PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DA MATEMÁTICA

ENSINO DE MATEMÁTICA COM MATERIAIS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS

DOCENTE:

JOSÉ HELDER DE MESQUITA FILHO

Fortaleza-Ceará 2008

ACCESSU EDUCAÇÃO SUPERIOR
FACULDADE ATENEU
COORDENADOR GERAL: PROF. JOSÉ WILLIAM FORTE COORDENADORAS PEDAGÓGICAS: PROF.ª LUCIDALVA BACELAR/PROF.ª SOLANGE MESQUITA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO

DISCIPLINA:

ENSINO DE MATEMÁTICA COM MATERIAIS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS

DOCENTE:

JOSÉ HELDER DE MESQUITA FILHO

Fortaleza-Ceará 2008

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....................1...........3..............................................2...........................3..... Helder Filho .............org 5 ........ 8 1.... 1............2.......................3............................... 27 Referências bibliográficas do texto ............................. 1....................................3. 1...............1..........................................2...................................... 36 3... 44 Introdução ..................................................................................5............................. C. 10 Objeções ao uso do LEM .................... 1................helder@accessueducacao.................... 16 MD manipulável ................................1............. 21 Obstáculos ao uso do MD .... 1............................... 3.......... 12 Material didático (MD) .........................3............................ 38 Lista de materiais ......................................................... 7 Carga horária.....................2....5...................2................................... 3.................................................................. 26 2................................................................ 4................................................... B.................................................................3.............. 39 Atividade 1: Construção de um tetraedro regular ............................. 3.....................................Sumário A.. 7 Ementa do módulo ...... 1............................. 1.......... 44 Sobre a etimologia do termo jogo ........................... 45 Sobre o conceito de jogo .............. 9 Algumas concepções de LEM ............. 1........................................... LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E MATERIAIS DIDÁTICOS MANIPULÁVEIS ................ 4........ 9 A construção do LEM .. DESENVOLVIMENTO E USO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA ............................ 49 Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof................................. OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS .......2.......... 40 Atividade 2: Construção de um octaedro regular ..... 41 Atividade 3: Construção de um icosaedro regular ................................................. 19 Potencialidades do MD ....... 1.....5...................................................................3.............1............................. 3............................4.... 18 O professor e o uso do MD ....................3........................ 42 APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO ............... 42 Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais .................1.... Introdução ....................................................... 1............................ 8 O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) ............. 25 Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM ...........................................2........................................2...............................................4.......... 25 Referências bibliográficas do texto.......... 3......3.......... 1....... Objetivo do módulo ..................4... 4... 7 1................... 3....................3......... 4.................... 37 Construindo um Dodecaedro com Canudos ....................................................................................................................... 16 MD e o processo de ensino-aprendizagem ......6......................... 1.

............ JOGOS DIDÁTICOS: SEU USO E IMPORTÂNCIA NA APRENDIZAGEM ................................................................. 6........................................... 5. 6... Introdução ... 4............................................................................ 6..........4.............. 60 O Jogo Didático ..... 57 Conclusões ...... 64 Introdução ................... 4................7................ 58 5.......................................... 61 COMO MINISTRAR CONTEÚDOS COM UM JOGO DE PALAVRAS ...................... 70 Como ministrar conteúdos com o torneio? ................ 5............org 6 ........................ 55 Características do jogo . 65 Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone? ................ 51 Origem do jogo .. 71 Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? ....... 60 5.............................. 64 Como ministrar conteúdos com o autódromo? ............5....................... 4............................................... 67 Como ministrar conteúdos com o cochicho? .....................................................................................2.....................4.5.............1........................................................... 68 Como ministrar conteúdos com o arquipélago? ......................................4....1......... Sobre a definição do jogo ... 72 Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof..........................................................................................................3.............. 6.........................6............... 6........ 69 Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago? ..... 6...........6................... 60 Motivação ...................................................................................2.......7................ 6.................. Helder Filho ...............................................3..........................8.........helder@accessueducacao............. 6.. 6..............

Carga horária 12 horas-aula Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Ementa do módulo 1. como: dificuldades básicas. C. 3. como forma de incitar questionamentos e ampliar as possibilidades de reflexão e ação dos professores sobre as próprias vivências de sala de aula. 6. Também. etc. O papel do professor de Matemática na formação do pensamento científico. Análise de temas do ensino da matemática.org 7 . A influência da concepção desse papel na prática pedagógica. Possibilitar aos alunos docentes contato com novas abordagens do conteúdo matemático e ampliar o repertório de estratégias do professor. Helder Filho . 4. no contexto social e tecnológico. 5.helder@accessueducacao. Objetivo do módulo O módulo se insere em uma perspectiva teórica que propõe discutir a metodologia do ensino da matemática. materiais didáticos alternativos. Aplicar materiais didáticos manipuláveis e alternativos através da utilização de experimentos em aulas teóricas e práticas.A. B. Despertar o interesse pela matemática experimental como método de ensino. diante das novas necessidades de mudanças no paradigma de ensinar e aprender. materiais didáticos convencionais. 2.

ressaltaram a importância do apoio visual ou do visual-tátil como facilitador para a aprendizagem. nos últimos séculos. Dienes. Essa lista de nomes de expoentes da educação que reconheceram a eficácia do material didático na aprendizagem poderia ser muito maior. e Poincaré recomendava o uso de imagens vivas para clarear verdades matemáticas. Enfim. por volta de 1800. Helder Filho . 2 É licenciado em matemática pela UNESP (Rio Claro). na mesma época. Docente da Faculdade de Educação da UNICAMP. doutor em educação pela UNICAMP (Campinas) e pós-doutor em educação matemática pela Université Laval (Canadá). Rio de Janeiro. Cerca de cem anos depois. Pestalozzi e Froebel. Comenius escreveu que o ensino deveria dar-se do concreto ao abstrato. Mais recentemente. LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E MATERIAIS DIDÁTICOS MANIPULÁVEIS1 Introdução Sérgio Lorenzato 2 Muitos foram os educadores famosos que. justificando que o conhecimento começa pelos sentidos e que só se aprende fazendo. nos Estados Unidos. (Coleção Formação de Professores). Georges Cuisenaire. por justiça. Júlio César de Mello e Souza3 . entre outros. especialmente do tátil.e Manoel Jairo Bezerra4. esse reconhecimento evidencia o fundamental papel que o material didático pode desempenhar na aprendizagem. Técnicas e procedimentos didáticos no ensino da matemática.helder@accessueducacao. Vygotsky. que valorizavam a ativida-de como fator básico para a aprendizagem. Rousseau recomendou a experiência direta sobre os objetos. Locke. nomes como o de Claparède (defensor da inclusão de brincadeiras e jogos na escola) e o de Freinet (que recomendava o uso de cantinhos temáticos na sala de aula). Dewey confirmava o pensamento de Comenius. a seu modo. Emma Castelnuovo.org 8 1 . visando à aprendizagem. e Bruner. Caleb Gattegno. Tamas Varga. Nessa lista de pensadores e educadores podem constar. SP: Autores Associados. em 1680.) – Campinas. na Rússia. por exemplo. cada educador. ressaltando a importância da experiência direta como fator básico para construção do conhecimento. também reconheceram que o ensino deveria começar pelo concreto. Malba Tahan . dizia da necessidade da experiência sensível para alcançar o conhecimento. entre muitos outros. Em termos de sala de aula. Diretoria do Ensino Secundário/ Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário/ MEC. p. 2006.isto é. mesmo se restrita ao ensino da matemática. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Pedro Puig Adam.1. 1. Sérgio Lorenzato (org. Rio de Janeiro. O material didático no ensino da matemática. 3 J ú l i o César de Mello e Souza (1957). se lembrarmos das contribuições de Willy Servais. mestre em educação pela UnB (Brasília). Herbart defendeu que a aprendizagem começa pelo campo sensorial. Aurora. Montessori legou-nos inúmeros exemplos de materiais didáticos e atividades de ensino que valorizam a aprendizagem através dos sentidos. Pelos idos de 1900. Jean-Louis Nicolet. enquanto Piaget deixou claro que o conhecimento se dá pela ação refletida sobre o objeto. concordaram que as experiências no mundo real constituem o caminho para a criança construir seu raciocínio. muito contribuíram para a divulgação do uso de material didático como apoio às aulas In O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. Assim. por volta de 1650. 4 Manoel Jairo Bezerra (1962).1. 3. No Brasil. Luigi Campedelli e Zoltan P. durante a ação pedagógica. reconheceu que a ação do indivíduo sobre o objeto é básica para a aprendizagem.

1. 1967). até mesmo. tornando-os acessíveis para as aulas. muitos de nós aprendemos (e ensinamos?) a fazer contas desse modo. Porém. e ainda é possível. alguém poderia lembrar-se de que foi.] as quais eu pude demonstrar. cada uma com uma função específica. mais do que nunca. mas também para tirar dúvidas de alunos. discutirem seus projetos. dizendo: “é meu dever comunicar-te particularidades de certo método que poderás utilizar para descobrir.org 9 . entre muitos outros. especialmente daqueles que estão em sala de aula. Desse modo.helder@accessueducacao. cozinheiro. se faço. 1. Facilitando a realização de experimentos e a prática do ensino-aprendizagem da Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. para aqueles que possuem uma visão atualizada de educação matemática. o ensino da matemática se apresenta com necessidades especiais e o LEM pode e deve prover a escola para atender essas necessidades. sejam elas aulas. neste caso. Em muitas profissões. Ele evidenciou isso quando escreveu a Eratóstenes. nossas escolas também devem ter seus componentes. compreendo”. Assim como nossas casas se compõem de partes essenciais. não é o caso do magistério. cabeleireiro. esqueço. exige que muitos profissionais tenham seus locais apropriados para desempenharem o trabalho. Afinal.1. devido à criatividade dos alunos.. Ampliando essa concepção de LEM. Helder Filho . materiais manipuláveis. entre outras. ele é um local da escola reservado preferencialmente não só para aulas regulares de matemática. pela Geometria” (apud NICOLET. inclusive de produção de materiais instru-cionais que possam facilitar o aprimoramento da prática pedagógica. como facilitadores da aprendizagem. mediante a mecânica. avaliações. que torna o LEM simplesmente indispensável à escola. Seria injusto faltar o registro a um excepcional matemático que percebeu a influência do ver e do fazer na aprendizagem: Arquimedes. Enfim. Justamente por isso. depois. entre outros.2. Arquimedes revelou o modo pelo qual fazia descobertas matemáticas e confirmou a importância das imagens e dos objetos no processo de construção de novos saberes. mais ou menos no ano 250 a. exposições. tais como: livros. é um depósito/arquivo de instrumentos. Nessa mesma linha de pensamento está um antigo provérbio chinês. determinadas verdades matemáticas [. médico-cirurgião. o que é confirmado plenamente pela experiência de todos. se vejo.C. a prática difere pouco do planejamento.. Algumas concepções de LEM Mas o que é um LEM? Existem diferentes concepções de LEM. que diz: “se ouço. porteiro. veterinário.de matemática. olimpíadas. para os professores de matemática planejarem suas atividades. inclusive matérias-primas e instrumentos para confeccionar materiais didáticos. e um deles deve ser o Laboratório de Ensino de Matemática (LEM). tendências e inovações. Inicialmente ele poderia ser um local para guardar materiais essenciais. É assim para o dentista. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) Nossa sociedade pressupõe e. ensinar assuntos abstratos para alunos sentados em carteiras enfileiradas e com o professor dispondo apenas do quadro-negro. o laboratório de ensino é uma grata alternativa metodológica porque. lembro. No entanto. ator. decorre uma inescapável necessidade de as escolas possuírem laboratórios de ensino dotados de materiais didáticos de diferentes tipos. transparências. não faltam argumentos favoráveis para que as escolas possuam objetos e imagens a serem utilizados nas aulas.2. E por que local apropriado para trabalhar? Porque o bom desempenho de iodo profissional depende também dos ambientes e dos instrumentos disponíveis. um local para criação e desenvolvimento de atividades experimentais. filmes.

por meio das possíveis e Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. questionar.helder@accessueducacao. Conhecimento porque. de preferência.matemática. convém que surjam questionamentos pelos alunos ou pelo professor. Assim. é preciso acreditar naquilo que se deseja fazer. como tudo na vida. temos dois modos diferentes de utilizar um mesmo LEM. como também para orientar seus alunos e transformá-los em estudantes e. mantê-lo. Helder Filho . darem retorno de suas descobertas. tais como: Por que assim são denominados? Quem foi Platão? Quais foram suas contribuições para a matemática? Por que os poliedros de Platão são somente cinco. isto é. Note. o LEM é o lugar da escola onde os professores estão empenhados em tornar a matemática mais compreensível aos alunos. 1. é uma sala-ambiente para estruturar. se o professor possuir conhecimento. possuir uma boa formação matemática e pedagógica. experimentar. diante dos poliedros de Platão. crença e engenhosidade. e provavelmente dois professores com concepções bem diferentes de educação e de LEM. O LEM pode ser um espaço especialmente dedicado à criação de situações pedagógicas desafiadoras e para auxiliar no equacionamento de situações previstas pelo professor em seu planejamento mas imprevistas na prática. A construção do LEM É difícil para o professor construir sozinho o LEM e. Essa participação de diferentes segmentos da escola pode garantir ao LEM uma diferenciada constituição. então. é um espaço para facilitar. muito frequentemente. pode tornar o trabalho altamente gratificante para o professor e a aprendizagem compreensiva e agradável para o aluno. Enfim. poderia ser afixada no LEM para que o professor e os alunos se ponham à procura das respostas ao longo dos dias seguintes para. nessa concepção. crença porque. Para muitos professores. não só para conceber. Nesse caso. sala de aula. enfim. Convém que o LEM seja consequência de uma aspiração grupai. todas as salas de aula e todas as suas aulas devem ser um laboratório onde se dão as aprendizagens da matemática. por exemplo. mesmo em condições desfavoráveis. o LEM.2. em aprendizes também. biblioteca ou museu de matemática. planejar e fazer acontecer o pensar matemático. o professor pode simplesmente mostrar aos alunos os cinco poliedros. é preciso conhecer matemática mas também metodologia de ensino e psicologia. transformar ou construir. conjecturar. e mesmo a encontrar respostas. tal como essa. organizar. quais são suas características? Quais são os outros tipos de poliedros? Onde os poliedros estão presentes? Uma lista de indagações. aprender e principalmente aprender a aprender.org 10 . num canto ou num armário. e engenhosidade porque. planejar. seja este numa sala. tendo em vista que ninguém ensina o que não sabe. é mais importante para a formação do indivíduo do que as respostas às indagações. mais ainda. devido aos questionamentos dos alunos durante as aulas. montar e implementar o seu LEM. Assim. mais que um depósito de materiais. de uma conquista de professores. analisar e concluir. que. O LEM. o professor pode precisar de diferentes materiais com fácil acesso. Essa é uma utopia que enfraquece a concepção possível e realizável do LEM. tanto ao aluno como ao professor.2. é exigida do professor uma boa dose de criatividade. administradores e de alunos. enfim. o LEM deve ser o centro da vida matemática da escola. também. mesmo dispondo de um LEM. porque ela pode induzir professores a não tentarem construir o LEM num certo local da escola em que trabalham. dando o nome e a definição de cada um. Note que aprender a procurar... procurar.

Mas. dos professores das áreas mencionadas. os quais são essenciais para a formação do conceito de número. pois é fazendo que se aprende. se o LEM se destina para crianças de educação infantil. classificação. Helder Filho . o LEM deve possuir aqueles que poderão favorecer a percepção espacial (formas. exemplos de interseção dessas áreas com a matemática. E também várias questões ou situaçõesproblema referentes a temas já abordados no ensino fundamental. Se lembrarmos que mais importante do que ter acesso aos materiais é saber utilizá-los corretamente. aos objetivos matemáticos. Certamente. português. na prática de ensino e no estágio supervisionado. mas. ilusões de ótica) nos campos aritmético. posições. distribuídos em grupos. É inconcebível que. Orientados pelo professor responsável pelo LEM. os alunos.helder@accessueducacao. tamanhos. que se empenhem na construção dele e que considerem as possibilidades da escola. além desses materiais. Se o LEM se destina às quatro primeiras séries do ensino fundamental. Ao LEM do ensino médio. simplesmente. ciências. entre outros. comparação. então não há argumento que justifique a ausência do LEM nas instituições responsáveis pela Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. para a construção do conceito de medida. à percepção da necessidade do emprego de termos ou símbolos. os seus alunos não disponham de instrumentos para a realização da prática pedagógica. o respeito às diferenças individuais. entre outros. à compreensão de algoritmos. se-qiienciação. estatístico. Essa característica deve continuar presente no LEM para as séries seguintes do ensino fundamental. à descoberta de propriedades. podem solicitar. desafios ao raciocínio topológico ou combinatório. educação artística. A respeito da construção do LEM. E o que dizer do LEM para os cursos de formação de professores? Que ele é. geométrico. algébrico. enfim. a importância dos métodos ativos de aprendizagem. geografia. questões de vestibulares. mas os materiais devem visar mais diretamente à ampliação de conceitos. em seguida. é preciso que a escola possua professores que acreditem no LEM. trigonométrico. principalmente se contarem com o apoio bibliográfico ou computacional. por exemplo) e a noção de distância. podem ser acrescidos artigos de jornais ou revistas. para que tudo aconteça. seriação. será necessário preparar o material para apresentação do que foi coletado. mas agora também devem compor o LEM aqueles materiais que desafiam o raciocínio lógico-dedutivo (paradoxos. os materiais devem estar fortemente centrados para apoiar o desenvolvimento delas no que se refere aos processos mentais básicos . a coleta será quantitativamente maior do que esperavam. A contribuição dos alunos para a construção da LEM é muito Importante para o processo educacional deles. o significado dos sentidos para a aprendizagem. mais que necessário para as instituições de ensino que oferecem tais cursos. o LEM irá constituindo-se de acordo com as condições locais e até mesmo tornará possível uma exposição escolar dos trabalhos produzidos pelos alunos. Assim. que reconheçam a necessidade de a escola possuir seu LEM. problemas de aplicação da matemática. o apelo ao tátil e visual ainda deve manter-se forte. inclusão e conservação -.correspondência.org 11 . em suas aulas.indispensáveis contribuições dos professores de história. mas que agora demandam uma análise e interpretação mais aprofundadas por parte dos alunos. é também fundamental considerar a quem ele se destina. os professores desses cursos realcem a necessidade da autoconstrução do saber. educação física.

filmes. Assim.helder@accessueducacao. dessa Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. • Transparências. a qual. instrumentos ou equipamentos pode ser a base para a constituição de muitos LEM. softwares. o custo é diminuto e todos. cada um adaptado ao contexto em que estiver inserido. sempre que necessário. Lecionar numa escola que não possui LEM é uma ótima oportunidade para construí-lo com a participação dos alunos. Objeções ao uso do LEM Na prática escolar. ele demanda constante complementação. • Sólidos. é inconcebível um bom curso de formação de professores de matemática sem LEM. • Quebra-cabeças. e algumas crendices o perseguem. presente no estudo didatico-metodológico de cada assunto do programa de metodologia ou didática do ensino da matemática. a lista seguinte de sugestões de materiais didáticos. e alguns o empregam mal. utilizando sucatas locais. A construção de um LEM não é objetivo para ser atingido a curto prazo.2. o LEM pode constituir-se de coleções de: • Livros didáticos.3. • Materiais didáticos industrializados. • Livros paradidáticos. exige materiais que a escola não dá ao professor e raríssimas escolas possuem um LEM. por sua vez. Helder Filho . 1. exige que o professor se mantenha atualizado. Apesar dessa diversificação. • Quadros murais ou pôsteres. Existem diversos tipos de LEM. • Materiais e instrumentos necessários à produção de materiais didáticos. • Figuras. outros o rejeitam sem ter experimentado. Afinal. ele possui limitações didáticas. • Modelos estáticos ou dinâmicos. em razão dos seus diferentes objetivos e concepções. • Jogos. sofismas e paradoxos. • Instrumentos de medida. • Ilusões de ótica. De modo geral. Vejamos algumas questões referentes a esses assuntos: 1.org 12 . • Questões de vestibulares. • Materiais didáticos produzidos pelos alunos e professores. • Livros sobre temas matemáticos. • Registros de episódios da história da matemática. • Computadores. O LEM é caro. • Problemas interessantes.formação de professores. pois é nelas que os professores devem aprender a utilizar os materiais de ensino. conhecem a aplicabilidade dos materiais produzidos. sofre prejulgamentos. falácias. • Calculadoras. o material deve estar. fitas. • Artigos de jornais e revistas. uma vez construído. alunos e professor. Apesar de o LEM ser uma excelente alternativa metodológica. é facilmente constatável que muitos professores não conhecem o LEM. pois conteúdo e seu ensino devem ser planejados e ensinados de modo simultâneo e integrado.

Daí a importância dos saberes do professor.org 13 . substituído pelo material de observação coleti-va. nesse sentido. É nossa obrigação estar bem preparados para propiciar a aprendizagem da matemática àqueles que nos são confiados. então. Para turmas maiores. em turmas de até trinta alunos. nenhum método produz aprendizagem significativa. da biblioteca. 5. muitas vezes. a quantidade e a qualidade geralmente se desenvolvem inversamente. É mais difícil lecionar utilizando o LEM. Em educação. Sim. dos computadores. não se trata de limitação própria ao LEM. cabendo aos alunos apenas a observação. Helder Filho . O LEM possibilita o “uso pelo uso” dele como também o seu mau uso. é preciso considerar a qualidade da aprendizagem. mas sim de situações em que os alunos efetivamente trabalham mais do que quando apenas assistem à explanação do Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. influenciados pelo LEM. se a dificuldade for referente ao fato de que os alunos. não é um caminho para todos os momentos da prática pedagógica.helder@accessueducacao. inevitavelmente. entre outros. O LEM exige do professor uma boa formação. O LEM não pode ser aplicado a todos os assuntos do programa. realmente. dos interesses dos alunos e dos objetivos da escola. se eles forem atendidos. o uso do LEM. 4. 2. e com o professor dando atendimento a cada subgrupo. Tudo dependerá do professor. indispensáveis para a utilização tia quadra e dos equipamentos de esportes. evita-se um fato comum nas escolas que recebem os materiais: muitos não são utilizados por desconhecimento de suas aplicações. faz o professor ganhar tempo. por facilitar a aprendizagem. questionando: com o LEM o rendimento dos alunos melhora? Os alunos preferem aulas com ou sem o LEM? Por quê? Apesar de as respostas a essas questões de penderem do perfil profissional do professor. mas seguramente pode disponibilizar uma diversificação de meios e uma excelente prontidão ao uso deles como nenhuma outra alternativa oferece. Afinal. usar o LEM pode ser mais difícil para parte dos professores. Essa frase insinua uma limitação do LEM. podemos dizer que o LEM exige do professor uma conduta diferente da exigida pela aula tradicional. 7. O LEM exige do professor mais tempo para ensinar. O LEM não pode ser usado em classes numerosas. Por isso. é possível distribuí-los em subgrupos. Em contrapartida. Realmente o LEM não é uma panaceia para o ensino. Antes de considerar o tempo dispendido para que os alunos aprendam. mais importante do que receber pronto ou comprar o LEM é o processo de construção dele. causadas pelo LEM. é provável que o uso do LEM desperte nos alunos indagações não previstas pelo professor e. pois a manipulação é realizada pelo professor. 6. Se a dificuldade aqui se refere ao aumento de movimentação e de motivação dos alunos e de troca de informações entre eles. o ensino demandará mais tempo que o previsto. Além disso. 3. Aqui cabe uma analogia: dize-me como usas o LEM e eu saberei que tipo de professor és. todos estudando um mesmo tema. utilizando-se de materiais idênticos. como todo instrumento ou meio. com professor despreparado. passam a fazer perguntas difíceis ou fora do planejamento da aula. infelizmente o “fazer” é substituído pelo “ver”. qual é o método de ensino que não exige do professor uma boa formação matemática e didático-pedagógica? Na verdade. O LEM possibilita o “uso pelo uso”.forma. Em ambos os casos. e o material individual manipulável é.

Simples. não é? No entanto. Monte um quadrado de 8cm por 8cm. o LEM pode ocasionar nos alunos uma mudança de comportamento. confundem constatação de natureza perceptual com demonstração. cuja área é 64cm2. a curva limite se constituirá de círculos infinitamente pequeEnsino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. conforme mostra a figura 2. de agora em diante. e não sentem a necessidade de provas lógico-dedutivas porque tomam a percepção visual como prova.1) = 3 (1 . Mas onde encontrar uma coleção de sofismas. Agora.1) comum aos dois termos. em cuja construção cada curva gera duas outras menores e o diâmetro de cada curva maior é igual ao dobro do da menor. é importante mostrar-lhes sofismas. Em outras palavras. temos que o comprimento da semicircunferência da figura é 7ir e. Raciocínio dedutivo será fundamental para todos os estudos posteriores: ele vai logicamente permitir-nos. falácias e paradoxos matemáticos com o objetivo de eles perceberem que conclusões baseadas apenas na intuição ou naquilo que se vê podem contrapor-se ao que o raciocínio lógico-dedutivo aponta como verdadeiro.helder@accessueducacao. Qual seria a causa desse desfecho absurdo? b) Veja as figuras 1 e 2. então 2 (1 . falácias e paradoxos? No LEM. Seguem-se alguns exemplos: a) Se 2 . no gráfico (visão) e na manipulação (tato). 8. Helder Filho . observemos as figuras 4 e 5. separar aquilo que parece ser verdadeiro daquilo que essencialmente é verdadeiro. “vale porque tem a mesma medida”. Divida-o em dois trapézios e dois triângulos. com as mesmas quatro partes obtidas do quadrado. pois. c) Veja a figura 3. resulta 2 = 3. Confiando plenamente naquilo que vêem. se o raio vale 1.3. Assim. Continuando indefinidamente este processo (figura 6).1) e cancelando o fator (1 . O LEM pode induzir o aluno a aceitar como verdadeiras as propriedades matemáticas que lhes foram propiciadas pelo material manipulável ou gráfico. é altamente desejável que essa afirmação seja verdadeira. até o aparecimento do raciocínio lógico-dedutivo por volta dos 13 ou 14 anos de idade.2 = 3 . então o comprimento pedido mede 7r. pois praticam o “é verdade porque vi”. monte um retângulo.professor. conforme mostra a figura 1. a aquisição do conhecimento apóia-se fortemente no verbal (audição).org 14 . “se vale para dois ou ires casos então valerá para todos”. cuja área é 65cm2. Quando os jovens adquirem o poder de dedução lógica. você acabou de descobrir que 64 = 65. A medida da semicircunferência de raio igual a 1 é n ou 2? Sabendo que o comprimento da circunferência é dado por C = 2nr. Dependendo do nível de desenvolvimento dos alunos.

assim. é importante o professor propor situações que realcem o perigo de se acreditar em conclusões baseadas apenas no que foi percebido pelos sentidos. de tamanhos diferentes e firmemente unidas entre si. por outro lado. conforme mostra a figura 8. Helder Filho . o arco mede n ou 2? d) Observe a figura 7. percorrendo. As rodas partem da posição 1 e rolam até a posição 2. não menos desastroso será conduzir os alunos à total descrença em tudo que a observação e a intuição nos revelam Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. quando a roda maior completar uma volta a menor também completará uma volta porque uma está fixa na outra. por um lado. elas rolam ao mesmo tempo sobre dois trilhos C e D colocados em níveis diferentes.org 15 . porque vale o dobro do raio que mede 1.nos. quando então ela se confundirá com o segmeto AE. a mesma distância que vai do ponto 1 ao 2. percorrendo uma distância igual ao comprimento da roda maior.helder@accessueducacao. Mas como explicar que as medidas das circunferências são iguais se as rodas são de diferentes tamanhos? e) Veja a figura 9. As retas r e 5 são paralelas? Elas se parecem paralelas? Se. Nessas condições. cuja medida é 2. em que estão representadas duas rodas A e B. sem deslizarem. Afinal.

do material montessoriano (cuisenaire ou dourado).3. para facilitar a redescoberta pelos alunos? São as respostas a essas perguntas que facilitarão a escolha do MD mais conveniente à aula. reflexão. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. o MD não é garantia de um bom ensino. Helder Filho . a percepção de propriedades e a construção de uma efetiva aprendizagem.org 16 . aqui vamos referir-nos apenas ao MD manipulável concreto.helder@accessueducacao. triângulo. Outros já permitem uma maior participação do aluno: é o caso do ábaco. nem de uma aprendizagem significativa e não substitui o professor. um jogo. um livro. Devido à impossibilidade de abordar a utilização didática dos distintos tipos de MD que podem compor um LEM. o MD nunca ultrapassa a categoria de meio auxiliar de ensino. Alguns não possibilitam modificações em suas formas. ainda. para motivar os alunos. é o caso dos sólidos geométricos construídos em madeira ou cartolina. como tal. e. entre outros. Existem. conforme o objetivo a que se prestam. Material didático (MD) Material didático (MD) é qualquer instrumento útil ao processo de ensinoaprendizagem. por exemplo. permitem só a observação. aqueles dinâmicos. que. MD pode ser um giz. MD manipulável Existem vários tipos de MD. que. dos jogos de tabuleiro. 1.3. o professor deve perguntar-se para que ele deseja utilizar o MD: para apresentar um assunto. de alternativa metodológica à disposição do professor e do aluno. Portanto. rotação.1. por serem estáticos. assim. um filme. 1. facilitam ao aluno a realização de redescobertas. uma transparência. por isso. Estas são um bom começo para investigar e para aprender. uma embalagem. todos os MD constituem apenas um dos inúmeros fatores que interferem no rendimento escolar do aluno. ela pode ser dobrada de várias maneiras e. Os MD podem desempenhar várias funções. pode facilitar o estudo de simetria. para auxiliar a memorização de resultados. Por melhor que seja.ou sugerem. uma calculadora. É o caso da estrela (ver figura 10) construída com 18 palitos ou cotonetes iguais e unidos por borrachas (pedaços de garrote simples nos pontos ímpares e transpassados nos pontos pares). Apesar dessa enorme gama de possibilidades. permitindo transformações por continuidade. um quebra-cabeça. e.

os lados não possuem largura nem espessura.helder@accessueducacao. desafiador e inspirador. Largura e espessura são necessárias à representação. isomeria ótica. como mostra a figura seguinte. Seguem algumas das formas possíveis: a) Ponha os vértices ímpares no centro da estrela (figura 11) b) Coloque 1 e 7 no centro da estrela (figura 12) c) Superponha 1 ao 7 (figura 13) d) Coloque 1. de modo que elas possam reter algum material moldável. Neste tipo de saber. Agua ou areia. como óleo. faz-se necessária também a atividade mental. Este material estático pode transformar-se em dinâmico. se for construído em acrílico: são duas placas idênticas (no formato do estático). será possível estimular os alunos para operações além das simplesmente manipulativas: • Que figura plana pode ser construída colocando-se o 4 junto ao 10? • Quantas diferentes figuras planas podem ser construídas? • Qual delas tem o maior perímetro? E a maior área? • Qual é a relação entre a área da figura estrelada inicial e da figura hexagonal em a? • É possível formar um tetraedro (espacial)? • Qual é a área total do hexaedro? • Qual é a diferença entre a representação de uma figura e a sua imagem mental? Convém termos sempre em mente que a realização em si de atividades manipulativas ou visuais não garante a aprendizagem. Helder Filho . coladas uma sobre a outra. entre outros assuntos. só comprimento. E o MD pode ser um excelente catalisador para o aluno construir seu saber matemático. o líquido (ou areia) interno se transferirá dos dois Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Para que esta efetivamente aconteça. por parte do aluno. Fazendo um furo de A a B e de C a D. 7 e 11 no centro da estrela (figura 14) Utilizando-se de questões tais como as seguintes. hexaedro. quando o MD for mudado da posição 1 (figura 15) para a posição 2 (figura 16). seja por imagem. Um outro exemplo de MD é aquele que se refere ao Teorema de Pitágoras: ele compõe-se de um triângulo retângulo com quadrados construídos sobre os respectivos lados do triângulo. tetraedro. seja por material concreto. interessante. 5.hexágono.org 17 .

org 18 . é preciso começar pelo conhecimento dos alunos. MD e o processo de ensino-aprendizagem A utilização do MD está sempre intimamente relacionada com um processo de ensino que possui uma característica aparentemente paradoxal. 54). manipulável. Não seria a ausência do MD a causa de possíveis retardamentos? Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. às vezes. expressões. Qual será o tipo de MD que os alunos irão preferir: o estático ou o dinâmico? 1.quadrados menores para o quadrado maior. que é um ponto distante e oposto ao rigor matemático. é preciso partir do concreto. forma e peso. tocado ou utilizado esses objetos. 1982. movimento. Os conceitos evoluem com o processo de abstração. Esse processo começa com o apoio dos nossos sentidos e. Vejamos por quê. flui em suas mentes a ideia correspondente ao objeto. ele é aparentemente paradoxal porque. 332). a abstração ocorre pela separação mental das propriedades inerentes a objetos (DAVIDOV. mais ampla. bicicleta ou escada rolante sem ter visto. precisa partir do chão. Essa trajetória é semelhante à que se deve fazer para conseguir o rigor matemático: para consegui-lo. porque é empírico e baseado no concreto. segundo Kopnin (1978. telefone. pan se chegar no abstrato. É muito difícil.2. com seus vocábulos. O concreto pode ter duas interpretações: uma delas refere-se ao palpável. Faz-se necessário partir do concreto. Tal característica poderia ser considerada de somenos importância se não conduzisse alguns profissionais à falsa conclusão de que o uso do MD retarda o desenvolvimento intelectual do aluno. sem precisarem dos apoios iniciais que tiveram dos atributos tamanho. para qualquer ser humano caracterizar espelho. mas. ou provavelmente impossível. cor. O abstrato. ainda sobre o concreto. p. é o “isolamento de alguma propriedade sensorialmente acessível do objeto”.3. quando ouvem o nome do objeto. e outra. o real tem sido confundido com o concreto. assim. inclui também as imagens gráficas. Para as pessoas que já conceituaram esses objetos. O avião retrata bem essa característica aparentemente contraditória do processo educacional: ele é feito para voar. p.helder@accessueducacao. símbolos e raciocínios. sugerindo a existência de uma equivalência entre os quadrados. para voar. Helder Filho .

Em seguida. o automóvel.helder@accessueducacao. com idades variando entre 11 e 12 anos e com semelhantes condições de conhecimento matemático. tais como o pincel.org 19 .Uma das pesquisas5 que comprovaram a eficiência do ensino com MD foi realizada em Brasília. o professor pode mostrar aos alunos. escaleno ou retângulo. em qualquer tipo de triângulo. • Dá sempre 180 graus. precisa perguntar-se: será conveniente. Note que essa atitude do professor.3.FE-UNICAMP. justapondo os três “vértices”. que a “soma dos três ângulos dá 180 graus”. Tomemos. as consequências do uso do material podem ser mais abrangentes e positivas. e 70% delas consideravam a matemática uma disciplina difícil para aprender. Essas crianças pertenciam a distintas escolas e a diferentes níveis socioeconômicos. descobertas ou conclusões. embora não suficiente. Campinas. Helder Filho . é um mero reforço à memorização do enunciado matemático que pode ser encontrado nos livros didáticos. na outra. como outros instrumentos. não. Assim. • O ponto onde se juntam os três ângulos varia de triângulo para triângulo. “Qual é o material?” e “Quando utilizá-lo?”. dá meio círculo. • A área do triângulo é o dobro da área de cada retângulo. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. 1. grande ou pequeno. o revólver. em cada escola. que se resume em apenas apresentar um resultado aos alunos. é preciso perguntar-se: “Como este material deverá ser utilizado?”. numa utilizando MD. • O ponto onde se juntam os três ângulos é o pé da altura do triângulo. se cada aluno desenhar um triângulo qualquer (equilátero. o sino. não basta que o professor disponha de um LEM. não junta os três ângulos. a representação de um triângulo qualquer. pois estes. Tão importante quanto a escola possuir um LEM é o professor saber utilizar corretamente os MDs. O professor e o uso do MD A atuação do professor é determinante para o sucesso ou fracasso escolar. o bisturi. com cerca de 180 crianças cursando a 5” série. facilitar a aprendizagem com algum material didático? Com qual? Em outras palavras. o quadro-negro. a enxada. a bola. Tese (Doutorado) . Subsídios metodológicos para o ensino da matemática:cáculo de áreas das figuras planas. para que possa ocorrer uma aprendizagem significativa. recortar e dobrar sua figura e mostrar aos colegas suas observações. Para que os alunos aprendam significativamente. Esta última questão é fundamental. exigem conhecimentos específicos de quem os utiliza. • O perímetro do triângulo é maior do que o de cada retângulo. um mesmo professor lecionou para duas turmas. por exemplo. Os resultados revelam que o grupo que foi ensinado com MD reagiu de for-ma muito mais positiva. conforme resultado de pré-teste. ou até mesmo necessário. isósceles. do que o grupo que foi ensinado sem MD. se não. • Todo triângulo pode ser transformado em dois retângulos. No entanto. • Mas tem que dobrar os lados ao meio. feita em cartolina ou em madeira: com ele. o batom. o professor está respondendo as questões: “Por que material didático?”. Algumas destas podem ser: • Quando juntados os três ângulos. • O ponto onde se juntam os três ângulos depende das medidas dos ângulos. 5 Sérgio Lorenzato (1976). o professor de matemática. e em diferentes posições). tanto diante de questões fáceis como de médias e de difíceis. ao planejar sua aula.3.

nem ver nela um essencial instrumento para cotidianamente lei colocado a nosso serviço. os três pontos A. a procura e a descoberta de novos conhecimentos. longe de ser um bicho-papão. a percepção da sua competência. Um pro-fessor que concebe a matemática como um conjunto de proposições dedutíveis. a satisfa-çlo do sucesso. num primeiro momento. P são unidos por um fio. Para ilustrar. avaliações. o MD pode gerar alguma estranheza ou dificuldade e propiciar noções superficiais. roncursos. a certeza de que vale a pena procurar soluções e fazer constatações.helder@accessueducacao. cujos resultados são regras ou fórmulas que servem para resolver exercícios em exames. mostrar ou provar aos alunos que a soma dos três ângulos dá ISO graus e. tal como suas partes e cores. mais importante que co-nhecer essas verdades matemáticas. dar alguns exercícios para auxiliar a memorização dessa propriedade. por isso. e ainda mostra a importância que a utilização correta do MD tem no desenvolvimento cognitivo e afetivo do aluno.A diferença entre as duas maneiras distintas de utilização de MD aqui apresentadas ressalta que a eficiência do MD depende mais do professor do que do próprio MD. com ou sem o auxílio do professor. Os triângulos são diferentes quanto às formas. auxiliadas por definições. o P deve deslocar-se pelo corte no papelão. feito em papelão. Para muitos de nós. O modo de utilizar cada MD depende fortemente da concepção do professor a respeito da matemática e da arte de ensinar. Com referência à manipulação propriamente dita do MD pelos alunos. se AB for paralelo a CD? O que se pode dizer das áreas desses diferentes triângulos? E de seus perímetros? Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. mas todos têm a mesma medida de base. tomemos o MD representado pela figura 17. ideias incompletas e percepções vagas ou erróneas. E o que acontece com as medidas das alturas. a melhoria da auto-imagem. é um campo de saber onde ele. Todas as pessoas passam por essa primeira etapa em que. tipos de peças e possibilidade de dobra ou decomposição. a eles deve ser dado um tempo para que realizem uma livre exploração. São esses banais conhecimentos que possibilitarão. quando o MD for novidade aos alunos. por isso. conhecem o superficial do MD. é obter a alegria da descoberta. convém lembrar que. aluno. onde os pontos A a B são fixos e Pé móvel. e compreender que a matemática. Helder Filho .org 20 . seguramente poderia. para representar vários triângulos. Para o aluno. utilizando-se apenas do quadro-negro. através da observação. B. entre C e D. a matemática foi ensinada assim e. em seguida. pode navegar. não conseguimos admirar a beleza e harmonia dela.

Procurem transformar esta figura em outras e digam o que observaram. elo modo como o MD é empregado pelo professor. as observações e reflexões deles serão mais profícuas. O MD é o mesmo. além disso. representando um losango. entre os alunos. em ritmos próprios. Aqui. concretas e abstraías. o ângulo 2 diminui”. de posse do MD. Raios X Analise o seguinte diálogo. as novas conquistas decorrentes das atividades.helder@accessueducacao. Potencialidades do MD Todo MD tem um poder de influência variável sobre os alunos.Diante desse MD. Assim. flexível nos pontos 1. uma vez que poderão. porque. é recomendável que cada aluno tente registrar em seu caderno.“Um segmento”. apesar de todas as contribuições da perspectiva. Existem também diferenças de potencialidade entre o MD manipulável e sua representação gráfica. é provável que os alunos se deparem inicialmente observando e testando o possível movimento do fio e percebendo o paralelismo entre AB e CD. é importante que seja realizada entre os alunos a verbalização dos pensamentos. Após a verbalização. “outros paralelogramos”. os quais conduzem os alunos a fazer conjecturas e a descobrir caminhos e soluções. a comunicação das ideias. 1. Alunos . Será nesse momento que o professor poderá avaliar como e o que os alunos aprenderam. realizar suas descobertas e. “outros losangos”. raciocínios. “um quadrado”. 3 e 4. Vejamos. a socialização das estratégias. até mesmo em cursos de aperfeiçoamento para experientes professores de ensino fundamental. ela não retrata as reais dimensões e posições dos lados e faces dos objetos. há uma diferença pedagógica entre a aula em que o professor apresenta oralmente o assunto. isto é. algumas potencialidades mais específicas dos MD. se souberem os conceitos de perímetro e de área. “quando o ângulo 1 aumenta. então. Helder Filho . por eles realizadas. as questões anteriores se tornarão fáceis aos alunos. 2. pois é durante esta que surgem imprevistos e desafios. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. processos. “um triângulo”. uma vez que ela camufla o perpendicularismo e o paralelismo laterais. Talvez a melhor das potencialidades do MD seja revelada no momento de construção do MD pelos próprios alunos. ilustrando-o com um MD. porque esse poder depende do estado de cada aluno e. para um mesmo MD. mas os resultados do segundo tipo de aula serão mais benéficos à formação dos alunos porque. erros e conclusões.3. ações e conclusões deles. conforme suas possibilidades. como mostra a figura 18. “os ângulos opostos são iguais”. e a aula em que os alunos manuseiam esse MD. Professor . também. mais facilmente. frequente em nossas salas de aula. memorizar os resultados obtidos durante suas atividades. Aos alunos é dado um MD (figura 19) formado por quatro palitos de mesmo comprimento. por exemplo. Feito isso.4.org 21 . não é menos importante para a formação deles.

os lados continuaram iguais. às vezes. às vezes.3: Quando se pergunta aos alunos o que eles observaram na transformação anterior. O uso do MD planejado para atingir um determinado objetivo. para o professor. é muito mais fácil dar aula sem MD. Em outras palavras. Um exemplo disso (figura 20) é o que pode acontecer quando se dá ao aluno um triângulo (dobrável pelos pontos médios dos lados). b) Nesse exemplo. então. ou. Complicador Se o MD pode ser para o aluno um facilitador.Não. Tal constatação é válida. não estavam previstas no planejamento nem eram do conhecimento do professor. Note que: a) Esta última resposta indica que esses alunos estão no primeiro nível da proposta de Van Hiele6. Professor . o que é uma verdade geralmente inesperada por alguns professores e que não consta nos livros didáticos. como foi sugerido em 3. também. é preciso reconhecer que essa dificuldade vem no intuito de melhorar a qualidade do processo de rnsino-aprendizagem. o MD possibilitou ao professor constatar conceitos que precisam ser revistos ou ampliados. Outra observação dos alunos que pode surpreender alguns professores é a de que a área do retângulo (figura 21) é a metade da área do triângulo inicial (figura 20).A sequência de movimentos que transformou losango em quadrado destruiu alguma característica (propriedade) dos losangos? Alunos .Professor . c) O MD foi para o professor o mesmo que o aparelho de raios X é para o médico ou dentista. referindo-se à propriedade “todo triângulo pode ser decomposto em seis triângulos menores congruentes dois a dois”. Helder Filho . quadrado é quadrado. possibilita ao aluno a realização de observações.Então. esperando que ele redescubra que “a soma dos três ângulos é 180 graus” (figura 21). é contraditória para 6 Van Hiele propõe que o desenvolvimento do pensamento geométrico pode se dar em cinco níveis. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. descobertas e até mesmo o levantamen-to de hipóteses e a elaboração e testagem de estratégias que. os alunos dizem que “no triângulo sempre cabem seis triângulos”. frequentemente.org 22 . mas também é mais difícil aprender sem o MD. frequentemente dizem que “o triângulo se transformou em dois retângulos”. constatações. mas.Não. o quadrado é losango? Alunos . ele pode ser um complicador.helder@accessueducacao. losango é losango. No entanto.

círculo e medida. qualquer que seja o assunto. é uma questão de opção: valorizar mais o ensino ou a aprendizagem. o emprego de MD pode “atrasar o programa”. se a todas elas for dado um modelo tridimensional para manusear. mas em seguida. recompensado em quantidade e principalmente em qualidade. mais retardado será o processo de abstração. grau. Justificando essa crendice.quem se lembrar das fórmulas para cálculo da área de retângulo e de triângulo. E isso é uma façanha. ângulo. Na verdade. uma vez que ele possibilita ao aluno aprender em seu próprio ritmo e não no pretendido pelo professor. devido à compreensão adquirida pelo aluno. crianças de 1a série disseram que “as três pontas dá meia roda”. porque eles ainda não construíram os conceitos de triângulo. Em outras palavras. mesmo assim. Modificador Pelo exemplo do prisma que foi decomposto em três pirâmides pode-se verificar que a utilização do MD favorece a alteração de ordem de abordagem do conteúdo programático. é possível interferir no ritmo dos alunos. como a abstração é essencial para a aprendizagem da matemática. adição. ele quase sem-pre propicia a antecipação da abordagem. fazendo acontecer a chamada descoberta dirigida. lembrando que. Por isso. Longe de observar erro de português ou falta de rigor na linguagem matemática. Se de um lado o processo se torna rico. e essa é uma das críticas mais frequentes ao seu uso. Portanto. por outro se torna mais difícil para ser conduzido dentro de uma visão fechada. o importante é verificar se o assunto é novidade para os alunos. é preciso exaltar que intuitivamente as crianças em fase escolar inicial já conseguem detectar a verdade matemática e expressá-la em sua linguagem. Outro exemplo que ilus-n. diante da imagem. alguns dizem que.i aula. ao contrário. de longe. quanto mais o MD concreto for utilizado. o ritmo aumentará e o tempo gasto no início será. curso ou idade. a maioria das pessoas não compreenderá o que está sendo dito e mostrado. e certamente não a compreenderão. o que conflita com a crendice de que MD só deve ser utilizado com crianças. Então.helder@accessueducacao. não podemos considerar que houve ensino. se não há aprendizagem. Aqueles que assim pensam provavelmente ainda não fizeram a seguinte experiência: escolha pessoas adultas que não estudaram geometria espacial e diga a elas que “todo prisma triangular pode ser decomposto em três pirâmides”. imediatamente indicarão ter compreendido o significado da frase. a utilização de MD pode inicialmente tornar o ensino mais lento.i liem isso é o seguinte: diante do triângulo cujos ângulos se juntam para mostrar que a soma é 180 graus (assunto de 7a e 8a séries). muitas delas imprevistas. diretiva e predeterminada. dar o programa ou aprender com compreensão. por que utilizar MD só com crianças? Na verdade. de matematização do aluno. No entanto. e não a idade deles. Regulador O MD pode ser um eficiente regulador do ritmo de ensino para. Será que isso significa que é preciso Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Se elas não compreenderem a mensagem. Helder Filho . É importante registrar que o MD nunca favorece o adiamento do assunto. apresente o desenho da figura em questão. pois a dupla MD e imaginação infantil quase sempre abre um leque de possibilidades. Como se explica essa contradição? Só para crianças A experiência tem mostrado que o MD facilita a aprendizagem.org 23 . e mais: o professor pode acelerar o ritmo das atividades dos alunos apresentando questões que os auxiliem em suas reflexões.

os conhecimentos avançam para a constatação numérica (área). recorrem ao MD (manipulável) e então prosseguem sem dificul-dades com o computador. Como já vimos no item 3. Funciona sempre? Apesar de o MD geralmente despertar o interesse de quem aprende. Ao professor cabe acreditar no MD como Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. em diferentes níveis de conhecimento. para que se dê uma significativa aprendizagem. Um mesmo MD pode ser utilizado para um assunto. o que para muitas pessoas pode significar bagunça. o processo pode começar na educação infantil através da montagem/desmontagem de figuras quaisquer. o MD desempenha a função de um pré-requisito para que se dê a aprendiam através do computador.org 24 . tão recomendado por ilustres educadores. os mesmos assuntos são retomados e. Helder Filho . então.helder@accessueducacao. Assim sendo. pois. porque muitas escolas que já se equiparam com computadores não sabem bem o que fazer com eles. Em segundo lugar.1: num primeiro momento. serem calculadas as áreas por meio de medidas.abrir mão do rigor para se conseguir o rigor? Será que isso indica que a dosagem seriada deve merecer uma atenção maior do que a escola tem dado? Ou será isso uma indicação de que o MD permite antecipar a abordagem de conteúdos programáticos no currículo escolar? Outro tipo de alteração que quase sempre o uso de MD ocasiona se refere ao nível de atividade dos alunos em sala de aula. finalmente na 5a série. o MD manipulável tem-se mostrado um eficiente recurso para muitos alunos que. em decorrência da motivação que ele gera nos alunos. faz-se necessário que haja uma atividade mental. os conhecimentos são ampliados e aprofundados. explorando a equivalência de suas áreas (por transformação) para. ao longo das séries. ele pode não apresentar o sucesso esperado pelo professor. é preciso lembrar que infelizmente o computador não chegou à grande maioria das escolas brasileiras. apresentado no item 3. a condicional (triângulo retângulo). Dosagem seriada A prática pedagógica tem confirmado a necessidade e a conveniência da adoção do currículo em espiral. não compreendendo a mensagem (visual) da tela do computador. e isso é mais sério do que parece. e não somente a manipulativa. a cada vez. desenvolver e avaliar um processo de ensinar e aprender dilcrente dos que tivemos até hoje. com a chegada do computador. mais tarde. nele. depois para a demonstração (prova) e finalmente para ampliações do tipo: o teorema vale para outras formas ou somente para quadrados? A palavra “quadrado” no enunciado refere-se à forma ou à área de figura? Em quais condições o teorema vale para três dimensões (volume)? Quais aplicações práticas são previsíveis? Computador Uma outra crítica contra o uso de MD se baseia no argumento de que. o MD se tornou obsoleto e desnecessário. se pretendermos que alunos de 5a série calculem áreas de figuras planas sem usar fórmulas (por equivalência de áreas). estes falam e movimentam-se mais que de costume. na la/4a séries. Primeiramente. para muitos alunos. Por exemplo. o objetivo era facilitar a percepção da existência de uma equivalência entre “os quadrados”. por parte do aluno. tudo indica que comprar o equipamento e conseguir o espaço físi-CO para ele é o mais fácil: o mais difícil é conseguir software (programa) adequado e principalmente professor preparado para elaborar. É o caso do MD sobre o chamado Teorema de Pitágoras. porém. devem vir jogos livres com figuras de diferentes formas e cores. em seguida. com o apoio de con-tagcm ou medida.

Enfim. 7 Sérgio Lorenzatto. a ansiedade ou a indiferença serão substituídos pela satisfação. resistem às mudanças didáticas e. com o auxílio de MD. pois como muitas coisas na vida. assim. A esses todos se somam aqueles que. Helder Filho . se empregá-lo corretamente. ou não acreditam nas influências positivas do uso do MD na aprendizagem.3. diminuindo. o MD pode ser ineficaz ou até prejudicial à aprendizagem. em 1989. como podem vir a admirá-la? No entanto. o como e o quando colocá-lo em cena. Caso contrário. Em decorrência. “muito difícil”. ele só produz bons resultados para quem nele acredita. onde o temor. Obstáculos ao uso do MD De modo geral. E mais: o MD necessita ser corretamente empregado. 1. trabalho apresentado no Seminário sobre Prática do Ensino. como a de ser ela uma disciplina “só para poucos privilegiados”.helder@accessueducacao. talvez. por diferentes motivos. conseguir uma aprendizagem com compreensão. o mais importante efeito será o aumento da autoconfiança e a melhoria da auto-imagem do aluno. pois. as causas da ausência do MD nas salas de aulas não são devidas a ele propriamente. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. estaduais ou municipais geralmente não preconiza ou orienta os educadores ao uso do MD. que raras são as escolas de ensino fundamental ou médio que possuem seu LEM. Rio Claro. Outra consequência provável se refere ao ambiente predominante durante as aulas de matemática. 1. pode-se dizer que os obstáculos ao uso do MD são de ordem extrínseca a ele.5. o pedagógico ou o epistemológico? • Por quais maneiras se pode dar a má aplicação do MD? • Como construir MD de boa qualidade e de baixo custo? • O uso de MD facilita ou dificulta o magistério? Justifique. e apresentado no III Encontro Nacional de Educação Matemática. é preciso conhecer o porquê. o risco de serem criadas ou reforçadas falsas crenças referentes à matemática.4. que poucas são as instituições responsáveis pela formação de professores que ensinam seus alunos a usarem MD. que tenha significado para o aluno. Efeitos colaterais Se for verdadeiro que “ninguém ama o que não conhece”. em 1990. isto é. pior ainda. Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM • O que é um LEM? • Quais são os fatores a serem considerados no planejamento de um LEM? • Por que escolas de formação de professores devem possuir seus LEMs? • O que você pode fazer para que sua escola venha a ter um LEM? • Como o MD pode influir no processo ensino-aprendizagem? • Quando o uso do MD é recomendável? Justifique. pois é fácil constatar que a própria política educacional emanada pelos governos federal. pela alegria ou pelo prazer. “pronta”. • Quais aspectos educacionais devem ser considerados ao planejar e ao empregar MD: o cognitivo. o afetivo.org 25 . se a eles não foi dado conhecer a matemática. UNESP. ou não sabem utilizar corretamente o MD. o histórico. então fica explicado porque tantos alunos não gostam da matemática. e outras semelhantes. Mas. o professor pode.um auxiliar do processo de ensino-aprendizagem. UFRN. ou não dispõem de MD. muitos professores não sentem falta de MD em suas práticas pedagógicas. aqueles que opinam contra o uso do MD sem o conhecerem ou sem o terem experimentado7.

(2000). (1978). Madrid. Tradução de Felipe Roblelo Vasquez. D. Ed. (1978). “Uma reflexão sobre o uso de materiais concretos e jogos no ensino da matemática”. Interciência. P. Porto Alegre. UFPb. P. RÊGO.SBEM. por possibilitar as representações visuais. n. (1993). João Pessoa. São Paulo. Trillas. 2. Referências bibliográficas do texto CASTELNUOVO. MANSUTTI. STRATHERN. intermedeia as sensações iniciais do mundo físico com as abstrações exigidas pelo processo de formação dos conceitos matemáticos. V. pois é a geometria que. Revista de Educação Matemática . reimpresión. • Comente: As características dos MD devem ser distintas de acordo com os níveis escolares ou com as faixas etárias a que se destinam. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. M. Civilização Brasileira. Arquimedes e a alavanca em 90 minutos. El material para la ensenanza de las matemáticas. M. (1988).V. 1. adquirir ou utilizar MD? • Quais são as características de um bom MD? • Por que os alunos preferem aulas com MD? • Quais são os argumentos favoráveis ao uso de MD no ensino? • Quais são os seus argumentos para não usar MD em suas aulas? • Dê exemplo de caso em que o uso de MD provocou a reflexão dos alunos. • Comente: As secretarias de educação deveriam implantar LEM em suas escolas. THE MATHEMATICAL ASSOCIATION (1968). G.• A ausência de MD torna deficiente o ensino? Justifique. São Paulo. Tradução de Maria Helena Geordane. London. E. R. • Quais dificuldades os professores enfrentam para produzir. Tradução de Auriphebo B. Helder Filho . 123 (Coleção Perspectivas do Homem). Boletim SBEM. México (DF). A. Rio de Janeiro. (1973). Tradução de Gonzalo Medina. ano 4. In: COMISION INTERNACIONAL PARA EL ESTÚDIO Y MEJORA DE LA ENSENANZA DE LAS MATEMATICAS. KOPNIN. Simões.org 26 . O desenvolvimento dos conceitos matemáticos e científicos na criança. POLYA. pp. n. Tradução de Heitor Lisboa de Araújo. ano 1. K. Ciudad de La Habana. Tipos de generalización en la ensenanza. Artmed. Zahar. Aguilar. (1982). Didáctica de la matemática moderna. “Intuición matemática y dibujos animados”. (1998). Editorial Pueblo y Educación. Rio de Janeiro.G.helder@accessueducacao. A dialética como lógica e teoria do conhecimento. R. G. LOVELL.L. FIORENTINI. • Comente: O uso do MD garante uma aprendizagem com compreensão. & MIORIM. A arte de resolver problemas.A. • Comente: O MD só deve ser usado com crianças.V. “Concepção e produção de materiais institucionais em educação matemática”. DAVIDOV. pp. Mathematics Laboratories in Schools. NICOLET. (1967). Matematicativa. l. vol. 17-29. J. (1993). 7. Rio de Janeiro. Bell e Sons.5. & RÊGO.M. • Comente: A aritmética e a álgebra escolares podem tornar-se mais fáceis aos alunos se ilustradas com o apoio das formas. 55-73.

na montagem de módulos e projetos de feiras de ciências na área de matemática. É professora do Departamento de Matemática da UFPb e atua na Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da mesma universidade. jogos e quebra-cabeças. As diversas linhas de desenvolvimento de conhecimentos matemáticos apontadas como mais apropriadas dentro da perspectiva de mudanças . vêm sendo elaboradas e discutidas desde a sua fundação. que já executou mais de vinte projetos institucionais (SPEC/PADCT/CAPES.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.Programa de Licenciatura . Ao lado da pesquisa. composto de kits didáticos. CAPES . Para tanto. (Coleção Formação de Professores). as ações da equipe do LEPAC estavam inicialmente direcionadas para a formação de especialistas. ricos de conexões com a matemática. PROLICEN.org 27 8 .UFPb.helder@accessueducacao. Baseiam-se na crença de que a construção do saber matemático é acessível a todos e que a superação dos baixos índices de desempenho de nossos alunos requer também conhecimentos externos à matemática. Helder Filho . 11 Significado das siglas: SPEC . a luta por melhores condições de trabalho e por uma formação inicial e continuada de qualidade.) – Campinas. 39. PROBEX . 9 Bacharel e mestre em matemática e doutor em educação matemática. palestras e cursos para alunos e professores de matemática. PADCT -Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico. entre outros recursos. a comunidade. história da matemática . coleção de elementos da natureza.UFPb Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. baseados em um acervo material constantemente renovado e ampliado.Subprograma Educação para a Ciência. PROGRAD . faz-se necesIn O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. visando o desenvolvimento de materiais didáticos adequados à realidade das nossas escolas e de sua divulgação por meio de livros. compromissos políticos na direção de mudanças. As novas demandas sociais educativas apontam para a necessidade de um ensino voltado para a promoção do desenvolvimento da autonomia intelectual. passando posteriormente a abranger a assessoria em projetos de implantação de clubes e laboratórios de matemática.estão integradas às diversas ações da equipe do LEPAC. PROGRAD. criatividade e capacidade de ação. além da realização de uma exposição anual intitulada "Matemática e imaginação".UFPb. médio e superior em estados do Norte e Nordeste. vinculado ao Departamento de Matemática do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da Universidade Federal da Paraíba (CCEN/UFPb). PROBEX)11 e realizou cursos e exposições em instituições de ensino fundamental. E professor do Departamento de Matemática e Estatística da Universidade Estadual da Paraíba (UEPb) e atua na Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPb). oficinas.Programa de Apoio aos Cursos de Graduação . lançando as condições de superar as limitações dos cursos de pós-graduação de caráter tecnicista. PROLICEN . p. fruto de pesquisas realizadas na área de ensino de matemática. mestre em filosofia e doutora em educação matemática.entre as quais: resolução de problemas.2. em 1991. 10 Bacharel em matemática. jogos e quebra-cabeças. DESENVOLVIMENTO E USO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA8 Rômulo Marinho do Rego9e Rogéria Gaudêncio do Rego10 A filosofia e política do Laboratório de Estudos e Pesquisa da Aprendizagem Científica (LEPAC). reflexão e crítica pelo aluno. Sérgio Lorenzato (org. nos moldes da exposição francesa "Horizontes matemáticos".Programa Institucional de Bolsas de Extensão . SP: Autores Associados. administradores escolares. 2006. envolvendo a escola.

ii. Acabar com o medo da matemática que. 87). quando associado à formação docente. Se concebermos uma aula de matemática como um espaço em que os alunos vão experimentar. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) em uma escola constitui um importante espaço de experimentação para o aluno e. Estreitar as relações entre a instituição e a comunidade. caso indicado. promovendo a integração das ações de ensino. suas principais funções (1962.sário a introdução da aprendizagem de novos conteúdos de conhecimentos e de metodologias que. pesquisa e extensão.helder@accessueducacao. na obra O material didático no ensino da matemática. iii. sua potencialidade para auxiliar a aprendizagem de conhecimentos de naturezas diversas (informações. sem as pressões do espaço formal tradicional da sala de aula. como afirmam Grossnickle e Brueckner (1965. descobrir significados e processos para essas experiências ou atividades de aprendizagem. Quando instalados em instituições de ensino superior. considerando-se os objetivos educacionais a serem atingidos. atuando como parceira na solução dos problemas educacionais que esta apresenta. além de incentivar a melhoria da formação inicial e continuada de educadores de matemática. para o professor. reestruturado. habilidades ou atitudes). Helder Filho . oportuniza a realização de atividades em que professores da educação básica e alunos de cursos de licenciatura possam refletir e elaborar sua avaliação pessoal do sistema de ensino adotado em nossas escolas e construir modelos viáveis de superação de seus aspectos negativos. ou seja.org 28 . resultados de pesquisas disponibilizados na literatura (ver sugestões em Rego & Rego. pp. ii. novos materiais e metodologias. ampliando sua formação de modo crítico. Uma das linhas de investigação e ação em um LEM compreende a elaboração. levando-se em conta conhecimentos prévios. criado por alguns professores e alimentado pelos pais e pelos que não gostam de matemática. buscando a melhoria do ensino e constituindo um espaço de divulgação e de implantação de uma cultura de base científica. que tem a oportunidade de avaliar na prática. e iii. além de oficinas e cursos de formação continuada para seus professores. faixa etária. baseada em uma sólida formação teórica e prática. reconheça. identifique e considere seus conhecimentos prévios como ponto de partida e o prepare para realizar-se como cidadão em uma sociedade submetida a constantes mudanças. em especial. Estimular a prática da pesquisa em sala de aula. 2004). conceitos. Firmar projetos de parceria com os sistemas locais de ensino. 10-13): i. visando à instalação de clubes e laboratórios de matemática. compreendendo-se que a aprendizagem não reside em Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. baseadas na concepção de que o aluno deve ser o centro do processo de ensino-aprendizagem. adaptação e uso de materiais didáticos de matemática. os laboratórios de ensino. entre outros elementos. Auxiliar o professor a tornar o ensino da matemática mais atraente e acessível. p. Uma vez trabalhado e avaliado em sala de aula um recurso didático pode ser. Manoel Jairo Bezerra destacou. seu alcance e suas limitações e a sua adequação à competência dos alunos. possibilitam: i. materiais adequados são necessários. está aumentando cada vez mais a dificuldade do ensino dessa matéria e Interessar maior número de alunos no estudo dessa ciência.

"baseando-se em objetos e exemplos do ambiente cotidiano. vencendo os mitos e preconceitos negativos. o material concreto tem fundamental importância. Nessa concepção de aprendizagem. os alunos ampliam sua concepção sobre o que é. Por meio de experiências pessoais bem-sucedidas. há até relativamente pouco tempo. ainda no ano de 1911. Sabemos. Promover a troca de idéias através de atividades em grupo. estruturar idéias e organizar informações. Adquirir estratégias de resolução de problemas e de planejamento de ações. aqui descritas de modo sucinto. Estimular sua concentração. estando seu pensamento em constante processo de mudança. selecionados com a criatividade e interesse correspondentes" (IGNÁTIEV.sua estrutura física ou na simples ação sobre ele. Iniciar-se nos métodos de investigação científica e na notação matemática. dentro de padrões de segurança que não coloquem em risco o seu usuário. a reflexão e a criatividade não podem ser metidas em nenhuma cabeça". A aprendizagem pela compreensão é um processo pessoal e único que acontece no interior do indivíduo. Nossa experiência pessoal aponta para a possibilidade de produção e de massificação de materiais de baixo custo e grande potencial didático. vi. iii. 1986).. Helder Filho . Para exemplificar a potencialidade de recursos simples na promoção de atividades didáticas em um LEM. 1999b. As interações do indivíduo com o mundo possibilitam-lhe relacionar fatos. Estimular sua compreensão de regras.helder@accessueducacao. Desenvolver sua capacidade de fazer estimativas e cálculos mentais. vii. v. raciocínio e criatividade.org 29 . Ampliar sua linguagem e promover a comunicação de idéias matemáticas. pois. Porém. Assim. desenvolvendo conhecimentos na direção de uma ação autônoma. sua percepção espacial. que cada aluno tem um modo próprio de pensar e que este varia em cada fase de sua vida. É Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Acreditava-se. ii. exigindo do raciocínio o que quase sempre é deixado apenas como tarefa para a memória. cujos objetivos e uso em sala de aula poderão ser encontrados com detalhes nos textos já publicados (REGO & REGO. 1999a. com um acabamento que torne as atividades a serem realizadas agradáveis aos sentidos. discriminação visual e a formação de conceitos. 2004. como afirmava Ignátiev. REGO & GAUDENCIO JR. que os alunos aprendiam de igual maneira. REGO. apresentamos algumas sugestões. perseverança. mas resulta do aprofundamento de reflexões sobre essa ação. "a independência mental. acumulando informações e regras. auxiliando-o a: i. um dos grandes desafios enfrentados pelos pesquisadores que atuam à frente de LEMs compreende a socialização dos resultados de seus trabalhos. as atividades realizadas em um LEM estão voltadas para o desenvolvimento de conhecimentos matemáticos e a formação geral do aluno. o aluno desenvolve o gosto pela descoberta. sendo seguros apenas os resultados dos casos em que a introdução no campo da matemática ocorrer de forma prazerosa. iv. entretanto. favorecendo a aprendizagem pela formação de idéias e modelos. internalizando-os. a coragem para enfrentar desafios e para vencê-los. 2003) ou em vias de publicação pela equipe do LEPAC. Em razão das características socioeconômicas da nossa população. embora relacionado a fatores externos. como e para que aprender matemática. a partir de sua utilização adequada. contribuindo para formação do senso estético e direcionando a atenção e a percepção para os aspectos cognitivos a serem trabalhados.

Depois de feitas as previsões. Os alunos poderão em seguida investigar: i. tentando estimar e verificando o resultado. com menos ou mais rigor. Colar três anéis de mesmo tamanho. Sugerimos que seja desenvolvida no estudo de quadriláteros. são as exigências formais envolvidas. Em seguida. Vale notar que. colar dois anéis iguais ao primeiro. quando o primeiro anel é cortado. Depois de recortadas. pois esta corresponde a uma das argolas que estavam inicialmente coladas. como feito no anel da questão inicial. Que modificações devem ser feitas (no tamanho dos anéis ou na forma de colálos) para que o resultado seja um retângulo (não quadrado)? iii. cortar a tira ao meio. demanda apenas papel (ofício. Iniciar a discussão questionando aos alunos o que acontece quando cortamos um desses anéis ao meio. jornal etc. um perpendicular ao outro. Que modificações devem ser feitas (no tamanho dos anéis ou na forma de colálos) para que o resultado seja um losango (não quadrado)? ii. de revistas. ao longo da linha pontilhada. colar as tiras formando cada uma um anel comum. na ilustração serve apenas para indicar onde deverá ser realizado o corte). em cada caso. Helder Filho . para que o resultado seja um paralelogramo (não quadrado)? Outras investigações podem ser feitas: i. dependendo do nível da turma e dos objetivos a serem alcançados. como indicado na figura 1. Verificar o resultado obtido confrontando-o com as hipóteses levantadas. como indicado na figura l (o pontilhado não precisa ser feito. uma em cada extremidade). 1999a). cortar o anel e conferir o resultado.org 30 . cada um perpendicular ao seguinte e cortar os três ao meio. estimando o que acontece quando cortarmos ao meio os dois anéis colados. Em seguida. A primeira atividade. Como devem ser os anéis.importante lembrar que os roteiros de sugestão de uso de qualquer recurso instrumental devem ser vistos como possíveis caminhos que poderão ou deverão ser reestruturados de acordo com as especificidades dos alunos e dos conhecimentos a serem desenvolvidos.helder@accessueducacao. e não como receituários. com mesmo diâmetro e largura. seguidos fielmente sem a promoção de reflexões. O procedimento a ser adotado inicia-se com o corte de algumas tiras de papel com aproximadamente 30 cm de comprimento e 4cm de largura. como indicado na figura 2.). intitulada estudo de quadriláteros (RÊGO & REGO. sendo indicada para alunos de todas as séries da educação básica. O que deverá variar. e como colá-los. o conjunto fica semelhante a uma algema (uma tira com duas argolas. cola e tesoura. no que trata da análise das propriedades das figuras obtidas e na nomenclatura apresentada. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.

sugerimos para a confecção de esqueletos de poliedros. modificando-se a quantidade de canudos e/ou a quantidade de grampos em cada sistema de articulações. formando quatro sistemas de articulação. o uso de grampos pequenos de cabelo (de metal. Depois de prontas as articulações. entre outras. facilidade de uso. a rigidez da figura dependerá da forma de suas faces: se apenas Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Solicitar aos alunos que façam um pequeno relatório ou tabela.) e os resultados obtidos. como indicado na ilustração do centro na figura 3. ou três iguais colados inclinados um em relação ao outro. inclinados etc. inserir a parte ondulada dos grampos no interior dos canudos (ilustração da direita na figura 3).ii. em permanente processo de construção. Acompanhe o seguinte exemplo. suas definições e interseções entre estas como. Após cada atividade. estimando e verificando os resultados. de acordo com a necessidade.org 31 . dispostos entre si como no caso anterior. levar o aluno a diferenciar o que é uma definição e um conceito. planos de simetria. Colar três anéis de tamanhos diferentes. rapidez do processo e possibilidade de reaproveitamento do material. Essa atividade enseja oportunidade de abordar de maneira intuitiva questões relativas aos quantificadores universais e existenciais e de suas negações. como em qualquer caso de construção de esqueletos de poliedros. Ainda em geometria. abre-se um espaço para discutir as habilidades que estão sendo desenvolvidas com a realização e reflexão sobre ela. Dependendo do nível da turma. O processo de confecção dos poliedros é bastante simples e as vantagens do material são muitas: baixo custo. além do registro e da busca de associação do conhecimento desenvolvido dentro da linguagem. comuns) e canudos de refrigerante. Teorema de Euler. embora o contrário não aconteça. os alunos podem analisar e explorar os elementos das figuras obtidas. concluindo que todo quadrado é um retângulo. correspondendo a cada conjunto de três grampos um vértice do tetraedro.helder@accessueducacao. Nesse caso. dentre outros. Inicialmente prender cada grupo de três grampos entre si. descrevendo a dimensão dos anéis (se todos são de mesmo tamanho ou não). Este poderá ser posteriormente desmontado e grampos e canudos serem utilizados na construção de outros poliedros. Helder Filho . por exemplo. a quantidade de anéis utilizada em cada caso. bem como o desenvolvimento de atitudes como ver a matemática como um conhecimento social. para o qual iremos precisar de seis canudos e doze grampos de cabelo. como estavam colados uns em relação aos outros (se perpendiculares. com a construção do esqueleto de um tetraedro (pirâmide de base triangular) regular. que poderão ser explorados posteriormente no estudo de propriedades de sólidos. O número de canudos utilizados em um poliedro será igual a seu número de arestas e o número de grampos será igual à soma do número de arestas que convergem para cada vértice do sólido.

Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 32 . considerando. riscos de acidentes no processo. fita adesiva. potencialidade e limitações. barbante. referentes a custo. visando criar ou adaptar kits existentes à realidade das escolas. realizada em Madrid em 1958 (ADAM. aqui exemplificando o processo de constante aperfeiçoamento de nosso acervo. sobre as vantagens e desvantagens de cada um dos materiais empregados. durabilidade. disponibilidade local dos insumos.triangulares a figura será rígida. caso contrário ficará flexível. direcionamento para os objetivos cognitivos programados e resultados estéticos.helder@accessueducacao. resistência. uma experiência interessante consiste em dividir a turma em grupos. resistência. clipes de papel. segurança e apresentação. Em cursos de formação inicial ou continuada. durabilidade. objetivos. 1958). como já afirmamos. de modo semelhante aos grampos. arame ou outros. tempo de elaboração. Os grampos de cabelo poderão ainda ser substituídos por clipes de papel de tamanho adequado. cada um deles produzindo esqueletos de poliedros utilizando um material específico (canudos de refrigerante e grampos de cabelo. com largura igual ao diâmetro interno do canudo. custo. e conexões feitas com borracha de soro e canudos de churrasco ou pirulito. Ver foto 1). Dentre os diversos materiais didáticos que "evoluíram" no LEPAC destacamos o Geoespaço. Baseado em um material sugerido para a construção e o estudo de prismas e pirâmides em uma publicação de uma mostra de materiais concretos para o ensino de matemática. desenvolvemos um modelo de fácil confecção e uso. onde eles serão inseridos após serem agrupados entre si. conversando. depois. Helder Filho . isto é.

O desenvolvimento de habilidades específicas. além da grande versatilidade. evitandose recorrer apenas a figuras planas (no quadro ou livro) com representações de sólidos para tal.helder@accessueducacao. entre outras. delimitados por ligas que formam polígonos nas duas malhas quadriculadas (ver exemplo na foto 2). utilizados pela indústria de mobiliário (e facilmente encontrados em casas de ferragens). a exemplo de uma eoleção de embalagens diversas. e Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 33 . com quadrados de 3 cm de lado. presas entre os ganchos dos dois planos. em cujos vértices são fixados pequenos ganchos de cobre. Nos dois planos (base de madeira e placa de acrílico) são traçadas malhas quadriculadas semelhantes. Os esqueletos dos sólidos são construídos com ligas de borracha. Os dois últimos recursos apresentados. requer a realização de atividades voltadas para esses fins. como a percepção espacial.Simplificamos o modelo apresentado utilizando uma base de madeira. possibilitam trabalhar com geometria espacial em sala de aula com modelos tridimensionais. preferencialmente iniciando-se com materiais presentes no cotidiano do aluno. Helder Filho . O modelo pode ser desmontável. relações entre volumes. Um simples deslocamento de um dos polígonos e das borrachas correspondentes possibilita a rápida transformação de um prisma reto em um prisma oblíquo de mesma base. quatro cantoneiras que dão sustentação a uma placa quadrada de acrílico transparente de 4 mm. facilitando o seu transporte e armazenamento. assim como a identificação e compreensão dos elementos que caracterizam um determinado tipo de sólido. a visualização de cortes e planos de simetria. tendo-se a visualização das vistas do poliedro facilitada pela transparência do acrílico.

posteriormente ampliando-se o estudo dos sólidos geométricos por meio das figuras obtidas com os canudos ou no Geoespaço, na direção da representação destes no plano. Os recursos apresentados nas fotos seguintes, descritos de modo sucinto, indicam a possibilidade de concretização de ideias criativas para um LEM, facilmente reprodutíveis, sem demandar custos financeiros de grande monta. O material da foto 3 é utilizado para substituir os blocos lógicos, nas diversas atividades possíveis de serem realizadas com esse material, sendo socialmente mais significativo e rico em termos de propriedades gerais, o que amplia consideravelmente as categorias para classificação em subconjuntos, entre outras vantagens. Na foto 4, temos dois jogos para as séries iniciais, um compreendendo uma trilha com círculos concêntricos feita com uma base descartável para bolo e outro uma mancala12 com copos de iogurte. Na foto 5, temos um jogo de pares, feito com potes para filmes fotográficos, com materiais semelhantes em seu interior (dois potes cheios até a metade com areia, dois outros com arroz, dois com clipes de papel, etc.) que, depois de misturados, devem ser separados pelos alunos em pares, identificados pela semelhança do som que produzem. Estimulam, além do trabalho com a idéia de par e a classificação de elementos sonoros, a concentração e a prática da auto-avaliação, uma vez que o próprio aluno pode, abrindo as tampas, conferir se suas respostas estão
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Mancala é um jogo de tabuleiro de origem africana, com mais de quatro mil anos, e que apresenta inúmeras variantes. As regras podem ser encontradas na internet ou em livros sobre jogos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho - helder@accessueducacao.org 34

corretas. As roletas, confeccionadas em EVA e tampas de potes de mostarda ou ketchup, ou com tampas plásticas circulares, substituem com eficiência os dados comuns, podendo ser numeradas de acordo com as necessidades específicas de uma atividade. O terceiro e último material da foto é produzido em EVA e restos de espirais de encadernação, compreendendo um quebra-cabeça com peças articuladas que, quando dobrado, pode gerar figuras de diversas formas, que podem ser classificadas pelos alunos de acordo com o número de lados, concavidade ou convexidade, ângulos internos, número de diagonais, entre outros. Na foto 6 um bingo feito com garrafas PET de diferentes tamanhos transforma-se em um atraente material para a prática do cálculo mental em sala de aula. O ábaco aberto, com base em EVA, pinos em lápis marcadores para quadrobranco e argolas de bases fixadoras de tampas de garrafas PET (de refrigerante ou água mineral) pode ser usado na representação e leitura de números na base dez, destacando-se as características de nosso sistema de numeração, a exemplo do valor posicional. É importante frisar que a utilização de todo e qualquer recurso didático exige cuidados básicos por parte do professor, entre os quais destacamos: i. Dar tempo para que os alunos conheçam o material (inicialmente é importante que os alunos o explorem livremente); ii. Incentivar a comunicação e troca de ideias, além de discutir com a turma os diferentes processos, resultados e estratégias envolvidos; iii. Mediar, sempre que necessário, o desenvolvimento das ati-vidades por meio de perguntas ou da indicação de materiais de apoio, solicitando o registro individual ou coleti-vo das ações realizadas, conclusões e dúvidas; iv. Realizar uma escolha responsável e criteriosa do material; v. Planejar com antecedência as atividades, procurando conhecer bem os recursos a serem utilizados, para que possam ser explorados de forma eficiente, usando o bom senso para adequá-los às necessidades da turma, estando aberto a sugestões e modificações ao longo do processo, e vi. Sempre que possível, estimular a participação do aluno e de outros professores na confecção do material. Alguns princípios a serem promovidos em sala de aula, defendidos por Irene Albuquerque (1951), dentre os quais, possibilitar variadas experiências de ensino relativas a um mesmo conceito matemático; atribuir significado para a aprendizagem; criar situações para que o aluno redescubra padrões, regras e relações e "criar um ambiente agradável em torno do ensino de matemática, promovendo o sucesso e evitando o fracasso", são facilitados no espaço de um LEM.
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Tais princípios, desenvolvidos em todos os níveis de ensino, deverão estar teoricamente bem fundamentados, baseados em um profundo conhecimento dos conteúdos matemáticos, dos resultados de pesquisas, da elaboração, estudo e confecção de recursos didáti-cos e na execução de projetos envolvendo escolas da região, o que possibilita uma permanente avaliação qualitativa do trabalho realizado. Finalizamos defendendo a importância de um LEM em escolas de educação básica e em instituições superiores envolvidas em cursos de formação de professores, considerando em especial o grande distanciamento entre a teoria e a prática, hoje ainda predominante nas salas de aula em todos os níveis de ensino; a baixa conexão entre os conteúdos de matemática e destes com as aplicações práticas do dia-a-dia e a necessidade de promoção do desenvolvimento da criatividade, da agilidade e da capacidade de organização do pensamento e comunicação de nossos alunos.

Referências bibliográficas do texto
ADAM, P. Puig (1958). El material didático matemático actual. Madrid, Espanha, Inspeccion Central de Ensenanza Media. ALBUQUERQUE, Irene de (1951). Metodologia da matemática. Rio de Janeiro, Conquista. BEZERRA, Manoel Jairo (1962a). Recreações e material didático de matemática. Rio de Janeiro. ________ . (1962b). O material didático no ensino de matemática. Rio de Janeiro, MEC/Caderno CEDES. GROSSNICKLE, F.E. &BftUECKNER,Leo J. (1965). O ensino da aritmética pela compreensão. Rio de Janeiro, Fundo de Cultura. IGNÁTIEV, E.I. (1986). En el reino dei ingenio. Moscou, Mir. REGO, Rogéria G. & REGO, Rômulo M. (2004). Matematicativa. 3. ed. João Pessoa, EdUFPb. ________ (1999a). Matematicativa II. João Pessoa, EdUFPb. _________. (1999b). Figuras mágicas. João Pessoa, EdUFPb. REGO, Rogéria G.; REGO, Rômulo M. & GAUDENCIO JR., Severino (2003). A geometria do origami. João Pessoa, EdUFPb.

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que também é uma pirâmide de base tria triangular. edro Portanto. neste material. A constr ção da base começa pa construção passando-se sando o barbante por três canudos. Mas o mesmo não se pode dizer quando se deseja ensinar os elementos da geometria espacial. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Porém. to torna possível a visualização de alguns elementos que na atividade com cartolina são menos notados. sinar Portanto. a atividade que é proposta aqui. A estrutura mais simples para se montar é a a do tetraedro (poliedro de quatro f faces) que possui 6 arestas e 4 vértices. Pode-se ensinar geometria espacial por i se intermédio da montagem de sólidos. Na figura ao lado nota nota-se que cada aresta do tetraedro corresponde a um canudo. Desse se jeito não será preciso dar um nó. ai ainda. como a mostrada na figura ao lado. ensinada no quadro negro ou através de livros didáticos. freqüentemente.3. Depois de passar o barbante pelos canudos pa passa-se novamente pelo primeiro canudo da fileira. em que a criança tagem recorta um desenho numa folha de cartolina e. que é um triângulo. para montá-lo será necessário dispor de 6 lo canudos de refrigerante. Assim já podemos levantar o tetraedro. além de possibilitar que a criança construa e e estruturas e "brinque" com a geometria espacial. Estes elementos nos são as arestas e os vértices dos sólidos. atr através de dobraduras e colagem. mas essa tarefa ficará mais fácil depois de alg algumas tentativas. Quando se trata de figuras planas esse método não representa grande dificu dificuldade p para o aprendizado da criança. Para começar a construção da estrutura deve iniciar pela deve-se base (alicerce).helder@accessueducacao. Helder Filho . monta um sólido ge geométrico. Pegamos a ponta do barbante que acabamos de passar pelo canudo da base e passamos por dois ou outros canudos. sugiro a utilização de canudos de refrigerante na montagem de estruturas geométricas. Se o tetraedro é regular então o triângulo deverá ser equilátero.org 37 . Ligar um canudo ao outro pode parecer algo compl complicado a princípio. OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS A geometria é. Concluída esta etapa temos a estrutura como mostrada na figura ao lado.

assim. Helder Filho . Em vez de usar barbante para unir os canudos pode se usar bolinhas de isopor ou massa de mod pode-se modelar. teríamos 5·12 = 60 vértices. Construindo um Dodecaedro com Canudos Um dodecaedro é um poliedro regular de 12 faces. Para construí-la serão necessários 8 canudos. la 3. notamos que dois pentágonos são ligados pela mesma aresta. Outro poliedro que pode ser montado é o cubo (hexaedro). e cada face é um pentágono ecaedro de lado l. Para que a estrutura fique bem firme é interessante passar o barbante duas vezes pelo mesmo canudo. O mesmo procedimento é utilizado para as arestas: temos 5 arestas em cada pentágono.1. passá-la Assim como fizemos para fechar o triângulo da base. mas se manuseada ela pode deformar deformarse. resultando em 60/3 = 20 vértices ao todo.Em seguida passamos o barbante por mais um canudo da base. Mas p . Ele tem 6 faces e 12 arestas. podemos perceber que três pentágonos compartilham o me mesmo vértice. Já a pirâmide de base quadrada fica de pé. o que resultaria em 5·12 = 60 arestas no dodecaedro. Ou seja. Assim t teremos 60/2 = 30 arestas neste sólid sólido. de 12 canudos. ela não fica de pé facilmente. Contudo. passaremos mais uma vez o barbante por dentro do canudo mostrado na figura. Porém a estrutura não ficará estável. Há muitas maneiras de se construir um dodecaedro. necessitando. Com isso as extremidades adjacentes dos canudos ficarão conectadas.helder@accessueducacao.org 38 . Porém um jeito que achei mais interessante é através da Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Sendo preciso fazer várias conexões entre os vértices a opostos. Como cada pentágono possui 5 vértices. A ponta sairá na outra extremidade e poderemos passá pelo último canudo. faremos para fechar o t tetraedro. ou seja.

e também o comprimento dos canudos comprimento que formam as arestas. para a estrutura interna. Mas. utilizando Pitágoras.4· 1. Eu usei barbante passando pelos canudos para construir a estrutura. 3. 30 canudos. que é um pentágono. 20 canudos de comprimento 1. pois o dodecaedro deverá ter no fim do pr processo 12 pentágonos iguais.helder@accessueducacao. precisei ligar todos os vértices ao centro do dodecaedro. Mas não é uma pirâmide qualquer. a estrutura não ficará estável e o seu dodecaedro poderá virar um "tortaedro".4·l. e para que isso ocorra esta pirâmide deverá ter uma altura específica. Todavia. no mínimo um barbante de comprimento 116· .4· . para a estrut estrutura ficar firme. Contudo. Através das características do pentágono podemos encontrar a apótema a e a disavés tância b do centro ao vértice do pentágono. se você for construir um 1. Em seguida são apresentados alguns poliedros que podem ser construídos com canudos: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. dodecaedro de arestas medindo 20 cm.4·20 deverão = 28 cm. Veja a figura: A construção começa pela base. ou seja. Lista de materiais 30 canudos de comprimento l para as arestas. que corresponde 116·l. Por fim. Ao t todo será necessário usar 50 canudos e muito barbante. os canudos têm compr comprimentos diferentes. então os canudos internos deverão medir 1. a duas passadas em cada canudo.4·l. De início se nota que cada aresta co corresponderá a um canudo. Helder Filho .estrutura montada com canudos de refrigerante.2. d dependendo do método que se o usa para unir estes canudos.org 39 . Para essa brincadeira precisei de mais 20 canudos! Um para cada vértice. Depois de alguma álgebra é possível concluir que a altura h da pirâmide vale: Lembre-se que l é o lado do pentágono. e muita paci paciência. como mostrado vértices na figura. encontramos o comprimento dos canudos que ligarão os vértices como sendo de 1. ou seja. e depois levantamos a p nstrução pirâmide.

12 faces. teremos a seguinte relação: F + V – A = 2. o teorema de Euler sobre poliedros pode ser uma brincadeira interessante. A = 6: F+V-A = 4+4-6 = 2. V = 6. A = 30: F+V-A = 20+12-30 = 2. Icosaedro 10 faces. arestas e 12 canudos. 6 vértices. Helder Filho . 7 vértices. V = 4.helder@accessueducacao. V = 20. 20 faces.org 40 . A = 8: F+V-A = 5+5-8 = 2.3. A = 30: F+V-A = 12+20-30 = 2. 12 vértices.Pirâmide de base quadrada Pirâmide de base pentagonal Octaedro 5 faces. 20 vértices. 3. será que funciona mesmo? Vamos ver: Tetraedro: F = 4. V = 7. Mas. Decaedro: F = 10. Atividade 1: Construção de um tetraedro regular Material a ser utilizado: Ø Um metro de linha nº 10. V = 5. V vértices e A arestas. Octaedro: F = 8. 6 vértices. Cubo: F = 6. se pegarmos um poliedro de F faces. A = 12: F+V-A = 6+8-12 = 2. 10 arestas e 10 canudos. Decaedro 6 faces. a título de curiosidade. Para finalizar. A = 12: F+V-A = 8+6-12 = 2. Dodecaedro 8 faces. Pirâmide de base quadrada: F = 5. A = 15: F+V-A = 10+7-15 = 2. V = 8. 12 es. V = 12. Dodecaedro: F = 12. 5 vértices. Icosaedro: F = 20. 30 arestas e 50 canudos (30 das arestas e 20 dos vértices). 15 arestas e 15 canudos. 30 arestas e 30 canudos canudos. 8 arestas e 8 canudos. Segundo este teorema. º Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.

é necessário reforçá-los passando o fio de linha mais de uma vez por cada pedaço de canudo. Finalmente.org 41 . ligando-o aos outros dois.Ø Seis pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (sugiro 8 centímetros). passe-o através de três pedaços de canudo. juntando-os e formando mais um triângulo com um dos lados do primeiro triângulo. para se dar firmeza aos vértices de uma estrutura. fechando a estrutura com um nó. Essa estrutura representa as arestas de um tetraedro regular e as etapas intermediárias de sua construção estão representadas abaixo: Nas construções das estruturas é importante observar que. Tome o fio de linha. Ø Doze pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (novamente sugiro a medida de 8 centímetros).helder@accessueducacao. construindo um triângulo e o feche por meio do um nó. conforme o esquema apresentado abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Atividade 2: Construção de um octaedro regular Material a ser utilizado: Ø Dois metros de linha nº 10. passe o restante da linha por mais dois pedaços de canudo. construa quatro triângulos e os uma. Observe a figura abaixo: 3. Com pedaços de canudos e o fio de linha. Agora. dois a dois.4. Helder Filho . passe a linha por um dos lados desse triângulo e pelo pedaço que ainda resta.

Se você não conseguir realizar essa tarefa. como a desenhada na figura b (abaixo).6. Repita essa construção. Atividade 3: Construção de um icosaedro regular Material a ser utilizado: Ø Três metros de linha nº 10. observe o esquema abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Prenda-os de maneira a completá-lo.3. Com os doze pedaços de canudo da mesma cor construa um cubo de 8 cm de aresta. Construa quatro triângulos seguindo o esquema abaixo e os una obtendo uma pirâmide regular de base pentagonal. Ø Seis pedaços de canudo de mesma cor (cor diferente dos canudos mencionados acima) medindo 11. Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais Material a ser utilizado: Ø Dois metros de linha nº 10. Una cada uma das pirâmides através dos vértices das bases. Helder Filho . Ø Doze pedaços de canudo de mesma cor medindo 8 centímetros cada. Ø Trinta pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (sugiro a medida de 7 centímetros). por meio de pedaços de canudos. construindo um quadrado. de tal forma que em cada vértice se encontrem cinco canudos. 3. Para isso. obtendo mais uma pirâmide.helder@accessueducacao. construa mais um quadrado. passe o fio através de quatro canudos e passe a linha novamente por dentro do primeiro canudo.5.3 centímetros. Observe que ainda faltam dois canudos para completar as arestas do cubo. Considerando um dos lados desse quadrado e passando a linha por mais três canudos.org 42 .

de moda que em cada vértice que determina a diagonal cheguem mais duas diagonais.helder@accessueducacao. Que estrutura você construiu? Observe a figura abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. construa uma diagonal em cada face. Helder Filho . então é necessário tornar essa estrutura rígida. sugiro a seguinte tarefa: com os seis pedaços de canudo de cor diferente (11.Se você observou que a estrutura construída não tem rigidez própria. notamos que se construirmos triângulos nas faces dessa estrutura ou no seu interior.org 43 . ela se enrijecerá. Nesse processo.3 centímetros). Dando continuidade a esse raciocínio. pois os seus lados não ficam por si só perpendiculares à superfície da mesa.

Dessa forma. O jogo é um fenômeno antropológico que se deve considerar no estudo do ser humano. ao mágico. em todas as circunstâncias e em todas as culturas. que. favorece os sentimentos de comunidade. portanto. "O verdadeiro valor do jogo reside na quantidade de oportunidades que oferece para que a educação possa ser levada a cabo" (Gruppe. Blanchard e Cheska.org 44 13 . à literatura. aprendeu normas de comportamento que o ajudaram a se tornar adulto. Organizado por Juan Antonio Moreno Murcia. Gruppe. Apesar disso. a criança aprende a conhecer e a compreender o mundo social que a cerca" (Ortega. por sua vez. O jogo serviu de vínculo entre povos. Sob este ponto de vista. as crianças aprendem jogando. é gerador de cultura. traduzido por Valério Campos. APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO13 Jesus Paredes Ortiz14 4. portanto.4. à língua. à arte. através do jogo. 1938. Entretanto.helder@accessueducacao. 1976. Alguns teóricos (Huizinga. junto com outras atividades. É uma constante em todas as civilizações. a criança aprende valores humanos e éticos destinados à formação integral de sua personalidade e ao desenvolvimento motor e intelectual. 1979. jogando. Atrevo-me a afirmar que a identidade de um povo está fielmente ligada ao desenvolvimento do jogo. Deve-se estimular as atividades lúdicas como meio pedagógico que. à sua história. ajudam a enriquecer a personalidade criadora. O ser humano sempre jogou. A atividade lúdica é um elemento metodológico ideal para dotar as crianças de uma formação integral. 1990). A esse respeito. Giles Ferry (citado por Bandet Aprendizagem através dos jogos. tão importante como adquirir. Moor. A atividade lúdica é tão antiga quanto a humanidade. O jogo deve ser utilizado como meio formativo na infância e na adolescência. Para qualquer aprendizagem. Cagigal. a posição da pedagogia atual converteu "o princípio do jogo ao trabalho" (Marin. a educação e o jogo não eram considerados bons aliados. 1986) classificam-no como elemento antropológico fundamental na educação. como as artísticas e musicais. ao sagrado. Introdução O jogo está intimamente ligado à espécie humana.1. dirigida à eficácia e à praticidade. necessária para enfrentar os desafios na vida. Porto Alegre: Artmed. joga às vezes mais. o jogo potencializa a identidade do grupo social. à guerra. aos costumes. esteve sempre unido à cultura dos povos. 1981. aprendeu a viver. Helder Filho . Felizmente. portanto. ele não era bem-visto pela pedagogia tradicional. Aparece como mecanismo de identificação do indivíduo e do grupo. prejudicou os valores éticos". às vezes menos e. ao amor. O jogo. é sentir os conhecimentos. já que fazem da própria vida um jogo constante. "Jogar não é estudar nem trabalhar. 2005. Contribui para fomentar a coesão e a solidariedade do grupo e. é um caminho para a solução defendida por Einstein (1981): "A supervalorização do intelectual em nossa educação. Desde a infância. é um facilitador da comunicação entre os seres humanos. 1976). 1982) em máxima da didática infantil. (páginas 9 a 28) 14 Universidade Católica San Antonio de Murcia Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. O ensino deve favorecer uma participação mais ativa por parte da criança no processo educativo. mas.

mostraremos brevemente a etimologia das palavras que significam jogo em distintas sociedades. a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o cumprimento desse direito" (Declaração Universal dos Direitos da Criança. a mais natural. a mudar. a criança deve ser protagonista de sua educação (Imeroni. 1974). O jogo é a primeira expressão da criança.e Abbadie. jogo é sinônimo de conduta humana. 1991). 1980) e jogar por jogar é a primeira disciplina a ser cursada (Feslikenian. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Aceitou-se com a naturalidade de um simples ato. Buytendijk (1935) oferece-nos uma análise etimológica da palavra "jogo". primeiro na vida escolar e depois em sua vida profissional. Helder Filho . A aprendizagem. logo. a realização pessoal e social. então. A complexidade do termo é determinada pela preocupação de explicar melhor a natureza humana.org 45 . Sobre a etimologia do termo jogo Fazendo referência à importância do verdadeiro significado dos termos e sua aplicação à cultura. A palavra jogo aparece como uma simples atividade humana. Diz que a criança distingue muito bem o que é jogo e o que não merece sê-lo. essa palavra está em constante movimento e crescimento. está continuamente presente. da espontaneidade. O jogo deve cumprir duas funções na escola como conteúdo e como finalidade: a educação através do jogo e para o jogo. já que é o menos traumático. não se tratará de adquirir conhecimentos. Aprender jogando é o primário. Nos fala do "movimento de vaivém" (hind und her bewegung). As características do jogo fazem com que ele mesmo seja um veículo de aprendizagem e comunicação ideal para o desenvolvimento da personalidade e da inteligência emocional da criança. necessária para alcançar o desenvolvimento completo. o jogo teria um papel predominante" (Delgado. A importância e a necessidade do jogo como meio educativo foi além do reconhecimento e se converteu em um direito inalienável das crianças: "A criança desfrutará plenamente do jogo e das diversões. e faz parte de nossa maneira de viver e de pensar. quase todas. o mais simples e natural na criança. Assim. tentando deduzir os sinais característicos dos processos a que se refere. 7º). mas de aprender a transformar-se. 4. como comer ou dormir. a mais pura e espontânea. Rojas (1998) vai ainda mais longe e faz uma afirmação tão categórica quanto bela: "A meta do homem na vida é ser feliz". do mau uso das palavras". O jogo é um elemento transmissor e dinamizador de costumes e condutas sociais. Pode ser um elemento essencial para preparar de maneira integral os jovens para a vida. E necessário aprender em todas as etapas da vida para formar de maneira harmónica a personalidade da criança e com ela desenvolver e manter um fio vital de expressão e de entendimento com o mundo que a cerca.2. "Seria ideal que o objetivo máximo da educação fosse a felicidade e. Este objetivo aponta para a busca do equilíbrio vital. na escola do futuro. 1975) acrescenta que. que deverão estar orientados para finalidades perseguidas pela educação.helder@accessueducacao. art. A seguir. Divertir-se enquanto aprende e envolver-se com a aprendizagem fazem com que a criança cresça. encontramos um estudo de Dehoux (1965) que inclui a seguinte citação de Flaubert: "As causas principais dos nossos erros provêm. Atendendo a essas duas funções que o jogo deve cumprir. mude e participe ativamente do processo educativo. tanto na escola quanto na própria vida. da alegria e do lazer.

mesmo que seu primeiro significado seja jogar fora. a palavra mais usada é "παιδια". la'ab significa zombar e rir.helder@accessueducacao. As coisas são apresentadas como se as classes superiores sempre se expressassem jogando. Em hebreu-aramaico. Em castelhano. que significa jogar. Refere-se ao jogo. O sânscrito possui diferentes raízes para se referir ao conceito de jogo. Em japonês. há a raiz nrt. O ponto semântico comum em todas essas palavras que expressam o conceito jogo parece ser um movimento rápido. juntam-se os significados de irradiar. por outro. competição em que se obtém prémio ou então campeonato. mas também se refere aos grandes jogos (é impossível separar a competição no mundo grego do trinômio jogo. que significa jogar. la'iba é jogar em geral. Assim se expressou o aéreo. zombar. não apenas limitada ao jogo infantil. os germânicos e o francês em representação dos românicos. especialmente ao infantil. "lila" também é o aparente. diversão e. o que poderia indicar alguma influência germânica. que se refere a todo o campo da dança e à representação dramática. aparece.A raiz do vocábulo jogo aparece em indoeuropeu como *aig-. por um lado. Divyati refere-se ao jogo de dardos. mesmo que seu significado primário seja rir. torneio. ao burlar. que significa oscilar. balanço. e sai. Em hebraico. Também é interessante comprovar o significado de "jogar um instrumento musical". Nos idiomas semíticos. aparece "παιγνιωδησ". ao brincar em geral. a forma sahaq. Em chinês. cujo significado é infância e educação das crianças. que é brincar. Em árabe. Ainda há: "παιζω". relativo ao jogo infantil. que descreve o jogo das crianças. mas se diferencia no acento. Em grego clássico. expressão similar é la'at. O francês é o único idioma românico que utiliza essa forma. jogar dardos. soar de novo. para se referir a qualquer jogo competitivo. a imitação própria do jogo. que Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. com o sentido de tocar. e.org 46 . que tem em comum o árabe la’iba com alguns idiomas modernos. No gótico. excursão. com a mesma etimologia. recreação. ao zombar. ao aprontar. inclusive. que significa algo que se move. O grego possui uma expressão para o jogo infantil com o sufixo "inda". jogar e estar ocupado ou fazer algo. o livre e o transcendental do jogo. diversão. utiliza-se o substantivo asobi para se referir a jogo e o verbo asobu. laikan significa jogar e saltar. rir. É da mesma etimologia. conserva-se em algumas canções tradicionais. O termo mais usado é kridati. Presente também aparece em sânscrito como kliada. com o significado de jogo. sabemos de palavras mais importantes para se referir à função lúdica: wan. alegria. "αγων" é o jogo de competição e luta. temos a forma éjati e também íngati. mas também ligada a bom humor e diversão. Com significado parecido. zombar. festa e ato sagrado). brincar e também dançar e jogar. A raiz lila aparece em lilayati. relacionando-se também com o termo irradiar. o ligeiro. de que procede vilasa. de brincadeira e de diversão. a saltos ou à dança em geral. aparecer repentinamente. tscheng. que significa jogo. Serve também para se referir ao agitar do vento e às ondas. "αθυρω e αδυρµα" referem-se à ação de jogar. dos adultos e dos animais. podendo se referir. Além disso. o jogo é marcado pela raiz la'ab. Na raiz las. no Antigo Testamento. Helder Filho . a qual se refere a jogo. oscilar e mover-se. jogar e "παιγµα e παιγνιον". que significa duvidar. distração. Também se utiliza o termo "παιγνια". o alegre. da palavra "παιδια/παιδεια". com referência a todas as formas de jogo e de brinquedos. algo como "criancices". vaivém. Em antigo índio.

ligeireza. Em inglês. jogada. brincar. lâc e lâcan. jogo de lançamento. utilizava-se o substantivo leich. em polonês: GRA (grã). Para o estudo etimológico. Afirma Corominas (1984) que o vocábulo jogo procede etimologicamente do latim iocus -i (brincadeira. Têm relação direta com essa palavra: ioculator. No antigo anglo-saxão. sacrifício. mover-se. A base etimológica de ludere seguramente se encontra no que não é Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. No castelhano medieval. gozação. juglar. eiken (atrevido.org 47 . presente em geral. A expressão lares ludentes significa dançar. que produz grande prazer. diversão). Também significa movimento rápido e tocar um instrumento. No antigo alemão. em norueguês: spill. desafio). De onde deriva-se lusus -us. iocari não designa o verdadeiro sentido do jogo ou o jogo autêntico. jogos. No velho frisão: fyuchtleek. "ελκυστινδα". spelet. em basco: jolas. as crianças gregas jogam com a bola "σφαιριδα". Em húngaro: JÁTEK (játek). também se utiliza game (jogo. Segundo Huizinga. de que procedem o alemão pflegen e o holandês plegen (em latim vulgar. dança e exercícios físicos. em antigo eslavo. aparece yogar com vários sentidos. do ponto de vista semântico. diversão.significa jogar. saltar. Em antigo escandinavo. o recreio. a representação litúrgica e teatral e os jogos de azar. russo antigo e atual UGPÁ (igrá). diversão. ioci. diversão. Helder Filho . Na Idade Média. joko. com referência a jogo. jogo. é o gosto pela dificuldade gratuita. a competição. e também provém ludicrus. lusi. "στρεπτινδα". em neerlandês. Este plegan corresponde exatamente ao plegan do velho alto-alemão e ao plega do alto frisão. huweleic (contrair matrimonio). A partir do século XII. leikr. essa palavra era usada para se referir ao significado de burla. Trapero (1971) afirma que jocus significa chiste. leika. entre os quais tocar instrumentos. feestelijk (festa). em sueco. deve-se considerar também ludus -i. Por exemplo. plegan. plegium). diversão. ou ludicrum -i. vocábulo latino que abarca o campo do jogo. No holandês antigo. movimento rápido e suave como o do pêndulo. iocus -i. jongleur. Em eslovaco: HRA (hra). entretenimento. Em inglês play (jogo. jogo público. significando bardo. divertido. vechtelic (combate). brincam de ser rei. "βασιλινδα". um favor e até generosidade. de ludicer -era. selvagem). cantor. que significa jogo e jogar. Em romeno e catalão: joc. russo antigo e atual urpá (igrá). Ludo. músico. Em ucraniano: RRA (grá). No velho nórdico. passatempo. em servo-croata: URRA (igrá). em português e galego: jogo. havia três formas de se referir a jogo com os seguintes significados: huweleec. passatempo. corresponde a spielman. Em antigo eslavo. brincadeira. jogo. Segundo Huizinga (1952). jogo. tal expressão origina-se do velho inglês plega. ludere abarca o jogo infantil. Em esloveno: IGRA (igra). em búlgaro: URRA (igrá). espetáculo. tocar um instrumento). dança e exercícios corporais. músico e malabarista. diversões. em alemão: spilan. Vimos que as línguas germânicas utilizam o verbo jogar para se referir também a tocar algum instrumento musical. Em italiano: giuoco. lusum é o ato de jogar. alegria. esporte. oferenda. diversão. ludus. em tcheco: HRA (hra). passatempo.helder@accessueducacao. spel. spel. homem que joga. -crum. com a corda. dando lugar a lúdicro e não-lúdicot mesmo que aceito em castelhano. Em bielo-russo: IRRÁ (igrá).

lugares para o jogo de bola no México e na Guatemala. a relação é com a arte. que significa brincar. no simulacro e na trapaça. passatempo e diversão. divertir-se com algum jogo. "jogar-se à vida". também pode ser utilizada em sentido figurado. "jogar". No Dicionário da Real Academia Espanhola atual. sem dúvida religiosa. ação e efeito de jogar. jouer du piano. obras dramáticas e novelas. fazer algo com o único propósito de se entreter ou divertir. o desaparecimento do termo ludus pode ser devido tanto a causas fonéticas quanto semânticas. "Jogo de bola". para descrever um ato fácil ou inocente. possivelmente de origem etrusca. do vocábulo ludus i não há apenas palavras indo-européias conhecidas para essa noção. Seguir historicamente a evolução fonética da palavra jogo é um trabalho difícil.sério. em que se ganha ou perde. como falta de responsabilidade. "desempenhar um papel imprescindível". para investidores. em outras ocasiões. A palavra juego é empregada com o significado de entretenimento ou diversão e jugar. jeu ejouer. ser um herói. ação deflagrada espontaneamente pela mera satisfação que representa. como se depreende da expressão "brincar com fogo".helder@accessueducacao. permanecendo em um nível menos avançado os termos ludus. giuoco e giocare. Por exemplo. Em alguns idiomas. aparece juego (ludus). "jogar com a sorte". ao se referir aos termos jogo e jogar. espontânea e. manifesta que a abstração do fenómeno jogo teve lugar em algu-tnas culturas de modo secundário. ocupar certa posição. juego e jugar. se divertir. usase mais de um termo. Em castelhano. que significa brincar. fazer algo de modo arriscado. Os vocábulos juego e jugar têm muitas acepções e interpretações. joc e juca. também se pode empregar com o sentido de se aproveitar ou zombar de alguém. em outros. outras vezes. aventura ou risco. entretenimento. designa-se o jogo com apenas um vocábulo. iocari. "era hrincadeirinha". "brincadeira de crianças". ou como obra de honestidade. enquanto a própria função de jogar teve caráter primário. ludere. tanto em inglês quanto em francês: to play the piano. diversão ejugar (ludere). O próprio autor destaca que o termo que abarca o conceito de |ogo e jogar desaparece. mas que não impede detectar que todas as línguas românicas ampliaram seus vocábulos iocus. turbulenta. Segundo o dicionário etimológico do latim (Ernout-Meillet). exercício recreativo submetido a regras. "jogar limpo". em italiano. juramento do "Jogo de Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. No Dicionário da Real Academia Espanhola de 1837. ajuste de contas. mais do que no campo do "mover rápido". em português. não deixando marca nas línguas românicas. quando utilizados no campo do jogo e de jogar. com relação às origens idiomáticas. "jogo de Adão". joc e jogar. jugar (iocari). formando com ela a palavra spielkin. comportar-se de forma desleal. pode se tratar de um termo criado com a instituição. "jogos de emoções". "jogar na bolsa". em romeno. aparecem no Mio Cid e em Gonzalo de Berceo. brincar. entreter-se. Helder Filho . drama semilitúrgico. e game quando se alude ao seguimento de uma prática lúdica que se caracteriza por regras estritas. como em castelhano. "brincar com uma pessoa". "pôr em jogo". azucrinação. participar de um jogo. Ao mesmo tempo. jogo e jogar. que designava. em catalão. em inglês usa-se play para se referir ao jogo como atividade pouco codificada. temos juego (iocus).org 48 . Corominas (1984) assegura que as primeiras documentações da palavra jogo. por vezes. el juego del amor. há conotações eróticas. como no alemão spielen. Segundo Huizinga. para se referir aos filhos ilegítimos frutos da brincadeira. em francês.

é difícil saber em que momento aparecem e qual o significado dessas locuções e suas conotações.) começou a significar em todas as línguas um grande grupo de ações que não requerem trabalho árduo e proporcionam alegria. É quase impossível compreender os traços de uma pesquisa para o significado etimológico. Há contrastes: seriedade e alegria. Como vimos. entretenimento. ludus -i significava alegria. a palavra juego (jogo. Por outro lado.helder@accessueducacao. deve-se considerar também o significado do vocábulo ludus -i: o ato de jogar. o significado de "jogo" apresenta algumas diferenças entre povos distintos. Sobre o conceito de jogo A palavra jugar (do latim iocari) significa fazer algo com espírito de alegria e com a intenção de se divertir ou de se entreter. é perigoso". frivolidade. Delgado e Del Campo (1993) nos explicam a brincadeira como necessidade na vida. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. paixão ou amor. game. relaxamento de outras atividades consideradas mais sérias. a palavra jogo era empregada com relação a risadas e brincadeiras. 4. joc. porque. "jogos florais". Posteriormente. ou da mais inocente criança à mais séria aposta na bolsa de valores com a finalidade de ganhar dinheiro. Entre os germânicos. Segundo diferentes estudiosos do tema. prazer. foi associado a todo ato de falta de seriedade ou feito de forma leviana. que lhe servem de distração. promessa solene feita pelos deputados franceses do Terceiro Estado (23-6-1789). recreação. A esse respeito. Houve má familiarização com o termo jogo. em muitas ocasiões. hoje. a brincadeira não é um conceito científico no sentido estrito. spiel. Esse vocábulo latino dá mais um sentido ao jogo: ludus-ludere.bola". as crianças adquirem a palavra jogo dos adultos. que significa brincadeira. Mas quando se estuda a brincadeira no mundo infantil. o prazer da dificuldade gratuita. já que aparece a transposição de significados na história da transnominação. o jogo significava as ações próprias das crianças e expressava principalmente o que entre nós. do jogo mais infantil à mais trágica das encenações no teatro ou à mais divertida comédia circense. diversão. Para Elkonin (1980). e. que se cultiva unicamente pelo prazer. o trabalho. à ideia de luta. a antiga palavra spilan definia um movimento rápido e suave como o do pêndulo que produzia um grande prazer. jeu. o que nos interessa. giuoco. educação. Helder Filho . alegria. Como pudemos comprovar. satisfação. O ser humano pratica atividades ao longo de sua vida. graça. diversão e que ocupam tanto a vida central da criança como o tempo de ócio e recreio do adulto. gioco. se denomina "criancices". A palavra jogo provém etimologicamente do vocábulo latino iocus. como. relaciona-se ao meio artístico e estético. denominadas lúdicas. mas o certo é que elas existem e em diferentes idiomas. por exemplo. competição poética. jolas. Entre os hebreus.org 49 . rapidez. observamos tanta seriedade como no trabalho mais responsável do adulto. ludus-us e ludicrus (ou cer era. emprega-se o vocábulo tanto no sentido figurado como no direto ou fundamental. em países germânicos. jogo. passatempo. divertimento e responsabilidade acompanhada de alegria. Em sânscrito. etc. kliada.3. crum)". joko. O aspecto lúdico do jogo (do latim de ludicrus) é essa atividade secundária relativa ao jogo. Para os gregos antigos. para o homem. urpa. play. também há conotações de tipo erótico. recordando uma citação de Sófocles: "Quem se esquece de brincar que se afaste do meu caminho. Entre os romanos. Para seu estudo. Para Petrovski (citado por Elkonin).

por conseguinte. se realiza. uma realidade mais ou menos mágica e. ao estado adulto e à velhice. Acompanha o crescimento biológico. Contudo. O jogo entre crianças é muito sério. de entretenimento e seriedade nos atos. no amadurecimento e na aprendizagem do ser humano. em outras. A brincadeira nasce espontânea e cresce junto com a criança durante os diferentes estados evolutivos até chegar. sociais e/ou morais. O ser humano necessita permanentemente de entusiasmo. e nem por isso deixa de ser séria a realização pessoal do humano adulto. mas na maioria das iniciativas racionais que tomamos diariamente. Assim. pode brincar consigo mesmo. O jogo é parte do caráter do ser humano em sua formação. muitas vezes associada à perda de tempo. 1993). todos os jogos fazem jogo. físicos. em sua personalidade. em sua energia. ao vício ou ao pecado. Apesar dessa observação pessimista. na configuração da inteligência. o verbo jogar.Tal necessidade psicobiológica nasce com a criança e acompanha o ser humano ao longo da vida. complementar. superando a idade biológica mesmo que com conteúdo diferente e cumprindo distintos objetivos na vida. além disso. A brincadeira. mesmo que com diferentes objetivos.org 50 . Mesmo que nem sempre se queira reconhecer. como ela e com ela. se desafoga. o ócio. a luta Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. o entretenimento e a alegria. O adulto também aprende. psicoemocional e espiritual do homem. Isto também pode seguir vivo no estado adulto. sua gratuidade foi classificada como prova de que é pouco importante. O sábio sabe que brinca e saboreia jogar. A simplicidade da ação de jogar é absolutamente universal. não-séria. ao se modelar sob parâmetros voluntários ou obrigatórios. improdutiva. brincar está presente na necessidade de motricidade que enriquece a evolução do feto no ventre e vai acompanhar a vida de cada um de nós até a velhice. precisa de humor. seriamente. necessita de distração. mais ou menos relacionada com a vida cotidiana. formar e alimentar o crescimento integral da pessoa. de tomada de responsabilidade individual ou coletiva. não apenas na etapa infantil. ao ser acompanhado de regras ou normas. Tudo isso pode ser proporcionado pelas vivências do jogo: um enriquecimento integral. Graças à racionalidade. Por acaso carece de seriedade e concentração o ato de lutar. da seriedade e da alegria. heterogénea. Assim. como a outra face do trabalho. qualquer jogo. divertir-se e aprender são modos verbais inerentes ao ser humano. o sorriso. é um meio de aprendizagem espontâneo e exercita hábitos intelectuais. é uma constante de nossas vidas. estado emocional do ser humano e se mostra através do ato motor em movimento. na idade adulta. traduzindo-se em matéria. O jogo não carece de seriedade. A brincadeira envolve toda a vida da criança.helder@accessueducacao. e sempre visto como algo insignificante. na própria vida. O jogo é uma constante vital na evolução. O jogo transcorre no mundo da fantasia. plural. o humor. indispensáveis na vida de qualquer grupo sociocultural. em suas distintas formas. como o binômio seriedade-regozijo. Traduz-se como espírito. Helder Filho . Brincar. Tente mudar uma regra ou improvisar para ver o que acontece. com ele aprendemos a aproveitar. torna-se jogo. cenário impulsionador de ordem. a ternura brotam com a compaixão do quebra-cabeças da vida (Delgado e Del Campo. realidade lógica. até a mais avançada idade. flexível e tão ambivalente quanto necessária. Cumpre a missão de nutrir.

org 51 . Alguns autores afirmam que toda atividade é jogo desde os primeiros meses da existência humana. a definição de "jogo" não é possível. diante de tantos adversários. sem infringir alguma regra? Jogando com a incerteza do resultado final. perder. 4. ganhar. Nesse sentido. não situa a aparição ou a formação do jogo até o 2a estágio do período sensório-motor (respostas circu-lares primárias. contudo. somente será capaz de captar uma parte da verdade do jogo. O jogo se formará a partir de ações que a criança não domina com suficiente destreza. pois implica um amplo leque de significados e sua leitura é múltipla. por mais erudita que seja. qualquer tentativa. Sobre a definição do jogo A Real Academia da Língua Espanhola diz do jogo: "ação de jogar. até o segundo ou terceiro mês). Por outro lado. 1980). fazendo dele uma conduta conhecida. não global ou total. sequer uma delimitação exata na vasta esfera de atividade do homem e dos animais e toda busca dessas definições deve ser classificada de jogo científico. 'íJogo ou jogar expressa algo claro. Assim. Helder Filho . Nenhum sábio foi capaz de defini-lo. ou seja. por meio da brincadeira. evidente. porque essa palavra refere-se a uma condição ou realidade primordial da vida. como medo ou raiva. O jogo de condição ambivalente (qualitativo.helder@accessueducacao. A capacidade lúdica desenvolve-se articulando as estruturas psicológicas globais (cognitivas. O jogo é algo vital para o ser humano: o "homo ludens" passa quase metade da vida em vigília" (Cagigal. Piaget (1946). E sua complexidade responde à sua Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. independentemente do idioma que falem. O conceito de jogo é tão versátil e elástico que escapa a uma localização conceituai definitiva. utilizará e praticará para incorporá-las e dominá-las em seu eu de forma a continuar crescendo plena e harmoniosamente. as brincadeiras com as mãos em seu Campo visual. a criança projeta um relativo distanciamento do mundo dos adultos. podemos ob-servar <|ue a criança reproduz determinadas condutas somente pelo prazer que isso lhe dá. passatempo ou diversão". mesmo lutando para vencer. Vimos que. Segundo Kollarits (citado por Elkonin.4. O antropólogo Bateson (1958) explica a confusão diante da tentativa de definição do jogo por seu caráter paradoxal. 1980). Bajo e Betrán (1998) afirmam que o jogo infantil tende a reproduzir em pequena escala as predileções dos adultos. 1981). passado. devido ao amadurecimento de certos órgãos ou funções evolutivas. Nesse período. como seus sons guturais. torna-se parte dessa realidade intersubjetiva. pegar e largar objetos. presente. quantitativo. Acrescentam que. a brincadeira é a "assimilação do real ao eu". Sua significação é polissêmica. todas as crianças usam a palavra jogo atribuindo-lhe um significado simples e claro: simplesmente definem-na jogando. fácil.para obter uma bola e mantê-la. afetivas e emocionais) mediante as experiências sociais da criança (Ortega. atua como se o seu mundo fosse o deles. quando a criança pratica repetindo um fato para encaixá-lo e consolidá-lo. certo e incerto) resiste a uma definição categórica. mas também como se esse mundo criado por ela fosse real. excetuando a nutrição ou as emoções observadas. não compreende ou.

com um fim em si mesma. O jogo constitui um desafio."(. Poderia se assegurar de que qualquer definição não é mais que uma aproximação parcial do fenómeno lúdico e. Helder Filho .. Nele está o prazer da ação livre..) é uma atividade livre que tem seu fim em si mesma" (Stern. A seguir. 1979). ."Tanto o animal como o homem jogam com imagens: a imagem é a expressão do caráter que o sujeito projeta sobre a realidade. 1980). fazê-lo já é razão suficiente. .. ."A brincadeira é filha do trabalho.."O jogo é a manifestação de uma livre espontaneidade e a expansão de uma atividade em expansão" (Karl Groos.org 52 . . como meio de eliminar seu excesso de energia" (Spencer. resultado ou conclusão da teoria que a contempla. 1958).."(. acompanhada de um sentido de tensão e de desfrute e da consciência de ser diferente da vida cotidiana" (Huizinga."O que define o jogo é que se joga sem razão e que não deve haver motivo para jogar..e proporciona as forças e as virtudes que permitem fazer a si mesmo na sociedade (.. 1901)."(. . 1935). 1988). realizada dentro de certos limites fixados no tempo e no lugar."(.helder@accessueducacao. que se parece com a arte.. sem rédeas.) o jogo é uma ação livre..) o jogo é uma forma privilegiada de expressão infantil" (Gulton. . com a direção que o jogador quer lhe dar. O excesso de energia é apenas uma condição para a existência do prazer estético que o jogo proporcio na". 1968)."A atividade lúdica contribui para a paidéia . . nem se obtenha proveito algum.) O jogo prepara para a entrada na vida e o surgimento da personalidade" (Chateâu.) o jogo é uma atividade geradora de prazer que não se realiza com finalidade exterior a ela.. . 1980). seguindo uma regra livremente consentida..) uma atividade que os seres vivos superiores realizam sem um fim aparentemente utilitário. algumas definições: . que se executa dentro de um determinado tempo e de um determinado espaço. 1935). . mas por si mesma" (Russel.a educação . o impulso criador" (Lin Yutang.especificidade e indefinição. 1887). 1938). constitui parte integrante desta e permite a todos entender melhor e a compreender nossas vidas" (Schiller. pode entrar a exigência e a liberação de quantidades muito mais consideráveis de energia do que as que exigiria uma tarefa obrigatória" (Wallon.) o jogo é uma atividade estética. às vezes. apesar de tudo."(. mas completamente imperiosa. é essencialmente ficção."(. . mas que. sem que haja nela qualquer interesse material. O jogo não é uma fuga da vida. executada e sentida como estando fora da vida cotidiana.."O jogo situa-se na intersecção do mundo exterior com o mundo interior" (Winnicott. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.. algo que é uma ficção. .. Não há forma de brincadeira que não tenha como modelo alguma ocupação séria que lhe precede no tempo" (Wundt.) "o jogo é uma ação ou atividade voluntária.(.. 1855). . vivendo-se como real e com mais intensidade que o trabalho sério e responsável. que se desenvolve em uma ordem submetida a regras e que dá origem a associações propensas a cercar-se de mistério ou a se disfarçar para se destacar do mundo habitual". "Fique claro que o homem somente joga quando é plenamente tal e somente é um homem completo quando joga."No jogo.. pode absorver por completo o jogador. 1977). combinação espontânea e símbolo" (Buytendijk. .

de outro. para passar a expressarse como somos."O jogo é intrinsecamente essencial para a criatividade (. desenvolvimento e afirmação da personalidade" (Zapata.) porque continuamente cria a sociedade em que se realiza" (Stone e Orlick.. . ao exercício ou à atividade coletiva" (Lagardera. instrumento de conhecimento. oferece-nos um meio de relação social. levar-se para o mundo irreal. para fugir. à diversão. ao mesmo tempo. 1923). 1988). não sendo provocado pelo utilitarismo que inspira o esforço imposto por uma circunstância do trabalho.. exerce sobre nós um grau de encanto e absorção de que carecem outras atividades da vida cotidiana que é psicologicamente liberador e nos proporciona a oportunidade de comparar nossa capacidade com a dos outros" (Castellote.. A atividade lúdica caracteriza-se pela improdutividade". ."Brincar é o que se faz quando se está livre para fazer o que se quer" (Gulich."O mundo lúdico origina-se nos primeiros jogos de perda e recuperação.org 53 . . . na busca do Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.. a ausência de esforço exagerado e habilidade com que se realiza" (Russel. um instrumento efetivo de desenvolvimento das estruturas do movimento."O jogo é um diálogo experimental com o meio ambiente" (Eibl-Eibesfeldt (1967)..helder@accessueducacao."O jogo leva a experimentar uma sensação de fluir que nos transporta a um entorno em que abstraímos a realidade e outras situações cotidianas. repousa em si mesmo sem esse desassossego. sem dúvida. ."O jogo é mais agradável e mais puramente jogo quanto maior é a naturalidade. 1994). reguladora e compensadora da afetividade. (. meio essencial de organização."O jogo é uma das manifestações mais enriquecedoras do tempo livre. . que se ajusta sempre às necessidades do ser humano com relação à incerteza. refere-se a uma forma de se comportar e sentir e. nossas carências e virtudes" (Ciskszentmihalyi..) Uma pessoa que não sabe brincar está privada. fator de socialização.. citada por Trigo. no sentido de equilibrar as situações de preocupação. da alegria de fazer e criar e seguramente está mutilada em sua capacidade de se sentir viva" (Rosemary Gordon.) o jogo é algo muito importante em nossa vida: ajuda-nos a dar uma via de realização à nossa imaginação. 1996). como fator de equilíbrio psicológico em sua vida. 1996).. encontro e separação" (Aberastury.. Este exercita atitudes que são as mesmas que servem para o estudo e para as atividades sérias do adulto. 1988)."O jogo é a arte ou a técnica que o homem possui para suspender virtualmente sua escravidão dentro da realidade.) a função própria do jogo é o jogo mesmo. Jogar é negar e superar o fantasma arcaico" (Freud."O jogo é uma atividade multidimensional. Helder Filho . 1970)."A brincadeira infantil é meio de expressão."(. . De um lado. . ... . "O jogo é uma atividade que o homem desenvolve. que infiltra no trabalho a necessidade de conseguir um fim a todo custo" (Ortega e Gasset. com toda a personalidade. 1982). . em uma palavra. .) é um esforço que. para estabelecer um meio de relação otimista e positiva com os outros homens (."O jogo tem duplo significado."O jogo é recreação (. 1988). 1971). tristeza e dor. a uma série de atividades concretas claramente delimitadas" (Martinez Criado. tanto no nível individual. . quanto no nível social.Um passo do fantasma ao símbolo. (Cillois. 1997). 1958). 1967).

de acordo com regras preestabelecidas e que promove a criação de agrupamentos sociais que tendem a atuar secretamente e a se distinguir do resto da sociedade por seus disfarces e por outros meios". até certo ponto descartável. Helder Filho . mas. Deveria. com um denominador comum: o desejo de melhorar a qualidade de vida. política. O jogo não morre com o final da infância ou da adolescência.helder@accessueducacao. direito. ao mesmo tempo. ao trabalho. "o jogo é um fenómeno não apenas universal dos seres humanos como é comum a outros animais. O jogo é criança. mas. como diferentes etapas evolutivas. ser auto-suficiente e dispor de seu próprio significado e justificativa. Um conceito de jogo que possa ser aplicado transculturalmente é essencial para a antropologia da motricidade humana e o esporte. na ausência de toda pesquisa social ou de comportamentos agonísticos ou passivos/submissos por parte dos membros de uma díade (tríade. Há uma necessidade escondida de crescer. Faz-se necessário o jogo em seus diferentes contextos para a busca antropológica da verdadeira natureza do homem. que se distinguem por uma combinação de traços: é voluntário. Nasce. sobretudo. dentro das quais o jogo (definição do poeta Schiller modificada pelo filósofo Spencer). quem a exerce. diferenciado temporalmente de outros comportamentos por sua qualidade transcendental ou fictícia". 1997). são poucas as definições satisfatórias de tais atividades. da autonomia e do desfrute da pessoa" (Lavega. percorre as etapas evolutivas. Do ponto de vista fisiológico.org 54 . de vez em quando. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Bekoff (citado por Blanchard e Cheska) propõe o seguinte conceito etológico: "O jogo é o comportamento que se observa nas interações sociais que comportam uma diminuição da distância social entre os protagonistas. intensa e profundamente. porque carece de seriedade. homem. mas deve crescer e evoluir em suas formas junto ao homem para ajudá-lo em suas diferentes etapas. A maioria das espécies animais executa. saúde. absorve. O jogo permite que se exteriorizem outras facetas da cultura (ritual. que não traz qualquer proveito e que se desenvolve ordenadamente dentro de seus próprios limites de tempo e espaço. poderiam existir atividades necessárias e vitais e atividades desinteressadas. Numerosos etólogos estudaram o jogo social dos animais. Huizinga considera o jogo uma forma de cultura mais do que um componente formal da cultura. sobretudo durante a infância". O sociólogo Norbeck (1971) define o jogo da seguinte maneira: "Seu comportamento fundamenta-se em um estímulo ou em uma propensão biologicamente herdados. Começa sua obra dizendo que o jogo é como "uma atividade livre mantida conscientemente fora da vida cotidiana. amadurecer e ser junto ao jogo espontâneo. Realmente. viaja. desenvolve-se e morre com o sentimento ou o campo das emoções do ser humano. de fato. Como comportamento vital. Huizinga (1938) afirma que o desenvolvimento da civilização deve-se a mecanismos lúdicos e também. amor. adolescente. Segundo Blanchard e Cheska (1986). mesmo que tais ações possam ocorrer como atos derivados durante o jogo". pode-se entender o jogo como atividade que os seres vivos superiores realizam sem um fim aparentemente utilitário e com o objetivo de eliminar o excedente de energia. portanto. etc). Uma atividade desprovida de todo interesse material. ete).desenvolvimento. acompanha o ser humano e morre com ele. velho. nasce. alguma forma de brincadeira.

Pelo jogo se conhece o espírito. é espiritual e se materializa ao ser criado. poderíamos dizer que. crescer e acompanhar durante toda a vida o ser humano e a sua cultura. na obra do jogo. além de fazer parte da realização da capacidade cognitiva de observação. querer e fazer: tudo pode ser. O jogo não é material. Realmente. amplia sua capacidade de imaginação e de representação simbólica da realidade. ao se expressar através de emoções. conectamos nosso micromundo ao macromundo onde vivemos. seu equilíbrio vital. expressão da criatividade do homem como resultado das emoções. como veículo de comunicação. dos sentidos e do pensamento. nos aproximamos da comunicação com o mundo que nos rodeia. O jogo em sua formação não necessita de aprendizagem. O ser humano necessita da realidade do jogo para recuperar seu comportamento natural. surge espontaneamente.) o jogo é uma forma de comportamento que inclui tanto dimensões biológicas como culturais. significa a raiz da vida do ser humano e a própria vida. Em seu desenvolvimento. a cultura faz vida: o jogo é vida e a vida.org 55 .5. sempre presente na vida do homem. o jogo deve evoluir. é intensificada a vida cultural do homem. é algo instintivo que responde às necessidades da dinâmica infantil. mas por uma variedade de traços. para brincar. Através dos jogos. Corredor (1998) afirma que qualquer atividade acompanhada de alegria e/ou riso consciente também é uma forma de jogo. sua evolução. plasmada na obra da vida. ao se fazer com sua alegria ou amor. podemos conseguir tudo o que desejamos. busca com o homem um significado que cumpra necessidades biológicas. Pensar. Comprovamos que. É agradável. emocionais ou espirituais. No jogo. O jogo faz cultura. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. experimentamos a realidade das coisas. Por que as crianças brincam ou que causas as levam a brincar? A própria criança poderia responder simplesmente porque sim. As atividades realizadas no contexto do jogo são produto da ilusão. "(. simbolismo e ação. Segundo os antropólogos Blancjard e Cheska.Puigmire-Stoy (1966) define o jogo como a participação ativa em ativida-des físicas ou mentais prazerosas para obter satisfação emocional. recordações. o ser humano se introduz na cultura e. diz Martinez Criado (1998). singular em seus parâmetros temporais. cultura. com o jogo. Por que o ser humano quer modificar isso ao longo de suas diferentes etapas evolutivas? Com elas. porque gosto. Helder Filho . intencional. ela se enriquece. Poderia ser a expressão mais pura e simples do comportamento humano integral. que se define não por eliminação dos demais comportamentos. seu amadurecimento e sua observação sistemática são imprescindíveis para a vida. 4. Atrevo-me a afirmar que o jogo nos serve de cordão umbilical ou união com a nossa natureza mais íntima. sem outro fim que a necessidade e a alegria de jogar.. por meio do jogo. O mundo mágico do jogo torna possível todo tipo de realizações. qualitativamente fictício e deve sua realização à irrealidade". O jogo nasce espontâneo.helder@accessueducacao.. Trata-se de uma atividade praticada em todas as épocas e culturas. Origem do jogo O jogo é parte fundamental do desenvolvimento harmónico infantil e de importância tal que o conhecimento dos interesses lúdicos.

como resposta possivelmente psicobiológica à vida. 1988). Klein. 1986).Forma de improdutividade (Caillois. Berne. .Mas o jogo aparece. 1931. 1986). Froébel. . . 1958).Forma de se liberar da energia excedente por falta de outras atividades mais sérias em que investi-la (Spencer.Forma original da risada e do prazer (Delgado.. fugir da realidade ou reproduzir as situações de prazer (Freud. 1977). .Forma de intervenção educativa baseada no conhecimento do desenvolvimento da criança e na busca de metodologia adaptada ao pensamento das crianças e sua forma espontânea de construir conhecimentos (Canal e Porlán. Delcroy e Monchamp. . . 1946. . 1977).Forma privilegiada de expressão infantil (Gutton.Forma de elaboração (Klein.Forma de evasão da realidade: não se busca um resultado utilitário. 1923).Forma de prolongamento de traços da espécie posteriores ao amadurecimento Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. 1992). atrevo-me a dizer. . . . Csikzentmilhalyi. . acompanhada de uma sensação de tensão e de júbilo e da consciência de ser diferente da vida real (Huizinga. .Forma de atividade lúdica funcional (Buhler. .Forma de atividade livre. 1986. 1901). 1989).Forma motivante como princípio motor do jogo (Château. reprodução da evolução de atividades de gerações passadas (Hall. 1935). 1920. .org 56 . 1960).Forma de terapia e liberdade de criar (Winnicott.Forma de recapitulação de filogênese. 1996).helder@accessueducacao.Forma de construção de conhecimentos sociais e psicológicos da criança (Flavell e Ross. Case.Forma de atividade voluntária com fim em si mesma. 1959. 1897). defender-se das frustrações.Forma de se preparar para a vida adulta. 1904). O jogo está relacionado com a capacidade criadora do homem e traduz a necessidade da criança de atuar sobre o mundo (Rubinstein. . 1987.Forma de aprendizagem e crescimento harmónico. . . 1991). . com fim em si mesma (Stern. 1955). Linaza. 1955.. 1987. . 1979.Forma de aprender. Garcia. 1991.Forma de cenário pedagógico natural (Ortega e cols. Helder Filho . Seria um exercício preparatório das atividades que serão enfrentadas no futuro (assim como osfilhotes dos animais) (Gross. 1982. interceptar e conservar os novos hábitos adquiridos (Piaget. Aquino. 1938). . 1924). . .Forma de fixação de hábitos adquiridos e de garantir as novas habilidades (Bhuler. citado por Mune. Erikson.Forma de transformação da realidade segundo as necessidades do eu (Piaget. 1988). desenvolvimento e afirmação da personalidade (Zapata.Forma de descanso para o organismo e o espírito (Schiller. . Secadas. 1997). . 1981). Adeler. Autoformação (Château. 1980. Garcia e cols. 1958).Forma catáltica para reduzir as tensões. 1946).Forma de organização. Diferentes autores apontam uma série de razões pelas quais se joga: .Forma de passar do fantasma ao símbolo: brincar é negar e superar o fantasma arcaico (Freud. 1958.

podemos vislumbrar uma série de características. seu organismo responde de diferentes formas e utiliza distintas atividades lúdicas. Csikzentmilhalyi. pois apresenta características. 1955.O jogo deve ser espontâneo. é como uma história contada com ações. . superação de algum tipo de obstáculo. Tal característica é muito importante na brincadeira infantil.O jogo deve ser prazeroso. acaba em situação idêntica à do começo. Características do jogo Ao estudá-lo. De acordo com autores como Huizinga. À medida que a criança cresce. permanecendo até a velhice. González. afetivo e físico da criança e se adapta aos períodos críticos de seu desenvolvimento (aos seus conflitos pessoais e sociais). Bronfenbrenner. É um acontecer voluntário. Russel.O jogo deve ser limpo. . mesmo que a prática sucessiva leve a isso. Prazer do tipo sensorial.O jogo é uma atividade desinteressada e autotélica. Essa talvez seja uma de suas características centrais.O jogo é improvisado. Moyles. 1972). entre outros. 1991). . . . físico e prazer moral ou psíquico. . temos algumas das mais representativas: . . 1986. Vygotsky. e cativa a todos. 1980). Sempre se localiza em limitações espaciais e imperativos temporais estabelecidos de antemão. 1990). Cagigal.helder@accessueducacao.Forma de resposta emocional e intelectual às experiências sensoriais (Brierley e Goleman.O jogo é uma atividade livre. . cujo resultado final flutua constantemente.Forma de atividade que somente cabe definir a partir do próprio organismo imerso nela (Piaget.O jogo é um comportamento de caráter simbólico e de desenvolvimento social.org 57 . . intelectual. Robert. Trigo. Piaget. . . deriva-se da palavra paidia.6. É uma manifestação que tem um fim em si mesma. 1997). Bandet. espontânea.O jogo é uma forma natural de troca de ideias e experiências. Joga-se pelo prazer de jogar.O jogo é fictício. Todo jogo coletivo é um acordo social. por não possibilitar qualquer fracasso. Groos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. distante do cotidiano. que determinam suas regras.Forma de assegurar a transmissão de valores promovidos por diferentes culturas (Sutton-Smith. estabelecido pelos jogadores.O jogo é incerto.Forma ecológica. . 1982. 1966. a brincadeira evolui com o desenvolvimento integral. ou seja. A finalidade do jogo deve ser ele mesmo. É um mundo à parte. salvo deslocamento de propriedade no seio do círculo de jogadores. Caneque. impulso inato que não requer especialização nem aprendizagem prévia. Caillois. Ortega e Caneque. física e cultural (Pellegrini.Forma de incorporação da criança a uma instituição educativa (Linaza. mesmo que isoladamente não o defina. . O jogo possui uma auréola mágica. ninguém é obrigado a jogar. Helder Filho . 4. O jogo cresce com a criança até a idade adulta. 1989. Sendo uma atividade criativa.O jogo é separado. .humano (Bruner. . Brunner. ordens e limitações.O jogo é convencional e regulamentado. . 1946. original. .Forma de criatividade (Marin Ibánez. 1991). Não cria bens nem riqueza ou qualquer elemento novo de espécie alguma e. não se trata de uma atividade utilitária.O jogo é gratuito ou improdutivo. . Sarazanas. 1979). é uma contínua mensagem simbólica. é desinteressada.

Conclusões Talvez este título não seja o adequado. é parte da vida. . se mover. É realizado em situações de bem-estar e sem pe-rlgo à vista.O jogo é respeitoso. por isso vou apenas mencionar ideias que podem servir de proposta para encontrar uma definição do tema.O jogo reflete em cada momento a forma com que a criança atua. . restaurador. Não necessita passaporte nem entende de idioma.O comportamento lúdico nasce com a criança e cresce com o interesse e a curiosidade por explorar o seu corpo e o mundo que a cerca. da. Faz com que se entendam crianças. . não importa onde e nem com quem. Essa curiosidade cresce saciando-se de conhecimentos e oportunidades de aprendizagem. O mundo real e o mundo criado pelo jogo se movem em um mesmo plano. É. o mais importante veículo para o desenvolvimento evolutivo e a adaptação ao meio vital.O comportamento lúdico é universal. . desertos e bosques. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. sem nenhum outro vínculo de comunicação. uma característica da saúde. já que constantemente estão trocando informações. Há na criança uma forte necessidade de se expressar e de comunicar-se. parece-me. portanto.. O benefício dessa prática preenche o desejo de realização e nos proporciona prazer ou satisfação. solidário. voa como as nuvens pelo ar e se hospeda como a terra em todos os povos e países. deixemos a porta aberta para continuar aprendendo com quem sente o desejo de explorar esse maravilhoso e mágico mundo do jogo: . da vontade. desinibida e natural. como uma moeda comum. Responde à necessidade de motricidade.O jogo é como uma bandeira com todas as cores. Tão somente procura a recompensa de um gesto ou de um sorriso como conteúdo mínimo de comunicação. O jogo tem um efeito estimulante. porque sente-se confortável. relaxante.O jogo é uma atitude.O jogo é como uma vela que ilumina o comportamento do ser humano: é o resultado da busca das melhores coisas escondidas no mais íntimo do ser.org 58 . bandeira da paz e laço de união entre os povos. do otimismo. porque a passagem de um ao outro é constante e contínua. Tudo o que vivemos pode tomar parte na brincadeira. sem preconceitos. mesmo que não seja o Único. estão intercalados. Por isso. pertence a todas as pessoas. espontânea. . O que se entende como jogo ou brincadeira abarca uma infinidade de ações e atividades. porque não tem fronteiras.helder@accessueducacao. bandeira ou moeda. explorar. É um símbolo de humanidade. No jogo. adultos e velhos de maneira imediata. contudo. imitar e à necessidade de enriquecimento por meio do movimento. 4. . porque nasce da bondade humana.O jogo permite à criança relacionar-se com a realidade.7. como um idioma internacional. Nenhuma criança se cansa de brincar. Helder Filho . Os atos do jogo são produto da ilusão. .O jogo não tem fronteiras porque não as conhece e se propaga rapidamente como o fogo. superando montanhas. podemos conseguir tudo o que desejamos. A criança brinca sempre. brinca de diferentes maneiras conforme o meio em que se encontre. viaja tão puro como a água através de rios e oceanos. Somente quando a criança conhece o ambiente brinca. Já que a aprendizagem é infinita. compreende e se relaciona com o mundo. O mundo mágico do jogo torna possível todo tipo de conexões ou interações para atingir diversas realizações. de estar ou ser ativo. O jogo é incompatível com circunstâncias vitais da doença.ilegria.

positiva e crítica. quando adultos. pois escolhem uma solução adequada às suas necessidades e possibilidades. O jogo fomenta a capacidade para a elaboração de normas da infância à vida adulta. Intelectual. Assim. social e cultural. além de alcançar a felicidade são objetivos prioritários da educação para evitar o fracasso escolar. nos preparamos para a vida ensaiando papéis que desenvolveremos posteriormente na sociedade. emocional. Já que o jogo promove habilidades sociais (talentos maravilhosos). promove a participação e a atividade (com a base da criatividade. gera valores humanos positivos para a vida e.Mediante o jogo.A brincadeira proporciona situações que estimulam o senso de humor como estado de espírito. na escola e na vida. a criança aprende normas de comportamento para crescer e aprender a viver na sociedade de forma integral. a mente e o coração da criança e. criativo.Os jogos evoluem com a criança e ajudam a formar a estrutura de sua personalidade. As crianças e os adultos necessitam da realidade do jogo para conservar ou recuperar seu comportamento natural: seu equilíbrio vital. em um modo de expressão com que se atua. as crianças expressam-se de forma natural. . podemos considerar a brincadeira como um modo mágico de entender o trabalho. por fim. O jogo proporciona ao ser humano um interesse pelo conhecimento. . fomenta as relações sociais frutíferas (aprender as limitações. uma atitude ativa. por um lado. . relacionar-se bem com os outros e fazer amigos).org 59 . porque as crianças praticam continuamente e de forma simples os comportamentos e as tarefas necessárias para se converterem em adultos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. comunica. reduzir ou processar condutas agressivas (base para a segurança do indivíduo e do ambiente). aumenta a auto-estima (vive-se em um ambiente harmónico).Desenvolver a inteligência emocional.A magia da brincadeira se converteria. ajuda a canalizar. Nesse caso. Helder Filho .Alguns teóricos afirmam que a brincadeira é o trabalho da criança. nesse sentido. melhora a saúde física e emocional. por outro lado.O modo natural de aprender é através do jogo. Uma atitude necessária para encarar a vida diária. . . se poderia afirmar que é uma realidade. vive-se em meio a um processo de aprendizagem global. A criança cresce aprendendo hábitos de convivência necessários para viver em sociedade. uma solução saudável. explora. que lhe permite se integrar de maneira gradual na família. pelos valores que origina e pelos efeitos que produz). . bem como o estado de espírito. . fomentar a curiosidade.. pesquisa. na escola.O jogo serve-nos de ligação com a natureza. em um elemento ideal para reconciliar. colaboração e cooperação: todas as crianças querem brincar). estimular o senso de humor. instrumento que lhe ajuda a entender a vida e a sua própria vida.Com o jogo. coloca-se em conexão o nosso micromundo (pessoa) com o macro mundo (sociedade) em que vivemos. a ferramentachave para a aprendizagem é o jogo. que nos ajuda a encarála com o otimismo necessário para manter um estado emocional estável e que possa nos proporcionar uma sensação de bem-estar.helder@accessueducacao. . dada sua importância vital (por seu caráter multidisciplinar. desenvolvendo os aspectos motor. .Com o jogo. participativo e significativo: processo que se amplia ao longo da vida.

psicólogos e filósofos já o fizeram e com amplo domínio desse campo do conhecimento. procedimentos de criar uma situação favorável. profunda do ser humano com mudanças nas operações mentais e atitudes não necessitam de algo mais do que um estímulo externo? Não será necessário uma força. Cabe ao professor através de uma variedade de recursos. lá que nome queiramos dar. Muitas vezes o aluno não se interessa por determinada situação de aprendizagem exatamente porque não vê motivos para realizar aquela atividade. Fatores físicos que tanto podem ser do tipo alimentação. processos mecânicos podem levar a repetir uma ação tornando-a automática. um motivo inerente a própria pessoa. Também não o faremos. à sua psique. São muitas essas condições 15 Texto retirado da II Reunião da SBM . Muitos de nós professores de matemática nos deparamos. ou espiritual. ou seja. e econômicos. O que é a motivação? Nada mais do que a predisposição interna que impulsiona a busca de um objetivo.. ou psicológico. aqueles inerentes à própria pessoa. Motivação De todos os fatores que apresentamos ou possamos apresentar queremos abordar um ponto que em nossa opinião é o mais essencial e imprescindível no desenrolar do processo aprendizagem – a motivação. Inúmeros são os fatores que interferem na aprendizagem. 5. Não vamos entretanto nos ater a isso. muitas vezes é preciso repetir várias vezes. ou seja. O processo de aprendizagem é desencadeado por um motivo que pode ser a necessidade.1.org 60 . Fatores culturais. Faz-se necessário então que o professor crie uma situação em que surja o interesse. ou ego.. estado geral de saúde como também iluminação e adequação do espaço físico. Consideremos a aprendizagem como uma mudança estável e intencional de comportamento e para que isso ocorra. Julgamos que sim. Poderíamos tecer várias considerações sobre cada um desses fatores e a forma como influenciam o ser humano em seu processo de aprendizagem. Sabemos que certos condicionamentos externos. ou. métodos. Helder Filho . faz-se necessário desencadear o processo através de um impulso externo – a incentivação. a agradabilidade.2.Emília Tavares/UFPEL Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Fatores sociais como as oportunidades de interações como as outras que podem ser do mesmo nível ou de nível diferente e que promovem e desenvolvem o espírito de cooperação.Profª M. JOGOS DIDÁTICOS: SEU USO E IMPORTÂNCIA NA APRENDIZAGEM15 Introdução 5.helder@accessueducacao. Nossa pergunta é: basta isso para que haja aprendizagem? Essa modificação interna. com um impasse: nossos alunos não têm interesse naquilo que pretendemos lhes ensinar. ou personalidade. em outras palavras – naquilo que achamos que eles deveriam aprender. Renomados estudiosos. Fatores que poderíamos classificar de pessoais. Geralmente o que vai acontecer: procura-se o agradável e por ele chegamos ao útil ou necessário. considerando que se trata de “trabalhar”.5. sob diversos aspectos e com experiências variadas uma determinada ação para que ela seja aprendida. a utilidade. no desenvolvimento de nossa atividade didática. “estudar”. As legítimas motivações para a aprendizagem são raras. Entendemos que ao se falar em um se fala em outro. Poderíamos particularizar focalizando o processo ensino aprendizagem na nossa área – Matemática.

helder@accessueducacao. “A Matemática tem significado diferente para pessoas diferentes. Mas isso não é tudo. o estímulo adequado. • Pela utilização de meios audio-visuais. Basta se ter observado – em grande escala o fenômeno que acontece nos jogos olímpicos.favoráveis e não são apenas materiais. com qualquer grupo de alunos e qualquer professor. A criança e o jovem e porque não dizer também o adulto – precisa sentir naquilo que fez uma auto-realização. mobilizando de crianças a velhos. • Pela construção de modelos. Isso é fundamental: que tenhamos sempre presente que o “dar certo” para um grupo de alunos num dado momento não significa uma “fórmula de dar certo” em qualquer momento. Essa incentivação visando orientar o interesse do aluno pela Matemática como objetivo de estudo e trabalho tem formas variadas – já o dissemos – de ser obtida. É ele que a partir do conhecimento da sua turma de alunos vai promover no momento exato. e demonstra.3. Helder Filho . sociais e psicológicas.porque a atividade lúdica é intrínseca ao próprio ser humano. dentre esses vários aspectos focalizar um em especial: 5. • Pela importância de valores históricos. o entusiasmo que tem. Somos de opinião que essa receita não exista. o “amor” que ele sente pelos seus alunos e por eles é percebido. . sabemos. O fazemos. • Pelos livros e revistas de divulgação da Matemática.” O despertar desse gosto pela Matemática depende em grande parte do professor. pela Matemática. murais. O Jogo Didático Porque o fazemos? Não é porque o consideremos a mais eficiente forma de despertar a motivação – já expusemos nossas idéias sobre o que é “mais eficiente”. • Pela seleção adequada de problemas. Queremos nessa oportunidade. mas especialmente pessoais. • Pela aplicação às demais ciências.org 61 . Não temos “receita” para esse despertar do querer aprender. aparelhagens. Não é também porque essa atividade apenas possa ser utilizada como elemento propulsor da força motivadora. ou – em menor escala – o que acontece a volta de uma “pelada de rua” ou de um “volei familiar”. Mas ainda achamos que acima de tudo o professor é um dos fatores mais preponderantes nesse processo motivador – sua personalidade. sabendo que é ela a força impulsionadora de toda a aprendizagem. • Pelas atividades lúdicas. independente de qualquer tipo de sectarismo. Acreditamos que o professor de Matemática deve estar preocupado em alcançar um despertar a motivação em seus alunos. especialmente dos que trabalham com 2º grau e alegam ou que “os Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. como por exemplo: • Pela correlação com o real. digamos assim – um prazer pessoal e isso fará com que se sinta livre e responsável por sua realização. • Pelos clubes de matemática. mas também é resultante dos recursos que ele emprega no ensino. gráficos. • Pelas atividades recreativas. isso sim.porque é uma atividade ainda pouco utilizada em sala de aula e que ainda não conseguiu impor o seu espaço como elemento propulsor no processo ensino-aprendizagem – porque é uma atividade que ainda não ganhou a confiança de muitos professores.

Um jogo realizado com êxito numa turma pode redundar em verdadeiro fracasso quando aplicado noutra turma. com satisfação. grau de sociabilidade. tipos e objetivos. Cabe ao professor portanto escolher com cuidado o jogo mais adequado à maturidade da turma.Com material permanente – aquele em que o professor utiliza o material já fabricado especialmente para a finalidade. a) Alguns dos objetivos do jogo didático na sala de aula: • Incutir no aluno o espírito de disciplina através do cumprimento e/ou elaboração das regras do jogo. na verdade nem nos preocupamos com ela em demasia. b) Escolha e/ou criação do jogo: A escolha ou elaboração do jogo a ser aplicado deve merecer a maior atenção do professor a fim de que se verifique a adequação entre o jogo e a turma para o qual é destinado. Por tudo isso. • Educar para competir.org 62 . • Reavivar a simpatia pelo professor e pela disciplina. e porque durante o tempo em que trabalhamos com “Prática de Ensino de Matemática” tivemos a oportunidade de com os nossos estagiários elaborar e aplicar vários tipos de jogos didáticos e ouvir. destacamos o jogo didático. “vou ter que fazer outro”. jogos de armar. foi o conteúdo que eles mais gostaram e se saíram melhor”. . noutra época.helder@accessueducacao. d) Planejamento e execução do Jogo Como qualquer outra atividade didática o jogo didático a ser praticado em aula deve ser cuidadosamente planejado. • Desenvolver a lealdade – mesmo que inicialmente isso se faça por “fiscalização”. material por ele preparado previamente. “não pensei que eles iam se entusiasmar e trabalhar tão bem!” A seguir vamos analisar o jogo didático quanto as finalidades. tamanho da sala. • Se o jogo será individual. Não somos rígidos quanto a esse tipo de classificação. • Educar a atenção. . • Se o jogo será com competição ou sem competição. só então a resistências vencidas – comentários do tipo “como eles gostaram!”. • Se o jogo será simples ou vai exigir material. Helder Filho . ou que se sentem constrangidos de fazer joguinhos. após o vivenciar da experiência e muitas vezes. • Cultivar o espírito de solidariedade.alunos não gostam (só que nunca vivenciaram!) pois são grandes para brincar” ou que não “dá tempo”. número de alunos. “bah!. pelo próprio entusiasmo com que os participantes se congregam. • Combater certos complexos. de grupo ou coletivo. material e tempo disponível. c) Classificação quanto ao material: De acordo com o material empregado o jogo pode ser considerado: . Nesse planejamento deve o professor atender ao seguinte: • A finalidade específica do jogo.Simples – aquele em que o professor só utiliza material de uso em sala de aula. Em outras palavras é a aplicação desse ou daquele jogo não é inteiramente arbitrário.Com material improvisado – aquele em que o professor distribui entre os participantes. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. como dominó.

helder@accessueducacao. Antes de iniciar o jogo deverá o professor explicar.O tempo a ser empregado no jogo. o maior cuidado do professor é evitar e suprimir a fraude. e) Avaliação: Após a aplicação de um jogo didático o professor deve fazer uma avaliação. Nos jogos escritos. Quando o professor surpreender um aluno em atitude irregular deverá adverti-lo com serenidade. 2) Sobre a contagem de pontos. mas sim que é possível de novas aplicações desde que em condições equivalentes e/ou com adaptações convenientes.org 63 . Lembramo-nos de que “o jogo deve ser uma forma de levar o aluno a querer tudo o que faz e não a fazer tudo o que quer”. Helder Filho . assinalando se as finalidades foram alcançadas. Como será apresentado o jogo. mas com bastante energia. analisando se as finalidades foram alcançadas. as regras que devem presidir a atividade lúdica. Não havendo esse cuidado o jogo deixará de ter função educativa. Enfim o professor tem um jogo testado – o que não significa que deva ser aplicado “cegamente” em nova oportunidade. f) Sugestão de roteiro do jogo didático I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome do Jogo: Curso: Disciplina: Série: Nº de alunos: Duração: Aplicador (a): II – OBJETIVOS III – CONTEÚDOS IV – MATERIAL UTILIZADO V – DESENVOLVIMENTO VI – AVALIAÇÃO VII – OBSERVAÇÕES • • • • Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Tratando-se do jogo com competição é indispensável que o professor esclareça a turma: 1) Sobre o número de partidas. A designação que será dada no jogo. em termos bem claros. Como será feito a motivação. assinalando os pontos que podem ser aperfeiçoados ou que devem ser mudados.

Mas. Matemática ou Ciências. extremamente pertinentes e significativas em relação a essência e objetivos do texto. quantas duplas. dessa forma. duas ou três sentenças sobre o assunto escolhido. dessa forma. mas fora processo o inte16 http://www.6. COMO MINISTRAR CONTEÚDOS COM UM JOGO DE PALAVRAS16 Introdução 6. E tudo isso apenas com a coragem em se substituir uma tradicional exposição por um envolvente e motivador Jogo de Palavras. uma. mas construindo-o interiormente em um processo de assimilação. ao levar o aluno não a conquistar um conhecimento interiorizando-o de fora para dentro. Será possível com esse trabalho alcançar não apenas as disciplinas acima relacionadas como outra qualquer. similar que afirmar “É construção coisa não que de.org 64 . Com tantas cópias desse material.com.helder@accessueducacao.br/pt/projetos. conquistar a certeza de que sua apresentação não suscitará indisciplina. fragmentá-las separando cada uma das palavras e escrevendo cada palavra em um pequeno quadrado de papel. a ela outras conquistas positivas se agregará. poderá esse trabalho. Após a seleção dessas questões. basta entregá-la aos alunos destacando que sua tarefa. devidamente adaptado. Existe a possibilidade de se ministrar um tema de História ou Geografia. conquistada através de uma leitura ou de outro processo de informação. por falar estimular as estruturas mentais do pensar. Algo. emprestando-lhe sentido lógico. será possível trabalhar-se simultaneamente o texto e contexto. trios ou quartetos e. posteriormente avaliado. Mais fácil é quadricularse uma folha antes. organizando os alunos em duplas. com critério e acuidade. Esse emaranhado de palavras. à imagem de quem monta quebra-cabeças. por exemplo. será tentar ordenar as frases. No desempenho desse trabalho o professor poderá estar se aproximando dos sonhos de Piaget. ainda de quebra. específico para cada um. dessa forma. desenvolvendo do raciocínio lógico e levando os alunos a uma aprendizagem significativa e exploração de habilidades operatórias mais amplas que as provocadas por simples explanação. trios ou grupos se contam em classe.celsoantunes. como fazê-lo? Em primeiro lugar garantindo que os alunos tenham “alguma idéia” sobre o tema. escrever as palavras em cada dos quadrados e somente depois cortála. ser executado em qualquer série ou nível de escolaridade e. Helder Filho .php Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.1. bem mais que apenas uma compreensão literal do que se expõe. fazendo-os falar e. por último organizando. que se ministrado através de aula expositiva? É possível na regência dessa aula. tornando o apreendido compatível com as estruturas mentais do apreendente e. garantir igual ou maior compreensão e lucidez por parte dos alunos. Em segundo lugar. amontoadas ao acaso e unidas fora de ordem compõe o recurso material do “jogo de palavras”. desinteresse e apatia? Pode esse tema garantir ao professor menos dispêndio de energia que o imposto por aula tradicional? A resposta a essa pergunta é afirmativa e. Língua Inglesa ou Portuguesa sem ficar à frente da classe expondo e. impondo a monotonia e o cansaço? Pode esse tema.

2. os alunos encontrariam motivação por ver substituída sua postura passiva de ouvinte por ação solidária de jogador. trocar idéias. portanto. levando a seus alunos jogo desafiador e atraente.rativo de um conhecimento vem do interior” e que ordenado expressaria “O conhecimento não é uma coisa que vem de fora. dedução e contextualização. Exemplo Questão 1 – A soma de quatro mais sete é onze / Extraindo-se seis de onze o resultado é quatro. envolvimento e participação dos alunos. Essas questões devem estar agrupadas duas a duas. Com dez a quinze questões duplas como demonstrado no exemplo e naturalmente dentro do assunto marcado para a atividade.helder@accessueducacao. a freqüência de uso constante acaba desgastando-o Para essa interessante atividade. o professor economizaria energia. mas a eles se compõe modificando-o. mas processo interativo de construção interior”. o professor possui o material necessário ao Autódromo. Ao invés de se colocarem de forma passiva diante de um texto. por ajuda interativa e. pois estaria substituindo tradicional discurso. alternando-o com outros jogos operatórios e aulas expositivas diversas. 6. Como é fácil perceber. que cada grupo prepare em meia folha de papel. o professor organiza uma listagem de questões sobre o assunto trabalhado. Solicita. usando habilidades que envolveriam análise e síntese. os alunos necessitam estar agrupados em equipes e cada equipe deve abrigar um mínimo de quatro e. interesse. com Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Embora cause motivação. um máximo de sete componentes. e como cada questão pode ser verdadeira (V) ou falsa (F) as duas juntas permitem quatro respostas possíveis: VV – As duas questões são verdadeiras VF – A primeira questão é verdadeira e a segunda falsa FF – As duas questões são falsas FV – A primeira questão é falsa e a segunda verdadeira. ao qual buscariam uma estrutura lógica. comparação e classificação. colocou em ação mecanismos de uso dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo e. mas deve ser aplicado uma vez ou outra. não se desviariam da tarefa e. Nessa atividade o professor transformou texto em contexto. a resposta correta a essa questão é VF. estariam interessados e disciplinados. através do mesmo ensinou que o novo conhecimento não se sobrepõe aos conhecimentos anteriores. Com as equipes constituídas o professor explica o(s) tema(s) ou conteúdos que serão cobrados durante o Autódromo. como no exemplo abaixo. Como ministrar conteúdos com o autódromo? O Autódromo é um jogo operatório dos mais interessantes. buscar esquemas de solução e por essas vias pensar. Com a classe dividida em equipes e os componentes de cada equipe sentados próximos uns aos outros. estariam exercitando esquemas de assimilação em atividade pura diante do objeto da aprendizagem. Cada equipe deve ter um nome escolhido livremente pelos alunos. mas a segunda é falsa (Extraindo-se seis de onze o resultado é cinco e não quatro). simbolizado pelo texto fragmentado. pois a primeira (4 + 7 = 11) é verdadeira. motivados.org 65 . Ao se envolverem no desafio que essa atividade abriga. a seguir. Helder Filho . essa aula. levaria o aluno a falar.

entretanto. Procederá da mesma forma nas demais equipes e caso uma delas tenha menos alunos um mesmo ficará com duas letras. ficaria assim: Equipes 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Verde Amarela Azul Vermelha Branca Laranja Roxo Com a “pista” do Autódromo desenhada na lousa.helder@accessueducacao. Assim um aluno será o “A” ou outro “B” e assim por diante. concede as equipe um espaço de tempo de dez a quinze segundos para optarem por uma das quatro respostas possíveis e após esse tempo. quatro papeletas diferentes. É.org 66 . Por exemplo: A equipe Verde possui seis alunos e dessa forma um aluno será o “A”. Antes de iniciá-lo. O professor anota essa resposta na lousa. escreve o nome das equipes um abaixo do outro como demonstra o exemplo e ao alto. A seguir o professor chama cada uma das equipes e o aluno exibe a papeleta com a qual acredita ser a resposta correta. portanto. estão prontos os recursos essenciais a aplicação do Autódromo. a letra “C” e os alunos de todas as equipes que tiverem essa letra deverão ficar imediatamente de pé. o terceiro “C” e o quarto “D”. então. o professor passará em cada equipe iniciando pela que mais alunos tiver e atribuirá aleatoriamente a cada um deles uma letra do alfabeto. onde aparecem com letras graúdas as alternativas possíveis de respostas (VV – VF – FF – FV). o outro o “B” até o último que será o “F”. anuncia a resposta correta. Vamos supor que apenas as equipe AMARELA e BRANCA acertaram. cada grupo com suas quatro papeletas e o professor com a relação das questões. hora de começar o Autódromo. portanto. Em seguida. A lousa ficará assim: Equipes 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Verde Amarela X Azul Vermelha Branca X Laranja Roxo Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. na vertical. Helder Filho .giz colorido. O professor lê a primeira questão dupla. Chama a seguir uma letra. A lousa. Dirigindo-se a equipe Amarela e percebendo que na mesma existem apenas quatro alunos. dá um sinal avisando que o prazo terminou. por exemplo. Agindo dessa forma cada equipe contará com representantes para todas as letras atribuídas. Organiza a lousa para o Autódromo e. marco no espaço da lousa os grupos que acertaram e passam a fazer juz a cem pontos. um deles será o “A” e “F”. a sucessão de pontos que o desempenho das equipes possibilitará alcançar. com uma das quatro papeletas escolhidas voltadas contra o peito. o outro “B” e “E”. sem anunciá-la como “certa” ou como “errada” e após a manifestação do último grupo.

Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone? O Jogo do telefone é outro Jogo Operatório dos mais interessantes e que possui a propriedade de despertar envolvimento. abordando o assunto escolhido para a atividade. o professor poderá ir progressivamente apresentando outros com dificuldades crescentes. entre uma Rocha Sedimentar e uma Rocha Metamórfica e inúmeros outros. O sucesso do Autódromo depende sempre da qualidade das questões organizadas. Cabral e Pero Vaz de Caminha.Registrado o desempenho das equipes.. Portanto você deve estudar desde as Grandes Navegações dos Séculos XV e XVI e passar pelo Descobrimento do Brasil e a organização das Capitânias Hereditárias. por exemplo. tal como os jogos operatórios anteriores. deve ser desenvolvido uma vez ou outra. criatividade e plena participação dos alunos. criar-se diálogos telefônicos imaginários entre.. entre uma Monocotiledônea e uma Dicotiledônea.. necessita que os alunos estejam organizados em diferentes equipes. Ricardo: – Puxa! É bastante matéria e creio que estou um pouco perdido em relação às Grandes Navegações. E evidente que a resposta de um grupo jamais será idêntica a de outro. Veja o exemplo. empenho. personagens históricos ou não humanos podem compor a dupla do diálogo e. organizados em grupos. interesse e sobretudo aprendizagem. Uma relação de questões apenas memorativa em nada contribui para a aprendizagem dos alunos. evitando o desgaste inevitável de uma repetitividade constante. mas podem revelar qualidade se no trabalho existir coerência e envolvimento lógico. criatividade. Ricardo. tem a ver com as Capitanias Hereditárias. mas o professor que prepara questões intrigantes e desafiadoras. dessa forma. interesse. faz-se a segunda questão e assim sucessivamente até o final da aula. A atividade. exigindo assim estudo. basta preparar-se uma cópia para cada equipe. mas tomando por base as colocações de um dos personagens criar uma estrutura de seqüência do diálogo. A tarefa dos grupos não é a de adivinhar o texto originalmente preparado pelo professor. Tal como o Jogo de Palavras ou o Autódromo.helder@accessueducacao. obterá empenho. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. que não aconteceu no Brasil. construírem a fala do outro personagem. 6. tomando. O Jogo do Telefone exige de cada equipe pleno domínio do conteúdo marcado para a atividade e extrema criatividade e. após a realização do Jogo uma ou duas vezes. Ricardo: – Oi Juliana.. Com o tempo. Com o diálogo telefônico bem organizado. baseando nos elementos que dispõe. Helder Filho . entretanto o cuidado de apresentar a fala de apenas um dos personagens (Juliana ou Ricardo) cabendo aos alunos. O que esse tema.org 67 . Você poderia dizer o que vai cair na prova de História amanhã? Juliana: – Pois não. Como destaca o exemplo acima. A professora vai organizar questões sobre os primeiros cinqüenta anos da História do Brasil. o diálogo prossegue com cada um dos personagens apresentando umas oito a dez falas até encerrar-se a “conversa”. Para a realização dessa atividade é necessário que o professor prepare um diálogo telefônico imaginário entre duas pessoas.3.

o professor apresenta a primeira questão e oferece aos alunos um tempo para refletirem e anotar sua resposta. solicita que cada aluno apresente sua resposta ao parceiro e. Com os alunos organizados. Para que exista esse conhecimento prévio sobre o tema. enriquecida por perguntas diversas que os alunos devem buscar responder. análise. portanto. Ao organizar essas questões o professor deve evitar as de natureza essencialmente memorativas e que. Após esse sorteio todos os alunos já saberão com quem deverão jogar. O aluno deverá levar consigo uma caneta e a tira de papel com o nome do grupo que preparou logo no início da aula. o professor sinaliza para que cada aluno sente-se em qualquer lugar da classe. Um aluno de cada grupo deverá recolher o pedaço de papel em que consta o nome de cada participante. Por exemplo: evitar questões do tipo “Nome da capital do Estado do Pará”. Essas questões necessitam ser “fechadas” isto é. o professor inicia o Cochicho formulando questões relativas ao tema estudado. Dispondo de uma lista de questões reflexivas e envolventes sobre o tema marcado pelo Cochicho.helder@accessueducacao. em seguida. desde que ao lado do colega de outra equipe que forma a dupla – ou eventualmente – o trio sorteado. deverá ser dividida em outras duas. preferindo outras como “nome de uma cidade. Como ministrar conteúdos com o cochicho? O cochicho é um jogo operatório vibrante que envolve e emociona os alunos.6. se anotará ao alto o nome do grupo. pesquisa bibliográfica ou apresentar uma síntese. solicita-se que cada aluno disponha de uma tira de papel com aproximadamente vinte centímetros de altura e quatro de largura. Embora realizado pelos alunos organizados em grupo permite identificar o desempenho individual de cada aluno. Essa tira de papel. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Com o tema ou conteúdo escolar definido e os alunos organizados em grupos marca-se a aula em que se aplicará o Cochicho. Iniciada a atividade.4. Com a tira de papel restante.org 68 . O professor irá retirando um por um os papéis sobre sua mesa e anunciando a formação de duplas entre aluno de uma equipe contra aluno de outro até esgotar-se o último papel. Após esses lapsos de tempo. Helder Filho . Após esse anúncio em cada dupla de alunos assiste três posições possíveis: zero a zero (os dois erraram). trazer à mesa do professor. capital de um Estado que se destaca por importante atividade mineral. Caso a quantidade de alunos em sala seja um número impar. a primeira formando um pequeno quadrado de quatro por quatro centímetros onde cada aluno deverá anotar seu nome e no verso o nome da equipe a que pertence. o professor pode solicitar uma leitura. um a zero (um dos dois acertou e o outro não) e um a um (os dois acertaram). não explorem a reflexão. anuncia a resposta correta. isto é o nome do colega de outra equipe com a qual irão se defrontar. Vale-se da organização dos alunos em grupos ou equipes de quatro a sete componentes e para seu desenvolvimento é essencial que o professor trabalhe um tema do qual os alunos tenham algum conhecimento. Nessa oportunidade. os três últimos formarão um trio. situada na Região Norte. agroindústria e pecuária e que no passado se identificava como grande produtor de castanha e borracha”. verdadeiro/falso ou de múltiplas alternativas ou ainda apresentarem resposta que sejam expressas por poucas palavras. e se presta ao desenvolvimento de qualquer conteúdo curricular para qualquer série ou ciclo de estudos. dedução e conclusão. amontoá-los deixando separado de outros montes com nomes de alunos de outras equipes. como explicado acima.

tem início a primeira etapa do Arquipélago: Primeira etapa. ajudando os alunos no esclarecimento de suas dificuldades. tal como “ilhas” de um conjunto. O professor autoriza nova e breve consulta sobre o texto e após a mesma formula uma questão geral que cada grupo deverá responder por escrito. o professor afere a contagem final. São atribuídos pontos (50. como VV. Ainda que se preste para inúmeras outras formas de utilização seu uso principal visa a análise. 6. Segunda etapa. possibilitando “respostas fechadas”. até o limite de tempo possível. Como ministrar conteúdos com o arquipélago? O Arquipélago é outro jogo operatório muito interessante a atraente e se organizado com questões reflexivas.helder@accessueducacao. Previamente os alunos deverão ser informados sobre o texto que deverão analisar. Enquanto essa leitura é feita. explorando diversas habilidades operatórias.O Cochicho prossegue com a formulação de outra e depois mais outra questão. FF ou FV ou ainda outras. Com os alunos reunidos o professor dá início ao Arquipélago solicitando que individualmente façam uma atenta leitura sobre o texto. Caso a quantidade de alunos por equipe não seja uniforme. O professor escolhe um aluno de cada grupo que deverá sentar em outro grupo que não o seu. Cerca de dez minutos antes de encerrar a aula.org 69 . O uso ou não dos pontos conquistados no Cochicho como atributo de uma média do aluno é possível caso o professor assim pretenda e será explicado em outro capítulo deste trabalho. dividindo-se o total de respostas corretas pelos alunos que participaram do Cochicho.5. O professor aguarda esse retorno e anuncia as respostas certas que deverá ser corrigida pelo grupo que acolheu esse aluno visitante. registra o quadro com a classificação das equipes. Após anotar as respostas os alunos que representam seu grupo devem retornar ao mesmo. organizados em equipes. VF. solicita que anotem no papel o nome de seu grupo e a seguir propõe quatro a seis questões sobre o texto. Informa o valor dessa questão (por exemplo. Helder Filho . ajuda a construção do conhecimento e domínio de conteúdos. O nome “Arquipélago” deriva do fato dos alunos na maior parte do tempo sentarem-se juntos. levantando o braço no caso de dúvidas. após a correção. levando um pedaço de papel e uma caneta. isto é. 100 ou 150 para cada resposta certa) sendo facultado ao professor “descontar ou não pontos” pelas respostas erradas. Parece importante destacar que o sucesso de um Cochicho depende menos da forma com é a atividade organizada pelo professor e bem mais da qualidade reflexiva das questões organizadas. Estas devem visar sempre uma aprendizagem efetivamente significativa. deixando na equipe que os recebeu o papel com suas respostas. o professor percorre os diferentes grupos. A equipe que acolheu o aluno. Com os alunos acomodados. sendo desejável leituras e discussões prévias sobre o mesmo. 400 pontos) e os mesmos serão divididos entre as equipes que Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Concluída essa releitura prévia. interpretação e assimilação de um texto de qualquer disciplina em qualquer nível de escolaridade. O desenvolvimento do Arquipélago organiza-se através de quatro etapas. deve extrair a média de acertos de cada equipe. Ao final da aula. destacando as que mais pontos fizeram. quantos pontos – acertos – foi realizado pelo conjunto de alunos de cada equipe. informa o resultado que deve ser registrado pelo professor na lousa ou em seu diário de classe.

Quarta etapa. de uma única etapa do Arquipélago. Com esse resultado o “placar” vai se alterando e as equipe vão ou não acumulando mais pontos. através de análises e interpretações de texto. Alternando participações individuais (na primeira e na terceira etapa) com decisões consensuais (na segunda e a na quarta etapa) a atividade é extremamente dinâmica e envolvente. por exemplo. Nas primeiras oportunidades em que essa estratégia é aplicada é essencial que o texto seja bastante simples assim como as perguntas formuladas pelo professor com respeito a sua interpretação. cada uma delas acrescentará 200 pontos ao saldo acumulado pela participação do aluno representante na primeira etapa. o HiperArquipélago. formula uma questão à Amarela. se duas equipes acertaram a resposta apresentada. mas a sucessão de atividades permite que progressivamente seja aumentada a complexidade do texto e das questões desafiadoras propostas. Terceira etapa. Carteiras enfileiradas. todos eles. pois constitui em ocupar durante todo o tempo de uma aula. A derradeira etapa do Arquipélago é similar à segunda ou então se caracteriza pela abertura para que uma equipe formule uma questão a outra. Assim a equipe Verde. os pontos que auferem são computados globalmente para o grupo.org 70 . Procure conceber o Hiper-Arquipélago. A terceira etapa é semelhante à primeira. a primeira etapa caracteriza-se pela participação de um único aluno que. representar sua equipe. Concluída a quarta etapa encerra-se o Arquipélago com o devido registro dos pontos acumulados pelas equipes. imaginando a seguinte situação. respondia questões formuladas pelo professor. destacando a(s) equipe(s) que revela(m) maior capacidade de compreensão do texto. Helder Filho . com cada aluno e sua carteira. enquanto que no Hiper-Arquipélago os alunos. Pois bem. D. individualmente. Ocorre. representando sua equipe.6. E Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. B. Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago? O Hiper-Arquipélago é um jogo operatório extremamente simples e seu nome deriva da estratégia anteriormente exposta. Após essa etapa ainda uma vez o “placar” vai sendo progressivamente alterado. uma atrás das outras.acertaram. respondendo individualmente e por escrito as questões formuladas pelo seu professor. Como foi explicada no “Arquipélago”. o Hiper-Arquipélago assemelha-se a uma prova tradicional. C. entretanto. respondem para sua equipe e desta for. A frente da classe. mas desta vez cabe a equipe o direito de escolha de seu representante.helder@accessueducacao. Este se dirige a outra equipe. respondendo individualmente as questões formuladas pelo professor e ao fazê-lo. de maneira que todas possam dispor da mesma possibilidade de respostas. o professor com uma listagem de questões significativas que propõe respostas simples (por exemplo: A. Assim. 6. mas o nome de seu grupo. levando papel e caneta. Em cada carteira um aluno com uma tira de papel que leva ao alto não seu nome. para responder as questões formuladas pelo professor. Nesse sentido. a equipe Amarela à equipe Azul e assim por diante. altamente motivadora e permite significativo exercício de aprendizagem significativa. como arrumadas para uma prova convencional. que em uma prova convencional o aluno responde as questões em seu nome pessoal e os acertos que conquista representam pontuação própria. tal como na primeira etapa do Arquipélago ou na última etapa do Painel Integrado é constituído pelo envolvimento dos alunos.

uma fórmula ou mesmo um conceito apresentado de forma sintética) e que formulará aos alunos. ajudando outros em seu preparo para trabalhar esta ou aquela atividade. sua média será sete (uma vez que 42 dividido por seis. traz à frente e o professor passa as questões de um grupo para outro responder. de tal forma que todos os alunos recebam a folha com as respostas. Ou ainda questões que proponham o resultado de uma operação matemática. sem possibilidade de identificar o colega que respondeu uma vez que essa folha traz apenas nome dos grupos.7. FVF. Concluída essa providência. “nem todos são craques”.org 71 . preparadas pelo professor. corresponde a média sete). mesmo pelos que eventualmente optem por não trabalhar com grupos. Soma esses acertos e registra na lousa. FFF. Como ministrar conteúdos com o torneio? O Torneio é uma atividade pedagógica que simula um campeonato esportivo onde todas as equipes se enfrentam. para o mundo do trabalho cooperativo que. atingindo este hoje pode alcançar outro amanhã. um aluno de cada equipe recolhe as de seu grupo.helder@accessueducacao. mas como uma proposta de educação solidária que deve ser assumida pela maior parte dos professores. mas até mesmo para a vida social. Helder Filho . mas que a solidariedade se constrói com uma construção laboriosa e recíproca. Como é provável que existam equipes com mais ou com menos alunos é sempre importante calcular-se a média dos acertos e. por exemplo. apresenta as respostas corretas para a devida correção. Esse tema pode ou não ter sido antes explicado e em caso positivo o Torneio seria uma oportunidade de se proceder a revisão do conteúdo efetivamente apreendido. com cinco representantes. É interessante mostrar aos alunos que em uma equipe esportiva. 6. Como acima se disse um trabalho dessa natureza não prepara os alunos apenas para as contingências de se aceitar o outro em atividades escolares. solicita aos alunos de uma equipe – que estão corrigindo questões de outras equipes – que fiquem de pé e informem quantos acertos existem nas folhas corrigidas. É importante destacar que atividades que individualizam a participação dos alunos ocasionam inevitáveis ressentimentos dos que obtendo maior número de acertos. dessa forma. Em outra circunstância. É por esse motivo que todo trabalho em grupo necessita que o educador faça um paciente e persistente trabalho com os alunos. FVV. Após essas respostas. FFV. VFF. com alguns alunos mais capazes. nesse caso autenticando-as com uma rubrica. igual a da equipe Azul que obteve 35 acertos. É por essa razão que esse trabalho não pode ser refletido como “um ou outro eventual conselho”. Apresentadas as questões. descobrem que a pontuação da equipe ficou reduzida pelo insucesso de alguns. se a equipe Amarela. Nessa oportunidade o professor solicita aos alunos que verifiquem se existem questões rasuradas. VFV. o professor pode marcar um conteúdo Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. totalizou 42 acertos como seis representantes. para evitar que a rasura possa ser provocada pelo aluno que corrige e que demonstre interesse em prejudicar a equipe concorrente. VVF. por exemplo.como em um teste de múltipla escolha. mostrando a importância de uma ação solidária e a necessidade de aceitar-se em uma coletividade a desigualdade na produção que. sobre um tema específico. responde questões significativas. Estabelecida a posição dos grupos e o empenho dos alunos está concluído o Hiper-Arquipélago. por certo necessitarão vivenciar. chamando a seguir outra equipe até que obtenha a pontuação de todas as equipes. VVV.

se assim julgar válido. 3º colocado = 500 pontos e assim por diante). Anotados os resultados da primeira rodada. está agindo de forma tão correta quanto outro colega que opta por fazer dos jogos operatórios uma forma de se obter notas mais elevadas. Caso pretenda desenvolver jogos operatórios sem lhes atribuir valor que se transformem em notas. Cabe ao professor estabelecer se a construção das mesmas será ou não realizadas com consultas e a forma como serão apresentadas. a Equipe Verde conquistou cinco pontos e a equipe Azul conquistou 3). uma vez que deverá ser sempre meio para se aferir a Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.8. seis ou mais questões fechadas sobre o assunto marcado e dando um tempo para que as equipes apresentem suas respostas. inicia-se a segunda e assim por diante até a rodada final.org 72 . confere-as e apresenta o resultado. o professor informa. a se formular sobre o título deste capítulo é sem dúvida. Optando-se por essa forma. (Por exemplo: Na primeira rodada a equipe Verde acertou 5 das sete questões e portanto venceu a equipe Azul que acertou 3 das sete questões – 5 a 3 – e nesse caso a equipe Verde conquistou três pontos por sua vitória e a equipe Azul nenhum ou. Helder Filho . estudando individualmente e reunindo-se em grupos para avaliarem-se. indicar diferentes fontes de pesquisa. Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? A primeira e mais importante questão. Essa questão constitui decisão específica do professor. o professor antes da realização do Torneio deve abrir um espaço para o devido esclarecimento de dúvidas e somente após a certeza de terem sido todas efetivamente superadas é que deve dar início a atividade. solicita a um membro de cada equipe que traga à frente as anotações das respostas. A avaliação da aprendizagem escolar não pode se implantar por novas rígidas. Após a divulgação da tabela. por que transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? Não existe a possibilidade de uma resposta única.a ser estudado. Da mesma maneira como em um campeonato esportivo. Para que o Torneio se concretize é essencial a existência de uma “tabela” como a que abaixo sugerimos. supondo a existência de seis equipes em uma classe. cinco. tem inicio o torneio com o professor formulando quatro. com a classificação definitiva. propor o desafio de algumas perguntas sobre esse tema e sugerir que os alunos se preparem. caso o professor prefira.helder@accessueducacao. pode atribuir três pontos para a equipe que venceu seu adversário e um ponto em caso de empate ou ainda considerar como pontuação da equipe o total de acertos. Esgotado o tempo previsto. 2º colocado = 600 pontos. Modelo de uma tabela para o Torneio 1ª Rodada 2ª Rodada 3ª Rodada Verde Laranja Verde Azul Verde Amarela Azul Branca Azul Vermelha Amarela Laranja Vermelha Laranja Amarela Branca Branca Vermelha 4ª Rodada 5ª Rodada Verde Branca Azul Amarela Amarela Vermelha Branca Laranja Laranja Azul Vermelha Verde 6. Com essas providências tomadas. a pontuação que cada equipe receberá por seu desempenho (Por exemplo: 1º colocado = 700 pontos.

100 6. cada aluno de cada equipe. Fica a critério de o professor descontar ou não do aluno que não tenha participado de um ou de outro jogo. Por exemplo: Durante um bimestre.800 10. julgue que o desempenho dos alunos nos Jogos Operatórios desenvolvidos resultou de um esforço construtivo e deseje expressar a diferença entre os que mais e que menos se esforçaram.0. entretanto.400 Verde 600 500 600 1. O verdadeiro compromisso do professor é com a aprendizagem significativa e a nota que atribui apenas um elemento que expressa essa aprendizagem. A nota vale apenas como uma referência para que o aluno saiba seu desempenho. chegando a uma classificação. nessa circunstância merece receber a mais alta nota (que pode ser 10.1 Vermelha 1. dessa forma. atribui pontos sem.org 73 . Considerando que pontos equivalem a 10. (Um) Portanto: Equipe Pontuação Nota 1. estabelecer uma relação direta entre cada atividade e o desempenho revelado. um Arquipélago. um Autódromo e um Cochicho.6 Laranja 1. entretanto. uma regra de três simples nos revela que cada 180 pontos conquistados por qualquer equipe deve equivaler a 1.0. jamais um critério para selecionar bons ou maus alunos.200 Vermelha 600 600 600 1.4 Azul 1. Outra forma de avaliação consiste em se somar os pontos obtidos pelos grupos nos diferentes jogos propostos. Alguns. Helder Filho .7 (pois ) Amarela 1.helder@accessueducacao.3 Branca 1. os pontos auferidos pela equipe durante sua aplicação.200 6.700 Amarela 300 400 400 1.500 Branca 600 300 600 1.400 Verde 7. apresentamos uma proposta de transformação de pontos em notas que poderá ou não ser adotada pelo professor. Caso.800 Laranja No exemplo destacado acima.0 Considerando esse exemplo. a equipe que mais pontos somou no bimestre foi a equipe Branca ( ) e.500 8. por exemplo. Portanto a transformação de pontos ganhos pelas equipes em notas constitui decisão do professor que poderá dispensá-la se acredita que os alunos estão aprendendo o que ensina de forma significativa. o professor trabalhou com a classe ministrando aulas expositivas diversas e ainda aplicou. tal como o de equipes que disputam um campeonato. Também está agindo de maneira correta quem assim procede. se tivesse participado de todos os Jogos Operatórios teriam direito a nota recebida pela equipe. combinam com a classe que o primeiro lugar em seu desempenho nos diferentes jogos pode valer um ou dois pontos na avaliação final e.efetiva aprendizagem.0). por exemplo.700 9. Totalizou os pontos e o resultado final do bimestre foi: Equipes Arquipélago Autódromo Cochicho Total 500 400 500 1. Por exemplo: A equipe Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.100 Azul 400 400 400 1.

se possível. análise do professor envolvido. da Coordenação e Direção da Escola e. dessa forma.org 74 . Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. recebendo 5.3 pontos (pois 600 180 = 3.Laranja conquistou 600 pontos no Cochicho e caso um de seus integrantes tenha faltado sem justificativa quando da aplicação do mesmo. Torna-se importante destacar que a idéia proposta por este capítulo serve apenas como uma sugestão e que. estaria perdendo 3.helder@accessueducacao.0 por sua atuação em Jogos Operatórios e não 8. atribuído pelo professor. deverá ser submetida a apreciação. dessa forma. Helder Filho .3 pontos como os recebidos por seus colegas que participaram de todas as atividades). por exemplo. Os pontos ganhos pelos alunos nos Jogos Operatórios poderiam compor uma de suas notas e esta teria o peso correspondente. do conhecimento de toda equipe discente e docente. peso sete para as provas individuais e peso três para a participação dos alunos em Jogos Operatórios. Seria assim possível o professor atribuir.3) e.

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