role, School, Development. 1. INTRODUÇÃO O papel do Orientador Educacional em um diálogo com alguns autores indica a relevância da história desses profissionais e contribui para o conhecimento desta área profissional incentivando a modernização de práticas cotidianas de relacionamento entre os atores do processo ensino aprendizagem, a qual está mais voltada às relações humanas como forma de minimizar traumas e potencializar comportamentos pessoais e sociais positivos em busca da felicidade de uma forma ampla. Atualmente o dever do profissional da Orientação Escolar, é o de colaborar com a constante evolução da comunidade escolar considerando sentimentos, valores, emoções, atitudes, mantendo sempre uma postura crítico-construtiva. O orientador educacional faz parte do grupo de profissionais responsáveis pela gestão da escola, tem a responsabilidade de trabalhar de forma comprometida com alunos e alunas, auxiliando-os em seu desenvolvimento pessoal sempre em parceria com professores e professoras, procurando perceber no comportamento dos estudantes e das estudantes, seus conflitos e, assim, agir de maneira adequada em relação a eles e a elas. Outras questões que envolvem o Orientador Educacional são o compromisso com o arranjo e a
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Pós-Graduando pela Sociedade Educacional de Santa Catarina – SOCIESC. E-mail: iury@portalet.com.br.

Em 1961 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº. em cooperação com os professores. A Orientação Educacional teve seu princípio em 1924. ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL: REFLEXÕES TEÓRICAS A obra de Grinspun (2002)1 agrupa uma variedade em artigos que abrangem a questão da Orientação Educacional. 1987. instituiu o Serviço de Orientação Profissional e Educacional. através do professor da Politécnica de São Paulo. a família e a comunidade. ouvindo. assumindo com mais propriedade técnica seu compromisso assim como ao mesmo tempo se expandem as pesquisas sobre o tema tendendo para uma visão que repensa sua própria prática e assumindo também uma visão política empenhada com as causas sociais (ibid. psicológica. foi que se surgiram as referências especificas à Orientação Educacional. Tal lei abrangia na maior parte a formação do Orientador Educacional em detrimento ao conceito da função deste profissional. Por outra via Nérici (1976)4 afirma que o princípio da Orientação Educacional no Brasil é creditado a Lourenço Filho. sintam-se fortalecidos para lutar por seus direitos de cidadãos" (MILLET 1987. ganha destaque. de psicólogo e facilitador de aprendizagem e vai com o tempo. 2006)6. dialogando com pais. consistindo a Orientação Vocacional a mais privilegiada para atender aos objetivos de ensino da própria Lei emanados (GRINSPUN. Numa atuação ousada para a época e incompreendida pelos profissionais da educação da escola onde trabalhava. para seu amoldamento pessoal e social. que fixa as diretrizes e bases para o Ensino de 1º e 2º graus e que no artigo 10 institui a obrigatoriedade da Orientação Educacional. para que. tomando consciência da expropriação a que são submetidos. relações intra e interpessoais e escolhas particulares. pudessem ser selecionados e encaminhados para a formação técnica em Mecânica no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo” (Pinto. 2002. Neste momento a Orientação Educacional aparece com o objetivo de subsidiar a formação da personalidade dos e das adolescentes. Atentava também para que os estudos e descanso dos alunos e alunas ocorressem de acordo com as normas pedagógicas daquele tempo. O orientador começa a ultrapassar o papel de combatente dos alunos-problema. 14)3. 17)2. p. em 1931. profissional. 4024 previa que o antigo ensino normal se encarregasse da formação de Orientadores Educacionais para o então primário. 2002) 5. 2. como procurava esclarecer possíveis dúvidas dos alunos e alunas e dirigir seus estudos para que sozinhos buscassem sua profissionalização. recreativa e familiar (GRINSPUN. a partir da década de 1980. incluindo aconselhamento vocacional. A seguir far-se-á algumas considerações teóricas a respeito das questões elencadas. mães e responsáveis e oferecendo-lhes as devidas orientações sobre cotidiano familiar. p. que objetivava conduzir seu público na opção pelo seu lugar social através da escolha profissional. da saúde. Suas principais áreas de abrangência seriam as orientações escolar. assim. . A autora citada trata da história da profissão. tendo terminado a escola média. especialmente da “busca das finalidades de um projeto político-pedagógico formulado para a escola em favor de seus próprios alunos” (GRINSPUN. 5692 de 1971. abrangendo a Orientação Vocacional. 43)8. Roberto Mange. Em 1942 com as Leis Orgânicas do Ministro Gustavo Capanema. do governo de Getúlio Vargas. que como diretor do Departamento de Educação do Estado de São Paulo.concretização da proposta pedagógica da escola e também com a comunidade escolar. "É necessário pensar junto com os alunos sobre o ambiente que os circunda e as relações que estabelecem com esse ambiente. Naquela época a Orientação Educacional tinha caráter corretivo e direcionado para o atendimento aos alunos problemas. Millet já apresentou uma mudança de enfoque no trabalho do orientador educacional. A Orientação Educacional sob a LDB nº. legislação assim como o andamento habitual das escolas. 2002)7. assim como previa que as faculdades de Filosofia formassem profissionais para o atendimento do normal. que tratam desde seu histórico. na forma de “Orientação Profissional dirigida a jovens que. p.

28)10. deixou fortes cicatrizes que não se consegue esconder. desejos e paixões. A função da orientação educacional então segue como o de mediar à relação entre o aluno.. guiar. A Orientação Educacional manteve sempre estreita relação com as tendências pedagógicas. através das relações que ocorrem (. Como integrante da gestão. 29)12.). devem-se determinar as tarefas de um orientador envolvido com as mudanças sociais. planejamento. perderam um espaço para demarcar o seu território na educação e a função social da profissão de OE". compreendendo-se que na origem da palavra educação estão outras como conduzir. não criando um serviço de orientação (grifo da autora) para atender aos excluídos (.. mas para entendê-lo. momento em que diversos fatores permitem tal processo.. O Estado de São Paulo não conta com a Orientação Educacional integrada a gestão escolar. orientar o aluno.. conectado. inspeção. tentando reconstruir a qualidade na educação. Desta forma fica enaltecida a importância da interdisciplinaridade em que todo currículo é realizado em conjunto. a comunidade e a sociedade. quando o orientador educacional desempenhava um papel ligado às inadequações escolares.. com o momento histórico ao qual faz parte. isto é. a orientação educacional pode abranger cinco pontos: o aluno. Este . (. No que se refere aos aspectos legais. A Orientação deve ser útil ao novo paradigma em que a educação lida com o real e suas perspectivas. Assim como a educação. a Orientação é reconhecida como fazendo parte da educação por tanto deve considerar as dimensões sociais. momento em que a educação e a orientação educacional passam a marchar unidas. A manutenção da orientação educacional é frequentemente discutida no âmbito escolar. p. A Lei 9394/96 das Diretrizes e Bases da educação não prevê obrigatoriedade do serviço de Orientação. “mas por efetiva consciência profissional. Contudo. o que o confundia com o psicólogo escolar. nesta formação.Grinspun aborda a questão atual da Orientação Educacional numa perspectiva mediadora somando esforços com os outros educadores da escola. Balestro (2005. políticas e econômicas atuais as quais está inserida. O principal papel da Orientação será ajudar o aluno na formação de uma cidadania crítica. culturais.. Por essa razão. as ocorrências pedagógicas assim como as socioculturais que circundam a educação.. compreendendo criticamente as relações que se estabelecem no processo educacional” (GRINSPUN. no qual todos buscam os melhores processos e resultados. em seu artigo 64 diz que A formação de profissionais de educação para administração. sendo “os orientadores (. diferentes estados dispõem deste profissional e ratificam sua necessidade. p. e a escola. sem fazer parte dela. p. 2002. a família. Eles ficaram em cima do muro e calados. As experiências de outros momentos da história educacional paulistana. Tais transformações têm início na década de 1990. p. 2002. Isso significa ajudar nosso aluno ‘por inteiro’ (grifo da autora): com utopias. político e econômico que a caracteriza de uma forma única e específica no momento histórico de sua análise. 19)14 destaca que "os orientadores educacionais deixaram a banda passar sem dar a sua contribuição. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96)11.) coadjuvantes na prática docente” (ibid. Fica claro assim que o orientador educacional é imprescindível ao processo educacional. 2002. garantida. o orientador tem espaço próprio junto aos demais protagonistas da escola para um trabalho pedagógico integrado. De acordo com Millet (1987)13. a escola.) a Orientação trabalha na escola em favor da cidadania. a orientação está inserida num contexto sociocultural.. 27)9. supervisão e orientação educacional (grifo nosso) para a educação básica. sendo seu trabalho desenvolvido de acordo com o que se esperava nas diversas concepções. a critério da instituição de ensino.) na instituição Escola (GRINSPUN. Há uma conexão entre este profissional e a educação em si. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação. na organização e realização de seu projeto pedagógico. a base comum nacional.

É no cotidiano da escola onde crianças e jovens tem acesso a diferentes conteúdos curriculares que estes devem ser selecionados de forma a efetivar a aprendizagem. objetivos. podemos citar a abertura da escola à comunidade. ou insensibilidade de professores e adultos em geral á individualidade do educando. Para alcançar este objetivo. A grandeza sócio-histórica do Brasil reflete intensamente no trabalho educativo. como a relação professor-aluno. A Orientação. em sua maioria. Portanto há demanda para incutir uma nova visão de Orientação. currículo e programas e condições individuais regulamentos inflexíveis. Metodologia e Pesquisa em uma abordagem qualitativa" (p. Tal procedimento não reconhece que. tais como: Psicologia. Desvenda o papel do orientador educacional numa grandeza bastante vasta e fala também da escola como locus privilegiado de participação. A separação da orientação nos faz intuir que as posturas teóricas que os orientadores educacionais adotaram no transcorrer dos períodos estavam relacionadas. deve estar conectada com outros propósitos que não apenas cuidar e ajudar os alunos com problemas. obtido através do diálogo nas relações estabelecidas. comportamentos inadequados do educando são causados. História da Educação e História do Brasil (até nossos dias). professor-comunidade. às atividades que precisariam ser ampliadas pelo aluno para seu autoconhecimento. dedicada à construção de um cidadão que seja mais envolvido com seu tempo e sua gente. Vasconcellos (2002. p. reclamações corriqueiras de educadores. Como estratégia que pode colaborar para o bom andamento do trabalho educativo. até a preparação do projeto político – pedagógico da escola. por disfunções ambientais como. à formação de um clima educativo. para que o educando pudesse ter um bom desempenho nesta instituição. estabelecem relações de parceria com a .profissional pode executar desde a realização de matrículas. 2002. A autora diz que a Filosofia ajuda o orientador educacional no sentido da prática pedagógica e acrescenta: "outros conhecimentos devem fundamentar a prática do orientador educacional. aproximando-se logo dos alunos e alunas e da realidade de cada família. o dever da Orientação Educacional constitui em ação fundamental na leitura crítica continuada do desenvolvimento do aluno e sua interação social através da colaboração recíproca e prática da construção coletiva como possibilidade de incentivar experiências inovadoras. oriundos da Antropologia. Pretende-se em uma perspectiva mais social trabalhar com o aluno no desenvolvimento do seu processo de cidadania. Nesse caminhar de mudanças. dentre outros. trabalhando a subjetividade e a intersubjetividade. agressividade. desinteresse.63)19 diz que Alguns diretores tratam os equipamentos da escola como se fossem objetos pessoais. metodologia e demonstra o imperativo de que os professores e professoras tenham ciência e repensem o verdadeiro significado da existência da escola e seu papel na sociedade. 137)18. “A cidadania aparece como objetiva. através da qual indivíduos livrem concordam em construir e viver numa sociedade melhor” (GRINSPUN. p. profissionais da Orientação Pedagógica devem articular para que a escola organize-se criando garantias de que cada ação pedagógica seja uma contribuição para o processo de aprendizagem de cada aluno. ao contrário. não devem ser consideradas separadamente. atualmente.13) 17. O Orientador Educacional se dedicava unicamente para total desenvolvimento do aluno. muitas vezes. avaliação. aluno-conteúdo. apontando a carência do domínio de conteúdos essenciais a uma nova performance. Dificuldades de aprendizagem. Assis (1994) discute sobre a formação profissional. segundo Grispun (2001)15 um profissional que possuía alto sentido de autoridade e conhecimento no campo educacional e cuja prática se estendia. na escola. indisciplina. A autora argúi a respeito das práticas docentes abarcando as características didáticas e pedagógicas. outros. além da orientação ao aluno. por exemplo. aluno-comunidade. propriedades privadas. Sociologia. além de outros. Segundo Luck (2001)16 a suposição implícita é de que no aluno está a causa do problema. conteúdos. mas a partir de um estudo das relações entre professor-aluno. apresenta a relevância do orientador educacional como co-responsável pela aprendizagem dos alunos. aluno-aluno. Ciências Políticas.

Desta forma. do trabalho participativo de toda equipe pedagógica. LDB 9394/96. deve estar para o aluno.M. LUCK. psicomotor e cognitivo. O cerne do total zelo escolar deve ser o educando. Leda MPMO. procurou-se cumprir o objetivo de mostrar através de pesquisa bibliográfica. Imídeo G. Revista Ande nº 10. construído pela história. habilidades e conhecimentos que transforme suas atitudes e que lhe possibilitem encarar as exigências vitais e existenciais. num sentido mais sutil. com isto. 7. 5. In: GRINSPUN. por movimentos históricos de cultura. o que atualmente depende da percepção sobre um aluno-ator. PINTO. GRINSPUN. experimentam a escola como território aliado. São Paulo: Cortez.S. 28. Origens da Orientação Educacional e Necessidades da Orientação Educacional & A Orientação Educacional. Uma orientação que ultrapassa os muros da escola. Ação Integrada . Heloísa. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste artigo. 3. MILLET.P. São Paulo: Cortez. todos os âmbitos do aparelhamento educacional deve apontar para o fim primeiro a que a escola se designa criando oportunidades e circunstâncias próprias ao amadurecimento emocional e a evolução de seu potencial afetivo.(org. inserido em sua comunidade e no mundo globalizado.comunidade e. quanto. 2. 6. brevemente.. valores e crenças. São Paulo: Atlas. de se deixar sensibilizar pelas exigências colocadas pela sociedade . 1976. Esse profissional que tem como compromisso garantir a função precípua da escola que é educar. a fim de que o mesmo construa competências. como ainda obtém diminuição do vandalismo. Orientação educacional: estudo de sua situação nas escolas particulares na cidade de São Paulo. M. 2004/2005. 4. Revista Prospectiva n. M. A orientação educacional: conflito de paradigmas e alternativas para a escola. . Vozes. Supervisão e Orientação Educacional. especialmente do papel do Orientador diante de tudo isso. R. A trajetória e a prática da orientação educacional. Revendo o meu fazer sob uma perspectiva teórico-prática. do currículo oculto. Portanto a escola deve viver. BRASIL. alunas e à escola. N. M. ASSIS.) A prática dos orientadores educacionais. mercado e sociedade. a evolução das responsabilidades do Orientador Educacional em relação aos alunos.Administração.S. fica a contribuição no sentido de indicar a necessidade de se promover debates mais aprofundados a cerca dos objetivos do cotidiano escolar. Petrópolis: Ed. 1994. 3. a observação critica do currículo existente na escola. 2002.P. BALESTRO. NÉRICI. 2001. São Paulo: 1987. In: Introdução à orientação Educacional. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.L. das condições de trabalho entendendo que a escola deve estar para o aluno e. REFERÊNCIAS 1. Queremos deixar claro que estamos nos referindo à abertura tanto no que diz respeito às instalações e equipamentos. legislação. os alunos se sentem acolhidos. 8. passando. não só passam a contar com ela como elemento de apoio para as mudanças. 1987. da violência.

VASCONCELLOS. . S. São Paulo: Libertad. C.9. 2002. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto políticopedagógico ao cotidiano da sala de aula.

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