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Tcc Asilamento Idoso

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A partir da década de 80, conectado a uma discussão exterior sobre o

envelhecimento (Tratado de Viena e de Madri) e sob a pressão de segmentos

organizados da sociedade civil, o Brasil passou a incluir as demandas dos

idosos na agenda das políticas públicas. Quanto as instituições de longa

permanência - mais conhecidos como “asilos” - essas medidas de proteção

materializaram-se em alguns documentos com recomendações e

determinações legais das normas mínimas de funcionamento dessas

instituições: Política Nacional do Idoso(Lei 8.842/94), Portarias do Ministério da

Saúde e do Ministério da Previdência e Assistência Social, Estatuto do Idoso

(Lei 10.741/2003. e a Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa nº 283 de

26 de setembro de 2005.

A Lei 8.842/94, que dispõem sobre a Política Nacional do Idoso deixa explícito

que as instituições asilares não apresentam o perfil de estabelecimento de

assistência à saúde, e em seu artigo terceiro define a modalidade asilar como a

que se caracteriza como regime de internato ao idoso sem vínculo familiar ou

sem condições de prover a própria subsistência de modo a satisfazer suas

necessidades de moradia, alimentação, saúde e convivência social. Versa,

ainda que, também como uma das diretrizes dessa política é a “priorização do

atendimento ao idoso através de suas próprias famílias, em detrimento do

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atendimento asilar, à exceção dos idoso que não possua condições que

garantam a sua própria sobrevivência” (Artigo 3º e 4º, Inciso III).

A Portaria 810/89 do Ministério da Saúde estabelece normas e padrões para o

funcionamento das instituições destinadas ao público idoso. Definindo

organização, área física, recursos humanos, entre outros. E, no ano de 2000, a

Portaria do Ministério da Previdência e Assistência Social nº 2.854 define o

atendimento integral institucional à pessoas idosas garantindo a oferta de

serviços assistenciais, tais como, alimentação, saúde, higiene, apoio

psicológico, atividades ocupacionais e de lazer e cultura, privilegiando sempre

o retorno familiar.

O Estatuto do Idoso (Lei 1.741/2003) foi promulgado com a finalidade de

ratificar os direitos demarcados pela Constituição Federal e Política Nacional

do Idoso, além de acrescentar novos dispositivos até então não previstos.

No artigo 35 consta que todas as entidades de longa permanência são

obrigadas a firmar contrato de prestação de serviços com a pessoa abrigada, e

que no caso de instituição filantrópica, é facultada a cobrança de participação

do idoso no custeio da entidade. Acrescenta ainda que, cabe ao Conselho

Municipal do Idoso ou ao Conselho Municipal de Assistência Social estabelecer

a forma dessa participação, que não poderá exceder a 70% de qualquer

benefício previdenciário ou assistencial percebido pelo idoso.

O artigo 48 traz que as entidades de atendimento são responsáveis pela

manutenção das próprias unidades, observadas as normas de planejamento e

execução emanadas do órgão competente da Política Nacional do Idoso. E

logo a seguir, nos artigo 49 e 50, são mencionados os princípios e obrigações

a serem adotados por essas entidades: preservação dos vínculos familiares;

atendimentos personalizados e em pequenos grupos;participação do idoso nas

atividades comunitárias; observância dos direitos dos idoso; preservação da

dignidade e respeito ao idoso; promoção de atividades educacionais,

esportivas, culturais e de lazer.

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As entidades que desenvolvam programas de
institucionalização de longa permanência adotarão os
seguintes princípios:
I – preservação dos vínculos familiares;
II – atendimento personalizado e em pequenos grupos;
(...)
IV – participação do idoso nas atividades comunitárias, de
caráter interno e externo;
(...)
VI – diligenciar no sentido da preservação dos vínculos
familiares (Artigo 49)

O artigo 52 postula a obrigatoriedade de fiscalização por parte do Ministério

Público, Vigilância Sanitária e Conselho do Idoso e logo em seguida, no artigo

56 estão as infrações administrativas e as penalidades previstas no presente

dispositivo legal.

O Estatuto do Idoso reveste o Ministério Público de poderes para a garantia

dos direitos da pessoa idosa, zelando pelo efetivo cumprimento das leis de

proteção. No cumprimento de suas funções deverá ainda, fiscalizar as

entidades de atendimento ao idoso possuindo autonomia para tomar as

providências necessárias.

No âmbito municipal de Vitória, a Lei número 6.043 de 22 de dezembro de

2003 instituiu a Política Municipal do Idoso em Vitória. Essa Lei visa assegurar

os direitos sociais dos idosos e busca seus objetivos estabelecendo formas que

promovam a autonomia, independência, integração, melhoria da qualidade de

vida e participação efetiva do idoso na sociedade, seguindo orientações da

PNI. Nessa política consta que a coordenação geral da Política Municipal do

Idoso será feito pelo órgão competente da Administração Pública Municipal,

com a participação do Conselho Municipal do Idoso. Na área da Assistência

Social aparecem como competências, dentre outras: desenvolver alternativas

de atenção ao idoso desabrigado e sem vínculo familiar e acompanhar e

avaliar as ações desenvolvidas e serviços prestados destinados a idosos. O

município tem o Conselho Municipal de Direitos dos Idosos (COMID) e o

Programa de Atenção ao Idoso. É interessante ressaltar que os asilos de

acordo com a NOB/SUAS são instituições de proteção social especial de alta

complexidade.

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Recentemente, em 26 de setembro de 2005, diante da necessidade de definir

critérios para o funcionamento, avaliação e monitoramento das instituições de

longa permanência, foi aprovada a Resolução da Diretoria Colegiada n. 283 da

ANVISA, (Anexo B) denominado: Regulamento técnico para o funcionamento

das instituições de longa permanência para idosos. Nesse documento, que

estabelece o padrão mínimo de funcionamento das instituições de longa

permanência, é designado que a instituição deve atender as seguintes

premissas: observar os direitos e garantias dos idosos; preservar a identidade

e a privacidade do idoso; promover a convivência intergeracional, desenvolver

a autonomia e integração social do idoso, além de prevenir e coibir qualquer

tipo de violência e discriminação contra as pessoas residentes. Nesse

documento consta que a instituição deve “ incentivar e promover a participação

da família e da comunidade na atenção ao idoso residente” (Item 4.3.7).

Além desses instrumentos legais de proteção a Constituição Federal de 1988,

traz o seguinte:

Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar
os filhos menores, e os filhos menores têm o dever de
ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou
enfermidade.

Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever
de amparar as pessoas idosas, assegurando sua
participação na comunidade, defendendo sua dignidade e
bem-estar e garantindo-lhes o direito á vida.

Parágrafo primeiro - Os programas de amparo aos idosos
serão executados preferencialmente em seus lares.

Notamos que a família é chamada a comparecer em todas as formas legais de

proteção ao idoso, incluindo o institucionalizado, no entanto, as instituições de

longa permanência, que atualmente possuem diversas denominações: asilo,

lar, recanto, albergue, casa de repouso, dentre outros, ainda mantêm

resquícios dos antigos asilos onde a segregação/apartação é patente e a

integração, socialização e a preservação dos vínculos familiares ficam a uma

larga distância desses idosos internos. Na verdade continua sendo um local de

prestação de assistência àqueles idosos em situação de abandono.

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O asilo, que muitas vezes se apresenta como única solução para a família,

sociedade e Estado, que não se encontram preparados para as demandas dos

idosos, não se apresenta como a solução ideal para o idoso. Na visão de

Netto(1986, p. 23), “a instituição para idosos é uma espécie de hospital onde

os pacientes não têm perspectivas de alta. É prisão sem grades; campo de

prisioneiros sem cercas, quartel sem sentinelas; claustro sem fé e nem

esperança”. Ainda com um agravante que observa-se nos asilos: a falta de

visita de familiares o que aprofunda ainda mais a solidão, a perda de identidade

e da auto-estima dos idosos residentes.

Na contemporaneidade observa-se uma alteração nas relações sociais e

familiares ocasionadas pelas novas “sociabilidades” impostas por uma

sociedade de consumo, cada vez mais excludente e desigual. Nesse contexto

as relações familiares sofrem diversas mudanças sociais, econômicas e

culturais associadas à modernização. As mulheres buscam o espaço público e

se inserem no mercado de trabalho, há uma redução do numero de membros

das famílias e consequentemente há um novo arranjo de papéis dentro da

instituição familiar que penalizam principalmente as crianças e os idosos.

Portanto presencia-se na sociedade moderna um grande número de

instituições, tanto pública como privadas, estão substituindo a família em suas

funções históricas do “cuidado”.

A família no Brasil continua a ser a fonte mais direta de apoio informal para a

população idosa, aponta inúmeras pesquisas. Por outro lado também observa-

se que a violência contra a pessoa idosa familiar é a mais freqüente forma de

abuso contra a pessoa idosa. Há uma tendência de idealizar a família, mas não

se pode falar de família, sim de famílias para contemplar as diversidades de

relações que convivem na sociedade. Neste aspecto deve ser considerado as

condições de vulnerabilidade das famílias brasileiras, e consequentemente a

falta de condições para a sustentação e manutenção dos vínculos.

Há uma questão que está posta onde não é possível simplificar ou determinar

que o apartamento do idoso ocorra tão somente pelo fato de que as famílias

não estão dando conta de cumprir com suas obrigações ditadas culturalmente.

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A hipótese que se coloca é de que a opção pelo asilamento é multifatorial e

passa por questões familiares, sociais, econômicas e subjetivas que são

construídas ao longo do tempo.

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