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RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DOS ESTADOS COMO MEIO DE EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DOS ESTADOS COMO MEIO DE EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

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RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DOS ESTADOS COMO MEIO DE EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

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Disponível também em livro

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CARDOSO, Tatiana de A. F. R. A Responsabilidade Internacional dos Estados como meio de efetivação dos Direitos Humanos. In: MENEZES, Wagner (Org.). Estudos de Direito Internacional. Curitiba: Juruá, 2010, v. XX. p. 337-350. http://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=21891

A RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DOS ESATDOS COMO MEIO DE EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
Tatiana de Almeida Freitas Rodrigues Cardoso1 Resumo O presente trabalho propõe-se a estudar a eficácia dos Direitos Humanos, haja vista a sua corriqueira violação cometida pelos Estados. Para tanto, é feita uma análise da evolução da proteção do ser humano, primeiramente no direito comparado, passando à tutela internacional, a fim de estabelecer a justificativa para a sua existência. O conteúdo do texto também se inclina ao estudo da aplicabilidade da teoria da responsabilidade internacional dos Estados sob a forma de instituto de direito internacional a ser utilizado, pelos Foros Regionais de Direitos Humanos, para punir as nações por suas derrogações de direitos, tornando exigíveis as normas de proteção da pessoa humana. Palavras-chave: Direitos Humanos – Responsabilidade Internacional dos Estados – Cortes Regionais – Eficácia. Abstract The present work is aimed at studying Human Rights, given its continuous violations by the States. This article analyzes the origins and historical evolution of human rights, primarily within the national legal orders, moving towards its international development, in order to establish a justification to its existence. This work also presents the current applicability of the International Responsibility of the States theory, as an international law resource used by the Regional Courts of Human Rights to punish nations for their derogation of basic rights, which makes the existing laws more effective. Key-words: Human Rights – International Responsibility of the States – Regional Courts – Effectiveness.

A RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DOS ESATDOS COMO MEIO DE EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
1 Introdução

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Mestranda em Direito (UNISNOS), Especialista em Língua Inglesa (Unilasalle) e em Direito Internacional (UFRGS), com cursos em Fordham (Direito Americano) e Harvard (Direito Humanitário).

Neste ano, em que se completam 62 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a contínua existência de graves violações Estatais aos direitos tidos como intrínsecos do da pessoa humana, os quais são tutelados neste conjunto normativo, demonstra que, apesar dos inúmeros esforços mundiais para a sua proteção, a sociedade internacional ainda carece de mecanismos protetivos realmente atuantes e eficazes. Outrossim, as indagações que continuam a ser feitas em âmbito global se dirigem ao campo da efetividade dos Direitos Humanos; isto é, se há algum(ns) meio(s) de controle internacional do respeito aos direitos humanos, que exija(m) a correta aplicação das referidas normas. Neste contexto, a existência de “regras e esquemas regionais” já são um grande avanço para que se possa prevenir e reprimir os atentados contra o ser humano.2 Isso pois, com a existência de regras em direito internacional, as quais responsabilizem os Estados por derrogações dos direitos fundamentais do homem, a eficácia de tais normas estaria garantida. Portanto, o objetivo do presente artigo é fazer uma reflexão acerca dos Tribunais Regionais de Direitos Humanos como meio real de garantia plena das regras de direitos humanos, os quais repercutiriam em todo sistema jurídico internacional. Para tanto, será feita uma abordagem inicial à evolução dos direitos inerentes ao ser humano, iniciando-se no plano protetivo do direito comparado sendo, posteriormente, elevado à esfera internacional, analisando o seu processo de internacionalização e a criação de cortes regionais para tratarem das violações destes direitos, então protegidos. Seguindo com esta análise, pretende-se estabelecer uma relação entre os princípios de responsabilidade internacional dos Estados e a sua aplicação por estes mecanismos jurisdicionais regionais, esperando responder o questionamento quanto à verdadeira existência de uma tutela transnacional eficiente que pretenda punir os Estados, os quais são um dos grandes violadores de direitos humanos, garantindo, desta forma, a eficácia destes direitos inerentes ao homem. 2 Evolução dos Direitos Humanos – Direito Comparado Em busca pela procedência dos direitos humanos na ordem internacional, é mister a análise dos momentos históricos em direito comparado que marcaram e induziram à progressiva proteção dos direitos do homem e ao surgimento de um conceito principal sobre o tema. É possível dizer que a primeira etapa consistiu na elaboração da Magna Carta Liberatum, no período da Baixa Idade Média, mais especificamente, no ano de 1215. Essa foi considerada,

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MENEZES, Wagner. Ordem Global e Transnormatividade. Ijuí: Unijuí, 2005. p. 71.

como bem aponta Ingo Wolfgang Sarlet3, “o ponto de referência para alguns direitos e liberdades civis clássicos”, pois apresenta os primeiros traços de liberdade, protegidos pela primeira vez sob a forma escrita.4 Em que pese ser considerado pela doutrina o documento mais importante da época medieval para a construção protetiva dos direitos fundamentais, nesta lei supra citada, a possibilidade de modificação de normas pelo monarca, até então considerado o único legitimado a fazê-lo em todo o território inglês, se altera. O Rei João Sem-Terra reconhece os direitos do clero e da nobreza e restringe seus poderes quanto à alteração de tais ordenamentos, “marcando o início da limitação do poder do Estado”, nas palavras de José Luiz Magalhães.5 Ainda, faz-se necessário observar que tal Carta já adota a liberdade dos cidadãos quanto à sua livre locomoção e à garantia de um processo digno.6 Entretanto, ela não garantia tal autonomia do homem de maneira universal, abrangendo somente uma parcela da população, quais sejam os barões, o clero e os burgueses.7 Embora a tutela percebida por alguns setores da sociedade inglesa ter sido considerada singular, tal normativa fora transgredida pelo monarca em diversas oportunidades.8 Por isso, no ano de 1628 é promulgado a Petition of Right na Inglaterra. Além de descrever mais alguns passos à liberdade parlamentar inglesa, ela foi considerada, no momento de sua criação, como a solução para os abusos da monarquia, agora sob o comando de Carlos I.9 Esta lei ressaltava a necessidade de manifestação por parte do parlamento quanto à criação de novos impostos atribuídos à sociedade inglesa, como também proibia a detenção arbitrária de cidadãos livres sem causa justa.10 Todavia, esse conjunto normativo detinha um caráter meramente declaratório, não prevendo qualquer mecanismo para o seu fiel cumprimento,

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SARLET, Ingo Wolfgang. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. 7ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007. p.49. 4 MAGALHÃES, José Luiz Quadros de. Direitos Humanos: sua história, sua garantia e a questão da indivisibilidade. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2000. p. 19-22. SCHWARTZ, Bernard. Os grandes direitos da humanidade: “The Bill of Rights”. Traduzido por A. B. Pinheiro de Lemos. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1979. p. 11. 5 MAGALHÃES. Op. cit., p. 19 6 MORAES, Alexandre de. Direitos Humanos Fundamentais. 6ª ed. São Paulo: Atlas S.A., 2005. p. 8; MIRANDA, Pontes de. História e Prática do Habeas-Corpus. 8ª ed. São Paulo: Saraiva, 1979. Tomo 1, p. 13. 7 AZAMBUJA, Darcy. Decadência e Grandeza da Democracia. 2ª ed. Porto Alegre: Livraria do Globo, 1945. p. 81. 8 SCHWARTZ. (1979) Op. cit., p. 13. MIRANDA. Op. cit., p. 13 e 17. 9 FERREIRA, Luis Pinto. Curso de Direito Constitucional. 2ª ed. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1970. p. 28. MIRANDA. Op. cit.,, p. 25 e 50. 10 LEWANDOWSKI, Enrique Ricardo. Proteção dos Direitos Humanos na ordem interna e internacional. Rio de Janeiro: Forense, 1984. p. 45. MORAES. Op. Cit., p. 8.

servindo apenas para reafirmar aquilo que a própria Magna Carta já havia assegurado de forma mais genérica.11 Na era do absolutismo, com a volta ao poder da dinastia Stuart, os confrontos religiosos na Inglaterra se tornaram cada vez mais frequentes. O Rei Jaime II perseguira principalmente os protestantes, os quais correspondiam à maior parte do parlamento inglês.12 Em meio a este caos, onde os juízes desrespeitavam a interpretação e a aplicação das garantias já positivadas e, desta forma, mantinham presos os opositores político-religiosos do monarca, surgira a lei de Habeas Corpus.
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Segundo Pontes de Miranda14, esta lei fora

imensamente importante, pois marcara a primeira consideração do direito de ir, ficar e vir no mundo, a qual seria a matriz das garantias judiciais acerca do direito de locomoção criadas posteriormente. Logo após a Revolução Gloriosa, em 1688 a mesma Inglaterra introduziu a Bill of Rights.15 Esse documento, que expressava a crescente insatisfação dos cidadãos perante a autocracia real, possuía treze artigos que garantiam, além do “direito de petição e de uma certa liberdade de expressão” como expõe Ingo Wolfgang Sarlet16, uma tímida separação de poderes.17 Isso pois, ela acabou por limitar as prerrogativas do monarca quanto à suspensão e/ou à dispensa de normas sem o consentimento do parlamento, assegurando a este órgão a sua independência funcional, o que é item indispensável para a garantia das demais liberdades civis que estavam por ser positivadas.18 A partir do desenvolvimento realizado pelos ingleses na evolução dos direitos humanos, pode-se afirmar tal país contribuiu em grande número para a fundamentalização das liberdades individuais. Entretanto, como sabiamente apontado por Ingo Wolfgang Sarlet19, embora este país ter limitado a monarquia em favor do indivíduo, ainda não se podia falar em “uma constitucionalização dos direitos e liberdades individuais fundamentais”, a qual só ocorreria em um terceiro momento, qual seja nas Revoluções do final do século XVIII. Por isso, focamos para a etapa das colônias britânicas nos Estados Unidos, as quais apresentaram acentuada importância para a proteção dos direitos intrínsecos do homem.
ARAGÃO, Selma Regina. Direitos Humanos: do mundo antigo ao Brasil de todos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1990. p. 24. SCHWARTZ. (1979) Op. cit., p. 22-23. LEWANDOWSKI. Op. Cit., p. 45. 12 KARNAL, Leandro [et al]. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. São Paulo: Contexto, 2007. p. 37. COMPARATO, Fabio Konder. A Afirmação Histórica dos Direitos Humanos. 5ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 88. 13 COMPARATO. Op. cit., p. 88-89. ARAGÃO. Op. cit., p. 25. 14 MIRANDA. Op. cit., p. 37. 15 HAURIOU, André. Derecho Constitucional e Instituciones Políticas. España: Ediciones Ariel, 1971. p. 195. 16 SARLET. Op. Cit., p. 51. 17 ARAGÃO. Op. Cit., p. 26. 18 BROWNLIE, Ian. Basic Documents on Human Rights. New York: Oxford, 1971. p. 5. COMPARATO. Op. cit., p. 49-50. 19 SARLET. Op. Cit., p. 51-52.
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O marco inicial é a Carta de Rhode Island.20 Esse é um documento colonial, formulado e concedido pelo governo britânico, pelo qual fundara as colônias no Novo Continente e atribuíra a alguns barões cargos, deveres, imunidades, propriedades e, primordialmente, garantira aos habitantes da colônia os mesmo direitos daqueles que moravam na metrópole.21 Apresenta enorme relevância pelo fato de prever a liberdade religiosa na América do Norte, visto que a grande causa de evasão às novas terras do outro lado do oceano, era justamente a perseguição religiosa.22 Esta foi seguida à risca pela Carta de New Hampshire23 e outras.24 Todavia, a Carta da Virgínia25, também conhecida como a Declaração de Direitos do Estado da Virgínia, escrita em 1776, foi à pioneira dentre os documentos coloniais produzidos naquelas localidades, por ser “muito mais explícita que os documentos comparáveis da história inglesa, nos dispositivos de proteção a direitos individuais específicos”, já contendo no seu corpo o embrião da independência americana, nas linhas de Bernard Schwartz26. Esta declaração estadual de direitos basicamente previa o direito à vida, à liberdade e à igualdade. Citava, tal como a Bill of Rights inglesa, que as autoridades não poderiam suspender leis sem o consentimento dos representantes da sociedade, ou como a Petition of Rights, em que as pessoas não poderiam ser presas sem evidências quaisquer, apesar de não fazer nenhuma menção direta a estes diplomas.27 Ademais, ampliara os direitos quanto à liberdade da imprensa e aos direitos intrínsecos da pessoa humana, tais como a felicidade, a segurança e a propriedade.28 Posteriormente a esta carta, outras emergiram29 dentre as 13 colônias britânicas que começavam a se rebelar contra o governo inglês pela falta de uma autonomia maior na criação de leis, o que culminou na Declaração de Independência dos Estados Unidos da América.30 A redação desta declaração foi atribuída, sobretudo, à Thomas Jefferson e nela, além de enumerar vinte e sete razões para a separação da colônia31, apregoou-se “a igualdade entre os
AZAMBUJA. Op. cit., p. 82. SCHWARTZ. (1979) Op. cit., p. 35. 22 AZAMBUJA. Op. cit., p. 82. 23 MIRANDA. Op. cit., p. 90. 24 Existiram Cartas Coloniais em todas as coloniais inglesas na América. A de Rhode Island não fora a primeira, todavia, é de alto grau de relevância, por citar a liberdade religiosa. Além desta e da carta de New Hampshire, houve as cartas da New England, de Massachusetts, de Maryland, de Connecticut, da Carolina (na época, ainda não dividida entre norte e sul, pois só na fase revolucionária se dividiram), da Georgia, de New York, da Pennsylvania, de New Jersey, de Delaware e de Vermont. Cartas estas que foram seguidas até a revolução. SCHWARTZ. (1979) Op cit. p. 34 et. seq. 25 HAURIOU. Op cit. p. 206. 26 SCHWARTZ. (1979) Op cit. p. 35. 27 MIRANDA. Op. cit., p. 90. 28 LINDSAY, A. D. El Estado Democrático moderno. México: Fondo de Cultura Econômica, 1963. p. 132. MIRANDA. Op. cit., p. 87-91. 29 Foram elas a Declaração de Direitos da Pennsylvania, de Delaware, de Maryland e de Vermont, modeladas pela declaração da Virginia. Já os estados de New Jersey, de Georgia, de New York e da South Carolina, emitiram dentro de suas novas constituições estatais essas garantias de direitos. SCHWARTZ. (1979) Op. cit. p. 75-82. 30 COMPARATO. Op. cit., p. 99-110.
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homens, considerados titulares de certos direitos inalienáveis como a vida, a liberdade e a busca da felicidade”, hoje conhecidos como os direitos naturais e inerentes ao homem, os quais nunca antes foram garantidos sob o viés constitucional, como aduz o ilustre ministro Enrique Ricardo Lewandowski.32 Concretizada a independência em 1787, após terem adentrado em uma guerra contra os Ingleses, elaborou-se na Convenção da Filadélfia, a Constituição Norte-Americana, a qual fundou uma república federalista presidencial e dividida em três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.33 No entanto, nela não constava nenhum dispositivo concernente a direitos individuais 34. Por este motivo, em 1789, surgiu à proposta da primeira emenda à carta americana, com o objetivo de sanar o vácuo deixado em relação às aos direitos particulares dos cidadãos.
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Destarte, em 1791 foram incluídas dez garantias especificas aos direitos individuais no texto constitucional, como, por exemplo, a liberdade de culto religioso, de expressão e de imprensa, o direito à segurança, a garantia da inviolabilidade da pessoa, entre outras.36 Como bem salienta Ingo Wolfgang Sarlet, “pela primeira vez os direitos naturais do homem foram acolhidos e positivados como direitos fundamentais constitucionais”, garantindo a eles a característica universal e um caráter compulsório.37 Nesta ótica, diz-se que a constituição ianque é peculiar e de tamanha importância. Sustenta-se, ainda, que suas ideias estenderam-se aos franceses revolucionários, servindolhes como fonte de inspiração para o reconhecimento dos direitos naturais do homem como um direito comum a todos os cidadãos. 38 Isso pois, a França de 1789 encontrava-se em meio a uma série de dificuldades e disturbações sociais e políticas, as quais clamavam por um país mais preocupado com a sociedade.39 Assim, com o advento dos pensamentos constitucionais da América do Norte e com as opiniões iluministas, liberais e burguesas da época, levaram o Estado Francês a uma revolução

WEINBERGER, Andrew D. Liberdades e Garantias: A Declaração de Direitos. Rio de Janeiro: Forense, 1965. p. 163-165. 32 LEWANDOWSKI. Op. cit., p.48. 33 KARNAL. Op cit. p. 94. 34 LEWANDOWSKI. Op. cit., p.49. 35 SCHWARTZ. (1979) Op. cit., p. 57. 36 SCHWARTZ. Bernard. Direito Constitucional americano. Tradução de Carlos Nayfeld. Rio de Janeiro: Forense. 1966. p. 415-417. BROWNLIE. (1971) Op. cit., p. 11-13. 37 SARLET. Op. cit., p. 52. 38 FERREIRA, Luis Pinto. Princípios Gerais do Direito Constitucional Moderno. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 1983. p. 57-61. 39 SABOUT, Albert. A Revolução Francesa. 8ª ed. Traduzido por Ronaldo Roque da Silva. Rio de Janeiro: DIFEL, 2003. p. 3 et seq.

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político-social, onde se pretendia destituir o sistema feudal vigente e instituir uma sociedade capitalista, moderna, preocupada com a sociedade e com o ser humano.40 Portanto, após a queda da Bastilha em 1789, surgira uma “declaração de todos os tempos e de todos os povos” que deveria permanecer invariável em meio as revoluções41; “de compromisso ideológico definido”, como aduzido por Paulo Bonavides42; cuja finalidade seria a de “proteger os direitos do Homem contra os atos do Governo”, tal como apontado por Manoel Gonçalves Ferreira Filho43 – a conhecida Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Esta declaração guiava-se pelos princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade.44 Introduz o ilustre professor Fabio Konder Comparato45 uma exposição concisa para cada um destes fundamentos democrático-constitucionais:
[...] A igualdade que representou o ponto central do movimento revolucionário. A liberdade [...] limitava-se praticamente à supressão de toadas as peias sociais ligadas à existência de estamentos ou corporações de ofícios. E a fraternidade, como virtude cívica, seria o resultado necessário para a abolição de todos os privilégios.

Em seus dezessete estamentos, foram previstos direitos como o da liberdade de associação política, a igualdade de direitos entre as classes sociais, a inviolabilidade da propriedade, a liberdade de expressão, de comunicação e de ideias, a concepção de que nenhum ser humano pode ser acusado sem determinação legal, o princípio da inocência até que se prove o contrário, da liberdade religiosa, da livre escolha de representantes, entre muitos outros.46 Em outras palavras, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão representa a definitiva consagração dos direitos naturais como sendo direitos imprescritíveis, inalienáveis e invioláveis, sendo, por isso, de imensurável relevância.47 Com efeito, em conformidade com a reflexão de André Hauriou, “todas as constituições revolucionárias são precedidas de declarações de direitos”, não sendo a França diferente.48 A primeira constituição fora a de 1791, cujo foco principal fora o reconhecimento da liberdade e igualdade como irrevogáveis e o fim dos privilégios fiscais, incluindo o Rei.49

Ibid. Ibidem. COMPARATO. Op. cit., p.129. COMPARATO. Op. cit., p.129. 42 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 15. ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2004. p. 573. 43 FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 1997. p.22. 44 FERREIRA. Op. Cit., p. 28. 45 COMPARATO. Op. cit., p.136. 46 LEWIS, Jon E. A documentary history of Human Rights: a record of the events, documents and speeches that shaped our world. New York: Carrol & Graf Publishers, 2003. p. 348-350. 47 ANDRADE, José Carlos Vieira de. Os direitos fundamentais na Constituição portuguesa de 1976. Coimbra: Livraria Almed, 1987. p. 14. SARLET. Op. cit., p. 53.COMPARATO. Op. cit., p. 151;158-159. FERREIRA, Luis P. (1983). Op. cit., p.61. 48 HAURIOU. Op. cit., p. 207. 49 COMPARATO.Op. cit., p.160.
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Em 24 de junho de 1793, surge a segunda Constituição Francesa, agora dotada de caráter parlamentar e não mais monárquico, em que se objetivava primordialmente assegurar a liberdade de expressão e a felicidade aos homens.50 Após, ainda sobrevieram as constituições de 1795, de 1815, de 1848 e inclusive a atual constituição de 1958, que continuaram a conter em seu preâmbulo, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.51 Logo, pode-se afirmar que o século XVIII se encerrou, como corrobora Almir de Oliveira52, “sob a égide do liberalismo individual, abrindo novos horizontes ao homem e acenando-lhe com esperanças novas”. O século XIX, em sequência, foi considerado o um século de transição, haja vista que “o impacto da industrialização e os graves problemas econômicos” ocasionados pela política da conservação formal da liberdade e da igualdade, geraram “amplos movimentos reivindicatórios” em prol de uma atuação mais positiva do Estado para o “efetivo gozo” dos direitos naturais do ser humano, na lição de Ingo Wolfgang Sarlet.53 Já no século XX, surge em 1917 a Constituição Mexicana e a nova tendência de Estado Social.
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Neste ordenamento jurídico, os direitos civis e políticos foram estendidos a toda
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população e também restaram definidos e tutelados os direitos econômicos e sociais, tendo em vista que para a plena efetividade da liberdade, da igualdade, da seguridade e da dignidade de todos os indivíduos, é necessário que hajam “meios apropriados de subsistência, de trabalho e de outras condições”, tais como somente as novas políticas públicas sociais podem trazer, por meio de suas iniciativas e atividades nunca antes pensadas, consoante a percepção de José Luis Soberanes Ernandez.56 A Constituição Mexicana foi seguida de perto pela Constituição Alemã de 1919, a famosa Constituição de Weimar.57 Esta foi a primeira constituição social da Europa e garantiu os direitos sociais ao lado das liberdades clássicas58, construindo um entendimento de que a igualdade deveria ser garantida pelo Estado também de forma material (e não só formal), por ser considerada um direito fundamental.59 Por conseguinte, pode-se afirmar que a contribuição desses inúmeros documentos em direito comparado “deram o corolário para o pensamento e a afirmação dos direitos humanos no
FERREIRA. (1970) Op. cit., p. 28; COMPARATO. Op. cit., p.161-164. LEWANDOWSKI. Op. cit. p. 49. SARLET. Op. Cit., p.53. 52 OLIVEIRA, Almir de. Curso de Direitos Humanos. 1ªed. Rio de Janeiro: Forense, 2000. p. 119. 53 SARLET. Op.Cit., p.56. 54 LIMA TRINDADE, José Damião. História Social dos Direitos Humanos. São Paulo: Peirópolis, 2002. p. 151156. 55 Ibid. Ibidem. 56 FERNÁNDEZ, José Luis Soberanes (Director del Instituto de Investigaciones Jurídicas). Diccionario Jurídico Mexicano. México: Editorial Porrúa, 1998. p. 1069. 57 COMPARATO. Op.cit., p. 189-199. 58 COMPARATO. Op.cit., p. 189-199. 59 MAGALHÃES. Op.cit., p. 30-31. BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Contitucional. 7ª ed. São Paulo: Malheiros, 1997. p. 518.
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mundo, influenciando a adoção de regras principiológicas similares em vários Estados”, como também à sociedade internacional a expressar conjuntamente um sentimento de proteção.60 O primeiro passo para a proteção internacional dos direitos fundamentais internacionais, deu-se ao final da Primeira Guerra Mundial, diferentemente como muitos doutrinadores prezam, ao passo que foi ao final desta, com a criação da Liga das Nações, que a comunidade identificou os conflitos armados como “grandes violadores de diretos humanos.61 Já ao final da Segunda Guerra Mundial, onde o homem se mostrou capaz de absurdos como o próprio preâmbulo da Carta das Nações Unidas menciona, os direitos humanos foram definitivamente elevados à órbita internacional, sendo este fato considerado o grande impulsionador para uma proteção mundial.62 2.2 Os Direitos Humanos Internacionais A proteção hodierna dos direitos humanos no contexto global, surge, portanto, ao final da Segunda Guerra Mundial, como uma resposta as “monstruosas violações cometidas por Hitler” e “na crença de que essas violações possam ser prevenidas” no futuro, como mostra Thomas Buergenthal.63 Assim, os direitos humanos passaram a ser “um tema de legítimo interesse internacional ao invés de ser uma matéria a ser discutida internamente no âmbito de cada Estado”, como menciona Linda Malone.64 Por causa desta preocupação geral, os direitos humanos passaram de uma competência restrita a soberania de um Estado à uma competência mundial, em que todos os países mostravam-se engajados na proteção dos direitos fundamentais de todos os seres humanos.65 Inaugurou-se, a partir disso, uma nova etapa nas relações internacionais: o surgimento da Organização das Nações Unidas – uma organização internacional criada em 1945, com o propósito de estabelecer um foro permanente de diálogo entre as nações para o mantenimento da paz mundial.66 Sob seu escopo, o movimento inicial foi a adoção da Carta das Nações Unidas, a qual além de estabelecer o funcionamento básico da referida organização, determina a observação geral dos direitos humanos e das liberdades dos cidadãos67, os quais aparecem por várias vezes

MENEZES. Op cit., p. 57. LIMA TRINDADE. Op. cit., p.163. 62 Ibid. Ibidem.OLIVEIRA. Op. cit., p. 123. 63 BUERGENTHAL, Thomas [et al]. International Human Rights in a Nutshell. 3ed. New York: West Publishing Company, 2002. p. 27. 64 MALONE, Linda A. International Human Rights. St. Paul: West Group, 2003. p.18 65 OLIVEIRA. Op. cit., p. 251. 66 MENEZES. Op. cit., p. 44. 67 OLIVEIRA. Op. cit., p. 123. COMPARATO. Op. cit., p. 213-224.
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nos dispositivos deste documento, seja por menção direta ou indireta68, reconhecendo-se, desta forma, que tais direitos “ultrapassam as fronteiras da soberania de cada Estado”, como expõe Heiner Bielefeldt69. É neste contexto que Douglas César Lucas70 assevera que os Estados “passaram a pautar sua ação externa pelo imperativo da paz e pela proteção dos direitos humanos”, porém, sem que houvesse ainda uma resolução no plano internacional que colacionasse todos os direitos a serem tutelados. Logo, ligada à finalidade de proteger e mundializar estas regras e de formar um “sistema normativo internacional de proteção”, conforme menciona Flávia Piovesan71, os países acabam deliberando, na então novíssima Assembléia Geral das Nações Unidas, acerca de uma resolução que abarcasse esses direitos considerados intrínsecos do homem a serem resguardados por eles.72 Assim, na Resolução nº. 217 A (III)73, a Assembléia Geral adota a Carta de Direitos Humanos das Nações Unidas, mais conhecida como Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 10 de dezembro de 1948, tornando ainda mais palpável a ideia de o indivíduo ser protegido internacionalmente.74 É nesta que estão assentados os direitos de primeira, segunda e terceira geração e que contém ações programáticas para a sua proteção mundial. Neste documento assentam-se os anseios e as esperanças de toda a população mundial por mudanças quanto a proteção internacional destes direitos inerentes a pessoa humana.75 Segundo Danielle Annoni76, esta declaração é ainda considerada como “marco de positivação dos direitos humanos no plano internacional”, sendo considerada “norma imperativa de direito internacional” e o modelo de proteção desses direitos. Na mesma linha, restou o unânime pensamento da sociedade global proclamado na Declaração do Teerã, em seu parágrafo segundo, de que “a Declaração Universal de Direitos

MENEZES. Op. cit., p. 59. BIELEFELDT, Heiner. Filosofia dos Direitos Humanos. Traduzido por Dankwart Bernsmüller. São Leopoldo: UNISINOS, 2000. p. 12. 70 LUCAS, Douglas César. Os Direitos Humanos como limite à soberania estatal: Para uma cultura políticojurídica global de responsabilidades. MENEZES, Wagner (Coord.). Estudos de Direito Internacional – Anais do 5.º Congresso Brasileiro de Direito Internacional. v. IX. Curitiba: Juruá, 2007., p. 457-470. 71 PIOVESAN, Flávia. Temas de Direitos Humanos. São Paulo: Max Limonad, 1998. p. 49-50. 72 CLAPHAM, Andrew. Human Rights: a very short introduction. New York: Oxford University Press, 2007. p.23. 73 NAÇÕES UNIDAS. Assembléia Geral. Declaração Universal dos Direitos Humanos. 10.12.1945. Disponível em: <http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm>. Acesso em: 31.03.2010. 74 PIOVESAN. (1998) Op. cit., p. 52. 75 BONAVIDES. Op. cit., p. 574-575. 76 ANNONI, Danielle. O legado da declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Revista Ius Gentium. Curitiba. Ano 1, n°2, jul./dez. 2007. p. 73-86.
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Humanos enuncia uma concepção comum a todos os povos de direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana e a declara obrigatória para a comunidade internacional”.77 Por esses motivos, as disposições presentes na referida declaração de 1948, “têm sido citadas como justificação para ações tomadas pelas Nações Unidas e por muitas organizações internacionais”, além de terem “inspirado a preparação de instrumentos internacionais acerca de direitos humanos, tanto para dentro como para fora do sistema das Nações Unidas”, de acordo com a Oficina de Informação Pública da própria ONU78, formando o ápice de todo um processo histórico de criação, proteção e afirmação dos direitos fundamentais. Com efeito, desde o seu reconhecimento internacional na metade do século XX, não há como negar que os direitos humanos passaram por diversas transformações, no sentido que mais direitos têm sido reconhecidos como ‘direitos humanos’. Assim, como forma de complementar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, foram criados no âmbito internacional mais uma dezena de textos no decorrer dos anos. Como exemplo, temos o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais79, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos80, a Declaração sobre a Concessão de Independência aos Países e Povos Coloniais81, a Convenção Sobre Diversidade Biológica82 entre tantos outros. Na busca pela proteção efetiva dos direitos humanos, ainda no âmbito das Nações Unidas, as atividades de dois de seus órgãos assumiram particular relevo, os quais devem ser mencionados. O primeiro é o papel desenvolvido pela antiga Comissão de Direitos Humanos, que fora substituída em 2006 pelo Conselho de Direitos Humanos83, cujo objetivo paira na proteção dos direitos humanos, por intermédio de estudos, recomendações e até procedendo investigações de comunicações que contenham violações de direitos fundamentais, que são

HENKIN, Louis [et al]. International Law: Cases and Materials. 3ª ed. New York: West Publishing, 1998. p. 607. 78 NAÇÕES UNIDAS – Oficina de Información Pública. Las Naciones Unidas y Los Derechos Humanos. Nueva York : ONU, 1979. p. 28. 79 NAÇÕES UNIDAS. Assembléia Geral. Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. 16.12.1966. Reafirma os princípios escritos na Carta da ONU, porém, adicionava a promoção do bem-estar coletivo e a vida digna, principalmente das classes menos favorecidas, por intermédio de políticas públicas. 80 NAÇÕES UNIDAS. Assembléia Geral. Pacto de Direitos Civis e Políticos. 16.12.1966. Traz à baila as liberdades individuais clássicas, como o direito a vida e da proibição à tortura, limitando as interferências e abusos estatais na vida privada. 81 NAÇÕES UNIDAS. Assembléia Geral. Declaração sobre a Concessão de Independência aos Países e Povos Coloniais. 14.10.1960. Trata da reafirmação dos direitos fundamentais de todos os povos, principalmente no sentido de evitar a continuação do colonialismo, fazaendo prosperar o desenvolvimento social, cultural e econômico dos povos então dependentes. 82 NAÇÕES UNIDAS. Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento –Eco 92. Convenção Sobre Diversidade Biologica. 05.06.1992. Propõe regras para assegurar a conservação da diversidade biológica e dos valores ecológicos, genéticos, sociais e econômico em prol do ser humano. 83 COMPARATO.. Op. cit., p. 217.

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reportados à Assembléia Geral e ao Conselho Econômico e Social para que estes tomem as medidas cabíveis.84 O segundo é o próprio Conselho de Segurança, que tem reiteradamente invocado sua preocupação com o real resguardo dos direitos humanos em suas resoluções, como, por exemplo, à situação da África do Sul85 em 1963 e, mais recentemente, em relação ao Afeganistão86 em 2007, expõe a Oficina de Informação Pública da ONU87 Com efeito, mostra-se claro o considerável progresso para a proteção e implementação dos direitos humanos.88 A sua positivação na seara internacional, estimulada principalmente pelas Nações Unidas e seus vários institutos internos, começam a dar o “reconhecimento internacional à promoção dos direitos humanos”, como cita Richard B. Bilder.89 Neste momento, torna-se importante para a continuação deste estudo que expúnhamos uma definição do que são estes direitos humanos, como também elenquemos suas características básicas de forma sucinta. De acordo com o pensamento de André de Carvalho Ramos, Direitos Humanos é um “conjunto mínimo de direitos necessários para assegurar a vida digna do ser humano” que “abrange direitos civis, políticos, sociais, econômicos e culturais” e, por isso, “são direitos atribuídos a qualquer indivíduo, sendo assim, considerados direitos de todos”.90 São direitos que possuem característica cogente e peremptória91, sendo aceitos em sua totalidade pela comunidade internacional, sendo considerados norma erga omnes92, dos quais nenhuma derrogação ou suspensão é permitida, podendo somente ser modificados quando outra norma geral de direito internacional que aborde o mesmo assunto os substitua93.

OLIVEIRA. Op. cit., p. 258-259. NAÇÕES UNIDAS. Conselho de Segurança. Resolução 181/1963. O Conselho de Segurança bane a discriminação uma vez que “contraria aos princípios e propósitos das Nações Unidas”. 86 NAÇÕES UNIDAS. Conselho de Segurança. Resolução 1776/2007. Denota a preocupação do conselho de Segurança com os direitos humanos e as liberdades dos afegãos, em torno da situação entre os terroristas da AlQaeda e Taliban e o Governo atual daquele país. 87 NAÇÕES UNIDAS. Op. cit., p. 29. 88 JANIS, Mark W. Cases and Commentary on International Law. 3. ed. New York: Thomson West, 2006. p.380. 89 BILDER, Richard B. The International Promotion of Human Rights: A Current Assessment. American Journal of International Law. v. 58, 1964. p. 728-734. 90 RAMOS, André de Carvalho. Direitos Humanos. DIMOULIS, Dimitri (Coordenador-Geral). Dicionário brasileiro de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 128-129. 91 BROWNLIE, Ian. Public International Law. 6ª ed. New York: Oxford University Press, 2003. p. 488. 92 Entende-se por normas erga omnes aquelas normas que geram efeitos para todos o Estados. RAGAZZI, Maurizio. The concept of international obligations erga omnes. New York: Oxford Monographs in International Law, 1997. p. 1 e 17. 93 NAÇÕES UNIDAS. Convenção De Viena sobre o Direito dos Trtatados (1969). Artigos 53 e 64. DINH, Nguyen Quoc [et al]. Direito Internacional Público. Traduzido por Vítor Marques Coelho. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1999. p. 287-288.
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Desta forma, chega-se a conclusão de que não pode haver a dissociação entre um Estado a tais normas por sua livre espontânea vontade.94 Todavia, apesar de deterem tais características, os Estados continuam violando tais normas, sendo ainda considerados os grandes violadores dos direito intrínsecos do homem. Abordando essa matéria, Almir de Oliveira95 explica que as transgressões que podem ocorrer por parte da esfera pública, são causadas tanto pela ação quanto pela omissão do Estado. Continua sua explanação dizendo que elas ocorrem tanto no âmbito nacional, “quando ocorrem nos limites da circunscrição territorial de um Estado”, como também no âmbito internacional, consistindo em “violações que ultrapassam os limites territoriais dos Estados”. Ainda, coloca o mesmo autor, que os atos podem ser cometidos por indivíduos particulares, os quais agem sem que o Estado tome providências, quando deveria; pelo próprio Estado, atuando pelo executivo, legislativo ou judiciário; ou por seus agentes, na implementação errônea de políticas públicas. Ocorre que em todos esses casos supra mencionados, o Estado pode responder por violações dos direitos humanos, com fulcro na teoria da responsabilidade internacional dos estados, a qual passamos a estudar. 3 Responsabilidade Internacional dos Estados A teoria da responsabilidade internacional dos estados é um tema recente, o qual tem alcançado grande amplitude, haja vista a importante posição que o homem passou a ocupar no cenário mundial ao final da década de 40, repercutindo diretamente neste campo específico do direito internacional que são as violações de direitos humanos.96 Este instituto, entretanto, já vinha sendo discutido ainda na época da Liga das Nações (antecessora das Nações Unidas) e da Corte Permanente de Justiça Internacional (antecessora a Corte Internacional de Justiça), porém, nunca como uma forma de punir os Estados por violações grosseiras ao ser humano e toda sua intimidade. Por isso, está consolidado no âmbito do direito internacional como norma consuetudinária, jurisprudencial e doutrinária, mas é que vem constantemente adquirindo novas características pela atual relevância dos diplomas normativos internacionais que versam sobre os direitos humanos.97
JANIS, Mark W. An Introduction to International Law. 4ed. New York: Aspen Publishers, 2003. p. 65. OLIVEIRA.. Op. cit. p. 233-236. 96 MELLO, Celso Albuquerque. Responsabilidade Internacional do Estado. Rio de Janeiro: Renovar, 1995. p.155. 97 RAMOS, André de Carvalho. Responsabilidade Internacional por Violação de Direitos Humanos. Rio de Janeiro: Renovar, 2004. p.14. AZEVEDO, Ivo Sefton. Direito Internacional Público. 2ª ed. Porto Alegre: Jurídica/Acadêmica, 1982. p.94. SOARES, Guido F Silva. Curso de Direito Internacional Público. São Paulo: Atlas, 2002. v. 1, p. 184.
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Desde seu princípio, a teoria da responsabilidade internacional está fundamentada no direito que todo ser humano, participante de uma coletividade chamada Estado, possui em ser reparado por qualquer dano que lhe fora causado injustamente por outrem, uma vez que há uma necessidade, no campo do direito internacional, de se recompor o equilíbrio social, outrora abalado.98 Isso pois, conforme a doutrina de Alfred Verdross99, “um sujeito de Direito Internacional a que se imputa um ato internacionalmente ilícito está obrigado a reparar o dano causado”. No julgamento do caso sobre a Usina de Chorzow, a Corte Permanente de Justiça Internacional corroborou com esta teoria ao dizer que a responsabilidade “é um princípio de direito internacional”, em que “a violação de um compromisso envolve uma obrigação de reparálo de forma adequada”. Ainda, expõe que a “reparação é, portanto, complemento indispensável na falha de aplicação de uma convenção, a qual não há necessidade de ser mencionada no corpo de seu texto”.100 O instituto da responsabilidade internacional, logo, há de ser encarado, nas palavras de Guido Silva Soares101, “como um sistema que tem por finalidade conferir uma sanção à norma internacional, uma vez que implicaria a constituição de obrigações derivadas da prática de um ilícito”. Ele “enfatiza a necessidade do Estado de respeitar seus engajamentos internacionais e abriga um arsenal de medidas para realizar o direito porventura violado”, como apontou André de Carvalho Ramos102. Na busca por uma reparação por ofensas cometidas por um Estado às normas de direito internacional, há de ser obervada a ocorrência de certos elementos, tal como ocorre no direito interno de cada nação, para a utilização deste instituto. São eles: o ato ilícito, a imputabilidade e o dano ou prejuízo. Primeiramente cabe ressaltar o que configuraria um ilícito internacional. De acordo com Celso Albuquerque Mello103, “a ilicitude é a violação de uma norma internacional”, excluindo qual seja a normativa do direito interno. Definição esta que corresponde com aquelas concebidas por Ian Brownlie e pela Comissão de Direito Internacional, das Nações Unidas, que consideram

MELLO. (1995). Op. cit., p.6. VERDROSS, Alfred. Derecho Internacional Publico. 4ª ed. Madrid: Aguilar, 1963. p. 319. 100 CPJI. Usina de Chorzow (Germany vs. Poland). Julgado em 26 de julho de 1927. Jurisdiction. Judgment no. 8. p.21. Disponível em: <http://www.icj-cij.org/pcij/serie_A/A_09/28_Usine_de_Chorzow_Competence_Arret.pdf>. Acesso em 31.3.2010. 101 SOARES. Op cit., p.184. 102 RAMOS. (2004) Op cit., p.14 103 MELLO. (1995). Op. cit., p.32.
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um ato internacional ilícito quando um Estado age contrariamente as especificações de um acordo internacional. 104 Vale mencionar que é pelo ato cometido ter constituído uma infração de uma norma internacional que se pode pleitear uma reparação em âmbito externo. Conforme o entendimento da Corte Internacional de Justiça no caso Barcelona Traction, a evidência de um prejuízo sofrido não é suficiente para gerar uma reclamação internacional, uma vez que a responsabilidade não resta estabelecida se um simples interesse é atingido; ela ocorrerá somente no caso de um direito ter sido violado.105 Assim, resta marcada a necessidade de ocorrência de um ilícito internacional para a utilização deste instituto. A imputabilidade também é importante, haja vista que sem o nexo causal entre “o dano e o ilícito” não há que se falar na instituição de “um dever de reparar a seu ator” ou na criação para ofendido de “um direito subjetivo de exigir uma reparação”, nos lição de Guido Silva Soares.106 Todavia, o nexo causal para a aplicação deste instituto, será formado entre o prejuízo causado ao indivíduo e o Estado, tendo este agindo diretamente para o dano ou ter deixado de agir, o que também coopera para a violação do bem jurídico. Isso pois, a “extensão da imputabilidade esta ligada ao conceito de soberania estatal”, ou seja, o “Estado deve responder por alguns atos como soberano, vez que estes atos surgem estreitamente ligados a sua soberania”, conforme importante observação de Brigitte Stern107. Igual é o entendimento da Corte Internacional de Justiça que, ao proferir sua decisão no caso Corfu Channel, esclareceu que o Estado deve ser considerado responsável por atos de terceiros (isto é, que não estejam agindo em nome do país), mesmo que ele em nada tenha contribuído para o dano, por permitir que certas medidas fossem postas em prática dentro de seu território, ocasionando um prejuízo a outrem.108 O denominado terceiro elemento que constitui a responsabilidade internacional é o próprio prejuízo causado a um indivíduo, pois é um efeito sem o qual o Estado não “se veicula a obrigação de reparar”.109

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BROWNLIE, Ian. System of the Law of Nations: State Responsibility. New York: Oxford University Press, 1983. p. 17. CROWFORD, James. The International Law Commission’s Articles on State Responsibility. New York: Cambridge University Press, 2002. p.78 105 CIJ. Barcelona Traction (Belgium vs. Spain). Julgado em 05 de fevereiro de 1970. Judgments – second phase. Par. 46, p. 36.Disponível em: <http://www.icj-cij.org/docket/files/50/5387.pdf>. Acesso em: 30.03.2010. RESEK, José Francisco. Direito internacional Público. 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 1991. p. 275. 106 RAMOS. (2004) Op cit.,. p.186. 107 STERN, Brigitte. La responsabilité International: Aujordu’hui...Demain. Apud. MELLO. (1995). Op. cit., p.34. 108 BROWNLIE. (1983) Op cit., p. 133. CIJ. Corfu Channel (UK vs. Albania). Julgado em 09 de abril de 1949. Merits. Disponível em: < http://www.icj-cij.org/docket/files/1/1645.pdf>. Acesso em: 30.03.2010. 109 MELLO. (1995). Op. cit., p.51.

Prejuízo, por sua vez, significa qualquer dano moral ou material originado de um ato internacional proibido cometido por um Estado.110 No caso do dano material mais especificamente, ele seria aquele prejuízo causado direitamente ao bem jurídico que a norma externa protege. Por outro lado, o dano moral estaria ligado a uma lesão na honra e na dignidade do ser humano.111 Logo, chega-se a conclusão de que o dano causado deve ser reparado pelo Estado, haja vista que este ente de direito internacional, ao ratificar tratados e convenções em âmbito externo, assume direitos e deveres perante a ordem jurídica internacional, os quais devem ser seguidos. No momento em que a nação viola o cumprimento de uma norma que tenha o Estado como seu destinatário, ocasionando um prejuízo de ordem material ou moral a um particular, acaba por cometer um ato ilícito, tornando-se imputável por sua ação. A responsabilidade internacional dos Estados gera, então, consequências jurídicas as quais, para Adherbal Meira Mattos112, podem ser “a explicação, a punição, a reparação e a indenização”. Entretanto, André de Carvalho Ramos113 ainda corrobora com mais uma dezena de outras consequências, tais como a satisfação, as obrigações de fazer e não fazer, a garantia de não repetição, etc., as quais são vistas como um modo de garantir a obrigatoriedade das normas de direitos humanos no plano internacional, acarretando em uma reflexão acerca da necessidade de respeito por parte dos Estados a estas normativas as quais se engajaram em proteger. Assim, é realmente possível dizer que a efetividade dos direitos humanos, na existência de violações, são garantidas por meio da teoria da responsabilidade internacional dos estados. Para efetuar a implementação deste instituto, entretanto, são necessários meios jurisdicionais internacionais adequados, os quais assegurem a correta aplicação dos direitos fundamentais tutelados, mais conhecidos como os Foros Regionais de Direitos Humanos. 4 A Efetividade dos Direitos Humanos por intermédio dos Foros Regionais. Inicialmente, é mister a análise do que seria o plano da eficácia que as normas jurídicas apresentam e o que pode interferir na sua correta aplicação, para que, a partir desta conceituação, seja constituído um estudo breve referente à efetividade do direito internacional dos direitos humanos (através do uso da teoria explanada anteriormente) por intermédio dos Foros Regionais. Conforme a doutrina, a eficácia de uma norma só é gerada no mundo jurídico quando os direitos e as pretensões acordadas exteriorizam-se na criação de determinadas relações jurídicas,
CROWFORD. Op. cit., p. 29-30. RAMOS. (2004) Op cit.,. p.200-202. 112 MATTOS, Adherbal Meira. Direito Internacional Público. 2ª ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2002. p. 105. 113 RAMOS. (2004) Op cit.,. p.251-312.
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gerando consequências ou efeitos caso não venham a ser observados, representando um dever de obediência perante todos da sociedade.114 Deste modo, para garantir a total sujeição dos Estados às leis internacionais, faz-se necessária também à existência de meios ou remédios judiciais que compelem os mesmos a seguirem tais preceitos. Uma vez que a eficácia do direito está diretamente atrelada à conduta humana, se não houvesse regras que garantissem o propósito fundamental do ordenamento jurídico, a sua efetividade não ocorreria, já que a norma seria meramente declaratória (como aquelas vislumbradas no direito comparado, no princípio deste texto), não havendo qualquer relação vinculante desta com o indivíduo que transpõe seus limites.115 Todos os Estados ao redor do globo possuem mecanismos que obrigam àqueles submetidos à sua jurisdição a seguirem as normas internas de seu ordenamento jurídico, sejam eles meios judiciais ou administrativos.116 Naturalmente, os Direitos Humanos já internalizados no plano jurídico interno de cada nação, como é o caso dos direitos fundamentais no sistema normativo brasileiro, por exemplo, serão protegidos e garantidos pelo Estado, havendo uma série de leis que prevêem situações em que caso exista qualquer inobservância frente a estes direitos, haverá a aplicação de punições aos perpetradores destas transgressões. O direito internacional, como um conjunto de normas e instituições jurídicas, tem como finalidade regular as relações entre Estados e outros entes de direito internacional, e assim o faz por intermédio de princípios, regras e acordos constituídos pela convergência entre os interesses e as vontades das nações civilizadas e das organizações internacionais.117 É preciso salientar, contudo, que exatamente por haver esta pluralidade de opiniões e convicções dos mais diferentes Estados é que não se afasta a possibilidade de haver uma violação das regras de direito internacional, e consequentemente, de direitos humanos. Claramente, com a ocorrência de um ato ilícito, deveria haver uma sanção com o intuito de punir o infrator e prevenir futuras transgressões. Como expõe Ielbo de Souza, “a norma internacional, como toda norma jurídica, prevê a aplicação de uma sanção a todo aquele que a violar, isto é, aquele que comete um delito”.118 Nesse contexto é que paira a importância do estudo da teoria da responsabilidade internacional, pois ela quem faria a conexão entre a atitude delituosa e danosa do Estado para com o indivíduo.
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MELLO, Marcos Bernardes. Teoria do Fato Jurídico: Plano da Existência. 7ed. São Paulo: Saraiva, 1995. p. 80-81. 115 REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 23ª ed. São Paulo: Saraiva, 1996. p.108-113. 116 CASSESE, Antonio. International Law. New York: Oxford, 2001. p. 212-213. 117 DEL’OLMO, Florisbal de Souza. Curso de Direito Internacional Público. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2006. p. 56-58. MIRANDA, Jorge. Curso de Direito Internacional Público. 3ª ed. Parede: Ed. Principia, 2006. p. 2325; 121 et seq. 118 SOUZA, Ielbo Marcus Lobo de. A natureza e eficácia do Direito Internacional. Revista de Informação Legislativa. Brasília, a. 36, n. 141, jan./mar., 1999. p. 217-228.

Logo, todo Estado que praticasse um ato ilícito, deveria “efetuar uma reparação [...] ou comparecer perante a um tribunal internacional”, na lição de Michael Akehurst.119 Entretanto, quando nos referimos ao campo dos direitos humanos, tal prática fica um pouco mais prejudicada, haja vista que apesar destes direitos serem protegidos no ordenamento jurídico internacional no âmbito das Nações Unidas, por meio de seus tratados e seus órgãos, ela não estabelece os procedimentos nem os mecanismos efetivos para garantir a efetiva aplicação destes direitos.120 Por essa razão, é mister mencionar, o papel de proteção regional dos direitos humanos121, representados pelos ordenamentos jurídicos criados em âmbito restrito a determinadas regiões do planeta, os quais seriam os encarregados pela proteção dos direitos humanos dentro de seus escopos jurisdicionais. São eles: a Convenção Européia dos Direitos Humanos, a Convenção Americana de Direitos Humanos e a Carta Africana dos Direitos Humanos.122 A Convenção Européia dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais foi assinada em 4 de janeiro de 1950. Ela pretendia fomentar os direitos humanos e o progresso econômico e social naquele continente e, ainda, criar um foro jurisdicional local para que as violações desses direitos individuais fossem denunciadas, obtendo um status mais legal do que político quanto a esta matéria. Assim, criou a Comissão Européia de Direitos Humanos e o Tribunal Europeu de Direitos Humanos, os quais seriam responsáveis pelo julgamento de casos em que os direito humanos tenham sido violados, bem como por emitir pareceres consultivos acerca de possíveis violações. Merece grande destaque no cenário internacional, uma vez que reconheceu o indivíduo como sujeito de direito internacional pela primeira vez, podendo este apresentar seu caso particular diretamente à Comissão e ao Tribunal, atuando no pólo ativo da demanda. 123 No âmbito sul-americano, temos a Convenção Americana de Direitos Humanos, a qual fora proposta pela Organização dos Estados Americanos em 22 de novembro de 1969. Possui os mesmos anseios que o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, documento produzido no âmbito das Nações Unidas que visava a proteção de direitos humanos, restritos à esfera cívicopolítica, bem como os direitos de segunda geração, como o direito ao trabalho e o direito a
AKEHURST, Michael. . Introdução ao Direitos Internacional. Traduzido por Fernando Ruivo. Coimbra: Livraria Almedina, 1985. p. 7-8 e 292. 120 LILLICH, Richard. The U.N. and Human Rights Complaints: US Thant as Strict Constructionist. American Journal of International Law. v. 64, 1970. p. 610-614. 121 COMPARATO. Op cit. p. 268-278, 367-382, 395-406. 122 SHELTON, Dinah. An Introduction to the History of International Human Rights Law. George Washington University Legal Studies Research Paper. n. 346. Aug., 2007. p. 1-30. 123 MADSEN, Mikael Rask. From Cold War Instrument to Supreme European Court: The European Court of Human Rights at the Crossroads of International and National Law and Politics. Law & Social Inquiry Journal. v. 32, n. 1, 2007. p. 137-159. DINH. Op cit., p. 677. CASSESE. Op cit., p. 370-390.
119

participar da vida cultural de uma sociedade. Ainda, impôs deveres aos cidadãos a fim de proteger os direitos fundamentais, como a proteção da família. Instituiu a Corte Interamericana de Direitos Humanos, um órgão autônomo que tem função jurisdicional, tal como o Europeu onde são apresentadas denúncias de violações de direitos humanos, os quais são garantidos pela Convenção. Contudo, neste não restou reconhecido o indivíduo como sujeito de direito internacional, devendo este apresentar a sua reclamação quanto à derrogação de um direito intrínseco à Comissão Americana de Direitos Humanos, a qual tomará as medidas cabíveis e, se for o caso, fará o encaminhamento a Corte para a persecução do Estado violador. 124 Por sua vez, o continente africano também é composto de um sistema de proteção. Sua Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Direitos dos Povos é datada de 27 de junho de 1981. Como a Convenção Americana, possui deveres voltados aos seus indivíduos, como para a família e sociedade. Entretanto, diferentemente das outras convenções regionalistas, contém uma obrigação única: a de erradicar o colonialismo naquele continente e de promover e afirmar o direito dos povos, preocupando-se diretamente com os direitos coletivos e difusos, como a autodetermina;cão dos povos, o direito a paz e ao meio ambiente. Igualmente aos outros sistemas, possui um meio jurisdicional para julgar as violações de direitos humanos, uma vez que em 2004 teve implementada a sua Corte de Direitos Humanos. Seus procedimentos são semelhantes àqueles da Corte Interamericana.125 Ao deliberar sobre esses sistemas, Richard B. Lillich e Hurst Hannum126, admitem que o “desenvolvimento dos instrumentos de direitos humanos e de mecanismos entre Estados é geralmente facilitado quando alianças, estipuladas por interesses comuns, ocorrem”, como é o caso dos Foros Regionais de Direitos Humanos. Hélio Bicudo127, por sua vez, afirma que foram estabelecidos “à medida que os Estados dos continentes europeu, americano e africano assumiam a relevância dos direitos humanos, como fundamento para a construção e a sobrevivência de um Estado Democrático”, e tendo como necessária a sua proteção e fiscalização.

BICUDO, Hélio. Defesa dos direitos humanos: sistemas regionais. Estudos Avançados. v. 17, n. 47, 2003. p. 225-236. MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público. 3ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. p. 532-533. PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e Justiça Internacional. São Paulo: saraiva, 2006. p. 85-96. 125 KNOX, John H. Horizontal Human Rights Law. American Journal of International Law. Forthcoming Issue, 2007. Disponível em: <http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm? abstract_id=1014381>. Acesso em: 12.10.2009. TAQUARY, Eneida o Britto. Sistema Africano de Proteção dos Direitos Humanos. Consilium: Revista Eletrônica de Direito do Centro Universitário UNIEURO. Disponível em: <http://www.unieuro.edu.br/ downloads_2005/consilium_02_07.pdf>. Aceeso em 23.03.2010. PIOVESAN. (2006) p. 119. 126 LILLICH, Richard B. [et al.]. International Human Rights : Problems of Law, Policy and Practice. 3ª ed. Boston: Little, Brown and Company, 1995. p. 683. 127 BICUDO. Op. cit., p. 2.

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Entretanto, deve-se esclarecer que todos estes órgãos de controle regional são “acionáveis quando o Estado se mostra falho ou omisso na tarefa de implementar direitos e liberdades fundamentais”, segundo Flávia Piovesan.128 Nesse diapasão, Antonio Cançado Trindade129 exprime que esses tribunais regionais existentes “não ‘substituem’ os tribunais internos, tampouco operam como tribunais de recursos ou de cassação de decisões de tribunais internos”. Em razão disso, deve haver o “esgotamento prévio dos recursos internos” do país de origem, pois tal é considerado “prática antiga e universal”, como expressa Almir de Oliveira130, além de estar precisamente previsto nos instrumentos de direitos humanos.131 Afinal, se estes foros regionais apenas irão analisar a (in)observância do Estado acionado “com as obrigações internacionais dos Estados em matéria de direitos humanos”, como expões Antônio Cançado Trindade
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, nada mais justo que as derrogações cometidas pelas nações não tenham tido

resultado no âmbito interno de usas jurisdições – garantindo uma maior “capacidade de aplicar algum tipo de pressão ante tais países para cessarem as violações”.133 Complementa Hostettler134 a esta idéia que, se for necessário, poderão impor as nações acionadas determinadas mudanças quanto às suas práticas assumidas no tocante a estes direitos, além de compensar as suas vítimas. Logo, vislumbra-se a aplicação da teoria da responsabilidade dos estados nestes centros de jurisdição regional de direitos humanos. Cumpre destacar, portanto, que estes sistemas regionais, apesar de não serem meios judiciais aplicáveis em âmbito global, apresentam grande relevância haja vista que asseguram a plena efetividade dos direitos humanos, mesmo que em jurisdições limitadas.135 Com a sua adoção, é possível a adoção de “mecanismos de cumprimento que se coadunam melhor com as condições locais do que o sistema de proteção global”.136Sem sobra de dúvidas, eles fornecem uma importante ajuda, no sentido de evitar que as transgressões aos direitos do ser humano

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PIOVESAN. (1998) p. 51. TRINDADE, Antônio Cançado. A proteção internacional dos Direitos Humanos: fundamentos jurídicos e instrumentos básicos. São Paulo: Saraiva, 1991.v. 1, p. 412. 130 OLIVEIRA. Op. cit., p. 255. 131 Está previsto o esgotamento interno no artigo 41 da Convenção Internacional de Direitos Civis e Políticos, no artigo quinto do Protocolo Opcional, no artigo 35 da Convenção Européia de Direitos Humanos e no artigo 46 da Convenção Americana de Direitos Humanos. D'ASCOLI, Silvia [et al]. The Rule of Prior Exhaustion of Local Remedies in the International Law Doctrine and its Application in the Specific Context of Human Rights Protection. European University Institute Working Paper – Law. Italia. n. 2, feb., 2007. p. 5-31.. 132 TRINDADE. Op. cit.,. p. 412. 133 LILLICH. (1995) Op. cit.,. p. 683. 134 HOSTETTLER, Peter. Human Rights and the “War” against International Terrorism. Sanremo: International Institute of Humanitarian Law, 2002. p. 33. 135 LILLICH. (1995) Op. cit.,. p. 682-683. 136 HEYNS, Christof [ et al.]. Comparação esquemática dos sistemas regionais de direitos humanos: uma atualização. Sur : Revista Internacional De Direitos Humanos. n.4, a.3, 2006. p.161-169.

tornem-se impunes “quando o Estado não cumpre seu dever de dar a devida proteção e de tomar as medidas necessárias para prevenir ou punir os responsáveis”.137 4 Considerações Finais Este trabalho trouxe como ponto de partida à reflexão acerca dos direitos humanos. A tutela, exteriorizada primeiramente no âmbito do direito comparado, iniciada ainda na Baixa Idade Média na Inglaterra, sendo transmitida aos Estados Unidos, uma de suas colônias e posteriormente retornando ao cenário europeu, no contexto da França revolucionária de 1789, revelam a engajada luta da sociedade na busca pela a proteção de suas liberdades básicas – aquelas que permitam gozar da vida com um mínimo de satisfação. Como uma constante sempre em movimento, a história da proteção aos direitos humanos não cessou, sendo necessárias às garantias de outros direitos, tais como os de segunda e terceira geração, respectivamente os direitos sociais e os direitos difusos, para que o ser humano experimentasse o sentimento de proteção total, seja ela ao menos no plano teórico, fornecidos pelas lutas e conquistas sociais ocorridas ao longo do século XX. Como abordado, em âmbito interno, os direitos fundamentais de cada cidadão foram resguardados. Todavia, fortaleceu-se a idéia de que a proteção não estava completa, faltando a sua internacionalização, já que o tema passou a ter interesse internacional, não devendo reduzirse mais ao domínio íntimo do Estado. Aqui residem dois dos grandes feitos da humanidade: a criação das Nações Unidas, conjuntamente com sua Carta, e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Estes diplomas apresentam grande importância, tendo em vista que o ser humano percebeu através deles uma garantia universal de seus direitos intrínsecos. Direitos estes cuja limitação não pode ocorrer, devido ao seu caráter inviolável e peremptório em âmbito interno e externo. A idéia de proteção estaria completa, se não fosse o moderno problema das constantes violações de direitos humanos sofrida pela sociedade internacional, tema que está intimamente relacionado ao estudo da responsabilidade internacional do Estado. Por isso, confirmou-se que a responsabilização do Estado por tais derrogações de direitos é essencial para que se reafirme a eficácia desse conjunto de normas, uma vez que busca a reparação das ofensas cometidas pela nação frente ao ser humano. Concluiu-se que no atual contexto internacional a exigibilidade deste conjunto de normas voltado para a proteção dos indivíduos existe no plano teórico, com a existência de teorias que
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CORREIA, Theresa Rachel C. Considerações iniciais sobre o conceito de direitos humanos. Pensar. Fortaleza, v.10, n. 10, fev., 2005. p. 98-105.

sancionam os transgressores das regras. Todavia, acrescentou-se que no plano prático, os danos persistem em existir, o que dificulta a afirmação da dignidade humana. Mostrou-se, assim, a formação de três sistemas jurídicos regionais de caráter supra-estatal voltados à proteção destes direitos, o que são uma forma palpável de prevenir e assegurar uma punição aos violadores das normativas internacionais (e regionais) de direitos fundamentais. De fato, ficou evidente que tais sistemas jurisdicionais acabaram por garantir a observância, por parte dos Estados, das regras de direitos humanos, deixando de lado a suposta falta de operosidade do sistema internacional, visto que aplicariam (mesmo que limitadamente) a teoria da responsabilidade internacional. Por derradeiro, nota-se que eficácia dos Direitos Humanos que se pensava haver é posta em debate com o advento das mais variadas violências contra a pessoa humana, mormente pelo fato de serem cometidas pelos Estados – os quais deveriam resguardar pelos direitos inerentes ao ser humano e sua dignidade. Porém, com a criação de sistemas regionais de proteção, os quais possuem força jurisdicional para aplicar especialmente a teoria da responsabilidade internacional dos Estados, obrigando que as nações cumpram com os tratados e convenções de direitos fundamentais assumidos em âmbito externo. Com efeito, eles materializem a tutela dos direitos humanos, tornando-a plena e eficaz. Ao
impor medidas para a prevenção das transgressões e exigir a fiel observação das regras internacionais dos, se tornam a única forma hodiernamente de atingir-se a máxima efetividade dos direitos

humanos – aquela pretendida desde 1215. 5 Referências Bibliográficas
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