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Ensino de a Com

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  • A. Objetivo do módulo
  • B. Ementa do módulo
  • C. Carga horária
  • 1.1. Introdução
  • 1.2. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM)
  • 1.2.1. Algumas concepções de LEM
  • 1.2.2. A construção do LEM
  • 1.2.3. Objeções ao uso do LEM
  • 1.3. Material didático (MD)
  • 1.3.1. MD manipulável
  • 1.3.2. MD e o processo de ensino-aprendizagem
  • 1.3.3. O professor e o uso do MD
  • 1.3.4. Potencialidades do MD
  • 1.3.5. Obstáculos ao uso do MD
  • 1.4. Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM
  • 1.5. Referências bibliográficas do texto
  • Referências bibliográficas do texto
  • OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS
  • 3.1. Construindo um Dodecaedro com Canudos
  • Construindo um Dodecaedro com Canudos
  • 3.2. Lista de materiais
  • 3.3. Atividade 1: Construção de um tetraedro regular
  • Atividade 1: Construção de um tetraedro regular
  • 3.4. Atividade 2: Construção de um octaedro regular
  • 3.5. Atividade 3: Construção de um icosaedro regular
  • 3.6. Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais
  • 4. APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO13
  • 4.1. Introdução
  • 4.2. Sobre a etimologia do termo jogo
  • 4.3. Sobre o conceito de jogo
  • 4.4. Sobre a definição do jogo
  • 4.5. Origem do jogo
  • 4.6. Características do jogo
  • 4.7. Conclusões
  • 5.1. Introdução
  • 5.2. Motivação
  • 5.3. O Jogo Didático
  • 6.1. Introdução
  • 6.2. Como ministrar conteúdos com o autódromo?
  • 6.3. Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone?
  • 6.4. Como ministrar conteúdos com o cochicho?
  • 6.5. Como ministrar conteúdos com o arquipélago?
  • 6.6. Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago?
  • 6.7. Como ministrar conteúdos com o torneio?
  • 6.8. Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas?

PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DA MATEMÁTICA

ENSINO DE MATEMÁTICA COM MATERIAIS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS

DOCENTE:

JOSÉ HELDER DE MESQUITA FILHO

Fortaleza-Ceará 2008

ACCESSU EDUCAÇÃO SUPERIOR
FACULDADE ATENEU
COORDENADOR GERAL: PROF. JOSÉ WILLIAM FORTE COORDENADORAS PEDAGÓGICAS: PROF.ª LUCIDALVA BACELAR/PROF.ª SOLANGE MESQUITA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO

DISCIPLINA:

ENSINO DE MATEMÁTICA COM MATERIAIS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS

DOCENTE:

JOSÉ HELDER DE MESQUITA FILHO

Fortaleza-Ceará 2008

.

....................................................................................................................... 1...............3.... 37 Construindo um Dodecaedro com Canudos .......................5........................................................................ 12 Material didático (MD) ........................... 10 Objeções ao uso do LEM .................................................... 1. 1.......... B.................................................. 42 Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais ...................................................... 7 Ementa do módulo ......................................................................4........................... 27 Referências bibliográficas do texto .......................................... 3..........5...............helder@accessueducacao...... 3.........................................org 5 .............. Helder Filho ..... 3.....3.............. 1.................... 8 O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) .......4................ C................ 21 Obstáculos ao uso do MD ...... 4.......... Objetivo do módulo .............1...2..1.................3.... 4...2........................................... OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS ..........4......................... 3.............................. 1. 42 APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO ...................... 44 Introdução ............................................................................................................................. 1..................... 1............. 38 Lista de materiais ......................2......................................................... 36 3................................ Introdução ........................3.......................................... 3................. 49 Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof....... 1................................. 40 Atividade 2: Construção de um octaedro regular . 1. 7 Carga horária........................................................1.................................................................................................. 25 Referências bibliográficas do texto........................... 44 Sobre a etimologia do termo jogo ............................. DESENVOLVIMENTO E USO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA ................................................... 3....................Sumário A....................... 16 MD manipulável .....2............ 8 1......... 19 Potencialidades do MD .. 45 Sobre o conceito de jogo .............. 4..1.........................2.................................... 26 2........ 18 O professor e o uso do MD ................... 1.......3...........2.... 41 Atividade 3: Construção de um icosaedro regular ..................3.. 4.................................. 7 1........ 25 Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM ............................... 9 Algumas concepções de LEM ....................................... 9 A construção do LEM ......................................1......... 39 Atividade 1: Construção de um tetraedro regular .......3... LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E MATERIAIS DIDÁTICOS MANIPULÁVEIS ......................... 1....................................................3.............................2........................................6........2. 1....5..........3..............................................3.. 16 MD e o processo de ensino-aprendizagem .

.................... Introdução . 61 COMO MINISTRAR CONTEÚDOS COM UM JOGO DE PALAVRAS ............................ 6...................4.. 6... Helder Filho ..3.............. 51 Origem do jogo .......... 6...... Sobre a definição do jogo ................. 71 Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? ......................2..........................4................................6.......................................................................................................................... 6. 5............................. 4....... 68 Como ministrar conteúdos com o arquipélago? ............................................ 6.............................................1............... 60 5.........org 6 .....................5....helder@accessueducacao..................1................................................................... 4........ 6.. 72 Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.. 69 Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago? .......................... 65 Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone? .................................5........................... 55 Características do jogo ............................... 5..............................4..... 57 Conclusões ...................................7...... 6...............................2.............................3. 67 Como ministrar conteúdos com o cochicho? ............................................................ 6.............................. 6.........8.7......................................................... 64 Introdução ................ 60 O Jogo Didático .................................... 70 Como ministrar conteúdos com o torneio? .................. JOGOS DIDÁTICOS: SEU USO E IMPORTÂNCIA NA APRENDIZAGEM ...................6.............. 60 Motivação ..................................... 58 5............................ 4............................. 64 Como ministrar conteúdos com o autódromo? ..........

4. Análise de temas do ensino da matemática. Despertar o interesse pela matemática experimental como método de ensino. 2. B. como forma de incitar questionamentos e ampliar as possibilidades de reflexão e ação dos professores sobre as próprias vivências de sala de aula. Helder Filho . C. 6. A influência da concepção desse papel na prática pedagógica. 5. diante das novas necessidades de mudanças no paradigma de ensinar e aprender. Aplicar materiais didáticos manipuláveis e alternativos através da utilização de experimentos em aulas teóricas e práticas. 3. Carga horária 12 horas-aula Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Possibilitar aos alunos docentes contato com novas abordagens do conteúdo matemático e ampliar o repertório de estratégias do professor. Ementa do módulo 1. como: dificuldades básicas.org 7 . Objetivo do módulo O módulo se insere em uma perspectiva teórica que propõe discutir a metodologia do ensino da matemática. materiais didáticos alternativos. O papel do professor de Matemática na formação do pensamento científico. materiais didáticos convencionais.helder@accessueducacao. no contexto social e tecnológico. etc.A. Também.

cada educador. muito contribuíram para a divulgação do uso de material didático como apoio às aulas In O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. Nessa lista de pensadores e educadores podem constar. na mesma época. Montessori legou-nos inúmeros exemplos de materiais didáticos e atividades de ensino que valorizam a aprendizagem através dos sentidos. Comenius escreveu que o ensino deveria dar-se do concreto ao abstrato. entre muitos outros. Rio de Janeiro. 2 É licenciado em matemática pela UNESP (Rio Claro). Caleb Gattegno. Helder Filho . Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. concordaram que as experiências no mundo real constituem o caminho para a criança construir seu raciocínio. na Rússia. Locke. Dienes. Enfim. Diretoria do Ensino Secundário/ Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário/ MEC. ressaltaram a importância do apoio visual ou do visual-tátil como facilitador para a aprendizagem. mestre em educação pela UnB (Brasília). reconheceu que a ação do indivíduo sobre o objeto é básica para a aprendizagem.isto é. 3. (Coleção Formação de Professores). nomes como o de Claparède (defensor da inclusão de brincadeiras e jogos na escola) e o de Freinet (que recomendava o uso de cantinhos temáticos na sala de aula). Em termos de sala de aula. que valorizavam a ativida-de como fator básico para a aprendizagem. Pelos idos de 1900. por exemplo. visando à aprendizagem. Tamas Varga. Cerca de cem anos depois. p. Pedro Puig Adam. Jean-Louis Nicolet. entre outros. em 1680. durante a ação pedagógica.1. LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E MATERIAIS DIDÁTICOS MANIPULÁVEIS1 Introdução Sérgio Lorenzato 2 Muitos foram os educadores famosos que. Mais recentemente. também reconheceram que o ensino deveria começar pelo concreto. SP: Autores Associados. e Poincaré recomendava o uso de imagens vivas para clarear verdades matemáticas. doutor em educação pela UNICAMP (Campinas) e pós-doutor em educação matemática pela Université Laval (Canadá). Docente da Faculdade de Educação da UNICAMP. Georges Cuisenaire. Vygotsky. 2006. por volta de 1800. dizia da necessidade da experiência sensível para alcançar o conhecimento. Rousseau recomendou a experiência direta sobre os objetos. Sérgio Lorenzato (org.org 8 1 . Aurora. a seu modo. Dewey confirmava o pensamento de Comenius.e Manoel Jairo Bezerra4. por volta de 1650.) – Campinas. se lembrarmos das contribuições de Willy Servais. justificando que o conhecimento começa pelos sentidos e que só se aprende fazendo. 3 J ú l i o César de Mello e Souza (1957). Herbart defendeu que a aprendizagem começa pelo campo sensorial. Júlio César de Mello e Souza3 . esse reconhecimento evidencia o fundamental papel que o material didático pode desempenhar na aprendizagem. Técnicas e procedimentos didáticos no ensino da matemática. especialmente do tátil. por justiça. Assim.1. mesmo se restrita ao ensino da matemática. Luigi Campedelli e Zoltan P. e Bruner. 1. O material didático no ensino da matemática. ressaltando a importância da experiência direta como fator básico para construção do conhecimento. No Brasil.helder@accessueducacao. nos últimos séculos. Rio de Janeiro. Malba Tahan . Emma Castelnuovo. Essa lista de nomes de expoentes da educação que reconheceram a eficácia do material didático na aprendizagem poderia ser muito maior. enquanto Piaget deixou claro que o conhecimento se dá pela ação refletida sobre o objeto. nos Estados Unidos. Pestalozzi e Froebel. 4 Manoel Jairo Bezerra (1962).

1. um local para criação e desenvolvimento de atividades experimentais. devido à criatividade dos alunos. cada uma com uma função específica. entre outras. E por que local apropriado para trabalhar? Porque o bom desempenho de iodo profissional depende também dos ambientes e dos instrumentos disponíveis. para aqueles que possuem uma visão atualizada de educação matemática. olimpíadas. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) Nossa sociedade pressupõe e. É assim para o dentista. a prática difere pouco do planejamento. o ensino da matemática se apresenta com necessidades especiais e o LEM pode e deve prover a escola para atender essas necessidades. não faltam argumentos favoráveis para que as escolas possuam objetos e imagens a serem utilizados nas aulas.C. mediante a mecânica. Ele evidenciou isso quando escreveu a Eratóstenes. filmes. Helder Filho . nossas escolas também devem ter seus componentes. Arquimedes revelou o modo pelo qual fazia descobertas matemáticas e confirmou a importância das imagens e dos objetos no processo de construção de novos saberes. para os professores de matemática planejarem suas atividades. lembro. ensinar assuntos abstratos para alunos sentados em carteiras enfileiradas e com o professor dispondo apenas do quadro-negro. Seria injusto faltar o registro a um excepcional matemático que percebeu a influência do ver e do fazer na aprendizagem: Arquimedes. determinadas verdades matemáticas [. até mesmo. Em muitas profissões. Algumas concepções de LEM Mas o que é um LEM? Existem diferentes concepções de LEM. não é o caso do magistério. inclusive matérias-primas e instrumentos para confeccionar materiais didáticos. Porém. médico-cirurgião.de matemática.2. Ampliando essa concepção de LEM. depois. como facilitadores da aprendizagem. é um depósito/arquivo de instrumentos. Assim como nossas casas se compõem de partes essenciais. compreendo”.. Justamente por isso. Desse modo. 1967).] as quais eu pude demonstrar. se vejo. muitos de nós aprendemos (e ensinamos?) a fazer contas desse modo. porteiro. e um deles deve ser o Laboratório de Ensino de Matemática (LEM). esqueço. ator. decorre uma inescapável necessidade de as escolas possuírem laboratórios de ensino dotados de materiais didáticos de diferentes tipos. exige que muitos profissionais tenham seus locais apropriados para desempenharem o trabalho. que diz: “se ouço. Inicialmente ele poderia ser um local para guardar materiais essenciais. avaliações. entre muitos outros. veterinário. 1. 1. pela Geometria” (apud NICOLET. inclusive de produção de materiais instru-cionais que possam facilitar o aprimoramento da prática pedagógica. alguém poderia lembrar-se de que foi. tais como: livros. especialmente daqueles que estão em sala de aula.helder@accessueducacao.2. discutirem seus projetos. exposições. ele é um local da escola reservado preferencialmente não só para aulas regulares de matemática. materiais manipuláveis. cozinheiro. se faço.. Facilitando a realização de experimentos e a prática do ensino-aprendizagem da Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. transparências. Afinal. que torna o LEM simplesmente indispensável à escola. o laboratório de ensino é uma grata alternativa metodológica porque.org 9 . e ainda é possível. Enfim. neste caso. dizendo: “é meu dever comunicar-te particularidades de certo método que poderás utilizar para descobrir. entre outros. No entanto. tornando-os acessíveis para as aulas. tendências e inovações. cabeleireiro. mais ou menos no ano 250 a. mas também para tirar dúvidas de alunos. Nessa mesma linha de pensamento está um antigo provérbio chinês. sejam elas aulas. mais do que nunca. o que é confirmado plenamente pela experiência de todos.

mesmo em condições desfavoráveis. de preferência. quais são suas características? Quais são os outros tipos de poliedros? Onde os poliedros estão presentes? Uma lista de indagações. crença porque. Conhecimento porque. também.2. Essa é uma utopia que enfraquece a concepção possível e realizável do LEM. organizar. então. crença e engenhosidade. montar e implementar o seu LEM. experimentar. é uma sala-ambiente para estruturar. é preciso conhecer matemática mas também metodologia de ensino e psicologia. planejar. O LEM pode ser um espaço especialmente dedicado à criação de situações pedagógicas desafiadoras e para auxiliar no equacionamento de situações previstas pelo professor em seu planejamento mas imprevistas na prática. não só para conceber. por meio das possíveis e Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Note. dando o nome e a definição de cada um. num canto ou num armário. darem retorno de suas descobertas. poderia ser afixada no LEM para que o professor e os alunos se ponham à procura das respostas ao longo dos dias seguintes para. planejar e fazer acontecer o pensar matemático. mesmo dispondo de um LEM. nessa concepção. tendo em vista que ninguém ensina o que não sabe. A construção do LEM É difícil para o professor construir sozinho o LEM e. questionar. enfim. mais que um depósito de materiais.. muito frequentemente. Essa participação de diferentes segmentos da escola pode garantir ao LEM uma diferenciada constituição. administradores e de alunos. tais como: Por que assim são denominados? Quem foi Platão? Quais foram suas contribuições para a matemática? Por que os poliedros de Platão são somente cinco. é exigida do professor uma boa dose de criatividade. por exemplo. e mesmo a encontrar respostas.2.helder@accessueducacao. aprender e principalmente aprender a aprender. como também para orientar seus alunos e transformá-los em estudantes e. tanto ao aluno como ao professor.org 10 . Note que aprender a procurar. é mais importante para a formação do indivíduo do que as respostas às indagações.matemática. o LEM deve ser o centro da vida matemática da escola. devido aos questionamentos dos alunos durante as aulas. todas as salas de aula e todas as suas aulas devem ser um laboratório onde se dão as aprendizagens da matemática. e engenhosidade porque. como tudo na vida. o LEM é o lugar da escola onde os professores estão empenhados em tornar a matemática mais compreensível aos alunos. mais ainda. Assim. de uma conquista de professores. o professor pode simplesmente mostrar aos alunos os cinco poliedros. em aprendizes também. convém que surjam questionamentos pelos alunos ou pelo professor. enfim. e provavelmente dois professores com concepções bem diferentes de educação e de LEM. o professor pode precisar de diferentes materiais com fácil acesso. pode tornar o trabalho altamente gratificante para o professor e a aprendizagem compreensiva e agradável para o aluno. é preciso acreditar naquilo que se deseja fazer. Helder Filho .. biblioteca ou museu de matemática. analisar e concluir. seja este numa sala. porque ela pode induzir professores a não tentarem construir o LEM num certo local da escola em que trabalham. temos dois modos diferentes de utilizar um mesmo LEM. transformar ou construir. Convém que o LEM seja consequência de uma aspiração grupai. tal como essa. diante dos poliedros de Platão. o LEM. mantê-lo. conjecturar. Enfim. Assim. é um espaço para facilitar. que. O LEM. procurar. se o professor possuir conhecimento. sala de aula. 1. possuir uma boa formação matemática e pedagógica. Nesse caso. Para muitos professores. isto é.

trigonométrico. o apelo ao tátil e visual ainda deve manter-se forte. português. Se o LEM se destina às quatro primeiras séries do ensino fundamental. então não há argumento que justifique a ausência do LEM nas instituições responsáveis pela Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. além desses materiais. o respeito às diferenças individuais. exemplos de interseção dessas áreas com a matemática. a coleta será quantitativamente maior do que esperavam. na prática de ensino e no estágio supervisionado. o LEM irá constituindo-se de acordo com as condições locais e até mesmo tornará possível uma exposição escolar dos trabalhos produzidos pelos alunos. o LEM deve possuir aqueles que poderão favorecer a percepção espacial (formas. será necessário preparar o material para apresentação do que foi coletado. os materiais devem estar fortemente centrados para apoiar o desenvolvimento delas no que se refere aos processos mentais básicos . Helder Filho . Assim. se o LEM se destina para crianças de educação infantil. entre outros. que reconheçam a necessidade de a escola possuir seu LEM. mas. à percepção da necessidade do emprego de termos ou símbolos. por exemplo) e a noção de distância. ilusões de ótica) nos campos aritmético. educação física. geografia. algébrico. mas agora também devem compor o LEM aqueles materiais que desafiam o raciocínio lógico-dedutivo (paradoxos. os quais são essenciais para a formação do conceito de número. entre outros. E o que dizer do LEM para os cursos de formação de professores? Que ele é.helder@accessueducacao. tamanhos. pois é fazendo que se aprende. é também fundamental considerar a quem ele se destina. mais que necessário para as instituições de ensino que oferecem tais cursos. educação artística. seriação. Ao LEM do ensino médio. que se empenhem na construção dele e que considerem as possibilidades da escola. o significado dos sentidos para a aprendizagem. geométrico. desafios ao raciocínio topológico ou combinatório.indispensáveis contribuições dos professores de história. principalmente se contarem com o apoio bibliográfico ou computacional. podem solicitar. os seus alunos não disponham de instrumentos para a realização da prática pedagógica. em suas aulas. à compreensão de algoritmos. posições. É inconcebível que. Certamente. em seguida. estatístico. a importância dos métodos ativos de aprendizagem. mas os materiais devem visar mais diretamente à ampliação de conceitos. dos professores das áreas mencionadas. Essa característica deve continuar presente no LEM para as séries seguintes do ensino fundamental. classificação. E também várias questões ou situaçõesproblema referentes a temas já abordados no ensino fundamental.correspondência. questões de vestibulares. inclusão e conservação -. A contribuição dos alunos para a construção da LEM é muito Importante para o processo educacional deles. para a construção do conceito de medida. comparação.org 11 . problemas de aplicação da matemática. é preciso que a escola possua professores que acreditem no LEM. para que tudo aconteça. mas que agora demandam uma análise e interpretação mais aprofundadas por parte dos alunos. os professores desses cursos realcem a necessidade da autoconstrução do saber. ciências. simplesmente. enfim. os alunos. Mas. à descoberta de propriedades. podem ser acrescidos artigos de jornais ou revistas. Orientados pelo professor responsável pelo LEM. distribuídos em grupos. se-qiienciação. aos objetivos matemáticos. Se lembrarmos que mais importante do que ter acesso aos materiais é saber utilizá-los corretamente. A respeito da construção do LEM.

pois conteúdo e seu ensino devem ser planejados e ensinados de modo simultâneo e integrado. • Livros paradidáticos. • Figuras. Lecionar numa escola que não possui LEM é uma ótima oportunidade para construí-lo com a participação dos alunos. sofre prejulgamentos. • Ilusões de ótica. a qual. o material deve estar. • Calculadoras. por sua vez. outros o rejeitam sem ter experimentado. filmes. • Jogos. 1. falácias. instrumentos ou equipamentos pode ser a base para a constituição de muitos LEM. sempre que necessário. • Transparências. e alguns o empregam mal. • Materiais didáticos industrializados. presente no estudo didatico-metodológico de cada assunto do programa de metodologia ou didática do ensino da matemática. ele possui limitações didáticas.2. • Livros sobre temas matemáticos. • Problemas interessantes. dessa Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. sofismas e paradoxos. e algumas crendices o perseguem. • Sólidos. • Registros de episódios da história da matemática. De modo geral. o LEM pode constituir-se de coleções de: • Livros didáticos. cada um adaptado ao contexto em que estiver inserido. fitas. • Computadores. • Instrumentos de medida. é facilmente constatável que muitos professores não conhecem o LEM.3.org 12 . exige que o professor se mantenha atualizado. Afinal. em razão dos seus diferentes objetivos e concepções. Vejamos algumas questões referentes a esses assuntos: 1.helder@accessueducacao. Apesar de o LEM ser uma excelente alternativa metodológica. conhecem a aplicabilidade dos materiais produzidos. uma vez construído. é inconcebível um bom curso de formação de professores de matemática sem LEM. • Materiais e instrumentos necessários à produção de materiais didáticos. Helder Filho . alunos e professor. O LEM é caro. • Materiais didáticos produzidos pelos alunos e professores. exige materiais que a escola não dá ao professor e raríssimas escolas possuem um LEM. • Questões de vestibulares. Apesar dessa diversificação. • Quebra-cabeças. • Quadros murais ou pôsteres. Objeções ao uso do LEM Na prática escolar. o custo é diminuto e todos. a lista seguinte de sugestões de materiais didáticos. Existem diversos tipos de LEM. A construção de um LEM não é objetivo para ser atingido a curto prazo.formação de professores. Assim. utilizando sucatas locais. softwares. pois é nelas que os professores devem aprender a utilizar os materiais de ensino. • Artigos de jornais e revistas. ele demanda constante complementação. • Modelos estáticos ou dinâmicos.

4. O LEM não pode ser aplicado a todos os assuntos do programa. 3. é preciso considerar a qualidade da aprendizagem. infelizmente o “fazer” é substituído pelo “ver”. usar o LEM pode ser mais difícil para parte dos professores. mas sim de situações em que os alunos efetivamente trabalham mais do que quando apenas assistem à explanação do Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. cabendo aos alunos apenas a observação. realmente. evita-se um fato comum nas escolas que recebem os materiais: muitos não são utilizados por desconhecimento de suas aplicações.helder@accessueducacao. Afinal.org 13 . em turmas de até trinta alunos. É mais difícil lecionar utilizando o LEM. o ensino demandará mais tempo que o previsto. não é um caminho para todos os momentos da prática pedagógica. todos estudando um mesmo tema. Essa frase insinua uma limitação do LEM. É nossa obrigação estar bem preparados para propiciar a aprendizagem da matemática àqueles que nos são confiados. é possível distribuí-los em subgrupos. causadas pelo LEM. Aqui cabe uma analogia: dize-me como usas o LEM e eu saberei que tipo de professor és. como todo instrumento ou meio. Além disso. influenciados pelo LEM. O LEM possibilita o “uso pelo uso”. Se a dificuldade aqui se refere ao aumento de movimentação e de motivação dos alunos e de troca de informações entre eles. Em ambos os casos. não se trata de limitação própria ao LEM. o uso do LEM. e com o professor dando atendimento a cada subgrupo. 6. nesse sentido. 5. e o material individual manipulável é. inevitavelmente. Helder Filho . Para turmas maiores. Em contrapartida.forma. com professor despreparado. faz o professor ganhar tempo. O LEM não pode ser usado em classes numerosas. Antes de considerar o tempo dispendido para que os alunos aprendam. se eles forem atendidos. entre outros. se a dificuldade for referente ao fato de que os alunos. dos interesses dos alunos e dos objetivos da escola. substituído pelo material de observação coleti-va. passam a fazer perguntas difíceis ou fora do planejamento da aula. pois a manipulação é realizada pelo professor. nenhum método produz aprendizagem significativa. dos computadores. O LEM possibilita o “uso pelo uso” dele como também o seu mau uso. Tudo dependerá do professor. muitas vezes. 2. podemos dizer que o LEM exige do professor uma conduta diferente da exigida pela aula tradicional. questionando: com o LEM o rendimento dos alunos melhora? Os alunos preferem aulas com ou sem o LEM? Por quê? Apesar de as respostas a essas questões de penderem do perfil profissional do professor. a quantidade e a qualidade geralmente se desenvolvem inversamente. Realmente o LEM não é uma panaceia para o ensino. da biblioteca. é provável que o uso do LEM desperte nos alunos indagações não previstas pelo professor e. 7. Sim. Em educação. O LEM exige do professor uma boa formação. então. mais importante do que receber pronto ou comprar o LEM é o processo de construção dele. qual é o método de ensino que não exige do professor uma boa formação matemática e didático-pedagógica? Na verdade. Daí a importância dos saberes do professor. O LEM exige do professor mais tempo para ensinar. mas seguramente pode disponibilizar uma diversificação de meios e uma excelente prontidão ao uso deles como nenhuma outra alternativa oferece. por facilitar a aprendizagem. utilizando-se de materiais idênticos. Por isso. indispensáveis para a utilização tia quadra e dos equipamentos de esportes.

com as mesmas quatro partes obtidas do quadrado. é altamente desejável que essa afirmação seja verdadeira. pois.1) e cancelando o fator (1 . no gráfico (visão) e na manipulação (tato).helder@accessueducacao. conforme mostra a figura 1.3. temos que o comprimento da semicircunferência da figura é 7ir e. a aquisição do conhecimento apóia-se fortemente no verbal (audição). se o raio vale 1. pois praticam o “é verdade porque vi”. separar aquilo que parece ser verdadeiro daquilo que essencialmente é verdadeiro. Qual seria a causa desse desfecho absurdo? b) Veja as figuras 1 e 2. Em outras palavras. observemos as figuras 4 e 5.professor. até o aparecimento do raciocínio lógico-dedutivo por volta dos 13 ou 14 anos de idade. falácias e paradoxos? No LEM.1) comum aos dois termos. o LEM pode ocasionar nos alunos uma mudança de comportamento. Simples. “vale porque tem a mesma medida”. é importante mostrar-lhes sofismas. cuja área é 65cm2. Dependendo do nível de desenvolvimento dos alunos. não é? No entanto. “se vale para dois ou ires casos então valerá para todos”. A medida da semicircunferência de raio igual a 1 é n ou 2? Sabendo que o comprimento da circunferência é dado por C = 2nr. Seguem-se alguns exemplos: a) Se 2 . confundem constatação de natureza perceptual com demonstração. e não sentem a necessidade de provas lógico-dedutivas porque tomam a percepção visual como prova.org 14 . de agora em diante.2 = 3 . cuja área é 64cm2. Raciocínio dedutivo será fundamental para todos os estudos posteriores: ele vai logicamente permitir-nos. Confiando plenamente naquilo que vêem. você acabou de descobrir que 64 = 65. Mas onde encontrar uma coleção de sofismas. conforme mostra a figura 2. Continuando indefinidamente este processo (figura 6). monte um retângulo. 8. em cuja construção cada curva gera duas outras menores e o diâmetro de cada curva maior é igual ao dobro do da menor. Quando os jovens adquirem o poder de dedução lógica. então o comprimento pedido mede 7r. resulta 2 = 3. Helder Filho . c) Veja a figura 3. O LEM pode induzir o aluno a aceitar como verdadeiras as propriedades matemáticas que lhes foram propiciadas pelo material manipulável ou gráfico. Agora. falácias e paradoxos matemáticos com o objetivo de eles perceberem que conclusões baseadas apenas na intuição ou naquilo que se vê podem contrapor-se ao que o raciocínio lógico-dedutivo aponta como verdadeiro. a curva limite se constituirá de círculos infinitamente pequeEnsino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.1) = 3 (1 . então 2 (1 . Monte um quadrado de 8cm por 8cm. Assim. Divida-o em dois trapézios e dois triângulos.

por outro lado. percorrendo. conforme mostra a figura 8. elas rolam ao mesmo tempo sobre dois trilhos C e D colocados em níveis diferentes. quando então ela se confundirá com o segmeto AE.helder@accessueducacao. Afinal. é importante o professor propor situações que realcem o perigo de se acreditar em conclusões baseadas apenas no que foi percebido pelos sentidos.nos. de tamanhos diferentes e firmemente unidas entre si. Mas como explicar que as medidas das circunferências são iguais se as rodas são de diferentes tamanhos? e) Veja a figura 9.org 15 . percorrendo uma distância igual ao comprimento da roda maior. As retas r e 5 são paralelas? Elas se parecem paralelas? Se. porque vale o dobro do raio que mede 1. cuja medida é 2. quando a roda maior completar uma volta a menor também completará uma volta porque uma está fixa na outra. sem deslizarem. As rodas partem da posição 1 e rolam até a posição 2. Helder Filho . o arco mede n ou 2? d) Observe a figura 7. por um lado. Nessas condições. a mesma distância que vai do ponto 1 ao 2. em que estão representadas duas rodas A e B. não menos desastroso será conduzir os alunos à total descrença em tudo que a observação e a intuição nos revelam Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. assim.

para auxiliar a memorização de resultados. triângulo. do material montessoriano (cuisenaire ou dourado). Alguns não possibilitam modificações em suas formas. Os MD podem desempenhar várias funções. entre outros. 1. Estas são um bom começo para investigar e para aprender. e. permitindo transformações por continuidade. Helder Filho . todos os MD constituem apenas um dos inúmeros fatores que interferem no rendimento escolar do aluno. uma calculadora. facilitam ao aluno a realização de redescobertas. ainda. assim.3. nem de uma aprendizagem significativa e não substitui o professor. 1. Material didático (MD) Material didático (MD) é qualquer instrumento útil ao processo de ensinoaprendizagem. ela pode ser dobrada de várias maneiras e. por isso. Apesar dessa enorme gama de possibilidades. um quebra-cabeça. que. um livro.ou sugerem. por serem estáticos.3. É o caso da estrela (ver figura 10) construída com 18 palitos ou cotonetes iguais e unidos por borrachas (pedaços de garrote simples nos pontos ímpares e transpassados nos pontos pares). o MD nunca ultrapassa a categoria de meio auxiliar de ensino. dos jogos de tabuleiro. Devido à impossibilidade de abordar a utilização didática dos distintos tipos de MD que podem compor um LEM. pode facilitar o estudo de simetria. Outros já permitem uma maior participação do aluno: é o caso do ábaco. Por melhor que seja. aqui vamos referir-nos apenas ao MD manipulável concreto.1.org 16 . conforme o objetivo a que se prestam. rotação. e. que. de alternativa metodológica à disposição do professor e do aluno. a percepção de propriedades e a construção de uma efetiva aprendizagem. por exemplo. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. MD manipulável Existem vários tipos de MD. reflexão. aqueles dinâmicos. permitem só a observação. é o caso dos sólidos geométricos construídos em madeira ou cartolina. Portanto. uma transparência. o MD não é garantia de um bom ensino. para facilitar a redescoberta pelos alunos? São as respostas a essas perguntas que facilitarão a escolha do MD mais conveniente à aula. uma embalagem. Existem. MD pode ser um giz. como tal. o professor deve perguntar-se para que ele deseja utilizar o MD: para apresentar um assunto. para motivar os alunos. um jogo.helder@accessueducacao. um filme.

interessante. quando o MD for mudado da posição 1 (figura 15) para a posição 2 (figura 16).org 17 . como mostra a figura seguinte. Para que esta efetivamente aconteça.hexágono. Largura e espessura são necessárias à representação. Agua ou areia.helder@accessueducacao. será possível estimular os alunos para operações além das simplesmente manipulativas: • Que figura plana pode ser construída colocando-se o 4 junto ao 10? • Quantas diferentes figuras planas podem ser construídas? • Qual delas tem o maior perímetro? E a maior área? • Qual é a relação entre a área da figura estrelada inicial e da figura hexagonal em a? • É possível formar um tetraedro (espacial)? • Qual é a área total do hexaedro? • Qual é a diferença entre a representação de uma figura e a sua imagem mental? Convém termos sempre em mente que a realização em si de atividades manipulativas ou visuais não garante a aprendizagem. de modo que elas possam reter algum material moldável. entre outros assuntos. desafiador e inspirador. isomeria ótica. só comprimento. se for construído em acrílico: são duas placas idênticas (no formato do estático). Helder Filho . seja por material concreto. E o MD pode ser um excelente catalisador para o aluno construir seu saber matemático. os lados não possuem largura nem espessura. por parte do aluno. o líquido (ou areia) interno se transferirá dos dois Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Neste tipo de saber. 7 e 11 no centro da estrela (figura 14) Utilizando-se de questões tais como as seguintes. Seguem algumas das formas possíveis: a) Ponha os vértices ímpares no centro da estrela (figura 11) b) Coloque 1 e 7 no centro da estrela (figura 12) c) Superponha 1 ao 7 (figura 13) d) Coloque 1. como óleo. Este material estático pode transformar-se em dinâmico. 5. Fazendo um furo de A a B e de C a D. Um outro exemplo de MD é aquele que se refere ao Teorema de Pitágoras: ele compõe-se de um triângulo retângulo com quadrados construídos sobre os respectivos lados do triângulo. coladas uma sobre a outra. seja por imagem. faz-se necessária também a atividade mental. tetraedro. hexaedro.

Os conceitos evoluem com o processo de abstração. ainda sobre o concreto. para voar. flui em suas mentes a ideia correspondente ao objeto. O abstrato. e outra. telefone. Tal característica poderia ser considerada de somenos importância se não conduzisse alguns profissionais à falsa conclusão de que o uso do MD retarda o desenvolvimento intelectual do aluno. mais ampla. que é um ponto distante e oposto ao rigor matemático. p.helder@accessueducacao.3. segundo Kopnin (1978. MD e o processo de ensino-aprendizagem A utilização do MD está sempre intimamente relacionada com um processo de ensino que possui uma característica aparentemente paradoxal. é o “isolamento de alguma propriedade sensorialmente acessível do objeto”. a abstração ocorre pela separação mental das propriedades inerentes a objetos (DAVIDOV. assim. Vejamos por quê. Essa trajetória é semelhante à que se deve fazer para conseguir o rigor matemático: para consegui-lo. O avião retrata bem essa característica aparentemente contraditória do processo educacional: ele é feito para voar. 54).2. inclui também as imagens gráficas. símbolos e raciocínios. É muito difícil. movimento. Helder Filho . com seus vocábulos. 332). às vezes. p. porque é empírico e baseado no concreto. Não seria a ausência do MD a causa de possíveis retardamentos? Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Para as pessoas que já conceituaram esses objetos. para qualquer ser humano caracterizar espelho. ou provavelmente impossível. precisa partir do chão. sem precisarem dos apoios iniciais que tiveram dos atributos tamanho.org 18 . manipulável. expressões. o real tem sido confundido com o concreto. O concreto pode ter duas interpretações: uma delas refere-se ao palpável. quando ouvem o nome do objeto. sugerindo a existência de uma equivalência entre os quadrados.quadrados menores para o quadrado maior. forma e peso. bicicleta ou escada rolante sem ter visto. é preciso começar pelo conhecimento dos alunos. é preciso partir do concreto. cor. Faz-se necessário partir do concreto. Qual será o tipo de MD que os alunos irão preferir: o estático ou o dinâmico? 1. 1982. mas. pan se chegar no abstrato. Esse processo começa com o apoio dos nossos sentidos e. tocado ou utilizado esses objetos. ele é aparentemente paradoxal porque.

Note que essa atitude do professor. embora não suficiente. tanto diante de questões fáceis como de médias e de difíceis. o automóvel. • A área do triângulo é o dobro da área de cada retângulo. é preciso perguntar-se: “Como este material deverá ser utilizado?”. escaleno ou retângulo. No entanto. Em seguida.FE-UNICAMP. Esta última questão é fundamental. e em diferentes posições). Tão importante quanto a escola possuir um LEM é o professor saber utilizar corretamente os MDs. é um mero reforço à memorização do enunciado matemático que pode ser encontrado nos livros didáticos. pois estes. que se resume em apenas apresentar um resultado aos alunos. Tomemos.Uma das pesquisas5 que comprovaram a eficiência do ensino com MD foi realizada em Brasília. com cerca de 180 crianças cursando a 5” série. não. Algumas destas podem ser: • Quando juntados os três ângulos. com idades variando entre 11 e 12 anos e com semelhantes condições de conhecimento matemático. • Dá sempre 180 graus. a enxada. um mesmo professor lecionou para duas turmas. Os resultados revelam que o grupo que foi ensinado com MD reagiu de for-ma muito mais positiva. conforme resultado de pré-teste. em qualquer tipo de triângulo. Subsídios metodológicos para o ensino da matemática:cáculo de áreas das figuras planas. o professor pode mostrar aos alunos. Tese (Doutorado) . • O perímetro do triângulo é maior do que o de cada retângulo. 5 Sérgio Lorenzato (1976). justapondo os três “vértices”. como outros instrumentos. feita em cartolina ou em madeira: com ele. isósceles. a bola. na outra. Essas crianças pertenciam a distintas escolas e a diferentes níveis socioeconômicos. precisa perguntar-se: será conveniente. em cada escola. para que possa ocorrer uma aprendizagem significativa. o bisturi. as consequências do uso do material podem ser mais abrangentes e positivas. Helder Filho . exigem conhecimentos específicos de quem os utiliza. que a “soma dos três ângulos dá 180 graus”. facilitar a aprendizagem com algum material didático? Com qual? Em outras palavras.3. Assim. dá meio círculo. grande ou pequeno. • Mas tem que dobrar os lados ao meio. • O ponto onde se juntam os três ângulos depende das medidas dos ângulos.helder@accessueducacao. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. descobertas ou conclusões. O professor e o uso do MD A atuação do professor é determinante para o sucesso ou fracasso escolar. 1. não junta os três ângulos. o sino. ao planejar sua aula. • Todo triângulo pode ser transformado em dois retângulos.3. o professor está respondendo as questões: “Por que material didático?”. Para que os alunos aprendam significativamente. o professor de matemática. se não. recortar e dobrar sua figura e mostrar aos colegas suas observações. Campinas. a representação de um triângulo qualquer. não basta que o professor disponha de um LEM. • O ponto onde se juntam os três ângulos varia de triângulo para triângulo. e 70% delas consideravam a matemática uma disciplina difícil para aprender. do que o grupo que foi ensinado sem MD. ou até mesmo necessário. se cada aluno desenhar um triângulo qualquer (equilátero. • O ponto onde se juntam os três ângulos é o pé da altura do triângulo. numa utilizando MD.org 19 . o batom. o quadro-negro. tais como o pincel. por exemplo. “Qual é o material?” e “Quando utilizá-lo?”. o revólver.

mostrar ou provar aos alunos que a soma dos três ângulos dá ISO graus e. utilizando-se apenas do quadro-negro. o MD pode gerar alguma estranheza ou dificuldade e propiciar noções superficiais. onde os pontos A a B são fixos e Pé móvel. mas todos têm a mesma medida de base. convém lembrar que. e compreender que a matemática. Com referência à manipulação propriamente dita do MD pelos alunos. quando o MD for novidade aos alunos. Para muitos de nós. por isso. tipos de peças e possibilidade de dobra ou decomposição. é um campo de saber onde ele. se AB for paralelo a CD? O que se pode dizer das áreas desses diferentes triângulos? E de seus perímetros? Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. a satisfa-çlo do sucesso. com ou sem o auxílio do professor. cujos resultados são regras ou fórmulas que servem para resolver exercícios em exames. Para ilustrar. a certeza de que vale a pena procurar soluções e fazer constatações. para representar vários triângulos. roncursos. através da observação. O modo de utilizar cada MD depende fortemente da concepção do professor a respeito da matemática e da arte de ensinar. tomemos o MD representado pela figura 17. conhecem o superficial do MD. tal como suas partes e cores. a melhoria da auto-imagem. a percepção da sua competência. Todas as pessoas passam por essa primeira etapa em que.A diferença entre as duas maneiras distintas de utilização de MD aqui apresentadas ressalta que a eficiência do MD depende mais do professor do que do próprio MD. B. auxiliadas por definições. em seguida. é obter a alegria da descoberta. Os triângulos são diferentes quanto às formas. longe de ser um bicho-papão.org 20 . aluno. seguramente poderia. São esses banais conhecimentos que possibilitarão. E o que acontece com as medidas das alturas. Helder Filho . os três pontos A. num primeiro momento. o P deve deslocar-se pelo corte no papelão. entre C e D. Para o aluno. mais importante que co-nhecer essas verdades matemáticas. e ainda mostra a importância que a utilização correta do MD tem no desenvolvimento cognitivo e afetivo do aluno. a eles deve ser dado um tempo para que realizem uma livre exploração. dar alguns exercícios para auxiliar a memorização dessa propriedade. a matemática foi ensinada assim e. por isso. pode navegar. P são unidos por um fio. feito em papelão. a procura e a descoberta de novos conhecimentos. ideias incompletas e percepções vagas ou erróneas. Um pro-fessor que concebe a matemática como um conjunto de proposições dedutíveis. nem ver nela um essencial instrumento para cotidianamente lei colocado a nosso serviço. não conseguimos admirar a beleza e harmonia dela.helder@accessueducacao. avaliações.

uma vez que poderão. é provável que os alunos se deparem inicialmente observando e testando o possível movimento do fio e percebendo o paralelismo entre AB e CD. Aqui. entre os alunos. se souberem os conceitos de perímetro e de área. mas os resultados do segundo tipo de aula serão mais benéficos à formação dos alunos porque. a comunicação das ideias. “outros paralelogramos”. Potencialidades do MD Todo MD tem um poder de influência variável sobre os alunos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. processos. apesar de todas as contribuições da perspectiva. por eles realizadas. até mesmo em cursos de aperfeiçoamento para experientes professores de ensino fundamental.4. Será nesse momento que o professor poderá avaliar como e o que os alunos aprenderam. uma vez que ela camufla o perpendicularismo e o paralelismo laterais. 3 e 4. em ritmos próprios. os quais conduzem os alunos a fazer conjecturas e a descobrir caminhos e soluções. memorizar os resultados obtidos durante suas atividades. frequente em nossas salas de aula. flexível nos pontos 1. há uma diferença pedagógica entre a aula em que o professor apresenta oralmente o assunto. Existem também diferenças de potencialidade entre o MD manipulável e sua representação gráfica. também. raciocínios. Alunos . para um mesmo MD. 1. O MD é o mesmo. pois é durante esta que surgem imprevistos e desafios. as novas conquistas decorrentes das atividades. elo modo como o MD é empregado pelo professor. “um quadrado”. Helder Filho . porque. Assim. ela não retrata as reais dimensões e posições dos lados e faces dos objetos. de posse do MD. Talvez a melhor das potencialidades do MD seja revelada no momento de construção do MD pelos próprios alunos. concretas e abstraías.3. “um triângulo”. além disso. Vejamos. ações e conclusões deles. Feito isso. as questões anteriores se tornarão fáceis aos alunos. “outros losangos”. “os ângulos opostos são iguais”.helder@accessueducacao. a socialização das estratégias. ilustrando-o com um MD. as observações e reflexões deles serão mais profícuas.Diante desse MD. é recomendável que cada aluno tente registrar em seu caderno. isto é. “quando o ângulo 1 aumenta. como mostra a figura 18. então. por exemplo. Aos alunos é dado um MD (figura 19) formado por quatro palitos de mesmo comprimento. algumas potencialidades mais específicas dos MD. conforme suas possibilidades. e a aula em que os alunos manuseiam esse MD.org 21 . Após a verbalização. Raios X Analise o seguinte diálogo. o ângulo 2 diminui”.Procurem transformar esta figura em outras e digam o que observaram. 2. realizar suas descobertas e. é importante que seja realizada entre os alunos a verbalização dos pensamentos.“Um segmento”. mais facilmente. representando um losango. Professor . porque esse poder depende do estado de cada aluno e. não é menos importante para a formação deles. erros e conclusões.

Não. losango é losango. os alunos dizem que “no triângulo sempre cabem seis triângulos”. é contraditória para 6 Van Hiele propõe que o desenvolvimento do pensamento geométrico pode se dar em cinco níveis.org 22 .A sequência de movimentos que transformou losango em quadrado destruiu alguma característica (propriedade) dos losangos? Alunos . quadrado é quadrado. Em outras palavras. também. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. é preciso reconhecer que essa dificuldade vem no intuito de melhorar a qualidade do processo de rnsino-aprendizagem. descobertas e até mesmo o levantamen-to de hipóteses e a elaboração e testagem de estratégias que. o quadrado é losango? Alunos . constatações. esperando que ele redescubra que “a soma dos três ângulos é 180 graus” (figura 21). então. o que é uma verdade geralmente inesperada por alguns professores e que não consta nos livros didáticos. não estavam previstas no planejamento nem eram do conhecimento do professor.3: Quando se pergunta aos alunos o que eles observaram na transformação anterior.Professor . como foi sugerido em 3. mas também é mais difícil aprender sem o MD.helder@accessueducacao. para o professor. o MD possibilitou ao professor constatar conceitos que precisam ser revistos ou ampliados. Complicador Se o MD pode ser para o aluno um facilitador. ou. frequentemente dizem que “o triângulo se transformou em dois retângulos”. ele pode ser um complicador. O uso do MD planejado para atingir um determinado objetivo. é muito mais fácil dar aula sem MD.Então. b) Nesse exemplo. No entanto. Outra observação dos alunos que pode surpreender alguns professores é a de que a área do retângulo (figura 21) é a metade da área do triângulo inicial (figura 20). Helder Filho . Professor . os lados continuaram iguais. Tal constatação é válida. Um exemplo disso (figura 20) é o que pode acontecer quando se dá ao aluno um triângulo (dobrável pelos pontos médios dos lados). às vezes. possibilita ao aluno a realização de observações. frequentemente. às vezes. Note que: a) Esta última resposta indica que esses alunos estão no primeiro nível da proposta de Van Hiele6. c) O MD foi para o professor o mesmo que o aparelho de raios X é para o médico ou dentista. referindo-se à propriedade “todo triângulo pode ser decomposto em seis triângulos menores congruentes dois a dois”.Não. mas.

Por isso. apresente o desenho da figura em questão. e essa é uma das críticas mais frequentes ao seu uso.i liem isso é o seguinte: diante do triângulo cujos ângulos se juntam para mostrar que a soma é 180 graus (assunto de 7a e 8a séries). e mais: o professor pode acelerar o ritmo das atividades dos alunos apresentando questões que os auxiliem em suas reflexões. como a abstração é essencial para a aprendizagem da matemática.quem se lembrar das fórmulas para cálculo da área de retângulo e de triângulo. o ritmo aumentará e o tempo gasto no início será. Outro exemplo que ilus-n. Longe de observar erro de português ou falta de rigor na linguagem matemática.i aula. o importante é verificar se o assunto é novidade para os alunos. No entanto. Será que isso significa que é preciso Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Justificando essa crendice. diretiva e predeterminada. curso ou idade. por outro se torna mais difícil para ser conduzido dentro de uma visão fechada. recompensado em quantidade e principalmente em qualidade.helder@accessueducacao. de longe. a maioria das pessoas não compreenderá o que está sendo dito e mostrado. Portanto. imediatamente indicarão ter compreendido o significado da frase. se não há aprendizagem. mais retardado será o processo de abstração. Se de um lado o processo se torna rico. ângulo. é possível interferir no ritmo dos alunos. porque eles ainda não construíram os conceitos de triângulo. uma vez que ele possibilita ao aluno aprender em seu próprio ritmo e não no pretendido pelo professor. é uma questão de opção: valorizar mais o ensino ou a aprendizagem. alguns dizem que. lembrando que. quanto mais o MD concreto for utilizado. É importante registrar que o MD nunca favorece o adiamento do assunto. ao contrário. é preciso exaltar que intuitivamente as crianças em fase escolar inicial já conseguem detectar a verdade matemática e expressá-la em sua linguagem. Na verdade. Então. o que conflita com a crendice de que MD só deve ser utilizado com crianças. crianças de 1a série disseram que “as três pontas dá meia roda”. Como se explica essa contradição? Só para crianças A experiência tem mostrado que o MD facilita a aprendizagem. ele quase sem-pre propicia a antecipação da abordagem. não podemos considerar que houve ensino. mas em seguida. a utilização de MD pode inicialmente tornar o ensino mais lento. diante da imagem. E isso é uma façanha. dar o programa ou aprender com compreensão. Aqueles que assim pensam provavelmente ainda não fizeram a seguinte experiência: escolha pessoas adultas que não estudaram geometria espacial e diga a elas que “todo prisma triangular pode ser decomposto em três pirâmides”. muitas delas imprevistas. o emprego de MD pode “atrasar o programa”. qualquer que seja o assunto. mesmo assim. por que utilizar MD só com crianças? Na verdade. grau. círculo e medida. Modificador Pelo exemplo do prisma que foi decomposto em três pirâmides pode-se verificar que a utilização do MD favorece a alteração de ordem de abordagem do conteúdo programático. de matematização do aluno. Helder Filho .org 23 . e não a idade deles. adição. Se elas não compreenderem a mensagem. se a todas elas for dado um modelo tridimensional para manusear. fazendo acontecer a chamada descoberta dirigida. pois a dupla MD e imaginação infantil quase sempre abre um leque de possibilidades. e certamente não a compreenderão. Regulador O MD pode ser um eficiente regulador do ritmo de ensino para. Em outras palavras. devido à compreensão adquirida pelo aluno.

não compreendendo a mensagem (visual) da tela do computador. Assim sendo. se pretendermos que alunos de 5a série calculem áreas de figuras planas sem usar fórmulas (por equivalência de áreas). o MD desempenha a função de um pré-requisito para que se dê a aprendiam através do computador.abrir mão do rigor para se conseguir o rigor? Será que isso indica que a dosagem seriada deve merecer uma atenção maior do que a escola tem dado? Ou será isso uma indicação de que o MD permite antecipar a abordagem de conteúdos programáticos no currículo escolar? Outro tipo de alteração que quase sempre o uso de MD ocasiona se refere ao nível de atividade dos alunos em sala de aula. em decorrência da motivação que ele gera nos alunos. Um mesmo MD pode ser utilizado para um assunto. para que se dê uma significativa aprendizagem. Como já vimos no item 3. Em segundo lugar. em seguida. explorando a equivalência de suas áreas (por transformação) para. com o apoio de con-tagcm ou medida.1: num primeiro momento. Dosagem seriada A prática pedagógica tem confirmado a necessidade e a conveniência da adoção do currículo em espiral. os mesmos assuntos são retomados e. a condicional (triângulo retângulo). devem vir jogos livres com figuras de diferentes formas e cores. É o caso do MD sobre o chamado Teorema de Pitágoras. recorrem ao MD (manipulável) e então prosseguem sem dificul-dades com o computador. serem calculadas as áreas por meio de medidas. depois para a demonstração (prova) e finalmente para ampliações do tipo: o teorema vale para outras formas ou somente para quadrados? A palavra “quadrado” no enunciado refere-se à forma ou à área de figura? Em quais condições o teorema vale para três dimensões (volume)? Quais aplicações práticas são previsíveis? Computador Uma outra crítica contra o uso de MD se baseia no argumento de que. na la/4a séries. então. Helder Filho . estes falam e movimentam-se mais que de costume. é preciso lembrar que infelizmente o computador não chegou à grande maioria das escolas brasileiras. ao longo das séries. nele. o MD manipulável tem-se mostrado um eficiente recurso para muitos alunos que. tudo indica que comprar o equipamento e conseguir o espaço físi-CO para ele é o mais fácil: o mais difícil é conseguir software (programa) adequado e principalmente professor preparado para elaborar. e não somente a manipulativa. os conhecimentos são ampliados e aprofundados. faz-se necessário que haja uma atividade mental. para muitos alunos. com a chegada do computador. e isso é mais sério do que parece. Funciona sempre? Apesar de o MD geralmente despertar o interesse de quem aprende. ele pode não apresentar o sucesso esperado pelo professor. os conhecimentos avançam para a constatação numérica (área). em diferentes níveis de conhecimento. tão recomendado por ilustres educadores.helder@accessueducacao. porque muitas escolas que já se equiparam com computadores não sabem bem o que fazer com eles. o que para muitas pessoas pode significar bagunça. porém. Ao professor cabe acreditar no MD como Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. finalmente na 5a série. desenvolver e avaliar um processo de ensinar e aprender dilcrente dos que tivemos até hoje. o MD se tornou obsoleto e desnecessário. pois. o processo pode começar na educação infantil através da montagem/desmontagem de figuras quaisquer.org 24 . Primeiramente. a cada vez. Por exemplo. o objetivo era facilitar a percepção da existência de uma equivalência entre “os quadrados”. apresentado no item 3. mais tarde. por parte do aluno.

conseguir uma aprendizagem com compreensão. UNESP. o afetivo. por diferentes motivos. 1. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. e outras semelhantes. Caso contrário. em 1989. pois é fácil constatar que a própria política educacional emanada pelos governos federal. “muito difícil”. as causas da ausência do MD nas salas de aulas não são devidas a ele propriamente. assim. que raras são as escolas de ensino fundamental ou médio que possuem seu LEM. resistem às mudanças didáticas e. o risco de serem criadas ou reforçadas falsas crenças referentes à matemática. trabalho apresentado no Seminário sobre Prática do Ensino. talvez. pois como muitas coisas na vida. o mais importante efeito será o aumento da autoconfiança e a melhoria da auto-imagem do aluno. Mas. como podem vir a admirá-la? No entanto. e apresentado no III Encontro Nacional de Educação Matemática. pois.helder@accessueducacao. isto é. em 1990. Outra consequência provável se refere ao ambiente predominante durante as aulas de matemática. o como e o quando colocá-lo em cena. o histórico. muitos professores não sentem falta de MD em suas práticas pedagógicas. diminuindo. • Quais aspectos educacionais devem ser considerados ao planejar e ao empregar MD: o cognitivo. com o auxílio de MD. a ansiedade ou a indiferença serão substituídos pela satisfação. Rio Claro. é preciso conhecer o porquê. então fica explicado porque tantos alunos não gostam da matemática. pode-se dizer que os obstáculos ao uso do MD são de ordem extrínseca a ele. A esses todos se somam aqueles que. aqueles que opinam contra o uso do MD sem o conhecerem ou sem o terem experimentado7. ou não sabem utilizar corretamente o MD. se a eles não foi dado conhecer a matemática. ou não acreditam nas influências positivas do uso do MD na aprendizagem. Efeitos colaterais Se for verdadeiro que “ninguém ama o que não conhece”. Obstáculos ao uso do MD De modo geral.org 25 . Em decorrência. ele só produz bons resultados para quem nele acredita. estaduais ou municipais geralmente não preconiza ou orienta os educadores ao uso do MD. 7 Sérgio Lorenzatto.5. “pronta”. o MD pode ser ineficaz ou até prejudicial à aprendizagem. ou não dispõem de MD. 1. o pedagógico ou o epistemológico? • Por quais maneiras se pode dar a má aplicação do MD? • Como construir MD de boa qualidade e de baixo custo? • O uso de MD facilita ou dificulta o magistério? Justifique.3. como a de ser ela uma disciplina “só para poucos privilegiados”. pela alegria ou pelo prazer. Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM • O que é um LEM? • Quais são os fatores a serem considerados no planejamento de um LEM? • Por que escolas de formação de professores devem possuir seus LEMs? • O que você pode fazer para que sua escola venha a ter um LEM? • Como o MD pode influir no processo ensino-aprendizagem? • Quando o uso do MD é recomendável? Justifique. Helder Filho . que poucas são as instituições responsáveis pela formação de professores que ensinam seus alunos a usarem MD. Enfim. UFRN. o professor pode.4. se empregá-lo corretamente.um auxiliar do processo de ensino-aprendizagem. onde o temor. E mais: o MD necessita ser corretamente empregado. que tenha significado para o aluno. pior ainda.

• A ausência de MD torna deficiente o ensino? Justifique. A. D. Helder Filho . Tradução de Gonzalo Medina. Ciudad de La Habana. Madrid. (1982). A arte de resolver problemas. DAVIDOV. pp. Rio de Janeiro. ano 4. (1993). Bell e Sons. Zahar. NICOLET. London. G. FIORENTINI. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro.V. ano 1. (1988). (1998). KOPNIN. V. A dialética como lógica e teoria do conhecimento. Interciência. 1. Revista de Educação Matemática .SBEM. P. P. • Comente: As secretarias de educação deveriam implantar LEM em suas escolas. (1993). Tradução de Felipe Roblelo Vasquez. reimpresión. João Pessoa. M. Tipos de generalización en la ensenanza. Editorial Pueblo y Educación.V.G. Aguilar. “Concepção e produção de materiais institucionais em educação matemática”. • Quais dificuldades os professores enfrentam para produzir. UFPb. El material para la ensenanza de las matemáticas.M. n. 2. & RÊGO. Ed. • Comente: O MD só deve ser usado com crianças. (2000). Referências bibliográficas do texto CASTELNUOVO. México (DF). Artmed. G. K. 55-73. (1973). Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Mathematics Laboratories in Schools. & MIORIM. n. MANSUTTI. pois é a geometria que. E. l. São Paulo. São Paulo.5. (1967). pp. “Intuición matemática y dibujos animados”. M. por possibilitar as representações visuais. 7.org 26 . R. • Comente: As características dos MD devem ser distintas de acordo com os níveis escolares ou com as faixas etárias a que se destinam. intermedeia as sensações iniciais do mundo físico com as abstrações exigidas pelo processo de formação dos conceitos matemáticos. Didáctica de la matemática moderna. Porto Alegre. • Comente: O uso do MD garante uma aprendizagem com compreensão. O desenvolvimento dos conceitos matemáticos e científicos na criança. 17-29. LOVELL. Simões. RÊGO. Tradução de Auriphebo B. • Comente: A aritmética e a álgebra escolares podem tornar-se mais fáceis aos alunos se ilustradas com o apoio das formas. (1978).helder@accessueducacao. In: COMISION INTERNACIONAL PARA EL ESTÚDIO Y MEJORA DE LA ENSENANZA DE LAS MATEMATICAS. Trillas.L. vol. J. THE MATHEMATICAL ASSOCIATION (1968). adquirir ou utilizar MD? • Quais são as características de um bom MD? • Por que os alunos preferem aulas com MD? • Quais são os argumentos favoráveis ao uso de MD no ensino? • Quais são os seus argumentos para não usar MD em suas aulas? • Dê exemplo de caso em que o uso de MD provocou a reflexão dos alunos.A. R. POLYA. Boletim SBEM. STRATHERN. Rio de Janeiro. “Uma reflexão sobre o uso de materiais concretos e jogos no ensino da matemática”. Arquimedes e a alavanca em 90 minutos. Tradução de Maria Helena Geordane. Tradução de Heitor Lisboa de Araújo. (1978). 123 (Coleção Perspectivas do Homem). Matematicativa.

Programa de Licenciatura . na montagem de módulos e projetos de feiras de ciências na área de matemática.Programa Institucional de Bolsas de Extensão .Programa de Apoio aos Cursos de Graduação . em 1991. visando o desenvolvimento de materiais didáticos adequados à realidade das nossas escolas e de sua divulgação por meio de livros. médio e superior em estados do Norte e Nordeste. oficinas. jogos e quebra-cabeças. compromissos políticos na direção de mudanças. DESENVOLVIMENTO E USO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA8 Rômulo Marinho do Rego9e Rogéria Gaudêncio do Rego10 A filosofia e política do Laboratório de Estudos e Pesquisa da Aprendizagem Científica (LEPAC). lançando as condições de superar as limitações dos cursos de pós-graduação de caráter tecnicista. PROLICEN.helder@accessueducacao. CAPES . Ao lado da pesquisa. PADCT -Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Para tanto.org 27 8 . administradores escolares. faz-se necesIn O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. 9 Bacharel e mestre em matemática e doutor em educação matemática. As novas demandas sociais educativas apontam para a necessidade de um ensino voltado para a promoção do desenvolvimento da autonomia intelectual. Helder Filho . (Coleção Formação de Professores). As diversas linhas de desenvolvimento de conhecimentos matemáticos apontadas como mais apropriadas dentro da perspectiva de mudanças . a comunidade. PROBEX)11 e realizou cursos e exposições em instituições de ensino fundamental.UFPb Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. vinculado ao Departamento de Matemática do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da Universidade Federal da Paraíba (CCEN/UFPb). composto de kits didáticos. além da realização de uma exposição anual intitulada "Matemática e imaginação". É professora do Departamento de Matemática da UFPb e atua na Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da mesma universidade. PROGRAD .) – Campinas. coleção de elementos da natureza. nos moldes da exposição francesa "Horizontes matemáticos". baseados em um acervo material constantemente renovado e ampliado. PROBEX . PROLICEN . PROGRAD. história da matemática . 39. envolvendo a escola. palestras e cursos para alunos e professores de matemática. 11 Significado das siglas: SPEC .UFPb. jogos e quebra-cabeças. Baseiam-se na crença de que a construção do saber matemático é acessível a todos e que a superação dos baixos índices de desempenho de nossos alunos requer também conhecimentos externos à matemática. passando posteriormente a abranger a assessoria em projetos de implantação de clubes e laboratórios de matemática. vêm sendo elaboradas e discutidas desde a sua fundação. mestre em filosofia e doutora em educação matemática. as ações da equipe do LEPAC estavam inicialmente direcionadas para a formação de especialistas.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. ricos de conexões com a matemática. que já executou mais de vinte projetos institucionais (SPEC/PADCT/CAPES. 10 Bacharel em matemática.2. entre outros recursos. reflexão e crítica pelo aluno.entre as quais: resolução de problemas. 2006.Subprograma Educação para a Ciência. SP: Autores Associados. criatividade e capacidade de ação. p. E professor do Departamento de Matemática e Estatística da Universidade Estadual da Paraíba (UEPb) e atua na Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPb).estão integradas às diversas ações da equipe do LEPAC.UFPb. a luta por melhores condições de trabalho e por uma formação inicial e continuada de qualidade. Sérgio Lorenzato (org. fruto de pesquisas realizadas na área de ensino de matemática.

novos materiais e metodologias. ii. baseadas na concepção de que o aluno deve ser o centro do processo de ensino-aprendizagem. seu alcance e suas limitações e a sua adequação à competência dos alunos. reestruturado. Acabar com o medo da matemática que. criado por alguns professores e alimentado pelos pais e pelos que não gostam de matemática. 2004). Se concebermos uma aula de matemática como um espaço em que os alunos vão experimentar. entre outros elementos. possibilitam: i. suas principais funções (1962. reconheça. Firmar projetos de parceria com os sistemas locais de ensino. faixa etária. Estimular a prática da pesquisa em sala de aula. Manoel Jairo Bezerra destacou. identifique e considere seus conhecimentos prévios como ponto de partida e o prepare para realizar-se como cidadão em uma sociedade submetida a constantes mudanças. promovendo a integração das ações de ensino. Quando instalados em instituições de ensino superior. em especial. para o professor. materiais adequados são necessários. adaptação e uso de materiais didáticos de matemática. na obra O material didático no ensino da matemática. baseada em uma sólida formação teórica e prática. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) em uma escola constitui um importante espaço de experimentação para o aluno e. levando-se em conta conhecimentos prévios. 87).helder@accessueducacao. quando associado à formação docente. compreendendo-se que a aprendizagem não reside em Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho . resultados de pesquisas disponibilizados na literatura (ver sugestões em Rego & Rego.org 28 . buscando a melhoria do ensino e constituindo um espaço de divulgação e de implantação de uma cultura de base científica.sário a introdução da aprendizagem de novos conteúdos de conhecimentos e de metodologias que. oportuniza a realização de atividades em que professores da educação básica e alunos de cursos de licenciatura possam refletir e elaborar sua avaliação pessoal do sistema de ensino adotado em nossas escolas e construir modelos viáveis de superação de seus aspectos negativos. conceitos. os laboratórios de ensino. e iii. 10-13): i. p. descobrir significados e processos para essas experiências ou atividades de aprendizagem. além de oficinas e cursos de formação continuada para seus professores. iii. atuando como parceira na solução dos problemas educacionais que esta apresenta. ou seja. Estreitar as relações entre a instituição e a comunidade. ampliando sua formação de modo crítico. pp. visando à instalação de clubes e laboratórios de matemática. pesquisa e extensão. sem as pressões do espaço formal tradicional da sala de aula. como afirmam Grossnickle e Brueckner (1965. sua potencialidade para auxiliar a aprendizagem de conhecimentos de naturezas diversas (informações. habilidades ou atitudes). Auxiliar o professor a tornar o ensino da matemática mais atraente e acessível. Uma vez trabalhado e avaliado em sala de aula um recurso didático pode ser. que tem a oportunidade de avaliar na prática. caso indicado. além de incentivar a melhoria da formação inicial e continuada de educadores de matemática. Uma das linhas de investigação e ação em um LEM compreende a elaboração. considerando-se os objetivos educacionais a serem atingidos. está aumentando cada vez mais a dificuldade do ensino dessa matéria e Interessar maior número de alunos no estudo dessa ciência. ii.

org 29 . v. estando seu pensamento em constante processo de mudança. A aprendizagem pela compreensão é um processo pessoal e único que acontece no interior do indivíduo. auxiliando-o a: i. REGO. a coragem para enfrentar desafios e para vencê-los. os alunos ampliam sua concepção sobre o que é. Adquirir estratégias de resolução de problemas e de planejamento de ações. 2003) ou em vias de publicação pela equipe do LEPAC. "a independência mental. Estimular sua concentração. entretanto. selecionados com a criatividade e interesse correspondentes" (IGNÁTIEV. um dos grandes desafios enfrentados pelos pesquisadores que atuam à frente de LEMs compreende a socialização dos resultados de seus trabalhos. Assim. REGO & GAUDENCIO JR. 1986). sua percepção espacial. ii. cujos objetivos e uso em sala de aula poderão ser encontrados com detalhes nos textos já publicados (REGO & REGO. internalizando-os. 1999a. contribuindo para formação do senso estético e direcionando a atenção e a percepção para os aspectos cognitivos a serem trabalhados. Estimular sua compreensão de regras.. iv. iii. há até relativamente pouco tempo. que os alunos aprendiam de igual maneira. mas resulta do aprofundamento de reflexões sobre essa ação. exigindo do raciocínio o que quase sempre é deixado apenas como tarefa para a memória. "baseando-se em objetos e exemplos do ambiente cotidiano. Ampliar sua linguagem e promover a comunicação de idéias matemáticas. desenvolvendo conhecimentos na direção de uma ação autônoma. 1999b. Acreditava-se. raciocínio e criatividade.sua estrutura física ou na simples ação sobre ele. Nossa experiência pessoal aponta para a possibilidade de produção e de massificação de materiais de baixo custo e grande potencial didático. que cada aluno tem um modo próprio de pensar e que este varia em cada fase de sua vida. É Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. a partir de sua utilização adequada. a reflexão e a criatividade não podem ser metidas em nenhuma cabeça". apresentamos algumas sugestões.helder@accessueducacao. Em razão das características socioeconômicas da nossa população. Por meio de experiências pessoais bem-sucedidas. perseverança. As interações do indivíduo com o mundo possibilitam-lhe relacionar fatos. pois. vii. Nessa concepção de aprendizagem. sendo seguros apenas os resultados dos casos em que a introdução no campo da matemática ocorrer de forma prazerosa. Helder Filho . ainda no ano de 1911. favorecendo a aprendizagem pela formação de idéias e modelos. Para exemplificar a potencialidade de recursos simples na promoção de atividades didáticas em um LEM. vi. estruturar idéias e organizar informações. as atividades realizadas em um LEM estão voltadas para o desenvolvimento de conhecimentos matemáticos e a formação geral do aluno. aqui descritas de modo sucinto. Porém. como afirmava Ignátiev. vencendo os mitos e preconceitos negativos. dentro de padrões de segurança que não coloquem em risco o seu usuário. o aluno desenvolve o gosto pela descoberta. acumulando informações e regras. com um acabamento que torne as atividades a serem realizadas agradáveis aos sentidos. 2004. discriminação visual e a formação de conceitos. Desenvolver sua capacidade de fazer estimativas e cálculos mentais. como e para que aprender matemática. o material concreto tem fundamental importância. embora relacionado a fatores externos. Promover a troca de idéias através de atividades em grupo. Sabemos. Iniciar-se nos métodos de investigação científica e na notação matemática.

Como devem ser os anéis. Iniciar a discussão questionando aos alunos o que acontece quando cortamos um desses anéis ao meio. Sugerimos que seja desenvolvida no estudo de quadriláteros. Que modificações devem ser feitas (no tamanho dos anéis ou na forma de colálos) para que o resultado seja um losango (não quadrado)? ii. tentando estimar e verificando o resultado. de revistas. O procedimento a ser adotado inicia-se com o corte de algumas tiras de papel com aproximadamente 30 cm de comprimento e 4cm de largura. são as exigências formais envolvidas. 1999a). como indicado na figura 1. Em seguida. cortar o anel e conferir o resultado. um perpendicular ao outro. e como colá-los.helder@accessueducacao. Verificar o resultado obtido confrontando-o com as hipóteses levantadas. Que modificações devem ser feitas (no tamanho dos anéis ou na forma de colálos) para que o resultado seja um retângulo (não quadrado)? iii. ao longo da linha pontilhada. dependendo do nível da turma e dos objetivos a serem alcançados. como indicado na figura 2. A primeira atividade. quando o primeiro anel é cortado. Depois de feitas as previsões. colar as tiras formando cada uma um anel comum. o conjunto fica semelhante a uma algema (uma tira com duas argolas. sendo indicada para alunos de todas as séries da educação básica.importante lembrar que os roteiros de sugestão de uso de qualquer recurso instrumental devem ser vistos como possíveis caminhos que poderão ou deverão ser reestruturados de acordo com as especificidades dos alunos e dos conhecimentos a serem desenvolvidos. cola e tesoura. cortar a tira ao meio. colar dois anéis iguais ao primeiro. Em seguida.org 30 . como feito no anel da questão inicial. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. e não como receituários. Os alunos poderão em seguida investigar: i. demanda apenas papel (ofício. estimando o que acontece quando cortarmos ao meio os dois anéis colados. com mesmo diâmetro e largura. Helder Filho . com menos ou mais rigor. para que o resultado seja um paralelogramo (não quadrado)? Outras investigações podem ser feitas: i. na ilustração serve apenas para indicar onde deverá ser realizado o corte). seguidos fielmente sem a promoção de reflexões. cada um perpendicular ao seguinte e cortar os três ao meio. Vale notar que. Colar três anéis de mesmo tamanho. como indicado na figura l (o pontilhado não precisa ser feito. O que deverá variar. uma em cada extremidade). em cada caso. jornal etc. intitulada estudo de quadriláteros (RÊGO & REGO. Depois de recortadas.). no que trata da análise das propriedades das figuras obtidas e na nomenclatura apresentada. pois esta corresponde a uma das argolas que estavam inicialmente coladas.

dispostos entre si como no caso anterior. por exemplo. formando quatro sistemas de articulação. suas definições e interseções entre estas como. ou três iguais colados inclinados um em relação ao outro. o uso de grampos pequenos de cabelo (de metal.ii. descrevendo a dimensão dos anéis (se todos são de mesmo tamanho ou não). comuns) e canudos de refrigerante. para o qual iremos precisar de seis canudos e doze grampos de cabelo. com a construção do esqueleto de um tetraedro (pirâmide de base triangular) regular. planos de simetria.org 31 . em permanente processo de construção. estimando e verificando os resultados.) e os resultados obtidos. abre-se um espaço para discutir as habilidades que estão sendo desenvolvidas com a realização e reflexão sobre ela. O processo de confecção dos poliedros é bastante simples e as vantagens do material são muitas: baixo custo. como estavam colados uns em relação aos outros (se perpendiculares. embora o contrário não aconteça. a quantidade de anéis utilizada em cada caso. inclinados etc. Este poderá ser posteriormente desmontado e grampos e canudos serem utilizados na construção de outros poliedros. O número de canudos utilizados em um poliedro será igual a seu número de arestas e o número de grampos será igual à soma do número de arestas que convergem para cada vértice do sólido. de acordo com a necessidade. que poderão ser explorados posteriormente no estudo de propriedades de sólidos. rapidez do processo e possibilidade de reaproveitamento do material. Teorema de Euler. modificando-se a quantidade de canudos e/ou a quantidade de grampos em cada sistema de articulações. inserir a parte ondulada dos grampos no interior dos canudos (ilustração da direita na figura 3). sugerimos para a confecção de esqueletos de poliedros. Acompanhe o seguinte exemplo. levar o aluno a diferenciar o que é uma definição e um conceito. bem como o desenvolvimento de atitudes como ver a matemática como um conhecimento social. como em qualquer caso de construção de esqueletos de poliedros. entre outras. a rigidez da figura dependerá da forma de suas faces: se apenas Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Nesse caso. Helder Filho . os alunos podem analisar e explorar os elementos das figuras obtidas. Dependendo do nível da turma. facilidade de uso. além do registro e da busca de associação do conhecimento desenvolvido dentro da linguagem. Inicialmente prender cada grupo de três grampos entre si. Ainda em geometria. como indicado na ilustração do centro na figura 3. Após cada atividade. dentre outros.helder@accessueducacao. Solicitar aos alunos que façam um pequeno relatório ou tabela. correspondendo a cada conjunto de três grampos um vértice do tetraedro. Essa atividade enseja oportunidade de abordar de maneira intuitiva questões relativas aos quantificadores universais e existenciais e de suas negações. concluindo que todo quadrado é um retângulo. Depois de prontas as articulações. Colar três anéis de tamanhos diferentes.

custo. arame ou outros. caso contrário ficará flexível. sobre as vantagens e desvantagens de cada um dos materiais empregados. Em cursos de formação inicial ou continuada. clipes de papel. riscos de acidentes no processo. cada um deles produzindo esqueletos de poliedros utilizando um material específico (canudos de refrigerante e grampos de cabelo. Os grampos de cabelo poderão ainda ser substituídos por clipes de papel de tamanho adequado. Helder Filho . Ver foto 1).org 32 . como já afirmamos. tempo de elaboração. aqui exemplificando o processo de constante aperfeiçoamento de nosso acervo. conversando. depois. durabilidade. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. resistência. desenvolvemos um modelo de fácil confecção e uso. objetivos. potencialidade e limitações. referentes a custo. uma experiência interessante consiste em dividir a turma em grupos. segurança e apresentação. considerando. Dentre os diversos materiais didáticos que "evoluíram" no LEPAC destacamos o Geoespaço. 1958). resistência. onde eles serão inseridos após serem agrupados entre si. isto é. durabilidade. disponibilidade local dos insumos. direcionamento para os objetivos cognitivos programados e resultados estéticos. realizada em Madrid em 1958 (ADAM. visando criar ou adaptar kits existentes à realidade das escolas. de modo semelhante aos grampos.triangulares a figura será rígida. barbante. e conexões feitas com borracha de soro e canudos de churrasco ou pirulito. fita adesiva. com largura igual ao diâmetro interno do canudo. Baseado em um material sugerido para a construção e o estudo de prismas e pirâmides em uma publicação de uma mostra de materiais concretos para o ensino de matemática.helder@accessueducacao.

presas entre os ganchos dos dois planos. possibilitam trabalhar com geometria espacial em sala de aula com modelos tridimensionais. a visualização de cortes e planos de simetria.Simplificamos o modelo apresentado utilizando uma base de madeira. quatro cantoneiras que dão sustentação a uma placa quadrada de acrílico transparente de 4 mm. delimitados por ligas que formam polígonos nas duas malhas quadriculadas (ver exemplo na foto 2). e Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Um simples deslocamento de um dos polígonos e das borrachas correspondentes possibilita a rápida transformação de um prisma reto em um prisma oblíquo de mesma base. facilitando o seu transporte e armazenamento. Os dois últimos recursos apresentados. requer a realização de atividades voltadas para esses fins. a exemplo de uma eoleção de embalagens diversas. com quadrados de 3 cm de lado. O modelo pode ser desmontável. assim como a identificação e compreensão dos elementos que caracterizam um determinado tipo de sólido. evitandose recorrer apenas a figuras planas (no quadro ou livro) com representações de sólidos para tal.org 33 .helder@accessueducacao. em cujos vértices são fixados pequenos ganchos de cobre. Helder Filho . Nos dois planos (base de madeira e placa de acrílico) são traçadas malhas quadriculadas semelhantes. além da grande versatilidade. como a percepção espacial. Os esqueletos dos sólidos são construídos com ligas de borracha. preferencialmente iniciando-se com materiais presentes no cotidiano do aluno. utilizados pela indústria de mobiliário (e facilmente encontrados em casas de ferragens). tendo-se a visualização das vistas do poliedro facilitada pela transparência do acrílico. relações entre volumes. O desenvolvimento de habilidades específicas. entre outras.

posteriormente ampliando-se o estudo dos sólidos geométricos por meio das figuras obtidas com os canudos ou no Geoespaço, na direção da representação destes no plano. Os recursos apresentados nas fotos seguintes, descritos de modo sucinto, indicam a possibilidade de concretização de ideias criativas para um LEM, facilmente reprodutíveis, sem demandar custos financeiros de grande monta. O material da foto 3 é utilizado para substituir os blocos lógicos, nas diversas atividades possíveis de serem realizadas com esse material, sendo socialmente mais significativo e rico em termos de propriedades gerais, o que amplia consideravelmente as categorias para classificação em subconjuntos, entre outras vantagens. Na foto 4, temos dois jogos para as séries iniciais, um compreendendo uma trilha com círculos concêntricos feita com uma base descartável para bolo e outro uma mancala12 com copos de iogurte. Na foto 5, temos um jogo de pares, feito com potes para filmes fotográficos, com materiais semelhantes em seu interior (dois potes cheios até a metade com areia, dois outros com arroz, dois com clipes de papel, etc.) que, depois de misturados, devem ser separados pelos alunos em pares, identificados pela semelhança do som que produzem. Estimulam, além do trabalho com a idéia de par e a classificação de elementos sonoros, a concentração e a prática da auto-avaliação, uma vez que o próprio aluno pode, abrindo as tampas, conferir se suas respostas estão
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Mancala é um jogo de tabuleiro de origem africana, com mais de quatro mil anos, e que apresenta inúmeras variantes. As regras podem ser encontradas na internet ou em livros sobre jogos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho - helder@accessueducacao.org 34

corretas. As roletas, confeccionadas em EVA e tampas de potes de mostarda ou ketchup, ou com tampas plásticas circulares, substituem com eficiência os dados comuns, podendo ser numeradas de acordo com as necessidades específicas de uma atividade. O terceiro e último material da foto é produzido em EVA e restos de espirais de encadernação, compreendendo um quebra-cabeça com peças articuladas que, quando dobrado, pode gerar figuras de diversas formas, que podem ser classificadas pelos alunos de acordo com o número de lados, concavidade ou convexidade, ângulos internos, número de diagonais, entre outros. Na foto 6 um bingo feito com garrafas PET de diferentes tamanhos transforma-se em um atraente material para a prática do cálculo mental em sala de aula. O ábaco aberto, com base em EVA, pinos em lápis marcadores para quadrobranco e argolas de bases fixadoras de tampas de garrafas PET (de refrigerante ou água mineral) pode ser usado na representação e leitura de números na base dez, destacando-se as características de nosso sistema de numeração, a exemplo do valor posicional. É importante frisar que a utilização de todo e qualquer recurso didático exige cuidados básicos por parte do professor, entre os quais destacamos: i. Dar tempo para que os alunos conheçam o material (inicialmente é importante que os alunos o explorem livremente); ii. Incentivar a comunicação e troca de ideias, além de discutir com a turma os diferentes processos, resultados e estratégias envolvidos; iii. Mediar, sempre que necessário, o desenvolvimento das ati-vidades por meio de perguntas ou da indicação de materiais de apoio, solicitando o registro individual ou coleti-vo das ações realizadas, conclusões e dúvidas; iv. Realizar uma escolha responsável e criteriosa do material; v. Planejar com antecedência as atividades, procurando conhecer bem os recursos a serem utilizados, para que possam ser explorados de forma eficiente, usando o bom senso para adequá-los às necessidades da turma, estando aberto a sugestões e modificações ao longo do processo, e vi. Sempre que possível, estimular a participação do aluno e de outros professores na confecção do material. Alguns princípios a serem promovidos em sala de aula, defendidos por Irene Albuquerque (1951), dentre os quais, possibilitar variadas experiências de ensino relativas a um mesmo conceito matemático; atribuir significado para a aprendizagem; criar situações para que o aluno redescubra padrões, regras e relações e "criar um ambiente agradável em torno do ensino de matemática, promovendo o sucesso e evitando o fracasso", são facilitados no espaço de um LEM.
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Tais princípios, desenvolvidos em todos os níveis de ensino, deverão estar teoricamente bem fundamentados, baseados em um profundo conhecimento dos conteúdos matemáticos, dos resultados de pesquisas, da elaboração, estudo e confecção de recursos didáti-cos e na execução de projetos envolvendo escolas da região, o que possibilita uma permanente avaliação qualitativa do trabalho realizado. Finalizamos defendendo a importância de um LEM em escolas de educação básica e em instituições superiores envolvidas em cursos de formação de professores, considerando em especial o grande distanciamento entre a teoria e a prática, hoje ainda predominante nas salas de aula em todos os níveis de ensino; a baixa conexão entre os conteúdos de matemática e destes com as aplicações práticas do dia-a-dia e a necessidade de promoção do desenvolvimento da criatividade, da agilidade e da capacidade de organização do pensamento e comunicação de nossos alunos.

Referências bibliográficas do texto
ADAM, P. Puig (1958). El material didático matemático actual. Madrid, Espanha, Inspeccion Central de Ensenanza Media. ALBUQUERQUE, Irene de (1951). Metodologia da matemática. Rio de Janeiro, Conquista. BEZERRA, Manoel Jairo (1962a). Recreações e material didático de matemática. Rio de Janeiro. ________ . (1962b). O material didático no ensino de matemática. Rio de Janeiro, MEC/Caderno CEDES. GROSSNICKLE, F.E. &BftUECKNER,Leo J. (1965). O ensino da aritmética pela compreensão. Rio de Janeiro, Fundo de Cultura. IGNÁTIEV, E.I. (1986). En el reino dei ingenio. Moscou, Mir. REGO, Rogéria G. & REGO, Rômulo M. (2004). Matematicativa. 3. ed. João Pessoa, EdUFPb. ________ (1999a). Matematicativa II. João Pessoa, EdUFPb. _________. (1999b). Figuras mágicas. João Pessoa, EdUFPb. REGO, Rogéria G.; REGO, Rômulo M. & GAUDENCIO JR., Severino (2003). A geometria do origami. João Pessoa, EdUFPb.

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Ligar um canudo ao outro pode parecer algo compl complicado a princípio. OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS A geometria é. to torna possível a visualização de alguns elementos que na atividade com cartolina são menos notados. mas essa tarefa ficará mais fácil depois de alg algumas tentativas. como a mostrada na figura ao lado. Desse se jeito não será preciso dar um nó. além de possibilitar que a criança construa e e estruturas e "brinque" com a geometria espacial. Helder Filho . a atividade que é proposta aqui. Quando se trata de figuras planas esse método não representa grande dificu dificuldade p para o aprendizado da criança. Concluída esta etapa temos a estrutura como mostrada na figura ao lado. Se o tetraedro é regular então o triângulo deverá ser equilátero. Mas o mesmo não se pode dizer quando se deseja ensinar os elementos da geometria espacial.3. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 37 . Depois de passar o barbante pelos canudos pa passa-se novamente pelo primeiro canudo da fileira. em que a criança tagem recorta um desenho numa folha de cartolina e. A estrutura mais simples para se montar é a a do tetraedro (poliedro de quatro f faces) que possui 6 arestas e 4 vértices. sugiro a utilização de canudos de refrigerante na montagem de estruturas geométricas. neste material. para montá-lo será necessário dispor de 6 lo canudos de refrigerante. atr através de dobraduras e colagem. Estes elementos nos são as arestas e os vértices dos sólidos. sinar Portanto. Para começar a construção da estrutura deve iniciar pela deve-se base (alicerce). Pegamos a ponta do barbante que acabamos de passar pelo canudo da base e passamos por dois ou outros canudos. freqüentemente. ensinada no quadro negro ou através de livros didáticos.helder@accessueducacao. Porém. A constr ção da base começa pa construção passando-se sando o barbante por três canudos. Na figura ao lado nota nota-se que cada aresta do tetraedro corresponde a um canudo. ai ainda. que é um triângulo. monta um sólido ge geométrico. Assim já podemos levantar o tetraedro. Pode-se ensinar geometria espacial por i se intermédio da montagem de sólidos. que também é uma pirâmide de base tria triangular. edro Portanto.

podemos perceber que três pentágonos compartilham o me mesmo vértice. Mas p . A ponta sairá na outra extremidade e poderemos passá pelo último canudo. Com isso as extremidades adjacentes dos canudos ficarão conectadas. passaremos mais uma vez o barbante por dentro do canudo mostrado na figura. Helder Filho . mas se manuseada ela pode deformar deformarse. la 3. ela não fica de pé facilmente. Assim t teremos 60/2 = 30 arestas neste sólid sólido. Contudo.Em seguida passamos o barbante por mais um canudo da base. ou seja.helder@accessueducacao. Em vez de usar barbante para unir os canudos pode se usar bolinhas de isopor ou massa de mod pode-se modelar.org 38 . de 12 canudos. o que resultaria em 5·12 = 60 arestas no dodecaedro. O mesmo procedimento é utilizado para as arestas: temos 5 arestas em cada pentágono. assim. Sendo preciso fazer várias conexões entre os vértices a opostos. Porém a estrutura não ficará estável. faremos para fechar o t tetraedro. Ou seja. Já a pirâmide de base quadrada fica de pé. Porém um jeito que achei mais interessante é através da Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Outro poliedro que pode ser montado é o cubo (hexaedro). resultando em 60/3 = 20 vértices ao todo. teríamos 5·12 = 60 vértices. Construindo um Dodecaedro com Canudos Um dodecaedro é um poliedro regular de 12 faces. Para construí-la serão necessários 8 canudos. Há muitas maneiras de se construir um dodecaedro. necessitando. Como cada pentágono possui 5 vértices. notamos que dois pentágonos são ligados pela mesma aresta. Ele tem 6 faces e 12 arestas. Para que a estrutura fique bem firme é interessante passar o barbante duas vezes pelo mesmo canudo. passá-la Assim como fizemos para fechar o triângulo da base. e cada face é um pentágono ecaedro de lado l.1.

helder@accessueducacao. De início se nota que cada aresta co corresponderá a um canudo. Eu usei barbante passando pelos canudos para construir a estrutura. Todavia. 20 canudos de comprimento 1. Lista de materiais 30 canudos de comprimento l para as arestas.4·l. Veja a figura: A construção começa pela base. Mas.estrutura montada com canudos de refrigerante. e muita paci paciência. no mínimo um barbante de comprimento 116· . utilizando Pitágoras. e depois levantamos a p nstrução pirâmide. encontramos o comprimento dos canudos que ligarão os vértices como sendo de 1. Por fim. dodecaedro de arestas medindo 20 cm. a estrutura não ficará estável e o seu dodecaedro poderá virar um "tortaedro".4·l. Ao t todo será necessário usar 50 canudos e muito barbante. Depois de alguma álgebra é possível concluir que a altura h da pirâmide vale: Lembre-se que l é o lado do pentágono.4· . ou seja. Contudo.org 39 .4· 1. d dependendo do método que se o usa para unir estes canudos. Em seguida são apresentados alguns poliedros que podem ser construídos com canudos: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Para essa brincadeira precisei de mais 20 canudos! Um para cada vértice. que corresponde 116·l. que é um pentágono. Mas não é uma pirâmide qualquer. e também o comprimento dos canudos comprimento que formam as arestas. precisei ligar todos os vértices ao centro do dodecaedro. pois o dodecaedro deverá ter no fim do pr processo 12 pentágonos iguais. 3. e para que isso ocorra esta pirâmide deverá ter uma altura específica. como mostrado vértices na figura. 30 canudos. Através das características do pentágono podemos encontrar a apótema a e a disavés tância b do centro ao vértice do pentágono.2. os canudos têm compr comprimentos diferentes. se você for construir um 1. ou seja. Helder Filho . para a estrut estrutura ficar firme. para a estrutura interna. a duas passadas em cada canudo.4·20 deverão = 28 cm. então os canudos internos deverão medir 1.

6 vértices. A = 30: F+V-A = 20+12-30 = 2. 5 vértices. 12 vértices. 30 arestas e 30 canudos canudos. Pirâmide de base quadrada: F = 5. 6 vértices. Segundo este teorema. Atividade 1: Construção de um tetraedro regular Material a ser utilizado: Ø Um metro de linha nº 10. V = 5. A = 15: F+V-A = 10+7-15 = 2. V = 12.Pirâmide de base quadrada Pirâmide de base pentagonal Octaedro 5 faces. V = 7. Para finalizar. 8 arestas e 8 canudos. o teorema de Euler sobre poliedros pode ser uma brincadeira interessante. V = 6. Icosaedro: F = 20. 3.3. 20 vértices.org 40 . A = 6: F+V-A = 4+4-6 = 2. 12 faces. Dodecaedro: F = 12. A = 30: F+V-A = 12+20-30 = 2. V vértices e A arestas. se pegarmos um poliedro de F faces. Mas. 12 es. Icosaedro 10 faces. Octaedro: F = 8. Decaedro 6 faces. Cubo: F = 6. V = 4. A = 12: F+V-A = 8+6-12 = 2. arestas e 12 canudos. 20 faces.helder@accessueducacao. será que funciona mesmo? Vamos ver: Tetraedro: F = 4. Decaedro: F = 10. A = 8: F+V-A = 5+5-8 = 2. 7 vértices. 30 arestas e 50 canudos (30 das arestas e 20 dos vértices). 15 arestas e 15 canudos. teremos a seguinte relação: F + V – A = 2. Dodecaedro 8 faces. º Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. a título de curiosidade. A = 12: F+V-A = 6+8-12 = 2. 10 arestas e 10 canudos. V = 20. Helder Filho . V = 8.

Agora. Com pedaços de canudos e o fio de linha.org 41 . Helder Filho . Atividade 2: Construção de um octaedro regular Material a ser utilizado: Ø Dois metros de linha nº 10. dois a dois. passe-o através de três pedaços de canudo. é necessário reforçá-los passando o fio de linha mais de uma vez por cada pedaço de canudo. passe o restante da linha por mais dois pedaços de canudo. construa quatro triângulos e os uma. conforme o esquema apresentado abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Ø Doze pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (novamente sugiro a medida de 8 centímetros). passe a linha por um dos lados desse triângulo e pelo pedaço que ainda resta.Ø Seis pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (sugiro 8 centímetros). construindo um triângulo e o feche por meio do um nó. Tome o fio de linha. para se dar firmeza aos vértices de uma estrutura. ligando-o aos outros dois. Essa estrutura representa as arestas de um tetraedro regular e as etapas intermediárias de sua construção estão representadas abaixo: Nas construções das estruturas é importante observar que.helder@accessueducacao. Observe a figura abaixo: 3.4. fechando a estrutura com um nó. juntando-os e formando mais um triângulo com um dos lados do primeiro triângulo. Finalmente.

Una cada uma das pirâmides através dos vértices das bases.org 42 . Ø Seis pedaços de canudo de mesma cor (cor diferente dos canudos mencionados acima) medindo 11. Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais Material a ser utilizado: Ø Dois metros de linha nº 10.helder@accessueducacao. por meio de pedaços de canudos.3. Construa quatro triângulos seguindo o esquema abaixo e os una obtendo uma pirâmide regular de base pentagonal. Com os doze pedaços de canudo da mesma cor construa um cubo de 8 cm de aresta. Atividade 3: Construção de um icosaedro regular Material a ser utilizado: Ø Três metros de linha nº 10. Observe que ainda faltam dois canudos para completar as arestas do cubo. Ø Doze pedaços de canudo de mesma cor medindo 8 centímetros cada.6. construa mais um quadrado. como a desenhada na figura b (abaixo). Se você não conseguir realizar essa tarefa.5. observe o esquema abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. de tal forma que em cada vértice se encontrem cinco canudos. Considerando um dos lados desse quadrado e passando a linha por mais três canudos. passe o fio através de quatro canudos e passe a linha novamente por dentro do primeiro canudo. Helder Filho . Prenda-os de maneira a completá-lo. Repita essa construção. 3.3 centímetros. Ø Trinta pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (sugiro a medida de 7 centímetros). Para isso. construindo um quadrado. obtendo mais uma pirâmide.

então é necessário tornar essa estrutura rígida. Helder Filho .Se você observou que a estrutura construída não tem rigidez própria. construa uma diagonal em cada face. sugiro a seguinte tarefa: com os seis pedaços de canudo de cor diferente (11. ela se enrijecerá. pois os seus lados não ficam por si só perpendiculares à superfície da mesa.helder@accessueducacao. notamos que se construirmos triângulos nas faces dessa estrutura ou no seu interior. Nesse processo. Dando continuidade a esse raciocínio.3 centímetros).org 43 . Que estrutura você construiu? Observe a figura abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. de moda que em cada vértice que determina a diagonal cheguem mais duas diagonais.

Moor. que. Porto Alegre: Artmed. Introdução O jogo está intimamente ligado à espécie humana. Entretanto. portanto. necessária para enfrentar os desafios na vida. APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO13 Jesus Paredes Ortiz14 4.1. Aparece como mecanismo de identificação do indivíduo e do grupo. é sentir os conhecimentos. A atividade lúdica é um elemento metodológico ideal para dotar as crianças de uma formação integral. é um caminho para a solução defendida por Einstein (1981): "A supervalorização do intelectual em nossa educação. portanto. a criança aprende valores humanos e éticos destinados à formação integral de sua personalidade e ao desenvolvimento motor e intelectual. favorece os sentimentos de comunidade. à guerra. Giles Ferry (citado por Bandet Aprendizagem através dos jogos. Sob este ponto de vista. tão importante como adquirir. O jogo é um fenômeno antropológico que se deve considerar no estudo do ser humano. ao sagrado. Blanchard e Cheska. Apesar disso. a posição da pedagogia atual converteu "o princípio do jogo ao trabalho" (Marin. à sua história. Deve-se estimular as atividades lúdicas como meio pedagógico que. à arte. Desde a infância. aprendeu a viver. 1982) em máxima da didática infantil. É uma constante em todas as civilizações. ajudam a enriquecer a personalidade criadora. 1976). já que fazem da própria vida um jogo constante.helder@accessueducacao. 2005. esteve sempre unido à cultura dos povos. Atrevo-me a afirmar que a identidade de um povo está fielmente ligada ao desenvolvimento do jogo. é gerador de cultura. O ser humano sempre jogou. aos costumes. O jogo deve ser utilizado como meio formativo na infância e na adolescência.4. 1981. às vezes menos e.org 44 13 . o jogo potencializa a identidade do grupo social. traduzido por Valério Campos. Dessa forma. como as artísticas e musicais. a criança aprende a conhecer e a compreender o mundo social que a cerca" (Ortega. ele não era bem-visto pela pedagogia tradicional. Cagigal. é um facilitador da comunicação entre os seres humanos. Para qualquer aprendizagem. as crianças aprendem jogando. à literatura. junto com outras atividades. "O verdadeiro valor do jogo reside na quantidade de oportunidades que oferece para que a educação possa ser levada a cabo" (Gruppe. ao mágico. à língua. "Jogar não é estudar nem trabalhar. joga às vezes mais. mas. Organizado por Juan Antonio Moreno Murcia. A esse respeito. 1938. por sua vez. a educação e o jogo não eram considerados bons aliados. A atividade lúdica é tão antiga quanto a humanidade. 1986) classificam-no como elemento antropológico fundamental na educação. Gruppe. aprendeu normas de comportamento que o ajudaram a se tornar adulto. Contribui para fomentar a coesão e a solidariedade do grupo e. 1976. em todas as circunstâncias e em todas as culturas. O jogo. O jogo serviu de vínculo entre povos. jogando. portanto. Alguns teóricos (Huizinga. através do jogo. dirigida à eficácia e à praticidade. 1990). prejudicou os valores éticos". Felizmente. ao amor. Helder Filho . (páginas 9 a 28) 14 Universidade Católica San Antonio de Murcia Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. 1979. O ensino deve favorecer uma participação mais ativa por parte da criança no processo educativo.

O jogo é a primeira expressão da criança. não se tratará de adquirir conhecimentos. essa palavra está em constante movimento e crescimento. mostraremos brevemente a etimologia das palavras que significam jogo em distintas sociedades. Divertir-se enquanto aprende e envolver-se com a aprendizagem fazem com que a criança cresça. 7º). 1980) e jogar por jogar é a primeira disciplina a ser cursada (Feslikenian. A importância e a necessidade do jogo como meio educativo foi além do reconhecimento e se converteu em um direito inalienável das crianças: "A criança desfrutará plenamente do jogo e das diversões. a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o cumprimento desse direito" (Declaração Universal dos Direitos da Criança. Assim. tanto na escola quanto na própria vida. a mais pura e espontânea. mas de aprender a transformar-se. Aprender jogando é o primário. logo. Pode ser um elemento essencial para preparar de maneira integral os jovens para a vida. Buytendijk (1935) oferece-nos uma análise etimológica da palavra "jogo". 1974).helder@accessueducacao. A seguir. As características do jogo fazem com que ele mesmo seja um veículo de aprendizagem e comunicação ideal para o desenvolvimento da personalidade e da inteligência emocional da criança. tentando deduzir os sinais característicos dos processos a que se refere. encontramos um estudo de Dehoux (1965) que inclui a seguinte citação de Flaubert: "As causas principais dos nossos erros provêm. da alegria e do lazer. a criança deve ser protagonista de sua educação (Imeroni. a mudar. está continuamente presente. quase todas. 4. Este objetivo aponta para a busca do equilíbrio vital. O jogo é um elemento transmissor e dinamizador de costumes e condutas sociais. 1975) acrescenta que. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. A palavra jogo aparece como uma simples atividade humana. E necessário aprender em todas as etapas da vida para formar de maneira harmónica a personalidade da criança e com ela desenvolver e manter um fio vital de expressão e de entendimento com o mundo que a cerca.e Abbadie. Helder Filho . necessária para alcançar o desenvolvimento completo. que deverão estar orientados para finalidades perseguidas pela educação. na escola do futuro. A complexidade do termo é determinada pela preocupação de explicar melhor a natureza humana. Nos fala do "movimento de vaivém" (hind und her bewegung). então. "Seria ideal que o objetivo máximo da educação fosse a felicidade e. a realização pessoal e social. 1991). jogo é sinônimo de conduta humana. primeiro na vida escolar e depois em sua vida profissional. e faz parte de nossa maneira de viver e de pensar. Sobre a etimologia do termo jogo Fazendo referência à importância do verdadeiro significado dos termos e sua aplicação à cultura. do mau uso das palavras".org 45 . Atendendo a essas duas funções que o jogo deve cumprir. da espontaneidade. a mais natural. A aprendizagem. mude e participe ativamente do processo educativo. O jogo deve cumprir duas funções na escola como conteúdo e como finalidade: a educação através do jogo e para o jogo. o mais simples e natural na criança.2. Aceitou-se com a naturalidade de um simples ato. art. Rojas (1998) vai ainda mais longe e faz uma afirmação tão categórica quanto bela: "A meta do homem na vida é ser feliz". já que é o menos traumático. o jogo teria um papel predominante" (Delgado. Diz que a criança distingue muito bem o que é jogo e o que não merece sê-lo. como comer ou dormir.

Em árabe. balanço. que significa duvidar. recreação. especialmente ao infantil. ao burlar. juntam-se os significados de irradiar. Helder Filho . Serve também para se referir ao agitar do vento e às ondas. por um lado. os germânicos e o francês em representação dos românicos. Nos idiomas semíticos. Presente também aparece em sânscrito como kliada. la'ab significa zombar e rir. cujo significado é infância e educação das crianças. O ponto semântico comum em todas essas palavras que expressam o conceito jogo parece ser um movimento rápido. o alegre. jogar e "παιγµα e παιγνιον". A raiz lila aparece em lilayati. mas também se refere aos grandes jogos (é impossível separar a competição no mundo grego do trinômio jogo. conserva-se em algumas canções tradicionais. Em castelhano. o livre e o transcendental do jogo. excursão. de brincadeira e de diversão. que significa algo que se move. la'iba é jogar em geral. Em antigo índio. O grego possui uma expressão para o jogo infantil com o sufixo "inda". As coisas são apresentadas como se as classes superiores sempre se expressassem jogando. podendo se referir. a palavra mais usada é "παιδια". que significa jogo. soar de novo. rir. que tem em comum o árabe la’iba com alguns idiomas modernos. jogar dardos. festa e ato sagrado). Em hebreu-aramaico. no Antigo Testamento. algo como "criancices". Divyati refere-se ao jogo de dardos. o jogo é marcado pela raiz la'ab. sabemos de palavras mais importantes para se referir à função lúdica: wan. com referência a todas as formas de jogo e de brinquedos. que é brincar. Em grego clássico. que significa oscilar. há a raiz nrt. Também é interessante comprovar o significado de "jogar um instrumento musical". Em japonês. torneio. a qual se refere a jogo. que significa jogar. Em chinês. que Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Ainda há: "παιζω". com o significado de jogo. jogar e estar ocupado ou fazer algo. não apenas limitada ao jogo infantil. O francês é o único idioma românico que utiliza essa forma. aparece "παιγνιωδησ". dos adultos e dos animais. relativo ao jogo infantil. laikan significa jogar e saltar. da palavra "παιδια/παιδεια". mas se diferencia no acento. que significa jogar. Refere-se ao jogo. e sai. tscheng. relacionando-se também com o termo irradiar. aparece. vaivém. utiliza-se o substantivo asobi para se referir a jogo e o verbo asobu. mesmo que seu significado primário seja rir. aparecer repentinamente. a forma sahaq.A raiz do vocábulo jogo aparece em indoeuropeu como *aig-. que se refere a todo o campo da dança e à representação dramática. o ligeiro. competição em que se obtém prémio ou então campeonato. diversão e. "lila" também é o aparente. No gótico. "αγων" é o jogo de competição e luta. a saltos ou à dança em geral. com a mesma etimologia. e. É da mesma etimologia. alegria. o que poderia indicar alguma influência germânica. a imitação própria do jogo. Com significado parecido.org 46 . brincar e também dançar e jogar. expressão similar é la'at. Na raiz las. Em hebraico. que descreve o jogo das crianças. com o sentido de tocar. inclusive. O termo mais usado é kridati. oscilar e mover-se. por outro. ao aprontar. temos a forma éjati e também íngati. mesmo que seu primeiro significado seja jogar fora. "αθυρω e αδυρµα" referem-se à ação de jogar. ao zombar. mas também ligada a bom humor e diversão. ao brincar em geral.helder@accessueducacao. Assim se expressou o aéreo. diversão. Além disso. O sânscrito possui diferentes raízes para se referir ao conceito de jogo. distração. Também se utiliza o termo "παιγνια". zombar. para se referir a qualquer jogo competitivo. de que procede vilasa. zombar.

Em antigo escandinavo. Segundo Huizinga. esporte. diversão). jogada. havia três formas de se referir a jogo com os seguintes significados: huweleec. lusi. em sueco. Helder Filho . jogo. No holandês antigo. desafio). lâc e lâcan. de que procedem o alemão pflegen e o holandês plegen (em latim vulgar. brincam de ser rei. diversão. que significa jogo e jogar. jogo público. jogo de lançamento. músico e malabarista. dando lugar a lúdicro e não-lúdicot mesmo que aceito em castelhano. com referência a jogo. sacrifício. jogo. Em húngaro: JÁTEK (játek). e também provém ludicrus. utilizava-se o substantivo leich. Ludo. Também significa movimento rápido e tocar um instrumento. leika. entre os quais tocar instrumentos. brincar. em norueguês: spill. com a corda. "στρεπτινδα". Para o estudo etimológico. divertido. jongleur. A partir do século XII. diversão. Em romeno e catalão: joc. oferenda. presente em geral. espetáculo. em basco: jolas. plegium). homem que joga. huweleic (contrair matrimonio). Têm relação direta com essa palavra: ioculator. lusum é o ato de jogar.org 47 . aparece yogar com vários sentidos. um favor e até generosidade. ou ludicrum -i. No velho nórdico. jogo. Em eslovaco: HRA (hra). em neerlandês. o recreio. as crianças gregas jogam com a bola "σφαιριδα". iocus -i. passatempo. Este plegan corresponde exatamente ao plegan do velho alto-alemão e ao plega do alto frisão. Por exemplo. entretenimento. essa palavra era usada para se referir ao significado de burla. "ελκυστινδα". iocari não designa o verdadeiro sentido do jogo ou o jogo autêntico.helder@accessueducacao. ludus. -crum. em polonês: GRA (grã). em antigo eslavo. No antigo anglo-saxão. ligeireza. Em italiano: giuoco. feestelijk (festa). diversão. diversões. passatempo. Em inglês play (jogo. No antigo alemão. passatempo. Em bielo-russo: IRRÁ (igrá). leikr. Em antigo eslavo. deve-se considerar também ludus -i. russo antigo e atual UGPÁ (igrá). em búlgaro: URRA (igrá). plegan. saltar. ludere abarca o jogo infantil. ioci. De onde deriva-se lusus -us. em servo-croata: URRA (igrá). diversão. dança e exercícios corporais. Trapero (1971) afirma que jocus significa chiste. significando bardo. A expressão lares ludentes significa dançar. No velho frisão: fyuchtleek. A base etimológica de ludere seguramente se encontra no que não é Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. spelet. tocar um instrumento). que produz grande prazer. músico. a competição. Vimos que as línguas germânicas utilizam o verbo jogar para se referir também a tocar algum instrumento musical. tal expressão origina-se do velho inglês plega. a representação litúrgica e teatral e os jogos de azar. de ludicer -era. cantor. vechtelic (combate). russo antigo e atual urpá (igrá). joko. juglar. "βασιλινδα". gozação. spel. eiken (atrevido. em alemão: spilan. Em ucraniano: RRA (grá). do ponto de vista semântico. No castelhano medieval. corresponde a spielman. também se utiliza game (jogo. em tcheco: HRA (hra). Segundo Huizinga (1952). vocábulo latino que abarca o campo do jogo. em português e galego: jogo. movimento rápido e suave como o do pêndulo. Em esloveno: IGRA (igra). diversão. dança e exercícios físicos. spel. Em inglês. selvagem). brincadeira. mover-se.significa jogar. Afirma Corominas (1984) que o vocábulo jogo procede etimologicamente do latim iocus -i (brincadeira. alegria. é o gosto pela dificuldade gratuita. Na Idade Média. jogos.

joc e jogar. jouer du piano. para se referir aos filhos ilegítimos frutos da brincadeira. designa-se o jogo com apenas um vocábulo. aventura ou risco. No Dicionário da Real Academia Espanhola de 1837. iocari. "jogar limpo". fazer algo com o único propósito de se entreter ou divertir. "era hrincadeirinha". A palavra juego é empregada com o significado de entretenimento ou diversão e jugar. para investidores. que significa brincar. não deixando marca nas línguas românicas. jogo e jogar. Corominas (1984) assegura que as primeiras documentações da palavra jogo. temos juego (iocus). em outras ocasiões. "desempenhar um papel imprescindível". "jogar na bolsa". enquanto a própria função de jogar teve caráter primário. e game quando se alude ao seguimento de uma prática lúdica que se caracteriza por regras estritas. que significa brincar. ação e efeito de jogar. há conotações eróticas. aparece juego (ludus). "brincadeira de crianças". Em alguns idiomas. divertir-se com algum jogo. com relação às origens idiomáticas. que designava. participar de um jogo. "jogos de emoções". lugares para o jogo de bola no México e na Guatemala. como se depreende da expressão "brincar com fogo". comportar-se de forma desleal. por vezes. "Jogo de bola". "jogar". diversão ejugar (ludere). para descrever um ato fácil ou inocente. "brincar com uma pessoa". como em castelhano. brincar. ação deflagrada espontaneamente pela mera satisfação que representa.sério. Helder Filho . em italiano. Em castelhano. passatempo e diversão. pode se tratar de um termo criado com a instituição. quando utilizados no campo do jogo e de jogar. como falta de responsabilidade. entreter-se. formando com ela a palavra spielkin. Segundo Huizinga. também pode ser utilizada em sentido figurado. jeu ejouer. tanto em inglês quanto em francês: to play the piano. também se pode empregar com o sentido de se aproveitar ou zombar de alguém. obras dramáticas e novelas. giuoco e giocare. Segundo o dicionário etimológico do latim (Ernout-Meillet). em português. ou como obra de honestidade. "jogo de Adão". Os vocábulos juego e jugar têm muitas acepções e interpretações. como no alemão spielen. O próprio autor destaca que o termo que abarca o conceito de |ogo e jogar desaparece. aparecem no Mio Cid e em Gonzalo de Berceo. Por exemplo. em outros. fazer algo de modo arriscado. azucrinação. a relação é com a arte. drama semilitúrgico. ajuste de contas. em catalão. Seguir historicamente a evolução fonética da palavra jogo é um trabalho difícil. no simulacro e na trapaça. ocupar certa posição. mas que não impede detectar que todas as línguas românicas ampliaram seus vocábulos iocus. permanecendo em um nível menos avançado os termos ludus. se divertir.helder@accessueducacao. o desaparecimento do termo ludus pode ser devido tanto a causas fonéticas quanto semânticas. Ao mesmo tempo. em inglês usa-se play para se referir ao jogo como atividade pouco codificada. turbulenta. espontânea e. do vocábulo ludus i não há apenas palavras indo-européias conhecidas para essa noção. sem dúvida religiosa. ludere. manifesta que a abstração do fenómeno jogo teve lugar em algu-tnas culturas de modo secundário. juego e jugar. joc e juca. "jogar-se à vida". el juego del amor. mais do que no campo do "mover rápido". ser um herói. usase mais de um termo. possivelmente de origem etrusca. No Dicionário da Real Academia Espanhola atual. ao se referir aos termos jogo e jogar.org 48 . em que se ganha ou perde. jugar (iocari). "pôr em jogo". outras vezes. em francês. juramento do "Jogo de Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. em romeno. entretenimento. exercício recreativo submetido a regras. "jogar com a sorte".

as crianças adquirem a palavra jogo dos adultos. O aspecto lúdico do jogo (do latim de ludicrus) é essa atividade secundária relativa ao jogo. joc. para o homem. etc. diversão. entretenimento. A esse respeito. Mas quando se estuda a brincadeira no mundo infantil. também há conotações de tipo erótico. É quase impossível compreender os traços de uma pesquisa para o significado etimológico. Entre os germânicos. competição poética. por exemplo. Por outro lado. Como pudemos comprovar. play. e. Para Elkonin (1980). ludus-us e ludicrus (ou cer era. Entre os romanos. em países germânicos. Em sânscrito. giuoco. como. Sobre o conceito de jogo A palavra jugar (do latim iocari) significa fazer algo com espírito de alegria e com a intenção de se divertir ou de se entreter. crum)". A palavra jogo provém etimologicamente do vocábulo latino iocus. ou da mais inocente criança à mais séria aposta na bolsa de valores com a finalidade de ganhar dinheiro. alegria. é perigoso". satisfação. ludus -i significava alegria. rapidez. o que nos interessa. a brincadeira não é um conceito científico no sentido estrito.org 49 . se denomina "criancices". do jogo mais infantil à mais trágica das encenações no teatro ou à mais divertida comédia circense. foi associado a todo ato de falta de seriedade ou feito de forma leviana. mas o certo é que elas existem e em diferentes idiomas. game. denominadas lúdicas.helder@accessueducacao. Delgado e Del Campo (1993) nos explicam a brincadeira como necessidade na vida. emprega-se o vocábulo tanto no sentido figurado como no direto ou fundamental.3. prazer. Para Petrovski (citado por Elkonin). o significado de "jogo" apresenta algumas diferenças entre povos distintos. educação. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Segundo diferentes estudiosos do tema. "jogos florais". a palavra jogo era empregada com relação a risadas e brincadeiras. o prazer da dificuldade gratuita. Como vimos. gioco. à ideia de luta. a palavra juego (jogo. relaxamento de outras atividades consideradas mais sérias. divertimento e responsabilidade acompanhada de alegria. que significa brincadeira. kliada. spiel.) começou a significar em todas as línguas um grande grupo de ações que não requerem trabalho árduo e proporcionam alegria. urpa. joko. Entre os hebreus. em muitas ocasiões. recreação. hoje. Para os gregos antigos. é difícil saber em que momento aparecem e qual o significado dessas locuções e suas conotações. graça.bola". jolas. O ser humano pratica atividades ao longo de sua vida. jeu. frivolidade. já que aparece a transposição de significados na história da transnominação. o jogo significava as ações próprias das crianças e expressava principalmente o que entre nós. que lhe servem de distração. passatempo. paixão ou amor. jogo. promessa solene feita pelos deputados franceses do Terceiro Estado (23-6-1789). deve-se considerar também o significado do vocábulo ludus -i: o ato de jogar. Há contrastes: seriedade e alegria. Posteriormente. recordando uma citação de Sófocles: "Quem se esquece de brincar que se afaste do meu caminho. Esse vocábulo latino dá mais um sentido ao jogo: ludus-ludere. observamos tanta seriedade como no trabalho mais responsável do adulto. Houve má familiarização com o termo jogo. que se cultiva unicamente pelo prazer. a antiga palavra spilan definia um movimento rápido e suave como o do pêndulo que produzia um grande prazer. 4. relaciona-se ao meio artístico e estético. diversão e que ocupam tanto a vida central da criança como o tempo de ócio e recreio do adulto. Para seu estudo. Helder Filho . porque. o trabalho.

Assim. traduzindo-se em matéria. físicos. na própria vida. em outras. até a mais avançada idade. o entretenimento e a alegria. Graças à racionalidade. A brincadeira nasce espontânea e cresce junto com a criança durante os diferentes estados evolutivos até chegar. necessita de distração. não apenas na etapa infantil. superando a idade biológica mesmo que com conteúdo diferente e cumprindo distintos objetivos na vida.org 50 . em sua energia. improdutiva. Acompanha o crescimento biológico. O sábio sabe que brinca e saboreia jogar. O jogo entre crianças é muito sério. O jogo é parte do caráter do ser humano em sua formação. ao vício ou ao pecado. como a outra face do trabalho. Por acaso carece de seriedade e concentração o ato de lutar. e nem por isso deixa de ser séria a realização pessoal do humano adulto. O adulto também aprende. plural. além disso. o ócio. se realiza. mas na maioria das iniciativas racionais que tomamos diariamente. Mesmo que nem sempre se queira reconhecer. em sua personalidade. seriamente. de tomada de responsabilidade individual ou coletiva.helder@accessueducacao. com ele aprendemos a aproveitar. pode brincar consigo mesmo. cenário impulsionador de ordem. heterogénea. a luta Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. A brincadeira. mesmo que com diferentes objetivos.Tal necessidade psicobiológica nasce com a criança e acompanha o ser humano ao longo da vida. A brincadeira envolve toda a vida da criança. qualquer jogo. Cumpre a missão de nutrir. realidade lógica. Assim. muitas vezes associada à perda de tempo. 1993). não-séria. O ser humano necessita permanentemente de entusiasmo. no amadurecimento e na aprendizagem do ser humano. sua gratuidade foi classificada como prova de que é pouco importante. divertir-se e aprender são modos verbais inerentes ao ser humano. de entretenimento e seriedade nos atos. o verbo jogar. Apesar dessa observação pessimista. psicoemocional e espiritual do homem. A simplicidade da ação de jogar é absolutamente universal. O jogo não carece de seriedade. formar e alimentar o crescimento integral da pessoa. Contudo. todos os jogos fazem jogo. brincar está presente na necessidade de motricidade que enriquece a evolução do feto no ventre e vai acompanhar a vida de cada um de nós até a velhice. a ternura brotam com a compaixão do quebra-cabeças da vida (Delgado e Del Campo. e sempre visto como algo insignificante. ao ser acompanhado de regras ou normas. uma realidade mais ou menos mágica e. da seriedade e da alegria. o humor. ao se modelar sob parâmetros voluntários ou obrigatórios. O jogo é uma constante vital na evolução. precisa de humor. complementar. Helder Filho . ao estado adulto e à velhice. Brincar. na configuração da inteligência. se desafoga. Tente mudar uma regra ou improvisar para ver o que acontece. é uma constante de nossas vidas. mais ou menos relacionada com a vida cotidiana. sociais e/ou morais. O jogo transcorre no mundo da fantasia. Tudo isso pode ser proporcionado pelas vivências do jogo: um enriquecimento integral. Traduz-se como espírito. indispensáveis na vida de qualquer grupo sociocultural. flexível e tão ambivalente quanto necessária. o sorriso. estado emocional do ser humano e se mostra através do ato motor em movimento. na idade adulta. Isto também pode seguir vivo no estado adulto. é um meio de aprendizagem espontâneo e exercita hábitos intelectuais. em suas distintas formas. como ela e com ela. por conseguinte. torna-se jogo. como o binômio seriedade-regozijo.

'íJogo ou jogar expressa algo claro. fazendo dele uma conduta conhecida. 1981). O jogo se formará a partir de ações que a criança não domina com suficiente destreza. passatempo ou diversão". Vimos que. sem infringir alguma regra? Jogando com a incerteza do resultado final. por mais erudita que seja.helder@accessueducacao. Segundo Kollarits (citado por Elkonin. mas também como se esse mundo criado por ela fosse real. evidente. todas as crianças usam a palavra jogo atribuindo-lhe um significado simples e claro: simplesmente definem-na jogando. ganhar. 4. independentemente do idioma que falem. O jogo de condição ambivalente (qualitativo. Assim. Acrescentam que. excetuando a nutrição ou as emoções observadas. 1980). como medo ou raiva. utilizará e praticará para incorporá-las e dominá-las em seu eu de forma a continuar crescendo plena e harmoniosamente. A capacidade lúdica desenvolve-se articulando as estruturas psicológicas globais (cognitivas. a definição de "jogo" não é possível.4. ou seja. a brincadeira é a "assimilação do real ao eu". diante de tantos adversários. perder. devido ao amadurecimento de certos órgãos ou funções evolutivas. porque essa palavra refere-se a uma condição ou realidade primordial da vida. Piaget (1946). as brincadeiras com as mãos em seu Campo visual. Por outro lado. passado. não compreende ou. fácil. quando a criança pratica repetindo um fato para encaixá-lo e consolidá-lo.org 51 . certo e incerto) resiste a uma definição categórica. pegar e largar objetos. quantitativo. mesmo lutando para vencer. contudo. qualquer tentativa. O conceito de jogo é tão versátil e elástico que escapa a uma localização conceituai definitiva. Bajo e Betrán (1998) afirmam que o jogo infantil tende a reproduzir em pequena escala as predileções dos adultos. somente será capaz de captar uma parte da verdade do jogo. Nenhum sábio foi capaz de defini-lo. torna-se parte dessa realidade intersubjetiva. presente. Sua significação é polissêmica. a criança projeta um relativo distanciamento do mundo dos adultos. não situa a aparição ou a formação do jogo até o 2a estágio do período sensório-motor (respostas circu-lares primárias. por meio da brincadeira. como seus sons guturais. Alguns autores afirmam que toda atividade é jogo desde os primeiros meses da existência humana.para obter uma bola e mantê-la. Helder Filho . O antropólogo Bateson (1958) explica a confusão diante da tentativa de definição do jogo por seu caráter paradoxal. sequer uma delimitação exata na vasta esfera de atividade do homem e dos animais e toda busca dessas definições deve ser classificada de jogo científico. Sobre a definição do jogo A Real Academia da Língua Espanhola diz do jogo: "ação de jogar. atua como se o seu mundo fosse o deles. O jogo é algo vital para o ser humano: o "homo ludens" passa quase metade da vida em vigília" (Cagigal. podemos ob-servar <|ue a criança reproduz determinadas condutas somente pelo prazer que isso lhe dá. E sua complexidade responde à sua Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. não global ou total. 1980). até o segundo ou terceiro mês). Nesse sentido. afetivas e emocionais) mediante as experiências sociais da criança (Ortega. pois implica um amplo leque de significados e sua leitura é múltipla. Nesse período.

algumas definições: . 1935).. resultado ou conclusão da teoria que a contempla. .. .) o jogo é uma atividade geradora de prazer que não se realiza com finalidade exterior a ela. 1977).a educação .) uma atividade que os seres vivos superiores realizam sem um fim aparentemente utilitário. que se executa dentro de um determinado tempo e de um determinado espaço.especificidade e indefinição.org 52 . Helder Filho . O excesso de energia é apenas uma condição para a existência do prazer estético que o jogo proporcio na".e proporciona as forças e as virtudes que permitem fazer a si mesmo na sociedade (. 1988). . Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof."(. realizada dentro de certos limites fixados no tempo e no lugar.) "o jogo é uma ação ou atividade voluntária."A atividade lúdica contribui para a paidéia . 1901).. vivendo-se como real e com mais intensidade que o trabalho sério e responsável. ... . 1855). é essencialmente ficção. 1887). combinação espontânea e símbolo" (Buytendijk. . apesar de tudo. . sem que haja nela qualquer interesse material. que se desenvolve em uma ordem submetida a regras e que dá origem a associações propensas a cercar-se de mistério ou a se disfarçar para se destacar do mundo habitual"."O jogo é a manifestação de uma livre espontaneidade e a expansão de uma atividade em expansão" (Karl Groos.. 1979).) O jogo prepara para a entrada na vida e o surgimento da personalidade" (Chateâu.."(. mas por si mesma" (Russel. 1968)."No jogo. .. algo que é uma ficção. mas que.) o jogo é uma ação livre."Tanto o animal como o homem jogam com imagens: a imagem é a expressão do caráter que o sujeito projeta sobre a realidade. com a direção que o jogador quer lhe dar."(."A brincadeira é filha do trabalho. O jogo constitui um desafio. acompanhada de um sentido de tensão e de desfrute e da consciência de ser diferente da vida cotidiana" (Huizinga. pode entrar a exigência e a liberação de quantidades muito mais consideráveis de energia do que as que exigiria uma tarefa obrigatória" (Wallon. seguindo uma regra livremente consentida. 1980).) o jogo é uma forma privilegiada de expressão infantil" (Gulton.... Não há forma de brincadeira que não tenha como modelo alguma ocupação séria que lhe precede no tempo" (Wundt. nem se obtenha proveito algum. como meio de eliminar seu excesso de energia" (Spencer. Nele está o prazer da ação livre.. 1935). constitui parte integrante desta e permite a todos entender melhor e a compreender nossas vidas" (Schiller. .) é uma atividade livre que tem seu fim em si mesma" (Stern. ."(. . "Fique claro que o homem somente joga quando é plenamente tal e somente é um homem completo quando joga. A seguir.helder@accessueducacao. . Poderia se assegurar de que qualquer definição não é mais que uma aproximação parcial do fenómeno lúdico e. fazê-lo já é razão suficiente. executada e sentida como estando fora da vida cotidiana. que se parece com a arte.(. 1958)."O jogo situa-se na intersecção do mundo exterior com o mundo interior" (Winnicott."(.) o jogo é uma atividade estética. às vezes. O jogo não é uma fuga da vida. sem rédeas. 1980).. ."(.."O que define o jogo é que se joga sem razão e que não deve haver motivo para jogar.. pode absorver por completo o jogador. mas completamente imperiosa.. o impulso criador" (Lin Yutang. com um fim em si mesma. 1938).

) porque continuamente cria a sociedade em que se realiza" (Stone e Orlick. meio essencial de organização. para fugir. oferece-nos um meio de relação social. A atividade lúdica caracteriza-se pela improdutividade".) a função própria do jogo é o jogo mesmo. De um lado."O jogo é a arte ou a técnica que o homem possui para suspender virtualmente sua escravidão dentro da realidade. de outro."O jogo é um diálogo experimental com o meio ambiente" (Eibl-Eibesfeldt (1967). . para estabelecer um meio de relação otimista e positiva com os outros homens (. na busca do Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. 1971). 1958). à diversão. tanto no nível individual. ao exercício ou à atividade coletiva" (Lagardera. . exerce sobre nós um grau de encanto e absorção de que carecem outras atividades da vida cotidiana que é psicologicamente liberador e nos proporciona a oportunidade de comparar nossa capacidade com a dos outros" (Castellote. . ."O jogo é uma das manifestações mais enriquecedoras do tempo livre. . 1996)."O jogo é uma atividade multidimensional.. 1923).. (.. a ausência de esforço exagerado e habilidade com que se realiza" (Russel."(."A brincadeira infantil é meio de expressão. a uma série de atividades concretas claramente delimitadas" (Martinez Criado. . citada por Trigo. tristeza e dor. levar-se para o mundo irreal. . encontro e separação" (Aberastury. 1970).org 53 .) o jogo é algo muito importante em nossa vida: ajuda-nos a dar uma via de realização à nossa imaginação. 1994). fator de socialização. 1997). . . quanto no nível social."O jogo leva a experimentar uma sensação de fluir que nos transporta a um entorno em que abstraímos a realidade e outras situações cotidianas. "O jogo é uma atividade que o homem desenvolve. como fator de equilíbrio psicológico em sua vida.."O jogo é intrinsecamente essencial para a criatividade (.Um passo do fantasma ao símbolo... da alegria de fazer e criar e seguramente está mutilada em sua capacidade de se sentir viva" (Rosemary Gordon. 1967). 1988). ao mesmo tempo. repousa em si mesmo sem esse desassossego. 1996). sem dúvida. nossas carências e virtudes" (Ciskszentmihalyi."O mundo lúdico origina-se nos primeiros jogos de perda e recuperação. 1988). ... (Cillois. em uma palavra. Jogar é negar e superar o fantasma arcaico" (Freud. Helder Filho . com toda a personalidade. desenvolvimento e afirmação da personalidade" (Zapata. não sendo provocado pelo utilitarismo que inspira o esforço imposto por uma circunstância do trabalho. . refere-se a uma forma de se comportar e sentir e. um instrumento efetivo de desenvolvimento das estruturas do movimento.helder@accessueducacao. que infiltra no trabalho a necessidade de conseguir um fim a todo custo" (Ortega e Gasset. Este exercita atitudes que são as mesmas que servem para o estudo e para as atividades sérias do adulto.) Uma pessoa que não sabe brincar está privada."O jogo é recreação (. .. no sentido de equilibrar as situações de preocupação."O jogo é mais agradável e mais puramente jogo quanto maior é a naturalidade."Brincar é o que se faz quando se está livre para fazer o que se quer" (Gulich. 1988). para passar a expressarse como somos. 1982). instrumento de conhecimento. reguladora e compensadora da afetividade."O jogo tem duplo significado...) é um esforço que. que se ajusta sempre às necessidades do ser humano com relação à incerteza. .

ao trabalho. absorve. mas deve crescer e evoluir em suas formas junto ao homem para ajudá-lo em suas diferentes etapas. Um conceito de jogo que possa ser aplicado transculturalmente é essencial para a antropologia da motricidade humana e o esporte. Huizinga (1938) afirma que o desenvolvimento da civilização deve-se a mecanismos lúdicos e também. Nasce. portanto. da autonomia e do desfrute da pessoa" (Lavega. intensa e profundamente. acompanha o ser humano e morre com ele.org 54 . Como comportamento vital. adolescente. percorre as etapas evolutivas. amadurecer e ser junto ao jogo espontâneo. ser auto-suficiente e dispor de seu próprio significado e justificativa. de vez em quando. Há uma necessidade escondida de crescer. na ausência de toda pesquisa social ou de comportamentos agonísticos ou passivos/submissos por parte dos membros de uma díade (tríade. "o jogo é um fenómeno não apenas universal dos seres humanos como é comum a outros animais. Realmente. com um denominador comum: o desejo de melhorar a qualidade de vida. são poucas as definições satisfatórias de tais atividades. viaja. amor. Do ponto de vista fisiológico. Bekoff (citado por Blanchard e Cheska) propõe o seguinte conceito etológico: "O jogo é o comportamento que se observa nas interações sociais que comportam uma diminuição da distância social entre os protagonistas. 1997). Numerosos etólogos estudaram o jogo social dos animais. pode-se entender o jogo como atividade que os seres vivos superiores realizam sem um fim aparentemente utilitário e com o objetivo de eliminar o excedente de energia. até certo ponto descartável. como diferentes etapas evolutivas. que não traz qualquer proveito e que se desenvolve ordenadamente dentro de seus próprios limites de tempo e espaço. saúde. mas. ao mesmo tempo. nasce. sobretudo durante a infância". velho. direito. ete). Uma atividade desprovida de todo interesse material. mas. política. poderiam existir atividades necessárias e vitais e atividades desinteressadas. dentro das quais o jogo (definição do poeta Schiller modificada pelo filósofo Spencer). A maioria das espécies animais executa. Deveria. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. sobretudo. Huizinga considera o jogo uma forma de cultura mais do que um componente formal da cultura.desenvolvimento. O jogo permite que se exteriorizem outras facetas da cultura (ritual. desenvolve-se e morre com o sentimento ou o campo das emoções do ser humano.helder@accessueducacao. Começa sua obra dizendo que o jogo é como "uma atividade livre mantida conscientemente fora da vida cotidiana. Segundo Blanchard e Cheska (1986). homem. que se distinguem por uma combinação de traços: é voluntário. O jogo não morre com o final da infância ou da adolescência. diferenciado temporalmente de outros comportamentos por sua qualidade transcendental ou fictícia". Helder Filho . alguma forma de brincadeira. mesmo que tais ações possam ocorrer como atos derivados durante o jogo". porque carece de seriedade. O sociólogo Norbeck (1971) define o jogo da seguinte maneira: "Seu comportamento fundamenta-se em um estímulo ou em uma propensão biologicamente herdados. quem a exerce. de fato. Faz-se necessário o jogo em seus diferentes contextos para a busca antropológica da verdadeira natureza do homem. O jogo é criança. etc). de acordo com regras preestabelecidas e que promove a criação de agrupamentos sociais que tendem a atuar secretamente e a se distinguir do resto da sociedade por seus disfarces e por outros meios".

Por que as crianças brincam ou que causas as levam a brincar? A própria criança poderia responder simplesmente porque sim. busca com o homem um significado que cumpra necessidades biológicas. além de fazer parte da realização da capacidade cognitiva de observação. com o jogo. dos sentidos e do pensamento. expressão da criatividade do homem como resultado das emoções. sem outro fim que a necessidade e a alegria de jogar. Pensar. é espiritual e se materializa ao ser criado. O jogo em sua formação não necessita de aprendizagem. poderíamos dizer que. intencional. É agradável. Segundo os antropólogos Blancjard e Cheska. ao se expressar através de emoções.helder@accessueducacao. que se define não por eliminação dos demais comportamentos. é algo instintivo que responde às necessidades da dinâmica infantil. como veículo de comunicação. querer e fazer: tudo pode ser. Por que o ser humano quer modificar isso ao longo de suas diferentes etapas evolutivas? Com elas. mas por uma variedade de traços. Poderia ser a expressão mais pura e simples do comportamento humano integral. é intensificada a vida cultural do homem. amplia sua capacidade de imaginação e de representação simbólica da realidade. para brincar. O ser humano necessita da realidade do jogo para recuperar seu comportamento natural. sua evolução. 4. na obra do jogo. Atrevo-me a afirmar que o jogo nos serve de cordão umbilical ou união com a nossa natureza mais íntima. Em seu desenvolvimento. Pelo jogo se conhece o espírito. emocionais ou espirituais. ela se enriquece.5. O jogo não é material. Trata-se de uma atividade praticada em todas as épocas e culturas.) o jogo é uma forma de comportamento que inclui tanto dimensões biológicas como culturais. singular em seus parâmetros temporais.Puigmire-Stoy (1966) define o jogo como a participação ativa em ativida-des físicas ou mentais prazerosas para obter satisfação emocional. surge espontaneamente. As atividades realizadas no contexto do jogo são produto da ilusão. seu amadurecimento e sua observação sistemática são imprescindíveis para a vida.. experimentamos a realidade das coisas. qualitativamente fictício e deve sua realização à irrealidade". significa a raiz da vida do ser humano e a própria vida. O jogo nasce espontâneo. ao se fazer com sua alegria ou amor. nos aproximamos da comunicação com o mundo que nos rodeia. Corredor (1998) afirma que qualquer atividade acompanhada de alegria e/ou riso consciente também é uma forma de jogo. a cultura faz vida: o jogo é vida e a vida. por meio do jogo. Comprovamos que. o ser humano se introduz na cultura e. porque gosto. seu equilíbrio vital. Origem do jogo O jogo é parte fundamental do desenvolvimento harmónico infantil e de importância tal que o conhecimento dos interesses lúdicos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. o jogo deve evoluir. cultura. recordações.. diz Martinez Criado (1998). O mundo mágico do jogo torna possível todo tipo de realizações. sempre presente na vida do homem. conectamos nosso micromundo ao macromundo onde vivemos.org 55 . O jogo faz cultura. podemos conseguir tudo o que desejamos. Através dos jogos. simbolismo e ação. Helder Filho . plasmada na obra da vida. Realmente. No jogo. crescer e acompanhar durante toda a vida o ser humano e a sua cultura. "(.

. .. .Forma de elaboração (Klein. 1955). Delcroy e Monchamp. 1946. .Forma de cenário pedagógico natural (Ortega e cols. . . 1923). Csikzentmilhalyi.Forma de evasão da realidade: não se busca um resultado utilitário.Forma de se liberar da energia excedente por falta de outras atividades mais sérias em que investi-la (Spencer.Forma de prolongamento de traços da espécie posteriores ao amadurecimento Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. citado por Mune.. como resposta possivelmente psicobiológica à vida. Garcia e cols. 1897). Froébel. Helder Filho . 1955.Forma de organização. 1960). 1904). 1996).Forma de transformação da realidade segundo as necessidades do eu (Piaget.Forma de atividade voluntária com fim em si mesma.Forma de passar do fantasma ao símbolo: brincar é negar e superar o fantasma arcaico (Freud. 1988).Forma de atividade livre. . 1987. 1924). O jogo está relacionado com a capacidade criadora do homem e traduz a necessidade da criança de atuar sobre o mundo (Rubinstein. defender-se das frustrações. .Forma de fixação de hábitos adquiridos e de garantir as novas habilidades (Bhuler. 1958). 1946). 1991.Forma de atividade lúdica funcional (Buhler. . . atrevo-me a dizer. 1959.Forma de terapia e liberdade de criar (Winnicott. . 1989). .Forma de aprender. com fim em si mesma (Stern. . 1991). . . 1980. . .Forma privilegiada de expressão infantil (Gutton. reprodução da evolução de atividades de gerações passadas (Hall. 1987. 1958).Forma catáltica para reduzir as tensões. fugir da realidade ou reproduzir as situações de prazer (Freud. Berne.Forma motivante como princípio motor do jogo (Château. 1901).Forma de construção de conhecimentos sociais e psicológicos da criança (Flavell e Ross. 1986. 1920.Forma de intervenção educativa baseada no conhecimento do desenvolvimento da criança e na busca de metodologia adaptada ao pensamento das crianças e sua forma espontânea de construir conhecimentos (Canal e Porlán. Autoformação (Château. . 1997). Seria um exercício preparatório das atividades que serão enfrentadas no futuro (assim como osfilhotes dos animais) (Gross. . 1988). . Garcia.helder@accessueducacao.Forma de se preparar para a vida adulta.Forma de improdutividade (Caillois. .Forma original da risada e do prazer (Delgado. Diferentes autores apontam uma série de razões pelas quais se joga: . 1931. . interceptar e conservar os novos hábitos adquiridos (Piaget. acompanhada de uma sensação de tensão e de júbilo e da consciência de ser diferente da vida real (Huizinga. Adeler. . 1979. 1981). 1935). desenvolvimento e afirmação da personalidade (Zapata. Klein. 1938). 1982. 1977). Aquino.Forma de aprendizagem e crescimento harmónico. 1977).Mas o jogo aparece. Case. 1992). 1986). Linaza.Forma de descanso para o organismo e o espírito (Schiller. 1986). Secadas. . 1958.Forma de recapitulação de filogênese. Erikson.org 56 .

O jogo é fictício. Características do jogo Ao estudá-lo. Bandet. original.Forma ecológica. Prazer do tipo sensorial. O jogo cresce com a criança até a idade adulta. . superação de algum tipo de obstáculo. ordens e limitações.O jogo deve ser prazeroso. 1986. Todo jogo coletivo é um acordo social. mesmo que isoladamente não o defina. Bronfenbrenner.Forma de incorporação da criança a uma instituição educativa (Linaza. temos algumas das mais representativas: . A finalidade do jogo deve ser ele mesmo. De acordo com autores como Huizinga. 1989. . . Sendo uma atividade criativa. . impulso inato que não requer especialização nem aprendizagem prévia. Tal característica é muito importante na brincadeira infantil. não se trata de uma atividade utilitária. ou seja.O jogo deve ser espontâneo. física e cultural (Pellegrini. . González.O jogo é incerto.O jogo é gratuito ou improdutivo. seu organismo responde de diferentes formas e utiliza distintas atividades lúdicas. espontânea. Groos. . Ortega e Caneque. Essa talvez seja uma de suas características centrais. .O jogo é uma atividade desinteressada e autotélica. Brunner. e cativa a todos. Russel. . É um acontecer voluntário. Helder Filho . entre outros. estabelecido pelos jogadores. 1946. deriva-se da palavra paidia. permanecendo até a velhice. É uma manifestação que tem um fim em si mesma. 1997). 1980). Caneque. Trigo. Sempre se localiza em limitações espaciais e imperativos temporais estabelecidos de antemão. Joga-se pelo prazer de jogar. acaba em situação idêntica à do começo.6. . cujo resultado final flutua constantemente. Moyles. Robert. distante do cotidiano. salvo deslocamento de propriedade no seio do círculo de jogadores. . Vygotsky.humano (Bruner. que determinam suas regras. 1955. . 1990).O jogo deve ser limpo.helder@accessueducacao. intelectual. é como uma história contada com ações. 1991). pois apresenta características. O jogo possui uma auréola mágica. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. físico e prazer moral ou psíquico. .O jogo é um comportamento de caráter simbólico e de desenvolvimento social. a brincadeira evolui com o desenvolvimento integral. .Forma de assegurar a transmissão de valores promovidos por diferentes culturas (Sutton-Smith. . Cagigal. . 1966. É um mundo à parte. .Forma de atividade que somente cabe definir a partir do próprio organismo imerso nela (Piaget. Csikzentmilhalyi. por não possibilitar qualquer fracasso. 1982. Não cria bens nem riqueza ou qualquer elemento novo de espécie alguma e.O jogo é convencional e regulamentado. Sarazanas. Caillois. 1972). .O jogo é uma forma natural de troca de ideias e experiências.O jogo é separado. Piaget. 1979).Forma de criatividade (Marin Ibánez. ninguém é obrigado a jogar.org 57 . é uma contínua mensagem simbólica. afetivo e físico da criança e se adapta aos períodos críticos de seu desenvolvimento (aos seus conflitos pessoais e sociais).Forma de resposta emocional e intelectual às experiências sensoriais (Brierley e Goleman. 1991). À medida que a criança cresce.O jogo é improvisado. é desinteressada. . 4.O jogo é uma atividade livre. podemos vislumbrar uma série de características. mesmo que a prática sucessiva leve a isso.

O jogo é como uma bandeira com todas as cores. porque a passagem de um ao outro é constante e contínua. voa como as nuvens pelo ar e se hospeda como a terra em todos os povos e países..org 58 . Helder Filho . O mundo real e o mundo criado pelo jogo se movem em um mesmo plano. . Tão somente procura a recompensa de um gesto ou de um sorriso como conteúdo mínimo de comunicação.O jogo reflete em cada momento a forma com que a criança atua. .O jogo permite à criança relacionar-se com a realidade. . da vontade. não importa onde e nem com quem. uma característica da saúde. explorar. A criança brinca sempre. contudo. É. desertos e bosques. porque não tem fronteiras.O jogo é respeitoso. o mais importante veículo para o desenvolvimento evolutivo e a adaptação ao meio vital. é parte da vida. O jogo é incompatível com circunstâncias vitais da doença. É realizado em situações de bem-estar e sem pe-rlgo à vista. porque nasce da bondade humana.7. imitar e à necessidade de enriquecimento por meio do movimento. Somente quando a criança conhece o ambiente brinca. parece-me.O comportamento lúdico nasce com a criança e cresce com o interesse e a curiosidade por explorar o seu corpo e o mundo que a cerca. de estar ou ser ativo. espontânea. Já que a aprendizagem é infinita. sem nenhum outro vínculo de comunicação. como um idioma internacional.O jogo não tem fronteiras porque não as conhece e se propaga rapidamente como o fogo. portanto. bandeira ou moeda. Por isso. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Conclusões Talvez este título não seja o adequado. Há na criança uma forte necessidade de se expressar e de comunicar-se. podemos conseguir tudo o que desejamos. O que se entende como jogo ou brincadeira abarca uma infinidade de ações e atividades. do otimismo. relaxante. solidário. . 4. No jogo. Essa curiosidade cresce saciando-se de conhecimentos e oportunidades de aprendizagem. já que constantemente estão trocando informações.O comportamento lúdico é universal. Responde à necessidade de motricidade. da. viaja tão puro como a água através de rios e oceanos. estão intercalados.helder@accessueducacao. . Nenhuma criança se cansa de brincar. se mover.O jogo é como uma vela que ilumina o comportamento do ser humano: é o resultado da busca das melhores coisas escondidas no mais íntimo do ser. restaurador. Tudo o que vivemos pode tomar parte na brincadeira. superando montanhas. deixemos a porta aberta para continuar aprendendo com quem sente o desejo de explorar esse maravilhoso e mágico mundo do jogo: . porque sente-se confortável. brinca de diferentes maneiras conforme o meio em que se encontre. compreende e se relaciona com o mundo. por isso vou apenas mencionar ideias que podem servir de proposta para encontrar uma definição do tema. . O benefício dessa prática preenche o desejo de realização e nos proporciona prazer ou satisfação. adultos e velhos de maneira imediata. O jogo tem um efeito estimulante. pertence a todas as pessoas. bandeira da paz e laço de união entre os povos. Faz com que se entendam crianças. Não necessita passaporte nem entende de idioma. como uma moeda comum. desinibida e natural.O jogo é uma atitude.ilegria. . Os atos do jogo são produto da ilusão. mesmo que não seja o Único. sem preconceitos. É um símbolo de humanidade. O mundo mágico do jogo torna possível todo tipo de conexões ou interações para atingir diversas realizações.

dada sua importância vital (por seu caráter multidisciplinar.Alguns teóricos afirmam que a brincadeira é o trabalho da criança. podemos considerar a brincadeira como um modo mágico de entender o trabalho. na escola. bem como o estado de espírito. promove a participação e a atividade (com a base da criatividade. . criativo. . em um modo de expressão com que se atua. . a ferramentachave para a aprendizagem é o jogo. que nos ajuda a encarála com o otimismo necessário para manter um estado emocional estável e que possa nos proporcionar uma sensação de bem-estar. estimular o senso de humor. Intelectual. aumenta a auto-estima (vive-se em um ambiente harmónico). gera valores humanos positivos para a vida e. quando adultos. . a mente e o coração da criança e.Com o jogo.Mediante o jogo. desenvolvendo os aspectos motor. coloca-se em conexão o nosso micromundo (pessoa) com o macro mundo (sociedade) em que vivemos. as crianças expressam-se de forma natural. O jogo proporciona ao ser humano um interesse pelo conhecimento.A brincadeira proporciona situações que estimulam o senso de humor como estado de espírito. . se poderia afirmar que é uma realidade. instrumento que lhe ajuda a entender a vida e a sua própria vida. por fim. além de alcançar a felicidade são objetivos prioritários da educação para evitar o fracasso escolar.org 59 . Já que o jogo promove habilidades sociais (talentos maravilhosos). Uma atitude necessária para encarar a vida diária. reduzir ou processar condutas agressivas (base para a segurança do indivíduo e do ambiente). uma atitude ativa. Helder Filho .A magia da brincadeira se converteria. por outro lado. colaboração e cooperação: todas as crianças querem brincar). pelos valores que origina e pelos efeitos que produz). em um elemento ideal para reconciliar. Assim. explora.Os jogos evoluem com a criança e ajudam a formar a estrutura de sua personalidade. . vive-se em meio a um processo de aprendizagem global.Com o jogo. pesquisa. comunica. A criança cresce aprendendo hábitos de convivência necessários para viver em sociedade. O jogo fomenta a capacidade para a elaboração de normas da infância à vida adulta. As crianças e os adultos necessitam da realidade do jogo para conservar ou recuperar seu comportamento natural: seu equilíbrio vital. Nesse caso. nesse sentido. . ajuda a canalizar. participativo e significativo: processo que se amplia ao longo da vida.helder@accessueducacao. emocional. na escola e na vida.. pois escolhem uma solução adequada às suas necessidades e possibilidades. por um lado. relacionar-se bem com os outros e fazer amigos). melhora a saúde física e emocional. nos preparamos para a vida ensaiando papéis que desenvolveremos posteriormente na sociedade. porque as crianças praticam continuamente e de forma simples os comportamentos e as tarefas necessárias para se converterem em adultos. social e cultural. positiva e crítica.O jogo serve-nos de ligação com a natureza.Desenvolver a inteligência emocional. . que lhe permite se integrar de maneira gradual na família. a criança aprende normas de comportamento para crescer e aprender a viver na sociedade de forma integral. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. fomenta as relações sociais frutíferas (aprender as limitações. uma solução saudável.O modo natural de aprender é através do jogo. fomentar a curiosidade. .

considerando que se trata de “trabalhar”. estado geral de saúde como também iluminação e adequação do espaço físico. faz-se necessário desencadear o processo através de um impulso externo – a incentivação.. Fatores físicos que tanto podem ser do tipo alimentação. no desenvolvimento de nossa atividade didática. Entendemos que ao se falar em um se fala em outro. Renomados estudiosos.Profª M. ou seja. Nossa pergunta é: basta isso para que haja aprendizagem? Essa modificação interna. Poderíamos particularizar focalizando o processo ensino aprendizagem na nossa área – Matemática. sob diversos aspectos e com experiências variadas uma determinada ação para que ela seja aprendida. Geralmente o que vai acontecer: procura-se o agradável e por ele chegamos ao útil ou necessário. São muitas essas condições 15 Texto retirado da II Reunião da SBM .1. “estudar”. Poderíamos tecer várias considerações sobre cada um desses fatores e a forma como influenciam o ser humano em seu processo de aprendizagem. lá que nome queiramos dar. métodos. à sua psique. processos mecânicos podem levar a repetir uma ação tornando-a automática. ou ego. Faz-se necessário então que o professor crie uma situação em que surja o interesse.helder@accessueducacao. Cabe ao professor através de uma variedade de recursos.Emília Tavares/UFPEL Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Inúmeros são os fatores que interferem na aprendizagem. 5. com um impasse: nossos alunos não têm interesse naquilo que pretendemos lhes ensinar. Não vamos entretanto nos ater a isso. ou psicológico. Consideremos a aprendizagem como uma mudança estável e intencional de comportamento e para que isso ocorra. Julgamos que sim. e econômicos. Motivação De todos os fatores que apresentamos ou possamos apresentar queremos abordar um ponto que em nossa opinião é o mais essencial e imprescindível no desenrolar do processo aprendizagem – a motivação. ou personalidade.org 60 . procedimentos de criar uma situação favorável. profunda do ser humano com mudanças nas operações mentais e atitudes não necessitam de algo mais do que um estímulo externo? Não será necessário uma força.. muitas vezes é preciso repetir várias vezes. psicólogos e filósofos já o fizeram e com amplo domínio desse campo do conhecimento. O que é a motivação? Nada mais do que a predisposição interna que impulsiona a busca de um objetivo. Fatores sociais como as oportunidades de interações como as outras que podem ser do mesmo nível ou de nível diferente e que promovem e desenvolvem o espírito de cooperação. O processo de aprendizagem é desencadeado por um motivo que pode ser a necessidade. Muitas vezes o aluno não se interessa por determinada situação de aprendizagem exatamente porque não vê motivos para realizar aquela atividade. Fatores que poderíamos classificar de pessoais. em outras palavras – naquilo que achamos que eles deveriam aprender. ou espiritual. aqueles inerentes à própria pessoa. ou seja. Helder Filho . Sabemos que certos condicionamentos externos. um motivo inerente a própria pessoa. JOGOS DIDÁTICOS: SEU USO E IMPORTÂNCIA NA APRENDIZAGEM15 Introdução 5. Também não o faremos. Muitos de nós professores de matemática nos deparamos. Fatores culturais. a utilidade. ou.5.2. As legítimas motivações para a aprendizagem são raras. a agradabilidade.

gráficos.porque a atividade lúdica é intrínseca ao próprio ser humano. especialmente dos que trabalham com 2º grau e alegam ou que “os Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Basta se ter observado – em grande escala o fenômeno que acontece nos jogos olímpicos. O Jogo Didático Porque o fazemos? Não é porque o consideremos a mais eficiente forma de despertar a motivação – já expusemos nossas idéias sobre o que é “mais eficiente”. mobilizando de crianças a velhos. O fazemos. sabendo que é ela a força impulsionadora de toda a aprendizagem. • Pelas atividades lúdicas. Somos de opinião que essa receita não exista. Mas isso não é tudo. isso sim.porque é uma atividade ainda pouco utilizada em sala de aula e que ainda não conseguiu impor o seu espaço como elemento propulsor no processo ensino-aprendizagem – porque é uma atividade que ainda não ganhou a confiança de muitos professores. sociais e psicológicas. com qualquer grupo de alunos e qualquer professor. • Pela seleção adequada de problemas. mas também é resultante dos recursos que ele emprega no ensino. Não temos “receita” para esse despertar do querer aprender. Helder Filho . independente de qualquer tipo de sectarismo. Acreditamos que o professor de Matemática deve estar preocupado em alcançar um despertar a motivação em seus alunos. • Pelos clubes de matemática. • Pelas atividades recreativas.” O despertar desse gosto pela Matemática depende em grande parte do professor. • Pela utilização de meios audio-visuais. o estímulo adequado. • Pela importância de valores históricos. Mas ainda achamos que acima de tudo o professor é um dos fatores mais preponderantes nesse processo motivador – sua personalidade. mas especialmente pessoais.org 61 . Essa incentivação visando orientar o interesse do aluno pela Matemática como objetivo de estudo e trabalho tem formas variadas – já o dissemos – de ser obtida. Isso é fundamental: que tenhamos sempre presente que o “dar certo” para um grupo de alunos num dado momento não significa uma “fórmula de dar certo” em qualquer momento. o “amor” que ele sente pelos seus alunos e por eles é percebido. dentre esses vários aspectos focalizar um em especial: 5. aparelhagens. Não é também porque essa atividade apenas possa ser utilizada como elemento propulsor da força motivadora. como por exemplo: • Pela correlação com o real. • Pela aplicação às demais ciências. .favoráveis e não são apenas materiais. A criança e o jovem e porque não dizer também o adulto – precisa sentir naquilo que fez uma auto-realização. digamos assim – um prazer pessoal e isso fará com que se sinta livre e responsável por sua realização. e demonstra. Queremos nessa oportunidade. o entusiasmo que tem.3. murais. ou – em menor escala – o que acontece a volta de uma “pelada de rua” ou de um “volei familiar”. • Pelos livros e revistas de divulgação da Matemática. pela Matemática. “A Matemática tem significado diferente para pessoas diferentes. É ele que a partir do conhecimento da sua turma de alunos vai promover no momento exato.helder@accessueducacao. sabemos. • Pela construção de modelos.

• Desenvolver a lealdade – mesmo que inicialmente isso se faça por “fiscalização”. . tamanho da sala.Simples – aquele em que o professor só utiliza material de uso em sala de aula. “não pensei que eles iam se entusiasmar e trabalhar tão bem!” A seguir vamos analisar o jogo didático quanto as finalidades. número de alunos. b) Escolha e/ou criação do jogo: A escolha ou elaboração do jogo a ser aplicado deve merecer a maior atenção do professor a fim de que se verifique a adequação entre o jogo e a turma para o qual é destinado. tipos e objetivos. Cabe ao professor portanto escolher com cuidado o jogo mais adequado à maturidade da turma. pelo próprio entusiasmo com que os participantes se congregam. e porque durante o tempo em que trabalhamos com “Prática de Ensino de Matemática” tivemos a oportunidade de com os nossos estagiários elaborar e aplicar vários tipos de jogos didáticos e ouvir.Com material improvisado – aquele em que o professor distribui entre os participantes.alunos não gostam (só que nunca vivenciaram!) pois são grandes para brincar” ou que não “dá tempo”. na verdade nem nos preocupamos com ela em demasia. noutra época. a) Alguns dos objetivos do jogo didático na sala de aula: • Incutir no aluno o espírito de disciplina através do cumprimento e/ou elaboração das regras do jogo. c) Classificação quanto ao material: De acordo com o material empregado o jogo pode ser considerado: . • Combater certos complexos. após o vivenciar da experiência e muitas vezes. foi o conteúdo que eles mais gostaram e se saíram melhor”. material por ele preparado previamente. “bah!. • Reavivar a simpatia pelo professor e pela disciplina. • Educar a atenção. • Se o jogo será com competição ou sem competição. de grupo ou coletivo. destacamos o jogo didático. só então a resistências vencidas – comentários do tipo “como eles gostaram!”. • Se o jogo será simples ou vai exigir material. jogos de armar. Não somos rígidos quanto a esse tipo de classificação. com satisfação.helder@accessueducacao. Um jogo realizado com êxito numa turma pode redundar em verdadeiro fracasso quando aplicado noutra turma. • Se o jogo será individual. material e tempo disponível. Nesse planejamento deve o professor atender ao seguinte: • A finalidade específica do jogo. • Cultivar o espírito de solidariedade. d) Planejamento e execução do Jogo Como qualquer outra atividade didática o jogo didático a ser praticado em aula deve ser cuidadosamente planejado. Em outras palavras é a aplicação desse ou daquele jogo não é inteiramente arbitrário. • Educar para competir. .Com material permanente – aquele em que o professor utiliza o material já fabricado especialmente para a finalidade. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 62 . como dominó. Helder Filho . “vou ter que fazer outro”. ou que se sentem constrangidos de fazer joguinhos. grau de sociabilidade. Por tudo isso.

A designação que será dada no jogo.O tempo a ser empregado no jogo. Nos jogos escritos. Tratando-se do jogo com competição é indispensável que o professor esclareça a turma: 1) Sobre o número de partidas. Quando o professor surpreender um aluno em atitude irregular deverá adverti-lo com serenidade. Não havendo esse cuidado o jogo deixará de ter função educativa. as regras que devem presidir a atividade lúdica.helder@accessueducacao. Como será apresentado o jogo. e) Avaliação: Após a aplicação de um jogo didático o professor deve fazer uma avaliação. mas sim que é possível de novas aplicações desde que em condições equivalentes e/ou com adaptações convenientes. Como será feito a motivação. Helder Filho . em termos bem claros. Lembramo-nos de que “o jogo deve ser uma forma de levar o aluno a querer tudo o que faz e não a fazer tudo o que quer”. o maior cuidado do professor é evitar e suprimir a fraude. assinalando se as finalidades foram alcançadas. 2) Sobre a contagem de pontos. f) Sugestão de roteiro do jogo didático I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome do Jogo: Curso: Disciplina: Série: Nº de alunos: Duração: Aplicador (a): II – OBJETIVOS III – CONTEÚDOS IV – MATERIAL UTILIZADO V – DESENVOLVIMENTO VI – AVALIAÇÃO VII – OBSERVAÇÕES • • • • Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 63 . Antes de iniciar o jogo deverá o professor explicar. assinalando os pontos que podem ser aperfeiçoados ou que devem ser mudados. analisando se as finalidades foram alcançadas. mas com bastante energia. Enfim o professor tem um jogo testado – o que não significa que deva ser aplicado “cegamente” em nova oportunidade.

br/pt/projetos. que se ministrado através de aula expositiva? É possível na regência dessa aula. trios ou grupos se contam em classe. COMO MINISTRAR CONTEÚDOS COM UM JOGO DE PALAVRAS16 Introdução 6. ser executado em qualquer série ou nível de escolaridade e. conquistar a certeza de que sua apresentação não suscitará indisciplina. à imagem de quem monta quebra-cabeças. posteriormente avaliado. poderá esse trabalho. por último organizando. será tentar ordenar as frases. fragmentá-las separando cada uma das palavras e escrevendo cada palavra em um pequeno quadrado de papel. mas construindo-o interiormente em um processo de assimilação. dessa forma. amontoadas ao acaso e unidas fora de ordem compõe o recurso material do “jogo de palavras”. mas fora processo o inte16 http://www. organizando os alunos em duplas. como fazê-lo? Em primeiro lugar garantindo que os alunos tenham “alguma idéia” sobre o tema.php Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. escrever as palavras em cada dos quadrados e somente depois cortála. Com tantas cópias desse material. Algo. Existe a possibilidade de se ministrar um tema de História ou Geografia. com critério e acuidade. Em segundo lugar. tornando o apreendido compatível com as estruturas mentais do apreendente e. por exemplo. Será possível com esse trabalho alcançar não apenas as disciplinas acima relacionadas como outra qualquer. emprestando-lhe sentido lógico. desenvolvendo do raciocínio lógico e levando os alunos a uma aprendizagem significativa e exploração de habilidades operatórias mais amplas que as provocadas por simples explanação. extremamente pertinentes e significativas em relação a essência e objetivos do texto. Mais fácil é quadricularse uma folha antes. uma. Mas.6. trios ou quartetos e. E tudo isso apenas com a coragem em se substituir uma tradicional exposição por um envolvente e motivador Jogo de Palavras.celsoantunes. ao levar o aluno não a conquistar um conhecimento interiorizando-o de fora para dentro. Língua Inglesa ou Portuguesa sem ficar à frente da classe expondo e.helder@accessueducacao. impondo a monotonia e o cansaço? Pode esse tema. quantas duplas. garantir igual ou maior compreensão e lucidez por parte dos alunos. ainda de quebra. devidamente adaptado. Após a seleção dessas questões. será possível trabalhar-se simultaneamente o texto e contexto.org 64 . bem mais que apenas uma compreensão literal do que se expõe. basta entregá-la aos alunos destacando que sua tarefa.1. No desempenho desse trabalho o professor poderá estar se aproximando dos sonhos de Piaget. específico para cada um. a ela outras conquistas positivas se agregará. conquistada através de uma leitura ou de outro processo de informação. Esse emaranhado de palavras. por falar estimular as estruturas mentais do pensar. fazendo-os falar e. duas ou três sentenças sobre o assunto escolhido. Matemática ou Ciências. desinteresse e apatia? Pode esse tema garantir ao professor menos dispêndio de energia que o imposto por aula tradicional? A resposta a essa pergunta é afirmativa e. similar que afirmar “É construção coisa não que de. Helder Filho . dessa forma.com. dessa forma.

Como ministrar conteúdos com o autódromo? O Autódromo é um jogo operatório dos mais interessantes. envolvimento e participação dos alunos. o professor possui o material necessário ao Autódromo. mas processo interativo de construção interior”. através do mesmo ensinou que o novo conhecimento não se sobrepõe aos conhecimentos anteriores. interesse.helder@accessueducacao.org 65 . alternando-o com outros jogos operatórios e aulas expositivas diversas. a resposta correta a essa questão é VF. mas a eles se compõe modificando-o. comparação e classificação. os alunos necessitam estar agrupados em equipes e cada equipe deve abrigar um mínimo de quatro e. por ajuda interativa e. o professor organiza uma listagem de questões sobre o assunto trabalhado. levaria o aluno a falar. a seguir. e como cada questão pode ser verdadeira (V) ou falsa (F) as duas juntas permitem quatro respostas possíveis: VV – As duas questões são verdadeiras VF – A primeira questão é verdadeira e a segunda falsa FF – As duas questões são falsas FV – A primeira questão é falsa e a segunda verdadeira. Cada equipe deve ter um nome escolhido livremente pelos alunos. trocar idéias. usando habilidades que envolveriam análise e síntese. essa aula. Com a classe dividida em equipes e os componentes de cada equipe sentados próximos uns aos outros. Solicita. Ao se envolverem no desafio que essa atividade abriga. ao qual buscariam uma estrutura lógica. Nessa atividade o professor transformou texto em contexto. mas a segunda é falsa (Extraindo-se seis de onze o resultado é cinco e não quatro). levando a seus alunos jogo desafiador e atraente. que cada grupo prepare em meia folha de papel. os alunos encontrariam motivação por ver substituída sua postura passiva de ouvinte por ação solidária de jogador. Exemplo Questão 1 – A soma de quatro mais sete é onze / Extraindo-se seis de onze o resultado é quatro. simbolizado pelo texto fragmentado. Helder Filho . 6. dedução e contextualização. colocou em ação mecanismos de uso dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo e. portanto. como no exemplo abaixo. o professor economizaria energia. pois a primeira (4 + 7 = 11) é verdadeira. Com as equipes constituídas o professor explica o(s) tema(s) ou conteúdos que serão cobrados durante o Autódromo. com Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Embora cause motivação. estariam exercitando esquemas de assimilação em atividade pura diante do objeto da aprendizagem.rativo de um conhecimento vem do interior” e que ordenado expressaria “O conhecimento não é uma coisa que vem de fora. não se desviariam da tarefa e. Essas questões devem estar agrupadas duas a duas. buscar esquemas de solução e por essas vias pensar. pois estaria substituindo tradicional discurso. Como é fácil perceber. estariam interessados e disciplinados. mas deve ser aplicado uma vez ou outra.2. um máximo de sete componentes. a freqüência de uso constante acaba desgastando-o Para essa interessante atividade. Com dez a quinze questões duplas como demonstrado no exemplo e naturalmente dentro do assunto marcado para a atividade. motivados. Ao invés de se colocarem de forma passiva diante de um texto.

hora de começar o Autódromo. então. portanto. Organiza a lousa para o Autódromo e. entretanto. O professor anota essa resposta na lousa. Antes de iniciá-lo. cada grupo com suas quatro papeletas e o professor com a relação das questões. por exemplo.org 66 . escreve o nome das equipes um abaixo do outro como demonstra o exemplo e ao alto. ficaria assim: Equipes 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Verde Amarela Azul Vermelha Branca Laranja Roxo Com a “pista” do Autódromo desenhada na lousa. É. a letra “C” e os alunos de todas as equipes que tiverem essa letra deverão ficar imediatamente de pé.giz colorido. portanto. o professor passará em cada equipe iniciando pela que mais alunos tiver e atribuirá aleatoriamente a cada um deles uma letra do alfabeto. A lousa ficará assim: Equipes 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Verde Amarela X Azul Vermelha Branca X Laranja Roxo Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Vamos supor que apenas as equipe AMARELA e BRANCA acertaram. A seguir o professor chama cada uma das equipes e o aluno exibe a papeleta com a qual acredita ser a resposta correta. o terceiro “C” e o quarto “D”. anuncia a resposta correta. O professor lê a primeira questão dupla. a sucessão de pontos que o desempenho das equipes possibilitará alcançar. quatro papeletas diferentes.helder@accessueducacao. na vertical. o outro “B” e “E”. onde aparecem com letras graúdas as alternativas possíveis de respostas (VV – VF – FF – FV). sem anunciá-la como “certa” ou como “errada” e após a manifestação do último grupo. Helder Filho . um deles será o “A” e “F”. Assim um aluno será o “A” ou outro “B” e assim por diante. com uma das quatro papeletas escolhidas voltadas contra o peito. o outro o “B” até o último que será o “F”. marco no espaço da lousa os grupos que acertaram e passam a fazer juz a cem pontos. Por exemplo: A equipe Verde possui seis alunos e dessa forma um aluno será o “A”. estão prontos os recursos essenciais a aplicação do Autódromo. Dirigindo-se a equipe Amarela e percebendo que na mesma existem apenas quatro alunos. Procederá da mesma forma nas demais equipes e caso uma delas tenha menos alunos um mesmo ficará com duas letras. Chama a seguir uma letra. A lousa. Em seguida. concede as equipe um espaço de tempo de dez a quinze segundos para optarem por uma das quatro respostas possíveis e após esse tempo. Agindo dessa forma cada equipe contará com representantes para todas as letras atribuídas. dá um sinal avisando que o prazo terminou.

Para a realização dessa atividade é necessário que o professor prepare um diálogo telefônico imaginário entre duas pessoas. basta preparar-se uma cópia para cada equipe. evitando o desgaste inevitável de uma repetitividade constante. Portanto você deve estudar desde as Grandes Navegações dos Séculos XV e XVI e passar pelo Descobrimento do Brasil e a organização das Capitânias Hereditárias. mas podem revelar qualidade se no trabalho existir coerência e envolvimento lógico. organizados em grupos. o diálogo prossegue com cada um dos personagens apresentando umas oito a dez falas até encerrar-se a “conversa”. criatividade e plena participação dos alunos.3. o professor poderá ir progressivamente apresentando outros com dificuldades crescentes. mas tomando por base as colocações de um dos personagens criar uma estrutura de seqüência do diálogo. Cabral e Pero Vaz de Caminha. por exemplo. E evidente que a resposta de um grupo jamais será idêntica a de outro. O sucesso do Autódromo depende sempre da qualidade das questões organizadas.. exigindo assim estudo. Com o tempo. baseando nos elementos que dispõe. Você poderia dizer o que vai cair na prova de História amanhã? Juliana: – Pois não. faz-se a segunda questão e assim sucessivamente até o final da aula. O que esse tema. A tarefa dos grupos não é a de adivinhar o texto originalmente preparado pelo professor.. interesse e sobretudo aprendizagem. entre uma Monocotiledônea e uma Dicotiledônea. Helder Filho . A atividade. obterá empenho. A professora vai organizar questões sobre os primeiros cinqüenta anos da História do Brasil. construírem a fala do outro personagem. interesse. empenho. Ricardo: – Oi Juliana. personagens históricos ou não humanos podem compor a dupla do diálogo e. criar-se diálogos telefônicos imaginários entre. tem a ver com as Capitanias Hereditárias. necessita que os alunos estejam organizados em diferentes equipes. Ricardo. dessa forma. O Jogo do Telefone exige de cada equipe pleno domínio do conteúdo marcado para a atividade e extrema criatividade e. Tal como o Jogo de Palavras ou o Autódromo.helder@accessueducacao. abordando o assunto escolhido para a atividade. Veja o exemplo.Registrado o desempenho das equipes. entre uma Rocha Sedimentar e uma Rocha Metamórfica e inúmeros outros. criatividade. Como destaca o exemplo acima. Com o diálogo telefônico bem organizado. Ricardo: – Puxa! É bastante matéria e creio que estou um pouco perdido em relação às Grandes Navegações. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. entretanto o cuidado de apresentar a fala de apenas um dos personagens (Juliana ou Ricardo) cabendo aos alunos. após a realização do Jogo uma ou duas vezes. que não aconteceu no Brasil.. deve ser desenvolvido uma vez ou outra. Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone? O Jogo do telefone é outro Jogo Operatório dos mais interessantes e que possui a propriedade de despertar envolvimento. tal como os jogos operatórios anteriores. Uma relação de questões apenas memorativa em nada contribui para a aprendizagem dos alunos. tomando.org 67 . 6.. mas o professor que prepara questões intrigantes e desafiadoras.

Embora realizado pelos alunos organizados em grupo permite identificar o desempenho individual de cada aluno. Caso a quantidade de alunos em sala seja um número impar. anuncia a resposta correta. em seguida. Após esses lapsos de tempo.org 68 . Para que exista esse conhecimento prévio sobre o tema. preferindo outras como “nome de uma cidade. e se presta ao desenvolvimento de qualquer conteúdo curricular para qualquer série ou ciclo de estudos.helder@accessueducacao.6. Ao organizar essas questões o professor deve evitar as de natureza essencialmente memorativas e que. O professor irá retirando um por um os papéis sobre sua mesa e anunciando a formação de duplas entre aluno de uma equipe contra aluno de outro até esgotar-se o último papel. o professor sinaliza para que cada aluno sente-se em qualquer lugar da classe. verdadeiro/falso ou de múltiplas alternativas ou ainda apresentarem resposta que sejam expressas por poucas palavras. O aluno deverá levar consigo uma caneta e a tira de papel com o nome do grupo que preparou logo no início da aula. capital de um Estado que se destaca por importante atividade mineral. Por exemplo: evitar questões do tipo “Nome da capital do Estado do Pará”. Um aluno de cada grupo deverá recolher o pedaço de papel em que consta o nome de cada participante. portanto. solicita-se que cada aluno disponha de uma tira de papel com aproximadamente vinte centímetros de altura e quatro de largura. dedução e conclusão. Essas questões necessitam ser “fechadas” isto é. solicita que cada aluno apresente sua resposta ao parceiro e. um a zero (um dos dois acertou e o outro não) e um a um (os dois acertaram). Como ministrar conteúdos com o cochicho? O cochicho é um jogo operatório vibrante que envolve e emociona os alunos. Nessa oportunidade. Vale-se da organização dos alunos em grupos ou equipes de quatro a sete componentes e para seu desenvolvimento é essencial que o professor trabalhe um tema do qual os alunos tenham algum conhecimento. Após esse sorteio todos os alunos já saberão com quem deverão jogar. pesquisa bibliográfica ou apresentar uma síntese. amontoá-los deixando separado de outros montes com nomes de alunos de outras equipes. análise. enriquecida por perguntas diversas que os alunos devem buscar responder. Com os alunos organizados. como explicado acima. o professor pode solicitar uma leitura. os três últimos formarão um trio. Helder Filho . Com o tema ou conteúdo escolar definido e os alunos organizados em grupos marca-se a aula em que se aplicará o Cochicho. situada na Região Norte. Com a tira de papel restante. agroindústria e pecuária e que no passado se identificava como grande produtor de castanha e borracha”. Iniciada a atividade. o professor inicia o Cochicho formulando questões relativas ao tema estudado. isto é o nome do colega de outra equipe com a qual irão se defrontar. Dispondo de uma lista de questões reflexivas e envolventes sobre o tema marcado pelo Cochicho.4. Após esse anúncio em cada dupla de alunos assiste três posições possíveis: zero a zero (os dois erraram). Essa tira de papel. deverá ser dividida em outras duas. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. a primeira formando um pequeno quadrado de quatro por quatro centímetros onde cada aluno deverá anotar seu nome e no verso o nome da equipe a que pertence. se anotará ao alto o nome do grupo. trazer à mesa do professor. não explorem a reflexão. o professor apresenta a primeira questão e oferece aos alunos um tempo para refletirem e anotar sua resposta. desde que ao lado do colega de outra equipe que forma a dupla – ou eventualmente – o trio sorteado.

interpretação e assimilação de um texto de qualquer disciplina em qualquer nível de escolaridade. solicita que anotem no papel o nome de seu grupo e a seguir propõe quatro a seis questões sobre o texto.org 69 . deixando na equipe que os recebeu o papel com suas respostas. Concluída essa releitura prévia. 400 pontos) e os mesmos serão divididos entre as equipes que Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Com os alunos acomodados.O Cochicho prossegue com a formulação de outra e depois mais outra questão. isto é. tal como “ilhas” de um conjunto. O professor aguarda esse retorno e anuncia as respostas certas que deverá ser corrigida pelo grupo que acolheu esse aluno visitante. sendo desejável leituras e discussões prévias sobre o mesmo.helder@accessueducacao. O professor escolhe um aluno de cada grupo que deverá sentar em outro grupo que não o seu. informa o resultado que deve ser registrado pelo professor na lousa ou em seu diário de classe. levantando o braço no caso de dúvidas. explorando diversas habilidades operatórias. após a correção. o professor percorre os diferentes grupos. Parece importante destacar que o sucesso de um Cochicho depende menos da forma com é a atividade organizada pelo professor e bem mais da qualidade reflexiva das questões organizadas. levando um pedaço de papel e uma caneta. destacando as que mais pontos fizeram. Após anotar as respostas os alunos que representam seu grupo devem retornar ao mesmo. O uso ou não dos pontos conquistados no Cochicho como atributo de uma média do aluno é possível caso o professor assim pretenda e será explicado em outro capítulo deste trabalho. FF ou FV ou ainda outras. o professor afere a contagem final. Caso a quantidade de alunos por equipe não seja uniforme. Enquanto essa leitura é feita. possibilitando “respostas fechadas”. Segunda etapa. Ainda que se preste para inúmeras outras formas de utilização seu uso principal visa a análise. ajudando os alunos no esclarecimento de suas dificuldades.5. A equipe que acolheu o aluno. Helder Filho . Estas devem visar sempre uma aprendizagem efetivamente significativa. quantos pontos – acertos – foi realizado pelo conjunto de alunos de cada equipe. registra o quadro com a classificação das equipes. Com os alunos reunidos o professor dá início ao Arquipélago solicitando que individualmente façam uma atenta leitura sobre o texto. VF. Cerca de dez minutos antes de encerrar a aula. tem início a primeira etapa do Arquipélago: Primeira etapa. O professor autoriza nova e breve consulta sobre o texto e após a mesma formula uma questão geral que cada grupo deverá responder por escrito. Informa o valor dessa questão (por exemplo. ajuda a construção do conhecimento e domínio de conteúdos. O nome “Arquipélago” deriva do fato dos alunos na maior parte do tempo sentarem-se juntos. O desenvolvimento do Arquipélago organiza-se através de quatro etapas. organizados em equipes. 6. São atribuídos pontos (50. Previamente os alunos deverão ser informados sobre o texto que deverão analisar. Ao final da aula. dividindo-se o total de respostas corretas pelos alunos que participaram do Cochicho. até o limite de tempo possível. deve extrair a média de acertos de cada equipe. Como ministrar conteúdos com o arquipélago? O Arquipélago é outro jogo operatório muito interessante a atraente e se organizado com questões reflexivas. 100 ou 150 para cada resposta certa) sendo facultado ao professor “descontar ou não pontos” pelas respostas erradas. como VV.

acertaram. como arrumadas para uma prova convencional. que em uma prova convencional o aluno responde as questões em seu nome pessoal e os acertos que conquista representam pontuação própria. A frente da classe. de uma única etapa do Arquipélago. todos eles. os pontos que auferem são computados globalmente para o grupo. por exemplo.org 70 . o HiperArquipélago. entretanto. uma atrás das outras. Alternando participações individuais (na primeira e na terceira etapa) com decisões consensuais (na segunda e a na quarta etapa) a atividade é extremamente dinâmica e envolvente. Com esse resultado o “placar” vai se alterando e as equipe vão ou não acumulando mais pontos. Ocorre. o professor com uma listagem de questões significativas que propõe respostas simples (por exemplo: A. C. mas o nome de seu grupo.6. Como foi explicada no “Arquipélago”. Nesse sentido. Nas primeiras oportunidades em que essa estratégia é aplicada é essencial que o texto seja bastante simples assim como as perguntas formuladas pelo professor com respeito a sua interpretação. Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago? O Hiper-Arquipélago é um jogo operatório extremamente simples e seu nome deriva da estratégia anteriormente exposta. destacando a(s) equipe(s) que revela(m) maior capacidade de compreensão do texto. representar sua equipe. B. respondia questões formuladas pelo professor. Carteiras enfileiradas. Em cada carteira um aluno com uma tira de papel que leva ao alto não seu nome. Este se dirige a outra equipe. Helder Filho . a primeira etapa caracteriza-se pela participação de um único aluno que.helder@accessueducacao. A terceira etapa é semelhante à primeira. Procure conceber o Hiper-Arquipélago. com cada aluno e sua carteira. enquanto que no Hiper-Arquipélago os alunos. tal como na primeira etapa do Arquipélago ou na última etapa do Painel Integrado é constituído pelo envolvimento dos alunos. através de análises e interpretações de texto. imaginando a seguinte situação. Pois bem. Após essa etapa ainda uma vez o “placar” vai sendo progressivamente alterado. D. Concluída a quarta etapa encerra-se o Arquipélago com o devido registro dos pontos acumulados pelas equipes. Assim. de maneira que todas possam dispor da mesma possibilidade de respostas. individualmente. 6. pois constitui em ocupar durante todo o tempo de uma aula. formula uma questão à Amarela. mas desta vez cabe a equipe o direito de escolha de seu representante. respondendo individualmente as questões formuladas pelo professor e ao fazê-lo. se duas equipes acertaram a resposta apresentada. respondendo individualmente e por escrito as questões formuladas pelo seu professor. para responder as questões formuladas pelo professor. Quarta etapa. cada uma delas acrescentará 200 pontos ao saldo acumulado pela participação do aluno representante na primeira etapa. E Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. levando papel e caneta. representando sua equipe. a equipe Amarela à equipe Azul e assim por diante. respondem para sua equipe e desta for. o Hiper-Arquipélago assemelha-se a uma prova tradicional. Assim a equipe Verde. altamente motivadora e permite significativo exercício de aprendizagem significativa. A derradeira etapa do Arquipélago é similar à segunda ou então se caracteriza pela abertura para que uma equipe formule uma questão a outra. mas a sucessão de atividades permite que progressivamente seja aumentada a complexidade do texto e das questões desafiadoras propostas. Terceira etapa.

Soma esses acertos e registra na lousa. de tal forma que todos os alunos recebam a folha com as respostas. FFF. Helder Filho . descobrem que a pontuação da equipe ficou reduzida pelo insucesso de alguns. Nessa oportunidade o professor solicita aos alunos que verifiquem se existem questões rasuradas. chamando a seguir outra equipe até que obtenha a pontuação de todas as equipes. totalizou 42 acertos como seis representantes. igual a da equipe Azul que obteve 35 acertos. FVV. Como ministrar conteúdos com o torneio? O Torneio é uma atividade pedagógica que simula um campeonato esportivo onde todas as equipes se enfrentam. sua média será sete (uma vez que 42 dividido por seis. Em outra circunstância. o professor pode marcar um conteúdo Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. VVV. mostrando a importância de uma ação solidária e a necessidade de aceitar-se em uma coletividade a desigualdade na produção que. por certo necessitarão vivenciar. “nem todos são craques”. mas até mesmo para a vida social. apresenta as respostas corretas para a devida correção. Como acima se disse um trabalho dessa natureza não prepara os alunos apenas para as contingências de se aceitar o outro em atividades escolares. Após essas respostas. com cinco representantes. É por esse motivo que todo trabalho em grupo necessita que o educador faça um paciente e persistente trabalho com os alunos. com alguns alunos mais capazes. É interessante mostrar aos alunos que em uma equipe esportiva. preparadas pelo professor. mas que a solidariedade se constrói com uma construção laboriosa e recíproca. traz à frente e o professor passa as questões de um grupo para outro responder. se a equipe Amarela. FVF. para evitar que a rasura possa ser provocada pelo aluno que corrige e que demonstre interesse em prejudicar a equipe concorrente. por exemplo. por exemplo. responde questões significativas. Esse tema pode ou não ter sido antes explicado e em caso positivo o Torneio seria uma oportunidade de se proceder a revisão do conteúdo efetivamente apreendido. uma fórmula ou mesmo um conceito apresentado de forma sintética) e que formulará aos alunos.7. É por essa razão que esse trabalho não pode ser refletido como “um ou outro eventual conselho”. FFV. nesse caso autenticando-as com uma rubrica. mesmo pelos que eventualmente optem por não trabalhar com grupos. um aluno de cada equipe recolhe as de seu grupo. Concluída essa providência. para o mundo do trabalho cooperativo que. atingindo este hoje pode alcançar outro amanhã. mas como uma proposta de educação solidária que deve ser assumida pela maior parte dos professores. 6. É importante destacar que atividades que individualizam a participação dos alunos ocasionam inevitáveis ressentimentos dos que obtendo maior número de acertos. Como é provável que existam equipes com mais ou com menos alunos é sempre importante calcular-se a média dos acertos e. VFV. corresponde a média sete).org 71 .como em um teste de múltipla escolha. VVF. VFF. ajudando outros em seu preparo para trabalhar esta ou aquela atividade.helder@accessueducacao. solicita aos alunos de uma equipe – que estão corrigindo questões de outras equipes – que fiquem de pé e informem quantos acertos existem nas folhas corrigidas. dessa forma. Ou ainda questões que proponham o resultado de uma operação matemática. Apresentadas as questões. sobre um tema específico. sem possibilidade de identificar o colega que respondeu uma vez que essa folha traz apenas nome dos grupos. Estabelecida a posição dos grupos e o empenho dos alunos está concluído o Hiper-Arquipélago.

Modelo de uma tabela para o Torneio 1ª Rodada 2ª Rodada 3ª Rodada Verde Laranja Verde Azul Verde Amarela Azul Branca Azul Vermelha Amarela Laranja Vermelha Laranja Amarela Branca Branca Vermelha 4ª Rodada 5ª Rodada Verde Branca Azul Amarela Amarela Vermelha Branca Laranja Laranja Azul Vermelha Verde 6. Com essas providências tomadas. o professor informa.a ser estudado. o professor antes da realização do Torneio deve abrir um espaço para o devido esclarecimento de dúvidas e somente após a certeza de terem sido todas efetivamente superadas é que deve dar início a atividade. por que transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? Não existe a possibilidade de uma resposta única. estudando individualmente e reunindo-se em grupos para avaliarem-se. está agindo de forma tão correta quanto outro colega que opta por fazer dos jogos operatórios uma forma de se obter notas mais elevadas. Essa questão constitui decisão específica do professor. caso o professor prefira. cinco. a se formular sobre o título deste capítulo é sem dúvida. 2º colocado = 600 pontos.org 72 . Optando-se por essa forma. uma vez que deverá ser sempre meio para se aferir a Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho . propor o desafio de algumas perguntas sobre esse tema e sugerir que os alunos se preparem. Caso pretenda desenvolver jogos operatórios sem lhes atribuir valor que se transformem em notas. 3º colocado = 500 pontos e assim por diante). A avaliação da aprendizagem escolar não pode se implantar por novas rígidas. Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? A primeira e mais importante questão. Após a divulgação da tabela. Anotados os resultados da primeira rodada. indicar diferentes fontes de pesquisa. inicia-se a segunda e assim por diante até a rodada final. Cabe ao professor estabelecer se a construção das mesmas será ou não realizadas com consultas e a forma como serão apresentadas. Esgotado o tempo previsto. confere-as e apresenta o resultado. Para que o Torneio se concretize é essencial a existência de uma “tabela” como a que abaixo sugerimos. pode atribuir três pontos para a equipe que venceu seu adversário e um ponto em caso de empate ou ainda considerar como pontuação da equipe o total de acertos. tem inicio o torneio com o professor formulando quatro. se assim julgar válido. (Por exemplo: Na primeira rodada a equipe Verde acertou 5 das sete questões e portanto venceu a equipe Azul que acertou 3 das sete questões – 5 a 3 – e nesse caso a equipe Verde conquistou três pontos por sua vitória e a equipe Azul nenhum ou. a pontuação que cada equipe receberá por seu desempenho (Por exemplo: 1º colocado = 700 pontos. Da mesma maneira como em um campeonato esportivo. com a classificação definitiva.helder@accessueducacao. seis ou mais questões fechadas sobre o assunto marcado e dando um tempo para que as equipes apresentem suas respostas. solicita a um membro de cada equipe que traga à frente as anotações das respostas. a Equipe Verde conquistou cinco pontos e a equipe Azul conquistou 3).8. supondo a existência de seis equipes em uma classe.

Por exemplo: Durante um bimestre. se tivesse participado de todos os Jogos Operatórios teriam direito a nota recebida pela equipe.0.200 Vermelha 600 600 600 1. por exemplo.100 Azul 400 400 400 1. julgue que o desempenho dos alunos nos Jogos Operatórios desenvolvidos resultou de um esforço construtivo e deseje expressar a diferença entre os que mais e que menos se esforçaram. um Arquipélago.400 Verde 7. atribui pontos sem. Caso.100 6.efetiva aprendizagem.800 10.org 73 . dessa forma. Portanto a transformação de pontos ganhos pelas equipes em notas constitui decisão do professor que poderá dispensá-la se acredita que os alunos estão aprendendo o que ensina de forma significativa. Considerando que pontos equivalem a 10.0 Considerando esse exemplo.500 Branca 600 300 600 1.200 6.700 9. por exemplo. Alguns. uma regra de três simples nos revela que cada 180 pontos conquistados por qualquer equipe deve equivaler a 1.4 Azul 1.0. (Um) Portanto: Equipe Pontuação Nota 1.400 Verde 600 500 600 1. Por exemplo: A equipe Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. apresentamos uma proposta de transformação de pontos em notas que poderá ou não ser adotada pelo professor. um Autódromo e um Cochicho.6 Laranja 1.7 (pois ) Amarela 1. cada aluno de cada equipe. O verdadeiro compromisso do professor é com a aprendizagem significativa e a nota que atribui apenas um elemento que expressa essa aprendizagem. Fica a critério de o professor descontar ou não do aluno que não tenha participado de um ou de outro jogo. Outra forma de avaliação consiste em se somar os pontos obtidos pelos grupos nos diferentes jogos propostos.helder@accessueducacao.500 8.0). Helder Filho . entretanto. jamais um critério para selecionar bons ou maus alunos.1 Vermelha 1. estabelecer uma relação direta entre cada atividade e o desempenho revelado. combinam com a classe que o primeiro lugar em seu desempenho nos diferentes jogos pode valer um ou dois pontos na avaliação final e.700 Amarela 300 400 400 1.3 Branca 1. Também está agindo de maneira correta quem assim procede. entretanto. o professor trabalhou com a classe ministrando aulas expositivas diversas e ainda aplicou. os pontos auferidos pela equipe durante sua aplicação. a equipe que mais pontos somou no bimestre foi a equipe Branca ( ) e.800 Laranja No exemplo destacado acima. Totalizou os pontos e o resultado final do bimestre foi: Equipes Arquipélago Autódromo Cochicho Total 500 400 500 1. nessa circunstância merece receber a mais alta nota (que pode ser 10. A nota vale apenas como uma referência para que o aluno saiba seu desempenho. tal como o de equipes que disputam um campeonato. chegando a uma classificação.

deverá ser submetida a apreciação. se possível. estaria perdendo 3. peso sete para as provas individuais e peso três para a participação dos alunos em Jogos Operatórios. atribuído pelo professor.3 pontos (pois 600 180 = 3. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.3 pontos como os recebidos por seus colegas que participaram de todas as atividades). análise do professor envolvido. Torna-se importante destacar que a idéia proposta por este capítulo serve apenas como uma sugestão e que.0 por sua atuação em Jogos Operatórios e não 8.3) e. dessa forma.Laranja conquistou 600 pontos no Cochicho e caso um de seus integrantes tenha faltado sem justificativa quando da aplicação do mesmo. Os pontos ganhos pelos alunos nos Jogos Operatórios poderiam compor uma de suas notas e esta teria o peso correspondente.org 74 . da Coordenação e Direção da Escola e. por exemplo. do conhecimento de toda equipe discente e docente.helder@accessueducacao. recebendo 5. Seria assim possível o professor atribuir. Helder Filho . dessa forma.

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