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LUDKE, Menga. Pesquisa em educação - abordagens qualitativas. São Paulo EPU, 1986.

LUDKE, Menga. Pesquisa em educação - abordagens qualitativas. São Paulo EPU, 1986.

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LUDKE, Menga. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

EVOLUÇÃO DA PESQUISA EM EDUCAÇÃO “Para se realizar uma pesquisa é preciso promover o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele. Em geral isso se faz a partir do estudo de um problema, que ao mesmo tempo desperta o interesse do pesquisador e limita sua atividade de pesquisa a uma determinada porção do saber, a qual ele se compromete a construir naquele momento. Trata-se, assim, de uma ocasião privilegiada, reunindo o pensamento e ação de uma pessoa, ou de um grupo, no esforço de elaborar o conhecimento de aspectos da realidade que deverão servir para a composição de soluções propostas aos seus problemas”. (pp.1-2) “A construção da ciência é um fenômeno social por excelência”. (p.2) A pesquisa traz consigo uma carga de valores, conhecimentos, interesses e preferências do pesquisador: “Assim, a sua visão do mundo, os pontos de partida, os fundamentos para compreensão e explicação desse mundo irão influenciar a maneira como ele propõe suas pesquisas ou, em outras palavras, os pressupostos que orientam seu pensamento vão também nortear sua abordagem de pesquisa”. (p.3) “Com a evolução dos próprios estudos na área da educação, foi-se percebendo que poucos fenômenos nessa área podem ser a esse tipo de abordagem analítica, pois em educação as coisas acontecem tão inextricável que fica difícil isolar as variáveis envolvidas e mais ainda apontar claramente quais são as responsáveis por determinado efeito”. (p.3)

Estudo experimental em educação “Outra característica típica dessa abordagem, que predominava entre as pesquisas educacionais até bem pouco tempo atrás, era a crença numa perfeita separação entre o sujeito da pesquisa, o pesquisador, e seu objeto de estudo. Acreditava-se então que em sua atividade investigativa o pesquisador deveria manter-se o mais separado possível do objeto que estava estudando, para que suas ideias, valores e preferencias não influenciassem o seu ato de conhecer. Assim se procuraria garantir uma perfeita objetividade, isto é, os fatos, os dados se apresentariam tais quais são, em sua realidade evidente. O conhecimento se faria de maneira imediata e transparente aos olhos do pesquisador”. (p.4)

mais evidente se torna seu caráter de fluidez dinâmica.12) “2.4) “o papel do pesquisador é justamente o de servir como veículo inteligente e ativo entre esse conhecimento acumulado na área e as novas evidências que serão estabelecidas a partir da pesquisa. Ao contrário. que se vai construir o conhecimento sobre o fato pesquisado”. (p. é a partir da interrogação que ele faz aos dados. É pelo seu trabalho como pesquisador que o conhecimento específico do assunto vai crescer. (p.5) ABORDAGENS QUALITATIVAS DE PESQUISA: A PESQUISA ETNOGRÁFICA E O ESTUDO DE CASO Cinco características básicas que configuram as pesquisa qualitativa: “1. (p. os dados não se revelam gratuita e diretamente aos olhos do pesquisador.11) “A justificativa para que o pesquisador mantenha um contato estreito e direto com a situação onde os fenômenos ocorrem naturalmente é a estes são muito influenciados pelo seu contexto. Os fatos. as palavras estudas devem ser sempre referenciadas ao contexto onde aparecem”. Sendo assim. baseada em tudo que ele conhece do assunto – portanto. à medida que avançam os estudos da educação. A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento”. que sofre toda pesquisa educacional é exatamente o de tentar captar essa realidade dinâmica e complexa do seu objeto de estudo. Cada vez mais se entende o fenômeno educacional como situado dentro de um contexto social. de mudança natural a todo ser vivo. Os dados coletados são predominantemente descritivos” (p. os gestos.12) . E mais claramente se nota a necessidade de desenvolvimento de métodos de pesquisa que atentem para esse seu caráter dinâmico. em toda teoria acumulada a respeito -. as circunstancias particulares em que um determinado objeto se insere são essenciais para que se possa entendê-lo.“Também nesse ponto a evolução dos estudos de educação. por sua vez inserido em uma realidade histórica. mas esse trabalho vem carregado e comprometido com todas as particularidades do pesquisador. assim como o de outras ciências sociais. tem levado a perceber que não é bem assim que o conhecimento se processa. Nem este os enfrenta desarmado de todos os seus princípios e pressuposições. inclusive e principalmente com as suas definições políticas”. (p. Da mesma maneiras as pessoas.5) “ora. (p. em sua realização histórica”.

” (p.“O pesquisador deve. o pesquisador deve tentar encontrar . e que o relatório etnográfico apresenta muitos dados primários. O desenvolvimento do estudo aproxima-se a um funil: no início a questões ou focos de interesse muito amplos.15) Qualitativo-fenomenológica – “que determina ser quase impossível entender o comportamento humano sem tentar entender o quadro referencial dentro do qual os indivíduos interpretam seus pensamentos. assim.13) Relacionado a pesquisa de abordagem etnográfica Ludke (1986) aponta segundo Wolcott (1975) que para que ela assim seja é preciso que quem vai ler o trabalho consiga interpretar o que ocorre no grupo pesquisado. (p. pois ela envolve “pressupostos específicos sobre a realidade e as formas particulares de coleta e apresentação de dados”(p.14) Ludke (1986) aponta alguns critérios para a utilização da abordagem etnográfica segundo Firestone e Dawson (1981).” (p.12) “4. De acordo com essa perspectiva. A preocupação com o processo é maior que com o produto. A partir disso a autora relata que nem todos os estudos qualitativos são etnográficos. O pesquisador vai precisando melhor esses focos à medida que o estudo se desenvolve. para o autor (Wolcott) o uso da etnografia aponta para a preocupação em pensar o ensino e a aprendizagem dentro de um contexto cultural amplo. nos procedimentos e nas interações cotidianas.12) “3.” (p. citando que o problema é descoberto em campo. que deve combinar vários métodos de coleta.15) Parta Ludke (1986) segundo Wilson (1977) a pesquisa etnográfica se fundamenta em 2 conjuntos de hipóteses: Naturalista-ecológica – “que afirma ser o comportamento humano significativamente influenciado pelo contexto em que se situa” (p.12) “5. sentimentos e ações. atentar para o maior número de elementos presentes na situação estudada. que no final se tornam mais diretos e específicos. O interesse do pesquisador ao estudar um determinado problema é verificar como ele se manifesta nas atividades.13) “o fato de não existirem hipóteses ou questões específicas formuladas a priori não implica a inexistência de um quadro teórico que oriente a coleta e a análise de dados. pois um aspecto supostamente trivial pode ser essencial para melhor compreensão do problema que está sendo estudado”. O ‘significado’ que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador. que o pesquisador deve realizar a maior parte do trabalho em campo. (p. A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo (p.

mais sistemática em coleta de dados.] é o que se desenvolve numa situação natural. estudo de caso em três fases: 1. ele procurará se manter constantemente atentos a novos elementos que podem emergir como importantes durante o estudo. usa uma variedade de fonte de informações.18) Apresenta as características do estudo de caso naturalístico em que: visa a descoberta.”(p. 3. busca retratar a realidade de forma complexa e profunda. pois a escolha do método se faz a partir do problema estudado. 2. O quadro teórico inicial servirá assim de esqueleto.18) “Os estudos de caso visam à descoberta. (p. situar várias descobertas num contexto mais amplo. O pesquisador deve exercer o papel subjetivo de participante e o papel objetivo de observador. Mesmo que o investigador parta de alguns pressupostos teóricos iniciais. tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada. ao mesmo tempo que procura manter sua visão objetiva do fenômeno. exploração (seleção. colocando-se numa posição ímpar para compreender e explicar o comportamento humano”. enfatiza a interpretação de um contexto. descoberta ( explicação de realidade. de estrutura básica a partir da qual novos aspectos poderão ser detectados. os relatórios de estudo de caso apresentam uma linguagem mais acessível que relatórios de pesquisa. (pp. mas aprender os aspectos ricos e .15) Em relação ao método Ludke (1986) afirma que não existe um e específico que possa ser recomendado como o melhor ou mais efetivo. desenvolvimento de teorias. testar hipóteses com a realidade) “O estudo qualitativo [. é rico em dados descritivos.meios para compreender o significado manisfesto e latente dos comportamentos dos indivíduos.”(p. mesmo com alguns pressupostos o pesquisador se manterá sempre atento a novos elementos que podem surgir. definição do problema.. na medida em que o estudo avance. análise e interpretação sistemática dos dados e elaboração de relatórios “Dentro da própria concepção de estudo de caso que pretende não partir de uma visão predeterminada da realidade.18-20) Segundo Nisbet e Watt (1978). aberta e exploratória. novos elementos ou dimensões poderão ser acrescentados. escolha do local e primeiras observações). pesquisador procurar explicitar a multiplicidade presente. A investigação para por três etapas. decisão (busca mais sistemática). recorrer a uma variedade de dados coletados em diferentes momentos e situações. busca apresentar os diferentes e às vezes conflitantes pontos de vista presentes na situação social analisada..

26) “Sendo principal instrumento de investigação. pois isso depende da história pessoal de cada um e principalmente de sua bagagem cultural. no preparo das observações é a delimitação do objeto de estudo.25) Observação nas abordagens qualitativas “Tanto quanto a entrevista..” (p. ENTREVISTA E ANÁLISE DOCUMENTAL Observação Uma mesma situação pode ser olhada de maneira diversa. a observação possibilita um contato pessoal e estreito do pesquisador do fenômeno pesquisado. o pesquisador pode recorrer aos conhecimentos e experiências pessoais como auxiliares no processo de . o que apresenta uma série de vantagens. devido a isso a pessoa pode enfocar mais em alguns aspectos e não em outros.”(p.”(p.” (p. utilizando instrumentos mais ou menos estruturados.22) “[. pois.. Em primeiro lugar a experiência direta é sem dúvida o melhor teste de verificação da ocorrência de um determinado fenômeno. A primeira tarefa. analisá-la e torna-la disponível aos informantes para que manifestem suas reações sobre a relevância e a acuidade do que é relatado.. a observação ocupa um lugar privilegiado nas novas abordagens de pesquisa educacional. sua escolha sendo determinada pelas características próprias do objeto estudado.”(p. técnicas mais ou menos variadas.imprevistos que envolvem um determinada situação a fase exploratória se coloca como fundamental para uma definição mais precisa do objeto de estudo. Isso implica a existência de um planejamento cuidadoso do trabalho e uma preparação rigorosa do observador. a observação precisa ser antes de tudo controlada e sistemática.] o pesquisador pode proceder à coleta sistemática de informações. “Para que se torne um torne um instrumento válido e fidedigno de investigação científica.] na fase exploratória do estudo surge a necessidade de juntar e informação.22) MÉTODOS DE COLETA DE DADOS: OBSERVAÇÃOM. Definindo-se claramente o foco da investigação e sua configuração espaço-temporal. Usada como o principal método de investigação ou associada a outras técnicas de coleta. ficam mais ou menos evidentes quais aspectos do problema serão cobertos pela observação e qual a melhor forma de captá-los.22) “[..”(p.25) “Planejar a observação significa determinar com antecedência ‘o que’ e ‘o como’ observar.

isto é. (p. terá em geral que aceitar o controle do grupo sobre o que será ou não tornado publico pela pesquisa”. As variações dentro desse continuum são muitas e podem inclusive mudar conforme o desenrolar do estudo. pode haver um imersão total na fase inicial do estudo e um distanciamento gradativo nas fases subsequentes”.27) “Decidir qual é o grau de envolvimento no trabalho de pesquisa não significa decidir simplesmente que a observação será ou não participante. isto é. pedindo cooperação ao grupo.26) “A observação direta permite também que o observador chegue mais perto da ‘perspectiva dos sujeitos’.29) “O ‘observador como participante’ é um papel em que a identidade do pesquisador e os objetivos do estudo são revelados ao grupo pesquisado desde o início. as técnicas de observação são extremamente úteis para ‘descobrir’ aspectos novos de um problema. Nessa posição. Pode também ocorrer o contrário. Isto se torna crucial nas situações em que não existe um base teórica sólida que oriente a coleta de dados”. o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e às suas próprias ações”. para não provocar muitas alterações no comportamento do grupo estudado. (p.26) “Além disso. (p. (p. o pesquisador pode ter acesso a uma gama variada de informações. mudanças havidas num determinado programa ao longo do tempo.26) Variações nos métodos de observação “Tendo determinado que a observação é o método mais adequado para investigar um determinado problema.29) “Em algumas pesquisas pode ser interessante haver diversos períodos curtos de observação intensivas para verificar. até mesmo confidenciais. Em outros estudos . pode tentar apreender a sua visão de mundo. um importante alvo nas abordagens qualitativas. Contudo. A escolha é feita geralmente em termos de um continuum que vai desde uma imersão total na realidade até um completo distanciamento. Esta posição também envolve questões ética óbvias”.” (p. o pesquisador depara ainda com uma série de decisões quanto ao seu grau de participação no trabalho.28) “A preocupação não é deixar totalmente claro o que pretende. Na medida em que o observador acompanha in loco as experiências diárias dos sujeitos. quanto à explicitação d o seu papel e dos propósitos da pesquisa junto aos sujeitos e quanto à forma de sua inserção na realidade”.compreensão e interpretação do fenômeno estudado. (p. (p. por exemplo. A introspecção e a reflexão pessoal têm papel importante na pesquisa naturalística.

31): 1. ao iniciar cada registro. Reflexões metodológicas. preconceitos do observador durante a evolução do estudo. acima de tudo. 3. problemas encontrados na obtenção de dados e formas para resolvê-los. quanto mais curto o período de observação. (p. A parte reflexiva do trabalho compreende(p. Descrição de eventos especiais. Um aspecto que deve ser levado em conta nessa decisão é que. Esclarecimentos necessários. (pp. é interessante que. descrição dos sujeitos. dependendo da situação especifica de observação. Por outro lado. do tipo de problema que está sendo estudado e do propósito do estudo. é igualmente útil deixar uma margem para a codificação do material ou para observações gerais”.29) “A decisão sobre a extensão do período de observação deve depender. a entrevista representa um dos instrumentos básicos para a coleta de dados. aliás. reflexões analíticas. 4. 5. 5. refletir sobre o que está sendo aprendido e novas ideias que surgem. Ao fazer as anotações. 30-31) a parte descritiva do trabalho compreende registros detalhados de: 1. 2. Descrição das atividades. Reconstrução de diálogos. Esta é.33) .pode ser mais adequado concentrar as observações em determinados momentos. pontos a serem esclarecidos. o local da observação e o seu período de duração. Descrição de locais. pensar sobre as estratégias metodológicas. 4. um longo período de permanência em campo por si só não garante validade”. ou seja. Do ponto de vista essencialmente prático.29-30) O conteúdo das observações Segundo a autora (pp. aspectos que parecem confusos. Mudanças na perspectiva do observador. maior a probabilidade de conclusões apressadas. 6. digamos no final de cada bimestre escolar”. Os comportamentos do observador. O registro das observações “A forma de registar os dados também pode variar muito. (p. o que compromete a validade do estudo. dentro da perspectiva de pesquisa que estamos desenvolvendo neste livro. (p. opiniões. Ela desempenha importante papel não apenas nas atividades cientificas como em muitas outras atividades humanas”. Dilemas éticos e conflitos.32) A entrevista “Ao lado da observação. 3. o observador indique o dia. anotar as expectativas. uma das principais técnicas de trabalho em quase todos os tipos de pesquisa utilizados nas ciências sociais. 2. a hora.

como o questionário”. Na medida em que houver um clima de estímulo e de aceitação mútua. que é usada quando se visa à obtenção de resultados uniformes entre os entrevistados. praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos. que se desenrola a partir de um esquema básico. as notas já representam um trabalho inicial de seleção e interpretação das informações emitidas. permitindo que o entrevistador faças as necessárias adaptações’.33-34) “A grande vantagem da entrevista sobre outras técnicas é que ela permite a captação imediata e corrente da informação desejada. havendo uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde.] na entrevista a relação que esse cria é de interação. assim como temas de natureza complexa e de escolhas nitidamente individuais. Pode permitir o aprofundamento de pontos levantados por outras técnicas de coleta de alcance mais superficial. da habilidade desenvolvida pelo entrevistador para conseguir ao mesmo tempo manter um clima de atenção e interesse pela fala do entrevistado. Essa maneira é específica de cada um. Essa ‘é a chamada entrevista padronizada ou estruturada. enquanto arranja um maneira de ir anotando o que é importante.. O entrevistador já vai percebendo o que é suficientemente importante para ser tomado nota e vai assinalando de alguma forma o que vem acompanhado com ênfases.34) “Quando o entrevistador tem que seguir muito de perto um roteiro de perguntas feitas a todos os entrevistados de maneira idêntica e na mesma ordem. além do tempo necessário para escrever. Entre esses dois tipos extremos se situa a entrevista semi-estruturada. com a vantagem obvia de se ter o entrevistador presente para algum eventual esclarecimento. tem-se uma situação muito próxima da aplicação de um questionário. podendo perfeitamente ser encontrada a partir de um acordo com o próprio entrevistado. Uma entrevista bem feita pode permitir o tratamento de assuntos de natureza estritamente pessoal e íntima. permitindo assim uma comparação imediata. seja do lado positivo ou negativo. mas não representa nada de mágico ou misterioso.“De início. o entrevistado discorre sobre o tema proposto com base na informações que ele detém e que no fundo são a verdadeira razão da entrevista.34) “O registro feito através de notas certamente deixará de cobrir muitas coisas ditas e vai solicitar atenção e o esforço do entrevistador. (p. porém não aplicado rigidamente. as informações fluirão de maneira notável e autentica”. Especialmente nas entrevistas não totalmente estruturadas. em compensação. (pp. Mas. É muito importante que o entrevistado esteja bem informado sobre os objetivos da entrevista e de que as informações fornecidas serão utilizadas . (p. Mais do que outros instrumentos de pesquisa [. é importante atentar para o caráter de interação que permeia a entrevista.. Aqui se percebem bem a importância da prática. onde não há a imposição de uma ordem rígida de questões. em geral mediante o tratamento estatístico.

39) “Outra crítica ao uso dos documentos é a usa falta de objetividade e sua validade questionável. porém.. (p.. que algumas notas têm que ser tomadas e até aceitando um ritmo com pausas destinadas a isso”.] a análise documental pode ser constituir numa técnica valiosa de abordagem de dados qualitativos[. É preciso que ele concorde. pode ser contestado lembrando-se do próprio propósito da análise . (p. Nesta situação incluem-se todas as formas de produção do sujeito em forma escrita.39) “Quando o interesse do pesquisador é estudar o problema a partir da própria expressão dos indivíduos. testes projetivos. quando a linguagem dos sujeitos é crucial para a investigação. dissertações. Além disso ela pode complementar a informações obtidas por outras técnicas de coleta”. Esse ponto.38) “Os documentos constituem também uma fonte poderosa de onde podem ser retiradas evidências que fundamentem afirmações e declarações do pesquisador. (p. nossa confiança em que os resultados reflitam mais o fenômeno em que estamos interessados do que do que os métodos que usamos aumenta’ (p. a utilização de documentação é também criticada por representar escolhas arbitrárias. com uma técnica exploratória.17)”. (p. como redações. o questionário ou a observação. cartas etc. a entrevista.]” (p. sabendo. Não são apenas uma fonte de informação contextualizada. ela é necessária quando: “Quando se pretende ratificar e validar informações obtidas por outras técnicas de coleta. ou seja. ‘quando duas ou mais abordagens do mesmo problema produzem resultados similares..37) A análise documental “[..40) “Finalmente. em responder às questões . como por exemplo. (p. portanto. a análise documental indica problemas que devem ser mais bem explorados através de outros métodos.” (p. por parte de seus autores.exclusivamente para fins de pesquisam respeitando-se sempre o sigilo em relação aos informantes. mas surgem num determinado contexto e fornecem informações sobre esse mesmo contexto”. Representam ainda uma fonte ‘natural’ de informação.39) Ludke fala das situações básicas para o uso da análise documental segundo Holsti (1969). Segundo Holsti (1969). Essas objeções são geralmente levantadas por todos aqueles que defendem uma perspectiva ‘objetivista’ e que não admitem a influencia da subjetividade no conhecimento científico”. a partir dessa confiança. diários pessoais.39) “Finalmente. de aspectos a serem enfatizados e temáticas a serem focalizadas.

as análises de documentos e demais informações disponíveis”. do contexto e das principais questões de estudo. essas questões possibilitam a articulação entre os pressupostos teóricos do estudo e os dados da realidade”. podem surgir muitas ideias e sugestões sobre formas de analisar o que vai sendo captado. os sentimentos. A fase inicial é mais aberta. sentimentos e especulações ao longo de todo o processo de coleta”. pois.. É importante . observações e especulações ao longo da coleta “Conforme o estudo vai-se desenvolvendo. Na fase imediatamente subsequente. as intenções e as ideologias das fontes ou dos autores dos documentos. no entanto. (p. dos sujeitos. as transcrições de entrevista. tornando a coleta de dados mais concentrada e mais produtiva”.46) A formulação de questões analíticas “É conveniente que no processo de delimitação progressiva do foco principal da investigação sejam também formuladas algumas questões ou proposições específicas. (p. os relatos de observação.documental de fazer inferência sobre os valões. Essas escolhas arbitrárias dos autores devem ser consideradas.46) Uso extensivo de comentários. que o pesquisador não se limite apenas a fazer descrições detalhadas daquilo que observa. o processo de coleta se assemelha um funil. mas procure registrar também as suas observações. como um dado a mais na análise”. para que o pesquisador possa adquirir uma visão bem ampla da situação. por isso. passa a haver [..45) Delimitação progressiva do foco de estudo “Na maior parte dos estudos qualitativos. Além de favorecer a análise. (p. ou seja.] uma tentativa de delimitação da problemática focalizada. (p.47) . em torno das quais a atividade de coleta possa ser sistematizada. (p.40) A ANÁLISE DE DADOSE ALGUMAS QUESTÕES RELACIONADAS À OBJETIVIDADE E À VALIDADE NAS ABORDAGENS QUALITATIVAS “Analisar os dados qualitativos significa ‘trabalhar’ todo o material obtido durante a pesquisa.

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