Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 354.737 - RS (2001/0128342-4) RELATORA RECORRENTE ADVOGADO RECORRIDO PROCURADOR : : : : : MINISTRA MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA DÉCIO PEDRO DRESCH MÁRCIA MARIA PIEROZAN BRUXEL E OUTRO(S) INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS CARLOS MARCHESE E OUTRO(S) EMENTA

RECURSO ESPECIAL. PREVIDENCIÁRIO. ATIVIDADE EXERCIDA EM CONDIÇÕES ESPECIAIS ATÉ O ADVENTO DA LEI Nº 9.032/95. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA INSALUBRIDADE, PRESUMIDA PELA LEGISLAÇÃO ANTERIOR. TEMPO DE SERVIÇO. CONVERSÃO EM TEMPO COMUM. POSSIBILIDADE. DIREITO ADQUIRIDO AO DISPOSTO NA LEGISLAÇÃO EM VIGOR À ÉPOCA DO TRABALHO ESPECIAL REALIZADO. NÃO-INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA APLICABILIDADE IMEDIATA DA LEI PREVIDENCIÁRIA. ROL EXEMPLIFICATIVO DAS ATIVIDADES ESPECIAIS. TRABALHO EXERCIDO COMO PEDREIRO. AGENTE AGRESSIVO PRESENTE. PERÍCIA FAVORÁVEL AO SEGURADO. NÃO-VIOLAÇÃO À SUMULA 7/STJ. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL AO QUAL SE DÁ PROVIMENTO. 1. O STJ adota a tese de que o direito ao cômputo diferenciado do tempo de serviço prestado em condições especiais, por força das normas vigentes à época da referida atividade, incorpora-se ao patrimônio jurídico do segurado. Assim, é lícita a sua conversão em tempo de serviço comum, não podendo ela sofrer qualquer restrição imposta pela legislação posterior, em respeito ao princípio do direito adquirido. 2. Até 05/03/1997, data da publicação do Decreto 2.172, que regulamentou a Lei nº 9.032/95 e a MP 1.523/96 (convertida na Lei nº 9.528/97), a comprovação do tempo de serviço laborado em condições especiais, em virtude da exposição de agentes nocivos à saúde e à integridade física dos segurados, dava-se pelo simples enquadramento da atividade exercida no rol dos Decretos 53.831/64 e 83.080/79 e, posteriormente, do Decreto 611/92. A partir da referida data, passou a ser necessária a demonstração, mediante laudo técnico, da efetiva exposição do trabalhador a tais agentes nocivos, isso até 28/05/1998, quando restou vedada a conversão do tempo de serviço especial em comum pela Lei 9.711/98. 3. A jurisprudência se pacificou no sentido de que as atividades insalubres previstas em lei são meramente explicativas, o que permite afirmar que, na análise das atividades especiais, deverá prevalecer o intuito protetivo ao trabalhador. Sendo assim, não se parece razoável afirmar que o agente insalubre da atividade do pedreiro seria apenas uma característica do seu local de trabalho, já que ele está em constante contato com o cimento, em diversas etapas de uma obra, às vezes direta, outras indiretamente, não se podendo afirmar, com total segurança, que em algum momento ele deixará de interferir na saúde do trabalhador. 4.Não constitui ofensa ao enunciado sumular de nº 7 desta Corte a
Documento: 840312 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 09/12/2008 Página 1 de 12

Inteiro Teor do Acórdão . 18 de novembro de 2008(Data do Julgamento) Ministra Maria Thereza de Assis Moura Relatora Documento: 840312 . 5. Recurso especial ao qual se dá provimento.Superior Tribunal de Justiça valoração da documentação apresentada que comprova a efetiva exposição do trabalhador a agentes prejudiciais à saúde. por unanimidade. Jane Silva (Desembargadora convocada do TJ/MG). Ministro Nilson Naves." Os Srs. ACÓRDÃO Vistos. Brasília. Nilson Naves e Paulo Gallotti votaram com a Sra. Ministra Relatora. Ministra Relatora. acordam os Ministros da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma.DJe: 09/12/2008 Página 2 de 12 . relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas.Site certificado . deu provimento ao recurso. Presidiu o julgamento o Sr. nos termos do voto da Sra. Ministros Og Fernandes.

172/94.DJe: 09/12/2008 Página 3 de 12 . Nas ações de natureza previdenciária. Documento: 840312 .737 . inciso III. alínea a. 6. 2. 179): "PREVIDENCIÁRIO.Inteiro Teor do Acórdão . 105. 7. CONTAGEM RECÍPROCA.Conforme pacífico entendimento jurisprudencial. 5. independentemente da exigência do recolhimento das contribuições. imprescindível a comprovação das condições especiais do exercício da atividade através da competente perícia e que a atividade desempenhada pelo segurado seja ao menos enquadrada analogicamente na lista das atividades insalubres.Site certificado .INSS CARLOS MARCHESE E OUTRO(S) RELATÓRIO MINISTRA MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA (Relatora): Trata-se de recurso especial interposto por DÉCIO PEDRO DRESCH. e que o risco à saúde decorra da própria natureza da atividade ou do agente causador e não unicamente das condições em que é executado o trabalho.831/64 e que a atividade por ele desempenhada poderia ser enquadrada no Anexo IV do Decreto nº 2. contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. da Constituição Federal.Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 354. com fundamento no art. alegou o recorrente que o acórdão ora atacado. inclusive do STF. A atividade pode ser reconhecida como especial mesmo não inscrita em regulamento. 3. embora reconhecesse a existência do agente agressivo "cimento" no seu trabalho. ATIVIDADE INSALUBRE NÃO PREVISTA EM REGULAMENTO. restou incontroversa questão na esfera judicial. salientando que os casos previstos em lei seriam exemplificativos. deixou de reconhecer o direito ao cômputo em virtude da inexistência de previsão na legislação previdenciária. assim ementado (fls. penosas ou perigosas. com efeito retroativo a 05-04-91. Neste caso. Tendo o INSS reconhecido na via administrativa o tempo de serviço exercido na agricultura em regime de economia familiar. Remessa oficial tida por interposta. Apelação e remessa oficial parcialmente providas. LAUDO PERICIAL. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. Nas razões do especial. ATIVIDADE RURAL E URBANA. Ressaltou que o rol de agentes nocivos estaria previsto no Decreto nº 53. As custas processuais quando o feito tramitar na Justiça do Estado do Rio Grande do Sul e o INSS for sucumbente devem ser pagas por metade (Súmula nº 02 do ex-TARGS).RS (2001/0128342-4) RELATORA RECORRENTE ADVOGADO RECORRIDO PROCURADOR : : : : : MINISTRA MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA DÉCIO PEDRO DRESCH MÁRCIA MARIA PIEROZAN BRUXEL E OUTRO(S) INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL . é possível a contagem recíproca do tempo de serviço rural e urbano a partir do advento da Lei nº 8. 4. os honorários advocatícios devem ser fixados em 10% do valor da condenação. 1.213/91.

o benefício deveria ser automaticamente concedido.Superior Tribunal de Justiça Sendo assim. É o relatório. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil. 193). Teceu considerações a respeito dos malefícios causados pelo cimento. a despeito da ausência de previsão legal.DJe: 09/12/2008 Página 4 de 12 . pugnou pela consideração das conclusões da perícia técnica. após. argumentando que a decisão violaria igualmente o art. uma vez verificada a insalubridade. o recurso foi admitido na origem (fl. 192). Sem contra-razões (fl. requerendo a contagem do período laborado como ajudante de pedreiro como desenvolvido em condições especiais.Inteiro Teor do Acórdão . sendo.Site certificado . Documento: 840312 . remetido a esta Corte. invocando o enunciado de nº 198 da súmula do Tribunal Federal Regional. Sendo assim.

não se parece razoável afirmar que o agente insalubre da atividade do pedreiro seria apenas uma característica do seu local de trabalho.528/97). NÃO-INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA APLICABILIDADE IMEDIATA DA LEI PREVIDENCIÁRIA. já que ele está em constante contato com o cimento. PRESUMIDA PELA LEGISLAÇÃO ANTERIOR.Site certificado . isso até 28/05/1998. que em algum momento ele deixará de interferir na saúde do trabalhador.711/98. dava-se pelo simples enquadramento da atividade exercida no rol dos Decretos 53. com total segurança. POSSIBILIDADE. VOTO Documento: 840312 . ROL EXEMPLIFICATIVO DAS ATIVIDADES ESPECIAIS. TEMPO DE SERVIÇO. data da publicação do Decreto 2. DIREITO ADQUIRIDO AO DISPOSTO NA LEGISLAÇÃO EM VIGOR À ÉPOCA DO TRABALHO ESPECIAL REALIZADO.RS (2001/0128342-4) EMENTA RECURSO ESPECIAL.DJe: 09/12/2008 Página 5 de 12 . posteriormente. O STJ adota a tese de que o direito ao cômputo diferenciado do tempo de serviço prestado em condições especiais. passou a ser necessária a demonstração. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA INSALUBRIDADE. o que permite afirmar que. 4. Sendo assim. da efetiva exposição do trabalhador a tais agentes nocivos. do Decreto 611/92. Até 05/03/1997. 3. mediante laudo técnico.Não constitui ofensa ao enunciado sumular de nº 7 desta Corte a valoração da documentação apresentada que comprova a efetiva exposição do trabalhador a agentes prejudiciais à saúde. a comprovação do tempo de serviço laborado em condições especiais.032/95 e a MP 1. PRECEDENTES.831/64 e 83. 2. A partir da referida data. 1. em respeito ao princípio do direito adquirido. PERÍCIA FAVORÁVEL AO SEGURADO. é lícita a sua conversão em tempo de serviço comum. em diversas etapas de uma obra. na análise das atividades especiais. NÃO-VIOLAÇÃO À SUMULA 7/STJ. incorpora-se ao patrimônio jurídico do segurado. não se podendo afirmar. Assim. 5. deverá prevalecer o intuito protetivo ao trabalhador.080/79 e. TRABALHO EXERCIDO COMO PEDREIRO. por força das normas vigentes à época da referida atividade. que regulamentou a Lei nº 9.Inteiro Teor do Acórdão . não podendo ela sofrer qualquer restrição imposta pela legislação posterior.Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 354. em virtude da exposição de agentes nocivos à saúde e à integridade física dos segurados. A jurisprudência se pacificou no sentido de que as atividades insalubres previstas em lei são meramente explicativas. Recurso especial ao qual se dá provimento. AGENTE AGRESSIVO PRESENTE. RECURSO ESPECIAL AO QUAL SE DÁ PROVIMENTO. CONVERSÃO EM TEMPO COMUM. ATIVIDADE EXERCIDA EM CONDIÇÕES ESPECIAIS ATÉ O ADVENTO DA LEI Nº 9. quando restou vedada a conversão do tempo de serviço especial em comum pela Lei 9. às vezes direta. PREVIDENCIÁRIO.737 . outras indiretamente.172.523/96 (convertida na Lei nº 9.032/95.

2.Site certificado . estatutário ou previdenciário. ATIVIDADE ESPECIAL. incorpora-se ao patrimônio jurídico do segurado.02.172/97. Ministro HAMILTON CARVALHIDO. o seguinte precedente: "RECURSO ESPECIAL. 1. SEXTA TURMA. de início. por força das normas vigentes à época da referida atividade. Em primeira instância. não havendo razão legal ou doutrinária para identificar-lhe a norma legal de regência com aquela que esteja a viger somente ao tempo da produção do direito à aposentadoria de que é instrumental. em respeito ao direito adquirido. afastando os seus efeitos previdenciários. tal entendimento foi modificado. no caso.) 5. ao argumento de que a suposta atividade especial não poderia ser enquadrada analogicamente na lista das atividades ou agentes insalubres e de que. CONVERSÃO. constitutivo de requisito à aquisição de direito subjetivo outro. Quanto à segunda atividade desenvolvida pelo segurado – a de pintor industrial – entendeu-se ser ela passível de conversão. é lícita a sua conversão em tempo de serviço comum.DJe: 09/12/2008 Página 6 de 12 . Assim. que este Superior Tribunal de Justiça adotou a tese de que o direito ao cômputo diferenciado do tempo de serviço prestado em condições especiais. em respeito ao princípio do direito adquirido.10. o Tribunal Regional entendeu que existiria o óbice ao cômputo da atividade como especial quanto à atividade de pedreiro. para o qual inexiste a previsão legal expressa autorizadora de tal benefício.Superior Tribunal de Justiça MINISTRA MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA (Relatora): O presente recurso diz respeito à possibilidade de se computar como atividade especial o trabalho sujeito ao agente físico cimento. o tempo de serviço assim deve ser contado. DESNECESSIDADE EM RELAÇÃO AO SERVIÇO PRESTADO NO REGIME ANTERIOR. Assim. O direito à contagem. POSSIBILIDADE. Rel. cumpre salientar.2003. entendendo o juízo monocrático que. (. Dessa forma. a propósito. com base nas conclusões do laudo pericial. TEMPO DE SERVIÇO.. PREVIDENCIÁRIO.Inteiro Teor do Acórdão . EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Recurso improvido. o agente agressor presente no cimento – hidrocarboneto – não estaria enquadrado nos decretos regulamentadores da matéria.. DJ 25. a atividade especial estaria suficientemente provada. LEI Nº 9. Confira-se. não podendo ela sofrer qualquer restrição imposta pela legislação posterior.032/95 E DECRETO Nº 2. se o trabalhador laborou em condições adversas e a lei da época permitia a contagem de forma mais vantajosa.2004 p. O tempo de serviço é regido sempre pela lei vigente ao tempo da sua prestação." (REsp 461800/RS. 225) Documento: 840312 . julgado em 21. Em sede de apelação. enquanto relativo à realização de fato continuado. A respeito da possibilidade de se computar a atividade especial. conversão e averbação de tempo de serviço é de natureza subjetiva. o pedido do ora recorrente foi julgado procedente.

213/91.172. da "exposição aos agentes nocivos químicos. é respaldado pela jurisprudência desta Corte. para o enquadramento como atividade especial. isso até 28/05/1998. bastando. ao julgar a apelação interposta pelo INSS.Superior Tribunal de Justiça Até a edição da Lei nº 8. na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS.032/95. do Decreto 611/92. Em resumo. ainda que não houvesse o enquadramento expresso da atividade como especial. no caso o Decreto 611.DJe: 09/12/2008 Página 7 de 12 . da Lei nº 8. o Tribunal Regional. até 05/03/1997. passou a ser necessária a demonstração. biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física.080/79 e. data da publicação do Decreto 2. mediante laudo técnico.831/64 e 83.523/96 (convertida na Lei nº 9. em virtude da exposição de agentes nocivos à saúde e à integridade física dos segurados. A modificação na disciplina legal só veio ocorrer com a edição da Lei nº 9. a matéria era disciplinada pelos Decretos 53.528/97. devendo a comprovação da efetiva exposição a agentes nocivos ser "feita mediante formulário. uma vez que as atividades prejudiciais ao trabalhador elencadas em lei seriam meramente exemplificativos. a efetiva comprovação.831/64 e 83. seria facultado ao intérprete da norma a utilização da analogia a fim de se possibilitar o enquadramento do benefício. posteriormente. dava-se pelo simples enquadramento da atividade exercida no rol dos Decretos 53.711/98. ao alterar o art.528/97). emitido pela empresa ou seu preposto. trouxe mais um requisito para a confirmação da atividade especial. foi enfático ao sustentar que. para se qualificar o tempo de serviço como especial. A Medida Provisória 1. a comprovação do tempo de serviço laborado em condições especiais. da efetiva exposição do trabalhador a tais agentes nocivos. de 21/07/1992. que regulamentou a Lei nº 9.080/79. físicos. No caso analisado. 58.523/96. pelo segurado. convertida na Lei nº 9. a sua previsão nas referidas normas infralegais. pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício".Inteiro Teor do Acórdão .213/91. Tal entendimento. quando restou vedada a conversão do tempo de serviço especial em comum pela Lei 9. A Lei nº 8.Site certificado . § 1º. A partir da referida data. cuja definição permaneceu a cargo de norma do Poder Executivo.032/95 e a MP 1. por oportuno. que passou a exigir. como demonstram os seguintes acórdãos: Documento: 840312 . com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho". que arrolavam as atividades que presumidamente seriam desenvolvidas com exposição a agentes nocivos à saúde ou à integridade física dos trabalhadores.213/91 não alterou a forma de reconhecimento das atividades exercidas em condições especiais.

CONTAGEM DE TEMPO DE SERVIÇO. que é anterior à sua publicação. É assente na jurisprudência deste Superior Tribunal que a ausência do enquadramento da função desempenhada pela parte autora não torna inviável a concessão de aposentadoria especial. INCIDÊNCIA DA LEI VIGENTE NO MOMENTO DA PRESTAÇÃO.Em observância ao princípio do tempus regit actum .080/79. consoante orientação ora estabelecida. 57 da Lei 8. AUSÊNCIA DE ENQUADRAMENTO. único do CPC e 255 do RISTJ. REVOGAÇÃO. a fim de demonstrar a similitude fática e jurídica entre eles. 2.Superior Tribunal de Justiça "PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. TEMPO DE SERVIÇO EXERCIDO EM CONDIÇÕES ESPECIAIS.A exigência de exposição de forma habitual e permanente sob condições especiais somente foi trazida pela Lei 9.213/91.DJe: 09/12/2008 Página 8 de 12 .080/79 é meramente exemplificativo. estendeu aos autores. 541.080/79. DESNECESSIDADE. 4. 1.Recurso Especial parcialmente conhecido e. insalubres ou penosas as atividades desempenhadas pelos engenheiros mecânicos. DJ 05/11/2007) "PREVIDENCIÁRIO. em atenção ao princípio constitucional da isonomia. 3. 1. para que analise os demais requisitos para a concessão do benefício pleiteado e prossiga no julgamento do feito. deve ser aplicada a legislação vigente no momento da prestação do serviço em condições especiais. não obstante a inexistência de seu enquadramento nos Decretos 53. incide a redação original do art.A recorrente não logrou comprovar o dissídio jurisprudencial nos moldes exigidos pelos arts. RECURSO IMPROVIDO. 2. O entendimento prevalente nesta Corte de Justiça é no sentido de que Documento: 840312 . LEI 9. COMPROVAÇÃO DO EXERCÍCIO DE FORMA HABITUAL E PERMANENTE. Rel.831/64 e 83. uma vez que restou devidamente comprovado que o recorrente estava em contato direto com agentes nocivos no desempenho de suas atividades mensais de vistoria em coletas e acondicionamentos de efluente. não sendo aplicável à hipótese dos autos.831/64 e 83. uma vez que não realizou o necessário cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os paradigmas. parág. EXERCÍCIO EM CONDIÇÕES ESPECIAIS.032/95. instância. Precedentes do STJ. APOSENTADORIA ESPECIAL.400/RS." (REsp 977. Verifica-se dos autos que o aresto impugnado. ENGENHEIRO MECÂNICO DA USIMINAS.831/64 E 83. podendo ser também considerada especial a atividade comprovadamente exposta a agentes nocivos.No caso. ROL EXEMPLIFICATIVO. 3. Quinta Turma. ora recorridos.Inteiro Teor do Acórdão .032/95. 5. vez que o rol das atividades inscritas no Regulamento da Previdência Social é meramente elucidativo. mesmo que não conste no regulamento. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. o mesmo tratamento assegurado aos engenheiros metalúrgicos e reconheceu como perigosas. DECRETOS 53.O rol de categorias profissionais danosas previsto nos Decretos 53.Site certificado . o que ocorre na presente hipótese. provido. nessa extensão. CESSAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE INSALUBRIDADE. para determinar o retorno dos autos ao Juízo de 1a. que impõe para o reconhecimento do direito à majoração na contagem do tempo de serviço que a nocividade do trabalho seja permanente. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. 6. Min.

descrito no código 2. o pedreiro está em constante contato com o cimento. consolidou o entendimento de que o período de trabalho exercido em condições especiais em época anterior à Lei 9. isoladamente. Ora. 7. Recurso especial a que se nega provimento. pois. Independentemente de a atividade constar do Regulamento da Previdência Social. conforme previsto no art.528/97 não será abrangido por tal lei.Site certificado . de forma habitual e permanente. 5.Inteiro Teor do Acórdão . o que permite afirmar que. Após. A caracterização e a comprovação do tempo de atividade sob condições especiais obedecerá ao disposto na legislação em vigor na época da prestação do serviço. Mesmo que o pedreiro ou o seu auxiliar não tenham o contato físico direito com o cimento. a sentença e o acórdão reconheceram que a parte autora.711/98. pois cada um deles poderia ser considerado. às vezes direta. que em algum momento ele deixará de interferir na saúde do trabalhador. Sendo assim. não se parece razoável afirmar que o agente insalubre da atividade do pedreiro seria apenas uma característica do seu local de trabalho. em respeito ao direito adquirido incorporado ao patrimônio do trabalhador.1 do Anexo II do Decreto 83. é permitida nos termos da legislação vigente à época em que exercida a atividade especial.Superior Tribunal de Justiça a conversão em comum do tempo de serviço prestado em condições especiais. passando a ser exigida a comprovação do tempo de serviço permanente em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. A Terceira Seção deste Superior Tribunal. no âmbito da Quinta e da Sexta Turma. é inegável que tal produto estará sempre presente ao seu redor. A atividade de pedreiro foi considerada insalubre pelo juízo monocrático. que acatou as conclusões da perícia realizada. DJ 10/04/2006) A controvérsia dos autos está em saber se a atividade de pedreiro poderia deixar de ser considerada como especial pelo fato de o agente nocivo – o cimento – não ser inerente à natureza da atividade. outras indiretamente.080/79. sempre trabalhou sob exposição de agentes nocivos. 141): Documento: 840312 ." (REsp 779. nos seguintes termos (fl. para fins de concessão de aposentadoria. 6. o que implica a correta incidência do enunciado sumular nº 198 do extinto TFR. ARNALDO ESTEVES LIMA. deverá prevalecer o intuito protetivo ao trabalhador. É bem verdade que a jurisprudência se pacificou no sentido de que as atividades insalubres previstas em lei são meramente explicativas. ora recorrida. na análise das atividades especiais. o tempo de serviço laborado pelos segurados na condição de engenheiros mecânicos até a edição da Lei 9.DJe: 09/12/2008 Página 9 de 12 . 4. restou cessada a presunção de insalubridade/periculosidade. não se podendo afirmar. mas sim mera decorrência do local de trabalho. ainda que transitória. 28 da Lei 9. o pedreiro jamais estaria totalmente protegido dos agentes insalubres. Rel. com total segurança. a seguir tal raciocínio. In casu. Quinta Turma. Min. desde que anterior a 28/5/98. como uma simples característica decorrente do local de trabalho. em diversas etapas de uma obra.1. no exercício de seu labor.032/95 deve ser enquadrado como especial.958/MG.

" E nem se argumente que a análise do conteúdo da perícia. previsto no artigo 2º. PROVA. fundamentalmente para existência de condição especial.Superior Tribunal de Justiça "O pedido de trabalho em condições especiais veio baseado em perícia. no que diz respeito à atividade de pedreiro (fl. O rol de atividades nocivas descritas no Decreto nº 83. no item '1. com base nos preceitos estabelecidos na legislação pertinente à matéria. do Decreto 53.Site certificado .831/64. constatamos que o mesmo laborou exposto: • ao RUÍDO.1. 127: 'Partindo das atividades do requerente e. avaliadas as condições e o local de trabalho. Anexo 13. nos termos do disposto nos artigos 57 a 58 da Lei 8213/91 e da Portaria 3214/78". podendo ser computado o período labora examinado. RECURSO ESPECIAL. insalubre. apresenta condições passíveis de enquadramento como 'atividade especial'. 125 a 128. fls. no item 'OPERAÇÕES DIVERSAS'. considerado insalutífero.Operações em locais com ruídos excessivos capaz de ser nocivo à saúde.080/1979 é meramente exemplificativo. NR-15. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº 7/STJ. a fim de complementar o entendimento esposado no juízo monocrático. na atividade profissional descrita como "Trabalhos sujeitos a efeitos de ruídos industriais excessivos'. 3. que encontra-se em vigor. devido às circunstâncias que envolvem o seu manuseio. fl. conforme o Quadro do ANEXO III. fls. conforme estabelecido na Portaria 3. VALORAÇÃO.6.DJe: 09/12/2008 Página 1 0 de 12 . conforme as regras legais pertinentes. 127): "Verificadas as atividades desenvolvidas pelo trabalhador supra nominado e. concluímos que o seu labor.Ruído .214/78. Não constitui ofensa ao enunciado sumular de nº 7 desta Corte a valoração da documentação apresentada que comprova a efetiva exposição do trabalhador a agentes prejudiciais à saúde. sendo exemplo o seguinte julgado: "AGRAVO REGIMENTAL. 1. esbarraria no óbice do enunciado de nº 7 do STJ. em condições passíveis de ser classificada como 'atividade especial'. O laudo efetuado nestes autos apontou. Documento: 840312 . Ainda que a jurisprudência tenha se firmado no sentido de que o laudo pericial é inexigível em certos casos. previsto no artigo 2º. uma vez que tal questão também já foi analisada por esta Corte. Em especial destaco a conclusão. trago as conclusões do perito quanto às condições de trabalho do recorrente. para fins de instrução de processo de requerimento do benefício da Aposentadoria Especial Proporcional.Inteiro Teor do Acórdão . PREVIDENCIÁRIO. RECONHECIMENTO DE ATIVIDADE PERIGOSA. A alegação de que a prova não se refere a todo o período reivindicado pelo autor mostra-se de todo impertinente sua apreciação nesta oportunidade porque em sede de regimental não cabe o exame de questão nova. 59 e 70. para fins de delimitação da especialidade da atividade do pedreiro. • a ÁLCALIS CÁSTICOS (argamassa de cimento). 2.

que reconhece o direito do recorrente à contagem especial do período em que trabalhou como pedreiro.046/RJ.Inteiro Teor do Acórdão ." (AgRg no REsp 600. não se pode atribuir ao elemento agressivo a qualidade de simples integrante do ambiente de trabalho. Min. Agravo regimental improvido.DJe: 09/12/2008 Página 1 1 de 12 .Superior Tribunal de Justiça 4. na medida em que sua influência na saúde do trabalhador é inconteste.Site certificado . dou provimento ao recurso especial para restabelecer os termos da sentença proferida em primeira instância. PAULO GALLOTTI. DJ 02/06/2008) Destarte. Sexta Turma. Ante o exposto. É o voto. Documento: 840312 . tendo sido demonstrada por perícia a especialidade do trabalho do pedreiro em decorrência da sua sujeição a agente nocivos. Rel.

INSS CARLOS MARCHESE E OUTRO(S) ASSUNTO: Previdenciário .DJe: 09/12/2008 Página 1 2 de 12 . Brasília. Dra. ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data. deu provimento ao recurso. proferiu a seguinte decisão: "A Turma." Os Srs.Idade . Sr. Ministro Nilson Naves.Aposentadoria .Superior Tribunal de Justiça CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEXTA TURMA Número Registro: 2001/0128342-4 Número Origem: 9904010316172 PAUTA: 18/11/2008 REsp 354737 / RS JULGADO: 18/11/2008 Relatora Exma. Nilson Naves e Paulo Gallotti votaram com a Sra. nos termos do voto da Sra. por unanimidade.Inteiro Teor do Acórdão . Ministros Og Fernandes.Site certificado .Trabalhador Rural CERTIDÃO Certifico que a egrégia SEXTA TURMA. Ministro NILSON NAVES Subprocuradora-Geral da República Exma. Ministra Relatora. ZÉLIA OLIVEIRA GOMES Secretário Bel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA Presidente da Sessão Exmo. Sra. ELISEU AUGUSTO NUNES DE SANTANA AUTUAÇÃO RECORRENTE ADVOGADO RECORRIDO PROCURADOR : : : : DÉCIO PEDRO DRESCH MÁRCIA MARIA PIEROZAN BRUXEL E OUTRO(S) INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL .Benefícios . Presidiu o julgamento o Sr. Sra. Ministra Relatora. Jane Silva (Desembargadora convocada do TJ/MG). 18 de novembro de 2008 ELISEU AUGUSTO NUNES DE SANTANA Secretário Documento: 840312 .

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