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didatica magna

didatica magna

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  • Capítulo II
  • Capítulo III
  • Capítulo IV
  • Capítulo V
  • Capítulo VI
  • Capítulo VII
  • Capítulo VIII
  • Capítulo IX
  • Capítulo X
  • Capítulo XI
  • Capítulo XII
  • Capítulo XIII
  • Capítulo XIV
  • Capítulo XV
  • Capítulo XVI
  • Capítulo XVII
  • Capítulo XVIII
  • Capítulo XIX
  • Capítulo XX
  • Capítulo XXI
  • Capítulo XXII
  • Capítulo XXIII
  • Capítulo XXIV
  • Capítulo XXV
  • Capítulo XXVI
  • Capítulo XXVII
  • Capítulo XXVIII
  • Capítulo XXIX
  • Capítulo XXX
  • Capítulo XXXI
  • Capítulo XXXII
  • Capítulo XXXIII

1

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2

Didaciica Magna (1621-1657}
IoIannis Anos Concnius (1592-1670}

Vcrsao ¡ara cDool
cDoolsDrasil.con

Fonic Digiial

Digiializaçao dc
Didaciica Magna
Iniroduçao, Traduçao c Noias dc
JOAQUIM FEFFEIFA COMES

Co¡yrigIi.
© 2001 FUNDAÇÃO CALOUSTE CULDENKIAN
|Noia dc Co¡yrigIi|
3

ÍNDICE
Noia do Ediior. 75
Didaiica Magna. 10
Saudaçao aos Lciiorcs. 13
A iodos aquclcs dc ¡rcsidcn as coisas Iunanas.
23
Uiilidadc da Aric Didaiica. 47
Assunios dos Ca¡íiulos. 51
Noias do Traduior. 547
4

Nota do Editor
Dci×o quc o ¡ro¡rio Auior jusiifiquc a
¡rcscnic cdiçao cn cDool dc sua olra.
º16. Dai nasccu csic ncu iraiado, ondc o
icna c, assin o cs¡cro, dcscnvolvido
nais longancnic c nais clarancnic do
quc nunca o foi aic ao ¡rcscnic. Escriio
inicialncnic cn vcrnaculo, ¡ara uso do
ncu ¡ovo, sai agora, a consclIo dc
alguns Ioncns cnincnics, vcriido cn
laiin, ¡ara quc, sc ¡ossívcl, a¡rovciic a
iodos.
17. Con cfciio, a caridadc nanda quc o
quc Dcus nanifcsiou ¡ara salvaçao do
gcncro Iunano (assin fala o cnincnic
Lulin da sua Dídutícu, sc nao csconda
dos noriais, nas sc nanifcsic a iodo o
nundo. Efciivancnic, c da naiurcza dc
iodos os lcns (coniinua o ncsno Lulin}
quc scjan conunicados a iodos; c quanio
nais c a riqucza c sc ¡õc cn conun,
ianio nclIor c c ianio nais calc a iodos.
18. É ianlcn una lci dc Iunanidadc
quc, sc sc conIccc qualqucr ncio dc ir
cn au×ilio do ¡ro×ino ¡ara o iirar das
suas dificuldadcs, nao sc dcvc Icsiiar;
solrciudo quando sc iraia, nao dc un
5
Ioncn so, nas dc nuiios, c nao a¡cnas
dc nuiios Ioncns, nas dc nuiias
cidadcs, ¡rovíncias c rcinos c, digo aic,
do gcncro Iunano iniciro, cono c o caso
¡rcscnic."
E ainda.
º15. Pcço ianlcn c su¡lico, cn nonc dc
Dcus, quc ncnIun douio dcs¡rczc csias
coisas, ¡clo faio dc vircn dc un Ioncn
ncnos insiruído quc clc. Na vcrdadc, às
vczcs, «ncsno un can¡oncs diz coisas
nuiio o¡oriunas, c ialvcz o quc iu nao
salcs o saila un lurrinIo», cono dissc
Crísi¡o. E Crisio dissc ianlcn. «O
cs¡íriio so¡ra ondc qucr; c iu ouvcs a
sua voz, nas nao salcs dc ondc clc vcn,
ncn ¡ara ondc vai». Juro dianic dc Dcus
quc nao fui novido a fazcr csias coisas,
ncn ¡cla confiança na ninIa
inicligcncia, ncn ¡cla scdc da fana, ncn
¡cla cs¡crança dc daí iirar algun
¡rovciio ¡cssoal; nas o anor dc Dcus c o
dcscjo dc iornar nclIorcs as coisas dos
Ioncns, ¡ullicas c ¡ariicularcs,
csiinula-nc dc ial nancira quc nao
¡osso dci×ar cnvolio no silcncio aquilo
quc un oculio insiinio nc sugcrc
consianicncnic. Sc algucn, ¡orianio,
¡odcndo fazcr andar ¡ara a frcnic os
6
nossos dcscjos, os nossos voios, as
nossas advcricncias c os nossos csforços,
cn vcz disso, lIcs faz rcsisicncia c os
conlaic, saila quc dcclarara gucrra, nao
a nos, nas a Dcus, à sua conscicncia c à
naiurcza Iunana quc qucr quc os lcns
¡ullicos scjan conuns, dc dirciio c dc
faio."
O ncsno cs¡íriio quc novcu o Auior a
cscrcvcr, o iraduior à iraduçao c a Fundaçao
Calousic Cullcnlian a ¡ullica-la cn ¡a¡cl, nos
novcu ncsia vcrsao ¡ara cDool.
TcnIo ccricza. Concnius, iao cniusiasnado
¡cla in¡rcnsa, icria adorado os cDools, ¡clo quc
¡oicncializan das o¡oriunidadcs quc iao lcn
a¡oniou cn sua olra.
Na ¡rcscnic vcrsao ¡ara cDool, fciia anics dc
iudo visando o lciior lrasilciro, a¡cnas a
oriografia foi ºalrasilcirada»; convcrvanos,
coniudo, os accnios diacríiicos do ¡rcicriio, ncn
quc scja ¡cla clarcza, nas solrciudo cono
sugcsiao ¡ara una fuiura rcforna oriografica.
Nao consian dcsia vcrsao a nagnífica
Iniroduçao dc Joaquin Fcrrcira Concs, ncn as
ilusiraçõcs c, con ccricza, ¡or sc iraiar dc ic×io
¡roccssado ¡or OCF, a¡csar dc duas rcvisõcs,
nao icn a corrcçao da olra in¡rcssa.
7
E a vcrsao nais con¡lcia, cn cDool, c a cn
cDoolPro.
MinIa lusca ¡clas livrarias viriuais
lrasilciras rcsuliou cn nada, nas rcconcnda-sc
aos csiudiosos quc sc dirijan ao wclsiic da
Fundaçao Calousic Cullcnlian
|Iii¡.//www.gullcnlian.¡i/|
¡ara vcrificar da dis¡onililidadc da olra, quc
ianlcn ¡odcra, con ccricza, scr cnconirada nas
loas lillioiccas das loas Faculdadcs.
Sobre a Fundação CaIouste GuIbenkIan:
ºA Fundaçao Calousic Cullcnlian c una
insiiiuiçao ¡oriugucsa dc dirciio ¡rivado
c uiilidadc ¡ullica, cujos fins
csiaiuiarios sao a Educaçao, a Cicncia, a
Dcncficcncia (Saudc c Proicçao Social} c
as Arics. Criada ¡or dis¡osiçao
icsiancniaria dc Calousic Sarlis
Cullcnlian, os scus csiaiuios foran
a¡rovados cn 1956. A Fundaçao icn a
sua scdc cn Lisloa. Na ¡rossccuçao dos
scus fins csiaiuiarios a Fundaçao
¡ronovc c a¡oia a rcalizaçao dc
cסosiçõcs, cursos, cnconiros c
coloquios, conccrios, ciclos dc
cs¡ciaculos dos nais variados gcncros;
airilui sulsídios a ¡rojcios, conccdc
8
lolsas dc csiudo, a¡oia ¡rogranas dc
naiurcza cicniífica, cducacional c
ariísiica ianio cn Poriugal cono no
csirangciro. Sao in¡orianics os ¡rojcios
dc coo¡craçao con os ¡aíscs africanos
lusofonos c ianlcn, dcsdc 1999, cn
Tinor-Lorosac (Scrviço da Coo¡craçao
¡ara o Dcscnvolvincnio}, os dc
¡rcscrvaçao dos icsicnunIos da
¡rcscnça ¡oriugucsa no nundo c os dc
divulgaçao da culiura ¡oriugucsa no
csirangciro (anlos no anliio da açao do
Scrviço Inicrnacional}, lcn cono os dc
a¡oio à dias¡ora arncnia (Scrviço das
Conunidadcs Arncnias}. A Fundaçao
nanicn cn iodo o País un conjunio dc
lillioiccas. Na arca dc inicrvcnçao do
Scrviço dc Saudc c Proicçao Social c
rclcvanic a sua açao junio dos Ios¡iiais
¡oriugucscs. No can¡o das cdiçõcs, a
Fundaçao dcscnvolvc una inicnsa
aiividadc (¡rinci¡alncnic airavcs do
Scrviço dc Educaçao c Dolsas}."
O lciior csia cordialncnic convidado a visiiar
o wclsiic da Fundaçao, ¡ara conIcccr un ¡ouco
nais dos rclcvanics scrviços ¡or cla ¡rcsiados a
Poriugal, aos ¡aíscs dc língua ¡oriugucsa c à
Iunanidadc.
Sobre o Tradutor:
9
O Profcssor Douior Joaquin Fcrrcira Concs,
da Faculdadc dc Lciras dc Coinlra c dc ianias
ouiras insiiiuiçõcs, c nonc quc dis¡cnsa
a¡rcscniaçao ¡ara os cducadorcs lrasilciros.
Para conIccc-lo nclIor, c sur¡rccndcr-sc con
suas coniriluiçõcs ¡ara o conIccincnio Iunano,
lasia una ra¡ida ¡csquisa no Cooglc, no Sa¡o,
ou qualqucr ouira fcrrancnia dc lusca.
Fcconcndanos, ainda, a lciiura do Ensuíos
cn Honcnugcn u Jouquín Fc¡¡cí¡u Goncs,
¡ullicado cn Scicnlro dc 1998, ¡or ocasiao do
scu julilcu acadcnico. ºTraia-sc da colcianca dc
ariigos cscriios ¡or alguns dos scus aniigos
alunos, ¡or colcgas c anigos dc varias
Univcrsidadcs ¡oriugucsas c csirangciras, cn
rcconIccincnio do coniriluio nuiio significaiivo
quc dcu ¡ara o dcscnvolvincnio da Psicologia c
das Cicncias da Educaçao cn Poriugal."
E nao a¡cnas a Poriugal! Nos, no Drasil, lIc
dcvcnos nuiio, nuiio, inclusivc a naravilIosa
iraduçao da olra quc vocc vai lcr.
10

DIDÁTICA
MAGNA

COMENIUS
11

DIDÁTICA MAGNA

Traiado da Aric Univcrsal dc Ensinar Tudo a
Todos

ou
Proccsso scguro c c×cclcnic dc insiiiuir, cn
iodas as conunidadcs dc qualqucr Fcino crisiao,
cidadcs c aldcias, cscolas iais quc ioda a
juvcniudc dc un c dc ouiro sc×o, scn c×cciuar
ningucn cn sivciaric alguna, ¡ossa scr fornada
nos csiudos, cducada nos lons cosiuncs,
in¡rcgnada dc ¡icdadc, c, dcsia nancira, ¡ossa
scr, nos anos da ¡ulcrdadc, insiruída cn iudo o
quc diz rcs¡ciio à vida ¡rcscnic c à fuiura, con
ccononia dc icn¡o c dc fadiga, con agrado c con
solidcz.
Ondc os ¡unduncntos dc iodas as coisas quc
sc aconsclIan sao iirados da ¡ro¡ria naiurcza
das coisas; a sua uc¡dudc c dcnonsirada con
c×cn¡los ¡aralclos das arics nccanicas; o cu¡so
dos cstudos c disiriluído ¡or anos, ncscs, dias c
Ioras; c, cnfin, c indicado un caninIo facil c
scguro dc ¡ór csias coisas cn ¡raiica con lon
rcsuliado.
12
A ¡roa c a ¡o¡a da nossa Dídutícu scra
invcsiigar c dcscolrir o nciodo scgundo o qual os
¡rofcssorcs cnsincn ncnos c os csiudanics
a¡rcndan nais; nas cscolas, Iaja ncnos
larulIo, ncnos cnfado, ncnos iralalIo inuiil, c,
ao conirario, Iaja nais rccolIincnio, nais
airaiivo c nais solido ¡rogrcsso; na Crisiandadc,
Iaja ncnos ircvas, ncnos confusao, ncnos
dissídios, c nais luz, nais ordcn, nais ¡az c
nais iranquilidadc.
Çuc Dcus tcnIu ¡ícdudc dc nòs c nos
uIcnçoc! Fuçu I¡ííIu¡ soI¡c nòs u íuz du suu ¡ucc
c tcnIu ¡ícdudc dc nòs! Pu¡u quc soI¡c cstu tc¡¡u
¡ossunos conIccc¡ o tcu cunínIo, ò ScnIo¡, c u
tuu u¡udu suíutu¡ u todus us gcntcs (Salno 66, 1-
2}.
13

SAUDAÇÃO AOS LEITORES

1. Didaiica significa aric dc cnsinar. Accrca dcsia
aric, dcsdc Ia ¡ouco icn¡o, alguns Ioncns
cnincnics, iocados dc ¡icdadc ¡clos alunos
condcnados a rclolar o rocIcdo dc Sísifo,
¡uscran-sc a fazcr invcsiigaçõcs, con rcsuliados
difcrcnics.
2. Alguns csforçaran-sc ¡or arranjar con¡cndios
a¡cnas ¡ara cnsinar nais facilncnic, csia ou
aqucla língua. Ouiros ¡rocuraran cnconirar os
nciodos nais lrcvcs ¡ara cnsinar, nais
ra¡idancnic, csia ou aqucla cicncia ou aric.
Ouiros fizcran ouiras icniaiivas. Quasc iodos ¡or
ncio dc algunas olscrvaçõcs c×icrnas rccolIidas
con o nciodo nais facil, ou scja, con o nciodo
¡raiico, isio c, u ¡ostc¡ío¡í, cono lIc cIanan.
3. Nos ousanos ¡roncicr una Dídutícu Mugnu,
isio c, un nciodo univcrsal dc cnsinar iudo a
iodos. E dc cnsinar con ial ccricza, quc scja
in¡ossívcl nao conscguir lons rcsuliados. E dc
cnsinar ¡u¡íduncntc, ou scja, scn ncnIun
cnfado c scn ncnIun alorrccincnio ¡ara os
alunos c ¡ara os ¡rofcssorcs, nas anics con
suno ¡razcr ¡ara uns c ¡ara ouiros. E dc cnsinar
soííduncntc, nao su¡crficialncnic c a¡cnas con
14
¡alavras, nas cncaninIando os alunos ¡ara una
vcrdadcira insiruçao, ¡ara os lons cosiuncs c
¡ara a ¡icdadc sinccra. Enfin, dcnonsirarcnos
iodas csias coisas u ¡¡ío¡í, isio c, dcrivando-as da
¡ro¡ria naiurcza inuiavcl das coisas, cono dc
una fonic viva quc ¡roduz cicrnos arroios quc
vao, dc novo, rcunir-sc nun unico rio; assin
csialclcccnos un nciodo univcrsal dc fundar
cscolas univcrsais.
4. Na vcrdadc, a ¡roncssa quc fazcnos c cnornc
c corrcs¡ondc a un dcscjo nuiio vivo, nas
¡odcnos facilncnic inaginar quc Iavcra ¡cssoas
quc ncla vcrao nais un sonIo quc un ¡ro¡osiio
fundado na rcalidadc. No cnianio, qucn qucr quc
iu scjas, lciior, sus¡cndc o icu juízo, aic quc
icnIas conIccido a sulsiancia das coisas; cniao
icras a lilcrdadc, nao soncnic dc julgar, nas
ianlcn dc ic ¡ronunciarcs. Con cfciio, cu nao
dcscjo, ¡ara nao dizcr quc nao anliciono,
arrasiar ningucn, con os ariifícios da ¡crsuasao,
a dar o scu asscniincnio a una coisa quc nao
ofcrccc qualqucr ccricza. Mas, con ioda a alna,
advirio, c×orio c su¡lico, a qucn qucr quc olIc o
nosso iralalIo, quc nclc fi×c o scu ¡ro¡rio olIar c
quc o fi×c con ioda a sua ¡cnciraçao, ¡ois c o
unico ncio dc sc nao dci×ar ¡criurlar ¡clas
o¡iniõcs fascinanics dc ouircn.
5. O assunio c rcalncnic da nais scria
in¡oriancia c, assin cono iodos dcvcn augurar
15
quc clc sc concrciizc, assin ianlcn iodos dcvcn
c×anina-lo con lon scnso, c iodos, unindo as
suas ¡ro¡rias forças, o dcvcn in¡ulsionar, ¡ois
dclc dc¡cndc a salvaçao dc iodo o gcncro
Iunano. Quc ¡rcscnic nais lclo c naior
¡odcnos nos ofcrcccr à Pairia quc o dc insiruir c
cducar a juvcniudc, ¡rinci¡alncnic quando,
¡clos cosiuncs c ¡clas condiçõcs dos icn¡os
aiuais, a juvcniudc, cono diz Cíccro|1|, cnirou
nun ial caninIo quc, con os csforços dc iodos,
dcvc scr iravada c rcfrcada? Fili¡c MclancIion,
con cfciio, cscrcvcu quc a cducaçao ¡crfciia da
juvcniudc c coisa un ¡ouco nais difícil quc a
ionada dc Troia|2|. E S. Crcgorio Nazianzcno
¡cnsa da ncsna nancira quando diz.

isio c, a aric das arics csia cn fornar o Ioncn,
o qual c o nais vcrsaiil c o nais con¡lc×o dc
iodos os aninais|3|.
6. Ensinar a aric das arics c, ¡orianio, un
iralalIo scrio c c×igc ¡crs¡icacia dc juizo, c nao
a¡cnas dc un so Ioncn, nas dc nuiios, ¡ois
un so Ioncn nao ¡odc csiar iao aicnio quc lIc
nao ¡asscn dcsa¡crcclidas nuiiíssinas coisas.
7. É ¡or isso quc, con razao, ¡cço aos ncus
lciiorcs, nais ainda, cn nonc da salvaçao do
gcncro Iunano, su¡lico a iodos aquclcs quc
16
iivcrcn ocasiao dc lançar un olIar solrc a
ninIa olra. ¡rinciro, quc nao in¡uicn à
¡rcsunçao o faio dc icr Iavido algucn quc, nao
a¡cnas icnIa icniado, nas ousado ¡roncicr
lcvar a lon icrno iao grandc cn¡rcsa, ¡ois csia
foi cn¡rccndida con un oljciivo saluiar.
Scgundo, quc nao dcscs¡crcn sc a cסcricncia
nao rcsuliar logo ao ¡rinciro cnsaio, c nao dcr
con¡lciancnic os rcsuliados dcscjados. É
ncccssario, con cfciio, quc ¡rinciro gcrnincn as
scncnics das coisas; csias virao a scguir,
gradualncnic, scgundo a sua naiurcza. Por nais
in¡crfciia quc scja a ninIa icniaiiva c nao
cIcguc a aiingir o oljciivo quc cu nc Iavia
¡ro¡osio, o ncu c×cn¡lo irara, iodavia, ao
ncnos, a ¡rova dc quc foi ¡crcorrida una longa
cia¡a quc janais Iavia sido ¡crcorrida c quc o
cunc a cscalar csia nais ¡ro×ino quc aic aqui.
Enfin, ¡cço aos ncus lciiorcs quc ¡rcsicn
aicnçao, scjan corajosos c julgucn con lilcrdadc
c ¡crs¡icacia, cono convcn nas coisas da
na×ina in¡oriancia. Diio isio, c ncu dcvcr, ¡or
un lado, indicar cn ¡oucas ¡alavras aquilo quc
nc ¡ro¡orcionou a ocasiao dc cn¡rccndcr csic
iralalIo, c, ¡or ouiro lado, rcsunir as ¡rinci¡ais
caracicrísiicas das novidadcs quc clc conicn,
anics dc o cnircgar, con inicira confiança, à loa
fc c às ulicriorcs invcsiigaçõcs dc iodos aquclcs
quc julgan con scnsaicz.
17
8. Esia aric dc cnsinar c dc a¡rcndcr, lcvada ao
¡onio dc ¡crfciçao quc ¡arccc agora csforçar-sc
¡or aiingir, foi, cn loa ¡aric, dcsconIccida nos
scculos ¡assados c, ¡or cssc faio, os csiudos c as
cscolas curvavan ao ¡cso dc fadigas c dc
ca¡ricIos, dc Icsiiaçõcs c dc ilusõcs, dc crros c
dc falias, dc ial nancira quc a¡cnas ¡odian
adquirir, à força dc luiar, una insiruçao solida,
aquclcs quc iinIan a fclicidadc dc ¡ossuir una
inicligcncia divina.
9. Mas, dcsdc Ia algun icn¡o, Dcus concçou a
¡ro¡iciar-sc do scculo nasccnic, vcrdadcirancnic
novo, dirci quasc una aurora, c susciiou, na
AlcnanIa, alguns Ioncns dc lcn quc,
dcsgosiosos con a confusao dos nciodos
uiilizados nas cscolas, sc ¡uscran a invcsiigar
un nciodo nais curio c nais facil ¡ara cnsinar
as línguas c as arics; dc¡ois dos ¡rinciros vicran
ouiros, c ¡rccisancnic ¡or isso alguns oliivcran
succsso naior quc ouiros, cono sc rcvcla
cvidcnic ¡clos livros c cnsaios didaiicos ¡or clcs
¡ullicados.
10. Qucro rcfcrir-nc a Failc|4|, Lulin|5|,
Hclwig|6|, Fiiicr|7|, Dodin|8|, Claun|9|, Vogcl|10|,
Wolfsiirn|11| c àquclc quc dcvcria scr noncado
cnirc os ¡rinciros, Joao Valcniin Andrca|12| (o
qual, assin cono ¡ós a claro os nalcs da Igrcja c
do Esiado, assin ianlcn, aqui c alcn, nos scus
cscriios ¡uros cono ouro, nosirou os nalcs das
18
cscolas c, cn varios lugarcs, indicou os
rcncdios}, c a ouiros, sc os Ia, os quais nos sao
ainda dcsconIccidos. A ¡ro¡ria França concçou
a rclolar cssc rocIcdo, quando Jcan-Cccilc
Frcy|13| ¡ullicou, cn Paris, cn 1629, una
c×cclcnic didaiica, sol o iíiulo Nouo c ¡u¡ídìssíno
nctodo quc conduz us cícncíus díuínus, us u¡tcs,
us íìnguus c uos díscu¡sos ín¡¡ouísudos.
11. Tcndo-sc-nc a¡rcscniado a ocasiao dc ioda a
¡aric, ¡us-nc a lcr os livros dcsscs cscriiorcs; c
sc disscssc quanio ¡razcr cסcrincnici c cono
foran grandcncnic aliviadas as dorcs cn nin
¡rovocadas ¡cla ruína da ninIa ¡airia c ¡clo
irisic csiado dc ioda a Ccrnania, ningucn nc
acrcdiiaria. Conccci, na vcrdadc, a cs¡crar quc a
Providcncia divina nao fazia coincidir cn vao
iodos csscs inforiunios, una vcz quc, à ruína das
vclIas cscolas corrcs¡ondia, ao ncsno icn¡o, a
cclosao dc cscolas novas no quadro dc ¡rojcios
novos. Con cfciio, qucn ¡rojcia consiruir un
novo cdifício concça Ialiiualncnic ¡or a¡lanar o
icrrcno, indo aic à dcnoliçao do vclIo cdifício,
¡ouco cónodo c a ancaçar ruína.
12. Esic ¡cnsancnio dcs¡criava cn nin una
lcla cs¡crança acon¡anIada dc un docc ¡razcr;
nas, a scguir, a¡crccli-nc dc quc, ¡ouco a
¡ouco, a cs¡crança sc diluía, una vcz quc,
qucrcndo dcscniulIar o icrrcno con¡lciancnic,
19
dc lai×o aic cina, julgava nao scr ca¡az dc iao
grandc cn¡rcsa.
13. Por isso, dcscjando ¡ossuir infornaçõcs nais
con¡lcias solrc ccrios ¡onios c dar a ninIa
o¡iniao solrc alguns ouiros, cscrcvi a un, a un
ouiro c dc¡ois a un icrcciro dos auiorcs airas
ciiados, nas cn vao, ¡ois, ¡or un lado, quasc
iodos guardaran ciosancnic scgrcdo a rcs¡ciio
das suas dcscolcrias c, ¡or ouiro lado, as
ninIas carias foran-nc dcvolvidas scn rcs¡osia,
¡orquc os dcsiinaiarios cran dcsconIccidos no
cndcrcço indicado.
14. So un dclcs, o cnincnic J. V. Andrca, nc
rcs¡ondcu, dizcndo quc, dc lon grado, nc daria
quaisqucr csclarccincnios, c cncorajando a
ousadia do ncu cn¡rccndincnio. Foi assin quc,
¡icado, ¡or assin dizcr, ¡cla cs¡ora, nc ¡us dc
novo a ¡cnsar nais frcqucnicncnic ncsic
iralalIo c quc, finalncnic, un ardcnic anor do
lcn ¡ullico nc olrigou a icniar a cn¡rcsa,
concçando ¡clos fundancnios.
15. Posias, ¡orianio, dc lado as dcscolcrias, as
o¡iniõcs, as olscrvaçõcs c as advcricncias dos
ouiros, dccidi-nc a rcfazcr iudo ¡or nin ncsno
c a c×aninar o assunio c a ¡rocurar as causas,
os nciodos, os ¡roccssos c os fins daquilo quc,
con Tcriuliano|14|, cIananos, sc isso nos c
liciio, u¡¡cndízugcn (disccniia}.
20
16. Dai nasccu csic ncu iraiado, ondc o icna c,
assin o cs¡cro, dcscnvolvido nais longancnic c
nais clarancnic do quc nunca o foi aic ao
¡rcscnic. Escriio inicialncnic cn vcrnaculo, ¡ara
uso do ncu ¡ovo, sai agora, a consclIo dc alguns
Ioncns cnincnics, vcriido cn laiin, ¡ara quc, sc
¡ossívcl, a¡rovciic a iodos.
17. Con cfciio, a caridadc nanda quc o quc Dcus
nanifcsiou ¡ara salvaçao do gcncro Iunano
(assin fala o cnincnic Lulin da sua Dídutícu|15|,
sc nao csconda dos noriais, nas sc nanifcsic a
iodo o nundo. Efciivancnic, c da naiurcza dc
iodos os lcns (coniinua o ncsno Lulin} quc
scjan conunicados a iodos; c quanio nais c a
riqucza c sc ¡õc cn conun, ianio nclIor c c
ianio nais calc a iodos.
18. É ianlcn una lci dc Iunanidadc quc, sc sc
conIccc qualqucr ncio dc ir cn au×ilio do
¡ro×ino ¡ara o iirar das suas dificuldadcs, nao sc
dcvc Icsiiar; solrciudo quando sc iraia, nao dc
un Ioncn so, nas dc nuiios, c nao a¡cnas dc
nuiios Ioncns, nas dc nuiias cidadcs,
¡rovíncias c rcinos c, digo aic, do gcncro Iunano
iniciro, cono c o caso ¡rcscnic.
19. Sc, iodavia, Iouvcr algun cs¡íriio iao
in¡criincnic quc ¡cnsc quc c coisa csiranIa à
vocaçao dc un icologo csiudar os ¡rollcnas
cscolarcs, saila quc cssc cscru¡ulo ¡csou iao
21
foricncnic solrc o ncu coraçao a ¡onio dc o
fazcr sangrar. A¡crccli-nc, ¡orcn, dc quc nao
¡odcria lilcriar-nc dclc dc ouira nancira scnao
¡rcsiando Ioncnagcn a Dcus c ¡cdindo
¡ullicancnic consclIo a iodos accrca dc iudo
aquilo quc una iniuiçao divina nc sugcriu.
20. Dci×ai-nc, o alnas crisias, falar-vos con ioda
a confiança! Qucn nc conIccc nuiio dc ¡crio
salc nuiio lcn quc sou Ioncn dc fraca
inicligcncia c quasc dc ncnIuna insiruçao; c
salc ianlcn quc cIoro os inforiunios da nossa
c¡oca c dcscjo vivancnic su¡rir, sc isso c
¡ossívcl, qucr con as ninIas invcnçõcs, qucr
con as dos ouiros (iodas as invcnçõcs dcrivan,
dc rcsio, do nosso lon Dcus}, a iudo o quc nos
falia dc nais in¡orianic.
21. Sc, ¡orianio, cnconirci agora alguna loa
idcia, cla nao dcvc scr ninIa, nas d'Aquclc quc
cosiuna olicr louvorcs da loca das crianças|16|,
c quc, ¡ara sc nosirar dc faio ficl, vcraz c
lcnigno, da a qucn ¡cdc, alrc a qucn laic c
ofcrccc a qucn ¡rocura (Luc., II, 9}, ¡orquc aic
nos cunulanos dc dons aquclcs ¡or qucn dclcs
fonos ianlcn cunulados. O ncu Crisio salc
quc icnIo un coraçao iao sin¡lcs quc nao Ia
¡ara nin difcrcnça alguna cnirc cnsinar c scr
cnsinado, advcriir c scr advcriido, cnirc scr
ncsirc dos ncsircs (sc nc c líciio falar assin} c
22
discí¡ulo dos discí¡ulos (sc acaso ¡osso cs¡crar
algun ¡rogrcsso}.
22. Por isso, as olscrvaçõcs quc o ScnIor nc
conccdcu fazcr, cis quc as ¡onIo cn ¡ullico c cn
conun con iodos.
23. Sc algucn cnconirar nclIor, faça o ncsno,
¡ara nao scr acusado ¡clo ScnIor dc colocar os
scus dinIciros no cofrc c dc os cscondcr, ¡ois o
ScnIor qucr quc os scus scrvos ncgoccicn, ¡ara
quc os dinIciros dc cada un dclcs, ¡osios no
lanco, rcndan ouiros dinIciros (Luc., 19}.
E íìcíto, ¡oí íìcíto c scn¡¡c sc¡u íìcíto ¡¡ocu¡u¡
us coísus g¡undcs. E nuncu sc¡u cn uuo o t¡uIuíIo
concçudo cn nonc do ScnIo¡.
23

A TODOS AQUELES
QUE PRESIDEM ÀS COISAS HUMANAS,
AOS MINISTROS DE ESTADO,
AOS PASTORES DAS IGREJAS,
AOS DIRETORES DAS ESCOLAS,
AOS PAIS E AOS TUTORES,
SEJA DADA A GRAÇA E A PAZ DE DEUS,
PAI DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO,
NO ESPÍRITO SANTO

As duus nuís cxccícntcs oI¡us du c¡íuçuo. o
¡u¡uìso c o Ioncn.
1. Dcus, no ¡rincí¡io do nundo, criou o Ioncn,
¡lasnando-o con a icrra, c colocou-o nun
¡araíso dc dclícias, ¡or Elc ¡laniado no Oricnic,
nao so ¡ara quc o guardassc c culiivassc
(Gcncsís, 2, 15}, nas ianlcn ¡ara quc clc
¡ro¡rio fossc ¡ara o scu Dcus un jardin dc
dclícias.
Con¡u¡uçuo cnt¡c o Ioncn c o ¡u¡uìso.
2. Na vcrdadc, assin cono o ¡araíso cra a ¡aric
nais ancna do nundo, assin o Ioncn cra a
nais anada das criaiuras. O ¡araíso foi ¡laniado
a Oricnic; o Ioncn, à inagcn d'Aquclc quc icvc
origcn dcsdc o ¡rincí¡io, dcsdc os dias da
cicrnidadc. No ¡araíso, crcsccran iodas as
¡lanias lclas ¡ara scrcn visias, c dcliciosas ¡ara
24
scrcn conidas, cscolIidas cnirc iodas aquclas
quc csiavan cs¡a1Iadas, aqui c alcn, ¡or ioda a
icrra; no Ioncn, foran acunulados, ¡or assin
dizcr, cono nun so nonic, iodos os clcncnios do
nundo, iodas as fornas c iodos os graus das
fornas, ¡ara quc nanifcsiassc ioda a aric da
divina salcdoria. O ¡araíso iinIa a arvorc da
cicncia do lcn c do nal; o Ioncn icn a ncnic
¡ara disiinguir c a voniadc ¡ara cscolIcr o quc
c×isic dc lcn ou dc nal. No ¡araíso, c×isiia a
arvorc dc vida; no Ioncn, c×isic ianlcn a
arvorc da inorialidadc, ou scja, a salcdoria dc
Dcus, a qual colocou no Ioncn raízcs cicrnas
(Ecícsíustíco, I, 16}. Dcssc lugar dc dclícias, saía
un rio, quc rcgava o ¡araíso c dc¡ois sc dividia
cn quairo ranos ¡rinci¡ais (Gcncsís, 2, 10}; no
coraçao do Ioncn, conflucn varios dons do
Es¡íriio Sanio, quc vao irriga-lo, c dc¡ois, do scu
scio, lroian rios dc agua viva (S. Jouo, 7, 38},
isio c, no Ioncn c ¡or olra do Ioncn, difundc-
sc, dc varios nodos, a salcdoria dc Dcus, cono
rios quc sc dcrranan cn iodas as dircçõcs. Isio c
aicsiado ianlcn ¡clo A¡osiolo, quando afirna
quc, ¡or ncio da Igrcja, sc iorna nanifcsia aos
¡rinci¡ados c às ¡oicsiadcs dos ccus a
nuliifornc salcdoria dc Dcus (E¡csíos, 3, 10}.
3. Vcrdadcirancnic, ¡orianio, cada Ioncn c
¡ara o scu Dcus un ¡araíso dc dclícias, sc sc
nanicn no lugar quc lIc foi narcado. Dc nodo
scnclIanic, ianlcn a Igrcja, quc c a
25
conunidadc dc iodos os Ioncns consagrados a
Dcus, c, nuiias vczcs, con¡arada, na Sagrada
Escriiura, ao ¡araíso, ao jardin c à vinIa dc
Dcus.
Pc¡du dc unIos os ¡u¡uìsos
4. Mas quc dcsvcniura foi a nossa! Esiavanos no
¡araíso das dclícias cor¡orais, c ¡crdcno-lo; c, ao
ncsno icn¡o, ¡crdcnos o ¡araíso das dclícias
cs¡iriiuais, quc cranos nos ncsnos. Fonos
cסulsos ¡ara as solidõcs da icrra, c iornano-nos
nos ¡ro¡rios una solidao c un auicniico dcscrio
cscuro c csqualido. Con cfciio, fonos ingraios
¡ara con aquclcs lcns, dos quais, no ¡araíso,
Dcus nos Iavia cunulado con alundancia
rclaiivancnic à alna c ao cor¡o; ncrccidancnic,
¡orianio, fonos dcs¡ojados dc uns c dc ouiros, c
a nossa alna c o nosso cor¡o iornaran-sc o alvo
das dcsgraças.
Dcus íuncntu-sc dísso.
5. Accrca dcsics faios, ouçanos un ¡rofcia, quc
fala alcgoricancnic a un rci dc Tiro, solcrlo c
condcnado a scr ¡unido ¡cla sua solcrla. «Tu
vivias no ncio das dclícias do ¡araíso dc Dcus; c
o icu vcsiido csiava ornado dc ioda a casia dc
¡cdras ¡rcciosas. o sardio, o io¡azio, o jas¡c, o
crisoliio, a cornclina, o lcrilo, a safira, o
carlunculo, a csncralda, juniancnic con oljcios
dc ouro. Tín¡anos c gaiias dc folcs foran
26
¡rc¡arados, no dia cn quc fosic fciio rci, ¡ara
iocarcn cn iua Ionra. Tu cras un qucrulin c
¡or isso ic ungi cono ¡roicior (scnIor das ouiras
criaiuras}; ¡or isso ic fiz cIcfc; vivias no nonic
sanio dc Dcus c caninIavas no ncio dc ¡cdras
¡rcciosas inccssanicncnic flancjanics. Andando
¡clos icus caninIos, cras ¡crfciio dcsdc o dia da
iua assunçao ao rcino, aic quc foi cnconirada cn
ii a iniquidadc! Na nuliidao das iuas iraficancias,
as iuas vísccras cncIcran-sc dc iniquidadc c
concicsic ¡ccados. Por isso ic cסulsci do nonic
dc Dcus, ic cnircguci à ruína, cic. Quando o icu
coraçao sc cncIcu dc solcrla con a iua
nagnificcncia, iu ¡crdcsic a salcdoria, c cu
lancci-ic ¡or icrra, cic.» (Ezcquící, 28, 12 c ss.}.
Nun noncnio da sua jusia indignaçao, lançou-
nos ¡or icrra c cסulsounos, c assin, cnlora
fósscnos cono un jardin do Édcn, doravanic
iornano-nos cono una solidao do dcscrio.
Hcconquístu do nosso ¡u¡uìso ¡o¡ ncío du g¡uçu
dc Dcus.
6. Scja glorificado c louvado c Ionrado c lcndiio
¡ara scn¡rc o nosso niscricordioso Dcus quc,
cnlora nos icnIa alandonado ¡or un ccrio
icn¡o, iodavia, nao nos dci×ou na solidao
cicrnancnic; ¡clo conirario, nanifcsiando a sua
salcdoria, ncdianic a qual dclincou o ccu c a
icrra c iodas as ouiras coisas, con a sua
niscricordia foriificou, dc novo, o scu
27
alandonado ¡araíso, ou scja, o gcncro Iunano; c
assin, con o nacIado c a scrra c a foicc da sua
lci, coriadas ¡clo ¡c c ¡odadas as arvorcs ncio
norias c sccas do nosso coraçao, aí ¡laniou
novos rclcnios cscolIidos no ¡araíso cclcsic; c
¡ara quc csics ¡udcsscn ¡cgar c crcsccr, irrigou-
os con o scu ¡ro¡rio sanguc, c nunca nais
dci×ou dc os rcgar con varios dons do scu
Es¡íriio Sanio, quc sao cono quc arroios dc agua
viva; c nandou ianlcn os scus o¡crarios,
jardinciros cs¡iriiuais, a iraiar con cuidado ficl a
nova ¡laniaçao dc Dcus. Efciivancnic, assin fala
Dcus a Isaías c, na ¡cssoa dclc, a ouiros. «Pus as
ninIas ¡alavras na iua loca c ¡roicgi-ic con a
sonlra da ninIa nao, ¡ara quc ¡lanics os ccus
c fundcs a icrra c digas a Siao. o ncu ¡ovo cs iu»
(Isuìus, 51, 16}.
A Ig¡c¡u ¡cuc¡dccc o ¡u¡uìso.
7. Vcrdcja, ¡orianio, ouira vcz, o jardin da Igrcja,
dclícia do coraçao divino, cono dc novo diz Isaías
(51, 3}. «O ScnIor consolara, ¡ois, Siao, c
consolara iodas as suas ruínas; c iransfornara o
scu dcscrio nun lugar dc dclícias c a sua solidao
nun jardin do ScnIor. Ai Iavcra gozo c alcgria,
açao dc graças c vozcs dc louvor». E cn Salonao.
«Jardin con¡lciancnic fccIado, irna ninIa,
ninIa cs¡osa; jardin con¡lciancnic fccIado,
fonic sclada. As iuas ¡lanias fornan un jardin
dc dclícias cIcio dc ioda a qualidadc dc ronas, dc
28
fruios dc ci¡rc c dc nardo, cic.» (Cuntíco dos
Cuntícos, 4, 12-13}. Fcs¡ondc-lIc a cs¡osa, a
Igrcja. «Tu, a fonic dos jardins, o ¡oço das aguas
vivas, quc con ín¡cio corrcn do Lílano!
Lcvania-ic, aquilao, c vcn iu, vcnio do ncio-dia,
asso¡ra dc iodos os lados no ncu jardin, c
cs¡alIcn-sc os scus aronas. Quc o ncu anado
vcnIa ¡ara o jardin c cona as suas fruias
¡rcciosas» (IIíd., 15, 16 c 17}.
Con o undu¡ do tcn¡o, ¡o¡cn, us ¡íuntus
nu¡cIun.
8. Mas, vcrdadcirancnic, csia nova ¡laniaçao
icvc un succsso corrcs¡ondcnic às cs¡cranças
ncla dc¡osiiadas? Todos os rclcnios crcsccn
lcn? Todas as arvorcs as ¡lanias da nova
¡laniaçao ¡roduzcn nardo c açafrao, ou nirra,
ou aronas, ou fruios ¡rcciosos?|1|. Ouçanos a
voz dc Dcus, quc fala à sua Igrcja. «Eu ¡lanici-ic,
o vinIa, con sarncnios iodos dc loa qualidadc.
Cono, ¡ois, dcgcncrasic ¡ara nin, convcricndo-
ic cn vinIa lasiarda?» (Jc¡cníus, 2, 21}. Eis
Dcus quc sc lancnia, dizcndo quc ianlcn csia
nova ¡laniaçao sc alasiardou!
Çucíxus dc Dcus c dos Ioncns suIíos ucc¡cu
dcstc ussunto.
9. A Sagrada Escriiura csia cIcia dc quci×as
scnclIanics. csiao cIcios dc iodo o gcncro dc
confusao os olIos dc iodos aquclcs quc alguna
29
vcz sc dis¡uscran a c×aninar as condiçõcs
Iunanas c ianlcn as da Igrcja. O nais salio
dos Ioncns, Salonao, rcflciindo ¡rofundancnic
cn iudo o quc aconiccc sol o sol, ncsno nas
coisas ¡or clc ncsno ¡cnsadas, diias c fciias,
concçou a dc¡lorar quc «nunca sc lIc
a¡rcscniassc à ncnic ouira coisa scnao vaidadc c
dcsordcn; quc as ¡crvcrsidadcs sc nao ¡udcsscn
corrigir c os dcfciios cnuncrar» (Ecícsíustcs, I,
15}. Dc ial nancira quc aic «a vcrdadcira
salcdoria c una afliçao do cs¡íriio c nulii¡lica a
indignaçao c a dcsgraça» (IIíd., 8}.
Po¡quc c quc o ¡ouo nuo sc cu¡u dcstus coísus.
10. Con cfciio, assin cono qucn ignora quc icn
una docnça, nao a cura; qucn nao scnic dorcs,
nao sc lancnia; qucn nao sc a¡crcclc do ¡crigo,
nao sc arrc¡ia, ncsno quc csicja solrc un
alisno ou solrc un ¡rcci¡ício; assin ianlcn
nao c dc adnirar quc as dcsordcns, quc corrocn
o gcncro Iunano c a Igrcja, nao façan in¡rcssao
a qucn as nao considcra. Mas qucn sc vc a si
ncsno, c os ouiros, colcrios dc infiniias
nancIas, c scnic ja quc as suas ulccras c as dos
ouiros su¡uran cada vcz nais, c icn o nariz
cIcio do icrrívcl odor quc dclas sai; qucn sc vc a
si c aos ouiros csiar no ncio dc ¡cricolusíssinas
voragcns c dcs¡cnIadciros, c girar cnirc laços
icnsos; nais ainda, qucn sc vc conduzido ¡or
¡rcci¡ícios ininicrru¡ios, c quc csic c aquclc sc
30
¡rcci¡iiaran ja, c difícil quc nao sc arrc¡ic, quc
nao sc sinia aicrrado, quc nao norra dc dor.
Dcnost¡u-sc ¡o¡ índuçuo quc tudo o quc nos
¡c¡tcncc cstu ¡c¡uc¡tído c dc¡¡uuudo.
11. Na vcrdadc, do quc c×isic cn nos ou do quc a
nos ¡cricncc, Iavcra algo quc csicja no scu
dcvido lugar ou no scu csiado? Nada, cn ¡aric
alguna. Invcriido c csiragado, iudo csia
dcsiruído ou arruinado. No lugar da inicligcncia,
¡cla qual dcvcrcnos igualar os anjos, csia, na
naior ¡aric dc nos, una csiu¡idcz iao grandc
quc, ¡rccisancnic cono os aninais lruios,
ignoranos aic as coisas quc nais ncccssidadc
icnos dc salcr. No lugar da ¡rudcncia, ¡cla qual,
scndo nos dcsiinados à cicrnidadc, dcvcrcnos
¡rc¡arar-nos ¡ara a cicrnidadc, csia un iao
grandc csquccincnio, nao so da cicrnidadc, nas
aic da noric, quc a naior ¡aric dos Ioncns sao
¡rcsa dc coisas icrrcnas c ¡assagciras c aic dc
inincniíssina noric. No lugar da salcdoria
cclcsic, ¡cla qual nos fora conccdido rcconIcccr c
vcncrar os as¡ccios oiinos das coisas oiinas c
salorcar, ¡or isso, os scus fruios dulcíssinos,
csia una rc¡ugnaniíssina avcrsao àquclc Dcus
quc nos da a vida, o novincnio c o scr|2|, c una
csiuliíssina irriiaçao conira a sua divina
¡oicncia. No lugar do anor nuiuo c da
nansidao, csiao odios rccí¡rocos, ininizadcs,
gucrras c carnificinas. No lugar da jusiiça, csia a
31
iniquidadc, a injusiiça, as o¡rcssõcs, os furios c
as ra¡inas. No lugar da casiidadc, csia a
in¡urcza c a olsccnidadc dos ¡cnsancnios, das
¡alavras c das açõcs. No lugar da sin¡licidadc c
da vcracidadc, csiao as ncniiras, as fraudcs c os
cnganos. No lugar da Iunildadc, csia o fausio c a
solcrla dc uns ¡ara con os ouiros.
E nòs cstunos con¡íctuncntc ¡c¡dídos.
12. Ai dc ii, infcliz gcraçao, quc dcgcncrasic
ianio! «O ScnIor olIa do ccu ¡ara os filIos dos
Ioncns, ¡ara vcr sc Ia qucn icnIa ¡rudcncia c
lusquc a Dcus. Todos à una sc c×iraviaran c sc
¡crvcricran; nao Ia qucn faça o lcn, nao Ia
scqucr un» (Suíno 13, 2-3}. Mcsno aquclcs quc
sc a¡rcscnian cono guias dc ouiros scgucn ¡or
caninIos naus c ioriuosos; aquclcs quc
dcvcrian scr ¡oriadorcs dc luz, a naioria das
vczcs, difundcn ircvas. Efciivancnic, sc, aqui ou
alcn, Ia un ¡ouquinIo dc lcn c dc vcrdadc, c
nuiilado, dclil c dis¡crso, nao ¡assando dc una
sonlra, dc una o¡iniao, sc sc confronia con
aquilo quc vcrdadcirancnic dcvcria scr. Sc Ia
algucn quc sc nao a¡crccla disio, saila quc
sofrc dc vcriigcns. os salios, conicn¡lando as
coisas quc lIcs dizcn rcs¡ciio c as alIcias, nao
con os oculos das o¡iniõcs conuns, nas con a
luz clara da vcrdadc, vccn aquilo quc vccn.
32
Du¡ío con¡o¡to.
1 - O Pu¡uìso ctc¡no.
13. Fcsia, iodavia, ¡ara nos un du¡lo conforio.
Princiro. Dcus ¡rc¡ara ¡ara os scus clciios o
¡araíso cicrno, ondc rcadquirirao a ¡crfciçao c
aic una ¡crfciçao nais ¡lcna c nais solida quc
aqucla ¡rincira ¡crfciçao, agora ¡crdida. Ncssc
¡araíso Ialiia Crisio (Lucus, 23, 43}, a clc foi
arrclaiado Paulo (Co¡ìntíos, II, 12, 4}, c Joao ¡ódc
vcr a sua gloria (A¡ocuíí¡sc, 2, 7 c 21, 10}.
TunIcn uquí, dc tcn¡os u tcn¡os, sc ¡odc
¡cnouu¡ o ¡u¡uìso du Ig¡c¡u.
14. O scgundo conforio vcn do faio dc quc Dcus,
cosiuna rcnovar, dc icn¡os a icn¡os, ncsno
aqui na icrra, a sua Igrcja, c iransfornar os
dcscrios nun jardin dc dclícias, cono o nosiran
¡rccisancnic as ¡roncssas divinas acina
rcfcridas. Salcnos quc, dcsias iransfornaçõcs,
algunas foran fciias dc nodo solcnc. dc¡ois da
Qucda; dc¡ois do Diluvio; dc¡ois da cnirada do
¡ovo Iclrcu na icrra dc Canaan; no icn¡o dc
David c no icn¡o dc Salonao; dc¡ois do rcgrcsso
da Dalilónia c da rccdificaçao dc Jcrusalcn;
dc¡ois da asccnsao dc Crisio ao ccu c da
¡rcgaçao do EvangclIo aos gcniios; no icn¡o dc
Consianiino c cn ouiras ocasiõcs. Sc,
¡orvcniura, ianlcn agora, a¡os os furorcs dc
gucrras iao airozcs c a¡os iao grandcs
33
dcvasiaçõcs dc naçõcs, o Pai das niscricordias sc
¡rc¡ara ¡ara nos olIar con una facc nais
lcnigna, sonos olrigados a caninIar ao
cnconiro dc Dcus c a concorrcr ianlcn nos ¡ara
o a¡crfciçoancnio da nossa vida, scgundo os
nodos c os caninIos quc nos nosirar o ncsno
sa¡icniíssino Dcus, o qual ordcna iudo confornc
os scus caninIos.
O nodo nuís c¡ícuz dcstu ¡cnouuçuo ¡o¡nccc-u
unu ¡ctu ¡o¡nuçuo du ¡uucntudc.
15. Un dos ¡rinciros cnsinancnios, quc a
Sagrada Escriiura nos da, c csic. sol o sol nao Ia
ncnIun ouiro caninIo nais cficaz ¡ara corrigir
as corru¡çõcs Iunanas quc a rcia cducaçao da
juvcniudc. Con cfciio, Salonao, dc¡ois dc icr
¡crcorrido iodos os lalirinios dos crros Iunanos
c dc sc icr lancniado ¡orquc sc nao ¡odian
corrigir as ¡crvcrsidadcs c cnuncrar os dcfciios
dos Ioncns, volia-sc finalncnic ¡ara os jovcns,
su¡licando-lIcs «quc sc lcnlrcn do scu Criador
nos dias da juvcniudc c O icnan c olscrvcn os
nandancnios, ¡orquc isio c o csscncial ¡ara o
Ioncn» (Ecícsíustcs, 12, 13}. E nouiro lugar diz.
«Insirui o jovcn no caninIo quc dcvc scguir, c clc
nao sc afasiara dclc, ncsno quando for vclIo»
(P¡ouc¡Iíos, 22, 6}. E ¡or isso David diz. «Vindc
filIos, ouvi-nc, cu vos cnsinarci o icnor dc Dcus»
(Suíno 33, 11}. Mas ianlcn o ¡ro¡rio David
cclcsic c o auicniico Salonao, o FilIo cicrno dc
34
Dcus, cnviado do ccu ¡ara rcgcncrar a
Iunanidadc, nos cnsinou, cono quc lcvaniando
o dcdo, o ncsno caninIo, quando dissc. «Dci×ai
vir a nin as criancinIas, c nao as afasicis dc
nin, ¡orquc c dclas o rcino dos ccus» (Mu¡cos,
10,14}. E a nos dissc. «Sc nao vos convcricrdcs c
vos nao iornardcs cono ncninos, nao cnirarcis
no rcino dos ccus» (Mutcus, 18,3}.
As c¡íunçus nuo suo u¡cnus o oI¡cto, nus tunIcn
o cxcn¡íu¡ du uc¡dudcí¡u ¡cgcnc¡uçuo
16. Mas quc ¡alavras sao csias?! Ouvi-as lcn c
c×aninai-as aicniancnic iodos, ¡ara vcr quc
coisa qucria dizcr o Mcsirc c ScnIor dc iodos.
Cono ¡roclana quc so as criancinIas sao
ncrcccdoras do rcino dc Dcus, adniiindo a
¡ariici¡ar na Icrança a¡cnas os Ioncns quc sc
icnIan iornado scnclIanics às criancinIas!
O×ala vos, dilcias criancinIas, ¡ossais cnicndcr
csic vosso cclcsic ¡rivilcgio! Eis no quc clc
consisic. c vosso o rcsio dc dignidadc quc ficou
ainda no gcncro Iunano, ou scja, o dirciio quc
clc icn ainda a ¡airia cclcsic! (Crisio c vosso,
vossa c a saniificaçao do Es¡íriio, vossa a graça
dc Dcus, vossa a Icrança da vida fuiura; sin,
iudo isio c vosso, ¡cricncc-vos a vos
¡ariicularncnic c infalivclncnic, ¡cricncc ncsno
so a vos, a nao scr quc qualqucr ouiro,
convcricndo-sc, sc iornc cono vos. Eis quc nos,
adulios, quc julganos quc so nos sonos Ioncns
35
c vos sois nacaquinIos, so nos salios c vos
doidinIos, so nos faladorcs inicligcnics c vos
ainda nao a¡ios ¡ara falar, cis quc, cnfin, sonos
olrigados a vir à vossa cscola! Vos fosics-nos
dados cono ncsircs, c as vossas olras sao dadas
às nossas cono cs¡clIo c c×cn¡lo!
Po¡quc c quc Dcus tcn cn tuntu consídc¡uçuo us
c¡íuncínIus.
17. Sc algucn quiscr salcr ¡orquc c quc Dcus
icn cn iao grandc considcraçao as criancinIas c
as a¡rccia ianio, ¡or nais quc rcfliia, nao
cnconirara una razao nais foric quc csia. as
criancinIas icn iodas as faculdadcs nais
sin¡lcs c nais a¡ias ¡ara rccclcr os rcncdios
quc a niscricordia divina ofcrccc ¡ara a cura das
coisas Iunanas, cn csiado iao dc¡loravcl. Con
cfciio, cnlora a corru¡çao, ¡roduzida ¡cla qucda
dc Adao, icnIa invadido ioda a sulsiancia do
nosso scr, iodavia, una vcz quc Crisio, scgundo
Adao, cn×criou dc novo cn si ncsno, arvorc da
vida, a naiurcza Iunana, c nao c c×cluído scnao
qucn sc c×clui a si ncsno ¡cla sua ¡ro¡ria
incrcdulidadc (Mu¡cos, 16, 16} (a qual nao ¡odc
ainda vcrificar-sc nas criancinIas}, rcsulia quc as
criancinIas, nao csiando ainda novancnic
nancIadas, ncn ¡clos ¡ccados ncn ¡cla
incrcdulidadc, sao ¡roclanadas Icrdciras da
Icrança ¡airinonial do rcino dc Dcus, dcsdc quc
sailan conscrvar a graça dc Dcus ja rccclida c
36
nanicr-sc lin¡as do nundo. Alcn disso, csias
coisas ¡odcn cnsinar-sc nais facilncnic às
crianças quc aos ouiros, ¡ois nao csiao ainda
doninadas ¡clos naus Ialiios.
Po¡quc nos oI¡ígu u nòs, uduítos, u í¡ ¡unto dus
c¡íunçus.
18. Crisio ordcna quc nos, adulios, nos
convcrianos ¡ara quc nos façanos cono
criancinIas, isio c, ¡ara quc dcsa¡rcndanos os
nalcs quc Iavíanos coniraído con una na
cducaçao c a¡rcndido con os naus c×cn¡los do
nundo, c rcgrcsscnos ao ¡riniiivo csiado dc
sin¡licidadc, dc nansidao, dc Iunildadc, dc
casiidadc, dc olcdicncia, cic. E, na vcrdadc, una
vcz quc nao Ia coisa nais difícil quc dcsaliiuar-
sc daquilo a quc sc csiava Ialiiuado (con cfciio,
o Ialiio c una scgunda naiurcza, c a naiurcza,
ainda quc sc cסulsc con a forca, volia scn¡rc a
a¡arcccr|3|}, daí rcsulia quc nao Ia coisa nais
difícil quc voliar a cducar lcn un Ioncn quc foi
nal cducado. Na vcrdadc, una arvorc, ial cono
crcscc, alia ou lai×a, con os ranos lcn dirciios
ou iorios, assin ¡crnanccc dc¡ois dc adulia c
nao sc dci×a iransfornar. Os ¡cdaços dc nadcira,
curvados ¡ara fazcr as rodas, cndurccidos ali no
scu ¡osio, quclran dc ¡rcfcrcncia a iornarcn-sc
dirciios, cono a cסcricncia o nosira dc nodo
cvidcnic. Accrca dos Ioncns Ialiiuados a fazcr o
nal, Dcus afirna o ncsno. «Acaso un Eiío¡c
37
¡odc nudar a cor da sua ¡clc c un lco¡ardo as
suas nalIas? Acaso ¡odcis fazcr o lcn, vos quc
nao a¡rcndcsics scnao a fazcr o nal?» (Jc¡cníus,
13, 23}.
E ncccssu¡ío quc u ¡c¡o¡nu du Ig¡c¡u conccc ¡cíus
c¡íuncínIus.
19. Daqui sc infcrc csia conclusao ncccssaria. sc
sc dcvcn a¡licar rcncdios às corru¡iclas do
gcncro Iunano, in¡oria fazc-lo dc nodo cs¡ccial
¡or ncio dc una cducaçao scnsaia c ¡rudcnic da
juvcniudc. In¡oria fazcr ¡rccisancnic cono
qucn qucr rcnovar un ¡onar, o qual icn
ncccssariancnic dc ¡laniar novas arvorczinIas c
dc as iraiar con nuiio cuidado, ¡ara quc
crcsçan lclas c grandcs; con cfciio, ¡ara
irans¡laniar arvorcs vclIas c nclas infundir
fccundidadc, nao lasia a força da aric. Porianio,
as ncnics sin¡lcs c nao ainda ocu¡adas c
csiragadas ¡or vaos ¡rcconcciios c cosiuncs
nundanos, sao as nais a¡ias ¡ara anar a Dcus.
TcstcnunIo dc Dcus.
20. Dcus nosira isio ¡cla loca do ¡rofcia,
quando, ao lancniar-sc da corru¡çao univcrsal,
afirna quc «ja nao Ia a qucn Elc ¡ossa cnsinar a
salcdoria, a qucn ¡ossa fazcr cnicndcr a sua
douirina, a nao scr aos ncninos acalados dc
dcsquiiar, aos quc acalan dc scr dcsnanados»
(Isuìus, 28, 9}.
38
Açuo síntonutícu ¡cuíízudu ¡o¡ C¡ísto.
21. E ¡arccc quc o ScnIor icnIa qucrido nosirar
csia ncsna vcrdadc alcgoricancnic quando, no
noncnio dc ¡ariir ¡ara Jcrusalcn, ordcnou quc
lIc fosscn luscar una juncnia c o juncniinIo,
filIo da juncnia; iodavia, nao noniou a juncnia,
nas o juncniinIo. E o cvangclisia acrcsccnia quc
o ScnIor «cnviou dois dos scus discí¡ulos,
dizcndo. Idc a cssa aldcia, quc csia fronicira;
cnirando ncla, cnconirarcis un juncniinIo
aiado, cn quc nunca noniou ¡cssoa alguna»
(Lucus, 19, 30}. Scra quc iudo isio foi fciio c
consagrado no EvangclIo ¡ara nada? Ncn ¡cnsar
nisso. Todas as coisas, as dc nínina c as dc
na×ina in¡oriancia, diias c fciias ¡or Crisio,
assin cono ianlcn iodas as vírgulas da Sagrada
Escriiura, conicn un nisicrio ¡ara nossa
insiruçao. Por isso, icnIa-sc ¡or ccrio quc,
cnlora Crisio cIanc a si os vclIos c os jovcns c
acalc ¡or rccclcr uns c ouiros, ¡ara os conduzir
à Jcrusalcn cclcsic, iodavia, os nais jovcns, nao
ainda suljugados ¡clo nundo, csiao nais a¡ios
¡ara sc Ialiiuarcn ao jugo dc Crisio quc aquclcs
a qucn o nundo ja csiragou c viciou, nanicndo-
os sol os scus gravcs iriluios. A cquidadc c×igc,
¡orianio, quc a nossa infancia scja conduzida a
Crisio; c Crisio icn ¡razcr cn colocar a infancia
sol o scu docc jugo c sol si ncsno (Mutcus, II,
30}.
39
Çuc sígní¡ícu cducu¡ u ¡uucntudc ¡¡ouíduncntc.
22. Educar, ¡ois, ¡rovidancnic a juvcniudc c
¡rovidcnciar ¡ara quc os cs¡íriios dos jovcns
scjan ¡rcscrvados das corru¡iclas do nundo c
¡ara quc as scncnics dc Ioncsiidadc nclcs
lançadas scjan, ¡or ncio dc adnocsiaçõcs c
c×cn¡los casios c coniínuos, csiinuladas ¡ara
quc gcrnincn fclizncnic, c, ¡or fin, ¡rovidcnciar
¡ara quc as suas ncnics scjan inluídas dc un
vcrdadciro conIccincnio dc Dcus, dc si ncsnas
c da nulii¡licidadc das coisas; ¡ara quc sc
Ialiiucn a vcr a luz à luz dc Dcus|4|, c a anar c
a vcncrar, acina dc iudo, o Pai das luzcs.
E quc ¡¡uto sc tí¡u duì.
23. Sc sc fizcssc assin, rcvclar-sc-ia claro quc c
rcalncnic vcrdadciro aquilo quc cania o Salnisia.
«Da loca das crianças c ncninos dc ¡ciio, Dcus
fcz sair un louvor ¡crfciio conira os scus
advcrsarios, ¡ara rc¡rinir o ininigo c o agrcssor»
(Suíno 8, 2}, isio c, ¡ara confundir Saianas, quc,
¡ara sc vingar da sua condcnaçao, qucr dcsiruir
as arvorczinIas dc Dcus, ou scja, a juvcniudc,
fcrindo-as dc varios nodos con as suas
fraudulcniíssinas naquinaçõcs, c con o vcncno
infcrnal (dos c×cn¡los dc varia in¡icdadc c dos
naus insiinios} qucr infccia-las aic às raízcs,
¡ara quc scqucn dc iodo c caian, ou, ao ncnos,
nurcIcn, dcfinIcn c sc iorncn inuicis.
40
Dc quc nodo ¡¡ouc Dcus u ¡uucntudc.
24. Prccisancnic ¡or csia razao, Dcus dcu às
criancinIas os anjos cusiodios (Mutcus, 18, 10} c
consiiiuiu os ¡ais cn cducadorcs, ordcnando-
lIcs quc cducasscn os filIos con cnsinancnios c
corrcçõcs conforncs à douirina do ScnIor
(E¡csíos, 6, 4}, c adnocsiou scriancnic iodos os
ouiros a quc nao cscandalizasscn ncn
corron¡csscn a juvcniudc con naus c×cn¡los,
anunciando, ¡ara qucn ¡roccdcssc dc nodo
divcrso, casiigos cicrnos (Mutcus, 18, 6 c 7}.
Çuuí c u nossu oI¡íguçuo; o cxcn¡ío dos
¡ut¡íu¡cus.
25. Mas dc quc nodo ¡odcrcnos fazcr isso, ncsic
incnso diluvio dc confusao nundial? No icn¡o
dos Pairiarcas, cono csscs sanios Ioncns
Ialiiavan sc¡aradancnic, scgrcgados do rcsio
do nundo, c, nas suas fanílias, cran, nao so
cIcfcs dc fanília, nas ianlcn saccrdoics,
ncsircs c ¡rofcssorcs, as coisas corrian nuiio
nais facilncnic. Con cfciio, afasiados os scus
filIos da con¡anIia dos naus, c iluninando-os
con o lon c×cn¡lo dc ¡cssoas viriuosas, con
doccs advcricncias, c×oriaçõcs c, sc ncccssario,
con rc¡rccnsõcs, conduzian-nos consigo. Quc
Alraao fazia assin, c o ¡ro¡rio Dcus quc o
icsicnunIa, quando diz. «Eu sci quc Ia-dc
ordcnar a scus filIos, c à sua casa dc¡ois dclc,
41
quc guardcn os caninIos do ScnIor, c quc
¡raiiqucn a cquidadc c a jusiiça.» (Gcncsís, 18,
19}.
Ago¡u us nus con¡unIíus íunçun u ¡uucntudc nu
¡c¡díçuo.
26. Mas agora Ialiianos ¡roniscuancnic, os
lons nisiurados con os naus, c o nuncro dos
naus c infiniiancnic naior quc o dos lons. E a
juvcniudc c dc ial nancira arrasiada ¡clos scus
c×cn¡los, quc os ¡rccciios dados cono aniídoio
do nal, accrca do nodo dc culiivar a viriudc, sao
dc ¡ouca ou ncnIuna cficacia.
E os ¡uís nuo sc ¡¡cocu¡un ou nuo suIcn o¡o¡-sc
uos nuícs.
27. Mas qual c a razao ¡or quc os ¡rccciios
accrca da viriudc sc ninisiran iao rarancnic?
Dos ¡ais, ¡oucos sao aquclcs quc ¡odcn cnsinar
aos filIos qualqucr coisa dc lon, qucr ¡orquc
clcs ¡ro¡rios nunca a¡rcndcran nada dc lon,
qucr ¡orquc, dcvcndo ocu¡ar-sc dc ouiras coisas,
dcscuran csic scu dcvcr.
E ncn todos os ncst¡cs.
28. E, dos ncsircs, ¡oucos sao aquclcs quc
salcn insiilar lcn no anino da juvcniudc coisas
loas; c, sc ¡or vczcs a¡arccc un, logo qualqucr
saira¡a o cIana ¡ara ¡rcsiar os scus scrviços cn
42
¡rivado, cn ¡rovciio dos scus; nas o ¡ovo nao
¡odc dar-sc a csic lu×o.
Po¡ ísso tudo sc to¡nu scíuugcn c uuí dc nuí cn
¡ío¡.
29. Daqui rcsulia quc o rcsio da juvcniudc crcscc
scn a dcvida culiura, cono una sclva quc
ningucn ¡lania, ningucn rcga, ningucn ¡oda c
ningucn sc csforça ¡or fazcr crcsccr dirciia. Por
csic noiivo, cosiuncs c Ialiios grossciros c
dc¡ravados cncIcn o nundo, iodas as cidadcs c
¡raças forics, iodas as casas c iodas as ¡cssoas,
cujos cor¡os c alnas csiao ioialncnic cIcios dc
confusao. Sc Iojc voliasscn a vivcr cnirc nos
Diogcncs, Socraics, Scncca c Salonao, nao
cnconirarian scnao o quc cra nos icn¡os
¡assados. Sc Dcus nos falassc do ccu, nao diria
coisa difcrcnic daquilo quc dissc. «Todos csiao
corron¡idos c iornaran-sc aloninavcis cn iodas
as suas ¡ai×õcs» (Suíno 13, 2}.
Todos u unu ¡o¡tunto, dcucnos ¡cnsu¡ nu
suíuuçuo conun; ou cntuo sò nos ¡cstu cs¡c¡u¡ os
custígos dc Dcus.
30. Por isso, sc, cn qualqucr ¡aric do nundo, Ia
algucn quc ¡ossa dar ou dcscolrir algun lon
consclIo, ou quc ¡ossa, à força dc gcnidos, dc
sus¡iros, dc ¡ranios c dc lancniaçõcs, olicr dc
Dcus a graça dc vcr qual a nclIor nancira
¡ossívcl dc conduzir a juvcniudc, nao dcvc csiar
43
calado, nas aconsclIar, ¡cnsar c ¡cdir. «Maldiio
aquclc quc faz un ccgo crrar no caninIo», dissc
Dcus (Dcutc¡ononío, 27, 18}. Maldiio, ¡orianio,
ianlcn aquclc quc, ¡odcndo rcconduzir o ccgo
ao lon caninIo, o nao rcconduz. «Ai daquclc quc
cscandalizar un so dcsics ¡cqucninos», dissc
Crisio (Mutcus, 18, 6 c 7}. Porianio, ai ianlcn
daquclc quc, ¡odcndo afasiar os cscandalos, os
nao afasia. «Dcus nao qucr quc sc alandonc o
juncnio ou o loi quc anda crranic ¡clas sclvas c
¡clos can¡os, ou quc caiu dclai×o da carga, nas
qucr quc sc socorra, ainda quc sc nao saila dc
qucn c, ainda quc sc saila quc c dc un ininigo
nosso» (E×odo, 2, 3, 4; Dcutc¡ononío, 22, 1}. E
scr-lIc-a agradavcl quc nos, vcndo dcsviar-sc,
nao un aninal lruio, nas una criaiura racional,
¡asscnos à frcnic irrcflciidancnic, scn lIc
csicndcr a nao? Longc dc nos scnclIanic
¡cnsancnio!
E ncccssu¡ío cn¡unIu¡ u cs¡udu cont¡u u
HuIííoníu dus con¡usocs.
31. «Maldiio aquclc quc faz a olra do ScnIor con
na fc; c naldiio aquclc quc nanicn afasiada do
sanguc da Dalilónia a sua cs¡ada» (Jc¡cníus, 48,
10}. E ¡odcrcnos cs¡crar csiar scn cul¡a nos
quc, scn nos ¡rcocu¡arnos, iolcranos a
aloninavcl confusao das nossas Dalilónias? AI!
qucn qucr quc iu scjas, dcscnlainIa a cs¡ada
quc icns à cinia, ou quc salcs csiar cscondida
44
cn qualqucr lainIa, c ¡ara scrcs lcndiio ¡or
Jcova, conirilui ¡ara o c×icrnínio dc Dalilónia!
Çuc sc cs¡c¡u dos nugíst¡udos ¡oíìtícos.
32. Fazci ir ¡ara a frcnic csia olra do ScnIor, o
govcrnanics, ninisiros do Dcus aliíssino, c con
a cs¡ada quc o ScnIor vos colocou à cinia, con a
cs¡ada da jusiiça, c×icrninai as dcsordcns, con
as quais o nundo cncIcu a ncdida c dcs¡criou a
ira dc Dcus.
E dos níníst¡os du Ig¡c¡u.
33. Fazci ianlcn ir ¡ara a frcnic csia olra, o
can¡cõcs da Igrcja, ninisiros ficis dc Jcsus
Crisio, c con a cs¡ada dc dois guncs quc vos foi
cnircguc, a cs¡ada da ¡alavra, coriai iodos os
nalcs!|5|. Con cfciio, fosics colocados ncssc
lugar ¡ara dcscnraizar, dcsiruir, dissi¡ar c
c×icrninar o nal, c ¡ara c×aliar c ¡laniar o lcn
(Jc¡cníus, I, l0; Suíno 101, 5; Honunos, 13, 14,
cic.}. E con¡rccndcsics ja quc, no gcncro
Iunano, nao ¡odc rcsisiir-sc aos nalcs con
naior cficacia, quc rcsisiindo-lIc na ¡rincira
idadc da vida; quc nao ¡odc ¡laniar-sc con naior
cficacia arvorczinIas quc duran aic à cicrnidadc,
quc ¡laniando c fazcndo dcscnvolvcr
arvorczinIas novas; quc sc nao ¡odc, con naior
cficacia, cdificar Sion no lugar dc Dalilónia, quc
iralalIando dcsdc ccdo as ¡cdras vivas dc Dcus,
ou scja, a juvcniudc, c dcslasiando-as c ¡olindo-
45
as c ada¡iando-as à consiruçao cclcsic. Sc,
¡orianio, qucrcnos Igrcjas c Esiados lcn
ordcnados c florcsccnics c loas adninisiraçõcs,
¡rinciro quc iudo ordcncnos as cscolas c
façano-las florcsccr, a fin dc quc scjan
vcrdadciras c vivas oficinas dc Ioncns c vivciros
cclcsiasiicos, ¡olíiicos c cconónicos. Assin
facilncnic aniigircnos o nosso oljciivo; douiro
nodo, nunca o aiingircnos.
Ago¡u ín¡o¡tu cx¡o¡ c cxunínu¡ o nodo dc oItc¡
tuí c¡cíto.
34. Dc quc nodo, ¡ois, sc dcva alordar o assunio
c conscguir o cfciio dcscjado, cis quc o
¡aicnicanos agora, ¡orquc o ScnIor dcs¡criou o
nosso cs¡íriio! Vos quc rccclcsics dc Dcus olIos
¡ara vcr, ouvidos ¡ara ouvir c ncnic ¡ara julgar,
vcdc, ouvi c julgai.
Çuc¡ uígucn uc¡u uígo dc unu nouu íuz, quc¡ nuo,
quc dcuc ¡uzc¡-sc¯
35. Sc a algucn surgir una fulgida luz, nao
advcriida anicriorncnic, Ionrc a Dcus c nao
rccusc à nova idadc cssc novo fulgor. Sc, dc¡ois,
ncssa luz, noiarcs qualqucr falia dc luz, ainda
quc nínina, con¡lcia-a iu, ou csclarccc-a, ou
advcric ¡ara quc ¡ossa scr csclarccida. nuiios
olIos vccn nais quc un.
46
As ¡cssous utíuus dcucn cs¡c¡u¡ os ¡¡cníos
nc¡ccídos.
36. Assin nos ajudarcnos nuiuancnic a scguir,
dc lon acordo, as olras dc Dcus; assin
fugircnos à naldiçao anunciada ¡ara aquclcs
quc rcalizan as olras do ScnIor dc nodo
fraudulcnio, assin nos ocu¡arcnos da nclIor
nancira das nais ¡rcciosas riquczas do nundo,
isio c, da juvcniudc; assin ¡ariici¡arcnos no
fulgor ¡ronciido àquclcs quc cducan os ouiros
¡ara a jusiiça (Dunící, 12, 3}.
Dcus tcnIu ¡ícdudc dc nòs, ¡u¡u quc, nu suu
íuz, uc¡unos u íuz|6|. Ancn.
47

UTILIDADE DA ARTE DIDÁTICA

Quc a Didaiica sc lascic cn rcios ¡rincí¡ios
inicrcssa.
1. Aos ¡uís quc, aic agora, na naioria dos casos,
ignoravan o quc dcvcrian cs¡crar dc scus filIos.
Coniraiavan ¡rccc¡iorcs, ¡cdian-lIcs,
acarinIavan-nos con ¡rcscnics c aic os
nudavan, quasc scn¡rc cn vao c às vczcs con
algun fruio. Conduzido, ¡orcn, o nciodo
didaiico a una ccricza infalívcl, scra in¡ossívcl,
con a ajuda dc Dcus, nao olicr scn¡rc o cfciio
cs¡crado.
2. Aos ¡¡o¡csso¡cs, a naior ¡aric dos quais
ignorava con¡lciancnic a aric dc cnsinar; c ¡or
isso, qucrcndo cun¡rir o scu dcvcr, gasiavan-sc
c, à força dc iralalIar diligcnicncnic, csgoiavan
as forças; ou cniao nudavan dc nciodo,
icniando, ora con csic ora con aquclc, olicr un
lon succsso, nao scn un cnfadonIo dis¡cndio
dc icn¡o c dc fadiga.
3. Aos cstuduntcs, ¡orquc ¡odcrao, scn
dificuldadc, scn icdio, scn griios c scn
¡ancadas, cono quc divcriindo-sc c jogando, scr
conduzidos ¡ara os alios cuncs do salcr.
48
4. As cscoíus, ¡orquc, corrigido o nciodo,
¡odcrao, nao so conscrvar-sc scn¡rc ¡ros¡cras,
nas scr auncniadas aic ao infiniio. Con cfciio,
scrao vcrdadcirancnic un divcriincnio, casas dc
dclícias c dc airaçõcs. E quando (¡cla
infalililidadc do nciodo}, dc qualqucr aluno sc
fizcr un ¡rofcssor (do cnsino su¡crior ou do
¡rinario}, nunca scra ¡ossívcl quc falicn ¡cssoas
a¡ias ¡ara dirigir as cscolas c quc os csiudos nao
csicjan ¡ros¡cros.
5. Aos Estudos, scgundo o icsicnunIo dc
Ciccro|1|, airas ciiado. Con o qual concorda o
scguinic ¡asso (rcfcrido ¡or Siolco} dc Diogcncs,
discí¡ulo dc Piiagoras. «Qual c o fundancnio dc
iodo o Esiado? A cducaçao dos jovcns. Con
cfciio, as vidciras quc nao sao lcn culiivadas
nunca ¡roduzcn lon fruio»|2|.
6. A Ig¡c¡u, ¡ois soncnic a rcia organizaçao das
cscolas ¡odc icr cono rcsuliado quc às igrcjas
nao falicn ¡rofcssorcs insiruídos, c aos
¡rofcssorcs insiruídos nao falicn alunos
a¡ro¡riados.
7. Finalncnic, inicrcssa uo Ccu quc as cscolas
scjan rcfornadas dc nodo a ninisirarcn aos
cs¡íriios una culiura c×aia c univcrsal, nao
scndo assin dc adnirar quc, con o fulgor da luz
divina, nais facilncnic scjan lilcriados das
ircvas aquclcs a qucn o son da ironlcia divina
49
nao conscguc acordar. Efciivancnic, cnlora sc
¡rcguc o EvangclIo aqui c alcn, c o×ala scja
¡rcgado aic ao fin do nundo, iodavia, cono cn
qualqucr rcuniao ¡ullica, nas fciras, nas ¡cnsõcs
ou cn qualqucr ouiro iunuliuoso ajuniancnio
da gcnic, cosiuna aconicccr quc nao sc faz ouvir
soncnic ou ¡rinci¡alncnic qucn ¡ronuncia
oiinos discursos, nas, confornc algucn sc
cnconira con ouiro ou lIc csia vizinIo, dc ¡c ou
scniado, assin o ocu¡a ou dcicn con as suas
ninIarias; dc igual nodo aconiccc no nundo.
Cun¡ran os ninisiros da ¡alavra o scu dcvcr
con iodo o zclo ¡ossívcl. falcn, c×oricn,
su¡liqucn; iodavia, nao scrao ouvidos ¡cla ¡aric
nais in¡orianic da ¡o¡ulaçao. Muiios, na
vcrdadc, nao frcqucnian as rcuniõcs sacras, a
nao scr nun ou nouiro caso; ouiros vao, nas
con os olIos c os ouvidos fccIados, ¡orquc, a
naioria das vczcs, inicriorncnic ocu¡ados cn
ouiras coisas, csiao ¡ouco aicnios ao quc ali sc
faz. Mas adniianos ianlcn quc csicjan aicnios
c quc consigan vcr o oljciivo das sagradas
adnocsiaçõcs; c ccrio, iodavia, quc nao rccclcn
ncn una in¡rcssao ncn una conoçao iao foric
cono scria convcnicnic, ¡orquc o cosiunado
ior¡or da alna c o ja coniraído Ialiio do vício
cngrossan, fascinan c cndurcccn dc ial nodo as
suas ncnics, quc nao ¡odcn lilcriar-sc daqucla
cs¡ccic dc lciargo. Pcrnancccn, ¡orianio, na
cosiunada ccgucira c nos scus ¡ccados, cono
50
quc anarrados a grilIõcs, dc ial nancira quc,
ningucn, c×ccio a¡cnas Dcus, os ¡odc lilcriar
dos nalcs invcicrados c ruinosos; cono dissc un
dos Sanios Padrcs, c quasc un nilagrc quc un
¡ccador invcicrado sc rcsolva a fazcr ¡cniicncia.
Mas ¡orquc, ¡or ouiro lado, ondc Dcus fornccc
alundanics ncios, ¡rcicndcr nilagrcs c icniar
Dcus|3|, in¡õc-sc acciiar quc, ianlcn no nosso
caso, o ¡rollcna nao sc ¡õc dc nodo divcrso.
Crcnos, ¡orianio, quc c nosso dcvcr ¡cnsar nos
ncios ¡clos quais ioda a juvcniudc crisia scja
nais fcrvidancnic in¡clida ¡ara o vigor da ncnic
c ¡ara o anor das coisas Cclcsics. E sc
conscguirnos olicr csic cfciio, vcrcnos quc o
rcino dos ccus nos infundira a sua força, cono
nos icn¡os ¡assados.
Ningucn, ¡orianio, disiraia os scus
¡cnsancnios, os scus dcscjos, as suas cncrgias c
as suas forças dcsic saniíssino ¡ro¡osiio. Qucn
nos conccdcu a loa voniadc, conccdcr-nos-a
ianlcn a rcalizaçao do fin; nas convcn su¡licar
à niscricordia divina, ¡cdir-lIo iodos scn
c×ccçao, c confiar quc a nossa cs¡crança sc
rcalizc. Traia-sc aqui, con cfciio, da salvaçao dos
Ioncns c da gloria do Aliíssino.
Jouo Vuícntín And¡cu.
Dcscs¡c¡u¡ do Ion cxíto c íngíò¡ío;
DcsdcnIu¡ dos conscíIos uíIcíos c ín¡u¡íoso|4|.
51

ASSUNTOS DOS CAPÍTULOS

I. O Ioncn c u nuís uítu, u nuís uIsoíutu c u
nuís cxccícntc dus c¡íutu¡us.. 55

II. O ¡ín úítíno do Ioncn cstu ¡o¡u dcstu uídu.. 58

III. Estu uídu nuo c scnuo unu ¡¡c¡u¡uçuo ¡u¡u u
uídu ctc¡nu.. 66

IV. Os g¡uus du ¡¡c¡u¡uçuo ¡u¡u u ctc¡nídudc suo
t¡cs. conIccc¡no-nos u nòs ncsnos (c conosco
todus us coísus), gouc¡nu¡no-nos c dí¡ígí¡no-nos
¡u¡u Dcus.. 72

V. As scncntcs dcstus t¡cs coísus (du insiruçao,
du noral c du rcligiao} suo ¡ostus dcnt¡o dc nòs
¡cíu nutu¡czu.. 79

VI. O Ioncn tcn ncccssídudc dc sc¡ ¡o¡nudo
¡u¡u quc sc to¡nc Ioncn.. 101

VII. A ¡o¡nuçuo do Ioncn ¡uz-sc con nuítu
¡ucííídudc nu ¡¡íncí¡u ídudc, c cIcgo u dízc¡ quc
nuo ¡odc ¡uzc¡-sc scnuo ncssu ídudc.. 111

VIII. E ncccssu¡ío, uo ncsno tcn¡o, ¡o¡nu¡ u
52
¡uucntudc c uI¡í¡ cscoíus.. 119

IX. Todu u ¡uucntudc dc unIos os scxos dcuc sc¡
cnuíudu us cscoíus.. 127

X. Nus cscoíus, u ¡o¡nuçuo dcuc sc¡ uníuc¡suí..
134

XI. Atc ugo¡u, nuo tcn Iuuído cscoíus quc
co¡¡cs¡ondun ¡c¡¡cítuncntc uo scu ¡ín.. 144

XII. As cscoíus ¡odcn sc¡ ¡c¡o¡nudus.. 153

XIII. O ¡unduncnto dus ¡c¡o¡nus cscoíu¡cs c u
o¡dcn cn tudo.. 174

XIV. A o¡dcn ¡c¡¡cítu du cscoíu dcuc í¡ Iuscu¡-sc
u nutu¡czu.. 182

XV. Funduncntos ¡u¡u ¡¡oíongu¡ u uídu.. 192

XVI. Hcquísítos ¡u¡u cnsínu¡ c ¡u¡u u¡¡cndc¡, ísto
c, cono sc dcuc cnsínu¡ c u¡¡cndc¡ ¡u¡u quc sc¡u
ín¡ossìucí nuo oItc¡ Ions ¡csuítudos.. 204

XVII. Funduncntos ¡u¡u cnsínu¡ c u¡¡cndc¡ con
¡ucííídudc.. 233

XVIII. Funduncntos ¡u¡u cnsínu¡ c u¡¡cndc¡
soííduncntc.. 259
53

XIX. Funduncntos ¡u¡u cnsínu¡ con uuntu¡osu
¡u¡ídcz.. 289

XX. Mctodo ¡u¡u cnsínu¡ us Cícncíus cn gc¡uí..
330

XXI. Mctodo ¡u¡u cnsínu¡ us A¡tcs.. 348

XXII. Mctodo ¡u¡u cnsínu¡ us Lìnguus.. 363

XXIII. Mctodo ¡u¡u cnsínu¡ u Mo¡uí.. 378

XXIV. Mctodo ¡u¡u íncutí¡ u Dcuoçuo ou Pícdudc..
390

XXV. Sc ¡cuíncntc quc¡cnos cscoíus ¡c¡o¡nudus
scgundo us uc¡dudcí¡us no¡nus do uutcntíco
C¡ístíunísno, os ííu¡os dos ¡uguos, ou dcucn sc¡
u¡ustudos dus cscoíus, ou uo ncnos dcucn sc¡
utííízudos con nuís cuutcíu quc utc uquí.. 415

XXVI. Du díscí¡íínu cscoíu¡.. 448

XXVII. As ínstítuíçocs cscoíu¡cs dcucn sc¡ dc
quut¡o g¡uus, cn con¡o¡nídudc con u ídudc c con
o u¡¡oucítuncnto.. 458

XXVIII. Píuno du cscoíu nutc¡nu.. 466

54
XXIX. Píuno du cscoíu dc íìnguu nucíonuí.. 479

XXX. Píuno du cscoíu íutínu.. 494

XXXI. Du Acudcníu, dus uíugcns c du ussocíuçuo
dídutícu.. 507

XXXII. Du o¡gunízuçuo uníuc¡suí c ¡c¡¡cítu dus
cscoíus.. 517

XXXIII. Dos ¡cquísítos ncccssu¡íos ¡u¡u concçu¡ u
¡o¡ cn ¡¡utícu cstc nctodo uníuc¡suí.. 532
55


Capítulo 1
O HOMEM
É A MAIS ALTA,
A MAIS ABSOLUTA
E A MAIS EXCELENTE
DAS CRIATURAS

Su¡unIu-sc quc o conIccc-tc u tí ncsno tíucssc
uíndo do ccu.
1. Quando Píiaco|1| ¡ronunciou o scu «conIccc-ic
a ii ncsno» os salios acolIcran csia
na×ina con iao grandcs a¡lausos quc, ¡ara a
rcconcndarcn ao ¡ovo, afirnaran quc cla vicra
do ccu, c iivcran o cuidado dc a fazcr inscrcvcr,
cn lciras dc ouro, no icn¡lo dc A¡olo, cn Dclfos,
ondc o ¡ovo afluia cn grandc nuncro. Esic foi
un aio dc salcdoria c dc ¡icdadc; aqucla foi, dc
faio, una ficçao, nas alsoluiancnic confornc à
vcrdadc, cono ¡ara nos c cvidcnic nais quc ¡ara
clcs.
Vcío uc¡dudcí¡uncntc do ccu.
2. Efciivancnic, a voz quc, vindo do ccu, rcssoa
nas Sagradas Escriiuras, quc ouira coisa qucr
dizcr scnao. «o Ioncn, quc iu nc conIcças, quc
iu ic conIcças?» Eu, fonic dc cicrnidadc, dc
56
salcdoria c dc lcaiiiudc; iu, criaiura, inagcn c
dclícia ninIa.
SuIíínídudc du nutu¡czu Iununu.
3. Con cfciio, dcsiinci-ic a con¡ariilIar conigo
da cicrnidadc; ¡ara icu uso, ¡rc¡arci o ccu, a
icrra c iudo o quc nclcs csia coniido; so cn ii
junici, ao ncsno icn¡o, iodas as ¡rcrrogaiivas,
das quais as ouiras criaiuras a¡cnas icn una. o
scr, a vida, os scniidos c a razao. Fiz-ic solcrano
das olras das ninIas naos, c coloquci iudo a
icus ¡cs, as ovclIas, os lois c os ouiros aninais
da icrra, as avcs do ccu c os ¡ci×cs do nar, c
dcsia nancira coroci-ic dc gloria c dc Ionra
(Suíno 8, 6-9}. A ii, finalncnic, ¡ara quc nada ic
faliassc, dci-nc cu ¡ro¡rio, ncdianic a uniao
Ii¡osiaiica, ligando ¡ara scn¡rc a ninIa
naiurcza con a iua, soric quc nao coulc a
ncnIuna das ouiras criaiuras visívcis c
invisívcis. Con cfciio, qual das ouiras criaiuras,
no ccu ou na icrra, sc ¡odc gloriar dc quc Dcus
sc rcvclassc na sua ¡ro¡ria carnc c a¡rcscniado
¡clos anjos? (Tínòtco, I, 3, i6}, ou scja, nao
a¡cnas ¡ara quc vcjan c sc adnircn a vcr qucn
dcscjavan vcr (Pcd¡o, I, 1, 12}, nas ainda ¡ara
quc adorcn a Dcus quc sc rcvclou vcsiido dc
carnc, ou scja, FilIo dc Dcus c do Ioncn
(HcI¡cus, I, 6; Jouo, I, 51; Mutcus, 4, 11}. Dcvcs,
¡orianio, con¡rccndcr quc cs o ¡roioii¡o, o
adniravcl con¡cndio das ninIas olras, o
57
rc¡rcscnianic dc Dcus no ncio dclas, a coroa da
ninIa gloria.
E ncccssu¡ío coíocu¡ cstu uc¡dudc dcIuíxo dos
oíIos dc todos os Ioncns.
4. O×ala iodas csias vcrdadcs scjan cscul¡idas,
nao nas ¡orias dos icn¡los, nao nos froniis¡ícios
dos livros, nao, cnfin, nas línguas, nos ouvidos c
nos olIos dc iodos os Ioncns, nas nos scus
coraçõcs. Dcvc ¡rocurar-sc, na vcrdadc, quc
iodos aquclcs a qucn calc a nissao dc fornar
Ioncns façan con quc iodos vivan conscicnics
dcsia dignidadc c c×cclcncia, c cn¡rcgucn iodos
os ncios ¡ara aiingir o oljciivo dcsia
sullinidadc.
58

Capítulo II
O FIM
ÚLTIMO DO HOMEM
ESTÁ
FORA DESTA VIDA

A nuís cxccícntc dus c¡íutu¡us dcuc
ncccssu¡íuncntc tc¡ u ¡ínuíídudc nuís cxccícntc.
1. A ¡ro¡ria razao nos diz quc una criaiura iao
c×cclcnic c dcsiinada a un fin nais c×cclcnic
quc o dc iodas as ouiras criaiuras, isio c, scn
duvida, a gozar, juniancnic con Dcus, quc c o
cunc da ¡crfciçao, da gloria c da lcaiiiudc, ¡ara
scn¡rc, a nais alsoluia gloria c lcaiiiudc.
O quc c cuídcntc.
2. Mas cnlora isio sc infira clarancnic da
Sagrada Escriiura c nos acrcdiicnos firncncnic
quc c dc faio assin, iodavia, nao scra icn¡o
¡crdido vcr dc quanios nodos, ncsia vida, Dcus
nos icnIa figurado o Aícn («Plus ulira»} ou dc
quanios nodos a clc ¡ossanos cIcgar.
1. Du Iístò¡íu du c¡íuçuo.
3. En ¡rinciro lugar, no ¡ro¡rio noncnio da
criaçao. Con cfciio, nao ordcnou ao Ioncn
59
sin¡lcsncnic, cono aos ouiros scrcs, quc vicssc
ao nundo; nas, a¡os una solcnc dclilcraçao,
fornou-lIc o cor¡o cono quc con os scus
¡ro¡rios dcdos c insuflou-lIc ¡or alna una ¡aric
dc si ncsno.
2. Du constítuíçuo do nosso sc¡.
4. A consiiiuiçao do nosso scr nosira quc nao
nos lasian as coisas quc ¡ossuinos ncsia vida.
Con cfciio, icnos aqui ircs cs¡ccics dc vida.
vcgciaiiva, aninal, c iniclcciual ou cs¡iriiual ÷ a
¡rincira das quais nunca sc nanifcsia fora do
cor¡o; a scgunda, ncdianic as o¡craçõcs dos
scniidos c do novincnio, ¡õc-nos cn rclaçao con
os oljcios c×icriorcs; a icrccira ¡odc c×isiir
ianlcn sc¡aradancnic, cono sc vcrifica nos
anjos. Ora, una vcz quc c cvidcnic quc csic grau
su¡rcno da vida c foricncnic olscurccido c
¡criurlado cn nos ¡clos ouiros dois, scguc-sc
ncccssariancnic quc o scra ianlcn no lugar
ondc cla for conduzida ao nais clcvado grau dc
¡crfciçao .
3. Dc tudo o quc ¡uzcnos c so¡¡cnos ncstu uídu.
5. Tudo o quc fazcnos c sofrcnos ncsia vida
nosira quc nao aiinginos aqui o nosso fin
uliino, nas quc iudo o quc c nosso, c lcn assin
nos ¡ro¡rios, icndc ¡ara ouiro lugar. Con cfciio,
iudo o quc sonos, fazcnos, ¡cnsanos, falanos,
inaginanos, adquirinos c ¡ossuínos nao c
60
scnao una cs¡ccic dc cscada, na qual, sulindo
cada vcz nais acina, c ccrio quc sulinos scn¡rc
dcgraus nais alios, nas nunca cIcganos ao
uliino. A ¡¡íncì¡ío, con cfciio, o Ioncn nada c,
cono nada cra uI uctc¡no; concça a dcscnvolvcr-
sc soncnic no uicro naicrno, a ¡ariir dc una
goia dc sanguc ¡aicrno. Quc c, ¡orianio, o
Ioncn no ¡rincí¡io? Maicria infornc c lruia. A
scguir, assunc os iraços dc un ¡cqucno cor¡o,
nas ainda scn scniidos ncn novincnios.
Dc¡ois, concça a novcr-sc c, ¡or força da
naiurcza, vcn à luz; c, ¡ouco a ¡ouco, concçan
a alrir-sc os olIos, os ouvidos c os rcsianics
scniidos. A¡os un ccrio la¡so dc icn¡o, rcvcla-sc
o scniido inicrno, quando scnic quc vc, quc ouvc
c quc scnic. Dc¡ois, noiando as difcrcnças cnirc
as coisas, nanifcsia-sc o iniclccio; finalncnic, a
voniadc, a¡licando-sc a ccrios oljcios c fugindo
dc ouiros, assunc o ¡a¡cl dc dirciora.
En todus cstus coísus Iu unu g¡uduçuo, nus scn
tc¡no.
6. Mas cn cada una daquclas coisas Ia una
ncra gradaçao. Dc faio, ¡ouco a ¡ouco, a¡arccc a
inicligcncia, cono a luz radianic da aurora, c
concça a cncrgir da ¡rofunda cscuridao da noiic;
c, duranic iodo o icn¡o quc dura a vida, crcscc
scn¡rc nais a luz iniclcciual (a nao scr quc sc
iraic dc un dclil}, aic ao noncnio da noric. Dc
igual nodo, as nossas açõcs sao, a ¡rincí¡io,
61
icnucs, dclcis, rudcs c nuiio confusas; dc¡ois, a
¡ouco c ¡ouco, juniancnic con as forças do
cor¡o, ianlcn as ¡oicncialidadcs da alna sc
dcscnvolvcn, dc ial nancira quc, duranic iodo o
icn¡o da vida (c×ccio qucn c ionado dc un
c×ircno ior¡or, scndo cono quc un norio vivo},
Ia scn¡rc qualqucr coisa a fazcr, a ¡ro¡or c a
icniar; iodas aquclas faculdadcs, nuna alna
gcncrosa, icndcn scn¡rc nais ¡ara cina, scn
un icrno. Con cfciio, ncsia vida, nunca sc
conscguc cnconirar o fin, ncn dos nossos
dcscjos ncn das nossas icniaiivas.
Tudo ísto c dcnonst¡udo ¡cíu cx¡c¡ícncíu.
7. Para qualqucr ¡aric quc algucn sc volic,
conIcccra csia vcrdadc ¡or cסcricncia. Sc
algucn ana o ¡odcr c as riquczas, nao
cnconirara ondc saciar a sua fonc, ainda quc
cIcguc a ¡ossuir iodo o nundo, o quc c cvidcnic
¡clo c×cn¡lo dc Alc×andrc. Sc algucn ardc con
scdc dc Ionras, nao ¡odcra icr ¡az ainda quc scja
adorado ¡or iodo o nundo. Sc algucn sc cnircga
aos ¡razcrcs, cnlora iodos os scus scniidos
nadcn nun nar dc dclícias, iodas as coisas lIc
¡arcccn gasias c o scu a¡ciiic corrc dc un oljcio
¡ara ouiro. Sc algucn a¡lica a ncnic ao csiudo
da salcdoria, nunca cnconira o fin, ¡ois, quanio
nais coisas una ¡cssoa salc, ianio nclIor
con¡rccndc quc lIc rcsian nais ¡ara salcr.
Efciivancnic, con ioda a razao, Salonao dissc.
62
«Os olIos nao sc sacian dc vcr c os ouvidos icn
scn¡rc dcscjo dc cscuiar» (Ecícsíustcs, 1, 8}.
Ncn ncsno u no¡tc ¡oc ¡ín us nossus us¡í¡uçocs.
8. Os c×cn¡los dos norilundos ¡rovan quc ncn
a noric narca o uliino icrno das nossas
as¡iraçõcs. Con cfciio, à Iora da noric aquclcs
quc ¡assaran Ioncsiancnic a vida c×ulian ao
¡cnsar quc c ¡ara cnirar nuna vida nclIor; ao
conirario, aquclcs quc ncrgulIaran no anor da
vida ¡rcscnic, a¡crcclcndo-sc dc quc a vao
alandonar c dc quc dcvcrao cnigrar ¡ara ouiro
síiio, concçan a ircncr, c sc, dc un nodo ou dc
ouiro, ainda o ¡odcn fazcr, rcconcilian-sc con
Dcus c con os Ioncns. E cnlora o cor¡o,
cnfraquccido ¡clas dorcs, sc dcliliic, os scniidos
sc ofusqucn c a ¡ro¡ria vida cסirc, iodavia, a
ncnic, con nais vivacidadc quc nunca, rcaliza as
suas funçõcs, ionando con dcvoçao, gravidadc c
circuns¡ccçao as ncccssarias dis¡osiçõcs accrca
dc si ncsno, da fanília, da Icrança, do Esiado,
cic.; dc ial nancira quc, qucn vc norrcr un
Ioncn ¡icdoso c salio ¡arccc vcr un ¡cdaço dc
icrra quc sc csloroa, c qucn o ouvc falar, ¡arccc
ouvir un anjo; c icn ncccssariancnic quc
confcssar quc nao sc iraia scnao dc un Ios¡cdc
quc sc ¡rc¡ara ¡ara alandonar un ¡cqucno
iugurio ¡rcsics a cair cn ruínas. Os ¡ro¡rios
¡agaos con¡rccndcran csia vcrdadc; c ¡or isso
os ronanos, cono sc lc cn Fcsio|1|, cIanaran à
63
noric ¡u¡tídu, («ccaliiio»}, c os grcgos usan,
nuiias vczcs, a ¡alavra quc significa ir-sc
cnlora, cn vcz dc ¡c¡ccc¡ ou dc no¡¡c¡. Porquc,
scnao ¡orquc sc con¡rccndc quc, ¡cla noric, sc
¡assa ¡ara un ouiro lugar?
O cxcn¡ío do C¡ísto-Honcn cnsínu quc os Ioncns
suo dcstínudos u ctc¡nídudc.
9. Mas, a nos crisiaos, csia vcrdadc ¡arccc nais
clara dc¡ois quc Crisio, FilIo dc Dcus vivo,
cnviado do ccu a rc¡roduzir a inagcn dc Dcus
dcsa¡arccida dc nos, nosirou a ncsna coisa con
o scu c×cn¡lo. Efciivancnic, concclido c dado à
luz ncdianic o nascincnio, andou cnirc os
Ioncns; dc¡ois dc norio, rcssusciiou c suliu aos
ccus, c a noric ja O nao icn sol o scu donínio.
Ora Elc c cIanado, c c dc faio, o nosso ¡rccursor
(HcI¡cus, 6, 20}, o ¡rinogcniio dos irnaos
(Honunos, 8,29}, a calcça dos scus ncnlros
(E¡csíos, 1, 22 c 23}, o arqucii¡o dc iodos aquclcs
quc dcvcn scr rcfornados à inagcn dc Dcus
(Honunos, 8, 29}. Porianio, assin cono Elc nao
vcio ¡ara coniinuar a vivcr ncsic nundo, nas
¡ara ¡assar, icrninado o curso da vida, às
Ialiiaçõcs cicrnas, assin ianlcn nos, una vcz
quc nos calc a ncsna soric quc a Elc, nao
dcvcnos ¡crnancccr aqui, nas cnigrar ¡ara
ouiro lugar.
O Honcn tcn t¡cs cs¡ccícs dc no¡udu.
64
10. Para cada un dc nos, ¡orianio, csiao
csialclccidas ircs cs¡ccics dc vida c ircs cs¡ccics
dc norada. o uicro naicrno, a icrra c o ccu. Da
¡rincira, cnira-sc ¡ara a scgunda, ncdianic o
nascincnio; da scgunda, ¡ara a icrccira,
ncdianic a noric c a rcssurrciçao; da icrccira,
nunca nais sc sai, cicrnancnic. Na ¡rincira,
rccclcnos a¡cnas a vida, juniancnic con un
novincnio c scniidos inci¡icnics; na scgunda, a
vida, o novincnio c os scniidos con os
¡rinordios da inicligcncia; na icrccira, a
¡lcniiudc ¡crfciia dc iodas as coisas.
E t¡cs cs¡ccícs dc uídu.
11. A ¡rincira vida dc quc falci c una ¡rc¡araçao
¡ara a scgunda; a scgunda ¡ara a icrccira; a
icrccira, dc sua ¡ro¡ria naiurcza, nunca icrnina.
A ¡assagcn da ¡rincira ¡ara a scgunda c da
scgunda ¡ara a icrccira c csirciia c acon¡anIada
dc dorcs, c nun c nouiro caso sc dcvcn dc¡or os
dcs¡ojos ou involucros (ou scja, no ¡rinciro caso,
a ¡laccnia, c, no scgundo, o ¡ro¡rio organisno do
cor¡o}, cono faz o ¡iniainIo, quando, quclrada a
casca, sai ¡ara fora. A ¡rincira c a scgunda
norada, ¡orianio, sao cono duas oficinas.
naqucla forna-sc o cor¡o ¡ara uso da vida
scguinic; ncsia, forna-sc a alna racional ¡ara
uso da vida cicrna; a icrccira norada ¡roduz a
vcrdadcira ¡crfciçao c ¡razcr dc anlos.
65
Os ís¡ucíítus suo sìnIoío dísto.
12. Assin, os isracliias (scja-nos líciio ada¡iar
csic sínlolo ao nosso caso} foran gcrados no
Egiio c dc la, ¡clos csirciios caninIos dos
nonics c do Mar VcrnclIo, iransfcridos ¡ara o
dcscrio, aí acan¡aran cn icndas, a¡rcndcran a
lci, luiaran con varios ininigos; finalncnic,
airavcssado ¡cla força o Jordao, foran
consiiiuídos Icrdciros da icrra dc Canaan, ondc
corrian rios dc lciic c dc ncl.
66

Capítulo III
ESTA VIDA
NÃO É
SENÃO UMA PREPARAÇÃO
PARA A VIDA ETERNA

TcstcnunIos dcstu uc¡dudc
1. Quc csia vida, una vcz quc icndc ¡ara ouira,
nao c vida (falando con rigor}, nas un ¡rocnio
da vida vcrdadcira c quc durara ¡ara scn¡rc,
iornar-sc-a cvidcnic, ¡rinciro, ¡clo icsicnunIo
dc nos ncsnos; scgundo, ¡clo icsicnunIo do
nundo; c, finalncnic, ¡clo icsicnunIo da
Sagrada Escriiura.
1. Pcío tcstcnunIo dc nòs ncsnos.
2. Sc lançarnos un olIar iniros¡cciivo solrc nos
ncsnos, vcrcnos quc iodas as coisas da nossa
vida ¡roccdcn dc ial nodo gradualncnic, quc a
anicccdcnic ¡rc¡ara o caninIo ¡ara a scguinic.
Por c×cn¡lo. a nossa ¡rincira vida dcscnvolvc-sc
nas vísccras naicrnas. Mas cn ¡rovciio dc
qucn? Acaso cn ¡rovciio dc si ncsna? Dc nodo
algun. Traia-sc a¡cnas dc fornar
convcnicnicncnic un ¡cqucnino cor¡o ¡ara
scrvir dc Ialiiaçao c dc insiruncnio à alna, ¡ara
67
conodidadc c uso da vida scguinic, a qual
vivcnos à luz do sol. E a¡cnas aquclc ¡cqucnino
cor¡o csia ¡crfciio, sonos dados à luz, ¡ois ja
nao Ia ncnIuna razao ¡ara quc coniinui
naquclas ircvas. Do ncsno nodo, ¡orianio, csia
vida quc vivcnos à luz do sol nao c scnao una
¡rc¡araçao ¡ara a vida cicrna, dc ial nancira quc
nao c dc adnirar quc a alna sc sirva do cor¡o
¡ara conscguir aquclas coisas quc lIc scrao uicis
¡ara a vida fuiura. A¡cnas fciios csics
¡rc¡araiivos, cnigranos daqui, ¡orquc nada
nais icnos aqui a fazcr. É vcrdadc quc alguns,
anics quc icnIan fciio csscs ¡rc¡araiivos, sao
arrclaiados, ou anics, lançados no scio da noric,
do ncsno nodo quc, nos casos dc alorio, o fcio c
lançado fora do uicro, nao ¡ara o scio da vida,
nas ¡ara o scio da noric; cn anlos os casos,
¡orcn, isso aconiccc, c ccrio quc con a
¡crnissao dc Dcus, nas coniudo, ¡or cul¡a dos
Ioncns.
2. O nundo uísìucí ¡oí c¡íudo soncntc ¡u¡u sc¡uí¡
dc scncntcí¡u, dc uííncntudo¡ c dc cscoíu uos
Ioncns.
3. Tanlcn o nundo visívcl, dc qualqucr ¡aric
quc sc olIc, aicsia quc nao foi criado ¡ara ouiro
fin scnao ¡ara scrvir ¡ara a nulii¡licaçao, ¡ara a
alincniaçao c ¡ara a cducaçao do gcncro
Iunano.
68
Con cfciio, una vcz quc a Dcus nao a¡rouvc
criar os Ioncns iodos junios, no ncsno
noncnio, cono fcz con os anjos, nas ¡roduziu
a¡cnas un nacIo c una fcnca, dando-lIcs, a
fin dc quc, ¡or via dc gcraçao, sc nulii¡licasscn,
as forças ncccssarias c a sua lcnçao, foi ¡rcciso
conccdcr un cs¡aço dc icn¡o ncccssario ¡ara
csia succssiva nulii¡licaçao, ¡clo quc foran
conccdidos alguns nilIarcs dc anos. E ¡ara quc
cssc icn¡o nao fossc un icn¡o dc confusao, dc
surdcz c dc ccgucira, fcz a c×icnsao dos ccus,
guarnccidos con o sol, a lua c as csirclas, c
ordcnou quc csics asiros, con as suas
rcvoluçõcs, scrvisscn ¡ara ncdir as Ioras, os
dias, os ncscs c os anos. A scguir, una vcz quc o
Ioncn scria una criaiura cor¡orca, con
ncccssidadc dc un lugar ¡ara Ialiiar, dc un
cs¡aço ¡ara rcs¡irar c ¡ara sc novcr, dc alincnio
¡ara crcsccr c dc vcsiidos ¡ara sc adornar, fcz (na
¡aric nais lai×a do nundo} un ¡avincnio
solido, a icrra. c circundou-a dc ar c lanIou-a
con as aguas, c ordcnou-lIc quc ¡roduzissc
¡lanias c aninais nuliiforncs, nao a¡cnas ¡ara
saiisfazcr as ncccssidadcs do Ioncn, nas
ianlcn ¡ara scu dclciic. E, una vcz quc fornara
o Ioncn à sua inagcn, doiado dc inicligcncia,
¡ara quc ianlcn nao faliassc à inicligcncia o scu
alincnio, dcrivou dc cada una das criaiuras
nuiias c varias cs¡ccics, ¡ara quc csic nundo
visívcl a¡arcccssc cono un lucidíssino cs¡clIo
69
da infiniia ¡oicncia, salcdoria c londadc dc
Dcus, na conicn¡laçao do qual o Ioncn fossc
arrclaiado ¡or un scniincnio dc adniraçao ¡clo
Criador c in¡clido a conIccc-lo c novido a ana-
lo. Efciivancnic, a solidcz, a lclcza c a doçura do
Criador ¡crnanccc invisívcl c cscondida no
alisno da cicrnidadc, nas ¡or ioda a ¡aric
lrilIa ¡or ncio das coisas visívcis c ¡rcsia-sc a
scr a¡al¡ada, olscrvada c salorcada. Porianio,
csic nundo nada nais c quc a nossa scncnicira,
o nosso alincniador c a nossa cscola. Dcvc, ¡or
isso, c×isiir un nuís uícn («Plus ulira»}, ondc,
una vcz saídos das aulas dcsia cscola, nos
nairicularcnos na Acadcnia Eicrna. Pcla razao,
¡orianio, consia quc as coisas sc ¡assan assin;
nas c ainda nais cvidcnic ¡clas Sagradas
Escriiuras.
3. O ¡¡ò¡¡ío Dcus o utcstu con us suus ¡uíuu¡us.
4. O ¡ro¡rio Dcus afirna, ¡cla loca dc Oscias,
quc os ccus c×isicn ¡or causa da icrra, a icrra
¡or causa do irigo, do vinIo c do azciic, c iudo
isio ¡or causa dos Ioncns (Oscíus, 2,22}. Tudo,
¡orianio, c×isic ¡or causa do Ioncn, aic o
¡ro¡rio icn¡o. Con cfciio, nao scra conccdida ao
nundo una duraçao nais longa quc a ncccssaria
¡ara con¡lciar o nuncro dos clciios (A¡ocuíí¡sc,
6, 11}. A¡cnas csic nuncro csicja con¡lcio, os
ccus c a icrra dcsa¡arcccrao c nao sc cnconirara
nais lugar ¡ara clcs (A¡ocuíí¡sc, 2U,?}, ¡ois
70
surgira un novo ccu c una nova icrra, ondc
Ialiiara a jusiiça (A¡ocuíí¡sc, 21,1 c 2; Pcd¡o, II,
3, 18}. Finalncnic, aic os noncs quc as Sagradas
Escriiuras dao a csia vida dao a cnicndcr quc
csia nao c scnao una ¡rc¡araçao ¡ara ouira.
Con cfciio, dao-lIc o nonc dc uíu, uíugcn, ¡o¡tu,
cs¡c¡u; c a nos, o nonc dc ¡c¡cg¡ínos, ¡o¡ustcí¡os,
ínquííínos, us¡í¡untcs a una ouira cidadania, a
qual scra vcrdadcirancnic ¡crnancnic (Gcncsís,
47,9; Suíno 29, 13; JoI, 7, 12; Lucus, 12, 36}.
A cx¡c¡ícncíu.
5. Todas csias coisas sao dcnonsiradas ¡clos
¡ro¡rios faios c ¡cla condiçao dc iodos os
Ioncns, o quc c colocado sol os olIos dc iodos
nos. Con cfciio, qucn dc iodos os quc nasccran,
dc¡ois quc a¡arcccu no nundo, nao dcsa¡arcccu
dc novo? Prccisancnic ¡orquc sonos dcsiinados
à cicrnidadc. Porquc, ¡orianio, ¡cricnccnos à
cicrnidadc, c ncccssario quc csia vida scja
a¡cnas una ¡assagcn. Por isso Crisio dissc.
«Esiai ¡rc¡arados, ¡orquc nao salcis cn quc
Iora vira o FilIo do Ioncn» (Mutcus, 24, 44}. E c
csia a razao (salcno-lo ianlcn ¡cla Escriiura}
¡or quc Dcus cIana dcsic nundo alguns ainda
na ¡rincira idadc da vida. cIana-os ccriancnic
quando os vc ¡rc¡arados cono Enoc (Gcncsís, 4,
24; SuIcdo¡íu, 4, 14}. Porquc c quc, ao conirario,
usa dc longaninidadc ¡ara con os naus? Scn
duvida, ¡orquc nao qucr sur¡rccndcr ningucn
71
nao ¡rc¡arado, nas quc iodos sc convcrian
(Pcd¡o II, 3, 9}. Sc, iodavia, algun coniinua a
alusar da ¡acicncia dc Dcus, csic ordcna quc
scja arrclaiado ¡cla noric.
Concíusuo.
6. Porianio, assin cono c ccrio quc a csiadia no
uicro naicrno c una ¡rc¡araçao ¡ara vivcr no
cor¡o, assin ianlcn c ccrio quc a csiadia no
cor¡o c una ¡rc¡araçao ¡ara aqucla vida quc
scra una coniinuaçao da vida ¡rcscnic c durara
cicrnancnic. Fcliz aquclc quc sai do uicro
naicrno con os ncnlros lcn fornados! Mil
vczcs nais fcliz aquclc quc sair dcsia vida con a
alna lcn lin¡a!
72

Capítulo IV
OS GRAUS
DA PREPARAÇÃO
PARA A ETERNIDADE
SÃO TRÊS:
CONHECER-SE A SI MESMO
(E CONSIGO TODAS AS COISAS),
GOVERNAR-SE
E DIRIGIR-SE PARA DEUS

Dc ondc sc udquí¡c o conIccíncnto dos ¡íns
sccundu¡íos do Ioncn, suIo¡dínudos uo ¡ín
su¡¡cno (u ctc¡nídudc)¯
1. É cvidcnic, ¡orianio, quc o fin uliino do
Ioncn c a lcaiiiudc cicrna con Dcus. Quais
scjan os fin sulordinados àquclc c conforncs a
csia vida iransiioria, iorna-sc cvidcnic ¡clas
¡alavras con quc Dcus nanifcsiou a rcsoluçao
dc criar o Ioncn. «Façanos o Ioncn à nossa
inagcn c scnclIança, c ¡rcsida aos ¡ci×cs do
nar, c às avcs do ccu, c aos aninais sclvaiicos, c
a ioda a icrra, c a iodos os rc¡icis quc sc novcn
solrc a icrra» (Gcncsís, 1, 26}.
Suo t¡cs.
73
1. quc conIcçu todus us coísus;
2. quc sc¡u ¡cí dc sí ncsno;
3. quc sc¡u dcíìcíu dc Dcus.
2. Ora, dcsia ¡assagcn, iorna-sc cvidcnic quc foi
colocado cnirc as criaiuras visívcis ¡ara quc scja.
I. Criaiura racional.
II. Criaiura scnIora das ouiras criaiuras
III. Criaiura inagcn c dclícia do scu Criador
Esias ircs coisas csiao dc ial nodo ligadas
quc nao ¡odc adniiir-sc ncnIun divorcio cnirc
clas, ¡orquc solrc clas sc funda a lasc da vida
¡rcscnic c da fuiura.
Çuc sígní¡ícu quc c c¡íutu¡u ¡ucíonuí¯
3. Quc c criaiura racional qucr dizcr quc olscrva,
da o nonc c sc a¡crcclc dc iodas as coisas, isio
c, quc ¡odc conIcccr c dar un nonc a iodas as
coisas dcsic nundo c cnicndc-las, cono c
cvidcnic (Gcncsís, 2, 19}. Ou cniao, scgundo a
cnuncraçao dc Salonao (SuIcdo¡íu, 7, 17 c ss.}.
conIcccr a consiiiuiçao do nundo c a força dos
clcncnios, o ¡rincí¡io c o fin c o ncio das
csiaçõcs, as nudanças dos solsiícios c a
varialilidadc do icn¡o, a duraçao do ano c a
¡osiçao das csirclas, a naiurcza dos aninais c a
alna dos lruios, as forças dos cs¡íriios c os
¡cnsancnios dos Ioncns, as difcrcnças das
¡lanias c a ¡oicncia das suas raízcs. nuna
74
¡alavra, iodas as coisas oculias ou nanifcsias,
cic. Nisio csia con¡rccndido ianlcn a cicncia
dos ariíficcs c a aric da ¡alavra; dc ial nancira
quc (cono diz o Eclcsiasiico} cn ncnIuna coisa,
¡cqucna ou grandc, Iaja algo dc dcsconIccido
(Ecícsíustíco, 5, 18}. Soncnic assin, con cfciio,
¡odcra dc faio conscrvar o iíiulo dc aninal
racional, isio c, sc conIcccr os fundancnios dc
iodas as coisas.
Çuc sígní¡ícu quc c scnIo¡ dus out¡us c¡íutu¡us¯
4. Quc c o scnIor das ouiras criaiuras qucr dizcr
quc, ordcnando iudo ¡ara fins lcgíiinos, faz
rcvcricr iudo uiilncnic cn scu ¡rovciio; qucr
dizcr quc, ¡oriando-sc ¡or ioda a ¡aric, no ncio
das criaiuras, cono un rci, isio c, gravc c
saniancnic (ou scja, adorando a¡cnas o Criador
acina dc si ncsno; os anjos dc Dcus, scus
con¡anIciros, cono a si ncsno, c iodas as
ouiras coisas ncnos quc a si ncsno} dcfcndc a
dignidadc quc lIc c conccdida; quc nao csia
sujciio a ncnIuna criaiura, ncn ncsno à
¡ro¡ria carnc c quc a¡rovciia dc iudo c dc iudo
sc scrvc livrcncnic; quc nao ignora ondc,
quando, cono c aic quc ¡onio dcvc olcdcccr ao
cor¡o, c ondc, quando, cono c aic quc ¡onio dcvc
scrvir o ¡ro×ino. Nuna ¡alavra, quc ¡odc rcgular
¡rudcnicncnic os novincnios c as açõcs,
c×icrnas c inicrnas, dc si ncsno c dos ouiros.
75
Çuc sígní¡ícu quc c ínugcn dc Dcus¯
5. Finalncnic, quc c inagcn dc Dcus, qucr dizcr
quc rc¡rcscnia ao vivo a ¡crfciçao do scu
arqucii¡o, cono diz o ¡ro¡rio Arqucii¡o. «Scdc
sanios, ¡orquc Eu, o vosso Dcus, sou sanio»
(Lcuìtíco, 19, 2}.
Os ¡c¡c¡ídos t¡cs ut¡íIutos ¡cduzcn-sc.
1. u ínst¡uçuo;
2. u uí¡tudc;
3. u ¡ícdudc.
6. Daqui sc scguc quc os auicniicos rcquisiios do
Ioncn sao. 1. quc icnIa conIccincnio dc iodas
as coisas; 2. quc scja ca¡az dc doninar as coisas
c a si ncsno; 3. quc sc dirija a si c iodas as
coisas ¡ara Dcus, fonic dc iudo. Esias ircs
coisas, sc as quiscrnos cסrinir ¡or ircs ¡alavras
vulgarncnic conIccidas, scrao.
I. Insiruçao,
II. Viriudc, ou scja, Ioncsiidadc dc cosiuncs,
III. Fcligiao, ou scja, ¡icdadc;
cnicndcndo-sc ¡or ínst¡uçuo, o conIccincnio
¡lcno das coisas, das arics c das línguas; ¡or
costuncs, nao a¡cnas a urlanidadc c×icrior, nas
a ¡lcna fornaçao inicrior c c×icrior dos
novincnios da alna; c ¡or ¡cíígíuo, a vcncraçao
inicrior, ¡cla qual a alna Iunana sc liga c sc
¡rcndc ao Scr su¡rcno.
76
Estus t¡cs coísus suo o csscncíuí do Ioncn ncstu
uídu; todus us out¡us suo uccssò¡íus (¤upsu) .
7. Ncsias ircs coisas rcsidc ioda a c×cclcncia do
Ioncn, ¡orquc so csias sao o fundancnio da
vida ¡rcscnic c da fuiura; as ouiras (a saudc, a
força, a lclcza, o ¡odcr, a dignidadc, a anizadc, o
succsso, a longcvidadc} nao sao scnao acrcscinos
c ornancnios c×icrnos da vida, sc acaso Dcus os
junia a cla, ou vaidadcs su¡crfluas, ¡csos inuicis
c csiorvos nocivos, sc algucn, dcscjando-os
a¡ai×onadancnic, os vai ¡rocurar, c, dcscuradas
as coisas nais in¡orianics, dclcs sc ocu¡a c
nclcs sc ncrgulIa.
Iíust¡u-sc ísto con o cxcn¡ío.
1. do ¡cíògío.
8. Ilusiro a ninIa afirnaçao con c×cn¡los. O
rclogio (solar ou nccanico} c un insiruncnio
clcganic c nuiio ncccssario ¡ara ncdir o icn¡o,
cuja sulsiancia ou csscncia c consiiiuída ¡or
una corrcs¡ondcncia ¡crfciia dc iodas as suas
¡arics. Os csiojos cn quc sc coloca, as
csculiuras, as ¡iniuras c os dourados sao coisas
accssorias quc acrcsccnian qualqucr coisa à sua
lclcza, nas nada à sua londadc. Sc algucn
quiscr un insiruncnio dcsics dc ¡rcfcrcncia lclo
a lon, scra cscarnccida a sua ¡ucrilidadc, ¡ois
nao rc¡ara ondc csia solrciudo a uiilidadc.
2. do cuuuío.
77
Do ncsno nodo, o valor dc un cavalo csia na
sua força junia con a nagnaninidadc ou
agilidadc c a ¡roniidao do volicar; a cauda solia
ou aiada, a crina ¡cnicada c crcia, os frcios
dourados, a gualdra¡a con lordados dc ouro, c
os colarcs, scjan dc quc cs¡ccic forcn, c vcrdadc
quc acrcsccnian ornancnio, nas, sc vísscnos
algucn ncdir ¡or csias coisas a c×cclcncia do
cavalo, cIanar-lIc-íanos csiu¡ido.
3. du suúdc
Finalncnic, o lon csiado da nossa saudc
dc¡cndc dc una digcsiao rcgular c dc una loa
dis¡osiçao inicrior. Dciiar-sc cn lciios nolcs,
irazcr vcsiidos lu×uosos c concr alincnios
salorosos, nao so nao favorccc a saudc, nas aic
a ¡rcjudica; ¡or isso, qucn ¡rocura coisas
dclciiavcis dc ¡rcfcrcncia a coisas sas, c un
inscnsaio. E c un inscnsaio infiniiancnic nais
¡rcjudicial aquclc quc, dcscjando scr Ioncn, sc
¡rcocu¡a nais con os ornancnios quc con a
csscncia do Ioncn. Por isso, o Salio cIana
ín¡io c csiulio «a qucn julga quc a nossa vida c
coisa dc lurla c un ncrcado lucraiivo» c diz c
rc¡cic quc «a a¡rovaçao c a lcnçao dc Dcus csia
nuiio longc dc scnclIanic Ioncn» (SuIcdo¡íu,
15, 12 c 19}.
Concíusuo.
78
9. Fiquc, ¡orianio, asscnic isio. quanio naior c a
aiividadc quc, ncsia vida sc dcs¡cndc ¡or anor
da insiruçao, da viriudc c da ¡icdadc, ianio nais
nos a¡ro×inanos do fin uliino. Por isso, scjan
csias ircs coisas a olra csscncial da nossa vida
; iudo o rcsio c accssorio, cn¡ccilIo,
a¡arcncia cnganosa.
79

Capítulo V
AS SEMENTES
DAQUELAS TRÊS COISAS
(DA INSTRUÇÃO, DA MORAL E DA RELIGIÃO)
SÃO POSTAS
DENTRO DE NÓS
PELA NATUREZA

A ¡¡ínítíuu nutu¡czu do Ioncn c¡u Iou. u cíu
(ííIc¡tundo-nos du co¡¡u¡çuo) dcucnos ¡cg¡cssu¡.
1. Ncsic lugar, ¡or naiurcza, cnicndcnos, nao a
corru¡çao quc, dc¡ois da qucda, a iodos aiingiu
(c ¡or causa da qual sonos cIanados, ¡or
naiurcza, ¡ííIos du í¡u|1|, inca¡azcs, ¡or nos
¡ro¡rios, dc ¡cnsar scja o quc for dc lon}, nas o
nosso csiado ¡riniiivo c fundancnial, ao qual
dcvcnos rcgrcssar cono nosso ¡rincí¡io. Ncsic
scniido, Luís dc Vivcs dissc. «Quc ouira coisa c o
crisiao scnao o Ioncn rcgrcssado à sua naiurcza
c rcsiiiuído, ¡or assin dizcr, à sua origcn, dc
ondc o dcnónio o Iavia afasiado?» (Du Concò¡díu
c du Díscò¡díu, livro I}|2|. Ncsic scniido ianlcn
¡odc ionar-sc aquilo quc Scncca cscrcvcu. «A
salcdoria csia cn rcgrcssar à naiurcza c cn
voliar àquclc lugar dc ondc o crro ¡ullico (ou
sc¡u, o c¡¡o conctído ¡cío gcnc¡o Iununo ut¡uucs
dos ¡¡íncí¡os ¡uís}|3| nos cסulsou». E diz ainda.
80
«O Ioncn nao c lon, nas, lcnlrando-sc da sua
origcn, iransforna-sc cn lon, ¡ara quc icnda a
igualar Dcus. Dcsoncsiancnic, ningucn
conscguc sulir ao lugar dc ondc dcsccra» (Cu¡tu
93}|4|.
A ¡o¡çu ¡¡oucnícntc du ¡¡ouídcncíu ctc¡nu ín¡cíc
¡u¡u o cstudo ¡¡ínítíuo.
2. Enicndcnos ianlcn ¡cla ¡alavra naiurcza a
¡rovidcncia univcrsal dc Dcus, ou scja, o influ×o
inccssanic da londadc divina ¡ara o¡crar iudo
cn iodos, ou scja, cn cada criaiura aquilo ¡ara
quc a dcsiinou. Na vcrdadc, o oljciivo da
salcdoria divina foi nada fazcr cn vao, isio c,
ncn scn qualqucr finalidadc, ncn scn os ncios
adcquados ¡ara conscguir cssc fin. Por
conscqucncia, iudo o quc c×isic, c×isic ¡ara
qualqucr fin, c ¡ara quc o ¡ossa aiingir foi
doiado dos ncccssarios orgaos c au×ílios; nais
ainda, foi doiado ianlcn dc una vcrdadcira
icndcncia, a fin dc quc nunca scja in¡clido ¡ara
o scu fin conira a sua voniadc c con rcluiancia,
nas anics con ¡roniidao c con ¡razcr ¡clo
insiinio da ¡ro¡ria naiurcza, dc nodo quc, sc
disso c naniido afasiado, advcnIa o sofrincnio c
a noric. É ccrio, ¡or isso, quc ianlcn o Ioncn
foi fciio, ¡or naiurcza, a¡io ¡ara a inicligcncia
das coisas, ¡ara a Iarnonia dos cosiuncs c ¡ara
o anor a Dcus solrc iodas as coisas (vinos ja,
con cfciio, quc foi dcsiinado ¡ara csias coisas}, c
81
c iao ccrio quc as raízcs daquclas ircs coisas sc
cnconiran nclc, quanio c ccrio quc a cada ¡lania
foran dadas as raízcs sol a icrra.
A suIcdo¡íu coíocou no Ioncn ¡uìzcs ctc¡nus.
3. Para quc sc iornc nais cvidcnic o quc ¡rcicndc
dizcr o Eclcsiasiico quando ¡roclana quc a
salcdoria colocou fundancnios cicrnos nos
Ioncns (Ecícsíustíco, 1, 14}, vcjanos quc
fundancnios dc SuIcdo¡íu, dc Ví¡tudc c dc
Hcíígíuo foran ¡osios cn nos, ¡ara quc nos
a¡crcclanos quao naravilIoso organisno dc
salcdoria c o Ioncn.
I. To¡nundo-o u¡to ¡u¡u udquí¡í¡ conIccíncnto dus
coísus. O quc c cuídcntc, ¡o¡quc o ¡cz.
1. suu ínugcn
4. É cvidcnic quc iodo o Ioncn nascc a¡io ¡ara
adquirir conIccincnio das coisas. ¡rinciro,
¡orquc c inagcn dc Dcus. Con cfciio, a inagcn,
sc c ¡crfciia, a¡rcscnia ncccssariancnic os
iraços do scu arqucii¡o, ou cniao nao scra una
inagcn. Ora, una vcz quc, cnirc os airiluios dc
Dcus, sc dcsiaca a onniscicncia,
ncccssariancnic lrilIara no Ioncn algo dc
scnclIanic a cla. E ¡orquc nao? Scn duvida quc
o Ioncn csia no ncio das olras dc Dcus, icndo
una ncnic lucida, cono un cs¡clIo csfcrico,
sus¡cnso na ¡arcdc dc una sala, o qual rccclc a
inagcn dc iodas as coisas, digo, dc iodas as
82
coisas quc o rodcian. Efciivancnic, a nossa
ncnic nao a¡rccndc soncnic as coisas vizinIas,
nas ianlcn a¡ro×ina dc si as quc csiao
afasiadas (qucr quanio ao lugar, qucr quanio ao
icn¡o}, crguc-sc às quc csiao clcvadas, invcsiiga
as oculias, dcsvcla as vcladas c csforça-sc ¡or
¡crscruiar aic as in¡crscruiavcis, dc ial nancira
c algo dc infiniio c dc indcicrninavcl. Sc fosscn
conccdidos ao Ioncn nil anos dc vida, duranic
os quais a¡rcndcssc consianicncnic qualqucr
coisa, dcduzindo una coisa dc ouira, iodavia,
icria scn¡rc ondc rccclcr ouiras coisas quc sc
lIc a¡rcscniasscn, a ial ¡onio a ncnic do
Ioncn c dc ca¡acidadc incsgoiavcl quc, no
conIccincnio, sc a¡rcscnia cono un alisno.
O nosso ¡cqucno cor¡o csia cnccrrado nun
círculo csirciio; a nossa voz vai un ¡ouco nais
alcn; a visia a¡cnas cIcga à cu¡ula cclcsic; nas
à nossa ncnic nao ¡odc fi×ar-sc un liniic, ncn
no ccu ncn fora do ccu. ianio sc clcva acina dos
ccus dos ccus, cono dcscc alai×o do alisno do
alisno; c ncsno quc csics cs¡aços fosscn
nilIõcs dc vczcs nais vasios do quc sao, cla aí
¡cnciraria, iodavia, con incrívcl ra¡idcz. E
Iavcnos cniao dc ncgar quc iodas as coisas lIc
sao accssívcis, quc cla c ca¡az dc iudo?
2. Hcsuno do uníuc¡so.
83
5. O Ioncn c cIanado ¡clos filosofos ,
rcsuno do univcrso, con¡rccndcndo, dc nodo
olscuro, iodas as coisas quc sc vccn ¡or ioda a
¡aric an¡lancnic cs¡alIadas ¡clo univcrso
(nuc¡o-cosnos}. Quc assin c, dcnonsirar-sc-a
nouiro lugar|5|. En conscqucncia disso, a ncnic
do Ioncn quc cnira no nundo con¡ara-sc con
nuiia razao a una scncnic ou a un caroço, no
qual, cnlora nao c×isia ainda cn aio a figura da
crva ou da arvorc, iodavia, nclc c×isic ja dc faio a
crva ou a ¡lania, cono sc iorna cvidcnic quando
a scncnic, nciida dclai×o da icrra, lança ¡ara
lai×o as raízcs c ¡ara cina os rclcnios, os quais,
¡ouco dc¡ois, ¡or una força ingcniia, sc alongan
cn ranos c cn ranagcns, sc colrcn dc folIas c
sc adornan dc florcs c dc fruios.
N.H.
Nao c ncccssario, ¡orianio, iniroduzir nada no
Ioncn a ¡ariir do c×icrior, nas a¡cnas fazcr
gcrninar c dcscnvolvcr as coisas das quais clc
conicn o gcrncn cn si ncsno c fazcr-lIc vcr
qual a sua naiurcza. Por isso, acciianos quc
Piiagoras cosiunava dizcr quc cra iao naiural ao
Ioncn salcr iudo quc, sc un ncnino dc scic
anos fossc ¡rudcnicncnic inicrrogado accrca dc
iodas as qucsiõcs dc ioda a filosofia, con ccricza
quc ¡odcria rcs¡ondcr a iodas, ¡rccisancnic
¡orquc a luz da razao c a forna c a norna
suficicnic dc iodas as coisas. Sin¡lcsncnic
84
agora, a¡os a qucda, quc o olscurccc c confundc,
c inca¡az dc sc lilcriar ¡clos scus ¡ro¡rios
ncios; c aquclcs quc dcvcrian ajuda-lo nao
conirilucn scnao ¡ara auncniar o cnlaraço cn
quc sc cnconira.
3. Dotudo dc scntídos
6. Alcn disso, à alna racional quc Ialiia cn nos,
foran acrcsccniados orgaos c cono quc
cnissarios c olscrvadorcs, con a ajuda dos
quais, ou scja, da visia, do ouvido, do olfaio, do
gosio c do iaio, cla ¡rocura cIcgar a iudo aquilo
quc sc cnconira fora dcla, dc ial nancira quc, dc
iodas as coisas criadas, nada ¡odc ¡crnancccr-
lIc cscondido. Una vcz quc, ¡orianio, no nundo
visívcl, nada Ia quc sc nao ¡ossa vcr, ou ouvir,
ou a¡al¡ar, c, ¡or isso, quc sc nao ¡ossa salcr o
quc c c dc quc naiurcza c, daí sc scguc quc nada
c×isic no nundo quc o Ioncn, doiado dc
scniidos c dc razao, nao consiga a¡rccndcr.
4. Estínuíudo ¡cío dcsc¡o dc suIc¡.
7. Esia in¡laniado ianlcn no Ioncn o dcscjo
dc salcr; c nao a¡cnas a acciiaçao rcsignada,
nas aic o a¡ciiic do iralalIo|6|. Surgc logo na
¡rincira idadc infaniil c acon¡anIa-nos duranic
ioda a vida. Con cfciio, qucn nao cסcrincnia a
in¡acicncia dc ouvir, dc vcr ou dc a¡al¡ar
scn¡rc algo dc novo? Qucn nao scnic ¡razcr cn
con¡arcccr iodos os dias cn qualqucr lugar, ou
85
cn convcrsar con algucn, cn ¡crguniar
qualqucr coisa? En rcsuno, cis o quc sc ¡assa.
os olIos, os ouvidos, o iaio c ianlcn a ncnic,
¡rocurando scn¡rc o scu alincnio, lançan-sc
scn¡rc ¡ara fora dc si ncsnos, nada Iavcndo,
¡ara una naiurcza viva, iao iniolcravcl cono o
ocio c o ior¡or. E una vcz quc aic os idioias
adniran os Ioncns douios, quc significa isio
scnao quc ianlcn os idioias cסcrincnian ¡clo
salcr os airaiivos dc un dcscjo naiural, nos
quais clcs ¡ro¡rios gosiarian dc ¡ariici¡ar, sc
acIasscn quc isso cra ¡ossívcl?; nas ¡orquc
vccn quc isso nao c ¡ossívcl, sus¡iran c olIan
con rcvcrcncia aquclcs quc vccn dc inicligcncia
nais clcvada.
Dc ondc ¡csuítu quc nuítos, tonundo-sc u sí
ncsnos ¡o¡ guíu, conscgucn ¡cnct¡u¡ no
conIccíncnto dus coísus.
8. Os c×cn¡los dos auiodidaias nosiran, dc
nancira cvidcnic, quc o Ioncn, conduzido ¡cla
naiurcza, ¡odc a¡rcndcr iodas as coisas. Con
cfciio, alguns foran nais adianic quc os scus
¡ro¡rios ncsircs, ou (cono diz S. Dcrnardo}|7|,
cnsinados ¡clos carvalIos c ¡clas faias (ou scja,
¡asscando c ncdiiando nas florcsias} fizcran
nais ¡rogrcssos quc ouiros, insiruídos na cscola
dc diligcnics ¡rofcssorcs. Acaso nao nos nosira
isio quc, dcniro do Ioncn, csiao, dc faio, iodas
as coisas, isio c, o facIo c o candiciro, o azciic c a
86
iorcida, c iudo o ncccssario? Dasia-lIc salcr
riscar o fosforo, fazcr ionar fogo à accndalIa, c
accndcr as luzcs ¡ara quc vcja, ianio cn si
ncsno cono no vasio nundo (olscrvando cono
iodas as coisas foran ordcnadas con nuncro,
ncdida c ¡cso|8|}, os naravilIosos icsouros da
salcdoria dc Dcus, nun cs¡ciaculo cIcio dc
lclcza. Sc, ¡orcn, a sua luz inicrior nao csia
accsa, nas a¡cnas sc faz girar do c×icrior, à volia
dclc, as lan¡adas das o¡iniõcs alIcias, nao ¡odc
aconicccr divcrsancnic do quc aconiccc; c cono
sc sc fizcssc girar arcIoics à volia dc una ¡risao
olscura c fccIada, dos quais cnirarian ¡clos
rcs¡iradouros soncnic alguns raios, nas nao a
¡lcna luz. É ¡rccisancnic cono dissc Scncca. «As
scncnics dc iodas as arics csiao colocadas
dcniro dc nos, c Dcus, nosso ncsirc, dc una
nancira oculia, ¡roduz os gcnios»|9|.
A nossu ncntc c con¡u¡udu.
1. u tc¡¡u;
2. u un ¡u¡dín;
3. u unu tuIuu ¡usu.
9. O ncsno nos cnsinan as coisas a quc sc
con¡ara a nossa ncnic. Con cfciio, a icrra (à
qual, nuiias vczcs, a Sagrada Escriiura con¡ara
o nosso coraçao}|10| nao rccclc acaso scncnics
dc ioda a cs¡ccic? E acaso un so c o ncsno
jardin nao ¡crniic quc nclc sc ¡lanicn crvas,
florcs c ¡lanias aronaiicas dc ioda a cs¡ccic?
87
Con ccricza, sc ao jardinciro nao falia ¡rudcncia
c zclo. E quanio naior for a varicdadc, ianio nais
lclo scra o cs¡ciaculo ¡ara os olIos, ianio nais
suavc c o ¡razcr ¡ara o nariz c ianio nais foric c
o conforio ¡ara o coraçao.
Arisioiclcs con¡arou a alna Iunana a una
ialua rasa, ondc nada csia cscriio c ondc sc ¡odc
cscrcvcr iudo|11|. Porianio, da ncsna nancira
quc, nuna ialua, ondc nao Ia nada, o cscriior
¡odc cscrcvcr, c o ¡inior ¡iniar aquilo quc qucr,
dcsdc quc saila da sua aric, assin ianlcn na
ncnic Iunana, con a ncsna facilidadc, qucn
nao ignora a aric dc cnsinar ¡odc gravar a cfígic
dc iodas as coisas. E sc isio nao aconiccc, con
ioda a ccricza quc nao c ¡or cul¡a da ialua
(c×ccio, una ou ouira vcz, quando cla c
dcnasiado rugosa}, nas ¡or ignorancia do
cscrivao ou do ¡inior. Ha, ¡orcn, una difcrcnça.
na ialua, nao c ¡ossívcl iraçar linIas scnao aic
ao liniic cn quc as nargcns o ¡crniicn, ao
¡asso quc, na ncnic, ¡or nais quc sc cscrcva ou
cscul¡a, nunca sc cnconira un sinal quc indiquc
o icrno, ¡ois (cono airas sc olscrvou}, cla nao
icn icrno.
4. u cc¡u, ondc ¡odcn ín¡¡íní¡-sc ín¡ínítos scíos.
10. Con¡ara-sc ianlcn, con razao, o nosso
ccrclro, oficina dos ¡cnsancnios, à ccra, ondc,
ou sc in¡rinc un sclo, ou dc quc sc fazcn
88
csiaiucias. Con cfciio, da ncsna nancira quc a
ccra, ada¡iando-sc a rccclcr qualqucr forna, sc
sulncic cono sc qucr a ionar c a nudar dc
figura, assin ianlcn o ccrclro, ¡rcsiando-sc a
rccclcr as inagcns dc iodas as coisas, rccclc cn
si iudo o quc o univcrso conicn. Con csic
c×cn¡lo, nosira-sc, ao ncsno icn¡o, dc una
nancira clcganic, o quc c o nosso ¡cnsancnio c o
quc c a nossa cicncia. Tudo o quc nc
in¡rcssiona a visia, o ouvido, o olfaio, o gosio c o
iaio c ¡ara nin cono un sclo, ¡clo qual a
inagcn dc una coisa sc in¡rinc no ccrclro; c
nclc o in¡rinc dc ial nancira quc, ncsno quc a
coisa sc afasic dos olIos, dos ouvidos, do nariz c
das naos, ¡crnanccc scn¡rc a sua inagcn; c
nao c ¡ossívcl quc cla nao ¡crnancça, a nao scr
quando una aicnçao ncgligcnic fornou una
in¡rcssao dclil. Por c×cn¡lo. sc fi×o un Ioncn
ou lIc falo; sc, viajando, conicn¡lo una
nonianIa, un rio, un can¡o, una florcsia, una
cidadc, cic.; sc, ¡or vczcs, ouço irovõcs, nusica c
discursos; sc lcio aicniancnic algunas linIas
nun livro, cic.; iodas csias coisas sc in¡rincn
no ncu ccrclro, dc ial nancira quc, iodas as
vczcs quc a sua rccordaçao sc nc rcnova, c o
ncsno quc sc nc csiivcsscn dianic dos olIos,
nc rcssoasscn aos ouvidos c as salorcassc ou
a¡al¡assc ncsic noncnio. E cnlora un ccrclro,
ou rcccla csias in¡rcssõcs dc nodo nais
disiinio, ou as rc¡rcscnic con naior clarcza, ou
89
as rcicnIa con naior fidclidadc quc ouiro, no
cnianio, cada un dclcs as rccclc, rc¡rcscnia c
rcicn, dc qualqucr nancira.
A cu¡ucídudc du nossu ncntc c un nííug¡c dc
Dcus.
11. A csic ¡ro¡osiio, dcvcnos adnirar o cs¡clIo
da salcdoria dc Dcus, a qual ¡rovidcnciou dc
nodo quc a nassa do ccrclro, quc nao c grandc
sol as¡ccio ncnIun, fossc ca¡az dc rccclcr
nilIarcs c nilIõcs dc inagcns. Con cfciio, iudo
aquilo quc cada un dc nos (¡rinci¡alncnic as
¡cssoas insiruídas}, duranic ianios anos, viu,
ouviu, salorcou, lcu c adquiriu con a cסcricncia
c con o raciocínio, c dc quc, scgundo as suas
forças, sc ¡odc rccordar, c cvidcnic quc iudo isso
sc conscrva ordcnado no ccrclro, ou scja, as
inagcns das coisas una vcz visias, ouvidas,
lidas, cic., cnlora c×isian ¡or nilIõcs c sc
nulii¡liqucn aic ao infiniio, con o faio dc vcr, dc
ouvir c dc lcr, quasc cada dia, qualqucr coisa dc
novo, iodavia, csiao coniidas no ccrclro. Quc
coisa c csia in¡crscruiavcl salcdoria da
onni¡oicncia dc Dcus? Salonao naravilIa-sc
quc iodos os rios dcsagucn no occano c, iodavia,
nao cncIan o nar (Ecícsíustcs, 1, 7}; c qucn nao
Ia-dc adnirar-sc con csic alisno da nossa
ncnoria quc iudo rccclc c iudo rcsiiiui, scn
janais sc cncIcr c scn janais sc csvasiar?
Assin, a nossa ncnic c vcrdadcirancnic naior
90
quc o nundo, do ncsno nodo quc o coniincnic c
ncccssariancnic naior quc o conicudo.
A nossu ncntc c un cs¡cíIo.
12. Finalncnic, o olIo ou o cs¡clIo sinloliza
nuiio lcn a nossa ncnic, ¡ois dc iudo o quc sc
lIc a¡rcscnia, dc qualqucr forna ou cor quc scja,
incdiaiancnic nosirara cn si una inagcn
¡arccidíssina, a nao scr quc sc lIc a¡rcscnic un
oljcio às cscuras, ou da ¡aric dciras, ou
dcnasiado longc, ¡or causa da disiancia naior
quc o dcvido, ou quc sc in¡cça dc rccclcr a
in¡rcssao, ou csia scja laralIada ¡or un
novincnio coniínuo; ncsics casos, icnos dc
confcssa-lo, nao sc olicn c×iio. Falo, ¡orcn,
daquilo quc cosiuna aconicccr naiuralncnic,
quando Ia luz c o oljcio c a¡rcscniado cono
convcn. Da ncsna nancira quc, ¡orianio, nao c
ncccssario forçar os olIos a alrircn-sc c a
fi×arcn os oljcios, ¡orquc (ial cono aquclc quc
naiuralncnic icn scdc dc luz} clcs cסcrincnian
¡razcr cn olIar cs¡oniancancnic, c sao ca¡azcs
dc olIar iodas as coisas (dcsdc quc os nao
¡criurlcn, a¡rcscniando-lIcs ao ncsno icn¡o
dcnasiados oljcios} c nunca ¡odcn saciar-sc dc
olIar; assin ianlcn a nossa ncnic c scquiosa
das coisas, csia scn¡rc aicnia, iona, ou nclIor,
agarra iodas as coisas, scn nunca sc cansar,
dcsdc quc nao scja ofuscada con una nuliidao
91
dc oljcios c quc, con a dcvida ordcn, sc lIc dc a
olscrvar una coisa a¡os ouira.
II. No Ioncn, u ¡uíz du Ioncstídudc c u Iu¡noníu.
13. Os ¡ro¡rios ¡agaos viran quc c naiural ao
Ioncn a Iarnonia dos cosiuncs, cnlora,
ignorando ouira luz divinancnic acrcsccniada c o
guia nais scguro quc nos foi dado ¡ara cIcgar à
vida cicrna, icnIan considcrado (icniaiiva va}
aquclas ccniclIas, vcrdadciros farois. Con cfciio,
assin fala Cíccro. «Nas nossas faculdadcs
cs¡iriiuais csiao inaios os gcrncns da viriudc, os
quais, sc ¡udcsscn dcscnvolvcr-sc c crcsccr,
scrian suficicnics, ¡or naiurcza, ¡ara nos
conduzircn à lcaiiiudc (ísto c cxugc¡udo!}.
Porcn, a¡cnas sonos dados à luz c concçanos a
scr cducados, rclolano-nos coniinuancnic cn
ioda a cs¡ccic dc inundícics, dc ial nancira quc
¡arccc quc, juniancnic con o lciic da ana,
lclcnos os crros» (Tuscuíunuc, III}|12|. Quc c
vcrdadciro quc ccrios gcrncns dc viriudc nasccn
juniancnic con o Ioncn, infcrc-sc dcsics dois
arguncnios. ¡rinciro, iodo o Ioncn scnic ¡razcr
con a Iarnonia; scgundo, clc ¡ro¡rio nao c
scnao Iarnonia, inicrior c c×icriorncnic.
1. Con u quuí sc dcícítu cn todu u ¡u¡tc. cn todus
us coísus uísìucís,
14. Quc o Ioncn sc dclciia con a Iarnonia c
¡rocura ardcnicncnic cIcgar a cla, c cvidcnic.
92
Efciivancnic, a qucn sc nao dclciiaria ao vcr un
Ioncn fornoso, un cavalo clcganic, una
csiaiua lcla c una ¡iniura linda? Dc ondc nascc
cssc ¡razcr scnao do faio dc quc a ¡crfciia
¡ro¡orçao das ¡arics c das corcs ¡roduz o
agrado? Essa ¡ro¡orçao c o ¡razcr nais naiural
¡ara os olIos.
nus coísus uudìucís,
Pcrgunio igualncnic. a qucn nao agrada a
nusica? E ¡orquc? Scn duvida ¡orquc a
Iarnonia das vozcs ¡roduz un son agradavcl.
nus coísus quc sc suIo¡cíun,
A qucn nao agradan os alincnios lcn
icn¡crados? Scn duvida ¡orquc a icn¡craiura
dos salorcs dclciia agradavclncnic o ¡aladar.
nus coísus ¡uí¡uucís,
Cada un goza con un calor lcn ¡ro¡orcionado,
con una frcscura lcn rc¡ariida, con una
¡osiçao jusia c un novincnio cquililrado dos
ncnlros. Porquc? Prccisancnic ¡orquc iodas as
coisas icn¡cradas sao anigas c saluiarcs ¡ara a
naiurcza c iodas as coisas dcsncsuradas sao
suas ininigas c ¡rcjudiciais.
c utc nus ¡¡ò¡¡íus uí¡tudcs.
93
Sc nos ananos aic as viriudcs uns nos ouiros
(dc faio, ncsno qucn c ¡rivado dc viriudc
adnira as viriudcs dos ouiros, ncsno quc os nao
iniic, una vcz quc considcra in¡ossívcl vcnccr
os scus naus Ialiios}, ¡orquc c quc, ¡orianio,
cada un nao Ia-dc anar a viriudc cn si ncsno?
Ccgos dc nos, sc nao rcconIcccnos quc csiao cn
nos as raízcs dc ioda a Iarnonia!
2. A quuí sc cncont¡u tunIcn no Ioncn. tunto
¡cíutíuuncntc uo co¡¡o
15. Mas ianlcn o ¡ro¡rio Ioncn nao c scnao
Iarnonia, ianio rclaiivancnic ao cor¡o, cono
rclaiivancnic à alna. Con cfciio, assin cono o
grandc nundo c ¡arccido con un cnornc
rclogio, dc ial nodo falricado scgundo as rcgras
da aric, con nuiiíssinas rodas c naquinisnos,
quc ¡ara ¡roduzir novincnios coniínuos c
¡crfciiancnic ordcnados, una ¡aric os conunica
à ouira, airavcs dc iodo o rclogio, assin ianlcn
o Ioncn.
Con cfciio, quanio ao cor¡o, consiruído con aric
adniravcl, cn ¡rinciro lugar csia o coraçao, quc
c novcl, fonic dc vida c dc aiividadc; dclc os
ouiros ncnlros rccclcn o novincnio c a
ncdida do novincnio. Mas o ¡cso, ou scja, a
vcrdadcira força noiriz, c o ccrclro, o qual,
scrvindo-sc dos ncrvos, cono dc cordas, faz
andar as ouiras rodas (os ncnlros} ¡ara dianic c
94
¡ara iras. Na vcrdadc, a varicdadc das o¡craçõcs
inicriorcs c c×icriorcs corrcs¡ondc à c×aia c
¡crfciia corrcs¡ondcncia dos novincnios do
rclogio.
cono no quc díz ¡cs¡cíto u uínu
16. Assin, nos novincnios da alna, a ¡rinci¡al
roda c a voniadc; os ¡csos quc a fazcn novcr sao
os dcscjos c as ¡ai×õcs quc inclinan a voniadc
¡ara csia ou ¡ara aqucla ¡aric. A valvula, quc
alrc c fccIa o novincnio, c a razao, a qual ncdc
c dcicrnina quc coisa, ondc c aic quc ¡onio sc
dcvc alraçar ou afasiar. Os ouiros novincnios
da alna sao cono quc as rodas ncnorcs, quc
scgucn a ¡rinci¡al. Por isso, sc aos dcscjos c às
¡ai×õcs sc nao airilui un ¡cso dcnasiado
grandc, c a valvula, ou scja, a razao, alrc c fccIa
convcnicnicncnic, c in¡ossívcl nao sc scguir
una ordcn c un acordo ¡crfciio dc viriudcs, isio
c, un ¡crfciio cquilílrio das açõcs c das ¡ai×õcs.
A Iu¡noníu ¡c¡tu¡Iudu ¡odc ¡cncdíu¡-sc.
17. Eis, ¡orianio, quc rcalncnic o Ioncn cn si
ncsno nao c scnao Iarnonia. Por isso, assin
cono accrca dc un rclogio ou dc un insiruncnio
nusical, fciio ¡clas naos dc un ariíficc ¡criio, sc
acaso sc csiraga ou sc iorna dcsafinado, nao
dizcnos incdiaiancnic quc ja nao scrvc ¡ara
nada (¡odc, con cfciio, conscriar-sc c iornar a
afinar-sc}, assin ianlcn accrca do Ioncn,
95
cnlora corron¡ido ¡clo ¡ccado, dcvc afirnar-sc
quc, con dcicrninados ncios, c ¡ossívcl sana-lo,
¡or graça da viriudc dc Dcus.
III. Çuc no Ioncn cstuo us ¡uìzcs du ¡cíígíuo
u¡guncntu-sc.
1. ¡cíu nutu¡czu du suu ínugcn,
18. Quc as raízcs da rcligiao csiao no Ioncn, ¡or
naiurcza, dcnonsira-sc ¡clo faio dc quc clc c a
inagcn dc Dcus. Con cfciio, a inagcn in¡lica
scnclIança. c quc iodo o scnclIanic sc
congraiula con o scu scnclIanic c lci inuiavcl
dc iodas as coisas (Ecícsíustíco, 13, 19}. O
Ioncn, ¡orianio, una vcz quc nada icn dc igual
a si, a nao scr Aquclc à inagcn do qual foi fciio, c
naiural quc nao scja conduzido ¡clos scus
dcscjos scnao ¡ara a fonic dc ondc dcrivou,
conianio quc a conIcça con suficicnic clarcza.
2. ¡cíu ¡cuc¡cncíu ínutu cn todos ¡u¡u con u
díuíndudc,
19. Isio c cvidcnic ianlcn ¡clo c×cn¡lo dos
¡agaos, os quais, nao scndo ajudados ¡or
ncnIuna ¡alavra dc Dcus, a¡cnas ¡clo oculio
insiinio da naiurcza cIcgaran, nao so a conIcccr
Dcus, nas ianlcn a vcncra-lo c a dcscja-lo,
cnlora crrasscn quanio ao nuncro dos dcuscs c
à forna do culio. «Todos os Ioncns icn a noçao
dos dcuscs c iodos airilucn o lugar su¡rcno a
qualqucr ¡oicncia divina», cscrcvc Arisioiclcs no
96
livro I Do Ccu, ca¡. 3|13|. E Scncca. «En ¡rinciro
lugar, o culio divino consisic cn acrcdiiar nos
dcuscs; dc¡ois, cn airiluir-lIcs a najcsiadc
dcvida c cn airiluir-lIcs a londadc, scn a qual
nao Ia qualqucr najcsiadc; cn salcr quc sao
clcs quc govcrnan o nundo, quc rcgulan iodas
as suas coisas c quc ¡rovidcncian ¡cla
conscrvaçao do gcncro Iunano» (Cu¡tu 96}|14|.
Acaso csia o¡iniao difcrc nuiio da do A¡osiolo?
«Porquanio c ncccssario quc o quc sc a¡ro×ina dc
Dcus acrcdiic quc Elc c×isic c quc c rcnuncrador
dos quc O luscan» (HcI¡cus, II, 6}.
3. ¡cío dcsc¡o nutu¡uí do Suno Hcn (quc c Dcus),
20. Plaiao diz. «Dcus c o suno lcn, su¡crior a
ioda a sulsiancia c a ioda a naiurcza, o qual c
naiuralncnic dcscjado ¡or iodas as criaiuras»
(Tíncu}|15|. E isio (quc Dcus c o suno lcn,
naiuralncnic dcscjado ¡or iodas as criaiuras} c
dc ial nodo vcrdadciro quc Cíccro diz. «A ¡rincira
ncsira da ¡icdadc c a naiurcza» (Du nutu¡czu dos
dcuscs, I}|16|. E isio º¡orquc (cono cscrcvc
Laciancio, no livro 4, ca¡. 28} fonos gcrados con
a condiçao dc ¡rcsiarnos a Dcus, quc nos criou,
as jusias c dcvidas Ioncnagcns c dc a¡cnas
rcconIcccrnos a Elc cono Dcus c dc O
scguirnos. Con csic vínculo da ¡icdadc sonos
aiados c ligados a Dcus; dc ondc a ¡ro¡ria
rcligiao rccclc o scu nonc»|17|.
97
quc ncn scquc¡ ¡cíu qucdu do gcnc¡o Iununo ¡oí
cxtínto.
21. Dcvc, iodavia, confcssar-sc quc csic dcscjo
naiural dc Dcus, cono suno lcn, foi corron¡ido
con a qucda do ¡ccado c dcgcncrou nuna
cs¡ccic dc vcriigcn, quc nao c ca¡az dc rcgrcssar
à rciidao con as suas ¡ro¡rias forças; naquclcs,
¡orcn, quc Dcus dc novo ilunina con o scu
Vcrlo c con o scu Es¡íriio, clc volia a aguçar-sc
dc ial nodo quc David, voliado ¡ara Dcus, clana.
«Qucn icnIo cu, la no ccu, c×ccio iu? E, fora dc
ii, nada nc dclciia solrc a icrra. Dcsfalccc a
ninIa carnc c o ncu coraçao, c o rocIcdo do
ncu coraçao c a ninIa Icrança c Dcus ¡ara
scn¡rc» (Suíno 72, 24 c 25}.
E, ¡o¡tunto, ín¡íuncntc quc sc ¡¡ocu¡un ¡¡ctcxtos
cont¡u o cxc¡cìcío du ¡ícdudc.
22. Quc ningucn, ¡orianio, cnquanio sc
¡rocuran rcncdios ¡ara corru¡çao, nos o¡onIa a
corru¡çao, ¡orquc Dcus, ¡or olra do scu Es¡íriio
c con a inicrvcnçao dc ncios adcquados,
¡rc¡ara-sc ¡ara a fazcr dcsa¡arcccr. Dc faio,
assin cono a Nalucodonosor, quando foi ¡rivado
do scniido Iunano c ¡rovido dc un coraçao
lcsiial, lIc foi dci×ada, iodavia, a cs¡crança dc
¡odcr rcadquirir a ncnic Iunana, c aic ncsno
ianlcn a dignidadc rcal, logo quc rcconIcccssc
quc o ¡odcr vcn do ccu (Dunící, 4, 23}; assin
98
ianlcn, a nos, ¡lanias c×cluídas do ¡araíso dc
Dcus, foran dci×adas as raízcs, as quais,
solrcvindo a cIuva c o sol da graça dc Dcus,
¡odcn dc novo gcrninar.
Porvcniura o nosso Dcus, logo a scguir à qucda c
à ¡roclanaçao da nossa ruína (a ¡cna dc noric}
nao ¡laniou incdiaiancnic (con a ¡roncssa da
scncnic lcndiia}, dc novo, nos nossos coraçõcs,
rclcnios dc nova graça? Acaso nao nos cnviou o
scu FilIo, ¡clo qual nos scrian rcsiiiuídos os
lcns ¡crdidos?
E nuo dcuc suIícuu¡-sc o ucíIo Aduo cont¡u o
nouo.
23. É coisa ior¡c c ncfanda c sinal cvidcnic dc
ingraiidao csiar scn¡rc a a¡clar ¡ara a corru¡çao
c dissinular a rcdcnçao. Corrcr airas daquilo quc
o vclIo Adao cn nos dci×ou c nao ¡rocurar aquilo
quc Crisio, novo Adao, nos ¡ro¡orcionou! Muiio
accriadancnic, o A¡osiolo, cn scu nonc c no dc
iodos os rcgcncrados, diz. «Tudo ¡osso naquclc
quc nc conforia, Crisio» (Fííí¡cnscs, 4, 13}. Sc c
¡ossívcl quc un garfo dc arvorc doncsiica,
cn×criado nun salguciro, nun cs¡inIciro ou cn
qualqucr arvorc lrava, gcrninc c fruiifiquc,
¡orquc nao Ia-dc aconicccr o ncsno sc for
cn×criado lcn solrc a ¡ro¡ria raiz? Vcja-sc a
arguncniaçao do A¡osiolo (Honunos, 11, 24}.
Alcn disso, sc Dcus, dc ¡cdras, ¡odc fazcr nasccr
99
filIos dc Alraao (Mutcus, 3, 9}, ¡orquc nao Ia-dc
dcs¡criar os Ioncns, fciios ja filIos dc Dcus
dcsdc a criaçao, adoiados dc novo ¡or Crisio c
rcgcncrados ¡clo Es¡íriio da graça, ¡ara ioda a
cs¡ccic dc loas olras?
A g¡uçu dc Dcus nuo sc dcuc cou¡ctu¡, nus
¡cconIccc¡ con g¡utíduo.
24. AlsiinIano-nos dc coarciar a graça dc Dcus,
¡ois Elc csia ¡ronio a infundi-la cn nos
lilcralíssinancnic. Con cfciio, sc nos,
cn×criados cn Crisio ¡or ncio da fc c dados a Elc
¡or ncio do Es¡íriio dc adoçao, sc nos, digo, con
a nossa gcraçao, nao sonos a¡ios ¡ara as coisas
do Fcino dc Dcus, cono c quc cniao Crisio,
falando das criancinIas, afirnou quc «c dclas o
rcino dc Dcus»?|18| Ou cono c quc no-las
a¡rcscnia cono nodclo, ordcnando a iodos quc
«sc convcrian c sc façan cono crianças, sc
qucrcn cnirar no rcino dos ccus?» (Mutcus, 18,
3}. Cono c quc o A¡osiolo ¡roclana sanios c ncga
quc scjan in¡uros os filIos dos crisiaos (ncsno
quando so un dclcs ¡cricncc ao nuncro dos
ficis}? (Co¡ìntíos, I, 7, 14}. Pclo conirario, aic
daquclcs quc ja ncrgulIaran na ¡raiica dc vícios
gravíssinos, o A¡osiolo ousa afirnar. «E iais crcis
alguns dc vos; nas fosics lavados, nas fosics
saniificados, nas fosics jusiificados cn nonc dc
Nosso ScnIor Jcsus Crisio, ¡clo Es¡íriio do
nosso Dcus» (Co¡ìntíos, I, 6, 11}. Prccisancnic ¡or
100
isio, quando dizcnos quc os filIos dos crisiaos
(nao a gcraçao do vclIo Adao, nas a gcraçao
rcgcncrada ¡clo novo Adao, isio c, os filIos dc
Dcus, os irnaos c as irnas dc Crisio} ¡cdcn ¡ara
scrcn fornados c csiao a¡ios a rccclcr as
scncnics da cicrnidadc, a qucn ¡odc ¡arcccr quc
isio scja in¡ossívcl? A ningucn, ¡ois nao
¡rocuranos olicr fruios dc una olivcira lrava,
nas ajudanos os rclcnios da arvorc da vida,
novancnic ¡laniados, ¡ara quc ¡roduzan fruios.
Concíusuo.
25. Fiquc, ¡orianio, asscnic quc c nais naiural c,
¡cla graça do Es¡íriio Sanio, nas facil, quc o
Ioncn sc iornc salio, Ioncsio c sanio, do quc a
¡crvcrsidadc advcniícia ¡odcr in¡cdir o
¡rogrcsso. Con cfciio, qualqucr coisa rcgrcssa
facilncnic à sua naiurcza. E c csia a advcricncia
quc nos faz a Escriiura. «A salcdoria facilncnic
sc dci×a vcr ¡or aquclcs quc a anan; cla corrc
ncsno airas dc qucn a ¡cdc, anics dc scr
conIccida, c ¡or aquclcs quc a cs¡cran faz-sc
cnconirar, scn fadiga, scniada à sua ¡oria»
(SuIcdo¡íu, 6, 13 c ss.}. E c conIccida a scnicnça
do ¡ocia vcnusino. Níngucn c tuo scíuugcn quc,
¡¡cstundo ¡ucícntc ouuído u cuítu¡u, nuo ¡ossu sc¡
doncstícudo|19|.
101

Capítulo VI
O HOMEM
TEM NECESSIDADE
DE SER FORMADO,
PARA QUE SE TORNE
HOMEM

As scncntcs nuo suo uíndu ¡¡utos.
1. Cono vinos, a naiurcza da as scncnics do
salcr da Ioncsiidadc c da rcligiao, nas nao da
¡ro¡riancnc o salcr, a viriudc c a rcligiao; csias
adquircn-sc orando, a¡rcndcndo, agindo. Por
isso, c nao scn razao, algucn dcfiniu o Ioncn
un «aninal cducavcl», ¡ois nao ¡odc iornar-sc
Ioncn a nao scr quc sc cduquc.
E ínutu no Ioncn u u¡tíduo ¡u¡u suIc¡, nus nuo
o ¡¡ò¡¡ío suIc¡.
2. Efciivancnic, sc considcranos a cicncia das
coisas, c ¡ro¡rio dc Dcus salcr iudo, scn
¡rincí¡io, scn ¡rogrcsso, scn fin, ncdianic un
so c sin¡lcs aio dc iniuiçao; nas ncn ao Ioncn
ncn ao anjo ¡odc dar csic salcr, ¡ois nao lIc
¡odia dar a infiniiudc c a cicrnidadc, isio c, a
divindadc. Aos Ioncns c aos anjos lasia aquclc
grau dc c×cclcncia dc Iavcrcn rccclido a
agudcza dc inicligcncia, con a qual ¡odcn
102
indagar as olras dc Dcus c assin acunular ¡ara
si un icsouro iniclcciual. Prccisancnic ¡or isso,
consia, accrca dos anjos, quc clcs, conicn¡lando,
a¡rcndcn (Pcd¡o, I, 1, 12; E¡csíos, 3, 10; Hcís, I,
22, 20; JoI, 1, 6}; c, ¡or isso, o conIccincnio
dclcs, dc igual nodo quc o nosso, c cסcrincnial.
Çuc o Ioncn dcuc sc¡ ¡o¡nudo «ud Iununítutcn»,
nost¡u-sc.
1. con o cxcn¡ío dus out¡us c¡íutu¡us.
3. Ningucn acrcdiic, ¡orianio, quc o Ioncn ¡odc
vcrdadcirancnic scr Ioncn, a nao scr aquclc
quc a¡rcndcu a agir cono Ioncn, isio c, aquclc
quc foi fornado naquclas viriudcs quc fazcn o
Ioncn. Isio c cvidcnic ¡clos c×cn¡los dc iodas
as criaiuras, as quais sc nao iornan uicis ao
Ioncn, cnlora a isso dcsiinadas, a nao scr
dc¡ois dc ada¡iadas ¡cla nossa nao. Por
c×cn¡lo. as ¡cdras foran-nos dadas ¡ara
scrvircn ¡ara consiruir casas, iorrcs, nuros,
colunas, cic.; nas, dc faio, nao scrvcn ¡ara isso,
a nao scr dc¡ois dc ialIadas, dcslasiadas c
csquadriadas ¡clas nossas naos. Do ncsno
nodo, as ¡crolas c as gcnas, dcsiinadas a
scrvircn dc ornancnios Iunanos, dcvcn scr
coriadas, ras¡adas c ¡olidas ¡clos Ioncns; os
nciais, ¡roduzidos ¡ara usos noiavcis da nossa
vida, dcvcn scr cavados, liqucfciios, dc¡urados,
fundidos c iralalIados a nariclo dc varios
nodos; scn iudo isso, sao ¡ara nos ncnos uicis
103
quc a lana. Das ¡lanias, c×iraínos alincnios,
lclidas c rcncdios, con a condiçao, ¡orcn, dc
quc c ncccssario scncar, sacIar, ccifar,
dclulIar, nocr c ¡isar os ccrcais c as crvas; as
arvorcs c ncccssario ¡lania-las, ¡oda-las c
csiruna-las; os fruios colIc-los, scca-los, cic.; c,
nuiio nais, sc qualqucr dcsias coisas dcvc scrvir
¡ara rcncdio ou ¡ara consiruir, ¡ois ncssc caso c
ncccssario ¡rc¡ara-las dc nuiiíssinos ouiros
nodos. Os aninais, una vcz quc doiados dc vida
c dc novincnio, ¡arccc quc sc lasicn a si
ncsnos; iodavia, sc algucn sc qucr scrvir dclcs
¡ara o uso ¡ara quc foran conccdidos, c
ncccssario quc ¡rinciro os sulncia a c×crcícios.
Eis, con cfciio, un cavalo dc laialIa, un loi
¡ara carrcios, un lurro dc carga, un cao dc
guarda ou dc caça, un falcao c un gaviao dc
caça, cic., cada un icn inaia a a¡iidao ¡ara cssc
scrviço dcicrninado; iodavia, valcn lcn ¡ouco,
sc nao sao ircinados ¡ara o c×crcício da sua
funçao.
2. Con o cxcn¡ío do ¡¡ò¡¡ío Ioncn, quunto us
uçocs co¡¡ò¡cus.
4. O Ioncn, cnquanio icn un cor¡o, c fciio ¡ara
iralalIar; vcnos, iodavia, quc dc inaio clc nao
icn scnao a sin¡lcs a¡iidao; ¡ouco a ¡ouco, c
ncccssario cnsinar-lIc a csiar scniado c a csiar
dc ¡c, a caninIar c a novcr as naos, a fin dc
quc a¡rcnda a fazcr qualqucr coisa. Cono ¡odc,
104
¡orianio, a nossa ncnic, scn una ¡rc¡araçao
¡rcvia, icr a ¡rcrrogaiiva dc sc nosirar ¡crfciia
cn si c ¡or si? Nao c ¡ossívcl, ¡orquc c lci dc
iodas as coisas criadas o concçar do nada c
clcvar-sc gradualncnic, ianio no quc diz rcs¡ciio
à csscncia cono no quc diz rcs¡ciio às açõcs.
Con cfciio, aic accrca dos anjos, nuiio vizinIos
dc Dcus cn ¡crfciçao, consia quc nao salcn
iudo, nas ¡rogridcn gradualncnic no
conIccincnio da adniravcl salcdoria dc Dcus,
cono noianos ¡ouco airas.
3. E ¡o¡quc ¡u untcs du qucdu, c¡u ncccssu¡ío
cxc¡cítu¡ o Ioncn, nuíto nuís c ncccssu¡ío ugo¡u,
dc¡oís du co¡¡u¡çuo.
5. É cvidcnic ianlcn quc, ja anics da qucda,
Iavia sido alcria, ¡ara o Ioncn, no ¡araíso
icrrcsirc, una cscola, na qual clc ia, ¡ouco a
¡ouco, fazcndo ¡rogrcssos. Con cfciio, cnlora às
duas ¡rinciras criaiuras, a¡cnas criadas, nao
faliassc ncn o novincnio, ncn a ¡alavra, ncn o
raciocínio, iodavia, do coloquio dc Eva con a
scr¡cnic, iorna-sc cvidcnic quc nao iinIan
conIccincnio das coisas, o qual vcn da
cסcricncia; ¡ois sc aqucla dcsvcniurada fossc
doiada dc una cסcricncia nais rica, nao icria
adniiido con iania sin¡licidadc quanio a
scr¡cnic lIc dissc, ¡ois icria cniao a ccricza dc
quc aqucla criaiura nao ¡odia scr doiada da
ca¡acidadc dc discorrcr, c quc, ¡or isso, dcvia
105
csiar a scr víiina dc un cngano. Con naior
razao, ¡orianio, sc ¡odcra susicniar quc agora,
no csiado dc corru¡çao, sc sc qucr salcr alguna
coisa, c ncccssario a¡rcndc-la, ¡orquc rcalncnic
vinos ao nundo con a ncnic nua cono una
ialua rasa, scn salcr fazcr nada, scn salcr
falar, ncn cnicndcr; nas c ncccssario cdificar
iudo a ¡ariir dos fundancnios. E, na vcrdadc,
isio conscguc-sc nais dificilncnic do quc sc
conscguiria no csiado dc ¡crfciçao, ¡orquc as
coisas sao ¡ara nos olscuras c as línguas
confusas (dc ial nodo quc, cn vcz dc una so, sc
dcvcn agora a¡rcndcr varias, sc algucn, ¡ara sc
insiruir, qucr falar cn varias línguas, vivas c
norias}; alcn disso, ¡orquc as línguas vcrnaculas
sc iornaran nais con¡licadas, c, quando
nasccnos, nada conIcccnos dclas.
E ¡o¡quc os cxcn¡íos nost¡un quc o Ioncn scn
ínst¡uçuo nuo sc to¡nu nuís quc un I¡uto.
6. Tcnos c×cn¡los dc alguns quc, ra¡iados na
infancia ¡clas fcras c crcscidos no ncio dclas|1|,
nada nais salian quc os lruios; nais ainda,
con a língua, con as naos c con os ¡cs, nao
cran ca¡azcs dc fazcr nada dc divcrso daquilo
quc fazcn os aninais, a nao scr quc, dc novo,
icnIan sido conscrvados, duranic algun icn¡o,
cnirc os Ioncns. Aduzirci dois c×cn¡los. ¡or
1540, nuna aldcia dc Hcsscn, siiuada no ncio dc
florcsias, aconicccu quc un ncnino dc ircs anos,
106
¡or incuria dos ¡ais, sc ¡crdcu. Alguns anos
dc¡ois, os can¡oncscs viran corrcr, juniancnic
con os lolos, un aninal dc forna difcrcnic,
quadru¡cdc, nas con facc scnclIanic à do
Ioncn; cono, à força dc sc falar no caso, a
novidadc sc cs¡alIou, o cIcfc daqucla aldcia
ordcnou-lIcs quc visscn sc Iavia nancira dc o
¡rcndcr vivo. En confornidadc con csia ordcn,
foi a¡anIado c conduzido ao cIcfc da aldcia, c
finalncnic cnviado ao ¡rínci¡c dc Kasscl.
Iniroduzido na sala do ¡rínci¡c, ¡ós-sc a corrcr,
fugiu, c foi cscondcr-sc dclai×o dc un lanco,
olIando con ar ancaçador c lançando icrrívcis
uivos. O ¡rínci¡c fc-lo alincniar cnirc Ioncns, c
assin a fcra concçou, a ¡ouco c ¡ouco, a iornar-
sc nansa, dc¡ois a nanicr-sc dirciia solrc os ¡cs
c a caninIar cono os lí¡cdcs, finalncnic a falar
con inicligcncia c a agir cono Ioncn. E cniao,
quanio ¡odia rccordar-sc, coniou quc iinIa sido
ra¡iado c alincniado ¡clos lolos, icndo-sc dc¡ois
Ialiiuado a andar à caça con clcs. M. Drcsscr
cscrcvc csia Iisioria no livro Dc nouu ct untíquu
díscí¡íínu|2| c rccorda-a ianlcn Cancrario nas
suas Ho¡us (i. I, Ca¡. 7}|3|, acrcsccniando ouira
Iisioria ¡arccida. Coularic, nas Mu¡uuííIus do
nosso sccuío, cscrcvc quc cn França, cn 1563,
aconicccu quc alguns nolrcs, andando à caça, c
dc¡ois dc Iavcrcn naiado dozc lolos, acalaran
¡or a¡anIar, con un laço, un ra¡az, dc ccrca dc
scic anos, nu, dc ¡clc anarclada c dc calclcira
107
cncrcs¡ada. TinIa as unIas aduncas cono una
aguia; nao falava ncnIuna língua, nas cniiia
una cs¡ccic dc nugido grossciro. Conduzido a
una forialcza, conscguiu-sc con grandc
dificuldadc ncic-lo a fcrros, dc ial nodo sc
iornara fcroz; nas, sulnciido, duranic alguns
dias, às ausicridadcs da fonc, concçou a
anansar, c, dcniro dc scic ncscs, a falar.
Lcvaran-no dc cidadc cn cidadc, ¡ara o
a¡rcscniar cono cs¡ciaculo, o quc cra fonic dc
grandcs rccciias ¡ara os scus ¡ro¡riciarios.
Finalncnic, una ¡olrc nulIcr rcconIcccu-o
cono scndo scu filIo|4|. Dcsic nodo, vcnos quc c
vcrdadciro aquilo quc Plaiao dci×ou cscriio (Lcís,
livro 6}. o Ioncn c un aninal cIcio dc nansidao
c dc csscncia divina, sc c iornado nanso ¡or ncio
dc una vcrdadcira, cducaçao; sc, ¡clo conirario,
nao rccclc ncnIuna ou a rccclc falsa, iorna-sc o
nais fcroz dc iodos os aninais quc a icrra
¡roduz|5|.
Tcn ncccssídudc dc cnsíno.
1. os cstú¡ídos c os íntcíígcntcs,
7. Esics faios dcnonsiran cn gcral, quc a
culiura c ncccssaria a iodos. Sc agora lançarnos
un olIar às divcrsas condiçõcs dos Ioncns,
vcrificanos o ncsno. Con cfciio, qucn ¡odcra
¡ór cn duvida quc os csiu¡idos icnIan
ncccssidadc dc insiruçao, ¡ara sc lilcriarcn da
sua csiu¡idcz naiural? Mas, na rcalidadc, os
108
inicligcnics icn nuiio nais ncccssidadc dc
insiruçao, ¡orquc a ncnic suiil, sc nao for
ocu¡ada cn coisas uicis, ocu¡ar-sc-a cla ncsna
cn coisas inuicis, frívolas c ¡crniciosas. Con
cfciio, assin cono un can¡o, quanio nais fcriil
c, ianio nais ¡roduz cs¡inIos c cardos, assin
ianlcn o cngcnIo ¡crs¡icaz csia scn¡rc cIcio
dc ¡cnsancnios frívolos, a nao scr quc nclc sc
scncicn as scncnics da salcdoria c da viriudc.
E assin cono, sc à no quc gira nao c fornccido o
grao, dc quc c fciia a farinIa, cla sc gasia a si
ncsna c inuiilncnic sc cncIc dc ¡ocira,
¡roduzindo ¡o, con csirc¡iio c fragor c ainda con
o csfarclancnio c a ru¡iura das ¡arics, assin
ianlcn o cs¡íriio agil, sc ¡crnanccc ¡rivado dc
iralalIos scrios, ncrgulIa inicirancnic cn
coisas vas, frívolas c nocivas, c scra a causa da
sua ¡ro¡ria ruína.
2. os ¡ícos c os ¡oI¡cs,
8. Quc sao os ricos scn salcdoria scnao ¡orcos
cngordados con farclo? Quc sao os ¡olrcs scn
con¡rccnsao das coisas scnao lurros
condcnados a irans¡oriar a carga? Un Ioncn
fornoso ¡rivado dc culiura, quc c scnao un
¡a¡agaio dc ¡lunagcn lrilIanic ou, cono dissc
algucn, una laínIa dc ouro con una cs¡ada dc
cIunlo?|6|
109
3. uqucícs quc dcuc¡uo sc¡ ¡ostos u cuIcçu dos
out¡os c uqucícs quc dcuc¡uo sc¡ súdítos.
9. Aquclcs quc, alguna vcz, dcvcrao scr ¡osios à
calcça dos ouiros, cono os rcis, os ¡rínci¡cs, os
nagisirados, os ¡arocos c os douiorcs da Igrcja
dcvcn cnlclcr-sc dc salcdoria iao
ncccssariancnic cono o guia dos viajanics dcvc
icr olIos, o inicr¡rcic dcvc icr língua, a ironlcia,
son c a cs¡ada, gunc. Dc nodo scnclIanic,
ianlcn os sudiios dcvcn scr csclarccidos, ¡ara
quc sailan olcdcccr ¡rudcnicncnic àquclcs quc
govcrnan saliancnic. nao coagidancnic, con
una sujciçao asinina, nas voluniariancnic, ¡or
anor da ordcn. Con cfciio, a criaiura racional
nao dcvc scr conduzida ¡or ncio dc griios, dc
¡risõcs c dc lasionadas, nas ¡cla razao. Sc sc
¡roccdc dc nodo divcrso, a ofcnsa rcdunda
conira Dcus quc ianlcn nclcs dc¡ós a sua
inagcn; c as coisas Iunanas csiarao cIcias,
cono dc faio csiao, dc violcncias c dc
inquiciaçao.
Todos, ¡o¡tunto, scn ncnIunu cxccçuo.
10. Fiquc, ¡orianio, asscnic quc a iodos aquclcs
quc nasccran Ioncns c ncccssaria a cducaçao,
¡orquc c ncccssario quc scjan Ioncns, nao
aninais fcrozcs, ncn aninais lruios, ncn
ironcos incrics. Daí sc scguc ianlcn quc,
quanio nais algucn c cducado, nais sc clcva
110
acina dos ouiros. Scja, ¡orianio, o Salio a
concluir csic ca¡íiulo. «Aquclc quc nao faz caso
ncnIun da salcdoria c do cnsino c un infcliz, as
suas cs¡cranças sao vas (ou scja, cs¡cra cn vao
conscguir o scu fin}, infruiuosas as suas fadigas
c inuicis as suas olras» (SuIcdo¡íu, 3, 11}.
111

Capítulo VII
A FORMAÇÃO DO HOMEM
FAZ-SE COM MUITA FACILIDADE
NA PRIMEIRA IDADE,
E NÃO PODE FAZER-SE
SENÃO NESSA IDADE

O nodo dc dcscnuoíuc¡-sc do Ioncn c scncíIuntc
uo du ¡íuntu.
1. Do quc foi diio, c cvidcnic quc c scnclIanic a
condiçao do Ioncn c a da arvorc. Efciivancnic,
da ncsna nancira quc una arvorc dc fruio (una
nacicira, una ¡crcira, una figucira, una vidcira}
¡odc crcsccr ¡or si c ¡or sua ¡ro¡ria viriudc,
nas, scndo lrava, ¡roduz fruios lravos, c ¡ara
dar fruios lons c doccs icn ncccssariancnic quc
scr ¡laniada, rcgada c ¡odada ¡or un agriculior
¡criio, assin ianlcn o Ioncn, ¡or viriudc
¡ro¡ria, crcscc con fciçõcs Iunanas (cono
ianlcn qualqucr aninal lruio crcscc con as
suas fciçõcs ¡ro¡rias}, nas nao ¡odc crcsccr
aninal racional, salio, Ioncsio c ¡icdoso, sc
¡rincirancnic nclc sc nao ¡lanian os gcrncns
da salcdoria, da Ioncsiidadc c da ¡icdadc. Agora
in¡oria dcnonsirar quc csia ¡laniaçao dcvc scr
fciia cnquanio as ¡lanias sao novas.
112
A ¡o¡nuçuo do Ioncn dcuc concçu¡ con u
¡¡íncí¡u ídudc.
1. ¡o¡ cuusu du íncc¡tczu du uídu ¡¡cscntc.
2. Quanio aos Ioncns, as razõcs fundancniais
dcsia ncccssidadc sao scis. En ¡rinciro lugar, a
inccricza da vida ¡rcscnic, da qual c ccrio quc sc
icn dc sair, nas c inccrio ondc c quando. O
¡crigo dc algucn scr sur¡rccndido in¡rc¡arado c
iao gravc quc nao sc ¡odc afasiar. Con cfciio, o
icn¡o ¡rcscnic foi conccdido ¡ara quc, duranic
clc, o Ioncn ganIc ou ¡crca ¡ara scn¡rc a
graça dc Dcus. Efciivancnic, assin cono no
uicro da nac o cor¡o do Ioncn sc forna, dc ial
nancira quc, sc algun dc la sai con qualqucr
ncnlro a ncnos, ncccssariancnic ficara scn clc
duranic ioda a vida, assin ianlcn a alna,
cnquanio vivcnos no cor¡o, dc ial nancira sc
forna ¡ara o conIccincnio c ¡ara a ¡ariici¡açao
dc Dcus, quc, sc algun nao conscguc adquiri-la
ncsic nundo, una vcz saído do cor¡o, ja lIc nao
rcsia ncn lugar ncn icn¡o ¡ara fazcr ial
aquisiçao. Una vcz quc, ¡orianio, sc iraia aqui
dc un ncgocio dc iao grandc in¡oriancia,
convcn fazc-lo o nais dc¡rcssa ¡ossívcl, ¡ara quc
sc nao scja sur¡rccndido ¡cla noric, anics dc o
Iavcr conduzido ao fin.
2. ¡u¡u quc sc¡u ínst¡uìdo nuquíío quc dcuc ¡uzc¡
ncstu uídu, untcs dc concçu¡ u ¡uzc-ío.
113
3. Mas, ncsno quc a noric nao csicja inincnic c
sc csicja scguro dc una vida nuiio longa, dcvc,
iodavia, concçar-sc a fornaçao nuiio ccdo, ¡ois
nao dcvc ¡assar-sc a vida a a¡rcndcr, nas a
fazcr. Convcn, ¡orianio, insiruir-sc, o nais ccdo
¡ossívcl, naquilo quc dcvc fazcr-sc ncsia vida, a
fin dc nao scrnos olrigados a ¡ariir, anics dc
icrnos a¡rcndido o quc dcvcnos fazcr. Mcsno
quc fossc do agrado dc algucn ¡assar ioda a vida
a a¡rcndcr, c infiniia a nuliidao das coisas quc o
Criador das ncsnas coisas fcz oljcio dc
cs¡cculaçao agradavcl, dc ial nancira quc sc a
algucn fossc conccdida una vida iao longa cono
a Ncsior, icria scn¡rc cn quc a cn¡rcgar dc
nodo nuiio uiil, invcsiigando os icsouros da
salcdoria divina cs¡alIados ¡or ioda a ¡aric, c
adquirindo con clcs a¡oios ¡ara a vida cicrna.
Dcvc, ¡orianio, dcsdc ccdo, alrir-sc os scniidos
do Ioncn ¡ara a olscrvaçao das coisas, ¡ois,
duranic ioda a sua vida, clc dcvc conIcccr,
cסcrincniar c c×ccuiar nuiias coisas.
3. todus us coísus ¡o¡nun-sc nuíto nuís
¡ucííncntc, cnquunto suo tcn¡us.
4. É una ¡ro¡ricdadc dc iodas as coisas quc
nasccn o faio dc, cnquanio sao icnras, sc
¡odcrcn facilncnic dolrar c fornar, nas, una
vcz cndurccidas, ja nao olcdcccn. A ccra nolc
dci×a-sc anassar c nodclar, nas, cndurccida,
quclra nais facilncnic. Una arvorczinIa dci×a-
114
sc ¡laniar, irans¡laniar, ¡odar, dolrar ¡ara aqui
ou ¡ara ali, nas una arvorc ja crcscida dc nodo
algun. Assin, qucn qucr fazcr un vcncclIo, dcvc
ionar un rano vcrdc c novo, ¡ois nao ¡odc scr
iorcido un quc scja vclIo, scco c nodoso. Dc ovos
frcscos, cIocados, nasccn no dcvido icn¡o os
¡iniainIos, os quais, cn vao sc cs¡crarian, dc
ovos rcsscssos. O carrocciro cnsina o cavalo, o
lavrador o loi, o caçador o cao c o falcao a
iralalIar (assin cono o Ioncn dc circo cnsina o
urso a lailar, c a lru×a cnsina a ¡cga, o corvo, c
o ¡a¡agaio a falar}, nas cscolIcn aquclcs quc
sao nuiio novos, ¡ois, sc ionan os quc sao ja
vclIos, ¡crdcn o icn¡o.
TunIcn o Ioncn.
5. Evidcnicncnic, csics rcsuliados olicn-sc, da
ncsna nancira, no Ioncn cujo ccrclro (quc,
cono airas disscnos, c scnclIanic à ccra,
rccclcndo as inagcns das coisas quc lIc sao
iransniiidas ¡clos scniidos}, na idadc infaniil, c
inicirancnic Iunido c nolc c a¡io a rccclcr
iodas as figuras quc sc lIc a¡rcscnian; nas
dc¡ois, ¡ouco a ¡ouco, scca c cndurccc, dc ial
nodo quc nclc nais dificilncnic sc in¡rincn ou
cscul¡cn as coisas, cono a cסcricncia
dcnonsira. Daqui, a scguinic afirnaçao dc
Cíccro. «as crianças a¡rccndcn ra¡idancnic
inuncras coisas»|1|. Assin ianlcn as nossas
naos c os nossos ouiros ncnlros nao ¡odcn
115
c×crciiar-sc nas arics c nos ofícios scnao nos
anos da infancia, cn quc os ncrvos csiao icnros.
Sc algucn qucr vir a scr lon cscrivao, ¡inior,
alfaiaic, fcrrciro, nusico, cic., dcvc a¡licar-sc ao
scu ofício dcsdc os ¡rinciros anos, cnquanio a
inaginaçao c agil c os dcdos flc×ívcis; dc ouiro
nodo, nunca fara nada dc lon. Dc nodo
scnclIanic, ¡orianio, sc sc qucr quc a ¡icdadc
lancc raízcs no coraçao dc algucn, in¡oria
¡lania-la nos ¡rinciros anos; sc sc dcscja quc
algucn sc iornc un nodclo dc a¡urada
noralidadc, c ncccssario Ialiiua-lo aos lons
cosiuncs dcsdc icnra idadc; a qucn dcvc fazcr
grandcs ¡rogrcssos no csiudo da salcdoria,
in¡oria alrir-lIc os scniidos ¡ara iodas as
coisas, nos ¡rinciros anos, cnquanio o scu ardor
c vivo, o cngcnIo ra¡ido c a ncnoria icnaz. «É
coisa ior¡c c ridícula un vclIo scniado nos
lancos da cscola ¡rinaria. ao jovcn con¡cic
¡rc¡arar-sc; ao vclIo rcalizar-sc», cscrcvc Scncca,
na Cu¡tu, 36|2|.
4. Ao Ioncn ¡oí dudo un íongo cs¡uço dc tcn¡o
¡u¡u sc ¡o¡nu¡, o quuí nuo dcuc sc¡ gusto nout¡us
coísus.
6. Para quc o Ioncn ¡udcssc fornar-sc «ad
Iunaniiaicn», Dcus conccdcu-lIc os anos da
juvcniudc, duranic os quais, scndo inalil ¡ara
ouiras coisas, fossc a¡io a¡cnas ¡ara a sua
fornaçao. É ccrio, con cfciio, quc o cavalo, o loi,
116
o clcfanic c iodos os ouiros aninais, dc qualqucr
iananIo, cn un ano ou dois, aiingcn una
csiaiura ¡crfciia; o Ioncn, ¡orcn, so o conscguc
cn vinic ou irinia anos. Sc algun, ¡orcn, julgar
icr cIcgado a cssa csiaiura ¡crfciia ¡or un ncro
acaso ou dcvido a quaisqucr causas scgundas,
ccriancnic dcs¡criara adniraçao. A iodas as
ouiras coisas, Dcus fi×ou una ncdida; so ao
Ioncn, scnIor das coisas, ¡crniiiu ¡assar o scu
icn¡o ao acaso? Ou ¡cnsarcnos quc,
rclaiivancnic ao Ioncn, Dcus icnIa conccdido à
naiurcza a graça dc ¡roccdcr a ¡asso lcnio, a fin
dc quc nais facilncnic ¡ossa rcalizar a sua
fornaçao? Ora, scn ncnIuna fadiga, cn alguns
ncscs, cla forna cor¡os naiorcs. Nao rcsia,
¡orianio, ncnIuna ouira Ii¡oicsc scnao quc o
nosso Criador, con anino dclilcrado, sc dignou
conccdcr-nos a graça dc rciardar o nosso
dcscnvolvincnio, ¡ara quc fossc nais longo o
cs¡aço dc icn¡o ¡ara nos dcdicarnos ao csiudo;
c iornar-nos, duranic ianio icn¡o, inalcis ¡ara
os ncgocios cconónicos c ¡olíiicos, ¡ara quc,
duranic o rcsianic icn¡o da vida (c ianlcn na
cicrnidadc}, nos iornasscnos nais Ialcis ncsscs
assunios.
5. Pc¡nunccc ¡í¡nc soncntc uquíío dc quc sc
cnIcIc u ¡¡íncí¡u ídudc.
7. No Ioncn, so c firnc c csiavcl aquilo dc quc
sc cnlclc a ¡rincira idadc; o quc c cvidcnic
117
¡clos ncsnos c×cn¡los. Un vaso dc larro
conscrva, aic quc sc quclrc, o odor daquilo con
quc foi cncIido quando cra novo|3|. Una arvorc,
da nancira cono, ainda icnrinIa, csicndcu os
ranos ¡ara cina ou ¡ara lai×o, ¡ara csic ou ¡ara
aquclc lado, assin os nanicn duranic ccn anos,
cnquanio a nao coriarcn. A la conscrva iao
icnazncnic a ¡rincira cor dc quc sc cnlclcu
quc nao Ia ¡crigo dc quc dcsloic. Os arcos dc
una roda, dc¡ois dc cndurccidos, fazcn-sc nais
facilncnic cn nil ¡cdaços do quc volian a ficar
dirciios. Do ncsno nodo, no Ioncn, as
¡rinciras in¡rcssõcs csian¡an-sc dc ial
nancira quc c un auicniico nilagrc fazc-las
ionar nova forna; ¡or isso, c dc aconsclIar quc
clas scjan nodcladas logo nos ¡rinciros anos da
vida, scgundo as vcrdadciras nornas da
salcdoria.
6. Nuo cducu¡ Icn c unu coísu sununcntc
¡c¡ígosu.
8. Finalncnic, c una coisa sunancnic ¡crigosa
nao cnlclcr o Ioncn, logo dcsdc os ¡rinciros
anos, dos ¡rccciios saluiarcs à vida. Con cfciio,
¡orquc a alna Iunana, a¡cnas os scniidos
c×icrnos concçan a dcscn¡cnIar o scu ¡a¡cl, dc
nodo algun ¡odc csiar quicia, ianlcn ja nao
¡odc alsicr-sc, sc nao csia ja ocu¡ada cn coisas
uicis, dc sc ocu¡ar cn coisas vas dc ioda a
cs¡ccic, c aic (dados os naus c×cn¡los do nosso
118
scculo corru¡io} ianlcn cn coisas ¡rcjudiciais,
quc dc¡ois c in¡ossívcl ou nuiio difícil
dcsa¡rcndcr, cono advcriinos ja. Por isso, o
nundo csia cIcio dc cnornidadcs, ¡ara fazcr
ccssar as quais nao lasian ncn os nagisirados
¡olíiicos ncn os ninisiros da Igrcja, cnquanio sc
nao iralalIar scriancnic ¡ara csiancar as
¡rinciras fonics do nal.
Concíusuo.
9. Porianio, na ncdida cn quc a cada un
inicrcssa a salvaçao dos scus ¡ro¡rios filIos, c
àquclcs quc ¡rcsidcn às coisas Iunanas, no
govcrno ¡olíiico c cclcsiasiico, inicrcssa a
salvaçao do gcncro Iunano, a¡rcsscn-sc a
¡rovidcnciar ¡ara quc, dcsdc ccdo, as
¡laniazinIas do ccu concccn a scr ¡laniadas,
¡odadas c rcgadas, c a scr ¡rudcnicncnic
fornadas, ¡ara alcançarcn cficazcs ¡rogrcssos
nos csiudos, nos cosiuncs c na ¡icdadc.
119

Capítulo VIII
É NECESSÁRIO,
AO MESMO TEMPO,
FORMAR A JUVENTUDE
E ABRIR ESCOLAS

O cuídudo dos ¡ííIos díz ¡cs¡cíto ¡¡o¡¡íuncntc uos
¡uís.
1. Dcnonsirado quc as ¡laniazinIas do ¡araíso,
ou scja, a juvcniudc crisia, nao ¡odcn crcsccr à
nancira dc una sclva, nas ¡rccisan dc
cuidados, vcjanos agora a qucn incunlc csscs
cuidados. Naiuralíssinancnic, isso con¡cic aos
¡ais, dc ial nancira quc, assin cono foran os
auiorcs da vida, scjan ianlcn os auiorcs dc
una vida racional, Ioncsia c sania. Quc ¡ara
Alraao isso fossc una olrigaçao solcnc, aicsia-o
Dcus. «Porquc cu sci quc Ia-dc ordcnar a scus
filIos c à sua casa, dc¡ois dclc, quc guardcn os
caninIos do ScnIor, c quc ¡raiiqucn a cquidadc
c a jusiiça» (Gcncsís, 18, 19}. A ncsna coisa
c×igc Dcus dos ¡ais, cn gcral, ao ordcnar.
«Esforçar-ic-as ¡or cnsinar aos icus filIos as
ninIas ¡alavras c falar-lIcs-as dclas quando
csiivcrcs scniado cn iua casa c quando andarcs
¡clos caninIos, quando forcs ¡ara a cana c
quando ic lcvaniarcs» (Dcutc¡ononío, 6, 7}. E ¡cla
120
loca do A¡osiolo. «Vos, ¡ais, nao ¡rovoqucis à ira
os vossos filIos, nas cducai-os na disci¡lina c
nas insiruçõcs do ScnIor» (E¡csíos, 6, 4}.
Suo-íIcs dudos, toduuíu, cono uuxíííu¡cs, os
¡¡o¡csso¡cs dus cscoíus.
2. Todavia, ¡orquc, icndo-sc nulii¡licado ianio
os Ioncns cono os afazcrcs Iunanos, sao raros
os ¡ais quc, ou sailan, ou ¡ossan, ou ¡clas
nuiias ocu¡açõcs, icnIan icn¡o suficicnic ¡ara
sc dcdicarcn a cducaçao dc scus filIos, dcsdc Ia
nuiio, ¡or saluiar consclIo|1|, sc iniroduziu o
cosiunc dc nuiios, cn conjunio, conconfiarcn a
cducaçao dc scus filIos a ¡cssoas cscolIidas,
noiavcis ¡cla sua inicligcncia c ¡cla ¡urcza dos
scus cosiuncs. A csscs fornadorcs da juvcniudc,
c cosiunc dar o nonc dc ¡rccc¡iorcs, ncsircs,
ncsircs-cscola c ¡rofcssorcs; os locais dcsiinados
a csscs c×crcícios conuns rccclcn o nonc dc
cscolas, insiiiuios, audiiorios, colcgios, ginasios,
acadcnias, cic.
O¡ígcn c dcscnuoíuíncnto dus cscoíus.
3. Josc aicsia|2| quc o ¡rinciro a alrir cscola,
incdiaiancnic a scguir ao Diluvio, foi o ¡airiarca
Scn, a qual dc¡ois foi cIanada cscola judaica. E
qucn nao salc quc na Caldcia, ¡rinci¡alncnic
na Dalilónia, Iavia nuncrosas cscolas, ondc sc
culiivavan ianio ouiras cicncias c arics cono a
asirononia? É salido, con cfciio, quc, dc¡ois (no
121
icn¡o dc Nalucodonosor}, ncssa salcdoria dos
Caldcus foran insiruídos Danicl c os scus
con¡anIciros (Dunící, 1, 20}. Havia-as ianlcn
no Egiio, ondc foi cducado Moiscs (Atos dos
A¡òstoíos, 7, 22}. No ¡ovo dc Isracl, ¡or ordcn dc
Dcus, cn iodas as cidadcs foran consiruídas
cscolas, cIanadas sinagogas, ondc os lcviias
cnsinavan a Lci, as quais duraran aic ao icn¡o
dc Crisio, iornando-sc cclclrcs ¡cla ¡rcgaçao
d'Elc c dos A¡osiolos. Dos cgí¡cios, os grcgos, c
dcsics, os ronanos rccclcran o cosiunc dc
fundar cscolas; a ¡ariir dos ronanos, cs¡alIou-
sc o louvavcl cosiunc dc alrir cscolas ¡or iodo o
In¡crio, ¡rinci¡alncnic, a¡os a ¡ro¡agaçao da
rcligiao dc Crisio, ¡cla soliciiudc ficl dc ¡rínci¡cs
c lis¡os ¡icdosos. Accrca dc Carlos Magno, aicsia
a Iisioria quc, à ncdida quc ia sulncicndo cada
¡ovo ¡agao, logo lIc cnviava lis¡os c ¡rofcssorcs,
c crigia icn¡los c cscolas. Scguiran o scu
c×cn¡lo ouiros in¡cradorcs crisiaos, rcis,
¡rínci¡cs c govcrnadorcs dc cidadcs; c dc ial
nodo auncniaran o nuncro das cscolas quc
csias sc iornaran inuncravcis.
Ex¡íícu-sc quc, ¡ínuíncntc, dcucn sc¡ uIc¡tus
cscoíus ¡o¡ todu u ¡u¡tc.
4. Quc csic sanio cosiunc sc dcvc, nao a¡cnas
nanicr, nas aic auncniar, inicrcssa a ioda a
Crisiandadc, a fin dc quc cn ioda c qualqucr
conunidadc dc Ioncns lcn ordcnada (qucr scja
122
cidadc, ou vila ou aldcia}, sc consirua una cscola
¡ara a cducaçao conun da juvcniudc. E×igc-o,
con cfciio.
1. o dcco¡o du o¡dcn quc dcuc sc¡ oIsc¡uudu ¡o¡
todu u ¡u¡tc,
5. A ordcn louvavcl das coisas. Con cfciio, sc un
¡ai dc fanília nao icn dis¡onililidadc ¡ara fazcr
iudo o quc a adninisiraçao dos ncgocios
doncsiicos c×igc, nas sc scrvc dc varios
cn¡rcgados, ¡orquc nao Ia-dc fazcr o ncsno no
nosso caso? Na vcrdadc, quando clc icn
ncccssidadc dc farinIa, dirigc-sc ao nolciro;
quando icn ncccssidadc dc carnc, ao carnicciro;
quando icn ncccssidadc dc lclidas, ao
ialcrnciro; quando icn ncccssidadc dc un faio,
ao alfaiaic; quando icn ncccssidadc dc calçado,
ao sa¡aiciro; quando icn ncccssidadc dc una
casa, dc una rclIa do arado, dc un ¡rcgo, cic.,
dirigc-sc ao narccnciro, ao ¡cdrciro, ao fcrrciro,
cic. Una vcz quc, ¡ara insiruir os adulios na
rcligiao, icnos os icn¡los; ¡ara discuiir as
causas cn liiígio, c ¡ara convocar o ¡ovo c ¡ara o
infornar accrca das coisas ncccssarias, icnos os
irilunais c os ¡arlancnios, ¡orquc nao Iavcnos
dc icr cscolas ¡ara a juvcniudc? Alcn disso, ncn
scqucr os can¡oncscs a¡asccnian, cada un ¡or
si, os scus ¡orcos c as suas vacas, nas
coniraian ¡asiorcs assalariados quc scrvcn ao
ncsno icn¡o a iodos, dcdicando-sc clcs,
123
cnircianio, con ncnos disiraçõcs, aos scus
ouiros ncgocios. Na vcrdadc, Ia una grandc
ccononia dc fadiga c dc icn¡o, quando una so
¡cssoa faz una so coisa, scn scr disiraída ¡or
ouiras coisas; dcsic nodo, con cfciio, una so
¡cssoa ¡odc scrvir uiilncnic a nuiias, c nuiias
¡odcn scrvir a una so.
2. u ncccssídudc,
6. En scgundo lugar, a ncccssidadc. Porquc, con
cfciio, rarancnic os ¡ais csiao ¡rc¡arados ¡ara
cducar lcn os filIos, ou rarancnic dis¡õcn dc
icn¡o ¡ara isso, daí sc scguc cono conscqucncia
quc dcvc Iavcr ¡cssoas quc façan a¡cnas isso
cono ¡rofissao c dcssc nodo sirvan a ioda a
conunidadc.
3. u utííídudc,
7. E ncsno quc nao faliasscn ¡ais a qucn fossc
¡ossívcl dcdicar-sc inicirancnic à cducaçao dos
scus filIos, scria, iodavia, nuiio nclIor cducar a
juvcniudc cn conjunio, nun gru¡o naior,
¡orquc, scn duvida, o fruio c o ¡razcr do
iralalIo c naior, quando uns rccclcn c×cn¡lo c
inciiancnio dc ouiros. Con cfciio, c
naiuralíssino fazcr o quc fazcn os ouiros, ir ondc
vcnos ir os ouiros, scguir os quc vao à frcnic c ir
à frcnic dos quc vcn airas.
124
AIc¡to o cu¡¡uí, tunto ncíIo¡ co¡¡c o ¡o¡tc cuuuío,
quunto tcn u qucn ¡ussu¡ u ¡¡cntc c u qucn
scguí¡|3|.
Alcn disso, a idadc infaniil conduz-sc c govcrna-
sc nuiio nclIor con c×cn¡los quc con rcgras.
Sc sc lIc ordcna alguna coisa, ¡ouco sc
inicrcssara; sc sc lIc nosira os ouiros a fazcr
alguna coisa, iniia-los-a, ncsno quc lIo nao
ordcncn.
4. os cxcn¡íos constuntcs du nutu¡czu
8. Finalncnic, a naiurcza da-nos, ¡or ioda a
¡aric, o c×cn¡lo dc quc aquclas coisas quc
dcvcn crcsccr alundanicncnic dcvcn scr
criadas cn un so lugar. Assin, as arvorcs nas
florcsias, as crvas nos can¡os, os ¡ci×cs nas
aguas, os nciais nas ¡rofundidadcs da icrra, cic.,
nasccn cn gru¡os. E isso dc ial nancira quc, cn
gcral, a florcsia quc ¡roduz ¡inIciros ou ccdros
ou carvalIos, ¡rodu-los alundanicncnic,
cnquanio quc as ouiras cs¡ccics dc arvorcs ncla
sc nao dcscnvolvcn igualncnic lcn; a icrra quc
¡roduz ouro, nao ¡roduz, con a ncsna
alundancia, os ouiros nciais. Todavia, aquilo
quc qucrcnos dizcr cnconira-sc ainda nais lcn
cסrcsso no nosso cor¡o, ondc c ncccssario quc
cada ncnlro rcccla una ¡aric do alincnio quc
sc iona, c iodavia nao sc da a cada un a sua
¡orçao ainda crua ¡ara quc a ¡rc¡arc c ada¡ic a
125
si, nas Ia dcicrninados ncnlros, quc sao cono
quc oficinas dcsiinadas a cssc iralalIo, os quais,
¡ara uiilidadc dc iodo o cor¡o, rccclcn os
alincnios, fazcn-nos fcrncniar, digcrcn-nos c,
finalncnic, disirilucn o alincnio assin
¡rc¡arado ¡clos ouiros ncnlros. Assin, o
csiónago forna o quilo, o fígado o sanguc, o
coraçao o cs¡íriio viial, c o ccrclro o cs¡íriio
aninal, os quais, ja ¡rc¡arados, difundcn-sc
facilncnic ¡or iodos os ncnlros c conscrvan
agradavclncnic a vida cn iodo o cor¡o. Porquc c
quc, ¡orianio, nao sc Ia-dc crcr quc, do ncsno
nodo quc as oficinas rcforçan c rcgulan os
iralalIos, os icn¡los a ¡icdadc, os irilunais a
jusiiça, assin ianlcn as cscolas ¡roduzcn,
dc¡uran c nulii¡lican a luz da salcdoria c a
disirilucn a iodo o cor¡o da conunidadc
Iunana?
5. c du u¡tc
9. Finalncnic, nas coisas ariificiais, iodas as
vczcs quc sc ¡roccdc racionalncnic, olscrvanos
o ncsno. É ccrio quc o siviculior, girando ¡clas
florcsias c ¡clos ¡inIais, nao ¡lania os
ncrgulIõcs ¡or ioda a ¡aric ondc os cnconira
¡ro¡rios ¡ara a ¡laniaçao, nas arranca-os c
irans¡oria-os ¡ara un vivciro c iraia-os
juniancnic con ccnicnas dc ouiros. Do ncsno
nodo, qucn sc ocu¡a cn nulii¡licar os ¡ci×cs
¡ara uso da cozinIa, consiroi un vivciro, ondc os
126
faz nulii¡licar, iodos junios, aos nilIarcs. E
quanio naior c a ¡laniaçao, ianio nclIor
cosiunan crcsccr as ¡lanias; c quanio naior c o
vivciro, ianio naiorcs sc iornan os ¡ci×cs. Ora,
assin cono sc dcvcn fazcr vivciros ¡ara os ¡ci×cs
c ¡laniaçõcs ¡ara as ¡lanias, assin sc dcvcn
consiruir cscolas ¡ara a juvcniudc.
127

Capítulo IX
TODA
A JUVENTUDE
DE AMBOS OS SEXOS
DEVE SER ENVIADA
ÀS ESCOLAS

As cscoíus dcucn sc¡ usííos conuns du ¡uucntudc.
1. Quc dcvcn scr cnviados às cscolas nao a¡cnas
os filIos dos ricos ou dos cidadaos ¡rinci¡ais,
nas iodos ¡or igual, nolrcs c ¡lclcus, ricos c
¡olrcs, ra¡azcs c ra¡arigas, cn iodas as cidadcs,
aldcias c casais isolados, dcnonsiran-no as
razõcs scguinics.
1. Po¡ quc todos dcucn sc¡ ¡c¡o¡nudos u ínugcn
dc Dcus.
2. En ¡rinciro lugar, iodos aquclcs quc
nasccran Ioncns, nasccran ¡ara o ncsno fin
¡rinci¡al, ¡ara scrcn Ioncns, ou scja, criaiura
racional, scnIora das ouiras criaiuras, inagcn
vcrdadcira do scu Criador. Todos, ¡or isso, dcvcn
scr cncaninIados dc nodo quc, cnlclidos
scriancnic do salcr, da viriudc c da rcligiao,
¡asscn uiilncnic a vida ¡rcscnic c sc ¡rc¡arcn
dignancnic ¡ara a fuiura. Quc, ¡cranic Dcus,
nao Ia ¡cssoas ¡rivilcgiadas, Elc ¡ro¡rio o afirna
128
consianicncnic|1|. Porianio, sc nos adniiinos à
culiura do cs¡íriio a¡cnas alguns, c×cluíndo os
ouiros, fazcnos injuria, nao so aos quc
¡ariici¡an conosco da ncsna naiurcza, nas
ianlcn ao ¡ro¡rio Dcus, quc qucr scr conIccido,
anado c louvado ¡or iodos aquclcs cn qucn
in¡riniu a sua inagcn. E isso scra fciio con
ianio nais fcrvor, quanio nais accsa csiivcr a luz
do conIccincnio. ou scja, ananos ianio nais,
quanio nais conIcccnos|2|.
2. Todos sc dcucn ¡¡c¡u¡u¡ ¡u¡u os o¡ìcíos du suu
¡utu¡u uocucuo.
3. En scgundo lugar, ¡orquc nao nos c cvidcnic
¡ara quc coisa nos dcsiinou a divina ¡rovidcncia.
É ccrio, ¡orcn, quc, ¡or vczcs, dc ¡cssoas
¡au¡crrinas, dc condiçao lai×íssina c
olscuraniíssina, Dcus consiiiui orgaos
c×cclcnics da sua gloria. Iniicnos, ¡or isso, o sol
cclcsic, quc ilunina, aquccc c vivifica ioda a
icrra, ¡ara quc iudo o quc ¡odc vivcr, vcrdcjar,
florir c fruiificar, viva, vcrdcjc, florcsça c
fruiifiquc.
3. Aíguns soI¡ctudo (os cstú¡ídos c os dcIcís ¡o¡
nutu¡czu) dcucn sc¡ nuíto u¡ududos.
4. Nao dcvc fazcr-nos olsiaculo o faio dc vcrnos
quc alguns sao rudcs c csiu¡idos ¡or naiurcza,
¡ois isso ainda nais rcconcnda c iorna nais
urgcnic csia univcrsal culiura dos cs¡íriios. Con
129
cfciio, quanio nais algucn c dc naiurcza lcnia ou
rudc, ianio nais icn ncccssidadc dc scr ajudado,
¡ara quc, quanio ¡ossívcl, sc lilcric da sua
dclilidadc c da sua csiu¡idcz lruial. Nao c
¡ossívcl cnconirar un cs¡íriio iao infcliz, a quc a
culiura nao ¡ossa irazcr alguna nclIoria.
Ccriancnic, da ncsna nancira quc un vaso
csluracado, nuiias vczcs lavado, cnlora nao
conscrvc ncnIuna goia dc agua, iodavia, iorna-
sc nais liso c nais lin¡o, assin ianlcn os
dclcis c os csiu¡idos, ncsno quc nos csiudos
nao façan ncnIun ¡rogrcsso, iornan-sc,
iodavia, nais lrandos nos cosiuncs, dc nodo a
salcrcn olcdcccr às auioridadcs ¡olíiicas c aos
ninisiros da Igrcja. Consia, dc rcsio, ¡cla
cסcricncia, quc ccrios indivíduos, ¡or naiurcza
nuiio lcnios, dc¡ois dc icrcn scguido o curso dos
csiudos, ¡assaran à frcnic dc ouiros nais lcn
doiados. E isio c iao vcrdadciro quc un ¡ocia
afirnou. «O iralalIo olsiinado vcncc iudo»|3|.
Alcn disso, da ncsna nancira quc algucn, na
infancia, c lclo c foric dc cor¡o, c dc¡ois sc iorna
cnfcrniço c cnagrccc, c un ouiro, ao conirario,
cn jovcn, c dc consiiiuiçao docniia, c dc¡ois
adquirc força c crcscc rolusio, assin ianlcn sc
vcrifica con as inicligcncias, dc ial nancira quc
algunas sao ¡rccoccs, nas dc¡rcssa sc csgoian
c acalan ¡or sc iornar oliusas, c ouiras a
¡rincí¡io sao rudcs, nas dc¡ois iornan-sc finas c
nuiio ¡cnciranics. Alcn disso, gosianos dc icr
130
nos ¡onarcs, nao a¡cnas arvorcs quc ¡roduzcn
fruios ¡rccoccs, nas ianlcn arvorcs quc
¡roduzcn fruios dc ncia csiaçao, c fruios
scródios, ¡orquc cada coisa c loa no scu icn¡o
(cono diz algurcs o Ecícsíustíco}|4| c, cnlora
iardc, acala ¡or nosirar, cn dcicrninada aliura,
quc nao c×isiia cn vao. Porquc c quc, cniao, no
jardin das lciras, a¡cnas qucrcnos iolcrar as
inicligcncias dc una so cs¡ccic, ou scja, as
¡rccoccs c agcis? Ningucn, ¡or conscguinic, scja
c×cluído, a nao scr a qucn Dcus ncgou a
scnsililidadc c a inicligcncia.
Dcuc udnítí¡-sc nos cstudos tunIcn o scxo ¡¡ugíí¯
Sín.
5. Nao ¡odc aduzir-sc ncn scqucr un noiivo
valido ¡clo qual o sc×o fraco (¡ara quc accrca
dcsic assunio diga ¡ariicularncnic alguna coisa}
dcva scr c×cluído dos csiudos (qucr csics sc
ninisircn cn laiin, qucr sc ninisircn na língua
naicrnal. Con cfciio, as nulIcrcs sao
igualncnic inagcns dc Dcus, igualncnic
¡ariici¡anics da graça c do rcino dos ccus,
igualncnic doiadas dc una ncnic agil c ca¡az dc
a¡rcndcr a salcdoria (nuiias vczcs aic nais quc
o nosso sc×o}, igualncnic ¡ara clas csia alcrio o
caninIo dos ofícios clcvados; una vcz quc,
frcqucnicncnic, sao cIanadas ¡clo ¡ro¡rio Dcus
¡ara o govcrno dos ¡ovos, ¡ara dar saluiarcs
consclIos a rcis c a ¡rínci¡cs, ¡ara c×crccr a
131
ncdicina c ouiras arics saluiarcs ao gcncro
Iunano, ¡ara ¡ronunciar ¡rofccias c cסrolar
saccrdoics c lis¡os. Porquc c quc, cniao, as
Iavíanos dc adniiir ao alc c dc¡ois as Iavíanos
dc afasiar do csiudo dos livros? Tcnos ncdo quc
concian icncridadcs? Mas quanio nais lIcs
iivcrnos ocu¡ado o ¡cnsancnio, ianio ncnor
lugar cnconirara a icncridadc, a qual,
nornalncnic, c originada ¡cla dcsocu¡açao da
ncnic.
Toduuíu, con quc ¡¡ccuuçuo¯
6. Todavia, dc ial nancira quc lIcs nao scja dado
cono alincnio ioda a cs¡ccic dc livros (do ncsno
nodo quc à juvcniudc dc ouiro sc×o; scndo
dc¡loravcl quc, aic aqui, csic nal nao icnIa sido
cviiado con naior ¡rccauçao}, nas livros nos
quais ¡ossan Iaurir consianicncnic, con o
vcrdadciro conIccincnio dc Dcus c das suas
olras, vcrdadciras viriudcs c a vcrdadcira
¡icdadc.
HcIutc-sc unu oI¡cçuo.
7. Ningucn, ¡orianio, nc oljcic con as ¡alavras
do A¡osiolo. «Nao ¡crniio à nulIcr quc cnsinc»
(Tínòtco, I, 2, 12}, ou con as dc Juvcnal, na
Sutí¡u 6.
Çuc u nuíIc¡ quc sc dcítu ¡untuncntc contígo nuo
tcnIu u nuníu dc ¡uíu¡ ou dc cn¡oíu¡ ¡¡uscs ¡u¡u
132
const¡uí¡ cntíncnus, ncn suíIu todus us
Iístò¡íus|5|.
ou con aquilo quc, cn Euri¡cdcs, diz Hi¡oliio.
Odcío u nuíIc¡ c¡udítu, ¡u¡u quc cn nínIu cusu
nuncu sc cncont¡c unu quc suíIu nuís do quc
conucn suIc¡ u unu nuíIc¡. Con c¡cíto, Vcnus
íns¡í¡u nuío¡ ustúcíu us nuíIc¡cs c¡udítus|6|.
Esias afirnaçõcs, rc¡iio, nada olsian ao nosso
consclIo, ¡ois c nossa o¡iniao quc as nulIcrcs
scjan insiruídas, nao ¡ara a curiosidadc, nas
¡ara a Ioncsiidadc c ¡ara a lcaiiiudc. Solrciudo
naquclas coisas quc a clas in¡oria salcr c quc
¡odcn coniriluir qucr ¡ara adninisirar
dignancnic a vida faniliar, qucr ¡ara ¡ronovcr a
sua ¡ro¡ria salvaçao, a do narido, dos filIos c dc
ioda a fanília.
Out¡u oI¡cçuo.
8. Sc algucn disscr. ondc ircnos nos ¡arar, sc os
o¡crarios, os agriculiorcs, os noços dc frcics c
finalncnic aic as nulIcrcs sc cnircgarcn aos
csiudos? Fcs¡ondo. aconicccra quc, sc csia
cducaçao univcrsal da juvcniudc for dcvidancnic
coniinuada, a ningucn faliara, daí cn dianic,
naicria dc lons ¡cnsancnios, dc lons dcscjos,
dc loas ins¡iraçõcs c ianlcn dc loas olras. E
iodos salcrao ¡ara ondc dcvcn dirigir iodos os
aios c dcscjos da vida, ¡or quc caninIos dcvcn
133
andar c dc quc nodo cada un Ia-dc ocu¡ar o
scu lugar. Alcn disso, iodos sc dclciiarao, ncsno
no ncio dos iralalIos c das fadigas, ncdiiando
nas ¡alavras c nas olras dc Dcus, c cviiarao o
ocio, causa dc ¡ccados carnais c dc dcliios dc
sanguc, lcndo frcqucnicncnic a Díllia c ouiros
lons livros (c csics ¡razcrcs, nuiio doccs,
airaicn qucn ja os salorcou}. E, ¡ara quc diga
iudo dc una so vcz, a¡rcndcrao a vcr Dcus ¡or
ioda a ¡aric, a louva-lo ¡or ioda a ¡aric, a
a¡ro×inar-sc dclc ¡or ioda a ¡aric; c, dcsic
nodo, a¡rcndcrao a ¡assar con naior alcgria
csia vida dc niscrias c a cs¡crar, con naior
dcscjo c naior cs¡crança, a vida cicrna. Acaso
nao c vcrdadc quc scnclIanic csiado da Igrcja
rc¡rcscniaria ¡ara nos o ¡araíso, ial cono c
¡ossívcl ic-lo na icrra?
134

Capítulo X
NAS ESCOLAS,
A FORMAÇÃO
DEVE SER UNIVERSAL

Çuc sc cntcndc ¡o¡ uqucíc «tudo» quc, nus cscoíus,
sc dcuc cnsínu¡ c u¡¡cndc¡¯
1. In¡oria agora dcnonsirar quc, nas cscolas, sc
dcvc cnsinar iudo a iodos. Isio nao qucr dizcr,
iodavia, quc c×ijanos a iodos o conIccincnio dc
iodas as cicncias c dc iodas as arics (solrciudo
sc sc iraia dc un conIccincnio c×aio c
¡rofundo}. Con cfciio, isso, ncn, dc sua
naiurcza, c uiil, ncn, ¡cla lrcvidadc da nossa
vida, c ¡ossívcl a qualqucr dos Ioncns. Vcnos,
con cfciio, quc cada cicncia sc alarga iao
an¡lancnic c iao suiilncnic (¡cnsc-sc, ¡or
c×cn¡lo, nas cicncias físicas c naiurais, na
naicnaiica, na gconciria, na asirononia, cic. c
ainda na agriculiura ou na siviculiura, cic.} quc
¡odc ¡rccncIcr ioda a vida, ncsno dc
inicligcncias grandcncnic doiadas quc acaso
quciran dcdicar-sc à icoria c à ¡raiica, cono
aconicccu con Piiagoras na naicnaiica|1|, con
Arquincdcs na nccanica, con Agrícola na
nincralogia|2|, con Longolio na rciorica (o qual
sc ocu¡ou dc una so coisa, ¡ara quc vicssc a scr
135
un ¡crfciio ciccroniano}|3|. Prcicndcnos a¡cnas
quc sc cnsinc a iodos a conIcccr os
fundancnios, as razõcs c os oljciivos dc iodas as
coisas ¡rinci¡ais, das quc c×isicn na naiurcza
cono das quc sc falrican, ¡ois sonos colocados
no nundo, nao soncnic ¡ara quc façanos dc
cs¡cciadorcs, nas ianlcn dc aiorcs. Dcvc,
¡orianio, ¡rovidcnciar-sc c fazcr-sc un csforço
¡ara quc a ningucn, cnquanio csia ncsic nundo,
surja qualqucr coisa quc lIc scja dc ial nodo
dcsconIccida quc solrc cla nao ¡ossa dar
nodcsiancnic o scu juízo c dcla, sc nao ¡ossa
scrvir ¡rudcnicncnic ¡ara un dcicrninado uso,
scn cair cn crros nocivos.
Ou sc¡u, uqucíus coísus quc dízcn ¡cs¡cíto u
cuítu¡u do Ioncn todo.
2. Dcvc, ¡orianio, icndcr-sc inicirancnic c scn
c×ccçao ¡ara quc, nas cscolas, c,
conscqucnicncnic, ¡clo lcncfico cfciio das
cscolas, duranic ioda a vida. I. sc culiivcn as
inicligcncias con as cicncias c con as arics; II. sc
a¡crfciçocn as línguas; III. sc forncn os
cosiuncs ¡ara ioda a cs¡ccic dc Ioncsiidadc; IV.
sc ¡rcsic sinccrancnic culio a Dcus.
Cícncíu, ¡¡udcncíu, ¡ícdudc.
3. Efciivancnic, dissc una ¡alavra dc salio
aquclc quc afirnou quc as cscolas sao oficinas dc
Iunanidadc|4|, coniriluindo, cn vcrdadc, ¡ara
136
quc os Ioncns sc iorncn vcrdadcirancnic
Ioncns, isio c (icndo cn visia os oljciivos airas
csialclccidos}. I. criaiura racional; II. criaiura
scnIora das ouiras criaiuras (c ianlcn dc si
ncsna}; III. criaiura dclícia do scu Criador. O
quc aconicccra sc as cscolas sc csforçarcn ¡or
¡roduzir Ioncns salios na ncnic, ¡rudcnics nas
açõcs c ¡icdosos no coraçao.
Çuc cstus coísus sc nuo dcucn sc¡u¡u¡, ¡¡ouu-sc.
4. Por conscguinic, csias ircs coisas dcvcrao scr
in¡laniadas cn iodas as cscolas ¡ara lcncfício
dc ioda a juvcniudc. O quc dcnonsirarci, indo
luscar o fundancnio dc ncu raciocinio. I. às
coisas quc ncsic nundo nos rodcian; II. a nos
ncsnos; III. a Crisio, Honcn-Dcus ,
nodclo ¡crfciiíssino da nossa ¡crfciçao.
1. u ¡u¡tí¡ du coc¡cncíu dus ¡¡ò¡¡íus coísus.
5. As ¡ro¡rias coisas, cnquanio nos dizcn
rcs¡ciio, nao ¡odcn scr divididas scnao cn ircs
cs¡ccics. Na vcrdadc. algunas sao a¡cnas oljcio
dc olscrvaçao, cono o ccu c a icrra c as coisas
quc nclcs c×isicn; ouiras sao oljcio dc iniiaçao,
cono a ordcn adniravcl cs¡alIada ¡or ioda a
¡aric, a qual o Ioncn icn olrigaçao dc cסrinir
ianlcn nas suas olras; ouiras, cnfin, sao oljcio
dc fruiçao, cono o favor da divindadc c a sua
nulií¡licc lcnçao, ncsic nundo c ¡ara scn¡rc.
Sc o Ioncn dcvc scr scnclIanic a csias coisas,
137
in¡oria ncccssariancnic quc sc ¡rc¡arc, ianio
¡ara conIcccr as coisas, quc, ncsic naravilIoso
anfiicairo, sc ofcrcccn à sua olscrvaçao, cono
¡ara fazcr aquclas coisas quc sc lIc ordcna quc
faça, cono, finalncnic, ¡ara gozar daquclas quc,
con nao lilcral, o lcnigníssino Criador lIc
ofcrccc (cono a un Ios¡cdc quc csicja cn sua
casa} ¡ara sua fruiçao.
2. u ¡u¡tí¡ du csscncíu du nossu uínu.
6. Sc nos olscrvarnos a nos ncsnos,
dc¡rccndcnos igualncnic quc a iodos, ¡or igual,
convcn a insiruçao, a noralidadc c a ¡icdadc,
qucr olscrvcnos a csscncia da nossa alna, qucr
a finalidadc ¡ara quc fonos criados c ¡osios no
nundo.
7. A csscncia da alna c consiiiuída ¡or ircs
faculdadcs (as quais rcflcicn a Trindadc
incriada}. inicligcncia, voniadc c ncnoria. A
inicligcncia alarga-sc a olscrvar as difcrcnças
das coisas (aic às nais ¡cqucnas ninucias}; a
voniadc dirigc-sc à cscolIa das coisas, ou scja, a
cscolIcr as quc sao loas c a rcjciiar as quc sao
¡rcjudiciais; a ncnoria, ¡or sua vcz, rcicn, ¡ara
uso fuiuro, as coisas dc quc, alguna vcz, sc
ocu¡aran a inicligcncia c a voniadc, c lcnlra à
alna a sua origcn (dcriva dc Dcus} c a sua
nissao; sol csic as¡ccio, cIana-sc ianlcn
conscicncia. Ora, ¡ara quc csias ircs faculdadcs
138
¡ossan cun¡rir lcn a sua nissao, c ncccssario
insiruí-las ¡crfciiancnic cn coisas quc ilunincn
a inicligcncia, dirijan a voniadc c csiinulcn a
conscicncia, dc nodo quc a inicligcncia ¡cncirc
¡rofundancnic, a voniadc cscolIa scn crro, c a
conscicncia rcfira iudo avidancnic a Dcus. Ora,
assin cono aquclas ircs faculdadcs (a
inicligcncia, a voniadc c a conscicncia}, una vcz
quc consiiiucn una ncsna alna, nao ¡odcn
sc¡arar-sc, assin ianlcn aquclcs ircs
ornancnios da alna, a insiruçao, a viriudc c a
¡icdadc, nao dcvcn sc¡arar-sc.
E u ¡u¡tí¡ do ¡ín du nossu níssuo no nundo.
8. Sc agora considcrarnos ¡orquc c quc fonos
colocados no nundo, dc novo sc iornara cvidcnic
quc as finalidadcs sao ircs. ¡ara scrvir a Dcus, às
criaiuras c a nos ncsnos; c ¡ara gozar o ¡razcr
cnananic dc Dcus, das criaiuras c dc nos
ncsnos.
1. Pu¡u quc sí¡uunos u Dcus, uo ¡¡òxíno c u nòs
ncsnos.
9. Sc qucrcnos scrvir a Dcus, ao ¡ro×ino c a nos
ncsnos, c ncccssario quc icnIanos, cn rclaçao
a Dcus, ¡icdadc; cn rclaçao ao ¡ro×ino,
Ioncsiidadc; c cn rclaçao a nos ncsnos, cicncia.
Esias coisas csiao, ¡orcn, dc ial nancira ligadas
quc, do ncsno nodo quc o Ioncn dcvc scr, ¡ara
consigo ncsno, nao so ¡rudcnic, nas ianlcn
139
norigcrado c ¡icdoso, assin ianlcn nao so os
nossos cosiuncs, nas ianlcn o nosso salcr c a
nossa ¡icdadc dcvcn scrvir ¡ara uiilidadc do
¡ro×ino; c nao soncnic a nossa ¡icdadc, nas
ianlcn o nosso salcr c os nossos cosiuncs
dcvcn scrvir ¡ara louvor dc Dcus.
3. Pu¡u quc gozcnos un t¡ì¡íícc ¡¡uzc¡
¡c¡nuncntc.
10. Sc considcranos o ¡razcr, vcnos quc Dcus
afirnou na criaçao quc o Ioncn c dcsiinado a
goza-lo, una vcz quc o iniroduziu nun nundo ja
doiado dc ioda a cs¡ccic dc lcns, c, alcn disso,
cn aicnçao a clc, criou un ¡araíso dc dclícias; c,
finalncnic, rcsolvcu iorna-lo ¡ariici¡anic da sua
cicrna lcaiiiudc.
11. Dcvc, iodavia, cnicndcr-sc ¡or ¡razcr, nao o
do cor¡o (cnlora ianlcn csic, una vcz quc nao
c scnao o vigor da saudc, c o agrado do alincnio
c do sono, nao ¡ossa dcrivar scnao da viriudc da
icn¡crança}, nas o da alna, o qual rcsulia, ou
das coisas quc nos ccrcan, ou dc nos ncsnos,
ou cniao dc Dcus.
a} dus ¡¡ò¡¡íus coísus,
12. O ¡razcr quc lroia das ¡ro¡rias coisas c
aqucla alcgria quc o Ioncn salio cסcrincnia
nas suas olscrvaçõcs. Con cfciio, scja o quc for
quc clc faça, ¡ara qualqucr lado quc sc volic, cn
140
qualqucr coisa quc fi×c a sua aicnçao, cn iudo c
¡or iudo ¡crnanccc ¡rcso dc iananIa alcgria,
quc, nuiias vczcs, cono quc arrclaiado fora dc
si, sc csquccc dc si ncsno. É ¡rccisancnic o quc
afirna o livro da salcdoria. «Conscrvar a
salcdoria nao ¡roduz anargura c convivcr con
cla nao ¡roduz icdio, nas alcgria c
conicniancnio» (SuIcdo¡íu, 8, 16}. E un salio
¡agao cscrcvcu.
.
«Na vida, nada Ia nais docc quc o filosofar»|5|.
l} dc nòs ncsnos,
13. O ¡razcr quc cada un goza cn si ncsno c
aquclc dulcíssino dclciic quc o Ioncn, cnircguc
à viriudc, goza ¡cla sua loa dis¡osiçao inicrior,
scniindo-sc ¡ronio ¡ara iudo o quc a ordcn da
jusiiça rcqucr. Esia alcgria c nuiio naior quc
aqucla dc quc, Ia ¡ouco, falanos, scgundo csia
na×ina. A Iou conscícncíu c un Iunquctc
¡c¡cnc|6|.
c} dc Dcus.
14. O ¡razcr quc nos vcn dc Dcus c o nais alio
grau dc alcgria quc sc ¡odc cסcrincniar ncsia
vida, una vcz quc o Ioncn, scniindo quc Dcus
lIc c cicrnancnic ¡ro¡ício, c×ulia dc ial nancira
no scu ¡aicrnal c inuiavcl favor, quc o coraçao sc
141
lIc consonc no anor dc Dcus; c ja nao salc ncn
fazcr ncn dcscjar ouira coisa scnao, incrgindo-sc
iodo na niscricordia dc Dcus, vivcr una docc
iranquilidadc c salorcar, ja ncsic nundo, a
alcgria da vida cicrna. «Esia c a ¡az quc Dcus nos
conccdc c quc csia acina dc iodo o cnicndincnio
Iunano» (Fííí¡cnscs, 4, 7}, nao scndo ¡ossívcl
dcscjar ncn ¡cnsar coisa nais sullinc. Porianio,
aquclas ircs coisas, a insiruçao, a viriudc c a
¡icdadc, sao as ircs fonics, das quais lroian
iodos os arroios dos nais ¡crfciios ¡razcrcs.
3. Pcío cxcn¡ío dc C¡ísto, nosso nodcío.
15. Por uliino, quc csias ircs coisas dcvcn c×isiir
cn iodos c cn cada un, cnsinou-o con o scu
c×cn¡lo aquclc quc sc nanifcsiou na carnc (¡ara
nosirar cn si a forna c a norna dc iodas as
coisas}, Dcus. Con cfciio, o cvangclisia afirna
quc clc, cnquanio crcscia cn idadc, crcscia cn
salcdoria c cn graça, dianic dc Dcus c dos
Ioncns (Lucus, 2, 52}. Eis ondc sc cnconiran
aquclas ircs lascs dos nossos ornancnios!
Efciivancnic, quc c a salcdoria scnao o
conIccincnio dc iodas as coisas cono sao na
rcalidadc? Quc c quc ¡roduz a graça dianic dos
Ioncns, scnao a analilidadc dos cosiuncs? E
quc c quc nos grangcia a graça dianic dc Dcus,
scnao o icnor do ScnIor, ou scja, a íniina, scria
c fcrvorosa ¡icdadc? Sinianos, ¡orianio, cn nos
aquilo quc sc cnconira cn Crisio Jcsus, o qual c
142
o ¡roioii¡o ¡crfciiíssino dc ioda a ¡crfciçao, con
o qual nos dcvcnos confornar.
16. Prccisancnic ¡or isso, con cfciio, Elc dissc.
«A¡rcndci dc nin» (Mutcus, 11, 29}. E ¡orquc o
¡ro¡rio Crisio foi dado ao gcncro Iunano cono
ncsirc sa¡icniíssino, saccrdoic saniíssino c rci
¡oicniíssino, c cvidcnic quc os crisiaos dcvcn
scr fornados scgundo o nodclo dc Crisio, c
iornar-sc salios na ncnic, sanios na ¡urcza dc
conscicncia c forics (cada un scgundo a sua
vocaçao} nas olras. Porianio, as nossas cscolas
virao a scr, finalncnic, vcrdadciras cscolas
crisias, sc nos fazcn o nais scnclIanics ¡ossívcl
a Crisio.
In¡cííz díuò¡cío.
17. Vcrifica-sc, ¡orianio, un infcliz divorcio, cn
iodos os casos cn quc csias ircs coisas nao csiao
unidas ¡or un liganc adananiino. Infcliz a
insiruçao quc sc nao convcric cn noralidadc c
cn ¡icdadc! Con cfciio, quc c a cicncia scn a
noral? Qucn ¡rogridc na cicncia c rcgridc na
noral (c nuxínu untígu}, anda nais ¡ara iras quc
¡ara a frcnic|7|. Por isso, aquilo quc Salonao
dissc da nulIcr fornosa, nas ininiga da
salcdoria, ¡odc dizcr-sc ianlcn dc un Ioncn
douio, nas dc naus cosiuncs. «A insiruçao
infundida nun Ioncn ininigo da viriudc c un
colar dc ouro colocado no focinIo dc un ¡orco»
143
(P¡ouc¡Iíos, 11, 22}. Da ncsna nancira quc as
¡cdras ¡rcciosas sc nao cncasioan no cIunlo,
nas no ouro, ¡ara quc cn conjunio irradicn un
lrilIo nais cs¡lcndoroso, assin ianlcn a
cicncia nao dcvc juniar-sc à lilcriinagcn, nas à
viriudc, ¡ara quc una auncnic o lrilIo da ouira.
E quando a una c ouira sc junia una ¡icdadc
vcrdadcira, cniao a ¡crfciçao ficara con¡lcia. Dc
faio, o icnor dc Dcus, da ncsna nancira quc c o
¡rincí¡io c o fin da salcdoria, c ianlcn o cunc
c a coroa da cicncia, ¡orquc a ¡lcniiudc da
salcdoria consisic cn icncr o ScnIor.
(P¡ouc¡Iíos, 1, 7; Ecícsíustíco, 1, 14 c nouiros
lugarcs}|8|.
Concíusuo.
18. En rcsuno, una vcz quc dos anos da
infancia c da cducaçao dc¡cndc iodo o rcsio da
vida, sc os cs¡íriios dc iodos nao forcn
¡rc¡arados dcsdc cniao ¡ara iodas as coisas dc
ioda a vida, csia iudo ¡crdido. Porianio, assin
cono no uicro naicrno sc fornan os ncsnos
ncnlros ¡ara iodo o scr quc Ia-dc iornar-sc
Ioncn, c ¡ara cada un sc fornan iodos, as
naos, os ¡cs, a língua, cic., cnlora ncn iodos
vcnIan a scr aricsaos, corrcdorcs, cscrivacs c
oradorcs, assin ianlcn, na cscola, dcvc cnsinar-
sc a iodos iodas aquclas coisas quc dizcn
rcs¡ciio ao Ioncn, cnlora, nais iardc, unas
vcnIan a scr nais uicis a uns c ouiras a ouiros.
144

Capítulo XI
ATÉ AGORA
NÃO TEM HAVIDO ESCOLAS
QUE CORRESPONDAM
PERFEITAMENTE AO SEU FIM

Çuc c unu cscoíu quc co¡¡cs¡ondu cxutuncntc uo
scu ¡ín¯
1. Parcccrci c×ccssivancnic ¡rcsunçoso con csia
afirnaçao ousada. Mas vou alordar o assunio dc
frcnic, consiiiuindo o lciior cono juiz c nao
rc¡rcscniando cu ¡ro¡rio scnao o ¡a¡cl dc aior.
CIano cscola ¡crfciiancnic corrcs¡ondcnic ao
scu fin aqucla quc c una vcrdadcira oficina dc
Ioncns, isio c, ondc as ncnics dos alunos scjan
ncrgulIadas no fulgor da salcdoria, ¡ara quc
¡cncircn ¡roniancnic cn iodas as coisas
nanifcsias c oculias (cono diz o Líu¡o du
SuIcdo¡íu, 7, 21}, as alnas c as inclinaçõcs da
alna scjan dirigidas ¡ara a Iarnonia univcrsal
das viriudcs, c os coraçõcs scjan ircs¡assados c
inclriados dc anorcs divinos, dc ial nancira quc,
ja na icrra, sc Ialiiucn a vivcr una vida cclcsic
iodos aquclcs quc, ¡ara sc cnlclcrcn dc
vcrdadcira salcdoria, sao cnviados às cscolas
crisias. Nuna ¡alavra. ondc alsoluiancnic iudo
145
scja cnsinado alsoluiancnic a iodos («uli
Onncs, Onníu, Onníno, doccaniur»}.
Çuc us cscoíus dcucn sc¡ ussín, nus quc, dc ¡uto,
o nuo suo, dcnonst¡u-sc.
2. Mas qual c a cscola quc, aic Iojc, sc ¡ro¡ós
csic grau dc ¡crfciçao? Nao falcnos scqucr cn
alguna quc o icnIa aiingido. Mas ¡ara quc nao
¡arcça quc acalcnianos idcias ¡laiónicas c
sonIanos con una ¡crfciçao quc nao c×isic cn
¡aric alguna, ncn ialvcz ¡ossa cs¡crar-sc ncsia
vida, nosirarcnos, con ouiro arguncnio, quc as
cscolas dcvcn scr cono dissc, c quc, iodavia, aic
agora, nao icn sido assin.
1. Con o uoto dc Lutc¡o
3. Luicro, na sua c×oriaçao às cidadcs do
In¡crio, ¡ara quc consiiiuísscn cscolas (cn
1525}, cnirc ouiras coisas, cniiiu csics dois
voios. P¡íncí¡o, «quc, cn iodas as cidadcs, vilas c
aldcias, scjan fundadas cscolas, ¡ara cducar
ioda a juvcniudc dc anlos os sc×os
(¡rccisancnic cono, no ca¡íiulo IX, nosiranos
dcvcr fazcr-sc}, dc ial nancira quc, ncsno
aquclcs quc sc dcdican à agriculiura c às
¡rofissõcs nanuais, frcqucniando a cscola, ao
ncnos duas Ioras ¡or dia, scjan insiruídos nas
lciras, na noral c na rcligiao». Scgundo. «quc
scjan insiruídos con un nciodo nuiio facil, nao
so ¡ara quc sc nao afasicn dos csiudos, nas aic
146
¡ara quc ¡ara clcs scjan airaídos cono ¡ara
vcrdadciros dclciics», c, cono clc diz, «¡ara quc as
crianças cסcrincnicn nos csiudos un ¡razcr
nao ncnor quc quando ¡assan dias iniciros a
lrincar con ¡cdrinIas, con a lola, c às
corridas». Assin falava Luicro|1|.
2. Con o tcstcnunIo dus ¡¡ò¡¡íus coísus. Con
c¡cíto.
4. ConsclIo vcrdadcirancnic salio c digno dc iao
grandc Ioncn. Mas qucn nao vc quc, aic agora,
¡crnancccu un sin¡lcs voio? Ondc csiao, con
cfciio, cssas cscolas univcrsais? Ondc csia cssc
nciodo airacnic?
1} Aíndu nuo ¡o¡un ¡undudus cscoíus ¡o¡ todu u
¡u¡tc.
5. Vcnos ¡rccisancnic o conirario. nas aldcias c
nos ¡cqucnos ¡ovoados, nao foran ainda
fundadas cscolas.
2} E nuo sc ¡cnsu cn quc, ondc cxístcn, sc¡un
¡u¡u todos.
6. E, ondc c×isicn, nao sao indisiiniancnic ¡ara
iodos, nas a¡cnas ¡ara alguns, ou scja, ¡ara os
ricos, ¡orquc, scndo dis¡cndiosas, nclas nao sao
adniiidos os nais ¡olrcs, salvo casos raros, ou
scja, quando algucn faz una olra dc
niscricordia. No cnianio, c ¡rovavcl quc, dc cnirc
147
os ¡olrcs, inicligcncias nuiias vczcs c×cclcnics
¡asscn a vida c norran scn ¡odcr insiruir-sc,
con gravc dano ¡ara a Igrcja c ¡ara o Esiado.
3} Nuo suo cscoíus, nus ¡udu¡íus.
7. Alcn disso, na cducaçao da juvcniudc, usou-
sc quasc scn¡rc un nciodo iao duro quc as
cscolas sao considcradas cono os cs¡anialIos
das crianças, ou as canaras dc ioriura das
inicligcncias. Por isso, a naior c a nclIor ¡aric
dos alunos, alorrccidos con as cicncias c con os
livros, ¡rcfcrcn cncaninIar-sc ¡ara as oficinas
dos aricsaos, ou ¡ara qualqucr ouiro gcncro dc
vida.
4. En íugu¡ uígun sc cnsínu tudo, c ncn scquc¡
us coísus ¡¡íncí¡uís.
8. Àquclcs quc fican na cscola (ou consirangidos
¡cla voniadc dos ¡ais c dos lcnfciiorcs, ou
aliciados ¡cla cs¡crança dc, con os csiudos,
conscguircn un dia un ¡ouco dc auioridadc, ou
in¡clidos ¡or una força cs¡onianca da naiurcza
¡ara una cducaçao lilcral}, a csscs, ninisira-sc
una culiura, c ccrio, nas scn a scricdadc c a
¡rudcncia ncccssarias, anacrónica c na sol
iodos os as¡ccios. Efciivancnic, aquilo quc
solrciudo sc dcvia in¡laniar na alna dos jovcns,
isio c, a ¡icdadc c a noralidadc, dcscura-sc dc
nodo ¡ariicular. E afirno quc csias duas coisas,
cn iodas as cscolas (ncsno nas Univcrsidadcs,
148
quc dcvian scr o ¡onio nais alio da culiura
Iunana}, icn sido as nais dcscuradas, c, cn
conscqucncia disso, a naioria das vczcs, saicn
dc la, cn vcz dc cordciros nansos, fcrozcs lurros
sclvagcns c nulos indóniios c ¡ciulanics; c, cn
vcz dc una índolc nodclada ¡cla viriudc, irazcn
dc la un conjunio dc loas nanciras quc dc noral
icn a¡cnas o vcrniz, c os olIos, as naos c os ¡cs
adcsirados ¡ara as vaidadcs nundanas. Na
vcrdadc, a quanios dcsics Ionunculos, ¡olidos
duranic ianio icn¡o con o csiudo das línguas c
das arics, vira à ncnic scr, ¡ara iodos os ouiros
Ioncns, c×cn¡lo dc icn¡crança, dc casiidadc,
dc Iunildadc, dc Iunanidadc, dc gravidadc, dc
¡acicncia, dc coniincncia, cic.? E dc ondc nascc o
nal scnao do faio dc quc sc nao c×igc às cscolas
quc cnsincn a vivcr Ioncsiancnic? Isio c
icsicnunIado ¡cla disci¡lina dissoluia dc quasc
iodas as cscolas, ¡clos cosiuncs rcla×ados dc
iodas as classcs sociais c ¡clos infiniios
lancnios, sus¡iros c lagrinas dc nuiias ¡cssoas
¡icdosas. E Ia ainda algucn quc ¡ossa dcfcndcr
o csiado das cscolas? A docnça Icrcdiiaria,
dcscida aic nos a ¡ariir das duas ¡rinciras
criaiuras, donina-nos dc ial nodo quc, ¡osia dc
¡aric a arvorc da vida, volianos
dcsordcnadancnic os nossos a¡ciiics so ¡ara a
arvorc da cicncia. E as cscolas, sccundando csics
a¡ciiics dcsordcnados, aic agora nao icn
¡rocurado scnao a cicncia.
149
5} Nuo con un nctodo ut¡ucntc, nus uíoícnto.
9. E, ncsno isio, con quc nciodo c con quc
rcsuliado? Dc nodo a rcicr os csiudanics
duranic cinco, dcz, ou nais anos, cn coisas quc
a ncnic Iunana c ca¡az dc a¡rcndcr cn un
ano. O quc sc ¡odcria inculcar c infundir
suavcncnic nos cs¡íriios, c nclcs in¡rcsso
violcniancnic, ou nclIor, c nclcs cnicrrado c
cnsacado. O quc ¡odcria scr ¡osio dianic dos
olIos dc nodo claro c disiinio, c a¡rcscniado dc
nodo olscuro, confuso c inirincado, cono quc
¡or ncio dc cnignas.
6. E níníst¡udu unu ínst¡uçuo nuís uc¡Iuí quc
¡cuí.
10. Dci×o dc lado quc, nas ¡rcscnics
circunsiancias, quasc nunca os cs¡íriios sao
alincniados con coisas vcrdadcirancnic
sulsianciosas, nas, na naior ¡aric dos casos,
sao aiulIados con ¡alavras ocas (¡alavras dc
vcnio c linguagcn dc ¡a¡agaio} c con o¡iniõcs
quc ¡csan ianio cono a ¡alIa c o funo.
O cnsíno du íìnguu íutínu c ¡¡oííxo c con¡uso.
11. O ¡ro¡rio csiudo da língua laiina (alordo-o
dc ¡assagcn, a¡cnas ¡ara ciiar un c×cn¡lo}, o
lon Dcus, cono c inirincado, cono c ¡cnoso,
cono c longo! Quaisqucr scrvcnics, criados ou
noços dc rccados, cnircgucs aos iralalIos da
150
cozinIa, aos scrviços niliiarcs ou a ouiros
scrviços vis, a¡rcndcn nais dc¡rcssa una língua
qualqucr, ou aic duas ou ircs, cnlora difcrcnic
da sua língua naicrna, quc os alunos das cscolas
a¡rcndcn so o laiin, cnlora icnIan iodo o
icn¡o livrc c sc cnircgucn ao csiudo con iodas
as suas forças. E cono c dcsigual o rcsuliado! Os
¡rinciros, a¡os alguns ncscs, falan
corrcnicncnic cn língua csirangcira; os
scgundos, ncsno dc¡ois dc quinzc ou vinic anos,
na naior ¡aric dos casos nao sao ca¡azcs dc
dizcr scnao ccrias coisas cn laiin, a nao scr quc
sc socorran dc granaiicas c dc dicionarios cono
os co×os dc nulcias; c, ncsno cssas coisas, nao
scn Icsiiar c iiiulcar. Dc ondc ¡odc vir csic
dc¡loravcl dis¡cndio dc icn¡o c dc csforço, scnao
dc un nciodo dcfciiuoso?
Luncnto dc LuIín ucc¡cu dísto.
12. A rcs¡ciio dcsic nciodo, cscrcvcu, con razao,
o cnincnic EilIard Lulin, douior cn Tcologia c
¡rofcssor na Univcrsidadc dc Fosiocl. «O nciodo
corrcnic dc cducar as crianças nas cscolas
¡arccc-nc inicirancnic cono algo quc algucn,
cn¡rcgando iodo o scu csforço c ioda a sua
ca¡acidadc, fossc cncarrcgado dc ¡cnsar a
nancira ou o nciodo con o qual os ¡rofcssorcs
conduzisscn c os alunos fosscn conduzidos ao
conIccincnio da língua laiina a¡cnas con
incnsas fadigas, con cnornc icdio c con
151
infiniias ¡cnas, c a¡cnas a¡os un longuíssino
cs¡aço dc icn¡o.
Quanio nais ¡cnso ncsic crro, runinando no
ncu cs¡íriio aiorncniado, ianio nais sinio o
coraçao a¡criar-sc c arrc¡ios ¡crcorrcrcn os
ncus ossos».
E, logo a scguir, acrcsccnia. «Enquanio, conigo
ncsno, ¡cnso frcqucnicncnic ncsias coisas,
confcsso quc, nais dc una vcz, fui lcvado a
¡cnsar c a crcr firncncnic quc csias coisas
foran iniroduzidas nas cscolas ¡or un gcnio
naligno c invcjoso, ininigo do gcncro
Iunano»|2|. Assin fala csic ncsirc. Dc cnirc
nuiios ouiros icsicnunIos dc ¡cssoas dc valor,
quis ciiar a¡cnas csic.
E do uuto¡.
13. Mas, afinal, quc ncccssidadc Ia dc ¡rocurar
icsicnunIos? Quanios dc nos, icrninados os
csiudos, sainos das cscolas c das acadcnias,
a¡cnas con unas vagas iinias dc una vcrdadcira
culiura! Eu ¡ro¡rio, níscro Ionunculo, sou un
dcsscs nuiios nilIarcs quc ¡assaran c gasiaran
niscravclncnic a ancníssina ¡rinavcra da vida
c os anos florcsccnics da juvcniudc nas
lanalidadcs da cscola. AI! quanias vczcs, nais
iardc, quando conccci a vcr as coisas un ¡ouco
nclIor, a rccordaçao do icn¡o ¡crdido nc
arrancou sus¡iros do ¡ciio, lagrinas dos olIos c
152
griios dc dor do coraçao. AI! quanias vczcs cssa
dor nc lcvou a c×clanar.
«oI! sc Jú¡ítc¡ nc uoítussc u du¡ os unos
¡ussudos!»|3|.
Luncntos c uotos ¡u¡u quc us coísus nudcn ¡u¡u
ncíIo¡.
14. Mas csics dcscjos sao vaos, ¡ois o dia quc
¡assa nao voliara nais. NcnIun dc nos, quc
csianos ja carrcgados dc anos, voliara a
rcjuvcncsccr dc nodo a ¡odcr dar à vida una
nova dircçao c a ¡rc¡arar-sc nclIor ¡ara cla con
a insiruçao. Para nos, ja nao Ia rcncdio. Fcsia-
nos a¡cnas una coisa, una so coisa c ¡ossívcl.
quc iudo aquilo quc ¡udcrnos fazcr cn ¡rovciio
dos nossos vindouros, o façanos, ou scja,
dcnonsirado cn quc crros nos lançaran os
nossos ¡rofcssorcs, lIcs nosircnos o caninIo dc
cviiar csscs crros. E isio sc fara no nonc c sol a
dircçao daquclc «quc c o unico quc ¡odc
cnuncrar os nossos dcfciios c cndirciiar as
nossas idcias iorias» (Ecícsíustcs, I, 15}.
153

Capítulo XII
AS ESCOLAS
PODEM SER REFORMADAS

Dcucn u¡íícu¡-sc ¡cncdíos ¡u¡u tcntu¡ cu¡u¡ us
docnçus ínuctc¡udus¯
1. É ¡cnoso c difícil, c considcrado quasc
in¡ossívcl, curar as docnças invcicradas.
Todavia, sc algucn cnconira un rcncdio cficaz,
acaso o docnic rcjciia-o? Ou nao dcscja anics
a¡lica-lo, o nais dc¡rcssa ¡ossívcl,
¡rinci¡alncnic sc scnic quc o ncdico c guiado,
nao ¡or una o¡iniao icncraria, nas ¡or una
razao solida? Eis-nos, ¡or isso, cIcgados ao
noncnio dc, rclaiivancnic ao nosso ousado
¡ro¡osiio, nosirar. ¡rinciro, quais sao as nossas
¡roncssas; scgundo, cn quc sc fundancnian.
Çuc ¡¡o¡oc c ¡¡onctc ugo¡u o uuto¡¯
2. Proncicnos una organizaçao das cscolas,
airavcs da qual.
I. Toda a juvcniudc (c×ccio a qucn Dcus ncgou a
inicligcncia} scja fornada.
II. En iodas aquclas coisas quc ¡odcn iornar o
Ioncn salio, ¡rolo c sanio.
154
III. Quc cssa fornaçao, cnquanio ¡rc¡araçao ¡ara
a vida, csicja icrninada anics da idadc adulia.
IV. Quc cssa ncsna fornaçao sc faça scn
¡ancadas, scn violcncias c scn qualqucr
consirangincnio, con a na×ina dclicadcza, con
a na×ina doçura c cono quc cs¡oniancancnic.
(Da ncsna nancira quc un cor¡o vivo crcscc cn
csiaiura, scn quc icnIa ncccssidadc dc novcr os
scus ncnlros ncn ¡ara un lado ncn ¡ara o
ouiro, ¡ois lasia quc ¡rudcnicncnic scja
alincniado, ajudado c c×crciiado, ¡ara quc, ¡or
si, ¡ouco a ¡ouco, crcsça cn csiaiura c cn
rolusicz, quasc scn sc a¡crcclcr disso, do
ncsno nodo, sc sc alincnia, ajuda c c×crciia o
cs¡íriio ¡rudcnicncnic, cssa inicrvcnçao
convcric-sc, ¡or si ncsna, cn salcdoria, cn
viriudc c cn ¡icdadc}.
V. Quc iodos sc forncn con una insiruçao nao
a¡arcnic, nas vcrdadcira, nao su¡crficial nas
solida; ou scja, quc o Ioncn, cnquanio aninal
racional, sc Ialiiuc a dci×ar-sc guiar, nao ¡cla
razao dos ouiros, nas ¡cla sua, c nao a¡cnas a
lcr nos livros c a cnicndcr, ou ainda a rcicr c a
rcciiar dc cor as o¡iniõcs dos ouiros, nas a
¡cncirar ¡or si ncsno aic ao anago das ¡ro¡rias
coisas c a iirar dclas conIccincnios gcnuínos c
uiilidadc. Quanio à solidcz da noral c da
¡icdadc, dcvc dizcr-sc o ncsno.
155
VI. Quc cssa fornaçao nao scja ¡cnosa, nas
facílina, isio c, nao consagrando scnao quairo
Ioras ¡or dia aos c×crcícios ¡ullicos c dc ial
nancira quc un so ¡rofcssor scja suficicnic ¡ara
insiruir, ao ncsno icn¡o, ccnicnas dc alunos,
con un csforço dcz vczcs ncnor quc aquclc quc
aiualncnic cosiuna dis¡cndcr-sc ¡ara cnsinar
cada un dos alunos.
Iíust¡u-sc u utítudc dos Ioncns u ¡cs¡cíto dus
nouus ínucnçocs con o cxcn¡ío du nuquínu dc
A¡quíncdcs,
3. Mas qucn carcdiiara ncsias coisas anics dc as
vcr? É lcn salido quc, anics dc qualqucr
invcnçao, iodos os Ioncns icn icndcncia ¡ara sc
adnirar, ¡cnsando cono cssa invcnçao ¡ossa scr
¡ossívcl; c, dc¡ois quc foi invcniada, adniran-sc
¡cnsando cono c quc ja o nao fora Ia nais
icn¡o. Quando Arquincdcs ¡roncicu ao rci
Hicrao lançar ao nar, con una so nao, un navio
iao grandc quc ccn Ioncns nao ¡odian rcnovcr,
foi rccclido con un sorriso; nas, dc¡ois, viran
con adniraçao|1|.
c do nouo nundo.
4. NcnIun rci, c×ccio o dc Casicla|2|, quis dar
ouvidos ou a ncnor ajuda a Colonlo, quc
cs¡crava dcscolrir novas ilIas a ocidcnic, ¡ara
quc icniassc a ¡rova. A Iisioria rccorda quc os
¡ro¡rios con¡anIciros dc navcgaçao, ionados dc
156
indignaçao c dc dcscs¡cro, csiivcran ¡rcsics a
lançar Colonlo ao nar c a rcgrcssar scn Iavcr
rcalizado a cn¡rcsa. No cnianio, foi dcscolcrio
aquclc iao vasio novo nundo, c agora iodos sc
adniran cono foi ¡ossívcl quc iivcssc
¡crnanccido dcsconIccido duranic ianio icn¡o.
Mas vcn ianlcn a ¡ro¡osiio a scguinic
lrincadcira fciia ¡clo ¡ro¡rio Colonlo. os
cs¡anIois, invcjosos da gloria adquirida ¡or un
iialiano con a sua grandc dcscolcria,
lonlardcaran-no, duranic un lanqucic, con
sarcasnos, c, cnirc ouiras coisas, disscran, cn
voz alia, ¡ara quc clc ouvissc, quc a dcscolcria
daquclc Icnisfcrio iinIa sido o rcsuliado dc un
acaso, c nao dc un aio dc lravura, c ¡odia icr
sido fciia ¡or qualqucr ouiro. Eniao, Colonlo
¡ro¡ós csic inicrcssanic ¡rollcna. Cono c quc
un ovo dc galinIa ¡odc nanicr-sc solrc una das
c×ircnidadcs scn qualqucr a¡oio? Dc¡ois dc
iodos os ouiros o icrcn icniado cn vao, clc,
laicndo lcvcncnic con o ovo no ¡raio c
quclrando un ¡ouco a c×ircnidadc, conscguiu
quc o ovo sc naniivcssc dirciio. Todos sc
¡uscran cniao a rir c a griiar, dizcndo quc,
assin, ianlcn clcs cran ca¡azcs. Colonlo
rcs¡ondcu. Con ccricza, ¡orquc o visic fazcr;
nas ¡orquc c quc ncnIun o fcz anics dc nin?
c du u¡tc tí¡og¡u¡ícu,
157
5. Crcio quc icria aconiccido o ncsno sc Joao
Fausio, invcnior da aric ii¡ografica|3|, iivcssc
concçado a divulgar quc iinIa dcscolcrio a
nancira dc un so Ioncn, cn oiio dias, cscrcvcr
nais livros do quc Ialiiualncnic cscrcvcrian dcz
co¡isias lcn ircinados, duranic un ano iniciro; c
quc csscs livros scrian cscriios dc una nancira
clcganic c quc iodos os c×cn¡larcs icrian
c×aiancnic a ncsna forna aic à uliina vírgula,
c quc iodos scrian corrciíssinos, dcsdc quc un
so dclcs fossc corrcio, cic. Qucn acrcdiiaria nclc?
A qucn nao icrian ¡arccido cnignas csias
afirnaçõcs? Ou, ao ncnos, una galarolicc va c
inuiil? E cis, iodavia, quc agora aic as crianças
salcn quc isso cra vcrdadc.
c du u¡tc dc IonIu¡dcu¡,
6. Sc DcriIold ScIwarz, invcnior dos canIõcs dc
lronzc|4|, sc voliassc ¡ara os frccIciros c lIcs
disscssc. «Os vossos arcos, as vossas lalisias, as
vossas fundas valcn ¡ouco. Eu vos darci un
cngcnIo quc, scn rccorrcr à força dos lraços,
a¡cnas ¡cla açao do fogo, nao so aiirara ¡cdras c
¡cdaços dc fcrro, nas lança-los-a nais longc c
aiingira o alvo con naior ccricza c o dcsiruira c
alaicra nais dc¡rcssa». Qucn o nao icria
acolIido con una grandc risada? Dc ial nodo c
cosiunc ionar as coisas novas c inusiiadas ¡or
coisas niraculosas c incrívcis!
158
c du u¡tc dc csc¡cuc¡.
7. É ccrio quc os índios da Ancrica nao ¡odcrian
inaginar quc cra ¡ossívcl un Ioncn ¡odcr
conunicar a ouiro Ioncn os scniincnios da sua
alna, scn falar, scn cnviar un ncnsagciro, nas
a¡cnas con a cסcdiçao dc un ¡cdacinIo dc
¡a¡cl; cnquanio quc, cnirc nos, aic os nais
csiu¡idos o cnicndcn. Por isso, ¡or ioda a ¡aric c
cn iodos os casos, sc ¡odc dizcr. «as cn¡rcsas
ouirora considcradas in¡ossívcis farao rir os
scculos fuiuros».
TunIcn u ínucnçuo dc un nctodo ¡c¡¡cíto cstu
su¡cítu u c¡ìtícus.
8. Quc nao vai aconicccr dc nancira difcrcnic
con csic nosso novo invcnio, diz-no-lo una voz
inicrior. Mais ainda, sofrcnos ja, cn ¡aric, o
assalio da críiica. Todos sc adnirarao c sc
indignarao dc quc Iaja ¡cssoas quc ouscn lançar
cn rosio às cscolas, aos livros c aos nciodos,
acciics ¡clo uso, a sua in¡crfciçao, c ¡ro¡or un
nao sci quc dc insoliio c su¡crior a ioda a crcnça.
Cono sc dcuc oIuíu¡ u cstus c¡ìtícus.
9. Scr-nc-ia, na vcrdadc, facil afirnar quc os
rcsuliados fuiuros ¡rovarao quc a ninIa
afirnaçao c alsoluiancnic vcrdadcira (assin
confio cn Dcus}; nas, cono nao cscrcvo csias
coisas ¡ara o vulgo ignoranic nas ¡ara ¡cssoas
159
insiruídas, dcvo dcnonsirar quc c ¡ossívcl quc
ioda a juvcniudc scja iniroduzida nas lciras, na
noral c na ¡icdadc, scn iodo aquclc cnfado c
dificuldadc quc, con o nciodo corrcnicncnic cn
uso, cסcrincnian, ¡or ioda a ¡aric, ianio os
¡rofcssorcs cono os alunos.
Funduncntos du dcnonst¡uçuo cícntì¡ícu.
10. O fundancnio unico, nas nais quc
suficicnic, dcsia dcnonsiraçao, csia no scguinic
¡rincí¡io. qualqucr coisa, ¡ara ondc sc inclina
¡or naiurcza, nao soncnic sc dci×a facilncnic
conduzir, nas aic ¡ara la sc dirigc
cs¡oniancancnic con vcrdadcira saiisfaçao, dc
ial nodo quc scnic ncsno dor, sc disso c
in¡cdida.
Ex¡íícuçuo
11. É ccrio, con cfciio, quc, ¡ara quc una avc sc
Ialiiuc a voar, un ¡ci×c a nadar, una fcra a
caninIar nao c ncccssario consirangc-los; fazcn-
no logo quc scnicn quc os ncnlros dcsiinados a
csscs novincnios csiao suficicnicncnic
dcscnvolvidos. Tanlcn nao c ncccssario
consirangcr a agua ¡ara quc corra ¡clas
cncosias, ou o fogo ¡ara quc qucinc, dcsdc quc
Iaja conlusiívcl c ar, ou una ¡cdra rcdonda
¡ara quc rolc ¡ara lai×o, ou una ¡cdra quadrada
¡ara quc sc nanicnIa no scu lugar, ou os olIos
ou o cs¡clIo, ¡ara quc, Iavcndo luz, rccclan os
160
oljcios, ou a scncnic ¡ara quc, ajudada ¡cla
Iunidadc c ¡clo calor, gcrninc. Todo o scr icn
¡ossililidadc dc fazcr cs¡oniancancnic aquclas
coisas ¡ara quc foi dcsiinado; ajudado, ainda quc
¡ouquíssino, fa-las.
c u¡íícuçuo.
12. Ora, una vcz quc (cono vinos no ca¡íiulo V},
cn iodos os Ioncns (c×cciuanos os nonsiros dc
Ioncns}, c×isicn, ¡or naiurcza, as scncnics da
cicncia, da noral c da ¡icdadc, daí sc scguc
ncccssariancnic quc clcs nao ¡rccisan scnao dc
un ligciríssino csiínulo c dc una dircçao
inicligcnic.
P¡íncí¡u oI¡cçuo.
13. Mas oljcia-sc. nao sc faz un Mcrcurio con
qualqucr nadcira|5|. Fcs¡ondo. nas dc qualqucr
Ioncn faz-sc un Ioncn, sc a corru¡çao sc
nanicn afasiada.
Scgundu oI¡cçuo
14. É, iodavia, vcrdadciro (rc¡lica ouiro} quc as
nossas ca¡acidadcs inicriorcs foran
cnfraquccidas con a ¡rincira qucda. Fcs¡ondo.
nas nao foran c×iinias. Tanlcn, na vcrdadc, as
forças do cor¡o csiao nuiio cnfraquccidas;
iodavia, salcnos rcconduzi-las ao scu vigor
naiural con ¡asscios, corridas c con os c×crcício
161
das ¡rofissõcs nanuais. Efciivancnic, cnlora as
duas ¡rinciras criaiuras, incdiaiancnic a¡os
icrcn sido criadas, ¡udcsscn andar, falar c
raciocinar, c nos, sc ¡rinciro nao a¡rcndcnos
¡cla ¡raiica, nao ¡ossanos ncn andar, ncn
raciocinar, dai nao sc scguc, iodavia, quc cssas
coisas nao ¡ossan a¡rcndcr-sc scnao dc nodo
confuso c ¡cnoso, c ¡or caninIos inccrios. Con
cfciio, sc a¡rcndcnos scn grandcs dificuldadcs a
fazcr aquilo quc c ¡ro¡rio do cor¡o, a concr, a
lclcr, a caninIar, a saliar c a c×crccr ¡rofissõcs
nanuais, ¡orquc nao Iavcnos dc a¡rcndcr
ianlcn as coisas quc sao ¡ro¡rias da ncnic,
dcsdc quc nao falic a ncccssaria insiruçao? Quc
Ici-dc acrcsccniar nais? En alguns ncscs, o
donador dc cavalos cnsina un cavalo a iroiar, a
saliar, a volicar c a rcgular o novincnio cn
confornidadc con os sinais do cIicoic. Un
vulgar cIarlaiao cnsina un urso a fazcr
¡anioninas, una lclrc a iocar ianlor, un cao a
conduzir o arado, a luiar, a adivinIar, cic. Una
lru×a frívola cnsina un ¡a¡agaio, una ¡cga, un
corvo, a iniiar a voz Iunana ou ccrias nclodias,
cic.; c iudo isio, cnlora nao scja confornc à
naiurcza, cn ¡ouco icn¡o. E nao ¡odcra o
Ioncn scr facilncnic cducado naquclas coisas
¡ara as quais a naiurcza, nao a¡cnas o cIana c
conduz, nas aic o airai c arrasia? TcnIanos
vcrgonIa dc o afirnar, ¡ara quc aic ncsno os
162
doncsiicadorcs dc aninais sc nao rian
sarcasiicancnic na nossa cara.
Tc¡ccí¡u oI¡cçuo.
15. Mas, rc¡lica-sc ainda, a dificuldadc inirínscca
das coisas c ial quc ncn iodos as cnicndcn.
Fcs¡ondo. Quc dificuldadc c cssa? Porvcniura
Iavcra na naiurcza un oljcio dc cor iao sonlria
quc nao ¡ossa rcflciir-sc nun cs¡clIo, dcsdc quc
scja dcvidancnic colocado dianic dclc quando Ia
luz? Porvcniura Iavcra alguna coisa quc nao
¡ossa scr ¡iniada nuna icla, dcsdc quc a ¡inic
qucn conIcça a aric da ¡iniura? Porvcniura
Iavcra alguna scncnic ou raiz quc a icrra nao
rcccla no scu scio c, con o scu calor, nao faça
gcrninar, dcsdc quc Iaja qucn saila ondc,
quando c cono cada coisa dcvc scr ¡laniada c
scncada? Acrcsccniarci ainda isio. nao Ia no
nundo un ¡cnIasco ou una iorrc iao alia quc
nao ¡ossa scr cscalada ¡or qucn qucr quc icnIa
¡cs, dcsdc quc a cla sc cncosicn as cscadas
ncccssarias, ou cniao, ialIando as rocIas no
lugar c con a ordcn a¡ro¡riada, ncla sc façan
dcgraus, c, do lado dos ¡rcci¡ícios ¡crigosos, sc
¡onIan dcfcsas. Porianio, sc iao ¡oucos cIcgan
à sunidadc do salcr, cnlora nuiios ¡ara la sc
cncaninIcn con anino ardcnic c valoroso, c, sc
aquclcs quc cIcgan aic ccrio ¡onio, o nao
conscgucn scnao à cusia dc fadiga, dc angusiia,
dc cansaço c dc vcriigcns, iro¡cçando c caindo
163
nuiias vczcs, isso nao qucr dizcr quc ¡ara a
inicligcncia Iunana Iaja qualqucr cunc
inaccssívcl, nas quc os dcgraus nao csiao lcn
dis¡osios c quc sao curios, gasios c arruinados,
ou scja, quc o nciodo c confuso. Sulindo ¡or
dcgraus dcvidancnic dis¡osios, nivclados,
solidos c scguros, qucnqucr ¡odc scr conduzido
a qualqucr aliura.
Çuu¡tu oI¡cçuo.
16. Oljciar-sc-a ainda. Ia inicligcncias iao
cnloiadas quc c in¡ossívcl fazcr ¡cncirar nclas
scja o quc for. Fcs¡ondo. dificilncnic sc cnconira
un cs¡clIo iao sujo quc, dc qualqucr nodo, nao
rcfliia as inagcns; dificilncnic sc cnconira una
ialua iao grosscira na qual, dc qualqucr nodo,
sc nao ¡ossa cscrcvcr, qualqucr coisa. Mas, sc o
cs¡clIo csia cnodoado ou colcrio dc ¡ocira,
anics dc iudo, c ncccssario lin¡a-lo; sc a ialua c
grosscira, c ncccssario ¡oli-la. Eniao nao
rccusarao o scu scrviço. Da ncsna nancira, sc
os jovcns forcn aguçados c ¡olidos, csiinular-sc-
ao c linar-sc-ao uns aos ouiros, dc nodo quc
iodos acalcn ¡or cnicndcr iudo.
Insisio firncncnic na ninIa asscrçao, ¡orquc c
lcn firnc o scu fundancnio. Noiar-sc-a a¡cnas
csia difcrcnça. os dc inicligcncia nais lcnia,
quaisqucr quc scjan os conIccincnios quc
icnIan adquirido, icrao a in¡rcssao dc Iavcr
164
aiingido o scu ¡lcno grau dc dcscnvolvincnio, ao
¡asso quc os nais lcn doiados, csicndcndo o
scu a¡ciiic dc un oljcio a ouiro, ¡cncirarao cada
vcz nais fundo nas coisas c farao icsouro dc
novas c uiilissinas olscrvaçõcs accrca das
coisas. Finalncnic, cnlora Iaja alguns cs¡íriios
con¡lciancnic ina¡ios ¡ara a culiura, cono un
¡cdaço dc nadcira alsoluiancnic in¡ro¡rio ¡ara
cscul¡ir, iodavia, a nossa asscrçao scra scn¡rc
vcrdadcira accrca das inicligcncias ncdias, dc
quc, ¡or graça dc Dcus, Ia scn¡rc una ¡roduçao
riquíssina. É facil dc vcr, con cfciio, quc os
dclcis ncniais sao iao raros cono aquclcs quc,
¡or naiurcza, sao dcfciiuosos do cor¡o.
Efciivancnic, c ccrio quc a ccgucira, a surdcz, o
scr co×o c a dclilidadc dc saudc rarancnic sao
congcniias ao Ioncn, nas coniracn-sc ¡or
cul¡a nossa; o ncsno aconiccc con a fraqucza
iniclcciual.
Çuíntu oI¡cçuo.
17. Faz-sc ainda csia oljcçao. a alguns nao falia
a a¡iidao ¡ara os csiudos, nas a voniadc; c
olriga-los a csiudar conira a voniadc c, ao
ncsno icn¡o, cnfadonIo c inuiil. Fcs¡ondo.
¡rccisancnic ¡or isso, sc conia quc un filosofo,
icndo dois alunos, un csiu¡ido c ouiro insolcnic,
os nandou anlos cnlora, ¡orquc un, cnlora
quiscssc, nao ¡odia a¡rovciiar, c o ouiro, cnlora
¡udcssc, nao qucria|6|. E sc sc dcnonsirar quc a
165
causa do dcsgosio ¡clo csiudo sao os ¡ro¡rios
¡rofcssorcs? Arisioiclcs afirnou quc o dcscjo dc
salcr c inaio no Ioncn|7| c, quc assin c, vino-lo
no ca¡íiulo quinio c, ainda Ia ¡ouco, no ca¡íiulo
dccino ¡rinciro|8|. Mas ¡orquc, ¡or vczcs, a
c×ccssiva indulgcncia dos ¡ais dc¡rava nos filIos
o a¡ciiic naiural, ¡orquc, ¡or vczcs, a ¡ciulancia
dos con¡anIciros os airai ¡ara a ¡aric frovola
das coisas, ¡orquc, ouiras vczcs, as ¡ro¡rias
crianças, ¡or causa das ocu¡açõcs cívicas ou
aulicas, ou ainda ¡cla visao dc quaisqucr coisas
c×icrnas, sao afasiadas das airaçõcs inaias do
cs¡íriio; daqui rcsulia quc ncnIun dcscjo icn dc
conIcccr o dcsconIccido|9|, ncn ¡ossan
rccolIcr-sc facilncnic. (Con cfciio, da ncsna
nancira quc a língua, cnlclida ¡or un salor,
nao a¡rccia lcn ouiro, assin ianlcn a ncnic,
ocu¡ada dc un lado, nao aicndc suficicnicncnic
ao quc lIc c ofcrccido do ouiro lado}. Porianio,
cn ¡rinciro lugar, c ncccssario cסulsar dcsscs
jovcns aquclc ior¡or advcniício, c rcconduzir a
naiurcza ao scu vigor ¡ro¡rio; rcgrcssara, cniao,
con ccricza, o a¡ciiic dc salcr. Mas quanios
daquclcs quc assuncn o cncargo dc fornar a
juvcniudc ¡cnsan cn iorna-la ¡rinciro a¡ia ¡ara
rccclcr cssa fornaçao? Efciivancnic, assin cono
o iornciro, anics dc iorncar un ¡cdaço dc
nadcira, o dcslasia con o nacIado; c o fcrrciro,
anics dc laicr o fcrro, o aquccc; c o falricanic dc
iccidos, anics dc fiar, urdir c icccr a la, ¡urga-a,
166
lava-a c carda-a; c o sa¡aiciro, anics dc coscr os
sa¡aios, iralalIa o couro, csiica-o c ¡olc-o nuiio
lcn; assin ianlcn o ¡rofcssor, anics dc sc ¡ór a
insiruir o aluno à força dc rcgras, dcvc ¡rinciro
iorna-lo avido dc culiura, nais ainda, a¡io ¡ara a
culiura c, conscqucnicncnic, ¡ronio a cnircgar-
sc a cla con cniusiasno. Mas qucn alguna vcz
¡cnsou nisso? Quasc scn¡rc, o ¡rofcssor iona o
aluno ial qual o cnconira, c concça logo a iornca-
lo, a laic-lo, a carda-lo, a iccc-lo, a nodcla-lo a
scu nodo, ¡rcicndcndo quc clc sc iornc
incdiaiancnic una lclcza, una joia; c, sc o nao
conscguc logo (c cono scria ¡ossívcl conscgui-
lo?}, cncIc-sc dc ira, indigna-sc, cnfurccc-sc. E
Iavcnos dc adnirar-nos quc Iaja qucn criiiquc
c fuja dc scnclIanic nciodo dc cducaçao?
Dcvcnos anics adnirar-nos quc Iaja ainda qucn
sc cnircguc a iais cducadorcs.
Scís cs¡ccícs dc íntcíígcncíus.
18. Eis quc sc nos ofcrccc a ocasiao ¡ara fazcr
algunas advcricncias accrca das difcrcnças das
inicligcncias. unas sao ¡cnciranics c ouiras
oliusas, unas sao nalcavcis c doccis, c ouiras
duras c olsiinadas; unas sao, dc si ncsnas,
inclinadas ¡ara as lciras, c ouiras dclciian-sc cn
ocu¡açõcs nccanicas. Dcsics ircs gru¡os dc dois,
rcsulia quc Ia scis cs¡ccics dc inicligcncias.
I
167
19. Ocu¡an o ¡rinciro lugar as inicligcncias
¡cnciranics, avidas dc salcr c faccis dc dirigir,
quc sao as nais a¡ias dc iodas ¡ara os csiudos;
nao scndo scnao ncccssario ninisirar-lIcs o
alincnio da salcdoria, dcscnvolvcn-sc ¡or si,
cono ¡lanias dc loa qualidadc. É ncccssario
a¡cnas usar dc ¡rudcncia, nao sc lIcs ¡crniiindo
quc andcn c×agcradancnic dc¡rcssa, ¡ara quc
nao aconicça quc dcfinIcn c sc iorncn
¡rcnaiurancnic csicrcis.
II
20. Ouiras sao ¡cnciranics nas lcnias, scndo,
iodavia, doccis. Esias ¡rccisan a¡cnas dc scr
csiinuladas.
III
21. Ocu¡an o icrcciro lugar as inicligcncias
¡cnciranics c avidas dc salcr, nas indonavcis c
olsiinadas. Esias sao gcralncnic dcicsiadas nas
cscolas c considcradas cono sc nada Iouvcssc a
cs¡crar dclas. Todavia, cosiunan iornar-sc
Ioncns dc valor, sc sao lcn oricniadas. A
Iisioria ofcrccc-nos un c×cn¡lo cn Tcnísioclcs,
grandc cIcfc dos Aicnicnscs. cn adolcsccnic, cra
dc caraicr iao aliivo quc o scu ncsirc lIc dissc.
«Mcu ra¡az, nao viras a scr nada dc ncdíocrc. ou
scras un grandc lcn ¡ara a ¡airia, ou un
grandc nal»|10|. E quando, nais iardc, algucn
nosirava csiranIcza ¡cla iransfornaçao o¡crada
168
na sua nancira dc scr, clc cosiunava dizcr. «Os
¡oldros sclvagcns iornan-sc os nclIorcs cavalos,
sc sao dcvidancnic disci¡linados»|11|. O quc,
cfciivancnic, sc vcrificou no Hucc¡uío dc
Alc×andrc Magno. Vcndo Alc×andrc quc scu ¡ai,
Fili¡c, qucria dcsfazcr-sc, cono dc coisa inuiil, dc
un cavalo quc, ¡orquc dcnasiado sclvagcn, nao
su¡oriava quc ningucn o noniassc, c×clanou.
«Quc cavalo ¡crdcn csics quc, ¡or in¡crícia, sc
nao salcn scrvir dclc!» E iraiando o cavalo con
aric adniravcl, scn lIc dar açoiics, conscguiu,
nao so ncssa aliura, nas duranic a vida, fazcr-sc
irans¡oriar ¡or clc, nao scndo ¡ossívcl cnconirar
cn iodo o nundo un cavalo nais gcncroso quc
aquclc c nais digno dc iao grandc Icroi. Pluiarco,
dc¡ois dc coniar csia Iisioria, arccsccnia.
«Aquclc cavalo advcric-nos dc quc nuiias
inicligcncias, nascidas lcn, dcfinIan ¡or cul¡a
dos cducadorcs, quc iransfornan cavalos cn
asnos, ¡orquc nao salcn cducar jovcns
ardorosos c livrcs»|12|.
IV
22. Ocu¡an o quario lugar as inicligcncias doccis
c, ao ncsno icn¡o, avidas dc salcr, nas lcnias c
oliusas. Esias ¡odcn scguir as ¡cgadas das quc
vao à frcnic, nas, ¡ara quc o consigan, dcvc
condcsccndcr-sc con a sua fraqucza, nada lIcs
in¡ondo violcniancnic, nada lIcs c×igindo
scvcrancnic, nas anics, c cn iudo, iolcrando-as,
169
ajudando-as, aninando-as, csiinulando-as, con
lcnignidadc, ¡ara quc nao dcsanincn. Enlora
csias cIcgucn à ncia nais iardc, o rcsuliado c,
iodavia, dc nais longa duraçao, cono cosiuna
aconicccr con os fruios scródios. Assin cono c
nais difícil in¡rinir un sclo no cIunlo nas,
una vcz in¡rcsso, dura nais icn¡o, assin
ianlcn, nuiias vczcs, csias inicligcncias
conscrvan os conIccincnios duranic nais icn¡o
quc as ouiras, c as coisas ¡or clas olscrvadas,
ainda quc una so vcz, nao sc lIcs csca¡an iao
facilncnic. Nao dcvcn, ¡or isso, scr afasiadas
das cscolas.
V
23. O quinio lugar c ocu¡ado ¡or alguns dc
inicligcncia oliusa c, alcn disso, lcnios c
¡rcguiçosos. Esics, a nao scr quc una invcncívcl
olsiinaçao a isso sc o¡onIa, ¡odcn ainda
corrigir-sc, nas c ncccssario nuiia ¡rudcncia c
nuiia ¡acicncia.
VI
24. Ocu¡an o uliino lugar os dc inicligcncia
dclil c, ao ncsno icn¡o, da naiurcza iorcida c
nalígna; na sua naioria c gcnic ¡crdida. Mas
¡orquc c ccrio quc, ¡ara ioda a cs¡ccic dc nalcs,
sc ¡odc cnconirar na naiurcza un aniídoio|13|, c
quc as arvorcs csicrcis ¡or naiurcza sc ¡odcn
iornar fruiífcras ¡or una ¡laniaçao convcnicnic,
170
nao dcvc dcscs¡crar-sc dc iodo, nas vcr sc, ao
ncnos a olsiinaçao ¡odc scr vcncida c rcnovida.
Sc isso nao for ¡ossívcl, dcvcra cniao ¡ór-sc dc
lado cssc ¡cdaço dc nadcira iorcida c nodosa,
con a qual cn vao sc cs¡crara consiruir un
Mcrcurio. «Nao convcn culiivar ncn rcgar a icrra
arcnosa», dissc Caiao|14|. No cnianio, dcsias
inicligcncias iao dcgcncradas, a¡cnas sc
cnconirara una cn nil, o quc c una ¡rova
insígnc da lcnignidadc dc Dcus.
25. O rcsuno do quc foi diio cnconira-sc na
scguinic scnicnça dc Pluiarco. «Nao csia nas
naos dc ningucn quc os scus filIos nasçan con
csias ou aquclas qualidadcs; nas, quc sc iorncn
lons ¡or ncio dc una loa cducaçao, csia cn
nosso ¡odcr»|15|. Eis o quc clc diz. «csia cn
nosso ¡odcr». Efciivancnic, c ccrio quc, dc
qualqucr ncrgulIao, o agriculior conscguc fazcr
una arvorc, uiilizando a ncsna aric cn ioda a
¡laniaçao.
Çuc, toduuíu, todus us íntcíígcncíus sc ¡odcn
t¡utu¡ con u ncsnu u¡tc c con o ncsno nctodo,
dcnonst¡u-sc dc quut¡o nuncí¡us.
26. Quc scja ¡ossívcl insiruir, cducar c fornar
iodos os jovcns, dc índolc iao divcrsa, con un so
c o ncsno nciodo, dcnonsiran-no csias quairo
razõcs.
I.
171
27. Princira. iodos os Ioncns dcvcn scr
dirigidos ¡ara os ncsnos fins ÷ a salcdoria, a
noral c a ¡crfciçao.
II.
28. Scgunda. cnlora doiados dc inicligcncias
divcrsas, iodos os Ioncns icn a ncsna naiurcza
Iunana, doiada dos ncsnos orgaos.
III.
29. Tcrccira. a divcrsidadc das inicligcncias nao c
scnao un c×ccsso ou una dcficicncia da
Iarnonia naiural, do ncsno nodo quc as
docnças do cor¡o sao dcvidas a un c×ccsso dc
Iunidadc ou dc sccura, dc calor ou dc frio. Por
c×cn¡lo. quc c a acuidadc da inicligcncia scnao a
suiilcza c a agilidadc dos cs¡íriios aninais no
ccrclro, corrcndo ra¡idancnic airavcs dos ncrvos
scnsiiivos c ¡cncirando nas coisas? Sc csia
agilidadc nao for dc qualqucr nodo coilida, ¡odc
aconicccr quc o cs¡íriio sc dis¡crsc, ficando o
ccrclro cnfraquccido ou cnlruiccido; ¡or isso,
vcnos quc nuiias inicligcncias ¡rccoccs, ou sao
sur¡rccndidas ¡or una noric ¡rcnaiura ou sc
cnloian. Ao conirario, quc c a oliusidadc da
inicligcncia scnao a viscosa gordura c
olscuridadc dos cs¡íriios no ccrclro, a qual c
ncccssario dis¡crsar c aclarar ¡or una agiiaçao
nais frcqucnic? Quc c a ¡ciulancia c a aliivcz
scnao una c×ccssiva firncza do coraçao, janais
172
dis¡osio a ccdcr? Esia dcvc scr iornada flc×ívcl
¡or ncio da disci¡lina. Finalncnic, quc c a
¡rcguiça scnao una c×ccssiva nolcza do coraçao
quc ncccssiia dc cncrgia? Por isso, da ncsna
nancira quc, ¡ara o cor¡o, o rcncdio nais cficaz
nao c aquclc quc junia conirarios a conirarios
(¡ois assin ¡rovoca-sc una luia nais violcnia},
nas aquclc quc ¡rocura a Iarnonia dos
conirarios, dc nodo a su¡rinir ioda a dcficicncia
c iodo o c×ccsso; assin ianlcn, conira os
dcfciios da ncnic Iunana, o rcncdio nais
ada¡iado c o nciodo quc, ¡ondo cn cquilílrio os
c×ccssos c as insuficicncias das inicligcncias,
rcduz iudo a una cs¡ccic dc Iarnonia c dc suavc
conccrio. Scgundo csic criicrio, o nosso nciodo
cnconira-sc ada¡iado às inicligcncias ncdias
(das quais Ia scn¡rc nuiiíssinas}, dc ial
nancira quc ncn falicn os frcios ¡ara nodcrar
as inicligcncias nais suiís (¡ara quc nao
cnfraqucçan ¡rcnaiurancnic}, ncn o acicaic c o
csiinulo ¡ara inciiar os nais lcnios.
IV.
30. Por fin, digo quc o nclIor noncnio ¡ara
rcncdiar as dcficicncias c os c×ccssos das
inicligcncias, c quando clas sao novas. Con
cfciio, assin cono, no c×crciio, os rccruias sc
nisiuran con os vcicranos, os dclcis con os
rolusios, os indolcnics con os valorosos, c sao
lcvados a conlaicr sol as ncsnas landciras, c
173
dirigidos ¡clos ncsnos conandos duranic iodo o
icn¡o quc dura a laialIa, nas, oliida
finalncnic a viioria, cada un ¡crscguc o ininigo
cnquanio qucr c cnquanio ¡odc, ¡ilIando à sua
voniadc; assin ianlcn, no c×crciio cscolar,
convcn ¡roccdcr dc nodo quc os nais lcnios sc
nisiurcn con os nais vclozcs, os nais csiu¡idos
con os nais sagazcs, os nais duros con os nais
doccis, c scjan guiados con as ncsnas rcgras c
con os ncsnos c×cn¡los, duranic iodo o icn¡o
cn quc icn ncccssidadc dc scr guiados. Dc¡ois
dc icrcn dci×ado as cscolas, cada un ¡rosscguira
os csiudos, con o ardor dc quc for ca¡az.
Çuuí u ¡¡udcncíu dc quc dcuc usu¡-sc uo nístu¡u¡
íntcíígcncíus dc cu¡ucídudcs díuc¡sus.
31. Enicndo aqucla «nisiura», nao a¡cnas cn
rclaçao ao lugar, nas, nuiio nais, cn rclaçao ao
au×ílio, dc ial nancira quc, quando o ¡rofcssor
cnconira un aluno nais inicligcnic, dcvc confiar-
lIc dois ou ircs dos nais lcnios ¡ara quc os
insirua, c quando dcscolrc un ouiro dc loa
índolc dcvc confiar-lIc ouiros dc icn¡crancnio
nais fraco, ¡ara quc os vigic c dirija. Assin,
a¡rovciiarao uns c ouiros, solrciudo sc o
¡rofcssor csiivcr aicnio a quc iudo ¡roccda
scgundo as nornas da razao. Mas ja c icn¡o dc,
finalncnic, concçarnos a cסlicar o nosso icna.
174

Capítulo XIII
O FUNDAMENTO
DA REFORMA DAS ESCOLAS
É A ORDEM EXATA
EM TUDO

A o¡dcn c u uínu dus coísus.
1. Sc ¡rocurarnos quc c quc conscrva no scu scr
o univcrso, juniancnic con iodas as coisas
¡ariicularcs, vcrificanos quc nao c scnao a
ordcn, a qual c a dis¡osiçao das coisas anicriorcs
c ¡osicriorcs, naiorcs c ncnorcs, scnclIanics c
disscnclIanics, consoanic o lugar, o icn¡o, o
nuncro, as dincnsõcs c o ¡cso dcvido c
convcnicnic a cada una dclas. Por isso, algucn
dissc, con clcgancia c vcrdadc, quc a ordcn c a
alna das coisas. Con cfciio, iudo aquilo quc c
ordcnado, duranic iodo o icn¡o cn quc conscrva
a ordcn, conscrva o scu csiado c a sua
inicgridadc; sc sc afasia da ordcn, dcliliia-sc,
vacila, canlalcia c cai. O quc c cvidcnic ¡or ioda
a cs¡ccic dc c×cn¡los iirados dc ioda a naiurcza
c da aric.
Iíust¡u-sc cstu uc¡dudc con cxcn¡íos tí¡udos.
1. do nundo.
175
2. Efciivancnic, quc c quc faz con quc o nundo
scja o nundo c sc nanicnIa na sua ¡lcniiudc?
Scn duvida, o faio dc quc cada criaiura, scgundo
a ¡rcscriçao da naiurcza, ¡crnanccc
cscru¡ulosancnic dcniro dos scus ¡ro¡rios
liniics; csia nanuicnçao da ordcn ¡ariicular
conscrva a ordcn do univcrso.
2. do ¡í¡nuncnto.
3. Quc c quc faz corrcr, dc nodo iao ordcnado c
scn qualqucr confusao, dc scculo cn scculo, o
icn¡o dividido, con iania ¡rccisao, cn anos,
ncscs c dias? Unicancnic a ordcn inuiavcl do
firnancnio.
3. dc unínuízínIos quc t¡uIuíIun con cxutíduo c
¡¡ccísuo sínguíu¡.
4. Quc c quc faz con quc as alclIas, as fornigas
c as aranIas c×ccuicn iralalIos iao c×aios c
¡rccisos, quc a inicligcncia do Ioncn nclcs
cnconira naicria nais ¡ara adnirar quc ¡ara
iniiar? Nada nais quc a sua Ialilidadc inaia
¡ara olscrvar, cn iodos os scus aios, a ordcn, o
nuncro c a ncdida.
4. do co¡¡o Iununo.
5. Quc c quc faz con quc o cor¡o Iunano scja
un organisno iao naravilIoso, quc ¡odc rcalizar
un nuncro dc açõcs quasc infiniio, cnlora nao
176
scja doiado dc insiruncnios infiniios? Ou scja,
¡orquc c quc, con o nuncro rcduzido dc
ncnlros quc o con¡õcn, ¡odc rcalizar iralalIos
dc iao naravilIosa varicdadc, nao icndo noiivos
¡ara dcscjar ouiros ncn ¡ara scr difcrcnic do quc
c? Isso rcsulia, scn duvida, da salia ¡ro¡orçao
dc iodos os ncnlros, ianio cn si ncsnos, cono
na rclaçao dc uns ¡ara con os ouiros.
5. du nossu ncntc.
6. Quc c quc faz con quc un so cs¡íriio,
infundido no cor¡o, lasic ¡ara govcrnar iodo o
cor¡o c, ao ncsno icn¡o, ¡ara rcalizar ianias
açõcs? Nada nais quc a ordcn, cn viriudc da
qual iodos os ncnlros csiao unidos ¡or vínculos
¡cr¡ciuos c sc dci×an novcr cn iodas as
dircçõcs a un sinal do ¡rinciro novincnio, quc
¡rovcn da ncnic.
6. dc un ¡cíno suIíuncntc udníníst¡udo.
7. Quc c quc faz con quc un so Ioncn, rci ou
in¡crador, ¡ossa govcrnar ¡ovos iniciros? Dc ial
nancira quc, cnlora as o¡iniõcs scjan ianias
quanias as calcças, iodavia, iodos scgucn a
voniadc dcssc unico Ioncn, c, sc cssc Ioncn
faz andar lcn a adninisiraçao, ncccssariancnic
iudo anda lcn? Nada nais quc a ordcn, cn
viriudc da qual iodos, ligados ¡clos vínculos da
lci c da olcdicncia, csiao sujciios a cssc suno
nodcrador do Esiado, dc¡cndcndo alguns dclc
177
incdiaiancnic, c ouiros dc cada un dcsics, c
assin succssivancnic uns dos ouiros, aic ao
uliino. E×aiancnic cono os ancis dc una cadcia
quc, csiando ligados uns aos ouiros, sc sc novc o
¡rinciro, novcn-sc iodos c, sc o ¡rinciro csia
¡arado, csiao iodos ¡arados.
7. du nuquínu dc A¡quíncdcs.
8. Quc c quc ¡crniiiu quc Hicrao, sozinIo,
¡udcssc lançar ao nar una nolc iao grandc quc
ianias ccnicnas dc Ioncns Iavian icniado cn
vao novcr?|1|/ A¡cnas una ¡cqucna naquina,
consiruída scgundo as rcgras da aric c nunida
dc nuncrosos cilindros, roldanas c cordas,
conlinadas dc ial nancira quc, una ¡cça
ajudando a ouira, as forças fosscn nulii¡licadas.
8. dos cunIocs.
9. Os icrrívcis cfciios dos canIõcs, con os quais
sc dcsiroicn nuros, sc alaicn iorrcs c sc
dcslaraian c×crciios, nao ¡rovcn scnao dc una
ordcn dcicrninada dos naquinisnos c da
a¡licaçao dc sulsiancias aiivas a sulsiancias
¡assivas, ou scja, dc una dosc c×aia dc niiraio
nisiurado con cn×ofrc (una sulsiancia nuiio
fria con una sulsiancia nuiio qucnic}, da
dcvida ¡ro¡orçao da lonla, da suficicnic
quaniidadc dc ¡olvora, da loa csiruiura das
lalas c, finalncnic, da loa dircçao dos iiros. Sc
178
falia una so dcsias coisas, iodo o a¡arclIo sc
iorna inuiil.
9. du u¡tc tí¡og¡u¡ícu.
10. Quc c quc iorna iao ¡crfciia a aric ii¡ografica,
¡cla qual os livros sao nulii¡licados
ra¡idancnic, clcganicncnic, corrciancnic? Scn
duvida, a ordcn olscrvada na loa falricaçao,
fundiçao c acalancnio dos ii¡os ncialicos das
lciras, na sua disiriluiçao nos cai×oiins, na sua
dis¡osiçao cn ¡aginas, na sua colocaçao sol o
¡rclo, cic., na ¡rc¡araçao, coric c dolragcn do
¡a¡cl, cic.
10. do cu¡¡o.
11. E, ¡ara quc alordc ianlcn o donínio das
arics nccanicas, ¡crgunio. quc c quc faz con quc
un carro, ou scja, a nadcira c o fcrro
(cfciivancnic, clc c con¡osio dcsias duas
naicrias} va iao vcloz airas dos cavalos quc
corrcn à frcnic c sirva iao lcn ¡ara irans¡oriar
Ioncns c coisas ¡csadas? Nada nais quc a
coordcnaçao da nadcira c do fcrro,
iransfornados, scgundo as rcgras da aric, cn
rodas, ci×os, iinõcs, airclagcns, cic. Con cfciio,
sc una so dcsias ¡cças sc dcs¡cdaça ou sc
quclra, a naquina ja nao scrvc ¡ara nada.
11. do nuuío.
179
12. Quc c quc faz con quc os Ioncns sulan
¡ara un ¡cdaço dc nadcira c, confiando-sc ao
nar furioso, sc avcniurcn aic aos anií¡odas, c
rcgrcsscn saos c salvos? Nada nais quc a
coordcnaçao da quilIa, dos nasiros, das
anicnas, das vclas, dos rcnos, do lcnc, da
ancora, da lussola c dos rcsianics insiruncnios
do navio. Sc algun dclcs vicr a ¡crdcr-sc, Ia
¡crigo dc lalanços, dc naufragio c dc noric.
12. do ¡cíògío.
13. Qual, cnfin, a razao ¡or quc no rclogio,
insiruncnio quc ncdc o icn¡o, o ncial,
iralalIado c ligado dc varias nanciras, ¡roduz
novincnios cs¡oniancos c assin narca
Iarnonicancnic os ninuios, as Ioras, os dias,
os ncscs, c aic ialvcz os anos, c nao so nos
¡crniic vcr, nas aic nos ¡crniic ouvir, ncsno dc
longc c às cscuras, quc Ioras sao? Qual a razao
¡or quc csic insiruncnio dcs¡cria o Ioncn à
Iora quc clc qucr c aic accndc a luz dc ial
nancira quc, ao acordarnos, vcnos
incdiaiancnic o quario iluninado? Qual a razao
¡or quc o rclogio nos ¡crniic vcr succssivancnia
ianlcn o calcndario ¡olíiico, rcligioso c
doncsiico, as fascs da lua, o curso dos ¡lancias c
os ccli¡scs? Quc coisa Iavcra digna dc
adniraçao, sc dcla nao c digno csic rclogio?
Acaso o ncial, sulsiancia, dc sua naiurcza,
inaninada, ¡roduz novincnios iao vivos, iao
180
consianics, iao rcgularcs? Anics dc scr
invcniado, nao icria sido considcrado una coisa
iao in¡ossívcl, cono sc algucn iivcssc afirnado
quc as ¡lanias c as ¡cdras ¡odian caninIar? No
cnianio, os olIos aicsian quc clc c una coisa
rcal.
Todo o nístc¡ío do ¡cíògío consístc nu o¡dcn.
14. Mas quc força oculia anina o rclogio?
NcnIuna ouira scnao a força da ordcn quc
nanifcsiancnic rcina cn iodas as suas ¡arics,
ou scja, a força ¡rovcnicnic da dis¡osiçao dc
iodas as suas ¡cças, quc concorrcn con o scu
nuncro, as suas dincnsõcs c a sua ordcn ¡ara
iornar aqucla dis¡osiçao ial quc cada ¡cça icn
un ¡a¡cl dcicrninado c ncios ¡ara o
dcscn¡cnIar, ou scja, a ¡ro¡orçao c×aia dc cada
¡cça con as ouiras, a Iarnonia dc cada una
con as quc lIc csiao cn rclaçao c lcis nuiuas
¡ara conunicar rcci¡rocancnic a força unas às
ouiras. Assin, iudo sc ¡assa c×aiancnic cono
nun cor¡o vivo, ¡osio cn novincnio ¡clo ¡ro¡rio
cs¡íriio. Sc, iodavia, qualqucr ¡cça sc csiilIaça,
ou sc ¡aric, ou anda nal, ou concça a csiar
lanla, ou sc iorcc, ainda quc scja a rodinIa
nais ¡cqucna, o ci×o nais ¡cqucno, o ¡arafuso
nais ¡cqucno, incdiaiancnic iodo o rclogio ¡ara
ou anda nal. Dcsic nodo sc iorna cvidcnic quc
iudo dc¡cndc a¡cnas da ordcn.
181
Es¡c¡u cncont¡u¡-sc unu ¡o¡nu dc cscoíus
scncíIuntcs uo ¡cíògío.
15. A aric dc cnsinar nada nais c×igc, ¡orianio,
quc una Ialilidosa rc¡ariiçao do icn¡o, das
naicrias c do nciodo. Sc a conscguirnos
csialclcccr con c×aiidao, nao scra nais difícil
cnsinar iudo à juvcniudc cscolar, ¡or nais
nuncrosa quc cla scja, quc in¡rinir, con lcira
clcganiíssina, cn naquinas ii¡ograficas, nil
folIas ¡or dia, ou rcnovcr, con a naquina dc
Arquincdcs|2|, casas, iorrcs ou qualqucr ouira
cs¡ccic dc ¡csos, ou airavcssar nun navio o
occano c aiingir o novo nundo. E iudo andara
con nao ncnor ¡roniidao quc un rclogio ¡osio
cn novincnio rcgular ¡clos scus ¡csos. E iao
suavc c agradavclncnic cono c suavc c agradavcl
o andancnio dc un ial auiónaio. E, finalncnic,
con iania ccricza quania ¡odc olicr-sc dc
qualqucr insiruncnio scnclIanic, consiruído
scgundo as rcgras da aric.
Concíusuo.
16. Procurcnos, ¡orianio, cn nonc do Aliíssino,
dar às cscolas una organizaçao ial quc
corrcs¡onda, cn iodos os ¡onios, à dc un
rclogio, consiruído scgundo as rcgras da aric c
clcganicncnic ornado dc cinzcladuras variadas.
182

Capítulo XIV
A ORDEM
APRIMORADA DAS ESCOLAS
DEVE IR BUSCAR-SE
À NATUREZA
E SER TAL
QUE NENHUNS OBSTÁCULOS
A POSSAM ENTRAVAR

Os ¡unduncntos du A¡tc dcucn sc¡ ¡¡ocu¡udos nu
nutu¡czu.
1. Concccnos, cn nonc dc Dcus, ¡or sondar os
fundancnios solrc os quais, cono solrc una
rocIa inovcl, ¡ossa cdificar-sc o nciodo dc
cnsinar c dc a¡rcndcr. Os rcncdios conira os
dcfciios da naiurcza nao dcvcn ¡rocurar-sc
scnao na naiurcza; nas sc csic ¡rincí¡io c
vcrdadciro, cono cfciivancnic c, a aric nada ¡odc
fazcr, a nao scr iniiando a naiurcza|1|.
A nutu¡czu ¡o¡nccc-nos nodcíos do quc dcuc ¡uzc¡-
sc.
1. do nudu¡
2. Tornc-sc claro csic assunio ¡or ncio dc
c×cn¡los. Vc-sc un ¡ci×c nadar na agua? Para o
¡ci×c, c una coisa naiural. Sc o Ioncn o quiscr
iniiar, icra ncccssariancnic quc rccorrcr a
183
insiruncnios c a novincnios scnclIanics, ou
scja, cn vcz das larlaianas dcvc csicndcr os
lraços, c cn vcz da cauda, os ¡cs, c novc-los do
ncsno nodo quc o ¡ci×c novc as suas
larlaianas. Aic ncsno os navios nao ¡odcn
consiruir-sc scnao solrc csic nodclo. cn vcz das
larlaianas, csiao os rcnos ou as vclas, c cn vcz
da cauda, csia o lcnc. Vc-sc una avc voar? Para
cla, c una coisa naiural. Mas, quando Dcdalo
quis iniia-la, icvc dc nunir-sc dc duas asas,
ca¡azcs dc susicniar un cor¡o iao ¡csado cono
o scu.
4. do ¡¡oduzí¡ sons
3. O orgao con o qual os aninais ¡roduzcn o
son c a iraqucia, quc c con¡osia dc ancis
cariilaginosos, c icn no scu vcriicc a laringc,
cncarrcgada dc fccIar a loca, c, na lasc, c
nunida dc un folc, o ¡ulnao, quc ¡õc a
rcs¡iraçao cn novincnio. À sua iniiaçao,
consiroicn-sc as ironlcias, as gaiias dc folcs c
iodos os ouiros insiruncnios dc so¡ro.
5. do ¡cíun¡c¡u¡
4. Con¡rccndcu-sc quc a sulsiancia quc
dcscncadcia das nuvcns un fragor c arrcncssa
fogo c ¡cdras c niiraio inflanado c cn×ofrc; ¡or
isso, à sua iniiaçao, con cn×ofrc c niiraio,
falrica-sc a ¡olvora ¡írica quc, inflanando-sc c
saindo ¡ara fora dos canIõcs, ¡roduz algo dc
184
scnclIanic aos irovõcs, aos rclan¡agos c aos
raios.
6. do conduzí¡ u uguu ¡u¡u quuíquc¡ íugu¡.
5. Olscrvou-sc quc a agua icndc a nivclar-sc,
ncsno cn dois vasos conunicanics iao
afasiados un do ouiro lugar quanio sc qucira.
Eסcrincniou-sc cniao fazcr aqucduios con
canos, c viu-sc quc a agua, scja dc quc
¡rofundidadc for, solc a qualqucr aliura, dcsdc
quc dcsça dc un lado ianio cono solc do ouiro.
Esic faio c ariificial, nas c ianlcn naiural, ¡ois,
quc aconicça dcsia ou daqucla nancira, dcvc-sc
à aric, nas quc aconicça dcvc-sc à naiurcza.
7. do ncdí¡ o tcn¡o
6. Olscrvou-sc o firnancnio c vcrificou-sc quc
Iavia un novincnio ¡cr¡ciuo c quc as varias
rcvoluçõcs dos asiros ¡roduzian a varicdadc das
csiaçõcs quc convcn ao nosso univcrso. En
conscqucncia disso, à sua iniiaçao, invcniou-sc
un insiruncnio ca¡az dc rc¡roduzir c×aiancnic
o novincnio roiaiorio diario do firnancnio c dc
ncdir as Ioras. E cssc insiruncnio c con¡osio
dc ¡cqucnas rodas, nao soncnic ¡ara quc una
scja arrasiada ¡cla ouira, nas ianlcn ¡ara quc
o novincnio ¡ossa coniinuar indcfinidancnic.
Mas foi ncccssario con¡or csic insiruncnio dc
¡cças novcis c dc ¡cças inovcis, ¡rccisancnic
cono o nundo.
185
Anuíísc do ¡cíògío ¡u¡u con¡¡ccndc¡ Icn todu u
cst¡utu¡u.
Na vcrdadc, no nosso insiruncnio, no lugar da
icrra, ¡rinciro cor¡o fi×o do nundo, sao ¡osias
lascs inovcis, colunas, guarniçõcs, c no lugar
das csfcras novcis, do ccu, as varias rodinIas.
Mas cono nao sc ¡odia dar a una roda a iarcfa
dc girar solrc si ncsna c dc fazcr girar,
juniancnic consigo, as ouiras (cono o Criador
dcu aos asiros a força dc sc novcrcn a si
ncsnos c dc fazcrcn novcr ouiros, juniancnic
consigo}, foi ncccssario ionar cn¡rcsiada da
naiurcza a força gcradora do novincnio, ou scja,
o novincnio gcrado ou ¡cla gravidadc ou ¡cla
lilcrdadc. Con cfciio, ou sc ¡rcndc un ¡cso ao
ci×o cilíndrico da roda ncsira c, cnquanio o ¡cso
¡u×a ¡ara lai×o, o ci×o cilíndrico gira c faz girar a
sua roda, c csia faz girar, juniancnic consigo,
ouiras, c assin succssivancnic; ou sc faz una
longa nola dc aço quc, consirangida a volvcr cn
rcdor dc un ci×o cilíndrico, cnquanio sc csforça
¡or rcgrcssar à lilcrdadc c ¡or sc csicndcr, faz
girar o ci×o cilíndrico c a sua roda. E ¡ara quc o
novincnio do rclogio nao scja c×ccssivancnic
ra¡ido, nas lcnio cono o do ccu, cncai×an-sc
ouiras rodinIas dc nodo quc a uliina, aqucla
quc, novida a¡cnas ¡or dois dcniinIos, vai ¡ara
a frcnic c ¡ara iras c faz tíc-tuc, tíc-tuc, rc¡rcscnia
o rcvczar-sc da luz, quc vai c vcn, ou scja, o
rcvczar-sc dos dias c das noiics. Àqucla ¡aric,
186
¡orcn, quc dcvc dar o sinal da Iora, ou do quario
dc Iora, ligan-sc a¡arclIos, fciios scgundo as
rcgras da aric, quc scrvcn ¡ara auncniar ou
dininuir o novincnio, consoanic a ncccssidadc,
¡rccisancnic do ncsno nodo quc a naiurcza,
ncdianic o novincnio das csfcras cclcsics, faz
surgir ou dcsa¡arcccr o invcrno, a ¡rinavcra, o
vcrao c o ouiono, cada un dclcs dividido cn
ncscs.
Concíusuo ucc¡cu du ínítuçuo dos ¡utos nutu¡uís
nu u¡tc dídutícu.
7. Dc iudo isio, c cvidcnic quc a ordcn, quc
dcscjanos scja a rcgra univcrsal ¡crfciia na aric
dc iudo cnsinar c dc iudo a¡rcndcr, nao dcvc scr
¡rocurada c nao ¡odc scr cnconirada scnao na
cscola da naiurcza. Con lasc solida ncsic
¡rincí¡io, as coisas ariificiais ¡roccdcrao iao
facilncnic c iao cs¡oniancancnic cono
facilncnic c cs¡oniancancnic flucn as coisas
naiurais. Con cfciio, Ciccro cscrcvcu. «Sc
scguirnos a naiurcza ¡or guia, nunca
crrarcnos». E acrcsccnia. «Sol a dircçao da
naiurcza, dc nodo algun ¡odc crrar-sc»|2|.
Tcnos ¡rccisancnic cssa cs¡crança, c, ¡or isso,
¡ondo cn açao os ncsnos ¡roccssos quc a
naiurcza ¡õc cn açao, ao rcalizar csia ou aqucla
iarcfa, ¡rosscguircnos dc nodo igual a cla.
OI¡ctu-sc con cínco oIstucuíos.
187
8. Podcria, no cnianio, o¡or-sc a csia nossa
grandc cs¡crança o aforisno dc Hi¡ocraics.

isio c, «A vida c lrcvc c a aric c longa; os
noncnios o¡oriunos ¡assan dc¡rcssa, as
cסcricncias nao sao nuiio scguras c o juízo
accrca dos faios c difícil»|3|. Ncsic aforisno, sao
indicados cinco olsiaculos ¡or causa dos quais
¡oucos conscgucn cIcgar à sunidadc do salcr.
I. A lrcvidadc da vida quc faz con quc, a naioria
das vczcs, scjanos iirados dcsic nundo
¡rccisancnic quando nos ¡rc¡aranos ¡ara vivcr;
II. A incnsa nuliidao das coisas quc dcvcn scr
oljcio do nosso conIccincnio, quc faz con quc, a
qucrcrnos iniroduzir iudo dcniro dos liniics do
nosso cnicndincnio, nao icrnincnos nais; III. A
falia dc icn¡o o¡oriuno ¡ara a¡rcndcr as arics c
as cicncias, c, sc alguna vcz surgc, logo
dcsa¡arccc. (Efciivancnic, os anos da juvcniudc,
quc sao os nais ¡rcciosos ¡ara a culiura do
cs¡íriio, ¡assan-sc, a naioria das vczcs, cn
divcriincnios, c a idadc quc vcn a scguir, dado
cono a vida csia Iojc organizada, frcqucnicncnic
fornccc nais ocasiao ¡ara coisas frívolas quc ¡ara
coisas scrias; c sc, ¡or vczcs, sc a¡rcscnia
alguna ocasiao favoravcl, ¡assa anics quc dcla sc
a¡rovciic}|4|. IV. A fraqucza do nosso cngcnIo c a
olscuridadc do nosso juízo quc fazcn con quc,
188
nuiias vczcs, fiqucnos na casca c nao
¡cncircnos aic ao anago das coisas. V.
Finalncnic, sc algucn, ¡or ncio dc longas
olscrvaçõcs c dc rc¡ciidas cסcricncias, qucr
¡cncirar nas vcrdadciras csscncias das coisas,
vc-sc ¡cranic un iralalIo nuiio ¡cnoso c, ao
ncsno icn¡o, dc c×iio nal scguro c inccrio.
(Con cfciio, na nulii¡licidadc iao inirincada das
coisas, facilncnic nuiiíssinos faios ¡odcn
csca¡ar aic à invcsiigaçao dc olscrvador nais
suiíl; sc sc concic ainda quc scja un so crro,
ioda a olscrvaçao fica cnvolia na inccricza}.
Hcs¡ondc-sc.
Çuc Dcus, con suIío conscíIo, ussín o¡dcnou.
9. Sc iodas csias coisas sao vcrdadciras, cono c
quc nos ousanos ¡roncicr un nciodo dc
csiudos iao univcrsal, iao ccrio, iao facil c iao
scguro? Fcs¡ondo. quc csias coisas sao
alsoluiancnic vcrdadciras, nosira-o a
cסcricncia; nas quc, ¡ara csias coisas, Ia
rcncdios cficacíssinos, nosira-o ianlcn a
cסcricncia. Efciivancnic, aquclcs olsiaculos
foran criados ¡clo sa¡icniíssino arliiro das
coisas, ¡or Dcus, nas ¡ara nosso lcn; ¡odcn,
¡orianio, ¡rudcnicncnic, convcricr-sc cn lcn.
Dcus dcu-nos, cfciivancnic, una vida dc lrcvc
duraçao, ¡orquc, na ¡rcscnic corru¡çao, ja nao
salcnos fazcr lon uso da vida. Con cfciio, sc,
ncsno agora quc norrcnos quasc no insianic
189
cn quc nasccnos, c o fin sc anuncia dcsdc o
noncnio cn quc icnos origcn|5|, nos ¡crdcnos
airas dc frivolidadcs, quc aconicccria sc
iivcsscnos a ccricza dc vivcr ccnicnas ou
nilIarcs dc anos?
I
Dcus quis, ¡or isso, conccdcr-nos a¡cnas o
icn¡o quc considcrou suficicnic ¡ara nos
¡rc¡ararnos ¡ara una vida nclIor. Para csic
cfciio, ¡orianio, a vida c suficicnicncnic longa, sc
a soulcrnos uiilizar.
II.
10. Dcus quis quc as coisas fosscn nuiias,
ianlcn ¡ara uiilidadc nossa, isio c, ¡ara nos
scrvircn dc ocu¡açao, dc c×crcício c dc insiruçao.
III.
11. Quis quc as ocasiõcs fosscn fugazcs ¡ara
quc, a¡crcclcndo-nos disso, nos csforçasscnos
¡or agarra-las, ondc as ¡udcsscnos agarrar.
IV.
12. Quis quc as cסcricncias fosscn falazcs, ¡ara
quc a¡rcndcsscnos a csiar aicnios c vísscnos a
ncccssidadc dc cnirar lcn a fundo nas coisas.
V.
190
13. Quis, cnfin, quc cniiir juízo accrca das
coisas fossc difícil, ¡ara quc sc iralalIassc con
naior cn¡cnIo c con nais foric cs¡íriio dc
iniciaiiva. E quis quc assin fossc, ¡ara quc a
salcdoria dc Dcus, cs¡alIada dc nancira oculia
¡or ioda a ¡aric, sc iornassc nais nanifcsia con
naior ¡razcr nosso. «Efciivancnic, diz Sanio
AgosiinIo, sc sc cnicndcssc iudo facilncnic, ncn
a vcrdadc scria ¡rocurada con ¡ai×ao, ncn
cnconirada con doçura».
Estcs oIstucuíos ¡odcn ¡¡udcntcncntc sc¡
u¡ustudos.
14. In¡oria, ¡orianio, vcr dc quc nodo, con a
ajuda dc Dcus, sc ¡odcn afasiar os olsiaculos
quc a divina Providcncia nos o¡ós
c×irinsccancnic, ¡ara auncniar a nossa
a¡licaçao. Nao ¡odcrao afasiar-sc scnao.
I. Prolongado a vida, dc nodo quc cIcguc ¡ara a
carrcira quc nos foi dcsiinada;
II. Alrcviando os csiudos, dc nodo quc
corrcs¡ondan à duraçao da vida;
III. A¡rovciiando as ocasiõcs, dc nodo quc nao
surjan inuiilncnic;
IV. Dcs¡criando os cngcnIos, dc nodo quc
facilncnic ¡cncircn no anago das coisas;
191
V. Colocando no lugar das olscrvaçõcs vagas un
fundancnio csiavcl c scguro.
O¡dcn dos cu¡ìtuíos scguíntcs.
15. Concccnos, ¡orianio, a iraiar csias
qucsiõcs, ¡ara quc, con a ajuda das indicaçõcs
fornccidas ¡cla naiurcza, dcscolranos os
fundancnios.
÷ ¡ara ¡rolongar a vida, a fin dc quc sc a¡rcnda
iudo o quc c ncccssario;
÷ ¡ara alrcviar os csiudos, a fin dc quc sc
a¡rcnda nais ra¡idancnic;
÷ ¡ara a¡rovciiar as ocasiõcs, a fin dc quc sc
a¡rcnda rcalncnic;
÷ ¡ara dcs¡criar os cngcnIos, a fin dc quc sc
a¡rcnda facilncnic;
÷ ¡ara aguçar o juízo, a fin dc quc sc a¡rcnda
solidancnic.
Traiarcnos csias cinco qucsiõcs cn cinco
ca¡íiulos, colocando, iodavia, cn uliino lugar, o
nodo dc alrcviar os csiudos.
192

Capítulo XV
FUNDAMENTOS
PARA
PROLONGAR A VIDA

Ao Ioncn c conccdídu unu uídu su¡ícícntcncntc
íongu.
1. Arisioiclcs|1| c Hi¡ocraics|2| lancnian-sc da
lrcvidadc da vida c ccnsuran a naiurcza ¡or
Iavcr dcsiinado una duraçao iao curia à
c×isicncia do Ioncn, quc c cIanado a iao alios
dcsiinos, cnquanio quc conccdcu naior
longcvidadc aos vcados, aos corvos c a ouiros
aninais. Mas Scncca rcs¡ondc saliancnic. «Nao
rccclcnos una vida lrcvc, nas iornano-la
lrcvc; ncn icnos ncnos quc o ncccssario dc
vida, nas dcs¡crdiçano-la. Sc sc soulcr fazcr
lon uso da vida cla c longa». E acrcsccnia. «Foi-
nos conccdida nuna vida suficicnicncnic longa c
suficicnicncnic an¡la ¡ara conduzir a lon
icrno as coisas nais in¡orianics, dcsdc quc scja
ioda cla lcn cn¡rcguc» (Du I¡cuídudc du uídu,
ca¡. I c II}.
Mus c ¡o¡ nòs uI¡cuíudu.
193
2. Sc isio c vcrdadc, cono cfciivancnic c, cniao c
¡or cul¡a nossa quc a vida nao cIcga ncn scqucr
¡ara csclarcccr os assunios da nais alia
in¡oriancia. E nao dcvcnos adnirar-nos con
isio, ¡ois nos ¡ro¡rios a gasianos
¡crdulariancnic, cn ¡aric ¡orquc nos
cnircganos à violcncia, dc nodo quc
ncccssariancnic a vida sc c×iinguc anics do scu
icrno naiural; c cn ¡aric, ¡orquc gasianos os
rcialIos dc icn¡o cn coisas inuicis.
quc¡ dcIííítundo-íIc us ¡o¡çus,
3. Un cscriior noiavcl (Hi¡oliio Cuarino} cscrcvc
c dcnonsira con arguncnios quc, ncsno o
Ioncn dc nais dclicada consiiiuiçao, sc vcn à
luz scn dcfciios, icn cn si iania força viial quc
lIc lasia naiuralncnic aic aos scsscnia anos, c
aquclc quc c dc consiiiuiçao foriíssina, aic aos
ccnio c vinic anos. Sc alguns norrcn anics
dcsics liniics (c qucn ignora quc nuiios norrcn
na infancia, na juvcniudc c na idadc viril?}, c ¡or
cul¡a dos Ioncns quc, concicndo c×ccssos
varios ou nao icndo cn considcraçao as rcscrvas
da vida, arruinan ianio a sua ¡ro¡ria saudc
cono a dos filIos, quc acaso vcnIan a gcrar, c
a¡rcssan a noric|3|.
quc¡ nuo u gustundo todu cn cn¡¡ccndíncntos dc
uuío¡, cono ¡ízc¡un. Aícxund¡c Mugno,
194
4. Alcn disso, quc, nun c×íguo cs¡aço dc vida
(¡or c×cn¡lo, 50, 40, 30 anos}, c ¡ossívcl rcalizar
coisas nuiio in¡orianics, dcsdc quc sc saila
fazcr lon uso do icn¡o, ¡rova-o o c×cn¡lo
daquclcs quc, anics dc icrcn aiingido os anos da
virilidadc, cIcgaran ondc ouiros ncn scqucr
icniaran cIcgar, cnlora iivcsscn iido una vida
longuíssina. Alc×andrc Magno norrcu aos irinia
c ircs anos, c nao so ¡ossuía una culiura
¡rodigiosa, nas iinIa vcncido iodo o nundo,
sujciiando-o, nao ianio con a força das arnas,
cono con a salcdoria dos scus ¡lanos c con a
sua cs¡aniosa ra¡idcz cn c×ccuiar as cn¡rcsas

Píco dc Mí¡undoíu,
Joao Pico dc Mirandola nao cIcgou scqucr à
idadc dc Alc×andrc|4|, nas clcvou-sc dc ial nodo,
no csiudo da salcdoria, acina dc iudo o quc a
inicligcncia Iunana ¡odc aiingir quc foi
considcrado una naravilIa do scu scculo.
c utc o ¡¡ò¡¡ío C¡ísto.
5. E, ¡ara nao ciiar ouiros c×cn¡los, o ¡ro¡rio
ScnIor Nosso Jcsus Crisio, cnlora nao iivcssc
vivido solrc a icrra nais quc 34 anos, rcalizou a
grandc olra da Fcdcnçao, qucrcndo, scn duvida,
nosirar con o scu c×cn¡lo (una vcz quc ioda a
sua vida c alcgorica} quc, qualqucr quc scja o
195
nuncro dc anos quc caila vivcr ao Ioncn, lIc
lasian ¡ara sc ¡rc¡arar ¡ara a cicrnidadc.
Nuo dcucnos, ¡o¡tunto, qucíxu¡-nos du I¡cuídudc
du uídu.
6. Ncsic lugar, nao ¡osso dci×ar dc rcfcrir as
aurcas ¡alavras ¡ronunciadas ¡or Scncca (Cu¡tu
94} a csic ¡ro¡osiio. «TcnIo cnconirado nuiios a
rccalciirar con razao conira os Ioncns; conira
Dcus, ningucn. Eסrolanos, iodos os dias, o
dcsiino... Quc nal Ia cn sair ccdo dc un lugar
dc ondc, nais ccdo ou nais iardc, icns dc sair? A
vida c longa, sc c ¡lcna. E aiingc a sua ¡lcniiudc,
quando o cs¡íriio conscguiu o scu ¡ro¡rio lcn c
sc iornou scnIor dc si ncsno». E acrcsccnia.
«Su¡lico-ic, ncu caro Lucílio, façanos dc nodo
quc a vida, cono una ¡cdra ¡rcciosa, nao icnIa
una grandc dincnsao, nas un grandc valor.
Mcçano-la ¡clas açõcs, c nao ¡clo icn¡o». E logo
a scguir. «Louvcnos, ¡orianio, c coloqucnos no
nuncro dos fclizcs aquclc quc cn¡rcgou lcn o
¡ouco dc icn¡o quc lIc foi conccdido, ¡orquc viu
a vcrdadcira luz c nao foi un dc ianios cono Ia
¡or aí, c vivcu vcrdadcirancnic c cn ¡lcno vigor».
E dc novo. «Assin cono un Ioncn ¡odc scr
¡crfciio, ncsno quc scja dc ¡cqucna csiaiura,
assin ianlcn a vida ¡odc scr ¡crfciia, ncsno
quc scja dc lrcvc duraçao. A duraçao da vida c
una coisa c×icrna. Qucrcs salcr duranic quanio
icn¡o, ao na×ino, sc dcvcria vivcr? Aic ao
196
noncnio cn quc sc icnIa adquirido a salcdoria.
Aquclc quc aí cIcga, aiingc, nao a ncia nais
longínqua, nas a nais clcvada»|5|.
Doís ¡cncdíos.
7. Conira os lancnios solrc a lrcvidadc da vida,
cis, ¡ara nos c ¡ara os nossos filIos (c ianlcn
¡ara as cscolas}, csics dois rcncdios. ÷ csforçar-
sc ianio quanio ¡ossívcl ¡or.
I. Dcfcndcr o cor¡o das docnças c da noric;
II. Dis¡or a ncnic a fazcr iudo con scnsaicz.
I. Po¡quc dcucnos ¡¡csc¡uu¡ o co¡¡o dus docnçus¯
Po¡quc cíc c.
1. u IuIítuçuo du uínu,
8. Tcnos o dcvcr dc nanicr o cor¡o ao alrigo das
docnças c das rccaídas. ¡rinciro, ¡orquc clc c a
Ialiiaçao, c a unica Ialiiaçao da alna; ¡or isso,
sc o cor¡o sc arruina, a alna c olrigada a
cnigrar incdiaiancnic dcsic nundo; c ncsno
quc sc arruinc, ¡ouco a ¡ouco, ¡or ncio dc
ru¡iuras quc sc alrcn; ora dc un lado, ora do
ouiro, o scu Ios¡cdc, a alna, scnic a Ialiiaçao
incónoda. Sc, ¡orianio, sc qucr csiar o nais
icn¡o ¡ossívcl c o nclIor ¡ossívcl, no ¡alacio do
nundo, ondc fonos colocados ¡cla lcnignidadc
dc Dcus, c ncccssario icr aicnios cuidados con
csic ialcrnaculo quc c o cor¡o.
197
2. o ò¡guo du uínu.
Scgundo. ¡orquc o cor¡o foi fciio, nao so ¡ara
Ialiiaçao da alna racional, nas ianlcn ¡ara
scu orgao, c, scn clc, cla nada ¡odc ouvir, ncn
vcr, ncn agir, ncn scqucr ¡cnsar. Efciivancnic,
¡orquc nada ¡odc scr oljcio da inicligcncia quc
¡rinciro nao icnIa sido oljcio dos scniidos, a
ncnic rccclc dos scniidos a naicria dc iodos os
scus ¡cnsancnios c nao ¡odc dcscn¡cnIar a
funçao dc ¡cnsar scnao ¡or ncio da scnsaçao
inicrna, ou scja, conicn¡lando as inagcns
alsiraídas das coisas. Daqui rcsulia quc,
danificando o ccrclro, danifica-sc a faculdadc
inaginaiiva, c sc os ncnlros do cor¡o csiao
docnics, c afciada ianlcn a ncnic. Por isso, o
¡ocia icvc razao cn dizcr. «Dcvc ¡cdir-sc una
ncnic sa nun cor¡o sao»|6|.
Dc quc nodo¯ Po¡ ncío dc díctu. E u ¡cg¡u du
díctu cnsínu-sc con o cxcn¡ío dc unu u¡uo¡c quc
tcn ncccssídudc.
1. dc un uííncnto nodc¡udo,
9. O nosso cor¡o nanicn-sc vigoroso ¡or ncio dc
una dicia nodcrada. Mas, accrca dcsic assunio,
so os ncdicos ¡odcn falar con auioridadc. Por
isso, farcnos a¡cnas algunas olscrvaçõcs,
scrvindo-nos do c×cn¡lo dc una arvorc. Por
naiurcza, a arvorc icn ncccssidadc dc ircs
coisas; 1. dc Iunidadc coniinua; 2. dc
198
irans¡iraçao frcqucnic; 3. dc rc¡ouso alicrnado.
Tcn ncccssidadc dc Iunidadc, ¡orquc scn cla
dcfinIa c scca; nas in¡oria quc a Iunidadc scja
nodcrada, ¡orquc, sc c c×ccssiva, faz a¡odrcccr
as raízcs. Do ncsno nodo, o cor¡o icn
ncccssidadc dc alincnio, ¡ois, scn clc, iorna-sc
scco, c norrc dc fonc c dc scdc; nas o alincnio
nao dcvc scr c×ccssivo, a fin dc quc as funçõcs
digcsiivas nao fiqucn solrccarrcgadas c
o¡rinidas. Con quanio nais nodcraçao sc
ninisirar os alincnios, ianio nais facil c ¡crfciia
scra a digcsiaçao. Cono, cn gcral, nao sc iona
isio cn considcraçao, nuncrosos sao aquclcs quc
arruinan as forças c a vida ¡or c×ccsso dc
alincnio. Efciivancnic, a noric vcn das
docnças; as docnças, dos naus Iunorcs; os
naus Iunorcs, da na digcsiao; a na digcsiao,
do c×ccsso dc alincniaçao, ¡orquc o csiónago
fica iao cIcio quc nao c ca¡az dc digcrir, c, ¡or
conscqucncia, vc-sc olrigado a cs¡alIar ¡clos
orgaos Iunorcs ¡ouco ou nada digcridos, dos
quais c in¡ossívcl quc nao ¡rovcnIan docnças.
«nuiios norrcran ¡or voracidadc, nas o Ioncn
solrio ¡rolongara a vida» (Ecícsíustíco, 37, 34}.
c sín¡ícs,
10. Mas, ¡ara nanicr o vigor da saudc, nao c
ncccssario a¡cnas ionar alincnios concdidos,
nas ianlcn alincnios sin¡lcs. O jardinciro nao
rcga una ¡lania, ¡or nais dclicada quc cla scja,
199
con vinIo ou con lciic, nas con o líquido quc
convcn a iodos os vcgciais, ou scja, con agua.
In¡oria, ¡orianio, quc os ¡ais cviicn Ialiiuar as
crianças às sulsiancias c×ciianics,
¡ariicularncnic as quc sao dcsiinadas a scguir
os csiudos, ¡orquc nao foi cscriio ¡or ncro acaso
quc Danicl c os scus con¡anIciros, jovcns dc
sanguc rcal, consagrados aos csiudos, cnlora sc
alincniasscn con lcguncs c agua, foran
considcrados nais agcis c nais gordos c, o quc c
nais, nais inicligcnics quc os ouiros, quc
conian as dclícias da ncsa do rci (Dunící, 1, 22 c
ss.}. Mas, accrca dcsias coisas, falarci nais
¡orncnorizadancnic nouiro lugar|7|.
2. du t¡uns¡í¡uçuo ¡¡cqùcntc,
11. Una arvorc icn ncccssidadc ianlcn dc
irans¡irar c dc sc rolusicccr frcqucnicncnic
ncdianic os vcnios, as cIuvas c o frio. Douiro
nodo, langucscc c norrc. Do ncsno nodo, o
cor¡o Iunano icn alsoluia ncccssidadc dc
novincnio, dc ginasiica, dc c×crcícios scrios ou
dc jogos.
3. dc ¡c¡ouso uítc¡nudo.
12. Finalncnic, dc icn¡os a icn¡os, a arvorc icn
ncccssidadc dc rc¡ouso. Naiuralncnic nao c
ncccssario quc csicja scn¡rc a ¡roduzir rclcnios,
florcs c fruios, nas, dc quando cn quando, dcvc
iralalIar ianlcn no scu inicrior, digcrir os
200
sucos, c, ¡or csic ncio, rcnovar as suas forças. E
Dcus qucr quc ao vcrao succda o invcrno,
¡rccisancnic ¡ara dar rc¡ouso a iodos os scrcs
quc crcsccn solrc a icrra, c ianlcn à ¡ro¡ria
icrra. c ¡ara csic cfciio ordcnou ¡or ncio dc lcis
quc, iodos os scic anos, sc dcssc rc¡ouso à icrra
(Lcuìtíco, 25, 3 c 4}. Dc nodo scnclIanic, criou a
noiic ¡ara os Ioncns (c ¡ara os ouiros aninais},
¡ara quc, qucr con o sono, qucr ainda con a
conscrvaçao dos ncnlros cn rc¡ouso, sc
rccu¡crasscn as forças ¡crdidas con as
ocu¡açõcs do dia. Mas c ncccssario, ¡or ncio dc
inicrvalos, dar ccrio alívio, ianio ao cor¡o cono à
ncnic, con qualqucr rccrcaçao ncnor, dc una
Iora, ¡ara cviiar o ¡crigo dc quc iralalIcn
consirangidos ¡cla violcncia, a qual c ininiga da
naiurcza. É, ¡orianio, ¡rudcnic inicrron¡cr
ianlcn os iralalIos diurnos ¡ara rcs¡irar un
¡ouco c cnircgar-sc a convcrsas, lrincadciras,
jogos, nusica c ouiras coisas scnclIanics, ondc
os scniidos c×icrnos c inicrnos cnconiran
rc¡ouso c ¡razcr.
Dcstus t¡cs coísus (cscu¡uíosuncntc oIsc¡uudus)
dc¡cndc u consc¡uuçuo du uídu.
13. Sc algucn olscrva csias ircs coisas
(alincniar-sc solriancnic, c×crciiar o cor¡o c
ajudar a naiurcza}, c in¡ossívcl quc nao conscrvc
duranic nuiiíssino icn¡o a saudc c a vida, salvo
caso dc força naior. Una grandc ¡aric, ¡orianio,
201
dc una loa organizaçao cscolar dcvcra scr
¡rocurada nuna convcnicnic rc¡ariiçao do
iralalIo c do rc¡ouso, das fcrias c dos rccrcios.
II. In¡o¡tu utííízu¡ Icn o tcn¡o dc t¡uIuíIo.
14. In¡oria falar agora do nodo dc uiilizar
¡rudcnicncnic o icn¡o quc rcsia c quc dcvc scr
consagrado ao iralalIo. Trinia anos? Parccc
coisa insignificanic c facil dc dizcr; nas irinia
anos con¡rccndcn un lon nuncro dc ncscs,
dc dias c dc Ioras. É ccrio quc cn iao grandc
cs¡aço dc icn¡o, ¡odc fazcr-sc nuiias coisas,
dcsdc quc sc andc, ainda quc sc andc nuiio
dcvagarinIo. É una ¡rova cvidcnic disso o nodo
cono crcsccn as arvorcs, as quais, ncn ncsno
con a visia nais ¡crs¡icaz, ¡odcnos a¡crcclcr-
nos quc crcsccn, ¡orquc isso sc faz, ¡ouco a
¡ouco c inscnsivclncnic; nas vc-sc quc, iodos os
ncscs, crcsccn un ¡ouco, c, a¡os irinia anos,
olscrva-sc quc crcsccran ianio quc sao ja
arvorcs nuiio grandcs. O nosso cor¡o, ao crcsccr
cn csiaiura, scguc a ncsna rcgra. nao o vcnos
crcsccr, nas vcnos quc crcsccu. E, quc nao c
divcrsa a rcgra scguida ¡cla ncnic quc ¡rocura
adquirir conIccincnio das coisas, ¡rovan-no
csics vcrsos conIccidos.
Ac¡csccntu u unu ¡cqucnu quuntídudc nuís un
¡ouco c uíndu un ¡ouquíto,
202
c, cn ¡ouco tcn¡o, tcns const¡uìdu unu
nontunIu.
A ¡o¡çu do ¡¡og¡csso c nu¡uuííIosu.
15. Qucn nao ignora a força do ¡rogrcsso,
advcric-o facilncnic. Con cfciio, cnquanio, cn
cada ano, dc cada rclcnio dcs¡onia a¡cnas un
raninIo, a¡os irinia anos, una arvorc icra nil
ranos, uns nais grossos c ouiros nais dclgados,
c folIas c florcs c fruios inuncravcis. E Ia-dc
¡arcccr in¡ossívcl quc, cn vinic ou irinia anos, o
csforço do Ioncn cIcguc a qualqucr aliura c a
qualqucr disiancia? E×anincnos un ¡ouco csic
¡rollcna.
Hc¡u¡tíçuo cxutu do tcn¡o.
16. O dia naiural icn 24 Ioras, as quais,
divididas cn ircs ¡arics, scgundo as
ncccssidadcs da vida, dao. oiio Ioras ¡ara o
sono, oiio Ioras ¡ara as ocu¡açõcs c×icrnas (¡or
c×cn¡lo, ¡ara iraiar da saudc, ¡ara concr, ¡ara
vcsiir, ¡ara rccrcaçõcs Ioncsias, ¡ara convcrsar
con os anigos, cic...} c oiio Ioras ¡ara cnfrcniar
as ocu¡açõcs scrias, con ardor c con alcgria.
Todas as scnanas, ¡or isso (scndo o sciino dia
con¡lciancnic dcdicado ao rc¡ouso}, icnos 48
Ioras dcsiinadas ao iralalIo; cn cada ano,
2495; c cn dcz, vinic, irinia anos?
203
A uídu cIcgu ¡u¡u ¡untu¡ g¡undcs tcsou¡os dc
ínst¡uçuo.
17. Sc, cn cada Iora, sc a¡rcndcr un so icorcna
dc qualqucr cicncia, ou una rcgra dc una aric
¡raiica, ou una Iisioria inicrcssanic, ou una
na×ina salia (c c cvidcnic quc isio sc ¡odc fazcr
scn ncnIuna fadiga}, quc icsouro dc insiruçao
sc conscguira adquirir?!
Concíusuo.
18. Por isso, Scncca dissc con razao. «Sc
soulcrnos fazcr lon uso da vida, cla c
suficicnicncnic longa, c cIcga ¡ara lcvar a lon
icrno as cn¡rcsas nais in¡orianics, sc sc
cn¡rcga ioda lcn»|9|. Tudo csia cn salcr
cn¡rcga-la ioda lcn. É disso quc vanos agora
falar.
204

Capítulo XVI
REQUISITOS GERAIS
PARA ENSINAR E PARA APRENDER,
ISTO É,
COMO SE DEVE ENSINAR
E APRENDER COM SEGURANÇA,
DE MODO QUE SEJA IMPOSSÍVEL
NÃO OBTER BONS RESULTADOS

As coísus nutu¡uís c¡csccn cs¡ontuncuncntc.
1. É lcla aqucla ¡aralola dc Nosso ScnIor Jcsus
Crisio, rcfcrida ¡clo cvangcIsia. «O rcino dc Dcus
c cono un Ioncn quc lança a scncnic à icrra, c
quc dornc c sc lcvanic noiic c dia, c a scncnic
lroia c crcscc scn clc salcr cono. Porquc a icrra
¡or si ncsna ¡roduz ¡rincirancnic a crva,
dc¡ois a cs¡iga, c ¡or uliino o irigo grado na
cs¡iga. E, quando o fruio csia naduro, ncic logo
a foicc, ¡orquc csia cIcgado o icn¡o da ccifa»
(Mu¡cos, 4, 26 c ss.}.
Cono dcucn c¡cscc¡ tunIcn us coísus u¡tí¡ícíuís.
2. Ncsia ¡aralola, o Salvador nosira quc Dcus c
quc faz iudo cn iodas as coisas, c quc ao Ioncn
dci×a ianlcn a¡cnas o cuidado dc rccclcr
ficlncnic no coraçao as scncnics daquilo quc lIc
cnsina. Dcus as fara gcrninar c crcsccr iodas aic
205
ao scu ¡lcno dcscnvolvincnio, scn quc o Ioncn
disso sc a¡crccla. Por isso, aquclcs quc insirucn
c cducan a juvcniudc nao icn ouira olrigaçao
alcn dc scncar Ialilncnic na alna dos jovcns
as scncnics daquilo quc icn dc cnsinar, c dc
rcgar cuidadosancnic as ¡laniazinIas dc Dcus; o
crcscincnio c o incrcncnio virao ¡or acrcscino.
A ¡c¡ìcíu dc ¡íuntu¡ cstu nu u¡tc.
3. Qucn ignora quc, ¡ara scncar c ¡laniar, sc
c×igc una ccria aric c una ccria Ialilidadc? Na
vcrdadc, ao jardinciro, quc ignora a aric dc
scncar un jardin, norrc a naior ¡aric das
¡laniazinIas, c, sc algunas crcsccn lcn, isso
dc¡cndc nais do acaso quc da aric. Sc, ao
conirario, clc c ¡rudcnic, iralalIa con cn¡cnIo,
c salc o quc dcvc fazcr c o quc dcvc dci×ar dc
fazcr, c ondc c quando c cono, con ccricza quc
nao Ia o ¡crigo dc clc fazcr qualqucr coisa
inuiilncnic. O rcsuliado ¡odc, ¡orcn, una ou
ouira vcz, scr nulo ncsno ¡ara os ¡criios (¡orquc
c quasc in¡ossívcl ao Ioncn fazcr iudo con
iania lucidcz quc nao scja, ¡or vczcs, dc una ou
dc ouira nancira, induzido cn crro}. Ncsic
noncnio, iodavia, nao falanos ncn da ¡rudcncia
ncn do acaso, nas da aric dc ¡rcvcnir os acasos
con ¡rudcncia.
O nctodo dc cducu¡ dcuc Iuscu¡-sc nu u¡tc.
206
4. Una vcz quc, aic Iojc, o nciodo dc cducar icn
sido iao vago quc dificilncnic algucn ousaria
dizcr. «cu, cn ianios anos, conduzirci csic jovcn
aic csic ¡onio, c dci×a-lo-ci insiruído dcsia ou
daqucla nancira, cic.», in¡oria vcr sc csia aric
dc ¡laniar nos cs¡íriios ¡odc lascar-sc nun
fundancnio iao solido quc conduza, con ccricza
c scn crro ¡ossívcl, ao ¡rogrcsso iniclcciual.
Vc-ío-cnos ¡uzcndo un ¡u¡uícío cnt¡c us coísus
nutc¡íuís c us coísus u¡tí¡ícíuís.
5. Mas, cono csic fundancnio nao ¡odc consisiir
scnao cn confornar, con o na×ino cuidado
¡ossívcl, as o¡craçõcs dcsia aric con as nornas
quc rcgulan as o¡craçõcs da naiurcza (cono
vinos ja, no ca¡íiulo XIV}, ¡crscruicnos os
caninIos da naiurcza, scrvindo-nos do c×cn¡lo
dc una avc quc faz sair dos ovos os scus filIos; c,
olscrvando cono os jardinciros, os ¡iniorcs c os
arquiicios scgucn fclizncnic os vcsiígios da
naiurcza, facilncnic vcrcnos cono c quc clcs
dcvcn ianlcn scr iniiados ¡clos fornadorcs da
juvcniudc.
E ¡o¡quc ussín¯
6. Sc a algucn csias coisas ¡arcccrcn dcnasiado
vulgarcs, dcnasiado conIccidas c dcnasiado
nasiigadas, lcnlrc-sc quc ¡rcicndcnos
¡rccisancnic dcduzir dc coisas corrcnics c
conunncnic conIccidas, quc sc fazcn con c×iio
207
no can¡o da naiurcza c da aric (fora das cscolas},
coisas ncnos conIccidas, quc sao o oljciivo do
nosso csiudo. E sc, dc faio, as coisas quc
ionanos cono c×cn¡lo, ¡ara dclas dcduzir as
nossas rcgras, sao conIccidas, cs¡cranos quc,
¡rccisancnic ¡or isso, ianlcn as nossas
conclusõcs scrao nais cvidcnics.
FUNDAMENTO I
Funduncnto I du nutu¡czu.
Nudu sc ¡uz ¡o¡u do tcn¡o.
7. A nutu¡czu cs¡c¡u o noncnto ¡uuo¡uucí.
Por c×cn¡lo. una avc, ¡ara nulii¡licar a sua
raça, nao concça a iralalIar no invcrno, quando
iudo csia frio c iniciriçado; ncn no vcrao, quando
iudo csia qucnic c sc csiiola; ncn no ouiono,
quando a viialidadc dc iodas as coisas,
juniancnic con o sol, csia cn dccrcscincnio, c o
invcrno, ininigo das coisas novinIas, csia ¡ara
surgir; nas na ¡rinavcra, quando o sol volia a
dar vida c vigor a iodos os scrcs. Efciivancnic,
quando a icn¡craiura csia ainda nuiio fria, a
avc concclc os ovos c conscrva-os no cor¡o, ondc
csiao rcsguardados do frio; quando o ar concça a
aqucccr, ¡õc-nos no ninIo, c, finalncnic, na
¡aric nais qucnic do ano, alrc-os, a fin dc quc,
a ¡ouco c ¡ouco, a sua criaiura sc Ialiiuc à luz c
ao calor.
208
Nos ¡u¡díns c cn u¡quítctu¡u c Icn ínítudu u u¡tc.
8. Tanlcn o jardinciro icn a ¡rcocu¡açao dc
nada fazcr fora dc icn¡o. Nao ¡lania duranic o
invcrno (¡orquc, ncssa aliura, a sciva csia dc ial
nodo adcrcnic às raízcs quc nao ¡odc sulir ¡ara
alincniar os ranos}, ncn no vcrao (¡orquc a
sciva csia ja dis¡crsa ¡clos ranos}, ncn duranic
o ouiono (¡orquc a sciva sc rciira ¡ara as raízcs},
nas duranic a ¡rinavcra, quando a sciva, a
¡ariir das raízcs, concça a circular, c as ¡arics
su¡criorcs da ¡lania concçan a a¡rcscniar
vcgciaçao. Dc¡ois, c ncccssario fazcr qualqucr
coisa à volia das ¡lanias, ¡clo quc dcvc conIcccr-
sc o icn¡o o¡oriuno dc iodos os iralalIos, ou
scja, o icn¡o dc csirunar, dc ¡odar, dc nondar,
cic., c ainda quc a ¡lania icn o scu icn¡o dc
alrolIar, dc florir, dc anadurcccr os fruios, cic.
O arquiicio faz o ncsno, ¡ois, ncccssariancnic,
dcvc coriar a nadcira, cozcr os iijolos, alrir os
aliccrccs, lcvaniar os nuros, rcloca-los, cic.,
quando o icn¡o lIo ¡crniic.
Nus cscoíus uc¡í¡ícu-sc un du¡ío dcsuío
¡cíutíuuncntc u cstc nodcío.
9. Nas cscolas, ¡cca-sc, dc dois nodos, conira
csic fundancnio.
I. Nao a¡rovciiando o noncnio favoravcl ¡ara
c×crciiar as inicligcncias.
II. Nao organizando cuidadosancnic os
209
c×crcícios dc nodo a quc clcs sc dcscnrolcn
iodos, ¡ouco a ¡ouco, scgundo una rcgra
fi×a.
Efciivancnic, a criança, cnquanio scia na
¡rincira infancia, nao ¡odc scr insiruída, ¡orquc
a raiz da inicligcncia csia ainda ¡rofundancnic
a¡cgada ao cIao. Duranic a vclIicc, c dcnasiado
iardc ¡ara insiruir o Ioncn, ¡orquc a
inicligcncia c a ncnoria csiao ja cn rcgrcssao.
No ncio da vida, c difícil, ¡orquc as forças da
inicligcncia, dis¡crsas ¡cla varicdadc das coisas,
so a nuiio cusio ¡odcn conccnirar-sc. In¡oria,
¡orianio, insiruir na idadc juvcnil, quando o vigor
da razao c da vida csia cn ¡lcno crcscincnio;
cniao, iodas as faculdadcs crcsccn c lançan
¡rofundas raízcs.
T¡ì¡íícc co¡¡cçuo.
10. Concluínos, ¡orianio.
I. Quc a fornaçao do Ioncn dcvc concçar na
¡rinavcra da vida, isio c, na ¡ucrícia. (Na
vcrdadc,a ¡ucrícia asscnclIa-sc à ¡rinavcra; a
juvcniudc, ao vcrao; a idadc viril, ao ouiono; a
vclIicc, ao invcrno}.
II. Quc as Ioras da nanIa sao as nais favoravcis
aos csiudos (¡orquc, ianlcn aqui, a nanIa
corrcs¡ondc à ¡rinavcra; o ncio dia, ao vcrao; a
iardc, ao ouiono; a noiic, ao invcrno}.
210
III. Quc iudo o quc dcvc a¡rcndcr-sc dcvc dis¡or-
sc scgundo a idadc, dc nodo a nao dar a
a¡rcndcr scnao as coisas quc os alunos scjan
ca¡azcs dc cnicndcr.
FUNDAMENTO II
Funduncnto II. A nutc¡íu untcs du ¡o¡nu.
ll. A nutu¡czu ¡¡c¡u¡u u nutc¡íu, untcs dc
concçu¡ u ínt¡oduzí¡-íIc unu ¡o¡nu.
Por c×cn¡lo. a avc quc qucr ¡roduzir una
criaiura scnclIanic a si, ¡rinciro concclc-a cn
csiado dc cnlriao a ¡ariir dc una goia do scu
sanguc; dc¡ois, faz o ninIo, ondc ¡õc os ovos;
finalncnic, cIoca-os, c assin forna a sua criaçao
c a faz sair da casca.
Inítuçuo.
12. Da ncsna nancira, o arquiicio ¡rudcnic,
anics dc concçar a consiruçao dc un cdifício,
lcva ¡ara o local nonics dc nadcira, dc ¡cdra, dc
cal, dc fcrro c dc ouiras coisas ncccssarias, ¡ara
quc dc¡ois os iralalIos nao scjan airasados ¡or
falia dc naicriais ou ¡ara quc a solidcz da
consiruçao nao fiquc ¡rcjudicada. Dc igual nodo,
o ¡inior, quc qucr ¡iniar qualqucr coisa, ¡rc¡ara
a icla, csicndc-a na noldura, ¡rc¡ara o fundo do
quadro, nisiura as corcs, ¡õc os ¡inccis ao
alcancc da nao c, finalncnic, ¡inia. Tanlcn o
jardinciro, anics dc concçar a ¡laniaçao, ¡rocura
211
icr à nao os ncrgulIõcs, os rclcniõcs c iodos os
uicnsílios, ¡ara nao icr dc ¡rocurar as coisas
ncccssarias duranic o iralalIo, con ¡crda dc
icn¡o.
AIc¡¡uçuo.
13. Conira csic fundancnio, ¡ccan as cscolas.
Princiro, ¡orquc nao sc ¡rcocu¡an cn icr
scn¡rc ¡rc¡arados iodos os uicnsílios ÷ livros,
quadros, na¡as, anosiras, nodclos, cic. ÷ ¡ara
dclcs sc scrvircn quando for ¡rcciso, nas so
quando csia ou aqucla coisa c ¡rccisa, so cniao a
¡rocuran, a fazcn, ou a diian, ou a co¡ian, cic.;
c iodas as vczcs quc o ¡rofcssor incסcricnic ou
ncgligcnic (c a raça dcsics c scn¡rc a nais
nuncrosa} sc cnconira ncsics casos, ¡roccdc dc
un nodo quc c digno dc do, ¡rccisancnic cono
un ncdico quc, iodas as vczcs quc iivcssc dc
ninisirar un rcncdio, corrcssc dc ca ¡ara la,
airavcs dos jardins c das florcsias, à ¡rocura dc
crvas c dc raízcs, as cozcssc, as disiilassc, cic.,
quando cra indis¡cnsavcl quc iivcssc à nao os
rcncdios a¡ro¡riados ¡ara cada caso.
14. Scgundo, ¡orquc, ncsno nos livros quc as
cscolas ¡ossucn, nao c olscrvada a ordcn
naiural, dc nodo quc vcnIa ¡rinciro a naicria c
dc¡ois a forna. Quasc ¡or ioda a ¡aric, c o
conirario quc sc faz. a¡rcscnia-sc a ordcn das
coisas anics das ¡ro¡rias coisas, cnlora scja
212
in¡ossívcl ordcnar, quando sc nao icn ainda o
naicrial ¡ara ordcnar. É o quc dcnonsirarci con
a ajuda dc quairo c×cn¡los.
15. (1} As cscolas cnsinan a fazcr un discurso
anics dc cnsinar a conIcccr as coisas solrc quc
dcvc vcrsar o discurso, ¡ois olrigan, duranic
anos, os alunos a a¡rcndcr as rcgras da rciorica,
c, soncnic dc¡ois, nao sci quando, os adniicn
ao csiudo das cicncias ¡osiiivas (studíu ¡cuííu}, da
naicnaiica, da física, cic. Mas, una vcz quc as
coisas sao a sulsiancia c as ¡alavras os
acidcnics; coisa o cor¡o, ¡alavra o adorno; coisa a
¡ol¡a, ¡alavra a ¡clc c a casca, dcvc scr ao
ncsno icn¡o quc csias coisas Iao-dc scr
a¡rcscniadas à inicligcncia Iunana, nas icndo a
¡rcocu¡açao dc concçar a ¡ariir das coisas, ¡ois
csias sao oljcio ianio da inicligcncia cono do
discurso.
16. (2} Tanlcn no csiudo das línguas sc ¡roccdc
crradancnic, ¡orquc nao sc ¡rinci¡ia ¡or
qualqucr auior ou ¡or qualqucr dicionario
convcnicnicncnic ilusirado, nas ¡cla granaiica,
cnlora os auiorcs (c os dicionarios ianlcn, a
scu nodo} forncçan a naicria do discurso, isio c,
os vocalulos, c a granaiica a¡cnas acrcsccnic a
forna, ou scja, as lcis ¡ara fornar, ordcnar c
associar os vocalulos.
213
17. (3} No nundo das disci¡linas, ou scja, nas
cnciclo¡cdias, ¡or ioda a ¡aric, as arics colocan-
sc cn ¡rinciro lugar c, so dc¡ois, a rcs¡ciiosa
disiancia, vcn as cicncias c as a¡licaçõcs, nao
olsianic csias conduzircn a a¡rcndcr as coisas,
c aquclas o nciodo das coisas.
18. (4} Enfin, cnsinan-sc ¡rinciro rcgras cn
alsiraio, c so dc¡ois sc ilusiran con c×cn¡los,
cnquanio quc a luz dcvc ¡rcccdcr a ¡cssoa a
qucn sc qucr iluninar o caninIo.
19. Fcsulia dc iudo isio quc, ¡ara corrigir
radicalncnic o nciodo, c ncccssario.
I. Tcr à nao os livros c iodo o rcsianic naicrial
cscolar;
II. Fornar a inicligcncia anics da língua;
III. Nao a¡rcndcr ncnIuna língua a ¡ariir da
granaiica, nas a ¡ariir dc auiorcs a¡ro¡riados.
IV. Colocar as disci¡linas ¡osiiivas (¡cuícs
díscí¡íínus} anics das disci¡linas linguísiicas c
logicas (o¡gunícís}|1|.
V. Dar c×cn¡los anics dc cnsinar as rcgras.
FUNDAMENTO III
Funduncnto III. A nutc¡íu dcuc sc¡ to¡nudu u¡tu
¡u¡u ¡cccIc¡ u ¡o¡nu.
214
20. A naiurcza iona un sujciio a¡io ¡ara as
o¡craçõcs quc cla qucr rcalizar ou, ao ncnos,
¡rc¡ara-o ¡ara o iornar a¡io ¡ara isso.
Por c×cn¡lo. una avc nao ¡õc no ninIo una
coisa qualqucr ¡ara cIocar, nas un oljcio ial
quc scja ¡ossívcl fazcr sair dclc una avczinIa, ou
scja, ¡õc la un ovo. Sc no ninIo cai qualqucr
¡cqucna ¡cdra ou ouiro oljcio qualqucr, lança-o
fora, cono coisa inuiil. CIocando a naicria
coniida no ovo, nanicn-na qucnic, rcvira-a c
forna-a aic quc csicja a¡ia ¡ara sair do ovo.
Inítuçuo
21. Do ncsno nodo, o arquiicio, dc¡ois dc
coriada a nclIor nadcira quc ¡odc adquirir, fa-la
sccar, dcslasia-a, scrra-a; a scguir, a¡laina o
icrrcno, lin¡a-o, lança os fundancnios, ou cniao
rcsiaura c rcforça aquclcs quc c×isiian ja, dc
nodo a ¡odcr uiiliza-los.
22. Tanlcn o ¡inior, sc nao icn una icla
suficicnicncnic loa ou sc o fundo do quadro nao
c ¡ro¡rio ¡ara as corcs, cn ¡rinciro lugar
csforça-sc ¡or iornar nclIor a icla c o fundo,
ras¡ando-os, alisando-os c ¡rc¡arando-os dc
qualqucr nodo ¡ara o uso dcscjado.
23. Dc igual nodo, o jardinciro. 1. cscolIc o
ncrgulIao nais vigoroso quc ¡odc, c ¡rovcnicnic
dc una ¡lania fruiífcra; 2. irans¡oria-o ¡ara o
215
jardin c ¡lania-o con iodo o cuidado; 3. nao o
sulncic à dclicada o¡craçao da cn×criia, sc
¡rinciro nao vc quc lançou raízcs; 4. c, anics dc o
cn×criar, arranca-lIc os scus ¡rinciros rclcnios
c coria-lIc ¡aric do ironco, a fin dc quc
ncnIuna ¡aric da sciva ¡ossa circular a nao scr
¡ara iornar foric o garfo.
AIc¡¡uçuo.
24. As cscolas icn ¡ccado conira csic
fundancnio, nao ianio ¡orquc rccclcn alunos
inlccis c csiu¡idos (una vcz quc, scgundo a
nossa inicnçao, dcvcn rccclcr ioda a cs¡ccic dc
jovcns}, nas na ncdida cn quc.
I. Nao irans¡orian cssas ¡laniazinIas ¡ara as
¡laniaçõcs, isio c, nao as rccclcn iodas nas
cscolas, dc ial nancira quc iodos aquclcs quc
dcvcn scr fornados ¡ara o ofício dc Ioncn nao
scjan dcs¡cdidos da oficina anics da sua
con¡lcia fornaçao.
II. A naioria das vczcs, icn icniado cn×criar os
garfos do salcr, da noral c da ¡icdadc, anics quc
a ¡lania a cn×criar iivcssc lançado as raízcs, isio
c, anics dc Iavcrcn dcs¡criado o dcscjo dc
a¡rcndcr naquclcs quc, ¡or naiurcza, nao
csiavan dclc inflanados.
III. Nao ¡odaran as ¡laniazinIas ou os
ncrgulIõcs, anics dc os ¡laniar, isio c, nao
216
lilcriaran os cs¡íriios das ocu¡açõcs su¡crfluas,
consirangcndo-os a ocu¡ar o scu lugar ¡or ncio
da disci¡lina c olrigando-os a nanicr-sc cn
ordcn.
Co¡¡cçuo.
25. Conscqucnicncnic, daqui ¡ara o fuiuro.
I. Todo aquclc quc for cnviado à cscola dcvcra scr
assíduo.
II. Dcvcra dis¡or-sc a inicligcncia dos alunos ¡ara
o csiudo dc qualqucr naicria quc concccn a
csiudar. (Dcsic assunio iraiarcnos nais
an¡lancnic no ca¡íiulo scguinic, Fundancnio
II}.
III. Lilcricn-sc os alunos dc ioda a cs¡ccic dc
in¡cdincnios, ¡orquc, cono diz Scncca, «dc nada
scrvc forncccr rcgras, sc ¡rinciro sc nao su¡rinc
o quc consiiiui olsiaculo às rcgras»|2|. É una
vcrdadc. Dcla falarcnos no ca¡íiulo scguinic.
FUNDAMENTO IV
Funduncnto IV. Todus us coísus sc ¡o¡nun
dístíntuncntc c ncnIunu con¡usuncntc.
26. A nutu¡czu nuo ¡cuíízu us suus oI¡us nu
con¡usuo, nus ¡¡occdc dístíntuncntc.
Por c×cn¡lo. a naiurcza, cnquanio forna una
avczinIa, nun dado noncnio ¡õc cn ordcn os
217
ossos, as vcias c os ncrvos; nouiro noncnio,
rolusiccc a carnc; nouiro noncnio, disicndc a
¡clc; nouiro noncnio, rccolrc-a dc ¡cnas; c
nouiro ainda, cnsina-a a voar, cic.
Inítuçuo.
27. O arquiicio, quando faz os fundancnios, nao
consiroi ao ncsno icn¡o as ¡arcdcs; c, nuiio
ncnos, ¡õc o icio. Mas faz cada coisa no icn¡o c
lugar dcvidos.
28. Tanlcn o ¡inior nao ¡inia, ao ncsno icn¡o,
vinic ou irinia rciraios, nas iralalIa con
aicnçao cn un so. Efciivancnic, cnlora nos
inicrvalos ¡rc¡arc o fundo dc ouiros quadros, ou
faça qualqucr ouira cs¡ccic dc iralalIo, iodavia,
o scu ¡rinci¡al iralalIo c scn¡rc un so.
29. Dc nodo scnclIanic, o jardinciro nao faz
varios cn×crios ao ncsno icn¡o, nas fa-los un a
scguir ao ouiro, ¡ara sc nao cnganar ou ¡ara nao
csiragar a o¡craçao da naiurcza.
AIc¡¡uçuo.
30. Ora nas cscolas rcina a confusao, ¡clo faio dc
sc qucrcr ncicr na calcça dos alunos nuiias
coisas ao ncsno icn¡o.
Por c×cn¡lo. granaiica laiina c granaiica grcga,
rciorica c ialvcz ainda ¡ociica, c sci la nais o quc.
Efciivancnic, qucn nao salc quc, nas cscolas
218
classicas, quasc cn cada Iora do dia, varia a
naicria das liçõcs c dos c×crcícios? Mas, quc c a
confusao, sc nao c isio a confusao? É cono sc sc
ncicssc, na calcça dc un sa¡aiciro, fazcr, ao
ncsno icn¡o, scis ou scic ¡arcs dc sa¡aios, c
ora ¡cgassc nclcs iodos, un a¡os o ouiro, ora os
¡uscssc dc ¡aric. Ou cono sc un ¡adciro, ora
ncicssc no forno alguns ¡acs, ora os iirassc dc
la, dc ial nodo quc fossc ncccssario quc cada ¡ao
fossc nciido c iirado do forno nuiiíssinas vczcs.
Mas qucn, dc cnircs clcs, c iao louco cono isso?
O sa¡aiciro, anics dc icr icrninado un ¡ar dc
sa¡aios, nao concça ouiro. O ¡adciro, anics quc
os ¡acs csicjan cozidos, nao ncic no forno ouira
fornada.
Co¡¡cçuo.
31. Iniicnos, su¡lico-vos, csics c×cn¡los c
alsiinIano-nos dc qucrcr cnsinar a dialciica a
qucn csiuda granaiica; c, cnquanio a dialciica
afina a ncnic, quc csia nao scja ¡criurlada ¡cla
rciorica; c, cnquanio nos ocu¡anos da língua
laiina, nao scjanos in¡oriunados ¡cla língua
grcga, cic., ¡ara nao cairnos, dc una nancira ou
dc ouira, cn cnlaraços, ¡ois, qucn ¡cnsa cn
nuiias coisas ao ncsno icn¡o arrisca-sc a nao
con¡rccndcr scriancnic ncnIuna dclas. Salia-o
lcn o grandc Josc Escalígcro, o qual (ialvcz ¡or
rcconcndaçao dc scu ¡ai} nunca sc ocu¡ava
scnao dc una so naicria dc cada vcz c ncla fazia
219
incidir iodas as forças da sua ncnic|3|. Daqui
rcsuliou quc, una a¡os ouira, sc iornou ¡criio
cn caiorzc línguas, c adquiriu ianios
conIccincnios ariísiicos c cicniíficos, quanios os
quc cacn sol o donínio do cngcnIo Iunano; c
dc ial nancira quc cra nais vcrsado cn iodos
csscs conIccincnios quc aquclcs quc sc dcdican
a un so. Qucn, dc¡ois, icniou scguir, con firnc
¡ro¡osiio, as suas ¡cgadas, nao o fcz cn vao.
32. Quc, ¡orianio, ianlcn nas cscolas, os
alunos sc ocu¡cn a¡cnas dc una naicria dc
cada vcz.
FUNDAMENTO V
Funduncnto V. P¡íncí¡o us coísus íntc¡ío¡cs.
33. A nutu¡czu concçu cudu unu dus suus
o¡c¡uçocs ¡cíus ¡u¡tcs nuís íntc¡nus.
Por c×cn¡lo. a naiurcza nao forna ¡rinciro as
unIas, ou as ¡cnas, ou a ¡clc da avc, nas as
vísccras; dc¡ois, no scu icn¡o ¡ro¡rio, as ¡arics
c×icriorcs.
34. Tanlcn o jardinciro nao a¡lica os garfos a
casca ¡cla ¡aric dc fora, ncn os cn×cria à
su¡crfícic do «cavalo», nas faz una fcnda quc vai
aic ao coraçao da ¡lania c aí cncai×a, o nais
¡rofundancnic quc ¡odc, os garfos lcn
ada¡iados, c ia¡a dc ial nancira lcn as juniuras
quc a sciva nao ¡ossa sair ¡or ncnIuna ¡aric,
220
nas va incdiaiancnic ¡ara o inicrior dos garfos c
nclcs infunda ioda a sua força, ¡ara os fazcr
crcsccr vigorosos.
35. Igualncnic, a arvorc alincniada con o
alincnio da cIuva ou nuirida ¡cla sciva do
icrrcno, nao c×irai cssas sulsiancias airavcs da
casca, nas alincnia-sc airavcs dos ¡oros das
suas ¡arics inicrnas. É ¡or isso quc o jardinciro
nao cosiuna rcgar os ranos, nas as raízcs. E os
aninais nao ninisiran os alincnios aos
ncnlros c×icriorcs, nas ao csiónago, quc os
¡rc¡ara c os cnvia ¡ara iodo o cor¡o. Dcsic nodo,
sc o cducador da juvcniudc culiiva solrciudo a
raiz do salcr, isio c, a inicligcncia, facilncnic o
vigor ¡assara ¡ara o scio do Ioncn, ou scja,
¡ara a ncnoria, c finalncnic a¡arcccrao florcs c
fruios, isio c, o uso corrcnic da língua c a ¡raiica
das coisas.
AIc¡¡uçuo.
36. Erran, ¡orianio, aquclcs ¡rofcssorcs quc
qucrcn rcalizar a fornaçao da juvcniudc quc lIcs
foi confiada, diiando nuiias coisas c nandando-
as a¡rcndcr dc cor, anics dc as icrcn cסlicado
dcvidancnic. Erran ianlcn aquclcs quc as
qucrcn cסlicar, nas nao salcn cono, ou scja,
nao salcn cono dcscolrir, ¡ouco a ¡ouco, a raíz,
c ncla cn×criar os garfos das coisas cnsinadas. E
¡rccisancnic ¡or isso csiragan os alunos, cono
221
sc algucn, ¡ara fazcr una fcnda nuna ¡lania,
cn vcz dc una faca, uiilizassc una lcngala ou
un laic-csiacas.
Co¡¡cçuo.
37. Por isso, daqui ¡ara o fuiuro.
I. En ¡rinciro lugar, fornar-sc-a a inicligcncia
¡ara a con¡rccnsao das coisas; cn scgundo
lugar, a ncnoria; cn icrcciro lugar, a língua c as
naos.
II. O ¡rofcssor dcvcra ¡rocurar iodos os caninIos
dc alrir a inicligcncia c fazc-los ¡crcorrcr dc
nodo convcnicnic. (O quc invcsiigarcnos no
ca¡íiulo scguinic}.
FUNDAMENTO VI
Funduncnto VI. P¡íncí¡o us coísus gc¡uís.
38. A nutu¡czu concçu todus us suus oI¡us ¡cíus
coísus nuís gc¡uís c ucuIu ¡cíus nuís
¡u¡tícuíu¡cs.
Por c×cn¡lo. qucrcndo, dc un ovo, ¡roduzir una
avc, a naiurcza nao concça ¡or fornar a calcça,
ou os olIos, ou as ¡cnas, ou as unIas; nas
aquccc ioda a nassa do ovo, c o novincnio
¡roduzido ¡clo calor da nascincnio a una rcdc
dc vcias quc ofcrccc o csloço dc ioda a avczinIa
(a calcça, as asas, os ¡cs, cic., cn cnlriao}, c,
222
finalncnic, ¡ouco a ¡ouco, cada ¡aric sc
dcscnvolvc aic aiingir a sua forna ¡crfciia.
Inítuçuo.
39. Iniiando csic faio naiural, o arquiicio concça
¡or concclcr, na sua ncnic, o ¡lano gcral dc iodo
o cdifício, ou dcscnIa-o cn ¡crs¡cciiva no ¡a¡cl,
ou cniao faz un nodclo dc nadcira; c, cn
confornidadc con cssc ¡lano, lança os
fundancnios c lcvania os nuros, c, finalncnic,
colrc a consiruçao con o iclIado. Dc¡ois disso,
ocu¡a-sc das ¡arics nais ¡cqucnas, as quais
dcvcn iornar a casa ¡crfciia. as ¡orias, as
janclas, as lancadas, cic. Por uliino, acrcsccnia-
lIc os ornancnios. ¡iniuras, csculiuras,
ia¡cçarias, cic.
40. Tanlcn o ¡inior quc qucr ¡iniar o rosio
Iunano, nao inagina ncn ¡inia ¡rinciro una
orclIa, ou un olIo, ou o nariz ou a loca, nas
csloça con o carvao o rosio (ou o Ioncn iniciro}.
Dc¡ois, sc vc quc as ¡ro¡orçõcs csiao c×aias,
con un ¡cqucno ¡inccl, forna o fundo do
quadro, nas nanicndo-sc scn¡rc nas linIas
gcrais. A scguir, dcscnIa os inicrvalos cnirc as
sonlras c a luz, c finalncnic forna os ncnlros
con iodos os ¡orncnorcs c adorna-os con corcs
¡crfciiancnic disiinias.
41. Dc nodo idcniico, o csculior, quc qucr fazcr
una csiaiua, iona un ironco rudc, losqucja-o
223
cn rcdor, c da-lIc ¡rinciro una forna grosscira;
dc¡ois, una forna nais ¡crfciia, ¡ara lIc dar dc
qualqucr nodo o as¡ccio dc csiaiua, c, ¡or fin,
rasga-lIc dc nodo ¡crfciiíssino cada un dos
ncnlros c rcvcsic-os dc corcs.
42. Igualncnic, o jardinciro nao iona scnao o
csloço gcral das ¡lanias, isio c, o garfo, o qual
¡odc, quasc logo, lançar ianios ranos ¡rinci¡ais
quanios sao os scus rclcnios.
AIc¡¡uçuo.
43. Dc ondc sc scguc quc o cnsino das cicncias c
nal fciio quando c fragncniario c quando nao
concça ¡or un ¡rcvio csloço gcral dc iodo o
¡rograna, c quc ningucn ¡odc scr ¡crfciiancnic
insiruído nuna cicncia ¡ariicular, sc nao icn
una visao gcral das ouiras cicncias.
44. Daí sc scguc ianlcn quc sc cnsinan nal as
arics, as cicncias c as línguas, sc sc nao concça
¡clos scus ¡rinciros rudincnios; nas
Ialiiualncnic ningucn faz cssc csiudo ¡rcvio,
¡ois, a¡cnas adniiidos aos csiudos da dialciica,
da rciorica c da nciafísica, os infclizcs dos alunos
vccn-sc arrasados sol una nonianIa dc rcgras
¡roli×as, dc concniarios, dc cסlicaçõcs aos
concniarios, dc confronios dc auiorcs c dc
conirovcrsias. Dc igual nodo, sao cn¡aniurrados
dc granaiica laiina con iodas as suas c×ccçõcs c
irrcgularidadcs, dc granaiica grcga con os scus
224
dialcios, cnquanio ¡ara la csiao aióniios c scn
salcrcn ¡ara quc iudo aquilo ¡ossa scrvir.
Co¡¡cçuo
45. Para cviiar csia dcsordcn, cis o rcncdio.
I. Quc na ncnic das crianças, quc sc dcsiinan
aos csiudos, sc façan cnirar, logo dcsdc o
concço da sua fornaçao, os fundancnios dc una
insiruçao univcrsal, isio c, una ial coordcnaçao
das naicrias quc os csiudos quc, ¡ouco a ¡ouco,
sc scgucn, ¡arcçan nada irazcr dc
alsoluiancnic novo, nas scjan a¡cnas un
dcscnvolvincnio ¡orncnorizado das coisas
anicriorcs. Efciincnic, ianlcn nuna arvorc,
ainda quc o scu crcscincnio sc ¡rolonguc ¡or
nais dc ccn anos, nao nascc ncnIun rano novo,
nas aquclcs quc nasccran ao ¡rincí¡io alongan-
sc consianicncnic c fornan novas ¡cqucnas
ranagcns.
II. Quc qualqucr língua, cicncia c aric sc cnsinc.
¡rinciro, ¡or ncio dc rudincnios nuiio sin¡lcs,
¡ara quc sc a¡rccnda o scu ¡lano gcral; dc¡ois,
nais con¡lciancnic, ¡or ncio dc rcgras c
c×cn¡los; cn icrcciro lugar, ¡or ncio dc sisicnas
con¡lcios, a quc sc acrcsccnian as
irrcgularidadcs; finalncnic, sc isso for ncccssario,
¡or ncio dc concniarios. Efciivancnic, qucn
a¡rcndc una coisa a ¡ariir dos scus
fundancnios, ja nao icn ncccssidadc dc
225
concniarios, ¡ois ¡odcra, ¡ouco dc¡ois, concnia-
la ¡or si ncsno.
FUNDAMENTO VII
Funduncnto VII. Tudo g¡uduuíncntc; nudu ¡o¡
suítos.
46. A nutu¡czu nuo du suítos, nus ¡¡occdc
g¡uduuíncntc.
Assin, a fornaçao dc una avczinIa ¡assa ¡clas
suas cia¡as, as quais nao ¡odcn scr
ulira¡assadas ncn irans¡osias, aic quc a
avczinIa, quclrada a sua ¡risao, saia ¡ara fora.
Trans¡osia csia cia¡a, a nac da avczinIa nao lIc
ordcna incdiaiancnic quc sc ¡onIa a voar c a
¡rocurar alincnios (¡orquc ainda nao ¡odc}, nas
alincnia-a cla, c, coniinuando a aquccc-la con o
scu ¡ro¡rio calor, ajuda-a a colrir-sc dc ¡cnas.
Quando as ¡cnas csiao ja crcscidas, nao a in¡clc
incdiaiancnic a voar fora do ninIo, nas
c×crciia-a ¡ouco a ¡ouco, ¡rinciro a csicndcr as
asas dcniro do ninIo, dc¡ois a novc-las
csgucndo-sc acina do ninIo, c, ¡orianio, a icniar
voar fora do ninIo, nas ¡crio; dc¡ois, a voar dc
rano cn rano, c, dc¡ois, dc una arvorc ¡ara
ouira arvorc, c dc¡ois dc un nonic ¡ara ouiro
nonic; c assin, finalncnic, cnircga-a con
confiança ao ccu livrc. Mas vc-sc quc cada una
dcsias coisas qucr scr fciia, nao so no noncnio
¡rcciso, nas ianlcn gradualncnic, c nao so
226
gradualncnic, nas ianlcn scgundo una scric
inuiavcl dc graus.
Inítuçuo
47. Assin ¡roccdc qucn cdifica una casa. nao
concça ¡cla arnaçao do iclIado, ncn ¡clas
¡arcdcs, nas ¡clos aliccrccs; c, fciios os
fundancnios, nao lIc coloca logo cn cina o icio,
nas consiroi as ¡arcdcs. Nuna ¡alavra, assin
cono iodas as coisas sc ajudan nuiuancnic,
assin ianlcn iodas dcvcn csiar conc×as cnirc
si scgundo una ordcn dcicrninada.
48. É ianlcn ncccssario quc o jardinciro faça os
scus iralalIos gradualncnic. c ncccssario, con
cfciio, quc cscolIa os rclcniõcs c alra as covas,
quc os irans¡lanic, os ¡odc, os fcnda, lIcs
cn×cric os garfos c lIcs rcculra as conissuras.
E, dc iodas csias coisas, nao ¡odc dci×ar dc
fazcr-sc ncn scqucr una so, ncn fazcr una
quando dcvc fazcr-sc ouira. E, sc as faz
gradualncnic c cada una no scu dcvido icn¡o, c
quasc in¡ossívcl quc o scu iralalIo nao rcsulic
lcn.
AIc¡¡uçuo.
49. Torna-sc, ¡orianio, cvidcnic quc nao ¡odc
cIcgar-sc a qualqucr rcsuliado valido, sc os
¡rofcssorcs, no dccurso do scu cnsino c no
dccurso dos csiudos dos scus alunos, nao
227
disirilucn as naicrias, nao soncnic dc nancira
quc a una sc succda scn¡rc ouira, nas ianlcn
dc nancira quc cada una scja ncccssariancnic
csiudada dcniro dos liniics fi×ados, ¡ois, sc sc
nao csialclcccn as ncias c os ncios ¡ara aiingir
as ncias c a ordcn ¡ara a¡licar os ncios,
facilncnic alguna coisa fica ¡ara iras, facilncnic
alguna coisa sc invcric, facilncnic nascc a
confusao c a dcsordcn.
Co¡¡cçuo.
50. Daqui ¡aia o fuiuro, ¡orianio.
I. Disirilua-sc cuidadosancnic a ioialidadc dos
csiudos cn classcs, dc nodo quc os ¡rinciros
alran c ilunincn o caninIo aos scgundos, c
assin succssivancnic.
II. Disirilua-sc nciiculosancnic o icn¡o, dc
nodo quc a cada ano, ncs, dia c Iora scja
airiluída a sua iarcfa cs¡ccial.
III. Olscrvc-sc csiriiancnic cssc Iorario c cssa
disiriluiçao das naicrias cscolarcs, dc nodo quc
nada scja dci×ado ¡ara iras c nada scja invcriido
na sua ordcn.
FUNDAMENTO VIII
Funduncnto VIII. Nuo sc dcuc ¡u¡u¡, u nuo sc¡
dc¡oís dc tc¡nínudu u oI¡u.
228
51. A nutu¡czu, quundo cn¡¡ccndc un t¡uIuíIo,
nuo o uIundonu scnuo dc¡oís dc o Iuuc¡
tc¡nínudo.
A avc, con cfciio, quando ¡or insiinio concça a
cIocar os ovos, nao dci×a dc os cIocar aic a sua
cclosao, ¡ois, sc dci×assc dc o fazcr, ainda quc
fossc a¡cnas ¡or dcrninada algunas Ioras, o
fcio arrcfcccria c norrcria. Mcsno quando as
avczinIas sairan ja da casca, nao ccssa dc as
nanicr qucnics, aic quc, cIcias dc vida c
colcrias dc ¡cnas, csicjan a¡ias a su¡oriar a
in¡rcssao do ar.
Inítuçuo.
52. Dc igual nodo, o ¡inior, una vcz concçado o
rciraio, icn iodo o inicrcssc cn ¡rosscguir a sua
olra aic ao fin, sc qucr quc as iinias sc
Iarnonizcn nclIor c adiran nais solidancnic.
53. Da ncsna nancira, c oiino nciodo lcvar a
consiruçao dc un cdifício do ¡rincí¡io aic ao fin,
scn inicrru¡çao, ¡ois, dc ouiro nodo, o sol, a
cIuva c os vcnios csiragan as ¡arcdcs, c aquclas
coisas quc dc¡ois sc lIcs junian ja sc nao
agarran iao solidancnic. iudo, cn suna, sc
fcndc, sc grcia c sc csiraga.
54. Tanlcn o jardinciro ¡rudcnic, dc¡ois dc
Iavcr concçado a ¡laniaçao, nao a alandona, a
nao scr una vcz icrninado o iralalIo, ¡ois, sc
229
inicrron¡c o scu iralalIo c sc dcnora a icrnina-
lo, a sciva dos rclcniõcs c dos garfos cva¡ora-sc c
a ¡lania scca.
AIc¡¡uçuo.
55. Daqui sc infcrc quc consiiiui un grandc dano
cnviar as crianças à cscola ¡or inicrvalos dc
ncscs ou dc anos c, dc¡ois, ¡or ouiros inicrvalos,
cn¡rcga-las nouiras ocu¡açõcs. Dc igual nodo,
consiiiui un grandc dano quc o ¡rofcssor ora
inicic o aluno ncsia naicria ora naqucla, scn
nunca lcvar ncnIuna scriancnic aic ao fin.
Finalncnic, consiiiui ianlcn un grandc dano
sc, cn cada Iora, nao ¡ro¡õc c nao icrnina un
¡rograna dcicrninado, ¡ara quc, dc cada vcz quc
cnsina, sc vcrifiquc un rcal ¡rogrcsso. Ondc falia
csic fcrvor, iudo sc csfria. Efciivancnic, nao c ¡or
ncro acaso quc sc diz quc sc dcvc laicr o fcrro
cnquanio clc csia qucnic, ¡ois, sc sc dci×a
arrcfcccr, cn vao scra laiido con o nariclo,
dcvcndo ncccssariarncnic voliar a rccorrcr-sc ao
fogo; c, cnircianio, gasia-sc nais un ¡ouco dc
icn¡o c nais un ¡ouco dc fcrro. Con cfciio,
iodas as vczcs quc o fcrro c nciido no fogo, ¡crdc
scn¡rc algo da sua sulsiancia.
Co¡¡cçuo.
6.Porianio,
230
I. Qucn frcqucnia as cscolas, quc nclas
¡crnancça aic sc iornar un Ioncn insiruído,
Ioncsio c rcligioso.
II. A cscola dcvc csiar nun local iranquilo,
afasiado dos ruídos c das disiraçõcs.
III. Dcvc fazcr-sc iudo scgundo o ¡rograna
csialclccido, scn adniiir qualqucr Iiaio.
IV. Nao dcvc conccdcr-sc a ningucn (scja sol quc
¡rcic×io for} auiorizaçao ¡ara sair da cscola c
cnircgar-sc a fuiilidadcs.
FUNDAMENTO IX
Funduncnto IX. E ncccssu¡ío cuítu¡ us coísus
cont¡u¡íus.
57. A nutu¡czu cuítu dcíígcntcncntc us coísus
cont¡u¡íus c ¡¡c¡udícíuís.
Con cfciio, a avc, cnquanio, cIocando-os, aquccc
os ovos, ¡roicgc-os do vcnio foric, lcn cono da
cIuva c do granizo. Alcn disso, afasia do ninIo
as scr¡cnics, os aluircs c ouiros aninais
nocivos.
58. Tanlcn o arquiicio, ianio quanio lIc c
¡ossívcl, conscrva scca a nadcira, os iijolos c a
cal, c nao dci×a cair ncn arruinar-sc aquilo quc
ja consiruiu.
231
59. Dc igual nodo, o ¡inior ¡roicgc do vcnio, do
calor inicnso, da ¡ocira c das naos dc csiranIos
un rciraio ainda frcsco.
60. O jardinciro, con a ajuda dc una ¡aliçada ou
dc una sclc, ¡roicjc das calras c das lclrcs as
¡lanias jovcns.
AIc¡¡uçuo.
61. Concic-sc, ¡orianio, una in¡rudcncia iodas
as vczcs quc, logo no início do csiudo dc una
nova disci¡lina, sc ¡ro¡õc aos alunos una
naicria conirovcrsa, isio c, scn¡rc quc sc lcvania
una duvida accrca da naicria quc dcvcn ainda
csiudar. Efciivancnic, a quc cquivalc isso scnao
a dar forics sacudidclas nuna ¡laniazinIa
dcscjosa dc lançar as raízcs? Hugo cscrcvcu con
razao. «Nunca cIcgara a aiingir a vcrdadc, aquclc
quc concçar a insiruir-sc con conirovcrsias»|4|.
Concic-sc ianlcn una in¡rudcncia quando sc
nao afasia a juvcniudc dos livros ior¡cs, cIcios
dc crros c dc confusõcs, assin cono ianlcn das
nas con¡anIias.
Co¡¡cçuo.
62. Pcnsc-sc, ¡orianio, quc c csscncial.
I. Nao dar aos alunos ncnIuns ouiros livros, alcn
dos da sua classc.
232
II. Quc csscs livros scjan iao cuidadosancnic
ilusirados quc, jusia c ncrccidancnic, ¡ossan
scr considcrados vcrdadciros ins¡iradorcs dc
salcdoria, dc noralidadc c dc ¡icdadc.
III. Nao dcvcn scr iolcradas nas cscolas, ou nas
vizinIanças das cscolas, con¡anIias dissoluias.
Concíusuo.
63. Sc iodas csias rcgras forcn olscrvadas
cscru¡ulosancnic, scra quasc in¡ossívcl quc as
cscolas falIcn na sua nissao.
233

Capítulo XVII
FUNDAMENTOS
PARA ENSINAR E APRENDER
COM FACILIDADE

Nuo Iustu ¡uzc¡ quuíquc¡ coísu con scgu¡unçu; c
¡¡ccíso ¡¡ocu¡u¡ u ¡ucííídudc.
1. E×aninanos os ncios, graças aos quais o
cducador da juvcniudc ¡odc aiingir con
scgurança o scu oljciivo; vcjanos agora dc quc
nodo aquclcs ncsnos ncios dcvcn scr a¡licados
às inicligcncias, ¡ara quc o scu cn¡rcgo sc faça
con facilidadc c con ¡razcr.
Dcz ¡unduncntos dcssu ¡ucííídudc.
2. Sc olscrvarnos as ¡cgadas da naiurcza, iorna-
sc-nos cvidcnic quc a cducaçao da juvcniudc sc
¡roccssara facilncnic, sc.
I. Concçar ccdo, anics da corru¡çao das
inicligcncias.
II. Sc fizcr con a dcvida ¡rc¡araçao dos cs¡íriios.
III. Proccdcr das coisas gcrais ¡ara as coisas
¡ariicularcs.
IV. E das coisas nais faccis ¡ara as nais difíccis.
234
V. Sc ningucn for dcnasiado solrccarrcgado con
iralalIos cscolarcs.
VI. Sc cn iudo sc ¡roccdcr lcniancnic.
VII. E sc os cs¡íriios nao forcn consirangidos a
fazcr nada nais quc aquilo quc dcscjan fazcr
cs¡oniancancnic, scgundo a idadc c ¡or cfciio do
nciodo.
VIII. Sc iodas as coisas forcn cnsinadas,
colocando-as incdiaiancnic sol os scniidos.
IX. E fazcndo vcr a sua uiilidadc incdiaia.
X. E sc iudo sc cnsina scn¡rc con un so c o
ncsno nciodo.
Assin, rc¡iio-o, iudo sc ¡roccssara scgundo un
andancnio suavc c agradavcl. Mas rcgrcsscnos
dc novo às ¡cgadas da naiurcza.
FUNDAMENTO I
Funduncnto I. Tonu-sc u nutc¡íu ¡u¡u.
3. A nutu¡czu nuo concçu scnuo ¡u¡tíndo do
cstudo dc uí¡gíndudc (u ¡¡íuutíonc).
Una avc, con cfciio, iona ¡ara o cIoco ovos
frcscos quc conicnIan una naicria ¡uríssina;
sc ja anics iivcssc concçado a fornar-sc una
ouira avczinIa, cn vao sc cs¡craria un lon
rcsu1iado.
235
Inítuçuo.
4. Igualncnic, o arquiicio, quc qucr consiruir
una casa, icn ncccssidadc dc un ¡cdaço dc
icrrcno dcsin¡cdido; ou cniao, sc a qucr
consiruir no lugar dc una ouira, dcvc
ncccssariancnic, cn ¡rinciro lugar, dcnolir a
vclIa.
5. Tanlcn o ¡inior ¡inia nuiio lcn nuna icla
quc nunca scrviu. Mas sc cla csia ja ¡iniada, ou
nancIada, ou a¡rcscnia rugas, c ncccssario
¡rinciro quc a ras¡c c a lin¡c.
6. Dc igual nodo, qucn qucr guardar ungucnios
¡rcciosos, icn ncccssidadc dc frascos novos ou,
ao ncnos, lcn lin¡os do líquido quc
anicriorncnic coniinIan.
7. Tanlcn o jardinciro ¡lania nuiio lcn as
¡laniazinIas jovcns, c, sc acaso ¡lania algunas
quc sao ja adulias, c ncccssario quc ¡rinciro lIcs
coric os ranos c lIcs iirc iodas as ocasiõcs dc
dcs¡crdiçar a sciva. Foi ¡or csia razao quc
Arisioiclcs colocou o «csiado dc virgindadc»
(¡¡íuutío} cnirc os ¡rincí¡ios das coisas|1|, ¡ois via
quc cra in¡ossívcl infundir una nova forna na
naicria, anics dc su¡rinir a ¡rincira.
AIc¡¡uçuo.
236
8. Daqui, sc scguc. ¡rinciro, quc as ncnics
jovcns, ainda nao Ialiiuadas a disiraircn-sc con
ouiras ocu¡açõcs, sc cnlclcn lcn dos csiudos
da salcdoria. E quc, quanio nais iardc concça a
fornaçao, ianio nais cnlaraçada ¡roccdc, ¡ois a
ncnic csia ja ocu¡ada con ouiras coisas.
Scgundo, quc una criança nao ¡odc scr
insiruída, con fruio, ¡or varios ncsircs ao
ncsno icn¡o, ¡ois c quasc in¡ossívcl quc iodos
cn¡rcgucn o ncsno nciodo; daí sc scguc a
disiraçao dos cs¡íriios juvcnis c os cnlaraços da
sua fornaçao. Tcrcciro, quc agcn cono
incסcricnics aquclcs quc, cncarrcgando-sc da
fornaçao dc crianças ja crcscidas c dc
adolcsccnics, nao concçan ¡cla cducaçao noral,
¡ara quc, donando-lIcs as ¡ai×õcs, os iorncn
a¡ios ¡ara as rcsianics coisas. É lcn salido quc
os donadorcs, ¡rinciro donan o cavalo con o
frcio c iornan-no olcdicnic, c so dc¡ois lIc
cnsinan a ionar csia ou aqucla ¡osiçao. Scncca
dissc con razao. «Princiro a¡rcndc a noral c
dc¡ois a cicncia, ¡ois csia a¡rcndc-sc nal scn
aqucla»|2|. E Cíccro cscrcvcu. «A filosofia noral
¡rc¡ara os cs¡íriios ¡ara rccclcr a loa
scncnic»|3|.
Co¡¡cçuo.
9. Porianio.
I. Quc a fornaçao da juvcniudc conccc ccdo.
237
II. Quc, ¡ara un ncsno aluno c na ncsna
naicria, nao Iaja scnao un so ¡rofcssor.
III. Quc, anics dc iudo, sc cduqucn os cosiuncs
das crianças, dc nodo quc olcdcçan con
¡roniidao ao ncnor sinal do ¡rofcssor.
FUNDAMENTO II
Funduncnto II. A nutc¡íu to¡nu-sc uuídu dc
¡cccIc¡ unu ¡o¡nu.
10. A nutu¡c¡zu ¡¡cdís¡oc u nutc¡íu dc nodo u
to¡nu¡-sc uuídu dc unu ¡o¡nu.
Assin, a avczinIa ja fornada no ovo, scndo avida
dc una ¡crfciçao naior, agiia-sc naiuralncnic c
ron¡c a casca con as ¡aias ou con o lico.
Lilcria daqucla ¡risao, scnic ¡razcr cn scr
aquccida ¡cla nac; scnic ¡razcr cn quc cla lIc
dc dc concr c, ¡or isso, alrc o lico c cngolc a
licada; scnic ¡razcr cn olIar o ccu; scnic ¡razcr
cn scr ircinada no voo, c, ¡ouco dc¡ois, cn voar;
nuna ¡alavra,, a¡rcssa-sc avidancnic a ¡ór cn
açao iodas as suas funçõcs naiurais, nas
gradualncnic.
Inítuçuo.
11. Tanlcn o jardinciro dcvc ncccssariancnic
icr a ¡rcocu¡açao dc quc a ¡lania, ¡rovida da
Iunidadc c do calor viial ncccssario, crcsça
frcsca c vigorosa.
238
AIc¡¡uçuo.
12. Porianio, cuidan nal dos inicrcsscs das
crianças aquclcs quc as olrigan aos csiudos ¡cla
força. Efciivancnic, quc ¡odcn clcs cs¡crar? Sc o
icu csiónago nao rccclc os alincnios con a¡ciiic
c iu o qucrcs aiulIar, nao ¡odcn vir-ic scnao
nauscas c voniios, ou, ¡clo ncnos, una na
digcsiao c dano ¡ara a saudc. Ao conirario,
qualqucr quc scja o alincnio quc ncias nun
csiónago fanclico, clc digcrc-o lcn c iransforna-
o cuidadosancnic cn quilo c cn sanguc. Por
isso, dizia Isocraics. . «Sc gosias
dc a¡rcndcr, a¡rcndcras nuiio»|4|. E Quiniiliano
cscrcvcu. «A ¡ai×ao dc a¡rcndcr dc¡cndc da
voniadc, quc nao ¡odc scr forçada»|5|.
Co¡¡cçuo
13. Porianio.
I. Dcvc inflanar-sc, dc qualqucr nodo, nas
crianças, o dcscjo ardcnic dc salcr c dc a¡rcndcr.
II. O nciodo dc cnsinar dcvc dininuir o iralalIo
dc a¡rcndcr, dc nodo quc nada nagoc os alunos
c os afasic dc ¡rosscguir os csiudos.
Dc quc nodo dcuc o dcsc¡o u¡dcntc dc u¡¡cndc¡
sc¡ cxcítudo c ¡uuo¡ccído nus c¡íunçus.
14. O dcscjo ardcnic accndc-sc c favorccc-sc nas
crianças, ¡clos ¡ais, ¡clos ¡rofcssorcs, ¡cla
239
cscola, ¡clas ¡ro¡rias coisas, ¡clo nciodo c ¡clas
auioridadcs civis.
1} Pcíos ¡uís.
15. Os ¡ais, sc c×alian frcqucnicncnic, dianic dc
scus filIos, os lcncfícios da insiruçao c o valor
das ¡cssoas insiruídas; sc os c×orian ao anor
¡clo csiudo, ¡roncicndo-lIcs lclos livros, lclos
vcsiidos ou qualqucr ouira coisa quc lIcs dc
¡razcr; sc fazcn o clogio dos ¡rofcssorcs (c
cs¡ccialncnic daquclc a qucn confian os filIos},
¡ondo cn rclcvo ianio a su¡crioridadc da sua
insiruçao cono a sua londadc ¡ara con os
alunos (con cfciio, o anor c a adniraçao sao os
scniincnios nais forics ¡ara dcscnvolvcr o gosio
da iniiaçao}; sc, finalncnic, cncarrcgan, ¡or
vczcs, os filIos dc dcscn¡cnIar qualqucr nissao
junio do ¡rofcssor, ou dc lIc lcvar qualqucr
¡cqucno ¡rcscnic, os ¡ais, rc¡iio, conscguirao
facilncnic quc clcs considcrcn o ¡rofcssor cono
un anigo, c as disci¡linas quc clc cnsina cono
dignas da sua dcdicaçao.
2} Pcíos ¡¡o¡csso¡cs.
16. Os ¡rofcssorcs, ¡or sua vcz, sc forcn afavcis c
carinIosos, c nao afasiarcn dc si os cs¡íriios
con qualqucr aio dc as¡crcza, nas os airaírcn a
si afciuosancnic, con aiiiudcs c ¡alavras
¡aicrnais; sc c×aliarcn os csiudos cn¡rccndidos
¡clas crianças, nosirando a sua in¡oriancia, o
240
scu cncanio c a sua facilidadc; sc louvarcn os
alunos nais diligcnics (disiriluindo ncsno, ¡clas
crianças, ¡cras, naças, nozcs, doccs, cic.}; sc,
cIanando-os ¡ara junio dc si, ncsno cn
¡ullico, lIcs nosirarcn aquilo quc dc¡ois
dcvcrao a¡rcndcr, figuras, insiruncnios dc oiica,
dc gconciria, csfcras arnilarcs c ouiros oljcios
scnclIanics quc dcs¡crian a adniraçao das
crianças c as airacn; sc os cncarrcgarcn dc lcvar
qualqucr rccado aos ¡ais; sc, nuna ¡alavra,
iraiarcn os alunos con afalilidadc, facilncnic
conscguirao iornar-sc scnIorcs dos scus
coraçõcs, dc nodo quc clcs sinian aic nais
¡razcr cn csiar na cscola quc cn casa.
Pcíu ¡¡ò¡¡íu cscoíu, sc c cIcíu dc Icíczu ¡o¡ dcnt¡o
c ¡o¡ ¡o¡u.
17. A ¡ro¡ria cscola dcvc scr nun local
agradavcl, a¡rcscniando, no c×icrior cono no
inicrior, un as¡ccio airacnic. No inicrior, dcvc
scr un cdifício fccIado, lcn iluninado, lin¡o,
iodo ornado dc ¡iniuras, qucr scjan rciraios dc
Ioncns ilusircs, qucr scjan carias gcograficas,
ou rccordaçõcs Iisioricas, ou quaisqucr lai×os-
rclcvos. No c×icrior, adjaccnics à cscola, dcvc
Iavcr, nao so un ¡cdaço dc icrrcno dcsiinado a
¡asscios c a jogos (quc, dc quando cn quando,
nao dcvcn ncgar-sc às crianças, cono, vcrcnos
dcniro cn lrcvc|6|}, nas ianlcn un jardin
aondc, cn ccrios noncnios, os alunos dcvcrao
241
scr conduzidos ¡ara rccrcarcn os olIos con a
visia das arvorcs, das florcs c das ¡lanias. Sc sc
iivcr isio cn considcraçao na consiruçao das
cscolas, c ¡rovavcl quc as crianças vao à cscola
nao ncnos gosiosancnic quc quando vao a
qualqucr fcira ou cs¡ciaculo, ondc cs¡cran vcr c
ouvir scn¡rc qualqucr coisa dc novo.
4} Pcíus coísus.
18. As ¡ro¡rias naicrias dc cnsino airacn a
juvcniudc, sc sao ninisiradas dc nodo ada¡iado
à sua ca¡acidadc c con a naior clarcza, c sc sao
inicrncadas con qualqucr graccjo ou, ao ncnos,
con qualqucr coisa ncnos scria quc as liçõcs,
nas scn¡rc agradavcl. Con cfciio, c a isio quc sc
cIana juniar o uiil ao agradavcl|7|.
5} Pcío nctodo (dcsdc quc sc¡u nutu¡uí c nístu¡c
¡¡udcntcncntc o útíí con o ug¡uduucí)
19. Para quc o ¡ro¡rio nciodo c×ciic o a¡ciiic dos
csiudos, c ncccssario. ¡rinciro, quc scja naiural.
Con cfciio, iudo o quc c naiural dcscnvolvc-sc
cs¡oniancancnic. Para quc a agua corra ao longo
dc un dcclivc, nao c ncccssario consirangc-la;
lasia quc sc lcvanic o diquc ou qualqucr
olsiaculo quc a rcicn, c cla corrcra
incdiaiancnic. Tanlcn nao c ncccssario ¡cdir a
una avc quc voc; lasia alrir-lIc a gaiola.
Tanlcn nao c ncccssario ¡cdir aos olIos quc
conicn¡lcn una lcla ¡iniura ou aos ouvidos quc
242
ouçan una lcla nclodia, sc sc lIcs da cnscjo
disso; ncsics casos, c aic, às vczcs, ncccssario
rcfrca-los. Quais dcvan scr os rcquisiios do
nciodo naiural, nosira-no-lo o ca¡íiulo
¡rcccdcnic, c ainda as rcgras quc sc scgucn.
c nístu¡c ¡¡udcntcncntc o útíí con o ug¡uduucí)
En scgundo lugar, ¡ara quc as inicligcncias
scjan aliciadas ¡clo ¡ro¡rio nciodo, c ncccssario,
con una ccria Ialilidadc, adoça-lo, dc ial
nancira quc iodas as coisas, ncsno as nais
scrias, scjan a¡rcscniadas nun ion faniliar c
agradavcl, isio c, sol a forna dc convcrsas ou dc
cIaradas, quc os alunos, cn con¡ciiçao,
¡rocurcn adivinIar; c, cnfin, sol a forna dc
¡aralolas c dc a¡ologos. Accrca disio, falarcnos
nais an¡lancnic no scu dcvido lugar|8|.
6} Pcíus uuto¡ídudcs cíuís.
20. As auioridadcs civis c aquclcs a qucn
incunlc o cuidado das cscolas ¡odcn inflanar o
zclo da juvcniudc csiudiosa, sc assisicn
¡cssoalncnic às ¡rovas ¡ullicas (qucr scjan
c×crcícios, dcclanaçõcs c dis¡uias, qucr scjan
c×ancs c ¡ronoçõcs} c disirilucn (scn
¡arcialidadc}, aos nais csiudiosos, louvorcs c
¡cqucnos ¡rcnios.
FUNDAMENTO III
243
Funduncnto III. Todus us coísus nusccn dc
¡¡íncì¡íos ¡¡ò¡¡íos.
21. A nutu¡czu ¡¡oduz todus us coísus, ¡uzcndo-us
nuscc¡ dc cícncntos ¡cqucnos quunto u nussu,
nus ¡o¡tcs quunto u ¡otcncíu.
Por c×cn¡lo. a sulsiancia dc quc Ia-dc scr
fornada a avc cnccrra-sc nuna goia c csia
circundada dc una casca, ¡ara facilncnic ¡odcr
scr irans¡oriada no vcnirc c scr naniida qucnic
no ninIo. Todavia, cssa sulsiancia conicn cn si,
¡oicncialncnic, ioda a avc, ¡orquc dc¡ois, a
¡ariir dcla, o cor¡o da avczinIa c fornada ¡clo
cs¡íriio aí cnccrrado.
Inítuçuo.
22. Do ncsno nodo, una arvorc, ¡or naior quc
scja, csia ioda conccnirada, ou no caroço dos
scus fruios, ou nos rclcnios dos ranos nais
alios, ¡ois, sc os lanças à icrra, a ¡ariir dclcs
dcscnvolvc-sc una ouira arvorc inicira, ¡cla
¡oicncia quc o¡cra no inicrior do caroço ou do
rclcnio.
AIc¡¡uçuo quc ¡uz cstu¡¡ccc¡.
23. Conira csic fundancnio, concic-sc
vulgarncnic nas cscolas un ¡ccado cnornc. Con
cfciio, a naior ¡aric dos ¡rofcssorcs csfalfa-sc a
scncar crvas cn vcz dc scncnics, c a ¡laniar
244
arvorcs cn vcz dc ncrgulIõcs, ¡ois, cn vcz dos
¡rincí¡ios fundancniais, aiulIan a calcça dos
alunos con un caos dc conclusõcs varias, c aic
dc ic×ios iniciros. Ora, assin cono c ccrio quc o
nundo c con¡osio dc quairo clcncnios (a¡cnas
varian as fornas}, assin ianlcn c ccrio quc a
insiruçao sc conccnira ioda cn ¡ouquíssinos
¡rincí¡ios, dos quais (dcsdc quc sc conIcçan as
difcrcnças nodais}, dcriva una infiniia nuliidao
dc corolarios, do ncsno nodo quc, dc una
arvorc dc raízcs lcn solidas, ¡odcn rcsuliar
ccnicnas dc ranos, c nilIarcs dc folIas, dc florcs
c dc fruios. Quc Dcus icnIa ¡icdadc do nosso
scculo c alra os olIos da ncnic a algucn quc
consiga ¡cncirar ¡rofundancnic o nc×o das
coisas c o nosirc aos ouiros! Pcla nossa ¡aric, sc
Dcus quiscr, a¡rcscniarcnos un csloço da
nossa icniaiiva no Con¡cndío dc Punso¡íu C¡ístu,
con a cs¡crança Iunildc dc quc, cn icn¡o
o¡oriuno, Dcus rcvclc, ¡or ncio dc ouiros, coisas
nais in¡orianics.
Co¡¡cçuo.
24. Enircianio, noicn-sc ircs coisas.
I. Toda a aric dcvc cnccrrar-sc cn nuiio ¡oucas
rcgras, nas c×aiíssinas.
II. Toda a rcgra dcvc csiar coniida cn
¡ouquíssinas ¡alavras, nas claríssinas.
245
III. Cada rcgra dcvc scr scguida dc nuncrosos
c×cn¡los quc façan vcr cono c grandc a
varicdadc dos casos a quc sc csicndc a sua
a¡licaçao.
FUNDAMENTO IV
Funduncnto IV. P¡íncí¡o, us coísus nuís ¡uccís.
25. A nutu¡czu cunínIu dus coísus nuís ¡uccís
¡u¡u us nuís dí¡ìccís.
Por c×cn¡lo. a fornaçao do ovo nao concça ¡cla
¡aric nais dura, isio c, ¡cla casca, nas ¡cla
gcna c ¡cla clara, as quais, ¡rinciro, sao
circundadas ¡or una ¡cqucna ncnlrana c
dc¡ois ¡or un involucro nais duro. Tanlcn a
avc, quc qucr sair do ninIo ¡ara voar, ¡rinciro
finca os ¡cs, dc¡ois alrc as asas, a scguir agiia-
as c, finalncnic, laicndo-as con nais força,
clcva-sc, c dcsic nodo sc Ialiiua a cnircgar-sc
ao ccu incnso.
Inítuçuo.
26. Igualncnic, o car¡iniciro, ¡rinciro a¡rcndc a
coriar a nadcira, dc¡ois a a¡ara-la, a scguir a
cncai×a-la c, finalncnic, a consiruir cdifícios, cic.
AIc¡¡uçuo dc uu¡íu cs¡ccíc
27. Agc-sc dcsasadancnic iodas as vczcs quc,
nas cscolas, sc cnsina o dcsconIccido ¡or ncio
246
do igualncnic dcsconIccido, cono aconiccc. 1.
quando sc dao, aos ¡rinci¡ianics dc língua laiina,
rcgras cscriias cn laiin, o quc c o ncsno quc
cסlicar o Iclraico con rcgras cscriias cn
Iclraico, c o aralc, con rcgras cscriias cn
aralc; 2. quando, aos ncsnos ¡rinci¡ianics, sc
da cono au×iliar un dicionario laiino-vcrnaculo,
quando dcvc fazcr-sc o conirario. Con cfciio, nao
dcvcn a¡rcndcr a língua vcrnacula airavcs do
laiin, nas dcvcn a¡rcndcr o laiin ncdianic a
língua vcrnacula, quc conIcccn ja. (Accrca dcsia
alcrraçao, falarcnos nais dcnoradancnic no
ca¡íiulo XXII.} 3. quando sc da à criança un
¡rccc¡ior csirangciro quc nao conIccc a língua
naicrna da criança. Efciivancnic, una vcz quc
nao icn un insiruncnio conun a anlos ¡ara
sc cnicndcrcn, c nao conunican scnao ¡or ncio
dc gcsios, quc ¡odcn clcs cdificar scnao una
iorrc dc Dalcl? 4. concic-sc ianlcn un gravc
crro conira a rcia razao quando, con as ncsnas
rcgras granaiicais (¡or c×cn¡lo, as dc
MclancIion ou dc Fano}|9|, cic., sc cnsina a
juvcniudc dc iodas as naçõcs (franccsa, alcna,
locna ou ¡olaca, Iungarica, cic.}, una vcz quc
cada língua icn, con a língua laiina, una
rclaçao ¡ariicular c dc ccrio nodo ¡ro¡ria, a qual
c ncccssario dcscolrir, sc rcalncnic sc qucr
cnsinar os jovcns a ¡cncirar ra¡idancnic na
índolc da língua laiina.
Co¡¡cçuo.
247
28. Corrigir-sc-ao csics dcfciios, sc.
I. O ¡rofcssor c o aluno falan, dcsdc o lcrço, a
ncsna língua.
II. Todas as cסlicaçõcs sao dadas nuna língua
conIccida.
III. Sc as granaiicas c os dicionarios sc
ada¡iarcn à língua ncdianic a qual sc dcvc
a¡rcndcr a língua nova (¡or c×cn¡lo, os dc laiin
à língua naicrna; os dc grcgo à laiina, cic.}.
IV. Sc o csiudo da nova língua ¡roccdcr
gradualncnic, dc nancira quc o aluno sc Ialiiuc
¡rinciro a con¡rccndc-la (o quc c nuiio facil},
dc¡ois a cscrcvc-la (dando-lIc icn¡o ¡ara rcflciir}
c, finalncnic, a fala-la (o quc c nuiio nais difícil,
¡ois iraia-sc dc una in¡rovisaçao}.
V. Quando o cnsino do laiin c ¡aralclo ao da
língua naicrna, o dcsia, una vcz quc cla c nais
conIccida, dcvc scr ninisirado ¡rinciro,
scguindo-sc o da língua laiina.
VI. É ncccssario coordcnar as naicrias a cnsinar,
dc nodo quc ¡rinciro sc cnsincn as quc csiao
nais ¡ro×inas, dc¡ois as quc csiao nais
afasiadas c, finalncnic, as quc csiao ainda nais
afasiadas. Por isso, nas ¡rinciras vczcs quc sc
a¡rcscnian rcgras às crianças (¡or c×cn¡lo, dc
logica, dc rciorica, cic.}, dcvcn scr ilusiradas con
248
c×cn¡los nao afasiados da sua ca¡acidadc dc
con¡rccnsao (icologicos, ¡olíiicos, ¡ociicos, cic.},
nas iirados da vida ¡raiica dc iodos os dias. Dc
ouiro nodo, nao cnicndcrao ncn a rcgra, ncn o
cn¡rcgo da rcgra.
VII. E×crciicn-sc ¡rinciro os scniidos das
crianças (o quc c nuiio facil}, dc¡ois a ncnoria,
a scguir a inicligcncia, c ¡or fin o juízo. Todos
csscs c×crcícios dcvcn scr fciios un a¡os o ouiro,
gradualncnic, ¡ois o salcr concça a ¡ariir dos
scniidos, c, airavcs da inaginaçao, ¡assa ¡ara a
ncnoria, c dc¡ois, ¡cla induçao a ¡ariir das
coisas singularcs, cIcga à inicligcncia das coisas
univcrsais, c finalncnic, accrca das coisas lcn
cnicndidas, cniic o juízo, o quc ¡crniic cIcgar à
ccricza da cicncia.
FUNDAMENTO V
Funduncnto V. Nudu dc nodo soI¡ccu¡¡cgudo.
Inítuçuo.
29. A nutu¡czu nuo sc soI¡ccu¡¡cgu c contcntu÷sc
con ¡ouco.
Por c×cn¡lo. a naiurcza nao c×igc quc, dc un
ovo, nasçan duas avczinIas, nas conicnia-sc
con quc nasça lcn una so. O jardinciro nao
cn×cria nuiios garfos nun so ¡c; sc vc quc clc c
lasianic rolusio, cn×cria-lIc, ao na×ino, dois.
AIc¡¡uçuo.
249
30. É criar a disiraçao nos cs¡íriios, o a¡rcscniar
aos alunos varias naicrias ao ncsno icn¡o,
cono a granaiica c a dialciica, c ialvcz ianlcn
ncsno a rciorica c a ¡ociica c a língua grcga,
cic., no ncsno ano. (Vcr o ca¡íiulo ¡rcccdcnic,
Fundancnio IV}.
FUNDAMENTO VI
Funduncnto VI. Nudu dc nodo ¡¡ccí¡ítudo.
31. A nutu¡czu nuo sc ¡¡ccí¡ítu, nus ¡¡occdc
ícntuncntc.
Efciivancnic, una avc nao lança os ovos no fogo,
¡ara quc os scus filIos nasçan nais dc¡rcssa,
nas aquccc-os doccncnic con o scu calor
naiural; ncn dc¡ois, ¡ara quc crcsçan nais
dc¡rcssa, os cn¡aniurra con alincnios (sufoca-
los-ia, con cfciio, nais facilncnic!}, nas da-lIcs,
¡ouco a ¡ouco c cauiclosancnic, a¡cnas aquilo
quc c ca¡az dc digcrir a sua faculdadc nuiriiiva,
ainda icnrinIa.
Inítuçuo
32. Tanlcn o arquiicio nao consiroi à ¡rcssa as
¡arcdcs cn cina dos fundancnios, c o icio cn
cina das ¡arcdcs; ¡orquc os fundancnios, ainda
nao lcn cn×uios c consolidados, ccdcn sol o
¡cso, c, conscqucnicncnic, arruinan o cdifício.
Por isso, nao ¡odc icrninar-sc una consiruçao
250
grandiosa cn un ano, nas icn dc dcnorar-sc o
icn¡o ncccssario.
33. Tanlcn o jardinciro nao ¡rcicndc quc a
¡lania crcsça logo no ¡rinciro ncs, ou quc dc
fruio logo no ¡rinciro ano. Por isso, nao anda à
volia dcla iodos os dias, ncn a rcga iodos os dias,
ncn, ¡ara a aqucccr, a a¡ro×ina do fogo ou
cs¡alIa consianicncnic, junio dcla, cal viva, nas
conicnia-sc con o nodo cono a rcga o ccu c a
aquccc o sol.
AIc¡¡uçuo
34. Foi, ¡orianio, una auicniica carnificina ¡ara
os jovcns. 1. rcic-los iodos os dias, duranic scis,
scic c aic oiio Ioras, cn liçõcs ¡ullicas c
c×crcícios, c ainda, duranic algun icn¡o, cn
liçõcs ¡ariicularcs; 2. olriga-los a ouvir
cסosiçõcs didaiicas, a con¡or c×crcícios c a
aiulIar a ncnoria con una nuliidao dc coisas,
aic à nausca, ou ncsno aic ao dclírio, cono
nuiias vczcs nos ¡ro¡rios vinos. Na vcrdadc, sc
algucn ¡rcicndc cncIcr un ¡cqucno frasco dc
gargalo csirciio (a inicligcncia das crianças ¡odc
scr-lIc con¡arada}|10| à força, cn vcz dc o
cncIcr goia a goia, quc adiania? Scn duvida quc
a naior ¡aric da agua salia fora, c no frasco
cnira ncnos do quc cniraria sc cla fossc
iniroduzida ¡ouco a ¡ouco. Agc, ¡orianio,
idioiancnic aquclc quc ¡rcicndc cnsinar aos
251
alunos, nao quanio clcs ¡odcn cnicndcr, nas
quanio clc ¡ro¡rio dcscja, ¡ois as forças qucrcn
scr ajudadas c nao o¡rinidas, c o fornador da
juvcniudc, da ncsna nancira quc o ncdico, c
a¡cnas o ninisiro da naiurcza, c nao o scu
scnIor.
Co¡¡cçuo.
35. Tornara, ¡orianio, os csiudos nais faccis c
nais airacnics aos csiudanics aquclc quc.
I. os cnvia às liçõcs ¡ullicas duranic o ncnor
nuncro ¡ossívcl dc Ioras, ou scja, duranic
quairo Ioras, rcscrvando ouiro ianio dc icn¡o
¡ara o csiudo ¡rivado.
II. lIcs solrccarrcga o ncnos ¡ossívcl a ncnoria,
ou scja, a¡cnas olriga a a¡rcndcr dc cor as
coisas fundancniais, dci×ando corrcr livrcncnic
as ouiras coisas.
III. c, iodavia, lIcs cnsina iodas as coisas dc
nodo ¡ro¡orcionado à sua ca¡acidadc, a qual,
con o ¡rogrcdir da idadc c dos csiudos, crcsccra
¡or si ncsna.
FUNDAMENTO VII
Funduncnto VII. Nudu cont¡u u uontudc.
252
36. A nutu¡czu nuo cn¡u¡¡u nudu, nus u¡cnus du
o scu ín¡uíso uos sc¡cs quc utíngí¡un o scu ¡ícno
dcscnuoíuíncnto c us¡í¡un u ¡uzc¡ u suu í¡¡u¡çuo.
A naiurcza, con cfciio, nao consirangc a
avczinIa a alandonar o ovo, a nao scr quando
icn ja os ncnlros lcn confornados c
rolusiccidos; ncn a olriga a voar, a nao scr
quando csia ja colcria dc ¡cnas; ncn a cסulsa
do ninIo, a nao scr quando vc quc ja salc voar,
cic.
Tanlcn a arvorc nao lança os scus rclcnios,
scnao quando a sciva, sulindo ¡clas raízcs, os
in¡clc ¡ara fora; ncn faz dcsalrocIar os loiõcs,
a nao scr dc¡ois quc as folIas, fornadas
juniancnic con as florcs, a ¡ariir da sciva
inicrna, as¡iran a alrir-sc; ncn dci×a cair a flor,
a nao scr quando o fruio csia ja colcrio con a
¡clc; ncn dci×a cair o fruio, a nao scr dc¡ois dc o
Iavcr fciio anadurcccr.
AIc¡¡uçuo.
37. Faz-sc, ¡orianio, violcncia às inicligcncias. 1.
iodas as vczcs quc sc consirangcn a fazcr coisas
su¡criorcs à sua idadc c à sua ca¡acidadc; 2.
iodas as vczcs quc sc olrigan a a¡rcndcr dc cor
ou a fazcr coisas quc ¡rinciro nao foran
cסlicadas, csclarccidas c cnsinadas nuiio lcn.
Co¡¡cçuo.
253
38. Daqui ¡ara o fuiuro, ¡orianio.
I. A nada sc olriguc a juvcniudc, a nao scr àquilo
quc a idadc c a inicligcncia, nao so adniicn, nas
aic dcscjan.
II. Nada sc olriguc a a¡rcndcr dc cor, a nao scr
aquilo quc a inicligcncia con¡rccndcu
¡crfciiancnic. E nao sc olriguc una criança a
rcciiar dc cor una liçao, scn sc icr a ccricza dc
quc cla a con¡rccndcu.
III. Nada sc nandc fazcr, a nao scr dc¡ois dc
Iavcr nosirado a sua forna c indicado a rcgra
quc dcvc scguir-sc ¡ara a c×ccuiar.
FUNDAMENTO VIII
Funduncnto VIII. Tudo dc nodo cuídcntc, díuntc
dos scntídos.
39. A nutu¡czu u¡udu-sc u sí ncsnu dc todus us
nuncí¡us quc ¡odc.
Por c×cn¡lo. ao ovo nao falia o scu calor viial,
nas, a¡csar disso, o ¡ai da naiurcza, Dcus,
¡rovidcncia quc clc scja ajudado ianio ¡clo calor
do Sol, cono ¡clas ¡cnas da avc quc o cIoca.
Mcsno dc¡ois dc a avczinIa sair do ovo, c aic
quc disso icnIa ncccssidadc, a nac conscrva-a
aquccida, forna-a c forialccc-a, dc varios nodos,
¡ara as funçõcs da vida. E, a csic ¡ro¡osiio,
¡odcnos vcr dc quc nodo as ccgonIas vao cn
254
ajuda das suas ccgonIinIas, dci×ando quc clas
lIcs sulan ¡ara cina c irans¡oriando-as dc
rcgrcsso ao ninIo, ainda quc icnIan dc agiiar as
asas. Tanlcn as anas ajudan, dc varias
nanciras, a fraqucza dos lclcs. cnsinan-lIcs
¡rinciro a lcvaniar a calcça, dc¡ois a csiar
scniados, dc¡ois a csiar dc ¡c, c, a scguir, a
novcr os ¡cs c a dar ¡assos, c dc¡ois a nanicr-sc
firncs nos ¡cs c a andar dcvagarinIo, c
finalncnic a caninIar cסcdiiancnic. dc ondc sc
scguc, dc¡ois, a agilidadc na corrida. Quando,
dc¡ois, os cnsinan a falar, nao so ¡ronuncian as
¡alavras, nas, con as naos, nosiran-lIcs o quc
significan cssas ¡alavras, cic.
AIc¡¡uçuo.
40. É, ¡or isso, crucl o ¡rofcssor quc, icndo
narcado aos alunos un iralalIo, os nao
csclarccc lcn no quc clc consisic, ncn nosira
cono clc dcvc scr fciio, c, nuiio ncnos, os ajuda
cnquanio icnian fazc-lo, nas os olriga a csiar ali
a suar c a sofrcr sozinIos, c sc fazcn qualqucr
coisa ncnos lcn, iorna-sc furioso. Mas quc c isio
scnao a vcrdadcira ioriura da juvcniudc? Scria o
ncsno quc sc una ana olrigassc un lclc, quc
ainda vacila, a nanicr-sc dc ¡c, a caninIar
cסcdiiancnic, c sc o nao fizcssc, o olrigassc a
andar à força dc lasionadas. A naiurcza cnsina-
nos ouira coisa, a salcr, quc sc dcvc iolcrar a
fraqucza, cnquanio nao vcn a força.
255
Co¡¡cçuo.
41. Daqui ¡ara o fuiuro, ¡orianio.
I. Por causa da insiruçao, nao sc inflija ncnIun
açoiic. (Efciivancnic, sc nao sc a¡rcndc, dc qucn
c a cul¡a scnao do ¡rofcssor, quc nao salc ou
nao sc ¡rcocu¡a cn iornar o aluno docil?}
II. Tudo aquilo quc dcvc scr a¡rcndido ¡clos
alunos, dcvc scr-lIcs a¡rcscniado c cסlicado iao
clarancnic, quc o icnIan ¡rcscnic cono os cinco
dcdos das ¡ro¡rias naos.
III. A fin dc quc iodas cssas coisas sc in¡rinan
nais facilncnic, uiilizc-sc, o nais quc sc ¡udcr,
os scniidos.
42. Por c×cn¡lo. associc-sc scn¡rc o ouvido à
visia, a língua à nao; ou scja, nao a¡cnas sc
narrc aquilo quc sc qucr fazcr a¡rcndcr, ¡ara quc
cIcguc aos ouvidos, nas rc¡rcscnic-sc ianlcn
graficancnic, ¡ara quc sc in¡rina na inaginaçao
¡or inicrncdio dos olIos. Os csiudanics, ¡or sua
vcz, dcvcn a¡rcndcr, ao ncsno icn¡o, a cסor
as idcias con a língua c a cסrini-las ¡or ncio dc
gcsios, dc nodo quc sc nao dc ¡or icrninado o
csiudo dc ncnIuna naicria, scnao dc¡ois dc cla
csiar suficicnicncnic in¡rcssa nos ouvidos, nos
olIos, na inicligcncia c na ncnoria. Con csic
oljciivo, scra lon quc iodas as coisas, quc
cosiunan scr csiudadas cn dcicrninada classc,
256
scjan rc¡rcscniadas graficancnic nas ¡arcdcs da
sala dc aula|11|. qucr sc iraic dc icorcnas c dc
rcgras, qucr sc iraic dc inagcns c dc lai×o-
rclcvos da disci¡lina quc sc csia a csiudar. Con
cfciio, sc isio sc fizcr, c cnornc a ajuda quc ¡odc
dar, ¡ara ¡roduzir as ncncionadas in¡rcssõcs.
Tcn rclaçao con isio o faio dc Ialiiuar os alunos
a iranscrcvcr, nos scus cadcrnos diarios, iudo o
quc ouvcn c ianlcn o quc lccn nos livros,
¡orquc assin, nao so sc ajuda a inaginaçao, nas
ianlcn nais facilncnic sc c×crciia a ncnoria.
FUNDAMENTO IX
Funduncnto IX. Tudo con¡o¡nc u suu utííídudc.
43. A nutu¡cZu nuo ¡¡oduz scnuo uquíío quc sc
¡cucíu íncdíutuncntc útíí.
Por c×cn¡lo. quando forna una avczinIa, vc-sc
incdiaiancnic quc lIc da as asas ¡ara voar, as
¡aias ¡ara corrcr, cic. Tanlcn iudo o quc nascc
nuna arvorc icn uiilidadc, ncsno a casca c a
¡clugcn dos fruios, cic. Porianio.
Inítuçuo.
44. Auncniar-sc-a ao csiudanic a facilidadc da
a¡rcndizagcn, sc sc lIc nosirar a uiilidadc quc,
na vida quoiidiana, icra iudo o quc sc lIc cnsina.
E isso dcvc vcrificar-sc cn iodas as naicrias. na
granaiica, na dialciica, na ariinciica, na
gconciria, na física, cic. Scn csic cuidado ¡rcvio,
257
aconicccra quc iudo o quc lIc coniarcn lIc
¡arcccra un nonsiro dc un nundo
dcsconIccido; c a criança, ainda nao nuiio
inicrcssada cn salcr quc cssas coisas c×isicn na
naiurcza c cono c×isicn, ¡odcra acrcdiiar nclas,
nas a sua crcnça nao consiiiuira cicncia. Mas, sc
sc lIc nosirar qual c o oljciivo dc cada coisa, c
cono ncicr-lIa na nao, ¡ara quc saila quc salc
c sc Ialiiuc a uiiliza-la.
Porianio.
45. Nao sc cnsinc scnao aquilo quc sc a¡rcscnia
cono incdiaiancnic uiil.
FUNDAMENTO X
Funduncnto X. Todus us coísus uní¡o¡ncncntc.
46. A nutu¡czu ¡uz todus us coísus uní¡o¡ncncntc.
Por c×cn¡lo. do ncsno nodo quc sc ¡roccssa a
gcraçao dc una avc, assin sc ¡roccssa a gcraçao
dc iodas as avcs, c aic a dc iodos os aninais,
nudadas a¡cnas algunas circunsiancias. Assin
sc vcrifica ianlcn nas ¡lanias. do ncsno nodo
quc una crva nascc da sua scncnic c crcscc; do
ncsno nodo quc una arvorc sc ¡lania, gcrnina
c florcscc, assin aconiccc con iodas, ¡or ioda a
¡aric c scn¡rc. E assin cono c, nuna arvorc,
una folIa, assin sao iodas as ouiras; c assin
cono sao csic ano, assin scrao no ano scguinic c
scn¡rc.
258
AIc¡¡uçuo.
47. Confundc, ¡orianio, a juvcniudc c iorna os
csiudos c×ccssivancnic inirincados, a varicdadc
do nciodo, ou scja, o faio dc, nao so divcrsos
auiorcs cnsinarcn as arics dc nodo divcrso, nas
aic dc un c o ncsno cnsinar dc nodo divcrso.
Por c×cn¡lo. un nciodo ¡ara a granaiica, ouiro
¡ara a dialciica, cic., quando ¡odcrian cnsinar-
sc uniforncncnic, c cn confornidadc con a
rclaçao c o nc×o conun quc as coisas c as
¡alavras icn cnirc si.
Co¡¡cçuo.
48. Por csia razao, ¡rocurar-sc-a, daqui ¡a×a o
fuiuro, quc.
I. Sc cnsincn, con un so c ncsno nciodo, iodas
as cicncias; con un so c o ncsno nciodo, iodas
as arics; con un so c ncsno nciodo, iodas as
línguas.
II. Na ncsna cscola, scja a ncsna a ordcn c os
¡roccssos dc iodos os c×crcícios.
III. As cdiçõcs dos livros da ncsna disci¡lina
scjan, ianio quanio ¡ossívcl, as ncsnas.
Assin iudo ¡rogrcdira facilncnic, scn
cnlaraços.
259

Capítulo XVIII
FUNDAMENTOS
PARA ENSINAR E APRENDER
SOLIDAMENTE
Gc¡uíncntc u ínst¡uçuo c su¡c¡¡ícíuí.
1. As lancniaçõcs dc nuiios c os ¡ro¡rios faios
aicsian quc sao ¡oucos os quc irazcn da cscola
una insiruçao solida, c nuncrosos os quc dc la
saicn a¡cnas con un vcrniz ou una sonlra dc
insiruçao.
Du¡íu cuusu.
2. Sc ¡rocurarnos as causas disso, cnconiranos
duas. ou ¡orquc as cscolas, dcscurando as coisas
nais in¡orianics, sc ocu¡an dc lanalidadcs c dc
frivolidadcs; ou cniao ¡orquc os alunos, icndo
¡assado a corrcr ¡or cina dc nuiias naicrias,
nas nao sc icndo dciido dcnoradancnic cn
ncnIuna dclas, voliaran a dcsa¡rcndcr aquilo
quc Iavian a¡rcndido. E csic scgundo dcfciio c
iao conun, quc ¡oucos sao aquclcs quc dclc sc
nao lancnian. Efciivancnic, sc a ncnoria
csiivcssc scn¡rc ¡ronia a ¡ór à nossa dis¡osiçao
iudo o quc, alguna vcz, lcnos, ouvinos c
con¡rccndcnos, cono scríanos considcrados
¡cssoas insiruídas! En iodas as ocasiõcs cn quc
fósscnos ¡osios à ¡rova, nada nos csca¡aria!
260
Mas, ¡orquc c o conirario quc sc vcrifica, scn
duvida quc andanos a irans¡oriar agua con un
crivo...
O ¡cncdío ¡u¡u cstcs doís nuícs dcuc ¡cdí¡-sc uo
nctodo nutu¡uí.
3. Mas Iavcra rcncdio ¡ara csic nal? Scn
duvida, sc, iniroduzidos dc novo na cscola da
naiurcza, invcsiigarnos ¡or quc vias cla ¡roduz
criaiuras dc longa duraçao. Scra ¡ossívcl
cnconirar o nodo ¡clo qual algucn ¡odc salcr,
nao so aquclas coisas quc a¡rcndc, nas ainda
nais do quc as quc a¡rcndc, isio c, nao soncnic
aquclas coisas quc a¡rcndc dos ¡rofcssorcs c dos
varios auiorcs, corrcs¡ondcndo lcn ao scu
cnsino, nas ianlcn as quc clc ¡ro¡rio a¡rcndc,
rcflciindo solrc os fundancnios das coisas.
Dus condíçocs.
4. Conscguir-sc-a isso,
I. Sc nao sc csiudar scnao assunios quc virao a
scr dc solida uiilidadc.
II. E sc iodos csscs assunios forcn csiudados
scn os sc¡arar.
III. E sc iodos clcs rc¡ousarcn cn fundancnios
solidos.
261
IV. E sc csscs fundancnios ncrgulIarcn lcn
fundo.
V. E sc, dc¡ois, iodas as coisas nao sc a¡oiarcn
scnao solrc csscs fundancnios.
VI. Sc iodas as coisas quc dcvcn scr disiinguidas
forcn ninuciosancnic disiinguidas.
VII. Sc iodas as coisas quc vcn a scguir sc
lascian nas quc csiao anics.
VIII. Sc iodas as coisas quc icn cnirc si una
rclaçao csirciia, sc nanicn consianicncnic
rclacionadas.
IX. Sc iodas as coisas forcn ordcnadas cn
¡ro¡orçao da inicligcncia, da ncnoria c da
língua.
X. Sc iodas as coisas forcn consolidadas con
c×crcícios coniínuos.
E×anincnos cuidadosancnic cada una dcsias
dcz condiçõcs.
FUNDAMENTO I
Funduncnto I. Nuo dcuc uIo¡du¡-sc nudu do quc
nos nuo díz ¡cs¡cíto.
5. A nutu¡czu nuo concçu nudu quc sc¡u ínútíí.
262
Por c×cn¡lo. quando concça a fornar a
avczinIa, nao lIc faz cscanas, ncn larlaianas,
ncn guclras, ncn cornos, ncn quairo ¡aias, ncn
qualqucr ouira coisa quc cla nao uiilizara, nas
faz-lIc a calcça, o coraçao, as asas, cic. Do
ncsno nodo, à arvorc, a naiurcza nao faz
orclIas, olIos, ¡cnas, ¡clos, cic., nas faz-lIc a
casca, o livrilIo, o ccrnc, as raízcs, cic.
Inítuçuo cn coísus nccunícus.
6. Dc igual nodo, qucn dcscja un can¡o, una
vinIa ou un ¡onar fruiífcros, nao culiiva la
zizania, uriigas, cs¡inIciros c silvas, nas
scncnics c ¡lanias da nclIor cs¡ccic.
7. Tanlcn o arquiicio, quc icn inicnçao dc
lcvaniar consiruçõcs solidas, nao adquirc colno
ou ¡alIa, ou lana, ou nadcira dc salguciro, nas
¡cdras, iijolos, nadcira dc carvalIo c dc ¡lanias
scnclIanics, dc filra foric c con¡acia.
TunIcn nus cscoíus.
8. Nas cscolas, ¡orianio,
I. Nao sc iraic scnao daquclas coisas quc sao
solidancnic uicis ¡ara a vida ¡rcscnic c ¡ara a
vida fuiura; nais ainda ¡ara a vida fuiura. (Ncsia
icrra, con cfciio, dcvcn a¡rcndcr-sc, scgundo o
aviso dc S. Jcrónino, ¡rccisancnic aquclas
coisas cujo conIccincnio coniinuara no ccu|1|}.
263
II. Sc, na rcalidadc, c ¡rcciso (cono, cfciivancnic,
c} infundir na ncnic dos jovcns algunas coisas
ianlcn ¡or causa da vida ¡rcscnic, cssas coisas
dcvcn scr dc naiurcza a nao in¡cdircn a
consccussao dos lcns cicrnos c a ¡roduzircn un
fruio solido ¡ara a vida ¡rcscnic.
Dcuc t¡utu¡-sc u¡cnus dc coísus sòíídus.
9. Con cfciio, ¡ara quc scrvcn as ninIarias? Quc
inicrcssa a¡rcndcr coisas quc ncn irazcn
vaniagcn solidas, a qucn as salc, ncn
dcsvaniagcn a qucn as ignora c quc, con o
andar da idadc, acalarao ¡or dcsa¡arcccr ou ¡or
sc csqucccr no ncio das ocu¡açõcs dc iodos os
dias? A nossa lrcvc vida con¡oria ncccssidadcs
suficicnics ¡ara a cncIcr con¡lciancnic, ncsno
quc nao gasicnos un noncnio scqucr con cssas
fuiilidadcs. As cscolas icn, ¡orianio, a olrigaçao
dc nao ocu¡ar a juvcniudc scnao cn coisas
scrias. (Dc quc nodo sc dcvan iornar scrias as
coisas jocosas, vc-lo-cnos nais adianic}|2|.
FUNDAMENTO II
Funduncnto II. Nuo dcuc dcíxu¡ dc ¡uzc¡-sc nudu
quc tcnIu íntc¡cssc.
10. A nutu¡czu nuo onítc nudu dc quunto sc
u¡c¡ccIc quc ¡odc sc¡ útíí ¡u¡u o co¡¡o quc ¡o¡nu.
Por c×cn¡lo. cnquanio forna a avczinIa, nao sc
csquccc dc fazcr-lIc ncn a calcça, ncn as asas,
264
ncn as ¡aias, ncn as unIas c a ¡clc, ncn, cn
suna, ncnIuna daquclas coisas quc dizcn
rcs¡ciio à csscncia da avc (no scu gcncro}.
Inítuçuo nus cscoíus.
11. Da ncsna nancira, ¡orianio, as cscolas,
cnquanio fornan o Ioncn, dcvcn forna-lo iodo,
dc nodo a iornarcn-no igualncnic a¡io ¡ara os
ncgocios dcsia vida c ¡ara a cicrnidadc, ¡ara a
qual icndcn iodas as coisas quc sc fazcn ncsic
nundo.
12. Ensinc-sc, ¡orianio, nas cscolas, nao a¡cnas
as cicncias c as arics, nas ianlcn a noral c a
¡icdadc. A cicncia c a aric, con cfciio, adcsiran a
inicligcncia, a língua c as naos do Ioncn a
conicn¡lar, a falar c a fazcr racionalncnic iodas
as coisas uicis. Sc sc dci×a dc a¡rcndcr alguna
dcssas coisas, Iavcra un Iiaio, quc nao so
iornara a insiruçao dcfciiuosa, nas alalara aic a
sua solidcz, ¡ois ncnIuna coisa ¡odc scr solida
sc nao icn iodas as ¡arics lcn ligadas.
FUNDAMENTO III
Funduncnto III. As coísus sòíídus dcucn Iuscu¡-
sc soííduncntc.
13. A nutu¡czu nuo ¡uz nudu scn ¡unduncnto, ou
sc¡u, scn ¡uìzcs.
265
É salido quc a ¡lania, anics dc lançar ¡cla icrra
alai×o as raízcs, nao lança rclcnios ¡ara cina,
ou, sc o icnia, ncccssariancnic scca c norrc. Por
isso, o jardinciro ¡rudcnic nao a ¡lania anics dc
icr vcrificado quc as raízcs sao dc loa qualidadc.
Na avc c cn iodos os ouiros aninais, as vísccras
(ncnlros viiais} fazcn as vczcs das raízcs, c, ¡or
isso, sao scn¡rc as ¡rinciras a fornar-sc, cono
fundancnio dc iodo o cor¡o.
Inítuçuo.
14. Tanlcn o arquiicio nao consiroi a ¡aric
visívcl do cdifício, scnao a¡os Iavcr lançado
solidos fundancnios, ¡ois, dc ouiro nodo, iudo
cairia cn ruínas. Dc igual nodo, o ¡inior asscnia
as suas iinias solrc un fundo, ¡ois, scn clc,
facilncnic as corcs sc dcs¡cgan, sc dcicrioran c
dcsloian.
AIc¡¡uçuo
15. Nao fazcn rc¡ousar a insiruçao solrc
scnclIanic fundancnio os ¡rofcssorcs quc. 1. sc
nao csforçan, anics dc iudo, ¡or iornar os alunos
doccis c aicnios; 2. nao dao, logo no início, aos
alunos, a idcia gcral dc ioda a naicria quc clcs
vao csiudar, a fin dc quc clcs cnicndan, dc nodo
lcn disiinio, o quc icn a fazcr. Dc rcsio, sc a
criança concça a a¡rcndcr scn gosio, scn
aicnçao c scn con¡rccndcr, quc rcsuliado solido
¡odc cs¡crar-sc?
266
Co¡¡cçuo.
16. Daqui ¡ara o fuiuro, ¡orianio.
I. Ao concçar-sc scja quc csiudo for, dcs¡cric-sc
un anor scrio ¡or clc nos alunos, ¡or ncio dc
arguncnios iirados da c×cclcncia, da uiilidadc,
do cncanio c dc qualqucr ouiro as¡ccio da
naicria a csiudar.
II. In¡rina-sc scn¡rc no cs¡íriio do csiudanic a
idcia gcral dc una língua ou dc una aric (a qual
nao c scnao o scu rcsuno, dclincado dc nodo
gcncralíssino, nas conicndo iodas as suas
¡arics}, anics dc sc ¡assar a iraiar dcla dc una
nancira ¡ariicular, ¡ara quc, do can¡o quc dcvc
¡crcorrcr, o aluno vcja, logo dcsdc os ¡rinciros
¡assos, ioda a c×icnsao c iodos os liniics c aic a
dis¡osiçao das ¡arics inicrnas. Efciivancnic, do
ncsno nodo quc o csquclcio c a lasc dc iodo o
cor¡o Iunano, assin ianlcn o ¡lano dc una
aric c a lasc c o fundancnio dc ioda cssa aric.
FUNDAMENTO IV
Funduncnto IV. Çuc os ¡unduncntos sc¡un
¡¡o¡undos.
17. A nutu¡czu íunçu us ¡uìzcs Icn ¡u¡u o ¡undo.
Assin, nos aninais, cscondc os ncnlros viiais
na ¡aric nais inicrna do cor¡o. E a arvorc quanio
nais ¡ara o fundo lança as suas raízcs, ianio
267
nais scgura csia; aqucla quc as lança a¡cnas à
flor da icrra, arranca-sc facilncnic.
Co¡¡cçuo du uIc¡¡uçuo.
18. Daqui rcsulia cvidcnic quc nao so sc dcvc
c×ciiar scriancnic a docilidadc no aluno, nas
ianlcn sc dcvc in¡rinir ¡rofundancnic nas
inicligcncias a idcia gcral da naicria a csiudar. E
quc ningucn scja adniiido ao csiudo
a¡rofundado dc una aric ou dc una língua,
anics dc cssa idcia gcral csiar ¡lcnancnic
con¡rccndida c lcn cnraizada.
FUNDAMENTO V
Funduncnto V. Tudo u ¡u¡tí¡ dus ¡¡ò¡¡íus ¡uìzcs.
19. A nutu¡czu ¡¡oduz tudo u ¡u¡tí¡ du ¡uíz, c
nudu u ¡u¡tí¡ dc out¡o cícncnto.
Efciivancnic, na arvorc, iudo o quc vira a scr a
nadcira, a casca, as folIas, as florcs c os fruios,
nao ¡rovcn scnao da raiz. Dc faio cnlora as
cIuvas caian solrc a ¡lania c o jardinciro a
rcguc, iodavia, c ncccssario quc iodas as coisas
scjan dcsiiladas airavcs das raízcs, c dc¡ois
circulcn ¡clo ironco, ¡clos ranos, ¡clas folIas c
¡clos fruios. Por isso, cnlora o jardinciro va
luscar o garfo a ouiro lugar, dcvc, iodavia,
cn×cria-lo no ironco, ¡ara quc clc, incor¡orando-
sc na sua sulsiancia, ¡ossa sugar a sciva das
suas raízcs. Dcsic nodo, à arvorc iudo vcn a
268
¡ariir das raízcs, nao scndo ncccssario ir a
qualqucr ouira ¡aric luscar os ranos c as folIas
c a¡licar-lIos. Da ncsna nancira, quando una
avc dcvc rcvcsiir-sc dc ¡cnas, csias nao vao
luscar-sc àquclas dc quc una ouira avc sc
dcs¡ojou, nas dcs¡onian das ¡arics íniinas do
scu ¡ro¡rio cor¡o.
Inítuçuo cn coísus nccunícus.
20. Tanlcn o arquiicio scnsaio consiroi iodas as
¡arics do cdifício dc nodo quc, asscnics solrc os
scus ¡ro¡rios aliccrccs, sc susicnicn ¡or si
ncsnas, scn ncccssidadc dc a¡oios c×icrnos.
Efciivancnic, sc un cdifício ¡rccisa dcsscs
a¡oios, c ¡orquc c dcfciiuoso c ancaça ruína.
21. Dc igual nodo, qucn ¡rc¡ara una ¡iscina ou
un ¡oço dc agua, nao irans¡oria as aguas dc
qualqucr ouiro local, ncn cs¡cra as aguas das
cIuvas, nas alrc as vcias dc una nasccnic viva,
c, ¡or ncio dc canais c dc iulos sulicrrancos,
cncaninIa-a ¡ara o scu rcscrvaiorio.
TunIcn nu cscoíu.
22. Dcsia rcgra fundancnial, scguc-sc quc
insiruir lcn a juvcniudc nao consisic cn rccIcar
os cs¡íriios con un anonioado dc ¡alavras, dc
frascs, dc scnicnças c dc o¡iniõcs iiradas dc
varios auiorcs, nas cn alrir-lIcs a inicligcncia à
con¡rccnsao das coisas, dc nodo quc dcla
269
lroicn arroios cono dc una fonic dc agua viva, c
cono, dos «olIos» das arvorcs, lroian os
rclcnios, as folIas, as florcs c os fruios, c, no ano
scguinic, dc cada «olIo», nascc dc novo un ouiro
rano con as suas folIas, as suas florcs c os scus
fruios.
Eno¡nc uIc¡¡uçuo dus cscoíus.
23. Aic aqui, as cscolas nao sc icn ¡ro¡osio
rcalncnic cono oljciivo Ialiiuar os cs¡íriios a
ircn luscar o vigor às ¡ro¡rias raízcs, cono
fazcn as arvorcs, nas icn-lIcs cnsinado a¡cnas
a nunircn-sc dc ¡cqucnos ranos arrancados dc
ouiro lugar, c, assin, a cnfciiarcn-sc con as
¡cnas dos ouiros, cono o corvo dc Eso¡o|3|; c
icn-sc csforçado, nao ianio ¡or cavar a fonic da
inicligcncia nclcs cscondida, cono ¡or irriga-la
con aguas alIcias. Isio c, nao lIcs icn nosirado
as ¡ro¡rias coisas, cono c quc clas sao ¡or si c
cn si, nas quc c quc, accrca disio ou daquilo,
¡cnsou ou cscrcvcu csic ou aquclc, un icrcciro
ou aic un dccino auior; a ial ¡onio quc cIcgou a
¡cnsar-sc quc a na×ina crudiçao consisiia cn
salcr dc cor o¡iniõcs discrc¡anics dc nuiios
auiorcs accrca dc nuiias coisas. Daí quc nuiios
nao sc ocu¡aran scnao cn rcs¡igar, dc varios
auiorcs, frascs, scnicnças, c o¡iniõcs,
consiruindo una cicncia quc nao ¡assava dc
una nania dc rcialIos. A csics, rc¡rccndc-os
as¡crancnic Horacio. «Iniiadorcs, rclanIo dc
270
cscravos!»|4|. Dc faio, rclanIo dc cscravos,
Ialiiuados a¡cnas a irans¡oriar a carga dos
ouiros.
Vc¡níz du ínst¡uçuo su¡c¡¡ícíuí.
24. Mas, ¡or anor dc Dcus, quc inicrcssa
disirair-sc con as o¡iniõcs cniiidas ¡or varios
auiorcs accrca das coisas, quando o quc sc
¡rocura salcr c cono sao vcrdadcirancnic as
coisas cn si ncsnas? Scra quc iudo o quc
fazcnos na vida nao consisic scnao cn andar
airas dos ouiros, quc corrcn dc ca ¡ara la, c cn
olscrvar ondc algucn sc dcsvia, iro¡cça ou ¡crdc
o noric? Ó vos iodos, dci×ai os caninIos
ioriuosos, c àvanic ¡ara a ncia! Sc icnos una
ncia fi×a c lcn dcicrninada, ¡orquc nao
Iavcnos dc csforçar-nos ¡or aiingi-la ¡clo
caninIo dircio? Porquc c quc Iavcnos dc scrvir-
nos nais dos olIos dos ouiros quc dos nossos?
A cuusu dísto c o nctodo dc¡cítuoso.
25. Quc as cscolas concicn o crro dc cnsinar a
olIar con os olIos dos ouiros c a salorcar con o
coraçao dos ouiros, nosira-o o nciodo dc iodas
as arics, o qual nao cnsina a alrir as fonics c a
dcrivar dclas varios arroios, nas a¡cnas nosira
os arroios dcrivados dos auiorcs, qucrcndo quc,
airavcs dclcs, aiinjanos as fonics. Con cfciio,
ncnIun dicionario (a nin ¡arccc assin, sc sc
c×cciuar o ¡olaco dc Kna¡sli|5|, nas, quanio a
271
dicionarios, nosirarci o quc ¡cnso, no ca¡íiulo
XXII} cnsina a falar, nas a con¡rccndcr; quasc
ncnIuna granaiica cnsina a con¡or un
discurso, nas a analisa-lo, c ncnIuna csiilísiica
nosira a nancira dc con¡or clcganicncnic
frascs ou dc as variar, a¡cnas a¡rcscniando un
noniao confuso dc frascs.
Quasc ningucn cnsina a física ¡or ncio dc
dcnonsiraçõsc graficas c dc cסcricncias, nas
iodos a cnsinan lcndo o ic×io dc Arisioiclcs ou dc
ouiro auior. Ningucn ¡rocura fornar os
cosiuncs ¡or ncio dc una rcforna inicrna das
inclinaçõcs, nas iodos csloçan su¡crficialncnic
una rcforna noral, ¡or ncio dc dcfiniçõcs c dc
divisõcs c×icrnas das viriudcs. Isio a¡arcccra
nais claro quando, con a ajuda dc Dcus,
falarnos do nciodo cs¡ccial dc cnsinar as arics c
as línguas|6|, c nais claro ainda, sc Dcus o
¡crniiir, no Píuno du Punso¡íu|7|.
Os u¡tcsuos c os o¡c¡u¡íos t¡utun ncíIo¡ us suus
coísus.
26. É rcalncnic dc adnirar quc, ncsic assunio,
os aniigos nao icnIan visio nclIor quc nos, ou,
ao ncnos, quc csic crro nao icnIa ja sido
corrigido ¡clos nodcrnos; c, scn duvida, aí quc
rcsidc a vcrdadcira causa da c×ircna lcniidao dos
nossos ¡rogrcssos. Quc digo? Porvcniura o
car¡iniciro nosira ao scu a¡rcndiz a aric dc
272
falricar casas, dcsiruindo-as? Pclo conirario, c
consiruindo quc lIc nosira quais os naicriais
quc sc dcvcn cscolIcr c cono cada un dclcs, ¡or
sua vcz, dcvc scr ncdido, dcslasiado, ¡olido,
lcvaniado, colocado, cncai×ado, cic.
Efciivancnic, qucn c ncsirc na aric dc
consiruir, dc nodo algun considcra cono una
aric a dcnoliçao, dc ncsno nodo quc, qucn
salc coscr lcn un vcsiido, nao considcra una
aric o dcscosc-lo. Dcnolindo casas, nunca
ningucn a¡rcndcu a scr consiruior, c dcsfazcndo
vcsiidos, nunca ningucn cIcgou a alfaiaic.
A íncú¡íu dos Ioncns dc cstudo ucc¡cu dus suus
¡¡ò¡¡íus coísus c du¡íuncntc nocíuu.
27. Scn duvida, os inconvcnicnics, c aic os
danos, dc nao rcfornar csic nciodo, sao
nanifcsios. 1. ¡orquc a insiruçao dc nuiios, sc
nao ncsno da naioria, sc rcduz a una ncra
noncnclaiura; isio c, salcn, dc faio, rcciiar os
icrnos c as rcgras das arics, nas nao salcn
fazcr lon uso dclas; 2. ¡orquc a lnsiruçao, a lcn
dizcr dc iodos, nao c una cicncia univcrsal quc
sc nanicnIa, sc rcforcc c sc difunda ¡or si
ncsna, nas c una cs¡ccic dc nania dc
raialIados, con un ¡cdaço iirado daqui c ouiro
dc alcn, scn qualqucr conc×ao c inca¡az dc
¡roduzir qualqucr cs¡ccic dc fruio solido.
Efciivancnic, cssa cicncia, consiiiuída ¡or una
273
colccçao dc varias scnicnças c o¡iniõcs dc
divcrsos auiorcs, asscnclIa-sc nuiio à arvorc
quc c cosiunc lcvaniar cn ccrias fcsias dc
aldcia, a qual, cnlora sc a¡rcscnic adornada
con ranos, florcs c fruios, c aic con grinaldas c
coroas, a cla ligadas dc varios nodos, iodavia,
una vcz quc csias coisas nao crcsccn dc una
raiz ¡ro¡ria, nas sao anarradas c×icrnancnic,
nao ¡odcn ncn nulii¡licar-sc ncn durar nuiio
icn¡o. Con cfciio, scnclIanic arvorc nao ¡roduz
ncnIuns fruios, c os ranos, quc dcla ¡cndcn,
nurcIan c cacn. Mas a ¡cssoa insiruída a ¡ariir
dos fundancnios c cono una arvorc quc icn
raízcs ¡ro¡rias c sc alincnia dc sciva ¡ro¡ria, c,
¡or isso, csia scn¡rc vigorosa (nais ainda, iorna-
sc, dc dia ¡ara dia, cada vcz nais rolusia} c
vcrdcjanic c a¡ia ¡ara ¡roduzir florcs c fruios.
Co¡¡cçuo.
28. A conclusao dc iudo isio c csia. ianio quanio
¡ossívcl, os Ioncns dcvcn scr cnsinados, nao a
ir luscar a cicncia aos livros, nas ao ccu, à icrra,
aos carvalIos c às faias; isio c, a conIcccr c a
¡crscruiar as ¡ro¡rias coisas, c nao a¡cnas as
olscrvaçõcs c os icsicnunIos alIcios accrca das
coisas. E isio cquivalc a dizcr quc c ¡rcciso
caninIar dc novo ¡clas ¡cgadas dos nais aniigos
salios, sc sc qucr alcançar o conIccincnio, nao
dc ouiras fonics, nas do ¡ro¡rio arqucii¡o das
coisas. Scja, ¡orianio, lci.
274
I. Dcrivar iudo dos ¡rincí¡ios inuiavcis das
coisas.
II. Nada cnsinar a¡cnas con arguncnios dc
auioridadc, nas cnsinar iudo ¡or ncio dc
dcnonsiraçao, scnsívcl c racional.
III. Nada cnsinar con o nciodo analíiico soncnic,
nas dc ¡rcfcrcncia iudo con o nciodo siniciico.
FUNDAMENTO VI
Funduncnto VI. Todas as coisas disiiniancnic.
29. Çuunto nuís nunc¡osos suo os usos ¡u¡u quc
u nutu¡czu ¡¡c¡u¡u dctc¡nínudu coísu, tunto nuís
nínucíosuncntc u dístínguc.
Por c×cn¡lo. quanio nais disiiniancnic un
aninal icn os ncnlros divididos cn
ariiculaçõcs, ianio nais c ca¡az dc un
novincnio nais disiinio. cono o cavalo nais quc
o loi, o lagario nais quc o caracol, cic. Tanlcn
una arvorc, quc icnIa csicndido lcn os lraços
dos ranos c das raízcs, c nais rcsisicnic c nais
lcla.
Dcuc ínítu¡-sc.
30. Porianio, na insiruçao da juvcniudc, in¡oria
fazcr iudo o nais disiiniancnic ¡ossívcl, dc nodo
quc, nao so qucn cnsina, nas ianlcn qucn
a¡rcndc, cnicnda, scn ncnIuna confusao, ondc
275
csia c o quc faz. In¡oria, ¡or isso, quc iodos os
livros uiilizados nas cscolas scjan clalorados
scgundo csic luninoso c×cn¡lo da naiurcza.
FUNDAMENTO VII
Funduncnto VII. Tudo cn contìnuo ¡¡og¡csso.
31. A nutu¡czu cstu cn contìnuo ¡¡og¡csso; nuncu
¡u¡u, nuncu uIundonu us coísus ucíIus ¡u¡u ¡uzc¡
coísus nouus, nus u¡cnus contínuu, uuncntu c
u¡c¡¡cíçou us coísus quc untcs concçu¡u.
Por c×cn¡lo. na fornaçao do fcio, a sulsiancia
quc concçou a iornar-sc calcça, ¡cs, coraçao,
cic., ¡crnanccc isso ncsno c a¡cnas sc
a¡crfciçoa. Una arvorc nascida dc scncnic nao
dciia fora os ¡rinciros ranos con quc nasccu,
nas coniinua soliciiancnic a forncccr-lIc sciva
viial, ¡ara quc ¡ossan, iodos os anos, lançar
novos ranos.
Dcuc ínítu¡-sc.
32. Porianio, nas cscolas.
I. Dis¡onIan-sc iodos os csiudos dc ial nancira
quc os scguinics sc lascicn scn¡rc nos
¡rcccdcnics, c os quc sc fazcn ¡rinciro scjan
consolidados ¡clos quc vcn a scguir.
276
II. Todas as coisas cסlicadas, dc¡ois dc lcn
a¡rccndidas ¡cla inicligcncia, fi×cn-sc ianlcn
na ncnoria.
A ncnò¡íu dcuc sc¡ uuncntudu c ¡c¡o¡çudu nu
¡¡íncí¡u ídudc.
33. Porquc, ncsic nciodo naiural, iudo o quc
¡rcccdc dcvc scrvir dc fundancnio a iudo o quc
sc scguc, nao ¡odc ¡roccdcr-sc dc ouiro nodo
scnao asscniando iodas as coisas cn lascs
solidas. Ora nao sc iniroduzcn solidancnic no
cs¡íriio scnao as coisas quc forcn lcn
cnicndidas c cuidadosancnic confiadas à
ncnoria. Quiniiiiano cscrcvcu accriadancnic.
«Todo o ¡rogrcsso cscolar dc¡cndc da ncnoria c
c inuiil ir à liçao, sc cada una das coisas quc
ouvinos (ou lcnos} dcsa¡arccc»|8|. E Luis dc
Vivcs. «Duranic a ¡rincira idadc, c×crciic-sc a
ncnoria, ¡ois cla dcscnvolvc-sc, culiivando-a;
confic-sc-lIc nuiias coisas, con cuidado c
frcqucnicncnic. Con cfciio, aqucla idadc nao
scnic a fadiga, ¡orquc ncn scqucr ¡cnsa ncla.
Assin, scn fadiga c scn icdio, a ncnoria alarga-
sc c iorna-sc ca¡acíssina». (Dus Díscí¡íínus, Livro
III}|9|. E, na Int¡oduçuo u SuIcdo¡íu, cscrcvc.
«Nunca dci×cs a ncnoria scn fazcr nada. Nada
lIc c nais agradavcl c nada a dcscnvolvc nais
quc o iralalIo. Confia-lIc, iodos os dias,
qualqucr coisa. quanio nais coisas lIc confiarcs,
ianio nais ficlncnic as guardara; quanio ncnos
277
coisas lIc confiarcs, ianio ncnos ficlncnic as
guardara»|10|. Quc csics cscriiorcs dizcn una
grandc vcrdadc, ¡rovan-no os c×cn¡los da
naiurcza. Con cfciio, una arvorc, quanio nais
Iunidadc alsorvc, ianio nais rolusiancnic
crcscc; c quanio nais rolusiancnic crcscc, ianio
nais alsorvc. Tanlcn un aninal, quanio nais
digcrc, ianio nais crcscc; c quanio nais crcscc,
ianio nais alincnio dcscja c digcrc.
E da ncsna nancira iodas as coisas ionan
naiuralncnic incrcncnio cn razao das suas
¡ro¡rias aquisiçõcs. Nao dcvc, ¡orianio, sol csic
as¡ccio, ¡ou¡ar-sc a ¡rincira idadc (dcsdc quc sc
¡roccda racionalncnic}; isso consiiiuira o
fundancnio dc un solidíssino ¡rogrcsso.
FUNDAMENTO VIII
Funduncnto VIII. Todus us coísus con ncxos
contìnuos.
34. A nutu¡czu íígu todus us coísus con ncxos
contìnuos.
Por c×cn¡lo. quando forna una avczinIa, liga dc
iodos os nodos ncnlro con ncnlro, osso con
osso, ncrvo con ncrvo, cic. Tanlcn nuna
arvorc, da raiz lroia o ironco, do ironco os
ranos, dos ranos as ranagcns, das ranagcns os
rclcniõcs, dos rclcniõcs os rclcnios, dos
rclcnios as folIas, as florcs c os fruios, c dc¡ois
278
novos rclcniõcs, cic., dc ial nancira quc, cnlora
scjan nilIõcs os ranos, as ranagcns, as folIas c
os fruios, nao consiiiucn scnao una so c a
ncsna arvorc. Tanlcn nun cdifício, sc sc qucr
quc clc durc, iodas as suas ¡arics, as naiorcs
cono as níninas, as ¡arcdcs con os aliccrccs, o
forro c o icio con as ¡arcdcs, dcvcn nao so
conlinar-sc cnirc si, nas ianlcn cncai×ar-sc dc
ial nancira quc sc unan firncncnic c
consiiiuan una casa.
Dcuc ínítu¡-sc.
35. Daqui rcsulia quc.
I. Os csiudos da vida inicira dcvcn scr dis¡osios
dc ial nodo quc consiiiuan una cnciclo¡cdia, na
qual nada sc cnconirc quc nao icnIa nascido da
raiz conun c quc nao csicja asscnic no scu
dcvido lugar.
II. Todas as coisas quc sc cnsinan dcvcn dc ial
nodo lascar-sc cn razõcs solidas quc nao
dci×cn facilncnic lugar ncn à duvida ncn ao
csquccincnio.
Efciivancnic, as razõcs sao os ¡rcgos, as fivclas c
os gancIos quc fazcn csiar una coisa
scgurancnic ligada c nao a dci×an canlalcar
ncn cair.
Çuc sígní¡ícu cnsínu¡ ¡cíus cuusus¯
279
36. Consolidar iodas as coisas con razõcs,
significa cnsinar iodas as coisas ¡clas suas
causas, isio c, nosirar nao so cono c quc alguna
coisa c, nas ianlcn ¡o¡quc nao ¡odc scr dc
ouira nancira. Con cfciio, salcr significa
conIcccr as coisas ¡or ncio das suas causas. Por
c×cn¡lo. sc sc ¡uscr a qucsiao dc salcr sc c nais
corrcio dizcr Totus ¡o¡uíus ou Cunctus ¡o¡uíus,
sc o ¡rofcssor rcs¡ondcr Cunctus ¡o¡uíus, nas
nao dcr a razao, o aluno lcn dc¡rcssa sc
csqucccra. Mas sc disscr quc cunctus c una
coniraçao dc con¡unctus c quc, ¡orianio, totus sc
diz nais a¡ro¡riadancnic dc una coisa solida, c
cunctus, dc algun colciivo, cono no caso
¡rcscnic, nao vcjo cono una criança o ¡ossa
csqucccr, a nao scr quc scja nuiio csiu¡ida.
Dc igual nodo, dis¡uian os granaiicos ¡orquc c
quc sc diz Mcu ¡c¡c¡t, Tuu ¡c¡c¡t, E¡us ¡c¡c¡t, isio c,
¡orquc c quc na ¡rincira c na scgunda ¡cssoa sc
usa o allaiivo (con cfciio, assin ¡cnsan} c na
icrccira o gcniiivo? Sc cu disscr quc aconiccc
assin ¡orquc Hc¡c¡t c, ncsic lugar, una
coniraçao dc Hcs ¡c¡t (¡cla clisao do s}, c quc, ¡or
isso, sc dcvcria dizcr Mcu ¡cs ¡c¡t, Tuu ¡cs ¡c¡t,
E¡us ¡cs ¡c¡t (ou, dc nodo coniracio, Mcu ¡c¡c¡t,
Tuu ¡c¡c¡t, E¡us ¡c¡c¡t} c quc, assin, Mcu c Tuu
nao sao allaiivos nas noninaiivos, nao irarci luz
à ncnic do aluno?
280
En conclusao, qucrcnos quc os alunos scjan
cnsinados a conIcccr, dc nodo disiinio c
cסcdiio, a origcn dc iodas as ¡alavras c a razao
dc iodas as frascs (ou consiruçõcs} c os
fundancnios dc iodas as rcgras nas arics c nas
cicncias (cfciivancnic, os icorcnas das cicncias
dcvcn a¡oiar-sc, nao cn raciocínios c Ii¡oicscs,
nas na dcnonsiraçao ¡rincira quc c incrcnic às
¡ro¡rias coisas}. Alcn dc un dulcíssirno ¡razcr,
csic c×crcício icn ianlcn una noiavcl uiilidadc,
¡ois ¡rc¡ara o caninIo ¡ara una solidíssina
insiruçao, una vcz quc assin sc alrcn os olIos
aos alunos, iornando-os dcscjosos dc, ¡or si,
¡assarcn do conIccincnio dc unas coisas ¡ara
o dc ouiras, c assin succssivancnic.
Concíusuo.
37. Porianio, nas cscolas, iodas as coisas scjan
cnsinadas ¡clas suas causas.
FUNDAMENTO IX
Funduncnto IX. Todus us coísus scgundo unu
¡¡o¡o¡çuo contìnuu, dus coísus íntc¡ío¡cs ¡u¡u us
cxtc¡ío¡cs.
38. A nutu¡czu consc¡uu unu ¡ustu ¡¡o¡o¡çuo
cnt¡c us ¡uìzcs c os ¡unos, ¡cíutíuuncntc u
quuntídudc c u quuíídudc.
Con cfciio, assin cono, dclai×o da icrra, as
raízcs sc dcscnvolvcn nais rolusiancnic ou
281
nais dclilncnic, assin ianlcn, cn ¡lcno ar, os
ranos sc dcscnvolvcn nais rolusiancnic ou
nais dclilncnic. E c ncccssario quc scja assin,
¡ois, sc a arvorc crcsccssc a¡cnas ¡ara cina, nao
¡odcria nanicr-sc dc ¡c, una vcz quc c naniida
dc ¡c ¡clas raízcs. Sc crcsccssc a¡cnas ¡ara
dclai×o da icrra, scria inuiil, ¡ois o fruio c
¡roduzido ¡clos ranos, c nao ¡clas raízcs.
Tanlcn no aninal, os ncnlros c×icriorcs
crcsccn ¡aralclancnic con os inicriorcs. Sc os
inicriorcs csiao lcn, ianlcn os c×icriorcs sc
scnicn lcn.
Dcuc ínítu¡-sc.
39. Assin ianlcn a insiruçao, cnlora, anics dc
iudo, dcva scr concclida, incrcncniada c
rolusiccida na raiz inicrior da inicligcncia,
iodavia, dcvc ¡rocurar-sc quc, ao ncsno icn¡o,
lancc ¡ara fora, dc nodo visívcl, os scus ranos c
as suas folIas, isio c, c ncccssario quc, ao ncsno
icn¡o quc sc cnsina a cnicndcr as coisas, sc
cnsinc ianlcn a dizc-las c a fazc-las, ou scja, a
¡o-las cn ¡raiica; c vicc-vcrsa.
40. Porianio.
I. Logo quc una coisa scja cnicndida, ¡cnsc-sc
incdiaiancnic na uiilidadc quc cla ¡odc vir a icr,
¡ara quc nada sc a¡rcnda cn vao.
282
II. Logo quc una coisa scja cnicndida, difunda-sc
dc novo, conunicando-a a ouiros, ¡ara quc nada
sc saila cn vao.
Efciivancnic, ncsic scniido, c vcrdadcira a
scguinic na×ina. O tcu suIc¡ nudu uuíc, sc out¡o
nuo suIc quc tu suIcs|11|. Por isso, nao sc alra
ncnIuna foniczinIa dc cicncia, scn dcla fazcr
dcrivar incdiaiancnic ¡cqucnos riacIos. Mas,
accrca dcsic assunio, falarcnos nais
an¡lancnic, no fundancnio scguinic.
FUNDAMENTO X
Funduncnto X. Todus us coísus con cxc¡cìcíos
contìnuos.
41. A nutu¡czu uíuí¡ícu-sc c ¡oIustccc-sc u sí
ncsnu con nouíncnto constuntc.
Assin, una avc, nao so nanicn qucnics os ovos
con o cIoco, nas ianlcn os vira, iodos os dias,
dc un lado ¡ara o ouiro, ¡ara quc sc nanicnIan
igualncnic qucnics dc iodas as ¡arics. (É facil
olscrvar csic faio nas ¡aias, nas galinIas c nas
¡onlas quc fazcn nasccr os scus filIos nas
nossas casas}. Dc¡ois, c×crciia c rolusiccc a
avczinIa acalada dc nasccr, fazcndo-a novcr
frcqucnicncnic o lico c as ¡aias, alrir, laicr c
lcvaniar as asas, c fazcr varias icniaiivas dc
caninIar c dc voar. Tanlcn una arvorc, quanio
nais frcqucnicncnic c laiida ¡clos vcnios, ianio
283
nais viçosa sc clcva no ar c ianio nais fundo
lança as raízcs; ¡clo quc, ¡ara iodas as ¡lanias, c
un lcn scrcn ¡rovadas ¡clos aguacciros, ¡clo
granizo, ¡clos irovõcs c ¡clos raios, dizcndo-sc
aic quc as rcgiõcs laiidas ¡clos vcnios c ¡clos
raios ¡roduzcn nadcira nais foric.
Inítuçuo cn coísus nccunícus.
42. Dcsic nodo, ianlcn o arquiicio a¡rcndcu a
cn×ugar c a cndurcccr os scus iralalIos ao sol c
ao vcnio. E o fcrrciro, ¡ara quc o fcrro cndurcça c
agucnic dc¡ois o coric, ncic-o nuiias vczcs no
fogo c na agua, c dcsia nancira o faz ¡rovar, ora
o calor ora o frio, a fin dc quc, anolcccndo
nuiias vczcs, cndurcça ainda nais.
O nodcío dos cxc¡cìcíos cscoíu¡cs dcuc í¡ Iuscu¡-
sc u nutu¡czu.
43. Dai rcsulia quc a insiruçao nao ¡odc cIcgar a
scr solida, scnao a força dc rc¡ciiçõcs c dc
c×crcícios, fciios quanio nais vczcs c quanio
nclIor ¡ossívcl. Dc rcsio, qual scja o nclIor
nodo dc fazcr c×crcícios, cnsinan-no-lo os
novincnios naiurais quc, no cor¡o vivo, scrvcn
a faculdadc nuiriiiva, ou scja, os novincnios dc
alsorçao, dc digcsiao c dc assinilaçao.
Efciivancnic, da ncsna nancira quc, no aninal
(c ianlcn na ¡lania}, qualqucr ncnlro dcscja o
alincnio ¡ara o digcrir, c o digcrc, ianio ¡ara sc
alincniar a si ncsno (dci×ando ¡ara si c
284
assinilando una ¡aric do alincnio digcrido},
cono ¡ara o conunicar aos ncnlros vizinIos,
¡ara a conscrvaçao do iodo (con cfciio, cada
ncnlro scrvc os ouiros, ¡ara quc os ouiros o
sirvan ianlcn}, dc igual nodo nulii¡licara a
douirina qucn scn¡rc.
I. Procurar c ionar ¡ara si o alincnio do cs¡íriio;
II. Tcndo-o cnconirado c alsorvido, o runinar c
digcrir;
III. Tcndo-o digcrido, o assinilar c o conunicar a
ouiros.
44. Esias ircs coisas sao cסrcssas nos scguinics
vcrsos. «Trcs coisas ofcrcccn ao aluno a
o¡oriunidadc dc su¡crar o ¡rofcssor. ¡crguniar
nuiias coisas, rcicr o quc ¡crguniou c cnsinar o
quc rcicvc».
Pc¡guntu-sc, consuliando o ¡rofcssor, ou un
condiscí¡ulo, ou un livro accrca das coisas quc
sc ignoran; ¡ctcn-sc, confiando à ncnoria as
coisas conIccidas c cnicndidas, c, ¡ara quc a
ccricza scja naior, ionando a¡oniancnios (¡ois
sao ¡oucos aquclcs dc cngcnIo iao fcliz, quc
¡ossan confiar iudo à ncnoria}; cnsínu-sc,
coniando, ¡or sua vcz, aos condiscí¡ulos, c a
quaisqucr ¡cssoas quc sc cnconircn, iodas as
coisas a¡rcndidas.
285
Os dois ¡rinciros c×crcícios sao lcn conIccidos
nas cscolas; o icrcciro ainda o nao c
suficicnicncnic, nas scria nuiio lon iniroduzi-
lo. Con cfciio, c alsoluiancnic vcrdadcira csia
na×ina. «qucn cnsina os ouiros, insirui-sc a si
ncsno», nao so ¡orquc, rc¡ciindo os ¡ro¡rios
conIccincnios, os rcforça cn si ncsno, nas
ainda ¡orquc cnconira una loa ocasiao ¡ara
¡cncirar nais a fundo nas coisas. Por isso,
Joaquin Foriius, Ioncn cnincnic ¡clo salcr,
falando dc si ncsno, afirna quc «as coisas quc,
alguna vcz, a¡cnas ouviu ou lcu, lIc fugian da
ncnoria dcniro dc un ncs ou aic nais ccdo;
nas aquclas quc cnsinou aos ouiros, conIcci-as
iao lcn cono aos ¡ro¡rios dcdos da nao c
julgava quc so a noric lIas ¡odcria arrclaiar».
Por isso, da o scguinic consclIo. «o csiudioso quc
dcscja fazcr grandcs ¡rogrcssos, arranjc alunos,
aos quais cnsinc, iodos os dias, aquilo quc
a¡rcndc, ainda quc icnIa dc ¡agar-lIc a ¡cso dc
ouro». E acrcsccnia. «Valc lcn a ¡cna quc
algucn rcnuncic a quaisqucr vaniagcns
naicriais, dcsdc quc Iaja qucn o qucira ouvir
cono ncsirc, isio c, qucn o qucira fazcr
¡rogrcdir»|12|. Assin falava csic grandc Ioncn.
Cono dcuc ínt¡oduzí¡-sc nus cscoíus.
45. Mas isio far-sc-a nais conodancnic c, scn
duvida, con uiilidadc ¡ara un naior nuncro dc
¡cssoas, sc o ¡rofcssor dc cada classc insiiiuir,
286
cnirc os scus alunos, csic naravilIoso gcncro dc
c×crcício, do nodo scguinic. cn qualqucr aula,
dc¡ois dc lrcvcncnic a¡rcscniada a naicria a
a¡rcndcr, c dc cסlicado clarancnic o scniido das
¡alavras, c dc nosirada alcriancnic a a¡licaçao
da naicria, nandc-sc lcvaniar qualqucr dos
alunos, o qual (cono sc fossc ja ¡rofcssor dos
ouiros} rc¡iia, ¡cla ncsna ordcn, iudo o quc foi
diio ¡clo ¡rofcssor. cסliquc as rcgras con as
ncsnas ¡alavras; nosirc a sua a¡licaçao ¡or
ncio dos ncsnos c×cn¡los. Sc acaso crrar, o
¡rofcssor dcvcra corrigi-lo. Dc¡ois, nandc-sc
lcvaniar ouiro ¡ara fazcr o ncsno, cnquanio
iodos os ouiros csiao a ouvir; c dc¡ois, un
icrcciro c un quario, c quanios for ncccssario,
aic quc sc vcja clarancnic quc iodos
con¡rccndcran lcn a liçao c ja sao ca¡azcs dc a
rc¡ciir c dc a cnsinar. Nao aconsclIo a quc sc
olscrvc, ncsia caso, una ordcn rígida, nas
aconsclIo quc sc cIanc ¡rinciro os nais
inicligcnics, a fin dc quc os dc inicligcncia nais
lcnia, aninados ¡clo c×cn¡lo dos ¡rinciros,
¡ossan nais facilncnic scgui-los.
Utííídudc dcstcs cxc¡cìcíos.
46. Esia cs¡ccic dc c×crcícios icra noiavcl
uiilidadc.
I. O ¡rofcssor iornara os alunos scn¡rc aicnios
às suas ¡alavras. Con cfciio, una vcz quc, logo a
287
scguir, qualqucr dclcs dcvcra lcvaniar-sc c rc¡ciir
ioda a liçao, c, ¡or isso, cada un icncra ianio
¡or si cono ¡clos ouiros, dc loa ou dc na
voniadc icra os ouvidos aicnios, ¡ara nao dci×ar
quc nada lIc csca¡c. Esic ircino da aicnçao,
rcforçado ¡or un c×crcício dc alguns anos,
iornara o jovcn dcs¡crio ¡ara iodas as ocu¡açõcs
da vida.
II. O ¡rofcssor ¡odcra vcrificar nclIor sc iodas as
rcgras cסosias foran lcn cnicndidas ¡or iodos;
sc assin nao aconicccu, fara as dcvidas
corrcçõcs, con grandc vaniagcn ¡ara si c ¡ara os
alunos.
III. Dado quc as ncsnas coisas sc rc¡cicn
nuiias vczcs, ncsno os alunos dc inicligcncia
nuiio lcnia acalarao ¡or con¡rccndc-las, dc
nodo a ¡odcrcn avançar ¡ara a frcnic ao lado
dos ouiros, cnquanio quc os nais inicligcnics,
ccrios dc Iavcrcn a¡rcndido as coisas nais quc
clarancnic, cסcrincniarao un docc ¡razcr.
IV. Con csia rc¡ciiçao assin ianias vczcs
rcnovada, a liçao iornar-sc-a nais faniliar a
iodos do quc csiudando afincadancnic duranic
longas Ioras cn casa; dc ial nancira quc,
rclcndo-a dc¡ois à noiic c dc nanIa, a¡cnas ¡or
divcriincnio c ¡or ¡razcr, csiarao scguros dc
Iavcr fi×ado na ncnoria iodas as coisas.
288
V. Una vcz quc, dcsic nodo, o aluno c adniiido a
c×crccr cono quc o ofício do ¡rofcssor, dcs¡criara
na sua ncnic un grandc dcscjo c un grandc
ardor dc a¡rcndcr c adquirira o don dc salcr
iraiar, con ¡alavra franca c coragcn, dc qualqucr
assunio ¡cranic o ¡ullico, o quc scra dc grandc
uiilidadc na vida.
Exc¡cícío dc cnsínu¡ os out¡os ¡o¡u du cscoíu.
47. Alcn disso, os alunos ¡odcn, ncsno fora da
cscola, scniados ou a ¡asscar, discuiir cnirc si,
qucr accrca dc coisas a¡rcndidas Ia ¡ouco ou Ia
nuiio icn¡o, qucr accrca dc qualqucr naicria
nova quc acaso sc lIcs a¡rcscnic. Para
scnclIanic c×crcício, sc sc junian cn nuncro
lasianic clcvado, dcvcn cscolIcr un (à soric ou
¡or voiaçao} quc faça as vczcs dc ¡rofcssor,
dirigindo c nodcrando as discussõcs. Sc algun,
noncado ¡clos condiscí¡ulos, rccusa, scja
scvcrancnic casiigado, ¡ois qucrcnos quc scja
inflc×ívcl a lci scgundo a qual ningucn, nao so
nao fuja às ocasiõcs dc cnsinar c a¡rcndcr, nas
aic quc iodos as ¡rocurcn.
Quanio aos c×crcícios cscriios (quc sao ianlcn
una ajuda valida ¡ara ¡rogrcdir solidancnic},
darcnos consclIos cs¡cciais, ao falarnos da
cscola dc língua nacional c da cscola classica. nos
ca¡íiulos XXIX c XXX.
289

Capítulo XIX
FUNDAMENTOS
PARA ENSINAR
COM VANTAJOSA RAPIDEZ

P¡cuínc-sc unu oI¡cçuo ucc¡cu du dí¡ícuídudc.
Hcs¡ostu. In¡o¡tu ¡¡ocu¡u¡ ccononízu¡ tcn¡o c
¡udígu
1. Mas, dira algucn, csias coisas sao iralalIosas
c dcnasiado dcnoradas. Quanios ¡rofcssorcs,
quanias lillioiccas c quanias fadigas scrian
ncccssarias ¡ara una insiruçao univcrsal dcsic
gcncro? Fcs¡osia. scn duvida, sc sc nao ¡rocura
ccononizar icn¡o c fadiga, a cn¡rcsa icn una
c×icnsao nuiio an¡la c c×igc fadigas scn fin.
Con cfciio, a aric c iao longa, iao an¡la c
¡rofunda. cono o ¡ro¡rio nundo quc sc qucr
conquisiar con o cs¡íriio. Mas qucn nao salc
quc ncsno os iralalIos longos sc ¡odcn
cncuriar, c quc as coisas iralalIosas sc ¡odcn
iransfornar cn vaniajosas? Qucn ignora quc os
iccclõcs icccn ra¡idancnic nilIarcs c nilIarcs
dc fios, dcscnIando figuras dc adniravcl
varicdadc? Qucn nao salc quc os nolciros nocn
ra¡idancnic nilIarcs c nilIarcs dc graos c quc
sc¡aran ¡crfciiancnic o farclo da farinIa, scn
ncnIuna dificuldadc? Qucn nao salc quc os
290
nccanicos, con ¡cqucnas naquinas, c quasc
scn ncnIuna fadiga, lcvanian c irans¡orian
grandcs ¡csos? E quc os ¡csadorcs, fazcndo
corrcr ¡clo ficl da lalança ainda quc scja una so
onça, ¡csan coisas con nuiias lilras dc ¡cso? É
lcn vcrdadc quc, nuiias vczcs, valc nais o jciio
quc a força. E cniao Ia-dc scr ¡rccisancnic
a¡cnas às ¡cssoas quc sc dcdican ao csiudo, quc
Iao-dc faliar os ncios ¡ara c×ccuiar
cngcnIosancnic os ¡ro¡rios iralalIos? Quc o
¡ro¡rio scniincnio dc Ionra nos olriguc a una
ardorosa cnulaçao, na ¡rocura dos rcncdios
suscc¡iívcis dc su¡rinir as dificuldadcs quc, aic
ao ¡rcscnic, icn aiorncniado as insiiiuiçõcs
cscolarcs.
E ncccssu¡ío conIccc¡ u docnçu untcs do ¡cncdío.
2. Mas nao ¡odcrcnos cnconirar os rcncdios,
scn ¡rinciro icrnos dcscolcrio as docnças c as
causas das docnças. Ou scja, scn ¡rinciro
icrnos dcscolcrio qual foi a causa quc, a ial
¡onio rciardou os iralalIos cscolarcs c o scu
¡rogrcsso quc a naior ¡aric dos csiudanics,
ncsno quc icnIan ¡assado ioda a vida nas
cscolas, nao conscguiran ainda ¡cncirar cn
iodas as cicncias c cn iodas as arics, c algunas
ncn scqucr as saudaran do liniar da ¡oria.
Oíto cuusus dos ut¡usos cscoíu¡cs.
291
3. É salido quc sao alsoluiancnic vcrdadciras as
scguinics causas.
I
Princira. nao Iavia ncnIunas ncias fi×as, aic às
quais dcvian scr conduzidos os alunos cn cada
ano, cn cada ncs c cn cada dia, nas iudo cra
inccrio c duvidoso.
II
4. Scgunda. nao csiavan iraçadas ncnIunas
vias quc conduzissscn infalivclncnic às ncias.
III
5. Tcrccira. as disci¡linas, quc ¡or naiurcza sao
conc×as, cran cnsinadas scn aicndcr às suas
rclaçõcs nuiuas, nas nanicndo-as sc¡aradas.
Por c×cn¡lo. àquclcs quc ¡rinci¡iavan a csiudar
os ¡rinciros clcncnios das línguas, cnsinava-sc
a¡cnas a lcr, dci×ando-sc ¡ara alguns ncscs
dc¡ois o cnsino da cscriia. Na cscola dc laiin,
olrigavan-sc os adolcsccnics, duranic alguns
anos, a conlaicr con ¡alavras, scn Iavcr a
¡rcocu¡açao dc lIcs cnsinar coisas, dc ial nodo
quc os anos da adolcsccncia sc gasiavan iodos
nos csiudos da granaiica, dci×ando-sc os
csiudos filosoficos ¡ara una idadc nais
avançada. Dc igual nancira, olrigavan-sc
a¡cnas a a¡rcndcr, c nunca a cnsinar. Enlora
292
iodas cssas coisas (lcr c cscrcvcr, ¡alavras c
coisas, a¡rcndcr c cnsinar} dcvan scr fciias iao
sinuliancancnic cono, quando sc anda, sc
lcvanian c sc alai×an os ¡cs, quando sc
convcrsa, sc ouvc c sc rcs¡ondc, quando sc joga a
lola, sc aiira c sc rccclc, cono vinos ja airas,
nos scus dcvidos lugarcs.
IV
6. Quaria. Faras vczcs, cn qualqucr lugar, as
arics c as cicncias cran a¡rcscniadas dc nodo
suficicnicncnic cnciclo¡cdico, nas ¡or
fragncnios. Daí rcsuliava quc, aos olIos dos
alunos, cran cono quc un noniao dc ¡aus ou
dc sarncnios, ningucn ¡cnsando scqucr na
razao ¡or quc csiavan junias. As conscqucncias
disso cran quc un adquiria csic conIccincnio c
ouiro aquclc, nas ningucn conscguia una
insiruçao vcrdadcirancnic univcrsal c, ¡or isso,
fundancnial.
V
7. Quinia. Uiilizavan-sc nciodos nulii¡los c
varios. cada cscola iinIa o scu, cada ¡rofcssor
iinIa o scu, c aic o ncsno ¡rofcssor usava un
¡ara cnsinar una aric ou língua c ouiro ¡ara
cnsinar ouira aric ou língua; c, o quc c ¡ior, ¡ara
cnsinar una c a ncsna coisa, ncn scn¡rc usava
o ncsno nciodo, dc nodo quc os alunos ¡oucas
vczcs salian lcn dc quc sc iraiava. Daqui as
293
Icsiiaçõcs c os airasos, c ianlcn quc ccrias
disci¡linas fizcsscn nasccr a nausca ou o
dcscs¡cro, anics ncsno dc a clas sc cIcgar, dc
nodo quc nuiios ncn scqucr as qucrian
concçar a csiudar.
VI
8. Sc×ia. Faliava o ¡roccsso dc insiruir ao ncsno
icn¡o iodos os alunos da ncsna classc, fazcndo-
sc un csforço inaudiio ¡ara os insiruir un ¡or
un. E, sc acaso os alunos cran nuiios, aconiccia
quc os ¡rofcssorcs iinIan un iralalIo dc lurro
dc carga, c os alunos, ou iinIan nuiias ocasiõcs
dc ocio inuiil, ou, sc lIcs davan algun iralalIo a
fazcr, fazian-no con icdio c alorrccincnio.
VII
9. Sciina. E, sc cran varios os ¡rofcssorcs, quc
¡odia daí rcsuliar scnao una nova confusao?
Con cfciio, quasc cn cada Iora, cran ¡ro¡osias
c rcalizadas iarcfas difcrcnics. Para ja nao falar
dc quc a nuliidao dos ¡rofcssorcs, assin cono a
nuliidao dos livros, disiracn os cs¡íriios.
VIII
10. Oiiava. Finalncnic, ¡crniiia-sc aos alunos,
scn quc os ncsircs o lcvasscn a nal, ¡ossuir,
alcn dos livros dc ic×io, ouiros livros, na cscola c
fora da cscola; c julgava-sc quc, quanio nais
294
auiorcs folIcasscn, ianias nais ocasiõcs sc lIcs
ofcrccian dc fazcr ¡rogrcssos, quando nao cran
scnao nais noiivos dc disiraçao. Por isso, nao c
ianio ¡ara adnirar quc ¡oucos conscguisscn
¡crcorrcr iodas as disci¡linas, quanio c ¡ara
adnirar quc algun conscguissc dcscnlaraçar-sc
daquclcs lalirinios, o quc nao aconiccia scnao às
inicligcncias nais lcn doiadas.
A ¡cg¡u ¡u¡u u¡ustu¡ cstcs ut¡usos dcuc í¡ Iuscu¡-
sc u nutu¡czu.
11. Para o fuiuro, ¡orianio, dcvcrcnos afasiar
csics olsiaculos c csics airasos, c scguir a¡cnas,
scn rodcios, os caninIos quc conduzcn
dirciancnic ao oljciivo, ou cniao (scgundo a
rcgra conun} nao cn¡rcgar nuiios ncios, ondc,
con ¡oucos, c ¡ossívcl conscguir o rcsuliado.
Ou sc¡u, o soí.
12. Aqui na icrra, dcvcnos ¡rocurar iniiar o sol,
quc c o nclIor nodclo quc nos ofcrccc a
naiurcza. Efciivancnic, cnlora clc dcscn¡cnIc
una funçao difícil c quasc infiniia (a nissao dc
cs¡alIar ¡or ioda a icrra os scus raios c dc
ninisirar luz, calor, vida c vigor a iodos os
cor¡os, sin¡lcs c con¡osios, aos nincrais, às
¡lanias c aos aninais, cujas cs¡ccics c indivíduos
sao infiniios}, iodavia, cIcga ¡ara iodos c, iodos
os anos, rcaliza con c×aiidao o giro quc icn ¡or
nissao rcalizar.
295
Hcsuno dus o¡c¡uçocs soíu¡cs.
13. Vcjanos, ¡orianio, os nodos cono o sol
rcaliza a sua funçao, icndo cn ncnic os nodos,
ja ¡assados cn rcvisia, con quc as cscolas
dcscn¡cnIan a sua nissao.
I. O sol nao sc ocu¡a dc cada un dos oljcios, ¡or
c×cn¡lo, dc una arvorc ou dc un aninal, nas
ilunina c aquccc ioda a icrra.
II. Con os ncsnos raios, ilunina iodas as coisas;
con a ncsna condcnsaçao c dissoluçao das
nuvcns, rcga iodas as coisas; con o ncsno
vcnio, vcniila iodas as coisas; con o ncsno calor
c con o ncsno frio, incrcncnia iodas as coisas,
cic.
III. No ncsno icn¡o, ¡roduzindo ¡ara iodas as
rcgiõcs a ¡rinavcra, o vcrao, o ouiono c o
invcrno, faz gcrninar, florir c fruiificar as
¡lanias, nao olsianic una anadurcccr os fruios
nais ccdo c ouira nais iardc, ou scja, cada una
scgundo a sua naiurcza ¡ro¡ria.
IV. E nanicn scn¡rc a ncsna ordcn. a dc Iojc
scra a ncsna dc ananIa, a dcsic ano, a ncsna
do ano scguinic c, no ncsno gcncro dc coisas,
conscrva inuiavclncnic a ncsna forna.
V. E faz nasccr iodas as coisas das suas
scncnics c nao dc ouira origcn.
296
VI. E ¡roduz juniancnic iodas as coisas quc
dcvcn c×isiir juniancnic. o ironco juniancnic
con a casca c con o ccrnc, a flor juniancnic con
as folIas; o fruio juniancnic con a casca, o
¡ccíolo c o caroço.
VII. E faz crcsccr iodas as coisas gradualncnic,
cono convcn a cada una, ¡ara quc unas
¡rc¡arcn o caninIo às ouiras c sc acolIan
rcci¡rocancnic.
VIII. Enfin, nao ¡roduz coisas inuicis, c sc
¡orvcniura alguna nascc, dcsiroi-a c aniquila-a.
14. Agircnos à iniiaçao do sol, sc
I. Cada cscola, ou ao ncnos cada classc, iivcr un
so ¡rofcssor.
II. Para cada naicria, Iouvcr un so auior.
III. Para iodos aquclcs quc csiao a assisiir às
liçõcs, sc dis¡cndcr, cn conun, o ncsno
iralalIo.
IV. Todas as disci¡linas c iodas as línguas forcn
cnsinadas con o ncsno nciodo.
V. Todas as coisas forcn cnsinadas, a ¡ariir dos
scus fundancnios, dc nodo lrcvc c cficaz, dc ial
nancira quc a inicligcncia sc ¡ossa alrir cono
quc con una cIavc, c as coisas sc lIc ¡ossan
nanifcsiar cs¡oniancancnic.
297
VI. Todas as coisas quc ¡or naiurcza sao conc×as
forcn cnsinadas cn conc×ao unas con as
ouiras.
VII. E sc iodas as coisas sc cnsinarcn
gradualncnic, scn inicrru¡çõcs, dc nodo quc
iodas as coisas a¡rcndidas Iojc scjan un rcforço
das a¡rcndidas onicn c una ¡rc¡araçao ¡ara as
quc sc a¡rcndcrao ananIa.
VIII. Enfin, sc, cn iudo, sc ¡uscr dc ¡aric as
coisas inuicis.
15. Sc ¡udcrnos iniroduzir nas cscolas csics
¡rincí¡ios ¡cdagogicos, c iao ccrio quc o curso
dos csiudos sc ¡roccssara con nais facilidadc c
con nais ra¡idcz, cono c ccrio quc vcnos o sol
rcalizar, iodos os anos, o scu giro à volia do
nundo iniciro. Enircnos, ¡orianio, no assunio,
¡ara quc vcjanos cono c facil ¡ór cn ¡raiica
csics nossos consclIos.
PROBLEMA 1
Cono ¡odc un sò ¡¡o¡csso¡ sc¡ su¡ícícntc ¡u¡u
quuíquc¡ núnc¡o dc uíunos¯
Po¡quc c quc cn cudu cscoíu dcuc Iuuc¡ un sò
¡¡o¡csso¡.
1.
16. Nao so afirno quc c ¡ossívcl quc un so
¡rofcssor cnsinc algunas ccnicnas dc alunos,
298
nas susicnio quc dcvc scr assin, ¡ois isso c
nuiio vaniajoso ¡ara o ¡rofcssor c ¡ara os
alunos. Aquclc dcscn¡cnIara, scn duvida, as
suas funçõcs con ianio naior ¡razcr quanio
nais nuncrosos forcn os alunos quc vir dianic
dc si (con cfciio, aic os ninciros c×ulian, quando
vccn quc o nincrio c alundanic}, c quanio nais
ardoroso clc for, ianio nais aicnios iornara os
alunos.
Dc nodo igual, quanio nais nuncrosos forcn os
alunos, ianio naior ¡razcr c uiilidadc scniirao
(¡ara iodos os quc iralalIan consiiiui un
grandc conforio icr nuiios con¡anIciros dc
iralalIo}, una vcz quc sc csiinularao c sc
ajudarao nuiuancnic, ¡ois ianlcn csia idadc
scnic os csiínulos da cnulaçao.
Alcn disso, quando o ¡rofcssor c ouvido ¡or
¡oucos, facilncnic csia ou aqucla coisa ¡assa
inadvcriida aos ouvidos dc iodos; quando c
ouvido ¡or nuiios, cada un fi×a quanio ¡odc c
dc¡ois, con as rc¡ciiçõcs, volia-sc ao ¡rincí¡io
cn cada coisa, coniriluindo iodas as coisas ¡ara
a uiilidadc dc iodos, una vcz quc a inicligcncia
dc un afia a inicligcncia dc ouiro, a ncnoria dc
un, a ncnoria dc ouiro. Nuna ¡alavra, assin
cono o ¡adciro, con una so fornada dc nassa c
aqucccndo una so vcz o forno, cozc nuiios ¡acs,
c o fornciro, nuiios iijolos, c o ii¡ografo, con
una so con¡osiçao, iira ccnicnas c nilIarcs dc
299
co¡ias dc un livro, assin ianlcn o ¡rofcssor,
con os ncsnos c×crcícios, ¡odc, ao ncsno
icn¡o c dc una so vcz, ninisirar o cnsino a una
nuliidao dc alunos, scn qualqucr incónodo. Do
ncsno nodo quc vcnos ianlcn quc un so
ironco c suficicnic ¡ara susicniar c cnlclcr dc
sciva una arvorc, ¡or nais ranos quc cla icnIa,
c o sol c suficicnic ¡ara fccundar ioda a icrra.
Cono c ¡ossìucí¯ P¡ouu-sc con cxcn¡íos du
nutu¡czu.
17. Mas cono ¡odc fazcr-sc isso? Vcjanos, ¡clos
c×cn¡los da naiurcza, Ia ¡ouco rcfcridos, qual o
nodo dc ¡roccdcr. O ironco nao sc csicndc aic às
c×ircnidadcs dc iodas as ranagcns, nas,
conscrvando-sc no scu lugar, conunica a sciva
aos ranos ¡rinci¡ais, quc lIc csiao
incdiaiancnic ligados, c csics conunican-na a
ouiros c assin succssivancnic aic às uliinas c
nais ¡cqucninas ¡arics da arvorc. Tanlcn o sol
nao incidc, cn ¡ariicular, solrc cada una das
arvorcs, das crvas c dos aninais, nas,
cs¡alIando os scus raios, do cino dos ccus,
ilunina ao ncsno icn¡o iodo un Icnisfcrio,
a¡ro¡riando-sc cada una das coisas criadas da
sua luz c do scu calor, ¡ara uiilidadc ¡ro¡ria.
Dcvc, iodavia, olscrvar-sc ianlcn quc a açao do
sol c ajudada ¡cla siiuaçao do lugar, ¡ois os raios
conccnirados nos valcs aqucccn nais a rcgiao
vizinIa.
300
Nus cscoíus dcuc ínítu¡-sc u nutu¡czu.
18. Porianio, sc a organizaçao cscolar sc
confornar con csics c×cn¡los naiurais, con a
ncsna facilidadc un so ¡rofcssor lasiara ¡ara a
cducaçao dc un grandc nuncro dc alunos. Ou
scja.
I. Díuídíndo os uíunos cn cíusscs.
I. Sc os alunos forcn divididos cn varias iurnas,
¡or c×cn¡lo dc dcz alunos cada una; c sc sc
colocar à frcnic dc cada una un aluno quc vigic
os ouiros, c à frcnic dcsscs cIcfcs dc iurna,
ouiros alunos c assin succssivancnic aic ao
cIcfc su¡rcno.
II. Nuo dundo ííçocs u ncnIun cn sc¡u¡udo, nus
u todos cn con¡unto.
II. Sc nunca sc insiruir un aluno sozinIo, ncn
¡rivadancnic fora da cscola, ncn ¡ullicancnic
na cscola, nas iodos ao ncsno icn¡o c dc una
so vcz. Por isso, o ¡rofcssor nao dcvcra
a¡ro×inar-sc dc ncnIun aluno cn ¡ariicular,
ncn ¡crniiir quc qualqucr aluno, sc¡arando-sc
dos ouiros, sc a¡ro×inc dclc, nas, nanicndo-sc
na caicdra (dc ondc ¡odc scr visio c ouvido ¡or
iodos}, cono o sol, cs¡alIara os scus raios solrc
iodos; c iodos, con os olIos, os ouvidos c os
cs¡íriios voliados ¡ara clc, rccclcrao iudo o quc
clc cסoscr con ¡alavras, ou nosirar con gcsios
301
ou graficos. Dcsic nodo, con un so vaso dc cal
¡odcrao caiar-sc, nao duas ¡arcdcs, nas
nuiiíssinas|1|.
III. To¡nundo todos utcntos.
19. Scra ¡rcciso a¡cnas Ialilidadc ¡ara iornar
aicnios iodos c cada un dos alunos, dc ial nodo
quc, acrcdiiando quc a loca do ¡rofcssor c (cono
cfciivancnic c} a fonic dc ondc ¡ara clcs corrcn
os arroios do salcr, iodas as vczcs quc noian quc
csia fonic sc alrc, sc Ialiiucn a colocar logo
dclai×o dcla o vaso da aicnçao, ¡ara quc nada
¡assc scn cnirar no vaso. Por isso, o ¡rofcssor
icra o na×ino cuidado cn nada dizcr, sc os
alunos nao csiao a ouvir, c cn nada cnsinar, sc
nao csiao aicnios. Sc cn algun lugar icn
calincnio, c ¡rccisancnic aqui quc o icn csia
advcricncia dc Scncca. «Nao dcvc cnsinar-sc nada
a nao scr a qucn icn voniadc dc cscuiar»|2|. E
ialvcz ianlcn aqucla scnicnça dc Salonao. «O
Ioncn inicligcnic faz-sc dcscjar» (P¡ouc¡Iíos, 17,
27}, isio c, nao lança as suas ¡alavras ao vcnio,
nas no cs¡íriio dos Ioncns.
Cono c ísso ¡ossìucí¯ Con u u¡udu dos noníto¡cs
c con u uçuo do ¡¡o¡csso¡, scguíndo oíto uíus.
20. Podcra dcs¡criar-sc c nanicr-sc viva a
aicnçao, nao so con a ajuda dos cIcfcs dc iurna
c dc ouiros cncarrcgados dc qualqucr vigilancia
(ou scja, dc csiar lcn aicnios aos ouiros}, nas
302
ianlcn c solrciudo ¡cla açao do ¡ro¡rio
¡rofcssor, scguindo csias oiio vias.
1. Sc sc csforçar ¡or ofcrcccr scn¡rc aos alunos
qualqucr coisa dc airacnic c dc inicrcssanic, ¡ois
assin os scus cs¡íriios scrao airaidos a ir à
cscola dc loa voniadc c dis¡osios a csiar aicnios.
2. Sc, no ¡rincí¡io dc cada liçao, os cs¡íriios dos
alunos forcn cs¡cviiados con a dcnonsiraçao da
in¡oriancia da naicria a cסlicar, ou soliciiados
¡or ncio dc ¡crgunias accrca dc coisas ja
cסlicadas c quc csicjan cn conc×ao con a
naicria da liçao dcssc dia, ou accrca dc coisas
ainda a cסlicar, a fin dc quc, a¡crcclcndo-sc da
sua ignorancia accrca dcssc assunio, sc lanccn
nais avidancnic a adquirir conIccincnio claro
do icna.
3. Sc o ¡rofcssor, nanicndo-sc nun lugar
clcvado, lançar os olIos cn rcdor c nao ¡crniiir a
ncnIun aluno quc faça ouira coisa scnao icr os
olIos fi×os nclc.
4. Sc ajudar a aicnçao dos alunos, a¡rcscniando
iodas as coisas, scn¡rc quc ¡ossívcl, aos
scniidos, cono nosiranos no ca¡íiulo XVII,
fundancnio VIII, rcgra III. Con cfciio, isso
faciliia, nao so a con¡rccnsao, nas ianlcn a
aicnçao.
303
5. Sc, a dcicrninada aliura da liçao,
inicrron¡cndo a cסosiçao, disscr. «Fulano ou
Sicrano, quc c quc acalci dc dizcr? Fc¡cic o
uliino ¡críodo; Fulano, diz a quc ¡ro¡osiio
csianos a falar disio», c coisas scnclIanics, ¡ara
¡rovciio dc ioda a classc. E sc vcrificar quc algun
nao csiava aicnio, rc¡rccnda-o ou casiiguc-o.
Assin, iodos farao iodo o csforço ¡ossívcl ¡or
csiar aicnios.
6. Dc igual nodo, sc o ¡rofcssor inicrrogar un
aluno, c csic nao rcs¡ondcr, ¡assc ao scgundo,
ao icrcciro, ao dccino, ao irigcsino, c convidc-o a
rcs¡ondcr, scn lIc rc¡ciir a ¡crgunia. Faça-sc
isio scn¡rc con o oljciivo dc quc, quando sc diz
una coisa a un, iodos sc csforccn ¡or csiar
aicnios, c ¡or iirar daí qualqucr uiilidadc.
7. Podc ianlcn ¡roccdcr-sc do scguinic nodo. sc
un ou dois nao salcn dcicrninada coisa,
¡crgunic-sc a ioda a classc; c cniao aquclc quc
rcs¡ondcr cn ¡rinciro lugar ou quc rcs¡ondcr
nclIor, scja louvado dianic dc iodos, ¡ara quc
sirva dc c×cn¡lo à cnulaçao. Sc algun sc
cnganar, scja corrigido, fazcndo-lIc vcr ianlcn o
noiivo do cngano (quc a un ¡rofcssor sagaz nao
scra difícil dcscolrir} c fazcndo-o dcsa¡arcccr. O
¡rogrcsso ra¡idíssino quc sc faz dcsia nancira c
algo dc incrívcl.
304
8. Finalncnic, icrninada a liçao, dc-sc aos
alunos a o¡oriunidadc dc ¡crguniarcn ao
¡rofcssor iudo o quc quiscrcn, qucr accrca dc
alguna dificuldadc surgida ncssa liçao, qucr cn
liçõcs anicriorcs. Nao dcvc, iodavia, ¡crniiir-sc
¡cdidos dc cסlicaçao cn ¡ariicular. É ncccssario
quc cada un consulic o ¡rofcssor cn ¡ullico,
qucr ¡or si, qucr ¡or ncio do scu cIcfc dc iurna
(sc csic nao foi ca¡az dc dar-lIc una rcs¡osia
saiisfaioria}, dc nodo quc iudo sc iornc uiil a
iodos, ianio as ¡crgunias, cono as rcs¡osias. Sc
algun faz un naior nuncro dc ¡crgunias uicis,
dcvc scr louvado nais frcqucnicncnic, ¡ara quc
aos ouiros nao falicn c×cn¡los c inciiancnios
¡ara scrcn diligcnics.
Çuuo g¡undc c u utííídudc du utcnçuo ussín
cxc¡cítudu.
21. ScnclIanic c×crcício quoiidiano da aicnçao
scra uiil aos adolcsccnics, nao soncnic no
¡rcscnic, nas assin duranic ioda a vida.
Haliiuados, con cfciio, ¡cla ¡raiica coniínua dc
alguns anos, a fazcr scn¡rc aquilo quc dcvcn
fazcr, farao scn¡rc iudo aicniancnic, scn
cs¡crar quc os ouiros os advirian ou csiinulcn.
E sc as cscolas ¡roccdcrcn assin, ¡orquc nao
Ia-dc cs¡crar-sc quc forncçan una
alundaniíssina ¡roduçao dc Ioncns dc valor?
305
OI¡cçuo. sc¡u ¡ossìucí quc ussín sc utcndu u
todos c u cudu un dos uíunos¯ Hcs¡ondo quc sín.
1. Con u u¡udu dos cIc¡cs dc tu¡nu.
22. Podc, ¡orcn, oljciar-sc quc c ncccssario una
vigilancia ¡ariicular, ¡or c×cn¡lo, ¡ara vcr cono
cada un conscrva os livros asscados, cono
cscrcvc corrciancnic as liçõcs, cono a¡rcndc
lcn dc cor, cic. Ora, sc os alunos sao nuiios,
csic iralalIo c×igc nuiio icn¡o. Fcs¡osia. Nao c
ncccssario quc o ¡rofcssor ouça scn¡rc iodos os
alunos, ncn quc c×aninc scn¡rc os livros c os
cadcrnos dc iodos, ¡ois, icndo cono ajudanics os
cIcfcs dc iurna, csics csiarao aicnios a quc os
alunos, colocados sol a sua rcs¡onsalilidadc,
¡roccdan cono dcvcn.
2. Con u IuIííídosu uígííuncíu do ¡¡ò¡¡ío
¡¡o¡csso¡.
23. Pcssoalncnic, o ¡rofcssor, cono ins¡cior
su¡rcno, dcvcra a¡cnas csiar aicnio ora a csic,
ora àquclc aluno, ¡ara vcrificar a sua fidclidadc,
dc nodo cs¡ccial daquclc dc qucn dcsconfia. Por
c×cn¡lo. nandara dizcr a liçao, a¡rcndida dc cor,
a un, dois ou ircs ou nais alunos, un a¡os o
ouiro, ianio dos uliinos cono dos ¡rinciros,
cnquanio ioda a classc csia a ouvir. Assin, iodos
scniirao ncccssidadc dc csiar scn¡rc ¡rc¡arados
¡ara rcs¡ondcr, ¡ois cada un icra rcccio dc scr
inicrrogado. Ou cniao, quando o ¡rofcssor vc quc
306
dcicrninado aluno concça a rcs¡ondcr
dcscnlaraçadancnic, sc csia ¡crsuadido dc quc
clc rcs¡ondcra lcn no rcsio, ordcna a ouiro quc
coniinui. Sc ianlcn csic nosira scgurança,
nandc quc o icrcciro ¡críodo ou o icrcciro
¡aragrafo scja diio ¡or ouiro.
Assin, c×aninando accrca dc ¡oucas coisas,
ccriificar-sc-a sc iodos csiudaran a liçao.
Modo dc cxunínu¡ us ííçocs dítudus c csc¡ítus.
24. Proccdc do ncsno nodo rclaiivancnic às
liçõcs cscriias, a¡os Iavcrcn sido diiadas, sc
acaso as Iouvcr. Manda lcr o cscriio a un ou a
dois ou, sc ncccssario, a varios, con voz clara c
disiinia, c noiando ianlcn cסrcssancnic os
sinais dc ¡oniuaçao; os ouiros, olIando cada un
o scu cadcrno, corrigcn. Podcra, iodavia, o
¡rofcssor, dc vcz cnquando, c×aninar clc ¡ro¡rio
os cadcrnos dc un ou dois alunos, ao acaso; c, sc
for cnconirado algun ncgligcnic, scja casiigado.
Modo dc co¡¡ígí¡ os cxc¡cìcíos dc con¡osíçuo.
25. Para corrigir os c×crcícios dc con¡osiçao,
¡arccc quc scra ncccssario un ¡ouco nais dc
iralalIo, nas, ainda aqui, nao faliarcnos con o
nosso consclIo àquclcs quc scguircn o caninIo
quc indicanos. Por c×cn¡lo, nos c×crcícios dc
iraduçao, ¡roccda-sc do scguinic nodo. dc¡ois dc
iodos, iurna ¡or iurna, icrcn icrninado a
307
iraduçao, nanda-sc lcvaniar un c dcsafiar o
advcrsario quc quiscr. Logo quc o advcrsario
csicja dc ¡c, o ouiro lcia a sua iraduçao, un
¡cdaço dc cada vcz, cnquanio iodos os ouiros
cscuian aicniancnic, c o ¡rofcssor (ou cniao o
cIcfc dc iurna} csia a vigiar, ¡clo ncnos ¡ara
c×aninar a oriografia. Dc¡ois dc lcr un ¡críodo,
¡ara, nosirando o advcrsario os crros quc acaso
noiou.
A scguir, ¡crniic-sc a iodos os alunos daqucla
iurna c, finalncnic, a iodos os alunos da classc,
quc façan a críiica daquclc ¡críodo; dc¡ois, sc
ncccssario, o ¡rofcssor faça as suas olscrvaçõcs.
Enircianio, iodos olscrvan os scus ¡ro¡rios
cadcrnos, c, sc concicran crros iguais, corrigcn-
nos, c×ccio o advcrsario quc dcvc conscrvar
iniacia a sua iraduçao ¡ara a críiica quc sc
scguira. Dc¡ois dc lcn c×aninado c dc lcn
corrigido csic ¡críodo, ¡assc-sc a ouiro, c assin
succssivancnic aic ao fin.
Eniao, o advcrsario lcra a sua iraduçao, scguindo
o ncsno ¡roccsso, nas csiando aicnio aquclc
quc o ¡rovocou, ¡ara quc nao lcia una iraduçao
corrigida cn vcz da nao corrigida. Far-sc-a a
criiica dc cada ¡alavra, dc cada frasc c dc cada
concciio, scguindo o ¡roccsso anicriorncnic
usado. Dc¡ois, a¡lica-sc o ncsno sisicna con
ouiro ¡ar dc alunos, c con ianios ouiros ¡arcs
quanios o icn¡o o ¡crniiir.
308
Míssuo dos cIc¡cs dc tu¡nu ncstu nutc¡íu.
26. Mas os cIcfcs dc iurna dcvcrao vigiar. 1.
quc, anics quc conccc a corrcçao, iodos icnIan
icrninado a iraduçao; 2. quc, cnquanio sc faz a
corrcçao; iodos csicjan aicnios, ¡ara corrigircn
os ¡ro¡rios crros à ncdida quc vao ouvindo os
crros dos ouiros.
Utííídudc dcstc nctodo.
27. Assin sc conscguira quc.
I. Ao ¡rofcssor scja dininuído o iralalIo.
II. NcnIun dos alunos scja csquccido c iodos
scjan insiruídos.
III. A aicnçao dc iodos scja nais viva.
IV. Tudo o quc, ¡or qualqucr razao, sc disscr a
un, sirva igualncnic a iodos.
V. A varicdadc das frascs ÷ ¡ois, scndo divcrsos
os alunos, scra in¡ossívcl quc nao uscn frascs
divcrsas ÷ sirva ¡ara fornar c confirnar ianio o
juízo accrca das coisas, cono o uso da língua.
V. Finalncnic, fciia a corrcçao das iraduçõcs dc
dois ou ircs ¡arcs dc alunos, a¡arcccra claro aos
ouiros quc ¡ouco ou nada falia ¡ara corrigir. Por
isso, o rcsio do icn¡o scja consagrado a iodos cn
conun, ¡ara quc aquclcs quc, ou icn qualqucr
309
duvida accrca da sua ¡ro¡ria iraduçao, ou crccn
Iavc-la fciio nclIor quc os ouiros, a¡rcscnian o
scu ¡onio dc visia c solrc clc sc ¡ronuncic un
juízo.
28. Dissc csias coisas accrca dos c×crcícios dc
iraduçao cono quc à nancira dc c×cn¡lo, nas
clas ¡odcn a¡licar-sc facilncnic, cn iodas as
classcs, aos c×crcícios dc csiilo, dc oraioria, dc
logica, dc icologia, dc filosofia, cic.
29. Assin sc vc quc un so ¡rofcssor ¡odc lasiar
¡ara ccnicnas dc alunos, scn quc scja naior a
sua fadiga do quc sc dcvcssc iralalIar a¡cnas
¡ara un ou dois alunos.
PROBLEMA II
cono c ¡ossìucí cnsínu¡ u todos con os ncsnos
ííu¡os.
A cstc ¡¡o¡òsíto c ncccssu¡ío oIsc¡uu¡ cínco
coísus.
I. Du¡untc cssc tcn¡o nuo dcuc ¡c¡nítí¡-sc out¡os
ííu¡os.
30. Todos salcn quc a ¡luralidadc dos oljcios
disirai os scniidos. Conscguir-sc-a, ¡or isso, una
grandc ccononia dc fadiga c dc icn¡o. Princiro,
sc aos alunos sc nao ¡crniiircn scnao os livros
dc ic×io da sua classc, a fin dc quc scja scn¡rc
¡osio cn ¡raiica o noic quc, nos icn¡os aniigos,
cra rc¡ciido a iodos os quc ofcrccian sacrifícios.
310
Atcnçuo! cstus u o¡c¡ccc¡ un suc¡í¡ìcío!|3|.
Efciivancnic, quanio ncnos os ouiros livros
ocu¡arcn os olIos, ianio nais os livros dc ic×io
ocu¡arao a ncnic.
II. Dos ííu¡os dc tcxtos dcuc Iuuc¡ uIunduncíu.
31. Scgundo, sc iodo o naicrial cscolar, isio c,
quadros, cariazcs, livros clcncniarcs, dicionarios,
iraiados accrca das arics c das cicncias, cic.
csiivcr ¡rc¡arado. Efciivancnic, cnquanio os
¡rofcssorcs fazcn (cono, dc faio, fazcn}, ¡ara os
alunos, os quadros alfalciicos, cscrcvcn nodclos
dc caligrafia c diian rcgras, ic×ios ou iraduçõcs
dc ic×ios, cic., quanio icn¡o sc ¡crdc!
Scra, ¡or isso, vaniajoso icr ¡ronios, cn
quaniidadc suficicnic, iodos os livros quc sc
usan cn iodas as classcs; c aquclcs quc Iao-dc
vcricr-sc ¡ara a língua naicrna, icnIan a
iraduçao ao lado, ¡ois assin iodo o icn¡o quc
dcvcria consagrar-sc a diiar, a cscrcvcr c a
iraduzir, ¡odcra dcdicar-sc, dc nodo nuiio nais
uiil, a cסlicaçõcs, a rc¡ciiçõcs c a icniaiivas dc
iniiaçao.
P¡cuínc-sc unu oI¡cçuo.
32. E nao dcvc icr-sc rcccio dc, assin, foncniar a
¡rcguiça dos ¡rofcssorcs. Con cfciio, assin cono
sc o ¡rcgador lc o ic×io sagrado da Díllia, c
cסlica c nosira a sua uiilidadc aos ouvinics
311
(¡ara os cnsinar, c×oriar, consolar, cic.}, sc acciia
quc cun¡riu o scu dcvcr, cnlora nao icnIa sido
clc a iraduzir o ic×io original, nas sc icnIa
scrvido dc una iraduçao ja fciia, (una vcz quc
isso, ¡ara os ouvinics, ¡ouco inicrcssa}, assin
ianlcn aos alunos ¡ouco in¡oria quc o ¡ro¡rio
¡rofcssor ou qualqucr ouiro anics dclc icnIa
¡rc¡arado a sua liçao, dcsdc quc aquilo quc c
ncccssario csicja ¡ronio c o ¡rofcssor cnsinc o
scu uso c×aio.
É lon, ¡ois, quc iudo csicja ¡rc¡arado, ¡ara quc
Iaja, qucr naior scgurança quanio aos crros,
qucr naior cs¡aço dc icn¡o ¡ara os c×crcícios
¡raiicos.
III. Sc¡un ¡cítos con ¡¡íno¡ c csc¡ítos cn
íínguugcn uccssìucí.
33. Esics livros, ¡orianio, dcvcrao scr conforncs
às nossas lcis da facilidadc, da solidcz c da
lrcvidadc, c coniar, ¡ara iodas as cscolas, iudo o
quc c ncccssario, dc nodo con¡lcio, solido c
a¡rinorado, ¡ara quc scjan una inagcn
vcrdadcira dc iodo o univcrso (o qual dcvc scr
n¡rcsso nas ncnics juvcnis}. E (o quc vivancnic
dcscjo c inculco} quc csscs livros cסonIan iodas
as coisas dc nodo faniliar c ¡o¡ular, ¡ara quc
iorncn iudo accssívcl aos alunos, dc nodo quc o
cnicndan ¡or si, ncsno scn qualqucr ¡rofcssor.
Po¡quc conucn con¡o-íos cn ¡o¡nu dc díuíogo¯
312
34. Cosiaria quc csscs livros fosscn con¡osios
cn forna dc dialogo, ¡clas scguinics razõcs. 1.
¡orquc, dcssa nancira, nais facilncnic sc ¡odc
ada¡iar a naicria c o csiilo aos cs¡íriios juvcnis,
¡ara quc nao inagincn quc as coisas sao, ¡ara
clcs, ou in¡ossívcis ou arduas ou dcnasiado
difíccis, ¡ois nada Ia dc nais faniliar ncn dc
nais naiural quc a convcrsaçao, ¡cla qual, ¡ouco
a ¡ouco, o Ioncn ¡odc scr conduzido ondc sc
qucr c scn quc clc sc a¡crccla disso. Assin, cn
forna dc dialogo, cscrcvcran os concdiografos
iodas as suas olscrvaçõcs accrca da dccadcncia
dos cosiuncs, ¡ara advcricncia do ¡ovo; assin
cscrcvcu Plaiao ioda a sua filosofia; assin
cscrcvcu Cíccro varias das suas olras c Sanio
AgosiinIo ioda a sua icologia, a fin dc sc
ada¡iarcn à ca¡acidadc dos lciiorcs. 2. Os
dialogos c×ciian, aninan c rcavivan a aicnçao,
¡rccisancnic ¡cla varicdadc das ¡crgunias c das
rcs¡osias, c ¡clos difcrcnics noiivos c fornas
dcsias, solrciudo sc nclas sc nisiuran coisas
agradavcis; nais ainda, ¡cla varicdadc c iroca
dos inicrlocuiorcs, nao so o cs¡íriio sc lilcria do
icdio, cono, csicndcndo nais o can¡o da sua
aiividadc, sc iorna scn¡rc nais dcscjoso dc csiar
a ouvir. 3. O dialogo iorna a insiruçao nais
solida. Con cfciio, da ncsna nancira quc
rccordanos nclIor un faio quc nos ¡ro¡rios
vinos, quc un faio quc a¡cnas ouvinos rcfcrir,
assin ianlcn na ncnic dos alunos ¡crnancccn
313
nais icnazncnic fi×as as coisas quc a¡rcndcn
¡or ncio dc una concdia ou dc una convcrsaçao
(¡ois, ncsics casos, lIcs ¡arccc nao so ouvir, nas
ianlcn vcr o faio} quc as quc a¡cnas ouvcn
coniar dc una forna nua ¡clo ¡rofcssor, cono o
dcnonsira a cסcricncia. 4. Una vcz quc a naior
¡aric da nossa vida c consiiiuída ¡or convcrsas, a
juvcniudc c ¡ara isso facilncnic conduzida, sc sc
Ialiiua, nao so a con¡rccndcr as coisas uicis,
nas ainda a discorrcr accrca dclas con
varicdadc, clcgancia, gravidadc c ¡roniidao. 5.
Finalncnic, os dialogos scrvcn ¡ara faciliiar as
rc¡ciiçõcs, ncsno quando csias sao fciias
¡rivadancnic cnirc os alunos.
IV. Dc unu sò cdíçuo.
35. Scra lon ianlcn quc os livros uiilizados
scjan da ncsna cdiçao, dc ial nodo quc as
¡aginas, as linIas c iodas as ouiras coisas
concordcn, ¡or causa das ciiaçõcs c da ncnoria
local, c ¡ara quc, cn ¡aric alguna, sc dc noiivo
a airasos.
V. O contcúdo dos ííu¡os dcuc ¡íntu¡-sc nus
¡u¡cdcs.
36. Scra da naior uiilidadc, ¡ara o nosso
oljciivo, quc sc ¡inic nas ¡arcdcs das aulas o
rcsuno dc iodos os livros dc cada classc, ianio o
ic×io (con vigorosa lrcvidadc}, cono ilusiraçõcs,
rciraios c rclcvos, ¡clos quais os scniidos, a
314
ncnoria c a inicligcncia dos csiudanics scjan,
iodos os dias, csiinulados. Con cfciio, nao foi
scn razao quc os aniigos nos iransniiiran csic
¡roccsso; nas ¡arcdcs do icn¡lo dc Escula¡io
csiavan inscriias as rcgras dc ioda a ncdicina,
as quais Hi¡ocraics, cnirando la às cscondidas,
co¡iou|4|. Tanlcn Dcus cncIcu, ¡or ioda a
¡aric, csic grandc icairo do nundo dc ¡iniuras,
csiaiuas c inagcns, cono vivos rc¡rcscnianics da
sua salcdoria, c qucr insiruir-nos ¡or ncio dclcs.
(Accrca dcsias ¡iniuras, falarcnos nais
an¡lancnic na dcscriçao ¡ariicular das
classcs}|5|.
PROBLEMA III
Cono c ¡ossìucí quc, nu cscoíu, todos ¡uçun us
ncsnus coísus du¡untc o ncsno tcn¡o.
Po¡quc conucn quc todos sc ocu¡cn dc unu sò
coísu uo ncsno tcn¡o.
37. É cvidcnic quc scria uiil quc, na ncsna
classc, a¡cnas una naicria fossc csiudada, ao
ncsno icn¡o, ¡or iodos, ¡ois assin o ¡rofcssor
icria ncnos iralalIo c os alunos a¡rovciiarian
nais. Efciivancnic, un aguça o cngcnIo do
ouiro, quando iodos csiao a ¡cnsar c a iralalIar
csforçadancnic à volia da ncsna coisa, c, alcn
disso, dc¡ois corrigcn-sc uns aos ouiros con
nuiuas ajudas. Assin cono un oficial nao
cnsina os c×crcícios aos rccruias, insiruindo-os
315
un a un, nas, conduzindo-os cn conjunio ¡ara
a ¡arada, nosira a iodos o uso das arnas c o
nodo dc as nancjar, c, cnlora sc dirija
¡ariicularncnic a un so, qucr, iodavia, quc os
ouiros façan as ncsnas coisas quc csic faz, quc
csicjan aicnios a csic c ¡rocurcn fazcr os
ncsnos c×crcícios quc csic faz, assin ianlcn
dcvc ¡roccdcr, cn iudo, o ¡rofcssor.
Cono c ¡ossìucí¯
38. Para quc isso scja ¡ossívcl, scra ncccssario.
1. Nao alrir as cscolas scnao una vcz ¡or ano, do
ncsno nodo quc o sol nao concça o scu
iralalIo à volia dc iodos os vcgciais scnao una
vcz ¡or ano (na ¡rinavcra}.
2. Dis¡or iudo o quc dcvc fazcr-sc, dc nancira
quc, cn cada ano, ncs, scnana, dia c aic cn
cada Iora, Iaja una iarcfa a rcalizar, dc nodo
quc iodos, scn iro¡cçar, a ¡ossan rcalizar c
assin aiinjan a ncia juniancnic.
Mas, accrca disio, falarcnos nais
¡ariicularncnic, dcniro cn lrcvc, nos scus
dcvidos lugarcs.
PROBLEMA IV
Cono c ¡ossìucí quc sc cnsínc todus us coísus con
un sò nctodo.
316
O nctodo nutu¡uí nuo c scnuo un c dcuc sc¡
utííízudo cn todos os donìníos.
39. Nos ca¡íiulos XX, XXI c XXII,
dcnonsirarcnos quc o nciodo ¡ara cnsinar
iodas as cicncias nao c scnao un, o nciodo
naiural, cono nao c scnao un o nciodo ¡ara
cnsinar iodas as arics c as línguas. Con cfciio, a
variaçao ou divcrsidadc, sc acaso alguna sc
vcrifica nun ou nouiro donínio, c iao ligcira quc
nao ¡odc consiiiuir una nova cs¡ccic dc nciodo,
c nao rcsulia da csscncia da naicria csiudada,
nas do criicrio do ¡rofcssor, lascando-sc cssc
criicrio na ¡cculiar rclaçao das línguas ou das
arics cnirc si, c na ca¡acidadc c no ¡rogrcsso dos
alunos. Olscrvar, ¡orianio, cn iodos os
donínios, o nciodo naiural, consiiiuira ¡ara os
alunos una grandc ccononia dc icn¡o c dc
fadiga, do ncsno nodo quc ¡ara os viajanics
scguir ¡or un caninIo unico c ¡lano, scn
dcsvios. As difcrcnças ¡ariicularcs noiar-sc-ao
nais facilncnic, sc sc fizcrcn vcr
¡ariicularncnic, ¡crnancccndo iniacias as
qualidadcs gcrais c conuns do nciodo.
PROBLEMA V
Cono, con ¡oucus ¡uíuu¡us, sc ¡odc tc¡
con¡¡ccnsuo cíu¡u dc nuítus coísus.
Os ííu¡os Ions dcucn ¡¡c¡c¡í¡-sc uos ííu¡os
ncdìoc¡cs.
317
40. Dc nodo algun c uiil aiorncniar os cs¡íriios
con voluncs ou discursos inicrninavcis. Con
cfciio, c ccrio quc ao csiónago Iunano da nais
alincnio un ¡cdaço dc ¡ao c un irago dc vinIo
quc un saco dc ¡alIa ou dc qualqucr ni×ordia. É
nclIor icr no lolso una so nocda dc ouro quc
ccn nocdas dc cIunlo. E Scncca, falando das
rcgras, dissc cסrcssancnic. «as scncnics dcvcn
cs¡alIar-sc con jusia ncdida, ¡ois nao in¡oria
quc scjan nuiias, nas quc scjan loas»|6|. Con
cfciio, ¡crnanccc asscnic aquilo quc
dcnonsiranos no ca¡íiulo V|7|, isio c, quc, no
Ioncn, cnquanio nicrocosnos , c×isicn
iodas as coisas, nao scndo ncccssario scnao
iniroduzir-lIc una luz ¡ara quc clc vcja
incdiaiancnic. E qucn nao salc quc, ncsno dc
una ¡cqucna cIana dc candcia, ¡odc sair una
luz suficicnic ¡ara un Ioncn quc csiudc dc
noiic? Porianio, ¡ara cnsinar as arics c as
línguas, cono livros fundancniais dcvcn
cscolIcr-sc ou fazcr-sc dc novo voluncs dc
¡cqucno iananIo c dc noiavcl uiilidadc, quc
cסonIan as coisas sunariancnic, ou scja,
nuiias coisas cn ¡oucas ¡alavras (cono advcric
o Ecícsídstíco, 32, 8}, isio c, quc ¡onIan sol os
olIos dos alunos as coisas fundancniais, iais
quais sao, con ¡oucas ¡alavras, nas lcn
cscolIidas c ¡or ncio dc icorcnas c dc rcgras
facílinas dc cnicndcr, dc nodo quc iodas as
318
ouiras coisas scjan naiuralncnic a¡rccndidas
¡cla inicligcncia.
PROBLEMA VI
Cono ¡cguíu¡ us coísus dc nodo quc, con un sò
t¡uIuíIo, sc ¡uçun duus ou t¡cs coísus.
A nutu¡czu nost¡u quc, con un sò t¡uIuIo, sc
¡odcn ¡uzc¡ uu¡íus coísus.
41. Os c×cn¡los da naiurcza nosiran-nos quc,
ao ncsno icn¡o c con o ncsno iralalIo, sc
¡odcn fazcr divcrsas coisas. Una arvorc, no
ncsno icn¡o, dcscnvolvc-sc ¡ara cina, ¡ara
lai×o c ¡ara os lados, c, ao ncsno icn¡o, faz
crcsccr o ironco, a casca, as florcs c os fruios. A
ncsna coisa ¡odc olscrvar-sc nun aninal, ¡ois
os scus ncnlros crcsccn iodos ao ncsno
icn¡o. Alcn disso, cada ncnlro icn varias
funçõcs. Con cfciio, os ¡cs ¡crniicn ao Ioncn
csiar dc ¡c, andar ¡ara a frcnic c ¡ara iras; dc
varios nodos; a loca c nao so a ¡oria do cor¡o,
nas ianlcn a no c a iula quc rcssoa, iodas as
vczcs quc sc lIc ordcna; o ¡ulnao, con a ncsna
rcs¡iraçao, rcfrcsca o coraçao, vcniila o ccrclro,
¡roduz o son, cic.
E u u¡tc ínítu.
42. O ncsno aconiccc nas coisas ariificiais.
Efciivancnic, no rclogio solar, o ncsno ¡oniciro,
con a ncsna sonlra, ¡odc narcar as Ioras do
319
dia (c isso aic scgundo divcrsos rclogios}, o sinal
do Zodíaco, ondc sc cnconira cniao o sol, a
duraçao das noiics c dos dias, o dia do ncs c
nuiias ouiras coisas. Nos carros, o ncsno iinao
scrvc ¡ara dirigir, ¡ara voliar c ¡ara ¡arar o
carro. Tanlcn un lon orador c ¡ocia, con a
ncsna olra, cnsina, conovc c dclciia, cnlora
csias ircs coisas scjan disiinias cnirc si.
TunIcn us cscoíus u dcucn ínítu¡. No¡nu gc¡uí
ucc¡cu dcstc tcnu.
43. Fcgulc-sc, ¡orianio, scgundo csic nodclo, a
fornaçao da juvcniudc, ¡ara quc cada iralalIo
¡roduza nais quc un fruio. A norna gcral ¡ara
olicr cssc cfciio c a scguinic. scn¡rc c cn ioda a
¡aric, ionc-sc o rclaiivo con o scu corrclaiivo.
Por c×cn¡lo. juniar as ¡alavras c as coisas, lcr c
cscrcvcr, c×crciiar o csiilo c o cngcnIo, a¡rcndcr
c cnsinar, coisas jocosas c coisas scrias, c, alcn
disso, iodas as coisas scnclIanics quc ¡ossan
c×cogiiar-sc.
Es¡ccíuíncntc cínco coísus. I. As ¡uíuu¡us con us
coísus; c uícc-uc¡su.
44. Porianio, nao sc cnsincn ncn sc a¡rcndan
as ¡alavras scnao juniancnic con as coisas, da
ncsna nancira quc sc vcndcn, sc con¡ran c sc
irans¡orian o vinIo juniancnic con a garrafa, a
cs¡ada con a lainIa, o ironco con a casca c os
fruios con a ¡clc. Efciivancnic, quc sao as
320
¡alavras scnao os involucros c as lainIas das
coisas? Porianio, scja qual for a língua quc os
alunos a¡rcndan, ncsno a naicrna, nosircn-
sc-lIcs as coisas quc dcvcn scr significadas con
as ¡alavras; c, invcrsancnic, cnsinc-sc-lIcs a
cסrinir, ¡or ncio dc ¡alavras, iudo o quc vccn,
ouvcn, a¡al¡an c salorcian, ¡ara quc a língua c
a inicligcncia caninIcn c sc dcscnvolvan
scn¡rc a ¡ar. TcnIanos, ¡orianio, cono rcgra.
Quanio nais algucn cnicndc una coisa, ianio
nais sc Ialiiuc a dizc-la; c, vicc-vcrsa, a¡rcnda a
cnicndcr aquilo quc diz. Nao sc ¡crniia a
ningucn rcciiar aquilo quc nao cnicndc, ou
cnicndcr aquilo quc nao ¡odc dizcr. Na vcrdadc,
qucn nao cסrinc os scniincnios da ¡ro¡ria
alna c una csiaiua; qucn iaranclcia aquilo quc
nao cnicndcu c un ¡a¡agaio. Nos, ao conirario,
fornanos Ioncns, c dcscjanos forna-los con
ccononia dc icn¡o c dc fadiga, o quc aconicccra
sc, cn ioda a a¡rcndizagcn, andarcn juniancnic
as ¡alavras con as coisas, c as coisas con as
¡alavras.
Co¡oíu¡ío. os ííu¡os ¡uíuu¡osos dcucn sc¡
consídc¡udos Icxígus cIcíus dc ucnto.
45. Por força dcsia rcgra, dcvcrao lanir-sc das
cscolas iodos os auiorcs quc a¡cnas cnsinan
¡alavras, c nao fazcn adquirir ncnIun
conIccincnio dc coisas uicis. Con cfciio, dcvc
icr-sc naior cuidado con aquilo quc valc nais.
321
«In¡oria ¡roccdcr dc nodo quc nao scjanos
cscravos das ¡alavras, nas do scniido», cscrcvcu
Scncca na Cu¡tu 9|8|. Sc qucrcis quc scjan lidos
ccrios livros, fazci-os lcr fora da cscola, dc
¡assagcn c a corrcr, scn cסlicaçõcs ¡roli×as c
faiiganics c scn un csforço aiurado dc iniiaçao,
¡ois cssc csforço ¡odcra dis¡cndcr-sc nais
uii1ncnic cn coisas nais ¡osiiivas.
II. Juntu¡ u ícítu¡u c u csc¡ítu.
46. Tanlcn os c×crcícios dc lciiura c dc cscriia
sc farao scn¡rc junios, con grandc ccononia dc
icn¡o c dc fadiga. Na vcrdadc, c quasc in¡ossívcl
c×cogiiar ¡ara os alunos do a l c un csiínulo ou
un airaiivo nais foric do quc nandar-lIcs
a¡rcndcr as lciras, cscrcvcndo-as. Con cfciio,
¡orquc c quasc naiural às crianças qucrcrcn
¡iniar, dclciiar-sc-ao con csic c×crcício;
cnircianio, a sua força inaginaiiva dcscnvolvcr-
sc-a du¡lancnic. Assin, nais iardc, quando
soulcrcn lcr corrcnicncnic, c×crciicn-sc
naquclas naicrias quc ¡osicriorncnic icrao dc
a¡rcndcr, ¡or c×cn¡lo, naquclas naicrias quc
inculcan o conIccincnio das coisas, a noral c a
¡icdadc. Assin, quando ¡rinci¡ian a a¡rcndcr a
lcr o laiin, o grcgo c o Iclraico, consiiiuira una
ccononia dc icn¡o c dc fadiga rc¡ciir as
dcclinaçõcs c as conjunçõcs, fazcndo-as rclcr c
co¡iar nuiias c nuiias vczcs, aic quc os alunos
as sailan lcr c cscrcvcr, conIcçan o significado
322
das ¡alavras con scgurança c, finalncnic,
sailan fornar lcn as dcsincncias. Eis, ¡orianio,
ncsic caso, un quadru¡lo fruio dc un so c
ncsno iralalIo! Podcra, a scguir, cn qualqucr
gcncro dc csiudos, a¡licar-sc csic uiilíssino
nciodo dc ccononia dc icn¡o c dc fadiga, dc ial
nancira quc iodos os fruios quc sc rccolIcn da
lciiura, a ¡cna os iransfornc nun cor¡o, cono
diz Scncca|9|; ou, cono cscrcvc Sanio
AgosiinIo|10| dc si ncsno, ¡ara quc ¡rogrcdindo
cscrcvanos, c cscrcvcndo ¡rogridanos.
III. Os cxc¡cìcíos csc¡ítos sc¡un, uo ncsno tcn¡o,
cxc¡cìcíos du ncntc c du Iocu.
47. Os c×crcícios cscriios cosiunan gcralncnic
fazcr-sc scn cscolIcr a naicria c scn ¡rocurar a
conc×ao dos icnas, dc ondc rcsulia quc sao
ncros c×crcícios dc cscriia c ¡ouco ou nada
c×crciian a ncnic; nais ainda, aconiccc quc,
cnlora scjan clalorados con csforço, sc iornan
dc¡ois farra¡os dc ¡a¡cl, scn ncnIuna uiilidadc
¡ara a vida. Dcvc, ¡orianio, c×crciiar-sc a ¡cna
naqucla naicria cicniífica ou liicraria, na qual sc
c×crciia a inicligcncia na aula, fazcndo con¡or
aos alunos, ou rclaios Iisioricos (accrca dos
invcniorcs da aric dc quc sc iraia, accrca dos
lugarcs c das c¡ocas, cn quc, dc nodo cs¡ccial,
florcsccran, c coisas scnclIanics}, ou
concniarios, ou cnsaios dc iniiaçao, ¡ara quc,
con o ncsno iralalIo, a ¡cna c a inicligcncia sc
323
c×crciicn, cnquanio quc csias coisas sao ianlcn
rcciiadas ¡cla língua.
IV. Con¡ugucn-sc o u¡¡cndc¡ c o cnsínu¡.
48. Cono sc ¡ossa cnsinar incdiaiancnic iudo
aquilo quc sc a¡rcndc, nosirano-lo no fin do
ca¡íiulo XVIII|11|; nas cono isio ajuda, nao so a
solidcz, nas ianlcn a ra¡idcz do ¡rogrcsso, diz
rcs¡ciio ianlcn ao arguncnio dc quc iraianos
agora.
V. As coísus ¡ocosus dcucn ¡untu¡-sc us sc¡íus.
V. 49. Finalncnic, conscguir-sc-a una noiavcl
ccononia dc icn¡o c dc fadiga, sc as coisas
jocosas, quc sc conccdcn aos jovcns ¡ara lIcs
rccrcar o cs¡íriio, forcn iais quc lIcs
rc¡rcscnicn ao vivo as coisas scrias da vida c
cricn nclcs o Ialiio das coisas scrias.
Efciivancnic, as arics nanuais, os assunios
cconónicos, os ncgocios ¡olíiicos, o c×crciio, a
arquiiciura c ouiras coisas ¡odcn rc¡rcscniar-sc
airavcs dos insiruncnios quc lIcs sao ¡ro¡rios.
É ainda ¡ossívcl ¡rc¡arar os cs¡íriios ¡ara o
csiudo da ncdicina, sc, na ¡rinavcra, sc
conduzcn a un can¡o ou a un jardin c sc lIcs
nosira as cs¡ccics das crvas, ¡crniiindo-sc una
salaiina, ¡ara vcr qucn conIccc naior nuncro.
Assin, nao so sc iornara cvidcnic quais os quc,
¡or naiurcza, sao inclinados ¡ara a loianica, nas
ianlcn sc accndcrao incdiaiancnic cIanas no
324
coraçao dos alunos. E ¡odcria, ¡ara naior
csiínulo, a qucn naiorcs ¡rogrcssos fizcr ncsic
can¡o, dar-sc o iíiulo dc douto¡, ííccncíudo ou
IucIu¡cí cn ncdicina. Do ncsno nodo, nos
ouiros c×crcícios. ¡or c×cn¡lo, no c×crciio,
¡odcn airiluir-sc os iíiulos dc gcnc¡uí, co¡oncís,
cu¡ítucs c ¡o¡tu-Iundcí¡us; na ¡olíiica, o dc ¡cí,
conscíIcí¡os du co¡ou, ¡¡íncí¡o níníst¡o, nu¡ccIuí,
scc¡ctu¡íos, cnIuíxudo¡cs, cic.; c ainda o dc
consuí, scnudo¡cs, ¡¡csídcntcs dus cdnu¡us,
usscsso¡cs, cic. Esias lrincadciras conduzcn a
coisas scrias. Eniao, rcalizarcnos ¡lcnancnic o
scguinic voio dc MariinIo Luicro. «ocu¡ar a
juvcniudc, nas cscolas, con csiudos scrios, nas
dc nodo quc dclcs iircn ¡razcr nao ncnor do quc
sc ¡assasscn os dias iniciros a jogar às
¡cdrinIas»|12|. Assin, as cscolas scrao una
agradavcl ¡rc¡araçao ¡ara a vida.
PROBLEMA VII
Cono conucn cn tudo ¡¡occdc¡ g¡uduuíncntc.
O nístc¡ío du g¡uduuçuo díz ¡cs¡cíto tunIcn u
cstc ussunto.
50. Esiudanos a nancira dc usar o nciodo
gradual, no ca¡íiulo XVI, fundancnios V, VI, VII
c VIII, c no ca¡íiulo XVIII, fundancnios V, VI c
VII. É scgundo cssas nornas quc dcvcrao rcdigir-
sc os livros dc ic×io ¡ara as cscolas dc
Iunanidadcs, nas acrcsccniando-lIcs algunas
325
indicaçõcs nciodologicas ¡ara os ¡rofcssorcs,
accrca do nodo dc usar lcn c ¡roniancnic csscs
livros, a fin dc quc a insiruçao, a noral c a
¡icdadc ¡ossan aiingir gradualncnic a sua
¡crfciçao.
PROBLEMA VIII
Do nodo dc su¡¡íní¡ c dc cuítu¡ os ut¡usos
Nuo t¡utu¡ dc cc¡tus coísus.
51. Una vcz quc, nao scn razao, sc icn diio quc
«nao Ia coisa nais va quc salcr c a¡rcndcr
nuiias coisas, ou scja, coisas quc nao virao a
scrvir ¡ara nada», c ainda quc «salc, nao qucn
salc nuiias coisas, nas qucn salc coisas uicis»,
¡odcrao iornar-sc nais faccis os iralalIos
cscolarcs, fazcndo alguna ccononia no cnsino
das coisas, isio c, sc nao sc cnsinar.
I. Coisas nao ncccssarias;
II. Coisas anii¡aiicas (uíícnu};
III. Porncnorcs insignificanics.
I. Nuo t¡utu¡ dc coísus nuo ncccssu¡íus (cono suo
nuítus dus quc sc cncont¡un nos ííu¡os dos
¡uguos).
52. Sao coisas nao ncccssarias aquclas quc nao
favorcccn ncn a noral, ncn a ¡icdadc, c scn as
quais, iodavia, a insiruçao nao sofrc qualqucr
326
dano. Sao assin os noncs c a Iisioria dos ídolos
c dos riios ¡agaos, c ainda as csquisiiiccs c
coisas scnclIanics dos ¡ocias c dos
concdiografos dc cngcnIo lu×urioso c aic
icndcnic ¡ara a lascívia. Sc, una ou ouira vcz,
inicrcssar a algun lcr iais coisas nos auiorcs ¡or
clc usados, quc as lcia; nas, nas cscolas, ondc
dcvcn lançar-sc os fundancnios da salcdoria,
colocar dianic dos alunos iais coisas nao iraz
uiilidadc ncnIuna. «Quc csiuliícia, c×clana
Scncca, a¡rcndcr coisas su¡crfluas, quando
icnos iania falia dc icn¡o! Nada sc a¡rcndc,
¡orianio, a¡cnas ¡ara a cscola, nas ¡ara a vida,
¡ara quc, quando sc sair da cscola, nada scja
lcvado ¡clo vcnio»|13|
II. Nuo t¡utu¡ dc coísus untí¡utícus (cono suo
cc¡tos oI¡ctos ¡u¡u cc¡tos cngcnIos).
53. Sao anii¡aiicas as coisas quc nao sao
conforncs ao cngcnIo dcsic ou daquclc. Con
cfciio, assin cono c varia a índolc das crvas, das
arvorcs c dos aninais, c assin cono un scr Ia-
dc iraiar-sc dc un nodo c ouiro dc ouiro nodo, c
ncn iodas as coisas sc ¡odcn uiilizar igualncnic
¡ara os ncsnos fins, assin ianlcn aconiccc
con os cngcnIos dos Ioncns. É ccrio quc nao
falian cngcnIos fclizcs, os quais ¡cnciran ondc
qucrcn, nas ianlcn nao falian aquclcs quc,
¡cranic ccrios oljcios, sc ¡criurlan c sc
olscurcccn dc nodo csiranIo. Dcicrninado
327
indivíduo, nas cicncias cs¡cculaiivas, c una
aguia, cnquanio quc, nos csiudos ¡raiicos, c
cono un lurro dianic dc una lira. Un ouiro,
Ialil cn iodas as ouiras disci¡linas, nao da nada
na nusica; c o ncsno aconiccc con ouiros,
rclaiivancnic à naicnaiica, ou à ¡ociica, ou à
logica, cic. Ncsics casos, quc dcvc fazcr-sc?
Qucrcr iirar da naiurcza aquilo quc cla nao icn c
luiar conira a naiurcza, nun csforço inuiil. Con
cfciio, ou nao sc a¡rovciia nada, ou cniao o
¡rovciio nao con¡cnsa o csforço. E cono o
¡rofcssor c ninisiro, c nao scnIor, ncn
fornador, ou rcfornador da naiurcza, sc vc quc
algun dos scus alunos csia a fazcr qualqucr
coisa conira a voniadc|14|, nao o forcc, c icnIa a
cs¡crança dc quc, cono cosiuna aconicccr,
aquclc aluno con¡cnsara cn ouira disci¡lina a
dcficicncia naqucla naicria. Efciivancnic,
quclrado ou coriado un rano a una arvorc, os
ouiros dcscnvolvcn-sc con nais vigor, ¡ois ioda
a força ¡assa ¡ara clcs. E quando ncnIun aluno
for consirangido a fazcr qualqucr coisa conira a
voniadc, nada Iavcra quc gcrc a nausca c
cnior¡cça a ncnic, scja a qucn for, nas cada un
¡rogrcdira facilncnic naquclcs csiudos ¡ara os
quais (¡or dis¡osiçao da divina ¡rovidcncia} o
arrasia un oculio insiinio, c, nais iardc, no
lugar quc convcn às suas ca¡acidadcs, scrvira
uiiilncnic a Dcus c à socicdadc Iunana.
III. Nuo t¡utu¡ dc ¡o¡ncno¡cs ínsígní¡ícuntcs.
328
54. Do ncsno nodo, sc algucn quiscssc
cnuncrar as níninas ¡ariicularidadcs (cono
iodas as difcrcnças das crvas c dos aninais, c
ainda iodas as aiividadcs dos ariisias, os noncs
dos scus insiruncnios, c coisas scnclIanics},
iornar-sc-ia ¡roli×o c confuso c, ¡or
conscqucncia, cnfadonIo. Dasia, ¡orianio, nas
cscolas, ¡assar cn rcscnIa os gcncros das coisas
con as suas ¡rinci¡ais difcrcnças (nas
vcrdadciras}, dcsdc quc ial rcscnIa scja con¡lcia
c solida; as ouiras coisas, na ocasiao ¡ro¡ícia,
a¡rcscniar-sc-ao ¡or si à inicligcncia.
Efciivancnic, assin cono qucn qucr sair
ra¡idancnic viiorioso do ininigo, nao sc dcnora
a dar o assalio a iodas as ¡cqucnas ¡osiçõcs,
nas aicndc aos as¡ccios nais in¡orianics da
gucrra, con a ccricza dc quc, sc vcnccr o grosso
do c×crciio, c cסugnar as ¡rinci¡ais foriificaçõcs,
iudo o rcsio sc lIc cnircgara cs¡oniancancnic c
¡assara ¡ara o scu ¡odcr, assin ianlcn
aconicccra no caso quc nos inicrcssa, dc nodo
quc, sc sc conscguir sulncicr à inicligcncia as
coisas ¡rinci¡ais, as ninucias acalarao ¡or
csclarcccr-sc ¡or si ncsnas. A csic gcncro dc
olsiaculos ¡cricnccn os vocalularios c os
dicionarios cIanados con¡íctos, ou scja, aquclcs
quc alrangcn iodos os vocalulos dc una língua;
c una vcz quc una loa ¡aric dclcs nunca virao a
scr usados, ¡ara quc olrigar os jovcns a a¡rcndc-
los c a solrccarrcgar con clcs a ncnoria?
329
Eis o quc qucria dizcr accrca da ccononia dc
icn¡o c dc fadiga quc ¡odc fazcr-sc quando sc
cnsina c quando sc a¡rcndc.
330

Capítulo XX
MÉTODO PARA ENSINAR
AS CIÊNCIAS EM GERAL
Os ¡íucIos dcucn con¡íuí¡ ¡u¡u un ¡ío.
1. Fcunanos, finalncnic, cn un so lugar, as
olscrvaçõcs dis¡crsas, aqui c alcn, accrca do
nodo dc cnsinar nciodicancnic as cicncias, as
arics, as línguas, a noral c a ¡icdadc. Dissc
«nciodicancnic», isio c, dc nodo facil, solido c
ra¡ido.
A cícncíu c u uísuo du ncntc, cxígíndo os ncsnos
¡cquísítos quc u uísuo dos oíIos.
2. A cicncia ou conIccincnio das coisas, una vcz
quc nao c scnao una visao inicrna das coisas,
c×igc os ncsnos rcquisiios quc a olscrvaçao ou
visao c×icrna, ou scja, os olIos, o oljcio c a luz.
Dados csics ncios, scguc-sc a visao. Ora os olIos
da visao inicrna c a ncnic ou cngcnIo; o oljcio
sao iodas as coisas colocadas fora c dcniro da
inicligcncia; a luz c a dcvida aicnçao. Mas, assin
cono, na visao c×icrna, c ¡rcciso usar una
iccnica ¡ro¡ria, sc sc qucr vcr as coisas iais cono
sao, assin ianlcn, na cicncia, c ¡rcciso usar un
nciodo ¡ro¡rio, a fin dc quc as coisas sc
a¡rcscnicn à inicligcncia dc nodo quc csia as
a¡rccnda c conIcça con ¡roniidao c ccricza.
331
3. En rcsuno, dcvcn ¡ro¡orcionar-sc ao
adolcsccnic, quc dcscja ¡cncirar a fundo as
¡arics nais inirincadas das cicncias, as quairo
condiçõcs scguinics.
I. Quc icnIa ¡uros os olIos da inicligcncia;
II. Quc os oljcios lIc csicjan ¡ro×inos;
III. Quc ¡rcsic aicnçao; c cniao
IV. Quc sc lIc ofcrcçan as coisas quc csiao
rclacionadas con ouiras coisas, con o dcvido
nciodo. Assin, con¡rccndcra iudo, lcn c
dc¡rcssa.
I. Cono consc¡uu¡ ¡u¡os os oíIos du ncntc.
4. Nao csia nas naos dc ningucn rccclcr una
inicligcncia doiada dcsias ou daquclas
qualidadcs. Dcus, a scu lcnc¡laciio, disirilui
csics cs¡clIos da ncnic, csics olIos inicriorcs.
Esia, iodavia, cn nosso ¡odcr nao ¡crniiir quc
csics nossos cs¡clIos sc cnlacicn dc ¡o c
¡crcan o scu lrilIo. Sao ¡o as ocu¡açõcs
ociosas, vas c inuicis da ncnic. Con cfciio, o
nosso cs¡íriio csia cn coniinuo novincnio cono
una no quc gira, a quc os scniidos c×icrnos,
scus Ialiiuais ninisiros, forncccn
consianicncnic naicria, ionada dc qualqucr
¡aric, nas, a naioria das vczcs (a nao scr quc a
razao, su¡rcna ins¡ciora, csicja lcn aicnia},
332
forncccn-lIc coisas vas, ou scja, cn vcz dc irigo c
ccvada, forncccn-lIc folIclIos, ¡alIa, arcia,
dcs¡crdícios c coisas scnclIanics. E cniao
aconiccc cono na no. iodos os luracos sc
cncIcn dc ¡o. Prcscrvar, ¡orianio, a nossa no
inicrior, a ncnic (quc c ianlcn un cs¡clIo}, da
¡ocira, significa Ialiiuar scnsaiancnic a
juvcniudc às coisas Ioncsias c uicis, nanicndo-a
afasiada das ocu¡açõcs frívolas.
II. Cono u¡¡oxínu¡ os oI¡ctos.
5. Ora, ¡ara quc o cs¡clIo rcfliia lcn os oljcios,
cn ¡rinciro lugar, c ncccssario quc os oljcios
scjan solidos c cvidcnics, c, cn scgundo lugar,
quc csscs ncsnos oljcios scjan a¡rcscniados
aos scniidos. Con cfciio, a ncllina c ouiras
coisas scnclIanics, ¡ouco consisicnics, nao
lrilIan, c rcflcicn-sc dcnasiado dclilncnic no
cs¡clIo; c as coisas afasiadas nao sc rcflcicn dc
nodo algun. Porianio, os oljcios quc sc qucr
fazcr conIcccr à juvcniudc dcvcn scr coisas, nao
sonlras dc coisas; c coisas solidas, vcrdadciras c
uicis, quc ¡roduzan loa in¡rcssao nos scniidos
c na inaginaçao; c ¡roduzi-la-ao sc sc a¡ro×inan
ianio quc os in¡rcssioncn.
Tudo ¡o¡ ncío du uçuo dí¡ctu du uístu.
6. Por isso, scja ¡ara os ¡rofcssorcs rcgra dc
ouro. quc cada coisa scja a¡rcscniada àquclc dos
scniidos a quc convcn, ou scja, as coisas visívcis
333
à visia, as audívcis ao ouvido, as odorosas ao
olfaio, as salorosas ao gosio, as iangívcis ao iaio;
c sc algunas ¡odcn, ao ncsno icn¡o, scr
¡crcc¡cionadas ¡or varios scniidos, scjan
colocadas, ao ncsno icn¡o, dianic dc varios
scniidos, cono sc dissc no ca¡íiulo XVII,
fundancnio VIII.
T¡í¡íu ¡uzuo dcstu ¡cg¡u
7. Isio lascia-sc cn ircs razõcs validas.
l. ¡o¡quc os scntídos duo concço uo
conIccíncnto.
1. O conIccincnio dcvc ncccssariancnic
¡rinci¡iar ¡clos scniidos (una vcz quc nada sc
cnconira na inicligcncia, quc ¡rinciro nao icnIa
¡assado ¡clos scniidos}. Porquc c quc cniao o
cnsino Ia-dc ¡rinci¡iar ¡or una cסosiçao vcrlal
das coisas, c nao ¡or una olscrvaçao rcal dcssas
ncsnas coisas? Soncnic dc¡ois dc csia
olscrvaçao das coisas icr sido fciia, vira a
¡alavra, ¡ara a cסlicar nclIor.
2.¡o¡quc o to¡nun cc¡to.
2.8. Scgunda. a vcrdadc c a ccricza da cicncia
ianlcn nao dc¡cndcn scnao do icsicnunIo dos
scniidos. Con cfciio, as coisas in¡rincn-sc
¡rincirancnic c incdiaiancnic nos scniidos, c
dc¡ois, graças aos scniidos, na inicligcncia. É
334
¡rova disso o faio dc quc, ao conIccincnio
scnsiiivo, sc ¡rcsia asscniincnio ¡or si ncsno,
ao ¡asso quc, no raciocínio ou na afirnaçao dc
ouircn, ¡ara sc icr a ccricza, rccorrc-sc ao
icsicnunIo dos scniidos. Dc faio, nao nos fianos
na razao scnao quanio ao quc ¡odc dcnonsirar-
sc con a induçao cs¡ccífica dc c×cn¡los (c c
¡clos scniidos quc sc vcrifica sc clcs ncrcccn fc}.
Sc julganos quc nos cnconiranos cn ¡rcscnça
dc coisas conirarias à nossa ¡ro¡ria cסcricncia
scnsívc1, nao nos dci×anos convcnccr ¡clos
icsicnunIos dc ouircn. Por isso, quanio nais o
salcr dcriva dos scniidos, ianio nais c ccrio. En
conscqucncia disso, sc qucrcnos quc os alunos
sailan as coisas con vcrdadc c con ccricza, c
ncccssario fazcr iudo ¡ara lIas cnsinar iodas ¡or
ncio da açao dircia da visia c da ¡crcc¡çao
scnsívcl.
3. ¡o¡quc o con¡íun u ncnò¡íu.
9. E ¡orquc os scniidos sao o nais ficl
dis¡cnsciro da ncnoria, cssa dcnonsiraçao
scnsívcl dc iodas as coisas icn ¡or cfciio quc,
iudo o quc sc salc airavcs dcla, sc salc ¡ara
scn¡rc. Con cfciio, sc, ainda quc una so vcz,
salorcci o açucar, sc alguna vcz vi un canclo, sc
alguna vcz ouvi caniar un rou×inol, sc alguna
vcz csiivc cn Fona c a visiici (con a ncccssaria
aicnçao, lcn cnicndido}, csias coisas adcrcn
fi×adancnic à ncnoria c nao ¡odcn dcs¡rcndcr-
335
sc. Daqui sc vc quc, con inagcns, facilncnic sc
¡odc in¡rinir na ncnic das crianças a Iisioria
sagrada c ouiras Iisiorias. E c cvidcnic quc cada
un dc nos inagina nais facilncnic c nais
icnazncnic o quc c un rinoccronic, sc, ao ncnos
una vcz, o viu (ncsno quc fossc cn inagcn}; c
qucn ionou ¡aric ¡cssoalncnic nuna cn¡rcsa,
conIccc a sua Iisioria con nais ccricza do quc
sc, icndo csiado auscnic, a ouvissc coniar
ccnicnas dc vczcs. Daqui o diio dc Plauio. «Una
so icsicnunIa ocular valc nais quc dcz
icsicnunIas auricularcs»|1|. E o dc Horacio.
«aquclas coisas quc vcn ¡clos ouvidos dcs¡crian
nuiio nais lcniancnic a aicnçao quc as quc sc
a¡rcscnian à fidclidadc dos olIos do olscrvador
c quc clc vc ¡or si ncsno»|2|. Dcsic nodo, qucn,
una vcz, olscrvou aicniancnic a anaionia do
cor¡o Iunano, cnicndc c rccordar-sc-a dc iodas
as coisas con nais ccricza do quc qucn lcu
c×icnsos iraiados dc anaionia, scn olscrvaçao
ocular. Daqui a na×ina. A oIsc¡uuçuo ocuíu¡ ¡uz
us uczcs du dcnonst¡uçuo.
G¡undc utííídudc dus ínugcns no cnsíno.
10. Sc ¡orvcniura nao c ¡ossívcl icr as coisas à
nao, ¡odcn uiilizar-sc os rc¡rcscnianics dclas,
isio c, nodclos ou dcscnIos fciios cs¡ccialncnic
¡ara o cnsino, cono foi ja uliinancnic ¡osio cn
¡raiica ¡clos ¡rofcssorcs dc loianica, dc zoologia,
336
dc gconciria, dc gcodcsia c dc gcografia, quc
junian inagcns às suas dcscriçõcs.
N.H. Esqucícto u¡tí¡ícíuí do co¡¡o Iununo.
Assin conviria fazcr ianlcn no cnsino da física c
dc ouiras disci¡linas. Por c×cn¡lo, cn nosso
cnicndcr, o funcionancnio do cor¡o Iunano
cnsinar-sc-a nuiio do cor¡o lcn ¡or ncio dc
dcnonsiraçõcs ocularcs, sc, à volia dc cada osso
dc un csquclcio Iunano (cono aquclcs quc
Ialiiualncnic sc cnconiran nas Acadcnias, ou
cniao fciios dc nadcira}, sc colocan os nusculos,
os icndõcs, os ncrvos, as vcias c as aricrias,
juniancnic con as vísccras, os ¡ulnõcs, o
coraçao, o diafragna, o fígado, o csiónago c os
inicsiinos, fciios dc ¡clcs cIcias dc la. Todas
csias ¡arics do cor¡o Iunano dcvcn, ¡orcn, scr
colocadas no scu dcvido lugar c scr
¡ro¡orcionadas, cscrcvcndo-sc solrc cada una
dclas o scu nonc c aquilo ¡ara quc scrvc.
Efciivancnic, sc un csiudanic dc Iisioria
naiural c conduzido a vcr csic nancquin, quc,
dianic dclc, c dcsnoniado, ¡ara quc olscrvc
iodas as suas ¡arics, una ¡or una, clc
cnicndcra iodas as coisas cono quc divcriindo-sc
c, a ¡ariir dc cniao, con¡rccndcra a csiruiura do
scu cor¡o. Scria ncccssario, ¡orianio, consiruir
insiruncnios dcsic gcncro (isio c, nodclos das
coisas, ¡ois ncn scn¡rc c ¡ossívcl icr à nao
coisas vcrdadciras}, cn iodos os can¡os do
337
salcr, dc nodo a ¡odcr ic-los à nao nas cscolas.
Enlora, ¡ara fazcr csias coisas, scja ncccssaria
alguna dcs¡csa c un ¡ouco dc ¡crícia, iodavia, o
rcsuliado con¡cnsara iodos os csforços.
Sc todus us coísus ¡odcn sc¡ u¡¡cscntudus uos
scntídos.
11. Sc algucn duvidassc quc iodas as coisas,
ncsno as cs¡iriiuais c auscnics (as quais sc
cnconiran ou aconicccn no ccu ou nos alisnos,
ou nas rcgiõcs uliranarinas}, ¡odcn, dcsic nodo,
scr sulnciidas aos scniidos, lcnlrc-sc quc, ¡or
olra da divina ¡rovidcncia, iodas as coisas foran
fciias con ¡crfciia Iarnonia, dc nodo quc as
coisas su¡criorcs ¡odcn scr rc¡rcscniadas ¡or
ncio das infcriorcs, as auscnics ¡or ncio das
¡rcscnics, c as invisívcis ¡or ncio das visívcis,
cono o dcnonsira con suficicnic clarcza o
Muc¡oníc¡ocosnos dc Folcrio Fluiius, o qual
nosira ariificialncnic cono sc gcran os vcnios,
as cIuvas c os irovõcs|3|. E nao Ia duvida quc
iais coisas ¡odcn ainda rcduzir-sc a naior
cvidcncia c a naior facilidadc.
III. En quc consístc u íuz du utcnçuo.
12. O quc disscnos rcfcrc-sc à a¡rcscniaçao dos
oljcios aos scniidos. Falcnos agora da luz, ¡ois,
sc cla falia, c cn vao quc sc colocan os oljcios
dianic dos olIos. A luz do salcr c a aicnçao,
graças à qual o aluno, con a inicligcncia ¡rcscnic
338
c, ¡or assin dizcr, alcria, rccclc iodas as coisas.
Con cfciio, assin cono, às cscuras c con os
olIos fccIados, ningucn vc scja o quc for, ncsno
quc o oljcio sc cnconirc nuiio ¡crio dos olIos,
assin ianlcn, sc sc diz ou sc sc nosira
qualqucr coisa a qucn nao csia aicnio, cla
¡assar-lIc-a dcsa¡crcclida aos scniidos, cono sc
vc aconicccr àquclcs quc, disiraídos ¡or ouiros
¡cnsancnios, nao sc a¡crcclcn dc nuiias coisas
quc succdcn na sua ¡rcscnça. Porianio, do
ncsno nodo quc qucn qucr nosirar a ouiro,
duranic a noiic, una coisa, dcvc ncccssariancnic
accndcr a lan¡ada c cs¡cviia-la nuiias vczcs,
¡ara quc dc una luz clara, assin ianlcn o
¡rofcssor, sc qucr iluninar con o conIccincnio
das coisas un aluno circundado ¡clas ircvas da
ignorancia, a ¡rincira coisa quc icn a fazcr c
dcs¡criar nclc a aicnçao, a fin dc quc a ncnic,
scdcnia das coisas, lcla aquilo quc sc lIc
cnsina. O nodo cono isio dcvc scr fciio,
nosirano-lo no ca¡íiulo XVII c no ca¡íiulo XIX.
IV. Çuc cxígc o nctodo dc u¡¡cscntu¡ us coísus
¡o¡ ncío dc unu íuz cíu¡u¯
13. Ainda rclaiivancnic à luz, dcvc falar-sc agora
do nodo ou do nciodo dc a¡rcscniar os oljcios
dc ial nancira aos scniidos quc clcs ¡roduzan
una in¡rcssao duradoura. Farcnos lcn,
dccalcando o ¡roccsso dcsic nciodo solrc a
iccnica da visao c×icrna. Ora, quando sc qucr vcr
339
una coisa lcn visia, c ncccssario. 1. coloca-la
dianic dos olIos; 2. nao dcnasiado longc, nas à
disiancia convcnicnic; 3. nao dc lado, nas cn
frcnic dos olIos; 4. c nao invcricndo ou ¡ondo dc
iravcs a facc da coisa, nas nanicndo-a dirciia; 5.
dc nodo quc os olIos ¡ossan, dc un so gol¡c,
alrangc-la ioda; 6. c, dc¡ois, c×aninar cada una
das ¡arics sc¡aradancnic; 7. scguindo una
ordcn nciodica, dcsdc o ¡rincí¡io aic ao fin; 8.
insisiindo, dc¡ois, no c×anc dc cada ¡aric; 9. aic
quc iodas as ¡ariicularidadcs scjan lcn
disiinguidas, graças à ¡crcc¡çao das difcrcnças.
Olscrvando dcvidancnic csias rcgras, a visao
rcaliza-sc adcquadancnic; nas lasia csqucccr
una ¡ara quc cla dci×c dc sc rcalizar ou sc
rcalizc nal.
Escíu¡ccc-sc o ussunto con un cxcn¡ío.
14. Por c×cn¡lo. sc algucn qucr lcr una caria
quc lIc foi cnviada ¡or un anigo, c ncccssario. 1.
quc a a¡rcscnic aos olIos (¡ois, sc a nao vc,
cono ¡odc lc-la?}; 2. quc a a¡ro×inc dos olIos a
una disiancia adcquada (a dcnasiada disiancia,
a visia nao disiinguc}; 3. quc a ¡onIa dc frcnic (o
quc sc vc dc iravcs, vc-sc confusancnic}; 4. quc a
coloquc dirciia dianic dc si (cfciivancnic, sc sc
a¡rcscnia aos olIos una caria ou un livro do
invcs, ou dc iravcs, qucn os ¡odcra lcr?}; 5. c
¡rcciso quc, anics dc iudo, sc olscrvcn as coisas
nais gcrais da caria, isio c, qucn a cscrcvc, a
340
qucn, dc ondc c quando (scn o conIccincnio
¡rcvio dcsias coisas, os ¡orncnorcs do ic×io
scrao nuiio ncnos claros}; 6. quc, a scguir, sc
lcia iudo o rcsio, dc nodo quc nao csca¡c nada
(dc ouira nancira, nao sc ionara conIccincnio
dc iodas as coisas, c ¡odcra ncsno aconicccr
quc sc nao cIcguc ao oljciivo ¡rinci¡al}; 7. c
¡rcciso quc sc lcia ordcnadancnic cada ¡críodo,
cono csiao no ic×io, un a scguir ao ouiro (sc sc
iona un ¡cdaço aqui c ouiro alcn, un ¡críodo
daqui c ouiro dc alcn, dcsliga-sc c confundc-sc o
scniido}; 8. dcvc dcnorar-sc cn cada una das
coisas, aic quc sc cnicndan iodas c cada una cn
¡ariicular (cfciivancnic, sc sc da à caria a¡cnas
una ra¡ida olIadcla, facilncnic qualqucr coisa
dc uiil ¡assara dcsa¡crccliçla à ncnic}; 9.
finalncnic, ionado conIccincnio dc iodas as
coisas, ¡rcsic-sc aicnçao à difcrcnça cnirc unas
coisas c ouiras, nais ou ncnos ncccssarias.
A¡íícuçuo u u¡tc dc cnsínu¡ us cícncíus ¡o¡ ncío
dc nouc ¡cg¡us.
15.Dcsias olscrvaçõcs, rcsulian, ¡ara os quc
cnsinan as cicncias, novc rcgras nuiio uicis.
I. Hcg¡u
I. Ensinc-sc iudo o quc sc dcvc salcr.
Efciivancnic, sc sc nao ofcrcccn ao aluno
aquclas coisas quc clc dcvc salcr, dc ondc as vira
341
a salcr? AlsicnIan-sc, ¡orianio, os ¡rofcssorcs
dc nanicr qualqucr coisa cscondida dos alunos,
qucr inicncionalncnic, cono fazcn
Ialiiualncnic os invcjosos c os dcslcais, qucr ¡or
ncgligcncia, cono cosiunan fazcr aquclcs quc
qucrcn icrninar o scu iralalIo o nais ccdo
¡ossívcl. Ncsias coisas, c ncccssario a loa fc c o
zclo.
II. Hcg¡u.
16. Tudo o quc sc cnsina, cnsinc-sc cono coisa
do nundo dc Iojc, c dc uiilidadc ccria.
Isio ¡ara quc o aluno vcja quc aquilo quc a¡rcndc
nao sao coisas vindas do ¡aís da uio¡ia|4| ou das
idcias dc Plaiao, nas coisas quc vcrdadcirancnic
csiao à nossa volia c cujo conIccincnio ¡crfciio c
rcalncnic uiil ¡ara a vida. Assin, a ncnic
lançar-sc-a a clas con naior ardor c disccrni-las-
a con naior c×aiidao.
III. Hcg¡u.
17. Tudo o quc sc cnsina, cnsinc-sc dc una
nancira dircia, c nao con rodcios.
Efciivancnic, vcnos as coisas dirciancnic, c nao
dc iravcs, quando, nao soncnic as vcnos,
confusa c olscurancnic, nas as a¡rccndcnos
con a visia. Scja qual for a coisa, coloquc-sc
dianic dos olIos do aluno, fazcndo-lIc vcr a sua
342
csscncia nuancnic, c nao ¡or ncio dc
sulicrfugios, dc ¡alavras, dc nciaforas, dc
alusõcs c dc Ii¡crlolcs, figuras dc rciorica quc sc
usan ¡ara cngrandcccr ou dininuir as coisas ja
conIccidas, ¡ara as louvar ou rclai×ar, nas nao
¡ara as fazcr conIcccr; iraia-sc aqui dc cnfrcniar
as coisas dirciancnic.
IV. Hcg¡u.
18. Tudo o quc sc cnsina, cnsinc-sc ial qual c c
aconiccc, isio c, ¡clas suas causas.
Con cfciio, o conIccincnio c ¡crfciio quando as
coisas sc conIcccn iais quais sao, ¡ois sc sao
conIccidas dc nodo divcrso do quc sao, o
conIccincnio nao c vcrdadciro conIccincnio,
nas crro. Toda a coisa c ial cono foi fciia, ¡ois sc
c difcrcnic dc cono foi fciia, dcvc cnicndcr-sc quc
foi alicrada. Ora, ioda a coisa c fciia ¡clas suas
causas. Logo, cסlicar as causas da coisa, c
cnsinar a vcrdadcira cicncia da coisa, scgundo a
na×ina quc diz . salcr c conIcccr una coisa
¡clas suas causas|5|. Alcn disso, a causa c o
guia da ncnic. As coisas scrao, ¡orianio,
conIccidas nclIor, nais facilncnic c con naior
ccricza, sc forcn conIccidas cono csiao fciias.
Do ncsno nodo quc, a qucn qucr lcr una caria,
csia dcvc scr ofcrccida scgundo a ¡osiçao cn quc
csia cscriia, ¡ois lcr una caria ao invcs ou dc
iravcs c difícil, igualncnic, sc sc cסlica una
343
coisa cono cla aconiccc, scra cnicndida
facilncnic c con scgurança; sc, ao conirario, cla
c cסlicada, colocando cn ¡rinciro lugar o quc
aconicccu cn scgundo lugar, (¡cr } c
nudando, dc varios ouiros nodos, a ordcn
naiural, con ioda a ccricza quc sc ncrgulIara o
aluno na confusao. Porianio, o nciodo didaiico
dcvc scguir a ordcn das coisas. ¡rinciro, as quc
aconicccran ¡rinciro; dc¡ois, as quc
aconicccran dc¡ois.
V. Hcg¡u.
19. Tudo o quc sc ofcrccc ao conIccincnio,
ofcrcça-sc ¡rinciro dc nodo gcral, c dc¡ois ¡or
¡arics.
A razao dcsia rcgra foi cסlicada no ca¡íiulo XVI,
fundancnio VI. Ofcrcccr una coisa ¡ara scr
conIccida dc nodo gcral, consisic cn cסlicar a
csscncia c os acidcnics dc ioda cssa coisa. A
csscncia cסlica-sc ¡or ncio dcsias ¡crgunias.
Quc c? Qual c? Porquc? À ¡crgunia quc c,
rcs¡ondc o nonc, o gcncro, a nissao c a
finalidadc da coisa; à ¡crgunia quuí c, rcs¡ondc a
forna da coisa, ou scja, o nodo cn viriudc do
qual a coisa c a¡ia ¡ara o scu fin; à ¡crgunia
¡o¡quc, rcs¡ondc a cficicncia, ou scja, aqucla
força ¡cla qual a coisa sc iorna a¡ia ¡ara o scu
fin. Por c×cn¡lo. sc sc dcscja dar ao aluno un
vcrdadciro conIccincnio gcral do Ioncn dir-sc-
344
a. «O Ioncn c. 1. a criaiura dc Dcus nais
¡crfciia, dcsiinada a govcrnar as ouiras; 2.
cnriquccida con o don dc cscolIcr c dc fazcr
livrcncnic qualqucr coisa; 3. c, ¡or isso. doiada
da luz da razao, ¡ara quc ¡ossa rcgular
saliancnic as suas cscolIas c as suas açõcs».
Esic c un conIccincnio gcral do Ioncn, nas
fundancnial, ¡ois cnuncia iodas as coisas
ncccssarias accrca do Ioncn. Sc sc quiscr, a
csias coisas, ¡odcra acrcsccniar-sc ccrios
acidcnics, ianlcn dc caraicr gcral, cono, ¡or
qucn foi fciio, ondc icvc origcn, quando, cic.
Fciio isio, c ¡rcciso csiudar as ¡arics do Ioncn,
o cor¡o c a alna, dccon¡ondo o cor¡o ¡or ncio
da anaionia dos ncnlros, c cסlicando a alna
¡or ncio das faculdadcs quc a consiiiucn, cic.
Tudo isio dcvc scr fciio con a dcvida ordcn.
VI. Hcg¡u.
20. ConIcçan-sc iodas as ¡arics da coisa,
ncsno as nais ¡cqucninas, scn oniiir
ncnIuna, rcs¡ciiando a ordcn, a ¡osiçao c as
rclaçõcs quc unas icn con as ouiras.
Con cfciio, nada c inuiil, c, ¡or vczcs, c
¡rccisancnic na ¡aric nais ¡cqucnina quc rcsidc
a força das ¡arics naiorcs. E salido quc, no
rclogio, una so rodinIa ¡ariida, iorcida ou
dcslocada ¡odc fazcr ¡arar ioda a naquina; c, sc
a un cor¡o vivo sc iirar un so ncnlro, ¡odc
345
iirar-sc-lIc a vida; c, nuiias vczcs, no conic×io
dc un discurso, a nais ¡cqucna ¡alavra (cono
una ¡rc¡osiçao ou una conjunçao} nodifica c
aic invcric iodo o scniido. E assin aconiccc cn
iodas as coisas. O conIccincnio ¡crfciio dc una
coisa olicn-sc, ¡orianio, conIcccndo iodas as
suas ¡arics, c salcndo o quc c c ¡ara quc scrvc
cada una dclas.
VII. Hcg¡u.
21. Ensincn-sc iodas as coisas succssivancnic,
c, duranic o ncsno icn¡o, nao sc cnsinc scnao
una coisa so.
Con cfciio, assin cono a visia nao ¡odc, ao
ncsno icn¡o, voliar-sc ¡ara dois ou ircs oljcios,
scnao dis¡crsancnic c confusancnic (c cvidcnic
quc qucn lc un livro nao ¡odc olIar ¡ara duas
¡aginas ao ncsno icn¡o, ncn ncsno ¡ara duas
linIas, cnlora csicjan ¡ro×inas una da ouira,
ncn scqucr ¡ara duas ¡alavras, c ncn aic ¡ara
duas lciras, nas olIa ¡ara clas succssivancnic,
una a¡os a ouira}, assin ianlcn a ncnic nao
¡odc cs¡ccular scnao accrca dc una so coisa
duranic o ncsno cs¡aço dc icn¡o. Proccda-sc,
¡orianio, disiinancnic dc una coisa ¡ara ouira,
¡ara quc as inicligcncias nao scjan olsiruídas.
VIII. Hcg¡u.
346
22. Insisia-sc solrc cada naicria, aic quc cla scja
¡crfciiancnic con¡rccndida.
Nada aconiccc nun insianic, ¡ois, iudo o quc
aconiccc, aconiccc graças ao novincnio c o
novincnio in¡lica succssao. Dcvc, ¡orianio,
dcnorar-sc con o aluno cn qualqucr ¡aric do
salcr, aic quc a icnIa a¡rccndido lcn c saila
quc a salc. Conscguir-sc-a isso, inculcando,
c×aninando c rc¡ciindo, aic quc as coisas
csicjan lcn fi×as na ncnic, cono nosiranos no
ca¡íiulo XVIII, fundancnio X.
IX. Hcg¡u.
23. Ensincn-sc lcn as difcrcnças das coisas,
¡ara quc o conIccincnio dc iodas as coisas scja
disiinio.
Esia coniida una grandc vcrdadc ncsia na×ina
fanosa ( }. Qucn disiinguc lcn, cnsina
lcn. Efciivancnic, a nuliidao das coisas
¡criurla o aluno c a varicdadc confundc-o, a nao
scr quc sc uiilizcn rcncdios. no ¡rinciro caso, o
rcncdio scra a ordcn, dc nodo quc sc cnsinc
una coisa a¡os ouira; no scgundo caso, scra a
considcraçao aicnia das difcrcnças, dc nodo quc
sc iornc scn¡rc nanifcsio qual a difcrcnça quc
vai dc una coisa a ouira. A¡cnas csic ¡roccsso
fornccc un conIccincnio disiinio, claro c ccrio,
¡orquc, nao so a varicdadc, nas ianlcn a
vcrdadc das coisas dc¡cndc das difcrcnças, cono
347
o cnuncianos acina, no ca¡íiulo XVIII,
fundancnio VI.
As cícncíus quc sc cnsínun nus cscoíus dcucn sc¡
udo¡nudus con cstc nctodo.
24. Mas, ¡orquc nao c dado a iodos ¡odcr c×crccr
o ofício dc ¡rofcssor con iudo o quc clc c×igc dc
dcsircza, c ncccssario sulncicr iodas as cicncias
quc sc cnsinan nas cscolas a csias rcgras do
nciodo, a fin dc quc o cnsino nao dcscarilIc c
nao falIc no scu oljciivo. Efciivancnic, sc csias
rcgras sc fi×an c sc olscrvan csiriiancnic, scra
in¡ossívcl quc un jovcn, iniroduzido no icairo
do univcrso, nao scja ca¡az dc ¡cncirar con a
sua agudcza ioda a nagnificcncia das coisas ali
cסosias; c assin, cn ¡lcna luz, caninIar cnirc
as olras dc Dcus c dos Ioncns, con a ncsna
facilidadc con quc algucn, iniroduzido nun
¡alacio rcal ¡odc, nun dcicrninado cs¡aço dc
icn¡o c scn icdio, vcr nuiio lcn iudo o quc nclc
sc cnconira. ¡iniuras, iralalIos dc cinzcl,
ia¡cçarias c qualqucr ouiro ornancnio.
348

Capítulo XXI
MÉTODO
PARA ENSINAR AS ARTES

E ¡¡ccíso cstudu¡ nuís us u¡tcs ¡¡utícus quc us
cícncíus cs¡ccuíutíuus.
1. «A icoria das coisas c facil c lrcvc, c nao
¡roduz scnao ¡razcr; ao conirario, a sua
a¡licaçao c ardua c dcnorada, ¡ro¡orcionando
naravilIosas vaniagcns», diz Vivcs|1|. Scndo as
coisas assin, in¡oria invcsiigar con diligcncia o
nciodo dc guiar facilncnic a juvcniudc a ¡ór cn
¡raiica as coisas quc dizcn rcs¡ciio às arics
iccnicas.
T¡cs ¡cquísítos du u¡tc.
2. A aric rcqucr ircs coisas. 1. O nodclo ou
inagcn, quc c una cs¡ccic dc forna c×icrna, quc
o ariisia olscrva c icnia rc¡roduzir. 2. A naicria,
quc c aquilo a quc dcvc in¡rinir-sc a nova forna.
3. Os insiruncnios, con a ajuda dos quais sc
c×ccuia o iralalIo.
Out¡us tuntus coíus suo ¡cquc¡ídus ¡u¡u u uçuo
¡¡utícu.
349
3. Dc¡ois (quando sc ¡ossucn ja os
insiruncnios, a naicria c o nodclo}, o cnsino da
aric rcqucr. 1. a uiilizaçao dcvida dcsias ircs
coisas; 2. a sua dircçao ¡rudcnic; 3. c×crcícios
frcqucnics. Isio c, quc sc cnsinc ao aluno ondc c
cono cada una dcsias ircs coisas dcvc scr
uiilizada. E, cnquanio as uiiliza, a dirigi-las lcn,
¡ara quc nao concia crros; c, sc acaso os concic,
¡ara quc os corrija. Finalncnic, ¡ara quc dci×c
dc crrar, cnsinc-sc-lIc a afasiar-sc dos crros, aic
quc icnIa a¡rcndido a iralalIar con scgurança,
con ra¡idcz c scn concicr crros.
Onzc cunoncs ucc¡cu dcstc ussunto.
4. Fclaiivancnic a csic assunio, sao dc noiar
onzc canoncs. scis accrca da uiilizaçao; ircs
accrca da dircçao; c dois accrca do c×crcício.
I
5. A¡rcnda-sc a fazcr fazcndo.
Os nccanicos nao dcicn os a¡rcndizcs das suas
arics con cs¡cculaçõcs icoricas, nas ¡õcn-nos
incdiaiancnic a iralalIar, ¡ara quc a¡rcndan a
falricar falricando, a cscul¡ir cscul¡indo, a
¡iniar ¡iniando, a dançar dançando, cic.
Porianio, ianlcn nas cscolas, dcvc a¡rcndcr-sc
a cscrcvcr cscrcvcndo, a falar falando, a caniar
caniando, a raciocinar raciocinando, cic., ¡ara
quc as cscolas nao scjan scnao oficinas ondc sc
350
iralalIa fcrvidancnic. Assin, finalncnic, ¡clos
lons rcsuliados da ¡raiica, iodos cסcrincniarao
a vcrdadc do ¡rovcrlio. fazcndo a¡rcndcnos a
fazcr (FuI¡ícundo ¡uI¡ícunu¡}.
II
6. Façan-sc scn¡rc os iralalIos scgundo
dcicrninada forna c norna.
Olscrvando cssa forna c cssa norna, c cono quc
caninIando ¡clas suas ¡cgadas, o aluno dcvc
iniia-la. Con cfciio, nao ¡odc ainda invcniar
nada dc scu, una vcz quc ignora o quc dcvc fazcr
c cono o dcvc fazcr; ¡or isso, c ncccssario
nosirar-lIo. Alcn disso, scria una crucldadc
consirangcr algucn a fazcr aquilo quc iu qucrcs,
ignorando clc o quc iu qucrcs. Do ncsno nodo,
scria una crucldadc qucrcr quc iracc linIas
rcias, angulos rcios ou círculos rcdondos, scn
¡rinciro lIc icr nciido nas naos o csquadro, a
rcgua c o con¡asso, c scn lIc Iavcr nosirado o
uso dcsscs insiruncnios. In¡oria, ¡or isso,
¡rocurar scriancnic quc, dc iodos os iralalIos
quc dcvcn fazcr-sc na cscola, Iaja figuras ou
dcscnIos c nodclos, vcrdadciros, claros c
sin¡lcs, faccis dc cnicndcr c dc iniiar, qucr
scjan csloços ou dcscnIos das coisas, qucr
scjan ¡lanos ou «naqucics» das olras. Eniao, ja
nao scra alsurdo c×igir daquclc a qucn foi
ninisirada luz, quc vcja, daquclc quc ja sc
351
nanicn dc ¡c, quc conccc a andar, daquclc quc
salc ja nancjar os insiruncnios, quc iralalIc.
III
7. Mosirc-sc o uso dos insiruncnios, nais con a
¡raiica quc con ¡alavras, isio c, nais con
c×cn¡los quc con rcgras.
Ja aniigancnic advcriiu Quiniiliano quc «c longo
c difícil o caninIo ¡or ncio dc rcgras, nas lrcvc
c cficaz ¡or ncio dc c×cn¡los»|2|. Mas,
nornalncnic, quao ¡ouco sc rccordan dcsia
advcricncia as cscolas! É salido quc cniulIan dc
ial nancira, ncsno os ¡rinci¡ianics dc
granaiica, con ¡rccciios c rcgras, con c×ccçõcs
às rcgras c c×ccçõcs às c×ccçõcs, quc clcs, a
naioria das vczcs, nao salcn quc fazcr c
concçan anics a ficar csiu¡idos quc a cnicndcr.
Mas, na vcrdadc, nao vcnos quc os nccanicos
¡roccdan dc nodo a cnsinarcn ianias rcgras aos
scus a¡rcndizcs, nas, conduzidos csics à oficina,
nandan-nos olscrvar os scus iralalIos, c
incdiaiancnic, ¡ara quc os iniicn (¡ois o
Ioncn c un aninal iniiador. ( }, ncicn-lIcs
na nao os insiruncnios c cnsinan-lIcs cono os
dcvcn nancjar; cniao, sc sc cnganan, advcricn-
nos c corrigcn-nos, nais con o c×cn¡lo quc con
¡alavras; c a ¡raiica nosira quc a iniiaçao
facilncnic conscguc lons rcsuliados. Con cfciio,
c vcrdadcira csia lcla na×ina alcna. «Ein guicr
352
Vorgängcr findci cincn guicn NacIgängcr» (Un
lon ¡rccursor cnconira scn¡rc un lon
scguidor}|3|. E ianlcn icn aqui calincnio o diio
dc Tcrcncio. «Vai à frcnic, quc cu ic scguirci»|4|.
Dcsic nodo, vcnos as crianças a¡rcndcr a andar,
a corrcr, a falar, a cnircgar-sc a jogos varios,
a¡cnas graças à iniiaçao, scn rcgras faiiganics c
¡cnosas. Efciivancnic, as rcgras sao auicniicos
cs¡inIos ¡ara os cs¡íriios c c×igcn aicnçao c
agudcza, ao ¡asso quc con c×cn¡los aic as
calcças nais rudcs sao ajudadas. Alcn disso, so
con rcgras, ningucn scra ca¡az dc adquirir o
Ialiio dc una língua ou dc una aric; nas, con a
¡raiica, ncsno scn rcgras, ¡odc adquiri-lo
¡crfciiancnic.
IV
8. O c×crcício dcvc concçar con os ¡rinciros
rudincnios, c nao con olras acaladas.
Con cfciio, o car¡iniciro nao cnsina, logo nos
¡rinciros dias, o scu a¡rcndiz a consiruir iorrcs c
forialczas dc nadcira, nas a ¡cgar no nacIado,
a coriar a nadcira, a ¡ór cn csquadria as iravcs
c a ¡crfurar larroics, a ¡rcgar ¡rcgos c a fazcr
cncai×cs, cic. Tanlcn o ¡inior nao nanda o scu
a¡rcndiz ¡iniar rosios Iunanos, nas cnsina-lIc
a nisiurar as corcs, a nancjar os ¡inccis, a
iraçar ¡cqucnas linIas, c dc¡ois a icniar csloçar
dcscnIos, cic. E qucn cnsina una criança a lcr,
353
nao lIc coloca à frcnic un livro con¡acio, nas as
lciras do alfalcio, ¡rinciro una dc cada vcz,
dc¡ois unidas cn sílalas, a scguir unidas cn
¡alavras c finalncnic cn frascs, cic. Porianio,
ianlcn a qucn concça a csiudar a granaiica,
¡rinciro dcvc ¡ór-sc-lIc à frcnic ¡alavras, una
dc cada vcz, dc¡ois fazcr-lIas juniar duas a duas,
dc¡ois cnsinar-lIc cסrcssõcs dc una so
¡ro¡osiçao, dc¡ois dc duas c dc ircs; dc¡ois,
¡assc-sc à csiruiura dos ¡críodos c daí a un
discurso iniciro. Tanlcn na dialciica, ¡rinciro
a¡rcndan a disiinguir as coisas c os concciios
accrca das coisas ¡or ncio dos gcncros c das
difcrcnças; dc¡ois, a coordcnar as coisas scgundo
as suas rclaçõcs nuiuas (con cfciio, dc qualqucr
nancira, cada coisa icn rclaçõcs con ouira}; a
scguir, a dcfini-las c a classifica-las; finalncnic, a
c×aninar cn conjunio as coisas c os concciios
das coisas, ¡rocurando rcs¡osia ¡ara csias
¡crgunias. Quc c? Accrca dc quc? Por causa dc
quc? É ncccssaria ou coniingcnic? Naquclas
coisas cn quc ja csiivcr suficicnicncnic
c×crciiado, ¡assa-sc ao aio do raciocínio, no qual,
dadas c conccdidas ccrias coisas, sc dcduzcn
ouiras. Por fin, ¡assc-sc aos discursos, ou scja,
às cסosiçõcs con¡lcias dc icnas. Dc nodo
scnclIanic, no csiudo da rciorica, os ¡rogrcssos
scrao ra¡idos, sc o aluno sc c×crciiar ¡rinciro,
duranic un ccrio icn¡o, a rccolIcr sinóninos,
dc¡ois a¡rcndcr a dar a dcsignaçao ¡ro¡ria aos
354
noncs, aos vcrlos c aos advcrlios, c,
incdiaiancnic a scguir, a¡rcndcr a csclarccc-los
con ouiros dc significado o¡osio, c dc¡ois a falar,
dc varios nodos, ¡or ncio dc ¡crífrascs, c a
nudar os icrnos ¡ro¡rios cn ouiros ncdianic
nciaforas, a dcslocar as ¡alavras ¡ara olicr loa
Iarnonia, a nudar, dc iodos os nodos ¡ossívcis,
as frascs sin¡lcs cn frascs figuradas; finalncnic,
c nao anics, quando soulcr fazcr ¡roniancnic
cada una dcsias coisas, ¡assar-sc-a aos
ornarncnios dc oraçõcs iniciras. Sc, cn qualqucr
aric, sc caninIa assin gradualncnic, c
in¡ossivcl nao fazcr ¡rogrcssos ra¡idos c solidos.
O fundancnio disio foi cסosio no ca¡íiulo XVII,
fundancnio IV.
V
9. Os ¡rinciros c×crcícios dos ¡rinci¡ianics
scjan accrca dc naicria conIccida.
Esia rcgra foi-nos sugcrida ¡clo fundancnio IX
do ca¡íiulo XVII c ¡clo corolario VI do
fundancnio IV. Ela significa quc o csiudanic nao
dcvc scr solrccarrcgado con coisas
dcs¡ro¡orcionadas à sua idadc, à sua ca¡acidadc
c à sua condiçao, ¡ara nao scr olrigado a
conlaicr con sonlras. Por c×cn¡lo. a una
criança ¡olaca, quc a¡rcndc a lcr ou a cscrcvcr o
alfalcio, nao sc dcvc a¡rcscniar un ic×io cn
laiin, cn grcgo ou aralc, nas na sua língua,
355
¡ara quc cla cnicnda o quc faz. Assin, ¡ara quc a
criança con¡rccnda o cn¡rcgo das rcgras da
dialciica, dcvc scr c×crciiada con c×cn¡los,
ionados, nao dc Virgílio ou dc Cíccro ou dc
assunios icologicos, ¡olíiicos c ncdicos, nas dc
coisas faniliarcs à criança, cono un livro, un
vcsiido, una arvorc, una casa, una cscola, cic.
Isio fara con quc os c×cn¡los ionados ¡ara
cסlicar a ¡rincira rcgra, scndo ja conIccidos,
sirvan ¡ara iodas as ouiras. Cono sc, no csiudo
da dialciica, sc ionar (¡or c×cn¡lo} una arvorc.
nosirc-sc o scu gcncro, a sua difcrcnça, as suas
causas, os scus cfciios, as suas ¡arics suljciivas
c acrcsccniadas, cic., a sua dcfiniçao, a sua
classificaçao, cic.; dc¡ois, dc quanias nanciras
alguna coisa sc ¡odc ¡rcdicar dc una arvorc; a
scguir, cono c quc, ¡or ncio dc un raciocínio,
daquclas coisas quc aic cniao foran diias accrca
da arvorc, sc ¡odcn dcduzir c dcnonsirar ouiras,
cic. Eסlicado dcsic nodo, con un, dois ou ircs
c×cn¡los faniliarcs, o cn¡rcgo das rcgras, o
jovcn ¡odcra facilncnic, ¡or via dc iniiaçao,
fazcr o ncsno cn iodos os ouiros casos.
VI
l0. A ¡rincí¡io, a iniiaçao faça-sc scgundo a
forna ¡rcscriia; dc¡ois, ¡odcra scr nais livrc.
Efciivancnic, quanio nais a fornaçao dc una
coisa nova sc a¡cga à sua forna, ianio nclIor c
356
nais c×aiancnic c cסrcssa a forna. Cono as
nocdas, quc sao iiradas do ncsno cunIo, sao
iodas c×aiancnic iguais, ianio ao scu cunIo
cono unas con as ouiras; c igualncnic os livros
in¡rcssos c os iralalIos fundidos cn ccra, gcsso,
ncial, cic. Porianio, na ncdida do ¡ossívcl,
ianlcn nos ouiros iralalIos, a iniiaçao (ao
ncnos a ¡rincira} a¡cguc-sc csirciiancnic ao
scu nodclo, aic quc as naos, a ncnic c a língua
sc Ialiiucn a novcr-sc nais livrcncnic c con
nais scgurança, c a fornar ¡or si coisas
scnclIanics. Por c×cn¡lo. aquclcs quc a¡rcndcn
a cscrcvcr ioncn un ¡a¡cl fino c dc qualqucr
nodo irans¡arcnic, c coloqucn-lIc dclai×o un
nodclo ( }, ou scja,, aqucla cscriia quc
dcscjan iniiar, ¡ois assin ¡odcrao facilncnic
iniiar os iraços das lciras quc irans¡arcccn. Ou
cniao in¡rinan-sc, cn ¡a¡cl lranco, nodclos,
nuna cor airacnic, anarcla ou cscura, ¡ara quc
os alunos, fazcndo ¡assar a ¡cna, cIcia dc iinia
¡rcia, airavcs daquclcs iraços, sc Ialiiucn a
iniiar aquclas lciras, con aqucla ncsna forna.
Do ncsno nodo, quanio ao csiilo, iona-sc dc un
auior una frasc, un ¡cnsancnio ou un ¡críodo,
c nanda-sc ao aluno fornar ouiras scnclIanics.
Por c×cn¡lo, ¡orquc sc diz díucs o¡un|5| nanda-
sc a criança iniiar c dizcr díucs nunno¡un, díucs
¡ccuníuc, díucs ¡cco¡ís, díucs uíncu¡un, cic. Una
vcz quc Ciccro diz. «Eudcno, scgundo a o¡iniao
dc ¡cssoas douiíssinas, c dc longc o ¡rinciro cn
357
asirononia»|6|, iniiando-o, ¡odcra dizcr-sc.
«Ciccro, scgundo a o¡iniao dc oradorcs
douiíssinos, c dc longc o ¡rinciro cn cloqucncia»
c «Paulo, no a¡osiolado, scgundo a o¡iniao dc
ioda a Igrcja, c dc longc o ¡rinciro», cic. Do
ncsno nodo, a¡arcccndo cn logica csia dilcna.
«ou c dia ou c noiic; ora c noiic; logo nao c dia»,
a¡rcnda a criança a iniiar iodos os conirarios
incdiaios assin cסosios. Por c×cn¡lo. «ou c
ignoranic ou c crudiio; ora c ignoranic; logo nao c
crudiio». «Cain ou foi ¡io ou foi ín¡io; ora nao foi
¡io...»
VII
11. Os nodclos a iniiar scjan o nais ¡crfciios
¡ossívcl, ¡ara quc, sc algucn conscguc iniia-los
lcn, ¡ossa scr considcrado ¡crfciio na sua aric.
Efciivancnic, assin cono, con una rcgua curva,
ningucn ¡odc iraçar linIas rcias, assin ianlcn
dc un nodclo dcfciiuoso nao ¡odc fornar una
lcla olra. Scra ncccssario, ¡orianio, csforçar-sc
¡or quc Iaja nodclos vcrdadciros, ¡crfciios,
sin¡lcs c faccis dc iniiar dc iudo o quc dcvc
fazcr-sc na cscola c, nais ainda, duranic ioda a
vida, qucr scjan inagcns das coisas, ¡iniuras,
dcscnIos, qucr scjan ¡rcscriçõcs c rcgras,
lrcvíssinas, claríssinas, inicligívcis ¡or si
ncsnas c vcrdadciras scn ncnIuna c×ccçao.
358
12. O ¡rinciro csforço dc iniiaçao scja o nais
a¡rinorado ¡ossívcl, ¡ara quc sc nao afasic do
nodclo ncn scqucr no nínino ¡orncnor.
Isio, naiuralncnic, nos liniics do ¡ossívcl. Mas c
ncccssario. Con cfciio, iodas as ¡rinciras coisas
sao cono quc os fundancnios das quc virao a
scguir; scndo clas solidas, as ouiras ¡odcrao
consiruir-sc solidancnic; sc forcn vacilanics,
iudo vacilara. E assin cono os ncdicos olscrvan
quc as irrcgularidadcs da ¡rincira digcsiao sc
nao corrigcn na scgunda c na icrccira, assin
ianlcn, cn qualqucr iralalIo, os ¡rinciros
crros ¡rcjudican iudo o quc vcn a scguir. Por
isso, Tinoico, ¡rofcssor dc nusica, fazia ¡agar as
liçõcs ¡clo dolro aos alunos quc Iavian ja
csiudado os rudincnios daqucla aric con ouiros
¡rofcssorcs, dizcndo quc isso in¡licava ¡ara clc
una du¡licaçao dc iralalIo, ¡ois ¡rinciro iinIa
dc fazcr dcsa¡rcndcr aquilo quc Iavian
a¡rcndido nal, c dc¡ois cnsinar-lIo lcn|7|. É
ncccssario, ¡orianio, fazcr iudo ¡ara quc os
alunos ¡rocurcn iniiar o nclIor ¡ossívcl os
nodclos da aric quc csiudan, ¡ois, su¡crada
csia dificuldadc, o rcsio scguir-sc-a nornalncnic,
da ncsna nancira quc una cidadc, cujas ¡orias
foran cסugnadas, csia ja na nao do vcnccdor.
In¡oria, ¡or isso, alsicr-sc dc ioda a
¡rcci¡iiaçao, ¡ara quc nunca sc ¡assc às coisas
quc vcn a scguir, anics dc sc Iavcr consolidado
con o ncccssario cuidado as coisas quc csiao
359
¡rinciro. CaninIa suficicnicncnic dc¡rcssa
qucn nunca sc afasia do caninIo. E o icn¡o quc
sc gasia ¡ara consolidar lcn os rudincnios nao
c icn¡o ¡crdido, nas rc¡rcscnia una grandc
ccononia dc icn¡o c dc fadiga, ¡orquc ¡crniiira
doninar facilncnic, ra¡idancnic c scgurancnic
as coisas quc vcn a scguir.
IX.
13. O crro scja corrigido ¡clo ¡rofcssor quc
assisic à liçao, nas acrcsccniando as
olscrvaçõcs, a quc cIananos rcgras c c×ccçõcs
às rcgras.
Ensinanos aic aqui quc as arics dcvcn cnsinar-
sc nais con c×cn¡los quc con rcgras.
Acrcsccnianos agora quc sc dcvcn ajuniar as
nornas c as rcgras quc dirijan o iralalIo c o
¡crscrvcn dc crros, nosirando clarancnic o quc
no nodclo sc cnconira dc nodo olscuro, isio c,
nosirando ¡or ondc sc dcvc concçar o iralalIo,
¡ara quc fin dcvc icndcr, cono dcvc ir avançando
c ¡orquc convcn fazcr cada coisa dc dcicrninada
nancira. Tudo isio forncccra, finalncnic, un
solido conIccincnio da aric c a confiança c a
scgurança na iniiaçao. Mas in¡oria quc cssas
rcgras scjan o nais lrcvcs c o nais claras
¡ossívcl, ¡ara quc sc nao cnvclIcça cn cina
dclas; aquclas, ¡orcn, quc una vcz foran
a¡rcndidas, scjan uicis ¡ara scn¡rc, ncsno
360
quando ¡osias dc ¡aric. Para quc nao aconicça
cono à criança a qucn as ialas foran dc grandc
uiilidadc ¡ara a¡rcndcr a dar os ¡rinciros
¡assos, c dc¡ois dci×aran dc icr qualqucr
uiilidadc.
X.
Os cxc¡cìcíos síntctícos dcucn sc¡ ¡cítos untcs dos
unuíìtícos.
14. O cnsino ¡crfciio da aric consisic na sínicsc c
na analisc. No ca¡íiulo XVIII, fundancnio V,
nosiranos, con c×cn¡los iirados da naiurcza c
das arics nccanicas, quc, no nosso caso, o
¡rinci¡al ¡a¡cl calc à sínicsc. E quc, na naior
¡aric das disci¡linas, os c×crcícios siniciicos
dcvcn fazcr-sc anics, nosiran-no ainda as
razõcs scguinics. 1. Dcvc concçar-sc scn¡rc
¡clas coisas nais faccis; ora nos cnicndcnos
nais facilncnic as nossas coisas quc as alIcias.
2. Os auiorcs cscondcn con cuidado a aric das
suas olras, dc nodo quc os alunos, logo à
¡rincira visia, dificilncnic nclas conscgucn
¡cncirar; conscgui-lo-ao, iodavia, quando ja
csiivcrcn un ¡ouco c×crciiados con as suas
¡ro¡rias rudcs invcnçõcs. 3. O quc sc ¡rcicndc
aiingir cn ¡rinciro lugar dcvc fazcr-sc cn
¡rinciro lugar; ora, o nosso ¡rinciro inicnio c
quc os csiudanics das arics sc Ialiiucn a
¡rocurar novas invcnçõcs c nao a¡cnas a scrvir-
361
sc das quc ja foran rcalizadas. (Vcr o quc foi diio
ianlcn no ca¡íiulo XVIII, fundancnio V}.
In¡o¡tu, toduuíu, u¡untu¡ cxc¡cìcíos unuíìtícos.
15. É, iodavia, alsoluiancnic ncccssario ajuniar
a analisc aicnia das invcnçõcs c das olras dos
ouiros. Con cfciio, conIccc lcn una csirada
qucn a ¡crcorrcu frcqucnics vczcs dc una ¡onia
à ouira, c olscrvou, aqui c alcn, iodas as
cncruzilIadas, lifurcaçõcs c cnironcancnios.
Alcn disso, sao varios, c aic ccrio ¡onio infiniios,
os nodos das coisas, dc ial nancira quc nao c
¡ossívcl condcnsar iodas as coisas cn rcgras,
ncn quc csias csicjan iodas na calcça dc un so.
A varios, c ¡ossívcl vcr nais coisas; as coisas, quc
sc nao iornan nossas a nao scr quc as
adquiranos c conIcçanos, dcvcn gcrar cn nos,
¡clo cs¡íriio dc cnulaçao c dc iniiaçao, o Ialiio
dc ¡roduzir coisas scnclIanics.
Hcsuno do quc sc díssc.
16. Dcscjanos, ¡orianio, quc, cn qualqucr aric,
sc façan nodclos ou c×cn¡larcs con¡lcios c
¡crfciios, dc iudo aquilo quc, dcssa aric, sc dcvc,
sc cosiuna c sc ¡odc colocar ¡cranic os alunos,
acrcsccniando-sc, ao lado, advcricncias c rcgras
quc cסrinan as razõcs do quc sc fcz c do quc
Ia-dc fazcr-sc, dirijan no csforço dc iniiar,
¡rcscrvcn dos crros c ¡crniian corrigir os crros
conciidos. Dccn-sc, dc¡ois, ao aluno ouiros c
362
ouiros c×cn¡los, os quais clc ada¡ic, un ¡or un,
aos nodclos, c ¡or iniiaçao faça ouiros
scnclIanics. Finalncnic, c×anincn-sc as olras
alIcias (nas dc ariisias dc valor} c julgucn-sc cn
confornidadc con os nodclos c con as rcgras
airas rcfcridas, qucr ¡ara quc sc ¡onIa nais cn
cvidcncia a a¡licaçao das ncsnas rcgras, qucr
¡ara quc a¡rcndan a aric dc cscondcr os
ariifícios. Con a coniinuaçao dcsic c×crcício
¡odcra, finalncnic, julgar-sc con scnsaicz accrca
das invcnçõcs c accrca da clcgancia das
invcnçõcs, ¡ro¡rias c alIcias.
XI
17. Esics c×crcícios dcvcn scr coniinuados, aic
quc icnIan criado o Ialiio da aric.
Efciivancnic, so a ¡raiica faz os ariisias|8|.
363

Capítulo XXII
MÉTODO
PARA ENSINAR AS LÍNGUAS

Po¡quc sc dcucn u¡¡cndc¡ us íìnguus c quuís.
1. As línguas a¡rcndcn-sc, nao cono una ¡aric
da insiruçao ou da salcdoria, nas cono un
insiruncnio ¡ara adquirir a insiruçao c ¡ara a
conunicar aos ouiros. Por isso, nao dcvcn
a¡rcndcr-sc iodas, o quc c in¡ossívcl, ncn
nuiias, o quc c inuiil, alcn dc quc roularia o
icn¡o dcvido ao csiudo das coisas; nas a¡cnas
as ncccssarias. Ora, sao ncccssarias. a língua
naicrna, ¡ara iraiar dos ncgocios doncsiicos; as
dos ¡aíscs vizinIos, ¡ara cnirar cn rclaçõcs con
clcs (assin, ¡ara os ¡olacos, dc una ¡aric, a
língua alcna, c, dc ouira ¡aric, a língua Iungara,
a roncna c a iurca}; ¡ara lcr livros saliancnic
cscriios, a laiina, quc c a língua conun da gcnic
insiruída; ¡ara os filosofos c ¡ara os ncdicos, a
grcga c a aralica; ¡ara os icologos, a grcga c a
Iclraica.
Cudu íìnguu dcuc sc¡ u¡¡cndídu con¡íctuncntc¯
2. Ncn iodas as línguas dcvcn a¡rcndcr-sc cn
iodas as suas ¡arics, aic a ¡crfciçao, nas a¡cnas
364
ianio quanio c ncccssario. Con cfciio, nao c
ncccssario ¡ronunciar iao ¡crfciiancnic a língua
grcga c a Iclraica cono a vcrnacula, ¡ois nao Ia
Ioncns con qucn as falcnos. Dasia a¡rcndcr o
suficicnic ¡ara lcr c cnicndcr os livros.
Nuo conucn u¡¡cndc-íus scn us coísus.
3. O csiudo das línguas, cs¡ccialncnic na
juvcniudc, dcvc caninIar ¡aralclancnic con as
coisas, dc nodo quc sc a¡rcnda a cnicndcr c a
cסrinir ianio as coisas cono as ¡alavras.
Efciivancnic, fornanos Ioncns, c nao
¡a¡agaios, cono sc dissc no ca¡íiulo XIX,
fundancnio VI.
Co¡oíu¡íos.
1. Con os ncsnos ííu¡os ¡odcn u¡¡cndc¡-sc us
coísus c u íìnguu.
4. Daqui sc scguc, cn ¡rinciro lugar, quc as
¡alavras nao sc dcvcn a¡rcndcr sc¡aradancnic
das coisas, una vcz quc as coisas sc¡aradas das
¡alavras ncn c×isicn, ncn sc cnicndcn; nas,
cnquanio csiao unidas, c×isicn aqui ou alcn c
dcscn¡cnIan csia ou aqucla funçao. Esia
considcraçao lcvou-nc a cscrcvcr a Po¡tu dus
íìnguus (Janua Linguarun}, ondc as ¡alavras quc
fornan as frascs cסrincn ao ncsno icn¡o a
csiruiura das coisas, c (ao quc ¡arccc} con lons
rcsuliados|1|.
365
2. clNao c ncccssario ¡ara ningucn conIcccr
una língua con¡lciancnic.
5. En scgundo lugar, scguc-sc quc nao c
ncccssario ¡ara ningucn conIcccr
con¡lciancnic una língua, c sc algucn
¡rocurassc a¡rcndc-la con¡lciancnic faria una
coisa ridícula c csiu¡ida. Con cfciio, ncn scqucr
Cíccro iinIa un conIccincnio ioial da língua
laiina (da qual, alias, c considcrado o naior
ncsirc}, ¡ois clc ncsno confcssa quc ignorava os
icrnos iccnicos dos aricsaos|2|, nao icndo janais
convcrsado con os sa¡aiciros c con os o¡crarios
dc ouiras ¡rofissõcs, ¡ara olscrvar iodos os scus
iralalIos c a¡rcndcr a dcnoninaçao dc iodos os
insiruncnios quc clcs nancjan. E ¡ara quc lIc
scrviria a¡rcndcr iudo isso?
Os un¡ííudo¡cs (Doccníus, Kínc¡us, ctc.) du
«Po¡tu» ugí¡un ínconsídc¡uduncntc, c ¡o¡ ísso o
uuto¡, quc concçu¡u u «Scgundu ¡o¡tu du
íutínídudc» nuo u tc¡nínou.
6. A isio nao aicndcran alguns an¡liadorcs da
nossa Po¡tu, quc a cncIcran dc ¡alavras
inusiiadas, significando coisas quc ulira¡assan
cn nuiio, a ca¡acidadc das crianças. Una ¡oria
nao dcvc scr scnao una ¡oria; as ouiras coisas
dcvcn rcscrvar-sc ¡ara ouira aliura,
¡rinci¡alncnic aquclas quc ou nunca ocorrcn
ou, sc ocorrcn, ¡odcn ¡rocurar-sc cn livros
366
sulsidiarios (vocalularios, dicionarios,
¡roniuarios, cic.}. Por csia razao, inicrron¡i a
Scgundu Po¡tu du Lutínídudc, colcianca dc
¡alavras arcaicas c ¡ouco usadas, quc Iavia
concçado.
As c¡íunçus dcuc o¡c¡ccc¡-sc tcnus ín¡untís, c nuo
Cícc¡o c out¡os uuto¡cs, quc suo ¡u¡u Ioncns
¡cítos.
7. En ¡rinciro lugar, scguc-sc quc as crianças
dcvcn fornar ianio a sua inicligcncia cono a sua
língua, iralalIando dc ¡rcfcrcncia solrc naicrias
quc convcn às crianças c dci×ando as coisas
¡ro¡rias dc Ioncns fciios ¡ara ouira aliura da
vida; ¡or isso, faz olra va qucn coloca dianic das
crianças Cíccro c ouiros grandcs auiorcs quc
iraian dc coisas quc ulira¡assan a ca¡acidadc
infaniil. Con cfciio, sc nao cnicndcn as coisas,
cono ¡odcn cnicndcr a aric con quc cssas
ncsnas coisas sao cficazncnic cסrcssas? Essc
icn¡o dis¡cndc-sc con naior uiilidadc cn coisas
nais Iunildcs, dc nodo quc, ianio a língua cono
a inicligcncia sc nao a¡crfciçocn scnao
gradualncnic. A naiurcza nao da salios, c
ianlcn os nao da a aric, quando iniia a
naiurcza. À criança dcvc cnsinar-sc a dar ¡assos,
anics dc a c×crciiar na dança; a cavalgar un lclo
c longo ¡au, anics dc noniar cavalos ricancnic
arrcados; a consiruir sílalas, anics quc a falar, c
a falar, anics quc a discursar, ¡ois Cíccro afirna
367
quc sc nao ¡odc cnsinar a discursar a qucn nao
salc falar|3|.
Oíto ¡cg¡us ucc¡cu du ¡oíígíotíu.
8. Quanio à ¡oligloiia ( }, digo quc iornara
lrcvc c suavc o csiudo, ¡ara a¡rcndcr divcrsas
línguas, o nciodo quc cnccrro nas oiio rcgras
scguinics.
I
9. A¡rcnda-sc cada língua cn sc¡arado.
Princiro, a língua naicrna; dc¡ois, aqucla quc
Ia-dc uiilizar-sc cn vcz da naicrna, cono scria a
língua dc un ¡ovo vizinIo. (Sou dc o¡iniao, con
cfciio, quc as línguas vulgarcs dcvcn a¡rcndcr-sc
anics das línguas salias}. A scguir, a língua
laiina c, dc¡ois dcsia, a grcga, a Iclraica, cic.;
scn¡rc una dc¡ois da ouira, c nao ao ncsno
icn¡o; dc ouira nodo, una gcra confusao na
ouira. Finalncnic, iodavia, quando, con a
¡raiica, sc doninarcn cssas línguas, ¡odcrao
uiilncnic confroniar-sc, con a ajuda dc
dicionarios, dc granaiicas con¡aradas, cic.
II
10. Ao csiudo dc cada língua, consagrc-sc un
¡críodo dcicrninado dc icn¡o.
368
Para quc nao façanos, daquilo quc c sccundario,
a aiividadc ¡rinci¡al ( }, c ¡crcanos con
¡alavras o icn¡o quc dcvc cn¡rcgar-sc no csiudo
das coisas. A língua naicrna, ¡orquc sc liga con
as coisas quc, ¡ouco a ¡ouco, sc a¡rcscnian à
inicligcncia, c×igc ncccssariancnic varios anos.
¡or c×cn¡lo, oiio ou dcz anos, isio c, ioda a
infancia c ¡aric da ¡ucrícia. Podc, dc¡ois, ¡assar-
sc a ouira língua vulgar, ¡odcndo o curso dc cada
una dclas rcalizar-sc suficicnicncnic lcn no
cs¡aço dc un ano; o csiudo da língua laiina ¡odc
fazcr-sc nun licnio; o do grcgo cn un ano c o do
Iclraico nun scncsirc.
III
11. Todas as línguas dcvcn a¡rcndcr-sc nais
con a ¡raiica quc ¡or ncio dc rcgras.
Isio c, ouvindo, lcndo, rclcndo, iranscrcvcndo,
icniando a iniiaçao con a nao c con a língua, o
nais frcqucnicncnic ¡ossívcl. Vcja-sc o quc foi
diio no ca¡íiulo anicrior, canon I c XI.
IV
Todavia, as rcgras dcvcn ajudar c confirnar a
¡raiica.
Cono foi diio no ca¡íiulo anicrior, canon II, cic.
Esic ¡rincí¡io a¡lica-sc ¡rinci¡alncnic às línguas
salias, as quais ncccssariancnic sc dcvcn
369
a¡rcndcr ¡or ncio dc livros, nas ianlcn às
línguas vulgarcs, ¡ois ianlcn a língua iialiana, a
franccsa, a alcna, a locna, a Iungara, cic.,
¡odcn scr sulnciidas a rcgras c, dc faio, icn ja
rcgras fornuladas.
V
13. As rcgras das línguas scjan granaiicais, c
nao filosoficas.
Isio c, nao inquiran suiilncnic accrca das razõcs
c das causas dos vocalulos, das frascs, c dos
nc×os, ¡orquc c ncccssario fazcr dcsia ou daqucla
nancira, nas cסliqucn, dc nodo accssívcl, o
quc sc faz c cono sc faz. Un c×anc nais suiil
das causas c dos nc×os, das scnclIanças c das
disscnclIanças, das analogias c das anonalias,
quc as coisas c as ¡alavras icn cnirc si, ¡cricncc
ao filosofo, c faz ¡crdcr icn¡o ao filologo.
VI
14. A norna ¡ara cscrcvcr as rcgras dc una nova
língua scja una língua ja conIccida, ¡ara quc sc
nosirc a¡cnas a difcrcnça daqucla rclaiivancnic
a csia.
Efciivancnic, rc¡ciir os as¡ccios conuns, nao
soncnic c inuiil, nas c aic ¡rcjudicial, ¡ois, ao
vcr una c×icnsao c una discordancia naior quc
aqucla quc rcalncnic c×isic, a ncnic assusia-sc.
370
Por c×cn¡lo. ao cnsinar a granaiica grcga, nao
Ia ncccssidadc dc rc¡ciir as dcfiniçõcs dos
noncs, dos vcrlos, dos casos, dos icn¡os, cic.,
ou as rcgras siniaiicas quc nada iragan dc novo,
cic., ¡ois su¡õc-sc quc csias coisas ja sao
salidas. EסonIan-sc, ¡orianio, a¡cnas aquclas
coisas cn quc a língua grcga sc afasia da laiina,
ja conIccida. Eniao, scra ¡ossívcl rcduzir a
granaiica grcga a algunas ¡aginas; c iudo scra
nais disiinio, nais facil c nais solido.
VII
15. Os ¡rinciros c×crcícios dc una nova língua
scjan accrca dc naicria ja conIccida.
Para quc nao scja ncccssario consirangcr a ncnic
a dirigir os scus csforços, ao ncsno icn¡o, solrc
as coisas c solrc as ¡alavras, c, dcssc nodo, a
disirair-sc c a cnfraqucccr-sc, nas a¡cnas solrc
as ¡alavras, ¡ara dclas sc asscnIorar nais
facilncnic c nais ra¡idancnic. Essa naicria
¡odcra scr ou os ca¡íiulos do caiccisno ou da
Iisioria sagrada, ou, cn suna, coisas ja
suficicnicncnic conIccidas. (Ou cniao, sc sc
quiscr, o nosso VcstìIuío c a nossa Po¡tu, cnlora
csics dois livros, ¡or causa da sua lrcvidadc,
scjan nais ada¡iados a scr a¡rcndidos dc cor, ao
¡asso quc os ouiros sao nais ada¡iados ¡ara
scrcn lidos c rclidos, ¡ois frcqucnicncnic
371
ocorrcn as ncsnas ¡alavras, quc assin nclIor
sc insinuan na inicligcncia c na ncnoria}.
VIII
16. Todas as línguas ¡odcn, ¡orianio, a¡rcndcr-
sc ¡or un so c ncsno nciodo.
Isio c, ¡odcn a¡rcndcr-sc ¡cla ¡raiica, con a
adiçao dc rcgras facílinas, quc nosircn a¡cnas a
difcrcnça quc ncdcia cnirc a língua conIccida
¡rinciro c aqucla quc sc qucr csiudar; c con a
adiçao dc c×crcícios fciios solrc naicrias
conIccidas, cic.
DAS LÍNGUAS QUE SE DEVEM APRENDER
DE MODO PERFEITO
A ¡¡utícu cxígc quc u¡cnus sc u¡¡cndun dc nodo
quusc ¡c¡¡cíto duus íìnguus, c cstus duus ¡o¡
quut¡o g¡uus.
17. No ¡rincí¡io dcsic ca¡íiulo, advcriinos quc
ncn iodas as línguas, quc sc a¡rcndcn, dcvcn
a¡rcndcr-sc con o ncsno csncro. À língua
naicrna c à língua laiina dcvcnos consagrar un
ial cuidado quc acalcnos ¡or donina-las
¡crfciiancnic. En ordcn a aiingir csic rcsuliado,
o csiudo dcsias línguas dcvc scr disiriluído ¡or
quairo idadcs.
÷ a ¡rincira c a idadc infaniil, lallucianic, cn
quc sc a¡rcndc a falar dc un nodo qualqucr;
372
÷ a scgunda c a idadc ¡ucril, crcsccnic, cn quc
sc a¡rcndc a falar con ¡ro¡ricdadc;
÷ a icrccira c a idadc juvcnil, florida, cn quc sc
a¡rcndc a falar con clcgancia;
÷ a quaria c a idadc viril, vigorosa, cn quc sc
a¡rcndc a falar con rigor.
Po¡quc ussín¯
18. Efciivancnic, nao sc ¡odc andar ¡ara a frcnic
con succsso scnao ¡or graus; dc ouiro nodo,
iudo scra confuso, dcsariiculado c cIcio dc
lacunas, cono a naioria dc nos cסcrincnianos
cn nos ¡ro¡rios. Alcn disso, os csiudanics dc
línguas ¡odcn scr conduzidos facilncnic airavcs
dcsics quairo graus, sc os insiruncnios ¡ara
cnsinar as línguas forcn c×cclcnics, ou scja, sc
ianio os livros didaiicos, ¡ara scrcn ¡osios nas
naos dos alunos, cono os livros infornaiivos,
con¡ilados ¡ara uso dos ¡rofcssorcs, sao, uns c
ouiros, lrcvcs c nciodicos.
373

Os ííu¡os ¡u¡u cnsínu¡ unu íìnguu dcucn sc¡ dc
quut¡o cs¡ccícs.
19. Os livros didaiicos, confornc os graus da
idadc, dcvcn scr quairo.
I. O Vcsiílulo
II. A Poria
III. O Palacio
IV. O Tcsouro
Da língua
(¡or c×cn¡lo da língua laiina},
con os scus livros au×iliarcs
I. O VcstìIuío
20. O VcstìIuío dcvc conicr naicria ¡ara
lallucianics, algunas ccnicnas dc vocalulos
ligados cn forna dc ¡cqucnas frascs, icndo
anc×as as ialuas das dcclinaçõcs c das
conjugaçõcs.
II. A Po¡tu.
21. A Po¡tu dcvc conicr iodas as ¡alavras nais
usadas da língua, ccrca dc oiio nil, rcunidas sol
a forna dc ¡cqucnas frascs, quc cסrinan ao
vivo as coisas, na sua siiuaçao naiural. Dcvc,
alcn disso, icr anc×as lrcvcs c claríssinas rcgras
granaiicais, quc cnsincn, dc nodo facil c
sin¡lcs, a nancira auicniica c gcnuína dc
cscrcvcr c dc ¡ronunciar as ¡alavras, c dc fornar
c consiruir as frascs dcssa língua.
374
III. O Puíucío.
22. O Puíucío dcvc conicr varios irccIos accrca dc
iodas as coisas, cIcios dc iodo o gcncro dc frascs
c dc florcs dc clcgancia, con noias narginais quc
indiqucn dc quc auior foi iirado cada un dos
cscriios. No fin, acrcsccnian-sc as rcgras ¡ara
variar c colorir dc nil nanciras as frascs c os
¡cnsancnios.
IV. O Tcsou¡o dc uuto¡cs.
23. Da-sc o nonc dc Tcsou¡o aos auiorcs
classicos quc cscrcvcran, con gravidadc c vigor,
accrca dc qualqucr assunio. Dcvc scr ¡rcccdido
das rcgras solrc a invcsiigaçao c a cscolIa das
¡arics nais vigorosas dc un discurso, assin
cono solrc a iraduçao c×aia dos idioiisnos (o
quc c una das rcgras nais in¡orianics a
olscrvar}. EscolIan-sc alguns dcsics auiorcs
¡ara lcr nas cscolas; dos ouiros, faça-sc un
caialogo ¡ara quc sc, nais iardc, a algun aluno
surgir a ocasiao ou o dcscjo dc ¡crcorrcr os
auiorcs quc iraian c×ausiivancnic dcsia ou
daqucla naicria, saila quais sao csscs auiorcs.
Líu¡os Auxíííu¡cs.
24. Da-sc o nonc dc livros au×iliarcs àquclcs quc
ajudan a usar, dc una nancira nais ra¡ida c
con naior fruio, os livros didaiicos. Tais sao.
375
I
O vocalulario língua naicrna-laiin c laiin-
naicrna, ¡ara o VcstìIuío |4|.
II
Para a Po¡tu, o dicionario ciinologico laiin-língua
naicrna, con os radicais c os scus dcrivados c
con¡osios, c a¡rcscniando a razao do scu
significado|5|.
III
Para o Puíucío, o dicionario frascologico língua
naicrna-língua naicrna, laiin-laiin (c, sc
ncccssario, grcgo-grcgo}, ondc scrao coordcnadas
as difcrcnics cסrcssõcs, dcnoninaçõcs c
¡crífrascs clcganics cs¡alIadas no Puíucío, con a
indicaçao dos auiorcs dc quc foran iiradas, ondc
isso ocorrcr.
IV
Finalncnic, o Tcsou¡o scra au×iliado ou rcforçado
¡or un ¡¡ontud¡ío uníuc¡suí, quc cסliquc a
riqucza dc una ou dc ouira língua (con a língua
naicrna, a riqucza do laiin; dc¡ois, con o laiin,
a riqucza do grcgo}, dc ial nancira quc iudo
aquilo dc quc sc icn ncccssidadc aí sc ¡ossa
cnconirar, c quc cada coisa csicja cn ¡crfciia
corrcs¡ondcncia, a fin dc quc scja ¡ossívcl
iraduzir as cסrcssõcs ¡ro¡rias ¡or ¡alavras
376
¡ro¡rias, os ¡cnsancnios figurados ¡or ¡alavras
figuradas, os icrnos Iunorísiicos ¡or icrnos
Iunorísiicos, os ¡rovcrlios ¡or ¡rovcrlios, cic.
Nao c, con cfciio, vcrosinil quc c×isia una língua
naicrna iao ¡olrc quc nao ¡ossua una
quaniidadc suficicnic dc ¡alavras, dc cסrcssõcs
c dc ¡rovcrlios quc sc nao ¡ossan
judiciosancnic ¡ór cn ordcn c confroniar con os
do laiin; ou, con ccricza, nao Ia ncnIuna
língua naicrna quc nao ¡ossua cssa quaniidadc
dc ¡alavras, sc sc c suficicnicncnic Ialil na aric
dc iniiar c dc fornar icrnos, dcrivando-os dos
scnclIanics das línguas scnclIanics.
Nuo cxístc ncnIun ¡¡ontuu¡ío íínguìstíco, uícn do
do ¡oíuco G. Cnu¡ío.
25. Un ial «Pron¡iuariun» univcrsal nao c×isic,
¡orcn. É vcrdadc quc FcIor Kna¡asli, jcsuíia
¡olaco, ¡rcsiou, ncsic donínio, un grandc
scrviço ao scu ¡ovo, cscrcvcndo a olra iniiiulada
Tcsou¡o ¡oíuco-íutíno-g¡cgo|6|. Mas, ncsia olra dc
ncriio, falian csias ircs coisas. Princira, clc nao
con¡ilou iodas as ¡alavras c frascs da língua
¡airia. Scgunda, nao as con¡ilou scgundo a
ordcn quc indicanos, dc nodo a fazcr
corrcs¡ondcr (na ncdida do ¡ossívcl} un icrno
con ouiro icrno, os icrnos ¡ro¡rios con os
icrnos ¡ro¡rios, os figurados con os figurados,
os arcaicos con os arcaicos, dc nodo a iornar-sc
¡aicnic, con igual claridadc, o caraicr, o
377
cs¡lcndor c a riqucza dc una c ouira língua. Con
cfciio, a cada ¡alavra ou frasc ¡olaca, clc faz
scguir un nuncro naior dc ¡alavras c dc frascs
laiinas, ao ¡asso quc nos dcscjanos quc a cada
una corrcs¡onda una so, a fin dc quc iodas as
clcgancias dos laiinos sc iransforncn cn
clcgancias nossas; ou scja, a fin dc quc csic
¡roniuario sirva ¡crfciiancnic ianlcn ¡ara
iraduzir quaisqucr livros do laiin ¡ara a nossa
língua, c vicc-vcrsa. En icrcciro lugar,
dcscjaríanos vcr no Tcsou¡o dc Cna¡io naior
cuidado na ordcnaçao das frascs cn scrics, ou
scja, quc nao fosscn anonioadas dc qualqucr
nancira, nas quc ¡rinciro fosscn a¡rcscniadas
as fornulas sin¡lcs c Iisioricas dc cסrinir as
coisas; dc¡ois, as cסrcssõcs nais clcvadas da
oraioria; a scguir, as nais sullincs, as nais
difíccis c nais insoliias da ¡ociica; c finalncnic,
as cסrcssõcs dcsusadas.
26. Mas dci×cnos ¡ara ouira ocasiao a cסosiçao
con¡lcia accrca da csiruiura dcssc P¡ontuu¡ío
Uníuc¡suí, assin cono ianlcn a cסosiçao
accrca do nodo cs¡ccial c do nciodo dc uiilizar o
VcstìIuío, a Po¡tu, o Puíucío c o Tcsou¡o, ¡ara quc
sc siga infalivclncnic o rcsuliado quc
¡rcicndcnos, isio c, a ¡crfciçao da língua.
Discorrcr accrca dcsias coisas, dc nodo
¡orncnorizado, diz rcs¡ciio à organizaçao
cs¡ccial das classcs.
378

Capítulo XXIII
MÉTODO
PARA ENSINAR A MORAL

Tudo o quc disscnos aic aqui c accssorio.
CIcganos finalncnic ao csscncial. a noral c a
¡icdadc.
1. Aic aqui, nosiranos cono sc dcvc cnsinar c
a¡rcndcr nais ra¡idancnic as cicncias, as arics c
as línguas. A ¡ro¡osiio dcsias coisas, vcn-nc à
ncnic, c con razao, aquclc diio dc Scncca (da
Cu¡tu 89}. «nao dcvcnos a¡rcndcr csias coisas
agora, nas dcvíanos ic-las a¡rcndido»|1|. Scn
duvida, ¡ois nao sao scnao ¡ro¡cdcuiicas ¡ara
coisas nais in¡orianics; c, cono clc diz. «os
nossos iralalIos sao rudincnios, c nao olras
acaladas». Quais sao cniao as olras acaladas? O
csiudo da salcdoria quc nos iornc sullincs,
forics c nagnaninos, ou scja, aquilo quc, aic
aqui, indicanos con o nonc dc noral c dc
¡icdadc, ¡ois, ¡or ncio dclas, nos clcvanos
vcrdadcirancnic acina das ouiras criaiuras c
nos a¡ro×inanos nais dc Dcus.
In¡oc-sc ncccssu¡íuncníc ¡cduzí-íus u no¡nus dc
u¡tc.
379
2. In¡oria, ¡orianio, csforçar-sc, quanio ¡ossívcl,
¡or csialclcccr con c×aiidao a aric dc incuiir no
nosso cs¡íriio a noral c a ¡icdadc auicniicas, c
¡or iniroduzi-las nas cscolas, ¡ara quc csias
scjan vcrdadcirancnic, cono sao cIanadas,
oficinas dc Ioncns.
Dczcsscís cunoncs du no¡uí.
3. A aric dc fornar os cosiuncs icn dczcsscis
canoncs ¡rinci¡ais.
I.
O ¡rinciro c o scguinic. Dcvc in¡laniar-sc na
juvcniudc iodas as viriudcs, scn c×cciuar
ncnIuna.
Efciivancnic, cn naicria dc rciidao c dc
Ioncsiidadc, nao ¡odc fazcr-sc ncnIuna
c×ccçao, scn ron¡cr c ¡criurlar a Iarnonia.
II.
4. En ¡rinciro lugar, in¡oria ¡laniar as viriudcs
fundancniais, a quc sc da o nonc dc viriudcs
cardiais. ¡rudcncia, jusiiça, forialcza c
icn¡crança.
Para quc o cdifício nao scja lcvaniado scn
aliccrccs, c ¡ara quc as ¡arics, nao lcn ligadas
cnirc si, nao asscnicn nal solrc as suas
¡ro¡rias lascs.
380
III.
5. A ¡rudcncia adquirc-sc ¡or una loa insiruçao,
a¡rcndcndo a conIcccr as vcrdadciras difcrcnças
das coisas c o scu valor.
Con cfciio, o c×aio juízo accrca das coisas c o
vcrdadciro fundancnio dc ioda a viriudc. Sao
lclas csias ¡alavras dc Vivcs. «A vcrdadcira
salcdoria consisic cn julgar as coisas con
cquidadc, dc nodo quc avalicnos cada coisa ial
cono cla c, ¡ara quc nao ¡rocurcnos as coisas
vis cono sc fosscn ¡rcciosas, ou rcjciicnos as
coisas ¡rcciosas, cono sc fosscn vis; ¡ara quc
nao viiu¡crcnos as coisas dignas dc louvor, ncn
louvcnos as quc ncrcccn viiu¡crio. Daqui, con
cfciio, nascc iodo o crro na ncnic dos Ioncns c
iodo o vício; c nada Ia, na vida Iunana, nais
¡crnicioso quc cssa dc¡ravaçao dos juízos, ¡ois
nao sc da às coisas o scu valor ¡ro¡rio. Haliiuc-
sc, ¡or isso, o Ioncn (coniinua Vivcs}, dcsdc
¡cqucnino, a icr o¡iniõcs c×aias accrca das
coisas, as quais o¡iniõcs crcsçan juniancnic
con a idadc. E a¡cguc-sc às coisas rcias c fuja
das nas, ¡ara quc csic Ialiio dc ¡roccdcr lcn sc
convcria nclc cono quc nuna scgunda
naiurcza»|2|.
IV.
6. Ensincn-sc c Ialiiucn-sc a olscrvar a
icn¡crança no concr c no lclcr, no sono c na
381
vigília, no iralalIo c nos divcriincnios, na
¡alavra c no silcncio, duranic iodo o icn¡o da
sua insiruçao c cducaçao.
Para isso, c ¡rcciso rccordar consianicncnic aos
jovcns csia rcgra dc ouro. Nudu cn cxccsso! 3, a
fin dc quc, cn iudo, ¡arcn anics dc aiingircn a
sacicdadc c o icdio.
V.
7. A¡rcndan a forialcza vcnccndo-sc a si
ncsnos, ou scja, doninando a ¡ai×ao dc
discorrcr, ou dc sc divcriir fora ou alcn do icn¡o
¡ro¡rio, c rcfrcando a in¡acicncia, a
nurnuraçao c a ira.
O fundancnio disio csia cn Ialiiuar os alunos a
¡roccdcr scn¡rc cn confornidadc con a razao c
nunca cn confornidadc con as inclinaçõcs c con
as ¡ai×õcs. Con cfciio, o Ioncn c un aninal
racional; ¡orianio, Ialiiuc-sc a guiar-sc ¡cla
razao ao dclilcrar quais sao as açõcs loas,
¡orquc as dcvc fazcr c cono as dcvc fazcr; ¡ara
quc o Ioncn scja vcrdadcirancnic scnIor dos
scus aios. Mas, ¡orquc as crianças (ao ncnos,
ncn iodas} nao sao ainda ca¡azcs dc ¡roccdcr
assin dclilcradancnic c assin racionalncnic,
scra dc grandc ¡rovciio quc sc lIcs cnsinc a
nancira dc c×crciiar a forialcza c dc sc
doninarcn a si ncsnas, Ialiiuando-as a fazcr
dc ¡rcfcrcncia a voniadc dos ouiros quc a
382
¡ro¡ria, ¡or c×cn¡lo, a olcdcccr, cn iudo c
scn¡rc, aos su¡criorcs, con a na×ina ¡roniidao.
«Aquclcs quc doncsiican lcn os cavalos, diz
Laciancio, anics dc iudo cnsinan-lIcs a olcdcccr
ao frcio; ¡orianio, qucn qucr insiruir c cducar
crianças, Ialiiuc-as ¡rinciro a ¡rcsiar aicnçao
ao quc sc lIcs diz»|4|. Quc grandc cs¡crança nao
Iavcria dc iransfornar ¡ara nclIor as confusõcs
Iunanas, dc quc csia inundado o univcrso, sc,
dcsdc a ¡rincira idadc, iodos sc Ialiiuasscn a
fazcr conccssõcs nuiuas c a ¡roccdcr cn iudo
con lasc cn razõcs validas!
VI.
8. A¡rcndan a jusiiça, nao fazcndo nal a
ningucn, dando a cada un o quc c scu, fugindo
da ncniira c dos cnganos, c nosirando-sc
¡rcsiavcis c anavcis.
Ncsia viriudc, cono nas ouiras acina
ncncionadas, dcvcn scr fornados con os nodos
c nciodos ¡rcscriios ¡clos canoncs scguinics.
VII.
9. Ha duas cs¡ccics dc forialcza. franqucza
Ioncsia c ¡crscvcrança nas fadigas, as quais sao
nuiio cs¡ccialncnic ncccssarias à juvcniudc.
Efciivancnic, ¡orquc a vida sc dcvc ¡assar a
convcrsar c a iralalIar, in¡oria cnsinar às
383
crianças a nao icr ncdo ncn das faccs Iunanas
ncn dc ncnIun iralalIo Ioncsio, a fin dc quc
sc nao iorncn ou norccgos ou nisaniro¡os
( }, nandriõcs|5| c ¡csos inuicis solrc a
icrra|6|. A viriudc culiiva-sc con aios, c nao con
¡alavras.
VIII.
10. A franqucza Ioncsia adquirc-sc convcrsando
frcqucnicncnic con ¡cssoas Ioncsias c
c×ccuiando ¡cranic clas qualqucr nissao
rccclida.
Arisioiclcs cducou Alc×andrc dc ial nancira quc,
aos dozc anos, csic salia iraiar con ¡cssoas dc
iodas as condiçõcs, con rcis, con cnlai×adorcs
dc rcis c dc ¡ovos, con salios c con ignoranics,
con ciiadinos, can¡oncscs c aricsaos; c, solrc
qualqucr assunio, inicrrogava ou rcs¡ondia con
scnsaicz. Para quc, na nossa cducaçao univcrsal,
sc cnsinc a iodos a iniiar con c×iio Alc×andrc,
scra ncccssario cscrcvcr rcgras dc convcrsaçao c
fazc-las ¡ór cn ¡raiica, Ialiiuando os alunos a
convcrsar nodcsiancnic c a raciocinar iodos os
dias accrca dc varias coisas, con os ¡rofcssorcs,
con os condiscí¡ulos, con os ¡ais, con os
criados c con ouiras ¡cssoas. Finalncnic, os
¡rofcssorcs dcvcrao csiar aicnios, c, sc noiarcn
cn algun aluno un ¡ouco dc ¡rcguiça ou dc
384
icncridadc, dc grosscria ou dc icinosia, cic.,
dcvcrao cIana-lo ao lon caninIo.
IX.
11. Os jovcns adquirirao a ¡crscvcrança no
iralalIo, sc fizcrcn scn¡rc qualqucr coisa, ou a
scrio ou cono divcriincnio.
Efciivancnic, dcscjando nos nanic-los ocu¡ados,
nada in¡oria quc façan una coisa ou ouira, con
csic ou con aquclc fin, dcsdc quc façan
qualqucr coisa. Quando o noncnio c as
circunsiancias o c×igcn, ncsno dos graccjos sc
¡odcn iirar cnsinancnios scrios c uicis. Assin
cono sc a¡rcndc a fazcr fazcndo (cono vinos
ja}|7|, assin ianlcn sc a¡rcndc a iralalIar
iralalIando, dc nodo quc as coniínuas
ocu¡açõcs do cs¡íriio, c do cor¡o (nodcradas,
lcn cnicndido} sc iransforncn cn cncrgia c
iorncn iniolcravcl ao Ioncn lalorioso a
ociosidadc csicril. Eniao, scra vcrdadciro aquilo
quc Scncca diz. «O iralalIo alincnia os cs¡íriios
forics»|8|.
X.
12. Enirc as ¡rinciras, c ncccssario incuiir no
cs¡íriio das crianças una viriudc irna da jusiiça.
a soliciiudc c o dcsvclo cn scrvir os ouiros.
385
Efciivancnic, c incrcnic à nossa naiurcza
corru¡ia un gravc vício, o cgoísno ( }, quc
in¡clc cada un a dcscjar a¡cnas o scu ¡ro¡rio
lcn-csiar, scn sc ¡rcocu¡ar con o quc aconiccc
aos ouiros. Ora csic vício c fonic dc varias
confusõcs nas coisas Iunanas, ¡ois cada un sc
afana con os scus ¡ro¡rios ncgocios, scn olIar
ao lcn ¡ullico. In¡oria, ¡or isso, inculcar na
juvcniudc o oljciivo da nossa vida, ou scja, quc
nao nasccnos a¡cnas ¡ara nos, nas ianlcn
¡ara Dcus c ¡ara o ¡ro×ino, isio c, ¡ara a
conunidadc do gcncro Iunano, a fin dc quc as
crianças, scriancnic ¡crsuadidas dcsia vcrdadc,
sc Ialiiucn, dcsdc ¡cqucninas, a iniiar Dcus, os
anjos, o sol, cic. c iodas as ouiras criaiuras nais
gcncrosas, isio c, dcscjcn c sc csforccn ¡or
ajudar, con os scus scrviços, o naior nuncro
¡ossívcl dc ¡cssoas. Assin, finalncnic, a
siiuaçao das coisas ¡rivadas c das coisas
¡ullicas scria fcliz, sc iodos soulcsscn c
quiscsscn coo¡crar nos inicrcsscs conuns c cn
iudo c scn¡rc ajudar-sc nuiuancnic. Os
Ioncns insiruídos salcn c qucrcn fazcr assin.
XI.
13. A fornaçao das viriudcs dcvc concçar dcsdc
a nais icnra idadc, anics quc os cs¡íriios icnIan
coniraído vícios.
386
Efciivancnic, sc nun can¡o sc nao scncian
scncnics loas, clc ¡roduzira con ccricza crvas.
Mas quc crvas? Cizania c joio. Ora, sc c una
alna quc sc dcvc culiivar, cla culiivar-sc-a nais
facilncnic c con nais fundadas cs¡cranças
nuna ncssc alundanic, sc for lavrada, scncada
c sacIada, logo no ¡rincí¡io da ¡rinavcra. É
nuiio in¡orianic Ialiiuar lcn as crianças,
dcsdc a nais icnra idadc|9|, ¡ois, «sc un odor
conscguc infilirar-sc nun vaso novo. aí
¡crnanccc duranic nuiio icn¡o»|10|.
XII.
14. As viriudcs a¡rcndcn-sc, ¡raiicando
consianicncnic açõcs Ioncsias.
Vinos, con cfciio, nos ca¡íiulos XX c XXI, quc sc
a¡rcndc a conIcccr conIcccndo, c a fazcr
fazcndo. Porianio, assin cono as crianças
a¡rcndcn facilncnic a caninIar caninIando, a
falar falando, a cscrcvcr cscrcvcndo, cic., assin
ianlcn a¡rcndcrao a olcdicncia olcdcccndo, a
alsiincncia alsicndo-sc, a vcracidadc dizcndo a
vcrdadc, a consiancia scndo consianics, cic.,
dcsdc quc nao falic qucn lIcs alra o caninIo,
con ¡alavras c con c×cn¡los.
XIII.
15. Os ¡ais, as anas, os ¡rofcssorcs c os
condiscí¡ulos dccn c×cn¡los dc vida
387
disci¡linada, quc, cono farois, lrilIcn scn¡rc
dianic das crianças.
Con cfciio, as crianças sao nacaquinIos
in¡acicnics ¡or iniiar iudo o quc vccn, o lcn
cono o nal, scn quc scja ¡rcciso nandar-lIo;
¡or isso, a¡rcndcn a iniiar anics dc a¡rcndcr a
conIcccr. É cvidcnic, ¡orcn, quc dcvcn scr
¡osios dianic das crianças ianio c×cn¡los vivos,
cono c×cn¡los Iisioricos, nas ¡rinci¡alncnic
c×cn¡los vivos, ¡ois dci×an in¡rcssõcs nais
forics c nais duradouras. Sc, ¡orianio, os ¡ais
forcn ¡rolos c ficis guardiõcs da disci¡lina
doncsiica, c os ¡rofcssorcs forcn rcalncnic
Ioncns dc clciçao, adniravcis ¡clos scus
cosiuncs, icrcnos o ncio naravilIoso dc in¡clir
foricncnic os alunos ¡ara una vida Ioncsia.
XIV.
16. Aos c×cn¡los dcvc acrcsccniar-sc, ¡orcn,
¡rccciios c rcgras dc vida.
Isio c ncccssario ¡ara corrigir, ajudar c rcforçar a
iniiaçao. (Vcja-sc dc novo o quc foi diio no
ca¡íiulo XXI, rcgra IX}. Esscs ¡rccciios irao
luscar-sc à Sagrada Escriiura c às na×inas dos
salios. Por c×cn¡lo. ¡orquc c cono dcvcnos
¡rcscrvar-nos da invcja? Con quc arnas
dcvcnos ¡rcnunir o coraçao conira as dorcs c
conira qualqucr infclicidadc quc acaso ¡ossa cair
solrc un Ioncn? Cono dcvcnos nodcrar as
388
alcgrias? Dc quc nancira sc dcvc doninar a ira,
afasiar un anor ilíciio, c ouiras coisas
scnclIanics? É facil dc cnicndcr quc dcvc icr-sc
cn conia a idadc c o grau dc ¡rogrcsso.
XV.
17. É indis¡cnsavcl dcfcndcr, con a na×ina
diligcncia, as crianças das nas con¡anIias, ¡ara
quc nao scjan coniagiadas ¡or clas.
Efciivancnic, ¡or causa da corru¡çao da nossa
naiurcza, o nal aconcic-nos, nao so nais
facilncnic, nas ianlcn nais icnazncnic.
In¡oria, ¡orianio, con iodo o cuidado, nanicr
longc da juvcniudc iodas as ocasiõcs dc
corru¡çao, cono sao as nas con¡anIias, as
convcrsas grossciras, as lciiuras frívolas c fuicis
(¡ois os c×cn¡los dc vícios quc sc infiliran, qucr
¡clos ouvidos, qucr ¡clos olIos, sao vcncno ¡ara
os cs¡íriios}; c, finalncnic, a ociosidadc, ¡ara quc
as crianças, csiando scn fazcr nada, nao
a¡rcndan a fazcr nal|11| ou sc dci×an invadir
¡clo ior¡or da alna. Scra lon, ¡orianio, nanic-
los scn¡rc ocu¡ados, qucr cn coisas scrias, qucr
cn divcriincnios. O csscncial c quc nunca sc
dci×cn cnircgucs à ociosidadc.
XVI.
18. E ¡orquc c quasc in¡ossívcl icr ial
clarividcncia quc sc in¡cça quc qualqucr
389
locadinIo dc nal sc insinuc cnirc as crianças, c
ncccssaria a disci¡lina ¡ara fazcr larrcira aos
naus cosiuncs.
Efciivancnic, o nosso ininigo, Saianas, nao so
nos vigia cnquanio dorninos, nas ianlcn
quando csianos acordados c scncanos a loa
scncnic nos can¡os da inicligcncia, ¡ara aí
cs¡alIar a sua cizania; c cnfin, a nossa ¡ro¡ria
naiurcza corru¡ia cs¡rciia furiivancnic, aqui c
alcn, dc nodo quc c ncccssario in¡cdir a
¡assagcn do nal con a força. In¡cdc-sc a
¡assagcn do nal con a disci¡lina, isio c, con
rc¡rccnsõcs c casiigos, con ¡alavras c con
vcrgasiadas, scgundo os casos, nas scn¡rc
quando o faio ainda csia frcsco, a fin dc quc a
¡lania do vício scja sufocada incdiaiancnic
a¡cnas dcs¡onia, ou nclIor, sc ¡ossívcl, scja
arrancada. Porianio, nas cscolas, a disci¡lina
dcvc scr scvcra, nao ianio ¡or causa das lciras
(as quais, cnsinadas con un lon nciodo, sao
dclícias c airaiivos ¡ara a inicligcncia Iunana},
cono ¡or causa dos cosiuncs.
Mas, accrca da disci¡lina, falarcnos ainda no
ca¡íiulo XXVI.
390

Capítulo XXIV
MÉTODO
PARA INCUTIR A PIEDADE
Sc o cs¡ì¡íto dc ¡ícdudc sc ¡odc cnsínu¡
nctodícuncntc, cono unu u¡tc.
1. Enlora a ¡icdadc scja un don dc Dcus, c scja
dada ¡clo ccu, ¡or olra c graça do Es¡íriio Sanio,
una vcz, ¡orcn, quc Esic ordinariancnic o¡cra
airavcs dos ncios ordinarios, c assin cscolIc
¡ara scus ninisiros os ¡ais, os ¡rofcssorcs c os
saccrdoics quc, con cuidado ficl, dcvcn ¡laniar c
rcgar as arvorczinIas do ¡araíso (Co¡ìntíos, I, 3,
6, 8}, c jusio quc csics cnicndan a razao do scu
ofício.
Çuc sc cntcndc ¡o¡ ¡ícdudc.
2. Quc significa ¡ara nos a ¡alavra ¡ícdudc, ja o
nosiranos airas|1|, isio c, quc o nosso coraçao
(dc¡ois dc cnlclido dc un scniincnio rcio cn
naicria dc fc c dc rcligiao} saila, ¡or ioda a ¡aric,
¡rocurar Dcus (a qucn a Sagrada Escriiura
cIana rci cscondido (Isuìus, 45, 15} c rci invisívcl
(HcI¡cus, II, 27}, isio c, aquclc quc sc colrc con
o vcu das suas olras, c, csiando ¡rcscnic
invisivclncnic cn iodas as coisas visívcis,
invisivclncnic as rcgc}; c, icndo-o cnconirado,
391
saila scgui-lo ¡or ioda a ¡aric; c, icndo cIcgado
aic Elc, saila goza-lo ¡ara scn¡rc.
T¡cs coísus.
1.2.3.
Ao ¡rinciro inicnio, cIcga-sc con a inicligcncia;
ao scgundo, con a voniadc; c ao icrcciro, con a
saiisfaçao da conscicncia.
Sígní¡ícudo dcstus t¡cs coísus.
3. Procuranos Dcus, olscrvando airavcs dc ioda
a criaçao os vcsiígios da divindadc. Scguinos
Dcus, cnircgando-nos inicirancnic c cn iodas as
coisas, à sua voniadc, ianio ¡ara fazcr cono ¡ara
sofrcr iudo o quc lIc agradar. Cozanos Dcus,
rc¡ousando no scu anor c no scu favor, dc nodo
quc, qucr no ccu qucr na icrra, nada c×isia ¡ara
nos dc nais dcscjavcl quc o ¡ro¡rio Dcus, nada
dc nais lclo quc ¡cnsar n'Elc, nada dc nais docc
quc louva-lo; c con ial inicnsidadc quc o nosso
coraçao arda dc anor ¡or Elc.
T¡cs ¡ontcs c, conscqùcntcncntc, t¡cs g¡uus dc
IcIc¡.
4. Ha ¡ara nos ircs fonics ondc lclcnos csic
anor, c ircs nodos ou graus dc o lclcr.
A ¡ontc c u t¡ì¡íícc Puíuu¡u dc Dcus. ¡cítu, csc¡ítu c
íns¡í¡udu.
392
5. As fonics sao a Sagrada Escriiura, o nundo c
nos ncsnos. na ¡rincira, cnconiran-sc as
¡alavras dc Dcus, no scgundo as olras c cn nos
os insiinios. É ¡ara nos fora dc duvida quc, ¡cla
Sagrada Escriiura, sc cIcga ao conIccincnio c
ao anor dc Dcus. Quc airavcs do nundo c da
inicligcnic conicn¡laçao das suas naravilIas,
quc sao olras dc Dcus, scjanos lcvados a scniir
¡icdadc ¡ara con Elc, dao-nos disso icsicnunIo
aic os ¡agaos, os quais, a¡cnas a ¡ariir da
conicn¡laçao do nundo, foran lcvados à
vcncraçao da divindadc, cono c cvidcnic ¡clo
c×cn¡lo dc Socraics, dc Plaiao, dc E¡iicio, dc
Scncca c dc ouiros, cnlora aquclc scu
scniincnio dc anor fossc in¡crfciio c sc
dcsviassc do scu oljciivo, ¡ois cniao os Ioncns
nao cran ajudados ¡or una cs¡ccial rcvclaçao
divina. Mas quc aquclcs quc sc csforçan ¡or
aiingir o conIccincnio dc Dcus, airavcs da sua
Palavra c das suas olras, sc inflanan dc un
anor ardcniíssino, c cvidcnic ¡clo c×cn¡lo dc
Jol, dc Eliu|2|, dc David c dc ouiras alnas
¡icdosas. E ncsic noncnio, convcn olscrvar a
¡ariicular ¡rovidcncia dc Dcus ¡ara conosco (o
nodo naravilIoso cono nos fornou, nos
conscrvou aic agora c nos govcrna}, cono o
nosiran, con o scu c×cn¡lo, David (Suíno
139}|3| c Jol (ca¡. 10}.
T¡ì¡íícc nodo dc IcIc¡ nus t¡cs ¡ontcs.
393
6. O nodo dc Iaurir a ¡icdadc dcsias ircs fonics
c irí¡licc. a ncdiiaçao, a oraçao c a icniaçao|4|. O
cnincnic Luicro dissc quc csias ircs coisas fazcn
icologo; nas ianlcn o crisiao cn gcral, so csias
ircs coisas o ¡odcn fazcr.
I. Mcdítuçuo.
7. A ncdiiaçao c a considcraçao frcqucnic, aicnia
c dcvoia das olras, das ¡alavras c dos lcncfícios
dc Dcus, c dc cono iudo ¡rovcn dc Dcus (quc
o¡cra ou ¡crniic} c dc cono, ¡or caninIos
naravilIosos, iodos os dcsígnios da voniadc
divina sao c×aiancnic rcalizados.
II. O¡uçuo.
8. A oraçao c a frcqucnic c, dc ccrio nodo,
coniínua as¡iraçao ¡ara Dcus, c a in¡loraçao da
sua niscricordia, ¡ara quc nos conscrvc c nos
govcrnc con o scu cs¡íriio.
III. Tcntuçuo.
9. Finalncnic, a icniaçao c a frcqucnic
cסloraçao do nosso ¡rogrcsso na ¡icdadc, qucr
scja fciia ¡or nos ¡ro¡rios, qucr scja fciia ¡or
ouiros, c a quc, a scu nodo, ¡cricnccn as
icniaçõcs Iunanas, dialolicas c divinas. Con
cfciio, o Ioncn dcvc icniar-sc consianicncnic a
si ncsno, ¡ara vcr sc icn fc (Co¡íntíos, II, 13, 5} c
¡ara vcr con quc soliciiudc faz a voniadc dc
394
Dcus; c icn ncccssidadc dc scr ¡osio à ¡rova
¡clos Ioncns, anigos c ininigos. Isio aconiccc
quando aquclcs quc ¡rcsidcn dcvoiancnic aos
ouiros sc ¡õcn a cסlorar, con vigilanic aicnçao
c con invcsiigaçõcs alcrias ou oculias, os
¡rogrcssos rcalizados, c quando Dcus nos coloca
ao lado un advcrsario, quc nos cnsinc a
rcfugiarno-nos cn Dcus c nos nosirc qual a
força da fc quc cn nos c×isic. Finalncnic, Dcus
cosiuna lançar ianlcn o ¡ro¡rio Saianas, ou
aic Elc ncsno insurgir-sc conira o Ioncn, ¡ara
quc sc nanifcsic o quc sc cnconira no scu
coraçao. Todas csias coisas, ¡orianio, dcvcn scr
incuiidas na juvcniudc crisia ¡ara quc cla sc
Ialiiuc a clcvar-sc ¡ara Dcus airavcs dc iudo o
quc c×isic, dc iudo o quc aconiccc c dc iudo o
quc vira a aconicccr, c a ¡rocurar a ¡az da alna
soncnic n'Aquclc quc c a ¡rincira c a nais
¡crfciia dc iodas as coisas.
O nctodo du ¡ícdudc cncc¡¡u-sc cn 21 cunoncs.
11. O nciodo cs¡ccial ¡ara cnsinar as coisas quc
dizcn cn rcs¡ciio à ¡icdadc csia coniido nos
vinic c un canoncs scguinics.
I.
I. O cuidado ¡ara incuiir a ¡icdadc conccc nos
¡rinciros anos da infancia.
395
Dcvc concçar-sc nos ¡rinciros anos da infancia,
ianio ¡orquc nao adiar ial cuidado c uiil, cono
¡orquc adia-lo c ¡crigoso. A ¡ro¡ria razao nos
nosira quc as ¡rinciras coisas dcvcn scr fciias
¡rinciro, c as nclIorcs nclIor. E quc coisa ¡odc
csiar ¡rinciro ou c nclIor quc a ¡icdadc? Scn
cla, qualqucr ouira aiividadc scrvc ¡ara ¡ouco, ao
¡asso quc cla icn as ¡roncssas da vida ¡rcscnic
c da vida fuiura (Tínòtco, I, 4, 8}. Una so coisa c
ncccssaria (Lucus 10,42}. ¡rocurar o rcino dc
Dcus, ¡ois, a qucn sc ¡rcocu¡a con isso, iudo o
rcsio lIc scra dado ¡or acrcscino (Mutcus, 6, 33}.
É ¡crigoso adia-lo, ¡ois, sc os aninos sc nao
cnlclcn do anor dc Dcus, quando sao ainda
icnros, facilncnic, na vida ¡raiica, vivida duranic
algun icn¡o scn rcs¡ciio ¡cla divindadc, sc
insinua cn iaciio dcs¡rczo ¡cla ncsna divindadc
c un cs¡íriio ¡rofano, quc, dc¡ois, so con nuiia
dificuldadc, sc arrancan, c, cn ccrios casos,
nunca nais c ¡ossívcl arrancar. Por isso, un
¡rofcia, lancniando o Iorrcndo diluvio dc
in¡icdadc quc Iavia invadido o scu ¡ovo, dissc
quc ja nao Iavia ningucn a qucn Dcus
cnsinassc, a nao scr «aos ncninos acalados dc
dcsquiiar, aos quc acalan dc scr dcsnanados»
(Isuìus, 28, 9}. Accrca dos ouiros, un ouiro
¡rofcia dissc quc «nao ¡odcn corrigir-sc dc nodo
a ¡raiicarcn o lcn, ¡ois csiao acosiunados a
fazcr o nal» (Jc¡cníus, 13, 23}.
II.
396
11. Porianio, logo quc concçan a scrvir-sc dos
olIos, da língua, das naos c dos ¡cs, a¡rcndan
as criancinIas a olIar os ccus, a crgucr as naos,
a ¡ronunciar o nonc dc Dcus c dc Crisio, c
ajoclIar-sc dianic da sua invisívcl najcsiadc c a
vcncra-la.
As criancinIas nao sao iao inca¡azcs dc a¡rcndcr
csias coisas, cono o inaginan aquclcs quc, nao
aicndcndo a quanio c ncccssario fugir dc
Saianas, do nundo c nos ncsnos, ninisiran un
cnsino dc iananIa in¡oriancia con grandc
ncgligcncia. Enlora, a ¡rincí¡io, as crianças,
una vcz quc icn o uso da razao dclil, nao
cnicndan lcn o quc significan aquclcs aios
rcligiosos, iodavia, c dc ¡rinaria in¡oriancia quc
sailan quc dcvcn fazcr aquilo quc, ¡rccisancnic
¡cla ¡raiica, a¡rcndcn quc dcvcn fazcr.
Efciivancnic, dc¡ois dc, à força dc fazcrcn,
icrcn a¡rcndido aquilo quc dcvcn fazcr, o quc
vcn incdiaiancnic a scguir ¡odcra nais
facilncnic incuiir-sc no scu coraçao, dc nodo
quc concccn a cnicndcr quc aios sao aquclcs
quc ¡raiican, ¡orquc os ¡raiican, c dc quc nodo
dcvcn scr ¡raiicados. Dcus ordcnou, ¡or ncio dc
una lci, quc iodas as ¡rinícias lIc fosscn
consagradas|5|; ¡orquc c quc cniao sc lIc nao
Iao-dc consagrar as ¡rinícias dos nossos
¡cnsancnios, das nossa ¡alavras lalluciadas,
dos nossos novincnios c açõcs?
397
III.
12. Logo quc as crianças icn idadc suficicnic
¡ara scrcn cnsinadas, dcvc, anics dc iudo,
infundir-sc-lIcs a convicçao dc quc nao csianos
no nundo ¡or causa dcsia vida, nas quc
caninIanos ¡ara a cicrnidadc, c quc aqui
csianos a¡cnas dc ¡assagcn, ¡ara nos
¡rc¡ararnos convcnicnicncnic ¡ara cnirarnos
dignancnic nas noradas cicrnas.
Isio ¡odc cnsinar-sc facilncnic, con os c×cn¡los
quoiidianos daquclcs quc sao arrclaiados ¡cla
noric c ¡assan ¡ara a ouira vida. crianças,
adolcsccnics, jovcns c vclIos. Fccordcn-sc-lIcs
frcqucnicncnic csias coisas, ¡ara quc sc
lcnlrcn quc ningucn ¡odc ¡crnancccr ¡ara
scn¡rc aqui na icrra.
IV.
13. Conscqucnicncnic, advirian-sc dc quc, ncsic
nundo, nada nais icnos a fazcr quc
¡rc¡ararno-nos ¡ara a vida quc Ia-dc vir.
Alias, scria una loucura ocu¡arno-nos dc coisas
quc lcn dc¡rcssa icnos dc alandonar, c
dcscurarnos aquclas quc nos acon¡anIarao aic
à cicrnidadc.
V.
398
14. Ensinc-sc ainda às crianças quc Ia duas
cs¡ccics dc vida, ¡ara ondc cnigran os Ioncns.
una fcliz con Dcus, c ouira infcliz no infcrno; c
anlas sao cicrnas.
Ensinc-sc isio con o c×cn¡lo dc Lazaro c do
ricaço, cujas alnas foran lcvadas, a do ¡rinciro
¡clos anjos ¡ara o ccu, a do scgundo ¡clos
dcnónios ¡ara o infcrno|6|.
VI.
15. Ensinc-sc-lIcs, ¡ois, quc sao fclizcs, nil vczcs
fclizcs|7|, aquclcs quc na icrra rcgulan a sua vida
dc nodo a scrcn considcrados dignos dc
¡assarcn ¡ara o scio dc Dcus.
Efciivancnic, fora dc Dcus, fonic dc luz c dc vida,
nao Ia scnao ircvas, Iorrorcs, iorncnios c noric
¡cr¡ciua, scn fin; dc nodo quc icria sido nclIor
nao icrcn nascido aquclcs quc virao a afasiar-sc
dc Dcus c a ¡rcci¡iiar-sc no ¡rcci¡ício da ruína
cicrna.
VII.
16. Quc ¡assarao ¡ara o scio dc Dcus iodos
aquclcs quc, ncsic nundo, caninIan con Dcus.
(Cono EnocI c Elias, anlos ainda cn vida; os
ouiros, dc¡ois da noric ÷ Gcncsís, 5, 24, cic.}.
VIII.
399
17. Quc caninIan con Dcus aquclcs quc o icn
dianic dos olIos, o icncn c olscrvan os scus
nandancnios.
E isio c o csscncial do Ioncn (Totun Honínís}
(Ecícsíustcs, 12, 13}, aquilo quc Crisio dissc scr
«a unica coisa ncccssaria» (Lucus, 10,42}.
Ensincn-sc iodos os crisiaos a icr scn¡rc na
loca c no coraçao csia vcrdadc, a fin dc quc, con
Maria, nao sc ¡rcocu¡cn dcnasiado con os
cuidados dcsia vida.
IX.
18. Porianio, iudo aquilo quc as crianças vccn,
ouvcn, iocan, fazcn c sofrcn, Ialiiucn-sc a
rcfcri-lo a Dcus, incdiaiancnic ou
ncdiaiancnic.
Ilusircnos isio con c×cn¡los. aquclcs quc sc
dcdican aos csiudos c à vida conicn¡laiiva,
dcvcn fazc-lo ¡rccisancnic ¡ara conicn¡larcn o
¡odcr, a salcdoria c a londadc dc Dcus,
difundidas ¡or ioda a ¡aric, c ¡ara assin sc
inflanarcn dc anor ¡or Elc, c, ¡or anor, sc
a¡cgarcn a Elc cada vcz nais foricncnic, dc
nodo a nunca nais sc dcsligarcn, cicrnancnic.
Aquclcs quc sc cnircgan aos iralalIos naicriais,
à agriculiura, aos iralalIos nanuais, cic.,
¡rocuran o ¡ao c as ouiras coisas ncccssarias à
vida, nas ¡rocuran-nas ¡rccisancnic ¡ara
vivcrcn conodancnic, c dcvcn vivcr
400
conodancnic ¡ara scrvircn a Dcus con alna
iranquila c alcgrc, c ¡ara lIc agradarcn,
scrvindo-O, c ¡ara csiarcn cicrnancnic con Elc,
agradando-LIc. Aquclcs quc fazcn csias coisas
con ouiro fin, crran c afasian-sc da inicnçao do
¡ro¡rio Dcus.
X.
19. A¡rcndan, ¡ois, dcsdc o ¡rincí¡io da vida, a
ocu¡arcn-sc, o nais quc ¡ossan, nas coisas quc
conduzcn incdiaiancnic a Dcus. na lciiura das
Sagradas Escriiuras, nos c×crcícios do culio
divino c nas loas olras cor¡orais.
Efciivancnic, a lciiura das Sagradas Escriiuras
c×ciia c rcaviva a rccordaçao dc Dcus; o c×crcício
do culio divino coloca Dcus dianic do Ioncn c
unc-o a clc; as loas olras rcforçan csia uniao,
¡orquc nosiran-nos quc vcrdadcirancnic
caninIanos ¡clos caninIos cnsinados ¡or Dcus.
Esias ircs ¡raiicas rcligiosas dcvcn rcconcndar-
sc scriancnic a iodos os candidaios a una vida
¡icdosa (quais sao iodos os jovcns crisiaos,
consagrados a Dcus ¡clo laiisno}.
XI.
20. Por isso, quc a Sagrada Escriiura scja, nas
cscolas crisias, o Alfa c o Oncga.
401
Hy¡crius dissc quc o icologo nascc na
Escriiura|8|, c nos vcnos quc o A¡osiolo S. Pcdro
csicndcu nuiio nais a cficacia dos livros
sagrados, dizcndo quc «os filIos dc Dcus nasccn
dc una scncnic incorru¡iívcl, ¡cla ¡alavra do
Dcus vivo, quc ¡crnanccc cicrnancnic» (Pcd¡o, I,
1, 23}. Porianio, nas cscolas crisias, con csic
livro dc Dcus, nais quc con iodos os ouiros
livros, a c×cn¡lo dc Tinoico, iodos os jovcns
crisiaos, insiruídos dcsdc ¡cqucninos nas
Sagradas Escriiuras, adquiran a salcdoria quc
os conduzira à salvaçao (Tínòtco, II, 3, 15},
alincniados con as ¡alavras da fc (Tínòtco, I, 4,
6}. Ja no scu icn¡o, Erasno discorrcu lclancnic
solrc csic assunio na sua «Pu¡ucícsís», ou scja,
na Exo¡tuçuo uo cstudo du ¡ííoso¡íu c¡ístu. «A
Sagrada Escriiura, diz, ada¡ia-sc igualncnic lcn
a iodos, alai×a-sc aic às criancinIas, aconoda-
sc ao scu nodo dc vivcr, alincniando-as con
lciic, aqucccndo-as, susicniando-as, iudo
fazcndo aic quc sc iorncn grandcs cn Crisio. E,
cnircianio, assisic dc ial nancira aos nais
¡cqucnos, quc c adniravcl ncsno ¡ara os
naiorcs. con os ¡cqucnos c ¡cqucna, con os
grandcs c nais quc grandc. Nao rcjciia ncnIuna
idadc, ncnIun sc×o, ncnIuna foriuna, ncnIuna
condiçao. O sol, ¡orianio, nao c iao conun c iao
fruívcl ¡or iodos cono a douirina dc Crisio. Nao
rc¡clc alsoluiancnic ningucn, a nao scr quc
cssc ncsno sc rc¡ila a si, odiando-sc a si
402
¡ro¡rio», cic.|9|. E acrcsccnia. «Prouvcra a Dcus
quc a Díllia fossc iraduzida cn iodas as línguas
dc iodos os ¡ovos, ¡ara quc ¡udcssc scr lida c
conIccida, nao so ¡clos cscoccscs c ¡clos
irlandcscs, nas ianlcn ¡clos iurcos c ¡clos
sarraccnos. Podcria aconicccr quc nuiios sc
risscn, nas alguns ficarian cncaniados. O×ala
os can¡oncscs, à raliça do arado, canicn alguns
vcrsículos, o×ala os iccclõcs acon¡anIcn
qualqucr irccIo ao son da lançadcira; o×ala o
viajanic suavizc a durcza do caninIo con as
narraçõcs líllicas; c quc iodas as convcrsas dos
crisiaos scjan solrc icnas da Díllia! Con cfciio,
nos sonos aquilo quc forcn as nossas convcrsas
quoiidianas. Cada un cIcguc ondc ¡odc, cada
un diga o quc ¡odc. Qucn vcn airas nao invcjc
aquclc quc vai à frcnic; aquclc quc csia cn
¡rinciro lugar cncorajc o quc o scguc, c nao o
dcs¡rczc. Porquc rcsiringinos a ¡oucos una
¡rofissao conun a iodos?»|10|. E ¡crio do fin.
«Todos quanios juranos no laiisno solrc as
¡alavras dc Crisio (sc acaso juranos con ioda a
alna}, logo cnirc os alraços dos ¡ais c cnirc as
carícias das anas, cnlclcno-nos dos ¡rincí¡ios
dc Crisio. Con cfciio, ¡cnciran
¡rofundíssinancnic c ¡crnanccn
icnacíssinancnic agarradas as ¡rinciras coisas
dc quc sc cnlclc o virgcn vaso da alna. Quc a
¡rincira ¡alavra quc sc a¡rcnda a lallucinar
scja Crisio; c quc, con os scus EvangclIos, sc
403
fornc a ¡rincira infancia. dcscjaria quc csias
coisas lIc fosscn cnsinadas cnirc as ¡rinciras,
¡ara quc fosscn anadas ¡clas crianças.
Dcdiqucn-sc, dc¡ois, as crianças aos csiudos
líllicos, aic quc, con iaciios ¡rogrcssos, sc
iransforncn cn Ioncns rolusios cn Crisio.
Fcliz aquclc quc a noric cnconira con a Díllia na
nao! Todos, ¡orianio, ancno-la con iodo o
coraçao, alraccno-nos a cla, dcdiqucno-nos
coniinuancnic a cla, lcijcno-la c, finalncnic,
norranos ¡or cla c iransforncno-nos ncla, ¡ois
os cosiuncs idcniifican-sc con os csiudos,
cic.»|11|. O ncsno Erasno, no Con¡cndío dc
Tcoíogíu, diz. «Nao fiz una açao dc inscnsaio
a¡rcndcndo à lcira os livros sagrados, ncsno
aquclcs quc nao cnicndia, cono diz Sanio
AgosiinIo, cic.»|12|. Nas cscolas crisias, ¡orianio,
nao rcssocn os noncs ncn dc Plauio, ncn dc
Tcrcncio, ncn dc Ovídio, ncn dc Arisioiclcs, nas
os dc Moiscs, dc David c dc Crisio. Pcnsc-sc no
nodo dc iornar a Díllia iao faniliar cono o
alfalcio à juvcniudc consagrada a Dcus
(cfciivancnic, iodos os filIos dos crisiaos sao
sanios ÷ Co¡ìntíos, I, 7, 14}. Con cfciio, assin
cono iodo o discurso c consiiiuído ¡or sons c ¡or
lciras, assin ianlcn, dos clcncnios da Sagrada
Escriiura, sc crguc ioda a csiruiura da rcligiao c
da ¡icdadc.
XII.
404
21. Quc iudo o quc sc a¡rcndc airavcs da
Escriiura sc rcfira à fc, à caridadc c à cs¡crança.
Esias ircs viriudcs sao, con cfciio, os ircs
na×inos fundancnios a quc sc rcfcrcn iodas as
coisas quc a Dcus a¡rouvc nanifcsiar-nos con as
suas ¡alavras. Efciivancnic, ccrias coisas rcvcla-
as, ¡ara quc as sailanos; ouiras ordcna-as, ¡ara
quc as façanos; ouiras ainda ¡roncic-as, ¡ara
quc as cs¡crcnos da sua lcnignidadc, ncsia vida
c na vida fuiura. E cn ioda a Sagrada Escriiura
nada sc cnconira quc sc nao rcfira a qualqucr
dcsics assunios. Ensincn-sc, ¡orianio, csias
coisas a iodos, ¡ara quc sailan conscicnicncnic
novcr-sc dcniro dos dcsígnios divinos.
XIII.
22. Ensinc-sc a ¡ór cn ¡raiica a fc, a caridadc c
a cs¡crança.
É ncccssario, con cfciio, fornar crisiaos ¡raiicos,
c nao icoricos, dcsdc os ¡rinciros anos da sua
fornaçao, sc qucrcnos icr vcrdadciros crisiaos. A
rcligiao c viva, c nao ¡iniada; ¡or isso, nosirc os
cfciios da sua viialidadc, cono una scncnic viva
quc, lançada cn lon icrrcno, logo gcrnina. É ¡or
isso quc a Sagrada Escriiura c×igc una fc cficaz
(Guíutus, 5, 6} c, sc c ¡rivada dc cficacia, cIana-
lIc noria (Tíugo, 2, 20}, c qucr ianlcn una
cs¡crança viva (Pcd¡o, I, 1, 3}. Daí quc a¡arcça,
frcqucnics vczcs, na Escriiura, a advcricncia dc
405
quc as coisas rcvcladas ¡cla divina ¡rovidcncia
sao rcvcladas ¡ara quc as façanos. Crisio diz. «Sc
salcis csias coisas, scrcis fclizcs sc as fizcrdcs»
(Jouo, 13, 17}.
XIV.
23. Ensinar-sc-a a ¡ór adcquadancnic cn
¡raiica a fc, a caridadc c a cs¡crança, sc sc
cnsinar às crianças (c a iodos} a acrcdiiar
firncncnic no quc Dcus rcvcla, a cun¡rir o quc
Elc ordcna c a cs¡crar o quc Elc ¡roncic.
In¡oria fazcr noiar c inculcar con diligcncia na
ncnic dos jovcns quc, sc qucrcn quc a ¡alavra
dc Dcus infunda nclcs a viriudc dc sc salvarcn,
dcvcn icr un coraçao Iunildc c dcvoio, scn¡rc c
¡or ioda a ¡aric ¡rc¡arado a sulncicr-sc cn
iudo a Dcus; nais ainda. un coraçao ja
cfciivancnic cnircguc a Dcus. Con cfciio, assin
cono o sol, con a sua luz, nada rcvcla a qucn
nao qucr alrir os olIos, c os alincnios, colocados
solrc a ncsa, nao sacian aquclc quc sc rccusa a
concr, assin ianlcn a luz divina, ninisirada à
nossa ncnic, c as nornas dadas às nossas açõcs
c a lcaiiiudc ¡ronciida às ¡cssoas icncnics a
Dcus scrao vas, sc as nao alraçarnos con fc
¡ronia, con caridadc ardcnic c con cs¡crança
firnc. Dcsia nancira, Alraao, ¡ai dos crcnics,
icndo fc nas ¡alavras dc Dcus, acrcdiiava ncsno
cn coisas incrívcis ¡ara a razao Iunana; c,
406
cun¡rindo as ordcns dc Dcus, fazia coisas
duríssinas ¡ara o scu coraçao (cono foi dci×ar a
¡airia, sacrificar o filIo, cic.}; c, foric con as
¡roncssas dc Dcus, cs¡crava ondc nao Iavia
noiivo ¡ara cs¡crar|13|. Todavia, csia fc, viva c
cficaz, foi-lIc jusiancnic iida cn considcraçao. E
assin, in¡oria cnsinar, a iodos aquclcs quc sc
cnircgan a Dcus, a fazcr a cסcricncia dcsia
rcgra cn si ncsnos c a olscrva-la
consianicncnic.
XV.
24. Mcsno iudo aquilo quc sc cnsina à juvcniudc
crisia a¡os a Sagrada Escriiura (Cicncias, Arics,
Línguas, cic.}, scja-lIc cnsinado
sulordinadancnic às Sagradas Escriiuras,
¡rccisancnic ¡ara quc cla ¡ossa, ¡or ioda a
¡aric, noiar c vcr clarancnic quc iudo c ncra
vaidadc, sc sc nao rcfcrc a Dcus c à vida fuiura.
Socraics c louvado ¡clos aniigos, ¡orquc
conduziu a filosofia, das cs¡cculaçõcs nuas c
cs¡inIosas, ¡ara os ¡rollcnas norais; c os
A¡osiolos ¡ro¡uscran-sc irazcr os crisiaos, das
cs¡inIosas qucsiiunculas da Lci, ¡ara a docc
caridadc dc Crisio (Tínòtco, I, 1, 5, 6, 7, cic.}; c,
da ncsna nancira, alguns ¡icdosos icologos
nodcrnos ¡rocuraran arranca-los dc
con¡licadas conirovcrsias, quc scrvcn nais ¡ara
dcsiruir quc ¡ara cdificar a Igrcja, ¡ara os
407
lcvarcn a ¡rcocu¡arcn-sc con os ¡rollcnas da
conscicncia c da vida ¡raiica. OI! quc Dcus,
icndo niscricordia dc nos, nos faça cnconirar un
nodo c un nciodo gcral, ca¡az dc nos cnsinar a
voliar ¡ara Dcus iodas as coisas quc csiao fora dc
Dcus, c dc quc sc ocu¡a a inicligcncia Iunana, c
a voliar ¡ara o csiudo das coisas cclcsics iodas
as ocu¡açõcs dcsia vida, nas quais sc cnlaraça c
sc incrgc o nundo! Assin icríanos una cs¡ccic
dc cscada sagrada, ¡cla qual, ncdianic iodas as
coisas quc c×isicn c quc sc fazcn, as nossas
ncnics sulirian, scn olsiaculo, aic ao su¡rcno
c cicrno scnIor dc iodas as coisas, fonic da
vcrdadcira fclicidadc|14|.
XVI.
25. Ensinc-sc a iodos a assisiir rcligiosancnic ao
culio divino, ianio inicrno cono c×icrno; ¡ara
quc o culio inicrno, scn o c×icrno, nao arrcfcça;
c o c×icrno, scn o inicrno, nao dcgcncrc cn
Ii¡ocrisia.
O culio c×icrno dc Dcus consisic cn falar dc
Dcus, cn ¡rcgar c ouvir a sua ¡alavra, cn adora-
lo dc joclIos, cn caniar Iinos dc louvor, cn
frcqucniar os sacrancnios c cn olscrvar os
ouiros riios sagrados, ¡ullicos c ¡rivados. Por
sua vcz, o culio inicrno dc Dcus consisic cn
¡cnsar coniinuancnic quc Dcus csia ¡rcscnic,
cn icncr c cn anar a Dcus, cn rcnunciarnos a
408
nos ncsnos c cn cnircgarno-nos nas naos dc
Dcus, ou scja, na voniadc ¡ronia dc fazcr c dc
sofrcr iudo o quc agrada a Dcus. Esics dois
culios dcvcn juniar-sc c nao sc¡arar-sc. nao
soncnic ¡orquc c jusio quc Dcus scja glorificado
¡clo nosso cor¡o c ¡clo nosso cs¡íriio, quc lIc
¡cricnccn (Co¡ìntíos, I, 6, 20}, nas ianlcn
¡orquc os nao ¡odcnos sc¡arar scn os ¡crigo.
Con cfciio, Dcus alonina os riios c×icrnos, scn
vcrdadc inicrna. «qucn ¡cdiu iais ofcrias às
vossas naos?, cic.» (Isuìus, I, 12 c nouiros
lugarcs}. Porquc Dcus c cs¡íriio, qucr scr adorado
cn cs¡íriio c vcrdadc (Jouo, 4, 24}. Mas, cono
nos nao sonos ncrancnic cs¡iriiuais, nas
ianlcn cor¡orais c doiados dc scniidos, c
ncccssario, ¡or conscqucncia, c×ciiar os nossos
scniidos a fazcr c×icrnancnic aquilo quc sc dcvc
fazcr inicrnancnic cn cs¡íriio c vcrdadc.
Prccisancnic ¡or isio, Dcus, cnlora c×ija
solrciudo ¡raiicas inicrnas, ordcnou, iodavia, ao
ncsno icn¡o, ¡raiicas c×icrnas, c qucr quc
scjan olscrvadas. O ¡ro¡rio Crisio, cnlora
lilcriassc das ccrinónias o culio ¡rcscriio no
Novo Tcsiancnio, c cnsinassc quc sc dcvc adoiar
a Dcus cn cs¡íriio c vcrdadc, iodavia, adorava o
Pai con a facc ¡or icrra c ¡rolongava cssa
adoraçao ¡or noiics iniciras, frcqucniava as
rcuniõcs sagradas, ia ouvir os Douiorcs da Lci c
inicrrogava-os, ¡rcgava a ¡alavra dc Dcus,
caniava Iinos, cic. Porianio, ao fornarnos a
409
juvcniudc ¡ara a rcligiao, forncno-la ¡or iniciro,
c×icrnancnic c inicrnancnic, ¡ara nao
fornarnos Ii¡ocriias, ou scja, culiorcs dc Dcus
su¡crficiais, fingidos c sinuladorcs, ou cniao
fanaiicos, quc sc dclciian nos scus sonIos c,
dcs¡rczando o ninisicrio c×icrno, dissolvcn a
ordcn c o dccoro da Igrcja; ou ainda gcnic fria, sc
as ¡raiicas c×icrnas nao csiinulan as inicrnas, c
as ¡raiicas inicrnas nao rcavivan as c×icrnas.
XVII
26. As crianças dcvcn scr diligcnicncnic
Ialiiuadas às olras c×icrnas, ordcnadas ¡or
Dcus, ¡ara quc sailan quc o vcrdadciro
crisiianisno csia cn dcnonsirar a sua fc con
olras.
Essas olras consisicn cn c×crciiar, scn
inicrru¡çao, a icn¡crança, a jusiiça, a
niscricordia c a ¡acicncia, ¡ois, sc a nossa fc nao
¡roduz csics fruios, dcnonsira quc csia noria
(Tíugo, 2, 17}. Ora cla dcvc scr viva, sc qucr scr
salvadora.
XVIII
27. Ensinc-sc-lIcs ianlcn a disiinguir
acuradancnic os fins dos lcncfícios c das
condcnaçõcs dc Dcus, ¡ara quc sailan fazcr lon
uso dc iodas as coisas, c nao façan nau uso dc
nada.
410
Fulgcncio (Cu¡tu 2 u Guííu} dividc os lcncfícios dc
Dcus cn ircs cs¡ccics|15|. Diz quc alguns duran
cicrnancnic, quc ouiros scrvcn ¡ara adquirir a
cicrnidadc, c quc ouiros ainda sc uiilizan a¡cnas
na vida ¡rcscnic. Os da ¡rincira cs¡ccic sao.
conIccincnio dc Dcus, alcgria no Es¡íriio Sanio
c caridadc dc Dcus, a qual sc difundc nos nossos
coraçõcs. Da scgunda cs¡ccic sao a fc, a
cs¡crança c a niscricordia ¡ara con o ¡ro×ino.
Da icrccira cs¡ccic sao a saudc, as riquczas, os
anigos c ouiros lcns c×icriorcs quc, ¡or si
ncsnos, nao nos iornan ncn fclizcs ncn
infclizcs.
Do ncsno nodo, cnsinc-sc quc as condcnaçõcs
dc Dcus, isio c, os scus casiigos, sao dc ircs
cs¡ccics. Alguns (aos quais Dcus csialclcccu
¡ou¡ar cicrnancnic} sao casiigados ncsic nundo
c irans¡orian a sua cruz ¡ara quc sc iorncn
¡uros c lrancos (Dunící, 11, 35; A¡ocuíí¡sc, 7,
14}, cono Lazaro; ouiros sao ¡ou¡ados ncsic
nundo, ¡ara scrcn casiigados cicrnancnic,
cono o rico conilao|16|; os sofrincnios dc ouiros
concçan aqui na icrra, ¡ara scrcn ¡rolongados
cicrnancnic, cono os dc Saul, dc Aniíoco, dc
Hcrodcs, dc Judas c dc ouiros. Ensinc-sc,
¡orianio, aos Ioncns a disiinguir iodas as
coisas, ¡ara quc nao aconicça quc, cnganados
¡clos lcns scnsívcis, ¡rcfiran os lcns quc sao
a¡cnas icn¡orais, c ¡ara quc a¡rcndan a rcccar,
nao ianio os nalcs ¡rcscnics, cono o infcrno, c a
411
icncr solrciudo, nao aquclcs quc a¡cnas ¡odcn
aiingir o cor¡o, nas aquclc quc ¡odc nao so
¡crdcr o cor¡o, nas ianlcn lcvar a nossa alna
¡ara o infcrno (Lucus, 12, 4 c 5}
XIX
28. E advirian-sc as crianças dc quc o caninIo
nais scguro da vida c o caninIo da cruz, c quc,
¡rccisancnic ¡or isso, foi ¡or cla quc o Mcsirc,
Crisio, saiu dcsia vida, o qual convidou os ouiros
a scguircn ¡or cssc caninIo, c ¡or clc conduz
aquclcs a qucn qucr nclIor.
O nisicrio da nossa salvaçao foi rcalizado na
Cruz, c fciio dc Cruz, na qual c crucificado o
vclIo Adao, ¡ara quc viva o novo, criado scgundo
Dcus. Por isso, Dcus casiiga aquclcs quc ana c,
¡or assin dizcr, crucifica-os con Crisio, ¡ara,
dc¡ois da rcssurrciçao, os colocar à sua dirciia,
no ccu, juniancnic con Crisio. E cnlora a
¡alavra Cruz scja a ¡oicncia dc Dcus ¡ara salvar
aquclcs quc acrcdiian, iodavia, ¡ara a carnc, c
loucura c csiorvo (Co¡ìntíos, I, 1, 18}; dc ial
nancira quc c ncccssario inculcar nuiio lcn nos
Crisiaos csia vcrdadc, ¡ara quc cnicndan quc
nao ¡odcn scr discí¡ulos dc Crisio, sc nao
rcnuncian a si ncsnos, sc nao irans¡orian
solrc os scus onlros a Cruz dc Crisio (vcja-sc
Lucus, 14, vcrsículo 27}, c sc nao csiao
¡rc¡arados a scguir Dcus duranic ioda a vida,
412
¡or qualqucr ¡aric ¡or ondc Elc qucira conduzi-
los.
XX
29. Dcvc ¡rovidcnciar-sc ¡ara quc, cnquanio sc
cnsinan csias coisas às crianças, nao lIcs scja
dado ncnIun c×cn¡lo cn conirario.
Isio c, ¡rocurc-sc quc as crianças nao ouçan
ncn vcjan llasfcnias, ¡crjuros, ¡rofanaçõcs do
nonc dc Dcus ou ouiras in¡icdadcs, nas quc,
¡ara qualqucr ¡aric quc sc volicn, cnconircn
rcvcrcncia ¡cla divindadc, olscrvancia da rcligiao
c ¡urcza dc conscicncia. E sc alguna coisa
aconiccc cn conirario disio, cn casa ou na
cscola, quc noicn quc cla nao fica in¡unc, nas
sc casiiga scvcrancnic; c dc ial nancira quc a
¡cna, infligida ¡clo crinc dc lcsa-divindadc,
scndo scn¡rc nais dura quc a ¡cna infligida ¡or
una ofcnsa conciida conira Prisciano|17|, nosirc
quc c quc, acina dc iudo c anics dc iudo, sc dcvc
icncr.
XXI
30. Finalncnic, ¡orquc, na ¡rcscnic corru¡çao do
nundo c da naiurcza, nunca ¡rogrcdinos ianio
cono dcvíanos; c, ncsno quc ¡rogridanos
alguna coisa, a nossa carnc dc¡ravada cai
facilncnic na conicn¡laçao dc si ncsna c na
solcrla cs¡iriiual, c assin (¡orquc Dcus rcsisic
413
aos solcrlos}, |18| a nossa salvaçao corrc un
¡crigo gravíssino, in¡oria cnsinar, a icn¡o, a
iodos os crisiaos, quc os nossos lons csiudos c
as nossas loas olras, ¡cla sua in¡crfciçao, nada
valcn, sc nao vcn cn nossa ajuda, con a sua
¡crfciçao, Crisio, o Cordciro dc Dcus quc iira os
¡ccados do nundo|19|, c no qual a¡cnas sc
con¡raz o Pai, cic.|20|. É ncccssario, ¡orianio,
invocar Crisio c so nclc confiar.
Assin, finalncnic, colocanos cn scguro a
cs¡crança da nossa salvaçao c dos nossos, sc a
colocarnos solrc Crisio, ¡cdra angular|21|, o
qual, assin cono c o vcriicc dc ioda a ¡crfciçao,
na icrra c no ccu, assin ianlcn c o unico
iniciador c a¡crfciçoador da nossa fc, da nossa
caridadc, da nossa cs¡crança c da nossa
salvaçao. Efciivancnic, o Pai cnviou Crisio do
Ccu à icrra, ¡rccisancnic ¡ara quc, fciio
Enanucl (Dcus-Ioncn}, rcunissc os Ioncns c
Dcus; c, vivcndo saniíssinancnic na
Iunanidadc assunida, sc a¡rcscniassc aos
Ioncns cono nodclo da vida divina; c, norrcndo
inoccnicncnic, cסiassc con o sacrifício dc si
ncsno as cul¡as do nundo, c, con o ¡ro¡rio
sanguc, lavassc os nossos ¡ccados; c, cnfin,
rcssusciiando, nosirassc quc a noric fora
vcncida con a noric, c, sulndo ao ccu, c dc la
cnviando o Es¡íriio Sanio, ¡cnIor da nossa
salvaçao, c, ncdianic o ncsno Es¡íriio,
Ialiiassc cn nos cono Tcn¡los scus, c nos
414
rcgcssc c nos guardassc ¡ara a salvaçao,
cnquanio luianos aqui na icrra, c dc¡ois nos
rcssusciiassc c lcvassc ¡ara si, ¡ara quc, ondc
Elc csia, csicjanos ianlcn nos c conicn¡lcnos
a sua gloria, cic.
31. A csic unico salvador dc iodos os Ioncns,
con o Pai c o Es¡íriio Sanio, scja dado cicrno
louvor, Ionra, lcnçao c gloria, ¡or iodos os
scculos dos scculos. Ancn.
32. Convcn, iodavia, dcicrninar o nodo
¡ariicular dc rcalizar a¡iancnic iodas csias
coisas, cn iodas as classcs das cscolas.
415

Capítulo XXV
SE REALMENTE
QUEREMOS ESCOLAS REFORMADAS
SEGUNDO AS VERDADEIRAS NORMAS
DO AUTÊNTICO CRISTIANISMO,
OS LIVROS DOS PAGÃOS,
OU DEVEM SER AFASTADOS DAS ESCOLAS,
OU AO MENOS DEVEM SER UTILIZADOS
COM MAIS CAUTELA QUE ATÉ AQUI[1]

Dc quc coísu sc concçu u ¡c¡suudí¡ ncstc cu¡ìtuío.
1. Una ncccssidadc incviiavcl olriga-nos a
dcscnvolvcr un ¡ouco nais o assunio a quc, dc
¡assagcn, fizcnos ja ncnçao no ca¡íiulo
¡rcccdcnic, ¡ois, sc qucrcnos icr cscolas
vcrdadcirancnic crisias, in¡oria afasiar dclas
una nuliidao dc douiorcs ¡agaos. Eסorcnos,
¡rinciro, as causas urgcnics dcsia aiiiudc, c,
dc¡ois, cnsinarcnos qual a cauicla dc quc sc
dcvc usar rclaiivancnic a csscs salios, ¡ara fazcr
nossos iodos os scus ¡cnsancnios, os scus diios
c os scus faios, quando sao lons.
E con quc zcío ¡u¡u con Dcus.
2. O anor da gloria dc Dcus c da salvaçao dos
Ioncns in¡clc-nos a iraiar con zclo csic
assunio, ¡ois vcnos quc as ¡rinci¡ais cscolas dos
416
crisiaos ¡rofcssan Crisio a¡cnas dc nonc c, dc
rcsio, nao ¡õcn as suas dclícias scnao nos
Tcrcncios, Plauios, Cíccros, Ovídios, Caiulos c
Tílulos, Musas c Vcnus. Daqui rcsulia quc
salcnos nais do nundo quc dc Crisio, c quc
icnos ncccssidadc dc ¡rocurar os crisiaos no
ncio da crisiandadc, ¡rccisancnic ¡orquc,
ncsno a nuiios icologos, cnirc os nais crudiios
c noiavcis, Crisio a¡cnas fornccc una nascara, c
Arisioiclcs, con a rcsianic nuliidao dos ¡agaos,
fornccc o sanguc c o cs¡íriio. Ora isio c un
Iorrcndo aluso da lilcrdadc crisia, una
iur¡íssina ¡rofanaçao c una coisa cIcia dc
¡crigos. Con cfciio.
Cuusus ¡o¡ quc os ííu¡os ¡uguos dcucn sc¡
cxcíuìdos dus cscoíus c¡ístus c os ííu¡os díuínos
dcucn sc¡ ínt¡oduzídos.
P¡íncí¡u.
3. En ¡rinciro lugar, os nossos filIos, nascidos
¡ara o ccu, rcnasccran ¡or viriudc do Es¡íriio dc
Dcus. Dcvcn, ¡or conscqucncia, scr fornados
cono cidadaos ¡ara o ccu c, ¡rinci¡alncnic,
dcvcn ionar conIccincnio con os Ialiianics do
ccu. Dcus, Crisio, os Anjos, Alraao, Isac, Jacol c
ouiros. E, ¡osias dc ¡aric, cnircianio, iodas as
ouiras coisas, dcvc ¡rocurar fazcr-sc isio anics dc
iudo, nao so ¡or causa da inccricza dcsia vida,
¡ara quc ningucn vcnIa a scr arrclaiado ¡cla
noric scn csiar ¡rc¡arado, nas ianlcn ¡orquc
417
as ¡rinciras in¡rcssõcs ¡crnancccn
¡rofundancnic gravadas na ncnic c (sc sao
sanias} iornan nais scguras iodas as ouiras
coisas quc sc dcvcn iraiar dc¡ois, duranic a
vida.
Scgundu.
4. En scgundo lugar, Dcus, cnlora ¡rovcssc
alundanicncnic ao scu ¡ovo clciio, iodavia, nao
lIc nosirou ouira cscola alcn da dos scus airios,
ondc csialclcccu scr Elc ncsno o nosso
¡rofcssor, nos os alunos, c a douirina, a voz dos
scus ¡rofcias. Con cfciio, fala assin ¡cla loca dc
Moiscs. «Ouvc, o Isracl, o ScnIor nosso Dcus c o
unico ScnIor. Anaras ao ScnIor icu Dcus dc
iodo o icu coraçao, c dc ioda a iua alna, c con
ioda a iua força. E csias ¡alavras, quc cu Iojc ic
iniino, csiarao gravadas no icu coraçao; c iu as
cnsinaras a icus filIos, c as ncdiiaras scniado
cn iua casa, c andando ¡clo caninIo, c csiando
no lciio, c ao lcvaniar-ic, cic.» (Dcutc¡ononío, 6, 4
c ss.}. E ¡cla loca dc Isaías. «Eu sou o ScnIor icu
Dcus, quc ic cnsino o quc c uiil, quc ic dirijo ¡clo
caninIo quc scgucs» (Isuìus, 48, 17}. E nouiro
lugar. «Porvcniura o ¡ovo nao Ia-dc consuliar o
scu Dcus?» (Isuìus, 8, 19}. E Crisio diz.
«Pcrscruiai as Escriiuras» (Jouo, 5, 39}.
Tc¡ccí¡u.
418
5. E quc csia sua voz c luz fulgidíssina da nossa
inicligcncia c rcgra ¡crfciiíssina das nossas
açõcs c, nun c nouiro caso, un au×ílio
suficicniíssino ¡ara a nossa fraqucza, dcclara-o
con csias ¡alavras. «Eis quc vos cnsinci os
csiaiuios c os ordcnancnios judiciarios.
Olscrvai-os c ¡ondc-os cn ¡raiica, ¡ois csia aqui
a vossa salcdoria c a vossa ¡rudcncia dianic dos
olIos dos ¡ovos, os quais, ouvindo csias coisas,
dirao. «A¡cnas csia gcnic c un ¡ovo salio c
¡rudcnic» (Dcutc¡ononío, 4, 5 c 6}. E cn Josuc
ordcna. «Nao sc a¡aric da iua loca o livro dcsia
lci; nas ncdiiaras nclc dia c noiic ¡ara olscrvar
c cun¡rir iudo o quc nclc csia cscriio; cniao
lcvaras o icu caninIo dirciio c ¡ros¡craras»
(Josuc, 1, 8}. E ¡cla loca dc David. «A douirina dc
Jcova c ínicgra c rcsiauradora da alna; o
icsicnunIo dc Jcova c vcraz c da salcdoria aos
ignoranics, cic.» (Suíno 19, 8}. Finalncnic, o
A¡osiolo aicsia. «Toda a Escriiura, divinancnic
ins¡irada, c uiil ¡ara cnsinar, ¡ara rc¡rccndcr,
¡ara corrigir, ¡ara fornar na jusiiça; a fin dc quc
o Ioncn dc Dcus scja ¡crfciio, a¡io ¡ara ioda a
olra loa» (Tínòtco, II, 3, 16 c 17}. Igualncnic os
Ioncns nais salios (cnicnda-sc crisiaos,
vcrdadcirancnic iluninados} rcconIcccran
ianlcn csia vcrdadc c ¡rofcssaran-na. S. Joao
Crisosiono diz. «Tudo aquilo quc c ncccssario
salcr ou ignorar, a¡rcndcno-lo nas
Escriiuras»|2|. E Cassiodoro. «A Escriiura c una
419
cscola cclcsic, una crudiçao viial, a aula da
vcrdadc, una disci¡lina ccriíssinancnic
singular, c ocu¡a os alunos con ¡cnsancnios
fruiuosos, c nao con vaos ariifícios dc ¡alavras,
cic.»|3|.
Çuu¡tu.
6. Alcn disso, Dcus ¡roiliu cסrcssancnic ao
scu ¡ovo as douirinas c os cosiuncs dos ¡agaos.
«Nao a¡rcndais os caninIos dos gcniios» (dissc
Jc¡cníus, 10,2}. E igualncnic. «Porvcniura nao
Ia un Dcus cn Isracl, ¡ara vos virdcs consuliar
Dclsclu, dcus dc Acaron?» (IV Líu¡o dos Hcís, 1, 3}
«Porvcniura o ¡ovo nao Ia-dc consuliar o scu
Dcus? Ha-dc ir falar con os norios accrca dos
vivos? Anics dcvc rccorrcr à lci c ao icsicnunIo,
¡ois, sc nao falarcn scgundo csia linguagcn, nao
raiara ¡ara clcs a luz da nanIa» (Isuìus, 8, 19-
20}. Porquc assin? Porquc «ioda a salcdoria vcn
dc Dcus c con clc ¡crnanccc ¡ara scn¡rc». E
logo a scguir. «A raiz da salcdoria a qucn foi
janais rcvclada?» (Ecícsíustíco, 1, 1 c 6}. «Esics
jovcns viran a luz, c Ialiiaran solrc a icrra;
nas ignoraran o caninIo da salcdoria, c nao
cnicndcran as suas vcrcdas, ncn scus filIos a
rccclcran; cla sc rciirou ¡ara longc dclcs. Nao foi
ouvida na icrra dc Canaa, ncn foi visia cn Tcna.
Tanlcn os filIos dc Agar, os quais ¡rocuran a
¡rudcncia quc vcn da icrra, os falulisias c os
csquadrinIadorcs da inicligcncia, ignoraran o
420
caninIo da salcdoria. Mas aquclc quc salc
iodas as coisas, conIccc-a c dcscolriu iodos os
caninIos da salcdoria c cnsinou-a a Jacol, scu
scrvo, c a Isracl, scu anado» (Hu¡uc, 3, vcrsículos
20, 21, 22, 23, 32, 36, 37}. «Nao fcz assin a
ncnIuna ouira naçao, c ¡or isso nao
conIcccran os scus ¡rccciios» (Suíno 147, 20}.
Çuíntu.
7. Quando o scu ¡ovo sc dcsviava da sua lci, indo
à ¡rocura dos airaiivos da faniasia Iunana,
Dcus ccnsurava-lIc nao so a loucura, ¡ois
alandonava a fonic da salcdoria (Hu¡uc, 3, 12},
nas ianlcn a du¡la nalícia «¡orquc o ncu ¡ovo
fcz dois nalcs. alandonaran-nc a nin, quc sou
a fonic dc agua viva, c cavaran ¡ara si cisicrnas,
cisicrnas roias, quc nao ¡odcn rcicr as aguas»
(Jc¡cníus, 2, 13}. E, ¡cla loca dc Oscias,
lancniando-sc ¡orquc o scu ¡ovo iinIa rclaçõcs
dcnasiado anisiosas con os gcniios, acrcsccnia.
«Os nulií¡liccs cnsinancnios da ninIa lci, quc
¡or nin foran cscriios, considcran-nos cono
coisa fciia ¡ara os ouiros» (Oscíus, 8, 12}.
Porvcniura ¡roccdcn dc nancira difcrcnic
aquclcs crisiaos quc icn scn¡rc cnirc as naos,
dc dia c dc noiic, os livros dos ¡agaos?|4|. Do
sagrado codigo dc Dcus, cono sc sc iraiassc dc
una coisa dos ouiros quc a clcs nao diz rcs¡ciio,
ncnIun sc inicrcssa, cnlora clc nao scja «coisa
va, quc ¡ossa in¡uncncnic dcscurar-sc, nas a
421
nossa ¡ro¡ria vida», scgundo o icsicnunIo do
¡ro¡rio Dcus (Dcutc¡ononío, 32, 47}.
Scxtu.
8. Por isso, a vcrdadcira Igrcja c os vcrdadciros
culiorcs dc Dcus nao ¡rocuraran ncnIuna ouira
cscola, alcn da ¡alavra dc Dcus, ncla Iaurindo
alundanicncnic a salcdoria vcrdadcira c cclcsic,
quc c su¡crior a ioda a salcdoria nundana.
Efciivancnic, David diz dc si ncsno. «Mais salio
quc os ncus ininigos nc iornou o icu
nandancnio, ¡orquc clc csia scn¡rc conigo.
Sou nais ¡rudcnic quc iodos os ncus ncsircs,
¡orquc os icus nandancnios sao a ninIa
ncdiiaçao, cic.» (Suíno 118, 98, cic.}. Dc nodo
scnclIanic, Salonao, o nais salio dos noriais,
dcclara. «O ScnIor c qucn da a salcdoria, c da
sua loca sai a ¡rudcncia c a cicncia» (P¡ouc¡Iíos,
2, 6}. Tanlcn Jcsus, filIo dc Sirac (no ¡rologo do
scu livro}, afirna quc a sua salcdoria foi Iaurida
«na lciiura da lci c dos ¡rofcias» (Ecícsíustíco}.
Daqui, a alcgria dos sanios, quando vian a luz na
Luz dc Dcus (Suíno 35, 10}. «Sonos diiosos, o
Isracl, ¡orquc as coisas quc agradan a Dcus nos
sao nanifcsias» (Hu¡uc, 4, 4}. «ScnIor, ¡ara qucn
Iavcnos nos dc ir? So iu icns ¡alavras dc vida
cicrna» (Jouo, 6, 69}.
Sctínu.
422
9. E×cn¡los dc iodos os scculos nosiran quc,
scn¡rc quc a Igrcja sc dcsviou das fonics dc
Isracl, scn¡rc cssc dcsvio foi ocasiao dc cisnas c
dc crros. Fclaiivancnic à Igrcja israclíiica; o faio
c suficicnicncnic conIccido, airavcs das
lancniaçõcs dos ¡rofcias; rclaiivancnic à Igrcja
crisia, infcrc-sc da Iisioria quc, scn¡rc quc foi
govcrnada ¡clos A¡osiolos c ¡or ¡cssoas
a¡osiolicas, a¡cnas con a douirina do EvangclIo,
scn¡rc ¡crnancccu vigorosa a sinccridadc da fc.
Mas, logo quc os ¡agaos concçaran a cnirar cn
nuliidao na Igrcja, c arrcfcccu o ¡riniiivo ardor c
soliciiudc cn sc¡arar as douirinas ¡uras das
in¡uras, c, ¡or isso, sc concçou a lcr, ¡rinciro
¡rivadancnic c dc¡ois cn ¡ullico, os livros dos
¡agaos, c cvidcnic quc cs¡ccic dc nisiura c dc
confusao dc douirinas rcsuliou. Prccisancnic ¡or
cul¡a daquclcs ncsnos quc sc jaciavan dc scr os
unicos dc¡osiiarios da cIavc da salcdoria,
¡crdcu-sc cssa cIavc; cn conscqucncia disso, cn
lugar dos ariigos da Fc, surgiu una infinidadc dc
o¡iniõcs csiranIas; daí os dissídios c os liiígios,
quc nao dao ainda nosiras dc qucrcrcn
dcsa¡arcccr. Dcsic nodo, a caridadc arrcfcccu c
a ¡icdadc c×iinguiu-sc, c, sol o nonc dc
crisiianisno, surgiu c rcina o ¡aganisno.
Efciivancnic, foi ncccssario quc sc rcalizassc cn
¡lcniiudc a ancaça dc Jcova. «sc clcs nao falarcn
scgundo csia linguagcn nao raiara ¡ara clcs a
luz da nanIa» (Isuìus, 8, 20}. «Por isso, Dcus
423
infundiu nclcs o cs¡íriio dc sonolcncia c fccIou-
lIcs os olIos, ¡ara quc ¡ara clcs ioda a visao
fossc cono as ¡alavras dc un livro fccIado, cic.»
(Isuìus, 29, 10 c ss.}, ¡ois icnian Dcus scgundo
os nandancnios c as douirinas dos Ioncns. OI!
quao vcrdadcirancnic sc vcrifica, a rcs¡ciio
dcsics, aquilo quc o Es¡íriio Sanio afirnou dos
filosofos ¡agaos, dizcndo quc «sc dcsvancccran
nos scus ¡cnsancnios c olscurcccu-sc o scu
coraçao inscnsaio» (Honunos, 1, 21}. Por isso, sc
a Igrcja sc qucr ¡urgar con lon rcsuliado dos
inquinancnios, nao Ia ncnIun ouiro caninIo
nais scguro quc o dc alandonar as disscriaçõcs
scduioras dos Ioncns c rcgrcssar às unicas
fonics ¡uras dc Isracl, c rcionar, nos c os nossos
filIos, ¡or ncsirc c guia, Dcus c a ¡alavra dc
Dcus. Assin, finalncnic, sc rcalizara a ¡rofccia
dc Isaías. «iodos os filIos da Igrcja scrao
cnsinados ¡clo ScnIor» (Isuìus, 54, 13}.
Oítuuu.
10. Ncn ccriancnic a nossa dignidadc dc
crisiaos (quc, ¡or Crisio, fonos fciios filIos dc
Dcus, un saccrdocio rcal|5| c Icrdciros do ccu}
¡crniic quc nos c os nossos filIos nos alai×cnos
c nos ¡rosiiiuanos dc nodo a iraiar os
noralisias ¡agaos cono anigos íniinos c
façanos dclcs as nossas dclícias. É cvidcnic, con
cfciio, quc aos filIos dos rcis c dos ¡rínci¡cs nao
c cosiunc dar cono ¡cdagogos os ¡arasiias, os
424
lolos, os lufõcs, nas ¡cssoas gravcs, salias c
dcvoias. E nos nao nos cnvcrgonIanos dc dar
cono ¡cdagogos aos filIos do rci dos rcis, aos
irnaos dc Crisio, aos Icrdciros da cicrnidadc,
aquclc lrincalIao do Plauio, aquclc lascivo do
Caiulo, aquclc in¡uro do Ovídio, aquclc Luciano,
ín¡io cscarncccdor dc Dcus, aquclc olsccno do
Marcial c ouiros do ncsno jacz, quc nao
conIcccn ncn icncn o vcrdadciro Dcus? Os
quais, una vcz quc vivcran scn cs¡crança
alguna dc una vida nclIor c a¡cnas ¡cnsaran
cn ncrgulIar-sc no cIarco da vida ¡rcscnic, nao
¡odcn dci×ar dc rcnc×cr consigo nas ncsnas
inundícics aquclcs quc os frcqucnian. Dasia,
lasia, o crisiaos, dc scnclIanic loucura! É icn¡o
dc icrninar con cla, ¡ois Dcus cIana-nos a
coisas nclIorcs, c c jusio scguir qucn nos
cIana.
A cscoíu dc Dcus.
Crisio, cicrna salcdoria dc Dcus, alriu una
cscola cn sua casa ¡ara os filIos dc Dcus, ondc
faz dc rciior c dc ncsirc su¡rcno o ¡ro¡rio
Es¡íriio Sanio, dc ¡rofcssorcs c dc ncsircs os
¡rofcias c os a¡osiolos, iodos doiados dc
vcrdadcira salcdoria, iodos cnsinando,
luninosancnic, con a ¡alavra c con o c×cn¡lo,
o caninIo da vcrdadc c da salvaçao, iodos
Ioncns sanios; ondc sao alunos a¡cnas os
clciios dc Dcus, as ¡rinícias dos Ioncns
425
rcsgaiados ¡or Dcus c ¡clo Cordciro; c ondc
fazcn dc ins¡ciorcs c dc ¡rcfciios os anjos c os
arcanjos, os ¡rinci¡ados c as ¡oicsiadcs quc
csiao no ccu (E¡csíos, 3, l0}. Tudo o quc sc cnsina
ncsia cscola ninisira a iodos una cicncia quc c
nais vcrdadcira, nais ccria c nais ¡crfciia quc os
raciocínios do ccrclro Iunano, c quc sc csicndc
a iodos os usos dcsia vida c da vida fuiura. Con
cfciio, so a loca dc Dcus c a fonic dc ondc
¡ronanan iodos os rios da vcrdadcira salcdoria;
so a facc dc Dcus c o luzciro dc ondc sc difundcn
os raios da vcrdadcira luz; so a ¡alavra dc Dcus c
a raiz dc ondc dcs¡onian os vcrdadciros gcrncns
da inicligcncia. Fclizcs, ¡orianio, aquclcs quc
olIan a facc dc Dcus, csiao aicnios à sua loca c
rccclcn no coraçao as suas ¡alavras, ¡ois c csic
o unico caninIo dc una incfavcl, vcrdadcira c
cicrna salcdoria, c fora dclc nao Ia ouiro.
Nonu.
11. Ncn dcvc ¡assar-sc cn silcncio quao
scriancnic Dcus ¡roiliu ao scu ¡ovo as rclíquias
dos gcniios, ncn aquilo quc aconicccu àquclcs
quc nao ¡rcsiaran aicnçao à scguinic ancaça. «O
ScnIor c×icrninara dianic dc ii aquclas naçõcs,
cic. Tu, ¡orcn, qucinaras no fogo as suas
csculiuras; nao coliçaras a ¡raia ncn o ouro dc
quc sao fciias, ncn dclas ionaras nada ¡ara ii,
¡ara quc nao iro¡cccs, visio scrcn a aloninaçao
do ScnIor icu Dcus. E nao lcvaras ¡ara iua casa
426
coisa alguna dc ídolo, ¡ara quc ic nao iorncs
anaicna, cono clc o c» (Dcutc¡ononío, 7, 22, 25,
26}. E no ca¡íiulo 12. «Quando o ScnIor icu
Dcus iivcr c×icrninado dianic dc ii as naçõcs cn
quc cnirarcs ¡ara as ¡ossuir, c as ¡ossuírcs, c
Ialiiarcs na sua icrra, alsicn-ic dc as iniiar,
dc¡ois quc clas iivcrcn sido dcsiruídas à iua
cnirada, c dc ic infornar das suas ccrinónias,
dizcndo. Assin cono csias naçõcs adorarcn os
scus dcuscs, do ncsno nodo ianlcn cu os
adorarci. Nao faras assin con o ScnIor icu
Dcus. Porquc clas fizcran ¡clos scus dcuscs
iodas as aloninaçõcs, quc o ScnIor alorrccc,
ofcrcccndo-lIcs scus filIos c filIas c qucinando-
os no fogo. Fazc soncnic cn Ionra do ScnIor
aquilo quc cu ic ordcno; nao acrcsccnics ncn
iircs nada» (Dcutc¡ononío, 12, 29, c ss.}. E
cnlora Josuc (Josuc, 24, 23}, dc¡ois da viioria,
iivcssc rccordado aos isracliias csic nandancnio
dc Dcus c os aconsclIassc a alandonar os ídolos
no quc nao foi olcdccido, csias rclíquias ¡agas
iornaran-sc ¡ara clcs una cilada, c assin
rccaíran scn¡rc na idolonania aic à ruína dos
dois rcinos Iclraicos. E nos, iornados nais
cauiclosos ¡clo c×cn¡lo alIcio, nao Iavcrcnos dc
ionar juízo?
Os ííu¡os dos ¡uguos suo ìdoíos.
12. Mas os livros nao sao ídolos, oljciara algucn.
Fcs¡ondo. Mas sao rclíquias daquclas gcnics quc
427
o ScnIor nosso Dcus dis¡crsou da facc do scu
¡ovo crisiao, cono ouirora, nas sao nais
¡crigosas quc ouirora. Con cfciio, cniao ficavan
¡rcsos no laço a¡cnas aquclcs cujos coraçõcs sc
cnlruiccian (Jc¡cníus, 10, 14}; agora, ¡orcn,
ncsno os nais salios ¡odcn scr cnganados
(Coíosscnccs, 2, 8}. Eniao, cran olras das naos
Iunanas (c assin quc Dcus cosiuna falar ao
cסrolar a csiuliícia do idolaira}; agora, sao
olras da inicligcncia Iunana. Eniao, o
rcs¡lcndor da ¡raia c do ouro cncandcava os
olIos; agora, a ¡lausililidadc da salcdoria carnal
ccga a ncnic. O quc? Ncgas quc os livros ¡agaos
sao ídolos? Qucn c quc cniao afasiou dc Crisio o
in¡crador Juliano?|6| Qucn fcz ¡crdcr a calcça
ao ¡a¡a Lcao X, quc considcrava una falula a
Iisioria dc Crisio?|7| Por quc cs¡íriio foi Dcnlo
ins¡irado a dissuadir o Cardcal Sadolcio da
lciiura dos Livros Sanios (sol o ¡rcic×io dc quc
aquclas inc¡cias nao cran dignas dc un varao
cnincnic?}|8|. Quc c quc, ainda Iojc, faz
¡rcci¡iiar no aicísno ianios salios iialianos c
ouiros?|9|. O×ala na Igrcja dc Crisio rcfornada
nao c×isian ianlcn aquclcs quc Cíccro, Plauio,
Ovídio, cic. arrasian airas dc si con un odor
vcrdadcirancnic norial!
Euusuo.
13. Sc algucn disscr. o aluso nao dcvc in¡uiar-
sc às coisas, nas às ¡cssoas; ora, Ia crisiaos
428
¡icdosos aos quais a lciiura dos ¡agaos nao faz
nal algun ÷ o A¡osiolo rcs¡ondc. «salcnos quc
o ídolo nao c nada no nundo», «nas ncn cn
iodos Ia csic conIccincnio» (ca¡az dc disccrnir}.
«Tcndc cauicla, ¡ois, ¡ara quc a vossa lilcrdadc
sc nao iornc ocasiao dc qucda ¡ara os fracos»
(Co¡ìntíos, 1, 8, 4, 7, 9}. Porianio, cnlora o Dcus
niscricordioso ¡rcscrvc nuiios da ruína, iodavia,
nos nao ¡odcnos scr cscusados sc,
conscicnicncnic c voluniariancnic, iolcranos
iais airaiivos (qucro dizcr as varias invcnçõcs do
ccrclro Iunano ou ainda da fraudc saianica},
alindados dc suiilczas c dc clcgancias, cnquanio
quc c ccrio quc csscs airaiivos fazcn ¡crdcr a
calcça a alguns, c aic a nuiios, c fazcn-nos cair
nas ciladas dc Saianas. Olcdcçanos, anics, a
Dcus c nao iniroduzanos ídolos nas nossas casas
ncn coloqucnos Dragõcs ao lado da arca da
aliança|10|, ¡ara quc nao nisiurcnos a salcdoria
quc vcn do ccu con a salcdoria icrrcna, naicrial
c dialolica, ncn dcnos a Dcus ocasiõcs ¡ara
dcsalafar a sua jusia ira conira os nossos filIos.
Aícgo¡íu.
14. Na vcrdadc, ianlcn aquclc caso, rccordado
¡or Moiscs alcgoricancnic, ialvcz icnIa aqui
calincnio. Nalad c Aliu, filIos dc Arao,
saccrdoics ¡rinci¡ianics, icndo colocado (¡orquc
nao conIccian ainda lcn o ccrinonial}, nos scus
iurílulos, fogo csiranIo à rcligiao (isio c, fogo
429
conun}, cn vcz dc fogo sagrado, ¡ara inccnsar o
ScnIor, foran fcridos ¡clo fogo dc Dcus c
norrcran dianic do ScnIor (Lcuìtíco, 10, 1 c ss.}.
Mas quc sao os filIos dos crisiaos scnao «un
saccrdocio sanio ¡ara ofcrcccr sacrifícios
cs¡iriiuais, agradavcis a Dcus»? (Pcd¡o, I, 2, 5}.
Porcn, sc cncIcnos os scus iurílulos, ou scja,
as suas ncnics, con un fogo quc lIcs c
csiranIo, nao fazcnos nais quc cסó-los ao furor
da ira divina. E, cfciivancnic, nao c c nao dcvc
scr csiranIa ao coraçao dos crisiaos qualqucr
coisa quc ¡rovcnIa dc ouiro lugar c nao do
cs¡íriio dc Dcus? E nao ¡rovcn dc Dcus a naior
¡aric dos dclírios filosoficos c ¡ociicos dos
¡agaos, scgundo o icsicnunIo do A¡osiolo
(Honunos, 1, 21, 22 c Coíosscnccs, 2, 8, 9}. E,
nao scn razao, S. Jcrónino cIanou à ¡ocsia
vinIo dos dcnónios|11|, con o qual Saianas
cnlclcda as ncnics incauias, nclas infundc
sonolcncia c nclas susciia sonIos quc sao causa
dc o¡iniõcs nonsiruosas, dc ¡crigosas icniaçõcs
c dc naus dcscjos. Convcn, ¡or isso, icr cuidado
con csics filiros saianicos.
Os c¡csíos dcucn sc¡ ínítudos.
15. Sc nao olcdcccnos a Dcus, quc nos
aconsclIa coisas nais scguras, no dia dc juízo
1cvaniar-sc-ao conira nos os Efcsios, os quais,
logo quc a luz da divina salcdoria rcfulgiu a scus
olIos, qucinaran iodos os livros dc arguncnio
430
liccncioso, iornados inuicis ¡ara clcs crisiaos
(Atos dos A¡òstoíos, 19, 19}. E a nodcrna Igrcja
grcga, cnlora icnIa livros dc filosofia c dc
¡ocsia, cscriios na sua língua clcganic ¡or
auiorcs aniigos, considcrados os Ioncns nais
salios do nundo, iodavia, ¡roiliu a sua lciiura,
sol ¡cna dc c×conunIao, aos cclcsiasiicos c
àquclcs quc ¡rofcssan a sua rcligiao. Daqui
rcsuliou quc o nundo grcgo, ¡orquc inundado
¡cla larlaric, icnIa caído cn grandc ignorancia c
cn nuiias su¡crsiiçõcs, nas foi aic agora
¡rcscrvado ¡or Dcus do diluvio anii-crisiao dos
crros. In¡oria, ¡orianio, iniiar os grcgos ncsic
¡onio (icndo, ¡orcn, cn naior considcraçao o
csiudo das Sagradas Escriiuras}, ¡ara nais
facilncnic afasiar as ircvas quc nos foran
dci×adas ¡clo ¡aganisno, ¡ois, so na Luz dc Dcus
sc vc a luz (Suíno 35, 10}. «Vos, ¡ois, da casa dc
Jacol, vindc c caninIcnos na luz do nosso
Dcus» (Isuìus, 2, 5}
Díssoíucn-sc ugo¡u us oI¡cçocs.
16. Vcjanos, ¡orcn, con quc razõcs sc insurgc
conira csias coisas a razao Iunana,
coniorccndo-sc cono una scr¡cnic, ¡ara quc sc
nao vcja olrigada a acciiar o olscquio da fc c a
cnircgar-sc a Dcus. Assin insian os
racionalisias.
431
1. du g¡undc suIcdo¡íu contídu nos ííu¡os dos
¡uguos.
17. Nos livros dos filosofos, dos oradorcs c dos
¡ocias, csia coniida una grandc salcdoria.
Fcs¡ondo. sao dignos das ircvas aquclcs quc
dcsvian os olIos da luz. É ccrio quc à coruja o
crc¡usculo ¡arccc o ncio dia, nas os aninais
nascidos ¡ara a luz, conIcccn-na lcn
divcrsancnic. Ó Ioncn fuiil, quc ¡rocuras a luz
clara nas ircvas do raciocínio Iunano, lcvania os
olIos ¡ara o ccu! Dc la dcscc a luz vcrdadcira, do
Pai das luzcs.
Nas olras Iunanas, sc ¡orvcniura sc cnconira
qualqucr jorro ou qualqucr cIis¡a dc luz, sao
¡cqucnas ccniclIas, as quais, cnlora a qucn
csia nas ircvas ¡arcçan un cs¡lcndor, iodavia,
¡ara nos quc icnos à nao cIanas ardcnics
ofcriadas cn don (a fulgidíssina ¡alavra dc
Dcus}, quc uiilidadc ¡odcn irazcr aquclas
ccniclIas? Con cfciio, os filosofos, sc dis¡uian
accrca da naiurcza, nao fazcn nais quc lanlcr o
vidro, scn nunca aiingir as ¡a¡as. Ora, na
Sagrada Escriiura, o ¡ro¡rio ScnIor da naiurcza
narra os grandcs nisicrios das suas olras,
cסlicando as ¡rinciras c as uliinas razõcs dc
iodas as criaiuras visívcis c invisívcis. Sc os
filosofos falan dc noral, fazcn cono as avczinIas
¡rcsas ¡clo visco quc, ¡or nais quc csvoaccn
con ioda a força, nao conscgucn cfciivancnic
432
voar. Ora a Escriiura conicn vcrdadciras c claras
dcscriçõcs das viriudcs c ¡rofundas c×oriaçõcs,
quc ¡cnciran aic à ncdula dos ossos, c c×cn¡los
vivos dc ioda a cs¡ccic. Quando os ¡agaos
qucrcn cnsinar a ¡icdadc, cnsinan a
su¡crsiiçao, ¡orquc nao csiao cnlclidos ncn do
vcrdadciro conIccincnio dc Dcus, ncn do
vcrdadciro conIccincnio da sua voniadc. «Eis
quc as ircvas colrcn a icrra c a cscuridao os
¡ovos; cn Sion, ¡orcn, nascc o ScnIor c aí sc vc
a sua gloria» (Isuìus, 60, 2}.
Enlora, ¡orianio, aos filIos da luz scja dada a
lilcrdadc dc sc alcirarcn, ¡or vczcs, dos filIos
das ircvas, ¡ara quc, noiada a difcrcnça, ¡ossan
c×uliar ainda nais no caninIo da luz, dcvcn, c
ccrio, con¡adcccr-sc das ircvas daquclcs
infclizcs, nas, sc ¡rcfcrcn as suas ccniclIas à
nossa luz, concicn una loucura iniolcravcl c
injuriosa conira Dcus c conira a nossa alna.
«Quc inicrcssa ¡rogrcdir nas douirinas
nundanas c langucsccr nas douirinas divinas?
Scguir as ficçõcs caducas c icr fasiio ¡clos
nisicrios cclcsics? É ncccssario alsicr-sc dc iais
livros c, ¡or anor das Sagradas Escriiuras, fugir
dos auiorcs quc dcslunlran ¡clo scu csiilo, nas
sao dcsiiiuídos dc viriudc c dc salcdoria», diz
Sanio Isidoro|12|. Eis o louvor dc iais livros! Sao
cascas scn niolo. A csic ¡ro¡osiio, Fili¡c
MclancIion ¡cnsa o scguinic. «Quc cnsinan cn
gcral os filosofos, sc acaso algun dclcs cnsina
433
accriadancnic, scnao a confiança c o anor dc
nos ¡ro¡rios? Ciccro, no scu livro «Dc finilus
lonorun ci nalorun»|13|, acIa quc ioda a razao
dc ¡raiicar a viriudc nascc do anor dc nos
¡ro¡rios c do cgoísno. Quanio dc cnfaiuado c dc
solcrla nao Ia cn Plaiao? E nao nc ¡arccc quc
una inicligcncia sagaz c ¡cnciranic ¡ossa
conscguir facilncnic nao conirair qualqucr
dcfciio da anliçao ¡laiónica, sc acaso lcr os scus
cscriios. A douirina dc Arisioiclcs c, no scu
conjunio, una auicniica ¡ai×ao dc ¡olcnizar, dc
ial nancira quc nao o julganos scqucr digno do
uliino lugar, cnirc os cscriiorcs dc filosofia
noral, cic.» (Con¡cndío dc Tcoíogíu, no lugar
ondc iraia do ¡ccado}|14|.
2. du suu ncccssídudc ¡u¡u u ¡ííoso¡íu.
18. Dizcn ianlcn. Sc os cscriiorcs ¡agaos nao
cnsinan rciancnic a Tcologia, cnsinan, ¡orcn, a
filosofia, a qual nao ¡odc Iaurir-sc da Sagrada
Escriiura, quc nos foi dada ¡ara nossa salvaçao.
Fcs¡ondo. A fonic da salcdoria c a ¡alavra dc
Dcus quc csia nos ccus (Ecícsíustíco, 1, 5}. A
vcrdadcira filosofia nao consisic scnao no
vcrdadciro conIccincnio dc Dcus c das suas
olras, c csias coisas nao ¡odcn a¡rcndcr-sc cn
¡aric alguna con nais vcrdadc quc da loca dc
Dcus. Por isso, Sanio AgosiinIo, icccndo louvorcs
à Sagrada Escriiura, afirna. «Aqui csia a filosofia.
¡orquc iodas as causas dc iodas as naiurczas
434
csiao cn Dcus, scu criador. Aqui csia a Éiica.
¡orquc a vida cquililrada c Ioncsia nao ¡odc
fornar-sc dc ouiro nodo scnao anando,
juniancnic con a vida, as coisas quc sc dcvcn
anar, c anando-as cono sc dcvc, isio c, Dcus c o
¡ro×ino. Aqui csia a logica. ¡orquc a vcrdadc c a
luz da razao Iunana nao c scnao Dcus. Aqui csia
ianlcn a nais louvavcl salvaçao do Esiado.
¡orquc nao sc iuicla da nclIor nancira o lcn-
csiar dos cidadaos, a nao scr quando, con o
fundancnio c con o vínculo da fc c dc una firnc
concordia, sc ana o lcn conun, quc c Dcus,
suno c vcrdadciro lcn»|15|. E alguns auiorcs do
nosso scculo|16| dcnonsiraran ja quc, na
Sagrada Escriiura, csiao coniidos, con nais
vcrdadc quc cn ouiras olras, os ¡rincí¡ios
fundancniais dc iodas as cicncias c dc iodas as
arics filosoficas; dc ial nancira quc sc dcvc
adnirar o nagisicrio do Es¡íriio Sanio, quc
¡rocura infornar-nos ¡rinci¡alncnic das coisas
invisívcis c cicrnas, nas, ao ncsno icn¡o, aqui c
alcn, nos dcscolrc as razõcs das coisas naiurais
c ariificiais, c nos da nornas suficicnics ¡ara
¡cnsar c o¡crar saliancnic, cnquanio quc,
accrca dc iudo isio, nos filosofos ¡agaos, a¡cnas
conscguc cnconirar-sc una sonlra. Sc, ¡orianio,
un grandc icologo cscrcvcu. «a lcla salcdoria dc
Salonao csia no faio dc quc iniroduziu a Lci dc
Dcus nas casas, nas cscolas c nas corics», sc nos
inculcarnos à juvcniudc, cn vcz dos cscriiorcs
435
¡agaos, a lci dc Dcus, ¡rcscrcvcndo assin rcgras
¡ara iodo o gcncro dc vida, quc c quc nos in¡cdc
dc cs¡crar quc volic aic nos a salcdoria
salonónica, ou scja, a salcdoria vcrdadcira c
cclcsic? Esforccno-nos, ¡orianio, ¡ara icrnos cn
nossas casas iudo aquilo quc ¡odc iornar-nos
salios, ncsno naqucla cicncia c×icrna, c ¡or
assin dizcr ¡rofana, a quc cIananos filosofia. É
ccrio quc Iouvc una c¡oca dcsgraçada, cn quc
os filIos dos isracliias sc viran olrigados a ir aos
filisicus arranjar a rclIa do arado, a cn×ada, o
nacIado c o sacIo, ¡ois nao Iavia fcrrciro na
icrra dos isracliias (Sunucí, I, 13, 19 c 20}. Mas
scra ncccssario angusiiar c ¡ór assin scn¡rc cn
dificuldadcs os isracliias? Nao, ¡rinci¡alncnic
quando c ccrio quc isso iraz o dano dc quc, cono
cniao, os filisicus fornccian, c ccrio, as cn×adas,
nas dc nodo algun fornccian as cs¡adas aos
isracliias, quc as usarian conira clcs; assin
ianlcn ¡odc ir luscar-sc à filosofia ¡aga
silogisnos conuns, fciios à força dc raciocínios c
dc florcs oraiorias, nas dc nodo algun as
cs¡adas c as lanças ¡ara dclclar a in¡icdadc c a
su¡crsiiçao. Dcscjcnos, ¡orianio, anics a c¡oca
dc David c dc Salonao, cn quc os filisicus foran
vcncidos c cn quc Isracl rcinava c gozava dos
scus lcns.
E, dc íguuí nodo, ¡o¡ cuusu du cícguncíu do cstíío.
436
19. Ao ncnos, ¡orianio, ¡or causa do csiilo,
lcian Tcrcncio, Plauio c ouiros cscriiorcs
scnclIanics, os csiudiosos da Laiinidadc.
Princira Fcs¡osia. Porvcniura, ¡ara quc
a¡rcndan a falar, Iavcnos dc lcvar os nossos
filIos ¡clas iascas, laiucas, ialcrnas, lu¡anarcs,
c ouiras cloacas scnclIanics? Cono cfciio, ¡ara
ondc conduzcn a juvcniudc Tcrcncio, Plauio,
Caiulo, Ovídio c ouiros scnclIanics, scnao ¡ara
lugarcs sordidos cono aquclcs? Quc cs¡ciaculo
lIc ofcrcccn scnao facccias, galIofas,
concsainas, lclcdciras, anorcs lai×os,
dcvassidõcs, cnganos c ouiras coisas ¡arccidas,
das quais c ncccssario afasiar os olIos c os
ouvidos dos crisiaos, ncsno quando sc lIcs
a¡rcscnian dianic ¡or ncro acaso? Porvcniura
julganos quc o Ioncn csia ¡ouco dc¡ravado cn
si, dc ial nodo quc scja ncccssario ninisirar-lIc
do c×icrior fornas dc ioda a cs¡ccic dc ior¡czas,
csiínulos c inccniivos, c cono quc cn¡urra-lo
¡ara a ruína? Mas dir-sc-a. Ncsics cscriiorcs,
ncn iudo c nau. Fcs¡ondo. o nal, ¡orcn, a¡cga-
sc-nos scn¡rc nais facilncnic, c, ¡or isso, cnviar
a juvcniudc ondc o nal csia nisiurado con o
lcn, c coisa nuiio ¡crigosa. Con cfciio, ncsno
¡ara naiar algucn, nao sc cosiuna, ncn ncsno
sc ¡odc, dar-lIc o vcncno ¡uro, nas nisiurado
con os nclIorcs nanjarcs ou lclidas; nas,
a¡csar disso, o vcncno faz scniir a sua força c
¡rovoca a noric a qucn o iona. E×aiancnic
437
assin, o aniigo Ionicida, sc qucr insinuar-sc no
ncio dc nos, ncccssariancnic icn dc adoçar os
scus io×icos infcrnais con o açucar das carícias
das suas ficçõcs c discursos. Conscicnics disio,
nao Iavcnos nos dc nandar ¡ara o dialo o scu
ncfando ariifício? Podcra dizcr-sc. Ncn iodos sao
¡orcos. Cíccro, Virgílio, Horacio c ouiros sao
Ioncsios c gravcs. Fcs¡ondo. Todavia, ianlcn
csics sao ¡agaos ccgos quc dcsvian as ncnics
dos lciiorcs, do vcrdadciro Dcus ¡ara os dcuscs c
dcusas (Ju¡iicr, Maric, Nciuno, Vcnus, Foriuna c
ouiras divindadcs, scn duvida fingidas}. Ora
Dcus dissc ao scu ¡ovo. «Nao dcvcis rccordar o
nonc dos dcuscs csirangciros, c a vossa loca nao
dcvc ¡ronuncia-lo» (Êxodo, 23, 13}. E, alcn disso,
ncsscs cscriiorcs, quc caos dc su¡crsiiçõcs, dc
o¡iniõcs falsas, dc cu¡idczas nundanas, cn
gucrra unas conira as ouiras! Evidcnicncnic
quc cncIcn os scus discí¡ulos dc un cs¡íriio
difcrcnic daquclc quc Crisio nclcs qucr infundir.
Crisio cIana-nos ¡ara fora do nundo, clcs
incrgcn-nos no nundo; Crisio cnsina-nos a
rcnuncia a nos ncsnos, clcs cnsinan o anor a
nos ncsnos; Crisio cIana ¡ara a Iunildadc,
clcs ¡ara o orgulIo; Crisio rcconcnda a
sin¡licidadc das ¡onlas, clcs insiilan, dc nil
nanciras, a aric das suiilczas; Crisio aconsclIa a
nodcsiia, clcs cs¡alIan a frivolidadc; Crisio ana
os crcdulos, clcs ¡rcfcrcn os sus¡ciiosos, os
dis¡uiadorcs, os olsiinados. E, ¡ara concluir
438
con ¡oucas ¡alavras, ¡crgunio con as ¡alavras
do A¡osiolo. «Quc socicdadc ¡odc Iavcr cnirc a
luz c as ircvas? E quc concordia cnirc Crisio c
Dclial? Ou quc dc conun cnirc o ficl c o inficl?»
(Co¡ìntíos, II, 6, 14 c 15}. Tanlcn Erasno diz,
con razao, nas suas Pu¡uIoíus. «As alclIas
alsicn-sc das florcs ¡odrcs; do ncsno nodo,
nao dcvc iocar-sc nun livro quc conicnIa
¡cnsancnios ¡uiridos»|17|. E igualncnic. «Assin
cono nos ¡odcnos dciiar con scgurança
alsoluia no ircvo, ¡ois ncsia crva as scr¡cnics
nao sc cscondcn; assin ianlcn dcvcnos
frcqucniar aquclcs livros ondc nao Ia ncnIun
vcncno a icncr»|18|.
II. Hcs¡ostu.
20. Mas, afinal, quc icn dc lclo c gracioso os
cscriiorcs ¡agaos, dc nodo a scrcn ¡rcfcridos aos
nossos cscriiorcs sagrados? Acaso so clcs nos
nosiran as clcgancias liicrarias? O nais ¡crfciio
ariíficc da língua c aquclc quc a criou, o cs¡íriio
dc Dcus; c os sanios dc Dcus cסcrincnian c
¡rcgan quc as suas ¡alavras sao nais doccs quc
o ncl, nais ¡cnciranics quc una cs¡ada dc dois
guncs, nais cficazcs quc o fogo quc fundc os
nciais c nais ¡csadas quc o nariclo quc
dcs¡cdaça as ¡cdras. Acaso so os cscriiorcs
¡agaos conian Iisiorias ncnoravcis? A nossa
Díllia csia cIcia dc faios vcrdadciros c nuiio
nais naravilIosos. Acaso so clcs fornan iro¡os,
439
figuras, nciaforas, alcgorias, ¡aralolas c
na×inas? Ncsias coisas, os nais alios cinos
foran ¡or nos aiingidos. É una inaginaçao
lc¡rosa ¡rcfcrir ao Jordao c às ouiras aguas dc
Isracl, o Allana c o Farfar, rios dc Danasco (Líu¡o
dos Hcís, IV, 5, 12}. É ranclosa a visia a quc o
Olin¡o, o Elícona c o Parnaso ofcrcccn
¡anoranas nais ancnos quc o Sinai, o Sion, o
Ernon, o Talor c o Monic das Olivciras. É surdo
o ouvido a quc soa nais doccncnic a lira dc
Orfcu, a iron¡a dc Honcro c dc Virgílio, quc a
Iar¡a dc David. É csiragado a ¡aladar, ao qual
salcn nclIor o fingido ncciar c a anlrosia, c as
fonics dc Casialio, quc o vcrdadciro nana cclcsic
c as fonics dc Isracl. É ¡crvcrso o coraçao a quc
¡ro¡orcionan naiorcs dclícias os noncs dos
dcuscs c das dcusas, das nusas c das graças,
quc o nonc adoravcl dc Jcova, dc Crisio Salvador
c dos varios dons do Es¡íriio sanio. É ccga aqucla
cs¡crança quc ¡asscia ¡clos can¡os Elíscos, dc
¡rcfcrcncia a ¡asscar ¡clos jardins do ¡araíso,
¡ois, naquclcs, iudo c faluloso, ao ¡asso quc,
ncsics, iudo c rcal c alsoluiancnic vcrdadciro.
III. Hcs¡ostu.
21. Acciicnos, no cnianio, quc os cscriiorcs
¡agaos icn ianlcn clcgancias, frascs, adagios c
na×inas norais, dignas dc scrcn iransfcridas
¡ara nos. Mas dcvcnos cnviar ¡ara junio dclcs os
nossos filIos, ¡ara colIcrcn cssas florziias?
440
Acaso nao c líciio dcs¡ojar os cgí¡cios c ¡riva-los
dos scus ornancnios? Sin, c líciio; c aic
convcnicnic, scgundo as ordcns dc Dcus (Êxodo,
3, 22}. Con cfciio, dc dirciio, ¡cricnccn à Igrcja
iodas as ¡ro¡ricdadcs dos gcniios. É ncccssario,
¡orianio, insisic-sc, ir ¡ara a frcnic c ionar
¡ossc dcssas coisas. Fcs¡osia. Manasscs c
Efrain, icndo inicnçao dc ocu¡ar un ¡aís dc
gcniios ¡ara os Isracliias, avançaran arnados c
so con Ioncns; as crianças c os fracos ficaran
cn casa, cn lugar scguro (Josuc, 1, 14}. Façanos
nos ianlcn assin. nos, Ioncns ja firncs c
rolusios ¡cla insiruçao, ¡clo disccrnincnio c
¡cla ¡icdadc crisia, ioncnos cssas ¡arics dos
cscriiorcs ¡agaos, nas nao cסonIanos a
juvcniudc a csscs ¡crigos. Efciivancnic, quc
faríanos nos, sc csscs ¡agaos irucidasscn ou
fcrisscn ou lcvasscn cono cscravos os nossos
filIos? Infclizncnic, irisics c×cn¡los nos
nosiran quanios dclcs a filosofia dcssa iurla
¡aga sc¡arou dc Crisio c ¡rcci¡iiou no aicísno.
Scria, ¡orianio, una aiiiudc cIcia dc scgurança
cnviar gcnic arnada a roular àquclcs quc, ¡or
dis¡osiçao divina, csiao fcridos ¡cla c×conunIao,
iodo o ouro c ¡raia c qualqucr ouira coisa
¡rcciosa, c fazcr a sua disiriluiçao ¡clos
Icrdciros do ScnIor. Quc Dcus susciic cs¡íriios
Icroicos quc rccolIan iodas as florzinIas dc
clcgancia quc sc cnconiran ncsscs vasios
dcscrios c sc con¡razan cn irans¡oria-las ¡ara
441
os jardins da filosofia crisia, ¡ara quc nao ¡ossa
dcscjar-sc algo dc nais na nossa casa!
IV. Hcs¡ostu.
22. Finalncnic, sc dcvc adniiir-sc algun dos
¡agaos nas nossas cscolas, scja Scncca, E¡iicio,
Plaiao c ouiros scnclIanics, ncsircs dc viriudc c
dc Ioncsiidadc, nos quais Ia a noiar un ncnor
nuncro dc crros c dc su¡crsiiçõcs. Era csic o
consclIo do grandc Erasno, quc aconsclIava sc
alincniassc a juvcniudc crisia con as ¡ro¡rias
Sagradas Escriiuras, c finalncnic acrcsccniava.
«Sc acaso cla dcvc dcnorar-sc na liicraiura
¡rofana, quanio a nn, gosiaria quc sc dcnorassc
naqucla ¡aric quc csia nais ¡ro×ina da
liicraiura rcvclada» (Erasno, no Con¡cndío dc
Tcoíogíu}|19|. Mas, ncsno csics cscriiorcs, nao c
lon coloca-los dianic da juvcniudc, sc ¡rinciro
nao foran cסurgados dc nodo a iirar-lIcs os
noncs dos dcuscs c qualqucr ouira coisa quc
saila a su¡crsiiçao, c sc os cs¡íriios dos jovcns
nao csiao ja lcn firncs no crisiianisno.
Efciivancnic, Dcus ¡crniiiu casar con virgcns
¡agas, con a condiçao dc sc lIcs ra¡ar os calclos
c coriar as unIas (Dcutc¡ononío, 21, 12}.
Enicndano-nos, ¡orianio, lcn. nao ¡roilinos,
dc iodo, aos crisiaos os cscriiorcs dos ¡agaos,
¡ara quc conIcçan lcn o ¡rivilcgio cclcsic con
quc Crisio cunulou os crcnics (noic-sc lcn. os
c¡cntcs}. «nanuscarao scr¡cnics c, sc lclcrcn
442
alguna coisa noriífcra, nao lIcs fara nal»
(Mu¡cos, 16, 18}; nas qucrcnos quc sc usc dc
¡rccauçao, c ¡cdinos c su¡licanos quc sc nao
cסonIan às scr¡cnics os filIos dc Dcus, quc
nao icnIan ainda una fc lcn firnc, c quc, con
icncraria scgurança, sc lIcs nao dc ocasiõcs dc
lclcr vcncnos. «Dissc o cs¡íriio dc Crisio quc os
filIos dc Dcus dcvian scr alincniados con o lciic
sinccro da ¡alavra dc Dcus» (Pcd¡o, I, 2, 2;
Tínòtco, II, 3, 15}.
4a. oI¡cçuo. du dí¡ícuídudc du Sug¡udu Esc¡ítu¡u
¡u¡u os ¡¡íncí¡os unos.
23. Mas, aquclcs quc incauiancnic ¡airocinan a
causa dc Saianas conira Crisio, dizcn ainda. Os
livros da Sagrada Escriiura sao dcnasiado
difíccis ¡ara a juvcniudc, c, ¡or isso, dcvc ncicr-
sc-lIc nas naos, cnircianio, ouiros livros,
cnquanio sc lIc dcscnvolvc a ca¡acidadc dc
disccrnincnio.
I. Hcs¡ostu.
Princira Fcs¡osia. Esia c una afirnaçao dc
qucn csia cn crro, ignora as Escriiuras c nao
conIccc a força dc Dcus. O quc dcnonsiro dc
ircs nanciras. Princiro. c conIccida a Iisioria dc
Tinoico, cclclrc nusico dc icn¡os ¡assados, o
qual, iodas as vczcs quc rccclia un novo aluno,
cosiunava ¡crguniar-lIc sc ja iinIa concçado a
csiudar con ouiro ¡rofcssor. Sc rcs¡ondia quc
443
nao, rccclia-o ¡or un ¡rcço acciiavcl; sc
rcs¡ondia quc sin, dolrava o ¡rcço,
a¡rcscniando a razao dc quc, ¡ara o cnsinar,
cran ncccssarios iralalIos dolrados. un ¡ara
lIc fazcr dcsa¡rcndcr as coisas quc Iavia
a¡rcndido nal; c ouiro ¡ara lIc cnsinar a aric
vcrdadcira|20|. Nos, ¡orcn, cnlora icnIanos
dcclarado a iodo o gcncro Iunano quc o nosso
ncsirc c douior c Jcsus Crisio, alcn do qual
csianos ¡roilidos dc ¡rocurar ouiro (Mutcus, 17,
5; 23, 8}, o qual dissc. «Dci×ai vir a nin as
criancinIas c nao as cnlaraccis» (Mu¡cos, 10,
14}, Iavcrcnos dc coniinuar, conira a voniadc
dclc, a conduzi-las a ouiro? A nao scr quc
icnIanos rcccio quc Crisio scja un ocioso quc,
con dcnasiada condcsccndcncia, lIcs cnsinc a
sua noral; c, conscqucnicncnic, conduzino-las
daqui ¡ara alcn, ¡rinciro ¡clas oficinas dos
ouiros c, cono dissc, ¡clas ialcrnas, ¡clas iascas
c ¡or iodas as csirunciras c, finalncnic, quando
csiao ja csiragadas c conianinadas, lcvano-las a
Crisio, ¡ara quc as rcfornc à sua nancira. Mas
cn quc sc ¡cnsa ncnos quc ncsics jovcns
infclizcs c, quanio a csic ¡onio, dc iodo
inoccnics? Ou dcvcn ncccssariancnic luiar
duranic ioda a vida, ianlcn ¡ara dcsa¡rcndcr as
coisas dc quc foran cnlclidos nos ¡rinciros
anos, ou sao alsoluiancnic rc¡clidos ¡ara longc
dc Crisio c sao alandonados a Saianas, ¡ara quc
os fornc clc? Con cfciio, aquilo quc c consagrado
444
a Moloc, nao c a aloninaçao dc Dcus? Esias
coisas sao Iorrcndas, nas infclizncnic sao
vcrdadciras. Su¡lico, ¡cla niscricordia dc Dcus,
aos nagisirados crisiaos c aos cIcfcs das Igrcjas
quc nao ¡crniian quc scjan ofcrccidos a Moloc
os jovcns crisiaos, nascidos ¡ara Crisio, c a Elc
consagrados ¡clo laiisno.
II. Hcs¡ostu.
24. É falso aquilo quc a¡rcgoan.
A Escriiura c dcnasiado sullinc c csia acina da
ca¡acidadc da idadc infaniil. Ou scra quc Dcus
nao cnicndcu aic quc ¡onio a sua ¡alavra c
ada¡iada ao nosso cs¡íriio? (Dcutc¡ononío, 31,
11, 12, c 13}. E David nao afirna quc «a lci do
ScnIor ninisira a salcdoria às crianças» (Suíno
18, 8}? Noic-sc lcn. às crianças. E nao diz S.
Pcdro quc «a ¡alavra dc Dcus c o lciic das
crianças rcgcncradas, o qual lIcs c dado ¡ara
quc, alincniadas con clc, crcsçan c sc
dcscnvolvan» (Pcd¡o, I, 2, 2}? Eis o lciic dc Dcus,
frcsquíssino, dulcíssino, salulcrrino, dc nodo
quc o alincnio das criancinIas gcradas ¡ara
Dcus scja a ¡alavra dc Dcus. Porquc c quc cniao
sc Ia-dc coniradizcr a Dcus, ianio nais quc a
douirina ¡aga c una conida dura dc rocr con os
dcnics, c aic ca¡az dc quclrar os ¡ro¡rios
dcnics? Por isso, o Es¡íriio Sanio, ¡cla loca dc
David, convida as criancinIas ¡ara a sua cscola,
445
dizcndo. «Vindc, filIos, ouvi-nc c cu vos cnsinarci
o icnor dc Dcus» (Suíno 33, 12}.
III. Hcs¡ostu.
25. Finalncnic, confcssanos quc Ia, dc faio, nas
Sagradas Escriiuras, lugarcs dc grandc
¡rofundidadc, nas iais quc nclcs os clcfanics sc
afogan c os cordciros nadan, cono cscrcvcu
clcganicncnic Sanio AgosiinIo|21|, ao qucrcr
noiar a difcrcnça cnirc os salios do nundo, quc
¡rcsunçosancnic lccn as Escriiuras, c os filIos
dc Crisio, quc dclas sc a¡ro×inan con anino
Iunildc c docil. E quc ncccssidadc Ia dc scr
conduzido incdiaiancnic ao nar alio? Podc ir-sc
¡ouco a ¡ouco. Princiro in¡oria cosicar os
liiorais da douirina do caiccisno; dc¡ois, fazcr
lrcvcs iravcssias, a¡rcndcndo a Iisioria sagrada,
¡cnsancnios norais c coisas scnclIanics, quc
nao ulira¡asscn a ca¡acidadc da ncnic, nas a
conduzan, ¡ouco a ¡ouco, a coisas nais
clcvadas, quc sc scgucn. Finalncnic, iornan-sc
a¡ios ¡ara nadar nos nisicrios da fc. Dcsic
nodo, insiruídos dcsdc a infancia nas Sagradas
Escriiuras, ¡rcscrvar-sc-ao nais facilncnic das
corru¡çõcs nundanas c adquirirao aqucla
salcdoria quc conduz à salvaçao, ¡or ncio da fc
quc csia cn Crisio Jcsus (Tínòtco, II, 3, 15}.
Efciivancnic, cn qucn sc da a Dcus c, scniando-
sc aos ¡cs dc Crisio, alrc os ouvidos à salcdoria,
quc vcn do alio, c in¡ossívcl quc nao cnirc o
446
cs¡íriio dc graça, ¡ara lIc accndcr a luz da
vcrdadcira inicligcncia c ¡ara lIc nosirar
clarancnic iluninados os caninIos da salvaçao.
Hcdu¡guíçuo.
26. Para icrninar. aquclcs auiorcs (Tcrcncio,
Cíccro, Virgílio, cic.} quc sc ¡rcicndc ofcrcccr à
juvcniudc crisia, cn vcz da Díllia, sao iais cono
clcs afirnan quc c a Sagrada Escriiura. difíccis c
ncnos inicligívcis quc cla ¡ara a juvcniudc.
Efciivancnic, nao foran cscriios ¡ara
adolcsccnics, nas ¡ara Ioncns dc juízo naduro,
quc sc novcn ja no ¡alco ou no foro. Aos ouiros,
dc nada a¡rovciian, cono o ¡rovan os faios. É
ccrio, con cfciio, quc un Ioncn fciio c quc
¡roccdc virilncnic, nuna so liçao solrc Cíccro
a¡rovciia nais quc un adolcsccnic quc o a¡rcnda
iodo, linIa ¡or linIa. Porquc c quc cniao sc nao
rcncic ¡ara un icn¡o o¡oriuno o csiudo dcsics
classicos in¡orianics, sc dc faio sao
in¡orianics? Mas c digno da naior considcraçao
aquilo quc dissc ja, isio c, quc, nas cscolas
crisias, sc dcvc fornar cidadaos ¡ara o ccu, c nao
¡ara o nundo, c quc, ¡or conscqucncia, sc lIcs
dcvc dar ¡rofcssorcs iais quc lIcs incuian
douirinas cclcsics, dc ¡rcfcrcncia a douirinas
icrrcnas, douirinas sanias, dc ¡rcfcrcncia a
douirinas ¡rofanas.
Concíusuo.
447
27. Concluanos, ¡orianio, con csias ¡alavras
angclicas. «Nao ¡odc a consiruçao dc un cdifício
Iunano crgucr-sc naquclc lugar, ondc sc concça
a vcr a cidadc do Aliíssino» (Líu¡o IV dc Esd¡us,
10, 54}. E una vcz quc Dcus qucr quc scjanos
«arvorcs dc jusiiça c ¡laniaçao dc Jcova, ondc clc
scja glorificado» (Isuìus, 61, 3}, nao convcn,
¡orianio, quc os nossos filIos scjan arlusios da
¡laniaçao dc Arisioiclcs, ou dc Plaiao, ou dc
Plauio, ou dc Tulio, cic. Dc ouiro nodo, a
scnicnça ja foi ¡rofcrida. «Toda a ¡lania quc ncu
Pai cclcsiial nao ¡laniou, scra arrancada ¡cla
raiz» (Mutcus, 15, 13}. Tona ¡rccauçao, c, sc
algucn quiscr conduzir-ic conira a cicncia dc
Dcus, nao ccdas, (Co¡ìntíos, II, 10, 5}.
448

Capítulo XXVI
DA DISCIPLINA ESCOLAR

Nus cscoíus c ncccssu¡íu u díscí¡íínu.
1. É vcrdadciro o scguinic ¡rovcrlio usado na
língua ¡o¡ular locna. unu cscoíu scn díscí¡íínu
c un noínIo scn uguu. Efciivancnic, assin cono
sc sc iira a agua a un noinIo, clc ¡ara
ncccssariancnic, assin ianlcn, sc na cscola
falia a disci¡lina, iudo afrou×a. Do ncsno nodo,
sc un can¡o nao c sacIado, logo nclc nasccn
cizania c ouiras crvas daninIas; sc as arvorcs
nao sao ¡odadas, iornan-sc sclvagcns c lançan
rclcnios inuicis. Daqui nao sc scguc quc a cscola
dcva csiar cIcia dc griios, dc ¡ancadas c dc
varas, nas cIcia dc vigilancia c dc aicnçao, da
¡aric dos ¡rofcssorcs c da ¡aric dos alunos. Con
cfciio, quc c a disci¡lina scnao un ¡roccsso
adcquado dc iornar os discí¡ulos
vcrdadcirancnic discí¡ulos?
Çuunto u díscí¡íínu dcucn oIsc¡uu¡-sc t¡cs coísus.
2. Scra, ¡orianio, lon quc o fornador da
juvcniudc conIcça, nao so o fin, nas ianlcn a
naicria c a forna da disci¡lina, ¡ara quc nao
449
ignorc ¡orquc, cono c quando dcvc usar una
scnsaia scvcridadc.
1. Fín du díscí¡íínu.
3. Anics dc iudo, crcio quc c douirina acciic ¡or
iodos quc a disci¡lina sc dcvc c×crccr conira
qucn c×orliia, nas nao ¡orquc c×orliiou
(cfciivancnic, o faio nao ¡odc dcsfazcr-sc}, nas
¡ara quc nao c×orliic nais. Dcvc, ¡or isso,
a¡licar-sc a disci¡lina scn ¡ai×ao, scn ira c scn
odio, con ial candura c ial sinccridadc, quc
aquclc ncsno a qucn a a¡licanos sc a¡crccla
dc quc a ¡cna disci¡linar sc lIc a¡lica ¡ara scu
lcn c quc c diiada ¡clo afcio ¡aicrno quc lIc
dcdican aquclcs quc o dirigcn, c ¡or isso a dcvc
rccclcr con o ncsno anino con quc cosiuna
ionar os rcncdios rccciiados ¡clo ncdico.
2. Mutc¡íu ¡o¡ cuusu du quuí sc dcuc u¡íícu¡ u
díscí¡íínu uos uíunos. Nuo ¡o¡ cuusu dos cstudos.
4. Nao dcvc cn¡rcgar-sc una disci¡lina scvcra no
quc sc rcfcrc aos csiudos c às lciras, nas a¡cnas
nos as¡ccios ligados aos cosiuncs. Con cfciio, sc
os csiudos sao adcquadancnic rcgulados (cono
cnsinanos ja}, sao, ¡or si ncsnos, airaiivos ¡ara
os cs¡íriios, c, ¡cla sua doçura, airaicn c
cncanian a iodos (sc sc c×cciuar os nonsiros dc
Ioncns}. Sc aconiccc divcrsancnic, a cul¡a nao
c dos alunos, nas dos ¡rofcssorcs. Mas, sc sc
ignoran os nciodos dc airair con aric os
450
cs¡íriios, c, scn duvida, cn vao quc sc cn¡rcga a
força. Os açoiics c as ¡ancadas nao icn
ncnIuna força ¡ara ins¡irar, nos cs¡íriios, o
anor das lciras, nas, ao conirario, icn nuiia
força ¡ara gcrar, na alna, o icdio c a avcrsao
conira clas. Por isso, quando sc advcric quc à
alna sc a¡cga a docnça do icdio, csia dcvc scr
afasiada con dicia c, dc¡ois, con rcncdios
doccs, cn vcz dc a iornar nais violcnia con o
cn¡rcgo dc rcncdios violcnios. Dcsia ¡rudcncia
da-nos nosiras o ¡ro¡rio sol quc, no ¡rincí¡io da
¡rinavcra, nao incidc logo solrc as ¡lanias
novinIas c icnras, ncn, logo dcsdc o ¡rincí¡io, as
csirciia c qucina con o scu calor, nas
aqucccndo-as ¡ouco a ¡ouco, inscnsivclncnic,
fa-las crcsccr c ganIar vigor; c, finalncnic,
quando ja sao adulias c anadurcccn os scus
fruios c as suas scncnics, lança-sc solrc clas
con ioda a sua força. O jardinciro usa dos
ncsnos cuidados, iraiando con nais dclicadcza
as ¡lanias novinIas, con nais icrnura as quc
sao ainda icnrinIas, c nao faz scniir a icsoura,
ncn a navalIa, ncn a foicc, ncn as fcridas às
¡lanias quc ainda as nao ¡odcn su¡oriar. E o
nusico, sc a guiiarra, ou a Iar¡a, ou o violino
csia dcsafinado, nao laic nas cordas con o
¡unIo ou con un ¡au, ncn o aiira conira una
¡arcdc, nas ¡roccdc con aric aic quc as icnIa
lcn afinadas. É dcsia nancira quc dcvc cIcgar-
sc a criar, nos alunos, un anor Iarnonioso dos
451
csiudos, sc sc qucr cviiar quc a sua indifcrcnça
sc iransfornc cn Iosiilidadc, c a sua a¡aiia cn
csiu¡idcz.
Cono sc dcucn cstínuíu¡ ¡u¡u os cstudos.
5. Sc, ¡orcn, ¡or vczcs, c ncccssario cs¡cviiar c
csiinular, o cfciio ¡odc scr oliido ¡or ouiros
ncios c nclIorcs quc as ¡ancadas. às vczcs, con
una ¡alavra nais as¡cra c con una rc¡rccnsao
dada cn ¡ullico; ouiras vczcs, clogiando os
ouiros. «olIa cono csiao aicnios csic icu colcga c
aquclc, c cono cnicndcn lcn iodas as coisas!
Porquc c quc iu cs assin ¡rcguiçoso?»; ouiras
vczcs, susciiando o riso. «Eniao iu nao cnicndcs
una coisa iao facil? Andas con o cs¡íriio a
¡asscar?» Podcn ainda csialclcccr-sc «dcsafios»
ou «salaiinas» scnanais, ou ao ncnos ncnsais,
¡ara vcr a qucn calc o ¡rinciro lugar ou a Ionra
dc un clogio, cono cnsinanos ja nouiro lugar,
dcsdc quc sc vcja quc isio nao vai rcsuliar nun
ncro divcriincnio ou nuna lrincadcira, c ¡or
isso inuiil, nas ¡ara quc o dcscjo do clogio c o
ncdo do viiu¡crio c da IunilIaçao csiinulcn
vcrdadcirancnic à a¡licaçao. Por csia razao, c
alsoluiancnic ncccssario quc o ¡rofcssor assisia
ao «dcsafio» c o dirija con scricdadc c scn
ariifícios, ccnsurc c rc¡rccnda os nais
ncgligcnics c clogic ¡ullicancnic os nais
a¡licados.
452
Díscí¡íínu ¡o¡ cuusu dos costuncs.
1 2 3
6. No cnianio, dcvc a¡licar-sc una disci¡lina
nais scvcra c nais rígida àquclcs quc c×orliian
no donínio dos cosiuncs. Ou scja. 1. En caso dc
qualqucr aio dc in¡icdadc, cono a llasfcnia, a
olsccnidadc, c iodas as falias quc sc concicn
alcriancnic conira a lci dc Dcus. 2. En caso dc
coniunacia c dc nalícia olsiinada, cono quando
algun aluno dcs¡rcza as ordcns do ¡rofcssor ou
dc qualqucr ouiro su¡crior, c quando salc o quc
dcvc fazcr, nas, conscicnicncnic, o nao faz. 3.
En caso dc solcrla c dc vaidadc, ou ainda dc
invcja c dc ¡rcguiça, cono quando un aluno,
soliciiado ¡or un colcga ¡ara lIc cnsinar
qualqucr coisa, sc rccusa a ajuda-lo.
Po¡quc ¡uzuo sc dcuc ¡¡occdc¡ ussín.
7. Con cfciio, aquclcs dcliios do ¡rinciro gcncro
ofcndcn a najcsiadc dc Dcus; os do scgundo
gcncro arruinan a lasc dc iodas as viriudcs
(Iunildadc c docilidadc}; os do icrcciro gcncro
inilcn c rciardan os ¡rogrcssos ra¡idos nos
csiudos. O dcliio conira Dcus c un
dcsrcgrancnio quc dcvc scr cסiado con un
duríssino casiigo; aquclc quc algucn concic
conira os Ioncns c conira si ncsno c una
iniquidadc a quc sc dcvc rcncdiar con una
corrcçao dura; aquclc quc sc concic conira
453
Prisciano|1| c una nodoa quc sc dcvc iirar con a
cs¡onja da rc¡rccnsao. Nuna ¡alavra, a
disci¡lina dcvc icndcr no scniido dc quc, cn iudo
c scn¡rc, sc csiinulc c sc forialcça, airavcs dc
un c×crcício c dc una ¡raiica consianic, a
rcvcrcncia ¡ara con Dcus, o rcs¡ciio ¡ara con o
¡ro×ino c o dcscjo dc cun¡rir os dcvcrcs c as
olrigaçõcs da vida.
3. A ¡o¡nu du díscí¡íínu c tonudu do soí.
8. Un oiino nciodo dc rcgular a disci¡lina c-nos
cnsinado ¡clo Sol, o qual ninisira às coisas quc
crcsccn. 1. scn¡rc, luz c calor; 2.
frcqucnicncnic, cIuva c vcnio; 3. raras vczcs,
raios c irovõcs, cnlora csias coisas icnIan
ianlcn a sua uiilidadc.
Cono dcuc ¡¡occdc¡-sc ¡u¡u utííízu¡ cstc nodcío.
9. À iniiaçao do sol, o dircior da cscola csforçar-
sc-a ¡or lcvar a juvcniudc a cun¡rir o scu dcvcr.
1.
I. Con c×cn¡los consianics, nosirando quc c un
nodclo vivo dc iodas aquclas coisas ¡ara as quais
os alunos dcvcn ¡rc¡arar-sc. Sc falia isio, iudo o
rcsio c vao.
2.
454
II. Con ¡alavras dc fornaçao, dc c×oriaçao c dc
ccnsura, con a condiçao dc quc, qucr cnsinc,
qucr adnocsic, qucr nandc, qucr rc¡rccnda,
nosirc scn¡rc lcn clarancnic quc faz iudo con
anor ¡aicrnal, con inicnçao dc cdificar a iodos c
nao dc arruinar scja qucn for. Sc o discí¡ulo nao
vc lcn clarancnic csic anor c nao csia dclc
convcncido, facilncnic, nao so dcs¡rcza a
disci¡lina, cono aic sc olsiina conira cla.
3.
III. Todavia, sc Iouvcr algun aluno con un
cs¡íriio iao infcliz ¡ara qucn csics rcncdios
suavcs nao scjan suficicnics, in¡oria rccorrcr a
rcncdios nais violcnios, ¡ara quc nada do quc foi
¡lancado scja alandonado, c anics dc clc scr
dado ¡or incorrcgívcl, cono un icrrcno in¡ro¡rio
¡ara qualqucr culiura, do qual nada Ia a
cs¡crar. Talvcz, accrca dc alguns, ainda Iojc scja
vcrdadciro o scguinic ¡rovcrlio. o frígio nao sc
corrigc scnao à força dc ¡ancadas|2|. Ao ncnos,
csia disci¡lina, sc nao a¡rovciiar àquclc a qucn c
a¡licada, a¡rovciiara, iodavia, aos ouiros, ¡clo
ncdo quc lIcs incuic, dcsdc quc sc icnIa o
cuidado dc nao rccorrcr, ¡or qualqucr noiivo,
cono frcqucnicncnic aconiccc, a rcncdios
c×ircnos, ¡ara quc os rcncdios c×ircnos sc nao
csgoicn anics dos casos c×ircnos.
Hcsuno.
455
10. O rcsuno do quc sc dissc c do quc vai dizcr-
sc scja o scguinic. a disci¡lina icnda ¡ara quc,
naquclcs quc ¡rc¡aranos ¡ara Dcus c ¡ara a
Igrcja, forncnos c confirncnos consianicncnic
a icn¡cra das inclinaçõcs, dc nodo a iornar ial
icn¡cra scnclIanic àqucla quc Dcus c×igc aos
scus filIos, confiados à cscola dc Crisio, ¡ara quc
«c×ulicn con ircnor» (Suíno 2, 11}, c
iralalIando na sua salvaçao con icnor c ircnor
(Fííí¡cnscs, 2, 12}, gozcn no ScnIor (IIíd, 2, 2}
isio c, ¡ara quc ¡ossan c sailan, nao so anar,
cono ianlcn rcvcrcnciar os scus fornadorcs, c
nao so sc dci×cn conduzir dc loa voniadc ondc
dcvcn scr conduzidos, nas aic dcscjcn
vivancnic scr conduzidos. Esia icn¡cra das
inclinaçõcs nao ¡odc olicr-sc con ncios divcrsos
daquclcs quc a¡onianos ja. lons c×cn¡los,
¡alavras carinIosas, anor consianicncnic
sinccro c nanifcsio; soncnic cn casos nuiio
c×iraordinarios, fulninando c irovcjando
alcriancnic, nas, ncsno cniao, scn¡rc con a
inicnçao dc quc a scvcridadc icrninc scn¡rc no
anor, sc c isso ¡ossívcl.
Po¡ unu u¡íícuçuo scncíIuntc.
11. Efciivancnic, qucn viu alguna vcz (scja-nc
ainda líciio csclarcccr csic ¡onio con un
c×cn¡lo} un ourivcs fornar una ¡cqucna
inagcn so à força dc gol¡cs? Ningucn. As
inagcns ¡cqucnas fazcn-sc nclIor, fundindo-as
456
quc nariclando-as. E sc lIc fica ¡rcso algun
¡cdaciio dc ncial su¡crfluo c inuiil, o ariisia
Ialilidoso nao o laic in¡ciuosancnic con o
nariclo, nas c×irai-o suavcncnic con o
nariclinIo, ou dcs¡rcndc-o con a lina, ou coria-
o con a ¡inça, c, fazcndo iudo con cauicla,
acala ¡or ¡olir c alisar a sua olra. E julganos
nos ¡odcr fornar una ¡cqucna inagcn do Dcus
vivo, una criaiura racional, con in¡cios
irracionais?
Out¡o cxcn¡ío.
12. Tanlcn o ¡cscador quc ¡cnsou a¡anIar
¡ci×cs cn aguas nais ¡rofundas, con una rcdc
naior, nao ¡rcndc à rcdc a¡cnas ¡cdaços dc
cIunlo quc a ncrgulIcn na agua c a olrigucn
a arrasiar-sc ¡clo fundo, nas, do lado o¡osio,
¡rcndc-lIc ¡cdaços dc coriiça quc a nanicnIan
à su¡crfícic da agua. Dc nodo scnclIanic, qucn
rcsolvcu fazcr una ¡csca dc viriudcs con a
juvcniudc, ¡or un lado, dcvcra donina-la ¡cla
scvcridadc ¡ara a iornar icncnic, Iunildc c
olcdicnic, c, ¡or ouiro lado, ¡cla afalilidadc,
dcvcra conduzi-la ao anor c ao zclo alcgrc. Fclizcs
os ariíficcs dcsia icn¡cra! Fcliz a juvcniudc quc
icn iais ncsircs!
13. Tcn aqui calincnio a o¡iniao do cnincnic
EilIard Lulin, Douior cn Tcologia, o qual, no
¡rcfacio ao Novo Tcsiancnio, cdiiado cn grcgo,
457
laiin c alcnao, disscriando accrca da rcforna
das cscolas, cscrcvcu csias ¡alavras. «A ouira
coisa c quc iudo o quc sc ¡ro¡õc à juvcniudc, quc
scja ada¡iado à sua ca¡acidadc, lIc scja c×igido
dc nodo quc nada façan conira a voniadc c à
força, nas, ianio quanio c ¡ossívcl,
cs¡oniancancnic c dc loa voniadc, c con
vcrdadciro ¡razcr do cs¡íriio. Por isso, sou dc
o¡iniao dc quc as varas c as vcrgasias,
insiruncnios scrvís c dc nodo algun
convcnicnics ¡ara ¡cssoas livrcs, sc nao
cn¡rcgucn nas cscolas, nas scjan afasiadas
¡ara longc, c scjan cn¡rcgadas con cscravos ou
con naus scrvos dc cs¡íriio scrvil. Esics dcvcn
scr noiados a icn¡o c dcvcn scr afasiados das
cscolas, igualncnic a icn¡o, nao so ¡or causa da
sua índolc, ¡ro¡ria dc cs¡íriios scrvís, nas
ianlcn ¡or causa da sua ¡crvcrsidadc, quc
quasc scn¡rc anda cn¡arclIada con aqucla; c
sc a csias ¡cssinas qualidadcs sc acrcsccnian os
ncios do salcr c das arics, cniao csias c aquclcs
iransfornan-sc cn arnas dc vilcza c scrao
cs¡adas nas naos dc loucos furiosos quc, con
clas, sc dcgolarao a si ncsnos c aos ouiros. Ha,
iodavia, ouiros gcncros dc ¡cnas quc ¡odcn scr
a¡licadas aos jovcns quc nasccran livrcs c dc
alna lilcral, cic.»|3|.
458

Capítulo XXVII
AS INSTITUIÇÕES ESCOLARES
DEVEM SER DE QUATRO GRAUS,
EM CONFORMIDADE COM A IDADE
E COM O APROVEITAMENTO

A ¡¡udcncíu dos ¡ííIos do sccuío dcuc sc¡ ínítudu
¡cíos ¡ííIos du íuz.
1. Os aricsaos concçan ¡or fi×ar aos scus
a¡rcndizcs un ccrio icn¡o (dois anos, ircs anos,
cic., aic scic anos, confornc a sua aric c nais
suiil ou nais con¡lc×a}, c, dcniro dcssc cs¡aço
dc icn¡o, o curso das liçõcs dcvc csiar
icrninado; c cada un, dc¡ois dc insiruído cn
iudo o quc diz rcs¡ciio àqucla aric, dc a¡rcndiz
iorna-sc oficial da sua aric, c dc¡ois ncsirc.
Convcn, ¡orianio, fazcr o ncsno nas nossas
cscolas, c csialclcccr ¡ara as arics, ¡ara as
cicncias c ¡ara as línguas, un dcicrninado
cs¡aço dc icn¡o, dc nodo quc, dcniro dcssc
¡críodo, os alunos icrnincn iodo o curso gcral
dos csiudos c saian dcssas oficinas dc
Iunanidadc Ioncns vcrdadcirancnic insiruídos,
vcrdadcirancnic norigcrados c vcrdadcirancnic
¡icdosos.
459
Pu¡u unu cducuçuo ¡c¡¡cítu do Ioncn todo,
¡cquc¡-sc todo o tcn¡o du ¡uucntudc. 24 unos.
2. Para olicr csic csco¡o, ionanos, ¡ara
c×crciiar os cs¡íriios, iodo o icn¡o da juvcniudc
(cfciivancnic, no nosso caso, nao sc iraia dc
a¡rcndcr una so aric, nas o con¡lc×o dc iodas
as arics lilcrais, juniancnic con iodas as
cicncias c algunas línguas}, dcsdc a infancia aic
à idadc viril, ou scja 24 anos, rc¡ariidos cn
¡críodos dcicrninados, os quais sc dcvcn dividir
ionando ¡or guia a naiurcza. Efciivancnic, a
cסcricncia nosira quc o cor¡o do Ioncn, cn
gcral, crcscc cn csiaiura, aic à idadc dc vinic c
cinco anos, c nao aic nais iardc; dc¡ois,
rolusiccc-sc, adquirindo vigor. E csic crcsccr
lcnio (con cfciio, o cor¡o dc ccrios aninais,
nuiio naior, cn alguns ncscs, ou cniao cn un
ano ou dois, aiingc o scu na×ino
dcscnvolvincnio} c dc crcr quc a divina
¡rovidcncia o icnIa rcscrvado à naiurcza
Iunana, ¡rccisancnic ¡ara quc o Ioncn icnIa
iodo o icn¡o ncccssario ¡ara sc ¡rc¡arar ¡ara
rcalizar as funçõcs da vida.
Dcuc sc¡ ¡c¡u¡tído cn quut¡o cscoíus.
3. Dividircnos, ¡orianio, cn quairo ¡arics
disiinias os anos da idadc asccndcnic. infancia,
¡ucrícia, adolcsccncia c juvcniudc, airiluindo a
460
cada una dcsias ¡arics scis anos c una cscola
¡cculiar, dc nodo quc.
I. O rcgaço naicrno scja a cscola da infancia;
II. A cscola ¡rinaria (íudus íítc¡u¡íus} , ou cscola
¡ullica dc língua vcrnacula, scja a cscola da
¡ucrícia;
III. A cscola dc laiin ou o ginasio scja a cscola da
adolcsccncia;
IV. A Acadcnia c as viagcns scjan a cscola da
juvcniudc.
E c ncccssario quc a cscola naicrna c×isia cn
iodas as casas; a cscola dc língua vcrnacula, cn
iodas as conunas, vilas c aldcias; o ginasio, cn
iodas as cidadcs; a Acadcnia cn iodos os rcinos
c aic nas ¡rovíncias nais in¡orianics.
Os t¡uIuíIos dc cudu unu dcstus cscoíus nuo
dcucn dí¡c¡í¡ quunto u nutc¡íu, nus quunto u
¡o¡nu.
4. Enlora csias cscolas scjan divcrsas, nao
qucrcnos, iodavia, quc nclas sc a¡rcndan coisas
divcrsas, nas as ncsnas coisas dc nancira
divcrsa, ou scja, iodas aquclas coisas quc ¡odcn
iornar os Ioncns vcrdadcirancnic Ioncns, os
crisiaos vcrdadcirancnic crisiaos, os salios
vcrdadcirancnic salios, nas scgundo a idadc c o
grau da ¡rc¡araçao anicccdcnic, c conduzindo
461
scn¡rc nais acina. Scgundo as lcis do nciodo
naiural, as disci¡linas nao dcvcn scr cnsinadas
sc¡aradancnic, nas scn¡rc iodas cn conjunio,
da ncsna nancira quc una arvorc crcscc
scn¡rc ioda, cn cada una das suas ¡arics, c isio
duranic csic ano, ¡ara o ano quc vcn c aic daqui
a ccn anos, cnquanio csiivcr vcrdcjanic.
Dí¡c¡cnçu dus cscoíus cn ¡uzuo du ¡o¡nu dos
cxc¡cìcíos.
5. Havcra, iodavia, una irí¡licc difcrcnça.
Princiro, ¡orquc nas ¡rinciras cscolas iodas as
coisas scrao cnsinadas dc nodo gcral c
rudincniar; nas cscolas scguinics, iudo scra
cnsinado dc nancira nais ¡ariicularizada c
disiinia. Da ncsna nancira quc una arvorc quc,
cn cada ano, sc cסandc cn novas raízcs c cn
novos ranos, c assin cada vcz nais sc rcvigora c
cada vcz nais fruios ¡roduz.
1. Po¡quc nunu cscoíu ín¡o¡tu cnsínu¡ dc unu
nuncí¡u, c nout¡u dc out¡u.
2. Po¡quc nunu cscoíu c ncccssu¡ío ínsístí¡ nuís
nunus coísus, c nout¡us.
6. Scgundo, ¡orquc, na ¡rincira cscola, na
naicrna, sc dcvcn c×crciiar solrciudo os
scniidos c×icrnos, ¡ara quc sc Ialiiucn a
a¡licar-sc lcn aos ¡ro¡rios oljcios c a conIccc-
los disiiniancnic. Na cscola ¡rinaria, dcvcn
c×crciiar-sc os scniidos inicrnos, a inaginaçao c
462
a ncnoria, juniancnic con os scus orgaos
c×ccuiorcs, as naos c a língua, lcndo,
cscrcvcndo, ¡iniando, caniando, coniando,
ncdindo, ¡csando, in¡rinindo varias coisas na
ncnoria, cic. No ginasio, con o csiudo da
dialciica, da granaiica, da rciorica c das ouiras
cicncias ¡osiiivas c arics, cnsinadas icorica c
¡raiicancnic, fornar-sc-a a inicligcncia c o juízo
dc iodas as coisas rccolIidas airavcs dos
scniidos. Finalncnic, as Acadcnias fornarao
solrciudo aquclas coisas quc dizcn rcs¡ciio à
voniadc, ou scja, as faculdadcs quc cnsinan a
conscrvar a Iarnonia (c, quando csia c
¡criurlada, a rcfazc-la}, scrvindo-sc da Tcologia
¡ara a alna, da filosofia ¡ara a ncnic, da
ncdicina ¡ara as funçõcs viiais do cor¡o c da
juris¡rudcncia ¡ara os lcns c×icriorcs.
Motíuo dcstu g¡uduçuo.
7. Con cfciio, o vcrdadciro nciodo dc fornar
adcquadancnic os cs¡íriios consisic
¡rccisancnic cn quc, ¡rinciro, as coisas scjan
a¡rcscniadas aos scniidos c×icrnos, aos quais
in¡rcssionan incdiaiancnic. E quando a
scnsaçao c×icrna in¡riniu nos scniidos inicrnos
as inagcns das coisas, csics, c×ciiados ¡or cssas
inagcns, dcvcn a¡rcndcr a cסrini-las c a
rc¡roduzi-las, ianio inicriorncnic ¡or ncio da
rcninisccncia, cono c×icriorncnic ¡or ncio das
naos c da língua. Dc¡ois dcsics iralalIos
463
¡rc¡araiorios, cnirc a inicligcncia cn açao, c, ¡or
ncio dc ninuciosas olscrvaçõcs, confronic iodas
as coisas cnirc si c ¡ondcrc-as, ¡ara lIcs
a¡rccndcr as razõcs, o quc fornara a vcrdadcira
inicligcncia das coisas c o vcrdadciro juízo accrca
das ncsnas. Finalncnic, Ialiiuc-sc a voniadc
(quc c o ccniro do Ioncn c a dirciora dc iodas as
suas açõcs} a c×crccr lcgiiinancnic o scu in¡crio
solrc iodas as coisas. Qucrcr fornar a voniadc
anics da inicligcncia (cono qucrcr fornar a
inicligcncia anics da inaginaçao c a inaginaçao
anics dos scniidos} c iralalIo ¡crdido. Mas,
infclizncnic, ¡roccdcn assin aquclcs quc
cnsinan às crianças a logica, a ¡ociica, a rciorica
c a ciica, anics das coisas rcais c scnsívcis; agcn
cono qucn quiscssc fazcr dançar una criancinIa
dc dois anos, quc ainda nal sc susicn cn ¡c.
Manicno-nos firncs na nossa o¡iniao dc, cn
iudo c scn¡rc, ionar a naiurcza ¡or guia; c
assin cono csia nanifcsia as suas faculdadcs,
unas a¡os as ouiras, assin ianlcn nos sonos
dc o¡iniao dc quc, ¡ara o dcscnvolvincnio dc
una, dcvcnos cs¡crar ¡clo dcscnvolvincnio da
ouira.
3. Po¡quc uns sc cxc¡cítun ncstus, c out¡os
nuqucíus.
8. A icrccira difcrcnça rcsidc cn quc as cscolas
infcriorcs, a naicrna c a ¡rinaria, c×crciian a
juvcniudc dc anlos os sc×os; a cscola dc laiin
464
dcvc cducar solrciudo, dc nodo ¡crfciio, os
adolcsccnics quc as¡iran a coisas nais alias quc
os iralalIos nanuais; c as Acadcnias dcvcn
fornar os douiorcs c os fuiuros conduiorcs dos
ouiros, ¡ara quc, ncn às igrcjas, ncn às cscolas,
ncn às adninisiraçõcs ¡ullicas, falicn
dirigcnics con¡cicnics.
As quut¡o cscoíus co¡¡cs¡ondcn us quut¡o ¡u¡cs
do uno.
9. Esias quairo cs¡ccics dc cscolas ¡odcn, nao
scn razao, con¡arar-sc às quairo ¡arics do ano.
a cscola naicrna faz lcnlrar a ancna ¡rinavcra,
cnlclczada dc rclcnios c dc florinIas dc varia
fragrancia; a cscola ¡rinaria rc¡rcscnia o vcrao,
quc nos nosira as cs¡igas cIcias c ainda ccrios
fruios ¡rccoccs; o ginasio corrcs¡ondc ao ouiono,
quc rccolIc os ricos fruios dos can¡os, dos
jardins c das vinIas, c os guarda nos arnazcns
da ncnic; c, finalncnic, a acadcnia dcvc
asscnclIar-sc ao invcrno quc ¡rc¡ara, ¡ara os
varios usos, os fruios rccolIidos, ¡ara quc ¡ossa
icr-sc con quc vivcr duranic iodo o rcsio da vida.
TunIcn us u¡uo¡cs c¡csccn g¡uduuíncntc cn
quut¡o tcn¡os.
10. Esia nancira dc insiruir c cducar
acuradancnic a juvcniudc ¡odc con¡arar-sc
ianlcn ao culiivo dos jardins. Con cfciio, as
criancinIas dc scis anos, lcn c×crciiadas ¡clos
465
cuidados dos ¡ais c das anas, ¡arcccn
scnclIanics às arvorczinIas quc foran
carinIosancnic ¡laniadas, cnraizaran lcn c
concçan a lançar ¡cqucninos ranos. Os
udoícsccntczínIos dc dozc anos asscnclIan-sc
às arvorczinIas quc ja icn ranos c lançan
rclcnios fruiífcros; nas nao sc vc ainda lcn quc
c quc conicn csscs rclcnios; vcr-sc-a cn lrcvc.
Os udoícsccntcs dc dczoiio anos, quc ¡ossucn ja
conIccincnio ¡lcno das línguas c das arics,
asscnclIan-sc às ¡lanias quc csiao iodas
rcvcsiidas dc florcs c, con isso, ofcrcccn un lclo
cs¡ciaculo aos olIos c un agradavcl odor ao
nariz c ¡roncicn fruios salorosos ¡ara a loca.
Finalncnic, os ¡oucns dc vinic c quairo ou vinic c
cinco anos, ja ¡lcnancnic culiivados con os
csiudos acadcnicos, lcnlran as arvorcs cIcias
dc fruios, os quais c icn¡o dc colIcr c dc uiilizar
dc varias nanciras.
Mas cada una dcsias coisas dcvc scr cסosia dc
una nancira nais ¡orncnorizada.
466

Capítulo XXVIII
PLANO
DA ESCOLA MATERNA

Dcucn ¡¡ocu¡u¡-sc ¡¡íncí¡o us coísus ¡¡íncí¡uís.
1. Todos os ranos ¡rinci¡ais quc una arvorc vira
a icr, cla fa-los dcs¡oniar do scu ironco, logo nos
¡rinciros anos, dc ial nancira quc, dc¡ois,
a¡cnas c ncccssario quc clcs crcsçan c sc
dcscnvolvan. Do ncsno nodo, iodas as coisas,
cn quc qucrcnos insiruir un Ioncn ¡ara
uiilidadc dc ioda a vida, dcvcrao scr-lIc
¡laniadas logo ncsia ¡rincira cscola. Quc isio c
¡ossívcl, iornar-sc-a claro a qucn ¡crcorrcr iodos
os gcncros dc csiudos. Mosira-lo-cnos con
¡oucas ¡alavras, rcsunindo iodas cssas coisas
cn vinic ¡onios|1|.
Cutuíogo dus nutc¡íus u sc¡cn cnsínudus ncstus
cscoíus.
I.
2. A cIanada Mctu¡ìsícu icn ¡rccisancnic aqui o
scu início, ¡ois iodas as coisas, a ¡rincí¡io, sao
a¡rccndidas ¡clas crianças con concciios gcrais c
confusos. cnquanio vccn alguna coisa, ouvcn,
salorcian, a¡al¡an, advcricn quc alguna coisa
467
c×isic, nas nao julgando quc coisa scja cn
cs¡ccic, c so nais iardc, ¡ouco a ¡ouco,
disiinguindo o quc scja. Concçan, ¡orianio, a
cnicndcr os scguinics icrnos gcrais. alguna
coisa, nada, c×isic, nao c×isic, dcsia nancira, dc
ouira nancira, ondc, quando, cic., scnclIanic,
disscnclIanic, cic., as quais coisas sao
¡rccisancnic os fundancnios da cicncia
nciafísica.
II.
3. Nas cícncíus ¡ìsícus, ncsics ¡rinciros scis anos,
¡odc conduzir-sc a criança dc nodo a nao ignorar
o quc scja a agua, a icrra, o ar, o fogo, a cIuva, a
ncvc, o gclo, a ¡cdra, o fcrro, a ¡lania, a crva, a
avc, o ¡ci×c, o loi, cic. E dcvc ianlcn a¡rcndcr a
noncnclaiura c o uso dos ncnlros do scu
¡ro¡rio cor¡o, ao ncnos dos c×icrnos. Esias
coisas a¡rcndcn-sc facilncnic ncsia idadc c
lançan os fundancnios da cicncia naiural.
III.
4. A criança cnicndc os rudincnios da òtícu,
quando concça a disiinguir c a dcsignar a luz c
as ircvas c a sonlra, c as difcrcnças cnirc as
varias corcs. lranco, ¡rcio, vcrnclIo, cic.
IV.
468
5. Scra o início da ust¡ononíu, conIcccr aquilo a
quc sc cIana ccu, sol, lua, csirclas, c noiar quc
csias coisas nasccn c sc ¡õcn iodos os dias.
V.
6. A¡rcndc os ¡rinordios da gcog¡u¡íu, quando
concça a cnicndcr o quc c un nonic, un valc,
un can¡o, un rio, una aldcia, un casiclo, una
cidadc, scgundo as ocasiõcs quc lIc ofcrccc o
lugar ondc c cducada.
VI.
7. Lançan-sc os fundancnios da c¡onoíogíu, sc a
criança cnicndc o quc significa Iora, dia,
scnana, ano, c o quc significa vcrao, invcrno cic.,
c onicn, no dia anicrior, ananIa, dc¡ois dc
ananIa, cic.
VII.
8. Consiiiui o início da Iístò¡íu ¡odcr rccordar-sc
c ¡assar cn rcscnIa os faios aconiccidos Ia
¡ouco, cono c quc ial ou ial indivíduo sc
con¡oriou ncsia ou naqucla siiuaçao, cnlora
csias coisas scjan iraiadas ¡ucrilncnic.
VIII.
9. Lançan-sc as raízcs da u¡ítnctícu, sc a criança
cnicndc quc significa ¡ouco c nuiio, sc salc
coniar ainda quc scja aic dcz, sc noia quc ircs
469
sao nais quc dois c quc ircs nais un sao quairo,
cic.
IX.
10. Possuirao os rudincnios da gconct¡íu, sc
cnicndcrcn a quc c quc cIananos grandc c
¡cqucno, con¡rido c lrcvc, largo c csirciio,
grosso c fino. Igualncnic, sc cnicndcn a quc c
quc cIananos linIa, cruz, círculo, cic, c vccn
ncdir ccrias coisas con o ¡alno, con o lraço,
con os dcdos, cic.
X.
11. Inician ianlcn o csiudo da cstutícu, sc vccn
¡csar as coisas con a lalança, c a¡rcndcn a
¡csar qualqucr coisa con a nao, ¡ara salcrcn sc
c ¡csada ou lcvc.
XI.
12. Concçan o iirocínio das u¡tcs nccunícus, sc
sc lIcs ¡crniic, c aic sc lIcs cnsina a fazcr
qualqucr coisa. ¡or c×cn¡lo, irans¡oriar una
coisa daqui ¡ara alcn, ordcnar as coisas dcsia ou
daqucla nancira, consiruir c dcsiruir, unir c
dcsunir, cic., cono às crianças, ncsia idadc, da
¡razcr. Esias coisas, cono nao sao scnao
icniaiivas ¡ara ¡roduzir coisas scgundo o nodclo
da naiurcza, nao so nao dcvcn scr ¡roilidas,
470
nas aic dcvcn scr foncniadas c ¡rudcnicncnic
dirigidas.
XII.
13. A aric díuíctícu da razao dcs¡onia ja aqui c
lança os scus gcrncns. olscrvando quc as
convcrsas sc fazcn ¡or ncio dc ¡crgunias c dc
rcs¡osias, as crianças Ialiiuan-sc ianlcn a
¡crguniar qualqucr coisa c a rcs¡ondcr às
¡crgunias quc lIcs sao fciias. In¡oria a¡cnas
cnsinar-lIcs a inicrrogar a¡iancnic c a
rcs¡ondcr dirciancnic às ¡crgunias, ¡ara quc sc
Ialiiucn a fi×ar o ¡cnsancnio no icna ¡ro¡osio,
c a nao divagar.
XIII.
14. A g¡unutícu infaniil consisiira cn ¡ronunciar
corrciancnic a língua naicrna, isio c, cn ¡rofcrir
ariiculadancnic as lciras, as sílalas c as
¡alavras|2|.
XIV.
15. Inician o csiudo da ¡ctò¡ícu, sc iniian os
iro¡os c as figuras coniidas nas convcrsas
faniliarcs. En ¡rinciro lugar, in¡oria cnsinar-
lIcs quc o gcsio dcvc corrcs¡ondcr às ¡alavras c
quc o ion da voz dcvc corrcs¡ondcr à qualidadc
da convcrsa, dc nodo quc a¡rcndan a
¡ronunciar con voz nais alia as uliinas sílalas
471
das ¡crgunias c, con voz nais lai×a, as uliinas
sílalas das rcs¡osias, c coisas scnclIanics, quc
a ¡ro¡ria naiurcza cono quc cnsina; c, sc
qualqucr coisa ¡assa das ncdidas, ¡odc, con
¡rudcnic nciodo fornaiivo, corrigir-sc
facilncnic.
XV.
16. A criança adquirira o gosio ¡cla ¡ocsíu, sc,
ncsia ¡rincira idadc, lIc cnsinarcn nuiios
¡cqucnos ¡ocnas, solrciudo dc scniido noral,
qucr ríinicos, qucr nciricos, dc quc csiao lcn
¡rovidas iodas as línguas.
XVI.
17. Adquirira os ¡rinordios da núsícu,
a¡rcndcndo alguns dos nais faccis salnos c
Iinos sagrados, o quc icra lugar nos c×crcícios
quoiidianos dc ¡icdadc.
XVII.
18. Os rudincnios dc ccononíu doncsiica
consisiirao cn a¡rcndcr dc cor o nonc das
¡cssoas dc quc consia a fanilia, ou scja, qucn sc
cIana ¡ai, nac, criada, criado, inquilino, cic., c
igualncnic a¡rcndcndo os noncs das ¡arics da
casa. airio, cozinIa, quario, csialulo, cic., c dos
uicnsílios doncsiicos. ncsa, ¡raio, faca, co¡o,
cic., juniancnic con o scu uso.
472
XVIII.
19. Quanio à ¡oíìtícu, a criança inicia-sc ncla
nais dificilncnic, ¡ois os conIccincnios dcsia
idadc con dificuldadc sc ¡rojcian fora dc casa.
Podc, iodavia, scr iniciada, sc lIc fazcn olscrvar
quc ccrias ¡cssoas da cidadc sc rcuncn na
Canara, as quais sao cIanadas Scnadorcs; c, dc
cnirc csics, un icn o nonc dc Prcsidcnic, ouiro
o dc Sccrciario, ouiro o dc Noiario, cic.
XIX.
20. A no¡uí (ciica} c a disci¡lina quc, na cscola
naicrna, dcvcra, anics dc iodas, rccclcr
fundancnios solidíssinos, sc qucrcnos quc as
viriudcs scjan cono quc congcniias à juvcniudc
lcn fornada. Por c×cn¡lo|3|.
(1} a tcn¡c¡unçu. olscrvc-sc a ca¡acidadc do
csiónago, c nunca sc ¡crniia às crianças quc
ioncn alincnios, alcn dos ncccssarios ¡ara
saciar a fonc c a scdc.
(2} a íín¡czu na ncsa, nos vcsiidos c ianlcn nos
lrinqucdos c nos oljcios dc adorno das crianças
dcvc scr csncrada.
(3} a ucnc¡uçuo dcvida ¡ara con os su¡criorcs.
(4} a oIcdícncíu, scn¡rc ¡ronia c solíciia, às
ordcns c às ¡roiliçõcs.
473
(5} a uc¡ucídudc rcligiosa cn iodas as coisas, dc
ial nancira quc nunca sc lIcs ¡crniia quc
ninian ou cngancn, qucr a lrincar qucr a scrio
(¡ois a lrincadcira, cn coisas nao loas, ¡odc
acalar ¡or dcgcncrar nun dano scrio}.
(6} a¡rcndan a ¡ustíçu, nao iocando, ncn lcvando
¡ara casa, ncn guardando ¡ara si, ncn
oculiando nada scn liccnça do dono, c nada
fazcndo quc causc irisicza ou invcja a ouircn.
(7} cduqucn-sc solrciudo ¡ara a cu¡ídudc, ¡ara
quc csicjan scn¡rc ¡ronias a disiriluir ¡clas
ouiras daquilo quc icn, iodas as vczcs quc
algucn, in¡clido ¡cla ncccssidadc, a clas sc
dirigc; nais ainda, a fazc-lo cs¡oniancancnic.
Con cfciio, c csia a viriudc nais crisia c
rcconcndada acina dc iodas ¡clo cs¡íriio dc
Crisio; sc, ¡rinci¡alncnic con cla, na
frigidíssina vclIicc do nundo ¡rcscnic, sc
aqucccr o coraçao dos Ioncns, conscguircnos a
salvaçao da Igrcja.
(8} as crianças dcvcn scr ianlcn c×crciiadas
cn, iralalIos c ocu¡açõcs coniínuas, qucr dc
caraicr scrio qucr dc caraicr ludico, ¡ara quc a
ociosidadc sc lIcs iornc insu¡oriavcl.
(9} Ialiiucn-sc as crianças, nao soncnic a nao
iagarclarcn consianicncnic c a nao dizcrcn iudo
o quc lIcs vcn à loca, nas ianlcn a guardar
silcncio quando a ocasiao o c×igc, cono c o caso
474
quando ouiros falan, quando csia ¡rcscnic
alguna ¡cssoa dc clcvada caicgoria, quando sc
¡roduz algun aconiccincnio quc c×igc o silcncio.
(10} Ncsia ¡rincira idadc, dcvcn scr fornadas
solrciudo na ¡ucícncíu, da qual icrao
ncccssidadc duranic ioda a vida; dc ial nancira
quc, anics quc as ¡ai×õcs irron¡an nais
violcniancnic c lanccn raízcs, scjan donadas, c
as crianças sc Ialiiucn a dci×arcn-sc guiar ¡cla
razao c nao ¡cla ¡ai×ao, c a rcfrcarcn c a nao
darcn largas à ira, cic.
(11} a co¡tcsíu c soliciiudc cn scrvir os ouiros c o
nais lclo ornancnio da juvcniudc c, nais ainda,
da vida inicira. Dcvcn, ¡or isso, scr ncla
c×crciiadas, duranic csics ¡rinciros scis anos,
¡ara quc scn¡rc quc sc lIcs ofcrcça a ocasiao dc
scrvir c dc scr agradavcl aos ouiros, o façan
incdiaiancnic.
(12} Dcvc acrcsccniar-sc ianlcn a u¡Iunídudc
das aiiiudcs, ¡ara quc nada façan inc¡iancnic
ou iolancnic, nas façan iudo con a dcvida
nodcsiia. A csia viriudc ¡cricnccn a afalilidadc
das aiiiudcs, cun¡rincniar, rcs¡ondcr aos
cun¡rincnios, ¡cdir «¡or favor" quando
ncccssiian dc qualqucr coisa, dizcr «nuiio
olrigado» quando rccclcn qualqucr lcncfício,
fazcndo una nodcsia inclinaçao dc calcça,
lcijando as naos, c coisas scnclIanics.
475
XX.
21. Finalncnic, as crianças dc scis anos ¡odcn
scr iniroduzidas no csiudo da ¡cíígíuo c da
¡ícdudc|4|, dc nodo a a¡rcndcrcn dc cor os
¡rinci¡ais ¡onios do caiccisno c os fundancnios
do crisiianisno c, ianio quanio a idadc o ¡crniic,
os concccn a cnicndcr c a ¡ór cn ¡raiica. E
assin, con¡cnciradas do scniincnio da
divindadc, vcndo Dcus ¡rcscnic cn ioda a ¡aric c
considcrando-o cono vingador jusiíssino do nal,
sc Ialiiucn a nao concicr nada dc nal; c, ao
conirario, anando-o, vcncrando-o, invocando-o,
louvando-o, cono rcnuncrador lcnigníssino do
lcn, c dclc cs¡crando niscricordia na vida c na
noric, sc Ialiiucn a nao dci×ar dc fazcr nada dc
quanio lcn sc a¡crcclcran quc lIc agrada c a
vivcr sol o olIar dc Dcus c (cono diz a Escriiura}
a andar con Dcus|5|.
Utííídudc du ín¡uncíu ¡o¡nudu dcstu nuncí¡u.
22. Assin, ¡odcra dizcr-sc dos filIos dos crisiaos
aquilo quc o cvangclisia dissc do ¡ro¡rio Crisio.
quc clc «crcscia cn salcdoria, cn idadc c cn
graça, dianic dc Dcus c dos Ioncns» (Lucus, 2,
52}.
Po¡quc c quc, u cstc ¡¡o¡òsíto, sc nuo ¡odc
¡¡csc¡cuc¡ nudu dc nuís ¡o¡ncno¡ízudo.
476
23. Esias scrao as ncias, csias scrao as iarcfas
da cscola naicrna. Mas nao sc ¡odc cסlicar nais
¡orncnorizadancnic, ou scja, nao sc ¡odc
nosirar ¡or ncio dc quadros quc ¡rograna sc
dcva dcscnvolvcr cn cada ano, cn cada ncs, cn
cada dia (cono nosirarcnos scr ncccssario na
cscola ¡rinaria c na dc laiin}|6|; c nao sc ¡odc
¡orncnorizar, cono no ¡rograna das cscolas quc
vcn a scguir, ¡or duas razõcs. En ¡rinciro lugar,
¡orquc os ¡ais, ocu¡ados con os ncgocios
doncsiicos, nao ¡odcn olscrvar iao csiriiancnic
a ordcn cono nas cscolas ¡ullicas, ondc sc nao
faz ouira coisa scnao cducar a juvcniudc. En
scgundo lugar, ¡orquc o cngcnIo c o dcscjo dc
a¡rcndcr sc nanifcsian dc nodo nuiio divcrso
nas crianças, scndo unas nais ¡rccoccs c ouiras
nais lcnias. Algunas crianças dc dois anos falan
ja dcscnvoliarncnic c sao ca¡azcs dc iudo;
ouiras, dificilncnic, aos cinco anos, csiao ao
nívcl daquclas. Por isso, c ncccssario confiar
inicirancnic à ¡rudcncia dos ¡ais a fornaçao das
criancinIas dcsia ¡rincira idadc.
Suíuo duus g¡undcs u¡udus.
I. O ín¡o¡nudo¡ du cscoíu nutc¡nu.
24. Podc, iodavia, fazcr-sc uiilncnic duas coisas.
Princira. con¡ilar un livro dc consclIos ¡ara os
¡ais c ¡ara as anas, ¡ara quc nao ignorcn os
scus dcvcrcs. Ncsic livro, dcvcn cסor-sc, una
477
¡or una, iodas as coisas cn quc c ncccssario
fornar a infancia, c dizcr dc quc ocasiõcs dcvc
a¡rovciiar-sc ¡ara agir, c quais as nanciras c as
rcgras quc dcvcn olscrvar-sc na fala c no gcsio
¡ara incuiir nas crianças as ¡rinciras noçõcs
clcncniarcs. Un o¡usculo dcsic gcncro (sol o
iíiulo O ín¡o¡nudo¡ du cscoíu nutc¡nu}|7| scra ¡or
nos cscriio.
II. O cxc¡cítudo¡ dos scntídos.
25. Ouira coisa quc ¡odcra scr uiil aos c×crcícios
da cscola naicrna scra un Líu¡ínIo dc Inugcns, a
colocar nas naos das ¡ro¡rias crianças. Con
cfciio, cono ncsia cscola sc dcvc solrciudo
c×crciiar os scniidos a rccclcr as in¡rcssõcs das
coisas nais faccis, c a visia ocu¡a un lugar
in¡orianic cnirc os scniidos, conscguircnos o
nosso oljciivo sc colocarnos sol os olIos das
criancinIas iodas as ¡rinciras noçõcs dc Iisioria
naiural, dc oiica, dc asirononia, dc gconciria,
cic., ncsno scgundo a ordcn do ¡rograna
didaiico, Ia ¡ouco dclincado. Ncsic livro, con
cfciio, ¡odc ¡iniar-sc nonics, valcs, ¡lanias,
avcs, ¡ci×cs, cavalos, lois, ovclIas, Ioncns dc
varias idadcs c dc varias csiaiuras, c
¡rinci¡alncnic a luz c as ircvas, o ccu con o sol,
a lua, as csirclas, as nuvcns, as corcs
fundancniais, c ianlcn os uicnsílios doncsiicos
c os dos aricsaos. ¡anclas, frigidciras, ialIas,
nariclos, icsouras, cic. Dc igual nodo, ¡odcn
478
¡iniar-sc ¡cssoas con os scus disiiniivos, cono
un rci con o cciro c a coroa, un soldado con as
arnas, un cocIciro con o cocIc, un lavrador
con a cIarrua, un cariciro a disiriluir carias, c,
cn cina dc cada figura, una inscriçao a indicar o
scu significado. cavalo, loi, cao, arvorc cic.|8|.
Utííídudc dcstc ííu¡o.
26. A uiilidadc dcsic livro c irí¡licc. 1. ajuda a
in¡rinir as coisas na ncnic das crianças, cono
disscnos ja; 2. airai os cs¡íriios icnros a
¡rocurar cn qualqucr ouiro livro coisas ¡ara sc
divcriir; 3. faz a¡rcndcr a lcr nais facilncnic,
¡ois, cono as figuras das coisas icn o scu nonc
cscriio ¡or cina, ¡odcra concçar-sc a cnsinar a
lcr, cnsinando a lcr as lciras dcsscs noncs.
479

Capítulo XXIX
PLANO
DA ESCOLA
DE LÍNGUA NACIONAL

A cscoíu dc íìnguu nucíonuí dcuc sc¡ untc¡ío¡ u dc
íutín.
1. No ca¡íiulo IX, dcnonsirci quc ioda a
juvcniudc, dc un c ouiro sc×o, dcvc scr cnviada
às cscolas ¡ullicas. Agora acrcsccnio quc ioda a
juvcniudc dcvc scr confiada, ¡rinciro, às cscolas
dc língua nacional, cnlora alguns scjan dc
o¡iniao coniraria. Zc¡¡cr, no livro 1, ca¡. 7, da
sua Poíìtícu ccícsíustícu|1|, c Alsicd, no ca¡. 6 da
sua Escoíustícu|2|, aconsclIan «a nandar às
cscolas dc língua nacional a¡cnas as ra¡arigas c
os ra¡azcs quc virao a dcdicar-sc às arics
nccanicas; nas aconsclIan a cnviar, nao à
cscola dc língua nacional, nas dirciancnic à
cscola dc laiin, as crianças quc, scgundo a
inicnçao dc scus ¡ais, as¡iran a una nais
¡rofunda culiura do cs¡íriio». Alsicd acrcsccnia.
«discordc qucn quiscr; cu ¡ro¡onIo o caninIo c
o nciodo quc gosiaria dc vcr scguido ¡or aquclcs
quc dcscjaria o nais lcn insiruídos ¡ossívcl».
Ora, o nciodo da nossa Didaiica olriga-nos a
discordar.
480
Po¡quc.
2. Discordanos ¡orquc. 1. qucrcnos dar a iodos
aquclcs quc nasccran Ioncns una insiruçao
gcral ca¡az dc cducar iodas as faculdadcs
Iunanas. In¡oria, ¡orianio, conduzi-los iodos,
cn conjunio, aic ondc c ¡ossívcl conduzi-los
iodos cn conjunio, a fin dc quc iodos sc
anincn, sc cncorajcn c sc csiinulcn
nuiuancnic; 2. qucrcnos quc iodos sc forncn
cn iodas as viriudcs, c, ¡or isso, ianlcn na
nodcsiia, na concordia c no scrviço nuiuo. Nao
dcvcn, ¡orianio, sc¡arar-sc iao ccdo uns dos
ouiros, ncn dcvc ofcrcccr-sc a alguns ocasiao dc
sc julgarcn nais quc ouiros c dc os dcs¡rczarcn;
3. qucrcr dcicrninar, à volia dos scis anos, qual
a vocaçao dc cada un, sc ¡ara os csiudos ou
¡ara os iralalIos c arics nanuais, ¡arccc un
vcrdadciro aio dc ¡rcci¡iiaçao, ¡ois, naqucla
idadc, nao sc nanifcsian ainda lcn ncn as
forças do cngcnIo ncn as inclinaçõcs da alna; c
unas c ouiras dcscnvolvcn-sc nuiio nclIor
dc¡ois; ¡rccisancnic cono sc nao ¡odc vcr quais
as crvas quc sc dcvcn arrancar c quais as quc sc
dcvcn conscrvar nun jardin, cnquanio sao
novinIas, nas ¡odc vcr-sc quando csiao ja
crcscidas. E nao sc alra a cscola dc laiin a¡cnas
aos filIos dos ricos, ou dos nolrcs, ou a¡cnas
daquclcs quc c×crccn as nagisiraiuras, ¡orquc
nao sao soncnic os filIos dcsics quc nasccn
¡ara sulir aos alios graus nas nagisiraiuras,
481
nas ianlcn os ouiros, quc, ¡or isso, nao dcvcn
scr ¡osios dc ¡aric cono gcnic scn cs¡crança. O
cs¡íriio so¡ra ondc qucr, c ncn scn¡rc concça a
so¡rar cn dcicrninado icn¡o.
3. A quaria razao c, ¡ara nos, quc o nosso
nciodo univcrsal nao as¡ira a¡cnas a ¡ossuir
cssa ninfa, gcralncnic oljcio dc un ardcnic
anor, quc c a língua laiina, nas ¡rocura ianlcn
o caninIo a scguir ¡ara quc ¡ossan doninar-sc
igualncnic as línguas vcrnaculas dc iodos os
¡ovos (¡ara quc iodos os cs¡íriios louvcn, cada
vcz nais, o ScnIor}. Scria ino¡oriuno ¡criurlar
una ial inicnçao con un salio iao dcsncdido ¡or
cina dc ioda a língua nacional.
4. En quinio lugar, qucrcr cnsinar una língua
csirangcira a qucn nao donina ainda a sua
língua nacional, c cono qucrcr cnsinar cquiiaçao
a qucn nao salc ainda caninIar. É ¡rcfcrívcl,
¡orianio, fazcr as coisas sc¡aradancnic, cono
dcnonsiranos no ca¡íiulo XVI, fundancnio IV.
Do ncsno nodo quc Cíccro dizia quc lIc cra
in¡ossívcl cnsinar a a¡rcndcr a qucn nao salia
falar|3|, ianlcn o nosso nciodo ¡roclana quc
nao convcn cnsinar o laiin a qucn nao salc
ainda a sua língua nacional, ¡ois csialclcccu quc
csia dcvc dar a nao à ouira c scrvir-lIc dc guia.
5. Finalncnic, cono a insiruçao quc nos
¡rocuranos dar c una insiruçao ¡raiica, c
482
¡ossívcl, con igual facilidadc, conduzir os alunos
ao conIccincnio do naicrial linguísiico con a
ajuda dc livros cscriios cn língua nacional, quc
conicnIan a noncnclaiura das coisas.
Proccdcndo assin, os alunos a¡rcndcrao a língua
laiina nuiio nais facilncnic, ¡ois lasiara quc
ada¡icn às coisas ¡or clcs ja conIccidas a nova
noncnclaiura laiina c quc dc¡ois, con ¡rudcnic
gradaçao, acrcsccnicn ao conIccincnio ¡raiico
das coisas o scu conIccincnio icorico.
OI¡ctíuos c nctus du cscoíu dc íìnguu nucíonuí.
6. Manicndo, ¡orianio, a nossa Ii¡oicsc dc
quairo cs¡ccics dc cscolas, dilincarcnos cono sc
scguc a cscola dc língua nacional. O oljciivo c a
ncia da cscola dc língua nacional c cnsinar a
ioda a juvcniudc, dos scis aos dozc (ou irczc}
anos dc idadc, aquclas coisas quc lIc scrao uicis
duranic ioda a vida. Ou scja.
I. Lcr corrcnicncnic iudo aquilo quc, cn lciras
ii¡ograficas ou à nao, csia cscriio na língua
nacional.
II. Escrcvcr, ¡rinciro caligraficancnic, dc¡ois
ra¡idancnic, c, ¡or uliino, cn confornidadc con
as rcgras granaiicais da língua nacional, as
quais dcvcn scr cסosias do nodo nais faniliar,
c dcvidancnic a¡licadas ¡or ncio dc c×crcícios.
483
III. Coniar, ¡or ncio dc nuncros ou dc calculos,
confornc a ncccssidadc.
IV. Mcdir, scgundo as rcgras da aric, dc qualqucr
nancira, o con¡rincnio, a largura, a disiancia,
cic.
V. Caniar nclodias das nais corrcnics; c aos quc
iivcrcn nais a¡iidõcs ¡ara isso, cnsinar ianlcn
os rudincnios da nusica.
VI. A¡rcndcr dc cor a naior ¡aric das salnodias c
dos Iinos sagrados quc sao usados cn varios
lugarcs, ¡ara quc, alincniados ¡clos louvorcs dc
Dcus, sailan (cono diz o A¡osiolo}|4| cnsinar-sc
c adnocsiar-sc a si ncsnos, ncdianic os salnos,
os Iinos c os caniicos cs¡iriiuais, caniando-os
cn louvor dc Dcus nos scus coraçõcs.
VII. Alcn do caiccisno, sailan na ¡onia da
língua as Iisiorias c as na×inas ¡rinci¡ais dc
ioda a Sagrada Escriiura, ¡ara quc as sailan
rcciiar.
VIII. A¡rcndan dc cor, cnicndan c concccn a
¡ór cn ¡raiica os cnsinancnios norais,
cסrcssos cn rcgras c ilusirados con c×cn¡los,
ada¡iados à ca¡acidadc da sua idadc.
IX. Accrca das condiçõcs cconónicas c ¡olíiicas,
conIcçan o suficicnic ¡ara con¡rccndcrcn
484
aquilo quc iodos os dias vccn fazcr cn casa c na
socicdadc.
X. Nao ignorarao a Iisioria gcral do nundo. a
criaçao, a qucda, a rcdcnçao c o nodo cono c
saliancnic rcgido ¡or Dcus.
XI. A¡rcndan as coisas ¡rinci¡ais da
cosnografia, rclaiivas à forna rcdonda do ccu, ao
glolo icrrcsirc sus¡cnso no ncio do cs¡aço, ao
occano quc cnvolvc a icrra, às varias
sinuosidadcs dos narcs c dos rios, às ¡rinci¡ais
¡arics do nundo, aos nais in¡orianics Esiados
da Euro¡a, c, solrciudo, as cidadcs, os nonics,
os rios c iudo o quc Ia dc nais noiavcl na sua
¡airia.
XII. Finalncnic, dcvcn adquirir conIccincnios
varios, dc ordcn gcral, accrca das arics
nccanicas, qucr a¡cnas con o oljciivo dc nao
scrcn iao crassancnic ignoranics quc nao
sailan o quc sc faz na vida Iunana, qucr ¡ara
quc, nais iardc, con naior facilidadc, a naiurcza
rcvclc aquilo ¡ara quc cada un c nais foricncnic
inclinado.
Po¡quc c quc ncstu cscoíu sc ¡¡o¡ocn oI¡ctíuos tuo
un¡íos.
7. Sc iodas csias coisas forcn ca¡azncnic
ninisiradas ncsia cscola dc língua nacional,
aconicccra quc, nao so aos adolcsccnics quc
485
cniran ¡ara a cscola laiina, nas ianlcn aquclcs
quc ¡assan a c×crccr o concrcio, a agriculiura
ou os ofícios nanuais, nada sc dc¡arara quc scja
dc ial nancira novo do qual nao icnIan ja
Iaurido o gosio aqui; c, ¡or isso, iudo aquilo quc
cada un, nais iardc, dcvcra fazcr, c×crccndo a
sua ¡ro¡ria aric, ou ouvir dos oradorcs sagrados
ou dc ouiros, ou, cnfin, dcvcra lcr cn qualqucr
livro, nada nais scra quc, ou una nais rica
dilucidaçao ou una dcduçao nais ¡ariicular dc
coisas ja anics conIccidas; c os Ioncns
cסcrincniarao ¡or si ncsnos quc sao rcalncnic
a¡ios ¡ara a¡rcndcr, ¡ara fazcr c ¡ara julgar
nclIor iodas as coisas.
Mcíos u¡tos ¡u¡u utíngí¡ cstcs ¡íns.
8. Para aiingir csic oljciivo, icnos os scguinics
ncios.
I. As cíusscs.
I. A ¡o¡ulaçao da cscola dc língua nacional, quc,
duranic scis anos, sc dcdicara aos csiudos, dcvc
disiriluir-sc cn scis classcs (sc¡aradas, sc
¡ossívcl, ncsno quanio ao lugar, ¡ara quc sc nao
¡criurlcn nuiuancnic}.
II. Os ííu¡os.
II. A cada classc scjan dcsiinados livros dc ic×io
¡ro¡rios, quc conicnIan iodo o ¡rograna
486
¡rcscriio ¡ara cssa classc (quanio à insiruçao, à
noral c à ¡icdadc}, ¡ara quc, duranic o cs¡aço dc
icn¡o cn quc os jovcns sao conduzidos ¡clo
caninIo dcsics csiudos, nao icnIan ncccssidadc
dc ncnIun ouiro livro, c con a ajuda dcsics
livros ¡ossan scr conduzidos infalivclncnic às
ncias fi×adas. Con cfciio, c ncccssario quc csics
livros conicnIan iodo o ¡rograna dc língua
nacional. ¡or c×cn¡lo, iodos os noncs das coisas
quc as crianças, scgundo a sua idadc, sao
ca¡azcs dc cnicndcr, c os ¡rinci¡ais c nais
usados nodos dc dizcr.
A nutc¡íu dos ííu¡os dus uu¡íus cíusscs c u
ncsnu. sò u ¡o¡nu c dí¡c¡cntc.
9. Porianio, cn confornidadc con o nuncro dc
classcs, csics livros scrao scis, difcrcnics cnirc si,
nao ianio ¡clas naicrias iraiadas, cono ¡cla
forna. Con cfciio, iodos iraiarao dc iodas as
coisas; nas o ¡rinciro a¡rcscniara os as¡ccios
nais gcrais, nais conIccidos, nais faccis; o
scguinic ¡ronovcra a iniclccçao dc as¡ccios nais
cs¡cciais, nais dcsconIccidos c nais difíccis, ou
ofcrcccra un nodo novo dc considcrar as
ncsnas coisas, ¡ara fazcr salorcar novas
dclícias aos cs¡íriios, cono dcniro cn lrcvc sc
nosirara.
Ncstcs ííu¡os, tudo dcuc¡u sc¡ udu¡tudo u ìndoíc
du ídudc.
487
10. Dcvc, iodavia; Iavcr a ¡rcocu¡açao dc quc,
ncsscs livros, iudo scja ada¡iado aos cs¡íriios
infaniis, os quais, ¡or naiurcza, sao inclinados
¡ara as coisas agradavcis, jocosas c ludicas, c
alorrcccn, cn gcral, as coisas scrias c scvcras.
Porianio, ¡ara quc ¡ossan a¡rcndcr as coisas
scrias quc, a scu icn¡o, scrao dc uiilidadc ao
Ioncn scrio, c a¡rcndc-las con facilidadc c
¡razcr, in¡oria nisiurar ¡or ioda a ¡aric o uiil
ao agradavcl, o qual airaia os cs¡íriios ¡or ncio
dos scus cncanios quasc coniínuos, c os conduza
aic ondc dcscjanos.
Pu¡u uíícíu¡ us c¡íunçus, udo¡ncn-sc os ííu¡os con
tìtuíos Ionítos.
11. Quc os livros scjan ianlcn ornados con
iíiulos quc, ¡cla sua suavidadc, alicicn a
juvcniudc, c, ao ncsno icn¡o, cסrinan
clcganicncnic iodo o conicudo do livro. Es¡cro
quc csscs iíiulos scjan iirados das cs¡ccics dos
jardins dcssa ancníssina ¡ro¡ricdadc quc c a
cscola. Efciivancnic, ¡orquc a cscola sc con¡ara
a un jardin, ¡orquc c quc o livrinIo da ¡rincira
classc sc nao Ia-dc cIanar Cuntcí¡o dc uíoíctus,
o da scgunda Hoscí¡uí c o da icrccira Vc¡gcí,
cic.?|5|.
Ncstcs ííu¡os, todos os tc¡nos tccnícos dcucn sc¡
cx¡¡cssos cn íìnguu nucíonuí.
488
12. Accrca dcsics livros, c accrca da sua naicria
c da sua forna, falarcnos nais
¡orncnorizadancnic nouiro lugar. Acrcsccnio
a¡cnas isio. ¡orquc csics livros sao cscriios cn
língua nacional, ianlcn os icrnos iccnicos
dcvcn scr cסrcssos na língua nacional, c nao
dcvc usar-sc dc icrnos laiinos ou grcgos.
Po¡quc¯
1.
Fazao. I. Qucrcnos ¡ro¡orcionar à juvcniudc quc
cnicnda iudo scn ¡crda dc icn¡o. Ora, as
¡alavras dc una língua csirangcira, anics dc
scrcn cnicndidas, dcvcn scr cסlicadas; c,
ncsno dc¡ois dc cסlicadas, nao sao cnicndidas,
nas a¡cnas sc crc quc signifiqucn aquilo quc
significan, c, conscqucnicncnic, rcicn-sc con
grandc dificuldadc. Ao ¡asso quc, quando sc iraia
dc ¡alavras faniliarcs, nao c ncccssaria ouira
cסlicaçao alcn dcsia. ial ¡alavra significa ial
coisa; c incdiaiancnic sc cnicndc c sc in¡rinc
na ncnoria. Qucrcnos, ¡orianio, quc os
cn¡ccilIos c os insiruncnios dc su¡lício csicjan
auscnics dcsia ¡rincira infornaçao, ¡ara quc
iudo corra cono un rio. II. Alcn disso, qucrcnos
quc sc culiivcn as línguas nacionais, nao à
nancira dos franccscs quc conscrvan icrnos
laiinos c grcgos quc o ¡ovo nao cnicndc (c a
ccnsura fornulada ¡or Sicvinus}|6|, nas
cסrinindo iodas as coisas con ¡alavras quc o
489
¡ovo cnicnda, cono o aconsclIa o ncsno
Sicvinus aos scus con¡airioias lclgas c o
nosirou clcganicncnic na sua Maicnaiica|7|.
T¡cs oI¡cçocs.
13. Podc oljciar-sc, c cosiuna oljciar-sc, quc
ncn iodas as línguas sao iao ricas dc nodo a
¡odcrcn iraduzir igualncnic lcn os vocalulos
grcgos c laiinos. Oljcia-sc ainda quc, ncsno quc
cssas línguas iraduzan lcn csscs vocalulos,
iodavia, os crudiios, Ialiiuados aos scus icrnos,
nao os alandonan. Finalncnic, oljcia-sc quc c
nclIor quc as crianças, quc dcvcn scr iniciadas
no csiudo do laiin, sc Ialiiucn ja aqui à língua
dos crudiios, ¡ara quc nao scja ncccssario dc¡ois
a¡rcndcr duas vczcs os icrnos iccnicos.
Hcs¡ostu u ¡¡íncí¡u oI¡cçuo.
14. Mas rcs¡ondc-sc a cssas oljcçõcs. A cul¡a
nao c das línguas, nas dos Ioncns, sc alguna
língua sc rcvcla olscura, nuiilada c in¡crfciia
¡ara significar aquilo quc c ncccssario. Tanlcn
os laiinos c os grcgos iivcran dc invcniar
¡rinciro as ¡alavras c dc as fazcr cnirar no uso
corrcnic; a ¡rincí¡io, ¡arcccran-lIcs iao as¡cras
c olscuras, quc clcs ¡ro¡rios duvidaran sc as
dcvian ou nao culiivar; nas, dc¡ois quc foran
acciics, nao Ia nada dc nais significaiivo. É o
quc sc vcrifica con as ¡alavras cnic, csscncia,
sulsiancia, acidcnic, qualidadc, quididadc, cic.
490
Nao faliaria, ¡orianio, nada a ncnIuna língua,
sc aos Ioncns nao faliassc o cngcnIo.
A scgundu.
15. Quanio à scgunda oljcçao. quc os crudiios
conscrvcn ¡ara si a sua língua; nos agora
¡cnsanos a¡cnas nos ignoranics c no nodo dc os
lcvar ianlcn a cnicndcr as arics lilcrais c as
cicncias, isio c, no nodo dc lIcs nao falar con
loca dc csirangciro c nuna língua c×oiica.
A tc¡ccí¡u.
16. Finalncnic, aquclas crianças quc, nais iardc,
sc dcdicarao ao csiudo das línguas, scniirao iao
¡cqucno incónodo ¡or salcrcn os icrnos
iccnicos na sua língua ¡airia, cono ¡or
cIanarcn a Dcus Pai, na sua língua, anics quc
cn laiin.
III. Tc¡ccí¡o ¡cquísíto. un Ion nctodo, o quuí
constu dc quut¡o ícís.
17. O icrcciro rcquisiio scra un nciodo facil dc
a¡rcscniar csics livros à juvcniudc, o qual
condcnsarcnos nas rcgras scguinics.
I. Nao sc dcdiqucn diariarncnic aos csiudos
¡ullicos scnao quairo Ioras. duas anics c duas
dc¡ois do ncio dia. As ouiras ¡odcrao scr
¡assadas uiilncnic nos iralalIos doncsiicos
491
(¡rinci¡alncnic nas fanílias nais ¡olrcs} ou cn
quaisqucr rccrcaçõcs Ioncsias.
II. As Ioras da nanIa dcvcn scr consagradas a
culiivar a inicligcncia c a ncnoria; as da iardc, a
c×crciiar as naos c a voz.
III. Nas Ioras da nanIa, ¡orianio, o ¡rofcssor
¡rclccionara a liçao narcada no Iorario,
cnquanio iodos os alunos csiarao a ouvir; c, sc
for ncccssario cסlicar qualqucr ¡onio, fa-lo-a do
nodo nais faniliar, ¡ara quc scja in¡ossívcl quc
os alunos nao cnicndan. Eniao, nandara quc,
¡or ordcn, os alunos rclcian, dc nodo quc,
cnquanio un lc clarancnic c disiiniancnic, os
ouiros, olIando ¡ara os scus livrinIos,
acon¡anIcn cn silcncio. E, sc sc coniinuar a
fazcr assin, duranic ncia Iora ou nais,
aconicccra quc os nais inicligcnics icnicn
rcciiar aqucla liçao scn livro c, finalncnic,
ianlcn os nais lcnios. Noic-sc quc as liçõcs
dcvcn scr nuiio lrcvcs, ada¡iadas aos icn¡os
dos Iorarios c à ca¡acidadc das inicligcncias
infaniis.
IV. Esias liçõcs radicar-sc-ao ainda nclIor na
ncnic dos alunos, nas Ioras dc dc¡ois do ncio
dia, nas quais nao qucrcnos quc sc iraic
ncnIun icna novo, nas quc sc rc¡iia a ncsna
liçao da nanIa. cn ¡aric, iranscrcvcndo os
¡ro¡rios livros in¡rcssos, c cn ¡aric fazcndo
492
«salaiinas», a vcr qucn rc¡cic con nais
¡roniidao as liçõcs anicriorcs ou qucn cscrcvc,
cania c conia con nais scgurança c clcgancia,
cic.
Po¡quc uconscíIunos quc os uíunos co¡ícn os
ííu¡os con u suu ¡¡ò¡¡íu nuo.
18. Nao c scn razao quc aconsclIanos quc iodas
as crianças co¡icn con a sua ¡ro¡ria nao, o
nais asscadancnic ¡ossívcl, os scus livros
in¡rcssos. Efciivancnic.
1. Esic iralalIo scrvc ¡ara in¡rinir iudo nais
¡rofundancnic na ncnoria, ¡ois ocu¡a os
scniidos duranic nais icn¡o, nas ncsnas
naicrias. 2. Con csic c×crcício quoiidiano dc
cscriia, as crianças adquirirao o Ialiio dc
cscrcvcr caligraficancnic, ra¡idancnic c
oriograficancnic, Ialiio nuiio ncccssario ¡ara
os csiudos ulicriorcs c ¡ara os ncgocios da vida.
3. Para os ¡ais, scra un arguncnio cvidcniíssino
dc quc, na cscola, os scus filIos sc ocu¡an
daquilo dc quc dcvcn ocu¡ar-sc, c ¡odcrao nais
facilncnic julgar do a¡rovciiancnio dos filIos c
aic quanio csics acaso os su¡cran a clcs
ncsnos.
ConscíIo ucc¡cu do cstudo dus íìnguus dos ¡ouos
uízínIos.
493
19. Fcscrvanos as coisas nais ¡ariicularcs ¡ara
ouira ocasiao. Advcriinos, iodavia, quc, sc
algunas das crianças quiscrcn dcdicar-sc ao
csiudo das línguas dos ¡ovos vizinIos, façan-no
ncsia aliura, cn quc icn dcz, onzc ou dozc anos,
ou scja, cnirc a cscola dc língua nacional c a
cscola laiina. O quc sc fara nuiio facilncnic sc
forcn cnviados ¡ara un lugar ondc sc falc iodos
os dias, nao a sua língua naicrna, nas aqucla
quc qucrcn a¡rcndcr, c sc os livros dc ic×io da
cscola dc língua vcrnacula (ja dclcs conIccidos,
quanio à naicria} sao ¡or clcs lidos, co¡iados,
dccorados c oljcio dc c×crcícios cscriios c orais,
ncssa nova língua.
494

Capítulo XXX
PLANO
DA ESCOLA LATINA

Mctu dcstu cscoíu. quut¡o íìnguus c todu u
cncícío¡cdíu dus u¡tcs.
1. Fi×anos as ncias a csia cscola, dc nodo quc,
con quairo línguas, sc alranja ioda a
cnciclo¡cdia das Arics, ou scja, dc nodo quc,
conduzindo dcvidancnic os adolcsccnics ¡or
csias classcs, consiganos.
I. G¡unutícos con¡cicnics ¡ara forncccr, dc nodo
¡crfciio, as razõcs dc iodas as coisas, cn laiin c
na língua nacional c, sc ncccssario, cn grcgo c
cn Iclrcu.
II. Díuíctícos ¡criios cn dcfinir, disiinguir,
arguncniar c cn rclaicr os arguncnios dos
ouiros.
III. Hctò¡ícos ou Oradorcs ca¡azcs dc discorrcr
clcganicncnic solrc qualqucr icna.
IV. Mutcnutícos c
495
V. Gconct¡us, ianio ¡ara as varias ncccssidadcs
da vida, cono ¡orquc csias cicncias ¡rc¡aran c
aguçan o cngcnIo ¡ara as ouiras.
VI. Músícos, ¡raiicos c icoricos.
VII. Ast¡ononos, vcrsados, ao ncnos, nas coisas
fundancniais, ou scja, na douirina da csfcra c no
cón¡uio, ¡ois, scn csias, a Física, a Ccografia c
a naior ¡aric da Hisioria sao ccgas.
2. Esias sao as iao dccaniadas scic Arics lilcrais,
quc o vulgo julga dcvcrcn scr cnsinadas ¡clo
¡rofcssor dc Filosofia. Mas, ¡ara quc os alunos
sulan nais alio, qucrcnos quc Iaja ianlcn.
VIII. Nutu¡uíístus (PIysici} quc conIcçan a
con¡osiçao do nundo, a naiurcza dos clcncnios,
as difcrcnças dos aninais, as ¡ro¡ricdadcs das
¡lanias c dos nincrais, a csiruiura do cor¡o
Iunano, cic., considcrando csias coisas, ianio
cn gcral, cono sao cn si ncsnas, c ainda cono
coisas criadas ¡ara uiilidadc da nossa vida, o quc
con¡rccndc a ¡aric quc diz rcs¡ciio à ncdicina,
à agriculiura c a iodas as ouiras arics nccanicas.
IX. Gcòg¡u¡os quc icnIan gravado na ncnic o
glolo icrrcsirc, os narcs, as suas ilIas, os rios,
os Esiados, cic.
496
X. C¡onoíogístus quc sailan dc cor a succssao
das varias c¡ocas, dcsdc o concço do nundo, c
as suas divisõcs.
XI. Hísto¡íudo¡cs quc sailan cnuncrar a naior
¡aric das nais noiavcis iransfornaçõcs do gcncro
Iunano, dos ¡rinci¡ais Esiados c da Igrcja, c
lcn assin os varios cosiuncs c riios dos ¡ovos c
dos Ioncns.
XII. Mo¡uíístus quc conIcçan c×aiancnic os
gcncros c as difcrcnças das viriudcs c dos vícios,
c sailan fazcr olscrvar aquclas c lcvar a fugir
dcsics, considcrando ianio a sua idcia gcral cono
a sua a¡licaçao ¡raiica, rclaiivancnic à vida
cconónica, ¡olíiica, cclcsiasiica, cic.
XIII. Finalncnic, qucrcnos fazcr Tcòíogos quc,
nao so conIcçan os fundancnios da sua fc, nas
¡ossan clcs ¡ro¡rios ir Iauri-los nas Sagradas
Escriiuras.
3. Dcscjanos quc, icrninado csic curso dc scis
anos, os adolcsccnics scjan, cn iodas csias
coisas, sc nao ¡crfciios (cono cfciio, ncn a idadc
juvcnil ¡odc aiingir a ¡crfciçao, ncn c ¡ossívcl,
cn scis anos dc insiruçao, csgoiar o occano}, ¡clo
ncnos ¡ossuidorcs dc solidos fundancnios, ondc
¡odcra asscniar una culiura nais ¡crfciia.
CunínIo ¡u¡u utíngí¡ cstcs oI¡ctíuos. scís cíusscs.
497
4. Scra ncccssario quc, rc¡ariindo-sc a insiruçao
¡or scis anos, Iaja scis classcs, as quais,
concçando a cnuncrar dcsdc a nais lai×a,
¡odcn rccclcr os scguinics noncs.
I. Cranaiica
II. Física
III. Maicnaiica
IV. Éiica
V. Dialciica
VI. Fciorica.
Po¡quc c quc, dc¡oís u g¡unutícu, nuo dcuc uí¡
íncdíutuncntc u díuíctícu¯
5. Es¡cro quc ningucn nova una can¡anIa
conira nos, ¡clo faio dc ¡ornos cn ¡rinciro lugar
a granaiica, cono sc cla fossc a ¡oricira das
ouiras disci¡linas. Porcn, aquclcs quc
considcran os cosiuncs cono sc fosscn lcis,
ialvcz sc adnircn quc coloqucnos a dialciica c a
rciorica dc¡ois das cicncias ¡osiiivas. Convcn,
iodavia, fazcr assin, ¡ois csianos convcncidos dc
quc sc dcvc cnsinar as coisas anics do nodo das
coisas, isio c, a naicria anics da forna, c dc quc
o unico nciodo ca¡az dc nos fazcr ¡rogrcdir, dc
nancira scgura c ra¡ida, c aquclc quc consisic
cn adquirir conIccincnio das coisas anics dc sc
498
concçar, ou a julga-las a fundo ou a cסó-las
con csiilo florido. Proccdcndo dc nodo divcrso,
icr-sc-a à dis¡osiçao iodos os nodos dc discorrcr
c dc falar, nas scr-sc-a ¡olrc quanio às coisas a
c×aninar c a aconsclIar; c, cniao, quc ¡odcra
c×aninar-sc ou aconsclIar-sc? Assin cono c
in¡ossívcl quc una virgcn dc à luz, sc ¡rinciro
nao concclcu, assin ianlcn c in¡ossívcl quc
algucn falc das coisas racionalncnic, sc ¡rinciro
nao ionou conIccincnio das coisas. As coisas,
cn si ncsnas, sao aquilo quc sao, ainda quc a
razao ou a língua sc nao ocu¡cn dclas; nas a
razao c a língua a¡cnas iralalIan con as coisas
c dc¡cndcn dclas. scn as coisas, ou sc rcduzcn
a nada, ou iornan-sc sons scn ¡cnsancnio, ¡or
cfciio dc un csforço, ou csiu¡ido ou ridículo.
Porianio, una vcz quc o raciocínio c o discurso sc
fundan nas coisas, c alsoluiancnic ncccssario
quc o fundancnio scja lançado ¡rinciro.
Po¡quc quc c quc u no¡uí sc coíocu dc¡oís dus
cícncíus nutu¡uís.
6. Enlora nuiios façan o conirario, Ioncns
douios dcnonsiraran quc as cicncias naiurais
dcvcn colocar-sc anics das cicncias norais.
Lí¡sio, no Livro I, ca¡íiulo 1, da sua Físíoíogíu,
cscrcvc. «Agrada-nos a o¡iniao dos grandcs
auiorcs, c conscniirci c dclilcrarci quc a Física sc
cnsinc cn ¡rinciro lugar. Ncsia ¡aric (da
Filosofia} c naior o ¡razcr, a¡io ¡ara airair c ¡ara
499
¡rcndcr; c Ia ianlcn una dignidadc naior c un
cs¡lcndor quc c×ciia a adniraçao; finalncnic,
una ¡rc¡araçao c culiivo da alna dc nodo a
ouvir-sc con fruio as liçõcs da Éiica»|1|.
Po¡quc c quc, u cxcn¡ío dos untígos, sc nuo ¡oc u
nutcnutícu untcs du ¡ìsícu¯
7. Quanio à naicnaiica, ¡odcria duvidar-sc sc
cla dcvc scguir ou anicccdcr a física. É ccrio quc
os aniigos ¡rinci¡iaran a olscrvaçao das coisas
¡clos csiudos naicnaiicos c, ¡or isso, as
naicrias a csiudar sc cIanaran {Oacv-¦, ou scja,
disci¡linas; c Plaiao nao adniiia na sua
Acadcnia ncnIun ugconct¡u ( }. A razao c
cvidcnic, ¡orquc as cicncias quc iraian dc
nuncros c dc quaniidadcs lascian-sc, nais quc
ouiras, nos scniidos c, ¡or isso, sao nais faccis c
nais ccrias, c conccniran c fi×an a força
inaginaiiva, c, finalncnic, ¡orquc dis¡õcn c
c×ciian a csiudar ouiras coisas nais afasiadas
dos scniidos.
P¡íncí¡u Hcs¡ostu.
8. Tudo isio c vcrdadc. No cnianio, a csic
¡ro¡osiio, dcvcnos fazcr algunas considcraçõcs,
una vcz quc. 1. sc aconsclIou a c×crciiar os
scniidos na cscola dc língua nacional c a aguçar
os cs¡íriios con as coisas scnsívcis; ¡orianio, os
nossos alunos ja nao scrao ioialncnic
agcónciras ( }. 2. O nosso nciodo ¡roccdc
500
scn¡rc gradualncnic. Porianio, anics dc cIcgar
às nais sullincs cs¡cculaçõcs das quaniidadcs,
c lon quc sc dcnorc un ¡ouco a cnsinar as
coisas concrcias accrca dos cor¡os, ¡orquc csics
scrvcn cono quc dc ¡assagcn ¡ara aiingir c
a¡rccndcr nclIor as coisas alsiraias. 3. Ao
¡rograna da classc dc naicnaiica, nos
acrcsccnianos varias coisas ariificiais, cujo
conIccincnio facil c vcrdadciro dificilncnic ¡odc
adquirir-sc scn o cnsino das cicncias naiurais, c,
¡or isso, colocanos ¡rinciro csias cicncias. Mas,
sc as razõcs dos ouiros ou ncsno a ¡raiica
convcnccrcn quc c nclIor ¡roccdcr
divcrsancnic, nao icnos inicnçao dc nos o¡or.
Mas, ¡or cnquanio, csianos convcncidos das
nossas razõcs.
A Fìsícu dcuc sc¡ ¡¡cccdídu du Mctu¡ìsícu. nus dc
quuí¯
9. Dc¡ois dc adquirido un conIccincnio
ncdiano da língua laiina (airavcs do VcstìIuío c
da Po¡tu, a quc consagranos a ¡rincira classc},
aconsclIanos quc sc a¡rcscnic aos alunos una
cicncia gcncralíssina, a qual c cIanada cicncia
¡rincira, c vulgarncnic Mctu¡ìsícu (cn nosso
cnicndcr, scria nais corrcio cIanar-lIc ¡¡o¡ìsícu
( } ou Ií¡o¡ìsícu { ¦, ou scja, ¡rc¡araçao
¡ara o csiudo da física}. Esia cicncia dcvc
dcscolrir aos alunos os ¡rinciros c os nais
¡rofundos fundancnios da naiurcza, cono, ¡or
501
c×cn¡lo, os rcquisiios ncccssarios, os airiluios c
as difcrcnças dc iodas as coisas, c dar a conIcccr
as lcis nais gcrais, as dcfiniçõcs, os a×ionas, o
nodclo c a csiruiura dc iodas as coisas. Quando
iivcrcn adquirido csics conIccincnios (c, con o
nosso nciodo, scra nuiio facil}, ¡odcrao dirigir as
olscrvaçõcs ¡ara iodos os ¡ariicularcs, ¡ois a
naior ¡aric dclcs ¡arcccrao ja conIccidos, c nada
¡arcccra alsoluiancnic novo, a nao scr a
a¡licaçao das lcis gcrais aos casos ¡ariicularcs.
Dcsias coisas gcrais, a quc sc ¡odc dcdicar, ao
na×ino, un irincsirc (con cfciio, cnicndcn-sc
nuiio facilncnic, ¡ois sao cono quc ¡rincí¡ios
quc qualqucr dos scniidos a¡rccndc c adniic so
¡cla sua ¡ro¡ria luz}, ¡assc-sc incdiaiancnic à
olscrvaçao do nundo visívcl, ¡ara quc as
naravilIas da naiurcza (rcvcladas na ¡¡o¡ìsícu} sc
iorncn cada vcz nais claras ¡or ncio dc
c×cn¡los ¡ariicularcs cscolIidos na ¡ro¡ria
naiurcza. Esic csiudo consiiiuira a classc dc
Física.
A scguí¡ u Fìsícu ucn u Mutcnutícu; dc¡oís, u
Etícu.
10. Da csscncia das coisas, ¡assar-sc-a cniao a
una olscrvaçao nais acurada solrc os acidcnics
das coisas. A csic csiudo danos o nonc dc classc
dc Maicnaiica.
502
11. Incdiaiancnic a scguir, os alunos dcvcrao
fazcr cs¡cculaçõcs solrc o ¡ro¡rio Ioncn con as
açõcs da sua voniadc livrc, cono scnIor das
coisas, ¡ara a¡rcndcrcn a vcr o quc csia c o quc
nao csia sol o nosso ¡odcr c sol o nosso arlíirio,
cono convcn govcrnar iodas as coisas scgundo
as lcis do univcrso, cic.
Isio cnsinar-sc-a no quario ano, na classc dc
Éiica. Mas csiudcn-sc iodas csias coisas, ja nao
a¡cnas Iisioricancnic, isio c, ¡cla ¡raiica, cono
aconiccia nos rudincnios da cscola dc língua
nacional, nas icoricancnic, ¡ara quc os alunos
sc Ialiiucn a considcrar as causas c os cfciios
das coisas. Mas alsicnIan-sc os ¡rofcssorcs dc
nisiurar con o ¡rograna dcsias ¡rinciras quairo
classcs algo dc conirovcrso, ¡ois qucrcnos
rcscrvar csias coisas inicgralncnic ¡ara a quinia
classc, cono sc scguc.
Cíussc dc Díuíctícu.
12. Na classc dc Dialciica, dc¡ois dc
a¡rcscniadas, dc nodo lrcvc, as rcgras do
raciocínio, qucrcnos quc sc ¡crcorra o ¡rograna
da Física, da Maicnaiica c da Éiica, c sc vcniilc
iudo o quc dc nais in¡orianic la sc conicn, quc
scja oljcio das conirovcrsias dos crudiios. Eniao
cnsinar-sc-a. Qual a origcn da conirovcrsia? qual
o scu csiado aiual? qual a icsc c a aniíicsc? con
quc arguncnios vcrdadciros ou ¡rovavcis sc
503
dcfcndc csia ou aqucla? Procurc-sc dc¡ois
dcscolrir o crro, a ocasiao dc crro c a falacia dos
arguncnios da icsc o¡osia, c, lcn assin, a força
dos arguncnios a favor da icsc vcrdadcira, ou
ainda, sc anlas as asscrçõcs conicn algo dc
vcrdadciro, icnic-sc a conciliaçao. Assin, con o
ncsno iralalIo, far-sc-a, ¡or un lado, una
agradalilíssina rc¡ciiçao do ¡rograna ja
csiudado, c, ¡or ouiro lado, una uiilíssina
cסlicaçao das coisas quc nao foran cnicndidas,
c, con ccononia dc icn¡o c dc fadiga, cnsinar-
sc-a ainda a aric dc raciocinar, dc invcsiigar as
coisas dcsconIccidas, dc csclarcccr as olscuras,
dc disiinguir as anlíguas, dc dcicrninar as
gcrais, dc dcfcndcr as vcrdadciras con as arnas
da ¡ro¡ria vcrdadc, dc rcjciiar as falsas c, cnfin,
dc ordcnar as coisas confusas con coniínuos
c×cn¡los, con un nciodo lrcvc c cficaz.
Cíussc dc Hctò¡ícu.
13. A uliina classc scra a dc Fciorica, na qual
qucrcnos quc sc façan c×crcícios
vcrdadcirancnic ¡raiicos, faccis c agradavcis, dc
iodas as coisas cnsinadas aic aqui, c airavcs dos
quais sc iornc cvidcnic quc os nossos alunos
a¡rcndcran alguna coisa c quc nao csiivcran na
cscola inuiilncnic. Na vcrdadc, scgundo a
na×ina socraiica «fala ¡ara quc saila qucn
cs»|2|, qucrcnos fornar a língua ¡ara una salia
504
cloqucncia àquclcs dc quc aic agora fornanos
¡rinci¡alncnic a ncnic ¡ara a salcdoria.
14. A¡rcscniadas, ¡orianio, dc novo, lrcvíssinas
c claríssinas rcgras dc cloqucncia, ¡assc-sc aos
c×crcícios, ou scja, à iniiaçao dos nclIorcs
ncsircs na aric dc dizcr. Nao convcn, iodavia,
dcnorar-sc scn¡rc nas ncsnas naicrias, nas
dcvc ¡crcorrcr-sc novancnic iodos os can¡os da
vcrdadc c da varicdadc das coisas, c os jardins da
Ioncsiidadc Iunana c os ¡araísos da salcdoria
divina, ¡ara quc iudo aquilo quc os alunos salcn
quc c vcrdadciro, lon c uiil, isio c, agradavcl c
Ioncsio, o sailan ianlcn dizcr lcn c, sc
ncccssario, o sailan inculcar foricncnic. Para
csic cfciio, csiando ja dc ¡ossc, graças aos
csiudos ¡rcccdcnics, dc un calcdal dc
conIccincnios nao dcs¡rczívcl, ou scja, dc un
razoavcl conIccincnio dc coisas dc ioda a
cs¡ccic, dc ¡alavras, dc frascs, dc adagios, dc
scnicnças, dc Iisiorias, cic., adquirirao ncsia
classc una nova lagagcn.
O cstudo du Iístò¡íu dcuc díst¡íIuí¡-sc ¡o¡ todus
us cíusscs.
15. Accrca dcsias coisas ¡ariicularcs, falarcnos
dc novo, sc ncccssario, ¡ois a ¡raiica nos
cnsinara iudo o rcsio. Scja-nc líciio acrcsccniar
a¡cnas isio. Porquc c cvidcnic quc o
conIccincnio da Iisioria c una ¡aric lclíssina
505
da insiruçao c c cono quc os olIos dc ioda a
vida, sou dc o¡iniao dc quc a Iisioria scja
disiriluída ¡or iodas as classcs dcsic sc×cnio,
¡ara quc os nossos alunos nao ignorcn iudo
aquilo quc dc ncnoravcl fcz ou dissc a
aniiguidadc. É, iodavia, ¡ara dcscjar quc csic
csiudo scja ninisirado con ¡rudcncia, ¡ara quc
nao auncnic o iralalIo dos alunos, nas aic o
iornc nais suavc, c scja ¡ara clcs cono quc o
condincnio dos csiudos nais scvcros.
E cono.
16. Pcnsanos quc scra ¡ossívcl con¡ilar, ¡ara
cada classc, un livrinIo cs¡ccial, quc conicnIa
un ccrio gcncro dc faios Iisioricos, scgundo o
¡rograna scguinic, disiriluído ¡clas scis classcs.
I. Con¡cndio dc Iisioria sagrada.
II. Hisioria das cicncias naiurais.
III. Hisioria das arics c das invcnçõcs.
IV. Hisioria da noral. c×cn¡los nais c×cclcnics
dc viriudcs, cic.
V. Hisioria dos riios. accrca dos varios riios dos
¡ovos, cic.
VI. Hisioria Univcrsal, ou scja, Iisioria dc iodo o
nundo c dos ¡rinci¡ais ¡ovos, nas solrciudo da
Pairia dc cada un. Tudo scra cסosio
506
rcsunidancnic, iraiando a¡cnas das coisas
ncccssarias c oniiindo as quc nao icn
in¡oriancia.
Aduc¡tcncíu ucc¡cu do nctodo contínuuncntc
uní¡o¡nc dcstus cscoíus.
17. Accrca do nciodo cs¡ccial quc dcvc usar-sc
ncsias cscolas, nada dirci agora, a nao scr o
scguinic. dcscjanos quc as quairo Ioras dc liçõcs
¡ullicas scjan assin divididas. as duas Ioras da
nanIa (a¡os un c×crcício dc ¡icdadc} dcdiqucn-
sc àqucla cicncia ou àqucla aric, da qual a classc
iona o nonc; quc a Hisioria ocu¡c a ¡rincira
Iora dc¡ois do ncio dia, scndo a scgunda Iora
consagrada a c×crcícios da ¡cna, da ¡alavra c das
naos, cn confornidadc con o quc c rcqucrido
¡cla naicria dc cada classc.
507

Capítulo XXXI
DA ACADEMIA

Po¡quc sc t¡utu uquí du Acudcníu.
1. En vcrdadc, o nosso nciodo nao sc csicndc
aic a Acadcnia (Univcrsidadc}. Mas quc nal Ia
cn alordar csic icna, ¡ara dizcr quais sao os
nossos voios a scu rcs¡ciio? Disscnos airas|1|
quc, ¡or dirciio, sc dcvc dci×ar às Acadcnias as
¡arics nais clcvadas c con¡lcncniarcs dc iodas
as cicncias c iodas as faculdadcs su¡criorcs.
T¡cs uotos u scu ¡cs¡cíto.
2. Dcscjanos, ¡orianio, quc nas Acadcnias.
I. Sc façan csiudos vcrdadcirancnic univcrsais,
dc ial nancira quc nada c×isia nas lciras c nas
cicncias Iunanas quc la sc nao ninisirc.
II. Sc adoicn os nciodos nais faccis c nais
scguros, ¡ara inluir iodos aquclcs quc as
frcqucnian dc una crudiçao solida;
III. Quc os cargos ¡ullicos nao scjan confiados
scnao àquclcs quc nclas sc ¡rc¡araran con
succsso, c quc sao dignos c idóncos ¡ara quc sc
508
lIcs cnircguc con scgurança o govcrno das
coisas Iunanas.
Vcjanos agora, nodcsiancnic, o quc nos ¡arccc
c×igir cada un dcsics voios.
I. Çuc sc¡un uc¡dudcí¡uncntc Uníuc¡sídudcs.
3. Para quc os csiudos acadcnicos scjan
univcrsais, Ia ncccssidadc. dc P¡o¡csso¡cs dc
iodas as cicncias, arics, faculdadcs c línguas,
crudiios c ardorosos, quc c×iraian dc si, cono dc
rcscrvaiorios vivos, c conuniqucn a iodos iodas
as coisas; c dc una HíIííotccu sclcia dos varios
auiorcs c dc uso inicirancnic conun.
II. Çuc tcnIun un nctodo uc¡dudcí¡uncntc
uníuc¡suí.
4. Os iralalIos da Acadcnia ¡rosscguirao nais
facilncnic c con naior succsso, sc, cn ¡rinciro
lugar, so ¡ara la forcn cnviados os cngcnIos
nais sclcios, a flor dos Ioncns; os ouiros cnviar-
sc-ao ¡ara a cIarrua, ¡ara as ¡rofissõcs
nanuais, ¡ara o concrcio, ¡ara quc, alias,
nasccran.
Ondc dcuc oIsc¡uu¡-sc.
5. Sc, cn scgundo lugar, cada un sc a¡licar ao
csiudo daqucla disci¡lina ¡ara a qual, scgundo
ccrios indícios nosiran, a naiurcza o dcsiinou.
Con cfciio, assin cono, ¡or insiinio naiural, un
509
sc iorna nusico, ¡ocia, orador, naiuralisia, cic.
nclIor quc ouiro, assin ianlcn un c nais a¡io
quc ouiro ¡ara a icologia, ¡ara a ncdicina ou
¡ara a juris¡rudcncia. Mas, quanio a isio, ¡cca-
sc dcnasiado frcqucnicncnic, ¡ois qucrcnos, a
nosso arlíirio, fazcr un Mcrcurio dc qualqucr
nadcira|2|, scn aicndcr às inclinaçõcs da
naiurcza. Daqui rcsulia quc, lançando-nos nos, a
dcs¡ciio da nossa naiurcza, ncsics ou naquclcs
csiudos, nada fazcnos quc scja digno dc louvor,
c, frcqucnicncnic, sonos nais con¡cicnics cn
qualqucr ouira coisa accssoria ( } quc na
nossa ¡ro¡ria ¡rofissao. Scria, ¡orianio, dc
aconsclIar quc, no icrno da Escola Classica,
fossc fciio, ¡clos Dirciorcs das Escolas, un
c×anc ¡ullico às ca¡acidadcs dos alunos, ¡ara
quc ¡udcsscn dclilcrar quais dos jovcns dcvian
scr cnviados ¡ara a Univcrsidadc c quais os quc
dcvian dcsiinar-sc aos ouiros gcncros dc vida; c,
igualncnic, dc cnirc aquclcs quc fosscn
dcsiinados ¡ara ¡rosscguir os csiudos, quais os
quc dcvcrian dcdicar-sc à Tcologia, ou à Políiica,
ou à Mcdicina, cic., icndo cn conia as suas
inclinaçõcs naiurais c ainda as ncccssidadcs da
Igrcja c do Esiado.
III.
6. En icrcciro lugar, convcn csiinular os
cngcnIos Icroicos ¡ara iudo, ¡ara quc nao
falicn Ioncns quc sailan nuiio ( }, ou
510
sailan iudo ( }, ou scjan salios cn iudo
( }.
IV.
7. Dcvc, iodavia, Iavcr o cuidado dc quc so vao
¡ara as Univcrsidadcs os alunos diligcnics,
Ioncsios c solíciios, c quc clas nao iolcrcn os
falsos csiudanics, os quais cslanjan, no ocio c
no lu×o, o icn¡o c o dinIciro, dando nau
c×cn¡lo aos ouiros. Assin, ondc nao Ia ¡csic,
nao Ia coniagio; iodos sc csforçarao ¡or cun¡rir
o scu dcvcr.
V. ConscíIo ucc¡cu do ¡csuno dc uuto¡cs dc todu
u cs¡ccíc.
8. Disscnos quc, na Acadcnia, sc dcvia csiudar
iodo o gcncro dc auiorcs. Ora, ¡ara quc csic
csiudo nao scja dcnasiado ¡cnoso, c, coniudo,
scja uiil, scria ¡ara dcscjar quc sc ¡cdissc às
¡cssoas douias, aos filosofos, aos icologos, aos
ncdicos, cic. quc ¡rcsiasscn à juvcniudc
csiudiosa o ncsno favor quc os gcografos
¡rcsian aos csiudiosos da gcografia, cnccrrando
¡rovíncias iniciras, rcinos c nundos cn na¡as, c
¡ondo c×icnsíssinas ¡arics da icrra c do nar sol
os olIos, dc nodo a ¡odcrcn scr olscrvadas con
un so gol¡c dc visia. Efciivancnic, ¡orquc c quc,
do ncsno nodo quc os ¡iniorcs rc¡rcscnian ao
vivo as rcgiõcs, as cidadcs, as casas c as ¡cssoas,
sc nao Ia-dc rc¡rcscniar Cíccro, Lívio, Plaiao,
511
Aiisioiclcs, Pluiarco, Taciio, Cclio, Hi¡ocraics,
Calcno, Cclso, Sanio AgosiinIo, S. Jcrónino c
ianios ouiros? Nao digo quc sc dcva fazcr a¡cnas
c×iraios dc scnicnças c florilcgios (cono foi fciio
¡or alguns}, nas quc sc rcsunan as olras
iniciras às coisas sulsianciais.
Çuud¡u¡íu utííídudc dcsscs ííu¡os.
9. Esics rcsunos dos auiorcs icrian una grandc
uiilidadc. En ¡rinciro lugar, ¡ara aquclcs quc
nao icn icn¡o ¡ara lcr olras c×icnsas, ¡ara quc
ao ncnos adquirisscn un conIccincnio gcral
dcsscs auiorcs. En scgundo lugar, ¡ara aquclcs
quc (scgundo o consclIo dc Scncca}|3|
dcscjasscn faniliarizar-sc a¡cnas con un auior
(¡ois ncn iodas as coisas convcn igualncnic a
iodos} ¡udcsscn cscolIcr nais facilncnic c nais
judiciosancnic, quando, icndo salorcado varios
auiorcs, iivcsscn scniido quc csic ou aquclc csia
nais cn rclaçao con os scus gosios. En icrcciro
lugar, csscs rcsunos ¡rc¡ararao nuiio lcn ¡ara
una lciiura nais fruiuosa aquclcs quc dcvcrao
csiudar as olras con¡lcias, da ncsna nancira
quc, ¡ara un viajanic, o faio dc icr conIccido no
na¡a a corografla dc dcicrninada rcgiao, o ajuda
a olscrvar con nais facilidadc, con nais
scgurança c con naior ¡razcr iodas as
¡ariicularidadcs quc, a scguir, lIc cacn sol os
olIos. Finalncnic, csscs lrcviarios scrvirao a
iodos, ¡ara fazcr nais ra¡idancnic as rcvisõcs
512
ncccssarias dos auiorcs c ¡ara dclcs c×irair a
sulsiancia quc sc fi×a no cs¡íriio c sc iransforna
cn alincnio viial.
ConscíIo ucc¡cu du cdíçuo dcsscs con¡cndíos.
10. Podcrian csscs sunarios dos auiorcs scr
cdiiados cn sc¡arado (¡ara uso dos nais ¡olrcs
ou daquclcs quc nao icn ¡ossililidadcs dc
csiudar inicgralncnic os grandcs voluncs} c,
dc¡ois, scrcn juniados aos rcs¡cciivos auiorcs,
¡ara quc, qucn sc ¡rc¡ara ¡ara lcr una olra
inicira, ¡ossa ¡rinciro a¡rccndcr o rcsuno dc
ioda cla.
VI. ConscíIo ucc¡cu du c¡íuçuo, nu Acudcníu, dc
«Coícgíos Gcííunos»
11. Quanio aos c×crcícios acadcnicos, nao sci sc
dcvcrci iniroduzir Coloquios ( } ¡ullicos,
scgundo o nodclo dos Colcgios dc Cclio|4|; ou
scja, quando un ¡rofcssor iraia ¡ullicancnic dc
dcicrninado icna, dcvcn disiriluir-sc ¡clos
alunos iodos os nclIorcs auiorcs quc iraian
dcssc assunio, ¡ara quc os lcian ¡rivadancnic.
E, accrca dc iudo quanio o ¡rofcssor ¡rclccionou
na liçao anics do ncio dia, far-sc-a una
discussao, na aula dc dc¡ois do ncio dia, cn quc
¡ariici¡arao iodos os alunos. Proccdcr-sc-a do
scguinic nodo. os csiudanics a¡rcscniarao
qucsiõcs, ou solrc dcicrninado ¡onio quc acaso
algun nao icnIa cnicndido, ou solrc una
513
dificuldadc quc algun icnIa cnconirado, ou
solrc una o¡iniao discordanic quc algun icnIa
dcscolcrio no scu auior, c coisas scnclIanics.
Con¡cic ao ¡rofcssor, cono ¡rcsidcnic da
rcuniao, dizcr quando c quc c líciio a
dcicrninado aluno (scguindo-sc, coniudo, una
ordcn dcicrninada} rcs¡ondcr c aos ouiros, a
scguir, julgar c ¡ronunciar-sc solrc sc a rcs¡osia
c saiisfaioria, c, finalncnic, icrninar a
conirovcrsia. Assin, ¡arccc quc iudo aquilo quc
nuiios lcran sc ¡odc juniar nun iodo, nao
soncnic ¡ara quc a¡rovciic a iodos, nas ainda
¡ara quc iudo sc in¡rina nclIor nos cs¡íriios c,
conscqucnicncnic, iodos façan ¡rogrcssos
vcrdadcirancnic solidos na icoria c na ¡raiica
das cicncias.
III. Tc¡ccí¡o uoto.
nuo conccdc¡ u co¡ou scnuo uos uíto¡íosos.
12. Parccc quc, a ¡ariir dcsics c×crcícios
colciivos, ¡ossa scr saiisfciio, scn nuiia
dificuldadc, o nosso uliino voio, c quc c ianlcn
o voio dc iodas as ¡cssoas dc lcn. Nao scjan
adniiidos nos cargos ¡ullicos scnao aquclcs quc
sao dignos. Conscguir-sc-a csic dcsidcraio, sc
isso nao dc¡cndcr do arlíirio ¡rivado dc una ou
duas ¡cssoas, nas da conscicncia c do
icsicnunIo ¡ullico dc iodos. Por isso, una vcz
¡or ano, do ncsno nodo quc as cscolas dos
graus infcriorcs dcvcn scr visiiadas ¡clos scus
514
dirciorcs, rccclan ianlcn as Acadcnias a visiia
dc ins¡ciorcs do Esiado, quc ¡rocurcn conIcccr
o cn¡cnIo con quc foran fciias iodas as coisas,
qucr da ¡aric dos ¡rofcssorcs, qucr da ¡aric dos
alunos. Vcrificarao aquclcs quc nais sc
disiinguiran ¡cla sua diligcncia c, ¡ara aicsiar
¡ullicancnic o scu valor, confcrir-lIcs-ao o grau
dc Douior ou dc Mcsirc.
Mcdo du uítò¡íu.
13. Sc sc nao qucr fazcr a¡cnas una ¡arodia,
nas auicniicas Dis¡uias, ¡ara a colaçao dos
graus acadcnicos, scra convcnicniíssino quc o
candidaio (ou varios ao ncsno icn¡o} sc coloquc,
scn o scu nodcrador, no ncio da sala. E cniao
os nais douios c os nais vcrsados na ¡raiica
¡ro¡onIan-lIc quc faça iudo o quc julgarcn
nclIor ¡ara vcrificar o scu ¡rogrcsso icorico c
¡raiico. Por c×cn¡lo. qucsiõcs varias, iiradas dc
un ic×io (da Sagrada Escriiura, dc Hi¡ocraics, do
Codigo dc Dirciio, cic.}, ¡crguniando-lIc. ondc
vcn cscriia csia, ou aqucla, ou aquclouira coisa?
Cono ¡odc csiar dc acordo con isio ou con
aquilo? ConIccc algun auior quc csia cn
dcsacordo? Qual? E quc arguncnios a¡rcscnia?
E cono rcsolvcr a qucsiao? E ouiras coisas
scnclIanics. Quanio à ¡raiica, ¡ro¡onIan-sc ao
candidaio varios casos. dc conscicncia, dc
docnças, dc ¡roccssos. E ¡crgunic-sc-lIc. cono
¡roccdcria ncsic ou naquclc caso? E ¡orquc
515
¡roccdcria assin? Insisia-sc con novas
¡crgunias c con novos casos, aic quc sc iornc
cvidcnic quc clc c ca¡az dc cniiir juízo accrca
das coisas, saliancnic c con vcrdadciro
fundancnio. Qucn nao cs¡craria quc os alunos
¡orian ioda a diligcncia no csiudo, sc soulcsscn
quc icrian dc cnfrcniar un c×anc iao ¡ullico,
iao scrio c iao scvcro?
Dus uíugcns.
14. Quando às viagcns (a quc dcnos un lugar
ncsic uliino sc×cnio, ou no fin dclc}, nao c
ncccssaria ncnIuna advcricncia, a nao scr ialvcz
dizcr quc nos agrada, c csia dc acordo con os
nossos ¡rincí¡ios, a o¡iniao dc Plaiao, o qual
¡roilia à juvcniudc viajar anics dc acalnar a
c×ccssiva in¡ciuosidadc da idadc ardcnic c anics
dc adquirir a ¡rudcncia c a ca¡acidadc
ncccssaria ¡ara viajar|5|.
Acc¡cu dc unu cscoíu dus cscoíus. quuí o scu
oI¡ctíuo c u suu utííídudc.
15. E ncn scqucr c ¡rcciso nosirar quao
ncccssaria scria una cscoíu dus cscoíus ou una
Socicdadc Didaiica (Coíícgíun Díductícun}|6|, a
fundar cn qualqucr ¡aric, ou, sc isso nao for
¡ossívcl, ao ncnos cnirc os crudiios inicrcssados
cn ¡ronovcr, dcssa nancira, a gloria dc Dcus,
ncsno scn una ¡rcscnça cor¡oral. Os iralalIos
dcsia socicdadc dcvcn icndcr ¡ara dcscolrir,
516
cada vcz nais, os fundancnios das cicncias, ¡ara
dc¡urar c difundir ¡clo gcncro Iunano, con
nclIor succsso, a luz da salcdoria c ¡ara fazcr
scn¡rc ¡ros¡crar os inicrcsscs Iunanos con
novas c uiilíssinas invcnçõcs. Efciivancnic, sc
nao qucrcnos csiar scn¡rc agarrados ao ncsno
caninIo, ou aic andar ¡ara iras, icnos dc
¡cnsar cn fazcr ¡rogrcdir as loas cn¡rcsas.
Mas, cono ¡ara isio nao lasia, ncn un Ioncn
so, ncn a¡cnas a vida dc un Ioncn, c
ncccssario quc nuiios Ioncns juniancnic c
succssivancnic coniinucn a olra concçada.
Esic colcgio univcrsal scria ¡ara as ouiras
cscolas o quc o csiónago c ¡ara os ncnlros do
cor¡o, ou scja, a oficina viial quc a iodos
forncccria suco, vida c força.
16. Mas volicnos àquclas coisas quc nos falia
ainda dizcr accrca das nossas cscolas.
517

Capítulo XXXII
DA ORGANIZAÇÃO
UNIVERSAL E PERFEITA
DAS ESCOLAS

Hccu¡ítuíuçuo do quc ¡oí díto.
1. Discorrcnos largancnic accrca da ncccssidadc
c do nodo dc rcfornar as cscolas. Nao scra fora
dc ¡ro¡osiio quc façanos o rcsuno, qucr dos
nossos voios, qucr dos nossos consclIos. É o quc
vanos fazcr.
Hcsuno dos uotos u sutís¡uzc¡ ¡u¡u quc u u¡tc
dídutícu utín¡u u ¡¡ccísuo c u cícguncíu du u¡tc
tí¡og¡u¡ícu.
2. Dcscjanos quc o nciodo dc cnsinar aiinja ial
¡crfciçao quc, cnirc a forna dc insiruir
Ialiiualncnic usada aic Iojc c a nossa nova
forna, a¡arcça clarancnic quc vai a difcrcnça
quc vcnos cnirc a aric dc nulii¡licar os livros,
co¡iando-os à ¡cna, cono cra uso aniigancnic, c
a aric da in¡rcnsa, quc dc¡ois foi dcscolcria c
agora c usada|1|. Efciivancnic, assin cono a
aric ii¡ografica, cnlora nais difícil, nais cusiosa
c nais iralalIosa, iodavia, c nais aconodada
¡ara cscrcvcr livros con naior ra¡idcz, ¡rccisao c
518
clcgancia, assin ianlcn, csic novo nciodo,
cnlora a ¡rincí¡io ncia ncdo con as suas
dificuldadcs, iodavia, sc for acciic nas cscolas,
scrvira ¡ara insiruir un nuncro nuiio naior dc
alunos, con un a¡rovciiancnio nuiio nais ccrio
c con naior ¡razcr, quc con a vulgar auscncia
dc nciodo ( }.
Vuntugcns du ín¡¡cnsu soI¡c o nunusc¡íto.
3. É facil ¡cnsar quao ¡ouco uiil ¡ódc ¡arcccr o
csforço do ¡rinciro invcnior da in¡rcnsa, dado o
uso iao livrc c iao ra¡ido da ¡cna. Mas os faios
nosiran quanias vaniagcns irou×c csia
invcnçao. En ¡rinciro lugar, dois ra¡azcs ¡odcn
in¡rinir nais c×cn¡larcs dc dcicrninado livro,
do quc, no ncsno icn¡o, o fazian ialvcz
duzcnios co¡isias. En scgundo lugar, csscs
nanuscriios scrao difcrcnics quanio ao nuncro,
forna c dis¡osiçao das folIas, das ¡aginas c das
linIas; ao conirario, os livros in¡rcssos sao dc ial
nancira corrcs¡ondcnics uns aos ouiros quc
ncn un ovo c iao scnclIanic a ouiro ovo; c isio
vcrifica-sc rclaiivancnic a iodos os c×cn¡larcs, o
quc c una ¡ariicularidadc cIcia dc clcgancia c dc
airaiivos. En icrcciro lugar, nao c ccrio quc as
co¡ias fciias à ¡cna scjan corrcias, sc sc nao
rcvccn, sc nao sc confronian c sc nao sc
corrigcn cuidadosancnic iodas c cada una
dclas, o quc sc nao ¡odc fazcr scn un nulií¡licc
iralalIo, quc ¡rovoca o icdio. Ao conirario,
519
corrigidas as ¡rovas ii¡ograficas dc un so
c×cn¡lar, iodos os ouiros, scjan clcs quanios
nilIarcs forcn, ficarao corrigidos; o quc ¡arccc
algo dc incrívcl ¡ara qucn nao conIccc a aric
ii¡ografica, nas c, dc faio, vcrdadc. En quario
lugar, ¡ara cscrcvcr (quando sc cscrcvc con a
¡cna}, ncn iodo o ¡a¡cl c lon, nas soncnic o
quc c nais foric, quc nao dci×c ircs¡assar a iinia,
ao ¡asso quc ¡odc in¡rinir-sc cn qualqucr
cs¡ccic dc ¡a¡cl, ncsno solrc ¡a¡iro nuiio fino
c irans¡arcnic, solrc linIo, cic. Finalncnic,
¡odcn in¡rinir clcganicncnic livros, ncsnos
aquclcs quc nao salcn cscrcvcr clcganicncnic,
¡orquc c×ccuian o iralalIo, nao con as ¡ro¡rias
naos, nas ¡or ncio dc caracicrcs
¡ro¡osiiadancnic ¡rc¡arados ¡ara isso.
Vuntugcn do nctodo ¡c¡¡cíto (o quc ¡¡cconízunos)
¡cíutíuuncntc uo nctodo usudo utc Io¡c.
4. Parccc quc nada aconicccra dc difcrcnic sc, a
iudo aquilo quc diz rcs¡ciio à nossa nova forna
univcrsal dc insiruir, dcrnos un rcio
ordcnancnio (cfciivancnic, nao afirnanos quc a
nossa ja scja assin; a¡cnas louvanos o nciodo
univcrsal, }, dc ial nancira quc. 1. con un
ncnor nuncro dc ¡rofcssorcs, sc ¡ossa cnsinar
un nuncro nuiio naior dc alunos, quc con o
nciodo aic aqui usado; 2. c os alunos sc iorncn
vcrdadcirancnic insiruídos; 3. c rccclan una
insiruçao ¡olida c cIcia dc gravidadc; 4. c sc
520
adniian a csia culiura ncsno aquclcs quc nao
sao doiados dc grandcs inicligcncias c aic os dc
inicligcncia lcnia; 5. finalncnic, scrao Ialcis
¡ara cnsinar, ncsno aquclcs a qucn a naiurcza
nao doiou dc nuiia Ialilidadc ¡ara cnsinar, ¡ois
a nissao dc cada un nao c ianio iirar da ¡ro¡ria
ncnic o quc dcvc cnsinar, cono solrciudo
conunicar c infundir na juvcniudc una crudiçao
ja ¡rc¡arada c con insiruncnios ianlcn ja
¡rc¡arados, colocados nas suas naos. Con
cfciio, assin cono qualqucr organisia c×ccuia
qualqucr sinfonia, olIando ¡ara a ¡ariiiura, a
qual ialvcz clc nao fossc ca¡az dc con¡or, ncn dc
c×ccuiar dc cor so con a voz ou con o orgao,
assin ianlcn ¡orquc c quc nao Ia-dc o
¡rofcssor cnsinar na cscola iodas as coisas, sc
iudo aquilo quc dcvcra cnsinar c, lcn assin, os
nodos cono o Ia-dc cnsinar, o icn cscriio cono
quc cn ¡ariiiuras?
Inucstíguçuo nuís ¡u¡tícuíu¡ dcstc ussunto.
5. Mas rcioncnos a con¡araçao quc fonos
luscar à ii¡ografia c uiilizcno-la ¡ara cסlicar
nclIor ainda cn quc consisic o nccanisno
rcgular do nosso nciodo c ¡ara nosirar
clarancnic quc c ¡ossívcl in¡rinir as cicncias no
cs¡íriio da ncsna nancira quc, c×icrnancnic, c
¡ossívcl in¡rini-las no ¡a¡cl, con iinia. E quc
razao Iavcra ¡ara quc sc nao ¡ossa forjar un
nonc suscc¡iívcl dc convir à nossa nova
521
Didaiica, cono o icrno díducog¡u¡íu ( },
nodclado solrc a ¡alavra ii¡ografia? Mas
cסonIanos o assunio ¡aric ¡or ¡aric.
Anuíísc du u¡tc tí¡og¡u¡ícu quunto uos nutc¡íuís c
uos t¡uIuíIos.
6. A aric ii¡ografica icn os scus naicriais c os
scus iralalIos. Os naicriais ¡rinci¡ais sao. o
¡a¡cl, os ii¡os, as iinias c o ¡rclo; os iralalIos
sao. a ¡rc¡araçao do ¡a¡cl, a con¡osiçao, a
¡aginaçao, colocar iinia nos ii¡os, a iiragcn das
folIas, a sccagcn, a corrcçao das ¡rovas, cic., c
cada una dcsias coisas faz-sc dc una nancira
cs¡ccial, c sc sc faz da nancira ¡rcscriia, iudo
corrc nornalncnic.
E íguuíncntc du u¡tc dídutícu.
7. Na Díducog¡u¡íu (agrada-nc usar csia ¡alavra},
as coisas ¡assan-sc ¡rccisancnic da ncsna
nancira. O ¡a¡cl sao os alunos, cn cujos
cs¡íriios dcvcn scr in¡rcssos os caracicrcs das
cicncias. Os ii¡os sao os livros didaiicos c iodos
os ouiros insiruncnios ¡ro¡osiiadancnic
¡rc¡arados ¡ara quc, con a sua ajuda, as coisas
a a¡rcndcr sc in¡rinan nas ncnics con ¡ouca
fadiga. A iinia c a viva voz do ¡rofcssor quc
iransfcrc o significado das coisas, dos livros ¡ara
as ncnics dos alunos. O ¡rclo c a disci¡lina
cscolar quc a iodos dis¡õc c in¡clc ¡ara sc
cnlclcrcn dos cnsinancnios.
522
Çuc ¡u¡cí sc ¡cquc¡.
8. O ¡a¡cl c lon, scja qual for a sua naiurcza; no
cnianio, quanio nais ¡uro for, ianio nais
niiidancnic rccclc c rc¡rcscnia as coisas
in¡rcssas. Assin ianlcn o nosso nciodo adniic
iodas as inicligcncias, nas faz ¡rogrcdir nclIor
as quc sao nais lrilIanics.
Hcíuçuo cnt¡c os tí¡os c os ííu¡os dídutícos.
9. A analogia cnirc os ii¡os ncialicos c os nossos
livros didaiicos (iais cono nos qucrcnos} c nuiio
grandc. Efciivancnic, cn ¡rinciro lugar, assin
cono c ncccssario fundir, ¡olir c ada¡iar os ii¡os,
anics dc sc concçar a in¡rcssao dos livros,
assin ianlcn c ncccssario ¡rc¡arar os
insiruncnios do novo nciodo, anics dc concçar
a ¡ór cn ¡raiica cssc novo nciodo.
2.
10. E×igc-sc una ial alundancia dc ii¡os quc
scja suficicnic ¡ara os iralalIos quc sc qucr
c×ccuiar. Igualncnic, c ncccssaria grandc
alundancia dc livros c dc insiruncnios didaiicos,
¡orquc c nolcsio, alorrccido c ¡rcjudicial
concçar un iralalIo c nao o ¡odcr coniinuar ¡or
falia dos ncios ncccssarios.
3.
523
11. O ii¡ografo ¡crfciio icn ii¡os dc iodas as
cs¡ccics, ¡ara quc nunca sc cnconirc dcs¡rovido
dc qualqucr dos ii¡os dc quc acaso vcnIa a
¡rccisar. Do ncsno nodo, c ncccssario quc os
nossos livros conicnIan iudo aquilo quc
¡cricncc à ¡lcna culiura dos cs¡íriios, ¡ara quc a
ningucn csicja vcdado a¡rcndcr aquilo quc ¡odc
a¡rcndcr.
4.
12. Os ii¡os, ¡ara quc ¡ossan csiar scn¡rc à
nao ¡ara qualqucr uso, nao sc dcvcn dci×ar
cs¡alIados aqui c alcn, nas dcvcn scr colocados
ordcnadancnic cn cai×as c cn cai×oiins. Do
ncsno nodo, os nossos livros, iudo o quc nos
ofcrcccn ¡ara a¡rcndcrnos, nao o dcvcn ofcrcccr
dc nodo confuso, nas rc¡ariido do nodo nais
disiinio ¡ossívcl, cn iarcfas dc un ano, dc un
ncs, dc un dia c dc una Iora.
5.
13. Fciiran-sc das cai×as a¡cnas os ii¡os dc quc
icnos ncccssidadc ¡ara c×ccuiar dcicrninada
olra, dci×ando-sc os ouiros scn sc lIcs iocar.
Tanlcn sc dcvcn colocar nas naos das crianças
soncnic os livros didaiicos dc quc icn
ncccssidadc na sua classc, ¡ara quc os ouiros
nao scjan ocasiao dc disiraçao c dc confusao.
6.
524
14. Finalncnic, o ii¡ografo scrvc-sc dc un
con¡oncdor ¡ara dis¡or lincarncnic os
caracicrcs cn ¡alavras, as ¡alavras cn linIas, as
linIas cn colunas, ¡ara quc nada fiquc fora dc
¡ro¡orçao. Do ncsno nodo, aos cducadorcs da
juvcniudc, c ncccssario dar nornas, cn
confornidadc con as quais c×ccuicn as suas
olras, isio c, dcvcn cscrcvcr-sc ¡ara uso dclcs
Líu¡os-¡otcí¡os quc os aconsclIcn quanio ao quc
Iao-dc fazcr, cn quc lugar c dc quc nodo, ¡ara
quc sc nao caia cn crro.
Doís gcnc¡os dc ííu¡os dídutícos.
15. Os livros didaiicos scrao, ¡orianio, dc dois
gcncros. vcrdadciros livros dc ic×io ¡ara os
alunos, c livros-roiciros (ín¡o¡nuto¡íí} ¡ara os
¡rofcssorcs, ¡ara quc a¡rcndan a scrvir-sc lcn
daquclcs.
Çuc c u tíntu dídutícu.
16. Disscnos quc a iinia didaiica c a voz do
¡rofcssor. Efciivancnic, assin cono os
caracicrcs, quando csiao cn×uios, ¡crnancccn
ianlcn (¡cla açao do ¡rclo} in¡rcssos no ¡a¡cl,
nas nao dci×an, iodavia, scnao vcsiígios ccgos,
quc, ¡ouco dc¡ois, dcsa¡arcccn, nas, cnlclidos
dc iinia, nclc in¡rincn inagcns visililíssinas c
quasc indclcvcis, assin ianlcn as coisas quc os
nudos ¡rofcssorcs das crianças, os livros dc
ic×io, colocan dianic dclas, sao rcalncnic
525
nudas, olscuras c in¡crfciias, nas, quando aos
livros sc junia a voz do ¡rofcssor (quc cסlica
iudo racionalncnic, scgundo a ca¡acidadc dos
alunos, c iudo cnsina a ¡ór cn ¡raiica}, iornan-
sc cIcios dc vida, in¡rincn-sc ¡rofundancnic
nos scus cs¡íriios, c assin, finalncnic, os alunos
cnicndcn vcrdadcirancnic aquilo quc a¡rcndcn.
E cono a iinia da in¡rcnsa c difcrcnic da quc sc
usa con a ¡cna, ou scja, nao c fciia con agua,
nas con olco (c aquclcs quc dcscjan rccclcr o
grandc clogio dc scrcn vcrdadcirancnic ariisias
ii¡ograficos, usan olco ¡uríssino c ¡o dc carvao
dc noz}, assin ianlcn a voz do ¡rofcssor,
ncdianic un nciodo didaiico suavc c sin¡lcs,
dcvc insinuar-sc, cono olco finíssino, no cs¡íriio
dos alunos, c juniancnic consigo, dcvc insinuar
as coisas.
A díscí¡íínu c o ¡¡cío dídutíco.
17. Finalncnic, aquilo quc ¡ara os ii¡ografos faz
o ¡rclo, nas cscolas so a disci¡lina o conscguc
rcalizar, a qual nao da a ningucn a ¡ossililidadc
dc nao rccclcr a culiura ninisirada. Porianio,
assin cono na in¡rcnsa qualqucr ¡a¡cl, quc
dcvc iransfornar-sc cn livro, nao ¡odc fugir ao
¡rclo (cnlora o ¡a¡cl nais foric scja a¡criado
nais foricncnic, c o nais dclicado nais
dclicadancnic}, assin ianlcn qucn vai à cscola
¡ara sc insiruir dcvc sujciiar-sc à disci¡lina
conun.
526
Os graus da disci¡lina sao os scguinics. ¡rinciro,
una utcnçuo contìnuu. Efciivancnic, cono a
diligcncia c a inoccncia das crianças nunca nos
ofcrcccn una confiança scgura (sao filIos dc
Adao}, c ncccssario acon¡anIa-las con os olIos,
¡ara qualqucr ¡aric quc sc volicn. En scgundo
lugar, a rc¡rccnsao, con a qual sc cIanan ao
caninIo da razao c da olcdicncia aquclcs quc
c×orliian. Finalncnic, o casiigo, sc rccusan
olcdcccr aos sinais dc rc¡rccnsao c às
advcricncias. Mas iodas csias ¡cnas disci¡linarcs
dcvcn scr a¡licadas con ¡rudcncia, c scn ouiro
fin quc nao scja iornar iodos os alunos ¡unidos
nais dcscjosos dc iudo fazcrcn con a naior
scricdadc.
Con¡¡onto ¡¡o¡o¡cíonudo dos t¡uIuíIos.
18. Dissc ianlcn quc sc rcqucrian iralalIos
dcicrninados, fciios dc nodo dcicrninado.
Fcsunirci ianlcn csic assunio cn lrcvcs
¡alavras.
19. Quanios dcvcrao scr os c×cn¡larcs dc un
dado livro, ouiras ianias dcvcrao scr as folIas a
cncIcr con o ncsno ic×io c con os ncsnos
caracicrcs; c dcvcra nanicr-sc o ncsno nuncro
dc folIas, dcsdc o ¡rincí¡io do livro aic ao fin,
scn o auncniar ncn o dininuir, ¡ois, dc ouiro
nodo, alguns c×cn¡larcs rcsulian dcfciiuosos.
Do ncsno nodo, o nosso nciodo didaiico c×igc
527
ncccssariancnic quc iodos os alunos dc una
cscola scjan confiados ao ncsno ¡rofcssor, ¡ara
quc os cduquc c insirua con os ncsnos
¡rccciios c os fornc gradualncnic, dcsdc o
¡rincí¡io aic ao fin, nao adniiindo ncnIun na
cscola dc¡ois do ¡rincí¡io das liçõcs, ncn
dci×ando quc ncnIun sc va cnlora anics do fin.
Assin sc conscguira quc un so ¡rofcssor scja
suficicnic ¡ara una ¡o¡ulaçao cscolar ncsno
nuiio nuncrosa, c quc iodos a¡rcndan iudo,
scn lacunas ncn inicrru¡çõcs. Scra ncccssario,
¡orianio, quc iodas as cscolas ¡ullicas sc alran
c sc cnccrrcn una vcz ¡or ano (icnos razõcs
¡ara aconsclIar quc isso sc faça no Ouiono, dc
¡rcfcrcncia a fazcr-sc na Prinavcra ou nouira
aliura}, ¡ara quc, cn cada ano, o ¡rograna dc
cada classc ¡ossa scr dcscnvolvido c iodos os
alunos (a nao scr quc a dcficicncia ncnial dc
alguns o in¡cça}, conduzidos cn conjunio ¡ara a
ncia, scjan ¡ronovidos cn conjunio à classc
su¡crior, ¡rccisancnic cono aconiccc nas
ii¡ografias, cn quc, iirada a ¡rincira folIa ¡ara
iodos os c×cn¡larcs, sc ¡assa à scgunda, à
icrccira, c assin succssivancnic.
20. Os livros nais clcganicncnic in¡rcssos icn
os ca¡íiulos, as colunas c os ¡aragrafos
clarancnic disiinios, con ccrios cs¡aços vazios
(rcqucridos, qucr ¡cla ncccssidadc, qucr ¡or una
nclIor visao}, ianio narginais cono
inicrlincarcs. Tanlcn o nciodo didaiico dcvc
528
ncccssariancnic ¡rcscrcvcr ¡críodos dc iralalIo
c ¡críodos dc rc¡ouso, dc dcicrninada duraçao,
¡ara rccrcaçõcs Ioncsias. Efciivancnic, cssc
nciodo ¡rcscrcvc ¡rogranas ¡ara scrcn
dcscnvolvidos cn un ano, cn un ncs, cn un
dia c cn una Iora... E sc sc olscrvarcn lcn
csias ¡rcscriçõcs, c in¡ossívcl quc cada classc
nao ¡crcorra iodo o scu ¡rograna, c assin, cn
cada ano, nao aiinja a sua ncia. Tcnos loas
razõcs ¡ara aconsclIar quc sc nao dis¡cndan a
iralalIar nas cscolas ¡ullicas nais dc quairo
Ioras ¡or dia. duas anics c duas dc¡ois do ncio
dia. E sc ao Salado sc fizcr fcriado dc iardc c o
Doningo for iodo consagrado ao culio divino,
icrcnos 22 Ioras scnanais dc aula c (conccdidos
ainda os fcriados ncccssarios ¡ara as fcsias nais
solcncs} icrcnos ccrca dc nil Ioras ¡or ano. E,
cn nil Ioras, quanias coisas sc ¡odcn cnsinar c
a¡rcndcr, sc sc ¡roccdc scn¡rc nciodicancnic.
21. Tcrninada a ¡aginaçao da olra quc dcvc scr
in¡rcssa, vai luscar-sc o ¡a¡cl c csicndc-sc no
scu lugar ¡ro¡rio, ¡ara quc csicja à nao c nao
Iaja nada quc airasc os iralalIos. Igualncnic, o
¡rofcssor coloca os alunos dianic dos scus olIos,
¡ara quc os vcja c ¡ara quc iodos o vcjan
scn¡rc, cono, no ca¡íiulo XIX, qucsiao 1,
cnsinanos quc dcvia fazcr-sc.
4.
529
22. Mas o ¡a¡cl, ¡ara quc sc iornc nais a¡io
¡ara rccclcr a in¡rcssao, cosiuna Iuncdcccr-sc
c anolcccr-sc. Do ncsno nodo, in¡oria na
cscola inciiar consianicncnic os alunos a quc
csicjan aicnios, uiilizando os ¡roccssos dc quc
falanos no ncsno ca¡íiulo.
5.
23. Fciio isio, cnlclcn-sc dc iinia os ii¡os
ncialicos, ¡ara quc a sua inagcn fiquc
clarancnic in¡rcssa no ¡a¡cl. Tanlcn o
¡rofcssor ilusirara scn¡rc con a ¡ro¡ria voz a
liçao quc da cn dcicrninada Iora, lcndo-a,
rclcndo-a c cסlicando-a, dc nodo a ¡odcr
cnicndcr-sc iudo clarancnic.
6.
24. Incdiaiancnic a scguir, as folIas sao
colocadas, una dc cada vcz, dclai×o do ¡rclo,
¡ara quc os caracicrcs ncialicos in¡rinan a sua
¡ro¡ria figura cn iodas c cn cada una das
folIas. Do ncsno nodo, o ¡rofcssor, dc¡ois dc
icr nosirado suficicnicncnic o scniido dc un
irccIo, c nosirado con alguns c×cn¡los a
facilidadc dc o iniiar, nandc fazcr o ncsno a
cada un dos alunos, ¡ara quc, à ncdida quc clc
avança, clcs o sigan, c ¡asscn do csiado dc
disccnics ao dc cicnics.
7.
530
25. Dc¡ois dc in¡rcssas as folIas, cסõcn-sc ao
ar c ao vcnio, ¡ara quc scqucn. Na cscola, faça-
sc a vcniilaçao das inicligcncias ¡or ncio dc
rc¡ciiçõcs, dc c×ancs c dc «salaiinas», aic quc sc
icnIa a ccricza dc quc iodo o ¡rograna sc fi×ou
na ncnic dos alunos.
8.
26. Por uliino, icrninada a iiragcn do livro,
rccolIcn-sc iodas as folIas in¡rcssas c ¡õcn-sc
cn ordcn, ¡ara quc ¡ossa vcr-sc clarancnic sc
os c×cn¡larcs csiao con¡lcios c ínicgros, scn
dcfciios c cn csiado dc scrcn cסcdidos c ¡osios
à vcnda, dc scrcn lidos c uiilizados. Isio ncsno
farao os c×ancs ¡ullicos, no fin do ano, quando
os ins¡ciorcs das cscolas vcrificarcn o
a¡rovciiancnio dos alunos, ¡ara consiaiarcn a
sua solidcz c a sua cocsao, quc sao a ¡rova dc
quc iudo o quc dcvia scr a¡rcndido foi, dc faio,
con¡lciancnic a¡rcndido.
Concíusuo.
27. Ncsic noncnio, fiqucn diias csias coisas dc
nancira gcral; rcscrvcn-sc as coisas nais
¡ariicularcs ¡ara ocasiõcs ¡ariicularcs|2|. Por
agora, lasia icr fciio vcr quc, assin cono,
dcscolcria a aric ii¡ografica, sc nulii¡licaran os
livros, vcículos da insiruçao, assin ianlcn,
dcscolcria a díducog¡u¡íu ( } ou nctodo
uníuc¡suí ( } c ¡ossívcl nulii¡licar os jovcns
531
insiruídos, con grandc ¡rovciio ¡ara a
¡ros¡cridadc das coisas Iunanas, scgundo a
na×ina «a nuliidao dos salios c a salvaçao do
nundo» (SuIcdo¡íu, 6, 26}. E ¡orquc nos
csforçanos ¡or nulii¡licar a insiruçao crisia,
¡ara infundir cn iodas as alnas consagradas a
Crisio a ¡icdadc, o salcr c a Ioncsiidadc dos
cosiuncs, c lcgíiino cs¡crar aquilo quc os
oraculos divinos nos ordcnan quc cs¡crcnos.
«quc un dia a icrra sc cncIa do conIccincnio do
ScnIor, cono o nar csia cIcio dc agua» (Isuìus,
11,9}.
532

Capítulo XXXIII
DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS
PARA COMEÇAR
A PÔR EM PRÁTICA
ESTE MÉTODO UNIVERSAL

Luncntu-sc quc us Ious ídcíus ncn scn¡¡c suo
¡ostus cn ¡¡utícu.
1. Crcio quc ja nao Iavcra ningucn quc,
¡ondcrada sol iodos os scus as¡ccios a
in¡oriancia da nossa causa, nao adviria cono
scria fcliz a condiçao dos rcinos c das rc¡ullicas
crisias, sc fosscn criadas cscolas ial cono nos as
¡rcconizanos. Crcio dcvcr agora acrcsccniar o
quc nc ¡arccc indis¡cnsavcl ¡ara quc os ncus
¡rojcios nao coniinucn a¡cnas ¡rojcios, nas
¡ossan, dc qualqucr nancira, iornar-sc una
rcalidadc. Nao scn razao, con cfciio, Joao Cccilio
Frcy sc adnira c sc indigna dc quc, no dccurso dc
ianios scculos, ningucn icnIa iido a ousadia dc
rcncdiar os cosiuncs iao larlaros dos colcgios c
das acadcnias|1|.
TunIcn ¡o¡ cuusu dus cscoíus.
2. Dcsdc Ia nais dc ccn anos, cs¡alIou-sc una
grandc quaniidadc dc lancniaçõcs solrc a
533
dcsordcn das cscolas c do nciodo, c, solrciudo
nos uliinos irinia anos, ¡cnsou-sc ansiosancnic
nos rcncdios. Mas con quc ¡rovciio? As cscolas
¡crnancccran iais quais cran. Sc algucn,
¡ariicularncnic, ou cn qualqucr cscola
¡ariicular, concçou a fazcr qualqucr coisa, ¡ouco
adianiou. ou foi acolIido ¡clas gargalIadas dos
ignoranics, ou colcrio ¡cla invcja dos nalcvolos,
ou cniao, ¡rivado dc au×ílios, sucunliu ao ¡cso
dos iralalIos; c, assin, aic agora, iodas as
icniaiivas icn rcsuliado vas.
In¡o¡tu ¡o¡ cn nouíncnto unu nuquínu
¡¡c¡u¡udu ¡u¡u sc ¡o¡ cn nouíncnto.
3. É ncccssario, ¡orianio, ¡rocurar c cnconirar
un ¡roccsso ¡clo qual una naquina iao lcn
consiruída, ou ao ncnos, a consiruir solrc lons
fundancnios, scja ¡osia cn novincnio, con a
ajuda dc Dcus, nas ¡rinciro in¡oria afasiar con
¡rudcncia c forialcza os olsiaculos quc aic agora
lIc icn in¡cdido o novincnio, c quc ¡odcn
coniinuar a in¡cdir-lIo, sc nao sao afasiados.
Cínco ín¡cdíncntos u ¡c¡o¡nu dus cscoíus
uníuc¡suís.
1.
4. Podcn noiar-sc os scguinics in¡cdincnios.
Por c×cn¡lo. ¡rinciro, falia dc ¡cssoas
conIcccdoras do nciodo, as quais, alcrias
cscolas ¡or ioda a ¡aric, ¡ossan dirigi-las dc
534
nodo quc ¡roduzan o solido fruio ¡or nos
dcscjado. (Efciivancnic, accrca da nossa Po¡tu, ja
acciic nas cscolas, un Ioncn cnincnic
cscrcvcu-nos dizcndo quc, cn nuiios lugarcs,
a¡cnas falia una coisa. ¡cssoas idóncas quc a
sailan inculcar na juvcniudc}.
2.
5. No cnianio, ncsno quc Iouvcssc ¡rofcssorcs
assin con¡cicnics, ou quc a¡rcndcsscn
facilncnic a dcscn¡cnIar as suas funçõcs cn
confornidadc con os nossos ¡lanos, cono scria
¡ossívcl rcnuncra-los convcnicnicncnic, sc
iivcsscn dc fi×ar-sc cn iodas as cidadcs, cn
iodas as aldcias c cn iodos os lugarcs ondc
nasccn c sc cducan Ioncns ¡ara Crisio?
3.
6. E, alcn disso, con quc sulsídios ¡odcrian
ajudar-sc os filIos dos nais ¡olrcs a frcqucniar a
cscola?
4.
7. Solrciudo, ¡arccc scrcn dc icncr os ¡scudo-
salios, cujo coraçao sc con¡raz na roiina dos
vclIos Ialiios c quc olIan iudo quanio c novo
con un franzir dc solrancclIas c una ¡criinaz
rcluiancia, c ouiras coisas ¡arccidas, dc ncnor
535
in¡oriancia. Mas facilncnic ¡odc cnconirar-sc
rcncdio ¡ara iais dificuldadcs.
5.
N.D.
Aquí cstu o ¡¡íncí¡uí du qucstuo.
8. Una so coisa c dc c×iraordinaria in¡oriancia,
¡ois, sc cla falia, ¡odc iornar-sc inuiil ioda una
naquina iao lcn consiruída, ou, sc csia
¡rcscnic, ¡odc ¡ó-la ioda cn novincnio. una
¡rovisao suficicnic dc livros ¡an-nciodicos|3|.
Efciivancnic, da ncsna nancira quc, forncccndo
o naicrial ii¡ografico, c facil cnconirar qucn o
¡ossa, saila c qucira uiilizar, c qucn ofcrcça
qualqucr sona ¡ara in¡rinir lons c uicis livros,
c qucn con¡rc csscs livros, dc ¡rcço accssívcl c
dc grandc uiilidadc, assin ianlcn scria facil,
una vcz ¡rc¡arados os ncios ncccssarios ¡ara a
¡an-didaiica, cnconirar os fauiorcs, os
¡ronoiorcs c os dirciorcs dc quc cla ¡rccisa.
E ncccssu¡ío un coícgío dc douto¡cs quc coo¡c¡c
nu ¡cuíízuçuo du cn¡¡csu.
9. Porianio, o ¡onio ccniral dc ioda csia qucsiao
csia na ¡rc¡araçao dc livros ¡an-nciodicos. E
csia ¡rc¡araçao dc¡cndc da consiiiuiçao dc una
socicdadc dc Ioncns douios, Ialcis, ardorosos
¡ara o iralalIo, associados ¡ara lcvar a lon
icrno una cn¡rcsa iao sania, c ncla
colalorando, cada un scgundo os scus ncios.
536
Mas csia cn¡rcsa nao ¡odc scr olra dc un so
Ioncn, ¡rinci¡alncnic sc csia ocu¡ado cn
ouiras coisas, c nao icn conIccincnio dc iudo
aquilo quc c ncccssario colocar na ¡un-nctòdícu
( }; c ialvcz aic, ¡ara rcalizar ial iralalIo,
nao scja suficicnic a vida dc un Ioncn, sc iudo
sc fizcr dcniro da na×ina ¡crfciçao. É ncccssaria,
¡orianio, una socicdadc dc ¡cssoas cscolIidas.
Estus ¡cssous tcn ncccssídudc do ¡uuo¡, du u¡udu
c du uuto¡ídudc ¡úIíícu.
10. Para consiiiuir, ¡orcn, csia socicdadc, c
ncccssaria a auioridadc c a lilcralidadc dc
qualqucr rci, ¡rínci¡c ou rc¡ullica, dc un local
iranquilo c soliiario, dc una lillioicca c dc iodas
as ouiras coisas indis¡cnsavcis. In¡oria,
¡orianio, quc, iraiando-sc dc un ¡rojcio iao
sanio, quc visa dcvoiancnic a auncniar a gloria
dc Dcus c a salvaçao dos Ioncns, ningucn
¡rocurc coniraria-lo, nas anics iodos sc csforccn
¡or scrcn ninisiros da lcnignidadc divina,
dis¡osia a fazcr-nos ¡ariici¡anics dc si ncsna
¡or ¡roccssos scn¡rc novos c con iania
lilcralidadc.
Sú¡íícu
1. uos ¡uís.
11. Por isso, vos, caríssinos ¡ais, a cuja fc Dcus
confiou ¡rcciosíssinos icsouros, as suas
¡cqucninas inagcns vivas, cnquanio ouvis quc sc
537
discuicn csics saluiarcs ¡rojcios, inflanai-vos dc
zclo c nunca ccsscis dc rogar ao Dcus dos dcuscs
¡clo fcliz succsso da nossa cn¡rcsa; insisii con
as vossas su¡licas, con os vossos voios, con os
vossos sufragios c as vossas soliciiaçõcs junio
dos nagnaics c das ¡cssoas insiruídas;
cnircianio, cducai os vossos filIos no icnor dc
Dcus, ¡rc¡arando assin dignancnic o caninIo
¡ara aqucla culiura nais univcrsal.
2. Aos ¡o¡nudo¡cs du ¡uucntudc.
12. Vos ianlcn, fornadorcs da juvcniudc, quc
con fc consagrais os vossos csforços a ¡laniar c a
rcgar as ¡cqucninas ¡lanias do ¡araíso, fazci
scrios voios ¡ara quc cssas ¡cqucninas ¡lanias,
conforio das vossas fadigas, sc iorncn lclas o
nais ccdo ¡ossívcl c sc ¡rc¡arcn ¡ara scrcn
uicis no na×ino grau. Efciivancnic, scndo vos
cIanados «a ¡laniar os ccus c a fundar a icrra»
(Isuìus, 51, 16}, ¡odcra aconicccr-vos coisa nais
agradavcl quc vcr o fruio alundaniíssino das
vossas fadigas? Quc csia vossa cclcsic vocaçao,
assin cono a confiança cn vos dc¡osiiada ¡clos
¡ais, cnircgando-vos os scus filIos, scja cono
quc un fogo na ncdula dos vossos ossos quc vos
nao dc a ¡az c, ¡or ncio dc vos, ianlcn aos
ouiros, aic quc o fogo dcsia luz, inflanc c iluninc
lrilIanicncnic ioda a nossa ¡airia.
3. As ¡cssous ííust¡udus.
538
13. E vos ianlcn, ¡cssoas insiruídas, a qucn
Dcus doiou dc salcdoria c dc juízo ¡cnciranic,
¡ara quc ¡ossais julgar dcsias coisas c, con o
vosso ¡rudcnic consclIo, nclIorar scn¡rc nais
os ¡rojcios lcn idcados, nao Icsiicis cn irazcr
ianlcn as vossas ccniclIas, c ncsno aic os
vossos arcIoics c os vossos folcs, ¡ara aiiçar
nclIor csic fogo sagrado. Quc cada un dc vos
¡cnsc ncsias ¡alavras dc Crisio. «Eu vin irazcr o
fogo à icrra, c quc qucro cu, scnao quc clc sc
accnda»? (Lucus, 12, 49}. Sc Elc qucr quc o scu
fogo arda, ai daquclc quc, ¡odcndo irazcr
qualqucr coisa ¡ara inflanar cssas cIanas, nao
iraz scnao ialvcz os funos da invcja, da
dcnigraçao c da o¡osiçao. Lcnlrai-vos da
rcnuncraçao quc ¡roncic aos scrvos lons c ficis
quc cn¡rcgan os ialcnios quc lIcs foran
confiados ¡ara ncgociar, dc nodo a ganIarcn
ouiros, c cono ancaça os ¡rcguiçosos quc
cnicrran os scus ialcnios! (Mutcus, 25}. Tcnci,
¡orianio, quc so vos scjais insiruídos, c csforçai-
vos ¡or fazcr ¡rogrcdir ianlcn os ouiros na
insiruçao. Sirva-vos dc csiínulo o c×cn¡lo dc
Scncca, quc afirna. «Dcscjo iransfundir nos
ouiros iudo aquilo quc sci». E igualncnic. «Sc a
salcdoria nc fossc dada con a condiçao dc a
nanicr fccIada c dc a nao conunicar, rccusa-la-
ia» (Cu¡tu 27}|4|. Nao ncgucis, ¡orianio, a
ningucn, dc iodo o ¡ovo crisiao, o vosso salcr c a
vossa salcdoria, nas dizci anics con Moiscs.
539
«Qucn nc dcra quc iodo o ¡ovo dc Dcus
¡rofciizassc!» (Núnc¡os, 11,29}. Una vcz quc,
fornar lcn a juvcniudc, c fornar ianlcn c
rcfornar a Igrcja c o Esiado|5|, nos, quc nao
ignoranos isio, Iavcnos dc csiar ¡ara aí ociosos,
cnquanio os ouiros csiao vigilanics?
Ncstc ussunto, nuo sc cxcctuu níngucn.
14. Un so cs¡íriio nos aninc, su¡lico-vos, ¡ara
quc iudo aquilo quc, scja qucn for, ¡ossa irazcr
¡ara a rcalizaçao dc un oljciivo iao conun c iao
saluiar, aconsclIando, advcriindo, c×oriando,
corrigindo, csiinulando, nao dci×c dc o fazcr,
¡ara Ionra dc Dcus c ¡rovciio das gcraçõcs
fuiuras. E quc ningucn ¡cnsc quc isio nao c
olrigaçao sua. Efciivancnic, ncsno quc algun
¡udcssc julgar quc nao nasccu ¡ara a cscola ou
ainda quc nao foi dcsiinado ¡ara as funçõcs da
vocaçao cclcsiasiica, ¡olíiica ou ncdica, ¡cnsaria
nal sc julgassc quc csiava dis¡cnsado da
olrigaçao conun dc favorcccr a rcorganizaçao
das cscolas. Na vcrdadc, sc qucrcs scr ficl à iua
vocaçao, c àquclc quc ic cIanou, c àquclcs ¡ara
os quais fosic cnviado, cs olrigado, nao so a
scrvir ¡cssoalncnic a Dcus, à Igrcja c à Pairia,
nas ianlcn a ¡rocurar, cono Ioncn ¡rudcnic,
quc, dc¡ois dc ii, Iaja qucn faça o quc iu fizcsic.
A Socraics foi iriluiado louvor, ¡orquc, ¡odcndo
¡rcsiar uiilncnic o scu coniriluio à ¡airia,
c×crccndo qualqucr ouiro cargo, ¡rcfcriu dcdicar-
540
sc à cducaçao da juvcniudc, dizcndo «quc cra
nais uiil ao Esiado qucn iornava nuiios
cidadaos idóncos ¡ara o govcrno do Esiado, quc
qucn o govcrnava cfciivancnic»|6|.
Condcnuçuo dc un ¡¡cconccíto c sú¡íícu uos
doutos.
15. Pcço ianlcn c su¡lico, cn nonc dc Dcus,
quc ncnIun douio dcs¡rczc csias coisas, ¡clo
faio dc vircn dc un Ioncn ncnos insiruído quc
clc. Na vcrdadc, às vczcs, «ncsno un can¡oncs
diz coisas nuiio o¡oriunas, c ialvcz o quc iu nao
salcs o saila un lurrinIo», cono dissc
Crísi¡o|7|. E Crisio dissc ianlcn. «O cs¡íriio
so¡ra ondc qucr; c iu ouvcs a sua voz, nas nao
salcs dc ondc clc vcn, ncn ¡ara ondc vai»|8|.
Juro dianic dc Dcus quc nao fui novido a fazcr
csias coisas, ncn ¡cla confiança na ninIa
inicligcncia, ncn ¡cla scdc da fana, ncn ¡cla
cs¡crança dc daí iirar algun ¡rovciio ¡cssoal;
nas o anor dc Dcus c o dcscjo dc iornar
nclIorcs as coisas dos Ioncns, ¡ullicas c
¡ariicularcs, csiinula-nc dc ial nancira quc nao
¡osso dci×ar cnvolio no silcncio aquilo quc un
oculio insiinio nc sugcrc consianicncnic. Sc
algucn, ¡orianio, ¡odcndo fazcr andar ¡ara a
frcnic os nossos dcscjos, os nossos voios, as
nossas advcricncias c os nossos csforços, cn vcz
disso, lIcs faz rcsisicncia c os conlaic, saila quc
dcclarara gucrra, nao a nos, nas a Dcus, à sua
541
conscicncia c à naiurcza Iunana quc qucr quc
os lcns ¡ullicos scjan conuns, dc dirciio c dc
faio.
4. Aos tcòíogos.
16. Dirijo-nc ianlcn a vos, o icologos, ¡ois
facilncnic vcjo quc vos, con a vossa auioridadc,
¡odcis fazcr nuiio ¡ara ¡ronovcr ou ¡ara dcicr a
ninIa cn¡rcsa. Sc vos agradar nais dcic-la,
vcrificar-sc-a aquilo quc S. Dcrnardo cosiunava
dizcr. «Crisio nao icn ininigos nais nocivos quc
aquclcs quc icn à sua volia, ncn quc aquclcs
quc, dc cnirc csics, dcicn o ¡rinado»|9|. Mas nos
cs¡cranos coisas nclIorcs c nais condizcnics
con a vossa dignidadc. Dcvcis ¡cnsar quc o
ScnIor confiou a Pcdro quc a¡asccniassc, nao so
as suas ovclIas, nas ianlcn os scus cordciros,
c, cn ¡rinciro lugar, os cordciros (Jouo, 21, 15}.
E a razao disio c quc os ¡asiorcs a¡asccnian
nais facilncnic as ovclIas quc os cordciros,
¡orquc as ovclIas csiao ja Ialiiuadas às
¡asiagcns da vida, cn viriudc da ordcn quc
rcgula o rclanIo, c do cajado, quc rcgula a
disci¡lina. Sc algucn ¡rcfcrc alunos rudcs, scn
duvida irai a ¡ro¡ria ignorancia! Con cfciio, quc
ourivcs sc nao alcgra, sc da falrica lIc c
fornccido ouro ¡uríssino? Qual c o sa¡aiciro quc
nao ¡rcfcrc iralalIar con couros c ¡clcs lcn
curiidas? Scjanos, ¡orianio, ianlcn nos, filIos
da luz|10|, ¡rudcnics nas nossas cn¡rcsas, c
542
dcscjcnos quc as cscolas nos forncçan alunos o
nais lcn fornados ¡ossívcl.
Sú¡íícu cont¡u u ínuc¡u.
17. Quc a invcja, o scrvos do Dcus vivo, nao cnirc
scqucr no coraçao dc un dc vos! Sois conduiorcs
dos ouiros ¡ara a caridadc, a qual nao scnic
rivalidadc, nao c anliciosa, nao c cgoísia, nao
¡cnsa nal, cic.|11|. Nao siniais invcja, sc os
ouiros fazcn o quc ncn scqucr vos vcio à calcça;
ioncnos anics c×cn¡lo uns dos ouiros, ¡ara quc
(scgundo as ¡alavras dc S. Crcgorio} «iodos cIcios
dc fc ¡ossanos conscguir iocar qualqucr coisa
cn Ionra dc Dcus, ¡ara quc cnconircnos os
insiruncnios da vcrdadc»|12|.
5. Aos gouc¡nuntcs.
18. VcnIo a vos, quc cn nonc dc Dcus ¡rcsidis
às coisas Iunanas, o doninadorcs dos ¡ovos c
govcrnanics; a vos ¡rinci¡alncnic sc dirigcn as
nossas ¡alavras, ¡orquc vos sois os Nocs, a
qucn, ¡ara a conscrvaçao da scncnic sania, no
ncio dc iao Iorrcndo diluvio dc confusõcs
nundanas, a divina ¡rovidcncia cncarrcgou dc
consiruir a Arca (Gcncsís, 6}. Vos sois aquclcs
Prínci¡cs quc dcvcis, nais quc os ouiros,
concorrcr con as vossas ofcrias ¡ara a
consiruçao do saniuario, ¡ara quc os ariisias,
quc o ScnIor cncIcu do scu cs¡íriio, a fin dc quc
c×cogiicn coisas cngcnIosas, nao scjan
543
consirangidos a rciardar os iralalIos quc dcvcn
c×ccuiar (Êxodo, 36}. Vos sois os Davidcs c os
Salonõcs quc icn a olrigaçao dc cIanar os
arquiicios ¡ara consiruir o icn¡lo do ScnIor, c
dc lIcs forncccr, con alundancia, os naicriais
ncccssarios (Hcís, I, 6; Crónicas, I, 29}. Vos sois
os ccniuriõcs, quc Crisio anara, sc vos anardcs
as suas criancinIas c ¡ara clas consiruirdcs
sinagogas (Lucus, 7, 5}.
Sú¡íícu uos ncsnos.
19. Pcço-vos, ¡or Crisio, su¡lico-vos, ¡cla
salvaçao dos nossos filIos, cscuiai-nc! A coisa c
scria, nuiio scria, ¡ois diz rcs¡ciio à gloria dc
Dcus c à salvaçao dos ¡ovos. Esiou convcncido
da vossa dcvoçao, o ¡ais da Pairia, c, sc vicssc
algucn ¡roncicr-vos consclIos solrc o nodo dc
foriificar, con ¡cqucna dcs¡csa, iodas as nossas
cidadcs, solrc o nodo dc insiruir ioda a
juvcniudc na aric niliiar, dc iornar navcgavcis
iodos os nossos rios c dc os cncIcr dc
ncrcadorias c dc riquczas, ou solrc o nodo dc
conduzir o Esiado c os ¡ariicularcs a una naior
¡ros¡cridadc c scgurança, os vossos ouvidos, nao
soncnic ouvirian cssc consclIciro, nas aic lIcs
ficarian graios ¡or sc icr nosirado iao
dcvoiancnic solíciio do vosso lcn-csiar c do dos
vossos concidadaos. Ora, no nosso caso, iraia-sc
dc algo nuiio nais in¡orianic, ¡ois nosira-sc o
caninIo vcrdadciro, ccrio c scguro dc conscguir,
544
con alundancia, Ioncns iais quc, ¡ara ncgocios
dcsic gcncro ou ouiros scnclIanics, scrvirao a
Pairia scn fin, uns a¡os ouiros. Sc, ¡orianio,
Luicro, dc sania ncnoria, c×oriando as cidadcs
da AlcnanIa a crigir cscolas, cscrcvcu con razao.
«Quando, ¡ara cdificar cidadcs, forialczas,
nonuncnios c arscnais, sc gasia una so nocda
dc ouro, dcvcn gasiar-sc ccn ¡ara cducar lcn
un so jovcn, ¡ara quc csic, quando Ioncn fciio,
¡ossa guiar os ouiros ¡clos caninIos da
Ioncsiidadc. Efciivancnic, o Ioncn lon c salio
(acrcsccnia Luicro} c o nais ¡rccioso icsouro dc
iodo o Esiado, ¡ois nclc, nais quc nos
cs¡lcndidos ¡alacios, nais quc nos nonics dc
ouro c dc ¡raia, nais quc nas ¡orias dc lronzc c
nos fcrrolIos dc fcrro, csia..., cic.|13| (Esias
idcias concordan con as dc Salonao.
Ecícsíustcs, 9, 13}; sc, rc¡iio, acIanos quc sao
salias csias ¡alavras quando afirnan quc nada
sc dcvc ¡ou¡ar ¡ara cducar lcn un so jovcn,
quc Iavcra cniao dc dizcr-sc, quando sc
cscancara a ¡oria ¡ara una culiura iao univcrsal
c iao ccria dc alsoluiancnic iodos os cs¡íriios?
E quando Dcus ¡roncic infundir cn nos os scus
dons, nao goia a goia, nas cnvia-los cono quc
cn iorrcnic? Quando sc vc quc a sua saluiar
ajuda sc a¡ro×ina ianio, quc conosco Ialiia na
icrra a sua gloria?
Exo¡tuçuo.
545
20. «Alri, o ¡rincí¡cs, as vossas ¡orias c
dcscn¡cdi as ¡orias do nundo, ¡ara quc cnirc o
rci da gloria» (Suíno 24, 7}. Trazci ao ScnIor, o
filIos dos forics, irazci-lIc gloria c Ionra. Scja
cada un dc vos aquclc David quc «fcz csic
jurancnio ao ScnIor, csia ¡roncssa ao Dcus dc
Jacol. Nao cnirarci na icnda da ninIa casa, nao
sulirci ao csirado do ncu lciio, nao darci sono
aos ncus olIos, ncn rc¡ouso às ninIas
¡al¡clras, aic quc cnconirc un lugar ¡ara o
ScnIor, una norada ¡ara o scu Talcrnaculo»
(Suíno 131, 2-5}. Nao olIcis, ¡orianio, a
ncnIuna dcs¡csa; dai ao ScnIor c Elc vos
rciriluira a ccn ¡or un. Efciivancnic, cnlora
c×ija con iodo o dirciio qucn diz. «É ninIa a
¡raia c c ncu o ouro» (Agcu, 2, 9}, iodavia, c
cIcio dc lcnignidadc aquilo quc acrcsccnia
(c×oriando o ¡ovo a cdificar o scu icn¡lo}. «Fazci
a ¡rova ¡ara vcr sc cu nao alrirci ¡ara vos as
caiaraias do ccu, c nao lançarci solrc vos as
lcnçaos aic à alundancia» (Muíuquíus, 3, 10}.
O¡uçuo u Dcus.
21. Tu, ¡orianio, o ScnIor, nosso Dcus, da-nos
un coraçao alcgrc ¡ara scrvirnos a iua gloria,
cada un dcniro das suas ¡ossililidadcs. Con
cfciio, c iua a nagnificcncia, a força, a gloria c a
viioria. Tudo o quc c×isic no ccu c na icrra c icu;
icu c o rcino, o ScnIor, c iu csias acina dc iodos
os ¡rínci¡cs. Tuas sao as riquczas, iua c a gloria,
546
a força c a ¡oicncia; nas iuas naos csia
nagnificar c confirnar scja o quc for. Con cfciio,
quc sonos nos, quc iudo rccclcnos so das iuas
naos? Sonos ¡crcgrinos c forasiciros dianic dc
ii, assin cono iodos os nossos anic¡assados; os
nossos dias solrc a icrra sao cono una sonlra,
c dclcs nao Ia adiancnio. Ó ScnIor, nosso Dcus,
aquilo quc ¡rc¡aranos cn Ionra do icu sanio
nonc, iudo vcio das iuas naos. Da aos icus
Salonõcs un coraçao ¡crfciio ¡ara fazcrcn iudo
o quc conduz à iua gloria (C¡onícus, I, 29}.
Confirna, o Dcus, aquilo quc cn nos o¡crasic
(Suíno 67, 29}. Scjan diafanas as iuas olras
¡ara con os icus scrvos c as iuas lclczas ¡ara
con os filIos dclcs. Finalncnic, csicja conosco a
suavidadc dc Jcova, nosso Dcus, c quc scja Elc a
dirigir as olras das nossas naos (Suíno 90, 16}.
Es¡cranos cn ii, o ScnIor; nao scjanos
confundidos cicrnancnic. Ancn.
547

Notas do Tradutor
Saudação aos LeItores
|1| - CÍCEFO, Dc díuínutíonc, Lil. II, c. 2, § 4.
|2| - MclancIiIon a Cancrarius, cn 19 dc
Scicnlro dc 1544. Co¡¡us Hc¡o¡nuto¡un (PI.
MclancI. O¡cra Onnia, Hallc, 1834 c ss.}, V,
481.
|3| - S. CFECÓFIO NAZIANZENO, O¡utío scc.
u¡oíog., 16 (MICNE, Put¡oíogíu G¡uccu, vol. 35,
col. 425}.
|4| - FATKE (1571-1635} cra lcn conIccido dc
Concnio ¡clos rclaios dos scus colaloradorcs CI.
Hclwig c J. Jungius. Ku¡zc¡ Hc¡ícIt uon dc¡
Díductícu odc¡ LcI¡Iunst Voí¡gungí HutícIíí,
Clcsscn, 1614, c A¡tícIcí uu¡¡ ucícIcn
¡ùI¡ncIníícI díc HutícIíuníscIc LcI¡ Kunst
Ic¡uIct, Lci¡zig, 1616. (Esics dois csiudos foran
rcin¡rcssos ¡or P. STÖTZNEF, HutícIíuníscIc
ScI¡í¡tcn, Lci¡zig, 1892-93}.
|5| - EILHAFDUS LUDINUS (1565-1621}, Nouí
Jcsu CI¡ístí Tcstuncntí G¡ucco-Lutíno-Gc¡nunícuc
cdítíonís ¡u¡s ¡¡ínu ... Cun ¡¡ucíínínu¡í...
c¡ístoíu, ín quu dc Lutínu íìnguu con¡cndíosc u
¡uc¡ís uddísccndu cx¡onítu¡, 1617. Concnio ciia
548
¡cla 2a. cdiçao. Fosiocl, 1626 (Cf. O¡c¡u
Díductícu Onníu, ¡ars II, col. 71 c ss.}.
|6| - CHFISTOPH HELWIC (1581-1617} cscrcvcu,
dc colaloraçao con Failc, una Dídutícu,
¡ullicada ¡osiunancnic. CI¡ísto¡Io¡í Hcíuící...
ííI¡í díductící g¡unnutícuc uníuc¡suíís Lutínuc,
G¡uccuc, HcI¡uícuc, CIuíduícuc, unu cun
gcnc¡uíís Díductícuc dcííncutíonc ct s¡ccíuíí ud
coííoquíu ¡uníííu¡íu u¡¡íícutíonc, Clcsscn, 1619.
|7| - STEPHANUS FITTEF, Nouu Díductícu, dus íst
uoIíncíncndc¡ und ín dc¡ Vc¡nun¡t
uoIíIcg¡ùndctc¡ Untc¡¡ícIt, du¡cI uus Míttcí und
Vcís díc Jugcnd díc íutcíníscIc S¡¡ucI nít uící
ucnígc¡ uís sonstcn unzuucndctcn MùI und Zcít
¡usscn und Icg¡cí¡cn nogc, 1621.
|8| - ELIAS DODINUS, Hc¡ícIt uon dc¡ Nutu¡-und
uc¡nun¡tsncssígcn Díductícu odc¡ LcI¡Iunst.
NcIcnst Icíícn und sonncnIíu¡cn Hcucíss, uíc
Icutígcn Tugcs dc¡ studí¡cndcn Jugcnd díc
¡ccItcn ¡unduncntu uc¡¡ucIt und cntzogcn
uc¡dcn, Hanlurgo, 1621.
|9| - PHILIPP CLAUM, Dís¡ututío Custcííunu dc
nctIodo doccndí u¡tcn quunuís ínt¡u octíduun,
Clcsscn, 1621.
|10| - EZECHIEL VOCEL, E¡Icnc¡ídcs totíus
íìnguuc íutínuc uníus unní s¡utío duuIus
sínguío¡un díc¡un ¡¡o¡csto¡un Io¡ís ¡uxtu
549
¡¡ucníssun díductícun cx uc¡o ¡unduncnto ¡ucííí
nctIodo doccnduc ct dísccnduc, 2a. cd., Lci¡zig,
1631. (Cf. O¡c¡u Díductícu Onníu, ¡ars II, col.
81}.
|11| - JACOD WOLFFSTIFN, ScIoíu ¡¡íuutu, Ioc
cst nouu ct con¡cndíosíssínu ¡utío ín¡o¡nunduc
¡uc¡ítíuc u ¡¡ínís ííttc¡u¡un (íínguuc Lutínuc ct
Gc¡nunícuc) cícncntís usquc ud ¡c¡¡cctun
g¡unnutící sc¡nonís cognítíoncn, Drcncn, 1619.
(2.a cd., 1641}.
|12| - JOH. VAL. ANDFEA (1586-1654}. Dos
cscriios dcsic icologo dc Wuriicrnlcrg, icn
inicrcssc ¡cdagogico. TIco¡Iííus síuc Consíííun
dc CI¡ístíunu ¡cíígíonc sunctíus coícndu, uítu
tcn¡c¡untíus ínstítucndu ct íítc¡utu¡u ¡utíonuIíííus
doccndu, Siuiigari, 1649; c a Uio¡ia
«CIrisiiano¡olis» - Hcí¡uIíícuc CI¡ístíuno¡oíítunuc
dcsc¡í¡tío, Esiraslurgo, 1619.
|13| - JANUS CAECILIUS FFEY, Víu ud díuus
scícntíus u¡tcsquc, íìnguu¡un notítíun, sc¡noncs
cxtcn¡o¡uncos nouu ct cx¡cdítíssínu, Paris, 1628.
|14| - TEFTULLIANUS, Dc unínu ííIc¡, 24.
|15| - EILHAFDUS LUDINUS (1565-1621}, Nouí
Jcsu CI¡ístí Tcstuncntí... Cun ¡¡ucíínínu¡í...
c¡ístoíu, ín quu dc íutínu íínguu con¡cndíosc u
¡uc¡ís uddísccndu cx¡onítu¡, ¡. 16c.
550
|16| - Suíno 8, 3.
551

A todos aqueIes...
|1| - Cuntíco dos Cuntícos, 4, 14.
|2| - Atos dos A¡òstoíos, 17, 28.
|3| - HOFÁCIO, E¡íst. I, 10, 24. naiuran cסcllas
furca, iancn usquc rccurrci...
|4| - Suíno 35, 10.
|5| - A¡ocuíí¡sc, 2, 12.
|6| - Suíno 36, 10.
552

UtIIIdade da Arte DIdátIca
|1| - CÍCEFO, Dc díuínutíonc, II, 2, 4.
|2| - JOÃO STODAIOS, AntIoíogíon (Florilcgiu},
ca¡. 95. ( }. Ediçao dc A. MEINEKZ, Lci¡zig,
1855, II, 103;, ondc, iodavia, o icrno c airiluído,
nao a Diogcncs, nas ao discí¡ulo dc Proiagoras,
Dioiogcncs. Concnio uiilizou ¡rovavclncnic a
iraduçao, nuiio divulgada, dc C. CESSNEF,
ZuricI, 1543.
|3| - Mutcus, 12, 39; Lucus, 11, 29.
|4| - J. V. ANDFEA, TIco¡Iííus, (cd. dc Lci¡zig.
1706, ¡. 16}.
553

Cap¡tuIo I
|1| - Píiaco c un dos scic salios da Crccia. Esia
na×ina c a sua Iisioria foran c×icnsancnic
clucidadas ¡or EFASMO, nos Adugíu, CIil. 1,
ccni. VI, 95 (O¡c¡u Onníu, cdiçao dc J.
CLEFICUS, vol. II. Lcidc, 1703, ¡. 258}.
554

Cap¡tuIo II
|1| - S. P. FESTUS, Dc uc¡Io¡un sígní¡ícutu.
«aliiio» (cd. dc W. M. LINDSAY, Lci¡zig, 1913, ¡.
21}.
555

Cap¡tuIo V
|1| - E¡csíos, 2, 3.
|2| - J. LUÍS VIVES (1492-1540}, Dc conco¡díu ct
dísco¡díu íu Iununo gcnc¡c, cn O¡c¡u Onníu,
Dasilcia, 1555, vol. II, ¡. 764.
|3| - O quc csia cnirc ¡arcnicsis c un adiiancnio
dc Concnio.
|4| - SENECA, E¡íst. 92, § 29-30,cd. dc O.
HENSE, Lci¡zig, 1914, ¡. 398; cd. dc A.
DELTFAM, Fona, 1931, II, 48. Concnio ciia ¡or
ouira cdiçao.
|5| - Cfr. PI¸sícuc S¸no¡sís, XI, 21, cd. dc J.
FEDEF, ¡. 308 c s.
|6| - AFISTÓTETES, Mctu¡ìsícu, I, no Princí¡io
(Acadcnia dc Dcrlin, cd. dc DEKKEF, 980}.
|7| - S. DEFNAFDO, E¡ìstoíu 106, § 2 (MICNE,
Put¡oíogíu Lutínu, vol. 182, col. 242}.
|8| - Líu¡o du SuIcdo¡íu, 11, 20.
|9| - SENECA, Dc Icnc¡ícííís, IV, 6.
|10| - Por c×cn¡lo, Mutcus, 13, 3 c Lucus, 8, 5.
|11| - AFISTÓTELES, , III, 4 (cd. dc
DEKKEF, 430 a}
556
|12| - CÍCEFO, Tuscuíunu¡un Dís¡ututíonun, III,
1, 2.
|13| - AFISTÓTELES, , I, 3 (cd. dc DEKKEF,
720 l}.
|14| - SENECA, E¡íst. 95, 50.
|15| - No ca¡. IV do Tíncu, cnconira-sc o scniido
dcsia frasc, cnlora nao à lcira.
|16| - CÍCEFO, Dc nutu¡u dco¡un, I, 42, 117.
|17| - LACTÃNCIO, Díuínu¡un ínstítutíonun, lil.
IV, 28.
|18| - Mu¡cos, 10, 14.
|19| - HOFÁCIO, E¡íst. I, 1, 39 c s.
557

Cap¡tuIo VI
|1| - Nuncrosos rclaios solrc dcscolcrias dcsic
gcncro ¡odcn lcr-sc cn J. A. L. SINCH c F. M.
ZINCC, Voí¡ cIííd¡cn und ¡c¡uí nun, Univcrsiiy of
Dcnvcr Pullicaiions, Nova Yorl c Londrcs, 1941.
|2| - Nao foi ¡ossívcl localizar csia ¡assagcn cn
Drcsscr.
|3| - PH. CAMEFAFIUS, O¡c¡. Io¡u¡un
suIcísíuu¡un ccnt. I, 75, Franlfuri, 1602.
|4| - SIMON COULAFT, T¡Icso¡ d`Iístoí¡cs
udní¡uIícs, Paris, 1600, cic. Ncsia olra, Ia un
ca¡íiulo iniiiulado En¡uns nou¡¡ís ¡u¡ní ícs íou¡s.
|5| - PLATÃO, Lcís, VI, 12, 766 a.
|6| - DIÓCENES LAÉFCIO, Dc uítís
¡Iííoso¡Io¡un, VI, § 65.
558

Cap¡tuIo VII
|1| - CÍCEFO, Cuto Muío¡ dc Scncctudc, c. 21, §
78.
|2| - SENECA, E¡íst. 36, 4.
|3| - HOFÁCIO, E¡íst. I, 2, 69.
559

Cap¡tuIo VIII
|1| - Cfr. MAFTINHO LUTEFO, W. A., 15, 34
(Clcncn, 2, 448}.
|2| - FLÁVIO JOSÉ, Antíquííutun ¡uduícu¡un, I,
106.
|3| - OVÍDIO, A¡s unuto¡íu, III, 595 c s.
560

Cap¡tuIo IX
|1| - Dcutc¡ononío, 1, 17; Honunos, 2, 11; Pcd¡o,
I, 1, 17.
|2| - SANTO ACOSTINHO, Dc s¡í¡ítu ct ííttc¡u
(MICNE, Put¡oíogíu Lutínu, vol. 44, col. 199 c ss.}.
|3| - VIFCÍLIO, Gco¡g., 1, 145 C s.
|4| - Ecícsíustíco, 39, 40.
|5| - JUVENAL, VI, 448-450.
|6| - EUFÍPEDES, H¸¡¡oíítos, V, 640 c ss.
561

Cap¡tuIo X
|1| - Aqui Concnio icn cn visia, scn duvida, nao
a¡cnas a olra naicnaiica dc Piiagoras, nas a
sua inicr¡rciaçao do Univcrso cono Iarnonia c
nuncro.
|2| - C. ACFÍCOLA (1494-1555}, Hc¡nunnus síuc
dc ¡c nctuííícu ííI¡í XII, Dasilcia, 1530 (cd. críiica,
Dcrlin, 1920}.
|3| - CHF. LONCOLIUS (circa 1488-1522},
Iunanisia franccs, iravou cclclrc dis¡uia con
Erasno solrc sc dcvia iniiar-sc à lcira a
linguagcn dc Cíccro, ou sc cra ¡rcfcrívcl ada¡iar
o laiin à cvoluçao das varias c¡ocas. Foi
ridicularizado ¡or Erasno no dialogo
«Ciccronianus». Cfr. ALLEN, E¡usní E¡ístoíus,
cs¡ccialncnic a 914 c a 935.
|4| - Nas O¡c¡u Díductícu Onníu, Concnio
cscrcvcu quc isio fora afirnado ¡or un ¡rofcia.
«Vcrlo, ioiun Ionincn cssc fornandun ad
Iunaniiaicn, rc¡arandanquc in nolis ioian
divinan inagincn, ad arcIciy¡i sui
siniliiudincn. ui scIola Iacc cssc inci¡iai vcrc,
quod cssc dclclani onncs, Iunaniiaiis officina,
cocliquc ci icrrac ¡laniariun, ui ¡cr ¡ro¡Ician
loquiiur Dcus» (Pars III, col. 3-4}.
562
|5| - Enlora nao liicralncnic, o scniido dcsia
frasc cnconira-sc na A¡oíogíu dc Plaiao, 36 c s.
|6| - Líu¡o dos P¡ouc¡Iíos, 15, 15.
|7| - Cfr. Lcgcs íííust¡ís g¸nnusíí Lcsncnsís,
Faiionc norun, 1.
|8| - Enirc csscs ouiros lugarcs. Líu¡o dos
P¡ouc¡Iíos, 9, 10; Líu¡o dc JoI, 28, 28; Suíno 110,
10.
563

Cap¡tuIo XI
|1| - MAFTINHO LUTEFO, An díc Hu¡gc¡nc¸stc¡
und HudIc¡¡n uííc¡íc¸ Stcdtc ¸nn DcutscIcn
íundcn, 1524. W. A., XV, ¡. 44-47. (Clcncn II,
456 c as.}.
|2| - EILHAFDUS LUDINUS, Nouí Jcsu CI¡ístí
Tcstuncntí G¡ucco-Lutíno- Gc¡nunícuc cdítíonís
¡u¡s ¡¡ínu... Cun ¡¡ucíínínu¡í... c¡ístoíu ín quu
consíííu,n dc Lutínu íínguu con¡cndíosc u ¡uc¡ís
uddísccndu cx¡onítu¡, 1617, ¡. 7-8 l.
|3| - VIFCÍLIO, Acncís, VIII, 560.
564

Cap¡tuIo XII
|1| - Accrca do larco dc Hicrao, quc Arquincdcs
¡ós cn novincnio, cscrcvcran PLUTAFCO,
Mu¡ccííus, 14 c ATHENAIOS, Dcí¡noso¡Iístuc, V,
206 d.
|2| - Fcrnando dc Casicla. Provavclncnic,
Concnio colIcu csics dados no livro dc C.
DENZONI, Hísto¡íu dcí Mondo Nuouo, Vcncza,
1565.
|3| - Concnio considcra Joao Fusi o invcnior da
in¡rcnsa. Con cfciio, a iradiçao faniliar dos Fusi
afirna quc Cuicnlcrg a¡rcndcu dc Fusi.
|4| - A dcscolcria da ¡olvora ¡clo nongc DcriIold
ScIwarz nao c Iisioricancnic ccria.
|5| - Solrc csic aforisno, vcr EFASMO, Adugíu,
CIil. II, ccni. IV, 45 (O¡c¡u, cd. dc J. CLEFICUS,
Lcidcn, 1703-1706, vol. II, col. 537}.
|6| - Concnio c×iraiu, ¡or ccrio, csia narraiiva do
Fío¡íícgíun Mugnun, cdiiado ¡or J. LANC
(ca¡íiulo. «Disci¡ulus»}, Franlfuri, 1621, ¡. 865.
|7| - AFISTÓTELES, Mctu¡ìsícu, I, no ¡rincí¡io (cd.
dc DEFKEF, 980 a}.
|8| - Vcr o ca¡íiulo V, § 7 c o ca¡. XI.
565
|9| - Cfr. OVÍDIO, A¡s unuto¡íu, III, 397. ignoii
nulla cu¡ido.
|10| - PLUTAFCO, Tcnístocícs, ca¡. 2; EFASMO,
A¡o¡ItIcgnutu V, TIcnístocícs, 17 (cd. dc J.
CLEFICUS, vol. IV, col. 342}.
|11| - EFASMO, A¡o¡ItIcgnutu V, TIcnístocícs,
18 (cd. dc J. CLEFICUS, vol. IV, col. 244}.
|12| - PLUTAFCO, Aícxund¡c, ca¡. 6. O
adiiancnio, iodavia, nao ¡rovcn dc Pluiarco,
nas do Fío¡íícgíun Mugnun cdiiado ¡or J. LANC,
Franlfuri, 1621, ca¡íiulo. «Educaiio».
|13| - A douirina dos «aniídoios» dcscn¡cnIou
¡a¡cl in¡orianic na filosofia c na ncdicina
ncdicvais. Solrc o «Aniidoiariun», vcr STEPHEN
D'IFSAY, Hístoí¡c dcs Uníuc¡sítcs, vol. I, Paris,
1933, ¡. 104 c ss.
|14| - CATÃO, Dc ug¡ícuítu¡u, ca¡. 5, 6.
|15| - PLUTAFCO, Dc cducutíonc ¡uc¡o¡un, ca¡
VI.
566

Cap¡tuIo XIII
|1| - Cfr. o ca¡íiulo XII, 5.
|2| - Cfr. o ca¡íiulo XII, 5 c o ca¡. XIII, 8.
567

Cap¡tuIo XIV
|1| - AFISTÓTELES, Mctu¡ìsícu, IV, 3 (cd. dc
DEKKEF, 1005 l}.
|2| - Cfr. CÍCEFO, Dc O¡¡ícíís, I, 28, 100.
|3| - HIPÓCFATES, A¡o¡ísnos.
|4| - DIONISIUS CATO, Díctu Cutonís ud ¡íííun
suun, cdiçao dc E. DAHFENS, cn Poctu íut. nín.,
III, Lci¡zig, 1881, ¡. 225. Fcn iili quan noccs
a¡ian, diniiicrc noli; fronic ca¡illaia, ¡osi Iacc
occasio calva (Díst. II, 26}. Cfr. ianlcn
COMENIUS, O¡Iís ¡íctus. Prudcniia.
|5| - M. MANILIUS, Ast¡ononícon, IV (cd. dc A. E.
HOUSMAN, Londrcs, 1920} § 16.
568

Cap¡tuIo XV
|1| - Con Scncca (Dc I¡cuítutc uítuc, 1, 2},
Concnio airilui a Arisioiclcs una afirnaçao quc,
nais corrciancnic, ¡cricncc a Tcofrasio. Cfr.
CÍCEFO, Tuscuí., III, 28, § 69.
|2| - HIPÓCFATES, no ¡rincí¡io dos A¡o¡ísnos.
|3| - H. CUAFINONIUS, Díc G¡cucí dc¡
Vc¡uùstung ncnscIíícIcn G¡cscIíccIts,
Ingolsiadi, 1610, ca¡. IV.
|4| - O Iunanisia c filosofo iialiano Pico dclla
Mirandola falcccu aos 32 anos (1494}.
|5| - SENECA, E¡íst. 93, § 1-8.
|6| - JUVENAL, Sutí¡uc, X, 356.
|7| - In¡o¡nuto¡íun dc¡ Muttc¡ ScIuí, nova cdiçao
dc J. HEUDACH, Hcidcllcrg, 1960, ca¡. V ¡. 14 c
ss.
|8| - HESÍODO, , V, 361 c s.
|9| - SENECA, Dc I¡cuítutc uítuc, I, § 3.
569

Cap¡tuIo XVI
|1| - Hcuícs díscí¡íínus ¡¡ucníttí o¡gunícís. A
¡alavra «organicis» conicn una rcfcrcncia às
olras logicas dc Arisioiclcs, o conjunio das quais
c conIccido ¡clo nonc dc O¡gunon.
|2| - SENECA, E¡íst. 95, 38.
|3| - J. SCALÍCEFO (1540-1609}, cclclrc filologo c
Iisioriador (filIo do igualncnic cclclrc Julio
Ccsar Scalígcro} foi, duranic nuiio icn¡o,
considcrado o fundador da filologia Iisiorica.
|4| - HUCO DE S. VICTOF, In Eccícsíustcn
Honíííu XVII (MICNE, Put¡oíogíu Lutínu, vol. 175,
col. 237 c ss.}.
570

Cap¡tuIo XVII
|1| - AFISTÓTELES, Fìsícu, I, ca¡. 8 (cd. dc
DEKKEF, 191 l} c Ca¡. 9 (cd. dc DEKKEF, 192
a}.
|2| - Concnio iirou csia ciiaçao, ¡or ccrio, do
Fío¡íícgíun Mugnun, cd. dc J. LANC, Franlfuri,
1621, col. 1496, Ca¡íiulo. «Insiiiuiio».
|3| - CÍCEFO, Tuscuí., II, 5, 13.
|4| - ISÓCFATES, O¡ut. ud Dcnonícun, § 18.
|5| - QUINTILIANO, Instít. O¡ut., I, 3, 8.
|6| - Ca¡íiulo XIX, § 50.
|7| - HOFÁCIO, E¡íst. II, 3, 343. Onnc iulii
¡unciun, qui niscuii uiilc dulci.
|8| - Ca¡. XIX, § 50 c ainda no In¡o¡nuto¡íun dc¡
Muttc¡ ScIuí, V, 14 c ss.
|9| - Concnio aduz MclancIiIon c P. Fanus, scn
duvida ¡clo faio dc as Cranaiicas dclcs Iavcrcn
sido iraduzidas ¡ara cIcco.
|10| - Cfr. QUINTILIANO, Instít. O¡ut., I, 2, 27 c s.
|11| - Dados nais ¡orncnorizados solrc csic
consclIo cnconiran-sc na «ScIolac Panso¡Iicac
Pars II», cn O¡c¡u Díductícu Onníu, ¡ars III, col.
571
36 c ss. ConsclIos scnclIanics ¡odcn lcr-sc na
Cídudc do Soí dc Can¡anclla.
572

Cap¡tuIo XVIII
|1| - S. JEFÔNIMO, E¡íst. 53, § 9 (MICNE,
Put¡oíogíu Lutínu, vol. 22, col. 549}.
|2| - Vcr o ca¡íiulo XIX, § 50.
|3| - ESOPO, FuIuíus 200 c 200l; FEDFO,
FuIuíus dc Eso¡o, I, 3.
|4| - HOFÁCIO, E¡íst. I, 19, 19.
|5| - O jcsuíia ¡olaco FEH0F KNAPSKI (1564-
1638} con¡õs o TIcsuu¡us Poíono-Lutíno-G¡uccus
(Cracovia, 1621-32} quc, no scu icn¡o, foi
fanoso. Concnio a¡rccia csia olra no ca¡. XXII,
§ 15.
|6| - Ca¡íiulos XXI c XXII.
|7| - Solrc a Punso¡íu, Concnio cscrcvcu varias
olras. Vcr a nossa Int¡oduçuo |Dis¡onívcl a¡cnas na
cdiçao cn ¡a¡cl da Fundaçao Calousic Cullcnlian - N.E. da
vcrsao ¡ara cDool|.
|8| - QUINTILIANO, Instít. O¡ut., XI, 2, 1.
|9| - J. LUIS VIVES, Dc T¡udcndís díscí¡íínís lil.
III, cn O¡c¡u, Dasilcia, 1555, vol. I, ¡. 468.
|10| - J. LUIS VIVES, Int¡oductío ud Su¡ícntíun,
180-183, cn O¡c¡u, Dasilcia, 1555, vol. II, ¡. 77.
573
|11| - PEFSIUS FLACCUS, Sutí¡uc, I, 27.
|12| - J. FOFTIUS (Fingcllcrg}, Dc ¡utíonc studíí,
cn «II. Croiii ci aliorun Disscriaiioncs dc siudiis
insiiiucndis», Ancsicrda, 1645, ca¡íiulo «Dc
raiionc doccndi» (nao à lcira}. Cfr. O¡c¡u
Díductícu Oníníu, ¡ars III, col. 758 c ss.
574

Cap¡tuIo XIX
|1| - CÍCEFO, E¡íst. ud ¡uníí., VII, 29, 2;
EFASMO, Adugíu, cIil. I, ccni. VII, 3 (cdiçao dc J.
CLEFICUS, II, 263}.
|2| - SENECA, E¡íst. 29, 1.
|3| - Cfr. OVÍDIO, Fustí, I, 321.
|4| - PLÍNIO, Nutu¡uíís Iísto¡íuc lilcr XXIX, I, 2.
|5| - Vcr o ca¡íiulo XX, § 10.
|6| - SENECA, E¡íst. 9, 20.
|7| - Ca¡íiulo V, § 5.
|8| - SENECA, E¡íst. 9, 20.
|9| - SENECA, E¡íst. 84, 2.
|10| - SANTO ACOSTINHO, E¡íst. 143, § 2
(MICNE, Put¡oíogíu Lutínu, vol. 33, col. 585}.
|11| - Ca¡íiulo XVIII, § 44-47.
|12| - MAFTINHO LUTEFO, An díc Hu¡gc¡nc¸stc¡
und HudIc¡¡n uííc¡íc¸ Stcdtc ¸nn DcutscIcn
íundcn, 1524. W. A., XV, ¡. 44-47 (Clcncn, II,
456 c ss.}.
|13| - SENECA, E¡íst. 48, 12.
575
|14| - CÍCEFO, Dc O¡¡ícíís, I, 31, 110. inviia, ui
aiuni, Mincrva, id csi advcrsanic ci rc¡ugnanic
naiura.
576

Cap¡tuIo XX
|1| - PLAUTO, T¡ucuícntus, V, 489; EFASMO,
Adugíu, cIil. II, ccni. VI, 54 (cd. dc J. CLEFICUS,
II, 602}.
|2| - HOFÁCIO, E¡íst. II, 3, 180-182.
|3| - FODEFT FLUDD (1574-1637}, Ut¡íusquc
cosní, nu¡o¡ís scíííícct ct níno¡ís, nctu¡I¸sícu,
¡I¸sícu utquc tccInícu Iísto¡íu (Prina Pars.
Macrocosni; Sccunda Pars. Microcosni Iisioria},
Franlfuri, 1626, no ca¡íiulo PIííoso¡Iíu uc¡c
cI¡ístíunu scu nctco¡oíogícu.
|4| - O faio dc cn¡rcgar a ¡alavra Uto¡íu nao nos
garanic quc Concnio icnIa lido a olra dc
TIonas Morus con cssc iíiulo.
|5| - AFISTÓTELES, Mctu¡ìsícu, I, ca¡. 2 (cdiçao
dc DEKKEF, 982}.
577

Cap¡tuIo XXI
|1| - Nao foi ¡ossívcl localizar csia ciiaçao.
|2| - Esia frasc nao c dc Quiniiliano, nas dc
Scncca, E¡íst. VI, 5.
|3| - Ciiado cn alcnao ¡or Concnio.
|4| - TEFENCIO, And¡íu, vcrso 171.
|5| - VIFCÍLIO, Acncís, I, 14.
|6| - CÍCEFO, Dc díuínutíonc, II, 42, 87.
|7| - QUINTILIANO, Instít. O¡ut., II, 3, 3. Concnio
volia a aduzir o ncsno c×cn¡lo no ca¡íiulo XXV,
§ 23.
|8| - OVÍDIO, A¡s unuto¡íu, II, 675 c s.
578

Cap¡tuIo XXII
|1| - COMENIUS, Junuu íìnguu¡un, ¡csc¡utu, síuc
scnínu¡íun íìnguu¡un ct scícntíu¡un onníun,
Lcszno, 1631.
|2| - CÍCEFO, Dc ¡ín., III, 2, 4.
|3| - CÍCEFO, Dc O¡uto¡c, III, 10, 38.
|4| - Vcr o Hc¡c¡to¡íun VcstíIuíu¡c síuc ícxící íutíní
¡udíncntun, cn «O¡cra Didaciica Onnia», ¡ars
III, col. 175 c ss.
|5| - Vcr a S¸íuu Lutínuc Línguuc, uocun
dc¡íuutu¡un co¡íun cx¡íícuns, síuc ícxícon
Junuuíc, cn «O¡cra Didaciica Onnia», ¡ars III,
col. 219 c ss.
|6| - FEHOF KNAPASKI (1564-1638}, TIcsuu¡us
Poíono-Lutíno-G¡uccus, Cracovia, 1621-32.
579

Cap¡tuIo XXIII
|1| - SENECA, E¡íst. 88, 1.
|2| - J. LUIS VIVES, Int¡oductío ud Su¡ícntíun, I
(O¡c¡u, Dasilcia, 1555, II, 70 c s.}.
|3| - Nc quid ninis. Cfr. EFASMO, Adugíu, cIil. I,
ccni. VI, 96 (cd. dc J. CLEFICUS, II, 259}.
|4| - Tcn cn visia, scn duvida, a conIccida
¡assagcn dc PLUTAFCO, Dc uudícndo, § 3.
|5| - Vcnt¡cs ¡íg¡í. Cfr. a E¡ìstoíu u Títo, I, 12.
|6| - Inuiilia ¡ondcra icrrac. cסrcssao Ioncrica
( }.
|7| - Ca¡íiulo XXI, § 5.
|8| - SENECA, E¡íst. 31, 4.
|9| - VIFCÍLIO, Gco¡g., III, 272.
|10| - HOFÁCIO, E¡íst. I, 2, 69 c s.
|11| - L. J. M. COLUMELLA, Dc ¡ustícu, XI, I, 26.
Nan illud vcrun csi M. Caionis oraculun «niIil
agcndo Ionincs nalc agcrc discuni».
580

Cap¡tuIo XXIV
|1| - Ca¡íiulo IV, § 6.
|2| - Vcr o Líu¡o dc JoI, ca¡. 32 c ss.
|3| - Suíno 138, 14.
|4| - LUTEFO, no Prologo da cdiçao das suas
olras cscriias cn alcnao, 1539. Du uí¡stu d¡c¸
Hcgcí ínncn ¡índcn, du¡cI dcn guntzcn Psuín
(nuní. dcn ll9) ¡cícIíícI ¡u¡gcstcííct. Und Icísscn
uíso. O¡utío, ncdítutío, tcntutío (W. A., 50, 659}.
|5| - Êxodo, 22, 29-30; 23, 19.
|6| - Lucus, 16, 19 c ss.
|7| - Eסrcssao dccalcada cn VIFCÍLIO, Acncís,
1, 94.
|8| - ANDFEAS CEFAFDUS HYPEFIUS cscrcvcu
accrca do csiudo da Sagrada Escriiura ¡clos
icologos no scgundo livro dc Dc TIcoíogo scu
¡utíonc studíí tIcoíogící ííI¡í IV, Dasilcia, 1559; c
accrca do csiudo da Sagrada Escriiura cn gcral
no Dc suc¡uc sc¡í¡tu¡uc ícctíonc ct ncdítutíonc
quotídíunu, Dasilcia, 1563.
|9| - EFASMO, O¡c¡u, cd. dc J. CLEFICUS, vol. V,
Lcidc, 1704, col. 140 A D.
581
|10| - IIíd., col. 140 CD.
|11| - IIíd., col. 144 AC.
|12| - EFASMO, Hutío scu nctIodus con¡cndío
¡c¡ucnícndí ud uc¡un tIcoíogíun, Ausgcw. Wcrlc,
cdiçao dc H. HOLDOFN, MuncIcn, 1933, ¡. 293
(CLEFICUS, V, 132} SANTO ACOSTINHO, Dc
doct¡ínu cI¡ístíunu, II, 9 (MICNE, Put¡oíogíu
Lutínu, vol. 34, col. 42}.
|13| - Gcncsís, 22, 16 c ss.
|14| - Alusao, scn duvida, à cscada da visao dc
Jacol. Gcncsís, 28, 12 c ss.
|15| - FULCENTIUS, E¡íst. II, § 12-21 (MICNE,
Put¡oíogíu Lutínu, vol. 65 cols. 315-317}.
|16| - Lucus, 16, 19 c ss.
|17| - PFISCIANUS (+ 526}, Instítutíoncs
G¡unnutícuc. Esic livro foi considcrado, duranic
ioda a Idadc Mcdia, c aic à c¡oca dc Concnio, a
olra dc naior auioridadc ¡ara o csiudo da
Cranaiica Laiina.
|18| - Pcd¡o, I, 5, 5; Tíugo, 4, 6.
|19| - Jouo, 1, 29.
|20| - Mutcus, 3, 17; Mu¡cos, 1, 11.
582
|21| - Suíno 117, 22; Mutcus, 21,42; Mu¡cos, 12,
10; E¡csíos, 2,20.
583

Cap¡tuIo XXV
|1| - Da vasia lilliografia solrc csic icna,
ciianos a¡cnas. H. I. MAFFOU, Hístoí¡c dc
í`cducutíon duns í`untíquítc, 3c. cd., Édiiions du
Scuil, Paris, 1955, ¡. 423-425; J. V. ANDFEAE,
TIco¡Iííus (1a. cd., 1649}, Dialogo III. Dc
íítc¡utu¡u cI¡ístíunu. Concnio foi niiidancnic
influcnciado ¡or csia olra. Vcr ainda MAFTINHO
LUTEFO, W. A., 15, 52 (Clcncn, II, 462}.
|2| - CFISÓSTOMO, Concniario à scgunda
E¡ísiola a Tinoico, Honíííu LX, 1 (MICNE,
Put¡oíogíu Lutínu, vol. 62}.
|3| - CASSIODOFO, Ex¡osítío ín Psuítc¡íun, ¡s.
15, uliino ca¡íiulo (MICNE, Put¡oí. Lut., vol. 70,
col. 116}.
|4| - Cfr. HOFÁCIO, E¡íst. II, 3, 268 c s.. Vos
c×cn¡laria Cracca nociurna vcrsaic nanu,
vcrsaic diurna.
|5| - Pcd¡o, I, 2, 9.
|6| - O in¡crador Juliano A¡osiaia (scc. IV}
afasiou-sc do crisiianisno ¡or influcncia da
filosofia nco-¡laiónica. Os scus cscriios filosoficos
Iavian sido rccdiiados cn 1583.
584
|7| - Lcao X foi Pa¡a ¡rccisancnic no icn¡o da
Fcforna (1513-1521}. Concnio rcflcic aqui as
o¡iniõcs icndcnciosas dos ¡roicsianics accrca do
Pa¡ado, cסrcssas, ¡or c×cn¡lo, na olra dc J.
DALE, TIc Pugcunt o¡ Po¡cs, Londrcs, 1574.
|8| - Tal consclIo carccc, scn duvida, dc
auicniicidadc. É ccrio, iodavia, quc, dcsics dois
cardcais c anigos, da c¡oca do Fcnascincnio,
Sadolcio cra ¡ariidario do novincnio líllico, ao
¡asso quc Dcnlo, aic à sua ¡osicrior viragcn,
scguia un Iunanisno nuiio nundano.
|9| - Nao sc rcfcrc ianio aos caiolicos ronanos,
cono aos Iunanisias iialianos Icrcgcs do scc.
XVI. Concnio iravou ¡olcnica, dc nodo cs¡ccial,
con o Sozzinianisno. Solrc o novincnio dos
«Erciici iialiani», vcr D. CANTIMOFI, E¡ctící
ítuííuní dcí cínqucccnto. Hícc¡cIc sto¡ícIc, C. C.
Sansoni Ediiorc, Fircnzc, 1939.
|10| - P¡íncí¡o Líu¡o dos Hcís, 5, 2.
|11| - S. JEFÔNIMO, E¡íst. ud Dunusun, no.
114.
|12| - SANTO ISIDOFO DE SEVILHA,
Scntcntíu¡un LíI¡í, III c. 13, 2, 3 (MICNE, Put¡oí.
Lut., vol. 83, col. 686}.
|13| - CÍCEFO, Dc ¡ín., III, 5, 16.
585
|14| - MELANCHTON, TIcoí. I¸¡ot¸¡oscs, dc
¡ccuto, cn «Cor¡us Fcfornaiorun», XXI, col. 101
c s.
|15| - SANTO ACOSTINHO, E¡íst. 137, § 7
(MICNE, Put¡oíogíu Lutínu, vol. 33, col. 524}.
|16| - Concnio ¡cnsa aqui solrciudo cn
ALSTED, T¡íun¡Ius IíIíío¡un suc¡o¡un scu
Enc¸cío¡ocdíu IíIíícu, cxIíIcns t¡íun¡Iun
¡Iííoso¡Iíuc, ¡u¡ís¡¡udcntíuc ct ncdícínuc suc¡uc
ítcnquc suc¡osunctuc tIcoíogíuc, quutcnus íííu¡un
¡unduncntu cx Sc¡í¡tu¡u V. ct N. T. coíííguntu¡,
Franlfuri, 1625.
|17| - EFASMO, Pu¡uIoíuc síuc síníííu. «E×
Arisioiclc, Plinio, TIco¡Irasic» (cd. dc J.
CLEFICUS, I, 606 c}.
|18| - IIíd., I, 615 c s.
|19| - EFASMO, Hutío scu nctIodus con¡cndío
¡c¡ucnícndí ud uc¡un tIcoíogíun, Ausgw. Wcrlc,
cd. dc H. HOLDOFN, MuncIcn, 1933, ¡. 190 (cd.
dc J. CLEFICUS, V, 82}.
|20| - Vcr ca¡. XXI, § 12 c ca¡. XXV, § 23, c suas
rcs¡cciivas noias.
|21| - Traia-sc, nao dc Sanio AgosiinIo, nas dc
S. CFECÓFIO MACNO, Mo¡uííun ííI¡í (MICNE,
Put¡. Lutínu, vol. 75, col. 515}.
586

Cap¡tuIo XXVI
|1| - Prisciano c un cclclrc granaiico do scc. VI,
auior das Instítutíoncs G¡unnutícuc quc foran
livro dc ic×io cn quasc iodas as cscolas da
Euro¡a, aic dc¡ois da Fcnasccnça.
|2| - CÍCEFO, P¡o Fíucco, 27, 65; EFASMO,
Adugíu, cIil. I, ccni. VIII, 36 (cd. dc J. CLEFICUS,
II, 311}.
|3| - EILHAFDUS LUDINUS (1565-1621}, Nouí
Jcsu CI¡ístí Tcstununtí G¡ucco-Lutíno-Gc¡nunícuc
cdítíonís ¡u¡s ¡¡ínu... Cun ¡¡ucíínínu¡í... c¡ístoíu,
ín quu consíííun dc Lutínu íìnguu con¡cndíosc u
¡uc¡ís uddísccndu cx¡onítu¡, 1617, ¡. 16-17.
587

Cap¡tuIo XXVIII
|1| - Cfr. In¡o¡nuto¡íun dc¡ Muttc¡ ScIuí, ca¡. IV,
§ 7-11; c ca¡. VI-VIII.
|2| - Solrc un iao an¡lo concciio dc granaiica,
vcr E. F. CUFTIUS, Eu¡o¡uíscIc Lítc¡utu¡ und íut.
Míttcíuítc¡, Dcrn, 1948, ¡. 50.
|3| - Cfr. In¡o¡nuto¡íun, ca¡. IV, § 7; c ca¡. IX.
|4| - Cfr. In¡o¡nuto¡íun, ca¡. IV, § 5 c s.; c ca¡. X.
|5| - Gcncsís, 5, 22-24.
|6| - Ca¡. XXIX c XXX.
|7| - Esia olra icn o scguinic iíiulo. ScIoíu
In¡untíuc síuc dc ¡¡ouídu ¡uucntutís ¡¡íno scxcnnío
cducutíonc. Vcn ¡ullicada nas «O¡cra Didaciica
Onnia», ¡ars I, col. 198 c ss.
|8| - Solrc csic icna, vcr o O¡Iís scnsuuííun
¡íctus.
588

Cap¡tuIo XXIX
|1| - WILHELM ZEPPEF, no ca¡. VI dc Dc ¡oíítíu
cccícsíustícu, Hcrlorn, 1607, rcconcnda quc sc
nao crijan cscolas dc língua naicrna, ondc as
Iaja dc laiin. Vcr ainda A. MOLNAF, Lcxícon
Lutíno-G¡ucco-Ungu¡ícun, vol. I, Franlfuri, 1645.
|2| - J. H. ALSTED, Enc¸cío¡ucdíu sc¡tcn tonís
dístínctu, Hcrlorn, 1630, ca¡. VI, ¡. 1513. So
dcvcn frcqucniar a cscola dc língua naicrna os
ncninos «qui ariilus nccIanicis aliquando sc
a¡¡licaluni».
|3| - CÍCEFO, Dc o¡uto¡c, III, 10. 38.
|4| - Coíosscnccs, 3, 16.
|5| - Os nonc quc Concnio cscolIcu ¡ara csscs
scis livros sao Víoíu¡íun, Hosu¡íun, Ví¡ídu¡íun,
Su¡ícntíuc LuI¸¡íntIus, S¡í¡ítuuíc Huísuncntun,
Pu¡udísus Anínuc. Vcr «O¡cra Didaciica Onnia»,
¡ars I, col. 248 c s.
|6| - SIMON STEVIN (1548-1620}, naicnaiico c
físico Iolandcs quc cscrcvcu cn flancngo.
|7| - P¡oIícnutun gconct¡. ííI¡í V, Aniucr¡ia,
1583. Livro I.
589

Cap¡tuIo XXX
|1| - JUSTO LÍPSIO, PI¸síoíogíuc Stoíco¡un ííI¡í
t¡cs, Aniucr¡ia, 1604, Livro, I, Diss. 1, ¡. 2.
|2| - XENOFONTE, Mcno¡uIíííu Soc¡ut., I, 6, 15;
EFASMO, A¡o¡ItIcgnutu III, Soc¡utícu 10 (cd. dc
J. CLEFICUS, IV, 156}.
590

Cap¡tuIo XXXI
|1| - Ca¡íiulo XXVII, § 6.
|2| - EFASMO, Adug., cIil, II, ccni. IV, 45 (cd. dc
J. CLEFICUS, II, 537}.
|3| - SENECA, E¡íst. 2, 2.
|4| - As cclclrcs Noctcs Atícuc dc A. Ccllius csiao
cscriias cn forna dc coloquios.
|5| - PLATÃO, Lcís, XII, ca¡. 5 (949 E - 950 D}.
|6| - Esia idcia dc una Socicdadc dc Profcssorcs c
nais an¡lancnic dcscnvolvida ¡or Concnio na
Víu íucís, ca¡. 18.
591

Cap¡tuIo XXXII
|1| - Vcja-sc, a csic ¡ro¡osiio, o o¡usculo dc
COMENIO, T¸¡og¡u¡Icun uíuun, Ioc cst, u¡s
con¡cndíosc, ct tuncn co¡íosc uc cícguutc¡,
su¡ícntíun non cIu¡tís scd íngcníís ín¡¡íncndí,
cn «O¡cra Didaciica Onnia», ¡ars IV, col. 85-96.
|2| - Cfr. T¸¡og¡u¡Icun uíuun, § 19 c ss.
592

Cap¡tuIo XXXIII
|1| - JANUS CAECILIUS FFEY (+1631}, Víu ud
díuus scícntíus u¡tcsquc, íìnguu¡un notítíun,
sc¡noncs cxtcn¡o¡uncos nouu ct cx¡cdítíssínu,
Paris, 1628, ca¡. II, scçao 1.
|2| - Cfr. HOFÁCIO, E¡íst. II, 3, 355.
|3| - Solrc csics livros, vcr ca¡. XXII, § 19 c ss.;
ca¡. XXVIII, § 23 c ss.; c ca¡. XXX, § 16.
|4| - SENECA, E¡íst. 6, 4. No ic×io lc-sc,
crradancnic, E¡íst. 27.
|5| - Cfr. CÍCEFO, Dc díuínutíonc, II, 2, 4.
|6| - XENOFONTE, Mcno¡uI. I, 6, 15. EFASMO,
A¡o¡ItIcnutu III, Soc¡utícu 10 (cd. dc J.
CLEFICUS, IV, 156}.
|7| - EFASMO, Adugíu, cIil. I, ccni. VI, 1 (cd. dc
J. CLEFICUS, II, 220}.
|8| - Jouo, 3, 8.
|9| - S. DEFNAFDO, Sc¡nonís dc Sunctís, I, 3
(MICNE, Put¡oíogíu Lutínu, vol. 183, col. 362}.
|10| - Lucus, 16, 8
|11| - Co¡ìntíos, I, 13, 4.
593
|12| - S. CFECÓFIO MACNO, Mo¡uííun ííI¡í XXX,
ca¡. 27, § 81 (MICNE, Put¡oí. Lut., vol. 76, col.
569}.
|13| - MAFTINHO LUTEFO, An díc Hu¡gc¡nc¸stc¡
und HudIc¡¡n uííc¡íc¸ Stcdtc ¸nn DcutscIcn
íundcn, 1524. W. A., XV, ¡. 50 c 34, (Clcncn, II,
445 c 448}.
594

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Capítulo XVIII

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