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3942373 Os 3 Primeiros Anos de Vida

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  • 1. OS TRÊS PRIMEIROS ANOS DE VIDA
  • 2.1 Estados de Consciência – Ciclos
  • 2.2 Visão
  • 2.3 Audição
  • 2.4 Coordenação Motora
  • 2.5 Tato
  • 2.6 Olfato
  • 2.7 Paladar
  • 2.8 Integração dos Sentidos
  • 2.9 Sorriso
  • 2.10 Choro
  • 2.11 Sensibilidade para o Desconforto e para a Dor
  • 2.12 Imitação e outras Evidências do Desenvolvimento Inicial
  • 3 O Vínculo e a Vida
  • 4 - Uma nova Visão de Neurofisiologia e da Neuroquímica do Desenvolvimento
  • 5 - Quando o Amor Falta, a Violência Impera
  • 6 - A Questão do Distúrbio da Tensão Pós-traumática
  • 7 – Dados de Psico-História
  • 8 – Pedagogia para o Bom Desenvolvimento
  • 9. Os Três Primeiros Anos de Vida e Antropologia
  • 10. Os Três Primeiros Anos de Vida e Tradições
  • 11. Os três Primeiros Anos de Vida e a Arte

1123 CAPÍTULO V

1. OS TRÊS PRIMEIROS ANOS DE VIDA 1.1 Introdução Os três primeiros anos de vida têm forte determinação nos valores; na própria construção do ego da criança; como o ego se projeta no corpo, uma boa estruturação nesta época é condição importante de saúde física, mental e espiritual. Esta época de vida é o tempo de possibilidade de formação de um estado contínuo de consciência; aí ficam inscritas as boas e as más histórias de vida. Lembrando que a grande jornada começa na concepção e quanto mais tenras as impressões, mais duradouras estas se tornam. Assim, as impressões deixadas pela mãe, refletidas pelo seu estado de espírito durante a gravidez, serão mais impactantes do que as de quando a criança já nasceu. Seguindo este raciocínio, os fatos ocorridos no parto são mais importantes do que eventos nos dias seguintes a ele. Analogamente, os eventos ocorridos nos três primeiros anos são capazes de determinar o sistema de crença que uma pessoa carregará por toda a vida adiante. Até os sete anos pode-se dizer que as fundações da vida foram colocadas e o edifício humano construído terá então saúde ou problemas para o resto da vida os quais depois, só a poder de muito trabalho interno, é possível resolver.
As primeiras impressões recebidas na vida são as mais fortes e as mais ricas em conseqüências, mesmo sendo inconscientes, e talvez, justamente porque jamais se tornaram conscientes, ficando assim inalteradas. Apenas na consciência algo pode ser corrigido. O que é inconsciente permanece inalterado. (JUNG, 1981b, p. 158)

Logo no começo deste período é importante seguir as orientações de Michel Odent, que diz que, logo após o nascimento, deve-se deixar a mulher em paz, examinando isto por 12 perspectivas: (ODENT, 2007a) 1 – Perspectiva da respiração: A necessidade que a criança tem de respirar, agora por um novo circuito de circulação do pulmão para o coração. Fecham-se os ductos de

1124 comunicação que existiam na vida fetal, o ductus arteirosus e o forâmen ovale. A partir do nascimento um aprendizado de respiração começa a ocorrer. 2 – Perspectiva do altruísmo: a oxitocina é o hormônio do amor e do altruísmo em qualquer faceta que se considere - e a privacidade facilita sua liberação. Quanto mais a mãe sentir-se pele a pele com seu bebê e olhar nos seus olhos, mais liberação de oxitocina haverá em ambos os organismos. 3 – Perspectiva etológica do vínculo: os etólogos foram os primeiros a se dar conta da importância do vínculo mãe e filho em todas as espécies e tem sido bem documentada a complicação da privação, para os filhotes, do contato na primeira hora de vida com mãe. 4 – Perspectiva da lactação: à primeira hora, o bebê encontra o bico do seio por si mesmo, bastando colocá-lo sobre o peito da mãe; ele segue nesta direção até encontrar e mamar, isto acontece se não nasceu sob efeito de anestesia. Quanto mais rápida a exposição ao peito, melhor o prognóstico de amamentação, mais rápido a punjatura do leite se dá. 5 – Perspectiva metabólica: O bebê tinha no ventre uma alimentação contínua e, à primeira hora de vida, vive uma adaptação metabólica para passar a dispor de uma alimentação descontínua. A capacidade de regulação dos níveis de glicose no sangue essencial para a manutenção da qualidade de vida - se dá nesta primeira hora e tem sido observada em profundidade por M. Cornblath nos Estados Unidos e por Jane Hawdon, Laura Deroy e Suzanne Colson no Reino Unido. 6 – Perspectiva bacteriológica: o bebê nasce de um meio asséptico e, uma hora mais tarde, milhões de bactérias cobrem suas mucosas. A questão é: quais germes vão colonizar primeiro o organismo do recém-nato. Os bacteriólogos sabem que quem vai vencer a corrida serão os germes que primeiro chegarem às mucosas. É interessante que

1125 sejam os do corpo da mãe, pois mãe e bebê compartem a mesma IgG, os mesmos anticorpos. Ou seja, desde que nasce, o bebê precisa urgentemente ter contato com uma só pessoa, a própria mãe. Além disto, ao ingerir o colostro, vai receber ajuda para estabelecer uma flora intestinal ideal. 7 – Perspectiva de termo-regulação: no útero, o bebê nunca teve de experimentar temperatura diferente, então os primeiros minutos do pós-parto marcam fortemente este aspecto; o organismo do bebê vai ter de ser capaz de manter sua termo-regulação e, para tanto, o contato pele a pele com a mãe é de fundamental valia. 8 – Perspectiva do equilíbrio motor: adaptação à gravidade, que também não era vivida pelo feto, nessa primeira hora sobrecarrega subitamente o nervo vestibular que conduz, a partir do ouvido, estímulo para o cérebro para que se desenvolva o equilíbrio. 9 – Perspectiva etológica da não violência: a maioria das culturas intervém, separa ou mesmo interdita o colostro para o bebê. Tal procedimento de afastamento precoce afeta a interação protetora da mãe para com o filho, mais tarde. O que a farta literatura hoje disponível aponta é que, quanto mais destrutiva é uma cultura, mais intrusivos são os rituais e crenças para perpetrar separação entre mãe-filho no pós-parto imediato. 10 – Perspectiva do vínculo: a grande maioria dos hospitais no mundo têm protocolos que entendem que é necessário manter a mulher sob vigilância, no pós-parto, aplicar-lhe oxitocina para aumentar a contração uterina e diminuir a perda sanguínea. Na verdade, as duas condutas levam à perda da liberação da oxitocina endógena, com perda bio-psicológica para a relação mãe-filho. 11 – Perspectiva das Parteiras: elas procuram proteger o processo fisiológico, pois sabem que isto assegura quantidade grande de oxitocina na circulação da mulher, o que garante a expulsão da placenta, então elas aquecem o ambiente. Nesta fase as mulheres não se queixam de sentir muito calor, criando um clima que permite um namoro mãe e

três estados de alerta: inatividade alerta. (ODENT.1 Estados de Consciência – Ciclos Em 1960 cientistas começaram a identificar que o cérebro dos recém-nascidos era desenvolvido além de um nível primitivo. Eles perceberam que existiam seis estados de consciência diferentes. Cada um destes estados é acompanhado por comportamentos específicos e individuais. Heinz Prechtl fez estudos semelhantes em Groningen. os dois cientistas organizaram suas informações e descobriram a atividade cerebral do recém-nato. para que mais instintiva seja a experiência.1126 filho sem distrações ou desconforto. alerta ativo. 12 – Perspectiva sócio-política: estudos que enfocam as conseqüências a longo prazo das intervenções separando mãe-bebê. na Holanda. Dois estados de sono: sono tranqüilo e sono ativo. 1989) Reunindo os achados. neste estado os recém-nascidos conseguem brincar. luminosos e brilhantes. 1989) No estado de inatividade alerta. acordados e adormecidos. Ele sentava-se demoradamente. resultam mais tarde em maiores índices de criminalidade juvenil. Portanto há que fazer intervenções em níveis políticos. de acordo com o grau de vigília ou sono do bebê. mas acrescentou registros da freqüência cardio-respiratória e ondas cerebrais. e um sexto estado que é o de torpor. Independentemente. os olhos estão totalmente abertos. (KLAUS e KLAUS. para que mudanças ocorram. 2007a) 2 As Capacidades do Recém-nascido 2. autismo. Peter Wolff. e choro. etc. psiquiatra infantil em Boston. Neste momento é importante que a mãe esteja com o neocórtex relaxado e não ativo. Podem seguir uma bola . anorexia nervosa. registrando cada ação dos bebês. trabalhou em lares com bebês recém-nascidos. (KLAUS e KLAUS. droga-adição. uma transição entre sono e vigília. suicídio entre adolescentes. discretamente.

Muitas mães conseguem alterar este estado. corpo. quando o bebê está adormecendo. os olhos olham em torno e os bebês emitem alguns sons. braços e pernas movem-se vigorosamente. a atividade motora está suprimida e toda a energia do bebê parece estar canalizada para ver e ouvir. Durante a primeira semana de vida. o bebê dorme aproximadamente 90% do dia ou da noite. indica fome ou desconforto: os olhos podem estar abertos. ele pode continuar a mover-se. Metade deste período de sono é passado em sono ativo e a outra metade em sono tranqüilo. sorrindo. ou firmemente fechados. As pálpebras pendem e antes de fechá-las os olhos podem girar para cima. os bebês têm um período prolongado de inatividade alerta. franzindo as sobrancelhas ou mexendo os lábios. Este estado aparece antes de se alimentar ou quando ele está inquieto além de surgirem movimentos a cada um ou dois minutos: braços. face. estes estados se alternam a cada 30 minutos. frequentemente adormece durante a amamentação. (KLAUS e KLAUS.1127 vermelha. (KLAUS e KLAUS. 1989) No estado de torpor. colocando-os no colo. o bebê normal passa aproximadamente dez por cento de qualquer das 24 horas do dia neste estado. que é uma forma de comunicação. 1989) . Logo após o nascimento. pernas. 1989) Durante o estado de alerta ativo. O olhar está apático. sem focalizar nada. acariciando-os. (KLAUS e KLAUS. selecionar figuras e até imitar a face da mãe. ocorrem movimentos mais freqüentes dos olhos. a face contorcida e vermelha. Neste estado. 1989) O estado de choro. (KLAUS e KLAUS. (KLAUS e KLAUS. 1989) Logo após o nascimento. na vertical. segurando os bebês. durante os quais eles olham diretamente para a face e para os olhos da mãe e do pai e podem responder a vozes. o que lhe permite captar muita coisa e ter condições de se adaptar ao ambiente.

2 Visão No primeiro minuto de vida. (LINDEN. (KLAUS e KLAUS. os olhos do bebê flutuam entre abertos e fechados. Mesmo estando dormindo. se o bebê for prematuro ou com problemas. por um minuto e um quarto. braços ou o corpo inteiro. a ligação da família que ali acontece. a fim de limpar o nariz. mãe e filho devem começar sua interação. Não há movimentos do corpo. vê-se o movimento dos olhos sob as pálpebras. (KLAUS e KLAUS. Steven Robertson verificou que o mesmo já ocorria desde a vigésima semana de gestação. 1989) No sono ativo.1128 No sono tranqüilo. é fundamental para cada um e extraordinariamente fundamental para o bebê. ele não se move e aí ocorre uma explosão de movimentos. logo após o nascimento. Ele está em total repouso e a respiração é muito regular. Este estado de sono REM já havia sido observado dentro do útero por Jason Birnholz. exceto raros sobressaltos e movimentos leves da boca. sorrisos e carrancas e pode aparecer movimento de mastigação ou sucção. a face do bebê está relaxada e as pálpebras estão fechadas e imóveis. Ainda assim há uma diferença nas respostas de acordo com a cultura. Se o pai está perto e se estão próximos os irmãos. pernas. O bebê já é capaz de bocejar. fazem caretas. olho no olho. 1989) Quanto aos movimentos no alerta. A respiração não é regular e é ligeiramente mais rápida do que no sono tranqüilo. toda a ligação que ali se estabelece. Este ciclo de atividade e serenidade ocorre continuamente a cada um ou dois minutos quando ele está em estado de alerta ativo de consciência. No sono ativo aparece movimentação do corpo: ocasionalmente. de acolhimento. (KLAUS e KLAUS. grupo racial e uma certa individualidade. Que nada perturbe este tempo. 1977) 2. 1989) O recém-nato espirra cerca de 11 a 12 vezes ao dia. sem chorar. o cuidado deste . pele na pele.

KENNELL et al. suspendem as sobrancelhas e param de sugar. As formas preferidas são: figuras de círculos e faixas decoradas sobre superfícies lisas. rapidamente começa a se adaptar e em 6 minutos de nascidos está com os olhos bem abertos. 1995. ele fica refletido na córnea e na pupila. que distinguem e. 1998. (KLAUS e KLAUS. 1998. A visão do recém-nascido é melhor a uma distância de 20 a 25 cm. quando se fixa um objeto. assim como o tempo que se segue. deve ser-lhe dado suporte. que costuma ser a mesma distância do peito à face da mãe.1129 momento inicial é muito importante. KLAUS. Isto é demonstrado em seus livros com inúmeras fotos. O bebê é colocado em alerta sereno. porém com uma adaptação para humanos. se a mãe está deprimida. se uma criança nasce em condições de luminosidade. Têm memória visual. são também escolhidos padrões complexos de muitos elementos a padrões simples e padrões curvos a retos. utilizando um método para documentar a visão que já havia utilizado em aves e macacos. 2001) A capacidade de enxergar foi testada por Robert Fantz. 2003) Marshall Klaus e Phyllis Klaus estudaram muitos recém-nascidos. 1989) . em 1960. Quando a figura se localiza na pupila. ela é alinhada para se enquadrar no centro da retina. (KLAUS e KLAUS. são atraídos pela face regular. Assim. KENNELL e McGRATH. (KLAUS et al. trocam-se as figuras a cada 10 segundos. Descobriram que. Inicialmente. mas depois perdem o interesse. silêncio e manuseio diminuído. Quanto a formas de rosto. Alguns ficam atentos e olham por períodos de até 10 minutos. Fantz mostrou que os bebês são capazes de distinguir e mostrar preferências por formas e cores. em assento e num capuz são mostradas as figuras. estando atentos. pois suas emoções terão muito peso no desenvolvimento de seu filho. para se ter certeza de que o olhar é ou não casual. A observação baseia-se no fato de que. a atenção é intensa.

Em contraste com outras espécies animais. Por outro lado. 2004) No estado de inatividade alerta. Ele tomará menos leite e não vai conseguir adormecer facilmente. As crianças gastaram 60% da primeira hora aproximadamente no estado de alerta inativo e só 10% do tempo no estado chorando. observaram de minuto a minuto o estado de comportamento de 36 neonatos nascidos a termo. Estudos por Brazelton et al. (SOSA. Logo após o nascimento. a criança humana não pode sobreviver. sem o apoio extenso e o cuidado da mãe. as convicções culturais dela e a relação dela com o pai da criança. que incluem a própria educação da mãe. se for colocada uma máscara no rosto da mãe quando o bebê tem oito dias. (VERNY e WENTRAUB. Além disso. em 1981. a criança está em um estado receptivo. em 1972 demonstraram que. pois está inquieto e dormirá por menos tempo que anteriormente. assim como suas experiências naquele momento da vida assim como gravidezes passadas. 1989) Sabe-se que o comportamento materno é influenciado por fatores múltiplos. além de cores e normalmente preferem o vermelho e depois o azul. durante o período de alerta inativo. 1980) . a tendência é um magnetismo mútuo ocorrer no contato olho-a-olho da mãe com o filho. durante a primeira hora de vida.1130 Os recém-nascidos possuem visão tridimensional. (KLAUS e KLAUS.. Aos quatro meses discriminam entre os movimentos de objetos animados e inanimados. Saigal et. recentes estudos sugerem que o bebê recém-nascido tenha uma maior gama de capacidades dantes não reconhecidas. ele perceberá a mudança e olhará para ela freqüentemente durante a amamentação. a mãe está em um estado de prontidão que lhe permite interagir com o bebê. É bem conhecido que o neonato tem habilidade para interagir socialmente. Em oito semanas são capazes de diferenciar entre formas dos objetos. as condições socioeconômicas.

Gregg et al.G. segundo MacFarlane em 1975. descrito por Bentin et al. intensidade e altura. (KLAUS e KLAUS. em 1994. Entre seis e 10 dias de idade.R. Kornel e Thoman em 1970. O recém-nascido também responde preferencialmente à voz da mãe. o que estimula a interação entre ambos. T. 2001) 2. 1980) Uma revisão de literatura verificou que o bebê é capaz de reconhecimento de rostos e objetos até os seis meses. sons familiares e estranhos e também podem determinar a direção de onde vem o som. ao acoplar uma chupeta conectada a um computador. segundo demonstrou Hack et al. Mancini et al. em 1975. a capacidade acústica já está bem desenvolvida. como foi observado por Eisenberg em 1969. (NELSON. Anthony DeCasper julgou que. logo eles acertariam o ritmo de sucção. ao ouvirem por .3 Audição Meses antes de nascer. Robson em 1967. em 1999. revela a possibilidade de lesão cerebral.1131 A criança humana tem um certo grau de acuidade visual: ela pode focalizar e mostrará preferências por padrões que simulam faces humanas. o neonato exibe um pouco de capacidade olfatória. De fato. Suas pesquisas sugeriram que o contato de olho a olho pode ser um fator importante que aumenta o comportamento maternal. Ellis e Young em 1988. Se este reconhecimento não ocorrer. Os fetos distinguem entre tipos de som. para poderem fazer as escolhas. em 1976. em 1976. (SOSA. planejou um dispositivo que dava ao bebê a possibilidade de escolha do som. Tais capacidades funcionam como um atrativo para as mães. Percebeu-se que eles são mais responsivos às vozes humanas. Ferguson. Pais e mães no mundo todo tendem a falar de maneira mais aguda como observou o lingüista Charles A. Fantz et al. dirigindo a cabeça em direção ao peito de sua mãe. se os bebês têm controle inato da boca. 1989) Eles fazem associações entre audição e outros sentidos. Preferem vozes agudas.

ainda que filtrada pela parede abdominal. Foi feito um teste onde a voz da mãe vinha do rosto de uma outra mulher e isto desencadeou os mesmos comportamentos de desconfiança que a experiência com a máscara. Brazelton.B. não provocado por fome. Busnel forneceu um critério de verificação que comprovou que o ritmo cardíaco da criança desacelera enquanto a mãe lhes fala. 2004). 2001) Os recém-nascidos reconhecem a voz da mãe como sendo a mesma que eles escutaram. .1132 fones de ouvido. a conclusão foi a mesma: a criança de poucos dias reage a estímulos de linguagem mais do que a outros tipos de estímulos. (TRUBY apud JANUS. Outros usaram como medida o reflexo de sucção. apesar de supostamente não entender nenhuma palavra. A habilidade que os neonatos têm de reconhecer a face da mãe. 1989) O aprendizado intra-uterino pode fazer um recém-nato prematuro de apenas cinco meses de gestação reconhecer as características de freqüência da voz da mãe.C. A conclusão é que. M. Sabe-se também que a criança aprendeu algo da estrutura de seu idioma quando dentro da barriga da mãe. pioneiro no campo da pesquisa sobre hipersensibilidade dos recém-nascidos. há um consenso a esse respeito. nas mesmas circunstâncias. Outros mediram freqüência da resposta motora à fala da mãe. Desde T. provavelmente está ancorada na aprendizagem pré-natal da voz materna (SAI. quando a criança tem a experiência de ouvir a voz e ver o rosto da mãe. 1989) São descritas quatro experiências que investigam o papel da voz da mãe facilitando reconhecimento da face materna ao nascimento. preferiram estórias contadas pela mãe durante a gestação. ela faz a associação. concomitantemente. Também reconhecem a voz do pai desde que este homem tenha falado perto do ventre ou se tenha feito presente para a criança ainda no útero. Com medidas diferentes. (KLAUS e KLAUS. às estórias desconhecidas. (KLAUS e KLAUS.

Os pesquisadores descobriram uma “tagarelice” gestual. Análises de laboratório das amostras de saliva revelaram níveis de cortisol salivar no período pós-teste. 2001) Foi examinado o efeito do cantar materno nos níveis de estimulação de crianças saudáveis. pois verificou-se que os bebês recém-nascidos movem-se menos. que acontece de crianças surdas. Os bebês se utilizam de uma coordenação temporal precisa e de expressões que são partilhadas com a mãe. especialmente em Unidades Neonatais. 1999) Um trabalho pesquisou o aspecto da experimentação vocal mãe e filho. duas psicolingüistas que compararam as atividades manuais de dois bebês surdos e três outros normais. contra 10% dos controles. Este estudo foi feito por Petitto e Marentette em 1991. (SHENFIELD et al. juntaram-se amostras de saliva imediatamente antes e depois do canto. Especificamente. 2003) Reproduções de sons intra-uterinos como os batimentos cardíacos têm sido usadas com o propósito de relaxamento de recém-nascidos. Para calcular a estimulação infantil. (SZEJER. Estes resultados são consistentes com a visão de que o canto materno modula a estimulação de crianças no nível pré-lingüístico. não-aflitas. Há uma qualidade musical na interação vocal precoce. crianças que exibiam os mais baixos níveis de linha base de cortisol aumentam-no após o cantar materno. (GRATIER. filhos de surdos. com idades de 10 a 14 meses. A mãe e o bebê fabricam uma interação dinâmica e ambos brincam com estes ritmos. choram . terem desenvolvido a capacidade de movimentação de mãos e diferenciação de gestos ordinários.1133 Isto é tão forte. Os ritmos constituídos pelo bebê são seus recursos para descobrir o próprio mundo. eles transmitem sua afeição e subjetividade. depois dos quais eles continuaram interagindo durante outros 10 minutos. os com níveis de cortisol mais altos exibiram reduções modestas. que correspondia a mais da metade da atividade da criança surda. Mães cantaram para suas crianças de seis meses durante 10 minutos.

Foram colocados neonatos fortuitamente em um de seis grupos: ouvindo música clássica. sem que nenhuma enfermeira apresentasse nenhum expediente para alívio da dor. ritmo. perceptível pela diminuição da freqüência cardíaca. Foram achadas poucas diferenças significantes entre quaisquer dos passos. Por outro lado. (MARCHETTE et al. sons intra-uterinos. . Estudos sobre a capacidade auditiva de recém-nascidos sugerem que a exposição a ambientes barulhentos pode induzir ao estresse. 30% das pressões sanguíneas diastólica (DBP) e 81% das pressões de tcpO2. todos os índices eram anormais. 1991). diminuição dos níveis de saturação de oxigênio. aumento da atividade muscular e movimento do corpo. pressão sanguínea. De modo diverso. passível de verificação pelas medições de aumento de batimentos cardíacos. diminuição da agitação. Foram monitorados os batimentos cardíacos. respiram mais profunda e regularmente e ganham peso mais rapidamente do que recém-nascidos expostos a outros sons ou a nenhum som. durante seis dos passos do procedimento. as músicas onde predominem altas freqüências e possuam andamento acelerado produzirão tensão. oxigênio transcutâneo (tcpO2) e estado de comportamento. etc. 2001) Foi realizado estudo para determinar o efeito de sons que pudessem acalmar ou mesmo reduzir a dor em 121 neonatos que sofrem circuncisão sem anestesia. música e chupeta. chupeta e sons intra-uterinos. medidos durante os 14 passos da circuncisão. alguns tipos de músicas podem ter um efeito relaxante sobre os bebês. De maneira geral. (COSTA.1134 menos. portanto. 78% das pressões sanguíneas sistólica (SBP). Observou-se aumentos de: 42% das taxas de coração. chupeta. disritmias. maiores variações na pressão sangüínea e aumento dos níveis de agitação. aumento das freqüências cardíaca e respiratória. e grupo controle. SBP e DBP diferiram positivamente de maneira significativa nos grupos que receberam estímulo de som comparativamente aos que não receberam. elevação da temperatura periférica.

inclusive. em seu próprio domicílio. Esse efeito relaxante. 1997). mas também em bebês mais velhos e. enquanto uma de duas seleções musicais eram tocadas. (COSTA. durante a audição de duas peças musicais a que foram previamente habituados: Sinfonia no. Hicks em 1995. (COSTA. Observou-se que a atividade motora do bebê é acentuadamente reduzida pela audição da música clássica aqui estudada. Um trabalho foi feito para fins de análise da atividade motora apresentada por um bebê de quatro meses de idade. Em . só foi verificado o aprendizado com relação à música específica tocada durante o teste inicial do treinamento. em adultos segundo descrições de Livingston em 1979. Os bebês são capazes de perceber e reter ritmos.1135 músicas onde predominem baixas freqüências e andamento lento produzirão relaxamento. freqüência e padrão temporal de seqüências musicais. Aos sete dias. melodias. com variações do clássico e de jazz. Contudo. Assim. e uma recuperação por volta do 3º mês de vida. parece haver uma dissociação temporária logo após o nascimento. O aprendizado da experiência foi avaliado um e sete dias depois. segundo Vinter em 1987. Crianças em ambas as experiências exibiram aprendizado de um dia a qualquer música do ritmo apresentado do teste inicial. com diminuição da atividade e diminuição do estresse ocorre não apenas em recém-nascidos. (FAGEN et al. aos quatro meses de vida. 2001) Os comportamentos do recém-nascido são coordenados e integrados: os sistemas sensoriais e motores são estreitamente associados uns com os outros. na presença da mesma música ou uma seleção musical diferente. a integração de atividades sensoriais visuais e auditivas com os sistemas motores já está presente. 2001) Treinaram-se crianças com três meses de idade para mover os braços para cima em berço móvel. 40 de Mozart e a música Happy Nation do grupo Ace of the Base.

As preferências observadas foram: os bebês preferem o som da voz humana a outros sons. ela tende a uma fala que exagera nas vogais. Language. a experiência se ateve a pesquisas prévias sobre características musicais e memória a longo prazo para música. Depois atentou-se para a descrição de estudos que investigaram os usos de música na vida cotidiana de crianças e seus cuidadores e aplicabilidade em contextos domésticos e terapêuticos. existiria uma redução da atividade. Na terceira parte fez-se uma crítica da literatura prévia e atual. revisaram o que se sabe sobre a música e a linguagem é que suas codificações são compartilhadas em determinados circuitos cerebrais e outros circuitos são especializados em cada um destes elementos. Na primeira parte. 2002) Na revisão do livro “The Singing Neanderthals: The Origins of Music. Linguagem.1136 relação à música dancing. esta redução na atividade motora do bebê produzida pela música dancing. 2005) Foram realizados estudos nas últimas décadas que aprofundaram o conhecimento sobre desenvolvimento da audição do recém-nato assim como a visão. (ILARI. Mente e Corpo) de Steven Mihen e Weidenfels e Nicholson em 2005. o som da voz da própria mãe ao som da voz de outras mulheres e estórias conhecidas contadas por . (BENZON. (As Origens de Música. A mãe cantando para o bebê ou a mãe falando para o bebê. porém. é menor do que a redução na atividade motora produzida pela música clássica. aumenta as pausas e se repete. Mind and Body. dando uma conotação musical à fala. inclusive uma discussão de direções para pesquisa futura. 2001) Foi feito um trabalho de revisão dos escritos sobre música e o primeiro ano de vida e examinou-se sua contribuição em outros domínios como desenvolvimento da criança e educação musical. propiciando uma interação que acaba por criar uma mútua modulação de sons. Incluíram-se as implicações destes estudos para os pedagogos. (COSTA.

Todas as crianças experimentaram uma redução no nível de estimulação durante a intervenção de música gravada quando comparadas com a condição de controle. aos oito meses. do que sem música ou com a intervenção de vibro-tátil. OLSON. 1996. (CLARKSON.tátil. Fuga. 2006) Recente pesquisa mostrou que as crianças de quatro meses de idade demonstram uma preferência inata para música consoante em lugar de música dissonante. Outros estudos mostram que eles podem distinguir entre sons de consoante como p e b. 1980. 1996. e vogais. Peça para piano com seis movimentos: Prelude. KLEIN e WINKELSTEIN. Forlane.1137 suas próprias mães a estórias novas (DeCASPER e FIFER. o Forlane do Prelude. Rigaudon. Ambas as formas reduzem a agitação e instabilidade fisiológica após intervenção em displasia bronco-pulmonar. 1986). registro de expressões faciais. e BERG. Mostrou-se então que a música é efetiva na redução de comportamentos relacionados à tensão em crianças. (ILARI e POLKA. e indicadores de função do sistema nervoso autônomo para quatro crianças prematuras. Três crianças gastaram uma quantia aumentada de tempo em um estado alerta inativo e tinham melhorado os níveis de saturação de oxigênio durante a intervenção vibro-tátil. Viu-se que os bebês diferenciavam. Todas as crianças gastaram mais tempo dormindo durante a condição de música gravada. 1983) Aos dois dias de vida podem distinguir o idioma da própria mãe. Minueto e Toccata. 1998) Bebês de oito meses são capazes de distinguir entre Prelude e Forlane Le Tombeau de Couperin: de Maurice Ravel (1875-1937). (MOON et al. DeCASPER e SPENCE. (BURKE et al. 1993) Um estudo descritivo avalia e compara o efeito de música apresentada de forma auditiva e vibro . níveis de saturação de oxigênio. (WHITWELL. O que é perceptível nas tomadas de batimento cardíaco. 2006) . que se alteravam positivamente. 1995. KAMINSKI e HALL.

tanto quanto o alimento da alma. o melhor é que a música e a grande arte pictórica já seja parte da vida dos pais antes da concepção. isto tende a não ampliar tanto a consciência da criança. nem deste tipo de arte. isto não será igual. a criança terá capacidade de sensibilidade musical e pictórica impressionantes. 2007) 2.4 Coordenação Motora C.1138 Na verdade. compositores barrocos e renascentistas. aos sete e oito anos. O alimento do corpo é importante. durante o primeiro ano de vida. Então. quanto maior for a sensibilidade de alguém para tons e sons. É sabido que. à idade dos sete e oito anos ele terá capacidade de notar nuances de cor num leque maior que o usual. Bach. Que a música e a pintura tenham sido partes do deleite de gestação da mãe. se no quarto do bebê houver quadros dos grandes pintores. Beethoven. mas é sabido que. Amiel-Tison e A. se os pais não gostam nem deste tipo de música. pode–se mesmo avaliar o nível de consciência de uma pessoa por sua capacidade de descriminar tons de cores. . Grenier. aos sete e oito anos. Na verdade. portanto. se uma criança ouve Mozart. pois não se ensina o que não é verdadeiro para os pais. O objetivo não é criar gênios da música ou pintura. se estiver em estado de inatividade alerta. demonstram que um em cada dois recém-nascidos pode procurar objeto com dias de nascido. Ambos os sentidos ampliados falam de uma sensibilidade maior em nível consciencial. Mas é importante que se diga que. muito já se tem escrito sobre a educação precoce de arte. setênio em que deve ser introduzida a plena educação musical. ele terá melhor capacidade de notação para os fraseados musicais e poderá ter um ouvido bem mais perceptivo para as sutilezas musicais. Então a música no quarto do bebê é uma natural conseqüência. Do mesmo modo que. se não houver um sabor por parte deles. maior é sua consciência e sua percepção espiritual e é isto que se deseja. pois dominantemente a criança é sensível à sensibilidade de sua mãe e pai. (UPLINGER.

epinefrina. Os lábios e as mãos têm maior número de receptores do tato. 1989) Tiffany Field. ganharam peso e mostraram ganho na qualidade de bem estar sócio-emocional. (FIELD apud VERNY e WENTRAUB. nascidos sem estresse. estavam deprimidas. Estavam também mais aptos para sair do hospital numa média de seis dias antes. os bebês percebem texturas. que trabalha com pesquisa sobre tato. temperatura. Após teste de tempo. durante seis semanas. Pesquisador . num tempo total de 45 minutos. os primeiros passaram mais tempo acordados. choraram menos e os índices de cortisol em suas salivas sugeriam que estavam menos estressados. apresentando níveis sangüíneos mais baixos de noradrenalina. verificou-se que os bebês tinham aumentado de peso 47% a mais que o grupo controle. cujas mães. Além disto. pressão e dor. Observou-se que 15 minutos de massagens diária eram mais eficientes que balançarem os bebês em dois dias por semana. num tratamento de 10 dias de duração. em relação aos que não passaram por este procedimento. (KLAUS e KLAUS. Field aplicou massagens em 40 bebês a termo. 1998) Frédérick Leboyer. divididos em 15 minutos para cada massagem. (FIELD. em estudos. (KLAUS e KLAUS. T. lançou uma grande luz sobre o nascimento quando fotografou os rostos de recém-natos. cortisol e aumento dos níveis de serotonina. Isto explica o conhecer as coisas através do pôr na boca. umidade.1139 desde que tenham sido massageados seus músculos do pescoço. Durante o período de seis semanas de terapia. 2004) Em outro estudo. aos três meses. 1989) 2. que não teve massagem. aplicava massagens diárias em 20 bebês prematuros. obstetra francês.5 Tato Quanto ao tato. eles mantinham-se despertos e ativos e obtiveram melhor evolução numa série neurológica e de funcionalidade. Comparados os massageados com os balançados.

O nome da mulher era Shantala. como poético. René Spitz identificou casos de hospitalismo. 1989. acompanhadas.1140 incansável. observou nas ruas de Calcutá. no recém-nato. Eles têm memória olfativa. PORTER. (SZEJER. 2004) 2. uma mulher que emocionou o cientista e o poeta. Acabou por fotografar e publicar um livro não só belo. descrevendo seu poder curativo. expressões faciais sorridentes acompanhadas de movimentos de sucção e lambidelas. cuja acuidade perderão mais tarde. (KLAUS e KLAUS. revela a aprovação e desaprovação de um determinado sabor pela expressão facial. os odores de pescado e de ovos podres suscitam expressões de desagrado. 1998) . e o que o obstetra viu foi quão benéfica era aquela massagem amorosa no filho. Inicialmente o etólogo Konrad Lorenz investigou o sentido do olfato entre animais. (CHAMBERLAIN. Aidan Macfarlane percebeu que eles são capazes de identificar o cheiro de suas mães com dois dias de nascidos. Fraçoise Dolto utilizou este conhecimento no período da Segunda Guerra e Schaal provou experimentalmente no fim dos anos 80: os recémnatos têm olfato particularmente desenvolvido. 2004) Há 50 anos tem sido estudado o olfato entre recém-nascidos.6 Olfato Os bebês podem reconhecer odores. feito pelo psicólogo Jacob Steiner. adaptam-se e rapidamente param de responder a um odor. 1999) Odores que podem ser classificados como lácteos ou frutados despertam. (VERNY e WENTRAUB. (LEBOYER. um guia de cuidado para mães. e harmonizante. No entanto. comumente de movimentos de cuspe. filósofo. poeta. quando passam a percebê-lo como familiar. 1995) 2.7 Paladar Um experimento.

Emoção não deveria ser divorciada de cognição. Expressões faciais são um exemplo de comportamento emocional que ilustra a importância de emoções relativas à sobrevivência básica e à interação social. Foi usado. Não havia nenhuma expressão facial distintiva para cloreto de sódio. cloreto de sódio. A base anatômica utilizada foi o Sistema de Código de Ação Facial. 2003) Em um estudo obtiveram-se. (ROSENSTEIN e OSTER.1141 Examinaram-se a distinção e o reconhecimento de sabores através de expressões faciais para experiência gustativa em recém-nascidos. Respostas faciais para sacarose foram caracterizadas principalmente por relaxamento facial e sucção. mesmo em se tratando de tão simples reações. Respostas faciais básicas para estímulos como doçura e gosto amargo são importantes para a aptidão das espécies de se governarem através de regras simples. Foram apresentadas sacarose. como também distinguiam doce de gostos de não doces. para obter descrições detalhadas e objetivas. em dois estudos. ácido cítrico e soluções de hidroclorito de quinino a 12 crianças com 2 horas de idade. As respostas para salgado. 1988). um video-tape com respostas faciais das crianças para cada solução. (ERICKSON e SCHULKIN. azedo e soluções amargas compartilharam o mesmo resultado: negativas ou reações diferentes: abaixar a cabeça e enrugar o lábio face ao sabor azedo e abrir a boca com respeito a amargo. Até mesmo este nível básico de respostas faciais tem valor comunicativo com outros da mesma espécie. Durante a evolução. respostas faciais simples estenderam-se para uso em formas de comunicações não-verbais mais complexas. adaptado para bebê. Estes resultados demonstram que recém-nascidos diferenciam azedo de amargo e de sal. através de registro em vídeo de movimentos faciais de recém-nascidos saudáveis e a termo. A percepção e produção de expressões faciais são processos cognitivos e se dão em áreas subcorticais e áreas corticais. respostas a estímulos gustativos em 15 recém- .

peixe. Os estímulos olfativos eram substâncias líquidas com aromas artificiais de alimentos: baunilha. manga. também foi testado ácido cítrico. Existe uma significativa sobreposição de ações faciais discretas. Esta documentação foi feita por Hanus e Mechthild Papousek. raiva 78%. Como estímulo neutro e de comparação. apresentados. são aparentes as diferenças individuais.8 Integração dos Sentidos Fez-se um estudo em que se solicitou que 26 mães relatassem as expressões que percebiam no rosto dos seus bebês. entre 10 e 72 horas de vida (média de 43 horas). A análise dos movimentos faciais com base nas categorias mais freqüentes de resposta a cada estímulo gustativo permitiu a definição de um padrão de reação para cada modalidade de sabor. parcial prazer.25%) para o amargo. 1998) . Assim como a análise acústica dos sons emitidos por eles mostrou que podiam ser de: continuidade de máximo prazer.5%) para sabor azedo e sulfato de quinino. (BERGAMASCO. Este é o espectro de emoções que um recém-nato é capaz de demonstrar. conforme descrito por Rosenstein e Oster em 1988. como já havia sido descrito por Bergamasco em 1994 e Bergamasco e Beraldo em 1993. (CHAMBERLAIN.1142 natos e respostas a estímulos olfativos em 16. embora se possam identificar reações típicas para cada sabor. morango. por aproximadamente 15 segundos. (0. utilizou-se água destilada como explicado por Bergamasco e Beraldo em 1990. em cartuchos de papel filtro embebidos com a substância aromática. tristeza 40% e medo 35%. leite. surpresa 68%. estresse 65 %. assim como da configuração total da face para diferentes sabores. Além disso. alho e cebola. Esta análise mostrou que as expressões faciais a estes estímulos não são tão estereotipadas como é usualmente sugerido na literatura. Steiner em 1977 e 1979. mel. (2. (25%) para o sabor doce. neutro. 1997) 2. chocolate. O resultado foi: alegria 95%. parcial desprazer e máximo desprazer (choro). Os gustativos utilizados eram soluções aquosas de sacarose.

1143 De 74 bebês neonatos, com 36 horas de nascidos, foram recolhidas três expressões faciais: alegria, tristeza e surpresa, como imitação à expressão da face da mãe. (FIELD et al. 1982) Outro estudo observou se as crianças jovens separam fotografias de emoções diferentes em grupos de 17, 23, 29, 35 e 41 semanas. Mostraram-se slides de oito mulheres com rostos demonstrando emoções e feições com dentes grandes, sem dentes e sorridentes. Em todas as idades, houve alguma reação para faces sorridentes, mesmo que com dentadura protusa. O aspecto das faces algo estranhas não pareceu provocar diferença, mas o aspecto emocional, sim. (CARON et al. 1985) Dois estudos, um realizado quando os bebês tinham dois para três meses de idade e outro com seis para oito meses de idade, onde foram avaliadas as reações infantis para faces atraentes. Uma técnica de preferência visual era usada. Foram mostradas às crianças seqüência sobrepostas de faces de mulheres adultas previamente escolhidas por sua atratividade. Quando mostrados pares de faces atraentes ou sem atrativo, as crianças mais velhas e mais jovens pareciam observar mais longamente as faces atraentes. (LANGLOIS et al. 1987) Os bebês demonstraram concatenar percepções diferentes, num teste com uma chupeta granulosa ou outra lisa, posta na boca; depois eles selecionam a imagem da chupeta que tinha estado na sua boca. (KLAUS e KLAUS, 1989) 2.9 Sorriso O primeiro sorriso no rosto do neonato foi descrito como ocorrendo durante o sono. Em geral, após seis semanas, a maioria dos bebês responde com sorriso ao sorriso do adulto, o que é chamado de “responsividade ao sorriso”. Durante algumas experiências com neonatos, apareceu a habilidade de sorrir, chamada de “sorriso

1144 cognitivo”, descrito por Bower em 1977, Papousek et al. em 1986. (CHAMBERLAIN, 1999a, 1999e) 2.10 Choro O choro do bebê comunica uma variedade de acontecimentos: além de fome, frio, a cólica pode estar presente, problemas de digestão especialmente quando não há aleitamento materno ou quando não há contato físico. Muitas mulheres relatam que seus filhos param de chorar quando elas retiram de suas dietas: cebola, alguns legumes, uva, chocolate, café, álcool, ovos, nozes, alimentos cítricos, morangos, derivados de trigo. Pode haver choro como instrumento de liberação de tensão. Há choro devido ao parto ter sido traumático, há choro por agitação e excesso de estimulação, como há choro por sono, por frustração, por dor e por medo. (SOLTER, 1995) Oitenta mães de crianças normais recém-nascidas mantiveram registros diários do choro de suas crianças durante as primeiras 12 semanas. Vinte e oito bebês eram primogênitos na família. Uma tentativa foi feita para eliminar a tensão ambiental excessiva como um fator adicional. Também foram retirados da amostra os bebês com patologia subjacente. Havia uma média de chorar duas horas nas primeiras sete semanas, diminuindo a cada semana depois disso. Bebês que choraram durante um tempo incomum responderam à manipulação de tensão ambiental. A hipótese que se faz é que um certo tempo de choro é necessário, na saúde do bebê, pois tem função de comunicação. O aspecto de afiliação emocional está presente na incidência do choro

"normal". (BRAZELTON, 1962) Em estudo de 193 primogênitos, foi observado que nos casos em que as mães achavam que o choro de seus filhos era normal, as crianças tendiam a terem freqüência de choro normal, no entanto, as mães que entendiam que o choro de seus filhos era excessivo, o fato ajudava a torná-lo de fato excessivo. (ELLIOTT et al. 1996)

1145 Com o objetivo de avaliar o comportamento de choro em crianças prematuras com ou sem dano no cérebro, foram observados um total de 125 bebês de baixo peso ao nascimento que sobreviveram durante janeiro de 2001 a julho de 2004, no Hospital Universitário de Turku, na Finlândia. Eles foram categorizados de acordo com as patologias cerebrais encontradas no ultra-som ou MRI. O Baby Day Diary (Diário do Bebê) foi usado para avaliar choro em comportamento de crianças a termo, com seis semanas e cinco meses de idade corrigidos. O comportamento de um grupo de 49 crianças controles, a termo, foi avaliado por cinco meses. Danos de cérebro severos em crianças de peso muito baixo ao nascimento não afetaram a duração do choro. Aos cinco meses de idade corrigidos, turnos de choro eram mais freqüentes em crianças de muito baixo peso ao nascimento, comparadas com crianças de controle a termo (6.4 por dia vs 4.5 por dia) e foram seguidas muito mais que as crianças a termo (169 minutos, vs 130 minutos, respectivamente). Não houve aumento da freqüência do choro ou no desenvolvimento do ritmo circadino, de modo imediato ao nascimento, porém depois quando a idade se corrigiu, precisavam de ser mais acalentados, e choravam mais. (MAUNU et al. 2006) A autora vem, ao longo destes 20 anos trabalhando com orientação a casais, solicitando que a mãe use sua intuição e seu ouvido para diferenciar os tipos de diferentes de choro. Em geral, se ela fica calma, seu ouvido e sua intuição serão capazes de perceber as sutilezas que lhe servirão de orientação. O contato físico é imprescindível, pois alivia tensões e desconfortos. Conversar, falando baixinho e

calmamente, também ajuda. Quando o cansaço vence, é aconselhável rezar baixinho no ouvido do bebê. Muitas vezes, a recorrência da cólica do bebê que está recebendo aleitamento materno se conecta a um conflito na mãe, no casal, no pai – se o filho for homem ou na linhagem familiar. Os sonhos da mãe e do pai são as melhores pistas para

aguda. pois o choro e a reação de desespero do bebê pode revelar a dor não vivida pelos pais. as essências florais. É importante cuidar disto com carinho e acolhimento. 2001) O Projeto de peritos The International Evidence-Based Group for Neonatal Pain. ou prolongada. Neste momento. suavizando este aprendizado. podem ser de grande valia. neonatologistas mensuraram a reação de estresse à dor de 46 neonatos. 2. porém estas não levaram em consideração que todos estavam sob efeito de anestesia dada às suas mães durante o parto. 1999b. Apesar da importância clínica de dor no neonato.000 observações. durante uma transfusão de sangue intra-uterina e verificaram que os níveis de cortisol eram de 138% depois de 10 minutos e de beta-endorfina eram de 590%. (Grupo Internacional Baseado em Evidências de Dor Neonatal) representa vários países diferentes. adultos e neonatos. esta pesquisa até hoje segue sendo uma crença médica.11 Sensibilidade para o Desconforto e para a Dor Experimentos sobre dor foram realizados nos anos 20 e 30 no Chicago’s Lysin-In Hospital e no Hospital de Bebês da Universidade de Columbia e concluíram que bebês não eram afetados pelo frio. dor e toque. 1989) Com o objetivo de desenvolver diretrizes baseadas em evidência para prevenir ou tratar a dor dos neonatos e suas conseqüências adversas. No entanto. apesar deste grave erro de observação. compararam-se crianças mais velhas. Foram 2. calor. (ANAND. (CHAMBERLAIN. práticas médicas atuais continuam expondo as crianças à dor repetitiva. A nova fronteira da neonatologia foi ultrapassada quando. . e discute práticas utilizando revisões sistemáticas.1146 ajudar a resolver o conflito. É relevante levantar-se o que a mãe ou o pai viveram na mesma idade em que se encontra o filho. disciplinas profissionais. Estes são mais sensíveis à dor e vulneráveis a seus efeitos a longo prazo. em 1994. que trabalham o campo de consciência individual e familiar.

2001) O reconhecimento das fontes de dor e avaliações de rotina de dor neonatal deveria ditar a evitação de estímulos dolorosos periódicos e o uso de intervenções ambientais. SIMONS et. A administração da dor deve ser considerada um componente importante do cuidado médico provido a todos os neonatos. de comportamento e doses de fármacos específicos. protocolos para situações clínicas específicas e orientações de cuidado médico deveriam constar nestas diretrizes. (SLATER et al. Prematuros de 25 semanas processam a dor. em 18 crianças entre 25 e 45 semanas contadas a partir da data da última menstruação da mãe. Os estímulos dolorosos eram feitos com agulha. (ANAND. (ANAND. de sua idade gestacional ou severidade de doença. FRANCK e MIASKOWISKI. Cuidado individualizado. independente da idade. 1988. 1988) Num estudo. 1997. TYLER. usando espectroscopia com onda próxima a infravermelho em tempo real. 2005. planejamento de analgésicos.1147 síntese de dados e discussão aberta para desenvolver consensos em práticas clínicas que foram apoiadas através de evidência publicada. 1987. para a retirada de sangue em provas rotineiras. 2001. McCLAIN e KAIN. havendo apenas um esboço de protocolos de conduta. 2006) . foram avaliadas as mudanças da oxigenação cerebral medidas em relação à excitação dolorosa. nenhum exame de sangue foi executado somente com a finalidade do estudo. BERRY e GREGORY. 2003. Excitação dolorosa produziu uma resposta cortical clara. medida como um aumento em concentração de hemoglobina total no córtex. Nesta área de pesquisa no manejo da dor em neonatos ainda não se chegou a um consenso. Foi observada resposta reflexa de retirada do pé à picada da agulha no mesmo. Criou-se um protocolo para descrever a administração de analgésico em procedimentos invasivos específicos em caso de dor contínua em neonatos.

a criança ficava retraída. Menos de 10% dos entrevistados diziam usar analgesia para punções venosas e capilares. porém apenas um terço deles conhecia alguma escala para avaliar a dor nessa faixa etária. no Brasil.e . Menos da metade dos entrevistados referiram aplicar medidas para o alívio da dor no pós-operatório de cirurgia abdominal em neonatos. 30 a 40% referiam empregar analgesia para punções lombares. O choro foi o preferido para avaliar a dor do bebê a termo. O opióide foi o medicamento mais citado para a analgesia (60%). Foram observadas tendências diferentes entre os dois grupos. considerando-se duas variáveis logo após cirurgia: o toque . a mímica facial no prematuro e a freqüência cardíaca para o neonato em ventilação mecânica. em recém-nascidos de dois a três dias. O grupo experimental foi circuncidado e avaliado após a alimentação. dissecações venosas. drenagens de tórax e ventilação mecânica. 2003) Examinaram-se. Cada par foi observado durante quatro alimentações. usando um sistema especificamente projetado que avalia a interação mãecriança. Eles responderam a um questionário escrito a respeito do seu perfil demográfico e do conhecimento de métodos de avaliação e de tratamento da dor no recém-nascido. Listaram-se 43 comportamentos relativos à alimentação. (CHERMONT et al. vocalizações e toque. seguido pelo midazolam (30%). A maioria dos entrevistados referia perceber a presença de dor no recém-nascido por meio de parâmetros comportamentais. Cem por cento dos médicos referiram acreditar que o recémnascido sente dor. os efeitos da circuncisão através de 59 pares de mãe-criança no hospital.1148 Foi feito um estudo no qual se analisaram os conhecimentos dos pediatras que atuam com pacientes neonatais em relação à avaliação e ao tratamento da dor do recémnascido. Foi um estudo transversal que incluiu 104 pediatras (de um total de 110) que trabalhavam entre 1999 a 2001 nas sete unidades de terapia intensiva e nos 14 berçários da cidade de Belém. expressão facial.

Segundo Gairdner em 1949. eu penso que seu objeto é limitar relações sexuais e debilitar o órgão de geração até onde possível. (MARSHAL et al.. embora contrária aos interesses da criança. Nos Estados Unidos é dado o poder aos pais para a autorização de uma operação não terapêutica. Para pais judeus e muçulmanos a circuncisão é motivada por razões de fé. nem destrói o poder de geração. no grupo alvo. Circuncisão masculina é descrita em tumbas egípcias há 5. Depois disso se tornou um procedimento creditado com uma gama extensa de benefícios supostos. Circuncisão simplesmente limita a luxúria excessiva. A prática ainda é difundida no EUA onde atualmente 60% (abaixo de 90% dos anos setenta) de neonatos masculinos são circuncidados. Sem controvérsias. em relação ao grupo controle. Assim o homem fica moderado. Nas palavras do Rabino Maimonides do século XII.000 anos atrás.” (PRICE. . 1997) No século XIX era praticada nos países de língua inglesa como preventivo para a masturbação e era vista como “higiênica”. o prepúcio é visto popularmente apenas como um pedaço de pele vestigial. pois exigia a perda de algo de grande valor.. era um ritual claramente sacrificatório. 1982) As origens da circuncisão perdem-se na antiguidade. que apóia a visão das perdas: "A respeito da circuncisão.. esta se originou na pré-história há 15. envolve pouco ou nenhum risco e não produz nenhum dano a curto ou a longo prazo.mamava menos. O dano corporal causado àquele órgão é exatamente o que é desejado. Bem antes de adquirir suas implicações religiosas. sem função e que sua remoção não causa nenhuma real dor.. não interrompe nenhuma função vital. Tal crença ainda persiste.1149 a alimentação .000 anos atrás. não há nenhuma dúvida de que circuncisão debilita o poder de excitação sexual e às vezes minora o prazer natural. Esta ordem não foi um mandamento devido a uma criação física deficiente. Até mesmo hoje. mas um meio para aperfeiçoar as faltas morais do homem.

pois esta é a melhor profilaxia do câncer de pênis. ou seja. a AAP informa que a pele é um órgão protetor e qualquer ferimento em sua integridade predispõe a uma oportunidade para iniciação de infecção. 1999) . (AAP. Extensa revisão de literatura indica que a circuncisão masculina não previne o câncer de colo de útero nas suas parceiras. produz dano a curto e a longo prazo. Não há evidência que indique que a circuncisão previne o câncer de próstata. Prossegue então que "fimose do recém-nascido" não é uma indicação médica válida para circuncisão.1150 os fatos são que a circuncisão: inflige dor severa e os anestésicos. (AAP. como assinala a AAP em seus relatórios de 1975 e 1977 (AAP. Esta só deveria ser executada quando é menos provável que o trauma na genitália não cause tantos problemas psicológicos. que não há validade médica que indique circuncisão para o período neonatal. pois não é sua etiologia. levam a riscos significativos de mutilação do órgão e hemorragia bem como infecção. deveria ser discutida a necessidade de orientação aos pais antes do nascimento da criança de como proceder para realizar a higiene. no The Committee on Fetus and Newborn (O Comitê sobre Feto e Neonato) em seus sucessivos relatórios diz em 1971. pela AAP. quanto mais tarde possível. no nível emocional e diminui a função sexual e não tem nenhum benefício médico. 1997) Desde 1977. orientação desde 1975. 1997) A American Academy of Pediatrics. se usados. (PRICE. Circuncisão executada mais tarde na vida em aproximadamente 2% a 10% de homens com verdadeira fimose tem a vantagem de não ter risco anestésico. 1999) Quanto à higiene. segundo a American Academy of Pediatrics.

(AAP. os recentes achados clínicos evidenciam que não há diferença na incidência de gonorréia e de uretrite em circuncidado. Só aproximadamente 4% de meninos têm um prepúcio retrátil ao nascimento. observação pós-operatória sistematizada e avaliação depois da alta do hospital. Fimose é uma estenose do prepúcio com inabilidade resultante para retratar um prepúcio completamente diferenciado. Em 1982 um destes estudos. questões metodológicas fazem estes artigos de validade discutível. Apenas as patologias ligadas à existência do prepúcio são evitadas com a circuncisão. 15% aos seis meses e 50% com um ano. Quanto às outras patologias.1151 O prepúcio é a dobra de pele que cobre a glande. Ao nascimento. Balanite é a inflamação da glande e postite é inflamação do prepúcio. estas condições normalmente acontecem junto com balanopostite. (AAP. Meatite é inflamação do meato uretral externo. criando maior tensão linfática que pressiona a glande resultando em edema subseqüente do prepúcio. o prepúcio pode ser retrátil em 80% a 90% dos meninos. (AAP. 1999) Estudos prévios sobre a relação entre circuncisão e prevenção contra infecção urinária foram feitos. Os perigos imediatos de circuncisão do recém-nascido . realizado em hospitais militares que até hoje é referência devido à sua grande casuística. Parafimose é a retenção proximal do anel prepucial ao sulcus coronal. o prepúcio estáse desenvolvendo ainda histologicamente e sua separação da glande está normalmente incompleta. antes de três anos. 1999) A afirmação quanto a ser à circuncisão ser preventiva de doenças sexualmente transmitidas não é correta. teve erros metodológicos. a AAP informa que a circuncisão é um procedimento cirúrgico que requer técnica asséptica cuidadosa. 1999) Desde 1977.

Anestesia de Circunferencial pode ser perigosa. hemorragia significativa e mutilação. Remoção incompleta do prepúcio pode resultar em fimose. padrões de sono variados e mudanças da interação materna infantil retraimento do contato e diminuição da alimentação. em 1973. Foram documentadas respostas para estímulos dolorosos em neonatos de todas as idades gestacionais viáveis.1152 incluem infecção local que pode progredir para septicemia. 1999) Complicações devido à anestesia local consistem principalmente em hematomas na pele seguidos de necrose. Revisão da literatura durante os últimos 25 anos documentou duas mortes prévias devido a este procedimento. devido à circuncisão. houve uma morte entre as 175. Seria . (AAP. Mudanças de comportamento incluem um padrão de grito que indica angústia durante o procedimento de circuncisão. Meatite resulta indubitavelmente em urinação dolorosa. 1999) Crianças que sofrem circuncisão sem anestesia demonstram respostas fisiológicas que sugerem que elas estão experimentando dor que incluem mudanças de comportamento. cardiovasculares e hormonais.000 circuncisões no Exército dos EUA. (AAP. (AAP. No entanto. (AAP. mudanças em atividade irritabilidade. 1999) Desde 1977 a AAP informa que circuncisão neonatal predispõe à meatite que pode conduzir à estenose do meato. até mesmo uma dose pequena de lidocaína pode resultar em níveis de sangue altos o bastante para produzir respostas sistêmicas mensuráveis em neonatos. Nos Estados Unidos. Rotas neuronais para condução do estímulo doloroso como também o cortical e centros subcorticais necessários para percepção de dor estão bem desenvolvidos desde o terceiro trimestre da gravidez. 1999) Mortes são atribuíveis à circuncisão em recém-nascido.

1999) Desde 1977. não o que outra pessoa expressa.. 1999) É enfatizado que circuncisão no recém-nascido é um procedimento eletivo. os pais deveriam ser informados inteiramente dos possíveis benefícios e riscos potenciais da circuncisão em recém-nascidos. Até mesmo a Academia Americana de Pediatria na orientação em como tratar as crianças afirma: “Assim. ‘consentimento por procuração’ representa um sério problema para provedores de cuidados médicos pediátricos. a AAP orientou que. Por causa da falta de dados científicos claros. ou sem anestesia local. Não há indicação médica absoluta para a circuncisão. convincentemente discute que a visão de que os pais têm dos direitos sobre suas crianças está incorreta e insustentável: os direitos residem nas crianças e os pais devem ser agentes destes direitos delas. jurista. A evitação de circuncisão é particularmente importante porque doença neonatal nem sempre é aparente ao nascimento. em 1996. (AAP. doenças neonatais. não deve ser um procedimento de rotina. de praticarem um cuidado médico competente baseado nas necessidades de seus pacientes. tanto com. (AAP. obter mais dados de séries controladas de grande porte antes de defender anestesia local como uma parte integrante de circuncisão em recém-nascidos. portanto. ou sangramento são contra-indicações absolutas à circuncisão neonatal. (AAP. ao considerar circuncisão dos seus filhos. Tais provedores têm deveres legais e éticos com seus pacientes. as responsabilidades do pediatra para com o paciente dele existem independentes de desejos parentais ou ‘consentimento por . a AAP informa que prematuridade. (AAP. não foi provida uma recomendação firme para método apropriado de controle de dor. 1999) Em 1989.. 1999) Professor Dwyer. qualquer anomalia congênita (especialmente hipospadias).1153 prudente.

(PRICE. que aqui a conivência médica é comparável com o pouco ético comportamento de um médico envolvido em tortura. Artigo 24(3) provê: “Todos os Estados Parte deverão tomar medidas efetivas e apropriadas com uma visão para abolir práticas tradicionais prejudiciais para a saúde das crianças. deixa clara a posição a respeito de circuncisão. como curar asma. 1997) Ainda assim. na qual o examinador não sabe que bebê foi circuncidado. mas este argumento não se sustenta na Convenção erudita com as providências interpretativas da Convenção de Viena na Lei de Tratados de 1969. As autoridades médicas alegam razões não muito claras para tal prática. ou seja. doença mental e compulsão à masturbação. (PRICE. 1998) Foi feito uma pesquisa sobre 26 recém-natos randomizados circuncidados com dois dias de nascidos e com três semanas. câncer. sífilis. (CHAMBERLAIN. segundo Kaplan em 1977 e Grimes . 1997) A Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança assinada em 1959. usando a Escala Brazelton de Avaliação Neonatal (NBAS).000 homens que nascem a cada ano são circuncidados. Estas foram razões que os médicos nos Estados Unidos recentemente mudaram para: previne doenças sexuais. 6% dos meninos nos Estados Unidos fazem circuncisão cosmética.600. Nos Estados Unidos 80% das crianças. Não se pode deixar de considerar.1154 procuração’”. 1. incontinência urinária. infecções urinárias e até AIDS. comparado com os controles. A redução na escala da média de demonstração de desanimado ou hiperativo atingiu a 90% do grupo que sofreu o procedimento nas últimas 4 horas. alcoolismo." Alguns buscaram discutir que esta provisão só era direcionada à circuncisão feminina. que também usa a desculpa de estar praticando o que lhe foi solicitado pela autoridade. Cada bebê foi examinado três vezes. Eles também poderiam explicar por que o comportamento abusivo para com uma criança é menos abusivo quando executado por um médico.

Os circuncidados mostraram mais forte resposta à dor da vacinação. que ficam com o sistema supra-renal alterado por reação de estresse prolongado. 1982. Anders e Chalemian em 1974. (CANADIAN PAEDIATRIC SOCIETY. Utilizou-se vídeo . segundo Emde. Denniston entende que está na hora de o estabelecimento médico repensar as razões para e as conseqüências deste procedimento. por ocasião de vacinação. já haviam descrito alteração no ciclo de sono entre os circuncidados. O trabalho de Terris M.tape para medir expressão facial. duração do choro. O outro estudo. De fato. Koenig e Wagonfeld em 1971.1155 em 1978. (MARSHALL et al. 1997) Um estudo avaliou as conseqüências da circuncisão sobre o sono. Foi realizado estudo para verificar se havia alteração da dor aos quatro e seis meses. Há muito poucos estudos que justifiquem sua realização. Embora amplamente usada nos EUA. Brackbill em 1975. DIXON e SNYDER. Um deles usando polígrafo para averiguar a qualidade das fases de sono REM. que normalmente se alternam. Harmon. Wilson F. (ANDERS et al. para que o sono tenha sua natural função reparadora de energia. Metcalf. e não REM. as crianças apresentavam um aumento de cortisol nos níveis plasmáticos. 1974) A Fetus and Newborn Committee. Nelson JH em Relation of circumcision to cancer of . Canadian Paediatric Society. (TADDIO et al. Este estudo envolveu 87 meninos divididos em três grupos. em revisão de literatura feita. assim como alteração do ciclo de sono. 1980. choro. tal prática não ocorre na Europa. e escala de dor análoga a tais reações. concluiu que a circuncisão não deve ser praticada como rotina em neonatos. 1984) Estudos preliminares já observaram que meninos que passaram por circuncisão têm menor tolerância à dor. feito por Anders e Roffwarg em 1973. 1996) Em muitos hospitais nos Estados Unidos a circuncisão é parte rotineira do cuidado provido às crianças masculinas.

a cabeça do pênis se . o prepúcio protege a glande de irritação e de material fecal. 1992) Sob o ponto de vista fisiológico. Esta pele é firmemente presa na glande como o é a pele da mão. a pele da glande sensível seja lacerada para permitir a remoção. criando um espaço. 1992) Ao nascimento. À medida que elas aumentam. 1992) O prepúcio cumpre várias funções. o espaço entre a glande do pênis e o prepúcio intacto). sem anestesia. mas pode levar até 17 anos para que alguns meninos terem um prepúcio completamente retrátil. antes do nascimento. na cirurgia. publicado no Am J Obstet Gynecol em 1973 e que justificou a idéia de que a circuncisão prevenia contra câncer do colo de útero.1156 the cervix. Por isto. pois durante a ereção. Supondo que o trabalho estivesse correto. a glande do pênis está coberta com pele. Na 17ª semana de gestação aproximadamente. para evitar algo que só poderá acontecer na vida adulta. ainda assim. os nutrientes que vão para as células do centro são cortados e então morrem. a circuncisão não só interfere no seu desenvolvimento. O pênis do recém-nascido não está completamente desenvolvido. a idéia de submeter todos os bebês a este procedimento tão doloroso. (DENNISTON. A cabeça e normalmente a glande do pênis de um homem está coberta de uma pele por cima da outra. não soa razoável. (DENNISTON. (DENNISTON. está incorreto. mas também ocorre que. A função do prepúcio na maioridade pode parecer mais obscura a princípio. Este processo é completado por volta dos três anos de idade em 90% dos meninos. Estes espaços minúsculos fundem-se. começa aos poucos a separação do prepúcio da glande. tornando-se o espaço prepucial. células na área de separação entre o prepúcio futuro e a glande iniciam o processo de criar o espaço prepucial (isto é. Começam a formar-se bolas microscópicas que incluem camadas múltiplas de células. Na infância.

2005) A circuncisão é um dos piores tratamentos dados à criança. Diante de tão poderosa e dolorosa mutilação. Marilyn Milos. (DENNISTON. no relatório das Nações Unidas de 2000. em San Francisco. vão confiar menos nelas. Elas contraem-se. a elas cabe proteger a integridade física de seus filhos. grupo de proteção contra violência. A conseqüência de abandono pela mãe é violência contra mulher. Na verdade. (REICH. e há estudos que relacionam circuncisão e estupro. seus filhos vão tomar menos leite delas. (BAKER. pois suas mães os traíram.000 correm tal . como já visto. Elas não podem falar com você. O prepúcio cobre este alongamento da cabeça e é projetado especificamente para acomodar um órgão que é capaz de tal aumento. Elas só podem chorar. o que elas podem fazer é contrair-se. Estudos anatômicos demonstram que o prepúcio tem maior concentração de terminais nervosos complexos do que a glande. que criança se ligará de fato num deus interior? O trabalho de Rima Laibow em 1991. Como mãe. p. e ela afirma: “Basta dizer não à Circuncisão”. segundo relatório de abril de 2006. Califórnia. no Segundo Simpósio Internacional sobre Circuncisão. Além disso. em 1991. vão embora deste mundo feio. mas Jeannine Parvati Baker dirige-se especialmente às mães. diretora do NOCIRC. E o que acontece com elas? Simplesmente olhe para elas. como demonstrou Taylor J.1157 prolonga. nos dias que se seguem à circuncisão. vão para o interior. e estima-se que dois milhões de mulheres passam por isto a cada ano. tornando-se aproximadamente 50% mais longa. 7) A mutilação genital feminina (FGM). De 100 milhões a 140 milhões de mulheres foram submetidas à mutilação genital. 1992) Aos pais cabe a proteção de seus filhos. explica que a circuncisão é quando o primeiro encontro com a sexualidade foi marcado por violência. e 6. diz ela. 1950. o prepúcio é uma das partes mais sensíveis do pênis e pode aumentar a qualidade das relações sexuais. esta é a “Sagrada Obrigação”. pois. é uma prática que ocorre em 28 países africanos. carregam uma profunda mágoa. conclui que homens que passaram por este nível de dor.

se a hemorragia se inicia durante o trabalho de parto. onde 90% a 98% das mulheres são infibuladas. segundo estimativa do FORWARD – Foundation for Women’s Health. As decorrências também podem ser: problemas psicossociais. conflito conjugal. com morte da mãe e da criança.1158 risco a cada dia. infecção pós natal. Tipo 3 . Muitas vêm a morrer das complicações a longo prazo. ulceração da região genital ou infecção devido a este procedimento. fístula vaginal com injúria a outros tecidos. da FGM. entre as que foram exiladas para lá ou entraram como refugiadas. dispareunia (dor durante o coito). segundo a OMS em 2000. infertilidade por infecção da pelve crônica. com ou sem excisão de parte ou de todo o clitóris. neuroma. 2006) Muitas mulheres morrem de hemorragia de parto devido a este procedimento. com laceração vaginal e fistula vaginal. Research and Development (Fundação para a Saúde e o Desenvolvimento da Mulher). abscessos.000 jovens adolescentes estão sujeitas a risco anualmente. cistos. E 7. infecções pélvicas e infecção ginecológica.000 mulheres. (ROYAL COLLEGE OF NURSING. Tipo 2 . corte de alguma terminação nervosa causando dor permanente e infecção crônica por obstrução do fluxo menstrual. No Reino Unido. a criança pode morrer por falta de oxigênio. uma em cada 100 morrem no parto devido a este procedimento. que são infecção urinária recorrente. De acordo com a classificação. falta de confiança no cuidador. trauma ao dar à luz. choque. 86. e não na fase expulsiva. fechamento da vagina devido à cicatriz. Na Somália. retenção urinária. Muitas meninas morrem em conseqüência de hemorragia. especialmente se retornarem aos seus países de origem. prolongamento do trabalho de parto ou obstrução do períneo devido à cicatriz. Outras sofrem conseqüências a longo prazo. há quatro procedimentos: Tipo 1 – exêrese da parte retrátil da pele que cobre o clitóris. estresse pós-traumático. frigidez. submeteram-se a tal mutilação.excisão do clitóris parcial ou total e dos pequenos lábios. e também fístula vaginal em conseqüência da obstrução do trabalho de parto.

Andrew Meltzoff estudou esta capacidade em grande detalhe: protundindo a . Tipo 4 – furar. a página 10 orienta sobre a necessidade de proteção da criança. pois verificou-se que 20. entendeu que seu alvo para a redução de tal prática já começou a ser atingido. 2006) 2. em 1994. SENIOR CITIZENS. cauterizando ou queimando o clitóris e o tecido ao redor. ou infibulação. NOBLE. raspando o tecido à volta do orifício ou cortando a vagina. no Cairo. os profissionais de saúde têm o dever de proteger as crianças de tais mutilações.12 Imitação e outras Evidências do Desenvolvimento Inicial Olga Maratos. WOMEN AND YOUTH. perfurar. ou o lábio. Sawhaj. percebeu a capacidade do recém-nato de imitar. (FEDERAL MINISTRY FOR FAMILY AFFAIRS. com introdução de substâncias corrosivas ou ervas para dentro da vagina. Minya. 2006. Mais tarde. como do clero. psicóloga grega. (ROYAL COLLEGE OF NURSING. Foi então firmado o Protocolo da Carta Africana (União Africana de 2003) onde estão tais compromissos. tem sido fundamental para a mudança de atitude tanto do governo do Egito.1159 – excisão parcial ou total da genitália externa e costurar ou deixar mais estreita a abertura vaginal. Segundo a Maternal and Child Health Survey (Pesquisa de Saúde Materno-Infantil) em 1991. ou com o propósito de estreitá-la. Qena. ou cortar o clitóris e.000 mulheres foram poupadas do procedimento. 2007) Segundo o Ato de Direitos Humanos de 2000. que causam sangramento. Outro ganho foi a redução da incidência de circuncisão nas regiões administrativas de Asyut. A informação. 1993) A Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento. 95% das meninas nas áreas rurais do Egito e 80% das áreas urbanas eram circuncidadas. Cairo e Alexandria entre meninas 5 a 10 anos de idade de 95% para 70%. (ROYAL COLLEGE OF NURSING. embora o procedimento fosse proibido por lei. Na Convenção dos Direitos da Criança. com um aperfeiçoamento de educação sobre o assunto.

(BERGAMASCO. demonstrando registro de memória. A análise dessas reações (choro e expressões faciais de agrado e desagrado) evidenciam sintonia com o ambiente e variabilidade individual . estender o lábio. assim como estudos transculturais que marcam diferenças de comunicação.e excluiu-se a possibilidade de uma interpretação desses movimentos como reações reflexas. que geram respostas nelas. Hoje já existem estudos em animais e estudos endocrinológicos que dão sustentação às observações antigas. abrir a boca) e um envolvendo os dedos. o recém-nato. um pressuposto comum às teorias de emoção. A hipótese deles era que os recém-nascidos são capazes de imitação de movimentos faciais. (STALLING. 1989) Fez-se um estudo para observação do uso de movimentos expressivos como indicadores de estados subjetivos no bebê recém-nascido. Os bebês também imitam rostos de tristeza. abrindo a boca. Foi verificada uma . franzindo os lábios. com bebês de 12 a 21 dias de idade. 1997) Décadas de pesquisa têm confirmado que os bebês emitem sinais para as mães. estas evidências permitem admitir uma correspondência estreita entre movimentos expressivos e estados internos. a partir de registros de reações a estímulos nociceptivos e a estímulos olfativos e gustativos.1160 língua. imita a careta para a pessoa que a fez. Usaram quatro modelos: três faciais (colocar a língua para fora.duas condições incluídas no sentido de consciência como "awareness". que já se tornou clássico. (KLAUS e KLAUS. Cada um deles era apresentado para os bebês por um adulto e as respostas eram codificadas por observadores que desconheciam o movimento a ser imitado. 1994) Meltzoff e Moore publicaram o primeiro estudo. e esta comunicação implica em desenvolvimento cognitivo para o bebê. felicidade e surpresa. de uma extensa linha de pesquisas sobre imitação em recém-nascidos. Considerando-se o bebê como ser social e altamente comunicativo.

Os resultados corroboraram os anteriores. 1983a) Em outro estudo foi evidenciou-se que os bebês são capazes de reconhecer visualmente a chupeta que sugam. . (MELTZOFF. Os resultados demonstram evidência de que existe imitação imediata e também mediata. Com os mesmos cuidados de usar observadores que desconheciam o gesto que serviu de modelo. verificaram que os bebês eram capazes de reproduzir ambos os movimentos. 1988b) Imitação com demora de l semana foi examinada em crianças de 14 meses. Depois colocou-se uma demora de 24 horas entre o estímulo-apresentação e os períodos de resposta. 1977) Em uma amostra de 40 bebês de menos de uma hora a bebês de 71 horas. cada uma usando um objeto diferente. Ações e novos objetos que são observados um dia podem ser armazenados pela criança e repetidos no próximo dia. Estes resultados mostram que esta habilidade está a serviço de um desenvolvimento social. foi feito um experimento em que se criaram procedimentos para impedir que os bebês respondessem imediatamente à ação do modelo. Os resultados indicaram que os bebês imitaram ambos. (MELTZOFF e BORTON. apresentaram-se dois gestos de um modelo adulto: abertura da boca e protrusão da língua. do que de qualquer outro. Seis ações. 1979) Na tentativa de tornar mais precisa a experiência anterior. (MELTZOFF e MOORE.1161 freqüência significativamente maior do gesto que estava sendo mostrado. 1988a) Outro experimento incluiu a protrusão da língua e movimento de cabeça. (MELTZOFF e MOORE. Uma das seis ações era um comportamento novo que tinha nenhuma probabilidade de ocorrência espontânea. (MELTZOFF. As crianças demonstraram ter memória evocativa. (MELTZOFF. 1983b) A habilidade de crianças de nove meses para imitar ações simples com objetos foi investigada.

1162 Mais tarde, após algum tempo depois da execução do movimento pelo adulto, eles repetiam o gesto. Daí começou-se a pensar na questão da memória. MOORE, 1989) A partir de estudos com bebês de seis semanas e de dois a três meses, atribuiu-se uma função social e psicológica às imitações iniciais. Posturas faciais estáticas e movimentos, tanto de estranhos como das respectivas mães, eram imitados; portanto, os resultados não dependiam da familiaridade com o modelo. Esse comportamento apresentado em bebês de seis semanas de idade continuava presente aos dois e três meses. Para os autores, a imitação inicial tem uma função comunicativa e os bebês a utilizam nos encontros com outros para enriquecer seu conhecimento de pessoas e de suas ações e também para identificar essas pessoas. O que este pesquisador percebeu é que o desenvolvimento do cérebro humano depende desta imitação, e o ato de imitar é, dentre outras coisas, um importante exercício de memória. A criança percebe o rosto do adulto como um espelho que se comunica com ela, portanto é fundamental como aprendizado de auto-estima. (MELTZOFF e MOORE, 1992) O trabalho de Sophian em 1980 trouxe dados na mesma direção e o autor afirma que a memória de reconhecimento está presente desde os primeiros dias de vida. Legerstee em 1991 também encontrou evidências confirmatórias, ao examinar o papel de pessoas e objetos ao provocar imitação em bebês de cinco e oito semanas. Para os três autores, a imitação é uma resposta social que tem implicações para o desenvolvimento, especialmente da comunicação e da linguagem. (MOURA e RIBAS, 2002) As crianças desenvolvem a fala com padrões de linguagem universal e um mecanismo que influi é a imitação. As crianças buscam copiar as vogais. Em análise em (MELTZOFF e

1163 espectrógrafo, as vogais vão-se separando quando as crianças tinham entre 12 a 20 semanas. (KUHL e MELTZOFF, 1996) A idéia de imitar está conectada com a idéia de se inserir no contexto social. Mas, além disto, envolve a observação e a própriocepção, assim como habilidades motoras. Nos pacientes com Síndrome de Down e com autismo, esta capacidade de imitar está alterada. Por outro lado, padrões de imitação são observados em muitas culturas, como descrito nos Estados Unidos, por Abravanel e Sigafoos em 1984, e por Field et al. em 1982 no Canadá por Legertee em 1991, na França por Foutaine em 1984, na Suíça por Vinter em 1986, na Suécia por Helmann e Schaller em 1985 e por Heinann et al. em 1989, em Israel por Kaitz et al. em 1988, no Nepal, em área rural por Reissland em 1988. (MELTZOFF e GOPNIK, 1993) No trabalho de Reissland foi confirmada a imitação de posições dos lábios em 12 bebês com uma hora de vida de uma região rural do Nepal, para quem o experimentador era a primeira pessoa com quem interagiam após o nascimento. (REISSLAND apud MOURA e RIBAS, 2002) Confirmaram-se as evidências de que em fase muito precoce existe uma variedade de gestos imitados. A imitação de ações novas, portanto não pode ser resposta. A estereotipada, visto que a possibilidade de imitação facial diferente com intervalos de 24 horas. (MELTZOFF e MOORE, 1999) Foi feito um estudo para testar a imitação imediata e a memória (com intervalo de 24 horas). Este trabalho utilizou um procedimento experimental muito cuidadoso, incluindo a micro análise da topografia da resposta. Os procedimentos foram testados para fidedignidade, apresentando índices bastante altos. Os resultados mostraram imitação imediata, e imitação após um intervalo de tempo. Esse último resultado indica que memória de evocação em bebês de seis semanas pode gerar ações com base em

1164 alguma forma de representações armazenadas. A organização motora envolvida na imitação, investigada pela micro análise das respostas, revelou que os bebês se modificam. (MELTZOFF e MOORE, 1994) Neste caso, Meltzoff (1995) relata um estudo com crianças de 18 meses, no qual o modelo tentava realizar uma determinada ação com um objeto, mas falhava. A conduta imitativa observada levava em conta o que os adultos haviam tentado fazer, e não o que eles de fato haviam feito. É com base nesse tipo de dado que os autores ressaltam que estas crianças de 18 meses não estavam apenas imitando o que elas haviam visto, mas realizando atos de certa complexidade de intenção. (MELTZOFF, 1995) Gallagher e Meltzoff (1996) discutem alguns pressupostos tradicionais sobre o desenvolvimento do esquema, da imagem corporal e do processo de tradução entre a experiência perceptual e a capacidade motora. Com os achados nas pesquisas de Meltzoff sobre a imitação de gestos não-vistos, defende-se então uma capacidade rudimentar de diferenciação entre o self e o que não é o self presente no recém-nascido. (GALLAGHER, S. MELTZOFF, 1996) Foram analisadas questões relativas ao processo de imitação e entenderam que os bebês relacionam partes de seus próprios corpos aos correspondentes nos adultos. Ao mesmo tempo, realizam movimentos espontâneos que são como "balbucios" e que lhes dão experiência em mapear mudanças e configurações de seu próprio corpo. Finalmente, estabelecem relações entre órgãos que lhes permitem perceber e emparelhar seus movimentos com os do modelo. (MELTZOFF e MOORE, 1997) Já ficou comprovada a existência de memória nos primeiros meses e há uma complexa mente funcionando nos bebês de 18 meses. O cérebro é uma estrutura inata e de evolução progressiva, há uma reorganização qualitativa na vida mental do bebê, com base em sua experiência com pessoas e eventos de sua cultura. (MELTZOFF, 1999)

a psicologia do desenvolvimento veio transformando-se ao entende-se o sentido da imitação nos bebês. (MELTZOFF. demonstra que nestes a mente é contínua e descontínua em função da subjetividade. é preciso mudar paradigmas de pesquisa em bebês. demonstrando flexibilidade e não há automatismo. no contexto afetivo das relações sociais. 2002a) A imitação é um recurso para entender como outra mente funciona. sem que antes tenha sido feito. Crianças que dão respostas corretas é que estão confiando no modelo. Isto ocorre com a criança humana. (MELTZOFF 2002b) Um aspecto importante da imitação na interação social é o da empatia. neurocientistas vêm. A criança de 14 meses é capaz de perceber a direção do jogo que o adulto pretende desenvolver. quando percebe que isto de algum modo era o que se esperava. Em quarto lugar. Prinz. explorando o conceito de neurônio espelho. O passo um sendo “Como eu” e o passo dois. e deixar de considerá-los iguais aos ratos de laboratório. Fadiga. A literatura sobre esse tema é muito extensa e optou-se por citar somente alguns estudos básicos. 2002. 2005) Outras evidências do desenvolvimento inicial parecem consistentes com os achados sobre imitação e serão apresentadas a seguir. As crianças imitam gestos novos. pois há uma interação lúdica que a faz antecipar no jogo à ação a ser realizada e. pois sua psicologia é mais complexa. A capacidade de estabelecimento de intersubjetividade entre o bebê e os adultos é um dos aspectos . como Decety em 2002. primeiro. e crianças imitam por memória. segundo. Não há fixidez neste aspecto. através das experiências de imitação. De algum modo a direção da imitação é inclusiva de si próprio.1165 Algumas coisas foram mudando e Meltzoff entende que. (MELTZOFF. E em terceiro lugar a comparação de imitação de animais e de humanos. num contexto de relação e do outro. ela fica satisfeita e ri. não por reflexo. Fogassi e Gallese em 2002. Rizzolatti. “Compreensão do outro”.

Além disso.e suas transformações. definida originalmente por Trevarthen e Hubley (1978). No curso das primeiras semanas. que se manifesta muito cedo de uma forma rudimentar. Os bebês parecem predispostos a responder seletivamente a eventos sociais e demonstram uma motivação básica para se relacionar com pessoas. regula motivação e intenção em relação a elas e constrói simultaneamente atos rudimentares de fala e gesto em combinações e seqüências-padrão. mas se inserem em um panorama mais geral. A partir disso. desenvolve-se. os bebês apresentam uma ligação estreita entre os sistemas de percepção e ação organizada e uma sensibilidade essencialmente humana para estímulos sociais. interpessoal. por sua mãe. 2005) As capacidades imitativas iniciais. sobretudo. revelam um conjunto de características que os capacitam para os primeiros contatos e trocas com os membros da cultura. mostram os primeiros sinais de "intersubjetividade primária". Trevarthen e Hubley em 1978 discutem que a comunicação entre o bebê e os adultos -principalmente a mãe . No segundo mês. (MELTZOFF. geral e altamente complexa. (MOURA e RIBAS. inicialmente representados. Uma forma primitiva de intersubjetividade começa nas primeiras semanas de vida. Esta é caracterizada como uma forma de interação que tem como aspectos essenciais o interesse que o bebê demonstra pela fala da mãe e sua capacidade de orientar a atenção para o rosto da mesma e de responder às solicitações dela. entretanto. com o prazer do contato visual entre a mãe e o bebê (ao qual se deveria acrescentar o prazer do toque). não podem ser entendidas de forma isolada. transformando-se na capacidade de compartilhar atenção a objetos comuns e tornando-se verbal na época da pré-história.1166 centrais que se podem vincular às evidências que vêm sendo descritas. 2002) . se devem à diferenciação de uma função inata. Essa função identifica pessoas.

2002) Há divergências entre os autores quanto à natureza das percepções iniciais do bebê. evidenciam que a capacidade de representação pode estar presente desde o nascimento. preferindo os primeiros. desde o terceiro dia de vida. Em condições normais. os das vozes femininas (Eisember.1167 O sistema auditivo parece pré-adaptado para identificar a voz humana. Propõe. os bebês buscam estabelecer contato visual com os adultos que cuidam deles e são estimulados e incentivados a fazê-lo. Uma dessas rotas trata do controle perceptivo e . (MOURA e RIBAS. Além disso. não tem sido confirmada a concepção piagetiana de que estas são modais e justapostas e de que a organização comportamental é não-coordenada e constituída de reflexos isolados. Para este autor. ação e representação. as investigações de Fantz em 1965 demonstraram a capacidade de discriminar e manifestar preferências por configurações de rostos humanos. os resultados das pesquisas recentes desafiam "crenças antigas" que viam os recém-nascidos como dotados apenas de um repertório muito simples de comportamentos sensório-motores que são gradualmente integrados e internalizados. 1975). (MOURA e RIBAS. em especial. conseguem distinguir sua mãe de uma estranha com base no odor (Engen. um modelo em que o sistema visual é dividido em duas rotas funcionalmente dissociáveis. Bertenthal em 1996 revê e analisa as evidências das origens e do desenvolvimento inicial da percepção. 2002) Este mesmo autor Bertenthal em 1996 questiona a visão monolítica da percepção de que diferentes inputs sensoriais convergem numa representação única que precede o pensamento e ação. segundo Schaffer em 1979. 2002) No campo visual. 1963). Os bebês discriminam sons da voz humana de outros sons. Esta capacidade discriminativa se manifesta também no sistema olfativo. (MOURA e RIBAS. Tem sido verificado que. então. Lipsitt & Haye. Em geral.

No primeiro caso. se apresenta sob a forma de representações com finalidades específicas e se torna progressivamente disponível. Diferentes fatores contribuem para mudanças evolutivas nos dois sistemas. por . Pensam que as predisposições inatas podem ser especificadas em detalhe ou ter apenas uma direção geral. Karmiloff-Smith desenvolveu o que chama de modelo RR (Redescrições Representacionais). o ambiente influencia a estrutura subseqüente do cérebro através de uma interação rica e específica entre a mente e o ambiente físico e sociocultural. O modelo pressupõe um processo cíclico pelo qual a informação. Num modelo mais geral. Moura e Adriana F.1168 da orientação das ações. Ribas admitem tais capacidades inatas. Márcia L. passe por uma construção gradual. permitindo defender a hipótese de que a obtenção de aspectos do conhecimento conceitual e a aprendizagem sobre os mundos físico e social através da percepção. 2002) O que essas pesquisas têm indicado é que o estado inicial do desenvolvimento talvez não seja exatamente o que Piaget propôs e. As evidências mostram que a percepção depende de relações e de descrições abstratas.S. é preciso repensar o estágio sensóriomotor tal como apresentado e explicado por Piaget. Deste modo. (MOURA e RIBAS. isto é o que propõe também KarmiloffSmith em 1995. Essa é a proposta de Meltzoff e Moore. ou seja. e a outra da percepção e do reconhecimento de objetos e eventos. mas também a hipótese de um mecanismo de construção. 2002) É necessário adotar uma posição que inclua as novas evidências sobre o estado inicial e que inclua também um processo em que a representação sofra transformações e tenha maior complexidade.P. Nem percepção. No segundo caso. já presente no funcionamento independente do organismo. nem representação são privilegiadas ontogeneticamente. os estímulos do ambiente são apenas disparadores do processo. é necessário levar em conta algumas predisposições inatamente especificadas. nem ação. (MOURA e RIBAS.

agarrar e comportamentos de sinalização como sorrir e chorar. Klaus e Kennell aplicaram o termo vínculo (bonding) ao começo desta ligação que se dá na primeira hora depois de nascimento. 2002) A teoria do vínculo foi desenvolvida pelo psiquiatra John Bowlby que foi em 1950. Ambos os conceitos especificam comportamentos que fixam condicionamentos precoces na infância. 2001) A autora vai usar sempre a palavra vínculo para a tradução de bonding e de attachment. é necessário acrescentar à visão de Piaget algumas predisposições inatas. eram mais passíveis de . (MOURA e RIBAS. para uma relação mutuamente satisfatória entre a mãe e criança. Descreveu que as crianças alcançavam alguma maturidade e independência durante o primeiro ano de vida. impregnadas de conhecimento. vivendo em suas próprias casas. dos quais o primeiro foi este: Bowlby propunha que o vínculo entre crianças de um a dois meses com suas mães tinha um forte componente instintual. Foram escritos três artigos para a Sociedade Psicanalítica de Londres. em 1951. para outras partes do sistema cognitivo. dando ao processo epigenético uma base para se desenrolar. O primeiro trabalho sobre a Teoria do Vínculo foi escrito no livro “The Nature of the Child’s Tie to his Mother” (A Natureza da Ligação da Criança com sua Mãe) em 1957. Descreveu que crianças privadas de contato com mãe.1169 meio de redescrição. que respondiam através de: chupar. (SCHORE. Diretores do Departamento de Clínica Tavistock na Inglaterra e Consultor de Saúde Mental da Organização Mundial de Saúde. Para elas. (BOWLBY. calcado em conceitos etológicos. 2002) 3 O Vínculo e a Vida Dois conceitos sobre adaptação social e recém-nascidos foram empregados: John Bowlby analisou o processo de estabelecimento de apego com a mãe nos primeiros seis meses (attachment). que aumentava a partir de um foco mantido na figura materna dos seis primeiros meses de vida.

depois desesperadas. Nossos parentes mais próximos. Os estudos de Harlow. 1986) . e em seguida começavam a se desinteressar do ambiente. Ao nutrir macacos rhesus com mamadeira em gaiolas metálicas. foram muito ilustrativos na questão do vínculo. (Uma Criança de Dois anos vai para o Hospital) onde ele observou o que ocorria na separação de curta duração de uma criança nesta idade. (MONTAGU. uma com acolchoamento e outra sem. 1986) Por 35 milhões de anos os primatas sobreviveram estando próximos às suas mães nas primeiras horas depois de nascidos. a depressão e a perda de imunidade. 2002) A necessidade de vínculo é universal. inquietas. elas adoeciam de infecção do trato respiratório. (MONTAGU. (BOWLBY. também têm necessidade de vínculo para manter sua saúde mental e emocional. Ele introduziu na pesquisa duas mães substitutas inanimadas.1170 infecção e corriam maior risco de contrair difteria. A Two-Year Old Goes to the Hospital. para o nascimento de um irmão. na década de 50. percebeu-se alteração no domínio da sociabilidade. O que ocorre é que se sucedem o pânico. Na verdade. a mortalidade entre eles aumentou. O que mostram as pesquisas sobre vínculo. O macaco bebê ia até esta apenas para o tempo de mamar. Acompanhados até a vida adulta. A não acolchoada portava a mamadeira. mas ficava com a acolchoada o maior tempo possível. o desespero. foram feitos filmes. com estudo de mímica e estudo de hormônios do bebê. com medições de onda cerebrais. os macacos de quem nos distanciamos por 1% do código genético. Outro filme da Tavistock registrou crianças que ficam em casa enquanto suas mães estavam em hospitais. em protesto. é que nenhuma criança está pronta física e emocionalmente para suportar a separação da mãe logo após o nascimento. As crianças demonstravam-se agitadas por um tempo. e até um documentário em 1952. finalmente. Na continuidade da privação. num comportamento de negação da dor.

para entender os movimentos emocionais por que passa a criança deixada. no final dos anos 30 e início dos anos 40. (Uma Avaliação de Ajuste Baseado no Conceito de Segurança). repetem o abandono e a rejeição dos pais que pode acabar parecendo doença e morte nos pais. Este trabalho foi . Neste trabalho. (BRETHERTON. Ainsworth desenvolve essa tese em sua dissertação intitulada: An Evaluation of Adjustment Based Upon the Concept of Security. em situações pouco conhecidas. geralmente causado por famílias disfuncionais. 1992) Mary Ainsworth diplomou-se na Universidade de Toronto. Esta descrição é crucial até hoje. no pós-guerra. 2 – Desespero. ele já salientava que o excesso de separação. onde fez cursos com William Blatz que a tinha apresentado à teoria de segurança de Blatz em 1940. onde ele contesta a visão prevalente de narcisismo infantil e fala da importância da questão da perda do objeto amado. onde ele explicava as fases que ocorriam em função da separação da mãe com o bebê: 1 – Protesto. Ele entende que a criança pequena não tem condições de elaborar perda. (BRETHERTON. pois escreveu para a Organização Mundial de Saúde sobre as condições mentais das crianças sem lar. que é vivida pela criança como sendo de sua responsabilidade. tendo em vista que não tem ego suficiente para fazê-lo. 1992) Em 1951. Bowlby pôde desenvolver e publicar seu trabalho a respeito dos efeitos de separação da mãe sobre a criança. ainda que por pouco tempo. O terceiro trabalho foi “Grief and Mourning in Infancy and Early Childhood” (Luto e Pesar na Infância e em Idade Precoce).1171 O segundo trabalho de Bowlby foi “Separation Anxiety” (Ansiedade de Separação) que foi apresentado em 1959. 3 – Desvinculo ou negação. Uma das doutrinas principais de teoria da segurança é que as crianças jovens precisam desenvolver uma dependência segura em relação aos pais antes de se lançar no mundo. Ambos reformularam e desafiaram as idéias Freudianas.

Teti e Ablard em 1989. por: Belsky. (Cuidado Materno e Desenvolvimento do Amor) teve um capítulo escrito por Mary Ainsworth. Cummings. e visitados por nove meses. Rovine em 1984. Ela e Bowlby já haviam começado uma intensa colaboração: ela publica o projeto de Uganda em 1962 e 1967. por duas horas. e Parke e Tinsley em 1987. 1992) Hoje. (BRETHERTON. com idéias partilhadas por ambos. 1992) Em 1957. Psieker e Booth em 1988. Schneider-Rosen. estudos sobre intervenções clínicas em família com baixo suporte social. em estudos longitudinais sobre famílias com depressão. Na sua segunda edição: Child Care and Growth of Love. (BRETHERTON. foi traduzido para 14 idiomas e o título era: “Maternal Care and Mental Health pela WHO” (Cuidados Maternos e Saúde Mental pela OMS). Há estudos sobre vínculo e sistema familiar. como Bronfenbrenner em 1979. em estudo sobre famílias onde há maus tratos como observaram Cicchetti e Barnett em 1991. Uma delas é que a importância da ontogenia do vínculo humano. Belsky e Youngblade. . Ela estava particularmente interessada em determinar a proximidade entre mãe e filho e os sinais de comportamento. Braunwald. Kuczinsky e Chapman em 1985. como os conduzidos por Radke-Yarrow. ele reformula algumas coisas sobre sua própria teoria em 1969. como os de Lieberman e Pawl em 1988. Estes eram observados a cada duas semanas. onde desenvolve um projeto de observação de 26 famílias com bebês que ainda não desmamaram entre um e 24 meses.1172 escrito em seis meses. em 1991. vínculo e irmãos: por Stewart e Marvin em 1984. Autores como Fish. Gilstrap. Crittenden em 1983. vínculo e pai. Lamb em 1978. a teoria do Vínculo tem-se desenvolvido muito com trabalhos como: Sroufe em 1988. Ainsworth vai para Uganda. problemas de comportamento como o trabalho de Greenberg e Speltz em 1988 e o trabalho de Belsky e Nezworske em 1988. sobre psicopatologia do vínculo. Carlson e Cicchetti em 1985.

ou apego. na Alemanha.. ou seja. estando na barriga da mãe. pode ser visto como um laço afetivo que a criança tem com um número reduzido de pessoas em quem ela é impulsionada a buscar um contato duradouro. Mas mesmo diante de tudo isto o poder do amor materno é extraordinário. Chen e Campos em 1985. entram em cena o ajuste postural. pois no útero o que frustra a mãe. 1993) Do feto para o bebê há uma continuidade. há o contato olho a olho e uma gama de . também em 1985. sorriso. Tal necessidade é biologicamente humana: com as condutas do apego. no lugar disso. 1992) O vínculo.1173 demonstraram a relação entre vínculo inseguro e a incapacidade de tomar as decisões necessárias aos quatro anos de idade. carrega. se as crianças apresentam um desenvolvimento adequado. no caso de ela esperar ter o filho em parto normal e. Unzner em 1985. Sagi et al. 2006) Não se pode deixar de considerar que o bebê. discriminação auditiva e imitação. Suess. ter sido submetida a uma cesárea. 2006) Segundo Brazelton. já pensava em agradá-la e também tendia a se responsabilizar pelos acontecimentos insatisfatórios ocorridos com ela. é interpretada pelo bebê como uma violação da sua expectativa. (BRETHERTON. A falta desta sintonia segundo Brazelton. o olhar nos olhos e o choro. tende a ser vivido como responsabilidade pelo bebê. uma parcela de sentimento de frustração no bebê. mesmo que seja. pois isso tudo tem a função de sinalização para atrair a mãe. (BRAZELTON. em Israel. e é capaz de a tudo transformar. 1992) Existem estudos feitos sobre vínculo em outras culturas: Grossmann e Grossmann. (BRETHERTON. O apego nasce do comportamento da mãe e da criança. então são capazes de viverem em sincronia mãe com filho. Existem também as respostas de orientação e sucção. e no Japão Miyake. continua a existir uma fusão entre mãe e filho: além do contato áudio-tátil. (NOBLE. e vice-versa. apud GARCÍA. (GARCÍA. Spangler.

não estressada. .Seguro/autônomo b) Não coerente. tem contato físico com quem gosta. parece que vive em colapso com estratégias de convivência.Desorganizado Quanto à criança: a) A que explora o quarto e brinquedos com interesse. geralmente chora com separação. mostra sinais de perda quando elas ocorrem. – D –desorientada e desorganizada (A. não tem raiva. (SZEJER. 2005) Para ter uma avaliação classificatória de vínculo. prefere parentes a estranhos. falante. comportamentos físicos que sugerem expressões desconcertantes. C e outras categorias) (SIEGEL. como um seguimento da ligação intra-uterina. sentenças longas – Preocupado d) Durante as discussões tende ao abuso. colaborativo. o Vínculo . raivoso. 1999) . passivo ou medroso. preocupada. doente. parece conter raiva. passiva. não tem muito contato ou proximidade. falha em sentir-se confortável em reunião familiar. pode chorar. angustiada. discursivo disponível para o vínculo . Evitadora – Q c) Pode ser muito aflita. 1999) Na mente adulta: A disponibilidade para o vínculo pode caracterizar-se por: a) Coerente. resposta pouco emocional. S – Seguro b) Difícil chorar diante de separação de parente.B. difícil exploração. foram estruturada a expressão de vínculo como: (SIEGEL. chora. mais livre. Ambivalente – C d) Desorganizada e desorientada com o comportamento e presença dos pais.Solto c) Não coerente.1174 comunicações não verbais que aí se estabelecem num continuum. preocupado com vínculos antigos. ignora a reunião com parentes. pouco exploradora. foco em objetos. que inclusive facilita os trabalhos científicos.

1175 Simplificadamente pode-se colocar que o vínculo na escala Siegel e Hartzell em 2003: é do tipo A – Harmonioso . sejam emoções. E as histórias familiares ajudam a criar um sentido de identidade familiar compartilhada. pensamentos e crenças. 3) Reparação: se a comunicação for interrompida deve ser restaurada. 1) Colaboração: relações seguras são estabelecidas em comunicações cooperativas. compartilham-se as experiências internas. 2004) Siegel dá uma lista de cinco elementos para propor um bom desenvolvimento emocional e cerebral para a criança. mas mesmo a melhor das escalas tem insuficiências para avaliar uma interação com tantas outras variáveis sutis. (SIEGEL. (SIEGEL. 2) Diálogo receptivo: nas relações seguras. existindo nos momentos de emoções negativas. Os sinais não verbais entre pais e filhos são sintonizados.B – Equilibrado – C – Coerente D – Desorientado. 2003) . A conexão. são lançados os alicerces de uma atitude positiva. 1999) Foi desenvolvida uma Escala Materna de Vínculo (MFAS). ensina e garante à criança que ela não será abandonada no momento de dor. tanto no mundo interno. como no externo. Estas experiências são chaves para modelar futuros relacionamentos pessoais. como alegrias e excitação. 4) Narrativa coerente: As histórias narradas para a criança sobre os acontecimentos da vida fornecem à criança uma sensação de passado. por Cranley em 1981. (DOAN et al. percepções. para não abalar a base emocional da criança. presente e futuro. além de ensinar que a subjetividade da criança é um fator importante na vida. 5) Comunicação Emocional: ao compartilhar e ampliar tanto emoções positivas. num tempo mais breve possível.

2000) Daniel J. quando chega ao mundo. os filhos ativarão comportamentos arquetípicos nos pais. 2000a). ela não é uma tabula rasa. Assim é o rosto. e uma gestação com imaginação da mãe plasmando um arranjo interior harmonioso para adaptação positiva no mundo. que passam pelos filtros da própria criança interior da mãe. isto é. e no vínculo inseguro-desorganizado. O tom da voz da mãe reflete seu estado interior. mas se inconscientes. Siegel e Mary Hartzell perceberam que um vínculo seguro gera uma reação interativa parental emocionalmente perceptiva e responsiva. existem os olhos da mãe para a criança. a criança recebe mensagens puramente emocionais.1176 É importante notar que. a criança. a voz. ameaça e desorganiza a criança. a criança se organiza orientada pela face da mãe. O odor da mãe percebido por uma criança de seis dias. (MATÉ. enquanto o vínculo inseguro-evitador gera reação não responsiva e rejeitadora. O vínculo inseguro-ansioso tem uma resposta inconstante no bebê. onde residem suas emoções. as comunicações mais importantes se dão de inconsciente para inconsciente. favorecendo os contatos humanos. quando uma criança chega ao mundo. se estes forem atentos. Tudo o que ameaça a mãe. que vão comunicar a carga arquetípica dos pais. Da segunda à sétima semana. Do mesmo modo que a criança já vem com suas lentes para enxergar os pais. como diz Jung (JUNG. as situações poderão ser breves. e portanto pouco danosas. Os estados de desenvolvimento dos circuitos cerebrais estão muito importantemente ligados aos estados emocionais maternos. No hemisfério direito materno está o que será posto no inconsciente do filho: em seu hemisfério direito. ou foi algo moldada a possuir uma melhor constelação arquetípica. Nos primeiros meses. se tenha ocorrido uma concepção consciente. pode identificar que a mãe está com medo. desde o início da vida. Assim. vem com sua bagagem arquetípica desenvolvida transgeracionalmente. podem se prolongar numa desorganização do vínculo. Por outro lado. aparece a .

ou sentem-se desvinculados deste. o relacionamento mãe-bebê vai moldar um padrão de resposta que pode seguir mais adiante na vida. sede de funções humanas mais sofisticadas. Portanto. Estes cientistas afirmam que mais importante do que a estimulação sensorial nos primeiros anos de vida. 2004) Em 1976. (VERNY e WEINTRAUB. e quando uma mãe olha com amor para seu filho. foram de importância revolucionária. O corpo da criança é dotado de hormônios da socialização e empatia. mesmo não sabendo o motivo. Um processo de sintonização defeituoso poderia trazer danos às redes neurais do córtex pré-frontal.1177 resposta de luta e desorganização. eles organizam uma programação que a nomenclatura científica denomina entrainment. Tal programação determina. atualizadas em 1983 e 1995. na seqüência apropriada. desorientação. quando uma mãe acaricia seu filho e um pai brinca com ele. 2003) Baseando-se em técnicas muito recentes. Suas publicações. resultando em . tais acontecimentos se convertem em processos neurohormonais que transformam o corpo e configuram o cérebro da criança. foi descrita por Marshall Klaus e John Kennell. (SIEGEL e HARTZELL. Muitas vezes ocorre que a conexão no início da vida ficou falha. Não obstante ter-se passado mais de um quarto de século desde a observação daqueles cientistas. propiciadora da capacidade de amar. neurocientistas traçaram os fundamentos biológicos do vínculo e do afeto. produzindo uma permeabilidade duradoura aos problemas psicológicos. são os padrões de interação entre a criança e a pessoa que cuida dela. Investigações têm permitido demonstrar que nos primeiros anos de vida. ainda há pais e mães que não conseguem estabelecer vínculo com seus filhos. Com o avanço destas pesquisas sabe-se que. a idéia de criar vínculos com o bebê. em grande proporção. a arquitetura cerebral que o indivíduo terá durante toda a sua vida. o cérebro do bebê está constantemente sintonizado com o da mãe para gerar os hormônios adequados.

em dois grupos.I.000 mulheres mostrava que os bebês não desejados tinham um risco 2. ficam incrédulas.5 vezes maior de vir a falecer nos primeiros 28 dias de vida. foram estudadas. em abuso. Os bebês de mães desvinculadas podem ter dificuldade em ganhar peso. 1991) Ao tratar das mães para que melhorassem os vínculos. 2007) Numa população. Em alguns casos. Historicamente. (MADRID et al. (MADRID e SCHARTZ. quando os argumentos sobre os vínculos afetivos apareceram nos anos 70. e até mesmo surge a dúvida de terem tido um filho. aparece uma cadeia de milagres químicos que levam a mãe e o bebê a estabelecerem um aperfeiçoamento básico no desenvolvimento do vínculo afetivo”. Durante as duas últimas décadas na Califórnia. o parto estava quase destituído de seu valor humano. sobre 8.1178 afastamento emocional por longos anos: “Quando não se pode estabelecer um vínculo afetivo paira uma obscuridade sobre a relação. foram feitas séries de estudos clínicos mostrando a freqüência entre vínculo materno e asma nas crianças.B.” Klaus e Kennel perceberam que mães separadas de seus filhos por muito tempo. ou facilidade em cair doentes. (CHAMBERLAIN. Os dois grupos foram avaliados pela M. houve remissão em quadros asmáticos nas crianças. “Os bebês sabem telepaticamente se são desejados ou não”. para estudar a freqüência de eventos de não vínculo na história de vida das crianças. em nome do processo . 2000) “Durante o período crítico depois do parto. 86% das crianças asmáticas tinham problemas de vínculo comparado com 26% das não asmáticas. como uma sombra inexplicável. violavam-se as necessidades psicológicas e biológicas dos pais e da criança. Nas mães desvinculadas.S. a lactação não tem sucesso. falta intimidade. 30 mães asmáticas e seus filhos asmáticos e não asmáticos. o desvinculo se converte em raiva e a raiva. Maternal Bonding Infant Survey (Pesquisa De Vínculo Materno-infantil). em 1994. o controle médico sobre o nascimento estava em seu apogeu. Um estudo.

só dificultaram as coisas por muito tempo. (CHAMBERLAIN.1179 “científico de nascer”: esta mesma ciência levou mais de 16 anos para aceitar que o recém-nascido sentia dor. leva dez meses e 12 meses ou mais para andar e 14 meses para conseguir começar a falar. O fato é que o bebê humano nasce prematuro. p. e outras crenças “científicas”. Em outras espécies de lento desenvolvimento. o entendimento de que o bebê não era capaz de reconhecer seus pais tão logo nascesse. que é o tempo que os médicos hoje acham suficiente para que se crie o vínculo após o nascimento. pois está implicado uma maior complexidade de necessidades. Ao nascer. então. 1986. 2007) A pele representa 12% do peso total do corpo e é de longe o maior sistema de órgãos que expomos ao mundo. pois ele só consegue engatinhar aos oito meses. Não se pensava. Atualmente a Associação Americana considera que o bebê deve ser deixado com a mãe durante os seus primeiros 10 minutos de vida. gerando danos a muitos. Na mãe humana esta necessidade prolonga-se mais do que nos outros mamíferos. que houvesse diferença entre mamadeira e aleitamento materno. e que justificou milhares de cirurgias sem anestesia. “ao mudar o cenário do nascimento da casa para o hospital violaram-se as necessidades psicológicas tanto dos pais como dos bebês”. tem imaturidade bioquímica e fisiológica. (MONTAGU. Na verdade. SOLTER. (MONTAGU. Neste período. as mães permanecem próximas aos filhotes até que estejam aptos. Trata-se de assegurar a sobrevivência da espécie. 1986. 2001) O bebê humano nasce com uma imaturidade que não tem semelhança a nenhuma outra espécie animal. 56) A necessidade de contato da mãe com o filho excede a necessidade inversa de contato. por total impossibilidade de permanecer no útero mais tempo. Leva anos até que não dependa mais de outros para sobreviver. Os Harlows já haviam notado tal fato em macacos rhesus. devido .

luz. entre dois e três anos. que alcança os 80% no seu primeiro ano de vida. faz diferença na percepção tátil direta e proprioceptiva e contribui para que a personalidade do bebê possa se desenvolver bem. podendo dizer sobre si “eu”. O pai deve levá-lo . 2006) Em vista dos sentidos que o neonato traz como sensibilidade cenestésica e capacidade de resposta emocional a estímulos. 1986) A maior parte do crescimento cerebral se dá no primeiro ano de vida. com tal banco de dados. Por outro lado. Logo que a criança começa a falar. a importância do toque. Podem descrever detalhes como as pessoas de máscara na sala de cirurgia. para muitos veterinários. Jamais se teve notícia de uma criança até três anos de idade que sobreviveu sozinha por dias após um cataclismo onde perdeu os pais. (GARLAND. 1992) No caso do bebê humano. O bebê humano tem uma gestação intra-útero e uma externogestação. A biologia evolutiva mostra que os mamíferos nascem com 80% de seus cérebros prontos. (BERGAMAN apud GARCIA. memória. A mãe deve segurá-lo apertado. durante este estado de relaxamento. (MONTAGU. assim ele saberá que o mundo é seu. muitas vezes a primeira coisa que pergunta. a criança começa a falar. possa fazer perguntas sobre as coisas que se passavam no útero e mesmo sobre seu nascimento. são dados referentes ao seu nascimento (CHAMBERLAIN. aos 21 meses de sua concepção. etc. é possível que. Quando. uma condição de básica maturidade é chegada quando a criança tem noção de sua própria existência. o tempo de entender um ser como sendo filhote. 1990) Os recém-natos respondem aos membros da família de modo distinto. e isto pode ser sintetizado na observação de um provérbio Maia: “No bebê está o futuro do mundo. é o tempo em que ele é capaz de sobreviver sem os pais.1180 a razões anatômicas. contra 25% do cérebro humano.

que pode ir desde a incredulidade até o choque. promovendo-lhes mais toque. adquire energia própria – provavelmente como resultado de exercícios – é que surge o sentimento da subjetividade ou da egocidade. por conseguinte. por isto. é puramente esporádica e seu conteúdo não é mais lembrado posteriormente. que são como luzes isoladas ou objetos iluminados dentro da noite imensa. Este é. o chamado ego. e analisadas as interações mãe-bebê. o momento em que a criança começa a falar de si na primeira pessoa. numa amostra de 114 bebês socioculturalmente diferentes. foram feitas gravações em video-tape. O que se viu é que as crianças cujas mães se relacionaram com seus filhos. . quando a série de conteúdos do eu ou o chamado complexo do eu. quando começa a falar de si própria. simplesmente. Só mais tarde. e é por esta razão que a criança. só de vê-las. hoje sabe-se que o amor é que os faz sobreviver. É fato comprovado que não existe memória contínua dos primeiros anos de vida. logicamente o faz na terceira pessoa. A adaptação social e emocional foi avaliada dois anos depois. dedos estirados e costas arqueadas. raiva e depressão. isto é. Mas estas ilhas de memórias não são aquelas conexões mais antigas que foram apenas percebidas. tiveram um melhor desenvolvimento emocional e social. 408) Para avaliar o efeito do toque e da interação da mãe com o recém-nascido de baixo peso. 120) A primeira forma de consciência acessível à nossa observação e ao nosso conhecimento parece consistir. a saturação de oxigênio no sangue melhora. assim ele poderá ver com o que seu mundo se parece” (KLAUS e KLAUS. Os prematuros experimentam sentimentos intensos num CTI neonatal. Neste nível. Quando muito. uma continuidade das reminiscências do eu”. a consciência ainda está inteiramente ligada à percepção de algumas conexões e. (JUNG. 1989. elas contêm uma nova série muito importante de conteúdos. Um prematuro sob estresse apresenta mudanças de temperatura. Até prematuros de 25 semanas de gestação diferenciam perfeitamente suas mães das demais pessoas e. em perceber a conexão entre dois ou mais conteúdos psíquicos.1181 à montanha mais alta. o que existe são “ilhas de consciência”. portanto. braços e pernas rígidos. (WEISS et a. 1984. e que conseqüências isso tem para seu desenvolvimento. provavelmente. pois não sobreviveria. p. Essencialmente ela seria. Provavelmente é nesse estágio que tem início a “continuidade da memória”. como as séries originais de conteúdos. 2001) Por muitos anos. tristeza. Inicialmente esta série é apenas percebida. se pensava que o bebê prematuro não deveria ser acariciado. p. aqueles conteúdos que pertencem ao próprio sujeito percipiente.

Um trabalho seqüente com dados interdisciplinares faz ligações teóricas mais profundas entre fracassos de vínculos. as conexões entre o conceito neurobiológico de “ambiente enriquecido” e o conceito psicológico de “ótimo desenvolvimento” podem ser unidos agora dentro da psiconeurobiologia e construir o conceito de “crescimento-facilitado” (ao invés de “crescimento-inibido”) pelo ambiente interpessoal. psiquiatria infantil e neurociência. O problema fundamental do desenvolvimento normal ou anormal é agora um foco da psicologia. 2007) Uma conclusão principal da última década de pesquisa da neurociência é que o cérebro infantil “é projetado para ser moldado pelo ambiente que encontra”. segundo Adolphus em 2000. Agora considera-se que o cérebro é um órgão bio-ambiental ou um órgão biossocial.1182 Pode ter dificuldade de despertar. (OLZA. O conceito de John Bowlby de 1969 sobre o vínculo como sendo um processo que se desenvolve por interação única dada pela condição genética e . Se está relaxado. (SCHORE. as quais colocam as crianças em risco de desenvolver menos que o seu desenvolvimento possível. segundo Thomas et. o recurso da proximidade no cuidado do método canguru permite uma grande melhora do vínculo e da saúde do bebê. Nas unidades de neonatos. como enfatizaram Greenspan em 1981 e Schore em 1994. desperta lentamente. amor e leite materno”. segundo Gibson em 1996. Investigadores estão explorando os domínios sem limites do que está sendo chamado de o “cérebro social” por Brothres em 1990 e o papel central das emoções na comunicação social. O cuidado do prematuro. prejuízos do desenvolvimento do cérebro e má adaptação de saúde mental infantil. segundo Edgar Rey e Héctor Martinez no final dos anos 70. ou dormir abruptamente e ficar irritado ao acordar. 2001b) Um interesse primário no campo de saúde mental infantil está nas condições do início da vida. al em 1997. que a maturação cerebral é dependente da experiência. Aplicando este princípio de desenvolvimento socio-emocional. consiste em: “calor.

Bowlby em 1969 investigou o vínculo e os mecanismos pelos quais a criança forma um laço seguro de comunicação emocional com a mãe. felizes ou infelizes. a criança emerge da reunião social. especialmente. 2001b) Mais especificamente. Além do mais. que se trata de estudos mais extensos de como formas de vínculo entre mãe e criança afetam o desenvolvimento cerebral deste. e como este laço sócio-emocional.1183 interação com o meio. sobre ciência do desenvolvimento. e não se podem entender capacidades psicológicas e biológicas à parte de sua relação com a mãe. como assinalou Bowlby em 1969. 2001a). Nesta concepção o processo de desenvolvimento é o produto entre interação de um dom genético particular e atividade de adaptação ao ambiente e. que é a mãe. (SCHORE. Chegou-se a mapear as diferenças de relações entre experiências precoces de vínculo e mudanças bioquímicas cerebrais. isto quer dizer. da interação do bebê com a figura principal nesse ambiente. descobriram-se os “reguladores” fisiológicos associados à interação criança e cuidador. (SCHORE.” Esta interação acontece dentro de um . A última década do século foi chamada de “a década do cérebro” em face às inúmeras descobertas vindas de diferentes áreas que trouxeram compreensão para muitos aspectos do desenvolvimento cerebral. o autor chamou atenção para explorações mais profundas de como um organismo imaturo é moldado criticamente por sua relação primordial com um membro maduro de sua espécie. psicanálise. biologia e neurociência. Ele observou que a relação de vínculo mãe-criança é “acompanhado pelos mais fortes sentimentos e emoções. Bowlby entende que a complexidade do desenvolvimento normal só pode ser alcançada com a integração da psicologia. (SCHORE. que afetam sua organização. 2001a) Bowlby em seu trabalho clássico. Assim. faz com que aprenda cedo e interiorize este laço em uma capacidade duradoura de regular e prover estados de segurança emocional. em 1969.

Situações estressantes na vida não eram relatadas pelos que tinham classificação de inseguros na infância. Vínculo pode ser definido como uma díade regulatória de emoção. tom de voz. postura.tape em sessões de 6 a 15 semanas. as transações de vínculo que a mãe segura e intuitiva troca continuamente com o bebê regulam os níveis de estimulação e seus estados emocionais. os vínculos eram qualificados em seguros ou ansiosos. (BLEHAR et al. (WALTERS et al. Interações de vínculo permitem o aparecimento de um controle biológico de função adaptativa. Foram 732 episódios em vídeo . Entrevistaram-se 64% dos participantes: os de vínculo seguro e inseguro tinham classificações diferentes como adultos. mudanças fisiológicas. em essência. Emoções são as ordens mais altas de expressão de bio-regulação em organismos complexos. (SCHORE. As transcrições foram examinadas. Os que tiveram alto nível de estresse e eram seguros na infância. 1977) No Minnesota Birth Annoncements Study (Estudo dos Declarados Nascidos em Minnesota) havia um grupo original de 60 participantes. A capacidade da criança para conter a tensão é relaciona com certos comportamentos maternos. Como resultado de ser exposta. tempo de movimento e ação. tornaram-se inseguros na vida adulta. 2000). primariamente às capacidades reguladoras do cuidador a . Allan Schore em 2000 afirmou que a teoria de Bowlby é. como descrito por Damásio em 1998. a teoria da regulação: mais especificamente. Crianças que interagiam bem com suas mães tendiam a ser responsivas com estranhos. assim como as categorizações de vínculo dos últimos 20 anos. sendo que 50 tomaram parte na entrevista sobre vínculo na idade de 20 a 21 anos. As mães que aos 12 meses mostravam uma interação face a face mais harmoniosa com a criança eram as que despendiam mais tempo olhando e brincando com elas. segundo Sroufe em 1996. 2001b) Fez-se em Baltimore um estudo sobre interação face a face com bebês e suas mães e entre bebês e com estranhos.1184 contexto de expressão facial.

segundo Schore. em 1998 achavam que o estado de complexidade da criança é expansível conforme a contribuição de um cuidador. 1997. dentro do estado da criança. 2001b) Sinalização facial recíproca harmoniza-se num ritmo mútuo. Tronick et al. com os estados de espírito dela própria mãe. (SCHORE. em 1994. Para entrar nesta comunicação.1185 criança amplia sua adaptatividade. (SCHORE. 2000. O desenvolvimento da habilidade para adaptação e para enfrentar tensões é diretamente e significativamente influenciado pela interação precoce da criança com o seu cuidador primário. mas também. e seu bem-estar físico”. com ressonância na díade. além disso. que lhe servirá de base para mudanças em momentos estressantes no ambiente externo. Suomi em 1992. que é a fonte externa. de modo que. 2001b) . (SCHORE. DeLizio. Byrne. seu desenvolvimento. Liu. lhe permite começar a formar respostas coerentes para enfrentar os fatores estressores. 2001b) A maturação dos sistemas cerebrais que medeiam esta capacidade ocorre na primeira infância. Meaney em 1999. segundo Scander em 1997. a mãe precisa estar afinada com a psicobiologia do comportamento evidente da criança. e principalmente. como observado por Champoux. Diorio. segundo Francis. Variações no cuidado materno podem servir como base para uma transmissão não genética de comportamento e de diferenças individuais dentro da ênfase na reatividade intergeracional. Ele que afirma que o pai expressa um comportamento que catalisa uma troca. Em defesa das especulações de Bowlby na associação entre vínculo como mecanismo de confronto ou competição. especialmente o ambiente social e. um canal de comunicação se abre para a comunicação social. num contexto psicobiológico. recentes estudos interdisciplinares indicam que “até mesmo diferenças sutis em comportamento materno podem afetar o vínculo infantil. e esta matriz interativa promove a expressão externa de estados afetivos internos nas crianças.

1186 Em várias contribuições, as evidências indicam que as comunicações emocionais de transações de vínculo fazem evoluir a maturação dependente de experimentação do bebê, no seu desenvolvimento cerebral. Trevarthen em 1993, também observou que o crescimento do cérebro do bebê requer literalmente interação de cérebro a cérebro, e acontece no contexto de uma relação afetiva positiva. Mas à luz dos novos fatos de que o amadurecimento do hemisfério direito ocorre em impulsos de crescimento no primeiro ano e meio de vida, e de que isto é dominante para os primeiros três anos de vida, segundo Chiron et al., em 1997. Experimentos de Ryan, Kuhl e Deci usando eletroencefalografia, confirmaram isto em 1997. A comunicação de cérebro para cérebro com interações de comunicação facial, de face a face, numa proto-comunicação é mediada por orientação olho para olho, gestos de mãos, movimentos dos braços e cabeça; todas essas ações são coordenadas para expressar um conhecimento interpessoal de comunicação emocional. Esta conexão se dá de um hemisfério materno de um lado, para o do bebê do lado oposto, como se fosse um recebimento de informações de múltiplos matizes, mas que passam, e só passam, pelo espaço de tonalidade emocional. Ou seja, através da relação olho no olho, o hemisfério direito da mãe plasma o hemisfério direito do filho. (SCHORE, 2001b) Winnicott em 1971 descrevia a expressão da criança como um “gesto espontâneo”, uma expressão somato-psíquica no germinar “do seu verdadeiro ego,” e a mãe afinada “devolvendo ao bebê o próprio ego do bebê.” Winnicott afirmava que como resultado de suas transações com a mãe, a criança, por identificação, cria interiormente um “objeto subjetivo.” Recentes pesquisas indicam que o hemisfério direito é especializado para “a descoberta de objetos subjetivos” segundo Atchley em 1998, e para o processo e regulação auto-referenciado, segundo Schore em 1994, Ryan et al. em 1997; Kennan, Wheeler, Gallup, Pascual Leone em 2000. (SCHORE, 2001b)

1187 O contato que a OMS tem enfatizado sobre alojamento conjunto, já mostrou seus benefícios: o Hospital Maharaj Nakhonratchasima, Thailand, que adotou a condição de Hospital Amigo do Bebê, na Tailândia, notou que o abandono de bebês se reduziu muito em um hospital: de 36 casos em 10.000, em 1987 para um caso em 10.000, em 1990. (BURANASIN, 1991) A taxa de abandono infantil foi estudada na Maternidade 11, em um hospital público em St Petersburgo na Rússia, antes e depois da introdução de contato mãecriança logo após o nascimento e com amamentação o mais cedo possível e alojamento conjunto. Este local foi escolhido para este estudo porque suas práticas de cuidado na maternidade mudaram recentemente, onde foram implementadas ações do Fundo das Crianças de Nações Unidas, Iniciativa de Hospital Amigo da Criança. Em maio de 1992, o hospital 11 mudou suas práticas, encorajando a amamentação o mais cedo possível e o contato cedo, bem como alojamento conjunto. Este serviço atende a uma comunidade proletária urbana, sendo que a maioria com mães com tratamento pré-natal. Foram estudados todos os partos neste hospital entre 1987 a 1998, com foco no abandono infantil. A taxa de abandono infantil na Maternidade 11 foi estudada de 1987 a 1998, 6 anos antes e seis anos depois das mudanças implementadas de contato de mãe-criança. A taxa de abandono infantil diminuiu de 50.3 ± 5.8 por 10.000 nascimentos nos primeiros seis anos, para 27.8 ± 8.7 por 10.000 após as medidas da Iniciativa de Hospital Amigo da Criança serem implantadas. (LVOFF et al. 2000) Em um estudo brasileiro numa casuística de 528 crianças, o que se observou foi que crianças que nasceram com peso entre 1.500 gr. e 2.499 gr, tiveram 29 vezes mais chances de apresentar risco nutricional até os 12 meses de idade, em relação àquelas com peso maior que 3.500 gr. ao nascer. (MOTTA et al. 2005)

1188 A Organização Mundial de Saúde orienta que um casal deve esperar pelo menos dois a três anos para ter outro filho, a fim de evitar problemas adversos para a saúde da mãe e do filho. Estudos recentes, implementados pela United States Agency for International Development (USAID), sugerem que o intervalo de três a cinco anos seria ainda mais eficaz ainda na redução de riscos. Estes relatórios foram examinados pela OMS em Genebra, em junho de 2005. Há evidências de que um intervalo menor que cinco anos, aumenta o risco de pré-eclampsia, prematuridade, nascimento de bebê de baixo peso e crianças pequenas para a idade gestacional (WHO, 2005, 2006a,) Muitas vezes pode ocorrer algo como um prematuro pesar 1.000 gramas. Alguns sobrevivem com os recursos das Unidades Neonatais, como a história de Adrien que pesava 795 gramas, um exemplo do sofrimento demorado que estes bebês têm e o quanto será preciso muito para que venham a ter um desenvolvimento emocional para que superem a cólera gerada por tanto tempo em UTI neonatal. (RELIER, 2002) Em um estudo, 91 mães foram entrevistadas, seus bebês nascidos a termo, e mantidos em contínua proximidade. Mães de bebês prematuros foram separadas, e de bebês de baixo peso também foram separados. Com pouco tempo, as mães que foram separadas dos seus bebês mostravam maior preocupação com eles. Ansiedade e depressão da mãe estavam relacionadas com menor vínculo com seus filhos. (FELDMAN et al. 1999) A depressão puerperal é importante de ser atalhada, pois causa dano para a relação e para a criança. A terapia floral, pode ser um valioso recurso para estas situações. Um dos florais que pode ser de grande auxílio é Bálsamo do Repertório de Filhas de Gaia. (MACHADO, 2007) Para determinar se há uma diferença significativa entre as temperaturas dos nascidos com baixo peso acentuado, estudou-se crianças prematuras na incubadora e

OLIVER. (MELLIEN.1189 nos braços das mães. Compararam-se as diferenças de temperatura. melhor compreensão da linguagem. E. sem evidência de atividade metabólica aumentada.095 a 1. Elaborou-se uma amostra de 20 crianças prematuras que pesam 1. com melhor vocabulário. nos próximos cinco dias. e de 30 a 37 semanas de pós-concepção. e sem perda de peso. 1986) . No fim de um mês havia significativas diferenças entre o grupo de maior contato para o de menor contato. 1973. os que tiveram contato com a mãe mais tempo tinham melhores índices de QI. 1976. Klaus e Kennell descobriu que o contato mãe-bebê. 1965) Mães que experenciaram contato adicional com seus filhos logo após o nascimento. seus pesos foram monitorados e analisados para evidência de atividade metabólica aumentada. As crianças foram protegidas dos fatores que interfeririam com manutenção de sua temperatura. resulta em vantagens na aquisição de linguagem e QI. As crianças estavam significativamente mais mornas enquanto nos braços das suas mães. e melhor capacidade para se expressar. quando as crianças foram testadas. LUTZ e PERLSTEIN. depois de dois anos e com cinco anos. NALEPKA.500 gr. o outro grupo teve curto contato na primeira hora. Observaram 28 mães das quais. 2001. apud MONTAGU. (RINGLER apud BUCKLEY. (TRAUSE et al. foram observadas e constatou-se que falam de modo diferente com eles. um grupo podia ficar com seus bebês na primeira hora de nascidos e por cinco horas por dia. num berçário com 40 berços em um hospital pedagógico universitário. Temperaturas axilares foram medidas com um termômetro eletrônico para períodos iguais de tempo em incubadoras e nos braços de mães. Foram feitas medidas repetidas. 2005) Um estudo longitudinal realizado por Trause. e contato de meia hora para amamentação só depois de 12 horas. 1971. quando estes estão com dois anos. MOTIL e BLACKBURN.

A Emoção Expressa (EE) pela mãe aumenta significativamente a segurança do vínculo mãe-bebê na idade de seis anos. quatro. Seashore e colaboradores pesquisaram o efeito da interdição precoce de contato entre mãe e bebê e sobre a confiança materna. Análises revelaram que a expressão da mãe não fluente determinou o desenvolvimento de um padrão de vínculo desorganizado aos seis anos de idade. Mães completaram questionários. (JACOBSEN et al. quando da depressão durante a gravidez. As equações estruturais revelaram que a violência da criança foi prevista até mesmo pela depressão pós-natal da mãe. a três meses pós-parto. As crianças eram muito violentas se as mães tivessem estado deprimidas aos três meses ou pelo menos uma vez do pós-parto. O estudo provê validação independente de Emoção Expressa como uma medida de qualidade de relação na primeira infância. e também levaram-se em conta características familiares. professores e crianças fizeram a reportagem de sintomas violentos aos 11 anos.1190 Em um estudo 32 crianças foram observadas com suas mães até a idade de seis anos. verificou-se a EE baseada na amostra de cinco minutos de conversa. mensurando estresse familiar. Entrevistaram-se as mães durante a gravidez. e 11 anos de idade. inclusive desorganização do vínculo infantil e uma tensão familiar percebida. A relação foi confirmada quando se consideraram outras variáveis pertinentes. e existência de depressão materna. e na história posterior de depressão. Mães. e quando a criança tinha um. em prematuros. Violência era associada com sintomas de déficit de atenção/hiperatividade. 2003) Marjorie J. 2000) O impacto da depressão pós-natal na propensão de uma criança torna-se violenta foi avaliado em uma amostra de comunidade britânica urbana (N _ 122 famílias). simultaneamente. Nesta idade. (HAY et al. Um grupo de . desordem e problemas com administração de raiva. Este padrão foi associado com comportamento materno intruso e hostil. estado atual durante o exame.

pôde cuidar de seus bebês no berçário. e um grupo controle de 22 mães. 1986) Em 1972. (RINGLER et al. As crianças eram despidas e as mães foram encorajadas a amamentar. as crianças ficaram com suas mães e pais no pós-parto e num período que se .1191 21 mães foi impedida de interagir fisicamente com seus bebês. (SEASHORE apud MONTAGU. É interessante notar que esta diferença ainda era evidente no acompanhamento feito um ano depois. as crianças foram recebidas 30 minutos depois de nascimento. observaram 28 mulheres primíparas de baixa renda. E o comportamento de afastamento e pouco toque ainda era mais acentuado se o filho era menino. nas primeiras duas semanas do pós-parto. 22 mães primíparas receberam suas crianças 15 minutos depois do nascimento. 1980) DeChateau e Wibwrg na Suécia. e cinco horas de contato extra diariamente durante três dias). que tiveram contato com suas crianças cedo e este foi estendido (uma hora de contato extra com suas crianças por 3 horas após o nascimento. Era mais comum despenderem tempo brincando com suas crianças. Ringler et al. conduziram dois estudos em 1977 sobre o comportamento materno durante a primeira hora depois do parto. Resultou que as mães primíparas ficaram muito inseguras perante seus filhos. Delas. Nos dois outros grupos de 20 primíparas e 20 mães multíparas. Um ano depois as que não haviam sido separadas tocavam muito mais seus filhos. apud SOSA. mas mesmo estas também tinham baixa confiança. Elas tiveram comportamento com vínculo significativamente mais alto quando comparadas com um grupo semelhante de mulheres que seguiram rotinas de hospital. num grupo de 62 mães de renda mediana. havia uma diferença significativa nos padrões de fala das mães para com suas crianças. e quando estas tinham dois anos. vestidas e em um berço. as multíparas nem tanto. As mães no grupo de contato extra usavam poucos imperativos e havia uma comunicação idiomática mais sociável entre eles. Nos três grupos.

Foram feitas observações 36 horas depois do parto. comparado com um grupo controle de mães que seguiram rotinas hospitalares.1192 estendeu a duas horas. permitiu-se às mães participar no cuidado diário de seus bebês. As crianças masculinas no grupo de contato extra sorriam mais e freqüentemente choravam menos. sendo que 3 se comportavam de modo muito violento. apud SOSA. imediatamente após o nascimento foram separadas de suas mães e postas em jaulas com instrumentos substitutos. (O’CONNOR et al. 1980) O'Connor et al. Durante os primeiros três dias. notou que. em 1980. realizado por Svejda et al. Quando as macacas tiveram seus filhos. 1980) Os Harlow. nos Estados Unidos. as mães no grupo de contato extra se comportaram com diferença significativa: elas seguraram mais freqüentemente suas crianças e seus bebês choravam menos. aumentando o tempo de contato entre mãe e bebê depois do nascimento. o número de desordens de comportamento de maternidade era menor. (SVEJDA et al. na experiência que fizeram com cinco macacas. a diferença no comportamento materno persistiu. Durante a segunda parte da hospitalização. em 1980. que nunca tinham tido uma mãe de verdade. A diferença era mais pronunciada nas mães de crianças masculinas. Porém. quando comparadas com mães primíparas sob regime de cuidado de rotina. apud SOSA. Depois deste período de tempo. não eram simplesmente capazes de comportamento amoroso. (De CHATEAU e WIBERG apud SOSA. num estudo que incluiu de 301 mães. Segundo Harry Harlow “formam-se múltiplas . As mães primíparas com contato extra se comportaram semelhantemente a mães multíparas. as mães a quem se permitiu somente contato com suas crianças só para alimentações. todos os grupos receberam cuidados de acordo com rotina de hospital. a observação de que as mães eram mais afetuosas com as filhas mulheres aparecia também. 1980) Na experiência de contato extra de mães de classe média. Visitadas após três meses.

Tal comportamento é percebido em todos os animais mamíferos. 1986) John D.1193 respostas aprendidas e generalizações de afeto a partir da íntima ligação da criança com a mãe” (HARLOW apud MONTAGU. na Universidade do Colorado. (MONTAGU. metade do que o observado numa criança normal. (BENJAMIN apud MONTAGU. mas de não continuarem a fazê-lo por muito mais tempo. 1986. fez uma pesquisa em que acariciava ratos e havia controles não tocados. neuropsicólogo do desenvolvimento. Tal comportamento se repete. que trabalhava no Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano. se houve estimulação tátil nos primeiros anos de vida. a presença de amor inibe a ira. seus eletrodos estimulam o centro do prazer no cérebro. demonstrando uma necessidade não ensinada. Benjamim. (PATTON e GARDENER apud MONTAGU. Prescott entende que é ou um ou outro alternadamente. Pesquisas em animais mostram que. quando eles estão irados.52) É interessante o fato de que os grandes símios lambem seus filhotes imediatamente após o nascimento. acredita que uma das mais importantes causas da violência humana provém de uma falta de prazer corporal durante o período formativo da vida. a separação praticada na espécie humana deixa perturbação no padrão de comportamento. os primeiros tinham um melhor desenvolvimento intelectivo e cresciam mais rápido. o comportamento que domina e. 1986) James H. baixo crescimento físico e mental. 1986) . Prescott. (PRESCOTT apud MONTAGU. O crescimento ósseo de uma criança de três anos era no experimento. e o comportamento de raiva é revertido. p. 1986) Patton e Gardener publicaram relatos detalhados de crianças que haviam sofrido carências maternas e mostraram.

Nele ela declara que Descartes nunca confiou nele mesmo. e nos seus próprios sentimentos. A terapeuta não coloca a criança no colo: a dificuldade inicial da criança acaba dando lugar a melhora. 1986) Na Inglaterra. Gerlad O’Gorman convocou meninas retardadas. A falta de exposição tátil no primeiro ano de vida. institucionalizadas e pediu que enfermeiras as tratassem mais calorosamente. não-envolvimento. nos outros ou na vida. superficialidade emocional e indiferença. distanciamento. A terapia teve sucesso em outros países onde foi praticada. havia uma “doença” que atacava os bebês em instituições e eles morriam no primeiro ano de vida: eles definhavam e morriam. 2001) Marie Louise von Franz. Isto o encapsulou exclusivamente na atividade mental. (WEINER apud MONTAGU. fez relatos de recuperação de crianças autistas ao colocar a mãe. psiquiatra infantil. a . a criança e o pai. algumas com traços autistas. incluindo gagueira. não só para autismo. (MONTAGU. pois a morte de sua mãe tão cedo tirou dele o otimismo. 1986) O terapeuta húngaro Istvan Hollos fez uma descrição clínica de agressão sofrida por bebê prematuro.1194 Martha Welch. 2001) No século XIX. (JANUS. o que se dá principalmente pelo tato. em contato físico. escreveu o livro “O Trauma de Descartes”. resulta em alheamento. a partir de então. 1986) Hebert Weiner diz que o envolvimento e a identidade ficam consolidados no envolvimento e identidade que existem entre mãe e filho. nos Estados Unidos. e na verdade para ele isto tinha uma conotação de ser física e mentalmente inferior. que se dizia prematuro. que permitisse à mãe olhar da criança. a confiança na vida. (JANUS. (O’ GORMAN apud MONTAGU. falta de identidade. que são aspectos de personalidade esquizóide. As crianças autistas apresentaram desenvolvimento motor e coordenação de fala. mas para outros distúrbios de comportamento.

Esta tarefa já é parte do mecanismo central da ego-organização do cérebro em desenvolvimento. a mortalidade chegava perto de 100%. porém. e também Schore em 1994. É importante enfatizar. várias vezes ao dia. a segurança da criança depende deste cuidador. descreveram os efeitos imediatos de trauma infligido pelo pai. até que J. habilitando uma otimização do desenvolvimento cerebral e da adaptável saúde mental infantil. e recebessem cuidados como se fosse da mãe. palavra grega que significa definhar. para desenvolvê-la. (SCHORE. Brennemann.1195 doença era intitulada marasmos. que a experiência ambiental tanto pode habilitar. em seu hospital as crianças deveriam ser colocadas no colo. 1986) Um grande corpo de trabalhos apóia a evidência de que o córtex e redes subcorticais são engendrados por uma produção inicialmente abundante. criou a regra que. geneticamente programada. eventos interpessoais no início da vida marcam positivamente ou negativamente a estrutura organizacional do cérebro e suas capacidades funcionais adaptáveis. em 1994. 2001a) . Em outras palavras. que é o primeiro objeto que mereceria sua confiança. pediatra. que tenta buscar qual a interação mais eficaz para aquele meio. Ruppin em 1999. Então a mortalidade por marasmos no Hospital Bellevue em 1938 caiu para 10%. esta é a realidade do abuso por parte do pai. Até 1920. postas nos braços e aconchegadas. no vínculo. 2001b) Davies e Frawley. segundo Chechik. O que a criança sente é que sua sobrevivência está continuamente em risco. de conexões sinápticas a que se segue uma interação com o meio ambiente. desafia sua capacidade de confiar. Meilijson. e ainda por outro lado. Isto mostra que há uma relação direta com o ambiente sócio-emocional. (SCHORE. como pode constranger o desenvolvimento do cérebro nas suas funções e estrutura. (MONTAGU.

estão alarmadas por causa do pai. segundo Hertsgaard. Elas também mostram níveis de cortisol mais altos que todas as outras classificações de vínculo.. Dever-se-ia enfatizar . e observaram maior fator de eixo HPA com respostas prejudicadas por tensão. (SCHORE. Main e Solomon mostram que o “tipo D” de comportamentos apresenta um estereótipo de achados neurológicos prejudicados. 2001a) Além disso. Nachimias em 1995. em 1999. “tipo D”. se for vivido por um longo período. em vez de achar um porto seguro na relação. 1989. como descreveram Tronick e Weinberg em 1997. Altera sua psicobiologia e a deixa à mercê de estratégias imaturas de relação. e depois em 1999. 2001a) Main e Solomon em 1986.1196 O trauma de relacionamento com o cuidador. Gunnar. que é inseguro-desorganizado e desorientado padrão. (SCHORE. demonstraram que este grupo de crianças exibia ativação de taxa de batimentos cardíacos mais alta além de mais intensa reação de alarme na reação ante uma situação estranha. devido ao fato de a criança inevitavelmente buscar o pai quando alarmadas. altera seu funcionamento normal. além de desregular a criança. de modo que não lhe resta energia para fazer muito mais coisas. Ela precisa usar todos os seus recursos para auto-regular sua homeostase. Spangler e Grossman. Este padrão de vínculo “tipo D” é encontrado em 80% de crianças maltratadas segundo Carlson et al. 2001a) Main e Solomon concluíram que estas crianças sofrem de baixa tolerância à tensão. Estes autores alegam que a desorganização e desorientação refletem o fato de que as crianças. Esta descoberta levou à criação de uma nova categoria de vínculo. qualquer comportamento parental que diretamente alarme uma criança deve colocá-la frente a um paradoxo insolúvel: não pode aproximar-se e ter a atenção do pai e nem pode fugir. Erickson. (SCHORE. estudaram os padrões do vínculo da criança que tinha sofrido trauma no primeiro ano de vida. Eles notaram que.

como as áreas temporais anteriores e a amídala. e indelevelmente impresso nos circuitos subcorticais e límbicos. Van Ijzendoorn em 1999. Tais sintomas foram notadas em crianças entre 12 a 18 meses.1197 que estes comportamentos são manifestações evidentes de um sistema regulador obviamente prejudicado. Tal estado fica associado. e outras estruturas límbicas. Bakersmans-Kranenburg. visuo-espacial. Sabe-se que é para a face da mãe que a criança instintivamente dirige o olhar para receber mensagens. No curso da interação traumática. A face da mãe é o estímulo visual mais potente no mundo para a criança. que rapidamente se desorganiza debaixo de tensão. 2001a) As chamadas “atribuições maternas negativas” contêm um custo afetivo intensamente negativo e rapidamente desregulam a criança. um período crítico de maturação de cortico-límbico e isso reflete um prejuízo estrutural severo do sistema de controle de órbito-frontal. que está envolvido em comportamento de vínculo e estado de auto-regulação. se forem agressivas terão grande poder traumatizante para a criança. (SCHORE. como descrito por Brown & Kulik em 1977. 2001a) . As áreas de órbito-frontal. O comportamento materno amedronta e desorganiza a criança. estão armazenadas tais recordações segundo Lieberman em 1997. que. a criança é apresentada à expressão facial opressiva ou uma expressão materna de medo-terror. No hemisfério direito. que assim as armazenam na memória implícito-processual. e passa a ter um comportamento medroso que é observado dentro do vínculo dos pais de crianças tipo “D”. A imagem da face agressiva. Main e Solomon notaram que quando a mãe retira da criança o repouso e o transforma em fonte de alarme. ela se dissocia. (SCHORE. contêm neurônios que expressam emoções na face. isto foi descrito também por Schuengel. gera alterações corporais caóticas na criança.

segundo Mayseless em 1998. Frequentemente.1198 Alan Shore sugere que. em 1992. As mães de crianças desorganizadas geralmente sofreram trauma não resolvido. ou proteger suas crianças. fora de controle. Kinscherff. Fenton. infligindo-lhes castigos severos. durante estes episódios. tendem à reversão de papel. 2001a) Pesquisas atuais em neurobiologia do vínculo revelam que as experiências precoces de crianças femininas com suas mães (ou ausência destas experiências) influenciam como elas responderão às suas próprias crianças quando elas se tornarem mães. e isto provê um mecanismo psicobiológico para a transmissão intergeneracional . se ocupam menos com as interações. atribuições. como descrito por Nayak e Milner em 1998. comparadas às mães sem estas queixas. (SCHORE. se comunicam menos com as suas crianças e usam técnicas disciplinares mais adversas. Elas também têm diferentes tipos de percepções. a maturação do cérebro da criança está relacionada com a qualidade de interação com seu cuidador nos dois primeiros anos de vida. segundo George e Solomon. Em geral. este espaço-temporal imprime alterações caóticas no estado de desregulação materno. têm alto risco de serem abusivas. Na verdade. avaliações e expectativas sobre o comportamento de suas crianças. segundo Famularo. (SCHORE. em 1996. usam menos comportamentos de maternidade positivos. Podendo ser um mecanismo central para a “transmissão intergeneracional de abuso de criança” segundo Kaufman e Zigler descreveram em 1989. e que esta sincronização é registrada nos padrões dispares nas regiões córtico-límbica. e a um sentimento subjetivo de desamparo. a criança esteja espelhando as estruturas desreguladas da mãe. sentindo-se deprimidas. sensíveis à tensão no cérebro em fase de crítico crescimento da criança Este é o contexto de programas de psicopatológicos. 2001a) Mães de crianças com vínculo desorganizado se descrevem como incapazes de se preocupar com.

desorganiza a criança que. Desordem emocional é comum entre pais que sofreram abuso. e vir a entrar em depressão no pós-parto. evocativamente. Episódios de choro persistente segundo Papousek e von Hofackerem em 1998. Este princípio psicobiológico tem evoluído nas muito recentes descrições clínicas de Silverman e Lieberman que concluíram que a condição de cuidadores. que irá chorar e desesperá-la.1199 de adaptação. e o abuso na criança humana tende a ser mais danoso para seu desenvolvimento ulterior como pais. emocionalmente indisponível. Fez um estudo em oito crianças adotadas por famílias americanas. A mãe dissociada. fazendo-a viver uma condição inscrita em sua neurobiologia. expressa através de um filtro padrão. 2001a) Harry Chugani vem estudando mapeamento cerebral e suas relações com as bases emocionais do desenvolvimento. dissociativa e afetando-a a ponto de ela mesma vir a abusar do seu filho. 2001a) A mãe que tem um histórico de abuso pode entrar em pânico no final de sua gravidez. A mãe que expressa um mínimo de cuidado materno sofreu um máximo de negligência e. mostra uma grande vulnerabilidade a estresse. lembra-lhe sua própria dissociação precoce. podem ser um potente impulsionador de dissociação. Este último notou que em humanos. (MAESTRIPIERI apud SCHORE. segundo Fraiberg. estilos e responsabilidade de maternidade mal adaptada segundo Fleming. E a entrada do cuidador em um estado dissociativo representa a manifestação em tempo real de negligência. O'Day. segundo Frodi e Cordeiro em 1980. nas respostas parentais. tem uma base instintual. provindas da Romênia. agravando a situação. há uma maior sensibilidade na regulação neurobiológica. (SCHORE. Kraemer em 1999. Ponto de vista com que concordam outros autores como Bruce Perry em 1995 e Maestripieri em 1999. e esta condição vai preparar o início da situação de ela negligenciar seu filho. As tomografias cerebrais destas crianças mostravam . que está ligada ao senso desenvolvido ao ser cuidado ou protegido pelos seus próprios pais.

buscando criar uma situação para novamente se sentirem rejeitadas. eles falam de uma perda da sua sensação do eu. perceberam que estas crianças têm em comum sensação de vazio. Madaule e seus colegas. Muitas vezes provocam o desagrado na mãe afetiva. e projetam um falso eu. e também evidenciam seu desagrado diante das demonstrações físicas de afeto. no Centro de Ajuda para Crianças Adotadas. E a psicologia pré e perinatal veio dar uma luz na compreensão dos indivíduos adotados. 2004) Após uma conexão por nove meses. Isto mostra as conseqüências do abandono materno. 2007. sua busca por verdade. (CHUGANI. pois o tempo todo estão temerosos de receber rejeição das pessoas. um investigador do assunto. em que a criança esteve por baixo da pele e do sangue da mãe. 2004) Verrier. representa uma perda de importância capital. (MADAULE apud VERNY e WENTRAUB. cujo objetivo é auxiliar os pais a compreenderem seus filhos adotivos. dificuldades de adaptação social. mesmo na vida adulta. falta de intimidade física ou emocional. se comparadas com tomografias de crianças que viviam com sua própria família. onde houve interação de emoções. área que se acredita estar ligada à sociabilidade. sistematicamente. numa fase crucial. e suas cóleras e depressões. problemas com figuras de autoridade. CHUGANI apud VERNY e WENTRAUB. (VERRIER apud VERNY e WENTRAUB.1200 um metabolismo anormal na área dos lóbulos temporais do cérebro. Este autor constatou que. 2004) . de seus pensamentos e emoções. dificuldades de se relacionar com sua mãe adotiva. suas dores e dificuldades de construção de identidade. Muitos acham que ocultam um eu real. além dos medos e situações conflitivas que existem com os pais adotivos que isso tende a se estender a outras relações pela vida. Assim a ferida se repete numa perpetuação de dor. tem estudado os reflexos da sensação de perda e rejeição que os adotados relatam.

agressão social. que pode demorar muitos anos. (AXNESS. de crianças adotadas e não adotadas.323 adotados. ansiedade. transtorno de déficit de atenção. é uma questão que permeia a vida do adotado. Os adolescentes adotados. 2004) Analisando registros da Asseguradoria Nacional de Saúde na Suécia. consumo de álcool e drogas. Freqüentemente não se sente encaixado no ambiente que o rodeia. 2004) Na Universidade de Otawa. Ela enfoca também a falta de confiança e a depressão que marcam a trajetória de suas vidas. também apresentavam uma maior tendência a problemas emocionais. (VERNY e WENTRAUB. em estudo que comparou 42 crianças adotadas com 2. No Texas. (AXNESS. que haviam sido encaminhadas para tratamento psiquiátrico. 2004) Ser mandado embora. se a própria mãe o deixou. mas uma grande parte transforma-se em adultos equilibrados. relativos a 2. para o adotado que ele é adotado.991 crianças não adotadas. Ele carrega um sistema de crença. assim como transtornos de personalidade. 2007) Em sua tese de doutorado Marcy Axness fala sobre a questão do vínculo partido e as conseqüências de dor e de desordens afetivas que se desenvolvem na vida do adotivo. em comparação com grupo controle. o que não faria qualquer outra pessoa? (VERNY e WENTRAUB. por tudo que hoje se sabe de psicologia pré-natal. os adotados tinham maior proporção de problemas sérios: transtorno de conduta. hiperatividade e . num acompanhamento durante cinco anos. foi observada uma maior incidência de enfermidades psicológicas.1201 Revelado ou não. de que. psicose. e lidar com isto é um desafio. tocando suas mentes e corações. ele já sabe que é adotado e entende que há um segredo em torno do seu nascimento. de não adotadas. as primeiras apresentavam mais problemas de conduta e delinqüência e os meninos experimentavam mais desajustes que as meninas.

interligada a outros saberes. pois se viram despreparadas para a gravidez. recomenda que os pais adotivos que reconheçam com palavras. haviam melhorado. Em que condições foi gestada. importa saber se foi concebida com amor. desconectaram-se de seus filhos. na Universidade de Santa Bárbara. a . No futuro eles não têm vontade de conhecê-las. 2004) Dos bebês encaminhados para adoção.1202 depressão. amam seus futuros filhos. Ela chama a atenção para as conseqüências emocionais sobre a criança. Mas após tratamento. no meio da gravidez. da futura criança e adulto. mais estáveis. tanto adotados. Também faz diferença quando a mãe perde as condições de amparo e não se vê tendo um bebê sozinha. por seu turno terão vontade de conhecê-las. sempre que possível. (VERNY e WENTRAUB. uma base inicial mais sólida. Já há um segundo tipo: que são as mães que. uma especialista em assunto de adoção e psicologia pré e perinatal ministra curso de pós-graduação sobre esta nova vertente da psicologia. conforme o período da gestação que a mãe decide que vai entregá-la à adoção. quanto não adotados. e são capazes de quase tudo para lhes assegurar um futuro melhor. psicoterapeuta especializada em trauma precoce. Uma vez decidido o caso. explicitamente. (VERNY e WENTRAUB. e com os anos. se foi uma relação que terminou. as mães foram agrupadas em dois tipos: as que entregaram para adoção. como esta mãe vive seu luto do parceiro? E como foi seu luto em relação à própria criança? Tudo isto terá importantes conseqüências sobre a vida emocional. na Califórnia. e optam pela adoção privada combinada. 2007b) A terapeuta Wendy McCord. Por exemplo. e gerou a condição de adoção: neste caso houve. (AXNESS. e aquelas que decidiram ou porque foram forçadas por seus pais a agirem deste modo. quando a situação se estabiliza. 2004) Marcy Wineman Axness. que. contatam seus filhos.

em 1957. em 1968. nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). e por Harlows. em 1958. (VERNY e WENTRAUB. 2004) 4 . por Riesen. por Harlow. resultando em filhotes de cachorro que. em 1971. em 1961. por Mason. em 1956. ao se tornarem adultos. e por Mason e Berkson. por Sackett. (PRESCOTT. em 1968. Nos anos 50. em 1965. no Canadá. Prescott empreender sua busca pelo entendimento das origens do amor humano e também da violência humana. foram feitos pelos psicólogos Austin Riesen. possuíam cérebro de desenvolvimento e funcionamento anormais. por Mitchell. em 1956. 2007) Outros trabalhos científicos significantes que influenciaram os programas teóricos e experimentais do NICHD. o Grupo de Berkeley: . em 1949. Hunt. nos efeitos de “privação social materna” foram os de Cannon. Geórgia. grupos de pesquisa desta instituição de ensino documentaram os primeiros estudos que tratavam do isolamento da união social. em 1968. em 1970. em 1958. Health. no Instituto Nacional de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano (NICHD). Prescott trabalhou com macacos nesta área de pesquisa. em 1958. Hebb. na Universidade de Wisconsin. Essman. em 1958. Cannon e Rosenbleuth.Uma nova Visão de Neurofisiologia e da Neuroquímica do Desenvolvimento Cerebral Infantil Os estudos na Universidade de McGill. abriram caminho para James W. em 1939. em 1975. em Atlanta. Estes estudos relacionados com privação sensorial e isolamento social em primatas. no Centro Yerkes de Primata. demonstravam comportamento emocional-social aberrante. por Hebb. especialmente quanto ao isolamento da mãe e desenvolvimento do filhote. por Meizack e Burns. por Thompson e Scott. Estes profissionais forneceram uma base teórica e experimental sobre isolamento e desenvolvimento cerebral. Outros trabalhos foram realizados por Meizack e Thompson. por Meizack e Scott. além de que.1203 mudança que ocorreu para a criança que agora está sob a tutela de pais adotivos. Dow e Moruzzi. em 1961 e 1966.

1204 Krech, Rosenzweig e Bennett, em 1960, e Rosenzweig, Krech, Bennett e Diamond, em 1968; Levine, em 1974; MacLean, em 1962 e 1973; Mark e Ervin, em 1970; Money, Wolff e Annecillo, em 1972; Selye, em 1956; Sharpless, em 1969; Wiesel e Hubel, em 1963; Ainsworth, em 1967; Appley e Trumbull, em 1967; Barry, Bacon e Child, em 1967; Bowlby, em 1952, 1969 e 1973; Cairns, em 1966; Casler, em 1961; Spitz, em 1965; Textor, em 1967; Whiting e Child, em 1953; Yarrow, em 1961; Zubek, em 1969; e, de uma perspectiva teórica diferente, Francoeur, em 1965,1982 e 1992; e Francoeur e Rami, em 1979. (PRESCOTT, 2007) Em 1966, Prescott criou o NICHD para estabelecer programas de pesquisas básicas relacionadas ao desenvolvimento do cérebro e ao comportamento. Durante sua posse no NICHD (1966-1980), ele formulou a teoria, que relacionava comportamento de regulação emocional-social a desenvolvimento cerebral, para explicar a depressão patológica e a violência como resultados de privação materno-social ou de isolamento social, em filhotes de animais. Esta teoria envolveu o complexo do lóbulo cerebelarlímbico-frontal e ele arbitrou que o cerebelo teria o papel principal na regulação do sistema sensório-límbico (emocional) e também na atividade cerebral que integra (ou não) a atividade dos processos do córtex frontal-temporal. Prescott estabeleceu vários programas de pesquisas básicas para avaliar esta teoria e, como outros cientistas, documentam que o fracasso do “amor de mãe” resulta em deficiência orgânica do cérebro em desenvolvimento e tal dano é o que está por baixo da depressão, de movimentos estereotipados desordenados, como o comportamento de balanço e de automutilação; do comportamento de reatividade hiperativa para excitação sensória, particularmente, ao toque paradoxalmente, percepção de dor prejudicada; de alienação social, raiva e violências patológicas contra outros animais. (PRESCOTT, 2007)

1205 Tanto Harry Harlow, em 1964, quanto Rene Spitz, em 1965, negaram que a privação materno-social envolvia privação sensorial. Antes de Prescott ninguém havia associado comportamentos emocional-sociais anormais, observados no isolamento de laboratório, ou privação materno-social com desenvolvimento e função cerebral anormais. (PRESCOTT, 2007) A síndrome de privação materno-social, que Prescott redefiniu como Seasonal Affective Disorder (SAD) - Somato- Sensorial-Aficional de Privação que envolveu o sistema cerebelar-límbico-frontal e o lóbulo cerebral, abriu caminho para Mason, em 1968, e para Mason e Berkson, em 1975, que demonstraram que o isolamento produz filhotes de macacos com uma “mãe oscilante, gerando o desenvolvimento da síndrome SAD”. As implicações e efeitos dramáticos do trabalho de Mason e Berkson, substituto de “mãe oscilante”, podem ser vistos no documentário da Time Life Rock a Bye Baby, realizado por Dokecki, em 1973. (PRESCOTT, 2007) É importante enfatizar que, na síndrome SAD, os sistemas sensório-emocionais organizam-se de modo diferente no corpo, as fundações neuropsicológicas são determinadas por estados psicológicos alterados. Especificamente, o sistema vestibularcerebelar sensorial provê as fundações da neuropsicologia primária para “confiança básica”; o toque provê o suporte neuropsicológico primário para “afeto”; e o olfato é o sistema sensório que provê a base neuropsicológica primária para “intimidade”. No desenvolvimento normal, estes sistemas emocional-sensórios são combinados em ricos padrões que resultam no desenvolvimento de um cérebro “neurointegrativo”, no qual “confiança básica”, “afeto” e “intimidade” são integrados um ao outro formando um comportamento e uma gestalt do cérebro emocional, que pode ser chamado “amor”. Portanto, antes que a criança possa entender a palavra falada ou escrita, mediada pelos sensos cognitivos audíveis e visuais, o amor já está presente. (PRESCOTT, 2007)

1206 É claro que todos os três sistemas sensório-emocionais são envolvidos dentro da experiência de “prazer” e “união”. É pelos sentidos emocionais que a criança sabe quando está sendo amada ou quando está sendo rejeitada e isto é particularmente verdade para os surdos de nascença, como observou Fraiberg e Friedman, em 1964; Bowyer e Gillies, em 1972; Dokecki, em 1973; e Prescott, em 1976. O olfato é uma sensibilidade importante na maturação do cérebro emocional-sexual primitivo. É um sistema sensório negligenciado quando a criança deixa de estar exposta ao cheiro da mãe durante a amamentação, trazendo conseqüências adversas, a longo prazo, na capacidade de união homem-mulher, assim como de viver em intimidade e união, segundo Kohl e Francoeur, em 1995. (PRESCOTT, 2007) A ausência de qualquer um destes três sentidos emocionais no desenvolvimento da criança, - como por exemplo, pelo fracasso para amamentar, - não somente remove a base neuropsicológica primária para “intimidade” (no caso do cheiro, o olfato primitivo no cérebro sexual), mas também impede a formação da gestalt do cérebro que só pode ser formada quando todos os elementos sensórios estão presentes. Através da analogia com a imagem de um triângulo, este não pode se formar só com duas linhas. Tal figura não só precisa de três linhas, como também de uma combinação de relações específicas entre elas para formar a gestalt perceptual do “triângulo”. Precott usa esta analogia para descrever que o cérebro sensorial, de modo semelhante no seu desenvolvimento, precisa de “confiança básica”, “afeto” e “intimidade", os quais têm conseqüências, a longo prazo, na capacidade de estabelecer relações de amor. Segundo Prescott, o amor é uma “Gestalt Cerebral” na qual, realmente, o todo é maior que a soma de suas partes. (PRESCOTT, 2007) O fracasso na integração do prazer, nos centros do córtex cerebral frontal, a “consciência”, é o principal fator neuropsicológico condicionador para a expressão de

Um dos expoentes deste conhecimento é Allan N. 2007) Nos últimos 10 anos. envia sinais não verbais. 1977 e 1990. os estudos sobre vínculos se imbricam com neurociência. intenso em emoções. que mostrou como a maturação da área órbito-frontal do córtex. O prazer é uma experiência que é reflexo genital espinhal. tem conhecimento e regulação do corpo. visto por SCHORE. determina a arquitetura cerebral de modo definitivo e eficaz. com o modelo. nos dois primeiros anos de vida. Este cientista tem demonstrado que. onde o sadomasoquismo floresce. em 1997. processada em nível límbico e não gera danos lesivos na agressividade. alienação. O cérebro do bebê se sintoniza literalmente com seu cuidador para produzir neurotransmissores adequados na seqüência correta. particularmente a violência sexual. segundo Prescott em. o conhecimento sobre o desenvolvimento cerebral se expandiu vastamente e isto pode dar maior sustentação na compreensão do desenvolvimento infantil. 2007) Os substratos neurobiológico e neuropsicológico afetados são o resultado de privação sensória precoce que geram um “cérebro dissociativo” o qual produz comportamentos dissociativos: depressão. (PRESCOTT. a maturação do cérebro é controlada através da interação com o cuidador.1207 violência. Schore. especialmente a região órbito-frontal. executora do hemisfério direito. violências e dependências químicas. visual-espacial. O processamento do hemisfério direito é não-linear. as questões sobre o desenvolvimento do cérebro direito. os mecanismos psiconeurobiológicos e o desenvolvimento da saúde mental da criança. as descobertas da psicopatologia do estresse. A região do cérebro que se mostra mais receptiva. holístico. pois são os níveis mais baixos do cérebro que processam o prazer sexual. assim . é influenciada pela relação de vínculo mãe-filho. raiva. de modo permanente e potente. especializado em informação autobiográfica. Hoje. A mais receptiva à sintonização é o hemisfério direito do córtex cerebral. (PRESCOTT.

2001a. o hemisfério esquerdo amadurece até o final do segundo ano de vida. em 1993. é um órgão relativamente grande nos humanos. 2001b) A amídala. lógico. LeDoux publica. Joseph. perdem o sentido de competir ou cooperar e perdem também o senso do lugar que ocupam na ordem social de sua espécie. como descrito por R. que. Ser abraçado. Uma ligação de vínculo mãe-filho desenvolve e ajuda a organizar as funções cerebrais. acariciado. 1995) O hipocampo e a amídala eram duas partes chave do primitivo “nariz cerebral”. Estas estruturas límbicas são responsáveis por grande parte do aprendizado e da memória do cérebro. Usando métodos novos e com precisão. de estruturas interligadas. não disponíveis anteriormente. (GOLEMAN. em 1986. 1995) Joseph LeDoux. As lágrimas são provocadas pela amídala e uma estrutura próxima à circunvolução cingulada. análise lingüística e definições. sobre o mapeamento da função cerebral. se comparados aos primatas. (SCHORE. (GOLEMAN. o que na evolução. neurocientista. vem do grego e significa amêndoa. Este órgão se situa acima do tronco cerebral. deu origem ao córtex e depois ao neocórtex. acalma estas regiões cerebrais. Com o desenvolvimento posterior. próximo à parte inferior do anel límbico. especializado em causa e efeito. a conseqüência é a chamada “cegueira afetiva”. Se ela for cortada. do próprio significado emocional. (GOLEMAN. e portanto. uma condição na qual o paciente é incapaz de avaliar o significado emocional dos fatos. é um feixe com esta forma. A amídala é depositária da memória emocional. e seu processamento é linear. certo versus errado. dois artigos reveladores: Sensory Systems and Emotions (Sistemas Sensórios e Emoções) e Emotion and the Limbic System . confortado de algum modo. 1995) Os animais que têm a amídala cortada não sentem medo nem raiva. foi o primeiro a descobrir o papel-chave emocional da amídala no cérebro.1208 como o mapa do corpo e entendimento social. Há duas amídalas. lingüístico. uma de cada cérebro.

a amídala cerebral emite sinais. como uma forma de a natureza se assegurar de que. através de uma única sinapse. mostraram que. Suas descobertas puseram abaixo o que se tinha como verdadeiro. Desta forma o hipocampo. É ele que fornece uma memória precisa do contexto. (LeDOUX apud GOLEMAN. sobre neurofunção emocional. está mais envolvido com o registro e a atribuição de sentidos aos padrões perceptivos do que com as respostas emocionais. 1997) LeDoux pesquisou o papel da amídala cerebral na realização de impulsos sem participação do córtex e verificou que.1209 Concept (Emoções e o Conceito de Sistema Límbico). (LeDOUX apud MORSE e WILEY. enquanto o neocórtex ainda toma decisão. (LeDOUX apud MORSE e WILEY. Ele explica que a amídala pode assumir o controle do que fazemos. na verdade. sob condições de grande excitação emocional. em 1989. na posição de sentinela emocional. (LeDOUX apud GOLEMAN. O hipocampo lembra os fatos puros. 1995. que ultrapassam a intermediação cortical. Os sinais sensoriais provindos dos órgãos dos sentidos dirigemse ao tálamo. e um segundo sinal do tálamo é encaminhado para o néocortex. até então. Assim. que era considerado estrutura chave do sistema límbico. num rato. depois. 1993) Estudos de LeDoux. 1997) A amídala parece desempenhar um papel essencial em muitos aspectos de processamento de informação emocional e de comportamento. 1993) Por outro lado. LeDOUX. Estudos feitos em 1991 . em caso de necessidade imediata face a uma ameaça. a rota da percepção até o neocórtex pode durar duas vezes o tempo de o órgão do sentido perceber e executar ação de luta ou fuga. “seqüestrar” o cérebro. LeDOUX. a amídala é capaz de. 1995. ocorrerá uma resposta eficaz de defesa. vital para o significado emocional. a amídala começa a responder antes do néocortex. e a amídala retém o sabor que os acompanha. seguem para a amídala.

Nestes momentos. ou seja. pois não haveria o que pudesse avaliar aquilo que merece resposta emocional. (GOLEMAN. Uma das maneiras de o neocórtex agir com eficiência na administração da emoção. observou que a dificuldade advinha de danos no circuito pré-frontal-amídala. assim como a possibilidade do recrutamento das zonas corticais para a emergência emocional. 1995) Supõe-se que os seqüestros emocionais envolvem duas dinâmicas: o disparo da amídala e a não ativação dos processos neocorticais que. o qual age como um termostato regulando emoções desagradáveis. A chave que desliga a emoção aflitiva parece estar no lobo frontal esquerdo. O processo decisório naqueles pacientes é falho. Os investigadores podem agora apontar os plausíveis circuitos envolvidos na transmissão de contribuições sensórias na amídala e suas sub-regiões que levam estímulos para as áreas corticais e subcorticais. neurologista. especialmente a aprendizagem emocional e memória. (LeDOUX. como o que nossa sociedade possui: uma campainha de alarme ou um sistema de auxílio de serviços de emergência. de avaliar a emoção antes de agir. a mente reacional é inundada por emoções. Os neurologistas já suspeitavam do papel dos lobos pré-frontais desde os anos 40.1210 começaram a clarificar a organização anatômica da amídala e a contribuição de suas sub-regiões individuais e as funções emocionais. 1992) A amídala cerebral é um sistema de alarme. em geral. mantêm o equilíbrio da resposta emocional. é amortecendo os sinais para ativação enviados pela amídala e outros centros límbicos. sem o funcionamento dos lobos pré-frontais. para aprendizagem emocional específica e processos de memória. enquanto que o neocórtex tem respostas mais lentas. Ela prepara a resposta impulsiva. grande parte da vida emocional desapareceria. sem . 1995) Ao estudar meticulosamente o que compromete os pacientes no processo decisório. (GOLEMAN. Antonio Damásio. Porém.

não somente da visão. esta criança é descrita por Robin Karr-Morse e por Meredith S.. qualquer coisa que o córtex pense não dispara as reações a ele associadas no passado. apesar de a inteligência ser capaz de escolhas desastrosas nos negócios e vida pessoal. (LeDOUX et al. e algo que. em 1997. tudo fica numa neutralidade cinzenta. seu artigo foi publicado em Annales d’hygiene publique et médecine légale (Anais de Saúde Pública e Medicina Legal). O neurologista entende que isto ocorre porque estas pessoas perderam acesso ao seu aprendizado emocional. um médico forense francês. 2005) O fato é que os cuidadores criam as condições de trauma. (DAMÁSIO. os “fantasmas no berçário”. Na realidade. mais adiante não desperta nem atração nem aversão. a Violência Impera A primeira monografia importante que descreve a síndrome da criança maltratada foi escrita em 1860 por Ambroise Tardieu. no passado. Adelson e Shapiro.. Desligado da memória emocional da amídala. duas sociólogas . (ROCHE et al. com o título Étude médico-légale sur les sérvices et mauvais traitements exercés sur des enfants (Estudo Médico Legal sobre Serviços e Maus Tratos Praticados contra as Crianças). 1990) 5 . Ele discorre sobre o assunto através do relato de 32 casos. ou de qualquer outra capacidade cognitiva. na visão de Fraiberg.Quando o Amor Falta. Wiley. passa pelo circuito amídala mais rápido do que pelo do córtex. Estes pacientes “esqueceram” as lições emocionais que estavam armazenadas na amídala. Estas indicações levaram Damásio a concluir que os sentimentos são indispensáveis nas decisões racionais. 1998) O caminho provindo. foi objeto de afeto. já que o circuito pré-frontal-amídala é a porta de entrada crucial para o repositório das preferências e aversões que adquirimos durante a vida. Mais tarde. mas também da audição. em 1975.1211 que haja comprometimento do QI.

cometeu assassinato completamente não planejado e impulsivo. No caso do rapaz. A cada dia um bebê morre devido a abuso ou negligência dos seus cuidadores na América do Norte. falta de afeto e de paciência para com a criança. O índice de mortalidade infantil. com menos de um ano. 1997) Estas sociólogas. sintetizaram: • • A cada minuto. Uma em cada quatro crianças são adotadas. 13 -14) • • • • • .1212 que escreveram o livro Ghosts from the Nursery – Tracing the Roots of Violence (Fantasmas do Berçário: Localizando as Raízes da Violência). 2001a) Os profundos estudos de Karr e Wiley focaram análise em um jovem de 17 anos que participou com outros dois (um rapaz e uma moça) de agressão com morte. Apenas 8. As autoras relacionam cada achado da “ciência do cérebro” e da ciência pré-natal para analisar o que se passou com o rapaz. e são entregues à adoção antes do seu primeiro aniversário. nas 26 nações industrializadas combinadas. p. Afroamericanos morrem duas vezes mais que brancos no primeiro ano de vida. 1997. Recém-nascidos compõem a maior parte dessas crianças. (SCHORE. e os dois primeiros anos de vida). (KARR-MORSE e WILEY. Elas levantaram que as raízes do comportamento violento devem ser procuradas no que acontece durante os 33 meses do início da vida (nove meses intrauterinos. houve uso de drogas e má nutrição durante a gravidez. foi condenado à prisão perpétua. A história de Jeffrey e a de outros são histórias dos fantasmas dos berçários. eram americanas. levantando a situação naquele momento.4% dos lugares que cuidam de bebês nos Estados Unidos são considerados apropriados. é maior do que em qualquer outro país industrializado. como se fosse reação de curto-circuito. Um dos rapazes. (KARR-MORSE & WILEY. numa amostra em cinco estados. Três de cada quatro crianças assassinadas. desde seu nascimento até a indiferença com que foi tratado quando era bebê. na América do Norte.4% o cuidado é pobre em qualidade. A conseqüência disso é criminalidade e um impulso agressivo incontrolável. antes dos 12 meses de idade. Uma em três crianças é vítima de abuso físico. 25% das crianças da pré-escola vivem em condições abaixo do nível de pobreza. 51. nasce um bebê na América do Norte de mãe de menos de 20 anos. e em 40.1% são julgados medíocre. Elas mostram que ele é uma entre milhares de pessoas com as mesmas histórias de gravidez descuidada.

atuantes na vida da pessoa. os hormônios do estresse dominam e o lado analítico do córtex não funciona. que são funções involuntárias. até mesmo não verbais. planejamento e funções de execução. o cérebro é dividido em: medula oblonga (área parecida com uma haste existente na parte inferior do cérebro ligando-o com a coluna vertebral). o sistema vai desenvolver-se de forma desarmônica. finalmente. Segundo LeDoux. nem tampouco uma razão estruturada. entre outras coisas. 1997) Uma vez que os bebês de menos de dois anos não possuem uma linguagem estruturada. e córtex.1213 Anatomicamente. e este indivíduo terá problemas de comportamento no futuro. as experiências. lógica. A medula oblonga é quem controla as funções de manutenção da vida. Isto explica como os fatos ocorridos no primeiro ano de vida. cérebro intermediário. pois formam um corpo de memórias não racionais. (KARRMORSE e WILEY. o córtex onde se dão as funções de cognição. permanecem por tanto tempo na vida adulta. os batimentos cardíacos e a temperatura corporal. Estas partes se desenvolvem de menos complexas para mais complexas. as . sistema límbico. B. Quando o ser humano está sob condições de lutar ou fugir. Quando uma criança tem uma superestimulação por situação de ameaça constante à vida. especialmente os que geraram fortes emoções. ela desenvolve mais o sistema límbico do que seu córtex e. cuja parte central é amídala cerebral. atingem a amídala. e. Depois vem o sistema límbico que é a sede dos impulsos e emoções. se isto é crônico. como a regulação da pressão arterial. como percebeu Le Doux. Perry descobriu que havia diferenças no sistema límbico e no funcionamento cerebral do indivíduo de comportamento particularmente violento. O próximo a se desenvolver é o cérebro intermediário que controla apetite e sono. Nestas condições extremas são o sistema límbico e o cérebro intermediário que assumem o comando e estas pessoas agem antes de pensar. o hipocampo e o sistema límbico.

a outra baixa. Em 1970. a noradrenalina é um hormônio de alarme. A serotonina é a chave da modulação do comportamento impulsivo no nível do neocórtex e do cérebro. envolvem-se com gangues violentas. além da existência da memória celular. ou se jogam de lugares altos. (KARR-MORSE e WILEY. Criminosos com história de violência têm níveis baixos de serotonina. do sistema de resposta ao perigo. O uso de álcool. Pesquisadores suspeitam que este equilíbrio serotonina-adrenalina é alterado em: no bebê negligenciado. observou baixos níveis de serotonina em jovens que praticam suicídio violento.1214 experiências emocionais pré-cognitivas continuam a desempenhar papel na vida adulta e o indivíduo não tem consciência associativa sobre o evento. descrita por David Chamberlain. senão tardiamente. drogas e outras exposições tóxicas. em 1987. Mas o efeito da serotonina está relacionado com um contrabalanço da adrenalina. quando a noradrenalina. Então. O desenvolvimento do sistema nervoso acontece por um complexo processo de migração neuronal que se atém à forma e ao tempo para que se realize de modo correto. No caso de Jeffrey. usam armas. Marie Asberg. . o que gera a perpetuação do ciclo de violência. As duas interagem de forma que. em gangues em luta. ou em quem sofre violência doméstica. quando uma está presente. é alta. antes dos dois anos de idade. estão envolvidos na lesão dos genes implicados com a regulação serotonina. sua mãe fumou durante a gravidez e era regularmente espancada por seu pai alcoólatra. A serotonina é alta durante o sono e baixa na vigília. durante a gestação. 1997) Outro ponto importante do conhecimento é sobre a serotonina. envolvem-se em estupros. então. 1997). na qual específicas partes do corpo retêm informação de padrões de memória. em Estocolmo. existem as conseqüências no cérebro em formação e muitas não são detectáveis.noradrenalina. (LeDOUX apud KARRMORSE e WILEY. do Hospital Karolinska. abusado.

Toda a sua história é contada através da sua avó. 1995a) Jeffrey tinha cólicas em bebê e foi de saúde frágil. (KARR-MORSE e WILEY.. foi encontrada a prevalência de 9% em meninos e de 3. KEMPPAINEN et al. RANTAKALLIO et al. AXINN et al.. levou alguns segundos para começar a respirar e foi deixado num hospital por seis dias. se for brando. na primeira infância. 2002. como já citado neste trabalho.. HODGINS et al.. em muitos sentidos. 1997) • Aproximadamente 50 crianças foram mortas em escolas de ensino fundamental. sem contato com a mãe que teve depressão pós-parto. 2002. BRENNAN et al. RAINE et al. Tal diagnóstico. o portador não irá ao patologista.1215 Se o complexo processo de migração é perturbado por fatores genéticos ou por toxinas. (KARRMORSE e WILEY. 1997) A história de Jeffrey segue com uma mãe de comportamento instável e um pai ausente. 1992. WAKSCHLAG et al. 1999. 1999. KUBIČKA et al. RÄSÄNEN et al. 2006. 1997) Bebês que sofrem estresse gestacional. (RAINE. estava na proporção de 5% a 6% de crianças entre quatro e seis anos. BARBER et al.. (RESTAK apud KARR-MORSE e WILEY. um patologista detectará malformação. 1999. mas ao psiquiatra. têm mais chances de desenvolver comportamento criminal. no Canadá. McGLOIN et al. Se for moderado. 1994. as células não alcançam a posição que lhes é própria. em 1997. Se isto ocorre de modo extremo o feto é abortado. 1997. Em um estudo em Ontario. (KARR-MORSE e WILEY. 1999. KEMPPAINEN et al. No entanto. sua cuidadora. Ele era cuidado pela avó.. 2002. 1998. FERGUSSON. como tendo desordem de atenção. 2006. 2003. nos últimos três anos.3% em meninas. por Widom.. numa situação familiar pobre. A escola diagnosticou-o. 1997.. em 1988.. Mas Jeffrey não está sozinho em sua situação. pois o quadro social de “Jeffreys” é grande.... PRATT et al. p. 1999. 2006. com circular de cordão e cianótico. e por orientação médica prescreveram-lhe ritalina (anfetamina). DAVID et al. 54) Quando Jeffrey nasceu... com ou sem complicações obstétricas. .. 2001. 2001. Algumas estimativas colocam um percentual de 20%. WAKSCHLAG et al.

1997. (SCHORE. em 1995. Shelton e Lynn relatam que a qualidade do vínculo precoce afeta as relações para o resto das vidas. Barnet e Braunwald. em 1991. (SCHORE. como descrito por van Ijzendoorn. (KARR-MORSE e WILEY. A psiconeurobiologia já tentou explicar como eventos externos podem ter impacto na estrutura intrapsíquica e no desenvolvimento da criança. em 1995. Isto foi associado com dificuldades severas de lidar com estresse. mas afetará suas relações na vida adulta. segundo Trickett e McBride-Changem. dificultado por um risco psicosocial. em áreas relacionadas à capacidade de estabelecer relações de pares. em 1999. Cicchetti. Por exemplo. como foi descrito por Schore. ocorre um padrão desorganizado de vínculo na criança que foi submetida a abuso ou negligência. 1997. em 1995. (SCHORE. 261) Por outro lado. segundo Hart e . 5.000 professores foram atacados e assaltados na escola. Schuenguel e Bakersman-Kranenberg. gerando uma imaturidade do cérebro. e houve um grande aumento no ano em que foi escrito o livro. 160 mil estudantes deixam de ir à escola por medo. Repacholi. Um entre 11 professores relata ter sido atacado na escola. como descreveram Carlson. e o abuso parental ou negligência inclui alteração do desenvolvimento cognitivo. 135 mil jovens portam armas diariamente nas escolas. como descreveu O'Hagan. em 1996 e em 1997. a cada ano. McLeod e Silva.1216 • • • • • Três milhões de crimes capitais e contravenções são cometidos nas escolas. em cada mês 1.000 requereram atenção médica. 2001a) Kalin. p. em 1989. o uso de opiáceos na mãe e no bebê pode não afetar a vida da criança. 2001a) Cuidadores abusivos provocam alteração na bioquímica cerebral. segundo Osofsky. e Lyons-Ruth. pois se cria aí um padrão de má-adaptação de saúde mental infantil. Cohen e Drell. O abuso na infância é a principal ameaça à saúde mental delas. 2001a) Há acordo agora que o abuso emocional repetitivo e contínuo está no centro do trauma infantil. e comportamento dissociativo na vida adulta.

em 2000. Tais deficiências orgânicas de vínculo estão claramente associadas com padrões de má adaptação de saúde mental infantil. segundo Dowling. segundo Dobbing e Smart em. em 1999. em 1987. Um contexto de trauma causado pelas relações primordiais muito cedo. em psiquiatria infantil. e por Solomon e George. Hennessey e Davis. em 2000.1217 Brassard. levando em conta o fato de que o crescimento do cérebro começa no terceiro trimestre. (SCHORE. 2001a) . Boris e Zeanah. serve como uma matriz para a criança ser mal adaptada. no ambiente materno-infantil uterino. existe o conceito de tendência para aquelas desordens psiquiátricas causadas pela combinação de uma predisposição genético-constitucional e por fatores ambientais ou estressores psicosociais que ativam a vulnerabilidade neurofisiológica inata. 1974. durante a gravidez. Outros estudos revelam que altos níveis de corticotrofina liberados pela mãe. segundo Glynn. como descreveu Boris & Zeanah. em 1999. Pesquisas recentes mostram que os hormônios maternos regulam a expressão de genes no cérebro fetal e as mudanças agudas nestes hormônios induzem as mudanças na expressão do gene. no cérebro fetal. 1995. o que segue acontecendo depois de adulta. Leonard e Zoeller. (SCHORE. em 1999. Wadhwa e Sandman. segundo HinshawFuselier. A desorganização foi descrita por Lyons-Ruth e Jacobvitz. Pesquisas atuais estão aprofundando o conhecimento sobre as formas mais severas de perturbações de vínculo e reatividade. As disfunções do vínculo têm oferecido modelos neurobiológicos que estão por baixo das psicopatologias precoces. 2001a) Dentro do modelo biopsicossocial. Martz. em 1999. e reduzem capacidades pós-natais posteriores para responder a desafios estressantes. afetam negativamente o desenvolvimento do cérebro fetal. segundo Williams. detidos quando a criança alcança a maioridade.

segundo Espy. e até mesmo com o abuso físico da criança prematura. Quando. segundo Glover. a longo prazo. Estes fatores de risco. pois isto não se expressa apenas na pré-maturidade e baixo peso ao nascimento. e a tabaco. em 1996. (SCHORE. em 1978. em 1996. Woodward e Horwood... pelo que observou Huppi et al. e Weinstock. como descrito por Fergusson. Em um organismo imaturo pouco desenvolvido e contendo capacidades restritas.. o vínculo fica comprometido e as conseqüências. à droga. em 1997. em 1998. em 1997. descrito por Streissguth et al.. (SCHORE. de quem deveria prover segurança. em 1994. como visto por Aitken e Trevarthen. Estas limitações de responsabilidade social podem ser alinhadas com a evitação parental ou rejeição. como descrito por Hunter et al. A tensão que regula sistemas que integram mente e corpo é . mas também em pobre capacidade interativa infantil. 2001a) Durante a gravidez há evidência convincente dos efeitos prejudiciais duradouros que a exposição. tais exposições alteram o desenvolvimento do cérebro da criança. o cuidador primário é a fonte de regulação da tensão da criança e do senso de segurança. em 1994. são somadas na psique que está amadurecendo.. em 1977. em 1997. em 1999 e Jacobson et al. 2001a) Estes princípios sugerem que os cuidadores induzem a traumas qualitativa e quantitativamente mais potencialmente psicopatogênicos do que qualquer outro estressor social ou físico (à parte os que diretamente afetam o cérebro em desenvolvimento). Kaufman e Glisky. como observado por Field. em parte.1218 Dados indicam que certos estímulos maternos que provocam impacto negativo no eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA) do feto produzem uma vulnerabilidade neurofisiológica duradoura. Sandman et al. refletem uma demora no desenvolvimento do cérebro pós-natal. a álcool. advém perigo.

e que interrupções precoces. Luiten. PERRY et al. 2001a) Em seguida. a etiologia de dissociação com o corpo e sua psicopatologia. (SCHORE. a neuropsicologia de um padrão de vínculo desorganizado. 2001a) A literatura de neuropsicobiologia sublinha um achado central: a maturação do cérebro da criança é uma experiência dependente do vínculo com seu cuidador. segundo Brack. como já demonstrado por Schore. 1995) Recente pesquisa revelou que as bases perinatais de angústia conduzem a um embotamento da resposta no córtex pré-frontal direito. Koch. posteriormente. Tais eventos justificam a criação de modelos de intervenção precoce. especificamente do desenvolvimento cortical. segundo Rinaman. 2001a. Schore faz considerações sobre o impacto negativo dos vínculos traumáticos no desenvolvimento cerebral e na saúde mental infantil. Toda uma outra psicobiologia cerebral se . Levitt. (SCHORE. 2000. Considera também sobre os prejuízos de trauma induzido no sistema regulador do córtex na área órbito-frontal. Os resultados das pesquisas sugerem conexões diretas entre vínculo traumático e função reguladora do hemisfério direito ineficiente. (SCHORE. 1994. em 1999. em 2000.. associado a abuso e negligência. 1999. que acarreta em criança mal adaptada e.1219 fruto do desenvolvimento de circuitos do sistema límbico-autonômico. os efeitos de trauma relacional precoce duradouro no funcionamento do hemisfério direito. e a neurobiologia do trauma infantil. A segurança primária é uma defesa primitiva contra o trauma induzido. Este autor expõe a neurobiologia da defesa de dissociação. afetam áreas de associação límbicas e de comportamento social. o que se manifesta na maioridade. e Card. segundo Talamini. Sullivan e Gratton. Traça as ligações entre deficiência orgânica órbito-frontais e uma predisposição pós-traumática que dão ênfase a desordens. saúde mental do adulto profundamente afetada. Koolhaas e Korf. em 2000.

Se a ciência do cérebro é nova. (SCHORE. Experiências traumáticas nos primeiros anos de vida são de grande importância na vida ulterior. 1976b) A explosão atual de estudos pertinentes ao problema do trauma. mas possuem uma característica comum. segundo Mesulam. Estes circuitos límbicos se expressam particularmente dentro do hemisfério direito. mente e corpo. ela é prolífica em achados e os efeitos de novas experiências em desenvolvimento de cérebro foram bem atestados. em 1998. em 1984. Isto não tem sido objeto de informação pela mídia. caso. não obstante as descobertas serem muitas e em vários países. que tem como função ser mediador entre o id (impulsos instintivos) e a realidade. nos primeiros anos de vida. em 1992. 2001a) Freud já havia notado que a dor física é uma experiência que esvazia o ego. afirmam que episódios prolongados e freqüentes de intensa desregulação interativa nas crianças causam efeitos devastadores na capacidade de confiar. segundo Anders & Zeanah. (FREUD. nem na literatura atual. processada pelo sistema límbico em um período crítico do crescimento. É esclarecedor o fato de que a desregulação experimentada conduz a um vínculo inseguro e ativa uma caótica alteração da emoção. em 1996. que alteram a maturação contínua de cérebro.1220 desenvolverá nos dois primeiros anos de vida. em 1999. ocorra ameaça à segurança pessoal da criança. Este sistema é o local de mudanças associadas com a modificação do comportamento ligado ao vínculo. por exemplo. Meltzoff e Kuhl. segundo Joseph. e por Gopnik. e Tucker. ou a perda do amor deste ser pelo indivíduo. Ele também acreditava que os perigos internos modificam-se com os períodos da vida. por Bruer. o qual está em . em 1999. entendido por ele como parte da organização superior do aparelho mental. ao invés de vínculo. como Gaensbauer e Siegel descreveram. envolvem perda ou separação do ser amado. e está centralmente envolvido com a capacidade de adaptação rápida à variação ambiental e com a conseqüente organização de nova aprendizagem.

1975) O National Institute of Research (NINR) (Instituto Nacional de Assistência à Pesquisa) atua nas áreas biomédicas. O amadurecimento precoce do córtex cerebral direito é importante para funções de vínculo – como descrito por Henry. Pollock. psiquiatras da Universidade do Colorado. em 1993. 2001a) Um estudo foi feito por Brandt F. Steele e C. (PRESCOTT. (SCHORE. segundo Schore descreveu. 2001a) O trauma precoce altera o desenvolvimento do cérebro direito. de comportamento e de maternidade e tem como foco primário a promoção da saúde. eles destinaram US$ 1. na tentativa . Assim sendo. (SCHORE. pois este hemisfério é especializado no processo de informações sócio-emocionais e em estados corporais.2 milhões para pesquisas cujo objetivo era subsidiar seis projetos relacionados à violência. socioeconomicamente. em 1994 e em 2000. Steele notou que. as mulheres que abusaram de seus filhos nunca haviam experimentado orgasmo. durante sua infância e a afetividade da vida sexual adulta era extremamente pobre. Eles concluíram que os pais que abusaram dos filhos tinham sido invariavelmente privados do afeto físico. quase sem exceção.B.1221 acelerado crescimento nos primeiros dois anos de vida. com ênfase na atenção às populações mais vulneráveis. que analisaram o abuso em crianças de três gerações de famílias que abusaram fisicamente de seus filhos. em 1999 – e para a criação do armazenamento de um modelo articulado interno da relação de vínculo. um prejuízo duradouro durante o período do desenvolvimento deste sistema seria expresso por uma severa limitação da atividade essencial do controle de hemisfério direito. e também por Siegel. Em 1992. em 1994. em 1993. nas funções vitais de apoio à sobrevivência. E o grau de prazer experimentado pelos homens era definido como insatisfatório. e por Schore. segundo Wittling e Schweiger.

A mais comum é a negligência que corresponde a 40. estas mortes correspondiam a 21. (UNICEF. neste caso. o bebê estiver: isolado. dos 61 milhões de crianças e adolescentes. que pode afetar desde o abuso contra grávidas. E. mostra no quadro abaixo a síntese da violência doméstica a que estão submetidas crianças e adolescentes até 19 anos. se forem consideradas as idades menores de sete anos. 2006a) Segundo dados das estimativas do UNICEF: 600 mil crianças no Brasil. segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2004) Podem ser considerados como fatores predisponentes à violência na vida futura: se.1 milhões têm idade de zero a seis anos. em 2000 sofreram exploração sexual e comercialização infantil. 23. este índice chega a 32. deprimido. Na época a população era de . se a mãe está perdendo a paciência com a criança. (PRESCOTT. 2004) No Brasil. (VERNY e WEINTRAUB. no país. ajudá-la vai melhorar. No ano de 2003. pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. o mais recente disponível. O Laboratório de Estudos da Criança (Lacri). em 2005. e contra a criança.11% das causas de morte de crianças entre um e seis anos. neste caso.2% das notificações. 2006d) No Brasil. de 2000. (UNICEF.5%.1222 de prevenir o abuso infantil. como contra o nascimento. da Universidade de São Paulo (USP). Muitas vezes. o relatório aponta estes números como sendo “a ponta do iceberg” do problema. o último ano de que se tem notícia. Neste levantamento. foram pesquisados 16 estados e o Distrito Federal. pois a mãe que se sente apoiada torna-se mais paciente – o suporte do grupo social é muito importante para evitar depressão ou irritação maternas. acidentes e agressões são as principais causas de morte em crianças de um a seis anos. nos primeiros meses de vida. pedindo ajuda. Portanto. as visitas de enfermeiras e assistentes sociais demonstram ter impacto positivo.

país que. Ao Brasil se segue a Índia com 450 mil crianças. Isto faz o país ocupar o primeiro lugar. naquele ano. tinha 1. tinha 61.1223 169. nas Filipinas são 100 mil e 82.421. 2005) Gráfico 3: Violência Infantil no Mundo. educação especial. 300 mil crianças entre 281. em 2000.013 bilhões de habitantes. não somente em números. com auxílio do Michigan Children’s Trust Fund (Fundo de Proteção para as Crianças de Michigan). Estes custos incluem os associados a bebês de baixo peso. gastos com abuso de criança e suas conseqüências foi feita por Robert A.841. (UNICEF apud SANDERSON.906 habitantes. Os demais países de uma longa lista estão abaixo de 100 mil crianças. . se compararmos com a população. Uma análise do nível dos custos dos estados associados.4 milhões de habitantes e 200 mil crianças e.693 habitantes. depois os Estados Unidos. serviço protetor.590. cuidado adotivo. e em seguida a Tailândia que. nesta lista dantesca. na mesma época. Estes custos foram comparados com os custos que provêem prevenção de abuso de criança com intervenções de auxílio em vários momentos. mortalidade infantil. mas também em pontos percentuais.518 de habitantes. Caldweel. Os custos anuais de abuso de criança ficaram em torno de US$ 823 milhões. que possuíam.

como as remoções de crianças das casas onde sofreram o abuso. pois as vítimas têm maior chance de dificuldades na escola. os relatórios oficiais de casos de abuso de criança substanciados foram usados para medir a incidência de abuso de criança.1224 criminalidade juvenil e serviços psicológicos. (CALDWELL. Na realidade. há larga variabilidade em estimativas da incidência de abuso de criança. em 1983. o nível do pessoal do departamento. A economia para o estado ocorreria na proporção de 19 a um de custo para a prevenção. Daniel. 1992) Os custos do abuso de criança também são muito difíceis de calcular. em 1982. (CALDWELL. segundo o Departamento Norte-Americano de Saúde e Serviços Humanos. em programas para estes aspectos. . em 1988. a estimativa provida por tais contas dos funcionários deste setor de casos de abuso substanciados é compreendida como a mais baixa estimativa de incidência atual de abuso de criança. Mas existem outros custos. pois ocorrem fatores imprecisos como os que envolvem os pais. segundo observaram Hampton. Wilson. segundo Daro. Porém. fatores como a filosofia do Serviço de Proteção local (PS). como informado pelo Departamento de Michigan de Serviços Sociais. Schutte. alguns exemplos incluem os custos de hospital para tratamento médico de danos como resultado de abuso físico e os custos de cuidados adicionais. o fato de que nem toda reclamação é examinada ou substanciada. Primeiro. Alguns custos parecem diretamente relacionados ao abuso. é preciso ter cuidado para não confundir o relatado com o absolutamente preciso. Thomas. Newberger. os quais ficaram orçados em anuais US$ 43 milhões. Neste trabalho. Turbett e O'Tool. em 1983. o fato de não haver clareza sobre o incidente familiar abusivo. Também há o envolvimento com o sistema de justiça juvenil. 1992) Há problemas para a obtenção de estimativas claras sobre a questão de conseqüências de abuso. a quantidade de casos tratados pelo departamento. Foram calculados os custos de prevenção. em 1983.

em 1988. (CALDWELL. segundo McCord. o fato de o custo-benefício da prevenção do abuso ser levantado em dólares. de fato.. A maior parte das despesas com prevenção e o número de pessoas alcançadas por estas intervenções preventivas são conhecidos. Embora nem todos os abusados externem estes problemas. usando medidas econômicas do valor de uma vida. isso permitiria uma declaração definitiva sobre quantos exemplos de abuso de criança foram prevenidos. implica que as suposições e técnicas de trabalho e metodologia de custo-benefício padrão dos programas de prevenção contra os tipos mais populares de abuso infantil levam a certas conseqüências. Quantificar os benefícios de intervenções com crianças em condições financeiras é particularmente difícil. 1992) . Por exemplo. com o rigor metodológico que é exigido para demonstrar a efetividade de um programa que verdadeiramente previne o abuso. freqüentemente. deve ser tomado o cuidado para não superestimar os custos envolvidos. 1992) Além disso. (CALDWELL. como mostra Deborah Daro. 1992) Os custos de prevenção são as partes mais fáceis da equação a ser medida. e problemas de saúde mental. Até mesmo quando programas são avaliados. em 1983. as avaliações faltam. A parte difícil da equação da prevenção é a estimativa de efetividade dela. A maioria das intervenções preventivas não são avaliadas e. ainda assim. em seu livro Confronting Child Abuse (Confrontando Abuso de Criança). Contudo. pois como saber quais contribuições financeiras elas trariam para sociedade no futuro? (CALDWELL.1225 segundo Lewis et al. mulheres ou pessoas pobres). subestima-se o valor de programas que trabalham com segmentos da população que estão em desvantagem salarial (por exemplo. em 1989. ignorar estes custos seria uma omissão séria da análise do custo de abuso de criança. de certo modo.

Nos 10 anos de sua existência. 1992) Em âmbito nacional. . havia 15. Desta quantia. Durante 1991. inclui mais de uma criança. havia 39. segundo relatório do Michigan Children’s Trust Fund (Fundo de Proteção das Crianças de Michigan). em 1991. freqüentemente. o MCTF gastou mais de US$ 7 milhões em prevenção de abuso de criança e negligência. Cada caso representa uma família e. Durante o ano fiscal de 1991. Pois é necessário levantar custos de programas para que possam ser implementados e a responsabilidade que a sociedade tem com estas crianças faz com que tais programas sejam logo postos em prática. No caso do estado do Michigan. tais custos são de competência dos estados. portanto. mais de US$ 5 milhões foram gastos em programas diretos de prevenção.940 casos de abuso de criança no estado do Michigan. segundo relataram Daro e McCurdy.452 crianças envolvidas nos Serviços Protetores (PS) que trabalharam com a questão direta do abuso. as medidas levantadas são relativas aos custos somente neles. 1992) O Michigan Children’s Trust Fund (Fundo de Proteção para as Crianças de Michigan) foi criado em 1982 com o propósito exclusivo de prevenção de abuso de criança. é importante examinar a informação que uma análise de custo benefício provê. entre 1985 e 1990. Neste mesmo ano.(CALDWELL. enquanto aproximadamente US$ 2 milhões foram gastos em construir infra-estrutura de comunidade para prevenção de abuso. (CALDWELL.1226 Apesar destas dificuldades. Os mais recentes números indicam que mais de 2. assim como outros nos Estados Unidos. os relatórios de abuso de criança declarados por agências de serviço sociais aumentaram em 31%. segundo o Centro de Dados de Saúde e Bem-Estar. As estatísticas de Michigan identificam dois tipos de vítimas infantis: crianças para quem abuso foi substanciado e as outras crianças da casa. segundo Daro e McCurdy.5 milhões de crianças sofreram abuso nos EUA em 1990.

em 1990. de fato. Durante 1989 (o mais recente ano disponível). 1992) Este tipo de programa pode ajudar as crianças a.6% de todos os nascimentos em Michigan eram de bebês de baixo peso. e o Fundo de Defesa de Crianças. segundo o Fundo de Defesa de Crianças. Além destes custos.500 g. cuidado adotivo) e conseqüências a longo prazo de abuso de criança (por exemplo. Em Michigan. Então. Com a exceção do cálculo para os custos médicos com danos dos que sofreram abuso. envolvimento de sistema legal. problemas psicológicos). o Escritório de Avaliação de Tecnologia. em 1992. (CALDWELL. 1992) .080 bebês nascidos durante 1990.. a maior parte destes dados vem do trabalho de Caldwell. em 1990. Considerando o ponto mediano da gama de custo (isto é.1227 foram abusadas 26. também serão incluídos custos apropriados de prevenção do baixo peso e de mortalidade de criança nos custos de abuso de criança. serão apresentados dados para custos associados com várias conseqüências. em 1992. segundo o Centro para o Estudo de Política Social.366 destas crianças sendo vítimas de abuso ou negligência. havia 153. em 1988.9 milhões. entrarem na vida em um estado mais saudável. (CALDWELL. a curto prazo. estes bebês de baixo peso despenderam US$ 255. US$ 22 mil). segundo o Congresso Norte-Americano e o Escritório de Avaliação de Tecnologia. em 1988. segundo o Congresso NorteAmericano. em relação ao custo de bebês normais. 7. Bebês de baixo peso são os que pesam menos de 2. tratamento médico. educação especial. O custo de um bebê de baixo peso está entre US$14 mil e US$ 30 mil. rehospitalização dentro do primeiro ano e outros custos de cuidados médicos associados com baixo peso.634 destes bebês fossem de baixo peso. de abuso de criança (por exemplo. É provável que 11. segundo o Departamento de MI de Saúde pública. Estes custos incluem hospitalização de recém-nascidos. serviços protetores da criança.

000 nascimentos. segundo Hoffman. 745.211 mortes eram diretamente atribuíveis a abuso infantil. Michigan perderia US$ 26. segundo Daro e McCurdy. este índice era de 153.1 mortes por 1. (CALDWELL. de 4. Podemos dizer. segundo o Centro para o Estudo de Política Social. em renda em impostos.6%. No curso de toda vida. (CALDWELL.937 por pessoa. Isto representa uma perda para a economia e por habitante. em 1990. a taxa de mortalidade infantil em Michigan era de 11. as crianças morrem. Em 1989. pois como se mede o valor de uma vida humana? Avaliouse segundo a média de valor levantado em vida no estado. em 1992. a cada ano. em 1991. a renda per capita no estado de Michigan era de US$ 17. os custos são mais difíceis de calcular.585 em salários vitalícios. Eles informam que. Usando estes números. 1992) Em 1989. A participação vitalícia comum na mão-de-obra é. de 33 anos. na ocasião. A contribuição deles para os cofres estatais teria sido de US$ 45. estado e renda de impostos federais. seguramente. aproximadamente. que cada fatalidade de criança.669 mortes ao nascimento ou dentro do primeiro ano de vida.1228 Sobre morte de criança devido a abuso e mortalidade infantil evitável. Calculou-se que 16 crianças morreram em Michigan. em 1992. O Comitê Nacional para a Prevenção de Abuso de Criança (NCPCA) administra uma pesquisa anual para determinar o número de fatalidades de criança. devido a abuso. 1992) Além de mortalidade infantil devido a problemas de saúde.080 nascimentos e 1. devido a abuso infantil. resultou em uma pessoa que não ganha acima de meio milhão de dólares.8 milhões. durante este ano. Seguindo a mesma lógica. em 1990. em 1988. pelos seus próprios cuidadores. durante o curso de suas vidas. Em 1990. calculavam o custo de mortalidade . o residente comum de Michigan teria US$ 585. segundo Daro. durante 1990. 1. O imposto de renda do estado de Michigan era. nacionalmente.

a um custo . em 1988. Os custos médicos totais devido a abuso de criança seriam então. 1992) Sobre os custos de serviço protetores. e queimaduras. Durante ano fiscal 1992. danos internos. na área de abuso de criança. (CALDWELL. 1992) Em termos nacionais. a permanência comum em hospitalização levou a um custo anual de US$ 4. 1992) Uma estratégia usada é a colocação destas crianças em casas adotivas.98 milhões. segundo Daro. anualmente. Como mencionado antes.68 meses. aproximadamente 14% de crianças abusadas exibem auto-mutilação ou outro comportamento auto-destrutivo. eles receberam mais de 100 mil relatórios de abuso de criança e administraram mais de 50 mil investigações. foi de US$ 37. o custo por serviços de educação especial para vítimas de abuso infantil é de US$ 6. estas 16 mortes valeram ao estado de Michigan US$ 430.64 milhões. Para o estado do Michigan. como fraturas de crânio. aproximadamente 3. a despesa de Serviço de Proteção Total. (CALDWELL. 22% de crianças abusadas apresentam uma desordem de aprendizagem.452 crianças. o que envolve 39. (CALDWELL.1229 infantil. este trabalho substanciou quase 16 mil casos de abuso de criança. envenenamento. Aplicando esta porcentagem às crianças abusadas de Michigan. 1992) Quanto aos custos de educação especiais. 50% de crianças abusadas têm problemas sócio-emocionais. Aproximadamente 30% de crianças abusadas têm algum tipo de prejuízo cognitivo. 844 crianças requerem hospitalização.9 milhões. 50% de crianças abusadas têm dificuldade na escola. em média.2% de crianças abusadas requerem hospitalização por danos sérios.992 em imposto de perdido. São cerca de 7. Em 1991.46 milhões.101 crianças que ficam em cuidado adotivo. US$ 4. ossos quebrados. Durante 1991. como de fala. por 7. (CALDWELL.

É difícil calcular o custo deste envolvimento. depois de uma revisão da literatura pertinente. do que os que . em 1989. (CALDWELL. Enquanto nenhuma estimativa de custo estava disponível para os primeiros dois sistemas. É predito que 1. de abuso infantil e de negligência e observou que. durante 1991. os tribunais e a casa de correção. vários estudos foram feitos para examinar a relação entre a delinqüência juvenil e o encarceramento de adulto posterior. o cumprimento comum de encarceramento em instalações residenciais juvenis era de 15 meses. estudou as conseqüências. (CALDWELL. Lewis et al. 1992) Durante o ano de 1970. entre vítimas de abuso.65 milhões. a longo prazo. aproximadamente. (CALDWELL. há poucos estudos que examinam a ajuda formal do sistema de saúde mental. verificou que as vítimas de abuso sexual na infância têm quase quatro vezes mais possibilidades de desenvolver desordem psiquiátrica. em 1992.452 crianças do Michigan de casas abusivas virão a se tornar adultos que vão para o sistema de justiça criminal.996 das 39. Porém. envolvidas em comportamento delinqüente juvenil.357 por criança. durante 1990.. A estimativa. 1992) Embora haja ampla documentação de que abuso de criança é associado com níveis mais altos de desajustamento psicológico.1230 mensal de US$ 1. baseada em cálculos complexos. provindos do abuso infantil. Há pelo menos três sistemas diferentes envolvidos com crime juvenil: a polícia. é de que a criminalidade do adulto gerou custos a Michigan. Michigan gastou US$ 74 milhões em colocação de cuidado adotivo para crianças afetadas por abuso. quase 80% de todos os ofensores juvenis informam uma história de abuso em criança ou negligência. 20% de crianças abusadas estavam condenadas por crime juvenil sério. também concluiu que 20% era um número razoável. O estado de Michigan gasta US$ 207 milhões anuais para encarcerar as crianças de lares abusivos. de US$ 174. 1992) Em alguns estudos. em 1983. Por exemplo. McCord. um estudo feito por Scott.

São projetadas intervenções na criança para que seja menos vulnerável a abuso. (CALDWELL. entre 1987 e 1988. de tratamentos pré-natais inadequados e abuso de criança. entre 1990 e 1991. entre 1990 e 1991. Os custos totais para estes programas eram de US$ 950 para programa de visita domiciliar programada e US$ 473 para programas de educação de pai. porém. crescimento da criança. (CALDWELL. custa US$ 16 milhões anuais. Estes números representam somente parte do custo destes serviços. pelo MCTF) e intervenção em prol da criança (prevenção de abuso sexual baseada na escola) (US$ 2. inclusive dos cofres estatais. (CALDWELL. seguidos do programa de educação de pai (US$ 253 por família. Programas de prevenção de abuso sexuais que ensinam às crianças habilidades auto-protetoras são o tipo mais popular de programa nesta categoria. Tais programas devem ter metas educacionais definidas em áreas como gravidez e parto.1231 não sofrem abusos. 1992) Existem programas pré-natais de visitas familiares. o tratamento psicológico para vítimas de abuso de criança. Este dinheiro vem de uma variedade de fontes. de companhias privadas de seguro e de fundos pessoais.14 por criança. a conclusão é que. em Michigan. se os tratamentos pré-natais fossem adequados e pudessem ser providos e o abuso de criança pudesse ser prevenido. 1992) Somando os custos esboçados de rendimentos. (CALDWELL. de educação de pais e de intervenções para deixar a criança menos vulneráveis ao abuso. em Michigan. pelo MCTF). Se as suposições sobre o uso destes serviços são corretas. 1992) . mais de US$ 823 milhões foram gastos nas conseqüências. durante um ano. a curto prazo. 1992) Em média. Este dinheiro poderia ser economizado ou ser colocado em outros usos. pelo MCTF). habilidades de maternidade e paternidade. os programas de visita a casas familiares eram muito caros (US$ 324 por família.

Não importa se foi incessante terror de combate. (CALDWELL. em Dubowitz. típicas em participantes de programa. onde há grandes concentrações de pessoas que sofrem de PTSD (post-traumatic stress disorder). A palavra-chave é “incontrolável”. ela é menos devastadora do que se a pessoa se vê impotente perante ela. 1986. Healthy Start in Kansas (Princípio Saudável em Kansas) mostraram diminuições significativas nas taxas de abuso de criança. Alguns pais abusivos tinham um conhecimento deficiente do desenvolvimento da criança. As experiências colhidas aí também se aplicam às crianças. Quando a pessoa percebe que nada pode fazer para escapar de uma ameaça. e mudanças em incidência de abuso a crianças. Acredita-se que o envolvimento aumentado reduz a probabilidade de abuso de criança no futuro. (KRYSTAK apud GOLEMAN. Se as pessoas sentem que podem fazer algo na situação.A Questão do Distúrbio da Tensão Pós-traumática O mais detalhado estudo sobre as causas de mudanças no cérebro tem sido feito no Centro Nacional do Distúrbio da Tensão Pós-Traumática. o cérebro começa a mudar. 1992) Não foram concluídos os programas de avaliação da efetividade em Michigan. segundo John Krystal.1232 Nas avaliações de efetividade. neste momento. uma rede de locais de pesquisa com base em hospitais da Administração dos Veteranos. 1995) . porém os realizados no estado do Kansas. O elemento impotência é que dá o efeito subjetivo devastador. percebem-se algumas mudanças. (CALDWELL. diretor do laboratório de Psicofarmacologia do Centro. em curto prazo. 1992) 6 . tortura. repetidos maus-tratos na infância ou uma experiência única de quase morte. entre certos subgrupos de participantes de programa. Toda tensão incontrolável tem efeito biológico.

em situações que. Algumas das mudanças chaves se dão no locus cerulus. No PTSD este sistema torna-se hiperreativo. secretando doses ultra aumentadas de tais substâncias no cérebro. (NEMEROFF apud GOLEMAN. . segundo Denis Charney et al. Também este sistema fica hiperativo. que secreta endorfinas para amortecer a sensação de dor. 1995) Outras mudanças ocorrem no circuito que liga o cérebro límbico é a glândula pituitária.1233 O medo que aparece na PTSD ocorre por mudanças nos circuitos límbicos que se concentram na amídala. alterando o corpo para uma emergência que. na verdade. junto com outras estruturas límbicas. (KRYSTAL apud GOLEMAN. desta vez em combinação com o córtex cerebral. uma estrutura que regula a secreção no cérebro de duas substâncias. mas que. Estas substâncias neuroquímicas mobilizam o corpo para uma emergência e também gravam lembranças com uma força especial. fácil irritação e provocação. aparentemente. (GOLEMAN. numa emergência. de algum modo. 1995) Um terceiro nível de mudanças ocorre no sistema opiódico do cérebro. que regula a liberação de CRF. como o hipocampo e o hipotálamo: os circuitos das catecolaminas estendem-se até o córtex. não representam qualquer ameaça à vida. Os opióides são produzidos no cérebro e são poderosos agentes entorpecentes. Mudanças nestes circuitos estão na base biológica dos sintomas de PTSD. hipervigilância. medo. os quais incluem ansiedade. no hipotálamo e no locus ceruleus. em 1993. As mudanças levam a uma supersecreção deste hormônio. 1995) O locus cerulus e a amídala estão estreitamente ligados. Este circuito neuronal também envolve a amídala. o principal hormônio de tensão que o corpo secreta para mobilizar a resposta “lutar-ou-fugir”. disposição para lutar-ou-fugir e indelével codificação de intensas lembranças emocionais. não existe. chamadas catecolaminas: a adrenalina e a noradrenalina. são lembretes do trauma original.. especialmente na amídala.

lamentar a perda que ele trouxe à pessoa e.1234 como o ópio. surgem alguns sintomas como: entorpecimento para certas sensações. anualmente. em 1990. Mas o verdadeiro número é muito superior a estimativa de três mil. a sensação de estar isolado da vida ou do interesse pelos sentimentos dos outros. Além do mais. eles relatam vários casos de PTSD e esta entidade nosológica só foi introduzida em psiquiatria nos anos 80. visto que a maioria dos casos nunca são reportados. Em 2004. Neste livro. mais de oito milhões de crianças. O que quer dizer que. sofrem de sérios traumas e milhões mais . perdem seus pais a cada ano. em 1992. e 4% destas crianças. restabelecer a vida normal. Cada ano. além do quê eles ficam mais susceptíveis a outras traumatizações. porém no PTSD. segundo. 1995) Judith Lewis Herman. em uma estimativa isolada. na América. ela reage a qualquer perigo concreto com um aumento intenso de volume de alarme. horas e minutos cruciais do fato traumático. anedonia (incapacidade de sentir prazer) e um embotamento emocional generalizado. (HERMAN apud GOLEMAN. alcançar o senso de segurança. (GLOVER apud GOLEMAN. segundo relatórios oficiais de abuso ou negligência infantil. traçou quatro etapas para a recuperação de um trauma. escreveram o livro The Boy who was raised as a dog (O menino que foi educado como um cão). três milhões de crianças foram abusadas. feitos por agências do governo de proteção à criança e. segundo Pitman. acredita-se que 10 milhões de crianças americanas são expostas à violência doméstica. Ocorre também uma dissociação que incapacita estes pacientes de se lembrar de dias. Ocorre que a amídala está preparada para funcionar como um alarme. em torno de 872 mil destes casos foram confirmados. Em conseqüência. 800 mil crianças estão em orfanatos e milhões mais são vítimas de desastres de automóvel. lembrar os detalhes do trauma. com idade de 15 anos. finalmente. Primeiro. em terceiro. seu parente. 1995) Bruce Perry e Maia Szalavitz.

ou de moradia em outro estado. que. ou como for. e muitas outras como elas. pois a relação que se estabelece com a mãe verdadeira é de irmã mais velha implicante. de graves conseqüências.. A jovem mãe pensa que seu filho está recebendo amor de mãe. 2006) Eu não acredito em na “desculpa do abuso” para o comportamento violento e ofensivo. (. se assume a responsabilidade do neto como se fosse mãe. enquanto mãe e filha (o) habitam o mesmo espaço. amor e cura. perde a mãe.. seja pela não competência dos Estados. Mas a história se repete: a jovem abandona o bebê com a própria mãe. de certo modo. a velha hierarquia permanece. cuide da “criança dela”. uma situação epidêmica. portanto. seja pela violência. a criança. necessariamente. inconscientemente. Neste momento. as crianças neste livro. mas tenho encontrado a existência de uma complexa interação começando na infância. (PERRY e SZALAVITZ. 2006. seja em nome do estudo. . que afeta a habilidade para antever escolhas que mais tarde limitam nossa habilidade de tomar as melhores decisões. elas já viveram a privação de contato e. pensa que assim a filha não será prejudicada. a criança não tem experiência de ter mãe. As causas da gravidez em adolescentes precisam ser atalhadas. casos esses que retratam o que milhões de crianças passam hoje. a mãe já está aposentada e. (.1235 experienciaram problemas menos sérios. Quando a avó está presente na mesma casa. seja pelas conseqüências possíveis de abandono de filhos menores de idade. têm mostrado grande coragem e humanidade. amor este que ela própria acha que não teve. desta vez. ou a não presteza no cuidado que precisaria ser urgente. acaba por piorar a ferida da filha e deixa o neto emocionalmente órfão. todos perdem. Com elas aprendi muito sobre perda. na maioria das vezes.) Para se entender trauma é necessário entender memória. e isto acaba por deflagrar uma situação onde acontece o abandono. têm um filho para que a mãe. enciumada daquele ser. 6) A autora desta tese escolheu três casos deste livro por sua importância e síntese. Pois. Na verdade. (PERRY e SZALAVITZ. A autora vê que muitas destas jovens que têm filhos adolescentes são da geração em que as mães saíam para trabalhar.) Apesar da dor e do medo. ou seja. e elas me dão esperança. p.

porque ela está se escondendo. infelizmente. 2006) Sim. Uma criança de três anos foi testemunha de morte. sem psicólogo ou psiquiatra. e não passam de uma invenção. Quanto mais jovem se é.1236 pois a perpetuação deste ciclo de abandono e de se sentir mal-amado é extremamente grave. em seu apartamento. p. por 11 horas. Ela ficou sozinha com sua mãe morta. Por nove meses. como uma custódia do estado. ela não teve nenhuma ajuda. menor é a possibilidade de elaborar o sofrimento. a maneira como foi passado. onde trataram do ferimento no pescoço. ou seja o que for. se ela é pequena. Em 1992. (PERRY e SZALAVITZ. 6) Outra situação demonstra a falta de percepção da dor da criança. O caso abaixo estava sendo passado a Perry e. Este primeiro caso relatado em The Boy who was raised as a dog é um exemplo da distância de entendimento que a cultura tem sobre sofrimento infantil. não é real. que Post-Traumatic Stress Disorder (PTSD) (Desordem de Estresse Pós. É necessário mais cuidado e criatividade para se conseguir que a criança revele e elabore o trauma. eu disse. com os autores deste livro e toda a literatura moderna de neurobiologia. psicologia e psiquiatria infantil demonstram. depois ela foi liberada e colocada em um orfanato. E os detalhes da experiência da criança nunca foram compartilhados com a família adotiva. de outro.Sim. deixe-me entender isto novamente. apesar das recomendações médicas. foi cercado por agentes . Mas.Traumático) em criança é semelhante a trauma em adulto. esta criança tem sido mudada de orfanato para orfanato. da seita Davidiana. As idéias de que a criança suporta traumas melhor do que adultos. 6) A menina estava num serviço de proteção a testemunhas. são idéias comuns vigentes. p. (PERRY e SZALAVITZ. 2006. No hospital. se de um lado parece surreal. o fanático religioso David Koresh. 2006. Quanto mais cedo o trauma. Certo? . Depois foi levada para o hospital. Seu assistente social não achava que ela precisava ver uma profissional de saúde mental. é absolutamente real é ainda comum neste estado de civilização em que nos encontramos. (PERRY e SZALAVITZ. visto que o assassino da mãe queria matá-la e ela precisava ser preparada para ir para ao tribunal depor. os médicos recomendaram que ela fosse levada para uma avaliação mental e tratamento. eu acho que tudo é verdade. Assim. mais graves as conseqüências.

Como não foi atendido. o arquétipo da força coerciva do Texas.. O parceiro da avó tinha 60 anos e estava vivendo seu luto. (. ele disse. ele me disse que não gostava de doutores e. na sua idade. incluindo 23 crianças. eu repliquei. Ele era alto.. de origem desconhecida. entre 70 a 90 batimentos por minuto. 2006. 62-63) O menino que deu nome ao livro foi uma criança cuja mãe tinha 15 anos. Ele não se impressionou com o homem de cabelos longos e calça jeans dizendo que era psiquiatra. A maneira como foi recebido e o que revelou mostram o desconhecimento do que é dor infantil. que terminou em uma grande tragédia. eram 80 mortos da seita. o menino tinha o diagnóstico de “encefalite estática”. “Não. em momentos. em média. após a invasão ficaram órfãs.1237 do FBI. imponente com seu chapéu. entendeu de tratar o menino colocando-o numa caixa e de educá-lo como se educa um cachorro. o bebê precisava só ser trocado e alimentado. permanentemente. disse que essas crianças não precisavam de psiquiatra. é. raramente o homem falava com o bebê. ele disse”. A avó. Aos dois anos. “Tudo o que elas precisam era de um pouco de amor e sair dali o mais rápido possível”. não era capaz de andar ou de dizer qualquer palavra. e não conseguia dar suporte para aquela criança que tanto chorava. num demorado cerco. o que significava dano severo ao cérebro. Ele chamou um serviço de proteção para crianças. em repouso. você sabe tomar pulso? Eu dirigi sua atenção para uma menina próxima dormindo na cama. Até mesmo depois de eu ter estabelecido que realmente era o Dr. que tinha vindo para ajudar as crianças. p. um dos guardas me parou na porta. Perry. Eu sou um médico”. 6) B. mais adiante. por total ignorância. obesa. Eu disse que se o seu pulso estivesse menos que 100. O batimento cardíaco normal numa criança. faleceu. tinha muitos problemas de saúde e. depois de ter ficado internada por muitas semanas. quando ele tinha 11 meses. A história não foi . (PERRY e SZALAVITZ. 2006. p. pois quando o cerco teve fim. Perry foi chamado para dar suporte às crianças sobreviventes que estavam sob proteção do estado. quando o deixou com sua mãe. (PERRY e SZALAVITZ.) Eu disse a ele: Ok. sua face ficou tomada por ansiedade. “O pulso da criança está em 160”. Quando eu cheguei. eu daria a volta e iria embora para casa. Ele curvou-se gentilmente e pegou o pulso da menina e. “Chamem um médico. no Texas. que já eram tratadas de modo abusivo durante a existência da seita. Muitas crianças. Assim. com dois meses de idade. um médico de verdade”. Seu desenvolvimento deteriorava-se.

a criança foi transferida do hospital para a casa dos pais adotivos. Justin começara a freqüentar um jardim de infância e começara a ler e escrever. em 2002. ia de ônibus para a escola e havia. C. e escaneado duas vezes. Alan Shore. 2006. B. também tenham cabeça e cérebros pequenos. Dois anos. cromossomialmente. um agradecimento a Perry. assemelhava-se ao de um paciente com Alzheimer: a circunferência craniana era 2% menor que o normal para sua idade. Os médicos acharam que o problema era de alguma lesão pré-natal ou defeito genético. Finalmente. Pesquisadores como Danya Glaser. que não são estimuladas. Na verdade.1238 bem colhida e ele fez testes com alimentos. Perry. em 2000 e 2002. demonstraram o quanto o estresse em idade . (PERRY e SZALAVITZ. Esta foi a maior recuperação de severa negligência acompanhada por Perry. cognitivo ou de fala. além de ter algum retardo mental. fisioterapia ou terapia ocupacional e nenhum serviço social domiciliar foi oferecido ao idoso cuidador. ele foi encaminhado para uma família adotiva. pois ele nunca tinha tido um filho ou cuidado de uma criança em toda a sua vida. p. ele foi visto por muitos médicos. o menino mostrava não ter feito nenhum progresso motor. as conseqüências do abuso sexual na infância já foram estudadas. depois Perry recebeu uma carta dos pais adotivos: aos oito anos. comportamental. Aos cinco anos. desenhava. utilizando técnicas de neuroimagem e estudos psicofisiológicos que mensuram a função autônoma. duas semanas depois. em 2000. Seis meses depois. Embora crianças institucionalizadas. apresentou atrofia cortical com aumento dos ventrículos no centro. na carta de punho de Justin. Seu cérebro foi escaneado. Devido ao pessimismo dos médicos. que foi o primeiro a escutar sua história e acabou por internar a criança para um cuidado de vários profissionais e. Nemeroff. a reação ao medo e a atividade elétrica cerebral. nunca foi submetido a uma terapia de fala. ele foi ter com Perry. 6) No campo da neurobiologia. escaneado muitas vezes. em 1999. Bruce D.

em 1998. Ocorre então uma série de influências ambientais no desenvolvimento do cérebro. Os mecanismos que provocam estas mudanças são menos claramente compreendidos e podem ser relacionados tanto para abuso em idade precoce. (SANDERSON.. pode ser infligido no indivíduo pelo ambiente físico ou interpessoal. SCHORE chama estes de “traumas relacionais”. Tais pesquisas são concordes em que. segundo Sirven e Glasser. tem sido entendido que os estressores da capacidade social são mais prejudiciais. como também a natureza de intervenção posterior. como crônico. os resultados variam devido a diversos fatores. especialmente. funcionais e estruturais no cérebro. inerentes em nossa cultura. em 1999. 2001a) Não há nenhuma síndrome de pós-abuso. demonstrando a dependência do processo do neurodesenvolvimento e o ambiente da criança. parassimpático e das respostas das catecolaminas. tanto em modelos animais. inclusive natureza. 2005) Tem sido relatado que trauma sexual e abuso na infância podem ser as formas mais comumente encontradas. Hoje se entende que os efeitos cerebrais de abuso e negligência levam a uma desregulação no cérebro dos eixos hipotálamopituitário-adrenal. como em qualquer período de vida. como descrito por Sgoifo et al.1239 precoce pode ativar mudanças significativas no desenvolvimento cerebral. Porém. Abuso de criança é uma potente fonte de estresse e de resposta exaltada às tensões. Trauma nos primeiros dois anos. o estresse excessivo determina alteração do sistema neuroendócrino. (SCHORE. como em humanos. duração e contexto interpessoal do abuso. assim como é afetado por negligência o processo de desenvolvimento do . no eixo hipotálamopituitário-suprarenal (HPA – sigla em inglês) e em outros eixos neuroendócrinos e no funcionamento neuropsíquico. serotonina e outros neurotransmissores. Recente evidência sobre redução no volume do cérebro de crianças violentadas e negligenciadas tem sido observada e percebem-se algumas mudanças bioquímicas. catecolaminas.

déficits de memória e inibição de resposta. (LADD et al. assim como alterações no sistema nervoso autônomo e no sistema imune. depois de vários meses. se comparados a controles. foi associado com respostas emocionais como ansiedade e depressão. reagiam. 1996) O funcionamento anormal do eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA). 2004) . diariamente. bioquimicamente. de maneira distinta a um choque. aprendizagem. de dois a 20 pós-natais. (GLASER. em período de amamentação.. tipo de abuso e tipo de psicopatologia ou perturbação de comportamento influenciando na relação dos pais com filhos. provavelmente associadas com alterações persistentes nas respostas de comportamento dos ratos adultos. como agressão. Além disso. A importância da intervenção cedo e da atenção para a cronicidade da adversidade ambiental pode indicar a necessidade de cuidadores alternativos permanentes para preservar o desenvolvimento das crianças mais vulneráveis. ratos adultos masculinos. um sistema de resposta para tensões críticas no mamífero. responsabilidade parental. ratos privados de contato materno exibiram um aumento de 125%. Evidenciou-se alterações endócrino-neuronais. relacionado-o com abuso sexual na infância. Alterações no sistema hipotalâmico eram aparentes. em concentrações imunoreativas. Foi feita uma revisão que examina a evidência sobre a desregulação do eixo HPA. Havia também alterações no sistema nervoso central e pituitário. como também com processos de comportamento e cognitivos. diante do afastamento da mãe.1240 cérebro. Especificamente. 2000) Foi realizado um estudo com ratos para ver o efeito na bioquímica cerebral. exposição subseqüente a estressores. Concluiu-se que o abuso à criança pode conduzir a rompimentos do funcionamento do eixo HPA e os fatores que influenciam são a idade do abuso. (VAN VOORHEES e SCARPA. previamente isolados por seis horas.

do sistema límbico. segundo Williams descreveu. como sentimentos ligados a medo e condicionamentos relativos a medo e respostas agressivas. pelo fato de ainda estar na fase pré-verbal. fica difícil armazenar a informação. o hipocampo e as amídalas. em particular. não podem ser totalmente processados. Além disto. em 1992. ambos situados abaixo do córtex. não têm lembrança ou a têm parcialmente. como ocorre no caso do abuso sexual. E este é o motivo pelo qual as crianças pequenas. em razão dos níveis de estresse associados à . nocivo. A criança pequena ainda está desenvolvendo os seus esquemas. sendo incapaz de comparar. particularmente. então. Os traumas experimentados por crianças pequenas serão lembrados de um modo diferente do trauma experimentado na idade adulta. comparando-os com informações anteriormente armazenadas ou esquemas. principalmente pela ambigüidade do fato que é amoroso. e armazenar evento abusivo. tanto a experiência. por sua experiência própria. a principal área lesada é o sistema límbico. se a criança é incapaz de conversar sobre a experiência. O abuso sexual precoce pode perturbar a maturação saudável do cérebro e. porém. Esta estrutura não se torna madura antes dos três ou quatro anos de idade. O hipocampo é importante na formação e na recuperação de lembranças verbais e emocionais. (SANDERSON. composto por um sistema de núcleos cerebrais (centros neurais) interligados que desempenham papel central na regulação das emoções e da memória. no lobo temporal. fundamentais para a memória declarativa. Se uma criança é incapaz de dar um nome a algo. e mesmo sobreviventes adultos (33%). como o evento. 2005) As amídalas são essenciais para a criação do conteúdo emocional da memória. (SANDERSON.1241 No abuso sexual na infância. 2005) É o hipocampo quem avalia e classifica eventos recebidos. A linguagem também é importante para a memória declarativa porque o sistema requer palavras para funcionar de maneira eficaz.

(SANDERSON. fugir ou paralisar. assim como o desenvolvimento psicológico pode ser afetado na formação. uma verdadeira reprogramação para que se obtenha sucesso terapêutico. 2005) . em 2002. distúrbios dissociativos e distúrbios dismórficos do corpo. 2005) A ativação repetida do eixo hipotálamo-pituitário-supra-renal (HPA) pode lesar outros órgãos. segundo van der Kolk descreveu. chamou de “falha de mentalização”. armazenamento. a criança que apresenta um alto nível de ansiedade o qual em qualquer momento da vida pode ser reencenado. o estresse leva à secreção de hormônios suprarenais. Os efeitos cognitivos se fazem notar. 2005) O abuso sexual infantil tem sido visto como distúrbio de estresse pós-traumático (post. a criança fica impedida de desenvolver um sentido organizado do eu. outros só vão se externalizar na vida adulta. distúrbios de personalidade limítrofe. 2005) De fato. auto-mutilação. abuso de drogas. gerando doenças relacionadas ao estresse. nas terapias. (SANDERSON. porém. hiperatividade anti-social e distúrbio de personalidade anti-social. causando transtorno do déficit de atenção. Quando a ansiedade interna se combina com a interrupção no funcionamento cognitivo. pois inibe a auto-representação unificada e cria descontinuidade no desenvolvimento do eu da criança. A isto Fonagy. afetando a interação da criança com outras pessoas. como glicocorticóides. Isto pode exigir. Alguns destes problemas se manifestam logo na infância. O impacto das respostas ao estresse cria problemas na regulação e na modulação das emoções.traumatic stress disorder – PTSD). (SANDERSON. consolidação e recuperação da memória.1242 sexualização prematura. fundamentais em processos como lutar. em 1994. Além disto. (SANDERSON. Pesquisas mostram que uma exposição prolongada ou excessiva a glicocorticóides leva a um dano ou atrofia do hipocampo. sob a forma de depressão.

Burgess et al. em 2000. como Andersen e Phelps. sofridos nos três primeiros anos de vida. na função da memória no hipocampo e nas amídalas. em 1995 e 1998. (SANDERSON. proporcionando um quadro neurobiológico que faz com que abusos sexuais e outros. Pollack e Sinhá. e isto pode interferir no estabelecimento de aspectos da memória. vasopressina-oxitocina aumentam as respostas que geram um impacto na neurogênese de superprodução sináptica e mielínica primária. em particular. (SANDERSON. em 1988. atividade elétrica fronto-temporal anormal e atividade funcional reduzida da parte média do cerebelo. o desenvolvimento do cérebro. do hipocampo e das amídalas. assim como o sistema noradrenérgico. Krystal. 2005) . desenvolvimento atenuado do neocórtex esquerdo.. propuseram que os neuropeptídeos e os neurotransmissores liberados durante o estresse afetam os neuromoduladores. noradrenérgico. em 1995. em especial. LeDoux. durante períodos críticos sensíveis. Tais respostas ao estresse ativam respostas primitivas do tipo lutar. como na primeira infância. 2005) Programas de estresse induzido do sistema de resposta ao estresse glicocorticóide. que afirmaram que o estresse intenso ativa o sistema suprarenal e o cortisol. depressão. sintomas de déficit de atenção e de distúrbios dismórficos do corpo e abuso de substâncias. de modo irreversível. aumentem o risco de distúrbio de estresse pós-traumático. em 2002.. Um estresse grave desencadeia um fenômeno em cascata que pode alterar. e Teicher et al. em 2002. durante a primeira infância.1243 Não foram poucos os autores. o hipocampo. A conseqüência disto é a redução do tamanho das proporções médias do corpo caloso.. fugir ou paralisar para sobreviver. o eixo HPA. e Krystal et al. em 2002. em 1994 e 1998. Teicher. que é fundamental para o aprendizado e a memória.

gerando inibições laterais entre subsistemas de autorepresentação conflitantes. (INSEL. liberando sistemas de fatores e alterações em neurotransmissores. como o autismo e inabilidade social. perceberam a similaridade . segundo Forrest. incluindo a violência. o que pode ser responsável por efeitos de longo prazo. induzindo. que foi originalmente descrito para diagnosticar conseqüências de trauma de guerra. Substratos subjacentes aumentam a vulnerabilidade ao estresse. o estresse nos três primeiros anos de vida afeta a interação entre criança e seu cuidador.1244 A oxitocina e a vasopressina têm importante função nos padrões de regulações em complexos comportamentos sociais e estão ligadas à fisiologia do vínculo e presentes na patofisiologia de desordens. a uma enorme reatividade de corticotropina de longa vida. 2005) O abuso sexual na infância também tem impacto na regulação da emoção. 1997) A exposição ao estresse grave nos três primeiros anos de vida gera efeitos moleculares e neurobiológicos que agem sobre o desenvolvimento neuronal de tal modo que cria condições de adaptação para que aquela criança venha a sobreviver e se reproduzir num mundo perigoso. em 2001. (SANDERSON. que são integrados a um sistema unificado. 2005) Nemerhof. porém. observados em crianças e adultos. integralmente envolvidos na regulação do estresse e da emoção. em 1999. (SANDERSON. gerando uma descontinuidade na organização do eu. à depressão e à ansiedade. que acaba sendo transmitida transgeracionalmente. declarou que o estresse precoce resulta na persistente sensibilização dos circuitos do sistema nervoso central. O aumento da resposta ao estresse faz com que o sistema regulatório emocional seja afetado. Tal falha resulta em catastróficas ansiedades internas na criança. Assim o impacto do abuso sexual nas crianças está sendo visto cada vez mais como seguindo o modelo do distúrbio de estresse pós-traumático. deste modo. que podem ser inconscientemente reencenadas. diversos autores.

dissociação e flashbacks. p. e é usualmente experimentado com medo intenso. 2001a) . Fuga persistente de estímulos associados ao trauma. c) sentimentos súbitos de que o evento é recorrente. e d) sofrimento diante da exposição a traumas que simbolizam o evento traumático ou que se assemelham a ele. em 1988. alucinações. (SANDERSON. A experiência de um evento traumático que geraria sintomas de sofrimento na maioria dos indivíduos. dependente de experimentação nas áreas órbito-frontal do córtex. Finkelhor. terror e impotência. Gil. Persistentes sintomas de excitação aumentada. três dos seguintes itens: a) fuga de sentimentos ou de pensamentos associados ao trauma. 3. b) sonhos recorrentes em que aparece o trauma. c) dificuldade de concentração. como uma séria ameaça à vida de uma pessoa ou à sua integridade física. Uma persistente re-experimentação do evento traumático por meio de: a) lembranças recorrentes e intrusivas. Eth e Pynoos. Lindberg e Distad. em 1985. em 1985. como indicado por. como Benedek. Goodwin. em 1985. e) reação de susto exagerada. (SCHORE. Danaldson e Gardner. e f) reação fisiológica quando exposto a acontecimentos que simbolizam aspectos do evento traumático ou que são semelhantes a ele. d) interesse diminuído em atividades significativas. e g) perspectiva de futuro diminuída. c) amnésia psicológica. em 1993. Alpern e Repacholi. 2005. ou à de uma pessoa a quem ela é apegada. b) fuga de atividades ou situações que provocam a lembrança do trauma. 4.1245 de efeitos das duas nosologias. 187 a 189) Pesquisas documentam que a desorganização em crianças de 12 a 18 meses está ligada às estratégias de vínculo. Na realidade. e) sentimentos de desapego ou de estranhamento em relação aos outros. 2005) Para se fazer o diagnóstico. em 1985. Courtois. alguns dos critérios precisam estar presentes: 1. em 1986. (APA apud SANDERSON. f) leque restrito de afeto (emoção) como a incapacidade de experimentar sentimentos de amor. 2005) A síndrome de estresse pós-traumático caracteriza-se por: o desenvolvimento de sintomas típicos subseqüentes a um evento psicologicamente estressante que está fora do leque de experiências usuais humanas que seriam motivo de sofrimento para praticamente qualquer pessoa. pelo menos. este intervalo é um período crítico para a maturação. d) hipervigilância. segundo Lyons-Ruth. em 1988. 2. incluindo ilusões. (SANDERSON. incluindo adormecimentos de resposta. b) irritabilidade ou ataques de raiva. em 1985. como indicado por dois dos seguintes fatores: a) dificuldade para pegar no sono ou para dormir.

como creches. acelerando os hormônios de luta-fuga e. Durante um período crítico de crescimento de regiões cerebrais. Teicher. 1997 e 2000. fornece relatos de que as crianças que sofreram abuso físico e sexual cedo apresentam anormalidades de EEG em área fronto-temporal e regiões de cérebro anteriores. em 2000. por causa da deficiência orgânica nelas. tem o mesmo efeito. córtex pré-frontal alterado e vínculo desorganizado. na criança. em particular. A simples colocação de crianças nos centros de cuidado. O estresse da separação da mãe é tal que ativa o eixo hipotálamo-pituitário-adrenal. Bihrle.. Stoddard. (BRANDTJEN e VERNY. e pode ser alterado. fatores genéticos se expressam numa superprodução inicial de sinapses. em 1996. evitação de vínculo ou desordens da capacidade de formação de vínculo. chegando. empatia. 2001) A organização pós-natal do cérebro tem um padrão bem específico e sua progressão pós-natal reúne os circuitos límbico-autonômicos. (SCHORE. Isto é seguido por um processo dirigido pelo meio que mantém a organização das conexões sinápticas e a organização de circuitos funcionais. na faixa etária precoce. interferindo na organização de áreas cortico-límbicas. cuja regulação fica afetada. Estas crianças acabam por desenvolver insegurança. Meloy.1246 Perry et al. Este processo de organização genético-ambiental de uma região do cérebro é dependente de energia. 2001a) Mas não somente o abuso causa isto. às funções do cérebro mediano. Estas e muitas outras funções são mediadas pelas áreas fronto-límbicas do córtex e. em 1995. especialmente . segundo Schore. durante o dia. Teicher conclui que aquela tensão altera o desenvolvimento do córtex pré-frontal e impede que uma capacidade completa de adulto seja alcançada. mostraram que ambientes traumáticos na vida precocemente induzem a padrões atípicos de atividade neural. que são funções de vínculo. as perturbações afetivas são um carimbo do trauma precoce. Laçasse e Bachsbaum. o desenvolvimento disto significa empatia lesada. em 1994. segundo Rinaman.

em 1993. e estas excito-toxinas podem destruir neurônios na região orbito-frontal. Thomas. os quais agem. Spitzer e Montal. o que a Ciência do Início da Vida propõe é que as crianças sejam desejadas. Assim. (GRILLE. 2001a) Sabe-se que a tensão do estresse causa oxidação que danifica estruturas lipídicas. no córtex pré-frontal. descrita por Moller e Fralde. como foi observado por Bowling. em 1997. no século IV d. Shaw e Repa. como são exemplo as mutações e efeitos ambientais de toxinas. e como um fator de vulnerabilidade na etiologia de desordens do neurodesenvolvimento.. e por Schore. Alan Schore sugere o que chama de fatores psicotóxicos. os adultos não tinham consciência e elas sempre permaneceram não vistas. em 1996. contribuindo nas alterações de lateralização cerebral. em 1993. segundo Liu et al. Price. 2005) Em antigas culturas. amadas e cuidadas de um modo como nunca aconteceu na humanidade. em 1997. segundo Moghaddam. em larga escala. C. (SCHORE.. Walker. Olson. Mutisua. 2005) . como o glutamato. segundo Dias et al. até porque. do desenvolvimento. Gangestad. nas sociedades primitivas era praticado o infanticídio em escala de 15% a 50%. segundo Yeo. no plano genético. A construção de instabilidade no desenvolvimento. (GRILLE. segundo Yeo et al. em 1996. por Schinder. em 1997. 2001a) 7 – Dados de Psico-História O que esta nova ciência vem ensinando abre um novo entendimento da trajetória do ser humano. em 1997. inclusive o ADN mitocondrial. protéicas e de ADN.. O estresse aumenta a excitação de aminoácidos. (SCHORE.1247 durante o crítico período de crescimento. Na verdade. crianças eram escravas sexuais. e tal prática só começou a diminuir na Idade Média. em 1996. como indutores de instabilidade de desenvolvimento. Cork e Beal. tem sido invocada para compreender a expressão imprecisa. dentro do contexto de traumas relacionais precoces. mesmo antes da Idade do Gelo.

no Zimbabwe. na Itália e. tal prática estava associada a rituais. Overpeck et al. no Antigo Egito. China. no Tahiti. na França foi a intervenção da Igreja que proibiu as práticas de abandono e abuso sexual nas crianças. 2001. (GUERRERO. O assassinato naquele país sofreu um aumento. na Índia. 1999). Spartanos. e nos primeiros dias de vida. entre 1983 e 1991. Cartagineses.. 95% nasceu em hospital. e mesmo na Grécia ou Roma Antigas. Knossos. Fenícios. em terras germânicas. Astecas. é praticado. era direito do pai matar a “filha desonrada”. na dinastia do século XVIII. na Idade Média. era praticada pelas próprias mães. 5% dos quais ocorrido no primeiro dia de vida. mas não apenas: na Polinésia. entre árabes pré-islâmicos isso era comum. Considera-se mais provável que seja um filho primogênito. em 1998 e 1999. Maias. os castrados usados em . matavam gêmeos ao nascer. 2005) Mutilações. Esta prática parou só com a reforma Luterana. (GRILLE. 2006) Em muitas culturas. na China. assim como na Roma Antiga. e também no Hawai. (DeMAUSE. estudando filicídio nos Estados Unidos. o infanticídio era prática religiosa: Hebreus Antigos. (De MAUSE. assassinavam crianças. a castração de meninos não era rara. entre Judeus. Incas. na Nigéria. prematuro. até o século VIII. especialmente genitais.1248 Estudos antropológicos feitos por De Mouse revelaram que a prática de infanticídio realizada em Papua. até mais tarde. Mupuche (no Chile). atribuem a esta causa 1/3 das mortes dos bebês. Entre vários povos: os Ijaw. na Polinésia. GRILLE. em Bali. no século XII. crianças ilegítimas eram mortas ou abandonadas. ainda hoje.776 homicídios de menores de um ano. até hoje. a tribo brasileira dos Yanomami. entre alguns nativos da América do Norte. durante guerras. quando se identificaram 2. Stonehenge (celtas). da Nova Guiné. na Nigéria. 2005) O filicídio.

No século XVIII. em Paris. feito por Dan Raphael. sendo que 1/3 ocorria na classe média. Chineses. Cartagineses. (GRILLE.1249 canto lírico até pouco mais de um século. desde muito. Na Índia.C. entre os Astecas. Persas. Etruscos. às vezes. na China. 15% delas morriam. na Grécia Antiga. Índia. GRILLE. Na verdade. viu-se que apenas em nove sociedades as mães amamentavam seus filhos. na França. a violência sexual contra crianças não era caso para tribunais. o pediatra inglês William Cadogan ao . entre os Sumérios. que mutilavam a genitália de meninos e meninas. em 1992. mas ainda se pratica. Hoje. pela Europa. 2005) Até o século XVIII. Egípcios. como já diz citação bíblica. 2005) Sobre as amas de leite. até o século XV. Ainda há milhões que são escravos ou estão no comércio sexual ou outros. em Papua Nova Guiné. por exemplo. Tal prática também ocorria em outras cidades européias. As amas moravam.750 a. Em muitas ilhas do Pacífico. sendo 60% meninas e 45% meninos. 1991. Astecas. Desde tempos imemoriais. Em todas as antigas religiões. Já existe referência a este respeito no Código de Hamurabi. mulheres rejeitavam esta forma de intimidade e. tanto incesto materno como paterno não eram raros. no hinduísmo. 20% a 25 % das crianças eram abandonadas. 2005) Crianças foram escravas e abusadas psicologicamente na civilização hebréia. entre molestados sexualmente no mundo. em vilas longínquas. a prática do casamento entre crianças só foi proibida por lei em 1929. as cifras são de uma a cada quatro crianças. onde mesmo Platão e Aristóteles advogavam tal prática em pré-púberes. as amas de leite pagas existem. no islamismo. a prática da mutilação genital em crianças foi universal. em torno de 1. Celtas. (GRILLE. (DeMAUSE. nos países nórdicos. Japoneses. Na Roma Antiga. Indianos. Na Europa. Mesopotânios. era prática recomendável. e no transporte. Tal mortalidade ocorria em outros países da Europa. Em um estudo de 57 sociedades.

na França. pela primeira vez foi lei na Inglaterra. a criança era vista como um ser diabólico que precisava ser adestrado para adquirir a forma humana. mantê-la atada por um prolongado tempo. 2005) A limitação de trabalho. na Alemanha. 2005) No século XIV. em grupos na América. (GRILLE. romanos. no século XIX. com freqüência. resulta em retardo motor e social. como múmias. (GRILLE. na Europa. duas horas por dia. Tal prática aumenta medo. e parece que a legislação não era cumprida. na área rural do Japão. no Factory Act (Ato das Fábricas) que limitava o trabalho infantil a 12 horas por dia. e no século XX. (GRILLE. no século XVIII. Isto aconteceu entre judeus. Nesta época. entre os séculos XVI e XVII. . Também aqui o pediatra William Cadogan se pronunciou contrário à prática. queda de oxitocina no organismo – o hormônio do sentimento amoroso –. as meninas eram responsabilizadas por seduzir homens adultos. na Inglaterra e América.1250 observar que as crianças amamentadas por suas mães eram mais saudáveis. (GRILLE. (GRILLE. gregos. raiva e violência. mas a prática da ama de leite só desapareceu no final do século XVIII. 2005) Uma prática universal era a de enfaixar as crianças. em 1802. é suficiente para causar-lhes lesões cerebrais. 2005) Na Renascença. na Idade Média. Em crianças. no leste europeu. Os pequenos eram imobilizados. e isto continuou por muitos séculos. (GRILLE. 2005) A idéia de amor de família e de amor materno só surge na literatura. surgem os manuais que sugerem punições para conseguir efeito “humanizador” sobre as crianças. começou a incentivar a prática. na França e Itália. aumento dos níveis de cortisol. 2005) Pesquisas revelam que animais imobilizados desenvolvem úlcera péptica e a imobilização em animais.

1251 Mesmo no século XVIII. começou-se a notar crianças como seres em desenvolvimento. Entra. (DE MAUSE. começava a pregar o contrário da linha idéia. (GRILLE. dentro da era Vitoriana. Neste período. 2005) O trabalho escravo foi erradicado pelo Factory Act (Ato das Fábricas) de 1874. mesmo assim ainda havia um milhão de jovens. Nos Estados Unidos o trabalho escravo foi abolido em 1938. na Inglaterra. 2005) . eram tratadas com mais cuidado. uma outra visão começava a surgir e Rousseau. que era um ser essencialmente mau. nascidas a partir daí. ainda trabalhavam sob duras condições no mundo e 25 milhões ainda faziam trabalhos forçados. começaram as exigências educacionais punitivas. então dominante. a prática dos enemas. trabalhando. O filósofo John Locke. e não somente um ser utilitário. e que precisava ser purificado e posto sob rígidas condições de disciplina. Rousseau começa a dizer que as crianças são boas. então. uma idéia nova a surgir no século XIX. começa a falar contra a prática de castigos tão fortes. desde o nascimento até os seus três anos de vida. a proibição da masturbação. entre 10 e 15 anos. Cadogan escreveu um artigo que era um ensaio de cuidados das crianças. Segundo a The International Labour Organization (Organização Internacional do Trabalho). estimava-se que 110 milhões de crianças. Por outro lado. abaixo de 15 anos. até 1880. (GRILLE. e as crianças. Rousseau seguiu acompanhando esta linha. 2006a) Quando o casamento arranjado acabou na Europa passou a existir uma centelha de amor nos lares. mas só foi implementado em 1880 e. pois as crianças precisavam ser rigorosamente adestradas e limpas. em seus trabalhos. Apesar dos enemas terem virado uma prática em muitos países. observando que as crianças que não eram atadas cresciam mais robustas. Houve uma queda no abandono de crianças. o requinte de aparelhos e substâncias. em 2002. de que a criança tinha parte com o demônio. a prática dominante na Europa era o brutal espancamento.

aparece o primeiro manual encorajando os pais a participarem da educação dos filhos. até mesmo. e em 1957. em média. o que justificou. Madame et Bébé (Pai. entre 1865 e 1870. em cada grande centro europeu era comum. na França. Muitas crianças morreram de tais práticas na Europa e nos Estado Unidos. podia ser molestada sem problemas. a Sociedade Protetora das Crianças. Só em 1969. Monsieur. escrito por Gustave Droz. (GRILLE. 2005) Em 1866. por exemplo. mais de 50% das prostitutas não registradas eram crianças. na Inglaterra. Mãe e Bebê). a Convenção de Direitos da Criança passou na Assembléia das Nações . ainda no século XIX. Os primeiros playgrounds urbanos aparecerem em 1885. a Suprema Corte Americana declarou que a criança era uma “pessoa”. 2005) A percepção das necessidades das crianças é matéria de estudos recentes. pois era entendido que uma criança de até cinco anos não podia se lembrar de nada. na França. Em 1912 é criado. como demonstram as leis: só em 1908 na Inglaterra é que o incesto passou a ser considerado delito criminal. (GRILLE. 2005) Em 1948. a mesma entidade produziu a Declaração dos Direitos da Criança. um prostíbulo tinha 60 crianças em Viena. A prostituição infantil. muito disseminadas. perante a Constituição Americana. pois. as Nações Unidas formulam a Declaração dos Direitos Humanos. portanto. o aparecimento de legislação sobre o assunto. nos Estados Unidos. (GRILLE. onde as proibições sobre masturbação só caíram nos anos 50. Em 1989. um Departamento para Assuntos da Criança. os pais tinham direito de proprietários sobre ela. Claro que tanta preocupação tinha uma contrapartida que era a prática de abuso sexual em crianças pequenas. até então. (GRILLE. e só em 1895 é que surgiu. 2005) A Sociedade Protetora dos Animais nasceu primeiro.1252 O vitorianismo chegava a fazer vítimas mortais na tentativa de controlar a genitália infantil.

Todos os países ratificaram. entendia que a amamentação materna era necessária. (GRILLE. Spock orientava que não se deveria dormir junto da criança. 2 – Cada povo pode ser guerreiro ou pacífico. e isto não é genético. sem fins lucrativos. de que se saiba como as crianças daquele lugar foram tratadas. 2005) A psico-história ensina quatro mensagens: 1 – Cada problema. mas tem base em como as crianças daquele lugar se desenvolveram. e esta visão influenciou gerações. 2005) Em 1960. fosse “fraco”. 2005) Em 1956. por ofensa imputada a adulto. em 2004. Num relatório da OMS. O documento também estipula que crianças não podem ser condenadas a pena de morte ou prisão perpétua. por mais de uma década. embora o leite materno. . o grande orientador de diretrizes pediátricas que passaram das fronteiras americanas. uma organização. Vínculo não era questão discutida. que combate a desinformação sobre os benefícios da amamentação materna. segundo ele. Spock. em cada parte do mundo. Este documento reconhece que toda criança é livre para pensar e falar e os estados signatários comprometem-se a tomar diretrizes para coibir a exploração sexual e econômica na infância. (GRILLE. até hoje. e isto ocorre em alguns estados dos Estados Unidos. que foi.1253 Unidas. um dos cinco países onde este tipo de lei existe. que não fazia mal uma criança chorar por 20 minutos. necessita. e que o medo e a dependência deveriam ser combatidos. exceto os Estados Unidos e a Somália. envolvimento do vínculo no padrão de conduta adulto e na qualidade de saúde da criança. John Bowlby desenvolve a Teoria do Vínculo que antecipou conhecimentos sobre imunologia. (GRILLE. primeiro. (GRILLE. 2005) O Dr. surge a La Leche League (A Liga do Leite). a instituição informa que um milhão de bebês morrem no mundo por amamentação inadequada.

em apenas uma geração. em algumas partes da Bósnia e da Macedônia. (GRILLE. Uma nova geração surgiu naquele país e. também intercultural. Conseqüentemente. a predispor crianças a se tornarem adultos dispostos à violência. conduziram estudo comparativo de 17 culturas e verificaram que quanto mais rígidos os papéis de gênero. e o parto era ignorado e esperava-se que a mãe.1254 3 – O autoritarismo patriarcal educa. um é o da Yugoslávia. Vera Stein Erlich. mais violenta era a cultura. Estudo feito por Prescott. (GRILLE. 2005) Os antropólogos John e Shirley McConahy. que escreveu livro Family Transition . alterarem uma sociedade ou cultura. segundo a linhagem paterna. em 1977. foi também criada em família de rígida estrutura patriarcal. e criaram leis que proibiam o espancamento de crianças por seus pais. Esta família de fortes papéis definidos é também a que tem mais risco de incesto. a idéia de bebês como contendo algo do “mal” existia e baniu-se a aceitação de que qualquer criança pudesse ser espancada. este grupo lidou com o conflito de deposição de seu ditador de forma pacífica. As mulheres não tinham nenhum papel relevante e eram espancadas. sozinhas.A Study of 300 Yugoslav Villages (Transição Familiar . Padrões . como casa de cômodo. onde a geração que foi pivô da guerra dos anos 90. as crianças oprimidas. em qualquer país ou etnia. confirmou os mesmo achados. 4 – Legislação e medidas políticas não podem. Isto só pode ser feito através da educação das crianças. Mas. e que moravam juntas nas zadrugas (casa do patriarca). 2005) Dos exemplos recentes. famílias eslavas mudaram estas práticas e começaram a achar os patriarcas obsoletos. logo após parir.Um estudo de 300 Cidades Yugoslavas). As famílias se agregavam. continuasse a viver como se nada houvesse acontecido. Esta história foi levantada por uma jornalista que entrevistou famílias em 300 cidades da Yugoslávia e levou seu material para uma psicanalista. na Croácia. nestas casas. a mortalidade materna chegava a 50%.

as amas de leite ainda eram uma prática que havia sido abandonada na França. e assim. mas também a amarrar-lhes nas bocas pano contendo sopa e. 2005) Um estudo escrito por Samuel e Perl Olinder que entrevistaram 400 indivíduos do mesmo nível socioeconômico e cultural. Ele aconselhava não somente a atar as crianças. tal como o Dr. que segundo a historiadora Maria Piers. ele sugeria que os pais deveriam comer e beber algo de que a criança gostasse na frente delas. era um consumado sádico e foi o formador da geração “Gestapo”. pois as crianças eram sujas por natureza e o sistema de purificação deveria ser estabelecido logo após o nascimento. Este tratado foi a Bíblia dos pais por um bom tempo. um pediatra que virou conselheiro dos pais. escrito pela médica Johanna Haarer. chegou a ter 40 edições. Spock. e compararam com um grupo que. chamavase Dr. Daniel Gottieb Moritz Schreber. Outro livro que teve peso foi um de orientação pedagógica The German Mother and Her First Child (A Mãe Alemã e sua Primeira Criança). 2005) Sobre a História do Nazismo. mesmo não . As meninas eram maltratadas. Na Alemanha. durante a guerra. Ela advogava que os bebês deveriam ser separados de suas mães. por 24 horas. (GRILLE. mas negar-lhes sistematicamente. Por volta da virada do século XX. pois a privação fortalecia o caráter. o índice de suicídio na Alemanha era três vezes maior do que no resto da Europa e a causa mais comum era pavor de castigo dos pais. posto suas vidas em risco para ajudar famílias judias. há 200 anos. aquela geração que foi os braços e pernas de Napoleão.1255 autoritários familiares levam as políticas autoritárias coletivas em estados. Quando elas estivessem ainda maiores. de preferência. No final do século XIX. tão logo nascessem. (GRILLE. que tinham. a mortalidade mais alta da Europa era a da Alemanha e lá havia uma distinta preferência por meninos. Esta geração estava psicologicamente preparada para aceitar o nazismo. não tocá-las. que cultuava a obsessão por obediência.

perpetuou a morte de 30 milhões de chineses. A Alemanha é uma das 13 nações que decretou tal interdição.1256 sendo nazista. Depois de questionários onde nada diferia. cerca de 80% dos franceses. um ultranacionalista. mas durante a gestação a mãe perdeu o marido e o filho. pela qual contava as pancadas ao invés de sentir as dores. os pesquisadores encontraram um ponto. Voltou para a mãe com três anos. aposentadoria. 2005) O castigo corporal nas escolas permaneceu por muito tempo. volta para a casa do tio. nada mais distinguia estes dois grupos. mais tarde. Ela tentou suicídio e. que era diariamente espancado por seus pais até mais de 200 vezes ao dia a ponto de entrar em coma muitas vezes. que foi também o primeiro país da América do Sul a promulgar o sufrágio universal em 1932. Um estudo verificou que entre 57% e 90% dos pais americanos espancam seus filhos. em 1916. 2005) . outro que foi vítima de extrema brutalidade paterna. assim como o seguro desemprego. acabou que. 2005) Sobre nas histórias pessoais dos ditadores. Foi banido no Uruguai. desenvolveu uma técnica para suportar a violência. batendo com uma porta contra a própria barriga. Os que ajudaram não tinham sido amarrados quando bebês. (GRILLE. No ano 2000. Ainda hoje. 92% Irlandeses. não conseguiu este altruísmo. jornada de trabalho de oito horas. Hitler. (GRILLE. depois tentou abortá-lo. foi física e mentalmente abusado por seu padrasto e. em 1876. férias remuneradas e assistência médica subsidiada. Mão Tse-Tng. Saddam Hussein havia sido concebido desejado. Todo genocídio é conseqüência direta de uma sociedade em guerra contra crianças. 22 estados nos Estados Unidos permitem punição corporal em escolas. quando fica um pouco mais velho. Acabou por rejeitar sua criança depois de nascida e Saddam Hussein foi criado por um tio. o parlamento alemão proibiu castigos corporais como forma de punição às crianças. (GRILLE.

elas não podem sofrer castigos físicos ou passar por atos de humilhação. a licença-maternidade passou a ser de 450 dias. Irlanda. em 2004. 2005) A Suécia foi o primeiro país do mundo a ter a lei que igualou salários femininos e masculinos. e Ucrânia. Knutson. (GRILLE. Alemanha. em 1979. Latvia. Israel. Todas as espécies que habitam este . Coréia. 2005) 8 – Pedagogia para o Bom Desenvolvimento Carl Gustav Jung entendeu a importância dos primeiros anos de vida. Dubow.1257 Estudos como os de Elizabeth Gershoff. Bandura. A morte de crianças por homicídio é zero. em 2002. em 1997. Nova Zelândia. Reino Unido. România. Espanha. o crime juvenil começou a cair. Cyprus. irrevogavelmente. Knutson e Selner. Itália. em 1989. 12 países proibiram castigos corporais em criança: Finlândia. Bélgica. ano da mais baixa taxa de mortalidade infantil. Huesmann e Eron. promulgou o Código para Crianças. (GRILLE. Berger. em 2003. em 1995. em 1983. Noruega. Hunter e Stollak. e hoje mais e mais educadores e pesquisadores concordam com isto. Baron. Maurer e Wallerstein. em 2004. Croácia. em 2000. 1984. Desde 1979. Em 1998. Mehm e Perkins. em 1999. há 200 anos tem um dos mais baixos índices de homicídios do mundo. há 15 anos. segundo o qual. Há muito tempo este país adotou hábitos de cuidado com crianças. 1981b) Na verdade este é o tempo de filhote do ser humano. (JUNG. A escola fundamental iniciou. em 1994. em 1988. Ilhas Fidji e Haiti. Suíça. Dinamarca. em 1973. em 1987. em 2000. 2005) Em 2004. (GRILLE. em 1842. em 1998. em 1977. Áustria. Waletrs e Grusec. 2005) Outros estão em vias de colocar tal proibição: Canadá. em 1987. em 1987. em 1994. assim como álcool na juventude e drogas também. em 1977. Islândia. estudaram as conseqüências para a perpetuação do ciclo de violência que se repete como uma imagem de espelho que. Muller. copia o que nela se espelha. (GRILLE.

Agora urge informar e escolher um melhor destino para a humanidade. nunca antes. As datas de reconhecimento de que são merecedoras de cuidado são recentes. . O tempo de filhote de uma espécie é percebido pelo tempo que um ser é capaz de sobreviver sem ajuda dos pais. com quatro anos de idade. o ser humano começou a prestar atenção a si mesmo. pilares. Já foram encontradas. Ele é a única espécie que não cumpre seu ciclo biológico natural. Agora. os três primeiros anos de vida. o filhote humano é o único dos filhotes mamíferos abandonado. A psico-história ensina que. no mínimo. o domínio de conhecimentos psicológicos passou a ser mais universal. a ciência alerta sobre o que se deve fazer para ter saúde. bem provavelmente. Repara-se que pode haver alguma diferença entre um cálculo ou outro. seja pelo tempo de desenvolvimento do seu esqueleto. sempre muito vendidos. crianças sozinhas por um tempo. no menor dos cálculos. porque é o único que tem tal descuido para as necessidades de seus filhotes. Culturalmente falando. devido a um errôneo entendimento de que o seu tempo de “independência” é mais cedo. Então. o ser humano deveria viver 120 anos. a criança. elas praticamente tornaram-se. refletem um interesse cada vez maior de o cidadão comum querer compreender a si mesmo. nunca também cuidou de seus filhotes como eles precisavam ser cuidados. E depois de quase um século do desenvolvimento das ciências humanas. o que necessita ser feito pelas crianças até. deixou de ser prática das sociedades especiais. na História. ou da menarca da fêmea. sobreviventes de catástrofes. Os livros de auto-ajuda. Este é o objetivo da Ciência do Início da Vida. a humanidade conseguiu olhar. acessíveis ao grande público. além de atrapalhar bastante seu modo de nascer. mas. da década de 40 para cá. de fato. isso não ocorre. Nossa sociedade nunca viveu o tempo que deveria como espécie.1258 planeta têm suas vidas calculadas por fatores aplicáveis. No entanto. de três anos para baixo. de maneira mais coletiva. em seus conceitos. Pode-se dizer que. na natureza.

1259 Na virada do século XX. o que termina por acompanhá-la pela vida. talvez a vida toda. o que implica em perda maior. ainda que quase restrita ao meio científico. que a leva a estabelecer um julgamento ruim a seu próprio respeito. pois. 1981b. “Ser bom é ser amado pela própria mãe. 1984. Toda separação é vista pela criança como abandono. Se ele decidiu ir embora. irmãos. antes dos três anos.1982) A autora viu o que Jung falava sobre “a fé de ver os pais como deus” – juntos formam a imagem de deus . é catastrófica. É fundamental entender o tempo em que a criança precisa de cuidado diretamente provindo da mãe e do pai.e o sistema de crença que a criança define para si. desde sua concepção. (JUNG. Não se pode deixar de considerar que. tanto que fala de si na terceira pessoa do singular. mental e espiritual do indivíduo adulto. e na primeira década do século XXI. deus não pode estar errado. lesa a própria fé na vida. O modo como isto se dá revela que ela não tem a organização de ego completa. pode ser que a dissolução desta crença demore muito a se dar. como da separação dos pais. ou maltratar. a deus. A criança credita a si a responsabilidade tanto da morte. tornou-se profusa a literatura sobre a criança. como sua mãe não ama você é mau”. pois ela é o alicerce da saúde física. além da perda da convivência. com um alto custo para o indivíduo. o ser humano está sendo capaz de descobrir sua criança interior. é porque ela não foi boa. neste momento. E. se “deus” fez algo como ir embora. está fundida aos pais. Ambos têm papel importante e a quebra desta díade. Na verdade mãe e pai são uma díade que corresponde. ou o que for de negativo vivido pela criança. Uma relação primal negativa numa fase precoce da infância causa um distúrbio não apenas parcial mas total: uma criança expulsa da relação primal . afinal. e também porque projeta na díade pai-mãe a figura de deus. não é essencialmente digna de amor. Esta tese serve ao propósito de tornar-se um instrumento na tarefa de universalização do conhecimento sobre a criança. de certo modo. está sendo capaz de visualizá-la fora. suas necessidades. em tenra idade. na mente da criança.

James W. um dado traumático ocorrido em algo que um pai escutou aos dois anos de idade. 2003) É importante a compreensão de que. pode. antes dos três anos de idade. Outros estudos investigaram a relação entre violência (suicídio e homicídio) e pouco contato mãe-filho até os dois anos e meio e este vínculo era frágil ou disfuncional em 77% das 26 tribos estudadas por Prescott. por Candice Pert. seja tornado-se agitada. em 1999. A agitação de uma criança. causar uma otite. Tais estudos foram publicados em 1975. nas quais cometia-se homicídio ou suicídio. É importante lembrar que tudo o que um pai e uma mãe viveram com a mesma idade pode voltar sob a forma de sintoma. isto fica evidente com as modernas descobertas sobre memória celular. (PERT. ela expressa no corpo o que não pode elaborar de outro modo. Um dado importante foi que 80% das 49 tribos estudadas. (VERNY e WENTRAUB. 1979 e 1996. 2004. Hoje. Prescott foi um dos fundadores do Instituto Nacional da Saúde da Infância e do Desenvolvimento Humano. no primeiro ano de vida. 2006) já demonstrou isto em milhares de pessoas. (NEUMANN. que realizou vários estudos inter-culturais. que descobriu que as moléculas de memória se encontram por todo o corpo. é igual à angustia em adulto e o motivo de angústia de criança é sempre o mesmo: abandono da mãe ou do pai ou a quebra desta dupla que deveria ser um só bloco. em vários países. Hoje a Terapia Sistêmica (HELLINGER. por exemplo. em 1996. 2004) . na mesma época de dois anos do filho homem. 2001. corporal. 1991. verificou-se que os níveis de vínculo mãe-filho. 71) As questões de saúde da criança têm suas origens nas angústias dos pais. seja adoecendo. 1997 e 2001. É importante lembrar que a energia da criança é cinética. eram precários.1260 é expulsa da ordem natural do mundo e duvida que haja justificativa para a sua existência.

Observou 300 bebês. Elas dormiam com eles e os alimentavam no ritmo deles. a quarta. Entre seis e sete semanas. havia desaparecido na corrente sangüínea deles. no Quênia e em Uganda. para que as crianças pudessem ter todo afeto destes. ocorrido em cinco de dezembro de 1970. no primeiro ano de vida. sentiam suas necessidades antes pela sensibilidade tátil. Nas crianças . Em verdade. todas as 300 crianças engatinharam. dentro de uma tipóia. seja física ou emocional. Ela descobriu que. podiam sentar-se sozinhas e olhar-se por horas no espelho. Marcele Geber. no mesmo período. subvencionada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). (PRESCOTT.1261 Os estudos foram ficando tão chocantes em seus resultados que justificaram um Ato Nacional. era que a sociedade deveria apoiar a mulher e seu filho para o aleitamento ou permanência juntos. No sumário das conclusões entendia-se que era preciso haver quatro mudanças primárias na vida para que culturas totalitárias se transformassem em mais igualitárias e pacíficas: a primeira. era que a sociedade deveria apoiar mães e pais. Os bebês ficavam acordados por um longo período. A mãe reagia a qualquer vontade do bebê. o que começa em muitas crianças pela circuncisão. na Conferência na Casa Branca sobre a Criança. os bebês e as crianças as mais precoces que já vira. Suas mães haviam dado à luz sozinhas. um fato relaciona-se com o outro. próximos ao peito. a segunda. Eles sorriam contínua e intensamente até o quarto dia de nascidos. quase nunca choravam. além de cantarem e os carregarem nus. naquela região. o terceiro tópico era que deveriam ser eliminadas da sociedade todas as formas de causar dor a uma criança como forma de punição. que logo alcançava sua intenção. ligado ao parto. As análises sanguíneas mostravam que o hormônio do estresse. até que seu filho tivesse dois anos e meio. viajou para a África e esteve. seguravam-nos e os massageavam constantemente. foi que a sociedade deveria apoiar a emergência da sexualidade do jovem sem que isto fosse motivo de punições. 2007) Em 1956.

Neste caso. um exame feito ao longo de seis anos de duração. que alguns não sobrevivem. Com dois dias. onde será criado por parentes. dependendo dos institutos estaduais de saúde. em parte do dia. 2004) Estudos do Quality 2000. a partir de contato olho a olho e do vínculo com os pais. com equilíbrio na cabeça e olhando para as mães. a criança é preparada para ter vinculação só com a cultura e o desenvolvimento da inteligência estaciona. as crianças demonstraram o mesmo modo de desenvolvimento infantil conhecido no ocidente. segundo informações colhidas pelo Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano (NICHD). Quando ele tem cerca de quatro anos é enviado para outra aldeia. na região. nem pais. Até o início da década de 1990. realizado em creches e escolas infantis em todos os Estados Unidos.1262 do ocidente. Os estudos do NICHD apontaram para o fato de que bastam 20 horas de cuidados de crianças em instituições antes de um ano de vida para a construção de vínculo negativo entre pais e filhos. o que nos ocidentais são alcançados no 15° e 18° meses. (VERNY e WENTRAUB. 1989) Só nos Estados Unidos 22 milhões de menores são cuidados. é preciso repensar como a sociedade precisa organizar-se em face às verdadeiras necessidades de neurodesenvolvimento. as crianças sentavam-se retas. Sabendo hoje que o cérebro se estrutura de forma importante no primeiro ano de vida. por pessoas que não suas mães. os pesquisadores . (GEBER apud PEARCE. sem aviso. o qual traz conseqüências para a vida emocional de uma pessoa. esta capacidade é esperada aos seis meses. O choque e a depressão que sobrevêm são tamanhos. Testes sensórios motores com resultado pleno eram alcançados pelos ugandenses entre seis e sete meses. Quando. mais da metade das mães com filhos menores de um ano passam boa parte do dia sem contato com seus filhos. apareceram hospitais e partos hospitalares. sorridentes. Mas há um tabu na tribo de Uganda: a mãe abandona o filho. pelo menos.

costuma explicar que não se pode ver criança como se fosse um ser com uma anômala capacidade de coletar. as conclusões são alarmantes: entre 35% e 40% estavam em ambiente considerado prejudicial à saúde e à segurança do seu desenvolvimento. antes de dois anos. e. a criança que é privada do essencial. quando ainda é um filhote mamífero. É fundamental lembrar que a criança adoece porque não há outro modo de expressão da dor da alma senão a expressão física. as infecções chegam à pele. primeiro. em certo um momento desiste e deprime. Nos últimos 20 anos. como se ela fosse portadora do mal. ou como se fosse um adulto em miniatura. se deprimida. com o passar do tempo. A criança vai para a creche e os fatos se repetem: ela adoece. tenha ido para creche e não tenha feito este périplo de patologias nesta ordem. Alguns adoecem com infecção intestinal e. a imunidade cai. atrás disto. (BOWLBY. pois isto é o mesmo que dizer que criança é foco de infecção. entre 12% e 21% está em creche que põe em perigo seu desenvolvimento e.1263 constataram que entre 12% e 14% das crianças americanas encontram-se em situação que promove crescimento e aprendizagem. 2004) Muita literatura relaciona a creche como foco de infecção. há 50 anos. 2002) . A autora. e nesta desistência seu sistema imunológico desaba. (VERNY e WENTRAUB. a autora. No caso de bebês e de crianças entre um e dois anos. Se está ansiosa. fica agitada ou sem sono. ainda estão os velhos conceitos arquetípicos de que a criança é a portadora do mal. como mostraram os filmes feitos por Bowlby. Ela fica imunodeprimida. que morrem de infecções de repetição. depois. O que existe. Então é preciso rever o conceito de creche como “foco de infecção”. é que. a segurança. de doença do trato respiratório. tão graves. não ouviu uma única história de criança que. reter e propagar bactérias. pois. em trabalho de orientação com pais. inclusive. sua mãe. ou seja. Cabe ao adulto ler e não seguir julgando a criança como os antepassados faziam. A criança expressa no corpo seu processo e dor.

Eles sabem que podem voltar para a mãe. o que é diferente do filhote exilado do seu ninho. (JUNG. para outro planeta. pois a vivência da creche é de abandono: um filhote num mundo estranho. confirmou-se o que as observações do NICHD . seria semelhante à que passaria um adulto que fosse abduzido à revelia. que seu nexo afetivo primordial se dá com mãe. Se o ser humano continuar a esquecer sua condição animal. e irmãos e as outras pessoas da família precisam ser muito presentes e voltadas para a criança para terem uma conexão maior com ela. a experiência de uma criança. não tem pai. mas se está prolongadamente longe do contato visual. Há medo real quando um filhote sai de perto da mãe. onde ela está indefesa e realmente não importa quão bonita seja a creche. Ninguém e nada faz sentido para ela: tudo o que ela sabe é que não tem mãe. este não é um mundo conhecido. 407) Num relatório feito por Claudio Violatio e Clare Russel.1264 Quando a autora orienta pais em relação a não colocar seus filhos em creche. pois a criança vive uma gama de emoções e tem alguma memória. p. ou seja. que em geral está nas cercanias. adoecer e morrer. se prestar atenção. ocorre uma aproximação maior com o pai. costuma usar uma analogia. se a criança está em sua casa. 1984. e mesmo até os três anos na creche. Podemos observar o despertar da consciência na criança pequena. Qualquer pai pode perceber. É outro mundo. A conexão não se dá de maneira uniforme. que é deixada antes de um ano.072 crianças. analisando 88 relatórios publicados envolvendo 22. nem irmão. Já se sabe que a criança antes dos três anos não tem orientação de tempo. as crianças continuarão a deprimir. Então. E o que podemos ver é o seguinte: quando a criança reconhece alguém ou alguma coisa. sentimos que ela tem consciência. o animal entra em estresse. Ao longo do primeiro ano de vida. ela mantém referencial do espaço conhecido que ela “domina”. seja pingüim ou leão ou o que for.

mesmo que familiar. os melhores escores e os mais significativos no âmbito emocional. muitas vezes. e também no próprio custo . assume fraco compromisso com o trabalho e prefere utilizar suas energias em diversões supérfluas e. e as crianças que estão expostas a muitos cuidadores têm mais probabilidade de acabar sem saber qual é o seu lugar no mundo e de serem emocionalmente inseguras. Os Estados precisam pensar também no custo alto de saúde e criminalidade. e não por algum outro cuidador. faz falta o modelo de outra mente. por acidente ou fraude. não se entendem com a responsabilidade de trabalho. Os resultados dos meninos eram inferiores aos das meninas. em todos os âmbitos. defende que até os três anos de idade elas possam usufruir da conivência da família. social e de comportamento. 2006a) Muitos países estão começando a rever suas políticas de licença-maternidade. Apesar de a UNICEF reconhecer a creche como um direito. Nas testagens. são altos os custos dos seguros desempregos de jovens que. 2004) Para formar a mente de uma criança. que não consegue se estruturar para deixar o lar paterno e começar a fazer seu próprio ninho. ou daqueles que acabam aposentando. daninhas. Para os Estados. (UNICEF. (VERNY e WENTRAUB.se cedo. que se coloca na vida como filhote eterno.1265 já haviam apontado. isto porque já estiveram contabilizando os prejuízos para a nação de uma geração de jovens que não sabe o que quer. 2004) A UNICEF considera importante que as crianças tenham um bom começo de vida e. Hoje as raízes deste comportamento são muito bem mapeadas. Este fenômeno se vem tornando comum em vários países e tem sido motivo de estudos sociológicos. eram atingidos por crianças cuidadas por suas próprias mães. (VERNY e WENTRAUB. aumentando-a para mais próxima de dois anos. por isso. não a vê como a melhor possibilidade de educação. na verdade. como o que está documentado nesta tese.

tem aumentado a licença maternidade paga e não paga. Eles vivem a angústia de sustentar filhos adultos e mesmo família de filhos adultos. ou dos jovens que não conseguem encontrar um lugar no mundo para eles. e. (VON FRANZ. a França dá cobertura de 100% entre 16 e 26 semanas. E tramitavam. pois estes filhos. a licença maternidade cobre 80% do salário durante as 78 semanas após o parto.1266 humano. Hoje há pais que já sabem quão rápido correm os anos e quão rapidamente se fecham as portas de oportunidades. Nesta lista há dados sobre 29 países e suas políticas de licença maternidade. no mesmo período. em 1900. “puer eternos”. uma licença maternidade mais prolongada. impossível de por em número. projetos de lei em vários países do mundo com o objetivo de ampliação de licença maternidade. em 2007. mesmo em termos econômicos. 19% das mulheres trabalhavam fora. 65% de todas as . Entre 1981 e 1985 e até o período de 1991 a 1995. a autora não tem conhecimento de um cientista que tenha contabilizado as lágrimas de pessoas que perdem filhos jovens para droga ou criminalidade. não podem ou não conseguem enxergar. a proporção de mães que usaram a licença maternidade paga foi de 32% para 36%. na Suécia. 2003) Nos Estados Unidos. 1992) Portanto. YOUTH AND FAMILY POLICIES AT COLUMBIA UNIVERSITY. nos últimos 20 anos. Assim. As mães que usam licença maternidade paga costumam ser mais velhas e com grau de escolaridade maior. (CLEARINGHOUSE ON INTERNATIONAL DEVELOPMENTS IN CHILD. as que usaram a licença não paga variou de 30% a 37%. Finalmente. em 28 semanas. o custo disto tudo justifica. Naquele país. distraidamente. esvaírem-se as próprias vidas. na época deste levantamento. e isto é hoje cada vez mais comum como queixa em consultório: os pais que se queixam de que seus filhos estão deixando. e a Itália cobre 80% do salário por cinco meses. a Tchecoslováquia 69%.

e no terceiro ano o crescimento prossegue dando ao cérebro 90% do peso que terá na vida adulta. No segundo ano o crescimento continua. e Comissão da Criança e do Adolescente. no mesmo período. o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. (VERNY e WENTRAUB. Comissão Nacional de Direitos Sociais. 2007) Em 29 de março de 2005. mas complexas e variadas serão suas redes neuronais e. Quanto mais sinapses possuir uma pessoa. Comissão Nacional da Mulher Advogados. o peso cerebral em média é de 400 gramas. ao nascer. Uma única célula pode conectar-se a 15. eram as que tinham filho com menos de um ano. depois do nascimento. 2004) Uma grande energia é consumida na primeira infância para o crescimento do cérebro. E 52. A proposta foi encaminhada por Busato para análise de quatro comissões da OAB: Comissão Nacional de Direitos Humanos. 2005) Desde o desenvolvimento fetal. Tal tarefa usa 70% da energia do metabolismo basal no primeiro ano de vida. recebeu da Sociedade Brasileira de Pediatria a minuta do projeto de lei propondo a ampliação do período de licença-maternidade dos atuais quatro meses para seis meses.000 outras. Até os três anos o cérebro do bebê terá formado bilhões de sinapses. O que faz o cérebro crescer é objeto de estudo na neurociência e concluiu-se que é a relação amorosa com a mãe. quando o cérebro atinge 70% da sua massa final. sendo que. Roberto Busato. deste modo. ganhando 600 gramas. Estudos em animais e humanos apontam para o balanço de hormônios como noradrenalina. o cérebro não pára de fabricar sinapses até os três anos. serotonina e . Posteriormente a minuta seria avaliada pelo Conselho Federal da entidade. só que mais lento. mais brilhante e criativa será. o cérebro se utiliza de 50% do genoma para se organizar e.9%.1267 mulheres trabalham fora. (CALNEN. (OAB. em 2004. duas vezes mais que um adulto.

aconchegar o objeto ao colo dela. que é sua capacidade natural. deixar uma criança fazer o que bem lhe apraz porque não se quer dizer “não”. experimentado com freqüência por criança por volta de 18 meses. e falar. antes de tudo. O grito. ligada à capacidade de adequação emocional. Neste caso. como se fosse o objeto ferido. 2004) Uma criança de menos de três anos está formando seus sistemas de convicção para o resto de suas vidas. e a área do córtex na região orbito-frontal. as certezas sobre si mesmas. E entender como é que ela aprende. Por exemplo: se uma mãe vê sua criança jogando um objeto no chão. (VERNY e WENTRAUB. Primeiro. e assim por diante. é outro grave erro. responsável pela empatia. como já foi visto. em sua visão de mundo. pessoas. depois. Educar é. ela aprende. A melhor maneira de a criança aprender é por animismo. faz alterar o curso de desenvolvimento cerebral. Então. debruçar-se e rever os próprios valores.1268 cortisol que desempenham papel importante no desenvolvimento cerebral e são influenciados de maneira significativa pelo olhar e pelo toque. o modo de fazer. Áreas como o hipocampo. o que a autora está citando é apenas um exemplo elucidativo de educação pela via do animismo. envolve a consciência dos pais. com aquele objeto específico e com muitos outros. não tem . os pais devem ter em mente que é neste tempo que valores estão sendo transmitidos para a criança. A criança em conseqüência. ao educarem. Portanto. ela pode recolher. demonstra simpatia. Sabe-se que o sentimento de vergonha. O animismo e a simpatia são as linguagens naturais da criança antes dos três anos. causam apenas destruição de um sistema nervoso. são regiões que muito expressivamente têm seu desenvolvimento aumentado pela relação mãe-filho nos três primeiros anos de vida. Naquele momento. e é capaz de beijar o objeto. animais. a falta de paciência e a violência. pois não é natural no mundo a não ocorrência de frustração. Por outro lado. e seus valores. que deve ter cuidado com as coisas.

sobretudo quando tenham sido feitas as melhores escolhas. para que um casal esteja em condições financeiras e de maturidade para poder receber todo o prazer um filho. como diz Jung. mas a chave. Os casais que conceberem e planejarem ter um filho. funcionam muito bem. já devem ter discutidos os valores que querem que seus filhos desenvolvam. Educar é um dos maiores exercícios de consciência que existem. que levarão a criatividade dos pais a saber qual é o melhor método de comunicação com a criança. o olho no olho. o que se alcooliza. Jovens na adolescência não precisam ser problemáticos. Os que não se cansam de . a vivência da autoridade intrínseca e sempre exercida com respeito à sensibilidade daquela criança específica. E Vida vale a pena. pode levar alguns anos. quando escolher ter um filho. pois isto é cuidado e amor. que tira o ego de cena e então já são os arquétipos que dominam: definitivamente isto não é consciência.1269 intenção de ser manual de como fazer. deverão estar conscientes dos sacrifícios financeiros que precisarão fazer. energia e dinheiro. O que se droga. e. A voz baixa. se um casal acha que ainda precisa viver viagens e mais outros planos. o que se envolve em delito é sempre uma criança ferida explodindo. Se pensarmos em uma vida numa cela de inconsciência. A voz alta é um expediente. Isto é justo o que não existe. a porta seria a própria consciência. e este é sempre inspirador criativo e transformador. Cada criança e seus pais são um complexo. Não há exercício de consciência sem escolhas. A criança humilhada é o adolescente que agride verbal e fisicamente. criatividade. portanto. Então. O que vem à tona são os valores colocados nos três primeiros anos de vida. que os viva e os esgote. Uma outra questão é sobre o sacrifício pelo filho. desde antes da concepção. enquanto os Estados não criam as licenças devidas. dentro dos limites de percepção deles. É na realidade do cotidiano que se vão criar situações. Os pais. são as escolhas. saiba que haverá neste grande projeto – Vida – muita demanda de tempo.

educar é uma grande escolha que implica em postergar as coisas ou desistir delas. e isto à mercê de cuidado contínuo. 1981b. p. também é arquetípico. e isto é observável entre vários irmãos. para ser vivido. 2000. 1994. os pais devem pensar em que arquétipo estarão ativando nos filhos e isto pode ser entendido com simples pesquisa sobre personagens marcantes da história ou da mitologia. com que os pais procurassem astrólogos para que pudessem orientá-los sobre como melhor educar aquela criança. ela traz consigo uma bagagem arquetípica que recebeu no psiquismo herdado. 1964. de mútua ativação arquetípica. então a personalidade da criança será então apartada do cerne de seu ser e se sentirá forçada a abandonar seu padrão natural de desenvolvimento. e estimula neles comportamentos inconscientes. que ele seja motivante. os pais não conseguem aceitar suficientemente a natureza básica de seu filho. O nome.1270 dizer que não se sentem compreendidos estão desconectados. KNOX. para orientação do nome. 1975. fez por milhares de anos. Ao escolher um nome. em geral. (JUNG. Hoje muitos pais buscam o mesmo recurso e acoplam a esta prática o uso da numerologia. Com tudo o que se sabe hoje. Quando uma criança nasce. que melhor ajudará o pleno desenvolvimento daquela vida. com a percepção de seus pais sobre eles mesmos durante a primeira infância. a que os pais devem estar atentos. com tais particularidades. Se. É uma questão de projeto: uma vez escolhido o projeto. No quadro 1 percebemos a questão da consciência ainda pouco . por causa de sua própria insegurança. e assim poderá ocorrer uma integração específica. assim como recebeu a herança de traços físicos. na Índia. 1984.189) Os quadros abaixo mostram como é percebida a psique da criança e como ela olha os pais por uma lente. 2003) Esta percepção da particularidade e da dificuldade intrínseca com que crianças nascem. também o modo de percepção dos mesmos pais é diferente. HARDING. (ABRAMS. Ela pode ter uma lente que a faça olhar os pais de um modo particular.

1271 definida e o ego sem delimitação clara. De algum modo há sempre uma linguagem de arquétipos para arquétipos entre pais e filhos e isto pode ser menos trabalhoso se os pais tiverem mais atenção e consciência. A outra gravura. quando foi constelado um complexo. Figura 119: Esquema 1(LUZES. em bom estado de comunicação com o Eu Superior. 2003) Figura 121: Esquema 3 (LUZES. 2003) Figura 120: Esquema 2 (LUZES. O segundo esquema demonstra o estado em que uma pessoa fica com seu ego desorganizado. 2003) . é a ilustração de como a criança percebe e recebe de volta as projeções. cujos dois outros quadros representativos seguem abaixo. As dimensões de ego e consciência diferem das do adulto. Os dois primeiros quadros mostram a psique da criança em formação. 2003) Figura 122: Esquema 4 (LUZES. O primeiro. retrata o esquema da fisiologia da psique.

Já a mulher que tem constelado em si o arquétipo da grande mãe transformadora. Há as figuras dos panteões míticos que encarnam um ou outro modo de relação. pois ela precisa de um tempo de criação. mas tem dificuldade de deixá-lo ser independente. se uma mulher tem constelado em si. A nutridora é aquela que vai lidar muito bem com o filho bebê. são importantíssimos para o devido desenvolvimento da criança. é a manifestação do arquétipo atingindo as atitudes da mãe. Deste modo. deve tornar-se consciente desta tendência e ajudar a equilibrá-la. a mãe que olha para o aspecto independência como a meta constante a ser atingida pelo filho pode negligenciar as necessidades de aconchego e momentos de puro lazer que. Uma mulher. Naquele momento ela está fazendo . caracterizado pelo que Jung chama de brincar como atividade séria. terá dificuldade e pouco prazer na fase de dependência dos filhos e será a que estimula os processos de transformação e que consegue achar mais agradável a relação mãe filho. de fato. ou eterna transformadora. quando este é adolescente. Da mesma forma que existe a questão da grande mãe destruidora. na sua relação pessoal com seu filho. Claro está que há culturas cujo arquétipo de grande-mãe constelado vai para um ou outro modo. É fundamental para o desenvolvimento da criança o tempo em que ela fica “sem fazer nada”. dele dependente. pode ter dentro de si um arquétipo de figura da grande Mãe ou então mais inclinada para a atitude de eterna nutridora. podendo viver cada ciclo de transformação do filho como uma perda para si. pois na prática a grande mãe destruidora. comparada à que o adulto vive quando medita: a regularidade desta atividade permite o pleno desenvolvimento psico-cerebral. também bastante exemplificado nas mitologias. um ou outro aspecto. em momento do desenvolvimento indevido. Na vida pessoal.1272 Um arquétipo que está envolvido de maneira importante na relação mãe-filho é o da Grande-Mãe que tem seus dois aspectos: o nutridor e o transformador.

ao mesmo tempo. chorando. Pois a capacidade da criança de se concentrar advém de ter podido ficar. confirmam. especialmente até os três anos.1273 tudo o que precisa para se desenvolver. no momento de a criança crescer. A criança pequena. antes. O melhor seria conhecer as etapas do processo normal de crescimento. A criança que não tem este espaço. tem antes. com agenda cheia de tarefas. está fora do tempo e aí se converte em grande mãe destruidora. criar agendas para seus filhos pequenos. Por toda a natureza um fato se repete: quando um animal vai desenvolver uma habilidade. ela dias antes pode ficar muito mais necessitada de colo. contida no A Dinâmica do Inconsciente. Portanto. E a mulher que está tomada pela grande-mãe transformadora vai preocupar-se muito com estas “regressões” e ver aí um episódio de “virose”. bem descrito por Jung. implementar mudanças. uma agenda cheia. quando uma criança vai crescer alguns centímetros ou quando lhe vão aparecer dentes. um recuo para poder avançar. A mulher. que muitas vezes os pediatras. acaba por atrapalhar o desenvolvimento de seus filhos e justo a cognição que tanto almeja ver desenvolvida será a que ficará prejudicada. livre fisicamente. É preciso hoje estar atenta à obsessão da cultura dominante competitiva que ajudou na constelação deste arquétipo em todas as culturas. para gerar propulsão. a mãe que tem uma meta determinada de transformar. tomada pelo arquétipo da grande mãe transformadora que. e se assim fosse as crianças . Deste modo. especialmente sua capacidade de concentração. como modo de acalmar as mães. sem perceber. converte-se no adulto incapaz de lidar com mínimos compromissos. para o desenvolvimento sensório-intelectivo-emocional. ele faz. está. apresentará problemas de concentração. por simples mecanismo de contenção de energia. perdendo a percepção das necessidades básicas de aconchego. para o seu desenvolvimento motor e. precisando estar grudada na mãe por todo o tempo. em uma das obras mais importantes como chave de entendimento do desenvolvimento do processo de consciência humana: a obra A Energia Psíquica.

ponto a ponto. o pedagogo que nos anos 30 formulou a ciência pré-natal e foi o primeiro a explicar. isto fere. Eles devem olhar nos olhos do filho. nunca descartável. Isto também foi amplamente confirmado no auxílio de problemas graves de saúde. Do mesmo modo. 1996) Claro que existe também o poder da prece. é que mães e pais acariciem a cabeça de seus filhos enquanto eles dormem e lhes digam o quanto são amados e lhes desejem os melhores valores. Mais tarde eles podem povoar os consultórios terapêuticos para ajudá-los a arrancar de si sistemas de crenças profundamente arraigados por simples palavras proferidas. pois isto atingiria a formação da criança. olhando nos olhos da criança. 1999) É importante prestar atenção para as palavras e o peso que elas têm para os pequeninos. Miriam Szejer e Caroline Eliacheff. (AЇVANHOV. 1975) É preciso lembrar que as mães têm uma enorme capacidade curativa. (AÏVANHOV. HARDING. e menos ainda em explicações cujo valor pedagógico é risível. no momento do sono profundo podem ser ditas palavras-chave que ajudem a criança a elaborar a solução de um conflito que se está manifestando em sua saúde. por Françoise Dolto. 2000. ele afirmava que. penetrando na alma da criança. quando uma mãe ou pai vão repreender um filho não pode existir raiva. até mesmo em recém-nascido.1274 seriam menos medicadas enquanto se desenvolvem normalmente. as conseqüências hoje reconhecidas por milhares de estudos. O diálogo quando a criança está acordada também pode ser fonte de auxílio. 1999) . (JUNG. Do mesmo modo. e a mãe falar de modo claro. e só falar quando não estiverem possuídos pela raiva. Pouca coisa podem ser tão destrutiva quanto um olhar de raiva vindo de pai ou mãe. (SZEJER. Isto não educa. se existe uma situação de doença ou sofrimento significativo. E depois de enunciadas há pouca valia em desculpas. Uma prática sugerida por Aïvanhov.

ou por amor. que olha a criança em muitas dimensões e que tem conhecimento da complexidade do que pode ser o psiquismo infantil – a única pedagogia que dá conta de trabalhar a integralidade criativa do ser humano. quando uma criança se sente angustiada por privação materna. HARDING. Na verdade. similar à que. (JUNG. e é a isto que se dá nome e que se medica. em sua clínica. tem dificuldade de comemorar os pequenos ganhos de cada dia. estes dois substantivos são antagônicos. em séculos passados. então esta angústia migra para o plano onde a energia psíquica corre melhor. Ou ações são pautadas por um. esta palavra é chave para o desenvolvimento da criança. a autora tem visto casos de agitação infantil desaparecerem. ou bem porque a mãe passa a se dedicar à criança. a mãe que pretende nutrir eternamente o filho. e aí já se pode esperar que são inspiradas por arquétipos. implica contenção química. ou bem porque procura uma Pedagogia Curativa ou Waldorf. que traz a marca da consciência. para agir. ela tem pouco recurso. Deste modo. como nos ensina a psico-história. 2000. como no passado era feito. no plano das relações. poder ou amor. amordaçados durante séculos. sem perder . O manejo que consiste em dar o medicamento. Aqui. A criança que nota que a mãe não a quer adulta. É para lá que vai toda a tensão. Na verdade. vive um conflito tenso ante seu próprio desenvolvimento. 1975) E para educar amorosamente precisa-se estar presente. os de distúrbios de atenção que se sucedem. pois vê como perdas do poder que tem sobre a criança. amordaçava os bebês. todo o desespero e desamparo. como já foi demonstrado. mesmo nos cuidadores de crianças em instituições como creches e ainda podem ser vistas pessoas que abusam emocionalmente das crianças com o mesmo intento de humilhação e sujeição. que é o corpo. Hoje se fala da criança como se ela fosse por si responsável por todas as doenças que lhe acometem. como por exemplo.1275 Por outro lado. O arquétipo da criança ferida está presente.

Como diz Michel Odent: È difícil perceber como as visões de um ser humano extraordinário.) O movimento biodinâmico surgiu a partir de oito palestras dadas por Rudolf Steiner no início. Por exemplo. 210 alunos de uma escola Waldorf (pedagogia antroposófica). Rudolf Steiner não conseguia dissociar seu interesse pelo desenvolvimento dos seres humanos. Este simples fato é uma lição valiosa num momento em que somos vítimas do tipo de cegueira gerada por especializações estreitas. A autora entende que uma escola que não tem espaço para ensinar a criança a brincar (que é sua prática dominante do refletir).. ciências.. a educação. escolhem escolas Steiner ou Waldorf. assim como profissionais de psicologia pré e perinatal. (. e também assim vão vivendo cada passo do processo de desenvolvimento do seu filho. Na filha mulher. Segundo Jung. p. vida em conjunto. no mundo.. o húmus perdido. Segundo ele. e é uma escola voltada para a educação integral do ser que faz toda a diferença. englobando as artes. As influências das percepções de Steiner são mais fortes que nunca em vários campos práticos. p. o complexo materno se manifesta como: .1276 a noção de praticidade. 57) Jung afirma. nota o mesmo fato no Brasil e fora dele.188) Nos casos de neuroses que atingem a mais tenra infância. simplesmente porque querem que seus filhos desenvolvam seu potencial pleno. em 1928: “Os pais devem sempre estar cientes do fato de que eles são a principal causa da neurose dos filhos”.) Encontrei por acaso alguns efeitos inesperados na saúde. A autora. Foi o primeiro método alternativo de agricultura organizado a se basear num quadro global que abraçasse tanto a ecologia quanto a vida social. apenas quatro precisavam usar óculos. em resposta a uma solicitação de vários agricultores.. 2004b. que morreu em 1925. flores e animais desaparecidos – dano que terá de ser sofrido por futuras gerações (ODENT. a mãe desempenha papel ativo na causa da neurose manifesta na criança. (ABRAMS. a agricultura. entre cinco e 18 anos. (. Mais recentemente. 1994. baseado em sua experiência do complexo materno. a medicina e as questões sociais. conexão. que o arquétipo da mãe é quem ajuda a constelar o complexo. estão afinadas com os problemas do século XXI. não prepara para uma vida interior saudável. a mãe desempenha sempre um papel ativo. Agricultura biodinâmica previu os efeitos destrutivos da agricultura convencional: o solo erodido. que é: os pais que concebem conscientemente. um jornal médico de prestígio estudou o baixo índice de alergias entre crianças que compartilham um estilo de vida Antroposófica.

esse complexo provoca na filha a exaltação do feminino erótico ausente na mãe e isto pode fazer com que a filha fique presa incestuosamente na relação com o pai. c) Identificação com a mãe. Deste modo se define. A filha vive dependendo da mãe e negando a si mesma a própria existência. b) Exaltação do eros. o complexo materno negativo. e. ficam incapazes de fazer verdadeiros sacrifícios. Muitas vezes. na inconsciência. Tanto o eros não vai bem. mas não tem muita idéia do seu próprio destino. manifesta-se um lado de exercício de poder nas relações. levando uma existência de sombra. na consciência. de fato. Ao exercer muito poder na relação. com exagero do papel maternal: é a mulher que só consegue viver sua dimensão de procriação. como a própria vida menstrual. e ter problemas com coisas do mundo material (matéria – mater). pode aniquilar a personalidade da criança. resultando em uma paralisação do instinto feminino.1277 a) Atrofia do feminino. sabendo bem o que não quer. E isto pode desencadear problemas tanto durante a gravidez. as filhas procuram relações com homens casados. repetindo uma busca que não é pela felicidade. no qual existe continuamente um antagonismo à mãe. que não é identificado como o universo da mãe. não há interesse na maternidade. Quando consegue a relação. . d) A defesa contra a mãe. cuja vida é a única razão da própria existência. já não se interessa mais por ela. Existe um lado amoroso. São figuras desamparadas. Podem se dirigir para o intelecto. tanto da maternidade como do eros. Acaba depois por tornar-se dependente dos próprios filhos. mas pela necessidade de transtornar um casamento. como o materno também não. muitas vezes visivelmente absorvida pela mãe. A inteligência dirige as portadoras de tal complexo que são mais propensas ao desenvolvimento do próprio lado masculino. Assim sendo. De todo modo.

Foi quando então introduziram a homeopatia e fitoterapia. 196) O assunto é vasto. Foi um trabalho realizado no Centro Infantil Frei Tadeu. a vida que os pais podiam ter vivido. (JUNG. diarréia. Isto significa que os filhos são forçados inconscientemente a tomar um rumo na vida que compense o que os pais não realizaram na própria vida. devido à desnutrição infantil. muito antes de constituir família. criadora do repertório Filhas de Gaia. uma favela próxima do centro de Recife. mas que foi impedida por motivos artificiais. as crianças sempre apresentavam doenças recorrentes como asma.1278 No filho homem. o complexo materno aprisiona o filho na condição de forte ligação com a mãe. que realizou as ministrações de florais sob orientação de Maria Grillo. entre estes tipos. coordenado pela assistente social Mavis Cerqueira. Mavis foi compreendendo . Estudando os florais. O Centro Infantil foi criado pela Associação de Moradores da Ilha de Santa Terezinha. nuances que vão envolver o modo como esta menina um dia será mãe e este homem será pai. etc. Apesar dos cuidados. Em 1993 foram introduzidos os Florais da Califórnia. é herdada pelos filhos. pneumonia. pois existem. Ela iniciou suas atividades em abril de 1990 com recursos de ONG’s Européias. p. tendo-a como única na vida.800 moradores. As outras são descartáveis. Este quadro levou Mavis Cerqueira a procurar medidas complementares que pudessem alterar este quadro. quase sempre. o autoconhecimento. 1981b. para tentar reverter o alto índice de mortalidade infantil na comunidade. foi introduzida a utilização de Florais de Bach com as crianças. Outro aspecto que é preciso entender é que estes problemas são reversíveis. Em regra. da alimentação adequada e da medicação alopática. Portanto. ajuda a desativar complexos importantes que podem causar problemas enormes. Conseguiram em 1991 uma diminuição significativa destas doenças recorrentes. sob uma forma oposta. em Recife num projeto que atendeu a uma população carente e desnutridas. No final de 1991. Tratava-se de uma comunidade com cerca de 600 casas e mais de 4. Um exemplo disto aconteceu no Brasil. Recife em Pernambuco.

emocional. buscando a nutrição. que estavam na base da história de vida de cada uma delas como tão importantes quanto seus sintomas físicos. 63. (uma faixa etária onde a necessidade do vínculo forte e nutridor com a mãe é imprescindível. 24% foram recém nascidos prematuros. e a considerar as feridas profundas da rejeição. E esta nova abordagem trouxe então resultados muito significativos na .1279 melhor a desnutrição e percebeu que ela era muito mais que uma doença da fome. desenvolvimento. colheram as seguintes informações: 64% não queriam o filho. Ao entrevistar suas mães em 1993. Entre estas estão as de quadros de desnutrição mais grave ou moderada e aquelas que não responderam com rapidez ao tratamento inicial. era um sintoma aparente de causas muito mais profundas. mas também de afeto. para sua recuperação. Foi quando então começaram a utilizar os florais com uma nova abordagem. mental e espiritual). educação e alento. favorecimento.3 % das mães admitiram que tentaram aborto até o quinto mês sem sucesso. já com este novo foco. amor e proteção da Grande Mãe para refazer o tecido básico da vida e reavivar o desejo de viver. Mavis ampliou sua visão da desnutrição. 35% não fizeram o pré-natal. falta de confiança na vida e ausência de amor. A constatação de que a desnutrição era uma ausência não somente de alimentos. Destas entrevistas colheram-se os seguintes dados: 66% das crianças se desnutriram antes dos dois anos e meio. levou-a a considerar as crianças desnutridas como a evidência material e tangível de carências nutricionais em todos os níveis. abandono. Diante deste perfil. Pesquisando as mães cujos filhos nasceram de baixo peso. 43% destas crianças já nasceram desnutridas. Começou a aprofundar seu conhecimento sobre a alma do bebê e sobre a importância do vínculo mãe/filho. Mais da metade delas fumou e usou bebida alcoólica durante a gravidez. sobretudo na fase intra-uterina. que atingem o ser em todos os seus corpos (físico. proteção. verificaram que em todas as crianças atendidas era evidente a rejeição da mãe. aceitação.

segundo suas faixas etárias.1280 regeneração emocional. começaram também a trabalhar com fórmulas comum a todas as crianças. Houve uma redução significativa dos gastos com medicamentos e cresceu o número de crianças que venceram definitivamente a desnutrição. No período de 1994/98 foi notável o ganho de peso das crianças e seu desenvolvimento psicomotor ficou mais visível. Em fevereiro de 1995 começaram a utilizar os Florais Filhas de Gaia. exatamente por trazerem as qualidades fundamentais para a cura emocional das crianças desnutridas. A partir de 1996. Avaliando o prontuário médico das crianças. autonomia. que se tornaram a base dos compostos utilizados com as crianças. emocional e psicomotor das crianças. As essências utilizadas para estas formulas florais foram. reunidas em fórmulas compostas chamadas: . desenvolvimento físico. na mudança de plano de consciência. e que eram ministradas quatro gotas quatro vezes ao dia e em spray no ambiente. (GRILLO. 2006) Assim. fórmulas florais idênticas que eram definidas para pequenos grupos segundo suas faixas etárias. Em 1997 e 1998 utilizaram-se somente as fórmulas compostas para os grupos. com a acessoria técnica de Maria Grillo. as formulações individualizadas foram reduzidas e as crianças passaram a receber. em 1996. além da formulação de compostos individualizados para as crianças. com crianças de uma favela. Inicialmente. foram verificados os seguintes dados: DOENÇA/ANO Diarréia Desidratação Pneumonia Doenças de pele Otites Anemia Grave Asma 1994 30 16 32 42 20 18 28 1995 15 02 06 40 12 20 12 1996 06 01 02 18 06 10 05 1997 02 zero 02 13 03 04 01 Tabela 7: Resultado do Trabalho de Campo com Floral. constatou-se também o efeito preventivo dos florais.

Mavis foi à Europa tentar conseguir novos recursos para dar continuidade ao trabalho. pacífica e nutridora. parto: Hipnose. Manto de Luz: Para facilitar o sentimento de estar protegido no mundo. Fraternidade: Para facilitar uma socialização amorosa. necessário para que estas pudessem exercer com maior qualidade seu papel de mães substitutas. devido à falta de recursos oficiais. No início de 1999. o Centro Infantil encerrou suas atividades mais cedo. Também as cuidadoras das crianças recebiam essências florais. terapia Primal. Vegetoterapia.o primeiro composto a ser utilizado com os bebês. 2006) Muitos são os recursos hoje disponíveis para limpar matrizes interiores com problemas devidos a concepção. . gestação. (GRILLO. Arco-Íris: para recuperar as seqüelas da desnutrição relacionadas ao desenvolvimento cognitivo das crianças. e deixou de existir aquele grupo de pessoas como habitantes de favela. Respiração Holotrópica. (GRILLO. 2006) O resultado foi que não só as crianças melhoraram em seu desenvolvimento. mas veio a falecer.1281 Aconchego: Nutrição da alma e cura das feridas no vínculo mãe/filho . Sorriso: Para dissolver a dor gerada pelo abandono ou rejeição. Terapia Reichiana. Técnicas de Renascimento. Vagalume: para despertar e fortalecer os dons e a criatividade da alma. mas inclusive de lugar de habitação para um lugar melhor. No final de 1998. e os dados referentes ao ano de 1998. não foram avaliados e tabulados e se perderam. apesar de reunidos. como seus pais mudaram não apenas de modo de vida. Biossíntese. Borboleta: para resgatar o desejo de viver da alma. Estas essências foram reunidas no composto floral Chamego – para trazer nutrição emocional e a habilidade de criar vínculos amorosos e nutridores.

a 12 mil atos de violência. Meditação. e mil violações. algo que precisará de cuidado permanente. A terapia Crânio-Sacral tem resultados muito bons com traumas de gestação. Terapia Floral. Análise Junguiana. Quando tiverem chegado aos 70 anos. Em estudos realizados nos Estados Unidos contabilizou-se que. tendem a se repetir de um modo ou outro. Possivelmente. caso contrário. algo ainda em formação e que jamais estará terminado. em uma mesma sessão. 14 mil referências a sexo. Ao terminar o ensino médio. primeira infância com a vantagem de poder tratar mãe e filho. em média. além de terem desenvolvido minimamente sua imaginação na infância. (VERNY e WENTRAUB. ao mesmo tempo em que são conectados com material de TV. 2004) Antigamente. (JUNG. um adolescente terá sido exposto a 18 mil assassinatos e 800 suicídios a cada ano. É necessário que jovens se preparem emocionalmente para poder viver com satisfação e plenitude a maternidade e a paternidade. p. esta é uma das muitas dimensões da descoberta do fogo. como . aparelho de TV. (UPLEDGER. e outras formas quantas sejam possíveis para a criatividade humana. 1995) É de suma importância que os traumas ocorridos sejam solucionados. cada vez mais onipresente. 175) Um problema atual de extensa gravidade é o isolamento familiar causado pelo. terão passado sete anos de sua vida na frente da TV. No adulto está oculta uma criança eterna. Pesquisas mostram que crimes violentos são marcados por uma capacidade limitada para a fantasia. A criança americana assiste. uma criança chega aos cinco anos já tendo assistido a seis mil horas de televisão. de atenção e de educação. o que permite infância e vida adulta mais saudáveis. parto. 1981b. em média.1282 Rolfing (massagem profunda). os grupos tribais sentavam-se na frente do fogo e esta visão os agregava. pois.

A eles também é delegado o cuidado com a alma. Joseph Chilton Pearce localiza aí também o fim do brincar. a imagem é pronta. Em 1997. orientando-os para ter atenção com um processo que vem ocorrendo. Ela tem falado com pais. as transmissões de Pokemon nas TVs do Japão provocaram ataque epiléptico em quase 700 crianças. Os pais não devem cuidar apenas das necessidades básicas e primárias. especialmente nos últimos cinco anos. 2005) São os pais que precisam dar as linhas de orientação para os filhos. diante da TV.1283 começo da civilização. devido às luzes brilhantes projetadas. conscientizando-os de que o abuso de TV tornava os jovens mais agressivos. 1981. e a ingestão automática de comida aumenta. p. (PEARCE. além de torná-las consumidoras precoces. 1999) aquela atividade fundamental para o desenvolvimento do cérebro de uma criança. 177) A autora tem orientado que as famílias privilegiem o contato com atividades artísticas. não há o que imaginar. (HONORÉ. a inexistência de comunicação familiar torna-se um grave problema. os olhos parados. Os pais são responsáveis pela formação de valores que precisam ser transmitidos as seus filhos. sobretudo. Descreve a . mas sim o adulto quem pode atingir a personalidade como o fruto amadurecido pelo esforço da vida orientada para esse fim. E. e abandonem o uso mecânico da TV. Passaram-se milhares de anos e a TV consegue que mentes parem e famílias deixem de se comunicar. E não é a criança. “Ninguém pode educar para a personalidade se não tiver personalidade. Em 2002. a Associação Americana de Pediatria divulgou carta aberta orientando os pais. que ela nomeou de “síndrome do escravo feliz”.” (JUNG. A televisão acelera a transição das crianças para a idade adulta. e o diálogo. expondo-as a questões do mundo dos adultos. Delegar as instruções de valores a instituições ou pessoas é uma forma de omissão e negligência. as redes de TV não podem ser “responsáveis” por decidir por quais valores seus filhos serão guiados.

O tempo passa e a empresa oferece máquinas que mantêm este indivíduo ligado à atividade profissional. Um dia esses pais descobrem que não existem mais crianças na casa e esta descoberta acontece. voltam para casa. em geral. as conduções contratadas é que levam as crianças para a escola. embora o tempo seja curto para apreciar. alimentam-se mal. pelas crianças pequenas. que ainda não sabe comunicar-se direito informando que o “escravo feliz”. deste modo. e . os “escravos felizes”. na certeza de que. No entanto. promoções. dominantemente. mesmo em casa. os quais vão permitir comprar um apartamento novo. A angústia na espera do aeroporto faz lembrar os filhos e. O resto do dinheiro é para pagar a creche e toda sorte de terapias para a criança que fica com uma agenda cheia de atividades. como abandono. nenhum ritual de aconchego. devido a algum incidente desagradável de adolescência. enquanto seus filhos adoecem numa estranha orfandade. pois os pais escolhem escolas de perfil competitivo. que vem a ser o primeiro de uma série. subitamente. altos salários. no lazer. ligam a TV e pedem para que seus filhos não os perturbem. em qualquer situação. Nestas famílias não há refeições à mesa. trabalhou automaticamente. seus filhos serão vencedores como eles. Um outro dia vem a depressão como resultado da fraca vida interior. Na volta da viagem. Em muitos casos.1284 seguinte situação: pai ou mãe saem de casa às sete ou 8 da manhã e pouco vêem o filho. esquivos. um bom carro (para. levá-los ao trabalho) e mais máquinas eletrônicas etc. Mal sabem eles que tais viagens são vividas. Por outro lado. No entanto. durante anos. pois estão exaustos e as crianças “não dão sossego”. aí entram nas lojas com brinquedos muito pouco educativos que compram o consolo dos pais. os filhos estão distantes. ele e ela recebem prêmios. No fim de semana. ele ou ela se sente “prestigiado”. uma TV nova. estes pais trabalham sobre grandes tensões de prazos e fazem parte de reuniões demoradíssimas. estes pais enviam os filhos para casa dos avós. que a toda hora recebem convites das empresas para viajar.

(HONORÉ. Na Finlândia. é preciso que se escolham quais fotografias de tempo serão guardadas. Rudolf Steiner se opunha à alfabetização antes dos sete anos.1285 não usufruiu nada com os filhos. O “escravo feliz” não pode deixar de acordar no primeiro choro do filho sem partilha. mais e mais. Este pedagogo também entendeu a ineficácia de horários rígidos de matérias que fazem os alunos roboticamente irem de um lugar para outro na escola. na primeira carta de criança pedindo ajuda. A autora. entre adolescente americanos em 2000. e outras novas estão sendo abertas. está uma vida vazia. que usam o coração como bússolas e não esfarinham suas vidas e a dos seus filhos. de fato. Em pesquisa na revista Newsweek. Segundo ele. eles descobrem que a máscara cai e que. sem conexão com um sentido fluente. desenhando. as crianças começam com seis anos sua formação pré-escolar e o aprendizado formal aos sete anos. Consciência é escolha. Durante estes 80 anos de . observou que ninguém lembra de nenhum “memorando que era imprescindível”. às vezes por uma tragédia. É preciso escolher na vida se o patrão determina prioridades. ou se são os pais. Países estão repensando a prática do aceleramento do estudo. aprendendo histórias e sobre a natureza. para crianças. 73% disseram que os pais passavam muito pouco tempo com eles. no melhor estilo escravagista moderno. ainda que morando na mesma casa. Hoje existem mais de 800 escolas Steiner no mundo. não robotizados. 2005) A Academia Americana de Pediatria adverte que a prática precoce de exercícios pode causar problemas de saúde e psicológicos. às vezes por um drama. conversando com pessoas aposentadas com este histórico de vida. as crianças deveriam passar os primeiros anos da vida brincando. atrás do “escravo feliz”. Um dia mais adiante. estabelecida pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. nem os viu crescerem. E este país se tem mantido em primeiro lugar na classificação mundial de desempenho educativo.

seguindo-se depois A psicologia da Inteligência. estuda e depois publica O Nascimento da Inteligência da Criança. 3 – A corrente sociocentrista. 2005. começam também a fazer perguntas sobre tudo mais – política. de um saber constituído.1286 ensino. ‘membro da comunidade e sujeito social’. só entende uma pedagogia para prover uma educação integral. meio ambiente. até porque o conhecimento se constrói todos os dias. 2005. especialista britânico em educação: “Quando as pessoas começam a se fazer perguntas sobre a educação. na verdade. a procura cada vez maior por escolas Steiner no mundo reflete uma evolução. Psicologia Experimental na Universidade de Neuchâtel. Baseando-se na observação de seus filhos. História do Pensamento Científico. é interessante conhecer a linha pedagógica que esta segue. Em 1946. Sociologia e Filosofia da Ciência. que tem por finalidade a transmissão. que reflitam os valores de suas aspirações. Escreve A Linguagem e o Pensamento da Criança. A educação é vital. em 1896. os pais precisam continuar atentos aos valores que querem para seus filhos e isto é determinante para a escolha da escola onde vão matricular os filhos. Pode se ver que existem quatro correntes pedagógicas enunciadas por Allet em 1998: 1 – A corrente magistro-centrista.153) A Pedagogia de Piaget que nasceu em Neuchâtel na Suíça. que tem por finalidade ‘o desenvolvimento. pois segundo Roland Meighan. Porém. e faleceu em Genebra. em 1980. antes de olhar fisicamente uma escola. pelo professor. (HONORÉ. É importante compreender que os pais mantenham este fundamento da cosmovisão. que ‘ tem por finalidade formar um homem social’. que ‘tem por finalidade adaptar o aluno à sociedade técnica e industrial’ (LIBÂNO et al. p. com eficiência comprovada. Leciona Psicologia. 4 – A corrente tecnocentrista. que não se fechem em teorias únicas. estudou psicologia e psicanálise. pois já externou que. ela entende também que as pessoas devem buscar escolhas. trabalho”. pois ela pressupõe uma cosmovisão. . Muda-se para a França e trabalha com testes de inteligência infantil. 2 – A corrente puero-centrista. Formado biólogo. Para isto. A autora fará um brevíssimo sumário das mais conhecidas linhas existentes.297) Depois que a criança completa os três anos. a formação e o desabrochar do aluno-pessoa’. p.

e que a adaptação ao meio. Esta tem sido a pedagogia dominante no mundo – ou ela. como foi o caso da pedagogia desenvolvida por Emilia Fereiro. Praticamente só 50 anos depois é que serão publicados seus livros A Formação do Homem. órgão das Nações Unidas para educação. publica O Método de Pedagogia Científica e entende que deve haver materiais pedagógicos específicos para crianças entre seis e 11 anos. entendido como meio físico. escreve Biologia e Conhecimento. A ênfase de Piaget se mostra em sua própria formação que é a da aquisição do conhecimento para a inteligência matemática. ou algo que dela derive. já abarcando algo da dimensão espiritual da criança. Inúmeras pesquisas foram mostrando que o papel desempenhado pelos processos afetivo e cognitivos. afora isto a genética em que se baseou a maior parte do seu arcabouço teórico ruiu. Assim como também ruiu a visão de psicologia que não emprestava valor ao conhecimento antes dos dois anos e meio. Na verdade. Em 1967. PINTO. com as descobertas da Nova Biologia. começa a se dedicar ao ensino. Em 1909. 2005d) . ciência e cultura. grande peso. (PINTO. 1967. 2005d) Maria Montessori. o desenvolvimento cognitivo não é o que mais importa. 1978. por ele negligenciados. discípula de Piaget. Além disto. diferente do que Piagert pensava. pensando numa pedagogia voltada para a educação na primeira infância. Para Educar o Potencial Humano e O que você precisa Saber sobre Seu Filho. a relação entre desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento social é mais complexa do que ele formulou. Em seu livro A Formação do Símbolo na Criança afirma: “a criança não reflete”. tem na vida. (PIAGET.1287 participou da elaboração da Constituição da UNESCO. A Psicologia da Criança. 2005a. Escreve Introdução à Epistemologia Genética e. 2002. as inúmeras pesquisas que surgiram deixaram patente que. em 1966. hoje. 2005b. psiquiatra. são de extrema importância no desenvolvimento. ALMEIDA.

tenta uma aproximação pedagógica mais voltada para o ser. ano morre. mas consegue não usar a palavra “sentimento” em toda a sua obra. das relações entre o uso de instrumentos e o desenvolvimento da linguagem. apud LUZES 2003) Outro autor. escreve Educação e Atualidade Brasileira. o Desenvolvimento das Funções Psicológicas Superiores. É importante. passa a lecionar no Setor de Educação e Cultura Social. escreve sobre Psicologia da Arte. chega a abrir uma editora. lida pela autora. 1988. Em 1927. Sempre que há uma situação imaginária no brinquedo. (VYGOTSKY. (GARDNER. a natureza. Ele fala de sete inteligências: lingüística. começa a escrever os seus artigos. corporalcinestésica e pessoal. perceber que há outras dimensões que precisam desenvolver-se. 1994) Paulo Freire nasceu em 1921. no mesmo ano. em 1924. Em 1922. terceiro. Em 1959. 125 p. . Ainda em 1925. p. mais aquelas que têm sua origem na própria situação imaginária. acontece a Criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em 1925. Parece que ele não compreendeu a função meditativa do brincar. no mesmo. casa-se. e tem duas filhas. 2005c) Vygotsky buscava resposta para três questões fundamentais: primeiro. espacial. Em 1947. segundo. Em 1934 publica Pensamento e Linguagem e. (PINTO. e estuda Direito. em Osrha. identificar as novas formas de atividade que fizeram do trabalho um meio fundamental de relacionamento entre o homem e. porém. compreender o ser humano e seu ambiente físico e social. (REGO. é simplesmente incorreta. e organiza Laboratório de Psicologia para Crianças Deficientes. há regras – previamente formuladas e que mudam durante o jogo. lógico-matemática. Portanto. escreve O significado Histórico da Crise da Psicologia e em 1931. O que restaria se o brinquedo fosse estruturado de tal maneira que não houvesse situações imaginárias? Restariam as regras. musical.1288 Lev Semenovich Vygotsky nasceu em 1896. lecionou literatura. Gardner. é convidado a trabalhar no Instituo de Psicologia de Moscou e. 1998) As três questões enfocam o ser que produz. a noção de que uma criança pode comportar-se em uma situação imaginária sem regras.

no Chile. e deixa de considerar a carência de educador no adulto”. torna-se professor da Unicamp. “Todo o nosso problema educacional tem orientação falha: vê apenas a criança que deve ser educada. (JUNG. p. (SANTOS. 2003) Portanto. 2004. 2005e) Por 30 anos Paulo Freire defendeu que o conhecimento não se transfere o conhecimento. 174-175) O educador deve sempre ter em mente que pouco adianta falar e dar ordens: o importante é o exemplo. Em 1964. publica Extensão ou Comunicação? Em 1980. (SANTOS. 175) A pedagogia formativa não pensa exclusivamente na formação para o mercado de trabalho. fortalecendo a auto-estima. 1981b. se constrói. vai viver nos Estados Unidos onde leciona em Harvard. Devido a questões políticas fica exilado na Bolívia e. depois. resulta da relação professor aluno. como a inteligência. (PINTO. Em 1969. 137) O profissional está como que inevitavelmente condenado a ser competente. mas. capaz de construir sua felicidade mediante conhecimentos. 1981b. escreve A Pedagogia do Oprimido. p. Em 1968. em Genebra. 1981b. Isto significa encarnar o conhecimento como uma razão de ser. Este aspecto vem contextualizado dentro da formação de uma juventude competente profissionalmente. em 1991 publica a Educação da Cidade. (JUNG. A dimensão social tem forte matiz na pedagogia de Freire. (JUNG. Em 1970. torna-se consultor do Conselho Mundial das Igrejas. Em 1971. participando de ações educativas em outros continentes. p.1289 Dedica-se a alfabetizar filhos de trabalhadores rurais. também. p. Publica Alfabetização e Conscientização. publica a Importância do Ato de Ler. Em 1982. o Programa Nacional de Alfabetização (PNA) é oficializado. 83) . como na África.

que deve ser buscado o significado das emoções. 1998) Buscando apreender a função da emoção. uma ampla visão do universo. e não sobre o meio físico. 2002) Rudof Steiner entendia que o professor moderno deveria ter. (WALLON apud ALMEIDA. necessitando para isso integrar conhecimentos de neurologia. (GALVÃO.1290 Henri Wallon opõe-se às concepções reducionistas. assim como aos materialistas mecanicistas que proclamam as bases biológicas da ciência psicológica. Wallon tece críticas à psicologia da introspecção. Ressalta para isto a importância do grupo. como fundamento do que faz na escola. nos quais se distribuem as atividades infantis (afetividade. motricidade. escreveu: “Nos três primeiros anos o homem aprende muito mais para a vida do que nos três anos acadêmicos” (STEINER. Para Wallon as emoções podem ser consideradas como a origem da consciência. antropologia e psicologia animal. baseada na concepção idealista. Seu trabalho consiste na elaboração de uma psicogênese da pessoa completa. escritor. (GALVÃO. bem como o papel fundamental do meio social. 2005. Defendia a plasticidade do sistema nervoso e evidenciou as estreitas relações existentes entre movimento e psiquismo. (STEINER. 10) . Wallon defende que as emoções são reações organizadas e que se exercem sob o comando do sistema nervoso central e que é na ação sobre o meio humano. 1981 b) Jean Paul. 1998) Wallon propõe um estudo integrado do desenvolvimento que envolva vários campos funcionais. inteligência). que limitam a compreensão do psiquismo humano a um ou outro termo da dualidade espírito-matéria. p. psicopatologia. cuja visão organicista coloca a consciência como simples decalque de estruturas cerebrais.

e 23% de verbos. há uma certa dependência de uma para a outra atividade. 1992) Se alguém quer educar. diz Steiner (2005). 2002) Quanto à memória. fica aquém das necessidades educativas da criança. chega o andar a manifestar-se como linguagem. (STEINER. da mesma maneira como aprende a criança a andar. que primeiro seja educado. (KÖNIG. (. recordar (lembrança rítmica) e lembrança imaginativa (lembrar). (STEINER. Nesta mesma seqüência. Steiner dizia que se deveria dar ênfase ao cultivo da vontade e da vida emocional. se uma criança está agitada e for exposta à cor vermelha.11 anos sua linguagem. o organismo inteiro é ativo. ela surge em três etapas: perceber (lembrança localizada). é um produto do andar. a falar por volta de dois anos. Mesmo para aqueles que não cogitam uma reforma do ensino e da pedagogia. 14% de adjetivos. isto é. quando a criança está começando a falar. (JUNG. a orientar-se no espaço. Os movimentos exteriores se transformam nos movimentos internos da linguagem. entre 1. . Porém. Assim.8 anos: 78% de substantivos. p. 1996. O falar. se a pedagogia for centrada na volição e emoção. e 22% de adjetivos. ela produz intimamente a imagem complementar verde.3 anos a criança usa 100% de substantivos. E a produção desta cor tem efeito calmante. 174) Na pedagogia e no ensino futuro. e a pensar por volta de três anos. Afirma ele: por um misterioso processo do organismo humano. e aos 1. (KÖNIG.1291 A criança começa a andar por volta de um ano. portanto. 2005) No desenvolvimento da linguagem: aproximadamente aos 1. 2002) A criança percebe a cor complementar e reage a ela. a deslocar-se de um lugar a outro. é um produto da orientação no espaço".) é um fato verdadeiro que. compõe-se de 63% de substantivos. Até o terceiro ano a memória está formada e é a partir daí que se dá um continuum para as experiências diárias. 1981b.

. 21) 9. (GUERRA et al. (CROOKE apud FRAZER. uma tribo aborígine de uma província em uma colina do Sul de Mirzapur. brincando. 1987. p. explorar e elaborar o mundo. permite o desenvolvimento da vida reflexiva. 1980c. porém rítmica. ao mesmo tempo em que a capacidade destas crianças é desenvolvida ao máximo e sem estresse. Os Três Primeiros Anos de Vida e Antropologia A criança que necessita de proteção de forças malignas foi algo que se verificou em muitas culturas. um instrumento de ferro tipo uma foice ou um talhador de arequeira é constantemente mantido perto da cabeça da criança durante seus primeiros anos de vida com a finalidade de repelir os ataques de fantasmas. (REICH. p. Entre os Majhwâr. Deste modo. A atividade criativa e constante. As crianças que irradiam felicidade são também líderes natos para as outras crianças. 2006) O que a autora vem percebendo nestes anos é que os pais que tiveram filhos com estas cinco condições de que se fala na tese. sentir e fazer. Na escola todas as atividades devem estar bem estruturadas na direção de pensar.234) . a pedagogia que mais se expande hoje no mundo consciente é a Waldorf. o respeito aos ritmos e à percepção da criança dentro do seu contexto familiar. não pensam em colocar os filhos numa escola que não dará seguimento a este trabalho que fizeram com seus filhos. E irradia felicidade.1292 A criança precisa vivenciar. CLÖCKER. pois é plena. (GOEBEL. 1993) A pedagogia Waldorf almeja o desenvolvimento integral do ser humano. A arte é parte fundamental do ensino.

chamado ritualmente “enguia”. onde foi construída uma pequena choça de folhagens. entendendo dois modos de sexo: o que é para divertimento e o que é para procriação.1293 Duas tribos observadas por Margaret Mead são demonstrações da questão tratamento do bebê e tipo de civilização que se desenvolve. é levado à beira d’água. 1979) No momento do parto. p. realizarão pequenos ritos para assegurar o bem-estar da criança. (MEAD. usando de uma varinha para se coçar e ingerindo todos os alimentos com uma colher. o pai não pode estar presente. 1979) Entre os Arapesh: O homem que tem o primeiro filho (homem) se vê num estado tão precário como o menino recém-iniciado ou o individuo que matou pela primeira vez numa luta. A mulher que deseja conceber deve ser tão passiva quanto possível” (MEAD. o pai bebe a . que poderiam afetar ou o bebê ou o trabalho de parto. Depois ele se travará conhecimento com o bebê e a mulher. Ela descreve que eles têm uma atividade sexual diferenciada. 1979. No momento que os seios ficam descolorados e incham. um ovo perfeito. O pai do recémnascido e seu padrinho descem ao poço. onde o progenitor ritualmente limpa a boca num colar que seu padrinho lhe estende. Somente poderá purificá-lo deste estado um homem que já teve filhos. e agora repousará no ventre materno. Após um período de cinco dias. sendo os primeiros uma tribo marcadamente terna. o qual se tornará seu padrinho e executará a cerimônia necessária. Em seguida. Isto implica também várias restrições dietéticas. Esta antropóloga observou duas tribos na Nova Guiné: os Arapesh e os Mundugumor. Os dois receberão cuidados vindos das esposas do irmão do pai. (MEAD. em cujo leito se coloca um grande colar branco. A necessidade de um ambiente calmo é sempre ressaltada. isto é. Assim sendo. 56) Desde então fica interditada toda relação sexual pois é entendido que a criança precisa dormir tranquilamente. pois eles entendem que no primeiro momento o feto é formado pelo sangue da mãe e o esperma do pai. durante os quais permanece na mais rigorosa segregação com sua esposa. quando há intenção de procriar. Esta casinha é levantada perto de um poço. e então observarão restrições dietéticas. e. caracterizando a gravidez. diz-se então que a criança “está terminada. alegremente ornamentada com flores vermelhas e ervas apropriadas para a magia do inhame. O enjôo matinal é desconhecido por esta tribo. a atividade sexual passa a ser intensa. onde foi construída uma colher. sem tocar o tabaco com as mãos. podendo alimentar-se com a comida que lhe faz bem.

não-agressiva e não iniciatória. 63). Ela desenvolve relação afetiva com animais e pessoas. não obstante alimentos tenham sido incluídos na dieta. a atividade sexual é considerada prejudicadora ao desenvolvimento da criança. Com o tempo outras brincadeiras com outras crianças passam a interessar mais do que o relaxado aleitamento. Nesta comunidade o choro da criança é visto como algo urgente de ser acolhido. seus primeiros passos. dócil e confiante” (MEAD. pois a mãe é sacrificada e as crianças também. Nos seus primeiros anos a criança nunca está longe dos braços de alguém fica. de maneira simbólica. quanto de alimentação e é com ela tão pouco severo quanto a mãe. a colocação é mais fácil de acesso ao seio. A mãe a amamenta até três ou quatro anos. de uma pessoa boa. de acordo com o temperamento da criança. de um animal bom. p. 1979. Mesmo que o pai tenha outra esposa. 1979) A educação da criança Arapesh faz com que ela tenha comportamentos como Margaret Mead percebeu: “plácida e satisfeita. 1979. não competitiva e receptiva. que ele devolve ao padrinho. outras mulheres podem dar-lhe de mamar.1294 água do poço onde foram mergulhadas algumas ervas aromáticas e perfumadas. cordial. com a mãe. e é tabu especial para meninos durante os períodos de crescimento (MEAD. O pai cuida bastante do bebê. 58-59) Pai e mãe cuidam do bebê. e ela dorme em contato íntimo com a mãe. p. A enguia está intimamente ligada. Entra na água e consegue capturar a enguia. A atividade sexual fica interrompida desde os primeiros meses até as crianças darem. Depois que a atividade sexual é recomeçada. (MEAD. não é mais necessário permanecer dormindo com a esposa e a criança. colocada numa cestinha que ela apóia na testa. nunca é deixada sozinha. a mãe explica à . Eles acreditam que não é bom nascerem crianças com idade próxima. O aleitamento permanece. ao falo. o pai pode dormir com outra esposa se quiser. para a criança ter um lugar onde possa estar para combater o medo ou a dor. tanto cuidados higiênicos. e banha o corpo inteiro. Os pais vão apresentando os seres à criança com voz calma e sempre assegurando que se trata de um alimento bom. em geral.

A adoção é prática freqüente nestes casos. e ambos perdem a confiança na parceria e fidelidade. E como estes termos são empregados em larga extensão e com total indiferença quanto às gerações. (MEAD. os próprios parentes da mulher a abandonam. “Não há ninguém a quem não chame tio.1295 criança que outra mulher é “outra mãe”. onde há um forte senso de amizade entre os pares. e a criança pode entender que uma outra mulher de outro grupo racial. p. ou nomes semelhantes para as mulheres. para impedir o nascimento de gêmeos. As relações sexuais são interrompidas. As estórias com rivais são freqüentes. normalmente quando saem. e se alimentam de água de coco e levam o bebê ao seio. A taxa de nascimento de gêmeos nesta região é superior à de qualquer outra na Nova Guiné. Enquanto para os Arapesh o choro da . que assim lhe foi apresentada. sem muita delonga quando ocorre a descida do leite. A privação sexual é vivida pela mulher como odiosa. (MEAD. e acabam por manietá-los de bruços. Se o marido efetivamente começou novo relacionamento. deixam-os em casa. 68) É uma sociedade que não conhece violência sexual. Carregam-nos somente em caso de necessidade. é também alguém em quem pode confiar. a ponto de ser difícil saber exatamente quem são os parentes. o que agrava o afastamento entre marido e esposa. quando a criança nasce a mãe estará ainda mais distante dela do que seu pai. E a adoção nesta tribo pode ocorrer por mulheres que nunca conceberam. e apertadas. 1979. quando a mulher conta ao esposo que está grávida ele fica insatisfeito. na tribo dos Mundugumor. 1979) As cestas em que as mães carregam os bebês são em geral duras. Fica constantemente preocupada que ele tome outra mulher por esposa durante o período da gravidez. 1979) Por outro lado. irmão ou primo. Automaticamente ele fica excluído de atividades de que gostava. até mesmo as gradações de idade nelas implicadas se apagam” (MEAD.

Um sistema que tornasse o filho valioso como herdeiro. poderia combinar o tipo de personalidade do Mundugumor com um interesse na paternidade. ao invés de afeição. tingindo o aleitamento em um forte ódio. Para o homem a única esperança de força e prestígio reside no número de esposas. que hão de trabalhar para ele e dar-lhe os meios de adquirir poder. não há contato prolongado. 1979. o que irrita a mãe. (MEAD. segurando vigorosamente o seio. como resposta possível a seu choro. (MEAD. São canibais. Assim sendo. Logo que aprende a andar a criança é largada a maior parte do tempo: não lhe é permitido andar longe. (MEAD. como extensão da sua própria personalidade do pai. e só se o choro continuar é que a criança é amamentada. (MEAD. por mais que as defenda. e muitas vezes se engasgam. um homem não tem herdeiro. A primeira criança é a mais mal recebida. apenas filhos que são rivais hostis por definição e filhas que. A amamentação ocorre de pé. 1979) . outros filhos vão sendo melhor aceitos. uma vez que onde o afogamento ocorrer a água fica interditada para beber. E uma vez nascido um menino. e sugando-o de modo rápido.1296 criança é motivo de mobilização de todos por contato físico com a criança. arranham os cestos onde estão. lhe serão finalmente arrebatadas. e no momento em que para de mamar. 190-191). e calor. é imperioso que nasça uma menina para poder trocar uma esposa. (MEAD. mas sob o sistema de casamento Mundugumor. o aleitamento no seio só ocorre quando a mãe avalia real necessidade de alimento. aqui. 1979) Para os Mundugumor o êxito está na capacidade de violência. por dor ou medo isto não ocorre. as crianças desenvolvem uma atitude de luta para mamar. e o som desagradável acaba sendo entendido pelo bebê. a criança é devolvida a seu cesto. p. 1979) Margaret Mead observou: Esta atitude para com os filhos condiz com o individualismo desumano. e não tem nada de afeto e carícia corporal mútuas que se observam entre os Arapesh. Com o tempo. com peculiar sexualidade agressiva. com a hostilidade intra-sexual dos Mundugumor. por medo de afogamento. as pessoas sem sequer olhar para elas. 1979) Nesta tribo apenas as crianças mais fortes sobrevivem.

1986) Quando está com aproximadamente três anos de idade. A invariabilidade de sua resposta homeostática emocional não implica que estas respostas sejam estereotipadas. um traço notável das sociedades que praticam o canibalismo parece ser que. ela isola. embora sejam constantemente ameaçados pelas incertezas de seu ecossistema. pelo contrário. Quando a sociedade não as exclui. Relaciona-se com a cobiça: aquele que leva em sua mão outra pessoa. Situações ecologicamente estressantes jamais transtornam sua homeostase emocional: ele se defronta com um urso polar enfurecido com a mesma frieza e serenidade com que se mostra capaz de enfrentar a ameaça de escassez de alimentos. existe um equilíbrio harmônico . Em face do canibalismo. a criança Netsilik já alcançou “as únicas duas características motivacionais necessárias ao seu funcionamento como ser humano auto-regulado”. dir-se-ia que se espera das mulheres (se nos permitem a expressão) que “tomem parte”. por conseguinte. 1986. 1975. é a chave para a capacidade dos esquimós Netsilik enfrentarem os estresses. as respostas do bebê são invariavelmente agradáveis. as mulheres ocupam sempre posição fortemente marcada. com relação a esse uso.1297 O canibalismo é de essência mágica”. (KIERKEGARD apud SCHUBART.. (LÉVI-STRAUSS. p. (MONTAGU. A própria mitologia faz freqüentemente remontar a uma mulher a origem primeira dos costumes canibais. Eles raramente têm comportamentos adversos a outros indivíduos ou situações. Do ponto de vista evolutivo. a homeostase implica uma força vital dinâmica. este equilíbrio homeostático tem oferecido vantagens seletivas para a sobrevivência tanto do indivíduo quanto de seu grupo.. o faz unicamente para seu prazer e seu enriquecimento pessoal. mata.55) “A cobiça não quer ouvir falar de sacrifício e de comunidade: ela só reconhece o prazer. 1975) Ora. (SCHUBART. separa. a posição atribuída às mulheres raramente é neutra. ou seja. sugere De Bôer. p. Essa invariabilidade da resposta de prazer. Uma vez que inexistem relacionamentos de dominância-submissão nas relações familiares e especialmente nas materno-filiais. respostas altruístas ou agradáveis aos relacionamentos interpessoais e o poder de realizar manipulações simbolicamente. 143-144) O atendimento que a mãe Netsilik dá a seu filho satisfaz as exigências de suas necessidades programadas filo-geneticamente.

Mary Ainsworth realizou um estudo detalhado das práticas de criação de filhos junto aos Ganda. que é a média constatada em bebês das sociedades ocidentais. amadurecerão suas habilidades espaciais que serão reforçadas por experiências subseqüentes. Seu estudo de campo foi conduzido numa única aldeia. ficavam em pé. Eles se sentavam. seus filhos às costas e beneficiava-se da amamentação natural que durava um ano ou mais. Lá os bebês passam a maior parte de suas horas de vigília no colo de alguém. tal mãe ficou muito espantada pela implicação da pergunta: que poderia haver mães tão “estúpidas” que não conseguissem sabê-lo. (MONTAGU. com base nesta visão. As extraordinárias capacidades espaciais dos esquimós. 1986) Os movimentos da mãe durante a execução de suas atividades rotineiras dão à criança esquimó uma visão do mundo a partir de um amplo ângulo.1298 entre o indivíduo Netsilik e sua sociedade. (MONTAGU. às costas da mãe. a Dra. Enquanto segura o bebê nos braços. . é incomum que o bebê esquimó urine ou defeque enquanto está dentro da bolsa – amauti – da parka de sua mãe. assim como suas notáveis habilidades mecânicas. Otto Schaeffer perguntou a uma mãe esquimó como é que ela sabia quando seu bebê queria urinar. Quando o Dr. Observou-se que o ritmo do desenvolvimento sensório-motor era acelerado na maioria dos bebês. e sempre recebia a mensagem a tempo. A maioria das mães ainda carregava. Ainsworh atribui isto ao tipo de atendimento recebido pelo bebê. a mãe lhe dá delicados tapinhas ou faz carícias. a cerca de 24 km de Kampala. talvez estejam intimamente relacionadas a essas experiências iniciais. (MONTAGU. 1986) Todavia. engatinhavam e andavam muito antes do eu. 1986) Em Ganda na África Oriental. da África Oriental. o indivíduo vive relações gratificantes e mutuamente altruístas.

quando comparadas também com as crianças de Ganda criadas à européia. 1986) Os dados levantados pela Dra. ela dorme com ele. para onde for. (MONTAGU. Ele também é o centro do interesse para vizinhos visitantes. Os bebês Kung são carregados pelas mães a maior parte do tempo. A Dra. A mãe nunca o deixa e o carrega às costas. Porém ao atingir a idade de dezoito meses e até os dois anos de idade. e alimenta-o. e nas relações pessoais e sociais. Géber descobriu que essas crianças passavam por uma acentuada desaceleração em seu desenvolvimento. se comparadas às crianças européias de idade equivalente e. observou que eles vivem uma sensação de pertinência e companheirismo. para quem é oferecido. que passou muitos anos morando com os Kung. num período que se estendeu de 1950 a 1961. Marcelle Géber. o que é ainda mais significativo. o estudo de Ainsworth lida apenas com os primeiros quinze meses de desenvolvimento da criança de Ganda e nada nos informa a respeito dos traços posteriores de personalidade do adulto deste povo. Essa é a tarefa para a mãe substituta. presumivelmente porque tinham perdido habilidades adquiridas antes.1299 Infelizmente. criança é tirada da mãe e dada a uma outra mulher de outra aldeia para ser disciplinada e “socializada”. assim que foram trocados os cumprimentos de prazer como parte do ritual. pois constatou que os recémnascidos e os bebês até dois anos mostravam vantagens consideráveis tanto de desenvolvimento físico quanto intelectual. algumas delas mostravam menos capacidades que antes. que estudou 308 crianças de Kampala. que está sendo constantemente reforçada pela alta freqüência de contato tátil. atados à lateral de seu corpo por sacolinhas de couro macio de onde podem facilmente alcançar o . As crianças examinadas antes e depois do desmame mostraram acentuadas diferenças de comportamento. (MONTAGU. frequentemente num contato pele-pele. A mãe natural não vai “treiná-lo”. endossam também essa última possibilidade. 1986) Lorna Marshall.

23 Pela fé. este arquétipo da criança abandonada que é colocada num rio. 74) Hebreus: Capítulo 11 Versículo 21 Pela fé Jacó. e ele deu mandado a respeito dos seus ossos. o poder que comanda. p. (MONTAGU. Mamam quando e quanto querem. mas toda filha deveis preservar viva” (BIBLIA. . Eles não usam roupas e estão em contato direto de pele com suas mães. Salmos: Capítulo 8 Ó Jeová. (BÍBLIA. p. estão no colo de alguma outra pessoa. ou quando são colocados no chão para brincar. que ficam deitados conversando. Mulheres que não vão sequer poder ter a chance do contato com o filho. próximo do seu fim. dormem nos braços da mãe. foi a ordem do Faraó. cuja dignidade é narrada acima dos céus! 2 Da boca de crianças e de bebês fundaste a força. 183. prolongadamente como a mãe de Moisés. amontoam-se em cima dos mais velhos. quando estava para morrer. p. Nos dias atuais. 1983. fez menção do êxodo dos filhos de Israel.651) A orientação que aí se vê é que é importante que os pais controlem sua raiva. porque viam que a criancinha era bela e não temiam a ordem do rei.1300 seio materno. 22 Pela fé José. Quando não estão nos braços da mãe nem atados à lateral de seu corpo. Tu. abençoou a cada um dos filhos de José e adorou encostado na extremidade do seu bordão. 1986) 10. Êxodo: 1: “Todo filho recém-nascido deveis lançar no Nilo. pois um poder assim o determina. pois é deles que vai surgir uma nova humanidade mais harmônica. pois o ato com raiva é tremendamente humilhante. Moisés foi escondido pelos seus pais por três meses depois de ter nascido. À noite. nosso Senhor. vindo do cuidado aos bebês. quão majestoso é o teu nome em toda a terra.1363) Nesta passagem fica claro que grande reino pode existir na terra. Na Bíblia. pois assim lhes é imposto pelo desamparo de seguridade social. (BÍBLIA. são mulheres de todo mundo que deixam seus filhos em creches. ou então brincam ao alcance da mãe. Os Três Primeiros Anos de Vida e Tradições Talvez um mito que se pode dizer que não foi superado por nossa civilização é o mito de Moisés. 1983.

1997. • Contínuo vínculo mãe e pai e criança e membros da família é essencial para o desenvolvimento do cérebro da criança.. 78 -79) Clara Codd no livro Thought: The Creator. 93) Na teosofia: A percepção de nossos campo mentais como influenciam o estado do bebê. Muitas vezes os nomes são escolhidos pelo Dalai Lama.. (PARENTS THEOSOPHICAL RESEARCH GROUP.1335) Na tradição tibetana. o máximo possível protegidos de tudo o que for feio. Que o vínculo se desenvolve a partir do amor. para que não fiquem desanimados. (MAIDEN e FARWELL. 1983. estai sujeitas aos [vossos] maridos. (BÍBLIA. Agir exteriormente como se estivesse amando e intimamente estar apressado. p. 19 Vós. filhos. p. Então bebês devem ser. pais. pois a criança adquire nos primeiros anos de vida uma estrutura de ego que nunca a abandona . assim como é apoiado o relacionamento mãe-filho. não estejais exasperando os vossos filhos. persisti em amar as [vossas] esposas e não vos ireis amargamente com elas. para o bem ou para o mal. imoral. e família. esposas. A ansiedade é transferida prontamente para o bebê e prejudica seus corpos sutis. que se evidencia quando se cuida de crianças é que elas são extraordinariamente responsivas. desarmônico. 21 Vós. refletindo quase como um espelho os pensamentos e os humores das pessoas crescidas à sua volta. e no desenvolvimento no útero. chama a atenção que: • É entendido que o vínculo ocorre durante a pré-concepção. assim como é decente no Senhor. • O nome do bebê é geralmente um modo de ele manter conexão com sua linhagem espiritual. Nós não sonharíamos com entrar no quarto de uma criança se tivéssemos uma doença contagiosa ativa. pois é crucial. 20 Vós. Crianças podem sentir-nos e eles sempre reagirão de algum modo. e o tratamento é feito logo depois do nascimento. • A depressão pós-parto é conhecida medicina tibetana. p. a atitude interna da pessoa é muito essencial. dá à criança senso de insegurança e agitação. profundo que cresce entre criança e os pais. 1981. em tudo sede obedientes aos [vossos] pais. fala daquilo que na prática psicoterápica resulta ser de observação constante: a mais invisível de todas as influências. antes da celebração onde a comunidade pode dar boas vindas à criança. porém fazemos muito pior quando nós trazemos pensamentos odiosos e mórbidos conosco. . pois isso é bem agradável no Senhor. No dia ou semana em que a criança nasce é que lhe é dado o nome. maridos. é bem clara na observação de Nancy Bullock: Para satisfazer as necessidades de uma criança.1301 Colossenses: Capítulo 3 Versículo 18 Vós. • Existe um tempo para união da família depois do nascimento.

155) 11. a verdadeira pedagogia é uma pedagogia do centro.1302 inteiramente depois. e não alcançará sua plena maturidade física. 1999) “A educação atual fica na superfície. O.” (AÏVANHOV. na periferia. (AÏVANHOV. que o livre arbítrio a fará desenvolver. 148 -149) “Tenho dito sempre que a melhor profissão. é possível de ocorrer. O. p. Não sabem que para iluminá-los é necessário ser luminoso. que aguarde o pior. p. O. isto é um grave erro. O principal fator para a saúde mental e moral se desenvolver é o amor. 1999. O. Os três Primeiros Anos de Vida e a Arte Na visão de Goethe a boa educação. 1999) Muitos hoje acham que a educação é algo que deve vir do exterior. 1999. de pedagogo” (AÏVANHOV. É fato que nelas habitam as boas e mais tendências. a mais nobre. W. é a de educador. 149) Acredita no que te digo: todos esses eloqüentes pedagogos desconhecem completamente a verdadeira pedagogia. 1981) A experiência me demonstra que o trabalho da mãe. “Podiam-se parir meninos educados Se os pais já fossem bem-criados” (GOETHE.. O. o afastamento físico. que para vivificá-los é forçoso estar vivo. p. A criança que não teve suficiente amor. 1999. (PARENTS THEOSOPHICAL RESEARCH GROUP. se pais e mães tiverem sido desenvolvidos para tanto. Ora. psíquica e espiritual. que não estiver preparado para inspirar o melhor. nos seus primeiros anos de vida. sofrerá devido a esta falta pelo resto da encarnação. J. 1986) . mental e espiritual da mãe junto à criança gera danos consideráveis à educação (AÏVANHOV. Os educadores querem impor às jovens gerações qualidade morais que eles mesmos não possuem e dos quais não conseguem dar-lhes exemplo (AÏVANHOV.

de vez em quando.. para passar alguns momentos comigo. a quem perguntaram a qual dos filhos mais amava. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha. esta noite peço algo especial: . E. a família quase nunca é retratada com esta interação que aparece no quadro de Reynolds. (Al-Asbahami) (O Alcorão.Quero ter as atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas."Senhor. . Viver como a TV da minha casa. respondeu: . Ao fim da tarde.. mas extremamente importante: Quero Ser Uma Televisão Ana Maria.Transforma-me na televisão. coitado desse menino! Que pais. Este quadro foi a ilustração do XVI Encontro de . 1967. 53) Amor de Mãe: Uma anedota popular árabe conta que uma mãe... de seu habitat natural”. (Nils Bergman apud GARCIA. Ter um lugar especial para mim. ..Quero ocupar o lugar dela. que. .Ser levado a sério quando falo.Ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa. . até que volte.Ao pequenino. e reunir a minha família comigo."Meu Deus. ao ausente. professora do ensino fundamental.Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. p. (Autor desconhecido) Na História da pintura.Senhor. ao enfermo." Era a redação de um aluno."! E ela olhou-o e respondeu: . -Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado. viu-a a chorar e perguntoulhe: ."Lê isto. só quero viver o que vive qualquer televisão" Naquele momento."Esta redação é do nosso filho". quando corrigia as redações. o marido de Ana Maria disse: . 239) Este texto abaixo. por fim. até que cresça. é um texto anônimo. O marido."O que é que aconteceu?" Ela respondeu: .. leu uma que a deixou muito emocionada. até que se cure. E ainda que os meus irmãos discutam para ver quem fica comigo. .1303 Por outro lado não há declaração mais cristalinamente clara e verdadeira que: “A primeira violação. pediu aos alunos que fizessem uma redação sobre o que gostariam que Deus fizesse por eles. p. não te peço muito.. nesse momento acabava de entrar. o pior que pode ocorrer a qualquer criatura recém nascida é a separação de sua mãe. . . mesmo quando está cansado. faz com que eu possa diverti-los a todos. cansada ou aborrecida.. 2006.

1972b. a sociedade não resolveu o mito do abandono de Moisés. Hoje. 490) Joshua Reynolds. e morreu em Londres. Tela 14.1304 Gestação e Parto Natural Conscientes – A Vida Bem Vinda. Figura 123: Lady Cockburn e seus Filhos.400 retratos. e um ano depois fica cego. Na bagagem de sua formação pictórica estava a admiração pelos clássicos: Van Dyck. 1774. era filho de um clérico. por ordem do Faraó. a ser indicado para a Royal Academy. National Gallery. pinta sua grande obra Máster Hare. Teve esmerada educação. sem apoio de nenhuma securidade social. através da influência deles. (VALSECCHI. os discípulos terminaram uma longa galeria de retratos. nasceu em Plympton. que aconteceu em novembro de 2006. um documento histórico de sua época. começa em Londres a pintar clientes ricos. Joshua Reynolds. Depois de ir para a Holanda e se inspirar nas obras de Rubens. pintor inglês. 1996b) A autora acredita que. no Rio de Janeiro. Tintoretto e o Veronês. reitor de uma escola de latim e grego. Pintou mais de 2.5 X 113 cm Londres. p. Voltando de uma longa viagem. os poderes constituídos da sociedade. em 1723. é preciso que a sociedade . Naquele tempo. a mãe teve que deixar seu filho no rio. (PASQUAL e PIQUÉ. ainda hoje. obrigam as mulheres a deixarem seus filhos nas creches. acaba. Tiziano. em 1792.

seus alunos poderão lembrar de se julgar abandonados em criança. p. Paolo Calliari dito o Veronese. VICENS. Museu do Prado. Figura 124: O Abandono de Moisés. tela 150 X 204 cm. 1972b. 1982. (VALSECCHI. 1978c) . e os entregue as suas mãe e pais e irmãos. 1645. isto é um dos pontos para as fundações de uma sociedade fraterna. Museu de Ashmolean em Oxford. 185) Figura 125: Moisés salvo das águas.1305 resgate os Moisés que ela abandona. pois não resolver é o roteiro para repetir. projetarem a imagem destes quadros. Tela 56 X 43 cm. (HINDLEY. p. Se os professores. Nicolas Poussin. Madrid. 220. e só lembrar isso já é um primeiro passo para resolver.

1996b) . começa a trabalhar com afrescos. Morreu aos 70 anos. (THUILLIER e CHÃTELET.49) Paolo Calliari. recebe um prêmio. faziam parte da banca Tiziano e Sansovino. pintor italiano nascido em 1528. o pai trabalhava com mármore. 85 X 121cm (GIBELLI. Charles de La Fosse (1636 – 1716). Depois de sair da tutela do mestre. Nicolas Poussin. 1964.117) Figura 127: Moisés Salvo das Águas. p. (PASQUAL e PIQUÉ. em Verona. que com o tempo seria seu sogro. Começa então a pintar motivos bíblicos. Aos 14 anos foi aprendiz do pintor Antonio Badile. de um resfriado. e falecido em 1588 em Veneza. Paris Mouseu do Louvre. p. Para ele Veneza era uma terra sem outonos ou invernos. 1967i. Depois de trabalhar junto a um arquiteto.1306 Figura 126: Moisés salvo das Águas.

olharem seus filhos. A estrutura familiar apresentava-se plena e ávida de pequenos arroubos de fé de um lado. 1992. e demorados. . das poucas que existem na história. pois a família. (BROWN. o tempo para os pequenos sempre foi diminuto. p. esperava-se como um milagre. mas de outro lado enfrentando dificuldades e rudeza. Na verdade. Estes são alguns retratos de cenas domésticas. não era muito importante. No momento que se vivia. ou quando muito a do próprio pintor. mas sim cada qual vivendo sua história particular de dor. e os artistas os ignoravam e não os retratavam. o resultado era não exatamente união. 93) Uma das razões que tornava difícil para os pais. só a sagrada era retratada. como a água poder aparecer no poço vazio. nem tão compartilhada assim com seus familiares. ocultando o ser humano. eram os trabalhos que tomavam tempo: eram pesados.1307 Figura 128: Escultura de Nefertite e Akenaton.

Alonso Cano. 1973. Óleo sobre tela 216 X 149 cm.41) Figura 130: O Milagre do Poço. 1995c. (KUNSTLER. coleção particular. p. Pissarro. tela 54. p. 1878. Museu do Prado.1308 Figura 129: A Lavadeira. 84) . Estados Unidos. (LOPERA e ANDRADE.5cm X 46 cm. 1645.

Luis lê Nain. 53) A proximidade com a miséria atingia muitos camponeses na antiga Europa. Figura 132: A Charrete. p. e não de mecenas. LACLOTTE e CUZIN. 1951. 144) . 1978. Louis lê Nain. Museu do Louvre (VICENS. (VICENS. 1993. MATHEY. exatamente do povo. e este pintor foi um dos melhores retratistas da história da pintura. p.1309 Figura 131: Família de Camponeses em Interior. 147. 54. 1978. Museu do Louvre. p.

a se observar pela datação dos quadros. em tal cena. p. (GIBELLI. 258 X 180 cm. um pintor tem a percepção de colocar o livro – símbolo da sabedoria .desdenhado. mas no chão. Galeria Nacional de Londres. Luca Signorelli. 49) Conforme é citado na psico-história. e com tudo o que se sabe. . é cada vez mais inaceitável. Estes quadros são depoimentos pictóricos deste fato que durou tanto tempo. tal prática mutilatória. Como se observa no quadro abaixo que retrata uma circuncisão. era natural que os bebês fossem enfaixados. 1967m.1310 Este é outro retrato de como o ser humano ainda não percebeu como é sagrado o corpo de uma criança. Figura 133: A Circuncisão.

p. 1982. Velázquez. (HINDLEY. tela 107 X 137 cm em 1640. 186) . 1622. Museu do Prado (VICENS. 1978 d. Museu do Louvre. p. 90) Figura 135: A Adoração dos Pastores.1311 Figura 134: A Adoração dos Magos. Georges de la Tour.

1951. p. Museu de Rennes. 69 x 86. 1989. Berlim. Andrea Mantegna (1401 – 1506). Georges de la Tour (1593 -1652). 91.1312 Figura 136: A Apresentação no Templo. (BERNARD. p. 35) .3 cm. 82) Figura 137: O recém-nascido. do Museu Preussischer Kulturbesitz. Museu Gemäldegalerie Staatliche. tela 0. (MATHEY.76 X 0.

1313 Conforme foi ressaltado no capítulo Os Três Primeiros Anos de Vida e Antropologia. A seguir. proporcionam a segurança deles e um melhor desenvolvimento cerebral. p. no capítulo anterior. Mesmo nos dias atuais. da Nigéria Yoruba. Deste modo. a família e o lazer. E ao sétimo dia. 10) Ao ler esta passagem no mito. no próprio mito cristão. 3.308) Este é um quadro que retrata uma rara cena. Figura 138: Mulher com Kintoki às Costas. muitas famílias devotam à TV a ocupação do seu dia livre. está a figura de Mãe e Filho. (VICENS. 1806. Museu Guimet. a alegre gravura japonesa. o que este . Deus havia acabado a sua obra que fizera e passou a repousar no sétimo dia de toda a obra que fizera. Chama a atenção que a ilustração abaixo não seja européia. E Deus passou a abençoar o sétimo dia e fazê-lo sagrado” (BÍBLIA. Como exemplo de cultura africana. “Gênesis: 2. p. Kitagawa Utamaro. também registrada na escultura e presente neste trabalho. em algumas culturas as mães carregam seus filhos colados pele a pele. 1983. mas oriental. Na verdade. 1978a. Deus criou o mundo e depois reprovou. Paris.

GIBELLI. apreciou sua criação. E mais que parou. Isto ensina o caminho da consciência: e é no dia livre onde mais se pode exercer a escolha. Delegar este dia a qualquer automatismo é dar as costas. São dois aspectos. Porém ainda mais. 201 X 302 cm. p. p. um é o ritmo. que é preciso criar. 1982. 79) . Georges Seurat. o caminho da consciência. O fato de serem raras as famílias retratadas em descanso. 1967n. parou. Deus que havia criado em todos os outros dias. 239. ao que a estrutura desta passagem mostra. usufruiu. saborear.1314 arquétipo do sétimo dia comunica é que neste dia. e hoje cada vez mais se sabe em medicina que o ritmo é fundamental para a saúde. e isto pode ser melhor feito quando se faz com quem se ama. faz pensar sobre o quanto é preciso ainda que o ser humano se esforce para sair de automatismos. degustou. (HINDLEY. e desfrutar. Figura 139: Banho em Asnières.

1550. 310) Figura 141: O Repouso Durante a Fuga para o Egito. 1978c. 67 X 57 cm. 68) . Coleção Mary Frick Jacobs. 1989. Jean-Honoré Fragonard (1732-1806).1315 Figura 140: O Descanso Durante a Fuga para o Egito. Museu de Arte de Baltimore. (BERNARD. (VICENS. Lucas Cranach. p. p.

Sandro Botticelli. (GIBELLI.70) . Milão (BERNARD. p. a interação do cérebro materno com seu bebê permite um melhor desenvolvimento cognitivo emocional. 215x148 cm.1316 Como intuíram os grandes pintores. 1989. 248) Figura 143: A Virgem e o Menino com Dois Santos (detalhe). 127. 1978b. Museu Poldi Pezzoli. VICENS. 1967m. p. p. Rafael de Urbino. Isso aparece simbolizado com as madonas apresentando livros aos bebês que têm ao colo. Figura 142: Madona do Livro.

93m. (BERNARD. (BERNARD.25 x 0. como foi representada na figura 129. p. 1989. 249) Na História da Humanidade. p. VICENS. Frans Floris de Vriendt. 126. 1989. só as famílias dos deuses mereciam representação. Figura 145: A Sagrada Família.1317 Figura 144: Madona do Magnificat dos Uffizi. a família retratada tem sido a de Jesus. Musée Royal dês Beaux – Arts Bruxelas. 1485. Botticelli. 1978b. 1. p. No nosso mito cristão. 59) .

1994. Diego de Siloé. Rembrandt. ANO.1318 Figura 146: Sagrada Família. 79) Figura 147: A Sagrada Família com Anjos. 1645. óleo sobre tela. 37) . (PASQUAL E PIQUÉ. (MANNERING. p. P.

1978. 1634. p. . 224) O que os professores precisam. (VICENS. Alte Pinakothek. é inspirá-los para que a humanidade viva uma nova realidade. onde todas as famílias sejam sagradas. ao expor seus alunos a estes quadros.1319 Figura 148: A Sagrada Família. Rembrandt.

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