DIREITO PROCESSUAL PENAL MILITAR

Unidade I – Do conceito e dos princípios de Direito Processual Penal Militar 1. Definição do Direito Processual Penal Militar O processo é a esteira de garantias de todo indivíduo onde o Estado deverá percorrer para a devida aplicação da lei penal com conseqüente sanção conforme pena prevista. O processo possui caráter de instrumentalidade garantista, proporcionando ao indivíduo a utilização de todas as garantias a ele inerentes. O Direito Processual Penal Militar é um ramo autônomo do Direito cuja finalidade é a aplicação da legislação penal militar que no Brasil se encontra materializada no Decreto-Lei nº 1.002, de 1969. Não pode o Estado nem o indivíduo prescindir das regras processuais trazidas pelo diploma legal acima, o qual rege os procedimentos a serem seguidos pela justiça Militar da União, que cuida do processo dos militares das Forças Armadas, e pela justiça dos Estados, que cuida dos militares estaduais. Pode se observar que o processo penal militar difere do processo penal comum no que refere aos procedimentos de Polícia Judiciário, e aos processos ordinários (Art. 384 a 450) e especiais de Deserção e Insubmissão (Art. 451 a 464). O processo penal militar ordinário normalmente se origina do Inquérito Policial Militar, ou do Auto de Prisão em Flagrante Delito, ou de sindicância com constatação de crime militar, e tem início com o recebimento da denúncia pelo Ministério Público. Por meio do processo a atividade jurisdicional concretiza a aplicação do direito ao caso concreto. Essa atividade se torna essencial tendo em vista que apenas ela proporciona a aplicação. Tal aplicação se deu, historicamente, de várias formas, denominadas sistemas processuais penais: acusatório, inquisitivo e misto. No sistema inquisitório o papel de julgar, acusar e defender se concentram em uma só pessoa se confundindo. O sistema acusatório apresenta como características a separação entre acusação, defesa e julgamento, sendo cada função exercida por pessoas distintas. No sistema misto o processo divide-se em duas fases: de instrução preparatória, onde predomina os princípios de regas do sistema inquisitório, e de julgamento, que possui caracteres do sistema acusatório.

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2. Princípios aplicados no processo penal militar

Do devido processo legal – É o princípio fundamental do ordenamento jurídico processual. A Carta Magna prevê em seu Art. 5º, LVI que não há privação de liberdade nem perda dos bens sem o devido processo legal, assim devem ser respeitadas todas as regras trazidas pela legislação para que o Estado possa aplicar a lei no caso concreto, cerceando a liberdade. Do juiz natural – Ninguém será processado nem julgado por tribunal de exceção, pois conforme Art. 5º, LIII da Constituição Federal (CF), não haverá juízo ou tribunal de exceção. Apenas o juiz, como autoridade, competente poderá realizar o devido processo para no fim sentenciar o caso. Do estado de inocência – Enquanto não houver condenação definitiva, presume-se o réu inocente. Contudo, admitem-se medidas cautelares de privação de liberdade na qual possibilita a prisão antes de trânsito em julgada. Do contraditório e da ampla defesa – Conforme Art. 5º, LV da CF, aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; lógico do sistema acusatório, em que as partes devem possuir plena igualdade. O acusado deve ter ciência da acusação para poder responder. Da verdade real – É a investigação dos fatos como se passaram na realidade (verdade material), possibilitando ao juiz determinar diligências de ofício, para melhores esclarecimentos dos fatos investigados. O processo faz o caminho do crime, reconstrói os fatos como se deram, para a correta aplicação da lei. Da publicidade – A publicidade dos atos processuais integra o devido processo legal. No direito pátrio vigora o princípio da publicidade absoluta, como regra. As audiências, as sessões e a realização de outros atos processuais são franqueadas ao público em geral, ressalvados os casos específicos em lei. Art. 5º, LX da CF – lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. Art. 93, IX da CF – todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei, se o interesse público o exigir, limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e aos seus advogados, ou somente a estes. Da obrigatoriedade – presentes as condições da ação penal militar, o MPM é obrigado a oferecer a denúncia.

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Da oficialidade – (CF, Art.129, I) o MPM é o exclusivo titular da ação penal militar, que é sempre pública, ressalvada a possibilidade da ação privada subsidiária da pública. Da iniciativa das partes e do impulso oficial – o juiz não pode dar início ao processo sem a provocação da parte legítima. Cabe à parte provocar a prestação jurisdicional. Há algumas situações em que este princípio é mitigado; a concessão de habeas corpus de ofício, decretação de ofício da prisão preventiva e produção de provas (verdade real). Da inadmissibilidade das provas ilícitas – (CF, Art. 5º, LVI) são ilícitas as provas obtidas mediante a prática de algum ilícito, seja penal, civil ou administrativo, da parte daquele encarregado de produzi-las.

3. Polícia Judiciária Militar

Atribuição da Polícia Judiciária Militar – A Polícia Judiciária Militar está prevista de forma implícita no Art. 144, § 4º, da Carta Magna, quando assevera que às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração das infrações penais, exceto as militares. O regramento da polícia judiciária encontra-se nos Art. 7º e 8º do CPPM. A polícia judiciária militar destina-se à apuração de crimes militares. O Art. 8º do CPPM menciona competência da polícia judiciária militar, no entanto o termo correto seria atribuição e não competência (órgão jurisdicional). Assim, as atribuições da polícia judiciária militar são: a) Apurar os crimes militares, bem como os que, por lei especial, estão sujeitos à jurisdição militar, e sua autoria; b) Prestar aos órgãos e juízes da justiça militar e aos membros do Ministério Público as informações necessárias à instrução e julgamentos dos processos, bem como realizar as diligências que por eles lhe foram requisitadas; c) Cumprir os mandados de prisão expedidos pela justiça militar; d) Representar as autoridades judiciárias militares acerca da prisão preventiva e da insanidade mental do indiciado; e) Cumprir as determinações da justiça militar relativas aos presos sob sua guarda e responsabilidade; f) Solicitar das autoridades civis as informações e medidas que julgar úteis à elucidação das infrações penais, que estejam a seu cargo;

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7º do Decreto-Lei 1002. a pedido de apresentação de militar ou funcionário de repartição militar à autoridade civil competente. a delegação do seu exercício é feita por portaria do comandante. de 21 de outubro de 1969. conforme as respectivas jurisdições: . remunerada ou não. 8º. As forças policiais. por meio de portaria determinará a abertura do inquérito policial militar (IPM). nomeando um oficial para apurar a autoria e a materialidade do fato. Caso o autor do ilícito seja conhecido. da reserva. seja este oficial da ativa. o comandante da Unidade a qual pertence o militar. deverá aquela recair em oficial de posto superior ao do indiciado. Em razão da observância da disciplina e da hierarquia. o oficial nomeado deverá possuir posto ou patente acima do indiciado. Ao tomar conhecimento da prática de um ilícito. hierarquia e comando. Obedecidas as normas regulamentares de jurisdição. h) pelos comandantes de forças. ou reformado... sendo esta atribuição exercida pela polícia judiciária militar. pelas seguintes autoridades. para fins especificados e por tempo limitado.g) Requisitar da polícia civil e das repartições técnicas civis as pesquisas e exames necessários ao complemento e subsídio de inquérito policial militar. Na atividade de polícia judiciária militar. h) Atender. a autoridade delegante pode e deve exercer fiscalização disciplinadora sobre o oficial a quem foi delegada a atribuição. unidades ou navios. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . que é constituída por autoridades militares e seus auxiliares. 7º A polícia judiciária militar é exercida nos termos do art. desde que legal e fundamentado o pedido. não possuem competência para apurar os crimes militares. Em se tratando de delegação para instauração de inquérito policial militar. As autoridades podem delegar o exercício da polícia judiciária militar. chefe ou diretor. com observância dos regulamentos militares. No caso das Polícias Militares o dispositivo legal que atribui tal competência se encontra na letra h do mesmo artigo: Art. as atribuições poderão ser delegadas a oficiais da ativa. civil e federal. Autoridade judiciária – A polícia judiciária militar é exercida pelas autoridades especificadas no Art.

que significa queimar. podemos afirmar que a prisão em flagrante delito tem caráter provisório e só se justificará se houver as hipóteses em que a prisão for necessária para preservar a instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal. Assim. 5º. conseqüentemente mantendo a ordem social. Quando se fala em crime militar devemos lembrar o previsto no Art.Unidade II – Do auto de prisão em flagrante delito 1. prisão em flagrante delito é a prisão da pessoa que é surpreendido no instante da consumação da conduta tipificada penalmente. Logo. permanecer ou estar em determinado lugar. implicando em antecipação de pena. Prisão é a supressão da liberdade individual que restringe o direito de ir. Conforme o texto da Art. 144. 144. Com isso. que está sendo cometido ou acabou de ser cometido. § 4º . Assim. Conceito O termo flagrante provém do latim flagrare. Existem vários fundamentos para a prisão em flagrante delito. as funções de polícia judiciária e apuração de infrações penais. 5º. os militares que forem presos e autuados em flagrante delito devem ser conduzidos para estabelecimentos prisionais. § 4º da CF. caso contrário ocorrerá afronta à Constituição Federal. podemos citar pelo menos dois conforme sua aceitação. podemos considerar que é o crime que está queimando. conforme o insculpida na CF no seu Art. “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória1”. vir. incumbem. o primeiro trata da necessidade de aplicar justiça em prol da opinião pública. dirigidas por Delegados de Polícia de carreira. Na PMPE. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . normalmente são conduzidos ao CREED – Centro de Reeducação Disciplinar.As polícias civis. LVII da CF. que impede a Polícia Civil de apurá-lo: Art. exceto as militares". os policiais militares presos em flagrante delito. visando minimizar a comoção social. o segundo para proteger de forma acautelatória as prova devido ao flagrante ser capaz de fazer prova sobre a autoria e materialidade do crime. ressalvada a competência da União. resguardando a credibilidade do Estado.

logo depois. materiais. material ou papéis que façam presumir a sua participação no fato delituoso. Considera-se em flagrante delito aquele que: Está cometendo o crime. É perseguido logo após o fato delituoso em situação que faça acreditar ser ele o seu autor. Prender alguém em flagrante delito é capturar essa pessoa. A doutrina nos ensina que existem nesta esteira os seguintes tipos de flagrantes: Próprio – é o que se caracteriza quando o autor do crime militar é encontrado cometendo o crime ou no exato instante que acabou de cometê-lo. quando um policial induz o autor à prática do crime. Requisitos para a prisão em flagrante delito. A prisão em flagrante delito. permitindo uma presunção de ser ele o criminoso procurado. objetos. Este tipo se classifica como crime impossível pelo fato das circunstâncias previamente preparadas eliminarem a produção do resultado. Pelo fato de não haver artifícios criados não há que se falar em fato atípico ou crime impossível. ao mesmo instante toma providencia para que o mesmo não seja consumado. com instrumentos. mesmo na presença de objeto material e meio empregados idôneos. Logo. papéis.2. obedecendo aos requisitos trazidos pela Art. viciando a sua vontade. com instrumentos. armas. objetos. encontrando-o em situação que faça acreditar ser ele o autor. Acaba de cometê-lo. sem que haja o induzimento.O sujeito é encontrado logo depois.é o chamado quase flagrante. Impróprio . Preparado ou Provocado. Neste tipo não há a certeza visual. em função da perseguição feita ao criminoso logo após a prática do delito. sua caracterização dependerá de circunstância futura.É quando há provocação ao agente à prática de um crime. 3. É encontrado. como dito antes. Tipos de flagrante delito. é aquela realizada contra alguém que está cometendo uma infração penal tipificada no diploma legal. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . estaremos diante de um flagrante preparado. ligando-o com ele. ou de outras provas relacionadas ao crime.244 do Código de Processo Penal Militar (CPPM). Esperado – Neste tipo ocorre o aguardo do momento do cometimento do crime. Presumido ou Ficto .

262. se o indiciado ou acusado não souber ou não puder assinar. Neste caso e o policial pratica crime previsto na Lei 4898/65 (Lei do Abuso de Autoridade). para que delibere acerca da prisão preventiva ou de outra medida que entender cabível. consiste em retardar a interdição policial quanto a pratica de crimes por organizações criminosas. Portanto. Se o comparecimento não se der perante a autoridade judiciária. Art. O Auto de Prisão em Flagrante destina-se a legalizar o excepcional cerceamento da liberdade do cidadão. A prática demonstra que logo após as ações policiais já se fazem as comunicações ao superior. a apresentação espontânea não significa confissão de crime. É preciso a manutenção de observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações. sê-lo-á por uma pessoa a seu rogo.Prorrogado ou Retardado . apenas. acabam cometendo crimes consubstanciando no estrito cumprimento do dever legal e/ou legítima defesa. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . O termo será assinado por duas testemunhas presenciais do ocorrido. logo não poderá ser autuado em flagrante delito. ser objeto de lavratura em termo próprio. Procedimento para lavratura do flagrante delito e atividades complementares O art. Contudo. tomar-se-ão por termo as declarações que fizer. a esta serão apresentados o termo e o indiciado ou acusado. Quando policiais militares no exercício de suas funções se deparam com resistência por parte de infrator penal e em decorrência usam de força ou até mesmo de meios letais. 245 do CPPM regula o auto de prisão em flagrante de delito militar.Previsto no art. Essa simples comunicação já é o ato de apresentação espontânea. mas um indicativo dessa circunstância. se o agente se apresentar ao seu superior após cometer crime deverá ser lavrado o respectivo Termo de Apresentação Espontânea. inc. e. devendo imediatamente ser comunicado ao Juízo competente. 2º. no tempo oportuno. não estará em situação de flagrante delito. chamada Lei do Crime Organizado.034/95. 4. II da Lei nº 9. que precisa. Comparecendo espontaneamente o indiciado ou acusado. Forjado – É a criação de provas para um crime inexistente. Parágrafo único. além das testemunhas mencionadas. Importante salientar que se após o cometimento do delito o autor se apresentar espontaneamente à autoridade.

do CPPM. do que sua intenção. 250 do CPPM deixa claro quanto a possibilita da autoridade civil lavrar auto de prisão em flagrante quando a prisão for efetuada em lugar não sujeito à administração militar. quando: a) cercear a defesa pessoal do acusado.A autoridade competente para a lavratura do auto de prisão em flagrante delito está insculpida no Art. Quando a prisão em flagrante for efetuada em lugar não sujeito à administração militar. Diretor. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . 250. que a expressão da lei é mais estrita e. sendo necessária uma análise interpretativa de forma sistêmica. Observação importante a se fazer é quanto a possibilidade do delegado realizar o auto de prisão em flagrante delito por crimes militares fora da área sujeita a administração militar. O Oficial de serviço. ou pela autoridade militar do lugar mais próximo daquele em que ocorrer a prisão. b) prejudicar ou alterar o curso normal do processo. porém. no primeiro caso. 250 do CPPM: Art. sendo as seguintes: O Comandante. baseado no que preconiza no Art. “caput”. quando for manifesto. o auto poderá ser lavrado por autoridade civil. A primeira vista a impressão que se tem é de que a autoridade civil poderá realizar tal procedimento de maneira indistintamente. porém a interpretação do dispositivo não se limite a sua literalidade. c) desfigurar de plano os fundamentos da acusação que deram origem ao processo. Casos de inadmissibilidade de interpretação não literal 2º Não é. considerando a extensividade e restritividade da norma. O Art. ou lhe desvirtuar a natureza. 245. que é mais ampla. Assim prevê o próprio CPPM: Interpretação extensiva ou restritiva 1º Admitir-se-á a interpretação extensiva ou a interpretação restritiva. de dia ou de quarto na unidade militar ou policial militar. admissível qualquer dessas interpretações. no segundo. Chefe.

outras autoridades que no impedimento das primeiras. Quando a prisão em flagrante for efetuada em lugar não sujeito à administração militar. quartéis das forças armadas. pois. A norma em questão busca tão somente evitar que se deixe de ser adotadas as formalidades indispensáveis ao início do Inquérito Policial Militar por não existir Administração Militar no lugar da prisão. o referido diploma legal foi publicado em 1969 quando a realidade de transportes era totalmente distinta de que temos hoje. 250. Na mesma esteira. sendo competente para tal o Comandante ou o oficial de dia. sendo. ou autoridade correspondente. para a lavratura do auto de prisão em flagrante delito de crimes militares. ou autoridade correspondente. ou autoridade correspondente da Administração Militar do lugar mais próxima daquele em que ocorrer a prisão. ou autoridade correspondente da Administração Militar do lugar mais próxima daquele em que ocorrer a prisão. o auto poderá ser lavrado por autoridade civil. 250 do CPPM é aberta se leva em consideração a possibilidade de não haver em determinados locais administração militar. logicamente haverá lugares que estarão de maneira exorbitante quanto a distância de administrações militares (Exército. ou à autoridade judiciária. caberá o auto ser lavrado por autoridade civil. permitidas as lavraturas dos autos de prisões em flagrantes conforme o mencionado dispositivo legal. inclusive) do lugar mais próximo daquele que ocorrer a prisão. o preconizado no Art. nem para a autoridade civil nem para a autoridade militar. ou pelo Comandante ou Oficial de Dia. nas condições aqui relatadas. Se assim não fosse. poderão lavrar o respectivo auto de prisão em flagrante. ou pelo Comandante ou Oficial de Dia. 245. de serviço ou de quarto. ou à autoridade CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . conforme Art. de serviço ou de quarto. Com o exposto percebe-se que havendo quartel no lugar que ocorrer qualquer prisão em flagrante delito por crime militar não caberá a exceção aqui discutida. remetendo a competência às autoridades ali esculpidas. 245. ou seja. É tanto que a exceção é para a autoridade civil ou autoridade militar (Policiais Militares e Bombeiros Militares. Considerando que nosso país possui características de país continental. 250. Quando a prisão em flagrante for efetuada em lugar não sujeito à administração militar. Marinha e Aeronáutica) ao ponto de prejudicar a prisão em flagrante do militar que tiver que se deslocar a determinadas distâncias. inclusive. Apresentado o preso ao comandante ou ao oficial de dia. se a exceção fosse de maneira indistinta a redação do dispositivo seria: Art. O diploma legal tem como regra. de serviço ou de quarto. 250. e certamente o crime não poderia e nem pode ficar impune. como exceção. o dispositivo traria a seguinte redação: Art. de serviço ou de quarto. trazendo no Art.Quando a exceção do Art. 245 do CPPM: Art.

sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. O direito ao advogado é uma garantia fundamental a fim de assegurar a ampla defesa e o contraditório.1 Principais direitos do preso Os direitos ao silêncio. por qualquer deles. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . recomenda-se que aquele seja mais antigo. 4. e especialmente sobre o lugar e hora em que o fato aconteceu. isto para que se evite qualquer tipo de constrangimento durante a sua lavratura. entre os quais o de permanecer calado. 245 do CPPM exige que quando o preso for oficial o escrivão designado também deve ser oficial. à assistência da família e do advogado estão expressos na Constituição Federal em seu inciso LXIII do art.judiciária. principalmente em virtude de estar sendo tirado um dos direitos mais importantes da vida do ser humano que é a liberdade. da Constituição Federal: “o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial”. Assim. 5º “o preso será informado de seus direitos. podendo permanecer calado. Por outro lado o § 4º do art. Tais direitos também encontram amparo constitucional previsto no Art5º. lavrando-se de tudo auto.2 Designações do Escrivão O escrivão deverá ser nomeado mediante portaria da Autoridade que presidir o auto de prisão em flagrante delito a fim de auxiliar na condução dos trabalhos. 4. bem como inquirido o indiciado sobre a imputação que lhe é feita. mesmo que seja de posto inferior ao acusado. sendo de imprescindível a assistência de um profissional para defesa do preso. LXIV. Apesar de não haver previsão legal quanto ao escrivão ser mais antigo que o acusado. quando da prisão em flagrante delito. O direito ao silêncio está relacionado a questão de que ninguém tem a obrigação de produzir provas contra si mesmo. o responsável deve observar estas garantias sob pena de acarretando um constrangimento ilegal ao acusado. que será por todos assinado. será. Outros direitos são garantidos ao preso tais como o direito à identificação dos responsáveis por sua prisão e por seu interrogatório. ouvido o condutor e as testemunhas que o acompanharem. Já o direito da assistência da família encontra respaldo principalmente na necessidade de apoio psicológico que pode proporcionar dos entes familiares para a pessoa do preso.

(se possível deverá ser ouvido. 4º Ofendido. o presidente do procedimento ouvirá o acusado. Algumas questões devem ser alertadas ao presidente do auto. deverão ser providenciadas pelo menos duas pessoas idôneas. devendo. para lavrar o auto. ou qualquer outra que impossibilite a sua inquirição no momento de sua apresentação ao presidente do auto. 245: “§ 5º . a autoridade designará. de CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . prestará o compromisso legal. 2º Primeira Testemunha. 3º Segunda Testemunha.Na falta ou impedimento de escrivão ou das pessoas referidas no parágrafo anterior. Contudo. antes de ser ouvido prestar o compromisso legal próprio das testemunhas. também é considerada testemunha. Essa previsão deve ser observada sob pena de anulação do auto e conseqüentemente o relaxamento da prisão realizada. e 5º Conduzido. no momento da lavratura.”. para presenciarem o momento de apresentação do preso e o ato formal de lavratura do auto. em conformidade ao Art.§ 2º do CPPM. deverá ser ouvido tão logo cesse a causa determinante do impedimento. No auto de prisão. pois a não pode a lavratura do auto ficar paralisada a espera de um escrivão. 4. será ouvido por esta autoridade e lhe relatará o fato e todas as circunstâncias em que se deu a prisão do acusado. 245.3 Oitivas a serem realizadas A formalidade do auto de prisão em flagrante delito obriga que as ouvidas das partes envolvidas sejam realizadas na ordem indicada no código. geralmente é a pessoa que realiza a prisão do infrator. nestes casos. Finalizando as ouvidas. qualquer pessoa idônea. A ausência de testemunha não é motivo para que não seja realizada a prisão muito menos a lavratura do auto de prisão em flagrante delito. Essa excepcionalidade é para proporcionar que a lavratura do auto de prisão em flagrante seja o mais célere possível. o condutor. Em seguida o presidente do auto realizará a oitiva das testemunhas que presenciaram o do delito por parte do acusado. bem como a sua leitura integral para o preso. quando conduzido for preso em estado de embriaguez alcoólica ou sob o efeito de substância entorpecente. portanto. não impedindo a autuação). para esse fim. A ordem de oitiva de cada pessoa atuante na prisão em flagrante delito e as partes necessárias são as seguintes: 1º Condutor. O condutor ao apresentar o acusado à autoridade competente para lavrar o auto de prisão em flagrante delito militar. que.O CPPM trás uma excepcionalidade quanto a designação de escrivão prevista no § 5º do art.

encaminhando os autos a autoridade competente para instaurar o Inquérito Policial Militar a fim de apurar todos os fatos. mandará recolhê-lo a prisão. se entender que não há fundadas suspeitas contra o acusado. ele mesmo. poderá ser ouvido em leito hospitalar ou em qualquer outro local para onde tenha sido conduzido. 242. se não for competente. em função de seu estado. Com relação ao recolhimento de presos à prisão é preciso que sejam observadas as prerrogativas relativas à prisão especial. à busca e apreensão dos instrumentos do crime e a qualquer outra diligência necessária ao seu esclarecimento. Nada impede que o mesmo seja ouvido após o período acima exposto. à disposição da autoridade competente. que tenha ouvido a sua leitura integral ao preso. Prisão especial Art. imediatamente. Após a realização da leitura as testemunhas presenciais deverão assinar o auto e o fato ser certificado nos autos. após as oitivas do condutor. No caso de recusa ou impossibilidade da assinatura do auto pelo preso.4 Do recolhimento. devendo ser anexado aos autos.preferência nas próximas vinte e quatro horas. diante do condutor e das testemunhas do fato delituoso. a autoridade mandará recolhê-la à prisão. a exame de corpo de delito. relaxará a sua prisão. O presidente do auto ao entender fundadas suspeitas sobre o acusado. Ao contrário. todos os participantes devem assiná-lo. 246 do CPPM: “Se das respostas resultarem fundadas suspeitas contra a pessoa conduzida. em termo a parte nos autos. com contra recibo do estabelecimento. O conduzido. Logo após o encerramento da lavratura do auto. se for o caso. procedendo-se. para instaurar o IPM. resultarem fundadas suspeitas de que este foi o autor da infração à lei penal militar. do ofendido e do próprio conduzido. quando sujeitos a prisão. constantes do Art. Serão recolhidos a quartel ou a prisão especial. antes de condenação irrecorrível: a) os ministros de Estado. das testemunhas. 4. não sendo isso capaz de invalidar a prisão em flagrante. o auto deverá ser assinado por duas testemunhas idôneas. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . O recolhimento à prisão deverá ser feito mediante guia de recolhimento. das diligências e relaxamento da prisão em flagrante O recolhimento do conduzido só se efetivará quando. providenciando imediatamente a coleta de todo o material probatório conforme o contido no Art. 242 do CPPM.

b) os governadores ou interventores de Estados. 12 do CPPM. enquanto necessário. 10 deverá. verificável na ocasião.. b) apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação com o fato. d) colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias. remeterá o preso à autoridade civil competente. i) os ministros do Tribunal de Contas. caso já não tenha sido pelo condutor. e) os magistrados. 246. inclusive os da reserva. § 2º . dos Conselhos da União e das Assembléias Legislativas dos Estados. se possível: a) dirigir-se ao local. a autoridade a que se refere o § 2º do art. O relaxamento da prisão está previsto no § 2º do art. A prisão de praças especiais e a de graduados atenderá aos respectivos graus de hierarquia. Militares.Se. das Polícias e dos Corpos de Bombeiros. providenciando para que se não alterem o estado e a situação das coisas. j) os ministros de confissão religiosa. f) os oficiais das forças Armadas. remunerada ou não. 247 Dentro em vinte e quatro horas após a prisão. ao contrário da hipótese prevista no art. c) os membros do Congresso Nacional. 247 do CPPM. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . c) efetuar a prisão do infrator. Quanto ao local de crime o presidente deverá adotar as providências elencadas no Art. 12. Prisão de praças Parágrafo único. relaxará a prisão. Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal militar. seus respectivos secretários e chefes de Polícia. observado o disposto no art.. Art. e os reformados. o prefeito do Distrito Federal. g) os oficiais da Marinha Mercante Nacional. in verbis: Art. a autoridade militar ou judiciária verificar a manifesta inexistência de infração penal militar ou a não-participação da pessoa conduzida. h) os diplomados por faculdade ou instituto superior de ensino nacional. d) os cidadãos inscritos no Livro de Mérito das ordens militares ou civis reconhecidas em lei. Em se tratando de infração penal comum. ou Territórios. 244.

6 Do relatório O presidente do auto deverá fazer um relatório sucinto de todas as atividades desenvolvidas para a autoridade judicial competente. para remessa à autoridade judiciária competente. in verbis: Art. § 1º . horário. local do fato infracional. a nota deverá ser lida no todo a ele.Da nota de culpa o preso passará recibo que será assinado por duas testemunhas. conforme determina o Art. Uma vez emitida a nota de culpa ela não poderá ser modificada. a sua ausência poderá acarretar a nulidade de todo o procedimento e o conseqüente relaxamento da prisão do acusado. Este documento é a garantia do direito constitucional do preso ao conhecimento do autor da prisão. deixando transparentes os motivos determinantes do cerceamento da sua liberdade. providências adotadas e diligências realizadas. do nome do presidente do auto de prisão em flagrante. 4. e. de tudo quanto ocorrer será lavrado auto ou têrmo. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . não puder ou não quiser assinar. Em qualquer hipótese.5 Da nota de culpa A nota de culpa é um mecanismo de garantia do cidadão contra prisões abusivas. bem como os resultados obtidos. nem aditada A nota de culpa consiste em uma síntese do delito penal atribuída ao preso em flagrante. ouvida dos envolvidos. bem como. 247 do CPPM. das testemunhas. 248. será dada ao preso nota de culpa assinada pela autoridade. o nome do condutor e os das testemunhas. deve conter a correta capitulação do injusto penal. O relatório deve conter todos os dados que refletirão a realidade de tudo o que aconteceu. 248 do CPPM: Art.Dentro em vinte e quatro horas após a prisão.4. 247 . esse procedimento deverá ser realizado após as oitivas e juntado todo o material probatório. a fim de que esta confirme ou infirme os atos praticados. na presença de duas testemunhas que assinarão em termo próprio. lavrando-se certidão para o registro do incidente. Assim. Esse procedimento é exigência do Art. de que está sendo acusado. Como podemos observar. com o motivo da prisão. quando ele não souber. quando o preso se recusar a assinar o recibo ou não puder fazê-lo por qualquer outro motivo. que é a autoridade autuadora.

Lavrado o auto de flagrante delito. e. no máximo. a remessa do auto em prisão em flagrante de delito militar deverá ser feita ao juiz competente: Art. 246.O auto de prisão em flagrante deve ser remetido imediatamente ao juiz competente. que deve ser prévia e feita por qualquer meio. se novas diligências forem julgadas necessárias ao esclarecimento do fato.4. se novas diligências forem julgadas necessárias ao esclarecimento do fato. dentro em cinco dias. o preso passará imediatamente à disposição da autoridade judiciária competente para conhecer do processo. se não tiver sido lavrado por autoridade judiciária. 252. se depender de diligência prevista no art. 251 do CPPM. Art. imediatamente após o presidente do auto de prisão em flagrante ter conhecimento de todas as circunstâncias da prisão.7 Da remessa do auto de prisão em flagrante Prevista no Art. 251 . É de salientar que não podemos confundir a remessa do auto ao juiz com a comunicação ao juiz da prisão. Parágrafo único. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . O auto poderá ser mandado ou devolvido à autoridade militar. pelo juiz ou a requerimento do Ministério Público. pelo juiz ou a requerimento do Ministério Público. O auto poderá ser mandado ou devolvido à autoridade militar.

Por determinação ou delegação da autoridade militar superior. sendo iniciado por portaria: De ofício. 9º a 28 do Código de Processo Penal Militar. conforme Art. Trata-se. de procedimento apuratório destinado a colher elementos para se chegar a consumação e autoria de crime militar. em caso de urgência.Unidade III – Do Inquérito Policial Militar (IPM) 1. Tem caráter de instrução provisória. O Inquérito Policial Militar constitui-se da reunião de informações referente ao fato típico que indicam seu autor. por ofício. Previsão legal. preparatória e informativa. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . posteriormente. conceito e finalidade. a atividade destinada à apuração das infrações penais e da autoria por meio do Inquérito Policial Militar. Cabe à Polícia Judiciária Militar. A soma da atividade investigatória com a ação penal promovida pelo Ministério Público chama-se persecução penal. exercida pela autoridade militar. atendido a hierarquia do infrator. pela autoridade militar em que cujo âmbito de jurisdição ou comando haja ocorrido a infração penal. Em virtude de requisição do Ministério Público. A previsão legal no que refere o inquérito policial militar se encontra no Art. poderá ser feita por via telegráfica ou radiotelefônica e confirmada. 25 do CPPM.9º do Código de Processo Penal Militar (CPPM). visando precipuamente servir de substrato para formar a convicção do Ministério Público com a finalidade da propositura da denúncia. Por decisão da Justiça Militar estadual e requisição do Ministério Público nos termos de Art. que.

11. se o indiciado for oficial. cuja repressão caiba à justiça militar. o inquérito é sigiloso. de sindicância feita em âmbito de jurisdição militar. A designação de escrivão para o inquérito caberá ao respectivo encarregado. subtenente ou suboficial. resulte indícios da existência de infração penal militar. sendo escrito. podendo seu encarregado admitir seu conhecimento por parte do advogado do indiciado: Art.A requisição da parte ofendida ou de quem legalmente a represente. ou em virtude de representação devidamente autorizada de quem tenha conhecimento de infração penal. 16. O inquérito é sigiloso. III da Lei Complementar nº 40/80 (Lei de Organização do Ministério CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . nos demais casos. Quando. Art. inquisitivo. 15. Logicamente o sigilo não se estende ao Ministério Público devido a previsão legal no Art. 16 do CPPM. mas seu encarregado pode permitir que dele tome conhecimento o advogado do indiciado. indisponível e obrigatório. e em sargento. Características do Inquérito Policial Militar O Inquérito Policial Militar possui as mesmas características do inquérito policial comum. 2. sigiloso. recaindo em segundo ou primeiro-tenente. informal. Sigiloso – Conforme o preconizado no Art. se não tiver sido feita pela autoridade que lhe deu delegação para aquêle fim. Procedimento escrito – Tendo em vista que se destina a fornecer elementos necessários à propositura da ação penal.

Público). que não é processo. nem ao judiciário. Decisão unânime. ainda que na esfera administrativa. o Inquérito Policial Militar não está sujeito ao princípio do contraditório. NATUREZA SIGILOSA. podendo copiar peças e tomar apontamentos”. LITISCONSÓRCIO.906/94. o interesse público sobre o particular. O direito do advogado de examinar autos de inquéritos ou flagrante. Por natureza de procedimento administrativo de investigação inquisitorial. O advogado poderá ter acesso ao Inquérito Policial Militar conforme o contido no inciso XIV do Art. na hipótese. findos ou em andamento (inciso XIV do Art. não abrange aqueles sujeitos a sigilo (inciso XIII do mesmo dispositivo legal). não obstante. Esta questão do sigilo foi julgada perante o Superior Tribunal Militar que entendeu o cabimento do sigilo tendo em vista o interesse público sobre o privado: MANDADO DE SEGURANÇA. II. Inaplicabilidade da garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa do inquérito policial.000686-9 UF: Data da Publicação: 12/01/2007. STM: Proc: MS Num: 2006. No Entendimento do Supremo Tribunal Federal: Ementa: I. mesmo sem procuração. findo ou em andamento. porque não destinado a decidir litígio algum.906/94. autos de flagrante e de inquéritos. 7º da Lei nº 8. INQUÉRITO POLICIAL MILITAR. preponderando. entre os quais o de fazer-se assistir por CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . INTERESSE PÚBLICO. 7º da Lei 8. especialmente quando a parte impetrante não figura como indiciada. Inquérito Policial: inoponibilidade ao advogado do indiciado do direito de vista dos autos do inquérito policial. existência. visando a ter acesso a peças do inquérito policial que corre em sigilo. 1.01. de direitos fundamentais do indiciado no curso do inquérito. em “habeas corpus” requerido a Tribunal Superior indefere liminar”). que dá direito ao advogado de: “examinar em qualquer repartição policial. ESTATUTO DO ADVOGADO. Inviável a admissibilidade de advogado com litisconsorte na causa que patrocina. ACESSO IRRESTRITO AOS AUTOS. Ordem denegada. Habeas corpus: inviabilidade: incidência da súmula 691 (“Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de “habeas corpus” impetrado contra decisão do Relator que. ainda que conclusos à autoridade.

L. e pelo menos lhe faculta. de possível extensão a outras diligências). Incomunicabilidade . Diante da decisão do STF percebe-se que o sigilo do IPM é relativo por ser restrito à prática das investigações. 4. é corolário e instrumento a prerrogativa do advogado de acesso aos autos respectivos. de modo a fazer impertinente o apelo ao princípio da proporcionalidade. SEPÚLVEDA PERTENCE. tem por objeto as informações já introduzidas nos autos do inquérito. da qual – ao contrário do que previu em hipóteses assemelhadas – não se excluíram os inquéritos que corre em sigilo: a irrestrita amplitude do preceito legal resolve em favor da prerrogativa do defensor o eventual conflito dela com os interesses do sigilo das investigações. Habeas corpus de ofício deferido. O direito d indiciado. 9296. 8906/94.advogado. a assistência técnica do advogado. quando solto. explicitamente outorgada pelo Estatuto do Advogado (L. 17 – O encarregado do inquérito poderá manter incomunicável o indiciado. em conseqüência a autoridade policial de meios legítimos para obviar inconvenientes que o conhecimento pelo indiciado e seu defensor dos autos do inquérito policial possa acarretar à eficácia do procedimento investigatório. o de não se incriminar e o de manter silêncio. 5º. que lhe assegura. A oponibilidade ao defensor constituído esvaziaria uma garantia constitucional do indiciado (CF. por seu advogado. atinente às interceptações telefônicas. Do plexo de direitos dos quais é titular o indiciado – interessado primário no procedimento administrativo do inquérito policial -. 5. LXIII). para que aos advogados constituídos pelo paciente se faculte a consulta aos autos do inquérito policial e a obtenção de cópias pertinentes com as ressalvas mencionadas. art. logo deverá o encarregado do IPM permitir o acesso do advogado do indiciado legalmente constituído aos autos do procedimento investigatório. não as relativas à decretação e às vicissitudes da execução de diligências em curso (cf. STF: HC 90232 / AM – AMAZONAS. XIV). que este não lhe poderá prestar se lhe é sonegado o acesso aos autos do inquérito sobre o objeto do qual haja o investigado de prestar declarações. DJ 02-03-2007. que estiver legalmente preso.7º. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . por três dias no máximo. quando preso. dispõe.Art. 3. Relator: Min. art. 2.

que. Indisponível – Sendo instaurado o devido IPM.906/94 que dispõe: “São direitos do advogado: III – comunicar-se com seus clientes. A autoridade militar não poderá mandar arquivar autos de inquérito. 5º. determinando que sua prisão seja comunicada imediatamente ao “juiz competente e a família do preso ou a pessoa por ele indicada” (art. 17 do CPPM não foi recepcionado pela CF. é assegurada ainda ao preso a “assistência da família e de advogado” (art. mesmo que conclua pela inexistência do fato delituoso ou de imputabilidade do indiciado: Art. em qualquer hipótese. teria sido revogado pelo At. assim que tenha notícia de cometimento de infração penal militar no âmbito da sua circunscrição: Art.O Art. no capítulo destinado ao “Estado de Defesa e Estado de Sítio”. LXII). 136. inc. pela autoridade militar em cujo âmbito de jurisdição ou comando haja ocorrido a infração penal. Ainda. Obrigatório – A autoridade militar tem por obrigação a instauração do procedimento. 24. detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares. Se em situação excepcional que é o Estado de Defesa ou de Sítio. embora conclusivo da inexistência de crime ou de inimputabilidade do indiciado. III. não cabendo defesa e acusação: CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . o preso tem direito a entrevista com advogado. com muito mais razão não haveria vedação na normalidade. Inquisitivo – Tecnicamente não existe contraditório nos atos investigatório. O inquérito é iniciado mediante portaria: a) de ofício. 10. § 3º. não poderá a autoridade militar arquivar os autos. de ofício. 7º. 5º. pessoal ou reservadamente. Ademais. da Lei 8. LXIII). proclama: ”É vedada a incomunicabilidade do preso” (art. IV). mesmo sem procuração. quando estes se acharem presos. atendida a hierarquia do infrator. ainda que considerados incomunicáveis.

em cada caso. sempre que possível. Decisão unânime. Será encarregado do inquérito. será responsável pela formalidade do IPM. não corresponde a omissão inescusável por “error in procedendo”. sempre que possível. respondendo por todos os atos e deliberações até a remessa à autoridade delegante. preparatória e informativa. oficial superior. 3. a sua hierarquia. Sessão de 02/04/1996. 15 do CPPM. devendo observância. (CORREIÇÃO PARCIAL Nº 1. em se tratando de infração penal contra a segurança nacional. por não estarem presentes os requisitos exigidos pelo artigo 498 do CPPM. em cada caso. Descabida a via da correição parcial. a sua hierarquia. oficial de posto não inferior ao de capitão ou capitão-tenente.EMENTA: CORREIÇÃO PARCIAL. caso o indiciado seja oficial: Art. Natureza informativa e instrumental . se oficial o indiciado. recairá em oficial de posto não inferior ao de Capitão. o Encarregado do IPM. atendida. sempre que possível. e. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . 15.Tem caráter de instrução provisória. visando colher elementos para tornar possível a propositura da denúncia a ser oferecida pelo Ministério Público. Atribuições do encarregado e do escrivão Conforme At. não podendo ser o mesmo conhecido. Determinar o arquivamento de IPM. O Encarregado é a autoridade de Polícia Judiciária Militar por força de delegação de exercício por parte do Comandante da Unidade. sê-lo-á. em atendimento a requerimento do Ministério Público.495-3 – RS – Relator Ministro OLYMPIO PEREIRA DA SILVA JÚNIOR. sem dar vista da referida decisão à defesa. visto que não existindo ação penal não há contraditório.

c) Ouvir o indiciado. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . 13 do CPPM. para formação deste: a) Tomar as medidas previstas no Art. O escrivão prestará compromisso de manter o sigilo do inquérito e de cumprir fielmente as determinações deste Código.244.10 deverá. no exercício da função. devendo este prestar o devido compromisso com fulcro no parágrafo único do mesmo dispositivo legal: Art.Caso a autoridade delegante não o faça. para formação do respectivo processo investigatório. 11 do CPPM. a autoridade a que se refere o § 2º do Art. e em sargento. se possível:a) dirigir-se ao local providenciando para que se não alterem o estado e a situação das coisas.b) apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação com o fato. se ainda não o tiverem sido. acusado(s) e testemunhas. e todos os procedimentos necessários para se chegar a autoria e materialidade do crime militar. fazer oitiva de vítima(s). o que será publicado em boletim Interno. caberá ao encarregado do IPM a designação do respectivo escrivão. d) Ouvir testemunhas.12 . recaindo em segundo ou primeiro-tenente. (Art. in verbis: Art.d) colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias). tomar medidas preliminares. se não tiver sido feita pela autoridade que lhe deu delegação para aquele fim. Parágrafo único. A designação de escrivão para o inquérito caberá ao respectivo encarregado. enquanto necessário. verificável na ocasião. Para tanto deverá o encarregado observar com atenção o preconiza o Art. 11. O encarregado do IPM deverá.Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal militar. b) Ouvir o ofendido. observado o disposto no Art. subtenente ou suboficial.c) efetuar a prisão do infrator. nos demais casos.12. se o indiciado for oficial.O encarregado do inquérito deverá.13 . com observância do Art. A designação de escrivão deverá ser comunicada à autoridade delegante.

ou a independência para a realização de perícias ou exames. Parágrafo único. h) Proceder a buscas e apreensões. a que precederá despacho do encarregado do inquérito. 172 a 184 e 185 a 189. f) Determinar. nos exatos termos do artigo 21. nos termos dos art. e acareações. devidamente designado pela autoridade delegante ou pelo encarregado do IPM. em espaço dois. o escrivão lavrará o respectivo termo. por ordem cronológica. quando coactos ou ameaçados de coação que lhes tolha a liberdade de depor. que serão digitadas. evitando possíveis lapsos ou equívocos na feitura ou em outro ato de que partícipe. O escrivão. a que precederá despacho do encarregado do inquérito. com as folhas numeradas e rubricadas. mencionando a data. pelo escrivão. g) Determinar a avaliação e identificação da coisa subtraída. ou da qual houve indébita apropriação. De cada documento junto. mencionando a data. por ordem cronológica. tem o dever de prestar toda assistência que se fizer necessária ao encarregado do inquérito. do CPPM.e) Proceder a reconhecimento de pessoas e coisas. com as folhas numeradas e rubricadas. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . em espaço dois. reunidas num só processado e dactilografadas. i) Tomar as medidas necessárias destinadas à proteção de testemunhas. destruída ou danificada. 21. O escrivão desempenha um papel muito importante no auxílio à autoridade policial militar na apuração da infração penal militar desenvolvida no curso do IPM na medida em que é responsável pela reunião e o ordenamento das peças do Inquérito Policial Militar. se for o caso. De cada documento junto. Art. desviada. que se proceda a exame de corpo delito e a quaisquer outros exames e perícias. o escrivão lavrará o respectivo termo. Todas as peças do inquérito serão. parágrafo único. peritos ou do ofendido.

19 do CPPM. indicando no final se houve transgressão CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . não sendo possível ser tratado minuciosamente neste curso. se afigura no acompanhamento de todo procedimento dirigido pelo encarregado de maneira a auxiliá-lo na formação do inquérito. 19. As testemunhas e o indiciado. sempre que tiver de prestar declarações além daquele termo. bem como a impossibilidade de realização de outras. Relatório. que constará da respectiva assentada. Art. em período que medeie entre as sete e as dezoito horas. sendo-lhe facultado o descanso de meia hora. o escrivão deverá formalizar por escrito termo com dia e hora do início deste. exceto caso de urgência inadiável. devem ser ouvidos durante o dia. por ocasião do Inquérito Policial Militar. e. agindo da forma quanto da interrupção e encerramento dos mesmos. devolução e dispensa O Inquérito Policial Militar será encerrado com minucioso relatório onde serão relatadas todas as diligências efetuadas pelo encarregado. 2º A testemunha não será inquirida por mais de quatro horas consecutivas. da mesma forma. remessa. O depoimento que não ficar concluído às dezoito horas será encerrado.Por ocasião das inquirições. tudo expresso no Art. 1º O escrivão lavrará assentada do dia e hora do início das inquirições ou depoimentos. Outrossim. bem como dos depoimentos. 4. deve ser observado o horário e limite. para prosseguir no dia seguinte. do seu encerramento ou interrupções. As atribuições do escrivão. em hora determinada pelo encarregado do inquérito. no final daquele período. logo é de suma importância o conhecimento de todos os procedimentos legais a serem realizados a fim de concluir o devido procedimento investigatório. solução.

sobre a conveniência da prisão preventiva do indiciado.. neste último caso. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . Art. nos caos de crime militar.. juntamente com os instrumentos do crime e objetos que interessam à prova. se as julgar necessárias. O inquérito será encerrado. sobre a conveniência da prisão preventiva do indiciado. O inquérito será encerrado. dirá se há infração disciplinar a punir ou indício de crime. no caso de ter sido apurada infração disciplinar. 1º No caso de ter sido delegada a atribuição para a abertura do inquérito. nos termos legais. Encerrado do IPM. 22. o seu encarregado enviá-lo-á à autoridade de que recebeu a delegação. Estando a autoridade delegante com os autos do IPM conclusos que homologará ou não a solução. com indicação do dia.22 . pronunciando-se. no caso de ter sido apurada infração disciplinar. 1º No caso. hora e lugar onde ocorreu o fato delituoso. justificadamente. se as julgar necessárias. aplique penalidade.. para que lhe homologue ou não a solução. ou determine novas diligências.O inquérito será encerrado com minucioso relatório. aplicando penalidade. em que o seu encarregado mencionará as diligências feitas. pronunciando-se. as pessoas ouvidas e os resultados... 22.disciplinar e/ou indícios de crime militar e/ou comum. seu encarregado expedirá oficio à autoridade delegante encaminhando-o. nos termos legais. Art.. Art. Poderá a autoridade delegante discordar da solução dada pelo encarregado e avocando para si dar solução distinta. ou determine novas diligências. Em conclusão.

Os autos do Inquérito serão remetidos ao auditor da Circunscrição Judiciária Militar onde ocorreu a infração penal. para o preenchimento de formalidades previstas neste Código. O Inquérito Policial Militar deverá ser remetido à autoridade judiciária competente. 28 do CPPM. Os autos do IPM. acompanhados dos instrumentos desta. só poderão ser devolvidos à autoridade policial militar para diligências julgadas imprescindíveis para denúncia pelo Ministério Público ou determinação da autoridade judiciária para preenchimento de formalidades legais.28 .O inquérito poderá ser dispensado sem prejuízo de diligência. a autoridade que o delegou poderá avocá-lo e dar solução diferente.23 . ou para complemento de prova que julgue necessária. O IPM ainda pode ser dispensado nas hipóteses elencadas no Art. a não ser: I .Os autos do inquérito não poderão ser devolvidos a autoridade policial militar. não excedente de vinte dias. Parágrafo Único .Em qualquer dos caso. acompanhado dos objetos que interessam a formação de prova Art.Por determinação do juiz. in verbis: Art. II . requisitado pelo Ministério Público: CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR .26 .2º Discordando da solução dada ao inquérito. antes da denúncia.mediante requisição do Ministério Público para diligências por ele consideradas imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. para a restituição dos autos ”. o juiz marcará prazo. bem como dos objetos que interessem à sua prova. Art.

NOMEAÇÃO DO ESCRIVÃO. DESPACHOS DO ENCARREGADO. TERMO DE PERGUNTAS AO INDICIADO. PORTARIA DE DESIGNAÇÃO DO ENCARREGADO. As peças úteis a elucidação de um crime poderá não ter a mesma importância em outro caso. O Inquérito Policial Militar servirá à apuração de situações fáticas que devido às respectivas peculiaridades dificilmente será idêntico a outro.a) Quando o fato e sua autoria já estiverem esclarecidos por documentos ou outras provas materiais. Contudo. TERMO DE PERGUNTAS AO OFENDIDO. RELATÓRIO. CROQUIS. TERMO DE INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHAS. PERÍCIAS OU EXAMES. quando decorrerem de escrito ou publicação. e a ordem delas nem sempre é a mesma. 5.341 e 349 do Código Penal Militar. b) Nos crimes contra a honra. Roteiro e diligências necessárias. na intenção de melhor guiar na formação do procedimento investigatória em análise. ASSENTADA. CERTIDÕES DE CUMPRIMENTOS DE DILIGÊNCIAS PRELIMINARES. PORTARIA DE INSTAURAÇÃO E ORDENS DE SERVIÇO INICIAIS. cujo autor esteja identificado. AUTUAÇÃO. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . passaremos a expor as peças que poderão formar o Inquérito Policial Militar. c) Nos crimes previstos nos art. TERMO DE COMPROMISSO DE ESCRIVÃO.

TERMO DE COMPROMISSO DE PERITO. AUTO DE RECONSTITUIÇÃO. TERMO DE RESTITUIÇÃO DE COISAS APREENDIDAS. TERMO DE RECONHECIMENTO. REMESSA. CARTA PRECATÓRIA.SOLUÇÃO. comuns e essenciais a todo IPM. AUTO DE PRISÃO (provisória). AUTO DE EXAME DE EMBRIAGUÊS. AUTO DE EXUMAÇÃO E NECRÓPSIA. SOLICITAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA. existem outras relacionadas diretamente ao ato delituoso a ser apurado e diligências a serem realizadas. AUTO DE EXAME DE CORPO DE DELITO (direto e indireto). AUTO DE EXAME PERICIAL (outras perícias). TERMO DE ABERTURA DO 2º VOLUME. AUTO DE EXAME DATILOSCÓPICO. AUTO DE AVALIAÇÃO. AUTO DE EXAME CADAVÉRICO. AUTO DE BUSCA E APREENSÃO. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . AUTO DE EXAME DE SANIDADE. Além das peças supra. TERMO DE ACAREAÇÃO.

criando ou simulando incapacidade. em seu Art. Ausentar-se o militar. 451 a 457 do Código de Processo Penal Militar (CPPM). dentro do prazo de oito dias. Deixa de se apresentar a autoridade competente. dentro de oito dias. A caracterização do crime de deserção se perfaz levando em consideração a necessidade de ser extrapolado os 08 (oito) dias indicado. da unidade em que serve. 187 a 194 do Código Penal Militar (CPM). bem como entre os Art. sendo conhecido como deserção comum. sem licença. ou do lugar em que deve permanecer. chamado prazo de graça. sendo até então apenas considerado como ausente: “Art. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . que se configura com o transcorrer de mais de 08 (oito) dias. a deserção trata-se de crime formal ou mera conduta. Previsão legal Com previsão legal insculpida entre os Art. dentro do prazo de oito dias. 188. Consegue exclusão do serviço ativo ou situação de inatividade.Unidade IV – Do Processo de Deserção 1. Tendo cumprido a pena. O Código Penal Militar. apesar de haver divergência na doutrina. por mais de oito dias” (CPM). findo o prazo de trânsito ou férias. contados daquele em que termina ou é cassada a licença ou agregação ou em que é declarado o estado de sítio ou de guerra. Evadir-se do poder da escolta. apresenta ainda as hipóteses que se assemelham ao tipo penal acima quando o militar se encontrar nas seguintes condições: Não se apresenta no lugar designado. 187. ou fugir em seguida à prática de crime para evitar prisão. ou de recinto de detenção ou de prisão. permanecendo ausente por mais de oito dias (deserção por evasão ou fuga). deixa de se apresentar.

Nos casos de deserção especial não há a exigência do prazo de graça para a consumação do crime de deserção. iniciar-se-á a zero hora do dia seguinte àquele em que for verificada a falta injustificada CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . ORDEM DENEGADA. para desertor alegar por falta de justa causa ou abuso de poder em face exatamente de IPD que lhe cumpre responderem razão do CPM e do CPPM. “ex vi legis”. Após o prazo de graça o militar será considerado desertor. com exigência apenas da configuração da não apresentação do militar no momento da partida de navio ou aeronave de que é tripulante. 243 do CPPM. A contagem dos dias de ausência. Conhecimento e denegação do colacionado “writ” Poe falta de amparo legal. “juris et de jurus”. Decisão por unanimidade. LAVRATURA DO RESPECTIVO TERMO. de que é tripulante.033898-5 REL MIN JOSÉ ALFREDO LOURENÇO DOS SANTOS. para efeito da lavratura do termo de deserção. INÍCIO DA CONTAGEM DOS DIAS DE AUSÊNCIA. DESERTOR TIDO COMO AIDÉTICO. 190.2004.01. impondo ao desertor um contínuo estado de flagrante delito.05. Declaração de se encontrar com Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida (SIDA) não basta. (STM HC 2004. DJ 13.) Para que ocorra a consumação do crime de deserção o militar precisa se ausentar por 01 (um) dia seguindo a contagem de mais 09 (nove) dias. ou do deslocamento da unidade ou força em que serve: “Art. situação esta determinante que se veja preso imediatamente. A deserção se tem como um crime instantâneo de efeitos permanentes. ou do deslocamento da unidade ou força em que serve”. Nesta situação o militar estará em estado de flagrância. Inteligência do Art. haja vista ser classificado como crime permanente: HABEAS CORPUS. BUSCA PREVENTIVA DE “MANDAMUS” PARA NÃO SE VER PRESO E PODER RESPONDER PROCESSO EM LIBERDADE. para ficar a disposição da justiça castrense. Assim se posicionou o STM: CRIME DE DESERÇÃO. POSTULAÇÃO INSUSTENTÁVEL. Deixar o militar de apresentar-se no momento da partida do navio ou aeronave.

do militar (art. Relator Ministro FLÁVIO DE OLIVEIRA LENCASTRE.236/91).01. Não se apresentar no lugar designado Deixar de se apresentar a autoridade competente após agregação ou licença ou após declaração do estado de guerra ou de sítio Deixar de se apresentar após cumprimento de pena Deserção Especial – É o crime tipificado no Art.034006-8/RS. ‘In casu’. não há falar-se em crime. Modalidades de deserção Deserção “Comum” – É o Crime tipificado no Art. mas em mera transgressão disciplinar. Portanto. Antes da consumação do crime de deserção.190 do Código Penal Militar que ocorre quando o militar deixa de apresentar-se no momento da partida do navio ou CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . Sessão de 31/03/05).05. Decisão unânime (HABEAS CORPUS Nº 2005. 451. o militar é considerado ausente por oito dias. Caso retorne ao serviço nesse período de ausência. Por falta de amparo legal. Conhecido do pedido e denegada a Ordem.01.05. do CPPM – redação dada pela Lei nº 8. considerando p prazo de graça: Afasta-se consciente e voluntariamente da Organização Militar a que pertence ou do lugar que deveria estar presente. devendo nessa esfera o fato ser tratado. correto o entendimento da Administração Militar em iniciar a contagem dos dias de ausência a partir de zero hora do dia 12.01.187 e 188 do Código Penal Militar que ocorre quando o militar se incorre nas seguintes hipóteses. 2. o ora paciente faltou a Revista do Recolher do dia 11. § 1º.

aeronave de que é tripulante ou do deslocamento da unidade ou força em que serve. No que refere ao processo de deserção observa-se acerca da deserção em geral. O processo inicia-se com o recebimento da denúncia pelo juiz. No Direito Processual Militar esta consubstanciado o processo ordinário. prevista nos Art. prevista nos Art. estão previstos em leis ou em outros dispositivos vigentes. quer resolva o mérito quer não. bem como trás os processos especiais dentre eles o de deserção. cabendo ao juiz exercer o poder de jurisdição. efetiva-se com a citação do acusado e extingue-se no momento em que a sentença definitiva se torna irrecorrível.’ 456 e 457. Do processo de deserção Processo. e da deserção de praça com ou sem graduação e de praça especial. e o de defesa pelo acusado. Nestes casos a lavratura do termo de deserção será imediata conforme § 2º do art. conforme artigo 451 a 457 do mesmo diploma legal. da deserção de oficiais. nos Códigos de Processo. no contexto jurídico.’s 454 e 455.prevista nos Art. uma sequência de atos que visam a produzir um resultado e. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . 3. em direito. capitulado entre os artigos 384 a 450 do CPPM. O direito de ação é exercido pelo Ministério Público. 451 do CPPM.tudo do CPPM. é um modo de proceder. na Constituição Federal e em legislações especiais como o Código de Processo Penal Militar (CPPM). Civil e Penal. como representante da lei e fiscal da sua execução. em nome do Estado. As regras do processo judicial no ordenamento jurídico brasileiro estão contidas.’s 451 e 452. em sua maioria.

sujeitando. ou autoridade correspondente. De posse dos documentos referidos. ou autoridade correspondente. independentemente de sua apresentação voluntária ou sua captura. in verbis: O termo de deserção tem caráter de instrução provisória e destina-se a fornecer os elementos necessários a propositura da ação penal. o processo retornará a autoridade judiciária a qual determinará aguardar pela apresentação voluntária ou captura do desertor. consoante se depreende da redação do artigo 452 do Código de Processo Penal Militar. consubstanciada nos artigos 454 e 455. publicando-o em Boletim Interno acompanhado da parte de ausência. o desertor a prisão. Do processo deserção de oficial – Ao decurso do prazo de graça o Comandante ou quem de direito fará lavrar o termo de deserção circunstanciado com a qualificação do militar. consoante previsto no Código Penal Militar. Seguidamente a autoridade militar remeterá o termo de deserção à Auditoria Militar competente acompanhado da parte de ausência. conforme artigos 456 e 457 do mesmo diploma legal. uma relativa aos oficiais. ou ainda autoridade superior. juntamente com duas testemunhas idôneas. Do Procedimento para a lavratura da Instrução provisória de Deserção Consumado o crime de deserção. O termo de deserção poderá ser impresso ou datilografado. o Comandante da Unidade. fará lavrar o respectivo termo de deserção. À partir de então.4. no qual assenta sua assinatura juntamente com mais duas testemunhas idôneas. sendo pela denúncia. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . cópia do Boletim Interno e os assentamentos do militar desertor. e seguidamente publicado em Boletim Interno. inventário. pelo militar responsável pela lavratura do respectivo termo. e outra relativo às praças. O processo de deserção previsto no CPPM se apresenta dividido em duas hipóteses. desde de logo. a autoridade judiciária encaminhará o processo ao Ministério Público que se posicionará pelo arquivamento ou pela denúncia. ou ainda autoridade superior. o termo de deserção passa a ter um caráter de mandado de prisão. O oficial desertor ficará na qualidade de agregado até transitado em julgado o processo. sendo assinado pelo Comandante da Unidade.

será reincluído e agregado pela Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP). Nos casos de Subunidade isolada ou em destacamento. Decorrido o prazo de graça. sendo considerado “Apto”. especial ou graduada. Do contrário. o Comandante fará lavrar o termo de deserção. onde se mencionarão todas as circunstâncias do fato. preferencialmente oficiais. julgando-o “apto” ou “inapto” para o serviço policial militar. deverá remeter ao respectivo Comandante da Unidade Militar a parte de ausência. o desertor sem estabilidade deverá excluído do serviço ativo. Diante dos fatos. Recebido os documentos ora mencionados. e sendo capturado ou se apresentado. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . o Comandante da Unidade Militar mandará proceder ao inventário com a assinatura de duas testemunhas idôneas.Retornando o desertor por voluntariedade ou pela força. Do processo deserção de praça com ou sem graduação e de praça especial – O Comandante da subunidade a que pertença a praça. com a remessa da Ata e Atos de Reinclusão e Agregação ao juiz competente. Esse procedimento deverá ocorrer após vinte e quatro horas de iniciada a contagem dos dias de ausência.podendo ser lavrado por uma praça. o desertor sem estabilidade estará isento da reinclusão e do processo que será arquivado sendo ouvido o Ministério Público. Publicado o Termo de Deserção. o respectivo Comandante providenciará o inventário assinando-o juntamente com duas testemunhas idôneas. Sendo julgado “inapto”. na Junta Médica de Saúde que expedirá a respectiva Ata. a autoridade militar comunicará ao juiz-Auditor o qual procederá ao sorteio e convocação do Conselho Especial de Justiça e demais atos processuais para ao final sentenciar acerca do processo. e assinado pelo próprio comandante e por duas testemunhas idôneas. será submetido à inspeção de saúde. o comandante da Subunidade ou correspondente encaminhará parte de deserção acompanhada do inventário ao Comandante da Unidade Militar competente.

k. h. cópia do Boletim Interno e os assentamentos do militar desertor. a autoridade militar comunicará ao juiz-Auditor o qual procederá ao sorteio e convocação do Conselho Especial de Justiça e demais atos processuais para ao final sentenciar acerca do processo. j. f. sendo pela denúncia. d. b. o processo retornará a autoridade judiciária a qual determinará. a autoridade judiciária encaminhará o processo ao Ministério Público que se posicionará pelo arquivamento ou pela denúncia. Parte Ausência. Mandado de Diligência. e. Exclusão do Serviço Ativo ou Agregação (estável). 08 dias após. Inventário dos Bens. Termo de Deserção. caso ainda não tenha ocorrido o retorno do desertor. tendo mais de 10 anos de serviço ativo. Termo de Diligências. Captura ou Apresentação. aguardar pela apresentação voluntária ou captura do desertor. Publicação em BI. Nomeação de Oficial p/ Inventário.em sendo capturado ou se apresentando será revertido independente de inspeção de saúde. Publicação em BI. este deverá ser agregado.Quanto a praça com estabilidade. i. Com a publicação do termo de deserção pelo Comandante da Unidade Militar. Remessa à Autoridade judiciária competente. l. CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . inventário. este deverá remetê-lo à Auditoria Militar competente acompanhado da parte de ausência.Reinclusão ou Reversão (estável). g. c. SEQÜÊNCIA DE ATOS: a. Parte de Deserção. De posse dos documentos referidos. Retornando o desertor por voluntariedade ou pela força.

p. n. “Apto” = Reinclusão + Agregação. o.m. (Nota: as letras m a q não se aplicam às praças com estabilidade assegurada) CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTO – CEMET – I DIREITO PROCESSUALPENAL MILITAR . Ata de Inspeção. q. Inspeção de Saúde. “Inapto” = Isenção + Arquivamento. Remessa à Autoridade judiciária competente.

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