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ALEXANDRE BROCH

DAIANI DO CARMO KRUGER


FÁBIO RICARDO RUSCH
FRANCELI MARILU GROSKOPF
MILENA MERI DA SILVA DE ARAUJO
MÔNICA DA SILVA
PRISCILA BRUSAMARELLO
VERA LÚCIA MENDES

TERAPIA OCUPACIONAL NA INCLUSÃO ESCOLAR


O TEATRO COMO RECURSO INCLUSIVO

Artigo científico apresentado ao curso de Terapia


Ocupacional, da Faculdade de Ciências de
Joinville, mantida pela Associação Catarinense
de Ensino, no Módulo de Estágio de Inclusão
Escolar, sob a orientação das professoras Drª.
Aliciene Machado, Ms. Julia Hein, Esp. Winny
Kessy Keller da Costa.

JOINVILLE
2007
TÍTULO: TERAPIA OCUPACIONAL NA INCLUSÃO ESCOLAR – O TEATRO
COMO RECURSO INCLUSIVO

AUTORES: ALEXANDRE BROCH, DAIANI DO CARMO KRUGER, FÁBIO


RICARDO RUSCH, FRANCELI MARILU GROSKOPF, MILENA MERI DA SILVA DE
ARAUJO, MÔNICA DA SILVA, PRISCILA BRUSAMARELLO, VERA LÚCIA
MENDES.

ORIENTADORES: Drª. Aliciene Machado, Ms. Julia Hein, Esp. Winny Kessy Keller
da Costa.

RESUMO

Este artigo é resultado de um trabalho de pesquisa de campo realizado pelos


estagiários de Terapia Ocupacional, no módulo de inclusão escolar, na Associação
Catarinense de Ensino, envolvendo alunos, pais, professores e demais funcionários
de uma escola particular. Primeiramente realizaram-se observações com os alunos
do Ensino Médio, a partir da qual foi realizada uma intervenção, voltada aos
aspectos comportamentais da inclusão escolar. Optou-se pelo teatro como recurso
terapêutico ocupacional a fim de evidenciar e discutir valores e aspectos conflitantes
do comportamento humano referentes à inclusão.

Palavras-Chaves: Comportamento. Inclusão Escolar. Terapia Ocupacional.


Teatro.
INTRODUÇÃO

Nas discussões a respeito do papel da Terapia Ocupacional na inclusão


escolar do aluno com necessidades educativas especiais1, é muito comum abordar
questões referentes às adaptações físicas, no mobiliário, ou no material escolar, as
quais de fato possibilitam melhoras posturais e de ajustamento, auxiliando e por
vezes sendo fundamentais no processo de aprendizagem. Porém, pouco se
discutem questões que dizem respeito aos comportamentos dos colegas, as
interações entres os grupos, ou ainda o impacto de uma adaptação no contexto
escolar.
A inclusão escolar não depende somente de adequações posturais e físicas,
mas de todo um contexto existente que requer a atuação dos pais, alunos,
professores e equipe técnica da instituição (DUTRA et al., 2002).
O presente trabalho visa abordar justamente estas questões, investigando
formas de intervenção da Terapia Ocupacional no processo de inclusão escolar,
principalmente nos casos onde a necessidade especial não é física.
Para tanto, selecionou-se uma demanda a partir de 54 alunos de três turmas
do Ensino Médio, na qual verificou-se a necessidade de realizar intervenções que
abrangessem os aspectos comportamentais dos educandos. Para se chegar a tal
conclusão, foram realizadas observações nas turmas do primeiro, segundo e terceiro
ano, verificando a dinâmica das interações entre os educandos. Segundo Vianna “A
observação na escola, centrada na sala de aula, caso seja feita segundo os
princípios definidos pela sua metodologia, pode gerar elementos que esclarecem o
ocorrido, mesmo os que são familiares ao professor, pela sua atuação diária em
sala, e ao pesquisador por suas atividades específicas” (VIANNA, 2003 p. 73). A
partir daí, buscou-se então conhecer o que diziam os autores da inclusão escolar em
relação a estes aspectos.
Como proposta de intervenção criou-se uma peça teatral, na qual evidenciou-
se os efeitos que as pessoas exercem umas sobre as outras, não somente no

1
De acordo com a definição do Ministério da Educação, alunos com necessidades educacionais
especiais apresentam, durante o processo educacional, dificuldades acentuadas de aprendizagem
que podem ser: não vinculadas a uma causa orgânica específica ou relacionadas a condições,
disfunções, limitações ou deficiências, abrangendo dificuldades de comunicação e sinalização
diferenciadas dos demais alunos, bem como altas habilidades/superdotação.
contexto escolar mas no contexto geral das relações humanas. Por meio do teatro a
proposta foi proporcionar uma discussão com os alunos a respeito do significado dos
papéis assumidos, acreditando que tal reflexão é fundamental no processo da
inclusão no contexto escolar.
No contexto escolar deve-se buscar a inclusão em sua totalidade abordando
questões comportamentais e grupais, além de aspectos físicos e adaptativos, pois a
concretização do aprendizado é tão importante quanto o simples ato de segurar um
lápis.
REVISÃO DE LITERATURA

A inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais tem sido uma


das propostas norteadora das práticas educacionais no Brasil atualmente. As bases
legais da inclusão escolar preconizam a inclusão dos alunos com necessidades
educacionais especiais na escola regular. A Constituição de 1988, no artigo 208,
prevê “(...) atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência e
ensino profissionalizante na rede regular de ensino (...)”; e mais recentemente, em
1994, a Declaração de Salamanca tem como princípio fundamental “que as escolas
devem acolher todas as crianças independentemente de suas condições físicas,
intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas e outras” (p.3). Em outro trecho ainda
ressalta que “as pessoas com necessidades educativas especiais devem ter acesso
às escolas comuns que deverão integrá-las em uma pedagogia centralizada na
criança, capaz de atender a essas necessidades” (p.1).
Tamanho avanço se pensarmos que antes do século XX a maioria das
pessoas (mulheres, pobres, deficientes) não tinha o direito e as mínimas condições
de freqüentar a escola. Com o surgimento das escolas especiais ocorreu a
separação do ambiente escolar em dois sistemas: a escola comum e a escola
especial. Marques (1994, apud SOUSA, 2003) destaca a dualidade de sentidos
existente na organização e manutenção das chamadas instituições especializadas,
as quais por um lado de forma explícita, transmitem a idéia de que existiriam para
proteger e preparar as pessoas com deficiência para uma futura integração no
ambiente social, mas por outro lado, num sentido menos aparente, traziam a
ideologia camuflada de atendimento aos interesses da sociedade dos normais de
identificação e isolamento dos desviantes.
Na atualidade, podemos considerar que uma escola tem uma política inclusiva
quando proporciona uma educação voltada para todos de forma que qualquer aluno,
independentemente de possuir ou não necessidades especiais, tenha condições de
conhecer e aprender num ambiente livre de preconceitos que estimule suas
potencialidades e a formação de uma consciência crítica (MARQUES; MARQUES
1994 apud SOUZA, 2003).
Como a proposta da inclusão é relativamente nova num contexto geral, não é
incomum nos depararmos com uma confusão de conceitos em relação aos termos
integração e inclusão, pois muitas vezes o que constatamos é apenas a integração e
não realmente a inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais.
Conforme coloca Mantoan (2002, p. 21) “Os dois vocábulos – “integração” e
“inclusão” – conquanto tenham significados semelhantes, são empregados para
expressar situações de inserção diferentes e se fundamentam em posicionamentos
teórico-metodológicos divergentes”. Integração pressupõe a adaptação do aluno à
escola, e esta deve ser transformada para estar apta para receber as necessidades
de cada indivíduo, devendo ser de responsabilidade de todos os pais, professores,
alunos e funcionários.
A inclusão parte do princípio de que é responsabilidade de todos, pais,
professores, estudantes, que a escola e a sociedade em geral devem ser
transformadas para adaptar-se as necessidades de cada um.
Mantoan (2002, p. 24) ainda acrescenta:

O objetivo da integração é inserir um aluno, ou um grupo de alunos, que já


foi anteriormente excluído, e o mote da inclusão, ao contrário, é o de não
deixar ninguém no exterior do ensino regular, desde o começo da vida
escolar. As escolas inclusivas propõem um modo de organização do
sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e
que é estruturado em função dessas necessidades.

A exclusão tem um sentido especial no caso da educação, por envolver fortes


aspectos simbólicos. A falta de acesso à educação é um fator poderoso na
determinação das situações de exclusão. Por outro lado, o simples acesso a escola
não é fator determinante de inclusão social. A qualidade da aprendizagem e o
próprio ambiente escolar ao mesmo tempo em que podem ser fatores de inclusão
podem contribuir para excluir outros tantos, tanto objetivamente, pelas oportunidades
diminuídas ou negadas, como subjetivamente, pela vivência de experiências de
rejeição social e de não reconhecimento de identidade.
Enquanto estiver sendo garantida ao estudante apenas o lugar de não
aprender, do não saber, estaremos negando-lhe a possibilidade da positividade do
conhecimento: do aprender, do saber. Continuaremos garantindo-lhe apenas o não
lugar na escola e o não lugar é fruto do processo de exclusão escolar.
Na inclusão escolar é indispensável que os estabelecimentos de ensino
adotem práticas adequadas às diferenças dos alunos em geral, oferecendo
alternativas que contemplem a diversidade, além de recursos de ensino e
equipamentos especializados que atendam a todas as necessidades educacionais
dos educandos (MANTOAN, 2002).
Mas implementar tais práticas de transformação no cotidiano escolar não é tão
simples quanto pensamos. Ao nos deparamos com as diferenças, a maneira mais
fácil de entendê-las é falando de preconceito, que é o mais antigo obstáculo e difícil
de ser admitido por toda nossa sociedade.
No processo de inclusão englobando a escola, podem-se receber além de
alunos com deficiências físicas, também pessoas com necessidades educativas
especiais. Para tanto, é necessário seguir-se os recursos disponíveis nas normas da
ABNT solicitando os serviços prestados pela Terapia Ocupacional, como: a
implantação de rampas, corrimões nas paredes, elevadores, banheiros adaptados,
portas largas, órteses, goteiras, as adaptações em canetas, ventosas para fixar o
papel, pesos, pranchetas, entre outros.
Contudo, a inclusão escolar não depende somente de adequações posturais e
adequações físicas. Um dos grandes fatores da exclusão no âmbito escolar são as
interações estabelecidas no grupo. Pesquisadores na área de interação social
identificaram que estudantes rejeitados socialmente interagem diferentemente, com
a agressividade, rejeição e ignoram outros alunos com mais freqüência do que os
estudantes aceitos socialmente. Assim, os atuais estudos, nos remetem ao fato de
que a competência social em crianças é essencial para ajustamentos futuros. O que
ocorre com alunos com necessidades educativas especiais é a exclusão pelo grupo
social, pelo fato da sociedade não estar preparada culturalmente para lidar com a
diversidade (BATISTA; ENUMO, 2004).
O processo de inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais
possibilita que essas interajam espontaneamente em situações diferenciadas
enquanto adquirem conhecimento e se desenvolvem.
As diferenças comportamentais e físicas dos alunos em relação aos seus
colegas dificultam a assimilação no grupo, acentuando até mesmo, o contraste entre
eles. Harris (1995, apud BATISTA; ENUMO, 2004) considera que rejeição ao
estranho ou diferente faz parte do processo de formação de grupos.
Deste modo, Turner (1984, apud BATISTA; ENUMO, 2004) salienta que a
afiliação ao grupo acarreta uma reação por parte de seus membros. Portanto, não é
só pela proximidade que alguém se acha pertencente ao grupo, ele tem que se
identificar com este, pois é este o processo básico de formação de grupo.
Reside aí então, a importância de se desenvolver e construir a inclusão
escolar para que realmente haja a aceitação desses alunos no grupo e fazendo com
que este se perceba de modo semelhante e respeite as diferenças, diminuindo o
preconceito e aumentando sua auto-estima.
Sendo assim, mudanças na educação no sentido de promover a inclusão
desses estudantes no ambiente de ensino não são benéficas somente para esses
alunos, mas também para aqueles sem necessidades educativas especiais.
Nesse sentido atua o Terapeuta Ocupacional, que além de desenvolver
trabalhos nas áreas clínicas, hospitalares, psiquiátricas e sociais, também atua na
área escolar, possibilitando uma integração do indivíduo ao contexto educativo,
utilizando para isso, recursos terapêuticos analisados e indicados para cada
demanda.
Dentro destas demandas propostas neste trabalho, tendo como foco o
contexto da inclusão escolar, a Terapia Ocupacional como ciência que possui
pressupostos teóricos baseados em métodos de intervenção por meio de atividades
tendo por objetivo promover a saúde, corrigir ou reduzir situações prejudiciais ao
indivíduo, reforçando capacidades funcionais seja nos aspectos físicos, psíquicos ou
sociais, proporciona habilidades essenciais, tornando o indivíduo na medida de
possibilidades mais aptas, independentes e produtivas na sua vida, considerando a
realidade dentro de sua esfera social.

A Terapia Ocupacional examina os fatores sociais, psicológicos e físicos


que permitem a pessoa tornar-se independente o quanto possível no seu
desempenho em casa, na escola e ou ambiente de trabalho (ANDERSON E
MALASKI, apud BENETTON, 1999 p. 12).

Examinando esse fatores externos observados por Anderson e Malaski e a


gravidade de seus efeitos sobre o indivíduo, neste caso o que possui necessidades
educativas especiais bem como os demais integrantes do cenário escolar como pais
e professores, o Terapeuta Ocupacional, encontra em variadas demandas
decorrentes de cada um destes contextos bem como, encontrando junto dos demais
profissionais atuantes do mesmo contexto os pressupostos teóricos, necessários
para sua intervenção, sendo estas por meio da aplicação de atividades direcionadas
para um determinado objetivo.
Segundo Bartalotti e Carlo (2004) essas atividades, são constituídas por um
conjunto de ações que apresentam qualidades, demandam capacidades,
materialidade e estabelecem mecanismos internos para sua realização. Sendo
assim, o Terapeuta Ocupacional, inserido neste contexto, podendo ser este uma
clinica ou uma escola, recebendo determinadas demandas deste contexto em que
ele se insere, procurando resolver, com seu raciocínio clínico e os métodos de
análise dessas atividades podendo vir a elaborar, se necessário, o desdobramento
das atividades pertinentes a este contexto em etapas, para melhor montar a sua
intervenção.
Segundo Ferrari (1990), esta ferramenta própria do Terapeuta Ocupacional, a
atividade, podendo ser da mais simples a mais complexa, deve ser utilizada na
tentativa de instaurar um campo onde a expressão, a informação e a comunicação
possam se tornar os elementos fundamentais para solucionar determinada demanda
proposta.
Desta maneira Bueloni (1994), refere que esses fatores ligados a aplicação de
atividades pelo Terapeuta Ocupacional, possibilitam microtransformações capazes
de alterar a vivência, sem extrair o indivíduo do seu contexto social, sem negar o
problema, até mesmo seus possíveis estigmas e efeitos culturais e ideológicos, ao
contrario, podendo trazer ao nível de sua consciência esses fatores.
Desta forma, as atividades passaram a constituir na Terapia Ocupacional, um
campo prático de pesquisa e reflexão, sendo reconhecida como importante recurso a
ser estudado e investigado para fundamentar e redimensionar como pratica de
intervenção terapêutica.
No espaço escolar são diversas as ações possíveis para o terapeuta
ocupacional. Referente a barreiras arquitetônicas, a Terapia Ocupacional propõe
soluções tais como rampas suaves, apoios, guias rebaixadas, pisos antiderrapantes,
portas largas, corredores largos, corrimões, sanitários acessíveis a cadeira de rodas,
elevadores, parques e pátios acessíveis.
A Tecnologia Assistiva trata de todo equipamento, utensílio, ou adaptação que
possa ser usada para manter, potencializar ou recuperar a capacidade funcional de
crianças com limitações físicas ou cognitivas capacitando o professor para a
observação de necessidades, indicações e, em alguns casos, manufatura de
adaptações específicas para o aluno como engrossadores de lápis, de giz de cera,
criação de suporte para livros e outros aparatos específicos, além de adaptação de
jogos e do próprio material pedagógico que, dentro da tecnologia assistiva, vem
facilitar e viabilizar a escolarização da criança deficiente.
Para comunicação alternativa se que faz uso de ícones que representam
necessidades e interesses das crianças a se servirem destes para emitir suas
mensagens de forma mais simplificada.
As orientações proporcionadas pelo terapeuta ocupacional no âmbito escolar,
podem fornecer subsídios ao professor para elaborar as atividades pedagógicas. O
terapeuta ocupacional auxilia e favorece aos estudantes com necessidades
especiais a praticar, refinar e expandir os seus repertórios de competência social,
educacional, emocional, tendo assim, melhor probabilidade de desenvolver relações
no contexto social, oportunizando uma nova forma de ver o outro e conviver com as
diferenças. Sendo assim, a demanda focada no âmbito escolar são educandos com
deficiência física, sensorial, mental e com transtornos invasivos do desenvolvimento.
Diante disso, podemos afirmar que a grande questão não é apenas integrar. É
necessário que haja, na prática, a adoção de uma política educacional que promova
mudanças curriculares, efetivando a participação dos pais, instrumentalizando a
escola, capacitando e apoiando os profissionais que lidam com essas crianças, já
que todos fazem parte dos agentes essenciais para o processo de inclusão.
METODOLOGIA

O curso de Terapia Ocupacional desenvolveu uma pesquisa de campo do tipo


qualitativa, envolvendo 54 alunos do ensino médio da Associação Catarinense de
Ensino, juntamente com seus pais, 12 professores e 6 funcionários.
Segundo Minayo et al. (1994), a pesquisa qualitativa se preocupa com um nível
de realidade que não pode ser quantificado, trabalhando com um universo de
significados, motivos, valores, atitudes entre outros processos e fenômenos que não
podem ser reduzidos a operacionalizações de variáveis.
Utilizou-se como instrumento de pesquisa, questionários abertos e três
observações de campo semanais durante duas semanas ocorridas durante as aulas,
bem como o teatro como recurso terapêutico ocupacional, denominado “Os
Acionadores”.
Além das propriedades terapêuticas das expressões teatrais, esta peça de
teatro “Os Acionadores”, foi utilizada como forma de comunicação entre os
pesquisadores e os alunos envolvidos no processo de inclusão, já que demonstra de
forma descontraída e objetiva, a problemática do processo de efetivação das
relações interpessoais.
Os materiais utilizados nesta intervenção foram derivados da arte cênica como
cenário, roupas de caracterização com um alvo anexado, recursos audiovisuais e
uma bola.
A intervenção prática foi um recurso utilizado com base nos resultados dos
questionários, a partir dos quais, identificou-se a demanda existente a ser trabalhada
na área de Inclusão escolar.
Deste modo, o curso de Terapia Ocupacional oportunizou com a intervenção,
o processo de aceitação da diversidade promovendo o exercício de igualdade de
diretos e valores também atribuídos às pessoas com necessidades educativas
especiais.
Para esta intervenção utilizou-se a Estrutura Aplicada de Referência
Psicossocial Materialista Histórico, na qual de acordo com Francisco (2001), a
terapia ocupacional atua no processo terapêutico por meio do fazer atos, ações,
atividades, onde o indivíduo possa reconhecer-se como sujeito que cria, atua,
reconhece, organiza e gerencia o seu cotidiano concreto. Assim, o lugar onde
convive com as contradições vividas pelas suas ações cotidianas trazendo para o
fazer concreto no manuseio de diferentes matérias/ atividades/ situações – abrindo,
assim a possibilidade de reconhecimento e enfrentamento de suas dificuldades
cotidianas, na busca por um enriquecimento de suas necessidades e possibilidades
concretas, no interior da coletividade.
Além dessa abordagem, utilizou-se também a Estrutura Aplicada de
Referência Psicossocial de Trabalho em Grupo, sendo que, de acordo com
Hagedorn (2003), utilizando a Abordagem de Habilidades Interativas (técnicas e
atividades sociais, encenação e treinamentos de habilidades sociais), pode-se
trabalhar habilidades de interação com outras pessoas que só podem ser adquiridas
por meio da experiência; e Abordagem Psicoterapêutica de Grupo (técnicas de
encenação, projeção), por considerar que a interação com outras pessoas fornece
meios de alcançar crescimento e discernimento pessoal, alem de desenvolvimentos
das habilidades interativas.

.
RESULTADOS

Para que se desse a intervenção, considerou-se a necessidade


verificada de objetivar a exposição de aspectos conflitantes do comportamento do
grupo de estudantes, onde este elege e utiliza membros para realizar suas vontades,
fazendo-os, por meio de manipulações específicas, exercerem determinadas
posturas, por vezes inadequadas (anti-sociais/agressivas, como xingar o professor
frente a várias pessoas, por exemplo). Aquele que realiza a função ordenada fica em
detrimento, não somente pela exposição e sucessivo detrimento moral, mas também
por exercer uma segunda vontade do grupo, a de ser o “bode expiatório”, o
inadequado que “carrega o rótulo”. Na especificidade de reproduzir aspectos
qualitativos da subjetividade humana, o teatro se fez uma importante e eficaz
ferramenta.
O Roteiro da peça “Os Acionadores” se deu em torno de “fragilidades
emocionais” que tornam o indivíduo vulnerável na interação social. Nesse contexto, a
especificidade está na relação com um outro, esse que pode (de forma consciente
ou não-consciente) incitar (acionar) tal fragilidade para obter algum tipo de benefício
no comportamento resultante. Descrevendo de forma simples, essa relação se dá
quando uma pessoa instiga a outra em seu “ponto fraco”, exatamente em um
aspecto sensível ao instigado previamente conhecido pelo instigador.
Como forma de concretizar simbolicamente o comportamento e, ao mesmo
tempo, chamar a atenção para este, criou-se um recurso cênico, uma bola a qual era
arremessada, dada ou oferecida ao outro (como elemento instigador) enquanto
aquele que recebia possuía um alvo representando a sua fragilidade.
Para representar que as fragilidades emocionais não são exclusividades de
alguns, mas sim, características comuns inerentes de todo ser humano, todos os
demais personagens da peça possuíam o alvo, e da mesma forma, todos eram
instigados de alguma forma, dentro de sua especificidade, por meio da bola.
Para contextualizar em cena a dinâmica de uma relação grupal como se faz
em uma sala de aula, consideraram-se características específicas e necessárias a
serem reproduzidas. Primeiramente esse ambiente não poderia remeter diretamente
a uma sala de aula ou a relacionamentos infantis/adolescentes com comportamentos
inadequados óbvios, pois dessa forma poderia resultar em rejeições e posturas
defensivas por parte do público-alvo, considerando a agressividade uma
especificidade do comportamento desse grupo. Outras características foram
consideradas necessárias para a elaboração do ambiente cênico, como um meio
social que promovesse uma obrigatoriedade de convívio por tempo prolongado; que
possuísse situações de tensão, competitividade, boicotes, amizades e pessoas
simbolizando autoridade. Escolheu-se então como cenário principal um ambiente de
trabalho adulto, um escritório.
Criou-se oito personagens, cada um com características próprias e
reconhecíveis socialmente, acentuadas de forma caricata para fazerem-se notórias
as intenções e os objetivos pessoais no decorrer da história, evidenciando assim a
dinâmica da relação grupal. O personagem protagonista foi caracterizado como
aquele que faz “tudo a todos”, que tenta sustentar os problemas alheios sentindo-se
obrigado enquanto os demais realizam exigências por todos os lados. Uma
característica afetiva do protagonista é a tensão, aparentando ser o mais correto e
estar sempre em dívida com algo, tentando fazer o possível para alcançar os
objetivos, mas frustrando-se continuamente por não saber estabelecer limites em
suas relações. Perante o grupo, esse se torna um trunfo, pois o agridem de forma
subliminar e contínua para obter benefícios, como por exemplo, para afetá-lo
moralmente frente ao “Chefe” o provocam (dentro de suas especificidades, como
apelidos provocativos e cobranças) ao ponto de um surto frente a todos de seu
trabalho.
A esposa do protagonista foi caracterizada como uma das principais pessoas
que exercem tal cobrança sobre o mesmo, focalizando desde o iniciar da história
somente em seus problemas e necessidades pessoais, evidenciando o “dever” que o
protagonista tem e que esse não possui o direito de resposta em sua defesa. Em
vários momentos da peça (os momentos mais inoportunos) a esposa liga com uma
notícia ótima (para ela) ou drástica exigindo de seu marido uma resolução imediata.
No ambiente de trabalho, um importante personagem do contexto é o
sabotador, esse dotado de especial inveja perante o protagonista. Não agrega valor
algum ao trabalho preocupando-se somente em degradar os demais para posicionar-
se favoravelmente, principalmente frente ao Chefe. Representa também um
estrategista, concentrando-se nas fragilidades emocionais individuais e mobilizando
reações de todo o grupo para seu benefício. Sua fragilidade “acionável” é verificar
que o outro está bem, progredindo e produzindo.
Os demais personagens do ambiente de trabalho são:
- A secretária do protagonista – Fiel ao seu Chefe tomando à frente seus
conflitos. Possuidora de fragilidades, como inseguranças ao apresentar algum
trabalho frente a várias pessoas e reações emocionais súbitas/não-pensadas.
- A promíscua – Essa personagem não só faz parte do contexto
comportamental referido como também possui uma especial importância cômica à
dramatização, assediando sexualmente o protagonista ao seu constrangimento.
Apresenta-se também volúvel (com comportamentos instáveis) e fútil (ligada a
valores superficiais) características essas utilizadas pelo grupo como fragilidades
“acionáveis”.
- A chorosa – Personagem que passa a história toda chorando por conta de
seus problemas afetivo-amorosos não dando, dessa maneira, a devida atenção aos
eventos que ocorrem a sua volta. Sua fragilidade emocional está na baixa auto-
estima. O grupo vale-se dela facilmente, tornando-a por vezes, um “bode expiratório”
para o alcance dos objetivos.
- O sabotador júnior - Da mesma forma que o sabotador, este personagem
não agrega nada ao meio, apresentando, por vezes, ser dotado de uma necessidade
de degradar o outro, independendo da causa bastando-se com a oportunidade. É
“júnior” por que não é estrategista. Por vezes aparenta certa ingenuidade cometendo
gafes em suas maldades. O sabotador o utiliza como porta de entrada para iniciar ao
grupo a dinâmica de ações e reações agressivas.
- A Chefe – Único personagem que não utiliza os outros para resolver suas
questões. Personalidade firme, sem se deixar enganar com as manipulações do
meio. No escritório não cria relacionamentos afetivos, sendo indiferente aos seus
funcionários. Não os trata nem bem, nem mal, apenas como deve de acordo com o
momento. Sua atenção é disputada pelo grupo, principalmente pelo sabotador.
Esses personagens se fizeram necessários para a reprodução de algumas
dinâmicas comportamentais, essas que ocorrem por reações em cadeia como um
“circuito de dominós”, iniciando por uma pessoa e sucedendo em todas as demais
até um determinado fim, como, por exemplo, em certo momento, após inúmeras
agressões de sua esposa o protagonista apresenta um projeto em reunião que é
desaprovado, desprezado e até ridicularizado pela equipe sob a regência do
sabotador. O protagonista segue então até sua secretária e descarrega sua aflição
por meio de cobranças à moça passando a bola a ela. A secretária sai correndo
desesperadamente e ao deixar cair um documento (dos inúmeros que carregara)
ouve o sabotador júnior em uma conversa com a promíscua. Em tal conversa o
sabotador júnior afeta moralmente o protagonista (querido Chefe da secretária) e
suas idéias apresentadas na reunião que acabara de ocorrer. A secretária assim,
ofendida por seu “chefinho” vai de encontro ao sabotador júnior e questiona-o sobre
seus sapatos fazendo chacotas sucessivas a respeito de sua estética pessoal,
desmoralizando-o e dando-lhe a bola. Ao sair, a promíscua (que até o momento
anterior estava compactuando com o sabotador júnior) continua rindo distraidamente
dos “sapatos brega”. Com a bola na mão e sentindo-se desmoralizado, o sabotador
júnior agride verbalmente a promíscua questionando-a: “Do que você está rindo?
Como pode uma velha de quase cinqüenta anos “na cara” estar vestida como uma
menininha? Você não tem vergonha na cara??” A promíscua é deixada com a bola,
sozinha, paralisada e perplexa sem conseguir absorver a agressão. Vai até sua
amiga, a “chorosa”, questiona-la sobre a veracidade do argumento agressor “cara de
cinqüenta anos”. Após um prolongado discurso a respeito de seus sacrifícios na
academia para manter sua boa-forma, pergunta para a amiga sua opinião a respeito,
e a amiga (que estava sentada, debruçada sobre a mesa e de cabeça baixa)
levanta-se desesperadamente chorando (aos prantos) e fala de seus sofrimentos
com seu namorado, que terminaram a relação e fazem dois anos que o rapaz não
telefona para ela. Verificando que a chorosa não havia lhe dado a mínima atenção, a
promíscua pega delicadamente em seu braço e sutilmente diz: “Querida, faz o
seguinte... Liga para o seu namorado e pergunta a ele...” (nesse momento eleva
bruscamente o tom) “... como que ele conseguiu ficar tanto tempo com uma pessoa
tão insignificante como você??!!” e arremessa-lhe a bola em seu peito. Dessa
maneira, a promíscua também deixa a chorosa perplexa e paralisada, olhando para
o nada com a “boca aberta” e com alguns “tiques”. De repente, a chefa chega a sala
e questiona a chorosa sobre um determinado relatório que já deveria estar pronto.
Nesse momento a chorosa tem um surto nervoso, e aos gritos tenta jogar a bola na
chefa, porém a mesma não sai de sua mão e a chefa, não atingida pela bola, fica
sem entender a situação.
Após algumas cenas que, como essa descrita acima, aborda alguns aspectos
conflitantes existentes no meio relacional, a peça de teatro tem sua finalização com o
protagonista apresentando a nova versão de seu projeto, uma campanha de
publicidade que é utilizada para transmitir a mensagem final a respeito dos
comportamentos humanos. Nessa, é referido o valor do ser humano; a existência de
múltiplas especificidades que englobam um ser complexo, único, dotado de
potencialidades e fragilidades, essas últimas, condições indispensáveis para o
contínuo desenvolvimento existente intrínseco a esse gênero. Dessa maneira, tais
fragilidades precisam ser respeitadas, e, do mesmo modo que deve-se respeitar a si
deve-se respeitar o outro, esse que é diferente em si, mas possuidor da mesma
condição.
Por fim, o protagonista refere de forma sutil um objetivo específico da peça,
evidenciar que tais comportamentos instigadores e manipuladores (que forçam uma
resposta do outro em benefício próprio) são disfuncionais, não só no que diz respeito
a funcionalidade do grupo, mas também a nível individual para todos os que nesse
se inserem, e dentro desse contexto evidenciou-se que, o sujeito que necessita
fragilizar um outro (para obter benefício) o faz porque está descompensado em si,
por conta de suas vontades e necessidades, independentemente do meio, e que
esse equilíbrio não será restabelecido através de um outro.
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Considerando as necessidades verificadas de uma interação que abordasse


aspectos conflitantes do comportamento humano, optou-se pelos métodos e a
fundamentação teórica a respeito do funcionamento dos grupos de Moreno (2003), a
qual refere que o teatro se faz uma importante e eficaz ferramenta de intervenção.
Segundo ele, o Psicodrama é uma ciência que explora a verdade por métodos
dramáticos e que facilita o predomínio das relações empáticas sobre o
comportamento de um grupo.

O método do Psicodrama usa a representação dramática (a cena) como


núcleo de abordagem e exploração do ser humano e seus vínculos. A ação
unida à palavra, brinda um mais completo desdobramento do conflito.
(GARCIA,1989 apud MORENO, 1942 p. 209).

No contexto escolar, dentre todas as problemáticas relacionadas à inclusão,


identificou-se a necessidade de uma conscientização que abrange todos que fazem
parte da instituição.
Para isso, optou-se pelo desenvolvimento desta peça de teatro segundo as
bases psicodramáticas de Moreno (1997) o qual refere que existem possibilidades
ilimitadas para a investigação da espontaneidade no plano experimental, ou seja,
ilimitadas possibilidades para investigação de fatos e situações dentro de um
determinado contexto. Essas possibilidades se mostram ilimitadas, uma via de
acesso eficaz para abordarmos os problemas relacionados a Inclusão escolar.

Um aprimorar e utilizar os meios que facilitem o predomínio das relações. A


ação dramática permite percepções profundas por parte do grupo, a respeito do
significado dos papéis assumidos. Citando novamente Moreno (2003 p. 381), ‘’o
Psicodrama quando bem conduzido usa entre outros elementos, a projeção de
processos, situações, papeis e conflitos reais em um meio experimental ‘’. A empatia
é a captação, pela sensibilidade dos sentimentos e emoções de alguém ou contidas,
de alguma forma, em um objeto.
A empatia é a captação, pela sensibilidade dos sentimentos e emoções de
alguém ou contidas, de alguma forma, em um objeto, neste caso se tratando aqui
dos personagens, estereótipos clássicos do cotidiano e dos objetos usados e as
cenas representados no teatro com a finalidade de simbolizar as atitudes como a
transferência da bola pelos determinados personagens, os comentários maldosos
entre outras cenas, procurando através destes elementos uma identificação do
publico, estes, o principal foco da elaboração desta intervenção.
Partindo desse ponto, o da empatia, sendo um dos resultados terapêuticos
produzido pela aplicação desta atividade, esta já tendo sido previamente elaborada
pelo Terapeuta Ocupacional dentro do contexto com um devido levantamento prévio
de dados e informações que partiram de uma demanda inicial colocada para o
Terapeuta Ocupacional, constata-se a elucidação de Carlo e Bartalotti (2004, p. 21.)
referente as possibilidades das atividades propostas pelo Terapeuta Ocupacional.

A nova direção da pratica da Terapia Ocupacional propõe uma atuação no


campo das possibilidades e recursos, de entrada no circuito de trocas
sociais; o lúdico, o corpo, a arte, a criação de objetos, os estudos e o
conhecimento, a organização dos espaços e o cuidado com o cotidiano [...]
são alguns exemplos de temas que conectam e agenciam experiências,
potencializam a vida, promovem transformações, produzem valor.

Segundo Bueloni (1994), esse efeito causado pela aplicação de atividades


especificas como método de intervenção a uma determinada demanda possibilita o
resgate de componentes humanos de ação, contribuindo para a transformação da
história individual em beneficio a uma determinada finalidade podendo ser ela a
promoção de aspectos ligados a dificuldade de inclusão escolar, aceitação social,
integração entre outros.
O teatro e as artes em geral, segundo Vigotski (1989 apud LIMA, 2005), são
verdadeiras formas e “instrumentos” de expressão semiótica, com vias de processos
de representação simbólica para a comunicação do pensamento do ser humano.Tal
perspectiva eleva o valor da arte e a articula como importante elemento na formação
do educando.
Com a metodologia do teatro/drama há possibilidade de penetrar em novas
possibilidades de interação e comunicação. Pode-se entrar em uma situação
imaginária, no contexto da ficção, embora, muitas vezes, tenha-se que atuar sobre
as realidades concretas e reais; contudo, a ficção não deixa de ser uma possibilidade
de construção de alguns conhecimentos.
O contexto do teatro permite outro ponto importante, como focalizar e desafiar
aquilo que não é normalmente aceito. Favorecendo uma forma diferente de se
veicular uma mensagem, com ele se socializa as informações de uma forma a se
aproximar do saber popular, além de fornecer uma troca de conhecimentos, pois, no
momento em que uma pessoa assiste a um espetáculo, se vendo na sua realidade,
tanto aprende o profissional que tentou ter empatia e conhecer como vive aquele
personagem, como o público que desperta para a importância daquele determinado
assunto.
A Terapia Ocupacional utiliza o teatro como um canal de expressão que
permite de uma maneira lúdica a revivência da vida cotidiana. Por meio da
dramatização do cotidiano é possível elucidar e trabalhar as necessidades e conflitos
vivenciados na vida real, desenvolvendo ainda habilidades importantes para a
manutenção da autonomia e socialização, além de criar um espaço de reflexão a
respeito dos valores pessoais e da história de vida; promovendo a auto-percepção,
auto-estima a e a troca de experiências no contexto grupal.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante a realização desta pesquisa pontuaram-se, por meio dos


questionários aplicados, alguns itens considerados de maior relevância no processo
de inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais.
Os dados obtidos evidenciaram ocorrência de integração ao invés de Inclusão
escolar, sendo que os alunos com necessidades especiais participam das rotinas
escolares, contudo, não são aceitas suas diversidades, como tempo e condições de
aprendizado. Este fato revela a necessidade de trabalhos relativos à verdadeira
Inclusão escolar, além das adequações físicas, mas as devidas orientações e
integração para com os alunos, pais, professores e demais personagens da escola.
Neste contexto a Terapia Ocupacional utiliza a expressão, informação e
comunicação através da atividade Teatro, por meio da dramatização do cotidiano,
oportunizando uma nova forma de ver o outro e de conviver com as diferenças,
trabalhando as necessidades e conflitos vivenciados na vida real, elucidando a
problemática das fragilidades emocionais de cada pessoa.
Em suma, este trabalho buscou proporcionar um novo olhar sobre o aluno
com necessidades educacionais especiais; demonstrando que inclusão é uma tarefa
coletiva que não se constrói apenas por leis, mas pela ação em conjunto de todos os
envolvidos direta ou indiretamente nesse processo, com a intenção de garantir
através da educação, que as potencialidades destes alunos concretizem-se.
Para isso é necessária uma educação que reconheça a necessidade de cada
um como característica única, que não pode ser ignorada, escondida ou mesmo
descartada.
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