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HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

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HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

Os primeiros estudos das Ciências que se desenvolveram, há séculos atrás, foram os que tratavam das coisas mais distantes do homem, como por exemplo, a Astronomia. Já as Ciências que se preocuparam com o desenvolvimento do comportamento Intelectual e afetivo do ser humano, ou com quaisquer relações com o ser humano, desenvolveram-se muito mais tarde. Entretanto, apesar de ser uma Ciência jovem o homem sempre tentou explicar a si mesmo e a própria conduta, e encontravam explicações pelo sobrenatural, como por exemplo, “indício da cólera dos deuses”. No século VI AC, foi através da Filosofia que houveram as primeiras explicações para os eventos naturais em função de outros semelhantes,

tentando sistematizar uma Psicologia. Como Sócrates, desde 470-395 AC, e também Platão, de 427347 AC, com seus estudos filosóficos, fizeram com que se despertasse o interesse pela natureza do homem. O primeiro, defendia a relação entre o pensamento e a realidade como fonte e origem para o conhecimento levantando, desta forma, as questões que até hoje se discutem na psicologia,mas que na época faziam parte dos questionamentos dos filósofos. Os posicionamentos destes filósofos, Sócrates e Platão, não apresentavam explicações científicas, mas sim, explicações moralistas, éticas e por abordagens racionalistas.

Dando seqüência ao pensamento dos filósofos, seguiremos uma linha de tempo procurando entender a essência de cada uma das teorias.

Começaremos por Aristóteles, de 384-322 AC, que é apontado como o primeiro filósofo a observar os eventos naturais buscando sua compreensão.

A partir de suas observações, afirmava que o conhecimento tinha origem nas evidências dencias proporcionadas pelos sentidos. Estudava a forma como aconteciam as aprendizagens,identificando em suas obras as : - funções cognitivas (sensação, memória, associação). - e a influência da experiência no ato de conhecer.

Mas foi somente em 1250, quando Tomás de Aquino adaptou as obras de ARISTÒTELES ao Cristianismo é que suas idéias projetaramse e alcançaram grande repercussão. Os fundamentos empíricos da Psicologia (introduzidos por Aristóteles) foram usados por Aquino na associação com as crenças religiosas. Nesta fase da Idade Média, os estudos sobre os fenômenos naturais eram considerados nocivos para a salvação da alma e não foram levados adiante. Assim como o estudo do próprio organismo humano era rejeitado por muitos, pois acreditava-se que o corpo era o “sacrário da alma”.

Antes de prosseguirmos, faça um esquema seguindo a seqüência temporal, o nome de cada filósofo, data e suas idéias. Isto facilitará seu auto-estudo e a continuação deste tópico, está bem?

Posteriormente, foi com René Descartes (1596-1650), filósofo francês, que a curiosidade sobre o ser humano e com o funcionamento de sua mente, foi criada sua teoria sobre o dualismo psicofísico. Esta teoria dizia que o homem era constituído de duas realidades: uma material, o corpo (cujos movimentos seriam previsíveis e apresentariam diversidade de processos fisiológicos como, por exemplo, a alimentação, o sistema nervoso etc); e outra imaterial, a alma (livre dos determinismos físicos). Sendo a mente exclusividade do homem ela tem atividades próprias como conhecer, recordar, raciocinar. O corpo e a mente, em interação, produz algumas atividades específicas como a sensação, a imaginação e o instinto.

Com esta concepção de HOMEM, Descartes sugeriu duas áreas específicas de estudo:

- o estudo do CORPO (que deveria interessar à Ciência ) - e o estudo da ALMA ou da MENTE (que seria o objeto de estudo da Filosofia )
Descartes,portanto, influenciou profundamente a filosofia nos dois séculos seguintes.Seus estudos dividiram-se em duas escolas de pensamento:
• •

o empirismo inglês e o racionalismo alemão.

O EMPIRISMO, cujo representante foi John Locke (1632-1704), ampliou a idéia Aristotélica sobre os sentidos como fonte de conhecimento onde : “... a mente humana era uma tábula rasa, a qual recebia as impressões que chegam aos sentidos, gerando, mediante uma atividade interna de reflexão, todo o conhecimento”. No Empirismo valorizava-se os processos perceptivos e a aprendizagem no desenvolvimento da mente e para isto o meio ambiente foi considerado de grande importância, pois estimula

a percepção que é a base do conhecimento. O cérebro ao receber os estímulos sensoriais processa a informação. Nele são impressos, pela experiência, todas as idéias e conhecimentos. Já no RACIONALISMO o autor, considerado hoje como o mais “influente” desta teoria educativa do século XIX , foi Herbart (1776-1841). Ele defendia a idéia de que “a psique” humana mostra uma tendência à autoconservação de maneira que as sensações e as idéias que vão sendo formadas são frutos das experiências do ser humano e que, pela lei da associação, permanecem e influem nas aprendizagens posteriores. Essas idéias e sensações constituem um “massa aperceptiva”, ou seja, “... um conjunto de representações que exerce uma influência sobre as experiências posteriores proporcional ao nível de consciência que a pessoa tiver sobre elas”.

No Racionalismo, acreditava-se que a mente tem capacidade inata para gerar idéias, independentemente dos estímulos do meio. Nesta teoria o papel da pessoa era enfatizado no processo de percepção, afirmando que a percepção é ativamente seletiva o que resulta em interpretações individuais das informações produzidas pelos órgãos dos sentidos, que podem ser bastante diferentes entre si. Preocuparam-se mais com as atividades da mente como as de perceber, recordar, raciocinar, desejar, enfatizando o conceito de faculdades mentais, isto é, capacidades especiais da mente para realizar determinadas atividades. As controvérsias entre as teorias, empirista e racionalista, permaneceram até o início do século XX. Um único ponto comum estabeleceu-se no final do século XIX: o de que as faculdades (ou poderes para fazer alguma coisa) que configuram o psiquismo humano são: inteligência, emoções e vontade. Paralelamente ao estudo da mente, desenvolveu-

GLOSSÁRIO: Teoria: idéia ou série de idéias que pretende explicar algum fenômeno.Dicionário Língua Portuguesa. que no século XIX investigou e teorizou sobre a natureza da atividade nervosa.1988) No final do século XIX e início do século XX. Mera hipótese. a PSICOLOGIA encontrou seu próprio método experimental e separou-se da filosofia . velocidade da condução do impulso nervoso. Concepção particular sobre os princípios de uma ciência ou arte. mecanismos da visão. etc.se a Fisiologia. (Sacconi. Todos esses estudos relacionavam-se com as escolas filosóficas e não psicológicas. Com o avanço dos estudos da Fisiologia associado à Teoria das FACULDADES MENTAIS. iniciou-se a separação entre a Filosofia e a Psicologia. audição.

o Behaviorismo. o primeiro laboratório de Psicologia na Universidade de Leipzig. Wundt foi bastante influenciado pelo ponto de vista dos filósofos empiristas e pelo desenvolvimento da Fisiologia e Psicofísica experimentais. o Gestaltismo. Foi Wundt que fez nascer uma escola psicológica denominada Estruturalismo porque buscava a estrutura da mente (compreender os fenômenos mentais pela decomposição dos estados de consciência produzidos pela estimulação ambiental). na Alemanha. foi criado por Wilhelm Wundt. Neste ano. .transformando-se em uma disciplina científica e autônoma. Historicamente. caracteriza-se o ano de 1879. Várias teorias e escolas psicológicas sucederam-se aos estudos iniciais da Psicologia como o Funcionalismo. como o do nascimento da Psicologia propriamente dita. a Psicanálise e o Humanismo.

p. Berns (2002.TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO Conheça alguns representantes das teorias e escolas psicologicas.8) apresenta o seguinte quadro sobre as principais Teorias do Desenvolvimento: Principais Teorias do Desenvolvimento Algumas Perspectivas Desenvolvimentista Forças Internas da Criança Forças externas à criança Foco Biologia Aprendizado Cultura Interação entre forças internar e Psicanálise externas à criança (influências internacionais) Cognição Exemplo de Teoria Maturação Etologia Behaviorismo Cognitiva social Sócio-cultural Histórica Psicossexual Psicossocial Cognitivo Desenvolvimental Processamento de Informação Ecológica Sistemas Principais Teóricos Gessel Lorenz. Skinner Bandura Vigotsky Elder Freud Erikson PiagetNenhum Teórico principal Bronfenbrenner . Bowlby Watson.

campo. Segundo Coll (1995. Já Woolfolk (2000) defende que a “. p. em uma perspectiva multidisciplinar e. Como resultado. defende a Psicologia da Educação como matéria educativa que “juntamente com a Didática e a Sociologia da Educação integra os componentes específicos das Ciências da Educação. presidiu constantemente as ligações entre a Psicologia e a Educação como disciplina educativa..Como a Psicologia se ocupa de Processos de Mudança comportamental. métodos de pesquisa. Pérez Comez. ou seja. ainda hoje polemizam sobre concepções. . inclui conhecimentos de caráter teórico-conceitual. de planejamento e projeto. psicologia da educação é uma disciplina com suas próprias teorias. os estudiosos da área.como vimos.e de intervenção prática”. área do tema em questão.. como disciplina de natureza aplicada. contribui com suas idéias para uma melhor compreensão. esta caracterização “reafirma a necessidade de uma aproximação multidisciplinar ao estudo dos processos educativos e supõe uma rejeição explícita ao reducionismo psicologizante que. 1978. planejamento e melhoria dos processos educativos. a progressiva especialização leva as diferentes especificações ou estudos a centrarem-se em termos específicos. o núcleo de ciências cuja finalidade específica é estudar os processos educativos”.17 e 18).

fazem ou sentem quando ensinam e aprendem em um currículo específico. Já Wittrock (00-00-0000) resume dizendo: .145) defende que: “os psicólogos da educação estudam o que as pessoas pensam. Apóia-se na afirmação de Wittrock(1992. p. O OBJETO DE ESTUDO DA PSICOLOGIA Berliner (1992. porque tem a compreensão e o aperfeiçoamento da educação como seu objetivo primário”. em um ambiente específico no qual a educação e o treinamento devem acontecer”. p.138) “A psicologia da educação distingue-se dos outros ramos da psicologia.problemas e técnicas”.

Para compreender o ensino e aprendizagem e alcançar seu objetivo básico a Psicologia da Educação utiliza-se da pesquisa como ferramenta básica. . Coll (1995. teorias.A pesquisa deve seguir rigorosamente o método científico . p. procedimentos de ensino e métodos práticos de instrução e avaliação. análise estatísticas e procedimentos de medição e avaliação apropriados para estudar o pensamento e os processos afetivos dos estudantes e os processos cultural e socialmente complexos das escolas”.18) coloca que o objeto de estudo da Psicologia da Educação “são os processos de mudança comportamental provocados ou induzidos nas pessoas.“que a psicologia da educação se concentra no estudo psicológicos dos problemas cotidianos da educação. bem como métodos de pesquisa. modelos. como resultado de sua participação em atividades educativas”. dos quais se derivam princípios.

2000. formulação de hipóteses (explicações ou previsões que possam ser verificadas). analisar e desenvolver o trabalho. pg 33) PSICOLOGIA EVOLUTIVA A semelhança da Psicologia da Educação. também a Psicologia Evolutiva (ou para alguns autores. coleta de dados (informações obtidas através da pesquisa). Psicologia do Desenvolvimento) . de forma que outros observadores possam conferir .(Olds e Papalia.Glossário: Método Científico: refere-se a princípios e processos que caracterizam a investigação científica em qualquer campo : Identificação do problema a ser estudado. e divulgação pública das descobertas . aprender. análise estatística para determinar se os dados apóiam as hipóteses.

industriais e cristãos do final do século XIX propiciaram à infância um status especial.derivou de estudos. Algo parecido pode ser dito com respeito à velhice. Nesta época a chegada da puberdade marcava o ingresso na vida adulta. “na Idade Média. configurandose assim um espaço evolutivo que até certo ponto é espaço social e cultural. portanto merecedora de tratamento diferenciado. teorias e pesquisas que foram desenvolvidas ao longo do tempo.. Os movimentos culturais como o Iluminismo e o Protestantismo . p. Os movimentos educacionais. Tal concepção defendia a idéia de que eram frágeis e menos inteligentes.. que da forma como conhecemos atualmente em nosso meio. Os estudos no século XX definiram a infância e a adolescência como períodos claramente diferenciados da vida adulta. é algo diferente da idade adulta e transformou-se não mais no . antes de ser espaço psicológico. Coll (1995. nos séculos XVI e XVII. (como conhecidas hoje) foram sempre consideradas “mini adultos” e como tal foram tratadas.11) ressalta um aspecto interessante: “a passagem ao status adulto vai sendo. pois. trouxeram as primeiras considerações sobre a infância como etapa diferenciada da idade adulta e.De acordo com Palacios (1995). passando a ter responsabilidades que se tornavam progressivamente mais próximas às dos adultos”.. Historicamente as crianças. a partir dos sete anos as crianças tornavam-se aprendizes sob a tutela de um adulto. progressivamente retardada.

2. a etapa da vida em que a pessoa se encontra. as mudanças que interessam ao estudo do desenvolvimento se relacionam com três fatores: 1. culturais e sociais nas quais a existência do indivíduo transcorre. as circunstâncias históricas. . 3. senão em um fato psicossocial novo”. as experiências particulares de cada um e que não são generalizáveis para outras pessoas.fato biológico que sempre foi. Segundo o autor.

Para autores como Berns(2002). Podem ser observadas subjetivamente.2002).DEFINIÇÃO DE DESENVOLVIMENTO “Desenvolvimento refere-se a mudanças progressivas ao longo do tempo(Berns. Qualitativas: referem-se as mudanças desenvolvimentais como as de compreensão moral ou adaptação social. como no crescimento físico ou no vocabulário. Podem ser facilmente observadas e medidas objetivamente. Quantitativas: quando estão relacionadas as mudanças de volume.” Essas mudanças podem ser quantitativas e ou qualitativas. a ciência que estuda como os indivíduos mudam ao longo do tempo e os fatores que influenciam ou produzem as mudanças é chamada de psicologia do desenvolvimento .

Os pesquisadores do desenvolvimento oferecem explicações variadas sobre seu objeto de trabalho. Portanto. Perspectivas teóricas. ou am ambiente externo. . etc). para avaliar resultados é preciso conhecer a perspectiva teórica do pesquisador. pois esta regula todo o seu trabalho ( métodos. ou à experiência realizada. interpretação de dados. Como não há uma explicação única ou aceitação universal de determinadas idéias criam-se diferentes “teorias “ para explicar os fatos observados. Enfoques Teóricos: As teorias diferem quanto a valoração maior de aspectos qualitativos e ou quantitativos.e não de psicologia evolutiva. Outras dão mais valor aos aspectos inatos.

explica eventos e prediz futuras conseqüências.7) Olds e Papalia (2002. dividem as teorias sobre o estudo do desenvolvimento em cinco ( 5 ) grandes grupos: .P. 2002. São um método de explicar o desenvolvimento (BERNS. em seu livro “ Desenvolvimento Humano “. É um conjunto de afirmações que relacionam diferentes fatos ou eventos. e elas também nos permitem fazer previsões de comportamento não previamente observado.40).Vá até o glossário para não ficar com dúvidas a respeito da expressões utilizadas no texto As teorias organizam a informação em princípios gerais de modo que o desenvolvimento podem ser logicamente explicado. p.

Alguns já foram abordados por nós. . de acordo com as suas origens. como é o caso do Empirismo de Locke que deu origem às teorias Mecanicista ou Condutistas. As concepções filosóficas do século XVII e XVIII.Para Palácios (1995) as teorias existentes podem ser agrupadas em dois grandes modelos. sobre a natureza humana e seu desenvolvimento transformaram-se em ponto de partida para as diferentes concepções teóricas existentes.

Interessa sim. verificação ou operacionalização não são considerados. cada um. Os processos internos à pessoa e que fogem da possível intervenção. através de determinados estágios considerados universais e evolutivos. O desenvolvimento não ocorre de maneira indeterminada e vivenciada pelos sujeitos de maneiras diferentes. Portanto.1804) defendiam a idéia de que o ser humano nasce com determinadas características inatas ou organistícas ou organicistas. a análise da história da pessoa.No continente europeu. Existe sim. de condutistas ou organicistas: Condutistas: situam-se na tradição do empirismo. O importante não é o que há dentro do organismo. característicos da espécie humana. pois esta é a história de suas aprendizagens. Organicistas: consideram centrais os processos internos. muitos mais do que os estímulos externos. os posicionamentos podem ser denominados. suas características próprias. . os quais tinham. Rosseau dividia a infância em estágios. hoje. uma certa “necessidade evolutiva” que faz com que o desenvolvimento aconteça em todos os indivíduos. Rosseau (1712-1778) e Kant (1724. senão o que vem de fora e o molda.

memória.Skinner. Piaget. Gagné.Resultado de treinamentos.transmissão de informações. É fazer. Ausubel.mudança de conduta etc. Vygotsky Progressão através de umaseqüência invariável e universalde estágios.) Resulta de um processo deconstrução.objetivas. Kohler. Tolman. Deve ser descoberto. Matson. Aprender Internalização de valores e conhecimentospréestabelecidos pelo social. Integração dasexperiências internas ou subjetivas com as externas. Utilização de métodos específicospara produzir a mudança (análise de tarefas. Lewin.Objetivos buscam o desenvolvimento do educando –a construção das estruturasde . Processo mental interno (processamento de informações.Bruner. Pensamento crescepartindo de ações.Pavlov.Recepção de informações e seuarmazenamento na memória. percepção.Resultado da experimentaçãoindividual. Concepçõesdo processo deAprendizagem Conhecimento Conjunto de informações aprendidas comvistas a conseguir êxito nas performancesintelectuais e sociais. Localizaçãoda aprendizagem Propósito daEducação Estrutura cognitiva interna Desenvolver a capacidade edestreza de aprender melhor.O quadro a seguir ilustra a diferença entre os dois modelos: QUADRO COMPARATIVO DOS DOIS MODELOS TEÓRICOS ESTUDADOS MECANICISTAS Teóricos Representativos Desenvolvimento Thorndike.Pensamento cresce partindo da palavra. exercícios. Bandura Padrão inato que reage a transmissão cultural. Objetivos sãorelativos – arbitrados pela sociedade. Não é algo quepossa ser dado. Guthrie. Maslow. Estímulos em ambientes externos Produzir uma mudança conductual na direçãodesejada.). Mudança na conduta ORGANICISTAS Koffka.

Hoje. nosso próximo módulo. Buscam respostas internalizadas.EDUCAR PARA CONHECER Estruturar o conteúdo e aatividade de aprendizagem. outros modelos estão surgindo como conseqüência da evolução dos estudos na área como o Modelo do Ciclo Vital (Life-span). Os autores criticam o modelo evolutivo organicista no sentido da característica geral dos estágios universais. valores e atitudes transmitidas.escolaou educadores. . inteligência. que considera que os processos de mudança psicológica acontecem em qualquer momento do ciclo vital humano.EDUCAR PARA APRENDER A FAZER Papel do formador Dispor o ambiente para que se produza aresposta desejada. da nascimento até a morte. Defendem que a cultura em que se cresce e a geração à qual se pertence influem consideravelmente no desenvolvimento humano.

Agora iniciaremos o Módulo III. dividida em 3 fases: . que vamos acompanhar em seu CICLO VITAL.CICLO VITAL Seja bem vindo à segunda fase de sua disciplina! Apresentamos a você nossos amigos. do nascimento à velhice. o DESENVOLVIMENTO DO CICLO VITAL.

psicomotora. INTRODUÇÃO Daremos início a este módulo introduzindo alguns conceitos fundamentais para a sua compreensão sobre como ocorre a evolução física. 3.De 12 a 21 anos .Adolescência.Vida Adulta à Velhice. .De zero a 12 anos .De 21 anos em diante .1. cognitiva e sócio-afetiva do indivíduo desde o seu nascimento.Infância. 2.

por exemplo. Os estudos sobre o tema focalizam-se nos aspectos que permanecem e nos que mudam durante todo o ciclo de vida dos seres humanos. esperam-se sempre modificações comportamentais ou físicas em uma criança ou em um adolescente.Sabemos que os seres humanos passam por diferentes processos de desenvolvimento durante todo o seu ciclo de vida. Não se esperam estas “ mudanças” em um adulto. Da mesma forma os grupos sociais tem estabelecido para si determinados conceitos nem sempre corretos do ponto de vista de um estudo científico. Para exemplificar um destes conceitos. o crescimento e a aprendizagem são uma constante na vida das pessoas independentemente da faixa etária. Deste. Procuram-se fatores que afetam o desenvolvimento e razões para . entretanto . temos conhecimento sobre o desenvolvimento humano quando comparamos o comportamento e ou crescimento de uma criança com outra. Empiricamente. a mudança. espera-se sempre um “ mesmo tipo de comportamento “.

determinados comportamentos. são elas o foco principal dos estudos científicos da área. Por isso. Obviamente as mudanças que ocorrem chamam mais atenção. TIPOS DE MUDANÇAS DE DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO Papalia e Olds ( 2000) apontam para dois tipos de mudanças de desenvolvimento: .

• a quantitativa é uma mudança capaz de ser medida em números ou quantidades. • Os diferentes posicionamentos dos autores quanto ao estudo do tema em questão e sua relação com a educação. a aquisição da fala ou de um novo comportamento cognitivo podem ser exemplos desta mudança. a educação não teria uma função especialmente relevante na evolução das pessoas. cada um com características peculiares e identidade própria. como o peso. a partir dessa perspectiva. o vocabulário dos sujeitos. podem ser delimitados em dois tipos de posições. Nesse contexto. deve-se a resultados de fatores basicamente internos. a altura. segundo César Coll (1999): A primeira compreende o desenvolvimento e a educação como processos essencialmente dissociados independentes. de organização. a qualitativa é uma mudança de tipo. É marcada pelo aparecimento de novos fenômenos. de caráter biológico como conseqüência. em grande medida. de estrutura.defende-se que o desenvolvimento ocorre de maneira natural e espontânea. .

. o produto da influência de fatores externos. defende a existência de uma forte interrelação entre o desenvolvimento das pessoas e os processos educativos. (p.81). OUTROS ENFOQUES SOBRE O DESENVOLVIMENTO HUMANO Outros estudos sobre o desenvolvimento humano abordam dois enfoques diferentes.entre os quais as suas experiência educativas. o desenvolvimento das pessoas seria.A segunda posição. Os conhecimentos e as habilidades adquiridas graças à participação em situações de interação com os outros. ao menos em boa parte. e especialmente em situações educativas. ao contrário. levariam a níveis mais altos de evolução e de desenvolvimento.

“O termo desenvolvimento. pesquisar e descrever um aspecto do desenvolvimento humano de cada vez .O primeiro – abordagem cronológica – procura estudar. CONCEITOS Outros conceitos sobre o tema : “O desenvolvimento humano é estudado para compreender quem somos. O segundo – abordagem por tópicos . 2002). como chegamos a esse modo de ser e o que podemos fazer para aprimorar a nós mesmos” (Berns. em seu sentido psicológico mais amplo. .procura estudar. pesquisar e descrever todos os aspectos do desenvolvimento em cada etapa da vida. porque somos.

àquelas que aparecem de maneira ordenada e que se mantém por um período razoavelmente longo. eficazes e complexos” (Mussen. Conger e Kagan.. O termo não se aplica a todas as mudanças. sejam para melhor e resultem em comportamentos mais adaptativos. mas sim. pelo menos aquelas que ocorrem cedo na vida. p. Pressupõe que as mudanças. 1984.. 36). in Woolfolk 2000.refere-se a certas mudanças que ocorrem nos seres humanos (ou animais) entre a concepção e morte. INFLUÊNCIAS NO DESENVOLVIMENTO A hereditariedade e o ambiente externo sempre foram considerados . organizados.

Os estudos mais recentes mostram que as influências genéticas raramente são imutáveis. Ela não . condições sociais. relacionamentos.como determinantes no desenvolvimento. A aprendizagem é uma conseqüência do desenvolvimento. Os estudos sobre cultura. dinâmica familiar e educação são considerados hoje mais relevantes para a área em questão. Algumas características específicas como a cor dos olhos e o tipo sanguíneo são herdados enquanto que determinados traços que formam a inteligência ou a personalidade do ser humano estão sujeitas tanto a forças internas ou herdadas como a externas. Seu desenvolvimento se dá de forma integrada. Os seres humanos são pessoas inteiras. como do desenvolvimento físico e psicomotor tem íntima ligação com outros. advindas do meio ambiente. Hoje sabemos que sua influência não é tão marcante e que as pessoas podem definir-se de maneira diferenciada do que apontam suas características genéticas e seu meio ambiente. estilo de vida. Um aspecto específico. como a linguagem ou a inteligência. raça.

mas sim.depende exclusivamente da mente. O aprender inicia-se pelas ações psicomotores que se aperfeiçoam e proporcionam a aquisição cognitiva. que obedecem a determinados pontos de referência para o curso normal do desenvolvimento . de todos os aspectos sincronizados. psicossocial e outras. DIVISÃO DO CICLO VITAL O Ciclo vital divide-se em três fases: . a partir deste momento. Para fins de estudo estamos. segmentando o desenvolvimento humano em diferentes etapas e este em diferentes acontecimentos significativos.

segunda infância. . terceira infância ou pré-escolar e fase escolar.FASES Infância Escolar Adolescência Adultos/Velhice IDADES Nascimento até 6 anos 6 até 12 anos 12 até 18 anos 18 anos em diante Ressalte-se que inúmeras subdivisões podem ser aí estabelecidas nos períodos da: Infância • • • primeira infância.

a meia-idade e terceira idade. DESENVOLVIMENTO AFETIVO E DA PERSONALIDADE. Diferentes acontecimentos significativos dentro das fases estabelecem-se em função de lógicas biológicas. AQUISIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO. 2. 3. dentro de cada uma das fases indicadas estudaremos : 1. 4. de calendários maturativos tendo como conseqüência comportamentos claramente definidos. Assim.Adolescência • • PRÉ ADOLESCÊNCIA ADOLESCÊNCIA Vida Adulta • • • o jovem adulto. . O DESENVOLVIMENTO FÍSICO E PSICOMOTOR.

.ESTUDAREMOS AGORA O INÍCIO E DESENVOLVIMENTO DO CICLO VITAL DA VIDA: O NASCIMENTO E A FASE MAIS IMPORTANTE DA VIDA DE UM INDIVÍDUO A INFÂNCIA A primeira infância: do nascimento 0 a 2 anos.

.

assim.etc. Resiliência..DESENVOLVIMENTO FÍSICO E PSICOMOTOR Para iniciarmos o tópico de desenvolvimento físico e psicomotor é fundamental citar WALLON (1931) já afirmava que “. de seu nível de “resiliência”. Seguindo nesta lógica. o desenvolvimento psicomotor. etmologicamente vem do Latim resilientia e significaa idéia de uma ação que se desenvolve a partir daquilo . vamos entender porque o organismo físico/maturacional é interdependente das interações estabelecidas com o meio onde está inserido ocorrendo. porém isto dependerá não só do que é maturativo e sim . em torno de uma determinada etapa. cor.. independente de raça. também. sabemos de antemão o que ocorrerá primeiro e sua ordem de maturação biológica.o psiquismo humano é construído como conseqüência do entrelaçamento entre o que ele metaforicamente chamava de dois “inconscientes”: o inconsciente biológico o inconsciente social”. das condições do seu entorno. Ao nascer uma criança. O processo de evolução do ser humano é organizado e segue uma determinada seqüência universal . ainda. das interações que as pessoas lhe oferecem e.

que tem elasticidade no sentido de ser capaz e suscetível de ativar-se. pois.. flexíveis e consistentes. de texturas fiáveis.é uma qualidade de resistência e perseverança da pessoa humana face às dificuldades que encontra. alguma complicação orgânica.2001) : “Ser resiliente seria. desenvolver-se ao longo dos processos de crescimento. Para TAVARES (in: Fazenda.”.etc. uma cirurgia para correção de má formação congênita. Ivani (org). estamos falando de um diferencial entre os indivíduos que demonstram suas formas diferentes de enfrentamento às adversidades.que tem flexibilidade. Predomina. desde o nascimento. Portanto.. É a capacidade de resistir r persistir frente a situações adversas. São Paulo: Cortez. Dicionário em Construção: Interdisciplinaridade. desenvolver capacidades físicas ou fisiológicas conducentes a determinados a determinados níveis de endurance física e psicológica e até uma certa imunidade. Segundo François Ruegg(1997:9) “.. saudável decorrente da própria etmologia de resiliência que permite a esse objeto ou sujeito auto- .. pois a idéia de uma realidade sólida. como por exemplo: os primeiros momentos pósparto.

está preparado para reagir e enfrentar o mundo através de seus Reflexos.resilience Em Inglês .198) É importante salientar que este é um conceito aplicado também à Ciência Psicológica e à Educação nas primeiras etapas de desenvolvimento dos indivíduos. ao nascer. Alguns reflexos desaparecerão com o passar dos primeiros meses. como o Reflexo de Sucção. • • • Em Italiano . de certa forma. como o Reflexo de Moro e o Reflexo de Enraizamento e outros passarão de reflexos involuntários para Condutas aprendidas e voluntárias.(p. . Este conceito também tem sido utilizado nas Ciências Sociais E Humanas.resiliency Vamos estudar agora como um bebê.regular-se e.resilienza Em Francês . auto-recuperar-se”.

fechando e . em geral o seio da mãe. jogue-os para trás e depois feche-os sobre seu próprio corpo como um abraço.OS REFLEXOS Reflexo de Sucção – que é a reação dos lábios ao toque de um objeto. Reflexo de Moro – é uma reação semelhante a um susto que faz com que o bebê abra os braços bruscamente. Reflexo Palmar – é quando o bebê reage com força. Reflexo de Enraizamento – é quando o estímulo na bochecha do bebê o faz girar a cabeça na direção do estímulo.

alternadamente. sua reação será a de flexionar e estirar. o desenvolvimento físico do bebê é enorme pois aumentam de peso e altura rapidamente. espontaneamente ou pela avaliação do Pediatra ao examinar o bebê. Além dos componentes maturativos do cérebro. Estes reflexos podem ser observados quando aparecem. através de suas ações e reações. em consultas regulares de acompanhamento do crescimento. os componentes relacionais do bebê com as pessoas que o cercam. colocando as plantas de seus pés a altura de uma superfície ( em geral a mesa de exame do Pediatra). são fundamentais para seu amadurecimento psicomotor. Depois do nascimento. O desenvolvimento psicomotor é fundamental para construir as noções internas e externas de seu corpo.agarrando um objeto que se coloque na palma de sua mão. O desenvolvimento Psicomotor está relacionado diretamente com o crescimento físico da criança. como se fosse andar sem sair do lugar. durante os dois primeiros anos. Reflexo de Marcha – ao levantarmos o bebê pelas axilas. para adquirir o domínio de suas percepções e o controle do próprio corpo até adquirir a marcha e o .

através de componentes psíquicos internos e simbólicos. que são as representações de seu corpo e de suas possibilidades de movimentação e interação com o meio. LEIS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO É importante ressaltar duas Leis de Desenvolvimento : • • a lei Céfalo-Caudal e a lei Próximo-Distal A primeira lei. Este controle e domínio do corpo e das noções perceptivas vai sendo adquirido. até por volta de 6 anos. céfalo-caudal coordena o desenvolvimento das partes do .equilíbrio que permita sua movimentação autônoma.

AQUISIÇÃO DO CONTROLE PSICOMOTOR Essas duas leis fundamentais regem também a aquisição do controle . próximo-distal a maturação das partes do corpo que estão mais próximas do eixo-corporal. O controle das partes mais afastadas do eixo-corporal só é adquirida na segunda fase da infância. punho e. depois virão os braços e. já na fase da escola infantil. Isto significa que o pescoço será controlado antes do tronco. mãos e dedos. por volta de 3 a 6 anos. Eixo este imaginário que separa da cabeça aos pés o corpo em duas partes simétricas. Dessa forma. Na segunda Lei. a articulação dos ombros é adquirida antes do cotovelo. por fim.corpo que ficam mais próximas da cabeça. o controle das pernas. por fim.

. mas este só será completo por volta de 3 a 4 meses.Psicomotor. Controle da cabeça: ao nascer o bebê já tem um pequeno controle da cabeça. – Coordenação olho-mão: inicialmente. a coordenação é involuntária com movimentos que entram no campo visual do bebê e será desenvolvida por volta de 3 a 4 meses.

com apoios laterais (almofadas e travisseiros) e com 6 a 7 meses os bebês já conseguem sentar sem apoio e manter-se equilibrados.O sentar: entre 4 e 5 meses inicia-se a posição sentada dos bebês. porém após adquirir a posição sentada eles começam a usar os braços para ajudá-los a deslizar pelo chão e vão . O engatinhar: até aqui a locomoção dos bebês é conduzida por quem os leva no colo. Aqui ocorre uma ampliação do campo visual dos bebês.

joelhos e pés são capazes de movimentarse muito mais rápido e facilitam a descoberta de um novo mundo a explorar. pois se até aqui já fez . ele levanta-se novamente e.descobrindo que com as mãos. Isso ocorre por volta dos 8 a 10 meses O caminhar: a partir do engatinhar o bebê começa a segurar-se nos móveis e outros objetos e mantêm-se de pé com apoio aumentando a visão de seu entorno e levando-o a ser estimulado a dar seus primeiros passos e apesar de inicialmente cair. Este é o início de sua independência psicomotora. vai atingindo o equilíbrio total do corpo para a marcha. suscessivamente.

. A evolução do desenvolvimento psicomotor acontece ao mesmo tempo que o desenvolvimento afetivo e cognitivo. daqui para frente será muito maior sua curiosidade.várias aprendizagens. Eles são interdependentes e ocorrem a partir das interações do bebê com a mãe e dos estímulos que recebe. Para que possamos visualizar melhor o desenvolvimento da criança da qual estamos falando vamos analisar o quadro abaixo.

Reflexo de Moro. Reflexo Enraizamento Habilidades manipulativas Segura objeto se colocado no chão 2-3 meses Levanta um pouco a cabeça acompanha com os olhos um objeto movimentado lentamente. Eleva a cabeça até 90 graus se deitado de bruços Começa a bater em objetos ao alcance. (Extraídos e Complementados de Ciclo Vital. 4.6 meses . 1977.QUADROS DE DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR MARCOS DO DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR 0 A 2 ANOS. Vira-se. 137) PSICOMOTORAS Idade 0 a 2 meses Habilidades Reflexo de Sucção. rola. Helen Bee. Alcança e agarra objetos. senta com auxílio.Pg.

Pedala e guia um triciclo. empilha 4 a 6 blocos. coloca objetos em pequenos recipientes e os descarrega. Apanha bolas grandes entre os braços estendidos. Empilha dois blocos. usar o banheiro sozinho. pega coisas sem perder o equilíbrio. sobe escada comambos Desenrosca tampas de copo. Arrasta e empurra brinquedos grandes em torno de obstáculos.3 anos 3. Corre com facilidade. atira uma bola pequena para frente enquanto de pé. anda na ponta dos pés. mas não consegue levar o alimento à boca. vira páginas. Caminha para trás e para os lados. pula comambos os pés. segura uma colher colocada na palma da mão. comer com talheres. 2. Encaixa Evidencia clara preferência pela mão. corta papel com tesoura. corre(14-20 meses) Levanta-se sobre os braços. uma de cada vez. Mantém ereta a cabeça quando sentado. Agarra com Polegar e indicador. Anda segurando os móveis (circulação). Sobe escadas com um péem cada degrau. fica de pé com apoio.movimenta-se sobre mãos e joelhos (engatinha) 7-9 meses Senta sem apoio. depois anda sem ajuda Fica de pé de maneira segura. com rodas. engatinha Tenta ficar em pé.4 anos . Mantém costas retas braços livres para agarrar e alcançar. Transfere objetos de uma mão à outra. Alguns sinais de preferência de mão. caminha em qualquer direção puxando um brinquedo grande. Desenha um círculo 10-12 meses 13-18 meses Rola bola para um adulto 18-24 meses Corre (20m). Constrói torre de 2 cubos Apanha pequenos objetos. os pés em cada degrau. Capacidade de servir-se. sobe em móveis e desce deles sem ajuda. Empurra e puxa caixas ou brinquedos caminha bem(24m). segura o lápis entre o polegar e os dois primeiros dedos. Agacha-se e inclina-se.

formas geométricas. Sabe vestir-se com ajuda. corta em linha reta e franjas. recorta tiras. Recorta sobre uma linha. modela formas arredondadas. fica em pé. Joga diversos tipos de jogo com bola. entrelaça contas mas não usa agulha. caminha sobre uma linha estreita. enfia fios em agulha. 5. inicia os contornos de figurase coloridos em formas pequenas. dá alguns pontos. chuta e apanha a bola. desliza. Faz Desenhos e letras grosseiras . segura o lápis com maturidade. Dobra papel em triângulos. corre e caminha bem na ponta dos pés. Atinge a bola com bastão.6 anos Pula alternando os pés. conhecimentos prévios ao desenho associado às noções espaciais. Desenha uma pessoa razoavelmente completa.4-5 anos Sobe e desce escadas com um pé em cada degrau. balança-se Veste-se sem ajuda . modela derivados da forma arredondada.

se “prazeroso" para a criança que tenta repeti-lo. faz vibrar as cordas vocais e produz um som. A partir daí. O que acontece é que o ar passa pela glote. arrulham. balbuciam.AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM A aquisição inicial da linguagem pode parecer. combinam duas ou mais. Este torna . para muitos uma questão fortuita. formam suas . a evolução da linguagem segue um mesmo padrão para todas as crianças: choram. dizem as primeiras palavras.

reforçadas ou contrariadas pelo ambiente. percepções. aquisições psicomotoras. sentimentos.primeiras frases. pois em cada criança a construção da linguagem é “continuum” e uma coisa leva a outra. conexões cerebrais. Ela ocorre em "uma rede de comunicação sem o qual não poderíamos apreciar as aquisições do primeiro ano " ( Aimard. amadurecimento cognitivo tudo está envolvido. constrói suas hipóteses lingüísticas que são mantidas. Entretanto. As diferentes faces da linguagem (tempo para sons. ou seja.1998). Da linguagem que escuta a criança extrai modelos. É importante ressaltar que a formação da linguagem é objeto de uma aprendizagem. tempo para palavras) aparecem tão somente para fins de estudo. a formação da linguagem não pode ser isolada de um contexto de desenvolvimento global do indivíduo: atenção. É impossível compreender a linguagem isolada do resto. .

Pelo choro a criança comunica seu mal estar. suas absorções são maiores. que ocorre muito antes da fala em si é extremamente importante para que a linguagem alcance seu pleno desenvolvimento mais tarde. após são capazes de distinguir os sons da fala de outros. Da mesma forma. nas semanas iniciais de vida os bebês começam a distinguir os sons. Em função das inúmeras conexões cerebrais existentes ainda nesta fase. Inicia-se pelo choro. .LINGÜÍSTICAS O desenvolvimento pré-linguístico. controle do aparelho fonador ( língua. como a expansão da cavidade oral. .HABILIDADES PRÉ. Os bebês interagem com as pessoas que cuidam deles através do choro. A interação da criança com os outros também é outro precursor importante da Língua. Nesta fase inicial toda a maturação física e cerebral que ocorre.primeira comunicação vocal de uma criança. passam a perceber e diferenciar fonemas. maxilar e lábios) e o desenvolvimento rápido das conexões cerebrais das áreas da linguagem preparam a comunicação.

da voz. inicia o que autores chamam de: • Linguagem receptiva. De acordo com BERNS ( 2002) o quarto precursor à língua é a “habilidade de compreender o próprio mundo". do olhar. desenvolvimento motor permitirá ao sujeito acompanhar visualmente os objetos. Estes sinais são iniciadores da comunicação. das posturas. A medida que progride cognitivamente o sujeito estrutura imagens mentais. apontar. tentando atrair a atenção do adulto. conseqüente. A compreensão da existência dos objetos de forma permanente (objeto permanente) é o primeiro passo para a formulação da linguagem oral. A maturação céfalo-caudal. próximodistal e o. estrutura conceitos .do sorriso. mais eficientes as mesmas se sentirão na comunicação. Os estudos indicam que quanto maior a interação. . ou a resposta dos adultos aos sinais emitidos pela criança. toca. A criança passa a emitir pequenos sinais de pedido.

• Linguagem interior ou compreensiva. interação com os outros. compreensão do mundo. Portanto. que criam lastros para a comunicação oral. percepção dos sons.objeto permanente. . como habilidades pré-lingüísticas temos: • • • • a a a a maturação física e cerebral. Ou seja. acumulam experiências próprias que lhes fornecem “bagagens internas”.

ARRULHO= associado ao contentamento. Sons de tipo vocálico produzido no fundo da garganta. (Para alguns – duplicação de sílabas.SEQÜÊNCIAS DE DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM NA VISÃO DE DIFERENTES AUTORES Observação : os itens assinalados nos parêntese “ Para alguns” denotam os diferentes posicionamentos dos autores com relação aos termos estudados e seus significados.) JARGÃO = variedade de sílabas moduladas de um modo que se aproxima da fala conectada significativa (8/9 meses) .(para alguns é sinônimo de balbucio) BALBUCIO = experimentação volitiva de sons .

motricidade. • A formatação da Linguagem não é objeto de uma aprendizagem. • A Linguagem é considerada em bloco no conjunto das aquisições da criança: atenção. percepções. utilizando a voz. Acentuação/entonação. A criança acrescenta intenção de comunicação. gestos e expressões. . sentimentos. ECOLALIA = tendência de repetir sem modificações o que é falado para ele (18-24 meses) PALAVRAS-FRASES: Holófrases = forma reduzida a um mínimo expressivo. Freqüência e intensidade da voz.PROSÓDIA DA LÍNGUA MÂE = melodia da fala. mas com um nítido sentido.Uso de uma palavra para transmitir um pensamento inteiro. Amálgamas = produções globais ASPECTOS EVOLUTIVOS Segundo Paule Aimard compreensão e produção são fenômenos que atuam em conjunto na aquisição da Linguagem. A • Percepção.

Início mais elaborado da sintática e semântica Produção de frases construídas (pronomes. Segundo Bayley. Podemos enriquecer . Prosódia Língua Mãe Formas Sonoras repetitivas ( em torno dos 10 meses) Formas Sonoras repetitivas com significado Ecolalia Palavras frases _ Frases: • • • verbo-complementar. advérbios. melhorar sua linguagem. MacCarthy . Jargão. aperfeiçoamento). preposições. • Idade-chave = 3 anos FASES: Diálogo tônico-emocional • • • • • • Grito/choro Balbucio. verbos. Lennenberg ETAPAS NO DESENVOLVIMENTO LINGÜÌSTICO .criança constrói.

entende a maior parte do que o adulto diz. reage à fala. ma. 2002 . Fonte: McCarthy.Idade Nascimento 1 mês 2 a 3 meses 3 a 4 meses 4 a 6 meses 7 a 9 meses 9 meses 10 a 12 meses 11 a 14 meses 15 a 18 meses 16 a 20 meses 20 meses 21 a 24 meses 23 a 24 meses 23 a 25 meses 24 meses 24 a 30 meses 30 a 36 meses Resposta Choro Vocalização monossilábica. dada). 1967. 1969 Citado em Berns . Arrulho Vocaliza ao estímulo social Balbucio (da. uso da entonação. Bayley. a primeira frase/oração Entende as preposições “em” e “debaixo” Vocabulário de mais de 50 palavras Pergunta nomes de objetos e repete as respostas Vocabulário de cerca de 1000 palavras. di) Duplicação de sílabas (mama. 1954: Lenneberg. Entende gestos e responde a “tchau” Responde a ordens simples Diz a primeira palavra Diz cinco ou mais palavras Entende “não” e ordens simples Repete coisas Usa duas palavras combinadas Usa o primeiro pronome.

7º ao 10º mês • Prosódia • Controle da Língua mãe • Mudanças no papel de comunicadores de ação. agente. • Intenção de ser ouvido. Alguma voliçào III. brinquedo e expansão fascinação por seu balbucio.4º ao 7º mês dos mecanismos respiratórios e orais. IV. • Comportamento fonético exploratório. (inflexão prosódia) . objeto.Segundo Boone (1997) Estágios de Produção da Fala: I – 1º/ 2º mês • Sons biológicos primitivos II.3º mês • Sons prazerosos. Controle motor vocal-pulmonar.

alimentação. • Linguagem compreensiva: entender algumas palavras (nomes de pessoas e coisas que – se encontram ao seu redor) – Aponta • Linguagem expressiva: diz 3 palavras • Primeiras 50 palavras (Nelson. 12 a 18 meses motores: ficar de pé. alguns passos.entendidas mais pela entonação e contexto situacional. • Linguagem expressiva: Jargão sendo substituído por palavras reai • Combinação real de 2 palavras • Caminhando • Progressos • Balbucio .18 meses – 2 palavras juntas (substantivoverbo) 18 a 24 meses – Explora o ambiente coloca prioridade na exploração e brinquedo do que na comunicação.• Prazer – Balbucio socializado V.11 a 13 meses variado ou não repetido • Sons são individualizados • Protopalavras (formas primitivas de uma palavra real) . 1973) • Imitação jogos sonoros e palavras ocasionais • Complexo jargão .

verbos. pronomes. Linguagem Compreensiva: • Capaz de apontar para figuras corretas • Representação do ambiente 24 a 36 meses narrativas telegráficas com decisões cognitivas • Reconhece a necessidade da ordem correta das palavras para expressar seu sentido visado • Aprimora a linha de tempo = usando passado e experimentando tempo presente • Início da fase das perguntas: quem? Como? Onde? Quando? • 30 meses: mudança na prosódia 36 – 48 meses • 50% • Combina a 70% de consoantes corretas • Vocabulário falado de 500 a 1000 palavras • Entende e produz frases em interações sociais • Receptiva: aponta corretamente a maioria dos objetos .300 palavras: substantivos.• Muitas palavras novas: substantivo-verbo • Adjetivo-verbo • + . adjetivos.

Sorriso social. Compreendendo o tom . • Ex. Aparecimento das primeiras sílabas.1. Idade do balbucio Idade do laleio. para adaptar-se a seus ouvintes. Idade dos monossílabos Primeiras palavras em forma de sílabas duplas (mama-papa). Murmúrios . Choro com intenção comunicativa. Fala baixinho para não acordar o irmão. Emissão de vocalizações· Emissão de sons vocais e consonontais. Escuta e joga com seus próprios sons e trata de imitar os sons emitidos pelos outros. Enriquecimento da linguagem infantil.500 palavras • Uso adequado de negativo • Frases compostas ( com conjunções) • Domínio do som das consoantes • Padrões pragmáticos = muda os padrões de vocalizações.4º ano a 2 ordens corretamente • Repete uma frase de até 10 palavras • Vocabulário de + . • Obedece Segundo Ruiz e Ortega (1993) Idade Do 1º ao 2º mês Do 3º ao 4º mês Do 5º ao 6º mês Do 7º ao 8º mês Do 9º ao 10º mês Do 11º ao 12º mês Evolução da Linguagem Emissão de sons guturais.

Compreende termos que estabelecem comparações. adjetivos e pronomes. A partir desta fase incrementa o léxico e o grau de abstração. Inicia singular e plural. Etapa do monólogo individual e coletivo. Compreende e responde a instruções. Período florescente da linguagem. É capaz de estabelecer semelhanças e diferenças. Usa orações. Pode nomear imagens. verbos. Idade das “perguntas”. Começa a diferenciar tempos e modos verbais. noções espaciais etc.. Linguagem em jargão. Progressiva consolidação da noção corporal. Construção de estruturas sintáticas mais complexas de forma progressiva Aos 3 anos Aos 4 anos Aos 5 anos 6 anos em diante Segundo Piaget Para Piaget a linguagem faz parte de uma capacidade cognitiva mais . Usa substantivos. Uso social da linguagem. Construção gramatical correta. Usa nexos . conjugação verbal e articulação fonemática. Compreende contrários. (1 só palavra) Aos 2 anos Usa frases a modo de orações. Seu vocabulário varia de 12 a algumas centenas de palavras Linguagem compreensível para estranhos. Importante evolução neuromatriz. Melhora sua construção gramatical. Acompanha sua fala com gestos e expressões. Pensamento animista e mágico. Uso freqüente do “não”. espacial e temporal. Primeiras combinações substantivo-verbo e substantivo-adjetivo. Joga com as palavras . Usa artigos e pronomes.. Seu vocabulário consta de 5 a 20 palavras.Compreende o significado de algumas frases habituais do seu entorno.Desaparece a articulação infantil . Frases holáfrases. Progresso intelectual que conduz ao raciocínio. Lecto escrita.Do 12º ao 18º mês das frases Sabe algumas palavras.

interage com o pensamento e o subsidia. Não é fonte de desenvolvimento. como todas as outras funções semióticas ou de representação ( jogo simbólico. Piaget não enfatiza o papel da linguagem no desenvolvimento infantil e nem considera o papel comunicativo da mesma. Para ele a linguagem nasce da ação sensório-motora. No período operatório a linguagem ajuda o sujeito a conhecer. portanto não cria cognição e não influencia o início da mesma. desenho ) . Tem na sua gênese uma raiz egocêntrica e depois evolui tornando-se sociocêntrica. Ela serve ao progresso do desenvolvimento cognitivo. Auxilia sim.ampla e não é mais do que uma das manifestações da função de representação ou semiótica. Níveis evolutivos Processos Formadores Pensamen to Linguagem . A tabela abaixo nos indica a evolução da linguagem segundo o autor. imitação. a aprendizagem da criança. mas não o gera. uma organização da função de representação. É sim.

contrapondo-se as teorias que evidenciam o papel organizador do próprio indivíduo. o melhor desempenho de seus alunos. assim. acompanhandosua imagem. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO: DE 0 A 6 ANOS Já vimos na unidade anterior que algumas teorias insistem no papel decisivo do ambiente para a aprendizagem. Para o professor é extremamente importante entender como são formados os conhecimentos a fim de poder utilizar estes conhecimentos para desenvolver uma ótima abordagem didático-pedagógico obtendo.Plano Sensório-motor Plano representativosimbólico Plano representativoconceptual Equilibração entreAssimilação Esquema sensório-motor – e acomodação percepção eações Equilibração incompleta entre Esquema a Assimilação e a Acomodação simbólico=imagens Equilibração entreAssimilação eacomodação Indício = palavra napresença do objeto Semi-signo=Palavra na ausência doobjeto. As idéias que mais encontraram apoio nas pesquisas desenvolvidas .

A questão de como são formados os conhecimentos está profundamente vinculada à questão do Ensino. Um dos objetivos básicos do ensino hoje é o de que o indivíduo seja capaz de enfrentar situações novas e agir de forma eficaz diante das mesmas. .em ambientes educacionais são aquelas que defendem que a escola deve favorecer a atividade da criança. Destas idéias surge o interesse e a necessidade maior do conhecimento da psicologia evolutiva. A idéia chave está na análise do organismo que produz a conduta e não na relação entre o que entra no organismo e o que saí (estímulos/ respostas).

As diferentes teorias encaram de forma diferenciada as questões da aprendizagem (como já vimos). aprendizagem é a mudança na disposição ou na conduta de um organismo relativamente permanente e que não se deve a um processo de simples crescimento” .. Defendemos o princípio básico. apresentado por Delval. os conteúdos..A raiz desta questão está na explicação de como são formados os instrumentos intelectuais do indivíduo e não somente na forma como o indivíduo adquire os conhecimentos concretos do ensino. (1998) de que: “. ou seja.

Assim sendo. Das idéias iniciais que subestimavam a inteligência dos bebês até as teorias que hoje estudamos. Percepção. Cognição pode ser entendida. só poderemos entendê-la a medida que aceitarmos ser ela um elemento do processo de desenvolvimento no seu conjunto. de forma ampla como conhecimento e envolve diferentes aspectos como: • • • • • • Inteligência. O estudo sobre o desenvolvimento cognitivo progrediu muito no decorrer do século XX. Para isso. . se faz necessário ao professor conhecer o desenvolvimento intelectual do ser humano. O que capacita o sujeito o aprender são as formas de abordagens dos problemas de que dispõe. Raciocínio. Linguagem. Memória. Conceitos. os progressos foram fantásticos.

Durante estes anos a criança desenvolve a capacidade de aplicar o pensamento lógico a . A criança ainda não representa eventos internamente e não “Pensa" conceitualmente. 2. Na visão de Wadsworth (1993): 1. 3. apresentando variações nas idades e nas características indicadas.A VISÃO DE DIFERENTES AUTORES SOBRE OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Esta apresentação tem o objetivo de destacar a visão dos autores sobre os estágios de desenvolvimento elaborados por PIAGET. apesar disso. o desenvolvimento cognitivo é constatado à medida que os esquemas são construídos. o comportamento é basicamente motor. neste estágio. visão esta. Este estágio é caracterizado pelo desenvolvimento da linguagem e outras formas de representação e pelo rápido desenvolvimento conceitual. Estágio da inteligência sensório-motora (0 a 2 anos). é pré-lógico ou semilógico. O raciocínio. Durante este estágio. nem sempre padronizada ou indicativa dos mesmos aspectos. Estágio das operações concretas (7 a 11 anos). Estágio do pensamento pré-operacional (2 a 7 anos).

Estágio das operações formais (11 a 15 anos ou mais). 3. Estágio pré-operatório (de 2 a 6 anos) • Inteligência • Inteligência representativa (esquemas de ações interiorizadas) • Egocentrismo (o ponto de vista da criança domina) • Pensamento intuitivo. Na visão de Coll et al (1993) : 1. temporalmente. no presente. causalmente) 2.problemas concretos. baseado na percepção. e as crianças tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas. 4. Estágio sensório-motor (0 a 2 anos) prática • O bebê começa a ser capaz de resolver problemas práticos cada vez mais complexos • A evolução dos esquemas permite que o muno vá sendo organizado (espacialmente. Neste estágio.Estágio das operações concretas ( de 6 a 11 anos) • Inteligência operatória (baseada em um conjunto de operações . as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento.

Estágio das operações formais (de 11 a 15 anos) formal (pode aplicar-se a qualquer conteúdo) • Pensamento combinatório (capacidade de pensar em todas as combinações e variantes possíveis de um fenômeno) • Pensamento hipotético-dedutivo (capacidade de racionar por meio de hipóteses) • Inteligência Na visão Anita Woolfolk (2000) Estágio Idade Aproximada Características Começa a fazer uso da imitação.2 anos Pré-operacional 2 . memória e pensamento. Começa a reconhecer que os objetos não deixam de existir quando estão ocultos. Gradualmente desenvolve o uso da linguagem e Sensório-motor 0. Passa das ações reflexas para a atividade voltada para um objetivo. Passa das ações reflexas para a atividade voltada para um objetivo.7 anos .lógicas) • Pensamento mais lógico e racional • As operações permitem organizar a realidade de uma maneira mais estável (conservações) 4.

Operacional concreto 7 –11 anos FATORES DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Maturação Biológica/ Hereditariedade: as características biológicas influem. Compreende as leis da conservação e é capaz de classificar e seriar. Tem dificuldade em ver o ponto de vista de outra pessoa Capaz de resolver problemas concretos (práticos) de maneira lógica.a capacidade de pensar de forma simbólica Capaz de pensar sobre as operações logicamente em uma direção. Compreende a reversibilidade. mas não oferecem uma .

Transmissões Sociais / Interação Social: Intercâmbio de idéias entre pessoas. como por exemplo .cobertor . É fator educativo principalmente para o desenvolvimento do conhecimento social. conceitos de valores “ajuda ao . por exemplo. A criança necessita assimilar o que lhe procuram inculcar do exterior. – como os que não tem tais referenciais como.estrutura pronta desde o nascimento. Os conceitos ou esquemas que o sujeito desenvolve pode ser classificados: – como os que tem referenciais físicos acessíveis (podem ser percebidos pelos sentidos). “mana" .

São estas experiências ativas que tem como resultado a mudança cognitiva. Experiência com os objetos / Experiência ativa: conhecimento que a criança retira de suas experiências com os objetos físicos e sociais. “honestidade". sua experiência pessoal.físico. É fator essencial e determinante ao desenvolvimento neste processo contínuo de adaptação ao meio em que vive. A construção do conhecimento só ocorre a medida que o sujeito experiência. . Equilibração: coordenação entre os três elementos anteriores. lógico-matemático e social . sua vivência.requer sua troca. Nesta construção precisa equilibrar a nova experiência com os fatores anteriores (maturação biológica.próximo". Todo o conhecimento construído pela criança .

nos estudos realizados até o momento que os autores dividem de forma diferenciada os períodos de desenvolvimento cognitivo. Já vimos. Cria-se assim um conflito cognitivo e é necessário um jogo de regulações e de compensações para que se atinja uma coerência entre o que já sabia com as novidades provocadoras deste conflito = isto se dá através das Leis da equilibração que nós veremos no Módulo III com mais profundidade. O importante é termos clareza de que em cada um desses períodos acontecem transformações substanciais e conseqüentemente também superação de um tipo de . Muitos estudiosos pós–piagetianos acrescentaram subperíodos aos períodos inicialmente indicados na obra original. com aquilo que já sabe (produto das suas experiências anteriores).transmissões sociais e experiências física).

egocentrismo. A TEORIA DE PIAGET SOBRE O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO .

atividade representativa ou jogo simbólico. tanto físico como social. Estabelece um instrumento básico para agir e interpretar a realidade: a representação. Esta capacidade não é simplesmente acrescentada às outras. mas .O Estágio Sensório – Motor A criança no período sensório-motor (período anterior ao aparecimento da linguagem) aprendeu a agir sobre as coisas e prever seus comportamentos. o principal trabalho que a criança precisa realizar no seu desenvolvimento é conseguir que o mundo.. tenha uma organização e uma constância” (p. 106).. Jean Piaget “. O surgimento desta. representa o término do período sensório-motor e o início do pré-operatório.

o que existia no plano concreto passa a existir também no plano da representação. Quando uma criança brinca de fazer comidinha pode representá-la por folhas. . Assim. grãos.sim. Ou seja. os acontecimentos vividos fixados em nossa memória.Esta representação do objeto ausente (comida) demonstra sua capacidade de representação mental. palitos. Para nós adultos. surgem lembranças de cenas vividas que se interligam intimamente com as palavras que estamos utilizando. Esta é uma construção longa que se encerra somente no fim da adolescência. Ao recordarmos qualquer fato e o comentarmos em uma roda de amigos. reconstruímos. substituímos. buscamos as coisas ausentes. obriga o ser humano a reconstruir o que sabe em outro plano. esta capacidade está de tal forma internalizada que pode tornar-se muitas vezes difícil o entendimento do grande avanço que acontece no plano cognitivo de uma criança nesta fase.

1988) O ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR .“A capacidade de representação de objetos e eventos é o principal desenvolvimento do estágio pré-operacional” (Wadsworth.

Servem para consolidar as condutas. coordenando-as começa a construir as primeiras noções sobre os objetos. A repetição tem um papel preponderante no desenvolvimento. Quando a criança já dominou determinada ação. explorando novas possibilidades. .O conhecimento vem das ações físicas sobre os objetos. Neste período inicial todo o contato da criança com o seu meio se faz através das atividades sensoriais e motoras. modificando-as a criança produz novas condutas.Ela não é um ser passivo ou simplesmente um ser receptor da estimulação do meio.Resumo: Chamado de sensório-motor porque as crianças usam os sentidos e a atividade motora para descobrir o ambiente. Não existe linguagem e nenhuma outra forma de representação. Inicia então. Organiza toda a informação obtida pelos sentidos e desenvolve respostas aos estímulos ambientais. o processo de modificação da mesma. A criança ao nascer age sobre o mundo através das suas condutas reflexas. Repetindo ações. perde o interesse pela mesma. Estas ações tornam-se esquemas.

. sentir. Desta forma acontece o desenvolvimento. Sua existência marca a passagem para o estágio seguinte. Ela está constantemente modificando esquemas de ação para responder ao ambiente. ouvir. A consciência de que os objetos são permanentes e não são destruídos quando desaparecem é desenvolvida pouco a pouco a partir das experiências. Este estágio inicial divide-se em uma série de etapas que se iniciam com o exercício dos reflexos e que através da consolidação dos esquemas ampliam suas redes de relações e se consolidam. É a noção mais importante deste período.Portanto. Esta noção chama-se noção de objeto permanente. é a capacidade de reconhecer que o mundo. Sua existência não depende de poder ver. e as coisas dele são permanentes. tocar. é básica para construção das noções de espaço. tempo e causalidade. cheirar. seu comportamento caracteriza-se pela adaptação. Ou seja.

pelas modelagens etc.. pelos desenhos. no plano sensório motor. Para que o pensamento aconteça é necessário que haja a capacidade de “ tornar presente” .. agora . pelas brincadeiras de faz de conta. mas sim obriga o sujeito a reconstruir. Esta fase é o início de um processo de reconstrução que se tornará cada vez mais complexos e que perdurará até o estabelecimento da maturidade intelectual. Esta possibilidade de substituição é chamada também de “ capacidade representativa “ ou “ simbolismo “. A importância da capacidade de representação reside no fato de que ela simplesmente não acrescenta fatos novos aos já existentes. pelas palavras.O ESTÁGIO PRÉ-OPERATÓRIO Resumo: A característica central do estágio préoperatório é a “ tomada de consciência” . de substituir as coisas ausentes pelas imagens.no plano do pensamento. .processo de conceituação que envolve a interiorização e reconstrução das ações executadas antes.

a imagem mental e a linguagem falada. A criança. a medida que aumentam suas capacidades simbólicas a criança passa a prestar maior atenção nas transformações que acontecem no seu meio e como estas transformações ligam uma situação à outra. segundo Piaget. Aos poucos. ressaltou o que elas ainda não fazem. no que percebe). ou sejam sua capacidade de utilizar o pensamento simbólico.Neste estágio a criança ainda se encontra muito ligada a aparência e a percepção das situações ( ligada no fato concreto. Esta capacidade tem diferentes formas ou tipos de manifestações como: imitação diferida. ou seja. mas sim. Normalmente todas elas manifestam-se em torno dos dois anos de idade.Interessante observar que Piaget ao caracterizar este período como pré-operatório não destacou o grande avanço da criança. o jogo simbólico. a utilização do pensamento operatório ( pensamento ordenado de acordo com um conjunto de princípios lógicos). demonstra desta forma sua capacidade . o desenho. no que vê. no que sente.

simbólica ou semiótica. ou seja.as folhas. ou capacidade representativa da criança manifesta-se inicialmente pela imitação (reprodução por meio de gestos de condutas observadas). Estas manifestações do pensamento se desenvolvem de maneira . no caso da comidinha. a idéia compreensiva do que foi percebido. a capacidade de distinguir entre um significante (imagem. ou seja. conforme já explicado. na brincadeira de faz de conta e na linguagem. ou seja. o objeto ausente. e um significado . A função simbólica. A função semiótica. palavra ou símbolo). a capacidade de representação mental em essência se confunde com o próprio pensamento.

já experimentou. Outro grande avanço deste período está no fato de que a representação da realidade tornar-se socializada e compartilhada. e exatamente por isso reconstroem as categorias de espaço (evoca algo que não está presente) e de tempo (evoca situações passadas ou antecipa o futuro imediato). já vivenciou. refeitas no nível da representação. Esta só pode acontecer tendo por referência as coisas que a criança já conhece. esta capacidade encontrará outras formas de manifestação como o desenho. a modelagem. Fala-se que o estágio Pré-operatório é o estágio da reconstrução exatamente porque as categorias de tempo.interligadas. que já dominava pela ação. dentro de um determinado tempo e espaço. Na inteligência pré-operatória a criança age através de signos e símbolos. a construção de objetos. através de ações e percepções. ou agia sobre os próprios objetos situações. causalidade e permanência do objeto que o bebê usava nos seus processos de reconhecimento (do tempo presente). a dança. pois os signos e símbolos pertencem a sistema sociais comuns e não são . agora precisam ser reconstruídas.À medida que a criança evolui formando imagens mentais mais sólidas. de espaço. Explicando: no período sensório motor a criança trabalhava.

Consideramos a aquisição da linguagem como uma etapa marcante no desenvolvimento do ser humano por ser ela uma forma de conhecimento social. o desenho é uma forma de representação: .no desenvolvimento da disciplina a linguagem é tratada em um capítulo especial. Nas capacidades representativas desta fase surge também o desenho. e ao mesmo tempo uma das tarefas mais difíceis e complexas com que o ser humano se defronta ao longo de seu desenvolvimento. Na etapa pré-operatória. Da mesma maneira que a imitação e o jogo do “faz-de-conta”. como no período anterior.comportamentos isolados. Assim. a aquisição da linguagem e sua inserção dentro da ação é uma característica mais importantes. apesar de ser absolutamente necessário ter-se claramente estabelecido o conceito de que para Piaget a linguagem é uma forma de representação.

aos seus aspectos perceptivos ( forma. cor. de sua ação com o mundo dos objetos que a cercam. físicos. usando para isto atributos perceptivos. descobre um princípio básico para seu desenvolvimento . porque o sujeito não é capaz de realizar “operações”. que brotam de suas experiências pessoais .) Esta característica faz com que preste menos atenção às transformações que ligam uma situação à outra. a classificá-los e ordená-los de acordo com suas diferenças ou semelhanças. Desta forma. A criança vai aprendendo a formar categorias com os objetos. a criança está ainda muito ligada a aparência dos objetos. tamanho.CARACTERÍSTICAS DO PENSAMENTO PRÉOPERATÓRIO Nesta etapa chamada assim.

Que seu • Pensamento . o que já vivenciou. egocêntrico . Estas características são: egocentrismo. por assim dizer. no surgimento de um conflito lógico.definida por Piaget como a incapacidade da criança de se colocar no lugar do outro. a criança opta sempre a favor dos dados perceptivos em detrimento das transformações que ocorreram. ou seja. Ela acredita que todos pensam. ainda preso as características perceptivas. o pensamento pré-operatório. 1999. centração e reversibilidade. vêem as coisas e agem como ela. Por estar. Compreende dados perceptivos que melhorem suas experiências anteriores.o da lógica. estas se tornam. Ex: meu avô não é avô de meu irmão ou de meu primo.p. Assim “o que é essencial no desenvolvimento intelectual é a organização do mundo e a construção paralela dos procedimentos para reorganizá-lo” (Delval.106). Ressalte-se que nos movimentos e nas transformações é capaz de compreender o que não contradiz o que já sabe. transformações. obstáculos ao desenvolvimento ou alcance do pensamento lógico.cognitivo .

Ele age no sentido de manter o status quo da estrutura cognitiva.definida como incapacidade para raciocinar com sucesso sobre as transformações que ocorrem com os objetos ou com os eventos.” e transformações . com base nas observações do momento. nas transformações. Não consegue acompanhar ou reconstruir a transformação ocorrida. É importante saber que o egocentrismo.pensamento está sempre correto e lógico. Não consegue pensar nas conseqüências. mesmo diante de evidências que lhe mostrem ações contraditórias. Seu pensamento é estático e rígido. Normalmente acredita que a evidência é que está errada. ou o pensamento egocêntrico é absolutamente normal nesta fase que a criança não tem consciência de que a sua forma de pensar pode estar diferindo da forma de pensar do grupo. • Estados . Na visão de Wadsworth (2001 “o egocentrismo pode ser concebido como a forma de inibir o desequilíbrio. A conseqüência mais direta do pensamento egocêntrico é o fato de que a criança não questiona as ações que ocorrem em seu meio. na totalidade.

Onde tem mais? Ao explorar uma mesma quantidade de líquido colocado em recipientes diferentes. apesar da centração a criança pré-operatório é capaz de formar classes e categorias. que a quantidade de água de A não é a mesma de C porque só consegue focalizar uma dimensão por vez (neste caso. • Centração . Estas noções estabelecem-se no período concreto. Ex. É exatamente esta característica de pensamento que Piaget chama centração. diversos aspectos de uma situação. . naquele que é mais fácil de perceber) e não nas transformações ocorridas. Entretanto. altura ou largura dos recipientes). incapaz de descentrar o enfoque visual.focaliza apenas uma dimensão do estímulo. Ex: reconhecer que o gelo é a água colocada no congelador ou que a água do copo derramada na bacia é a mesma em quantidade. Exatamente por isto tem dificuldade para considerar. a criança pré-operatória dirá. ou um atributo. normalmente.: massinha transformada em cobra. apesar de apresentar relações pobres e conflitos hierárquicos entre as classes. Incapaz de levar em conta mais de uma dimensão ao mesmo tempo. simultaneamente.O conflito é resolvido com base nos dados perceptivos (no destaque.

a centração e outras dificultam o desenvolvimento do conceito de reversibilidade. Exemplificando: uma porta. Entretanto. Acresça-se a isto. o fato de que o ambiente físico normalmente não oferece muitas condições específicas para a “descoberta” destes conceitos através de manipulação direta.: gelo transformar-se novamente em água. janela. “Capacidade de entender que certos • Irreversibilidade . outras tantas já a dificultam como é o caso de um objeto jogado (que não volta sozinho). de um líquido derramado ( que não retorna ao vasilhame original). ou portão que se abre. pode ser fechado (portanto esta é uma ação que pode levar a formação do conceito de reversibilidade). ou seja. Já colocamos anteriormente que para Piaget uma das características que define de forma clara a inteligência do ser humano é a reversibilidade..incapacidade de entender que as transformações que acontecem podem ser revertidas. voltar ao seu estado original. As características do pensamento pré-operatório já comentadas até o momento como o egocentrismo. A reversibilidade existente no início do período relaciona-se as noções práticas de espaço e de grupos de deslocamento. a capacidade de seguir uma linha de raciocínio de volta a ponto de partida. como acontece com tantos outros. ou seja. Ex.

elas não podem ser “ ensinadas” . Entretanto é preciso ressaltar novamente que a manipulação direta de objetos que favoreçam esta aquisição ou o desenvolvimento das noções de conservação é que respondem pelas variações que as crianças apresentam. podemos também desfazê-la e reinstaurar o estado original” ( Biaggio. É importante destacar que para Piaget a noção de conservação surge espontaneamente como resultado de processos de assimilação e acomodação de experiências ativas.fenômenos são reversíveis. • Conservação . isto é. que quando fazemos uma transformação. classificação e outras. compreensão de que duas coisas que são iguais continuam iguais caso sua forma seja alterada contando que nada seja adicionado ou retirado. A característica da irreversibilidade explica em grande parte as dificuldade das crianças pré-operatórias ao lidarem com noções mais abstratas como a da conservação. Normalmente o princípio da conservação não é claramente entendido pela criança pré-operatória e estabelece-se com mais exatidão no período seguinte.a quantidade de uma matéria permanece sempre a mesma apesar de estar sujeita a mudanças. Portanto. . Ou.2001).

No período pré-operatório as Classificações e relações progridem rapidamente da habilidade de apenas agrupar de modo rudimentar para a • Classificação . para juntá-las. das diferenças e semelhanças entre os objetos e completam-se mais tarde nas noções de quantificação. os esquemas de conservação. líquido. como conseqüência natural. ou a nomenclatura verbal. como a cor. volume. pela própria criança. a forma. Iniciam-se pela identificação. massa. É a segunda habilidade básica para a compreensão de conceitos numéricos. área e volume. A noção de classificação possibilita a construção de arranjos com invenções progressivas dos critérios utilizados para a reunião de objetos numa ou em várias coleções. Colocar as coisas em conjuntos ou tipos e utilizar propriedades abstratas. peso. A noção de conservação aplica-se a número. – É o ato de agrupar objetos por similaridades.A medida em que a criança torna-se menos egocêntrica aprendendo a questionar seu próprio pensamento. a medida que atingir o pensamento de reversibilidade desenvolve . à medida que aprender a descentrar suas percepções e seguir as transformações que observa.

• Noção Contagem e conceito de número são duas coisas totalmente diferentes.classificação adequada (forma. Entretanto. de número . em torno de 4/5 anos ainda não é capaz de colocar os objetos em determinada ordem. Assim. agrupa utilizando o critério forma seguido pelo critério cor. .a conceituação de quantidade depende essencialmente da capacidade de conservação (mesma quantidade independentemente de sua divisão). cor. experimentações com os mesmos. tamanho). Realiza sim. mas modifica-o de acordo com o estímulo anterior. Nas classificações não adota um critério único.

nomes de brincadeira etc.Para que tenhamos clareza quanto a alguns conceitos fundamentais os mesmos são aqui explorados. Favorecem o desenvolvimento da atividade representativa em seus aspectos simbólico e lingüístico. tendo como base os textos de Maria da Glória Seber. ordem espacial) que formarão noções diversas de direção. . IMITAÇÂO: Significa reproduzir um modelo fornecido. citado na bibliografia. a seu uso. A reprodução de arranjos feitos com objetos conduz à compreensão de um conjunto de relações topológicas (proximidade. Helen Bee e Juan Delval. Na etapa inicial ocorrem na presença do modelo e posteriormente (pela representação simbólica) na ausência do mesmo. BRINCADEIRA SIMBÓLICA: atividade na qual os objetos são utilizados como suporte para o diálogo com a criança. ângulos etc nos níveis posteriores. separação. Abrangem questões relacionadas aos objetos.

A seriação por tamanho ocorre antes do peso.BRINCADEIRA SENSÓRIO-MOTORA : relacionamse ao amadurecimento céfalo-caudal E próximodistal. onde tem menos?) e em outro momento avaliar as proporções entre pequenos montes de elementos não contáveis ( líquido. que ocorre antes do volume. Exemplo: rolar. de forma. de tonalidade. correspondência um a um entre um conjunto de objetos (onde tem mais. a ordenação de conjunto de objetos que apresentam entre si diferença constante. de peso. massa). QUANTIFICAÇÃO: significa estabelecer em um primeiro momento. amassar. visam o aprimoramento dos esquemas motores. de textura e outros. Possibilitam a construção de séries.Significa entender que é possível aplicar-se uma determinada ordem sistematicamente a quaisquer conjuntos de objetos. empurrar. ou seja. SERIAÇÃO: Capacidade de classificar itens em maior e menor. A noção de quantificação leva ao estabelecimento de condições intelectuais ou lógicas para a conquistada noção de conservação de . areia. Estas diferenças podem ser de tamanho.

A vivência vai propiciar a reconstruções dessas relações espaciais no plano da representação. A evocação vai permitir à criança pegar um determinado objeto e recordar um fato relativo a ele. depois a seus deslocamentos e aos deslocamentos dos objetos. e finalmente aos deslocamentos dos objetos entre si. Destaca as questões que a criança ainda não é . ESPAÇO: estabelecimento de um sistema de relações referentes inicialmente a seus próprios movimentos. em termos negativos.substância e de unidade. ordem e simultaneidade Como resultado das pesquisas realizadas e principalmente das comparações estabelecidas com o período ou estágio posterior. TEMPO: exige o desenvolvimento da representação para formar-se como uma noção abstrata. A noção de tempo envolve duração. Começa a se desenvolver desde o nascimento. em síntese é sempre apresentado. ou definido. Tem íntima relação ou é inseparável da noção de tempo. o período pré-operatório.

capaz de resolver. apesar desta reflexão ter como base suas observações concretas. Já são capazes de distinguir alguns eventos reais dos imaginários. pessoas e eventos. A criança mostra sinais de estarem construindo uma teoria a respeito das coisas. mostram terem consciência muitas vezes. de seus próprios pensamentos. . e inclusive de enganar propositalmente para alcançarem seus propósitos. Entretanto é necessário destacar o grande avanço da criança na sua capacidade de representar e refletir mentalmente sobre objetos.

subtração. ordenação seriada e outros) que a criança descobre. ou de esquemas internos. Em termos piagetianos este é um período de grandes transformações cognitivas. de estratégias.CONCRETO : DE 6 A 12 ANOS As mudanças cognitivas de 6 a 12 anos.O PERÍODO OPERATÓRIO . Como uma regra básica podemos dizer que as operações são ações implicadas nos símbolos matemáticos comuns e . elabora e reelabora para o exame do mundo ou para a sua interação com ele. adição. Inicia-se com o surgimento das operações concretas e concluem-se com o surgimento das operações formais. multiplicação. abstratos e poderosos ( reversibilidade. Piaget chama de "operações" o conjunto de regras.

São. maior ou menor ( < > ) portanto. Cada um dos esquemas que a criança forma é uma espécie de regra interna que a criança constroe e passa a utilizar sobre os objetos e suas relações. a SUBTRAÇÃO ( -). precedida pelo período préoperatório e seguida pela preparação e consolidação de uma segunda fase de equilíbrio da inteligência representativa constituída pelo estágio das operações ... é a fase de consolidação e organização da evolução da inteligência representativa. segundo Berns ( 2002 ).conhecidos como a ADIÇÃO ( +). multiplicação ( X) . “ representações mentais reversíveis “. . igualdade ( =). a divisão ( ). pertencendo ao domínio das operações intelectuais.

transformam-se em operações mentais. Inicialmente esta lógica é aplicada a problemas que existem. dos objetos. Pode representar as coisas e agir sobre a realidade de maneira mediatizada. problemas concretos. Na fase das operações concretas a criança não necessita agir efetiva e constantemente sobre os objetos para entendê-los. Organiza suas percepções do mundo.formais. 1995) Piaget diz que em torno dos sete anos o pensamento da criança torna-se lógico. apresenta características de reversibilidade. ou seja. símbolos e ações mentais. ou seja.(Marti apud Coll. Depois. mediante signos. Esta organização faz com que ela entenda muito melhor .

apesar de desenvolver as operações lógicas (reversibilidade. 1972). em suma. ou seja.) emprega-as apenas na solução de problemas reais. (Piaget.as transformações e os estados a que as coisas estão sujeitas. Significa que neste estágio a criança. observáveis. É importante ter-se claro um dos termos que caracteriza este período. classificação.o termo concreto. Ela descentra suas percepções e é capaz de acompanhar as transformações. Explicando: diferentemente da pré-operátoria a criança nesta fase toma decisões cognitivas e lógicas. . Significa que a criança não tem condições de aplicar a lógica a problemas . conservação etc. É um pensamento que costuma ser acompanhado de um sentimento de coerência. em problemas que envolvam objetos e fatos concretos e imediatos. apresentando argumentos corretos que contrariam os dados obtidos unicamente através da percepção (fase anterior).

Agora ele é percebido no seu todo. Na etapa anterior cada passo é percebido de forma independente. e ao invés de proceder a partir de um ponto de vista único. conseguir coordenar os diferentes pontos de vista.Com base em Eduardo Marti (1995) e complementado por outros autores citados na bibliografia podemos defini-las da seguinte forma: Descentração: capacidade de poder seguir as transformações sucessivas da realidade através de todos os caminhos e rodeios possíveis. A criança tem consciência e compreensão das relações que se estabelecem entre os diferentes passos de uma transformação. a conservação e a reversibilidade. ou seja.verbais ou abstratos ou mesmo os problemas concretos que envolvam vários fatos. . Piaget distingue três características básicas da inteligência operatória: a descentração.

A característica das operações concretas é . (possibilidade de ir e vir) Que a salsicha de argila pode voltar a ser uma bola. compreender que as operações mentais e as ações físicas podem ser invertidas ou revertidas. Isto tem profundo significado nas suas relações sociais Reversibilidade: Piaget acredita ser a reversibilidade a noção mais crítica a ser adquirida. Torna o pensamento móvel e dinâmico. que a água colocada no copo mais alto pode retornar ao copo mais baixo e permanecer com a mesma quantidade. como e porque as razões das mudanças.no que aconteceu. Capacidade de retroceder e de avançar no pensamento sobre as relações. Esta compreensão aplica-se também aos sentimentos.Ou seja. Ressalta que o conceito de reversibilidade é básico para o entendimento do processo de construção da inteligência. A criança passa a compreender as razões de mudanças nos estados afetivos dos outros.

o que denota a incapacidade do pensamento pré-operatória em reverter a operação. ou seja. A criança operatória concreta já responde com lógica correta. Piaget explica a lei da inversão ou com um exemplo de atividades.poder desenvolver-se de maneira reversível por inversão – (volta ao estado anterior . seria o mesmo) capacidade de reverter mentalmente as operações. mas de cores diferentes. Ao virarse o cilindro em 180º para fazer com que as balas saiam pelo outro lado. Coloca-se em um cilindro três calas do mesmo tamanho. A pré-operatória responderá pela ordem das cores que as mesmas foram colocadas. Pergunta-se para a criança que sairá da boca do mesmo. em usar a inversão. .ou lei da compensação. mostrando a inversão estabelecida ou por reciprocidade ( lei da compensação).se eu fizesse isso voltar ao que era. a resposta será a mesma – pela ordem das cores em que foram colocadas.

B é menor do que A “. se nada é acrescentado ou tirado de um objeto. rosas e flores. algumas coisas não se modificam.350). diz que no copo mais alto entrou a mesma água porque a altura “compensa” largura do copo inicial. ou compreender hierarquias de classes como cachorro e animal. È a compreensão de invariantes. de que nas transformações. “Envolve a compreensão de que.p. esse objeto permanece o mesmo embora possa sofrer mudanças na aparência” (Berns. Por exemplo. ou seja. A reversibilidade leva o sujeito a compreender operações lógicas abstratas como “ se A é maior do que B .A criança operatória concreta procura nas “leis de compensação” explicações para fenômenos ou transformações realizadas. Se transformamos um objeto em sua forma ( bolas e . permanecem. 2002. Conservação: é a possibilidade que existe de algo se conservar apesar das transformações que possa sofrer.

de acompanhar transformações. Na verificação da estimativa da linha de nível de líquidos.salsicha) algo muda e algo permanece. a . normalmente . a noção de conservação entendendo que a substância permanece a mesma . ( pré-operatório ao estágio operatório concreto). um dos indícios mais claros da passagem da intuição à operação. para Piaget. depois a quantidade. é um dos indícios mais claros de agrupamento das ações em sistemas organizados. 1998) . Conservações numéricas (a quantidade não muda mesmo que modifique a disposição) e conservação de comprimento são também adquiridas no final desta fase. A noção de conservação. ou seja. seguida do peso e do volume.depois o líquido. “ As capacidades já descritas anteriormente de descentração. de reverter operações por inversão e por reciprocidade são todas necessárias para o desenvolvimento das capacidades de conservação e para o progresso do raciocínio” (Wadsworth. A criança inicia.

cognitivo e afetivo estimulado deve ter mais chances de interagir com seus pais e cuidadores. já a criança concreta conserva a horizontalidade. baseando-se em princípios lógicos. brincando.criança pré-operatória baseia-se em fatores perceptivos intuitivos e normalmente apresenta uma mesma reposta. A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR PARA O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DO SER HUMANO Para uma criança ter seu desenvolvimento físico/psicomotor. . Através do brincar uma criança vai desenvolvendo sua criatividade e vai internalizando e aceitando as regras sociais e morais. O brincar é tão importante para o desenvolvimento psicomotor.

. de um desejo efetivo da criança. ao contrário de ser constituído pela realidade psíquica. ele é seu constituinte”. A mesma autora cita Winnicott (in ROZA. pois brincar e imitar são as formas de aprender a viver a partir dos modelos que assistem e copiam... é uma atividade universal.cognitivo e afetivo quanto para o social e moral. Mas o que é o Brincar? Para Roza (1999): . das mais primitivas às mais sofisticadas. presente em todas as formas de organização social.. que enfatiza que: “o brincar. Jamais o Brincar é involuntário. 1999). Além disto... o brincar depende de uma determinação consciente.

criatividade. o mundo que a rodeia já que muitas vezes ela não pode ou não sabe ainda falar a respeito do que vê. O brincar é a forma de representação simbólica mais importante para a construção de sua inteligência e equilíbrio emocional uma vez que. A aprendizagem do agir só pode ser em contato significativo com o . por isso é tão importante que pais e educadores possibilitem o brincar livre e ofereçam materiais variados sobre os quais as crianças possam exercer sua criatividade. as estruturas mentais só se desenvolvem se houver possibilidade de expressão e comunicação com o meio (Oliveira et al. cooperação.Existe uma correlação fundamental. conduzindo-os para um crescimento saudável. do ponto de vista orgânico. ouve e sente. é nas manifestações da criança que ela vai elaborando e organizando. Além disso. a regulação do afeto. entre o brincar e o amadurecimento das funções cerebrais.. aparecem as interações com outras crianças. imaginação e seus potenciais individuais. o controle dos impulsos. agressividade. 2000). Nas brincadeiras infantis. com suas possibilidades. competição. Crianças usam diferentes linguagens para expressar suas emoções.

afetivos e sócio-culturais. Os ritos e regras das brincadeiras e dos jogos coletivos facilitam o processo de integração grupal e o desenvolvimento sócio-afetivo e cultural criança.outro. É no brincar que a criança desenvolve seus aspectos cognitivos. a mãe ou seus cuidadores. muitas vezes. a combinação de novas idéias que reúnem conteúdos conscientes e inconscientes. através do brincar. pois em suas experiências reais não lhes foram compreensíveis. necessário para assegurar a unidade dos grupos e sua identidade. As brincadeiras simbólicas possibilitam reviver um tempo anterior. O prazer pode predominar no brincar. ajudando-as a modular os laços afetivos com outras crianças. o que favorece a criatividade. . as crianças começam as brincadeiras e os jogos coletivos. pois vai internalizando as regras de convívios nos grupos. Com o crescimento. do passado mais próximo ao mais remoto. preparando-as para o enfrentamento do futuro. contando fatos ou situações que as crianças vivenciaram e tentando. elaborar através do lúdico situações que necessitam ser entendidas. Essas recordações e imagens vão construindo a subjetividade de cada criança.

mediante signos. Na fase das operações concretas a criança não necessita agir efetiva e constantemente sobre os objetos para entendê-los. através de iniciativas públicas ou privadas (principalmente as ONG’sOrganizações Não Governamentais) são tão importantes para a prevenção de uma infância feliz. Pode representar as coisas e agir sobre a realidade de maneira mediatizada. todos os esforços empreendidos pela sociedade. apresentando argumentos . apresenta características de reversibilidade. Inicialmente esta lógica é aplicada a problemas que existem. É um pensamento que costuma ser acompanhado de um sentimento de coerência. Esta organização faz com que ela entenda muito melhor as transformações e os estados a que as coisas estão sujeitas. transformam-se em operações mentais. adequada e com menos sofrimentos. Piaget diz que em torno dos sete anos o pensamento da criança torna-se lógico. símbolos e ações mentais. problemas concretos. ou seja. ou seja. como tanto temos assistido. Organiza suas percepções do mundo. Explicando: diferentemente da pré-operátoria a criança nesta fase toma decisões cognitivas e lógicas.Nessa medida. Depois. dos objetos.

ou seja. . conseguir coordenar os diferentes pontos de vista. (Piaget. a conservação e a reversibilidade. É importante ter-se claro um dos termos que caracteriza este período. Significa que a criança não tem condições de aplicar a lógica a problemas verbais ou abstratos ou mesmo os problemas concretos que envolvam vários fatos. 1972). Significa que neste estágio a criança. observáveis. em suma. conservação etc.Com base em Eduardo Marti (1995) e complementado por outros autores citados na bibliografia podemos defini-las da seguinte forma: Descentração: capacidade de poder seguir as transformações sucessivas da realidade através de todos os caminhos e rodeios possíveis. Piaget distingue três características básicas da inteligência operatória: a descentração. classificação.o termo concreto. e ao invés de proceder a partir de um ponto de vista único. em problemas que envolvam objetos e fatos concretos e imediatos.corretos que contrariam os dados obtidos unicamente através da percepção (fase anterior). apesar de desenvolver as operações lógicas (reversibilidade.) emprega-as apenas na solução de problemas reais. . Ela descentra suas percepções e é capaz de acompanhar as transformações.

compreender que as operações mentais e as ações físicas podem ser invertidas ou revertidas. Esta compreensão aplica-se também aos sentimentos. Agora ele é percebido no seu todo.A criança tem consciência e compreensão das relações que se estabelecem entre os diferentes passos de uma transformação. ou seja. Capacidade de retroceder e de avançar no pensamento sobre as relações.Ou seja. A criança passa a compreender as razões de mudanças nos estados afetivos dos outros. no que aconteceu. (possibilidade de ir e vir) Que a salsicha de argila pode voltar a ser uma bola. Na etapa anterior cada passo é percebido de forma independente. Isto tem profundo significado nas suas relações sociais Reversibilidade: Piaget acredita ser a reversibilidade a noção mais crítica a ser adquirida. que a água colocada no copo mais alto pode retornar ao copo mais baixo e permanecer com a mesma quantidade. Ressalta que o conceito de reversibilidade é básico para o entendimento do processo de construção da inteligência. A característica das operações concretas é poder desenvolver-se . Torna o pensamento móvel e dinâmico. como e porque as razões das mudanças.

Coloca-se em um cilindro três calas do mesmo tamanho. em usar a inversão.ou lei da compensação. Piaget explica a lei da inversão ou com um exemplo de atividades. o que denota a incapacidade do pensamento pré-operatória em reverter a operação.de maneira reversível por inversão – (volta ao estado anterior . a resposta será a mesma – pela ordem das cores em que foram colocadas. A reversibilidade leva o sujeito a compreender operações lógicas abstratas como “ se A é maior do que B . Pergunta-se para a criança que sairá da boca do mesmo. Ao virar-se o cilindro em 180º para fazer com que as balas saiam pelo outro lado. seria o mesmo) capacidade de reverter mentalmente as operações. A criança operatória concreta já responde com lógica correta. ou seja. rosas e . mostrando a inversão estabelecida ou por reciprocidade ( lei da compensação). diz que no copo mais alto entrou a mesma água porque a altura “compensa” largura do copo inicial. mas de cores diferentes. B é menor do que A “. A criança operatória concreta procura nas “leis de compensação” explicações para fenômenos ou transformações realizadas. Por exemplo. A pré-operatória responderá pela ordem das cores que as mesmas foram colocadas.se eu fizesse isso voltar ao que era. ou compreender hierarquias de classes como cachorro e animal.

“ As capacidades já descritas anteriormente de descentração. ou seja. um dos indícios mais claros da passagem da intuição à operação. Conservações numéricas (a quantidade não muda mesmo que modifique a disposição) e conservação de comprimento . é um dos indícios mais claros de agrupamento das ações em sistemas organizados. de reverter operações por inversão e por reciprocidade são todas necessárias para o desenvolvimento das capacidades de conservação e para o progresso do raciocínio” (Wadsworth. a noção de conservação entendendo que a substância permanece a mesma .depois o líquido. ou seja. “Envolve a compreensão de que.350). depois a quantidade. ( pré-operatório ao estágio operatório concreto). 1998) . Conservação: é a possibilidade que existe de algo se conservar apesar das transformações que possa sofrer. de acompanhar transformações. 2002. de que nas transformações. esse objeto permanece o mesmo embora possa sofrer mudanças na aparência” (Berns. A noção de conservação.flores. para Piaget. normalmente . se nada é acrescentado ou tirado de um objeto. Se transformamos um objeto em sua forma ( bolas e salsicha) algo muda e algo permanece. È a compreensão de invariantes. A criança inicia. seguida do peso e do volume. permanecem. algumas coisas não se modificam.p.

DESENVOLVIMENTO AFETIVO E DA PERSONALIDADE Para um bebê recém-nascido. o frio. baseando-se em princípios lógicos. . o seu afeto. O ser humano é a única espécie animal que não sobrevive sózinho pois nasce sem as condições para tal.basicamente. já a criança concreta conserva a horizontalidade. seu conforto mas. a criança préoperatória baseia-se em fatores perceptivos intuitivos e normalmente apresenta uma mesma reposta.são também adquiridas no final desta fase. Na verificação da estimativa da linha de nível de líquidos. seu mundo é sua mãe que lhe satisfaz a fome.

A partir desta interação. A frustração deve estar incorporada ao desenvolvimento do bebê e. há mais de uma década. na idade escolar de 2 a 6 anos. desde os primeiros momentos de vida. principalmente através do contato visual. Comunicação esta que possibilitará. haver frustrações que o levem a tornar-se ativo. a demonstrar suas necessidades e seus desejos. é necessário a . ao seu mundo. é que se inicia a comunicação entre mãe /bebê. a procurar. efetivar a aprendizagem da sua comunicação com outras pessoas. a ambos. cada vez mais. SPITZ (1991) salientava. aprendendo a tolerá-la é que o bebê aprenderá a integrarse.É preciso construí-las no decorrer de seu desenvolvimento. também. Da mesma forma. Para o desenvolvimento físico e psicomotor de um bebê existe uma condição primordial que é a interação com a mãe e com seus estímulos. a importância da comunicação para a formação do sistema psíquico e da personalidade alegando que um bebê não pode receber só prazer e satisfação pois é necessário. compreenderem-se mútuamente e a partir desta experiência inicial.

em resumo. Wadsworth. desejos. se sentirá insegura. Para Piaget o afeto se desenvolve. é propulsora.Motivação / Energização . interesses.36) O afeto tem dois componentes intimamente ligados aos aspectos intelectuais: 1º. 2º. orientadas. em sua vida. ao mesmo tempo. aciona ou desliga o esforço empreendido na aquisição dos conhecimentos. A teoria cognitivista considera que o desenvolvimento intelectual tem dois componentes básicos: • • Um cognitivo e Outro afetivo Afeto inclui sentimentos. pouco ou não amada e terá muitas dificuldades de incorporar as regras externas mais tarde. valores e emoções em geral. desde o início de seu crescimento. muito amadas. Uma criança que não recebe limites de seus pais.é interna. tendências.Seleção . para sentirem-se seguras de estão sendo protegidas.colocação de limites bem claros a fim de ensinar as crianças a tolerarem frustrações que a realidade lhes impõem. 2002. pg.Muitas vezes dentre grupos aparentemente .

Em todo o comportamento do ser humano estes aspectos se fazem presentes. com intensidades diferenciadas. Piaget defende que o aspecto afetivo desenvolve-se no mesmo .formam uma unidade. os sujeitos escolhem determinados assuntos e dedica-se a ele com maior afinco.homogêneos. Sabe-se claramente que o aspecto afetivo tem uma clara e marcante influência sobre o cognitivo. A explicação para esta dedicação normalmente está no interesse do sujeito. Eles estão intimamente ligados .

Entretanto a medida que desenvolvem conceitos abstratos como o da agressão ou da intencionalidade . Defende a idéia usando exemplos de crianças que no início de seus contatos sociais são agredidos por outras e não a percebem como agressão. ou a mordida como fato normal. da mesma forma. (Wadsworth. Destaca-se aqui outra aplicabilidade educacional da teoria ao confrontar-se os conceitos de motivação ligados ao behaviorismo ou comportamentalismo que colocam sobre o professor a responsabilidade de motivar seu aluno e os conceitos piagetianos que explicam a relação entre o afetivo e o cognitivo. Encaram a batida.sentido que a inteligência. através do mesmo mecanismo. 2000) . passam a reagir de outra forma. O aspecto afetivo é responsável pela dinamização da atividade mental e pela seleção dos objetos e eventos sobre os quais agir.

pois redundará em importantes aprendizagens. essa forma egocêntrica diminui e observa-se uma consciência crescente da visão dos outros e. portanto. ou seja. A evolução do raciocínio moral também acompanha o amadurecimento cognitivo. o desenvolvimento afetivo é indissociável do desenvolvimento cognitivo.Conforme o que foi visto no Módulo sobre Teorias de Aprendizagem Cognitivistas. Com a aquisição da capacidade de refletir sobre o próprio pensamento. Os afetos adquirem uma medida. segundo alguns autores. moral e social. é incapaz de compreender a visão dos outros e não necessidade de validar os próprios pensamentos. Quanto mais o professor estabelecer im bom vínculo de afeto e confiança com seu grupo de alunos e com cada um em especial. No estágio operacional concreto. estabilidade e consistência que não . um aumento da disposição de procurar validação para os próprios pensamentos. tanto mais proveitoso será seu investimento de ensino. A criança pré-operatória é dominada pelo egocentrismo. este egocentrismo está representado pela dificuldade da criança em diferenciar entre o que se percebe e o que se pensa.

torna-se possível a cooperação. Por . a criança tem condições de compreender o significado das regras . As crianças podem chegar a um acordo a fim de brincarem juntas. Ao compreender que os outros tem direitos. Por isso.As regras inicialmente são compreendidas como fixas e permanentes ( préoperatório). ao jogar. No início do pensamento operatório concreto as crianças começam a entender as regras para que um jogo seja correto. sentimentos. Desta forma. pelo prazer motor ou pelo “ querer vencer “ (egocentrismo) e passa a jogar pelo prazer da convivência. como oposto ao sentimento de obediência. não admitem perder. Nesta fase “emerge a conservação dos sentimentos e dos valores”. Desenvolve-se também o senso de obrigação.JOGO SOCIAL. necessário. está no fato de que a criança deixa de jogar. convenções e ou normas sociais.apresentavam antes. Exigem dos outros adesão rígidas às mesmas. respeito semelhantes aos seus. Ao iniciarem os sentimentos de cooperação as regras deixam de ser vistas de forma rígida e concordam que as mesmas podem ser alteradas Piaget descreve que o importante do jogo nesta fase. necessidades.

a reciprocidade e o respeito mútuo são os primeiros sinais de moral autônoma.Rangel (1992) assim define descentração: . inicialmente egocêntrico. a medida em que progride na descentração.volta dos 7 ou 8 anos. determinadas pela coordenação mútua dos diferentes pontos de vista. progride na conquista da moral autônoma. Portanto.. as crianças brincam com jogos de regras. a partir de 6-7 anos . Isto porque são capazes de conceitualizar o papel dos outros jogadores. conforme a teoria Piagetiana. mas não necessariamente idêntica entre os colegas que realizaram a experiência de cooperação. Passam a entender que as regras .. é a capacidade da criança criar novos argumentos capazes de se fazer entender pelo outro. diferenciada e superior à anterior. Assim. a criança evolui da heteronomia para a autonomia moral. capacidade da criança poder " sair" do seu ponto de vista. A coordenação gera uma nova compreensão da realidade pelas crianças.. Tal movimento é necessário para o surgimento das leis de reciprocidade. Na idade escolar. e se colocar no ponto de vista dos outros.

Em torno dos 10 anos. pais. Sobre o respeito a autoridade devem prevalecer as questões de cumprimento do dever. Entretanto neste período ainda não são capazes de julgamentos imparciais. ou seja . a criança atinge o nível de Moral Convencional. porque as pessoas. no conjunto de seu grupo concordaram em aceitá-las.devem ser obedecidas não porque alguma autoridade externa (Deus.) o determinam.o de conformidade com a ordem social estabelecida. adultos etc. cresce a capacidade de avaliar os atos praticados. . Igualmente passam a perceber que a violação das regras nem sempre traz como conseqüência o castigo. Estes caracterizam-se por " tratar a todos da mesma maneira ". mas sim. ou intenções é que conduzem a avaliação. Estes motivos. independentemente da autoridade adulta. Segundo Kohlberg. As virtudes ou boas ações devem ser recompensadas. centrando-se nos motivos ou intenções que geraram a conduta.

são extremamente importantes na formulação de seus conceitos e na conquista da moral autônoma. por seus critérios. na promoção do raciocínio moral. Enquanto que. com a criança préescolar predominam as práticas afetuosas. propiciando o alcance dos comportamentos desejados. Ela já não aceita passivamente os valores estabelecidos pelos outros. mas os avalia levando em conta os outros e a si próprio. ( Mª Luiza Padilla em Desenvolvimento Psicológico e Educação .MEIO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO MORAL “O desenvolvimento moral não só é insensível às influências do meio social em que a criança se desenvolve. na idade escolar as práticas de promoção da autonomia. e as convenções morais deste grupo.. O pensamento autônomo estabelece-se a medida em que a criança elabora um conjunto próprio de normas.Autonomia neste sentido significa auto-regulação. a demonstração de expectativas elevadas quanto a seu modo justo. . do respeito por suas idéias. que diante da afirmação acima podemos concluir que as relações da criança dentro de seu meio social. 1999) Obviamente. mas é fruto das interações que ela mantém com ele”. ético ou altruísta. parecem obter maiores resultados.

O “respeito mútuo” é um fator preponderante no desenvolvimento do pensamento autônomo. Respeito mútuo = respeito entre “iguais”. Só ao atingir um nível mais avançado do pensamento operatórioconcreto é que a criança tem condições de perceber “ as intenções” que provocaram a mentira e portanto estabelecer juízos de valores sobre os mesmos. A verdade nos períodos iniciais confunde-se com as distorções de realidade que ela mesma faz ao interpretar os fatos. Mentira Inicialmente a criança não tem o mesmo conceito do adulto sobre a mentira. – Mentira é algo que não é verdade. Obviamente tanto o respeito mútuo como a auto-regulação só podem surgir depois que as crianças tornam-se capazes de considerar o ponto de vista dos outros. .

ADOLESCÊNCIA Ao falarmos sobre adolescência surgem algumas perguntas básicas como: que idade ela começa? Qual a sua duração? • É produto de determinada organização social ou cultural? • É uma fase psicológica necessária? • É produto do nosso século? • Como o pensamento adolescente difere do das crianças? • Em .

o atingir da puberdade é o ponto inicial das mudanças que começam entre os 10 e 11 anos e vai até os 21 anos. Para outros. que tem no desenvolvimento fisiológico seu parâmetro básico. o período da adolescência localiza-se entre os 12 e 18 anos de idade cronológica. outros o oposto.Os estudiosos do assunto naturalmente discordam quanto a respostas positivas ou negativas a estas perguntas. . Como as características individuais apresentam grandes diferenças. Para autores como JONES e HOLMES (IN BERGER: 2003). Alguns defendem um posicionamento.

mutilações genitais. Os filósofos gregos já identificavam um determinado período da vida em que “as crianças tornavam-se indisciplinadas. mutilações genitais.da mesma forma. Muito povos registram em suas tradições ou costumes. tudo parece indicar como improcedente a tentativa de usar-se a idade biológica como critério conclusivo. Estes ritos são os mais diversos possíveis. ritos associados a religião e a grupos sociais estão bem presentes na sociedade oriental. ainda hoje. teste de força e resistência. etc. Costumamos achar que estes Ritos de Passagens são “coisas do passado” mas. Um ponto comum que os estudos indicam é o de que a Adolescência. questionadoras . o amadurecimento biológico entre os sexos acontecem em idades diferentes. separação da família. os chamados “ Ritos de Passagem ”– rituais que indicam a passagem da idade de criança para a maturidade. é sem dúvida um produto do nosso século. tal e qual a conhecemos e tratamos. a adolescência marca o início das mudanças psicológicas. Portanto é imprescindível diferenciar a puberdade e a adolescência pois se a puberdade marca o início das mudanças fisiológicas. desde bênçãos religiosas.

demonstrando comportamento sexual que se aproximava de características dos adultos “. preocupações). as estatísticas apontam hoje. • Dependência dos pais. hábitos. A conseqüência mais palpável destas características da fase de adolescência. é a de que a incorporação dos adolescentes ao status de adulto retardou-se notavelmente no século XX. • Busca de emprego estável. Porém estes “rebeldes” constituíam-se em minorias. • de uma cultura própria (moda. • Troca do sistema de apego familiar para sistema de apego grupal e após. valores. • Membros . tal e qual descrita acima. que um 1 em cada cinco 5 adolescentes enfrentam problemas mais sérios. apego centrado em uma só pessoa. Com o advento da era industrial a estas características agregam-se outras como: Vínculos ao sistema escolar (necessidade de capacitação. estudo – aumento dos anos de estudo). Da mesma forma. estilos de vida.da autoridade. formação.

casamento. poderemos observar claramente que os “sinais” apontados como característicos da adolescência não estão presentes em todas elas. tais como: Indicadores legais: idade do alistamento. etc. ainda. do casamento sem permissão dos pais. contratos. Se considerarmos as diferentes etnias existentes no mundo. a independência dos pais. Costuma-se definir a fase como sendo uma etapa de transição entre o ser criança e ser adulto. de responsabilidade individual sobre seus atos.se comparado com séculos anteriores. o desenvolvimento de um sistema de valores. autosuficiência econômica. o estabelecimento de relacionamentos . pois envolve a descoberta da identidade. Esta última. é motivo de muita controvérsia. • – Indicadores sociais: escolha da carreira. as diferentes culturas e suas tradições. Alguns “indicadores” são considerados nas sociedades atuais como sinalizadores para o ingresso na idade adulta. • • Indicadores psicológicos: maturidade cognitiva e emocional.

25 ou 30 anos. Isto porque uma série de mudanças significativas para a vida adulta acontece nele. = período de modificações psicológicas. como o estabelecimento da autonomia. a capacidade de Reprodução. a competência . É exatamente por isso que outros autores fazem uma clara distinção entre adolescência e puberdade. a intimidade. • Puberdade = fenômeno universal. • Adolescência . o aspecto biológico é o que normalmente ocorre de forma mais rápida. a fertilidade. as mudanças biopsicossociais. os aspectos cognitivos e psicológicos costumam demorar mais. Alguns autores registram que este desenvolvimento acontece até 18. Destes. A maioria dos estudos aponta o período da adolescência como um período marcante no ciclo de vida das pessoas. biológico de modificações físicas. Processo que leva à maturidade sexual. o crescimento. a auto-estima ou seja. cognitivas e culturais.estáveis.

“Período de rápido crescimento físico e maturação sexual que finaliza a infância e dá início à adolescência” (Berger. 2003). MUDANÇAS FÍSICAS E PSICOLÓGICAS .

São eles os responsáveis pelas grandes alterações corporais e psicológicas desta fase. o aparecimento dos pelos pubianos. Acontecendo de forma precoce ou de forma tardia causa impacto. gordura. Altera-se drasticamente a altura e a forma do corpo. músculos. . o desenvolvimento dos seios. Nas meninas o aumento do estrógeno estimula o crescimento dos genitais. Estas iniciam o aumento de sua secreção de hormônios. com o acúmulo de gordura e com a atividade física.As várias modificações corporais que acontecem na puberdade então associadas a produção de hormônios. Relacionam-se a mudanças nos órgãos sexuais. ossos e órgãos do corpo. o aparecimento da menarca e um salto de crescimento. o alargamento dos quadris. pois o sujeito está atento ao próprio corpo. Esta maturação tem implicações genéticas e ambientais. A puberdade começa quando a glândula pituitária começa a “enviar mensagens” para as glândulas sexuais. É interessante observar que o aparecimento da menarca tem relação direta com a genética.

Acontece das extremidades para o centro. lábios e nariz crescem antes que o crânio adquira sua forma maior e mais oval. a produção da testosterona estimula igualmente. engrossamento da voz. o crescimento dos genitais e dos pêlos corporais. Geralmente a altura estaciona dentro desta fase. Nestes.Meninas com pouca gordura no corpo e mais ativas fisicamente mestruam mais tarde. típica dos adultos. Os dedos das mãos e pés e eles próprios crescem antes dos braços e pernas. desenvolvimento da barba. primeira ejaculação. O crescimento físico desta etapa é desequilibrado e imprevisível. O tronco é a última coisa a crescer. . normalmente em torno de 10 a 11 anos e concluem entre 14 e 16anos. Uma das últimas partes a adquirir a forma final é a cabeça. Todas estas transformações iniciam. salto de crescimento. Na maioria das vezes as orelhas. Daí a expressão: “São só braços e pernas”!. mas os músculos adicionais e a gordura continuam a aparecer durante os anos seguintes. Nos meninos estas modificações normalmente iniciam em torno de 12 a 13 anos e concluem-se em torno dos 16 a 18 anos.

de mudanças de humor e dos . Um lado pode. As mudanças hormonais também causam mudanças significantes no esquema geral e de impacto psicológico significativo. dos conflitos . glândulas sebáceas. modificam os ciclos dia-noite. sudoríparas e odoríferas da pele tornam-se mais ativas aumentando o acne . o odor do corpo. citado por Berger (2003). testículo) do que o outro.Igualmente podem registrar-se crescimentos desiguais das partes do corpo. aumentam a necessidade de sono. indicam que algumas das variações emocionais. Suswan (1997). tais como. Golub (1992). a oleosidade do cabelo. seio. O crescimento físico externo é acompanhado do crescimento dos órgãos internos. Richards ( 1966). Estudos recentes como os de Arnett (1999). Essas mudanças trazem uma maior resistência física. Os pulmões e o coração aumentam de tamanho o que significa o aumento da profundidade da respiração e a diminuição do ritmo cardíaco. O equilíbrio normalmente é atingido em um 1 ou dois 2 anos – o que pode ser tempo muito longo para um adolescente. mão. além do aumento do volume de sangue. notadamente ser maior ( nas suas partes específicas como pé.

As variações rápidas nas emoções.impulsos sexuais característicos desta fase tem relação direta com as mudanças hormonais que caracterizam a puberdade tais como: • • O despertar mais rápido das emoções. Pensamentos constantes ou fixações sobre sexo e masturbação. principalmente em meninos. péssimo. momentos depois. o sentir-se bem e. • ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE .

que não possuem análogo .A puberdade permite atos e experiências – enquanto dá lugar a resultados no âmbito da sexualidade.

Assim. Durante as fases anteriores. O comportamento sexual está ligado a dois fatores: da reprodução e o da continuidade da espécie – inerente ao ser humano e faz parte de seu código genético obtido pela hereditariedade. a capacidade de gerar filhos.significativo na vida da criança ( Fierro. podem ter resultados que não existiam na etapa anterior. Com a puberdade a capacidade sexual própria do organismo brota para a maturidade e o adolescente vive a realidade biológica altamente influenciada pelos seus hormônios. um caráter genital (sexualidade em explosão). a expressão da sexualidade do indivíduo •O •O . de regulação – que é estabelecido pela sociedade que influencia. Na puberdade estes comportamentos sexuais se expandem. Adquirem (segundo a psicanálise). enquanto criança. certamente vivenciou “jogos ou comportamentos sexuais” com o sexo oposto. 1998). ou seja. positiva ou negativamente.

de forma mais marcante.Historicamente a questão da sexualidade sempre foi dominada pela religião. Alguns estudiosos do assunto explicam que “os velhos padrões foram abandonados sem que surgissem outros através dos quais se pudesse pautar a conduta sexual de forma que esta não fosse geradora de conflitos (Carvalho. Tem-se claro as diferenças entre os sexos como produtos biológicos culturais e sociais. Segundo Angeli (1992) esta postura gerava conflitos entre o “espírito” e a “carne”. nas suas relações como pares. Os problemas que eram tradicionalmente reprimidos estão surgindo de forma mais gritante. . 2002). Os conflitos sexuais dos adolescentes aparecem hoje. Estabeleceu-se entre homens e mulheres condutas autônomas e ao mesmo tempo integradas. Normalmente as religiões estimulavam o “sacrifício da carne” como bom para o cresimento do espírito. Ultimamente a sexualidade passou a ser analisada sob a dimensão humana e psicológica.

a mulher.A sociedade permite hoje expor de forma explícita várias questões ligadas à sexualidade como: propaganda com fortes apelos sexuais. exposições esclarecedoras sobre sexo. Os padrões indefinidos do adulto agravam as situações dos . Assim. principalmente. pornografias nos mais diversos meios de comunicações. As gerações mais velhas notadamente demonstram confusão com relação a sua própria conduta sexual e aparece marcadamente a ausência de decodificação do processo de comunicação entre as gerações. o outro passa a ser condição necessária para que o sujeito se aceite ou não. Em contrapartida. os jovens precisam esperar mais para alcançar o status de adulto. De acordo com CARVALHO et al (2002) a situação atual é de grande complexidade. a gestação constitui-se em instrumento de pressão e a educação sexual enfatiza os aspectos reprodutivos e ainda não sabe trabalhar a questão do desejo e do prazer. Os meios de comunicação de massa estimulam a fragmentação do corpo separando-o da personalidade. A exposição do corpo passa a ser condição para despertar o desejo do outro. estímulos ao ato sexual.

conforme os autores citados “assinalam de forma clara e inequívoca que a sexualidade na adolescência transcendeu os limites do relacionamento a dois e tem se tornado.. Assim. também uma questão de saúde pública”. voltados para a interação sexual.. sobre a gravidez na adolescência e outros.).(Carvalho. paralelamente as questões sexuais. sem lhes fornecer os meios e as premissas para que as desenvolvam (.adolescentes (. Pela primeira vez. Esta conduta traduz-se na cobrança aos adolescentes. a complexidade da organização social é percebida pelo adolescente de forma intensa.). Os estudos mais recentes envolvendo questões relacionadas a conhecimento de itens básicos sobre sexualidade. 2002). sobre o uso de contraceptivos. de valores e de habilidades sociais que ajudem os adolescentes a se absterem de relações sexuais até que tenham o .. sobre a idade média da primeira relação. obviamente tornam-se necessários programas de educação sexual mais práticos. cada vez mais. dos quais se espera maturidade e responsabilidade.. demonstram índices preocupantes e. Os programas devem voltar-se para o desenvolvimento de atitudes.

que geralmente são solicitados pelos adolescentes e comentados pelas autoras Betânia Gonçalves e Claudia Godoi (IN: CARVALHO.2002) . sexo anal. • Contracepção ( anticoncepção). 2003. sexo oral. aborto. •A . • Sexo e sua interface com a reprodução.. a comunicação. exibicionismo. crendices. questões de gênero e papéis sexuais. processos de esterilização. prostituição. • Autoprazer (masturbação). questões de classes sociais. zoofilia etc. • Sexualidade e normas sociais. voyerismo. Ao comentarmos sobre a sexualidade e a afetividade é importante que se estabeleça uma relação interessante de assuntos.275). • Erotismo. fetichismo. cirurgias para mudanças de sexo. sua significação psicossocial e biológica / aspectos fisiológico do sexo. • Mitos. questões políticas. namoro. contracepção de emergência. amizade. pornografia. • Comportamentos variantes: sadomasoquismo. o prazer . tabus: conceitos e preconceitos.p. pedofilia.conhecimento necessário para compreender.comportamentos de homens e mulheres. relações sexuais. virgindade. que transcrevemos a título de sugestão para integrarem possíveis programas de educação sexual : importância da sexualidade e da afetividade na vida das pessoas. relações afetivas – “ficar”. e a sensatez para assumir a responsabilidade das conseqüências (Berger.

Os problemas de saúde desta fase estão quase sempre associados aos estilos de vida ou de pobreza como: uso de .variantes culturais. • Repressão sexual..• Relações • entre sexo e amor.. Violência sexual. QUESTÕES DE SAÚDE RELACIONADAS À ADOLESCÊNCIA Geralmente o período da adolescência é um período saudável. liberação sexual.e outros.

homicídios ou suicídios. seus riscos parecem serem subestimados pelos próprios adolescentes e pela sociedade. As principais causas de morte nesta fase são acidentes. .álcool ou drogas. nesta fase (1 a 3%). Seu uso ocorre com a maioria dos adolescentes e está aumentando sensivelmente nas últimas décadas. Transtornos alimentares como obesidade. Apesar das estatísticas alarmantes. anorexia nervosa e bulimia nervosa tem incidência relativamente alta. estilo de vida perigoso ou sedentário. em alguns países. principalmente as relacionadas ao uso de álcool e drogas são permanentemente pesquisadas. Estas questões.

. Na teoria Piagetiana o pensamento operacional formal é o quarto e último estágio do desenvolvimento cognitivo.DESENVOLVIMENTO COGNITIVO O estágio operatório formal.

palpáveis.É na adolescência que ele começa a ser alcançado por ser o resultado de uma combinação de fatores maturacionais (desenvolvimento neurológico) e de experiência (ambiente mais amplo). Analisa a realidade perceptiva que está a sua frente e responde de acordo com a mesma. Um sujeito na fase anterior tende a uma abordagem simples. o acúmulo de melhorias no processamento cognitivo e na memória elevam qualitativamente o pensamento. pesquisas. Uma das características qualitativas marcantes desta fase é a capacidade de pensar na possibilidade e não apenas na realidade. na relação com a família e grupo. . trabalhos de casa. Os dois fatores não podem ser dissociados. o ingresso na escola secundária. Ou seja. conhecidos pela experiência anterior. O pensamento está voltado e é limitado à solução de problemas concretos. Para Piaget o crescimento cognitivo só é possível graças a combinação. as mudanças na sistemática escolar como professores e turmas diferentes. ou interação entre o ambiente mais rico em experiências e a maturação cerebral ou neurológica. concreta e prática de resolver problemas. mudanças na vida social.

formula hipótese e depois se volta para a realidade. enumerações. mas tem dificuldades para raciocinar sobre hipóteses ou questões futuras. ou testar suas várias hipóteses chega a conclusão sobre qual das relações. A diferença está no fato de que os agrupamentos dão-se através das proposições. classificações. situações e deslocamentos no tempo e no espaço. medidas. que exprimem as operações. Para isso usa os mesmos conteúdos operatórios empregados no período anterior. tem validade . seriações. ou respostas possíveis. Já o sujeito operatório formal geralmente parte da análise das possibilidades. pois não tem capacidade de integrar suas soluções pelo raciocínio coordenado de teorias.Encontra soluções para problemas presentes. Após analisar um experimentar. Lógica proposicional O sujeito nesta fase estabelece distinção clara entre o real e o possível. constituindo a chamada LÓGICA PROPOSICIONAL. Fantasia. Precisa trabalhar com cada problema isoladamente. especula.

. raciocinar sobre presente. Um exemplo bem simples uma criança pré-escolar brinca de “vestirse”.“estou indo para. Estabelecer conclusões de hipóteses com base em experiências passadas. estabelecendo diferentes tipos de vínculos lógicos como implicação. . Imagina-se em situações diversas que podem vir a acontecer. A LOGICA PROPOSICIONAL. identidade. • A possibilidade assume vida própria.. Planeja enfim. passado e futuro. portanto. Ele pode lidar com todas as classes de problema. O escolar “escolhe” uma roupa de acordo com determinado momento . disjunção. Na seqüência do desenvolvimento deste encontramos explicações e ou definições mais claras destes termos. conjunção. toma os resultados das operações concretas e os modela sob a forma de proposições. mas sem que tenha vivenciado as mesmas.” O adolescente pensa sobre opções e possibilidades. etc. é capaz de imaginar conseqüências resultantes da escolha do momento presente. usando roupas verdadeiras.real.

O operatório formal interpretará o provérbio no seu significado simbólico. Segundo OLDS e PAPALIA ( 2000) “ o que diferencia o pensamento adolescente dos processos de pensamento de crianças mais jovens é a consciência do conceito “ E.Implica em dizer que “está apto a pensar sobre seus próprios pensamentos e sentimentos como se eles fossem objetos” (Wadsworth. Desta forma. Para Piaget o pensamento formal tem como propriedades estruturais ser: • Hipotético-dedutivo . Exemplificando na interpretação de um provérbio como “ água mole em pedra dura. um sujeito operatório concreto poderá dar longas explicações sobre o “ como” a água age sobre a pedra. Os adolescentes tomam consciência do mundo como ele poderia ser. 2002). 1988).. de forma simultânea e sistemática na solução de um problema. como operações concretas. tanto bate até que fura”...?”. representações mentais que podem ser revertidos”. Podemos definir “Operações formais. se.. emprega teorias e hipóteses diferentes. (Berns.

As crianças da etapa escolar. . como já vimos utilizam sua experiência. uma morgota (da família dos cítricos). explica que “ é um raciocínio que transcende a percepção e a memória e lida com objetos dos quais não temos conhecimento direto. se é da cor de laranjasó pode SER LARANJA”. 2003) No exemplo citado anteriormente sobre o vestir. As “proposições” ou “hipóteses” imaginados pelo adolescente ao vestir-se para determinada ocasião. refletir a realidade. As se lhe apresentar uma fruta que nunca viu antes. os conhecimentos que acumularam sobre as coisas para chegarem a conclusões. Exemplo: “ Se é redonda como laranja. objetos hipotéticos”. ou seja. podem ou não.• Científico-indutivo • Reflexivo – abstrato Pensamento Hipotético “É o pensamento que envolve o raciocínio sobre proposições que podem ou não refletir a realidade” ( Berger. 127). p. a criança busca seus conhecimentos anteriores para análise do novo. Wadsworth ( 1989.

Este tipo de raciocínio é chamado de INDUTIVO..” para uma conclusão geral. As abstrações tornam-se hipóteses (conjunto de informações possíveis) que posteriormente são submetidos à prova para comprovar sua confirmação empírica. ou seja.. porque parte do particular: “redonda como. a sua conclusão. Concentra-se na aparência para chegar a uma conclusão. Um dos exemplos . – é o que vai do geral para o específico. Representando graficamente poderíamos usar o seguinte esquema: Raciocínio Dedutivo Os adolescentes à medida que desenvolvem a capacidade de raciocinar hipoteticamente passam a utilizar e aperfeiçoar o raciocínio DEDUTIVO.

O sujeito operatório formal aceita a” hipótese “ou a afirmação que lhe é apresentada e trabalha sobre a mesma”. independe da verdade ou da falsidade do seu conteúdo. experimentos. Assim. – A criança operacional concreta imediatamente diz que não é verdade e que..Indutivo Este raciocínio é definido como o “que vai dos fatos específicos às conclusões gerais”. Ela pode tirar conclusões. A é menor que C? Portanto. observações que tenha realmente vivenciado ou verificado. e B menor que C. de premissas: “e não de fatos.mais conhecidos deste tipo de pensamento são os problemas matemáticos que exigem dedução como: Se A é menor que B. É o principal processo empregado pelos cientistas para chegar a leis . ”. Raciocínio Científico .. ou aplicar a lógica do argumento. ao lhe ser proposto um problema do tipo:” Supondo que você more a 200 km da escola. portanto não há como resolver o problema. o raciocínio hipotético-dedutivo tira conclusões de “hipóteses”.

2001) Um dos exemplos mais clássicos sobre experimentos realizados por .definidas ou a generalizações. e realiza todas as combinações possíveis destas variáveis.– Piaget chamou a esta propriedade do pensamento de Raciocínio combinatório: “ capacidade em que o pensamento isola todas as variáveis individuais. experimentar. Raciocínio Combinatório As variáveis são construídas através do raciocínio e verificadas através da experimentação sistemática. registrar efeitos para extrair conclusões sistemáticas dos resultados. controlar variáveis. Para que o raciocínio científico – indutivo aconteça. Para isso é necessário: formular hipóteses. Estes variáveis são “pensadas” ao mesmo tempo. método que assegura a realização de um inventário exaustivo do possível ( Campos. o sujeito deve ser capaz de pensar sobre um certo número de variáveis que possam levar a determinado resultado. procedendo portanto a uma análise combinatória. de modo sistemático. de modo coordenado e podem levar a conclusões ou efeitos de uma delas (isoladamente) de algumas delas ou de todas ao mesmo tempo.

o peso do objeto. também não consegue relatar os resultados de seus experimentos. descobrem as relações entre o comprimento do cordão e o ritmo: “quanto menor é o cordão.Piaget na verificação desta capacidade é o do Pêndulo: • Mostra-se •A à criança um pêndulo – um objeto pendurado num fio. Esta criança não apenas consegue compreender o problema. mais rápido . peso pesado e fio curto. Fio comprido e peso leve. No período das operações concretas. • Solicita-se que a criança imagine que fator (variáveis) ou combinações de fatores determina a rapidez com que o pêndulo balança. ou seja: o comprimento do fio. • Indica-se quatro fatores capazes de explicarem a resposta buscada. No período pré-operatório a criança é incapaz de formular qualquer espécie de plano para resolver o problema. Ele tenta uma coisa atrás da outra por ensaio e erro. a altura da qual o objeto é largado e a quantidade de força ( ou impulso) que se pode usar para por o pêndulo em movimento... criança é solicitada a determinar e explicar o que controla o ritmo do movimento e a oscilação do pêndulo. após alguns experimentos de variações do tamanho do cordão.

altura e força ou impulsão.” Raciocínio Reflexivo . Em torno de 15 anos. o sujeito organiza o experimento de forma sistemática. peso. Desta forma chega a conclusão correta: “ é o comprimento do cordão que faz o movimento mais ou menos rápido. mas ainda não sabe determinar claramente se o mais importante é o comprimento do fio ou o peso. Como ainda não são capazes de separar variáveis fixam-se também no peso – “com o mais pesado ele cai melhor e o movimento é mais rápido. “ Nesta fase o raciocínio já avançou muito em termos de chegar a explicações relacionados aos fatores. variando um fato de cada vez . . Testa todos os fatores.. mas não conseguem excluir os outros fatores.. Portanto. ordenam corretamente os efeitos de alteração de uma variável.é o movimento”.comprimento.Abstrato Para a compreensão deste conceito precisamos retomar um conceito inicial sobre conhecimento. no estágio das operações formais.

Assim. peso. O conhecimento lógico-matemático é construído a partir das ações físicas ou mentais sobre os objetos. É o conhecimento de suas propriedades físicas como cor. a reflexão exclusivamente interna pode gerar ou resultar em um novo conhecimento. ANALOGIAS . conhecimento físico) para um nível mais alto. volume. através de uma reflexão interna. baseada no conhecimento disponível. 1989).Entre eles as atividades de ANALOGIAS.O conhecimento tem dois níveis diferenciados: conhecimento físico e conhecimento lógico matemático. forma. no nível operacional formal. parte de um nível elementar (exemplo. o que não acontece nos níveis anteriores. O pensamento reflexivo (pensamento interno). Os mecanismos por meio dos quais se produz o conhecimento lógicomatemático chama-se abstração reflexiva ( Wadsworth. O conhecimento físico resulta da manipulação dos objetos. ultrapassa o observável e tem como resultado uma reorganização mental. tamanho. Piaget propõe uma série de atividades para “examinar” o pensamento reflexivo do sujeito.

Elas são produto da abstração reflexiva. Exemplificando: A ovelha está para a lã assim como o peixe está para a escama Todos os elementos da analogia (ovelha. a relação entre ovelha. Mas o núcleo da analogia (A está para B. assim como C para D) . ( C está para D). (peixe-escama). ou seja. (lã-escama). 1981) foram criadas pelos pesquisadores atividades interessantes. lá e escamas) são conhecidos pelos sujeitos através da experiência. peixe. Exemplo: . principalmente. Em duas descrições de pesquisas realizadas sobre o pensamento analógico (Flavell.Segundo Piaget as relações que se estabelecem nas analogias não podem ser deduzidas diretamente da experiência.lã. (ovelha-lã). 1978 e Gallagher. pois requerem construção e comparação de relações entre os membros que incluem a analogia – ( A está para B). A observação leva a formação de pares (ovelha-peixe). é uma relação que se dá pela reflexão e não pela observação. Foram apresentadas para as crianças figuras para que elas as organizassem em pares e explicassem sua organização. peixe e escamas e entre os dois grupos. mas não conduz a formação do pensamento capaz de estabelecer a relação analógica existente.

Os pesquisadores relatam que crianças de nível pré-operatório .

como por exemplo: a figura de uma camisa colocada junto ao ferro elétrico. Crianças entre 8 e 11 anos. ferro elétrico precisa de luz”. Piaget propõe a oferta de contra-sugestões. dizem que “ferro está para a camisa. apresenta-se a mesma perguntando: “E a camisa não vai tão bem quanto a tomada?”. na camisa. (pensamento analógico) Ampliando a exploração do nível de pensamento do sujeito. As contra-sugestões são usadas para verificar se o sujeito raciocina com base na analogia e é capaz de mantê-la. Diante da camisa.organizam rapidamente os pares de figura (carro/bomba). tomada) e explicam a relação estabelecida com base na observação e experiência nas características observáveis: “carro precisa de gasolina para funcionar”. Exemplo: inicialmente respondem que “ferro elétrico está para a tomada porque” ferro precisa da luz elétrica para funcionar “. porque esta precisa do ferro para estar em ordem e ser usada”. Assim. A partir dos onze anos a criança demonstra ser capaz de resistir ao . com a apresentação da camisa e diante da pergunta mudam suas respostas. normalmente. Entretanto não estabelecem relações comparadas como “ carro precisa de gasolina assim como o ferro da luz elétrica”. ( ferro. no caso.

. São eles: • Operações • proposicionais ou combinatórias ou combinatórias Esquemas operacionais formais.contra-argumento e manter a analogia inicial: A: B assim como C: D Carro está para gasolina assim como ferro para luz elétrica. como : p . Exemplo: “A Terra é um planeta”. q .As proposições são geralmente designados por letras latinas minúsculas. Conteúdo do Pensamento Formal As características e propriedades do pensamento formal já foram apresentadas. na comparação das relações que se estabelecem entre pares e exatamente aí reside sua característica de construção abstrata. A característica central da analogia está. portanto. Lógicas das Proposições Define-se proposição como um conjunto de palavras que exprimem um pensamento de sentido completo. Piaget identificou também os “conteúdos” deste tipo de pensamento.

No uso dos princípios lógicos e de seus símbolos costuma-se representar p = afirmação verdadeira p = afirmação falsa. Princípio do terceiro excluído. excluindo-se qualquer outro. – Uma proposição não pode ser. gerando no mínimo 16 combinações binárias diferentes. ao mesmo tempo. todos os experimentos já realizados permitem confirmar claramente a afirmação piagetiana de que na fase das operações formais . falsa e verdadeira Princípio da não contradição. As afirmações p e q podem ser combinadas entre si de todas as formas possíveis. Este tipo de raciocínio e sua possibilidade de organização em 16 combinações binárias diferenciadas nem sempre aparecem ou se organizam de forma lógica. Da mesma forma utilizam-se os símbolos p e q para confirmar ou não a verdade de uma segunda afirmação. Entretanto.As proposições obedecem a dois princípios da Lógica: – Toda a proposição tem um dos dois valores: falso ou verdadeiro.

– Podem descobrir que um peso pequeno colocado mais distante do centro da balança pode equilibrar um peso maior colocado próximo do centro. ao tentar equilibrar diferentes pesos em uma balança uma criança nos estágios anteriores o fará por ensaio e erro. mas não são capazes de coordenar as duas funções de peso e distância como uma proporção. Elas são capazes de igualar pesos e comprimento.os adolescentes já são capazes de testar sistematicamente hipóteses. A proporção usa como base os dois tipos de pensamento: • • e reversibilidade – inversão e Reciprocidade estabelecidos no período anterior com base em objetos concretos. Assim. manipulando diferentes variáveis e mantendo alguns atributos constantes até solucionar o problema ou chegar a conclusão seguras. Esquema das Operações Formais Os esquemas das operações formais têm como base o desenvolvimento dos conceitos de proporção e probabilidade. determinando o que é relevante. Ao atingirem a compreensão do princípio da proporção são capazes .

de resolver imediatamente a questão. DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM . Compreendem que o aumento no peso de um lado da balança pode compensar o aumento na distância da colocação do peso do outro lado.

A forma de comunicação básica deste período. seja pelo diálogo interno ou pelas diferentes formas de expressão das relações .

ou . “O pensar logicamente implica em obediência a regras e normas comuns a coordenação das operações formais supõe vida social. Todos deverão estar aptos a lidar com operações diversos como correspondência. 1999). Aparecem as partículas proposicionais. O equilíbrio entre o social e o cognitivo nesta fase está na relação de troca entre o emissor ( que apresenta a idéia) e o receptor ( que acolhe a idéia e a devolve no mesmo nível. portanto demonstrará o paralelismo existente entre os aspectos cognitivo e social. É preciso demonstrar coerência de pensamento. A linguagem. todas as formas de expressões. complementaridade entre outros. ( Oliveira.interpessoais é a TRADUÇÃO DAS PROPOSIÇÕES características do pensamento formal. escrita. leitura. Cada um oferecerá hipóteses que deverão ser compreendidos pelo grupo. Desta forma.) estão ligadas as necessidades sociais e lógica. como colocamos acima. de argumentação. reciprocidade. defesa de idéias. troca de opiniões.. ( diálogos. ou não plano das igualdades..

. Faz uso inadequado da sintaxe. O primeiro: social .conectivos como: • • • • • As representações da conjunção ( e) disjunção ( ou). O segundo: cognitivo . da semântica. da linguagem muitas vezes acaba por fazer uso mais restrito das possibilidades que tem.. Explica-se estes resultados sob dois pontos de vista. somente se Interessante observar resultados de pesquisas contemporâneos que demonstram que o adolescente no uso. da organização do pensamento. da morfologia. negação ( não).em que o grupo estabelece linguagens próprias com gírias e jargões específicos .a linguagem desenvolve a autonomia do .. causalidade ( porque) Adequam-se pelo uso e efetivação os termos responsáveis: se.. então por condicionais Por noção de inclusão como ou Por proposicional como se.

123)! . metáforas de maneira criativa.. comparações .sujeito. Os estudiosos da linguagem mais ligados a epistemologia genética.. se por um lado o adolescente apresenta” erros de português “ao se expressar. quer por escrito quer oralmente. reescreve letras para canções conhecidas ou para melodias por ele mesmo criados. “Assim. Já os defensores da interpretação social obviamente usam a tese contrária. produz crônicas ou de crítica em tom jocozo ou clínico situações reais e imaginárias” (Oliveira. 1999 p.) por outro faz uso dessa capacidade de lidar com a linguagem de forma criativa: escreve poesias. defendem a explicação cognitiva como desencadeadora da social ( linguagem própria do grupo) . Este passa a utilizar analogias. (.

As teorias Antropológicas afirmam ser a adolescência um produto .MUDANÇAS E /OU DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL As teorias psicanalíticas situam a ADOLESCÊNCIA como uma fase (depois da latência) de tensões. conflitos adormecidos. contexto completo e problemático.

conforme já comentamos. Os estudos hoje falam em adolescentes e não em adolescência. Isto para deixar claro que os fenômenos. “O meio cultural prolonga o estado infantil” – o que dificulta o desenvolvimento de uma nova identidade que deve ser atingida pelo desempenho de novos papeis e pelo alcance do status social de sujeito adulto. atividade e sociabilidade) e interações sociais com os outros em vários contextos. prolonga-se a escolaridade. São difíceis as condições sociais para acender ao mundo laboral. O nosso meio cultural pouco contribui para uma boa transição da adolescência para à idade adulta. ou sinais observados devem ser avaliados da perspectiva histórica do sujeito. defendem a influência hormonal como responsável pelas características da fase.cultural. Alguns autores. A maioria dos psicólogos concorda que a personalidade emerge de predisposições biológicas (emocionalidade. Outros afirmam que estas não têm uma contribuição direta tão .

para estes. O momento da maturação tem seu lugar entre esses fatores. Há que se considerar também. do grupo de colegas.marcante e que o impacto psicológico das mudanças é mais significativo. hoje. da adolescência. “ A forma como os adolescentes vivem sua adolescência e realizam a transição para a vida adulta parece ser afetada por um conjunto de fatores. entre os quais se destacam a história evolutiva anterior à adolescência. mas provavelmente. nem o mais impactante “Palácios et Coll (1997) . as reações que as mudanças físicas provocam nas outras pessoas (expectativas da família. o surgimento de conflitos depende basicamente do contexto social. Atribuem ao ambiente. Estas reforçam o estereótipo cultural de que os homens devem ser altos e musculosos e as mulheres magras e bem formadas. o impacto da mídia. não é o mais importante. positivas ou não. sempre vendendo imagens bonitas. o êxito ou fracasso acadêmico. Ou seja. as relações com os adultos e os iguais significativos. da cultura do entorno) como fatores determinantes da maioria das reações emocionais.

O problema está em encontrar o ponto de equilíbrio entre o necessário apoio.Os adultos exercem um importante papel nestes momentos de “conflitos com sua imagem”. estabelecimento de limites e a não permissão para a exploração emocional dos pais que pode estabelecer-se. que os adolescente atravessam. nesta fase. esta preocupação não pode ser desprezada ou considerada em termos superficiais. ou intensificar-se. . incentivo ao exercício. auto-estima e aceitação social. Segundo McKinley (1999). Os adultos devem servir de apoio. tratamento médico para o acne podem ser significativos e trazer benefícios de longo alcance para a imagem corporal. Ajuda como roupas novas.

o que é ilógico é sempre errado. comentando Piaget. Sentimentos Idealistas: estão intimamente ligados as características do pensamento formal. por exemplo. Os adolescentes valorizam acima de tudo os esquemas lógicos. se o grupo social estabelece regras. Sob este prisma estabelecem seus julgamentos. Na sua lógica estendem o raciocínio ao extremo : ninguém em lugar . Se a escola e ou família proíbem o fumo. Assim. O que é certo é o que é lógico.DESENVOLVIMENTO AFETIVO E DA PERSONALIDADE Wadsworth ( 1989). ninguém que faça parte deste meio deve fumar. coloca que o desenvolvimento afetivo nesta fase caracteriza-se por dois fatores: o desenvolvimento dos sentimentos idealistas e a continuação da formação da personalidade. elas devem ser sempre aplicadas e seguidas.

Assim. ingrato. Suas críticas à sociedade estão ligadas a esta forma lógica de interpretação das coisas. Não aceitam que a realidade possa funcionar de maneira diferenciada do que eles pensam que deveria ser. aquele que funciona sempre de acordo com o estabelecido.algum deve fumar e ou ninguém deveria plantar fumo. Seu “ mundo melhor” ( idealismo) é aquele mais lógico. Para a adaptação a vida adulta será preciso aprender a assumir . tornam-se extremamente críticos das idéias sociais e dos comportamentos. Nesta forma de interpretação muitas vezes negam os esquemas de realidade. Piaget chama este tipo de pensamento de egocentrismo do adolescente. O desejo adolescente de “ reformar” a sociedade ( visto muitas vezes pelo adulto como rebelde. inadequado. ou seja.. Como analisam a realidade com base no raciocínio. suas conclusões parecem idealistas porque são lógicas.) explica-se pelo egocentrismo do início da fase pela interpretação lógica dos fatos.

p. intimamente relacionados entre si. definidos principalmente pelos seguintes elementos: o fato de que. Alfredo Fierro. as pessoas manifestam algum tipo de regularidade e estabilidade em sua maneira de se conduzir. a realidade da unidade do sujeito de se conduzir em suas diferentes atividades psicológicas e de . teorias e hipóteses egocêntricas” estabelecer-se-à pelo desiquilíbrio que o próprio mundo real proporcionará ao adolescente. Piaget coloca claramente que o rompimento com “este mundo melhor. no capítulo 22 do livro “Desenvolvimento Psicológico e Educação” define Personalidade: “Um conjunto de processos e de sistemas comportamentais.p. de que em momentos e situações diferentes.papéis adultos (realísticos no mundo real). 1958.345 apud Wadsworth. diferentes indivíduos reagem e se comportam de maneira diferente. de sonhos. “A objetividade de pensamento com respeito a problemas conflitantes é alcançada e o egocentrismo diminui quando o adolescente assume um papel adulto no mundo e pode diferenciar os muitos pontos de vista possíveis “ ( Inhelder e Piaget. o fenômeno. 1989. na mesma situação ou em situação semelhante. complementar ao anterior.152). Será preciso entender que o comportamento humano muitas vezes nada tem a ver com a lógica.

Para Piaget o desenvolvimento social também é uma construção. de “EU”.comportamento. seja ao reconhecimento interpessoal na apresentação da própria identidade nas relações sociais “. de senso de obrigação para com aqueles que são alvo de afetos. ativo e não apenas reativo diante da estimulação ou pressão externa. ou “ de si próprio”. na teoria em questão. de cooperação. após a finalização das estruturas ou esquemas das operações formais é que se estabelecem as definições da personalidade do sujeito.. ao mundo do trabalho. Nestes períodos iniciais a personalidade é chamada. o fato de que este sujeito é verdadeiramente agente. relativas seja ao autoconhecimento ( autoconceito e autoestima) .para nos referirmos a certas classes de condutas . As ligações afetivas iniciam-se durante o estágio sensório-motor e progridem para relações de mútuo respeito. . também é um aprendizado. Ela se dá na busca da adpatação à soceidade. ou o “ eu”. Na adolescência.porque toda a atividade do ser humano é centrada no seu eu. de autonomia..

na relação existente entre o amadurecimento cognitivo e a aquisição de regras e de respeito às mesmas. DESENVOLVIMENTO MORAL E SOCIAL A moralidade ou consciência normalmente é conceituada como um conjunto de regras culturais que foram internalizadas pelo indivíduo. .Significa submeter o seu “eu” egocêntrico a outras formas ou pontos de vista. ou seja. Entende-se que estão internalizadas quando são obedecidas na ausência de incentivos ou de sanções sociais. A concepção de moralidade de Piaget centrou-se no desenvolvimento do raciocínio moral. Implica em cooperação e autonomia pessoal.

codificação e obediências às regras.Esta aquisição inicia-se no período sensório-motor (anomia) e conclui na época da adolescência com o amadurecimento e a conquista da autonomia. quando as mudanças propostas para as regras são acordadas com base na análise do mérito das mudanças propostas. em jogos. ela aprende que as regras existem porque todos acordaram sobre elas. na adolescência. Piaget e seus seguidores aprofundaram suas pesquisas com relação a alguns itens específicos como: justiça. doze anos tem a respeito de regras vincula-se ao seu pensamento operatório . obediência a autoridade . À medida que a criança aprende a cooperar com os outros através de sua interação. por exemplo. O resultado final da compreensão de regras é a noção de que é possível alterá-las por acordos mútuos. mentira. Normalmente isto acontece no período operatório concreto e conclui. Codificação de regras .A compreensão que a criança de onze. conforme já afirmamos acima. Significa que o indivíduo compreende que as regras fazem parte de uma realidade social que tem uma determinada organização racional e moral.

diante de seu pensamento idealista (comentado anteriormente) que não mentir é necessário para a construção das relações de grupo e para a cooperação. no sentido de que as entendem como passíveis de mudança mediante acordos entre os componentes dos grupos. Reconhecem que as regras são necessárias para a cooperação e participação efetiva nas ações de todos. na adolescência o sujeito sabe que a mentira é alguma coisa “intencionalmente” falsa. Estabelecem seus juízos com base nas intenções que provocaram os . Inicialmente como alguma coisa errada. após como verdade ou falsidade. o sujeito passa a ter uma visão clara de julgamento moral.formal .A criança entende a mentira de forma diferenciada nos seus diferentes períodos evolutivos. Mentira . Reconhecem. Assim. Na sua característica egocêntrica podem interessar-se pelas regras para contemplar e favorecer ações próprias. Na fase de transição entre o pensamento concreto e o formal. Não mais se intimidam com regras permanentes e impostas por autoridades.

da etapa anterior.comportamentos analisados. A criança não faz julgamentos sobre estas questões. as circunstâncias em que as mentiras ocorreram. por volta dos onze. Após. O que diferencia o estabelecimento do juízo de valor. é que agora o sujeito analisa as intenções. doze anos os juízos estabelecem-se com base na reciprocidade/eqüidade.certo é o que os adultos dizem. Justiça . ou seja. independente da circunstância o castigo deve ser infligido em proporção direta ao prejuízo causado. defendem a idéia da igualdade. Finalmente. a lei serve para todos e igualmente a punição. A punição é um resultado aceitável que deriva da justiça Punição expiatória (devo pagar pelo erro).Inicialmente este conceito está ligado ao de subordinação ao adulto que decide sobre o mérito de um ato: . A ação moral é valorizada e predomina a igualdade entre as pessoas. A punição igualmente. entre oito e onze anos. pode ser . A obediência é importante e inquestionável. nem sempre se aplica.

A BUSCA DA IDENTIDADE .desconsiderada de acordo com as circunstâncias. ou seja o perdão pode ser posto acima da justiça.

.

. resolver o “ Quem sou eu ?” A Identidade pessoal é a consciência de si mesmo. É a coordenação de suas próprias experiências e das expectativas de futuro. Alguns autores chamam-na inclusiva de “drama da adolescência” – ou seja.Um dos aspectos mais importantes desta fase está relacionado a busca da identidade.

na construção de suas teorias.É a apresentação de si mesmo aos outros. Inúmeras teorias procuram explicar.julgamento moral. desempenho escolar. Uma das mais conhecidas é a de Erickson( 1982). diferentemente das fases anteriores em que a identidade do sujeito é formada pela modelagem ao ambiente. psicológicos e social as transformações que ocorrem. nesta fase. na assimilação das ideologias que caracterizam esta sociedade.imagem do sujeito já foram comentados como : o surto de crescimento e a conseqüente mudança na aparência e atributos físicos. despertar sexual. a identidade antiga não responde mais. Alguns fatores que estão diretamente relacionados a formação da auto. Os jovens precisam considerar como as crenças adquiridas no . nas suas experiências. preparação para o mundo do trabalho. O autor coloca que. dos instrumentos para a sua relação com a sociedade adulta. A questão da formação da identidade é bastante delicada nesta fase. A identidade pessoal forma-se na história de cada um. sob o ponto de vista biológicos. não é mais suficiente para o momento vivido e para o que está por vir. habilidades cognitivas.

É o caso em que há total negação da profissão dos pais e muitas vezes a manifestação de uma atitude extremamente agressiva e de agressão. um filho de militar tornar-se contrabandista. se ajustam ás expectativas presentes e futuras. entre outros. em na verdade examinar hipóteses ou alternativas próprias. a identificação política e aos compromissos religiosos. do planejamento do futuro etc. a ética sexual. È o caso de adolescentes que decidem seguir a profissão dos pais sem nenhuma análise mais aprofundada sobre o assunto. Nesta busca podem assumir diferentes papeis como: Resolução precipitada = o adolescente adota papéis. Manifestam-se através de condutas apáticas no cumprimento das tarefas escolares. Difusão de identidades = comprometem-se poucos com os objetivos e valores dos pais. valores do grupo social ou dos pais de forma indiscriminada. Identidade negada = expressa-se pela negação aos valores familiares ou do grupo social e por uma atitude de desafio rebelde .passado com relação a opções de carreira. Como por exemplo. Moratória de Identidade = período em que os jovens declaram . do grupo social e até dos colegas.

p. um movimento político. ” A fidelidade pode significar identificação com um conjunto de valores. uma ideologia. Experimentam diversas alternativas sem fixar-se definitivamente em nenhuma. a adoção de valores nos quais acreditar e segundo os quais viver. uma religião. 1982) Sobre a questão da identidade Papalia (2000. Segundo o autor. .“uma suspensão breve” no processo de busca de uma identidade amadurecida. e o desenvolvimento de uma identidade sexual satisfatória”. uma busca criativa ou um grupo étnico “ ( Erikson. aos quais se dedicar.343) coloca “A identidade se forma à medida que as pessoas resolvem três questões importantes: a escolha da ocupação. o grau de fidelidade a estes compromissos influencia sua capacidade de resolver sua crise de identidade. normalmente ideológicos. Neste período os jovens procuram compromissos.

AS RELAÇÕES NA ADOLESCÊNCIA Relações com os pais Segundo Helen Bee nas relações do adolescente com seus pais aparecem duas tarefas. que aparentemente são .

as influências dos colegas são apontadas como causas principais. no sentido de que há uma perda de controle sobre o adolescente associado . Busca da autonomia: manifesta-se pelo aumento dos conflitos. distribuição das tarefas domésticas). a necessidades de autoafirmação. As mudanças hormonais.contraditórias: 1. Consistem em aumento nas brigas leves ou discussões sobre as questões do cotidiano como regras e regulamentos (vestuário. Explica-se a questão na visão dos pais. encontros. notas. Pesquisas mais recentes apontam para um ângulo interessante nestas relações: “A de que a adolescência é fato mais estressante para os pais. Não há entre os autores concordância com relação às causas destes conflitos. do que para os filhos”.

interpretações diferenciadas. Enquanto que os pais consideram que as normas paternas são necessárias e comprovam seu amor. Os conflitos que surgem tem. Apesar do aumento da intimidade com os grupos de . 2. vida futura e outras. sua preocupação e sua proteção para com seus filhos. estes podem encará-las como uma tentativa de controle e de dominação. muitas vezes. Os conflitos tornam-se preocupantes quando envolvem valores básicos como privacidade pessoal. liberdade e outros. considerados pelos jovens como “seus direitos”.às preocupações com segurança. Apego aos pais: o surgimento dos conflitos familiares e de um possível “distanciamento” parece não diminuir ou enfraquecer o apego emocional do jovem para com seus pais.

amigos. as pesquisas mostram que os jovens têm seus pais como fontes consistentes de carinho e atenção. Relações com os colegas .

Brown ( 1990) . 284) explica: “Os adolescentes constroem um universo de colegas que reflete a sua crescente maturidade psicológica. Outros pesquisadores mostram que a ajuda. nesta fase. tornam-se bastante mais significativas. biológica e sociocognitiva e os ajuda a se adaptarem à ecologia social da adolescência” . Normalmente as amizades são bastante estáveis.As relações com seus amigos. influentes e intensas do que nas etapas anteriores e do que em qualquer outra etapa da vida. a interação e o afeto mútuos formam o núcleo central da amizade. . esclarecimento de valores. O mesmo estudo mostra que entre as funções especiais encontradas nos relacionamentos entre colegas e amigos encontram-se: auto-ajuda puberal.p. in Berger ( 2003. O grupo torna-se extremamente importante nesta fase. formação da identidade. apoio social. tornam-se mais complexas e psicologicamente mais ricas.

à obtenção de boas notas. resultando em ações arriscadas. proibidas e ou destrutivas. Alguns sentimentos acirram-se nesta fase. a bons hábitos de saúde etc. a participação de equipes esportivas.por ser o veículo de transição entre a vida familiar protegida para a vida independente do adulto.(uso de drogas. Destacam-se a lealdade. estímulo a independência da família. principalmente nos momentos de incerteza. a confiança. pegas de carro. o compartilhar de pensamentos. o apoio. . Esta pode ser positiva em vários aspectos como: adoção de um comportamento mais adulto ou de um comportamento pró-social. Podem estimular o desafio às restrições dos adultos. relações heterossexual). Pode também ser negativa. a intimidade. A força da pressão do grupo tem sido bastante estudada.

p. O presente estudo está aqui apresentado para fins de estudo.285) comenta “a pressão dos colegas atua como um amortecedor entre o mundo relativamente dependente da infância e o mundo comparativamente independente do jovem adulto”. Psicologia da Adolescência. ... PROBLEMAS CONCRETOS DOS ADOLESCENTES Dinah Martins em seu livro.Berger (2003. apresenta um estudo sobre o amadurecimento do adolescente apresentando uma tabela comparativa de diferentes comportamentos que caracterizam a passagem do período de adolescência para a vida adulta. O Adolescente Amadurece à Medida que Passa.

interpretação subjetiva das situações 3. exteriorização pacífica ou das emoções construtiva das emoções. 2. atitude habitual de enfrentar e às situações conflitivas resolver as situações conflitivas b) Estabelecimento de interesse heterossexuais DE: 1. . aguda consciência do seu próprio desenvolvimento sexual PARA: 1. exteriorização agressiva 1. experiências amorosas variadas 3.a) Maturidade emocional em geral DE: PARA: 1. interpretação objetiva das situações 3. Motivos emocionais adultos 4. interesse por indivíduos do mesmo sexo 2. interesses e medos infantis 2. encara com naturalidade a maturidade sexual. interesse somente por indivíduos do sexo oposto 2. atitude habitual de fuga 4. escolha do companheiro ou companheira 3.

tratar os pais como amigos . autocontrole 2. socialmente desajeitado 3. busca de apoio nos pais em momentos difíceis 3. imitação integral e submissão 4. sentimentos de insegurança boa aceitação entre os seus quanto a ser aceito pelos seus pares iguais 2. tolerância social 4. identificação com os pais como modelos PARA: 1. socialmente adequado 3. pais exercendo controle firme 2. sentimento de que tem 1.c) Maturidade social em geral DE: PARA: 1. liberdade da imitação servil ao grupo de idade servil d) Emancipação do lar DE: 1. intolerância social 2. busca em si mesmo os recursos para enfrentar momentos difíceis 3.

Apreço equilibrado de que valem as aptidões 4. interesse em inúmeras ocupações 3. interesses desproporcionados às aptidões PARA: 1. necessidade de explicações 3. f) Escolha de uma ocupação DE: 1. interesse em determinadas ocupações 3. interesse em atividades práticas 2. ânsia por fatos PARA: 1. porém de 3. conciliação entre capacidades e interesses . interesse por ocupações extravagantes 2. poucos interesses. sub ou superestimação das aptidões 4. curta duração porém estáveis.e) Maturidade intelectual DE: 1. Interesses numerosos. exigir evidência antes da aceitação 2. aceitação da verdade omitida autoritariamente 2.

conduta baseada na busca do PARA: 1. Sócio de muitos clubes h) Filosofia da vida DE: 1. Interesse em jogos vigorosos. espectador interessado em jogos 4.g) O uso do lazer DE: 1. porém sem regras. valorização da coragem pessoal 3. 2. interesse pela vitória do seu time 3. conduta baseada na PARA: 1. interesse em princípios gerais 2. interesse em jogos de equipe 2. indiferença em relação a princípios gerais 2. Sócio de alguns clubes . interesse por poucos passatempos 5. interesse por muitos passatempos 5. hábitos morais circunscritos a certos atos ( particulares) 3. participação em jogos 4. Moral generalizada 3.

consciência e no dever VIDA ADULTA Durante algum tempo. permaneciam em uma espécie de “platô” de poucos acontecimentos significativos do ponto de vista do desenvolvimento.prazer e fuga à dor. . sobre o desenvolvimento do ciclo vital modificaram consideravelmente os conceitos existentes. os sujeitos. Os trabalhos de Paul Baltes (1987). os desenvolvimentistas consideraram que entre os anos do fim da adolescência até a terceira idade.

do aperfeiçoamento. os aspectos biológicos como quanto ao desenvolvimento psicológico. Questões sobre o desenvolvimento na vida adulta (ele existe?). com um ritmo bem menor. Uma das dificuldades ao estudarmos a vida adulta reside na metodologia. que o desenvolvimento pára após a adolescência. ainda merecem ser estudadas de forma mais precisa. as questões relacionadas a vida adulta passaram a ser mais observadas e pesquisadas. considerando que as decisões tomadas na fase inicial da . pois as crianças são observadas e estudadas sob a visão do progresso. As mudanças na vida adulta continuam. Os estudos. do declínio. principalmente. Contrariando o que se sabia anteriormente. ou seja. Baltes (1987) sugere que o crescimento e o declínio ocorrem num equilíbrio que apresenta variações de sujeito para sujeito. do acréscimo. tem se voltado tanto para as questões relacionadas às mudanças físicas.Como conseqüência. que os registrados nos períodos anteriores. Já os adultos normalmente são observados e estudados sob a visão de perdas. O preconceito já estabelecido muitas vezes está ligado diretamente às variações de pesquisas. hoje. com resultados menos dramáticos.

Por exemplo: – O estilo de vida sedentário pode afetar a saúde. que decisões específicas podem influenciar todo um conjunto. Todos os aspectos do desenvolvimento físico.Idade Adulta afetarão muitas vezes o resto das vidas dos sujeitos. nesta fase se entrelaçam. Os pesquisadores discordam com relação a divisão dos anos da vida adulta e suas respectivas idades cronológicas. . a vida familiar do sujeito. – As pressões no trabalho podem afetar a vida emocional – E. conseqüentemente. cognitivo e psicossocial. Normalmente são três fases. ou o jovem adulto. costuram-se de tal forma. para alguns autores poderiam ser definidos como: – Início da vida adulta.

– Meia idade – E velhice ou terceira idade. Helen Bee. – Vida adulta intermediária (40 a 65 anos). – Final da vida adulta ou velhice (65 anos até a morte). em fatores psicológicos e sociais (vida independente dos filhos.) a autora citada apresenta sua classificação: – Início da vida adulta ou vida adulta jovem (20 a 40 anos). produção no trabalho etc. . cognitivos. em seu livro O Ciclo Vital (ano do livro). comenta estas divisões com base em fatores físicos.

AIDS. Após os 25 anos. Como a maioria dos jovens adultos é saudável. principalmente. suicídios.MUDANÇAS FÍSICAS Início da vida adulta: Normalmente considera-se que o adulto jovem encontra-se “no auge” de sua vida por uma série de características como : tecido muscular. homicídios e doenças cardíacas também . sistema imunológico mais eficiente. câncer. para sons agudos. mais massa cerebral. as pesquisas apontam para o início de uma perda gradual de audição. os acidentes quase sempre são a principal causa de morte nesta fase. As pesquisas apontam para a permanência destas características até aproximadamente 40 a 45 anos. de visão. maior capacidade de oxigenação. mais percepção olfativa e gustativa. presença forte de cálcio nos ossos. menos sensibilidade a dor. mais força e velocidade. Nesta fase as doenças que aparecem são mais relacionadas a resfriados. infecções e problemas digestivos. gripes. de olfato.

Já o uso de tabaco. Os estudos recentes demonstram a relação direta entre comportamentos de saúde desta fase e as capacitações ou incapacitações futuras. O que as pessoas sabem sobre a saúde afeta o que elas fazem. comportamentos saudáveis como dieta ou forma de alimentação correta e exercícios físicos. outras drogas e álcool apontam para incapacidades. apontam para boas capacitações futuras e uma expectativa de vida majorada. e o que fazem afeta como se sentem (Papalia. Vida Adulta Intermediária: Helen Bee (1997) coloca que o declínio físico normalmente pode . A ligação entre comportamentos e saúde assinala os interrelacionamentos entre os aspectos físicos.aparecem nas estatísticas mundiais. 2000). Alguns outros estudos recentes aumentam a gama de investigações sobre outras “condições indiretas” que geram incapacidades durante esta fase e nas futuras. cognitivos e emocionais do desenvolvimento. Nesta relação apontada por Papalia (2000).

perturbação do sono. Estabelecimento da menopausa: redução da produção de hormônios que levam a interrupção definitiva da ovulação. Sensibilidade às cores. alguns desequilíbrios psíquicos. visão dinâmica (ler palavras em movimento).. – Ossos e músculos: Entre 40 e 70 anos há uma perda considerável da massa óssea. – Visão e Audição: A acuidade visual e auditiva diminui sensivelmente por volta dos 45 a 50anos. embora a grande maioria dos estudos cita este declínio em torno de 25 a 30 anos. Entre 50 e 60 anos registra-se também a perda da massa muscular que é . Visualmente. procura visual. sensibilidade à luz. da mesma forma distinguir tons puros . Auditivamente a perda se acelera após os 55 anos.). principalmente a capacidade de focalizar objetos próximos (braços compridos). Mudanças mais acentuadas: – Sistema reprodutor: Início do climatério. elasticidade dos músculos oculares.. da menstruação e a uma série de mudanças físicas e comportamentais nas mulheres (ondas de calor.. Ocorre perda da capacidade de se ouvir sons com freqüência muito alta ou muito baixa. perda da capacidade reprodutiva. percepção de profundidade. Nas mulheres esta perda aumenta após a menopausa.iniciar em torno dos 40 a 50 anos. adaptação à escuridão.

– Mudanças na saúde: Na fase intermediária da vida adulta surgem mais doenças crônicas e incapacitação. – Aparência: O duplo padrão de envelhecimento – aparece marcadamente os indesejáveis sinais de envelhecimento como rugas e flacidez. Doenças como problemas respiratórios. Nesta fase a resistência (tempo que uma pessoa pode continuar a exercer força máxima antes de sentir fadiga) – se sustenta melhor do que a força. Da mesma forma intensifica-se a perda da sensibilidade ao toque e a dor. Quando mantidos os programas de exercícios físicos associados a boa nutrição . o que gera um enfraquecimento dos músculos. As limitações físicas impeditivas de algumas atividades começam a tornar-se mais comuns e mais significativas após os 65 anos. artrite e condições cardíacas deficientes são as mais comuns. infecções. podem resultar em aumento da massa e da densidade muscular. Na sociedade atual a mulher ainda é mais atingida pela aparência .substituída por gordura. pressão alta. A sensibilidade ao gosto e cheiro começa a diminuir.

Quase sempre os adultos tendem a aceitar de maneira realista as mudanças que vem ocorrendo no seu físico. As necessidades e capacidades físicas e sociais são bastantes variáveis e parecem estar bastante associadas às etapas anteriores. – . – Eles são sinais de “já ter ultrapassado a curva”. FINAL DA VIDA ADULTA OU VELHICE As pesquisas recentes mostram que o processo de envelhecimento é algo totalmente individual.envelhecida do que o homem. Esta aceitação positiva leva a uma melhor qualidade de vida. Os sinais de envelhecimento nos homens são muitas vezes vistos como indicadores de experiência ou de maior conhecimento o que quase sempre não acontece com as mulheres.

. – Audição e Visão: Nesta fase aumentam consideravelmente as perdas de audição e visão. 2003). desde a fala até o ritmo cardíaco..perda da capacidade de ouvir sons de alta . do tempo de reação ao tempo de leitura. – Mudanças no cérebro: Ocorre nesta fase uma redução no peso do cérebro. Sua estrutura sinóptica torna-se menos densa e eficiente. da velocidade do caminhar à rapidez de pensamento. As mulheres. Algumas doenças específicas ligadas ao cérebro e que podem causar danos permanentes podem surgir. são mais resistentes às enfermidades e inclusive apresentam índices de vida mais longa que os homens. entretanto. Em uma síntese do período podemos afirmar que “cada parte do corpo desacelera. As pesquisas mostram que estas perdas são mais acentuadas nos homens que nas mulheres. Essa desaceleração total é uma conseqüência geral do envelhecimento” (Berger. ou que merece. As dificuldades auditivas: .”. Uma das conseqüências visíveis desta redução é a diminuição do tempo de reação em várias tarefas diárias.“cada um tem a velhice que ganhou.

no entendimento da fala transmitida eletronicamente. A conseqüência geral destas perdas. que é a deterioração da retina que pode levar a cegueira. erros na detecção de onde estão vindo os sons. Iniciam normalmente com incapacidades de escutar sons puros como a campainha de uma porta e continuam com a dificuldade de ouvir a fala. dificuldade de discriminação geral quando da existência de ruídos paralelos. o glaucoma e a degeneração macular senil . dificuldade para identificar palavras. especialmente os timbres mais agudos das vozes e os sons das consoantes.freqüência em uma altura normal. . olfato e tato: Apresentam-se cada vez mais imperfeitos nesta fase. obviamente. são os problemas de comunicação. Se não entendidos ou admitidos podem gerar dificuldades sociais maiores como a do isolamento. Surgem também uma séries de doenças relacionadas especificamente a visão como a catarata. chiados ou “tilintar” persistente nos ouvidos. – Mudanças nos sentidos da gustação. Estas perdas normalmente atingem 40% das pessoas de 65 anos ou mais.

A perda de peso característica desta idade. Os órgãos digestivos tornam-se menos eficiente o que traz uma série de transtornos alimentares.Os do gosto não são tão significativos. As conseqüências destas perdas reduzem. acumulando-se principalmente na cintura e mo queixo. as artérias e veias que conduzem o sangue. Os cabelos igualmente sofrem mudanças perceptíveis tornando-se mais finos e grisalhos. – Mudanças em determinados órgãos vitais: O coração bombeia menos sangue a cada batimento. – Mudanças na aparência: Aparecem manchas escuras. estão mais relacionados à detecção do sal. sem dúvida.5 cm) a aparência e o peso corporal. O tato reduz-se sensivelmente. e que nas fases anteriores é . principalmente nas extremidades. vasos sanguíneos e bolsas sob os olhos. do azedo e do amargo. os prazeres relacionados à alimentação e podem causar desmotivação. Altera-se também a altura (diminui normalmente 2. tornam-se mais enrijecidas. A gordura substitui a massa muscular. Enquanto que as do olfato são maiores e mais definidas.

nesta fase já não o é.vista como algo positivo. Igualmente o cérebro diminui a atividade elétrica durante o sono. Mas estas podem ser passageiras em grupos bem significativos. dormir cedo e cochilar durante o dia. ajustar as cobertas. compras. Acordam mais vezes durante a noite por uma série de razões como urinar. – Mudanças no Sono: Aparecem alterações significativas como diminuição das horas de sono. As pessoas idosas são mais suscetíveis às doenças e tem mais probabilidade de não se recuperarem facilmente das mesmas. movimentar as pernas. vestir-se. higiene pessoal). menos profundo e com sonhos curtos. Principalmente porque ela é conseqüência da diminuição dos músculos. . – Saúde e Incapacitação: As pesquisas longitudinais apontam para um crescimento significativo dos problemas de saúde que levam a problemas de incapacitação funcional (trabalhos domésticos. alternância entre períodos de sono e vigília. Conseqüentemente tendem a acordar cedo. da perda de cálcio e conseqüente ossatura mais fina e leve. tornando-o mais leve.

desaceleração geral (geralmente associadas a todos os movimentos motores). problemas cardiovasculares. Os efeitos físicos e comportamentais resultantes destas transformações podem. declínio e ou interrupção completa da vida sexual. Isquemias. Depressão. . Tumores. Parkinson. conforme já comentados. na compreensão de diálogos. hipertensão. serem mais leves ou mais significativos. de iluminação. As incapacidades mentais (demências) que podem surgir nesta fase estão relacionadas a doenças como Alzheimer.Os problemas mais comuns incluem artrite. Dificuldades na realização de tarefas diárias. dificuldades de adaptar-se às mudanças de temperatura.

RESUMO DAS MUDANÇAS DECORRENTES DA IDADE NO FUNCIONAMENTO FÍSICO Função do corpo Idade em que a mudança começa a aparecer ou a ficar mensurável 40-45 Natureza da mudança Visão Audição Olfato Gustação Músculos Por volta dos 50 Por volta dos 40 Nenhuma Por volta Lentes dos olhos espessam-se e perdem o poder de acomodação. Nenhuma perda aparente na capacidade de discriminar gostos. . Declínio na capacidade de detectar e discriminar entre diferentes cheiros. resultando em uma visão de perto mais deficiente e maior sensibilidade à claridade. Perda da capacidade de ouvir tonalidade muito altas ou mais baixas. Perda de tecido muscular.

velocidade das sinapses mais lenta. Sistema Metade Aumento no risco durante reprodutor dos 30 nas gravidez e fertilidade reduzida. a osseoartrite. queda no peso do cérebro. imunológico ia redução no número e maturidade das células T. mais marcante após os 60 anos. declínio na maioria dos aspectos da função quando ocorre mensuração durante ou após o exercício. resultando em perda de força Perda de cálcio nos ossos. perda de matéria cinzenta do cérebro. . Sistema Adolescênc Perda do tamanho do timo. a oesteoporose.dos 50 Após menopausa nas mulheres. Também desgaste nas juntas dos ossos. Sistema 40-45 Perda da densidade dos nervoso dendritos. Ossos especialmente nas fibras dos “ arranques rápidos” usados para repentes de força ou velocidade. mais tarde nos homens Coração e 35 ou 40 Nenhuma diferença etária nas pulmões medidas tomadas em repouso.

por volta de 2. quando essa gordura é perdida no rosto. os músculos. Em estudos nos Estados Unidos. nas pernas e na parte inferior dos braços.5 a 5 cm aos 80 anos. Gordura também redistribuída na meia-idade. os tendões e as células dos vasos sangüíneos. na cintura e nas nádegas. o que inclui a pele. e acrescida na porção superior dos braços. Torna-se mais fino e pode . Mais rápida deterioração nas células expostas à luz solar. glândulas secretoras de óleo e suor tornam-se menos eficientes. Compreessão de discos na coluna. com resultante perda de altura. Aumento de rugas. devido à perda da elasticidade.a famosa disseminação da meia-idade.mulheres Elasticidad Gradativa e Altura 40 Peso Padrão não-linear Pele 40 Cabelo Por volta Perda gradativa da maioria das células. o peso máximo na meia-idade.

de Helen Bee. Entre entres. os que caracterizam os declínios físicos. sociais e cognitivos depois de determinada idade. especialmente nas sociedades urbanas. . do Livro Ciclo Vital. pg. As pesquisas mais recentes indicam que os escores de inteligência geral permanecem mais ou menos estáveis até por volta dos 60 anos. 391 Funcionamento Cognitivo Início da Vida Adulta Existem estereótipos característicos de determinados grupos sociais.dos 50 embranquecer. Extraída para fins de estudo.

que é no início da vida adulta que o pensamento formal se instala ou se estrutura completamente. quando são pesquisadas determinadas dimensões cognitivas os resultados são mais variáveis. de conhecimento e formação específica (que são dependentes da educação). nos novos ambientes em que convivem. inúmeras idéias diferentes. Buscam sempre a resposta “certa” e apesar de reconhecerem. são mantidas ao longo da meia idade. inclusive. – Mudanças na estrutura cognitiva: Os teóricos pós-piagetianos apontam para alterações ou reorganização da estrutura de pensamento (pós-formal). afirma. parecem iniciar seu declínio na meia idade. velocidade de respostas. Alguns pesquisadores como Gisela Labouvie Vief (1990).Os decréscimos aparecem a partir de 65-70 anos. já habilidades matemáticas. que envolvem raciocínio abstrato. Habilidades verbais. encaram- . Entretanto. Os jovens no início da vida adulta (transição da adolescência) ainda estão presos a características iniciais do pensamento formal como a rigidez.

capacidade de escolher a melhor solução entre diversas apresentadas e reconhecer os critérios da escolha. – Mudança na forma da compreensão inicialmente analítica e de procura de respostas claras para um modo ligado à imaginação. Ao conquistarem. de escolhas quanto a seus valores e crenças. indicando avanços significativos à teoria Piagetiana. ligada aos papeis que está desempenhando e a seu trabalho. Transita-se do raciocínio abstrato .nas como temporárias e buscam a idéia certa. As mudanças apontadas sugerem: – A instalação de uma forma mais pragmática de pensamento. os jovens tornam-se capazes de julgamentos próprios. o que alguns autores chamam de pensamento relativista. isto é. passa-se a aceitar que “certezas não são sempre possíveis no dia-a-dia e que muitas vezes os problemas tem várias soluções” . Passam a reconhecer outras possibilidades como válidas. Os pesquisadores chamam o pensamento relativista de pensamento pós-formal. a metáforas e a criatividade. Desta forma.

. contextualidade e plasticidade vêm sendo desenvolvidas. – Pensamento mais rico e mais complexos-consciência das diversas causas e soluções de alguns problemas. principalmente relacionadas a fase adulta. análise de que algumas causas ou soluções tem mais lógica e capacidade de funcionar do que outras. de acordo com sua utilidade prática. são multidirecionais. como este que estamos desenvolvendo é impraticável aprofundar estes temas. nesta fase. Vida adulta intermediária Há diferentes abordagens no estudo da inteligência. multidirecionalidade.para conclusões mais práticas. Portanto. isto é. As habilidades cognitivas. abordaremos algumas questões que consideramos mais significativas quanto ao tema. Dentro de um tópico resumido. Novas teorias sobre características específicas como multidimensionalidade. ou seja. se mantêm ou se ampliam.

Pesquisadores como Sinnott (in BERGER. a qual aparece pela primeira vez durante a idade adulta. integra a emoção com o intelecto. “. a capacidade de moldar-se a inteligência de muitas maneiras. Aptidões como raciocínio matemático podem sofrer variações de aumento e diminuição dependendo essencialmente do seu uso. ou seja. quando e por que uma pessoa as utiliza. Normalmente aperfeiçoa-se o vocabulário e a capacidade de solucionar problemas.envolvendo perdas e ganhos. da . e a experiência com o aprendizado. 2003.. As aptidões seguem trajetórias de desenvolvimento diferenciadas. pós-formal representa um novo estágio de desenvolvimento cognitivo.. para outros autores conceitua-se como plasticidade.446) colocam que o pensamento maduro. p. O conceito de multidirecionalidade apresentado. dependendo de como. e pode contribuir para a resolução prática de problemas”. Este tipo de pensamento depende de sentimentos subjetivos. uma forma especial de inteligência.

elas o filtram pela sua experiência de vida e aprendizagem prévia”. pois já não aprendem tão rapidamente. “Adultos maduros integram a lógica com a intuição e a emoção. integram fatos e idéias. As evidências das pesquisas contemporâneas indicam evidências de declínios cognitivos relacionados à idade. Os adultos são mais seletivos nos seus aprendizados. Eles interpretam o que lêem. precisam estar mais motivados e ter tempo para exercitar novas habilidades. As variações de um adulto para outro são significativas. vêem ou ouvem em termos de seu significado para eles. Ao invés de aceitar algo pelo que parece ser. e integram novas informações com o que já sabem.p.447) coloca que uma característica importante deste pensamento é a sua natureza integradora. – Memória: Ocorrem algumas perdas que estão mais relacionadas a memória de . Berger (2003.intuição e da lógica.

planejamento. demonstrações artísticas diversas. Da mesma forma questões relacionadas às medidas de uso de estratégia. manejo de emergências. . uso de informações apresentam-se eficientes nesta fase.curto prazo quando de memorização de números e a memória de longo prazo ( codificação e recuperação) que se tornam menos eficientes e menos rápidas após os 60 anos . – Produtividade criativa: Todos os estudos recentes apontam a fase da vida adulta intermediária como a mais rica e produtiva em termos de produções intelectuais como publicações. trabalhos de pesquisas.

principalmente nas últimas décadas tem desfeito o mito de que na velhice o ser humano torna-se menos inteligente. 1983). muitas vezes é mascarada por fatores diferenciados tais como: . o que sugere que os declínios podem ser prevenidos.não verbais e resolução de problemas não-familiares. (Schaie. É preciso ter-se claro também que a metodologia usada para “observar” ou “pontuar” a inteligência dos idosos. ou comuns – diminuem. Em alguns aspectos como no vocabulário as mudanças são pouco perceptíveis ou praticamente não existem. As variações individuais são marcantes. por volta dos 74 anos”. “um decréscimo sem qualquer dúvida. pode ser percebido em todas as habilidades.Final da Vida Adulta O trabalho de pesquisadores. Sabe-se claramente que algumas habilidades – principalmente as que envolvem tarefas . Posições contraditórias sobre o tema são bastante freqüentes e ainda não há completa clareza sobre o assunto.

Saúde física: A diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro. . Sabe-se que pessoas idosas tem diminuídas suas funções físicas.VEJA AQUI SUA PRÓXIMA TAREFA Procure na sua comunidade pessoas que tenham as características de um adulto na fase intermediária. A razão desta relação com o tempo reside no fato de algumas correntes defendem que a rapidez é função do sistema nervoso central e. . tanto para melhor quanto para pior e em que áreas. em sua percepção. mais um fator a ser considerado nas observações. Portanto. Questione-os sobre sua capacidade cognitiva no sentido de saber se houve alterações. audição e coordenação: Já vimos no item Funcionamento .Rapidez: Todos os testes de inteligência são cronometrados. de hipertensão e ou neurológicos podem interferir no desempenho e conseqüentemente alterar um resultado. . psicológicas e perceptivas e portanto precisam mais tempo para realizarem suas tarefas.Visão. causado por problemas cardiovasculares. portanto indicador do funcionamento cognitivo.

Da mesma forma é preciso ter-se em conta a questão do rótulo que está sempre nestas situações. interferem nos resultados. Questiona-se a aplicação e a validade dos mesmos em se tratando de adultos e ou idosos. Estas situações. observações e pesquisas para chegarmos a resultados mais precisos ou conclusivos sobre o tema. Além destes fatores há que se considerar também a questão do envolvimento de pessoas idosas em testes específicos. concluir que se fazem necessários ainda inúmeros estudos. obviamente. Os testes de inteligência foram desenvolvidos para determinadas faixas etárias. Podemos. portanto. Inicialmente é preciso ter-se claro a questão de “usos de testes” já discutido no primeiro capítulo deste manual. – O idoso tem menos inteligência . carecem de motivação e de confiança para participar dos mesmos. desta forma há que se compreender a dificuldade manifestada muitas vezes na compreensão de certas tarefas usadas para “medir” a inteligência. – Demonstram não ter interesse em participar dos mesmos.físico que estas funções são afetadas pela idade.é .

. de fazer compras. de controlar horários e tomar medicação. Neste sentido muito das pessoas idosas mostram claramente suas capacidades. como também as pessoas com maior capacidade cognitiva tendem a obter melhor educação e cuidar de sua saúde”.fato considerado. de utensílios domésticos de embalagens. de usar meios de comunicação. as pesquisas têm se voltado e aprofundado seus conhecimentos . Apresentam condições de administrar suas finanças. Estão surgindo novas visões a respeito do tema “ser inteligente”.. “Não apenas a má saúde e a falta de instrução podem limitar a cognição.de ler rótulos de remédios. de preparar refeições. Depois dos primeiros estudos de Baltes já citado anteriormente neste tópico.de preencher formulários. embora não provado.de ler mapas etc. Interessante destacar-se resultados de pesquisas como de Schaie & Willis (in Berger: 2003) que apresentam uma correlação significativa entre educação e saúde. Sabe-se que um dos propósitos da inteligência é adaptar-se a vida diária e seus problemas.

Aproximadamente 4 a cada 10 participantes recuperaram o nível de proficiência de quatorze anos antes. A Plasticidade da Inteligência é um dos temas pesquisados. Destaca que alguns aspectos podem continuar a desenvolver-se e outros deterioram-se. O modelo identifica e procura medir duas dimensões de inteligência: mecânica e pragmática. .sobre o desempenho cognitivo de pessoas idosas. Papalia ( 2000) comentando as pesquisas de Baltes ( 1993) coloca que o autor em questão propôs um modelo de Processo Dual sobre o funcionamento cognitivo na terceira idade . Uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia trouxe dados longitudinais significativos sobre o resultado de treinamentos cognitivos as pessoas idosas. Com o devido treinamento e acompanhamento os idosos tem demonstrado melhoras significativas em Orientação Espacial e Raciocínio Indutivo.

livre de conteúdo. a produtividade profissional e a sabedoria. perdas de visão e audição). Como a mecânica da inteligência tem base fisiológica que costuma declinar com a idade. Os resultados desta dimensão são altamente positivos. p.Mecânica: “consiste das funções. ou seja a aplicação de conhecimentos e habilidade acumulados. Muitas vezes esta dimensão continua a desenvolver-se nesta fase e são usadas para compensar a diminuição das funções mecânicas. · Memória: Comumentemente a sociedade vê a perda ou falha de memória como . Os adultos mais velhos tendem a aperfeiçoar o uso pragmático de informações . de processamento de informações e resolução atenção de problemas” (Papalia2000. (ex. Pragmática: refere-se ao uso da inteligência em situações práticas. esta dimensão tende a apresentar resultados inferiores. o conhecimento especializado.515).

Normalmente as pessoas mais velhas condicionam-se ao uso de listas e não ao estímulo da memória. Os pesquisadores apontam esta questão não como “uma incapacidade”. se pagou alguma conta etc. lestas de compras) e de recuperação (lembrar nome de alguém. como desuso da memória. Lembranças de longo prazo tornam-se menos acessíveis. de localização de objetos ou ruas etc. As perdas decorrentes da idade são mais significativas nas tarefas mnemônicas secundárias de codificação (memorização de números.). Estas perdas podem ter relações significativas com o dia a dia da pessoa como: não lembrar se desligou algum aparelho. de locais de encontro. mas sim. Ao serem confrontados com situações que exigem memorização de seqüências normalmente não utilizam “estratégias de eficiência” como organização por grupos lógicos.sinal de envelhecimento.. principalmente quando estas tarefas estão ligadas a situações mais espontâneas. se fechou a casa. Os investigadores apontam bases biológicas como .. poemas.

O cérebro se deteriora fisicamente com a idade. principalmente a alta. muitas vezes causadas por estímulos irrelevantes. Como resultado aparece o declínio na rapidez perceptiva afetando a eficiência do processamento.responsáveis pelas perdas de memória. Tem dificuldade de dividirem sua atenção entre diferentes estímulos ou mesmo de coordená-los simultaneamente o que acarreta distração. Estas distrações causam uma dificuldade maior para “voltar” ao foco original. . Ele é o responsável pelo armazenamento de novas informações na memória de longo prazo. Entre várias áreas afetadas encontra-se o hipocampo. Com a idade o hipocampo vai perdendo suas células nervosas. · Atenção: A investigação tem mostrado que pessoas nesta faixa etária sofrem mais crises de desatenção. Esta deterioração parece estar ligada as questões de pressão sangüínea.

a eficácia do sistema imunológico em curto prazo. Destacam-se: manutenção de exercícios físicos (mínimo 3 vezes por semana). O estress “reduz”.· Resolução de Problemas: Diminui a eficácia na resolução de problemas a medida que a idade aumenta. Pesquisadores como Kaplan e Gularnik. estabelecidos na juventude. . indicam que hábitos deficitários. Outro fator indicado como capaz de afetar a saúde em qualquer idade é o estress. beber com moderação. excesso ou falta de comida. · Saúde e Cognição: A relação existente entre o envelhecimento físico e cognitivo e o comportamento de cada indivíduo. não fumar. de maneira significativa. o que aumenta o risco de doenças. citados por Helen Bee. ou de grupos de indivíduos indicam claramente que as variações positivas encontradas são resultado de hábitos de saúde saudáveis mantidos desde o início da vida adulta e na fase intermediária. tomar café da manhã e dormir de 7 a 8 horas por noite. são difíceis de romper e normalmente seus efeitos são cumulativos na vida adulta. (hábitos de merendar são considerados prejudiciais).

o nível de saúde. Palácios. podem-se destacar.Por outro lado. no capítulo 24 do livro “Desenvolvimento Psicológico e Educação” descreve a relação entre saúde envelhecimento da seguinte forma: “Os psicólogos evolutivos. seu bem-estar psicológico). o que determina boa parte das probabilidades êxito que as pessoas apresentam. quanto uma série de fatores de natureza diversa. o nível educativo e cultural. a experiência o tônus vital das pessoas (sua motivação. estão cada vez mais convencidos de que o que determina o nível de competência cognitiva das pessoas mais velhas não é tanto a idade em si mesma. como muito importantes. entre eles o apoio social adequado e o senso de controle pessoal interno ou externo (crença na sua capacidade). ao enfrentar as diversas demandas de natureza cognitiva”. . existem fatores protetores capazes de auxiliar na manutenção da saúde. Entre esses fatores. È esse conjunto de fatores e não a idade cronológica persi.

FUNCIONAMENTO SOCIAL E DA PERSONALIDADE Início da Vida Adulta Caracteriza-se. para voltar-se ao NÒS (NÒS SOMOS). Erikson (1982 ) descreve este período como da “conquista de um sentimento da intimidade” – “o período que se segue à conquista da identidade. como traço essencial. a conquista de um sentimento de intimidade”. . o de parceiro/cônjuge. em um período em que cada um assume seu lugar na sociedade. a relação com outras pessoas. a saber. segundo Helen Bee . aprendizado e desempenho de três papeis fundamentais para a vida adulta: o profissional. ou seja. possui. “Isso significa aquisição. envolvem-se nevralgicamente com um ponto chave – o da passagem de EU para o NÓS. na adolescência e juventude. o ser humano obrigatoriamente terá que deixar de lado e até mesmo abdicar de uma série de questões relacionadas a si próprio (EU SOU – eixo central até esta fase). Nesta fase. Os papeis citados por Bee. o de pai e o de profissional. o conjugal e o parental”.

relações e vinculações marcadas por traços como entregar-se.Isso está relacionado com o estabelecimento de relações amorosas. desfrutar dessa relação. fazer sacrifícios pessoais pelo bem da relação e da outra pessoa. O processo de desenvolvimento social e da personalidade no inicio da vida adulta envolve um processo de emancipação psicológica importante. “É necessário que o jovem adulto venha a entender seus pais de maneira mais objetiva. 1995) in Papalia (2000). etc. (Bee 1997). “pois os amigos tendem a aprovar as crenças e os comportamentos uns dos outros” (Dykstra. As amizades desempenham papel importante nesta fase. compartilhar. . Ela envolve um certo grau de distanciamento emocional do jovem e seus pais. como pessoas. Este processo de emancipação psicológica está ligado à saída de casa. de uma vinculação íntima privilegiada com outra pessoa. a escolha do parceiro. A constituição de grupos de amigos geralmente baseia-se em interesses e valores comuns. comprometer-se. e não como pais”. a criação de uma relação estável entre outros.

atitudes e crenças e adequação de papéis. como: aparência física e atratividade.A amizade tem como pressuposto a confiança. Desenvolvem relações instáveis. o respeito. a disposição para ajudar e confiar. Interessante ressaltar que a escolha de um parceiro é bastante influenciada pelos modelos internos de apego. a compreensão e aceitação. Este algo em comum é bastante diversificado. o prazer da companhia. em contrapartida a presença de crianças tem um efeito estabilizador na união. educação e outros. . o casamento como instituição formal está sendo substituído pela coabitação-união consensual ou informal. Os estudos sobre a questão trazem resultados interessantes no sentido de demonstrarem que pessoas que vivem em coabitação tendem a ter atitudes não convencionais em relação à família. a espontaneidade e liberdade para ser o que se é. religião. O casamento. condição sócio econômica. popularidade. saúde mental. Normalmente os “parceiros” têm algo em comum. Hoje. normalmente é considerado como forma adequada de criar filhos. raça.

Parceiros satisfeitos revezam-se. companheirismo. Nos bons casamentos. Além da constituição de uma família própria. Independentemente do medo interno de apego que um indivíduo possa trazer para o casamento.Ele pode oferecer aos parceiros intimidade.” Gottman (1991) citado por Helen Bee diz que “um casamento é mais do que a soma das qualidades... realização sexual. ou de uma relação . 420 / 422) ou componentes das duas pessoas. Na relação é importante ter-se claramente determinada a divisão de trabalhos do que os autores chamam hoje de “ unidade de consumo e trabalho. (Bee pág. afeto. lêem as dicas recíprocas e reagem positivamente. há um nível elevado da mesma espécie de reatividade aos sinais do outro que encontramos entre bebês com apegos seguros e seus pais. 420/422). Igualmente importante para o sucesso do casamento é a qualidade das reais interações que se desenvolve entre o casal. a capacidade dos parceiros para criar essa interligação mútua e esse sistema interativo de apoio parece ser fundamental para a sobrevivência do casamento (Bee pg.

fora de casa dos pais. ciclo da vida. para a maioria dos casais. maior senso de responsabilidade e amadurecimento. as mudanças nos papeis sexuais (normalmente a . Compõe-se normalmente de pessoas que “escolhemos” como parceiros por razões diversos como: instrução. background familiar. o que Toni Antonucci (1991) chama de “comboio de relações” ou seja uma “camada protetora de familiares parceiros (as) e amigos que circundam o indivíduo nas negociações bem – sucedidas dos desafios da vida” . Obviamente que. outros fatores destacam –se na questão do desenvolvimento social na primeira fase da vida adulta. Entre estes. classe social. Paternidade: O segundo novo papel da vida adulta: tornar – se pai.estável. abertura mútua e franqueza pessoal destacam – se como fatores mantenedores de amizade intima. Uma nova pessoa totalmente dependente muda os indivíduos e os relacionamentos. a paternidade responsável traz satisfação. Este comboio geralmente permanece estável ou necessário ao longo da vida. interesses. Agrega-se a estes. traz uma série de mudanças.

personalidade . de personalidade com os ambientes . sexo entre outros .mãe assumindo a tarefa de apoiar emocionalmente e os pais de apoiar fisicamente e protetoramente). citado por Bee apresenta uma tabela em que procura relacionar as características pessoais. Holland. Estas vivenciam mais os conflitos entre o papel familiar e o profissional. como a de sustentar-se economicamente. A questão dos papeis na relação familiar está sendo muito discutida nos dias de hoje e é causadora de inúmeros conflitos. As pesquisas mostram que as mulheres assumem mais a responsabilidade pelas tarefas domésticas e pelos cuidados com os filhos . mesmo tendo antes deste tempo idéias diferenciadas . O papel profissional: Obviamente que ocupar uma posição no mundo do trabalho tem razões primeiras. (1973). Na escolha da profissão uma série de fatores estão relacionados como importantes e influentes inteligência . hoje são mais marcantes na vida das mulheres. principalmente durante o início da vida adulta enquanto os filhos são pequenos e dependentes. mas também está diretamente relacionada a satisfação pessoal e a consequentemente satisfação de viver . Estes.

Gosta de trabalhar com pessoas e não gosta de atividades intelectuais ou altamente organizadas. tal como dirigir os outros. esclarecimento aos outros. necessita de atenção. Tipo Artístico Empresarial Ambiente adequado de trabalho Prefere atividade Atividades livres. atividades estruturadas e papéis de subordinação. precisa e sistemática de dados. bastante falante e dominador. Pesquisa criativa ou observação de fenômenos físicos.comumente ocorre em vendas. e. treinamento. Atendimento. não individual. prestação de serviços. preciso e minuciosos. Gosta de organizar e Manipulação dos outros.associal. registros. biológicos ou culturais. sistematizadas para produzir arte ou performance. Social Pesquisador .g. Gosta de tarefas ambíguas e desafiadoras que Personalidade Convencional Manipulação ordenada. Gosta de orientações claras.. não-estruturada.adequados de trabalho. contabilidade e organização. arquivos. persuasivo e com grande liderança.

agressiva. 430 Na manutenção da carreira. Normalmente ocorre inicialmente o estágio da tentativa ou do estabelecimento (20. costuma apresentar habilidades verbais ou interpessoais insuficientes. fisicamente forte. máquinas ou animais. masculina. A maior produtividade está ligada a fase da estabilização. . o planejamento.Realista envolvam o pensamento abstrato. pg. Ciclo Vital. de Extraída para fins de estudo de Bee. comumente possui habilidades sociais insuficientes. ferramentas. os pesquisadores diferem em suas colocações.30 anos) em que podem ocorrer diferentes opções até a estabilização (30 – 45 anos) e o domínio das habilidades necessárias. Gosta de atividades Manipulação sistemática mecânicas e de uso de ferramentas. a organização.

Mudanças na personalidade: Os estudiosos do assunto diferem muito nas suas conclusões a respeito de mudanças na personalidade durante a vida adulta. entretanto. A medida em que o jovem domina os vários papeis afirma com mais capacidade sua individualidade. do reexaminar. 479) Entretanto. Vida Adulta Intermediária Generalizando a questão do desenvolvimento social nesta fase podemos afirmar que “a maioria encontra –se casada. (Bee pág. Os resultados de estudos. . A meia –idade é considerada a época do repensar. Esta está relacionada diretamente a autonomia conquistada. ao maior autocontrole e positividade pessoal. exerce o papel de pais e possui uma profissão”. “parecem apontar para a possibilidade de que na vida adulta ocorre uma mudança básica de personalidade”. esta fase é permeada de mudanças significativas e que alteram as relações sociais. mais recentes.

Geralmente neste reexame incluem-se questões relativas a produtividade. os pais idosos tornam-se mais fragilizados e precisam ser assistidos por seus filhos (de meia idade) – o que altera significativamente as relações familiares. Entre as mudanças significativas desta fase. além das já citadas destacam -se: 1) A saída dos filhos . Estabelecem – se relações familiares baseadas no auxílio mútuo. na responsabilidade na manutenção dos elos afetivos. reduz significativamente o papel de pais e com o passar do tempo também o dos filhos. Alguns estudiosos chamam esta fase de geração sanduíche exatamente porque ela se encontra pressionada por obrigações para com a geração mais nova e a mais velha. entre outras. casamento. pois filhos crescidos significam pais envelhecidos.chamada de síndrome do ninho vazio. normalmente. equilíbrio entre trabalho e família. Alteram –se as posições na cadeia das gerações. . Nesta fase.

As relações mais próximos afetivamente. e mesmo o papel de ”pais substitutos “ parecem ser mais características de povos latinos ou que tenham a afetividade como característica cultural . com relação aos netos variam muito de acordo com os vínculos afetivos. . Os papeis vividos pelos avós. de camaradagem ou de envolvimento ativo segundo Cherlin e Fustenberg (1985). proximidade física e relações estabelecidas. Podem ser de afastamento.Normalmente a geração adulta intermediária presta mais auxílio do que recebe. Apoia financeira e emocionalmente seus filhos e ao mesmo tempo ajuda de diversas maneiras seus próprios pais. 2) O Papel de Avós .nesta fase acrescenta – se este outro papel na cadeia das relações familiares.

são persistentes. as amizades que persistem são revestidas de um caráter qualitativo aprimorado. Entretanto. .Amigos na meia idade: São poucas as pesquisas sobre o tema. Trabalho/Aposentadoria: Nesta idade os papéis já estão bem definidos. fonte de apoio e bem-estar emocional. As pessoas costumam estar no auge de sua satisfação profissional e de sua carreira. não tem mais expectativas quanto a promoções. ou ao contrário. Entretanto os estudos sugerem que “as amizades podem ser menos importantes na vida de adultos na meia idade do que o foram na fase inicial ou virão a ser na fase final da vida adulta”. além do que parecem contentar-se com as amizades que tem sem grandes preocupações com fazer novas.(Bee 1997) As pesquisas mostram também que os adultos nesta fase estão muito ocupados com seus diferentes papéis.

Nossa realidade é bastante diferenciada e culturalmente não adotamos padrões de preparação para a mesma. status.O trabalho proporciona amizades. estrutura. Em países mais desenvolvidos a preparação para a aposentadoria inicia no mínimo 15 anos antes. estima além de salário. mas é diferenciado para aquelas cuja história de trabalho é mais variável. Culturalmente podemos afirmar que o padrão é o mesmo para mulheres que sempre trabalharam. Um aspecto que evolui nesta fase é a procura do equilíbrio entre trabalho. . Entre homens e mulheres há comportamentos diferenciados e poucas pesquisas de resultado determinantes. família e pessoa. planejamento financeiro. Ao aproximar-se a idade da mesma costumam aumentar os preparativos formais e informais como: diminuição da carga horária de trabalho.

procuram a interioridade. não apresentam coerência de resultados em seus trabalhos. Alguns se manifestam dizendo que adultos. talvez levemente mais introvertido. menos preocupado em atingir metas específicas. Vários traços são altamente consistentes durante a meia idade enquanto outros se modificam. “parece menos vivaz. apesar de tentarem qualificar mudanças significativas de personalidade na meia idade. outros apontam para uso maior de mecanismos de defesa. Bee coloca que o adulto. ou compartilhado de mudança de personalidade.Personalidade na meia-idade: Vários autores. a cordialidade em relação aos outros e a confiança em si mesmo parecem ser padrões específicos e . nesta fase. mais capacitado a expressar todas as suas facetas. Certos traços como. outros para características de flexibilidade e tenacidade. por exemplo.” As diferentes variações de pesquisas trazem como um resultado conclusivo o fato de que não existe um padrão único. talvez mais desejoso ou capaz de se adaptar às circunstâncias. aos 60 anos.

deficiência da saúde. inclusive na personalidade.individuais. Aceita-se que podem ocorrer transformações na personalidade do adulto quando circunstâncias de vida são drasticamente alteradas. viuvez precoce. conversão religiosa). Na sua relação com o ambiente normalmente os adultos reforçam seu temperamento básico. da vida profissional e social de cada indivíduo parecem ter relação direta com os padrões de vida adulta. ou quando se instalam um conjunto de novos valores em sua vida ( ex. As experiências familiares. Final da Vida Adulta ou Velhice . Crises específicas como divórcio. desemprego podem gerar determinados níveis de estresse que podem associar-se a um funcionamento mais deficiente do sistema imunológico causando impactos em várias áreas da vida adulta.

alguns idosos recebem títulos como. Em alguns casos.Normalmente esta fase é sempre mais marcada pelo declínio físico. as mudanças de papéis e das relações também são bastantes significativas. o de professor emérito. como forma de reconhecimento. . de profissional. por exemplo. Entretanto. de cônjuge e até mesmo de líderes de organizações específicas. 1997) Modificações nos papéis: No final da vida adulta grande parte dos papéis que vinham sendo exercidos ao longo da existência não tem mais razão de ser. e a meia-idade é o período em que tais papéis são redefinidos e renegociados. o de filho.” ( Bee. o período da fase adulta tardia é aquele em que muitos desses papéis são postos de lado. “ Se a fase adulta inicial é o período em que acrescentamos papéis complexos e que exigem mais tempo. como por exemplo.

satisfação ou insatisfações anteriores.Quase sempre estes títulos significam reconhecimento. mas raramente trazem consigo alguma obrigação. benefícios. Já as relações com os filhos. Quando os ambientes são propícios os vínculos afetivos familiares estreitam-se nesta fase. posição social. (mantenedoras do parentesco). Relações na vida adulta: A alteração de papéis e a conseqüente mudança de rotina afetam sensivelmente as relações sociais na vida adulta. No casamento o companheirismo constante está mais presente. Assim. . principalmente entre as mulheres. a “ausência de papéis” no final da vida adulta significa reestruturação de rotinas pessoais que podem ser positivas ou negativas. As relações com os amigos na velhice constituem-se em importante ponto de satisfação geral de vida e de auto-estima. apego. significativa nesta fase. depende de fatores como aproximação geográfica. ou menos. netos e família é mais. Manifestam-se por atividades comuns. por cuidados e assistência que os cônjuges oferecem um ao outro.

O fenômeno da solidão tem relação direta com a diminuição gradativa do número de amigos. gerada pela diminuição dos rendimentos. Nos mais aculturados o processo de transição parece ser aceito com mais tranqüilidade. nesta faixa etária. Mudanças na personalidade: Não há evidências claras que fundamentam alguma teoria sobre . Em outros. a aposentadoria pode ser acompanhada de várias crises. Interessante ressaltar que os estudos indicam que as mulheres. tornam-se menores as redes de relações. sem dúvida. A medida que morrem. Uma delas. como sendo resultado natural de um processo. costumam cultivar mais amplamente as redes sociais. Uma condição limitante para a atividade social na velhice é a incapacidade física Trabalho/Aposentadoria: A idade média para a aposentadoria é bastante variada em diferentes países.

mudanças de personalidade na fase da velhice.Introdução Vamos. TEORIAS DE APRENDIZAGEM . . agora. um novo século. Os resultados de pesquisas apresentam como ponto comum e fundamental para esta fase a “percepção que o indivíduo tem de sua situação”. mais de qualquer medida de cunho social ou econômico. estudar as Teorias de Aprendizagem desde o início do século XX até hoje. Esta percepção tem relação direta com o estado de espírito elevado.

procura resumir uma grande quantidade de conhecimento sobre aprendizagem em uma formulação compacta. Nas teorias de aprendizagem aparecem três aspetos muito relacionados: representa o ponto de vista de um autor sobre como abordar o assunto aprendizagem. quais os fenômenos importantes e quais as perguntas significativas. tenta. Teorias de Teoria: aprendizagem: tentativas de interpretar sistematicamente. de fazer predições sobre conhecimentos relativos à aprendizagem.Iniciaremos conhecendo alguns conceitos básicos para que você possa compreender melhor este novo Módulo. de forma criativa. de organizar. explicar o que é a aprendizagem e porque funciona da maneira como parece funcionar. quais as variáveis que são relevantes e valem a pena ser investigadas e estudadas. Teoria :Interpretação sistemática de uma área de conhecimento. Teorias de aprendizagem são construções humanas !!!!! O que é a aprendizagem? Depende da teoria!!!!!! .

.mudança relativamente permanente de comportamento devida à experiência. Algumas teorias você já estudou no Módulo I. e que podem ter conseqüências aplicáveis para a aprendizagem. O que determina uma Teoria de Aprendizagem é a Filosofia em que está embasada.geradora do desenvolvimento. em geral são teorias psicológicas que tratam ou do comportamento ou da cognição. . . existem poucas teorias de aprendizagem propriamente ditas. quando estudamos o .A APRENDIZAGEM é : .. Em geral. .. Cada teoria têm conceitos de aprendizagem (e construtos especiais para caracterizá-lo) que não são compartilhados por outras teorias.a aquisição de informação ou habilidades.resultante do desenvolvimento. .

As Principais Teorias de Aprendizagem . como um todo—sentimentos. Filosofias subjacentes às Teorias de Aprendizagem. inícios do século XX.inicial. pensamentos e ações—não sé intelecto. um reflexo dela.histórico da Psicologia. e reveja o assunto para sentir mais seguro. Observação: Caso seja preciso retorne ao Módulo I. Principio da correspondência: se existe mente ela deve ser cópia da realidade. Comportamentalismo: a tônica da visão de mundo behaviorista está nos comportamentos observáveis e mensuráveis do sujeito. Humanismo: Vê o ser que aprende primordialmente como pessoa. Cognitivismo: trata principalmente dos processos mentais Tanto comportamentalismo como cognitivismo surgem na mesma época. como reação ao estruturalismo introspectivo . nas respostas que ele da aos estímulos externos.

Consideramos as principais teorias como aquelas que ficaram mais famosas.Vamos ver como ? O COMPORTAMENTALISMO Escolhemos Skinner para representar a Teoria comportamentalista / behaviorista pela relevância de sua obra na metade do século XX. . cada uma. já que foi o principal expoente da Psicologia americana. em sua época mas que no entanto são usadas até hoje.

Observação: Quando nos referirmos a Comportamentalismo também usaremos a palavra Behaviorismo pois significa o mesmo em Inglês. . Iniciaremos conhecendo alguns conceitos básicos para que você possa compreender melhor este novo Módulo.

sendo irrelevantes para ele os processo intermediários entre estímulo e resposta. Como todo comportamentalista.mi.kirtland.TEORIA BEHAVIORISTA DE SKINNER (1904-1990) Skinner com seu enfoque teve enorme influência nos procedimentos e materiais usados em sala de aula. As pessoas tendem a se comportar de modo a obter recompensas e a evitar .> consultado em 12/01/2004 R é a resposta (ato comportamental) que “leva ao” E estímulo reforçador.us/socialscience/psych/psychpage. principalmente nas décadas de 60 e 70.cc. Para Skinner a maior parte do comportamento humano não é resultante do condicionamento clássico (eliciado involuntariamente frente a determinados estímulos) e sim pelo condicionamento operante (controlado pelas conseqüências). no ensino de qualquer disciplina. preocupava-se unicamente com o comportamento observável. Foto disponível na Internet: <www.htm.

punições. Para Skinner o reforço positivo e as contingências de reforço (situações que acompanham a situação) têm um papel preponderante na aprendizagem. . Reforços positivos : eventos ou objetos que vem após um comportamento e subseqüentemente aumentam sua freqüência.

é a presença das contingências de reforço.Para Skinner a aprendizagem ocorre devido ao reforço. Ou seja. O importante é saber arranjar as situações de maneira que as respostas dadas pelo sujeito sejam reforçadas e tenham sua probabilidade de ocorrência reforçada. o ensino se dá apenas quando o que precisa ser ensinado pode ser colocado . Não é a presença do estímulo ou a presença da resposta que leva á aprendizagem. sim. mas.

sob o controle de certas contingências de reforço. O papel do professor é justamente o de programar as contingências do reforço (dar reforço no momento apropriado, reforçar respostas que levam ao aprendiz a exibir o comportamento terminal desejado), mais do que a seleção de estímulos propriamente dita. A aprendizagem segundo a filosofia comportamentalista Aprendizagem : mudança condutual.

A única forma de aprendizagem é por associação. Toda conduta, por complexa que fosse pode ser redutível a uma série de associações entre elementos simples— caráter atomista –elementar. A aprendizagem é iniciada e controlada pelo ambiente. Ou seja, embora o estudante possa ser ativo, a aprendizagem é passiva: ela decorre ou precisa ser impulsionada desde o ambiente. O motor da conduta encontra-se fora do sujeito.

A aprendizagem é um processo geral : todos os estímulos e respostas são equivalentes (ou seja, independem do conteúdo da tarefa); existe uma universalidade filogenética dos mecanismos associativos (ou seja, todas as espécies, incluído o homem, aprendem mediante os mesmos mecanismos), existe uma equivalência de todos os organismos de uma mesma espécie. Ou seja, embora o estudante possa ser ativo, a aprendizagem é passiva: ela decorre ou precisa ser impulsionada desde o ambiente. O motor da conduta encontra-se

fora do sujeito. A aprendizagem é um processo geral : todos os estímulos e respostas são equivalentes (ou seja, independem do conteúdo da tarefa); existe uma universalidade filogenética dos mecanismos associativos (ou seja, todas as espécies, incluído o homem, aprendem mediante os mesmos mecanismos), existe uma equivalência de todos os organismos de uma mesma espécie.

A TEORIA HUMANISTA
As pessoas tendem a se comportar de modo a obter recompensas e a evitar punições. IDÉIA-CHAVE DO HUMANISMO: pensamentos, sentimentos e ações estão integradas.

O importante é a auto-realização da pessoa, seu crescimento pessoal. Na escola, originou o chamado “ensino centrado no aluno” e as “escolas abertas”, onde os alunos tinham ampla liberdade de escolha, inclusive sobre o que estudar.

Seu principal representante foi : Carl Rogers que viveu em Chicago
Foto disponível na Internet: < www.institutoananda.com/ 55rogers.html.> consultado em 12/01/2004

Para Rogers( in:LA ROZA,2001) a aprendizagem vem de dentro para fora pois a resolução de problemas está dentro da pessoa : ...a aprendizagem significativa tem a qualidade de um envolvimento pessoal – a pessoa como um todo inclui-se no fato da aprendizagem.Ela é auto-iniciada – mesmo quando o primeiro impulso ou estímulo vem de fora, o senso da descoberta , do alcançar, do captar e do compreender vem de dentro. É penetrante – suscita modificação no comportamento, nas atitudes, talvez mesmo na

personalidade do educando.É avaliada pelo educando[...] Quando se verifica a aprendizagem, o elemento de significação desenvolve-se para o educando, dentro da sua experiência como um todo. Mais recentemente, temos Joseph Novak; defende um humanismo mais viável para a sala de aula: é a aprendizagem significativa, que está por trás da integração construtiva de pensar, sentir e agir: o aprendiz é visto como um ser que pensa. O princípio geral de aprendizagem na Teoria Humanista Rogeriana é:

não se pode ensinar diretamente alguém.. Emita sua opinião sobre o uso destas duas teorias nos ambientes educativos: em casa com os pais.. AS TEORIAS COGNITIVISTAS Compare a Teoria Comportamentalista de Skinner com a Teoria Humanista de Rogers.... estabelecendo as diferenças . o que se pode é facilitar a aprendizagem. .

por e-mail O construtivismo tem sido confundido com “método construtivista”. ingenuamente. ou com “aprendizagem por descoberta”. com simples atividades manipulativas (crê-se. o que é pior. que só por estar manipulando coisas o aluno .na escola. Em todos os momentos da vida e em qualquer ambiente estamos aprendendo não é mesmo? Remeta seu trabalho para o seu tutor. ou ainda. nos clubes onde se praticam esportes e /ou outros.

No ensino. Não existe um método construtivista.esta “construindo”) Construtivismo não é isso. Os representantes do cognitivismo escolhidos por nós para representarem o . teorias construtivistas e metodologias construtivistas. o aluno passa a ser considerado agente de uma construção que é sua própria estrutura cognitiva. todas consistentes com a postura filosófica construtivista. Existem sim.

PIAGET. . cada um com suas particularidades são: .AUSUBEL.COGNITIVISMO. o ato de conhecer.BRUNER.VYGOTSKY. Esta Teoria é baseada numa Filosofia que enfatiza exatamente aquilo que é ignorado pela visão behaviorista: a cognição. como o ser humano conhece o mundo através de estruturas cognitivas. . . .

A filosofia cognitivista trata. da compreensão. resolução de problemas. principalmente dos processos mentais. compreensão). transformação. . processamento de informações. então. armazenamento e uso da informação envolvida na cognição. ocupa-se da atribuição de significados.Para os cognitivistas. tomada de decisões. nas cognições. nos processos mentais superiores (percepção. o foco está nas chamadas variáveis intervenientes entre estímulos e respostas.

tão apregoado nos anos noventa. nessa perspectiva. O construtivismo é uma posição filosófica cognitivista interpretacionista. ou seja. de como o indivíduo conhece. de como ele constrói sua estrutura cognitiva.Na medida em que se admite. Cognitivista: porque é uma teoria que ocupa-se da cognição. Interpretacionista: porque é uma teoria que nos mostra que os eventos e objetos do . que a cognição se dá por construção chega-se ao CONSTRUTIVISMO.

. O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO NA TEORIA CONSTRUTIVISTA.universo são interpretados pelo sujeito cognoscente.

O representante do Construtivismo mais conhecido foi Piaget e por isso nos estenderemos um pouco mais em sua obra.> consultado em 12/01/2004 O HOMEM .ac.Aos 15 anos publica uma série de notas . . Foto disponível na Internet: <hagar.Jean Piaget .11 anos publicou seu primeiro trabalho: descrição da vida de um pardal que observava em um parque.html.suíço (1896-1980) ...up.za/.Menino prodígio ./projects/ loo/theory/construct.

como suplemento ao catálogo dos moluscos de Neuchâtel. de universidades e de museus enquanto ainda estava no College.Segue com o Doutorado em Biologia. .Conflito entre a mãe (protestante convicta) e seu pai (historiador e cético) – Seu desafio: conciliar a fé e a ciência ou a razão. .Ingressa na Universidade aos 18 anos – cursa Biologia. . . .Recebe convites de colegas.

Incursiona pela Filosofia e pela Psicologia por mais de 40 anos.Convidado para trabalhar no laboratório de SIMON (teste de inteligência) em Paris . .Seu trabalho com moluscos é que estabeleceu a base para suas investigações futuras.. . Piaget trouxe para seus estudos sobre o desenvolvimento mental. . Concluiu que o desenvolvimento biológico era um processo de adaptação ao meio e não somente conseqüência da maturação e hereditariedade. Esta base.

Neste trabalho inicia a grande virada nas teorias existentes sobre o ser humano e sua inteligência: “Mais interessante do que classificar e ou padronizar é descobrir as razões dos fracassos”.1980. de mensuração de diferenças individuais através de testes padronizados para voltarse ao “como” e ao “porque” a criança apresenta determinada conduta. com 84 anos). .para padronizar provas de raciocínio rejeitou o enfoque psicométrico. de QI. (PIAGET.

Interessou-se.AS PRIMEIRAS IDÉIAS – A ORIGEM DA OBRA Sua teoria foi influenciada por sua formação. portanto. em estudar a maneira como os conhecimentos são . Com o trabalho no laboratório de Simon afasta-se das normas de teste padronizados na época . por concepções advindas da Biologia.e dialoga com as crianças procurando descobrir os processos de raciocínio que conduziam às respostas erradas e as que conduziam às respostas certas. da Lógica e da Epistemologia . ou seja.

devemos questionar os processos subjacentes às respostas . não são carências. .adquiridos. Destas experiências surgiram as primeiras concepções de sua teoria : . tentar descobrir a lógica dos erros.devemos considerar as respostas em sua própria originalidade. como se passa de um estado de menor conhecimento a outro de maior conhecimento.as respostas erradas não são déficit. .

Formulou a 1ª teoria coerente e rigorosa do desenvolvimento da inteligência humana. Publica vários artigos sobre suas descobertas e é convidado por Claparéde (1921) para integrar a equipe do Instituto Jean-Jacques Rosseau de Genebra. Não é uma teoria do desenvolvimento psicológico – É UMA TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA. .em vez de nos contentarmos em catalogá-las .

Propôs-se a estudar a gênese do conhecimento. . como alguém que estuda como o conhecimento é adquirido. Define-se como Epistemólogo Genético. ou seja. desde o pensamento infantil até o raciocínio adulto.

perguntas individuais às crianças e registro de suas respostas. Envolvia. Desenvolveu um método de pesquisa chamado “técnica clínico-descritiva" .Seu foco principal de investigação sempre foi o desenvolvimento qualitativo das estruturas intelectuais. . descrição e análise do comportamento das crianças. concentrando-se na análise do tipo de raciocínio desenvolvido pela criança e demonstrado pelas suas respostas. Seu trabalho foi de observação sistemática. na sua essência.

.

AS PRINCIPAIS IDEIAS DE SUA TEORIA . INTERACIONISTA Interação = inter + ação Ação da criança sobre o mundo e ação do mundo sobre a criança. O desenvolvimento mental é entendido como produto da interação do organismo da criança com o meio. .Piaget atribui um papel ativo ao sujeito e ao que ele faz sobre o mundo.

mas não oferecem uma estrutura pronta desde o nascimento.FATORES DO DESENVOLVIMENTO Maturação Biológica/ Hereditariedade: as características biológicas influem. Transmissões Sociais / Interação Social: Intercâmbio de idéias entre pessoas. É fator educativo principalmente .

por exemplo. A criança necessita assimilar o que lhe procuram inculcar do exterior. . “mana" . “honestidade". como por exemplo .para o desenvolvimento do conhecimento social. conceitos de valores “ajuda ao próximo". (2) como os que não tem tais referenciais como.cobertor . Os conceitos ou esquemas que o sujeito desenvolve pode ser classificados: (1) como os que tem referenciais físicos acessíveis (podem ser percebidos pelos sentidos) .

É fator essencial e determinante ao desenvolvimento neste . Equilibração:coordenação entre os três elementos anteriores. São estas experiências ativas que tem como resultado a mudança cognitiva. sua vivência.Experiência com os objetos / Experiência ativa : conhecimento que a criança retira de suas experiências com os objetos físicos e sociais. Todo o conhecimento construído pela criança . lógico-matemático e social requerem sua troca. sua experiência pessoal.físico.

Nesta construção precisa equilibrar a nova experiência com os fatores anteriores (maturação biológica. com aquilo que já sabe (produto das suas Experiências anteriores) Cria-se assim um conflito cognitivo e é necessário um jogo de regulações e de compensações para que se atinja uma coerência entre o que já sabia com as .processo contínuo de adaptação ao meio em que vive A construção do conhecimento só ocorre a medida que o sujeito experencia . transmissões sociais e experiências física).

novidades provocadoras deste conflito = isto se dá através das Leis da equilibração. Foram adaptados de Anita Woolfolk (vide bibliografia) e complementados com conceitos expressos em toda a bibliografia . CONCEITOS IMPORTANTES PARA O DOMÍNIO DA TEORIA Os seguintes conceitos são chaves para o entendimento da teoria piagetiana.

Produzem o desequilíbrio e permitem a assimilação e ou acomodação. podendo ou não ser observáveis. ou atos internos (ações mentais) como a resposta a um determinado cálculo apresentado. Ações: são comportamentos que estimulam o aparato intelectual da criança. A ação é um dos vários determinantes do desenvolvimento cognitivo. Podem ser atos visíveis (ações físicas) como o movimento de mão em um bebê. Organização: processo de combinar informações e experiências em sistemas ou .desta unidade.

Assimilação: encaixar novas informações em esquemas já existentes. o aparelho digestivo. Adaptação: ajustamento ao ambiente . como por exemplo. Esquemas: sistemas ou categorias mentais de percepção e experiência. ou psicológico como a combinação do esquema de olhar e de estender o braço para pegar. .categorias mentais .Estes sistemas podem ser físicos. Mudança contínua como resultado de sua interação com o meio.

refere-se a mudanças que o organismo faz em suas estruturas para lidar com as novas informações. Equilibração: a busca de estabilidade mental entre esquemas cognitivos e informações do ambiente. Ex: transformação do esquema de sucção para o de comer com a colher. Ou seja.Acomodação: alterar os esquemas existentes ou criar novos esquemas em respostas a novas informações . Desequilíbrio: estado de instabilidade que ocorre quando uma pessoa percebe que seu modo atual de pensar não está .

Estruturas: referem-se às propriedades organizacionais inferidas ( esquemas ) que explicam a ocorrência de determinados comportamentos. As estruturas modificamse de acordo com as experiências a que o . Função: refere-se as características estáveis e contínuas do desenvolvimento cognitivo . São os comportamentos observáveis que espelham a atividade intelectual.assimilação e acomodação.funcionando para solucionar um problema ou compreender uma situação. Conteúdo: é o que a criança conhece.

Conhecimento: é agir sobre os objetos . encaixando-os em sistemas de classificação. comparando-os. ordem e outros. medindo-os. São as estruturas que nos fornecem pistas valiosas a respeito do desenvolvimento do sujeito. forma. O conhecimento tem como fonte a interação indissociável sujeito conhecedor – objeto a . pode ser reversível. forma ou ordem inicial. retornada à posição.sujeito está exposto. Reversibilidade: reconhecimento de que qualquer mudança de posição. seriação ou contando-os. isto é.é transformá-los.

quando refere-se as propriedades físicas de objetos e eventos : tamanho. Ele é inerente ao objeto. O conhecimento pode ser físico .ser conhecido. forma. As contribuições são recíprocas. peso e outras. altura. Ele é construído a partir das ações das crianças sobre os objetos. Pode ser lógico-matemático .quando resulta do pensar sobre as experiências com objetos e eventos. . Todo o conhecimento é uma construção resultante das ações da criança. textura .

quando se origina na cultura .Estes são meios que permitem o desenvolvimento dos conceitos. São valores. moral. Este conhecimento é construído pela criança a partir das interações com outras pessoas. sistema de linguagem que os grupos sociais e culturais estabelecem como necessários . leis. Exemplo : soma. forma de equilíbrio . Inteligência: caso particular de adaptação biológica . Pode ser social . ética. regras.

Tem uma importante função de adaptação. . em oposição a outras que tem objetivos externos. Ou seja.para a qual tendem todas as estruturas cognitiva. capacidade de adaptação a novas situações. Inicia-se no período sensório-motor com o jogo de exercício. Jogo: Atividade que tem um fim sem si mesma. sistema de operações vivas e atuantes. transformando-se em jogo simbólico e após jogo de regras. resultado do movimento que gera novos esquemas . a atividade executada tem um fim em si mesma .

OS ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Através da constante busca do equilíbrio pela assimilação ou acomodação processase o crescimento e o desenvolvimento cognitivo do ser humano.em um processo . para Piaget o “desenvolvimento cognitivo é um processo coerente de sucessivas mudanças qualitativas das estruturas cognitivas”. Ou seja. Do nascimento até a vida adulta os conhecimentos são construídos e reconstruídos .

Este processo continuum foi dividido em diferentes etapas. estão associados a . criou subestágios. Todas as pessoas passam pelos mesmos estágios. Esses estágios . Inicialmente Piaget dividiu este processo em três estágios. Esta construção acontece de forma gradual. exatamente na mesma ordem. níveis .continuum. depois em quatro e a medida que os analisava sob diferentes ângulos. estágios. no progressão de sua pesquisa.

diferentes idades mas elas não podem ser consideradas padrões . Muitas vezes as pessoas podem usar um nível de pensamento para resolver um tipo de problema e um nível diferente para resolver outro. A idade em que determinada conduta ocorre sofre variações de acordo com a experiência individual e o potencial hereditário . são apenas diretrizes gerais. demonstrando características de um nível e de outro simultaneamente. Os indivíduos podem também passar por períodos de transição entre os estágios. .

o mecanismo do desenvolvimento é sempre o mesmo em todas as idades. A passagem de um estágio para o outro se dá pela formação de novos esquemas .PORTANTO. mas o repertório dos . movido pela busca do estado de equilíbrio. O procedimento é o mesmo em todas as idades. SABER A IDADE DE UM ALUNO NUNCA É GARANTIA DE QUE VOCE SABERÁ COMO ELE VAI PENSAR . O que diferencia um estágio do outro são as condutas do sujeito. Portanto.

299)”.esquemas vai mudando . dando origem a estruturas diferentes nas diferentes idades. . Nas palavras de Piaget : O novo estágio poderia ser definido pelo fato de a criança tornar-se capaz de certos padrões de comportamentos dos quais era incapaz. ainda que sejam contrários aos novos ou contraditórios do ponto de vista do observador “(p. e não pelo fato de renunciar a padrões de Comportamentos de estágios precedentes.

AS TENDÊNCIAS BÁSICAS DO PENSAMENTO A adaptação do ser humano ao meio natural (eminentemente social) é um processo ativo com base mais cultural do que Biológica. . Os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e ajudam a organizar o ambiente.

Para Piaget todas as espécies herdam duas tendências básicas ou “funções invariáveis”. Os atos intelectuais e biológicos são entendidos como atos de organização e adaptação ao meio. mas aos poucos se organiza. .Não há possibilidade de separar o funcionamento do corpo e da mente. A conduta humana não obedece a padrões instintivos. Eles submetem-se as mesmas leis de desenvolvimento.

ordenação.o pulmão. ou outra que nos permite respirar .Exemplo: temos uma estrutura que nos permite ingerir e digerir . Da mesma forma temos uma estrutura mental. Piaget entendeu que a semelhança do corpo.A primeira destas funções invariáveis é a: Organização – combinação.o estômago. recombinação e reordenação de comportamentos e pensamentos em sistemas coerentes. Estas estruturas são nossos . a mente também é dotada de estruturas.

Piaget chama estas estruturas de ESQUEMAS . mais eficientes. portanto.sistemas para compreender e interagir com o mundo. e.corresponde. portanto. ao aspecto organizador de uma ação. a estrutura que permite que essa ação possa repetir-se e ser repetida e aplicada com ligeiras modificações – em situações . Estruturas simples são continuamente combinadas e coordenadas para tornaremse mais sofisticadas. ESQUEMA .

. Esquema de ação : são os elementos básicos do pensamento. São sistemas organizados de ação ou pensamentos que nos permitem representar mentalmente ou “pensar sobre” os objetos e eventos de nosso mundo. Esquemas são as estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o meio.distintas para conseguir objetivos similares.

o que é comum às diversas repetições ou aplicações da mesma ação . elaborada pelo indivíduo a partir de sua experiência individual que podem coordenar-se variavelmente em função de uma meta intencional e formar estruturas de conhecimento de diferentes níveis. É a representação adquirida. À medida que os processos de . dito de outra maneira. generalizável ou diferenciável de uma outra ou.São aquilo que em uma ação é transportável.

Não tem correlatos físicos e não são observáveis diretamente.pensamentos de uma pessoa tornam-se mais organizados e novos esquemas se desenvolvem. Os esquemas não são objetos reais (como pulmão ou estômago) são um conjunto de processos dentro do sistema nervoso. O desenvolvimento intelectual consiste em um contínuo processo de construção e reconstrução . o comportamento também se torna mais sofisticado e adequado ao ambiente. .

segundo Piaget. Ao se construírem em nível exógeno esses esquemas dão origem a uma transformação em nível endógeno ou neuronal que permitirá novas concepções de estímulos do meio.construir seus esquemas de ação e de coordená-los em sistemas.A inteligência começa a ser construída no período SENSÓRIO MOTOR que se caracteriza por uma ampliação constante de ESQUEMAS. A esses.o . “O ser humano. em contato com o meio. nasce com a possibilidade de.

que se constituirão nas estruturas mentais “ (Chiarottino.p. novas transformações. em nível neuronal.67). 1974. É pelas trocas do organismo com o meio. provocando. as pessoas também herdam a tendência a se adaptarem ao seu ambiente. concomitantemente. ou seja.organismo” responderá “construindo outros esquemas de ação. através da ação adaptativa que ocorre a construção orgânica das estruturas . Além da tendência a organizar suas estruturas psicológicas.

construindo seus conhecimentos. capaz de transformar esta realidade na qual interage e de transformar a si mesmo. No sentido Piagetiano entendemos um indivíduo ativo. ou seja. interagindo no mundo e sofrendo a influência da ação deste sobre si. a sua própria inteligência. A FUNÇÃO QUE INTEGRA ESTAS ESTRUTURAS E SUA MUDANÇA É A .mentais: Portanto. o ser humano está constantemente em processo de ADAPTAÇÃO .

Dois processos básicos estão envolvidos na adaptação : a assimilação e a acomodação. .INTELIGÊNCIA DESENVOLVIMENTO Processo contínuo de adaptação. ASSIMILAÇÃO Para RANGEL(1992): Chamaremos de assimilação o mecanismo que o sujeito aplica ao procurar compreender o seu mundo.

emitindo hipóteses possíveis .Todas as coisas. todas as reações dos outros do dele próprio tendem a ser explicadas. Diremos que o sujeito está constantemente num movimento de assimilação desta realidade aos seus esquemas ou estruturas cognitivas. em função de seus esquemas ou estruturas cognitivas até então construídas. É assim que. inicialmente. diante de qualquer situação nova. primeiramente buscamos interpretála segundo nossas concepções atuais. pelo próprio sujeito . todas as idéias.

pelo próprio sujeito . todas as reações dos outros do dele próprio tendem a ser explicadas. Todas as coisas.à sua interpretação dentro do contexto presente de nossa inteligência. em função de seus esquemas ou estruturas cognitivas até então . inicialmente. E para WADSWORTH (2002) : Chamaremos de assimilação o mecanismo que o sujeito aplica ao procurar compreender o seu mundo. todas as idéias.

É assim que. Diremos que o sujeito está constantemente num movimento de assimilação desta realidade aos seus esquemas ou estruturas cognitivas. diante de qualquer situação nova.construídas. emitindo hipóteses possíveis à sua interpretação dentro do contexto presente de nossa inteligência. A assimilação ocorre quando as pessoas usam seus esquemas existentes para . primeiramente buscamos interpretála segundo nossas concepções atuais.

encaixando-o naquilo que já sabem. Muitas vezes o sujeito distorce a nova informação para fazê-la enquadrar-se nos seus esquemas existentes.atribuir sentido aos eventos de seu mundo. Ela envolve tentar compreender algo novo. ocorre a incorporação desta situação aos seus sistema cognitivos. Quando diante de uma situação nova que se apresenta ao sujeito. Exemplo: chamar um gambá de gatinho. a situação nova não pode . no entanto. a assimilação é possível. Se.

O sujeito ou cria um novo esquema no qual acomoda o estímulo (situação nova) ou modifica seus esquemas prévios para incluir nele o novo estímulo. ACOMODAÇÃO .ser incorporada tal e qual (não é reconhecida pelo organismo) instala-se o desequilíbrio. Este processo chamamos de ACOMODAÇÃO. O sujeito precisa dar nova interpretação. precisa mudar os esquemas existentes para responder a nova situação . precisa elaborar novas hipóteses.

Novamente RANGEL ( 1992) enfatiza : O movimento de ajustamento dos esquemas ou estruturas cognitivas provocado pelas situações novas (que não podem ser. simplesmente assimiladas) se diferencia em função dos objetos aos quais é aplicado (. então. No conceito de WADSWORTH (2002) : . Ela surge a partir das perturbações provocadas pelas situações novas que o sujeito enfrenta.) é esta diferenciação dos esquemas de assimilação em resposta à ação dos objetos sobre os esquemas que.. chamamos de acomodação..

Ambas as ações resultam em mudança na estrutura cognitiva (esquemas) ou no seu desenvolvimento.20) Portanto. de compreensão.Acomodação é a criação de novos esquemas ou a modificação de velhos . de conhecimento do mundo. Exatamente nesta questão está uma das grandes aplicações da teoria Piagetiana à educação. Se formos capazes de perceber os . os esquemas refletem o nível de pensamento do sujeito.(pg.

A assimilação pode ser considerada uma mudança quantitativa . O Professor poderá organizar estrategicamente atividades que propiciem o desenvolvimento ou o alcance do nível seguinte. de crescimento. Já a acomodação pode ser considerada . a estrutura cognitiva existente se impõe aos estímulos em processamento.esquemas da criança podemos ter uma idéia aproximada de seu conhecimento. porque os estímulos são ajustados à estrutura cognitiva da pessoa. De uma certa forma.

acontecem situações em que as pessoas deparam-se com algo que é estranho . responsável pelo desenvolvimento . e.uma mudança qualitativa . Entretanto . Estes processos são necessários na maior parte do tempo. usando os esquemas existentes de assimilação e acomodação. como já explicado anteriormente neste texto. portanto. As pessoas se adaptam a ambientes cada vez mais complexos. pois o sujeito é obrigado a mudar seu esquema para acomodar os estímulos novos que não conseguiu assimilar.

assimilamos continuamente novas informações. e acomodamos nosso pensamento sempre que tentativas .demais. ou sentemse desconfortáveis e procuram uma solução diferenciada. enquanto que o ato da busca de estabilidade é a equilibração. Elas podem tentar ignorá-la. Para mantermos um equilíbrio entre nossos esquemas para entender o mundo e os dados que este fornece. usando os esquemas existente. Este estado de desconforto é o desequilíbrio .

fracassadas de assimilar produzem desequilíbrio. O desequilíbrio proporciona a motivação interna necessária para que o sujeito assimile ou acomode, ou seja: - equilibrese. Desta forma, ocorrem as aprendizagens. Explica-se assim o fato de entender-se a aprendizagem como um processo individual. Outra aplicação destes conceitos piagetianos à educação: - desequilibrar é importante para a promoção, para a busca do novo conhecimentos.

CONCEITOS IMPORTANTES PARA O DOMÍNIO DA TEORIA

Os seguintes conceitos são chaves para o entendimento da teoria piagetiana. Foram adaptados de Anita Woolfolk e complementados com conceitos expressos em toda a bibliografia desta unidade. Ações: São comportamentos que estimulam o aparato intelectual da criança, podendo ou não ser observáveis. Produzem o desequilíbrio e permitem a assimilação e ou acomodação. Podem ser atos visíveis (ações físicas) como o movimento de mão

em um bebê, ou atos internos (ações mentais) como a resposta a um determinado cálculo apresentado. A ação é um dos vários determinantes do desenvolvimento cognitivo. Organização: Processo de combinar informações e experiências em sistemas ou categorias mentais. Estes sistemas podem ser físicos, como por exemplo, o aparelho digestivo, ou psicológico como a combinação do esquema de olhar e de estender o

braço para pegar. Adaptação: Ajustamento ao ambiente . Mudança contínua como resultado de sua interação com o meio. Esquemas: Sistemas ou categorias mentais de percepção e experiência. Assimilação: Encaixar novas informações em esquemas já existentes.

Acomodação : Alterar os esquemas existentes ou criar novos esquemas em respostas a novas informações . Ou seja, refere-se a mudanças que o organismo faz em suas estruturas para lidar com as novas informações. Ex: transformação do esquema de sucção para o de comer com a colher. Equilibração: A busca de estabilidade mental

entre esquemas cognitivos e informações do ambiente. Desequilíbrio : Estado de instabilidade que ocorre quando uma pessoa percebe que seu modo atual de pensar não está funcionando para solucionar um problema ou compreender uma situação. Conteúdo: É o que a criança conhece. São os comportamentos observáveis que

espelham a atividade intelectual. Função: Refere-se as características estáveis e contínuas do desenvolvimento cognitivo assimilação e acomodação. Estruturas: Refere-se as características estáveis e contínuas do desenvolvimento cognitivo assimilação e acomodação.

encaixando-os em sistemas de classificação. medindo-os. comparando-os.é transformá-los.Reversibilidade: Reconhecimento de que qualquer mudança de posição. ordem e outros. . Conhecimento: É agir sobre os objetos . forma. forma ou ordem inicial. retornada à posição. seriação ou contando-os. pode ser reversível. isto é.

O conhecimento em como fonte a interação indissociável sujeito conhecedor – objeto a ser conhecido. forma.quando refere-se as propriedades físicas de objetos e eventos : tamanho. Pode ser lógico-matemático . altura. As contribuições são recíprocas. peso e outras.quando . Todo o conhecimento é uma construção resultante das ações da criança. Ele é inerente ao objeto. O conhecimento pode ser físico . textura .

Estes são meios que permitem o desenvolvimento dos conceitos. regras. Este conhecimento é construído pela criança a partir das interações com outras . Ele é construído a partir das ações das crianças sobre os objetos.resulta do pensar sobre as experiências com objetos e eventos.quando se origina na cultura . ética. Pode ser social . moral. sistema de linguagem que os grupos sociais e culturais estabelecem como necessários . São valores. Exemplo : adição. leis.

capacidade de adaptação a novas situações. a atividade executada tem um fim em si mesma. Ou seja. resultado do movimento que gera novos esquemas . . forma de equilíbrio para a qual tendem todas as estruturas cognitiva. em oposição a outras que tem objetivos externos. sistema de operações vivas e atuantes. Tem uma importante função de adaptação.pessoas. Inteligência : caso particular de adaptação biológica . Jogo: Atividade que tem um fim sem si mesma.

transformando-se em jogo simbólico e após jogo de regras.Inicia-se no período sensório-motor com o jogo de exercício. . TEORIA SÓCIOINTERACIONISTA OU SÓCIOHISTÓRICA DE VYGOTSKY.

ncsu. formou-se em Direito pela Universidade de Moscou. na Rússia em 1896..O Homem Nasceu em Orsha.. ciências sociais.html. Foto disponível na Internet: < www.> consultado em 12/01/2004 Em 1917. Nesta época. . vivenciou a Revolução Russa sendo influenciado pelo marxismo-leninismo. lingüística.edu/chass/extension/ci/applied. filosofia . Interessava-se por questões de várias áreas de conhecimento: Arte. psicologia.

A Formação Social da Mente. Faleceu em 1934. Sakharov. aos 38 anos. Seus colaboradores: Luria. O .Lecionou em diversas Universidades e dirigiu um departamento para a Educação de crianças fisicamente deficientes e mentalmente retardadas. Em 1924. teve início o seu trabalho em psicologia. Leontiev. vítima de tuberculose. Principais Obras: Pensamento e Linguagem.

lidando com os mecanismos através dos quais a cultura se converte em uma parte da natureza humana do indivíduo.Problema da Consciência. A Psicologia da Arte. Problemas de Psicologia. cria ferramentas e signos.. O homem através do trabalho.. transformando por um processo dialético a si mesmo e à .. Vygotsky foi contemporâneo de Piaget Sua Teoria Elaborou uma teoria dialética dos processos mentais superiores.

através da mediação dos signos e das ferramentas. A gênese das funções psicológicas superiores geradas pela interação homemnatureza-cultura. . Interação entre aprendizado e desenvolvimento: A zona de desenvolvimento proximal. Integrar os aspectos cognitivos e afetivos do funcionamento psicológico humano. A linguagem como fator determinante da evolução do pensamento.natureza.

A EPISTEMOLOGIA SÓCIOHISTÓRICA OU SOCIOCULTURAL Vygotsky afirma que as características tipicamente humanas não estão presentes desde o nascimento do indivíduo. nem são mero resultado das pressões do meio externo. As funções psicológicas humanas se originam nas relações do indívíduo com o . Elas resultam da interação dialética do homem e seu meio sócio-cultural.

num processo em que a cultura é a parte essencial da constituição da natureza humana. permitindo que ele seja visto . transformando-a.seu contexto cultural e social. cria a cultura que. O homem transforma-se de biológico em sócio-histórico. Na medida em que o homem age sobre a natureza. também o transforma. o desenvolvimento mental humano não é passivo e nem independente do desenvolvimento histórico e das formas sociais da vida humana. por sua vez.

pela . MEDIAÇÃO Enquanto sujeito do conhecimento. através de recortes do real. mas acesso mediado. o conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe.simultaneamente como produtor e produto da cultura. assim como no construtivismo e sim. ou seja. o homem não tem acesso direto aos objetos. portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações.

mediação feita por outros sujeitos. . DESENVOLVIMENTO COGNITIVO A Linguagem Sistema de signos que possibilita o intercâmbio social entre indivíduos que compartilhem desse sistema de representação da realidade.

a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. É a linguagem que fornece os conceitos. sociedade e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas.traduz o conceito deste elemento na natureza. portanto. as formas de organização de real. .Ela oferece significados precisos permitindo a comunicação entre os homens.Ex: PÁSSARO . É por meio deste que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas.

São formas emocionais. um ato de pensamento. mesmo suas primeiras palavras são estágios do desenvolvimento da fala que não tem nenhuma relação com a evolução do pensamento.O significado é um componente essencial da palavra e é. ao mesmo tempo. sons . Risadas. uma generalização. pois o significado de uma palavra já é em si. no significado da palavra é que o pensamento e a fala se unem em pensamento verbal O balbucio e o choro da criança. Isto é.

As linhas do desenvolvimento da fala e do pensamento se encontram. a fala não pode ser descoberta sem o . agora passa para a fase intelectual.inarticulados. Ela parece ter descoberto a função simbólica das palavras. ao fazer perguntas.. a criança sente a necessidade das palavras e. tenta ativamente aprender os significados vinculados aos objetos.. A fala.. ou seja. movimentos. Porém. que na primeira fase era afetivoconativa.

Zona de Desenvolvimento Real É o nível de desenvolvimento já atingido de fato pelo sujeito da aprendizagem.pensamento. É a partir desta condição de aprender que foi construindo ao longo de seu desenvolvimento que será capaz de incorporar novas informações transformando-as em conhecimento e integrando-as às aprendizagens até então realizadas. Zona de Desenvolvimento Proximal: .

ela será capaz de fazer sozinha amanhã. ou seja.Zdp É a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial que já está próximo. o bom ensino é o que incide na . Aquilo que é zona de desenvolvimento proximal hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã. Portanto. aquilo que uma criança pode fazer com assistência hoje. mas ainda não foi alcançado.

Aquilo que a criança é capaz de fazer. Nesse caso. da colaboração Ensinar o que a criança já sabe é pouco desafiador e ir além do que ela pode aprender é ineficaz.zona de desenvolvimento proximal. O ideal é partir do que ela domina para ampliar seu conhecimento. . Zona de Desenvolvimento Potencial. a criança realiza tarefas e soluciona problemas através do diálogo. só que mediante a ajuda de outra pessoa.

A Alfabetização O objetivo é ampliar o universo de expressões para facilitar a incorporação da escrita. A CÓPIA: O oferecimento de modelos de texto é uma estratégia válida desde que resulte numa atividade criativa. não uma cópia mecânica.O construtivismo rígido exclui o . A ênfase é na elaboração da fala. da escrita e da leitura como instrumentos simbólicos que repercutem no desenvolvimento mental.

Não se pode esperar que o aluno descubra sozinho o que errou. O PAPEL DO PROFESSOR: É o condutor do processo. atuando na ZDP. pois deve .trabalho com cópias. Sua intervenção é direta. O construtivismo também faz correções mas considerando o desenvolvimento da criança. mas o professor deve apontá-lo sempre para que a criança o corrija. O ERRO: Faz parte do processo de aprendizado.

. “Os alunos acham muitas coisas. O estudo em parcerias é um estímulo à autonomia. O TRABALHO EM DUPLAS: O tamanho reduzido das equipes amplia as interações facilitando o aprendizado.ajudar a criança a avançar. Em cada trabalho com seus colegas os alunos caminham de um nível de alta dependência do professor para uma independência na formulação de hipóteses. mas não podem ficar no achismo”.

IMPLICAÇÕES QUE A ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL TRAZ PARA A PRÁTICA DE .A ATIVIDADE DE LINGUAGEM: A linguagem é o principal instrumento de intermediação do conhecimento e corresponde ao desenvolvimento de uma linguagem interna. as atividades de escrita.fala e leitura ganham importância.

realizando com eles ou proporcionar atividades em grupos.PROFESSORES. em que aqueles que estiverem mais adiantados poderão cooperar com os demais. Romper com a falsa verdade de que o aluno deve sozinho descobrir suas . O professor é o agente mediador. deve propor desafios. EM SALA DE AULA O processo de constituição de conhecimentos é tão importante quanto o produto (avaliação final).

A aprendizagem escolar implica apropriação de conhecimentos. que exigem planejamento constante e reorganização contínua de experiências significativas para os alunos. .respostas. Para que todo este processo tenha condições de se consolidar. o diálogo deve permear constantemente o trabalho escolar.

comportamento volitivo) dos indivíduos tem origem em processos sociais. linguagem.PILARES DA TEORIA DE VYGOTSKY 1º Processos mentais superiores (pensamento. 2º Os processos mentais só podem .

concluíram que o desenvolvimento dos processos que resultam na formação de conceitos começa desde cedo na infância (fase mais precoce). . Formação de Conceitos Segundo estudos experimentais. Vygotsky e seus colaboradores. 3º “Método genéticoexperimental”:Análise do desenvolvimento cognitivo do ser humano.ser entendidos se entendermos os instrumentos (ferramentas) e signos que os mediam.

se configura e se desenvolve somente quando a criança atinge a puberdade (adolescência).. o papel de conceitos verdadeiros.mas que as funções intelectuais. provisoriamente.o uso de signo (palavra). controlamos seu curso e as canalizamos em direção à .. Nesse processo aparecem formações intelectuais que exercem. sendo que o fator preponderante é . as quais forma a base psicológica do processo de formação de conceitos amadurece. como meio pelo qual conduzimos nossas operações mentais.

mas não está consciente do seu próprio ato de pensamento.solução do problema que enfrentamos. 1987. a sua utilização como um meio para a formação de conceitos é a causa psicológica imediata da transformação radical que passa o processo intelectual no limiar da adolescência.51) Quando uma criança opera com conceitos espontâneos ela tem sua atenção centrada para o objeto ao qual o conceito se refere. .O novo significado uso da palavra. (Vygotsky.pg.

Isto não ocorre com os conceitos científicos que. a partir de sua definição verbal e aplicações a situações artificiais. O desenvolvimento cognitivo de um conceito científico se inicia conscientemente. não espontâneas. quase sempre. se referem a coisas que ela não pode ver ou vivenciar diretamente e têm sua relação com os objetos mediados por outros conceitos. E se consolida quando pode ser aplicado a situações concretas: “É preciso que o desenvolvimento de um conceito espontâneo tenha alcançado um .

se emociona. deduz e abstrai. Afetividade na Obra de Vygotsky Vygotsky concebe o homem como um ser que pensa. imagina e se sensibiliza. Cognição e afeto não se encontram dissociados no ser humanos. mas também como alguém que sente. deseja. Os postulados de Vygotsky acerca da . Existe uma relação entre intelecto e afeto. raciocina.certo nível para que a criança possa absorver um conceito científico correlato”.

que produziu sua obra nos anos 20 e 30 deste século e poderia ser atualmente considerado um cognitivista.questão da afetividade impressionam por sua atualidade.. propõe uma abordagem unificadora das dimensões afetiva e cognitiva do .o lugar do afetivo na obra de Vygotsky torna-se particularmente interessante pelo fato de que esse autor. Segundo Oliveira (1992): ..

O Bom Ensino é o que se Adianta ao Desenvolvimento: Se dirige às funções psicológicas que .funcionamento psicológico que muito se aproxima das tendências contemporâneas”.83). O Papel do Outro na Construção do Conhecimento: Construir conhecimentos implica numa ação partilhada. ( p. é através dos outros que as relações entre sujeito e objeto de conhecimento são estabelecidos.

Ela também é responsável por criar “uma . O Brincar e sua Importância no Contexto Escolar. Papel da Imitação no Aprendizado: Associa-se a atividade imitativa a um processo mecânico.estão em vias de se completarem. de cópia e repetição. É uma forma de internalizar o conhecimento externo. A brincadeira tem uma função significativa no processo de desenvolvimento infantil.

que passam a orientar o seu próprio comportamento e desenvolvimento cognitivo . modos de agir e pensar de seu grupo social. principalmente. Outro exemplo são as atividades experimentais. refazer ou simular os passos. valores.zona de desenvolvimento proximal”. a criança internaliza regras de conduta. . porque através da imitação realizada na brincadeira. é possível através destas reproduzir. como trabalhar experimentalmente. aprendendo não apenas o conteúdo da atividade mas.

que as crianças desenvolvem na convivência social evoluem para o nível dos CONCEITOS . o objetivo da escola é fazer com que os CONCEITOS ESPONTÂNEOS.O PAPEL MEDIADOR DO PROFESSOR NA DINÂMICA DAS INTERAÇÕES INTERPESSOAIS E NA INTERAÇÃO DAS CRIANÇAS COM OS OBJETOS DE CONHECIMENTO Priorizando as interações entre os próprios alunos e deles com o professor.

Os postulados de Vygotsky apontam para a necessidade de criação de uma escola em que as pessoas possam dialogar. para as contradições. para o erro. duvidar. discutir. para a colaboração mútua e para a criatividade. Nesse sentido.CIENTÍFICOS. Onde há espaço para transformações. Os postulados de Vygotsky apontam para . questionar e compartilhar saberes. o educador assume o papel de mediador privilegiado na formação de conhecimentos. para as diferenças.

JEROME BRUNER . para o erro. questionar e compartilhar saberes.a necessidade de criação de uma escola em que as pessoas possam dialogar. para as diferenças. discutir. para a colaboração mútua e para a criatividade. duvidar. para as contradições. Onde há espaço para transformações.

unive. Focalizou as atividades simbólicas que os seres humanos empregavam para construir .it/pedagog/ bruner.> consultado em 12/01/2004 Revolução cognitiva (final da década de 50) Objetivo:estabelecer o conceito de significado como conceito central em psicologia Revolução profunda cuja meta era descobrir e descrever formalmente os significados que os seres humanos criavam a partir de seus encontros com o mundo e então levantar hipóteses sobre que processos de produção de significado.htm .Foto disponível na Internet: < helios.

cada uma delas exibindo uma forma geométrica diferente. pertencente a uma categoria particular. Experimentos: seguiam a tradição de examinar formas abstratas de categorização-exame de cartas de um conjunto. O cognitivismo não veio reformar o comportamentalismo.e extrair significado não apenas do mundo. . mas de si mesmos. mas substituí-lo.

Um tema principal na estrutura teórica de Bruner é que aprender é um processo ativo em que os aprendizes constroem as idéias ou os conceitos novos baseados em seu conhecimento anterior.Contrariando a metodologia behaviorista estabelecida. os sujeitos eram tratados como solucionadores de problemas ativos e construtivos. É sempre possível ensinar-lhe algo desde que se leve em consideração as diversas . e não como se simplesmente reagissem aos estímulos apresentados a eles .

Essas etapas são caracterizadas por modos particulares de representação e explicação do mundo Representação ativa: estabelecimento de relações entre a .etapas de seu desenvolvimento.

estruturas. esquemas. confiando em uma estrutura cognitiva. Representação simbólica: capacidade de operar com proposições hipotéticas . constrói hipóteses. A estrutura cognitiva (isto é. modelos mentais) fornece o .experiência e ação. O aprendiz seleciona e transforma a informação. e toma as decisões. Representação icônica: manipulação de símbolos que representam coisas e relações .

.significado e a organização às experiências e permite que o indivíduo “vá além da informação dada”. A estrutura. Tanto quanto a instrução. o instrutor deve tentar e incentivar estudantes descobrir princípios por si mesmo. O instrutor e o estudante devem engajar em um diálogo ativo (isto é. as idéias e as relações fundamentais da matéria de ensino tornamse relevantes. aprendizagem socrática).

A tarefa do instrutor é traduzir a informação a ser aprendida em um formato apropriado ao estado atual da compreensão do aprendiz. O currículo deve ser organizado em uma maneira espiral de modo que as configurações do estudante continuamente em cima de o que têm aprendido .

predisposição para a aprendizagem .APRENDIZAGEM POR DESCOBERTA Bruner (1966) indica que uma teoria de ensino deve se dirigir a quatro aspectos principais: .especificar como um corpo do conhecimento pode ser estruturado de modo que possa ser o mais prontamente apreendido pelo .

e a natureza e aplicação das recompensas e das punições. em gerar proposições novas. . 1990) expandiu sua estrutura teórica para abranger os aspectos sociais e culturais . Os bons métodos para estruturar o conhecimento devem resultar em simplificar. Em seus trabalhos mais recente. Bruner (1986. e em aumentar a manipulação da informação.estudante.definir as seqüências mais apropriadas para a apresentação do material.

Muito da teoria é ligada à pesquisa do desenvolvimento da criança (especialmente Jean Piaget ). A teoria do construtivista de Bruner é uma estrutura geral para a instrução baseada no estudo da cognição. .da aprendizagem.

PRINCÍPIOS A instrução deve estar estruturada de acordo com as experiências e os contextos que tornam o estudante disposto e capaz aprender (prontidão). . A instrução deve ser projetada para facilitar a extrapolação e ou preencher as aberturas (que vão além da informação dada). A instrução deve ser estruturada de modo que possa facilmente ser apreendida pelo estudante (organização espiral).

em sua . na linguagem.APRESENTAÇÃO Já estudamos o que é a Psicologia e o quanto ela nos ajuda a compreender como ocorre o desenvolvimento dos indivíduos nos aspectos físicos.

. Passaremos agora para uma nova etapa de nossos estudos que se refere àqueles sujeitos que apresentam uma desarmonia no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. Estudaremos. inserido no seu meio social e aprendendo normas e regras morais de sua cultura.personalidade e em seu desenvolvimento afetivocognitivo.

o Fracasso Escolar procurado analisar suas causas.então. as consequências para os aluno e como a Escola pode buscar soluções. talvez? . De quem é a culpa? É do aluno? De sua família? É de suas condições de vida? Da sociedade? Do governo? Ou será que é da escola? Dos professores? Do sistema educacional.

ainda.Afinal será que todos estes fatores não contribuem para o não-aprender e para o fracasso escolar? Vamos começar a buscar as respostas? Talvez. não as tenhamos todas... INTRODUÇÃO .

para a igualdade social. o que se constata é que a forma como foi implantada a “escolaridade obrigatória”. não foi a mais adequada para a realidade daquele momento. pensadas e organizadas para uma elite sócio-econômica e recebia . pelo menos no Brasil. no fim do século XIX. na Europa. As escolas que até então eram preparadas. No entanto.Cordié (1996) afirma que o fracasso escolar é uma patologia recente pois surgiu a partir da escolaridade obrigatória. no Brasil. e por volta de 1930. com as leis da escola “para todos”.

culto onde cultivava. a poesia e a literatura. higiene. está na escola por . Já a criança. agora. e nem tinham infra-estrutura física e humana para recebêlos. estrutura familiar e estavam inseridos num mundo letrado.somente crianças atendidas em todas as suas necessidades básicas: almentação. saúde. A verdade é que as instituições escolares não estavam preparadas para a recepção de alunos de outras classes sociais e com outras condições de vida.se a música.

As pesquisas atuais têm apontado o despreparo do sistema educacional. de seu desenvolvimento. de sua realidade ou de suas expectativas. como o fator desencadeante de um fenômeno até então desconhecido: o fracasso escolar. contrapondo sua . Por outro lado.obrigação e não porque esta seja a decorrência natural da sua vida. como um todo.

econômico e cultural.expectativa. que chega à escola sem a experiência do que denominamos letramento. a de alunos bem atendidos e elitizados. a escola aponta como causa do fracasso o próprio aluno pobre e seu entorno familiar. perceptomotor e mental. Estamos nos referindo aqui a uma maioria de crianças e adolescentes normais do ponto de vista físico. LETRAMENTO é o que se considera uma experiência com o universo letrado . social.

por exemplo. Outdoors.(jornais. ou muitas vezes. nenhuma escolaridade. e é o que diferencia a criança da classe média e alta da criança de classe desfavorecida. . Na verdade a criança e o adoloescente das classes desfavorecidas tem uma culturta muito mais oral do lida e escrita. Esta é uma experiência determinante para uma boa Alfabetização. contas de luz. revistas. cartas de parentes. livros.etc) no convívio diário e direto com seus familiares e amigos os quais têm pouca escolaridade.

segundo FERREIRO(1996). Hoje, estes alunos, apesar das múltiplas dificuldades impostas por esta escola que se apresenta sem procurar alternativas de superação do fracasso que ela mesma vem produzindo, constituem a maioria, senão a totalidade dos alunos em muitas escolas públicas de nosso país. Antunes (2003) alerta-nos para a resiliência* destes alunos, afirma que eles são muito mais resilientes do que se imagina e fala-nos do tipo de aluno que freqüenta a escola pública hoje:

“De um integrante da clase média, satisfatoriamente limentado e usufruindo de razoável condição de habitação e lazer, passa a ser filho de mães solteiras ou pais desconhecidos, egresso de uma família estruturada em bases totalmente diferentes da famíla convencional, suportando duras pressões sociais que se associam a um quadro de fome qualitativa, indigência, miséria e violência.” (p. 25)

Portanto, resiliência “...é uma “ capacidade de enfrentamento, de superação do que é adverso” e como tal pode ser olhada de forma positiva- como um valor a construir- ou negativacomo uma característica a lamentar. O importante é podermos refletir sobre o quanto uma criança que nasce em condições desfavoráveis com o que lhe impôe a vida suporta, sobrevive e organiza-se demonstrando uma resiliência que se fortalece cada vez mais no enfrentamento

de seu dia-a-dia, superando desafios. Estas crianças e adolescentes são os alunos resilientes da escola pública de nosso país, que depois de meio século de “obrigatoriedade do ensino”, “da escola para todos”, “da igualdade de oportunidades” parece ainda desconhecer esta realidade da qual estamos falando. Quais os fatores que levam a isto? Temos estudado a partir de resultados de pesquisas alguns destes fatores que tornamse impedimentos para uma relação de ensino e de aprendizagem adequada e

eficiente: 1) Os Preconceitos da Própria Instituição Escolar
2) A Formação dos Professores 3) A Negligência e os Maus-Tratos Psicológicos com os Alunos 4) Os Conhecimentos Prévios dos Alunos 5) O Disciplinamento no lugar dos Limites
Resiliência: é a propriedade de retornar à forma original após ter sido submetido a uma deformação; ou capacidade de se recobrar ou de se readaptar à má sorte, às mudanças. Dicionário de língua portuguesa. Do Houaiss. (Antunes, 2003, p. 13)

O PRECONCEITO DA PRÓPRIA INSTITUIÇÃO ESCOLAR
Freqüentemente , os alunos tem sido desprestigiados e depreciados por seus próprios professores ao referirem-se a eles na sala de Professores, nos Conselhos de Classe, etc. Há uma discriminação , um preconceito velado contra o aluno pobre que não tem contemplado as expectativas dos professores quanto a sua aparência, higiene e forma de se expressar com sua linguagem oriunda de seu meio sócio-econômico e

cultural. A isto FERREIRO (1996) chama de “exclusão encoberta” que é tudo aquilo que não é DITO explicitamente, porém subliminarmente é captado. Numa sala de 40 alunos pobres e 1 professor ou professora que tem no mínimo moradia, emprego, alimentação, acesso a cultura e lazer quem é a regra e quem é a exceção?

Quando somente o professor tem as condições de ter uma infra-estrutura que lhe permite ter a sua disposição coisas tão básicas que sequer pára para refletir sobre elas, como água à vontade, energia elétrica, roupas lavadas com detergentes e amaciantes, shampoos, creme rinse e sabonetes perfumados para seu banho e troca de roupas diárias, quem é a exceção? Não somos nós os diferentes ? Os privilegiados ? A regra não é a vida sem todos estes odores e confortos para a

maioria de nossos alunos e da maioria dos cidadãos brasileiros? Então, como pode os professores reclamar da REALIDADE ? Ou não a querem ver ? Ou não se importam? Ou já tem tanto preconceito que estão incapazes de um rompimento com falsas crenças como a que há décadas cultivam como se fossem os únicos trabalhadores injustiçados:“que trabalham demais e ganham pouco” e que “não são pagos para atender uma clientela com tantos

problemas e cuja responsabilidade é de suas famílias”. Quem na sociedade deve então responsabilizar-se por atender as necessidades de crianças e adolescentes oriundos de famílias onde há fome, frio, desemprego, violência, insegurança e que por motivos sociais e de responsabilidade de nossos governantes não terão seus problemas de base resolvidos, pelo menos não a curto prazo, como o analfabetismo de adultos, a mão de obra desqualificada, a falta de empregos e de oportunidades de uma vida digna e, principalmente, a

desesperança e o desespero em que vivem por saberem-se incapazes de mudar o rumo de suas vidas e a de seus filhos. Dessas famílias vem os alunos das escolas públicas, um contingente que forma a maioria da população que daqui a pouco mais de 5 a 10 anos será responsável pela produção, dentro de um sistema capitalista em que estamos inseridos. Não seria a escola, depois da família, a responsável por oferecer as condições necessárias às novas gerações de jovens e adultos trabalhadores que tem, sim, a

esperança e o direito de ter pelo menos a chance de uma vida melhor ?

A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES
Temos visto que apesar de já termos entrado no século XXI e de fazermos parte de um mundo globalizado, a escola continua sem a competência para valer-se daquilo

que é inovador e diferente para acompanhar também neste setor, o da Educação, uma nova sociedade que se descortina com seus novos padrões de comportamento e cultura. Um dos fatores mais sérios do Fracasso Escolar e que contribui ,sem dúvida, para as dificuldades de aprendizagem é a estagnação em que se encontra uma grande parte dos professores. Muitos ainda têm apenas o diploma do Curso Normal, de 2° grau, por várias razões é claro, porém sem ter a consciência que isto só não basta e que é preciso atualizar-

Ao entrarmos em uma sala de aula dos cursos de formação ou atualização de professores voltamos a sentir a esperança de que esses profissionais não só se aprofundem teoricamente mas que possam olhar de frente e enfrentar a realidade de nosso país onde uma maioria é.se.analfabetos. estudando por conta própria ou em cursos de formação e procurando tomar conhecimento de tudo que vem sendo descoberto e publicado para o acesso dos demais. ainda. . analfabetos ou semi.

A educação continuada deve ser o caminho e a meta de profissionais responsáveis pela formação de pessoas do ponto de vista cognitivo. E também há as questões pessoais e profissionais. afetivo. O próprio Ministério da Educação avaliou no último ano as condições dos professores . social e moral a fim de levá-los a ter oportunidades de um futuro melhor como cidadãos. que levam os professores a um quadro de desmotivação tão grande que os impede de analisar sua postura frente a seu desempenho profissional.

a qual inclue vários dados que iremos pesquisar. É evidente que a responsabilidade do governo em relação às condições do profissional professor e dos recursos das escolas é inegável.em todo o Brasil e chegou a resultados lamentáveis. . incluindo o que foi denominado de “Síndrome da Desistência Simbólica”.

NEGLIGÊNCIA E OS MAUSTRATOS PSICOLÓGICOS AOS ALUNOS Há muito vimos analisando o quanto o professor é importante na vida de seus alunos e quanto poder ele tem. talvez sem ter a consciência de tê-lo. . A criança que não tem em sua família uma estrutura que lhe permita ter segurança. É possível que um professor seja determinante para construir um ótimo aluno ou para destruir outros.

deveria poder ter na escola uma nova chance de ter ali um ambiente estruturado.afeto. Cordié (1996) salienta que o fracasso escolar de uma criança retrata seu . para que viesse a desenvolver seus potenciais para as aprendizagens formais e informais e assim. sem falar na falta de condições sócioeconômicas. tornar-se capaz de ser um indivíduo mais fortalecido. com pessoas que se preocupassem com ela e com suas dificuldades e onde pudesse receber afeto e respeito. acima de tudo respeito. com um bom auto-conceito e uma auto-estima adequada.

isto é.) é algo temido angustiante. ser considerado. é o que as espera “se elas não trabalharem bem na escola. ou mais. possuir o falo imaginário. 4. Significa também “ser alguém”. respeitado. de ter uma bela situação.. mais tarde. a renúncia ao gozo. (p. 5 anos. de ter acesso portanto. na sua trajetória de vida: (. ao consumo de bens.) ser bem-sucedido na escola é ter a perspectiva. 21) E a negligência? O que chamamos de negligência é o fato de algumas escolas assitirem a permanência de alunos por 3... Para ser grande.desempenho na escola e como conseqüência. na mesma série sem que sejam investigadas e avaliadas estas crianças a fim de definir as causas de . não são eles a felicidade? O próprio Estado alimenta esta aspiração. Quando se fala em futuro para uma criança em situação de fracasso escolar (. uma nação não deve sempre aumentar suas riquezas e suas competências? O fracasso escolar pressupõe a renúncia a tudo isso. O dinheiro e o poder..

. no dia-a-dia presenciamos vários professores constrangerem seus alunos na frente de seus coleguinhas. Além disso. Estatuto da Criança e do Adolescente passível inclusive de punição. desdém e com palavras que rebaixam a auto-estima dos alunos. ou até de outros professores com xingamentos.seu não-aprender ou questionar o que é de responsabilidade do professor ou da escola nesse evidente fracasso do aluno e da instituição escolar. admoestações.trato psicológico previsto no ECA. Isto é mau.

só como exemplos de um discurso que parece estar incorporado a cultura desta classe profissional.É incompreensível a permissividade com que agem as direções das escolas em relação ao comportamento destes professores sem sequer serem advertidos. “não é nossa a responsabilidade de suprir o que a família não oferece”. Por sorte temos professores que não se .”. Há um “senso comum” de que estas crianças e adolescentes não merecem sua consideração pois seu discurso é sempre o mesmo: “não somos pagos para isto...

como dedicar-se a seu trabalho como profissionais e não como amadores. as DIFICULDADES de ENSINAGEM que ela mesma conceitua como : .conformam com esta situação para seus alunos e tomam outras atitudes. ao contrário das dificuldades de aprendizagem. POLITY(2003) desenvolveu uma importante pesquisa sobre a questão do fracasso escolar e propõe que se analise.

que pode gerar raiva.”. E cita como definição de Ensinagem aquilo que .(p. onde a interação e os vínculos de afeto e confiança deveriam andar juntos. medo e/ou frustração por não entender o aluno. 16) Ao falar de dificuldades de Ensinagem..“....é o movimento de ensinar carregado de emoção: ansiedade por ter de cumprir uma missão . POLITY (2003) salienta que o ensino é um processo de natureza relacional. fantasias de incompetência.

um .Supõe relacionamento e considera as trocas emocionais que permeiam o ato de ensinar. ensinar com a emoção e a razão. para seu entendimento. esse processo demanda.há muito se espera que aconteça: Além do processo emocional. Por isso. ela refere-se a uma comunicação interativa em que os estados de intersubjetividade podem tornar-se significativos. implícito no ato de ensinar. A ensinagem é portanto.

enquadre nos paradigmas Construtivistas/Construcionistas Sociais. 29) Como já vimos no Módulo III – Teorias de Aprendizagem – a teoria ou paradigma que rege a ação do professor é fundamental para um bom ensino e uma efetiva aprendizagem.(p. OS CONHECIMENTOS PRÉVIOS DO ALUNO .

Outra questão importante é saber que crianças e jovens são desconsiderados em suas aprendizagens não-formais. Como justificar esta incoerência? Será que a escola já percebeu que os conhecimentos prévios ou cotidianos dos alunos são aprendizagens importantes para a vida e que devem ser valorizados? Weisz (2003) levanta uma questão . sendo que muitas vezes em sua vida cotidiana são aptos para situações bem mais complexas do que as da escola e é nela justamente que se saem mal.

importantíssima: o que sabe uma criança que parece não saber nada? E diz que para descobrir o que pensa o aprendiz é preciso que o professor tenha um olhar e uma escuta cuidadosa sobre os erros que a criança comete. pois é conversando com a criança sobre como ela pensou para responder ou resolver questões propostas em sala de aula que o professor poderá entender como está operando seu pensamento. Existe uma crença da criança que tudo que ela tem que aprender é lógico ou que .

os estágios são: sensório-motor. algumas aprendizagens não são baseadas em lógica. Segundo Piaget. Relembrando: no Módulo IICiclo Vital. estágio operatório- . estudamos os vários estágios de desenvolvimento cognitivo. estágio préoperatório.tem uma lógica que ela seja capaz de compreender. ou pelo menos não numa lógica que seja acessível ao seu nível de pensamento. No entanto.

Evidentemente. É também importante o que Weisz (2003) salienta sobre os conhecimentos prévios dos alunos. Releia-os para compreender melhor o que estamos estudando agora. tanto com conteúdos escolares como com . os quais não podem ser entendidos como os conteúdos ensinados pelo professor.concreto e operatório formal. Pois nem sempre o que se ensina foi aprendido pelo outro. o conhecimento prévio do aluno é todo aquele que ele já aprendeu.

suas aprendizagens de vida que precisam ser valorizadas pelos professores a fim de que as crianças e adolescentes estabeleçam relações entre conhecimentos científicos e conhecimentos cotidianos. ao professor (que lhe possibilita estas condições) e à instituição . tanto mais vincula-se ao aprender. situando-os e respondendo a uma pergunta permanente de quem aprende: por que devo aprender estes conteúdos? Para que servirão na minha vida? Cada vez que um aluno estabelece uma ligação do que aprende na escola com a aplicação em sua vida.

escolar que freqüenta. O DISCIPLINAMENTO NO LUGAR DE LIMITES Pesquisas realizadas em 2002 e 2003. mostraram resultados surpreendentes. . por um grupo de pesquisadores da ULBRA. sentindo-a importante e até indispensável em sua vida.

seus alunos .. Os mesmos professores que nas entrevistas diziam-se construtivistas e interacionistas onde “. Ao contrário de limites que necessitam receber. de 1 a 8 séries.Encontramos nas escolas. privadas. não só um ensino tradicional e uma prática empirista como também uma forte tendência repressora quase unânime em quase todas as escolas. recebiam ordens de silenciamento e de imobilidade.. as crianças e adolescentes observados em escolas de 1 grau. municipais e estaduais.

” mostravam-se autoritários em sala de aula e exigia como prerrogativas do aprender não conversar e não sair de seus lugares. Ao se estabelecer limites às situações está se ajudando a criança a sentir-se protegida e segura pois vai internalizando o .. como observadores. seriam muito necessários.interagiam com os colegas e com materiais concretos os quais facilitavam suas aprendizagens.. Em compensação não os vimos colocarem limites em situações que no nosso entener.

2001): A função protetora dos limites não se restringe apenas aos Limites colocados com o objetivo de evitar situações de perigo ou risco (. Para MALDONADO (apud in SISTO..que pode e o que não lhe é permitido fazer.) mas abrange algo bem mais amplo.. tal como proteger a criança de sentimento de culpa por remorso quando vê que nos .

.atacou.83) A autora salienta outra função dos limites que é a de ensinar a criança a controlar sua ansiedade e a tolerar frustrações aprendendo que não pode ter tudo na hora e do jeito que quer. nos machucou ou destruiu alguma coisa importante para nós. sendo impedidos de manifestação. FRANCO e MORAES (2002).(p. denominam de “corpos dóceis e produtivos”..) Silêncio e imobilidade servem a estes . aqueles que são disciplinados no espaço escolar. visando a eficiência e a obediência e citam: “(.

propósitos” (p. . 337) Para COLL (1996) a importância das interações constitui o valor educativo das mesma e do desenvolvimento global do indivíduo.

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