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1.1.Revisão de Literatura

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8 1.

1 Revisão da literatura

1.1.1 Educação Permanente A idéia de que os processos educacionais são contínuos ou permanentes é tão antiga quanto a própria história do homem. No entanto, só no início do século XX é que formalmente se organizaram programas de educação continuada. A partir de então, cresce no mundo o reconhecimento da necessidade de se instituírem programas de educação continuada ou permanente. Apesar desse crescente consenso, as dificuldades de se implantar/implementar programas que de fato respondam as necessidades de qualificação apontadas pela dinâmica do trabalho tornam-se cada vez mais evidentes. Para alguns autores, as distinções entre os termos continuada e permanente têm origem no que se poderia chamar de “matrizes de origem diversas”, ou seja, na compreensão de que esses processos possuem uma matriz histórica comum, mas originadas a partir de diferentes motivações. Poderíamos citar desde o acelerado desenvolvimento cientifico e tecnológico que o mundo experimentou a partir dos anos 50, até a crise dos sistemas educacionais tão bem expressa pelos acontecimentos de maio de 1968 na França. No setor saúde, segundo Ricas (1994), os termos continuada e permanente, embora não opostos, conferem especificidade ao processo ensino/aprendizagem. Segundo Motta (1998), o termo permanente, largamente difundido pela OPS (Organização Panamericana de Saúde), “teria como referência uma estratégia de

9 reestruturação e desenvolvimento dos serviços, a partir de uma análise dos determinantes sociais e econômicos, mas sobretudo de transformação de valores e conceitos dos profissionais. Propõe transformar o profissional em sujeito, colocandoo no centro do processo de ensino/aprendizagem”. Já o termo continuada, segundo Ricas (1994), “englobaria as atividades de ensino após o curso de graduação, com finalidades mais restritas de atualização, aquisição de novas informações e/ou atividades de duração definida e através de metodologias tradicionais.” Assim, ao se falar de processos de educação permanente, é preciso ter clareza que alguns caminhos precisam ser percorridos: distinções conceituais; relação num mesmo sistema das demandas originadas a partir dos mecanismos de educação continuada e de educação permanente; a organização do trabalho em saúde e os “hábitos institucionais” enquanto culturas que impregnam as dinâmicas das Instituições; os conflitos gerados no interior das relações de trabalho etc. Não perdendo de vista que a implantação e implementação desses sistemas se dão num mundo onde a organização do trabalho se transforma, onde a necessidade por novos conhecimentos se torna uma exigência para todos os trabalhadores, num sistema de saúde que formula estratégias de reconstrução de modelos de atenção, reconhecendo um vácuo na formação das profissões de saúde, o que impõem a urgência na reformulação dos modelos e conteúdos da formação e a necessidade de mecanismos de requalificação profissional. Para entendermos melhor a Educação Permanente em Saúde (EPS), é necessário falar um pouco sobre o SUS. A trajetória da construção da maior política pública de inclusão social no Brasil é sem dúvida, o Sistema Único de Saúde (SUS) que, hoje, atende exclusivamente mais de 70% da população e praticamente está

2005) o alcance dessas transformações que o sistema exige significa “mudar realmente a forma de cuidar. Relembrando a história do SUS. este tem se tornado uma fonte a parte de ganhos. colocam na roda para a discussão e aprofundamento à necessidade urgente de se criar um sistema de saúde destinado à população brasileira. As mudanças são urgentes e para que elas ocorram é preciso investir.CNS ocorrida em 1986. no qual todos teriam acesso igualitário. . vale ressaltar que sua viabilização tem seu inicio na Conferência Nacional de Saúde . desde sua origem vem provocando profundas mudanças nas práticas de saúde. Entretanto. como já referido. de outro. Para uma parcela considerável dos trabalhadores que atuam no SUS. quando grupos de trabalhadores e intelectuais da saúde. os recursos são poucos e o modo de operar a produção dos cuidados está centrado na doença. ainda falta superar muitos obstáculos. não se envolvendo em sua defesa por um lado. tratar e acompanhar a saúde dos brasileiros e se for capaz também de mudar os modos de ensinar e aprender”.10 presente em todos os municípios brasileiros. Para o Ministério da Saúde (BRASIL. Política essa que ao longo do tempo. possibilitar transformações na formação e no desenvolvimento dos profissionais do setor saúde. Sua regulamentação ocorreu com as Leis nº. denominado Movimento da Reforma Sanitária. Na Constituição de 1988 o SUS é criado e a saúde foi inscrita na carta magna como direito de todos e dever do Estado. pois é uma política contra hegemônica na sociedade. 8080/90 (Lei Orgânica da Saúde) e nº.

1988).11 8. trabalho e renda. tornando obrigatório o atendimento público a qualquer cidadão. Conforme a constituição federal de 1988 no art.142/90 que garante a participação popular em todas as esferas do sistema. moradia. [. A finalidade era a de alterar a situação de desigualdade na assistência à Saúde da população.080 de 1990. 1990).] as políticas sociais e econômicas protetoras da saúde individual e coletiva são as que atuam diretamente sobre fatores determinantes e condicionantes da saúde. como: alimentação.. Quando da regulamentação do SUS. garantido mediante as políticas sociais e econômicas que visem á redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário á ações e serviços para sua promoção. O processo de implantação e consolidação do SUS tem demandado cada vez mais investimento e redirecionamento na formação dos profissionais que trabalham nos serviços públicos de saúde. saneamento básico. É preciso resgatar na formação dos trabalhadores práticas saudáveis de cuidado. sendo proibidas cobranças de dinheiro sob qualquer pretexto. educação.. a lei 8. lazer e acesso aos bens de serviços essenciais (BRASIL. e 3º. diz que. meio ambiente. proteção e recuperação (BRASIL. 196 diz: A saúde é um direito de todos e dever do estado. tomar para si e discutir no coletivo o compromisso de . transporte. nos seus artigos 2º.

para além da superação da dicotomia. 2007). A prioridade para todos os municípios é ter a atenção básica operando em condições plenas e com eficácia. o cuidado com a saúde está ordenado em níveis de atenção. o da integralidade como fala Feuerwerker et al.. para garantir a integralidade do atendimento à sua população. incluindo as ações e serviços de promoção. No SUS. Particularmente no caso dos pequenos municípios. Para o Ministério da Saúde.12 cuidar com ética e humanidade. prevenção. a de média complexidade e a de alta complexidade. a atenção a saúde é tudo que envolve o cuidado com a saúde do ser humano. equidade e integralidade das ações. Nem sempre um município necessita ter todos os níveis de atenção à saúde instalada em seu território. Não se deve. tanto individual quanto coletivamente. que são a básica. porque a atenção à Saúde deve ser integral.. se funda no acesso a todo tipo de ação nas suas mais diversas . (2005). considerar um desses níveis de atenção mais relevante que outro. respeitando os princípios do SUS: universalidade.] parece ser. isso pode ser feito por meio de pactos regionais que garantam às populações dessas localidades acesso a todos os níveis de complexidade do sistema. Essa estruturação visa à melhor programação e planejamento das ações e serviços do sistema. [. (BRASIL. reabilitação e tratamento de doenças. no foco dos cuidados na saúde. porém. A história do SUS aponta que o mesmo tem provocado e tem assumido importante papel na dimensão do cuidar. curativo – preventivo. Dentre os princípios do SUS.

Com isso. 2005). cor. O Sistema Único de Saúde através da Lei 8080/90 entende integralidade como uma atenção que abrange as ações de promoção. para a prevenção e a cura. Os mesmos autores apontam que a integralidade pode ser tomada como um “princípio da organização contínua do processo de trabalho. sendo capaz de atender aos problemas de saúde individuais e coletivos. prevenção e de recuperação formem um todo indivisível que não podem ser compartimentalizadas. e não apenas ser capaz de tratar a doença e acometimentos graves com risco à vida. pensar e agir. prevenção. tratamento e reabilitação com garantia de acesso a todos os níveis de complexidade do sistema de saúde. Isto faz com que as ações de promoção. segundo os autores “uma apreensão ampliada das necessidades da população a qual atendem” (FEUERWERKER et al. sujeitos usuários do SUS individual ou coletivamente. . as ações de saúde devem ser combinadas e voltadas. pois se trata de uma prática imediata. ao mesmo tempo. (BRASIL. o acesso aos serviços de saúde deve ser garantido independente de raça. renda. um outro olhar para o outro. 1999). Outro principio do SUS é o “direito e acesso universal” e diz respeito à cidadania de todas as pessoas e cabe ao Estado assegurar este direito. mas ao mesmo tempo. O principio da Integralidade da assistência. cuidando da qualidade da saúde. ouvir. permitindo a ampliação da leitura e intervenção sobre os problemas enfrentados pelos [sujeitos] usuários”. Essa organização dos serviços permite. no sentido de sentir.13 tecnologias existentes.

no respeito às pessoas. como já assinalado. sua cultura e seu contexto social e econômico. coloca como pressuposto desta estratégia. Quando se refere a “equidade” tem como objetivo diminuir a desigualdade social. seus hábitos. articulação essa baseada no diálogo. além do trabalho em equipe (BRASIL. Já o princípio da “integralidade” significa considerar a pessoa como um todo atendendo a todas as necessidades. investindo mais onde tem maior carência. 1999). conforme coloca o Ministério da Saúde.14 ocupação ou outras características sociais e pessoais. São princípios da Estratégia da Saúde da Família (1). recebem capacitação ao iniciar o seu trabalho. desde a compreensão dos princípios do SUS. pois no contexto de estudo. os sujeitos do estudo serão os profissionais que atuam num cenário de cuidado em que o modo de operar os cuidados em saúde se dá no modelo da ESF. que reafirma os princípios do SUS. o trabalho em equipe e a articulação com a comunidade sob sua responsabilidade. O Ministério da Saúde (2006). situação que não ocorre na realidade do estudo. valores. Os profissionais de saúde para atuar na equipe da saúde da família. a saúde a Família se coloca através da mudança de um modelo assistencial alicerçados nos princípios éticos políticos e técnicos do SUS. dentre os quais destaco: . ressaltando a articulação com outras políticas públicas. crenças. Creio ser relevante colocar nessa discussão os princípios da Estratégia da Saúde da Família (ESF). pressupondo que o objeto de atenção à saúde se estenda do individuo para a família.

Equipe multiprofissional: cada equipe do Programa Saúde da Família . Territorialização e cadastramento da clientela: a Unidade de Saúde da Família trabalha com território de abrangência definido e é responsável pelo cadastramento e o acompanhamento da população vinculada (adscrita) a esta área.15 Integralidade e hierarquização: A Unidade de Saúde da Família está inserida no primeiro nível de ações e serviços do sistema local de assistência. no máximo. Recomenda-se que uma equipe seja responsável por. sempre que o estado de saúde da pessoa assim exigir. a exemplo de dentistas. Deve estar vinculada à rede de serviços. A Unidade de Saúde da Família pode atuar com uma ou mais equipes. dependendo da concentração de famílias no território sob sua responsabilidade. . pois isso pode ser um principio de roda. assistentes sociais e psicólogos . denominado atenção básica.poderão ser incorporados às equipes ou formar equipes de apoio. 2008). pode-se depreender que o trabalho em equipe. Do exposto. (BRASIL.PSF é composta. Outros profissionais. 4. de forma que se garanta atenção integral aos indivíduos e famílias e que sejam asseguradas à referência e a contra-referência para clínicas e serviços de maior complexidade. um enfermeiro. por um médico. de acordo com as necessidades e possibilidades locais. um auxiliar de enfermagem e de quatro a seis agentes comunitários de saúde (ACS). no mínimo. de forma integrada é determinante. Acredito ser necessário discutir essas questões no coletivo. como aponta a Educação Permanente em Saúde .500 pessoas.

Em rápidas palavras. na saúde.. é também um processo coletivo. Pires (1999) ao falar sobre processo de trabalho dos profissionais de saúde descreve que o mesmo tem como finalidade: [. a compreensão da organização do trabalho é fundamental para o estabelecimento das atividades do cuidado no campo da saúde. que em conjunto prestam assistência a seres humanos. . o trabalho como categoria social é sempre um trabalho coletivo e. Parte-se do pressuposto. assim como a Educação Permanente em Saúde está para o trabalho.16 Outro eixo importante nessa discussão diz respeito ao trabalho na saúde.] a ação terapêutica de saúde como objeto – o indivíduo ou grupos de doentes sadios ou expostos a risco. necessitando medidas curativas. preservar o prevenir doenças. quer dizer. Neste sentido. pois o modo de operar na produção dos cuidados à saúde está para o SUS.os instrumentos e as condutas que representam o nível técnico do conhecimento que é o saber de saúde e o produto final é a própria prestação da assistência de saúde que é produzida no mesmo momento que é consumida. como já mencionado. O trabalho de saúde é composto por vários profissionais cada um com sua especificidade de conhecimento e prática.. é necessário que se discuta o trabalho na interioridade do seu processo e que se busquem alternativas e estratégias que discuta a educação no trabalho de forma coletiva e significativa. creio ser oportuno falar sobre o tema. como instrumental de trabalho . majoritariamente.

2000) coloca que será necessário pensar as atividades. “as relações entre os diversos profissionais de saúde e os diversos grupos de trabalhadores que atuam na instituição de saúde”. sendo necessário. buscando uma dinâmica de flexibilidade de regras. 2006).] compreendê-lo num espaço onde as diversas disciplinas em saúde interagem. (2002). negociações e acordos entre agentes.17 Matos (2002) falando a respeito.. a atender as necessidades de quem executa o trabalho.. A autora ainda coloca que a organização do trabalho envolve. o local do trabalho e o processo de trabalho e isso significa [. também. pensá-lo como um espaço em que as múltiplas facetas do fazer em saúde estão articuladas para que a ação em saúde se dê de forma. É neste sentido que “a organização do trabalho na saúde coletiva é peça chave para imprimir as atividades profissionais da equipe de saúde e as mudanças necessárias para o cumprimento dos princípios do SUS” (RONCHI. Falando acerca do trabalho Peduzzi. como daqueles que busca no trabalho em saúde a . e requer compartilhar decisões e responsabilidades”. expressa que a “organização do trabalho em saúde é um processo que envolve os trabalhadores e as relações internas a cada profissão”. Outra autora que discute a questão no trabalho (Thumé. diz que o trabalho em equipe requer a explicitação e o “enfrentamento dialógico de conflitos.

objeto de trabalho da equipe de saúde. apesar de suas especificidades de conhecimentos e de prática. mas esta dimensão não é apreendida na prática. Os seres humanos. são essencialmente. quando o modelo de atenção é o biomédico (PIRES. a busca para a sua consolidação.  . desenvolvem parte de um trabalho coletivo que tem como resultado. como produto. 2000). assim como a discussão de ponto essencial. 1998). o Ministério da Saúde em 2003 propõe a Educação Permanente em Saúde com os seguintes objetivos:  produzir novos pactos e novos acordos coletivos de trabalho no SUS. a proposta de programar em todo o país uma política de Educação Permanente em Saúde. No entanto é possível analisar cada atividade realizada no campo da saúde caracterizando processos de trabalho específicos. Trago ainda para a reflexão sobre o trabalho na saúde o que fala Pires (1988) quando coloca que Os diversos profissionais de saúde. a assistência de saúde a seres humanos que são totalidades complexas. multidimensionais. Assim. Levando-se em consideração todos os aspectos levantados e refletidos tanto pelos técnicos/pesquisadores do Ministério da Saúde é que surge no interior das preocupações em relação ao SUS. o trabalho na saude.18 satisfação às suas necessidades [população e dos trabalhadores] (THUMÉ. pela equipe.

o Ministério da Saúde (2005) cria alguns dispositivos para desencadear o processo de educação permanente no SUS.  A formação de facilitadores de educação permanente em saúde. pois o olhar “do outro” es fundamental para criar a possibilidade de problematizar e detectar os “desconfortos”. um enfoque multiprofissional e Educação na Saúde).  gerar ou buscar a geração de coletivos organizados para a produção e não a gestão de recursos humanos. participação e formação. a EPS foi pensada para propiciar a reflexão coletiva sobre o . 2005).  introduzir a noção de coletivos de produção em lugar da noção de recursos humanos ou capital humano (BRASIL.19  ter como foco os processos de trabalho: atenção.  ter por objetivo e no por objeto as equipes e no os trabalhadores corporativamente interdisciplinar. quais sejam:  Os Pólos de Educação Permanente em Saúde. quer dizer. Para a viabilização da proposta acima. gestão.  possibilitar a construção de estratégias com maior potencial de ser levadas à prática porque os diferentes atores estavam participando efetivamente de sua proposição. Conforme aponta o Ministério da Saúde – DEGES (Departamento de Gestão da Educação na Saúde) e SGTES (Secretaria de Gestão do Trabalho e da organizados.  A rede de municípios colaboradores da educação permanente em saúde.

pois esta engloba pelos menos três aspectos. gestão de equipes e de unidades. não só do gestor. . Essa é uma questão de tomada de decisão. ou seja. em reuniões de grupo.20 trabalho no SUS e ainda oferecer um instrumental que oportunizasse a sua transformação. o enfrentamento e a busca de solução. além de promover a capacidade de problematizar e identificar pontos (nós críticos) e estratégicos para a produção da própria educação permanente em saúde. talvez a oficina de trabalho que envolve diversos setores é o balizador de como se opera na prática. hoje. conversa de corredores. c) Político – de como envolver as pessoas – todos os atores envolvidos dos processos. a discussão proporciona inclusive chegar à análise institucional. produção do cuidado. (BRASIL. a reflexão/problematizaçao sobre a mesma. oficinas. mas. Revendo/refletindo acerca da EPS. aprendizagem significa e metodologias ativas de envolvimento no processo. mas de todos os envolvidos no processo de cuidar para proporcionar uma assistência de qualidade à população. Melhor. a qual se vai agregando novos saberes. isto é. discutida sob diferentes ângulos.como operacionalizar a EPS – no trabalho. pois a polissemia proporciona o debate. sendo inclusive considerado um conceito polissêmico. 2005). auto-analise e analise de gestão. quais sejam: a) Conceitual – abordagem pedagógica. da proposta e da sua concepção se depreende grandes desafios. A EPS é. Entra na discussão da prática – aprendizagem no trabalho. reuniões de cafezinho. b) Metodológico . fato que leva a compreender os projetos de cada ator e isso enriquece a discussão. trabalho em equipe. reflexões que incluíssem conceitos como: atenção integral.

A idéia é usar a educação permanente para melhorar a formação e. mas o inverso também é verdadeiro . Será necessário.como o coletivo entende e opera o seu trabalho. Para o Ministério da Saúde . na qual retemos conteúdos. Isso é bem diferente da aprendizagem mecânica. ter outra visão da aprendizagem. 2005). Geralmente isso ocorre quando a novidade responde a uma pergunta nossa e/ou quando o conhecimento novo é construído a partir de um diálogo com o que já sabíamos antes. fortalecer o SUS. com o . Além disso. Na aprendizagem significativa acumulamos e renovamos experiências (BRASIL. ao mesmo tempo. então. Somente para relembrar. A educação permanente possibilita. a ação terapêutica depende em grande medida da ação de um conjunto de trabalhadores. aprender uma novidade faz sentido para nós.21 Assim. o trabalho na saúde é majoritariamente coletivo. Essas situações devem ser colocadas na roda. Segundo o Ministério da Saúde a aprendizagem significativa é eixo central da proposta da Educação Permanente em Saúde e é considerada quando. ela reforça a relação das ações de formação com a gestão do sistema e dos serviços. o que sente e como opera o seu trabalho. o desenvolvimento pessoal daqueles que trabalha na Saúde e o desenvolvimento das instituições. não basta reunir as pessoas se não levar em consideração o espaço privado de cada profissional.DEGES e SGTES (2005). conseqüentemente. para então operar no coletivo.

a “educação permanente em saúde” precisa ser entendida. ao mesmo tempo. O primeiro passo para provocar mudanças nos processos de formação é entender que as propostas não podem mais ser construídas isoladamente e nem de cima para baixo.22 trabalho da atenção à saúde e com o controle social. serem decididas pelos níveis centrais. Importante ressaltar nesta parte do trabalho. Segundo CECCIM (2005). o referencial que explicita conceitualmente a diferença entre a Educação Continuada e a Educação Permanente em Saúde. de exercício de sabedoria prática para saúde apoiados em tecnologia. como uma “prática de ensino-aprendizagem’ e como uma ‘política de educação na saúde”. mas sem resumir-se a elas(AYRES. Para PESSANHA (2007). formação e capacitação de trabalhadores para o Sistema Único de Saúde são questões essenciais experimentadas pela Estratégia . segundo o que diz o Ministério da Saúde. 2004. p. sem levar em conta as realidades locais. Ela se parece com muitas vertentes brasileiras da educação popular em saúde e compartilha muitos de seus conceitos. a educação permanente tem em vista o trabalho. ou seja. Finalizando esta parte do presente estudo citando Ayres (2004) quando este diz que O cuidar nas práticas de saúde busca desenvolver atitudes e espaços de genuíno encontro intersubjetivo. mas enquanto a educação popular tem em vista a cidadania. 86).

23 Saúde da Família. cisalhamento ou fricção. são lesões ocasionadas na pele. pouco utilizado em ações de educação pelos gestores do Sistema Único de Saúde. A obstrução do fluxo sangüíneo leva a isquemia tecidual. Segundo Dealey (1996). Úlcera por Pressão De acordo com MEDEIROS et al (2009). cuja ocorrência é maior nas regiões de proeminência óssea. Os fatores externos que podem provocar úlceras por pressão são: pressão.1. As lesões ocasionam danos nos tecidos e geralmente provocam várias complicações e agravamento do quadro clínico dos clientes acamados e com restrição na mobilização do corpo. porém. A Educação Permanente surge como proposta fundamentada na concepção de aprendizagem-trabalho.2. . Persistindo essa pressão. úlcera de pressão é definida como qualquer tipo de lesão ocasionada por um tipo de pressão que não foi aliviada. desperta o profissional sobre sua realidade e processo de trabalho. que normalmente resulta em morte do tecido. Pressões maiores do que as pressões capilares provocam isquemia localizada. que por meio da reflexão crítica. 1. as úlceras por pressão também denominada de úlceras de decúbito. devido à ausência de sangue para uma área do corpo. Essas úlceras surgem por fatores internos e externos do paciente. ocorrerá necrose dos tecidos. O primeiro fator é o mais importante e leva à úlcera por pressão quando o tecido mole do corpo sofre uma compressão entre uma saliência óssea e uma superfície dura. cisalhamento e fricção. constituindo um processo pedagógico de ensino-aprendizagem das equipes multiprofissionais.

. pacientes com enfermidades anteriores associados à diabetes. esclerose múltipla. que provoca mudança de posição (decúbito) e nos demais clientes esses sinais são desconhecidos. politraumatizados. Nos clientes com lesão medular existem lesões das fibras sensitivas aferentes que são responsáveis pelo estimulo doloroso.. maiores de 70 anos. má nutrição. pós anestesia geral.. 2008) Um artigo aborda que as UP são complicações comuns nos clientes hospitalizados em áreas críticas. hipoproteinemia. arteriosclerose e enfermidade vascular periférica”. têm sido realizadas com o objetivo de prevenir tais lesões.. institucionalizados e cuidados em seus domicílios. principalmente em clientes hospitalizados. doença de Parkinson.2002) .24 Outros autores conceituam Úlcera por Pressão . (BARROS et al. acidente vascular cerebral. (TTO et al. incontinência urinária e fecal.2004) As úlceras de pressão são consideradas um sério problema na área clínica. (FERNANDES et al. desidratação. (COSTA et al. tornando-se um problema e um desafio para toda a equipe. idosos ou com doenças crônicas. hospitalizados de longa data. 2005) Alguns autores fizeram uma relação dos clientes mais propensos a apresentarem risco de lesões: “pacientes com enfermidades neurológicas (lesão de medula espinhal. anemia. Muitas ações.UP como sendo ocasionadas por isquemia tecidual local provocada pela alteração do reflexo de dor em clientes com lesão medular ou debilitados. embasadas em evidências.

É necessário conhecer e entender os fatores de risco para implementar ações efetivas de prevenção e tratamento. complicação e recidiva de Ulcera por Pressão. sendo esses os mais propensos a terem prejuízos na integridade de sua pele e ossos. (CRASIOSI e FUSTINONI.. As UP aumentam a incidência de morbidade e mortalidade elevando assim os custos. e critérios biológicos baseados nas alterações do tecido conjuntivo (colágeno. 2000) A pele principalmente do idoso. apresenta uma série de alterações intrínsecas (genéticas) e extrínsecas (patológicas) resultantes do próprio processo de envelhecimento e de fatores do meio ambiente (raios ultravioletas). O envelhecimento natural juntamente com as condições de morbidade (alterações neurológicas. causam dor. 2007) Em clientes com Lesão Medular . modificações da secreção sebácea.25 Outro artigo também afirma que as UP além de serem um problema para os clientes e hospitais. Estes clientes estão propensos a formação de feridas por pressão nas áreas ósseas que podem posteriormente se transformarem em um processo infeccioso. A avaliação da pele do idoso baseia-se em critérios fisiológicos como a hidratação.LM a ocorrência de Ulcera por Pressão é muito freqüente devido à interferência na biossíntese e no catabolismo do colágeno . desconforto e sofrimento. mentais. modificações das glândulas sudoríparas e permeabilidade. de mobilidade e outras) caracteriza essa população como propensa a formação. nutricionais.2008) A prevenção de lesões na pele é um fator muito importante nos cuidados oferecidos ao cliente hospitalizado restrito ao leito. (FERNANDES et al. nos portadores de disfunção motora ou sensitiva e os que apresentam atrofia muscular. (SOUZA e SANTOS. elastina e outros). virando porta de entrada para transmissão de microorganismos.

o problema traz transtornos psicológicos e impede ou dificulta a participação do . Existem informações que. desde 1989. como as escalas de Norton.2005) Outro artigo refere a Ulcera por Pressão é uma das complicações graves nos clientes com Lesão Medular devido à mobilidade física diminuída. com baixa perfusão e idosos com várias doenças crônicas se encontram entre a população de risco para ocorrência de Ulcera por Pressão. Waterlow e de Braden. Gosnell. com fratura femoral. 2007) As Ulceras por Pressão podem trazer como complicações a osteomielite. Essas escalas são utilizadas para dar embasamento ao diagnóstico clínico feito pelo profissional. que consiste de 4 partes: avaliação de risco. sobrecarga mecânica e uso de superfícies de suporte. a Agency for Health Care Policy and Research (AHCPR) publicou diretrizes destinadas a prevenção e tratamento das Ulceras por Pressão. diabéticos. internados em UTI. (RANGEL e CALIRI. Além das perdas financeiras para o cliente e familiares. 2006) A literatura aborda que existem diversas medidas preventivas para serem adotadas como instrumentos de avaliação e predição do risco de desenvolver a Ulcera por Pressão. (LISE e SILVA. 2005) Segundo IRION (2005) os clientes de Lesão Medular. às repercussões geniturinárias e gastrintestinais e às alterações circulatórias. ao déficit de sensibilidade. as septicemias e até o óbito.. (CARCINONI et al. cirurgiados de quadril. impedindo que ela mesma seja capaz de se adaptar a agressões mecânicas. e educação. (COSTA e OLIVEIRA. cuidados com a pele e realização do tratamento de forma precoce.26 ocasionando diminuição da elasticidade da pele.

2002) O tratamento das Ulcera por Pressão é considerado complexo. a presença de Ulcera por Pressão no hospital. A aplicação desse instrumento provoca um grande impacto na vida dos clientes e dos profissionais de serviço de saúde. como pela falta de um protocolo de prevenção e tratamento das lesões. LOBO (2008) Na opinião dos autores. estando associado à maior mortalidade e elevados custos.27 indivíduo em programas destinados à reabilitação. Vários estudos demonstram sua eficácia na redução da incidência das Ulceras por Pressão e dos custos a elas associados. Nos hospitais e nas clínicas de repouso estão sendo usadas escalas de avaliação dos riscos e protocolos de tratamento. Sendo assim. 2005) RODRIGUES et al (2008) também acredita que a sistematização da assistência por meio de protocolos. 2005) . (NOGUEIRA et al. especialmente nos idosos.. causa profunda inquietação devido ao desconhecimento da gravidade do problema. são um instrumento eficaz para a prevenção das Ulcera por Pressão. cada profissional segue a conduta que achar melhor. elaborados após pesquisas. cuja equipe trabalha com o Sistema de Assistência de Enfermagem (SAE). (BARRIENTOS et al. que permitem diminuir a incidência entre 2. pois na ausência do mesmo. é primordial o início do tratamento da Ulcera por Pressão no estágio de grau I.5% . Alguns autores afirmaram a necessidade de criação desse protocolo na forma de um guia clínico para a prevenção de Ulcera por Pressão. (ROGENSKI e LUCIA..7% e 29. dentro da prática clínica.

A úlcera é classificada do estágio I ao IV em referência a profundidade de comprometimento tecidual e não a gravidade da lesão. Úlcera por Pressão é uma lesão localizada na pele e/ou no tecido ou estrutura subjacente. Apresenta-se como úlcera superficial com o leito de coloração vermelho pálida. É importante avaliar a presença de inflamação/infecção. A pele de cor escura pode não apresentar esbranquecimento visível. Estágio II: Perda parcial da espessura dérmica. sem esfacelo. .intacta ou aberta/rompida. endurecimento e isquemia. As localizações mais comuns das úlceras por pressão são a região sacral e os calcâneos. Estágio I: Pele intacta com hiperemia de uma área localizada que não esbranquece. resultante de pressão isolada ou de pressão combinada com fricção e/ou cisalhamento. sua cor pode diferir da pele ao redor.28 Maffei (1995) elucida que úlceras são complicações importantes da insuficiência venosa aguda ou crônica. que podem ser classificadas em Úlceras por Pressão. geralmente sobre uma proeminência óssea. Úlceras Arteriais e Úlceras Neuropáticas. Segundo National Pressure Ulcer Advisory Panel – NPUAP. geralmente sobre proeminência óssea. Ao redor de 60% das úlceras por pressão se desenvolvem na área pélvica ou abaixo. Pode apresentar-se ainda como uma bolha (preenchida com exsudato seroso).

isto é.29 Estágio III: Perda de tecido em sua espessura total. sem exposição de osso. área localizada de pele intacta de coloração púrpura ou castanha ou bolha sanguinolenta devidas a dano no tecido mole. decorrente de pressão e/ou cisalhamento. . Freqüentemente. de músculo ou tendão. Pode haver presença de esfacelo ou escara em algumas partes do leito da ferida. tendão ou músculo. Estágio IV: Perda total de tecido com exposição óssea. Esfacelo pode estar presente sem prejudicar a identificação da profundidade da perda tissular. A gordura subcutânea pode estar visível. inclui descolamento e túneis e suspeita de lesão tissular profunda. Pode incluir descolamento e túneis.

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