1123 CAPÍTULO V

1. OS TRÊS PRIMEIROS ANOS DE VIDA 1.1 Introdução Os três primeiros anos de vida têm forte determinação nos valores; na própria construção do ego da criança; como o ego se projeta no corpo, uma boa estruturação nesta época é condição importante de saúde física, mental e espiritual. Esta época de vida é o tempo de possibilidade de formação de um estado contínuo de consciência; aí ficam inscritas as boas e as más histórias de vida. Lembrando que a grande jornada começa na concepção e quanto mais tenras as impressões, mais duradouras estas se tornam. Assim, as impressões deixadas pela mãe, refletidas pelo seu estado de espírito durante a gravidez, serão mais impactantes do que as de quando a criança já nasceu. Seguindo este raciocínio, os fatos ocorridos no parto são mais importantes do que eventos nos dias seguintes a ele. Analogamente, os eventos ocorridos nos três primeiros anos são capazes de determinar o sistema de crença que uma pessoa carregará por toda a vida adiante. Até os sete anos pode-se dizer que as fundações da vida foram colocadas e o edifício humano construído terá então saúde ou problemas para o resto da vida os quais depois, só a poder de muito trabalho interno, é possível resolver.
As primeiras impressões recebidas na vida são as mais fortes e as mais ricas em conseqüências, mesmo sendo inconscientes, e talvez, justamente porque jamais se tornaram conscientes, ficando assim inalteradas. Apenas na consciência algo pode ser corrigido. O que é inconsciente permanece inalterado. (JUNG, 1981b, p. 158)

Logo no começo deste período é importante seguir as orientações de Michel Odent, que diz que, logo após o nascimento, deve-se deixar a mulher em paz, examinando isto por 12 perspectivas: (ODENT, 2007a) 1 – Perspectiva da respiração: A necessidade que a criança tem de respirar, agora por um novo circuito de circulação do pulmão para o coração. Fecham-se os ductos de

1124 comunicação que existiam na vida fetal, o ductus arteirosus e o forâmen ovale. A partir do nascimento um aprendizado de respiração começa a ocorrer. 2 – Perspectiva do altruísmo: a oxitocina é o hormônio do amor e do altruísmo em qualquer faceta que se considere - e a privacidade facilita sua liberação. Quanto mais a mãe sentir-se pele a pele com seu bebê e olhar nos seus olhos, mais liberação de oxitocina haverá em ambos os organismos. 3 – Perspectiva etológica do vínculo: os etólogos foram os primeiros a se dar conta da importância do vínculo mãe e filho em todas as espécies e tem sido bem documentada a complicação da privação, para os filhotes, do contato na primeira hora de vida com mãe. 4 – Perspectiva da lactação: à primeira hora, o bebê encontra o bico do seio por si mesmo, bastando colocá-lo sobre o peito da mãe; ele segue nesta direção até encontrar e mamar, isto acontece se não nasceu sob efeito de anestesia. Quanto mais rápida a exposição ao peito, melhor o prognóstico de amamentação, mais rápido a punjatura do leite se dá. 5 – Perspectiva metabólica: O bebê tinha no ventre uma alimentação contínua e, à primeira hora de vida, vive uma adaptação metabólica para passar a dispor de uma alimentação descontínua. A capacidade de regulação dos níveis de glicose no sangue essencial para a manutenção da qualidade de vida - se dá nesta primeira hora e tem sido observada em profundidade por M. Cornblath nos Estados Unidos e por Jane Hawdon, Laura Deroy e Suzanne Colson no Reino Unido. 6 – Perspectiva bacteriológica: o bebê nasce de um meio asséptico e, uma hora mais tarde, milhões de bactérias cobrem suas mucosas. A questão é: quais germes vão colonizar primeiro o organismo do recém-nato. Os bacteriólogos sabem que quem vai vencer a corrida serão os germes que primeiro chegarem às mucosas. É interessante que

1125 sejam os do corpo da mãe, pois mãe e bebê compartem a mesma IgG, os mesmos anticorpos. Ou seja, desde que nasce, o bebê precisa urgentemente ter contato com uma só pessoa, a própria mãe. Além disto, ao ingerir o colostro, vai receber ajuda para estabelecer uma flora intestinal ideal. 7 – Perspectiva de termo-regulação: no útero, o bebê nunca teve de experimentar temperatura diferente, então os primeiros minutos do pós-parto marcam fortemente este aspecto; o organismo do bebê vai ter de ser capaz de manter sua termo-regulação e, para tanto, o contato pele a pele com a mãe é de fundamental valia. 8 – Perspectiva do equilíbrio motor: adaptação à gravidade, que também não era vivida pelo feto, nessa primeira hora sobrecarrega subitamente o nervo vestibular que conduz, a partir do ouvido, estímulo para o cérebro para que se desenvolva o equilíbrio. 9 – Perspectiva etológica da não violência: a maioria das culturas intervém, separa ou mesmo interdita o colostro para o bebê. Tal procedimento de afastamento precoce afeta a interação protetora da mãe para com o filho, mais tarde. O que a farta literatura hoje disponível aponta é que, quanto mais destrutiva é uma cultura, mais intrusivos são os rituais e crenças para perpetrar separação entre mãe-filho no pós-parto imediato. 10 – Perspectiva do vínculo: a grande maioria dos hospitais no mundo têm protocolos que entendem que é necessário manter a mulher sob vigilância, no pós-parto, aplicar-lhe oxitocina para aumentar a contração uterina e diminuir a perda sanguínea. Na verdade, as duas condutas levam à perda da liberação da oxitocina endógena, com perda bio-psicológica para a relação mãe-filho. 11 – Perspectiva das Parteiras: elas procuram proteger o processo fisiológico, pois sabem que isto assegura quantidade grande de oxitocina na circulação da mulher, o que garante a expulsão da placenta, então elas aquecem o ambiente. Nesta fase as mulheres não se queixam de sentir muito calor, criando um clima que permite um namoro mãe e

e choro. anorexia nervosa. Neste momento é importante que a mãe esteja com o neocórtex relaxado e não ativo. 2007a) 2 As Capacidades do Recém-nascido 2. Podem seguir uma bola . luminosos e brilhantes. de acordo com o grau de vigília ou sono do bebê. registrando cada ação dos bebês. etc.1 Estados de Consciência – Ciclos Em 1960 cientistas começaram a identificar que o cérebro dos recém-nascidos era desenvolvido além de um nível primitivo. Independentemente. mas acrescentou registros da freqüência cardio-respiratória e ondas cerebrais. trabalhou em lares com bebês recém-nascidos. Eles perceberam que existiam seis estados de consciência diferentes. alerta ativo. para que mais instintiva seja a experiência. Cada um destes estados é acompanhado por comportamentos específicos e individuais. uma transição entre sono e vigília. acordados e adormecidos. Portanto há que fazer intervenções em níveis políticos. (KLAUS e KLAUS.1126 filho sem distrações ou desconforto. 12 – Perspectiva sócio-política: estudos que enfocam as conseqüências a longo prazo das intervenções separando mãe-bebê. para que mudanças ocorram. neste estado os recém-nascidos conseguem brincar. suicídio entre adolescentes. Ele sentava-se demoradamente. Heinz Prechtl fez estudos semelhantes em Groningen. os dois cientistas organizaram suas informações e descobriram a atividade cerebral do recém-nato. os olhos estão totalmente abertos. (KLAUS e KLAUS. (ODENT. autismo. psiquiatra infantil em Boston. resultam mais tarde em maiores índices de criminalidade juvenil. na Holanda. Dois estados de sono: sono tranqüilo e sono ativo. 1989) No estado de inatividade alerta. e um sexto estado que é o de torpor. droga-adição. discretamente. Peter Wolff. três estados de alerta: inatividade alerta. 1989) Reunindo os achados.

na vertical. Muitas mães conseguem alterar este estado. O olhar está apático. 1989) No estado de torpor. colocando-os no colo. os olhos olham em torno e os bebês emitem alguns sons. ocorrem movimentos mais freqüentes dos olhos. quando o bebê está adormecendo. o bebê normal passa aproximadamente dez por cento de qualquer das 24 horas do dia neste estado. durante os quais eles olham diretamente para a face e para os olhos da mãe e do pai e podem responder a vozes. As pálpebras pendem e antes de fechá-las os olhos podem girar para cima. sem focalizar nada. acariciando-os. indica fome ou desconforto: os olhos podem estar abertos. corpo. o bebê dorme aproximadamente 90% do dia ou da noite. Logo após o nascimento. sorrindo. pernas. a atividade motora está suprimida e toda a energia do bebê parece estar canalizada para ver e ouvir. (KLAUS e KLAUS. face. ele pode continuar a mover-se. braços e pernas movem-se vigorosamente. 1989) Durante o estado de alerta ativo. 1989) . a face contorcida e vermelha.1127 vermelha. (KLAUS e KLAUS. ou firmemente fechados. Metade deste período de sono é passado em sono ativo e a outra metade em sono tranqüilo. franzindo as sobrancelhas ou mexendo os lábios. o que lhe permite captar muita coisa e ter condições de se adaptar ao ambiente. selecionar figuras e até imitar a face da mãe. (KLAUS e KLAUS. Este estado aparece antes de se alimentar ou quando ele está inquieto além de surgirem movimentos a cada um ou dois minutos: braços. Durante a primeira semana de vida. estes estados se alternam a cada 30 minutos. segurando os bebês. Neste estado. que é uma forma de comunicação. 1989) O estado de choro. 1989) Logo após o nascimento. os bebês têm um período prolongado de inatividade alerta. (KLAUS e KLAUS. frequentemente adormece durante a amamentação. (KLAUS e KLAUS.

Steven Robertson verificou que o mesmo já ocorria desde a vigésima semana de gestação. os olhos do bebê flutuam entre abertos e fechados. Este estado de sono REM já havia sido observado dentro do útero por Jason Birnholz. (KLAUS e KLAUS. A respiração não é regular e é ligeiramente mais rápida do que no sono tranqüilo. fazem caretas. exceto raros sobressaltos e movimentos leves da boca. 1989) O recém-nato espirra cerca de 11 a 12 vezes ao dia. Mesmo estando dormindo. Ainda assim há uma diferença nas respostas de acordo com a cultura. grupo racial e uma certa individualidade. pele na pele. logo após o nascimento. Este ciclo de atividade e serenidade ocorre continuamente a cada um ou dois minutos quando ele está em estado de alerta ativo de consciência. O bebê já é capaz de bocejar. por um minuto e um quarto. pernas. é fundamental para cada um e extraordinariamente fundamental para o bebê. (LINDEN. de acolhimento. braços ou o corpo inteiro. 1989) No sono ativo. Se o pai está perto e se estão próximos os irmãos. a fim de limpar o nariz.1128 No sono tranqüilo. Ele está em total repouso e a respiração é muito regular. No sono ativo aparece movimentação do corpo: ocasionalmente. (KLAUS e KLAUS. a ligação da família que ali acontece. 1977) 2. Não há movimentos do corpo. 1989) Quanto aos movimentos no alerta. o cuidado deste . mãe e filho devem começar sua interação. Que nada perturbe este tempo. sem chorar. vê-se o movimento dos olhos sob as pálpebras.2 Visão No primeiro minuto de vida. se o bebê for prematuro ou com problemas. (KLAUS e KLAUS. olho no olho. sorrisos e carrancas e pode aparecer movimento de mastigação ou sucção. ele não se move e aí ocorre uma explosão de movimentos. toda a ligação que ali se estabelece. a face do bebê está relaxada e as pálpebras estão fechadas e imóveis.

em 1960. Assim. Descobriram que. se a mãe está deprimida. 1998. ela é alinhada para se enquadrar no centro da retina. são também escolhidos padrões complexos de muitos elementos a padrões simples e padrões curvos a retos. silêncio e manuseio diminuído. Quanto a formas de rosto. Fantz mostrou que os bebês são capazes de distinguir e mostrar preferências por formas e cores. (KLAUS e KLAUS. 1998. A observação baseia-se no fato de que. utilizando um método para documentar a visão que já havia utilizado em aves e macacos. porém com uma adaptação para humanos.1129 momento inicial é muito importante. a atenção é intensa. KLAUS. 2001) A capacidade de enxergar foi testada por Robert Fantz. quando se fixa um objeto. para se ter certeza de que o olhar é ou não casual. Têm memória visual. (KLAUS et al. que costuma ser a mesma distância do peito à face da mãe. que distinguem e. deve ser-lhe dado suporte. 1995. (KLAUS e KLAUS. KENNELL et al. suspendem as sobrancelhas e param de sugar. Alguns ficam atentos e olham por períodos de até 10 minutos. O bebê é colocado em alerta sereno. Quando a figura se localiza na pupila. 1989) . 2003) Marshall Klaus e Phyllis Klaus estudaram muitos recém-nascidos. são atraídos pela face regular. trocam-se as figuras a cada 10 segundos. KENNELL e McGRATH. pois suas emoções terão muito peso no desenvolvimento de seu filho. A visão do recém-nascido é melhor a uma distância de 20 a 25 cm. assim como o tempo que se segue. As formas preferidas são: figuras de círculos e faixas decoradas sobre superfícies lisas. rapidamente começa a se adaptar e em 6 minutos de nascidos está com os olhos bem abertos. Isto é demonstrado em seus livros com inúmeras fotos. ele fica refletido na córnea e na pupila. em assento e num capuz são mostradas as figuras. estando atentos. se uma criança nasce em condições de luminosidade. Inicialmente. mas depois perdem o interesse.

durante a primeira hora de vida. em 1972 demonstraram que. as condições socioeconômicas. Além disso. (SOSA. (VERNY e WENTRAUB. a mãe está em um estado de prontidão que lhe permite interagir com o bebê. a criança humana não pode sobreviver. Aos quatro meses discriminam entre os movimentos de objetos animados e inanimados. observaram de minuto a minuto o estado de comportamento de 36 neonatos nascidos a termo. a tendência é um magnetismo mútuo ocorrer no contato olho-a-olho da mãe com o filho. pois está inquieto e dormirá por menos tempo que anteriormente. 1980) .1130 Os recém-nascidos possuem visão tridimensional. ele perceberá a mudança e olhará para ela freqüentemente durante a amamentação. As crianças gastaram 60% da primeira hora aproximadamente no estado de alerta inativo e só 10% do tempo no estado chorando. recentes estudos sugerem que o bebê recém-nascido tenha uma maior gama de capacidades dantes não reconhecidas. as convicções culturais dela e a relação dela com o pai da criança. em 1981. além de cores e normalmente preferem o vermelho e depois o azul. Ele tomará menos leite e não vai conseguir adormecer facilmente. 2004) No estado de inatividade alerta. durante o período de alerta inativo. Em contraste com outras espécies animais. que incluem a própria educação da mãe. se for colocada uma máscara no rosto da mãe quando o bebê tem oito dias. (KLAUS e KLAUS. Saigal et. Em oito semanas são capazes de diferenciar entre formas dos objetos.. Logo após o nascimento. assim como suas experiências naquele momento da vida assim como gravidezes passadas. 1989) Sabe-se que o comportamento materno é influenciado por fatores múltiplos. Por outro lado. a criança está em um estado receptivo. Estudos por Brazelton et al. sem o apoio extenso e o cuidado da mãe. É bem conhecido que o neonato tem habilidade para interagir socialmente.

Preferem vozes agudas. Ferguson.G. Os fetos distinguem entre tipos de som. 1989) Eles fazem associações entre audição e outros sentidos. Se este reconhecimento não ocorrer. dirigindo a cabeça em direção ao peito de sua mãe. Suas pesquisas sugeriram que o contato de olho a olho pode ser um fator importante que aumenta o comportamento maternal.3 Audição Meses antes de nascer. ao acoplar uma chupeta conectada a um computador.R. T. segundo MacFarlane em 1975. como foi observado por Eisenberg em 1969. 2001) 2. Kornel e Thoman em 1970. Anthony DeCasper julgou que. em 1999. logo eles acertariam o ritmo de sucção. em 1975. Ellis e Young em 1988. Pais e mães no mundo todo tendem a falar de maneira mais aguda como observou o lingüista Charles A. descrito por Bentin et al. O recém-nascido também responde preferencialmente à voz da mãe. ao ouvirem por . Robson em 1967. o neonato exibe um pouco de capacidade olfatória. se os bebês têm controle inato da boca. Gregg et al. em 1976.1131 A criança humana tem um certo grau de acuidade visual: ela pode focalizar e mostrará preferências por padrões que simulam faces humanas. Entre seis e 10 dias de idade. (NELSON. segundo demonstrou Hack et al. o que estimula a interação entre ambos. a capacidade acústica já está bem desenvolvida. sons familiares e estranhos e também podem determinar a direção de onde vem o som. em 1994. para poderem fazer as escolhas. Fantz et al. (SOSA. Tais capacidades funcionam como um atrativo para as mães. 1980) Uma revisão de literatura verificou que o bebê é capaz de reconhecimento de rostos e objetos até os seis meses. De fato. intensidade e altura. (KLAUS e KLAUS. em 1976. planejou um dispositivo que dava ao bebê a possibilidade de escolha do som. Mancini et al. revela a possibilidade de lesão cerebral. Percebeu-se que eles são mais responsivos às vozes humanas.

Também reconhecem a voz do pai desde que este homem tenha falado perto do ventre ou se tenha feito presente para a criança ainda no útero. ela faz a associação. ainda que filtrada pela parede abdominal.1132 fones de ouvido. (KLAUS e KLAUS. (TRUBY apud JANUS. Sabe-se também que a criança aprendeu algo da estrutura de seu idioma quando dentro da barriga da mãe. A conclusão é que. 2004). Com medidas diferentes. Outros usaram como medida o reflexo de sucção. quando a criança tem a experiência de ouvir a voz e ver o rosto da mãe. . 1989) São descritas quatro experiências que investigam o papel da voz da mãe facilitando reconhecimento da face materna ao nascimento. não provocado por fome.C.B. 1989) O aprendizado intra-uterino pode fazer um recém-nato prematuro de apenas cinco meses de gestação reconhecer as características de freqüência da voz da mãe. Busnel forneceu um critério de verificação que comprovou que o ritmo cardíaco da criança desacelera enquanto a mãe lhes fala. concomitantemente. às estórias desconhecidas. Brazelton. preferiram estórias contadas pela mãe durante a gestação. Foi feito um teste onde a voz da mãe vinha do rosto de uma outra mulher e isto desencadeou os mesmos comportamentos de desconfiança que a experiência com a máscara. nas mesmas circunstâncias. Outros mediram freqüência da resposta motora à fala da mãe. a conclusão foi a mesma: a criança de poucos dias reage a estímulos de linguagem mais do que a outros tipos de estímulos. 2001) Os recém-nascidos reconhecem a voz da mãe como sendo a mesma que eles escutaram. (KLAUS e KLAUS. M. apesar de supostamente não entender nenhuma palavra. A habilidade que os neonatos têm de reconhecer a face da mãe. há um consenso a esse respeito. Desde T. provavelmente está ancorada na aprendizagem pré-natal da voz materna (SAI. pioneiro no campo da pesquisa sobre hipersensibilidade dos recém-nascidos.

Mães cantaram para suas crianças de seis meses durante 10 minutos.1133 Isto é tão forte. terem desenvolvido a capacidade de movimentação de mãos e diferenciação de gestos ordinários. que correspondia a mais da metade da atividade da criança surda. (SZEJER. (GRATIER. crianças que exibiam os mais baixos níveis de linha base de cortisol aumentam-no após o cantar materno. depois dos quais eles continuaram interagindo durante outros 10 minutos. Análises de laboratório das amostras de saliva revelaram níveis de cortisol salivar no período pós-teste. Para calcular a estimulação infantil. A mãe e o bebê fabricam uma interação dinâmica e ambos brincam com estes ritmos. 1999) Um trabalho pesquisou o aspecto da experimentação vocal mãe e filho. 2003) Reproduções de sons intra-uterinos como os batimentos cardíacos têm sido usadas com o propósito de relaxamento de recém-nascidos. 2001) Foi examinado o efeito do cantar materno nos níveis de estimulação de crianças saudáveis. Os ritmos constituídos pelo bebê são seus recursos para descobrir o próprio mundo. pois verificou-se que os bebês recém-nascidos movem-se menos. contra 10% dos controles. com idades de 10 a 14 meses. Especificamente. eles transmitem sua afeição e subjetividade. Os bebês se utilizam de uma coordenação temporal precisa e de expressões que são partilhadas com a mãe. juntaram-se amostras de saliva imediatamente antes e depois do canto. Os pesquisadores descobriram uma “tagarelice” gestual. especialmente em Unidades Neonatais. choram . que acontece de crianças surdas. (SHENFIELD et al. Estes resultados são consistentes com a visão de que o canto materno modula a estimulação de crianças no nível pré-lingüístico. filhos de surdos. os com níveis de cortisol mais altos exibiram reduções modestas. Há uma qualidade musical na interação vocal precoce. duas psicolingüistas que compararam as atividades manuais de dois bebês surdos e três outros normais. não-aflitas. Este estudo foi feito por Petitto e Marentette em 1991.

Observou-se aumentos de: 42% das taxas de coração. De modo diverso. todos os índices eram anormais. Foram achadas poucas diferenças significantes entre quaisquer dos passos. diminuição dos níveis de saturação de oxigênio. 2001) Foi realizado estudo para determinar o efeito de sons que pudessem acalmar ou mesmo reduzir a dor em 121 neonatos que sofrem circuncisão sem anestesia. Por outro lado. alguns tipos de músicas podem ter um efeito relaxante sobre os bebês. aumento das freqüências cardíaca e respiratória. e grupo controle. aumento da atividade muscular e movimento do corpo. sem que nenhuma enfermeira apresentasse nenhum expediente para alívio da dor. SBP e DBP diferiram positivamente de maneira significativa nos grupos que receberam estímulo de som comparativamente aos que não receberam. 1991). 78% das pressões sanguíneas sistólica (SBP). Foram colocados neonatos fortuitamente em um de seis grupos: ouvindo música clássica. passível de verificação pelas medições de aumento de batimentos cardíacos. disritmias. respiram mais profunda e regularmente e ganham peso mais rapidamente do que recém-nascidos expostos a outros sons ou a nenhum som. De maneira geral. chupeta. 30% das pressões sanguíneas diastólica (DBP) e 81% das pressões de tcpO2. (MARCHETTE et al. diminuição da agitação. pressão sanguínea. etc. Foram monitorados os batimentos cardíacos. as músicas onde predominem altas freqüências e possuam andamento acelerado produzirão tensão. ritmo. elevação da temperatura periférica. durante seis dos passos do procedimento. música e chupeta. perceptível pela diminuição da freqüência cardíaca.1134 menos. maiores variações na pressão sangüínea e aumento dos níveis de agitação. oxigênio transcutâneo (tcpO2) e estado de comportamento. (COSTA. portanto. medidos durante os 14 passos da circuncisão. sons intra-uterinos. chupeta e sons intra-uterinos. Estudos sobre a capacidade auditiva de recém-nascidos sugerem que a exposição a ambientes barulhentos pode induzir ao estresse. .

Contudo. freqüência e padrão temporal de seqüências musicais. durante a audição de duas peças musicais a que foram previamente habituados: Sinfonia no. melodias. e uma recuperação por volta do 3º mês de vida. em adultos segundo descrições de Livingston em 1979. Um trabalho foi feito para fins de análise da atividade motora apresentada por um bebê de quatro meses de idade. Esse efeito relaxante. enquanto uma de duas seleções musicais eram tocadas. Aos sete dias. 2001) Os comportamentos do recém-nascido são coordenados e integrados: os sistemas sensoriais e motores são estreitamente associados uns com os outros. em seu próprio domicílio. Crianças em ambas as experiências exibiram aprendizado de um dia a qualquer música do ritmo apresentado do teste inicial. com variações do clássico e de jazz. na presença da mesma música ou uma seleção musical diferente. Observou-se que a atividade motora do bebê é acentuadamente reduzida pela audição da música clássica aqui estudada.1135 músicas onde predominem baixas freqüências e andamento lento produzirão relaxamento. Assim. (COSTA. inclusive. 1997). Em . 2001) Treinaram-se crianças com três meses de idade para mover os braços para cima em berço móvel. segundo Vinter em 1987. mas também em bebês mais velhos e. com diminuição da atividade e diminuição do estresse ocorre não apenas em recém-nascidos. a integração de atividades sensoriais visuais e auditivas com os sistemas motores já está presente. O aprendizado da experiência foi avaliado um e sete dias depois. Hicks em 1995. parece haver uma dissociação temporária logo após o nascimento. (COSTA. Os bebês são capazes de perceber e reter ritmos. 40 de Mozart e a música Happy Nation do grupo Ace of the Base. aos quatro meses de vida. só foi verificado o aprendizado com relação à música específica tocada durante o teste inicial do treinamento. (FAGEN et al.

Language. Linguagem. existiria uma redução da atividade. Incluíram-se as implicações destes estudos para os pedagogos. Na primeira parte. porém. Depois atentou-se para a descrição de estudos que investigaram os usos de música na vida cotidiana de crianças e seus cuidadores e aplicabilidade em contextos domésticos e terapêuticos. 2005) Foram realizados estudos nas últimas décadas que aprofundaram o conhecimento sobre desenvolvimento da audição do recém-nato assim como a visão. o som da voz da própria mãe ao som da voz de outras mulheres e estórias conhecidas contadas por . Mente e Corpo) de Steven Mihen e Weidenfels e Nicholson em 2005. propiciando uma interação que acaba por criar uma mútua modulação de sons. dando uma conotação musical à fala. é menor do que a redução na atividade motora produzida pela música clássica. (As Origens de Música. aumenta as pausas e se repete. a experiência se ateve a pesquisas prévias sobre características musicais e memória a longo prazo para música. A mãe cantando para o bebê ou a mãe falando para o bebê. inclusive uma discussão de direções para pesquisa futura. Na terceira parte fez-se uma crítica da literatura prévia e atual. (ILARI. esta redução na atividade motora do bebê produzida pela música dancing. 2001) Foi feito um trabalho de revisão dos escritos sobre música e o primeiro ano de vida e examinou-se sua contribuição em outros domínios como desenvolvimento da criança e educação musical. revisaram o que se sabe sobre a música e a linguagem é que suas codificações são compartilhadas em determinados circuitos cerebrais e outros circuitos são especializados em cada um destes elementos. As preferências observadas foram: os bebês preferem o som da voz humana a outros sons. (BENZON. Mind and Body.1136 relação à música dancing. 2002) Na revisão do livro “The Singing Neanderthals: The Origins of Music. ela tende a uma fala que exagera nas vogais. (COSTA.

Fuga. e indicadores de função do sistema nervoso autônomo para quatro crianças prematuras.tátil. do que sem música ou com a intervenção de vibro-tátil. 1986). 1995. 1993) Um estudo descritivo avalia e compara o efeito de música apresentada de forma auditiva e vibro . registro de expressões faciais. Todas as crianças gastaram mais tempo dormindo durante a condição de música gravada. (BURKE et al. Ambas as formas reduzem a agitação e instabilidade fisiológica após intervenção em displasia bronco-pulmonar.1137 suas próprias mães a estórias novas (DeCASPER e FIFER. KAMINSKI e HALL. (CLARKSON. níveis de saturação de oxigênio. 2006) . 1996. que se alteravam positivamente. Outros estudos mostram que eles podem distinguir entre sons de consoante como p e b. KLEIN e WINKELSTEIN. Mostrou-se então que a música é efetiva na redução de comportamentos relacionados à tensão em crianças. e BERG. Minueto e Toccata. o Forlane do Prelude. (ILARI e POLKA. 1996. e vogais. aos oito meses. OLSON. 1983) Aos dois dias de vida podem distinguir o idioma da própria mãe. Três crianças gastaram uma quantia aumentada de tempo em um estado alerta inativo e tinham melhorado os níveis de saturação de oxigênio durante a intervenção vibro-tátil. Viu-se que os bebês diferenciavam. 2006) Recente pesquisa mostrou que as crianças de quatro meses de idade demonstram uma preferência inata para música consoante em lugar de música dissonante. Rigaudon. 1980. Forlane. (WHITWELL. O que é perceptível nas tomadas de batimento cardíaco. Peça para piano com seis movimentos: Prelude. (MOON et al. DeCASPER e SPENCE. 1998) Bebês de oito meses são capazes de distinguir entre Prelude e Forlane Le Tombeau de Couperin: de Maurice Ravel (1875-1937). Todas as crianças experimentaram uma redução no nível de estimulação durante a intervenção de música gravada quando comparadas com a condição de controle.

Mas é importante que se diga que. aos sete e oito anos. É sabido que. tanto quanto o alimento da alma. Amiel-Tison e A. portanto. aos sete e oito anos. se os pais não gostam nem deste tipo de música.4 Coordenação Motora C. Então. Beethoven. demonstram que um em cada dois recém-nascidos pode procurar objeto com dias de nascido. se não houver um sabor por parte deles. Que a música e a pintura tenham sido partes do deleite de gestação da mãe. pode–se mesmo avaliar o nível de consciência de uma pessoa por sua capacidade de descriminar tons de cores. maior é sua consciência e sua percepção espiritual e é isto que se deseja. setênio em que deve ser introduzida a plena educação musical. O objetivo não é criar gênios da música ou pintura. 2007) 2. se estiver em estado de inatividade alerta. Do mesmo modo que.1138 Na verdade. ele terá melhor capacidade de notação para os fraseados musicais e poderá ter um ouvido bem mais perceptivo para as sutilezas musicais. Bach. durante o primeiro ano de vida. mas é sabido que. Então a música no quarto do bebê é uma natural conseqüência. à idade dos sete e oito anos ele terá capacidade de notar nuances de cor num leque maior que o usual. a criança terá capacidade de sensibilidade musical e pictórica impressionantes. pois não se ensina o que não é verdadeiro para os pais. muito já se tem escrito sobre a educação precoce de arte. Grenier. O alimento do corpo é importante. (UPLINGER. Ambos os sentidos ampliados falam de uma sensibilidade maior em nível consciencial. quanto maior for a sensibilidade de alguém para tons e sons. . se uma criança ouve Mozart. compositores barrocos e renascentistas. Na verdade. o melhor é que a música e a grande arte pictórica já seja parte da vida dos pais antes da concepção. isto não será igual. nem deste tipo de arte. isto tende a não ampliar tanto a consciência da criança. pois dominantemente a criança é sensível à sensibilidade de sua mãe e pai. se no quarto do bebê houver quadros dos grandes pintores.

os bebês percebem texturas. os primeiros passaram mais tempo acordados. 1989) Tiffany Field. lançou uma grande luz sobre o nascimento quando fotografou os rostos de recém-natos. temperatura. Estavam também mais aptos para sair do hospital numa média de seis dias antes. cortisol e aumento dos níveis de serotonina. T. Comparados os massageados com os balançados. durante seis semanas. em estudos. eles mantinham-se despertos e ativos e obtiveram melhor evolução numa série neurológica e de funcionalidade. verificou-se que os bebês tinham aumentado de peso 47% a mais que o grupo controle. aos três meses. Observou-se que 15 minutos de massagens diária eram mais eficientes que balançarem os bebês em dois dias por semana. pressão e dor. num tempo total de 45 minutos. ganharam peso e mostraram ganho na qualidade de bem estar sócio-emocional. (KLAUS e KLAUS. que trabalha com pesquisa sobre tato.1139 desde que tenham sido massageados seus músculos do pescoço. cujas mães. (KLAUS e KLAUS. Pesquisador . divididos em 15 minutos para cada massagem. obstetra francês. em relação aos que não passaram por este procedimento. Field aplicou massagens em 40 bebês a termo. 1998) Frédérick Leboyer. aplicava massagens diárias em 20 bebês prematuros.5 Tato Quanto ao tato. apresentando níveis sangüíneos mais baixos de noradrenalina. umidade. (FIELD apud VERNY e WENTRAUB. (FIELD. epinefrina. 1989) 2. Após teste de tempo. 2004) Em outro estudo. Durante o período de seis semanas de terapia. choraram menos e os índices de cortisol em suas salivas sugeriam que estavam menos estressados. num tratamento de 10 dias de duração. Os lábios e as mãos têm maior número de receptores do tato. Isto explica o conhecer as coisas através do pôr na boca. que não teve massagem. estavam deprimidas. Além disto. nascidos sem estresse.

1999) Odores que podem ser classificados como lácteos ou frutados despertam. (SZEJER. Acabou por fotografar e publicar um livro não só belo. (KLAUS e KLAUS. observou nas ruas de Calcutá. comumente de movimentos de cuspe. (LEBOYER. 1995) 2. acompanhadas. poeta. adaptam-se e rapidamente param de responder a um odor. um guia de cuidado para mães. cuja acuidade perderão mais tarde. Aidan Macfarlane percebeu que eles são capazes de identificar o cheiro de suas mães com dois dias de nascidos.1140 incansável. revela a aprovação e desaprovação de um determinado sabor pela expressão facial. descrevendo seu poder curativo. 1998) . feito pelo psicólogo Jacob Steiner. expressões faciais sorridentes acompanhadas de movimentos de sucção e lambidelas. 2004) 2. Fraçoise Dolto utilizou este conhecimento no período da Segunda Guerra e Schaal provou experimentalmente no fim dos anos 80: os recémnatos têm olfato particularmente desenvolvido.7 Paladar Um experimento. (CHAMBERLAIN. Inicialmente o etólogo Konrad Lorenz investigou o sentido do olfato entre animais. (VERNY e WENTRAUB. no recém-nato. e o que o obstetra viu foi quão benéfica era aquela massagem amorosa no filho. O nome da mulher era Shantala. quando passam a percebê-lo como familiar.6 Olfato Os bebês podem reconhecer odores. como poético. No entanto. Eles têm memória olfativa. e harmonizante. 1989. PORTER. René Spitz identificou casos de hospitalismo. 2004) Há 50 anos tem sido estudado o olfato entre recém-nascidos. filósofo. os odores de pescado e de ovos podres suscitam expressões de desagrado. uma mulher que emocionou o cientista e o poeta.

(ERICKSON e SCHULKIN. Durante a evolução. Estes resultados demonstram que recém-nascidos diferenciam azedo de amargo e de sal. respostas faciais simples estenderam-se para uso em formas de comunicações não-verbais mais complexas. (ROSENSTEIN e OSTER. azedo e soluções amargas compartilharam o mesmo resultado: negativas ou reações diferentes: abaixar a cabeça e enrugar o lábio face ao sabor azedo e abrir a boca com respeito a amargo. em dois estudos. respostas a estímulos gustativos em 15 recém- . A percepção e produção de expressões faciais são processos cognitivos e se dão em áreas subcorticais e áreas corticais. cloreto de sódio. um video-tape com respostas faciais das crianças para cada solução. Foi usado. através de registro em vídeo de movimentos faciais de recém-nascidos saudáveis e a termo. Respostas faciais básicas para estímulos como doçura e gosto amargo são importantes para a aptidão das espécies de se governarem através de regras simples. mesmo em se tratando de tão simples reações. como também distinguiam doce de gostos de não doces.1141 Examinaram-se a distinção e o reconhecimento de sabores através de expressões faciais para experiência gustativa em recém-nascidos. As respostas para salgado. para obter descrições detalhadas e objetivas. Até mesmo este nível básico de respostas faciais tem valor comunicativo com outros da mesma espécie. A base anatômica utilizada foi o Sistema de Código de Ação Facial. ácido cítrico e soluções de hidroclorito de quinino a 12 crianças com 2 horas de idade. Expressões faciais são um exemplo de comportamento emocional que ilustra a importância de emoções relativas à sobrevivência básica e à interação social. Não havia nenhuma expressão facial distintiva para cloreto de sódio. adaptado para bebê. 2003) Em um estudo obtiveram-se. Foram apresentadas sacarose. 1988). Respostas faciais para sacarose foram caracterizadas principalmente por relaxamento facial e sucção. Emoção não deveria ser divorciada de cognição.

embora se possam identificar reações típicas para cada sabor. parcial prazer. utilizou-se água destilada como explicado por Bergamasco e Beraldo em 1990. Este é o espectro de emoções que um recém-nato é capaz de demonstrar. alho e cebola. (BERGAMASCO. raiva 78%. estresse 65 %. como já havia sido descrito por Bergamasco em 1994 e Bergamasco e Beraldo em 1993. peixe. Como estímulo neutro e de comparação. (CHAMBERLAIN. surpresa 68%.1142 natos e respostas a estímulos olfativos em 16. apresentados. manga. parcial desprazer e máximo desprazer (choro). A análise dos movimentos faciais com base nas categorias mais freqüentes de resposta a cada estímulo gustativo permitiu a definição de um padrão de reação para cada modalidade de sabor. neutro. Existe uma significativa sobreposição de ações faciais discretas. leite. Além disso. tristeza 40% e medo 35%. Assim como a análise acústica dos sons emitidos por eles mostrou que podiam ser de: continuidade de máximo prazer. mel. Esta análise mostrou que as expressões faciais a estes estímulos não são tão estereotipadas como é usualmente sugerido na literatura. conforme descrito por Rosenstein e Oster em 1988.8 Integração dos Sentidos Fez-se um estudo em que se solicitou que 26 mães relatassem as expressões que percebiam no rosto dos seus bebês.25%) para o amargo. morango. O resultado foi: alegria 95%. também foi testado ácido cítrico. Os estímulos olfativos eram substâncias líquidas com aromas artificiais de alimentos: baunilha. (2.5%) para sabor azedo e sulfato de quinino. 1998) . Os gustativos utilizados eram soluções aquosas de sacarose. entre 10 e 72 horas de vida (média de 43 horas). Esta documentação foi feita por Hanus e Mechthild Papousek. (0. (25%) para o sabor doce. em cartuchos de papel filtro embebidos com a substância aromática. são aparentes as diferenças individuais. chocolate. assim como da configuração total da face para diferentes sabores. por aproximadamente 15 segundos. 1997) 2. Steiner em 1977 e 1979.

1143 De 74 bebês neonatos, com 36 horas de nascidos, foram recolhidas três expressões faciais: alegria, tristeza e surpresa, como imitação à expressão da face da mãe. (FIELD et al. 1982) Outro estudo observou se as crianças jovens separam fotografias de emoções diferentes em grupos de 17, 23, 29, 35 e 41 semanas. Mostraram-se slides de oito mulheres com rostos demonstrando emoções e feições com dentes grandes, sem dentes e sorridentes. Em todas as idades, houve alguma reação para faces sorridentes, mesmo que com dentadura protusa. O aspecto das faces algo estranhas não pareceu provocar diferença, mas o aspecto emocional, sim. (CARON et al. 1985) Dois estudos, um realizado quando os bebês tinham dois para três meses de idade e outro com seis para oito meses de idade, onde foram avaliadas as reações infantis para faces atraentes. Uma técnica de preferência visual era usada. Foram mostradas às crianças seqüência sobrepostas de faces de mulheres adultas previamente escolhidas por sua atratividade. Quando mostrados pares de faces atraentes ou sem atrativo, as crianças mais velhas e mais jovens pareciam observar mais longamente as faces atraentes. (LANGLOIS et al. 1987) Os bebês demonstraram concatenar percepções diferentes, num teste com uma chupeta granulosa ou outra lisa, posta na boca; depois eles selecionam a imagem da chupeta que tinha estado na sua boca. (KLAUS e KLAUS, 1989) 2.9 Sorriso O primeiro sorriso no rosto do neonato foi descrito como ocorrendo durante o sono. Em geral, após seis semanas, a maioria dos bebês responde com sorriso ao sorriso do adulto, o que é chamado de “responsividade ao sorriso”. Durante algumas experiências com neonatos, apareceu a habilidade de sorrir, chamada de “sorriso

1144 cognitivo”, descrito por Bower em 1977, Papousek et al. em 1986. (CHAMBERLAIN, 1999a, 1999e) 2.10 Choro O choro do bebê comunica uma variedade de acontecimentos: além de fome, frio, a cólica pode estar presente, problemas de digestão especialmente quando não há aleitamento materno ou quando não há contato físico. Muitas mulheres relatam que seus filhos param de chorar quando elas retiram de suas dietas: cebola, alguns legumes, uva, chocolate, café, álcool, ovos, nozes, alimentos cítricos, morangos, derivados de trigo. Pode haver choro como instrumento de liberação de tensão. Há choro devido ao parto ter sido traumático, há choro por agitação e excesso de estimulação, como há choro por sono, por frustração, por dor e por medo. (SOLTER, 1995) Oitenta mães de crianças normais recém-nascidas mantiveram registros diários do choro de suas crianças durante as primeiras 12 semanas. Vinte e oito bebês eram primogênitos na família. Uma tentativa foi feita para eliminar a tensão ambiental excessiva como um fator adicional. Também foram retirados da amostra os bebês com patologia subjacente. Havia uma média de chorar duas horas nas primeiras sete semanas, diminuindo a cada semana depois disso. Bebês que choraram durante um tempo incomum responderam à manipulação de tensão ambiental. A hipótese que se faz é que um certo tempo de choro é necessário, na saúde do bebê, pois tem função de comunicação. O aspecto de afiliação emocional está presente na incidência do choro

"normal". (BRAZELTON, 1962) Em estudo de 193 primogênitos, foi observado que nos casos em que as mães achavam que o choro de seus filhos era normal, as crianças tendiam a terem freqüência de choro normal, no entanto, as mães que entendiam que o choro de seus filhos era excessivo, o fato ajudava a torná-lo de fato excessivo. (ELLIOTT et al. 1996)

1145 Com o objetivo de avaliar o comportamento de choro em crianças prematuras com ou sem dano no cérebro, foram observados um total de 125 bebês de baixo peso ao nascimento que sobreviveram durante janeiro de 2001 a julho de 2004, no Hospital Universitário de Turku, na Finlândia. Eles foram categorizados de acordo com as patologias cerebrais encontradas no ultra-som ou MRI. O Baby Day Diary (Diário do Bebê) foi usado para avaliar choro em comportamento de crianças a termo, com seis semanas e cinco meses de idade corrigidos. O comportamento de um grupo de 49 crianças controles, a termo, foi avaliado por cinco meses. Danos de cérebro severos em crianças de peso muito baixo ao nascimento não afetaram a duração do choro. Aos cinco meses de idade corrigidos, turnos de choro eram mais freqüentes em crianças de muito baixo peso ao nascimento, comparadas com crianças de controle a termo (6.4 por dia vs 4.5 por dia) e foram seguidas muito mais que as crianças a termo (169 minutos, vs 130 minutos, respectivamente). Não houve aumento da freqüência do choro ou no desenvolvimento do ritmo circadino, de modo imediato ao nascimento, porém depois quando a idade se corrigiu, precisavam de ser mais acalentados, e choravam mais. (MAUNU et al. 2006) A autora vem, ao longo destes 20 anos trabalhando com orientação a casais, solicitando que a mãe use sua intuição e seu ouvido para diferenciar os tipos de diferentes de choro. Em geral, se ela fica calma, seu ouvido e sua intuição serão capazes de perceber as sutilezas que lhe servirão de orientação. O contato físico é imprescindível, pois alivia tensões e desconfortos. Conversar, falando baixinho e

calmamente, também ajuda. Quando o cansaço vence, é aconselhável rezar baixinho no ouvido do bebê. Muitas vezes, a recorrência da cólica do bebê que está recebendo aleitamento materno se conecta a um conflito na mãe, no casal, no pai – se o filho for homem ou na linhagem familiar. Os sonhos da mãe e do pai são as melhores pistas para

1989) Com o objetivo de desenvolver diretrizes baseadas em evidência para prevenir ou tratar a dor dos neonatos e suas conseqüências adversas. dor e toque. porém estas não levaram em consideração que todos estavam sob efeito de anestesia dada às suas mães durante o parto. compararam-se crianças mais velhas. disciplinas profissionais. Neste momento. neonatologistas mensuraram a reação de estresse à dor de 46 neonatos. que trabalham o campo de consciência individual e familiar. práticas médicas atuais continuam expondo as crianças à dor repetitiva. . Foram 2. 2.11 Sensibilidade para o Desconforto e para a Dor Experimentos sobre dor foram realizados nos anos 20 e 30 no Chicago’s Lysin-In Hospital e no Hospital de Bebês da Universidade de Columbia e concluíram que bebês não eram afetados pelo frio. pois o choro e a reação de desespero do bebê pode revelar a dor não vivida pelos pais. em 1994. (Grupo Internacional Baseado em Evidências de Dor Neonatal) representa vários países diferentes. esta pesquisa até hoje segue sendo uma crença médica. É relevante levantar-se o que a mãe ou o pai viveram na mesma idade em que se encontra o filho. calor. Estes são mais sensíveis à dor e vulneráveis a seus efeitos a longo prazo. No entanto. as essências florais. e discute práticas utilizando revisões sistemáticas.000 observações. ou prolongada. apesar deste grave erro de observação. adultos e neonatos. suavizando este aprendizado. Apesar da importância clínica de dor no neonato. (ANAND.1146 ajudar a resolver o conflito. (CHAMBERLAIN. 2001) O Projeto de peritos The International Evidence-Based Group for Neonatal Pain. durante uma transfusão de sangue intra-uterina e verificaram que os níveis de cortisol eram de 138% depois de 10 minutos e de beta-endorfina eram de 590%. A nova fronteira da neonatologia foi ultrapassada quando. É importante cuidar disto com carinho e acolhimento. 1999b. podem ser de grande valia. aguda.

(ANAND.1147 síntese de dados e discussão aberta para desenvolver consensos em práticas clínicas que foram apoiadas através de evidência publicada. foram avaliadas as mudanças da oxigenação cerebral medidas em relação à excitação dolorosa. protocolos para situações clínicas específicas e orientações de cuidado médico deveriam constar nestas diretrizes. 1997. 2006) . (SLATER et al. FRANCK e MIASKOWISKI. Nesta área de pesquisa no manejo da dor em neonatos ainda não se chegou a um consenso. medida como um aumento em concentração de hemoglobina total no córtex. nenhum exame de sangue foi executado somente com a finalidade do estudo. TYLER. 1987. em 18 crianças entre 25 e 45 semanas contadas a partir da data da última menstruação da mãe. 1988. independente da idade. Prematuros de 25 semanas processam a dor. Excitação dolorosa produziu uma resposta cortical clara. planejamento de analgésicos. 2005. de comportamento e doses de fármacos específicos. usando espectroscopia com onda próxima a infravermelho em tempo real. Criou-se um protocolo para descrever a administração de analgésico em procedimentos invasivos específicos em caso de dor contínua em neonatos. BERRY e GREGORY. SIMONS et. (ANAND. 2001. 2001) O reconhecimento das fontes de dor e avaliações de rotina de dor neonatal deveria ditar a evitação de estímulos dolorosos periódicos e o uso de intervenções ambientais. Foi observada resposta reflexa de retirada do pé à picada da agulha no mesmo. 1988) Num estudo. de sua idade gestacional ou severidade de doença. para a retirada de sangue em provas rotineiras. A administração da dor deve ser considerada um componente importante do cuidado médico provido a todos os neonatos. Os estímulos dolorosos eram feitos com agulha. 2003. McCLAIN e KAIN. havendo apenas um esboço de protocolos de conduta. Cuidado individualizado.

porém apenas um terço deles conhecia alguma escala para avaliar a dor nessa faixa etária. O grupo experimental foi circuncidado e avaliado após a alimentação. em recém-nascidos de dois a três dias. O choro foi o preferido para avaliar a dor do bebê a termo. usando um sistema especificamente projetado que avalia a interação mãecriança. dissecações venosas. A maioria dos entrevistados referia perceber a presença de dor no recém-nascido por meio de parâmetros comportamentais. a mímica facial no prematuro e a freqüência cardíaca para o neonato em ventilação mecânica. (CHERMONT et al. Cada par foi observado durante quatro alimentações. Foi um estudo transversal que incluiu 104 pediatras (de um total de 110) que trabalhavam entre 1999 a 2001 nas sete unidades de terapia intensiva e nos 14 berçários da cidade de Belém.a criança ficava retraída. Eles responderam a um questionário escrito a respeito do seu perfil demográfico e do conhecimento de métodos de avaliação e de tratamento da dor no recém-nascido. 30 a 40% referiam empregar analgesia para punções lombares. 2003) Examinaram-se. Cem por cento dos médicos referiram acreditar que o recémnascido sente dor. expressão facial. os efeitos da circuncisão através de 59 pares de mãe-criança no hospital. O opióide foi o medicamento mais citado para a analgesia (60%). considerando-se duas variáveis logo após cirurgia: o toque . Menos de 10% dos entrevistados diziam usar analgesia para punções venosas e capilares. Foram observadas tendências diferentes entre os dois grupos.e . drenagens de tórax e ventilação mecânica. seguido pelo midazolam (30%). Listaram-se 43 comportamentos relativos à alimentação.1148 Foi feito um estudo no qual se analisaram os conhecimentos dos pediatras que atuam com pacientes neonatais em relação à avaliação e ao tratamento da dor do recémnascido. vocalizações e toque. Menos da metade dos entrevistados referiram aplicar medidas para o alívio da dor no pós-operatório de cirurgia abdominal em neonatos. no Brasil.

Nos Estados Unidos é dado o poder aos pais para a autorização de uma operação não terapêutica. em relação ao grupo controle. Assim o homem fica moderado. 1997) No século XIX era praticada nos países de língua inglesa como preventivo para a masturbação e era vista como “higiênica”. que apóia a visão das perdas: "A respeito da circuncisão. Tal crença ainda persiste.. embora contrária aos interesses da criança.000 anos atrás. era um ritual claramente sacrificatório. envolve pouco ou nenhum risco e não produz nenhum dano a curto ou a longo prazo. Para pais judeus e muçulmanos a circuncisão é motivada por razões de fé. pois exigia a perda de algo de grande valor.mamava menos.. Até mesmo hoje. mas um meio para aperfeiçoar as faltas morais do homem. (MARSHAL et al. A prática ainda é difundida no EUA onde atualmente 60% (abaixo de 90% dos anos setenta) de neonatos masculinos são circuncidados. no grupo alvo. Circuncisão simplesmente limita a luxúria excessiva. Sem controvérsias. o prepúcio é visto popularmente apenas como um pedaço de pele vestigial. sem função e que sua remoção não causa nenhuma real dor.. . Nas palavras do Rabino Maimonides do século XII. Esta ordem não foi um mandamento devido a uma criação física deficiente. Bem antes de adquirir suas implicações religiosas. Segundo Gairdner em 1949.000 anos atrás.” (PRICE. não há nenhuma dúvida de que circuncisão debilita o poder de excitação sexual e às vezes minora o prazer natural. O dano corporal causado àquele órgão é exatamente o que é desejado. Depois disso se tornou um procedimento creditado com uma gama extensa de benefícios supostos. nem destrói o poder de geração.1149 a alimentação . esta se originou na pré-história há 15.. Circuncisão masculina é descrita em tumbas egípcias há 5. não interrompe nenhuma função vital. eu penso que seu objeto é limitar relações sexuais e debilitar o órgão de geração até onde possível. 1982) As origens da circuncisão perdem-se na antiguidade.

pois não é sua etiologia. 1999) . Não há evidência que indique que a circuncisão previne o câncer de próstata. que não há validade médica que indique circuncisão para o período neonatal. 1999) Quanto à higiene.1150 os fatos são que a circuncisão: inflige dor severa e os anestésicos. como assinala a AAP em seus relatórios de 1975 e 1977 (AAP. se usados. Esta só deveria ser executada quando é menos provável que o trauma na genitália não cause tantos problemas psicológicos. levam a riscos significativos de mutilação do órgão e hemorragia bem como infecção. pela AAP. Circuncisão executada mais tarde na vida em aproximadamente 2% a 10% de homens com verdadeira fimose tem a vantagem de não ter risco anestésico. a AAP informa que a pele é um órgão protetor e qualquer ferimento em sua integridade predispõe a uma oportunidade para iniciação de infecção. Extensa revisão de literatura indica que a circuncisão masculina não previne o câncer de colo de útero nas suas parceiras. deveria ser discutida a necessidade de orientação aos pais antes do nascimento da criança de como proceder para realizar a higiene. ou seja. 1997) A American Academy of Pediatrics. segundo a American Academy of Pediatrics. (AAP. no The Committee on Fetus and Newborn (O Comitê sobre Feto e Neonato) em seus sucessivos relatórios diz em 1971. pois esta é a melhor profilaxia do câncer de pênis. orientação desde 1975. no nível emocional e diminui a função sexual e não tem nenhum benefício médico. (AAP. (PRICE. Prossegue então que "fimose do recém-nascido" não é uma indicação médica válida para circuncisão. produz dano a curto e a longo prazo. 1997) Desde 1977. quanto mais tarde possível.

Fimose é uma estenose do prepúcio com inabilidade resultante para retratar um prepúcio completamente diferenciado. realizado em hospitais militares que até hoje é referência devido à sua grande casuística. Quanto às outras patologias. (AAP. criando maior tensão linfática que pressiona a glande resultando em edema subseqüente do prepúcio. questões metodológicas fazem estes artigos de validade discutível. os recentes achados clínicos evidenciam que não há diferença na incidência de gonorréia e de uretrite em circuncidado. Apenas as patologias ligadas à existência do prepúcio são evitadas com a circuncisão. antes de três anos. 1999) Desde 1977. 1999) A afirmação quanto a ser à circuncisão ser preventiva de doenças sexualmente transmitidas não é correta. (AAP. Balanite é a inflamação da glande e postite é inflamação do prepúcio. Ao nascimento. (AAP. estas condições normalmente acontecem junto com balanopostite. Em 1982 um destes estudos. 1999) Estudos prévios sobre a relação entre circuncisão e prevenção contra infecção urinária foram feitos. 15% aos seis meses e 50% com um ano. Os perigos imediatos de circuncisão do recém-nascido . o prepúcio estáse desenvolvendo ainda histologicamente e sua separação da glande está normalmente incompleta. observação pós-operatória sistematizada e avaliação depois da alta do hospital. Meatite é inflamação do meato uretral externo. o prepúcio pode ser retrátil em 80% a 90% dos meninos. a AAP informa que a circuncisão é um procedimento cirúrgico que requer técnica asséptica cuidadosa.1151 O prepúcio é a dobra de pele que cobre a glande. Parafimose é a retenção proximal do anel prepucial ao sulcus coronal. Só aproximadamente 4% de meninos têm um prepúcio retrátil ao nascimento. teve erros metodológicos.

Anestesia de Circunferencial pode ser perigosa. até mesmo uma dose pequena de lidocaína pode resultar em níveis de sangue altos o bastante para produzir respostas sistêmicas mensuráveis em neonatos. (AAP. (AAP. (AAP. 1999) Mortes são atribuíveis à circuncisão em recém-nascido. cardiovasculares e hormonais. Meatite resulta indubitavelmente em urinação dolorosa.1152 incluem infecção local que pode progredir para septicemia. padrões de sono variados e mudanças da interação materna infantil retraimento do contato e diminuição da alimentação. mudanças em atividade irritabilidade. No entanto. Remoção incompleta do prepúcio pode resultar em fimose. (AAP. 1999) Desde 1977 a AAP informa que circuncisão neonatal predispõe à meatite que pode conduzir à estenose do meato. Mudanças de comportamento incluem um padrão de grito que indica angústia durante o procedimento de circuncisão.000 circuncisões no Exército dos EUA. 1999) Complicações devido à anestesia local consistem principalmente em hematomas na pele seguidos de necrose. devido à circuncisão. houve uma morte entre as 175. 1999) Crianças que sofrem circuncisão sem anestesia demonstram respostas fisiológicas que sugerem que elas estão experimentando dor que incluem mudanças de comportamento. em 1973. Seria . Foram documentadas respostas para estímulos dolorosos em neonatos de todas as idades gestacionais viáveis. Rotas neuronais para condução do estímulo doloroso como também o cortical e centros subcorticais necessários para percepção de dor estão bem desenvolvidos desde o terceiro trimestre da gravidez. Nos Estados Unidos. hemorragia significativa e mutilação. Revisão da literatura durante os últimos 25 anos documentou duas mortes prévias devido a este procedimento.

portanto. 1999) Professor Dwyer. (AAP. a AAP orientou que.. ao considerar circuncisão dos seus filhos. (AAP. Até mesmo a Academia Americana de Pediatria na orientação em como tratar as crianças afirma: “Assim. ou sangramento são contra-indicações absolutas à circuncisão neonatal. qualquer anomalia congênita (especialmente hipospadias). em 1996. 1999) Em 1989. jurista. os pais deveriam ser informados inteiramente dos possíveis benefícios e riscos potenciais da circuncisão em recém-nascidos. (AAP.. não foi provida uma recomendação firme para método apropriado de controle de dor. tanto com. Tais provedores têm deveres legais e éticos com seus pacientes. não deve ser um procedimento de rotina. obter mais dados de séries controladas de grande porte antes de defender anestesia local como uma parte integrante de circuncisão em recém-nascidos. ‘consentimento por procuração’ representa um sério problema para provedores de cuidados médicos pediátricos. 1999) É enfatizado que circuncisão no recém-nascido é um procedimento eletivo. (AAP. Por causa da falta de dados científicos claros.1153 prudente. ou sem anestesia local. doenças neonatais. a AAP informa que prematuridade. A evitação de circuncisão é particularmente importante porque doença neonatal nem sempre é aparente ao nascimento. as responsabilidades do pediatra para com o paciente dele existem independentes de desejos parentais ou ‘consentimento por . convincentemente discute que a visão de que os pais têm dos direitos sobre suas crianças está incorreta e insustentável: os direitos residem nas crianças e os pais devem ser agentes destes direitos delas. de praticarem um cuidado médico competente baseado nas necessidades de seus pacientes. Não há indicação médica absoluta para a circuncisão. 1999) Desde 1977. não o que outra pessoa expressa.

usando a Escala Brazelton de Avaliação Neonatal (NBAS). 6% dos meninos nos Estados Unidos fazem circuncisão cosmética. 1997) A Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança assinada em 1959. sífilis. infecções urinárias e até AIDS. incontinência urinária. Eles também poderiam explicar por que o comportamento abusivo para com uma criança é menos abusivo quando executado por um médico. (PRICE. Cada bebê foi examinado três vezes.600. mas este argumento não se sustenta na Convenção erudita com as providências interpretativas da Convenção de Viena na Lei de Tratados de 1969. Estas foram razões que os médicos nos Estados Unidos recentemente mudaram para: previne doenças sexuais.000 homens que nascem a cada ano são circuncidados. A redução na escala da média de demonstração de desanimado ou hiperativo atingiu a 90% do grupo que sofreu o procedimento nas últimas 4 horas. Não se pode deixar de considerar. comparado com os controles. segundo Kaplan em 1977 e Grimes . 1997) Ainda assim. Nos Estados Unidos 80% das crianças. 1998) Foi feito uma pesquisa sobre 26 recém-natos randomizados circuncidados com dois dias de nascidos e com três semanas.1154 procuração’”. ou seja. 1. que aqui a conivência médica é comparável com o pouco ético comportamento de um médico envolvido em tortura. doença mental e compulsão à masturbação. que também usa a desculpa de estar praticando o que lhe foi solicitado pela autoridade. Artigo 24(3) provê: “Todos os Estados Parte deverão tomar medidas efetivas e apropriadas com uma visão para abolir práticas tradicionais prejudiciais para a saúde das crianças. alcoolismo. deixa clara a posição a respeito de circuncisão. na qual o examinador não sabe que bebê foi circuncidado. (CHAMBERLAIN. câncer." Alguns buscaram discutir que esta provisão só era direcionada à circuncisão feminina. como curar asma. As autoridades médicas alegam razões não muito claras para tal prática. (PRICE.

Um deles usando polígrafo para averiguar a qualidade das fases de sono REM. O outro estudo. Anders e Chalemian em 1974. choro. Harmon. para que o sono tenha sua natural função reparadora de energia. Embora amplamente usada nos EUA. (MARSHALL et al. e não REM. Denniston entende que está na hora de o estabelecimento médico repensar as razões para e as conseqüências deste procedimento. Nelson JH em Relation of circumcision to cancer of . Wilson F. Utilizou-se vídeo . Brackbill em 1975. Metcalf. Os circuncidados mostraram mais forte resposta à dor da vacinação. Há muito poucos estudos que justifiquem sua realização. (ANDERS et al. 1974) A Fetus and Newborn Committee. segundo Emde. já haviam descrito alteração no ciclo de sono entre os circuncidados. que ficam com o sistema supra-renal alterado por reação de estresse prolongado. em revisão de literatura feita. DIXON e SNYDER. O trabalho de Terris M. 1982. De fato. 1980. Este estudo envolveu 87 meninos divididos em três grupos. assim como alteração do ciclo de sono. 1984) Estudos preliminares já observaram que meninos que passaram por circuncisão têm menor tolerância à dor. as crianças apresentavam um aumento de cortisol nos níveis plasmáticos. 1996) Em muitos hospitais nos Estados Unidos a circuncisão é parte rotineira do cuidado provido às crianças masculinas. Koenig e Wagonfeld em 1971. (CANADIAN PAEDIATRIC SOCIETY. feito por Anders e Roffwarg em 1973. que normalmente se alternam. 1997) Um estudo avaliou as conseqüências da circuncisão sobre o sono.1155 em 1978.tape para medir expressão facial. Foi realizado estudo para verificar se havia alteração da dor aos quatro e seis meses. duração do choro. e escala de dor análoga a tais reações. tal prática não ocorre na Europa. Canadian Paediatric Society. concluiu que a circuncisão não deve ser praticada como rotina em neonatos. por ocasião de vacinação. (TADDIO et al.

a glande do pênis está coberta com pele. antes do nascimento. a pele da glande sensível seja lacerada para permitir a remoção. (DENNISTON. começa aos poucos a separação do prepúcio da glande. não soa razoável. A cabeça e normalmente a glande do pênis de um homem está coberta de uma pele por cima da outra. À medida que elas aumentam. a idéia de submeter todos os bebês a este procedimento tão doloroso. publicado no Am J Obstet Gynecol em 1973 e que justificou a idéia de que a circuncisão prevenia contra câncer do colo de útero. Supondo que o trabalho estivesse correto. sem anestesia. tornando-se o espaço prepucial. (DENNISTON. na cirurgia. 1992) Ao nascimento. mas pode levar até 17 anos para que alguns meninos terem um prepúcio completamente retrátil. células na área de separação entre o prepúcio futuro e a glande iniciam o processo de criar o espaço prepucial (isto é. Este processo é completado por volta dos três anos de idade em 90% dos meninos. 1992) Sob o ponto de vista fisiológico. a circuncisão não só interfere no seu desenvolvimento. o espaço entre a glande do pênis e o prepúcio intacto). Esta pele é firmemente presa na glande como o é a pele da mão. ainda assim. Na 17ª semana de gestação aproximadamente. 1992) O prepúcio cumpre várias funções. (DENNISTON. Na infância. criando um espaço. para evitar algo que só poderá acontecer na vida adulta. mas também ocorre que. a cabeça do pênis se . os nutrientes que vão para as células do centro são cortados e então morrem. O pênis do recém-nascido não está completamente desenvolvido. Estes espaços minúsculos fundem-se. está incorreto. pois durante a ereção. o prepúcio protege a glande de irritação e de material fecal. Por isto. Começam a formar-se bolas microscópicas que incluem camadas múltiplas de células.1156 the cervix. A função do prepúcio na maioridade pode parecer mais obscura a princípio.

e ela afirma: “Basta dizer não à Circuncisão”.000 correm tal . vão embora deste mundo feio. o que elas podem fazer é contrair-se. explica que a circuncisão é quando o primeiro encontro com a sexualidade foi marcado por violência. (DENNISTON. Califórnia. e 6. tornando-se aproximadamente 50% mais longa. (BAKER. Elas só podem chorar. O prepúcio cobre este alongamento da cabeça e é projetado especificamente para acomodar um órgão que é capaz de tal aumento. seus filhos vão tomar menos leite delas. como demonstrou Taylor J. p. e há estudos que relacionam circuncisão e estupro. Como mãe. pois. De 100 milhões a 140 milhões de mulheres foram submetidas à mutilação genital. diretora do NOCIRC. Elas não podem falar com você.1157 prolonga. e estima-se que dois milhões de mulheres passam por isto a cada ano. a elas cabe proteger a integridade física de seus filhos. no relatório das Nações Unidas de 2000. 7) A mutilação genital feminina (FGM). grupo de proteção contra violência. 2005) A circuncisão é um dos piores tratamentos dados à criança. em San Francisco. como já visto. nos dias que se seguem à circuncisão. Elas contraem-se. esta é a “Sagrada Obrigação”. A conseqüência de abandono pela mãe é violência contra mulher. carregam uma profunda mágoa. Diante de tão poderosa e dolorosa mutilação. 1950. conclui que homens que passaram por este nível de dor. no Segundo Simpósio Internacional sobre Circuncisão. (REICH. o prepúcio é uma das partes mais sensíveis do pênis e pode aumentar a qualidade das relações sexuais. 1992) Aos pais cabe a proteção de seus filhos. Estudos anatômicos demonstram que o prepúcio tem maior concentração de terminais nervosos complexos do que a glande. diz ela. em 1991. mas Jeannine Parvati Baker dirige-se especialmente às mães. Além disso. E o que acontece com elas? Simplesmente olhe para elas. pois suas mães os traíram. Marilyn Milos. é uma prática que ocorre em 28 países africanos. segundo relatório de abril de 2006. vão para o interior. que criança se ligará de fato num deus interior? O trabalho de Rima Laibow em 1991. vão confiar menos nelas. Na verdade.

No Reino Unido. infecções pélvicas e infecção ginecológica. 86. As decorrências também podem ser: problemas psicossociais. 2006) Muitas mulheres morrem de hemorragia de parto devido a este procedimento. com morte da mãe e da criança. Tipo 3 . fechamento da vagina devido à cicatriz. choque.000 jovens adolescentes estão sujeitas a risco anualmente. retenção urinária. neuroma. ulceração da região genital ou infecção devido a este procedimento. Outras sofrem conseqüências a longo prazo. Tipo 2 . segundo a OMS em 2000. da FGM.1158 risco a cada dia. conflito conjugal. segundo estimativa do FORWARD – Foundation for Women’s Health. Na Somália. uma em cada 100 morrem no parto devido a este procedimento. e não na fase expulsiva. Muitas vêm a morrer das complicações a longo prazo.excisão do clitóris parcial ou total e dos pequenos lábios. (ROYAL COLLEGE OF NURSING. frigidez. De acordo com a classificação. há quatro procedimentos: Tipo 1 – exêrese da parte retrátil da pele que cobre o clitóris. a criança pode morrer por falta de oxigênio. Muitas meninas morrem em conseqüência de hemorragia. se a hemorragia se inicia durante o trabalho de parto. prolongamento do trabalho de parto ou obstrução do períneo devido à cicatriz. com laceração vaginal e fistula vaginal. com ou sem excisão de parte ou de todo o clitóris. abscessos. E 7. e também fístula vaginal em conseqüência da obstrução do trabalho de parto. fístula vaginal com injúria a outros tecidos. dispareunia (dor durante o coito). trauma ao dar à luz. corte de alguma terminação nervosa causando dor permanente e infecção crônica por obstrução do fluxo menstrual. submeteram-se a tal mutilação. que são infecção urinária recorrente. entre as que foram exiladas para lá ou entraram como refugiadas. falta de confiança no cuidador. Research and Development (Fundação para a Saúde e o Desenvolvimento da Mulher). infertilidade por infecção da pelve crônica.000 mulheres. cistos. onde 90% a 98% das mulheres são infibuladas. estresse pós-traumático. infecção pós natal. especialmente se retornarem aos seus países de origem.

WOMEN AND YOUTH. cauterizando ou queimando o clitóris e o tecido ao redor. Na Convenção dos Direitos da Criança.1159 – excisão parcial ou total da genitália externa e costurar ou deixar mais estreita a abertura vaginal. como do clero. ou o lábio. tem sido fundamental para a mudança de atitude tanto do governo do Egito. Foi então firmado o Protocolo da Carta Africana (União Africana de 2003) onde estão tais compromissos. perfurar. Cairo e Alexandria entre meninas 5 a 10 anos de idade de 95% para 70%. 95% das meninas nas áreas rurais do Egito e 80% das áreas urbanas eram circuncidadas. (FEDERAL MINISTRY FOR FAMILY AFFAIRS. ou com o propósito de estreitá-la. Tipo 4 – furar. raspando o tecido à volta do orifício ou cortando a vagina. a página 10 orienta sobre a necessidade de proteção da criança. Segundo a Maternal and Child Health Survey (Pesquisa de Saúde Materno-Infantil) em 1991. Outro ganho foi a redução da incidência de circuncisão nas regiões administrativas de Asyut. 2006. ou cortar o clitóris e. 2007) Segundo o Ato de Direitos Humanos de 2000. (ROYAL COLLEGE OF NURSING. A informação. embora o procedimento fosse proibido por lei. os profissionais de saúde têm o dever de proteger as crianças de tais mutilações. Andrew Meltzoff estudou esta capacidade em grande detalhe: protundindo a . em 1994. Qena. que causam sangramento. com um aperfeiçoamento de educação sobre o assunto. entendeu que seu alvo para a redução de tal prática já começou a ser atingido. Minya. NOBLE.000 mulheres foram poupadas do procedimento. SENIOR CITIZENS. (ROYAL COLLEGE OF NURSING. no Cairo. com introdução de substâncias corrosivas ou ervas para dentro da vagina. ou infibulação.12 Imitação e outras Evidências do Desenvolvimento Inicial Olga Maratos. pois verificou-se que 20. Mais tarde. Sawhaj. percebeu a capacidade do recém-nato de imitar. 1993) A Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento. 2006) 2. psicóloga grega.

com bebês de 12 a 21 dias de idade.e excluiu-se a possibilidade de uma interpretação desses movimentos como reações reflexas. o recém-nato. abrindo a boca. estas evidências permitem admitir uma correspondência estreita entre movimentos expressivos e estados internos. A análise dessas reações (choro e expressões faciais de agrado e desagrado) evidenciam sintonia com o ambiente e variabilidade individual .duas condições incluídas no sentido de consciência como "awareness". um pressuposto comum às teorias de emoção. felicidade e surpresa. e esta comunicação implica em desenvolvimento cognitivo para o bebê. (STALLING. A hipótese deles era que os recém-nascidos são capazes de imitação de movimentos faciais. (KLAUS e KLAUS. 1994) Meltzoff e Moore publicaram o primeiro estudo. Considerando-se o bebê como ser social e altamente comunicativo. 1989) Fez-se um estudo para observação do uso de movimentos expressivos como indicadores de estados subjetivos no bebê recém-nascido. demonstrando registro de memória. de uma extensa linha de pesquisas sobre imitação em recém-nascidos. abrir a boca) e um envolvendo os dedos. estender o lábio. franzindo os lábios. imita a careta para a pessoa que a fez. Cada um deles era apresentado para os bebês por um adulto e as respostas eram codificadas por observadores que desconheciam o movimento a ser imitado.1160 língua. assim como estudos transculturais que marcam diferenças de comunicação. a partir de registros de reações a estímulos nociceptivos e a estímulos olfativos e gustativos. Hoje já existem estudos em animais e estudos endocrinológicos que dão sustentação às observações antigas. 1997) Décadas de pesquisa têm confirmado que os bebês emitem sinais para as mães. que já se tornou clássico. Os bebês também imitam rostos de tristeza. Usaram quatro modelos: três faciais (colocar a língua para fora. Foi verificada uma . que geram respostas nelas. (BERGAMASCO.

Estes resultados mostram que esta habilidade está a serviço de um desenvolvimento social. apresentaram-se dois gestos de um modelo adulto: abertura da boca e protrusão da língua. (MELTZOFF. foi feito um experimento em que se criaram procedimentos para impedir que os bebês respondessem imediatamente à ação do modelo. verificaram que os bebês eram capazes de reproduzir ambos os movimentos. 1988a) Outro experimento incluiu a protrusão da língua e movimento de cabeça.1161 freqüência significativamente maior do gesto que estava sendo mostrado. Ações e novos objetos que são observados um dia podem ser armazenados pela criança e repetidos no próximo dia. Com os mesmos cuidados de usar observadores que desconheciam o gesto que serviu de modelo. Seis ações. As crianças demonstraram ter memória evocativa. do que de qualquer outro. (MELTZOFF e MOORE. 1983a) Em outro estudo foi evidenciou-se que os bebês são capazes de reconhecer visualmente a chupeta que sugam. (MELTZOFF e BORTON. (MELTZOFF. Os resultados demonstram evidência de que existe imitação imediata e também mediata. 1979) Na tentativa de tornar mais precisa a experiência anterior. cada uma usando um objeto diferente. Os resultados indicaram que os bebês imitaram ambos. 1983b) A habilidade de crianças de nove meses para imitar ações simples com objetos foi investigada. 1977) Em uma amostra de 40 bebês de menos de uma hora a bebês de 71 horas. . Uma das seis ações era um comportamento novo que tinha nenhuma probabilidade de ocorrência espontânea. (MELTZOFF e MOORE. Os resultados corroboraram os anteriores. Depois colocou-se uma demora de 24 horas entre o estímulo-apresentação e os períodos de resposta. (MELTZOFF. 1988b) Imitação com demora de l semana foi examinada em crianças de 14 meses.

1162 Mais tarde, após algum tempo depois da execução do movimento pelo adulto, eles repetiam o gesto. Daí começou-se a pensar na questão da memória. MOORE, 1989) A partir de estudos com bebês de seis semanas e de dois a três meses, atribuiu-se uma função social e psicológica às imitações iniciais. Posturas faciais estáticas e movimentos, tanto de estranhos como das respectivas mães, eram imitados; portanto, os resultados não dependiam da familiaridade com o modelo. Esse comportamento apresentado em bebês de seis semanas de idade continuava presente aos dois e três meses. Para os autores, a imitação inicial tem uma função comunicativa e os bebês a utilizam nos encontros com outros para enriquecer seu conhecimento de pessoas e de suas ações e também para identificar essas pessoas. O que este pesquisador percebeu é que o desenvolvimento do cérebro humano depende desta imitação, e o ato de imitar é, dentre outras coisas, um importante exercício de memória. A criança percebe o rosto do adulto como um espelho que se comunica com ela, portanto é fundamental como aprendizado de auto-estima. (MELTZOFF e MOORE, 1992) O trabalho de Sophian em 1980 trouxe dados na mesma direção e o autor afirma que a memória de reconhecimento está presente desde os primeiros dias de vida. Legerstee em 1991 também encontrou evidências confirmatórias, ao examinar o papel de pessoas e objetos ao provocar imitação em bebês de cinco e oito semanas. Para os três autores, a imitação é uma resposta social que tem implicações para o desenvolvimento, especialmente da comunicação e da linguagem. (MOURA e RIBAS, 2002) As crianças desenvolvem a fala com padrões de linguagem universal e um mecanismo que influi é a imitação. As crianças buscam copiar as vogais. Em análise em (MELTZOFF e

1163 espectrógrafo, as vogais vão-se separando quando as crianças tinham entre 12 a 20 semanas. (KUHL e MELTZOFF, 1996) A idéia de imitar está conectada com a idéia de se inserir no contexto social. Mas, além disto, envolve a observação e a própriocepção, assim como habilidades motoras. Nos pacientes com Síndrome de Down e com autismo, esta capacidade de imitar está alterada. Por outro lado, padrões de imitação são observados em muitas culturas, como descrito nos Estados Unidos, por Abravanel e Sigafoos em 1984, e por Field et al. em 1982 no Canadá por Legertee em 1991, na França por Foutaine em 1984, na Suíça por Vinter em 1986, na Suécia por Helmann e Schaller em 1985 e por Heinann et al. em 1989, em Israel por Kaitz et al. em 1988, no Nepal, em área rural por Reissland em 1988. (MELTZOFF e GOPNIK, 1993) No trabalho de Reissland foi confirmada a imitação de posições dos lábios em 12 bebês com uma hora de vida de uma região rural do Nepal, para quem o experimentador era a primeira pessoa com quem interagiam após o nascimento. (REISSLAND apud MOURA e RIBAS, 2002) Confirmaram-se as evidências de que em fase muito precoce existe uma variedade de gestos imitados. A imitação de ações novas, portanto não pode ser resposta. A estereotipada, visto que a possibilidade de imitação facial diferente com intervalos de 24 horas. (MELTZOFF e MOORE, 1999) Foi feito um estudo para testar a imitação imediata e a memória (com intervalo de 24 horas). Este trabalho utilizou um procedimento experimental muito cuidadoso, incluindo a micro análise da topografia da resposta. Os procedimentos foram testados para fidedignidade, apresentando índices bastante altos. Os resultados mostraram imitação imediata, e imitação após um intervalo de tempo. Esse último resultado indica que memória de evocação em bebês de seis semanas pode gerar ações com base em

1164 alguma forma de representações armazenadas. A organização motora envolvida na imitação, investigada pela micro análise das respostas, revelou que os bebês se modificam. (MELTZOFF e MOORE, 1994) Neste caso, Meltzoff (1995) relata um estudo com crianças de 18 meses, no qual o modelo tentava realizar uma determinada ação com um objeto, mas falhava. A conduta imitativa observada levava em conta o que os adultos haviam tentado fazer, e não o que eles de fato haviam feito. É com base nesse tipo de dado que os autores ressaltam que estas crianças de 18 meses não estavam apenas imitando o que elas haviam visto, mas realizando atos de certa complexidade de intenção. (MELTZOFF, 1995) Gallagher e Meltzoff (1996) discutem alguns pressupostos tradicionais sobre o desenvolvimento do esquema, da imagem corporal e do processo de tradução entre a experiência perceptual e a capacidade motora. Com os achados nas pesquisas de Meltzoff sobre a imitação de gestos não-vistos, defende-se então uma capacidade rudimentar de diferenciação entre o self e o que não é o self presente no recém-nascido. (GALLAGHER, S. MELTZOFF, 1996) Foram analisadas questões relativas ao processo de imitação e entenderam que os bebês relacionam partes de seus próprios corpos aos correspondentes nos adultos. Ao mesmo tempo, realizam movimentos espontâneos que são como "balbucios" e que lhes dão experiência em mapear mudanças e configurações de seu próprio corpo. Finalmente, estabelecem relações entre órgãos que lhes permitem perceber e emparelhar seus movimentos com os do modelo. (MELTZOFF e MOORE, 1997) Já ficou comprovada a existência de memória nos primeiros meses e há uma complexa mente funcionando nos bebês de 18 meses. O cérebro é uma estrutura inata e de evolução progressiva, há uma reorganização qualitativa na vida mental do bebê, com base em sua experiência com pessoas e eventos de sua cultura. (MELTZOFF, 1999)

(MELTZOFF. pois há uma interação lúdica que a faz antecipar no jogo à ação a ser realizada e. é preciso mudar paradigmas de pesquisa em bebês. Crianças que dão respostas corretas é que estão confiando no modelo. Fadiga. Prinz. quando percebe que isto de algum modo era o que se esperava. demonstrando flexibilidade e não há automatismo. O passo um sendo “Como eu” e o passo dois. primeiro. no contexto afetivo das relações sociais. segundo. (MELTZOFF. A capacidade de estabelecimento de intersubjetividade entre o bebê e os adultos é um dos aspectos . De algum modo a direção da imitação é inclusiva de si próprio. A literatura sobre esse tema é muito extensa e optou-se por citar somente alguns estudos básicos. Não há fixidez neste aspecto. e deixar de considerá-los iguais aos ratos de laboratório. Isto ocorre com a criança humana. e crianças imitam por memória. As crianças imitam gestos novos. Em quarto lugar. não por reflexo. neurocientistas vêm. através das experiências de imitação. E em terceiro lugar a comparação de imitação de animais e de humanos. demonstra que nestes a mente é contínua e descontínua em função da subjetividade. como Decety em 2002. pois sua psicologia é mais complexa. num contexto de relação e do outro. Fogassi e Gallese em 2002. Rizzolatti.1165 Algumas coisas foram mudando e Meltzoff entende que. explorando o conceito de neurônio espelho. 2002a) A imitação é um recurso para entender como outra mente funciona. 2005) Outras evidências do desenvolvimento inicial parecem consistentes com os achados sobre imitação e serão apresentadas a seguir. “Compreensão do outro”. a psicologia do desenvolvimento veio transformando-se ao entende-se o sentido da imitação nos bebês. sem que antes tenha sido feito. ela fica satisfeita e ri. 2002. A criança de 14 meses é capaz de perceber a direção do jogo que o adulto pretende desenvolver. (MELTZOFF 2002b) Um aspecto importante da imitação na interação social é o da empatia.

mas se inserem em um panorama mais geral. se devem à diferenciação de uma função inata. A partir disso. desenvolve-se. Além disso. 2002) . regula motivação e intenção em relação a elas e constrói simultaneamente atos rudimentares de fala e gesto em combinações e seqüências-padrão.1166 centrais que se podem vincular às evidências que vêm sendo descritas. por sua mãe.e suas transformações. interpessoal. 2005) As capacidades imitativas iniciais. Essa função identifica pessoas. transformando-se na capacidade de compartilhar atenção a objetos comuns e tornando-se verbal na época da pré-história. Uma forma primitiva de intersubjetividade começa nas primeiras semanas de vida. revelam um conjunto de características que os capacitam para os primeiros contatos e trocas com os membros da cultura. Os bebês parecem predispostos a responder seletivamente a eventos sociais e demonstram uma motivação básica para se relacionar com pessoas. Trevarthen e Hubley em 1978 discutem que a comunicação entre o bebê e os adultos -principalmente a mãe . geral e altamente complexa. mostram os primeiros sinais de "intersubjetividade primária". inicialmente representados. que se manifesta muito cedo de uma forma rudimentar. (MOURA e RIBAS. definida originalmente por Trevarthen e Hubley (1978). (MELTZOFF. com o prazer do contato visual entre a mãe e o bebê (ao qual se deveria acrescentar o prazer do toque). No segundo mês. Esta é caracterizada como uma forma de interação que tem como aspectos essenciais o interesse que o bebê demonstra pela fala da mãe e sua capacidade de orientar a atenção para o rosto da mesma e de responder às solicitações dela. No curso das primeiras semanas. os bebês apresentam uma ligação estreita entre os sistemas de percepção e ação organizada e uma sensibilidade essencialmente humana para estímulos sociais. não podem ser entendidas de forma isolada. sobretudo. entretanto.

Esta capacidade discriminativa se manifesta também no sistema olfativo. então. os bebês buscam estabelecer contato visual com os adultos que cuidam deles e são estimulados e incentivados a fazê-lo.1167 O sistema auditivo parece pré-adaptado para identificar a voz humana. (MOURA e RIBAS. os das vozes femininas (Eisember. os resultados das pesquisas recentes desafiam "crenças antigas" que viam os recém-nascidos como dotados apenas de um repertório muito simples de comportamentos sensório-motores que são gradualmente integrados e internalizados. 2002) No campo visual. em especial. Em geral. as investigações de Fantz em 1965 demonstraram a capacidade de discriminar e manifestar preferências por configurações de rostos humanos. conseguem distinguir sua mãe de uma estranha com base no odor (Engen. 2002) Há divergências entre os autores quanto à natureza das percepções iniciais do bebê. (MOURA e RIBAS. Propõe. segundo Schaffer em 1979. Tem sido verificado que. ação e representação. 1963). Os bebês discriminam sons da voz humana de outros sons. preferindo os primeiros. evidenciam que a capacidade de representação pode estar presente desde o nascimento. Em condições normais. 2002) Este mesmo autor Bertenthal em 1996 questiona a visão monolítica da percepção de que diferentes inputs sensoriais convergem numa representação única que precede o pensamento e ação. um modelo em que o sistema visual é dividido em duas rotas funcionalmente dissociáveis. Além disso. Para este autor. (MOURA e RIBAS. Lipsitt & Haye. não tem sido confirmada a concepção piagetiana de que estas são modais e justapostas e de que a organização comportamental é não-coordenada e constituída de reflexos isolados. desde o terceiro dia de vida. Uma dessas rotas trata do controle perceptivo e . 1975). Bertenthal em 1996 revê e analisa as evidências das origens e do desenvolvimento inicial da percepção.

S. Karmiloff-Smith desenvolveu o que chama de modelo RR (Redescrições Representacionais). Moura e Adriana F. se apresenta sob a forma de representações com finalidades específicas e se torna progressivamente disponível. Ribas admitem tais capacidades inatas. é necessário levar em conta algumas predisposições inatamente especificadas. As evidências mostram que a percepção depende de relações e de descrições abstratas. (MOURA e RIBAS. No primeiro caso. e a outra da percepção e do reconhecimento de objetos e eventos. ou seja. isto é o que propõe também KarmiloffSmith em 1995. passe por uma construção gradual. Nem percepção. (MOURA e RIBAS. Márcia L.1168 da orientação das ações. nem representação são privilegiadas ontogeneticamente. permitindo defender a hipótese de que a obtenção de aspectos do conhecimento conceitual e a aprendizagem sobre os mundos físico e social através da percepção. Pensam que as predisposições inatas podem ser especificadas em detalhe ou ter apenas uma direção geral. nem ação.P. No segundo caso. já presente no funcionamento independente do organismo. o ambiente influencia a estrutura subseqüente do cérebro através de uma interação rica e específica entre a mente e o ambiente físico e sociocultural. Essa é a proposta de Meltzoff e Moore. Num modelo mais geral. os estímulos do ambiente são apenas disparadores do processo. 2002) É necessário adotar uma posição que inclua as novas evidências sobre o estado inicial e que inclua também um processo em que a representação sofra transformações e tenha maior complexidade. 2002) O que essas pesquisas têm indicado é que o estado inicial do desenvolvimento talvez não seja exatamente o que Piaget propôs e. O modelo pressupõe um processo cíclico pelo qual a informação. por . Deste modo. Diferentes fatores contribuem para mudanças evolutivas nos dois sistemas. mas também a hipótese de um mecanismo de construção. é preciso repensar o estágio sensóriomotor tal como apresentado e explicado por Piaget.

Diretores do Departamento de Clínica Tavistock na Inglaterra e Consultor de Saúde Mental da Organização Mundial de Saúde. que aumentava a partir de um foco mantido na figura materna dos seis primeiros meses de vida. agarrar e comportamentos de sinalização como sorrir e chorar. dos quais o primeiro foi este: Bowlby propunha que o vínculo entre crianças de um a dois meses com suas mães tinha um forte componente instintual. calcado em conceitos etológicos. O primeiro trabalho sobre a Teoria do Vínculo foi escrito no livro “The Nature of the Child’s Tie to his Mother” (A Natureza da Ligação da Criança com sua Mãe) em 1957. 2001) A autora vai usar sempre a palavra vínculo para a tradução de bonding e de attachment. dando ao processo epigenético uma base para se desenrolar. Descreveu que crianças privadas de contato com mãe. Foram escritos três artigos para a Sociedade Psicanalítica de Londres. Descreveu que as crianças alcançavam alguma maturidade e independência durante o primeiro ano de vida. que respondiam através de: chupar. (SCHORE. para outras partes do sistema cognitivo. (MOURA e RIBAS. 2002) 3 O Vínculo e a Vida Dois conceitos sobre adaptação social e recém-nascidos foram empregados: John Bowlby analisou o processo de estabelecimento de apego com a mãe nos primeiros seis meses (attachment). Ambos os conceitos especificam comportamentos que fixam condicionamentos precoces na infância. 2002) A teoria do vínculo foi desenvolvida pelo psiquiatra John Bowlby que foi em 1950. vivendo em suas próprias casas. impregnadas de conhecimento. é necessário acrescentar à visão de Piaget algumas predisposições inatas. para uma relação mutuamente satisfatória entre a mãe e criança. eram mais passíveis de . Para elas. Klaus e Kennell aplicaram o termo vínculo (bonding) ao começo desta ligação que se dá na primeira hora depois de nascimento. (BOWLBY.1169 meio de redescrição. em 1951.

Os estudos de Harlow. O macaco bebê ia até esta apenas para o tempo de mamar. depois desesperadas. Acompanhados até a vida adulta. 1986) Por 35 milhões de anos os primatas sobreviveram estando próximos às suas mães nas primeiras horas depois de nascidos. Ele introduziu na pesquisa duas mães substitutas inanimadas. foram feitos filmes. (BOWLBY. para o nascimento de um irmão. num comportamento de negação da dor. O que mostram as pesquisas sobre vínculo. também têm necessidade de vínculo para manter sua saúde mental e emocional. Nossos parentes mais próximos. o desespero. (MONTAGU. As crianças demonstravam-se agitadas por um tempo. Outro filme da Tavistock registrou crianças que ficam em casa enquanto suas mães estavam em hospitais. A Two-Year Old Goes to the Hospital. em protesto. com estudo de mímica e estudo de hormônios do bebê. mas ficava com a acolchoada o maior tempo possível. Ao nutrir macacos rhesus com mamadeira em gaiolas metálicas. elas adoeciam de infecção do trato respiratório. e em seguida começavam a se desinteressar do ambiente. 1986) . inquietas. a depressão e a perda de imunidade. uma com acolchoamento e outra sem.1170 infecção e corriam maior risco de contrair difteria. O que ocorre é que se sucedem o pânico. A não acolchoada portava a mamadeira. com medições de onda cerebrais. a mortalidade entre eles aumentou. (Uma Criança de Dois anos vai para o Hospital) onde ele observou o que ocorria na separação de curta duração de uma criança nesta idade. Na continuidade da privação. na década de 50. percebeu-se alteração no domínio da sociabilidade. 2002) A necessidade de vínculo é universal. e até um documentário em 1952. é que nenhuma criança está pronta física e emocionalmente para suportar a separação da mãe logo após o nascimento. Na verdade. (MONTAGU. os macacos de quem nos distanciamos por 1% do código genético. foram muito ilustrativos na questão do vínculo. finalmente.

ainda que por pouco tempo. onde ele explicava as fases que ocorriam em função da separação da mãe com o bebê: 1 – Protesto. que é vivida pela criança como sendo de sua responsabilidade. Este trabalho foi . para entender os movimentos emocionais por que passa a criança deixada. em situações pouco conhecidas. 3 – Desvinculo ou negação. Esta descrição é crucial até hoje. (BRETHERTON. (Uma Avaliação de Ajuste Baseado no Conceito de Segurança). O terceiro trabalho foi “Grief and Mourning in Infancy and Early Childhood” (Luto e Pesar na Infância e em Idade Precoce). geralmente causado por famílias disfuncionais. Ele entende que a criança pequena não tem condições de elaborar perda. 2 – Desespero. repetem o abandono e a rejeição dos pais que pode acabar parecendo doença e morte nos pais. 1992) Em 1951. Bowlby pôde desenvolver e publicar seu trabalho a respeito dos efeitos de separação da mãe sobre a criança. Uma das doutrinas principais de teoria da segurança é que as crianças jovens precisam desenvolver uma dependência segura em relação aos pais antes de se lançar no mundo. onde fez cursos com William Blatz que a tinha apresentado à teoria de segurança de Blatz em 1940. pois escreveu para a Organização Mundial de Saúde sobre as condições mentais das crianças sem lar. no pós-guerra. Ainsworth desenvolve essa tese em sua dissertação intitulada: An Evaluation of Adjustment Based Upon the Concept of Security. Neste trabalho. (BRETHERTON.1171 O segundo trabalho de Bowlby foi “Separation Anxiety” (Ansiedade de Separação) que foi apresentado em 1959. tendo em vista que não tem ego suficiente para fazê-lo. 1992) Mary Ainsworth diplomou-se na Universidade de Toronto. onde ele contesta a visão prevalente de narcisismo infantil e fala da importância da questão da perda do objeto amado. no final dos anos 30 e início dos anos 40. ele já salientava que o excesso de separação. Ambos reformularam e desafiaram as idéias Freudianas.

(BRETHERTON. Kuczinsky e Chapman em 1985. em estudo sobre famílias onde há maus tratos como observaram Cicchetti e Barnett em 1991. Estes eram observados a cada duas semanas. Schneider-Rosen. Psieker e Booth em 1988. como os conduzidos por Radke-Yarrow. Ainsworth vai para Uganda. Lamb em 1978. Braunwald. Carlson e Cicchetti em 1985. onde desenvolve um projeto de observação de 26 famílias com bebês que ainda não desmamaram entre um e 24 meses. estudos sobre intervenções clínicas em família com baixo suporte social. sobre psicopatologia do vínculo. como Bronfenbrenner em 1979. 1992) Em 1957. com idéias partilhadas por ambos. Belsky e Youngblade. e visitados por nove meses. Ela estava particularmente interessada em determinar a proximidade entre mãe e filho e os sinais de comportamento. Gilstrap. por: Belsky. Cummings. Na sua segunda edição: Child Care and Growth of Love. (BRETHERTON. Autores como Fish. Ela e Bowlby já haviam começado uma intensa colaboração: ela publica o projeto de Uganda em 1962 e 1967. Há estudos sobre vínculo e sistema familiar. problemas de comportamento como o trabalho de Greenberg e Speltz em 1988 e o trabalho de Belsky e Nezworske em 1988. e Parke e Tinsley em 1987. vínculo e irmãos: por Stewart e Marvin em 1984. Teti e Ablard em 1989. (Cuidado Materno e Desenvolvimento do Amor) teve um capítulo escrito por Mary Ainsworth. Rovine em 1984. Uma delas é que a importância da ontogenia do vínculo humano.1172 escrito em seis meses. em 1991. como os de Lieberman e Pawl em 1988. a teoria do Vínculo tem-se desenvolvido muito com trabalhos como: Sroufe em 1988. Crittenden em 1983. em estudos longitudinais sobre famílias com depressão. por duas horas. . 1992) Hoje. ele reformula algumas coisas sobre sua própria teoria em 1969. foi traduzido para 14 idiomas e o título era: “Maternal Care and Mental Health pela WHO” (Cuidados Maternos e Saúde Mental pela OMS). vínculo e pai.

(BRAZELTON. Chen e Campos em 1985. em Israel. já pensava em agradá-la e também tendia a se responsabilizar pelos acontecimentos insatisfatórios ocorridos com ela. 2006) Não se pode deixar de considerar que o bebê. (GARCÍA. Spangler. (NOBLE. e no Japão Miyake. uma parcela de sentimento de frustração no bebê. O apego nasce do comportamento da mãe e da criança.. estando na barriga da mãe. sorriso. 1993) Do feto para o bebê há uma continuidade.1173 demonstraram a relação entre vínculo inseguro e a incapacidade de tomar as decisões necessárias aos quatro anos de idade. ou seja. entram em cena o ajuste postural. também em 1985. Existem também as respostas de orientação e sucção. Unzner em 1985. continua a existir uma fusão entre mãe e filho: além do contato áudio-tátil. 1992) O vínculo. ou apego. Mas mesmo diante de tudo isto o poder do amor materno é extraordinário. tende a ser vivido como responsabilidade pelo bebê. pois isso tudo tem a função de sinalização para atrair a mãe. (BRETHERTON. então são capazes de viverem em sincronia mãe com filho. (BRETHERTON. Sagi et al. e é capaz de a tudo transformar. Suess. Tal necessidade é biologicamente humana: com as condutas do apego. é interpretada pelo bebê como uma violação da sua expectativa. apud GARCÍA. A falta desta sintonia segundo Brazelton. e vice-versa. 2006) Segundo Brazelton. se as crianças apresentam um desenvolvimento adequado. no lugar disso. o olhar nos olhos e o choro. carrega. pois no útero o que frustra a mãe. na Alemanha. no caso de ela esperar ter o filho em parto normal e. discriminação auditiva e imitação. há o contato olho a olho e uma gama de . mesmo que seja. 1992) Existem estudos feitos sobre vínculo em outras culturas: Grossmann e Grossmann. pode ser visto como um laço afetivo que a criança tem com um número reduzido de pessoas em quem ela é impulsionada a buscar um contato duradouro. ter sido submetida a uma cesárea.

1999) Na mente adulta: A disponibilidade para o vínculo pode caracterizar-se por: a) Coerente. mostra sinais de perda quando elas ocorrem. colaborativo. passivo ou medroso. angustiada. (SZEJER. parece conter raiva. prefere parentes a estranhos. foram estruturada a expressão de vínculo como: (SIEGEL. passiva. discursivo disponível para o vínculo .1174 comunicações não verbais que aí se estabelecem num continuum. comportamentos físicos que sugerem expressões desconcertantes. foco em objetos. preocupada.Seguro/autônomo b) Não coerente. – D –desorientada e desorganizada (A. não tem raiva. raivoso. 1999) . geralmente chora com separação. não estressada. como um seguimento da ligação intra-uterina. mais livre. não tem muito contato ou proximidade. ignora a reunião com parentes. Evitadora – Q c) Pode ser muito aflita. sentenças longas – Preocupado d) Durante as discussões tende ao abuso.Desorganizado Quanto à criança: a) A que explora o quarto e brinquedos com interesse. preocupado com vínculos antigos. pouco exploradora. doente. 2005) Para ter uma avaliação classificatória de vínculo. pode chorar. falha em sentir-se confortável em reunião familiar.B. tem contato físico com quem gosta. parece que vive em colapso com estratégias de convivência. resposta pouco emocional. Ambivalente – C d) Desorganizada e desorientada com o comportamento e presença dos pais.Solto c) Não coerente. . C e outras categorias) (SIEGEL. o Vínculo . chora. que inclusive facilita os trabalhos científicos. difícil exploração. falante. S – Seguro b) Difícil chorar diante de separação de parente.

2004) Siegel dá uma lista de cinco elementos para propor um bom desenvolvimento emocional e cerebral para a criança. além de ensinar que a subjetividade da criança é um fator importante na vida. 2) Diálogo receptivo: nas relações seguras. sejam emoções. A conexão. E as histórias familiares ajudam a criar um sentido de identidade familiar compartilhada. existindo nos momentos de emoções negativas. 3) Reparação: se a comunicação for interrompida deve ser restaurada. para não abalar a base emocional da criança. como alegrias e excitação. (DOAN et al. ensina e garante à criança que ela não será abandonada no momento de dor. presente e futuro.1175 Simplificadamente pode-se colocar que o vínculo na escala Siegel e Hartzell em 2003: é do tipo A – Harmonioso . 5) Comunicação Emocional: ao compartilhar e ampliar tanto emoções positivas. 4) Narrativa coerente: As histórias narradas para a criança sobre os acontecimentos da vida fornecem à criança uma sensação de passado. Os sinais não verbais entre pais e filhos são sintonizados. por Cranley em 1981. Estas experiências são chaves para modelar futuros relacionamentos pessoais. (SIEGEL. (SIEGEL. percepções. mas mesmo a melhor das escalas tem insuficiências para avaliar uma interação com tantas outras variáveis sutis. num tempo mais breve possível. como no externo. tanto no mundo interno. são lançados os alicerces de uma atitude positiva. 2003) . 1999) Foi desenvolvida uma Escala Materna de Vínculo (MFAS). 1) Colaboração: relações seguras são estabelecidas em comunicações cooperativas.B – Equilibrado – C – Coerente D – Desorientado. pensamentos e crenças. compartilham-se as experiências internas.

favorecendo os contatos humanos. O tom da voz da mãe reflete seu estado interior. e no vínculo inseguro-desorganizado. enquanto o vínculo inseguro-evitador gera reação não responsiva e rejeitadora. Tudo o que ameaça a mãe. se tenha ocorrido uma concepção consciente. e portanto pouco danosas. os filhos ativarão comportamentos arquetípicos nos pais. O odor da mãe percebido por uma criança de seis dias. como diz Jung (JUNG. Assim. a criança se organiza orientada pela face da mãe. ela não é uma tabula rasa. Siegel e Mary Hartzell perceberam que um vínculo seguro gera uma reação interativa parental emocionalmente perceptiva e responsiva. quando uma criança chega ao mundo. Os estados de desenvolvimento dos circuitos cerebrais estão muito importantemente ligados aos estados emocionais maternos. 2000a). isto é. desde o início da vida. ameaça e desorganiza a criança. se estes forem atentos. O vínculo inseguro-ansioso tem uma resposta inconstante no bebê. ou foi algo moldada a possuir uma melhor constelação arquetípica. No hemisfério direito materno está o que será posto no inconsciente do filho: em seu hemisfério direito.1176 É importante notar que. as situações poderão ser breves. a criança recebe mensagens puramente emocionais. onde residem suas emoções. aparece a . (MATÉ. que vão comunicar a carga arquetípica dos pais. existem os olhos da mãe para a criança. a criança. que passam pelos filtros da própria criança interior da mãe. mas se inconscientes. as comunicações mais importantes se dão de inconsciente para inconsciente. pode identificar que a mãe está com medo. 2000) Daniel J. Da segunda à sétima semana. vem com sua bagagem arquetípica desenvolvida transgeracionalmente. Assim é o rosto. Por outro lado. Nos primeiros meses. quando chega ao mundo. a voz. podem se prolongar numa desorganização do vínculo. e uma gestação com imaginação da mãe plasmando um arranjo interior harmonioso para adaptação positiva no mundo. Do mesmo modo que a criança já vem com suas lentes para enxergar os pais.

a idéia de criar vínculos com o bebê. são os padrões de interação entre a criança e a pessoa que cuida dela. (VERNY e WEINTRAUB. O corpo da criança é dotado de hormônios da socialização e empatia. em grande proporção. foi descrita por Marshall Klaus e John Kennell. Um processo de sintonização defeituoso poderia trazer danos às redes neurais do córtex pré-frontal. (SIEGEL e HARTZELL. desorientação. resultando em . Não obstante ter-se passado mais de um quarto de século desde a observação daqueles cientistas. na seqüência apropriada. o relacionamento mãe-bebê vai moldar um padrão de resposta que pode seguir mais adiante na vida. ou sentem-se desvinculados deste. Suas publicações. Portanto. o cérebro do bebê está constantemente sintonizado com o da mãe para gerar os hormônios adequados. tais acontecimentos se convertem em processos neurohormonais que transformam o corpo e configuram o cérebro da criança. Investigações têm permitido demonstrar que nos primeiros anos de vida. foram de importância revolucionária. neurocientistas traçaram os fundamentos biológicos do vínculo e do afeto. Muitas vezes ocorre que a conexão no início da vida ficou falha. propiciadora da capacidade de amar. e quando uma mãe olha com amor para seu filho. ainda há pais e mães que não conseguem estabelecer vínculo com seus filhos. produzindo uma permeabilidade duradoura aos problemas psicológicos. mesmo não sabendo o motivo. 2004) Em 1976.1177 resposta de luta e desorganização. eles organizam uma programação que a nomenclatura científica denomina entrainment. sede de funções humanas mais sofisticadas. Com o avanço destas pesquisas sabe-se que. Tal programação determina. 2003) Baseando-se em técnicas muito recentes. a arquitetura cerebral que o indivíduo terá durante toda a sua vida. quando uma mãe acaricia seu filho e um pai brinca com ele. Estes cientistas afirmam que mais importante do que a estimulação sensorial nos primeiros anos de vida. atualizadas em 1983 e 1995.

violavam-se as necessidades psicológicas e biológicas dos pais e da criança. Os bebês de mães desvinculadas podem ter dificuldade em ganhar peso.I.B. o parto estava quase destituído de seu valor humano.5 vezes maior de vir a falecer nos primeiros 28 dias de vida. falta intimidade. Nas mães desvinculadas.S. como uma sombra inexplicável.1178 afastamento emocional por longos anos: “Quando não se pode estabelecer um vínculo afetivo paira uma obscuridade sobre a relação. foram feitas séries de estudos clínicos mostrando a freqüência entre vínculo materno e asma nas crianças. (MADRID e SCHARTZ. Durante as duas últimas décadas na Califórnia. para estudar a freqüência de eventos de não vínculo na história de vida das crianças. 30 mães asmáticas e seus filhos asmáticos e não asmáticos. e até mesmo surge a dúvida de terem tido um filho. Em alguns casos. “Os bebês sabem telepaticamente se são desejados ou não”. ficam incrédulas. sobre 8. quando os argumentos sobre os vínculos afetivos apareceram nos anos 70.000 mulheres mostrava que os bebês não desejados tinham um risco 2. em nome do processo . a lactação não tem sucesso. 1991) Ao tratar das mães para que melhorassem os vínculos. Um estudo. aparece uma cadeia de milagres químicos que levam a mãe e o bebê a estabelecerem um aperfeiçoamento básico no desenvolvimento do vínculo afetivo”. houve remissão em quadros asmáticos nas crianças. 2000) “Durante o período crítico depois do parto. em abuso.” Klaus e Kennel perceberam que mães separadas de seus filhos por muito tempo. Historicamente. em dois grupos. (CHAMBERLAIN. Maternal Bonding Infant Survey (Pesquisa De Vínculo Materno-infantil). ou facilidade em cair doentes. 86% das crianças asmáticas tinham problemas de vínculo comparado com 26% das não asmáticas. o desvinculo se converte em raiva e a raiva. Os dois grupos foram avaliados pela M. (MADRID et al. em 1994. 2007) Numa população. o controle médico sobre o nascimento estava em seu apogeu. foram estudadas.

Atualmente a Associação Americana considera que o bebê deve ser deixado com a mãe durante os seus primeiros 10 minutos de vida. que houvesse diferença entre mamadeira e aleitamento materno. Não se pensava.1179 “científico de nascer”: esta mesma ciência levou mais de 16 anos para aceitar que o recém-nascido sentia dor. Trata-se de assegurar a sobrevivência da espécie. Em outras espécies de lento desenvolvimento. pois ele só consegue engatinhar aos oito meses. e que justificou milhares de cirurgias sem anestesia. p. Neste período. devido . Na mãe humana esta necessidade prolonga-se mais do que nos outros mamíferos. só dificultaram as coisas por muito tempo. “ao mudar o cenário do nascimento da casa para o hospital violaram-se as necessidades psicológicas tanto dos pais como dos bebês”. O fato é que o bebê humano nasce prematuro. leva dez meses e 12 meses ou mais para andar e 14 meses para conseguir começar a falar. então. tem imaturidade bioquímica e fisiológica. 1986. (MONTAGU. SOLTER. que é o tempo que os médicos hoje acham suficiente para que se crie o vínculo após o nascimento. (MONTAGU. 2001) O bebê humano nasce com uma imaturidade que não tem semelhança a nenhuma outra espécie animal. Ao nascer. por total impossibilidade de permanecer no útero mais tempo. e outras crenças “científicas”. o entendimento de que o bebê não era capaz de reconhecer seus pais tão logo nascesse. as mães permanecem próximas aos filhotes até que estejam aptos. Os Harlows já haviam notado tal fato em macacos rhesus. 56) A necessidade de contato da mãe com o filho excede a necessidade inversa de contato. (CHAMBERLAIN. gerando danos a muitos. Leva anos até que não dependa mais de outros para sobreviver. 2007) A pele representa 12% do peso total do corpo e é de longe o maior sistema de órgãos que expomos ao mundo. 1986. Na verdade. pois está implicado uma maior complexidade de necessidades.

o tempo de entender um ser como sendo filhote. luz. 1990) Os recém-natos respondem aos membros da família de modo distinto. podendo dizer sobre si “eu”. O bebê humano tem uma gestação intra-útero e uma externogestação. 2006) Em vista dos sentidos que o neonato traz como sensibilidade cenestésica e capacidade de resposta emocional a estímulos. memória. assim ele saberá que o mundo é seu. faz diferença na percepção tátil direta e proprioceptiva e contribui para que a personalidade do bebê possa se desenvolver bem. 1986) A maior parte do crescimento cerebral se dá no primeiro ano de vida. (GARLAND. Logo que a criança começa a falar. (MONTAGU. etc. A biologia evolutiva mostra que os mamíferos nascem com 80% de seus cérebros prontos. O pai deve levá-lo . a criança começa a falar. com tal banco de dados. Jamais se teve notícia de uma criança até três anos de idade que sobreviveu sozinha por dias após um cataclismo onde perdeu os pais. que alcança os 80% no seu primeiro ano de vida. Por outro lado. são dados referentes ao seu nascimento (CHAMBERLAIN. muitas vezes a primeira coisa que pergunta. 1992) No caso do bebê humano. contra 25% do cérebro humano. e isto pode ser sintetizado na observação de um provérbio Maia: “No bebê está o futuro do mundo. entre dois e três anos. Podem descrever detalhes como as pessoas de máscara na sala de cirurgia. é possível que. (BERGAMAN apud GARCIA. Quando.1180 a razões anatômicas. possa fazer perguntas sobre as coisas que se passavam no útero e mesmo sobre seu nascimento. para muitos veterinários. é o tempo em que ele é capaz de sobreviver sem os pais. aos 21 meses de sua concepção. durante este estado de relaxamento. A mãe deve segurá-lo apertado. a importância do toque. uma condição de básica maturidade é chegada quando a criança tem noção de sua própria existência.

e que conseqüências isso tem para seu desenvolvimento. Este é. a saturação de oxigênio no sangue melhora. raiva e depressão. p. se pensava que o bebê prematuro não deveria ser acariciado. adquire energia própria – provavelmente como resultado de exercícios – é que surge o sentimento da subjetividade ou da egocidade. o chamado ego. Essencialmente ela seria. . provavelmente. em perceber a conexão entre dois ou mais conteúdos psíquicos. Um prematuro sob estresse apresenta mudanças de temperatura. o momento em que a criança começa a falar de si na primeira pessoa. portanto. 2001) Por muitos anos. logicamente o faz na terceira pessoa. 120) A primeira forma de consciência acessível à nossa observação e ao nosso conhecimento parece consistir. promovendo-lhes mais toque. braços e pernas rígidos. A adaptação social e emocional foi avaliada dois anos depois. e analisadas as interações mãe-bebê. 408) Para avaliar o efeito do toque e da interação da mãe com o recém-nascido de baixo peso. por isto. foram feitas gravações em video-tape. assim ele poderá ver com o que seu mundo se parece” (KLAUS e KLAUS. dedos estirados e costas arqueadas. Mas estas ilhas de memórias não são aquelas conexões mais antigas que foram apenas percebidas. O que se viu é que as crianças cujas mães se relacionaram com seus filhos. e é por esta razão que a criança. como as séries originais de conteúdos. Inicialmente esta série é apenas percebida. a consciência ainda está inteiramente ligada à percepção de algumas conexões e. quando começa a falar de si própria. aqueles conteúdos que pertencem ao próprio sujeito percipiente. tristeza. quando a série de conteúdos do eu ou o chamado complexo do eu. tiveram um melhor desenvolvimento emocional e social. que pode ir desde a incredulidade até o choque. Neste nível. que são como luzes isoladas ou objetos iluminados dentro da noite imensa. É fato comprovado que não existe memória contínua dos primeiros anos de vida. elas contêm uma nova série muito importante de conteúdos. (WEISS et a. simplesmente. (JUNG. é puramente esporádica e seu conteúdo não é mais lembrado posteriormente. hoje sabe-se que o amor é que os faz sobreviver. Provavelmente é nesse estágio que tem início a “continuidade da memória”. o que existe são “ilhas de consciência”. isto é. pois não sobreviveria. Quando muito. uma continuidade das reminiscências do eu”. Só mais tarde. p. Até prematuros de 25 semanas de gestação diferenciam perfeitamente suas mães das demais pessoas e. por conseguinte. Os prematuros experimentam sentimentos intensos num CTI neonatal. 1989. só de vê-las. 1984.1181 à montanha mais alta. numa amostra de 114 bebês socioculturalmente diferentes.

segundo Gibson em 1996. O cuidado do prematuro. al em 1997. segundo Thomas et. Um trabalho seqüente com dados interdisciplinares faz ligações teóricas mais profundas entre fracassos de vínculos. (OLZA. segundo Edgar Rey e Héctor Martinez no final dos anos 70. psiquiatria infantil e neurociência. O problema fundamental do desenvolvimento normal ou anormal é agora um foco da psicologia. as quais colocam as crianças em risco de desenvolver menos que o seu desenvolvimento possível.1182 Pode ter dificuldade de despertar. prejuízos do desenvolvimento do cérebro e má adaptação de saúde mental infantil. segundo Adolphus em 2000. 2007) Uma conclusão principal da última década de pesquisa da neurociência é que o cérebro infantil “é projetado para ser moldado pelo ambiente que encontra”. desperta lentamente. Nas unidades de neonatos. amor e leite materno”. Se está relaxado. Investigadores estão explorando os domínios sem limites do que está sendo chamado de o “cérebro social” por Brothres em 1990 e o papel central das emoções na comunicação social. Agora considera-se que o cérebro é um órgão bio-ambiental ou um órgão biossocial. ou dormir abruptamente e ficar irritado ao acordar. o recurso da proximidade no cuidado do método canguru permite uma grande melhora do vínculo e da saúde do bebê. O conceito de John Bowlby de 1969 sobre o vínculo como sendo um processo que se desenvolve por interação única dada pela condição genética e . consiste em: “calor. as conexões entre o conceito neurobiológico de “ambiente enriquecido” e o conceito psicológico de “ótimo desenvolvimento” podem ser unidos agora dentro da psiconeurobiologia e construir o conceito de “crescimento-facilitado” (ao invés de “crescimento-inibido”) pelo ambiente interpessoal. que a maturação cerebral é dependente da experiência. 2001b) Um interesse primário no campo de saúde mental infantil está nas condições do início da vida. (SCHORE. como enfatizaram Greenspan em 1981 e Schore em 1994. Aplicando este princípio de desenvolvimento socio-emocional.

Bowlby entende que a complexidade do desenvolvimento normal só pode ser alcançada com a integração da psicologia. biologia e neurociência. Bowlby em 1969 investigou o vínculo e os mecanismos pelos quais a criança forma um laço seguro de comunicação emocional com a mãe. que é a mãe. a criança emerge da reunião social. faz com que aprenda cedo e interiorize este laço em uma capacidade duradoura de regular e prover estados de segurança emocional.” Esta interação acontece dentro de um . em 1969. Ele observou que a relação de vínculo mãe-criança é “acompanhado pelos mais fortes sentimentos e emoções. felizes ou infelizes. Além do mais. (SCHORE. 2001a) Bowlby em seu trabalho clássico. Nesta concepção o processo de desenvolvimento é o produto entre interação de um dom genético particular e atividade de adaptação ao ambiente e. (SCHORE. e como este laço sócio-emocional. e não se podem entender capacidades psicológicas e biológicas à parte de sua relação com a mãe. que se trata de estudos mais extensos de como formas de vínculo entre mãe e criança afetam o desenvolvimento cerebral deste. que afetam sua organização. descobriram-se os “reguladores” fisiológicos associados à interação criança e cuidador. Chegou-se a mapear as diferenças de relações entre experiências precoces de vínculo e mudanças bioquímicas cerebrais. Assim. o autor chamou atenção para explorações mais profundas de como um organismo imaturo é moldado criticamente por sua relação primordial com um membro maduro de sua espécie. especialmente. 2001a). (SCHORE. sobre ciência do desenvolvimento. da interação do bebê com a figura principal nesse ambiente. A última década do século foi chamada de “a década do cérebro” em face às inúmeras descobertas vindas de diferentes áreas que trouxeram compreensão para muitos aspectos do desenvolvimento cerebral. psicanálise. como assinalou Bowlby em 1969.1183 interação com o meio. isto quer dizer. 2001b) Mais especificamente.

As transcrições foram examinadas. Entrevistaram-se 64% dos participantes: os de vínculo seguro e inseguro tinham classificações diferentes como adultos. Os que tiveram alto nível de estresse e eram seguros na infância. (WALTERS et al. os vínculos eram qualificados em seguros ou ansiosos. Como resultado de ser exposta. as transações de vínculo que a mãe segura e intuitiva troca continuamente com o bebê regulam os níveis de estimulação e seus estados emocionais. tempo de movimento e ação. 1977) No Minnesota Birth Annoncements Study (Estudo dos Declarados Nascidos em Minnesota) havia um grupo original de 60 participantes.tape em sessões de 6 a 15 semanas.1184 contexto de expressão facial. (BLEHAR et al. 2001b) Fez-se em Baltimore um estudo sobre interação face a face com bebês e suas mães e entre bebês e com estranhos. Vínculo pode ser definido como uma díade regulatória de emoção. As mães que aos 12 meses mostravam uma interação face a face mais harmoniosa com a criança eram as que despendiam mais tempo olhando e brincando com elas. mudanças fisiológicas. (SCHORE. como descrito por Damásio em 1998. Interações de vínculo permitem o aparecimento de um controle biológico de função adaptativa. sendo que 50 tomaram parte na entrevista sobre vínculo na idade de 20 a 21 anos. 2000). postura. primariamente às capacidades reguladoras do cuidador a . tom de voz. Allan Schore em 2000 afirmou que a teoria de Bowlby é. Situações estressantes na vida não eram relatadas pelos que tinham classificação de inseguros na infância. A capacidade da criança para conter a tensão é relaciona com certos comportamentos maternos. tornaram-se inseguros na vida adulta. Foram 732 episódios em vídeo . Crianças que interagiam bem com suas mães tendiam a ser responsivas com estranhos. segundo Sroufe em 1996. Emoções são as ordens mais altas de expressão de bio-regulação em organismos complexos. assim como as categorizações de vínculo dos últimos 20 anos. em essência. a teoria da regulação: mais especificamente.

em 1994. (SCHORE. como observado por Champoux. Meaney em 1999. DeLizio. em 1998 achavam que o estado de complexidade da criança é expansível conforme a contribuição de um cuidador. que lhe servirá de base para mudanças em momentos estressantes no ambiente externo. Em defesa das especulações de Bowlby na associação entre vínculo como mecanismo de confronto ou competição. num contexto psicobiológico. lhe permite começar a formar respostas coerentes para enfrentar os fatores estressores. e principalmente. Byrne. 1997. recentes estudos interdisciplinares indicam que “até mesmo diferenças sutis em comportamento materno podem afetar o vínculo infantil. a mãe precisa estar afinada com a psicobiologia do comportamento evidente da criança.1185 criança amplia sua adaptatividade. seu desenvolvimento. além disso. Ele que afirma que o pai expressa um comportamento que catalisa uma troca. O desenvolvimento da habilidade para adaptação e para enfrentar tensões é diretamente e significativamente influenciado pela interação precoce da criança com o seu cuidador primário. e esta matriz interativa promove a expressão externa de estados afetivos internos nas crianças. segundo Scander em 1997. Liu. que é a fonte externa. mas também. 2001b) Sinalização facial recíproca harmoniza-se num ritmo mútuo. um canal de comunicação se abre para a comunicação social. com ressonância na díade. 2000. segundo Francis. 2001b) A maturação dos sistemas cerebrais que medeiam esta capacidade ocorre na primeira infância. (SCHORE. com os estados de espírito dela própria mãe. dentro do estado da criança. Variações no cuidado materno podem servir como base para uma transmissão não genética de comportamento e de diferenças individuais dentro da ênfase na reatividade intergeracional. de modo que. segundo Schore. e seu bem-estar físico”. (SCHORE. Para entrar nesta comunicação. Diorio. especialmente o ambiente social e. 2001b) . Suomi em 1992. Tronick et al.

1186 Em várias contribuições, as evidências indicam que as comunicações emocionais de transações de vínculo fazem evoluir a maturação dependente de experimentação do bebê, no seu desenvolvimento cerebral. Trevarthen em 1993, também observou que o crescimento do cérebro do bebê requer literalmente interação de cérebro a cérebro, e acontece no contexto de uma relação afetiva positiva. Mas à luz dos novos fatos de que o amadurecimento do hemisfério direito ocorre em impulsos de crescimento no primeiro ano e meio de vida, e de que isto é dominante para os primeiros três anos de vida, segundo Chiron et al., em 1997. Experimentos de Ryan, Kuhl e Deci usando eletroencefalografia, confirmaram isto em 1997. A comunicação de cérebro para cérebro com interações de comunicação facial, de face a face, numa proto-comunicação é mediada por orientação olho para olho, gestos de mãos, movimentos dos braços e cabeça; todas essas ações são coordenadas para expressar um conhecimento interpessoal de comunicação emocional. Esta conexão se dá de um hemisfério materno de um lado, para o do bebê do lado oposto, como se fosse um recebimento de informações de múltiplos matizes, mas que passam, e só passam, pelo espaço de tonalidade emocional. Ou seja, através da relação olho no olho, o hemisfério direito da mãe plasma o hemisfério direito do filho. (SCHORE, 2001b) Winnicott em 1971 descrevia a expressão da criança como um “gesto espontâneo”, uma expressão somato-psíquica no germinar “do seu verdadeiro ego,” e a mãe afinada “devolvendo ao bebê o próprio ego do bebê.” Winnicott afirmava que como resultado de suas transações com a mãe, a criança, por identificação, cria interiormente um “objeto subjetivo.” Recentes pesquisas indicam que o hemisfério direito é especializado para “a descoberta de objetos subjetivos” segundo Atchley em 1998, e para o processo e regulação auto-referenciado, segundo Schore em 1994, Ryan et al. em 1997; Kennan, Wheeler, Gallup, Pascual Leone em 2000. (SCHORE, 2001b)

1187 O contato que a OMS tem enfatizado sobre alojamento conjunto, já mostrou seus benefícios: o Hospital Maharaj Nakhonratchasima, Thailand, que adotou a condição de Hospital Amigo do Bebê, na Tailândia, notou que o abandono de bebês se reduziu muito em um hospital: de 36 casos em 10.000, em 1987 para um caso em 10.000, em 1990. (BURANASIN, 1991) A taxa de abandono infantil foi estudada na Maternidade 11, em um hospital público em St Petersburgo na Rússia, antes e depois da introdução de contato mãecriança logo após o nascimento e com amamentação o mais cedo possível e alojamento conjunto. Este local foi escolhido para este estudo porque suas práticas de cuidado na maternidade mudaram recentemente, onde foram implementadas ações do Fundo das Crianças de Nações Unidas, Iniciativa de Hospital Amigo da Criança. Em maio de 1992, o hospital 11 mudou suas práticas, encorajando a amamentação o mais cedo possível e o contato cedo, bem como alojamento conjunto. Este serviço atende a uma comunidade proletária urbana, sendo que a maioria com mães com tratamento pré-natal. Foram estudados todos os partos neste hospital entre 1987 a 1998, com foco no abandono infantil. A taxa de abandono infantil na Maternidade 11 foi estudada de 1987 a 1998, 6 anos antes e seis anos depois das mudanças implementadas de contato de mãe-criança. A taxa de abandono infantil diminuiu de 50.3 ± 5.8 por 10.000 nascimentos nos primeiros seis anos, para 27.8 ± 8.7 por 10.000 após as medidas da Iniciativa de Hospital Amigo da Criança serem implantadas. (LVOFF et al. 2000) Em um estudo brasileiro numa casuística de 528 crianças, o que se observou foi que crianças que nasceram com peso entre 1.500 gr. e 2.499 gr, tiveram 29 vezes mais chances de apresentar risco nutricional até os 12 meses de idade, em relação àquelas com peso maior que 3.500 gr. ao nascer. (MOTTA et al. 2005)

1188 A Organização Mundial de Saúde orienta que um casal deve esperar pelo menos dois a três anos para ter outro filho, a fim de evitar problemas adversos para a saúde da mãe e do filho. Estudos recentes, implementados pela United States Agency for International Development (USAID), sugerem que o intervalo de três a cinco anos seria ainda mais eficaz ainda na redução de riscos. Estes relatórios foram examinados pela OMS em Genebra, em junho de 2005. Há evidências de que um intervalo menor que cinco anos, aumenta o risco de pré-eclampsia, prematuridade, nascimento de bebê de baixo peso e crianças pequenas para a idade gestacional (WHO, 2005, 2006a,) Muitas vezes pode ocorrer algo como um prematuro pesar 1.000 gramas. Alguns sobrevivem com os recursos das Unidades Neonatais, como a história de Adrien que pesava 795 gramas, um exemplo do sofrimento demorado que estes bebês têm e o quanto será preciso muito para que venham a ter um desenvolvimento emocional para que superem a cólera gerada por tanto tempo em UTI neonatal. (RELIER, 2002) Em um estudo, 91 mães foram entrevistadas, seus bebês nascidos a termo, e mantidos em contínua proximidade. Mães de bebês prematuros foram separadas, e de bebês de baixo peso também foram separados. Com pouco tempo, as mães que foram separadas dos seus bebês mostravam maior preocupação com eles. Ansiedade e depressão da mãe estavam relacionadas com menor vínculo com seus filhos. (FELDMAN et al. 1999) A depressão puerperal é importante de ser atalhada, pois causa dano para a relação e para a criança. A terapia floral, pode ser um valioso recurso para estas situações. Um dos florais que pode ser de grande auxílio é Bálsamo do Repertório de Filhas de Gaia. (MACHADO, 2007) Para determinar se há uma diferença significativa entre as temperaturas dos nascidos com baixo peso acentuado, estudou-se crianças prematuras na incubadora e

com melhor vocabulário. Observaram 28 mães das quais. Elaborou-se uma amostra de 20 crianças prematuras que pesam 1. MOTIL e BLACKBURN. Foram feitas medidas repetidas. E. 1986) . e melhor capacidade para se expressar. (RINGLER apud BUCKLEY. os que tiveram contato com a mãe mais tempo tinham melhores índices de QI. 1965) Mães que experenciaram contato adicional com seus filhos logo após o nascimento. resulta em vantagens na aquisição de linguagem e QI. um grupo podia ficar com seus bebês na primeira hora de nascidos e por cinco horas por dia. 1971. Klaus e Kennell descobriu que o contato mãe-bebê. As crianças foram protegidas dos fatores que interfeririam com manutenção de sua temperatura. OLIVER. 1973. LUTZ e PERLSTEIN. seus pesos foram monitorados e analisados para evidência de atividade metabólica aumentada. sem evidência de atividade metabólica aumentada.500 gr. nos próximos cinco dias. depois de dois anos e com cinco anos. (TRAUSE et al. e sem perda de peso. o outro grupo teve curto contato na primeira hora.095 a 1. NALEPKA. foram observadas e constatou-se que falam de modo diferente com eles. Temperaturas axilares foram medidas com um termômetro eletrônico para períodos iguais de tempo em incubadoras e nos braços de mães. Compararam-se as diferenças de temperatura. quando as crianças foram testadas. num berçário com 40 berços em um hospital pedagógico universitário. 2005) Um estudo longitudinal realizado por Trause. melhor compreensão da linguagem. e de 30 a 37 semanas de pós-concepção. 2001. quando estes estão com dois anos.1189 nos braços das mães. apud MONTAGU. As crianças estavam significativamente mais mornas enquanto nos braços das suas mães. e contato de meia hora para amamentação só depois de 12 horas. No fim de um mês havia significativas diferenças entre o grupo de maior contato para o de menor contato. (MELLIEN. 1976.

simultaneamente. A Emoção Expressa (EE) pela mãe aumenta significativamente a segurança do vínculo mãe-bebê na idade de seis anos. quatro. quando da depressão durante a gravidez. Entrevistaram-se as mães durante a gravidez. desordem e problemas com administração de raiva. a três meses pós-parto. e na história posterior de depressão. 2003) Marjorie J. em prematuros. inclusive desorganização do vínculo infantil e uma tensão familiar percebida. Este padrão foi associado com comportamento materno intruso e hostil. Um grupo de . Análises revelaram que a expressão da mãe não fluente determinou o desenvolvimento de um padrão de vínculo desorganizado aos seis anos de idade. Violência era associada com sintomas de déficit de atenção/hiperatividade. e também levaram-se em conta características familiares. A relação foi confirmada quando se consideraram outras variáveis pertinentes. Mães completaram questionários. Mães. O estudo provê validação independente de Emoção Expressa como uma medida de qualidade de relação na primeira infância. professores e crianças fizeram a reportagem de sintomas violentos aos 11 anos. verificou-se a EE baseada na amostra de cinco minutos de conversa. As crianças eram muito violentas se as mães tivessem estado deprimidas aos três meses ou pelo menos uma vez do pós-parto. As equações estruturais revelaram que a violência da criança foi prevista até mesmo pela depressão pós-natal da mãe. estado atual durante o exame. Seashore e colaboradores pesquisaram o efeito da interdição precoce de contato entre mãe e bebê e sobre a confiança materna. (HAY et al. e existência de depressão materna. e quando a criança tinha um. mensurando estresse familiar.1190 Em um estudo 32 crianças foram observadas com suas mães até a idade de seis anos. 2000) O impacto da depressão pós-natal na propensão de uma criança torna-se violenta foi avaliado em uma amostra de comunidade britânica urbana (N _ 122 famílias). Nesta idade. e 11 anos de idade. (JACOBSEN et al.

E o comportamento de afastamento e pouco toque ainda era mais acentuado se o filho era menino. as crianças ficaram com suas mães e pais no pós-parto e num período que se . que tiveram contato com suas crianças cedo e este foi estendido (uma hora de contato extra com suas crianças por 3 horas após o nascimento.1191 21 mães foi impedida de interagir fisicamente com seus bebês. vestidas e em um berço. as multíparas nem tanto. (SEASHORE apud MONTAGU. 1986) Em 1972. num grupo de 62 mães de renda mediana. as crianças foram recebidas 30 minutos depois de nascimento. Ringler et al. havia uma diferença significativa nos padrões de fala das mães para com suas crianças. Um ano depois as que não haviam sido separadas tocavam muito mais seus filhos. É interessante notar que esta diferença ainda era evidente no acompanhamento feito um ano depois. Nos dois outros grupos de 20 primíparas e 20 mães multíparas. Resultou que as mães primíparas ficaram muito inseguras perante seus filhos. Era mais comum despenderem tempo brincando com suas crianças. mas mesmo estas também tinham baixa confiança. Nos três grupos. e quando estas tinham dois anos. As mães no grupo de contato extra usavam poucos imperativos e havia uma comunicação idiomática mais sociável entre eles. observaram 28 mulheres primíparas de baixa renda. nas primeiras duas semanas do pós-parto. Elas tiveram comportamento com vínculo significativamente mais alto quando comparadas com um grupo semelhante de mulheres que seguiram rotinas de hospital. (RINGLER et al. conduziram dois estudos em 1977 sobre o comportamento materno durante a primeira hora depois do parto. As crianças eram despidas e as mães foram encorajadas a amamentar. 1980) DeChateau e Wibwrg na Suécia. Delas. e um grupo controle de 22 mães. pôde cuidar de seus bebês no berçário. 22 mães primíparas receberam suas crianças 15 minutos depois do nascimento. e cinco horas de contato extra diariamente durante três dias). apud SOSA.

Visitadas após três meses.1192 estendeu a duas horas. Quando as macacas tiveram seus filhos. (O’CONNOR et al. Segundo Harry Harlow “formam-se múltiplas . comparado com um grupo controle de mães que seguiram rotinas hospitalares. aumentando o tempo de contato entre mãe e bebê depois do nascimento. as mães a quem se permitiu somente contato com suas crianças só para alimentações. apud SOSA. Foram feitas observações 36 horas depois do parto. que nunca tinham tido uma mãe de verdade. as mães no grupo de contato extra se comportaram com diferença significativa: elas seguraram mais freqüentemente suas crianças e seus bebês choravam menos. nos Estados Unidos. 1980) Os Harlow. A diferença era mais pronunciada nas mães de crianças masculinas. notou que. permitiu-se às mães participar no cuidado diário de seus bebês. (De CHATEAU e WIBERG apud SOSA. (SVEJDA et al. 1980) O'Connor et al. Porém. sendo que 3 se comportavam de modo muito violento. 1980) Na experiência de contato extra de mães de classe média. num estudo que incluiu de 301 mães. quando comparadas com mães primíparas sob regime de cuidado de rotina. em 1980. na experiência que fizeram com cinco macacas. não eram simplesmente capazes de comportamento amoroso. As crianças masculinas no grupo de contato extra sorriam mais e freqüentemente choravam menos. realizado por Svejda et al. Depois deste período de tempo. o número de desordens de comportamento de maternidade era menor. a observação de que as mães eram mais afetuosas com as filhas mulheres aparecia também. em 1980. Durante a segunda parte da hospitalização. imediatamente após o nascimento foram separadas de suas mães e postas em jaulas com instrumentos substitutos. todos os grupos receberam cuidados de acordo com rotina de hospital. a diferença no comportamento materno persistiu. As mães primíparas com contato extra se comportaram semelhantemente a mães multíparas. apud SOSA. Durante os primeiros três dias.

1986) John D. se houve estimulação tátil nos primeiros anos de vida. que trabalhava no Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano. Tal comportamento se repete. Benjamim. baixo crescimento físico e mental.1193 respostas aprendidas e generalizações de afeto a partir da íntima ligação da criança com a mãe” (HARLOW apud MONTAGU. (BENJAMIN apud MONTAGU. 1986. (MONTAGU. e o comportamento de raiva é revertido. os primeiros tinham um melhor desenvolvimento intelectivo e cresciam mais rápido. O crescimento ósseo de uma criança de três anos era no experimento. na Universidade do Colorado. p. Tal comportamento é percebido em todos os animais mamíferos. fez uma pesquisa em que acariciava ratos e havia controles não tocados. 1986) Patton e Gardener publicaram relatos detalhados de crianças que haviam sofrido carências maternas e mostraram. Pesquisas em animais mostram que. o comportamento que domina e. mas de não continuarem a fazê-lo por muito mais tempo. demonstrando uma necessidade não ensinada. neuropsicólogo do desenvolvimento. a presença de amor inibe a ira. (PRESCOTT apud MONTAGU. (PATTON e GARDENER apud MONTAGU. quando eles estão irados. a separação praticada na espécie humana deixa perturbação no padrão de comportamento. 1986) James H. acredita que uma das mais importantes causas da violência humana provém de uma falta de prazer corporal durante o período formativo da vida. metade do que o observado numa criança normal.52) É interessante o fato de que os grandes símios lambem seus filhotes imediatamente após o nascimento. seus eletrodos estimulam o centro do prazer no cérebro. Prescott. Prescott entende que é ou um ou outro alternadamente. 1986) .

(JANUS. Nele ela declara que Descartes nunca confiou nele mesmo. (JANUS. a partir de então. havia uma “doença” que atacava os bebês em instituições e eles morriam no primeiro ano de vida: eles definhavam e morriam. fez relatos de recuperação de crianças autistas ao colocar a mãe. 2001) No século XIX. distanciamento.1194 Martha Welch. 1986) Na Inglaterra. 1986) Hebert Weiner diz que o envolvimento e a identidade ficam consolidados no envolvimento e identidade que existem entre mãe e filho. a criança e o pai. nos Estados Unidos. mas para outros distúrbios de comportamento. 2001) Marie Louise von Franz. falta de identidade. A terapeuta não coloca a criança no colo: a dificuldade inicial da criança acaba dando lugar a melhora. As crianças autistas apresentaram desenvolvimento motor e coordenação de fala. escreveu o livro “O Trauma de Descartes”. (MONTAGU. (O’ GORMAN apud MONTAGU. institucionalizadas e pediu que enfermeiras as tratassem mais calorosamente. nos outros ou na vida. pois a morte de sua mãe tão cedo tirou dele o otimismo. e na verdade para ele isto tinha uma conotação de ser física e mentalmente inferior. o que se dá principalmente pelo tato. A falta de exposição tátil no primeiro ano de vida. algumas com traços autistas. em contato físico. A terapia teve sucesso em outros países onde foi praticada. Isto o encapsulou exclusivamente na atividade mental. 1986) O terapeuta húngaro Istvan Hollos fez uma descrição clínica de agressão sofrida por bebê prematuro. (WEINER apud MONTAGU. a . resulta em alheamento. que são aspectos de personalidade esquizóide. psiquiatra infantil. Gerlad O’Gorman convocou meninas retardadas. que permitisse à mãe olhar da criança. não-envolvimento. e nos seus próprios sentimentos. superficialidade emocional e indiferença. incluindo gagueira. que se dizia prematuro. a confiança na vida. não só para autismo.

(SCHORE. pediatra. no vínculo. que a experiência ambiental tanto pode habilitar. e recebessem cuidados como se fosse da mãe. em seu hospital as crianças deveriam ser colocadas no colo. 2001b) Davies e Frawley. habilitando uma otimização do desenvolvimento cerebral e da adaptável saúde mental infantil. descreveram os efeitos imediatos de trauma infligido pelo pai. Brennemann. Até 1920. em 1994. para desenvolvê-la. postas nos braços e aconchegadas. de conexões sinápticas a que se segue uma interação com o meio ambiente. até que J. várias vezes ao dia. (SCHORE. palavra grega que significa definhar. É importante enfatizar. 1986) Um grande corpo de trabalhos apóia a evidência de que o córtex e redes subcorticais são engendrados por uma produção inicialmente abundante. e ainda por outro lado. (MONTAGU. como pode constranger o desenvolvimento do cérebro nas suas funções e estrutura. a segurança da criança depende deste cuidador. Esta tarefa já é parte do mecanismo central da ego-organização do cérebro em desenvolvimento. geneticamente programada. Meilijson. eventos interpessoais no início da vida marcam positivamente ou negativamente a estrutura organizacional do cérebro e suas capacidades funcionais adaptáveis. criou a regra que. 2001a) . e também Schore em 1994. Isto mostra que há uma relação direta com o ambiente sócio-emocional. O que a criança sente é que sua sobrevivência está continuamente em risco. esta é a realidade do abuso por parte do pai. Ruppin em 1999. a mortalidade chegava perto de 100%. que tenta buscar qual a interação mais eficaz para aquele meio. porém. Em outras palavras.1195 doença era intitulada marasmos. desafia sua capacidade de confiar. que é o primeiro objeto que mereceria sua confiança. Então a mortalidade por marasmos no Hospital Bellevue em 1938 caiu para 10%. segundo Chechik.

segundo Hertsgaard. Elas também mostram níveis de cortisol mais altos que todas as outras classificações de vínculo. demonstraram que este grupo de crianças exibia ativação de taxa de batimentos cardíacos mais alta além de mais intensa reação de alarme na reação ante uma situação estranha. Altera sua psicobiologia e a deixa à mercê de estratégias imaturas de relação. (SCHORE. qualquer comportamento parental que diretamente alarme uma criança deve colocá-la frente a um paradoxo insolúvel: não pode aproximar-se e ter a atenção do pai e nem pode fugir. se for vivido por um longo período. 2001a) Main e Solomon em 1986. Este padrão de vínculo “tipo D” é encontrado em 80% de crianças maltratadas segundo Carlson et al. em vez de achar um porto seguro na relação. Esta descoberta levou à criação de uma nova categoria de vínculo. como descreveram Tronick e Weinberg em 1997. Gunnar. Ela precisa usar todos os seus recursos para auto-regular sua homeostase. e depois em 1999. de modo que não lhe resta energia para fazer muito mais coisas. devido ao fato de a criança inevitavelmente buscar o pai quando alarmadas.. Dever-se-ia enfatizar . “tipo D”. estão alarmadas por causa do pai. (SCHORE. 1989. Erickson. e observaram maior fator de eixo HPA com respostas prejudicadas por tensão. que é inseguro-desorganizado e desorientado padrão. estudaram os padrões do vínculo da criança que tinha sofrido trauma no primeiro ano de vida. Nachimias em 1995.1196 O trauma de relacionamento com o cuidador. Estes autores alegam que a desorganização e desorientação refletem o fato de que as crianças. Main e Solomon mostram que o “tipo D” de comportamentos apresenta um estereótipo de achados neurológicos prejudicados. além de desregular a criança. 2001a) Além disso. 2001a) Main e Solomon concluíram que estas crianças sofrem de baixa tolerância à tensão. Eles notaram que. Spangler e Grossman. em 1999. (SCHORE. altera seu funcionamento normal.

estão armazenadas tais recordações segundo Lieberman em 1997. que. contêm neurônios que expressam emoções na face. e passa a ter um comportamento medroso que é observado dentro do vínculo dos pais de crianças tipo “D”. A imagem da face agressiva. Sabe-se que é para a face da mãe que a criança instintivamente dirige o olhar para receber mensagens. um período crítico de maturação de cortico-límbico e isso reflete um prejuízo estrutural severo do sistema de controle de órbito-frontal. Bakersmans-Kranenburg. gera alterações corporais caóticas na criança. e outras estruturas límbicas. ela se dissocia. No curso da interação traumática. que assim as armazenam na memória implícito-processual. Tais sintomas foram notadas em crianças entre 12 a 18 meses. visuo-espacial. 2001a) . a criança é apresentada à expressão facial opressiva ou uma expressão materna de medo-terror. (SCHORE. isto foi descrito também por Schuengel. O comportamento materno amedronta e desorganiza a criança. (SCHORE. se forem agressivas terão grande poder traumatizante para a criança. e indelevelmente impresso nos circuitos subcorticais e límbicos. 2001a) As chamadas “atribuições maternas negativas” contêm um custo afetivo intensamente negativo e rapidamente desregulam a criança. As áreas de órbito-frontal. Tal estado fica associado. No hemisfério direito.1197 que estes comportamentos são manifestações evidentes de um sistema regulador obviamente prejudicado. como descrito por Brown & Kulik em 1977. A face da mãe é o estímulo visual mais potente no mundo para a criança. que rapidamente se desorganiza debaixo de tensão. Van Ijzendoorn em 1999. Main e Solomon notaram que quando a mãe retira da criança o repouso e o transforma em fonte de alarme. como as áreas temporais anteriores e a amídala. que está envolvido em comportamento de vínculo e estado de auto-regulação.

este espaço-temporal imprime alterações caóticas no estado de desregulação materno. usam menos comportamentos de maternidade positivos. tendem à reversão de papel. avaliações e expectativas sobre o comportamento de suas crianças. Fenton. como descrito por Nayak e Milner em 1998. segundo Mayseless em 1998. atribuições. Elas também têm diferentes tipos de percepções. durante estes episódios. se comunicam menos com as suas crianças e usam técnicas disciplinares mais adversas. se ocupam menos com as interações. Frequentemente. Na verdade. têm alto risco de serem abusivas. segundo George e Solomon. As mães de crianças desorganizadas geralmente sofreram trauma não resolvido. e que esta sincronização é registrada nos padrões dispares nas regiões córtico-límbica. e a um sentimento subjetivo de desamparo. 2001a) Pesquisas atuais em neurobiologia do vínculo revelam que as experiências precoces de crianças femininas com suas mães (ou ausência destas experiências) influenciam como elas responderão às suas próprias crianças quando elas se tornarem mães.1198 Alan Shore sugere que. sentindo-se deprimidas. infligindo-lhes castigos severos. Kinscherff. Podendo ser um mecanismo central para a “transmissão intergeneracional de abuso de criança” segundo Kaufman e Zigler descreveram em 1989. a maturação do cérebro da criança está relacionada com a qualidade de interação com seu cuidador nos dois primeiros anos de vida. ou proteger suas crianças. fora de controle. segundo Famularo. comparadas às mães sem estas queixas. a criança esteja espelhando as estruturas desreguladas da mãe. (SCHORE. sensíveis à tensão no cérebro em fase de crítico crescimento da criança Este é o contexto de programas de psicopatológicos. em 1996. (SCHORE. Em geral. e isto provê um mecanismo psicobiológico para a transmissão intergeneracional . 2001a) Mães de crianças com vínculo desorganizado se descrevem como incapazes de se preocupar com. em 1992.

As tomografias cerebrais destas crianças mostravam . segundo Frodi e Cordeiro em 1980. Este último notou que em humanos. Fez um estudo em oito crianças adotadas por famílias americanas. A mãe dissociada. e o abuso na criança humana tende a ser mais danoso para seu desenvolvimento ulterior como pais. dissociativa e afetando-a a ponto de ela mesma vir a abusar do seu filho. Ponto de vista com que concordam outros autores como Bruce Perry em 1995 e Maestripieri em 1999. e vir a entrar em depressão no pós-parto. O'Day. desorganiza a criança que. Desordem emocional é comum entre pais que sofreram abuso. e esta condição vai preparar o início da situação de ela negligenciar seu filho. agravando a situação. nas respostas parentais. que irá chorar e desesperá-la. 2001a) Harry Chugani vem estudando mapeamento cerebral e suas relações com as bases emocionais do desenvolvimento. A mãe que expressa um mínimo de cuidado materno sofreu um máximo de negligência e. lembra-lhe sua própria dissociação precoce. evocativamente. fazendo-a viver uma condição inscrita em sua neurobiologia. estilos e responsabilidade de maternidade mal adaptada segundo Fleming. Kraemer em 1999. 2001a) A mãe que tem um histórico de abuso pode entrar em pânico no final de sua gravidez. que está ligada ao senso desenvolvido ao ser cuidado ou protegido pelos seus próprios pais. há uma maior sensibilidade na regulação neurobiológica.1199 de adaptação. expressa através de um filtro padrão. Este princípio psicobiológico tem evoluído nas muito recentes descrições clínicas de Silverman e Lieberman que concluíram que a condição de cuidadores. provindas da Romênia. Episódios de choro persistente segundo Papousek e von Hofackerem em 1998. E a entrada do cuidador em um estado dissociativo representa a manifestação em tempo real de negligência. emocionalmente indisponível. tem uma base instintual. (MAESTRIPIERI apud SCHORE. podem ser um potente impulsionador de dissociação. segundo Fraiberg. (SCHORE. mostra uma grande vulnerabilidade a estresse.

e também evidenciam seu desagrado diante das demonstrações físicas de afeto. dificuldades de adaptação social. dificuldades de se relacionar com sua mãe adotiva. Este autor constatou que. área que se acredita estar ligada à sociabilidade. mesmo na vida adulta. numa fase crucial. 2007. Muitos acham que ocultam um eu real. Isto mostra as conseqüências do abandono materno. e suas cóleras e depressões. buscando criar uma situação para novamente se sentirem rejeitadas. (CHUGANI. pois o tempo todo estão temerosos de receber rejeição das pessoas. perceberam que estas crianças têm em comum sensação de vazio. CHUGANI apud VERNY e WENTRAUB. problemas com figuras de autoridade. Madaule e seus colegas. Muitas vezes provocam o desagrado na mãe afetiva. representa uma perda de importância capital. no Centro de Ajuda para Crianças Adotadas. 2004) . cujo objetivo é auxiliar os pais a compreenderem seus filhos adotivos. sua busca por verdade. além dos medos e situações conflitivas que existem com os pais adotivos que isso tende a se estender a outras relações pela vida. sistematicamente. tem estudado os reflexos da sensação de perda e rejeição que os adotados relatam. Assim a ferida se repete numa perpetuação de dor. e projetam um falso eu. falta de intimidade física ou emocional. 2004) Após uma conexão por nove meses. de seus pensamentos e emoções. onde houve interação de emoções. eles falam de uma perda da sua sensação do eu. se comparadas com tomografias de crianças que viviam com sua própria família. um investigador do assunto. E a psicologia pré e perinatal veio dar uma luz na compreensão dos indivíduos adotados. 2004) Verrier.1200 um metabolismo anormal na área dos lóbulos temporais do cérebro. suas dores e dificuldades de construção de identidade. em que a criança esteve por baixo da pele e do sangue da mãe. (VERRIER apud VERNY e WENTRAUB. (MADAULE apud VERNY e WENTRAUB.

323 adotados. se a própria mãe o deixou. tocando suas mentes e corações. 2007) Em sua tese de doutorado Marcy Axness fala sobre a questão do vínculo partido e as conseqüências de dor e de desordens afetivas que se desenvolvem na vida do adotivo. transtorno de déficit de atenção. de não adotadas. (AXNESS. Ela enfoca também a falta de confiança e a depressão que marcam a trajetória de suas vidas. (VERNY e WENTRAUB. ansiedade. consumo de álcool e drogas. ele já sabe que é adotado e entende que há um segredo em torno do seu nascimento. mas uma grande parte transforma-se em adultos equilibrados. Freqüentemente não se sente encaixado no ambiente que o rodeia. hiperatividade e . os adotados tinham maior proporção de problemas sérios: transtorno de conduta. que haviam sido encaminhadas para tratamento psiquiátrico. No Texas. por tudo que hoje se sabe de psicologia pré-natal. Ele carrega um sistema de crença. em estudo que comparou 42 crianças adotadas com 2. num acompanhamento durante cinco anos. para o adotado que ele é adotado. em comparação com grupo controle. o que não faria qualquer outra pessoa? (VERNY e WENTRAUB. que pode demorar muitos anos. também apresentavam uma maior tendência a problemas emocionais. 2004) Analisando registros da Asseguradoria Nacional de Saúde na Suécia. e lidar com isto é um desafio. assim como transtornos de personalidade. agressão social. relativos a 2. 2004) Na Universidade de Otawa.991 crianças não adotadas. Os adolescentes adotados. de crianças adotadas e não adotadas.1201 Revelado ou não. psicose. (AXNESS. de que. 2004) Ser mandado embora. foi observada uma maior incidência de enfermidades psicológicas. as primeiras apresentavam mais problemas de conduta e delinqüência e os meninos experimentavam mais desajustes que as meninas. é uma questão que permeia a vida do adotado.

recomenda que os pais adotivos que reconheçam com palavras. sempre que possível. mais estáveis. uma base inicial mais sólida. e gerou a condição de adoção: neste caso houve. Em que condições foi gestada. (VERNY e WENTRAUB. como esta mãe vive seu luto do parceiro? E como foi seu luto em relação à própria criança? Tudo isto terá importantes conseqüências sobre a vida emocional. pois se viram despreparadas para a gravidez. uma especialista em assunto de adoção e psicologia pré e perinatal ministra curso de pós-graduação sobre esta nova vertente da psicologia. Uma vez decidido o caso. Por exemplo. No futuro eles não têm vontade de conhecê-las. na Universidade de Santa Bárbara. Mas após tratamento. quanto não adotados. interligada a outros saberes. as mães foram agrupadas em dois tipos: as que entregaram para adoção. da futura criança e adulto. Já há um segundo tipo: que são as mães que. a . Também faz diferença quando a mãe perde as condições de amparo e não se vê tendo um bebê sozinha. haviam melhorado. e optam pela adoção privada combinada. Ela chama a atenção para as conseqüências emocionais sobre a criança. e são capazes de quase tudo para lhes assegurar um futuro melhor. importa saber se foi concebida com amor. desconectaram-se de seus filhos. que. quando a situação se estabiliza. na Califórnia.1202 depressão. (AXNESS. explicitamente. psicoterapeuta especializada em trauma precoce. se foi uma relação que terminou. contatam seus filhos. tanto adotados. amam seus futuros filhos. 2007b) A terapeuta Wendy McCord. por seu turno terão vontade de conhecê-las. no meio da gravidez. 2004) Dos bebês encaminhados para adoção. e com os anos. conforme o período da gestação que a mãe decide que vai entregá-la à adoção. e aquelas que decidiram ou porque foram forçadas por seus pais a agirem deste modo. 2004) Marcy Wineman Axness. (VERNY e WENTRAUB.

especialmente quanto ao isolamento da mãe e desenvolvimento do filhote. por Thompson e Scott. no Centro Yerkes de Primata. em 1956. Estes profissionais forneceram uma base teórica e experimental sobre isolamento e desenvolvimento cerebral. possuíam cérebro de desenvolvimento e funcionamento anormais. e por Mason e Berkson. no Instituto Nacional de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano (NICHD). nos efeitos de “privação social materna” foram os de Cannon. no Canadá. demonstravam comportamento emocional-social aberrante. o Grupo de Berkeley: . em 1961 e 1966. por Sackett. em 1958. em Atlanta. por Riesen. Prescott trabalhou com macacos nesta área de pesquisa. por Hebb. 2004) 4 . além de que. em 1968. ao se tornarem adultos. grupos de pesquisa desta instituição de ensino documentaram os primeiros estudos que tratavam do isolamento da união social. Hebb. (VERNY e WENTRAUB. abriram caminho para James W. em 1956. Essman. Cannon e Rosenbleuth. Dow e Moruzzi. e por Harlows. em 1958. por Mason. por Meizack e Burns. em 1975. por Harlow. Hunt. por Mitchell. resultando em filhotes de cachorro que. em 1957. 2007) Outros trabalhos científicos significantes que influenciaram os programas teóricos e experimentais do NICHD. (PRESCOTT. em 1958. foram feitos pelos psicólogos Austin Riesen.Uma nova Visão de Neurofisiologia e da Neuroquímica do Desenvolvimento Cerebral Infantil Os estudos na Universidade de McGill. em 1968. Geórgia. em 1961. Prescott empreender sua busca pelo entendimento das origens do amor humano e também da violência humana. na Universidade de Wisconsin. por Meizack e Scott.1203 mudança que ocorreu para a criança que agora está sob a tutela de pais adotivos. em 1965. em 1958. em 1968. nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). em 1970. Outros trabalhos foram realizados por Meizack e Thompson. Nos anos 50. Estes estudos relacionados com privação sensorial e isolamento social em primatas. em 1949. em 1939. Health. em 1971.

1204 Krech, Rosenzweig e Bennett, em 1960, e Rosenzweig, Krech, Bennett e Diamond, em 1968; Levine, em 1974; MacLean, em 1962 e 1973; Mark e Ervin, em 1970; Money, Wolff e Annecillo, em 1972; Selye, em 1956; Sharpless, em 1969; Wiesel e Hubel, em 1963; Ainsworth, em 1967; Appley e Trumbull, em 1967; Barry, Bacon e Child, em 1967; Bowlby, em 1952, 1969 e 1973; Cairns, em 1966; Casler, em 1961; Spitz, em 1965; Textor, em 1967; Whiting e Child, em 1953; Yarrow, em 1961; Zubek, em 1969; e, de uma perspectiva teórica diferente, Francoeur, em 1965,1982 e 1992; e Francoeur e Rami, em 1979. (PRESCOTT, 2007) Em 1966, Prescott criou o NICHD para estabelecer programas de pesquisas básicas relacionadas ao desenvolvimento do cérebro e ao comportamento. Durante sua posse no NICHD (1966-1980), ele formulou a teoria, que relacionava comportamento de regulação emocional-social a desenvolvimento cerebral, para explicar a depressão patológica e a violência como resultados de privação materno-social ou de isolamento social, em filhotes de animais. Esta teoria envolveu o complexo do lóbulo cerebelarlímbico-frontal e ele arbitrou que o cerebelo teria o papel principal na regulação do sistema sensório-límbico (emocional) e também na atividade cerebral que integra (ou não) a atividade dos processos do córtex frontal-temporal. Prescott estabeleceu vários programas de pesquisas básicas para avaliar esta teoria e, como outros cientistas, documentam que o fracasso do “amor de mãe” resulta em deficiência orgânica do cérebro em desenvolvimento e tal dano é o que está por baixo da depressão, de movimentos estereotipados desordenados, como o comportamento de balanço e de automutilação; do comportamento de reatividade hiperativa para excitação sensória, particularmente, ao toque paradoxalmente, percepção de dor prejudicada; de alienação social, raiva e violências patológicas contra outros animais. (PRESCOTT, 2007)

1205 Tanto Harry Harlow, em 1964, quanto Rene Spitz, em 1965, negaram que a privação materno-social envolvia privação sensorial. Antes de Prescott ninguém havia associado comportamentos emocional-sociais anormais, observados no isolamento de laboratório, ou privação materno-social com desenvolvimento e função cerebral anormais. (PRESCOTT, 2007) A síndrome de privação materno-social, que Prescott redefiniu como Seasonal Affective Disorder (SAD) - Somato- Sensorial-Aficional de Privação que envolveu o sistema cerebelar-límbico-frontal e o lóbulo cerebral, abriu caminho para Mason, em 1968, e para Mason e Berkson, em 1975, que demonstraram que o isolamento produz filhotes de macacos com uma “mãe oscilante, gerando o desenvolvimento da síndrome SAD”. As implicações e efeitos dramáticos do trabalho de Mason e Berkson, substituto de “mãe oscilante”, podem ser vistos no documentário da Time Life Rock a Bye Baby, realizado por Dokecki, em 1973. (PRESCOTT, 2007) É importante enfatizar que, na síndrome SAD, os sistemas sensório-emocionais organizam-se de modo diferente no corpo, as fundações neuropsicológicas são determinadas por estados psicológicos alterados. Especificamente, o sistema vestibularcerebelar sensorial provê as fundações da neuropsicologia primária para “confiança básica”; o toque provê o suporte neuropsicológico primário para “afeto”; e o olfato é o sistema sensório que provê a base neuropsicológica primária para “intimidade”. No desenvolvimento normal, estes sistemas emocional-sensórios são combinados em ricos padrões que resultam no desenvolvimento de um cérebro “neurointegrativo”, no qual “confiança básica”, “afeto” e “intimidade” são integrados um ao outro formando um comportamento e uma gestalt do cérebro emocional, que pode ser chamado “amor”. Portanto, antes que a criança possa entender a palavra falada ou escrita, mediada pelos sensos cognitivos audíveis e visuais, o amor já está presente. (PRESCOTT, 2007)

1206 É claro que todos os três sistemas sensório-emocionais são envolvidos dentro da experiência de “prazer” e “união”. É pelos sentidos emocionais que a criança sabe quando está sendo amada ou quando está sendo rejeitada e isto é particularmente verdade para os surdos de nascença, como observou Fraiberg e Friedman, em 1964; Bowyer e Gillies, em 1972; Dokecki, em 1973; e Prescott, em 1976. O olfato é uma sensibilidade importante na maturação do cérebro emocional-sexual primitivo. É um sistema sensório negligenciado quando a criança deixa de estar exposta ao cheiro da mãe durante a amamentação, trazendo conseqüências adversas, a longo prazo, na capacidade de união homem-mulher, assim como de viver em intimidade e união, segundo Kohl e Francoeur, em 1995. (PRESCOTT, 2007) A ausência de qualquer um destes três sentidos emocionais no desenvolvimento da criança, - como por exemplo, pelo fracasso para amamentar, - não somente remove a base neuropsicológica primária para “intimidade” (no caso do cheiro, o olfato primitivo no cérebro sexual), mas também impede a formação da gestalt do cérebro que só pode ser formada quando todos os elementos sensórios estão presentes. Através da analogia com a imagem de um triângulo, este não pode se formar só com duas linhas. Tal figura não só precisa de três linhas, como também de uma combinação de relações específicas entre elas para formar a gestalt perceptual do “triângulo”. Precott usa esta analogia para descrever que o cérebro sensorial, de modo semelhante no seu desenvolvimento, precisa de “confiança básica”, “afeto” e “intimidade", os quais têm conseqüências, a longo prazo, na capacidade de estabelecer relações de amor. Segundo Prescott, o amor é uma “Gestalt Cerebral” na qual, realmente, o todo é maior que a soma de suas partes. (PRESCOTT, 2007) O fracasso na integração do prazer, nos centros do córtex cerebral frontal, a “consciência”, é o principal fator neuropsicológico condicionador para a expressão de

é influenciada pela relação de vínculo mãe-filho. O processamento do hemisfério direito é não-linear. o conhecimento sobre o desenvolvimento cerebral se expandiu vastamente e isto pode dar maior sustentação na compreensão do desenvolvimento infantil. Este cientista tem demonstrado que. A região do cérebro que se mostra mais receptiva. raiva. as questões sobre o desenvolvimento do cérebro direito. especialmente a região órbito-frontal. pois são os níveis mais baixos do cérebro que processam o prazer sexual. especializado em informação autobiográfica. 1977 e 1990. onde o sadomasoquismo floresce. os mecanismos psiconeurobiológicos e o desenvolvimento da saúde mental da criança. determina a arquitetura cerebral de modo definitivo e eficaz. a maturação do cérebro é controlada através da interação com o cuidador. assim . que mostrou como a maturação da área órbito-frontal do córtex. (PRESCOTT. alienação. executora do hemisfério direito. Um dos expoentes deste conhecimento é Allan N. os estudos sobre vínculos se imbricam com neurociência. com o modelo. processada em nível límbico e não gera danos lesivos na agressividade. as descobertas da psicopatologia do estresse. envia sinais não verbais. de modo permanente e potente. nos dois primeiros anos de vida. O prazer é uma experiência que é reflexo genital espinhal.1207 violência. particularmente a violência sexual. violências e dependências químicas. visto por SCHORE. A mais receptiva à sintonização é o hemisfério direito do córtex cerebral. 2007) Os substratos neurobiológico e neuropsicológico afetados são o resultado de privação sensória precoce que geram um “cérebro dissociativo” o qual produz comportamentos dissociativos: depressão. holístico. Schore. 2007) Nos últimos 10 anos. (PRESCOTT. segundo Prescott em. tem conhecimento e regulação do corpo. O cérebro do bebê se sintoniza literalmente com seu cuidador para produzir neurotransmissores adequados na seqüência correta. intenso em emoções. Hoje. visual-espacial. em 1997.

e portanto. Com o desenvolvimento posterior. o que na evolução. que. se comparados aos primatas. Este órgão se situa acima do tronco cerebral. 2001b) A amídala. de estruturas interligadas. é um feixe com esta forma. 1995) Joseph LeDoux. do próprio significado emocional. Usando métodos novos e com precisão. 1995) O hipocampo e a amídala eram duas partes chave do primitivo “nariz cerebral”. Ser abraçado. acariciado. sobre o mapeamento da função cerebral. 2001a. Joseph. lógico. uma condição na qual o paciente é incapaz de avaliar o significado emocional dos fatos. foi o primeiro a descobrir o papel-chave emocional da amídala no cérebro. confortado de algum modo. vem do grego e significa amêndoa. Se ela for cortada. neurocientista. especializado em causa e efeito. LeDoux publica. e seu processamento é linear. Estas estruturas límbicas são responsáveis por grande parte do aprendizado e da memória do cérebro. (GOLEMAN. (GOLEMAN. perdem o sentido de competir ou cooperar e perdem também o senso do lugar que ocupam na ordem social de sua espécie.1208 como o mapa do corpo e entendimento social. As lágrimas são provocadas pela amídala e uma estrutura próxima à circunvolução cingulada. A amídala é depositária da memória emocional. dois artigos reveladores: Sensory Systems and Emotions (Sistemas Sensórios e Emoções) e Emotion and the Limbic System . uma de cada cérebro. (SCHORE. a conseqüência é a chamada “cegueira afetiva”. é um órgão relativamente grande nos humanos. não disponíveis anteriormente. análise lingüística e definições. acalma estas regiões cerebrais. o hemisfério esquerdo amadurece até o final do segundo ano de vida. próximo à parte inferior do anel límbico. certo versus errado. (GOLEMAN. como descrito por R. 1995) Os animais que têm a amídala cortada não sentem medo nem raiva. em 1986. Há duas amídalas. lingüístico. Uma ligação de vínculo mãe-filho desenvolve e ajuda a organizar as funções cerebrais. em 1993. deu origem ao córtex e depois ao neocórtex.

Ele explica que a amídala pode assumir o controle do que fazemos. na verdade. está mais envolvido com o registro e a atribuição de sentidos aos padrões perceptivos do que com as respostas emocionais. 1997) A amídala parece desempenhar um papel essencial em muitos aspectos de processamento de informação emocional e de comportamento. seguem para a amídala. como uma forma de a natureza se assegurar de que. Suas descobertas puseram abaixo o que se tinha como verdadeiro. e um segundo sinal do tálamo é encaminhado para o néocortex. em 1989. através de uma única sinapse. mostraram que. “seqüestrar” o cérebro. enquanto o neocórtex ainda toma decisão. 1993) Estudos de LeDoux. Estudos feitos em 1991 . e a amídala retém o sabor que os acompanha. até então. LeDOUX. (LeDOUX apud GOLEMAN. 1997) LeDoux pesquisou o papel da amídala cerebral na realização de impulsos sem participação do córtex e verificou que. Os sinais sensoriais provindos dos órgãos dos sentidos dirigemse ao tálamo. (LeDOUX apud MORSE e WILEY. Desta forma o hipocampo. O hipocampo lembra os fatos puros. LeDOUX. sob condições de grande excitação emocional. que ultrapassam a intermediação cortical. que era considerado estrutura chave do sistema límbico. a rota da percepção até o neocórtex pode durar duas vezes o tempo de o órgão do sentido perceber e executar ação de luta ou fuga. (LeDOUX apud GOLEMAN. sobre neurofunção emocional. a amídala cerebral emite sinais.1209 Concept (Emoções e o Conceito de Sistema Límbico). 1995. vital para o significado emocional. a amídala começa a responder antes do néocortex. 1995. depois. 1993) Por outro lado. ocorrerá uma resposta eficaz de defesa. num rato. a amídala é capaz de. em caso de necessidade imediata face a uma ameaça. É ele que fornece uma memória precisa do contexto. (LeDOUX apud MORSE e WILEY. na posição de sentinela emocional. Assim.

assim como a possibilidade do recrutamento das zonas corticais para a emergência emocional. como o que nossa sociedade possui: uma campainha de alarme ou um sistema de auxílio de serviços de emergência. a mente reacional é inundada por emoções. (LeDOUX. especialmente a aprendizagem emocional e memória. Ela prepara a resposta impulsiva. grande parte da vida emocional desapareceria. ou seja. mantêm o equilíbrio da resposta emocional. Nestes momentos. Os neurologistas já suspeitavam do papel dos lobos pré-frontais desde os anos 40. Antonio Damásio. neurologista. sem . (GOLEMAN. de avaliar a emoção antes de agir. para aprendizagem emocional específica e processos de memória. 1995) Supõe-se que os seqüestros emocionais envolvem duas dinâmicas: o disparo da amídala e a não ativação dos processos neocorticais que. A chave que desliga a emoção aflitiva parece estar no lobo frontal esquerdo. (GOLEMAN. sem o funcionamento dos lobos pré-frontais. 1995) Ao estudar meticulosamente o que compromete os pacientes no processo decisório. O processo decisório naqueles pacientes é falho. o qual age como um termostato regulando emoções desagradáveis. pois não haveria o que pudesse avaliar aquilo que merece resposta emocional. Os investigadores podem agora apontar os plausíveis circuitos envolvidos na transmissão de contribuições sensórias na amídala e suas sub-regiões que levam estímulos para as áreas corticais e subcorticais. em geral.1210 começaram a clarificar a organização anatômica da amídala e a contribuição de suas sub-regiões individuais e as funções emocionais. é amortecendo os sinais para ativação enviados pela amídala e outros centros límbicos. observou que a dificuldade advinha de danos no circuito pré-frontal-amídala. Porém. 1992) A amídala cerebral é um sistema de alarme. enquanto que o neocórtex tem respostas mais lentas. Uma das maneiras de o neocórtex agir com eficiência na administração da emoção.

apesar de a inteligência ser capaz de escolhas desastrosas nos negócios e vida pessoal. Estas indicações levaram Damásio a concluir que os sentimentos são indispensáveis nas decisões racionais. (ROCHE et al. Adelson e Shapiro. já que o circuito pré-frontal-amídala é a porta de entrada crucial para o repositório das preferências e aversões que adquirimos durante a vida. Ele discorre sobre o assunto através do relato de 32 casos. esta criança é descrita por Robin Karr-Morse e por Meredith S. 1990) 5 .. Estes pacientes “esqueceram” as lições emocionais que estavam armazenadas na amídala. foi objeto de afeto. Desligado da memória emocional da amídala. passa pelo circuito amídala mais rápido do que pelo do córtex. mais adiante não desperta nem atração nem aversão. Mais tarde. (DAMÁSIO. tudo fica numa neutralidade cinzenta.Quando o Amor Falta. e algo que. 1998) O caminho provindo. os “fantasmas no berçário”. 2005) O fato é que os cuidadores criam as condições de trauma. mas também da audição.1211 que haja comprometimento do QI. na visão de Fraiberg. um médico forense francês. a Violência Impera A primeira monografia importante que descreve a síndrome da criança maltratada foi escrita em 1860 por Ambroise Tardieu. O neurologista entende que isto ocorre porque estas pessoas perderam acesso ao seu aprendizado emocional. no passado. não somente da visão. em 1997. seu artigo foi publicado em Annales d’hygiene publique et médecine légale (Anais de Saúde Pública e Medicina Legal). em 1975. (LeDOUX et al. ou de qualquer outra capacidade cognitiva. Na realidade. duas sociólogas .. Wiley. qualquer coisa que o córtex pense não dispara as reações a ele associadas no passado. com o título Étude médico-légale sur les sérvices et mauvais traitements exercés sur des enfants (Estudo Médico Legal sobre Serviços e Maus Tratos Praticados contra as Crianças).

e são entregues à adoção antes do seu primeiro aniversário. nas 26 nações industrializadas combinadas. (KARR-MORSE e WILEY. A conseqüência disso é criminalidade e um impulso agressivo incontrolável. p. Apenas 8. Elas levantaram que as raízes do comportamento violento devem ser procuradas no que acontece durante os 33 meses do início da vida (nove meses intrauterinos. 1997) Estas sociólogas. Afroamericanos morrem duas vezes mais que brancos no primeiro ano de vida. é maior do que em qualquer outro país industrializado. houve uso de drogas e má nutrição durante a gravidez. 25% das crianças da pré-escola vivem em condições abaixo do nível de pobreza. como se fosse reação de curto-circuito. Três de cada quatro crianças assassinadas. nasce um bebê na América do Norte de mãe de menos de 20 anos. O índice de mortalidade infantil.4% dos lugares que cuidam de bebês nos Estados Unidos são considerados apropriados. A cada dia um bebê morre devido a abuso ou negligência dos seus cuidadores na América do Norte. Uma em cada quatro crianças são adotadas. Um dos rapazes. e em 40. foi condenado à prisão perpétua. 2001a) Os profundos estudos de Karr e Wiley focaram análise em um jovem de 17 anos que participou com outros dois (um rapaz e uma moça) de agressão com morte. (SCHORE. 51. e os dois primeiros anos de vida). Uma em três crianças é vítima de abuso físico. Recém-nascidos compõem a maior parte dessas crianças. antes dos 12 meses de idade. 1997. numa amostra em cinco estados. falta de afeto e de paciência para com a criança. na América do Norte. No caso do rapaz. desde seu nascimento até a indiferença com que foi tratado quando era bebê. 13 -14) • • • • • . As autoras relacionam cada achado da “ciência do cérebro” e da ciência pré-natal para analisar o que se passou com o rapaz. Elas mostram que ele é uma entre milhares de pessoas com as mesmas histórias de gravidez descuidada. levantando a situação naquele momento. sintetizaram: • • A cada minuto. cometeu assassinato completamente não planejado e impulsivo.4% o cuidado é pobre em qualidade. eram americanas.1% são julgados medíocre. com menos de um ano. A história de Jeffrey e a de outros são histórias dos fantasmas dos berçários.1212 que escreveram o livro Ghosts from the Nursery – Tracing the Roots of Violence (Fantasmas do Berçário: Localizando as Raízes da Violência). (KARR-MORSE & WILEY.

B. como a regulação da pressão arterial. e. lógica. nem tampouco uma razão estruturada. e este indivíduo terá problemas de comportamento no futuro. cérebro intermediário. Isto explica como os fatos ocorridos no primeiro ano de vida. planejamento e funções de execução. e córtex. sistema límbico. Quando o ser humano está sob condições de lutar ou fugir. até mesmo não verbais. entre outras coisas. finalmente. Nestas condições extremas são o sistema límbico e o cérebro intermediário que assumem o comando e estas pessoas agem antes de pensar.1213 Anatomicamente. que são funções involuntárias. se isto é crônico. os batimentos cardíacos e a temperatura corporal. cuja parte central é amídala cerebral. Perry descobriu que havia diferenças no sistema límbico e no funcionamento cerebral do indivíduo de comportamento particularmente violento. o córtex onde se dão as funções de cognição. Segundo LeDoux. pois formam um corpo de memórias não racionais. Depois vem o sistema límbico que é a sede dos impulsos e emoções. as experiências. O próximo a se desenvolver é o cérebro intermediário que controla apetite e sono. ela desenvolve mais o sistema límbico do que seu córtex e. permanecem por tanto tempo na vida adulta. os hormônios do estresse dominam e o lado analítico do córtex não funciona. o cérebro é dividido em: medula oblonga (área parecida com uma haste existente na parte inferior do cérebro ligando-o com a coluna vertebral). atingem a amídala. como percebeu Le Doux. 1997) Uma vez que os bebês de menos de dois anos não possuem uma linguagem estruturada. atuantes na vida da pessoa. o hipocampo e o sistema límbico. A medula oblonga é quem controla as funções de manutenção da vida. Quando uma criança tem uma superestimulação por situação de ameaça constante à vida. (KARRMORSE e WILEY. as . o sistema vai desenvolver-se de forma desarmônica. Estas partes se desenvolvem de menos complexas para mais complexas. especialmente os que geraram fortes emoções.

O uso de álcool. em gangues em luta. a outra baixa. No caso de Jeffrey. ou se jogam de lugares altos. A serotonina é a chave da modulação do comportamento impulsivo no nível do neocórtex e do cérebro. sua mãe fumou durante a gravidez e era regularmente espancada por seu pai alcoólatra. (LeDOUX apud KARRMORSE e WILEY. a noradrenalina é um hormônio de alarme. observou baixos níveis de serotonina em jovens que praticam suicídio violento. . é alta. existem as conseqüências no cérebro em formação e muitas não são detectáveis. antes dos dois anos de idade. envolvem-se com gangues violentas. O desenvolvimento do sistema nervoso acontece por um complexo processo de migração neuronal que se atém à forma e ao tempo para que se realize de modo correto. quando a noradrenalina. 1997) Outro ponto importante do conhecimento é sobre a serotonina. do Hospital Karolinska. Mas o efeito da serotonina está relacionado com um contrabalanço da adrenalina. usam armas. durante a gestação. (KARR-MORSE e WILEY. em 1987. do sistema de resposta ao perigo. descrita por David Chamberlain. Em 1970. Criminosos com história de violência têm níveis baixos de serotonina. Marie Asberg. abusado. então. o que gera a perpetuação do ciclo de violência. Então. A serotonina é alta durante o sono e baixa na vigília. envolvem-se em estupros. na qual específicas partes do corpo retêm informação de padrões de memória.noradrenalina. além da existência da memória celular. drogas e outras exposições tóxicas. em Estocolmo.1214 experiências emocionais pré-cognitivas continuam a desempenhar papel na vida adulta e o indivíduo não tem consciência associativa sobre o evento. 1997). senão tardiamente. quando uma está presente. Pesquisadores suspeitam que este equilíbrio serotonina-adrenalina é alterado em: no bebê negligenciado. estão envolvidos na lesão dos genes implicados com a regulação serotonina. As duas interagem de forma que. ou em quem sofre violência doméstica.

sem contato com a mãe que teve depressão pós-parto. 1997.. 2001. 2002.. numa situação familiar pobre. McGLOIN et al... com ou sem complicações obstétricas. 54) Quando Jeffrey nasceu. foi encontrada a prevalência de 9% em meninos e de 3. pois o quadro social de “Jeffreys” é grande. WAKSCHLAG et al. 2001. sua cuidadora. 1998. e por orientação médica prescreveram-lhe ritalina (anfetamina). 1999. HODGINS et al. 1999. Se for moderado. RANTAKALLIO et al. (KARR-MORSE e WILEY... mas ao psiquiatra. (RAINE. Algumas estimativas colocam um percentual de 20%. A escola diagnosticou-o.. 1997) Bebês que sofrem estresse gestacional. 1995a) Jeffrey tinha cólicas em bebê e foi de saúde frágil. em 1997.3% em meninas. o portador não irá ao patologista. nos últimos três anos. . 2006. na primeira infância. as células não alcançam a posição que lhes é própria. 2002. Mas Jeffrey não está sozinho em sua situação.. Se isto ocorre de modo extremo o feto é abortado. RÄSÄNEN et al. 1994.. 1997) A história de Jeffrey segue com uma mãe de comportamento instável e um pai ausente. levou alguns segundos para começar a respirar e foi deixado num hospital por seis dias. KUBIČKA et al.. Toda a sua história é contada através da sua avó. 2002. em muitos sentidos. um patologista detectará malformação. BRENNAN et al. (KARRMORSE e WILEY. BARBER et al... (KARR-MORSE e WILEY. Tal diagnóstico. WAKSCHLAG et al. no Canadá. 2006.. 1997) • Aproximadamente 50 crianças foram mortas em escolas de ensino fundamental. p.. têm mais chances de desenvolver comportamento criminal. 1992. RAINE et al. No entanto. (RESTAK apud KARR-MORSE e WILEY. 1999. 2006. FERGUSSON. 1999. KEMPPAINEN et al. KEMPPAINEN et al. PRATT et al. como tendo desordem de atenção. se for brando. como já citado neste trabalho.1215 Se o complexo processo de migração é perturbado por fatores genéticos ou por toxinas. AXINN et al. 2003. estava na proporção de 5% a 6% de crianças entre quatro e seis anos. Ele era cuidado pela avó. Em um estudo em Ontario. com circular de cordão e cianótico. DAVID et al. por Widom.. 1999. em 1988. 1997.

segundo Hart e . e houve um grande aumento no ano em que foi escrito o livro. dificultado por um risco psicosocial. Cohen e Drell. Shelton e Lynn relatam que a qualidade do vínculo precoce afeta as relações para o resto das vidas. em 1995. segundo Trickett e McBride-Changem. 2001a) Cuidadores abusivos provocam alteração na bioquímica cerebral. e o abuso parental ou negligência inclui alteração do desenvolvimento cognitivo. Por exemplo. em áreas relacionadas à capacidade de estabelecer relações de pares. a cada ano. (SCHORE. McLeod e Silva. 1997. Schuenguel e Bakersman-Kranenberg. em 1989. (KARR-MORSE e WILEY. A psiconeurobiologia já tentou explicar como eventos externos podem ter impacto na estrutura intrapsíquica e no desenvolvimento da criança. segundo Osofsky.000 requereram atenção médica. 261) Por outro lado. O abuso na infância é a principal ameaça à saúde mental delas. 2001a) Kalin. 135 mil jovens portam armas diariamente nas escolas. Isto foi associado com dificuldades severas de lidar com estresse. Cicchetti. mas afetará suas relações na vida adulta. como descreveram Carlson. como descrito por van Ijzendoorn. ocorre um padrão desorganizado de vínculo na criança que foi submetida a abuso ou negligência.1216 • • • • • Três milhões de crimes capitais e contravenções são cometidos nas escolas. 5. gerando uma imaturidade do cérebro. 2001a) Há acordo agora que o abuso emocional repetitivo e contínuo está no centro do trauma infantil. Repacholi. Um entre 11 professores relata ter sido atacado na escola. em 1991. em 1995. pois se cria aí um padrão de má-adaptação de saúde mental infantil. 160 mil estudantes deixam de ir à escola por medo. (SCHORE. em 1995. como foi descrito por Schore.000 professores foram atacados e assaltados na escola. em 1996 e em 1997. como descreveu O'Hagan. o uso de opiáceos na mãe e no bebê pode não afetar a vida da criança. e Lyons-Ruth. Barnet e Braunwald. 1997. (SCHORE. em 1999. p. e comportamento dissociativo na vida adulta. em cada mês 1.

segundo Dobbing e Smart em. Tais deficiências orgânicas de vínculo estão claramente associadas com padrões de má adaptação de saúde mental infantil. (SCHORE. serve como uma matriz para a criança ser mal adaptada. em 1999. As disfunções do vínculo têm oferecido modelos neurobiológicos que estão por baixo das psicopatologias precoces.1217 Brassard. o que segue acontecendo depois de adulta. durante a gravidez. em psiquiatria infantil. A desorganização foi descrita por Lyons-Ruth e Jacobvitz. 1995. em 2000. 2001a) . e por Solomon e George. 1974. em 1999. existe o conceito de tendência para aquelas desordens psiquiátricas causadas pela combinação de uma predisposição genético-constitucional e por fatores ambientais ou estressores psicosociais que ativam a vulnerabilidade neurofisiológica inata. no cérebro fetal. em 1999. segundo Glynn. Leonard e Zoeller. em 1999. Outros estudos revelam que altos níveis de corticotrofina liberados pela mãe. afetam negativamente o desenvolvimento do cérebro fetal. Pesquisas atuais estão aprofundando o conhecimento sobre as formas mais severas de perturbações de vínculo e reatividade. no ambiente materno-infantil uterino. e reduzem capacidades pós-natais posteriores para responder a desafios estressantes. levando em conta o fato de que o crescimento do cérebro começa no terceiro trimestre. como descreveu Boris & Zeanah. Boris e Zeanah. detidos quando a criança alcança a maioridade. Um contexto de trauma causado pelas relações primordiais muito cedo. segundo Williams. em 1987. Martz. em 2000. (SCHORE. Pesquisas recentes mostram que os hormônios maternos regulam a expressão de genes no cérebro fetal e as mudanças agudas nestes hormônios induzem as mudanças na expressão do gene. segundo Dowling. Hennessey e Davis. 2001a) Dentro do modelo biopsicossocial. segundo HinshawFuselier. Wadhwa e Sandman.

são somadas na psique que está amadurecendo. descrito por Streissguth et al. a longo prazo. como observado por Field. A tensão que regula sistemas que integram mente e corpo é . mas também em pobre capacidade interativa infantil. tais exposições alteram o desenvolvimento do cérebro da criança. pois isto não se expressa apenas na pré-maturidade e baixo peso ao nascimento. refletem uma demora no desenvolvimento do cérebro pós-natal. 2001a) Estes princípios sugerem que os cuidadores induzem a traumas qualitativa e quantitativamente mais potencialmente psicopatogênicos do que qualquer outro estressor social ou físico (à parte os que diretamente afetam o cérebro em desenvolvimento). a álcool. em 1997. em 1997.. segundo Glover.1218 Dados indicam que certos estímulos maternos que provocam impacto negativo no eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA) do feto produzem uma vulnerabilidade neurofisiológica duradoura. em 1994. em 1978. em 1996. e a tabaco. Sandman et al. em 1977. como descrito por Fergusson. de quem deveria prover segurança. e até mesmo com o abuso físico da criança prematura.. em 1997. o vínculo fica comprometido e as conseqüências. em parte. Kaufman e Glisky. em 1994. à droga. Woodward e Horwood. Em um organismo imaturo pouco desenvolvido e contendo capacidades restritas. Quando. Estas limitações de responsabilidade social podem ser alinhadas com a evitação parental ou rejeição. segundo Espy. 2001a) Durante a gravidez há evidência convincente dos efeitos prejudiciais duradouros que a exposição.. (SCHORE. e Weinstock. como visto por Aitken e Trevarthen. Estes fatores de risco. o cuidador primário é a fonte de regulação da tensão da criança e do senso de segurança. (SCHORE. como descrito por Hunter et al. em 1996. em 1998... advém perigo. em 1999 e Jacobson et al. pelo que observou Huppi et al.

Koolhaas e Korf. em 1999. Considera também sobre os prejuízos de trauma induzido no sistema regulador do córtex na área órbito-frontal. segundo Talamini. segundo Brack. 1994. a etiologia de dissociação com o corpo e sua psicopatologia. que acarreta em criança mal adaptada e. A segurança primária é uma defesa primitiva contra o trauma induzido. posteriormente.. em 2000. Toda uma outra psicobiologia cerebral se . e Card. (SCHORE. 1999.1219 fruto do desenvolvimento de circuitos do sistema límbico-autonômico. 2001a) Em seguida. segundo Rinaman. Luiten. Traça as ligações entre deficiência orgânica órbito-frontais e uma predisposição pós-traumática que dão ênfase a desordens. 2001a. saúde mental do adulto profundamente afetada. Os resultados das pesquisas sugerem conexões diretas entre vínculo traumático e função reguladora do hemisfério direito ineficiente. (SCHORE. (SCHORE. afetam áreas de associação límbicas e de comportamento social. Tais eventos justificam a criação de modelos de intervenção precoce. Este autor expõe a neurobiologia da defesa de dissociação. Sullivan e Gratton. como já demonstrado por Schore. Schore faz considerações sobre o impacto negativo dos vínculos traumáticos no desenvolvimento cerebral e na saúde mental infantil. 2000. Levitt. e a neurobiologia do trauma infantil. 2001a) A literatura de neuropsicobiologia sublinha um achado central: a maturação do cérebro da criança é uma experiência dependente do vínculo com seu cuidador. a neuropsicologia de um padrão de vínculo desorganizado. em 2000. e que interrupções precoces. os efeitos de trauma relacional precoce duradouro no funcionamento do hemisfério direito. especificamente do desenvolvimento cortical. o que se manifesta na maioridade. associado a abuso e negligência. 1995) Recente pesquisa revelou que as bases perinatais de angústia conduzem a um embotamento da resposta no córtex pré-frontal direito. Koch. PERRY et al.

Se a ciência do cérebro é nova. processada pelo sistema límbico em um período crítico do crescimento. que tem como função ser mediador entre o id (impulsos instintivos) e a realidade. afirmam que episódios prolongados e freqüentes de intensa desregulação interativa nas crianças causam efeitos devastadores na capacidade de confiar. o qual está em . Meltzoff e Kuhl. em 1999. em 1992. entendido por ele como parte da organização superior do aparelho mental. ao invés de vínculo. Estes circuitos límbicos se expressam particularmente dentro do hemisfério direito. Isto não tem sido objeto de informação pela mídia. nos primeiros anos de vida. segundo Mesulam. em 1998. caso. ela é prolífica em achados e os efeitos de novas experiências em desenvolvimento de cérebro foram bem atestados. mente e corpo. por Bruer. e por Gopnik. ou a perda do amor deste ser pelo indivíduo. que alteram a maturação contínua de cérebro. envolvem perda ou separação do ser amado. não obstante as descobertas serem muitas e em vários países. 1976b) A explosão atual de estudos pertinentes ao problema do trauma. segundo Anders & Zeanah. por exemplo. em 1984. em 1996. nem na literatura atual. mas possuem uma característica comum. como Gaensbauer e Siegel descreveram. em 1999. Experiências traumáticas nos primeiros anos de vida são de grande importância na vida ulterior. segundo Joseph. ocorra ameaça à segurança pessoal da criança. Este sistema é o local de mudanças associadas com a modificação do comportamento ligado ao vínculo. Ele também acreditava que os perigos internos modificam-se com os períodos da vida. É esclarecedor o fato de que a desregulação experimentada conduz a um vínculo inseguro e ativa uma caótica alteração da emoção. 2001a) Freud já havia notado que a dor física é uma experiência que esvazia o ego. (SCHORE.1220 desenvolverá nos dois primeiros anos de vida. e está centralmente envolvido com a capacidade de adaptação rápida à variação ambiental e com a conseqüente organização de nova aprendizagem. (FREUD. e Tucker.

e por Schore. Steele e C. durante sua infância e a afetividade da vida sexual adulta era extremamente pobre. (PRESCOTT. pois este hemisfério é especializado no processo de informações sócio-emocionais e em estados corporais. segundo Wittling e Schweiger. quase sem exceção.B. em 1999 – e para a criação do armazenamento de um modelo articulado interno da relação de vínculo. (SCHORE. e também por Siegel. (SCHORE. 1975) O National Institute of Research (NINR) (Instituto Nacional de Assistência à Pesquisa) atua nas áreas biomédicas. O amadurecimento precoce do córtex cerebral direito é importante para funções de vínculo – como descrito por Henry. 2001a) O trauma precoce altera o desenvolvimento do cérebro direito. um prejuízo duradouro durante o período do desenvolvimento deste sistema seria expresso por uma severa limitação da atividade essencial do controle de hemisfério direito. segundo Schore descreveu. Steele notou que. 2001a) Um estudo foi feito por Brandt F. Assim sendo. em 1994 e em 2000. E o grau de prazer experimentado pelos homens era definido como insatisfatório. de comportamento e de maternidade e tem como foco primário a promoção da saúde. Eles concluíram que os pais que abusaram dos filhos tinham sido invariavelmente privados do afeto físico. Pollock. em 1994. eles destinaram US$ 1.2 milhões para pesquisas cujo objetivo era subsidiar seis projetos relacionados à violência. psiquiatras da Universidade do Colorado. em 1993. as mulheres que abusaram de seus filhos nunca haviam experimentado orgasmo. que analisaram o abuso em crianças de três gerações de famílias que abusaram fisicamente de seus filhos. na tentativa . nas funções vitais de apoio à sobrevivência. com ênfase na atenção às populações mais vulneráveis. em 1993. Em 1992. socioeconomicamente.1221 acelerado crescimento nos primeiros dois anos de vida.

no país. pedindo ajuda. e contra a criança. pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. se a mãe está perdendo a paciência com a criança. 23. Muitas vezes. ajudá-la vai melhorar. em 2005. o último ano de que se tem notícia. mostra no quadro abaixo a síntese da violência doméstica a que estão submetidas crianças e adolescentes até 19 anos. nos primeiros meses de vida. 2004) No Brasil. da Universidade de São Paulo (USP). (UNICEF. segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). neste caso.5%.1 milhões têm idade de zero a seis anos. deprimido. Neste levantamento. como contra o nascimento. 2004) Podem ser considerados como fatores predisponentes à violência na vida futura: se. 2006a) Segundo dados das estimativas do UNICEF: 600 mil crianças no Brasil. em 2000 sofreram exploração sexual e comercialização infantil.11% das causas de morte de crianças entre um e seis anos. dos 61 milhões de crianças e adolescentes. neste caso. se forem consideradas as idades menores de sete anos. foram pesquisados 16 estados e o Distrito Federal. acidentes e agressões são as principais causas de morte em crianças de um a seis anos. No ano de 2003. o mais recente disponível. (UNICEF.2% das notificações. Portanto. O Laboratório de Estudos da Criança (Lacri). pois a mãe que se sente apoiada torna-se mais paciente – o suporte do grupo social é muito importante para evitar depressão ou irritação maternas. (VERNY e WEINTRAUB. E.1222 de prevenir o abuso infantil. o relatório aponta estes números como sendo “a ponta do iceberg” do problema. o bebê estiver: isolado. este índice chega a 32. que pode afetar desde o abuso contra grávidas. Na época a população era de . de 2000. as visitas de enfermeiras e assistentes sociais demonstram ter impacto positivo. 2006d) No Brasil. (PRESCOTT. A mais comum é a negligência que corresponde a 40. estas mortes correspondiam a 21.

4 milhões de habitantes e 200 mil crianças e.421. nas Filipinas são 100 mil e 82. se compararmos com a população. na mesma época. depois os Estados Unidos. educação especial.013 bilhões de habitantes.1223 169.841. mortalidade infantil.906 habitantes. país que. gastos com abuso de criança e suas conseqüências foi feita por Robert A.590. . cuidado adotivo. (UNICEF apud SANDERSON. nesta lista dantesca. Estes custos incluem os associados a bebês de baixo peso. Uma análise do nível dos custos dos estados associados. tinha 61. Os demais países de uma longa lista estão abaixo de 100 mil crianças. naquele ano. mas também em pontos percentuais. Estes custos foram comparados com os custos que provêem prevenção de abuso de criança com intervenções de auxílio em vários momentos. que possuíam. Caldweel. Os custos anuais de abuso de criança ficaram em torno de US$ 823 milhões.518 de habitantes. Ao Brasil se segue a Índia com 450 mil crianças. em 2000. Isto faz o país ocupar o primeiro lugar. tinha 1. com auxílio do Michigan Children’s Trust Fund (Fundo de Proteção para as Crianças de Michigan). 2005) Gráfico 3: Violência Infantil no Mundo. 300 mil crianças entre 281. e em seguida a Tailândia que.693 habitantes. não somente em números. serviço protetor.

Na realidade. os quais ficaram orçados em anuais US$ 43 milhões. o fato de que nem toda reclamação é examinada ou substanciada. Turbett e O'Tool. em 1983. Wilson. Newberger. em programas para estes aspectos. há larga variabilidade em estimativas da incidência de abuso de criança.1224 criminalidade juvenil e serviços psicológicos. segundo Daro. Também há o envolvimento com o sistema de justiça juvenil. Porém. Neste trabalho. segundo observaram Hampton. em 1988. em 1983. Schutte. Mas existem outros custos. (CALDWELL. Alguns custos parecem diretamente relacionados ao abuso. A economia para o estado ocorreria na proporção de 19 a um de custo para a prevenção. em 1983. Thomas. fatores como a filosofia do Serviço de Proteção local (PS). é preciso ter cuidado para não confundir o relatado com o absolutamente preciso. 1992) Os custos do abuso de criança também são muito difíceis de calcular. segundo o Departamento Norte-Americano de Saúde e Serviços Humanos. pois ocorrem fatores imprecisos como os que envolvem os pais. a estimativa provida por tais contas dos funcionários deste setor de casos de abuso substanciados é compreendida como a mais baixa estimativa de incidência atual de abuso de criança. Foram calculados os custos de prevenção. como as remoções de crianças das casas onde sofreram o abuso. Daniel. os relatórios oficiais de casos de abuso de criança substanciados foram usados para medir a incidência de abuso de criança. como informado pelo Departamento de Michigan de Serviços Sociais. (CALDWELL. pois as vítimas têm maior chance de dificuldades na escola. 1992) Há problemas para a obtenção de estimativas claras sobre a questão de conseqüências de abuso. o fato de não haver clareza sobre o incidente familiar abusivo. o nível do pessoal do departamento. em 1982. a quantidade de casos tratados pelo departamento. alguns exemplos incluem os custos de hospital para tratamento médico de danos como resultado de abuso físico e os custos de cuidados adicionais. . Primeiro.

1992) . e problemas de saúde mental. em 1989. mulheres ou pessoas pobres). Embora nem todos os abusados externem estes problemas. Por exemplo. usando medidas econômicas do valor de uma vida. em 1983. de fato. freqüentemente. pois como saber quais contribuições financeiras elas trariam para sociedade no futuro? (CALDWELL. A maior parte das despesas com prevenção e o número de pessoas alcançadas por estas intervenções preventivas são conhecidos. o fato de o custo-benefício da prevenção do abuso ser levantado em dólares. ignorar estes custos seria uma omissão séria da análise do custo de abuso de criança. segundo McCord.1225 segundo Lewis et al. com o rigor metodológico que é exigido para demonstrar a efetividade de um programa que verdadeiramente previne o abuso. Até mesmo quando programas são avaliados. subestima-se o valor de programas que trabalham com segmentos da população que estão em desvantagem salarial (por exemplo. as avaliações faltam. (CALDWELL. 1992) Os custos de prevenção são as partes mais fáceis da equação a ser medida. Contudo. como mostra Deborah Daro. isso permitiria uma declaração definitiva sobre quantos exemplos de abuso de criança foram prevenidos. em 1988. A maioria das intervenções preventivas não são avaliadas e. deve ser tomado o cuidado para não superestimar os custos envolvidos. de certo modo. Quantificar os benefícios de intervenções com crianças em condições financeiras é particularmente difícil.. (CALDWELL. 1992) Além disso. em seu livro Confronting Child Abuse (Confrontando Abuso de Criança). ainda assim. implica que as suposições e técnicas de trabalho e metodologia de custo-benefício padrão dos programas de prevenção contra os tipos mais populares de abuso infantil levam a certas conseqüências. A parte difícil da equação da prevenção é a estimativa de efetividade dela.

entre 1985 e 1990. freqüentemente. segundo relatório do Michigan Children’s Trust Fund (Fundo de Proteção das Crianças de Michigan). enquanto aproximadamente US$ 2 milhões foram gastos em construir infra-estrutura de comunidade para prevenção de abuso.1226 Apesar destas dificuldades. havia 39. . Desta quantia.(CALDWELL.940 casos de abuso de criança no estado do Michigan. Durante o ano fiscal de 1991. Nos 10 anos de sua existência. As estatísticas de Michigan identificam dois tipos de vítimas infantis: crianças para quem abuso foi substanciado e as outras crianças da casa. assim como outros nos Estados Unidos. segundo Daro e McCurdy. tais custos são de competência dos estados. 1992) Em âmbito nacional. Neste mesmo ano. é importante examinar a informação que uma análise de custo benefício provê.5 milhões de crianças sofreram abuso nos EUA em 1990. havia 15. 1992) O Michigan Children’s Trust Fund (Fundo de Proteção para as Crianças de Michigan) foi criado em 1982 com o propósito exclusivo de prevenção de abuso de criança. portanto. em 1991. inclui mais de uma criança. segundo o Centro de Dados de Saúde e Bem-Estar. Os mais recentes números indicam que mais de 2. as medidas levantadas são relativas aos custos somente neles. Pois é necessário levantar custos de programas para que possam ser implementados e a responsabilidade que a sociedade tem com estas crianças faz com que tais programas sejam logo postos em prática. (CALDWELL. Cada caso representa uma família e. No caso do estado do Michigan. segundo relataram Daro e McCurdy.452 crianças envolvidas nos Serviços Protetores (PS) que trabalharam com a questão direta do abuso. Durante 1991. o MCTF gastou mais de US$ 7 milhões em prevenção de abuso de criança e negligência. os relatórios de abuso de criança declarados por agências de serviço sociais aumentaram em 31%. mais de US$ 5 milhões foram gastos em programas diretos de prevenção.

1227 foram abusadas 26. envolvimento de sistema legal. de fato.500 g. tratamento médico. em 1990. em relação ao custo de bebês normais. estes bebês de baixo peso despenderam US$ 255. e o Fundo de Defesa de Crianças. em 1988.080 bebês nascidos durante 1990. segundo o Fundo de Defesa de Crianças. também serão incluídos custos apropriados de prevenção do baixo peso e de mortalidade de criança nos custos de abuso de criança.634 destes bebês fossem de baixo peso.366 destas crianças sendo vítimas de abuso ou negligência. (CALDWELL. Além destes custos.9 milhões. Em Michigan.. segundo o Congresso Norte-Americano e o Escritório de Avaliação de Tecnologia. o Escritório de Avaliação de Tecnologia. 7. cuidado adotivo) e conseqüências a longo prazo de abuso de criança (por exemplo. educação especial. Então. Bebês de baixo peso são os que pesam menos de 2. US$ 22 mil). Considerando o ponto mediano da gama de custo (isto é. em 1992. segundo o Congresso NorteAmericano. rehospitalização dentro do primeiro ano e outros custos de cuidados médicos associados com baixo peso. Com a exceção do cálculo para os custos médicos com danos dos que sofreram abuso. em 1990. entrarem na vida em um estado mais saudável. a maior parte destes dados vem do trabalho de Caldwell. a curto prazo. em 1992. (CALDWELL. 1992) . serviços protetores da criança. É provável que 11. segundo o Departamento de MI de Saúde pública. Estes custos incluem hospitalização de recém-nascidos. serão apresentados dados para custos associados com várias conseqüências. de abuso de criança (por exemplo. em 1988. O custo de um bebê de baixo peso está entre US$14 mil e US$ 30 mil.6% de todos os nascimentos em Michigan eram de bebês de baixo peso. segundo o Centro para o Estudo de Política Social. problemas psicológicos). havia 153. Durante 1989 (o mais recente ano disponível). 1992) Este tipo de programa pode ajudar as crianças a.

em 1990. estado e renda de impostos federais. a renda per capita no estado de Michigan era de US$ 17.937 por pessoa. 1. na ocasião. as crianças morrem. em 1992.585 em salários vitalícios.1 mortes por 1. segundo Daro. O Comitê Nacional para a Prevenção de Abuso de Criança (NCPCA) administra uma pesquisa anual para determinar o número de fatalidades de criança. (CALDWELL.8 milhões. a cada ano. em 1991.000 nascimentos. A contribuição deles para os cofres estatais teria sido de US$ 45. 1992) Em 1989.1228 Sobre morte de criança devido a abuso e mortalidade infantil evitável. aproximadamente. durante o curso de suas vidas. de 33 anos. pelos seus próprios cuidadores. a taxa de mortalidade infantil em Michigan era de 11. em 1990. pois como se mede o valor de uma vida humana? Avaliouse segundo a média de valor levantado em vida no estado. que cada fatalidade de criança. nacionalmente. segundo o Centro para o Estudo de Política Social. Seguindo a mesma lógica. devido a abuso. (CALDWELL. Calculou-se que 16 crianças morreram em Michigan. durante 1990. durante este ano. em 1992. em 1988.080 nascimentos e 1.211 mortes eram diretamente atribuíveis a abuso infantil. devido a abuso infantil. 1992) Além de mortalidade infantil devido a problemas de saúde. Michigan perderia US$ 26. Eles informam que. seguramente. Isto representa uma perda para a economia e por habitante. 745. A participação vitalícia comum na mão-de-obra é. Podemos dizer. Em 1989. calculavam o custo de mortalidade . Usando estes números.669 mortes ao nascimento ou dentro do primeiro ano de vida.6%. de 4. Em 1990. segundo Hoffman. o residente comum de Michigan teria US$ 585. No curso de toda vida. os custos são mais difíceis de calcular. este índice era de 153. O imposto de renda do estado de Michigan era. segundo Daro e McCurdy. resultou em uma pessoa que não ganha acima de meio milhão de dólares. em renda em impostos.

por 7. como de fala. e queimaduras. (CALDWELL. Durante 1991. 22% de crianças abusadas apresentam uma desordem de aprendizagem. 1992) Uma estratégia usada é a colocação destas crianças em casas adotivas. Aplicando esta porcentagem às crianças abusadas de Michigan. a despesa de Serviço de Proteção Total. o custo por serviços de educação especial para vítimas de abuso infantil é de US$ 6.452 crianças. a um custo .101 crianças que ficam em cuidado adotivo. São cerca de 7. 1992) Sobre os custos de serviço protetores.98 milhões. segundo Daro. Como mencionado antes. este trabalho substanciou quase 16 mil casos de abuso de criança.68 meses.46 milhões. (CALDWELL.992 em imposto de perdido. estas 16 mortes valeram ao estado de Michigan US$ 430. eles receberam mais de 100 mil relatórios de abuso de criança e administraram mais de 50 mil investigações. 1992) Quanto aos custos de educação especiais. 844 crianças requerem hospitalização. US$ 4. ossos quebrados. como fraturas de crânio. Durante ano fiscal 1992. Os custos médicos totais devido a abuso de criança seriam então.2% de crianças abusadas requerem hospitalização por danos sérios. Em 1991. (CALDWELL. 1992) Em termos nacionais. o que envolve 39. em 1988. (CALDWELL. em média. aproximadamente 3. 50% de crianças abusadas têm dificuldade na escola. Para o estado do Michigan. foi de US$ 37. a permanência comum em hospitalização levou a um custo anual de US$ 4. na área de abuso de criança. envenenamento. danos internos.1229 infantil.9 milhões. anualmente. 50% de crianças abusadas têm problemas sócio-emocionais.64 milhões. Aproximadamente 30% de crianças abusadas têm algum tipo de prejuízo cognitivo. aproximadamente 14% de crianças abusadas exibem auto-mutilação ou outro comportamento auto-destrutivo.

durante 1990. há poucos estudos que examinam a ajuda formal do sistema de saúde mental. 1992) Em alguns estudos. um estudo feito por Scott. quase 80% de todos os ofensores juvenis informam uma história de abuso em criança ou negligência. vários estudos foram feitos para examinar a relação entre a delinqüência juvenil e o encarceramento de adulto posterior. McCord. (CALDWELL. estudou as conseqüências. (CALDWELL. Por exemplo. (CALDWELL.357 por criança. Michigan gastou US$ 74 milhões em colocação de cuidado adotivo para crianças afetadas por abuso. envolvidas em comportamento delinqüente juvenil. baseada em cálculos complexos.65 milhões. Porém. Há pelo menos três sistemas diferentes envolvidos com crime juvenil: a polícia. durante 1991. entre vítimas de abuso. em 1983. Lewis et al. do que os que . 20% de crianças abusadas estavam condenadas por crime juvenil sério. É predito que 1. de US$ 174. A estimativa. 1992) Durante o ano de 1970. verificou que as vítimas de abuso sexual na infância têm quase quatro vezes mais possibilidades de desenvolver desordem psiquiátrica. Enquanto nenhuma estimativa de custo estava disponível para os primeiros dois sistemas. provindos do abuso infantil. o cumprimento comum de encarceramento em instalações residenciais juvenis era de 15 meses. é de que a criminalidade do adulto gerou custos a Michigan. em 1992. em 1989.996 das 39.452 crianças do Michigan de casas abusivas virão a se tornar adultos que vão para o sistema de justiça criminal. aproximadamente. de abuso infantil e de negligência e observou que.. depois de uma revisão da literatura pertinente. É difícil calcular o custo deste envolvimento. O estado de Michigan gasta US$ 207 milhões anuais para encarcerar as crianças de lares abusivos.1230 mensal de US$ 1. 1992) Embora haja ampla documentação de que abuso de criança é associado com níveis mais altos de desajustamento psicológico. os tribunais e a casa de correção. também concluiu que 20% era um número razoável. a longo prazo.

em Michigan. de tratamentos pré-natais inadequados e abuso de criança. (CALDWELL. Programas de prevenção de abuso sexuais que ensinam às crianças habilidades auto-protetoras são o tipo mais popular de programa nesta categoria. os programas de visita a casas familiares eram muito caros (US$ 324 por família. 1992) Existem programas pré-natais de visitas familiares. 1992) . Se as suposições sobre o uso destes serviços são corretas.1231 não sofrem abusos. durante um ano. 1992) Em média. (CALDWELL. entre 1987 e 1988. de educação de pais e de intervenções para deixar a criança menos vulneráveis ao abuso. crescimento da criança. (CALDWELL. seguidos do programa de educação de pai (US$ 253 por família. (CALDWELL. a curto prazo. de companhias privadas de seguro e de fundos pessoais. o tratamento psicológico para vítimas de abuso de criança. a conclusão é que. São projetadas intervenções na criança para que seja menos vulnerável a abuso. se os tratamentos pré-natais fossem adequados e pudessem ser providos e o abuso de criança pudesse ser prevenido. entre 1990 e 1991. pelo MCTF). pelo MCTF). em Michigan. entre 1990 e 1991. Este dinheiro poderia ser economizado ou ser colocado em outros usos. Tais programas devem ter metas educacionais definidas em áreas como gravidez e parto. inclusive dos cofres estatais. custa US$ 16 milhões anuais.14 por criança. 1992) Somando os custos esboçados de rendimentos. Este dinheiro vem de uma variedade de fontes. Os custos totais para estes programas eram de US$ 950 para programa de visita domiciliar programada e US$ 473 para programas de educação de pai. Estes números representam somente parte do custo destes serviços. habilidades de maternidade e paternidade. mais de US$ 823 milhões foram gastos nas conseqüências. pelo MCTF) e intervenção em prol da criança (prevenção de abuso sexual baseada na escola) (US$ 2. porém.

Quando a pessoa percebe que nada pode fazer para escapar de uma ameaça. repetidos maus-tratos na infância ou uma experiência única de quase morte. Healthy Start in Kansas (Princípio Saudável em Kansas) mostraram diminuições significativas nas taxas de abuso de criança. A palavra-chave é “incontrolável”. Alguns pais abusivos tinham um conhecimento deficiente do desenvolvimento da criança. diretor do laboratório de Psicofarmacologia do Centro. O elemento impotência é que dá o efeito subjetivo devastador. uma rede de locais de pesquisa com base em hospitais da Administração dos Veteranos. (CALDWELL. ela é menos devastadora do que se a pessoa se vê impotente perante ela. Não importa se foi incessante terror de combate. onde há grandes concentrações de pessoas que sofrem de PTSD (post-traumatic stress disorder). 1986. Se as pessoas sentem que podem fazer algo na situação. entre certos subgrupos de participantes de programa. e mudanças em incidência de abuso a crianças. Acredita-se que o envolvimento aumentado reduz a probabilidade de abuso de criança no futuro. 1992) Não foram concluídos os programas de avaliação da efetividade em Michigan. tortura. o cérebro começa a mudar. em curto prazo. Toda tensão incontrolável tem efeito biológico. típicas em participantes de programa. 1992) 6 . As experiências colhidas aí também se aplicam às crianças.A Questão do Distúrbio da Tensão Pós-traumática O mais detalhado estudo sobre as causas de mudanças no cérebro tem sido feito no Centro Nacional do Distúrbio da Tensão Pós-Traumática. em Dubowitz. porém os realizados no estado do Kansas. percebem-se algumas mudanças.1232 Nas avaliações de efetividade. (CALDWELL. (KRYSTAK apud GOLEMAN. neste momento. segundo John Krystal. 1995) .

Estas substâncias neuroquímicas mobilizam o corpo para uma emergência e também gravam lembranças com uma força especial. Algumas das mudanças chaves se dão no locus cerulus. no hipotálamo e no locus ceruleus. As mudanças levam a uma supersecreção deste hormônio. hipervigilância. desta vez em combinação com o córtex cerebral. uma estrutura que regula a secreção no cérebro de duas substâncias. o principal hormônio de tensão que o corpo secreta para mobilizar a resposta “lutar-ou-fugir”.1233 O medo que aparece na PTSD ocorre por mudanças nos circuitos límbicos que se concentram na amídala. que secreta endorfinas para amortecer a sensação de dor. fácil irritação e provocação. não representam qualquer ameaça à vida. . em situações que. os quais incluem ansiedade. No PTSD este sistema torna-se hiperreativo. aparentemente. que regula a liberação de CRF. junto com outras estruturas límbicas.. Também este sistema fica hiperativo. mas que. de algum modo. 1995) Outras mudanças ocorrem no circuito que liga o cérebro límbico é a glândula pituitária. disposição para lutar-ou-fugir e indelével codificação de intensas lembranças emocionais. numa emergência. (GOLEMAN. medo. 1995) Um terceiro nível de mudanças ocorre no sistema opiódico do cérebro. Os opióides são produzidos no cérebro e são poderosos agentes entorpecentes. como o hipocampo e o hipotálamo: os circuitos das catecolaminas estendem-se até o córtex. em 1993. são lembretes do trauma original. não existe. chamadas catecolaminas: a adrenalina e a noradrenalina. na verdade. 1995) O locus cerulus e a amídala estão estreitamente ligados. Mudanças nestes circuitos estão na base biológica dos sintomas de PTSD. (KRYSTAL apud GOLEMAN. (NEMEROFF apud GOLEMAN. secretando doses ultra aumentadas de tais substâncias no cérebro. alterando o corpo para uma emergência que. especialmente na amídala. segundo Denis Charney et al. Este circuito neuronal também envolve a amídala.

anualmente. e 4% destas crianças. restabelecer a vida normal. O que quer dizer que. porém no PTSD. segundo relatórios oficiais de abuso ou negligência infantil. Mas o verdadeiro número é muito superior a estimativa de três mil. surgem alguns sintomas como: entorpecimento para certas sensações. em torno de 872 mil destes casos foram confirmados. Cada ano. sofrem de sérios traumas e milhões mais . Ocorre que a amídala está preparada para funcionar como um alarme. em uma estimativa isolada. eles relatam vários casos de PTSD e esta entidade nosológica só foi introduzida em psiquiatria nos anos 80. finalmente. visto que a maioria dos casos nunca são reportados. Ocorre também uma dissociação que incapacita estes pacientes de se lembrar de dias. Além do mais.1234 como o ópio. lembrar os detalhes do trauma. segundo Pitman. segundo. alcançar o senso de segurança. em terceiro. três milhões de crianças foram abusadas. em 1992. lamentar a perda que ele trouxe à pessoa e. (HERMAN apud GOLEMAN. Neste livro. ela reage a qualquer perigo concreto com um aumento intenso de volume de alarme. além do quê eles ficam mais susceptíveis a outras traumatizações. a sensação de estar isolado da vida ou do interesse pelos sentimentos dos outros. seu parente. (GLOVER apud GOLEMAN. Em conseqüência. horas e minutos cruciais do fato traumático. escreveram o livro The Boy who was raised as a dog (O menino que foi educado como um cão). perdem seus pais a cada ano. 1995) Judith Lewis Herman. anedonia (incapacidade de sentir prazer) e um embotamento emocional generalizado. Primeiro. acredita-se que 10 milhões de crianças americanas são expostas à violência doméstica. feitos por agências do governo de proteção à criança e. com idade de 15 anos. traçou quatro etapas para a recuperação de um trauma. na América. Em 2004. 800 mil crianças estão em orfanatos e milhões mais são vítimas de desastres de automóvel. 1995) Bruce Perry e Maia Szalavitz. mais de oito milhões de crianças. em 1990.

ou como for. seja pela violência. Quando a avó está presente na mesma casa. seja pelas conseqüências possíveis de abandono de filhos menores de idade. as crianças neste livro. a mãe já está aposentada e. cuide da “criança dela”. Neste momento. enciumada daquele ser. mas tenho encontrado a existência de uma complexa interação começando na infância. A jovem mãe pensa que seu filho está recebendo amor de mãe. necessariamente. seja pela não competência dos Estados. 2006. amor e cura. de certo modo. casos esses que retratam o que milhões de crianças passam hoje. de graves conseqüências. e elas me dão esperança. que afeta a habilidade para antever escolhas que mais tarde limitam nossa habilidade de tomar as melhores decisões. elas já viveram a privação de contato e. Mas a história se repete: a jovem abandona o bebê com a própria mãe. As causas da gravidez em adolescentes precisam ser atalhadas. e isto acaba por deflagrar uma situação onde acontece o abandono. Pois. uma situação epidêmica.1235 experienciaram problemas menos sérios. 2006) Eu não acredito em na “desculpa do abuso” para o comportamento violento e ofensivo. enquanto mãe e filha (o) habitam o mesmo espaço. têm um filho para que a mãe.) Apesar da dor e do medo. p. Na verdade. portanto.. Com elas aprendi muito sobre perda. perde a mãe. todos perdem. ou de moradia em outro estado. 6) A autora desta tese escolheu três casos deste livro por sua importância e síntese. a velha hierarquia permanece. e muitas outras como elas. . (. a criança. A autora vê que muitas destas jovens que têm filhos adolescentes são da geração em que as mães saíam para trabalhar. (PERRY e SZALAVITZ. ou seja.) Para se entender trauma é necessário entender memória. na maioria das vezes. amor este que ela própria acha que não teve. (PERRY e SZALAVITZ. que. ou a não presteza no cuidado que precisaria ser urgente. se assume a responsabilidade do neto como se fosse mãe. acaba por piorar a ferida da filha e deixa o neto emocionalmente órfão. pensa que assim a filha não será prejudicada. a criança não tem experiência de ter mãe. desta vez. pois a relação que se estabelece com a mãe verdadeira é de irmã mais velha implicante. têm mostrado grande coragem e humanidade. inconscientemente. (.. seja em nome do estudo.

com os autores deste livro e toda a literatura moderna de neurobiologia. esta criança tem sido mudada de orfanato para orfanato. como uma custódia do estado. infelizmente. ela não teve nenhuma ajuda. depois ela foi liberada e colocada em um orfanato. se de um lado parece surreal. 6) A menina estava num serviço de proteção a testemunhas. (PERRY e SZALAVITZ. No hospital. Assim. Em 1992. mais graves as conseqüências. psicologia e psiquiatria infantil demonstram. não é real. 2006. 2006) Sim. É necessário mais cuidado e criatividade para se conseguir que a criança revele e elabore o trauma. visto que o assassino da mãe queria matá-la e ela precisava ser preparada para ir para ao tribunal depor. os médicos recomendaram que ela fosse levada para uma avaliação mental e tratamento. p. deixe-me entender isto novamente. eu acho que tudo é verdade. são idéias comuns vigentes.Traumático) em criança é semelhante a trauma em adulto. Certo? . e não passam de uma invenção. 6) Outra situação demonstra a falta de percepção da dor da criança. Este primeiro caso relatado em The Boy who was raised as a dog é um exemplo da distância de entendimento que a cultura tem sobre sofrimento infantil. Quanto mais cedo o trauma. Quanto mais jovem se é. As idéias de que a criança suporta traumas melhor do que adultos. o fanático religioso David Koresh. a maneira como foi passado. foi cercado por agentes . Depois foi levada para o hospital. Mas. Seu assistente social não achava que ela precisava ver uma profissional de saúde mental. se ela é pequena. sem psicólogo ou psiquiatra. p. (PERRY e SZALAVITZ. Ela ficou sozinha com sua mãe morta. por 11 horas. E os detalhes da experiência da criança nunca foram compartilhados com a família adotiva. da seita Davidiana. Uma criança de três anos foi testemunha de morte. O caso abaixo estava sendo passado a Perry e. é absolutamente real é ainda comum neste estado de civilização em que nos encontramos. de outro. 2006. (PERRY e SZALAVITZ.Sim. Por nove meses. eu disse. ou seja o que for. que Post-Traumatic Stress Disorder (PTSD) (Desordem de Estresse Pós. apesar das recomendações médicas. menor é a possibilidade de elaborar o sofrimento. porque ela está se escondendo. onde trataram do ferimento no pescoço. em seu apartamento.1236 pois a perpetuação deste ciclo de abandono e de se sentir mal-amado é extremamente grave.

um dos guardas me parou na porta. (PERRY e SZALAVITZ. ele disse. o arquétipo da força coerciva do Texas. Seu desenvolvimento deteriorava-se. após a invasão ficaram órfãs. o bebê precisava só ser trocado e alimentado.1237 do FBI. é. Como não foi atendido. você sabe tomar pulso? Eu dirigi sua atenção para uma menina próxima dormindo na cama.) Eu disse a ele: Ok. por total ignorância. A maneira como foi recebido e o que revelou mostram o desconhecimento do que é dor infantil. 62-63) O menino que deu nome ao livro foi uma criança cuja mãe tinha 15 anos. e não conseguia dar suporte para aquela criança que tanto chorava. quando o deixou com sua mãe. em repouso. tinha muitos problemas de saúde e. A avó. Ele não se impressionou com o homem de cabelos longos e calça jeans dizendo que era psiquiatra. o que significava dano severo ao cérebro. Até mesmo depois de eu ter estabelecido que realmente era o Dr. em momentos. Assim. obesa. 2006. pois quando o cerco teve fim. eu repliquei. entendeu de tratar o menino colocando-o numa caixa e de educá-lo como se educa um cachorro. mais adiante. que já eram tratadas de modo abusivo durante a existência da seita. quando ele tinha 11 meses. Ele chamou um serviço de proteção para crianças. Eu disse que se o seu pulso estivesse menos que 100. Quando eu cheguei.. depois de ter ficado internada por muitas semanas. Muitas crianças. eram 80 mortos da seita. Aos dois anos. na sua idade. ele disse”. p. em média. “O pulso da criança está em 160”. A história não foi . um médico de verdade”.. p. entre 70 a 90 batimentos por minuto. de origem desconhecida. que tinha vindo para ajudar as crianças. “Não. com dois meses de idade. Perry. 2006. incluindo 23 crianças. “Tudo o que elas precisam era de um pouco de amor e sair dali o mais rápido possível”. O batimento cardíaco normal numa criança. o menino tinha o diagnóstico de “encefalite estática”. (. num demorado cerco. “Chamem um médico. no Texas. Eu sou um médico”. ele me disse que não gostava de doutores e. eu daria a volta e iria embora para casa. permanentemente. sua face ficou tomada por ansiedade. Perry foi chamado para dar suporte às crianças sobreviventes que estavam sob proteção do estado. Ele curvou-se gentilmente e pegou o pulso da menina e. que terminou em uma grande tragédia. imponente com seu chapéu. disse que essas crianças não precisavam de psiquiatra. (PERRY e SZALAVITZ. O parceiro da avó tinha 60 anos e estava vivendo seu luto. Ele era alto. faleceu. não era capaz de andar ou de dizer qualquer palavra. raramente o homem falava com o bebê. 6) B.

em 1999. cromossomialmente. pois ele nunca tinha tido um filho ou cuidado de uma criança em toda a sua vida. um agradecimento a Perry. ele foi visto por muitos médicos. Os médicos acharam que o problema era de alguma lesão pré-natal ou defeito genético. depois Perry recebeu uma carta dos pais adotivos: aos oito anos. ele foi ter com Perry. que foi o primeiro a escutar sua história e acabou por internar a criança para um cuidado de vários profissionais e. Embora crianças institucionalizadas. Dois anos. Na verdade. o menino mostrava não ter feito nenhum progresso motor. p. C. as conseqüências do abuso sexual na infância já foram estudadas. Justin começara a freqüentar um jardim de infância e começara a ler e escrever. duas semanas depois. (PERRY e SZALAVITZ. B. que não são estimuladas. em 2002. assemelhava-se ao de um paciente com Alzheimer: a circunferência craniana era 2% menor que o normal para sua idade. em 2000. 2006. a criança foi transferida do hospital para a casa dos pais adotivos.1238 bem colhida e ele fez testes com alimentos. e escaneado duas vezes. Perry. Nemeroff. demonstraram o quanto o estresse em idade . Finalmente. Bruce D. além de ter algum retardo mental. também tenham cabeça e cérebros pequenos. Seu cérebro foi escaneado. em 2000 e 2002. comportamental. 6) No campo da neurobiologia. Devido ao pessimismo dos médicos. fisioterapia ou terapia ocupacional e nenhum serviço social domiciliar foi oferecido ao idoso cuidador. Esta foi a maior recuperação de severa negligência acompanhada por Perry. na carta de punho de Justin. a reação ao medo e a atividade elétrica cerebral. Aos cinco anos. Pesquisadores como Danya Glaser. escaneado muitas vezes. apresentou atrofia cortical com aumento dos ventrículos no centro. ia de ônibus para a escola e havia. desenhava. Seis meses depois. nunca foi submetido a uma terapia de fala. ele foi encaminhado para uma família adotiva. utilizando técnicas de neuroimagem e estudos psicofisiológicos que mensuram a função autônoma. Alan Shore. cognitivo ou de fala.

(SANDERSON. como em humanos. Recente evidência sobre redução no volume do cérebro de crianças violentadas e negligenciadas tem sido observada e percebem-se algumas mudanças bioquímicas. serotonina e outros neurotransmissores. tem sido entendido que os estressores da capacidade social são mais prejudiciais. duração e contexto interpessoal do abuso. Abuso de criança é uma potente fonte de estresse e de resposta exaltada às tensões. demonstrando a dependência do processo do neurodesenvolvimento e o ambiente da criança. Ocorre então uma série de influências ambientais no desenvolvimento do cérebro.. os resultados variam devido a diversos fatores. especialmente. Trauma nos primeiros dois anos. catecolaminas. como crônico. em 1998. assim como é afetado por negligência o processo de desenvolvimento do . segundo Sirven e Glasser. como descrito por Sgoifo et al. no eixo hipotálamopituitário-suprarenal (HPA – sigla em inglês) e em outros eixos neuroendócrinos e no funcionamento neuropsíquico. inerentes em nossa cultura.1239 precoce pode ativar mudanças significativas no desenvolvimento cerebral. 2001a) Não há nenhuma síndrome de pós-abuso. SCHORE chama estes de “traumas relacionais”. (SCHORE. Os mecanismos que provocam estas mudanças são menos claramente compreendidos e podem ser relacionados tanto para abuso em idade precoce. tanto em modelos animais. Hoje se entende que os efeitos cerebrais de abuso e negligência levam a uma desregulação no cérebro dos eixos hipotálamopituitário-adrenal. parassimpático e das respostas das catecolaminas. Tais pesquisas são concordes em que. funcionais e estruturais no cérebro. como também a natureza de intervenção posterior. inclusive natureza. 2005) Tem sido relatado que trauma sexual e abuso na infância podem ser as formas mais comumente encontradas. Porém. como em qualquer período de vida. pode ser infligido no indivíduo pelo ambiente físico ou interpessoal. o estresse excessivo determina alteração do sistema neuroendócrino. em 1999.

Alterações no sistema hipotalâmico eram aparentes. foi associado com respostas emocionais como ansiedade e depressão.1240 cérebro. um sistema de resposta para tensões críticas no mamífero. depois de vários meses. 2000) Foi realizado um estudo com ratos para ver o efeito na bioquímica cerebral. assim como alterações no sistema nervoso autônomo e no sistema imune. Especificamente. previamente isolados por seis horas.. 1996) O funcionamento anormal do eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA). diariamente. Foi feita uma revisão que examina a evidência sobre a desregulação do eixo HPA. se comparados a controles. 2004) . Concluiu-se que o abuso à criança pode conduzir a rompimentos do funcionamento do eixo HPA e os fatores que influenciam são a idade do abuso. reagiam. Além disso. ratos adultos masculinos. (GLASER. relacionado-o com abuso sexual na infância. como agressão. aprendizagem. A importância da intervenção cedo e da atenção para a cronicidade da adversidade ambiental pode indicar a necessidade de cuidadores alternativos permanentes para preservar o desenvolvimento das crianças mais vulneráveis. tipo de abuso e tipo de psicopatologia ou perturbação de comportamento influenciando na relação dos pais com filhos. de maneira distinta a um choque. responsabilidade parental. bioquimicamente. (LADD et al. como também com processos de comportamento e cognitivos. (VAN VOORHEES e SCARPA. diante do afastamento da mãe. em concentrações imunoreativas. de dois a 20 pós-natais. déficits de memória e inibição de resposta. provavelmente associadas com alterações persistentes nas respostas de comportamento dos ratos adultos. Havia também alterações no sistema nervoso central e pituitário. exposição subseqüente a estressores. Evidenciou-se alterações endócrino-neuronais. ratos privados de contato materno exibiram um aumento de 125%. em período de amamentação.

segundo Williams descreveu. principalmente pela ambigüidade do fato que é amoroso. então. por sua experiência própria. e mesmo sobreviventes adultos (33%). fundamentais para a memória declarativa. e armazenar evento abusivo. (SANDERSON. pelo fato de ainda estar na fase pré-verbal. A criança pequena ainda está desenvolvendo os seus esquemas. Esta estrutura não se torna madura antes dos três ou quatro anos de idade. composto por um sistema de núcleos cerebrais (centros neurais) interligados que desempenham papel central na regulação das emoções e da memória. como sentimentos ligados a medo e condicionamentos relativos a medo e respostas agressivas. Além disto. no lobo temporal. comparando-os com informações anteriormente armazenadas ou esquemas. não têm lembrança ou a têm parcialmente. em razão dos níveis de estresse associados à . Os traumas experimentados por crianças pequenas serão lembrados de um modo diferente do trauma experimentado na idade adulta. nocivo. tanto a experiência. não podem ser totalmente processados. porém. O abuso sexual precoce pode perturbar a maturação saudável do cérebro e. se a criança é incapaz de conversar sobre a experiência. do sistema límbico. particularmente. Se uma criança é incapaz de dar um nome a algo. em particular. ambos situados abaixo do córtex. o hipocampo e as amídalas. 2005) As amídalas são essenciais para a criação do conteúdo emocional da memória. E este é o motivo pelo qual as crianças pequenas. (SANDERSON. em 1992. como o evento. O hipocampo é importante na formação e na recuperação de lembranças verbais e emocionais. sendo incapaz de comparar.1241 No abuso sexual na infância. A linguagem também é importante para a memória declarativa porque o sistema requer palavras para funcionar de maneira eficaz. fica difícil armazenar a informação. a principal área lesada é o sistema límbico. como ocorre no caso do abuso sexual. 2005) É o hipocampo quem avalia e classifica eventos recebidos.

afetando a interação da criança com outras pessoas. armazenamento. em 1994. chamou de “falha de mentalização”. 2005) . Os efeitos cognitivos se fazem notar. nas terapias. (SANDERSON. outros só vão se externalizar na vida adulta. sob a forma de depressão.traumatic stress disorder – PTSD). Além disto. a criança que apresenta um alto nível de ansiedade o qual em qualquer momento da vida pode ser reencenado. 2005) De fato. pois inibe a auto-representação unificada e cria descontinuidade no desenvolvimento do eu da criança. distúrbios dissociativos e distúrbios dismórficos do corpo. Alguns destes problemas se manifestam logo na infância. em 2002.1242 sexualização prematura. (SANDERSON. abuso de drogas. (SANDERSON. fundamentais em processos como lutar. gerando doenças relacionadas ao estresse. Pesquisas mostram que uma exposição prolongada ou excessiva a glicocorticóides leva a um dano ou atrofia do hipocampo. como glicocorticóides. fugir ou paralisar. assim como o desenvolvimento psicológico pode ser afetado na formação. porém. distúrbios de personalidade limítrofe. o estresse leva à secreção de hormônios suprarenais. 2005) A ativação repetida do eixo hipotálamo-pituitário-supra-renal (HPA) pode lesar outros órgãos. Quando a ansiedade interna se combina com a interrupção no funcionamento cognitivo. auto-mutilação. a criança fica impedida de desenvolver um sentido organizado do eu. O impacto das respostas ao estresse cria problemas na regulação e na modulação das emoções. segundo van der Kolk descreveu. uma verdadeira reprogramação para que se obtenha sucesso terapêutico. consolidação e recuperação da memória. A isto Fonagy. causando transtorno do déficit de atenção. Isto pode exigir. hiperatividade anti-social e distúrbio de personalidade anti-social. 2005) O abuso sexual infantil tem sido visto como distúrbio de estresse pós-traumático (post. (SANDERSON.

o eixo HPA. A conseqüência disto é a redução do tamanho das proporções médias do corpo caloso. 2005) Programas de estresse induzido do sistema de resposta ao estresse glicocorticóide. e Krystal et al. Burgess et al. o desenvolvimento do cérebro. que afirmaram que o estresse intenso ativa o sistema suprarenal e o cortisol. (SANDERSON. em 1995. em 2000. noradrenérgico.1243 Não foram poucos os autores. desenvolvimento atenuado do neocórtex esquerdo.. Pollack e Sinhá. fugir ou paralisar para sobreviver. como Andersen e Phelps. como na primeira infância. sintomas de déficit de atenção e de distúrbios dismórficos do corpo e abuso de substâncias. o hipocampo. assim como o sistema noradrenérgico. (SANDERSON. na função da memória no hipocampo e nas amídalas. Teicher. durante a primeira infância. depressão. em 1994 e 1998.. e Teicher et al. em 2002. e isto pode interferir no estabelecimento de aspectos da memória. atividade elétrica fronto-temporal anormal e atividade funcional reduzida da parte média do cerebelo. Krystal. sofridos nos três primeiros anos de vida. em 1995 e 1998. que é fundamental para o aprendizado e a memória. proporcionando um quadro neurobiológico que faz com que abusos sexuais e outros. em 2002.. de modo irreversível. 2005) . em 2002. em 1988. em particular. Um estresse grave desencadeia um fenômeno em cascata que pode alterar. em especial. do hipocampo e das amídalas. Tais respostas ao estresse ativam respostas primitivas do tipo lutar. aumentem o risco de distúrbio de estresse pós-traumático. vasopressina-oxitocina aumentam as respostas que geram um impacto na neurogênese de superprodução sináptica e mielínica primária. durante períodos críticos sensíveis. propuseram que os neuropeptídeos e os neurotransmissores liberados durante o estresse afetam os neuromoduladores. LeDoux.

que acaba sendo transmitida transgeracionalmente. em 1999. que são integrados a um sistema unificado. a uma enorme reatividade de corticotropina de longa vida. em 2001. incluindo a violência. como o autismo e inabilidade social. liberando sistemas de fatores e alterações em neurotransmissores. Substratos subjacentes aumentam a vulnerabilidade ao estresse. segundo Forrest. observados em crianças e adultos. deste modo. 1997) A exposição ao estresse grave nos três primeiros anos de vida gera efeitos moleculares e neurobiológicos que agem sobre o desenvolvimento neuronal de tal modo que cria condições de adaptação para que aquela criança venha a sobreviver e se reproduzir num mundo perigoso. o estresse nos três primeiros anos de vida afeta a interação entre criança e seu cuidador. (SANDERSON. diversos autores. induzindo. 2005) O abuso sexual na infância também tem impacto na regulação da emoção. gerando inibições laterais entre subsistemas de autorepresentação conflitantes. porém. 2005) Nemerhof. gerando uma descontinuidade na organização do eu. que podem ser inconscientemente reencenadas. o que pode ser responsável por efeitos de longo prazo.1244 A oxitocina e a vasopressina têm importante função nos padrões de regulações em complexos comportamentos sociais e estão ligadas à fisiologia do vínculo e presentes na patofisiologia de desordens. integralmente envolvidos na regulação do estresse e da emoção. Assim o impacto do abuso sexual nas crianças está sendo visto cada vez mais como seguindo o modelo do distúrbio de estresse pós-traumático. à depressão e à ansiedade. Tal falha resulta em catastróficas ansiedades internas na criança. declarou que o estresse precoce resulta na persistente sensibilização dos circuitos do sistema nervoso central. perceberam a similaridade . que foi originalmente descrito para diagnosticar conseqüências de trauma de guerra. (INSEL. O aumento da resposta ao estresse faz com que o sistema regulatório emocional seja afetado. (SANDERSON.

b) sonhos recorrentes em que aparece o trauma. três dos seguintes itens: a) fuga de sentimentos ou de pensamentos associados ao trauma. d) interesse diminuído em atividades significativas. 2005. Alpern e Repacholi. Fuga persistente de estímulos associados ao trauma. Finkelhor. e) reação de susto exagerada. Danaldson e Gardner. como indicado por dois dos seguintes fatores: a) dificuldade para pegar no sono ou para dormir. 4. (SANDERSON. e) sentimentos de desapego ou de estranhamento em relação aos outros. incluindo adormecimentos de resposta. em 1993. (APA apud SANDERSON. como Benedek. em 1985. Uma persistente re-experimentação do evento traumático por meio de: a) lembranças recorrentes e intrusivas. (SANDERSON. Courtois. ou à de uma pessoa a quem ela é apegada. e f) reação fisiológica quando exposto a acontecimentos que simbolizam aspectos do evento traumático ou que são semelhantes a ele. e d) sofrimento diante da exposição a traumas que simbolizam o evento traumático ou que se assemelham a ele. em 1985. dissociação e flashbacks. Lindberg e Distad.1245 de efeitos das duas nosologias. Goodwin. 2. Na realidade. c) amnésia psicológica. como indicado por. b) fuga de atividades ou situações que provocam a lembrança do trauma. segundo Lyons-Ruth. 2001a) . p. dependente de experimentação nas áreas órbito-frontal do córtex. incluindo ilusões. c) dificuldade de concentração. (SCHORE. como uma séria ameaça à vida de uma pessoa ou à sua integridade física. b) irritabilidade ou ataques de raiva. c) sentimentos súbitos de que o evento é recorrente. em 1986. em 1985. A experiência de um evento traumático que geraria sintomas de sofrimento na maioria dos indivíduos. Gil. 2005) Para se fazer o diagnóstico. e é usualmente experimentado com medo intenso. e g) perspectiva de futuro diminuída. 187 a 189) Pesquisas documentam que a desorganização em crianças de 12 a 18 meses está ligada às estratégias de vínculo. terror e impotência. em 1988. em 1985. este intervalo é um período crítico para a maturação. d) hipervigilância. em 1988. 3. f) leque restrito de afeto (emoção) como a incapacidade de experimentar sentimentos de amor. Eth e Pynoos. Persistentes sintomas de excitação aumentada. alguns dos critérios precisam estar presentes: 1. alucinações. pelo menos. em 1985. 2005) A síndrome de estresse pós-traumático caracteriza-se por: o desenvolvimento de sintomas típicos subseqüentes a um evento psicologicamente estressante que está fora do leque de experiências usuais humanas que seriam motivo de sofrimento para praticamente qualquer pessoa.

cuja regulação fica afetada. O estresse da separação da mãe é tal que ativa o eixo hipotálamo-pituitário-adrenal.1246 Perry et al. às funções do cérebro mediano. em 1995. em 1996. A simples colocação de crianças nos centros de cuidado. Estas crianças acabam por desenvolver insegurança. Laçasse e Bachsbaum. em 2000. empatia. 2001a) Mas não somente o abuso causa isto. Estas e muitas outras funções são mediadas pelas áreas fronto-límbicas do córtex e. fornece relatos de que as crianças que sofreram abuso físico e sexual cedo apresentam anormalidades de EEG em área fronto-temporal e regiões de cérebro anteriores. chegando. como creches. na criança. tem o mesmo efeito. 1997 e 2000. Teicher conclui que aquela tensão altera o desenvolvimento do córtex pré-frontal e impede que uma capacidade completa de adulto seja alcançada. o desenvolvimento disto significa empatia lesada. Stoddard. 2001) A organização pós-natal do cérebro tem um padrão bem específico e sua progressão pós-natal reúne os circuitos límbico-autonômicos. fatores genéticos se expressam numa superprodução inicial de sinapses. mostraram que ambientes traumáticos na vida precocemente induzem a padrões atípicos de atividade neural. por causa da deficiência orgânica nelas. durante o dia. (BRANDTJEN e VERNY.. na faixa etária precoce. Bihrle. evitação de vínculo ou desordens da capacidade de formação de vínculo. especialmente . Meloy. segundo Rinaman. segundo Schore. acelerando os hormônios de luta-fuga e. Teicher. córtex pré-frontal alterado e vínculo desorganizado. e pode ser alterado. Isto é seguido por um processo dirigido pelo meio que mantém a organização das conexões sinápticas e a organização de circuitos funcionais. em 1994. interferindo na organização de áreas cortico-límbicas. que são funções de vínculo. Este processo de organização genético-ambiental de uma região do cérebro é dependente de energia. em particular. as perturbações afetivas são um carimbo do trauma precoce. Durante um período crítico de crescimento de regiões cerebrais. (SCHORE.

em larga escala. por Schinder. os adultos não tinham consciência e elas sempre permaneceram não vistas. em 1993. os quais agem. em 1997. em 1993. contribuindo nas alterações de lateralização cerebral. e tal prática só começou a diminuir na Idade Média. Thomas. (SCHORE.. como são exemplo as mutações e efeitos ambientais de toxinas. em 1996.. até porque. e como um fator de vulnerabilidade na etiologia de desordens do neurodesenvolvimento. e estas excito-toxinas podem destruir neurônios na região orbito-frontal. segundo Dias et al. 2005) . em 1997. tem sido invocada para compreender a expressão imprecisa. no córtex pré-frontal. Gangestad. O estresse aumenta a excitação de aminoácidos. como indutores de instabilidade de desenvolvimento. amadas e cuidadas de um modo como nunca aconteceu na humanidade. (GRILLE. em 1996. como foi observado por Bowling. Shaw e Repa. do desenvolvimento. mesmo antes da Idade do Gelo. no plano genético. Na verdade. nas sociedades primitivas era praticado o infanticídio em escala de 15% a 50%. Mutisua. Price. no século IV d. C. segundo Yeo et al. inclusive o ADN mitocondrial. como o glutamato. segundo Yeo. (GRILLE. (SCHORE. descrita por Moller e Fralde. 2001a) Sabe-se que a tensão do estresse causa oxidação que danifica estruturas lipídicas. A construção de instabilidade no desenvolvimento. Spitzer e Montal. Olson. 2005) Em antigas culturas. Walker.1247 durante o crítico período de crescimento. crianças eram escravas sexuais. Assim. e por Schore. Alan Schore sugere o que chama de fatores psicotóxicos. em 1996. em 1997. segundo Moghaddam. Cork e Beal.. protéicas e de ADN. o que a Ciência do Início da Vida propõe é que as crianças sejam desejadas. em 1997. 2001a) 7 – Dados de Psico-História O que esta nova ciência vem ensinando abre um novo entendimento da trajetória do ser humano. segundo Liu et al. dentro do contexto de traumas relacionais precoces.

matavam gêmeos ao nascer. e mesmo na Grécia ou Roma Antigas. O assassinato naquele país sofreu um aumento. Cartagineses. a castração de meninos não era rara. em terras germânicas. Maias. (De MAUSE. (GUERRERO. na Nigéria.1248 Estudos antropológicos feitos por De Mouse revelaram que a prática de infanticídio realizada em Papua. Knossos. entre alguns nativos da América do Norte. assassinavam crianças. Overpeck et al. na Nigéria. Considera-se mais provável que seja um filho primogênito. Entre vários povos: os Ijaw. entre árabes pré-islâmicos isso era comum. na Idade Média. 1999). 95% nasceu em hospital. na Índia. no Zimbabwe. na Polinésia. 2005) O filicídio.. entre 1983 e 1991. em Bali. a tribo brasileira dos Yanomami. atribuem a esta causa 1/3 das mortes dos bebês. GRILLE. na China.776 homicídios de menores de um ano. na dinastia do século XVIII. Astecas. Esta prática parou só com a reforma Luterana. era direito do pai matar a “filha desonrada”. os castrados usados em . 2001. era praticada pelas próprias mães. quando se identificaram 2. (GRILLE. na França foi a intervenção da Igreja que proibiu as práticas de abandono e abuso sexual nas crianças. assim como na Roma Antiga. Fenícios. durante guerras. 2005) Mutilações. no Antigo Egito. na Itália e. China. ainda hoje. e também no Hawai. da Nova Guiné. 2006) Em muitas culturas. até hoje. 5% dos quais ocorrido no primeiro dia de vida. Stonehenge (celtas). Mupuche (no Chile). o infanticídio era prática religiosa: Hebreus Antigos. Spartanos. no Tahiti. Incas. é praticado. (DeMAUSE. no século XII. crianças ilegítimas eram mortas ou abandonadas. até o século VIII. e nos primeiros dias de vida. prematuro. estudando filicídio nos Estados Unidos. tal prática estava associada a rituais. especialmente genitais. mas não apenas: na Polinésia. até mais tarde. em 1998 e 1999. entre Judeus.

Mesopotânios. 1991. (GRILLE. como já diz citação bíblica. 20% a 25 % das crianças eram abandonadas. e no transporte. (GRILLE. as amas de leite pagas existem. mas ainda se pratica. Cartagineses. Já existe referência a este respeito no Código de Hamurabi. (DeMAUSE. nos países nórdicos. Em muitas ilhas do Pacífico. Em todas as antigas religiões. Na Índia. tanto incesto materno como paterno não eram raros. na China. pela Europa. No século XVIII. Ainda há milhões que são escravos ou estão no comércio sexual ou outros. desde muito. Na verdade. entre molestados sexualmente no mundo. Egípcios. entre os Sumérios. 2005) Até o século XVIII. as cifras são de uma a cada quatro crianças. em 1992. em vilas longínquas. a violência sexual contra crianças não era caso para tribunais. Índia. Persas. no hinduísmo. o pediatra inglês William Cadogan ao . viu-se que apenas em nove sociedades as mães amamentavam seus filhos. em torno de 1. sendo 60% meninas e 45% meninos. feito por Dan Raphael. na Grécia Antiga.C. a prática do casamento entre crianças só foi proibida por lei em 1929. em Paris. Celtas. Hoje. Chineses. GRILLE. no islamismo. Tal prática também ocorria em outras cidades européias. era prática recomendável. 2005) Crianças foram escravas e abusadas psicologicamente na civilização hebréia.1249 canto lírico até pouco mais de um século. Na Roma Antiga. Astecas. Indianos.750 a. sendo que 1/3 ocorria na classe média. em Papua Nova Guiné. Na Europa. onde mesmo Platão e Aristóteles advogavam tal prática em pré-púberes. Etruscos. entre os Astecas. Tal mortalidade ocorria em outros países da Europa. 15% delas morriam. por exemplo. mulheres rejeitavam esta forma de intimidade e. na França. Japoneses. que mutilavam a genitália de meninos e meninas. Em um estudo de 57 sociedades. a prática da mutilação genital em crianças foi universal. As amas moravam. até o século XV. 2005) Sobre as amas de leite. às vezes. Desde tempos imemoriais.

no Factory Act (Ato das Fábricas) que limitava o trabalho infantil a 12 horas por dia. raiva e violência. as meninas eram responsabilizadas por seduzir homens adultos. (GRILLE. Também aqui o pediatra William Cadogan se pronunciou contrário à prática. começou a incentivar a prática. no século XIX. na França.1250 observar que as crianças amamentadas por suas mães eram mais saudáveis. no século XVIII. aumento dos níveis de cortisol. na área rural do Japão. gregos. entre os séculos XVI e XVII. 2005) Uma prática universal era a de enfaixar as crianças. Isto aconteceu entre judeus. 2005) Na Renascença. Os pequenos eram imobilizados. em grupos na América. e parece que a legislação não era cumprida. . na Alemanha. duas horas por dia. 2005) No século XIV. e no século XX. e isto continuou por muitos séculos. (GRILLE. queda de oxitocina no organismo – o hormônio do sentimento amoroso –. na França e Itália. romanos. Nesta época. (GRILLE. (GRILLE. na Inglaterra e América. 2005) A idéia de amor de família e de amor materno só surge na literatura. (GRILLE. é suficiente para causar-lhes lesões cerebrais. resulta em retardo motor e social. pela primeira vez foi lei na Inglaterra. mantê-la atada por um prolongado tempo. como múmias. com freqüência. Tal prática aumenta medo. no leste europeu. Em crianças. 2005) A limitação de trabalho. mas a prática da ama de leite só desapareceu no final do século XVIII. 2005) Pesquisas revelam que animais imobilizados desenvolvem úlcera péptica e a imobilização em animais. na Idade Média. (GRILLE. em 1802. a criança era vista como um ser diabólico que precisava ser adestrado para adquirir a forma humana. surgem os manuais que sugerem punições para conseguir efeito “humanizador” sobre as crianças. na Europa.

começa a falar contra a prática de castigos tão fortes. entre 10 e 15 anos. estimava-se que 110 milhões de crianças. 2005) O trabalho escravo foi erradicado pelo Factory Act (Ato das Fábricas) de 1874. começava a pregar o contrário da linha idéia. na Inglaterra. (GRILLE. e as crianças. em seus trabalhos. então. trabalhando. a prática dominante na Europa era o brutal espancamento. em 2002. mesmo assim ainda havia um milhão de jovens. e que precisava ser purificado e posto sob rígidas condições de disciplina. nascidas a partir daí. Por outro lado. Houve uma queda no abandono de crianças. Segundo a The International Labour Organization (Organização Internacional do Trabalho). eram tratadas com mais cuidado. (GRILLE. Nos Estados Unidos o trabalho escravo foi abolido em 1938. a prática dos enemas. ainda trabalhavam sob duras condições no mundo e 25 milhões ainda faziam trabalhos forçados. desde o nascimento até os seus três anos de vida. de que a criança tinha parte com o demônio. que era um ser essencialmente mau. Rousseau começa a dizer que as crianças são boas. Rousseau seguiu acompanhando esta linha. dentro da era Vitoriana. até 1880. observando que as crianças que não eram atadas cresciam mais robustas. mas só foi implementado em 1880 e. a proibição da masturbação. 2005) . começaram as exigências educacionais punitivas.1251 Mesmo no século XVIII. O filósofo John Locke. então dominante. e não somente um ser utilitário. começou-se a notar crianças como seres em desenvolvimento. abaixo de 15 anos. Apesar dos enemas terem virado uma prática em muitos países. pois as crianças precisavam ser rigorosamente adestradas e limpas. o requinte de aparelhos e substâncias. Cadogan escreveu um artigo que era um ensaio de cuidados das crianças. Entra. (DE MAUSE. Neste período. uma outra visão começava a surgir e Rousseau. uma idéia nova a surgir no século XIX. 2006a) Quando o casamento arranjado acabou na Europa passou a existir uma centelha de amor nos lares.

e só em 1895 é que surgiu.1252 O vitorianismo chegava a fazer vítimas mortais na tentativa de controlar a genitália infantil. Claro que tanta preocupação tinha uma contrapartida que era a prática de abuso sexual em crianças pequenas. (GRILLE. Só em 1969. Os primeiros playgrounds urbanos aparecerem em 1885. entre 1865 e 1870. podia ser molestada sem problemas. o que justificou. em cada grande centro europeu era comum. 2005) A Sociedade Protetora dos Animais nasceu primeiro. ainda no século XIX. as Nações Unidas formulam a Declaração dos Direitos Humanos. Muitas crianças morreram de tais práticas na Europa e nos Estado Unidos. aparece o primeiro manual encorajando os pais a participarem da educação dos filhos. portanto. Em 1912 é criado. Em 1989. pois era entendido que uma criança de até cinco anos não podia se lembrar de nada. muito disseminadas. até mesmo. (GRILLE. a Sociedade Protetora das Crianças. por exemplo. mais de 50% das prostitutas não registradas eram crianças. e em 1957. o aparecimento de legislação sobre o assunto. em média. a Convenção de Direitos da Criança passou na Assembléia das Nações . nos Estados Unidos. até então. onde as proibições sobre masturbação só caíram nos anos 50. 2005) Em 1866. pois. como demonstram as leis: só em 1908 na Inglaterra é que o incesto passou a ser considerado delito criminal. um Departamento para Assuntos da Criança. na França. escrito por Gustave Droz. perante a Constituição Americana. a Suprema Corte Americana declarou que a criança era uma “pessoa”. (GRILLE. na França. a mesma entidade produziu a Declaração dos Direitos da Criança. 2005) Em 1948. Mãe e Bebê). A prostituição infantil. os pais tinham direito de proprietários sobre ela. (GRILLE. 2005) A percepção das necessidades das crianças é matéria de estudos recentes. Madame et Bébé (Pai. um prostíbulo tinha 60 crianças em Viena. na Inglaterra. Monsieur.

(GRILLE. necessita. que não fazia mal uma criança chorar por 20 minutos. um dos cinco países onde este tipo de lei existe. . Vínculo não era questão discutida. (GRILLE. Spock orientava que não se deveria dormir junto da criança. por mais de uma década. entendia que a amamentação materna era necessária. segundo ele. que combate a desinformação sobre os benefícios da amamentação materna. em 2004. 2005) A psico-história ensina quatro mensagens: 1 – Cada problema. 2005) Em 1960. (GRILLE. uma organização. primeiro. até hoje. Spock. 2005) O Dr. (GRILLE. e que o medo e a dependência deveriam ser combatidos. exceto os Estados Unidos e a Somália. em cada parte do mundo. Num relatório da OMS.1253 Unidas. embora o leite materno. o grande orientador de diretrizes pediátricas que passaram das fronteiras americanas. sem fins lucrativos. 2005) Em 1956. 2 – Cada povo pode ser guerreiro ou pacífico. e esta visão influenciou gerações. por ofensa imputada a adulto. que foi. e isto ocorre em alguns estados dos Estados Unidos. envolvimento do vínculo no padrão de conduta adulto e na qualidade de saúde da criança. Este documento reconhece que toda criança é livre para pensar e falar e os estados signatários comprometem-se a tomar diretrizes para coibir a exploração sexual e econômica na infância. e isto não é genético. a instituição informa que um milhão de bebês morrem no mundo por amamentação inadequada. John Bowlby desenvolve a Teoria do Vínculo que antecipou conhecimentos sobre imunologia. fosse “fraco”. O documento também estipula que crianças não podem ser condenadas a pena de morte ou prisão perpétua. surge a La Leche League (A Liga do Leite). mas tem base em como as crianças daquele lugar se desenvolveram. de que se saiba como as crianças daquele lugar foram tratadas. Todos os países ratificaram.

em qualquer país ou etnia. (GRILLE. a mortalidade materna chegava a 50%. Estudo feito por Prescott. em apenas uma geração. e criaram leis que proibiam o espancamento de crianças por seus pais. famílias eslavas mudaram estas práticas e começaram a achar os patriarcas obsoletos. (GRILLE. segundo a linhagem paterna. um é o da Yugoslávia. As mulheres não tinham nenhum papel relevante e eram espancadas. Esta história foi levantada por uma jornalista que entrevistou famílias em 300 cidades da Yugoslávia e levou seu material para uma psicanalista. foi também criada em família de rígida estrutura patriarcal. e que moravam juntas nas zadrugas (casa do patriarca). sozinhas. 2005) Os antropólogos John e Shirley McConahy.Um estudo de 300 Cidades Yugoslavas).A Study of 300 Yugoslav Villages (Transição Familiar . Conseqüentemente. alterarem uma sociedade ou cultura.1254 3 – O autoritarismo patriarcal educa. continuasse a viver como se nada houvesse acontecido. Uma nova geração surgiu naquele país e. a predispor crianças a se tornarem adultos dispostos à violência. Vera Stein Erlich. conduziram estudo comparativo de 17 culturas e verificaram que quanto mais rígidos os papéis de gênero. na Croácia. nestas casas. 2005) Dos exemplos recentes. Mas. em 1977. Isto só pode ser feito através da educação das crianças. como casa de cômodo. em algumas partes da Bósnia e da Macedônia. confirmou os mesmo achados. e o parto era ignorado e esperava-se que a mãe. Padrões . que escreveu livro Family Transition . mais violenta era a cultura. onde a geração que foi pivô da guerra dos anos 90. a idéia de bebês como contendo algo do “mal” existia e baniu-se a aceitação de que qualquer criança pudesse ser espancada. Esta família de fortes papéis definidos é também a que tem mais risco de incesto. também intercultural. 4 – Legislação e medidas políticas não podem. as crianças oprimidas. logo após parir. este grupo lidou com o conflito de deposição de seu ditador de forma pacífica. As famílias se agregavam.

há 200 anos. mas negar-lhes sistematicamente. Este tratado foi a Bíblia dos pais por um bom tempo. tal como o Dr. 2005) Sobre a História do Nazismo. de preferência. a mortalidade mais alta da Europa era a da Alemanha e lá havia uma distinta preferência por meninos. chegou a ter 40 edições. por 24 horas. que segundo a historiadora Maria Piers. (GRILLE. Ela advogava que os bebês deveriam ser separados de suas mães. Por volta da virada do século XX. Na Alemanha. e compararam com um grupo que. pois a privação fortalecia o caráter.1255 autoritários familiares levam as políticas autoritárias coletivas em estados. que tinham. mas também a amarrar-lhes nas bocas pano contendo sopa e. posto suas vidas em risco para ajudar famílias judias. mesmo não . aquela geração que foi os braços e pernas de Napoleão. Quando elas estivessem ainda maiores. chamavase Dr. e assim. Esta geração estava psicologicamente preparada para aceitar o nazismo. que cultuava a obsessão por obediência. não tocá-las. Ele aconselhava não somente a atar as crianças. As meninas eram maltratadas. ele sugeria que os pais deveriam comer e beber algo de que a criança gostasse na frente delas. escrito pela médica Johanna Haarer. Spock. (GRILLE. tão logo nascessem. um pediatra que virou conselheiro dos pais. No final do século XIX. o índice de suicídio na Alemanha era três vezes maior do que no resto da Europa e a causa mais comum era pavor de castigo dos pais. as amas de leite ainda eram uma prática que havia sido abandonada na França. era um consumado sádico e foi o formador da geração “Gestapo”. pois as crianças eram sujas por natureza e o sistema de purificação deveria ser estabelecido logo após o nascimento. 2005) Um estudo escrito por Samuel e Perl Olinder que entrevistaram 400 indivíduos do mesmo nível socioeconômico e cultural. Daniel Gottieb Moritz Schreber. Outro livro que teve peso foi um de orientação pedagógica The German Mother and Her First Child (A Mãe Alemã e sua Primeira Criança). durante a guerra.

pela qual contava as pancadas ao invés de sentir as dores. 92% Irlandeses. perpetuou a morte de 30 milhões de chineses. nada mais distinguia estes dois grupos. em 1916. Todo genocídio é conseqüência direta de uma sociedade em guerra contra crianças. outro que foi vítima de extrema brutalidade paterna. (GRILLE. foi física e mentalmente abusado por seu padrasto e. 2005) O castigo corporal nas escolas permaneceu por muito tempo. A Alemanha é uma das 13 nações que decretou tal interdição. Ainda hoje. em 1876. um ultranacionalista. que foi também o primeiro país da América do Sul a promulgar o sufrágio universal em 1932. os pesquisadores encontraram um ponto. (GRILLE.1256 sendo nazista. acabou que. quando fica um pouco mais velho. 2005) Sobre nas histórias pessoais dos ditadores. Foi banido no Uruguai. desenvolveu uma técnica para suportar a violência. Os que ajudaram não tinham sido amarrados quando bebês. 22 estados nos Estados Unidos permitem punição corporal em escolas. cerca de 80% dos franceses. No ano 2000. 2005) . Ela tentou suicídio e. Saddam Hussein havia sido concebido desejado. aposentadoria. Hitler. assim como o seguro desemprego. o parlamento alemão proibiu castigos corporais como forma de punição às crianças. Mão Tse-Tng. que era diariamente espancado por seus pais até mais de 200 vezes ao dia a ponto de entrar em coma muitas vezes. depois tentou abortá-lo. mais tarde. mas durante a gestação a mãe perdeu o marido e o filho. Depois de questionários onde nada diferia. batendo com uma porta contra a própria barriga. Acabou por rejeitar sua criança depois de nascida e Saddam Hussein foi criado por um tio. Voltou para a mãe com três anos. volta para a casa do tio. (GRILLE. férias remuneradas e assistência médica subsidiada. Um estudo verificou que entre 57% e 90% dos pais americanos espancam seus filhos. jornada de trabalho de oito horas. não conseguiu este altruísmo.

Áustria. A escola fundamental iniciou. 1981b) Na verdade este é o tempo de filhote do ser humano. Mehm e Perkins. (JUNG. 2005) 8 – Pedagogia para o Bom Desenvolvimento Carl Gustav Jung entendeu a importância dos primeiros anos de vida. Knutson e Selner. em 1977. Há muito tempo este país adotou hábitos de cuidado com crianças. Cyprus. em 1995. em 2004. em 2000. Dubow. e hoje mais e mais educadores e pesquisadores concordam com isto. (GRILLE. ano da mais baixa taxa de mortalidade infantil. em 1983. em 1987. em 1979. 1984. Baron. Coréia. irrevogavelmente. Latvia. em 2002. Suíça. Muller. o crime juvenil começou a cair. 2005) Outros estão em vias de colocar tal proibição: Canadá. em 1999. em 1842. em 1973. em 1987.1257 Estudos como os de Elizabeth Gershoff. (GRILLE. A morte de crianças por homicídio é zero. România. Em 1998. 12 países proibiram castigos corporais em criança: Finlândia. Bélgica. Irlanda. assim como álcool na juventude e drogas também. em 2000. e Ucrânia. 2005) Em 2004. Croácia. Espanha. elas não podem sofrer castigos físicos ou passar por atos de humilhação. Nova Zelândia. Israel. em 1988. (GRILLE. Ilhas Fidji e Haiti. Alemanha. Bandura. Maurer e Wallerstein. Islândia. Berger. em 1994. 2005) A Suécia foi o primeiro país do mundo a ter a lei que igualou salários femininos e masculinos. Hunter e Stollak. a licença-maternidade passou a ser de 450 dias. em 1994. há 15 anos. em 2004. Desde 1979. Noruega. Todas as espécies que habitam este . Knutson. Dinamarca. em 1977. há 200 anos tem um dos mais baixos índices de homicídios do mundo. em 1997. Huesmann e Eron. em 2003. em 1998. estudaram as conseqüências para a perpetuação do ciclo de violência que se repete como uma imagem de espelho que. em 1989. (GRILLE. em 1987. promulgou o Código para Crianças. Itália. Reino Unido. copia o que nela se espelha. segundo o qual. Waletrs e Grusec.

Ele é a única espécie que não cumpre seu ciclo biológico natural. Culturalmente falando. a ciência alerta sobre o que se deve fazer para ter saúde. no menor dos cálculos. Então. em seus conceitos. no mínimo. Agora urge informar e escolher um melhor destino para a humanidade. ou da menarca da fêmea. o filhote humano é o único dos filhotes mamíferos abandonado. deixou de ser prática das sociedades especiais. porque é o único que tem tal descuido para as necessidades de seus filhotes. O tempo de filhote de uma espécie é percebido pelo tempo que um ser é capaz de sobreviver sem ajuda dos pais. mas. com quatro anos de idade. a humanidade conseguiu olhar. refletem um interesse cada vez maior de o cidadão comum querer compreender a si mesmo. a criança. o ser humano deveria viver 120 anos. sobreviventes de catástrofes.1258 planeta têm suas vidas calculadas por fatores aplicáveis. devido a um errôneo entendimento de que o seu tempo de “independência” é mais cedo. os três primeiros anos de vida. o que necessita ser feito pelas crianças até. bem provavelmente. de maneira mais coletiva. . No entanto. na natureza. seja pelo tempo de desenvolvimento do seu esqueleto. o domínio de conhecimentos psicológicos passou a ser mais universal. elas praticamente tornaram-se. Pode-se dizer que. Nossa sociedade nunca viveu o tempo que deveria como espécie. nunca também cuidou de seus filhotes como eles precisavam ser cuidados. de fato. pilares. o ser humano começou a prestar atenção a si mesmo. nunca antes. isso não ocorre. E depois de quase um século do desenvolvimento das ciências humanas. além de atrapalhar bastante seu modo de nascer. crianças sozinhas por um tempo. Agora. na História. acessíveis ao grande público. Já foram encontradas. As datas de reconhecimento de que são merecedoras de cuidado são recentes. Este é o objetivo da Ciência do Início da Vida. sempre muito vendidos. A psico-história ensina que. da década de 40 para cá. Os livros de auto-ajuda. Repara-se que pode haver alguma diferença entre um cálculo ou outro. de três anos para baixo.

desde sua concepção. O modo como isto se dá revela que ela não tem a organização de ego completa. “Ser bom é ser amado pela própria mãe. suas necessidades. e também porque projeta na díade pai-mãe a figura de deus. pois. irmãos. pois ela é o alicerce da saúde física. o que implica em perda maior. tanto que fala de si na terceira pessoa do singular. como sua mãe não ama você é mau”. de certo modo. ou maltratar. na mente da criança. além da perda da convivência. tornou-se profusa a literatura sobre a criança. Na verdade mãe e pai são uma díade que corresponde. é catastrófica. (JUNG. talvez a vida toda. está fundida aos pais. 1981b. o que termina por acompanhá-la pela vida. 1984. e na primeira década do século XXI. Ambos têm papel importante e a quebra desta díade. E. que a leva a estabelecer um julgamento ruim a seu próprio respeito. antes dos três anos. é porque ela não foi boa. se “deus” fez algo como ir embora. a deus. afinal. deus não pode estar errado. Toda separação é vista pela criança como abandono. Se ele decidiu ir embora. A criança credita a si a responsabilidade tanto da morte. não é essencialmente digna de amor. Esta tese serve ao propósito de tornar-se um instrumento na tarefa de universalização do conhecimento sobre a criança. Uma relação primal negativa numa fase precoce da infância causa um distúrbio não apenas parcial mas total: uma criança expulsa da relação primal . em tenra idade. lesa a própria fé na vida. mental e espiritual do indivíduo adulto. está sendo capaz de visualizá-la fora. ainda que quase restrita ao meio científico.1982) A autora viu o que Jung falava sobre “a fé de ver os pais como deus” – juntos formam a imagem de deus . Não se pode deixar de considerar que.e o sistema de crença que a criança define para si.1259 Na virada do século XX. É fundamental entender o tempo em que a criança precisa de cuidado diretamente provindo da mãe e do pai. com um alto custo para o indivíduo. pode ser que a dissolução desta crença demore muito a se dar. neste momento. ou o que for de negativo vivido pela criança. como da separação dos pais. o ser humano está sendo capaz de descobrir sua criança interior.

um dado traumático ocorrido em algo que um pai escutou aos dois anos de idade. 1991. 1997 e 2001.1260 é expulsa da ordem natural do mundo e duvida que haja justificativa para a sua existência. antes dos três anos de idade. eram precários. na mesma época de dois anos do filho homem. (NEUMANN. verificou-se que os níveis de vínculo mãe-filho. por exemplo. em 1996. isto fica evidente com as modernas descobertas sobre memória celular. A agitação de uma criança. seja adoecendo. Hoje. corporal. 2006) já demonstrou isto em milhares de pessoas. nas quais cometia-se homicídio ou suicídio. (VERNY e WENTRAUB. ela expressa no corpo o que não pode elaborar de outro modo. 2004) . É importante lembrar que tudo o que um pai e uma mãe viveram com a mesma idade pode voltar sob a forma de sintoma. 2001. que realizou vários estudos inter-culturais. Um dado importante foi que 80% das 49 tribos estudadas. 1979 e 1996. em 1999. Prescott foi um dos fundadores do Instituto Nacional da Saúde da Infância e do Desenvolvimento Humano. Tais estudos foram publicados em 1975. seja tornado-se agitada. 2004. (PERT. É importante lembrar que a energia da criança é cinética. James W. causar uma otite. pode. em vários países. 71) As questões de saúde da criança têm suas origens nas angústias dos pais. Hoje a Terapia Sistêmica (HELLINGER. 2003) É importante a compreensão de que. é igual à angustia em adulto e o motivo de angústia de criança é sempre o mesmo: abandono da mãe ou do pai ou a quebra desta dupla que deveria ser um só bloco. Outros estudos investigaram a relação entre violência (suicídio e homicídio) e pouco contato mãe-filho até os dois anos e meio e este vínculo era frágil ou disfuncional em 77% das 26 tribos estudadas por Prescott. no primeiro ano de vida. que descobriu que as moléculas de memória se encontram por todo o corpo. por Candice Pert.

a segunda. (PRESCOTT. Entre seis e sete semanas. 2007) Em 1956. no Quênia e em Uganda. a quarta. que logo alcançava sua intenção. um fato relaciona-se com o outro. era que a sociedade deveria apoiar a mulher e seu filho para o aleitamento ou permanência juntos. A mãe reagia a qualquer vontade do bebê. Elas dormiam com eles e os alimentavam no ritmo deles. seguravam-nos e os massageavam constantemente. naquela região. no primeiro ano de vida. todas as 300 crianças engatinharam. para que as crianças pudessem ter todo afeto destes. viajou para a África e esteve. sentiam suas necessidades antes pela sensibilidade tátil. além de cantarem e os carregarem nus. próximos ao peito. na Conferência na Casa Branca sobre a Criança. os bebês e as crianças as mais precoces que já vira. era que a sociedade deveria apoiar mães e pais. No sumário das conclusões entendia-se que era preciso haver quatro mudanças primárias na vida para que culturas totalitárias se transformassem em mais igualitárias e pacíficas: a primeira. ligado ao parto. ocorrido em cinco de dezembro de 1970. havia desaparecido na corrente sangüínea deles. até que seu filho tivesse dois anos e meio. Os bebês ficavam acordados por um longo período. Nas crianças . dentro de uma tipóia. o que começa em muitas crianças pela circuncisão. foi que a sociedade deveria apoiar a emergência da sexualidade do jovem sem que isto fosse motivo de punições.1261 Os estudos foram ficando tão chocantes em seus resultados que justificaram um Ato Nacional. o terceiro tópico era que deveriam ser eliminadas da sociedade todas as formas de causar dor a uma criança como forma de punição. quase nunca choravam. seja física ou emocional. subvencionada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). no mesmo período. Observou 300 bebês. Marcele Geber. Ela descobriu que. podiam sentar-se sozinhas e olhar-se por horas no espelho. Suas mães haviam dado à luz sozinhas. Eles sorriam contínua e intensamente até o quarto dia de nascidos. As análises sanguíneas mostravam que o hormônio do estresse. Em verdade.

Sabendo hoje que o cérebro se estrutura de forma importante no primeiro ano de vida. onde será criado por parentes. Os estudos do NICHD apontaram para o fato de que bastam 20 horas de cuidados de crianças em instituições antes de um ano de vida para a construção de vínculo negativo entre pais e filhos. segundo informações colhidas pelo Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano (NICHD). pelo menos. Com dois dias. Até o início da década de 1990. em parte do dia. a partir de contato olho a olho e do vínculo com os pais. na região.1262 do ocidente. 2004) Estudos do Quality 2000. Quando ele tem cerca de quatro anos é enviado para outra aldeia. que alguns não sobrevivem. mais da metade das mães com filhos menores de um ano passam boa parte do dia sem contato com seus filhos. Mas há um tabu na tribo de Uganda: a mãe abandona o filho. sem aviso. (VERNY e WENTRAUB. a criança é preparada para ter vinculação só com a cultura e o desenvolvimento da inteligência estaciona. as crianças demonstraram o mesmo modo de desenvolvimento infantil conhecido no ocidente. sorridentes. Neste caso. apareceram hospitais e partos hospitalares. por pessoas que não suas mães. Testes sensórios motores com resultado pleno eram alcançados pelos ugandenses entre seis e sete meses. esta capacidade é esperada aos seis meses. O choque e a depressão que sobrevêm são tamanhos. realizado em creches e escolas infantis em todos os Estados Unidos. é preciso repensar como a sociedade precisa organizar-se em face às verdadeiras necessidades de neurodesenvolvimento. o que nos ocidentais são alcançados no 15° e 18° meses. dependendo dos institutos estaduais de saúde. 1989) Só nos Estados Unidos 22 milhões de menores são cuidados. os pesquisadores . um exame feito ao longo de seis anos de duração. nem pais. (GEBER apud PEARCE. o qual traz conseqüências para a vida emocional de uma pessoa. Quando. as crianças sentavam-se retas. com equilíbrio na cabeça e olhando para as mães.

Alguns adoecem com infecção intestinal e. sua mãe. se deprimida. como se ela fosse portadora do mal. A autora. tão graves. A criança expressa no corpo seu processo e dor. (BOWLBY. como mostraram os filmes feitos por Bowlby. a criança que é privada do essencial. entre 12% e 21% está em creche que põe em perigo seu desenvolvimento e. com o passar do tempo. as conclusões são alarmantes: entre 35% e 40% estavam em ambiente considerado prejudicial à saúde e à segurança do seu desenvolvimento. que morrem de infecções de repetição. tenha ido para creche e não tenha feito este périplo de patologias nesta ordem. é que. Cabe ao adulto ler e não seguir julgando a criança como os antepassados faziam. ou seja. 2004) Muita literatura relaciona a creche como foco de infecção. primeiro. (VERNY e WENTRAUB. A criança vai para a creche e os fatos se repetem: ela adoece. antes de dois anos. fica agitada ou sem sono. e. O que existe. Ela fica imunodeprimida. a segurança. costuma explicar que não se pode ver criança como se fosse um ser com uma anômala capacidade de coletar. pois isto é o mesmo que dizer que criança é foco de infecção. não ouviu uma única história de criança que. pois. a autora. Se está ansiosa. É fundamental lembrar que a criança adoece porque não há outro modo de expressão da dor da alma senão a expressão física. ou como se fosse um adulto em miniatura. em certo um momento desiste e deprime. No caso de bebês e de crianças entre um e dois anos. em trabalho de orientação com pais. inclusive. Nos últimos 20 anos. ainda estão os velhos conceitos arquetípicos de que a criança é a portadora do mal. a imunidade cai. Então é preciso rever o conceito de creche como “foco de infecção”. e nesta desistência seu sistema imunológico desaba. atrás disto. quando ainda é um filhote mamífero.1263 constataram que entre 12% e 14% das crianças americanas encontram-se em situação que promove crescimento e aprendizagem. reter e propagar bactérias. 2002) . de doença do trato respiratório. depois. há 50 anos. as infecções chegam à pele.

Ninguém e nada faz sentido para ela: tudo o que ela sabe é que não tem mãe.072 crianças. não tem pai. (JUNG. Então. Se o ser humano continuar a esquecer sua condição animal. É outro mundo. este não é um mundo conhecido. ocorre uma aproximação maior com o pai. confirmou-se o que as observações do NICHD . a experiência de uma criança. onde ela está indefesa e realmente não importa quão bonita seja a creche. e mesmo até os três anos na creche. que é deixada antes de um ano. se prestar atenção. Ao longo do primeiro ano de vida. ela mantém referencial do espaço conhecido que ela “domina”. analisando 88 relatórios publicados envolvendo 22. sentimos que ela tem consciência. costuma usar uma analogia. que em geral está nas cercanias. as crianças continuarão a deprimir. se a criança está em sua casa. ou seja. Qualquer pai pode perceber. e irmãos e as outras pessoas da família precisam ser muito presentes e voltadas para a criança para terem uma conexão maior com ela. nem irmão. o que é diferente do filhote exilado do seu ninho. A conexão não se dá de maneira uniforme. seja pingüim ou leão ou o que for. Eles sabem que podem voltar para a mãe. mas se está prolongadamente longe do contato visual. que seu nexo afetivo primordial se dá com mãe. Podemos observar o despertar da consciência na criança pequena. E o que podemos ver é o seguinte: quando a criança reconhece alguém ou alguma coisa. adoecer e morrer. o animal entra em estresse. pois a criança vive uma gama de emoções e tem alguma memória. 407) Num relatório feito por Claudio Violatio e Clare Russel. p. Já se sabe que a criança antes dos três anos não tem orientação de tempo. para outro planeta. 1984. pois a vivência da creche é de abandono: um filhote num mundo estranho. seria semelhante à que passaria um adulto que fosse abduzido à revelia. Há medo real quando um filhote sai de perto da mãe.1264 Quando a autora orienta pais em relação a não colocar seus filhos em creche.

Para os Estados. que não consegue se estruturar para deixar o lar paterno e começar a fazer seu próprio ninho. Apesar de a UNICEF reconhecer a creche como um direito. eram atingidos por crianças cuidadas por suas próprias mães. 2006a) Muitos países estão começando a rever suas políticas de licença-maternidade. (UNICEF.se cedo. social e de comportamento. e não por algum outro cuidador. 2004) Para formar a mente de uma criança. assume fraco compromisso com o trabalho e prefere utilizar suas energias em diversões supérfluas e. (VERNY e WENTRAUB. são altos os custos dos seguros desempregos de jovens que. muitas vezes. por isso. na verdade.1265 já haviam apontado. por acidente ou fraude. e as crianças que estão expostas a muitos cuidadores têm mais probabilidade de acabar sem saber qual é o seu lugar no mundo e de serem emocionalmente inseguras. os melhores escores e os mais significativos no âmbito emocional. isto porque já estiveram contabilizando os prejuízos para a nação de uma geração de jovens que não sabe o que quer. daninhas. que se coloca na vida como filhote eterno. aumentando-a para mais próxima de dois anos. Nas testagens. Os Estados precisam pensar também no custo alto de saúde e criminalidade. em todos os âmbitos. 2004) A UNICEF considera importante que as crianças tenham um bom começo de vida e. faz falta o modelo de outra mente. Hoje as raízes deste comportamento são muito bem mapeadas. não a vê como a melhor possibilidade de educação. Os resultados dos meninos eram inferiores aos das meninas. defende que até os três anos de idade elas possam usufruir da conivência da família. e também no próprio custo . não se entendem com a responsabilidade de trabalho. (VERNY e WENTRAUB. Este fenômeno se vem tornando comum em vários países e tem sido motivo de estudos sociológicos. mesmo que familiar. ou daqueles que acabam aposentando. como o que está documentado nesta tese.

distraidamente. a autora não tem conhecimento de um cientista que tenha contabilizado as lágrimas de pessoas que perdem filhos jovens para droga ou criminalidade. 1992) Portanto. YOUTH AND FAMILY POLICIES AT COLUMBIA UNIVERSITY. “puer eternos”. 19% das mulheres trabalhavam fora. no mesmo período. uma licença maternidade mais prolongada. Entre 1981 e 1985 e até o período de 1991 a 1995. ou dos jovens que não conseguem encontrar um lugar no mundo para eles. em 1900. a França dá cobertura de 100% entre 16 e 26 semanas. na Suécia. As mães que usam licença maternidade paga costumam ser mais velhas e com grau de escolaridade maior. não podem ou não conseguem enxergar. (CLEARINGHOUSE ON INTERNATIONAL DEVELOPMENTS IN CHILD. e a Itália cobre 80% do salário por cinco meses. esvaírem-se as próprias vidas. e isto é hoje cada vez mais comum como queixa em consultório: os pais que se queixam de que seus filhos estão deixando. a proporção de mães que usaram a licença maternidade paga foi de 32% para 36%. 2003) Nos Estados Unidos. em 28 semanas. 65% de todas as . Assim. em 2007. (VON FRANZ. E tramitavam. Finalmente. nos últimos 20 anos. e. as que usaram a licença não paga variou de 30% a 37%. projetos de lei em vários países do mundo com o objetivo de ampliação de licença maternidade. impossível de por em número. na época deste levantamento. Eles vivem a angústia de sustentar filhos adultos e mesmo família de filhos adultos. Naquele país. mesmo em termos econômicos. o custo disto tudo justifica. Nesta lista há dados sobre 29 países e suas políticas de licença maternidade.1266 humano. Hoje há pais que já sabem quão rápido correm os anos e quão rapidamente se fecham as portas de oportunidades. pois estes filhos. a Tchecoslováquia 69%. a licença maternidade cobre 80% do salário durante as 78 semanas após o parto. tem aumentado a licença maternidade paga e não paga.

mas complexas e variadas serão suas redes neuronais e. no mesmo período. e no terceiro ano o crescimento prossegue dando ao cérebro 90% do peso que terá na vida adulta. o peso cerebral em média é de 400 gramas. ao nascer.1267 mulheres trabalham fora. só que mais lento. quando o cérebro atinge 70% da sua massa final. Até os três anos o cérebro do bebê terá formado bilhões de sinapses. No segundo ano o crescimento continua. 2005) Desde o desenvolvimento fetal. Estudos em animais e humanos apontam para o balanço de hormônios como noradrenalina. 2004) Uma grande energia é consumida na primeira infância para o crescimento do cérebro. (CALNEN. ganhando 600 gramas. Quanto mais sinapses possuir uma pessoa. Comissão Nacional da Mulher Advogados. duas vezes mais que um adulto. o cérebro não pára de fabricar sinapses até os três anos. E 52. O que faz o cérebro crescer é objeto de estudo na neurociência e concluiu-se que é a relação amorosa com a mãe. em 2004. eram as que tinham filho com menos de um ano. Posteriormente a minuta seria avaliada pelo Conselho Federal da entidade. recebeu da Sociedade Brasileira de Pediatria a minuta do projeto de lei propondo a ampliação do período de licença-maternidade dos atuais quatro meses para seis meses. o cérebro se utiliza de 50% do genoma para se organizar e.000 outras. 2007) Em 29 de março de 2005. e Comissão da Criança e do Adolescente. (OAB. sendo que. depois do nascimento. o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. Tal tarefa usa 70% da energia do metabolismo basal no primeiro ano de vida. deste modo. A proposta foi encaminhada por Busato para análise de quatro comissões da OAB: Comissão Nacional de Direitos Humanos. mais brilhante e criativa será.9%. Roberto Busato. serotonina e . Uma única célula pode conectar-se a 15. (VERNY e WENTRAUB. Comissão Nacional de Direitos Sociais.

Por outro lado. A melhor maneira de a criança aprender é por animismo. O grito. ela pode recolher. e assim por diante. responsável pela empatia. faz alterar o curso de desenvolvimento cerebral. Primeiro. causam apenas destruição de um sistema nervoso. A criança em conseqüência. Então. não tem . Sabe-se que o sentimento de vergonha. debruçar-se e rever os próprios valores. antes de tudo. com aquele objeto específico e com muitos outros. e falar. Educar é. ao educarem. O animismo e a simpatia são as linguagens naturais da criança antes dos três anos. Naquele momento. são regiões que muito expressivamente têm seu desenvolvimento aumentado pela relação mãe-filho nos três primeiros anos de vida. ligada à capacidade de adequação emocional. experimentado com freqüência por criança por volta de 18 meses. pessoas. Portanto. deixar uma criança fazer o que bem lhe apraz porque não se quer dizer “não”. Áreas como o hipocampo. que é sua capacidade natural. os pais devem ter em mente que é neste tempo que valores estão sendo transmitidos para a criança. em sua visão de mundo. 2004) Uma criança de menos de três anos está formando seus sistemas de convicção para o resto de suas vidas. é outro grave erro. pois não é natural no mundo a não ocorrência de frustração. (VERNY e WENTRAUB.1268 cortisol que desempenham papel importante no desenvolvimento cerebral e são influenciados de maneira significativa pelo olhar e pelo toque. animais. aconchegar o objeto ao colo dela. como já foi visto. ela aprende. demonstra simpatia. o modo de fazer. o que a autora está citando é apenas um exemplo elucidativo de educação pela via do animismo. as certezas sobre si mesmas. envolve a consciência dos pais. como se fosse o objeto ferido. depois. e é capaz de beijar o objeto. que deve ter cuidado com as coisas. Por exemplo: se uma mãe vê sua criança jogando um objeto no chão. e seus valores. E entender como é que ela aprende. Neste caso. a falta de paciência e a violência. e a área do córtex na região orbito-frontal.

Os casais que conceberem e planejarem ter um filho. o que se alcooliza. mas a chave. Jovens na adolescência não precisam ser problemáticos. criatividade. A criança humilhada é o adolescente que agride verbal e fisicamente. Educar é um dos maiores exercícios de consciência que existem. pois isto é cuidado e amor. são as escolhas. que tira o ego de cena e então já são os arquétipos que dominam: definitivamente isto não é consciência. deverão estar conscientes dos sacrifícios financeiros que precisarão fazer. Se pensarmos em uma vida numa cela de inconsciência. e este é sempre inspirador criativo e transformador. dentro dos limites de percepção deles. a porta seria a própria consciência. como diz Jung. funcionam muito bem. Então. se um casal acha que ainda precisa viver viagens e mais outros planos. Os que não se cansam de .1269 intenção de ser manual de como fazer. O que vem à tona são os valores colocados nos três primeiros anos de vida. já devem ter discutidos os valores que querem que seus filhos desenvolvam. a vivência da autoridade intrínseca e sempre exercida com respeito à sensibilidade daquela criança específica. A voz baixa. e. desde antes da concepção. que os viva e os esgote. O que se droga. Isto é justo o que não existe. Uma outra questão é sobre o sacrifício pelo filho. sobretudo quando tenham sido feitas as melhores escolhas. Não há exercício de consciência sem escolhas. quando escolher ter um filho. energia e dinheiro. o que se envolve em delito é sempre uma criança ferida explodindo. Cada criança e seus pais são um complexo. para que um casal esteja em condições financeiras e de maturidade para poder receber todo o prazer um filho. que levarão a criatividade dos pais a saber qual é o melhor método de comunicação com a criança. Os pais. É na realidade do cotidiano que se vão criar situações. saiba que haverá neste grande projeto – Vida – muita demanda de tempo. enquanto os Estados não criam as licenças devidas. o olho no olho. A voz alta é um expediente. pode levar alguns anos. E Vida vale a pena. portanto.

e isto é observável entre vários irmãos. É uma questão de projeto: uma vez escolhido o projeto. que ele seja motivante. e assim poderá ocorrer uma integração específica. HARDING. a que os pais devem estar atentos. 2003) Esta percepção da particularidade e da dificuldade intrínseca com que crianças nascem. em geral. com que os pais procurassem astrólogos para que pudessem orientá-los sobre como melhor educar aquela criança. com a percepção de seus pais sobre eles mesmos durante a primeira infância. então a personalidade da criança será então apartada do cerne de seu ser e se sentirá forçada a abandonar seu padrão natural de desenvolvimento. para orientação do nome. 1994. de mútua ativação arquetípica. 1984. educar é uma grande escolha que implica em postergar as coisas ou desistir delas. Quando uma criança nasce. os pais devem pensar em que arquétipo estarão ativando nos filhos e isto pode ser entendido com simples pesquisa sobre personagens marcantes da história ou da mitologia. O nome. (ABRAMS. assim como recebeu a herança de traços físicos. fez por milhares de anos. 1981b. também é arquetípico. 1975. Com tudo o que se sabe hoje. para ser vivido. com tais particularidades. também o modo de percepção dos mesmos pais é diferente. (JUNG. 1964. e estimula neles comportamentos inconscientes. que melhor ajudará o pleno desenvolvimento daquela vida.189) Os quadros abaixo mostram como é percebida a psique da criança e como ela olha os pais por uma lente. e isto à mercê de cuidado contínuo. por causa de sua própria insegurança. Se. na Índia. Ao escolher um nome. No quadro 1 percebemos a questão da consciência ainda pouco . 2000. p. ela traz consigo uma bagagem arquetípica que recebeu no psiquismo herdado. os pais não conseguem aceitar suficientemente a natureza básica de seu filho. Ela pode ter uma lente que a faça olhar os pais de um modo particular.1270 dizer que não se sentem compreendidos estão desconectados. Hoje muitos pais buscam o mesmo recurso e acoplam a esta prática o uso da numerologia. KNOX.

1271 definida e o ego sem delimitação clara. Figura 119: Esquema 1(LUZES. As dimensões de ego e consciência diferem das do adulto. 2003) Figura 122: Esquema 4 (LUZES. 2003) Figura 120: Esquema 2 (LUZES. O primeiro. De algum modo há sempre uma linguagem de arquétipos para arquétipos entre pais e filhos e isto pode ser menos trabalhoso se os pais tiverem mais atenção e consciência. retrata o esquema da fisiologia da psique. Os dois primeiros quadros mostram a psique da criança em formação. é a ilustração de como a criança percebe e recebe de volta as projeções. em bom estado de comunicação com o Eu Superior. cujos dois outros quadros representativos seguem abaixo. quando foi constelado um complexo. A outra gravura. O segundo esquema demonstra o estado em que uma pessoa fica com seu ego desorganizado. 2003) . 2003) Figura 121: Esquema 3 (LUZES.

caracterizado pelo que Jung chama de brincar como atividade séria. podendo viver cada ciclo de transformação do filho como uma perda para si. um ou outro aspecto. de fato. em momento do desenvolvimento indevido. Naquele momento ela está fazendo . a mãe que olha para o aspecto independência como a meta constante a ser atingida pelo filho pode negligenciar as necessidades de aconchego e momentos de puro lazer que. A nutridora é aquela que vai lidar muito bem com o filho bebê. na sua relação pessoal com seu filho. deve tornar-se consciente desta tendência e ajudar a equilibrá-la. pois na prática a grande mãe destruidora. também bastante exemplificado nas mitologias. se uma mulher tem constelado em si. dele dependente. ou eterna transformadora.1272 Um arquétipo que está envolvido de maneira importante na relação mãe-filho é o da Grande-Mãe que tem seus dois aspectos: o nutridor e o transformador. é a manifestação do arquétipo atingindo as atitudes da mãe. Na vida pessoal. É fundamental para o desenvolvimento da criança o tempo em que ela fica “sem fazer nada”. Já a mulher que tem constelado em si o arquétipo da grande mãe transformadora. mas tem dificuldade de deixá-lo ser independente. quando este é adolescente. são importantíssimos para o devido desenvolvimento da criança. Deste modo. Há as figuras dos panteões míticos que encarnam um ou outro modo de relação. Da mesma forma que existe a questão da grande mãe destruidora. Claro está que há culturas cujo arquétipo de grande-mãe constelado vai para um ou outro modo. pode ter dentro de si um arquétipo de figura da grande Mãe ou então mais inclinada para a atitude de eterna nutridora. terá dificuldade e pouco prazer na fase de dependência dos filhos e será a que estimula os processos de transformação e que consegue achar mais agradável a relação mãe filho. Uma mulher. pois ela precisa de um tempo de criação. comparada à que o adulto vive quando medita: a regularidade desta atividade permite o pleno desenvolvimento psico-cerebral.

no momento de a criança crescer. criar agendas para seus filhos pequenos. a mãe que tem uma meta determinada de transformar. ao mesmo tempo. bem descrito por Jung. para o seu desenvolvimento motor e. está. Portanto. E a mulher que está tomada pela grande-mãe transformadora vai preocupar-se muito com estas “regressões” e ver aí um episódio de “virose”. contida no A Dinâmica do Inconsciente. implementar mudanças. com agenda cheia de tarefas. perdendo a percepção das necessidades básicas de aconchego. tem antes. É preciso hoje estar atenta à obsessão da cultura dominante competitiva que ajudou na constelação deste arquétipo em todas as culturas. confirmam. por simples mecanismo de contenção de energia. para o desenvolvimento sensório-intelectivo-emocional. um recuo para poder avançar. como modo de acalmar as mães. precisando estar grudada na mãe por todo o tempo. Pois a capacidade da criança de se concentrar advém de ter podido ficar. livre fisicamente. que muitas vezes os pediatras. Por toda a natureza um fato se repete: quando um animal vai desenvolver uma habilidade. acaba por atrapalhar o desenvolvimento de seus filhos e justo a cognição que tanto almeja ver desenvolvida será a que ficará prejudicada. chorando. tomada pelo arquétipo da grande mãe transformadora que. A criança que não tem este espaço. está fora do tempo e aí se converte em grande mãe destruidora. quando uma criança vai crescer alguns centímetros ou quando lhe vão aparecer dentes. antes. especialmente sua capacidade de concentração. ele faz. A mulher. apresentará problemas de concentração. uma agenda cheia. ela dias antes pode ficar muito mais necessitada de colo. A criança pequena. converte-se no adulto incapaz de lidar com mínimos compromissos. para gerar propulsão. Deste modo. e se assim fosse as crianças . O melhor seria conhecer as etapas do processo normal de crescimento. sem perceber. especialmente até os três anos. em uma das obras mais importantes como chave de entendimento do desenvolvimento do processo de consciência humana: a obra A Energia Psíquica.1273 tudo o que precisa para se desenvolver.

(AЇVANHOV. o pedagogo que nos anos 30 formulou a ciência pré-natal e foi o primeiro a explicar. se existe uma situação de doença ou sofrimento significativo. ponto a ponto. quando uma mãe ou pai vão repreender um filho não pode existir raiva. 1999) É importante prestar atenção para as palavras e o peso que elas têm para os pequeninos. e só falar quando não estiverem possuídos pela raiva. Eles devem olhar nos olhos do filho. Pouca coisa podem ser tão destrutiva quanto um olhar de raiva vindo de pai ou mãe. Uma prática sugerida por Aïvanhov.1274 seriam menos medicadas enquanto se desenvolvem normalmente. O diálogo quando a criança está acordada também pode ser fonte de auxílio. 2000. Isto também foi amplamente confirmado no auxílio de problemas graves de saúde. ele afirmava que. (SZEJER. nunca descartável. Miriam Szejer e Caroline Eliacheff. as conseqüências hoje reconhecidas por milhares de estudos. Do mesmo modo. isto fere. (JUNG. Isto não educa. até mesmo em recém-nascido. pois isto atingiria a formação da criança. por Françoise Dolto. (AÏVANHOV. HARDING. 1999) . Mais tarde eles podem povoar os consultórios terapêuticos para ajudá-los a arrancar de si sistemas de crenças profundamente arraigados por simples palavras proferidas. penetrando na alma da criança. olhando nos olhos da criança. 1975) É preciso lembrar que as mães têm uma enorme capacidade curativa. e a mãe falar de modo claro. é que mães e pais acariciem a cabeça de seus filhos enquanto eles dormem e lhes digam o quanto são amados e lhes desejem os melhores valores. e menos ainda em explicações cujo valor pedagógico é risível. no momento do sono profundo podem ser ditas palavras-chave que ajudem a criança a elaborar a solução de um conflito que se está manifestando em sua saúde. 1996) Claro que existe também o poder da prece. Do mesmo modo. E depois de enunciadas há pouca valia em desculpas.

e é a isto que se dá nome e que se medica. ou bem porque a mãe passa a se dedicar à criança. sem perder . como no passado era feito. O manejo que consiste em dar o medicamento. a mãe que pretende nutrir eternamente o filho. similar à que. Aqui. todo o desespero e desamparo. Deste modo. como já foi demonstrado. em sua clínica. amordaçava os bebês. no plano das relações. para agir. Na verdade. ou bem porque procura uma Pedagogia Curativa ou Waldorf. como por exemplo. vive um conflito tenso ante seu próprio desenvolvimento. (JUNG. a autora tem visto casos de agitação infantil desaparecerem. implica contenção química. A criança que nota que a mãe não a quer adulta. É para lá que vai toda a tensão. estes dois substantivos são antagônicos. poder ou amor. 1975) E para educar amorosamente precisa-se estar presente. que traz a marca da consciência. que é o corpo. Hoje se fala da criança como se ela fosse por si responsável por todas as doenças que lhe acometem. Ou ações são pautadas por um. quando uma criança se sente angustiada por privação materna. O arquétipo da criança ferida está presente. HARDING.1275 Por outro lado. os de distúrbios de atenção que se sucedem. esta palavra é chave para o desenvolvimento da criança. tem dificuldade de comemorar os pequenos ganhos de cada dia. mesmo nos cuidadores de crianças em instituições como creches e ainda podem ser vistas pessoas que abusam emocionalmente das crianças com o mesmo intento de humilhação e sujeição. ou por amor. amordaçados durante séculos. ela tem pouco recurso. em séculos passados. pois vê como perdas do poder que tem sobre a criança. 2000. e aí já se pode esperar que são inspiradas por arquétipos. então esta angústia migra para o plano onde a energia psíquica corre melhor. Na verdade. como nos ensina a psico-história. que olha a criança em muitas dimensões e que tem conhecimento da complexidade do que pode ser o psiquismo infantil – a única pedagogia que dá conta de trabalhar a integralidade criativa do ser humano.

conexão. Na filha mulher. Agricultura biodinâmica previu os efeitos destrutivos da agricultura convencional: o solo erodido. 210 alunos de uma escola Waldorf (pedagogia antroposófica). A autora. A autora entende que uma escola que não tem espaço para ensinar a criança a brincar (que é sua prática dominante do refletir). flores e animais desaparecidos – dano que terá de ser sofrido por futuras gerações (ODENT. Segundo Jung.. estão afinadas com os problemas do século XXI. Mais recentemente. Por exemplo. (ABRAMS.) Encontrei por acaso alguns efeitos inesperados na saúde. p. Como diz Michel Odent: È difícil perceber como as visões de um ser humano extraordinário. o complexo materno se manifesta como: . ciências. um jornal médico de prestígio estudou o baixo índice de alergias entre crianças que compartilham um estilo de vida Antroposófica. que é: os pais que concebem conscientemente. a mãe desempenha sempre um papel ativo. p. (.1276 a noção de praticidade. nota o mesmo fato no Brasil e fora dele. englobando as artes. apenas quatro precisavam usar óculos. que o arquétipo da mãe é quem ajuda a constelar o complexo. baseado em sua experiência do complexo materno. 1994. Rudolf Steiner não conseguia dissociar seu interesse pelo desenvolvimento dos seres humanos. entre cinco e 18 anos. 2004b. não prepara para uma vida interior saudável. a mãe desempenha papel ativo na causa da neurose manifesta na criança. Foi o primeiro método alternativo de agricultura organizado a se basear num quadro global que abraçasse tanto a ecologia quanto a vida social. Este simples fato é uma lição valiosa num momento em que somos vítimas do tipo de cegueira gerada por especializações estreitas. a medicina e as questões sociais.188) Nos casos de neuroses que atingem a mais tenra infância. em 1928: “Os pais devem sempre estar cientes do fato de que eles são a principal causa da neurose dos filhos”. simplesmente porque querem que seus filhos desenvolvam seu potencial pleno. e também assim vão vivendo cada passo do processo de desenvolvimento do seu filho. no mundo. (.. em resposta a uma solicitação de vários agricultores. que morreu em 1925. assim como profissionais de psicologia pré e perinatal. a educação. Segundo ele. o húmus perdido. escolhem escolas Steiner ou Waldorf. e é uma escola voltada para a educação integral do ser que faz toda a diferença.. vida em conjunto. 57) Jung afirma. As influências das percepções de Steiner são mais fortes que nunca em vários campos práticos.. a agricultura.) O movimento biodinâmico surgiu a partir de oito palestras dadas por Rudolf Steiner no início.

de fato. na consciência. A inteligência dirige as portadoras de tal complexo que são mais propensas ao desenvolvimento do próprio lado masculino. Acaba depois por tornar-se dependente dos próprios filhos. levando uma existência de sombra. pode aniquilar a personalidade da criança. que não é identificado como o universo da mãe. e ter problemas com coisas do mundo material (matéria – mater). Deste modo se define. mas pela necessidade de transtornar um casamento. tanto da maternidade como do eros. e. como a própria vida menstrual. . c) Identificação com a mãe. Tanto o eros não vai bem. E isto pode desencadear problemas tanto durante a gravidez. o complexo materno negativo. b) Exaltação do eros. já não se interessa mais por ela. São figuras desamparadas. como o materno também não. com exagero do papel maternal: é a mulher que só consegue viver sua dimensão de procriação. A filha vive dependendo da mãe e negando a si mesma a própria existência. muitas vezes visivelmente absorvida pela mãe. manifesta-se um lado de exercício de poder nas relações. Podem se dirigir para o intelecto. no qual existe continuamente um antagonismo à mãe. Quando consegue a relação. sabendo bem o que não quer. Ao exercer muito poder na relação. resultando em uma paralisação do instinto feminino. Assim sendo. ficam incapazes de fazer verdadeiros sacrifícios. mas não tem muita idéia do seu próprio destino. Existe um lado amoroso. cuja vida é a única razão da própria existência. Muitas vezes. esse complexo provoca na filha a exaltação do feminino erótico ausente na mãe e isto pode fazer com que a filha fique presa incestuosamente na relação com o pai.1277 a) Atrofia do feminino. na inconsciência. d) A defesa contra a mãe. as filhas procuram relações com homens casados. De todo modo. não há interesse na maternidade. repetindo uma busca que não é pela felicidade.

mas que foi impedida por motivos artificiais. tendo-a como única na vida.1278 No filho homem. Portanto. as crianças sempre apresentavam doenças recorrentes como asma. Tratava-se de uma comunidade com cerca de 600 casas e mais de 4. Apesar dos cuidados. devido à desnutrição infantil. Mavis foi compreendendo . Foi um trabalho realizado no Centro Infantil Frei Tadeu. Foi quando então introduziram a homeopatia e fitoterapia. Em regra. em Recife num projeto que atendeu a uma população carente e desnutridas. a vida que os pais podiam ter vivido. O Centro Infantil foi criado pela Associação de Moradores da Ilha de Santa Terezinha. Estudando os florais.800 moradores. quase sempre. Ela iniciou suas atividades em abril de 1990 com recursos de ONG’s Européias. 196) O assunto é vasto. ajuda a desativar complexos importantes que podem causar problemas enormes. sob uma forma oposta. p. coordenado pela assistente social Mavis Cerqueira. 1981b. pneumonia. Outro aspecto que é preciso entender é que estes problemas são reversíveis. (JUNG. Conseguiram em 1991 uma diminuição significativa destas doenças recorrentes. Em 1993 foram introduzidos os Florais da Califórnia. nuances que vão envolver o modo como esta menina um dia será mãe e este homem será pai. Este quadro levou Mavis Cerqueira a procurar medidas complementares que pudessem alterar este quadro. é herdada pelos filhos. uma favela próxima do centro de Recife. que realizou as ministrações de florais sob orientação de Maria Grillo. muito antes de constituir família. pois existem. Isto significa que os filhos são forçados inconscientemente a tomar um rumo na vida que compense o que os pais não realizaram na própria vida. entre estes tipos. foi introduzida a utilização de Florais de Bach com as crianças. o complexo materno aprisiona o filho na condição de forte ligação com a mãe. Recife em Pernambuco. diarréia. para tentar reverter o alto índice de mortalidade infantil na comunidade. Um exemplo disto aconteceu no Brasil. No final de 1991. da alimentação adequada e da medicação alopática. etc. As outras são descartáveis. criadora do repertório Filhas de Gaia. o autoconhecimento.

já com este novo foco. e a considerar as feridas profundas da rejeição. Destas entrevistas colheram-se os seguintes dados: 66% das crianças se desnutriram antes dos dois anos e meio. Foi quando então começaram a utilizar os florais com uma nova abordagem. aceitação. desenvolvimento. Começou a aprofundar seu conhecimento sobre a alma do bebê e sobre a importância do vínculo mãe/filho.1279 melhor a desnutrição e percebeu que ela era muito mais que uma doença da fome. favorecimento. 43% destas crianças já nasceram desnutridas. 63. verificaram que em todas as crianças atendidas era evidente a rejeição da mãe. educação e alento. mental e espiritual). 24% foram recém nascidos prematuros. falta de confiança na vida e ausência de amor. mas também de afeto. buscando a nutrição. amor e proteção da Grande Mãe para refazer o tecido básico da vida e reavivar o desejo de viver.3 % das mães admitiram que tentaram aborto até o quinto mês sem sucesso. levou-a a considerar as crianças desnutridas como a evidência material e tangível de carências nutricionais em todos os níveis. Diante deste perfil. Entre estas estão as de quadros de desnutrição mais grave ou moderada e aquelas que não responderam com rapidez ao tratamento inicial. abandono. A constatação de que a desnutrição era uma ausência não somente de alimentos. colheram as seguintes informações: 64% não queriam o filho. (uma faixa etária onde a necessidade do vínculo forte e nutridor com a mãe é imprescindível. era um sintoma aparente de causas muito mais profundas. para sua recuperação. proteção. Ao entrevistar suas mães em 1993. que estavam na base da história de vida de cada uma delas como tão importantes quanto seus sintomas físicos. E esta nova abordagem trouxe então resultados muito significativos na . sobretudo na fase intra-uterina. Pesquisando as mães cujos filhos nasceram de baixo peso. que atingem o ser em todos os seus corpos (físico. Mavis ampliou sua visão da desnutrição. emocional. Mais da metade delas fumou e usou bebida alcoólica durante a gravidez. 35% não fizeram o pré-natal.

No período de 1994/98 foi notável o ganho de peso das crianças e seu desenvolvimento psicomotor ficou mais visível. reunidas em fórmulas compostas chamadas: . autonomia. na mudança de plano de consciência. em 1996. com crianças de uma favela. com a acessoria técnica de Maria Grillo. que se tornaram a base dos compostos utilizados com as crianças. A partir de 1996. desenvolvimento físico. foram verificados os seguintes dados: DOENÇA/ANO Diarréia Desidratação Pneumonia Doenças de pele Otites Anemia Grave Asma 1994 30 16 32 42 20 18 28 1995 15 02 06 40 12 20 12 1996 06 01 02 18 06 10 05 1997 02 zero 02 13 03 04 01 Tabela 7: Resultado do Trabalho de Campo com Floral. exatamente por trazerem as qualidades fundamentais para a cura emocional das crianças desnutridas.1280 regeneração emocional. e que eram ministradas quatro gotas quatro vezes ao dia e em spray no ambiente. segundo suas faixas etárias. Em 1997 e 1998 utilizaram-se somente as fórmulas compostas para os grupos. Avaliando o prontuário médico das crianças. As essências utilizadas para estas formulas florais foram. (GRILLO. constatou-se também o efeito preventivo dos florais. Em fevereiro de 1995 começaram a utilizar os Florais Filhas de Gaia. Inicialmente. Houve uma redução significativa dos gastos com medicamentos e cresceu o número de crianças que venceram definitivamente a desnutrição. além da formulação de compostos individualizados para as crianças. as formulações individualizadas foram reduzidas e as crianças passaram a receber. começaram também a trabalhar com fórmulas comum a todas as crianças. emocional e psicomotor das crianças. fórmulas florais idênticas que eram definidas para pequenos grupos segundo suas faixas etárias. 2006) Assim.

gestação. 2006) Muitos são os recursos hoje disponíveis para limpar matrizes interiores com problemas devidos a concepção. mas veio a falecer. devido à falta de recursos oficiais. Biossíntese. Vegetoterapia. (GRILLO. e os dados referentes ao ano de 1998. Arco-Íris: para recuperar as seqüelas da desnutrição relacionadas ao desenvolvimento cognitivo das crianças. Vagalume: para despertar e fortalecer os dons e a criatividade da alma. apesar de reunidos. . terapia Primal. como seus pais mudaram não apenas de modo de vida. Fraternidade: Para facilitar uma socialização amorosa. parto: Hipnose.o primeiro composto a ser utilizado com os bebês. 2006) O resultado foi que não só as crianças melhoraram em seu desenvolvimento. Sorriso: Para dissolver a dor gerada pelo abandono ou rejeição. Borboleta: para resgatar o desejo de viver da alma. Respiração Holotrópica. pacífica e nutridora. Terapia Reichiana. Mavis foi à Europa tentar conseguir novos recursos para dar continuidade ao trabalho. e deixou de existir aquele grupo de pessoas como habitantes de favela. No final de 1998. Estas essências foram reunidas no composto floral Chamego – para trazer nutrição emocional e a habilidade de criar vínculos amorosos e nutridores. mas inclusive de lugar de habitação para um lugar melhor. necessário para que estas pudessem exercer com maior qualidade seu papel de mães substitutas. Técnicas de Renascimento.1281 Aconchego: Nutrição da alma e cura das feridas no vínculo mãe/filho . Também as cuidadoras das crianças recebiam essências florais. não foram avaliados e tabulados e se perderam. o Centro Infantil encerrou suas atividades mais cedo. Manto de Luz: Para facilitar o sentimento de estar protegido no mundo. No início de 1999. (GRILLO.

em uma mesma sessão. Análise Junguiana. (JUNG. 2004) Antigamente. Em estudos realizados nos Estados Unidos contabilizou-se que. aparelho de TV. algo que precisará de cuidado permanente. A terapia Crânio-Sacral tem resultados muito bons com traumas de gestação. algo ainda em formação e que jamais estará terminado. de atenção e de educação. o que permite infância e vida adulta mais saudáveis. No adulto está oculta uma criança eterna. em média. (VERNY e WENTRAUB. ao mesmo tempo em que são conectados com material de TV. 14 mil referências a sexo. parto. (UPLEDGER. e mil violações. Meditação. como . Quando tiverem chegado aos 70 anos. uma criança chega aos cinco anos já tendo assistido a seis mil horas de televisão. 1995) É de suma importância que os traumas ocorridos sejam solucionados.1282 Rolfing (massagem profunda). Terapia Floral. primeira infância com a vantagem de poder tratar mãe e filho. esta é uma das muitas dimensões da descoberta do fogo. Ao terminar o ensino médio. 175) Um problema atual de extensa gravidade é o isolamento familiar causado pelo. e outras formas quantas sejam possíveis para a criatividade humana. É necessário que jovens se preparem emocionalmente para poder viver com satisfação e plenitude a maternidade e a paternidade. p. além de terem desenvolvido minimamente sua imaginação na infância. Pesquisas mostram que crimes violentos são marcados por uma capacidade limitada para a fantasia. tendem a se repetir de um modo ou outro. cada vez mais onipresente. a 12 mil atos de violência. 1981b. um adolescente terá sido exposto a 18 mil assassinatos e 800 suicídios a cada ano. A criança americana assiste. em média. terão passado sete anos de sua vida na frente da TV. os grupos tribais sentavam-se na frente do fogo e esta visão os agregava. Possivelmente. pois. caso contrário.

além de torná-las consumidoras precoces. “Ninguém pode educar para a personalidade se não tiver personalidade. que ela nomeou de “síndrome do escravo feliz”. especialmente nos últimos cinco anos. Em 2002. (PEARCE. mas sim o adulto quem pode atingir a personalidade como o fruto amadurecido pelo esforço da vida orientada para esse fim. (HONORÉ. e o diálogo. os olhos parados. E. as transmissões de Pokemon nas TVs do Japão provocaram ataque epiléptico em quase 700 crianças. não há o que imaginar. e abandonem o uso mecânico da TV. e a ingestão automática de comida aumenta. Em 1997. 177) A autora tem orientado que as famílias privilegiem o contato com atividades artísticas. Descreve a . 2005) São os pais que precisam dar as linhas de orientação para os filhos. 1981. conscientizando-os de que o abuso de TV tornava os jovens mais agressivos. devido às luzes brilhantes projetadas. Passaram-se milhares de anos e a TV consegue que mentes parem e famílias deixem de se comunicar.1283 começo da civilização. a Associação Americana de Pediatria divulgou carta aberta orientando os pais. Os pais não devem cuidar apenas das necessidades básicas e primárias. sobretudo. 1999) aquela atividade fundamental para o desenvolvimento do cérebro de uma criança. Ela tem falado com pais. E não é a criança. diante da TV. Joseph Chilton Pearce localiza aí também o fim do brincar. Delegar as instruções de valores a instituições ou pessoas é uma forma de omissão e negligência. a inexistência de comunicação familiar torna-se um grave problema. A televisão acelera a transição das crianças para a idade adulta. Os pais são responsáveis pela formação de valores que precisam ser transmitidos as seus filhos. a imagem é pronta.” (JUNG. orientando-os para ter atenção com um processo que vem ocorrendo. A eles também é delegado o cuidado com a alma. as redes de TV não podem ser “responsáveis” por decidir por quais valores seus filhos serão guiados. expondo-as a questões do mundo dos adultos. p.

O resto do dinheiro é para pagar a creche e toda sorte de terapias para a criança que fica com uma agenda cheia de atividades. pois estão exaustos e as crianças “não dão sossego”. promoções. mesmo em casa. como abandono. ele ou ela se sente “prestigiado”. e . estes pais trabalham sobre grandes tensões de prazos e fazem parte de reuniões demoradíssimas. um bom carro (para. subitamente. em geral. Nestas famílias não há refeições à mesa. os “escravos felizes”. que ainda não sabe comunicar-se direito informando que o “escravo feliz”. estes pais enviam os filhos para casa dos avós. em qualquer situação. A angústia na espera do aeroporto faz lembrar os filhos e. embora o tempo seja curto para apreciar. que a toda hora recebem convites das empresas para viajar. seus filhos serão vencedores como eles. Por outro lado. as conduções contratadas é que levam as crianças para a escola. nenhum ritual de aconchego. dominantemente. na certeza de que. Na volta da viagem. Em muitos casos. altos salários. No entanto. alimentam-se mal. Um dia esses pais descobrem que não existem mais crianças na casa e esta descoberta acontece. ligam a TV e pedem para que seus filhos não os perturbem. que vem a ser o primeiro de uma série. enquanto seus filhos adoecem numa estranha orfandade. aí entram nas lojas com brinquedos muito pouco educativos que compram o consolo dos pais. os quais vão permitir comprar um apartamento novo. ele e ela recebem prêmios. trabalhou automaticamente. no lazer. os filhos estão distantes. levá-los ao trabalho) e mais máquinas eletrônicas etc. Mal sabem eles que tais viagens são vividas. pelas crianças pequenas. devido a algum incidente desagradável de adolescência.1284 seguinte situação: pai ou mãe saem de casa às sete ou 8 da manhã e pouco vêem o filho. No entanto. pois os pais escolhem escolas de perfil competitivo. durante anos. O tempo passa e a empresa oferece máquinas que mantêm este indivíduo ligado à atividade profissional. No fim de semana. voltam para casa. esquivos. deste modo. uma TV nova. Um outro dia vem a depressão como resultado da fraca vida interior.

não robotizados. é preciso que se escolham quais fotografias de tempo serão guardadas. conversando com pessoas aposentadas com este histórico de vida. às vezes por um drama. que usam o coração como bússolas e não esfarinham suas vidas e a dos seus filhos. para crianças. estabelecida pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. eles descobrem que a máscara cai e que.1285 não usufruiu nada com os filhos. Segundo ele. Consciência é escolha. de fato. no melhor estilo escravagista moderno. Um dia mais adiante. entre adolescente americanos em 2000. 73% disseram que os pais passavam muito pouco tempo com eles. as crianças deveriam passar os primeiros anos da vida brincando. Hoje existem mais de 800 escolas Steiner no mundo. está uma vida vazia. 2005) A Academia Americana de Pediatria adverte que a prática precoce de exercícios pode causar problemas de saúde e psicológicos. ou se são os pais. desenhando. É preciso escolher na vida se o patrão determina prioridades. Países estão repensando a prática do aceleramento do estudo. E este país se tem mantido em primeiro lugar na classificação mundial de desempenho educativo. Em pesquisa na revista Newsweek. ainda que morando na mesma casa. Durante estes 80 anos de . na primeira carta de criança pedindo ajuda. O “escravo feliz” não pode deixar de acordar no primeiro choro do filho sem partilha. Este pedagogo também entendeu a ineficácia de horários rígidos de matérias que fazem os alunos roboticamente irem de um lugar para outro na escola. atrás do “escravo feliz”. mais e mais. (HONORÉ. às vezes por uma tragédia. as crianças começam com seis anos sua formação pré-escolar e o aprendizado formal aos sete anos. observou que ninguém lembra de nenhum “memorando que era imprescindível”. A autora. Rudolf Steiner se opunha à alfabetização antes dos sete anos. sem conexão com um sentido fluente. Na Finlândia. aprendendo histórias e sobre a natureza. e outras novas estão sendo abertas. nem os viu crescerem.

2005. a procura cada vez maior por escolas Steiner no mundo reflete uma evolução. em 1980. Formado biólogo. Leciona Psicologia. A educação é vital. 2 – A corrente puero-centrista. 4 – A corrente tecnocentrista. que reflitam os valores de suas aspirações. Psicologia Experimental na Universidade de Neuchâtel. Baseando-se na observação de seus filhos. ‘membro da comunidade e sujeito social’. Para isto. em 1896. ela entende também que as pessoas devem buscar escolhas. pois segundo Roland Meighan. que tem por finalidade a transmissão. Escreve A Linguagem e o Pensamento da Criança. que ‘tem por finalidade adaptar o aluno à sociedade técnica e industrial’ (LIBÂNO et al. pois ela pressupõe uma cosmovisão. p. a formação e o desabrochar do aluno-pessoa’. começam também a fazer perguntas sobre tudo mais – política. que ‘ tem por finalidade formar um homem social’. especialista britânico em educação: “Quando as pessoas começam a se fazer perguntas sobre a educação. na verdade. (HONORÉ. Em 1946. os pais precisam continuar atentos aos valores que querem para seus filhos e isto é determinante para a escolha da escola onde vão matricular os filhos. Muda-se para a França e trabalha com testes de inteligência infantil. até porque o conhecimento se constrói todos os dias. pois já externou que. seguindo-se depois A psicologia da Inteligência. é interessante conhecer a linha pedagógica que esta segue. estuda e depois publica O Nascimento da Inteligência da Criança. com eficiência comprovada. trabalho”.153) A Pedagogia de Piaget que nasceu em Neuchâtel na Suíça. Pode se ver que existem quatro correntes pedagógicas enunciadas por Allet em 1998: 1 – A corrente magistro-centrista. História do Pensamento Científico. p. 3 – A corrente sociocentrista. de um saber constituído.1286 ensino. que tem por finalidade ‘o desenvolvimento. estudou psicologia e psicanálise. . só entende uma pedagogia para prover uma educação integral. meio ambiente. antes de olhar fisicamente uma escola. que não se fechem em teorias únicas. 2005. A autora fará um brevíssimo sumário das mais conhecidas linhas existentes. Sociologia e Filosofia da Ciência. É importante compreender que os pais mantenham este fundamento da cosmovisão. e faleceu em Genebra.297) Depois que a criança completa os três anos. Porém. pelo professor.

1287 participou da elaboração da Constituição da UNESCO. já abarcando algo da dimensão espiritual da criança. pensando numa pedagogia voltada para a educação na primeira infância. e que a adaptação ao meio. (PIAGET. órgão das Nações Unidas para educação. Esta tem sido a pedagogia dominante no mundo – ou ela. ciência e cultura. 2002. por ele negligenciados. Praticamente só 50 anos depois é que serão publicados seus livros A Formação do Homem. publica O Método de Pedagogia Científica e entende que deve haver materiais pedagógicos específicos para crianças entre seis e 11 anos. 2005d) . com as descobertas da Nova Biologia. Além disto. discípula de Piaget. A Psicologia da Criança. como foi o caso da pedagogia desenvolvida por Emilia Fereiro. 1967. entendido como meio físico. Em 1909. ALMEIDA. em 1966. 2005b. 2005a. Em 1967. começa a se dedicar ao ensino. psiquiatra. Na verdade. tem na vida. grande peso. ou algo que dela derive. (PINTO. A ênfase de Piaget se mostra em sua própria formação que é a da aquisição do conhecimento para a inteligência matemática. são de extrema importância no desenvolvimento. 1978. 2005d) Maria Montessori. afora isto a genética em que se baseou a maior parte do seu arcabouço teórico ruiu. diferente do que Piagert pensava. hoje. Inúmeras pesquisas foram mostrando que o papel desempenhado pelos processos afetivo e cognitivos. Escreve Introdução à Epistemologia Genética e. a relação entre desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento social é mais complexa do que ele formulou. escreve Biologia e Conhecimento. Para Educar o Potencial Humano e O que você precisa Saber sobre Seu Filho. as inúmeras pesquisas que surgiram deixaram patente que. Assim como também ruiu a visão de psicologia que não emprestava valor ao conhecimento antes dos dois anos e meio. PINTO. o desenvolvimento cognitivo não é o que mais importa. Em seu livro A Formação do Símbolo na Criança afirma: “a criança não reflete”.

espacial. 125 p. e tem duas filhas. tenta uma aproximação pedagógica mais voltada para o ser. lógico-matemática. (GARDNER. 1988. porém. o Desenvolvimento das Funções Psicológicas Superiores. e estuda Direito. acontece a Criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). a noção de que uma criança pode comportar-se em uma situação imaginária sem regras. terceiro. 2005c) Vygotsky buscava resposta para três questões fundamentais: primeiro. Parece que ele não compreendeu a função meditativa do brincar. É importante. escreve O significado Histórico da Crise da Psicologia e em 1931. Ele fala de sete inteligências: lingüística. lecionou literatura. começa a escrever os seus artigos.1288 Lev Semenovich Vygotsky nasceu em 1896. 1998) As três questões enfocam o ser que produz. e organiza Laboratório de Psicologia para Crianças Deficientes. (REGO. perceber que há outras dimensões que precisam desenvolver-se. . Em 1922. p. escreve Educação e Atualidade Brasileira. a natureza. Em 1959. no mesmo ano. Gardner. segundo. compreender o ser humano e seu ambiente físico e social. Sempre que há uma situação imaginária no brinquedo. Em 1934 publica Pensamento e Linguagem e. O que restaria se o brinquedo fosse estruturado de tal maneira que não houvesse situações imaginárias? Restariam as regras. Em 1925. apud LUZES 2003) Outro autor. das relações entre o uso de instrumentos e o desenvolvimento da linguagem. é simplesmente incorreta. passa a lecionar no Setor de Educação e Cultura Social. Ainda em 1925. em 1924. ano morre. musical. em Osrha. lida pela autora. escreve sobre Psicologia da Arte. mais aquelas que têm sua origem na própria situação imaginária. (VYGOTSKY. Portanto. 1994) Paulo Freire nasceu em 1921. há regras – previamente formuladas e que mudam durante o jogo. Em 1947. casa-se. (PINTO. no mesmo. mas consegue não usar a palavra “sentimento” em toda a sua obra. Em 1927. corporalcinestésica e pessoal. chega a abrir uma editora. é convidado a trabalhar no Instituo de Psicologia de Moscou e. identificar as novas formas de atividade que fizeram do trabalho um meio fundamental de relacionamento entre o homem e.

1981b. 2004. torna-se professor da Unicamp. Em 1971. p.1289 Dedica-se a alfabetizar filhos de trabalhadores rurais. Em 1968. Em 1982. p. A dimensão social tem forte matiz na pedagogia de Freire. 175) A pedagogia formativa não pensa exclusivamente na formação para o mercado de trabalho. no Chile. como a inteligência. 2003) Portanto. 137) O profissional está como que inevitavelmente condenado a ser competente. capaz de construir sua felicidade mediante conhecimentos. 83) . 2005e) Por 30 anos Paulo Freire defendeu que o conhecimento não se transfere o conhecimento. “Todo o nosso problema educacional tem orientação falha: vê apenas a criança que deve ser educada. p. Isto significa encarnar o conhecimento como uma razão de ser. publica a Importância do Ato de Ler. resulta da relação professor aluno. participando de ações educativas em outros continentes. (JUNG. e deixa de considerar a carência de educador no adulto”. Em 1969. como na África. Em 1964. em 1991 publica a Educação da Cidade. o Programa Nacional de Alfabetização (PNA) é oficializado. se constrói. (JUNG. Este aspecto vem contextualizado dentro da formação de uma juventude competente profissionalmente. Em 1970. depois. (JUNG. Devido a questões políticas fica exilado na Bolívia e. vai viver nos Estados Unidos onde leciona em Harvard. fortalecendo a auto-estima. 1981b. (PINTO. também. 1981b. p. publica Extensão ou Comunicação? Em 1980. em Genebra. torna-se consultor do Conselho Mundial das Igrejas. (SANTOS. mas. (SANTOS. escreve A Pedagogia do Oprimido. Publica Alfabetização e Conscientização. 174-175) O educador deve sempre ter em mente que pouco adianta falar e dar ordens: o importante é o exemplo.

2005. necessitando para isso integrar conhecimentos de neurologia. 1998) Wallon propõe um estudo integrado do desenvolvimento que envolva vários campos funcionais. baseada na concepção idealista. 10) . que limitam a compreensão do psiquismo humano a um ou outro termo da dualidade espírito-matéria. (STEINER. Ressalta para isto a importância do grupo. Para Wallon as emoções podem ser consideradas como a origem da consciência. (GALVÃO. Seu trabalho consiste na elaboração de uma psicogênese da pessoa completa. cuja visão organicista coloca a consciência como simples decalque de estruturas cerebrais. como fundamento do que faz na escola. (GALVÃO. motricidade. assim como aos materialistas mecanicistas que proclamam as bases biológicas da ciência psicológica. nos quais se distribuem as atividades infantis (afetividade.1290 Henri Wallon opõe-se às concepções reducionistas. Defendia a plasticidade do sistema nervoso e evidenciou as estreitas relações existentes entre movimento e psiquismo. 2002) Rudof Steiner entendia que o professor moderno deveria ter. uma ampla visão do universo. inteligência). antropologia e psicologia animal. Wallon tece críticas à psicologia da introspecção. escritor. psicopatologia. bem como o papel fundamental do meio social. 1998) Buscando apreender a função da emoção. (WALLON apud ALMEIDA. 1981 b) Jean Paul. que deve ser buscado o significado das emoções. e não sobre o meio físico. escreveu: “Nos três primeiros anos o homem aprende muito mais para a vida do que nos três anos acadêmicos” (STEINER. Wallon defende que as emoções são reações organizadas e que se exercem sob o comando do sistema nervoso central e que é na ação sobre o meio humano. p.

1992) Se alguém quer educar. fica aquém das necessidades educativas da criança. da mesma maneira como aprende a criança a andar. há uma certa dependência de uma para a outra atividade.) é um fato verdadeiro que. Porém. se a pedagogia for centrada na volição e emoção. o organismo inteiro é ativo. (KÖNIG. 2002) A criança percebe a cor complementar e reage a ela. (STEINER. isto é. p. recordar (lembrança rítmica) e lembrança imaginativa (lembrar). 14% de adjetivos. é um produto da orientação no espaço". Nesta mesma seqüência. ela surge em três etapas: perceber (lembrança localizada). e 22% de adjetivos. portanto. a orientar-se no espaço.8 anos: 78% de substantivos. a deslocar-se de um lugar a outro. ela produz intimamente a imagem complementar verde. . 174) Na pedagogia e no ensino futuro. compõe-se de 63% de substantivos. Os movimentos exteriores se transformam nos movimentos internos da linguagem.3 anos a criança usa 100% de substantivos. 1996. a falar por volta de dois anos.1291 A criança começa a andar por volta de um ano. se uma criança está agitada e for exposta à cor vermelha. diz Steiner (2005). que primeiro seja educado. é um produto do andar. Assim. e a pensar por volta de três anos. 2005) No desenvolvimento da linguagem: aproximadamente aos 1. (. entre 1. Mesmo para aqueles que não cogitam uma reforma do ensino e da pedagogia. (STEINER. Até o terceiro ano a memória está formada e é a partir daí que se dá um continuum para as experiências diárias. (KÖNIG. O falar. e 23% de verbos.11 anos sua linguagem. quando a criança está começando a falar. chega o andar a manifestar-se como linguagem. Steiner dizia que se deveria dar ênfase ao cultivo da vontade e da vida emocional. E a produção desta cor tem efeito calmante. (JUNG. 1981b. e aos 1. Afirma ele: por um misterioso processo do organismo humano. 2002) Quanto à memória.

o respeito aos ritmos e à percepção da criança dentro do seu contexto familiar. sentir e fazer. 2006) O que a autora vem percebendo nestes anos é que os pais que tiveram filhos com estas cinco condições de que se fala na tese. ao mesmo tempo em que a capacidade destas crianças é desenvolvida ao máximo e sem estresse. uma tribo aborígine de uma província em uma colina do Sul de Mirzapur. Os Três Primeiros Anos de Vida e Antropologia A criança que necessita de proteção de forças malignas foi algo que se verificou em muitas culturas. pois é plena. explorar e elaborar o mundo. A atividade criativa e constante.1292 A criança precisa vivenciar. a pedagogia que mais se expande hoje no mundo consciente é a Waldorf. Entre os Majhwâr. As crianças que irradiam felicidade são também líderes natos para as outras crianças. p. p. CLÖCKER. 21) 9. (GOEBEL. A arte é parte fundamental do ensino.234) . E irradia felicidade. brincando. (CROOKE apud FRAZER. (REICH. Deste modo. porém rítmica. um instrumento de ferro tipo uma foice ou um talhador de arequeira é constantemente mantido perto da cabeça da criança durante seus primeiros anos de vida com a finalidade de repelir os ataques de fantasmas. 1980c. permite o desenvolvimento da vida reflexiva. Na escola todas as atividades devem estar bem estruturadas na direção de pensar. (GUERRA et al. não pensam em colocar os filhos numa escola que não dará seguimento a este trabalho que fizeram com seus filhos. 1987. 1993) A pedagogia Waldorf almeja o desenvolvimento integral do ser humano..

e. p. Esta antropóloga observou duas tribos na Nova Guiné: os Arapesh e os Mundugumor. a atividade sexual passa a ser intensa. um ovo perfeito. em cujo leito se coloca um grande colar branco. onde o progenitor ritualmente limpa a boca num colar que seu padrinho lhe estende. chamado ritualmente “enguia”. o qual se tornará seu padrinho e executará a cerimônia necessária. Em seguida. sem tocar o tabaco com as mãos. 1979) No momento do parto. sendo os primeiros uma tribo marcadamente terna. usando de uma varinha para se coçar e ingerindo todos os alimentos com uma colher.1293 Duas tribos observadas por Margaret Mead são demonstrações da questão tratamento do bebê e tipo de civilização que se desenvolve. o pai não pode estar presente. isto é. pois eles entendem que no primeiro momento o feto é formado pelo sangue da mãe e o esperma do pai. Os dois receberão cuidados vindos das esposas do irmão do pai. o pai bebe a . (MEAD. A mulher que deseja conceber deve ser tão passiva quanto possível” (MEAD. O pai do recémnascido e seu padrinho descem ao poço. Ela descreve que eles têm uma atividade sexual diferenciada. é levado à beira d’água. onde foi construída uma colher. onde foi construída uma pequena choça de folhagens. realizarão pequenos ritos para assegurar o bem-estar da criança. No momento que os seios ficam descolorados e incham. Assim sendo. Após um período de cinco dias. Somente poderá purificá-lo deste estado um homem que já teve filhos. que poderiam afetar ou o bebê ou o trabalho de parto. A necessidade de um ambiente calmo é sempre ressaltada. Depois ele se travará conhecimento com o bebê e a mulher. diz-se então que a criança “está terminada. 56) Desde então fica interditada toda relação sexual pois é entendido que a criança precisa dormir tranquilamente. e agora repousará no ventre materno. e então observarão restrições dietéticas. O enjôo matinal é desconhecido por esta tribo. quando há intenção de procriar. Isto implica também várias restrições dietéticas. entendendo dois modos de sexo: o que é para divertimento e o que é para procriação. durante os quais permanece na mais rigorosa segregação com sua esposa. alegremente ornamentada com flores vermelhas e ervas apropriadas para a magia do inhame. Esta casinha é levantada perto de um poço. caracterizando a gravidez. 1979. 1979) Entre os Arapesh: O homem que tem o primeiro filho (homem) se vê num estado tão precário como o menino recém-iniciado ou o individuo que matou pela primeira vez numa luta. (MEAD. podendo alimentar-se com a comida que lhe faz bem.

1294 água do poço onde foram mergulhadas algumas ervas aromáticas e perfumadas. 1979. o pai pode dormir com outra esposa se quiser. tanto cuidados higiênicos. a atividade sexual é considerada prejudicadora ao desenvolvimento da criança. ao falo. que ele devolve ao padrinho. não-agressiva e não iniciatória. e banha o corpo inteiro. para a criança ter um lugar onde possa estar para combater o medo ou a dor. e é tabu especial para meninos durante os períodos de crescimento (MEAD. A atividade sexual fica interrompida desde os primeiros meses até as crianças darem. Ela desenvolve relação afetiva com animais e pessoas. e ela dorme em contato íntimo com a mãe. colocada numa cestinha que ela apóia na testa. em geral. de um animal bom. Os pais vão apresentando os seres à criança com voz calma e sempre assegurando que se trata de um alimento bom. Eles acreditam que não é bom nascerem crianças com idade próxima. A mãe a amamenta até três ou quatro anos. 1979) A educação da criança Arapesh faz com que ela tenha comportamentos como Margaret Mead percebeu: “plácida e satisfeita. A enguia está intimamente ligada. outras mulheres podem dar-lhe de mamar. de uma pessoa boa. dócil e confiante” (MEAD. Nos seus primeiros anos a criança nunca está longe dos braços de alguém fica. não competitiva e receptiva. p. de maneira simbólica. 1979. com a mãe. 63). p. O aleitamento permanece. seus primeiros passos. Nesta comunidade o choro da criança é visto como algo urgente de ser acolhido. pois a mãe é sacrificada e as crianças também. não é mais necessário permanecer dormindo com a esposa e a criança. a colocação é mais fácil de acesso ao seio. Mesmo que o pai tenha outra esposa. cordial. O pai cuida bastante do bebê. nunca é deixada sozinha. não obstante alimentos tenham sido incluídos na dieta. 58-59) Pai e mãe cuidam do bebê. Entra na água e consegue capturar a enguia. de acordo com o temperamento da criança. Depois que a atividade sexual é recomeçada. quanto de alimentação e é com ela tão pouco severo quanto a mãe. a mãe explica à . Com o tempo outras brincadeiras com outras crianças passam a interessar mais do que o relaxado aleitamento. (MEAD.

E a adoção nesta tribo pode ocorrer por mulheres que nunca conceberam. e a criança pode entender que uma outra mulher de outro grupo racial. As estórias com rivais são freqüentes. 1979. sem muita delonga quando ocorre a descida do leite. ou nomes semelhantes para as mulheres. E como estes termos são empregados em larga extensão e com total indiferença quanto às gerações. é também alguém em quem pode confiar. As relações sexuais são interrompidas. os próprios parentes da mulher a abandonam. A taxa de nascimento de gêmeos nesta região é superior à de qualquer outra na Nova Guiné. o que agrava o afastamento entre marido e esposa. Carregam-nos somente em caso de necessidade. onde há um forte senso de amizade entre os pares. quando a mulher conta ao esposo que está grávida ele fica insatisfeito. que assim lhe foi apresentada. quando a criança nasce a mãe estará ainda mais distante dela do que seu pai. a ponto de ser difícil saber exatamente quem são os parentes. (MEAD. normalmente quando saem. 1979) Por outro lado. e apertadas. e se alimentam de água de coco e levam o bebê ao seio. 1979) As cestas em que as mães carregam os bebês são em geral duras. “Não há ninguém a quem não chame tio. Se o marido efetivamente começou novo relacionamento. Automaticamente ele fica excluído de atividades de que gostava. 68) É uma sociedade que não conhece violência sexual. e acabam por manietá-los de bruços. para impedir o nascimento de gêmeos.1295 criança que outra mulher é “outra mãe”. até mesmo as gradações de idade nelas implicadas se apagam” (MEAD. Fica constantemente preocupada que ele tome outra mulher por esposa durante o período da gravidez. na tribo dos Mundugumor. A privação sexual é vivida pela mulher como odiosa. p. irmão ou primo. e ambos perdem a confiança na parceria e fidelidade. deixam-os em casa. Enquanto para os Arapesh o choro da . (MEAD. A adoção é prática freqüente nestes casos.

arranham os cestos onde estão. (MEAD. lhe serão finalmente arrebatadas. (MEAD. Um sistema que tornasse o filho valioso como herdeiro. e não tem nada de afeto e carícia corporal mútuas que se observam entre os Arapesh. por dor ou medo isto não ocorre. um homem não tem herdeiro. e no momento em que para de mamar. e sugando-o de modo rápido. poderia combinar o tipo de personalidade do Mundugumor com um interesse na paternidade. 1979) . São canibais. Com o tempo. 190-191). e só se o choro continuar é que a criança é amamentada. E uma vez nascido um menino. (MEAD. com a hostilidade intra-sexual dos Mundugumor. segurando vigorosamente o seio. as pessoas sem sequer olhar para elas. A primeira criança é a mais mal recebida. Assim sendo. Logo que aprende a andar a criança é largada a maior parte do tempo: não lhe é permitido andar longe. por medo de afogamento. por mais que as defenda. A amamentação ocorre de pé. Para o homem a única esperança de força e prestígio reside no número de esposas. apenas filhos que são rivais hostis por definição e filhas que. p. não há contato prolongado. é imperioso que nasça uma menina para poder trocar uma esposa. o aleitamento no seio só ocorre quando a mãe avalia real necessidade de alimento. a criança é devolvida a seu cesto.1296 criança é motivo de mobilização de todos por contato físico com a criança. aqui. outros filhos vão sendo melhor aceitos. ao invés de afeição. (MEAD. 1979) Nesta tribo apenas as crianças mais fortes sobrevivem. como extensão da sua própria personalidade do pai. como resposta possível a seu choro. tingindo o aleitamento em um forte ódio. 1979) Para os Mundugumor o êxito está na capacidade de violência. 1979. mas sob o sistema de casamento Mundugumor. as crianças desenvolvem uma atitude de luta para mamar. uma vez que onde o afogamento ocorrer a água fica interditada para beber. (MEAD. e muitas vezes se engasgam. o que irrita a mãe. com peculiar sexualidade agressiva. e o som desagradável acaba sendo entendido pelo bebê. 1979) Margaret Mead observou: Esta atitude para com os filhos condiz com o individualismo desumano. que hão de trabalhar para ele e dar-lhe os meios de adquirir poder. e calor.

um traço notável das sociedades que praticam o canibalismo parece ser que. Uma vez que inexistem relacionamentos de dominância-submissão nas relações familiares e especialmente nas materno-filiais. Relaciona-se com a cobiça: aquele que leva em sua mão outra pessoa. a homeostase implica uma força vital dinâmica. (MONTAGU. as respostas do bebê são invariavelmente agradáveis. com relação a esse uso.1297 O canibalismo é de essência mágica”. é a chave para a capacidade dos esquimós Netsilik enfrentarem os estresses. este equilíbrio homeostático tem oferecido vantagens seletivas para a sobrevivência tanto do indivíduo quanto de seu grupo... 1986) Quando está com aproximadamente três anos de idade. Essa invariabilidade da resposta de prazer. pelo contrário.55) “A cobiça não quer ouvir falar de sacrifício e de comunidade: ela só reconhece o prazer. Situações ecologicamente estressantes jamais transtornam sua homeostase emocional: ele se defronta com um urso polar enfurecido com a mesma frieza e serenidade com que se mostra capaz de enfrentar a ameaça de escassez de alimentos. respostas altruístas ou agradáveis aos relacionamentos interpessoais e o poder de realizar manipulações simbolicamente. p. a posição atribuída às mulheres raramente é neutra. (SCHUBART. a criança Netsilik já alcançou “as únicas duas características motivacionais necessárias ao seu funcionamento como ser humano auto-regulado”. 1975. 1975) Ora. Eles raramente têm comportamentos adversos a outros indivíduos ou situações. 143-144) O atendimento que a mãe Netsilik dá a seu filho satisfaz as exigências de suas necessidades programadas filo-geneticamente. o faz unicamente para seu prazer e seu enriquecimento pessoal. embora sejam constantemente ameaçados pelas incertezas de seu ecossistema. (KIERKEGARD apud SCHUBART. existe um equilíbrio harmônico . dir-se-ia que se espera das mulheres (se nos permitem a expressão) que “tomem parte”. ela isola. separa. ou seja. A invariabilidade de sua resposta homeostática emocional não implica que estas respostas sejam estereotipadas. (LÉVI-STRAUSS. por conseguinte. Do ponto de vista evolutivo. as mulheres ocupam sempre posição fortemente marcada. sugere De Bôer. Quando a sociedade não as exclui. 1986. mata. p. A própria mitologia faz freqüentemente remontar a uma mulher a origem primeira dos costumes canibais. Em face do canibalismo.

o indivíduo vive relações gratificantes e mutuamente altruístas. Eles se sentavam. As extraordinárias capacidades espaciais dos esquimós.1298 entre o indivíduo Netsilik e sua sociedade. a cerca de 24 km de Kampala. Observou-se que o ritmo do desenvolvimento sensório-motor era acelerado na maioria dos bebês. Lá os bebês passam a maior parte de suas horas de vigília no colo de alguém. amadurecerão suas habilidades espaciais que serão reforçadas por experiências subseqüentes. seus filhos às costas e beneficiava-se da amamentação natural que durava um ano ou mais. (MONTAGU. ficavam em pé. engatinhavam e andavam muito antes do eu. 1986) Em Ganda na África Oriental. às costas da mãe. é incomum que o bebê esquimó urine ou defeque enquanto está dentro da bolsa – amauti – da parka de sua mãe. 1986) Todavia. tal mãe ficou muito espantada pela implicação da pergunta: que poderia haver mães tão “estúpidas” que não conseguissem sabê-lo. e sempre recebia a mensagem a tempo. que é a média constatada em bebês das sociedades ocidentais. talvez estejam intimamente relacionadas a essas experiências iniciais. 1986) Os movimentos da mãe durante a execução de suas atividades rotineiras dão à criança esquimó uma visão do mundo a partir de um amplo ângulo. a mãe lhe dá delicados tapinhas ou faz carícias. Otto Schaeffer perguntou a uma mãe esquimó como é que ela sabia quando seu bebê queria urinar. Ainsworh atribui isto ao tipo de atendimento recebido pelo bebê. da África Oriental. Quando o Dr. A maioria das mães ainda carregava. com base nesta visão. assim como suas notáveis habilidades mecânicas. Mary Ainsworth realizou um estudo detalhado das práticas de criação de filhos junto aos Ganda. Enquanto segura o bebê nos braços. . Seu estudo de campo foi conduzido numa única aldeia. a Dra. (MONTAGU. (MONTAGU.

o estudo de Ainsworth lida apenas com os primeiros quinze meses de desenvolvimento da criança de Ganda e nada nos informa a respeito dos traços posteriores de personalidade do adulto deste povo. e alimenta-o. criança é tirada da mãe e dada a uma outra mulher de outra aldeia para ser disciplinada e “socializada”. para quem é oferecido. Ele também é o centro do interesse para vizinhos visitantes. para onde for. atados à lateral de seu corpo por sacolinhas de couro macio de onde podem facilmente alcançar o . frequentemente num contato pele-pele. pois constatou que os recémnascidos e os bebês até dois anos mostravam vantagens consideráveis tanto de desenvolvimento físico quanto intelectual. quando comparadas também com as crianças de Ganda criadas à européia. o que é ainda mais significativo. que passou muitos anos morando com os Kung. 1986) Lorna Marshall. presumivelmente porque tinham perdido habilidades adquiridas antes. que estudou 308 crianças de Kampala. se comparadas às crianças européias de idade equivalente e. ela dorme com ele. A mãe nunca o deixa e o carrega às costas. que está sendo constantemente reforçada pela alta freqüência de contato tátil. Essa é a tarefa para a mãe substituta. Géber descobriu que essas crianças passavam por uma acentuada desaceleração em seu desenvolvimento. Porém ao atingir a idade de dezoito meses e até os dois anos de idade. assim que foram trocados os cumprimentos de prazer como parte do ritual. A mãe natural não vai “treiná-lo”. (MONTAGU.1299 Infelizmente. 1986) Os dados levantados pela Dra. observou que eles vivem uma sensação de pertinência e companheirismo. Marcelle Géber. endossam também essa última possibilidade. num período que se estendeu de 1950 a 1961. As crianças examinadas antes e depois do desmame mostraram acentuadas diferenças de comportamento. Os bebês Kung são carregados pelas mães a maior parte do tempo. algumas delas mostravam menos capacidades que antes. A Dra. e nas relações pessoais e sociais. (MONTAGU.

pois um poder assim o determina. nosso Senhor. 22 Pela fé José. quando estava para morrer. p. À noite. fez menção do êxodo dos filhos de Israel. p. vindo do cuidado aos bebês. Na Bíblia. p. 74) Hebreus: Capítulo 11 Versículo 21 Pela fé Jacó. ou então brincam ao alcance da mãe. Eles não usam roupas e estão em contato direto de pele com suas mães. amontoam-se em cima dos mais velhos. pois assim lhes é imposto pelo desamparo de seguridade social. (BÍBLIA. e ele deu mandado a respeito dos seus ossos. cuja dignidade é narrada acima dos céus! 2 Da boca de crianças e de bebês fundaste a força. Salmos: Capítulo 8 Ó Jeová. prolongadamente como a mãe de Moisés. Tu. Quando não estão nos braços da mãe nem atados à lateral de seu corpo. Nos dias atuais. 1983. o poder que comanda. Os Três Primeiros Anos de Vida e Tradições Talvez um mito que se pode dizer que não foi superado por nossa civilização é o mito de Moisés.651) A orientação que aí se vê é que é importante que os pais controlem sua raiva. abençoou a cada um dos filhos de José e adorou encostado na extremidade do seu bordão. que ficam deitados conversando. mas toda filha deveis preservar viva” (BIBLIA. ou quando são colocados no chão para brincar. porque viam que a criancinha era bela e não temiam a ordem do rei. foi a ordem do Faraó. (BÍBLIA. pois é deles que vai surgir uma nova humanidade mais harmônica.1300 seio materno. estão no colo de alguma outra pessoa. Mulheres que não vão sequer poder ter a chance do contato com o filho. 1983. pois o ato com raiva é tremendamente humilhante. Êxodo: 1: “Todo filho recém-nascido deveis lançar no Nilo. próximo do seu fim. (MONTAGU.1363) Nesta passagem fica claro que grande reino pode existir na terra. . 1986) 10. 183. Moisés foi escondido pelos seus pais por três meses depois de ter nascido. Mamam quando e quanto querem. quão majestoso é o teu nome em toda a terra. 23 Pela fé. este arquétipo da criança abandonada que é colocada num rio. dormem nos braços da mãe. são mulheres de todo mundo que deixam seus filhos em creches.

profundo que cresce entre criança e os pais. é bem clara na observação de Nancy Bullock: Para satisfazer as necessidades de uma criança. 93) Na teosofia: A percepção de nossos campo mentais como influenciam o estado do bebê. maridos. filhos. . estai sujeitas aos [vossos] maridos. pois a criança adquire nos primeiros anos de vida uma estrutura de ego que nunca a abandona . em tudo sede obedientes aos [vossos] pais. • A depressão pós-parto é conhecida medicina tibetana. • Contínuo vínculo mãe e pai e criança e membros da família é essencial para o desenvolvimento do cérebro da criança. a atitude interna da pessoa é muito essencial.. Muitas vezes os nomes são escolhidos pelo Dalai Lama. porém fazemos muito pior quando nós trazemos pensamentos odiosos e mórbidos conosco. e família. p. persisti em amar as [vossas] esposas e não vos ireis amargamente com elas. 78 -79) Clara Codd no livro Thought: The Creator. 1981. p. pais. 19 Vós. 21 Vós. Nós não sonharíamos com entrar no quarto de uma criança se tivéssemos uma doença contagiosa ativa. para o bem ou para o mal. (MAIDEN e FARWELL. A ansiedade é transferida prontamente para o bebê e prejudica seus corpos sutis. pois é crucial. • Existe um tempo para união da família depois do nascimento. para que não fiquem desanimados. 1983. p. fala daquilo que na prática psicoterápica resulta ser de observação constante: a mais invisível de todas as influências. Agir exteriormente como se estivesse amando e intimamente estar apressado. antes da celebração onde a comunidade pode dar boas vindas à criança. refletindo quase como um espelho os pensamentos e os humores das pessoas crescidas à sua volta. (BÍBLIA. assim como é decente no Senhor. não estejais exasperando os vossos filhos. imoral. assim como é apoiado o relacionamento mãe-filho.. dá à criança senso de insegurança e agitação. pois isso é bem agradável no Senhor. o máximo possível protegidos de tudo o que for feio. Que o vínculo se desenvolve a partir do amor.1301 Colossenses: Capítulo 3 Versículo 18 Vós. Crianças podem sentir-nos e eles sempre reagirão de algum modo. Então bebês devem ser. e no desenvolvimento no útero. 1997. No dia ou semana em que a criança nasce é que lhe é dado o nome. chama a atenção que: • É entendido que o vínculo ocorre durante a pré-concepção. que se evidencia quando se cuida de crianças é que elas são extraordinariamente responsivas. (PARENTS THEOSOPHICAL RESEARCH GROUP. e o tratamento é feito logo depois do nascimento.1335) Na tradição tibetana. • O nome do bebê é geralmente um modo de ele manter conexão com sua linhagem espiritual. desarmônico. 20 Vós. esposas.

a verdadeira pedagogia é uma pedagogia do centro. mental e espiritual da mãe junto à criança gera danos consideráveis à educação (AÏVANHOV. 1999) “A educação atual fica na superfície. 1999. Não sabem que para iluminá-los é necessário ser luminoso. nos seus primeiros anos de vida. 1981) A experiência me demonstra que o trabalho da mãe. que aguarde o pior. e não alcançará sua plena maturidade física. 1999. O. psíquica e espiritual. p. 148 -149) “Tenho dito sempre que a melhor profissão. O principal fator para a saúde mental e moral se desenvolver é o amor. a mais nobre. Os três Primeiros Anos de Vida e a Arte Na visão de Goethe a boa educação.155) 11. J. Ora. que para vivificá-los é forçoso estar vivo. “Podiam-se parir meninos educados Se os pais já fossem bem-criados” (GOETHE. O. que não estiver preparado para inspirar o melhor. p. 1999. Os educadores querem impor às jovens gerações qualidade morais que eles mesmos não possuem e dos quais não conseguem dar-lhes exemplo (AÏVANHOV. 149) Acredita no que te digo: todos esses eloqüentes pedagogos desconhecem completamente a verdadeira pedagogia. que o livre arbítrio a fará desenvolver. W. é a de educador. de pedagogo” (AÏVANHOV. 1986) . isto é um grave erro. o afastamento físico. sofrerá devido a esta falta pelo resto da encarnação. A criança que não teve suficiente amor. É fato que nelas habitam as boas e mais tendências. (AÏVANHOV. se pais e mães tiverem sido desenvolvidos para tanto. O. é possível de ocorrer. O. 1999) Muitos hoje acham que a educação é algo que deve vir do exterior. (PARENTS THEOSOPHICAL RESEARCH GROUP. p.. O.1302 inteiramente depois.” (AÏVANHOV. na periferia.

coitado desse menino! Que pais. até que se cure. E ainda que os meus irmãos discutam para ver quem fica comigo. faz com que eu possa diverti-los a todos.1303 Por outro lado não há declaração mais cristalinamente clara e verdadeira que: “A primeira violação. e reunir a minha família comigo. até que volte. para passar alguns momentos comigo. não te peço muito. . mesmo quando está cansado. é um texto anônimo. . . professora do ensino fundamental. Ao fim da tarde. leu uma que a deixou muito emocionada. mas extremamente importante: Quero Ser Uma Televisão Ana Maria. respondeu: .Transforma-me na televisão.Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona."! E ela olhou-o e respondeu: . a quem perguntaram a qual dos filhos mais amava."Lê isto. Este quadro foi a ilustração do XVI Encontro de .Ao pequenino. 239) Este texto abaixo. que. 1967."Senhor.Quero ter as atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas. (Al-Asbahami) (O Alcorão. cansada ou aborrecida. .. . Viver como a TV da minha casa.Quero ocupar o lugar dela." Era a redação de um aluno. p. 2006. quando corrigia as redações. pediu aos alunos que fizessem uma redação sobre o que gostariam que Deus fizesse por eles. a família quase nunca é retratada com esta interação que aparece no quadro de Reynolds.Ser levado a sério quando falo. ao ausente.Senhor.. -Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado. só quero viver o que vive qualquer televisão" Naquele momento. de seu habitat natural”. o marido de Ana Maria disse: ."O que é que aconteceu?" Ela respondeu: ."Meu Deus. O marido.. Ter um lugar especial para mim.. viu-a a chorar e perguntoulhe: .."Esta redação é do nosso filho". até que cresça. esta noite peço algo especial: . ao enfermo.. (Nils Bergman apud GARCIA. nesse momento acabava de entrar. 53) Amor de Mãe: Uma anedota popular árabe conta que uma mãe. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha. E. (Autor desconhecido) Na História da pintura. de vez em quando. . p.. por fim..Ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa. o pior que pode ocorrer a qualquer criatura recém nascida é a separação de sua mãe. .

que aconteceu em novembro de 2006. Naquele tempo. ainda hoje. Teve esmerada educação. Depois de ir para a Holanda e se inspirar nas obras de Rubens. Tela 14. 1972b. e um ano depois fica cego. Figura 123: Lady Cockburn e seus Filhos. Voltando de uma longa viagem. 1774. um documento histórico de sua época. em 1723. reitor de uma escola de latim e grego. através da influência deles. 1996b) A autora acredita que. Joshua Reynolds. por ordem do Faraó. pinta sua grande obra Máster Hare. Na bagagem de sua formação pictórica estava a admiração pelos clássicos: Van Dyck. no Rio de Janeiro. National Gallery. Tintoretto e o Veronês. começa em Londres a pintar clientes ricos. é preciso que a sociedade . pintor inglês. Tiziano. (VALSECCHI. Hoje.5 X 113 cm Londres. sem apoio de nenhuma securidade social. em 1792. obrigam as mulheres a deixarem seus filhos nas creches. a mãe teve que deixar seu filho no rio. (PASQUAL e PIQUÉ. os poderes constituídos da sociedade. 490) Joshua Reynolds. acaba. os discípulos terminaram uma longa galeria de retratos.1304 Gestação e Parto Natural Conscientes – A Vida Bem Vinda.400 retratos. era filho de um clérico. a ser indicado para a Royal Academy. Pintou mais de 2. p. e morreu em Londres. a sociedade não resolveu o mito do abandono de Moisés. nasceu em Plympton.

Nicolas Poussin. 1972b. Figura 124: O Abandono de Moisés. (HINDLEY. pois não resolver é o roteiro para repetir. 1982.1305 resgate os Moisés que ela abandona. (VALSECCHI. isto é um dos pontos para as fundações de uma sociedade fraterna. 220. 185) Figura 125: Moisés salvo das águas. Paolo Calliari dito o Veronese. p. Madrid. Museu de Ashmolean em Oxford. VICENS. tela 150 X 204 cm. 1978c) . p. Se os professores. e os entregue as suas mãe e pais e irmãos. Tela 56 X 43 cm. Museu do Prado. projetarem a imagem destes quadros. e só lembrar isso já é um primeiro passo para resolver. seus alunos poderão lembrar de se julgar abandonados em criança. 1645.

(THUILLIER e CHÃTELET. Aos 14 anos foi aprendiz do pintor Antonio Badile. Depois de trabalhar junto a um arquiteto. Começa então a pintar motivos bíblicos. e falecido em 1588 em Veneza. Morreu aos 70 anos. de um resfriado. recebe um prêmio. 1967i. Nicolas Poussin.117) Figura 127: Moisés Salvo das Águas. 85 X 121cm (GIBELLI. que com o tempo seria seu sogro. 1964. Depois de sair da tutela do mestre. Paris Mouseu do Louvre. p. p. Para ele Veneza era uma terra sem outonos ou invernos.49) Paolo Calliari. 1996b) . começa a trabalhar com afrescos. o pai trabalhava com mármore. Charles de La Fosse (1636 – 1716).1306 Figura 126: Moisés salvo das Águas. faziam parte da banca Tiziano e Sansovino. pintor italiano nascido em 1528. (PASQUAL e PIQUÉ. em Verona.

ocultando o ser humano. eram os trabalhos que tomavam tempo: eram pesados. mas de outro lado enfrentando dificuldades e rudeza. como a água poder aparecer no poço vazio. e demorados. e os artistas os ignoravam e não os retratavam. esperava-se como um milagre. A estrutura familiar apresentava-se plena e ávida de pequenos arroubos de fé de um lado. ou quando muito a do próprio pintor. Na verdade. . p. 93) Uma das razões que tornava difícil para os pais. nem tão compartilhada assim com seus familiares. só a sagrada era retratada. No momento que se vivia. o resultado era não exatamente união. Estes são alguns retratos de cenas domésticas. (BROWN. mas sim cada qual vivendo sua história particular de dor.1307 Figura 128: Escultura de Nefertite e Akenaton. o tempo para os pequenos sempre foi diminuto. olharem seus filhos. 1992. das poucas que existem na história. pois a família. não era muito importante.

(KUNSTLER. 1973.1308 Figura 129: A Lavadeira.41) Figura 130: O Milagre do Poço. Pissarro. 84) . Museu do Prado. coleção particular. Alonso Cano.5cm X 46 cm. Estados Unidos. Óleo sobre tela 216 X 149 cm. p. tela 54. p. 1995c. 1645. (LOPERA e ANDRADE. 1878.

MATHEY. exatamente do povo. Louis lê Nain. 53) A proximidade com a miséria atingia muitos camponeses na antiga Europa. (VICENS.1309 Figura 131: Família de Camponeses em Interior. LACLOTTE e CUZIN. Figura 132: A Charrete. Museu do Louvre. p. p. 1978. Luis lê Nain. e não de mecenas. 54. 147. 144) . 1951. Museu do Louvre (VICENS. 1993. e este pintor foi um dos melhores retratistas da história da pintura. 1978. p.

era natural que os bebês fossem enfaixados. 1967m. e com tudo o que se sabe.desdenhado. 258 X 180 cm. Estes quadros são depoimentos pictóricos deste fato que durou tanto tempo. . a se observar pela datação dos quadros. Galeria Nacional de Londres.1310 Este é outro retrato de como o ser humano ainda não percebeu como é sagrado o corpo de uma criança. um pintor tem a percepção de colocar o livro – símbolo da sabedoria . p. Figura 133: A Circuncisão. mas no chão. tal prática mutilatória. Luca Signorelli. em tal cena. (GIBELLI. 49) Conforme é citado na psico-história. é cada vez mais inaceitável. Como se observa no quadro abaixo que retrata uma circuncisão.

Museu do Prado (VICENS. 1982. 90) Figura 135: A Adoração dos Pastores. p.1311 Figura 134: A Adoração dos Magos. 186) . 1978 d. Museu do Louvre. p. 1622. tela 107 X 137 cm em 1640. Velázquez. (HINDLEY. Georges de la Tour.

1989.76 X 0. 82) Figura 137: O recém-nascido. tela 0. 69 x 86. Georges de la Tour (1593 -1652). Berlim. do Museu Preussischer Kulturbesitz. Museu Gemäldegalerie Staatliche. (MATHEY.1312 Figura 136: A Apresentação no Templo. p. (BERNARD.3 cm. 1951. 91. 35) . p. Museu de Rennes. Andrea Mantegna (1401 – 1506).

3. Figura 138: Mulher com Kintoki às Costas. 1983. Museu Guimet. 10) Ao ler esta passagem no mito. A seguir.1313 Conforme foi ressaltado no capítulo Os Três Primeiros Anos de Vida e Antropologia. proporcionam a segurança deles e um melhor desenvolvimento cerebral. Kitagawa Utamaro. está a figura de Mãe e Filho. da Nigéria Yoruba. Mesmo nos dias atuais. E ao sétimo dia. também registrada na escultura e presente neste trabalho. E Deus passou a abençoar o sétimo dia e fazê-lo sagrado” (BÍBLIA. Deus havia acabado a sua obra que fizera e passou a repousar no sétimo dia de toda a obra que fizera. 1978a. p. a alegre gravura japonesa. muitas famílias devotam à TV a ocupação do seu dia livre. mas oriental. Chama a atenção que a ilustração abaixo não seja européia. Paris. (VICENS. 1806. no capítulo anterior. o que este . p. Deus criou o mundo e depois reprovou.308) Este é um quadro que retrata uma rara cena. a família e o lazer. Na verdade. Deste modo. Como exemplo de cultura africana. em algumas culturas as mães carregam seus filhos colados pele a pele. no próprio mito cristão. “Gênesis: 2.

79) . apreciou sua criação. e hoje cada vez mais se sabe em medicina que o ritmo é fundamental para a saúde. degustou. Figura 139: Banho em Asnières. GIBELLI. O fato de serem raras as famílias retratadas em descanso. Deus que havia criado em todos os outros dias. saborear. parou. que é preciso criar. um é o ritmo. Georges Seurat. usufruiu. p. faz pensar sobre o quanto é preciso ainda que o ser humano se esforce para sair de automatismos. Delegar este dia a qualquer automatismo é dar as costas. e isto pode ser melhor feito quando se faz com quem se ama.1314 arquétipo do sétimo dia comunica é que neste dia. 1967n. p. ao que a estrutura desta passagem mostra. e desfrutar. 201 X 302 cm. 239. o caminho da consciência. Isto ensina o caminho da consciência: e é no dia livre onde mais se pode exercer a escolha. E mais que parou. 1982. Porém ainda mais. São dois aspectos. (HINDLEY.

p. 67 X 57 cm. 1978c. Museu de Arte de Baltimore.1315 Figura 140: O Descanso Durante a Fuga para o Egito. Coleção Mary Frick Jacobs. Lucas Cranach. p. Jean-Honoré Fragonard (1732-1806). (BERNARD. (VICENS. 1989. 310) Figura 141: O Repouso Durante a Fuga para o Egito. 1550. 68) .

1978b.1316 Como intuíram os grandes pintores. 1967m. 248) Figura 143: A Virgem e o Menino com Dois Santos (detalhe). Sandro Botticelli. 127. Rafael de Urbino. Milão (BERNARD.70) . VICENS. 1989. (GIBELLI. Isso aparece simbolizado com as madonas apresentando livros aos bebês que têm ao colo. 215x148 cm. Museu Poldi Pezzoli. p. Figura 142: Madona do Livro. p. p. a interação do cérebro materno com seu bebê permite um melhor desenvolvimento cognitivo emocional.

Musée Royal dês Beaux – Arts Bruxelas. Frans Floris de Vriendt. 1978b. 1. Figura 145: A Sagrada Família.93m. como foi representada na figura 129. (BERNARD. (BERNARD. VICENS. p. p. p. 249) Na História da Humanidade. 1989. No nosso mito cristão. 126.1317 Figura 144: Madona do Magnificat dos Uffizi. só as famílias dos deuses mereciam representação. 1989. 1485. Botticelli. a família retratada tem sido a de Jesus. 59) .25 x 0.

p. 1645. 1994. óleo sobre tela. 37) . (PASQUAL E PIQUÉ. ANO. Diego de Siloé.1318 Figura 146: Sagrada Família. 79) Figura 147: A Sagrada Família com Anjos. (MANNERING. P. Rembrandt.

224) O que os professores precisam. onde todas as famílias sejam sagradas. Alte Pinakothek. ao expor seus alunos a estes quadros. é inspirá-los para que a humanidade viva uma nova realidade. p. . Rembrandt.1319 Figura 148: A Sagrada Família. 1634. 1978. (VICENS.

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