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3942373 Os 3 Primeiros Anos de Vida

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  • 1. OS TRÊS PRIMEIROS ANOS DE VIDA
  • 2.1 Estados de Consciência – Ciclos
  • 2.2 Visão
  • 2.3 Audição
  • 2.4 Coordenação Motora
  • 2.5 Tato
  • 2.6 Olfato
  • 2.7 Paladar
  • 2.8 Integração dos Sentidos
  • 2.9 Sorriso
  • 2.10 Choro
  • 2.11 Sensibilidade para o Desconforto e para a Dor
  • 2.12 Imitação e outras Evidências do Desenvolvimento Inicial
  • 3 O Vínculo e a Vida
  • 4 - Uma nova Visão de Neurofisiologia e da Neuroquímica do Desenvolvimento
  • 5 - Quando o Amor Falta, a Violência Impera
  • 6 - A Questão do Distúrbio da Tensão Pós-traumática
  • 7 – Dados de Psico-História
  • 8 – Pedagogia para o Bom Desenvolvimento
  • 9. Os Três Primeiros Anos de Vida e Antropologia
  • 10. Os Três Primeiros Anos de Vida e Tradições
  • 11. Os três Primeiros Anos de Vida e a Arte

1123 CAPÍTULO V

1. OS TRÊS PRIMEIROS ANOS DE VIDA 1.1 Introdução Os três primeiros anos de vida têm forte determinação nos valores; na própria construção do ego da criança; como o ego se projeta no corpo, uma boa estruturação nesta época é condição importante de saúde física, mental e espiritual. Esta época de vida é o tempo de possibilidade de formação de um estado contínuo de consciência; aí ficam inscritas as boas e as más histórias de vida. Lembrando que a grande jornada começa na concepção e quanto mais tenras as impressões, mais duradouras estas se tornam. Assim, as impressões deixadas pela mãe, refletidas pelo seu estado de espírito durante a gravidez, serão mais impactantes do que as de quando a criança já nasceu. Seguindo este raciocínio, os fatos ocorridos no parto são mais importantes do que eventos nos dias seguintes a ele. Analogamente, os eventos ocorridos nos três primeiros anos são capazes de determinar o sistema de crença que uma pessoa carregará por toda a vida adiante. Até os sete anos pode-se dizer que as fundações da vida foram colocadas e o edifício humano construído terá então saúde ou problemas para o resto da vida os quais depois, só a poder de muito trabalho interno, é possível resolver.
As primeiras impressões recebidas na vida são as mais fortes e as mais ricas em conseqüências, mesmo sendo inconscientes, e talvez, justamente porque jamais se tornaram conscientes, ficando assim inalteradas. Apenas na consciência algo pode ser corrigido. O que é inconsciente permanece inalterado. (JUNG, 1981b, p. 158)

Logo no começo deste período é importante seguir as orientações de Michel Odent, que diz que, logo após o nascimento, deve-se deixar a mulher em paz, examinando isto por 12 perspectivas: (ODENT, 2007a) 1 – Perspectiva da respiração: A necessidade que a criança tem de respirar, agora por um novo circuito de circulação do pulmão para o coração. Fecham-se os ductos de

1124 comunicação que existiam na vida fetal, o ductus arteirosus e o forâmen ovale. A partir do nascimento um aprendizado de respiração começa a ocorrer. 2 – Perspectiva do altruísmo: a oxitocina é o hormônio do amor e do altruísmo em qualquer faceta que se considere - e a privacidade facilita sua liberação. Quanto mais a mãe sentir-se pele a pele com seu bebê e olhar nos seus olhos, mais liberação de oxitocina haverá em ambos os organismos. 3 – Perspectiva etológica do vínculo: os etólogos foram os primeiros a se dar conta da importância do vínculo mãe e filho em todas as espécies e tem sido bem documentada a complicação da privação, para os filhotes, do contato na primeira hora de vida com mãe. 4 – Perspectiva da lactação: à primeira hora, o bebê encontra o bico do seio por si mesmo, bastando colocá-lo sobre o peito da mãe; ele segue nesta direção até encontrar e mamar, isto acontece se não nasceu sob efeito de anestesia. Quanto mais rápida a exposição ao peito, melhor o prognóstico de amamentação, mais rápido a punjatura do leite se dá. 5 – Perspectiva metabólica: O bebê tinha no ventre uma alimentação contínua e, à primeira hora de vida, vive uma adaptação metabólica para passar a dispor de uma alimentação descontínua. A capacidade de regulação dos níveis de glicose no sangue essencial para a manutenção da qualidade de vida - se dá nesta primeira hora e tem sido observada em profundidade por M. Cornblath nos Estados Unidos e por Jane Hawdon, Laura Deroy e Suzanne Colson no Reino Unido. 6 – Perspectiva bacteriológica: o bebê nasce de um meio asséptico e, uma hora mais tarde, milhões de bactérias cobrem suas mucosas. A questão é: quais germes vão colonizar primeiro o organismo do recém-nato. Os bacteriólogos sabem que quem vai vencer a corrida serão os germes que primeiro chegarem às mucosas. É interessante que

1125 sejam os do corpo da mãe, pois mãe e bebê compartem a mesma IgG, os mesmos anticorpos. Ou seja, desde que nasce, o bebê precisa urgentemente ter contato com uma só pessoa, a própria mãe. Além disto, ao ingerir o colostro, vai receber ajuda para estabelecer uma flora intestinal ideal. 7 – Perspectiva de termo-regulação: no útero, o bebê nunca teve de experimentar temperatura diferente, então os primeiros minutos do pós-parto marcam fortemente este aspecto; o organismo do bebê vai ter de ser capaz de manter sua termo-regulação e, para tanto, o contato pele a pele com a mãe é de fundamental valia. 8 – Perspectiva do equilíbrio motor: adaptação à gravidade, que também não era vivida pelo feto, nessa primeira hora sobrecarrega subitamente o nervo vestibular que conduz, a partir do ouvido, estímulo para o cérebro para que se desenvolva o equilíbrio. 9 – Perspectiva etológica da não violência: a maioria das culturas intervém, separa ou mesmo interdita o colostro para o bebê. Tal procedimento de afastamento precoce afeta a interação protetora da mãe para com o filho, mais tarde. O que a farta literatura hoje disponível aponta é que, quanto mais destrutiva é uma cultura, mais intrusivos são os rituais e crenças para perpetrar separação entre mãe-filho no pós-parto imediato. 10 – Perspectiva do vínculo: a grande maioria dos hospitais no mundo têm protocolos que entendem que é necessário manter a mulher sob vigilância, no pós-parto, aplicar-lhe oxitocina para aumentar a contração uterina e diminuir a perda sanguínea. Na verdade, as duas condutas levam à perda da liberação da oxitocina endógena, com perda bio-psicológica para a relação mãe-filho. 11 – Perspectiva das Parteiras: elas procuram proteger o processo fisiológico, pois sabem que isto assegura quantidade grande de oxitocina na circulação da mulher, o que garante a expulsão da placenta, então elas aquecem o ambiente. Nesta fase as mulheres não se queixam de sentir muito calor, criando um clima que permite um namoro mãe e

mas acrescentou registros da freqüência cardio-respiratória e ondas cerebrais. os olhos estão totalmente abertos. 1989) Reunindo os achados.1 Estados de Consciência – Ciclos Em 1960 cientistas começaram a identificar que o cérebro dos recém-nascidos era desenvolvido além de um nível primitivo. os dois cientistas organizaram suas informações e descobriram a atividade cerebral do recém-nato. suicídio entre adolescentes. uma transição entre sono e vigília. Heinz Prechtl fez estudos semelhantes em Groningen. e um sexto estado que é o de torpor. 12 – Perspectiva sócio-política: estudos que enfocam as conseqüências a longo prazo das intervenções separando mãe-bebê. etc. Ele sentava-se demoradamente. psiquiatra infantil em Boston. (KLAUS e KLAUS. para que mais instintiva seja a experiência. anorexia nervosa. discretamente. luminosos e brilhantes. Independentemente. na Holanda. Peter Wolff. três estados de alerta: inatividade alerta. alerta ativo. (ODENT. Dois estados de sono: sono tranqüilo e sono ativo. Cada um destes estados é acompanhado por comportamentos específicos e individuais. 1989) No estado de inatividade alerta. 2007a) 2 As Capacidades do Recém-nascido 2. Portanto há que fazer intervenções em níveis políticos. autismo. (KLAUS e KLAUS. resultam mais tarde em maiores índices de criminalidade juvenil. de acordo com o grau de vigília ou sono do bebê. Neste momento é importante que a mãe esteja com o neocórtex relaxado e não ativo. neste estado os recém-nascidos conseguem brincar. trabalhou em lares com bebês recém-nascidos. acordados e adormecidos.1126 filho sem distrações ou desconforto. registrando cada ação dos bebês. Podem seguir uma bola . e choro. droga-adição. para que mudanças ocorram. Eles perceberam que existiam seis estados de consciência diferentes.

Este estado aparece antes de se alimentar ou quando ele está inquieto além de surgirem movimentos a cada um ou dois minutos: braços. ou firmemente fechados. sem focalizar nada. As pálpebras pendem e antes de fechá-las os olhos podem girar para cima. franzindo as sobrancelhas ou mexendo os lábios. os olhos olham em torno e os bebês emitem alguns sons. selecionar figuras e até imitar a face da mãe. segurando os bebês. (KLAUS e KLAUS. o bebê normal passa aproximadamente dez por cento de qualquer das 24 horas do dia neste estado. o bebê dorme aproximadamente 90% do dia ou da noite. a face contorcida e vermelha. braços e pernas movem-se vigorosamente. 1989) Logo após o nascimento. 1989) Durante o estado de alerta ativo. frequentemente adormece durante a amamentação. estes estados se alternam a cada 30 minutos. 1989) O estado de choro. face. quando o bebê está adormecendo.1127 vermelha. pernas. o que lhe permite captar muita coisa e ter condições de se adaptar ao ambiente. (KLAUS e KLAUS. indica fome ou desconforto: os olhos podem estar abertos. Neste estado. os bebês têm um período prolongado de inatividade alerta. colocando-os no colo. (KLAUS e KLAUS. na vertical. ocorrem movimentos mais freqüentes dos olhos. O olhar está apático. a atividade motora está suprimida e toda a energia do bebê parece estar canalizada para ver e ouvir. ele pode continuar a mover-se. que é uma forma de comunicação. 1989) No estado de torpor. (KLAUS e KLAUS. 1989) . (KLAUS e KLAUS. corpo. acariciando-os. Logo após o nascimento. Muitas mães conseguem alterar este estado. sorrindo. Durante a primeira semana de vida. Metade deste período de sono é passado em sono ativo e a outra metade em sono tranqüilo. durante os quais eles olham diretamente para a face e para os olhos da mãe e do pai e podem responder a vozes.

sem chorar. (KLAUS e KLAUS. 1989) O recém-nato espirra cerca de 11 a 12 vezes ao dia.1128 No sono tranqüilo. O bebê já é capaz de bocejar. exceto raros sobressaltos e movimentos leves da boca. A respiração não é regular e é ligeiramente mais rápida do que no sono tranqüilo. Ainda assim há uma diferença nas respostas de acordo com a cultura. No sono ativo aparece movimentação do corpo: ocasionalmente. 1989) Quanto aos movimentos no alerta. a face do bebê está relaxada e as pálpebras estão fechadas e imóveis. Este ciclo de atividade e serenidade ocorre continuamente a cada um ou dois minutos quando ele está em estado de alerta ativo de consciência. Se o pai está perto e se estão próximos os irmãos. sorrisos e carrancas e pode aparecer movimento de mastigação ou sucção. ele não se move e aí ocorre uma explosão de movimentos. o cuidado deste . se o bebê for prematuro ou com problemas. (KLAUS e KLAUS. Este estado de sono REM já havia sido observado dentro do útero por Jason Birnholz.2 Visão No primeiro minuto de vida. 1977) 2. pernas. Que nada perturbe este tempo. olho no olho. de acolhimento. Ele está em total repouso e a respiração é muito regular. Steven Robertson verificou que o mesmo já ocorria desde a vigésima semana de gestação. pele na pele. a ligação da família que ali acontece. a fim de limpar o nariz. (KLAUS e KLAUS. os olhos do bebê flutuam entre abertos e fechados. mãe e filho devem começar sua interação. vê-se o movimento dos olhos sob as pálpebras. grupo racial e uma certa individualidade. Mesmo estando dormindo. é fundamental para cada um e extraordinariamente fundamental para o bebê. (LINDEN. Não há movimentos do corpo. braços ou o corpo inteiro. fazem caretas. toda a ligação que ali se estabelece. por um minuto e um quarto. 1989) No sono ativo. logo após o nascimento.

A visão do recém-nascido é melhor a uma distância de 20 a 25 cm. rapidamente começa a se adaptar e em 6 minutos de nascidos está com os olhos bem abertos. quando se fixa um objeto. KLAUS. utilizando um método para documentar a visão que já havia utilizado em aves e macacos. ele fica refletido na córnea e na pupila. Têm memória visual. silêncio e manuseio diminuído. em assento e num capuz são mostradas as figuras. assim como o tempo que se segue. Fantz mostrou que os bebês são capazes de distinguir e mostrar preferências por formas e cores. trocam-se as figuras a cada 10 segundos. que costuma ser a mesma distância do peito à face da mãe. deve ser-lhe dado suporte. Isto é demonstrado em seus livros com inúmeras fotos. se a mãe está deprimida. O bebê é colocado em alerta sereno. Quanto a formas de rosto. estando atentos. Quando a figura se localiza na pupila. a atenção é intensa. 1998. A observação baseia-se no fato de que. Inicialmente. (KLAUS et al. ela é alinhada para se enquadrar no centro da retina. Alguns ficam atentos e olham por períodos de até 10 minutos. são também escolhidos padrões complexos de muitos elementos a padrões simples e padrões curvos a retos. 1989) . Descobriram que. mas depois perdem o interesse. As formas preferidas são: figuras de círculos e faixas decoradas sobre superfícies lisas. em 1960. 2001) A capacidade de enxergar foi testada por Robert Fantz. para se ter certeza de que o olhar é ou não casual. pois suas emoções terão muito peso no desenvolvimento de seu filho. KENNELL e McGRATH. 1998. porém com uma adaptação para humanos. Assim. se uma criança nasce em condições de luminosidade. que distinguem e. suspendem as sobrancelhas e param de sugar. (KLAUS e KLAUS. KENNELL et al. são atraídos pela face regular. 1995.1129 momento inicial é muito importante. 2003) Marshall Klaus e Phyllis Klaus estudaram muitos recém-nascidos. (KLAUS e KLAUS.

em 1981. (KLAUS e KLAUS. Ele tomará menos leite e não vai conseguir adormecer facilmente. Logo após o nascimento. 1980) . Saigal et. Em contraste com outras espécies animais. assim como suas experiências naquele momento da vida assim como gravidezes passadas. as condições socioeconômicas. Estudos por Brazelton et al. É bem conhecido que o neonato tem habilidade para interagir socialmente. durante a primeira hora de vida. Aos quatro meses discriminam entre os movimentos de objetos animados e inanimados. 2004) No estado de inatividade alerta. as convicções culturais dela e a relação dela com o pai da criança. em 1972 demonstraram que. além de cores e normalmente preferem o vermelho e depois o azul. a criança humana não pode sobreviver. Em oito semanas são capazes de diferenciar entre formas dos objetos. recentes estudos sugerem que o bebê recém-nascido tenha uma maior gama de capacidades dantes não reconhecidas. pois está inquieto e dormirá por menos tempo que anteriormente. sem o apoio extenso e o cuidado da mãe. 1989) Sabe-se que o comportamento materno é influenciado por fatores múltiplos. a criança está em um estado receptivo. (VERNY e WENTRAUB. que incluem a própria educação da mãe. (SOSA. a tendência é um magnetismo mútuo ocorrer no contato olho-a-olho da mãe com o filho.. se for colocada uma máscara no rosto da mãe quando o bebê tem oito dias. a mãe está em um estado de prontidão que lhe permite interagir com o bebê.1130 Os recém-nascidos possuem visão tridimensional. Além disso. As crianças gastaram 60% da primeira hora aproximadamente no estado de alerta inativo e só 10% do tempo no estado chorando. ele perceberá a mudança e olhará para ela freqüentemente durante a amamentação. Por outro lado. observaram de minuto a minuto o estado de comportamento de 36 neonatos nascidos a termo. durante o período de alerta inativo.

Preferem vozes agudas. descrito por Bentin et al. O recém-nascido também responde preferencialmente à voz da mãe.R. 1989) Eles fazem associações entre audição e outros sentidos. em 1999. Fantz et al. Ferguson. Robson em 1967. (NELSON. em 1975. se os bebês têm controle inato da boca. Anthony DeCasper julgou que. 2001) 2. T. planejou um dispositivo que dava ao bebê a possibilidade de escolha do som. Pais e mães no mundo todo tendem a falar de maneira mais aguda como observou o lingüista Charles A.3 Audição Meses antes de nascer. em 1994. Entre seis e 10 dias de idade. segundo MacFarlane em 1975.G. Percebeu-se que eles são mais responsivos às vozes humanas. dirigindo a cabeça em direção ao peito de sua mãe. revela a possibilidade de lesão cerebral.1131 A criança humana tem um certo grau de acuidade visual: ela pode focalizar e mostrará preferências por padrões que simulam faces humanas. sons familiares e estranhos e também podem determinar a direção de onde vem o som. Kornel e Thoman em 1970. De fato. ao acoplar uma chupeta conectada a um computador. intensidade e altura. segundo demonstrou Hack et al. o neonato exibe um pouco de capacidade olfatória. Tais capacidades funcionam como um atrativo para as mães. ao ouvirem por . Gregg et al. Se este reconhecimento não ocorrer. 1980) Uma revisão de literatura verificou que o bebê é capaz de reconhecimento de rostos e objetos até os seis meses. o que estimula a interação entre ambos. (SOSA. Mancini et al. em 1976. como foi observado por Eisenberg em 1969. a capacidade acústica já está bem desenvolvida. Os fetos distinguem entre tipos de som. Suas pesquisas sugeriram que o contato de olho a olho pode ser um fator importante que aumenta o comportamento maternal. para poderem fazer as escolhas. em 1976. Ellis e Young em 1988. (KLAUS e KLAUS. logo eles acertariam o ritmo de sucção.

preferiram estórias contadas pela mãe durante a gestação. apesar de supostamente não entender nenhuma palavra. há um consenso a esse respeito. Desde T. 2004). 2001) Os recém-nascidos reconhecem a voz da mãe como sendo a mesma que eles escutaram. Outros mediram freqüência da resposta motora à fala da mãe. A habilidade que os neonatos têm de reconhecer a face da mãe. A conclusão é que. Brazelton.1132 fones de ouvido.C. Outros usaram como medida o reflexo de sucção. . M. Busnel forneceu um critério de verificação que comprovou que o ritmo cardíaco da criança desacelera enquanto a mãe lhes fala. a conclusão foi a mesma: a criança de poucos dias reage a estímulos de linguagem mais do que a outros tipos de estímulos. Também reconhecem a voz do pai desde que este homem tenha falado perto do ventre ou se tenha feito presente para a criança ainda no útero. (KLAUS e KLAUS. ainda que filtrada pela parede abdominal. (TRUBY apud JANUS.B. às estórias desconhecidas. pioneiro no campo da pesquisa sobre hipersensibilidade dos recém-nascidos. ela faz a associação. 1989) O aprendizado intra-uterino pode fazer um recém-nato prematuro de apenas cinco meses de gestação reconhecer as características de freqüência da voz da mãe. 1989) São descritas quatro experiências que investigam o papel da voz da mãe facilitando reconhecimento da face materna ao nascimento. provavelmente está ancorada na aprendizagem pré-natal da voz materna (SAI. Foi feito um teste onde a voz da mãe vinha do rosto de uma outra mulher e isto desencadeou os mesmos comportamentos de desconfiança que a experiência com a máscara. (KLAUS e KLAUS. concomitantemente. Sabe-se também que a criança aprendeu algo da estrutura de seu idioma quando dentro da barriga da mãe. nas mesmas circunstâncias. Com medidas diferentes. não provocado por fome. quando a criança tem a experiência de ouvir a voz e ver o rosto da mãe.

2003) Reproduções de sons intra-uterinos como os batimentos cardíacos têm sido usadas com o propósito de relaxamento de recém-nascidos. Estes resultados são consistentes com a visão de que o canto materno modula a estimulação de crianças no nível pré-lingüístico. que correspondia a mais da metade da atividade da criança surda. Os pesquisadores descobriram uma “tagarelice” gestual. Análises de laboratório das amostras de saliva revelaram níveis de cortisol salivar no período pós-teste. Para calcular a estimulação infantil. (GRATIER. não-aflitas. eles transmitem sua afeição e subjetividade. Especificamente. (SHENFIELD et al. com idades de 10 a 14 meses. 2001) Foi examinado o efeito do cantar materno nos níveis de estimulação de crianças saudáveis. (SZEJER. Este estudo foi feito por Petitto e Marentette em 1991. contra 10% dos controles. juntaram-se amostras de saliva imediatamente antes e depois do canto. Os ritmos constituídos pelo bebê são seus recursos para descobrir o próprio mundo. que acontece de crianças surdas. A mãe e o bebê fabricam uma interação dinâmica e ambos brincam com estes ritmos. crianças que exibiam os mais baixos níveis de linha base de cortisol aumentam-no após o cantar materno. depois dos quais eles continuaram interagindo durante outros 10 minutos. 1999) Um trabalho pesquisou o aspecto da experimentação vocal mãe e filho. especialmente em Unidades Neonatais.1133 Isto é tão forte. terem desenvolvido a capacidade de movimentação de mãos e diferenciação de gestos ordinários. os com níveis de cortisol mais altos exibiram reduções modestas. duas psicolingüistas que compararam as atividades manuais de dois bebês surdos e três outros normais. pois verificou-se que os bebês recém-nascidos movem-se menos. filhos de surdos. choram . Os bebês se utilizam de uma coordenação temporal precisa e de expressões que são partilhadas com a mãe. Há uma qualidade musical na interação vocal precoce. Mães cantaram para suas crianças de seis meses durante 10 minutos.

. sons intra-uterinos. Estudos sobre a capacidade auditiva de recém-nascidos sugerem que a exposição a ambientes barulhentos pode induzir ao estresse. medidos durante os 14 passos da circuncisão. portanto. (MARCHETTE et al. aumento das freqüências cardíaca e respiratória. respiram mais profunda e regularmente e ganham peso mais rapidamente do que recém-nascidos expostos a outros sons ou a nenhum som. chupeta. (COSTA. oxigênio transcutâneo (tcpO2) e estado de comportamento. maiores variações na pressão sangüínea e aumento dos níveis de agitação. todos os índices eram anormais. Foram achadas poucas diferenças significantes entre quaisquer dos passos. aumento da atividade muscular e movimento do corpo. Foram monitorados os batimentos cardíacos. sem que nenhuma enfermeira apresentasse nenhum expediente para alívio da dor. durante seis dos passos do procedimento. e grupo controle.1134 menos. alguns tipos de músicas podem ter um efeito relaxante sobre os bebês. disritmias. perceptível pela diminuição da freqüência cardíaca. 1991). música e chupeta. De maneira geral. SBP e DBP diferiram positivamente de maneira significativa nos grupos que receberam estímulo de som comparativamente aos que não receberam. 2001) Foi realizado estudo para determinar o efeito de sons que pudessem acalmar ou mesmo reduzir a dor em 121 neonatos que sofrem circuncisão sem anestesia. Por outro lado. De modo diverso. 30% das pressões sanguíneas diastólica (DBP) e 81% das pressões de tcpO2. Foram colocados neonatos fortuitamente em um de seis grupos: ouvindo música clássica. passível de verificação pelas medições de aumento de batimentos cardíacos. ritmo. Observou-se aumentos de: 42% das taxas de coração. pressão sanguínea. as músicas onde predominem altas freqüências e possuam andamento acelerado produzirão tensão. 78% das pressões sanguíneas sistólica (SBP). diminuição da agitação. chupeta e sons intra-uterinos. diminuição dos níveis de saturação de oxigênio. etc. elevação da temperatura periférica.

segundo Vinter em 1987. (FAGEN et al. Observou-se que a atividade motora do bebê é acentuadamente reduzida pela audição da música clássica aqui estudada. 2001) Treinaram-se crianças com três meses de idade para mover os braços para cima em berço móvel. Hicks em 1995. Crianças em ambas as experiências exibiram aprendizado de um dia a qualquer música do ritmo apresentado do teste inicial. Em . 2001) Os comportamentos do recém-nascido são coordenados e integrados: os sistemas sensoriais e motores são estreitamente associados uns com os outros. Esse efeito relaxante. Assim. (COSTA. (COSTA. enquanto uma de duas seleções musicais eram tocadas. mas também em bebês mais velhos e.1135 músicas onde predominem baixas freqüências e andamento lento produzirão relaxamento. e uma recuperação por volta do 3º mês de vida. em adultos segundo descrições de Livingston em 1979. aos quatro meses de vida. a integração de atividades sensoriais visuais e auditivas com os sistemas motores já está presente. Os bebês são capazes de perceber e reter ritmos. Contudo. 1997). com diminuição da atividade e diminuição do estresse ocorre não apenas em recém-nascidos. em seu próprio domicílio. inclusive. 40 de Mozart e a música Happy Nation do grupo Ace of the Base. na presença da mesma música ou uma seleção musical diferente. Aos sete dias. freqüência e padrão temporal de seqüências musicais. parece haver uma dissociação temporária logo após o nascimento. O aprendizado da experiência foi avaliado um e sete dias depois. melodias. com variações do clássico e de jazz. Um trabalho foi feito para fins de análise da atividade motora apresentada por um bebê de quatro meses de idade. durante a audição de duas peças musicais a que foram previamente habituados: Sinfonia no. só foi verificado o aprendizado com relação à música específica tocada durante o teste inicial do treinamento.

Mente e Corpo) de Steven Mihen e Weidenfels e Nicholson em 2005. aumenta as pausas e se repete. Depois atentou-se para a descrição de estudos que investigaram os usos de música na vida cotidiana de crianças e seus cuidadores e aplicabilidade em contextos domésticos e terapêuticos. revisaram o que se sabe sobre a música e a linguagem é que suas codificações são compartilhadas em determinados circuitos cerebrais e outros circuitos são especializados em cada um destes elementos. Mind and Body. a experiência se ateve a pesquisas prévias sobre características musicais e memória a longo prazo para música. 2002) Na revisão do livro “The Singing Neanderthals: The Origins of Music. Na primeira parte. Incluíram-se as implicações destes estudos para os pedagogos. As preferências observadas foram: os bebês preferem o som da voz humana a outros sons. esta redução na atividade motora do bebê produzida pela música dancing. porém. A mãe cantando para o bebê ou a mãe falando para o bebê. (BENZON. (ILARI.1136 relação à música dancing. (As Origens de Música. (COSTA. inclusive uma discussão de direções para pesquisa futura. 2005) Foram realizados estudos nas últimas décadas que aprofundaram o conhecimento sobre desenvolvimento da audição do recém-nato assim como a visão. o som da voz da própria mãe ao som da voz de outras mulheres e estórias conhecidas contadas por . ela tende a uma fala que exagera nas vogais. dando uma conotação musical à fala. Linguagem. Na terceira parte fez-se uma crítica da literatura prévia e atual. é menor do que a redução na atividade motora produzida pela música clássica. propiciando uma interação que acaba por criar uma mútua modulação de sons. existiria uma redução da atividade. Language. 2001) Foi feito um trabalho de revisão dos escritos sobre música e o primeiro ano de vida e examinou-se sua contribuição em outros domínios como desenvolvimento da criança e educação musical.

Peça para piano com seis movimentos: Prelude. do que sem música ou com a intervenção de vibro-tátil. 1996. 1995. 1986). Minueto e Toccata. registro de expressões faciais. 2006) . e indicadores de função do sistema nervoso autônomo para quatro crianças prematuras. 1996. 2006) Recente pesquisa mostrou que as crianças de quatro meses de idade demonstram uma preferência inata para música consoante em lugar de música dissonante. níveis de saturação de oxigênio. aos oito meses. (BURKE et al. Todas as crianças gastaram mais tempo dormindo durante a condição de música gravada. e BERG. (CLARKSON. Forlane. 1983) Aos dois dias de vida podem distinguir o idioma da própria mãe. (WHITWELL. Rigaudon. Três crianças gastaram uma quantia aumentada de tempo em um estado alerta inativo e tinham melhorado os níveis de saturação de oxigênio durante a intervenção vibro-tátil. KLEIN e WINKELSTEIN. 1993) Um estudo descritivo avalia e compara o efeito de música apresentada de forma auditiva e vibro . (MOON et al. Mostrou-se então que a música é efetiva na redução de comportamentos relacionados à tensão em crianças. O que é perceptível nas tomadas de batimento cardíaco. Fuga. (ILARI e POLKA. e vogais. KAMINSKI e HALL. o Forlane do Prelude. OLSON. Ambas as formas reduzem a agitação e instabilidade fisiológica após intervenção em displasia bronco-pulmonar.1137 suas próprias mães a estórias novas (DeCASPER e FIFER. DeCASPER e SPENCE. Todas as crianças experimentaram uma redução no nível de estimulação durante a intervenção de música gravada quando comparadas com a condição de controle. Viu-se que os bebês diferenciavam. 1980.tátil. que se alteravam positivamente. Outros estudos mostram que eles podem distinguir entre sons de consoante como p e b. 1998) Bebês de oito meses são capazes de distinguir entre Prelude e Forlane Le Tombeau de Couperin: de Maurice Ravel (1875-1937).

nem deste tipo de arte. isto tende a não ampliar tanto a consciência da criança. Beethoven. muito já se tem escrito sobre a educação precoce de arte. ele terá melhor capacidade de notação para os fraseados musicais e poderá ter um ouvido bem mais perceptivo para as sutilezas musicais. Grenier. (UPLINGER. pode–se mesmo avaliar o nível de consciência de uma pessoa por sua capacidade de descriminar tons de cores.1138 Na verdade. maior é sua consciência e sua percepção espiritual e é isto que se deseja. Que a música e a pintura tenham sido partes do deleite de gestação da mãe. O objetivo não é criar gênios da música ou pintura. se uma criança ouve Mozart. quanto maior for a sensibilidade de alguém para tons e sons. pois dominantemente a criança é sensível à sensibilidade de sua mãe e pai. o melhor é que a música e a grande arte pictórica já seja parte da vida dos pais antes da concepção. Na verdade. durante o primeiro ano de vida. aos sete e oito anos. setênio em que deve ser introduzida a plena educação musical. pois não se ensina o que não é verdadeiro para os pais. O alimento do corpo é importante. compositores barrocos e renascentistas. Então a música no quarto do bebê é uma natural conseqüência. portanto. tanto quanto o alimento da alma.4 Coordenação Motora C. Então. à idade dos sete e oito anos ele terá capacidade de notar nuances de cor num leque maior que o usual. se não houver um sabor por parte deles. mas é sabido que. se estiver em estado de inatividade alerta. Ambos os sentidos ampliados falam de uma sensibilidade maior em nível consciencial. É sabido que. Mas é importante que se diga que. Do mesmo modo que. se no quarto do bebê houver quadros dos grandes pintores. 2007) 2. se os pais não gostam nem deste tipo de música. isto não será igual. aos sete e oito anos. Amiel-Tison e A. . a criança terá capacidade de sensibilidade musical e pictórica impressionantes. Bach. demonstram que um em cada dois recém-nascidos pode procurar objeto com dias de nascido.

epinefrina. os bebês percebem texturas. (FIELD apud VERNY e WENTRAUB. Além disto. Estavam também mais aptos para sair do hospital numa média de seis dias antes. pressão e dor. choraram menos e os índices de cortisol em suas salivas sugeriam que estavam menos estressados. apresentando níveis sangüíneos mais baixos de noradrenalina. ganharam peso e mostraram ganho na qualidade de bem estar sócio-emocional. cortisol e aumento dos níveis de serotonina. nascidos sem estresse. (FIELD. em relação aos que não passaram por este procedimento. cujas mães. aplicava massagens diárias em 20 bebês prematuros. Comparados os massageados com os balançados. T. lançou uma grande luz sobre o nascimento quando fotografou os rostos de recém-natos. 1989) Tiffany Field. umidade. os primeiros passaram mais tempo acordados. em estudos. num tempo total de 45 minutos. aos três meses. Field aplicou massagens em 40 bebês a termo. verificou-se que os bebês tinham aumentado de peso 47% a mais que o grupo controle. durante seis semanas. eles mantinham-se despertos e ativos e obtiveram melhor evolução numa série neurológica e de funcionalidade. 1989) 2. 2004) Em outro estudo. divididos em 15 minutos para cada massagem. Observou-se que 15 minutos de massagens diária eram mais eficientes que balançarem os bebês em dois dias por semana.5 Tato Quanto ao tato. que trabalha com pesquisa sobre tato. Isto explica o conhecer as coisas através do pôr na boca. Durante o período de seis semanas de terapia. temperatura. num tratamento de 10 dias de duração. Pesquisador . (KLAUS e KLAUS.1139 desde que tenham sido massageados seus músculos do pescoço. que não teve massagem. Os lábios e as mãos têm maior número de receptores do tato. 1998) Frédérick Leboyer. estavam deprimidas. Após teste de tempo. (KLAUS e KLAUS. obstetra francês.

e harmonizante. 1998) . filósofo. (KLAUS e KLAUS. 1989.1140 incansável. no recém-nato. comumente de movimentos de cuspe. (VERNY e WENTRAUB. No entanto. 2004) 2. 2004) Há 50 anos tem sido estudado o olfato entre recém-nascidos.7 Paladar Um experimento.6 Olfato Os bebês podem reconhecer odores. observou nas ruas de Calcutá. poeta. René Spitz identificou casos de hospitalismo. descrevendo seu poder curativo. os odores de pescado e de ovos podres suscitam expressões de desagrado. 1999) Odores que podem ser classificados como lácteos ou frutados despertam. feito pelo psicólogo Jacob Steiner. Aidan Macfarlane percebeu que eles são capazes de identificar o cheiro de suas mães com dois dias de nascidos. quando passam a percebê-lo como familiar. Acabou por fotografar e publicar um livro não só belo. revela a aprovação e desaprovação de um determinado sabor pela expressão facial. como poético. O nome da mulher era Shantala. 1995) 2. PORTER. cuja acuidade perderão mais tarde. Fraçoise Dolto utilizou este conhecimento no período da Segunda Guerra e Schaal provou experimentalmente no fim dos anos 80: os recémnatos têm olfato particularmente desenvolvido. (LEBOYER. expressões faciais sorridentes acompanhadas de movimentos de sucção e lambidelas. Eles têm memória olfativa. (SZEJER. adaptam-se e rapidamente param de responder a um odor. uma mulher que emocionou o cientista e o poeta. (CHAMBERLAIN. Inicialmente o etólogo Konrad Lorenz investigou o sentido do olfato entre animais. acompanhadas. e o que o obstetra viu foi quão benéfica era aquela massagem amorosa no filho. um guia de cuidado para mães.

Estes resultados demonstram que recém-nascidos diferenciam azedo de amargo e de sal. 2003) Em um estudo obtiveram-se. (ROSENSTEIN e OSTER. respostas a estímulos gustativos em 15 recém- . A percepção e produção de expressões faciais são processos cognitivos e se dão em áreas subcorticais e áreas corticais. Respostas faciais básicas para estímulos como doçura e gosto amargo são importantes para a aptidão das espécies de se governarem através de regras simples.1141 Examinaram-se a distinção e o reconhecimento de sabores através de expressões faciais para experiência gustativa em recém-nascidos. Foi usado. como também distinguiam doce de gostos de não doces. adaptado para bebê. Até mesmo este nível básico de respostas faciais tem valor comunicativo com outros da mesma espécie. Foram apresentadas sacarose. em dois estudos. Emoção não deveria ser divorciada de cognição. As respostas para salgado. Durante a evolução. um video-tape com respostas faciais das crianças para cada solução. azedo e soluções amargas compartilharam o mesmo resultado: negativas ou reações diferentes: abaixar a cabeça e enrugar o lábio face ao sabor azedo e abrir a boca com respeito a amargo. A base anatômica utilizada foi o Sistema de Código de Ação Facial. respostas faciais simples estenderam-se para uso em formas de comunicações não-verbais mais complexas. cloreto de sódio. Expressões faciais são um exemplo de comportamento emocional que ilustra a importância de emoções relativas à sobrevivência básica e à interação social. Não havia nenhuma expressão facial distintiva para cloreto de sódio. ácido cítrico e soluções de hidroclorito de quinino a 12 crianças com 2 horas de idade. (ERICKSON e SCHULKIN. 1988). Respostas faciais para sacarose foram caracterizadas principalmente por relaxamento facial e sucção. para obter descrições detalhadas e objetivas. mesmo em se tratando de tão simples reações. através de registro em vídeo de movimentos faciais de recém-nascidos saudáveis e a termo.

(0. mel.5%) para sabor azedo e sulfato de quinino. peixe. parcial desprazer e máximo desprazer (choro). Esta documentação foi feita por Hanus e Mechthild Papousek. por aproximadamente 15 segundos. assim como da configuração total da face para diferentes sabores.1142 natos e respostas a estímulos olfativos em 16. (CHAMBERLAIN. apresentados. Steiner em 1977 e 1979. embora se possam identificar reações típicas para cada sabor. em cartuchos de papel filtro embebidos com a substância aromática. neutro. 1998) . Os gustativos utilizados eram soluções aquosas de sacarose. tristeza 40% e medo 35%. são aparentes as diferenças individuais. Existe uma significativa sobreposição de ações faciais discretas. (BERGAMASCO. também foi testado ácido cítrico. Este é o espectro de emoções que um recém-nato é capaz de demonstrar. alho e cebola. Como estímulo neutro e de comparação. Os estímulos olfativos eram substâncias líquidas com aromas artificiais de alimentos: baunilha. surpresa 68%.8 Integração dos Sentidos Fez-se um estudo em que se solicitou que 26 mães relatassem as expressões que percebiam no rosto dos seus bebês. entre 10 e 72 horas de vida (média de 43 horas). 1997) 2. (2. conforme descrito por Rosenstein e Oster em 1988. chocolate.25%) para o amargo. Esta análise mostrou que as expressões faciais a estes estímulos não são tão estereotipadas como é usualmente sugerido na literatura. O resultado foi: alegria 95%. como já havia sido descrito por Bergamasco em 1994 e Bergamasco e Beraldo em 1993. leite. A análise dos movimentos faciais com base nas categorias mais freqüentes de resposta a cada estímulo gustativo permitiu a definição de um padrão de reação para cada modalidade de sabor. utilizou-se água destilada como explicado por Bergamasco e Beraldo em 1990. morango. estresse 65 %. parcial prazer. raiva 78%. Assim como a análise acústica dos sons emitidos por eles mostrou que podiam ser de: continuidade de máximo prazer. Além disso. manga. (25%) para o sabor doce.

1143 De 74 bebês neonatos, com 36 horas de nascidos, foram recolhidas três expressões faciais: alegria, tristeza e surpresa, como imitação à expressão da face da mãe. (FIELD et al. 1982) Outro estudo observou se as crianças jovens separam fotografias de emoções diferentes em grupos de 17, 23, 29, 35 e 41 semanas. Mostraram-se slides de oito mulheres com rostos demonstrando emoções e feições com dentes grandes, sem dentes e sorridentes. Em todas as idades, houve alguma reação para faces sorridentes, mesmo que com dentadura protusa. O aspecto das faces algo estranhas não pareceu provocar diferença, mas o aspecto emocional, sim. (CARON et al. 1985) Dois estudos, um realizado quando os bebês tinham dois para três meses de idade e outro com seis para oito meses de idade, onde foram avaliadas as reações infantis para faces atraentes. Uma técnica de preferência visual era usada. Foram mostradas às crianças seqüência sobrepostas de faces de mulheres adultas previamente escolhidas por sua atratividade. Quando mostrados pares de faces atraentes ou sem atrativo, as crianças mais velhas e mais jovens pareciam observar mais longamente as faces atraentes. (LANGLOIS et al. 1987) Os bebês demonstraram concatenar percepções diferentes, num teste com uma chupeta granulosa ou outra lisa, posta na boca; depois eles selecionam a imagem da chupeta que tinha estado na sua boca. (KLAUS e KLAUS, 1989) 2.9 Sorriso O primeiro sorriso no rosto do neonato foi descrito como ocorrendo durante o sono. Em geral, após seis semanas, a maioria dos bebês responde com sorriso ao sorriso do adulto, o que é chamado de “responsividade ao sorriso”. Durante algumas experiências com neonatos, apareceu a habilidade de sorrir, chamada de “sorriso

1144 cognitivo”, descrito por Bower em 1977, Papousek et al. em 1986. (CHAMBERLAIN, 1999a, 1999e) 2.10 Choro O choro do bebê comunica uma variedade de acontecimentos: além de fome, frio, a cólica pode estar presente, problemas de digestão especialmente quando não há aleitamento materno ou quando não há contato físico. Muitas mulheres relatam que seus filhos param de chorar quando elas retiram de suas dietas: cebola, alguns legumes, uva, chocolate, café, álcool, ovos, nozes, alimentos cítricos, morangos, derivados de trigo. Pode haver choro como instrumento de liberação de tensão. Há choro devido ao parto ter sido traumático, há choro por agitação e excesso de estimulação, como há choro por sono, por frustração, por dor e por medo. (SOLTER, 1995) Oitenta mães de crianças normais recém-nascidas mantiveram registros diários do choro de suas crianças durante as primeiras 12 semanas. Vinte e oito bebês eram primogênitos na família. Uma tentativa foi feita para eliminar a tensão ambiental excessiva como um fator adicional. Também foram retirados da amostra os bebês com patologia subjacente. Havia uma média de chorar duas horas nas primeiras sete semanas, diminuindo a cada semana depois disso. Bebês que choraram durante um tempo incomum responderam à manipulação de tensão ambiental. A hipótese que se faz é que um certo tempo de choro é necessário, na saúde do bebê, pois tem função de comunicação. O aspecto de afiliação emocional está presente na incidência do choro

"normal". (BRAZELTON, 1962) Em estudo de 193 primogênitos, foi observado que nos casos em que as mães achavam que o choro de seus filhos era normal, as crianças tendiam a terem freqüência de choro normal, no entanto, as mães que entendiam que o choro de seus filhos era excessivo, o fato ajudava a torná-lo de fato excessivo. (ELLIOTT et al. 1996)

1145 Com o objetivo de avaliar o comportamento de choro em crianças prematuras com ou sem dano no cérebro, foram observados um total de 125 bebês de baixo peso ao nascimento que sobreviveram durante janeiro de 2001 a julho de 2004, no Hospital Universitário de Turku, na Finlândia. Eles foram categorizados de acordo com as patologias cerebrais encontradas no ultra-som ou MRI. O Baby Day Diary (Diário do Bebê) foi usado para avaliar choro em comportamento de crianças a termo, com seis semanas e cinco meses de idade corrigidos. O comportamento de um grupo de 49 crianças controles, a termo, foi avaliado por cinco meses. Danos de cérebro severos em crianças de peso muito baixo ao nascimento não afetaram a duração do choro. Aos cinco meses de idade corrigidos, turnos de choro eram mais freqüentes em crianças de muito baixo peso ao nascimento, comparadas com crianças de controle a termo (6.4 por dia vs 4.5 por dia) e foram seguidas muito mais que as crianças a termo (169 minutos, vs 130 minutos, respectivamente). Não houve aumento da freqüência do choro ou no desenvolvimento do ritmo circadino, de modo imediato ao nascimento, porém depois quando a idade se corrigiu, precisavam de ser mais acalentados, e choravam mais. (MAUNU et al. 2006) A autora vem, ao longo destes 20 anos trabalhando com orientação a casais, solicitando que a mãe use sua intuição e seu ouvido para diferenciar os tipos de diferentes de choro. Em geral, se ela fica calma, seu ouvido e sua intuição serão capazes de perceber as sutilezas que lhe servirão de orientação. O contato físico é imprescindível, pois alivia tensões e desconfortos. Conversar, falando baixinho e

calmamente, também ajuda. Quando o cansaço vence, é aconselhável rezar baixinho no ouvido do bebê. Muitas vezes, a recorrência da cólica do bebê que está recebendo aleitamento materno se conecta a um conflito na mãe, no casal, no pai – se o filho for homem ou na linhagem familiar. Os sonhos da mãe e do pai são as melhores pistas para

compararam-se crianças mais velhas.11 Sensibilidade para o Desconforto e para a Dor Experimentos sobre dor foram realizados nos anos 20 e 30 no Chicago’s Lysin-In Hospital e no Hospital de Bebês da Universidade de Columbia e concluíram que bebês não eram afetados pelo frio. 2001) O Projeto de peritos The International Evidence-Based Group for Neonatal Pain. A nova fronteira da neonatologia foi ultrapassada quando. calor. que trabalham o campo de consciência individual e familiar. Foram 2. durante uma transfusão de sangue intra-uterina e verificaram que os níveis de cortisol eram de 138% depois de 10 minutos e de beta-endorfina eram de 590%. (CHAMBERLAIN. Apesar da importância clínica de dor no neonato. suavizando este aprendizado. adultos e neonatos.000 observações. pois o choro e a reação de desespero do bebê pode revelar a dor não vivida pelos pais. (ANAND.1146 ajudar a resolver o conflito. 2. práticas médicas atuais continuam expondo as crianças à dor repetitiva. ou prolongada. (Grupo Internacional Baseado em Evidências de Dor Neonatal) representa vários países diferentes. . e discute práticas utilizando revisões sistemáticas. esta pesquisa até hoje segue sendo uma crença médica. disciplinas profissionais. É relevante levantar-se o que a mãe ou o pai viveram na mesma idade em que se encontra o filho. apesar deste grave erro de observação. Estes são mais sensíveis à dor e vulneráveis a seus efeitos a longo prazo. Neste momento. No entanto. 1989) Com o objetivo de desenvolver diretrizes baseadas em evidência para prevenir ou tratar a dor dos neonatos e suas conseqüências adversas. podem ser de grande valia. 1999b. dor e toque. aguda. porém estas não levaram em consideração que todos estavam sob efeito de anestesia dada às suas mães durante o parto. as essências florais. em 1994. É importante cuidar disto com carinho e acolhimento. neonatologistas mensuraram a reação de estresse à dor de 46 neonatos.

Criou-se um protocolo para descrever a administração de analgésico em procedimentos invasivos específicos em caso de dor contínua em neonatos. McCLAIN e KAIN. (ANAND. Foi observada resposta reflexa de retirada do pé à picada da agulha no mesmo. 1988. de sua idade gestacional ou severidade de doença. usando espectroscopia com onda próxima a infravermelho em tempo real. 2003. BERRY e GREGORY. Os estímulos dolorosos eram feitos com agulha. Nesta área de pesquisa no manejo da dor em neonatos ainda não se chegou a um consenso. TYLER. 2001) O reconhecimento das fontes de dor e avaliações de rotina de dor neonatal deveria ditar a evitação de estímulos dolorosos periódicos e o uso de intervenções ambientais. 2005. Excitação dolorosa produziu uma resposta cortical clara. SIMONS et. havendo apenas um esboço de protocolos de conduta. medida como um aumento em concentração de hemoglobina total no córtex. protocolos para situações clínicas específicas e orientações de cuidado médico deveriam constar nestas diretrizes. 1988) Num estudo. em 18 crianças entre 25 e 45 semanas contadas a partir da data da última menstruação da mãe. de comportamento e doses de fármacos específicos.1147 síntese de dados e discussão aberta para desenvolver consensos em práticas clínicas que foram apoiadas através de evidência publicada. 2001. 1987. (ANAND. foram avaliadas as mudanças da oxigenação cerebral medidas em relação à excitação dolorosa. Cuidado individualizado. (SLATER et al. nenhum exame de sangue foi executado somente com a finalidade do estudo. para a retirada de sangue em provas rotineiras. 1997. 2006) . A administração da dor deve ser considerada um componente importante do cuidado médico provido a todos os neonatos. independente da idade. Prematuros de 25 semanas processam a dor. FRANCK e MIASKOWISKI. planejamento de analgésicos.

drenagens de tórax e ventilação mecânica. considerando-se duas variáveis logo após cirurgia: o toque . no Brasil. O opióide foi o medicamento mais citado para a analgesia (60%). expressão facial. vocalizações e toque. em recém-nascidos de dois a três dias. usando um sistema especificamente projetado que avalia a interação mãecriança. Cem por cento dos médicos referiram acreditar que o recémnascido sente dor. O grupo experimental foi circuncidado e avaliado após a alimentação.e . dissecações venosas. (CHERMONT et al. A maioria dos entrevistados referia perceber a presença de dor no recém-nascido por meio de parâmetros comportamentais. Cada par foi observado durante quatro alimentações. Listaram-se 43 comportamentos relativos à alimentação.1148 Foi feito um estudo no qual se analisaram os conhecimentos dos pediatras que atuam com pacientes neonatais em relação à avaliação e ao tratamento da dor do recémnascido. Foi um estudo transversal que incluiu 104 pediatras (de um total de 110) que trabalhavam entre 1999 a 2001 nas sete unidades de terapia intensiva e nos 14 berçários da cidade de Belém. os efeitos da circuncisão através de 59 pares de mãe-criança no hospital. Foram observadas tendências diferentes entre os dois grupos. a mímica facial no prematuro e a freqüência cardíaca para o neonato em ventilação mecânica. 30 a 40% referiam empregar analgesia para punções lombares. Menos da metade dos entrevistados referiram aplicar medidas para o alívio da dor no pós-operatório de cirurgia abdominal em neonatos. Menos de 10% dos entrevistados diziam usar analgesia para punções venosas e capilares. porém apenas um terço deles conhecia alguma escala para avaliar a dor nessa faixa etária. Eles responderam a um questionário escrito a respeito do seu perfil demográfico e do conhecimento de métodos de avaliação e de tratamento da dor no recém-nascido. seguido pelo midazolam (30%). 2003) Examinaram-se. O choro foi o preferido para avaliar a dor do bebê a termo.a criança ficava retraída.

1149 a alimentação . Segundo Gairdner em 1949. Depois disso se tornou um procedimento creditado com uma gama extensa de benefícios supostos.000 anos atrás. Assim o homem fica moderado. envolve pouco ou nenhum risco e não produz nenhum dano a curto ou a longo prazo. Circuncisão simplesmente limita a luxúria excessiva. O dano corporal causado àquele órgão é exatamente o que é desejado. .. eu penso que seu objeto é limitar relações sexuais e debilitar o órgão de geração até onde possível. o prepúcio é visto popularmente apenas como um pedaço de pele vestigial. nem destrói o poder de geração.mamava menos. que apóia a visão das perdas: "A respeito da circuncisão. Esta ordem não foi um mandamento devido a uma criação física deficiente. Circuncisão masculina é descrita em tumbas egípcias há 5. Para pais judeus e muçulmanos a circuncisão é motivada por razões de fé. 1982) As origens da circuncisão perdem-se na antiguidade. sem função e que sua remoção não causa nenhuma real dor. 1997) No século XIX era praticada nos países de língua inglesa como preventivo para a masturbação e era vista como “higiênica”. Nas palavras do Rabino Maimonides do século XII. Até mesmo hoje. Nos Estados Unidos é dado o poder aos pais para a autorização de uma operação não terapêutica. embora contrária aos interesses da criança.” (PRICE. não há nenhuma dúvida de que circuncisão debilita o poder de excitação sexual e às vezes minora o prazer natural. era um ritual claramente sacrificatório. Bem antes de adquirir suas implicações religiosas..000 anos atrás. não interrompe nenhuma função vital. pois exigia a perda de algo de grande valor. mas um meio para aperfeiçoar as faltas morais do homem. no grupo alvo.. Tal crença ainda persiste. A prática ainda é difundida no EUA onde atualmente 60% (abaixo de 90% dos anos setenta) de neonatos masculinos são circuncidados. esta se originou na pré-história há 15. (MARSHAL et al. Sem controvérsias.. em relação ao grupo controle.

(AAP. orientação desde 1975. quanto mais tarde possível. 1999) Quanto à higiene. 1999) . 1997) Desde 1977. pois não é sua etiologia. Prossegue então que "fimose do recém-nascido" não é uma indicação médica válida para circuncisão. (PRICE. pela AAP. (AAP. Esta só deveria ser executada quando é menos provável que o trauma na genitália não cause tantos problemas psicológicos. se usados.1150 os fatos são que a circuncisão: inflige dor severa e os anestésicos. Extensa revisão de literatura indica que a circuncisão masculina não previne o câncer de colo de útero nas suas parceiras. que não há validade médica que indique circuncisão para o período neonatal. como assinala a AAP em seus relatórios de 1975 e 1977 (AAP. Circuncisão executada mais tarde na vida em aproximadamente 2% a 10% de homens com verdadeira fimose tem a vantagem de não ter risco anestésico. Não há evidência que indique que a circuncisão previne o câncer de próstata. 1997) A American Academy of Pediatrics. no The Committee on Fetus and Newborn (O Comitê sobre Feto e Neonato) em seus sucessivos relatórios diz em 1971. levam a riscos significativos de mutilação do órgão e hemorragia bem como infecção. deveria ser discutida a necessidade de orientação aos pais antes do nascimento da criança de como proceder para realizar a higiene. produz dano a curto e a longo prazo. no nível emocional e diminui a função sexual e não tem nenhum benefício médico. ou seja. segundo a American Academy of Pediatrics. a AAP informa que a pele é um órgão protetor e qualquer ferimento em sua integridade predispõe a uma oportunidade para iniciação de infecção. pois esta é a melhor profilaxia do câncer de pênis.

1999) Desde 1977. observação pós-operatória sistematizada e avaliação depois da alta do hospital. Os perigos imediatos de circuncisão do recém-nascido . Fimose é uma estenose do prepúcio com inabilidade resultante para retratar um prepúcio completamente diferenciado. 15% aos seis meses e 50% com um ano. Apenas as patologias ligadas à existência do prepúcio são evitadas com a circuncisão. os recentes achados clínicos evidenciam que não há diferença na incidência de gonorréia e de uretrite em circuncidado. a AAP informa que a circuncisão é um procedimento cirúrgico que requer técnica asséptica cuidadosa. (AAP.1151 O prepúcio é a dobra de pele que cobre a glande. criando maior tensão linfática que pressiona a glande resultando em edema subseqüente do prepúcio. Em 1982 um destes estudos. Parafimose é a retenção proximal do anel prepucial ao sulcus coronal. teve erros metodológicos. o prepúcio estáse desenvolvendo ainda histologicamente e sua separação da glande está normalmente incompleta. questões metodológicas fazem estes artigos de validade discutível. realizado em hospitais militares que até hoje é referência devido à sua grande casuística. Só aproximadamente 4% de meninos têm um prepúcio retrátil ao nascimento. Meatite é inflamação do meato uretral externo. (AAP. antes de três anos. Balanite é a inflamação da glande e postite é inflamação do prepúcio. Quanto às outras patologias. 1999) Estudos prévios sobre a relação entre circuncisão e prevenção contra infecção urinária foram feitos. Ao nascimento. o prepúcio pode ser retrátil em 80% a 90% dos meninos. estas condições normalmente acontecem junto com balanopostite. 1999) A afirmação quanto a ser à circuncisão ser preventiva de doenças sexualmente transmitidas não é correta. (AAP.

Rotas neuronais para condução do estímulo doloroso como também o cortical e centros subcorticais necessários para percepção de dor estão bem desenvolvidos desde o terceiro trimestre da gravidez. em 1973. 1999) Desde 1977 a AAP informa que circuncisão neonatal predispõe à meatite que pode conduzir à estenose do meato. Nos Estados Unidos. Revisão da literatura durante os últimos 25 anos documentou duas mortes prévias devido a este procedimento. No entanto. houve uma morte entre as 175. Meatite resulta indubitavelmente em urinação dolorosa. hemorragia significativa e mutilação. (AAP. Mudanças de comportamento incluem um padrão de grito que indica angústia durante o procedimento de circuncisão.000 circuncisões no Exército dos EUA. Remoção incompleta do prepúcio pode resultar em fimose. Seria . devido à circuncisão. 1999) Complicações devido à anestesia local consistem principalmente em hematomas na pele seguidos de necrose. (AAP. cardiovasculares e hormonais.1152 incluem infecção local que pode progredir para septicemia. 1999) Crianças que sofrem circuncisão sem anestesia demonstram respostas fisiológicas que sugerem que elas estão experimentando dor que incluem mudanças de comportamento. (AAP. até mesmo uma dose pequena de lidocaína pode resultar em níveis de sangue altos o bastante para produzir respostas sistêmicas mensuráveis em neonatos. 1999) Mortes são atribuíveis à circuncisão em recém-nascido. Foram documentadas respostas para estímulos dolorosos em neonatos de todas as idades gestacionais viáveis. Anestesia de Circunferencial pode ser perigosa. (AAP. mudanças em atividade irritabilidade. padrões de sono variados e mudanças da interação materna infantil retraimento do contato e diminuição da alimentação.

A evitação de circuncisão é particularmente importante porque doença neonatal nem sempre é aparente ao nascimento. 1999) Desde 1977. (AAP. em 1996. Por causa da falta de dados científicos claros. obter mais dados de séries controladas de grande porte antes de defender anestesia local como uma parte integrante de circuncisão em recém-nascidos. não foi provida uma recomendação firme para método apropriado de controle de dor. de praticarem um cuidado médico competente baseado nas necessidades de seus pacientes. (AAP. a AAP orientou que. 1999) Em 1989. 1999) É enfatizado que circuncisão no recém-nascido é um procedimento eletivo. portanto. doenças neonatais. ‘consentimento por procuração’ representa um sério problema para provedores de cuidados médicos pediátricos. tanto com. (AAP. não deve ser um procedimento de rotina.. ou sangramento são contra-indicações absolutas à circuncisão neonatal. ao considerar circuncisão dos seus filhos. Tais provedores têm deveres legais e éticos com seus pacientes. 1999) Professor Dwyer.. não o que outra pessoa expressa.1153 prudente. jurista. os pais deveriam ser informados inteiramente dos possíveis benefícios e riscos potenciais da circuncisão em recém-nascidos. Não há indicação médica absoluta para a circuncisão. ou sem anestesia local. convincentemente discute que a visão de que os pais têm dos direitos sobre suas crianças está incorreta e insustentável: os direitos residem nas crianças e os pais devem ser agentes destes direitos delas. Até mesmo a Academia Americana de Pediatria na orientação em como tratar as crianças afirma: “Assim. as responsabilidades do pediatra para com o paciente dele existem independentes de desejos parentais ou ‘consentimento por . (AAP. qualquer anomalia congênita (especialmente hipospadias). a AAP informa que prematuridade.

sífilis. 1997) A Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança assinada em 1959. 6% dos meninos nos Estados Unidos fazem circuncisão cosmética. comparado com os controles. segundo Kaplan em 1977 e Grimes . (CHAMBERLAIN. Artigo 24(3) provê: “Todos os Estados Parte deverão tomar medidas efetivas e apropriadas com uma visão para abolir práticas tradicionais prejudiciais para a saúde das crianças. incontinência urinária. que aqui a conivência médica é comparável com o pouco ético comportamento de um médico envolvido em tortura. 1. (PRICE. deixa clara a posição a respeito de circuncisão. que também usa a desculpa de estar praticando o que lhe foi solicitado pela autoridade. Não se pode deixar de considerar. Cada bebê foi examinado três vezes. (PRICE. como curar asma. 1997) Ainda assim. Eles também poderiam explicar por que o comportamento abusivo para com uma criança é menos abusivo quando executado por um médico. Nos Estados Unidos 80% das crianças.600." Alguns buscaram discutir que esta provisão só era direcionada à circuncisão feminina.1154 procuração’”. doença mental e compulsão à masturbação. na qual o examinador não sabe que bebê foi circuncidado. Estas foram razões que os médicos nos Estados Unidos recentemente mudaram para: previne doenças sexuais. A redução na escala da média de demonstração de desanimado ou hiperativo atingiu a 90% do grupo que sofreu o procedimento nas últimas 4 horas. infecções urinárias e até AIDS. As autoridades médicas alegam razões não muito claras para tal prática. mas este argumento não se sustenta na Convenção erudita com as providências interpretativas da Convenção de Viena na Lei de Tratados de 1969. câncer. ou seja. 1998) Foi feito uma pesquisa sobre 26 recém-natos randomizados circuncidados com dois dias de nascidos e com três semanas.000 homens que nascem a cada ano são circuncidados. alcoolismo. usando a Escala Brazelton de Avaliação Neonatal (NBAS).

DIXON e SNYDER. em revisão de literatura feita. já haviam descrito alteração no ciclo de sono entre os circuncidados. que normalmente se alternam. De fato. 1984) Estudos preliminares já observaram que meninos que passaram por circuncisão têm menor tolerância à dor. Harmon. Canadian Paediatric Society. Utilizou-se vídeo . 1997) Um estudo avaliou as conseqüências da circuncisão sobre o sono. feito por Anders e Roffwarg em 1973. Anders e Chalemian em 1974. 1974) A Fetus and Newborn Committee. Koenig e Wagonfeld em 1971. as crianças apresentavam um aumento de cortisol nos níveis plasmáticos. duração do choro. e escala de dor análoga a tais reações. Um deles usando polígrafo para averiguar a qualidade das fases de sono REM. (MARSHALL et al. 1982. concluiu que a circuncisão não deve ser praticada como rotina em neonatos. Denniston entende que está na hora de o estabelecimento médico repensar as razões para e as conseqüências deste procedimento. (CANADIAN PAEDIATRIC SOCIETY. O outro estudo. tal prática não ocorre na Europa. Wilson F.tape para medir expressão facial. 1996) Em muitos hospitais nos Estados Unidos a circuncisão é parte rotineira do cuidado provido às crianças masculinas. Embora amplamente usada nos EUA. (ANDERS et al. Metcalf.1155 em 1978. assim como alteração do ciclo de sono. 1980. Foi realizado estudo para verificar se havia alteração da dor aos quatro e seis meses. (TADDIO et al. Este estudo envolveu 87 meninos divididos em três grupos. e não REM. por ocasião de vacinação. O trabalho de Terris M. Nelson JH em Relation of circumcision to cancer of . para que o sono tenha sua natural função reparadora de energia. choro. que ficam com o sistema supra-renal alterado por reação de estresse prolongado. segundo Emde. Brackbill em 1975. Os circuncidados mostraram mais forte resposta à dor da vacinação. Há muito poucos estudos que justifiquem sua realização.

Na infância. células na área de separação entre o prepúcio futuro e a glande iniciam o processo de criar o espaço prepucial (isto é. Supondo que o trabalho estivesse correto. criando um espaço. publicado no Am J Obstet Gynecol em 1973 e que justificou a idéia de que a circuncisão prevenia contra câncer do colo de útero. sem anestesia. não soa razoável. Na 17ª semana de gestação aproximadamente. antes do nascimento. o prepúcio protege a glande de irritação e de material fecal. 1992) Sob o ponto de vista fisiológico. para evitar algo que só poderá acontecer na vida adulta. A função do prepúcio na maioridade pode parecer mais obscura a princípio. Esta pele é firmemente presa na glande como o é a pele da mão. Estes espaços minúsculos fundem-se. a glande do pênis está coberta com pele. está incorreto.1156 the cervix. 1992) Ao nascimento. ainda assim. A cabeça e normalmente a glande do pênis de um homem está coberta de uma pele por cima da outra. Este processo é completado por volta dos três anos de idade em 90% dos meninos. Começam a formar-se bolas microscópicas que incluem camadas múltiplas de células. (DENNISTON. (DENNISTON. a idéia de submeter todos os bebês a este procedimento tão doloroso. a circuncisão não só interfere no seu desenvolvimento. mas pode levar até 17 anos para que alguns meninos terem um prepúcio completamente retrátil. a pele da glande sensível seja lacerada para permitir a remoção. pois durante a ereção. tornando-se o espaço prepucial. O pênis do recém-nascido não está completamente desenvolvido. os nutrientes que vão para as células do centro são cortados e então morrem. (DENNISTON. mas também ocorre que. começa aos poucos a separação do prepúcio da glande. Por isto. 1992) O prepúcio cumpre várias funções. o espaço entre a glande do pênis e o prepúcio intacto). a cabeça do pênis se . À medida que elas aumentam. na cirurgia.

e há estudos que relacionam circuncisão e estupro. pois suas mães os traíram. e 6. mas Jeannine Parvati Baker dirige-se especialmente às mães. em San Francisco. 7) A mutilação genital feminina (FGM). como já visto. De 100 milhões a 140 milhões de mulheres foram submetidas à mutilação genital. e estima-se que dois milhões de mulheres passam por isto a cada ano. que criança se ligará de fato num deus interior? O trabalho de Rima Laibow em 1991. vão embora deste mundo feio. p. como demonstrou Taylor J. (REICH. (DENNISTON. grupo de proteção contra violência.000 correm tal .1157 prolonga. tornando-se aproximadamente 50% mais longa. E o que acontece com elas? Simplesmente olhe para elas. 2005) A circuncisão é um dos piores tratamentos dados à criança. é uma prática que ocorre em 28 países africanos. o que elas podem fazer é contrair-se. diretora do NOCIRC. pois. conclui que homens que passaram por este nível de dor. a elas cabe proteger a integridade física de seus filhos. Estudos anatômicos demonstram que o prepúcio tem maior concentração de terminais nervosos complexos do que a glande. O prepúcio cobre este alongamento da cabeça e é projetado especificamente para acomodar um órgão que é capaz de tal aumento. Diante de tão poderosa e dolorosa mutilação. seus filhos vão tomar menos leite delas. Na verdade. 1992) Aos pais cabe a proteção de seus filhos. no relatório das Nações Unidas de 2000. segundo relatório de abril de 2006. Elas só podem chorar. explica que a circuncisão é quando o primeiro encontro com a sexualidade foi marcado por violência. esta é a “Sagrada Obrigação”. no Segundo Simpósio Internacional sobre Circuncisão. A conseqüência de abandono pela mãe é violência contra mulher. Elas não podem falar com você. carregam uma profunda mágoa. nos dias que se seguem à circuncisão. diz ela. Marilyn Milos. o prepúcio é uma das partes mais sensíveis do pênis e pode aumentar a qualidade das relações sexuais. e ela afirma: “Basta dizer não à Circuncisão”. Além disso. vão confiar menos nelas. (BAKER. Elas contraem-se. Califórnia. em 1991. vão para o interior. 1950. Como mãe.

As decorrências também podem ser: problemas psicossociais. cistos. há quatro procedimentos: Tipo 1 – exêrese da parte retrátil da pele que cobre o clitóris. entre as que foram exiladas para lá ou entraram como refugiadas. segundo estimativa do FORWARD – Foundation for Women’s Health. Na Somália. segundo a OMS em 2000. com ou sem excisão de parte ou de todo o clitóris. onde 90% a 98% das mulheres são infibuladas. que são infecção urinária recorrente. Tipo 3 . infertilidade por infecção da pelve crônica. dispareunia (dor durante o coito).excisão do clitóris parcial ou total e dos pequenos lábios. No Reino Unido. estresse pós-traumático. a criança pode morrer por falta de oxigênio. choque. fechamento da vagina devido à cicatriz. prolongamento do trabalho de parto ou obstrução do períneo devido à cicatriz. 2006) Muitas mulheres morrem de hemorragia de parto devido a este procedimento. ulceração da região genital ou infecção devido a este procedimento. trauma ao dar à luz.000 mulheres. 86. Research and Development (Fundação para a Saúde e o Desenvolvimento da Mulher). especialmente se retornarem aos seus países de origem. submeteram-se a tal mutilação. com laceração vaginal e fistula vaginal. e também fístula vaginal em conseqüência da obstrução do trabalho de parto. Muitas meninas morrem em conseqüência de hemorragia. retenção urinária.1158 risco a cada dia. Outras sofrem conseqüências a longo prazo. fístula vaginal com injúria a outros tecidos. Muitas vêm a morrer das complicações a longo prazo. E 7. frigidez. neuroma. se a hemorragia se inicia durante o trabalho de parto. e não na fase expulsiva. da FGM. falta de confiança no cuidador. infecções pélvicas e infecção ginecológica. infecção pós natal. uma em cada 100 morrem no parto devido a este procedimento. corte de alguma terminação nervosa causando dor permanente e infecção crônica por obstrução do fluxo menstrual. (ROYAL COLLEGE OF NURSING. abscessos. Tipo 2 .000 jovens adolescentes estão sujeitas a risco anualmente. De acordo com a classificação. com morte da mãe e da criança. conflito conjugal.

Segundo a Maternal and Child Health Survey (Pesquisa de Saúde Materno-Infantil) em 1991.12 Imitação e outras Evidências do Desenvolvimento Inicial Olga Maratos. 2006) 2. em 1994. Sawhaj. Andrew Meltzoff estudou esta capacidade em grande detalhe: protundindo a . embora o procedimento fosse proibido por lei. 2007) Segundo o Ato de Direitos Humanos de 2000. Outro ganho foi a redução da incidência de circuncisão nas regiões administrativas de Asyut. ou infibulação. com um aperfeiçoamento de educação sobre o assunto. Na Convenção dos Direitos da Criança. 2006. tem sido fundamental para a mudança de atitude tanto do governo do Egito. ou com o propósito de estreitá-la. SENIOR CITIZENS. no Cairo. psicóloga grega. 1993) A Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento. A informação. (FEDERAL MINISTRY FOR FAMILY AFFAIRS. com introdução de substâncias corrosivas ou ervas para dentro da vagina. (ROYAL COLLEGE OF NURSING. Cairo e Alexandria entre meninas 5 a 10 anos de idade de 95% para 70%. Tipo 4 – furar. Mais tarde. ou cortar o clitóris e. cauterizando ou queimando o clitóris e o tecido ao redor. (ROYAL COLLEGE OF NURSING. WOMEN AND YOUTH. raspando o tecido à volta do orifício ou cortando a vagina. como do clero. pois verificou-se que 20. Foi então firmado o Protocolo da Carta Africana (União Africana de 2003) onde estão tais compromissos. os profissionais de saúde têm o dever de proteger as crianças de tais mutilações.000 mulheres foram poupadas do procedimento. entendeu que seu alvo para a redução de tal prática já começou a ser atingido. Minya. percebeu a capacidade do recém-nato de imitar. 95% das meninas nas áreas rurais do Egito e 80% das áreas urbanas eram circuncidadas.1159 – excisão parcial ou total da genitália externa e costurar ou deixar mais estreita a abertura vaginal. que causam sangramento. ou o lábio. Qena. NOBLE. perfurar. a página 10 orienta sobre a necessidade de proteção da criança.

estas evidências permitem admitir uma correspondência estreita entre movimentos expressivos e estados internos. que já se tornou clássico.1160 língua. (STALLING. e esta comunicação implica em desenvolvimento cognitivo para o bebê. Hoje já existem estudos em animais e estudos endocrinológicos que dão sustentação às observações antigas. 1989) Fez-se um estudo para observação do uso de movimentos expressivos como indicadores de estados subjetivos no bebê recém-nascido. Os bebês também imitam rostos de tristeza.duas condições incluídas no sentido de consciência como "awareness". Cada um deles era apresentado para os bebês por um adulto e as respostas eram codificadas por observadores que desconheciam o movimento a ser imitado. Considerando-se o bebê como ser social e altamente comunicativo. de uma extensa linha de pesquisas sobre imitação em recém-nascidos. demonstrando registro de memória. imita a careta para a pessoa que a fez. A hipótese deles era que os recém-nascidos são capazes de imitação de movimentos faciais. abrindo a boca. 1994) Meltzoff e Moore publicaram o primeiro estudo. Foi verificada uma . assim como estudos transculturais que marcam diferenças de comunicação. (BERGAMASCO. que geram respostas nelas. estender o lábio. franzindo os lábios. (KLAUS e KLAUS.e excluiu-se a possibilidade de uma interpretação desses movimentos como reações reflexas. o recém-nato. felicidade e surpresa. Usaram quatro modelos: três faciais (colocar a língua para fora. a partir de registros de reações a estímulos nociceptivos e a estímulos olfativos e gustativos. um pressuposto comum às teorias de emoção. abrir a boca) e um envolvendo os dedos. A análise dessas reações (choro e expressões faciais de agrado e desagrado) evidenciam sintonia com o ambiente e variabilidade individual . 1997) Décadas de pesquisa têm confirmado que os bebês emitem sinais para as mães. com bebês de 12 a 21 dias de idade.

Os resultados corroboraram os anteriores. 1983a) Em outro estudo foi evidenciou-se que os bebês são capazes de reconhecer visualmente a chupeta que sugam.1161 freqüência significativamente maior do gesto que estava sendo mostrado. Os resultados indicaram que os bebês imitaram ambos. foi feito um experimento em que se criaram procedimentos para impedir que os bebês respondessem imediatamente à ação do modelo. cada uma usando um objeto diferente. 1977) Em uma amostra de 40 bebês de menos de uma hora a bebês de 71 horas. (MELTZOFF. 1979) Na tentativa de tornar mais precisa a experiência anterior. 1988a) Outro experimento incluiu a protrusão da língua e movimento de cabeça. Os resultados demonstram evidência de que existe imitação imediata e também mediata. do que de qualquer outro. Estes resultados mostram que esta habilidade está a serviço de um desenvolvimento social. Uma das seis ações era um comportamento novo que tinha nenhuma probabilidade de ocorrência espontânea. (MELTZOFF. Ações e novos objetos que são observados um dia podem ser armazenados pela criança e repetidos no próximo dia. (MELTZOFF e MOORE. (MELTZOFF e BORTON. As crianças demonstraram ter memória evocativa. (MELTZOFF e MOORE. verificaram que os bebês eram capazes de reproduzir ambos os movimentos. Com os mesmos cuidados de usar observadores que desconheciam o gesto que serviu de modelo. Seis ações. 1983b) A habilidade de crianças de nove meses para imitar ações simples com objetos foi investigada. 1988b) Imitação com demora de l semana foi examinada em crianças de 14 meses. . (MELTZOFF. apresentaram-se dois gestos de um modelo adulto: abertura da boca e protrusão da língua. Depois colocou-se uma demora de 24 horas entre o estímulo-apresentação e os períodos de resposta.

1162 Mais tarde, após algum tempo depois da execução do movimento pelo adulto, eles repetiam o gesto. Daí começou-se a pensar na questão da memória. MOORE, 1989) A partir de estudos com bebês de seis semanas e de dois a três meses, atribuiu-se uma função social e psicológica às imitações iniciais. Posturas faciais estáticas e movimentos, tanto de estranhos como das respectivas mães, eram imitados; portanto, os resultados não dependiam da familiaridade com o modelo. Esse comportamento apresentado em bebês de seis semanas de idade continuava presente aos dois e três meses. Para os autores, a imitação inicial tem uma função comunicativa e os bebês a utilizam nos encontros com outros para enriquecer seu conhecimento de pessoas e de suas ações e também para identificar essas pessoas. O que este pesquisador percebeu é que o desenvolvimento do cérebro humano depende desta imitação, e o ato de imitar é, dentre outras coisas, um importante exercício de memória. A criança percebe o rosto do adulto como um espelho que se comunica com ela, portanto é fundamental como aprendizado de auto-estima. (MELTZOFF e MOORE, 1992) O trabalho de Sophian em 1980 trouxe dados na mesma direção e o autor afirma que a memória de reconhecimento está presente desde os primeiros dias de vida. Legerstee em 1991 também encontrou evidências confirmatórias, ao examinar o papel de pessoas e objetos ao provocar imitação em bebês de cinco e oito semanas. Para os três autores, a imitação é uma resposta social que tem implicações para o desenvolvimento, especialmente da comunicação e da linguagem. (MOURA e RIBAS, 2002) As crianças desenvolvem a fala com padrões de linguagem universal e um mecanismo que influi é a imitação. As crianças buscam copiar as vogais. Em análise em (MELTZOFF e

1163 espectrógrafo, as vogais vão-se separando quando as crianças tinham entre 12 a 20 semanas. (KUHL e MELTZOFF, 1996) A idéia de imitar está conectada com a idéia de se inserir no contexto social. Mas, além disto, envolve a observação e a própriocepção, assim como habilidades motoras. Nos pacientes com Síndrome de Down e com autismo, esta capacidade de imitar está alterada. Por outro lado, padrões de imitação são observados em muitas culturas, como descrito nos Estados Unidos, por Abravanel e Sigafoos em 1984, e por Field et al. em 1982 no Canadá por Legertee em 1991, na França por Foutaine em 1984, na Suíça por Vinter em 1986, na Suécia por Helmann e Schaller em 1985 e por Heinann et al. em 1989, em Israel por Kaitz et al. em 1988, no Nepal, em área rural por Reissland em 1988. (MELTZOFF e GOPNIK, 1993) No trabalho de Reissland foi confirmada a imitação de posições dos lábios em 12 bebês com uma hora de vida de uma região rural do Nepal, para quem o experimentador era a primeira pessoa com quem interagiam após o nascimento. (REISSLAND apud MOURA e RIBAS, 2002) Confirmaram-se as evidências de que em fase muito precoce existe uma variedade de gestos imitados. A imitação de ações novas, portanto não pode ser resposta. A estereotipada, visto que a possibilidade de imitação facial diferente com intervalos de 24 horas. (MELTZOFF e MOORE, 1999) Foi feito um estudo para testar a imitação imediata e a memória (com intervalo de 24 horas). Este trabalho utilizou um procedimento experimental muito cuidadoso, incluindo a micro análise da topografia da resposta. Os procedimentos foram testados para fidedignidade, apresentando índices bastante altos. Os resultados mostraram imitação imediata, e imitação após um intervalo de tempo. Esse último resultado indica que memória de evocação em bebês de seis semanas pode gerar ações com base em

1164 alguma forma de representações armazenadas. A organização motora envolvida na imitação, investigada pela micro análise das respostas, revelou que os bebês se modificam. (MELTZOFF e MOORE, 1994) Neste caso, Meltzoff (1995) relata um estudo com crianças de 18 meses, no qual o modelo tentava realizar uma determinada ação com um objeto, mas falhava. A conduta imitativa observada levava em conta o que os adultos haviam tentado fazer, e não o que eles de fato haviam feito. É com base nesse tipo de dado que os autores ressaltam que estas crianças de 18 meses não estavam apenas imitando o que elas haviam visto, mas realizando atos de certa complexidade de intenção. (MELTZOFF, 1995) Gallagher e Meltzoff (1996) discutem alguns pressupostos tradicionais sobre o desenvolvimento do esquema, da imagem corporal e do processo de tradução entre a experiência perceptual e a capacidade motora. Com os achados nas pesquisas de Meltzoff sobre a imitação de gestos não-vistos, defende-se então uma capacidade rudimentar de diferenciação entre o self e o que não é o self presente no recém-nascido. (GALLAGHER, S. MELTZOFF, 1996) Foram analisadas questões relativas ao processo de imitação e entenderam que os bebês relacionam partes de seus próprios corpos aos correspondentes nos adultos. Ao mesmo tempo, realizam movimentos espontâneos que são como "balbucios" e que lhes dão experiência em mapear mudanças e configurações de seu próprio corpo. Finalmente, estabelecem relações entre órgãos que lhes permitem perceber e emparelhar seus movimentos com os do modelo. (MELTZOFF e MOORE, 1997) Já ficou comprovada a existência de memória nos primeiros meses e há uma complexa mente funcionando nos bebês de 18 meses. O cérebro é uma estrutura inata e de evolução progressiva, há uma reorganização qualitativa na vida mental do bebê, com base em sua experiência com pessoas e eventos de sua cultura. (MELTZOFF, 1999)

Prinz. De algum modo a direção da imitação é inclusiva de si próprio. num contexto de relação e do outro. pois sua psicologia é mais complexa. 2005) Outras evidências do desenvolvimento inicial parecem consistentes com os achados sobre imitação e serão apresentadas a seguir. não por reflexo. demonstra que nestes a mente é contínua e descontínua em função da subjetividade. Fadiga. no contexto afetivo das relações sociais. primeiro. demonstrando flexibilidade e não há automatismo. a psicologia do desenvolvimento veio transformando-se ao entende-se o sentido da imitação nos bebês. Em quarto lugar. O passo um sendo “Como eu” e o passo dois. 2002. através das experiências de imitação. e crianças imitam por memória. Crianças que dão respostas corretas é que estão confiando no modelo. quando percebe que isto de algum modo era o que se esperava. ela fica satisfeita e ri. A criança de 14 meses é capaz de perceber a direção do jogo que o adulto pretende desenvolver. explorando o conceito de neurônio espelho. como Decety em 2002. e deixar de considerá-los iguais aos ratos de laboratório. é preciso mudar paradigmas de pesquisa em bebês. neurocientistas vêm. Fogassi e Gallese em 2002. E em terceiro lugar a comparação de imitação de animais e de humanos. pois há uma interação lúdica que a faz antecipar no jogo à ação a ser realizada e. Isto ocorre com a criança humana. segundo. A capacidade de estabelecimento de intersubjetividade entre o bebê e os adultos é um dos aspectos . A literatura sobre esse tema é muito extensa e optou-se por citar somente alguns estudos básicos. (MELTZOFF. As crianças imitam gestos novos. Não há fixidez neste aspecto. 2002a) A imitação é um recurso para entender como outra mente funciona. “Compreensão do outro”. (MELTZOFF 2002b) Um aspecto importante da imitação na interação social é o da empatia.1165 Algumas coisas foram mudando e Meltzoff entende que. Rizzolatti. (MELTZOFF. sem que antes tenha sido feito.

No segundo mês. desenvolve-se. regula motivação e intenção em relação a elas e constrói simultaneamente atos rudimentares de fala e gesto em combinações e seqüências-padrão. definida originalmente por Trevarthen e Hubley (1978). No curso das primeiras semanas. Esta é caracterizada como uma forma de interação que tem como aspectos essenciais o interesse que o bebê demonstra pela fala da mãe e sua capacidade de orientar a atenção para o rosto da mesma e de responder às solicitações dela. 2002) . Os bebês parecem predispostos a responder seletivamente a eventos sociais e demonstram uma motivação básica para se relacionar com pessoas. se devem à diferenciação de uma função inata. A partir disso. não podem ser entendidas de forma isolada. (MOURA e RIBAS. revelam um conjunto de características que os capacitam para os primeiros contatos e trocas com os membros da cultura. inicialmente representados. interpessoal. que se manifesta muito cedo de uma forma rudimentar. transformando-se na capacidade de compartilhar atenção a objetos comuns e tornando-se verbal na época da pré-história. geral e altamente complexa. com o prazer do contato visual entre a mãe e o bebê (ao qual se deveria acrescentar o prazer do toque). por sua mãe. sobretudo. Essa função identifica pessoas. Uma forma primitiva de intersubjetividade começa nas primeiras semanas de vida. Além disso. mostram os primeiros sinais de "intersubjetividade primária".e suas transformações. os bebês apresentam uma ligação estreita entre os sistemas de percepção e ação organizada e uma sensibilidade essencialmente humana para estímulos sociais. Trevarthen e Hubley em 1978 discutem que a comunicação entre o bebê e os adultos -principalmente a mãe . mas se inserem em um panorama mais geral. 2005) As capacidades imitativas iniciais. (MELTZOFF. entretanto.1166 centrais que se podem vincular às evidências que vêm sendo descritas.

2002) Este mesmo autor Bertenthal em 1996 questiona a visão monolítica da percepção de que diferentes inputs sensoriais convergem numa representação única que precede o pensamento e ação. 1975). (MOURA e RIBAS.1167 O sistema auditivo parece pré-adaptado para identificar a voz humana. Os bebês discriminam sons da voz humana de outros sons. não tem sido confirmada a concepção piagetiana de que estas são modais e justapostas e de que a organização comportamental é não-coordenada e constituída de reflexos isolados. 2002) Há divergências entre os autores quanto à natureza das percepções iniciais do bebê. em especial. Bertenthal em 1996 revê e analisa as evidências das origens e do desenvolvimento inicial da percepção. Uma dessas rotas trata do controle perceptivo e . um modelo em que o sistema visual é dividido em duas rotas funcionalmente dissociáveis. as investigações de Fantz em 1965 demonstraram a capacidade de discriminar e manifestar preferências por configurações de rostos humanos. os bebês buscam estabelecer contato visual com os adultos que cuidam deles e são estimulados e incentivados a fazê-lo. 1963). os resultados das pesquisas recentes desafiam "crenças antigas" que viam os recém-nascidos como dotados apenas de um repertório muito simples de comportamentos sensório-motores que são gradualmente integrados e internalizados. (MOURA e RIBAS. Tem sido verificado que. Esta capacidade discriminativa se manifesta também no sistema olfativo. ação e representação. desde o terceiro dia de vida. conseguem distinguir sua mãe de uma estranha com base no odor (Engen. Em condições normais. (MOURA e RIBAS. Lipsitt & Haye. os das vozes femininas (Eisember. então. Além disso. preferindo os primeiros. Em geral. evidenciam que a capacidade de representação pode estar presente desde o nascimento. Propõe. 2002) No campo visual. Para este autor. segundo Schaffer em 1979.

S. os estímulos do ambiente são apenas disparadores do processo. ou seja. Essa é a proposta de Meltzoff e Moore. Márcia L. nem representação são privilegiadas ontogeneticamente. Num modelo mais geral. se apresenta sob a forma de representações com finalidades específicas e se torna progressivamente disponível. No primeiro caso. Diferentes fatores contribuem para mudanças evolutivas nos dois sistemas. já presente no funcionamento independente do organismo. o ambiente influencia a estrutura subseqüente do cérebro através de uma interação rica e específica entre a mente e o ambiente físico e sociocultural. passe por uma construção gradual. (MOURA e RIBAS. Moura e Adriana F. mas também a hipótese de um mecanismo de construção. As evidências mostram que a percepção depende de relações e de descrições abstratas. Deste modo. por . 2002) O que essas pesquisas têm indicado é que o estado inicial do desenvolvimento talvez não seja exatamente o que Piaget propôs e.1168 da orientação das ações. é preciso repensar o estágio sensóriomotor tal como apresentado e explicado por Piaget. (MOURA e RIBAS.P. nem ação. e a outra da percepção e do reconhecimento de objetos e eventos. Karmiloff-Smith desenvolveu o que chama de modelo RR (Redescrições Representacionais). Pensam que as predisposições inatas podem ser especificadas em detalhe ou ter apenas uma direção geral. Ribas admitem tais capacidades inatas. Nem percepção. permitindo defender a hipótese de que a obtenção de aspectos do conhecimento conceitual e a aprendizagem sobre os mundos físico e social através da percepção. No segundo caso. 2002) É necessário adotar uma posição que inclua as novas evidências sobre o estado inicial e que inclua também um processo em que a representação sofra transformações e tenha maior complexidade. é necessário levar em conta algumas predisposições inatamente especificadas. isto é o que propõe também KarmiloffSmith em 1995. O modelo pressupõe um processo cíclico pelo qual a informação.

vivendo em suas próprias casas. agarrar e comportamentos de sinalização como sorrir e chorar. que aumentava a partir de um foco mantido na figura materna dos seis primeiros meses de vida. 2002) 3 O Vínculo e a Vida Dois conceitos sobre adaptação social e recém-nascidos foram empregados: John Bowlby analisou o processo de estabelecimento de apego com a mãe nos primeiros seis meses (attachment).1169 meio de redescrição. Foram escritos três artigos para a Sociedade Psicanalítica de Londres. calcado em conceitos etológicos. é necessário acrescentar à visão de Piaget algumas predisposições inatas. Klaus e Kennell aplicaram o termo vínculo (bonding) ao começo desta ligação que se dá na primeira hora depois de nascimento. Ambos os conceitos especificam comportamentos que fixam condicionamentos precoces na infância. para uma relação mutuamente satisfatória entre a mãe e criança. (BOWLBY. Descreveu que as crianças alcançavam alguma maturidade e independência durante o primeiro ano de vida. dos quais o primeiro foi este: Bowlby propunha que o vínculo entre crianças de um a dois meses com suas mães tinha um forte componente instintual. Para elas. dando ao processo epigenético uma base para se desenrolar. em 1951. eram mais passíveis de . para outras partes do sistema cognitivo. O primeiro trabalho sobre a Teoria do Vínculo foi escrito no livro “The Nature of the Child’s Tie to his Mother” (A Natureza da Ligação da Criança com sua Mãe) em 1957. Descreveu que crianças privadas de contato com mãe. 2002) A teoria do vínculo foi desenvolvida pelo psiquiatra John Bowlby que foi em 1950. Diretores do Departamento de Clínica Tavistock na Inglaterra e Consultor de Saúde Mental da Organização Mundial de Saúde. (SCHORE. 2001) A autora vai usar sempre a palavra vínculo para a tradução de bonding e de attachment. impregnadas de conhecimento. (MOURA e RIBAS. que respondiam através de: chupar.

Ele introduziu na pesquisa duas mães substitutas inanimadas. depois desesperadas. Nossos parentes mais próximos. a mortalidade entre eles aumentou. O que ocorre é que se sucedem o pânico. (Uma Criança de Dois anos vai para o Hospital) onde ele observou o que ocorria na separação de curta duração de uma criança nesta idade. O que mostram as pesquisas sobre vínculo. (BOWLBY. inquietas. e em seguida começavam a se desinteressar do ambiente.1170 infecção e corriam maior risco de contrair difteria. a depressão e a perda de imunidade. finalmente. Ao nutrir macacos rhesus com mamadeira em gaiolas metálicas. Outro filme da Tavistock registrou crianças que ficam em casa enquanto suas mães estavam em hospitais. Os estudos de Harlow. A Two-Year Old Goes to the Hospital. foram feitos filmes. (MONTAGU. O macaco bebê ia até esta apenas para o tempo de mamar. para o nascimento de um irmão. 1986) Por 35 milhões de anos os primatas sobreviveram estando próximos às suas mães nas primeiras horas depois de nascidos. 2002) A necessidade de vínculo é universal. os macacos de quem nos distanciamos por 1% do código genético. foram muito ilustrativos na questão do vínculo. num comportamento de negação da dor. Acompanhados até a vida adulta. Na verdade. As crianças demonstravam-se agitadas por um tempo. uma com acolchoamento e outra sem. A não acolchoada portava a mamadeira. 1986) . Na continuidade da privação. elas adoeciam de infecção do trato respiratório. com estudo de mímica e estudo de hormônios do bebê. e até um documentário em 1952. em protesto. percebeu-se alteração no domínio da sociabilidade. na década de 50. (MONTAGU. também têm necessidade de vínculo para manter sua saúde mental e emocional. mas ficava com a acolchoada o maior tempo possível. é que nenhuma criança está pronta física e emocionalmente para suportar a separação da mãe logo após o nascimento. o desespero. com medições de onda cerebrais.

ele já salientava que o excesso de separação. ainda que por pouco tempo. O terceiro trabalho foi “Grief and Mourning in Infancy and Early Childhood” (Luto e Pesar na Infância e em Idade Precoce). onde ele contesta a visão prevalente de narcisismo infantil e fala da importância da questão da perda do objeto amado. Uma das doutrinas principais de teoria da segurança é que as crianças jovens precisam desenvolver uma dependência segura em relação aos pais antes de se lançar no mundo. (Uma Avaliação de Ajuste Baseado no Conceito de Segurança). Bowlby pôde desenvolver e publicar seu trabalho a respeito dos efeitos de separação da mãe sobre a criança. 3 – Desvinculo ou negação. repetem o abandono e a rejeição dos pais que pode acabar parecendo doença e morte nos pais. Ainsworth desenvolve essa tese em sua dissertação intitulada: An Evaluation of Adjustment Based Upon the Concept of Security. no final dos anos 30 e início dos anos 40. geralmente causado por famílias disfuncionais. Ambos reformularam e desafiaram as idéias Freudianas. tendo em vista que não tem ego suficiente para fazê-lo. Este trabalho foi . que é vivida pela criança como sendo de sua responsabilidade. para entender os movimentos emocionais por que passa a criança deixada. (BRETHERTON. onde fez cursos com William Blatz que a tinha apresentado à teoria de segurança de Blatz em 1940. 2 – Desespero. (BRETHERTON.1171 O segundo trabalho de Bowlby foi “Separation Anxiety” (Ansiedade de Separação) que foi apresentado em 1959. em situações pouco conhecidas. Neste trabalho. 1992) Mary Ainsworth diplomou-se na Universidade de Toronto. onde ele explicava as fases que ocorriam em função da separação da mãe com o bebê: 1 – Protesto. Ele entende que a criança pequena não tem condições de elaborar perda. 1992) Em 1951. no pós-guerra. Esta descrição é crucial até hoje. pois escreveu para a Organização Mundial de Saúde sobre as condições mentais das crianças sem lar.

e Parke e Tinsley em 1987. 1992) Em 1957. como os de Lieberman e Pawl em 1988. Kuczinsky e Chapman em 1985. Belsky e Youngblade. onde desenvolve um projeto de observação de 26 famílias com bebês que ainda não desmamaram entre um e 24 meses. e visitados por nove meses. como Bronfenbrenner em 1979. como os conduzidos por Radke-Yarrow. Carlson e Cicchetti em 1985. Braunwald. (BRETHERTON. a teoria do Vínculo tem-se desenvolvido muito com trabalhos como: Sroufe em 1988. foi traduzido para 14 idiomas e o título era: “Maternal Care and Mental Health pela WHO” (Cuidados Maternos e Saúde Mental pela OMS). Uma delas é que a importância da ontogenia do vínculo humano. ele reformula algumas coisas sobre sua própria teoria em 1969. Ela e Bowlby já haviam começado uma intensa colaboração: ela publica o projeto de Uganda em 1962 e 1967. por duas horas. vínculo e irmãos: por Stewart e Marvin em 1984. Há estudos sobre vínculo e sistema familiar. (BRETHERTON.1172 escrito em seis meses. Gilstrap. . por: Belsky. em estudo sobre famílias onde há maus tratos como observaram Cicchetti e Barnett em 1991. 1992) Hoje. Na sua segunda edição: Child Care and Growth of Love. em estudos longitudinais sobre famílias com depressão. Cummings. (Cuidado Materno e Desenvolvimento do Amor) teve um capítulo escrito por Mary Ainsworth. Teti e Ablard em 1989. estudos sobre intervenções clínicas em família com baixo suporte social. Schneider-Rosen. em 1991. Ela estava particularmente interessada em determinar a proximidade entre mãe e filho e os sinais de comportamento. problemas de comportamento como o trabalho de Greenberg e Speltz em 1988 e o trabalho de Belsky e Nezworske em 1988. sobre psicopatologia do vínculo. Crittenden em 1983. Rovine em 1984. com idéias partilhadas por ambos. Estes eram observados a cada duas semanas. vínculo e pai. Autores como Fish. Ainsworth vai para Uganda. Lamb em 1978. Psieker e Booth em 1988.

o olhar nos olhos e o choro. no lugar disso. Spangler. e é capaz de a tudo transformar. apud GARCÍA. pode ser visto como um laço afetivo que a criança tem com um número reduzido de pessoas em quem ela é impulsionada a buscar um contato duradouro. Existem também as respostas de orientação e sucção. Tal necessidade é biologicamente humana: com as condutas do apego. (NOBLE. carrega. O apego nasce do comportamento da mãe e da criança. 1992) O vínculo.. Mas mesmo diante de tudo isto o poder do amor materno é extraordinário. (BRETHERTON. também em 1985. então são capazes de viverem em sincronia mãe com filho. já pensava em agradá-la e também tendia a se responsabilizar pelos acontecimentos insatisfatórios ocorridos com ela. ou apego. e no Japão Miyake. Chen e Campos em 1985. Sagi et al. (BRAZELTON. 1992) Existem estudos feitos sobre vínculo em outras culturas: Grossmann e Grossmann. na Alemanha. entram em cena o ajuste postural. A falta desta sintonia segundo Brazelton. continua a existir uma fusão entre mãe e filho: além do contato áudio-tátil. 2006) Não se pode deixar de considerar que o bebê. Suess. estando na barriga da mãe. é interpretada pelo bebê como uma violação da sua expectativa. pois isso tudo tem a função de sinalização para atrair a mãe. se as crianças apresentam um desenvolvimento adequado. uma parcela de sentimento de frustração no bebê. ter sido submetida a uma cesárea. tende a ser vivido como responsabilidade pelo bebê. pois no útero o que frustra a mãe. 1993) Do feto para o bebê há uma continuidade. ou seja. Unzner em 1985. (BRETHERTON.1173 demonstraram a relação entre vínculo inseguro e a incapacidade de tomar as decisões necessárias aos quatro anos de idade. e vice-versa. há o contato olho a olho e uma gama de . em Israel. sorriso. (GARCÍA. mesmo que seja. discriminação auditiva e imitação. 2006) Segundo Brazelton. no caso de ela esperar ter o filho em parto normal e.

sentenças longas – Preocupado d) Durante as discussões tende ao abuso. pouco exploradora.1174 comunicações não verbais que aí se estabelecem num continuum. não tem raiva. mais livre. 1999) . preocupado com vínculos antigos. Evitadora – Q c) Pode ser muito aflita. não tem muito contato ou proximidade. não estressada. (SZEJER. passiva. pode chorar. – D –desorientada e desorganizada (A. prefere parentes a estranhos. que inclusive facilita os trabalhos científicos. falha em sentir-se confortável em reunião familiar. C e outras categorias) (SIEGEL.Solto c) Não coerente. parece que vive em colapso com estratégias de convivência. passivo ou medroso. doente.Seguro/autônomo b) Não coerente. comportamentos físicos que sugerem expressões desconcertantes.B. resposta pouco emocional. tem contato físico com quem gosta. o Vínculo . mostra sinais de perda quando elas ocorrem. difícil exploração. Ambivalente – C d) Desorganizada e desorientada com o comportamento e presença dos pais. foco em objetos. como um seguimento da ligação intra-uterina. parece conter raiva. raivoso. falante. 2005) Para ter uma avaliação classificatória de vínculo. preocupada. colaborativo. foram estruturada a expressão de vínculo como: (SIEGEL. ignora a reunião com parentes. angustiada. chora. discursivo disponível para o vínculo . .Desorganizado Quanto à criança: a) A que explora o quarto e brinquedos com interesse. S – Seguro b) Difícil chorar diante de separação de parente. 1999) Na mente adulta: A disponibilidade para o vínculo pode caracterizar-se por: a) Coerente. geralmente chora com separação.

E as histórias familiares ajudam a criar um sentido de identidade familiar compartilhada. ensina e garante à criança que ela não será abandonada no momento de dor.B – Equilibrado – C – Coerente D – Desorientado. 1999) Foi desenvolvida uma Escala Materna de Vínculo (MFAS). para não abalar a base emocional da criança.1175 Simplificadamente pode-se colocar que o vínculo na escala Siegel e Hartzell em 2003: é do tipo A – Harmonioso . percepções. 4) Narrativa coerente: As histórias narradas para a criança sobre os acontecimentos da vida fornecem à criança uma sensação de passado. como alegrias e excitação. 5) Comunicação Emocional: ao compartilhar e ampliar tanto emoções positivas. (SIEGEL. como no externo. além de ensinar que a subjetividade da criança é um fator importante na vida. (DOAN et al. num tempo mais breve possível. pensamentos e crenças. Os sinais não verbais entre pais e filhos são sintonizados. compartilham-se as experiências internas. existindo nos momentos de emoções negativas. Estas experiências são chaves para modelar futuros relacionamentos pessoais. por Cranley em 1981. sejam emoções. presente e futuro. tanto no mundo interno. 2) Diálogo receptivo: nas relações seguras. (SIEGEL. 2003) . 2004) Siegel dá uma lista de cinco elementos para propor um bom desenvolvimento emocional e cerebral para a criança. são lançados os alicerces de uma atitude positiva. A conexão. 1) Colaboração: relações seguras são estabelecidas em comunicações cooperativas. mas mesmo a melhor das escalas tem insuficiências para avaliar uma interação com tantas outras variáveis sutis. 3) Reparação: se a comunicação for interrompida deve ser restaurada.

Assim é o rosto. pode identificar que a mãe está com medo.1176 É importante notar que. ela não é uma tabula rasa. 2000) Daniel J. (MATÉ. quando uma criança chega ao mundo. a voz. Tudo o que ameaça a mãe. a criança se organiza orientada pela face da mãe. O vínculo inseguro-ansioso tem uma resposta inconstante no bebê. ou foi algo moldada a possuir uma melhor constelação arquetípica. a criança. que vão comunicar a carga arquetípica dos pais. desde o início da vida. No hemisfério direito materno está o que será posto no inconsciente do filho: em seu hemisfério direito. e portanto pouco danosas. os filhos ativarão comportamentos arquetípicos nos pais. e no vínculo inseguro-desorganizado. se estes forem atentos. que passam pelos filtros da própria criança interior da mãe. favorecendo os contatos humanos. quando chega ao mundo. Por outro lado. Os estados de desenvolvimento dos circuitos cerebrais estão muito importantemente ligados aos estados emocionais maternos. Da segunda à sétima semana. se tenha ocorrido uma concepção consciente. Assim. O odor da mãe percebido por uma criança de seis dias. as situações poderão ser breves. as comunicações mais importantes se dão de inconsciente para inconsciente. ameaça e desorganiza a criança. onde residem suas emoções. e uma gestação com imaginação da mãe plasmando um arranjo interior harmonioso para adaptação positiva no mundo. Do mesmo modo que a criança já vem com suas lentes para enxergar os pais. podem se prolongar numa desorganização do vínculo. mas se inconscientes. como diz Jung (JUNG. enquanto o vínculo inseguro-evitador gera reação não responsiva e rejeitadora. O tom da voz da mãe reflete seu estado interior. vem com sua bagagem arquetípica desenvolvida transgeracionalmente. Siegel e Mary Hartzell perceberam que um vínculo seguro gera uma reação interativa parental emocionalmente perceptiva e responsiva. a criança recebe mensagens puramente emocionais. isto é. aparece a . 2000a). Nos primeiros meses. existem os olhos da mãe para a criança.

eles organizam uma programação que a nomenclatura científica denomina entrainment. (VERNY e WEINTRAUB.1177 resposta de luta e desorganização. Suas publicações. Investigações têm permitido demonstrar que nos primeiros anos de vida. Um processo de sintonização defeituoso poderia trazer danos às redes neurais do córtex pré-frontal. quando uma mãe acaricia seu filho e um pai brinca com ele. neurocientistas traçaram os fundamentos biológicos do vínculo e do afeto. produzindo uma permeabilidade duradoura aos problemas psicológicos. Tal programação determina. Não obstante ter-se passado mais de um quarto de século desde a observação daqueles cientistas. mesmo não sabendo o motivo. desorientação. (SIEGEL e HARTZELL. em grande proporção. Com o avanço destas pesquisas sabe-se que. Muitas vezes ocorre que a conexão no início da vida ficou falha. na seqüência apropriada. O corpo da criança é dotado de hormônios da socialização e empatia. Estes cientistas afirmam que mais importante do que a estimulação sensorial nos primeiros anos de vida. resultando em . a idéia de criar vínculos com o bebê. foi descrita por Marshall Klaus e John Kennell. Portanto. são os padrões de interação entre a criança e a pessoa que cuida dela. ou sentem-se desvinculados deste. e quando uma mãe olha com amor para seu filho. o cérebro do bebê está constantemente sintonizado com o da mãe para gerar os hormônios adequados. propiciadora da capacidade de amar. atualizadas em 1983 e 1995. a arquitetura cerebral que o indivíduo terá durante toda a sua vida. foram de importância revolucionária. o relacionamento mãe-bebê vai moldar um padrão de resposta que pode seguir mais adiante na vida. tais acontecimentos se convertem em processos neurohormonais que transformam o corpo e configuram o cérebro da criança. sede de funções humanas mais sofisticadas. 2003) Baseando-se em técnicas muito recentes. ainda há pais e mães que não conseguem estabelecer vínculo com seus filhos. 2004) Em 1976.

2007) Numa população. e até mesmo surge a dúvida de terem tido um filho. 30 mães asmáticas e seus filhos asmáticos e não asmáticos. Um estudo. 1991) Ao tratar das mães para que melhorassem os vínculos. (MADRID e SCHARTZ. em dois grupos. Os dois grupos foram avaliados pela M. (CHAMBERLAIN. a lactação não tem sucesso. o desvinculo se converte em raiva e a raiva. Maternal Bonding Infant Survey (Pesquisa De Vínculo Materno-infantil). Os bebês de mães desvinculadas podem ter dificuldade em ganhar peso. 2000) “Durante o período crítico depois do parto. Durante as duas últimas décadas na Califórnia. “Os bebês sabem telepaticamente se são desejados ou não”.I. houve remissão em quadros asmáticos nas crianças.S. para estudar a freqüência de eventos de não vínculo na história de vida das crianças. violavam-se as necessidades psicológicas e biológicas dos pais e da criança. o controle médico sobre o nascimento estava em seu apogeu.5 vezes maior de vir a falecer nos primeiros 28 dias de vida. Em alguns casos. foram feitas séries de estudos clínicos mostrando a freqüência entre vínculo materno e asma nas crianças. aparece uma cadeia de milagres químicos que levam a mãe e o bebê a estabelecerem um aperfeiçoamento básico no desenvolvimento do vínculo afetivo”. foram estudadas. em 1994. sobre 8. Historicamente. 86% das crianças asmáticas tinham problemas de vínculo comparado com 26% das não asmáticas. em nome do processo .1178 afastamento emocional por longos anos: “Quando não se pode estabelecer um vínculo afetivo paira uma obscuridade sobre a relação.B. em abuso. (MADRID et al. quando os argumentos sobre os vínculos afetivos apareceram nos anos 70. Nas mães desvinculadas. ou facilidade em cair doentes. ficam incrédulas.” Klaus e Kennel perceberam que mães separadas de seus filhos por muito tempo. o parto estava quase destituído de seu valor humano. como uma sombra inexplicável. falta intimidade.000 mulheres mostrava que os bebês não desejados tinham um risco 2.

Em outras espécies de lento desenvolvimento. (CHAMBERLAIN. Ao nascer. Não se pensava. só dificultaram as coisas por muito tempo. devido . 2007) A pele representa 12% do peso total do corpo e é de longe o maior sistema de órgãos que expomos ao mundo. leva dez meses e 12 meses ou mais para andar e 14 meses para conseguir começar a falar. o entendimento de que o bebê não era capaz de reconhecer seus pais tão logo nascesse. 56) A necessidade de contato da mãe com o filho excede a necessidade inversa de contato. pois está implicado uma maior complexidade de necessidades. O fato é que o bebê humano nasce prematuro. SOLTER. (MONTAGU. “ao mudar o cenário do nascimento da casa para o hospital violaram-se as necessidades psicológicas tanto dos pais como dos bebês”. tem imaturidade bioquímica e fisiológica. 1986. Na mãe humana esta necessidade prolonga-se mais do que nos outros mamíferos. e que justificou milhares de cirurgias sem anestesia.1179 “científico de nascer”: esta mesma ciência levou mais de 16 anos para aceitar que o recém-nascido sentia dor. 2001) O bebê humano nasce com uma imaturidade que não tem semelhança a nenhuma outra espécie animal. Neste período. que houvesse diferença entre mamadeira e aleitamento materno. pois ele só consegue engatinhar aos oito meses. e outras crenças “científicas”. então. as mães permanecem próximas aos filhotes até que estejam aptos. p. gerando danos a muitos. Na verdade. 1986. Leva anos até que não dependa mais de outros para sobreviver. Os Harlows já haviam notado tal fato em macacos rhesus. por total impossibilidade de permanecer no útero mais tempo. Atualmente a Associação Americana considera que o bebê deve ser deixado com a mãe durante os seus primeiros 10 minutos de vida. (MONTAGU. Trata-se de assegurar a sobrevivência da espécie. que é o tempo que os médicos hoje acham suficiente para que se crie o vínculo após o nascimento.

1992) No caso do bebê humano. possa fazer perguntas sobre as coisas que se passavam no útero e mesmo sobre seu nascimento. muitas vezes a primeira coisa que pergunta. A biologia evolutiva mostra que os mamíferos nascem com 80% de seus cérebros prontos. O pai deve levá-lo . Logo que a criança começa a falar. são dados referentes ao seu nascimento (CHAMBERLAIN. O bebê humano tem uma gestação intra-útero e uma externogestação. aos 21 meses de sua concepção. a criança começa a falar. e isto pode ser sintetizado na observação de um provérbio Maia: “No bebê está o futuro do mundo. 1990) Os recém-natos respondem aos membros da família de modo distinto. etc. uma condição de básica maturidade é chegada quando a criança tem noção de sua própria existência. 1986) A maior parte do crescimento cerebral se dá no primeiro ano de vida. (BERGAMAN apud GARCIA. contra 25% do cérebro humano. Jamais se teve notícia de uma criança até três anos de idade que sobreviveu sozinha por dias após um cataclismo onde perdeu os pais. (MONTAGU. 2006) Em vista dos sentidos que o neonato traz como sensibilidade cenestésica e capacidade de resposta emocional a estímulos. Por outro lado. é o tempo em que ele é capaz de sobreviver sem os pais. assim ele saberá que o mundo é seu. faz diferença na percepção tátil direta e proprioceptiva e contribui para que a personalidade do bebê possa se desenvolver bem. memória. luz. Quando. a importância do toque. para muitos veterinários. que alcança os 80% no seu primeiro ano de vida. o tempo de entender um ser como sendo filhote. durante este estado de relaxamento. entre dois e três anos. com tal banco de dados. é possível que.1180 a razões anatômicas. (GARLAND. podendo dizer sobre si “eu”. Podem descrever detalhes como as pessoas de máscara na sala de cirurgia. A mãe deve segurá-lo apertado.

quando começa a falar de si própria. 1989. Um prematuro sob estresse apresenta mudanças de temperatura. hoje sabe-se que o amor é que os faz sobreviver. em perceber a conexão entre dois ou mais conteúdos psíquicos. uma continuidade das reminiscências do eu”. Provavelmente é nesse estágio que tem início a “continuidade da memória”. e é por esta razão que a criança. aqueles conteúdos que pertencem ao próprio sujeito percipiente. a saturação de oxigênio no sangue melhora. Mas estas ilhas de memórias não são aquelas conexões mais antigas que foram apenas percebidas. Este é. o chamado ego. e que conseqüências isso tem para seu desenvolvimento. Inicialmente esta série é apenas percebida. É fato comprovado que não existe memória contínua dos primeiros anos de vida. que são como luzes isoladas ou objetos iluminados dentro da noite imensa. é puramente esporádica e seu conteúdo não é mais lembrado posteriormente. foram feitas gravações em video-tape. por conseguinte. Até prematuros de 25 semanas de gestação diferenciam perfeitamente suas mães das demais pessoas e. p. 2001) Por muitos anos. O que se viu é que as crianças cujas mães se relacionaram com seus filhos. promovendo-lhes mais toque. se pensava que o bebê prematuro não deveria ser acariciado. 1984. . tristeza. raiva e depressão. A adaptação social e emocional foi avaliada dois anos depois. provavelmente. Só mais tarde. Neste nível. tiveram um melhor desenvolvimento emocional e social. (JUNG. o que existe são “ilhas de consciência”. Quando muito. pois não sobreviveria. numa amostra de 114 bebês socioculturalmente diferentes. Os prematuros experimentam sentimentos intensos num CTI neonatal. só de vê-las. a consciência ainda está inteiramente ligada à percepção de algumas conexões e. e analisadas as interações mãe-bebê. assim ele poderá ver com o que seu mundo se parece” (KLAUS e KLAUS. 408) Para avaliar o efeito do toque e da interação da mãe com o recém-nascido de baixo peso. que pode ir desde a incredulidade até o choque. por isto. dedos estirados e costas arqueadas.1181 à montanha mais alta. 120) A primeira forma de consciência acessível à nossa observação e ao nosso conhecimento parece consistir. quando a série de conteúdos do eu ou o chamado complexo do eu. isto é. p. portanto. o momento em que a criança começa a falar de si na primeira pessoa. como as séries originais de conteúdos. Essencialmente ela seria. simplesmente. logicamente o faz na terceira pessoa. adquire energia própria – provavelmente como resultado de exercícios – é que surge o sentimento da subjetividade ou da egocidade. (WEISS et a. braços e pernas rígidos. elas contêm uma nova série muito importante de conteúdos.

Agora considera-se que o cérebro é um órgão bio-ambiental ou um órgão biossocial. al em 1997. O conceito de John Bowlby de 1969 sobre o vínculo como sendo um processo que se desenvolve por interação única dada pela condição genética e . amor e leite materno”. as quais colocam as crianças em risco de desenvolver menos que o seu desenvolvimento possível. O cuidado do prematuro. segundo Edgar Rey e Héctor Martinez no final dos anos 70. 2001b) Um interesse primário no campo de saúde mental infantil está nas condições do início da vida. O problema fundamental do desenvolvimento normal ou anormal é agora um foco da psicologia. ou dormir abruptamente e ficar irritado ao acordar. Aplicando este princípio de desenvolvimento socio-emocional. que a maturação cerebral é dependente da experiência. prejuízos do desenvolvimento do cérebro e má adaptação de saúde mental infantil. 2007) Uma conclusão principal da última década de pesquisa da neurociência é que o cérebro infantil “é projetado para ser moldado pelo ambiente que encontra”. Se está relaxado. Nas unidades de neonatos. desperta lentamente. o recurso da proximidade no cuidado do método canguru permite uma grande melhora do vínculo e da saúde do bebê. segundo Gibson em 1996. (OLZA. as conexões entre o conceito neurobiológico de “ambiente enriquecido” e o conceito psicológico de “ótimo desenvolvimento” podem ser unidos agora dentro da psiconeurobiologia e construir o conceito de “crescimento-facilitado” (ao invés de “crescimento-inibido”) pelo ambiente interpessoal.1182 Pode ter dificuldade de despertar. segundo Thomas et. como enfatizaram Greenspan em 1981 e Schore em 1994. (SCHORE. segundo Adolphus em 2000. Um trabalho seqüente com dados interdisciplinares faz ligações teóricas mais profundas entre fracassos de vínculos. Investigadores estão explorando os domínios sem limites do que está sendo chamado de o “cérebro social” por Brothres em 1990 e o papel central das emoções na comunicação social. consiste em: “calor. psiquiatria infantil e neurociência.

Ele observou que a relação de vínculo mãe-criança é “acompanhado pelos mais fortes sentimentos e emoções. Nesta concepção o processo de desenvolvimento é o produto entre interação de um dom genético particular e atividade de adaptação ao ambiente e. 2001a). sobre ciência do desenvolvimento. descobriram-se os “reguladores” fisiológicos associados à interação criança e cuidador. Assim. e como este laço sócio-emocional. que se trata de estudos mais extensos de como formas de vínculo entre mãe e criança afetam o desenvolvimento cerebral deste. psicanálise. 2001a) Bowlby em seu trabalho clássico. (SCHORE. biologia e neurociência. Chegou-se a mapear as diferenças de relações entre experiências precoces de vínculo e mudanças bioquímicas cerebrais. isto quer dizer. a criança emerge da reunião social. faz com que aprenda cedo e interiorize este laço em uma capacidade duradoura de regular e prover estados de segurança emocional. em 1969. da interação do bebê com a figura principal nesse ambiente. o autor chamou atenção para explorações mais profundas de como um organismo imaturo é moldado criticamente por sua relação primordial com um membro maduro de sua espécie. especialmente. 2001b) Mais especificamente. A última década do século foi chamada de “a década do cérebro” em face às inúmeras descobertas vindas de diferentes áreas que trouxeram compreensão para muitos aspectos do desenvolvimento cerebral. Além do mais. Bowlby em 1969 investigou o vínculo e os mecanismos pelos quais a criança forma um laço seguro de comunicação emocional com a mãe. como assinalou Bowlby em 1969.” Esta interação acontece dentro de um . felizes ou infelizes. que é a mãe. e não se podem entender capacidades psicológicas e biológicas à parte de sua relação com a mãe. que afetam sua organização. (SCHORE. (SCHORE.1183 interação com o meio. Bowlby entende que a complexidade do desenvolvimento normal só pode ser alcançada com a integração da psicologia.

assim como as categorizações de vínculo dos últimos 20 anos. sendo que 50 tomaram parte na entrevista sobre vínculo na idade de 20 a 21 anos. 2001b) Fez-se em Baltimore um estudo sobre interação face a face com bebês e suas mães e entre bebês e com estranhos. primariamente às capacidades reguladoras do cuidador a . em essência. as transações de vínculo que a mãe segura e intuitiva troca continuamente com o bebê regulam os níveis de estimulação e seus estados emocionais. Interações de vínculo permitem o aparecimento de um controle biológico de função adaptativa. A capacidade da criança para conter a tensão é relaciona com certos comportamentos maternos. Situações estressantes na vida não eram relatadas pelos que tinham classificação de inseguros na infância. Allan Schore em 2000 afirmou que a teoria de Bowlby é. tempo de movimento e ação. Entrevistaram-se 64% dos participantes: os de vínculo seguro e inseguro tinham classificações diferentes como adultos. postura. 2000). a teoria da regulação: mais especificamente. Como resultado de ser exposta. Foram 732 episódios em vídeo . Crianças que interagiam bem com suas mães tendiam a ser responsivas com estranhos. Emoções são as ordens mais altas de expressão de bio-regulação em organismos complexos. Vínculo pode ser definido como uma díade regulatória de emoção. tom de voz. (WALTERS et al. As mães que aos 12 meses mostravam uma interação face a face mais harmoniosa com a criança eram as que despendiam mais tempo olhando e brincando com elas.tape em sessões de 6 a 15 semanas. Os que tiveram alto nível de estresse e eram seguros na infância. mudanças fisiológicas. tornaram-se inseguros na vida adulta. (SCHORE. como descrito por Damásio em 1998. 1977) No Minnesota Birth Annoncements Study (Estudo dos Declarados Nascidos em Minnesota) havia um grupo original de 60 participantes.1184 contexto de expressão facial. As transcrições foram examinadas. segundo Sroufe em 1996. os vínculos eram qualificados em seguros ou ansiosos. (BLEHAR et al.

Byrne. que é a fonte externa. 2000. (SCHORE. recentes estudos interdisciplinares indicam que “até mesmo diferenças sutis em comportamento materno podem afetar o vínculo infantil. segundo Scander em 1997. Diorio. (SCHORE. Meaney em 1999. com ressonância na díade. especialmente o ambiente social e. Para entrar nesta comunicação.1185 criança amplia sua adaptatividade. dentro do estado da criança. 2001b) Sinalização facial recíproca harmoniza-se num ritmo mútuo. num contexto psicobiológico. segundo Francis. 2001b) . Variações no cuidado materno podem servir como base para uma transmissão não genética de comportamento e de diferenças individuais dentro da ênfase na reatividade intergeracional. 1997. que lhe servirá de base para mudanças em momentos estressantes no ambiente externo. Suomi em 1992. Tronick et al. além disso. lhe permite começar a formar respostas coerentes para enfrentar os fatores estressores. e principalmente. mas também. de modo que. e seu bem-estar físico”. DeLizio. em 1998 achavam que o estado de complexidade da criança é expansível conforme a contribuição de um cuidador. como observado por Champoux. e esta matriz interativa promove a expressão externa de estados afetivos internos nas crianças. Liu. em 1994. um canal de comunicação se abre para a comunicação social. com os estados de espírito dela própria mãe. a mãe precisa estar afinada com a psicobiologia do comportamento evidente da criança. 2001b) A maturação dos sistemas cerebrais que medeiam esta capacidade ocorre na primeira infância. Ele que afirma que o pai expressa um comportamento que catalisa uma troca. seu desenvolvimento. O desenvolvimento da habilidade para adaptação e para enfrentar tensões é diretamente e significativamente influenciado pela interação precoce da criança com o seu cuidador primário. Em defesa das especulações de Bowlby na associação entre vínculo como mecanismo de confronto ou competição. (SCHORE. segundo Schore.

1186 Em várias contribuições, as evidências indicam que as comunicações emocionais de transações de vínculo fazem evoluir a maturação dependente de experimentação do bebê, no seu desenvolvimento cerebral. Trevarthen em 1993, também observou que o crescimento do cérebro do bebê requer literalmente interação de cérebro a cérebro, e acontece no contexto de uma relação afetiva positiva. Mas à luz dos novos fatos de que o amadurecimento do hemisfério direito ocorre em impulsos de crescimento no primeiro ano e meio de vida, e de que isto é dominante para os primeiros três anos de vida, segundo Chiron et al., em 1997. Experimentos de Ryan, Kuhl e Deci usando eletroencefalografia, confirmaram isto em 1997. A comunicação de cérebro para cérebro com interações de comunicação facial, de face a face, numa proto-comunicação é mediada por orientação olho para olho, gestos de mãos, movimentos dos braços e cabeça; todas essas ações são coordenadas para expressar um conhecimento interpessoal de comunicação emocional. Esta conexão se dá de um hemisfério materno de um lado, para o do bebê do lado oposto, como se fosse um recebimento de informações de múltiplos matizes, mas que passam, e só passam, pelo espaço de tonalidade emocional. Ou seja, através da relação olho no olho, o hemisfério direito da mãe plasma o hemisfério direito do filho. (SCHORE, 2001b) Winnicott em 1971 descrevia a expressão da criança como um “gesto espontâneo”, uma expressão somato-psíquica no germinar “do seu verdadeiro ego,” e a mãe afinada “devolvendo ao bebê o próprio ego do bebê.” Winnicott afirmava que como resultado de suas transações com a mãe, a criança, por identificação, cria interiormente um “objeto subjetivo.” Recentes pesquisas indicam que o hemisfério direito é especializado para “a descoberta de objetos subjetivos” segundo Atchley em 1998, e para o processo e regulação auto-referenciado, segundo Schore em 1994, Ryan et al. em 1997; Kennan, Wheeler, Gallup, Pascual Leone em 2000. (SCHORE, 2001b)

1187 O contato que a OMS tem enfatizado sobre alojamento conjunto, já mostrou seus benefícios: o Hospital Maharaj Nakhonratchasima, Thailand, que adotou a condição de Hospital Amigo do Bebê, na Tailândia, notou que o abandono de bebês se reduziu muito em um hospital: de 36 casos em 10.000, em 1987 para um caso em 10.000, em 1990. (BURANASIN, 1991) A taxa de abandono infantil foi estudada na Maternidade 11, em um hospital público em St Petersburgo na Rússia, antes e depois da introdução de contato mãecriança logo após o nascimento e com amamentação o mais cedo possível e alojamento conjunto. Este local foi escolhido para este estudo porque suas práticas de cuidado na maternidade mudaram recentemente, onde foram implementadas ações do Fundo das Crianças de Nações Unidas, Iniciativa de Hospital Amigo da Criança. Em maio de 1992, o hospital 11 mudou suas práticas, encorajando a amamentação o mais cedo possível e o contato cedo, bem como alojamento conjunto. Este serviço atende a uma comunidade proletária urbana, sendo que a maioria com mães com tratamento pré-natal. Foram estudados todos os partos neste hospital entre 1987 a 1998, com foco no abandono infantil. A taxa de abandono infantil na Maternidade 11 foi estudada de 1987 a 1998, 6 anos antes e seis anos depois das mudanças implementadas de contato de mãe-criança. A taxa de abandono infantil diminuiu de 50.3 ± 5.8 por 10.000 nascimentos nos primeiros seis anos, para 27.8 ± 8.7 por 10.000 após as medidas da Iniciativa de Hospital Amigo da Criança serem implantadas. (LVOFF et al. 2000) Em um estudo brasileiro numa casuística de 528 crianças, o que se observou foi que crianças que nasceram com peso entre 1.500 gr. e 2.499 gr, tiveram 29 vezes mais chances de apresentar risco nutricional até os 12 meses de idade, em relação àquelas com peso maior que 3.500 gr. ao nascer. (MOTTA et al. 2005)

1188 A Organização Mundial de Saúde orienta que um casal deve esperar pelo menos dois a três anos para ter outro filho, a fim de evitar problemas adversos para a saúde da mãe e do filho. Estudos recentes, implementados pela United States Agency for International Development (USAID), sugerem que o intervalo de três a cinco anos seria ainda mais eficaz ainda na redução de riscos. Estes relatórios foram examinados pela OMS em Genebra, em junho de 2005. Há evidências de que um intervalo menor que cinco anos, aumenta o risco de pré-eclampsia, prematuridade, nascimento de bebê de baixo peso e crianças pequenas para a idade gestacional (WHO, 2005, 2006a,) Muitas vezes pode ocorrer algo como um prematuro pesar 1.000 gramas. Alguns sobrevivem com os recursos das Unidades Neonatais, como a história de Adrien que pesava 795 gramas, um exemplo do sofrimento demorado que estes bebês têm e o quanto será preciso muito para que venham a ter um desenvolvimento emocional para que superem a cólera gerada por tanto tempo em UTI neonatal. (RELIER, 2002) Em um estudo, 91 mães foram entrevistadas, seus bebês nascidos a termo, e mantidos em contínua proximidade. Mães de bebês prematuros foram separadas, e de bebês de baixo peso também foram separados. Com pouco tempo, as mães que foram separadas dos seus bebês mostravam maior preocupação com eles. Ansiedade e depressão da mãe estavam relacionadas com menor vínculo com seus filhos. (FELDMAN et al. 1999) A depressão puerperal é importante de ser atalhada, pois causa dano para a relação e para a criança. A terapia floral, pode ser um valioso recurso para estas situações. Um dos florais que pode ser de grande auxílio é Bálsamo do Repertório de Filhas de Gaia. (MACHADO, 2007) Para determinar se há uma diferença significativa entre as temperaturas dos nascidos com baixo peso acentuado, estudou-se crianças prematuras na incubadora e

sem evidência de atividade metabólica aumentada. e contato de meia hora para amamentação só depois de 12 horas. quando as crianças foram testadas. Klaus e Kennell descobriu que o contato mãe-bebê. foram observadas e constatou-se que falam de modo diferente com eles. resulta em vantagens na aquisição de linguagem e QI. um grupo podia ficar com seus bebês na primeira hora de nascidos e por cinco horas por dia. As crianças foram protegidas dos fatores que interfeririam com manutenção de sua temperatura. No fim de um mês havia significativas diferenças entre o grupo de maior contato para o de menor contato. e sem perda de peso.500 gr. apud MONTAGU. Observaram 28 mães das quais. MOTIL e BLACKBURN. os que tiveram contato com a mãe mais tempo tinham melhores índices de QI. 1973. o outro grupo teve curto contato na primeira hora. (TRAUSE et al. e melhor capacidade para se expressar. Foram feitas medidas repetidas. 1986) . 1971. num berçário com 40 berços em um hospital pedagógico universitário. (RINGLER apud BUCKLEY. Temperaturas axilares foram medidas com um termômetro eletrônico para períodos iguais de tempo em incubadoras e nos braços de mães. E. 1965) Mães que experenciaram contato adicional com seus filhos logo após o nascimento. 1976. 2001. nos próximos cinco dias. 2005) Um estudo longitudinal realizado por Trause. LUTZ e PERLSTEIN. seus pesos foram monitorados e analisados para evidência de atividade metabólica aumentada. (MELLIEN. Elaborou-se uma amostra de 20 crianças prematuras que pesam 1. melhor compreensão da linguagem. NALEPKA. As crianças estavam significativamente mais mornas enquanto nos braços das suas mães.095 a 1. quando estes estão com dois anos.1189 nos braços das mães. OLIVER. depois de dois anos e com cinco anos. com melhor vocabulário. Compararam-se as diferenças de temperatura. e de 30 a 37 semanas de pós-concepção.

2003) Marjorie J. Nesta idade.1190 Em um estudo 32 crianças foram observadas com suas mães até a idade de seis anos. e na história posterior de depressão. O estudo provê validação independente de Emoção Expressa como uma medida de qualidade de relação na primeira infância. quatro. e também levaram-se em conta características familiares. desordem e problemas com administração de raiva. e quando a criança tinha um. mensurando estresse familiar. A relação foi confirmada quando se consideraram outras variáveis pertinentes. professores e crianças fizeram a reportagem de sintomas violentos aos 11 anos. As equações estruturais revelaram que a violência da criança foi prevista até mesmo pela depressão pós-natal da mãe. em prematuros. Este padrão foi associado com comportamento materno intruso e hostil. estado atual durante o exame. e existência de depressão materna. Análises revelaram que a expressão da mãe não fluente determinou o desenvolvimento de um padrão de vínculo desorganizado aos seis anos de idade. quando da depressão durante a gravidez. verificou-se a EE baseada na amostra de cinco minutos de conversa. 2000) O impacto da depressão pós-natal na propensão de uma criança torna-se violenta foi avaliado em uma amostra de comunidade britânica urbana (N _ 122 famílias). a três meses pós-parto. Entrevistaram-se as mães durante a gravidez. inclusive desorganização do vínculo infantil e uma tensão familiar percebida. e 11 anos de idade. As crianças eram muito violentas se as mães tivessem estado deprimidas aos três meses ou pelo menos uma vez do pós-parto. Mães. (HAY et al. Seashore e colaboradores pesquisaram o efeito da interdição precoce de contato entre mãe e bebê e sobre a confiança materna. Violência era associada com sintomas de déficit de atenção/hiperatividade. Um grupo de . (JACOBSEN et al. simultaneamente. A Emoção Expressa (EE) pela mãe aumenta significativamente a segurança do vínculo mãe-bebê na idade de seis anos. Mães completaram questionários.

Resultou que as mães primíparas ficaram muito inseguras perante seus filhos. observaram 28 mulheres primíparas de baixa renda. (RINGLER et al. 1980) DeChateau e Wibwrg na Suécia. as multíparas nem tanto. mas mesmo estas também tinham baixa confiança. 22 mães primíparas receberam suas crianças 15 minutos depois do nascimento.1191 21 mães foi impedida de interagir fisicamente com seus bebês. Um ano depois as que não haviam sido separadas tocavam muito mais seus filhos. conduziram dois estudos em 1977 sobre o comportamento materno durante a primeira hora depois do parto. num grupo de 62 mães de renda mediana. apud SOSA. pôde cuidar de seus bebês no berçário. e um grupo controle de 22 mães. Era mais comum despenderem tempo brincando com suas crianças. 1986) Em 1972. havia uma diferença significativa nos padrões de fala das mães para com suas crianças. Nos dois outros grupos de 20 primíparas e 20 mães multíparas. Nos três grupos. nas primeiras duas semanas do pós-parto. Ringler et al. E o comportamento de afastamento e pouco toque ainda era mais acentuado se o filho era menino. Elas tiveram comportamento com vínculo significativamente mais alto quando comparadas com um grupo semelhante de mulheres que seguiram rotinas de hospital. e cinco horas de contato extra diariamente durante três dias). As mães no grupo de contato extra usavam poucos imperativos e havia uma comunicação idiomática mais sociável entre eles. e quando estas tinham dois anos. as crianças ficaram com suas mães e pais no pós-parto e num período que se . (SEASHORE apud MONTAGU. as crianças foram recebidas 30 minutos depois de nascimento. É interessante notar que esta diferença ainda era evidente no acompanhamento feito um ano depois. Delas. As crianças eram despidas e as mães foram encorajadas a amamentar. vestidas e em um berço. que tiveram contato com suas crianças cedo e este foi estendido (uma hora de contato extra com suas crianças por 3 horas após o nascimento.

realizado por Svejda et al. Depois deste período de tempo. A diferença era mais pronunciada nas mães de crianças masculinas. Durante a segunda parte da hospitalização. As mães primíparas com contato extra se comportaram semelhantemente a mães multíparas. Quando as macacas tiveram seus filhos. que nunca tinham tido uma mãe de verdade. a observação de que as mães eram mais afetuosas com as filhas mulheres aparecia também. a diferença no comportamento materno persistiu. as mães a quem se permitiu somente contato com suas crianças só para alimentações. permitiu-se às mães participar no cuidado diário de seus bebês. as mães no grupo de contato extra se comportaram com diferença significativa: elas seguraram mais freqüentemente suas crianças e seus bebês choravam menos. 1980) Na experiência de contato extra de mães de classe média. notou que. num estudo que incluiu de 301 mães. Visitadas após três meses. sendo que 3 se comportavam de modo muito violento. aumentando o tempo de contato entre mãe e bebê depois do nascimento. quando comparadas com mães primíparas sob regime de cuidado de rotina. não eram simplesmente capazes de comportamento amoroso. 1980) Os Harlow. Durante os primeiros três dias. Segundo Harry Harlow “formam-se múltiplas . apud SOSA. (SVEJDA et al.1192 estendeu a duas horas. comparado com um grupo controle de mães que seguiram rotinas hospitalares. 1980) O'Connor et al. em 1980. todos os grupos receberam cuidados de acordo com rotina de hospital. o número de desordens de comportamento de maternidade era menor. Porém. (O’CONNOR et al. Foram feitas observações 36 horas depois do parto. nos Estados Unidos. apud SOSA. imediatamente após o nascimento foram separadas de suas mães e postas em jaulas com instrumentos substitutos. (De CHATEAU e WIBERG apud SOSA. na experiência que fizeram com cinco macacas. em 1980. As crianças masculinas no grupo de contato extra sorriam mais e freqüentemente choravam menos.

1986. (PRESCOTT apud MONTAGU. que trabalhava no Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano. neuropsicólogo do desenvolvimento. os primeiros tinham um melhor desenvolvimento intelectivo e cresciam mais rápido. Pesquisas em animais mostram que. (BENJAMIN apud MONTAGU. na Universidade do Colorado. Tal comportamento é percebido em todos os animais mamíferos. demonstrando uma necessidade não ensinada. seus eletrodos estimulam o centro do prazer no cérebro. Benjamim. o comportamento que domina e. Prescott. 1986) . p. 1986) Patton e Gardener publicaram relatos detalhados de crianças que haviam sofrido carências maternas e mostraram. a presença de amor inibe a ira.52) É interessante o fato de que os grandes símios lambem seus filhotes imediatamente após o nascimento. e o comportamento de raiva é revertido. 1986) James H. baixo crescimento físico e mental. O crescimento ósseo de uma criança de três anos era no experimento. metade do que o observado numa criança normal. Prescott entende que é ou um ou outro alternadamente. acredita que uma das mais importantes causas da violência humana provém de uma falta de prazer corporal durante o período formativo da vida. mas de não continuarem a fazê-lo por muito mais tempo. Tal comportamento se repete. a separação praticada na espécie humana deixa perturbação no padrão de comportamento.1193 respostas aprendidas e generalizações de afeto a partir da íntima ligação da criança com a mãe” (HARLOW apud MONTAGU. fez uma pesquisa em que acariciava ratos e havia controles não tocados. 1986) John D. quando eles estão irados. (MONTAGU. se houve estimulação tátil nos primeiros anos de vida. (PATTON e GARDENER apud MONTAGU.

A falta de exposição tátil no primeiro ano de vida. (O’ GORMAN apud MONTAGU. o que se dá principalmente pelo tato. psiquiatra infantil. fez relatos de recuperação de crianças autistas ao colocar a mãe. a . não só para autismo. A terapeuta não coloca a criança no colo: a dificuldade inicial da criança acaba dando lugar a melhora. a criança e o pai. nos Estados Unidos. mas para outros distúrbios de comportamento. Isto o encapsulou exclusivamente na atividade mental. Nele ela declara que Descartes nunca confiou nele mesmo. 1986) Na Inglaterra. (MONTAGU.1194 Martha Welch. falta de identidade. a partir de então. não-envolvimento. (JANUS. (WEINER apud MONTAGU. superficialidade emocional e indiferença. 1986) O terapeuta húngaro Istvan Hollos fez uma descrição clínica de agressão sofrida por bebê prematuro. que são aspectos de personalidade esquizóide. a confiança na vida. 1986) Hebert Weiner diz que o envolvimento e a identidade ficam consolidados no envolvimento e identidade que existem entre mãe e filho. pois a morte de sua mãe tão cedo tirou dele o otimismo. incluindo gagueira. 2001) No século XIX. resulta em alheamento. havia uma “doença” que atacava os bebês em instituições e eles morriam no primeiro ano de vida: eles definhavam e morriam. escreveu o livro “O Trauma de Descartes”. que se dizia prematuro. (JANUS. distanciamento. e nos seus próprios sentimentos. nos outros ou na vida. em contato físico. Gerlad O’Gorman convocou meninas retardadas. A terapia teve sucesso em outros países onde foi praticada. 2001) Marie Louise von Franz. algumas com traços autistas. institucionalizadas e pediu que enfermeiras as tratassem mais calorosamente. e na verdade para ele isto tinha uma conotação de ser física e mentalmente inferior. As crianças autistas apresentaram desenvolvimento motor e coordenação de fala. que permitisse à mãe olhar da criança.

(MONTAGU. e também Schore em 1994. que é o primeiro objeto que mereceria sua confiança. habilitando uma otimização do desenvolvimento cerebral e da adaptável saúde mental infantil. palavra grega que significa definhar. criou a regra que. (SCHORE. Até 1920. várias vezes ao dia. para desenvolvê-la. O que a criança sente é que sua sobrevivência está continuamente em risco. postas nos braços e aconchegadas. em 1994. Meilijson. no vínculo. a segurança da criança depende deste cuidador. esta é a realidade do abuso por parte do pai. desafia sua capacidade de confiar. Esta tarefa já é parte do mecanismo central da ego-organização do cérebro em desenvolvimento. geneticamente programada. 2001a) . (SCHORE. Em outras palavras. descreveram os efeitos imediatos de trauma infligido pelo pai.1195 doença era intitulada marasmos. É importante enfatizar. até que J. e ainda por outro lado. e recebessem cuidados como se fosse da mãe. que tenta buscar qual a interação mais eficaz para aquele meio. Brennemann. Então a mortalidade por marasmos no Hospital Bellevue em 1938 caiu para 10%. eventos interpessoais no início da vida marcam positivamente ou negativamente a estrutura organizacional do cérebro e suas capacidades funcionais adaptáveis. segundo Chechik. 1986) Um grande corpo de trabalhos apóia a evidência de que o córtex e redes subcorticais são engendrados por uma produção inicialmente abundante. Ruppin em 1999. a mortalidade chegava perto de 100%. em seu hospital as crianças deveriam ser colocadas no colo. de conexões sinápticas a que se segue uma interação com o meio ambiente. que a experiência ambiental tanto pode habilitar. Isto mostra que há uma relação direta com o ambiente sócio-emocional. 2001b) Davies e Frawley. porém. como pode constranger o desenvolvimento do cérebro nas suas funções e estrutura. pediatra.

estudaram os padrões do vínculo da criança que tinha sofrido trauma no primeiro ano de vida. Ela precisa usar todos os seus recursos para auto-regular sua homeostase. Estes autores alegam que a desorganização e desorientação refletem o fato de que as crianças. e depois em 1999.1196 O trauma de relacionamento com o cuidador. segundo Hertsgaard. em 1999. Elas também mostram níveis de cortisol mais altos que todas as outras classificações de vínculo. em vez de achar um porto seguro na relação. como descreveram Tronick e Weinberg em 1997. Main e Solomon mostram que o “tipo D” de comportamentos apresenta um estereótipo de achados neurológicos prejudicados. demonstraram que este grupo de crianças exibia ativação de taxa de batimentos cardíacos mais alta além de mais intensa reação de alarme na reação ante uma situação estranha. devido ao fato de a criança inevitavelmente buscar o pai quando alarmadas. altera seu funcionamento normal. além de desregular a criança. Gunnar. se for vivido por um longo período. 2001a) Main e Solomon concluíram que estas crianças sofrem de baixa tolerância à tensão. Altera sua psicobiologia e a deixa à mercê de estratégias imaturas de relação. estão alarmadas por causa do pai.. de modo que não lhe resta energia para fazer muito mais coisas. Esta descoberta levou à criação de uma nova categoria de vínculo. Eles notaram que. Spangler e Grossman. 2001a) Main e Solomon em 1986. e observaram maior fator de eixo HPA com respostas prejudicadas por tensão. Dever-se-ia enfatizar . qualquer comportamento parental que diretamente alarme uma criança deve colocá-la frente a um paradoxo insolúvel: não pode aproximar-se e ter a atenção do pai e nem pode fugir. (SCHORE. 2001a) Além disso. (SCHORE. (SCHORE. “tipo D”. que é inseguro-desorganizado e desorientado padrão. Erickson. 1989. Nachimias em 1995. Este padrão de vínculo “tipo D” é encontrado em 80% de crianças maltratadas segundo Carlson et al.

isto foi descrito também por Schuengel. As áreas de órbito-frontal. (SCHORE. Bakersmans-Kranenburg. e outras estruturas límbicas. A imagem da face agressiva. a criança é apresentada à expressão facial opressiva ou uma expressão materna de medo-terror. (SCHORE. ela se dissocia. como descrito por Brown & Kulik em 1977. gera alterações corporais caóticas na criança. que assim as armazenam na memória implícito-processual. No hemisfério direito. que. A face da mãe é o estímulo visual mais potente no mundo para a criança. Van Ijzendoorn em 1999. que está envolvido em comportamento de vínculo e estado de auto-regulação. 2001a) . No curso da interação traumática. O comportamento materno amedronta e desorganiza a criança.1197 que estes comportamentos são manifestações evidentes de um sistema regulador obviamente prejudicado. Tais sintomas foram notadas em crianças entre 12 a 18 meses. Sabe-se que é para a face da mãe que a criança instintivamente dirige o olhar para receber mensagens. se forem agressivas terão grande poder traumatizante para a criança. visuo-espacial. e passa a ter um comportamento medroso que é observado dentro do vínculo dos pais de crianças tipo “D”. Tal estado fica associado. que rapidamente se desorganiza debaixo de tensão. Main e Solomon notaram que quando a mãe retira da criança o repouso e o transforma em fonte de alarme. como as áreas temporais anteriores e a amídala. estão armazenadas tais recordações segundo Lieberman em 1997. 2001a) As chamadas “atribuições maternas negativas” contêm um custo afetivo intensamente negativo e rapidamente desregulam a criança. um período crítico de maturação de cortico-límbico e isso reflete um prejuízo estrutural severo do sistema de controle de órbito-frontal. e indelevelmente impresso nos circuitos subcorticais e límbicos. contêm neurônios que expressam emoções na face.

tendem à reversão de papel. a criança esteja espelhando as estruturas desreguladas da mãe. e a um sentimento subjetivo de desamparo. comparadas às mães sem estas queixas. 2001a) Pesquisas atuais em neurobiologia do vínculo revelam que as experiências precoces de crianças femininas com suas mães (ou ausência destas experiências) influenciam como elas responderão às suas próprias crianças quando elas se tornarem mães. este espaço-temporal imprime alterações caóticas no estado de desregulação materno. As mães de crianças desorganizadas geralmente sofreram trauma não resolvido. segundo Famularo. avaliações e expectativas sobre o comportamento de suas crianças.1198 Alan Shore sugere que. em 1992. Elas também têm diferentes tipos de percepções. ou proteger suas crianças. sentindo-se deprimidas. em 1996. 2001a) Mães de crianças com vínculo desorganizado se descrevem como incapazes de se preocupar com. Na verdade. usam menos comportamentos de maternidade positivos. (SCHORE. Em geral. segundo Mayseless em 1998. têm alto risco de serem abusivas. segundo George e Solomon. e que esta sincronização é registrada nos padrões dispares nas regiões córtico-límbica. a maturação do cérebro da criança está relacionada com a qualidade de interação com seu cuidador nos dois primeiros anos de vida. Fenton. sensíveis à tensão no cérebro em fase de crítico crescimento da criança Este é o contexto de programas de psicopatológicos. (SCHORE. se ocupam menos com as interações. infligindo-lhes castigos severos. Frequentemente. se comunicam menos com as suas crianças e usam técnicas disciplinares mais adversas. Podendo ser um mecanismo central para a “transmissão intergeneracional de abuso de criança” segundo Kaufman e Zigler descreveram em 1989. fora de controle. e isto provê um mecanismo psicobiológico para a transmissão intergeneracional . atribuições. Kinscherff. como descrito por Nayak e Milner em 1998. durante estes episódios.

desorganiza a criança que. Este último notou que em humanos. Desordem emocional é comum entre pais que sofreram abuso. As tomografias cerebrais destas crianças mostravam . e esta condição vai preparar o início da situação de ela negligenciar seu filho. evocativamente. dissociativa e afetando-a a ponto de ela mesma vir a abusar do seu filho. (SCHORE. O'Day. que está ligada ao senso desenvolvido ao ser cuidado ou protegido pelos seus próprios pais. segundo Fraiberg. estilos e responsabilidade de maternidade mal adaptada segundo Fleming. lembra-lhe sua própria dissociação precoce. e o abuso na criança humana tende a ser mais danoso para seu desenvolvimento ulterior como pais. e vir a entrar em depressão no pós-parto. tem uma base instintual. há uma maior sensibilidade na regulação neurobiológica. Kraemer em 1999. agravando a situação. segundo Frodi e Cordeiro em 1980. A mãe dissociada. emocionalmente indisponível. expressa através de um filtro padrão. E a entrada do cuidador em um estado dissociativo representa a manifestação em tempo real de negligência. Ponto de vista com que concordam outros autores como Bruce Perry em 1995 e Maestripieri em 1999. que irá chorar e desesperá-la. Este princípio psicobiológico tem evoluído nas muito recentes descrições clínicas de Silverman e Lieberman que concluíram que a condição de cuidadores. 2001a) A mãe que tem um histórico de abuso pode entrar em pânico no final de sua gravidez. Fez um estudo em oito crianças adotadas por famílias americanas. A mãe que expressa um mínimo de cuidado materno sofreu um máximo de negligência e. provindas da Romênia. Episódios de choro persistente segundo Papousek e von Hofackerem em 1998. podem ser um potente impulsionador de dissociação.1199 de adaptação. (MAESTRIPIERI apud SCHORE. nas respostas parentais. mostra uma grande vulnerabilidade a estresse. fazendo-a viver uma condição inscrita em sua neurobiologia. 2001a) Harry Chugani vem estudando mapeamento cerebral e suas relações com as bases emocionais do desenvolvimento.

E a psicologia pré e perinatal veio dar uma luz na compreensão dos indivíduos adotados. Este autor constatou que. (VERRIER apud VERNY e WENTRAUB. (MADAULE apud VERNY e WENTRAUB. onde houve interação de emoções. área que se acredita estar ligada à sociabilidade. Madaule e seus colegas. falta de intimidade física ou emocional. no Centro de Ajuda para Crianças Adotadas. e também evidenciam seu desagrado diante das demonstrações físicas de afeto. buscando criar uma situação para novamente se sentirem rejeitadas. Isto mostra as conseqüências do abandono materno. Muitas vezes provocam o desagrado na mãe afetiva. pois o tempo todo estão temerosos de receber rejeição das pessoas. cujo objetivo é auxiliar os pais a compreenderem seus filhos adotivos. um investigador do assunto. além dos medos e situações conflitivas que existem com os pais adotivos que isso tende a se estender a outras relações pela vida. Assim a ferida se repete numa perpetuação de dor. perceberam que estas crianças têm em comum sensação de vazio. tem estudado os reflexos da sensação de perda e rejeição que os adotados relatam. (CHUGANI. 2007. suas dores e dificuldades de construção de identidade. CHUGANI apud VERNY e WENTRAUB. 2004) Verrier. e projetam um falso eu. eles falam de uma perda da sua sensação do eu. problemas com figuras de autoridade. dificuldades de adaptação social. representa uma perda de importância capital. 2004) Após uma conexão por nove meses. 2004) . Muitos acham que ocultam um eu real.1200 um metabolismo anormal na área dos lóbulos temporais do cérebro. de seus pensamentos e emoções. se comparadas com tomografias de crianças que viviam com sua própria família. e suas cóleras e depressões. mesmo na vida adulta. em que a criança esteve por baixo da pele e do sangue da mãe. dificuldades de se relacionar com sua mãe adotiva. numa fase crucial. sua busca por verdade. sistematicamente.

em comparação com grupo controle. (AXNESS. para o adotado que ele é adotado. ele já sabe que é adotado e entende que há um segredo em torno do seu nascimento. ansiedade. se a própria mãe o deixou. consumo de álcool e drogas. 2007) Em sua tese de doutorado Marcy Axness fala sobre a questão do vínculo partido e as conseqüências de dor e de desordens afetivas que se desenvolvem na vida do adotivo. mas uma grande parte transforma-se em adultos equilibrados. Os adolescentes adotados. que pode demorar muitos anos. as primeiras apresentavam mais problemas de conduta e delinqüência e os meninos experimentavam mais desajustes que as meninas. relativos a 2. agressão social. por tudo que hoje se sabe de psicologia pré-natal. tocando suas mentes e corações. em estudo que comparou 42 crianças adotadas com 2.323 adotados. o que não faria qualquer outra pessoa? (VERNY e WENTRAUB. foi observada uma maior incidência de enfermidades psicológicas. Freqüentemente não se sente encaixado no ambiente que o rodeia. os adotados tinham maior proporção de problemas sérios: transtorno de conduta. também apresentavam uma maior tendência a problemas emocionais. Ela enfoca também a falta de confiança e a depressão que marcam a trajetória de suas vidas. Ele carrega um sistema de crença.1201 Revelado ou não. No Texas. 2004) Ser mandado embora. de crianças adotadas e não adotadas. hiperatividade e . de que. assim como transtornos de personalidade. psicose. de não adotadas. 2004) Na Universidade de Otawa. é uma questão que permeia a vida do adotado. que haviam sido encaminhadas para tratamento psiquiátrico. transtorno de déficit de atenção. num acompanhamento durante cinco anos. (VERNY e WENTRAUB.991 crianças não adotadas. e lidar com isto é um desafio. (AXNESS. 2004) Analisando registros da Asseguradoria Nacional de Saúde na Suécia.

haviam melhorado. pois se viram despreparadas para a gravidez. amam seus futuros filhos. importa saber se foi concebida com amor. uma especialista em assunto de adoção e psicologia pré e perinatal ministra curso de pós-graduação sobre esta nova vertente da psicologia. (VERNY e WENTRAUB. Ela chama a atenção para as conseqüências emocionais sobre a criança. 2007b) A terapeuta Wendy McCord. quando a situação se estabiliza. e optam pela adoção privada combinada. e com os anos.1202 depressão. quanto não adotados. (VERNY e WENTRAUB. uma base inicial mais sólida. No futuro eles não têm vontade de conhecê-las. na Universidade de Santa Bárbara. no meio da gravidez. Também faz diferença quando a mãe perde as condições de amparo e não se vê tendo um bebê sozinha. explicitamente. e aquelas que decidiram ou porque foram forçadas por seus pais a agirem deste modo. tanto adotados. e gerou a condição de adoção: neste caso houve. (AXNESS. sempre que possível. recomenda que os pais adotivos que reconheçam com palavras. que. como esta mãe vive seu luto do parceiro? E como foi seu luto em relação à própria criança? Tudo isto terá importantes conseqüências sobre a vida emocional. por seu turno terão vontade de conhecê-las. Uma vez decidido o caso. na Califórnia. Mas após tratamento. interligada a outros saberes. mais estáveis. conforme o período da gestação que a mãe decide que vai entregá-la à adoção. a . as mães foram agrupadas em dois tipos: as que entregaram para adoção. se foi uma relação que terminou. psicoterapeuta especializada em trauma precoce. 2004) Marcy Wineman Axness. Já há um segundo tipo: que são as mães que. desconectaram-se de seus filhos. Em que condições foi gestada. e são capazes de quase tudo para lhes assegurar um futuro melhor. Por exemplo. da futura criança e adulto. contatam seus filhos. 2004) Dos bebês encaminhados para adoção.

por Sackett. no Instituto Nacional de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano (NICHD). em 1968. na Universidade de Wisconsin. Estes profissionais forneceram uma base teórica e experimental sobre isolamento e desenvolvimento cerebral. em 1970. Geórgia. Nos anos 50. por Meizack e Scott. especialmente quanto ao isolamento da mãe e desenvolvimento do filhote. Essman. em 1956. 2004) 4 . em Atlanta. Hebb. por Hebb. Outros trabalhos foram realizados por Meizack e Thompson. Estes estudos relacionados com privação sensorial e isolamento social em primatas. em 1958. em 1958. em 1971. em 1956. e por Mason e Berkson. demonstravam comportamento emocional-social aberrante. por Mason. no Canadá.1203 mudança que ocorreu para a criança que agora está sob a tutela de pais adotivos. Prescott empreender sua busca pelo entendimento das origens do amor humano e também da violência humana. em 1958. em 1965. Hunt. por Harlow. (PRESCOTT. (VERNY e WENTRAUB. Health. foram feitos pelos psicólogos Austin Riesen. por Thompson e Scott. Cannon e Rosenbleuth.Uma nova Visão de Neurofisiologia e da Neuroquímica do Desenvolvimento Cerebral Infantil Os estudos na Universidade de McGill. resultando em filhotes de cachorro que. ao se tornarem adultos. Dow e Moruzzi. Prescott trabalhou com macacos nesta área de pesquisa. em 1961 e 1966. nos efeitos de “privação social materna” foram os de Cannon. em 1958. em 1961. nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). por Mitchell. em 1968. no Centro Yerkes de Primata. além de que. por Riesen. em 1949. 2007) Outros trabalhos científicos significantes que influenciaram os programas teóricos e experimentais do NICHD. em 1939. o Grupo de Berkeley: . em 1968. por Meizack e Burns. grupos de pesquisa desta instituição de ensino documentaram os primeiros estudos que tratavam do isolamento da união social. e por Harlows. em 1957. possuíam cérebro de desenvolvimento e funcionamento anormais. em 1975. abriram caminho para James W.

1204 Krech, Rosenzweig e Bennett, em 1960, e Rosenzweig, Krech, Bennett e Diamond, em 1968; Levine, em 1974; MacLean, em 1962 e 1973; Mark e Ervin, em 1970; Money, Wolff e Annecillo, em 1972; Selye, em 1956; Sharpless, em 1969; Wiesel e Hubel, em 1963; Ainsworth, em 1967; Appley e Trumbull, em 1967; Barry, Bacon e Child, em 1967; Bowlby, em 1952, 1969 e 1973; Cairns, em 1966; Casler, em 1961; Spitz, em 1965; Textor, em 1967; Whiting e Child, em 1953; Yarrow, em 1961; Zubek, em 1969; e, de uma perspectiva teórica diferente, Francoeur, em 1965,1982 e 1992; e Francoeur e Rami, em 1979. (PRESCOTT, 2007) Em 1966, Prescott criou o NICHD para estabelecer programas de pesquisas básicas relacionadas ao desenvolvimento do cérebro e ao comportamento. Durante sua posse no NICHD (1966-1980), ele formulou a teoria, que relacionava comportamento de regulação emocional-social a desenvolvimento cerebral, para explicar a depressão patológica e a violência como resultados de privação materno-social ou de isolamento social, em filhotes de animais. Esta teoria envolveu o complexo do lóbulo cerebelarlímbico-frontal e ele arbitrou que o cerebelo teria o papel principal na regulação do sistema sensório-límbico (emocional) e também na atividade cerebral que integra (ou não) a atividade dos processos do córtex frontal-temporal. Prescott estabeleceu vários programas de pesquisas básicas para avaliar esta teoria e, como outros cientistas, documentam que o fracasso do “amor de mãe” resulta em deficiência orgânica do cérebro em desenvolvimento e tal dano é o que está por baixo da depressão, de movimentos estereotipados desordenados, como o comportamento de balanço e de automutilação; do comportamento de reatividade hiperativa para excitação sensória, particularmente, ao toque paradoxalmente, percepção de dor prejudicada; de alienação social, raiva e violências patológicas contra outros animais. (PRESCOTT, 2007)

1205 Tanto Harry Harlow, em 1964, quanto Rene Spitz, em 1965, negaram que a privação materno-social envolvia privação sensorial. Antes de Prescott ninguém havia associado comportamentos emocional-sociais anormais, observados no isolamento de laboratório, ou privação materno-social com desenvolvimento e função cerebral anormais. (PRESCOTT, 2007) A síndrome de privação materno-social, que Prescott redefiniu como Seasonal Affective Disorder (SAD) - Somato- Sensorial-Aficional de Privação que envolveu o sistema cerebelar-límbico-frontal e o lóbulo cerebral, abriu caminho para Mason, em 1968, e para Mason e Berkson, em 1975, que demonstraram que o isolamento produz filhotes de macacos com uma “mãe oscilante, gerando o desenvolvimento da síndrome SAD”. As implicações e efeitos dramáticos do trabalho de Mason e Berkson, substituto de “mãe oscilante”, podem ser vistos no documentário da Time Life Rock a Bye Baby, realizado por Dokecki, em 1973. (PRESCOTT, 2007) É importante enfatizar que, na síndrome SAD, os sistemas sensório-emocionais organizam-se de modo diferente no corpo, as fundações neuropsicológicas são determinadas por estados psicológicos alterados. Especificamente, o sistema vestibularcerebelar sensorial provê as fundações da neuropsicologia primária para “confiança básica”; o toque provê o suporte neuropsicológico primário para “afeto”; e o olfato é o sistema sensório que provê a base neuropsicológica primária para “intimidade”. No desenvolvimento normal, estes sistemas emocional-sensórios são combinados em ricos padrões que resultam no desenvolvimento de um cérebro “neurointegrativo”, no qual “confiança básica”, “afeto” e “intimidade” são integrados um ao outro formando um comportamento e uma gestalt do cérebro emocional, que pode ser chamado “amor”. Portanto, antes que a criança possa entender a palavra falada ou escrita, mediada pelos sensos cognitivos audíveis e visuais, o amor já está presente. (PRESCOTT, 2007)

1206 É claro que todos os três sistemas sensório-emocionais são envolvidos dentro da experiência de “prazer” e “união”. É pelos sentidos emocionais que a criança sabe quando está sendo amada ou quando está sendo rejeitada e isto é particularmente verdade para os surdos de nascença, como observou Fraiberg e Friedman, em 1964; Bowyer e Gillies, em 1972; Dokecki, em 1973; e Prescott, em 1976. O olfato é uma sensibilidade importante na maturação do cérebro emocional-sexual primitivo. É um sistema sensório negligenciado quando a criança deixa de estar exposta ao cheiro da mãe durante a amamentação, trazendo conseqüências adversas, a longo prazo, na capacidade de união homem-mulher, assim como de viver em intimidade e união, segundo Kohl e Francoeur, em 1995. (PRESCOTT, 2007) A ausência de qualquer um destes três sentidos emocionais no desenvolvimento da criança, - como por exemplo, pelo fracasso para amamentar, - não somente remove a base neuropsicológica primária para “intimidade” (no caso do cheiro, o olfato primitivo no cérebro sexual), mas também impede a formação da gestalt do cérebro que só pode ser formada quando todos os elementos sensórios estão presentes. Através da analogia com a imagem de um triângulo, este não pode se formar só com duas linhas. Tal figura não só precisa de três linhas, como também de uma combinação de relações específicas entre elas para formar a gestalt perceptual do “triângulo”. Precott usa esta analogia para descrever que o cérebro sensorial, de modo semelhante no seu desenvolvimento, precisa de “confiança básica”, “afeto” e “intimidade", os quais têm conseqüências, a longo prazo, na capacidade de estabelecer relações de amor. Segundo Prescott, o amor é uma “Gestalt Cerebral” na qual, realmente, o todo é maior que a soma de suas partes. (PRESCOTT, 2007) O fracasso na integração do prazer, nos centros do córtex cerebral frontal, a “consciência”, é o principal fator neuropsicológico condicionador para a expressão de

processada em nível límbico e não gera danos lesivos na agressividade. Este cientista tem demonstrado que. tem conhecimento e regulação do corpo. pois são os níveis mais baixos do cérebro que processam o prazer sexual. intenso em emoções. segundo Prescott em. Hoje. A mais receptiva à sintonização é o hemisfério direito do córtex cerebral. O processamento do hemisfério direito é não-linear. os mecanismos psiconeurobiológicos e o desenvolvimento da saúde mental da criança. executora do hemisfério direito. holístico. é influenciada pela relação de vínculo mãe-filho. em 1997. 2007) Os substratos neurobiológico e neuropsicológico afetados são o resultado de privação sensória precoce que geram um “cérebro dissociativo” o qual produz comportamentos dissociativos: depressão. (PRESCOTT. onde o sadomasoquismo floresce. particularmente a violência sexual. determina a arquitetura cerebral de modo definitivo e eficaz. especializado em informação autobiográfica. O prazer é uma experiência que é reflexo genital espinhal.1207 violência. Schore. que mostrou como a maturação da área órbito-frontal do córtex. envia sinais não verbais. os estudos sobre vínculos se imbricam com neurociência. 1977 e 1990. O cérebro do bebê se sintoniza literalmente com seu cuidador para produzir neurotransmissores adequados na seqüência correta. as questões sobre o desenvolvimento do cérebro direito. A região do cérebro que se mostra mais receptiva. de modo permanente e potente. visual-espacial. Um dos expoentes deste conhecimento é Allan N. especialmente a região órbito-frontal. violências e dependências químicas. alienação. as descobertas da psicopatologia do estresse. nos dois primeiros anos de vida. (PRESCOTT. visto por SCHORE. 2007) Nos últimos 10 anos. com o modelo. raiva. o conhecimento sobre o desenvolvimento cerebral se expandiu vastamente e isto pode dar maior sustentação na compreensão do desenvolvimento infantil. assim . a maturação do cérebro é controlada através da interação com o cuidador.

Há duas amídalas. a conseqüência é a chamada “cegueira afetiva”. A amídala é depositária da memória emocional. neurocientista. 1995) Joseph LeDoux. e seu processamento é linear. que. certo versus errado. (GOLEMAN. como descrito por R. próximo à parte inferior do anel límbico. foi o primeiro a descobrir o papel-chave emocional da amídala no cérebro. 2001b) A amídala. (SCHORE. lingüístico. As lágrimas são provocadas pela amídala e uma estrutura próxima à circunvolução cingulada. dois artigos reveladores: Sensory Systems and Emotions (Sistemas Sensórios e Emoções) e Emotion and the Limbic System . Se ela for cortada. uma de cada cérebro. acalma estas regiões cerebrais.1208 como o mapa do corpo e entendimento social. 2001a. uma condição na qual o paciente é incapaz de avaliar o significado emocional dos fatos. (GOLEMAN. análise lingüística e definições. acariciado. do próprio significado emocional. LeDoux publica. Usando métodos novos e com precisão. o que na evolução. lógico. 1995) O hipocampo e a amídala eram duas partes chave do primitivo “nariz cerebral”. o hemisfério esquerdo amadurece até o final do segundo ano de vida. vem do grego e significa amêndoa. se comparados aos primatas. Joseph. de estruturas interligadas. Com o desenvolvimento posterior. em 1993. perdem o sentido de competir ou cooperar e perdem também o senso do lugar que ocupam na ordem social de sua espécie. sobre o mapeamento da função cerebral. não disponíveis anteriormente. é um feixe com esta forma. deu origem ao córtex e depois ao neocórtex. Este órgão se situa acima do tronco cerebral. 1995) Os animais que têm a amídala cortada não sentem medo nem raiva. é um órgão relativamente grande nos humanos. Uma ligação de vínculo mãe-filho desenvolve e ajuda a organizar as funções cerebrais. e portanto. em 1986. Estas estruturas límbicas são responsáveis por grande parte do aprendizado e da memória do cérebro. Ser abraçado. especializado em causa e efeito. confortado de algum modo. (GOLEMAN.

que era considerado estrutura chave do sistema límbico. “seqüestrar” o cérebro. (LeDOUX apud GOLEMAN. na posição de sentinela emocional. depois. 1997) LeDoux pesquisou o papel da amídala cerebral na realização de impulsos sem participação do córtex e verificou que. 1995. (LeDOUX apud MORSE e WILEY. Os sinais sensoriais provindos dos órgãos dos sentidos dirigemse ao tálamo. enquanto o neocórtex ainda toma decisão. Ele explica que a amídala pode assumir o controle do que fazemos. seguem para a amídala. Assim. e a amídala retém o sabor que os acompanha. como uma forma de a natureza se assegurar de que. num rato. (LeDOUX apud GOLEMAN. que ultrapassam a intermediação cortical. 1993) Estudos de LeDoux. É ele que fornece uma memória precisa do contexto. e um segundo sinal do tálamo é encaminhado para o néocortex. está mais envolvido com o registro e a atribuição de sentidos aos padrões perceptivos do que com as respostas emocionais. (LeDOUX apud MORSE e WILEY. LeDOUX. através de uma única sinapse. sobre neurofunção emocional.1209 Concept (Emoções e o Conceito de Sistema Límbico). vital para o significado emocional. até então. Desta forma o hipocampo. ocorrerá uma resposta eficaz de defesa. em 1989. a rota da percepção até o neocórtex pode durar duas vezes o tempo de o órgão do sentido perceber e executar ação de luta ou fuga. sob condições de grande excitação emocional. Estudos feitos em 1991 . em caso de necessidade imediata face a uma ameaça. 1995. LeDOUX. 1993) Por outro lado. na verdade. a amídala começa a responder antes do néocortex. a amídala cerebral emite sinais. O hipocampo lembra os fatos puros. 1997) A amídala parece desempenhar um papel essencial em muitos aspectos de processamento de informação emocional e de comportamento. a amídala é capaz de. mostraram que. Suas descobertas puseram abaixo o que se tinha como verdadeiro.

1992) A amídala cerebral é um sistema de alarme. como o que nossa sociedade possui: uma campainha de alarme ou um sistema de auxílio de serviços de emergência. o qual age como um termostato regulando emoções desagradáveis. (GOLEMAN. (LeDOUX. O processo decisório naqueles pacientes é falho. Ela prepara a resposta impulsiva. 1995) Supõe-se que os seqüestros emocionais envolvem duas dinâmicas: o disparo da amídala e a não ativação dos processos neocorticais que. ou seja. observou que a dificuldade advinha de danos no circuito pré-frontal-amídala. Antonio Damásio. mantêm o equilíbrio da resposta emocional. de avaliar a emoção antes de agir. 1995) Ao estudar meticulosamente o que compromete os pacientes no processo decisório. em geral. é amortecendo os sinais para ativação enviados pela amídala e outros centros límbicos. Porém. neurologista. (GOLEMAN. enquanto que o neocórtex tem respostas mais lentas. especialmente a aprendizagem emocional e memória. pois não haveria o que pudesse avaliar aquilo que merece resposta emocional.1210 começaram a clarificar a organização anatômica da amídala e a contribuição de suas sub-regiões individuais e as funções emocionais. Nestes momentos. sem o funcionamento dos lobos pré-frontais. A chave que desliga a emoção aflitiva parece estar no lobo frontal esquerdo. Os neurologistas já suspeitavam do papel dos lobos pré-frontais desde os anos 40. para aprendizagem emocional específica e processos de memória. sem . a mente reacional é inundada por emoções. grande parte da vida emocional desapareceria. Uma das maneiras de o neocórtex agir com eficiência na administração da emoção. assim como a possibilidade do recrutamento das zonas corticais para a emergência emocional. Os investigadores podem agora apontar os plausíveis circuitos envolvidos na transmissão de contribuições sensórias na amídala e suas sub-regiões que levam estímulos para as áreas corticais e subcorticais.

em 1997. Desligado da memória emocional da amídala. duas sociólogas . Estas indicações levaram Damásio a concluir que os sentimentos são indispensáveis nas decisões racionais. Na realidade.Quando o Amor Falta. foi objeto de afeto. 1990) 5 . os “fantasmas no berçário”. no passado. (ROCHE et al. Wiley. em 1975. (DAMÁSIO. ou de qualquer outra capacidade cognitiva. O neurologista entende que isto ocorre porque estas pessoas perderam acesso ao seu aprendizado emocional. já que o circuito pré-frontal-amídala é a porta de entrada crucial para o repositório das preferências e aversões que adquirimos durante a vida. Mais tarde. esta criança é descrita por Robin Karr-Morse e por Meredith S. apesar de a inteligência ser capaz de escolhas desastrosas nos negócios e vida pessoal. seu artigo foi publicado em Annales d’hygiene publique et médecine légale (Anais de Saúde Pública e Medicina Legal). Estes pacientes “esqueceram” as lições emocionais que estavam armazenadas na amídala. Ele discorre sobre o assunto através do relato de 32 casos. mais adiante não desperta nem atração nem aversão. tudo fica numa neutralidade cinzenta. Adelson e Shapiro.. na visão de Fraiberg. não somente da visão. com o título Étude médico-légale sur les sérvices et mauvais traitements exercés sur des enfants (Estudo Médico Legal sobre Serviços e Maus Tratos Praticados contra as Crianças). (LeDOUX et al. a Violência Impera A primeira monografia importante que descreve a síndrome da criança maltratada foi escrita em 1860 por Ambroise Tardieu.1211 que haja comprometimento do QI. 1998) O caminho provindo. e algo que. qualquer coisa que o córtex pense não dispara as reações a ele associadas no passado.. 2005) O fato é que os cuidadores criam as condições de trauma. um médico forense francês. mas também da audição. passa pelo circuito amídala mais rápido do que pelo do córtex.

nas 26 nações industrializadas combinadas. 1997) Estas sociólogas.1212 que escreveram o livro Ghosts from the Nursery – Tracing the Roots of Violence (Fantasmas do Berçário: Localizando as Raízes da Violência). A conseqüência disso é criminalidade e um impulso agressivo incontrolável. Elas mostram que ele é uma entre milhares de pessoas com as mesmas histórias de gravidez descuidada. antes dos 12 meses de idade. na América do Norte. eram americanas. com menos de um ano. 13 -14) • • • • • . Recém-nascidos compõem a maior parte dessas crianças. 51. Apenas 8. levantando a situação naquele momento. Afroamericanos morrem duas vezes mais que brancos no primeiro ano de vida. 25% das crianças da pré-escola vivem em condições abaixo do nível de pobreza. 1997. nasce um bebê na América do Norte de mãe de menos de 20 anos.1% são julgados medíocre. Uma em três crianças é vítima de abuso físico. e os dois primeiros anos de vida). p. (KARR-MORSE e WILEY. (KARR-MORSE & WILEY. e em 40. A cada dia um bebê morre devido a abuso ou negligência dos seus cuidadores na América do Norte. Três de cada quatro crianças assassinadas. como se fosse reação de curto-circuito.4% o cuidado é pobre em qualidade. numa amostra em cinco estados. Uma em cada quatro crianças são adotadas. (SCHORE. As autoras relacionam cada achado da “ciência do cérebro” e da ciência pré-natal para analisar o que se passou com o rapaz. é maior do que em qualquer outro país industrializado. Um dos rapazes. houve uso de drogas e má nutrição durante a gravidez. foi condenado à prisão perpétua. A história de Jeffrey e a de outros são histórias dos fantasmas dos berçários. desde seu nascimento até a indiferença com que foi tratado quando era bebê. falta de afeto e de paciência para com a criança. No caso do rapaz.4% dos lugares que cuidam de bebês nos Estados Unidos são considerados apropriados. O índice de mortalidade infantil. cometeu assassinato completamente não planejado e impulsivo. 2001a) Os profundos estudos de Karr e Wiley focaram análise em um jovem de 17 anos que participou com outros dois (um rapaz e uma moça) de agressão com morte. Elas levantaram que as raízes do comportamento violento devem ser procuradas no que acontece durante os 33 meses do início da vida (nove meses intrauterinos. sintetizaram: • • A cada minuto. e são entregues à adoção antes do seu primeiro aniversário.

se isto é crônico. Depois vem o sistema límbico que é a sede dos impulsos e emoções. O próximo a se desenvolver é o cérebro intermediário que controla apetite e sono. Estas partes se desenvolvem de menos complexas para mais complexas. e córtex. especialmente os que geraram fortes emoções. e este indivíduo terá problemas de comportamento no futuro. 1997) Uma vez que os bebês de menos de dois anos não possuem uma linguagem estruturada. lógica. B. ela desenvolve mais o sistema límbico do que seu córtex e. nem tampouco uma razão estruturada. o cérebro é dividido em: medula oblonga (área parecida com uma haste existente na parte inferior do cérebro ligando-o com a coluna vertebral). o sistema vai desenvolver-se de forma desarmônica. Quando uma criança tem uma superestimulação por situação de ameaça constante à vida. planejamento e funções de execução. as . como percebeu Le Doux. A medula oblonga é quem controla as funções de manutenção da vida. finalmente. sistema límbico. atingem a amídala. os batimentos cardíacos e a temperatura corporal. que são funções involuntárias. até mesmo não verbais. Nestas condições extremas são o sistema límbico e o cérebro intermediário que assumem o comando e estas pessoas agem antes de pensar. os hormônios do estresse dominam e o lado analítico do córtex não funciona. Perry descobriu que havia diferenças no sistema límbico e no funcionamento cerebral do indivíduo de comportamento particularmente violento. como a regulação da pressão arterial. atuantes na vida da pessoa. permanecem por tanto tempo na vida adulta. o córtex onde se dão as funções de cognição. (KARRMORSE e WILEY. Isto explica como os fatos ocorridos no primeiro ano de vida.1213 Anatomicamente. Segundo LeDoux. as experiências. pois formam um corpo de memórias não racionais. cuja parte central é amídala cerebral. Quando o ser humano está sob condições de lutar ou fugir. entre outras coisas. cérebro intermediário. o hipocampo e o sistema límbico. e.

1214 experiências emocionais pré-cognitivas continuam a desempenhar papel na vida adulta e o indivíduo não tem consciência associativa sobre o evento. Pesquisadores suspeitam que este equilíbrio serotonina-adrenalina é alterado em: no bebê negligenciado. envolvem-se em estupros. ou se jogam de lugares altos. estão envolvidos na lesão dos genes implicados com a regulação serotonina. do Hospital Karolinska. Então. O uso de álcool. O desenvolvimento do sistema nervoso acontece por um complexo processo de migração neuronal que se atém à forma e ao tempo para que se realize de modo correto. Marie Asberg. o que gera a perpetuação do ciclo de violência. na qual específicas partes do corpo retêm informação de padrões de memória. Em 1970. existem as conseqüências no cérebro em formação e muitas não são detectáveis. a outra baixa. drogas e outras exposições tóxicas. durante a gestação. A serotonina é a chave da modulação do comportamento impulsivo no nível do neocórtex e do cérebro. senão tardiamente. observou baixos níveis de serotonina em jovens que praticam suicídio violento. quando a noradrenalina. em 1987. A serotonina é alta durante o sono e baixa na vigília. além da existência da memória celular. ou em quem sofre violência doméstica. antes dos dois anos de idade. 1997). a noradrenalina é um hormônio de alarme. do sistema de resposta ao perigo. 1997) Outro ponto importante do conhecimento é sobre a serotonina. (LeDOUX apud KARRMORSE e WILEY. usam armas. sua mãe fumou durante a gravidez e era regularmente espancada por seu pai alcoólatra. (KARR-MORSE e WILEY. No caso de Jeffrey. é alta. Criminosos com história de violência têm níveis baixos de serotonina. descrita por David Chamberlain. . abusado. As duas interagem de forma que. em Estocolmo.noradrenalina. envolvem-se com gangues violentas. quando uma está presente. Mas o efeito da serotonina está relacionado com um contrabalanço da adrenalina. em gangues em luta. então.

WAKSCHLAG et al. 1997.. PRATT et al. 2002. sem contato com a mãe que teve depressão pós-parto. na primeira infância. 2006. Mas Jeffrey não está sozinho em sua situação. Em um estudo em Ontario. Toda a sua história é contada através da sua avó. KEMPPAINEN et al. 1998.. Tal diagnóstico. 2006. No entanto.. em muitos sentidos. 1999. no Canadá. WAKSCHLAG et al. Ele era cuidado pela avó. 1999... como tendo desordem de atenção. DAVID et al. 1997. Se isto ocorre de modo extremo o feto é abortado. Se for moderado. em 1988.. 1995a) Jeffrey tinha cólicas em bebê e foi de saúde frágil. 2001. 1997) A história de Jeffrey segue com uma mãe de comportamento instável e um pai ausente.. e por orientação médica prescreveram-lhe ritalina (anfetamina). RÄSÄNEN et al. 54) Quando Jeffrey nasceu. com circular de cordão e cianótico. (KARR-MORSE e WILEY. (RESTAK apud KARR-MORSE e WILEY. HODGINS et al. 2003. se for brando.. KUBIČKA et al. mas ao psiquiatra. RANTAKALLIO et al. sua cuidadora. nos últimos três anos. em 1997. 2002. foi encontrada a prevalência de 9% em meninos e de 3. como já citado neste trabalho.3% em meninas. têm mais chances de desenvolver comportamento criminal. 1992. RAINE et al..1215 Se o complexo processo de migração é perturbado por fatores genéticos ou por toxinas.. 2001. KEMPPAINEN et al. BRENNAN et al. BARBER et al.. numa situação familiar pobre. p. 1999. 2006. as células não alcançam a posição que lhes é própria.. FERGUSSON. AXINN et al. McGLOIN et al. por Widom.. 1994. estava na proporção de 5% a 6% de crianças entre quatro e seis anos. 1999. Algumas estimativas colocam um percentual de 20%. o portador não irá ao patologista. um patologista detectará malformação. levou alguns segundos para começar a respirar e foi deixado num hospital por seis dias... A escola diagnosticou-o. pois o quadro social de “Jeffreys” é grande. (KARR-MORSE e WILEY. . 2002. (RAINE. com ou sem complicações obstétricas. 1997) Bebês que sofrem estresse gestacional. (KARRMORSE e WILEY. 1999. 1997) • Aproximadamente 50 crianças foram mortas em escolas de ensino fundamental.

o uso de opiáceos na mãe e no bebê pode não afetar a vida da criança. em 1996 e em 1997. dificultado por um risco psicosocial. 2001a) Cuidadores abusivos provocam alteração na bioquímica cerebral. (SCHORE. e comportamento dissociativo na vida adulta. 5. O abuso na infância é a principal ameaça à saúde mental delas. Shelton e Lynn relatam que a qualidade do vínculo precoce afeta as relações para o resto das vidas. McLeod e Silva. como descrito por van Ijzendoorn. 160 mil estudantes deixam de ir à escola por medo. gerando uma imaturidade do cérebro. 1997. em 1995. segundo Osofsky. e Lyons-Ruth. Schuenguel e Bakersman-Kranenberg. em 1991. Por exemplo. 1997. em cada mês 1. (SCHORE. como descreveu O'Hagan. pois se cria aí um padrão de má-adaptação de saúde mental infantil. ocorre um padrão desorganizado de vínculo na criança que foi submetida a abuso ou negligência. segundo Trickett e McBride-Changem. em 1999. 261) Por outro lado. e o abuso parental ou negligência inclui alteração do desenvolvimento cognitivo.000 requereram atenção médica. em 1995. mas afetará suas relações na vida adulta. (SCHORE. Um entre 11 professores relata ter sido atacado na escola. como descreveram Carlson. A psiconeurobiologia já tentou explicar como eventos externos podem ter impacto na estrutura intrapsíquica e no desenvolvimento da criança. Repacholi. 2001a) Kalin. 135 mil jovens portam armas diariamente nas escolas. a cada ano. e houve um grande aumento no ano em que foi escrito o livro. em 1995. Isto foi associado com dificuldades severas de lidar com estresse. Cohen e Drell. em 1989.1216 • • • • • Três milhões de crimes capitais e contravenções são cometidos nas escolas. 2001a) Há acordo agora que o abuso emocional repetitivo e contínuo está no centro do trauma infantil. p. Barnet e Braunwald. como foi descrito por Schore. segundo Hart e .000 professores foram atacados e assaltados na escola. em áreas relacionadas à capacidade de estabelecer relações de pares. (KARR-MORSE e WILEY. Cicchetti.

no ambiente materno-infantil uterino. segundo Glynn. Outros estudos revelam que altos níveis de corticotrofina liberados pela mãe. em 2000. em 1987. e reduzem capacidades pós-natais posteriores para responder a desafios estressantes. em 1999. detidos quando a criança alcança a maioridade. Wadhwa e Sandman. durante a gravidez. em 1999. em 2000. 2001a) Dentro do modelo biopsicossocial. 1995. Boris e Zeanah. segundo Dowling. em psiquiatria infantil. (SCHORE. afetam negativamente o desenvolvimento do cérebro fetal. o que segue acontecendo depois de adulta. serve como uma matriz para a criança ser mal adaptada. A desorganização foi descrita por Lyons-Ruth e Jacobvitz. Tais deficiências orgânicas de vínculo estão claramente associadas com padrões de má adaptação de saúde mental infantil. 1974. em 1999. Leonard e Zoeller. (SCHORE. como descreveu Boris & Zeanah. segundo Dobbing e Smart em. e por Solomon e George. Um contexto de trauma causado pelas relações primordiais muito cedo. em 1999. segundo HinshawFuselier. Pesquisas atuais estão aprofundando o conhecimento sobre as formas mais severas de perturbações de vínculo e reatividade. As disfunções do vínculo têm oferecido modelos neurobiológicos que estão por baixo das psicopatologias precoces.1217 Brassard. no cérebro fetal. Martz. levando em conta o fato de que o crescimento do cérebro começa no terceiro trimestre. existe o conceito de tendência para aquelas desordens psiquiátricas causadas pela combinação de uma predisposição genético-constitucional e por fatores ambientais ou estressores psicosociais que ativam a vulnerabilidade neurofisiológica inata. 2001a) . Hennessey e Davis. segundo Williams. Pesquisas recentes mostram que os hormônios maternos regulam a expressão de genes no cérebro fetal e as mudanças agudas nestes hormônios induzem as mudanças na expressão do gene.

e a tabaco.. tais exposições alteram o desenvolvimento do cérebro da criança. o cuidador primário é a fonte de regulação da tensão da criança e do senso de segurança.. a álcool. 2001a) Durante a gravidez há evidência convincente dos efeitos prejudiciais duradouros que a exposição. em 1994. (SCHORE. Estas limitações de responsabilidade social podem ser alinhadas com a evitação parental ou rejeição. em 1996. advém perigo. em 1997. de quem deveria prover segurança. em 1997. descrito por Streissguth et al. como observado por Field. à droga. Estes fatores de risco. em 1997. em parte. refletem uma demora no desenvolvimento do cérebro pós-natal. Sandman et al. e Weinstock. a longo prazo. como descrito por Fergusson.1218 Dados indicam que certos estímulos maternos que provocam impacto negativo no eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA) do feto produzem uma vulnerabilidade neurofisiológica duradoura. pois isto não se expressa apenas na pré-maturidade e baixo peso ao nascimento.. são somadas na psique que está amadurecendo. segundo Glover. o vínculo fica comprometido e as conseqüências. em 1999 e Jacobson et al. e até mesmo com o abuso físico da criança prematura.. pelo que observou Huppi et al. segundo Espy. Kaufman e Glisky. como visto por Aitken e Trevarthen. A tensão que regula sistemas que integram mente e corpo é . mas também em pobre capacidade interativa infantil. (SCHORE. em 1998. em 1977. em 1994. 2001a) Estes princípios sugerem que os cuidadores induzem a traumas qualitativa e quantitativamente mais potencialmente psicopatogênicos do que qualquer outro estressor social ou físico (à parte os que diretamente afetam o cérebro em desenvolvimento). em 1978.. Quando. em 1996. Woodward e Horwood. como descrito por Hunter et al. Em um organismo imaturo pouco desenvolvido e contendo capacidades restritas.

a neuropsicologia de um padrão de vínculo desorganizado. Os resultados das pesquisas sugerem conexões diretas entre vínculo traumático e função reguladora do hemisfério direito ineficiente. 2001a. (SCHORE. Tais eventos justificam a criação de modelos de intervenção precoce. a etiologia de dissociação com o corpo e sua psicopatologia. o que se manifesta na maioridade. Traça as ligações entre deficiência orgânica órbito-frontais e uma predisposição pós-traumática que dão ênfase a desordens. Koch. Levitt. em 1999. especificamente do desenvolvimento cortical. 1995) Recente pesquisa revelou que as bases perinatais de angústia conduzem a um embotamento da resposta no córtex pré-frontal direito. e Card. e que interrupções precoces. Considera também sobre os prejuízos de trauma induzido no sistema regulador do córtex na área órbito-frontal. Sullivan e Gratton. A segurança primária é uma defesa primitiva contra o trauma induzido. segundo Talamini. segundo Rinaman. 1999. PERRY et al. (SCHORE. em 2000. 1994. como já demonstrado por Schore.1219 fruto do desenvolvimento de circuitos do sistema límbico-autonômico. posteriormente. 2001a) A literatura de neuropsicobiologia sublinha um achado central: a maturação do cérebro da criança é uma experiência dependente do vínculo com seu cuidador. os efeitos de trauma relacional precoce duradouro no funcionamento do hemisfério direito.. 2000. afetam áreas de associação límbicas e de comportamento social. Este autor expõe a neurobiologia da defesa de dissociação. Toda uma outra psicobiologia cerebral se . Luiten. segundo Brack. em 2000. (SCHORE. associado a abuso e negligência. Koolhaas e Korf. 2001a) Em seguida. que acarreta em criança mal adaptada e. Schore faz considerações sobre o impacto negativo dos vínculos traumáticos no desenvolvimento cerebral e na saúde mental infantil. saúde mental do adulto profundamente afetada. e a neurobiologia do trauma infantil.

e por Gopnik. o qual está em . Este sistema é o local de mudanças associadas com a modificação do comportamento ligado ao vínculo. em 1996. caso. Ele também acreditava que os perigos internos modificam-se com os períodos da vida. ao invés de vínculo. mas possuem uma característica comum. e Tucker. Estes circuitos límbicos se expressam particularmente dentro do hemisfério direito. processada pelo sistema límbico em um período crítico do crescimento. nos primeiros anos de vida. ocorra ameaça à segurança pessoal da criança. não obstante as descobertas serem muitas e em vários países. em 1999. por exemplo. Isto não tem sido objeto de informação pela mídia. ou a perda do amor deste ser pelo indivíduo. segundo Joseph.1220 desenvolverá nos dois primeiros anos de vida. em 1992. É esclarecedor o fato de que a desregulação experimentada conduz a um vínculo inseguro e ativa uma caótica alteração da emoção. segundo Mesulam. por Bruer. 2001a) Freud já havia notado que a dor física é uma experiência que esvazia o ego. ela é prolífica em achados e os efeitos de novas experiências em desenvolvimento de cérebro foram bem atestados. envolvem perda ou separação do ser amado. em 1998. Experiências traumáticas nos primeiros anos de vida são de grande importância na vida ulterior. que alteram a maturação contínua de cérebro. afirmam que episódios prolongados e freqüentes de intensa desregulação interativa nas crianças causam efeitos devastadores na capacidade de confiar. em 1984. Se a ciência do cérebro é nova. Meltzoff e Kuhl. 1976b) A explosão atual de estudos pertinentes ao problema do trauma. mente e corpo. nem na literatura atual. e está centralmente envolvido com a capacidade de adaptação rápida à variação ambiental e com a conseqüente organização de nova aprendizagem. (SCHORE. entendido por ele como parte da organização superior do aparelho mental. como Gaensbauer e Siegel descreveram. (FREUD. segundo Anders & Zeanah. em 1999. que tem como função ser mediador entre o id (impulsos instintivos) e a realidade.

nas funções vitais de apoio à sobrevivência. em 1994. e também por Siegel. pois este hemisfério é especializado no processo de informações sócio-emocionais e em estados corporais.2 milhões para pesquisas cujo objetivo era subsidiar seis projetos relacionados à violência. psiquiatras da Universidade do Colorado. Assim sendo. e por Schore. em 1994 e em 2000. segundo Wittling e Schweiger. (PRESCOTT. quase sem exceção. 2001a) Um estudo foi feito por Brandt F. Steele notou que. em 1993. (SCHORE. com ênfase na atenção às populações mais vulneráveis. em 1993. Eles concluíram que os pais que abusaram dos filhos tinham sido invariavelmente privados do afeto físico. Steele e C. que analisaram o abuso em crianças de três gerações de famílias que abusaram fisicamente de seus filhos. um prejuízo duradouro durante o período do desenvolvimento deste sistema seria expresso por uma severa limitação da atividade essencial do controle de hemisfério direito. na tentativa . E o grau de prazer experimentado pelos homens era definido como insatisfatório. socioeconomicamente. segundo Schore descreveu.1221 acelerado crescimento nos primeiros dois anos de vida. (SCHORE. Em 1992. as mulheres que abusaram de seus filhos nunca haviam experimentado orgasmo. em 1999 – e para a criação do armazenamento de um modelo articulado interno da relação de vínculo. 2001a) O trauma precoce altera o desenvolvimento do cérebro direito. 1975) O National Institute of Research (NINR) (Instituto Nacional de Assistência à Pesquisa) atua nas áreas biomédicas. eles destinaram US$ 1. Pollock. O amadurecimento precoce do córtex cerebral direito é importante para funções de vínculo – como descrito por Henry. durante sua infância e a afetividade da vida sexual adulta era extremamente pobre. de comportamento e de maternidade e tem como foco primário a promoção da saúde.B.

2004) No Brasil. se forem consideradas as idades menores de sete anos. neste caso. No ano de 2003. pedindo ajuda. pois a mãe que se sente apoiada torna-se mais paciente – o suporte do grupo social é muito importante para evitar depressão ou irritação maternas. Portanto.1222 de prevenir o abuso infantil. em 2005. nos primeiros meses de vida. o bebê estiver: isolado. (PRESCOTT. o relatório aponta estes números como sendo “a ponta do iceberg” do problema. E. como contra o nascimento. 2004) Podem ser considerados como fatores predisponentes à violência na vida futura: se.5%. da Universidade de São Paulo (USP). ajudá-la vai melhorar.1 milhões têm idade de zero a seis anos. segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). deprimido. Na época a população era de . estas mortes correspondiam a 21.2% das notificações. este índice chega a 32. se a mãe está perdendo a paciência com a criança. Neste levantamento. neste caso. (UNICEF. o último ano de que se tem notícia. (VERNY e WEINTRAUB. Muitas vezes. 2006a) Segundo dados das estimativas do UNICEF: 600 mil crianças no Brasil. mostra no quadro abaixo a síntese da violência doméstica a que estão submetidas crianças e adolescentes até 19 anos. o mais recente disponível. dos 61 milhões de crianças e adolescentes. e contra a criança. 2006d) No Brasil. em 2000 sofreram exploração sexual e comercialização infantil. de 2000.11% das causas de morte de crianças entre um e seis anos. foram pesquisados 16 estados e o Distrito Federal. 23. as visitas de enfermeiras e assistentes sociais demonstram ter impacto positivo. (UNICEF. O Laboratório de Estudos da Criança (Lacri). pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. que pode afetar desde o abuso contra grávidas. acidentes e agressões são as principais causas de morte em crianças de um a seis anos. no país. A mais comum é a negligência que corresponde a 40.

1223 169. na mesma época. que possuíam. Ao Brasil se segue a Índia com 450 mil crianças. naquele ano. nas Filipinas são 100 mil e 82. mortalidade infantil. 300 mil crianças entre 281.013 bilhões de habitantes.841. em 2000. depois os Estados Unidos. Os custos anuais de abuso de criança ficaram em torno de US$ 823 milhões. Os demais países de uma longa lista estão abaixo de 100 mil crianças. tinha 1. e em seguida a Tailândia que. com auxílio do Michigan Children’s Trust Fund (Fundo de Proteção para as Crianças de Michigan). nesta lista dantesca. não somente em números.421. educação especial. mas também em pontos percentuais.4 milhões de habitantes e 200 mil crianças e.693 habitantes.518 de habitantes. Estes custos incluem os associados a bebês de baixo peso. país que. serviço protetor. Uma análise do nível dos custos dos estados associados. (UNICEF apud SANDERSON. Estes custos foram comparados com os custos que provêem prevenção de abuso de criança com intervenções de auxílio em vários momentos. gastos com abuso de criança e suas conseqüências foi feita por Robert A. Isto faz o país ocupar o primeiro lugar. Caldweel. . 2005) Gráfico 3: Violência Infantil no Mundo. tinha 61. se compararmos com a população. cuidado adotivo.590.906 habitantes.

como informado pelo Departamento de Michigan de Serviços Sociais. Daniel. é preciso ter cuidado para não confundir o relatado com o absolutamente preciso. 1992) Os custos do abuso de criança também são muito difíceis de calcular. segundo o Departamento Norte-Americano de Saúde e Serviços Humanos. Schutte. fatores como a filosofia do Serviço de Proteção local (PS). os quais ficaram orçados em anuais US$ 43 milhões. há larga variabilidade em estimativas da incidência de abuso de criança. . em 1983. pois ocorrem fatores imprecisos como os que envolvem os pais. (CALDWELL. Primeiro. o fato de que nem toda reclamação é examinada ou substanciada. Wilson. o fato de não haver clareza sobre o incidente familiar abusivo. em programas para estes aspectos. alguns exemplos incluem os custos de hospital para tratamento médico de danos como resultado de abuso físico e os custos de cuidados adicionais. pois as vítimas têm maior chance de dificuldades na escola. Foram calculados os custos de prevenção. Porém. (CALDWELL. como as remoções de crianças das casas onde sofreram o abuso. o nível do pessoal do departamento. segundo observaram Hampton. a estimativa provida por tais contas dos funcionários deste setor de casos de abuso substanciados é compreendida como a mais baixa estimativa de incidência atual de abuso de criança. Neste trabalho. Também há o envolvimento com o sistema de justiça juvenil. segundo Daro. em 1988. em 1983. Na realidade. a quantidade de casos tratados pelo departamento. Mas existem outros custos.1224 criminalidade juvenil e serviços psicológicos. Newberger. Turbett e O'Tool. 1992) Há problemas para a obtenção de estimativas claras sobre a questão de conseqüências de abuso. em 1982. Thomas. Alguns custos parecem diretamente relacionados ao abuso. os relatórios oficiais de casos de abuso de criança substanciados foram usados para medir a incidência de abuso de criança. A economia para o estado ocorreria na proporção de 19 a um de custo para a prevenção. em 1983.

A maioria das intervenções preventivas não são avaliadas e. em 1988. em 1983. Por exemplo. as avaliações faltam. Quantificar os benefícios de intervenções com crianças em condições financeiras é particularmente difícil. em seu livro Confronting Child Abuse (Confrontando Abuso de Criança). Até mesmo quando programas são avaliados. com o rigor metodológico que é exigido para demonstrar a efetividade de um programa que verdadeiramente previne o abuso. usando medidas econômicas do valor de uma vida. de fato. (CALDWELL. implica que as suposições e técnicas de trabalho e metodologia de custo-benefício padrão dos programas de prevenção contra os tipos mais populares de abuso infantil levam a certas conseqüências. 1992) Além disso. como mostra Deborah Daro.. mulheres ou pessoas pobres). A parte difícil da equação da prevenção é a estimativa de efetividade dela. Contudo. em 1989. isso permitiria uma declaração definitiva sobre quantos exemplos de abuso de criança foram prevenidos. (CALDWELL. e problemas de saúde mental. 1992) Os custos de prevenção são as partes mais fáceis da equação a ser medida.1225 segundo Lewis et al. ignorar estes custos seria uma omissão séria da análise do custo de abuso de criança. pois como saber quais contribuições financeiras elas trariam para sociedade no futuro? (CALDWELL. de certo modo. subestima-se o valor de programas que trabalham com segmentos da população que estão em desvantagem salarial (por exemplo. ainda assim. o fato de o custo-benefício da prevenção do abuso ser levantado em dólares. Embora nem todos os abusados externem estes problemas. deve ser tomado o cuidado para não superestimar os custos envolvidos. A maior parte das despesas com prevenção e o número de pessoas alcançadas por estas intervenções preventivas são conhecidos. freqüentemente. segundo McCord. 1992) .

No caso do estado do Michigan. Neste mesmo ano.5 milhões de crianças sofreram abuso nos EUA em 1990. 1992) O Michigan Children’s Trust Fund (Fundo de Proteção para as Crianças de Michigan) foi criado em 1982 com o propósito exclusivo de prevenção de abuso de criança. Cada caso representa uma família e. Durante o ano fiscal de 1991. As estatísticas de Michigan identificam dois tipos de vítimas infantis: crianças para quem abuso foi substanciado e as outras crianças da casa. segundo relataram Daro e McCurdy. Os mais recentes números indicam que mais de 2. entre 1985 e 1990. os relatórios de abuso de criança declarados por agências de serviço sociais aumentaram em 31%. (CALDWELL. 1992) Em âmbito nacional. Durante 1991.1226 Apesar destas dificuldades.452 crianças envolvidas nos Serviços Protetores (PS) que trabalharam com a questão direta do abuso. Desta quantia. segundo relatório do Michigan Children’s Trust Fund (Fundo de Proteção das Crianças de Michigan). Pois é necessário levantar custos de programas para que possam ser implementados e a responsabilidade que a sociedade tem com estas crianças faz com que tais programas sejam logo postos em prática. segundo o Centro de Dados de Saúde e Bem-Estar. as medidas levantadas são relativas aos custos somente neles. freqüentemente.(CALDWELL. portanto. assim como outros nos Estados Unidos. mais de US$ 5 milhões foram gastos em programas diretos de prevenção. tais custos são de competência dos estados. Nos 10 anos de sua existência. enquanto aproximadamente US$ 2 milhões foram gastos em construir infra-estrutura de comunidade para prevenção de abuso. em 1991. havia 39. .940 casos de abuso de criança no estado do Michigan. é importante examinar a informação que uma análise de custo benefício provê. o MCTF gastou mais de US$ 7 milhões em prevenção de abuso de criança e negligência. havia 15. segundo Daro e McCurdy. inclui mais de uma criança.

O custo de um bebê de baixo peso está entre US$14 mil e US$ 30 mil. cuidado adotivo) e conseqüências a longo prazo de abuso de criança (por exemplo. em 1992. também serão incluídos custos apropriados de prevenção do baixo peso e de mortalidade de criança nos custos de abuso de criança.500 g. serão apresentados dados para custos associados com várias conseqüências. segundo o Centro para o Estudo de Política Social. educação especial. a curto prazo. em 1992. 1992) Este tipo de programa pode ajudar as crianças a. tratamento médico. Então.1227 foram abusadas 26. 7. serviços protetores da criança. em 1988.634 destes bebês fossem de baixo peso. Considerando o ponto mediano da gama de custo (isto é. entrarem na vida em um estado mais saudável. em 1990. segundo o Fundo de Defesa de Crianças. a maior parte destes dados vem do trabalho de Caldwell. estes bebês de baixo peso despenderam US$ 255. 1992) . Durante 1989 (o mais recente ano disponível). Além destes custos. problemas psicológicos). de fato. em relação ao custo de bebês normais. Com a exceção do cálculo para os custos médicos com danos dos que sofreram abuso. Em Michigan. Bebês de baixo peso são os que pesam menos de 2. segundo o Congresso Norte-Americano e o Escritório de Avaliação de Tecnologia. (CALDWELL. o Escritório de Avaliação de Tecnologia. de abuso de criança (por exemplo.080 bebês nascidos durante 1990. segundo o Congresso NorteAmericano. e o Fundo de Defesa de Crianças. É provável que 11. em 1988. em 1990.6% de todos os nascimentos em Michigan eram de bebês de baixo peso. Estes custos incluem hospitalização de recém-nascidos. US$ 22 mil).366 destas crianças sendo vítimas de abuso ou negligência. segundo o Departamento de MI de Saúde pública.. envolvimento de sistema legal. havia 153. rehospitalização dentro do primeiro ano e outros custos de cuidados médicos associados com baixo peso.9 milhões. (CALDWELL.

os custos são mais difíceis de calcular. as crianças morrem. O imposto de renda do estado de Michigan era. na ocasião. este índice era de 153.080 nascimentos e 1.8 milhões. Michigan perderia US$ 26. (CALDWELL. em 1991.000 nascimentos. que cada fatalidade de criança. segundo Daro e McCurdy. segundo o Centro para o Estudo de Política Social. de 4. durante o curso de suas vidas. Calculou-se que 16 crianças morreram em Michigan. calculavam o custo de mortalidade .211 mortes eram diretamente atribuíveis a abuso infantil. resultou em uma pessoa que não ganha acima de meio milhão de dólares. 1. o residente comum de Michigan teria US$ 585. Em 1990. 745. pelos seus próprios cuidadores. aproximadamente.1228 Sobre morte de criança devido a abuso e mortalidade infantil evitável. A participação vitalícia comum na mão-de-obra é. segundo Hoffman. O Comitê Nacional para a Prevenção de Abuso de Criança (NCPCA) administra uma pesquisa anual para determinar o número de fatalidades de criança. No curso de toda vida.937 por pessoa. nacionalmente. Isto representa uma perda para a economia e por habitante. estado e renda de impostos federais. a taxa de mortalidade infantil em Michigan era de 11.6%. Usando estes números. de 33 anos. a renda per capita no estado de Michigan era de US$ 17.585 em salários vitalícios. em 1988. durante este ano. a cada ano.669 mortes ao nascimento ou dentro do primeiro ano de vida. pois como se mede o valor de uma vida humana? Avaliouse segundo a média de valor levantado em vida no estado. durante 1990. em 1992. seguramente. devido a abuso. (CALDWELL. segundo Daro. em 1992. em 1990.1 mortes por 1. Podemos dizer. em 1990. em renda em impostos. devido a abuso infantil. 1992) Em 1989. 1992) Além de mortalidade infantil devido a problemas de saúde. Eles informam que. Seguindo a mesma lógica. Em 1989. A contribuição deles para os cofres estatais teria sido de US$ 45.

22% de crianças abusadas apresentam uma desordem de aprendizagem.68 meses. São cerca de 7. o custo por serviços de educação especial para vítimas de abuso infantil é de US$ 6. 1992) Em termos nacionais.64 milhões.9 milhões. aproximadamente 3. 844 crianças requerem hospitalização. anualmente. Durante 1991. 1992) Sobre os custos de serviço protetores.98 milhões. como de fala. Durante ano fiscal 1992. 1992) Quanto aos custos de educação especiais. foi de US$ 37. Para o estado do Michigan. ossos quebrados. Como mencionado antes. (CALDWELL.452 crianças. US$ 4.101 crianças que ficam em cuidado adotivo. 1992) Uma estratégia usada é a colocação destas crianças em casas adotivas. segundo Daro. o que envolve 39.46 milhões. como fraturas de crânio. este trabalho substanciou quase 16 mil casos de abuso de criança. em média. (CALDWELL. aproximadamente 14% de crianças abusadas exibem auto-mutilação ou outro comportamento auto-destrutivo. a um custo . a permanência comum em hospitalização levou a um custo anual de US$ 4. e queimaduras. na área de abuso de criança. por 7. Aplicando esta porcentagem às crianças abusadas de Michigan. Em 1991. danos internos. a despesa de Serviço de Proteção Total. Os custos médicos totais devido a abuso de criança seriam então. Aproximadamente 30% de crianças abusadas têm algum tipo de prejuízo cognitivo. em 1988. 50% de crianças abusadas têm dificuldade na escola.992 em imposto de perdido. estas 16 mortes valeram ao estado de Michigan US$ 430. 50% de crianças abusadas têm problemas sócio-emocionais. (CALDWELL. eles receberam mais de 100 mil relatórios de abuso de criança e administraram mais de 50 mil investigações.1229 infantil.2% de crianças abusadas requerem hospitalização por danos sérios. envenenamento. (CALDWELL.

Por exemplo. Lewis et al. em 1989. (CALDWELL. o cumprimento comum de encarceramento em instalações residenciais juvenis era de 15 meses. um estudo feito por Scott. verificou que as vítimas de abuso sexual na infância têm quase quatro vezes mais possibilidades de desenvolver desordem psiquiátrica. Porém. também concluiu que 20% era um número razoável. Michigan gastou US$ 74 milhões em colocação de cuidado adotivo para crianças afetadas por abuso. depois de uma revisão da literatura pertinente. 20% de crianças abusadas estavam condenadas por crime juvenil sério. 1992) Em alguns estudos. Enquanto nenhuma estimativa de custo estava disponível para os primeiros dois sistemas.996 das 39. os tribunais e a casa de correção. há poucos estudos que examinam a ajuda formal do sistema de saúde mental. vários estudos foram feitos para examinar a relação entre a delinqüência juvenil e o encarceramento de adulto posterior. (CALDWELL. durante 1990. O estado de Michigan gasta US$ 207 milhões anuais para encarcerar as crianças de lares abusivos.452 crianças do Michigan de casas abusivas virão a se tornar adultos que vão para o sistema de justiça criminal. durante 1991. estudou as conseqüências. de US$ 174. a longo prazo.65 milhões.. do que os que . de abuso infantil e de negligência e observou que. envolvidas em comportamento delinqüente juvenil. É difícil calcular o custo deste envolvimento. aproximadamente. em 1983. provindos do abuso infantil. 1992) Durante o ano de 1970. baseada em cálculos complexos. McCord. entre vítimas de abuso.357 por criança. 1992) Embora haja ampla documentação de que abuso de criança é associado com níveis mais altos de desajustamento psicológico.1230 mensal de US$ 1. (CALDWELL. Há pelo menos três sistemas diferentes envolvidos com crime juvenil: a polícia. quase 80% de todos os ofensores juvenis informam uma história de abuso em criança ou negligência. É predito que 1. é de que a criminalidade do adulto gerou custos a Michigan. em 1992. A estimativa.

de educação de pais e de intervenções para deixar a criança menos vulneráveis ao abuso. os programas de visita a casas familiares eram muito caros (US$ 324 por família. São projetadas intervenções na criança para que seja menos vulnerável a abuso. (CALDWELL. 1992) . entre 1987 e 1988. de tratamentos pré-natais inadequados e abuso de criança. (CALDWELL. entre 1990 e 1991. se os tratamentos pré-natais fossem adequados e pudessem ser providos e o abuso de criança pudesse ser prevenido. Programas de prevenção de abuso sexuais que ensinam às crianças habilidades auto-protetoras são o tipo mais popular de programa nesta categoria. Estes números representam somente parte do custo destes serviços. em Michigan.14 por criança. Se as suposições sobre o uso destes serviços são corretas. porém. entre 1990 e 1991. crescimento da criança. inclusive dos cofres estatais. Este dinheiro poderia ser economizado ou ser colocado em outros usos. pelo MCTF). a conclusão é que. pelo MCTF). 1992) Somando os custos esboçados de rendimentos. durante um ano. 1992) Existem programas pré-natais de visitas familiares. (CALDWELL. habilidades de maternidade e paternidade. o tratamento psicológico para vítimas de abuso de criança.1231 não sofrem abusos. a curto prazo. em Michigan. mais de US$ 823 milhões foram gastos nas conseqüências. Este dinheiro vem de uma variedade de fontes. 1992) Em média. (CALDWELL. Tais programas devem ter metas educacionais definidas em áreas como gravidez e parto. pelo MCTF) e intervenção em prol da criança (prevenção de abuso sexual baseada na escola) (US$ 2. Os custos totais para estes programas eram de US$ 950 para programa de visita domiciliar programada e US$ 473 para programas de educação de pai. de companhias privadas de seguro e de fundos pessoais. seguidos do programa de educação de pai (US$ 253 por família. custa US$ 16 milhões anuais.

1986. onde há grandes concentrações de pessoas que sofrem de PTSD (post-traumatic stress disorder). tortura. (CALDWELL. em curto prazo. As experiências colhidas aí também se aplicam às crianças. Não importa se foi incessante terror de combate. O elemento impotência é que dá o efeito subjetivo devastador. Acredita-se que o envolvimento aumentado reduz a probabilidade de abuso de criança no futuro. neste momento. (KRYSTAK apud GOLEMAN. ela é menos devastadora do que se a pessoa se vê impotente perante ela.A Questão do Distúrbio da Tensão Pós-traumática O mais detalhado estudo sobre as causas de mudanças no cérebro tem sido feito no Centro Nacional do Distúrbio da Tensão Pós-Traumática. (CALDWELL. o cérebro começa a mudar. Quando a pessoa percebe que nada pode fazer para escapar de uma ameaça. uma rede de locais de pesquisa com base em hospitais da Administração dos Veteranos. Alguns pais abusivos tinham um conhecimento deficiente do desenvolvimento da criança. percebem-se algumas mudanças. A palavra-chave é “incontrolável”. diretor do laboratório de Psicofarmacologia do Centro. típicas em participantes de programa. 1992) 6 . Se as pessoas sentem que podem fazer algo na situação.1232 Nas avaliações de efetividade. Healthy Start in Kansas (Princípio Saudável em Kansas) mostraram diminuições significativas nas taxas de abuso de criança. em Dubowitz. Toda tensão incontrolável tem efeito biológico. e mudanças em incidência de abuso a crianças. entre certos subgrupos de participantes de programa. porém os realizados no estado do Kansas. 1995) . 1992) Não foram concluídos os programas de avaliação da efetividade em Michigan. repetidos maus-tratos na infância ou uma experiência única de quase morte. segundo John Krystal.

Este circuito neuronal também envolve a amídala. os quais incluem ansiedade. (KRYSTAL apud GOLEMAN. 1995) Outras mudanças ocorrem no circuito que liga o cérebro límbico é a glândula pituitária. medo. o principal hormônio de tensão que o corpo secreta para mobilizar a resposta “lutar-ou-fugir”. . 1995) Um terceiro nível de mudanças ocorre no sistema opiódico do cérebro. chamadas catecolaminas: a adrenalina e a noradrenalina. Estas substâncias neuroquímicas mobilizam o corpo para uma emergência e também gravam lembranças com uma força especial. aparentemente. segundo Denis Charney et al. uma estrutura que regula a secreção no cérebro de duas substâncias. na verdade. não existe. As mudanças levam a uma supersecreção deste hormônio. (GOLEMAN.. hipervigilância. secretando doses ultra aumentadas de tais substâncias no cérebro.1233 O medo que aparece na PTSD ocorre por mudanças nos circuitos límbicos que se concentram na amídala. que secreta endorfinas para amortecer a sensação de dor. Também este sistema fica hiperativo. fácil irritação e provocação. desta vez em combinação com o córtex cerebral. são lembretes do trauma original. Algumas das mudanças chaves se dão no locus cerulus. de algum modo. 1995) O locus cerulus e a amídala estão estreitamente ligados. junto com outras estruturas límbicas. (NEMEROFF apud GOLEMAN. Mudanças nestes circuitos estão na base biológica dos sintomas de PTSD. alterando o corpo para uma emergência que. no hipotálamo e no locus ceruleus. No PTSD este sistema torna-se hiperreativo. mas que. como o hipocampo e o hipotálamo: os circuitos das catecolaminas estendem-se até o córtex. não representam qualquer ameaça à vida. Os opióides são produzidos no cérebro e são poderosos agentes entorpecentes. em situações que. disposição para lutar-ou-fugir e indelével codificação de intensas lembranças emocionais. que regula a liberação de CRF. especialmente na amídala. em 1993. numa emergência.

1234 como o ópio. restabelecer a vida normal. traçou quatro etapas para a recuperação de um trauma. alcançar o senso de segurança. com idade de 15 anos. Ocorre que a amídala está preparada para funcionar como um alarme. em 1990. escreveram o livro The Boy who was raised as a dog (O menino que foi educado como um cão). porém no PTSD. mais de oito milhões de crianças. Ocorre também uma dissociação que incapacita estes pacientes de se lembrar de dias. segundo relatórios oficiais de abuso ou negligência infantil. (HERMAN apud GOLEMAN. visto que a maioria dos casos nunca são reportados. Neste livro. 1995) Judith Lewis Herman. 1995) Bruce Perry e Maia Szalavitz. Além do mais. ela reage a qualquer perigo concreto com um aumento intenso de volume de alarme. acredita-se que 10 milhões de crianças americanas são expostas à violência doméstica. a sensação de estar isolado da vida ou do interesse pelos sentimentos dos outros. surgem alguns sintomas como: entorpecimento para certas sensações. anualmente. segundo. em uma estimativa isolada. anedonia (incapacidade de sentir prazer) e um embotamento emocional generalizado. Em conseqüência. perdem seus pais a cada ano. em 1992. lamentar a perda que ele trouxe à pessoa e. feitos por agências do governo de proteção à criança e. na América. em terceiro. segundo Pitman. Cada ano. Primeiro. seu parente. lembrar os detalhes do trauma. Em 2004. três milhões de crianças foram abusadas. sofrem de sérios traumas e milhões mais . (GLOVER apud GOLEMAN. Mas o verdadeiro número é muito superior a estimativa de três mil. eles relatam vários casos de PTSD e esta entidade nosológica só foi introduzida em psiquiatria nos anos 80. além do quê eles ficam mais susceptíveis a outras traumatizações. 800 mil crianças estão em orfanatos e milhões mais são vítimas de desastres de automóvel. horas e minutos cruciais do fato traumático. e 4% destas crianças. finalmente. em torno de 872 mil destes casos foram confirmados. O que quer dizer que.

têm mostrado grande coragem e humanidade. pois a relação que se estabelece com a mãe verdadeira é de irmã mais velha implicante.1235 experienciaram problemas menos sérios. na maioria das vezes. 2006. (. ou a não presteza no cuidado que precisaria ser urgente. a criança..) Para se entender trauma é necessário entender memória.) Apesar da dor e do medo. casos esses que retratam o que milhões de crianças passam hoje. a mãe já está aposentada e. (PERRY e SZALAVITZ. ou seja. as crianças neste livro. seja pela não competência dos Estados. desta vez. enquanto mãe e filha (o) habitam o mesmo espaço. p. mas tenho encontrado a existência de uma complexa interação começando na infância. cuide da “criança dela”. que afeta a habilidade para antever escolhas que mais tarde limitam nossa habilidade de tomar as melhores decisões. uma situação epidêmica. Pois. portanto. ou de moradia em outro estado. que. e elas me dão esperança. se assume a responsabilidade do neto como se fosse mãe. e isto acaba por deflagrar uma situação onde acontece o abandono. (PERRY e SZALAVITZ. de certo modo. . (. seja pelas conseqüências possíveis de abandono de filhos menores de idade. perde a mãe. Na verdade. enciumada daquele ser. Quando a avó está presente na mesma casa. de graves conseqüências. a criança não tem experiência de ter mãe. Com elas aprendi muito sobre perda. todos perdem. seja em nome do estudo. necessariamente. amor e cura. têm um filho para que a mãe. inconscientemente. pensa que assim a filha não será prejudicada. acaba por piorar a ferida da filha e deixa o neto emocionalmente órfão. A jovem mãe pensa que seu filho está recebendo amor de mãe. As causas da gravidez em adolescentes precisam ser atalhadas. seja pela violência. A autora vê que muitas destas jovens que têm filhos adolescentes são da geração em que as mães saíam para trabalhar. e muitas outras como elas. a velha hierarquia permanece. Neste momento. ou como for. 6) A autora desta tese escolheu três casos deste livro por sua importância e síntese.. 2006) Eu não acredito em na “desculpa do abuso” para o comportamento violento e ofensivo. Mas a história se repete: a jovem abandona o bebê com a própria mãe. amor este que ela própria acha que não teve. elas já viveram a privação de contato e.

esta criança tem sido mudada de orfanato para orfanato. eu acho que tudo é verdade. Seu assistente social não achava que ela precisava ver uma profissional de saúde mental. da seita Davidiana. 6) A menina estava num serviço de proteção a testemunhas. 2006. deixe-me entender isto novamente. As idéias de que a criança suporta traumas melhor do que adultos. Quanto mais cedo o trauma. eu disse. Em 1992. o fanático religioso David Koresh. apesar das recomendações médicas. (PERRY e SZALAVITZ. p. visto que o assassino da mãe queria matá-la e ela precisava ser preparada para ir para ao tribunal depor. Quanto mais jovem se é. (PERRY e SZALAVITZ. É necessário mais cuidado e criatividade para se conseguir que a criança revele e elabore o trauma.Sim. Uma criança de três anos foi testemunha de morte. Depois foi levada para o hospital. infelizmente. depois ela foi liberada e colocada em um orfanato. são idéias comuns vigentes. O caso abaixo estava sendo passado a Perry e. psicologia e psiquiatria infantil demonstram. que Post-Traumatic Stress Disorder (PTSD) (Desordem de Estresse Pós. No hospital. os médicos recomendaram que ela fosse levada para uma avaliação mental e tratamento. 6) Outra situação demonstra a falta de percepção da dor da criança. de outro. em seu apartamento. mais graves as conseqüências. 2006. sem psicólogo ou psiquiatra. Assim. se de um lado parece surreal. por 11 horas. e não passam de uma invenção. Por nove meses. Este primeiro caso relatado em The Boy who was raised as a dog é um exemplo da distância de entendimento que a cultura tem sobre sofrimento infantil. não é real. Mas. foi cercado por agentes . Ela ficou sozinha com sua mãe morta. Certo? . é absolutamente real é ainda comum neste estado de civilização em que nos encontramos.1236 pois a perpetuação deste ciclo de abandono e de se sentir mal-amado é extremamente grave. a maneira como foi passado. onde trataram do ferimento no pescoço. p. menor é a possibilidade de elaborar o sofrimento. E os detalhes da experiência da criança nunca foram compartilhados com a família adotiva. ela não teve nenhuma ajuda. como uma custódia do estado. se ela é pequena.Traumático) em criança é semelhante a trauma em adulto. porque ela está se escondendo. ou seja o que for. (PERRY e SZALAVITZ. com os autores deste livro e toda a literatura moderna de neurobiologia. 2006) Sim.

(PERRY e SZALAVITZ. que já eram tratadas de modo abusivo durante a existência da seita. Ele chamou um serviço de proteção para crianças. Ele era alto. eu daria a volta e iria embora para casa. 2006. depois de ter ficado internada por muitas semanas. Eu disse que se o seu pulso estivesse menos que 100. Até mesmo depois de eu ter estabelecido que realmente era o Dr. A história não foi . quando o deixou com sua mãe. “O pulso da criança está em 160”. no Texas. Eu sou um médico”. eu repliquei. Aos dois anos. Como não foi atendido. O batimento cardíaco normal numa criança. imponente com seu chapéu. ele disse. de origem desconhecida. eram 80 mortos da seita.. Quando eu cheguei. por total ignorância. com dois meses de idade. na sua idade. ele me disse que não gostava de doutores e. (.) Eu disse a ele: Ok. que terminou em uma grande tragédia. permanentemente. p. Seu desenvolvimento deteriorava-se.1237 do FBI. faleceu. A maneira como foi recebido e o que revelou mostram o desconhecimento do que é dor infantil. quando ele tinha 11 meses. pois quando o cerco teve fim. após a invasão ficaram órfãs. “Tudo o que elas precisam era de um pouco de amor e sair dali o mais rápido possível”. não era capaz de andar ou de dizer qualquer palavra. incluindo 23 crianças. “Chamem um médico. A avó. você sabe tomar pulso? Eu dirigi sua atenção para uma menina próxima dormindo na cama. disse que essas crianças não precisavam de psiquiatra. Assim. e não conseguia dar suporte para aquela criança que tanto chorava. ele disse”. 62-63) O menino que deu nome ao livro foi uma criança cuja mãe tinha 15 anos. num demorado cerco. que tinha vindo para ajudar as crianças. Ele curvou-se gentilmente e pegou o pulso da menina e. entendeu de tratar o menino colocando-o numa caixa e de educá-lo como se educa um cachorro. em momentos. em média. 2006. p. raramente o homem falava com o bebê. em repouso. obesa.. Perry foi chamado para dar suporte às crianças sobreviventes que estavam sob proteção do estado. (PERRY e SZALAVITZ. é. Perry. 6) B. um dos guardas me parou na porta. sua face ficou tomada por ansiedade. mais adiante. Muitas crianças. entre 70 a 90 batimentos por minuto. o arquétipo da força coerciva do Texas. O parceiro da avó tinha 60 anos e estava vivendo seu luto. um médico de verdade”. tinha muitos problemas de saúde e. “Não. o que significava dano severo ao cérebro. o menino tinha o diagnóstico de “encefalite estática”. Ele não se impressionou com o homem de cabelos longos e calça jeans dizendo que era psiquiatra. o bebê precisava só ser trocado e alimentado.

Os médicos acharam que o problema era de alguma lesão pré-natal ou defeito genético. ia de ônibus para a escola e havia. e escaneado duas vezes. também tenham cabeça e cérebros pequenos. a reação ao medo e a atividade elétrica cerebral. Esta foi a maior recuperação de severa negligência acompanhada por Perry. Dois anos. ele foi ter com Perry. em 2000 e 2002. comportamental. Nemeroff. ele foi visto por muitos médicos. em 1999. Aos cinco anos. Seu cérebro foi escaneado. o menino mostrava não ter feito nenhum progresso motor. na carta de punho de Justin. a criança foi transferida do hospital para a casa dos pais adotivos. Na verdade. em 2000. apresentou atrofia cortical com aumento dos ventrículos no centro. cromossomialmente. cognitivo ou de fala. um agradecimento a Perry. que não são estimuladas. (PERRY e SZALAVITZ. depois Perry recebeu uma carta dos pais adotivos: aos oito anos. C. ele foi encaminhado para uma família adotiva. nunca foi submetido a uma terapia de fala. Pesquisadores como Danya Glaser. em 2002. Justin começara a freqüentar um jardim de infância e começara a ler e escrever. Seis meses depois. 6) No campo da neurobiologia. utilizando técnicas de neuroimagem e estudos psicofisiológicos que mensuram a função autônoma. assemelhava-se ao de um paciente com Alzheimer: a circunferência craniana era 2% menor que o normal para sua idade. demonstraram o quanto o estresse em idade . duas semanas depois. Embora crianças institucionalizadas. Bruce D. 2006. Perry. B. desenhava. além de ter algum retardo mental. as conseqüências do abuso sexual na infância já foram estudadas. p. Finalmente.1238 bem colhida e ele fez testes com alimentos. fisioterapia ou terapia ocupacional e nenhum serviço social domiciliar foi oferecido ao idoso cuidador. que foi o primeiro a escutar sua história e acabou por internar a criança para um cuidado de vários profissionais e. Alan Shore. pois ele nunca tinha tido um filho ou cuidado de uma criança em toda a sua vida. escaneado muitas vezes. Devido ao pessimismo dos médicos.

SCHORE chama estes de “traumas relacionais”. inclusive natureza. assim como é afetado por negligência o processo de desenvolvimento do . Ocorre então uma série de influências ambientais no desenvolvimento do cérebro. Tais pesquisas são concordes em que. como também a natureza de intervenção posterior. Recente evidência sobre redução no volume do cérebro de crianças violentadas e negligenciadas tem sido observada e percebem-se algumas mudanças bioquímicas. em 1999. (SANDERSON. como descrito por Sgoifo et al. o estresse excessivo determina alteração do sistema neuroendócrino. tem sido entendido que os estressores da capacidade social são mais prejudiciais. os resultados variam devido a diversos fatores. como em qualquer período de vida. serotonina e outros neurotransmissores. 2001a) Não há nenhuma síndrome de pós-abuso. 2005) Tem sido relatado que trauma sexual e abuso na infância podem ser as formas mais comumente encontradas.. Trauma nos primeiros dois anos. pode ser infligido no indivíduo pelo ambiente físico ou interpessoal.1239 precoce pode ativar mudanças significativas no desenvolvimento cerebral. parassimpático e das respostas das catecolaminas. em 1998. segundo Sirven e Glasser. como em humanos. catecolaminas. Abuso de criança é uma potente fonte de estresse e de resposta exaltada às tensões. no eixo hipotálamopituitário-suprarenal (HPA – sigla em inglês) e em outros eixos neuroendócrinos e no funcionamento neuropsíquico. duração e contexto interpessoal do abuso. (SCHORE. Porém. funcionais e estruturais no cérebro. inerentes em nossa cultura. tanto em modelos animais. especialmente. demonstrando a dependência do processo do neurodesenvolvimento e o ambiente da criança. Hoje se entende que os efeitos cerebrais de abuso e negligência levam a uma desregulação no cérebro dos eixos hipotálamopituitário-adrenal. Os mecanismos que provocam estas mudanças são menos claramente compreendidos e podem ser relacionados tanto para abuso em idade precoce. como crônico.

em concentrações imunoreativas. (GLASER. um sistema de resposta para tensões críticas no mamífero. diariamente. Evidenciou-se alterações endócrino-neuronais. exposição subseqüente a estressores. de dois a 20 pós-natais.1240 cérebro.. déficits de memória e inibição de resposta. reagiam. de maneira distinta a um choque. previamente isolados por seis horas. Além disso. ratos adultos masculinos. 1996) O funcionamento anormal do eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA). diante do afastamento da mãe. Concluiu-se que o abuso à criança pode conduzir a rompimentos do funcionamento do eixo HPA e os fatores que influenciam são a idade do abuso. 2004) . bioquimicamente. tipo de abuso e tipo de psicopatologia ou perturbação de comportamento influenciando na relação dos pais com filhos. Alterações no sistema hipotalâmico eram aparentes. depois de vários meses. como agressão. provavelmente associadas com alterações persistentes nas respostas de comportamento dos ratos adultos. A importância da intervenção cedo e da atenção para a cronicidade da adversidade ambiental pode indicar a necessidade de cuidadores alternativos permanentes para preservar o desenvolvimento das crianças mais vulneráveis. 2000) Foi realizado um estudo com ratos para ver o efeito na bioquímica cerebral. ratos privados de contato materno exibiram um aumento de 125%. Foi feita uma revisão que examina a evidência sobre a desregulação do eixo HPA. em período de amamentação. assim como alterações no sistema nervoso autônomo e no sistema imune. aprendizagem. responsabilidade parental. se comparados a controles. Especificamente. como também com processos de comportamento e cognitivos. relacionado-o com abuso sexual na infância. foi associado com respostas emocionais como ansiedade e depressão. (LADD et al. Havia também alterações no sistema nervoso central e pituitário. (VAN VOORHEES e SCARPA.

em particular. como o evento. ambos situados abaixo do córtex. então. em 1992. particularmente. e armazenar evento abusivo. se a criança é incapaz de conversar sobre a experiência. do sistema límbico. não podem ser totalmente processados. como ocorre no caso do abuso sexual. o hipocampo e as amídalas. Esta estrutura não se torna madura antes dos três ou quatro anos de idade.1241 No abuso sexual na infância. a principal área lesada é o sistema límbico. (SANDERSON. principalmente pela ambigüidade do fato que é amoroso. A linguagem também é importante para a memória declarativa porque o sistema requer palavras para funcionar de maneira eficaz. A criança pequena ainda está desenvolvendo os seus esquemas. (SANDERSON. segundo Williams descreveu. pelo fato de ainda estar na fase pré-verbal. O abuso sexual precoce pode perturbar a maturação saudável do cérebro e. O hipocampo é importante na formação e na recuperação de lembranças verbais e emocionais. Além disto. no lobo temporal. E este é o motivo pelo qual as crianças pequenas. fundamentais para a memória declarativa. Os traumas experimentados por crianças pequenas serão lembrados de um modo diferente do trauma experimentado na idade adulta. composto por um sistema de núcleos cerebrais (centros neurais) interligados que desempenham papel central na regulação das emoções e da memória. sendo incapaz de comparar. Se uma criança é incapaz de dar um nome a algo. 2005) É o hipocampo quem avalia e classifica eventos recebidos. não têm lembrança ou a têm parcialmente. porém. nocivo. 2005) As amídalas são essenciais para a criação do conteúdo emocional da memória. e mesmo sobreviventes adultos (33%). como sentimentos ligados a medo e condicionamentos relativos a medo e respostas agressivas. em razão dos níveis de estresse associados à . tanto a experiência. comparando-os com informações anteriormente armazenadas ou esquemas. por sua experiência própria. fica difícil armazenar a informação.

1242 sexualização prematura. A isto Fonagy. sob a forma de depressão. 2005) O abuso sexual infantil tem sido visto como distúrbio de estresse pós-traumático (post. armazenamento. Pesquisas mostram que uma exposição prolongada ou excessiva a glicocorticóides leva a um dano ou atrofia do hipocampo. Quando a ansiedade interna se combina com a interrupção no funcionamento cognitivo. afetando a interação da criança com outras pessoas. fundamentais em processos como lutar. a criança que apresenta um alto nível de ansiedade o qual em qualquer momento da vida pode ser reencenado. segundo van der Kolk descreveu. distúrbios de personalidade limítrofe. outros só vão se externalizar na vida adulta. (SANDERSON. (SANDERSON. a criança fica impedida de desenvolver um sentido organizado do eu. em 1994. consolidação e recuperação da memória. abuso de drogas. Isto pode exigir. 2005) A ativação repetida do eixo hipotálamo-pituitário-supra-renal (HPA) pode lesar outros órgãos. (SANDERSON. 2005) De fato.traumatic stress disorder – PTSD). chamou de “falha de mentalização”. causando transtorno do déficit de atenção. distúrbios dissociativos e distúrbios dismórficos do corpo. hiperatividade anti-social e distúrbio de personalidade anti-social. gerando doenças relacionadas ao estresse. o estresse leva à secreção de hormônios suprarenais. Alguns destes problemas se manifestam logo na infância. como glicocorticóides. em 2002. auto-mutilação. porém. Além disto. assim como o desenvolvimento psicológico pode ser afetado na formação. fugir ou paralisar. O impacto das respostas ao estresse cria problemas na regulação e na modulação das emoções. 2005) . uma verdadeira reprogramação para que se obtenha sucesso terapêutico. pois inibe a auto-representação unificada e cria descontinuidade no desenvolvimento do eu da criança. Os efeitos cognitivos se fazem notar. nas terapias. (SANDERSON.

1243 Não foram poucos os autores. em 2002.. (SANDERSON. em 1995 e 1998. (SANDERSON. proporcionando um quadro neurobiológico que faz com que abusos sexuais e outros. propuseram que os neuropeptídeos e os neurotransmissores liberados durante o estresse afetam os neuromoduladores. em 1994 e 1998.. fugir ou paralisar para sobreviver. e Krystal et al. o hipocampo. o desenvolvimento do cérebro. Teicher. Krystal. A conseqüência disto é a redução do tamanho das proporções médias do corpo caloso. atividade elétrica fronto-temporal anormal e atividade funcional reduzida da parte média do cerebelo. e Teicher et al. sofridos nos três primeiros anos de vida. em particular. 2005) . em 2002. sintomas de déficit de atenção e de distúrbios dismórficos do corpo e abuso de substâncias. na função da memória no hipocampo e nas amídalas. em 2002. depressão. que é fundamental para o aprendizado e a memória. em especial. LeDoux. como Andersen e Phelps. Pollack e Sinhá. em 1988.. vasopressina-oxitocina aumentam as respostas que geram um impacto na neurogênese de superprodução sináptica e mielínica primária. de modo irreversível. durante períodos críticos sensíveis. em 2000. em 1995. do hipocampo e das amídalas. Burgess et al. que afirmaram que o estresse intenso ativa o sistema suprarenal e o cortisol. assim como o sistema noradrenérgico. 2005) Programas de estresse induzido do sistema de resposta ao estresse glicocorticóide. noradrenérgico. durante a primeira infância. Tais respostas ao estresse ativam respostas primitivas do tipo lutar. como na primeira infância. e isto pode interferir no estabelecimento de aspectos da memória. desenvolvimento atenuado do neocórtex esquerdo. Um estresse grave desencadeia um fenômeno em cascata que pode alterar. aumentem o risco de distúrbio de estresse pós-traumático. o eixo HPA.

que são integrados a um sistema unificado. Tal falha resulta em catastróficas ansiedades internas na criança. o estresse nos três primeiros anos de vida afeta a interação entre criança e seu cuidador. (INSEL. porém. 2005) Nemerhof. O aumento da resposta ao estresse faz com que o sistema regulatório emocional seja afetado. que foi originalmente descrito para diagnosticar conseqüências de trauma de guerra.1244 A oxitocina e a vasopressina têm importante função nos padrões de regulações em complexos comportamentos sociais e estão ligadas à fisiologia do vínculo e presentes na patofisiologia de desordens. perceberam a similaridade . em 1999. induzindo. 2005) O abuso sexual na infância também tem impacto na regulação da emoção. deste modo. declarou que o estresse precoce resulta na persistente sensibilização dos circuitos do sistema nervoso central. incluindo a violência. (SANDERSON. o que pode ser responsável por efeitos de longo prazo. integralmente envolvidos na regulação do estresse e da emoção. 1997) A exposição ao estresse grave nos três primeiros anos de vida gera efeitos moleculares e neurobiológicos que agem sobre o desenvolvimento neuronal de tal modo que cria condições de adaptação para que aquela criança venha a sobreviver e se reproduzir num mundo perigoso. que podem ser inconscientemente reencenadas. gerando uma descontinuidade na organização do eu. gerando inibições laterais entre subsistemas de autorepresentação conflitantes. Substratos subjacentes aumentam a vulnerabilidade ao estresse. segundo Forrest. em 2001. à depressão e à ansiedade. como o autismo e inabilidade social. liberando sistemas de fatores e alterações em neurotransmissores. (SANDERSON. Assim o impacto do abuso sexual nas crianças está sendo visto cada vez mais como seguindo o modelo do distúrbio de estresse pós-traumático. a uma enorme reatividade de corticotropina de longa vida. diversos autores. que acaba sendo transmitida transgeracionalmente. observados em crianças e adultos.

em 1985. 3. b) sonhos recorrentes em que aparece o trauma. e f) reação fisiológica quando exposto a acontecimentos que simbolizam aspectos do evento traumático ou que são semelhantes a ele. p. e) reação de susto exagerada. c) amnésia psicológica. Na realidade. Persistentes sintomas de excitação aumentada. 2005) Para se fazer o diagnóstico. terror e impotência. Gil.1245 de efeitos das duas nosologias. dissociação e flashbacks. incluindo adormecimentos de resposta. (APA apud SANDERSON. d) interesse diminuído em atividades significativas. em 1988. pelo menos. Uma persistente re-experimentação do evento traumático por meio de: a) lembranças recorrentes e intrusivas. Finkelhor. alucinações. Courtois. Lindberg e Distad. d) hipervigilância. em 1985. três dos seguintes itens: a) fuga de sentimentos ou de pensamentos associados ao trauma. este intervalo é um período crítico para a maturação. Danaldson e Gardner. Alpern e Repacholi. em 1985. 2005) A síndrome de estresse pós-traumático caracteriza-se por: o desenvolvimento de sintomas típicos subseqüentes a um evento psicologicamente estressante que está fora do leque de experiências usuais humanas que seriam motivo de sofrimento para praticamente qualquer pessoa. (SANDERSON. como uma séria ameaça à vida de uma pessoa ou à sua integridade física. e é usualmente experimentado com medo intenso. (SANDERSON. em 1986. Fuga persistente de estímulos associados ao trauma. b) irritabilidade ou ataques de raiva. segundo Lyons-Ruth. 2. 2001a) . incluindo ilusões. em 1993. e g) perspectiva de futuro diminuída. c) sentimentos súbitos de que o evento é recorrente. 187 a 189) Pesquisas documentam que a desorganização em crianças de 12 a 18 meses está ligada às estratégias de vínculo. 4. A experiência de um evento traumático que geraria sintomas de sofrimento na maioria dos indivíduos. e d) sofrimento diante da exposição a traumas que simbolizam o evento traumático ou que se assemelham a ele. dependente de experimentação nas áreas órbito-frontal do córtex. em 1988. f) leque restrito de afeto (emoção) como a incapacidade de experimentar sentimentos de amor. e) sentimentos de desapego ou de estranhamento em relação aos outros. (SCHORE. c) dificuldade de concentração. em 1985. 2005. como Benedek. alguns dos critérios precisam estar presentes: 1. b) fuga de atividades ou situações que provocam a lembrança do trauma. em 1985. como indicado por dois dos seguintes fatores: a) dificuldade para pegar no sono ou para dormir. Goodwin. Eth e Pynoos. ou à de uma pessoa a quem ela é apegada. como indicado por.

Isto é seguido por um processo dirigido pelo meio que mantém a organização das conexões sinápticas e a organização de circuitos funcionais. que são funções de vínculo. Estas e muitas outras funções são mediadas pelas áreas fronto-límbicas do córtex e. fatores genéticos se expressam numa superprodução inicial de sinapses. na faixa etária precoce. 1997 e 2000. empatia. especialmente . 2001a) Mas não somente o abuso causa isto. cuja regulação fica afetada. em particular. 2001) A organização pós-natal do cérebro tem um padrão bem específico e sua progressão pós-natal reúne os circuitos límbico-autonômicos. Estas crianças acabam por desenvolver insegurança. Meloy.. (SCHORE. Stoddard. segundo Rinaman.1246 Perry et al. as perturbações afetivas são um carimbo do trauma precoce. Este processo de organização genético-ambiental de uma região do cérebro é dependente de energia. na criança. segundo Schore. acelerando os hormônios de luta-fuga e. e pode ser alterado. A simples colocação de crianças nos centros de cuidado. córtex pré-frontal alterado e vínculo desorganizado. às funções do cérebro mediano. mostraram que ambientes traumáticos na vida precocemente induzem a padrões atípicos de atividade neural. Teicher. tem o mesmo efeito. fornece relatos de que as crianças que sofreram abuso físico e sexual cedo apresentam anormalidades de EEG em área fronto-temporal e regiões de cérebro anteriores. chegando. o desenvolvimento disto significa empatia lesada. evitação de vínculo ou desordens da capacidade de formação de vínculo. em 1996. como creches. interferindo na organização de áreas cortico-límbicas. por causa da deficiência orgânica nelas. Durante um período crítico de crescimento de regiões cerebrais. em 1994. Teicher conclui que aquela tensão altera o desenvolvimento do córtex pré-frontal e impede que uma capacidade completa de adulto seja alcançada. Bihrle. (BRANDTJEN e VERNY. durante o dia. Laçasse e Bachsbaum. O estresse da separação da mãe é tal que ativa o eixo hipotálamo-pituitário-adrenal. em 2000. em 1995.

Gangestad. Alan Schore sugere o que chama de fatores psicotóxicos. inclusive o ADN mitocondrial. descrita por Moller e Fralde. Cork e Beal. em 1997. dentro do contexto de traumas relacionais precoces. em 1993. os quais agem. até porque. em 1996. O estresse aumenta a excitação de aminoácidos. no córtex pré-frontal. mesmo antes da Idade do Gelo. segundo Dias et al. segundo Liu et al. 2005) Em antigas culturas. em larga escala. Shaw e Repa. Na verdade. em 1993. do desenvolvimento. crianças eram escravas sexuais. Walker. como foi observado por Bowling. em 1997. em 1997. por Schinder. contribuindo nas alterações de lateralização cerebral.. o que a Ciência do Início da Vida propõe é que as crianças sejam desejadas. Spitzer e Montal. protéicas e de ADN. 2001a) 7 – Dados de Psico-História O que esta nova ciência vem ensinando abre um novo entendimento da trajetória do ser humano. 2001a) Sabe-se que a tensão do estresse causa oxidação que danifica estruturas lipídicas. segundo Yeo. em 1996. segundo Moghaddam. e como um fator de vulnerabilidade na etiologia de desordens do neurodesenvolvimento. Olson. tem sido invocada para compreender a expressão imprecisa. no século IV d. como indutores de instabilidade de desenvolvimento. e tal prática só começou a diminuir na Idade Média. Assim. (GRILLE.. A construção de instabilidade no desenvolvimento. em 1997. Price. os adultos não tinham consciência e elas sempre permaneceram não vistas. (GRILLE. e por Schore. e estas excito-toxinas podem destruir neurônios na região orbito-frontal. como o glutamato.. (SCHORE. como são exemplo as mutações e efeitos ambientais de toxinas. nas sociedades primitivas era praticado o infanticídio em escala de 15% a 50%. segundo Yeo et al. amadas e cuidadas de um modo como nunca aconteceu na humanidade. (SCHORE. C. 2005) . em 1996. Mutisua.1247 durante o crítico período de crescimento. no plano genético. Thomas.

95% nasceu em hospital. Maias. crianças ilegítimas eram mortas ou abandonadas. Astecas. até hoje. Considera-se mais provável que seja um filho primogênito. (De MAUSE. Cartagineses. na China. 2001. era direito do pai matar a “filha desonrada”. matavam gêmeos ao nascer. assassinavam crianças. na dinastia do século XVIII. GRILLE. até mais tarde. e também no Hawai. e mesmo na Grécia ou Roma Antigas. Spartanos. entre árabes pré-islâmicos isso era comum. Overpeck et al. ainda hoje. O assassinato naquele país sofreu um aumento. entre Judeus. é praticado. na Nigéria. na Polinésia. a castração de meninos não era rara. no Zimbabwe. era praticada pelas próprias mães.1248 Estudos antropológicos feitos por De Mouse revelaram que a prática de infanticídio realizada em Papua. em terras germânicas. Mupuche (no Chile). (GRILLE. 2005) O filicídio. China. e nos primeiros dias de vida. especialmente genitais. Entre vários povos: os Ijaw. durante guerras. até o século VIII. em Bali. no Tahiti.. mas não apenas: na Polinésia. na França foi a intervenção da Igreja que proibiu as práticas de abandono e abuso sexual nas crianças.776 homicídios de menores de um ano. tal prática estava associada a rituais. (DeMAUSE. 1999). Esta prática parou só com a reforma Luterana. prematuro. da Nova Guiné. Fenícios. na Idade Média. Stonehenge (celtas). na Nigéria. 2005) Mutilações. no Antigo Egito. quando se identificaram 2. em 1998 e 1999. atribuem a esta causa 1/3 das mortes dos bebês. na Índia. o infanticídio era prática religiosa: Hebreus Antigos. no século XII. 2006) Em muitas culturas. os castrados usados em . assim como na Roma Antiga. a tribo brasileira dos Yanomami. na Itália e. entre 1983 e 1991. entre alguns nativos da América do Norte. Incas. (GUERRERO. Knossos. estudando filicídio nos Estados Unidos. 5% dos quais ocorrido no primeiro dia de vida.

sendo 60% meninas e 45% meninos. No século XVIII. entre os Sumérios. às vezes. Egípcios. como já diz citação bíblica. entre molestados sexualmente no mundo. Em todas as antigas religiões. (DeMAUSE. a prática do casamento entre crianças só foi proibida por lei em 1929. Na Índia. (GRILLE. 20% a 25 % das crianças eram abandonadas. 2005) Sobre as amas de leite. 2005) Crianças foram escravas e abusadas psicologicamente na civilização hebréia. em Papua Nova Guiné. Celtas. 2005) Até o século XVIII. até o século XV. 15% delas morriam. entre os Astecas. Etruscos. em Paris. Hoje. Tal prática também ocorria em outras cidades européias. na Grécia Antiga. mas ainda se pratica. no islamismo. Em muitas ilhas do Pacífico. o pediatra inglês William Cadogan ao . por exemplo. (GRILLE. as amas de leite pagas existem. no hinduísmo. Em um estudo de 57 sociedades. Mesopotânios. a prática da mutilação genital em crianças foi universal. Astecas. Cartagineses. Indianos. Na Europa. 1991. Na verdade. Índia. tanto incesto materno como paterno não eram raros. Já existe referência a este respeito no Código de Hamurabi. na França. GRILLE. As amas moravam. na China. nos países nórdicos.750 a. Tal mortalidade ocorria em outros países da Europa. Na Roma Antiga. mulheres rejeitavam esta forma de intimidade e. pela Europa. Persas. em vilas longínquas. que mutilavam a genitália de meninos e meninas. Japoneses. era prática recomendável.1249 canto lírico até pouco mais de um século. desde muito. Desde tempos imemoriais. feito por Dan Raphael. viu-se que apenas em nove sociedades as mães amamentavam seus filhos. em 1992. as cifras são de uma a cada quatro crianças. Chineses.C. em torno de 1. Ainda há milhões que são escravos ou estão no comércio sexual ou outros. e no transporte. sendo que 1/3 ocorria na classe média. a violência sexual contra crianças não era caso para tribunais. onde mesmo Platão e Aristóteles advogavam tal prática em pré-púberes.

(GRILLE. em grupos na América. e parece que a legislação não era cumprida. romanos. entre os séculos XVI e XVII. resulta em retardo motor e social. 2005) A idéia de amor de família e de amor materno só surge na literatura. (GRILLE. duas horas por dia. na França e Itália. raiva e violência. com freqüência. 2005) A limitação de trabalho. 2005) Uma prática universal era a de enfaixar as crianças. em 1802. . como múmias. Nesta época. queda de oxitocina no organismo – o hormônio do sentimento amoroso –. Em crianças. na Inglaterra e América. 2005) Pesquisas revelam que animais imobilizados desenvolvem úlcera péptica e a imobilização em animais. aumento dos níveis de cortisol. mantê-la atada por um prolongado tempo. Também aqui o pediatra William Cadogan se pronunciou contrário à prática. a criança era vista como um ser diabólico que precisava ser adestrado para adquirir a forma humana. na Europa. no século XVIII. Isto aconteceu entre judeus. Tal prática aumenta medo. (GRILLE. mas a prática da ama de leite só desapareceu no final do século XVIII. surgem os manuais que sugerem punições para conseguir efeito “humanizador” sobre as crianças. e isto continuou por muitos séculos. Os pequenos eram imobilizados. as meninas eram responsabilizadas por seduzir homens adultos. no século XIX. (GRILLE. é suficiente para causar-lhes lesões cerebrais. gregos. começou a incentivar a prática. na França. pela primeira vez foi lei na Inglaterra. na Idade Média. na Alemanha.1250 observar que as crianças amamentadas por suas mães eram mais saudáveis. 2005) No século XIV. e no século XX. (GRILLE. no Factory Act (Ato das Fábricas) que limitava o trabalho infantil a 12 horas por dia. na área rural do Japão. (GRILLE. no leste europeu. 2005) Na Renascença.

pois as crianças precisavam ser rigorosamente adestradas e limpas. (DE MAUSE. uma idéia nova a surgir no século XIX. 2005) O trabalho escravo foi erradicado pelo Factory Act (Ato das Fábricas) de 1874.1251 Mesmo no século XVIII. em seus trabalhos. eram tratadas com mais cuidado. começa a falar contra a prática de castigos tão fortes. Cadogan escreveu um artigo que era um ensaio de cuidados das crianças. e as crianças. abaixo de 15 anos. uma outra visão começava a surgir e Rousseau. então. Nos Estados Unidos o trabalho escravo foi abolido em 1938. o requinte de aparelhos e substâncias. Segundo a The International Labour Organization (Organização Internacional do Trabalho). a prática dominante na Europa era o brutal espancamento. Rousseau seguiu acompanhando esta linha. trabalhando. até 1880. que era um ser essencialmente mau. Neste período. estimava-se que 110 milhões de crianças. mesmo assim ainda havia um milhão de jovens. e não somente um ser utilitário. começava a pregar o contrário da linha idéia. a prática dos enemas. nascidas a partir daí. (GRILLE. a proibição da masturbação. desde o nascimento até os seus três anos de vida. 2006a) Quando o casamento arranjado acabou na Europa passou a existir uma centelha de amor nos lares. ainda trabalhavam sob duras condições no mundo e 25 milhões ainda faziam trabalhos forçados. observando que as crianças que não eram atadas cresciam mais robustas. então dominante. O filósofo John Locke. começaram as exigências educacionais punitivas. dentro da era Vitoriana. começou-se a notar crianças como seres em desenvolvimento. e que precisava ser purificado e posto sob rígidas condições de disciplina. em 2002. mas só foi implementado em 1880 e. (GRILLE. Houve uma queda no abandono de crianças. Entra. Apesar dos enemas terem virado uma prática em muitos países. na Inglaterra. Rousseau começa a dizer que as crianças são boas. de que a criança tinha parte com o demônio. entre 10 e 15 anos. 2005) . Por outro lado.

a Convenção de Direitos da Criança passou na Assembléia das Nações . até mesmo. escrito por Gustave Droz.1252 O vitorianismo chegava a fazer vítimas mortais na tentativa de controlar a genitália infantil. em média. como demonstram as leis: só em 1908 na Inglaterra é que o incesto passou a ser considerado delito criminal. podia ser molestada sem problemas. pois. muito disseminadas. e em 1957. por exemplo. portanto. entre 1865 e 1870. Monsieur. A prostituição infantil. ainda no século XIX. a mesma entidade produziu a Declaração dos Direitos da Criança. Em 1989. (GRILLE. o que justificou. (GRILLE. Muitas crianças morreram de tais práticas na Europa e nos Estado Unidos. Mãe e Bebê). na França. os pais tinham direito de proprietários sobre ela. até então. Madame et Bébé (Pai. a Sociedade Protetora das Crianças. (GRILLE. 2005) Em 1948. em cada grande centro europeu era comum. 2005) A percepção das necessidades das crianças é matéria de estudos recentes. pois era entendido que uma criança de até cinco anos não podia se lembrar de nada. na França. na Inglaterra. um prostíbulo tinha 60 crianças em Viena. onde as proibições sobre masturbação só caíram nos anos 50. as Nações Unidas formulam a Declaração dos Direitos Humanos. 2005) Em 1866. perante a Constituição Americana. nos Estados Unidos. aparece o primeiro manual encorajando os pais a participarem da educação dos filhos. Claro que tanta preocupação tinha uma contrapartida que era a prática de abuso sexual em crianças pequenas. mais de 50% das prostitutas não registradas eram crianças. (GRILLE. 2005) A Sociedade Protetora dos Animais nasceu primeiro. a Suprema Corte Americana declarou que a criança era uma “pessoa”. Os primeiros playgrounds urbanos aparecerem em 1885. um Departamento para Assuntos da Criança. e só em 1895 é que surgiu. Só em 1969. o aparecimento de legislação sobre o assunto. Em 1912 é criado.

e isto não é genético. 2005) Em 1956. Num relatório da OMS. e que o medo e a dependência deveriam ser combatidos. por ofensa imputada a adulto. uma organização. embora o leite materno. entendia que a amamentação materna era necessária. (GRILLE. Este documento reconhece que toda criança é livre para pensar e falar e os estados signatários comprometem-se a tomar diretrizes para coibir a exploração sexual e econômica na infância. . que não fazia mal uma criança chorar por 20 minutos. Vínculo não era questão discutida. (GRILLE. em cada parte do mundo. o grande orientador de diretrizes pediátricas que passaram das fronteiras americanas. e isto ocorre em alguns estados dos Estados Unidos. segundo ele. que foi. que combate a desinformação sobre os benefícios da amamentação materna. mas tem base em como as crianças daquele lugar se desenvolveram. (GRILLE. até hoje. a instituição informa que um milhão de bebês morrem no mundo por amamentação inadequada.1253 Unidas. Todos os países ratificaram. um dos cinco países onde este tipo de lei existe. 2005) O Dr. 2005) Em 1960. O documento também estipula que crianças não podem ser condenadas a pena de morte ou prisão perpétua. de que se saiba como as crianças daquele lugar foram tratadas. envolvimento do vínculo no padrão de conduta adulto e na qualidade de saúde da criança. por mais de uma década. 2005) A psico-história ensina quatro mensagens: 1 – Cada problema. e esta visão influenciou gerações. sem fins lucrativos. 2 – Cada povo pode ser guerreiro ou pacífico. Spock orientava que não se deveria dormir junto da criança. surge a La Leche League (A Liga do Leite). necessita. (GRILLE. Spock. John Bowlby desenvolve a Teoria do Vínculo que antecipou conhecimentos sobre imunologia. primeiro. exceto os Estados Unidos e a Somália. em 2004. fosse “fraco”.

as crianças oprimidas. a predispor crianças a se tornarem adultos dispostos à violência. Conseqüentemente. continuasse a viver como se nada houvesse acontecido. conduziram estudo comparativo de 17 culturas e verificaram que quanto mais rígidos os papéis de gênero. 2005) Dos exemplos recentes.1254 3 – O autoritarismo patriarcal educa. confirmou os mesmo achados. mais violenta era a cultura. Vera Stein Erlich. e que moravam juntas nas zadrugas (casa do patriarca). Isto só pode ser feito através da educação das crianças. famílias eslavas mudaram estas práticas e começaram a achar os patriarcas obsoletos. (GRILLE. sozinhas. 2005) Os antropólogos John e Shirley McConahy. também intercultural. em apenas uma geração. e o parto era ignorado e esperava-se que a mãe. a mortalidade materna chegava a 50%. logo após parir. Uma nova geração surgiu naquele país e.A Study of 300 Yugoslav Villages (Transição Familiar . segundo a linhagem paterna. As famílias se agregavam. (GRILLE. como casa de cômodo. este grupo lidou com o conflito de deposição de seu ditador de forma pacífica. As mulheres não tinham nenhum papel relevante e eram espancadas. Estudo feito por Prescott. nestas casas. foi também criada em família de rígida estrutura patriarcal.Um estudo de 300 Cidades Yugoslavas). em algumas partes da Bósnia e da Macedônia. na Croácia. em qualquer país ou etnia. e criaram leis que proibiam o espancamento de crianças por seus pais. Mas. um é o da Yugoslávia. que escreveu livro Family Transition . em 1977. onde a geração que foi pivô da guerra dos anos 90. Esta família de fortes papéis definidos é também a que tem mais risco de incesto. a idéia de bebês como contendo algo do “mal” existia e baniu-se a aceitação de que qualquer criança pudesse ser espancada. Esta história foi levantada por uma jornalista que entrevistou famílias em 300 cidades da Yugoslávia e levou seu material para uma psicanalista. alterarem uma sociedade ou cultura. 4 – Legislação e medidas políticas não podem. Padrões .

chegou a ter 40 edições. era um consumado sádico e foi o formador da geração “Gestapo”. a mortalidade mais alta da Europa era a da Alemanha e lá havia uma distinta preferência por meninos. Esta geração estava psicologicamente preparada para aceitar o nazismo. Ela advogava que os bebês deveriam ser separados de suas mães. As meninas eram maltratadas. No final do século XIX. chamavase Dr. escrito pela médica Johanna Haarer. Este tratado foi a Bíblia dos pais por um bom tempo. um pediatra que virou conselheiro dos pais. não tocá-las. tal como o Dr. (GRILLE. há 200 anos. que cultuava a obsessão por obediência. Daniel Gottieb Moritz Schreber. 2005) Um estudo escrito por Samuel e Perl Olinder que entrevistaram 400 indivíduos do mesmo nível socioeconômico e cultural. de preferência. Outro livro que teve peso foi um de orientação pedagógica The German Mother and Her First Child (A Mãe Alemã e sua Primeira Criança). por 24 horas. que segundo a historiadora Maria Piers. ele sugeria que os pais deveriam comer e beber algo de que a criança gostasse na frente delas. (GRILLE. Quando elas estivessem ainda maiores. que tinham. o índice de suicídio na Alemanha era três vezes maior do que no resto da Europa e a causa mais comum era pavor de castigo dos pais. Ele aconselhava não somente a atar as crianças. mas também a amarrar-lhes nas bocas pano contendo sopa e. Spock. 2005) Sobre a História do Nazismo. pois as crianças eram sujas por natureza e o sistema de purificação deveria ser estabelecido logo após o nascimento. e compararam com um grupo que. e assim. as amas de leite ainda eram uma prática que havia sido abandonada na França. mas negar-lhes sistematicamente. mesmo não .1255 autoritários familiares levam as políticas autoritárias coletivas em estados. posto suas vidas em risco para ajudar famílias judias. durante a guerra. aquela geração que foi os braços e pernas de Napoleão. Por volta da virada do século XX. pois a privação fortalecia o caráter. tão logo nascessem. Na Alemanha.

Mão Tse-Tng. Todo genocídio é conseqüência direta de uma sociedade em guerra contra crianças. Depois de questionários onde nada diferia.1256 sendo nazista. pela qual contava as pancadas ao invés de sentir as dores. em 1916. que foi também o primeiro país da América do Sul a promulgar o sufrágio universal em 1932. A Alemanha é uma das 13 nações que decretou tal interdição. foi física e mentalmente abusado por seu padrasto e. Um estudo verificou que entre 57% e 90% dos pais americanos espancam seus filhos. aposentadoria. (GRILLE. assim como o seguro desemprego. os pesquisadores encontraram um ponto. (GRILLE. nada mais distinguia estes dois grupos. Saddam Hussein havia sido concebido desejado. batendo com uma porta contra a própria barriga. 2005) Sobre nas histórias pessoais dos ditadores. acabou que. outro que foi vítima de extrema brutalidade paterna. Foi banido no Uruguai. 2005) . quando fica um pouco mais velho. cerca de 80% dos franceses. volta para a casa do tio. em 1876. (GRILLE. perpetuou a morte de 30 milhões de chineses. Hitler. o parlamento alemão proibiu castigos corporais como forma de punição às crianças. férias remuneradas e assistência médica subsidiada. um ultranacionalista. Voltou para a mãe com três anos. Acabou por rejeitar sua criança depois de nascida e Saddam Hussein foi criado por um tio. 22 estados nos Estados Unidos permitem punição corporal em escolas. que era diariamente espancado por seus pais até mais de 200 vezes ao dia a ponto de entrar em coma muitas vezes. Ela tentou suicídio e. Ainda hoje. 92% Irlandeses. desenvolveu uma técnica para suportar a violência. jornada de trabalho de oito horas. não conseguiu este altruísmo. mais tarde. depois tentou abortá-lo. No ano 2000. 2005) O castigo corporal nas escolas permaneceu por muito tempo. mas durante a gestação a mãe perdeu o marido e o filho. Os que ajudaram não tinham sido amarrados quando bebês.

em 1983. 2005) A Suécia foi o primeiro país do mundo a ter a lei que igualou salários femininos e masculinos. em 2002. Suíça. Latvia. Itália. e Ucrânia. Islândia. (GRILLE. em 2000. Bélgica. em 2004. (GRILLE. Knutson e Selner. há 200 anos tem um dos mais baixos índices de homicídios do mundo. Dubow. Waletrs e Grusec. copia o que nela se espelha. em 1989. (GRILLE. 2005) Outros estão em vias de colocar tal proibição: Canadá. Hunter e Stollak. (JUNG. a licença-maternidade passou a ser de 450 dias. Berger. há 15 anos. Cyprus. estudaram as conseqüências para a perpetuação do ciclo de violência que se repete como uma imagem de espelho que. Alemanha. Bandura. Huesmann e Eron. em 1994. em 1842. Há muito tempo este país adotou hábitos de cuidado com crianças. Noruega. segundo o qual. em 1998. Desde 1979. e hoje mais e mais educadores e pesquisadores concordam com isto. 12 países proibiram castigos corporais em criança: Finlândia. elas não podem sofrer castigos físicos ou passar por atos de humilhação. em 2000. Nova Zelândia. em 1987. A escola fundamental iniciou. România. em 1979. em 2003. 2005) 8 – Pedagogia para o Bom Desenvolvimento Carl Gustav Jung entendeu a importância dos primeiros anos de vida. Reino Unido. Israel. Irlanda. em 1994. em 1999. ano da mais baixa taxa de mortalidade infantil. em 2004. em 1987. Baron. promulgou o Código para Crianças. em 1973. Todas as espécies que habitam este . o crime juvenil começou a cair. Croácia.1257 Estudos como os de Elizabeth Gershoff. Áustria. assim como álcool na juventude e drogas também. Dinamarca. Knutson. 1984. Ilhas Fidji e Haiti. Muller. em 1995. em 1997. 2005) Em 2004. Maurer e Wallerstein. em 1977. em 1988. irrevogavelmente. 1981b) Na verdade este é o tempo de filhote do ser humano. em 1987. Em 1998. Coréia. em 1977. Espanha. A morte de crianças por homicídio é zero. Mehm e Perkins. (GRILLE.

ou da menarca da fêmea. da década de 40 para cá. na natureza. No entanto. a ciência alerta sobre o que se deve fazer para ter saúde. a criança. Pode-se dizer que. de fato. Este é o objetivo da Ciência do Início da Vida. refletem um interesse cada vez maior de o cidadão comum querer compreender a si mesmo. Nossa sociedade nunca viveu o tempo que deveria como espécie. no menor dos cálculos. acessíveis ao grande público. na História. o domínio de conhecimentos psicológicos passou a ser mais universal. sobreviventes de catástrofes. Então. Os livros de auto-ajuda. Já foram encontradas. A psico-história ensina que. o ser humano começou a prestar atenção a si mesmo. . devido a um errôneo entendimento de que o seu tempo de “independência” é mais cedo. mas. deixou de ser prática das sociedades especiais. o ser humano deveria viver 120 anos. nunca também cuidou de seus filhotes como eles precisavam ser cuidados. Culturalmente falando. Repara-se que pode haver alguma diferença entre um cálculo ou outro. E depois de quase um século do desenvolvimento das ciências humanas. os três primeiros anos de vida. isso não ocorre. o filhote humano é o único dos filhotes mamíferos abandonado. Agora. a humanidade conseguiu olhar. nunca antes. o que necessita ser feito pelas crianças até. O tempo de filhote de uma espécie é percebido pelo tempo que um ser é capaz de sobreviver sem ajuda dos pais. porque é o único que tem tal descuido para as necessidades de seus filhotes. em seus conceitos. bem provavelmente. Agora urge informar e escolher um melhor destino para a humanidade. crianças sozinhas por um tempo.1258 planeta têm suas vidas calculadas por fatores aplicáveis. no mínimo. Ele é a única espécie que não cumpre seu ciclo biológico natural. de maneira mais coletiva. seja pelo tempo de desenvolvimento do seu esqueleto. sempre muito vendidos. de três anos para baixo. com quatro anos de idade. As datas de reconhecimento de que são merecedoras de cuidado são recentes. elas praticamente tornaram-se. além de atrapalhar bastante seu modo de nascer. pilares.

o ser humano está sendo capaz de descobrir sua criança interior. antes dos três anos. tanto que fala de si na terceira pessoa do singular. Esta tese serve ao propósito de tornar-se um instrumento na tarefa de universalização do conhecimento sobre a criança. ainda que quase restrita ao meio científico. Toda separação é vista pela criança como abandono.1982) A autora viu o que Jung falava sobre “a fé de ver os pais como deus” – juntos formam a imagem de deus . como da separação dos pais. e na primeira década do século XXI. mental e espiritual do indivíduo adulto. é porque ela não foi boa. A criança credita a si a responsabilidade tanto da morte. deus não pode estar errado. talvez a vida toda. “Ser bom é ser amado pela própria mãe. a deus. Não se pode deixar de considerar que.e o sistema de crença que a criança define para si. Se ele decidiu ir embora. 1984. o que termina por acompanhá-la pela vida. tornou-se profusa a literatura sobre a criança.1259 Na virada do século XX. 1981b. está fundida aos pais. e também porque projeta na díade pai-mãe a figura de deus. além da perda da convivência. O modo como isto se dá revela que ela não tem a organização de ego completa. pois. E. em tenra idade. Ambos têm papel importante e a quebra desta díade. que a leva a estabelecer um julgamento ruim a seu próprio respeito. afinal. se “deus” fez algo como ir embora. como sua mãe não ama você é mau”. desde sua concepção. neste momento. é catastrófica. na mente da criança. de certo modo. suas necessidades. Na verdade mãe e pai são uma díade que corresponde. É fundamental entender o tempo em que a criança precisa de cuidado diretamente provindo da mãe e do pai. Uma relação primal negativa numa fase precoce da infância causa um distúrbio não apenas parcial mas total: uma criança expulsa da relação primal . ou o que for de negativo vivido pela criança. (JUNG. o que implica em perda maior. ou maltratar. com um alto custo para o indivíduo. pode ser que a dissolução desta crença demore muito a se dar. não é essencialmente digna de amor. lesa a própria fé na vida. está sendo capaz de visualizá-la fora. irmãos. pois ela é o alicerce da saúde física.

71) As questões de saúde da criança têm suas origens nas angústias dos pais. Hoje a Terapia Sistêmica (HELLINGER. ela expressa no corpo o que não pode elaborar de outro modo. que descobriu que as moléculas de memória se encontram por todo o corpo. Outros estudos investigaram a relação entre violência (suicídio e homicídio) e pouco contato mãe-filho até os dois anos e meio e este vínculo era frágil ou disfuncional em 77% das 26 tribos estudadas por Prescott. 2003) É importante a compreensão de que. (VERNY e WENTRAUB. eram precários. É importante lembrar que tudo o que um pai e uma mãe viveram com a mesma idade pode voltar sob a forma de sintoma. seja adoecendo. um dado traumático ocorrido em algo que um pai escutou aos dois anos de idade. Hoje. É importante lembrar que a energia da criança é cinética. nas quais cometia-se homicídio ou suicídio. Um dado importante foi que 80% das 49 tribos estudadas. James W. 1991. seja tornado-se agitada. no primeiro ano de vida. causar uma otite. pode. (NEUMANN. 2001. em vários países. corporal. em 1999. 1979 e 1996. 1997 e 2001. é igual à angustia em adulto e o motivo de angústia de criança é sempre o mesmo: abandono da mãe ou do pai ou a quebra desta dupla que deveria ser um só bloco. por exemplo. 2004. Prescott foi um dos fundadores do Instituto Nacional da Saúde da Infância e do Desenvolvimento Humano. Tais estudos foram publicados em 1975. (PERT. verificou-se que os níveis de vínculo mãe-filho. em 1996. A agitação de uma criança.1260 é expulsa da ordem natural do mundo e duvida que haja justificativa para a sua existência. 2006) já demonstrou isto em milhares de pessoas. isto fica evidente com as modernas descobertas sobre memória celular. que realizou vários estudos inter-culturais. na mesma época de dois anos do filho homem. por Candice Pert. antes dos três anos de idade. 2004) .

foi que a sociedade deveria apoiar a emergência da sexualidade do jovem sem que isto fosse motivo de punições. dentro de uma tipóia. A mãe reagia a qualquer vontade do bebê. todas as 300 crianças engatinharam. no primeiro ano de vida. Eles sorriam contínua e intensamente até o quarto dia de nascidos. no mesmo período.1261 Os estudos foram ficando tão chocantes em seus resultados que justificaram um Ato Nacional. além de cantarem e os carregarem nus. no Quênia e em Uganda. que logo alcançava sua intenção. Os bebês ficavam acordados por um longo período. viajou para a África e esteve. havia desaparecido na corrente sangüínea deles. As análises sanguíneas mostravam que o hormônio do estresse. Entre seis e sete semanas. naquela região. Suas mães haviam dado à luz sozinhas. era que a sociedade deveria apoiar mães e pais. Elas dormiam com eles e os alimentavam no ritmo deles. subvencionada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). No sumário das conclusões entendia-se que era preciso haver quatro mudanças primárias na vida para que culturas totalitárias se transformassem em mais igualitárias e pacíficas: a primeira. 2007) Em 1956. Nas crianças . próximos ao peito. (PRESCOTT. podiam sentar-se sozinhas e olhar-se por horas no espelho. quase nunca choravam. a quarta. Observou 300 bebês. um fato relaciona-se com o outro. até que seu filho tivesse dois anos e meio. Ela descobriu que. seguravam-nos e os massageavam constantemente. o terceiro tópico era que deveriam ser eliminadas da sociedade todas as formas de causar dor a uma criança como forma de punição. na Conferência na Casa Branca sobre a Criança. ocorrido em cinco de dezembro de 1970. era que a sociedade deveria apoiar a mulher e seu filho para o aleitamento ou permanência juntos. o que começa em muitas crianças pela circuncisão. os bebês e as crianças as mais precoces que já vira. seja física ou emocional. sentiam suas necessidades antes pela sensibilidade tátil. a segunda. ligado ao parto. para que as crianças pudessem ter todo afeto destes. Em verdade. Marcele Geber.

segundo informações colhidas pelo Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano (NICHD). onde será criado por parentes. sem aviso. é preciso repensar como a sociedade precisa organizar-se em face às verdadeiras necessidades de neurodesenvolvimento. mais da metade das mães com filhos menores de um ano passam boa parte do dia sem contato com seus filhos. Testes sensórios motores com resultado pleno eram alcançados pelos ugandenses entre seis e sete meses. realizado em creches e escolas infantis em todos os Estados Unidos. O choque e a depressão que sobrevêm são tamanhos. a partir de contato olho a olho e do vínculo com os pais. os pesquisadores . Os estudos do NICHD apontaram para o fato de que bastam 20 horas de cuidados de crianças em instituições antes de um ano de vida para a construção de vínculo negativo entre pais e filhos. Quando. Mas há um tabu na tribo de Uganda: a mãe abandona o filho. Com dois dias. que alguns não sobrevivem. Quando ele tem cerca de quatro anos é enviado para outra aldeia. apareceram hospitais e partos hospitalares. as crianças demonstraram o mesmo modo de desenvolvimento infantil conhecido no ocidente. por pessoas que não suas mães. o qual traz conseqüências para a vida emocional de uma pessoa. esta capacidade é esperada aos seis meses. Sabendo hoje que o cérebro se estrutura de forma importante no primeiro ano de vida. Neste caso.1262 do ocidente. o que nos ocidentais são alcançados no 15° e 18° meses. um exame feito ao longo de seis anos de duração. a criança é preparada para ter vinculação só com a cultura e o desenvolvimento da inteligência estaciona. com equilíbrio na cabeça e olhando para as mães. em parte do dia. Até o início da década de 1990. as crianças sentavam-se retas. dependendo dos institutos estaduais de saúde. (GEBER apud PEARCE. (VERNY e WENTRAUB. na região. sorridentes. nem pais. 2004) Estudos do Quality 2000. pelo menos. 1989) Só nos Estados Unidos 22 milhões de menores são cuidados.

Ela fica imunodeprimida. fica agitada ou sem sono. ou seja. Nos últimos 20 anos. e. ainda estão os velhos conceitos arquetípicos de que a criança é a portadora do mal. a autora. Se está ansiosa. de doença do trato respiratório. ou como se fosse um adulto em miniatura. 2002) . antes de dois anos. entre 12% e 21% está em creche que põe em perigo seu desenvolvimento e. se deprimida. e nesta desistência seu sistema imunológico desaba. é que. em certo um momento desiste e deprime. a criança que é privada do essencial. reter e propagar bactérias. costuma explicar que não se pode ver criança como se fosse um ser com uma anômala capacidade de coletar. Então é preciso rever o conceito de creche como “foco de infecção”. inclusive. em trabalho de orientação com pais. como mostraram os filmes feitos por Bowlby. (BOWLBY. tão graves. Cabe ao adulto ler e não seguir julgando a criança como os antepassados faziam. quando ainda é um filhote mamífero. A criança expressa no corpo seu processo e dor. que morrem de infecções de repetição. a imunidade cai. sua mãe. 2004) Muita literatura relaciona a creche como foco de infecção. Alguns adoecem com infecção intestinal e. pois. A autora. atrás disto.1263 constataram que entre 12% e 14% das crianças americanas encontram-se em situação que promove crescimento e aprendizagem. as conclusões são alarmantes: entre 35% e 40% estavam em ambiente considerado prejudicial à saúde e à segurança do seu desenvolvimento. não ouviu uma única história de criança que. A criança vai para a creche e os fatos se repetem: ela adoece. a segurança. com o passar do tempo. (VERNY e WENTRAUB. O que existe. como se ela fosse portadora do mal. as infecções chegam à pele. tenha ido para creche e não tenha feito este périplo de patologias nesta ordem. No caso de bebês e de crianças entre um e dois anos. É fundamental lembrar que a criança adoece porque não há outro modo de expressão da dor da alma senão a expressão física. primeiro. pois isto é o mesmo que dizer que criança é foco de infecção. depois. há 50 anos.

p. e irmãos e as outras pessoas da família precisam ser muito presentes e voltadas para a criança para terem uma conexão maior com ela. as crianças continuarão a deprimir. analisando 88 relatórios publicados envolvendo 22. nem irmão. para outro planeta.072 crianças. Há medo real quando um filhote sai de perto da mãe. seria semelhante à que passaria um adulto que fosse abduzido à revelia. Podemos observar o despertar da consciência na criança pequena. adoecer e morrer. Então. onde ela está indefesa e realmente não importa quão bonita seja a creche. e mesmo até os três anos na creche.1264 Quando a autora orienta pais em relação a não colocar seus filhos em creche. o animal entra em estresse. pois a criança vive uma gama de emoções e tem alguma memória. ou seja. este não é um mundo conhecido. ela mantém referencial do espaço conhecido que ela “domina”. 407) Num relatório feito por Claudio Violatio e Clare Russel. 1984. que é deixada antes de um ano. Eles sabem que podem voltar para a mãe. seja pingüim ou leão ou o que for. que em geral está nas cercanias. o que é diferente do filhote exilado do seu ninho. que seu nexo afetivo primordial se dá com mãe. Se o ser humano continuar a esquecer sua condição animal. não tem pai. sentimos que ela tem consciência. pois a vivência da creche é de abandono: um filhote num mundo estranho. E o que podemos ver é o seguinte: quando a criança reconhece alguém ou alguma coisa. costuma usar uma analogia. a experiência de uma criança. mas se está prolongadamente longe do contato visual. Ninguém e nada faz sentido para ela: tudo o que ela sabe é que não tem mãe. Já se sabe que a criança antes dos três anos não tem orientação de tempo. A conexão não se dá de maneira uniforme. Ao longo do primeiro ano de vida. se prestar atenção. confirmou-se o que as observações do NICHD . Qualquer pai pode perceber. (JUNG. ocorre uma aproximação maior com o pai. É outro mundo. se a criança está em sua casa.

e as crianças que estão expostas a muitos cuidadores têm mais probabilidade de acabar sem saber qual é o seu lugar no mundo e de serem emocionalmente inseguras. ou daqueles que acabam aposentando. assume fraco compromisso com o trabalho e prefere utilizar suas energias em diversões supérfluas e. (VERNY e WENTRAUB. muitas vezes. Hoje as raízes deste comportamento são muito bem mapeadas. em todos os âmbitos. são altos os custos dos seguros desempregos de jovens que. na verdade. e também no próprio custo . social e de comportamento. e não por algum outro cuidador. Os Estados precisam pensar também no custo alto de saúde e criminalidade. Nas testagens. que não consegue se estruturar para deixar o lar paterno e começar a fazer seu próprio ninho. não se entendem com a responsabilidade de trabalho. Para os Estados. 2004) A UNICEF considera importante que as crianças tenham um bom começo de vida e. mesmo que familiar.1265 já haviam apontado. por isso. faz falta o modelo de outra mente. daninhas. isto porque já estiveram contabilizando os prejuízos para a nação de uma geração de jovens que não sabe o que quer. Os resultados dos meninos eram inferiores aos das meninas. aumentando-a para mais próxima de dois anos. Este fenômeno se vem tornando comum em vários países e tem sido motivo de estudos sociológicos. eram atingidos por crianças cuidadas por suas próprias mães. por acidente ou fraude. (UNICEF.se cedo. defende que até os três anos de idade elas possam usufruir da conivência da família. 2004) Para formar a mente de uma criança. como o que está documentado nesta tese. não a vê como a melhor possibilidade de educação. Apesar de a UNICEF reconhecer a creche como um direito. que se coloca na vida como filhote eterno. (VERNY e WENTRAUB. os melhores escores e os mais significativos no âmbito emocional. 2006a) Muitos países estão começando a rever suas políticas de licença-maternidade.

em 2007. e isto é hoje cada vez mais comum como queixa em consultório: os pais que se queixam de que seus filhos estão deixando. o custo disto tudo justifica. Finalmente. (VON FRANZ. nos últimos 20 anos. Eles vivem a angústia de sustentar filhos adultos e mesmo família de filhos adultos. a proporção de mães que usaram a licença maternidade paga foi de 32% para 36%. na época deste levantamento.1266 humano. impossível de por em número. na Suécia. “puer eternos”. 1992) Portanto. a autora não tem conhecimento de um cientista que tenha contabilizado as lágrimas de pessoas que perdem filhos jovens para droga ou criminalidade. Entre 1981 e 1985 e até o período de 1991 a 1995. distraidamente. pois estes filhos. em 1900. YOUTH AND FAMILY POLICIES AT COLUMBIA UNIVERSITY. 19% das mulheres trabalhavam fora. no mesmo período. Hoje há pais que já sabem quão rápido correm os anos e quão rapidamente se fecham as portas de oportunidades. mesmo em termos econômicos. E tramitavam. uma licença maternidade mais prolongada. (CLEARINGHOUSE ON INTERNATIONAL DEVELOPMENTS IN CHILD. não podem ou não conseguem enxergar. e a Itália cobre 80% do salário por cinco meses. ou dos jovens que não conseguem encontrar um lugar no mundo para eles. tem aumentado a licença maternidade paga e não paga. Nesta lista há dados sobre 29 países e suas políticas de licença maternidade. a França dá cobertura de 100% entre 16 e 26 semanas. esvaírem-se as próprias vidas. 65% de todas as . a licença maternidade cobre 80% do salário durante as 78 semanas após o parto. e. 2003) Nos Estados Unidos. a Tchecoslováquia 69%. Naquele país. as que usaram a licença não paga variou de 30% a 37%. em 28 semanas. projetos de lei em vários países do mundo com o objetivo de ampliação de licença maternidade. Assim. As mães que usam licença maternidade paga costumam ser mais velhas e com grau de escolaridade maior.

Estudos em animais e humanos apontam para o balanço de hormônios como noradrenalina. sendo que. em 2004. depois do nascimento. eram as que tinham filho com menos de um ano. No segundo ano o crescimento continua. A proposta foi encaminhada por Busato para análise de quatro comissões da OAB: Comissão Nacional de Direitos Humanos. Posteriormente a minuta seria avaliada pelo Conselho Federal da entidade. 2005) Desde o desenvolvimento fetal. (VERNY e WENTRAUB.1267 mulheres trabalham fora. o cérebro não pára de fabricar sinapses até os três anos. recebeu da Sociedade Brasileira de Pediatria a minuta do projeto de lei propondo a ampliação do período de licença-maternidade dos atuais quatro meses para seis meses. quando o cérebro atinge 70% da sua massa final. 2004) Uma grande energia é consumida na primeira infância para o crescimento do cérebro. o cérebro se utiliza de 50% do genoma para se organizar e. ganhando 600 gramas. o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. serotonina e . Quanto mais sinapses possuir uma pessoa. O que faz o cérebro crescer é objeto de estudo na neurociência e concluiu-se que é a relação amorosa com a mãe.000 outras. e Comissão da Criança e do Adolescente. só que mais lento. (CALNEN. Tal tarefa usa 70% da energia do metabolismo basal no primeiro ano de vida.9%. mais brilhante e criativa será. o peso cerebral em média é de 400 gramas. 2007) Em 29 de março de 2005. e no terceiro ano o crescimento prossegue dando ao cérebro 90% do peso que terá na vida adulta. ao nascer. Roberto Busato. Até os três anos o cérebro do bebê terá formado bilhões de sinapses. E 52. Comissão Nacional da Mulher Advogados. (OAB. Comissão Nacional de Direitos Sociais. no mesmo período. Uma única célula pode conectar-se a 15. mas complexas e variadas serão suas redes neuronais e. duas vezes mais que um adulto. deste modo.

pois não é natural no mundo a não ocorrência de frustração. animais. Naquele momento.1268 cortisol que desempenham papel importante no desenvolvimento cerebral e são influenciados de maneira significativa pelo olhar e pelo toque. o modo de fazer. a falta de paciência e a violência. depois. ela pode recolher. experimentado com freqüência por criança por volta de 18 meses. causam apenas destruição de um sistema nervoso. Primeiro. Portanto. Sabe-se que o sentimento de vergonha. Áreas como o hipocampo. debruçar-se e rever os próprios valores. antes de tudo. com aquele objeto específico e com muitos outros. e é capaz de beijar o objeto. ela aprende. as certezas sobre si mesmas. Por outro lado. e seus valores. e assim por diante. o que a autora está citando é apenas um exemplo elucidativo de educação pela via do animismo. E entender como é que ela aprende. os pais devem ter em mente que é neste tempo que valores estão sendo transmitidos para a criança. pessoas. faz alterar o curso de desenvolvimento cerebral. O animismo e a simpatia são as linguagens naturais da criança antes dos três anos. ligada à capacidade de adequação emocional. e falar. A criança em conseqüência. 2004) Uma criança de menos de três anos está formando seus sistemas de convicção para o resto de suas vidas. demonstra simpatia. em sua visão de mundo. A melhor maneira de a criança aprender é por animismo. não tem . são regiões que muito expressivamente têm seu desenvolvimento aumentado pela relação mãe-filho nos três primeiros anos de vida. que deve ter cuidado com as coisas. e a área do córtex na região orbito-frontal. como já foi visto. como se fosse o objeto ferido. Por exemplo: se uma mãe vê sua criança jogando um objeto no chão. é outro grave erro. (VERNY e WENTRAUB. deixar uma criança fazer o que bem lhe apraz porque não se quer dizer “não”. responsável pela empatia. que é sua capacidade natural. O grito. Neste caso. aconchegar o objeto ao colo dela. Então. envolve a consciência dos pais. Educar é. ao educarem.

como diz Jung. o que se envolve em delito é sempre uma criança ferida explodindo. É na realidade do cotidiano que se vão criar situações. que tira o ego de cena e então já são os arquétipos que dominam: definitivamente isto não é consciência. Jovens na adolescência não precisam ser problemáticos. A voz baixa. e. são as escolhas. quando escolher ter um filho. Isto é justo o que não existe. enquanto os Estados não criam as licenças devidas. mas a chave. O que se droga. A voz alta é um expediente. o que se alcooliza. Os pais. pode levar alguns anos. Então. o olho no olho. saiba que haverá neste grande projeto – Vida – muita demanda de tempo. Cada criança e seus pais são um complexo. a porta seria a própria consciência. Os que não se cansam de . portanto. sobretudo quando tenham sido feitas as melhores escolhas.1269 intenção de ser manual de como fazer. que os viva e os esgote. desde antes da concepção. se um casal acha que ainda precisa viver viagens e mais outros planos. Não há exercício de consciência sem escolhas. e este é sempre inspirador criativo e transformador. funcionam muito bem. energia e dinheiro. a vivência da autoridade intrínseca e sempre exercida com respeito à sensibilidade daquela criança específica. Uma outra questão é sobre o sacrifício pelo filho. Se pensarmos em uma vida numa cela de inconsciência. deverão estar conscientes dos sacrifícios financeiros que precisarão fazer. pois isto é cuidado e amor. criatividade. Os casais que conceberem e planejarem ter um filho. Educar é um dos maiores exercícios de consciência que existem. que levarão a criatividade dos pais a saber qual é o melhor método de comunicação com a criança. E Vida vale a pena. já devem ter discutidos os valores que querem que seus filhos desenvolvam. dentro dos limites de percepção deles. para que um casal esteja em condições financeiras e de maturidade para poder receber todo o prazer um filho. A criança humilhada é o adolescente que agride verbal e fisicamente. O que vem à tona são os valores colocados nos três primeiros anos de vida.

fez por milhares de anos. e estimula neles comportamentos inconscientes. e isto à mercê de cuidado contínuo. 2003) Esta percepção da particularidade e da dificuldade intrínseca com que crianças nascem. (ABRAMS. com tais particularidades. 2000. 1984. Se. 1975.189) Os quadros abaixo mostram como é percebida a psique da criança e como ela olha os pais por uma lente. O nome. os pais devem pensar em que arquétipo estarão ativando nos filhos e isto pode ser entendido com simples pesquisa sobre personagens marcantes da história ou da mitologia. Hoje muitos pais buscam o mesmo recurso e acoplam a esta prática o uso da numerologia. também o modo de percepção dos mesmos pais é diferente. que melhor ajudará o pleno desenvolvimento daquela vida. na Índia. ela traz consigo uma bagagem arquetípica que recebeu no psiquismo herdado. Quando uma criança nasce.1270 dizer que não se sentem compreendidos estão desconectados. de mútua ativação arquetípica. que ele seja motivante. Ela pode ter uma lente que a faça olhar os pais de um modo particular. É uma questão de projeto: uma vez escolhido o projeto. a que os pais devem estar atentos. com que os pais procurassem astrólogos para que pudessem orientá-los sobre como melhor educar aquela criança. p. com a percepção de seus pais sobre eles mesmos durante a primeira infância. e assim poderá ocorrer uma integração específica. 1994. Com tudo o que se sabe hoje. educar é uma grande escolha que implica em postergar as coisas ou desistir delas. em geral. para ser vivido. 1981b. KNOX. (JUNG. assim como recebeu a herança de traços físicos. No quadro 1 percebemos a questão da consciência ainda pouco . também é arquetípico. por causa de sua própria insegurança. 1964. então a personalidade da criança será então apartada do cerne de seu ser e se sentirá forçada a abandonar seu padrão natural de desenvolvimento. HARDING. os pais não conseguem aceitar suficientemente a natureza básica de seu filho. Ao escolher um nome. para orientação do nome. e isto é observável entre vários irmãos.

O primeiro. As dimensões de ego e consciência diferem das do adulto. De algum modo há sempre uma linguagem de arquétipos para arquétipos entre pais e filhos e isto pode ser menos trabalhoso se os pais tiverem mais atenção e consciência. quando foi constelado um complexo. 2003) Figura 120: Esquema 2 (LUZES. retrata o esquema da fisiologia da psique. 2003) . é a ilustração de como a criança percebe e recebe de volta as projeções. Os dois primeiros quadros mostram a psique da criança em formação. Figura 119: Esquema 1(LUZES. em bom estado de comunicação com o Eu Superior. cujos dois outros quadros representativos seguem abaixo. 2003) Figura 121: Esquema 3 (LUZES.1271 definida e o ego sem delimitação clara. 2003) Figura 122: Esquema 4 (LUZES. O segundo esquema demonstra o estado em que uma pessoa fica com seu ego desorganizado. A outra gravura.

quando este é adolescente. ou eterna transformadora. deve tornar-se consciente desta tendência e ajudar a equilibrá-la. um ou outro aspecto. Claro está que há culturas cujo arquétipo de grande-mãe constelado vai para um ou outro modo. A nutridora é aquela que vai lidar muito bem com o filho bebê. Na vida pessoal. em momento do desenvolvimento indevido.1272 Um arquétipo que está envolvido de maneira importante na relação mãe-filho é o da Grande-Mãe que tem seus dois aspectos: o nutridor e o transformador. mas tem dificuldade de deixá-lo ser independente. também bastante exemplificado nas mitologias. Da mesma forma que existe a questão da grande mãe destruidora. É fundamental para o desenvolvimento da criança o tempo em que ela fica “sem fazer nada”. é a manifestação do arquétipo atingindo as atitudes da mãe. pois na prática a grande mãe destruidora. Há as figuras dos panteões míticos que encarnam um ou outro modo de relação. pode ter dentro de si um arquétipo de figura da grande Mãe ou então mais inclinada para a atitude de eterna nutridora. dele dependente. pois ela precisa de um tempo de criação. podendo viver cada ciclo de transformação do filho como uma perda para si. a mãe que olha para o aspecto independência como a meta constante a ser atingida pelo filho pode negligenciar as necessidades de aconchego e momentos de puro lazer que. comparada à que o adulto vive quando medita: a regularidade desta atividade permite o pleno desenvolvimento psico-cerebral. caracterizado pelo que Jung chama de brincar como atividade séria. se uma mulher tem constelado em si. Naquele momento ela está fazendo . são importantíssimos para o devido desenvolvimento da criança. Já a mulher que tem constelado em si o arquétipo da grande mãe transformadora. Deste modo. de fato. terá dificuldade e pouco prazer na fase de dependência dos filhos e será a que estimula os processos de transformação e que consegue achar mais agradável a relação mãe filho. na sua relação pessoal com seu filho. Uma mulher.

contida no A Dinâmica do Inconsciente. precisando estar grudada na mãe por todo o tempo. acaba por atrapalhar o desenvolvimento de seus filhos e justo a cognição que tanto almeja ver desenvolvida será a que ficará prejudicada. livre fisicamente. A mulher. Deste modo. no momento de a criança crescer. ele faz. para o desenvolvimento sensório-intelectivo-emocional. está. sem perceber. A criança pequena. bem descrito por Jung. um recuo para poder avançar. chorando. implementar mudanças. perdendo a percepção das necessidades básicas de aconchego. tem antes. É preciso hoje estar atenta à obsessão da cultura dominante competitiva que ajudou na constelação deste arquétipo em todas as culturas. que muitas vezes os pediatras.1273 tudo o que precisa para se desenvolver. apresentará problemas de concentração. como modo de acalmar as mães. quando uma criança vai crescer alguns centímetros ou quando lhe vão aparecer dentes. E a mulher que está tomada pela grande-mãe transformadora vai preocupar-se muito com estas “regressões” e ver aí um episódio de “virose”. Portanto. uma agenda cheia. A criança que não tem este espaço. Pois a capacidade da criança de se concentrar advém de ter podido ficar. confirmam. em uma das obras mais importantes como chave de entendimento do desenvolvimento do processo de consciência humana: a obra A Energia Psíquica. para gerar propulsão. Por toda a natureza um fato se repete: quando um animal vai desenvolver uma habilidade. converte-se no adulto incapaz de lidar com mínimos compromissos. especialmente até os três anos. antes. especialmente sua capacidade de concentração. ela dias antes pode ficar muito mais necessitada de colo. ao mesmo tempo. criar agendas para seus filhos pequenos. O melhor seria conhecer as etapas do processo normal de crescimento. por simples mecanismo de contenção de energia. a mãe que tem uma meta determinada de transformar. para o seu desenvolvimento motor e. está fora do tempo e aí se converte em grande mãe destruidora. tomada pelo arquétipo da grande mãe transformadora que. e se assim fosse as crianças . com agenda cheia de tarefas.

se existe uma situação de doença ou sofrimento significativo. E depois de enunciadas há pouca valia em desculpas. Isto não educa. e menos ainda em explicações cujo valor pedagógico é risível. Isto também foi amplamente confirmado no auxílio de problemas graves de saúde. isto fere. (SZEJER. penetrando na alma da criança. O diálogo quando a criança está acordada também pode ser fonte de auxílio. o pedagogo que nos anos 30 formulou a ciência pré-natal e foi o primeiro a explicar. Do mesmo modo. ponto a ponto. 1975) É preciso lembrar que as mães têm uma enorme capacidade curativa. Do mesmo modo. no momento do sono profundo podem ser ditas palavras-chave que ajudem a criança a elaborar a solução de um conflito que se está manifestando em sua saúde. Mais tarde eles podem povoar os consultórios terapêuticos para ajudá-los a arrancar de si sistemas de crenças profundamente arraigados por simples palavras proferidas. olhando nos olhos da criança. (AÏVANHOV. 2000.1274 seriam menos medicadas enquanto se desenvolvem normalmente. quando uma mãe ou pai vão repreender um filho não pode existir raiva. é que mães e pais acariciem a cabeça de seus filhos enquanto eles dormem e lhes digam o quanto são amados e lhes desejem os melhores valores. 1996) Claro que existe também o poder da prece. e só falar quando não estiverem possuídos pela raiva. pois isto atingiria a formação da criança. ele afirmava que. (JUNG. 1999) É importante prestar atenção para as palavras e o peso que elas têm para os pequeninos. Miriam Szejer e Caroline Eliacheff. por Françoise Dolto. nunca descartável. até mesmo em recém-nascido. (AЇVANHOV. Uma prática sugerida por Aïvanhov. 1999) . e a mãe falar de modo claro. as conseqüências hoje reconhecidas por milhares de estudos. Pouca coisa podem ser tão destrutiva quanto um olhar de raiva vindo de pai ou mãe. Eles devem olhar nos olhos do filho. HARDING.

HARDING. tem dificuldade de comemorar os pequenos ganhos de cada dia. todo o desespero e desamparo. para agir.1275 Por outro lado. estes dois substantivos são antagônicos. Aqui. Ou ações são pautadas por um. ou bem porque procura uma Pedagogia Curativa ou Waldorf. e aí já se pode esperar que são inspiradas por arquétipos. 2000. a mãe que pretende nutrir eternamente o filho. em sua clínica. O arquétipo da criança ferida está presente. então esta angústia migra para o plano onde a energia psíquica corre melhor. ou por amor. quando uma criança se sente angustiada por privação materna. como no passado era feito. que é o corpo. ou bem porque a mãe passa a se dedicar à criança. a autora tem visto casos de agitação infantil desaparecerem. no plano das relações. esta palavra é chave para o desenvolvimento da criança. O manejo que consiste em dar o medicamento. ela tem pouco recurso. e é a isto que se dá nome e que se medica. sem perder . que traz a marca da consciência. 1975) E para educar amorosamente precisa-se estar presente. como já foi demonstrado. amordaçados durante séculos. pois vê como perdas do poder que tem sobre a criança. amordaçava os bebês. que olha a criança em muitas dimensões e que tem conhecimento da complexidade do que pode ser o psiquismo infantil – a única pedagogia que dá conta de trabalhar a integralidade criativa do ser humano. poder ou amor. Na verdade. similar à que. (JUNG. É para lá que vai toda a tensão. implica contenção química. como por exemplo. em séculos passados. vive um conflito tenso ante seu próprio desenvolvimento. como nos ensina a psico-história. Hoje se fala da criança como se ela fosse por si responsável por todas as doenças que lhe acometem. Na verdade. os de distúrbios de atenção que se sucedem. Deste modo. mesmo nos cuidadores de crianças em instituições como creches e ainda podem ser vistas pessoas que abusam emocionalmente das crianças com o mesmo intento de humilhação e sujeição. A criança que nota que a mãe não a quer adulta.

) O movimento biodinâmico surgiu a partir de oito palestras dadas por Rudolf Steiner no início. e é uma escola voltada para a educação integral do ser que faz toda a diferença. um jornal médico de prestígio estudou o baixo índice de alergias entre crianças que compartilham um estilo de vida Antroposófica. e também assim vão vivendo cada passo do processo de desenvolvimento do seu filho. Este simples fato é uma lição valiosa num momento em que somos vítimas do tipo de cegueira gerada por especializações estreitas. escolhem escolas Steiner ou Waldorf. Agricultura biodinâmica previu os efeitos destrutivos da agricultura convencional: o solo erodido. (. que o arquétipo da mãe é quem ajuda a constelar o complexo. a mãe desempenha sempre um papel ativo. o húmus perdido. simplesmente porque querem que seus filhos desenvolvam seu potencial pleno. o complexo materno se manifesta como: . Segundo ele. entre cinco e 18 anos..188) Nos casos de neuroses que atingem a mais tenra infância. a educação. 210 alunos de uma escola Waldorf (pedagogia antroposófica).1276 a noção de praticidade. apenas quatro precisavam usar óculos. vida em conjunto. Rudolf Steiner não conseguia dissociar seu interesse pelo desenvolvimento dos seres humanos. assim como profissionais de psicologia pré e perinatal. a agricultura. nota o mesmo fato no Brasil e fora dele. p. no mundo. estão afinadas com os problemas do século XXI.. 1994. Por exemplo. em resposta a uma solicitação de vários agricultores. Mais recentemente.) Encontrei por acaso alguns efeitos inesperados na saúde. a medicina e as questões sociais.. (ABRAMS. A autora entende que uma escola que não tem espaço para ensinar a criança a brincar (que é sua prática dominante do refletir). Segundo Jung. Foi o primeiro método alternativo de agricultura organizado a se basear num quadro global que abraçasse tanto a ecologia quanto a vida social. (. que é: os pais que concebem conscientemente. Na filha mulher. 2004b. que morreu em 1925. A autora. baseado em sua experiência do complexo materno.. não prepara para uma vida interior saudável. 57) Jung afirma. englobando as artes. As influências das percepções de Steiner são mais fortes que nunca em vários campos práticos. em 1928: “Os pais devem sempre estar cientes do fato de que eles são a principal causa da neurose dos filhos”. a mãe desempenha papel ativo na causa da neurose manifesta na criança. flores e animais desaparecidos – dano que terá de ser sofrido por futuras gerações (ODENT. p. ciências. conexão. Como diz Michel Odent: È difícil perceber como as visões de um ser humano extraordinário.

Tanto o eros não vai bem. mas pela necessidade de transtornar um casamento. mas não tem muita idéia do seu próprio destino. Quando consegue a relação. A filha vive dependendo da mãe e negando a si mesma a própria existência. no qual existe continuamente um antagonismo à mãe. cuja vida é a única razão da própria existência. já não se interessa mais por ela. De todo modo. tanto da maternidade como do eros. Deste modo se define. levando uma existência de sombra. e ter problemas com coisas do mundo material (matéria – mater). na consciência. o complexo materno negativo. Ao exercer muito poder na relação. A inteligência dirige as portadoras de tal complexo que são mais propensas ao desenvolvimento do próprio lado masculino. b) Exaltação do eros. de fato. pode aniquilar a personalidade da criança. que não é identificado como o universo da mãe. com exagero do papel maternal: é a mulher que só consegue viver sua dimensão de procriação. repetindo uma busca que não é pela felicidade. Assim sendo. e. as filhas procuram relações com homens casados. sabendo bem o que não quer. Podem se dirigir para o intelecto. d) A defesa contra a mãe. não há interesse na maternidade. resultando em uma paralisação do instinto feminino. São figuras desamparadas. . esse complexo provoca na filha a exaltação do feminino erótico ausente na mãe e isto pode fazer com que a filha fique presa incestuosamente na relação com o pai.1277 a) Atrofia do feminino. E isto pode desencadear problemas tanto durante a gravidez. na inconsciência. manifesta-se um lado de exercício de poder nas relações. ficam incapazes de fazer verdadeiros sacrifícios. como o materno também não. muitas vezes visivelmente absorvida pela mãe. Existe um lado amoroso. c) Identificação com a mãe. Muitas vezes. como a própria vida menstrual. Acaba depois por tornar-se dependente dos próprios filhos.

da alimentação adequada e da medicação alopática. muito antes de constituir família. devido à desnutrição infantil.1278 No filho homem. No final de 1991. 1981b. entre estes tipos. tendo-a como única na vida. diarréia. Ela iniciou suas atividades em abril de 1990 com recursos de ONG’s Européias. ajuda a desativar complexos importantes que podem causar problemas enormes. Mavis foi compreendendo . Em regra. as crianças sempre apresentavam doenças recorrentes como asma. Um exemplo disto aconteceu no Brasil. que realizou as ministrações de florais sob orientação de Maria Grillo. Estudando os florais. em Recife num projeto que atendeu a uma população carente e desnutridas. mas que foi impedida por motivos artificiais. Tratava-se de uma comunidade com cerca de 600 casas e mais de 4. As outras são descartáveis. foi introduzida a utilização de Florais de Bach com as crianças. o complexo materno aprisiona o filho na condição de forte ligação com a mãe. a vida que os pais podiam ter vivido. Foi quando então introduziram a homeopatia e fitoterapia.800 moradores. é herdada pelos filhos. pneumonia. Conseguiram em 1991 uma diminuição significativa destas doenças recorrentes. p. O Centro Infantil foi criado pela Associação de Moradores da Ilha de Santa Terezinha. para tentar reverter o alto índice de mortalidade infantil na comunidade. pois existem. criadora do repertório Filhas de Gaia. Apesar dos cuidados. nuances que vão envolver o modo como esta menina um dia será mãe e este homem será pai. uma favela próxima do centro de Recife. sob uma forma oposta. Em 1993 foram introduzidos os Florais da Califórnia. Este quadro levou Mavis Cerqueira a procurar medidas complementares que pudessem alterar este quadro. Portanto. Recife em Pernambuco. coordenado pela assistente social Mavis Cerqueira. Isto significa que os filhos são forçados inconscientemente a tomar um rumo na vida que compense o que os pais não realizaram na própria vida. Foi um trabalho realizado no Centro Infantil Frei Tadeu. quase sempre. o autoconhecimento. 196) O assunto é vasto. Outro aspecto que é preciso entender é que estes problemas são reversíveis. (JUNG. etc.

24% foram recém nascidos prematuros. mental e espiritual). Destas entrevistas colheram-se os seguintes dados: 66% das crianças se desnutriram antes dos dois anos e meio. Começou a aprofundar seu conhecimento sobre a alma do bebê e sobre a importância do vínculo mãe/filho. verificaram que em todas as crianças atendidas era evidente a rejeição da mãe. colheram as seguintes informações: 64% não queriam o filho. e a considerar as feridas profundas da rejeição. que estavam na base da história de vida de cada uma delas como tão importantes quanto seus sintomas físicos. Foi quando então começaram a utilizar os florais com uma nova abordagem. (uma faixa etária onde a necessidade do vínculo forte e nutridor com a mãe é imprescindível. Ao entrevistar suas mães em 1993. para sua recuperação. abandono. Entre estas estão as de quadros de desnutrição mais grave ou moderada e aquelas que não responderam com rapidez ao tratamento inicial. levou-a a considerar as crianças desnutridas como a evidência material e tangível de carências nutricionais em todos os níveis. Pesquisando as mães cujos filhos nasceram de baixo peso. era um sintoma aparente de causas muito mais profundas. Mais da metade delas fumou e usou bebida alcoólica durante a gravidez. já com este novo foco. buscando a nutrição. falta de confiança na vida e ausência de amor.3 % das mães admitiram que tentaram aborto até o quinto mês sem sucesso. Diante deste perfil. emocional. 43% destas crianças já nasceram desnutridas. proteção. E esta nova abordagem trouxe então resultados muito significativos na . desenvolvimento. amor e proteção da Grande Mãe para refazer o tecido básico da vida e reavivar o desejo de viver. Mavis ampliou sua visão da desnutrição. que atingem o ser em todos os seus corpos (físico. sobretudo na fase intra-uterina. educação e alento.1279 melhor a desnutrição e percebeu que ela era muito mais que uma doença da fome. 63. favorecimento. 35% não fizeram o pré-natal. mas também de afeto. aceitação. A constatação de que a desnutrição era uma ausência não somente de alimentos.

No período de 1994/98 foi notável o ganho de peso das crianças e seu desenvolvimento psicomotor ficou mais visível. Em fevereiro de 1995 começaram a utilizar os Florais Filhas de Gaia. Houve uma redução significativa dos gastos com medicamentos e cresceu o número de crianças que venceram definitivamente a desnutrição. com a acessoria técnica de Maria Grillo. as formulações individualizadas foram reduzidas e as crianças passaram a receber. A partir de 1996. e que eram ministradas quatro gotas quatro vezes ao dia e em spray no ambiente. fórmulas florais idênticas que eram definidas para pequenos grupos segundo suas faixas etárias. autonomia. emocional e psicomotor das crianças. Em 1997 e 1998 utilizaram-se somente as fórmulas compostas para os grupos. reunidas em fórmulas compostas chamadas: . na mudança de plano de consciência. 2006) Assim. (GRILLO. Inicialmente. segundo suas faixas etárias.1280 regeneração emocional. com crianças de uma favela. começaram também a trabalhar com fórmulas comum a todas as crianças. exatamente por trazerem as qualidades fundamentais para a cura emocional das crianças desnutridas. constatou-se também o efeito preventivo dos florais. foram verificados os seguintes dados: DOENÇA/ANO Diarréia Desidratação Pneumonia Doenças de pele Otites Anemia Grave Asma 1994 30 16 32 42 20 18 28 1995 15 02 06 40 12 20 12 1996 06 01 02 18 06 10 05 1997 02 zero 02 13 03 04 01 Tabela 7: Resultado do Trabalho de Campo com Floral. As essências utilizadas para estas formulas florais foram. que se tornaram a base dos compostos utilizados com as crianças. em 1996. desenvolvimento físico. Avaliando o prontuário médico das crianças. além da formulação de compostos individualizados para as crianças.

e os dados referentes ao ano de 1998. Arco-Íris: para recuperar as seqüelas da desnutrição relacionadas ao desenvolvimento cognitivo das crianças. Borboleta: para resgatar o desejo de viver da alma. como seus pais mudaram não apenas de modo de vida. Terapia Reichiana.o primeiro composto a ser utilizado com os bebês. Vagalume: para despertar e fortalecer os dons e a criatividade da alma. Estas essências foram reunidas no composto floral Chamego – para trazer nutrição emocional e a habilidade de criar vínculos amorosos e nutridores. Sorriso: Para dissolver a dor gerada pelo abandono ou rejeição. No início de 1999. Fraternidade: Para facilitar uma socialização amorosa. o Centro Infantil encerrou suas atividades mais cedo.1281 Aconchego: Nutrição da alma e cura das feridas no vínculo mãe/filho . (GRILLO. apesar de reunidos. mas inclusive de lugar de habitação para um lugar melhor. parto: Hipnose. No final de 1998. 2006) Muitos são os recursos hoje disponíveis para limpar matrizes interiores com problemas devidos a concepção. terapia Primal. necessário para que estas pudessem exercer com maior qualidade seu papel de mães substitutas. mas veio a falecer. Mavis foi à Europa tentar conseguir novos recursos para dar continuidade ao trabalho. gestação. não foram avaliados e tabulados e se perderam. Vegetoterapia. Respiração Holotrópica. devido à falta de recursos oficiais. pacífica e nutridora. Biossíntese. . Também as cuidadoras das crianças recebiam essências florais. 2006) O resultado foi que não só as crianças melhoraram em seu desenvolvimento. (GRILLO. e deixou de existir aquele grupo de pessoas como habitantes de favela. Técnicas de Renascimento. Manto de Luz: Para facilitar o sentimento de estar protegido no mundo.

1282 Rolfing (massagem profunda). p. em média. a 12 mil atos de violência. em uma mesma sessão. ao mesmo tempo em que são conectados com material de TV. Terapia Floral. Pesquisas mostram que crimes violentos são marcados por uma capacidade limitada para a fantasia. o que permite infância e vida adulta mais saudáveis. (JUNG. É necessário que jovens se preparem emocionalmente para poder viver com satisfação e plenitude a maternidade e a paternidade. (VERNY e WENTRAUB. cada vez mais onipresente. A criança americana assiste. tendem a se repetir de um modo ou outro. 1981b. algo que precisará de cuidado permanente. 175) Um problema atual de extensa gravidade é o isolamento familiar causado pelo. os grupos tribais sentavam-se na frente do fogo e esta visão os agregava. de atenção e de educação. Em estudos realizados nos Estados Unidos contabilizou-se que. pois. A terapia Crânio-Sacral tem resultados muito bons com traumas de gestação. primeira infância com a vantagem de poder tratar mãe e filho. em média. uma criança chega aos cinco anos já tendo assistido a seis mil horas de televisão. algo ainda em formação e que jamais estará terminado. Meditação. Possivelmente. Análise Junguiana. esta é uma das muitas dimensões da descoberta do fogo. aparelho de TV. 1995) É de suma importância que os traumas ocorridos sejam solucionados. No adulto está oculta uma criança eterna. como . um adolescente terá sido exposto a 18 mil assassinatos e 800 suicídios a cada ano. e mil violações. terão passado sete anos de sua vida na frente da TV. (UPLEDGER. parto. Ao terminar o ensino médio. e outras formas quantas sejam possíveis para a criatividade humana. Quando tiverem chegado aos 70 anos. caso contrário. 14 mil referências a sexo. além de terem desenvolvido minimamente sua imaginação na infância. 2004) Antigamente.

além de torná-las consumidoras precoces. a imagem é pronta. Joseph Chilton Pearce localiza aí também o fim do brincar. especialmente nos últimos cinco anos. (PEARCE.1283 começo da civilização. E. e a ingestão automática de comida aumenta. Descreve a . Em 1997. E não é a criança. conscientizando-os de que o abuso de TV tornava os jovens mais agressivos. a Associação Americana de Pediatria divulgou carta aberta orientando os pais. 1999) aquela atividade fundamental para o desenvolvimento do cérebro de uma criança. Em 2002. orientando-os para ter atenção com um processo que vem ocorrendo. diante da TV. A televisão acelera a transição das crianças para a idade adulta. 177) A autora tem orientado que as famílias privilegiem o contato com atividades artísticas. os olhos parados. sobretudo. “Ninguém pode educar para a personalidade se não tiver personalidade. Os pais são responsáveis pela formação de valores que precisam ser transmitidos as seus filhos. 2005) São os pais que precisam dar as linhas de orientação para os filhos. devido às luzes brilhantes projetadas. e o diálogo. A eles também é delegado o cuidado com a alma. não há o que imaginar. Os pais não devem cuidar apenas das necessidades básicas e primárias. p. as transmissões de Pokemon nas TVs do Japão provocaram ataque epiléptico em quase 700 crianças. que ela nomeou de “síndrome do escravo feliz”. Passaram-se milhares de anos e a TV consegue que mentes parem e famílias deixem de se comunicar.” (JUNG. (HONORÉ. Ela tem falado com pais. expondo-as a questões do mundo dos adultos. 1981. e abandonem o uso mecânico da TV. Delegar as instruções de valores a instituições ou pessoas é uma forma de omissão e negligência. as redes de TV não podem ser “responsáveis” por decidir por quais valores seus filhos serão guiados. mas sim o adulto quem pode atingir a personalidade como o fruto amadurecido pelo esforço da vida orientada para esse fim. a inexistência de comunicação familiar torna-se um grave problema.

ele e ela recebem prêmios. pois os pais escolhem escolas de perfil competitivo. deste modo. pelas crianças pequenas. um bom carro (para. que vem a ser o primeiro de uma série. durante anos. seus filhos serão vencedores como eles. No fim de semana. Mal sabem eles que tais viagens são vividas. ele ou ela se sente “prestigiado”. enquanto seus filhos adoecem numa estranha orfandade. em geral. no lazer. as conduções contratadas é que levam as crianças para a escola. promoções. O tempo passa e a empresa oferece máquinas que mantêm este indivíduo ligado à atividade profissional. ligam a TV e pedem para que seus filhos não os perturbem. estes pais trabalham sobre grandes tensões de prazos e fazem parte de reuniões demoradíssimas. O resto do dinheiro é para pagar a creche e toda sorte de terapias para a criança que fica com uma agenda cheia de atividades. os quais vão permitir comprar um apartamento novo. Na volta da viagem. trabalhou automaticamente. Um dia esses pais descobrem que não existem mais crianças na casa e esta descoberta acontece. que ainda não sabe comunicar-se direito informando que o “escravo feliz”. mesmo em casa. voltam para casa. No entanto. embora o tempo seja curto para apreciar. Um outro dia vem a depressão como resultado da fraca vida interior. como abandono. Em muitos casos. uma TV nova. nenhum ritual de aconchego.1284 seguinte situação: pai ou mãe saem de casa às sete ou 8 da manhã e pouco vêem o filho. os filhos estão distantes. levá-los ao trabalho) e mais máquinas eletrônicas etc. dominantemente. esquivos. aí entram nas lojas com brinquedos muito pouco educativos que compram o consolo dos pais. e . Nestas famílias não há refeições à mesa. os “escravos felizes”. A angústia na espera do aeroporto faz lembrar os filhos e. estes pais enviam os filhos para casa dos avós. pois estão exaustos e as crianças “não dão sossego”. alimentam-se mal. No entanto. devido a algum incidente desagradável de adolescência. subitamente. que a toda hora recebem convites das empresas para viajar. altos salários. Por outro lado. na certeza de que. em qualquer situação.

Segundo ele. mais e mais. Um dia mais adiante. estabelecida pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. entre adolescente americanos em 2000. 73% disseram que os pais passavam muito pouco tempo com eles. A autora. aprendendo histórias e sobre a natureza. Em pesquisa na revista Newsweek. Consciência é escolha. nem os viu crescerem. Na Finlândia. conversando com pessoas aposentadas com este histórico de vida. na primeira carta de criança pedindo ajuda. está uma vida vazia. às vezes por um drama. Durante estes 80 anos de . Rudolf Steiner se opunha à alfabetização antes dos sete anos. Este pedagogo também entendeu a ineficácia de horários rígidos de matérias que fazem os alunos roboticamente irem de um lugar para outro na escola. as crianças começam com seis anos sua formação pré-escolar e o aprendizado formal aos sete anos. (HONORÉ. ainda que morando na mesma casa.1285 não usufruiu nada com os filhos. E este país se tem mantido em primeiro lugar na classificação mundial de desempenho educativo. e outras novas estão sendo abertas. às vezes por uma tragédia. Países estão repensando a prática do aceleramento do estudo. no melhor estilo escravagista moderno. atrás do “escravo feliz”. é preciso que se escolham quais fotografias de tempo serão guardadas. para crianças. ou se são os pais. O “escravo feliz” não pode deixar de acordar no primeiro choro do filho sem partilha. de fato. observou que ninguém lembra de nenhum “memorando que era imprescindível”. sem conexão com um sentido fluente. as crianças deveriam passar os primeiros anos da vida brincando. É preciso escolher na vida se o patrão determina prioridades. eles descobrem que a máscara cai e que. desenhando. 2005) A Academia Americana de Pediatria adverte que a prática precoce de exercícios pode causar problemas de saúde e psicológicos. que usam o coração como bússolas e não esfarinham suas vidas e a dos seus filhos. não robotizados. Hoje existem mais de 800 escolas Steiner no mundo.

Muda-se para a França e trabalha com testes de inteligência infantil. Sociologia e Filosofia da Ciência. pois segundo Roland Meighan. 3 – A corrente sociocentrista. que tem por finalidade a transmissão.1286 ensino. 2005. Para isto. trabalho”. pelo professor. estuda e depois publica O Nascimento da Inteligência da Criança. antes de olhar fisicamente uma escola. em 1896. A autora fará um brevíssimo sumário das mais conhecidas linhas existentes. 2 – A corrente puero-centrista. Psicologia Experimental na Universidade de Neuchâtel. seguindo-se depois A psicologia da Inteligência. a formação e o desabrochar do aluno-pessoa’.297) Depois que a criança completa os três anos. Porém. que ‘tem por finalidade adaptar o aluno à sociedade técnica e industrial’ (LIBÂNO et al. até porque o conhecimento se constrói todos os dias. que tem por finalidade ‘o desenvolvimento. estudou psicologia e psicanálise. com eficiência comprovada. p. começam também a fazer perguntas sobre tudo mais – política. Pode se ver que existem quatro correntes pedagógicas enunciadas por Allet em 1998: 1 – A corrente magistro-centrista. pois já externou que. A educação é vital. 2005. que reflitam os valores de suas aspirações. que ‘ tem por finalidade formar um homem social’. meio ambiente. e faleceu em Genebra. Leciona Psicologia. é interessante conhecer a linha pedagógica que esta segue. ‘membro da comunidade e sujeito social’. . pois ela pressupõe uma cosmovisão. Formado biólogo. Baseando-se na observação de seus filhos. a procura cada vez maior por escolas Steiner no mundo reflete uma evolução. os pais precisam continuar atentos aos valores que querem para seus filhos e isto é determinante para a escolha da escola onde vão matricular os filhos. História do Pensamento Científico. Em 1946. ela entende também que as pessoas devem buscar escolhas. p. É importante compreender que os pais mantenham este fundamento da cosmovisão. Escreve A Linguagem e o Pensamento da Criança. só entende uma pedagogia para prover uma educação integral. de um saber constituído. (HONORÉ.153) A Pedagogia de Piaget que nasceu em Neuchâtel na Suíça. especialista britânico em educação: “Quando as pessoas começam a se fazer perguntas sobre a educação. 4 – A corrente tecnocentrista. em 1980. que não se fechem em teorias únicas. na verdade.

Inúmeras pesquisas foram mostrando que o papel desempenhado pelos processos afetivo e cognitivos. psiquiatra. órgão das Nações Unidas para educação. discípula de Piaget. ALMEIDA. 2005d) Maria Montessori. 1967. A ênfase de Piaget se mostra em sua própria formação que é a da aquisição do conhecimento para a inteligência matemática. afora isto a genética em que se baseou a maior parte do seu arcabouço teórico ruiu. Em 1909. Escreve Introdução à Epistemologia Genética e. Assim como também ruiu a visão de psicologia que não emprestava valor ao conhecimento antes dos dois anos e meio. são de extrema importância no desenvolvimento. como foi o caso da pedagogia desenvolvida por Emilia Fereiro. Praticamente só 50 anos depois é que serão publicados seus livros A Formação do Homem. entendido como meio físico. (PINTO. Em seu livro A Formação do Símbolo na Criança afirma: “a criança não reflete”. A Psicologia da Criança. hoje. a relação entre desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento social é mais complexa do que ele formulou. 1978. 2002. grande peso. Esta tem sido a pedagogia dominante no mundo – ou ela. começa a se dedicar ao ensino. 2005b. escreve Biologia e Conhecimento. as inúmeras pesquisas que surgiram deixaram patente que. e que a adaptação ao meio. com as descobertas da Nova Biologia. Em 1967. o desenvolvimento cognitivo não é o que mais importa. Além disto.1287 participou da elaboração da Constituição da UNESCO. Para Educar o Potencial Humano e O que você precisa Saber sobre Seu Filho. por ele negligenciados. tem na vida. diferente do que Piagert pensava. Na verdade. 2005d) . PINTO. já abarcando algo da dimensão espiritual da criança. 2005a. publica O Método de Pedagogia Científica e entende que deve haver materiais pedagógicos específicos para crianças entre seis e 11 anos. em 1966. (PIAGET. ou algo que dela derive. ciência e cultura. pensando numa pedagogia voltada para a educação na primeira infância.

corporalcinestésica e pessoal. 1988. (VYGOTSKY. Em 1927. ano morre. O que restaria se o brinquedo fosse estruturado de tal maneira que não houvesse situações imaginárias? Restariam as regras. Gardner. lecionou literatura. É importante. identificar as novas formas de atividade que fizeram do trabalho um meio fundamental de relacionamento entre o homem e. escreve O significado Histórico da Crise da Psicologia e em 1931. passa a lecionar no Setor de Educação e Cultura Social. . (PINTO. (REGO. das relações entre o uso de instrumentos e o desenvolvimento da linguagem. Em 1934 publica Pensamento e Linguagem e. Ainda em 1925. porém. p. e organiza Laboratório de Psicologia para Crianças Deficientes.1288 Lev Semenovich Vygotsky nasceu em 1896. acontece a Criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). o Desenvolvimento das Funções Psicológicas Superiores. 1994) Paulo Freire nasceu em 1921. musical. é simplesmente incorreta. no mesmo. no mesmo ano. casa-se. Em 1925. Em 1947. terceiro. Em 1959. Parece que ele não compreendeu a função meditativa do brincar. compreender o ser humano e seu ambiente físico e social. Portanto. em 1924. Sempre que há uma situação imaginária no brinquedo. apud LUZES 2003) Outro autor. perceber que há outras dimensões que precisam desenvolver-se. Ele fala de sete inteligências: lingüística. em Osrha. 2005c) Vygotsky buscava resposta para três questões fundamentais: primeiro. 1998) As três questões enfocam o ser que produz. lógico-matemática. espacial. e tem duas filhas. a natureza. começa a escrever os seus artigos. escreve Educação e Atualidade Brasileira. (GARDNER. a noção de que uma criança pode comportar-se em uma situação imaginária sem regras. Em 1922. 125 p. tenta uma aproximação pedagógica mais voltada para o ser. segundo. chega a abrir uma editora. é convidado a trabalhar no Instituo de Psicologia de Moscou e. e estuda Direito. escreve sobre Psicologia da Arte. lida pela autora. há regras – previamente formuladas e que mudam durante o jogo. mas consegue não usar a palavra “sentimento” em toda a sua obra. mais aquelas que têm sua origem na própria situação imaginária.

Publica Alfabetização e Conscientização. (JUNG. depois. torna-se consultor do Conselho Mundial das Igrejas. 2004. capaz de construir sua felicidade mediante conhecimentos. (PINTO. 2005e) Por 30 anos Paulo Freire defendeu que o conhecimento não se transfere o conhecimento. Em 1982. p. mas. Em 1969. 2003) Portanto.1289 Dedica-se a alfabetizar filhos de trabalhadores rurais. Em 1970. se constrói. no Chile. 1981b. 1981b. 1981b. (JUNG. Isto significa encarnar o conhecimento como uma razão de ser. torna-se professor da Unicamp. como a inteligência. publica Extensão ou Comunicação? Em 1980. p. A dimensão social tem forte matiz na pedagogia de Freire. fortalecendo a auto-estima. vai viver nos Estados Unidos onde leciona em Harvard. 137) O profissional está como que inevitavelmente condenado a ser competente. em 1991 publica a Educação da Cidade. também. (SANTOS. Este aspecto vem contextualizado dentro da formação de uma juventude competente profissionalmente. em Genebra. 175) A pedagogia formativa não pensa exclusivamente na formação para o mercado de trabalho. 83) . Em 1971. p. resulta da relação professor aluno. p. como na África. Em 1964. escreve A Pedagogia do Oprimido. Devido a questões políticas fica exilado na Bolívia e. 174-175) O educador deve sempre ter em mente que pouco adianta falar e dar ordens: o importante é o exemplo. “Todo o nosso problema educacional tem orientação falha: vê apenas a criança que deve ser educada. publica a Importância do Ato de Ler. o Programa Nacional de Alfabetização (PNA) é oficializado. (SANTOS. Em 1968. e deixa de considerar a carência de educador no adulto”. participando de ações educativas em outros continentes. (JUNG.

antropologia e psicologia animal. Wallon defende que as emoções são reações organizadas e que se exercem sob o comando do sistema nervoso central e que é na ação sobre o meio humano. 2005. inteligência). (GALVÃO. Para Wallon as emoções podem ser consideradas como a origem da consciência. Seu trabalho consiste na elaboração de uma psicogênese da pessoa completa. escritor.1290 Henri Wallon opõe-se às concepções reducionistas. motricidade. (WALLON apud ALMEIDA. baseada na concepção idealista. como fundamento do que faz na escola. uma ampla visão do universo. 1998) Buscando apreender a função da emoção. (GALVÃO. que deve ser buscado o significado das emoções. psicopatologia. escreveu: “Nos três primeiros anos o homem aprende muito mais para a vida do que nos três anos acadêmicos” (STEINER. 1981 b) Jean Paul. p. cuja visão organicista coloca a consciência como simples decalque de estruturas cerebrais. nos quais se distribuem as atividades infantis (afetividade. 10) . que limitam a compreensão do psiquismo humano a um ou outro termo da dualidade espírito-matéria. (STEINER. 2002) Rudof Steiner entendia que o professor moderno deveria ter. assim como aos materialistas mecanicistas que proclamam as bases biológicas da ciência psicológica. Ressalta para isto a importância do grupo. Wallon tece críticas à psicologia da introspecção. bem como o papel fundamental do meio social. necessitando para isso integrar conhecimentos de neurologia. e não sobre o meio físico. Defendia a plasticidade do sistema nervoso e evidenciou as estreitas relações existentes entre movimento e psiquismo. 1998) Wallon propõe um estudo integrado do desenvolvimento que envolva vários campos funcionais.

entre 1. e a pensar por volta de três anos. Assim. quando a criança está começando a falar. 2005) No desenvolvimento da linguagem: aproximadamente aos 1. é um produto do andar. isto é. (STEINER.) é um fato verdadeiro que. compõe-se de 63% de substantivos. Nesta mesma seqüência. 2002) A criança percebe a cor complementar e reage a ela. . (KÖNIG. 1996. 174) Na pedagogia e no ensino futuro. se uma criança está agitada e for exposta à cor vermelha.11 anos sua linguagem. recordar (lembrança rítmica) e lembrança imaginativa (lembrar). chega o andar a manifestar-se como linguagem. (KÖNIG. Steiner dizia que se deveria dar ênfase ao cultivo da vontade e da vida emocional. ela surge em três etapas: perceber (lembrança localizada). E a produção desta cor tem efeito calmante. Os movimentos exteriores se transformam nos movimentos internos da linguagem. Mesmo para aqueles que não cogitam uma reforma do ensino e da pedagogia. p. 1981b. Porém. O falar. que primeiro seja educado.1291 A criança começa a andar por volta de um ano. diz Steiner (2005). fica aquém das necessidades educativas da criança. e 22% de adjetivos. é um produto da orientação no espaço". 1992) Se alguém quer educar. a deslocar-se de um lugar a outro.8 anos: 78% de substantivos.3 anos a criança usa 100% de substantivos. (. Até o terceiro ano a memória está formada e é a partir daí que se dá um continuum para as experiências diárias. (JUNG. da mesma maneira como aprende a criança a andar. e 23% de verbos. se a pedagogia for centrada na volição e emoção. 2002) Quanto à memória. (STEINER. Afirma ele: por um misterioso processo do organismo humano. a falar por volta de dois anos. 14% de adjetivos. ela produz intimamente a imagem complementar verde. a orientar-se no espaço. o organismo inteiro é ativo. portanto. há uma certa dependência de uma para a outra atividade. e aos 1.

não pensam em colocar os filhos numa escola que não dará seguimento a este trabalho que fizeram com seus filhos. Na escola todas as atividades devem estar bem estruturadas na direção de pensar. o respeito aos ritmos e à percepção da criança dentro do seu contexto familiar. a pedagogia que mais se expande hoje no mundo consciente é a Waldorf. A arte é parte fundamental do ensino.. A atividade criativa e constante. E irradia felicidade. sentir e fazer.1292 A criança precisa vivenciar. p. permite o desenvolvimento da vida reflexiva. Deste modo. porém rítmica.234) . (GUERRA et al. pois é plena. explorar e elaborar o mundo. brincando. CLÖCKER. 1980c. p. As crianças que irradiam felicidade são também líderes natos para as outras crianças. (REICH. Os Três Primeiros Anos de Vida e Antropologia A criança que necessita de proteção de forças malignas foi algo que se verificou em muitas culturas. 1993) A pedagogia Waldorf almeja o desenvolvimento integral do ser humano. (GOEBEL. (CROOKE apud FRAZER. 1987. uma tribo aborígine de uma província em uma colina do Sul de Mirzapur. 21) 9. ao mesmo tempo em que a capacidade destas crianças é desenvolvida ao máximo e sem estresse. 2006) O que a autora vem percebendo nestes anos é que os pais que tiveram filhos com estas cinco condições de que se fala na tese. Entre os Majhwâr. um instrumento de ferro tipo uma foice ou um talhador de arequeira é constantemente mantido perto da cabeça da criança durante seus primeiros anos de vida com a finalidade de repelir os ataques de fantasmas.

onde foi construída uma colher. Ela descreve que eles têm uma atividade sexual diferenciada. entendendo dois modos de sexo: o que é para divertimento e o que é para procriação. Isto implica também várias restrições dietéticas. podendo alimentar-se com a comida que lhe faz bem. A mulher que deseja conceber deve ser tão passiva quanto possível” (MEAD. O pai do recémnascido e seu padrinho descem ao poço. o pai não pode estar presente. a atividade sexual passa a ser intensa. usando de uma varinha para se coçar e ingerindo todos os alimentos com uma colher. chamado ritualmente “enguia”. diz-se então que a criança “está terminada. Após um período de cinco dias. No momento que os seios ficam descolorados e incham. onde foi construída uma pequena choça de folhagens. isto é. Assim sendo. o qual se tornará seu padrinho e executará a cerimônia necessária. é levado à beira d’água. 1979. em cujo leito se coloca um grande colar branco. Os dois receberão cuidados vindos das esposas do irmão do pai. que poderiam afetar ou o bebê ou o trabalho de parto. Esta casinha é levantada perto de um poço. (MEAD. Em seguida. Esta antropóloga observou duas tribos na Nova Guiné: os Arapesh e os Mundugumor. Somente poderá purificá-lo deste estado um homem que já teve filhos. quando há intenção de procriar. 1979) Entre os Arapesh: O homem que tem o primeiro filho (homem) se vê num estado tão precário como o menino recém-iniciado ou o individuo que matou pela primeira vez numa luta. sem tocar o tabaco com as mãos. pois eles entendem que no primeiro momento o feto é formado pelo sangue da mãe e o esperma do pai. o pai bebe a . Depois ele se travará conhecimento com o bebê e a mulher. durante os quais permanece na mais rigorosa segregação com sua esposa. um ovo perfeito. sendo os primeiros uma tribo marcadamente terna. e então observarão restrições dietéticas. p. A necessidade de um ambiente calmo é sempre ressaltada. 1979) No momento do parto. e agora repousará no ventre materno. e. 56) Desde então fica interditada toda relação sexual pois é entendido que a criança precisa dormir tranquilamente. (MEAD. caracterizando a gravidez. realizarão pequenos ritos para assegurar o bem-estar da criança. alegremente ornamentada com flores vermelhas e ervas apropriadas para a magia do inhame. O enjôo matinal é desconhecido por esta tribo. onde o progenitor ritualmente limpa a boca num colar que seu padrinho lhe estende.1293 Duas tribos observadas por Margaret Mead são demonstrações da questão tratamento do bebê e tipo de civilização que se desenvolve.

colocada numa cestinha que ela apóia na testa. nunca é deixada sozinha. Eles acreditam que não é bom nascerem crianças com idade próxima. com a mãe. e é tabu especial para meninos durante os períodos de crescimento (MEAD. em geral. não-agressiva e não iniciatória. A mãe a amamenta até três ou quatro anos. a colocação é mais fácil de acesso ao seio. não competitiva e receptiva. outras mulheres podem dar-lhe de mamar. pois a mãe é sacrificada e as crianças também. O aleitamento permanece. Mesmo que o pai tenha outra esposa. 63). dócil e confiante” (MEAD. de um animal bom. p. 1979. 58-59) Pai e mãe cuidam do bebê. ao falo. A atividade sexual fica interrompida desde os primeiros meses até as crianças darem. de uma pessoa boa. não obstante alimentos tenham sido incluídos na dieta. O pai cuida bastante do bebê. 1979. que ele devolve ao padrinho. Ela desenvolve relação afetiva com animais e pessoas. seus primeiros passos. para a criança ter um lugar onde possa estar para combater o medo ou a dor. cordial. Depois que a atividade sexual é recomeçada. a mãe explica à . 1979) A educação da criança Arapesh faz com que ela tenha comportamentos como Margaret Mead percebeu: “plácida e satisfeita. Nesta comunidade o choro da criança é visto como algo urgente de ser acolhido. (MEAD. a atividade sexual é considerada prejudicadora ao desenvolvimento da criança. tanto cuidados higiênicos. Nos seus primeiros anos a criança nunca está longe dos braços de alguém fica. Com o tempo outras brincadeiras com outras crianças passam a interessar mais do que o relaxado aleitamento. Entra na água e consegue capturar a enguia. o pai pode dormir com outra esposa se quiser. de acordo com o temperamento da criança. e ela dorme em contato íntimo com a mãe. não é mais necessário permanecer dormindo com a esposa e a criança. e banha o corpo inteiro. de maneira simbólica. p. Os pais vão apresentando os seres à criança com voz calma e sempre assegurando que se trata de um alimento bom.1294 água do poço onde foram mergulhadas algumas ervas aromáticas e perfumadas. A enguia está intimamente ligada. quanto de alimentação e é com ela tão pouco severo quanto a mãe.

Se o marido efetivamente começou novo relacionamento. os próprios parentes da mulher a abandonam. onde há um forte senso de amizade entre os pares. 68) É uma sociedade que não conhece violência sexual.1295 criança que outra mulher é “outra mãe”. e se alimentam de água de coco e levam o bebê ao seio. até mesmo as gradações de idade nelas implicadas se apagam” (MEAD. e acabam por manietá-los de bruços. 1979) As cestas em que as mães carregam os bebês são em geral duras. irmão ou primo. e a criança pode entender que uma outra mulher de outro grupo racial. 1979. normalmente quando saem. e apertadas. sem muita delonga quando ocorre a descida do leite. quando a mulher conta ao esposo que está grávida ele fica insatisfeito. Carregam-nos somente em caso de necessidade. na tribo dos Mundugumor. (MEAD. A adoção é prática freqüente nestes casos. As relações sexuais são interrompidas. deixam-os em casa. ou nomes semelhantes para as mulheres. quando a criança nasce a mãe estará ainda mais distante dela do que seu pai. e ambos perdem a confiança na parceria e fidelidade. E a adoção nesta tribo pode ocorrer por mulheres que nunca conceberam. que assim lhe foi apresentada. Fica constantemente preocupada que ele tome outra mulher por esposa durante o período da gravidez. “Não há ninguém a quem não chame tio. Automaticamente ele fica excluído de atividades de que gostava. para impedir o nascimento de gêmeos. As estórias com rivais são freqüentes. p. o que agrava o afastamento entre marido e esposa. a ponto de ser difícil saber exatamente quem são os parentes. E como estes termos são empregados em larga extensão e com total indiferença quanto às gerações. Enquanto para os Arapesh o choro da . A taxa de nascimento de gêmeos nesta região é superior à de qualquer outra na Nova Guiné. 1979) Por outro lado. (MEAD. A privação sexual é vivida pela mulher como odiosa. é também alguém em quem pode confiar.

por mais que as defenda. por medo de afogamento. e no momento em que para de mamar. arranham os cestos onde estão. 1979) Para os Mundugumor o êxito está na capacidade de violência. com peculiar sexualidade agressiva. lhe serão finalmente arrebatadas. 1979) Margaret Mead observou: Esta atitude para com os filhos condiz com o individualismo desumano. poderia combinar o tipo de personalidade do Mundugumor com um interesse na paternidade. segurando vigorosamente o seio. São canibais. as pessoas sem sequer olhar para elas. 1979) . não há contato prolongado. tingindo o aleitamento em um forte ódio. e só se o choro continuar é que a criança é amamentada. (MEAD. (MEAD. um homem não tem herdeiro. A primeira criança é a mais mal recebida. (MEAD. a criança é devolvida a seu cesto. Para o homem a única esperança de força e prestígio reside no número de esposas. A amamentação ocorre de pé. o aleitamento no seio só ocorre quando a mãe avalia real necessidade de alimento. 1979) Nesta tribo apenas as crianças mais fortes sobrevivem. é imperioso que nasça uma menina para poder trocar uma esposa. (MEAD. aqui. apenas filhos que são rivais hostis por definição e filhas que. e calor. mas sob o sistema de casamento Mundugumor. e sugando-o de modo rápido. Assim sendo. (MEAD. Um sistema que tornasse o filho valioso como herdeiro. que hão de trabalhar para ele e dar-lhe os meios de adquirir poder. p. e não tem nada de afeto e carícia corporal mútuas que se observam entre os Arapesh. o que irrita a mãe.1296 criança é motivo de mobilização de todos por contato físico com a criança. por dor ou medo isto não ocorre. 190-191). e muitas vezes se engasgam. uma vez que onde o afogamento ocorrer a água fica interditada para beber. Logo que aprende a andar a criança é largada a maior parte do tempo: não lhe é permitido andar longe. E uma vez nascido um menino. as crianças desenvolvem uma atitude de luta para mamar. ao invés de afeição. 1979. como extensão da sua própria personalidade do pai. outros filhos vão sendo melhor aceitos. e o som desagradável acaba sendo entendido pelo bebê. com a hostilidade intra-sexual dos Mundugumor. como resposta possível a seu choro. Com o tempo.

143-144) O atendimento que a mãe Netsilik dá a seu filho satisfaz as exigências de suas necessidades programadas filo-geneticamente. as mulheres ocupam sempre posição fortemente marcada. A própria mitologia faz freqüentemente remontar a uma mulher a origem primeira dos costumes canibais. é a chave para a capacidade dos esquimós Netsilik enfrentarem os estresses. Quando a sociedade não as exclui. dir-se-ia que se espera das mulheres (se nos permitem a expressão) que “tomem parte”. a homeostase implica uma força vital dinâmica. a posição atribuída às mulheres raramente é neutra. (LÉVI-STRAUSS. ela isola. sugere De Bôer. ou seja. (SCHUBART. respostas altruístas ou agradáveis aos relacionamentos interpessoais e o poder de realizar manipulações simbolicamente. 1986. por conseguinte.55) “A cobiça não quer ouvir falar de sacrifício e de comunidade: ela só reconhece o prazer. Uma vez que inexistem relacionamentos de dominância-submissão nas relações familiares e especialmente nas materno-filiais.1297 O canibalismo é de essência mágica”. embora sejam constantemente ameaçados pelas incertezas de seu ecossistema. (MONTAGU. Situações ecologicamente estressantes jamais transtornam sua homeostase emocional: ele se defronta com um urso polar enfurecido com a mesma frieza e serenidade com que se mostra capaz de enfrentar a ameaça de escassez de alimentos. separa. mata. 1975. Essa invariabilidade da resposta de prazer. com relação a esse uso. existe um equilíbrio harmônico . Do ponto de vista evolutivo. Em face do canibalismo. um traço notável das sociedades que praticam o canibalismo parece ser que. as respostas do bebê são invariavelmente agradáveis. este equilíbrio homeostático tem oferecido vantagens seletivas para a sobrevivência tanto do indivíduo quanto de seu grupo. a criança Netsilik já alcançou “as únicas duas características motivacionais necessárias ao seu funcionamento como ser humano auto-regulado”. p. Eles raramente têm comportamentos adversos a outros indivíduos ou situações. pelo contrário. A invariabilidade de sua resposta homeostática emocional não implica que estas respostas sejam estereotipadas. 1986) Quando está com aproximadamente três anos de idade... o faz unicamente para seu prazer e seu enriquecimento pessoal. 1975) Ora. p. Relaciona-se com a cobiça: aquele que leva em sua mão outra pessoa. (KIERKEGARD apud SCHUBART.

amadurecerão suas habilidades espaciais que serão reforçadas por experiências subseqüentes. As extraordinárias capacidades espaciais dos esquimós. assim como suas notáveis habilidades mecânicas. a mãe lhe dá delicados tapinhas ou faz carícias. 1986) Em Ganda na África Oriental. talvez estejam intimamente relacionadas a essas experiências iniciais. que é a média constatada em bebês das sociedades ocidentais. da África Oriental. a Dra. o indivíduo vive relações gratificantes e mutuamente altruístas. 1986) Os movimentos da mãe durante a execução de suas atividades rotineiras dão à criança esquimó uma visão do mundo a partir de um amplo ângulo. com base nesta visão. (MONTAGU. Mary Ainsworth realizou um estudo detalhado das práticas de criação de filhos junto aos Ganda. (MONTAGU. ficavam em pé. Seu estudo de campo foi conduzido numa única aldeia.1298 entre o indivíduo Netsilik e sua sociedade. a cerca de 24 km de Kampala. Otto Schaeffer perguntou a uma mãe esquimó como é que ela sabia quando seu bebê queria urinar. seus filhos às costas e beneficiava-se da amamentação natural que durava um ano ou mais. Ainsworh atribui isto ao tipo de atendimento recebido pelo bebê. às costas da mãe. A maioria das mães ainda carregava. é incomum que o bebê esquimó urine ou defeque enquanto está dentro da bolsa – amauti – da parka de sua mãe. tal mãe ficou muito espantada pela implicação da pergunta: que poderia haver mães tão “estúpidas” que não conseguissem sabê-lo. e sempre recebia a mensagem a tempo. . Enquanto segura o bebê nos braços. Eles se sentavam. 1986) Todavia. Lá os bebês passam a maior parte de suas horas de vigília no colo de alguém. engatinhavam e andavam muito antes do eu. (MONTAGU. Quando o Dr. Observou-se que o ritmo do desenvolvimento sensório-motor era acelerado na maioria dos bebês.

A mãe nunca o deixa e o carrega às costas. o que é ainda mais significativo. 1986) Os dados levantados pela Dra. presumivelmente porque tinham perdido habilidades adquiridas antes. observou que eles vivem uma sensação de pertinência e companheirismo. endossam também essa última possibilidade. (MONTAGU. Essa é a tarefa para a mãe substituta. Porém ao atingir a idade de dezoito meses e até os dois anos de idade. frequentemente num contato pele-pele. 1986) Lorna Marshall. A mãe natural não vai “treiná-lo”. quando comparadas também com as crianças de Ganda criadas à européia. o estudo de Ainsworth lida apenas com os primeiros quinze meses de desenvolvimento da criança de Ganda e nada nos informa a respeito dos traços posteriores de personalidade do adulto deste povo. (MONTAGU.1299 Infelizmente. Ele também é o centro do interesse para vizinhos visitantes. Marcelle Géber. pois constatou que os recémnascidos e os bebês até dois anos mostravam vantagens consideráveis tanto de desenvolvimento físico quanto intelectual. e alimenta-o. Géber descobriu que essas crianças passavam por uma acentuada desaceleração em seu desenvolvimento. que está sendo constantemente reforçada pela alta freqüência de contato tátil. As crianças examinadas antes e depois do desmame mostraram acentuadas diferenças de comportamento. ela dorme com ele. para onde for. atados à lateral de seu corpo por sacolinhas de couro macio de onde podem facilmente alcançar o . que passou muitos anos morando com os Kung. algumas delas mostravam menos capacidades que antes. criança é tirada da mãe e dada a uma outra mulher de outra aldeia para ser disciplinada e “socializada”. para quem é oferecido. que estudou 308 crianças de Kampala. se comparadas às crianças européias de idade equivalente e. A Dra. assim que foram trocados os cumprimentos de prazer como parte do ritual. Os bebês Kung são carregados pelas mães a maior parte do tempo. num período que se estendeu de 1950 a 1961. e nas relações pessoais e sociais.

quão majestoso é o teu nome em toda a terra. 1986) 10. Mulheres que não vão sequer poder ter a chance do contato com o filho. Tu. 1983.651) A orientação que aí se vê é que é importante que os pais controlem sua raiva. pois assim lhes é imposto pelo desamparo de seguridade social. Êxodo: 1: “Todo filho recém-nascido deveis lançar no Nilo. Na Bíblia. cuja dignidade é narrada acima dos céus! 2 Da boca de crianças e de bebês fundaste a força. porque viam que a criancinha era bela e não temiam a ordem do rei. p. p. 74) Hebreus: Capítulo 11 Versículo 21 Pela fé Jacó. (MONTAGU. Eles não usam roupas e estão em contato direto de pele com suas mães. este arquétipo da criança abandonada que é colocada num rio.1300 seio materno. (BÍBLIA. nosso Senhor. estão no colo de alguma outra pessoa. Salmos: Capítulo 8 Ó Jeová. foi a ordem do Faraó. mas toda filha deveis preservar viva” (BIBLIA. pois o ato com raiva é tremendamente humilhante. 22 Pela fé José. que ficam deitados conversando. próximo do seu fim. o poder que comanda. vindo do cuidado aos bebês. e ele deu mandado a respeito dos seus ossos. prolongadamente como a mãe de Moisés. abençoou a cada um dos filhos de José e adorou encostado na extremidade do seu bordão. Moisés foi escondido pelos seus pais por três meses depois de ter nascido. 23 Pela fé. pois um poder assim o determina. quando estava para morrer. À noite. ou então brincam ao alcance da mãe. 183. . são mulheres de todo mundo que deixam seus filhos em creches. Nos dias atuais. Mamam quando e quanto querem. (BÍBLIA. Quando não estão nos braços da mãe nem atados à lateral de seu corpo. 1983. p. Os Três Primeiros Anos de Vida e Tradições Talvez um mito que se pode dizer que não foi superado por nossa civilização é o mito de Moisés. fez menção do êxodo dos filhos de Israel. dormem nos braços da mãe. ou quando são colocados no chão para brincar.1363) Nesta passagem fica claro que grande reino pode existir na terra. amontoam-se em cima dos mais velhos. pois é deles que vai surgir uma nova humanidade mais harmônica.

. 1997. maridos. Agir exteriormente como se estivesse amando e intimamente estar apressado. . persisti em amar as [vossas] esposas e não vos ireis amargamente com elas. e família. esposas. • Existe um tempo para união da família depois do nascimento. pois isso é bem agradável no Senhor. e no desenvolvimento no útero. pois a criança adquire nos primeiros anos de vida uma estrutura de ego que nunca a abandona . desarmônico. 78 -79) Clara Codd no livro Thought: The Creator. (BÍBLIA. 19 Vós. que se evidencia quando se cuida de crianças é que elas são extraordinariamente responsivas. e o tratamento é feito logo depois do nascimento.. não estejais exasperando os vossos filhos. Então bebês devem ser. • Contínuo vínculo mãe e pai e criança e membros da família é essencial para o desenvolvimento do cérebro da criança. p.1301 Colossenses: Capítulo 3 Versículo 18 Vós. 20 Vós. pais. • A depressão pós-parto é conhecida medicina tibetana. Muitas vezes os nomes são escolhidos pelo Dalai Lama. No dia ou semana em que a criança nasce é que lhe é dado o nome. profundo que cresce entre criança e os pais. p. 1983. (MAIDEN e FARWELL. A ansiedade é transferida prontamente para o bebê e prejudica seus corpos sutis. Crianças podem sentir-nos e eles sempre reagirão de algum modo. (PARENTS THEOSOPHICAL RESEARCH GROUP. é bem clara na observação de Nancy Bullock: Para satisfazer as necessidades de uma criança. p. 1981. Que o vínculo se desenvolve a partir do amor. 21 Vós. • O nome do bebê é geralmente um modo de ele manter conexão com sua linhagem espiritual. Nós não sonharíamos com entrar no quarto de uma criança se tivéssemos uma doença contagiosa ativa. filhos. em tudo sede obedientes aos [vossos] pais. para o bem ou para o mal. o máximo possível protegidos de tudo o que for feio. 93) Na teosofia: A percepção de nossos campo mentais como influenciam o estado do bebê. pois é crucial. refletindo quase como um espelho os pensamentos e os humores das pessoas crescidas à sua volta. imoral. assim como é decente no Senhor. dá à criança senso de insegurança e agitação. porém fazemos muito pior quando nós trazemos pensamentos odiosos e mórbidos conosco. estai sujeitas aos [vossos] maridos.1335) Na tradição tibetana. para que não fiquem desanimados. antes da celebração onde a comunidade pode dar boas vindas à criança. assim como é apoiado o relacionamento mãe-filho. fala daquilo que na prática psicoterápica resulta ser de observação constante: a mais invisível de todas as influências. chama a atenção que: • É entendido que o vínculo ocorre durante a pré-concepção. a atitude interna da pessoa é muito essencial.

O. na periferia. “Podiam-se parir meninos educados Se os pais já fossem bem-criados” (GOETHE. que para vivificá-los é forçoso estar vivo. sofrerá devido a esta falta pelo resto da encarnação.” (AÏVANHOV.1302 inteiramente depois. O. a verdadeira pedagogia é uma pedagogia do centro. Os educadores querem impor às jovens gerações qualidade morais que eles mesmos não possuem e dos quais não conseguem dar-lhes exemplo (AÏVANHOV. O. 1999. e não alcançará sua plena maturidade física. que não estiver preparado para inspirar o melhor. mental e espiritual da mãe junto à criança gera danos consideráveis à educação (AÏVANHOV. É fato que nelas habitam as boas e mais tendências. 148 -149) “Tenho dito sempre que a melhor profissão. p. (PARENTS THEOSOPHICAL RESEARCH GROUP.155) 11. 1999) Muitos hoje acham que a educação é algo que deve vir do exterior. W. 1999. 1999) “A educação atual fica na superfície. o afastamento físico. que o livre arbítrio a fará desenvolver. é possível de ocorrer.. se pais e mães tiverem sido desenvolvidos para tanto. de pedagogo” (AÏVANHOV. Ora. psíquica e espiritual. 1986) . p. A criança que não teve suficiente amor. que aguarde o pior. é a de educador. p. J. 149) Acredita no que te digo: todos esses eloqüentes pedagogos desconhecem completamente a verdadeira pedagogia. O principal fator para a saúde mental e moral se desenvolver é o amor. 1981) A experiência me demonstra que o trabalho da mãe. 1999. (AÏVANHOV. O. isto é um grave erro. Os três Primeiros Anos de Vida e a Arte Na visão de Goethe a boa educação. a mais nobre. Não sabem que para iluminá-los é necessário ser luminoso. O. nos seus primeiros anos de vida.

" Era a redação de um aluno.. respondeu: . leu uma que a deixou muito emocionada.1303 Por outro lado não há declaração mais cristalinamente clara e verdadeira que: “A primeira violação. pediu aos alunos que fizessem uma redação sobre o que gostariam que Deus fizesse por eles."Meu Deus. o pior que pode ocorrer a qualquer criatura recém nascida é a separação de sua mãe.Transforma-me na televisão. 53) Amor de Mãe: Uma anedota popular árabe conta que uma mãe. coitado desse menino! Que pais.. esta noite peço algo especial: . 1967. -Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado. Ao fim da tarde."Senhor.. . ao enfermo.Quero ocupar o lugar dela. e reunir a minha família comigo. até que se cure. . (Autor desconhecido) Na História da pintura.."O que é que aconteceu?" Ela respondeu: .. . ao ausente. E ainda que os meus irmãos discutam para ver quem fica comigo. (Nils Bergman apud GARCIA. que.Ser levado a sério quando falo. de seu habitat natural”.. .Ao pequenino. 239) Este texto abaixo. O marido. só quero viver o que vive qualquer televisão" Naquele momento. . 2006. Ter um lugar especial para mim. p. .. cansada ou aborrecida. professora do ensino fundamental. a família quase nunca é retratada com esta interação que aparece no quadro de Reynolds."! E ela olhou-o e respondeu: . Viver como a TV da minha casa. Este quadro foi a ilustração do XVI Encontro de . de vez em quando.Ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa. viu-a a chorar e perguntoulhe: ."Esta redação é do nosso filho".Senhor. até que volte. mesmo quando está cansado. mas extremamente importante: Quero Ser Uma Televisão Ana Maria. não te peço muito. o marido de Ana Maria disse: .Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. é um texto anônimo. p. E."Lê isto. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha. para passar alguns momentos comigo. até que cresça. faz com que eu possa diverti-los a todos.Quero ter as atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas. quando corrigia as redações. nesse momento acabava de entrar.. (Al-Asbahami) (O Alcorão. . por fim. a quem perguntaram a qual dos filhos mais amava.

em 1723. um documento histórico de sua época. os poderes constituídos da sociedade. 1774. Tiziano. os discípulos terminaram uma longa galeria de retratos. era filho de um clérico. no Rio de Janeiro. ainda hoje. em 1792. Tintoretto e o Veronês. através da influência deles. 1996b) A autora acredita que. reitor de uma escola de latim e grego. Teve esmerada educação. 490) Joshua Reynolds. que aconteceu em novembro de 2006. Joshua Reynolds. Depois de ir para a Holanda e se inspirar nas obras de Rubens. por ordem do Faraó. a sociedade não resolveu o mito do abandono de Moisés. Pintou mais de 2. começa em Londres a pintar clientes ricos.5 X 113 cm Londres. e morreu em Londres. Naquele tempo. sem apoio de nenhuma securidade social. e um ano depois fica cego. nasceu em Plympton.400 retratos. Na bagagem de sua formação pictórica estava a admiração pelos clássicos: Van Dyck. (PASQUAL e PIQUÉ. (VALSECCHI. Hoje. obrigam as mulheres a deixarem seus filhos nas creches. Figura 123: Lady Cockburn e seus Filhos. Tela 14. pintor inglês. Voltando de uma longa viagem. p. pinta sua grande obra Máster Hare. National Gallery. acaba. a mãe teve que deixar seu filho no rio. a ser indicado para a Royal Academy.1304 Gestação e Parto Natural Conscientes – A Vida Bem Vinda. é preciso que a sociedade . 1972b.

Museu do Prado. VICENS. Tela 56 X 43 cm. pois não resolver é o roteiro para repetir. 1982. e só lembrar isso já é um primeiro passo para resolver. p. (VALSECCHI.1305 resgate os Moisés que ela abandona. p. Figura 124: O Abandono de Moisés. 1978c) . Madrid. Se os professores. 1645. tela 150 X 204 cm. (HINDLEY. Nicolas Poussin. 185) Figura 125: Moisés salvo das águas. Paolo Calliari dito o Veronese. 220. seus alunos poderão lembrar de se julgar abandonados em criança. isto é um dos pontos para as fundações de uma sociedade fraterna. projetarem a imagem destes quadros. 1972b. Museu de Ashmolean em Oxford. e os entregue as suas mãe e pais e irmãos.

Paris Mouseu do Louvre. recebe um prêmio. 1964. pintor italiano nascido em 1528. e falecido em 1588 em Veneza. Depois de sair da tutela do mestre. (PASQUAL e PIQUÉ. Para ele Veneza era uma terra sem outonos ou invernos. Depois de trabalhar junto a um arquiteto. 1996b) . Morreu aos 70 anos. Nicolas Poussin. o pai trabalhava com mármore.117) Figura 127: Moisés Salvo das Águas. em Verona. p. faziam parte da banca Tiziano e Sansovino. 1967i. 85 X 121cm (GIBELLI. que com o tempo seria seu sogro. p.49) Paolo Calliari. Charles de La Fosse (1636 – 1716). (THUILLIER e CHÃTELET. Começa então a pintar motivos bíblicos. começa a trabalhar com afrescos. Aos 14 anos foi aprendiz do pintor Antonio Badile.1306 Figura 126: Moisés salvo das Águas. de um resfriado.

e os artistas os ignoravam e não os retratavam. eram os trabalhos que tomavam tempo: eram pesados. mas de outro lado enfrentando dificuldades e rudeza. o resultado era não exatamente união. . esperava-se como um milagre. 93) Uma das razões que tornava difícil para os pais. ou quando muito a do próprio pintor. p. ocultando o ser humano. como a água poder aparecer no poço vazio. olharem seus filhos. 1992. pois a família. Na verdade. não era muito importante. No momento que se vivia. (BROWN. Estes são alguns retratos de cenas domésticas. só a sagrada era retratada. e demorados.1307 Figura 128: Escultura de Nefertite e Akenaton. nem tão compartilhada assim com seus familiares. A estrutura familiar apresentava-se plena e ávida de pequenos arroubos de fé de um lado. o tempo para os pequenos sempre foi diminuto. das poucas que existem na história. mas sim cada qual vivendo sua história particular de dor.

1878. 1645.5cm X 46 cm. 84) . tela 54.41) Figura 130: O Milagre do Poço. Alonso Cano.1308 Figura 129: A Lavadeira. coleção particular. Estados Unidos. p. (KUNSTLER. 1995c. 1973. Museu do Prado. Pissarro. Óleo sobre tela 216 X 149 cm. p. (LOPERA e ANDRADE.

54. p. e não de mecenas. e este pintor foi um dos melhores retratistas da história da pintura. 147. Louis lê Nain. Museu do Louvre (VICENS. 1993. 1978. Luis lê Nain. MATHEY. p. Museu do Louvre. 53) A proximidade com a miséria atingia muitos camponeses na antiga Europa.1309 Figura 131: Família de Camponeses em Interior. 1978. (VICENS. Figura 132: A Charrete. 1951. LACLOTTE e CUZIN. p. exatamente do povo. 144) .

258 X 180 cm. 1967m. Estes quadros são depoimentos pictóricos deste fato que durou tanto tempo. tal prática mutilatória. 49) Conforme é citado na psico-história. . e com tudo o que se sabe. Galeria Nacional de Londres. p.1310 Este é outro retrato de como o ser humano ainda não percebeu como é sagrado o corpo de uma criança. um pintor tem a percepção de colocar o livro – símbolo da sabedoria . Figura 133: A Circuncisão. em tal cena. é cada vez mais inaceitável. a se observar pela datação dos quadros. Luca Signorelli.desdenhado. Como se observa no quadro abaixo que retrata uma circuncisão. (GIBELLI. mas no chão. era natural que os bebês fossem enfaixados.

1622. 1978 d. 1982. Museu do Prado (VICENS. Velázquez.1311 Figura 134: A Adoração dos Magos. Georges de la Tour. 90) Figura 135: A Adoração dos Pastores. (HINDLEY. 186) . p. tela 107 X 137 cm em 1640. p. Museu do Louvre.

Museu Gemäldegalerie Staatliche. (BERNARD.1312 Figura 136: A Apresentação no Templo. Georges de la Tour (1593 -1652). 1989. p. do Museu Preussischer Kulturbesitz. 69 x 86. p. 1951. 91.76 X 0.3 cm. tela 0. (MATHEY. 35) . Berlim. 82) Figura 137: O recém-nascido. Andrea Mantegna (1401 – 1506). Museu de Rennes.

10) Ao ler esta passagem no mito. da Nigéria Yoruba. 1978a. Kitagawa Utamaro. “Gênesis: 2.1313 Conforme foi ressaltado no capítulo Os Três Primeiros Anos de Vida e Antropologia. E ao sétimo dia. Deus criou o mundo e depois reprovou. (VICENS. Figura 138: Mulher com Kintoki às Costas. está a figura de Mãe e Filho. a família e o lazer. no próprio mito cristão. Na verdade. p. Deus havia acabado a sua obra que fizera e passou a repousar no sétimo dia de toda a obra que fizera. no capítulo anterior. 3. Como exemplo de cultura africana. Mesmo nos dias atuais. muitas famílias devotam à TV a ocupação do seu dia livre. mas oriental. Chama a atenção que a ilustração abaixo não seja européia. E Deus passou a abençoar o sétimo dia e fazê-lo sagrado” (BÍBLIA. o que este . em algumas culturas as mães carregam seus filhos colados pele a pele.308) Este é um quadro que retrata uma rara cena. Museu Guimet. A seguir. p. proporcionam a segurança deles e um melhor desenvolvimento cerebral. 1983. Paris. 1806. também registrada na escultura e presente neste trabalho. a alegre gravura japonesa. Deste modo.

O fato de serem raras as famílias retratadas em descanso. apreciou sua criação. e hoje cada vez mais se sabe em medicina que o ritmo é fundamental para a saúde. 239. saborear. faz pensar sobre o quanto é preciso ainda que o ser humano se esforce para sair de automatismos. (HINDLEY. parou. que é preciso criar. 1982. Deus que havia criado em todos os outros dias. 1967n. o caminho da consciência. 201 X 302 cm. Figura 139: Banho em Asnières. usufruiu.1314 arquétipo do sétimo dia comunica é que neste dia. e isto pode ser melhor feito quando se faz com quem se ama. Isto ensina o caminho da consciência: e é no dia livre onde mais se pode exercer a escolha. ao que a estrutura desta passagem mostra. São dois aspectos. Georges Seurat. um é o ritmo. E mais que parou. Porém ainda mais. GIBELLI. 79) . degustou. p. e desfrutar. Delegar este dia a qualquer automatismo é dar as costas. p.

Jean-Honoré Fragonard (1732-1806). p. Museu de Arte de Baltimore. Coleção Mary Frick Jacobs. 67 X 57 cm. 1978c.1315 Figura 140: O Descanso Durante a Fuga para o Egito. 68) . Lucas Cranach. (BERNARD. 1989. (VICENS. 310) Figura 141: O Repouso Durante a Fuga para o Egito. p. 1550.

1316 Como intuíram os grandes pintores. VICENS. 248) Figura 143: A Virgem e o Menino com Dois Santos (detalhe). 1967m. p. Museu Poldi Pezzoli. Rafael de Urbino. 215x148 cm.70) . p. p. a interação do cérebro materno com seu bebê permite um melhor desenvolvimento cognitivo emocional. (GIBELLI. 127. Isso aparece simbolizado com as madonas apresentando livros aos bebês que têm ao colo. Milão (BERNARD. 1978b. Figura 142: Madona do Livro. Sandro Botticelli. 1989.

VICENS. 59) . 1989. Musée Royal dês Beaux – Arts Bruxelas. p. 126. a família retratada tem sido a de Jesus. (BERNARD. como foi representada na figura 129. Frans Floris de Vriendt.93m. 1989. 249) Na História da Humanidade. p. Figura 145: A Sagrada Família. (BERNARD. No nosso mito cristão. Botticelli.1317 Figura 144: Madona do Magnificat dos Uffizi.25 x 0. 1978b. 1. p. 1485. só as famílias dos deuses mereciam representação.

óleo sobre tela. 1994. 1645. Rembrandt. p. ANO. Diego de Siloé. (PASQUAL E PIQUÉ.1318 Figura 146: Sagrada Família. 37) . (MANNERING. P. 79) Figura 147: A Sagrada Família com Anjos.

224) O que os professores precisam. . 1978. Rembrandt. onde todas as famílias sejam sagradas. p. é inspirá-los para que a humanidade viva uma nova realidade. Alte Pinakothek. (VICENS.1319 Figura 148: A Sagrada Família. 1634. ao expor seus alunos a estes quadros.

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