V.1.

2 04-10-2005


DISCIPLINA: Gestão e Planeamento Estratégico


Parte 3 A Teoria da Competitividade
3.1 Teoria da Vantagem Comparativa e Teoria da Vantagem Competitiva
3.1.1 Indicadores de Vantagem Comparativa e de Vantagem Competitiva

Sumário

A procura da competitividade tem raízes na génese da economia enquanto
ciência, e nomeadamente foi objecto de análise no tratado de Adam Smith “Da
Riqueza das Nações”, incorporado no conceito de vantagem absoluta das
nações para criarem riqueza e se especializarem, e usarem os excedentes
para trocar com outros países. Posteriormente, teve o seu desenvolvimento na
teoria de vantagem comparativa de David Ricardo e no século XX, nos
contributos de Heckscher e Ohlin.

Mas o que é competitividade?
Esta abordagem pode ser feita com base na distinção entre duas perspectivas
distintas:
uma visão tradicional, baseada nas teorias da vantagem
comparativa;
uma visão actual, baseada na teoria da vantagem competitiva

Adquirir competitividade para superiorizar a oferta das empresas num contexto
de globalização é, aliás, uma condição a verificar. para se lograr uma base
sustentável da competitividade.

A competitividade traduz-se pela aptidão para alcançar um produtividade alta,
com base no emprego inovador de recursos humanos, capital e activos físicos.
E neste caso, a competitividade pode ser definida como a capacidade para
criar valor para clientes sofisticados e progressivamente mais exigentes, que
estão dispostos a pagar preços premium pelo valor acrescentado que eles
percepcionam nos bens e serviços adquiridos.

Mas, a produtividade é uma condição necessária mas não suficiente para a
competitividade. O sucesso competitivo só ocorre quando se combina a
optimização da produtividade com a qualidade das estratégias empresarias.

Podemos então notar que a competitividade significa hoje algo de distinto do
que se entendia no passado:
a) A abordagem da competitividade baseava-se nos primórdios
da economia, na comparação das economias nacionais. Hoje,
é pacífico que quem compete são as empresas, e por isso, as
condições de desenvolvimento da competitividade estão
intrinsecamente relacionadas com as empresas e as suas
formas de integração de recursos para maximizarem a criação
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de valor de algum cliente ou segmento de mercado,
independentemente do país onde a procura se localiza.
b) Os líderes das empresas que possam aceder a generosos
recursos nacionais para desenvolver terão no presente, e
ainda mais no futuro, de abraçar estratégias que prosseguem
a construção das suas vantagens naturais, para criar
vantagens competitivas baseadas em conhecimento, e de uma
forma sustentável.

As teorias da economia clássica desde Adam Smith até David Ricardo e mais
tarde de Eli Heckscher e Bertil Ohlin, afirmam que a prosperidade económica
depende fortemente da abundância de factores de produção tais como, terra,
custos do trabalho, capitais, e demais recursos naturais. Nesta perspectiva,
uma região ou uma nação têm uma vantagem comparativa ao produzir bens
que fazem um bom uso daqueles factores existentes em abundância, e por
serem abundantes, serem acessíveis a preços baixos.

Em particular, Adam Smith proclamava que um país ganhava “vantagem
absoluta” pela concentração das suas exportações num bem onde o país seja
produtor a custos inferiores ao resto do mundo. David Ricardo prosseguiu esta
linha teórica (clássica) defendendo que as nações se deveriam focalizar em
áreas onde elas pudessem produzir bens mais eficientemente (mesmo que não
fossem melhores que qualquer outro país, centrando-se na produção do que
fosse menos mau) e trocando os excedentes nesses bens com outros que não
pudessem ser produzidos com igual eficiência. Na prática, se todos os países
actuassem assim, todos ganhariam, porque a produção mundial aumentaria e
pelo comércio internacional todos ganhariam.

Finalmente, Heckscher e Ohlin aprofundaram a teoria de David Ricardo
afirmando que a vantagem comparativa existe no país onde a produtividade
das empresas possa ser mais eficientemente mobilizada para alavancar o valor
do stock nacional em recursos naturais.

A consequência natural desta linha de pensamento conduziu à valorização de
políticas nacionais orientadas para a gestão primordial dos recursos
naturais para manter a competitividade nacional. Ainda hoje, encontram-se
políticas deste tipo em países que limitam o comércio internacional por via da
regulamentação de quotas à exportação ou direitos sobre a exportação.

E esta óptica revela-se em três tipos de constrangimentos à criação de riqueza
(valor) e de competitividade:

a) Ocorre uma pressão para manter os custos do recurso abundante em
nível baixo, de uma forma artificial, o que limita os aumentos de
custos do trabalho e impede os trabalhadores de beneficiarem com o
crescimento da economia;
b) Competir com empresas noutras nações na base de salários baixos
e´ quanto basta para comprometer numa batalha a disputa para ver
qual o país que fica mais pobre;
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c) Se um país exporta os seus recursos naturais com uma moeda
depreciada, então há um prejuízo duplo:
os recursos do país são desbaratados sem criar um valor real;
os consumidores mais ricos dos países desenvolvidos são os
destinatários de um inesperado subsídio efectivo, porque
pagam as suas exportações a preços inferiores ao real, às
custas dos trabalhadores dos países pobres.

Pelo contrário, a compreensão da teoria da vantagem competitiva facilita a
compreensão da criação de valor das empresas dos países desenvolvidos, e
porque é que essas vantagens são criadas nalgum ou nalguns países e não
em todos.

Verifica-se que os países que exportam produtos complexos são mais ricos do
que aqueles que exportam materiais simples. O mercado paga um prémio
aos produtos manufacturados que incorporem algum “saber”. Por isso,
aqueles que desejarem criarem valor numa economia nacional devem focar-se
na aprendizagem micro-económica!

A aprendizagem micro-económica deve informar as decisões que os líderes de
empresa e governos devem começar a tomar. E para melhorar a qualidade de
vida do cidadão médio em todos os países em desenvolvimento, o crescimento
económico deve ser alto e sustentável. Então, os dois caminhos para se
alcançar o crescimento assentam nas seguintes opções:

mobilizar recursos superiores para impulsionar o crescimento;
promover a produtividade;

A riqueza das nações é muito distinta em termos de recursos naturais,
estruturas macro-económicas e culturas de gestão, mas têm em comum o facto
de a aprendizagem e a inovação a nível da empresa e o cluster da
competitividade industrial poder induzir a competitividade.

A competitividade do cluster não pode ser explicada efectivamente numa
perspectiva nacional. Em seu lugar, a competitividade induzida pelo cluster
pode ser melhor entendida numa perspectiva regional, (isto é, ao nível da
cidade ou do distrito). Por exemplo, os E.U.A não é um país competitivo
quando tomado como um todo. Mas, um razoável número de clusters,
localizados em regiões específicas ao longo do país, construiu uma expertise
especial (saber inovador) que permite a este país ser competitivo. E em
consequência, aquelas regiões alcançaram um crescimento económico e um
alto padrão de vida para as pessoas, pela sustentação de um ambiente
competitivo no âmbito dos clusters.

3.1.1 Indicadores de Vantagem Comparativa e de Vantagem
Competitiva

A percepção do tipo de vantagens de uma economia, relativamente a um
qualquer padrão de especialização, pode ser compreendido pela análise dos
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fluxos de comércio externo, traduzidos na utilização de indicadores distintos,
cujo significado vamos a seguir explicitar.

O indicador de vantagem comparativa
1
caracteriza o potencial de
competitividade de cada país, em cada produto ou actividade, baseado na
disponibilidade de recursos, aptidões de recursos humanos e tecnologias
empregues. O seu valor pode ser positivo ou negativo, (varia de -1, +1).

I V C = Exportações - Importações (do bem ou actividade)
Exportações + Importações

Um país tem vantagem comparativa na produção de um bem quando o
indicador de vantagem comparativa desse bem é positivo. Dizendo de outra
forma, um país que tenha uma vantagem comparativa num bem deverá ser um
exportador líquido desse bem, de contrário será um importador.

De notar que um valor deste indicador igual a 1, significará que o país proíbe
importações desse bem, pelo que todo o comércio externo é baseado na
exportação. O valor simétrico traduziria uma proibição das exportações.

Porém, em função das suas vantagens competitivas, os países tendem a
realizar exportações de bens que são substitutos próximos entre si, porque se
baseiam em aspectos diferenciadores e percepcionados pelos mercados. Por
exemplo, um país pode ser um exportador líquido de um bem identificado com
uma gama de qualidade alta e importar os que são de gama baixa, ou vice-
versa, em consequência das distinções entre o padrão de produção e de
consumo nacional.

Ora, o comércio internacional que reflecte a capacidade de diferenciação de
produtos de uma indústria é caracterizado pelo Indicador de comércio intra-
industria (T). Por exemplo, vários países europeus produzem confecção para
os maiores segmentos de consumidores locais, mas importam os produtos
para os segmentos de consumidores de artigos de luxo das origens onde se
localizam as empresas que dominam esta gama.

Para avaliar este comércio vamos adoptar o
Índice T
2
, que é dado pela expressão:

Onde:
X representa as Exportações
M representa as Importações
i refere-se a um país
j refere-se a uma categoria de produtos
n identifica o número de países considerados na avaliação


1
Ver Adriano Freire, Estratégia, 1997, p. 329
2
Dominick Salvatore, International Economics, 1995, Prentice Hall, Inc., 5
th
ed., p. 163
Nota. O índice T foi inicialmente apresentado por Grubel e Lloyd (1975) in David Greenaway &
P.K.M. Tharakan, Imperfect Competition and International Trade, Wheatsheaf Books, Sussex,
1986, p.129

n
Σ
i=1
( Xij + Mij ) -
n
Σ
i=1
| ( Xij - Mij ) |
n
Σ
i=1
( Xij + Mij )

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Dado que o valor de T resulta do conjunto de países envolvidos em cada
análise comparativa, pode-se usar, em alternativa, o seu valor absoluto, que é
dado por:

+

− =


Imediatamente se constata que a ausência de comércio conduz a um valor nulo
deste índice, e que se a exportação igualar a importação o valor do índice é a
unidade.

Um valor próximo da unidade significa que os determinantes deste comércio se
fundamentam na diferenciação dos produtos, por diferenças na qualidade,
economias de escala e outras vantagens micro económicas. Pelo contrário,
valores próximos de zero significa que o comércio deverá ser, sobretudo, do
tipo inter-industrial e as suas determinantes se devem radicar em vantagens
comparativas dos países.

Vejamos um exemplo aplicado às indústrias de processamento do couro e de
calçado:
Tabela 1 — Índices de Comércio Intra-industrial (ITT)

Fonte: 1997 International Trade Statistics Yearbook, United Nations, New York.

Análise do autor

Tabela 2 — Vantagem Comparativa Revelada
Ásia
América América excepto Médio U.E Europa Ex- URSS Oceania
do Norte Latina ex-URSS Oriente Oriental Europa
211 - Peles virgens sem pêlo 0,79 -0,36 0,35 -0,37 -0,08 -0,29 0,90 0,94
212 - Peles com pelo -0,69 0,23 -0,50 -0,60 0,93 0,92 1,00 1,00
611 - Couro -0,17 0,52 -0,04 -0,25 0,09 -0,61 0,23 0,63
851 - Calçado -0,91 0,32 0,31 -0,53 -0,01 0,32 -0,49 -0,79
Vantagem Comparativa Revelada na indústria de peles e calçado, em 1997
Índices de Comércio Intra-indústria, em 1996
Regiões Peles de bovino Curtume de bovino Calçado
X+M |X-M| T X+M |X-M| T X+M |X-M| T
Mundo 4.294,40 2.151,60 0,50 15.921,40 2.538,80 0,84 3.502,00 1.502,20 0,57
Paises em desenvolvimento 1.257,90 860,70 0,32 10.081,90 1.788,70 0,82 1.594,10 834,30 0,48
América Latina 117,00 26,40 0,77 920,60 456,00 0,50 175,20 121,20 0,31
África 43,30 29,10 0,33 81,60 0,40 1,00 16,10 7,50 0,53
Próximo Oriente 71,50 28,50 0,60 470,00 339,20 0,28 19,20 0,40 0,98
Extremo Oriente 1.026,10 776,70 0,24 8.609,70 993,10 0,88 1.383,60 705,20 0,49

Países desenvolvidos 3.036,50 1.290,90 0,57 5.839,50 750,10 0,87 1.907,90 667,90 0,65
América do Norte 907,00 701,40 0,23 1.207,20 228,00 0,81 650,70 612,50 0,06
Europa 1.710,30 225,70 0,87 4.328,20 339,20 0,92 1.213,30 18,50 0,98
Região da ex-URSS 268,70 232,70 0,13 10,40 8,40 0,19
Oceânia 121,20 117,40 0,03 216,00 110,00 0,49 23,10 20,10 0,13
Outros países desenvolvidos 29,30 13,70 0,53 88,10 72,90 0,17 10,40 8,40 0,19
Fonte: FAO 1998
Análise do autor
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Analisando por países, para cada fase da cadeia de valor, revelam-se os
países mais competitivos internacionalmente e os maiores compradores. Para
este efeito, seleccionamos numa tabela os principais países intervenientes no
comércio externo (exportadores ou importadores), em cada categoria de
produtos, após o que relacionamos os valores encontrados em VCR com os do
índice T.

Neste caso, os 6 países com maior VCR são responsáveis por mais de metade
das peles em bruto sem pêlo exportadas, com destaque para os EUA, que
representam metade desse valor.

Como se pode observar no Gráfico 1, elaborado com base nos indicadores de
VCR e índice T, identificam-se 4 situações distintas:

1) Países com elevado índice T e VCR positiva ou pouco negativa:
França, Reino Unido, Hong Kong e Espanha;
2) Países com índice T baixo, mas elevada VCR: Austrália,
Federação Russa (com a procura interna em recuperação), e
EUA;
3) Países tipicamente importadores: República da Coreia, Itália,
China e Japão;
4) Países com interdições à exportação, para promoção de
indústrias de maior valor acrescentado: Turquia.
Tabela 3 — Maiores Exportadores ou Importadores de
Peles em Bruto sem Pêlo
211- Peles em bruto sem pêlo
1997 Mundo
Valor em US$ 000 000 Exp Imp VCR % Exp % Imp
Turquia 0 585,1 -1,00 9,58% 0,00%
Federação Russa 307,40 5,40 0,97 5,03% 0,09%
Estados Unidos 1513,40 131,70 0,84 24,77% 2,19%
França 419,20 156,10 0,46 6,86% 2,60%
Austrália 403,70 156,10 0,44 6,61% 2,60%
Reino Unido 287,1 149,7 0,31 4,70% 2,49%
Espanha 130,5 252,6 -0,32 2,14% 4,21%
China 28,60 360,90 -0,85 0,47% 5,50%
Hong Kong 122,80 169,10 -0,16 2,01% 2,82%
Japão 83,80 339,70 -0,60 1,37% 5,66%
Itália 82,20 1211,00 -0,87 1,35% 20,17%
República da Coreia 14,30 856,80 -0,97 0,23% 14,27%
Fonte: 1997 International Trade Statistics Yearbook, U.N., N.Y., 1999
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De facto, quanto mais à direita do Gráfico estiver um país representado, maior
é a vantagem comparativa das suas empresas nesta produção, ou actividade.
Quanto mais alto estiver um país representado, maior será a vantagem
competitiva das suas empresas nesta produção.

Em conclusão, a aplicação combinada dos indicadores de vantagem
comparativa com o índice T permite interpretar a natureza dos fluxos de
comércio externo de cada categoria de bens transaccionáveis
internacionalmente e perceber os determinantes desse comércio, relacionando-
os com o tipo de vantagem explorada pelas empresas de cada país.

Gráfico 1 — Especialização de Comércio de Peles em Bruto
sem Pêlo, em 1997

0,0
0,5
1,0
-1,2 -0,6 0,0 0,6 1,2
VCR
T
Austrália
Fed. Russa
EUA
França
Reino Unido
Hong Kong
Espanha
Japão
Itália
China
Rep. Coreia
Turquia

Nota: A dimensão das “bolhas” é proporcional ao volume relativo de operações internacionais, de cada
país identificado. As posições da Austrália e da Federação Russa coincidem, pelo que estão
sobrepostas.
Fonte: 1997 International Trade Statistics Yearbook, U.N., New York, 1999

porque a produção mundial aumentaria e pelo comércio internacional todos ganhariam. E esta óptica revela-se em três tipos de constrangimentos à criação de riqueza (valor) e de competitividade: a) Ocorre uma pressão para manter os custos do recurso abundante em nível baixo.de valor de algum cliente ou segmento de mercado. de uma forma artificial. custos do trabalho. se todos os países actuassem assim. V. centrando-se na produção do que fosse menos mau) e trocando os excedentes nesses bens com outros que não pudessem ser produzidos com igual eficiência. Na prática. Nesta perspectiva.1. A consequência natural desta linha de pensamento conduziu à valorização de políticas nacionais orientadas para a gestão primordial dos recursos naturais para manter a competitividade nacional. terra. b) Os líderes das empresas que possam aceder a generosos recursos nacionais para desenvolver terão no presente. independentemente do país onde a procura se localiza. encontram-se políticas deste tipo em países que limitam o comércio internacional por via da regulamentação de quotas à exportação ou direitos sobre a exportação. serem acessíveis a preços baixos. e de uma forma sustentável. o que limita os aumentos de custos do trabalho e impede os trabalhadores de beneficiarem com o crescimento da economia. David Ricardo prosseguiu esta linha teórica (clássica) defendendo que as nações se deveriam focalizar em áreas onde elas pudessem produzir bens mais eficientemente (mesmo que não fossem melhores que qualquer outro país. e ainda mais no futuro. Adam Smith proclamava que um país ganhava “vantagem absoluta” pela concentração das suas exportações num bem onde o país seja produtor a custos inferiores ao resto do mundo. afirmam que a prosperidade económica depende fortemente da abundância de factores de produção tais como. Em particular. para criar vantagens competitivas baseadas em conhecimento. As teorias da economia clássica desde Adam Smith até David Ricardo e mais tarde de Eli Heckscher e Bertil Ohlin. capitais.2 04-10-2005 . b) Competir com empresas noutras nações na base de salários baixos e´ quanto basta para comprometer numa batalha a disputa para ver qual o país que fica mais pobre. Heckscher e Ohlin aprofundaram a teoria de David Ricardo afirmando que a vantagem comparativa existe no país onde a produtividade das empresas possa ser mais eficientemente mobilizada para alavancar o valor do stock nacional em recursos naturais. uma região ou uma nação têm uma vantagem comparativa ao produzir bens que fazem um bom uso daqueles factores existentes em abundância. Ainda hoje. de abraçar estratégias que prosseguem a construção das suas vantagens naturais. Finalmente. e por serem abundantes. todos ganhariam. e demais recursos naturais.

E em consequência. Pelo contrário. um razoável número de clusters. o crescimento económico deve ser alto e sustentável. estruturas macro-económicas e culturas de gestão. A competitividade do cluster não pode ser explicada efectivamente numa perspectiva nacional.A não é um país competitivo quando tomado como um todo. os dois caminhos para se alcançar o crescimento assentam nas seguintes opções: mobilizar recursos superiores para impulsionar o crescimento.1.1.U. Por exemplo. aquelas regiões alcançaram um crescimento económico e um alto padrão de vida para as pessoas. O mercado paga um prémio aos produtos manufacturados que incorporem algum “saber”. promover a produtividade. ao nível da cidade ou do distrito). porque pagam as suas exportações a preços inferiores ao real. Mas. os consumidores mais ricos dos países desenvolvidos são os destinatários de um inesperado subsídio efectivo. Então.1 Indicadores Competitiva de Vantagem Comparativa e de Vantagem A percepção do tipo de vantagens de uma economia. A riqueza das nações é muito distinta em termos de recursos naturais. aqueles que desejarem criarem valor numa economia nacional devem focar-se na aprendizagem micro-económica! A aprendizagem micro-económica deve informar as decisões que os líderes de empresa e governos devem começar a tomar. às custas dos trabalhadores dos países pobres. pode ser compreendido pela análise dos V. os E. Em seu lugar. Verifica-se que os países que exportam produtos complexos são mais ricos do que aqueles que exportam materiais simples. e porque é que essas vantagens são criadas nalgum ou nalguns países e não em todos. a compreensão da teoria da vantagem competitiva facilita a compreensão da criação de valor das empresas dos países desenvolvidos. relativamente a um qualquer padrão de especialização. (isto é.2 04-10-2005 . localizados em regiões específicas ao longo do país. 3. a competitividade induzida pelo cluster pode ser melhor entendida numa perspectiva regional. E para melhorar a qualidade de vida do cidadão médio em todos os países em desenvolvimento. pela sustentação de um ambiente competitivo no âmbito dos clusters. Por isso.c) Se um país exporta os seus recursos naturais com uma moeda depreciada. então há um prejuízo duplo: os recursos do país são desbaratados sem criar um valor real. mas têm em comum o facto de a aprendizagem e a inovação a nível da empresa e o cluster da competitividade industrial poder induzir a competitividade. construiu uma expertise especial (saber inovador) que permite a este país ser competitivo.

129 2 1 V. Dizendo de outra forma.1. De notar que um valor deste indicador igual a 1. Para avaliar este comércio vamos adoptar o Índice T2.M. O seu valor pode ser positivo ou negativo. 163 Nota. (varia de -1. 5 ed.. Sussex. O indicador de vantagem comparativa1 caracteriza o potencial de competitividade de cada país. p.K. em função das suas vantagens competitivas. baseado na disponibilidade de recursos. International Economics. 1997.Importações (do bem ou actividade) Exportações + Importações Um país tem vantagem comparativa na produção de um bem quando o indicador de vantagem comparativa desse bem é positivo. 1995.M ij ) | i=1 X representa as Exportações M representa as Importações i refere-se a um país j refere-se a uma categoria de produtos n identifica o número de países considerados na avaliação n Σ ( X ij + M ij ) i= 1 Ver Adriano Freire. porque se baseiam em aspectos diferenciadores e percepcionados pelos mercados. Wheatsheaf Books. pelo que todo o comércio externo é baseado na exportação.. significará que o país proíbe importações desse bem. os países tendem a realizar exportações de bens que são substitutos próximos entre si. Estratégia. o comércio internacional que reflecte a capacidade de diferenciação de produtos de uma indústria é caracterizado pelo Indicador de comércio intraindustria (T). Imperfect Competition and International Trade. 1986. O índice T foi inicialmente apresentado por Grubel e Lloyd (1975) in David Greenaway & P. um país pode ser um exportador líquido de um bem identificado com uma gama de qualidade alta e importar os que são de gama baixa. mas importam os produtos para os segmentos de consumidores de artigos de luxo das origens onde se localizam as empresas que dominam esta gama. vários países europeus produzem confecção para os maiores segmentos de consumidores locais. +1). O valor simétrico traduziria uma proibição das exportações. Prentice Hall. cujo significado vamos a seguir explicitar. Ora. que é dado pela expressão: Onde: n Σ ( X ij + M ij ) i=1 -Σ n | ( X ij . I V C = Exportações . traduzidos na utilização de indicadores distintos. Porém. um país que tenha uma vantagem comparativa num bem deverá ser um exportador líquido desse bem.2 04-10-2005 . de contrário será um importador. p. Tharakan. em consequência das distinções entre o padrão de produção e de consumo nacional. em cada produto ou actividade. Por exemplo. p. aptidões de recursos humanos e tecnologias empregues. 329 th Dominick Salvatore. Inc. Por exemplo.fluxos de comércio externo. ou viceversa.

60 470.50 8.081.48 0.Dado que o valor de T resulta do conjunto de países envolvidos em cada análise comparativa.E Europa Ex.30 860.04 -0.30 268.00 0.60 0.90 612.00 611 .70 456.40 Calçado |X-M| 1.30 10.35 -0.80 0.Couro -0.57 0. sobretudo.03 0.94 212 .10 3.79 Análise do autor V.Peles virgens sem pêlo 0.10 28.52 -0.40 705.23 -0.907.20 993.40 29.00 88.70 T Curtume de bovino X+M |X-M| T 0.82 0. Vejamos um exemplo aplicado às indústrias de processamento do couro e de calçado: Tabela 1 — Índices de Comércio Intra-industrial (ITT) Índices de Comércio Intra-indústria. United Nations.36 0.10 175.20 4.70 0.257.383.151.19 0.70 117.00 0.30 71.28 0.40 23.10 19.91 0.538.20 7.00 339.81 0.290. Um valor próximo da unidade significa que os determinantes deste comércio se fundamentam na diferenciação dos produtos.06 0.17 0.25 0.328. Pelo contrário.53 0.87 0.00 1. em 1996 Regiões Mundo Paises em desenvolvimento América Latina África Próximo Oriente Extremo Oriente Países desenvolvidos América do Norte Europa Região da ex-URSS Oceânia Outros países desenvolvidos Fonte: FAO 1998 Análise do autor Peles de bovino X+M |X-M| 4.788.69 0.20 110.294.40 339.00 0.20 667.50 1.502.24 8.31 0.213.50 0.50 -0.17 X+M 3.60 0.594.10 1.13 0.49 0.60 0.40 13.61 0.609. em alternativa.13 0.60 1.00 72. que é dado por: − = − + Imediatamente se constata que a ausência de comércio conduz a um valor nulo deste índice. por diferenças na qualidade.026.90 0.92 1. pode-se usar.23 0.Calçado -0.1.710.60 1.90 650.90 117.77 920.65 0.29 0.10 10.10 750.98 0.49 0.50 15.31 -0.839.33 81.70 1.01 0.79 -0.20 16.Peles com pelo -0.50 907.40 T 0.40 20.30 121.20 834.10 8.70 121.URSS Oceania ex-URSS Oriente do Norte Latina Oriental Europa 211 .23 0. e que se a exportação igualar a importação o valor do índice é a unidade.63 851 .90 701.00 1.88 0.502. valores próximos de zero significa que o comércio deverá ser.20 216.70 1. New York.53 5.87 0.90 0.32 0.57 0. Tabela 2 — Vantagem Comparativa Revelada Vantagem Comparativa Revelada na indústria de peles e calçado.50 1.207.50 1.53 -0.92 0. economias de escala e outras vantagens micro económicas.70 232.40 225.00 43.50 18.921.19 Fonte: 1997 International Trade Statistics Yearbook. do tipo inter-industrial e as suas determinantes se devem radicar em vantagens comparativas dos países.10 228.09 -0.32 -0.50 776.00 1.32 10.98 0.20 29.20 1.08 -0. em 1997 Ásia América América excepto Médio U.49 -0.2 04-10-2005 .40 2.70 26.036. o seu valor absoluto.40 2.90 0.93 0.37 -0.84 0.

14% 4. Hong Kong e Espanha.70 156.97 0.6 -0.00 -0.5 252..47% 5. U.60% Austrália 403.46 6.60% Reino Unido 287. Neste caso.80 339.40 131.77% 2. para promoção de indústrias de maior valor acrescentado: Turquia.70 -0.58% 0.49% Espanha 130.03% 0. 2) Países com índice T baixo.17% República da Coreia 14.01% 2. elaborado com base nos indicadores de VCR e índice T.1 149.09% Estados Unidos 1513.1.Peles em bruto sem pêlo 1997 Mundo Valor em US$ 000 000 Exp Imp VCR % Exp % Imp Turquia 0 585.10 -0.86% 2. Itália.2 04-10-2005 .60 360. revelam-se os países mais competitivos internacionalmente e os maiores compradores.70 0. Reino Unido. e EUA.84 24.37% 5..N.20 1211. Tabela 3 — Maiores Exportadores ou Importadores de Peles em Bruto sem Pêlo 211.20 156.00 9.16 2. mas elevada VCR: Austrália.35% 20.80 169. com destaque para os EUA.10 0.70% 2.Analisando por países. identificam-se 4 situações distintas: 1) Países com elevado índice T e VCR positiva ou pouco negativa: França.82% Japão 83.40 0. 4) Países com interdições à exportação.80 -0.44 6. N.1 -1.32 2. 1999 Como se pode observar no Gráfico 1.61% 2. que representam metade desse valor.10 0. 3) Países tipicamente importadores: República da Coreia. após o que relacionamos os valores encontrados em VCR com os do índice T.31 4.97 5.7 0.27% Fonte: 1997 International Trade Statistics Yearbook.23% 14. seleccionamos numa tabela os principais países intervenientes no comércio externo (exportadores ou importadores). V.87 1.66% Itália 82.60 1. os 6 países com maior VCR são responsáveis por mais de metade das peles em bruto sem pêlo exportadas.21% China 28.00% Federação Russa 307. Para este efeito. em cada categoria de produtos.90 -0.19% França 419.40 5.30 856.85 0.Y. para cada fase da cadeia de valor. China e Japão. Federação Russa (com a procura interna em recuperação).50% Hong Kong 122.

maior será a vantagem competitiva das suas empresas nesta produção.2 China Rep. em 1997 Austrália T 1.6 0. pelo que estão sobrepostas.Gráfico 1 — Especialização de Comércio de Peles em Bruto sem Pêlo.5 Espanha Japão Itália 0.N. Russa EUA França Reino Unido Hong Kong 0. Quanto mais alto estiver um país representado..2 -0. maior é a vantagem comparativa das suas empresas nesta produção. V. Coreia Turquia VCR Nota: A dimensão das “bolhas” é proporcional ao volume relativo de operações internacionais. de cada país identificado.0 Fed. Fonte: 1997 International Trade Statistics Yearbook.0 -1. New York. quanto mais à direita do Gráfico estiver um país representado. As posições da Austrália e da Federação Russa coincidem. relacionandoos com o tipo de vantagem explorada pelas empresas de cada país.0 0.1. ou actividade. U. a aplicação combinada dos indicadores de vantagem comparativa com o índice T permite interpretar a natureza dos fluxos de comércio externo de cada categoria de bens transaccionáveis internacionalmente e perceber os determinantes desse comércio. Em conclusão.6 1.2 04-10-2005 . 1999 De facto.

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