P. 1
Frases de Efeito - Propaganda

Frases de Efeito - Propaganda

|Views: 1.496|Likes:
Publicado porSimone Pimentel

More info:

Published by: Simone Pimentel on Oct 04, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

11/17/2012

pdf

text

original

Uma História de Frases e Efeitos!

“A propagação da palavra humana começou a adquirir dimensões galácticas já no século XV de Gutemberg...” (Santaella e Nöth, 1998). E se desde então, a força do verbal se firmou, é interessante observar a força da palavra persuasiva empregada na propaganda através dos tempos. Em um primeiro momento, anúncios em forma de classificados, de cunho expressivamente comercial, informavam que “estava à venda uma morada de casas” ou dramaticamente que, “escravas” estavam sendo comercializadas: “vende-se uma preta ainda rapariga, de bonita figura, a qual sabe lavar,engomar, coser e cozinhar, na rua do Ouvidor, 35, 1º andar.” (Ramos e Marcondes, 1995, p 16). Mas somente com a chamada “poesia do comércio”, os anúncios ocuparam espaço em cartazes de bondes, jornais, revistas, enfim, na mídia de massa. E não há dúvida que através da poesia, desde sua origem, os jogos de palavras tomam vida persuasiva nos primeiros anúncios da propaganda brasileira, como o de Bastos Tigre “Veja ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem ao seu lado. E no entanto acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o Rhum Creosotado.” (Temporão, 1986, p 36). Os “reclames” como eram chamados os anúncios, eram aparentemente ingênuos, pois não havia um especialista para escrever a respeito de medicamentos. Ora os médicos davam seus depoimentos, ora os poetas, literários eram contratados a escrever, enquanto artistas plásticos e pintores ilustravam os anúncios, quase sempre com imagens de sofrimentos, com a promessa de cura pelo medicamento. “Larga-me...deixa-me gritar!...” Foi o slogan do Xarope São João, veiculado na Revista da Semana, no Rio de Janeiro, em 1900. Esse xarope utilizava a imagem de um homem, como se estivesse amordaçado, significando a ameaça da tosse, bronquite, rouquidão. O xarope era o grande salvador. O texto ainda dizia frases como: “...é a única garantia de sua saúde....é o remédio científico, apresentado sob a forma de um saboroso licor. O único que não ataca o estômago, nem os rins...” Portanto, o verbal, junto ao visual, se fez presente no início do século passado no Brasil com a propaganda de medicamentos, primeiros anunciantes em potencial no país. A história continua...

p 26). Emílio Menezes. quem teria tal delicadeza em utilizar o uso das palavras com sabedoria. marcaram época em quase todas as publicações da época. 1986. Sua evolução. que viu nascer o século. Fon-Fon. falar de propaganda sem falar dos primeiros anunciantes. os anúncios de medicamentos tinham a cabeça e as mãos de Olavo Bilac. seja do povo ou da nobreza o Escol. famoso pelo slogan: “cura a tosse em 24 horas” e Saúde da Mulher. em quase todas as edições. junto aos artistas plásticos. respectivamente a marca e slogans ou textos. isso sim. enriquecendo a propaganda dos medicamentos. ou seja. A Careta. assim como a da propaganda brasileira. Basílio Viana e Bastos Tigre. 1986. Temporão cita em seu livro “Propaganda de Medicamentos e o Mito da Saúde” que os componentes: escritos e icônicos. A indústria farmacêutica. uma revista de 1910. medicamentos (os populares remédios) é praticamente impossível. ou como Peirce diria. e os desenhos.Mas naquela época. o Xarope Bromil. pudera. A Lua. conseqüentemente o publicitário. desenvolvidos por artistas plásticos. aconteceu gradativamente. poetas e escritores. “O nosso discurso verbal está permeado de imagens. . Eram escritores e poetas que seguiram anos e anos. ou mesmo ilustrar anúncios. Nessa época. O destaque para os anúncios com uma melhor elaboração. persuasão e rima. que ousou parodiar Os Lusíadas para o medicamento Dermol: “Toda pessoa previdente e cauta que a vida pauta com muita atenção. acumulou muito da prática artesanal e empírica. não deixaria de ver com outros olhos a poesia que tanto contribuiu para as práticas comerciais de uma época. desenhistas e pintores brasileiros. Hoje. Hermes Fontes. usa Dermol e sempre o tem à mão”. de iconicidade” (Santaella e Nöth. Inicialmente conhecida como botica (nome dado às farmácias administradas por famílias) a indústria farmacêutica passou os trinta primeiros anos do século produzindo remédios através de insumos extratos vegetais e produtos de origem animal (Temporão. Aliás. O Malho. analisando os discursos persuasivos e polissêmicos existentes nos anúncios de medicamentos no Brasil. a Lua. se deu na chegada das revistas: Revista da Semana. 1998. foram os primeiros anúncios de medicamentos. então. em uma época onde a tecnologia cedia espaço à arte? Verdadeira manifestação artística. de São Paulo (Temporão. certamente um mercado efervescente como o da indústria farmacêutica. p 39) teve como anunciante. p 14). o famoso preparado também conhecido pelo “infalível nas moléstias das senhoras”. Cri-Cri. patrocinados pela indústria farmacêutica. Também. O curioso é perceber que ao resgatar o passado pode-se entender melhor o presente.

eternizou a marca. Amadores ou profissionais. Era característica sua associar seus produtos às palavras como: original. A Bayer destacava-se pela originalidade dos textos e pela qualidade gráfica dos anúncios. puro. tome Cafiaspirina”. prisão de ventre. ingênuos ou aparentemente ingênuos. cheguei a ficar assim! Sofria horrivelmente dos pulmões. de Sinuberase. Verdadeira obra prima da publicidade brasileira. amacia as artérias e evita a obesidade” e Xarope de Grindélia “pedir e exigir sempre contra tosse” (Ramos e Marcondes. Instantina “num instante vae-se o mal” e outros. p 42). os anúncios não eram muito diferentes de seus autores. 1986. Jeca Tatuzinho foi criado por Monteiro Lobato para Biotônico Fontoura. Dores em geral. O . estratégia utilizada até os tempos atuais pela propaganda. a empresa alemã. Alcatrão-Guyet “a polícia dos pulmões”. é bom”. 1995. como ainda acontece nos tempos atuais. não seria diferente com a linguagem publicitária. Alguns anúncios sem identificação de autor. Rhodine “em nada se parece com outros comprimidos”. estampando duas fotos. Limpa e desinfecta todo o tubo digestivo e fortalece o corpo cansado por excesso de trabalho”. Tatuzinho era um personagem fraco. A linguagem sempre acompanhou as fases históricas. amarelo. Santogen “dá auxílio e levanta exaustos os que caem por falta de energia e vitalidade”. investiu alto em publicidade. mas graças ao milagroso xarope peitoral de alcatrão e jatahy. principalmente cefaléias. Aliás. Bayaspirina “silêncio”. fez parte do anúncio do Xarope Peitoral de Alcatrão. Com campanhas regulares. dermathose. Monteiro Lobato é um exemplo de literário que se tornou autor de anúncios publicitários. com o bom resultado do produto. sempre utilizando a marca e reforçando-a com um slogan. científico para contrapor os produtos nacionais. o centenário “Se é Bayer. consegui ficar curado e bonito” (Temporão. que ao tomar o fortificante ficava saudável. cujo slogan era “o mais completo fortificante”. pp 28-29). a linguagem dos anúncios. Urudonal “lava o sangue. transformando o fortificante Biotônico Fontoura em um marco na história da propaganda de medicamentos brasileira. “O antes e o depois”. outros não. a Bayer. ganharam destaque nos anúncios. parecia nitidamente ligada ao período difícil que o mundo encontrava-se. Eram muitos os produtos da Bayer: Adalina “a fonte da juventude eterna”. O grande anunciante do setor chegaria em 1917. Alguns ganharam dinheiro. “carregavam” argumentos fortes e uma linguagem não menos interessante de registrar: “Grande remédio contra neurasthenia. de Bastos Tigre. que tornou a propaganda de medicamentos popular. com medicamentos como Cafiaspirina: “Se alguma dor o domina. em 1895: “Eu era assim.Durante a 1ª Grande Guerra. principalmente os de medicamentos.

a seguir. que Lessa imediatamente irritado criou “Sabonete X. O francês atribuiu ao slogan o mesmo sentido de propaganda. p 39). Uma maneira de mostrar que idéias não caem do céu e que as palavras.A insistência do cliente foi tanta. Em 1928. “fórmula fixa”. Lessa desenvolveu trabalhos para as primeiras agências de publicidade. para no século XIX. Com imaginação fértil e noção de propaganda. explicativos. Monteiro Lobato chegou a abrir mão de Jeca Tatuzinho criado para seu amigo Cândido Fontoura. informativos passaram a ser substituídos por logomarcas e slogans publicitários. tanto do personagem. e não simplesmente escritor. Guimarães Passos. textos longos. Mais do que escritor. “a fechadura que fecha e dura”. José Lins do Rego. escritor e historiador Orígenes Lessa teve destaque na propaganda. “frase feita”.” (Ramos e Marcondes. reclame. como da maneira que era querido por todos (Ramos e Marcondes. O personagem ficou famoso e a marca não menos conhecida e consumida durante gerações. pela simplicidade e popularidade. “apelido pragmático do nome próprio”. O que Monteiro Lobato fez pela propaganda de medicamentos. o que realmente fazia a diferença na propaganda. 1995. em palavra de ordem eleitoral. não apenas na de medicamentos. O inglês adotou o termo por volta do século XVI. sejam elas. Ao longo da história da propaganda de medicamentos. 1995. 1985. declarou verdadeira admiração por escritores anteriores (Casimiro de Abreu. já como redator. transformá-lo em divisa de partido e. Olavo Bilac.sucesso foi tão grande. Lessa era criativo. Conhecido por seu forte temperamento. o que certa vez impressionou Rui Barbosa. que Lobato passou a divulgar as virtudes da Ankilostomina e do Biotônico Fontoura. devem significar algo. o sabonete que sabo e nete. “frase de efeito”. doutrinamento. p 84). No século . é um verdadeiro patrimônio histórico. Hermes Fontes. as conhecidas frases de efeito que acompanham as marcas. Em seu ensaio “Retrato de uma cidade através de anúncios de jornal. Slogan tem algumas definições: “grito de guerra”. “lema”. p 35). São Paulo de 1868”. A origem da palavra slogan é gaélica: sluagh-ghairm. slogan criado por Guilherme de Almeida). na poesia ou na propaganda. ao declarar que tais escritores já eram redatores de anúncios e que o faziam para pagar suas contas (Ramos. certa vez foi procurado por um fabricante de sabonetes que queria algo parecido com o anúncio de uma fechadura (La Fonte. como gratidão pelo fortificante ter feito bem à saúde do escritor. que significava em escocês “grito de guerra de um clã”. principalmente para o Laboratório Fontoura. etc) e fez uma declaração surpreendente.

quando do exame das características da linguagem da propaganda. tem que participar”. refrões. podendo tornar-se marcante pelo uso (1999. a propaganda não vende necessariamente o medicamento.. foi o uso e o jogo com a frase feita”. de uma provável imagem criada em cima de uma propaganda que utiliza rima e que é facilmente repetível. já que se trata de medicamento e não de mercadoria comum. ou seja.sumiu!”. Alguns slogans passam a ser tão importantes quanto suas próprias marcas e chegam a despertar tal lembrança que.XIX. o marketing da dor ou a propaganda de medicamentos aproveita-se da fragilidade das pessoas. “um dos aspectos ou figuras que mais nos proporcionou anotações. o que ele pode proporcionar. contribuindo de maneira significativa para a venda de um produto. os provérbios. palavras de ordem e normas são algumas das formas que fazem parte de “frases de efeito”. sua utilização como um recurso de persuasão empregado na venda de marcas. e que o slogan publicitário. Nesse sentido. de apelo. não apenas éticas. Para Sandmann. demonstrar e de agradar. onde está inserido o slogan. A propaganda de medicamentos. lembram-se do creme Gelol. é uma “frase de efeito”. as marcas utilizam-se dos slogans como valiosos instrumentos de comunicação para ajudar na criação ou manutenção da lembrança. só de citar “Tomou. e muito. O slogan tem o propósito de satisfazer. 164). Para Iasbeck (1998. ou seja . p. mas o alívio à dor. em alguns testes. p 7). passou a ser utilizado. jargões. Sendo que para ele. p 75). envolve uma série de implicações. Para Pinho (1996. É importante considerar o slogan publicitário não como uma frase isolada de seu contexto. a dor sumiu”. slogan publicitário é uma frase feita. pelo contrário. seduzir. aliás como historicamente sempre o fez. O slogan publicitário tem a função de reforçar uma imagem de marca por meio da associação de um valor a um nome. Os slogans publicitários favorecem a divulgação da marca e. 1975. afetam seu reconhecimento e lembrança. por assim dizer. prováveis consumidoras. utiliza-se de recursos emocionais. como slogan publicitário. O slogan pode facilitar. clichês. máximas.. frase feita é a seqüência fixa de menor ou maior de número de palavras que forma uma unidade sintática. mas de promessa. as pessoas já sabem de qual produto se trata e associam imediatamente ao analgésico Doril ou mesmo quando usam uma frase como “não basta ser pai. Mas ao se tratar de medicamentos. enfim. mostrar. pp 92-94). mas. a lembrança da marca. quase sempre. . sua evolução através dos tempos. o americano acabou dando um sentido comercial ao slogan (Reboul. assim. Esse sentido comercial. a frase: “Tomou Doril.

um recurso comunicativo utilizado pela propaganda para agregar valores à marca. persuadindo-o. pintados. funde-se com a própria história da propaganda de medicamentos no Brasil. A propaganda era arte e os responsáveis pela criação dos primeiros anúncios em cartazes que circularam em bondes. Ainda é um grande anunciante. mundo da linguagem publicitária. Fernando Lefèvre (1999. Slogans como: “a saúde do seu fígado” de Hepatoviz e “feita sob medida para a sua enxaqueca”. e por isso mesmo. pesquisar e estudar o interessante e. Para ele. desenvolvidos por artistas brasileiros? Nota-se que. mas sua linguagem se manteve imutável no que tange à promessa de verdadeiros milagres dos medicamentos. Considerando que a marca é fundamental na venda de um produto. que exerceram papel de publicitários e nos deixaram vários exemplos e verdadeiras obras de arte! . não menos relevante. porém o marketing da dor. eram poetas. fato importante aos laboratórios e agentes de produção e comercialização. aprimorados em revistas. teriam sido “arte” da linguagem verbal e visual. ou seja. requer cuidado. já que os primeiros autores de anúncios publicitários. percebe-se que a história da propaganda brasileira confunde-se. Assim como podemos verificar que a história da linguagem persuasiva. Essas mensagens agregam um diferencial mercadológico. sempre esteve relacionado a ela. 69) demonstra preocupação com a linguagem utilizada pela comunicação na área da saúde. ainda é mais agressivo.envolvendo-as com mensagens persuasivas. o discurso da indústria farmacêutica pouco se modificou. com a tecnologia. São expressões que falam com o consumidor. p. expressões metonímicas como “a dor sumiu” dizem muito mais que um simples nome da marca. slogan é o apelido pragmático do nome próprio. As técnicas publicitárias. eram desenhados. E que para a área de saúde. historicamente. se referem ao consumidor. utilizada na propaganda teve origem nas poesias. não deixam de exaltar a qualidade do medicamento. anúncios em preto e branco nos jornais. resta analisar. escritores. A nós. Para Lefèvre. da Aspirina Forte. criados por artistas. historicamente. assim como uma potência mundial. ou melhor. Portanto. estratégias de marketing mudaram. e o slogan publicitário. é de fundamental utilização. Admirar com verdadeiro fascínio os antigos e belos anúncios de medicamentos. Os anúncios utilizavam imagens e assim sendo. já que medicamento não é uma mercadoria qualquer. por grandes artistas plásticos do início do século passado. Os primeiros anunciantes em potencial foram da indústria farmacêutica. e muito.

mas olhar para trás. A quantidade se transformou em qualidade. p 88) “A massa é uma matriz de onde se origina. falecido em 1940 (Pignatari. todo conjunto de atitudes novas em relação à obra de arte. só assim poderemos valorizar a História marcada por Frases e Efeitos! E como escreveu o jovem filósofo alemão. na hora atual.que essa participação se manifeste” Walter Benjamin.. 2002..O importante é seguir em frente. O aumento maciço do número de participantes transformou seu próprio modo de participação. .

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->