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A IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO DOCENTE NA FORMAÇÃO DENOVOS PROFISSIONAIS

A IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO DOCENTE NA FORMAÇÃO DENOVOS PROFISSIONAIS

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Gilnei Mira Santos – Bacharel em Enfermagem pela Universidade Nove de Julho.

A IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO DOCENTE NA FORMAÇÃO DE NOVOS PROFISSIONAIS.

Área de Concentração: Educação, Saúde.

Artigo apresentado a Universidade Nove de Julho referente ao Trabalho de Conclusão de Curso II para obtenção do título de Enfermeiro

São Paulo 2010

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INTRODUÇÃO O surgimento da ideia moderna da profissão de enfermagem se dá na Inglaterra, no século XIX, em especial quando Florence Nightingale inicia seu trabalho de assistência à saúde dos feridos na Guerra da Criméia. Florence Nightingale foi de grande importância na participação da construção da enfermagem instituída como profissão através de seus saberes e práticas. Florence contribuiu de forma grandiosa para os ensinamentos, além de defender suas posições com base em prévia investigação através de treinamentos organizados, práticos e científicos entendia que o profissional em enfermagem deveria ser uma pessoa capacitada a servir, com grande capacidade de raciocínio e conhecimentos1. Após a guerra, Florence fundou uma escola de Enfermagem com disciplina rigorosa, do tipo militar, que era uma das principais características da escola nightingaleana, bem como a exigência de qualidades morais das candidatas. O curso, de um ano de duração, consistia em aulas diárias ministradas por médicos. Logo surgiram outras escolas que utilizavam o modelo de Florence como base para o ensino. Foram muitas dificuldades que as escolas tiveram que enfrentar, como a falta de compreensão pela sociedade com relação aos valores necessários ao desempenho da profissão, mas logo as escolas ganharam mundo e a filosofia de Nightingale foi reconhecida, respeitada e utilizada com base em treinamento contínuo de enfermeiras, estreitamento de relações das escolas com hospitais, e as Enfermeiras profissionais ficaram responsáveis pelo ensino, ao invés de pessoas não envolvidas em com a profissão. Em 1973, através da Lei 5.905, foram criados os Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem no Brasil, com o intuito de disciplinar o exercício dos profissionais de Enfermagem2. Somente a partir de 1986 foi promulgada a Lei nº 7.498 que dispõe sobre a regulamentação do exercício profissional de enfermagem ocorrendo um crescimento no número de escolas de enfermagem de nível superior e médio que buscava desenvolver uma nova consciência moral

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e intelectual para a profissão, preparando um trabalhador crítico, com competência para participar das resoluções dos problemas de saúde, do ser humano e da vida3. A Enfermagem é uma Área do conhecimento que abrange atividades como, cuidados e educação tanto no ambiente hospitalar como em escolas, empresas e comunidades. Tanto em cuidados terciários (quando a doença já está instalada) quanto em cuidados primários (prevenção de doenças). Dentre as diversas formas de atuação do enfermeiro, trazemos a prática educativa que vem se destacando tanto na formação de novos profissionais como nas estratégias de promoção à saúde contribuindo muito com o desenvolvimento saudável da população. A formação de docentes enfermeiros possibilita a disseminação de novos profissionais cada vez mais bem preparados para levar informação tanto em ambientes hospitalares quanto à população em geral, atuando como principais mediadores na transformação de pessoas. Atualmente a educação em saúde voltada a área docente na formação de enfermeiros, técnicos e auxiliares, representam uma modalidade que vem se desenvolvendo muito e sua formação é de grande importância, pois é a partir destes profissionais formadores de ideias que novos profissionais serão inseridos no mercado de trabalho, assumindo a responsabilidade de cuidar do ser humano em conjunto com outros profissionais de saúde4. A formação do docente em enfermagem deve ser baseada em conhecimentos científicos e no processo contínuo de aprendizado, criando sempre novos programas de aprendizagem através de pesquisas bibliográficas e demonstrações técnicas visando atender aos alunos de forma coletiva incentivando o raciocínio crítico e valorizando o universo cultural dos acadêmicos. Portanto, a tarefa do professor é se utilizar de todos os métodos disponíveis com o intuito de formar pessoas capacitadas a pensar e gestar soluções. A função do docente não deve se limitar ao simples ato de transmitir informações, se faz necessário que este atue como mediador do processo ensino-aprendizagem incitando os alunos a ampliarem a sua forma de

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ver o mundo e interagir com o meio onde vivem buscando resultados satisfatórios para solução de problemas coletivos5.

OBJETIVO Conhecer e mostrar a importância do enfermeiro docente no processo formativo de novos profissionais de enfermagem.

METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa exploratória, realizada por meio de uma revisão da literatura junto a periódicos indexados em bases nacionais e internacionais. Para a seleção dos artigos a serem revisados, foram utilizados os descritores “docência”, “educação”, “enfermagem”, “professores”, “importância” e “formação”. O material foi conseguido através da utilização de ferramentas eletrônicas de pesquisa junto aos laboratórios de informática da Universidade Nove de Julho (UNINOVE) e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

DESENVOLVIMENTO O enfermeiro desenvolve funções educacionais muito importantes, não só no âmbito escolar como perante a população, participando de diversos programas e atividades de educação em saúde com o intuito de trazer melhorias para a população em geral. A enfermagem é uma profissão diretamente ligada a questões educacionais, pois educar é uma das mais importantes atribuições do enfermeiro, este deve ser um profissional completamente capacitado para orientar, ensinar, e mostrar alternativas nas diversas problemáticas que fazem parte do contexto social6.

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Educar é estimular o gosto pelo aprendizado demonstrando a importância dos conhecimentos para a vida e para o trabalho, criando situações estimulantes do pensamento, produzindo e relacionando aspectos da realidade, preocupando-se com a solidez dos conhecimentos e encaminhando os aprendizes para desenvolver o pensamento crítico independente. Sendo a educação um processo continuo e permanente, é de grande valor à atenção do educador em relação a não somente repassar os seus conhecimentos aos alunos, mas também incentiva-los a andar com suas próprias pernas realizando pesquisas e desenvolvendo atividades acerca do seu tema de interesse. O êxito para uma formação de qualidade depende muito da coragem e ousadia do educador de experimentar novas formas de ensino. Faz-se necessário acreditar na educação como uma força fundamental para desenvolvimento de relações interpessoais, e crescimento pessoal de forma integral e até mesmo proporcionando melhor qualidade de vida, e não simplesmente uma educação que vise somente à conquista de um emprego. Assim estaremos dando um passo no sentido de ter uma educação de qualidade contribuindo para o processo de transformações do cotidiano7. Paulo Freire, considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, via a arte de educar como uma oportunidade de transformação e libertação. Freire pregava uma forma de oferecer educação diferente para cada tipo de pessoa dependendo de onde este indivíduo estivesse inserido, levando em consideração a forma de ouvir, sentir se vestir e de ser de cada um, trazendo atividades que fizessem parte do seu contexto diário. Defendia que a educação deveria ser oferecida de forma solidária, dialogada, sem arrogância ou supremacia buscando a união do saber, conhecimento, vivência, comunidade, escola e meio ambiente, resumindo-se a um trabalho coletivo. Desta forma, a teoria e filosofia da educação, pensada por Freire tem colaborado de forma significativa na construção de programas educativos na enfermagem, incorporando uma educação crítica e problematizadora, tendo como ponto principal a discussão de temas importantes com seus educandos, compreendendo o real valor

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da educação, trazendo uma proposta de ensino além do simples monólogo oferecido pelo educador, entendendo quem é o aluno, valorizando sua cultura dando espaço para suas opiniões indo contra aqueles conteúdos programáticos pré-estabelecidos. O enfermeiro, em sua prática docente poderá guiar-se pelas ideias de Freire, mostrando aos seus educandos que é preciso valorizar as diferentes culturas, e dar voz aos pacientes para que estes possam expressar seus sentimentos. Assim a enfermagem poderá se aproximar mais de seus clientes construindo uma prática libertadora, crítica e valorizada8. Atualmente, por decisão do Conselho Regional de Enfermagem (COREN) e Conselho de Educação Estadual de São Paulo, para atuar como docente no curso de enfermagem no estado, se faz necessário que o enfermeiro seja especializado com Licenciatura Plena (Curso de docência para enfermeiros) e uma parceria da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN) e do COREN oferece os instrumentos para exercer a docência de modo profissional, eficiente, ético e responsável através da capacitação para os enfermeiros que já estão na docência, mas não têm a formação acadêmica em ensino, e a atualização, para aqueles enfermeiros habilitados para a docência em cursos de especialização, ou que tenham a licenciatura plena13. Acredita-se que a docência na enfermagem, assim como em qualquer outra área, encontra alguns pontos que dificultam o bom desenvolvimento do processo formativo, entre eles, podemos citar: Foco fechado somente em torno dos assuntos de interesse do curso com pouca abertura para outras áreas do conhecimento, pouco incentivo a pesquisa, pouco estimulo do raciocínio critico, apego a programas de aula pré-estabelecidos, avaliações por meio de provas e outros métodos tradicionais muitas vezes sem considerar outros critérios e pontos fortes do aluno, professores pouco preparados que, mesmo quando intitulados por doutorado e/ou mestrado, são desprovidos de competências para exercer a função de educadores, e por este motivo encontra dificuldades para atingir o aluno como deveria. É comum ainda encontrar alguns profissionais docentes pouco preparados que chegam a agir de forma a dificultar o

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aprendizado, ofuscando a criatividade e senso crítico, agindo com falta de ética profissional de forma arrogante e autoritária, chegando a causar até mesmo desestímulo e, em alguns casos, a evasão dos cursos9, 10, 11. Cada vez mais, a questão da educação vem sendo destacada de forma reflexiva discutindo métodos que visem melhorar a qualidade de ensino. Na enfermagem, a docência vem trazendo questões que objetivam criar um modelo docente qualificado, que construa a união da teoria com a prática, utilizando de técnicas pedagógicas inovadoras, incentivando o pensamento, trazendo ao aluno questões sociais cotidianas e com isso formar profissionais críticos preocupados com a construção de uma sociedade consciente9, 10. É de grande importância que o docente em enfermagem disponha de facilidade de comunicação, seja preparado para planejar, implementar e participar dos programas de formação e qualificação, trabalhando para uma educação precisa, integral e interdisciplinar, utilizando de bases critico-reflexivas, incentivando os alunos a adquirir competências e habilidades que visem uma melhor qualidade de vida ao ser humano na sua integralidade10, 12.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo deixa alguns pontos importantes para reflexão acerca da formação de enfermeiros docentes, enfocando a importância deste profissional na área educacional e sua importante participação na disseminação do conhecimento e formação de pessoas capacitadas para atuar no processo de cuidados voltados ao ser humano. O fato de se exigir especialização em docência, Mestrado ou Doutorado para que o enfermeiro seja capacitado a lecionar não garante que isso necessariamente afete na melhoria da qualidade de ensino, se faz necessário que haja uma conscientização do enfermeiro com respeito à responsabilidade e poder que lhes é confiado quando dado a oportunidade de preparar novos profissionais colegas que poderão

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atuar juntos em uma mesma instituição. Entendendo de forma clara qual é o seu papel enquanto docente, o enfermeiro certamente atentará para suas ações buscando oferecer o máximo de qualidade e empenho com o intuito formar uma geração de enfermeiros que faça jus a ideia de profissionais que têm muito a oferecer à sociedade.

REFERÊNCIAS 1. Costa R. Padilha MI, Amante LN, Costa E, Bock LF. O legado de Florence Nightingale: Uma viagem no tempo. Texto Contexto Enfermagem 2009; 18(4): 661-9.

2. Carraro V, Lempek, IS. História da Enfermagem, Escola de Enfermagem – UFRGS –
Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica.

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4. Souza ML, Wagner W, Gorini MIPC. Educação em Saúde, uma Estratégia de Cuidado ao Cuidador Leigo. Rev Latino-am Enfermagem 2007; 15(2):167-5. . 5. Rodrigues MTP, Sobrinho JACM. Enfermeiro professor: um diálogo com a formação pedagógica. Revista Brasileira de Enfermagem 2006; 59(3):456-9. . 6. Oliveira HM, Gonçalves MJF. Educação em Saúde: Uma Experiência

Transformadora. Revista Brasileira de Enfermagem 2004; 57(6):761-3.

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7. Chiodelli N, Do Prado ML. Educación continua en el trabajo: Nuevos desafíos para los profesionales de Enfermería. Invest. Educ Enferm. 2007; (25)1: 100-105.
8.

Miranda KCL, Barroso MGT. À Contribuição de Paulo Freire à Prática e Educação Critica em Enfermagem. Rev Latino-am Enfermagem 2004; 12(4):631-5.

9. Faria JIL, Casagrande LDR. A educação para o século XXI e a formação do professor reflexivo na enfermagem. Rev Latino-am Enfermagem 2004; 12(5):821-7.

10.

Fernandes CNS. Refletindo sobre o aprendizado do papel de educador no processo de formação do enfermeiro. Rev Lati Noam Enfermagem 2004; 12(4):691-3.

11.

Valsecchi

EASS,

Nogueira

MS.

Comunicação-Professor

Aluno:

Aspectos

Relacionados ao Estágio Supervisionado. Revista Ciência, Cuidado e Saúde 2002; 1(1)133-143.

12. Silva KL, Sena RR. A formação do enfermeiro: construindo a integralidade do cuidado. Rev Bras Enferm 2006; 59(4): 488-91.

13. Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo (COREN-SP). www.corensp.org.br.

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