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1.1- Crise contemporânea e as transformacoes na producao capitalista

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Crise contemporânea e as transformações na produção capitalista 
     
                                                   

Ana Elizabete Mota  Professora Convidada da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE   

 

Crise contemporânea e as transformações na produção capitalista 
    Introdução     Este  texto  trata  da  crise  contemporânea  e  das  transformações  na  produção  capitalista,  entendidos  como  processos  que  determinam  as  mudanças  societárias  em  curso. Objetiva‐se discorrer sobre o alcance e o significado das transformações sofridas  na  esfera  da  produção,  desde  os  finais  dos  anos  70  do  século  XX,  destacando  seus  impactos no processo de acumulação capitalista, na gestão do trabalho e nos modos de  ser  e  viver  da  classe  trabalhadora.  Seu  conteúdo  está  estruturado  em  três  partes:  inicialmente,  ressalta‐se  a  dimensão  histórica  das  crises,  qualificando‐as  como  constitutivas  do  modo  de  produção  capitalista  e  da  sua  dinâmica  restauradora;  em  seguida,  destacam‐se  as  particularidades  da  crise  que  se  iniciou  no  final  dos  anos  70,  assim como os mecanismos utilizados pelo capital para o seu enfrentamento, pautados  na reestruturação produtiva, na mundialização financeira, nos mecanismos de gestão do  trabalho e nas estratégias de construção da hegemonia do grande capital; por fim, serão  indicadas  as  principais  implicações  dessas  transformações  no  mundo  do  trabalho  e  na  organização  política  dos  trabalhadores,  como  parte  ofensiva  do  capital  para  construir  uma cultura e uma sociabilidade compatíveis com os seus interesses atuais.     1 As crises na dinâmica da acumulação capitalista    Para  compreender  as  mudanças  na  dinâmica  do  capitalismo,  é  necessário  reconhecer  o  significado  histórico  das  crises  no  seu  desenvolvimento.    Sejam  elas  qualificadas  como  crises  econômicas 1 ,  como  o  fez  Marx no  Livro  III  de  O  Capital  e  em  cuja tradição se perfilam autores como Rubin 2 , Altvater 3  e Mandel 4 , sejam elas também 
  Na  investigação  de  Marx,  a  explicação  das  crises  está  relacionada  com  a  lei  tendencial  da  queda  das  taxas  de  lucro,  expressão  concreta das contradições do modo capitalista de produção e cuja equação pode ser sinteticamente resumida nos seguintes termos: a  produção da mais‐valia (quantidade de trabalho excedente materializado em mercadorias e extorquido no processo de trabalho) é  apenas  o  primeiro  ato  do  processo  produtivo.  O  segundo  ato  é  a  venda  dessas  mercadorias  que  contém  mais‐valia.  Como  não  são  idênticas  as  condições  de  produção  da  mais‐valia  com  as  da  sua  realização,  a  possibilidade  de  descompassos  entre  esses  dois  momentos  cria  as  bases  objetivas  para  o  surgimento  de  crises.  Para  uma  primeira  aproximação  ao  tema,  sugerimos  a  leitura  de  Cultura  da  Crise  e  Seguridade  Social  (MOTA,  1995),  especialmente  a  Introdução  e  o  Capítulo  I  e  de  Economia  Política:  uma  introdução crítica (NETTO; BRAZ, 2006), Capítulo 7.     2 Rubin (1980, p. 31) afirma que as crises ocorrem porque “o processo de produção material, por um lado, e o sistema de relações de  produção  entre  as  unidades  econômicas  [...],  por  outro,  não  estão ajustados  um  ao  outro  de  antemão  (grifos  nossos). Eles  devem 
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 XXV). 2000. ou seja. 8. 2 e 3).  as  crises  econômicas  criam  um  terreno  favorável  à  difusão  de  determinadas  maneiras  de  pensar. 8 da Coleção História do Marxismo organizada por Hobsbawm.  na  organização  da  produção.  Em  outras  palavras.     Segundo  Rubin.    3 Em dois ensaios publicados no v. Rio de Janeiro. In: E.  31).  as  crises  são  “hiatos  dentro  do  processo  de  reprodução  social”  (1980.  1980).    5  Gramsci  adota  a  concepção  marxiana  das  crises  como  contradições  inerentes  ao  modo  de  produção  capitalista.  Para  ele. suas causas mais profundas e sua função no quadro da  lógica  imanente  do  modo  de  produção  capitalista  (MANDEL. destacando suas características e seu caráter  cíclico. diante dos esquemas de reprodução ampliada do  capital.  p.concebidas  como  crises  orgânicas.  rapidamente.  Para  isso.  As  ajustar‐se  em  cada  etapa.  destacando  as  suas  dimensões  econômicas  e  políticas  e  argumentando  sobre  a  impossibilidade  de  operar  tematizações  sobre  as  crises. v.  A  crise de 1929 e o debate sobre a teoria da crise.  E.  em  cada  uma  das  transações  em  que  se  divide  formalmente  a  vida  econômica”  (A  Teoria  Marxista  do  Valor.  estas  precisam  ser  transformadas  em  dinheiro  para.  quando  são  produzidas  mais  mercadorias  do  que  a  população pode comprar. p. como é o caso do estoque zero de mercadorias porque a produção passa a depender da demanda instalada. Hobsbawm (Org. ou seja. a emergência delas é uma tendência sempre presente (MOTA. a transformação da mais‐valia em lucro.  reorganizando  suas  estratégias  de  produção e reprodução social.  devidamente  atualizada  (o  texto  é  dos  anos  1920)  expõe  com  clareza  o  imperativo  da  centralização  e  concentração  do  capital  que  se  expressam  atualmente  nas  fusões  patrimoniais. uma vez que estoques de  mais‐valia  não  asseguram  o  fim  capitalista. 79‐133). 1995.  processo  que  só  se  realiza  mediante  a  venda  das  mercadorias  capitalisticamente  produzidas.  fato é que elas são inelimináveis e indicam o quanto é  instável  o desenvolvimento capitalista. Mandel faz uma incursão histórica sobre as crises capitalistas. 1989. argumentando pela necessidade de distinguir os fenômenos da crise.    4 Em A Crise do Capital.  A  crise  do  capital:  os  fatos  e  sua  interpretação  marxista.) História do marxismo.  não  basta  produzir  mercadorias. Pode‐se dizer que as crises econômicas são inerentes ao  desenvolvimento do capitalismo e que. Cadernos do Cárcere.  Essa  colocação. Civilização Brasileira.  é  no  tratamento  da  relação  entre  crise  econômica  e  crise  política  que  reside  a  originalidade  do  seu  pensamento.  retornarem  ao  incessante  processo  de  acumulação  do  capital:  produção/circulação/consumo. 37).      As  crises  expressam  um  desequilíbrio  entre  a  produção  e  o  consumo.  Através  delas  o  capital  se  recicla.  São  Paulo/Campinas: Ensaio/Unicamp.  nas  quais  adquire  destaque  a  dimensão    política.  exclusivamente. A.  todavia. Cap.  v.    2 .  seguindo a análise gramsciana 5 . o cientista político alemão Elmar  Altvater  enfoca  as  polêmicas  em  torno  do  tema  das  crises. 1990.  São  Paulo:  Brasiliense. da sua  venda antecipada.  E.  de  formular  e  resolver  as  questões  que  envolvem todo o curso da vida estatal (GRAMSCI.  comprometendo a realização do capital. J. Rio de Janeiro: Paz e Terra.  com  base  na  teoria  econômica  (ALTVATER. o processo de acumulação é afetado. p.

 ainda. as crises revelam as contradições do modo de produção  capitalista. o subconsumo de massa.  Netto  e  Braz  (2006.  mecanicamente. dependendo das condições objetivas e  das forças sociais em confronto. a concorrência intercapitalista.  162)  afirmam  que  “as  crises  são  funcionais  ao  modo  de  produção  capitalista.  Elas  deflagram  um  período  histórico  de  acirramento  das  contradições  fundamentais  do  modo  capitalista  de  produção  que  afetam  sobremaneira  o  ambiente  político  e  as  relações  de  força  entre  as  classes.     Isso  significa  que  as  crises  não  ocasionam. Suas causas podem ser diversas.  queda  de  preços  e  salários.  3)  o  crescimento  da  produção  de  mercadorias e a estagnação ou redução da capacidade de consumo. A análise de Gramsci sobre o enfrentamento da crise de  1929. 2) a maximização  dos  lucros  de  cada  corporação  empresarial  e  suas  refrações  na  concorrência. com a consequente queda  tendencial da taxa de lucro. a sua continuidade”.  sejam em direção a um processo revolucionário. tais  como a anarquia da produção.     Longe de serem naturais.  ocasionando  a  tendência  à  queda  da  taxa  de  lucros.  Por  ocasião  das  crises.  também  reproduzindo  e  criando  outras  contradições  como  as  existentes  entre:  1)  a  racionalidade  da  produção  em  cada  empresa  e  a  irracionalidade do conjunto da produção e dos mercados capitalistas. assim.expressões  mais  emblemáticas  das  crises  são  as  reduções  de  operações  comerciais. podem ser potenciadas  por algum incidente econômico ou geopolítico.  acúmulo  de  mercadorias  estocadas. assegurando.  a  produção  socializada  e  a  apropriação  privada  da  riqueza.  p.  deflagra‐se  um  processo  no  qual  mudanças  significativas  ocorrem.  crescimento  desmesurado  do  desemprego  e  empobrecimento generalizado dos trabalhadores.  sejam  elas  no  interior  da  ordem.  donde  a  estratégia  revolução  3 .  sempre  em  níveis  mais  complexos e instáveis.  a  sua  contradição  fundamental.  falências.  constituindo‐se  num  mecanismo  que  determina  a  restauração  das  condições  de  acumulação.  é  central  para  entender  o  lugar  da  luta  de  classes  no  enfrentamento  das  crises.  entre  elas.  redução  ou  paralisação  da  produção.     Expondo  sobre  o  tema.  exposta  no  célebre  texto  Americanismo  e  Fordismo. ou.  um  colapso  do  capitalismo.

 regido pela  implementação  de  novos  métodos  de  gestão  do  trabalho  que  permite  às  firmas  o  aumento da produtividade e a redução dos custos de produção.  na  ação  estatal  e  nos  aparelhos  privados  de  hegemonia. com o aumento do desemprego.     Trata‐se  de  um  meio  de  atualização  da  hegemonia  das  classes  dominantes  que  atinge  substantivamente  a  dinâmica  da  reprodução  social. em conjunturas de crise.  Estes  últimos  são  frontalmente  penalizados na sua materialidade e subjetividade posto que afetados pelas condições do  mercado de trabalho.  redefine  seus  4 .  para  os  trabalhadores. isto é.     A  dinâmica  crise‐restauração  incide  nas  relações  sociais  e  implica  o  redirecionamento  da  intervenção  do  Estado. válidos para todas as  classes.  mediante a racionalização do trabalho vivo pelo uso da ciência e tecnologia.  este movimento materializa‐se na criação de novas formas de produção de mercadorias.  da  submissão  intensificada.  Para  os  capitalistas. principalmente. como mecanismo para obtenção do consenso de classes em face das mudanças  realizadas  nos  processos  de  produção. Nesse processo devem  intensificar  os  métodos  de  trabalho.  modificar  as  formas  de  vida  operária e.  Do  ponto  de  vista  objetivo. as perdas salariais.passiva.     a  principal  tarefa  das  classes  dominantes  passa  a  ser  a  de  erigir  contratendências à queda da taxa de lucro. 217).  por  sua  vez.  trata‐se  do  seu  poder  ameaçado. o crescimento  do  exército  industrial  de  reserva  e  o  enfraquecimento  das  suas  lutas  e  capacidade  organizativa. engendrar as bases políticas e sociais  de  uma  iniciativa  que  permita  às  classes  dominantes  tornar  seus  interesses particulares em universais.  Este.     Segundo Braga (2003.     Vale  salientar  que  os  impactos  das  crises  apresentam‐se  diferenciados  para  os  trabalhadores  e  os  capitalistas. p.

 tais como:     ‐  A  intervenção  do  Estado  que.  pressionaram  a  incorporação.  em  função  da  articulação  orgânica  entre  ação estatal e gestão  da produção.  nos  países  centrais.mecanismos  legais  e  institucionais  de  regulação  da  produção  material  e  da  gestão  da  força de trabalho.  pelo  capital.  1995).1998). vindo a configurar  uma onda longa  expansiva.  socializando com o patronato parte dos custos de reprodução da força de trabalho. à legislação trabalhista e sindical. em torno de reivindicações  sociais  legítimas.  Para  tanto.  marcado por avanços tecnológicos. se redefinem as relações entre Estado. sociedade e  mercado. instituindo renovadas formas de intervenção relativas aos sistemas de  proteção social.     ‐  A  construção  do  pacto  fordista‐keynesiano  (BIHR.  foram  marcados  por  uma  fase  de  expansão  do  capitalismo.  no  lastro  das  políticas  keynesianas.  marcado  pelas  mobilizações sindicais e partidárias dos trabalhadores que.     2 As particularidades da crise contemporânea e da restauração capitalista      Os  anos  que  se  seguiram  ao  período  de  reconstrução  do  segundo  pós‐guerra.  determinando  medidas  de  ajustes  econômicos  e  de  reformas  e  contra‐ reformas sociais.  criou  mecanismos  estatais  voltados  para  a  reprodução  ampliada  dos  trabalhadores.  concentração  e  expansão  de  capitais.  Suas  características  foram  uma  intensa  centralização.  1992).  Este  período  foi  definido  como  fordista­keynesiano  (HARVEY. permitiu o aumento da produtividade do trabalho e  da  produção  de  mercadorias.  do  atendimento  de  parte  5 .  nos  termos  de  Mandel  (1990). em conformidade  com as particularidades de cada formação social.  mediante  a  internacionalização  da  produção  e  a  redefinição  da  divisão  internacional  do  trabalho  (MANDEL. Nesse contexto.  ampliação  de  empregos  e  salários  e  uma  forte  intervenção  do  Estado. além daquelas diretamente vinculadas  à política econômica.  foram  decisivos o amparo de fatores políticos.  caracterizada  por  altas  taxas  de  crescimento  econômico. que continuem garantindo a acumulação capitalista.  cujo  desenvolvimento  das  forças  produtivas.  estendendo‐se  até  os  anos  70.

     A incorporação dessas demandas se fez através da alocação de fundos públicos na  constituição de políticas econômicas e sociais.  como  expressão  concreta  de  ideologias  que  defendiam  a  possibilidade  de  compatibilizar  capitalismo. a ação estatal permitia a liberação de salários reais e o consequente aumento  da  demanda  por  consumo  de  mercadorias. ou seja.    esses serviços públicos tinham objetivos bem claros: a) responder  as  reivindicações  dos  fortes  movimentos  operários  que  se  insurgiam na época.  criando  as  condições  para  o  surgimento  da  produção e do consumo em massa.  via  políticas  sociais  públicas.das  suas  necessidades  sociais.  capital  e  trabalho.  ao  integrar  à  sua  dinâmica  econômica  parte  das  demandas  operárias  por  melhores condições de vida e trabalho. que se  tornou um dos principais pilares de sustentação institucional daquela fase expansiva do  capitalismo. típicos do regime fordista de produção.  operando  mudanças  nas  legislações  trabalhistas  e  nas  medidas de proteção social.  c)  oferecer  alternativas  de  fundos  de  reserva  públicos  disponíveis  para  serem  investidos  em  empreendimentos  privados  dos  capitalistas  (principalmente  na  6 .  a incorporação das demandas trabalhistas.     Estava posta a equação subjacente ao chamado pacto fordista‐keynesiano. aumento da produção e do consumo operário  e  estabelecimento  de  uma  relação  negociada  entre  Estado. bem‐estar e democracia.     Segundo Maranhão (2006).      Essa conjunção de fatores foi responsável pela constituição do Welfare State. b) assumir os custos de reprodução da força  de  trabalho  antes  pagos  exclusivamente  com  os  salários  dos  próprios  trabalhadores. o que favoreceu a ampliação do consumo  por  parte  dos  trabalhadores:  ao  tempo  em  que  desmercantilizava  o  atendimento  de  algumas  das  necessidades  sociais  através  de  salários  indiretos.

  principalmente  automóveis.  portanto.  propiciando  uma  base  produtiva  7 .      Esses  propósitos.  Concomitantemente  crescia  a  economia  capitalista.  se  coloca  como  grande  ameaça à sociedade capitalista.  assegurando  a  sua  virtuosidade entre os anos 40 e 70 do século XX. quando se instituem as bases formais e legais do que poderia  ser um Estado de Bem‐Estar Social.    A  plena  incorporação  das  economias  periféricas  ao  processo  de  reprodução  ampliada do capital ocorreu nos anos 70 do século XX.  mas  que  não  redistribuiu  os  resultados  dessa  expansão  com  a  maioria  da  população  trabalhadora. enquanto os países centrais garantiam a reprodução do crescimento econômico  com  desenvolvimento  social.  a  periferia  mundial  assistia  a  defesa  do  desenvolvimentismo  como  meio  de  integração  desses  países  à  ordem  econômica  mundial.  Merece.  naquela  fase  de  desenvolvimento.  mas  somente  redefinidas nos anos 80.  permitiram  alguns  ganhos  materiais  para  aqueles  trabalhadores. na Constituição de 1988 (MOTA. e) e.  A seus Estados nacionais coube a continuidade – embora com novas características – do  papel  de  indutores  do  desenvolvimento  econômico.  Todavia.  nesta  época. oferecer barreiras ideológicas à expansão  do  socialismo  do  Leste  que.     Diferente da trajetória que determinou o Welfare.  que  nesta  época  se  transformam  na  mola de expansão da acumulação do capital. 2006). mas  não menos importante. quando os países então chamados  subdesenvolvidos transformam‐se em campo de absorção de investimentos produtivos.  ser  ressaltada  a  inexistência  da  experiência  welfareana  no  Brasil  apesar  da  criação  de  algumas  políticas  de  proteção  social. finalmente.  d)  liberar  parte  do  salário  dos  trabalhadores  para  serem  gastos  com  bens  duráveis.produção  e  compra  de  bens  de  capital  que  impulsionaram  várias  inovações  tecnológicas).  alcançados  em  alguns  países  europeus.  instituídas  a  partir  dos  anos  40. o desenvolvimentismo no Brasil  foi  resultado  de  um  processo  de  modernização  conservadora  que  consolidou  a  industrialização  e  o  crescimento  econômico.

  do desemprego e do enfraquecimento do movimento sindical. a partir de então. um caráter muito mais defensivo  do que ofensivo às suas lutas sociais. que se dá a integração do Brasil à ordem econômica mundial. o mundo capitalista revela os  sintomas de uma crise de acumulação.integrada  às  necessidades  dos  oligopólios  internacionais.  graças  ao  apelo  ao  crédito  externo para o financiamento daquela base e da sua expansão. sistematicamente. vê‐se como foi possível afetar a combatividade  do movimento operário. em grande  medida.  assentada  num  duplo  movimento:  1)  a  redefinição  das bases da economia‐mundo através da reestruturação produtiva e das mudanças no  8 .     É. Na prática. nos  anos  iniciais  da  década  de  90.  numa  conjuntura  de  crescimento  da  pobreza.  donde  o  surgimento  de  novas  estratégias  de  subordinação da periferia ao centro.     Essa  situação  reverte‐se  na  década  seguinte.  sob  os  imperativos  do  capital  financeiro  e  do  neoliberalismo.  responsáveis  pela  redefinição  das  estratégias  de  acumulação  e  pela  reforma do Estado.     Qualificado  por  muitos  como  um  período  em  que  o  trabalho  perdeu  a  sua  centralidade.     No âmbito do sistema capitalista e da sua economia‐mundo. nesse marco.  a  tais  condições  se  soma o exaurimento do “socialismo real”. neutralizando. em tal período. do keynesianismo. isso se traduz em medidas de ajuste econômico e retração  das  políticas  públicas  de  proteção  social. a exportar capitais para o pagamento  dos empréstimos recebidos. marcada  pela perda dos referenciais erigidos sob o paradigma do fordismo.  fato  é  que  os  anos  que  se  seguiram  à  década  de  80  são  palco  de  um  processo  de  restauração  capitalista.  Se. obrigando tais países. imprimindo.  quando  se  inicia  a  crise  da  dívida  externa. instala‐se muito mais  do que uma crise econômica: estão postas as condições de uma crise orgânica. os avanços e conquistas sociais alcançadas pelas classes trabalhadoras nos anos  80. obrigando os países desenvolvidos a redefinirem  suas  estratégias  de  acumulação. do  Welfare  State  e  das  grandes  estruturas  sindicais  e  partidárias. Não por acaso.

  previdência..  materializado  no  novo  imperialismo.mundo do trabalho.  que  tanto  apresentam  mudanças  na  divisão  internacional  do  trabalho  como  redefinem a organização do trabalho coletivo.  saneamento.  Fundo  Monetário  Internacional  e  pela  Organização  Mundial  do  9 . reduzindo a fronteira entre os processos  de  “subsunção  real  e  formal”  do  trabalho  ao  capital  e  compondo  a  nova  morfologia  do  trabalho. à fiscalidade e ao atendimento.  inicialmente  através  da  venda  de  empresas  produtivas  estatais. àqueles  absolutamente impossibilitados de vender sua força de trabalho.  além  da  formação  de  oligopólios  globais  via  processos de concentração e centralização do capital.  a  íntima  relação  entre  o  capital  industrial  e  financeiro.  operacionalizado  pelo  Banco  Mundial.  com  as  fusões  patrimoniais.  habitação  etc. b) as transformações no mundo do  trabalho. a ação sociorreguladora do Estado se retrai.  pulverizando os meios de atendimento às necessidades sociais dos trabalhadores entre  organizações privadas mercantis e não‐mercantis. evidenciada na emergência de um novo imperialismo e de uma nova fase  do capitalismo.  sob  a  égide  da  liberdade de mercado e retração da intervenção do Estado.      Esse  projeto  de  restauração  capitalista.  seguindo‐se  uma  ampla  ofensiva  mercantil  na  área  dos  serviços  sociais  e  de  infra‐estrutura. marcada pela acumulação com predomínio rentista (HARVEY. 2004). A classe trabalhadora é  também  atingida  pelos  processos  de  privatização. através da assistência social.  educação.  teve  no  “Consenso  de  Washington”  sua  base  doutrinária  e  política. c) a reconfiguração do aparato estatal  e  das  ideologias  e  práticas  que  imprimem  novos  contornos  à  sociabilidade  capitalista.  tais  como  os  de  saúde.    Estes  movimentos  podem  ser  identificados  historicamente  em  medidas  que  indicam: a)  a  reestruturação  dos  capitais. 2) a ofensiva ideopolítica necessária à construção da hegemonia do  grande capital.  redefinindo mecanismos ideopolíticos necessários à formação de novos e mais eficientes  consensos hegemônicos.  amparados  pela  liberalização  da  economia. segundo a expressão de Antunes (2006).     Orquestrada pela ofensiva neoliberal. limitando sua responsabilidade social  à segurança pública.

 como vem acontecendo com o litoral do Nordeste. LEVY.  num  mesmo  processo  de  trabalho.  implicando  degradação  do  meio  ambiente.    No  âmbito  das  relações  e  dos  processos  de  trabalho. instaurando novas formas de cooperação.  desde  o  patenteamento  de  pesquisas  genéticas. até a privatização de bens públicos.   10 .  os  espaços  domésticos  não  mercantis  em  espaços  produtivos  por  força  das  terceirizações. transformado nas principais alavancas institucionais da integração e do ajuste  das economias periféricas às necessidades do capitalismo internacional.  o  trabalho  em  domicílio  etc.     No  novo  imperialismo. e criação de  nichos produtivos locais.  ampla  especulação imobiliária. afirma a sua  (ideologia)  como  universal.  de  onde  jorram  remessas  de  lucros. o que está em processo de  consolidação é a acumulação por espoliação sob o comando dos países ricos (HARVEY. como o salário  por  peça.     A marca da acumulação por espoliação tem sido a abertura de mercados em todo o  mundo.  passando  pela  mercantilização  da  natureza.  através  das  pressões  exercidas  pelo  Fundo  Monetário  Internacional.  2004. ao sitiar a ideologia dos seus opositores. 2004).  atividades  envolvendo  altas  tecnologias. entre outros.  ao  estimularem  a  aplicação  de  excedentes  ociosos  de  capital  –  que  não  encontram  empreendimentos  lucrativos  em  seus  países  de  origem  –. onde se incluem e se ajustam. com a transformação de  serviços  sociais  em  negócios.  através do direito de poluir. PETRAS. DUMENIL.  investem  nos  países  periféricos..  Este  processo  torna‐se  campo  de  investimento  transnacional.  ocorrem  mudanças  substantivas – seja através da reedição de antigas formas de exploração.  Do  ponto  de  vista  macroeconômico.  em  oposição  à  acumulação expandida.  a  hegemonia  vem  sendo  exercida  pelos  Estados  Unidos.  através  do  uso  de  estratégias  que  combinam  coerção  e  consenso.  transformando.  pretendendo  uma  espécie de governo mundial que.  seja  instituindo novos processos de trabalho que externalizam e desterritorializam parte do  ciclo produtivo.  Banco  Mundial  e  Organização  Mundial  do  Comércio  que.  entre  outros.  superespecialização e precarização.Comércio. 2002. que marcou boa parte do século XX.

  essas  mudanças  somente  se  tornam  possíveis  pela ofensividade do capital para construir outra subjetividade do trabalho.  programas  de  participação  nos  11 .  a  heterogeneidade  de  regimes  de  trabalho.  inicialmente  ela  é  marcada  pela  redução  de  postos  de  trabalho  e  pelo  aumento  da  produtividade  que  dependeram  da  reorganização  da  produção.  contando  com  uma  mão‐de‐obra  barata.  Segundo  Antunes  (2006.     Nos anos 1990.  cidade.)  da  produção  nos  países  centrais.  p.  Trata‐se  de  construir  um  novo  trabalho/trabalhador  coletivo  à  base  de  uma  nova  divisão  internacional  e  sociotécnica  do  trabalho. ela se intensifica sob o influxo da acumulação flexível e do modelo  japonês  –  o  toyotismo  –  quando  a  produtividade  é  potenciada  pela  implantação  de  formas  diversas  de  subcontratação  e  terceirização  da  força  de  trabalho. do surgimento dos CCQs e dos sistemas de produção just­in­time e  Kanban.  enquanto  transfere  para  os  países  periféricos  o  trabalho  sujo  e  precário. quando predominavam as concentrações  operárias  numa  mesma  fábrica.  além  da  descentralização das unidades de produção.  De  certa  forma.  região  ou  país  e  se  expandiam  os  sistemas  de  seguridade social.      Ao contrário do que ocorria no século XX.  que  mantém  a  parte  nobre  (planejamento.  entre  outros. o capitalismo contemporâneo prima por desterritorializar o trabalho  e  as  mercadorias  e  por  precarizar  as  condições  e  relações  de  trabalho.  designers  etc.  afetando  sobremaneira as condições de vida dos trabalhadores e a sua capacidade de organização  e resistência.  a  dispersão espacial e a desproteção dos riscos do trabalho.  da  intensificação  da  jornada de trabalho.     No Brasil. implantando  mecanismos  participativos  e  instituindo.  projetos. cujas fábricas são transferidas para regiões  sem  tradição  industrial. o processo de reestruturação produtiva começa ainda durante a década  de  1980  com  a  informatização  produtiva.  os  programas  de  qualidade  total  e  a  implantação  de  métodos  de  gestão  participativa.  16).  pesquisa  em  C  &  T.

  oferece  como  resultante  um  aumento  da  superexploração do trabalho.  se  transforma  no  foco  das  políticas  denominadas  de  transferência  de  renda  ou  de  renda  mínima  e  ingressa.  o  que  concorre  tanto  para  um  maior  controle  de  riscos  dos  seus  empreendimentos. contando com novas tecnologias de processamento de informações.  relações  de  trabalho  estáveis  e  precárias  e  novos  processos  produtivos  que  mesclam  práticas  inspiradas  no  toyotismo  com  práticas  fordistas  e  até  processos  que  remontam à produção simples de mercadoria.  Para  tanto. cujos coletivos são fragmentados.    A  produção  em  massa  de  produtos  padronizados. através  das  fusões  patrimoniais  transacionais.lucros ou.  Essa  população  excedente. ainda.  nos  mercados consumidores internos.  segundo  Antunes  (2006. traço constitutivo e marcante do capitalismo brasileiro.    12 .  cede lugar à produção seletiva. transformando parte dos trabalhadores em acionistas minoritários das  empresas reestruturadas.  composta  pelas  classes  médias  e  proprietárias.  que  marcou  o  regime  fordista.  as  corporações  inauguram  novas  formas  de  gerenciamento  e  controle.  não  por  acaso.  como  para  o  aumento  da  sua  capacidade  de  coordenar  a  produção  mundial.  p.  onde  convivem  setores  tradicionais  e  modernos.                                                                                                                                                                                               Mesmo  comportando  formas  diferenciadas. o que lhes  permite  conciliar  a  centralização  do  capital  com  a  descentralização  das  operações  financeiras e dos processos de trabalho.     Ao contrário dos trabalhadores. o capital.  19).  Torna‐se  inútil  para  a  produção  uma  parte  da  população  destituída  dos  meios  de  produção  e  da  condição  de  vendedores  de  força  de  trabalho.  preferencialmente de produtos de luxo.  mesmo  que  residualmente.  aumenta  a  sua  capacidade  de  concentração  e  centralização. essa combinação de padrões produtivos. consumida por  não  muito  mais  que  30%  da  população  mundial.

  os  países  periféricos  têm  se  transformado em imensos reservatórios de força de trabalho barata e precária para as  megacorporações transnacionais.  contando  para  isso  com  a  desregulamentação  operada  pelo  Estado  através  da  liberalização  dos  mercados. temporários ou por conta própria.  os  denominados  “catadores  de  lixo”.  integram  a  cadeia  produtiva  da  reciclagem.  Embora  se  apresente  como  uma  forma  “autônoma”  de  produção  da  riqueza.  que  visam  incrementar  superlucros  (MARANHÃO.De  igual  modo.  mas  que  encerra  uma  enorme  funcionalidade.  Nessa  dinâmica.  2006). integram a superpopulação flutuante  e estagnada a que se referiu Marx ao tratar sobre Lei Geral da Acumulação (MARX). transformando‐se em peça chave  da  acumulação  por  espoliação. cuja  função econômica é empurrar os salários dos trabalhadores ativos para baixo.  os  trabalhadores  e  pequenos produtores rurais que fornecem matéria‐prima para a produção do biodiesel e  as mulheres que costuram por facção para a indústria de confecção.  Trata‐se  de  um  movimento  aparentemente  contraditório.     Esses trabalhadores e trabalhadoras.  o  atual  padrão  de  acumulação  capitalista  tem  desenvolvido  mecanismos  de  desvalorização  da  força  de  trabalho. Contudo. em tese.  o  13 .  qual  seja:  o  mesmo  processo  que  determina  a  expulsão  de  trabalhadores  da  produção  intensiva  de  mercadorias  também  ocasiona  a  inserção  precarizada dessa força de trabalho em novos processos combinados de trabalho.  baseado  na  produção  da  mais‐valia.  o  que  é  impossível  no  modo  capitalista  de  produção.  Aqui.  os  exemplos  mais  emblemáticos  são  o  da  produção  de  mercadorias  à  base  da  reciclagem  de  materiais.     Neste processo. cujos  sujeitos são conceituados de trabalhadores informais. deve‐se destacar a financeirização da economia.  com  o  intuito  de  criar  uma  economia  mundial  baseada  na  intensificação  dos  regimes  de  extração  da  mais‐valia  e  de  barateamento  da  força  de  trabalho.  na atualidade. na base da qual se  encontra a orgânica vinculação entre as grandes corporações produtivas transacionais e  as  instituições  financeiras  que  passam  a  comandar  a  acumulação. cujo trabalho é pago  por peça. essa superpopulação é refuncionalizada.  cujos  vendedores  de  matéria‐prima.

  transformar  o  cidadão  sujeito  de  direitos  num  cidadão‐consumidor. o trabalho e destes com o Estado.  entre  eles. através da exploração do trabalho pelo capital.     3 Implicações na organização política dos trabalhadores    É  inegável  que  as  transformações  operadas  no  interior  da  produção  capitalista.  Inicialmente atingiram as economias centrais e posteriormente se espraiaram nos países  periféricos.  uma  das  maiores  perdas  para  os  trabalhadores  foi  o  comprometimento  do  seu  potencial  político‐organizativo.     A ofensiva político‐social e ideológica para assegurar a reprodução deste processo. passa pela chamada reforma do Estado e pela redefinição de iniciativas  que devem ser formadoras de cultura e sociabilidade.  onde  se  inclui  o  Brasil. além de potenciar o fetichismo da mercadoria. de forma inaudita. a precarização  do trabalho e o agravamento da pobreza.  produzindo  um  cenário  no  qual  convivem  a  acumulação e concentração da riqueza com a ampliação do desemprego. imprescindíveis à gestação de uma  reforma  intelectual  e  moral  (MOTA.  como já referido.  desde  os  finais  dos  anos  1970.     Amparada  pela  naturalização  da  mercantilização  da  vida.  2000)  conduzida  pela  burguesia  para  estabelecer  novos parâmetros na relação entre o capital.  entre  outros  objetivos.  e  a  classe  trabalhadora  em  sócia  dos  grandes  negócios  (MOTA.capital financeiro.  o  trabalhador  num  empreendedor.  Este  comprometimento  se  deveu  a  diversos  fatores.     Nesse  quadro.  essa  reforma  social  e  moral  busca.  operaram  mudanças  radicais  e  substantivas  nos  processos e nas condições de trabalho de milhares de trabalhadores em todo o mundo.  as  novas  práticas  de  gestão  da  força  de  trabalho.  2006).  cujas expressões mais visíveis foram a “cultura” participativa inaugurada com os CCQs e  as  modalidades  de  externalização  de  parte  dos  processos  de  trabalho  através  das  14 . cria  outro fetiche: o de que dinheiro se transforma em capital prescindido da base material  originada na e pela produção capitalista.  o  desempregado  num  cliente  da  assistência  social.

 p. 2006.  os  mecanismos  de  externalização  imprimiam  novos  meios  de  controle  e  dominação  sob  o  argumento  da  autonomia  do  trabalhador  por  conta  própria  e  da  ideologia  da  empregabilidade.terceirizações. como está acontecendo no Brasil.  ao  dispersar  as  concentrações  operárias.     Contudo.  esgarçaram  as  condições  necessárias à organização dos trabalhadores nos seus locais de trabalho e nos sindicatos  por categoria profissional.  do  trabalho  em  domicílio.     15 .  mesmo  recorrentemente  ameaçados  e  desqualificados  pelas  classes  dominantes e pela burocracia sindical. O ambiente político deste processo  é representado pela desestruturação do mercado de trabalho.  por  tarefa.     A  estas  práticas  acrescenta‐se  a  progressiva  expansão  do  exército  industrial  de  reserva. 450).  da  compra  de  serviços.  o  que  favorece  o  rebaixamento  salarial  e  possibilidades  inimagináveis de precarização.  resultando  numa  grande  diversidade  de  questões  e  interesses  que  rebatem nas motivações e prioridades das suas lutas. é  possível  identificar  a  existência  de  movimentos  de  resistência  e  de  defesa  de  direitos  conquistados  que.  nas  mulheres  e  trabalhadores  qualificados  e  não  qualificados.  inclusive  ao  gerar  impactos  diferenciados  nos  jovens.  além  de  fragilizar o núcleo do trabalho estável e organizado (SANTOS. vêm obrigando  o governo a fazer negociações e a produzir recuos no legislativo. tanto pela flexibilização da  produção quanto pela da gestão das relações produtivas. introduzindo novas formas de  contrato  de  trabalho  e  criando  um  mosaico  de  situações  jurídicas  e  profissionais  que  tornam  menos  visíveis  os  laços  de  classe  existentes  entre  os  trabalhadores.  cuja  formação  seja  consubstanciada  por  desempregados  temporários  ou  permanentes  engrossa  as  fileiras  da  força  de  trabalho  disponível  e  disposta  a  assumir  qualquer  tipo  de  emprego.  Outro  fator  preponderante  foi  a  desterritorialização  das  firmas  que.  Enquanto o participacionismo alimentava a passivização do trabalhador nos seus locais  de  trabalho.        Todas  estas  situações  afetam  a  composição  da  classe  trabalhadora. apesar dessa desmontagem da prática organizativa dos trabalhadores.  etc.

 As  consequências  dessa  fragmentação  na  composição  e  ação  política  das  classes  trabalhadoras resultam num processo de passivização da suas lutas.  de  que  são exemplos o Fórum Mundial das Alternativas realizado no marco da reunião de Davos  em 1999 e iniciativas em redes como a Ação para Tributação das Transações Financeiras  em  Apoio  aos  Cidadãos  (ATTAC). fragmenta as identidades e necessidades daqueles que vivem do seu trabalho. presencia‐se uma ampliação  das  lutas  sociais  mundiais.Os  resultados  políticos  da  ofensividade  das  classes  dominantes  têm  sido  a  fragmentação  dos  interesses  classistas  dos  trabalhadores  e  a  proliferação  de  movimentos  sociais  “extraeconômicos”  e  “transclassistas”.  a  Coordenação  Contra  os  Clones  do  Acordo  Multilateral  sobre  o  Investimento  (CCCAMI).     Malgrado a condição defensiva da classe trabalhadora.  que.  que  propõe  taxar  em  1%  as  transações  especulativas  nos  mercados  de  divisas. POLET.  Ao  mesmo  tempo  em  que  a  burguesia consegue articular e agregar os interesses dos capitais de todas as partes do  mundo.  além  do  projeto  Alternativa  Bolivariana  para  América  Latina  e  Caribe  (ALBA). SETÚBAL.  o  movimento  em  defesa  da  cobrança  da  Taxa  Tobin.  abraçada  por  setores  da  esquerda  Latinoamericana e Caribenha. as lutas sociais – apesar de presentes em todo o cenário mundial  (HOUTART. 2003. LEHER.  consoantes  com  a  ofensiva  financeira  mundializada.     Como  a  história  não  acabou. PETRAS. 2000) – perdem força com  a  fragilização  do  movimento  operário.  tem  baixa incidência nas questões afetas às relações e processos de trabalho.     Em certa medida.  é  importante  enfatizar  que  o  que  está  em  jogo  é  a  capacidade  das  classes  subalternas  desmontarem  o  projeto  e  as  práticas  das  classes  16 .     O  andamento  dessas  práticas  demonstra  a  imperiosa  necessidade  de  uma  articulação  global  que  conduza  o  movimento  sindical  a  adotar  estratégias  políticas  globais  através  de  uma  articulação  orgânica  com  os  movimentos  sociais  e  as  lutas  espontâneas das classes subalternas contra a lógica do capital.  ao  adquirir  um  caráter  de  resistência.  em  contraposição  ao  projeto  comercial  da  ALCA. 2005.

dominantes ao tempo em que constroem o seu projeto – radicalmente anticapitalista e  em defesa de uma sociedade para além do capital.     17 .

 v.  HOUTART. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2004. São Paulo: Boitempo.  São  Paulo/Campinas: Ensaio/Unicamp..    MANDEL. A crise de 1929 e o debate sobre a teoria da crise. In: Políticas Sociais: alternativas  ao neoliberalismo.  H..  (Org.  São  Paulo:  Boitempo.    18 . São Paulo: Boitempo.    DUMENIL.    HARVEY. G.  São  Paulo: Boitempo.    MARANHÃO. In: MOTA.    ______. Trabalho e Sindicalismo no Brasil dos anos 2000 – Dilemas da era neoliberal. São Paulo: Editora Unicamp.  Riqueza  e  miséria  do  Trabalho  no  Brasil. 1992. São Paulo:  Xamã.    ANTUNES. D. 2005. 2003. O Novo Imperialismo. A. O estado das lutas/2003. 1995.    BRAGA.  2006.    AMIN. 1998.. Limites do desenvolvimentismo sustentável.  A. A.) O Mito da Assistência Social: ensaios sobre Estado.  Trabalho  e  Superpopulação:  crítica  ao  conceito  de  exclusão social.). In: HOBSBAWM. Condição Pós­Moderna. 2006.  S.  Acumulação. G.  J.  Os  fatos  e  sua  interpretação  marxista.  (Org. E. Brasília: Gráfica e Editora Kaco. PIERRE. 2 e 3.    BIHR.  Da  grande  noite  à  alternativa:  o  movimento  europeu  operário  em  crise.  México: Universidad Autónoma de Zacatecas. 1996. Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil.  In:  ANTUNES. 2004. São Paulo: Abril Cultural. São Paulo: Loyola.  (Org. (Org. Cadernos do Cárcere.  C.    FLORADORI. R. 8.    ______. São Paulo: Loyola. LÉVY.    ALVES. 2001. v.    ______.) História do Marxismo. E. 1989. Miguel Angel Porrúa.    ______. R. 2000. 2006. G. Recife: Ed.  Política e Sociedade. São Paulo: Cortez.Referências    ALTVATER. Desacuerdos sobre el desarrollo sustentable. 1990.  Fórum  Mundial  das  Alternativas.  Mundialização  das  resistências. Universitária da UFPE.  R. XXV. Sustentabilidad. D.  E. A restauração do capital: um estudo sobre a crise contemporânea. O capitalismo tardio. O imperialismo na era neoliberal. E.  F.). Cap.  A  Crise  do  Capital. Rio de Janeiro: Paz e Terra.    GRAMSCI. 2004. A nostalgia do fordismo. N.

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