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SEP Notas Aula2

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  • 1. UM POUCO DE HISTÓRIA
  • 2. GLOSSÁRIOS
  • 3. INTRODUÇÃO
  • 4. O SISTEMA POR UNIDADE
  • 4.3. Mudança de base
  • 4.4. Transformador de dois enrolamentos
  • 4.5. Transformador de três enrolamentos
  • 4.6. Transformador com tap fora do valor nominal
  • 4.7. Modelos de geradores síncronos
  • 4.8. Modelos de linhas de transmissão
  • 4.9 Modelos de cargas
  • 4.10 Introdução aos estudos de curto-circuito
  • 4.11 Exercícios
  • 5. COMPONENTES SIMÉTRICAS
  • 5.2. O teorema de Fortescue
  • 5.3. Potência complexa
  • 5.4. Impedâncias de sequência
  • 5.5. Impedâncias de sequência dos componentes de um SEP
  • 5.6. Exercícios
  • 6. CÁLCULO DE CURTO-CIRCUITO
  • 6.2. Curto-circuito fase-terra
  • 6.3. Curto-circuito fase-fase
  • 6.4. Curto-circuito fase-fase-terra
  • 6.5. Método da matriz impedância de barra
  • 6.6. Obtenção direta da matriz impedância de barra
  • 6.7. Exercícios
  • 7. FLUXO DE POTÊNCIA
  • 7.2. Método de Gauss
  • 7.3. Método de Gauss-Seidel
  • 7.4. Método de Newton-Raphson
  • 7.5. Método Desacoplado Rápido
  • 8. ESTABILIDADE ESTÁTICA E TRANSITÓRIA
  • 8.1 Estabilidade em regime permanente
  • 8.2 Máquina de polos lisos em regime permanente
  • 8.3 Curva de capabilidade e curvas “V”
  • 8.4 Máquina de polos salientes em regime permanente
  • 8.5 Estabilidade em regime transitório
  • 8.6 Dinâmica da máquina síncrona ligada ao barramento infinito
  • 8.8 Análise linearizada – máquina de polos lisos
  • 8.9 Método das áreas iguais – máquina conectada ao barramento infinito
  • 8.10 Método das áreas iguais – sistemas de duas máquinas
  • 8.12 Solução numérica para sistemas multimáquinas
  • 8.13 Serviços ancilares
  • 8.14 Reservas girante e não girante
  • 8.16 Controle automático de geração
  • 8.17 Controle de carga e frequência
  • 8.18 Exercícios
  • 9. OPERAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS
  • 10. LINHAS DE TRANSMISSÃO
  • 11. BIBLIOGRAFIA

SISTEMAS ELÉTRICOS

DE POTÊNCIA
Notas de Aula





Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
Departamento Acadêmico de Eletrotécnica – DAELT
alvaroaugusto@utfpr.edu.br








Versão 03/07/2011

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

2


Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
SUMÁRIO
1. UM POUCO DE HISTÓRIA .......................................................................................................................... 4
2. GLOSSÁRIOS ............................................................................................................................................... 6
3. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 8
4. O SISTEMA POR UNIDADE .......................................................................................................................11
4.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 11
4.2. DEFINIÇÃO DE PU ....................................................................................................................................... 11
4.3. MUDANÇA DE BASE ..................................................................................................................................... 15
4.4. TRANSFORMADOR DE DOIS ENROLAMENTOS .................................................................................................. 17
4.5. TRANSFORMADOR DE TRÊS ENROLAMENTOS .................................................................................................. 21
4.6. TRANSFORMADOR COM TAP FORA DO VALOR NOMINAL ................................................................................... 23
4.7. MODELOS DE GERADORES SÍNCRONOS ........................................................................................................... 32
4.8. MODELOS DE LINHAS DE TRANSMISSÃO ......................................................................................................... 36
4.9 MODELOS DE CARGAS .................................................................................................................................. 38
4.10 INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DE CURTO-CIRCUITO. ........................................................................................... 41
4.11 EXERCÍCIOS ................................................................................................................................................ 48
5. COMPONENTES SIMÉTRICAS ..................................................................................................................53
5.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 53
5.2. O TEOREMA DE FORTESCUE ......................................................................................................................... 53
5.3. POTÊNCIA COMPLEXA .................................................................................................................................. 60
5.4. IMPEDÂNCIAS DE SEQUÊNCIA ........................................................................................................................ 61
5.5. IMPEDÂNCIAS DE SEQUÊNCIA DOS COMPONENTES DE UM SEP.......................................................................... 63
5.6. EXERCÍCIOS ................................................................................................................................................ 83
6. CÁLCULO DE CURTO-CIRCUITO ..............................................................................................................87
6.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 87
6.2. CURTO-CIRCUITO FASE-TERRA ..................................................................................................................... 88
6.3. CURTO-CIRCUITO FASE-FASE ........................................................................................................................ 90
6.4. CURTO-CIRCUITO FASE-FASE-TERRA ............................................................................................................. 92
6.5. MÉTODO DA MATRIZ IMPEDÂNCIA DE BARRA ............................................................................................... 100
6.6. OBTENÇÃO DIRETA DA MATRIZ IMPEDÂNCIA DE BARRA ................................................................................. 107
6.7. EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 109
7. FLUXO DE POTÊNCIA ............................................................................................................................. 112
7.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 112
7.2. MÉTODO DE GAUSS ................................................................................................................................... 115
7.3. MÉTODO DE GAUSS-SEIDEL ....................................................................................................................... 121
7.4. MÉTODO DE NEWTON-RAPHSON ................................................................................................................ 122
7.5. MÉTODO DESACOPLADO RÁPIDO ................................................................................................................ 137
7.6. EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 140
8. ESTABILIDADE ESTÁTICA E TRANSITÓRIA ......................................................................................... 142
8.1 ESTABILIDADE EM REGIME PERMANENTE .................................................................................................... 142
8.2 MÁQUINA DE POLOS LISOS EM REGIME PERMANENTE .................................................................................... 143
8.3 CURVA DE CAPABILIDADE E CURVAS “V” ...................................................................................................... 149
8.4 MÁQUINA DE POLOS SALIENTES EM REGIME PERMANENTE ............................................................................ 151
8.5 ESTABILIDADE EM REGIME TRANSITÓRIO ..................................................................................................... 151
8.6 DINÂMICA DA MÁQUINA SÍNCRONA LIGADA AO BARRAMENTO INFINITO .......................................................... 151
8.7 EQUAÇÃO GERAL DA OSCILAÇÃO.................................................................................................................. 152
8.8 ANÁLISE LINEARIZADA – MÁQUINA DE POLOS LISOS ...................................................................................... 153
8.9 MÉTODO DAS ÁREAS IGUAIS – MÁQUINA CONECTADA AO BARRAMENTO INFINITO ............................................ 159
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
8.10 MÉTODO DAS ÁREAS IGUAIS – SISTEMAS DE DUAS MÁQUINAS ......................................................................... 159
8.11 SOLUÇÃO NUMÉRICA PARA MÁQUINA CONECTADA AO BARRAMENTO INFINITO ................................................. 159
8.12 SOLUÇÃO NUMÉRICA PARA SISTEMAS MULTIMÁQUINAS ................................................................................. 159
8.13 SERVIÇOS ANCILARES ................................................................................................................................ 159
8.14 RESERVAS GIRANTE E NÃO GIRANTE ............................................................................................................ 159
8.15 REGULAÇÕES PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA ....................................................................................................... 159
8.16 CONTROLE AUTOMÁTICO DE GERAÇÃO......................................................................................................... 160
8.17 CONTROLE DE CARGA E FREQUÊNCIA ........................................................................................................... 160
8.18 EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 160
9. OPERAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS ................................................................................................ 161
10. LINHAS DE TRANSMISSÃO ................................................................................................................ 162
11. BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................... 163

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
1. UM POUCO DE HISTÓRIA

O curso de Engenharia Elétrica da UTFPR, anteriormente denominado “Engenharia Elé-
trica, ênfase Eletrotécnica”, tem no momento mais de trinta anos de existência e uma posição
consolidada junto à comunidade acadêmica paranaense. Nossa Universidade Tecnológica Fede-
ral do Paraná completou seu primeiro centenário em 2009 e, embora tenha ainda pouca experiên-
cia como universidade, posição que assumiu apenas em 2005, também é uma instituição consoli-
dada no Paraná e no Brasil.
Durante toda a existência do nosso curso de Engenharia, a disciplina de Sistemas Elétri-
cos de Potência tem sido obrigatória. Anteriormente, nas grades antigas, este curso era oferecido
em apenas um semestre, com 60 horas semanais, no qual se abordavam basicamente curto-
circuito e fluxo de potência, assim como os conceitos teóricos necessários ao desenvolvimento
de tais conteúdos. Assuntos como estabilidade de sistemas eram abordados de maneira introdu-
tória na disciplina de Geração de Energia e havia pouco espaço para estudos sobre transitórios,
fluxo de potência ótimo e outros.
A disciplina Sistemas de Potência 1 da grade atual tem basicamente a mesma ementa da
antiga Sistemas Elétricos de Potência: modelagem de sistemas de potência, sistema “por unida-
de”, componentes simétricas, curto-circuito e fluxo de potência. Já a disciplina de Sistemas de
Potência 2 (optativa, mas ofertada todo semestre) trata de controle de potência ativa, reativa,
tensão e frequência, modelamento de áreas de controle, estabilidade estática e transitória e méto-
dos de análise do problema da estabilidade. Adicionalmente, as disciplinas de Operações de Sis-
temas, Planejamento de Sistemas, Proteção de Sistemas, Sobretensões em Sistemas Elétricos de
Potência, Linhas de Transmissão, Subestações, assim como outras, possibilitam que o estudante
possa concentrar seus estudos com grande eficiência, caso este seja seu objetivo, na área de Sis-
temas de Potência.
Longe de pretenderem substituir a literatura existente na área, as presentes Notas de Aula
(no momento incompletas) têm o objetivo de facilitar a introdução do aluno nessa área fasci-
nante dos Sistemas Elétricos de Potência, tão essencial a um país dotado de um imenso sistema
elétrico interligado, como é o caso do Brasil.
Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida
UTFPR, Curitiba, 2010
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
Observações:
1) Todas as figuras deste trabalho, exceto a Figura 3.1, foram elaboradas pelo autor usando o
GNU Image Manipulation Program – GIMP 2.6, disponível em www.gimp.org.
2) Todas as fotografias são de domínio comum.
3) No momento (03/07/11) este é um trabalho em progresso. Em caso de constatação de erros, o
autor agradece notificações enviadas pelo e-mail alvaroaugusto@utfpr.edu.br.


Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
2. GLOSSÁRIOS
Glossário de símbolos usados como subíndices ou sobre-índices
Símbolo Indicação dada pelo índice
0 Componente de sequência zero
1 Componente de sequência positiva
2 Componente de sequência negativa
012 Sistema de sequência (equilibrado)
a

Fase “a”
b

Fase “b”, valor base
c

Fase “c”, perdas no núcleo (“core”)
abc

Sistema original (desequilibrado)
ca

Circuito aberto
cc

Curto-circuito
d

Componente de eixo direto
ef

Valor eficaz
elt

Grandeza elétrica
g
Entreferro, componente de entreferro
h Ordem de um harmônico
i Entrada (input)
q

Componente de eixo em quadratura
 Tensão ou corrente de linha
max

Valor máximo
mec

Grandeza mecânica
mit

Máquina de indução trifásica
mst

Máquina síncrona trifásica
mim

Máquina de indução monofásica
min

Valor mínimo
msm

Máquina síncrona monofásica
mdc

Máquina de corrente contínua
m

Grandeza magnética, magnetização
n

Valor nominal
n

Componente normal
o

Saída (output)
pu

Por unidade (valor por unidade)
q

Componente de eixo em quadratura
r

Componente radial, rotor
rb Rotor bloqueado
s Saturado, síncrono, síncrona
T Total
|
Componente tangencial
O Perdas ôhmicas, componente de perdas ôhmicas
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR

Glossário de símbolos gerais
Símbolo Unidade Descrição
a

m/s
2
Aceleração
A

m
2
Área da seção reta
B

T Indução magnética
C

F Capacitância
e

V Força eletromotriz instantânea
E

V Força eletromotriz eficaz
f

Hz Frequência
fp

– Fator de potência
F

A-e/m Força magnetomotriz
H

A-e Intensidade magnética
I

A Corrente elétrica


m Comprimento
L

H Indutância
N

rpm Rotação, velocidade
N
s
rpm Velocidade síncrona
p

– Número de polos
P

W Potência ativa
q

– Número de fases
Q

var Potência reativa
r

O
Resistência elétrica
r

m Raio
s

– Escorregamento
S

VA Potência aparente
t

S Tempo, intervalo de tempo
T

Nm Torque, conjugado ou binário
V

V Tensão nos terminais
x

O
Reatância
x
L

O
Reatância indutiva
x
C

O
Reatância capacitiva
Z

O
Impedância
o

Graus, rad Ângulo de carga
¢

Graus, rad Ângulo do fator de potência
u

Wb Fluxo magnético por polo
q

– Rendimento, eficiência
µ

H/m Permeabilidade magnética
µ

Om Resistividade elétrica
e

Rad/s Velocidade angular ou frequência angular
e
s

Rad/s Velocidade angular síncrona


Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
3. INTRODUÇÃO
Em agosto de 2010 o Sistema Interligado Brasileiro (SIN) era composto por 2.271 em-
preendimentos de geração em operação, totalizando uma potência instalada de 110.224 MW.
Desta potência, 69,24% correspondem a Usinas Hidrelétricas (UHEs), 25,15% correspondem a
Usinas Termelétricas Convencionais (UTEs), 1,82% a Usinas Termelétricas Nucleares (UTNs) e
o restante a Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), e Centrais Eólicas (EOL).
A necessidade de alimentar os grandes centros consumidores do Sudeste a partir da ener-
gia produzida em regiões remotas do país tornou necessária a construção de uma extensa rede de
transmissão, conforme ilustrada na Figura 3.1.



Figura 3.1
Integração eletroenergética do Sistema Interligado Nacional (SIN)
Fonte: ONS, http://www.ons.com.br/conheca_sistema/mapas_sin.aspx

A interligação do SIN é feita por meio da Rede Básica, redefinida em 1998 por meio da
Resolução ANEEL 245/1998. A Rede Básica dos sistemas elétricos interligados é constituída por
todas as linhas de transmissão em tensões iguais ou superiores a 230 kV e subestações que con-
tenham equipamentos em tensão igual ou superior a 230 kV, integrantes de concessões de servi-
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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ços públicos de energia elétrica. Excepcionalmente, linhas e subestações em tensões inferiores a
230 kV podem fazer parte da Rede Básica, desde que autorizadas pelo Operador Nacional do
Sistema (ONS).
O planejamento e operação de sistemas elétricos, do porte do sistema brasileiro ou não,
demandam estudos bastante complexos, tais como os estudos de previsão de carga, de fluxo de
potência, de curto-circuito e de estabilidade. Modernamente todos esses estudos são feitos por
meio de computadores, alguns deles em tempo real. A finalidade das disciplinas de Sistemas de
Potência 1 e 2 é fornecer uma introdução a esses assuntos.
Fluxo de potência, também conhecido como fluxo de carga, é um problema matemáti-
co, cujo objetivo é determinar as tensões e potências em todos os barramentos de um sistema
elétrico. Dessa forma podemos dimensionar linhas de transmissão, transformadores e demais
equipamentos que farão parte do sistema, bem como operá-los corretamente, de modo a manter
os padrões adequados de tensão e frequência. Um método elementar para solução de fluxo de
potência é o Gauss-Seidel, que, embora didático, apresenta as desvantagens de não convergir
sempre e de não se prestar a sistemas com mais do que algumas dezenas de barras. Nesses casos,
outros métodos, como o Newton-Raphson, devem ser utilizados. O método desacoplado rápi-
do, que é uma simplificação do Newton-Raphson, também pode ser utilizado em alguns casos.
A operação correta dos sistemas também depende do conhecimento dos níveis de curto-
circuito em cada barramento, de modo que sistemas adequados de proteção possam ser dimensi-
onados. Em linhas gerais, o problema de curto-circuito nada mais é do que um problema de fluxo
de potência no qual uma das barras é submetida a condições de curto, ou seja, é forçada a manter
tensão nula ou quase nula. O curto, mais apropriadamente denominado falta, pode ser simétrico,
como nos casos dos curtos trifásico e trifásico-terra, ou assimétrico, como nos casos dos curtos
fase-terra, fase-fase ou fase-fase-terra. Sendo um problema de fluxo de potência em condições
excepcionais, poderíamos em princípio usar os métodos de fluxo de potência para resolver pro-
blemas de curto-circuito. Conduto, no caso dos curtos assimétricos, o problema se torna mais
complexo, pois as correntes em cada uma das fases serão diferentes. Felizmente, em situações de
curto podemos fazer algumas simplificações no sistema e podemos também usar o método das
componentes simétricas, o que nos permitirá conhecer correntes e potências de curto em cada
uma das barras do sistema.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Fluxo de potência e curto-circuito formam o conteúdo básico de Sistemas de Potência 1,
juntamente com os conteúdos auxiliares (modelos de equipamentos, sistema por unidade e com-
ponentes simétricas).
Finalmente, estudos de estabilidade têm o objetivo de determinar os limites operacionais
de geradores síncronos operando em sistemas multimáquinas. Como sabemos, nos geradores de
polos lisos o ângulo de estabilidade estática, ou seja, o ângulo para potência máxima, é 90°. Já
nos geradores de polos salientes esse valor será inferior a 90°, por causa da diferença entre as
reatâncias de eixo direto e de eixo em quadratura. Contudo, interessa-nos conhecer também o
ângulo de estabilidade dinâmica da máquina, que dependerá da inércia do rotor e de outras
variáveis, e acima do qual a máquina perderá estabilidade, devendo ser retirada do sistema ou ter
sua situação corrigida. Problemas de estabilidade envolvem basicamente a solução de equações
diferenciais de segunda ordem, mas métodos simplificados também podem ser empregados. Na
atual grade do curso de Engenharia Elétrica esse assunto é abordado em Sistemas de Potência 2.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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4. O SISTEMA POR UNIDADE
4.1. Introdução
Sistemas Elétricos de Potência (SEPs) são geralmente formados por vários transformado-
res elevadores e abaixadores. Em decorrência disso, haverá várias tensões e correntes nominais
em cada lado de cada um dos transformadores, tornando os cálculos bastante trabalhosos e com-
plexos. Assim, em vez de usarmos as unidades convencionais, como volts, amperes e ohms, é
conveniente introduzirmos um sistema de unidades, denominado sistema pu (“por unidade”), no
qual, como veremos, todas as relações de transformação de todos os transformadores se tornam
unitárias,facilitando enormemente os cálculos.
4.2. Definição de PU
Um valor em pu nada mais é do que o valor original de uma grandeza qualquer, tal como
tensão, corrente, impedância, etc., escrito em relação a um valor base da mesma grandeza. Sendo
V
real
o valor da grandeza original e V
base
o valor base, o valor expresso em pu será

base
real pu
V
V
V = .
(4.1)
Definição de um valor
em pu

Um valor expresso em pu é igual a um centésimo do mesmo valor, quando expresso de
forma percentual. Da mesma forma que percentuais, valores em pu são adimensionais. Todavia,
costumamos anexar a partícula “pu” ao final dos valores, de modo a evitar confusão.
Quando expressamos valores finais, tanto faz usar pu ou %. Nos cálculos, contudo, o sis-
tema pu é mais adequado. A razão é que dois valores percentuais, quando multiplicados, devem
ser divididos por 100 para resultar em um novo valor percentual. Por outro lado, a multiplicação
de dois valores em pu já fornece o novo valor também em pu.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Exemplo 4.1. Um transformador de tensão nominal primária igual a 13,8 kV opera momentane-
amente em 14 kV. Expresse a tensão de operação em pu e em percentual, na base do equipamen-
to.
Solução. O valor em pu é
pu
V
V
V
base
real pu
0145 , 1
kV 8 , 13
kV 14
= = = ,
enquanto o valor percentual é
% 45 , 101 0145 , 1 100 100
%
= × = × =
pu
V V .

As principais vantagens do sistema por unidade são:
1) Os fabricantes de equipamentos tais como geradores, motores e transformadores costu-
mam fornecer reatâncias e impedâncias já em pu ou em %, expressas nas bases nominais
dos equipamentos.
2) Equipamentos semelhantes (mesma tensão, mesma potência, etc.) têm impedâncias seme-
lhantes quando expressas em pu. Isso facilita os cálculos para substituição de equipamen-
tos e para expansão e reformulação de redes.
3) O uso do fator 3 é minimizado nos cálculos trifásicos em pu.
4) Como veremos, a impedância de transformadores, quando expressa em pu, é independen-
te do lado (alta, média, baixa tensão) que tomamos como referência. Além disso, a impe-
dância de transformadores torna-se independente do tipo de ligação (delta-estrela, delta-
delta, estrela-estrela, etc.).
5) Em pu é mais fácil identificar quando os valores de grandezas como tensões e potências
se afastam dos valores nominais. Por exemplo, as tensões em qualquer barramento podem
variar em ±5% em relação à tensão nominal. Logo, as tensões mínima e máxima permiti-
das serão respectivamente iguais a 0,95 pu e 1,05 pu em relação à tensão nominal, seja
qual for esta.
6) Caso a tensão seja 1 pu, a potência aparente e a corrente em pu serão numericamente i-
guais, por causa do cancelamento do fator 3 , como segue
pu pu
b b
pu
I V
I V
VI
S = =
3
3
.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
Em princípio, há um grande grau de arbitrariedade na escolha do valor base para determi-
nada grandeza. Em sistemas de potência, entretanto, estamos geralmente mais interessados em
quatro grandezas inter-relacionadas, o que fará com que as respectivas bases sejam também in-
ter-relacionadas. São elas:
1) Tensão elétrica V (em kV).
2) Potência aparente S (em MVA).
3) Corrente elétrica I (em A ou kA).
4) Impedância Z (em W).
Escolhendo-se as bases para duas das grandezas acima, as bases para as outras duas se-
guem diretamente.
Geralmente iremos escolher as bases para tensão (V
b
) e para potência (S
b
), calculando as
bases para impedância (Z
b
) e corrente (I
b
). Em circuitos trifásicos, que é o caso usual, teremos

( )
b
b
b
S
V
Z
2
= . (4.2)
Impedância-base em
função de V
b
e S
b
.

e

b
b
b
V
S
I
3
= .
(4.3)
Corrente-base em fun-
ção de V
b
e S
b
.

Observações:
1) A potência-base é única e uma só para todos os barramentos do sistema em análise.
2) As bases de tensão, corrente e impedância transformam-se de acordo com as relações de
transformação usuais dos transformadores.
3) Linhas de transmissão e impedâncias em série e em paralelo não afetam as bases de ten-
são, corrente e impedância. Apenas transformadores afetam tais bases.
O exemplo a seguir esclarece essas características das bases das diversas grandezas.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
Exemplo 4.2. Converta para pu as impedâncias do sistema abaixo e determine as bases de tensão
e de impedância em cada barramento. Considere que a potência-base é 20 MVA e que a tensão-
base no primeiro barramento é 13,8 kV.

Figura 4.1
Sistema para o Exemplo 4.2

Solução. A tensão-base na barra 1 é kV 8 , 13
1
=
b
V . A tensão-base na barra 2 pode ser obtida
considerando-se a relação de transformação do transformador, ou seja
× = × = 8 , 13
kV 8 , 13
kV 138
1 12 2
b T b
V k V kV 138
2
=
b
V

A tensão-base na barra 3 é igual à tensão-base na barra 2, pois linhas de transmissão não
afetam as bases de tensão:

kV 138
3
=
b
V

As impedâncias-base podem ser obtidas a partir da potência-base e das tensões-base
( )
( )
= =
MVA 20
kV 8 , 13
2
2
1
1
b
b
b
S
V
Z O = 522 , 9
1
b
Z


( )
( )
= =
MVA 20
kV 138
2
2
2
2
b
b
b
S
V
Z O = 2 , 52 9
2
b
Z


=
2 3
b b
Z Z
O = 2 , 52 9
3
b
Z

As reatâncias do gerador e do transformador podem ser facilmente convertidas para pu

=
100
j10%
1
G
x pu j x
G
10 , 0
1
=



=
100
j12%
12
T
x pu j x
T
12 , 0
12
=


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A reatância em pu da linha de transmissão pode ser obtida dividindo-se a reatância em
ohms pela impedância-base nas barras 2 e 3

=
Ω 2 , 952
Ω j80
12
LT
x pu j x
LT
084 , 0
12
=

4.3. Mudança de base
As impedâncias de equipamentos tais como geradores, motores e transformadores são ge-
ralmente expressas pelo fabricante nas respectivas bases nominais. Contudo, as bases do sistema
em análise geralmente são diferentes das bases dos equipamentos, sendo necessário transformar
de uma para outra e vice-versa. Sejam inicialmente as variáveis abaixo:
bv
S = potência-base velha (equipamento).
bn
S = potência-base nova (sistema).
bv
V = tensão-base velha (equipamento).
bn
V = tensão-base nova (sistema).
O
Z = impedância original do equipamento, em ohms.
pu
v
Z = impedância em pu na base velha.
pu
n
Z = impedância em pu na base nova.
Retomando a definição de pu, podemos agora escrever
bv
pu
v
Z
Z
Z
O
= e
bn
pu
n
Z
Z
Z
O
= .
Igualando
O
Z nas expressões acima, vêm
bn
pu
n bv
pu
v
Z Z Z Z Z × = × =
O
.
Queremos obter a impedância em pu na base nova em função da impedância em pu na
base antiga. Logo, devemos escrever
bn
bv pu
v
pu
n
Z
Z
Z Z × = .
Substituindo ( )
bv bv bv
S V Z /
2
= e ( )
bn bn bn
S V Z /
2
= , teremos

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2
|
|
.
|

\
|
× × =
bn
bv
bv
bn pu
v
pu
n
V
V
S
S
Z Z . (4.4)
Mudança de bases de
uma impedância em pu.

Exemplo 4.3. Considerando, no sistema abaixo, que a potência-base é 50 MVA e que a tensão-
base na barra 1 é 15 kV, converta todas as impedâncias para pu, nas bases do sistema.


Figura 4.2
Sistema para o Exemplo 4.3

Solução. A tensão-base na barra 1,
1
b
V , foi arbitrada em 15 kV. A tensão-base na barra 2 pode
ser obtida a partir de
1
b
V , ou seja
× = 15
kV 8 , 13
kV 25 1
2
b
V kV 135,87
2
=
b
V

A tensão-base na barra 3 é igual à tensão-base na barra 2
kV 135,87
3
=
b
V

A tensão-base na barra 4 pode ser calculada da mesma maneira
× = 87 , 135
kV 138
kV 6,6
4
b
V kV 6,50
4
=
b
V

A única impedância-base que interessa é a das barras 2 e 3, pois somente nesse trecho
temos impedâncias em ohms que devem ser convertidas para pu
( )
( )
= = =
MVA 50
kV 87 , 135
2
2
2
3 2
b
b
b b
S
V
Z Z
O = 21 , 369
2
b
Z

As reatâncias de G
1
, T
12
e T
34
podem agora ser expressas em pu e transformadas para as
bases novas (do sistema)
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|
.
|

\
|
× × =
15
15
30
50
08 , 0
2
1
j x
G
pu 1333 , 0
1
j x
G
=

|
.
|

\
|
× × =
15
8 , 13
50
50
10 , 0
2
12
j x
T
pu 0846 , 0
12
j x
T
=


|
.
|

\
|
× × =
87 , 135
138
40
50
12 , 0
2
34
j x
T
pu 1547 , 0
34
j x
T
=

A reatância da linha de transmissão pode finalmente ser calculada como
( ) ( )
= = =
50 / 87 , 135
100

/
100 100
2 2
2 2
23
j
S V
j
Z
j
x
b b b
LT
pu 9 0,270
23
=
LT
x

A carga na barra 4 também pode ser escrita em pu
=
MVA 50
MVA 25
4
S pu 0 5 0,
4
= S


Sabendo agora que todos os elementos do sistema podem ser representados por meio de
suas impedâncias, podemos desenhar o diagrama da Figura 4.3 a seguir. .

Figura 4.3
Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.3
4.4. Transformador de dois enrolamentos
Podemos agora mostrar que a impedância em pu de um transformador de dois enrolamen-
tos é a mesma, independentemente do lado que se tome como, referência. Considere inicialmente
o modelo de circuito equivalente de um transformador genérico de dois enrolamentos, como
mostrado na Figura 4.4, no qual os parâmetros do secundário foram referidos ao primário por
meio da relação de espiras k=N
1
/N
2
.
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Figura 4.4
Circuito equivalente por fase de um transformador de dois enrolamentos


O circuito é ilustrado para uma fase apenas, pois os circuitos para as demais fases são i-
dênticos, a menos das defasagens adequadas de tensões e correntes. Os parâmetros do circuito
equivalente, em O/fase, são:
1
r = resistência elétrica do primário.
2
2
r k = resistência elétrica do secundário referida ao primário.
1
x = reatância de dispersão do primário.
2
2
x k = reatância de dispersão do secundário referida ao primário.
c
r = resistência elétrica correspondente às perdas no núcleo (histerese e Foucault).
m
x = reatância de magnetização.

O procedimento matemático de se referir as impedâncias do secundário ao primário per-
mite substituir o acoplamento magnético do transformador por um acoplamento elétrico, mais
fácil de ser tratado.
Em transformadores de potência, que é sempre o nosso caso, a corrente de excitação
|
I

é
desprezível frente à corrente do primário
1
I

. Sendo assim, e desde que o transformador esteja
próximo à condição nominal, o ramo de excitação pode ser removido. O circuito equivalente
simplificado resultante é mostrado na Figura 4.5.
Uma segunda simplificação é possível, pois transformadores de potência são construídos
com condutores de seção reta elevada e, logo, de baixa resistência elétrica. Assim, as resistências
r
1
e r
2
podem ser desprezadas frente às reatâncias x
1
e x
2
, resultando no circuito equivalente
mostrado no Figura 4.6.
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O transformador de potência pode assim ser representado por uma única reatância referi-
da ao primário. Contudo, essa mesma reatância pode também ser referida ao secundário, resul-
tando em
2
2
1
/ x k x x
T
+ = .
As reatâncias referidas ao primário e ao secundário serão tanto mais diferentes entre si
quando maior for o valor da relação de transformação k.

Figura 4.5
Circuito equivalente simplificado de um transformador de dois enrolamentos


Figura 4.6
Circuito equivalente simplificado final de um transformador de dois enrolamentos


A reatância x
T
=x
1
+ k
2
x
2
pode ser obtida por meio do ensaio de curto-circuito, também
conhecido como ensaio de corrente nominal.
Podemos agora mostrar que, quando expressa em pu, x
T
independe de que lado tomamos
como referência. Sejam inicialmente:
A
x = reatância própria do lado de alta tensão.
B
x = reatância própria do lado de baixa tensão.
A
T
x = reatância total, referida ao lado de alta tensão.
B
T
x = reatância total, referida ao lado de baixa tensão.

A reatância total referida ao lado de alta será
B A T
x k x x
A
2
+ = ,
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a qual, convertida para pu, poderá ser escrita como
A
A
b
B A pu
T
Z
x k x
x
2
+
= .
Sabendo ainda que ( )
b b b
S V Z
A A
/
2
= e
B A
b b
V V k / = , vem
( )
( )
b b
B b b pu
A
pu
T
S V
x V V
x x
A
B A
A
/
/
2
2
+ = ,
ou,
( )
pu
B
pu
A
b b
B pu
A
pu
T
x x
S V
x
x x
B
A
+ = + =
/
2
. (4.5)
De forma semelhante, podemos escrever a reatância referida ao lado de baixa como
B
A
T
x
k
x
x
B
+ =
2
,
a qual, convertida para pu, poderá ser escrita como
B
B
b
B
A
pu
T
Z
x
k
x
x
+
=
2
.
ou
( )
( )
pu
B
b b
A b b pu
T
x
S V
x V V
x
B
A B
B
+ =
/
/
2
2
,
ou, ainda
( )
pu
B
pu
A
pu
B
b b
A pu
T
x x x
S V
x
x
A
B
+ = + =
/
2
. (4.6)
Comparando (4.5) e (4.6), vem que

pu
B
pu
A
pu
T
pu
T
x x x x
B A
+ = = . (4.7)
Reatância total, em pu,
de um transformador.

Sabendo que as reatâncias de um transformador, em pu, são iguais, independente do lado
ao qual forem referidas, segue também que a relação de transformação k, em pu, é unitária

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1 = =
pu
T
pu
T pu
B
A
x
x
k . (4.8)
Relação de tensões de
um transformador, em
pu.

Essa é provavelmente a maior vantagem do uso do sistema pu, pois podemos tratar trans-
formadores como meras impedâncias, sem nos preocuparmos com referências a enrolamentos e
fatores de transformação.
4.5. Transformador de três enrolamentos
Transformadores de três enrolamentos são bastante comuns em sistemas de potência e
podem ser representados em diagramas unifilares por meio do símbolo unifilar da Figura 4.7(a).
Para fins de cálculos, contudo, deveremos adotar a representação da Figura 4.7(b), onde:

-
am
x = reatância de dispersão entre os terminais de alta e de média tensão, com o ter-
minal de baixa tensão aberto.
-
ab
x
= reatância de dispersão entre os terminais de alta e de baixa tensão, com o ter-
minal de média tensão aberto.
-
mb
x
= reatância de dispersão entre os terminais de média e de baixa tensão, com o
terminal de alta tensão aberto.

O modelo resultante é uma espécie de delta, mas devemos salientar que há pouco em co-
mum entre este delta e as ligações homônimas comuns em circuitos trifásicos. Assim, não po-
demos usar as transformações A →Y estudadas em circuitos elétricos.
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Figura 4.7
(a) Símbolo unifilar de um transformador de três enrolamentos;
(b) modelo em delta de um transformador de três enrolamentos


Para facilitar os cálculos e evitar a circulação de correntes fictícias, podemos converter o
modelo delta para um modelo estrela, conforme a Figura 4.8.


Figura 4.8
Modelo em estrela de um transformador de três enrolamentos


Tomando os enrolamentos aos pares, sempre com o terceiro a vazio, podemos escrever

m a am
x x x + = .
(4.9)
b a ab
x x x + =

(4.10)
b m mb
x x x + =

(4.11)

Resolvendo o sistema acima, teremos
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( )
mb ab am a
x x x x ÷ + =
2
1
. (4.12)
Reatâncias de um mode-
lo Y para um transfor-
mador de três enrola-
mentos.
( )
am mb ab b
x x x x ÷ + =
2
1
.

(4.13)

( )
ab mb am m
x x x x ÷ + =
2
1
.

(4.14)


4.6. Transformador com tap fora do valor nominal
Muitas vezes os transformadores operam fora da tensão nominal, por meio de taps (deri-
vações), e, assim, precisamos desenvolver um modelo para esses casos. Iniciamos definindo uma
variável auxiliar
B
A
a


 = ,
(4.15)
onde
AT de lado do nominal Tensão
AT de lado do Tensão
= A

,
(4.16)
BT de lado do nominal Tensão
BT de lado do Tensão
= B

,
(4.17)
O transformador fora do tap nominal pode agora ser modelado como na Figura 4.9, ou se-
ja, um transformador ideal de relação 1 : a em série como uma admitância
T
y , que representa o
transformador quando operando no tap nominal.
Entre as barras a e r, que correspondem ao transformador ideal, podemos escrever
r a
S S
 
= ,

ou,
* * *
ab r r r a a
I V I V I V
     
= = ,

ou, ainda,
* *
ab
a
a a
I
a
V
I V



 
= .

Finalmente,
*
a
I
I
ab
a



= .
(4.18)
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Figura 4.9
Modelo inicial para o transformador com tap fora do valor nominal


Podemos também escrever a corrente
ab
I


em função das tensões nas barras r e b, ou seja
( )
T b
a
T b r a ab
y V
a
V
y V V I a I 




  


|
|
.
|

\
|
÷ = ÷ = =
*
.

ou,
b
T
a
T
a
V
a
y
V
a
y
I






× ÷ × =
* 2
.
(4.19)
Da mesma forma, podemos escrever a seguinte relação para a corrente no lado de baixa
( )
T
a
b T r b ab b
y
a
V
V y V V I I 




   
|
|
.
|

\
|
÷ = ÷ = = ,

ou,
b T a
T
b
V y V
a
y
I






× + × ÷ = .
(4.20)
Escrevendo (4.19) e (4.20) sob forma matricial, teremos

(
¸
(

¸

×
(
¸
(

¸
÷
÷
=
(
¸
(

¸

b
a
T
T
T
T
b
a
V
V
y
a y
a y
a y
I
I



 
 



* 2
/
/
/

(4.21)

A equação (4.15) acima é formalmente idêntica à equação matricial de um circuito equi-
valente t, conforme mostrado na Figura 4.10, e que pode ser escrita como

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(
¸
(

¸

×
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

b
a
bb
ab
ba
aa
b
a
V
V
Y
Y
Y
Y
I
I









(4.22)

Igualando (4.21) e (4.22), teremos
a y Y
a y Y
y Y
a y Y
T ba
T ab
T bb
T aa
 

 





/
/
/
*
2
÷ =
÷ =
=
=

(4.23)
Lembrando que uma das propriedades dos elementos da matriz admitância nodal é que
ba ab
Y Y
 
= , segue-se que devemos ter
*
a a   = , ou seja, a deve ser um numero real, o que significa
que, como sabemos, os taps do transformador apenas alteram o módulo da tensão, mas não o
ângulo de fase. Note também que, na nossa notação, Y

representa um elemento da matriz admi-
tância nodal ] [Y

, enquanto y representa uma admitância física do circuito.

Figura 4.10
Modelo t para o transformador com tap fora do valor nominal
Escrevendo as equações nodais para o sistema da Figura 4.10, teremos
ab b a a a a
y V V y V I 
 

 
) ( ÷ + = .

ab a b b b b
y V V y V I 
 

 
) ( ÷ + =


ou,
( )
ab b ab a a a
y V y y V I 

 
 
÷ + = .

( )
ab b b ab a b
y y V y V I  


 
+ + ÷ =


Escrevendo as equações acima sob forma matricial, teremos

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(
¸
(

¸

×
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

×
(
¸
(

¸

+
÷
÷
+
=
(
¸
(

¸

b
a
bb
ab
ba
aa
b
a
ab b
ab
ab
ab a
b
a
V
V
Y
Y
Y
Y
V
V
y y
y
y
y y
I
I








 


 





(4.24)

As regras de formação da matriz admitância nodal podem ser escritas como:
ab ba ab
ab b bb
ab a aa
y Y Y
y y Y
y y Y

 
 

 

÷ = =
+ =
+ =

(4.25)
Em resumo, os elementos
ii
Y

são iguais à soma de todas as admitâncias que se ligam ao
nó i, enquanto a admitância
ji ij
Y Y
 
= é igual ao recíproco da admitância física que liga os nós i e
j.
Comparando as equações (4.23) e (4.25), e considerando também que a a a = =
*
  , tere-
mos
ab T
ab T
ab b T
ab a T
y a y
y a y
y y y
y y a y
 
 
  
  
÷ = ÷
÷ = ÷
+ =
+ =
/
/
/
2

(4.26)
Das equações (4.26), segue-se que

( )
2
1
a
a y
y
T
a
÷
=

 . (4.27)
Admitâncias de um
transformador com tap
fora do valor nominal.
( )
a
a y
y
T
b
1 ÷
=



(4.28)

a
y
y
T
ab

 =

(4.29)


Note que, se tivermos a=1, ou seja, se ambos os taps do transformador estiverem na ten-
são nominal, teremos 0 = =
b a
y y   e
T T ab
x y y    / 1 = = , e voltaremos ao modelo original de um
transformador de potência de dois enrolamentos.
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Exemplo 4.4. Para o sistema da Figura 4.11, pede-se: (a) considerando que a potência-base é100
MVA e que a tensão-base é 15 kV no barramento 1, converta os parâmetros do sistema abaixo
para pu; (b) apresente os resultados em diagrama unifilar, na forma retangular.

Figura 4.11
Sistema para o Exemplo 4.4

Solução. Primeiramente devemos calcular as tensões-base em cada um dos barramentos. é
kV 15
1
=
b
V . A tensão-base na barra 2 pode ser obtida a partir da relação de transformação do
transformador 1-2, que é um elevador de tensão
× = × = 15
kV 15
kV 138
1 12 2
b T b
V k V kV 138
2
=
b
V

Sabendo que não há queda de tensão-base em uma linha de transmissão, as tensões-base
nas barras 2 e 3 serão iguais
kV 138
3
=
b
V

As tensões-base nas barras 4 e 5 são calculadas a partir das relações de transformação do
transformador de três enrolamentos 3-4-5, que é um abaixador de tensão
× = × = 138
kV 30 2
kV 9 6
3 34 4
b T b
V k V kV 41,4
2
=
b
V

× = × = 138
kV 30 2
kV 3,8 1
3 35 5
b T b
V k V kV 28 , 8
2
=
b
V

=
4 6
b b
V V kV 4 , 41
6
=
b
V

Finalmente, a tensão-base na barra 7 decorre da relação de transformador do transforma-
dor abaixador 6-7
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×
×
= × = 4 , 41
kV 5 2 3
kV 1 1
6 67 7
b T b
V k V kV 517 , 0 1
7
=
b
V

O cálculo da reatância do gerador 1 é um caso de mudança de base. Aplicando a relação
(4.4), teremos
2
|
|
.
|

\
|
× × =
bn
bv
bv
bn pu
v
pu
n
V
V
S
S
Z Z .

|
.
|

\
|
× × =
15
8 , 13
80
100
1 , 0
2
1
j x
G
pu 1058 , 0
1
j x
G
=

Da mesma forma, teremos a seguinte relação para o transformador 1-2

|
.
|

\
|
× × =
15
15
90
100
11 , 0
2
12
j x
T
pu 1222 , 0
12
j x
T
=

A reatância da linha de transmissão 2-3 já está em pu, mas está expressa nas bases 230
kV e 50 MVA. Logo, devemos fazer uma mudança de bases

|
.
|

\
|
× × =
138
230
50
100
03 , 0
2
23
j x
LT
pu 1667 , 0
23
j x
LT
=

As reatâncias do transformador 3-4-5 já estão nas tensões-base corretas, bastando mudar
as bases de potência

|
.
|

\
|
× × =
138
230
90
100
13 , 0
2
j x
am
pu 4012 , 0 j x
am
=

|
.
|

\
|
× × =
138
230
50
100
15 , 0
2
j x
ab
pu 8333 , 0 j x
ab
=
|
.
|

\
|
× × =
4 , 41
69
90
100
11 , 0
2
j x
mb
pu 3395 , 0 j x
mb
=
As reatâncias acima correspondem ao modelo delta da Figura 4.7(b). Devemos então
convertê-las para o modelo estrela da Figura 4.8
( ) ( ) ÷ + = ÷ + = 3395 , 0 8333 , 0 4012 , 0
2
1
2
1
j j j x x x x
mb ab am a
pu 8950 , 0 j x
a
=
( ) ( ) ÷ + = ÷ + = 4012 , 0 3395 , 0 8333 , 0
2
1
2
1
j j j x x x x
am mb ab b
pu 7716 , 0 j x
b
=
( ) ( ) ÷ + = ÷ + = 8333 , 0 3395 , 0 4012 , 0
2
1
2
1
j j j x x x x
ab mb am m
pu 0926 , 0 j x
m
÷ =

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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A reatância da linha 4-6 está expressa em ohms. Para convertê-la para pu devemos dividi-
la pela impedância-base do trecho 4-6, ou seja
= =
100 / ) 4 , 41 (
20
/ ) (
20
2 2
4
46
j
S V
j
x
b b
LT
pu 1669 , 1
46
j x
LT
=

O cálculo da reatância do transformador 6-7 exige algum cuidado, pois se trata de um
banco trifásico com três unidades monofásicas. Assim, as tensões dadas são de fase e a potência
é monofásica. Logo, teremos

|
|
.
|

\
|
×
×
× =
4 , 41
3 25
10 3
100
08 , 0
2
67
j x
T
pu 2917 , 0
67
j x
T
=

Finalmente, a reatância-base do gerador 7 será
|
.
|

\
|
× × =
517 , 0 1
15
20
100
12 , 0
2
7
j x
G
pu 2205 , 1
7
j x
G
=


Figura 4.12
Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.4. Todas as reatâncias estão em pu.

Exemplo 4.5. Para o sistema da Figura 4.13, sabendo que a tensão na barra 5 é 1,0 pu e conside-
rando S
b
=50 MVA e V
b1
=13,8 kV, pede-se: (a) a corrente na barra 5, em pu e em amperes; (b) a
tensão na barra 1, em pu e em volts.
Solução. Fazendo V
b1
=13,8 kV, todas as tensões-base já são iguais às respectivas tensões nomi-
nais. Além disso, as reatâncias do gerador e dos transformadores já estão nas tensões-base corre-
tas. Basta reescrevê-las para a nova potência-base. Logo
|
.
|

\
|
× × =
8 , 13
8 , 13
75
50
1 , 0
2
1
j x
G
pu 0667 , 0
1
j x
G
=

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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|
.
|

\
|
× × =
8 , 13
8 , 13
90
50
08 , 0
2
12
j x
T
pu 0444 , 0
12
j x
T
=

|
.
|

\
|
× × =
138
138
60
50
12 , 0
2
34
j x
T
pu 1000 , 0
34
j x
T
=


Figura 4.13
Sistema para o Exemplo 4.5
As reatâncias das linhas podem ser convertidas para pu dividindo-as pelas respectivas
impedâncias-base = =
50 / ) 138 (
50
/ ) (
50
2 2
2
23
j
S V
j
x
b b
LT
pu 1313 , 0
23
j x
LT
=

= =
50 / ) 69 (
20
/ ) (
20
2 2
4
45
j
S V
j
x
b b
LT
pu 2100 , 0
45
j x
LT
=

Devemos converter para pu também as potências nas barras 4 e 5, dividindo-as pela po-
tência-base
=
50
20
4
pu
S pu 4 , 0
4
=
pu
S
=
50
30
5
pu
P pu 6 , 0
5
=
pu
P

O diagrama unifilar simplificado resultante é mostrado na Figura 4.14.

Figura 4.14
Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.5. Todos os valores em pu
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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A corrente na barra 5 pode ser obtida a partir da tensão e da potência nessa barra, ou seja
45 5 5 5
cos¢
pu pu pu
I V P =

ou
= × × 6 , 0 9 , 0 0 , 1
5
pu
I pu 667 , 0
5
=
pu
I

A corrente-base na barra 5 é
A
V
S
I
b
b
b
37 , 418
10 69 3
10 50
3
3
6
5
5
=
× ×
×
= =

Logo, a corrente em amperes na barra 5 será
× = × = 418,37 0,667 I
5
b 5 5
pu
I I A 93 , 278
5
= I

Para calcular a tensão na barra 1 devemos antes calcular a tensão na barra 4
° ÷ Z × + = × + = 84 , 25 667 , 0 21 , 0 0 , 1
5 45 5 4
j I jx V V
pu pu pu
  
pu 7756 , 6 0685 , 1
4
° Z =
pu
V


A corrente na barra 4 pode ser obtida a partir da tensão e da potência nessa barra, ou seja
pu pu pu
I V S
4 4 4
=

ou
= × 4 , 0 0685 , 1
4
pu
I pu 3744 , 0
4
=
pu
I

A corrente entre as barras 1 e 4 será a soma de
4
I

e
5
I

, ou seja
° ÷ Z + ° ÷ Z = + = 84 , 25 0,667 195 , 18 0,3744
5 4 45
pu pu pu
I I I
  
pu 093 , 23 0393 , 1
45
° ÷ Z =
pu
I


Finalmente, a tensão na barra 1 será
° ÷ Z × + ° Z = × + = 093 , 23 0393 , 1 2757 , 0 7756 , 6 0685 , 1
45 14 4 1
j I jx V V
pu pu pu
  

ou
° Z + ° Z = 907 , 66 2865 , 0 7756 , 6 0685 , 1
1
pu
V

pu 33 , 18 2361 , 1
1
° Z =
pu
V


Sabendo que a tensão-base na barra 1 é 13,8 kV, a tensão em volts na barra 1 será
° Z × = 33 , 18 2361 , 1 8 , 13
1
V

kV 33 , 18 058 , 17
1
° Z = V


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O Exemplo 4.5 ilustra um cálculo elementar de fluxo de potência, no qual desejamos
calcular a tensão e a potência em cada um dos barramentos. A situação seria muito mais compli-
cada se, em vez de termos a tensão e a potência na barra 5, desejando a tensão na barra 1, o in-
verso acontecesse, ou seja, se tivéssemos a tensão na barra 1 e potência na barra 5, desejando a
tensão na barra 5. Ao escrevermos as equações do circuito, perceberíamos que o sistema de e-
quações resultantes seria não linear. Com o aumento do número de barras, a solução analítica do
sistema seria muito difícil ou mesmo impossível. Nesse caso, métodos mais genéricos e podero-
sos devem ser desenvolvidos, como veremos no capítulo 7.

4.7. Modelos de geradores síncronos
Um gerador síncrono é composto por dois circuitos acoplados magneticamente. O primei-
ro é a armadura trifásica, localizada no estator e responsável pela transferência de potência elé-
trica AC entre a máquina e o sistema de potência ao qual ela se conecta. O segundo circuito é o
campo, localizado no rotor e alimentado com corrente contínua, de modo a produzir um fluxo
magnético constante. Sendo
f
N o número de espiras por fase da armadura,
1
f a frequência das
correntes da armadura,
2
u o fluxo magnético por polo produzido pelo rotor, a força eletromotriz
f
E induzida em cada fase da armadura a vazio será

w f f
k N f E
2 1
2 u = t , (4.30)
Força eletromotriz indu-
zida em cada fase de
uma armadura a vazio.

onde
w
k
1
é, ainda, o fator de enrolamento da armadura, tipicamente maior do que 0,85 e menor
ou igual a 1,0.
Quando alimenta uma carga qualquer, de maneira isolada ou conectado ao sistema, a ten-
são nos terminais do gerador será
f
E V
 
=
1
, indicando a presença de uma impedância interna,
usualmente representada em série. Contudo, por causa do desacoplamento elétrico entre campo e
armadura, o gerador síncrono é uma fonte de corrente quase ideal, podendo ser representado ini-
cialmente como na Figura 4.15, onde x
m
é a reatância de magnetização, x
1
é a reatância de dis-
persão da armadura, r
1
é a resistência ôhmica da armadura e r
c
é a resistência de perdas no nú-
cleo (histerese e Foucault). Todos os parâmetros são expressos em ohms por fase.
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Figura 4.15
Modelo inicial de um gerador síncrono trifásico
É possível fazer algumas simplificações no circuito da Figura 4.15. Nos geradores co-
muns em sistemas de potência, sempre da “classe MVA”, os condutores da armadura têm bitola
larga a ponto da resistência r
1
ser desprezível. As perdas no núcleo também são desprezíveis, o
que significa que a resistência r
c
é muito grande em comparação com x
m
, e podemos fazer
m m c
x x r ~ // . O resultado é o circuito da Figura 4.16, que consiste de um equivalente Norton em
série com uma reatância de dispersão jx
1
.

Figura 4.16
Modelo intermediário de um gerador síncrono trifásico
Finalmente, o equivalente Norton pode ser convertido em um equivalente Thévenin, no
qual
f m f
I jx E
 
= e
1
x x x
m d
+ = é denominada reatância síncrona de eixo direto. O circuito
equivalente final, mostrado na Figura 4.17, é adequado a geradores síncronos de polos lisos, que
geralmente é o caso de turbogeradores. Para geradores de polos salientes, que geralmente é o
caso de hidrogeradores, algumas modificações devem ser introduzidas, as quais serão objeto do
capítulo 9.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Figura 4.17
Modelo de circuito equivalente de um gerador síncrono de polos lisos
Considerando que, em um gerador, o sentido da corrente de armadura
1
I

é da máquina
para a carga, a equação fasorial correspondente pode ser escrita como

1 1
I jx V E
d f
  
+ = . (4.31)
Equação fasorial de um
gerador de polos lisos
em regime permanente.

A única modificação necessária para transformar o gerador descrito pela equação (4.31)
em um motor síncrono é a mudança do sentido da corrente, resultando na seguinte equação

1 1
I jx V E
d f
  
÷ = . (4.32)
Equação fasorial de um
motor de polos lisos em
regime permanente.

As equações (4.31) e (4.32) descrevem bastante bem o comportamento da máquina sín-
crona de polos lisos funcionando em regime permanente. No caso de geradores funcionando em
regime transitório deveremos introduzir correções nas reatâncias síncronas.
Vamos supor que um gerador síncrono esteja funcionando a vazio quando um curto-
circuito trifásico ocorre. Vamos supor também, por simplicidade, que o curto ocorre exatamente
quando a tensão alternada do gerador é instantaneamente nula. Por causa do caráter indutivo do
gerador, a corrente não atingirá imediatamente um valor de regime constante, mas se comportará
como mostrado na Figura 4.18. A envoltória da senoide é uma exponencial mais complexa do
que o usual, pois sua taxa de decaimento não é constante. Para evitar a dificuldade de se traba-
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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lhar com uma quantidade muito grande de constantes de tempo, costumamos definir três perío-
dos de tempo, cada um deles caracterizado por uma reatância síncrona:
1) Período subtransitório: corresponde aos primeiros ciclos após o curto, durante os quais
a corrente decai muito rapidamente; caracterizado pela reatância subtransitória de eixo
direto, ' '
d
x .
2) Período transitório: corresponde ao período após o período subtransitório e antes da
corrente ter se estabilizado, durante o qual a corrente decai mais lentamente; caracteriza-
do pela reatância transitória de eixo direto, '
d
x .
3) Período de regime permanente: corresponde ao período após a corrente ter se estabili-
zado; caracterizado pela reatância síncrona de eixo direto usual,
d
x .

Figura 4.18
Corrente de armadura de um gerador síncrono em curto-circuito trifásico simétrico
A Tabela 4.1 mostra os valores típicos das reatâncias de algumas máquinas síncronas.
Note que a relação entre as reatâncias síncrona
d
x e subtransitória ' '
d
x pode chegar a 11 vezes
no caso do gerador de polos salientes. Como veremos no capítulo 5, essa diferença torna bastante
crítica a escolha do período no qual devemos calcular as correntes de curto-circuito.
A corrente de curto da Figura 4.18, denominada corrente de curto simétrica, é um caso
particular de um caso mais geral, o das correntes de curto assimétricas, as quais têm uma com-
ponente contínua que as desloca para cima ou para baixo. Uma corrente assimétrica corresponde
a uma corrente simétrica mais uma componente contínua que decai exponencialmente.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Tabela 4.1 – Reatâncias típicas de máquinas síncronas
Reatância Gerador de
polos lisos
Gerador de
polos salientes
Motor de
polos salientes
Síncrona, x
d
(pu) 1,10 1,10 1,10
Transitória, x
d
’ (pu) 0,20 0,35 0,50
Subtransitória, x
d
’’ (pu) 0,10 0,23 0,35

4.8. Modelos de linhas de transmissão
Ao contrário do que acontece com as redes de distribuição, as linhas de transmissão trifá-
sicas, quando em regime, operam geralmente de maneira equilibrada, o que permite a classifica-
ção de tais equipamentos em três tipos básicos: linhas curtas, linhas médias e linhas longas.
4.8.1 Linha curta
Linhas de transmissão curtas são aquelas de comprimento inferior a 80 km. Nesse caso, é
adotado um modelo simplificado que nada mais é do que uma impedância
LT LT LT
jx r Z + =

por
fase, representado de maneira unifilar como na Figura 4.19. Neste modelo,
LT
r é a resistência
ôhmica, responsável pelas perdas por efeito Joule, e
LT
x é a reatância indutiva da linha. Ambos
os parâmetros são especificados em ohms por fase.

Figura 4.19
Modelo de uma linha de transmissão curta

4.8.2 Linha média
Linhas cujo comprimento é superior a 80 km, mas inferior a 240 km são denominadas li-
nhas médias. Nesse caso as capacitâncias entre a linha e o terra não podem ser desprezadas e
deveremos usar o modelo T, conforme representado na Figura 4.20, ou o modelo t , conforme
representado na Figura 4.21. Em ambos o termo
1
) (
÷
÷ =
c c
jx jB representa a susceptância total
da linha.
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Figura 4.20
Modelo T de uma linha de transmissão média
Note que a única diferença entre os modelos t e T é uma distribuição diferente da impe-
dância série e da susceptância paralela ao longo do trecho em questão. Quando a capacitância em
paralelo for desprezível, o que significa · ÷
c
B , ambos os modelos se reduzem ao modelo de
linha curta. Daremos sempre preferência ao modelo t e, quando nada for mencionado, é este o
modelo que deve ser usado.

Figura 4.21
Modelo t de uma linha de transmissão média
4.8.3 Linha longa
Linhas de comprimento superior a 240 km são consideradas longas, caso no qual o mode-
lo completo da linha de transmissão deve ser usado. Neste modelo as impedâncias série e suscep-
tâncias paralelas são consideradas uniformemente distribuídas ao longo da linha. Considerando
que z e b

são, respectivamente, a impedância e a susceptância por unidade de comprimento, e
que l é o comprimento total da linha, podemos escrever equações diferenciais parciais para a
linha, as quais, uma vez resolvidas, resultam em

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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¸
¸ ) (l senh z
Z
eq
×
=


, (4.33)
Parâmetros de uma
linha de transmissão
longa.
¸
¸ ) 2 / tanh( 2 l b
B
eq
×
=


,

(4.34)


onde o parâmetro zb = ¸ é denominado constante de propagação. Depois de calculados, os
parâmetros
eq
Z

e
eq
B

podem ser inseridos em um circuito equivalente T, como na Figura 4.20,
ou t, como na Figura 4.21.
Em nossas simulações as impedâncias e susceptâncias da linha de transmissão sempre se-
rão parâmetros conhecidos. Assim, não faz muita diferença se o modelo a ser utilizado é para
linha média ou linha longa. Caso a linha seja longa, simplesmente consideraremos que alguém já
calculou
eq
Z

e
eq
B

para nós.
4.9 Modelos de cargas
Dentre os vários parâmetros de um SEP a carga dos consumidores é a de determinação
mais difícil. Considerando que o valor da carga varia de segundo a segundo e que existem mi-
lhões de consumidores, cada um absorvendo energia de acordo com sua exigência individual, a
determinação das exigências futuras é um problema estatístico. A curva de carga de um dado
barramento de distribuição, ilustrada de forma genérica na Figura 4.22, decorre de hábitos de
consumo, temperatura, nível de renda, forma de tarifação, etc.

Figura 4.22
Curva de carga típica de um barramento de distribuição
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

39


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A carga total do sistema pode, grosso modo, ser repartida entre usuários industriais e re-
sidenciais. A potência consumida pelos consumidores industriais varia de um terço nas horas de
pico até metade nas horas de carga mínima. Uma diferença muito importante entre os dois tipos
de consumidores é que nos industriais existe uma porcentagem elevada de motores de indução
(cerca de 60 por cento), enquanto nos consumidores residenciais predominam as cargas de aque-
cimento e iluminação.
No Brasil a tarifa dos consumidores residenciais é monômia, ou seja, existe apenas uma
tarifa, especificada em R$/kWh, que incluiu simultaneamente demanda e energia. Já consumido-
res industriais são geralmente tarifados por meio de uma tarifa binômia, do tipo horo-sazonal.
Nesse tipo de tarifa a demanda é cobrada em R$/kW, com valores diferentes para períodos de
ponta e fora de ponta. A energia é cobrada em R$/MWh, com valores também diferentes para
períodos úmido (dezembro a abril) e seco (maio a novembro). O horário de ponta, no Brasil, é
definido como o período de três horas consecutivas, de escolha da distribuidora, compreendido
entres as 17h e as 22h.
Em países mais desenvolvidos, nos quais existe algum tipo de Gerenciamento pelo Lado
da Demanda (GLD), existem também tarifas binômias para consumidores residenciais. Nesse
caso o consumidor paga mais caro, em R$/kWh no horário de ponta, e mais barato, também em
R$/kWh, no horário fora de ponta. A finalidade é incentivar a migração do consumo residencial
do horário de ponta para o horário fora de ponta, reduzindo a necessidade de investimentos em
distribuição para atendimento ao horário de ponta. Uma maneira relativamente fácil de implantar
a GLD em um país como o Brasil seria, por exemplo, pré-aquecer a água durante o período fora
de ponta, armazenando-a em reservatórios térmicos especiais, para utilização no horário de pon-
ta, seja para o banho, seja para outro tipo de uso. Contudo, enquanto a energia tiver o mesmo
preço dentro e fora da ponta, esse tipo de GLD não teria sentido econômico para consumidores
residenciais.
Alguns conceitos importantes no estudo das cargas de SEPs são os seguintes:
1) Demanda máxima: valor médio da carga durante o intervalo de tempo de meia hora
em que a demanda é máxima.
2) Fator de carga: relação entre a demanda média e a máxima em um determinado in-
tervalo de tempo. O fator de carga ideal deve ser elevado. Caso seja unitário, significa
que todas as unidades geradoras estão sendo utilizadas a plena carga durante o perío-
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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do considerado. Seu valor varia com a natureza da carga; sendo baixo para cargas de
iluminação (cerca de 12 %) e elevado para cargas industriais.
3) Fator de diversidade: relação entre a soma das demandas máximas individuais dos
consumidores e a demanda máxima do sistema. Este fator mede a diversificação da
carga e diz respeito à capacidade de geração e transmissão instalada. No caso da de-
manda máxima de todos os consumidores ocorrer simultaneamente, isto é, fator de
diversidade unitário, dever-se-ão instalar muitos outros geradores. Felizmente, este
fator é muito maior que a unidade, especialmente para consumidores residenciais. Em
um sistema de quatro consumidores o fator de diversidade poderia ser elevado, com
os consumidores absorvendo energia como na Figura 4.23.

Figura 4.23
Representação dos extremos do fator de diversidade
de uma instalação com dois consumidores
Em estudos de fluxo de potência o ideal seria realizar um estudo para cada hora da curva
de carga da Figura 4.22. Isso, contudo, exigiria um esforço computacional muito grande, além de
exigir uma previsão de cargas muito complexa. Por outro lado, o modelo de dois patamares (pon-
ta e fora de ponta) adotado no nível de distribuição (tensões inferiores a 230 kV), é pouco descri-
tivo para estudos de sistemas de transmissão (tensões iguais ou superiores a 230 kV). Assim, em
estudos de transmissão geralmente adotamos o modelo de três patamares (cargas média, leve e
pesada) da Rede Básica brasileira, conforme mostrado na Tabela 4.2.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Tabela 4.2 – Definição dos patamares de carga da Rede Básica brasileira
Patamar
de carga
Sem Horário de Verão Com Horário de Verão
2ª feira à
sábado
Domingos
e feriados
2ª feira à
sábado
Domingos
e feriados
Leve 0h às 6h59 0h às 16h59
22h às 23h59
0h às 6h59 0h às 17h59
23h às 23h59
Média 7h às 17h59
21h às 23h59
17h às 21h59 7h às 18h59
22h às 23h59
18h às 22h59
Pesada 18h às 20h59 ─ 19h às 21h59 ─
Para nossos fins, as cargas serão usualmente representadas em MVA ou MW, juntamente
com o fator de potência, em um dos patamares da Tabela 4.2. No diagrama unifilar as cargas
serão representadas por meio de setas, como na Figura 4.29, indicando potência absorvida, ou
por meio de impedâncias, como na Figura 4.31.
4.10 Introdução aos estudos de curto-circuito.
Estudos de curto-circuito são necessários não só em sistemas de potência, mas também
em sistemas industriais, e têm os seguintes objetivos gerais:
1) Ajustar relés de proteção e selecionar fusíveis.
2) Selecionar os disjuntores que irão interromper as correntes de curto.
3) Estimar as consequências das correntes de curto sobre cabos, transformadores, secciona-
doras, cabos para-raios, barramentos e outros equipamentos elétricos.
4) Determinar sobretensões em vários pontos do sistema.
5) Permitir o dimensionamento de malhas de terra e de cabos para-raios.
6) Determinar as impedâncias corretas dos transformadores de força.
Os tipos de curto-circuito em um sistema trifásico são listados na Tabela 4.3 abaixo, jun-
tamente com as frequências típicas de ocorrência.
Tabela 4.3 – Tipos de faltas e estatísticas
Tipo de falta 69 kV 138 kV 230 kV
Fase-terra
38,6% 36,7% 47,0%
Bifásico
(fase-fase)
11,8% 10,0% 8,0%
Bifásico-terra
(Fase-fase-terra)
25,5% 12,7% 5,0%
Trifásico
6,3% 2,0% 0,6%
Trifásico-terra
1,1% 0,7% 1,4%
Causa desconhecida
16,7% 37,9% 38,0%
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As causas dos curto-circuitos são diversas. Em linhas de transmissão as causas mais co-
muns são quedas de árvores, vendavais, descargas atmosféricas e vandalismo. No período seco,
quando as queimadas se tornam comuns, o ar pode se ionizar, provocando uma falta fase-fase
resultando em desligamento de sistemas. Em transformadores e geradores as faltas são menos
comuns e se devem a erros de operação e manutenção inadequada.
Em sistemas de potência, compostos por geradores, transformadores, linhas e demais e-
quipamentos sempre equilibrados, os curtos trifásico e trifásico-terra resultam em corrente de
neutro nulo, sendo denominados faltas simétricas, por as correntes de curto são iguais em todas
as fases. O mesmo não acontece com os curtos fase-terra, fase-fase e fase-fase-terra, que produ-
zem correntes de curto diferentes em cada uma das fases, sendo denominados faltas assimétri-
cas.
A rigor, tanto faltas simétricas quanto assimétricas deveriam ser calculadas a partir das
técnicas de fluxo de potência, que serão vistas a partir do capítulo 7, fazendo-se a impedância de
curto igual a zero. Contudo, em sistemas de pequeno porte e em casos nos quais não se exige
muita precisão, podemos desenvolver uma metodologia simplificada, partindo das seguintes con-
siderações:
1) A tensão pré-falta de todos os geradores é igual a 1,0 pu. Sabendo que a tensão dos
geradores de um sistema de potencio pode variar entre 0,95 pu e 1,05 pu, a tensão
mais provável de operação dos geradores é 1,0 pu, onde a tensão-base é a tensão no-
minal do gerador.
2) As cargas são desprezíveis durante o curto, pois, sabendo que o sistema é de pequeno
porte (poucas barras), a ocorrência de um curto-circuito desvia das cargas toda a po-
tência produzida pelos geradores.
3) As capacitâncias em paralelo de linhas de transmissão também são desprezíveis, pelo
mesmo motivo anterior.
A corrente trifásica (ou trifásica-terra) de curto-circuito franco, ou seja, sem impedância
de curto, em uma determinada barra do sistema, pode agora ser determinada reduzindo-se o sis-
tema a um equivalente Thévenin cujas respectivas tensão e impedância são ° Z = 0 0 , 1
th
V

e
th
Z

.
A corrente de curto será, portanto

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th th
th pu
cc
Z Z
V
I
 

° Z
= =
0 0 , 1
3|
, (4.34)
Corrente trifásica de
curto-circuito franco em
um sistema de potência
de pequeno porte.

onde
th
Z

é a impedância de Thévenin vista da barra onde ocorre o curto-circuito. Caso o curto se
dê através de uma impedância de falta
f
Z

, basta adicioná-la a
th
Z

, ou seja

f th f th
th pu
cc
Z Z Z Z
V
I
   

+
° Z
=
+
=
0 0 , 1
3|
,
(4.35)
Corrente trifásica de
curto-circuito através de
uma impedância em um
sistema de potência de
pequeno porte.

O estudo das faltas assimétricas é um pouco mais complexo, exigindo técnicas especiais
que serão descritas no capítulo 5, juntamente com vários outros conceitos de curto-circuito.
Exemplo 4.6. Para o sistema da Figura 4.24, calcule a corrente trifásica de curto-circuito na bar-
ra 3, em pu e em amperes. Considere que a potência-base é 50 MVA e que a tensão-base na barra
3 é 69 kV.

Figura 4.24
Sistema para o Exemplo 4.6
Solução. Inicialmente, substituímos os geradores por suas respectivas impedâncias internas, des-
prezamos as cargas e isolamos a barra na qual desejamos calcular a falta. O resultado é o dia-
grama de reatâncias da Figura 4.25.
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Figura 4.25
Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.6
A impedância equivalente de Thévenin, vista da barra 3, pode agora ser calculada
( ) | | 10 , 0 ) 42 , 0 // 42 , 0 ( // 15 , 0 20 , 0 10 , 0 j j j j j j Z
th
+ + + =


ou,
( ) + = 10 , 0 21 , 0 // 45 , 0 j j j Z
th

pu 0,1836 j Z
th
=


Considerando as simplificações feitas anteriormente, a corrente trifásica de curto-circuito
na barra 3 será
= =
1836 , 0
pu 0 , 1 pu 0 , 1
3
j Z
I
th
pu
cc


|
pu 448 , 5
3
j I
pu
cc
÷ =
|


Para converter a corrente de curto para amperes, precisamos antes calcular a corrente-
base, que será

× ×
×
= =
3
6
3
3
10 69 3
10 50
3
b
b
b
V
S
I
A 37 , 418
3
=
b
I
Assim,
× ÷ = × = 37 , 418 448 , 5
3 3 3
j I I I
b
pu
cc cc | |
 
A 29 , 279 . 2
3
j I
cc
÷ =
|


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Exemplo 4.7. Para o sistema da Figura 4.26, calcule a corrente trifásica de curto-circuito nas
barras 1 e 7. Utilize as bases de 60 MVA e 69 kV na barra 2.

Figura 4.26
Sistema para o Exemplo 4.7
Solução. A Figura 4.27 ilustra o diagrama de reatâncias resultante após a conversão para pu nas
bases indicadas, já com as cargas desprezadas e os geradores substituídos por suas respectivas
reatâncias internas.
Quando o curto ocorre na barra 1, as barras 3 e 7 são flutuantes, pois as cargas nelas são
desprezadas. A impedância equivalente de Thévenin será então a reatância de j0,4 pu do gerador
1 em paralelo com a reatância equivalente à direita da barra 1, com as barras 3 e 7 abertas, ou
seja
( ) ( ) | | 0756 , 0 0504 , 0 // 063 , 0 1008 , 0 105 , 0 45 , 0 16 , 0 // 4 , 0 + + + + + = j j j j j j j Z
th

,
( ) + = 126 , 0 // 1638 , 0 715 , 0 // 4 , 0 j j j j Z
th

pu 2651 , 0 j Z
th
=


A corrente de curto na barra 1, em pu, será
= =
2651 , 0
pu 0 , 1 pu 0 , 1
3
j Z
I
th
pu
cc


|
pu 7719 , 3
3
j I
pu
cc
÷ =
|


A respectiva corrente de curto em amperes será
× ÷ =
× ×
×
× ÷ = × = 04 , 502 7719 , 3
3 10 69
10 60
7719 , 3
3
3
6
3
3 3
j j
V
S
I I
b
b pu
cc cc | |
 
A 3 , 66 , 893 . 1
3
j I
cc
÷ =
|


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Figura 4.27
Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.7
O curto na barra 7 é um pouco mais complicado, pois apenas a barra 3 será flutuante e o
diagrama de reatâncias resultante formará um delta entre as barras 2, 4 e 6, como mostrado na
Figura 4.28 a seguir

Figura 4.28
Sistema do Exempo 4.7 com curto na barra 7
A maneira mais fácil de calcular a reatância equivalente na barra 7 é transformar o delta
entre as barras 2, 4 e 6 para um estrela. Note que essa transformação nada tem a ver com a
transformação delta-estrela do transformador de três enrolamentos. Usando as fórmulas
tradicionais de transformação delta-estrela, teremos

+ +
×
=
+ +
=
0756 , 0 0504 , 0 1638 , 0
0504 , 0 1638 , 0
46 26 24
26 24
2
j j j
j j
x x x
x x
x pu 02849 , 0
2
j x =

+ +
×
=
+ +
=
0756 , 0 0504 , 0 1638 , 0
0756 , 0 1638 , 0
46 26 24
46 24
4
j j j
j j
x x x
x x
x pu 04273 , 0
4
j x =

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+ +
×
=
+ +
=
0756 , 0 0504 , 0 1638 , 0
0756 , 0 0504 , 0
46 26 24
46 26
6
j j j
j j
x x x
x x
x pu 01315 , 0
6
j x =
A Figura 4.29 ilustra o circuito resultante com uma estrela entre as barras 2, 4 e 6.

Figura 4.29
Diagrama resultante para curto na barra 7
Agora é fácil calcular a reatância equivalente na barra 7
( ) ( ) 555 , 0 04273 , 0 // 56 , 0 02849 , 0 01315 , 0 195 , 0 + + + + = j j j j j Z
th

,
+ = 59773 , 0 // 58849 , 0 20815 , 0 j j j Z
th

pu 50479 , 0 j Z
th
=


A corrente de curto na barra 7, em pu e em amperes, serão respectivamente
= =
50479 , 0
pu 0 , 1 pu 0 , 1
3
j Z
I
th
pu
cc


|
pu 981 , 1
3
j I
pu
cc
÷ =
|


A respectiva corrente de curto em amperes será
× ÷ =
× ×
×
× ÷ = × = 4 , 309 . 2 981 , 1
3 10 15
10 60
981 , 1
3
3
6
7
3 3
j j
V
S
I I
b
b pu
cc cc | |
 
A 92 , 574 . 4
3
j I
cc
÷ =
|


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4.11 Exercícios
4.11.1. Descreva algumas vantagens de se usar o sistema por unidade (pu) em vez das unidades
convencionais (volts, amperes, etc.).
4.11.2. Mostre como escrever em pu a impedância de um equipamento, expressa originalmente
nas bases V
b1
e S
b1
, quando integrado a um sistema cujas bases são V
b2
e S
b2
.
4.11.3. Dois transformadores estão conectados em série. Um deles é especificado para 15 MVA,
69 kV/125 kV, X=10%. O outro, para 10 MVA, 13,8 kV/69 kV, X=8%. Determine a rea-
tância de cada transformador e a reatância total, em pu, nas bases de 30 MVA e 138 kV.
4.11.4. Três transformadores monofásicos, 5 MVA, 8/2,2 kV, têm reatância de dispersão de 6% e
podem ser conectados de várias formas de modo a suprir três cargas resistivas idênticas
de 5 O. Várias conexões dos transformadores e cargas são ilustradas na Tabela 4.4 abai-
xo. Complete a tabela, usando potência-base trifásica de 15 MVA (Não se esqueça de
mostrar os cálculos!).
Tabela 4.4
Caso Conexão dos
Transformadores
Carga
conectada ao
secundário
Tensão-base
(kV, linha)
Carga
R
Impedância
total vista do
lado de alta
Primário Secundário Alta Baixa (pu) (pu) (O)
1
Y Y Y ? ? ? ? ?
2
Y Y A
? ? ? ? ?
3
Y A Y ? ? ? ? ?
4
Y A A
? ? ? ? ?
5
A Y Y ? ? ? ? ?
6
A Y A
? ? ? ? ?
7
A A Y ? ? ? ? ?
8
A A A
? ? ? ? ?
4.11.5. Três geradores, cujos parâmetros são listados na Tabela 4.5, estão conectados a um bar-
ramento comum de 13,8 kV. Determine a reatância equivalente, resultante da ligação em
paralelo dos três geradores, nas bases de 100 MVA e 15 kV.
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Tabela 4.5
Gerador Potência
(MVA)
Tensão
(kV)
Reatância
1 20 13,2 24%
2 50 13,8 20%
3 80 13,5 12%
4.11.6. Os geradores do exercício 4.5 são conectados a um transformador de 160 MVA, 13,8/225
kV, 60 Hz, X=10%, o qual, por sua vez, é conectado a uma linha de transmissão de 50 km
de comprimento, cuja resistência por fase é 0,12 O/km e cuja indutância por fase é 1,25
mH/km. Considerando que a linha de transmissão esteja a vazio, calcule a corrente trifási-
ca de curto-circuito em ambas as extremidades dela, em pu e em amperes.
4.11.7. Para o sistema da Figura 4.30, utilizando potência-base de 50 MVA e tensão-base igual a
13,8 kV no barramento 1, pede-se: (a) converta para pu os valores de todos os parâmetros;
(b) calcule a tensão no barramento 1 de modo que a tensão no barramento 5 seja 0,95 pu.

Figura 4.30
Sistema para o Exercício 4.11.7
4.11.8. Um gerador síncrono trifásico, 60 Hz, 50 MVA, 30 kV, tem reatância síncrona igual a 9
O por fase. A resistência de armadura é desprezível. O gerador está entregando potência
nominal com fator de potência de 0,8 em atraso, sob tensão nominal, a um barramento in-
finito. Pede-se: (a) Determine a tensão interna do gerador e o ângulo de carga o; (b) com a
tensão interna mantida constante no valor do item anterior, a potência de entrada do gera-
dor é reduzida a 25 MW; determine a corrente e o fator de potência.
4.11.9. Um transformador trifásico de dois enrolamento é especificado para 60 kVA, 240/1200
V, 60 Hz. O rendimento deste transformador é 96% e ocorre quando opera sob carga no-
minal e fator de potência 0,8 em atraso. Determine as perdas no ferro e as perdas no cobre
do transformador para rendimento máximo.
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4.11.10. Para o sistema da Figura 4.31, pede-se: (a) converta todos os parâmetros para pu,
usando potência-base de 100 MVA e tensão-base de 15 kV na barra 9; (b) obtenha a ma-
triz admitância nodal do sistema, em pu.

Figura 4.31
Sistema para o Exercício 4.11.10
4.11.11. Considere o circuito equivalente de um transformador de dois enrolamentos, com
reatâncias e resistências dos lados primário e secundário, resistência de perdas no ferro e
reatância de magnetização. Todas as grandezas estão referidas ao primário. Pede-se: (a)
mostre que, para transformadores de potência, o circuito equivalente pode ser reduzido a
uma única reatância; (b) mostre que, quando expressa em pu, a reatância do transforma-
dor de potência tem o mesmo valor, independente de estar referida ao primário ou ao se-
cundário.
4.11.12. Uma linha de transmissão trifásica, 225 kV, tem comprimento de 40 km. A resis-
tência por fase é 0,15 O/km e a indutância por fase é 1,326 mH/km. As capacitâncias em
paralelo são desprezíveis. Um transformador trifásico é conectado a um dos lados da li-
nha, e uma carga de 380 MVA, com fator de potência de 0,9 em atraso, sob 225 kV, é co-
nectada ao outro lado. Usando o modelo de linha curta, determine a tensão e a potência do
lado do transformador.
4.11.13. Para o sistema da Figura 4.32, considere que a potência-base é 100 MVA e que a
tensão-base é 15 kV na barra 4. Pede-se: (a) desenhe o diagrama unifilar para o sistema,
representando o transformador (que está fora do tap nominal) como um modelo t e inclu-
indo as susceptâncias das linhas; (b) converta todas as impedâncias e admitâncias para
ohms e siemens, respectivamente; (c) desprezando cargas e susceptâncias em paralelo,
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calcule as impedâncias Thévenin equivalentes nas barras um, três e quatro; (d) calcule as
correntes trifásicas de curto-circuito nas barras um, três e quatro.

Figura 4.32
Sistema para o Exercício 4.11.13
4.11.14. Repita o exercício 4.13, considerando que a capacitância em paralelo é 0,0112
µF/km, que o comprimento da linha é 100 km e usando: (a) o modelo t da linha média;
(b) o modelo T da linha média.
4.11.15. Uma linha de transmissão trifásica, 345 kV, 130 km, tem impedância série por
fase igual a z=0,036+j0,3O/km. A admitância em paralelo por fase é y=j4.22×10
-6
S/km.
Um dos lados da linha é ligado a uma subestação e absorve 400 A, sob fator de potência
0,95 atrasado e 345 kV. Usando o modelo da linha média, determine a tensão, corrente,
potência e fator de potência do lado da carga.
4.11.16. Uma linha de transmissão de 500 kV tem comprimento de 250 km. A impedância
série por fase é z=0.045+j0.4 O/km e a admitância em paralelo é y=j4×10
-6
S/km. Deter-
mine os parâmetros do modelo de linha longa para esta linha.
4.11.17. Uma linha de transmissão de 200 km conecta uma usina geradora a um sistema de
distribuição. Os parâmetros da linha, por quilômetro e por fase, são: R=0,1O; L=1,25
mH; C=0,01 µF. Considerando que a tensão e a corrente do lado do sistema de distribui-
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ção são, respectivamente, ° Z0 132 kV e ° ÷ Z 37 164 amperes, calcule a tensão e a corren-
te do lado da usina.
4.11.18. Um transformador trifásico de três enrolamentos com tensões 132/33/6,6 kV tem
as seguintes reatâncias em pu, medidas entre os enrolamentos de Alta, Média e Baixa ten-
sões e referidas a 30 MVA, 132 kV: x
am
= 0,15 , x
ab
= 0,09 , x
mb
= 0,08 . O enrolamento
de 6,6 kV alimenta uma carga equilibrada com corrente de 2.000 A e fator de potência 0,8
em atraso. O enrolamento de 33 kV alimenta um reator de j50,0 Ω/fase conectado em es-
trela. Calcule a tensão no enrolamento de alta tensão para que a tensão no enrolamento de
baixa tensão seja de 6,6 kV.
4.11.19. Dois geradores com potências individuais de 80 MVA estão conectados como
ilustrado na Figura 4.33. A tensão nominal de cada gerador é 11 kV e a reatância síncrona
de cada um deles é 12%. Os transformadores elevadores são especificados para 11/66 kV,
90 MVA, e têm reatância de dispersão igual a 10%. Um curto-circuito trifásico ocorre na
barra 6 em um momento no qual nenhuma corrente circula através da linha 2-5. Determi-
ne a corrente trifásica de curto-circuito na barra 6, em amperes.

Figura 4.33
Sistema para o Exercício 4.11.19
4.11.20. Um gerador é ligado por meio de um transformador a um motor síncrono. Quando
expressas na mesma base, as reatâncias do gerador e do motor são 0,15 pu e 0,35 pu, res-
pectivamente, e a reatância de dispersão do transformador é 0,10 pu. Uma falta trifásica
ocorre nos terminais do motor quando a tensão nos terminais do gerador é 0,9 pu e a cor-
rente de saída do gerador é 1,0 pu com fator de potência 0,8 adiantado. Determine a cor-
rente em pu da falta, no gerador e no motor. Use a tensão terminal do gerador como fasor
de referência.
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5. COMPONENTES SIMÉTRICAS
5.1. Introdução
O cálculo de curto-circuitos assimétricos (fase-terra, fase-fase, fase-fase-terra) poderia,
em princípio, ser realizado por meio das ferramentas convencionais de análise de circuitos poli-
fásicos (malhas, nós, equivalentes, etc.). Contudo, o esforço computacional envolvido aumenta-
ria com a terceira potência do número de barras do sistema, tornando a tarefa impossível a partir
de algumas poucas barras. Felizmente, um teorema enunciado por Charles L. Fortescue em 1918
possibilita a simplificação da análise de faltas assimétricas, como veremos a seguir.
Nota biográfica: Charles LeGeyt Fortescue (1876 – 1936) foi um engenheiro elétrico nascido
em York Factory, um entreposto comercial que funcionou até 1957 no noroeste da província ca-
nadense de Manitoba. Em 1898, Fortescue tornou-se um dos primeiros engenheiros graduados
pela Queen’s University, localizada em Ontario, Canadá. Após sua formatura, Fortescue ingres-
sou na Westinghouse Corporation, nos Estados Unidos, onde permaneceu durante toda sua vida
profissional, vindo a trabalhar com transformadores de alta tensão e problemas a eles relaciona-
dos. Em 1918, Fortescue publicou o artigo “Method of symmetrical co-ordinates applied to the
solution of polyphase networks” (AIEE Transactions, vol. 37, p. 1027-1140), dando origem ao
estudo das componentes simétricas e reduzindo enormemente o esforço computacional envolvi-
do nos cálculos de curto-circuitos assimétricos. Em 1939, o IEEE (Institute of Electrical and
Electronics Engineers) criou uma bolsa de mestrado em homenagem a Fortescue, concedida a-
nualmente .
5.2. O teorema de Fortescue
O teorema de Fortescue aplica-se a sistemas polifásicos e foi originalmente enunciado
da seguinte forma: “qualquer sistema de N fasores desequilibrados, sendo N um número primo,
pode ser escrito como a soma de N conjuntos de fasores equilibrados”.
O teorema de Fortescue pode ser escrito para tensões ou correntes. Para N=3 (sistema tri-
fásico), os três conjuntos de fasores equilibrados são conhecidos como “sequências” e definidos
da maneira a seguir.
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1) Sequência positiva

A sequência positiva é definida como a sequência de fases do sistema em análise, ou seja,
é a sequência de fases dos geradores conectados ao sistema. Usaremos o sobre-índice “1” para
representá-la, mas outros índices usuais são “+” e “abc”.
A defasagem entre duas fases quaisquer da sequência positiva é sempre 120° e os módu-
los das correntes (ou tensões) são iguais entre si. Denotando as três fases por a, b e c, teremos
1 1 1
c b a
I I I
  
= = .

(5.1)

2) Sequência negativa

A sequência negativa gira no sentido inverso ao da sequência positiva, também com ân-
gulos de 120° entre duas fases quaisquer. Usaremos o sobre-índice “2” para representá-la. Outros
índices usuais são “–” e “cba”. Da mesma forma que na sequência positiva, teremos
2 2 2
c b a
I I I
  
= = .

(5.2)


3) Sequência zero

Uma terceira sequência, ou sistema de fasores, é necessária para satisfazer o teorema de
Fortescue. Nesta sequência, denominada “zero” e usualmente representada pelo sobre-índice “0”,
os fasores não giram, permanecendo paralelos entre si. Da mesma forma que nas sequências an-
teriores, teremos
0 0 0
c b a
I I I
  
= = .

(5.3)

A Figura 5.1 ilustra as três sequências em termos de seus fasores.

Figura 5.1
Sequências de fase: (a) positiva; (b) negativa; (c) zero
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Intuitivamente, podemos imaginar as três componentes de Fortescue como sendo produ-
zidas por geradores comuns. A sequência positiva seria produzida por um campo girante trifási-
co, girando no sentido da sequência de fases do sistema. A sequência negativa seria produzida
por um campo girante trifásico, mas girando no sentido oposto à sequência de fases do sistema.
Já a sequência zero seria produzida por um campo pulsante, não girante.
Dado um sistema de correntes desequilibradas
a
I

,
b
I

e

c
I

, o teorema de Fortescue pode
ser agora escrito em função das componentes de sequência positiva, negativa e zero

¦
¹
¦
´
¦
+ + =
+ + =
+ + =
2 1 0
2 1 0
2 1 0
c c c c
b b b b
a a a a
I I I I
I I I I
I I I I
   
   
   

(5.4)


O sistema de equações (5.4) pode ser simplificado introduzindo-se o operador unitário a ,
definido como

° Z = 120 1 a . (5.5)

O operador unitário a .

É fácil verificar que o operador a tem as seguintes propriedades:


° ÷ Z = ° Z = 240 1 120 1 a

(5.6)

° ÷ Z = ° Z = 120 1 240 1
2
a
(5.7)

* 2
a a   =
(5.8)

a a   =
* 2
) (
(5.9)

a a   = ° Z = 360 1
3

(5.10)

a a a a     = ° ÷ Z = × = 240 1
2 2 4

(5.11)

0 1
2
= + + a a  
(5.12)

0
3 2
= + + a a a   
(5.13)

Tomando a fase a como referência, podemos agora escrever as correntes de sequência
positiva da seguinte forma

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

56


Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
¦
¹
¦
´
¦
= × ° Z =
= × ° Z =
× ° Z =
1 1 1
1 2 1 1
1 1
120 1
240 1
0 1
a a c
a a b
a a
I a I I
I a I I
I I


 


 
 

(5.14)


De maneira semelhante, as correntes de sequência negativa podem ser escritas como

¦
¹
¦
´
¦
= × ° Z =
= × ° Z =
× ° Z =
2 2 2 2
2 2 2
2 2
240 1
120 1
0 1
a a c
a a b
a a
I a I I
I a I I
I I


 


 
 

(5.15)

As correntes de sequência zero podem ser escritas de maneira ainda mais simples
0 0 0
c b a
I I I
  
= = .

(5.16)

Substituindo as relações (5.14), (5.15) e (5.16) na relação (5.4), teremos que

2 1 0
a a a a
I I I I
  
+ + =

(5.16a)

2 1 2 0
a a a b
I a I a I I




 
+ + =

(5.16b)
2 2 1 0
a a a c
I a I a I I




 
+ + =

(5.16c)

Escrevendo a relação acima em forma matricial, teremos

(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

2
1
0
2
2
1
1
1 1 1
a
a
a
c
b
a
I
I
I
a a
a a
I
I
I



 
 




(5.17)


ou, em notação mais compacta
| | | | | |
012
I A I
abc
 
× = ,

(5.18)

onde
| |
(
(
(
¸
(

¸

=
2
2
1
1
1 1 1
a a
a a A
 
 

(5.19)

O sobre-índice abc denota o sistema desequilibrado original e o sobre-índice 012 denota
o sistema de sequência.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

57


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A matriz de transformação| | A tem algumas propriedades interessantes. Primeiro, pode-
mos notar que ela é simétrica, ou seja,
| | | |
T
A A = ,

(5.20)

onde o sobre-índice T denota a matriz transposta. Além disso, podemos verificar que
| | | | | | I A A
T
3
*
= ,

(5.21)

onde | | I é a matriz-identidade. Este

resultado será útil mais tarde. Finalmente, a matriz | | A é
invertível, com inversa dada por

| |
(
(
(
¸
(

¸

=
÷
a a
a a A
 
 
2
2 1
1
1
1 1 1
3
1

(5.22)

Pré-multiplicando a relação (5.18) por | |
1 ÷
A , podemos agora obter as componentes de se-
quência em função das componentes do sistema abc original
| | | | | |
abc
I A I
 
1
012
÷
= ,

(5.23)

ou

(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

c
b
a
a
a
a
I
I
I
a a
a a
I
I
I



 
 



2
2
2
1
0
1
1
1 1 1
3
1
(5.24)
Sistema de sequência
012 escrito em termos do
sistema abc original.

Note, da relação acima, que
( )
3 3
1
0 n
c b a a
I
I I I I

   
= + + = ,


onde
n
I

é a corrente de neutro. Assim, só haverá corrente de sequência zero em circuitos nos
quais houver caminho para a corrente de neutro. Quando tal caminho não existir, como é o
caso de conexões delta, a corrente de sequência zero será nula.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

58


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Exemplo 5.1. Usando a relação (5.24), calcule as correntes de sequência para um sistema abc
equilibrado.
Solução. Em um sistema totalmente equilibrado, teremos, por exemplo, ° Z = 0
a a
I I

,
° ÷ Z = 120
b b
I I

, ° Z = 120
c c
I I

, onde
c b a
I I I = = . Aplicando (5.24), vem
(
(
(
¸
(

¸

° Z
° ÷ Z
° Z
×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

120
120
0
1
1
1 1 1
3
1
2
2
2
1
0
a
a
a
a
a
a
I
I
I
a a
a a
I
I
I
 
 





ou,
( )
( )
( )
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
´
¦
= ° Z × ° Z + ° ÷ Z × ° Z + =
= ° Z × ° Z + ° ÷ Z × ° Z + =
= ° Z + ° ÷ Z + =
0 120 1 120 1 120 1 240 1 1
3
120 1 240 1 120 1 120 1 1
3
0 120 1 120 1 1
3
2
1
0
a
a
a
a
a
a
a
I
I
I
I
I
I
I





Os resultados acima indicam que um sistema equilibrado com os ângulos 0°, –120°,
+120° (sistema de sequência positiva) tem apenas componente de sequência positiva. Se os ân-
gulos fossem 0°, +120°, –120°, caracterizando um sistema de sequência negativa, apenas a com-
ponente de sequência negativa existiria. Em ambos os casos a componente de sequência zero
seria nula.
Exemplo 5.2. Em um sistema desequilibrado circulam as correntes ° Z = 0 8
a
I

, ° ÷ Z = 90 6
b
I

e
° Z = 1 , 143 16
b
I

. Calcule as correntes de sequência e desenhe os diagramas fasoriais para cada
uma delas.
Solução. De acordo com a relação (5.24), teremos
(
(
(
¸
(

¸

° Z
° ÷ Z
° Z
×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

1 , 143 16
90 6
0 8
1
1
1 1 1
3
1
2
2
2
1
0
a a
a a
I
I
I
a
a
a
 
 





ou,
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

59


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(
(
(
¸
(

¸

° Z
° ÷ Z
° Z
×
(
(
(
¸
(

¸

° Z ° ÷ Z
° ÷ Z ° Z =
(
(
(
¸
(

¸

1 , 143 16
90 6
0 8
120 1 120 1 1
120 1 120 1 1
1 1 1
3
1
2
1
0
a
a
a
I
I
I





ou, ainda,
(
(
(
¸
(

¸

° ÷ Z
° Z
° Z
=
(
(
(
¸
(

¸

° Z + ° ÷ Z + ° Z
° Z + ° Z + ° Z
° Z + ° ÷ Z + ° Z
=
(
(
(
¸
(

¸

08 , 86 3 , 4
38 , 18 81 , 9
05 , 143 2
1 , 263 16 210 6 0 8
1 , 23 16 30 6 0 8
1 , 143 16 90 6 0 8
3
1
2
1
0
a
a
a
I
I
I




(5.25)


De acordo com 5.14, teremos
¦
¹
¦
´
¦
° Z = ° Z × ° Z = ° Z =
° Z = ° Z × ° Z = ° Z =
38 , 138 81 , 9 120 38 , 18 81 , 9 120
38 , 258 81 , 9 240 38 , 18 81 , 9 240
1 1
1 1
a c
a b
I I
I I
 
 

(5.26)

E, da relação (5.15), teremos
¦
¹
¦
´
¦
° Z = ° Z × ° ÷ Z =
° Z = ° Z × ° ÷ Z =
92 , 153 3 , 4 240 08 , 86 3 , 4
92 , 33 3 , 4 120 08 , 86 3 , 4
2
2
c
b
I
I



(5.27)

A Figura 5.2 ilustra o diagrama fasorial completo, mostrando a composição das correntes
de sequência a partir das correntes do sistema abc original.

Figura 5.2
Diagrama fasorial mostrando a composição de um
sistema desequilibrado a partir de três sistemas equilibrados

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

60


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5.3. Potência complexa
A potência complexa trifásica do sistema original abc pode ser escrita, em pu, como
( )
*
3
abc abc
I V S
  
=
|
.

(5.25)

Esse resultado pode ser escrito também em forma matricial
| | | |
*
3
abc
T
abc
I V S
  
=
|
,

(5.26)

bastando que se defina os seguintes vetores-coluna

(
(
(
¸
(

¸

=
c
b
a
abc
V
V
V
V




, e
(
(
(
¸
(

¸

=
c
b
a
abc
I
I
I
I





(5.27)


De (5.18) , sabemos que
| | | | | |
012
I A I
abc
 
× = .


Esse resultado vale também para tensões:
| | | | | |
012
V A V
abc
 
× = .


Assim, a relação (5.26) pode ser escrita como
| | | | { } | | | | { }
*
012 012
3
I A V A S
T
  
× × × =
|
,

(5.28)

ou,
| | | | | | | |
*
012
*
012
3
I A A V S
T T
  
=
|
,

(5.27)

Usando a relação (5.21), podemos finalmente escrever

| | | |
*
012 012
3
3 I V S
T
  
=
|
, (5.29)
Potência complexa trifá-
sica escrita em função
dos componentes de
sequência.

onde

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

61


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(
(
(
¸
(

¸

=
2
1
0
012
V
V
V
V




, e
(
(
(
¸
(

¸

=
2
1
0
012
I
I
I
I




.

(5.30)


A relação (5.28) pode ser escrita em forma explícita
*
2 2
*
1 1
*
0 0 3
3 3 3 I V I V I V S
      
+ + =
|
.

(5.31)

Decorre que a potência total é a soma das potências de cada sequência. Assim, cada um
dos três circuitos de sequência absorve uma parte da potência total absorvida pelo circuito abc
original.
5.4. Impedâncias de sequência
Considere agora o circuito da Figura 5.3, que ilustra uma carga trifásica equilibrada, com
impedância série
s
Z

por fase, ligada em estrela aterrada por uma impedância de neutro
n
Z

e ali-
mentada por uma fonte trifásica cujas tensões de fase são
a
V

,
b
V

e
c
V

. As fases estão acopladas
entre si por meio de impedâncias mútuas
m
Z

, as quais podem ser resultantes de capacitâncias ou
indutâncias entre os condutores das linhas.

Figura 5.3
Carga trifásica equilibrada com impedâncias mútuas
As tensões de fase
a
V

,
b
V

e
c
V

podem ser escritas como
¦
¹
¦
´
¦
+ + + =
+ + + =
+ + + =
n n b m a m c s c
n n c m a m b s b
n n c m b m a s a
I Z I Z I Z I Z V
I Z I Z I Z I Z V
I Z I Z I Z I Z V
        
        
        


Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

62


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Lembrando que
c b a n
I I I I
   
+ + = e reordenando os termos das equações acima, vem
( ) ( ) ( )
( ) ( ) ( )
( ) ( ) ( )
¦
¹
¦
´
¦
+ + + + + =
+ + + + + =
+ + + + + =
c n s b n m a n m c
c n m b n s a n m b
c n m b n m a n s a
I Z Z I Z Z I Z Z V
I Z Z I Z Z I Z Z V
I Z Z I Z Z I Z Z V
         
         
         


ou, em forma matricial,
(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
¸
(

¸

+ + +
+ + +
+ + +
=
(
(
(
¸
(

¸

c
b
a
n s n m n m
n m n s n m
n m n m n s
c
b
a
I
I
I
Z Z Z Z Z Z
Z Z Z Z Z Z
Z Z Z Z Z Z
V
V
V



     
     
     




(5.32)

A equação (5.32) pode ser escrita em forma mais compacta utilizando-se a notação matri-
cial
| | | | | |
abc abc abc
I Z V
  
× = ,

(5.33)

onde
| |
(
(
(
¸
(

¸

+ + +
+ + +
+ + +
=
n s n m n m
n m n s n m
n m n m n s
abc
Z Z Z Z Z Z
Z Z Z Z Z Z
Z Z Z Z Z Z
Z
     
     
     


(5.34)

é a matriz-impedância do sistema abc original.
Nossa intenção é obter a equação de sequência correspondente à (5.33). Substituindo a re-
lação (5.18) na (5.33), teremos
| | | | | | | | | |
012 012
I A Z V A
abc
  
× × = × .

(5.35)

Pré-mutiplicando ambos os lados de (5.35) por | |
1 ÷
A , vem
| | | | | | | | | |
012
1
012
I A Z A V
abc
  
× × × =
÷
.

(5.36)


Sabendo que | |
012
V

tem dimensão de volts e que | |
012
I

tem dimensão de amperes, então,
por força da lei de Ohm, o termo | | | | | | A Z A
abc
× ×
÷

1
deverá ter dimensão de ohms, sendo deno-
minado matriz-impedância de sequência
| | | | | | | | A Z A Z
abc
× × =
÷
 
1
012
.

(5.37)

Substituindo as relações (5.19), (5.22) e (5.34) em (5.37), teremos, após um calculo direto
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

63


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| |
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
+ +
=
m s
m s
m n s
Z Z
Z Z
Z Z Z
Z
 
 
  

0 0
0 0
0 0 2 3
012
. (5.38)
Matriz-impedância de
sequência.

A relação (5.37) deixa claro que as componentes simétricas funcionam como um método
de diagonalização da matriz-impedância. A consequência elétrica desse fato é ainda mais inte-
ressante. Por exemplo, substituindo (5.38) em (5.36), podemos escrever

(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
+ +
=
(
(
(
¸
(

¸

2
1
0
2
1
0
0 0
0 0
0 0 2 3
I
I
I
Z Z
Z Z
Z Z Z
V
V
V
m s
m s
m n s



 
 
  




(5.39)

ou, de forma mais explícita
( )
( )
( )
¦
¹
¦
´
¦
÷ =
÷ =
+ + =
2 2
1 1
0 0
2 3
I Z Z V
I Z Z V
I Z Z Z V
m s
m s
m n s
   
   
    

(5.40)

Assim, tensões de uma sequência produzirão correntes desta sequência apenas. Em outras
palavras, os circuitos de sequência são eletricamente desacoplados entre si.
5.5. Impedâncias de sequência dos componentes de um SEP
Um sistema equilibrado que opera alimentando cargas também equilibradas só contém
componentes de sequência positiva. Logo, as impedâncias de sequência positiva dos diversos
componentes do circuito, tais como geradores, linhas de transmissão e transformadores, são as
respectivas impedâncias já conhecidas. Contudo, precisamos analisar ainda a representação das
impedâncias de sequências negativa e zero de tais equipamentos.
5.4.1. Linhas de transmissão
As impedâncias de sequências positiva e negativa de uma linha de transmissão dependem
apenas da geometria desta e, logo, são idênticas, valendo a relação (5.41) abaixo.
Já a reatância de sequência zero de uma linha de transmissão é muito maior, por causa da
diferente distribuição de fluxos magnéticos produzida pelas três correntes em fase. Sendo
n
D a
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

64


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distância entre a linha e o neutro, D a distância entre as três linhas e  o comprimento da linha,
conforme mostrado na Figura 5.4, a reatância de sequência zero é dada pela relação (5.42) a se-
guir.

1 2
LT LT
Z Z
 
= , (O), (5.41)
Impedâncias de sequên-
cias de uma linha de
transmissão. Note que a
reatância em (5.42) é
dada em mO/km.
|
.
|

\
|
+ =
D
D
f
x x
n LT LT
ln 2 , 1
10 10
3
1
3
0
t
 
, (mO/km).

(5.42)



Figura 5.4
Corte de uma linha de transmissão para cálculo da reatância dada por (5.42)

5.4.2. Geradores síncronos
Como vimos na seção 4.7, o gerador síncrono é caracterizado por três diferentes reatân-
cias: a reatância síncrona de eixo direto
d
x (correspondente ao funcionamento em regime), a
reatância subtransitória de eixo direto ' '
d
x (correspondente ao funcionamento no período sub-
transitório) e a reatância transitória de eixo direto '
d
x (correspondente ao funcionamento no pe-
ríodo transitório). Para uma revisão da definição de cada um desses períodos, consulte a Figura
4.18. A reatância de sequência positiva do gerador será então igual a
d
x , '
d
x ou ' '
d
x , depen-
dendo do período no qual desejarmos calcular o curto-circuito.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

65


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Sabendo que a sequência negativa gira no sentido contrário da positiva, a reatância de se-
quência negativa do gerador deverá ser calculada com o dobro da frequência de operação. Uma
fórmula prática é considerar que tal reatância é aproximadamente igual à reatância subtransitória
de eixo direto.
No caso da sequência zero, as correntes giram junto com o campo girante. Logo, haverá
apenas fluxo disperso, não fluxo magnetizante. A reatância de sequência zero será portanto apro-
ximadamente igual à reatância de dispersão da armadura.

d g
x x ~
1
ou '
1
d g
x x ~ ou ' '
1
d g
x x ~ (O),
dependendo do período desejado.
(5.43)
Impedâncias de sequên-
cias de um gerador sín-
crono.
' '
2
d g
x x ~ , (O),

(5.44)


x x
g
~
0
, (O).

(5.45)


Além de observarmos os valores de (5.43), (5.44) 4 (5.45), devemos também observar
que o tipo de conexão do gerador determinará o circuito a ser utilizado para geradores nos casos
das sequências negativa e zero. Por exemplo, apenas a sequência positiva gera tensão a vazio,
pois corresponde à sequência de fases do sistema. A sequência negativa não gera tensão, de mo-
do que o respectivo circuito equivalente deve ter a f.e.m. E
f
substituída por um curto-circuito.
Devemos nos lembrar também de que, no caso da sequência zero, haverá circulação de
corrente somente quando houver conexão ao terra. Assim, nos casos de conexão delta e estrela
aberta o circuito equivalente será também aberto para sequência zero. Finalmente, quando a co-
nexão for estrela, mas aterrada através de uma impedância Z
n
, o circuito será fechado para se-
quência zero, mas a impedância aparecerá multiplicada por três, conforme a equação (5.38).
Todos os circuitos equivalentes para geradores síncronos estão resumidos na Tabela 5.1.
5.4.3. Transformadores de dois enrolamentos
Como vimos na seção 4.4, transformadores de dois enrolamentos são representados de
maneira simplificada, considerando-se novamente apenas a impedância de dispersão, a qual será
igual às impedâncias para as sequências positiva, negativa e zero.
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   
Z Z Z Z
T T T
= = =
0 2 1
, (O). (5.46)
Impedâncias de sequên-
cia para transformado-
res.


Tabela 5.1 – Circuitos equivalentes para geradores síncronos
Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero









Da mesma forma que no caso dos geradores, o tipo de conexão dos transformadores in-
fluenciará os circuitos para as sequências negativa e zero, conforme mostrado na Tabela 5.2.
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Tabela 5.2 – Circuitos equivalentes para transformadores de dois enrolamentos
Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero











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Tabela 5.2 – Circuitos equivalentes para transformadores de dois enrolamentos (cont.)
Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero











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No que diz respeito à sequência zero, as regras gerais, tanto para geradores quanto para
transformadores, são as seguintes:
1) A conexão estrela aterrada deixa passar corrente de sequência zero, sem restrições.
2) A conexão estrela aterrada por impedância Z
n
deixa passar corrente de sequência zero,
mas devemos adicionar a parcela 3Z
n
à impedância de sequência zero do transforma-
dor.
3) A conexão estrela sem aterramento bloqueia completamente a passagem da corrente
de sequência zero.
4) A conexão delta bloqueia a passagem da corrente de sequência zero que sairia do
transformador; se o outro lado estiver ligado em estrela aterrada ou estrela aterrada
por impedância, a corrente de sequência zero será desviada para o terra.
Os alunos que se deparam pela primeira vez com componentes simétricas geralmente en-
tendem como bastante naturais os circuitos para sequência zero de transformadores conectados
em estrela, estrela aterrada e estrela aterrada por impedância, mas veem como reservas a conexão
delta. Para melhorar a compreensão, devemos nos lembrar de que o transformador funciona por
compensação de força magnetomotriz. Por exemplo, sendo
A
I

a corrente no lado de alta e
B
I

a
corrente no lado de baixa, devemos ter

B B A A
I N I N
 
= , (5.47)
Impedâncias de sequên-
cia para transformado-
res.

onde
A
N e
B
N são os números de espiras dos lados de alta e de baixa tensão, respectivamente.
Para que haja corrente de um lado, deve haver corrente do outro lado também. E, embora a co-
nexão delta não deixe passar corrente de sequência zero, esta corrente circula dentro do delta.
Assim, em um transformador cujo lado de baixa(ou de alta) está ligado em delta, haverá corrente
de sequência zero no lado de alta (ou de baixa) se este estiver ligado em estrela aterrada solida-
mente aterrada ou aterrada por impedância. As figuras 5.5 e 5.6 ilustram essa situação para a
conexão estrela aterrada-delta. Uma fonte de tensão monofásica foi ligada ao lado de alta, de
maneira a se simular a sequência zero, o mesmo acontecendo com a impedância de carga do lado
de baixa. A figura 5.6 deixa claro que há circulação de corrente no lado de baixa, por dentro do
delta. Logo, haverá corrente também no lado de alta. Contudo, essa corrente não circula pela
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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carga e, assim, o circuito equivalente do lado de baixa é aberto. No lado de alta o único caminho
para a corrente é para o terra, conforme ilustrado.

Figura 5.5
Transformador trifásico abaixador, conectado em estrela aterrada-
delta, ligado de maneira a simular a sequência zero
A situação se torna um pouco mais complicada se tivermos uma fonte no lado em delta e
uma carga no lado em estrela aterrada. Contudo, podemos invocar a simetria implícita na relação
(5.47) e argumentar que o circuito equivalente da Figura 5.6 vale também para esse caso. Situa-
ção semelhante ocorre no caso da conexão delta-delta (última linha da Tabela 5.2). Do ponto de
vista elétrico seria indiferente representarmos um circuito aberto de ambos os lados, com uma
impedância duplamente aterrada no meio, ou representarmos apenas um circuito aberto, remo-
vendo a impedância. Entretanto, novamente por razões de simetria, preferimos a primeira repre-
sentação.

Figura 5.6
Simplificação do circuito da Figura 5.5
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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5.4.4. Transformadores de três enrolamentos
As regras para impedâncias de sequência de transformadores de três enrolamentos decor-
rem das regras já vistas para transformadores de dois enrolamentos. A Tabela 5.3 ilustra as im-
pedâncias para algumas das ligações mais comuns, na qual o modelo estrela é utilizado.
Tabela 5.3 – Circuitos equivalentes para transformadores de três enrolamentos
Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero











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Tabela 5.3 – Circuitos equivalentes para transformadores de três enrolamentos (cont.)
Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero











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Exemplo 5.3. Um gerador síncrono trifásico, 25 MVA, 11 kV, tem reatância subtransitória de
20%, reatância de dispersão de 1% e alimenta dois motores por meio de uma linha de transmis-
são e transformadores, conforme a Figura 5.7. Os motores são especificados para 15 MVA e 7,5
MVA, respectivamente, e ambos têm reatância subtransitória de 25%, reatância de dispersão de
2% e tensão nominal de 10 kV. Os transformadores são ambos especificados para 30 MVA,
10,8/121 kV, com reatância de dispersão de 10% cada. A reatância série da linha é 100 O. Dese-
nhe os diagramas de sequência positiva, negativa e zero para o período subtransitório. Considere
que as bases do sistema são iguais aos dados nominais do gerador e que as impedâncias de neu-
tro do gerador e do motor 2 são ambas iguais a 0,1 pu, já nas bases do gerador.

Figura 5.7
Sistema para o Exemplo 5.3
Solução. Devemos antes escrever todas as reatâncias nas bases do gerador: S
b
=25 MVA, V
b1
=11
kV . As reatâncias do gerador já estão na base correta, logo

pu 20 , 0 ' '
1
j x
Gd
=

pu 01 , 0
1
j x
G
=


A reatância do transformador 1-2, de acordo com a relação 4.4, será
|
.
|

\
|
× × =
2
0 , 11
8 , 10
30
25
1 , 0
12
j x
T
pu 0803 , 0
12
j x
T
=

Para convertermos as demais reatâncias, precisamos das tensões-base nas barra 3 e 4
× =
8 , 10
121
11
3
b
V kV 23,24 1
3
=
b
V

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× =
121
8 , 10
24 , 123
3
b
V kV 1 1
3
=
b
V

As reatâncias do transformador 3-4 e dos motores serão, respectivamente
|
.
|

\
|
× × =
2
24 , 123
121
30
25
1 , 0
34
j x
T
pu 0803 , 0
34
j x
T
=

|
.
|

\
|
× × =
2
11
10
15
25
25 , 0 ' '
1
j x
Md
pu 3444 , 0 ' '
1
j x
Md
=

|
.
|

\
|
× × =
2
11
10
15
25
02 , 0
1
j x
M
pu 0275 , 0
1
j x
M
=

|
.
|

\
|
× × =
2
11
10
5 , 7
25
25 , 0 ' '
2
j x
Md
pu 689 , 0 ' '
2
j x
Md
=

|
.
|

\
|
× × =
2
11
10
5 , 7
25
02 , 0
2
j x
M
pu 0551 , 0
2
j x
M
=


Finalmente, a reatância da linha de transmissão 2-3 será
=
25 / ) 24 , 123 (
100
2 23
j
x
LT
pu 1646 , 0
23
j x
LT
=

Da relação (5.43), sabemos que as reatâncias de sequência positiva dos geradores e moto-
res serão iguais às respectivas reatâncias subtransitórias. Além disso, as reatâncias de sequência
positiva dos transformadores são iguais às respectivas reatâncias de transmissão e a reatâncias de
sequência positiva da linha de transmissão será igual à reatância própria da linha. Assim, o dia-
grama de sequência positiva pode ser desenhado conforme a Figura 5.8 abaixo.

Figura 5.8
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Circuito de sequência positiva para o Exemplo 5.3
Sabendo que devemos desenhar o circuito de sequência negativa para o período subtran-
sitório, os valores das reatâncias de sequência negativa do gerador e dos motores são iguais às
respectivas reatâncias de sequência positiva. As reatâncias dos transformadores e dos geradores
também permanecem as mesmas. Assim, o diagrama de sequência negativa pode ser desenhado
conforme a Figura 5.9 abaixo.

Figura 5.9
Circuito de sequência negativa para o Exemplo 5.3
O diagrama para sequência zero é mostrado na Figura 5.10 abaixo. Note a interrupção do
circuito nas barras 2 e 3, por causa das ligações delta. Note também que as reatâncias do gerador
e dos motores foram substituídas pelas respectivas reatâncias de dispersão, conforme recomen-
dado pela relação 5.45. Além disso, as reatâncias de neutro do gerador e do motor 2 aparecem
multiplicadas por três, conforme a relação (5.39).


Figura 5.10
Circuito de sequência zero para o Exemplo 5.3

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Exemplo 5.4. Para o sistema da Figura 5.11, com os dados da Tabela 5.4, pede-se: (a) desenhe
os diagramas para as sequências positiva, negativa e zero; (b) calcule as impedâncias equivalen-
tes de Thévenin na barra 5 para as sequências positiva, negativa e zero. As bases são S
b
=120
MVA e V
b1
=13,8 kV. Considere que a reatância de neutro do gerador da barra 9 é j0,4 pu, já
convertida para a base nova.

Figura 5.11
Sistema para o exemplo 5.4
Tabela 5.4 – Impedâncias originais do Exemplo 5.4
Equipamento x
1
x
2
x
0

Gerador 1 11% 9% 1,6%
Transformador 1-2 8% 8% 8%
Linha 2-3 5+j11 O 5+j11 O 8+j20 O
Transformador 3-4-5, x
ab
10% 10% 10%
Transformador 3-4-5, x
am
8% 8% 8%
Transformador 3-4-5, x
mb
14% 14% 14%
Gerador 4 10% 8% 1,5%
Linha 5-6 3+j10 O 3+j10 O 7+j28 O
Transformador 6-7 12% 12% 12%
Linha 7-8 16+j40 O 16+j40 O 30+j90 O
Transformador 8-9 11% 11% 11%
Gerador 9 15% 12% 2%

O primeiro passo é converter as reatâncias e impedâncias para a nova base. A Tabela 5.5
ilustra os resultados para as três sequências e as Figuras 5.12, 5.13 e 5.14 ilustram, respectiva-
mente, os circuitos para as sequências positiva, negativa e zero. Note que as reatâncias do trans-
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formador 3-4-5 já foram convertidas para o modelo estrela, conforme as relações (4.12), (4.13) e
(4.14).
Tabela 5.5 – Impedâncias convertidas para as bases novas
Equipamento x
1
x
2
x
0

Gerador 1 11% 9% 1,6%
Transformador 1-2 7,38% 7,38% 7,38%
Linha 2-3 3,15% + j6,93% 3,15% + j6,93% 5,04% + j12,6%
Transformador 3-4-5, x
a
(5) 2,67% 2,67% 2,67%
Transformador 3-4-5, x
b
(4) 10,67% 10,67% 10,67%
Transformador 3-4-5, x
m
(3) 8% 8% 8%
Gerador 4 60% 48% 9%
Linha 5-6 0,68% + j2,27% 0,68% + j2,27% 1,59% + j6,35%
Transformador 6-7 28,8% 28,8% 28,8%
Linha 7-8 40,33% + j100,82% 40,33% + j100,82% 75,615 + j226,84%
Transformador 8-9 33% 33% 33%
Gerador 9 60% 48% 8%

Os circuitos para as sequências positiva, negativa e zero são mostrados nas Figuras 5.12,
5.13 e 5.14, respectivamente.

Figura 5.12
Circuito de sequência positiva para o exemplo 5.4


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Figura 5.13
Circuito de sequência negativa para o exemplo 5.4


Figura 5.14
Circuito de sequência zero para o exemplo 5.4
A impedância equivalente de Thévenin, vista da barra 5, para sequência positiva, será
( )
( ) ( ) | | 6 , 0 1067 , 0 // 11 , 0 0738 , 0 0693 , 0 0315 , 0 08 , 0 0267 , 0
// 6 , 0 33 , 0 008 , 1 4033 , 0 288 , 0 0277 , 0 0068 , 0
1
j j j j j j j
j j j j j Z
th
+ + + + + +
+ + + + + + =


ou,
( ) ( ) | | 7067 , 0 // 3331 , 0 0315 , 0 0267 , 0 // 2537 , 2 4101 , 0
1
j j j j Z
th
+ + + =

pu 22818 , 0 01589 , 0
1
j Z
th
+ =


Para sequência negativa, teremos
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( )
( ) ( ) | | 48 , 0 1067 , 0 // 09 , 0 0738 , 0 0693 , 0 0315 , 0 08 , 0 0267 , 0
// 48 , 0 33 , 0 008 , 1 4033 , 0 288 , 0 0277 , 0 0068 , 0
2
j j j j j j j
j j j j j Z
th
+ + + + + +
+ + + + + + =


ou,
( ) ( ) | | 5867 , 0 // 3131 , 0 0315 , 0 0267 , 0 // 1337 , 2 4101 , 0
2
j j j j Z
th
+ + + =

pu 20902 , 0 01475 , 0
2
j Z
th
+ =


Finalmente, a impedância de sequência zero será
( ) 0267 , 0 // 288 , 0 0635 , 0 0156 , 0
0
j j j Z
th
+ + =

pu 02482 , 0 00008 , 0
0
j Z
th
+ =


Observe que, no caso da sequência zero, toda a impedância à esquerda da reatância de
j0,0267 do circuito original é desconsiderada, por estar aterrada em ambas as extremidades.
O cálculo de impedâncias de sequência será importante no próximo capítulo, quando
formos calcular correntes de curto-circuito assimétricos.
Exemplo 5.5. Desenhe os circuitos de sequência negativa e zero para o sistema de potência da
Figura 5.15 abaixo. Os valores-base são 50 MVA e 138 kV na barra 2.

Figura 5.15
Sistema para o Exemplo 5.5
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Considere que as reatâncias de sequência negativa das máquinas síncronas são iguais às
respectivas reatâncias subtransitórias e que as reatâncias de sequência zero das linhas de trans-
missão são iguais a 300% das respectivas reatâncias de sequência positiva.
Solução. As tensões-base podem ser determinadas rapidamente por inspeção:
kV 138
3 2
= =
b b
V V ,
kV 2 , 13
4 1
= =
b b
V V ,
kV 138
8 5
= =
b b
V V ,
kV 9 , 6
7
=
b
V ,
kV 138
9 6
= =
b b
V V ,
kV 2 , 13
4
=
b
V .
As reatâncias de sequência negativa das linhas de transmissão podem ser escritas como
( )
=
50 / 138
40
2
2
23
j
x
LT
pu 105 , 0
2
23
j x
LT
=

( )
= =
50 / 138
20
2
2 2
69 58
j
x x
LT LT
pu 0525 , 0
2 2
69 58
j x x
LT LT
= =

Os transformadores estão todos na nova tensão-base, restando ajustar para a nova potên-
cia-base
× = = = =
25
50
1 , 0
2 2 2 2
46 34 15 12
j x x x x
T T T T
pu 2 , 0
2 2 2 2
46 34 15 12
j x x x x
T T T T
= = = =

× = =
15
50
1 , 0
2 2
79 78
j x x
T T
pu 3333 , 0
2 2
79 78
j x x
T T
= =
Finalmente, as reatâncias de sequência negativa dos geradores são
|
.
|

\
|
× × = =
2
2 2
2 , 13
8 , 13
25
50
15 , 0
4 1
j x x
g g
pu 3279 , 0
2 2
4 1
j x x
g g
= =

× =
30
50
2 , 0
2
7
j x
g
pu 3333 , 0
2
7
j x
g
=

O diagrama de reatâncias para sequência negativa é mostrado na Figura 5.16 abaixo.
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Figura 5.16
Diagrama de sequência negativa para o Exemplo 5.5
As reatâncias de sequência zero das linhas e geradores são
× = × = 105 , 0 4 4
2 0
23 23
j x x
LT LT
pu 42 , 0
2
23
j x
LT
=

× = × = = 0525 , 0 4 4
0 0 0
69 69 58
j x x x
LT LT LT
pu 21 , 0
0 0
69 58
j x x
LT LT
= =

|
.
|

\
|
× × = =
2
0 0
2 , 13
8 , 13
25
50
08 , 0
4 1
j x x
g g
pu 1749 , 0
0 0
4 1
j x x
g g
= =

× =
30
50
08 , 0
0
7
j x
g
pu 1333 , 0
0
7
j x
g
=

As reatâncias de neutro de sequência zero dos geradores são
|
.
|

\
|
× × = =
2
0 0
2 , 13
8 , 13
25
50
05 , 0
4 1
j x x
ng ng
pu 1093 , 0
0 0
4 1
j x x
ng ng
= =

× =
30
50
05 , 0
0
7
j x
ng
pu 0833 , 0
0
7
j x
ng
=

Finalmente, as reatâncias de sequência zero dos transformadores são iguais às respectivas
reatâncias de sequência negativa, calculadas anteriormente.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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No caso do diagrama de sequência zero devemos tomar cuidado de com as ligações dos
transformadores, bem como adicionar as reatâncias de neutro dos geradores, multiplicadas por
três, em série com as respectivas reatâncias de sequência zero. O resultado é mostrado na Figura
5.17.

Figura 5.17
Diagrama de sequência zero para o Exemplo 5.5

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83


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5.6. Exercícios
5.6.1. Enuncie o teorema de Fortescue e descreva suas vantagens no cálculo de faltas assimétri-
cas (fase-terra, fase-fase, etc.). Esse teorema traria alguma vantagem no cálculo de faltas
simétricas, tais como a trifásica e a trifásica-terra?
5.6.2. Seja um sistema elétrico cujas tensões em determinada barra são, em kV: ° Z = 7 8 , 13
a
V

,
° Z = 100 2 , 10
b
V

, ° ÷ Z = 90 5 , 4
c
V

. Pede-se: (a) determine as tensões de sequência para as
fases a, b e c; (b) desenhe o diagrama fasorial completo, ilustrando como as tensões do
sistema original desequilibrado são formadas a partir das somas adequadas das tensões de
sequencia.
5.6.3. Seja um sistema elétrico cujas tensões de sequencias, para a fase a, são: ° Z = 7 8 , 13
1
a
V

,
° Z = 100 2 , 10
2
a
V

, ° ÷ Z = 90 5 , 4
0
a
V

. Pede-se: (a) determine as tensões das fases a, b e c do
sistema original desequilibrado; (b) desenhe o diagrama fasorial completo, ilustrando co-
mo as tensões do sistema original desequilibrado são formadas a partir das somas adequa-
das das tensões de sequencia.
5.6.4. Esboce os diagramas de sequência para transformadores de dois enrolamentos ligados em:
(a) delta-delta; (b) estrela aterrada-delta; (c) estrela aterrada –estrela aterrada; (d) estrela-
estrela aterrada.
5.6.5. Um transformador de dois enrolamentos está ligado em delta-estrela aterrada. Explique
porque, no caso da sequência zero, haverá corrente em ambos os enrolamentos, mas não
haverá corrente para fora do lado em delta.
5.6.6. Considere um sistema composto por: (a) gerador trifásico, 13,8 kV, 50 MVA, x=10%; (b)
transformador de dois enrolamentos, 15 kV/69kV, 70 MVA, ligado em estrela-estrela,
com os dois neutros aterrados, x=8%; (c) linha de transmissão com x=20 ohms; (d) carga
de 20 MVA, com fator de potência unitário. Todos os elementos estão ligados em série,
na sequência gerador, transformador, linha, carga. A potência base é 100 MVA e a tensão
base é 15 kV na barra do gerador. Pede-se: (a) converta os valores para pu; (b) calcule to-
das as impedâncias equivalentes de Thévenin (sequências positiva, negativa e zero) na
barra de carga.
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5.6.7. As tensões entre as fases de um sistema trifásico são V
ab
=218 V, V
bc
=154,1 V e V
ca
=154,1
V. A sequência de fases é positiva. Um conjunto de impedâncias O ° Z = 0 27
an
Z

,
O ° Z = 45 35
bn
Z

, O ° Z = 0 27
cn
Z

é ligado em estrela às três fases a, b e c, na ordem indi-
cada pelos subíndices. Pede-se: (a) desenhe um esquema do circuito trifásico resultante;
(b) determine as correntes de linha
an
I

,
bn
I

e
cn
I

pelo método das componentes simétri-
cas.
5.6.8. Considere o sistema da Figura 5.18, cujas impedâncias estão representadas na Tabela 5.6.
(a) Desenhe os diagramas de reatâncias para as sequências positiva, negativa e zero, com
todos os parâmetros representados; (b) calcule as impedâncias para as três sequências nas
três barras (uma de cada vez).

Figura 5.18
Sistema para o Exercício 5.6.8
Tabela 5.6 – Dados do Exercício 5.6.8
Equipamento x
1
(pu) x
2
(pu) x
0
(pu)
G
1
0,15 0,15 0,05
G
2
0,15 0,15 0,05
T
1
0,12 0,12 0,12
T
2
0,12 0,12 0,12
L
12
0,25 0,25 0,73
L
13
0,15 0,15 0,4
L
23
0,13 0,13 0,3

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5.6.9. Um gerador trifásico de 30 MVA, 13,8 kV, possui uma reatância subtransitória de 15%.
Ele alimenta dois motores através de uma LT com dois trafos nas extremidades, conforme
diagrama unifilar. Os valores nominais dos motores são 20 e 10 MVA, ambos com 20%
de reatância subtransitória. Os trafos trifásicos são ambos de 35 MVA 13,2 - 115Y
(kV), com reatância de dispersão de 10%. A reatância em série da LT é 80 O. Faça o dia-
grama de reatâncias com todos os valores em pu. Escolha os valores nominais do gerador
como base do circuito do próprio gerador.

Figura 5.19
Sistema para o Exercício 5.6.9
5.6.10. Desenhe o diagrama de sequência zero para o sistema da Figura 5.20 abaixo.

Figura 5.20
Sistema para o Exercício 5.6.10
5.6.11. (a) Desenhe os circuitos de sequência negativa e de sequência zero para o sistema
de potência da Figura 5.21. Expresse os valores de todas as reatâncias em pu nas bases 30
MVA e 6.9 kV na barra 1. Os neutros dos geradores das barras 1 e 5 estão ligados à terra
por meio de reatores limitadores de corrente com reatância de 5%, cada qual tendo como
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bases os valores dos respectivos geradores; (b) calcule as impedâncias equivalentes de
Thevénin, para as sequencias negativa e zero, na barra 3.

Figura 5.21
Sistema para o Exercício 5.6.11

5.6.12. Para o sistema do Exemplo 5.5, calcule as impedâncias equivalentes de Thevénin,
para as sequencias negativa e zero, na barra 5.



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6. CÁLCULO DE CURTO-CIRCUITO
6.1. Introdução
Neste capítulo abordaremos o cálculo de faltas assimétricas, quais sejam: fase-terra, fase-
fase e fase-fase-terra. Os conceitos introdutórios vistos na seção 4.10 continuam válidos, mas
agora devemos aplicar o método das componentes simétricas aos problemas em questão.
Inicialmente precisamos aprender a escrever as equações para as três sequências de um
gerador a vazio. Sendo
a
E

a tensão interna de fase,
S
Z

a impedância síncrona por fase e
a
V

a
tensão de fase nos terminais da fase a de um gerador trifásico, os diagramas para as sequências
positiva, negativa e zero podem ser representados como na Figura 6.1 a seguir.

Figura 6.1
Circuitos de sequência de um gerador a vazio:
(a) sequência positiva; (b) sequência negativa; (c) sequência zero
As seguintes equações podem ser abstraídas dos circuitos da Figura 6.1 acima, os quais
são semelhantes aos circuitos da segunda linha da Tabela 5.1:
1 1 1
a S a a
I Z E V
   
÷ = ,

(6.1)

2 2 2
a S a
I Z V
  
÷ = ,

(6.2)
0 0 0
a S a
I Z V
  
÷ = .

(6.3)
As equações (6.2) e (6.2) podem parecer um pouco estranhas, pois descrevem correntes
circulando e tensões terminais sem que haja fems internas. Contudo, devemos nos lembrar de que
tais equações decorrem do teorema de Fortescue e, assim, apenas a soma das três equações acima
tem significado físico. Note também que, como já vimos na Tabela 5.1, apenas o circuito de se-
quência positiva apresenta fem interna (
a
E

) não nula.
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6.2. Curto-circuito fase-terra
Considere o circuito da Figura 6.2, que consiste de um gerador trifásico cuja fase a foi
conectada ao terra por meio de uma impedância de falta
f
Z

. O termo
S
Z

representa a impeda-
impedância síncrona do gerador em série com qualquer impedância a ele conectada, como impe-
dâncias de linhas de transmissão, transformadores, etc. Por simplicidade, as fases b e c, que esta-
riam ligadas a cargas, são consideradas abertas, pois, conforme vimos no item 4.10, as cargas são
consideradas desprezíveis durante um curto. Podemos então escrever as seguintes condições de
contorno para o curto-circuito fase-terra
a f a
I Z V
  
= ,

(6.4)
0 =
b
I

,

(6.5)
0 =
c
I

.

(6.6)


Figura 6.2
Gerador com a fase a em curto com o terra
Escrevendo a transformação de Fortescue (5.24), com as correntes dadas por (6.5) e (6.6),
vem
(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

0
0
1
1
1 1 1
3
1
2
2
2
1
0
a
a
a
a
I
a a
a a
I
I
I

 
 



,

(6.7)
ou,
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3
2 1 0
a
a a a
I
I I I

  
= = = .

(6.8)
Lembremos ainda que o teorema de Fortescue permite escrevermos a tensão na fase a
como
0 2 1
a a a a
V V V V
   
+ + = .

(6.9)
Substituindo as relações (6.1), (6.2) e (6.3) em (6.9), teremos
0 0 2 2 1 1
a S a S a S a a
I Z I Z I Z E V
       
÷ ÷ ÷ = .

(6.10)
A relação (6.8) nos garante que, na presente situação, as correntes de sequência são i-
guais. Logo, podemos escrever (6.10) como
( )
0 2 1 0
S S S a a a
Z Z Z I E V
     
+ + ÷ = .

(6.11)
Substituindo (6.4) e (6.8) na relação acima, vem
( )
0 2 1
3
S S S
a
a a f
Z Z Z
I
E I Z
  

  
+ + ÷ = .

(6.12)
Rearranjando os termos de (6.12) teremos
f S S S
a
a
Z Z Z Z
E
I
   


3
0 2 1
0
+ + +
= ,

(6.13)
ou, finalmente, considerando que
0
3
a a
I I
 
=

f S S S
a
a ccft
Z Z Z Z
E
I I
   

 
3
3
0 2 1
+ + +
= = (6.14)
Corrente de curto-
circuito fase-terra.

Conforme vimos na seção 4.10,
a
E

é a tensão pré-falta, considerada igual a 1,0 pu na
nossa formulação simplificada.
A corrente
0
a
I

, dada por (6.13), resulta de uma tensão
a
E

aplicada a uma impedância total
f S S S
Z Z Z Z
   
3
0 2 1
+ + + . A Figura 6.3 mostra um circuito mnemônico
1
, que, por sua vez, ilustra a

1
Mnemônico vem de Mnemosine, a deusa grega da memória, e é um elemento gráfico ou verbal cuja finalidade é
auxiliar a memorização fórmulas, listas ou outras informações. Em outras palavras, trata-se de um “macete”.
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relação (6.13) de maneira gráfica. Note que este circuito nada mais é do que a ligação em série
dos circuitos da Figura 6.1, ligados ainda em série a uma impedância
f
Z

3 .

Figura 6.3
Circuito mnemônico para o curto-circuito fase-terra
6.3. Curto-circuito fase-fase
Considere agora o circuito da Figura 6.4, no qual as fases b e c foram curto-circuitadas
por meio de uma impedância de falta
f
Z

e a fase a foi deixada em aberto. As condições de con-
torno são agora
b f c b
I Z V V
   
= ÷ ,

(6.15)
ccff c b
I I I
  
= ÷ = ,

(6.16)
0 =
a
I

.

(6.17)

Aplicando novamente a transformação de Fortescue (5.24) a essas correntes, teremos
(
(
(
¸
(

¸

÷
×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

b
b
a
a
a
I
I
a a
a a
I
I
I


 
 



0
1
1
1 1 1
3
1
2
2
2
1
0
,

(6.18)
ou,
0
0
=
a
I

,

(6.19)
( )
b a
I a a I

 

2 1
3
1
÷ =
,

(6.20)
( )
b a
I a a I

 

÷ =
2 2
3
1
.

(6.21)

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Figura 6.4
Gerador com as fase b e c em curto por meio de impedância
De acordo com o teorema de Fortescue expresso por (5.16a), (5.16b) e (5.16c), as tensões
nas fases a, b e c podem ser escritas como
2 1 0
a a a a
V V V V
   
+ + =

(6.22a)

2 1 2 0
a a a b
V a V a V V




 
+ + =

(6.22b)
2 2 1 0
a a a c
V a V a V V




 
+ + =

(6.22c)
A tensão sobre a impedância
f
Z

será então
( ) ( )
2 1 2
a a b f c b
V V a a I Z V V
 
 
   
÷ × ÷ = = ÷ ,

(6.23)
Substituindo (6.1) e (6.2) na relação acima, teremos
( ) ( )
2 1 1 1 2
a S a S a b f
I Z I Z E a a I Z
    
 
 
+ ÷ × ÷ = .

(6.24)
Das relações (6.20) e (6.21) vem que
1 2
a a
I I
 
÷ = . Logo, a relação (6.24) pode ser escrita
como
( ) ( ) | |
2 1 1 2
S S a a b f
Z Z I E a a I Z
   
 
 
+ × ÷ × ÷ = .

(6.25)
De (6.2), temos ainda que ( )
2 1
/ 3 a a I I
a b
 
 
÷ = , o que nos permite escrever (6.25) como
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( )
( ) ( ) | |
2 1 1 2
2
1
3
S S a a
f a
Z Z I E a a
a a
Z I
   
 
 
 
+ × ÷ × ÷ =
÷
.

(6.26)
Isolando
1
a
I

na relação acima, e levando em consideração que ( ) ( ) 3
2 2
= ÷ × ÷ a a a a     , te-
remos
f S S
a
a
Z Z Z
E
I
  


+ +
=
2 1
1
.

(6.27)
Substituindo (6.20) em (6.27) teremos finalmente a corrente de curto-circuito fase-fase

f S S
a
b ccff
Z Z Z
E j
I I
  

 
+ +
÷
= =
2 1
3
(6.28)
Corrente de curto-
circuito fase-fase.

O circuito mnemônico para o curto-circuito fase-fase é mostrado na Figura 6.5.

Figura 6.5
Circuito mnemônico para o curto fase-fase
6.4. Curto-circuito fase-fase-terra
Considere finalmente o circuito da Figura 6.6, no qual as fases b e c foram curto-
circuitadas diretamente e conectadas ao terra por meio de uma impedância de falta
f
Z

. A fase a
foi deixada em aberto. As condições de contorno são
( )
c b f c b
I I Z V V
    
+ = = ,

(6.29)
c b ccfft
I I I
  
+ = ,

(6.30)
0 =
a
I

.

(6.31)

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Figura 6.6
Gerador com as fase b e c em curto para o terra
Substituindo
c b
V V
 
= em (6.22b) e (6.22c), teremos
2 1
a a
V V
 
= .

(6.32)

Substituindo (5.16b) e (5.16c) em (6.29), teremos
( ) ( )
2 2 1 0 2 1 2 0
a a a a a a f c b f b
I a I a I I a I a I Z I I Z V




 



     
+ + + + + = + = ,

(6.33)

ou,
( ) ( ) | |
2 2 1 2 0
2
a a a f b
I a a I a a I Z V

 

 
  
+ + + + = ,

(6.34)

ou, ainda, considerando que 1
2
÷ = + a a   ,
( )
2 1 0
2
a a a f b
I I I Z V
    
÷ ÷ = .

(6.35)

Sabendo que 0 =
a
I

, e considerando (5.16a), teremos
0
2 1 0
= + +
a a a
I I I
  
.

(6.36)

Substituindo (6.36) em (6.35), vem
0
3
a f b
I Z V
  
= .

(6.37)

Substituindo
2 1
a a
V V
 
= em (6.22b), teremos
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( )
1 2 0
a a b
V a a V V

 
 
÷ + = ,

(6.38)

ou,
1 0
a a b
V V V
  
÷ = .

(6.39)

Igualando (6.39) e (6.37) e substituindo as relações (6.1) e (6.3), vem que
1 1 0 0 0
3
a S a a S a f
I Z E I Z I Z
      
+ ÷ ÷ = .

(6.40)

Resolvendo para
0
a
I

, teremos finalmente

0
1 1
0
3
S f
a a S
a
Z Z
E I Z
I
 
  

+
÷
= (6.41)
Corrente de sequência
zero para o curto fase-
fase-terra.

Comparando (6.29), (6.30) e (6.37), vem que

0
3
a ccfft
I I
 
= (6.42)
Corrente de curto fase-
fase-terra.

Agora falta apenas determinarmos
1
a
I

, valor que deverá ser usado para a determinação de
0
a
I

em (6.41). Considerando novamente que
2 1
a a
V V
 
= e igualando as relações (6.1) e (6.2), tere-
mos inicialmente
2
1 1
2
S
a a S
a
Z
E I Z
I

  

÷
= ,

(6.43)

Substituindo (6.41) e (6.43) em (6.36), vem
0
3
2
1 1
1
0
1 1
=
÷
+ +
+
÷
S
a a S
a
S f
a a S
Z
E I Z
I
Z Z
E I Z

  

 
  
.

(6.44)

Agora basta isolar
1
a
I

, conforme o processo de cálculo a seguir:
2
1 1
0
1 1
1
3
S
a S a
S f
a S a
a
Z
I Z E
Z Z
I Z E
I

  
 
  

÷
+
+
÷
=
,

(6.45)


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( ) ( )( )
( )
0 2
1 1 0 1 1 2
1
3
3
S f S
a S a S f a S a S
a
Z Z Z
I Z E Z Z I Z E Z
I
  
        

+
÷ + + ÷
=
,

(6.46)


( )
0 2
1 1 0 0 1 1 1 2 1 2
1
3
3 3
S f S
a S S a S a S f a f a S S a S
a
Z Z Z
I Z Z E Z I Z Z E Z I Z Z E Z
I
  
              

+
÷ + ÷ + ÷
=
,

(6.47)


( )
f S S
S S S f f S S S
a
a
Z Z Z
Z Z Z Z Z Z Z Z
E
I
  
       


3
3 3
0 2
2 0 2 0 2 1
1
+ +
+ + + +
=
,

(6.48)


( )
f S S
f S S
S
a
a
Z Z Z
Z Z Z
Z
E
I
  
  



3
3
0 2
0 2
1
1
+ +
+
+
=
,

(6.49)

Finalmente, notando que o segundo termo do denominador representa
2
S
Z

em paralelo
com
f S
Z Z
 
3
0
+ , podemos escrever:

( )
0 2 1
1
3 //
S f S S
a
a
Z Z Z Z
E
I
   


+ +
=
(6.50)
Corrente de sequência
positiva para o curto
fase-fase-terra.

Para calcular a corrente de curto fase-fase-terra, devemos calcular inicialmente
1
a
I

, depois
0
a
I


e depois
ccfft
I

, de acordo com as relações (6.50), (6.41) e (6.42), respectivamente.
O processo de cálculo das correntes de curto pode parecer um pouco tedioso, mas tudo se
resume ao cálculo das impedâncias
1
S
Z

,
2
S
Z

, e
0
S
Z

, identificadas com as impedâncias equivalentes
de Thévenin das sequências positiva, negativa e zero, respectivamente, e da aplicação de algu-
mas fórmulas prontas. A Figura 6.7 ilustra o circuito mnemônico para o caso em questão.
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Figura 6.7
Circuito mnemônico para o curto fase-fase-terra

Exemplo 6.1. Calcule as correntes de curto fase-terra, fase-fase e fase-fase-terra na barra 5 para
o sistema da Figura 6.7. Considere que as impedâncias de neutro dos geradores são iguais a j0,1
pu e que a impedância de falta é igual a j0,2 pu. As demais impedâncias são dadas na Tabela 6.1.

Figura 6.8
Sistema para o Exemplo 6.1

Tabela 6.1 – Dados do Exercício 6.1
Equipamento x
1
(pu) x
2
(pu) x
0
(pu)
G
1
0,12 0,10 0,015
G
3
0,12 0,10 0,015
T
12
0,10 0,10 0,10
T
34
0,10 0,10 0,10
L
25
0,25 0,25 0,50
L
24
0,15 0,15 0,30
L
45
0,13 0,13 0,20


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Solução. Inicialmente devemos desenhar o circuito de sequência positiva, ilustrado na Figura
6.9.

Figura 6.9
Circuito de sequência positiva para o Exemplo 6.1

A impedância de sequência positiva nada mais é do que a impedância de Thévenin vista
da barra 5. Para determiná-la, devemos substituir os geradores por suas respectivas impedâncias
internas e transformar o delta entre as barras 2, 4 e 5 para uma estrela, conforme mostrado na
Figura 6.10.

Figura 6.10
Diagrama de reatâncias de sequência positiva para o Exemplo 6.1

As reatâncias entre as barras 2, 4 e 5, convertidas para estrela, são:

+ +
×
=
+ +
=
13 , 0 25 , 0 15 , 0
25 , 0 15 , 0
45 25 24
25 24
2
j j j
j j
x x x
x x
x pu 0708 , 0
2
j x =

+ +
×
=
+ +
=
13 , 0 25 , 0 15 , 0
13 , 0 15 , 0
45 25 24
45 24
4
j j j
j j
x x x
x x
x pu 0368 , 0
4
j x =

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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+ +
×
=
+ +
=
13 , 0 25 , 0 15 , 0
13 , 0 25 , 0
45 25 24
45 25
5
j j j
j j
x x x
x x
x pu 0613 , 0
5
j x =
A impedância de Thévenin de sequência positiva na barra 5 será
( ) ( ) 12 , 0 10 , 0 0368 , 0 // 12 , 0 10 , 0 0708 , 0 0613 , 0
1
5
j j j j j j j Z
th
+ + + + + =

pu 1977 , 0
1
5
j Z
th
=

O circuito de sequência negativa é semelhante, exceto pelos valores das reatâncias dos
geradores, conforme mostrado na Figura 6.11.

Figura 6.11
Diagrama de reatâncias de sequência negativa para o Exemplo 6.1

A impedância de Thévenin de sequência negativa na barra 5 será
( ) ( ) 10 , 0 10 , 0 0368 , 0 // 10 , 0 10 , 0 0708 , 0 0613 , 0
2
5
j j j j j j j Z
th
+ + + + + =

pu 1876 , 0
2
5
j Z
th
=

O diagrama de sequência zero exige atenção triplicada. Em primeiro lugar, por causa dos
valores diferentes das reatâncias dos geradores e das linhas de transmissão. Em segundo, por
causa das ligações dos transformadores, especialmente o lado ligado em delta. Em terceiro, por
causa das reatâncias de neutro dos geradores, que agora devem ser multiplicadas por três e inclu-
ídas em série com as respectivas reatâncias de sequência zero. O diagrama resultante é mostrado
na Figura 6.12.
No que se refere ao cálculo da impedância de Thévenin de sequência zero, agora não é
necessário converter o delta para estrela, pois a barra 2 é apenas uma conexão entre as reatâncias
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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de j0,50 e j0,30, que agora estão em série. Logo, a impedância de Thévenin de sequência zero
será
( ) 30 , 0 50 , 0 // 20 , 0 10 , 0 015 , 0 30 , 0
0
5
j j j j j j Z
th
+ + + + =

pu 575 , 0
0
5
j Z
th
=


Figura 6.12
Diagrama de reatâncias de sequência zero para o Exemplo 6.1

As correntes de curto podem ser agora facilmente calculadas. De acordo com a relação
(4.35), a corrente de curto trifásico será
2 , 0 1977 , 0
0 0 , 1 0 0 , 1
1
5
3
j j Z Z
I
f th
cc
+
° Z
=
+
° Z
=
 
|

pu 5145 , 2
3
j I
cc
÷ =
|


A corrente de curto fase-terra será, de acordo com (6.14)
2 , 0 3 575 , 0 1876 , 0 1977 , 0
0 0 , 3
3
0 0 , 3
0
5
2
5
1
5
j j j j Z Z Z Z
I
f th th th
ccft
× + + +
° Z
=
+ + +
° Z
=
   

pu 9227 , 1 j I
ccft
÷ =


De acordo com (6.28), a corrente de curto fase-fase será
2 , 0 1876 , 0 1977 , 0
3 3
2
5
1
5
j j j
j
Z Z Z
j
I
f th th
ccff
+ +
÷
=
+ +
÷
=
  

pu 9593 , 2 ÷ =
ccff
I


De acordo com (6.50), a corrente de sequência positiva para o curto fase-fase-terra será
( ) ( ) 575 , 0 2 , 0 3 // 1876 , 0 1977 , 0
0 0 , 1
3 //
0 0 , 1
0
5
2
5
1
5
1
j j j j Z Z Z Z
I
th f th th
a
+ × +
° Z
=
+ +
° Z
=
   

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100


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pu 7819 , 2
1
j I
a
÷ =


A corrente de sequência zero para o curto fase-fase-terra será, de acordo com (6.41)
( )
575 , 0 2 , 0 3
0 , 1 7819 , 2 1977 , 0
3
0 , 1
0
5
1 1
5 0
j j
j j
Z Z
I Z
I
th f
a th
a
+ ×
÷ ÷ ×
=
+
÷
=
 
 

pu 383 , 0
0
j I
a
÷ =


Finalmente, de acordo com (6.42), a corrente de curto fase-fase-terra será
( ) 383 , 0 3 j I
ccfft
÷ × =

pu 149 , 1 j I
ccfft
÷ =


6.5. Método da matriz impedância de barra
O método das impedâncias de Thévenin pode ser um pouco demorado caso desejemos
calcular as correntes de curto em mais de uma barra e, além disso, é de difícil generalização e
implementação computacional. Felizmente, o método da matriz impedância de barra possibilita
tal generalização, bem como maior rapidez.
Seja um sistema de potência de n barras, cuja matriz admitância nodal pode ser escrita
como
| |
(
(
(
(
(
¸
(

¸

=
nn n n
n
n
Y Y Y
Y Y Y
Y Y Y
Y


 
   


 


 

2 1
2 22 21
1 12 11
.

(6.51)

Como sabemos das aulas de circuitos, a matriz admitância nodal deve satisfazer a seguin-
te equação
| | | | | | V Y I
  
× = ,


onde | | I

e | | V

são os vetores corrente e tensão respectivamente.
Relembrando das relações (4.25), os elementos
ii
Y

da matriz admitância nodal são iguais
à soma de todas as admitâncias que se ligam ao nó i, enquanto as admitâncias
ji ij
Y Y
 
= são iguais
ao recíproco das respectivas admitâncias físicas que ligam os nós i e j. Logo, a matriz admitância
nodal | | Y

pode ser rapidamente construída a partir de regras simples. A matriz impedância de
barra | | Z

correspondente será

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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| | | |
(
(
(
(
(
¸
(

¸

= =
÷
nn n n
n
n
Z Z Z
Z Z Z
Z Z Z
Y Z


 
   


 


 
 
2 1
2 22 21
1 12 11
1
.

(6.52)


Após obtermos a matriz impedância de barra, a impedância equivalente de Théve-
nin para curto-circuito na barra k é igual ao elemento
kk
Z

da matriz | | Z

.
Em várias circunstâncias é mais fácil inveter a matriz admitância nodal, processo para o
qual existem algoritmos prontos e bastante conhecidos, do que calcular diretamente a impedância
de Thévenin em cada barra do sistema.
Exemplo 6.2. Repita o Exemplo 6.1 pelo método da matriz impedância de barra.
Solução. Inicialmente devemos redesenhar o circuito da figura 6.9, porém invertendo as impe-
dâncias de modo a obtermos admitâncias. O resultado é mostrado na Figura 6.13.

Figura 6.13
Circuito de sequência positiva para o Exemplo 6.2

De acordo com as regras (4.25), os elementos de | |
1
Y

da diagonal principal serão
333 , 18 0 , 10 333 , 8
1
11
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

,
667 , 20 667 , 6 0 , 4 0 , 10
1
22
j j j j Y ÷ = ÷ ÷ ÷ =

,
333 , 18 0 , 10 333 , 8
1
33
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

,
359 , 24 667 , 6 692 , 7 0 , 10
1
44
j j j j Y ÷ = ÷ ÷ ÷ =

,
692 , 11 692 , 7 0 , 4
1
55
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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De acordo com as mesmas regras (4.25), os elementos de | | Y

fora da diagonal principal
serão
( )
1
21
1
12
0 , 10 0 , 10 Y j j Y
 
= = ÷ ÷ = ,
1
31
1
13
0 Y Y
 
= = (as barras 1 e 3 não se ligam diretamente) ,
1
41
1
14
0 Y Y
 
= = ,
1
51
1
15
0 Y Y
 
= = ,
1
32
1
23
0 Y Y
 
= = ,
1
42
1
24
667 , 6 Y j Y
 
= = ,
1
52
1
25
0 , 4 Y j Y
 
= = ,
1
43
1
34
0 , 10 Y j Y
 
= = ,
1
53
1
35
0 Y Y
 
= = ,
1
54
1
45
692 , 7 Y j Y
 
= = .
A matriz admitância nodal | |
1
Y

será
| |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
÷
÷
÷
=
692 , 11 692 , 7 0 0 , 4 0
692 , 7 359 , 24 0 , 10 667 , 6 0
0 0 , 10 333 , 18 0 0
0 , 4 667 , 6 0 667 , 20 0 , 10
0 0 0 0 , 10 333 , 18
1
j j j
j j j j
j j
j j j j
j j
Y

.
A inversão de | |
1
Y

pode ser realizada por meio de um software numérico, como o Ma-
tLab ou o SciLab
2
, ou ainda por meio de uma calculadora científica, resultando em
| | | |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

= =
÷
j0,1977 j0,1168 j0,0637 j0,1032 j0,0563
j0,1168 j0,1316 j0,0718 j0,0884 j0,0482
j0,0637 j0,0718 j0,0937 j0,0482 j0,0263
j0,1032 j0,0884 j0,0482 j0,1316 j0,0718
j0,0563 j0,0482 j0,0263 j0,0718 j0,0937
1
1 1
Y Z
 
.

2
O SciLab é uma das versões freeware do MatLab. Veja www.scilab.org .
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Como pode ser observado, a matriz impedância de barra é simétrica, da mesma forma que
a matriz admitância nodal. Contudo, enquanto a matriz admitância nodal é esparsa (tem muitos
elementos nulos), a matriz impedância de barra é cheia (tem poucos elementos nulos). Da matriz
| |
1
Z

também fica evidente que impedância de curto na barra 5, para sequência positiva, será
1977 , 0
1
55
j Z =

,
que é igual à impedância
1
5 th
Z

obtida anteriormente no Exemplo 6.1.
O diagrama de admitâncias para a sequência negativa é mostrado na Figura 6.14 abaixo.

Figura 6.14
Circuito de sequência negativa para o Exemplo 6.2

Considerando que apenas as admitâncias ligadas às barras 1 e 3 mudam, apenas os se-
guintes elementos da matriz admitância nodal mudarão
0 , 20 0 , 10 10
2
11
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

,
0 , 20 0 , 10 0 , 10
2
33
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

.
A matriz admitância nodal | |
2
Y

será
| |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
÷
÷
÷
=
692 , 11 692 , 7 0 0 , 4 0
692 , 7 359 , 24 0 , 10 667 , 6 0
0 0 , 10 0 , 20 0 0
0 , 4 667 , 6 0 667 , 20 0 , 10
0 0 0 0 , 10 0 , 20
2
j j j
j j j j
j j
j j j j
j j
Y

.
A matriz impedância de barra correspondente será
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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| | | |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

= =
÷
j0,1876 j0,1067 j0,0533 j0,0933 j0,0467
j0,1067 j0,1212 j0,0606 j0,0788 j0,0394
j0,0533 j0,0606 j0,0803 j0,0394 j0,0197
j0,0933 j0,0788 j0,0394 j0,1212 j0,0606
j0,0467 j0,0394 j0,0197 j0,0606 j0,0803
1
2 2
Y Z
 
.
A impedância de curto na barra 5, para sequência negativa, será
1876 , 0
2
55
j Z =

,
que mais uma vez é igual à impedância
2
5 th
Z

obtida anteriormente no Exemplo 6.1.
O diagrama de admitâncias para a sequência zero é mostrado na Figura 6.15 abaixo.

Figura 6.15
Circuito de sequência zero para o Exemplo 6.2

Note, em relação ao circuito da Figura 6.15, que devemos primeiro adicionar a impedân-
cia de cada gerador e sua respectiva impedância de neutro, e depois invertê-las para obter a ad-
mitância. Esse procedimento deve ser realizado sempre que tivermos algum equipamento, gera-
dor, motor ou transformador, aterrado por meio de impedância. Feita tal consideração, os ele-
mentos da matriz admitância nodal são
1746 , 13 0 , 10 1746 , 3
0
11
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

,
333 , 5 333 , 3 0 , 2
0
22
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

,
1746 , 13 0 , 10 1746 , 3
0
33
j j j Y ÷ = ÷ =

,
333 , 18 0 , 5 333 , 3 0 , 10
0
44
j j j j Y ÷ = ÷ ÷ ÷ =

,
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0 , 7 0 , 5 0 , 2
0
55
j j j Y ÷ = ÷ ÷ =

.
0
21
0
12
0 Y Y
 
= = (as barras 1 e 2 estão agora desconectadas),
0
31
0
13
0 Y Y
 
= = ,
0
41
0
14
0 Y Y
 
= = ,
0
51
0
15
0 Y Y
 
= = ,
0
32
0
23
0 Y Y
 
= = ,
0
42
0
24
333 , 3 Y j Y
 
= = ,
0
52
0
25
0 , 2 Y j Y
 
= = ,
0
43
0
34
0 , 10 Y j Y
 
= = ,
0
53
0
35
0 Y Y
 
= = ,
0
54
0
45
0 , 5 Y j Y
 
= = .
A matriz admitância nodal | |
0
Y

agora será
| |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
÷
÷
÷
=
0 , 7 0 , 5 0 0 , 2 0
0 , 5 333 , 18 0 , 10 333 , 3 0
0 0 , 10 1746 , 13 0 0
0 , 2 333 , 3 0 333 , 5 0
0 0 0 0 1746 , 13
0
j j j
j j j j
j j
j j j
j
Y

.
A matriz impedância de barra correspondente será
| | | |
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

= =
÷
j0,5750 j0,4150 j0,3150 j0,4750 0
j0,4150 j0,4150 j0,3150 j0,4150 0
j0,3150 j0,3150 j0,3150 j0,3150 0
j0,4750 j0,4150 j0,3150 j0,6250 0
0 0 0 0 j0,0759
1
0 0
Y Z
 
.
Novamente, como esperado, teremos
5750 , 0
0
55
j Z =

,
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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que mais uma vez coincide com a impedância
0
5 th
Z

obtida anteriormente no Exemplo 6.1. As
correntes de curto-circuito na barra 5 podem ser agora facilmente calculadas, conforme vimos no
Exemplo 6.1. Além disso, agora podemos calcular as correntes de curto em qualquer uma das
outras barras.
Devemos ter um cuidado especial em problemas que envolvam transformadores de três
enrolamentos, como mostra o Exemplo 6.3 a seguir.
Exemplo 6.3. Calcule a correntes de curto-circuito trifásica e fase-terra na barra 3 do sistema da
Figura 6.16, pelos métodos de Thévenin e da matriz impedância. As reatâncias dos geradores são
ambas iguais a j0,1 pu e as reatâncias do transformador são: x
12
=j0,12 pu, x
13
=j0,13 pu e
x
23
=j0,14 pu. A impedância de falta é nula e, para os fins do presente problema, as reatâncias de
sequência positiva, negativa e zero de cada equipamento podem ser consideradas iguais.

Figura 6.16
Sistema para o Exemplo 6.3

Solução. O primeiro passo é desenhar o diagrama de reatâncias de sequência positiva, conforme
mostrado na Figura 6.17.

Figura 6.17
Diagrama de reatâncias de sequência positiva para o Exemplo 6.3

xxx
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

107


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6.6. Obtenção direta da matriz impedância de barra
Como vimos, a matriz impedância de barra pode ser obtida facilmente a partir da inversão
da matriz admitância nodal, a qual, por sua vez, pode ser montada por meio de duas regras sim-
ples. Contudo, no caso de um grande numéro de barras a inversão pode demorar algum tempo.
Ademais, em alguns casos queremos apenas expandir a matriz impedância de barra a partir de
uma matriz inicial pré-existente. Nesses casos pode ser bem mais conveniente e rápido conhe-
cermos as regras para obtenção direta da matriz impedância de barra.
Seja um sistema inicial de n barras cuja matriz impedância de barra inicial é | |
INI
Z

, con-
forme a relação (6.53)
| |
(
(
(
(
(
¸
(

¸

=
nn n n
n
n
INI
Z Z Z
Z Z Z
Z Z Z
Z


 
   


 


 

2 1
2 22 21
1 12 11
.

(6.53)

Por razões de simplicidade, mas sem perda de generalidade, vamos trabalhar com um sis-
tema original de 2 barras, como aquele da Figura 6.20. Logo, teremos
| |
(
¸
(

¸

=
22 21
12 11
Z Z
Z Z
Z
INI
 
 

.

(6.54)



Figura 6.20
Sistema inicial de 2 barras


Um novo termo
p
z
pode ser adicionado de quatro maneiras diferentes, discutidas a se-
guir.

a) O novo elemento
p
z
é ligado entre a barra nova p e a referência, conforme ilustrado na
Figura 6.21.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

108


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Figura 6.21
Sistema para a regra (a)


(continua em breve...)

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

109


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6.7. Exercícios
Observações: (1) quando as impedâncias de falta e de neutro não forem mencionadas, conside-
re-as nulas; (2) quando não mencionado, as impedâncias estão especificadas nas bases dos res-
pectivos equipamentos; (3) quando não mencionado, os equipamentos estão ligados em estrela
solidamente aterrada.
6.7.1. Explique porque, em um curto-circuito fase-fase, não é necessário conhecer a impedância
de sequência zero.
6.7.2. (a) Quais as vantagens e desvantagens do cálculo de curto-circuito por meio das impe-
dâncias de Thévenin?; (b) quais as vantagens e desvantagens do cálculo de curto-circuito
por meio da matriz impedância de barra?
6.7.3. (a) Descreva as regras para a construção da matriz admitância nodal de um sistema de
potência; (b) como é possível obter a matriz impedância de barra a partir da matriz admi-
tância nodal?
6.7.4. Desenhe os circuitos mnemônicos para os curto-circuitos trifásico, fase-terra, fase-fase e
fase-fase-terra.
6.7.5. Um gerador encontra-se ligado a um transformador através de um disjuntor e tem os se-
guintes valores nominais: 7,5 MVA; 6,9 kV, com reatâncias ' '
d
x = 9%, '
d
x = 15%,
d
x =
100%. O gerador opera em vazio e com tensão nominal quando ocorre um curto-circuito
trifásico entre o disjuntor e o transformador. Determine: (a) a corrente permanente de
curto-circuito no disjuntor; (b) a corrente inicial eficaz simétrica no disjuntor.
6.7.6. O transformador trifásico ligado ao gerador descrito no exercício anterior tem os seguin-
tes valores nominais: 7,5 MVA; 6,9/15 kV,
d
x = 10%. Se ocorrer um curto-circuito trifá-
sico no lado da alta tensão do transformador com tensão nominal e em vazio, determine:
(a) a corrente inicial eficaz simétrica no lado de alta tensão do transformador; (b) a cor-
rente inicial eficaz simétrica no lado da baixa tensão do transformador.
6.7.7. Um gerador de 60Hz, 650 kVA, 480 V, ' '
d
x = 0,08 pu, alimenta uma carga puramente
resistiva de 500 kW, sob 480 V. A carga é ligada diretamente aos terminais do gerador.
Se todas as três fases da carga forem simultaneamente curto-circuitadas, determine a cor-
rente inicial eficaz simétrica no gerador, em pu, nas bases do gerador.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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6.7.8. Um turbogerador, especificado para 60 Hz, 10 MVA e 13,8 kV, é ligado em estrela soli-
damente aterrada e funciona sob tensão nominal, em vazio. As reatâncias são ' '
d
x =
2
x =
0,15 pu e
0
x = 0,05 pu. Determine a relação entre a corrente subtransitória para uma falta
fase-terra e a corrente subtransitória para uma falta trifásica simétrica.
6.7.9. No exercício anterior, determine a relação entre a corrente subtransitória para uma falta
fase-fase e a corrente subtransitória para uma falta trifásica simétrica.
6.7.10. No Exercício 5.6.11, considere que as impedâncias de sequência negativa e positiva são
iguais. Calcule as correntes de curto trifásico e fase-terra, na barra 3, pelo método das
impedâncias de Thévenin. Considere que a reatância de falta é nula.
6.7.11. Calcule todas as correntes de curto-circuito para o sistema do Exercício 5.6.6, na barra
de carga, pelo método das impedâncias de Thévenin. Considere que a reatância de falta é
j0,2 pu.
6.7.12. Calcule todas as correntes de curto-circuito para o sistema do Exercício 5.6.8, na barra 3,
pelos métodos das impedâncias de Thévenin e da matriz impedância de barra. Considere
que a reatância de falta é nula.
6.7.13. Para o sistema da Figura 6.18, com os dados da Tabela 6.7.14, determine as correntes de
curto-circuito trifásica e fase-terra na barra 5.

Figura 6.18
Sistema para o Exercício 6.7.13


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Tabela 6.2 – Dados do Exercício 6.7.13
Equipamento x
1
(pu) x
2
(pu) x
0
(pu)
G
1
0,14 0,12 0,05
G
5
0,14 0,12 0,05
G
8
0,14 0,12 0,05
T
12
0,12 0,12 0,12
T
78
0,12 0,12 0,12
T
34
0,11 0,11 0,11
T
46
0,11 0,11 0,11
T
45
0,11 0,11 0,11
L
23
0,12 0,12 0,3
L
27
0,15 0,15 0,3
L
45
0,12 0,12 0,25
L
67
0,12 0,12 0,25


6.7.14. Calcule as correntes de curto-circuito fase-fase e fase-fase-terra para o sistema do Exercí-
cio 5.6.9, na barra 4, pelo método das impedâncias de Thévenin. Considere que a reatân-
cia de falta é nula.


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112


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7. FLUXO DE POTÊNCIA
7.1. Introdução
Fluxo de potência, também conhecido como fluxo de carga, é um problema matemático
cujo objetivo é determinar as tensões e potências em todos os barramentos de um sistema elétri-
co. Como vimos no Exemplo 4.5, nos casos de real interesse o problema do fluxo de potência é
não linear e deve ser resolvido por meio de métodos numéricos, como Gauss-Seidel, Newton-
Raphson e outros. Iniciamos classificando os barramentos de um SEP, que podem ser divididos
em três tipos básicos:

1) Barramento de Carga (PQ): As potências ativa e reativa (P e Q) são conhecidas,
mas o módulo (V) e o ângulo da tensão (o) são desconhecidos.
2) Barramento de Geração (PV): A potência ativa (P) e o módulo da tensão (V) são
conhecidos, mas a potência reativa (Q) e o ângulo da tensão (o) são desconhecidos.
3) Barramento de referência (Vu): O módulo (V) e o ângulo da tensão (o) são conhe-
cidos, mas as potências ativa e reativa (P e Q) são desconhecidas. Também denomi-
nado barramento “flutuante”, “oscilante” ou “swing”.

Há apenas um barramento de referência por sistema, mas pode haver vários barramentos
de carga e de geração. O fato de um barramento ter geradores não significa que seja um barra-
mento de geração, ou seja, se um barramento tiver potência ativa e módulo da tensão conhecidos,
ele será considerado PV, ou seja, de geração. Ademais, barramentos que sirvam apenas de cone-
xão entre outros barramentos, sem geradores ou cargas conectados, cujas tensões e ângulos se-
jam desconhecidos, serão considerados barramentos PQ, com P=0 e S=0.
Em um problema de Fluxo de Potência a configuração do sistema é suposta inalterável. O
objetivo é determinar módulos e ângulos de todas as tensões em todos os barramentos. Tendo as
tensões e as impedâncias do sistema, podemos a seguir determinar o fluxo de potência em cada
linha ou transformador, bem como as perdas no sistema.
Os problemas de fluxo de potência não são lineares e geralmente apresentam uma com-
plexidade que só permite a solução numérica. Em alguns casos didáticos mais simples, contudo,
a solução analítica é possível, como ilustrado no exemplo a seguir.

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Exemplo 7.1. Dado o sistema da Figura 7.1, determine
3
V

, sendo pu 0 0 , 1
1
° Z = V

e
MVA 10 =
b
S .

Figura 7.1


Solução. Inicialmente, a queda de tensão na impedância entre as barras 1 e 3 é
13 13 3 1
I Z V V
   
× = ÷ ,

( )
13 3
17 , 0 02 , 0 0 , 1 I j V
 
× + = ÷ .
(7.1)
Por outro lado, sabemos que
*
13 3 3
I V S
  
× = ,
*
13 3
3
9 , 0 arccos
cos
I V
P
 
× = Z
|
|
.
|

\
|
¢
,
*
13 3
84 , 25
9 , 0
MVA 10 / MW 5 , 4
I V
 
× = ° Z .
Isolando a corrente,
3
*
13
84 , 25 5 , 0
V
I


° Z
= .
(7.2)
Substituindo (7.2) em (7.1), vem que
( )
*
3
3
84 , 25 5 , 0
17 , 0 02 , 0 0 , 1
V
j V


° ÷ Z
× + = ÷
3 *
3
45 , 57 08559 , 0
0 , 1 V
V


+
° Z
= .
(7.3)
Fazendo
3 3 3
o Z =V V

e reordenando, teremos
3 3
3 3
45 , 57 08559 , 0
0 , 1 o
o
Z +
÷ Z
° Z
= V
V
.

Multiplicando por
3
0 , 1 o ÷ Z ,
3
3
3
45 , 57 08559 , 0
0 , 1 V
V
+
° Z
= ÷ Z o .
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Separando as partes real e imaginária,
( ) ( )
( ) ( )
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
° × = ÷
+ ° × = ÷
45 , 57
08559 , 0
45 , 57 cos
08559 , 0
cos
3
3
3
3
3
sen
V
sen
V
V
o
o

ou,
( )
( )
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
= ÷
+ =
3
3
3
3
3
072141 , 0
046051 , 0
cos
V
sen
V
V
o
o
.
(7.4)

Elevando ambas as equações ao quadrado e as somando,
( ) ( )
2
3
2
3
3
3
2
3
2
072141 , 0 046051 , 0
cos
|
|
.
|

\
|
+
|
|
.
|

\
|
+ = +
V
V
V
sen o o ,

( ) ( ) | | ( )
2
2
2
3
2
3
072141 , 0 046051 , 0 + + = V V ,

( ) ( ) ( ) 00520 , 0 0921 , 0 00212 , 0
4
3
2
3
2
3
+ + + = V V V ,

( ) ( ) 0 00732 , 0 90790 , 0
2
3
4
3
= + ÷ V V .

A equação acima é uma biquadrada que pode ser resolvida diretamente pela fórmula de
Bhaskara,
( )
( )
2
00732 , 0 4 90790 , 0 90790 , 0
2
2
3
× ÷ ÷ ±
= V .

As raízes são,
¦
¹
¦
´
¦
=
=
94856 , 0
09023 , 0
' '
3
'
3
V
V


A primeira raiz implicaria em uma queda de tensão excessiva entre as barras 1 e 2. As-
sim, escolhemos a segunda raiz.
pu 94856 , 0
3
= V
ou,
kV 09 , 13
3
= V
Podemos calcular o ângulo de
3
V

a partir da segunda equação do sistema (7.4)
( )
94856 , 0
072141 , 0
3
÷ = o sen ° ÷ = 362 , 4
3
o



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7.2. Método de Gauss
Dentre os métodos disponíveis para a solução de problemas de fluxo de potência, o método de
Gauss é um dos mais simples e mais didáticos, embora não o mais rápido nem o mais utilizado.
Vamos supor que inicialmente apenas uma equação não linear deva ser resolvida. A pri-
meira etapa do método de Gauss consiste em se escrever a equação na forma ( ) x f x = . A seguir,
a equação deve ser escrita na forma iterativa. Sendo k-1 o índice da iteração inicial, teremos

( )
1 ÷
=
k k
x f x . (7.5)
Forma iterativa para
utilização do método de
Gauss.

Finalmente, arbitramos um valor inicial para x e calculamos os valores das iterações se-
guintes até que o erro
1 ÷
÷ =
k k
x x c

entre o valor da última iteração e o valor da iteração anterior
seja tão pequeno quando o desejado.
Em geral desejamos resolver um sistema de n equações não lineares, que dever ser escrito
como
( )
( )
( )
( )
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
´
¦
=
=
=
=
÷ ÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷
1 1
3
1
2
1
1
1 1
3
1
2
1
1 3 3
1 1
3
1
2
1
1 2 2
1 1
3
1
2
1
1 1 1
,..., , ,
,..., , ,
,..., , ,
,..., , ,
k
n
k k k
n
k
n
k
n
k k k k
k
n
k k k k
k
n
k k k k
x x x x f x
x x x x f x
x x x x f x
x x x x f x
         

(7.6)

Nota biográfica
3
: Carl Friedrich Gauss (1777 – 1855) foi um matemá-
tico, físico e astrônomo alemão que contribuiu para um grande número
de áreas, como teoria dos números, estatística, análise matemática,
geometria diferencial, geodésia, geofísica, eletrostática, astronomia e
ótica. Conhecido como o “Príncipe dos Matemáticos”, criança prodí-
gio, muitos consideram Gauss o maior gênio da história e alguns di-
zem que seu QI teria girado em torno de 240. A lei de Gauss da
distribuição de erros e a curva normal em forma de sino são hoje conhecidas de todos que
trabalham com estatística. A lei de Gauss da eletrostática é certamente conhecida de todos os

3
DUNNINGTON, G. W. Carl Friedrich Gauss, titan of science. The Mathematical Association of America, 2003.
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estudantes de Engenharia Elétrica. Gauss também descobriu a possibilidade de se construir
geometrias não-euclidianas, embora nunca tenha publicado essa descoberta. Tais geometrias
libertaram os matemáticos da crença de que os axiomas de Euclides eram todos consistentes e
nao-contraditórios e conduziram, anos mais tarde, à teoria da relatividade geral de Albert
Einstein, dentre outras coisas. A partir de 1831 Gauss começou a trabalhar em colaboração com
o físico alemão Wilhelm Eduard Weber (1804 –1891). Juntos, inventaram o primeiro telégrafo
eletromecânico
4
, que passou a interligar o observatório astronômico e o instituto de física da
Universidade de Göttingen, na Alemanha. Gauss e Weber, motivados pela descoberta de Oersted
de 1921 (de que uma corrente elétrica produz um campo magnético), passaram a pesquisar se o
inverso não seria possível, ou seja, se um campo magnético não seria capaz de produzir uma
corrente elétrica. Contudo, eles não foram bem sucedidos, pois não perceberam que, para que
isso aconteça, o campo magnético deve ser variável no tempo. A descoberta do fenômeno da
indução eletromagnética teve de esperar pelos trabalhos do físico inglês Michael Faraday (1791
– 1867) e do físico norte-americano Joseph Henry (1797 – 1878), em 1831. Gauss tem uma
cratera lunar batizada em sua homenagem.

Exemplo 7.2. Resolva o Exercício 7.1 por meio do método de Gauss. Considere um erro de 10
-5
.

Solução. Escrevendo a equação (7.3) na forma iterativa, teremos

( )
*
3
1
3
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
k
k
V
V


° Z
÷ =
+
.

Fazendo ° Z = 0 0 , 1
0
3
V

, o valor da primeira iteração será
° ÷ Z =
° Z
° Z
÷ = 325 , 4 95667 , 0
0 0 , 1
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
1
3
V

.

A seguir, usamos ° ÷ Z = 325 , 4 95667 , 0
1
3
V

para calcular a segunda iteração
° ÷ Z =
÷ Z
° Z
÷ = 325 , 4 94902 , 0
325 , 4 95667 , 0
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
2
3
V

,

e assim por diante
° ÷ Z =
° ÷ Z
° Z
÷ = 361 , 4 94863 , 0
325 , 4 94902 , 0
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
3
3
V

.

° ÷ Z =
° ÷ Z
° Z
÷ = 361 , 4 94856 , 0
361 , 4 94863 , 0
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
4
3
V

.


4
O telégrafo de Gauss-Weber, ao contrário do telégrafo eletromecânico de Samuel Morse, usava linguagem analó-
gica e não binária, consistindo de uma agulha que se movia à distância sob a influência de uma fonte de tensão,
localizada à distância e cuja amplitude se variava.
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° ÷ Z =
° ÷ Z
° Z
÷ = 362 , 4 94856 , 0
361 , 4 94956 , 0
45 , 57 08559 , 0
0 , 1
5
3
V

.



Podemos observar que o erro entre a quarta e a quinta iterações é inferior a 10
-5
. Assim, o
problema converge com apenas cinco iterações, mostrando que o método de Gauss funciona de
fato. Contudo, precisamos desenvolver uma formulação que seja capaz de resolver problemas de
n barras e não de apenas uma barra.
Em um sistema de n barras, vale a seguinte equação matricial
| | | | | | V Y I
  
× = .
(7.7)
Para uma barra p qualquer, podemos escrever

(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

×
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

n
p
nn np n n
pn pp p p
n p
n p
n
p
V
V
V
V
Y Y Y Y
Y Y Y Y
Y Y Y Y
Y Y Y Y
I
I
I
I










 
     




 
     




 




 






2
1
2 1
1 1
2 2 22 21
1 1 12 11
2
1
.


Efetuando a multiplicação e escrevendo a equação para a barra p, obtemos
n pn p pp p p p
V Y V Y V Y V Y I
 

 

    
+ + + + + =
2 2 1 1
.
(7.8)
Sabemos ainda que
* *
/
p p p
V S I
  
= .
(7.9)
Igualando (7.8) e (7.9)
n pn p pp p p p p
V Y V Y V Y V Y V S
 

 

     
+ + + + + =
2 2 1 1
* *
/ .

Isolando
p
V


pp
n pn p p p p
p
Y
V Y V Y V Y V S
V

 

     

+ + + ÷
=
2 2 1 1
* *
/
.

Generalizando e escrevendo na forma iterativa

( )
(
(
(
¸
(

¸

÷ × =
¿
=
=
+
n
p q
q
k
q pq
k
p
k
p
pp
k
p
V Y V S
Y
V
1
*
1
/
1
   


. (7.10)
Forma iterativa do
método de Gauss.
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Exemplo 7.3. Resolva o problema do Exemplo 7.1 usando a equação (7.10). Considere um erro
mínimo de 10
-5
.
Solução. Devemos determinar
3
V

, sendo pu 0 0 , 1
1
° Z = V

e MVA 10 =
b
S . A barra 1 é assim a
barra de referência e a barra 3 é a de carga.

A matriz admitância nodal é fácil de ser obtida:

| |
(
(
(
¸
(

¸

÷ + ÷
+ ÷ ÷
÷
=
2414 , 17 8966 , 6 2414 , 17 8966 , 6 0
2414 , 17 8966 , 6 5747 , 25 8966 , 6 3333 , 8
0 3333 , 8 3333 , 18
j j
j j j
j j
Y


(7.11)
Os valores iniciais são:

21794 , 0 45 , 0 ) 9 , 0 arccos(
9 , 0
10 / 5 , 4
0
0 0 , 1
0 0 , 1
0 0 , 1
0
3
0
2
0
3
0
2
0
1
j S
S
V
V
V
÷ ÷ = Z ÷ =
=
° Z =
° Z =
° Z =








A potência da barra 3 é considerada negativa por se tratar de uma barra de carga. A po-
tência da barra 2 é nula para todas as iterações, por se tratar de uma barra genérica.
De acordo com a equação (7.10), a tensão na barra 2 para a primeira iteração será:

( ) ( ) | |
0
3 23
0
1 21
*
0
2
0
2
22
1
2
/
1
V Y V Y V S
Y
V
     


+ ÷ × = .


( ) ( ) | | 0 , 1 2414 , 17 8966 , 6 0 , 1 3333 , 8 0
5747 , 25 8966 , 6
1
1
2
× + ÷ ÷ × ÷ ×
÷
= j j
j
V




° Z =
÷
÷
= 0 0 , 1
5747 , 25 8966 , 6
5747 , 25 8966 , 6
1
2
j
j
V




Da mesma forma, a tensão na barra 3 para a primeira iteração será:
( ) ( ) | |
0
2 32
0
1 31
*
0
3
0
3
33
1
3
/
1
V Y V Y V S
Y
V
     


+ ÷ × = .


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( ) | |
2414 , 17 8966 , 6
0 , 1 ) 2414 , 17 8966 , 6 ( 0 , 1 0 0 , 1 / 21794 , 0 45 , 0
1
3
j
j j
V
÷
× + ÷ ÷ × ÷ + ÷
=




° ÷ Z =
÷
÷
= 06 , 1 98027 , 0
2414 , 17 8966 , 6
02346 , 17 4466 , 6
1
3
j
j
V



Após a primeira iteração, teremos:
3875 , 0 8 , 0
0
06 , 1 98027 , 0
0 0 , 1
0 0 , 1
1
3
1
2
1
3
1
2
1
1
j S
S
V
V
V
÷ ÷ =
=
° ÷ Z =
° Z =
° Z =







Prosseguindo, a tensão na barra 2 para a segunda iteração será:
( ) ( ) | |
1
3 23
1
1 21
*
1
2
1
2
22
2
2
/
1
V Y V Y V S
Y
V
     


+ ÷ × = .


( ) ( ) | | ° ÷ Z × + ÷ ÷ × ÷ ×
÷
= 06 , 1 98027 , 0 2414 , 17 8966 , 6 0 , 1 3333 , 8 0
5747 , 25 8966 , 6
1
2
2
j j
j
V



| | ° Z ÷ ÷ ×
÷
= 74 , 110 20319 , 18 3333 , 8
5747 , 25 8966 , 6
1
2
2
j
j
V




° ÷ Z =
÷
÷
= 8272 , 0 98774 , 0
5747 , 25 8966 , 6
3566 , 25 44626 , 6
2
2
j
j
V



A tensão na barra 3 para a segunda iteração será:
( ) ( ) | |
1
2 32
1
1 31
*
1
3
1
3
33
2
3
/
1
V Y V Y V S
Y
V
     


+ ÷ × =
(7.12)

( ) | |
2414 , 17 8966 , 6
0 , 1 ) 2414 , 17 8966 , 6 ( 0 , 1 0 06 , 1 98027 , 0 / 21794 , 0 45 , 0
2
3
j
j j
V
÷
× + ÷ ÷ × ÷ ° Z + ÷
=




| |
2414 , 17 8966 , 6
2414 , 17 8966 , 6 230779 , 0 45487 , 0
2
3
j
j j
V
÷
÷ + + ÷
=




° ÷ Z =
÷
÷
= 06 , 1 0,97953
2414 , 17 8966 , 6
01062 , 17 44173 , 6
2
3
j
j
V



O erro por enquanto é
4
10 4 , 7 98027 , 0 97953 , 0
÷
× = ÷ = c , ainda longe do erro mínimo
de
5
10
÷
. O método de Gauss tem convergência lenta e oscilatória. Erros da ordem de
5
10
÷

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

120


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começarão a aparecer por volta da 28ª iteração e o erro mínimo de
5
10
÷
só se estabilizará a partir
da 45ª iteração, resultando em
° ÷ Z =
° ÷ Z =
362 , 4 94854 , 0
232 , 3 96970 , 0
45
3
45
2
V
V




A convergência do método de Gauss é ilustrada na Figura 7.2.

Figura 7.2 – Convergência oscilatória do método de Gauss

Pode parecer estranho que um problema que foi resolvido anteriormente com apenas cin-
co iterações seja resolvido agora com quase dez vezes isso. Contudo, devemos lembrar que a
Equação (7.3) se aplica apenas a problemas de duas ou três barras, enquanto a Equação 7.9 se
aplica a problemas de n barras (embora a convergência possa se tornar lenta para muitas barras).
Problemas de fluxo de potência geralmente são resolvidos por meio de programas de
computador especialmente desenvolvidos ou então por meio de scrips para MatLab, SciLab ou
aplicativos semelhantes. Entretanto, é pouco conhecido que problemas simples, de poucas barras,
podem ser resolvidos por meio do MicroSoft Excel
©
, sem macros ou outro tipo de programação.
Uma planilha-exemplo, que apresenta as soluções dos Exemplos 7.1, 7.2 e 7.3, além de outros,
está disponível em http://www.lunabay.com.br/alvaro/Metodo_de_Gauss.xls (165 KB).
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

121


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7.3. Método de Gauss-Seidel
Como vimos na seção anterior, uma das desvantagens do método de Gauss é a convergência
lenta e oscilatória. O método de Gauss-Seidel pode melhorar um pouco essa deficiência. Note-
mos, por exemplo, na equação (7.12) do Exemplo 7.3, que usamos a tensão
1
2
V

para calcular
1
3
V

.
Contudo, nessa altura dos cálculos já dispúnhamos de
2
2
V

, que é uma melhor estimativa de
2
V


do que
1
2
V

. Podemos, assim, usar os valores das variáveis assim que estiverem disponíveis. O
sistema de equações (7.6) pode então ser escrito como
( )
( )
( )
( )
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
´
¦
=
=
=
=
÷
÷ ÷
÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷
1
3 2 1
1 1
3 2 1 3 3
1 1
3
1
2 1 2 2
1 1
3
1
2
1
1 1 1
..., , , ,
,..., , ,
,..., , ,
,..., , ,
k
n
k k k
n
k
n
k
n
k k k k
k
n
k k k k
k
n
k k k k
x x x x f x
x x x x f x
x x x x f x
x x x x f x
         

(7.13)
Os métodos de Gauss e de Gauss-Seidel apresentam, além das já vistas, as seguintes propri-
edades:
1) Número de iterações para a convergência é função do número de barras.
2) Tempo computacional para a convergência é função do quadrado do número de bar-
ras.
3) Não requer inversão de matrizes.
4) Impossibilidade de se utilizar reatâncias negativas.
5) Pouca sensibilidade aos valores iniciais.
6) Dificuldade para se encontrar erros de dados e problemas no sistema, pois mesmo
casos não convergentes apresentam resultados coerentes.
Nota biográfica
5
: Philipp Ludwig von Seidel (1821 – 1896) nasceu em Zweibrücken, Alema-
nha, filho de um funcionário dos correios. Em 1840, Seidel entrou para a Universidade de Ber-
lim, onde foi aluno do matemático Johann Dirichlet e do astrônomo Johann Franz Encke, mu-
dando-se dois anos depois para a Universidade de Königsberg, onde foi aluno dos matemáticos
Friedrich Bessel, Carl Jacobi e Franz Neumann. Seus principais interesses vieram a ser ótica e
análise matemática, assuntos de sua tese de doutoramento e de sua dissertação de habilitação,
respectivamente. Seidel desenvolveu, independentemente de outros matemáticos como Karl

5
Fonte: O'CONNOR J.J.; ROBERTSON, E.F. Philipp Ludwig von Seidel. Disponível: http://www-groups.dcs.st-
and.ac.uk/~history/Biographies/Seidel.html .
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

122


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Weierstrass e George Gabriel Stokes, o conceito analítico de convergência uniforme, relacionado
a séries de funções e que teve grande importância na matemática do final do século XIX. Seidel,
assim como Gauss, tem uma cratera lunar batizada em sua homenagem, por causa de seus traba-
lhos em ótica e astronomia.
O exemplo a seguir ilustra uma solução por Gauss-Seidel, assim como apresenta as conside-
rações especiais que devem ser feitas no caso de barramentos de geração.
Exemplo 7.4. Dado o sistema da Figura 7.3, determine
1
V

e
2
V

, com um erro de 10
-5
, sendo
° Z = 0 02 , 1
3
V

pu, 01 , 1
1
= V

pu e MW 30
1
= P . Considere MVA 100 =
b
S .

Figura 7.3


Solução.

Xxx
(continua...em breve...)

7.4. Método de Newton-Raphson
Suponha que desejamos resolver o seguinte sistema de equações
( )
( )
¹
´
¦
=
=
2 2 1 2
1 2 1 1
,
,
y x x f
y x x f
, (7.11)
onde f
1
e f
2
são funções, x
1
e x
2
são variáveis e y
1
e y
2
são constantes.
Sejam
0
1
x e
0
2
x os respectivos valores iniciais de x
1
e x
2
, e
1
x A e
2
x A as correções neces-
sárias para que as condições (7.11) sejam atendidas. Assim, podemos escrever
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

123


Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
( )
( ) ¦
¹
¦
´
¦
= A + A +
= A + A +
2 2
0
2 1
0
1 2
1 2
0
2 1
0
1 1
,
,
y x x x x f
y x x x x f
, (7.12)
Expandindo as equações (7.12) em série de Taylor, teremos
( ) ( )
( ) ( )
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
= +
c
c
A +
c
c
A + = A + A +
= +
c
c
A +
c
c
A + = A + A +
2
2
2
2
1
2
1
0
2
0
1 2 2
0
2 1
0
1 2
1
2
1
2
1
1
1
0
2
0
1 1 2
0
2 1
0
1 1
... , ,
... , ,
y
x
f
x
x
f
x x x f x x x x f
y
x
f
x
x
f
x x x f x x x x f
, (7.13)
Desprezando as derivadas de ordem superior à primeira e escrevendo o sistema de equa-
ções em forma matricial, vem
( )
( )
(
¸
(

¸

A
A
×
(
(
(
(
¸
(

¸

c
c
c
c
c
c
c
c
=
(
¸
(

¸

÷
÷
2
1
0
2
2
0
1
2
0
2
1
0
1
1
0
2
0
1 2 2
0
2
0
1 1 1
,
,
x
x
x
f
x
f
x
f
x
f
x x f y
x x f y
, (7.14)
onde todas as derivadas devem ser calculadas a partir dos valores iniciais. Podemos escrever
(7.14) abreviadamente como
| | | | | | C J D × = , (7.15)
onde:
[D] = vetor das diferenças, também conhecido como vetor dos mismatches.
[J] = jacobiano de f
1
e f
2
.
[C] = vetor das correções.
Invertendo (7.15) obtemos o vetor [C], que contém as correções desejadas
| | | | | | D J C × =
÷1
. (7.16)
Tendo x
1
e x
2
, podemos escrever
¦
¹
¦
´
¦
A + =
A + =
2
0
2
1
2
1
0
1
1
1
x x x
x x x
. (7.17)
Da mesma forma que no caso do método de Gauss-Seidel, o método de Newton-Raphson
é iterativo, ou seja, devemos continuar calculando as iterações até que o vetor das correções se
torne menor do que um erro previamente especificado. Quando tal acontecer, dizemos que o sis-
tema convergiu.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

124


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Exemplo 7.5. Resolva o sistema abaixo pelo método de Newton-Raphson, sendo . 2
0
2
0
1
= = x x
Considere um erro mínimo de 10
-10
.

¦
¹
¦
´
¦
= +
= +
57 ) ( 6
5 ) ( 2
2
2 2 1
2
2
1
x x x
x x
. (7.18)
Observação: note que, por exemplo,
2
1
x é o valor de
1
x na segunda iteração, enquanto
2
1
) (x significa
1
x elevado ao quadrado.
Solução.
a) Primeira iteração
O vetor inicial das diferenças é
| |
( )
( )
( )
( )
(
¸
(

¸
÷
=
(
¸
(

¸

÷
÷
=
(
¸
(

¸

÷
÷
=
29
5
2 , 2 57
2 , 2 5
,
,
2
1
0
2
0
1 2 2
0
2
0
1 1 1
f
f
x x f y
x x f y
D . (7.19)
O jacobiano de f
1
e f
2
é
| |
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

+
=
(
(
(
(
¸
(

¸

c
c
c
c
c
c
c
c
=
=
=
26 2
1 8
12
1 4
2
2
0
2
0
1
0
2
0
1
0
2
2
0
1
2
0
2
1
0
1
1
0
2
0
1
x
x
x x x
x
x
f
x
f
x
f
x
f
J . (7.20)
O jacobiano pode ser invertido facilmente, resultando em
| |
(
¸
(

¸

÷
÷
=
÷
038835 , 0 00971 , 0
00485 , 0 126214 , 0
1
J . (7.21)
As correções para a primeira iteração serão
(
¸
(

¸
÷
=
(
¸
(

¸
÷
×
(
¸
(

¸

÷
÷
=
(
¸
(

¸

A
A
1,174757
0.77184
29
5
038835 , 0 00971 , 0
00485 , 0 126214 , 0
1
2
1
1
x
x
. (7.22)
Os erros são ainda muito superiores a 10
-10
. Logo, devemos calcular os novos valores de
1
1
x e
1
2
x :
¦
¹
¦
´
¦
= + = A + =
= ÷ = A + =
174757 , 3 174757 , 1 2
228155 , 1 0,77184 2
1
2
0
2
1
2
1
1
0
1
1
1
x x x
x x x
. (7.23)
b) Segunda iteração
O vetor inicial das diferenças é
| |
( )
( )
(
¸
(

¸

÷
÷
=
(
¸
(

¸

÷
÷
=
3736 , 7
19149 , 1
174757 , 3 ; 228155 , 1 57
174757 , 3 ; 228155 , 1 5
2
1
f
f
D . (7.24)
O jacobiano de f
1
e f
2
é
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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| |
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

× +
×
=
30,10194 2,3980583
1 5,3009708
2,3980583 12 1,3252427 2,3980583
1 1,3252427 4
J . (7.25)
Invertendo o jacobiano
| |
(
¸
(

¸

÷
÷
=
÷
025854 , 0 01671 , 0
00516 , 0 206958 , 0
1
J . (7.26)
As correções para a primeira iteração serão
(
¸
(

¸

÷
÷
=
(
¸
(

¸

÷
÷
×
(
¸
(

¸

÷
÷
=
(
¸
(

¸

A
A
0,17073
0,20778
3736 , 7
19149 , 1
025854 , 0 01671 , 0
00516 , 0 206958 , 0
2
2
2
1
x
x
. (7.27)
Os erros já diminuíram um pouco, mas ainda são muito maiores do que 10
-10
. Os valores
de
2
1
x e
2
2
x para a segunda iteração serão
¦
¹
¦
´
¦
= ÷ = A + =
= ÷ = A + =
004029 , 3 0,17073 174757 , 3
020372 , 1 0,20778 228155 , 1
2
2
1
2
2
2
2
1
1
1
2
1
x x x
x x x
. (7.28)
Prosseguindo com os cálculos de maneira semelhante, perceberemos que na quinta itera-
ção os erros já serão da ordem de 10
-8
. O sistema convergirá na sexta iteração, com erro zero,
resultando nos seguintes valores:
¦
¹
¦
´
¦
=
=
0 , 3
0 , 1
6
2
6
1
x
x
. (7.29)
Desejamos agora aplicar o método de Newton-Raphson em problemas de fluxo de pote-
potência. Considerando um sistema de n barras, onde k e m são duas barras genéricas, podemos
escrever
k k k
V V o Z =

= tensão na barra k, (7.30)
m m m
V V o Z =

= tensão na barra m,

(7.31)
km km km km km
jB G Y Y + = Z = u

= elemento da matriz admitância| | Y

.

(7.32)
A potência injetada na barra k pode ser escrita como
*
1
* *
km
n
m
m k m k k k k
Y E V I V jQ P S
     
¿
=
= = + = , (7.33)
ou, escrevendo
k
V

,
m
V

e
km
Y

na forma polar
) (
*
1
*
km m k km
n
m
m k k
Y V V S u o o ÷ ÷ Z =
¿
=
   
. (7.34)
Separando as partes real e imaginária, vem
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

126


Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
÷ ÷ =
÷ ÷ =
¿
¿
=
=
). (
), cos(
*
1
*
*
1
*
km m k km
n
m
m k k
km m k km
n
m
m k k
sen Y V V Q
Y V V P
u o o
u o o
  
  
(7.35)
As equações (7.35) também podem ser escritas como
| |
| |
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
÷ =
+ =
¿
¿
=
=
, cos
, cos
1
1
km km km km
n
m
m k k
km km km km
n
m
m k k
B sen G V V Q
sen B G V V P
u u
u u
(7.36)
onde
m k km
u u u ÷ = (logo, sempre teremos 0 =
kk
u ).
As derivadas de interesse para a construção do jacobiano são
m
k
m
k
m
k
m
k
V
Q Q
V
P P
c
c
c
c
c
c
c
c
, , ,
u u
,
(7.37)
e o jacobiano terá o seguinte aspecto
| |
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
=
÷
÷
÷
÷ ÷ ÷
÷
÷ ÷ ÷
÷
÷

     





  
        
  
  
        
  
        
  
  
V
Q
V
Q
V
Q Q Q Q
V
Q
V
Q
V
Q Q Q Q
V
Q
V
Q
V
Q Q Q Q
V
P
V
P
V
P P P P
V
P
V
P
V
P P P P
V
P
V
P
V
P P P P
J
n
n
n
n n n
n
n n n
n
n
2 1 1 2 1
2
2
2
1
2
1
2
2
2
1
2
1
2
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
2
1
1
1
2
2
2
1
2
1
2
2
2
1
2
1
2
1
1
1
1
1
2
1
1
1
u u u
u u u
u u u
u u u
u u u
u u u
(7.38)

A numeração dos barramentos é a seguinte:

1) Barramentos de Carga (PQ): 1 a  .
2) Barramentos de Geração (PV): l+ a 1 ÷ n .
3) Barramento de referência (Vu): n .
O jacobiano pode também ser escrito em termos de submatrizes:
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| |
(
(
(
¸
(

¸

÷ =
L M
N H
J

 

. , (7.39)
onde
( ) ( )
u c
c
=
÷ × ÷
P
H
n n 1 1
, (7.40)

( )
V
P
N
n
c
c
=
× ÷  1
, (7.41)
( )
u c
c
=
÷ ×
Q
M
n 1 
, (7.42)

V
Q
L
c
c
=
× 
. (7.43)
As submatrizes também podem ser escritas como
( )
km km km km m k
m
k
km
B sen G V V
P
H u u
u
cos ÷ =
c
c
= ,
(7.44)
( )
¿
e
÷ ÷ ÷ =
c
c
=
k m
km km km km m k kk k
k
k
kk
B sen G V V B V
P
H u u
u
cos
2
,

(7.45)
( )
km km km km k
m
k
km
sen B G V
V
P
N u u + =
c
c
= cos ,

(7.46)
( )
¿
e
+ + =
c
c
=
k m
km km km km m kk k
k
k
kk
sen B G V G V
V
P
N u u cos ,

(7.47)
( )
km km km km m k
m
k
km
sen B G V V
Q
M u u
u
+ ÷ =
c
c
= cos ,

(7.48)
( )
¿
e
+ + ÷ =
c
c
=
k m
km km km km m k kk k
k
k
kk
sen B G V V G V
Q
M u u
u
cos
2
,

(7.49)
( )
km km km km k
m
k
km
B sen G V
V
Q
L u u cos ÷ =
c
c
= ,

(7.50)
( )
¿
e
÷ + ÷ =
c
c
=
k m
km km km km m kk k
k
k
kk
B sen G V B V
V
Q
L u u cos .

(7.51)
Algumas características do jacobino são as seguintes:

1) Sendo n o número total de barras do sistema e  o número de barras de carga, o jaco-
biano terá  + ÷1 n linhas e ) 1 ( 2 ÷ n colunas.
2) Os elementos fora da diagonal principal, correspondentes a barras não conectadas di-
retamente entre si, são nulos. Isso torna o jacobiano altamente esparso.
3) As submatrizes H, M, N e L são esparsas e simétricas.
O algoritmo para solucionar um problema de fluxo de potência por Newton-Raphson é o
seguinte:
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1) Montar a matriz-admitância nodal [ Y

].
2) Arbitrar valores iniciais para as variáveis de estado de cada barra k:
0
k
u ,
0
k
V .
3) Calcular
k
P A e
k
Q A e verificar a convergência inicial:
) ( ) ( calculado
k
dado
k k
P P P ÷ = A , (7.52)
) ( ) ( calculado
k
dado
k k
Q Q Q ÷ = A .

(7.53)
onde os sobreíndices (e) e (c) significam “especificado” e “calculado”, respecti-
vamente.
4) Montar a matriz jacobiana [ J ].
5) Inverter [ J ].
6) Solucionar o sistema
| |
) (
1
) 1 ( i i
Q
P
J
V (
(
(
¸
(

¸

A
A
× =
(
(
(
¸
(

¸

A
A
÷
+
 
u
, (7.54)
onde (i) é o número da iteração.
7) Atualizar as variáveis de estado
) 1 ( ) ( ) 1 ( + +
(
(
(
¸
(

¸

A
A
+
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

i i i
V V V
  
u u u
. (7.55)
8) Calcular
k
P A e
k
Q A e verificar a convergência.
9) Se o sistema não tiver convergido, voltar ao passo (d).
Nota biográfica: Joseph Raphson (1648 – 1715) foi um matemático inglês que frequentou o
Jesus College, em Cambridge, e se formou em matemática em 1692. Pouco antes, em 1689, Ra-
phson já havia sido eleito Fellow of the Royal Society, por indicação de Edmund Halley. As da-
tas são incertas, inclusive as de nascimento e morte, pois quase nada se sabe da vida de Raphson.
De qualquer forma, ele ficou conhecido pelo método de Newton-Raphson e por ter traduzido
para o inglês a Arithmetica Universalis de Isaac Newton. Além disso, Raphson foi um grande
defensor da hipótese de que Newton teria sido o único inventor do Cálculo, em oposição aos
defensores do alemão Gottfried Leibniz. Apesar de tal proximidade de interesses, Raphson e
Newton não eram amigos ou colaboradores, coisa que, na verdade, teria sido difícil a Newton. O
método de Raphson para determinação de raízes de equações não lineares foi apresentado por ele
em seu Analysis Aequationum Universalis, de 1690. Newton desenvolveu um método similar em
seu Método das Fluxões, escrito em 1671, mas publicado somente em 1736. A versão de Raph-
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son, além de ser superior à de Newton, é aquela que aparece nos livros atuais e, se não fosse a
importância de Newton para a matemática e física, seria conhecido apenas como Método de
Raphson.
Exemplo 7.6. Monte o jacobiano para o sistema abaixo.

Figura 7.4


Solução.
O sistema tem n=3 barras. Logo, o jacobiano terá dimensão 2×2. Há apenas uma barra PQ (car-
ga). Logo, 1 =  . Assim, é conveniente renumerarmos os barramentos como em azul na figura,
de modo a podermos escrever:
a) Barramentos de Carga (PQ): 1 =  .
b) Barramentos de Geração (PV): 2 1= +  .
c) Barramento de referência (Vu): 3 = n .
As submatrizes serão
( ) ( ) 2 2 1 1 × ÷ × ÷
= H H
n n
,
( ) 1 2 1 × × ÷
= N N
n 
,

( ) 2 1 1 × ÷ ×
= M M
n 
,
1 1× ×
= L L
 
.

O jacobiano será
| |
(
(
(
(
(
¸
(

¸

· ÷ =
(
(
(
¸
(

¸

÷ =
22 22 21
22
12
22 21
12 11
.
L M M
N
N
H H
H H
L M
N H
J

    



 

,
ou, em termos de derivadas
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| |
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

c
c
c
c
c
c
·
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
=
2
2
2
2
1
2
2
2
2
2
1
2
2
1
2
1
1
1
V
Q Q Q
V
P P P
V
P P P
J

    



u u
u u
u u
.

Exemplo 7.7. Resolva o sistema da Figura 7.5, que consiste de uma linha de transmissão repre-
sentada por um modelo t, pelo método de Newton-Raphson. Considere pu P 001 , 0 = A = c e
0
0
2
= u e demais dados da Tabela 7.1.
Tabela 7.1 – Dados para o exemplo 7.7
Barra Tipo P (pu) Q (pu) V (pu) u (°)
1 Vu ? ? 1,0 0,0
2 PV –0,4 ? 1,0 ?


Figura 7.5 – Sistema para o Exemplo 7.7. Valores em pu.

A barra 1 é de referência e, logo, conhecemos o módulo e o ângulo da tensão nela. A bar-
ra 2 é de geração e conhecemos o módulo da tensão nela, restando calcular o ângulo
2
u , que é a
única variável do problema.
Inicialmente devemos calcular a matriz admitância:
25 , 1
8 , 0
1 1
12
21 12
j
j z
Y Y ÷ = ÷ = ÷ = =

 
.

27 , 1 25 , 1 02 , 0
1
12
11 22
j j j
z
B Y Y = + = + = =

  
.

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| | | | | | B j G
j j
j j
Y + =
(
¸
(

¸

÷
÷
=
27 , 1 25 , 1
25 , 1 27 , 1

.
(7.56)
| |
(
¸
(

¸

=
0 , 0 0 , 0
0 , 0 0 , 0
G .
(7.57)
| |
(
¸
(

¸

÷
÷
=
27 , 1 25 , 1
25 , 1 27 , 1
B .
(7.58)
Sabendo que a barra 1 é de referência (Vu), o jacobiano terá apenas um elemento, corres-
pondente à barra 2, de geração (PV), ou seja
| | | |
(
¸
(

¸

c
c
= =
2
2
22
u
P
H J .
De acordo com (7.45), teremos
( )
¿
=
÷ ÷ ÷ =
2
1
2 2 2 2 2 22
2
2 22
cos
m
m m m m m
B sen G V V B V H u u ,


ou
( ) ( ) | |
22 22 22 22 2 21 21 21 21 1 2 22
2
2 22
cos cos u u u u B sen G V B sen G V V B V H ÷ + ÷ × ÷ ÷ = .

(7.59)
ou, ainda, sabendo que ° = 0
22
u e 0 , 1
2 1
= =V V
. cos 25 , 1
21 22
u × ÷ = H

(7.60)
A potência na barra 2 pode ser escrita como
( )
¿
=
+ =
n
m
m m m m m
sen B G V V P
1
2 2 2 2 2 2
cos u u ,


ou
( ) ( ) | |
22 22 22 22 2 21 21 21 21 1 2 2
cos cos u u u u sen B G V sen B G V V P + + + × = .

(7.61)
ou, ainda
21 2
25 , 1 u sen P × ÷ =

(7.62)
Um teste inicial de convergência pode ser feito para 0 0 0
1 2 21
= ÷ = ÷ = u u u e 0 , 1
2
= V .
De (7.52), temos
4 , 0 0 4 , 0
.) (
2
) (
2 2
÷ = ÷ ÷ = ÷ = A
calc dado
P P P . (7.63)
Logo, o sistema não converge, pois deveríamos ter pu P 001 , 0
2
s A . Devemos calcular a
primeira iteração, para a qual teremos
. 25 , 1 ) 0 cos( 25 , 1 cos 25 , 1
21 22
÷ = × ÷ = × ÷ = u
I
H

(7.64)
O novo valor de
I
2
u A será
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| |
rad. 32 , 0
25 , 1
4 , 0
22
2
2
=
÷
÷
=
A
= A
H
P
I
u

(7.65)
O novo valor de
2
u , por sua vez, será
rad. 32 , 0 32 , 0 0
2
0
2 2
= + = A + =
I I
u u u

(7.66)
Agora devemos calcular o novo valor da potência (observe que os ângulos estão em radi-
anos)
rad. 39321 , 0 ) 32 , 0 ( 25 , 1 25 , 1
21 2
÷ = × ÷ = × ÷ = sen sen P
I
u

(7.67)
ou,

O erro será
00679 , 0 ) 39321 , 0 ( 4 , 0
2
) (
2 2
÷ = ÷ ÷ ÷ = ÷ = A
I e I
P P P . (7.68)

Logo, o sistema ainda não convergiu, sendo necessária uma segunda iteração.
. 18654 , 1 ) 32 , 0 cos( 25 , 1 cos 25 , 1
21 22
÷ = × ÷ = × ÷ = u
II
H

(7.69)
O novo valor de
II
2
u A será
| |
rad. 00572 , 0
18654 , 1
00679 , 0
22
2
2
=
÷
÷
=
A
= A
H
P
I
II
u

(7.70)
O novo valor de
2
u , por sua vez, será
+ = A + = 00572 , 0 32 , 0
2 2 2
II I II
u u u rad 32572 , 0
2
=
II
u

(7.71)
O novo valor da potência será
. 39999 , 0 ) 32572 , 0 ( 25 , 1 25 , 1
21 2
pu sen sen P
II
÷ = × ÷ = × ÷ = u

(7.72)
ou,

O erro será
00001 , 0 ) 39999 , 0 ( 4 , 0
2
) (
2 2
= ÷ ÷ ÷ = ÷ = A
II dado II
P P P . (7.73)

Agora o sistema convergiu dentro da margem de erro especificada. Resta somente calcu-
lar P
1
, Q
1
e Q
2
.
A potência na barra 1 pode ser escrita como
( )
¿
=
+ =
n
m
m m m m m
sen B G V V P
1
1 1 1 1 1 1
cos u u ,


ou
( ) ( ) | |
12 12 12 12 2 11 11 11 11 1 1 1
cos cos u u u u sen B G V sen B G V V P + + + × = .

(7.74)

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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ou, ainda, sabendo que 0 , 1
2 1
= =V V , 0
11
= u e rad 32572 , 0
2 1 12
÷ = ÷ = u u u

÷ × ÷ = ) 32572 , 0 ( 25 , 1
1
sen P pu 39999 , 0
1
= P

(7.75)

Notamos que, como não há cargas nem perdas ôhmicas na linha, as potências nas barras 1
e 2 são iguais em módulo. Da mesma forma, de (7.36), temos
| |, cos
1 1 1 1
2
1
1 1 m m m m
m
m
B sen G V V Q u u ÷ =
¿
=

(7.76)

ou,
( ) ( ) | |, cos cos
12 12 12 12 2 11 11 11 11 1 1 1
u u u u B sen G V B sen G V V Q ÷ ÷ ÷ =

(7.77)
÷ ÷ ÷ = ) 32572 , 0 cos( 25 , 1 ) 0 cos( 27 , 1
1
Q pu 45428 , 2
1
÷ = Q

(7.78)

Finalmente
| |, cos
2 2 2 2
2
1
2 2 m m m m
m
m
B sen G V V Q u u ÷ =
¿
=

(7.79)
( ) ( ) | |, cos cos
22 22 22 22 2 12 12 12 12 1 2 2
u u u u B sen G V B sen G V V Q ÷ ÷ ÷ =


× + × = ) 0 cos( 27 , 1 ) 32572 , 0 cos( 25 , 1
2
Q pu 45428 , 2
2
= Q

(7.80)

As características positivas do método de Newton-Raphson aplicado a Sistemas de Po-
tência são:
1) Converge quase sempre e é mais rápido do que o método de Gauss-Seidel.
2) O número de iterações necessárias para a convergência é praticamente independente
do número de barras.
3) O tempo computacional para a convergência é diretamente proporcional ao número
de barras (e não ao quadrado do número de barras).

As características negativas do método de Newton-Raphson são:
1) Necessidade de armazenar a matriz admitância.
2) Necessidade de inverter o jacobiano a cada iteração.

Exemplo 7.8. Calcule V
2
e V
3
para três iterações pelo método de Newton-Raphson para o siste-
ma a seguir.
Tabela 7.2 – Dados para o exemplo 7.8
Barra Tipo V (pu) u (rad) P (pu) Q (pu)
1 Vu (ref.) 1,0 0 ? 0
2 PQ (carga) ? 0 1,2 0
3 PQ (carga) ? 0 -1,5 0
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Figura 7.6 – Sistema para o Exemplo 7.8. Valores em pu.


Os elementos da matriz admitância, em pu, são calculados abaixo

30 ) 2 , 0 ( ) 1 , 0 ( 5 10
1 1
22 11
= + + + = =
÷ ÷
Y Y
 
.

30 ) 1 , 0 ( ) 1 , 0 ( 5 5
1 1
33
= + + + =
÷ ÷
Y

.



5 ) 2 , 0 (
1
21 12
÷ = ÷ = =
÷
Y Y
 
.



10 ) 1 , 0 (
1
32 23 31 13
÷ = ÷ = = = =
÷
Y Y Y Y
   
.


A matriz admitância pode ser escrita como
| |
(
(
(
¸
(

¸

÷ ÷
÷ ÷
÷ ÷
=
(
(
(
¸
(

¸

=
30 10 10
10 30 5
10 5 30
33 32 31
23 22 21
13 12 11
G G G
G G G
G G G
Y

. (7.81)
Por causa dos valores reais das impedâncias, bem como da ausência de reativos, apenas
P
2
, P
3
e as derivadas em relação a V
2
e V
3
interessam. Considerando ainda que o sistema tem três
barras ( 3 = n )

e que duas barras são de carga ( 2 =  ), o jacobiano terá a seguinte forma:
| |
(
(
(
(
¸
(

¸

c
c
c
c
c
c
c
c
=
(
¸
(

¸

÷ =
3
3
2
3
3
2
2
2
33 32
23 22
V
P
V
P
V
P
V
P
N N
N N
J . (7.82)
De acordo com (7.46), e sabendo que os ângulos são todos nulos, podemos escrever
km k
m
k
km
G V
V
P
N =
c
c
= .


Assim, teremos
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2 23 2 23
10V G V N ÷ = = ,


3 32 3 32
10V G V N ÷ = = .


Da mesma forma, de acordo com (7.47), teremos
¿
=
+ ÷ =
3
1 m
km m kk k kk
G V G V N .


Assim,
3 1 23 3 21 1 23 3 22 2 21 1 22 2 22
10 5 V V G V G V G V G V G V G V N ÷ ÷ = + = + + + ÷ = .


2 1 32 2 31 1 33 3 32 2 31 1 33 3 33
10 10 V V G V G V G V G V G V G V N ÷ ÷ = + = + + + ÷ = .


O jacobiano será, portanto
| |
(
¸
(

¸

+
+
=
2 1 3
2 3 1
10 10 10
10 10 5
V V V
V V V
J . (7.83)
Teste inicial de convergência. Devemos calcular inicialmente
0
2
P e
0
3
P . De acordo com
(7.36), e considerando que 0 =
km
B e 0 =
km
u , teremos
km
n
m
m k k
G V V P
¿
=
=
1
.
Além disso, inicialmente teremos
0 , 1
0
1
= V (fixo),
0 , 1
0
2
= V (constante),
0 , 1
0
3
= V (constante).

Assim,
( ) ( )
0
3
0
2
0
1
0
2 23
0
3 22
0
2 21
0
1
0
2
0
2
10 30 5 V V V V G V G V G V V P ÷ + ÷ = + + = ,
( ) 15 0 , 1 10 0 , 1 30 0 , 1 5 0 , 1
0
2
= × ÷ × + × ÷ × = P ,


e
( ) ( )
0
3
0
2
0
1
0
3 33
0
3 32
0
2 31
0
1
0
3
0
3
30 10 10 V V V V G V G V G V V P + ÷ ÷ = + + = ,
( ) 10 0 , 1 30 0 , 1 10 0 , 1 10 0 , 1
0
3
= × + × ÷ × ÷ × = P .


Para testar a convergência, recorremos a (7.52)
8 , 13 15 2 , 1
0
2
÷ = ÷ = AP ,
5 , 11 10 5 , 1
0
3
÷ = ÷ ÷ = AP .


Observando que o sistema não convergiu, devemos passar à primeira iteração, calculan-
do o jacobiano e seu inverso
| |
(
¸
(

¸

=
20 10
10 15
J , (7.84)
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| |
(
¸
(

¸

÷
÷
=
÷
075 , 0 05 , 0
05 , 0 1 , 0
1
J .

(7.85)
Os novos valores das tensões serão
| |
(
(
¸
(

¸

A
A
× +
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

÷
0
3
0
2 1
0
3
2
3
2
P
P
J
V
V
V
V
I
.


(
¸
(

¸

÷
÷
×
(
¸
(

¸

÷
÷
+
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

5 , 11
8 , 13
075 , 0 05 , 0
05 , 0 1 , 0
0 , 1
0 , 1
3
2
I
V
V


(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

÷
÷
+
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

8275 , 0
195 , 0
1725 , 0
805 , 0
0 , 1
0 , 1
3
2
I
V
V


Calculando as novas potências,
( ) ( ) 4479 , 1 8275 , 0 10 195 , 0 30 5 195 , 0 10 30 5
3 2 2 2
÷ = × ÷ × + ÷ × = ÷ + ÷ =
I I I I
V V V P ,
e
( ) ( ) 6541 , 10 8275 , 0 30 195 , 0 10 10 8275 , 0 30 10 10
3 2 3 3
= × + × ÷ ÷ × = + ÷ ÷ =
I I I I
V V V P .
Testando a convergência
6479 , 2 ) 4479 , 1 ( 2 , 1
2
= ÷ ÷ = A
I
P ,
1541 , 12 6541 , 10 5 , 1
3
÷ = ÷ ÷ = A
I
P .


A convergência ainda parece longe. Logo, devemos usar (7.83) para calcular o novo ja-
cobiano da segunda itereção
| |
(
¸
(

¸

+
+
=
2 1 3
2 3 1
10 10 10
10 10 5
V V V
V V V
J ,
| |
(
¸
(

¸

× + ×
× × +
=
195 , 0 10 10 8275 , 0 10
195 , 0 10 8275 , 0 10 5
J

| |
(
¸
(

¸

=
95 , 11 275 , 8
95 , 1 275 , 13
J


Invertendo o jacobiano
| |
(
¸
(

¸

÷
÷
=
0,0931579 0,0580702
0,0136842 0,0838596
J .


Os valores das tensões para a segunda iteração serão
| |
(
(
¸
(

¸

A
A
× +
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

÷
I
I
I II
P
P
J
V
V
V
V
3
2 1
3
2
3
2
.


(
¸
(

¸

÷
×
(
¸
(

¸

÷
÷
+
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

1541 , 12
6479 , 2
0,0931579 0,0580702
0,0136842 0,0838596
8275 , 0
195 , 0
3
2
II
V
V


Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

137


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(
¸
(

¸

÷
=
(
¸
(

¸

÷
+
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

4585 , 0
5834 , 0
286 , 1
3884 , 0
8275 , 0
195 , 0
3
2
II
V
V


Calculando novamente as potências
( ) ( ) 96864 , 9 4585 , 0 10 5834 , 0 30 5 5834 , 0 10 30 5
3 2 2 2
= × + × + ÷ × = ÷ + ÷ =
II II II II
V V V P ,
e
( ) ( ) 5666 , 13 4585 , 0 30 5834 , 0 10 10 4585 , 0 30 10 10
3 2 3 3
= × ÷ × ÷ ÷ × ÷ = + ÷ ÷ =
II II II II
V V V P .
Testando novamente a convergência

7686 , 8 9686 , 9 2 , 1
2
÷ = ÷ = A
I
P ,

0666 , 15 5666 , 13 5 , 1
3
÷ = ÷ ÷ = A
I
P .


Ainda não convergiu. Logo, devemos repetir o procedimento.
7.5. Método Desacoplado Rápido
Lembrando do método de Newton-Raphson, as derivadas que interessam são do tipo:

V
Q Q
V
P P
c
c
c
c
c
c
c
c
, , ,
u u
.
Em vários casos observamos que as variáveis PQ e QV são desacopladas, ou seja, inde-
pendentes, e podemos escrever
V
P P
c
c
>>
c
c
u
, (7.86)
u c
c
>>
c
c Q
V
Q
. (7.87)

As matrizes V P M c c = / e u c c = / Q N podem então ser desprezadas e o sistema para a
iteração i pode ser escrito como
) ( ) ( ) (
.....
0
.
0
.....
i i i
V L
H
Q
P
(
(
(
¸
(

¸

A
A
×
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

A
A u

 

, (7.88)
ou,

| | | | | |
| | | | | | ¦
¹
¦
´
¦
A × = A
A × = A
) ( ) ( ) (
) ( ) ( ) (
i i i
i i i
V L Q
H P u
. (7.89)

A separação de (7.88) em duas equações reflete o desacoplamento desejado. Em uma bar-
ra k qualquer, teremos
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

138


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.) ( ) ( calc
k
dado
k k
P P P ÷ = A , para k de 1 a n-1, (7.90)
.) ( ) ( calc
k
dado
k k
Q Q Q ÷ = A , para k de 1 a  .

(7.91)
Para acelerar a convergência, podemos fazer
k
calc
k
dado
k
k
k
V
P P
V
P
.) ( ) (
÷
=
A
, para k de 1 a n-1, (7.92)
k
calc
k
dado
k
k
k
V
Q Q
V
Q
.) ( ) (
÷
=
A
, para k de 1 a  .

(7.93)
O sistema (7.89) pode ser agora escrito como
| | | |
| | | |
¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
A × =
(
¸
(

¸
A
A × =
(
¸
(

¸
A
) ( ) (
) (
) ( ) (
) (
'
'
i i
i
i i
i
V L
V
Q
H
V
P
u
, (7.94)
onde
( )
km km km km m
k
km
km
B sen G V
V
H
H u u cos ' ÷ = = ,
(7.95)
( )
¿
e
÷ ÷ ÷ = =
k m
km km km km m kk k
k
kk
kk
B sen G V B V
V
H
H u u cos ' ,

(7.96)
km km km km
k
km
km
B sen G
V
L
L u u cos ' ÷ = = ,

(7.97)
( )
¿
e
÷ + ÷ = =
k m
km km km km m
k
kk
k
kk
kk
B sen G V
V
B
V
L
L u u cos
1
' .

(7.98)

As desigualdade (7.86) e (7.87) são particularmente em sistemas de EAT (Extra-alta Ten-
são, entre 230 kV e 750 kV) e UAT (Ultra Alta Tensão, acima de 750 kV). Em tais sistemas as
seguintes hipóteses simpleificadoras podem ser formuladas para o cálculo ' H e ' L :
a) Se o sistema é pouco carregado, então
km
u é pequeno. Logo 1 cos ~
km
u .
b) A relação
km km
G B / é elevada, entre 5 e 20. Logo,
km km km
sen G B u >> .
c) As reatâncias shunt são elevadas, muito maiores do que as reatâncias série. Logo,
k k kk
Q V B >>
2
.
d) As tensões
k
V e
m
V são sempre próximas a 1,0 pu.
Assim, podemos escrever
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¦
¦
¹
¦
¦
´
¦
÷ =
÷ =
÷ =
÷ =
. '
, '
, '
, '
kk kk
km km
kk kk
km km
B L
B L
B H
B H
(7.99)
Notamos que, com as aproximações feitas, os elementos dos jacobianos não dependem
mais de tensões e ângulos variáveis a cada iteração, dependendo agora somente de parâmetros da
matriz admitância, que são constantes. Em geral se faz agora as seguintes definições:
' ' B H = , (7.100)
' ' ' B L = .

(7.101)
As matrizes ' B e ' ' B são o negativo da parte imaginária (susceptância) da matriz admi-
tância. Em ' B aparecem as linhas e colunas referentes às barras PQ e PV, enquanto em ' ' B apa-
recem apenas as linhas e colunas referentes às barras PQ. Podemos fazer ainda as seguintes a-
proximações adicionais:
a) Na matriz ' B são desprezados os elementos que afetam Q, isto é, capacitâncias shunt
e transformadores com comutação sob carga. As resistências também são ignoradas
em ' B .
b) Na matriz ' ' B são desprezados os elementos que afetam P, tais como transformadores
defasadores.
Sendo assim, sabendo que a reatância entre as barras k e m é x
km
, e que O é o número de
barras diretamente ligadas à barra k, podemos escrever os elementos de ' B e ' ' B da seguinte
forma bastante simplificada:
¦
¦
¦
¦
¹
¦
¦
¦
¦
´
¦
÷ =
÷ =
=
÷ =
¿
O
=
=
. ' '
, ' '
,
1
'
,
1
'
1
kk kk
km km
k m
m km
kk
km
km
B B
B B
x
B
x
B
(7.102)

O exemplo a seguir esclarece a utilização do método desacoplado rápido.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Exemplo 7.9. Formule as equações para o método desacoplado rápido para o sistema a seguir e
obtenha o ângulo
2
u e a tensão
3
V

para as duas primeiras iterações.
Tabela 7.3 – Dados para o Exemplo 7.9
Barra Tipo V (pu) u (rad) P (pu) Q (pu)
1 Vu (ref.) 1,0 0,0 – –
2 PV (geração) 1,0 ? 0,4 0,0
3 PQ (carga) ? ? –1,0 –0,4

Tabela 7.4 – Dados das linhas (em pu) do Exemplo 7.9
Linha r x B
shunt
(total)
12 0,01 0,1 1,0
13 0,01 0,1 1,0
23 0,01 0,1 1,0


Figura 7.7 – Sistema para o Exemplo 7.9. Valores em pu.



(continua em breve...por enquanto só rabiscado em:
http://lunabay.com.br/alvaro/desacoplado_rapido_prof-alvaro-augusto.pdf )
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7.6. Exercícios
xxx

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8. ESTABILIDADE ESTÁTICA E TRANSITÓRIA
8.1 Estabilidade em regime permanente
Os rotores de máquinas síncronas de p polos, funcionando a uma frequência f
1
, giram a
uma velocidade síncrona dada, em rpm, por
p
f
N
s
1
120
= . (8.1)
Em regime permanente a velocidade síncrona é constante e é esse caso que analisare-
mos incialmente, por ser mais simples. Nesse caso, a potência fornecida pelo gerador (ou absor-
vida pelo motor) será também constante. Entretanto, podemos entender por regime permanente
também aquele no qual a potência é alterada muito lentamente, de modo que alterações no ângu-
lo de carga o, e também na frequência f
1
, sejam desprezíveis. Quando tais alterações não forem
desprezíveis estaremos falando em regime transitório, que deixaremos para o item 8.2.
A relação (8.1) implica em detalhes construtivos da máquina. Por exemplo, máquinas de
alta velocidade, como é o caso de turbogeradores, deverão ter um número de polos reduzido
(geralmente dois ou quatro). Nesse caso é razoavelmente fácil montar as bobinas do enrolamento
de campo, localizado no rotor, em ranhuras sobre uma estrutura cilíndrica. A máquina é então
denominada de polos cilíndricos ou de polos lisos
6
. Por outro lado, máquinas de baixa veloci-
dade, como é o caso de hidrogeradores, deverão ter um número elevado de polos (mais do que
dez, podendo chegar a mais de oitenta). Nesse caso é mais conveniente enrolar as bobinas de
campo sobre sapatas polares, montadas sobre uma estrutura cilíndrica. A presença das sapatas
resulta em saliências e a máquina é então denominada de polos salientes. O fato de a máquina
ser de polos lisos ou salientes afetará o comportamento da mesma, razão pela qual divideremos o
estudo a seguir em duas partes. A Tabela 8.1 resume as características das máquinas de polos
lisos e de polos salientes.
TABELA 8.1 – Diferenças entre máquinas de polos lisos e de polos salientes
Tipo N° de polos (p) Velocidade Tipo de gerador
Polos lisos Baixo (2 ou 4) Elevada Turbogerador
Polos salientes Elevado (mais de 10) Baixa Hidrogerador


6
Alguns autores, como JORDÃO (1980), preferem o termo polos não salientes, por entenderem que a presença das
ranhuras que alojam as bobinas de campo descaracteriza um rotor liso ou perfeitamente cilíndrico.
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8.2 Máquina de polos lisos em regime permanente
Considere uma máquina síncrona de polos lisos caracterizada por uma reatância síncrona
de eixo direto x
d
e por uma resistência de armadura r
1
, ambas medidas em ohms por fase. Supo-
nha também que, no referencial do estator, o fluxo magnético mútuo entre rotor e estator possa
ser escrito como
) ( ) (
2 2
| e ì + u = t sen N t
e f
,
(8.2)
onde
f
N é o número de espiras equivalente por fase do estator,
2
u é o fluxo por polo do rotor,
1
2 f
e
t e = é a frequência angular elétrica em radianos elétricos (rad-e) por segundo e | é um an-
gulo de fase. De acordo com a Lei de Faraday, a força eletromotriz induzida em uma fase do
estator será
) cos(
) (
) (
2
2
| e e
ì
+ u ÷ = ÷ = t N
dt
t d
t e
e f e f
. (8.3)
Podemos identificar ) (t e
f
com o seguinte fasor , cuja amplitude foi convertida para volts
eficazes e na qual foi incluído ainda um fator de enrolamento k
w
, resultante das características
construtivas dos enrolamentos trifásicos
|
e
Z u =
2
2
w f e
f
k N
E

. (8.4)
Fazendo ainda m k N
w f e
= 2 / e (uma constante) e considerando que a f.e.m. em (8.3) es-
tá 90° atrasada em relação ao fluxo mútuo em (8.2), podemos escrever
2
u ÷ =


jm E
f
, (8.5)
onde
2
u

é um fluxo pseudo-fasorial, pois o fluxo em (8.2) só varia no tempo quando no refe-
rencial do estator, mas não quando no referencial do rotor. Logo, trata-se de uma função diferen-
te de ) (t e
f
, por exemplo, que varia no tempo quando vista de qualquer referencial.
A linha definida por
2
u

é denominada eixo direto (d) e jaz sobre o eixo de simetria de
um polo norte.
f
E

, estando a 90 ° de
2
u

, alinha-se ao longo do eixo em quadratura (q), que
jaz sobre o plano neutro do rotor, conforme ilustrado na Figura 8.1 a seguir.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

144


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Figura 8.1
Definição dos eixos direto (d) e em quadratura (q)

Em situações de regime podemos imaginar que o fluxo
2
u

gira no sentido anti-horário
com velocidade constante
s
N , juntamente com todo o diagrama fasorial. Se houver um incre-
mente de potência mecânica na entrada do gerador, o polo norte se adiantará levemente em rela-
ção à referência, produzindo também um incremento em o . Da mesma forma, reduções na po-
tência mecânica serão acompanhadas de reduções de o , apropriadamente denominado ângulo de
carga (ou de potência). Os estudos de estabilidade, seja em regime permanente ou transitório,
têm a finalidade de determinar se os valores iniciais e finais de o correspondem a situações está-
veis, i.e., situações nas quais o gerador continua a operar em sincronismo com o barramento infi-
nito.
Suponha agora que a tensão interna por fase da máquina seja o Z =
f f
E E

, que a tensão
terminal por fase, aqui tomada como referência, seja ° Z = 0
1 1
V V

e que a corrente de armadura
por fase seja ¢ Z =
1 1
I I

. Podemos então escrever a seguinte equação fasorial
( )
1 1 1
I jx r V E
d f
  
+ + = . (8.6)
O circuito equivalente unifilar para a relação (8.6) é mostrado na Figura 8.2 a seguir. No
caso de máquinas de grande potência, como sempre será o nosso caso, a resistência r
1
é geral-
mente desprezível em relação à reatância síncrona x
d.
A relação (8.6) está escrita para o caso de
geradores. Para o caso de motores, basta multiplicar a corrente por –1.
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

145


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Figura 8.2
Circuito unifilar equivalente para uma máquina de polos lisos

Antes que o gerador possa produzir energia, ele precisa ser colocado em paralelo com o
barramento infinito. Para isso, é necessário que quatro condições sejam satisfeitas:
1) As sequências de fases do gerador e do barramento devem ser as mesmas.
2) As frequências do gerador e do barramento devem iguais.
3) As tensões do gerador e do barramento devem ser iguais.
4) Os ângulos de fase das tensões do gerador e do barramento devem ser iguais.
Sabendo que a tensão do gerador antes do sincronismo é
f
E

e que a tensão do barramen-
to é
1
V

, as quatro condições acima podem ser escritas em uma única equação fasorial.

q fq
V E
1
 
= . (8.7)
Condição de paralelismo
entre um gerador e o
barramento infinito.

onde 3 , 2 , 1 = q é o índice das fases. Podemos verificar que a relação (8.7) satisfaz imediatamente
às condições (a), (c) e (d). A condição (b) é satisfeita de maneira implícita, pois a definição de
um fasor decorre da utilização de um espaço onde a frequência é única e constante.
Supondo que
1
I

esteja atrasada de um ângulo ¢ em relação a
1
V

e que r
1
seja desprezí-
vel, podemos desenhar o diagrama fasorial ilustrado na Figura 8.3.
Duas relações interessantes podem ser obtidas para as potências ativa e reativa em função
dos parâmetros da máquina (
1
V ,
f
E ,
d
x , o ), em vez de em função dos parâmetros da carga (
1
V ,
1
I , ¢ ), como usual. Considere incialmente, na Figura 3, os triângulos OAB e ABC. Podemos
escrever, respectivamente, que

o sen V AB
1
= , (8.8)

o sen I x AB
d 1
= .

(8.9)
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

146


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Figura 8.3
Diagrama fasorial para um gerador sobreexcitado

Igualando AB em (8.8) e (8.9) e considerando que o ¢ o ÷ ÷ ° = 90 , teremos
) cos( ) 90 (
1 1 1
o ¢ o ¢ o + = ÷ ÷ = I x sen I x sen V
d d
. (8.10)
Do segmento OBC e do triângulo ABC, podemos agora escrever

o cos
1
V E BC
f
÷ = ,
(8.11)

o cos
1
I x BC
d
= .

(8.12)
Igualando BC em (8.11) e (8.12) e considerando novamente que o ¢ o ÷ ÷ ° = 90 , teremos
) ( ) 90 cos( cos
1 1 1
o ¢ o ¢ o + = ÷ ÷ = ÷ sen I x I x V E
d d f
.
(8.13)
Multiplicando (8.10) e (8.13) por V
1
e desenvolvendo um pouco mais, vem
( ) o ¢ o ¢ o sen sen I V I V x sen V
d
. cos . cos
1 1 1 1
2
1
÷ = , (8.14)
( ) ¢ o o ¢ o cos . cos . cos
1 1 1 1
2
1 1
sen I V sen I V x V E V
d f
+ = ÷ .
(8.15)
Substituindo ¢ cos
1 1
I V P = e ¢ sen I V Q
1 1
= em (8.14) e (8.15) e escrevendo em forma
matricial, teremos
(
¸
(

¸

×
(
¸
(

¸
÷
=
(
(
¸
(

¸

÷
×
Q
P
sen
sen
V E V
sen V
x
f d
o o
o o
o
o
cos
cos
cos
1
2
1 1
2
1
, (8.16)
Invertendo o sistema (8.16), podemos escrever
(
(
¸
(

¸

÷
×
(
¸
(

¸

÷
× =
(
¸
(

¸

o
o
o o
o o
cos cos
cos
1
2
1 1
2
1
V E V
sen V
sen
sen
x Q
P
f d
, (8.17)
Finalmente, desenvolvendo (8.17), teremos as relações buscadas para P e Q

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

147


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o sen
x
E V
P
d
f 1
= . (8.18)
Potência ativa de uma
máquina de polos lisos,
em watts/fase.

d d
f
x
V
x
E V
Q
2
1
1
cos ÷ = o . (8.19)
Potência reativa de uma
máquina de polos lisos,
em vars/fase.

Em decorrência das condições de sincronismo (8.7), um gerador recém-conectado ao bar-
ramento infinito terá
f
E V =
1
e 0 ) , (
1
= =
f
E V Ang
 
o . Nessas circunstâncias, as relações (8.18) e
(8.19) indicam que as potências ativa e reativa inicialmente fornecidas ao barramento serão nu-
las. Para transferir potência ativa ao barramento devemos aumentar o , o que é feito por meio do
aumento da potência mecânica no eixo da máquina. Mantendo-se
f
E constante, a potência em
função do ângulo de carga se comportará conforme mostra a Figura 8.4.

Figura 8.4
Potência ativa em função do ângulo de carga

A potência ativa máxima ocorre para 2 / t o =
ee
rad-e, valor que denominaremos ângulo
de estabilidade estática, pois a máquina não pode funcionar em regime permanente para ângu-
los acima deste valor e sairá de sincronismo. Na região estável, supondo excitação constante,
aumentos da potência mecânica
mec
P no eixo do gerador serão contrabalançados por aumentos da
potência elétrica resistente oferecida pelo gerador. O ângulo o permanecerá oscilando levemen-
te em torno do ponto de equilíbrio e a velocidade do rotor também oscilará levemente em torno
da velocidade síncrona. Acima de 2 / t o = , aumentos da potência mecânica produzirão reduções
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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da potência resistente e a condição de velocidade estável não poderá ser mantida, a não ser que
se atue sobre o controle de velocidade da turbina ou que outra providência seja tomada.
Exemplo 8.1. Seja um gerador trifásico de polos lisos, 10 MVA, 2,2 kV, ligado em estrela. A
reatância síncrona de eixo direto é 1,2 O por fase e a resistência de armadura pode ser despreza-
da. Considerando que a tensão interna seja igual à nominal, pede-se: (a) determine a corrente de
armadura correspondente à máxima potência ativa; (b) desenhe o diagrama fasorial correspon-
dente.
Solução. Para potência máxima, devemos ter 2 / t o = rad-e. Tomando ainda a tensão terminal
como referência, teremos, de (8.6)
A 5 , 058 . 1 5 , 058 . 1
2 , 1
3
200 . 2
90
3
200 . 2
2 , 1
3
200 . 2
90
3
200 . 2
1
1
j
j j jx
V E
I
d
f
+ =
÷ ° Z
=
÷ ° Z
=
÷
=
 

.

Convertendo para forma polar
A 45 9 , 496 . 1
1
° Z = I

.
A potência ativa fornecida será
MW 03 , 4 90
2 , 1
200 . 2 200 . 2
1 1
= °
×
= = sen sen
x
E V
P
d
l l
o .

A potência aparente será
MVA 7 , 5 9 , 496 . 1 200 . 2 3 3
1 1
= × × = = I V S
l
.
Note que a potência acima, inferior ao valor nominal, é a máxima potência que o gerador
pode fornecer na atual condição de excitação. Aumentando-se a excitação o gerador poderá che-
gar à condição de potência nominal, desde que se respeite a condição 2 / t o < rad-e. O diagra-
ma fasorial é mostrado na Figura 8.5 abaixo.

Figura 8.5
Diagrama fasorial para o Exemplo 8.1

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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8.3 Curva de capabilidade e curvas “V”
Além de conhecermos o limite de estabilidade estática é necessário conhecermos também
todos os limites operacionais da máquina, os quais são representados pela curva de capabilida-
de (também conhecida como curva de capacidade). Para obter tal curva é interessante dese-
nharmos antes o diagrama fasorial das potências. Começamos tomando a relação (8.6) e forçan-
do o aparecimento da potência aparente
d
x V /
1
, multiplicando ambos os lados por
d
x V /
1
e con-
siderando
1
r

desprezível
1 1
1 1
1
I jV
x
V V
x
E V
d d
f



+ = . (8.20)
Supondo que o fator de potência seja indutivo e tomando
1
V como referência, a relação
(8.20) poderá ser escrita como
) 90 (
1 1
2
1
1
¢ o ÷ Z + = Z I V
x
V
x
E V
d d
f
. (8.21)
O diagrama fasorial correspondente à relação (8.21) é mostrado na Figura 8.6 a seguir.

Figura 8.6
Diagrama fasorial das potências

Estamos agora interessados nos limites operacionais da máquina. O círculo ilustrado na
Figura 8.6, por exemplo, representa a potência aparente máxima da máquina, seja qual for o fator
de potência. Descartando-se outros componentes do conjunto turbina-gerador ou do conjunto
motor-carga, a potência operacional da armadura poderia se localizar em qualquer ponto dentro
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do círculo ilustrado. Contudo, existem outros limites a considerar, conforme ilustrado na Figura
8.7. Considere, por exemplo, que a máquina esteja funcionando como gerador. Se o limite da
turbina fosse especificado para coincidir com a potência ativa máxima do gerador (P
max
), tal co-
incidência se daria apenas em um ponto, ou seja, o de fator de potência unitário. Assim, reduzin-
do um pouco o limite da turbina que o gerador pode acionar (segmento OC), poderemos ter o
conjunto turbina-gerador funcionando em uma faixa mais extensa de fatores de potência.

Figura 8.7
Limites operacionais de uma máquina síncrona

Situação semelhante ocorre com o limite de excitação máxima. Se estipulássemos tal li-
mite como coincidindo com Q
max
, o campo do gerador estaria sobre-dimensionado, pois o limite
seria atingido somente para fator de potência zero. Assim, dimensionamos o segmento O’A como
o limite máximo de excitação, o que permite que a máquina funcione com excitação máxima em
uma faixa mais ampla de fatores de potência.
Finalmente, temos o limite de estabilidade. De acordo com a Figura 8.4, a potência má-
xima ocorre para o=90°. Contudo, uma margem de segurança deve ser estabelecida, pois o gera-
dor pode sair de sincronismo em o=90° e esta situação deve ser evitada. Assim, o ângulo de es-
tabilidade pode ser definido, liustrativamente, em aproximadamente 40°, de modo que, na Figura
8.7, o limite de estabilidade corresponde aos segmentos O’B, para gerador, e O’B’, para motor. A
curva de capabilidade completa é mostrada na Figura 8.8.
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Figura 8.8
Curva de capabilidade de uma máquina síncrona


(continua...)
8.4 Máquina de polos salientes em regime permanente
(em breve)
8.5 Estabilidade em regime transitório
(em breve)
8.6 Dinâmica da máquina síncrona ligada ao barramento infinito
O Barramento Infinito (BI) é um sistema elétrico altamente idealizado dotado das seguin-
tes características:
1) Tensão e frequência constantes, independentes de qualquer perturbação externa.
2) Capacidade de absorver e fornecer qualquer potência, seja ativa ou reativa.
3) Capacidade de absorver qualquer transitório.
Apesar do grande grau de idealização, o BI é útil da mesma forma que um plano sem atri-
to ou um condutor sem resistência, ou seja, para facilitar a análise inicial de sistemas mais com-
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plexos. Iniciaremos analisando o caso de um único gerador ligado ao BI e depois passaresmos a
sistemas compostos por dois geradores e finalmente para sistemas multimáquinas.
8.7 Equação geral da oscilação
Seja um gerador síncrono caracterizado pelas seguintes grandezas:
- P
ine
= potência de inércia da máquina, proporcional à aceleração do rotor e ao mo-
mento de inércia J, o qual, lembremos, mede a distribuição da massa em torno de um
eixo de rotação. Para um rotor cilíndrico de raio D e massa G, podemos escrever
J=GD
2
.
- P
mec
= potência mecânica no eixo da máquina.
- P
e
= potência elétrica, relacionada à conversão eletromagnética de energia.
Podemos então escrever,
mec e ine
P P P = + . (8.2)
Em outras palavras, a potência mecânica fornecida ao eixo do gerador deve ser suficiente
para manter o rotor em rotação e efetuar a conversão de energia.
Para uma máquina de p polos, cujo rotor gira a N rpm, a potência de inércia pode ser es-
crita como
2
2
60
2 2
dt
d N
p
J P
ine
o t
×
|
|
.
|

\
|
× × = . (8.3)
Quando conectado à rede, a velocidade do rotor não pode se afastar muito da velocidade
síncrona sem que o gerador perca o sincronismo. Logo, o termo entre parênteses pode ser consi-
derado constante e podemos escrever
2
2
dt
d
P P
j ine
o
= .
(8.4)
A potência eletromagnética, por sua vez, pode ser escrita como
) (o
o
s d e
P
dt
d
P P + = , (8.5)
onde P
d
é a potência de amortecimento, relacionada ao amortecimento causado pelo ar no en-
treferro e pelas barras amortecedoras, e P
s
é a potência síncrona. Para uma máquina de polos
lisos, temos P
s
= P
m
sen o, onde P
m
é a potência máxima e o é o ângulo de carga.
Substituindo (8.5) e (8.4) em (8.2), teremos a equação diferencial que descreve a oscila-
ção do ângulo o quando de mudanças de potência
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mec s d j
P P
dt
d
P
dt
d
P = + + ) (
2
2
o
o o
.
(8.6)
Equação diferencial da
dinâmica da máquina
síncrona.

8.8 Análise linearizada – máquina de polos lisos
A equação (8.6) não é nem um pouco simples. Por um lado, ela não é linear, por causa do
termo P
s
. Por outro, ela não é homogênea, pois o termo à direita do sinal de igual não é nulo.
Assim, temos uma equação diferencial de segunda ordem, não linear e não homogênea, que, no
caso geral, somente pode ser resolvida por meio de métodos computacionais (e.g., Runge-Kutta).
Contudo, no caso de pequenas oscilações (digamos, 6 / 6 / t o t s s ÷ ), podemos considerar que
o o = sen (em radianos). Nesse caso, a potência síncrona pode ser escrita como P
s
o, resultando
na seguinte equação diferencial linearizada

mec s d j
P P
dt
d
P
dt
d
P = + + o
o o
2
2
.
(8.7)
Equação diferencial
linearizada.

Fazendo inicialmente P
mec
=0 (gerador flutuando a vazio) e P
d
=0 (amortecimento despre-
zível), obtemos a equação do oscilador harmônico simples, cuja solução pode ser escrita como
7

) ( ) (
0
¢ e o o + = t sen t
n
, (8.8)
onde
j s n
P P / = e , em rad/s, é a frequência angular natural do sistema, o
0
é o valor inicial do
ângulo de carga e ¢ é um ângulo de fase a determinar.
Quando o amortecimento P
d
estiver presente, a oscilação será amortecida e caracterizada
por um fator de amortecimento dado por
j s
d
P P
P
2
= , ,
(8.9)
e por uma frequência angular amortecida dada por
2
1 , e e ÷ =
n d
.
(8.10)
A solução geral para o gerador linearizado amortecido flutuando a vazio pode ser escrita
como

7
Ver, eg., BRADBURY, T. C. Theoretical mechanics. New York: J. Wiley, c1968, p. 133.
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) ( ) (
0
| e o o
,e
+ =
÷
t sen e t
d
t
n
, (8.11)
Solução geral para o
gerador linearizado
amortecido flutuando a
vazio.

onde | é um ângulo de fase a determinar. A solução (8.11) mostra que, para o gerador flutuando
a vazio, qualquer perturbação
0
o será rapidamente amortecida. Caso isso não ocorra, corremos o
risco de que o gerador saia de sincronismo, pois, para potências médias muito baixas, o ângulo
de estabilidade estática 2 / t o =
ee
poderá ser atingido rapidamente.
Em alguns casos é interessante conhecermos também a velocidade de variação de o, que
pode ser obtida por derivação direta de (8.11):

| |
t
d n d d
n
e t sen t
dt
d
,e
| e ,e | e e o
o
÷
+ ÷ + = ) ( ) cos(
0
(8.12)

Velocidade de o para o
gerador linearizado
amortecido flutuando a
vazio.

Quando P
mec
for injetada no eixo do gerador, o ângulo de regime permanente será dado
por
s
mec
P
P
=
·
o .
(8.13)
Nesse caso a solução geral será
8


(
¸
(

¸

+ ÷ =
÷
·
) (
1
1 ) ( ¢ e
|
o o
,e
t sen e t
d
t
n
, (8.14)
Solução geral para o
gerador linearizado
amortecido operando
com P
mec
>0.

onde ) / ( , | ¢ arctg = e
2
1 , | ÷ = . A partir de (8.13) podemos calcular também a velocidade
de oscilação de o, que será


8
Ver BRADBURY, T. C., Op. cit., p. 138.
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| |
t
d d d n
n
e t t sen
dt
d
,e
¢ e e ¢ e ,e
|
o o
÷
·
× + ÷ + = ) cos( ) (
,
(8.15)

Velocidade de o para o
gerador linearizado
amortecido operando
com P
mec
>0.

Exemplo 8.1. Seja um gerador síncrono de quatro polos, 210 kW, 60 Hz, J=608 kg.m
2
, T
d
=243
Nm/rad-m.s, P
s
=14 kW/graus-e, ligado diretamente ao barramento infinito. Escreva a equação da
oscilação do ângulo o para: (a) gerador flutuando a vazio com ângulo inicial de 20 graus elétri-
cos; (b) carga nominal subitamente aplicada ao eixo.
Solução. A velocidade síncrona para quatro polos é rpm 800 . 1 =
s
N . De acordo com (8.3), a
potência de inércia será
303 . 57
60
800 . 1 2
4
2
608
60
2 2
=
×
× × = × × =
t t
s
j
N
p
J P W/rad-e.s
2
.
Convertendo para W/graus-e.s
2

000 . 1
180
303 . 57 = × =
t
j
P W/graus-e.s
2
.
A potência de amortecimento será
2 , 902 . 22
4
2
4
60 4
243
2 4 2
1
= ×
×
× = × × = × × =
t t
e
p p
f
T
p
T P
d s d d
W/rad-e.s.
Convertendo para W/graus-e.s
7 , 399
180
2 , 902 . 22 = × =
t
d
P W/graus-e.s.
A equação diferencial a vazio fica
0 000 . 14 7 , 399 000 . 1
2
2
= + + o
o o
dt
d
dt
d
(8.16)
A frequência natural de oscilação será
74 , 3
000 . 1
000 . 14
= = =
j
s
n
P
P
e rad/s. (8.17)
De acordo com a relação (8.9), o fator de amortecimento será
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0534 , 0
000 . 1 000 . 14 2
7 , 399
=
×
= , , (8.18)
correspondendo à seguinte frequência amortecida
7347 , 3 ) 0534 , 0 ( 1 74 , 3 1
2 2
= ÷ = ÷ = , e e
n d
.
(8.19)
A resposta para o gerador flutuando a vazio será, em graus elétricos
) 2 / 7347 , 3 ( 20 ) (
19985 , 0
t o + × =
÷
t sen e t
t
. (8.20)
Note que, para que o ângulo inicial seja 20°, o ângulo de fase | deve ser 90°. A velocida-
de de oscilação será
| |
t
e t sen t
dt
d
19985 , 0
) 2 / 7347 , 3 ( 1997 , 0 ) 2 / 7347 , 3 cos( 7347 , 3 20
÷
× + × ÷ + × × = t t
o
. (8.21)
A Figura 8.101 ilustra a variação de o em relação ao tempo e a Figura 8.102 ilustra a ve-
locidade de o em relação ao tempo.
A Figura 8.103 ilustra a evolução do sistema no chamado espaço de fase. Nesse caso,
abstraímos a variável tempo e plotamos a velocidade de o. em função de o. Percebemos que o
sistema inicia com o=20° e velocidade igual a –4°/s, atingindo o repouso (estabilidade) no ponto
(0, 0).

Figura 8.101
Solução para o gerador linearizado flutuando a vazio

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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Figura 8.102
Velocidade de o para o gerador linearizado flutuando a vazio


Figura 8.103
Diagrama no espaço de fase para o gerador linearizado flutuando a vazio

No caso do gerador que subitamente recebe carga nominal, podemos considerar P
mec
=210
kW. Assim, o ângulo de regime será, de acordo com (8.13)
° = = =
·
15
000 . 14
000 . 210
s
mec
P
P
o .
(8.22)
Note que P
mec
é medida em watts e que P
s
é medida em watts/graus-e. Logo,
·
o é medi-
do diretamente em graus-e.
O ângulo de fase ¢ será dado por
5174 , 1 94 , 86 )
0534 , 0
0534 , 0 1
( )
1
( ) (
2 2
= ° =
÷
=
÷
= = arctg arctg arctg
,
,
,
|
¢ rad-e. (8.23)
As soluções para o e para do /dt são dadas, respectivamente, por (8.14) e (8.15).
| | ) 5174 , 1 7347 , 3 ( 0014 , 1 1 15 ) (
19985 , 0
+ × ÷ × =
÷
t sen e t
t
o (8.24)
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| |
t
e t t sen
dt
d
19985 , 0
) 5174 , 1 7347 , 3 cos( 7347 , 3 ) 5174 , 1 7347 , 3 ( 19985 , 0 02 , 15
÷
× + × ÷ + × × =
o
(8.25)
As Figuras 8.104, 8.105 e 8.106 mostram o comportamento do gerador linearizado sob
carga. Percebemos que agora o gerador atinge a estabilidade no ponto (15°, 0°/s).
Em física, um atrator é definido como um ponto ou conjunto de pontos para o qual evo-
lui um sistema dinâmico, independentemente do ponto de partida. Assim, no caso do gerador a
vazio o atrator é (0°, 0°/s), enquanto no caso do gerador sob carga o atrator é (15°, 0°/s). Em
sistemas de potência todo o esforço é feito para que o atrator seja um único ponto por gerador.
Caso o atrator seja um conjunto de pontos, o que pode acontecer se o amortecimento e/ou a po-
tência sincronizante forem muito baixos, o sistema pode se tornar instável.

Figura 8.104
Solução para o gerador linearizado sob carga


Figura 8.105
Velocidade de o para o gerador linearizado sob carga

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

159


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Figura 8.106
Diagrama no espaço de fase para o gerador linearizado sob carga


(continua...)
8.9 Método das áreas iguais – máquina conectada ao barramento infinito
(em breve)
8.10 Método das áreas iguais – sistemas de duas máquinas
(em breve)
8.11 Solução numérica para máquina conectada ao barramento infinito
(em breve)
8.12 Solução numérica para sistemas multimáquinas
(em breve)
8.13 Serviços ancilares
(em breve)
8.14 Reservas girante e não girante
(em breve)
8.15 Regulações primária e secundária
(em breve)
Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

160


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8.16 Controle automático de geração
(em breve)
8.17 Controle de carga e frequência
(em breve)
8.18 Exercícios
(em breve)



Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

161


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9. OPERAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS



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162


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10. LINHAS DE TRANSMISSÃO



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Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34

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SUMÁRIO
1. 2. 3. 4. UM POUCO DE HISTÓRIA .......................................................................................................................... 4 GLOSSÁRIOS ............................................................................................................................................... 6 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 8 O SISTEMA POR UNIDADE .......................................................................................................................11 4.1. 4.2. 4.3. 4.4. 4.5. 4.6. 4.7. 4.8. 4.9 4.10 4.11 5. 5.1. 5.2. 5.3. 5.4. 5.5. 5.6. 6. 6.1. 6.2. 6.3. 6.4. 6.5. 6.6. 6.7. 7. 7.1. 7.2. 7.3. 7.4. 7.5. 7.6. 8. 8.1 8.2 8.3 8.4 8.5 8.6 8.7 8.8 8.9 INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 11 DEFINIÇÃO DE PU ....................................................................................................................................... 11 MUDANÇA DE BASE ..................................................................................................................................... 15 TRANSFORMADOR DE DOIS ENROLAMENTOS .................................................................................................. 17 TRANSFORMADOR DE TRÊS ENROLAMENTOS .................................................................................................. 21 TRANSFORMADOR COM TAP FORA DO VALOR NOMINAL ................................................................................... 23 MODELOS DE GERADORES SÍNCRONOS ........................................................................................................... 32 MODELOS DE LINHAS DE TRANSMISSÃO ......................................................................................................... 36 MODELOS DE CARGAS .................................................................................................................................. 38 INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DE CURTO-CIRCUITO. ........................................................................................... 41 EXERCÍCIOS ................................................................................................................................................ 48 INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 53 O TEOREMA DE FORTESCUE ......................................................................................................................... 53 POTÊNCIA COMPLEXA .................................................................................................................................. 60 IMPEDÂNCIAS DE SEQUÊNCIA........................................................................................................................ 61 IMPEDÂNCIAS DE SEQUÊNCIA DOS COMPONENTES DE UM SEP.......................................................................... 63 EXERCÍCIOS ................................................................................................................................................ 83 INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 87 CURTO-CIRCUITO FASE-TERRA ..................................................................................................................... 88 CURTO-CIRCUITO FASE-FASE ........................................................................................................................ 90 CURTO-CIRCUITO FASE-FASE-TERRA ............................................................................................................. 92 MÉTODO DA MATRIZ IMPEDÂNCIA DE BARRA ............................................................................................... 100 OBTENÇÃO DIRETA DA MATRIZ IMPEDÂNCIA DE BARRA ................................................................................. 107 EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 109 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 112 MÉTODO DE GAUSS ................................................................................................................................... 115 MÉTODO DE GAUSS-SEIDEL ....................................................................................................................... 121 MÉTODO DE NEWTON-RAPHSON ................................................................................................................ 122 MÉTODO DESACOPLADO RÁPIDO ................................................................................................................ 137 EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 140 ESTABILIDADE EM REGIME PERMANENTE .................................................................................................... 142 MÁQUINA DE POLOS LISOS EM REGIME PERMANENTE .................................................................................... 143 CURVA DE CAPABILIDADE E CURVAS “V” ...................................................................................................... 149 MÁQUINA DE POLOS SALIENTES EM REGIME PERMANENTE ............................................................................ 151 ESTABILIDADE EM REGIME TRANSITÓRIO..................................................................................................... 151 DINÂMICA DA MÁQUINA SÍNCRONA LIGADA AO BARRAMENTO INFINITO .......................................................... 151 EQUAÇÃO GERAL DA OSCILAÇÃO.................................................................................................................. 152 ANÁLISE LINEARIZADA – MÁQUINA DE POLOS LISOS ...................................................................................... 153 MÉTODO DAS ÁREAS IGUAIS – MÁQUINA CONECTADA AO BARRAMENTO INFINITO ............................................ 159

COMPONENTES SIMÉTRICAS ..................................................................................................................53

CÁLCULO DE CURTO-CIRCUITO ..............................................................................................................87

FLUXO DE POTÊNCIA .............................................................................................................................112

ESTABILIDADE ESTÁTICA E TRANSITÓRIA .........................................................................................142

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8.10 8.11 8.12 8.13 8.14 8.15 8.16 8.17 8.18 9. 10. 11.

3

MÉTODO DAS ÁREAS IGUAIS – SISTEMAS DE DUAS MÁQUINAS ......................................................................... 159 SOLUÇÃO NUMÉRICA PARA MÁQUINA CONECTADA AO BARRAMENTO INFINITO ................................................. 159 SOLUÇÃO NUMÉRICA PARA SISTEMAS MULTIMÁQUINAS ................................................................................. 159 SERVIÇOS ANCILARES ................................................................................................................................ 159 RESERVAS GIRANTE E NÃO GIRANTE ............................................................................................................ 159 REGULAÇÕES PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA ....................................................................................................... 159 CONTROLE AUTOMÁTICO DE GERAÇÃO......................................................................................................... 160 CONTROLE DE CARGA E FREQUÊNCIA ........................................................................................................... 160 EXERCÍCIOS .............................................................................................................................................. 160 LINHAS DE TRANSMISSÃO ................................................................................................................162 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................................163

OPERAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS ................................................................................................161

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mas ofertada todo semestre) trata de controle de potência ativa. na área de Sistemas de Potência. Adicionalmente. este curso era oferecido em apenas um semestre. Já a disciplina de Sistemas de Potência 2 (optativa. Longe de pretenderem substituir a literatura existente na área. Curitiba. Linhas de Transmissão. Planejamento de Sistemas. Subestações. nas grades antigas. UM POUCO DE HISTÓRIA O curso de Engenharia Elétrica da UTFPR. possibilitam que o estudante possa concentrar seus estudos com grande eficiência. ênfase Eletrotécnica”. modelamento de áreas de controle. também é uma instituição consolidada no Paraná e no Brasil. no qual se abordavam basicamente curtocircuito e fluxo de potência. as presentes Notas de Aula (no momento incompletas) têm o objetivo de facilitar a introdução do aluno nessa área fascinante dos Sistemas Elétricos de Potência. posição que assumiu apenas em 2005. curto-circuito e fluxo de potência. tensão e frequência. de Almeida – UTFPR . de Almeida UTFPR. anteriormente denominado “Engenharia Elétrica. Prof. componentes simétricas. a disciplina de Sistemas Elétricos de Potência tem sido obrigatória. assim como outras. Alvaro Augusto W. Nossa Universidade Tecnológica Federal do Paraná completou seu primeiro centenário em 2009 e. A disciplina Sistemas de Potência 1 da grade atual tem basicamente a mesma ementa da antiga Sistemas Elétricos de Potência: modelagem de sistemas de potência. com 60 horas semanais. 2010 Prof. fluxo de potência ótimo e outros. tem no momento mais de trinta anos de existência e uma posição consolidada junto à comunidade acadêmica paranaense. Anteriormente. como é o caso do Brasil. embora tenha ainda pouca experiência como universidade. assim como os conceitos teóricos necessários ao desenvolvimento de tais conteúdos. Proteção de Sistemas. estabilidade estática e transitória e métodos de análise do problema da estabilidade. Assuntos como estabilidade de sistemas eram abordados de maneira introdutória na disciplina de Geração de Energia e havia pouco espaço para estudos sobre transitórios.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 4 1. reativa. sistema “por unidade”. Sobretensões em Sistemas Elétricos de Potência. as disciplinas de Operações de Sistemas. Alvaro Augusto W. tão essencial a um país dotado de um imenso sistema elétrico interligado. caso este seja seu objetivo. Durante toda a existência do nosso curso de Engenharia.

foram elaboradas pelo autor usando o GNU Image Manipulation Program – GIMP 2. Alvaro Augusto W. 3) No momento (03/07/11) este é um trabalho em progresso. exceto a Figura 3. o autor agradece notificações enviadas pelo e-mail alvaroaugusto@utfpr. disponível em www. Em caso de constatação de erros. 2) Todas as fotografias são de domínio comum.6.1.edu. de Almeida – UTFPR .gimp.org.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 5 Observações: 1) Todas as figuras deste trabalho. Prof.br.

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2. GLOSSÁRIOS
Glossário de símbolos usados como subíndices ou sobre-índices Símbolo Indicação dada pelo índice 0 Componente de sequência zero 1 Componente de sequência positiva 2 Componente de sequência negativa 012 Sistema de sequência (equilibrado) a Fase “a” b Fase “b”, valor base c Fase “c”, perdas no núcleo (“core”) abc Sistema original (desequilibrado) ca Circuito aberto cc Curto-circuito d Componente de eixo direto ef Valor eficaz elt Grandeza elétrica g Entreferro, componente de entreferro Ordem de um harmônico h i Entrada (input) q Componente de eixo em quadratura  Tensão ou corrente de linha max Valor máximo mec Grandeza mecânica mit Máquina de indução trifásica mst Máquina síncrona trifásica mim Máquina de indução monofásica min Valor mínimo msm Máquina síncrona monofásica mdc Máquina de corrente contínua m Grandeza magnética, magnetização n Valor nominal n Componente normal o Saída (output) pu Por unidade (valor por unidade) q Componente de eixo em quadratura r Componente radial, rotor rb Rotor bloqueado s Saturado, síncrono, síncrona Total T Componente tangencial  Perdas ôhmicas, componente de perdas ôhmicas 

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Glossário de símbolos gerais Símbolo Unidade Descrição 2 a m/s Aceleração A m2 Área da seção reta B T Indução magnética C F Capacitância e V Força eletromotriz instantânea E V Força eletromotriz eficaz f Hz Frequência fp – Fator de potência F A-e/m Força magnetomotriz H A-e Intensidade magnética I A Corrente elétrica m Comprimento  L H Indutância N rpm Rotação, velocidade Ns rpm Velocidade síncrona p – Número de polos P W Potência ativa q – Número de fases Q var Potência reativa r Resistência elétrica  r m Raio s – Escorregamento S VA Potência aparente t S Tempo, intervalo de tempo T Nm Torque, conjugado ou binário V V Tensão nos terminais x Reatância  xL Reatância indutiva  xC Reatância capacitiva  Z Impedância  Graus, rad Ângulo de carga   Graus, rad Ângulo do fator de potência   Wb Fluxo magnético por polo   – Rendimento, eficiência   H/m Permeabilidade magnética   Resistividade elétrica m   Rad/s Velocidade angular ou frequência angular   Rad/s Velocidade angular síncrona s

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3. INTRODUÇÃO
Em agosto de 2010 o Sistema Interligado Brasileiro (SIN) era composto por 2.271 empreendimentos de geração em operação, totalizando uma potência instalada de 110.224 MW. Desta potência, 69,24% correspondem a Usinas Hidrelétricas (UHEs), 25,15% correspondem a Usinas Termelétricas Convencionais (UTEs), 1,82% a Usinas Termelétricas Nucleares (UTNs) e o restante a Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), e Centrais Eólicas (EOL). A necessidade de alimentar os grandes centros consumidores do Sudeste a partir da energia produzida em regiões remotas do país tornou necessária a construção de uma extensa rede de transmissão, conforme ilustrada na Figura 3.1.

Figura 3.1 Integração eletroenergética do Sistema Interligado Nacional (SIN) Fonte: ONS, http://www.ons.com.br/conheca_sistema/mapas_sin.aspx

A interligação do SIN é feita por meio da Rede Básica, redefinida em 1998 por meio da Resolução ANEEL 245/1998. A Rede Básica dos sistemas elétricos interligados é constituída por todas as linhas de transmissão em tensões iguais ou superiores a 230 kV e subestações que contenham equipamentos em tensão igual ou superior a 230 kV, integrantes de concessões de servi-

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de fluxo de potência. Modernamente todos esses estudos são feitos por meio de computadores. o problema se torna mais complexo. como nos casos dos curtos fase-terra. pois as correntes em cada uma das fases serão diferentes. O planejamento e operação de sistemas elétricos. Prof. de modo que sistemas adequados de proteção possam ser dimensionados. pode ser simétrico. embora didático. bem como operá-los corretamente. do porte do sistema brasileiro ou não. Felizmente. Excepcionalmente. também conhecido como fluxo de carga. mais apropriadamente denominado falta. de Almeida – UTFPR . o que nos permitirá conhecer correntes e potências de curto em cada uma das barras do sistema. O método desacoplado rápido. Fluxo de potência. Dessa forma podemos dimensionar linhas de transmissão. em situações de curto podemos fazer algumas simplificações no sistema e podemos também usar o método das componentes simétricas. é forçada a manter tensão nula ou quase nula. como nos casos dos curtos trifásico e trifásico-terra. de curto-circuito e de estabilidade. O curto. outros métodos. ou assimétrico. é um problema matemático. Conduto. ou seja. no caso dos curtos assimétricos. cujo objetivo é determinar as tensões e potências em todos os barramentos de um sistema elétrico. poderíamos em princípio usar os métodos de fluxo de potência para resolver problemas de curto-circuito. A finalidade das disciplinas de Sistemas de Potência 1 e 2 é fornecer uma introdução a esses assuntos. apresenta as desvantagens de não convergir sempre e de não se prestar a sistemas com mais do que algumas dezenas de barras. tais como os estudos de previsão de carga. demandam estudos bastante complexos. que é uma simplificação do Newton-Raphson. Um método elementar para solução de fluxo de potência é o Gauss-Seidel. como o Newton-Raphson. desde que autorizadas pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). Em linhas gerais. linhas e subestações em tensões inferiores a 230 kV podem fazer parte da Rede Básica. transformadores e demais equipamentos que farão parte do sistema. Alvaro Augusto W.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 9 ços públicos de energia elétrica. devem ser utilizados. que. Sendo um problema de fluxo de potência em condições excepcionais. de modo a manter os padrões adequados de tensão e frequência. A operação correta dos sistemas também depende do conhecimento dos níveis de curtocircuito em cada barramento. alguns deles em tempo real. fase-fase ou fase-fase-terra. também pode ser utilizado em alguns casos. o problema de curto-circuito nada mais é do que um problema de fluxo de potência no qual uma das barras é submetida a condições de curto. Nesses casos.

devendo ser retirada do sistema ou ter sua situação corrigida. sistema por unidade e componentes simétricas). Como sabemos. o ângulo para potência máxima. Finalmente. e acima do qual a máquina perderá estabilidade. Na atual grade do curso de Engenharia Elétrica esse assunto é abordado em Sistemas de Potência 2. Prof. é 90°. nos geradores de polos lisos o ângulo de estabilidade estática. que dependerá da inércia do rotor e de outras variáveis. juntamente com os conteúdos auxiliares (modelos de equipamentos. Já nos geradores de polos salientes esse valor será inferior a 90°. estudos de estabilidade têm o objetivo de determinar os limites operacionais de geradores síncronos operando em sistemas multimáquinas. mas métodos simplificados também podem ser empregados. ou seja. por causa da diferença entre as reatâncias de eixo direto e de eixo em quadratura. Problemas de estabilidade envolvem basicamente a solução de equações diferenciais de segunda ordem. Contudo. interessa-nos conhecer também o ângulo de estabilidade dinâmica da máquina. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 10 Fluxo de potência e curto-circuito formam o conteúdo básico de Sistemas de Potência 1.

Nos cálculos. Todavia. haverá várias tensões e correntes nominais em cada lado de cada um dos transformadores. O SISTEMA POR UNIDADE 4. Assim.. Por outro lado. a multiplicação de dois valores em pu já fornece o novo valor também em pu. no qual. quando expresso de forma percentual. tal como tensão. Quando expressamos valores finais. costumamos anexar a partícula “pu” ao final dos valores. Em decorrência disso. de modo a evitar confusão. é conveniente introduzirmos um sistema de unidades. o sistema pu é mais adequado. Vbase (4.1) Definição de um valor em pu Um valor expresso em pu é igual a um centésimo do mesmo valor. impedância. Da mesma forma que percentuais. 4. Alvaro Augusto W. Definição de PU Um valor em pu nada mais é do que o valor original de uma grandeza qualquer. Prof. A razão é que dois valores percentuais. de Almeida – UTFPR . como veremos. tanto faz usar pu ou %. valores em pu são adimensionais. corrente. devem ser divididos por 100 para resultar em um novo valor percentual. Introdução Sistemas Elétricos de Potência (SEPs) são geralmente formados por vários transformadores elevadores e abaixadores. denominado sistema pu (“por unidade”). quando multiplicados. o valor expresso em pu será V pu  Vreal .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 11 4.2. etc. tornando os cálculos bastante trabalhosos e complexos. contudo. Sendo Vreal o valor da grandeza original e Vbase o valor base.1. todas as relações de transformação de todos os transformadores se tornam unitárias. em vez de usarmos as unidades convencionais. como volts.facilitando enormemente os cálculos. amperes e ohms. escrito em relação a um valor base da mesma grandeza.

6) Caso a tensão seja 1 pu.8 kV V %  100  V pu  100  1. As principais vantagens do sistema por unidade são: 1) Os fabricantes de equipamentos tais como geradores.1. O valor em pu é V pu  enquanto o valor percentual é Vreal 14 kV   1. Um transformador de tensão nominal primária igual a 13.) têm impedâncias semelhantes quando expressas em pu.95 pu e 1.). 5) Em pu é mais fácil identificar quando os valores de grandezas como tensões e potências se afastam dos valores nominais. as tensões em qualquer barramento podem variar em ±5% em relação à tensão nominal. baixa tensão) que tomamos como referência.0145  101.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 12 Exemplo 4. Vbase 13. motores e transformadores costumam fornecer reatâncias e impedâncias já em pu ou em %. 4) Como veremos.0145 pu . as tensões mínima e máxima permitidas serão respectivamente iguais a 0. Além disso. Alvaro Augusto W. na base do equipamento.05 pu em relação à tensão nominal. expressas nas bases nominais dos equipamentos. a impedância de transformadores torna-se independente do tipo de ligação (delta-estrela. média. é independente do lado (alta. estrela-estrela. 3) O uso do fator 3 é minimizado nos cálculos trifásicos em pu. a potência aparente e a corrente em pu serão numericamente iguais. 3Vb I b Prof. Solução. deltadelta. Expresse a tensão de operação em pu e em percentual. de Almeida – UTFPR . 2) Equipamentos semelhantes (mesma tensão. etc. mesma potência. Isso facilita os cálculos para substituição de equipamentos e para expansão e reformulação de redes. seja qual for esta. quando expressa em pu. Por exemplo.45% . etc. a impedância de transformadores. como segue S pu  3VI  V pu I pu . por causa do cancelamento do fator 3 .8 kV opera momentaneamente em 14 kV. Logo.

as bases para as outras duas seguem diretamente. há um grande grau de arbitrariedade na escolha do valor base para determinada grandeza. teremos Zb Vb 2 . Em sistemas de potência.  Sb (4. 3) Linhas de transmissão e impedâncias em série e em paralelo não afetam as bases de tensão.3) Corrente-base em função de Vb e Sb. 2) Potência aparente S (em MVA). Prof.2) Impedância-base em função de Vb e Sb. Apenas transformadores afetam tais bases. 2) As bases de tensão. 3) Corrente elétrica I (em A ou kA). Geralmente iremos escolher as bases para tensão (Vb) e para potência (Sb). Em circuitos trifásicos. entretanto. corrente e impedância transformam-se de acordo com as relações de transformação usuais dos transformadores. Alvaro Augusto W. 3Vb (4. calculando as bases para impedância (Zb) e corrente (Ib). São elas: 1) Tensão elétrica V (em kV). Observações: 1) A potência-base é única e uma só para todos os barramentos do sistema em análise. que é o caso usual. estamos geralmente mais interessados em quatro grandezas inter-relacionadas.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 13 Em princípio. o que fará com que as respectivas bases sejam também inter-relacionadas. e Ib  Sb . 4) Impedância Z (em W). corrente e impedância. Escolhendo-se as bases para duas das grandezas acima. de Almeida – UTFPR . O exemplo a seguir esclarece essas características das bases das diversas grandezas.

ou seja Vb2  kT12  Vb1  138 kV  13. Alvaro Augusto W.8  Vb2  138 kV 13.522  Z b2 V   138 kV  2 b2 2 Sb 20 MVA  Zb2  952.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 14 Exemplo 4.2 Solução.2.8 kV.12 pu 100 Prof.2  Z b3  Z b2  Zb3  952. Figura 4. Considere que a potência-base é 20 MVA e que a tensãobase no primeiro barramento é 13.1 Sistema para o Exemplo 4. A tensão-base na barra 1 é Vb1  13.8 kV  2 b1 2 Sb 20 MVA  Zb1  9. A tensão-base na barra 2 pode ser obtida considerando-se a relação de transformação do transformador.8 kV A tensão-base na barra 3 é igual à tensão-base na barra 2. pois linhas de transmissão não afetam as bases de tensão:  Vb3  138 kV As impedâncias-base podem ser obtidas a partir da potência-base e das tensões-base Z b1 V   13.8 kV . Converta para pu as impedâncias do sistema abaixo e determine as bases de tensão e de impedância em cada barramento.10 pu 100 j12%  xT12  j 0. de Almeida – UTFPR .2  As reatâncias do gerador e do transformador podem ser facilmente convertidas para pu xG1  xT12  j10%  xG1  j 0.

Logo. motores e transformadores são geralmente expressas pelo fabricante nas respectivas bases nominais. Z bn Igualando Z  nas expressões acima. Z  = impedância original do equipamento. Z vpu = impedância em pu na base velha. Vbv = tensão-base velha (equipamento). Z npu = impedância em pu na base nova.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 15 A reatância em pu da linha de transmissão pode ser obtida dividindo-se a reatância em ohms pela impedância-base nas barras 2 e 3 xLT12  j80 Ω  xLT12  j 0. vêm Z  Zvpu  Zbv  Z npu  Zbn . devemos escrever Z npu  Z vpu  2 2 Z bv . as bases do sistema em análise geralmente são diferentes das bases dos equipamentos. teremos Prof. Alvaro Augusto W. sendo necessário transformar de uma para outra e vice-versa. Z bn Substituindo Zbv  Vbv  / Sbv e Zbn  Vbn  / Sbn . Sejam inicialmente as variáveis abaixo: Sbv = potência-base velha (equipamento). Retomando a definição de pu.3. em ohms. Vbn = tensão-base nova (sistema).2 Ω 4. Queremos obter a impedância em pu na base nova em função da impedância em pu na base antiga. Sbn = potência-base nova (sistema). de Almeida – UTFPR . podemos agora escrever Z vpu  Z Z bv e Z npu  Z . Contudo.084 pu 952. Mudança de base As impedâncias de equipamentos tais como geradores.

pois somente nesse trecho temos impedâncias em ohms que devem ser convertidas para pu Z b2  Z b3  V   135.50 kV 138 kV A única impedância-base que interessa é a das barras 2 e 3. Figura 4.6 kV 135.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 16 Z pu n Z pu v V  S  bn   bv  . Vb1 . A tensão-base na barra 2 pode ser obtida a partir de Vb1 .2 Sistema para o Exemplo 4.4) Mudança de bases de uma impedância em pu. no sistema abaixo. converta todas as impedâncias para pu. Exemplo 4. que a potência-base é 50 MVA e que a tensãobase na barra 1 é 15 kV.87 kV 13.87 kV A tensão-base na barra 4 pode ser calculada da mesma maneira Vb4  6. T12 e T34 podem agora ser expressas em pu e transformadas para as bases novas (do sistema) Prof.21  As reatâncias de G1. de Almeida – UTFPR .3 Solução. A tensão-base na barra 1. Alvaro Augusto W. foi arbitrada em 15 kV. Considerando.8 kV A tensão-base na barra 3 é igual à tensão-base na barra 2 Vb3  135.3.87  Vb4  6. nas bases do sistema. ou seja Vb2  125 kV  15  Vb2  135.87 kV 2 b2 2 Sb 50 MVA  Zb2  369. Sbv  Vbn    2 (4.

8     xT12  j 0.08      xG1  j 0. como mostrado na Figura 4.0846 pu 50  15  2 2 50  138   j 0.12      xT34  j 0.872 / 50 LT23 A carga na barra 4 também pode ser escrita em pu S4  25 MVA  S4  0.3 4.1547 pu 40  135. independentemente do lado que se tome como. podemos desenhar o diagrama da Figura 4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 17 50  15  xG1  j 0. Prof.50 pu 50 MVA Sabendo agora que todos os elementos do sistema podem ser representados por meio de suas impedâncias.4.10  xT34 2 50  13. no qual os parâmetros do secundário foram referidos ao primário por meio da relação de espiras k=N1/N2.3 a seguir. Alvaro Augusto W.87  A reatância da linha de transmissão pode finalmente ser calculada como xLT23  j100 j100 j100    x  0.3 Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4. Transformador de dois enrolamentos Podemos agora mostrar que a impedância em pu de um transformador de dois enrolamentos é a mesma.4. referência. . de Almeida – UTFPR . Figura 4.1333 pu 30  15  xT12  j 0.2709 pu 2 Zb2 Vb 2  / Sb 135. Considere inicialmente o modelo de circuito equivalente de um transformador genérico de dois enrolamentos.

5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 18 Figura 4. O circuito equivalente simplificado resultante é mostrado na Figura 4. Os parâmetros do circuito equivalente. a menos das defasagens adequadas de tensões e correntes. de baixa resistência elétrica. k 2 r2 = resistência elétrica do secundário referida ao primário. de Almeida – UTFPR . Sendo assim.4 Circuito equivalente por fase de um transformador de dois enrolamentos O circuito é ilustrado para uma fase apenas. são: r1 = resistência elétrica do primário. Assim. x1 = reatância de dispersão do primário.  Em transformadores de potência. o ramo de excitação pode ser removido. e desde que o transformador esteja próximo à condição nominal. resultando no circuito equivalente mostrado no Figura 4. que é sempre o nosso caso. xm = reatância de magnetização. em /fase. pois transformadores de potência são construídos com condutores de seção reta elevada e. Uma segunda simplificação é possível. logo.6. Alvaro Augusto W. mais fácil de ser tratado. rc = resistência elétrica correspondente às perdas no núcleo (histerese e Foucault). Prof. O procedimento matemático de se referir as impedâncias do secundário ao primário permite substituir o acoplamento magnético do transformador por um acoplamento elétrico. a corrente de excitação I é  desprezível frente à corrente do primário I1 . pois os circuitos para as demais fases são idênticos. k 2 x2 = reatância de dispersão do secundário referida ao primário. as resistências r1 e r2 podem ser desprezadas frente às reatâncias x1 e x2 .

referida ao lado de baixa tensão.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 19 O transformador de potência pode assim ser representado por uma única reatância referida ao primário. de Almeida – UTFPR . essa mesma reatância pode também ser referida ao secundário. xT independe de que lado tomamos como referência. referida ao lado de alta tensão. xT A = reatância total. também conhecido como ensaio de corrente nominal. Contudo. xB = reatância própria do lado de baixa tensão. As reatâncias referidas ao primário e ao secundário serão tanto mais diferentes entre si quando maior for o valor da relação de transformação k. quando expressa em pu. Prof. A reatância total referida ao lado de alta será xTA  xA  k 2 xB . Podemos agora mostrar que. Alvaro Augusto W.5 Circuito equivalente simplificado de um transformador de dois enrolamentos Figura 4. Sejam inicialmente: x A = reatância própria do lado de alta tensão. xTB = reatância total. Figura 4.6 Circuito equivalente simplificado final de um transformador de dois enrolamentos A reatância xT=x 1 + k2x2 pode ser obtida por meio do ensaio de curto-circuito. resultando em xT  x1 / k 2  x2 .

convertida para pu. Sabendo que as reatâncias de um transformador. ainda pu TB V / V  x  V  / S 2 bB bA 2 bB b A pu  xB . de Almeida – UTFPR . de um transformador. independente do lado ao qual forem referidas. em pu. é unitária Prof.6). pu xTpu  x A  A V  / S 2 bB xB pu pu  x A  xB . podemos escrever a reatância referida ao lado de baixa como xTB  xA  xB . são iguais. b (4. poderá ser escrita como xTpu B ou xA  xB 2  k .5) e (4.6) Comparando (4. Z bA 2 Sabendo ainda que Z bA  VbA / Sb e k  VbA / VbB .5) De forma semelhante. vem que pu pu xTpu  xTpu  xA  xB . b (4. poderá ser escrita como xTpu  A x A  k 2 xB . Alvaro Augusto W. convertida para pu. Z bB x ou. k2 a qual.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 20 a qual. vem   x pu TA x pu A V / V  x  V  / S 2 bA bB 2 bA b B . segue também que a relação de transformação k. xTpu  B V  / S 2 bA xA pu pu pu  xB  x A  xB . em pu. ou. A B (4.7) Reatância total. em pu.

 xab = reatância de dispersão entre os terminais de alta e de baixa tensão. onde:  xam = reatância de dispersão entre os terminais de alta e de média tensão. 4. pois podemos tratar transformadores como meras impedâncias. O modelo resultante é uma espécie de delta. Prof. não podemos usar as transformações  →Y estudadas em circuitos elétricos. Transformador de três enrolamentos Transformadores de três enrolamentos são bastante comuns em sistemas de potência e podem ser representados em diagramas unifilares por meio do símbolo unifilar da Figura 4. com o terminal de média tensão aberto. com o terminal de baixa tensão aberto. Para fins de cálculos. deveremos adotar a representação da Figura 4. de Almeida – UTFPR . com o terminal de alta tensão aberto.7(a).5. mas devemos salientar que há pouco em comum entre este delta e as ligações homônimas comuns em circuitos trifásicos. Assim. (4.7(b). Essa é provavelmente a maior vantagem do uso do sistema pu. contudo.  xmb = reatância de dispersão entre os terminais de média e de baixa tensão. Alvaro Augusto W. sem nos preocuparmos com referências a enrolamentos e fatores de transformação.8) Relação de tensões de um transformador.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 21 k pu  xTpu A xTpu B  1. em pu.

8.8 Modelo em estrela de um transformador de três enrolamentos Tomando os enrolamentos aos pares.9) (4. Alvaro Augusto W. (b) modelo em delta de um transformador de três enrolamentos Para facilitar os cálculos e evitar a circulação de correntes fictícias. xab  xa  xb xmb  xm  xb (4. podemos converter o modelo delta para um modelo estrela. teremos Prof. sempre com o terceiro a vazio. conforme a Figura 4. Figura 4. podemos escrever xam  xa  xm . de Almeida – UTFPR .10) (4.7 (a) Símbolo unifilar de um transformador de três enrolamentos.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 22 Figura 4.11) Resolvendo o sistema acima.

(4.  a* Prof. podemos escrever   Sa  Sr .6. ou.   * V * Va I a  a I ab .16) (4. de Almeida – UTFPR (4.17) O transformador fora do tap nominal pode agora ser modelado como na Figura 4.9. e. xm  1 2 xam  xmb  xab  . por meio de taps (derivações). Tensão nominal do lado de AT Tensão do lado de BT . ou se-   ja. que correspondem ao transformador ideal. ainda. xb  1 2 xab  xmb  xam  .  *    * Va I a  Vr I r*  Vr I ab .12) (4.  a Finalmente. Iniciamos definindo uma variável auxiliar  a onde  A . Transformador com tap fora do valor nominal Muitas vezes os transformadores operam fora da tensão nominal. ou.18) . B (4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 23 xa  1 2 xam  xab  xmb  .   I I a  ab .15)  A  B Tensão do lado de AT . assim. Alvaro Augusto W. Tensão nominal do lado de BT (4. 4. precisamos desenvolver um modelo para esses casos. um transformador ideal de relação a : 1 em série como uma admitância yT .13) (4.14) Reatâncias de um modelo Y para um transformador de três enrolamentos. Entre as barras a e r. que representa o transformador quando operando no tap nominal.

20) sob forma matricial.15) acima é formalmente idêntica à equação matricial de um circuito equivalente . de Almeida – UTFPR .  y     I b   T  Va  yT  Vb . Alvaro Augusto W.   a  ou.9 Modelo inicial para o transformador com tap fora do valor nominal  Podemos também escrever a corrente I ab em função das tensões nas barras r e b.19) Da mesma forma. teremos (4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 24 Figura 4.20)    I a   yT / a 2  yT / a*  Va               yT  Vb   I b   yT / a (4.  a Escrevendo (4. conforme mostrado na Figura 4. ou seja  V         I ab  a* I a  Vr  Vb yT   a  Vb  yT . a     ou. podemos escrever a seguinte relação para a corrente no lado de baixa   V        I b  I ab  Vb  Vr yT  Vb  a  yT .10.21) A equação (4.19) e (4. 2 * a a (4. e que pode ser escrita como Prof.   y   y  I a  T  Va  T  Vb .

o que significa que. teremos Prof. enquanto y representa uma admitância física do circuito.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 25      I a  Yaa Yab  Va            I b  Yba Ybb  Vb  Igualando (4. Alvaro Augusto W.22). segue-se que devemos ter a  a* . teremos       I a  Va ya  (Va  Vb ) yab . Figura 4.      I a  Va  ya  yab   Vb yab .10. os taps do transformador apenas alteram o módulo da tensão. como sabemos. de Almeida – UTFPR . a deve ser um numero real.23)    Yba   yT / a Lembrando que uma das propriedades dos elementos da matriz admitância nodal é que     Yab  Yba .       I b  Vb yb  (Vb  Va ) yab ou.21) e (4. teremos (4. mas não o  ângulo de fase. ou seja.22)   Yaa  yT / a 2   Ybb  yT    Y   y / a* ab T (4. Note também que. na nossa notação.       I b  Va yab  Vb  yb  yab  Escrevendo as equações acima sob forma matricial.10 Modelo  para o transformador com tap fora do valor nominal Escrevendo as equações nodais para o sistema da Figura 4. Y representa um elemento da matriz admi-   tância nodal [Y ] .

27) Admitâncias de um transformador com tap fora do valor nominal.23) e (4. e voltaremos ao modelo original de um transformador de potência de dois enrolamentos.   Comparando as equações (4. se ambos os taps do transformador estiverem na ten-      são nominal. de Almeida – UTFPR . teremos    yT / a 2  ya  yab    yT  yb  yab    yT / a   yab    yT / a   yab Das equações (4. ou seja.29) Note que.28)  yab  (4. a2  yT a  1 a  yT a (4. se tivermos a=1.26).Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 26     I a   ya  yab       I b    yab       yab  Va  Yaa Yab  Va                yb  yab  Vb  Yba Ybb  Vb  (4. os elementos Yii são iguais à soma de todas as admitâncias que se ligam ao   nó i. segue-se que (4. teremos ya  yb  0 e yab  yT  1 / xT . enquanto a admitância Yij  Y ji é igual ao recíproco da admitância física que liga os nós i e j.24) As regras de formação da matriz admitância nodal podem ser escritas como:    Yaa  ya  yab    Ybb  yb  yab    Y  Y  y ab ba (4. (4.25) ab  Em resumo. Prof.25). e considerando também que a  a*  a .26)  ya   yb   yT 1  a  . Alvaro Augusto W.

Primeiramente devemos calcular as tensões-base em cada um dos barramentos. a tensão-base na barra 7 decorre da relação de transformador do transformador abaixador 6-7 Prof. Alvaro Augusto W.4.11 Sistema para o Exemplo 4. converta os parâmetros do sistema abaixo para pu. Figura 4. na forma retangular.4 kV 230 kV 13.11. as tensões-base nas barras 2 e 3 serão iguais Vb3  138 kV As tensões-base nas barras 4 e 5 são calculadas a partir das relações de transformação do transformador de três enrolamentos 3-4-5. (b) apresente os resultados em diagrama unifilar. A tensão-base na barra 2 pode ser obtida a partir da relação de transformação do transformador 1-2. que é um abaixador de tensão Vb4  kT34  Vb3  Vb5  kT35  Vb3  69 kV  138  Vb2  41. é Vb1  15 kV .4 Solução.4 kV Finalmente.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 27 Exemplo 4. de Almeida – UTFPR . pede-se: (a) considerando que a potência-base é100 MVA e que a tensão-base é 15 kV no barramento 1. Para o sistema da Figura 4.28 kV 230 kV Vb6  Vb4  Vb6  41. que é um elevador de tensão Vb2  kT12  Vb1  138 kV 15  Vb2  138 kV 15 kV Sabendo que não há queda de tensão-base em uma linha de transmissão.8 kV 138  Vb2  8.

4012  j 0. teremos a seguinte relação para o transformador 1-2 100  15  xT12  j 0.4). devemos fazer uma mudança de bases 2 xLT23  j 0.11     xT12  j 0.1058 pu 80  15  Da mesma forma.7(b).7716 pu xm  1 2 xam  xmb  xab   1 2  j 0.8333  j 0. Logo.03  100  230     xLT23  j 0. de Almeida – UTFPR . Devemos então convertê-las para o modelo estrela da Figura 4.8     xG1  j 0. Alvaro Augusto W. mas está expressa nas bases 230 kV e 50 MVA. teremos Z pu n Z pu v V  S  bn   bv  .8333  j 0. Sbv  Vbn    2 2 xG1  j 0.4012  j 0.4012  xb  j 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 28 Vb7  kT67  Vb6  11 kV  41. Aplicando a relação (4.8 xa  1 2 xam  xab  xmb   1 2  j 0.1 100  13.8333 pu 50  138  xmb 100  69   j 0.8950 pu xb  1 2 xab  xmb  xam   1 2  j 0.11    xmb  j 0.1667 pu 50  138  2 As reatâncias do transformador 3-4-5 já estão nas tensões-base corretas.4012 pu 90  138  2 100  230  xab  j 0. bastando mudar as bases de potência 100  230  xam  j 0.3395  j 0.4  Vb7  10.3395 pu 90  41.0926 pu Prof.4  2 2 As reatâncias acima correspondem ao modelo delta da Figura 4.13     xam  j 0.517 kV 3  25 kV O cálculo da reatância do gerador 1 é um caso de mudança de base.15     xab  j 0.3395  xa  j 0.1222 pu 90  15  A reatância da linha de transmissão 2-3 já está em pu.3395  j 0.8333  xm   j 0.

Exemplo 4. as tensões dadas são de fase e a potência é monofásica. de Almeida – UTFPR .8 kV. em pu e em amperes.2917 pu  j 0.4) 2 / 100 O cálculo da reatância do transformador 6-7 exige algum cuidado.8  2 Prof.12     xG7  j1.12 Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4. ou seja xLT46  j 20 j 20   xLT46  j1. (b) a tensão na barra 1. Para o sistema da Figura 4.0667 pu 75  13. Para convertê-la para pu devemos dividila pela impedância-base do trecho 4-6. Solução. em pu e em volts.8 kV. Logo.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 29 A reatância da linha 4-6 está expressa em ohms. teremos xT67 100  25 3    xT67  j 0.5. Basta reescrevê-las para a nova potência-base.4    2 Finalmente.0 pu e considerando Sb=50 MVA e Vb1=13. pede-se: (a) a corrente na barra 5. Além disso.1     xG1  j 0. Alvaro Augusto W.8  xG1  j 0.1669 pu 2 (Vb 4 ) / Sb (41.13. as reatâncias do gerador e dos transformadores já estão nas tensões-base corretas.2205 pu 20  10. Logo 50  13. Assim. sabendo que a tensão na barra 5 é 1. Todas as reatâncias estão em pu. todas as tensões-base já são iguais às respectivas tensões nominais.08   3  10  41.517  2 Figura 4. pois se trata de um banco trifásico com três unidades monofásicas. Fazendo Vb1=13.4. a reatância-base do gerador 7 será 100  15  xG7  j 0.

2100 pu 2 (Vb 4 ) / Sb (69) 2 / 50 xLT45  Devemos converter para pu também as potências nas barras 4 e 5.8  2 2 xT34 50  138   j 0.12      xT34  j 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 30 xT12  j 0.1000 pu 60  138  Figura 4.0444 pu 90  13.14.8     xT12  j 0.4 pu 50 P5pu  30  P5pu  0.5. Figura 4. de Almeida – UTFPR .14 Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4.1313 pu 2 (Vb 2 ) / Sb (138) 2 / 50 j 20 j 20   xLT45  j 0.13 Sistema para o Exemplo 4. Alvaro Augusto W.6 pu 50 O diagrama unifilar simplificado resultante é mostrado na Figura 4. Todos os valores em pu Prof. dividindo-as pela potência-base S4pu  20  S4pu  0.08  50  13.5 As reatâncias das linhas podem ser convertidas para pu dividindo-as pelas respectivas impedâncias-base xLT23  j50 j50   xLT23  j 0.

ou seja P5pu  V5pu I 5pu cos 45 ou 1.7756  0.6  I 5pu  0.0  j 0. ou seja S4pu  V4pu I 4pu ou 1.667  25.33  V1  17.907  V1 pu  1.84  I 45  1.33 kV Prof.3744  18.33 pu Sabendo que a tensão-base na barra 1 é 13.0393  23.06856. a tensão em volts na barra 1 será   V1  13.3744 pu   A corrente entre as barras 1 e 4 será a soma de I 4 e I 5 .093 pu Finalmente.667  25.7756  j 0.0685  I 4pu  0.2757 1.93 A Para calcular a tensão na barra 1 devemos antes calcular a tensão na barra 4     V4pu  V5pu  jx45  I 5pu  1.236118.286566. Alvaro Augusto W.195  0.667 pu A corrente-base na barra 5 é I b5  Sb 50  106   418. de Almeida – UTFPR .236118.667  418.4  I 4pu  0.9  0.21 0.06856.7756 pu A corrente na barra 4 pode ser obtida a partir da tensão e da potência nessa barra. a tensão na barra 1 será    pu V1 pu  V4pu  jx14  I 45  1.37 A 3Vb5 3  69  103 Logo.37  I 5  278. a corrente em amperes na barra 5 será I 5  I 5pu  I b5  0.0  I 5pu  0. ou seja  pu  pu   I 45  I 4pu  I 5pu  0.84  V4pu  1.05818.06856.8 1.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 31 A corrente na barra 5 pode ser obtida a partir da tensão e da potência nessa barra.8 kV.093 ou   V1 pu  1.0393  23.

O segundo circuito é o campo.  2 o fluxo magnético por polo produzido pelo rotor. a solução analítica do sistema seria muito difícil ou mesmo impossível. Sendo N f o número de espiras por fase da armadura. (4.0. r1 é a resistência ôhmica da armadura e rc é a resistência de perdas no núcleo (histerese e Foucault).15. no qual desejamos calcular a tensão e a potência em cada um dos barramentos. Ao escrevermos as equações do circuito. Prof. se tivéssemos a tensão na barra 1 e potência na barra 5. Contudo. desejando a tensão na barra 1. 4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 32 O Exemplo 4.30) Força eletromotriz induzida em cada fase de uma armadura a vazio. ainda. de modo a produzir um fluxo magnético constante. usualmente representada em série. indicando a presença de uma impedância interna. em vez de termos a tensão e a potência na barra 5.5 ilustra um cálculo elementar de fluxo de potência. x1 é a reatância de dispersão da armadura.85 e menor ou igual a 1. podendo ser representado inicialmente como na Figura 4. localizado no rotor e alimentado com corrente contínua. por causa do desacoplamento elétrico entre campo e armadura. a força eletromotriz E f induzida em cada fase da armadura a vazio será E f  2f1 N f  2 kw . o inverso acontecesse. O primeiro é a armadura trifásica. onde k1w é. f1 a frequência das correntes da armadura. ou seja. como veremos no capítulo 7. o fator de enrolamento da armadura. a ten-   são nos terminais do gerador será V1  E f . localizada no estator e responsável pela transferência de potência elétrica AC entre a máquina e o sistema de potência ao qual ela se conecta. Modelos de geradores síncronos Um gerador síncrono é composto por dois circuitos acoplados magneticamente. Todos os parâmetros são expressos em ohms por fase. tipicamente maior do que 0. desejando a tensão na barra 5. Alvaro Augusto W. Quando alimenta uma carga qualquer. Com o aumento do número de barras. perceberíamos que o sistema de equações resultantes seria não linear. A situação seria muito mais complicada se. de maneira isolada ou conectado ao sistema. o gerador síncrono é uma fonte de corrente quase ideal. de Almeida – UTFPR . métodos mais genéricos e poderosos devem ser desenvolvidos. Nesse caso.7. onde xm é a reatância de magnetização.

as quais serão objeto do capítulo 9.16 Modelo intermediário de um gerador síncrono trifásico Finalmente. é adequado a geradores síncronos de polos lisos. os condutores da armadura têm bitola larga a ponto da resistência r1 ser desprezível. de Almeida – UTFPR . que consiste de um equivalente Norton em série com uma reatância de dispersão jx1.16. sempre da “classe MVA”. O resultado é o circuito da Figura 4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 33 Figura 4. o equivalente Norton pode ser convertido em um equivalente Thévenin. O circuito equivalente final. que geralmente é o caso de hidrogeradores. mostrado na Figura 4. e podemos fazer rc // xm  xm . Nos geradores comuns em sistemas de potência. algumas modificações devem ser introduzidas. Figura 4. que geralmente é o caso de turbogeradores.15.15 Modelo inicial de um gerador síncrono trifásico É possível fazer algumas simplificações no circuito da Figura 4. As perdas no núcleo também são desprezíveis. o que significa que a resistência rc é muito grande em comparação com xm. Alvaro Augusto W. Prof. Para geradores de polos salientes.17. no   qual E f  jxm I f e xd  xm  x1 é denominada reatância síncrona de eixo direto.

Para evitar a dificuldade de se traba- Prof. pois sua taxa de decaimento não é constante.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 34 Figura 4. o sentido da corrente de armadura I1 é da máquina para a carga. que o curto ocorre exatamente quando a tensão alternada do gerador é instantaneamente nula. Vamos supor que um gerador síncrono esteja funcionando a vazio quando um curtocircuito trifásico ocorre. A única modificação necessária para transformar o gerador descrito pela equação (4. a corrente não atingirá imediatamente um valor de regime constante. (4.31) e (4. Alvaro Augusto W. Vamos supor também. a equação fasorial correspondente pode ser escrita como    E f  V1  jxd I1 .31) em um motor síncrono é a mudança do sentido da corrente. Por causa do caráter indutivo do gerador. As equações (4.31) Equação fasorial de um gerador de polos lisos em regime permanente. No caso de geradores funcionando em regime transitório deveremos introduzir correções nas reatâncias síncronas. A envoltória da senoide é uma exponencial mais complexa do que o usual. de Almeida – UTFPR . por simplicidade.18. resultando na seguinte equação    E f  V1  jxd I1 .32) descrevem bastante bem o comportamento da máquina síncrona de polos lisos funcionando em regime permanente.32) Equação fasorial de um motor de polos lisos em regime permanente. (4. em um gerador. mas se comportará como mostrado na Figura 4.17 Modelo de circuito equivalente de um gerador síncrono de polos lisos Considerando que.

Uma corrente assimétrica corresponde a uma corrente simétrica mais uma componente contínua que decai exponencialmente. é um caso particular de um caso mais geral. xd ' ' . Alvaro Augusto W. caracterizado pela reatância subtransitória de eixo direto.1 mostra os valores típicos das reatâncias de algumas máquinas síncronas. caracterizado pela reatância síncrona de eixo direto usual. caracterizado pela reatância transitória de eixo direto.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 35 lhar com uma quantidade muito grande de constantes de tempo. essa diferença torna bastante crítica a escolha do período no qual devemos calcular as correntes de curto-circuito. xd ' . de Almeida – UTFPR . xd . as quais têm uma componente contínua que as desloca para cima ou para baixo. Prof. Note que a relação entre as reatâncias síncrona xd e subtransitória xd ' ' pode chegar a 11 vezes no caso do gerador de polos salientes. A corrente de curto da Figura 4. o das correntes de curto assimétricas. cada um deles caracterizado por uma reatância síncrona: 1) Período subtransitório: corresponde aos primeiros ciclos após o curto. Como veremos no capítulo 5.18 Corrente de armadura de um gerador síncrono em curto-circuito trifásico simétrico A Tabela 4. 3) Período de regime permanente: corresponde ao período após a corrente ter se estabilizado.18. denominada corrente de curto simétrica. costumamos definir três períodos de tempo. 2) Período transitório: corresponde ao período após o período subtransitório e antes da corrente ter se estabilizado. durante o qual a corrente decai mais lentamente. Figura 4. durante os quais a corrente decai muito rapidamente.

e xLT é a reatância indutiva da linha. Nesse caso.19 Modelo de uma linha de transmissão curta 4. conforme representado na Figura 4.8.19.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Tabela 4.20 0. Ambos os parâmetros são especificados em ohms por fase.21. xd’ (pu) Subtransitória. ou o modelo  . linhas médias e linhas longas. o que permite a classificação de tais equipamentos em três tipos básicos: linhas curtas. responsável pelas perdas por efeito Joule. Prof. é  adotado um modelo simplificado que nada mais é do que uma impedância Z LT  rLT  jx LT por fase.1 Linha curta Linhas de transmissão curtas são aquelas de comprimento inferior a 80 km.35 0. mas inferior a 240 km são denominadas linhas médias. xd (pu) Transitória. Alvaro Augusto W. operam geralmente de maneira equilibrada. representado de maneira unifilar como na Figura 4. Modelos de linhas de transmissão Ao contrário do que acontece com as redes de distribuição. rLT é a resistência ôhmica.10 0. Neste modelo.10 Gerador de polos salientes 1. as linhas de transmissão trifásicas. conforme representado na Figura 4.50 0.10 0. xd’’ (pu) Gerador de polos lisos 1.10 0.35 36 4.8. Figura 4.23 Motor de polos salientes 1.2 Linha média Linhas cujo comprimento é superior a 80 km.20. de Almeida – UTFPR .8.1 – Reatâncias típicas de máquinas síncronas Reatância Síncrona. 4. Nesse caso as capacitâncias entre a linha e o terra não podem ser desprezadas e deveremos usar o modelo T. quando em regime. Em ambos o termo jBc  ( jxc ) 1 representa a susceptância total da linha.

Daremos sempre preferência ao modelo  e.20 Modelo T de uma linha de transmissão média Note que a única diferença entre os modelos  e T é uma distribuição diferente da impedância série e da susceptância paralela ao longo do trecho em questão. a impedância e a susceptância por unidade de comprimento.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 37 Figura 4. e que l é o comprimento total da linha. Figura 4.8. o que significa Bc   . de Almeida – UTFPR . uma vez resolvidas. quando nada for mencionado. ambos os modelos se reduzem ao modelo de linha curta.21 Modelo  de uma linha de transmissão média 4. caso no qual o modelo completo da linha de transmissão deve ser usado. respectivamente. é este o modelo que deve ser usado. podemos escrever equações diferenciais parciais para a linha. Neste modelo as impedâncias série e susceptâncias paralelas são consideradas uniformemente distribuídas ao longo da linha. Considerando   que z e b são. Alvaro Augusto W. as quais.3 Linha longa Linhas de comprimento superior a 240 km são consideradas longas. Quando a capacitância em paralelo for desprezível. resultam em Prof.

22. como na Figura 4. A curva de carga de um dado barramento de distribuição. simplesmente consideraremos que alguém já   calculou Z eq e Beq para nós. Alvaro Augusto W. cada um absorvendo energia de acordo com sua exigência individual.  (4.22 Curva de carga típica de um barramento de distribuição Prof.20. etc. nível de renda.  2b  tanh(l / 2)  Beq  .9 Modelos de cargas Dentre os vários parâmetros de um SEP a carga dos consumidores é a de determinação mais difícil. temperatura.21. Assim.33) Parâmetros de uma linha de transmissão longa. ilustrada de forma genérica na Figura 4. não faz muita diferença se o modelo a ser utilizado é para linha média ou linha longa.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 38  z  senh(l )  Z eq  .34) onde o parâmetro   zb é denominado constante de propagação. Em nossas simulações as impedâncias e susceptâncias da linha de transmissão sempre serão parâmetros conhecidos. Considerando que o valor da carga varia de segundo a segundo e que existem milhões de consumidores. ou . como na Figura 4. forma de tarifação. de Almeida – UTFPR . os   parâmetros Z eq e Beq podem ser inseridos em um circuito equivalente T. Depois de calculados. Figura 4. 4. a determinação das exigências futuras é um problema estatístico.  (4. Caso a linha seja longa. decorre de hábitos de consumo.

ou seja. enquanto a energia tiver o mesmo preço dentro e fora da ponta. existem também tarifas binômias para consumidores residenciais. armazenando-a em reservatórios térmicos especiais. existe apenas uma tarifa. no Brasil. em R$/kWh no horário de ponta. Em países mais desenvolvidos. Alguns conceitos importantes no estudo das cargas de SEPs são os seguintes: 1) Demanda máxima: valor médio da carga durante o intervalo de tempo de meia hora em que a demanda é máxima. e mais barato.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 39 A carga total do sistema pode. A potência consumida pelos consumidores industriais varia de um terço nas horas de pico até metade nas horas de carga mínima. O horário de ponta. ser repartida entre usuários industriais e residenciais. com valores também diferentes para períodos úmido (dezembro a abril) e seco (maio a novembro). seja para outro tipo de uso. significa que todas as unidades geradoras estão sendo utilizadas a plena carga durante o perío- Prof. pré-aquecer a água durante o período fora de ponta. Já consumidores industriais são geralmente tarifados por meio de uma tarifa binômia. reduzindo a necessidade de investimentos em distribuição para atendimento ao horário de ponta. que incluiu simultaneamente demanda e energia. enquanto nos consumidores residenciais predominam as cargas de aquecimento e iluminação. com valores diferentes para períodos de ponta e fora de ponta. Alvaro Augusto W. é definido como o período de três horas consecutivas. Contudo. Uma maneira relativamente fácil de implantar a GLD em um país como o Brasil seria. do tipo horo-sazonal. Nesse caso o consumidor paga mais caro. Caso seja unitário. No Brasil a tarifa dos consumidores residenciais é monômia. Uma diferença muito importante entre os dois tipos de consumidores é que nos industriais existe uma porcentagem elevada de motores de indução (cerca de 60 por cento). A energia é cobrada em R$/MWh. nos quais existe algum tipo de Gerenciamento pelo Lado da Demanda (GLD). especificada em R$/kWh. 2) Fator de carga: relação entre a demanda média e a máxima em um determinado intervalo de tempo. de escolha da distribuidora. A finalidade é incentivar a migração do consumo residencial do horário de ponta para o horário fora de ponta. por exemplo. Nesse tipo de tarifa a demanda é cobrada em R$/kW. também em R$/kWh. para utilização no horário de ponta. compreendido entres as 17h e as 22h. seja para o banho. esse tipo de GLD não teria sentido econômico para consumidores residenciais. no horário fora de ponta. de Almeida – UTFPR . grosso modo. O fator de carga ideal deve ser elevado.

Isso. Felizmente.22. em estudos de transmissão geralmente adotamos o modelo de três patamares (cargas média. sendo baixo para cargas de iluminação (cerca de 12 %) e elevado para cargas industriais. Seu valor varia com a natureza da carga. é pouco descritivo para estudos de sistemas de transmissão (tensões iguais ou superiores a 230 kV). Prof. conforme mostrado na Tabela 4. dever-se-ão instalar muitos outros geradores.23. especialmente para consumidores residenciais. leve e pesada) da Rede Básica brasileira. Alvaro Augusto W. Este fator mede a diversificação da carga e diz respeito à capacidade de geração e transmissão instalada. fator de diversidade unitário. Por outro lado. contudo. Assim. No caso da demanda máxima de todos os consumidores ocorrer simultaneamente.2. 3) Fator de diversidade: relação entre a soma das demandas máximas individuais dos consumidores e a demanda máxima do sistema. com os consumidores absorvendo energia como na Figura 4.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 40 do considerado. o modelo de dois patamares (ponta e fora de ponta) adotado no nível de distribuição (tensões inferiores a 230 kV). isto é. além de exigir uma previsão de cargas muito complexa. Em um sistema de quatro consumidores o fator de diversidade poderia ser elevado. Figura 4.23 Representação dos extremos do fator de diversidade de uma instalação com dois consumidores Em estudos de fluxo de potência o ideal seria realizar um estudo para cada hora da curva de carga da Figura 4. este fator é muito maior que a unidade. exigiria um esforço computacional muito grande. de Almeida – UTFPR .

0% 8. transformadores.31. mas também em sistemas industriais.29. 2) Selecionar os disjuntores que irão interromper as correntes de curto.9% 230 kV 47. de Almeida – UTFPR . 4. Estudos de curto-circuito são necessários não só em sistemas de potência.5% 6. Os tipos de curto-circuito em um sistema trifásico são listados na Tabela 4. cabos para-raios.7% 37. 4) Determinar sobretensões em vários pontos do sistema. como na Figura 4.7% 2.3 abaixo.8% 25. Tabela 4. barramentos e outros equipamentos elétricos.0% 12.3% 1. como na Figura 4. 6) Determinar as impedâncias corretas dos transformadores de força. 3) Estimar as consequências das correntes de curto sobre cabos. indicando potência absorvida.3 – Tipos de faltas e estatísticas Tipo de falta Fase-terra Bifásico (fase-fase) Bifásico-terra (Fase-fase-terra) Trifásico Trifásico-terra Causa desconhecida 69 kV 38.2 – Definição dos patamares de carga da Rede Básica brasileira Patamar de carga Sem Horário de Verão 2ª feira à sábado 0h às 6h59 7h às 17h59 21h às 23h59 18h às 20h59 Domingos e feriados 0h às 16h59 22h às 23h59 17h às 21h59 ─ Com Horário de Verão 2ª feira à sábado 0h às 6h59 7h às 18h59 22h às 23h59 19h às 21h59 Domingos e feriados 0h às 17h59 23h às 23h59 18h às 22h59 ─ 41 Leve Média Pesada Para nossos fins.6% 1.2.7% 138 kV 36.6% 11. seccionadoras.0% 5.0% Prof.0% 0.7% 10. em um dos patamares da Tabela 4. juntamente com as frequências típicas de ocorrência. ou por meio de impedâncias. e têm os seguintes objetivos gerais: 1) Ajustar relés de proteção e selecionar fusíveis.0% 0. No diagrama unifilar as cargas serão representadas por meio de setas. as cargas serão usualmente representadas em MVA ou MW.1% 16.4% 38. 5) Permitir o dimensionamento de malhas de terra e de cabos para-raios.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Tabela 4. Alvaro Augusto W. juntamente com o fator de potência.10 Introdução aos estudos de curto-circuito.

transformadores. Em transformadores e geradores as faltas são menos comuns e se devem a erros de operação e manutenção inadequada. Em sistemas de potência. vendavais. partindo das seguintes considerações: 1) A tensão pré-falta de todos os geradores é igual a 1. provocando uma falta fase-fase resultando em desligamento de sistemas. fazendo-se a impedância de curto igual a zero. linhas e demais equipamentos sempre equilibrados.05 pu. a tensão mais provável de operação dos geradores é 1. que serão vistas a partir do capítulo 7. A corrente de curto será. Em linhas de transmissão as causas mais comuns são quedas de árvores. por as correntes de curto são iguais em todas as fases. 2) As cargas são desprezíveis durante o curto. a ocorrência de um curto-circuito desvia das cargas toda a potência produzida pelos geradores. O mesmo não acontece com os curtos fase-terra. o ar pode se ionizar. fase-fase e fase-fase-terra.0 pu. sendo denominados faltas simétricas. descargas atmosféricas e vandalismo. pode agora ser determinada reduzindo-se o sis  tema a um equivalente Thévenin cujas respectivas tensão e impedância são Vth  1. sem impedância de curto. portanto Prof. A corrente trifásica (ou trifásica-terra) de curto-circuito franco. Sabendo que a tensão dos geradores de um sistema de potencio pode variar entre 0. sabendo que o sistema é de pequeno porte (poucas barras).00 e Z th . de Almeida – UTFPR . podemos desenvolver uma metodologia simplificada. 3) As capacitâncias em paralelo de linhas de transmissão também são desprezíveis. em uma determinada barra do sistema. os curtos trifásico e trifásico-terra resultam em corrente de neutro nulo. Alvaro Augusto W. Contudo. pelo mesmo motivo anterior. A rigor. tanto faltas simétricas quanto assimétricas deveriam ser calculadas a partir das técnicas de fluxo de potência.95 pu e 1. compostos por geradores. pois. sendo denominados faltas assimétricas. em sistemas de pequeno porte e em casos nos quais não se exige muita precisão. que produzem correntes de curto diferentes em cada uma das fases. quando as queimadas se tornam comuns.0 pu.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 42 As causas dos curto-circuitos são diversas. onde a tensão-base é a tensão nominal do gerador. No período seco. ou seja.

exigindo técnicas especiais que serão descritas no capítulo 5. Figura 4. Para o sistema da Figura 4. basta adicioná-la a Z . desprezamos as cargas e isolamos a barra na qual desejamos calcular a falta. O resultado é o diagrama de reatâncias da Figura 4. Inicialmente.00  th  . substituímos os geradores por suas respectivas impedâncias internas.   Z th Z th (4. Caso o curto se   dê através de uma impedância de falta Z f .35) Corrente trifásica de curto-circuito através de uma impedância em um sistema de potência de pequeno porte. Exemplo 4. Alvaro Augusto W.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 43 I pu cc 3  V 1.00    Z    . ou seja th pu I cc 3  Vth 1. calcule a corrente trifásica de curto-circuito na barra 3.24.25. Zth Zth  Z f f (4.  onde Z th é a impedância de Thévenin vista da barra onde ocorre o curto-circuito.6. juntamente com vários outros conceitos de curto-circuito.6 Solução. Considere que a potência-base é 50 MVA e que a tensão-base na barra 3 é 69 kV. de Almeida – UTFPR . em pu e em amperes. O estudo das faltas assimétricas é um pouco mais complexo.34) Corrente trifásica de curto-circuito franco em um sistema de potência de pequeno porte. Prof.24 Sistema para o Exemplo 4.

1836 Para converter a corrente de curto para amperes.6 A impedância equivalente de Thévenin.25 Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4. de Almeida – UTFPR .448 pu I cc 3   Z th j 0.10 Zth  j 0.279.15 // ( j 0.10  j 0.42)  j 0.1836 pu Considerando as simplificações feitas anteriormente. pode agora ser calculada  Zth   j 0.   Zth  j 0. que será I b3  Sb 50 106   I b3  418.45 //  j 0.0 pu  1.37 A 3Vb3 3  69 103 Assim.    pu I cc3  I cc3  I b3   j5.29 A Prof. precisamos antes calcular a correntebase. vista da barra 3. a corrente trifásica de curto-circuito na barra 3 será  pu  pu 1.10 ou. Alvaro Augusto W.20  j 0.42 // j 0.0 pu  I cc 3   j5.21  j 0.448  418.37  I cc 3   j 2.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 44 Figura 4.

0756. Figura 4.2651 A respectiva corrente de curto em amperes será S 60 106    pu I cc 3  I cc 3  b   j3. pois as cargas nelas são desprezadas. já com as cargas desprezadas e os geradores substituídos por suas respectivas reatâncias internas.105   j 0. as barras 3 e 7 são flutuantes.3 A 3 3Vb3 69 10  3 Prof.126 Zth  j 0.45  j 0.0504  0. Alvaro Augusto W.16  j 0.26 Sistema para o Exemplo 4. A Figura 4.7719    j3.7719  502.7719 pu I cc 3   Z th j 0.1638 // j 0.4 //  j 0.063 //  j 0.   Zth  j 0.7 Solução.4 pu do gerador 1 em paralelo com a reatância equivalente à direita da barra 1.0 pu  I cc 3   j3. calcule a corrente trifásica de curto-circuito nas barras 1 e 7.0 pu  1. Quando o curto ocorre na barra 1.26. A impedância equivalente de Thévenin será então a reatância de j0.27 ilustra o diagrama de reatâncias resultante após a conversão para pu nas bases indicadas.04  I cc 3   j1.893. de Almeida – UTFPR . Para o sistema da Figura 4. ou seja  Zth  j 0. Utilize as bases de 60 MVA e 69 kV na barra 2.7.4 //  j 0.715  j 0. com as barras 3 e 7 abertas.1008  j 0. será  pu  pu 1. em pu.66.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 45 Exemplo 4.2651 pu A corrente de curto na barra 1.

7 O curto na barra 7 é um pouco mais complicado.1638  j 0.0756   x4  j 0.1638  j 0.1638  j 0.0756 x24 x46 j 0.7 com curto na barra 7 A maneira mais fácil de calcular a reatância equivalente na barra 7 é transformar o delta entre as barras 2.28 a seguir Figura 4. pois apenas a barra 3 será flutuante e o diagrama de reatâncias resultante formará um delta entre as barras 2. 4 e 6.27 Diagrama de reatâncias para o Exemplo 4. 4 e 6 para um estrela.04273 pu x24  x26  x46 j 0.0756 Prof.1638  j 0.0504  j 0.28 Sistema do Exempo 4. como mostrado na Figura 4. Usando as fórmulas tradicionais de transformação delta-estrela.0504   x2  j 0. Note que essa transformação nada tem a ver com a transformação delta-estrela do transformador de três enrolamentos.02849 pu x24  x26  x46 j 0. Alvaro Augusto W.0504  j 0. teremos x2  x4  x24 x26 j 0. de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 46 Figura 4.

0756 A Figura 4.50479 pu A corrente de curto na barra 7.20815  j 0. Figura 4.29 Diagrama resultante para curto na barra 7 Agora é fácil calcular a reatância equivalente na barra 7  Zth  j 0.50479 A respectiva corrente de curto em amperes será S 60 106    pu I cc 3  I cc 3  b   j1.195  j 0. 4 e 6.01315 pu x24  x26  x46 j 0. em pu e em amperes.0756   x6  j 0.981   j1.4  I cc 3   j 4.   Zth  j 0.574.1638  j 0. de Almeida – UTFPR .58849 // j 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 47 x6  x26 x46 j 0.981 pu  Z th j 0. Alvaro Augusto W.0504  j 0.04273  0.01315   j 0.29 ilustra o circuito resultante com uma estrela entre as barras 2.02849  j 0.0 pu 1.0504  j 0.59773  Zth  j 0. serão respectivamente 1.981 2.309.92 A 3 3Vb 7 15 10  3 Prof.0 pu  pu  pu I cc 3    I cc 3   j1.56 //  j 0.555 .

4. usando potência-base trifásica de 15 MVA (Não se esqueça de mostrar os cálculos!).4 abaixo.4. Dois transformadores estão conectados em série. Três transformadores monofásicos.11. X=8%. cujos parâmetros são listados na Tabela 4. amperes. Mostre como escrever em pu a impedância de um equipamento.8 kV/69 kV. Determine a reatância equivalente.5. 4.5. para 10 MVA. X=10%. linha) Alta ? ? ? ? ? ? ? ? Baixa ? ? ? ? ? ? ? ? Carga R (pu) ? ? ? ? ? ? ? ? Impedância total vista do lado de alta (pu) ? ? ? ? ? ? ? ? () ? ? ? ? ? ? ? ? 1 2 3 4 5 6 7 8 4.2 kV. expressa originalmente nas bases Vb1 e Sb1. Complete a tabela.1. em pu.11.). nas bases de 30 MVA e 138 kV.11. Descreva algumas vantagens de se usar o sistema por unidade (pu) em vez das unidades convencionais (volts.8 kV.3.4 Caso Conexão dos Transformadores Primário Y Y Y Y     Secundário Y Y   Y Y   Carga conectada ao secundário Y  Y  Y  Y  Tensão-base (kV.2. Várias conexões dos transformadores e cargas são ilustradas na Tabela 4. 69 kV/125 kV. quando integrado a um sistema cujas bases são Vb2 e Sb2. de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 48 4. Determine a reatância de cada transformador e a reatância total. têm reatância de dispersão de 6% e podem ser conectados de várias formas de modo a suprir três cargas resistivas idênticas de 5 .11 Exercícios 4.11. Alvaro Augusto W. O outro. 8/2. estão conectados a um barramento comum de 13.11. Três geradores. 5 MVA. 13. resultante da ligação em paralelo dos três geradores. etc. nas bases de 100 MVA e 15 kV. Tabela 4. Um deles é especificado para 15 MVA. Prof. 4.

Um gerador síncrono trifásico. Para o sistema da Figura 4. Os geradores do exercício 4. é conectado a uma linha de transmissão de 50 km de comprimento.7 4.2 13.95 pu.8 em atraso. por sua vez.11.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 49 Tabela 4.5 Reatância 24% 20% 12% 4.11. 13.25 mH/km.11. 60 Hz.30 Sistema para o Exercício 4.8 13. A resistência de armadura é desprezível. a um barramento infinito. tem reatância síncrona igual a 9  por fase. a potência de entrada do gerador é reduzida a 25 MW. X=10%.12 /km e cuja indutância por fase é 1. o qual.5 Gerador 1 2 3 Potência (MVA) 20 50 80 Tensão (kV) 13.8.11.8/225 kV.8 kV no barramento 1.11. Um transformador trifásico de dois enrolamento é especificado para 60 kVA. 4. 4. Figura 4. utilizando potência-base de 50 MVA e tensão-base igual a 13. 50 MVA. 30 kV. 60 Hz. (b) com a tensão interna mantida constante no valor do item anterior. (b) calcule a tensão no barramento 1 de modo que a tensão no barramento 5 seja 0.30.7. Determine as perdas no ferro e as perdas no cobre do transformador para rendimento máximo. determine a corrente e o fator de potência. O rendimento deste transformador é 96% e ocorre quando opera sob carga nominal e fator de potência 0. 60 Hz. em pu e em amperes.5 são conectados a um transformador de 160 MVA.6.8 em atraso. Pede-se: (a) Determine a tensão interna do gerador e o ângulo de carga . O gerador está entregando potência nominal com fator de potência de 0. cuja resistência por fase é 0. de Almeida – UTFPR . calcule a corrente trifásica de curto-circuito em ambas as extremidades dela. 240/1200 V. Prof.9. sob tensão nominal. Alvaro Augusto W. pede-se: (a) converta para pu os valores de todos os parâmetros. Considerando que a linha de transmissão esteja a vazio.

As capacitâncias em paralelo são desprezíveis. (b) obtenha a matriz admitância nodal do sistema. A resis- tência por fase é 0.11. Considere o circuito equivalente de um transformador de dois enrolamentos. e uma carga de 380 MVA.326 mH/km. Alvaro Augusto W. para transformadores de potência. (c) desprezando cargas e susceptâncias em paralelo. Figura 4. usando potência-base de 100 MVA e tensão-base de 15 kV na barra 9. sob 225 kV. com fator de potência de 0. o circuito equivalente pode ser reduzido a uma única reatância. Pede-se: (a) mostre que. 4. resistência de perdas no ferro e reatância de magnetização. quando expressa em pu.13.11. é conectada ao outro lado.11.31.10 4. 4.11. respectivamente.12.9 em atraso. tem comprimento de 40 km. de Almeida – UTFPR .11. Prof.15 /km e a indutância por fase é 1. representando o transformador (que está fora do tap nominal) como um modelo  e incluindo as susceptâncias das linhas. Todas as grandezas estão referidas ao primário. considere que a potência-base é 100 MVA e que a tensão-base é 15 kV na barra 4.32. 225 kV. Usando o modelo de linha curta. pede-se: (a) converta todos os parâmetros para pu. Para o sistema da Figura 4. Uma linha de transmissão trifásica.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 50 4.11. Um transformador trifásico é conectado a um dos lados da linha. Pede-se: (a) desenhe o diagrama unifilar para o sistema.31 Sistema para o Exercício 4. em pu. com reatâncias e resistências dos lados primário e secundário. a reatância do transformador de potência tem o mesmo valor. Para o sistema da Figura 4. independente de estar referida ao primário ou ao secundário.10. (b) converta todas as impedâncias e admitâncias para ohms e siemens. determine a tensão e a potência do lado do transformador. (b) mostre que.

4. Considerando que a tensão e a corrente do lado do sistema de distribuiProf. Figura 4.0112 F/km. sob fator de potência 0. Os parâmetros da linha. corrente. L=1.036+j0.11.22×10-6 S/km. por quilômetro e por fase.045j0.4 /km e a admitância em paralelo é y=j4×10-6 S/km. Usando o modelo da linha média. (d) calcule as correntes trifásicas de curto-circuito nas barras um. Alvaro Augusto W. considerando que a capacitância em paralelo é 0. 130 km. A impedância série por fase é z0. Determine os parâmetros do modelo de linha longa para esta linha. 345 kV. potência e fator de potência do lado da carga.95 atrasado e 345 kV. Uma linha de transmissão de 500 kV tem comprimento de 250 km.17.11. tem impedância série por fase igual a z=0. (b) o modelo T da linha média. A admitância em paralelo por fase é y=j4. Um dos lados da linha é ligado a uma subestação e absorve 400 A.1.11. Repita o exercício 4.13 4.25 mH.13.11. três e quatro.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 51 calcule as impedâncias Thévenin equivalentes nas barras um. são: R=0. C=0. 4.16.01 F.11.14. Uma linha de transmissão trifásica. 4.32 Sistema para o Exercício 4.15. de Almeida – UTFPR .3/km. determine a tensão. que o comprimento da linha é 100 km e usando: (a) o modelo  da linha média. Uma linha de transmissão de 200 km conecta uma usina geradora a um sistema de distribuição. três e quatro.

O enrolamento de 33 kV alimenta um reator de j50. Uma falta trifásica ocorre nos terminais do motor quando a tensão nos terminais do gerador é 0. em amperes.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 52 ção são.19. Determine a corrente trifásica de curto-circuito na barra 6. e a reatância de dispersão do transformador é 0. 132 kV: xam = 0.9 pu e a corrente de saída do gerador é 1. Prof. respectivamente. 4. medidas entre os enrolamentos de Alta.8 adiantado.20. Use a tensão terminal do gerador como fasor de referência.35 pu. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W.33. Calcule a tensão no enrolamento de alta tensão para que a tensão no enrolamento de baixa tensão seja de 6. Os transformadores elevadores são especificados para 11/66 kV.15 pu e 0. as reatâncias do gerador e do motor são 0. Média e Baixa tensões e referidas a 30 MVA.19 4. Um gerador é ligado por meio de um transformador a um motor síncrono. 1320 kV e 164  37 amperes.0 Ω/fase conectado em estrela. respectivamente.08 . Quando expressas na mesma base. xab = 0. 90 MVA. calcule a tensão e a corrente do lado da usina. Dois geradores com potências individuais de 80 MVA estão conectados como ilustrado na Figura 4. Determine a corrente em pu da falta. Figura 4.10 pu.33 Sistema para o Exercício 4.8 em atraso. no gerador e no motor.6 kV.000 A e fator de potência 0.6 kV tem as seguintes reatâncias em pu. Um transformador trifásico de três enrolamentos com tensões 132/33/6.0 pu com fator de potência 0.11. e têm reatância de dispersão igual a 10%.15 .09 . xmb = 0.11. Um curto-circuito trifásico ocorre na barra 6 em um momento no qual nenhuma corrente circula através da linha 2-5.6 kV alimenta uma carga equilibrada com corrente de 2. 4.11.11. O enrolamento de 6. A tensão nominal de cada gerador é 11 kV e a reatância síncrona de cada um deles é 12%.18.

pode ser escrito como a soma de N conjuntos de fasores equilibrados”. Nota biográfica: Charles LeGeyt Fortescue (1876 – 1936) foi um engenheiro elétrico nascido em York Factory. Felizmente. tornando a tarefa impossível a partir de algumas poucas barras. o esforço computacional envolvido aumentaria com a terceira potência do número de barras do sistema. os três conjuntos de fasores equilibrados são conhecidos como “sequências” e definidos da maneira a seguir. O teorema de Fortescue O teorema de Fortescue aplica-se a sistemas polifásicos e foi originalmente enunciado da seguinte forma: “qualquer sistema de N fasores desequilibrados. etc. Prof. Fortescue ingressou na Westinghouse Corporation. Para N=3 (sistema trifásico). 1027-1140). o IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) criou uma bolsa de mestrado em homenagem a Fortescue. sendo N um número primo. Fortescue em 1918 possibilita a simplificação da análise de faltas assimétricas. O teorema de Fortescue pode ser escrito para tensões ou correntes. vol. COMPONENTES SIMÉTRICAS 5. concedida anualmente . ser realizado por meio das ferramentas convencionais de análise de circuitos polifásicos (malhas. um entreposto comercial que funcionou até 1957 no noroeste da província canadense de Manitoba.). Após sua formatura. p. localizada em Ontario. Em 1939. 5. vindo a trabalhar com transformadores de alta tensão e problemas a eles relacionados. onde permaneceu durante toda sua vida profissional. dando origem ao estudo das componentes simétricas e reduzindo enormemente o esforço computacional envolvido nos cálculos de curto-circuitos assimétricos. Em 1898. Introdução O cálculo de curto-circuitos assimétricos (fase-terra. fase-fase-terra) poderia. Fortescue tornou-se um dos primeiros engenheiros graduados pela Queen’s University. nos Estados Unidos. como veremos a seguir. Contudo. em princípio. Em 1918. 37. equivalentes. de Almeida – UTFPR .1.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 53 5. Fortescue publicou o artigo “Method of symmetrical co-ordinates applied to the solution of polyphase networks” (AIEE Transactions.2. Canadá. Alvaro Augusto W. nós. fase-fase. um teorema enunciado por Charles L.

denominada “zero” e usualmente representada pelo sobre-índice “0”.1) A sequência negativa gira no sentido inverso ao da sequência positiva. 2) Sequência negativa (5. é a sequência de fases dos geradores conectados ao sistema. 3) Sequência zero (5. de Almeida – UTFPR . Nesta sequência. é necessária para satisfazer o teorema de Fortescue. também com ângulos de 120° entre duas fases quaisquer. Alvaro Augusto W. Denotando as três fases por a. b e c. (c) zero Prof. Da mesma forma que nas sequências anteriores. Da mesma forma que na sequência positiva.3) Figura 5. (b) negativa. os fasores não giram. ou sistema de fasores.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 54 1) Sequência positiva A sequência positiva é definida como a sequência de fases do sistema em análise. permanecendo paralelos entre si. teremos 2   I a  I b2  I c2 . Outros índices usuais são “–” e “cba”. teremos 1 1 1 I a  Ib  Ic . Usaremos o sobre-índice “1” para representá-la. mas outros índices usuais são “+” e “abc”. (5.2) Uma terceira sequência. A Figura 5.1 ilustra as três sequências em termos de seus fasores. Usaremos o sobre-índice “2” para representá-la. A defasagem entre duas fases quaisquer da sequência positiva é sempre 120° e os módulos das correntes (ou tensões) são iguais entre si. teremos 0 0  I a  I b  I c0 . ou seja.1 Sequências de fase: (a) positiva.

 É fácil verificar que o operador a tem as seguintes propriedades:  a  1120  1  240  a 2  1240  1  120   a 2  a*   (a 2 )*  a   a3  1360  a     a 4  a 2  a 2  1  240  a 2   1 a  a  0    a  a 2  a3  0 (5. Já a sequência zero seria produzida por um campo pulsante. (5. Ib e I c . o teorema de Fortescue pode ser agora escrito em função das componentes de sequência positiva.5)  O operador unitário a .12) (5. podemos agora escrever as correntes de sequência positiva da seguinte forma Prof. não girante. Alvaro Augusto W.  Dado um sistema de correntes desequilibradas Ia . podemos imaginar as três componentes de Fortescue como sendo produzidas por geradores comuns. A sequência positiva seria produzida por um campo girante trifásico.7) (5. girando no sentido da sequência de fases do sistema. A sequência negativa seria produzida por um campo girante trifásico.13) Tomando a fase a como referência.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 55 Intuitivamente. negativa e zero  0 1   I a  I a  I a  I a2   0 1  2 I b  I b  I b  I b   0 1  2 I c  I c  I c  I c (5.8) (5.6) (5.11) (5.10) (5.9) (5. definido como  a  1120 .4) pode ser simplificado introduzindo-se o operador unitário a .4)  O sistema de equações (5. de Almeida – UTFPR . mas girando no sentido oposto à sequência de fases do sistema.

15) 0   I a  I b0  I c0 . em notação mais compacta (5. de Almeida – UTFPR .14) De maneira semelhante. teremos 0   I a  1 1 1   I a   1      2 a   Ia    I b   1 a   I  1 a a 2   I 2      a  c    ou.16) na relação (5.17) I   A  I .18) onde   o sistema de sequência. 1 1 1    A  1 a 2 a    1 a a 2      (5. Alvaro Augusto W. abc 012 (5. (5.4).16a) (5. as correntes de sequência negativa podem ser escritas como    I a2  10  I a2  2 2  2  I b  1120  I a  aI a  2 2  2 2  I c  1240  I a  a I a As correntes de sequência zero podem ser escritas de maneira ainda mais simples (5.16) (5.16c) c a a a Escrevendo a relação acima em forma matricial. teremos que 0  1 2 Ia  Ia  Ia  Ia  0  1  2 I b  I a  a 2 I a  aI a      I  I 0  aI 1  a 2 I 2 (5.14). Substituindo as relações (5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 56 1 1  I a  10  I a  1 1  2 1  I b  1240  I a  a I a  1 1  1  I c  1120  I a  aI a (5.19) O sobre-índice abc denota o sistema desequilibrado original e o sobre-índice 012 denota Prof.15) e (5.16b) (5.

Além disso.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 57 A matriz de transformação  A tem algumas propriedades interessantes. a matriz  A é 1 1 1 1  A  1 a 3 1 a 2   1 1  a2    a (5.18) por A . Alvaro Augusto W. Prof.22) Pré-multiplicando a relação (5. Primeiro. Finalmente. da relação acima. a corrente de sequência zero será nula. que  I 0 1    I a  I a  I b  I c   n . Note. onde o sobre-índice T denota a matriz transposta.21) onde I  é a matriz-identidade.23) ou 0 I a  1 1  1  1    I a   1 a 3 I 2   1 a 2    a  1  Ia     a 2   Ib     a  Ic    (5. Quando tal caminho não existir. 012 1 abc (5. Este resultado será útil mais tarde. ou seja. de Almeida – UTFPR . só haverá corrente de sequência zero em circuitos nos quais houver caminho para a corrente de neutro. Assim. como é o caso de conexões delta. podemos notar que ela é simétrica.20) AT A*  3I  . podemos verificar que (5. A  AT . podemos agora obter as componentes de sequência em função das componentes do sistema abc original I   A  I . com inversa dada por (5. invertível.24) Sistema de sequência 012 escrito em termos do sistema abc original. 3 3  onde I n é a corrente de neutro.

I c  I c120 . 1   I a 0  2   a    I a   120    a   I a 120    0 I a  I a  3 1  1  120  1120  0   1 I a  I a  1  1120 1  120  1240 1120  I a 3   2 I a  I a  3 1  1240 1  120  1120 1120  0  Os resultados acima indicam que um sistema equilibrado com os ângulos 0°.1. Em um sistema totalmente equilibrado. I b  6  90 e  I b  16143.24). Solução.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 58 Exemplo 5.1 a   Prof. Usando a relação (5.   I b  I b  120 .24). Em um sistema desequilibrado circulam as correntes I a  80 . +120°. Aplicando (5. apenas a componente de sequência negativa existiria.2.1 . caracterizando um sistema de sequência negativa. I a  I a 0 . +120° (sistema de sequência positiva) tem apenas componente de sequência positiva. teremos 0 I a  1 1  1  1    I a   1 a 3 I 2   1 a 2    a ou. Alvaro Augusto W. Em ambos os casos a componente de sequência zero seria nula. –120°.24). –120°. Se os ângulos fossem 0°. calcule as correntes de sequência para um sistema abc equilibrado. teremos. Calcule as correntes de sequência e desenhe os diagramas fasoriais para cada uma delas. por exemplo.  Solução.   Exemplo 5. De acordo com a relação (5. onde I a  I b  I c . vem 0 I a  1 1  1  1    I a   1 a  I 2  3 1 a 2     a ou. de Almeida – UTFPR . 1  80  2   a   6  90     16143.

1       a ou.08      a De acordo com 5.38  120  9.15).1  2143.2 Diagrama fasorial mostrando a composição de um sistema desequilibrado a partir de três sistemas equilibrados Prof.14.333.81258. teremos  2 I b  4. teremos 1 1 I b  I a 240  9.92  de sequência a partir das correntes do sistema abc original.8118.3  86.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 59 0 Ia  1 1 1  80   1  1    6  90   I a   1 1120 1  120    I 2  3 1 1  120 1120  16143. ainda. de Almeida – UTFPR .92  2 I c  4.38   I a   80  630  1623.8118.3  86.38   1 1 I c  I a 120  9. 0 I a  80  6  90  16143.08  120  4.8118.3  86.38  240  9. mostrando a composição das correntes Figura 5.1    3 I 2   80  6  210  16263.27) A Figura 5.38  (5.26) E. Alvaro Augusto W.81138.25) (5.1 4.2 ilustra o diagrama fasorial completo.3153.05   1  1    9.08  240  4. (5. da relação (5.

27) Usando a relação (5.    (5. sabemos que (5.29) Potência complexa trifásica escrita em função dos componentes de sequência. Potência complexa A potência complexa trifásica do sistema original abc pode ser escrita. como    * S3  V abc I abc .18) .25) Esse resultado pode ser escrito também em forma matricial   T  * S3  V abc I abc .   T S3  V 012 A     A  I  . em pu.28) ou. 012 T 012 * (5.27) I   A  I .3.21). de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W. abc 012 Esse resultado vale também para tensões: V   A  V .   (5. e I abc   I b  V c  I c        De (5. podemos finalmente escrever   S3  3 V   I  .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 60 5.26) pode ser escrita como   S3  A  V 012      A  I  . abc 012 Assim. T 012 * T * 012 * (5. onde Prof. (5. a relação (5.26) bastando que se defina os seguintes vetores-coluna   V a  I a        V abc  V b  .

4. Assim. Vb e Vc . ligada em estrela aterrada por uma impedância de neutro Z n e ali-    mentada por uma fonte trifásica cujas tensões de fase são Va . As fases estão acopladas  entre si por meio de impedâncias mútuas Z m . Impedâncias de sequência Considere agora o circuito da Figura 5.31) Decorre que a potência total é a soma das potências de cada sequência. 5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 61   V 0  I 0   1   1    V 012  V  . (5.28) pode ser escrita em forma explícita (5. as quais podem ser resultantes de capacitâncias ou indutâncias entre os condutores das linhas. Figura 5. Vb e Vc podem ser escritas como          Va  Z s I a  Z m I b  Z m I c  Z n I n          Vb  Z s I b  Z m I a  Z m I c  Z n I n          Vc  Z s I c  Z m I a  Z m I b  Z n I n Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR . V 2  I 2        A relação (5. e I 012   I  .3.3 Carga trifásica equilibrada com impedâncias mútuas    As tensões de fase Va . com   impedância série Z s por fase.30)   *   * S3  3V0 I 0  3V1I1*  3V2 I 2 . cada um dos três circuitos de sequência absorve uma parte da potência total absorvida pelo circuito abc original. que ilustra uma carga trifásica equilibrada.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34     Lembrando que I n  I a  I b  I c e reordenando os termos das equações acima.33). Substituindo a relação (5. (5. vem (5.37).34) em (5.32) A equação (5. Nossa intenção é obter a equação de sequência correspondente à (5. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR .33) onde Z  abc    Zs  Zn    Z m  Z n   Z m  Z n    Zm  Zn   Zs  Zn   Z Z m n   Zm  Zn     Zm  Zn    Zs  Zn   (5. sendo deno1 abc 1 abc minado matriz-impedância de sequência Z   A   Z  A .34) é a matriz-impedância do sistema abc original. 012 (5. vem 62           Va  Z s  Z n I a  Z m  Z n I b  Z m  Z n I c           Vb  Z m  Z n I a  Z s  Z n I b  Z m  Z n I c           Vc  Z m  Z n I a  Z m  Z n I b  Z s  Z n I c ou. teremos.    Va   Z s  Z n     Vb    Z m  Z n V   Z  Z    n  c  m   Zm  Zn   Zs  Zn   Zm  Zn    Zm  Zn  Ia       Zm  Zn   Ib     Z s  Zn  Ic     (5.37) Substituindo as relações (5.18) na (5. abc abc abc (5. após um calculo direto Prof.36) Pré-mutiplicando ambos os lados de (5. teremos  A  V   Z  A  I .33). 012   Sabendo que V 012 tem dimensão de volts e que I 012 tem dimensão de amperes.19).35) por A 012 1 abc   1 V   A   Z  A  I . então. o termo A        Z  A  deverá ter dimensão de ohms.22) e (5. por força da lei de Ohm.32) pode ser escrita em forma mais compacta utilizando-se a notação matricial  V   Z  I . 012 abc 012 (5.35) . em forma matricial.

36).41) abaixo. precisamos analisar ainda a representação das impedâncias de sequências negativa e zero de tais equipamentos. tensões de uma sequência produzirão correntes desta sequência apenas.1. 5.38) em (5. Logo. A consequência elétrica desse fato é ainda mais interessante. valendo a relação (5. são as respectivas impedâncias já conhecidas. linhas de transmissão e transformadores. de Almeida – UTFPR . tais como geradores. Contudo. Alvaro Augusto W.38) A relação (5. por causa da diferente distribuição de fluxos magnéticos produzida pelas três correntes em fase. de forma mais explícita 0   Zs  Zm 0 0 0  I     0   I 1     Zs  Zm  I 2     (5. Por exemplo. logo. Impedâncias de sequência dos componentes de um SEP Um sistema equilibrado que opera alimentando cargas também equilibradas só contém componentes de sequência positiva.4. podemos escrever     V 0   Z s  3Z n  2Z m  1   0 V    V 2    0    ou. Linhas de transmissão As impedâncias de sequências positiva e negativa de uma linha de transmissão dependem apenas da geometria desta e. as impedâncias de sequência positiva dos diversos componentes do circuito. são idênticas.5.39)      V 0  Z s  3Z n  2Z m I 0  1   1 V  Z s  Z m I  2   2 V  Z s  Z m I (5. (5. Em outras palavras.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 63 Z  012     Z s  3Z n  2Z m   0  0  0  Z Z s m 0 0   0 . os circuitos de sequência são eletricamente desacoplados entre si. 5.   Zs  Zm   Matriz-impedância de sequência. Sendo Dn a Prof.40) Assim.37) deixa claro que as componentes simétricas funcionam como um método de diagonalização da matriz-impedância. Já a reatância de sequência zero de uma linha de transmissão é muito maior. substituindo (5.

41) (5.7. consulte a Figura 4.4. Prof.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 64 distância entre a linha e o neutro. ().2f ln  n  . A reatância de sequência positiva do gerador será então igual a xd . o gerador síncrono é caracterizado por três diferentes reatâncias: a reatância síncrona de eixo direto xd (correspondente ao funcionamento em regime). xd ' ou xd ' ' . conforme mostrado na Figura 5.42) a seguir.42) 5. Figura 5. dependendo do período no qual desejarmos calcular o curto-circuito. D a distância entre as três linhas e  o comprimento da linha.42) é dada em m/km.4. (m/km).18. Note que a reatância em (5. a reatância subtransitória de eixo direto xd ' ' (correspondente ao funcionamento no período subtransitório) e a reatância transitória de eixo direto xd ' (correspondente ao funcionamento no período transitório). Para uma revisão da definição de cada um desses períodos.2. 2 1 Z LT  Z LT . a reatância de sequência zero é dada pela relação (5.42) Impedâncias de sequências de uma linha de transmissão. 3 3 10  10  D (5. Alvaro Augusto W. 0 xLT x1 D   LT  1. Geradores síncronos Como vimos na seção 4.4 Corte de uma linha de transmissão para cálculo da reatância dada por (5. de Almeida – UTFPR .

43) (5. 5. transformadores de dois enrolamentos são representados de maneira simplificada. negativa e zero. No caso da sequência zero. haverá circulação de corrente somente quando houver conexão ao terra. a qual será igual às impedâncias para as sequências positiva. Assim.45) Impedâncias de sequências de um gerador síncrono. apenas a sequência positiva gera tensão a vazio. Devemos nos lembrar também de que. Prof. de Almeida – UTFPR . 0 xg  x . x1  xd ou x1  xd ' ou x1  xd ' ' (). (5. (). de modo que o respectivo circuito equivalente deve ter a f. Logo.44) (5. mas a impedância aparecerá multiplicada por três. não fluxo magnetizante. devemos também observar que o tipo de conexão do gerador determinará o circuito a ser utilizado para geradores nos casos das sequências negativa e zero. a reatância de sequência negativa do gerador deverá ser calculada com o dobro da frequência de operação. Transformadores de dois enrolamentos Como vimos na seção 4. haverá apenas fluxo disperso.4.3.45). o circuito será fechado para sequência zero. Alvaro Augusto W.4. Uma fórmula prática é considerar que tal reatância é aproximadamente igual à reatância subtransitória de eixo direto. 2 xg  xd ' ' . nos casos de conexão delta e estrela aberta o circuito equivalente será também aberto para sequência zero. g g g dependendo do período desejado.1. mas aterrada através de uma impedância Zn.e.44) 4 (5. Ef substituída por um curto-circuito. Todos os circuitos equivalentes para geradores síncronos estão resumidos na Tabela 5. Finalmente.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 65 Sabendo que a sequência negativa gira no sentido contrário da positiva. quando a conexão for estrela.43). considerando-se novamente apenas a impedância de dispersão. A reatância de sequência zero será portanto aproximadamente igual à reatância de dispersão da armadura. (5. pois corresponde à sequência de fases do sistema.m. as correntes giram junto com o campo girante. no caso da sequência zero. A sequência negativa não gera tensão. Além de observarmos os valores de (5. (). Por exemplo. conforme a equação (5.38).

2. de Almeida – UTFPR . ().Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 66 1  2  0  ZT  ZT  ZT  Z  .46) Impedâncias de sequência para transformadores. Tabela 5.1 – Circuitos equivalentes para geradores síncronos Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero Da mesma forma que no caso dos geradores. o tipo de conexão dos transformadores influenciará os circuitos para as sequências negativa e zero. Prof. conforme mostrado na Tabela 5. Alvaro Augusto W. (5.

2 – Circuitos equivalentes para transformadores de dois enrolamentos Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero 67 Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Tabela 5.

) Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero Prof.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 68 Tabela 5. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W.2 – Circuitos equivalentes para transformadores de dois enrolamentos (cont.

a corrente de sequência zero será desviada para o terra. 2) A conexão estrela aterrada por impedância Zn deixa passar corrente de sequência zero. Alvaro Augusto W. por dentro do delta. Logo. em um transformador cujo lado de baixa(ou de alta) está ligado em delta. As figuras 5. respectivamente. tanto para geradores quanto para transformadores. Para melhorar a compreensão. Por exemplo. sendo IA a corrente no lado de alta e IB a corrente no lado de baixa. embora a conexão delta não deixe passar corrente de sequência zero. Uma fonte de tensão monofásica foi ligada ao lado de alta. são as seguintes: 1) A conexão estrela aterrada deixa passar corrente de sequência zero. devemos nos lembrar de que o transformador funciona por compensação de força magnetomotriz. o mesmo acontecendo com a impedância de carga do lado de baixa.6 deixa claro que há circulação de corrente no lado de baixa. E. Assim. devemos ter   N AI A  NB I B . deve haver corrente do outro lado também. essa corrente não circula pela Prof. estrela aterrada e estrela aterrada por impedância.5 e 5. 3) A conexão estrela sem aterramento bloqueia completamente a passagem da corrente de sequência zero. mas devemos adicionar a parcela 3Zn à impedância de sequência zero do transformador. as regras gerais.47) Impedâncias de sequência para transformadores. (5. Contudo. esta corrente circula dentro do delta. 4) A conexão delta bloqueia a passagem da corrente de sequência zero que sairia do transformador. sem restrições. A figura 5. onde N A e N B são os números de espiras dos lados de alta e de baixa tensão. de maneira a se simular a sequência zero. haverá corrente de sequência zero no lado de alta (ou de baixa) se este estiver ligado em estrela aterrada solidamente aterrada ou aterrada por impedância. mas veem como reservas a conexão delta. se o outro lado estiver ligado em estrela aterrada ou estrela aterrada por impedância. Para que haja corrente de um lado.6 ilustram essa situação para a conexão estrela aterrada-delta. haverá corrente também no lado de alta. de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 69 No que diz respeito à sequência zero. Os alunos que se deparam pela primeira vez com componentes simétricas geralmente entendem como bastante naturais os circuitos para sequência zero de transformadores conectados em estrela.

Contudo.47) e argumentar que o circuito equivalente da Figura 5. ligado de maneira a simular a sequência zero A situação se torna um pouco mais complicada se tivermos uma fonte no lado em delta e uma carga no lado em estrela aterrada. ou representarmos apenas um circuito aberto. podemos invocar a simetria implícita na relação (5.5 Transformador trifásico abaixador. Situação semelhante ocorre no caso da conexão delta-delta (última linha da Tabela 5. com uma impedância duplamente aterrada no meio.6 Simplificação do circuito da Figura 5. No lado de alta o único caminho para a corrente é para o terra. conforme ilustrado.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 70 carga e. conectado em estrela aterradadelta. Figura 5. o circuito equivalente do lado de baixa é aberto. de Almeida – UTFPR .6 vale também para esse caso.5 Prof. assim. Alvaro Augusto W. preferimos a primeira representação. Entretanto.2). removendo a impedância. Figura 5. Do ponto de vista elétrico seria indiferente representarmos um circuito aberto de ambos os lados. novamente por razões de simetria.

3 ilustra as impedâncias para algumas das ligações mais comuns. na qual o modelo estrela é utilizado. A Tabela 5.3 – Circuitos equivalentes para transformadores de três enrolamentos Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero Prof.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 71 5.4. Transformadores de três enrolamentos As regras para impedâncias de sequência de transformadores de três enrolamentos decorrem das regras já vistas para transformadores de dois enrolamentos. Tabela 5.4. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR .

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Tabela 5.) Conexão Sequência Positiva Sequência Negativa Sequência Zero 72 Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR .3 – Circuitos equivalentes para transformadores de três enrolamentos (cont.

será xT12 25  10. Figura 5. e ambos têm reatância subtransitória de 25%. reatância de dispersão de 2% e tensão nominal de 10 kV.3.1 pu. logo  xGd1 ' '  j 0. com reatância de dispersão de 10% cada.1      xT12  j 0. reatância de dispersão de 1% e alimenta dois motores por meio de uma linha de transmissão e transformadores.8   j 0. respectivamente. 25 MVA. de acordo com a relação 4. tem reatância subtransitória de 20%. Os transformadores são ambos especificados para 30 MVA.0803 pu 30  11. Vb1 =11 kV . de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 73 Exemplo 5. 10. 11 kV.8/121 kV. conforme a Figura 5. Desenhe os diagramas de sequência positiva. Alvaro Augusto W. As reatâncias do gerador já estão na base correta.7 Sistema para o Exemplo 5.01 pu A reatância do transformador 1-2.3 Solução. Considere que as bases do sistema são iguais aos dados nominais do gerador e que as impedâncias de neutro do gerador e do motor 2 são ambas iguais a 0. Devemos antes escrever todas as reatâncias nas bases do gerador: Sb=25 MVA. precisamos das tensões-base nas barra 3 e 4 Vb3  11  121  Vb3  123. já nas bases do gerador.20 pu  xG1  j 0.7.0  2 Para convertermos as demais reatâncias.4. A reatância série da linha é 100 . negativa e zero para o período subtransitório.5 MVA. Um gerador síncrono trifásico. Os motores são especificados para 15 MVA e 7.24 kV 10.8 Prof.

respectivamente xT34 25  121   j 0. de Almeida – UTFPR . a reatância da linha de transmissão 2-3 será xLT23  j100  xLT23  j 0.8 Prof.0275 pu 15  11  2 25  10  xMd2 ' '  j 0.8 abaixo.0803 pu 30  123.689 pu 7. sabemos que as reatâncias de sequência positiva dos geradores e motores serão iguais às respectivas reatâncias subtransitórias.02      xM1  j 0.24  2 xMd1 ' '  j 0. o diagrama de sequência positiva pode ser desenhado conforme a Figura 5.25      xMd2 ' '  j 0. Alvaro Augusto W.24) 2 / 25 Da relação (5. as reatâncias de sequência positiva dos transformadores são iguais às respectivas reatâncias de transmissão e a reatâncias de sequência positiva da linha de transmissão será igual à reatância própria da linha. Assim.02      xM 2  j 0.1646 pu (123.25  25  10      xMd1 ' '  j 0.24  10. Além disso.5  11  xM 2 25  10   j 0. Figura 5.3444 pu 15  11  2 2 xM1 25  10   j 0.0551 pu 7.43).5  11  2 Finalmente.1      xT34  j 0.8  Vb3  11 kV 121 As reatâncias do transformador 3-4 e dos motores serão.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 74 Vb3  123.

9 abaixo. por causa das ligações delta. o diagrama de sequência negativa pode ser desenhado conforme a Figura 5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 75 Circuito de sequência positiva para o Exemplo 5. conforme a relação (5. Figura 5. Note a interrupção do circuito nas barras 2 e 3.3 Sabendo que devemos desenhar o circuito de sequência negativa para o período subtransitório. as reatâncias de neutro do gerador e do motor 2 aparecem multiplicadas por três. de Almeida – UTFPR . Além disso.9 Circuito de sequência negativa para o Exemplo 5. Note também que as reatâncias do gerador e dos motores foram substituídas pelas respectivas reatâncias de dispersão. As reatâncias dos transformadores e dos geradores também permanecem as mesmas. conforme recomendado pela relação 5. os valores das reatâncias de sequência negativa do gerador e dos motores são iguais às respectivas reatâncias de sequência positiva. Alvaro Augusto W.3 Prof.45.39). Figura 5.10 Circuito de sequência zero para o Exemplo 5.10 abaixo. Assim.3 O diagrama para sequência zero é mostrado na Figura 5.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 76 Exemplo 5. A Tabela 5. xam Transformador 3-4-5. com os dados da Tabela 5. Para o sistema da Figura 5.6% 8% 8+j20  10% 8% 14% 1.4.8 kV.11 Sistema para o exemplo 5.13 e 5. Alvaro Augusto W. Figura 5. pede-se: (a) desenhe os diagramas para as sequências positiva.4.12. negativa e zero. 5.4 Equipamento x1 11% 8% 5+j11  10% 8% 14% 10% 3+j10  12% 16+j40  11% 15% x2 9% 8% 5+j11  10% 8% 14% 8% 3+j10  12% 16+j40  11% 12% x0 1. Note que as reatâncias do transProf.11.4 Tabela 5. de Almeida – UTFPR . Considere que a reatância de neutro do gerador da barra 9 é j0. negativa e zero.5% 7+j28  12% 30+j90  11% 2% Gerador 1 Transformador 1-2 Linha 2-3 Transformador 3-4-5. já convertida para a base nova. os circuitos para as sequências positiva.5 ilustra os resultados para as três sequências e as Figuras 5. respectivamente. xmb Gerador 4 Linha 5-6 Transformador 6-7 Linha 7-8 Transformador 8-9 Gerador 9 O primeiro passo é converter as reatâncias e impedâncias para a nova base.4 pu. (b) calcule as impedâncias equivalentes de Thévenin na barra 5 para as sequências positiva. negativa e zero.14 ilustram. xab Transformador 3-4-5. As bases são Sb=120 MVA e Vb1=13.4 – Impedâncias originais do Exemplo 5.

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formador 3-4-5 já foram convertidas para o modelo estrela, conforme as relações (4.12), (4.13) e (4.14).
Tabela 5.5 – Impedâncias convertidas para as bases novas
Equipamento x1 11% 7,38% 3,15% + j6,93% 2,67% 10,67% 8% 60% 0,68% + j2,27% 28,8% 40,33% + j100,82% 33% 60% x2 9% 7,38% 3,15% + j6,93% 2,67% 10,67% 8% 48% 0,68% + j2,27% 28,8% 40,33% + j100,82% 33% 48% x0 1,6% 7,38% 5,04% + j12,6% 2,67% 10,67% 8% 9% 1,59% + j6,35% 28,8% 75,615 + j226,84% 33% 8%

Gerador 1 Transformador 1-2 Linha 2-3 Transformador 3-4-5, xa (5) Transformador 3-4-5, xb (4) Transformador 3-4-5, xm (3) Gerador 4 Linha 5-6 Transformador 6-7 Linha 7-8 Transformador 8-9 Gerador 9

Os circuitos para as sequências positiva, negativa e zero são mostrados nas Figuras 5.12, 5.13 e 5.14, respectivamente.

Figura 5.12 Circuito de sequência positiva para o exemplo 5.4

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Figura 5.13 Circuito de sequência negativa para o exemplo 5.4

Figura 5.14 Circuito de sequência zero para o exemplo 5.4

A impedância equivalente de Thévenin, vista da barra 5, para sequência positiva, será

 j 0,0267   j 0,08  0,0315  j 0,0693  j 0,0738  j 0,11 //  j 0,1067  j 0,6
ou,
1 Z th  0,4101  j 2,2537 //  j 0,0267  0,0315  j 0,3331 // j 0,7067

1 Z th  0,0068  j 0,0277  j 0,288  0,4033  j1,008  j 0,33  j 0,6 //

  Z th  0,01589  j 0,22818 pu
1

Para sequência negativa, teremos Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR

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 j 0,0267   j 0,08  0,0315  j 0,0693  j 0,0738  j 0,09 //  j 0,1067  j 0,48
ou,
2 Z th  0,4101  j 2,1337 //  j 0,0267  0,0315  j 0,3131 // j 0,5867

2 Z th  0,0068  j 0,0277  j 0,288  0,4033  j1,008  j 0,33  j 0,48 //

  Z th  0,01475  j 0,20902 pu
2

Finalmente, a impedância de sequência zero será
0 Z th  0,0156  j 0,0635  j 0,288 // j 0,0267

  Z th  0,00008  j 0,02482 pu
0

Observe que, no caso da sequência zero, toda a impedância à esquerda da reatância de j0,0267 do circuito original é desconsiderada, por estar aterrada em ambas as extremidades. O cálculo de impedâncias de sequência será importante no próximo capítulo, quando formos calcular correntes de curto-circuito assimétricos. Exemplo 5.5. Desenhe os circuitos de sequência negativa e zero para o sistema de potência da Figura 5.15 abaixo. Os valores-base são 50 MVA e 138 kV na barra 2.

Figura 5.15 Sistema para o Exemplo 5.5

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2  2 g1 2 g4 2 2 xg7  j 0. Vb1  Vb4  13.1 50 2 2 2 2  xT  xT  xT  xT  j 0. Alvaro Augusto W. Vb6  Vb9  138 kV . as reatâncias de sequência negativa dos geradores são 50  13. restando ajustar para a nova potência-base 2 2 2 2 xT12  xT15  xT34  xT46  j 0.2 kV .8  2 2 x  x  j 0. Vb5  Vb8  138 kV .0525 pu 2 138 / 50 2 2 xLT58  xLT69  Os transformadores estão todos na nova tensão-base. Solução.1 50 2 2  xT  xT  j 0.105 pu 2 138 / 50 j 20 2 2  xLT58  xLT69  j 0. As tensões-base podem ser determinadas rapidamente por inspeção: Vb2  Vb3  138 kV . Vb4  13. Prof. de Almeida – UTFPR .2 pu 25 12 15 34 46 2 2 xT78  xT79  j 0. Vb7  6.3333 pu 30 7 O diagrama de reatâncias para sequência negativa é mostrado na Figura 5.3333 pu 15 78 79 Finalmente.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 80 Considere que as reatâncias de sequência negativa das máquinas síncronas são iguais às respectivas reatâncias subtransitórias e que as reatâncias de sequência zero das linhas de transmissão são iguais a 300% das respectivas reatâncias de sequência positiva.16 abaixo.9 kV . As reatâncias de sequência negativa das linhas de transmissão podem ser escritas como 2 xLT23  j 40 2  xLT23  j 0.3279 pu 25  13.2 kV .15      xg1  xg4  j 0.2  50 2  xg  j 0.

105  xLT23  j 0.1333 pu 30 7 As reatâncias de neutro de sequência zero dos geradores são x 0 ng1 x 0 ng4 50  13.2  2 0 xg7  j 0.05      xng1  xng4  j 0. Prof. Alvaro Augusto W.1093 pu 25  13.0833 pu 30 7 Finalmente.0525  xLT58  xLT69  j 0.42 pu 0 0 0 0 0 xLT58  xLT69  4  xLT69  4  j 0.08  50 0  xg  j 0.1749 pu 25  13.2  0 xng7  j 0.16 Diagrama de sequência negativa para o Exemplo 5. as reatâncias de sequência zero dos transformadores são iguais às respectivas reatâncias de sequência negativa.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 81 Figura 5. de Almeida – UTFPR .21 pu 0 0 xg1  xg4  j 0. calculadas anteriormente.8  0 0    xg1  xg4  j 0.5 As reatâncias de sequência zero das linhas e geradores são 2 0 2 xLT23  4  xLT23  4  j 0.05  2 50 0  xng  j 0.8  0 0  j 0.08  50  13.

17 Diagrama de sequência zero para o Exemplo 5. O resultado é mostrado na Figura 5.17. Alvaro Augusto W. Figura 5. multiplicadas por três. de Almeida – UTFPR .5 Prof. bem como adicionar as reatâncias de neutro dos geradores.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 82 No caso do diagrama de sequência zero devemos tomar cuidado de com as ligações dos transformadores. em série com as respectivas reatâncias de sequência zero.

87 .6. Vc  4. Pede-se: (a) converta os valores para pu.6. de Almeida – UTFPR .5.87 . Pede-se: (a) determine as tensões das fases a. 15 kV/69kV. 13.5  90 . (b) desenhe o diagrama fasorial completo. 5. Pede-se: (a) determine as tensões de sequência para as fases a. no caso da sequência zero.8 kV. Va0  4.2100 . b e c do sistema original desequilibrado. haverá corrente em ambos os enrolamentos.4. A potência base é 100 MVA e a tensão base é 15 kV na barra do gerador.   Va2  10. Explique porque. Todos os elementos estão ligados em série. na sequência gerador.6. (d) carga de 20 MVA. Enuncie o teorema de Fortescue e descreva suas vantagens no cálculo de faltas assimétricas (fase-terra. Exercícios 5. linha. ligado em estrela-estrela. Seja um sistema elétrico cujas tensões de sequencias.  5. etc. (b) transformador de dois enrolamentos. 5. 50 MVA.6. Seja um sistema elétrico cujas tensões em determinada barra são. (c) linha de transmissão com x=20 ohms. 70 MVA. Prof.2100 . negativa e zero) na barra de carga. fase-fase.5  90 . são: Va1  13. carga. (c) estrela aterrada –estrela aterrada. com os dois neutros aterrados. b e c.6.3.   Vb  10. (d) estrelaestrela aterrada. (b) calcule todas as impedâncias equivalentes de Thévenin (sequências positiva. ilustrando como as tensões do sistema original desequilibrado são formadas a partir das somas adequadas das tensões de sequencia. para a fase a.2. 5. transformador. Alvaro Augusto W. (b) estrela aterrada-delta. Esboce os diagramas de sequência para transformadores de dois enrolamentos ligados em: (a) delta-delta. (b) desenhe o diagrama fasorial completo.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 83 5.6. com fator de potência unitário.6. x=8%. mas não haverá corrente para fora do lado em delta.1. em kV: Va  13. Considere um sistema composto por: (a) gerador trifásico.). Esse teorema traria alguma vantagem no cálculo de faltas simétricas. tais como a trifásica e a trifásica-terra?  5. x=10%.6. Um transformador de dois enrolamentos está ligado em delta-estrela aterrada. ilustrando como as tensões do sistema original desequilibrado são formadas a partir das somas adequadas das tensões de sequencia.

05 0. de Almeida – UTFPR . I bn e I cn pelo método das componentes simétri- cas.12 0.8. Z cn  270  é ligado em estrela às três fases a.25 0.73 0.13 x2 (pu) 0.6. Um conjunto de impedâncias Z an  270  . na ordem indi- cada pelos subíndices.15 0.3 Prof.   Z bn  3545  . negativa e zero.15 0.18 Sistema para o Exercício 5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 84 5.6.12 0. A sequência de fases é positiva.18.4 0.6. Vbc=154.25 0.    (b) determine as correntes de linha I an .6. Pede-se: (a) desenhe um esquema do circuito trifásico resultante.7.15 0. b e c. Alvaro Augusto W. Considere o sistema da Figura 5.13 x0 (pu) 0.15 0.6.8 Tabela 5.12 0.1 V e Vca=154. (b) calcule as impedâncias para as três sequências nas três barras (uma de cada vez). Figura 5.1  V.12 0.12 0. As tensões entre as fases de um sistema trifásico são Vab=218 V.6 – Dados do Exercício 5. 5.15 0. cujas impedâncias estão representadas na Tabela 5.12 0. com todos os parâmetros representados.15 0. (a) Desenhe os diagramas de reatâncias para as sequências positiva.8 Equipamento G1 G2 T1 T2 L12 L13 L23 x1 (pu) 0.05 0.

Os neutros dos geradores das barras 1 e 5 estão ligados à terra por meio de reatores limitadores de corrente com reatância de 5%.9 5. cada qual tendo como Prof. conforme diagrama unifilar. com reatância de dispersão de 10%.6.6.115Y (kV).20 Sistema para o Exercício 5. Escolha os valores nominais do gerador como base do circuito do próprio gerador.11.6.9 kV na barra 1. ambos com 20% de reatância subtransitória.8 kV. possui uma reatância subtransitória de 15%. 13. Os trafos trifásicos são ambos de 35 MVA 13.10 5. A reatância em série da LT é 80 . Ele alimenta dois motores através de uma LT com dois trafos nas extremidades.2 . Os valores nominais dos motores são 20 e 10 MVA.19 Sistema para o Exercício 5.6.9. Alvaro Augusto W.20 abaixo. Expresse os valores de todas as reatâncias em pu nas bases 30 MVA e 6.10. (a) Desenhe os circuitos de sequência negativa e de sequência zero para o sistema de potência da Figura 5. Figura 5. Desenhe o diagrama de sequência zero para o sistema da Figura 5. de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 85 5. Figura 5. Um gerador trifásico de 30 MVA.21. Faça o diagrama de reatâncias com todos os valores em pu.6.

Prof. calcule as impedâncias equivalentes de Thevénin. Alvaro Augusto W.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 86 bases os valores dos respectivos geradores. de Almeida – UTFPR .6. para as sequencias negativa e zero. na barra 3. Para o sistema do Exemplo 5. para as sequencias negativa e zero. Figura 5.6.5.21 Sistema para o Exercício 5. na barra 5.12. (b) calcule as impedâncias equivalentes de Thevénin.11 5.

3) As equações (6. devemos nos lembrar de que tais equações decorrem do teorema de Fortescue e. Sendo E a a tensão interna de fase. Figura 6. mas agora devemos aplicar o método das componentes simétricas aos problemas em questão.10 continuam válidos. apenas a soma das três equações acima tem significado físico. apenas o circuito de se quência positiva apresenta fem interna ( E a ) não nula. assim. (b) sequência negativa. (6. Os conceitos introdutórios vistos na seção 4.1 Circuitos de sequência de um gerador a vazio: (a) sequência positiva.1 acima. CÁLCULO DE CURTO-CIRCUITO 6. Alvaro Augusto W.1 a seguir.2) e (6.1. os quais são semelhantes aos circuitos da segunda linha da Tabela 5.   2 2 Va2  Z S I a .2) (6. Note também que. Introdução Neste capítulo abordaremos o cálculo de faltas assimétricas. de Almeida – UTFPR . Prof. quais sejam: fase-terra.1.1) (6. (c) sequência zero As seguintes equações podem ser abstraídas dos circuitos da Figura 6. os diagramas para as sequências positiva. Inicialmente precisamos aprender a escrever as equações para as três sequências de um    gerador a vazio.2) podem parecer um pouco estranhas.   0 0 Va0  Z S I a . Contudo.1:    1 1 Va1  Ea  Z S I a . como já vimos na Tabela 5. negativa e zero podem ser representados como na Figura 6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 87 6. fasefase e fase-fase-terra. Z S a impedância síncrona por fase e Va a tensão de fase nos terminais da fase a de um gerador trifásico. pois descrevem correntes circulando e tensões terminais sem que haja fems internas.

como impedâncias de linhas de transmissão.10.24).2 Gerador com a fase a em curto com o terra Escrevendo a transformação de Fortescue (5. transformadores.2. que consiste de um gerador trifásico cuja fase a foi   conectada ao terra por meio de uma impedância de falta Z f .4) (6.7) Prof. etc.5) e (6. conforme vimos no item 4. são consideradas abertas.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 88 6.2. as fases b e c. O termo Z S representa a impedaimpedância síncrona do gerador em série com qualquer impedância a ele conectada. vem 0 I a  1 1  1  1    I a   1 a 3 I 2   1 a 2    a ou. pois. (6. Por simplicidade.  Ib  0 . Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR . que estariam ligadas a cargas.6) Figura 6. Podemos então escrever as seguintes condições de contorno para o curto-circuito fase-terra    Va  Z f I a .     a  0  (6. as cargas são consideradas desprezíveis durante um curto.5) (6. com as correntes dadas por (6. Curto-circuito fase-terra Considere o circuito da Figura 6.6).  1  Ia     a 2   0  .  Ic  0 .

10) A relação (6. finalmente.8) Lembremos ainda que o teorema de Fortescue permite escrevermos a tensão na fase a como     Va  Va1  Va2  Va0 . teremos    1 1  2 2  0 0 Va  Ea  Z S I a  Z S I a  Z S I a . trata-se de um “macete”. (6. Z S  Z S  Z S  3Z f (6.9).13). 3 Rearranjando os termos de (6.8) nos garante que. listas ou outras informações. Ea é a tensão pré-falta. considerando que I a  3I a  Ea 1  2  0  .0 pu na nossa formulação simplificada. que. vem     I 1  2  0 Z f I a  Ea  a Z S  Z S  Z S  . A Figura 6. ilustra a 1 Mnemônico vem de Mnemosine.4) e (6.10) como   0  1  2  0 Va  Ea  I a Z S  Z S  Z S .13)   I ccft  I a   3Ea 1  2  0  Z S  Z S  Z S  3Z f (6.3) em (6. e é um elemento gráfico ou verbal cuja finalidade é auxiliar a memorização fórmulas. 0  A corrente I a . Em outras palavras. Alvaro Augusto W. resulta de uma tensão Ea aplicada a uma impedância total 1  2  0  Z S  Z S  Z S  3Z f .8) na relação acima. na presente situação.3 mostra um circuito mnemônico1. as correntes de sequência são iguais. de Almeida – UTFPR . Logo.12) 0 Ia   0 ou.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 89  0 1  2 I Ia  Ia  Ia  a .14) Corrente de curtocircuito fase-terra.  Conforme vimos na seção 4. dada por (6.2) e (6. podemos escrever (6. a deusa grega da memória. (6. considerada igual a 1. 3 (6.10.1). Prof. Substituindo as relações (6.   (6.11) Substituindo (6. por sua vez.9) (6.12) teremos (6.

teremos 0 Ia  1 1  1  1    I a   1 a 3 I 2   1 a 2    a ou.20)   (6.     a   I b  (6. 1  0     a2   Ib  . 3  1    I a2  a 2  a I b . ligados ainda em série a uma impedância 3Z f . Note que este circuito nada mais é do que a ligação em série  dos circuitos da Figura 6. (6.  Ia  0 .3.3 Circuito mnemônico para o curto-circuito fase-terra 6.21) Prof. no qual as fases b e c foram curto-circuitadas  por meio de uma impedância de falta Z f e a fase a foi deixada em aberto.15) (6. (6.24) a essas correntes. Alvaro Augusto W. 3   (6. Curto-circuito fase-fase Considere agora o circuito da Figura 6.4. de Almeida – UTFPR . Figura 6.16) (6.19) 1 1    I a  a  a2 Ib .1.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 90 relação (6.18) 0 Ia  0 .    I b   I c  I ccff .17) Aplicando novamente a transformação de Fortescue (5.13) de maneira gráfica. As condições de contorno são agora     Vb  Vc  Z f I b .

de Almeida – UTFPR . Substituindo (6.   (6.20) e (6.25)  1   De (6.24) 2 1 Das relações (6.21) vem que I a   I a .16b) e (5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 91 Figura 6. Logo. (5.25) como   Prof.16c). b e c podem ser escritas como     Va  Va0  Va1  Va2      Vb  Va0  a 2Va1  aVa2      V  V 0  aV 1  a 2V 2 c a a a (6.23)     1 1  1 2   Z f I b  a 2  a  Ea  Z S I a  Z S I a .1) e (6.2).22c)  A tensão sobre a impedância Z f será então         Vb  Vc  Z f I b  a 2  a  Va1  Va2 .2) na relação acima.24) pode ser escrita como      1  1  2 Z f I b  a 2  a  Ea  I a  Z S  Z S  .22b) (6. a relação (6.4 Gerador com as fase b e c em curto por meio de impedância De acordo com o teorema de Fortescue expresso por (5.16a).22a) (6. temos ainda que I b  3I a / a  a 2 . teremos (6. Alvaro Augusto W. (6. o que nos permite escrever (6. as tensões nas fases a.

2   aa      (6. Figura 6.5 Circuito mnemônico para o curto fase-fase 6.30) (6. A fase a foi deixada em aberto. Alvaro Augusto W.6.28) Corrente de curtocircuito fase-fase. As condições de contorno são      Vb  Vc  Z f I b  I c .5.29) (6. O circuito mnemônico para o curto-circuito fase-fase é mostrado na Figura 6.    I ccfft  I b  I c .27) teremos finalmente a corrente de curto-circuito fase-fase   I ccff  I b    j 3Ea 1  2  ZS  ZS  Z f (6.27) Substituindo (6. e levando em consideração que a  a 2  a 2  a  3 . no qual as fases b e c foram curto-  circuitadas diretamente e conectadas ao terra por meio de uma impedância de falta Z f .26) 1     Isolando I a na relação acima.4. (6.31) Prof.20) em (6. Z  ZS  Z f 1 S (6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 92  remos 1  3I a Z f    1  1  2  a 2  a  Ea  I a  Z S  Z S . te-     1 Ia   Ea  2  . de Almeida – UTFPR . Curto-circuito fase-fase-terra Considere finalmente o circuito da Figura 6.  Ia  0 .

22b) e (6.   (6. ou. de Almeida – UTFPR . e considerando (5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 93 Figura 6. considerando que a 2  a  1 .36)   0 Vb  3Z f I a .16c) em (6. teremos 0 1  I a  I a  I a2  0 .6 Gerador com as fase b e c em curto para o terra   Substituindo Vb  Vc em (6.29).37) 1  2 Substituindo Va  Va em (6.   0 1 2 Vb  Z f 2I a  I a  I a  . (6. Substituindo (6.22c). vem (6. ainda.33)   0   1   2 Vb  Z f 2I a  a 2  a I a  a  a 2 I a . teremos      0  1  2 0  1  2 Vb  Z f Ib  I c   Z f I a  a 2 I a  aI a  I a  aI a  a 2 I a . (6.36) em (6.35)  Sabendo que I a  0 .35).34)   ou. teremos Prof. (6. teremos   Va1  Va2 .22b). Alvaro Augusto W.16a). (6.16b) e (5.32) Substituindo (5.

vem que (6.36).41) e (6.41).2).1) e (6.41) Corrente de sequência zero para o curto fasefase-terra. vem que  0 I ccfft  3I a (6.    Vb  Va0  Va1 .43) em (6. Ia  a  0 2 3Z f  Z S ZS (6.38) ou. Igualando (6.37) e substituindo as relações (6. (6. Considerando novamente que Va1  Va2 e igualando as relações (6.37). vem (6. 94   (6.43)  1 1   1 1  Z S I a  Ea 1 Z S I a  Ea  Ia   0. Comparando (6. conforme o processo de cálculo a seguir: (6. de Almeida – UTFPR .3).29).30) e (6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34      Vb  Va0  a 2  a Va1 . tere- mos inicialmente  1 1  2 Z I  E Ia  S a 2 a .    3Z  Z 0 Z2 f S S 1 Agora basta isolar Ia .40)  1 1   0 Z I  Ea Ia  S a  0 3Z f  Z S (6.44)   1 1   1 1 1 E  Z S I a  Ea  Z S I a .39)  0  0 0   1 1 3Z f I a  Z S I a  Ea  Z S I a .  ZS Substituindo (6. 1 Agora falta apenas determinarmos I a . Alvaro Augusto W. valor que deverá ser usado para a determinação de   Ia0 em (6.1) e (6. teremos finalmente (6.45) Prof.39) e (6. Resolvendo para Ia0 .42) Corrente de curto fasefase-terra.

Z S Z S  Z S  3Z f  3Z f Z S2  Z S Z S2    Z 2  Z 0  3Z   (6. identificadas com as impedâncias equivalentes de Thévenin das sequências positiva. negativa e zero.  1  Z S Z S  3Z f ZS    Z 2  Z 0  3Z   (6. respectivamente.48) S S f 1 Ia   Ea 2 0  . podemos escrever: 1 Ia   Ea 1 2    0 Z S  Z S // 3Z f  Z S   (6. de Almeida – UTFPR . devemos calcular inicialmente I a .49) S S f 2 Finalmente.50) Corrente de sequência positiva para o curto fase-fase-terra. respectivamente.42).50). depois  Ia0 e depois I ccfft .46) 2   1  2 1     1 1  0   0  1 1 1  Z S Ea  Z S Z S I a  3Z f Ea  3Z f Z S I a  Z S Ea  Z S Z S I a .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 95 2   1 1  0   1 1 1  Z S Ea  Z S I a  3Z f  Z S Ea  Z S I a .41) e (6. notando que o segundo termo do denominador representa Z S em paralelo 0  com Z S  3Z f .7 ilustra o circuito mnemônico para o caso em questão. Ia    Z 2 3Z  Z 0 S  f S  (6. (6. de acordo com as relações (6. O processo de cálculo das correntes de curto pode parecer um pouco tedioso. Alvaro Augusto W. Ia 2  0 Z S 3Z f  Z S        (6. Prof. Z S . mas tudo se 1  2 0 resume ao cálculo das impedâncias Z S . e da aplicação de algumas fórmulas prontas. e Z S . 1 Para calcular a corrente de curto fase-fase-terra. A Figura 6.47)  Ea 1 Ia  1  2  0    0  .

de Almeida – UTFPR . Considere que as impedâncias de neutro dos geradores são iguais a j0.10 0.15 0.1.25 0.10 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 96 Figura 6.13 x2 (pu) 0.10 0.10 0.1.8 Sistema para o Exemplo 6.10 0.10 0.10 0. fase-fase e fase-fase-terra na barra 5 para o sistema da Figura 6.13 x0 (pu) 0.1 Equipamento G1 G3 T12 T34 L25 L24 L45 x1 (pu) 0.12 0.7. Alvaro Augusto W.015 0. Figura 6.015 0.2 pu.25 0.50 0.10 0.20 Prof.7 Circuito mnemônico para o curto fase-fase-terra Exemplo 6.30 0. As demais impedâncias são dadas na Tabela 6.1 – Dados do Exercício 6.15 0.1 Tabela 6.12 0. Calcule as correntes de curto fase-terra.1 pu e que a impedância de falta é igual a j0.

4 e 5 para uma estrela. de Almeida – UTFPR .13 x24 x45 j 0.15  j 0.1 As reatâncias entre as barras 2. Figura 6.15  j 0. 4 e 5.10.10 Diagrama de reatâncias de sequência positiva para o Exemplo 6.15  j 0.13   x4  j 0. convertidas para estrela. Inicialmente devemos desenhar o circuito de sequência positiva.15  j 0.25  j 0.1 A impedância de sequência positiva nada mais é do que a impedância de Thévenin vista da barra 5. Alvaro Augusto W.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 97 Solução.25  j 0. são: x2  x24 x25 j 0. conforme mostrado na Figura 6.0368 pu x24  x25  x45 j 0.13 x4  Prof. Figura 6. Para determiná-la. devemos substituir os geradores por suas respectivas impedâncias internas e transformar o delta entre as barras 2.9 Circuito de sequência positiva para o Exemplo 6.9.25   x2  j 0.0708 pu x24  x25  x45 j 0. ilustrado na Figura 6.

12  Z th5  j 0.0708  j 0.0613 pu x24  x25  x45 j 0.10  Z th5  j 0. No que se refere ao cálculo da impedância de Thévenin de sequência zero. por causa das reatâncias de neutro dos geradores. agora não é necessário converter o delta para estrela.13   x5  j 0.1876 pu 2 O diagrama de sequência zero exige atenção triplicada. Em terceiro.25  j 0. conforme mostrado na Figura 6.0708  j 0.0368  j 0.12 //  j 0.10 //  j 0. de Almeida – UTFPR .25  j 0.10  j 0. especialmente o lado ligado em delta.13 A impedância de Thévenin de sequência positiva na barra 5 será 1 Zth5  j 0. que agora devem ser multiplicadas por três e incluídas em série com as respectivas reatâncias de sequência zero.0368  j 0.0613   j 0. exceto pelos valores das reatâncias dos geradores.10  j 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 98 x5  x25 x45 j 0. pois a barra 2 é apenas uma conexão entre as reatâncias Prof.11 Diagrama de reatâncias de sequência negativa para o Exemplo 6.1977 pu 1 O circuito de sequência negativa é semelhante.10  j 0. Em segundo. O diagrama resultante é mostrado na Figura 6.15  j 0.11.1 A impedância de Thévenin de sequência negativa na barra 5 será 2 Zth5  j 0.12. por causa dos valores diferentes das reatâncias dos geradores e das linhas de transmissão. por causa das ligações dos transformadores. Em primeiro lugar.10  j 0.0613   j 0. Alvaro Augusto W. Figura 6.

1977  j 0.35). que agora estão em série. de acordo com (6.9593 pu  2  Z   Z th5 j 0. de Almeida – UTFPR .2  j 0.50  j 0.9227 pu De acordo com (6.015  j 0.00 3.1977  j 0.1876  j 0. a corrente de curto fase-fase será  I ccff   Z 1 th 5 j 3 j 3   I ccff  2.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 99 de j0.00 1.00  2 0     Z th5  Z th5  3Z f j 0.14)  I ccft   Z 1 th 5 3.00 1.2   I ccft   j1.1876  j 0.30  j 0.1 As correntes de curto podem ser agora facilmente calculadas.10  j 0. Logo.575 pu 0 Figura 6.1876 // 3  j 0.1977  j 0.30  Z th5  j 0.00    I cc 3   j 2.00   0     Z // 3Z f  Z th5 j 0.12 Diagrama de reatâncias de sequência zero para o Exemplo 6.2 f A corrente de curto fase-terra será.30.575 2 th 5   Prof.5145 pu 1  Z  Z th5 j 0. a impedância de Thévenin de sequência zero será 0 Zth5  j 0. a corrente de curto trifásico será I cc 3  1. De acordo com a relação (4. Alvaro Augusto W.2 f De acordo com (6.50 e j0.575  3  j 0. a corrente de sequência positiva para o curto fase-fase-terra será 1 Ia   Z 1 th 5 1.50).28).20 //  j 0.1977  j 0.

25). A matriz impedância de Prof.149 pu 6.383  I ccfft   j1.41)  1 1 0 0 Z I  1. a matriz admitância   barra Z  correspondente será  nodal Y pode ser rapidamente construída a partir de regras simples. Método da matriz impedância de barra O método das impedâncias de Thévenin pode ser um pouco demorado caso desejemos calcular as correntes de curto em mais de uma barra e.5. além disso. os elementos Yii da matriz admitância nodal são iguais    I  Y  V .0 j 0.42). de acordo com (6.1977   j 2. Seja um sistema de potência de n barras. Logo. o método da matriz impedância de barra possibilita tal generalização.       Y2 n  Ynn   (6.2  j 0.  Relembrando das relações (4. de acordo com (6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 100 1  I a   j 2.51) Como sabemos das aulas de circuitos. bem como maior rapidez. cuja matriz admitância nodal pode ser escrita como   Y11  Y  Y   21   Y1n    Y12  Y1n     Y22  Y2 n  . é de difícil generalização e implementação computacional. a corrente de curto fase-fase-terra será   I ccfft  3   j 0. de Almeida – UTFPR . enquanto as admitâncias Yij  Y ji são iguais ao recíproco das respectivas admitâncias físicas que ligam os nós i e j.   à soma de todas as admitâncias que se ligam ao nó i. a matriz admitância nodal deve satisfazer a seguinte equação   onde I e V são os vetores corrente e tensão respectivamente.7819  1.383 pu I a  th5 a 0   Z  3Z f 3  j 0. Alvaro Augusto W.575 th 5 Finalmente.0  I a   j 0. Felizmente.7819 pu A corrente de sequência zero para o curto fase-fase-terra será.

Em várias circunstâncias é mais fácil inveter a matriz admitância nodal.0  j 7.333 .667   j 20.359 . O resultado é mostrado na Figura 6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 101      Z11 Z12     Y 1   Z 21 Z 22  Z       Z1n Z 2 n   Z1n     Z 2n  . Solução. Repita o Exemplo 6.692 .333 .13 Circuito de sequência positiva para o Exemplo 6. 1 Y22   j10. os elementos de Y 1 da diagonal principal serão   1 Y11   j8. 1 Y55   j 4.667   j 24.52) Após obtermos a matriz impedância de barra.0  j 6. a impedância equivalente de Théve-   nin para curto-circuito na barra k é igual ao elemento Z kk da matriz Z .333  j10.13. Prof. Alvaro Augusto W. porém invertendo as impedâncias de modo a obtermos admitâncias. do que calcular diretamente a impedância de Thévenin em cada barra do sistema. 1 Y44   j10.667 .9. processo para o qual existem algoritmos prontos e bastante conhecidos.0   j18.692   j11.0  j 7.2. Exemplo 6.25).0   j18.333  j10.2  De acordo com as regras (4.  Figura 6.0  j 4. de Almeida – UTFPR .1 pelo método da matriz impedância de barra.692  j 6. Inicialmente devemos redesenhar o circuito da figura 6. 1 Y33   j8.      Z nn   (6.

0 0 0 0  j18. 1 1 Y14  0  Y41 . Alvaro Augusto W.0     .1168  j0.0563  j0.org .692  j11.333 j10.0718 j0. de Almeida – UTFPR .0  j 24.0884 j0.  A matriz admitância nodal Y 1 será     j10.667 j 4.0482  j0.667 0 j 6.692    A inversão de Y 1 pode ser realizada por meio de um software numérico. os elementos de Y fora da diagonal principal serão  1 1 Y12   j10. resultando em        j0.1977   2 O SciLab é uma das versões freeware do MatLab. ou ainda por meio de uma calculadora científica.0718 j0.0637  .0482 j0.359 j 7. 1 1 Y45  j 7. como o MatLab ou o SciLab2.0  j10.1032 j0.1316 j0.0  j 20.1316 j0.0884 j0. Prof.0  Y43 .0 0   0 j 6.1168 j0.0937 j0.0263   j0.0718    1 Z 1  Y 1   j0.333   j10.0637 j0.0  Y21 .667 j10.1032   j0. Veja www. 1 1 Y23  0  Y32 .0 0 j 7. 1 1 Y35  0  Y53 . Y1   0 0  j18.0482 j0.692  Y54 . 1 1 Y13  0  Y31 (as barras 1 e 3 não se ligam diretamente) . 1 1 Y34  j10.692    0 j 4.0263 j0. 1 1 Y15  0  Y51 .25).0563  j0. 1 1 Y24  j 6.667  Y42 .scilab.0482 j0.0  Y52 .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 102  De acordo com as mesmas regras (4.0718 j0. 1 1 Y25  j 4.0937  j0.  j0.

0   j 20.0 0 0 0  j 20. Alvaro Augusto W.0 .667 j 4.0   j 20. de Almeida – UTFPR .  A matriz admitância nodal Y 2 será     j10. da mesma forma que a matriz admitância nodal.359 j 7. Contudo.0  j 20.667 0 j 6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 103 Como pode ser observado. Da matriz Z  também fica evidente que impedância de curto na barra 5.1. apenas os seguintes elementos da matriz admitância nodal mudarão 2 Y11   j10  j10.14 abaixo. Y2   0 0  j 20. Figura 6. a matriz impedância de barra é simétrica.0  j 24.2 Considerando que apenas as admitâncias ligadas às barras 1 e 3 mudam.667 j10.0 0 j 7. a matriz impedância de barra é cheia (tem poucos elementos nulos). 1 que é igual à impedância Z th5 obtida anteriormente no Exemplo 6.1977 .0 j10.692   A matriz impedância de barra correspondente será Prof.0 .0     . para sequência positiva.0   j10.692   0  0 j 4. O diagrama de admitâncias para a sequência negativa é mostrado na Figura 6. será 1 1 Z55  j 0. enquanto a matriz admitância nodal é esparsa (tem muitos elementos nulos).0  j10.692  j11.14 Circuito de sequência negativa para o Exemplo 6. 2 Y33   j10.0 0   j 6.

0394  j0.0   j13. para sequência negativa. motor ou transformador.1.0   j13. Feita tal consideração.1746 .0  j3.0803  j0.1212 j0.1876 . O diagrama de admitâncias para a sequência zero é mostrado na Figura 6. Esse procedimento deve ser realizado sempre que tivermos algum equipamento.0533  .0394 j0.1746 .0467  j0.1067  j0.15 Circuito de sequência zero para o Exemplo 6.333  j5.0533 j0.0933   j0.1212 j0. Prof.0606 j0.1746  j10. 0 Y33  j3.0  j3. que devemos primeiro adicionar a impedância de cada gerador e sua respectiva impedância de neutro. 0 Y44   j10.0467  j0.0606   2  Y 2 1   j0.2 Note.0788 j0.0788 j0. Alvaro Augusto W.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 104      j0. 2 que mais uma vez é igual à impedância Z th5 obtida anteriormente no Exemplo 6.15 abaixo.333 .  j0.1876   A impedância de curto na barra 5.0606 j0. gerador. Figura 6.0197 j0. 0 Y22   j 2. de Almeida – UTFPR . os elementos da matriz admitância nodal são 0 Y11   j3. será 2 Z55  j 0.333   j5.333 .1067 j0.0394 j0.0606 j0.15.0803 j0.0933 j0.0394 j0.0197  Z   j0.1746  j10. aterrado por meio de impedância. e depois invertê-las para obter a admitância. em relação ao circuito da Figura 6.0   j18.

3150 0 j0.  j0.0  Y54 .4150 j0.0 .4150 0  j0.0  j5.3150 j0.333 0 j3.3150 j0. 0 0 Y23  0  Y32 .0 0 j5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 0 Y55   j 2.0  j 7.1746  0  j5. 105 0 0 Y12  0  Y21 (as barras 1 e 2 estão agora desconectadas). 0 0 Y15  0  Y51 . 0 0 Y14  0  Y41 . 0 0 Y45  j5.4750   j0. 0 0 Y13  0  Y31 .3150 j0.4150 j0.3150 j0.6250 j0.3150 j0.4150 j0.5750   Novamente.333 j10.4150  j0.0  Y52 . 0 0 Y25  j 2. como esperado.1746 j10.  A matriz admitância nodal Y 0 agora será     0 0 0 0   j13. de Almeida – UTFPR .333 j5.3150  .0     Y0   0 0  j13.0  Y43 .0    0 j 2. 0 0 Y24  j3.0759  0    1 Z0  Y0   0   0  0  0 j0.0   A matriz impedância de barra correspondente será      j0.333  Y42 .333 j 2.0  j18. Alvaro Augusto W.0 0 . Prof.0   j 7. 0 0 Y34  j10. 0 0 Y35  0  Y53 .   0 j3. teremos 0 Z55  j 0.4750 0 j0.5750 .

17 Diagrama de reatâncias de sequência positiva para o Exemplo 6. as reatâncias de sequência positiva.1.3.13 pu e x23=j0.17. Além disso. como mostra o Exemplo 6. As reatâncias dos geradores são ambas iguais a j0. As 106 correntes de curto-circuito na barra 5 podem ser agora facilmente calculadas. conforme mostrado na Figura 6.1. O primeiro passo é desenhar o diagrama de reatâncias de sequência positiva.3 Solução.16 Sistema para o Exemplo 6. Exemplo 6. conforme vimos no Exemplo 6. Alvaro Augusto W. pelos métodos de Thévenin e da matriz impedância. Figura 6.1 pu e as reatâncias do transformador são: x12=j0. negativa e zero de cada equipamento podem ser consideradas iguais. para os fins do presente problema. x13=j0. de Almeida – UTFPR .3 a seguir.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 0 que mais uma vez coincide com a impedância Z th 5 obtida anteriormente no Exemplo 6.3 xxx Prof. Figura 6. A impedância de falta é nula e. Devemos ter um cuidado especial em problemas que envolvam transformadores de três enrolamentos.14 pu. agora podemos calcular as correntes de curto em qualquer uma das outras barras. Calcule a correntes de curto-circuito trifásica e fase-terra na barra 3 do sistema da Figura 6.12 pu.16.

por sua vez. Prof.54) Figura 6. Logo. Contudo. de Almeida – UTFPR .  a) O novo elemento z p é ligado entre a barra nova p e a referência.53)   Z  INI    Z11 Z12   Z Z 22   21      Z1n Z 2 n    Z1n     Z 2n  . Ademais. como aquele da Figura 6. a qual. pode ser montada por meio de duas regras simples. vamos trabalhar com um sistema original de 2 barras. discutidas a seguir. conforme a relação (6.53) Por razões de simplicidade.6. no caso de um grande numéro de barras a inversão pode demorar algum tempo.20. teremos Z Z   Z  INI  11 21   Z12   .20 Sistema inicial de 2 barras  Um novo termo z p pode ser adicionado de quatro maneiras diferentes.      Z nn   (6.21. Alvaro Augusto W. em alguns casos queremos apenas expandir a matriz impedância de barra a partir de uma matriz inicial pré-existente. a matriz impedância de barra pode ser obtida facilmente a partir da inversão da matriz admitância nodal. conforme ilustrado na Figura 6. Nesses casos pode ser bem mais conveniente e rápido conhecermos as regras para obtenção direta da matriz impedância de barra.  Seja um sistema inicial de n barras cuja matriz impedância de barra inicial é Z INI . mas sem perda de generalidade.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 107 6. Z 22  (6. Obtenção direta da matriz impedância de barra Como vimos.

) Prof. de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 108 Figura 6.21 Sistema para a regra (a) (continua em breve. Alvaro Augusto W...

O gerador opera em vazio e com tensão nominal quando ocorre um curto-circuito trifásico entre o disjuntor e o transformador. (3) quando não mencionado. Alvaro Augusto W.7. 6. xd = 100%.08 pu.4. Se todas as três fases da carga forem simultaneamente curto-circuitadas.5 MVA. não é necessário conhecer a impedância de sequência zero.7.7. em pu. 6. (b) como é possível obter a matriz impedância de barra a partir da matriz admitância nodal? 6. Explique porque.5 MVA.7. A carga é ligada diretamente aos terminais do gerador. xd = 10%. (b) quais as vantagens e desvantagens do cálculo de curto-circuito por meio da matriz impedância de barra? 6. 6.5. nas bases do gerador. fase-fase e fase-fase-terra. com reatâncias xd ' ' = 9%.7. 650 kVA. xd ' = 15%. Desenhe os circuitos mnemônicos para os curto-circuitos trifásico.6.2.7. (b) a corrente inicial eficaz simétrica no lado da baixa tensão do transformador. Prof. 6.3. 6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 109 6. fase-terra.7. as impedâncias estão especificadas nas bases dos respectivos equipamentos. Um gerador de 60Hz. Um gerador encontra-se ligado a um transformador através de um disjuntor e tem os seguintes valores nominais: 7. xd ' ' = 0. (a) Quais as vantagens e desvantagens do cálculo de curto-circuito por meio das impedâncias de Thévenin?. determine: (a) a corrente inicial eficaz simétrica no lado de alta tensão do transformador.7. sob 480 V. considere-as nulas. Determine: (a) a corrente permanente de curto-circuito no disjuntor. (a) Descreva as regras para a construção da matriz admitância nodal de um sistema de potência. 6. Se ocorrer um curto-circuito trifásico no lado da alta tensão do transformador com tensão nominal e em vazio. (2) quando não mencionado. os equipamentos estão ligados em estrela solidamente aterrada. determine a corrente inicial eficaz simétrica no gerador. de Almeida – UTFPR .1. O transformador trifásico ligado ao gerador descrito no exercício anterior tem os seguintes valores nominais: 7. 6. em um curto-circuito fase-fase. 480 V.7. alimenta uma carga puramente resistiva de 500 kW. Exercícios Observações: (1) quando as impedâncias de falta e de neutro não forem mencionadas.9/15 kV.9 kV. (b) a corrente inicial eficaz simétrica no disjuntor.

9.7. Figura 6.6.18 Sistema para o Exercício 6. 6. pelos métodos das impedâncias de Thévenin e da matriz impedância de barra.7. 6. especificado para 60 Hz. pelo método das impedâncias de Thévenin. 6. Calcule todas as correntes de curto-circuito para o sistema do Exercício 5. Um turbogerador.11. Considere que a reatância de falta é j0.6. 10 MVA e 13. na barra 3. Para o sistema da Figura 6. As reatâncias são xd ' ' = x2 = 0.8.6.12.14. na barra de carga.2 pu.15 pu e x0 = 0. Considere que a reatância de falta é nula. com os dados da Tabela 6. considere que as impedâncias de sequência negativa e positiva são iguais. Alvaro Augusto W. Calcule as correntes de curto trifásico e fase-terra. Determine a relação entre a corrente subtransitória para uma falta fase-terra e a corrente subtransitória para uma falta trifásica simétrica. determine as correntes de curto-circuito trifásica e fase-terra na barra 5.18.10. 6.8. pelo método das impedâncias de Thévenin.7. No Exercício 5.7.7. Calcule todas as correntes de curto-circuito para o sistema do Exercício 5.05 pu.13.6.13 Prof. No exercício anterior.8 kV. na barra 3. determine a relação entre a corrente subtransitória para uma falta fase-fase e a corrente subtransitória para uma falta trifásica simétrica.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 110 6.7. em vazio. de Almeida – UTFPR . Considere que a reatância de falta é nula. é ligado em estrela solidamente aterrada e funciona sob tensão nominal. 6.7.11.7.

Calcule as correntes de curto-circuito fase-fase e fase-fase-terra para o sistema do Exercício 5.15 0.12 0. Prof.11 0.9.14 0.11 0.3 0.6.3 0.12 0.11 0.11 0.05 0.12 x0 (pu) 0.12 0.12 0. Considere que a reatância de falta é nula.12 0.12 0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Tabela 6.25 111 6.12 0.2 – Dados do Exercício 6.11 0. pelo método das impedâncias de Thévenin.05 0.12 0.13 Equipamento G1 G5 G8 T12 T78 T34 T46 T45 L23 L27 L45 L67 x1 (pu) 0.05 0.14 0.12 0.11 0.12 0.11 0.15 0.11 0.12 x2 (pu) 0.14.12 0. de Almeida – UTFPR .12 0.12 0.25 0.11 0.14 0.7. na barra 4.7. Alvaro Augusto W.

ou seja. como ilustrado no exemplo a seguir. O fato de um barramento ter geradores não significa que seja um barramento de geração. Tendo as tensões e as impedâncias do sistema.1. mas pode haver vários barramentos de carga e de geração. Prof. Introdução Fluxo de potência. é um problema matemático cujo objetivo é determinar as tensões e potências em todos os barramentos de um sistema elétrico. bem como as perdas no sistema. serão considerados barramentos PQ. Como vimos no Exemplo 4. Em um problema de Fluxo de Potência a configuração do sistema é suposta inalterável. contudo. que podem ser divididos em três tipos básicos: 1) Barramento de Carga (PQ): As potências ativa e reativa (P e Q) são conhecidas. Iniciamos classificando os barramentos de um SEP. “oscilante” ou “swing”. Ademais. cujas tensões e ângulos sejam desconhecidos. O objetivo é determinar módulos e ângulos de todas as tensões em todos os barramentos. a solução analítica é possível.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 112 7. mas a potência reativa (Q) e o ângulo da tensão () são desconhecidos. Os problemas de fluxo de potência não são lineares e geralmente apresentam uma complexidade que só permite a solução numérica. de Almeida – UTFPR . FLUXO DE POTÊNCIA 7. nos casos de real interesse o problema do fluxo de potência é não linear e deve ser resolvido por meio de métodos numéricos. 3) Barramento de referência (V): O módulo (V) e o ângulo da tensão () são conhecidos. também conhecido como fluxo de carga. Alvaro Augusto W. Em alguns casos didáticos mais simples. Há apenas um barramento de referência por sistema. ele será considerado PV. de geração. mas as potências ativa e reativa (P e Q) são desconhecidas. se um barramento tiver potência ativa e módulo da tensão conhecidos. 2) Barramento de Geração (PV): A potência ativa (P) e o módulo da tensão (V) são conhecidos. sem geradores ou cargas conectados. NewtonRaphson e outros. ou seja. Também denominado barramento “flutuante”. barramentos que sirvam apenas de conexão entre outros barramentos. podemos a seguir determinar o fluxo de potência em cada linha ou transformador.5. como Gauss-Seidel. mas o módulo (V) e o ângulo da tensão () são desconhecidos. com P=0 e S=0.

45  V3 .0  0.  P3   *   cos   arccos 0.  V* 3 (7.0855957.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 113   Exemplo 7.45  V3 3 . Figura 7. Inicialmente.1 Solução. determine V3 . sabemos que   * S3  V3  I13 .17    V3* 0.525.00 pu e Sb  10 MVA . sendo V1  1.1).84 .0   3 . I13   V3 Substituindo (7.17 I13 . (7. Dado o sistema da Figura 7. * 0. V3 Prof.0   3  0.3)  Fazendo V3  V3 3 e reordenando.1.1. 1.1) Por outro lado.84  V3  I13 .84  1. de Almeida – UTFPR .    4. V3   3 Multiplicando por 1.02  j 0.0855957.   1.5  25.9  V3  I13 . Alvaro Augusto W. 0. a queda de tensão na impedância entre as barras 1 e 3 é     V1  V3  Z13  I13 .0   V3 . vem que (7.9 Isolando a corrente.2) em (7.45  1.02  j 0.2) 0.5 MW / 10 MVA  * 25.0  V3  0. teremos 1.0855957.0  V3  0.

Alvaro Augusto W.90790V3 2  0.   sen   0.  V3  0.046051   V3 cos  3   V3  .0921V3 2  V3 4  0. 2 V3 2  0. Assim.046051   0.94856 Prof.072141   .4) sen 3    0.00212  0.  V3  13.08559   cos57. 2 As raízes são.4) V3 2  0. 0.94856  A primeira raiz implicaria em uma queda de tensão excessiva entre as barras 1 e 2. 2  0.0721412 . V3 4  0.00732  0 . (7.09 kV  Podemos calcular o ângulo de V3 a partir da segunda equação do sistema (7. V3 2  0.072141 3  V3  Elevando ambas as equações ao quadrado e as somando. cos  3   sen  3     V3     V   V  3 3     2 2 2 2 A equação acima é uma biquadrada que pode ser resolvida diretamente pela fórmula de Bhaskara.00520 .046051  V3 2   0.00732 .08559  sen57.90790  4  0.45 3  V3  ou. escolhemos a segunda raiz.09023   '' V3  0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 114 Separando as partes real e imaginária.45  V3 cos  3   V  3  sen    0. V3'  0.90790   0.94856 pu ou. 0.072141   3  4. de Almeida – UTFPR .362 0.

5) Forma iterativa para utilização do método de Gauss. embora não o mais rápido nem o mais utilizado. que dever ser escrito como  x1k   k  x2   k  x3     k  xn    f x f x 2 3 k k k f1 x1k 1 . Prof.. k 1 (7. xn 1  Nota biográfica3: Carl Friedrich Gauss (1777 – 1855) foi um matemático. xn 1 k k k . geofísica.. Alvaro Augusto W. análise matemática. Vamos supor que inicialmente apenas uma equação não linear deva ser resolvida. geodésia. o método de Gauss é um dos mais simples e mais didáticos. xn 1 k 1 1 k k k ... Finalmente. de Almeida – UTFPR . x2 1 . Carl Friedrich Gauss. arbitramos um valor inicial para x e calculamos os valores das iterações seguintes até que o erro   x k  x k 1 entre o valor da última iteração e o valor da iteração anterior seja tão pequeno quando o desejado.. xn 1 k 1 1     (7. titan of science. Sendo k-1 o índice da iteração inicial. Em geral desejamos resolver um sistema de n equações não lineares. A lei de Gauss da eletrostática é certamente conhecida de todos os 3 DUNNINGTON... x2 1 . físico e astrônomo alemão que contribuiu para um grande número de áreas. x2 1 . estatística. astronomia e ótica. A primeira etapa do método de Gauss consiste em se escrever a equação na forma x  f x  . teremos x f x k  . G.. A lei de Gauss da distribuição de erros e a curva normal em forma de sino são hoje conhecidas de todos que trabalham com estatística. x3 1 . eletrostática. geometria diferencial. The Mathematical Association of America.2...Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 115 7... Conhecido como o “Príncipe dos Matemáticos”. x3 1 . muitos consideram Gauss o maior gênio da história e alguns dizem que seu QI teria girado em torno de 240.. como teoria dos números. x3 1 .6)         k k k f n x1k 1 ... a equação deve ser escrita na forma iterativa. x3 1 . x2 1 . A seguir. 2003. criança prodígio. W. Método de Gauss Dentre os métodos disponíveis para a solução de problemas de fluxo de potência..

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estudantes de Engenharia Elétrica. Gauss também descobriu a possibilidade de se construir geometrias não-euclidianas, embora nunca tenha publicado essa descoberta. Tais geometrias libertaram os matemáticos da crença de que os axiomas de Euclides eram todos consistentes e nao-contraditórios e conduziram, anos mais tarde, à teoria da relatividade geral de Albert Einstein, dentre outras coisas. A partir de 1831 Gauss começou a trabalhar em colaboração com o físico alemão Wilhelm Eduard Weber (1804 –1891). Juntos, inventaram o primeiro telégrafo eletromecânico4, que passou a interligar o observatório astronômico e o instituto de física da Universidade de Göttingen, na Alemanha. Gauss e Weber, motivados pela descoberta de Oersted de 1921 (de que uma corrente elétrica produz um campo magnético), passaram a pesquisar se o inverso não seria possível, ou seja, se um campo magnético não seria capaz de produzir uma corrente elétrica. Contudo, eles não foram bem sucedidos, pois não perceberam que, para que isso aconteça, o campo magnético deve ser variável no tempo. A descoberta do fenômeno da indução eletromagnética teve de esperar pelos trabalhos do físico inglês Michael Faraday (1791 – 1867) e do físico norte-americano Joseph Henry (1797 – 1878), em 1831. Gauss tem uma cratera lunar batizada em sua homenagem. Exemplo 7.2. Resolva o Exercício 7.1 por meio do método de Gauss. Considere um erro de 10-5. Solução. Escrevendo a equação (7.3) na forma iterativa, teremos

0,0855957,45  . V3k 1  1,0   * V3k

 

 Fazendo V30  1,00 , o valor da primeira iteração será

0,0855957,45  V31  1,0   0,95667  4,325 . 1,00
 A seguir, usamos V31  0,95667  4,325 para calcular a segunda iteração

0,0855957,45  V32  1,0   0,94902  4,325 , 0,95667  4,325
e assim por diante

0,0855957,45  V33  1,0   0,94863  4,361 . 0,94902  4,325 0,0855957,45  V34  1,0   0,94856  4,361 . 0,94863  4,361

4

O telégrafo de Gauss-Weber, ao contrário do telégrafo eletromecânico de Samuel Morse, usava linguagem analógica e não binária, consistindo de uma agulha que se movia à distância sob a influência de uma fonte de tensão, localizada à distância e cuja amplitude se variava.

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0,0855957,45  V35  1,0   0,94856  4,362 . 0,94956  4,361
Podemos observar que o erro entre a quarta e a quinta iterações é inferior a 10-5. Assim, o problema converge com apenas cinco iterações, mostrando que o método de Gauss funciona de fato. Contudo, precisamos desenvolver uma formulação que seja capaz de resolver problemas de n barras e não de apenas uma barra. Em um sistema de n barras, vale a seguinte equação matricial

I  Y  V .
  I1   Y      11   I 2  Y21          I p  Yp1          I  Yn1   n 

(7.7)

Para uma barra p qualquer, podemos escrever

 Y12  Y22   Yp1   Yn 2

     

 Y1 p  Y2 p   Ypp   Ynp

     

  Y1n  V1      Y2 n  V2           . Ypn  V p          Ynn  V    n 

Efetuando a multiplicação e escrevendo a equação para a barra p, obtemos

         I p  Yp1V1  Yp 2V2    YppVp    YpnVn .
Sabemos ainda que

(7.8)

   I p  S * / Vp* . p
Igualando (7.8) e (7.9)

(7.9)

          S * / Vp*  Yp1V1  Yp 2V2    YppVp    YpnVn . p  Isolando V p
        S * / V *  Yp1V1  Yp 2V2    YpnVn  Vp  p p .  Y
pp

Generalizando e escrevendo na forma iterativa

  n    k 1  1   S k / V k *   Y V k  .   Vp p p pq q   Ypp  q 1   q p  

(7.10)

Forma iterativa do método de Gauss.

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Exemplo 7.3. Resolva o problema do Exemplo 7.1 usando a equação (7.10). Considere um erro mínimo de 10-5.

  Solução. Devemos determinar V3 , sendo V1  1,00 pu e Sb  10 MVA . A barra 1 é assim a
barra de referência e a barra 3 é a de carga. A matriz admitância nodal é fácil de ser obtida:



j8,3333 0  j18,3333   j8,3333  Y  6,8966  j 25,5747  6,8966  j17,2414   0  6,8966  j17,2414 6,8966  j17,2414   

(7.11)

Os valores iniciais são:

 V10  1,00  V20  1,00  V 0  1,00
3

0 S2  0 4,5 / 10  S30    arccos( 0,9)  0,45  j 0,21794 0,9
A potência da barra 3 é considerada negativa por se tratar de uma barra de carga. A potência da barra 2 é nula para todas as iterações, por se tratar de uma barra genérica. De acordo com a equação (7.10), a tensão na barra 2 para a primeira iteração será:

1 0  *      V21   S2 / V20  Y21V10  Y23V30 .  Y22



 



 V21 

1  0   j8,3333 1,0   6,8966  j17,2414 1,0 6,8966  j 25,5747

 6,8966  j 25,5747  1,00 V21  6,8966  j 25,5747
Da mesma forma, a tensão na barra 3 para a primeira iteração será:

1   *      V31   S30 / V30  Y31V10  Y32V20 .  Y33



 



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Alvaro Augusto W.44626  j 25.06 6.3566  V22   0.0 V31  6.4466  j17.06 6.45  j 0.8966  j17.0   6.3875 Prosseguindo.5747  V22  6. de Almeida – UTFPR .02346  0.8966  j 25.3333  18.3333 1.2414  0.2414  6.98027  7.45  j0. ainda longe do erro mínimo de 105 .2414) 1.21794 / 0.98774  0.2414  0.8966  j17.8966  j 25.8966  j17.8966  j 25.8  j 0.44173  j17.45487  j0.  Y22      V22  1  0   j8.0  V32  6.8966  j17.2414 6.8966  j17.21794 / 1.0  (6.2414 Após a primeira iteração. Erros da ordem de 105 só Prof.2414 O erro por enquanto é   0.12)  0.8966  j17.2414) 1.8966  j17.98027  1.980271. a tensão na barra 2 para a segunda iteração será: 1 1  *      V22   S2 / V21  Y21V11  Y23V31 . teremos:  V11  1.06  0 1.98027  1.00  V 1  1.8966  j17.20319110.98027  1.06  S1  0 2 1 S3  0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 119   0.97953  1.97953  0.06 V31  6.5747 A tensão na barra 3 para a segunda iteração será: 1 1  *      V32   S3 / V31  Y31V11  Y32V21  Y33     (7.8272 6.01062  V32   0.2414  V32  6.0  (6. O método de Gauss tem convergência lenta e oscilatória.230779  6.4  104 .5747 1   j8.74 6.0  0  1.00 2  V31  0.8966  j17.

2. Alvaro Augusto W.com. SciLab ou aplicativos semelhantes.2 e 7.3.94854  4.362 3 A convergência do método de Gauss é ilustrada na Figura 7. devemos lembrar que a Equação (7.1. podem ser resolvidos por meio do MicroSoft Excel©. Problemas de fluxo de potência geralmente são resolvidos por meio de programas de computador especialmente desenvolvidos ou então por meio de scrips para MatLab. Prof. Uma planilha-exemplo.2 – Convergência oscilatória do método de Gauss Pode parecer estranho que um problema que foi resolvido anteriormente com apenas cinco iterações seja resolvido agora com quase dez vezes isso.96970  3.br/alvaro/Metodo_de_Gauss. está disponível em http://www.lunabay.xls (165 KB). resultando em  V245  0. sem macros ou outro tipo de programação. 7. de Almeida – UTFPR .3) se aplica apenas a problemas de duas ou três barras. Contudo. além de outros.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 120 começarão a aparecer por volta da 28ª iteração e o erro mínimo de 105 só se estabilizará a partir da 45ª iteração. Figura 7. que apresenta as soluções dos Exemplos 7. enquanto a Equação 7.9 se aplica a problemas de n barras (embora a convergência possa se tornar lenta para muitas barras). Entretanto.232  V 45  0. de poucas barras. é pouco conhecido que problemas simples.

além das já vistas. de Almeida – UTFPR ..Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 121 7.dcs.. Em 1840. Seidel desenvolveu. onde foi aluno do matemático Johann Dirichlet e do astrônomo Johann Franz Encke. assim. 4) Impossibilidade de se utilizar reatâncias negativas. as seguintes propri- 1) Número de iterações para a convergência é função do número de barras. uma das desvantagens do método de Gauss é a convergência lenta e oscilatória. respectivamente.. xn 1    (7. que é uma melhor estimativa de V2  do que V21 . 2) Tempo computacional para a convergência é função do quadrado do número de barras. x3 .3. 3) Não requer inversão de matrizes.. x f x .. onde foi aluno dos matemáticos Friedrich Bessel. x2 1 .. Nota biográfica5: Philipp Ludwig von Seidel (1821 – 1896) nasceu em Zweibrücken. . Método de Gauss-Seidel Como vimos na seção anterior.stand. Philipp Ludwig von Seidel. xn 1 k 1 3 k . x . mudando-se dois anos depois para a Universidade de Königsberg.12) do Exemplo 7.. pois mesmo casos não convergentes apresentam resultados coerentes. Seus principais interesses vieram a ser ótica e análise matemática... Note-   mos. filho de um funcionário dos correios.. usar os valores das variáveis assim que estiverem disponíveis. assuntos de sua tese de doutoramento e de sua dissertação de habilitação.. Seidel entrou para a Universidade de Berlim. Prof. Alemanha.6) pode então ser escrito como  x1k   k  x2   k  x3     k  xn   edades:  f x . x . 5) Pouca sensibilidade aos valores iniciais. nessa altura dos cálculos já dispúnhamos de V22 .13)         k k k f n x1k .. xn 1 k 1 3 k . ROBERTSON. E. por exemplo..uk/~history/Biographies/Seidel.F.   Contudo. que usamos a tensão V21 para calcular V31 . na equação (7. 6) Dificuldade para se encontrar erros de dados e problemas no sistema. Carl Jacobi e Franz Neumann.J.ac.html . xn 1   Os métodos de Gauss e de Gauss-Seidel apresentam. Disponível: http://www-groups. x3 1 .. x 2 k 1 k 1 2 3 k 1 k 2 k k k f1 x1k 1 . Podemos. O método de Gauss-Seidel pode melhorar um pouco essa deficiência... independentemente de outros matemáticos como Karl 5 Fonte: O'CONNOR J. O sistema de equações (7. x2 . Alvaro Augusto W.3.

Xxx (continua. 1 Figura 7.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 122 Weierstrass e George Gabriel Stokes. Método de Newton-Raphson Suponha que desejamos resolver o seguinte sistema de equações  f1 x1 . O exemplo a seguir ilustra uma solução por Gauss-Seidel. x2   y2 onde f1 e f2 são funções.4.3.3 Solução.11) 0 Sejam x10 e x2 os respectivos valores iniciais de x1 e x2. Alvaro Augusto W.01 pu e P  30 MW . V1  1.) 7. relacionado a séries de funções e que teve grande importância na matemática do final do século XIX. sendo   V3  1. Dado o sistema da Figura 7. tem uma cratera lunar batizada em sua homenagem. x2   y1 . determine V1 e V2 .020 pu.   Exemplo 7.4.em breve. assim como Gauss. Assim.   f 2 x1 . (7. de Almeida – UTFPR . o conceito analítico de convergência uniforme... com um erro de 10-5.11) sejam atendidas.. e x1 e x2 as correções neces- sárias para que as condições (7.. Seidel. podemos escrever Prof. Considere Sb  100 MVA . por causa de seus trabalhos em ótica e astronomia. assim como apresenta as considerações especiais que devem ser feitas no caso de barramentos de geração. x1 e x2 são variáveis e y1 e y2 são constantes.

x2  x1 x  x2 x  . x   f 2   x1    0 1 0 1 0 2 0 2   0 0 f1 x2 f 2 x2    x1    . podemos escrever 0  1  x1  x1  x1 . de Almeida – UTFPR . x  x  f x .  1 0  x2  x2  x2  (7.  y2 1 2 2 2 1 2 1  2 1 x1 x2          (7. x2  x2  f1 x1 . [C] = vetor das correções. teremos f1 f1  0 0 0 0  f1 x1  x1 . x  x  x2  . Prof. x2  x2  y2  123     (7.14) abreviadamente como D  J  C . onde: [D] = vetor das diferenças.. Podemos escrever (7.14) onde todas as derivadas devem ser calculadas a partir dos valores iniciais. ou seja.12) Expandindo as equações (7. dizemos que o sistema convergiu.. Tendo x1 e x2. Quando tal acontecer.17) Da mesma forma que no caso do método de Gauss-Seidel. vem  f1  y1  f1 x .  f 2 f 2 0 0 0 0  f x  x .13) Desprezando as derivadas de ordem superior à primeira e escrevendo o sistema de equações em forma matricial.15) obtemos o vetor [C]. que contém as correções desejadas (7. o método de Newton-Raphson é iterativo.16) (7. Alvaro Augusto W. [J] = jacobiano de f1 e f2.12) em série de Taylor.  y1  1 2 .15) C   J 1  D .  0  f 2 x10  x1 . também conhecido como vetor dos mismatches. devemos continuar calculando as iterações até que o vetor das correções se torne menor do que um erro previamente especificado. Invertendo (7...  x2  0   0 (7. x   x1   y2  f 2 x .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 0  f1 x10  x1 . x2  x2  y1  .

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0 Exemplo 7.5. Resolva o sistema abaixo pelo método de Newton-Raphson, sendo x10  x2  2.

Considere um erro mínimo de 10-10.

2( x1 ) 2  x2  5  .   x1 x2  6( x2 ) 2  57 

(7.18)

Observação: note que, por exemplo, x12 é o valor de x1 na segunda iteração, enquanto

(x1 )2 significa x1 elevado ao quadrado.
Solução. a) Primeira iteração O vetor inicial das diferenças é
0  y1  f1 x10 , x2   5  f1 2,2   5 D       . 0 0   y2  f 2 x1 , x2  57  f 2 2,2  29 

 

 

(7.19)

O jacobiano de f1 e f2 é

 f1  J    x1  f 2  x1 

0

0

f1 x2 f 2 x2

  4 x 0    01   x2 0  
0

 1 8 1   0  . 0 x10  12 x2  x1 2 2 26 0
x2 2

(7.20)

O jacobiano pode ser invertido facilmente, resultando em

J 1   

0,126214  0,00485 .  0,00971 0,038835 

(7.21)

As correções para a primeira iteração serão
1  x1   0,126214  0,00485  5  0.77184  1       . x2   0,00971 0,038835   29   1,174757 

(7.22)

Os erros são ainda muito superiores a 10-10. Logo, devemos calcular os novos valores de
1 x1 e x1 : 2
0 1  1  x1  x1  x1  2  0,77184  1,228155 .  1 0  x2  x2  x1  2  1,174757  3,174757 2 

(7.23)

b) Segunda iteração O vetor inicial das diferenças é

D   

5  f1 1,228155; 3,174757    1,19149  . 57  f 2 1,228155; 3,174757    7,3736 

(7.24)

O jacobiano de f1 e f2 é

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J    

4 1,3252427 1 1  5,3009708    2,3980583 30,10194 .  2,3980583 1,3252427  12  2,3980583  

(7.25)

Invertendo o jacobiano

J 1   

0,206958  0,00516 .  0,01671 0,025854 

(7.26)

As correções para a primeira iteração serão

x12   0,206958  0,00516  1,19149  0,20778  2     . x2   0,01671 0,025854    7,3736    0,17073

(7.27)

Os erros já diminuíram um pouco, mas ainda são muito maiores do que 10-10. Os valores
2 de x12 e x2 para a segunda iteração serão
1  x12  x1  x12  1,228155  0,20778  1,020372  .  2 2  x2  x1  x2  3,174757  0,17073  3,004029 2 

(7.28)

Prosseguindo com os cálculos de maneira semelhante, perceberemos que na quinta iteração os erros já serão da ordem de 10-8. O sistema convergirá na sexta iteração, com erro zero, resultando nos seguintes valores:

 x16  1,0  .  6  x2  3,0 

(7.29)

Desejamos agora aplicar o método de Newton-Raphson em problemas de fluxo de potepotência. Considerando um sistema de n barras, onde k e m são duas barras genéricas, podemos escrever
 Vk  Vk  k = tensão na barra k,  Vm  Vm m = tensão na barra m,   Ykm  Ykm km  Gkm  jBkm = elemento da matriz admitância Y .

(7.30) (7.31) (7.32)



A potência injetada na barra k pode ser escrita como

  *   * * S k  Pk  jQk  Vk I m  Vk  EmYkm ,
m1

n

(7.33)

   ou, escrevendo Vk , Vm e Ykm na forma polar

   * * S k  Vk  Vm Ykm ( k   m   km ) .
m1

n

(7.34)

Separando as partes real e imaginária, vem

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n    * * Pk  Vk  Vm Ykm cos( k   m   km ),   m1  n Q  V   V * Y * sen(     ).   k m km k m km  k m1 

126

(7.35)

As equações (7.35) também podem ser escritas como
n  Pk  Vk Vm Gkm cos  km  Bkm sen km ,   m1  n Q  V V G sen  B cos  , k k m km km km km  m1 

(7.36)

onde  km   k   m (logo, sempre teremos  kk  0 ). As derivadas de interesse para a construção do jacobiano são

Pk Pk Qk Qk , , , ,  m Vm  m Vm
e o jacobiano terá o seguinte aspecto

(7.37)

 P 1    1  P2  1    P  n1  1 J      Q1    1  Q2  1    Q     1

P 1  2 P2  2  Pn1  2  Q1  2 Q2  2  Q  2

        

P 1  n1 P2  n1  Pn1  n1  Q1  n1 Q2  n1  Q  n1

        

P 1 V1 P2 V1  Pn1 V1  Q1 V1 Q2 V1  Q V1

P 1 V2 P2 V2  Pn1 V2  Q1 V2 Q2 V2  Q V2

        

P  1 V   P2  V    Pn1   V    Q1  V   Q2  V    Q   V  

(7.38)

A numeração dos barramentos é a seguinte: 1) Barramentos de Carga (PQ): 1 a  . 2) Barramentos de Geração (PV): l+  a n  1 . 3) Barramento de referência (V): n . O jacobiano pode também ser escrito em termos de submatrizes:

Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR

o jacobiano terá n 1   linhas e 2(n  1) colunas. Vm Pk  Vk Gkk  Vm Gkm cos  km  Bkm sen km  . O algoritmo para solucionar um problema de fluxo de potência por Newton-Raphson é o seguinte: Prof.44) (7.50) (7. V (7. 3) As submatrizes H. N e L são esparsas e simétricas.  m (7.  (7. 2) Os elementos fora da diagonal principal.   M  L    onde (7.41) M n1  Q .46) (7.42) L  Q . Isso torna o jacobiano altamente esparso.39) H n1n1  P .49) (7.  .47) (7. V (7.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 127 H  N J    .40) N n1  P .45) (7. Vk mk Algumas características do jacobino são as seguintes: 1) Sendo n o número total de barras do sistema e  o número de barras de carga. correspondentes a barras não conectadas diretamente entre si.  k mk Q Lkm  k  Vk Gkm sen km  Bkm cos  km  .48) (7. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W. M.  k mk P  k  Vk Gkm cos  km  Bkm sen km  .43) As submatrizes também podem ser escritas como H km  H kk  Pk  VkVm Gkm sen km  Bkm cos  km  .51) N km Pk  Vk2 Bkk  Vk Vm Gkm sen km  Bkm cos  km  . são nulos.  (7.  m N kk  M km M kk  Qk  Vk2Gkk  Vk Vm Gkm cos  km  Bkm sen km  . Vm Lkk  Qk  Vk Bkk  Vm Gkm sen km  Bkm cos  km  . Vk mk Q  k  VkVm Gkm cos  km  Bkm sen km  .

5) Inverter [ J ]. De qualquer forma. 7) Atualizar as variáveis de estado ( i 1) ( i 1)      V                  V  V      (i ) . 4) Montar a matriz jacobiana [ J ]. respectivamente. O método de Raphson para determinação de raízes de equações não lineares foi apresentado por ele em seu Analysis Aequationum Universalis. Raphson e Newton não eram amigos ou colaboradores. Raphson foi um grande defensor da hipótese de que Newton teria sido o único inventor do Cálculo. 6) Solucionar o sistema ( i 1)       V     P  1  J      .52) (7. Nota biográfica: Joseph Raphson (1648 – 1715) foi um matemático inglês que frequentou o Jesus College. de Almeida – UTFPR . Raphson já havia sido eleito Fellow of the Royal Society. teria sido difícil a Newton.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34  1) Montar a matriz-admitância nodal [ Y ]. A versão de RaphProf.55) 8) Calcular Pk e Qk e verificar a convergência. mas publicado somente em 1736.54) onde (i) é o número da iteração. inclusive as de nascimento e morte. e se formou em matemática em 1692. Além disso. As datas são incertas. Vk0 . por indicação de Edmund Halley. Qk  Qk( dado)  Qk(calculado) . Newton desenvolveu um método similar em seu Método das Fluxões. Pouco antes. 3) Calcular Pk e Qk e verificar a convergência inicial: Pk  Pk( dado)  Pk(calculado) .   Q    (i ) (7. (7. coisa que. escrito em 1671. em 1689. pois quase nada se sabe da vida de Raphson. em oposição aos defensores do alemão Gottfried Leibniz. de 1690. Apesar de tal proximidade de interesses.53) onde os sobreíndices (e) e (c) significam “especificado” e “calculado”. ele ficou conhecido pelo método de Newton-Raphson e por ter traduzido para o inglês a Arithmetica Universalis de Isaac Newton. (7. na verdade. em Cambridge. 9) Se o sistema não tiver convergido. 128 2) Arbitrar valores iniciais para as variáveis de estado de cada barra k:  k0 . voltar ao passo (d). Alvaro Augusto W.

 L22    Prof. além de ser superior à de Newton. se não fosse a importância de Newton para a matemática e física. Logo. seria conhecido apenas como Método de Raphson. o jacobiano terá dimensão 2×2.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 129 son. Monte o jacobiano para o sistema abaixo. em termos de derivadas  N12   N 22     . Figura 7.4 Solução. As submatrizes serão H n1n1  H 22 .  H11 H12 H H  N H 22  . é conveniente renumerarmos os barramentos como em azul na figura.6. c) Barramento de referência (V): n  3 . M n1  M12 . de modo a podermos escrever: a) Barramentos de Carga (PQ):   1 . Assim. Logo. Alvaro Augusto W. Há apenas uma barra PQ (carga). de Almeida – UTFPR . Exemplo 7.   1. O sistema tem n=3 barras.     21  J        M M  L  M 22    21  ou. é aquela que aparece nos livros atuais e. b) Barramentos de Geração (PV):   1  2 . L  L11 . O jacobiano será Nn1  N 21 .

1. que consiste de uma linha de transmissão representada por um modelo .4 Q (pu) ? ? V (pu) 1.0 1. Alvaro Augusto W. Tabela 7.25  j1. A barra 1 é de referência e. logo. restando calcular o ângulo  2 . de Almeida – UTFPR .0 ? Figura 7.   Q2    V2   Exemplo 7.8    1  j 0. Resolva o sistema da Figura 7.0  0. Valores em pu. pelo método de Newton-Raphson.25 . que é a única variável do problema. Considere   P  0.1 – Dados para o exemplo 7. A barra 2 é de geração e conhecemos o módulo da tensão nela.27 .5 – Sistema para o Exemplo 7.7 Barra 1 2 Tipo V PV P (pu) ? –0.02  j1. Y22  Y11  B   z12 Prof.5.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 130  P P 1 1    2  1  P2 P2 J    1  2    Q Q2  2   1  2  P  1  V2   P2   V2  .  z12 j 0. Inicialmente devemos calcular a matriz admitância: 1 1   Y12  Y21      j1.001 pu e  20  0 e demais dados da Tabela 7.7. conhecemos o módulo e o ângulo da tensão nela.7.

o jacobiano terá apenas um elemento. ainda (7. (7. Y   j1127  j .)  0.0 0.61) P2  1. ainda.27   0.25 .52).0 0.0 (7. 2 2 m1 2 ou H 22  V22 B22  V2  V1 G21sen21  B21 cos 21   V2 G22sen22  B22 cos 22  . correspondente à barra 2.64) O novo valor de  2I será Prof.62) Um teste inicial de convergência pode ser feito para 21  2  1  0  0  0 e V2  1. j1.25  cos 21. ou seja J   H 22    P2  . temos P2  P2( dado)  P2(calc. De (7.25  sen21 (7.0 . sabendo que  22  0 e V1  V2  1. o sistema não converge.45).Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 131 .0 . de Almeida – UTFPR .25  G   jB.25 1. (7. A potência na barra 2 pode ser escrita como (7.   1. Alvaro Augusto W.25   j1. pois deveríamos ter P2  0. m1 n ou P2  V2  V1 G21 cos 21  B21sen21   V2 G22 cos 22  B22sen22  .  1.57) (7.25.25  cos(0)  1.0 G    0. Devemos calcular a primeira iteração.     2  De acordo com (7.63) Logo. de geração (PV). teremos H 22  V B22  V2 Vm G2 m sen 2 m  B2 m cos  2 m  .25  cos21  1.001 pu .58) B    Sabendo que a barra 1 é de referência (V).60) P2  V2 Vm G2 m cos  2 m  B2 m sen 2 m  .27  1. ou. para a qual teremos I H 22  1.27  (7.4 .4  0  0.59) H 22  1.56) (7. ou.

18654 (7.32572)  0.18654.25  sen(0. Alvaro Augusto W. 1 m1 n ou P  V1  V1 G11 cos 11  B11sen11   V2 G12 cos 12  B12sen12  . H 22   1.67) (7. o sistema ainda não convergiu.68) (7.32 rad. O novo valor de  2II será (7. A potência na barra 1 pode ser escrita como P  V1 Vm G1m cos 1m  B1m sen1m  . será 2II  2I  2II  0.32  0. de Almeida – UTFPR .4   0.25  sen21  1.25  cos21  1.73) Agora o sistema convergiu dentro da margem de erro especificada.71) P2II  1.72) (7. H 22   1.4  (0. por sua vez. II H 22  1.65) O novo valor de  2 .25  sen21  1.25  cos(0.74) Prof.39999)  0. ou. (7.32)  0. O erro será P2II  P2( dado)  P2II  0. por sua vez.39999 pu. sendo necessária uma segunda iteração. ou.00572  2II  0. Resta somente calcular P1. (7.32572 rad O novo valor da potência será (7. será 2I  20  2I  0  0.25 (7.66) Agora devemos calcular o novo valor da potência (observe que os ângulos estão em radianos) P2I  1.69)  2II  P2I  0.32 rad.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 132  2I  P2  0. 1 (7. Q1 e Q2. Logo.70) O novo valor de  2 .32  0.25  sen(0.32)  1.00001. O erro será P2I  P2(e)  P2I  0.39321)  0.4  (0.00572 rad.39321 rad.00679   0.00679 .

Calcule V2 e V3 para três iterações pelo método de Newton-Raphson para o sistema a seguir. como não há cargas nem perdas ôhmicas na linha.75) Notamos que.5 Q (pu) 0 0 0 Prof.8 Barra 1 2 3 Tipo V(ref. Alvaro Augusto W. As características negativas do método de Newton-Raphson são: 1) Necessidade de armazenar a matriz admitância.2 – Dados para o exemplo 7.25  sen(0. m1 2 (7. Tabela 7. Exemplo 7.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 ou. 2) Necessidade de inverter o jacobiano a cada iteração.0 .39999 pu 1 1 (7.78) (7. 3) O tempo computacional para a convergência é diretamente proporcional ao número de barras (e não ao quadrado do número de barras). sabendo que V1  V2  1.32572)  1. de Almeida – UTFPR . ainda.2 -1. as potências nas barras 1 e 2 são iguais em módulo. 2) O número de iterações necessárias para a convergência é praticamente independente do número de barras.45428 pu m1 (7.27  cos(0)  Q2  2. temos Q1  V1 Vm G1m sen1m  B1m cos 1m . Q2  1.76) ou.) PQ (carga) PQ (carga) V (pu) 1. Q1  V1V1 G11sen11  B11 cos11  V2 G12sen12  B12 cos12 .32572 rad 133 P  1.45428 pu Finalmente Q2  V2 Vm G2 m sen 2 m  B2 m cos  2 m .25  cos(0.8.79) Q2  V2 V1 G12sen12  B12 cos12   V2 G22sen22  B22 cos22 .0 ? ?  (rad) 0 0 0 P (pu) ? 1.32572)  P  0. de (7. Da mesma forma.80) As características positivas do método de Newton-Raphson aplicado a Sistemas de Potência são: 1) Converge quase sempre e é mais rápido do que o método de Gauss-Seidel.27 cos(0)  1.25 cos(0.77) (7. Q1  1. 2 (7.32572)  Q1  2. 11  0 e 12  1  2  0.36).

13 31 23 32 A matriz admitância pode ser escrita como  G11 G12 G13   30  5  10  Y  G21 G22 G23     5 30  10 . Valores em pu. P3  V3   (7. Vm Prof. podemos escrever N km  Assim.2)1  5 . bem como da ausência de reativos.1)1  30 . em pu. teremos Pk  Vk Gkm . o jacobiano terá a seguinte forma: J      N 22  N 32  P2 N 23   V2  N 33   P3   V2  P2  V3  .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 134 Figura 7.8.1)1  (0. Considerando ainda que o sistema tem três barras ( n  3 ) e que duas barras são de carga (   2 ).2)1  30 .  Y33  5  5  (0. apenas P2.   Y12  Y21  (0.82) De acordo com (7. e sabendo que os ângulos são todos nulos. P3 e as derivadas em relação a V2 e V3 interessam.1)1  10 .81) Por causa dos valores reais das impedâncias. Os elementos da matriz admitância.46). Alvaro Augusto W.1)1  (0.     Y  Y  Y  Y  (0.     G31 G32 G33   10  10 30      (7.6 – Sistema para o Exemplo 7. de Almeida – UTFPR . são calculados abaixo   Y11  Y22  10  5  (0.

portanto J     5V1  10V3 10V2  .52) P20  1. recorremos a (7.     Para testar a convergência. De acordo com (7. teremos Pk  Vk VmGkm . 10V1  10V2   10V3  (7. Assim.0  10 .84) Prof. Observando que o sistema não convergiu.5 .0  30  1. N33  V3 G33  V1G31  V2G32  V3G33  V1G31  V2G32  10V1  10V2 . N32  V3G32  10V3 .0  10  1. V30  1. 10 20 (7.83) Teste inicial de convergência. O jacobiano será. P30  1. V20  1. de Almeida – UTFPR .0   10  1. Da mesma forma.0  15 .2  15  13.0 (fixo). m1 n Além disso.  P20  1. e considerando que Bkm  0 e  km  0 . de acordo com (7. N22  V2 G22  V1G21  V2G22  V3G23  V1G21  V3G23  5V1  10V3 .5  10  11.    e P30  V30 V10G31  V20G32  V30G33  V30  10V10  10V20  30V30 .47).0 (constante). Alvaro Augusto W. m 1 3 Assim.8 . teremos N kk  Vk Gkk  VmGkm .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 135 N23  V2G23  10V2 . calculando o jacobiano e seu inverso J     15 10  . P20  V20 V10G21  V20G22  V30G23  V20  5V10  30V20  10V30 .0  10  1. Devemos calcular inicialmente P20 e P30 . inicialmente teremos V10  1.0  30  1. P30  1.0 (constante). devemos passar à primeira iteração.36).0   5  1.

8275  1.8275  10.4479)  2.05 0.805  0.0931579  II I Os valores das tensões para a segunda iteração serão P2I  V2  V2  1     J    I  .0136842 2.075    11.5     3    V2  1.8275 10  10  0.8275   0.8275     3    Calculando as novas potências.1541 .0   0.95   Invertendo o jacobiano J     0. Logo.195  30  0.85) Os novos valores das tensões serão P20  V2  V2  1 V   V   J    0  . P2I  V2I  5  30V2I  10V3I  0. P3   3  3    0.0838596  0.0136842 . I I   e P I  V3I  10  10V2I  30V3I  0.8275   10  10  0.6541  12. A convergência ainda parece longe. 3   Testando a convergência P2I  1.0  0.0580702 0. P3I  1.05  13.195   0.0  0.195   5  30  0. de Almeida – UTFPR .195    10  0.275 11.  0.1 V   1.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 136 J 1    I 0.6541.195  V   1.0580702 0.075  0 (7.8 V2  1.6479  V   0.0838596  0.8275 10  0.1541        3 II Prof.195 13.275 1.0931579    12.1725  0.  0. V  P3   3 V3    V2  0.05 0.2  (1.1  0. devemos usar (7. Alvaro Augusto W.4479 .0   0.6479 .95  J     8.5  10. 10V1  10V2   10V3  J     5  10  0.83) para calcular o novo jacobiano da segunda itereção J     5V1  10V3 10V2  .05 .195  10  0.

5666 .5834   5  30  0.4585   10  10  0. ou seja. Método Desacoplado Rápido Lembrando do método de Newton-Raphson.4585        3 Calculando novamente as potências P2II  V2II  5  30V2II  10V3II  0. Alvaro Augusto W.3884  0.  V Q Q  . P3I  1.286   0. V  (7. independentes.2  9..8275   1.. 7. de Almeida – UTFPR . Em uma barra k qualquer.  Q(i )  L(i )  V (i )  (7.5.  V  V Em vários casos observamos que as variáveis PQ e QV são desacopladas. II   e P II  V3II  10  10V2II  30V3II  0.. 3   Testando novamente a convergência P2I  1.9686  8. Q   0  L V        (i ) (i ) (i ) (7.5834  30  0.5  13. Ainda não convergiu. .5666  15.5834  V   0.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 137 V2  0.88) ou... devemos repetir o procedimento.4585  13. as derivadas que interessam são do tipo: P P Q Q .88) em duas equações reflete o desacoplamento desejado..7686 .96864 .    . teremos Prof.0666 . e podemos escrever P P  .4585  9. Logo.86) (7.87) As matrizes M  P / V e N  Q /  podem então ser desprezadas e o sistema para a iteração i pode ser escrito como P  H  0    . P(i )  H (i )   (i )  . .89) A separação de (7.5834  10  0.   .195  0.. .        ..

86) e (7. Vk L'kk  Lkk 1   Bkk  Vk Vk mk V G m km sen km  Bkm cos  km  . Vk (7. Assim.)  . para k de 1 a  . muito maiores do que as reatâncias série. Para acelerar a convergência. podemos fazer Pk Pk( dado)  Pk( calc. podemos escrever Prof. entre 230 kV e 750 kV) e UAT (Ultra Alta Tensão. então  km é pequeno. Vk Vk O sistema (7.98) H kk  Vk Bkk  Vm Gkm sen km  Bkm cos  km  .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 Pk  Pk( dado)  Pk(calc.)  . Qk  Q ( dado) k 138 (7.90) (7.93) Qk Qk( dado)  Qk( calc. para k de 1 a n-1. Alvaro Augusto W. As desigualdade (7. acima de 750 kV). para k de 1 a n-1.92) (7. Bkm  Gkm sen km . Vk mk L L'km  km  Gkm sen km  Bkm cos  km .87) são particularmente em sistemas de EAT (Extra-alta Tensão.94) H 'km  H 'kk  H km  Vm Gkm sen km  Bkm cos  km  . de Almeida – UTFPR . Logo. entre 5 e 20. d) As tensões Vk e Vm são sempre próximas a 1. c) As reatâncias shunt são elevadas.0 pu. Vk Vk (7.89) pode ser agora escrito como  P  (i ) (i ) (i )    H '     V  . b) A relação Bkm / Gkm é elevada. para k de 1 a  .95) (7. Logo.) k . Em tais sistemas as seguintes hipóteses simpleificadoras podem ser formuladas para o cálculo H ' e L' : a) Se o sistema é pouco carregado.) .97) (7.91) Q ( calc. BkkVk2  Qk .  (i ) Q   (i ) (i )  V   L'  V    onde (7.96) (7. Logo cos  km  1 .

 kk kk   L'km   Bkm . enquanto em B' ' aparecem apenas as linhas e colunas referentes às barras PQ.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 139  H 'km   Bkm . km  km  B ' 'kk   Bkk . capacitâncias shunt e transformadores com comutação sob carga. isto é. que são constantes. Em geral se faz agora as seguintes definições: H '  B' . H '   B . com as aproximações feitas.  m 1 xkm mk   B' '   B .  (7.101) As matrizes B' e B' ' são o negativo da parte imaginária (susceptância) da matriz admitância. dependendo agora somente de parâmetros da matriz admitância. tais como transformadores defasadores. L'  B' ' . Sendo assim.  L'kk   Bkk . km     B 'kk   1 . Prof. os elementos dos jacobianos não dependem mais de tensões e ângulos variáveis a cada iteração.  (7. b) Na matriz B' ' são desprezados os elementos que afetam P. Podemos fazer ainda as seguintes aproximações adicionais: a) Na matriz B' são desprezados os elementos que afetam Q. de Almeida – UTFPR . sabendo que a reatância entre as barras k e m é xkm. As resistências também são ignoradas em B' . Alvaro Augusto W. Em B' aparecem as linhas e colunas referentes às barras PQ e PV.100) (7. podemos escrever os elementos de B' e B' ' da seguinte forma bastante simplificada: 1   B 'km   x . (7.99) Notamos que. e que  é o número de barras diretamente ligadas à barra k.102) O exemplo a seguir esclarece a utilização do método desacoplado rápido.

.0 ?  (rad) 0.0 1.4 – Dados das linhas (em pu) do Exemplo 7. de Almeida – UTFPR .com.01 x 0.1 Bshunt (total) 1. Formule as equações para o método desacoplado rápido para o sistema a seguir e  obtenha o ângulo  2 e a tensão V3 para as duas primeiras iterações.7 – Sistema para o Exemplo 7.9 Linha 12 13 23 r 0.01 0.0 1.01 0.4 – 0. Valores em pu.br/alvaro/desacoplado_rapido_prof-alvaro-augusto.9..0 –1.9.) PV (geração) PQ (carga) V (pu) 1.1 0.1 0.por enquanto só rabiscado em: http://lunabay.pdf ) Prof. Alvaro Augusto W.0 Figura 7.0 ? ? P (pu) Q (pu) – 0.4 Tabela 7. Tabela 7.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 140 Exemplo 7. (continua em breve.9 Barra 1 2 3 Tipo V(ref.0 –0.3 – Dados para o Exemplo 7.0 1.

de Almeida – UTFPR . Exercícios xxx Prof.6.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 141 7. Alvaro Augusto W.

funcionando a uma frequência f1. de Almeida – UTFPR . Por outro lado. e também na frequência f1. deverão ter um número elevado de polos (mais do que dez. podendo chegar a mais de oitenta). Prof. em ranhuras sobre uma estrutura cilíndrica. Nesse caso é mais conveniente enrolar as bobinas de campo sobre sapatas polares. A Tabela 8. A máquina é então denominada de polos cilíndricos ou de polos lisos6. Alvaro Augusto W. como é o caso de hidrogeradores. Nesse caso é razoavelmente fácil montar as bobinas do enrolamento de campo. giram a uma velocidade síncrona dada.1 Estabilidade em regime permanente Os rotores de máquinas síncronas de p polos.1) Em regime permanente a velocidade síncrona é constante e é esse caso que analisaremos incialmente. preferem o termo polos não salientes. sejam desprezíveis.1) implica em detalhes construtivos da máquina. Nesse caso. A presença das sapatas resulta em saliências e a máquina é então denominada de polos salientes. que deixaremos para o item 8. montadas sobre uma estrutura cilíndrica. máquinas de alta velocidade. por Ns  120 f1 . Entretanto. como é o caso de turbogeradores. por ser mais simples. Quando tais alterações não forem desprezíveis estaremos falando em regime transitório.1 – Diferenças entre máquinas de polos lisos e de polos salientes Tipo Polos lisos Polos salientes N° de polos (p) Baixo (2 ou 4) Elevado (mais de 10) Velocidade Elevada Baixa Tipo de gerador Turbogerador Hidrogerador 6 Alguns autores. a potência fornecida pelo gerador (ou absorvida pelo motor) será também constante. ESTABILIDADE ESTÁTICA E TRANSITÓRIA 8. por entenderem que a presença das ranhuras que alojam as bobinas de campo descaracteriza um rotor liso ou perfeitamente cilíndrico. TABELA 8.2. como JORDÃO (1980). de modo que alterações no ângulo de carga . O fato de a máquina ser de polos lisos ou salientes afetará o comportamento da mesma. localizado no rotor. razão pela qual divideremos o estudo a seguir em duas partes. podemos entender por regime permanente também aquele no qual a potência é alterada muito lentamente. deverão ter um número de polos reduzido (geralmente dois ou quatro).Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 142 8. A relação (8. máquinas de baixa velocidade. p (8. Por exemplo. em rpm.1 resume as características das máquinas de polos lisos e de polos salientes.

4) Fazendo ainda e N f kw / 2  m (uma constante) e considerando que a f. em (8. cuja amplitude foi convertida para volts eficazes e na qual foi incluído ainda um fator de enrolamento kw. no referencial do estator.m. Suponha também que. Prof. o fluxo magnético mútuo entre rotor e estator possa ser escrito como 2 (t )  N f  2 sen(et   ) .  2 é o fluxo por polo do rotor.2 Máquina de polos lisos em regime permanente Considere uma máquina síncrona de polos lisos caracterizada por uma reatância síncrona de eixo direto xd e por uma resistência de armadura r1. Alvaro Augusto W. pois o fluxo em (8. (8. (8.  A linha definida por  2 é denominada eixo direto (d) e jaz sobre o eixo de simetria de   um polo norte. a força eletromotriz induzida em uma fase do estator será e f (t )   d2 (t )  e N f  2 cos(et   ) .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 143 8. 2 (8. E f . alinha-se ao longo do eixo em quadratura (q). mas não quando no referencial do rotor. que jaz sobre o plano neutro do rotor.2). estando a 90 ° de  2 . dt (8. podemos escrever   E f   jm 2 . resultante das características construtivas dos enrolamentos trifásicos N k  E f  e f w  2 . por exemplo.2) só varia no tempo quando no referencial do estator. e  2f1 é a frequência angular elétrica em radianos elétricos (rad-e) por segundo e  é um angulo de fase.1 a seguir.3) está 90° atrasada em relação ao fluxo mútuo em (8. de Almeida – UTFPR . Logo.5)  onde  2 é um fluxo pseudo-fasorial.3) Podemos identificar e f (t ) com o seguinte fasor .e. que varia no tempo quando vista de qualquer referencial. De acordo com a Lei de Faraday. trata-se de uma função diferente de e f (t ) . ambas medidas em ohms por fase. conforme ilustrado na Figura 8.2) onde N f é o número de espiras equivalente por fase do estator.

(8.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 144 Figura 8. No caso de máquinas de grande potência. a resistência r1 é geralmente desprezível em relação à reatância síncrona xd. Para o caso de motores. que a tensão  terminal por fase. como sempre será o nosso caso. seja em regime permanente ou transitório. o polo norte se adiantará levemente em relação à referência.6) O circuito equivalente unifilar para a relação (8.. seja V1  V10 e que a corrente de armadura  por fase seja I1  I1 . Os estudos de estabilidade. basta multiplicar a corrente por –1. produzindo também um incremento em  .6) está escrita para o caso de geradores.1 Definição dos eixos direto (d) e em quadratura (q)  Em situações de regime podemos imaginar que o fluxo  2 gira no sentido anti-horário com velocidade constante N s . aqui tomada como referência. de Almeida – UTFPR . reduções na potência mecânica serão acompanhadas de reduções de  .e. Da mesma forma. i. Alvaro Augusto W. Prof.  Suponha agora que a tensão interna por fase da máquina seja E f  E f  .2 a seguir. juntamente com todo o diagrama fasorial. A relação (8. Podemos então escrever a seguinte equação fasorial    E f  V1  r1  jxd I1 . têm a finalidade de determinar se os valores iniciais e finais de  correspondem a situações estáveis.6) é mostrado na Figura 8. situações nas quais o gerador continua a operar em sincronismo com o barramento infinito. Se houver um incremente de potência mecânica na entrada do gerador. apropriadamente denominado ângulo de carga (ou de potência).

4) Os ângulos de fase das tensões do gerador e do barramento devem ser iguais. I1 . Considere incialmente. que AB  V1sen .2. é necessário que quatro condições sejam satisfeitas: 1) As sequências de fases do gerador e do barramento devem ser as mesmas. as quatro condições acima podem ser escritas em uma única equação fasorial. em vez de em função dos parâmetros da carga ( V1 .7) Condição de paralelismo entre um gerador e o barramento infinito.2 Circuito unifilar equivalente para uma máquina de polos lisos Antes que o gerador possa produzir energia. xd .3 é o índice das fases. respectivamente. como usual. AB  xd I1sen .  ). Podemos verificar que a relação (8. os triângulos OAB e ABC.9) Prof.8) (8. onde q  1. 2) As frequências do gerador e do barramento devem iguais.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 145 Figura 8. na Figura 3.  ). A condição (b) é satisfeita de maneira implícita.  Sabendo que a tensão do gerador antes do sincronismo é E f e que a tensão do barramen-  to é V1 . (8. (c) e (d). Para isso.3. ele precisa ser colocado em paralelo com o barramento infinito.7) satisfaz imediatamente às condições (a). de Almeida – UTFPR . 3) As tensões do gerador e do barramento devem ser iguais. Duas relações interessantes podem ser obtidas para as potências ativa e reativa em função dos parâmetros da máquina ( V1 . podemos desenhar o diagrama fasorial ilustrado na Figura 8. E f . Podemos escrever. (8.   E fq  V1q . pois a definição de um fasor decorre da utilização de um espaço onde a frequência é única e constante. Alvaro Augusto W.   Supondo que I1 esteja atrasada de um ângulo  em relação a V1 e que r1 seja desprezível.

sen  . teremos (8. Alvaro Augusto W.11) (8.16) Invertendo o sistema (8. vem Igualando BC em (8. podemos agora escrever BC  E f  V1 cos  . Do segmento OBC e do triângulo ABC. cos   V1I1sen. de Almeida – UTFPR . cos   Q    (8. teremos V1sen  xd I1sen(90     )  xd I1 cos(   ) . (8.16).15) Substituindo P  V1 I1 cos  e Q  V1 I1sen em (8.8) e (8. E f  V1 cos   xd I1 cos(90     )  xd I1sen(   ) . teremos 2  cos  1  V1 sen   2 xd V1 E f  V1 cos    sen     sen   P   . desenvolvendo (8.17). 2 1 V1E f  V cos   xd V1I1sen. teremos as relações buscadas para P e Q Prof.12) BC  xd I1 cos  .10) (8. (8.3 Diagrama fasorial para um gerador sobreexcitado Igualando AB em (8.9) e considerando que   90     .17) Finalmente. cos  .15) e escrevendo em forma matricial. podemos escrever  P  1  cos  Q  x   sen    d  sen   V12 sen   V E  V 2 cos   .14) (8.12) e considerando novamente que   90     .13) V12 sen  xd V1I1 cos .14) e (8. cos    1 f  1   (8. Multiplicando (8.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 146 Figura 8. cos   V1I1sen .13) por V1 e desenvolvendo um pouco mais.10) e (8.11) e (8.

4 Potência ativa em função do ângulo de carga A potência ativa máxima ocorre para  ee   / 2 rad-e. de Almeida – UTFPR . um gerador recém-conectado ao bar-   ramento infinito terá V1  E f e   Ang (V1 . O ângulo  permanecerá oscilando levemente em torno do ponto de equilíbrio e a velocidade do rotor também oscilará levemente em torno da velocidade síncrona. Q V1 E f xd cos   V12 . Em decorrência das condições de sincronismo (8. pois a máquina não pode funcionar em regime permanente para ângulos acima deste valor e sairá de sincronismo. aumentos da potência mecânica Pmec no eixo do gerador serão contrabalançados por aumentos da potência elétrica resistente oferecida pelo gerador.18) Potência ativa de uma máquina de polos lisos. supondo excitação constante. Acima de    / 2 . o que é feito por meio do aumento da potência mecânica no eixo da máquina. a potência em função do ângulo de carga se comportará conforme mostra a Figura 8. Para transferir potência ativa ao barramento devemos aumentar  .7). (8.18) e (8. aumentos da potência mecânica produzirão reduções Prof.19) indicam que as potências ativa e reativa inicialmente fornecidas ao barramento serão nulas. Alvaro Augusto W. xd (8. E f )  0 . em watts/fase. as relações (8.19) Potência reativa de uma máquina de polos lisos.4. Mantendo-se E f constante.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 147 P V1 E f xd sen . Figura 8. Na região estável. em vars/fase. Nessas circunstâncias. valor que denominaremos ângulo de estabilidade estática.

6)  I1    E f  V1 jx d 2.2 j1.5 A . pede-se: (a) determine a corrente de armadura correspondente à máxima potência ativa. A reatância síncrona de eixo direto é 1. de Almeida – UTFPR .2 kV. Figura 8. Seja um gerador trifásico de polos lisos.945 A . devemos ter    / 2 rad-e. xd 1. Solução. Tomando ainda a tensão terminal como referência. de (8. Para potência máxima.058. Exemplo 8. desde que se respeite a condição    / 2 rad-e. inferior ao valor nominal. 2. é a máxima potência que o gerador pode fornecer na atual condição de excitação. teremos.  j1.496.7 MVA .5  j1. (b) desenhe o diagrama fasorial correspondente. A potência ativa fornecida será P V1l E1l 2.200  2.058. 10 MVA.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 148 da potência resistente e a condição de velocidade estável não poderá ser mantida.496.1 Prof.5 Diagrama fasorial para o Exemplo 8.200 2. Aumentando-se a excitação o gerador poderá chegar à condição de potência nominal.200 sen  sen90  4.2 A potência aparente será S  3V1l I1  3  2.9  5.200  1. Note que a potência acima. Considerando que a tensão interna seja igual à nominal.200 90  90  3 3  3 3  1.200 2. a não ser que se atue sobre o controle de velocidade da turbina ou que outra providência seja tomada.2 Convertendo para forma polar  I1  1.5 abaixo.2  por fase e a resistência de armadura pode ser desprezada. O diagrama fasorial é mostrado na Figura 8.200 2.03 MW . Alvaro Augusto W.1. ligado em estrela.

xd (8. por exemplo. Alvaro Augusto W.3 Curva de capabilidade e curvas “V” Além de conhecermos o limite de estabilidade estática é necessário conhecermos também todos os limites operacionais da máquina.6 a seguir. Começamos tomando a relação (8. representa a potência aparente máxima da máquina.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 149 8. Figura 8. xd 2 (8.20) Supondo que o fator de potência seja indutivo e tomando V1 como referência. multiplicando ambos os lados por V1 / xd e considerando r1 desprezível  V1 E f xd   V1V1   jV1 I1 . a relação (8. Descartando-se outros componentes do conjunto turbina-gerador ou do conjunto motor-carga.6 Diagrama fasorial das potências Estamos agora interessados nos limites operacionais da máquina. seja qual for o fator de potência.6) e forçando o aparecimento da potência aparente V1 / xd .6. O círculo ilustrado na Figura 8. a potência operacional da armadura poderia se localizar em qualquer ponto dentro Prof.21) O diagrama fasorial correspondente à relação (8. os quais são representados pela curva de capabilidade (também conhecida como curva de capacidade). Para obter tal curva é interessante desenharmos antes o diagrama fasorial das potências.20) poderá ser escrita como V1 E f xd V   1  V1 I1(90   ) . de Almeida – UTFPR .21) é mostrado na Figura 8.

Contudo. em aproximadamente 40°. de Almeida – UTFPR .8.7. tal coincidência se daria apenas em um ponto. Prof. Assim. A curva de capabilidade completa é mostrada na Figura 8. De acordo com a Figura 8. por exemplo. para gerador. Considere. e O’B’. o de fator de potência unitário.7 Limites operacionais de uma máquina síncrona Situação semelhante ocorre com o limite de excitação máxima.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 150 do círculo ilustrado. para motor. o ângulo de estabilidade pode ser definido. dimensionamos o segmento O’A como o limite máximo de excitação. Se o limite da turbina fosse especificado para coincidir com a potência ativa máxima do gerador (Pmax). na Figura 8. existem outros limites a considerar.7. o que permite que a máquina funcione com excitação máxima em uma faixa mais ampla de fatores de potência. reduzindo um pouco o limite da turbina que o gerador pode acionar (segmento OC). poderemos ter o conjunto turbina-gerador funcionando em uma faixa mais extensa de fatores de potência. ou seja. liustrativamente. pois o limite seria atingido somente para fator de potência zero. pois o gerador pode sair de sincronismo em =90° e esta situação deve ser evitada. Se estipulássemos tal limite como coincidindo com Qmax.4. Alvaro Augusto W. o limite de estabilidade corresponde aos segmentos O’B. o campo do gerador estaria sobre-dimensionado. de modo que. Finalmente. que a máquina esteja funcionando como gerador. Figura 8. Assim. Assim. conforme ilustrado na Figura 8. uma margem de segurança deve ser estabelecida. temos o limite de estabilidade. a potência máxima ocorre para =90°. Contudo.

ou seja.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 151 Figura 8.6 Dinâmica da máquina síncrona ligada ao barramento infinito O Barramento Infinito (BI) é um sistema elétrico altamente idealizado dotado das seguintes características: 1) Tensão e frequência constantes. independentes de qualquer perturbação externa. 2) Capacidade de absorver e fornecer qualquer potência. seja ativa ou reativa.8 Curva de capabilidade de uma máquina síncrona (continua.. para facilitar a análise inicial de sistemas mais com- Prof.) 8. Alvaro Augusto W. Apesar do grande grau de idealização. de Almeida – UTFPR ..5 Estabilidade em regime transitório (em breve) 8.4 Máquina de polos salientes em regime permanente (em breve) 8. 3) Capacidade de absorver qualquer transitório. o BI é útil da mesma forma que um plano sem atrito ou um condutor sem resistência.

o qual. de Almeida – UTFPR .5) onde Pd é a potência de amortecimento.5) e (8. Para uma máquina de polos lisos. Para um rotor cilíndrico de raio D e massa G. relacionada à conversão eletromagnética de energia.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 152 plexos. mede a distribuição da massa em torno de um eixo de rotação. relacionada ao amortecimento causado pelo ar no entreferro e pelas barras amortecedoras. pode ser escrita como Pe  Pd d  Ps ( ) . podemos escrever J=GD2.3) Quando conectado à rede. temos Ps = Pmsen . proporcional à aceleração do rotor e ao momento de inércia J.7 Equação geral da oscilação Seja um gerador síncrono caracterizado pelas seguintes grandezas:  Pine = potência de inércia da máquina.4) A potência eletromagnética. teremos a equação diferencial que descreve a oscilação do ângulo  quando de mudanças de potência Prof. Pine  Pe  Pmec . onde Pm é a potência máxima e  é o ângulo de carga. a potência mecânica fornecida ao eixo do gerador deve ser suficiente para manter o rotor em rotação e efetuar a conversão de energia. Pe = potência elétrica. Substituindo (8. dt 2 (8.   Pmec = potência mecânica no eixo da máquina. dt (8. 8. (8.2) Em outras palavras. lembremos.2). a velocidade do rotor não pode se afastar muito da velocidade síncrona sem que o gerador perca o sincronismo. Logo.4) em (8. Para uma máquina de p polos.  p 60  dt 2   (8. Podemos então escrever. por sua vez. Iniciaremos analisando o caso de um único gerador ligado ao BI e depois passaresmos a sistemas compostos por dois geradores e finalmente para sistemas multimáquinas. Alvaro Augusto W. cujo rotor gira a N rpm. e Ps é a potência síncrona. a potência de inércia pode ser escrita como  2 2N  d 2  Pine   J   . o termo entre parênteses pode ser considerado constante e podemos escrever Pine  Pj d 2 .

em rad/s.. p. eg. dt dt (8. que. obtemos a equação do oscilador harmônico simples. cuja solução pode ser escrita como7  (t )   0 sen(nt   ) .. é a frequência angular natural do sistema.6) Equação diferencial da dinâmica da máquina síncrona. Assim. c1968.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 153 d 2 d Pj 2  Pd  Ps ( )  Pmec . Nesse caso. Alvaro Augusto W.10) A solução geral para o gerador linearizado amortecido flutuando a vazio pode ser escrita Ver.g. Contudo. Quando o amortecimento Pd estiver presente.7) Equação diferencial linearizada. por causa do termo Ps.8 Análise linearizada – máquina de polos lisos A equação (8. não linear e não homogênea. resultando na seguinte equação diferencial linearizada Pj d 2 d  Pd  Ps  Pmec .8) onde n  Ps / Pj . New York: J. podemos considerar que sen   (em radianos). no caso de pequenas oscilações (digamos. temos uma equação diferencial de segunda ordem. ela não é linear. como 7 (8. a oscilação será amortecida e caracterizada por um fator de amortecimento dado por   Pd . pois o termo à direita do sinal de igual não é nulo. C.9) e por uma frequência angular amortecida dada por d  n 1   2 . a potência síncrona pode ser escrita como Ps. Por outro. 2 Ps Pj (8. (8. Fazendo inicialmente Pmec=0 (gerador flutuando a vazio) e Pd=0 (amortecimento desprezível). Wiley. Theoretical mechanics. Prof. no caso geral. Runge-Kutta). BRADBURY. 0 é o valor inicial do ângulo de carga e  é um ângulo de fase a determinar. de Almeida – UTFPR .   / 6     / 6 ).6) não é nem um pouco simples. Por um lado. 133. ela não é homogênea. 8. 2 dt dt (8. somente pode ser resolvida por meio de métodos computacionais (e. T.

p.13) podemos calcular também a velocidade de oscilação de . T.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 154  (t )   0e t sen(d t   ) . cit. C.. de Almeida – UTFPR . o ângulo de regime permanente será dado por   Nesse caso a solução geral será8 Pmec . n (8.13)  1   (t )    1  e  nt sen(d t   ) . Ps (8.11) Solução geral para o gerador linearizado amortecido flutuando a vazio. A partir de (8. pois. onde  é um ângulo de fase a determinar. Caso isso não ocorra.12) Velocidade de  para o gerador linearizado amortecido flutuando a vazio. onde   arctg ( /  ) e   1   2 . Quando Pmec for injetada no eixo do gerador. para o gerador flutuando a vazio. Op.14) Solução geral para o gerador linearizado amortecido operando com Pmec>0. 138. o ângulo de estabilidade estática  ee   / 2 poderá ser atingido rapidamente. que será 8 Ver BRADBURY. corremos o risco de que o gerador saia de sincronismo.    (8. Prof. que pode ser obtida por derivação direta de (8. Em alguns casos é interessante conhecermos também a velocidade de variação de . A solução (8. qualquer perturbação  0 será rapidamente amortecida. para potências médias muito baixas.11) mostra que..11): d   0 d cos(d t   )   n sen(d t   )e nt dt (8. Alvaro Augusto W.

16) A frequência natural de oscilação será n  Ps 14. 1.303 W/rad-e. Alvaro Augusto W.000 d 2 d  399.1.s2.902. 210 kW.15) Velocidade de  para o gerador linearizado amortecido operando com Pmec>0.7 W/graus-e. A velocidade síncrona para quatro polos é N s  1.2 W/rad-e. Pd  Td  s  2 4f 2 4  60 2  Td  1   243    22. Ps=14 kW/graus-e.303  A potência de amortecimento será  180  1.s. Exemplo 8.9).902. J=608 kg. p p p 4 4 Convertendo para W/graus-e.s. Solução.000 (8.s.s2 Pj  57.000  0 2 dt dt (8. Pj 1. 60 Hz.s2. Td=243 Nm/rad-m. (b) carga nominal subitamente aplicada ao eixo.2  A equação diferencial a vazio fica  180  399. o fator de amortecimento será Prof.000   3. De acordo com (8.3). a potência de inércia será Pj  J  2 2N s 2 2  1.800 rpm .74 rad/s.17) De acordo com a relação (8. ligado diretamente ao barramento infinito.7  14.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 155 d    n sen(d t   )  d cos(d t   ) e nt  dt  . Seja um gerador síncrono de quatro polos. Escreva a equação da oscilação do ângulo  para: (a) gerador flutuando a vazio com ângulo inicial de 20 graus elétricos. p 60 4 60 Convertendo para W/graus-e. de Almeida – UTFPR .m2.800   608    57.000 W/graus-e.s Pd  22. (8.

000  1. dt (8. Nesse caso.0534 .102 ilustra a velocidade de  em relação ao tempo.7  0. em função de .19985t sen(3. 2 14.000 (8. o ângulo de fase  deve ser 90°. Figura 8. A velocidade de oscilação será d  20  3. (8.20) Note que.7347 .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 156   399.21) A Figura 8.101 ilustra a variação de  em relação ao tempo e a Figura 8. Percebemos que o sistema inicia com =20° e velocidade igual a –4°/s.19)  (t )  20  e0.0534) 2  3.7347  cos(3. em graus elétricos (8. de Almeida – UTFPR .101 Solução para o gerador linearizado flutuando a vazio Prof. para que o ângulo inicial seja 20°.74 1  (0.1997  sen(3.7347t   / 2)  0. abstraímos a variável tempo e plotamos a velocidade de . Alvaro Augusto W.19985t .18) correspondendo à seguinte frequência amortecida d  n 1   2  3. A resposta para o gerador flutuando a vazio será. 0).7347t   / 2) .103 ilustra a evolução do sistema no chamado espaço de fase. A Figura 8. atingindo o repouso (estabilidade) no ponto (0.7347t   / 2) e0.

15).24) Prof. (8. Ps 14.   0. por (8.000   15 . O ângulo de fase  será dado por 1  2  1  0.14) e (8. de acordo com (8.94  1.23)  (t )  15  1  1. Alvaro Augusto W. podemos considerar Pmec=210 kW.5174) (8.0014  e0.000 (8.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 157 Figura 8. respectivamente. Assim.5174 rad-e.13)   Pmec 210. de Almeida – UTFPR .   é medido diretamente em graus-e. o ângulo de regime será. Logo.103 Diagrama no espaço de fase para o gerador linearizado flutuando a vazio No caso do gerador que subitamente recebe carga nominal.0534 As soluções para  e para d /dt são dadas.7347t  1.19985t sen(3.22) Note que Pmec é medida em watts e que Ps é medida em watts/graus-e.102 Velocidade de para o gerador linearizado flutuando a vazio Figura 8.05342   arctg ( )  arctg ( )  arctg ( )  86.

Caso o atrator seja um conjunto de pontos. Em física. 0°/s). de Almeida – UTFPR .7347t  1.104 Solução para o gerador linearizado sob carga Figura 8. Alvaro Augusto W.02  0. o que pode acontecer se o amortecimento e/ou a potência sincronizante forem muito baixos. Em sistemas de potência todo o esforço é feito para que o atrator seja um único ponto por gerador. o sistema pode se tornar instável. enquanto no caso do gerador sob carga o atrator é (15°.19985t dt 158 (8.7347  cos(3.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 d  15.104.106 mostram o comportamento do gerador linearizado sob carga. Assim. no caso do gerador a vazio o atrator é (0°. independentemente do ponto de partida.5174) e0.105 e 8. um atrator é definido como um ponto ou conjunto de pontos para o qual evolui um sistema dinâmico. Percebemos que agora o gerador atinge a estabilidade no ponto (15°. 0°/s).5174)  3. 0°/s). 8.105 Velocidade de para o gerador linearizado sob carga Prof.7347t  1. Figura 8.25) As Figuras 8.19985  sen(3.

10 Método das áreas iguais – sistemas de duas máquinas (em breve) 8.106 Diagrama no espaço de fase para o gerador linearizado sob carga (continua...15 Regulações primária e secundária (em breve) Prof. Alvaro Augusto W.9 Método das áreas iguais – máquina conectada ao barramento infinito (em breve) 8.11 Solução numérica para máquina conectada ao barramento infinito (em breve) 8. de Almeida – UTFPR .13 Serviços ancilares (em breve) 8.14 Reservas girante e não girante (em breve) 8.) 8.12 Solução numérica para sistemas multimáquinas (em breve) 8.Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 159 Figura 8.

de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 160 8. Alvaro Augusto W.18 Exercícios (em breve) Prof.16 Controle automático de geração (em breve) 8.17 Controle de carga e frequência (em breve) 8.

Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 161 9. de Almeida – UTFPR . Alvaro Augusto W. OPERAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS Prof.

Alvaro Augusto W. de Almeida – UTFPR .Sistemas Elétricos de Potência – Notas de Aula – Versão 03/07/2011 21:34 162 10. LINHAS DE TRANSMISSÃO Prof.

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