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Música, atividade física e bem-estar psicológico em idosos

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ARTIGO DE REVISÃO Música, atividade física e bem-estar psicológico em idosos

Music, physical activity and psychological well-being for the elderly
Maria Luiza de Jesus Miranda1 Maria Regina C. Souza Godeli2

Resumo
MIRANDA, M.L.J.; GODELI, M.R.C.S. Música, atividade física e bem-estar psicológico em idosos. R. bras. Ci. e Mov. 2003; 11(4): 87O objetivo desta pesquisa bibliográfica foi analisar a associação entre música e atividade física, no que diz respeito ao bem-estar psicológico em idosos. Afirma-se que os benefícios psicológicos da prática de atividade física são muitos e inegáveis. Os indivíduos idosos, assim como os de outras faixas etárias, experimentam alterações positivas nos estados de ânimo, na autoestima, na auto-eficácia, obtendo recursos pessoais para enfrentar as situações estressantes e desafiadoras do cotidiano. A literatura disponível sobre a utilização da música para beneficiar os estados psicológicos de indivíduos idosos apóia a noção de que um ambiente de atividade física com música, se estruturado adequadamente, poderá favorecer a motivação para executar as tarefas e a permanência em atividade por tempo prolongado. Estudos sugerem que haja influência da audição musical sobre a percepção subjetiva de esforço, possivelmente porque a música pode interferir na focalização da atenção durante a atividade física, afastando os sinais desagradáveis provenientes da fadiga. Conclui-se que nas intervenções com os idosos é preciso considerar que tanto a música quanto a atividade física, podem promover alterações fisiológicas e psicológicas, seja de natureza positiva ou negativa, dependendo de como sejam manipuladas as diversas características de cada uma delas.

Abstract
MIRANDA, M.L.J.; GODELI, M.R.C.S. Music, physical activityt and psychological well-being for the elderly. R. bras. Ci. e Mov. 2003; 11(4): 87The purpose of this review was to analyze the relationship between music and physical activity and their effect on the psychological well-being of the elderly. The literature analyzed contributes to the affirmation that the psychological benefits of physical activity are many and undeniable. When performing some sort of physical activity, the elderly – as well as individuals from any age group – experience positive changes in their mental attitude, self-esteem and self-efficacy, which give them the personal resources to face stressing, challenging situations in their day-to-day living. Even though limited, the available literature on the use of music for benefiting the psychological states of the elderly supports the notion that a properly structured physical activity environment with music might help motivate an individual to perform the activities and remain motivated in doing so for a longer period of time. Studies suggest that music listening has an influence in the subjective perception of physical effort, possibly because music interferes in the focus of attention during physical activity, thereby driving away the unpleasant signs of fatigue. It is concluded that in the interventions with the elderly it is necessary to consider that music as much as physical activity can promote physiological and psychological positive or negative alterations, depending on how their various characteristics were manipulated. KEYWORDS: the elderly, music, physical activity, psychological well-being

PALAVRAS-CHAVE: idosos, música, atividade física, bem-estar psicológico
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Universidade São Judas Tadeu – R. Taquari, 546 – São Paulo Universidade de São Paulo – Instituto de Psicologia – Prof. Mello Moraes, 1721, Bl. C – C. Universitária – São Paulo

Recebido: 23/08/2002 Aceite: 05/07/2003

R. bras. Ci. e Mov.

Brasília v. 11 n. 4

p. 87-94

out./dez. 2003

87

O’Brien Cousins 33 e Okuma 34. Um ponto relevante a considerar é que a atividade física com música. seja física ou de outra ordem. Segundo Csikszentmihalyi 10. 26. os idosos fisicamente ativos apresentaram saúde melhor e relataram aumento na capacidade de enfrentar o estresse e a tensão no dia-a-dia. propiciam variadas reações. McAuley e seus colaboradores estudaram justamente a possibilidade do aumento da auto-eficácia e da percepção de controle sobre os eventos serem decorrências da participação em atividade física 23. Além disso. Em ampla revisão de literatura empreendida em 1995. relatando mudanças como aumento de domínio. 34. é uma variável freqüentemente citada na literatura como sendo de grande relevância para a qualidade de vida na velhice 11. Gallahue e Ozmun 13 apontaram a possibilidade de haver um aumento da percepção de que podem atuar sobre os eventos (controle localizado internamente) em pessoas participantes de programas de atividade física. auto-estima e estresse. 4 p. sendo um estado muito positivo e prazeroso. proporcionada pela melhora na aptidão física. 42. 2003 . McAuley e Rudolph 27. às características demográficas ou à falta de sensibilidade dos instrumentos psicométricos empregados na maioria dos estudos. por ser mais agradável. 87-94 out. e o aumento do auto-conceito do idoso. a relação entre a eficiência na execução das atividades da vida diária. 48. sendo a personalidade um fator estável. Muito do que os idosos relataram está em sintonia com a literatura existente. A atividade física com música para idosos pode criar um contexto positivo e agradável e. dessa maneira. satisfação com a vida. Para que se compreenda a influência da atividade física com música sobre os indivíduos é necessário considerar que tanto a atividade física em si. melhora dos estados subjetivos positivos e diminuição dos afetos negativos. McAuley e Rudolph 27 corroboraram os efeitos positivos sobre o bem-estar psicológico. e Mov. Para os autores. do nível de sonoridade e do andamento. que o ambiente com música é mais favorável para os idosos. Outrossim. Um outro ponto importante discutido por Berger e McInman 2. do ritmo. O estudo fenomenológico de Okuma 34 proporciona dados substanciais nesse sentido. um aumento da autoconsciência e do sentido de fusão com a atividade e com o ambiente. Já a satisfação com a vida e a atividade física teriam uma alta correlação em indivíduos idosos. torna-se improvável que a sua mudança resulte apenas do exercício. 25. há fortes evidências de que o idoso que se exercita obtém uma variedade de benefícios psicológicos. o objetivo deste trabalho é analisar a complexidade envolvida ao associar as variáveis música e atividade física na promoção de benefícios psicológicos em indivíduos idosos. 25. como pode ser observado na literatura referente à organização de programas para idosos 8. Entretanto. fatores que influenciam a percepção do nível de satisfação com a própria vida. Atividade física e variáveis psicológicas em idosos Apesar da limitada amplitude da literatura existente. Segundo Gallahue e Ozmun13. esses resultados incongruentes podem ter sido decorrência das diferenças com relação aos programas de atividade física utilizados. b) a melhora no auto-conceito. 27. Entretanto. porém. necessidade de estruturar e sistematizar melhor a função da música na atividade física. no sentido de que há uma associação positiva entre atividade física e auto-estima. bras. Brasília v. c) alto nível de qualidade de vida. poderia reforçar a sensação de “desligamento” 38 ou o estado de “fluxo ou fluência” flow 10. também. pois alguns estudos demonstraram justamente resultados opostos. 31./dez. Haveria. a falta de domínio motor pode influenciar negativamente a saúde psicológica desse indivíduo. auto-estima e imagem corporal. ainda. estar ativo é afastar-se do sedentarismo. a utilização da música no ambiente de atividade física para idosos não é conseqüência de conhecimento fundamentado cientificamente. conforme o que se quer atingir com elas. um estilo de vida fisicamente ativo e a capacidade de executar as atividades da vida diária podem ter impacto positivo sobre como um indivíduo idoso se sente e como os outros o vêem. os padrões de melhoras não foram inteiramente consistentes. uma das causas de quase todas as doenças mais comuns na velhice 6. Mas. como preditor do comportamento de atividade física (adesão e manutenção) e de reações psicológicas positivas durante e após o exercício 24. 49. Nessas obras são encontradas indicações sobre a utilização adequada da música em termos de estilo musical escolhido pelo profissional. intuitivamente. fatores como o exercício. sentimentos de competência e afetos positivos. Os autores ressaltaram ainda o fato de a atividade física produzir mudanças de natureza mais positiva. 50. Para os autores. Entretanto. foram relatadas associações entre atividade física e personalidade. tornarse uma intervenção adequada para que os indivíduos permaneçam em atividade. refere-se à redução do nível de estresse dos 88 R. Haveria. A partir de estudos analisados por Berger e McInman 2. como aumento de energia. melhora na satisfação com a vida. Muitos profissionais de Educação Física percebem. A auto-eficácia é analisada. mostrando o enorme valor que esta atividade teve para eles. 51. de felicidade que nem sempre são captadas pelos instrumentos psicométricos tradicionais devido à sua carência de sensibilidade e validade para avaliar respostas concernentes ao bem-estar psicológico. 26. durante a experiência de “fluxo ou fluência” haveria uma contração do campo perceptivo. Dessa forma. sem preocupar-se com o efeito que suas ações teriam nos outros. sensação geral de bem-estar. quanto a audição musical. Contrariamente. na qual o indivíduo estaria intrinsecamente motivado e totalmente envolvido e absorvido na atividade. Complementando. a falta de melhora nessas mesmas variáveis. 44.Introdução A atividade em geral. estão relacionados à satisfação com a vida os seguintes resultados da participação em atividade física: a) aumento da auto-eficácia e da competência. Deutsch 12 enfatiza que seria de muita utilidade que se soubesse como cada ritmo musical pode atuar sobre os estados de ânimo das pessoas e que se deveria escolher cuidadosamente as músicas adequadas a cada situação de atividade física. 11 n. Ci. A metodologia empregada foi a da pesquisa bibliográfica. mas sim de intuição e de prática. Percepções de idosos sobre a participação num programa de atividade física e de como ocorreram mudanças no seu modo de ser foram coletadas pela autora.

que afetam respostas fisiológicas como pressão arterial. pessoas. a música é estímulo que promove: a) respostas físicas. dilatação pupilar. 95-110 out. lugares. enfatiza o autor. em geral. há particularidades que necessitam análise apurada se o objetivo for uma utilização adequada do estímulo musical para facilitar a manutenção. sensações e pode induzir o indivíduo a fazer associações extra-musicais. a experiência prévia do indivíduo com música. Entretanto. pois quando a música atende a essas expectativas. dentre outras. evocando emoções ou outras informações sensoriais que estão guardadas na memória. ao promover oportunidades para experiências comuns. Brasília v. facilitando a expressão de emoções também por idosos que possuam falta de habilidades verbais. contudo. freqüência cardíaca. Ela elicia sentimentos. comparações seguras e. citado por Riegler 46. nível dinâmico da música e. cria tensão. os indivíduos idosos em geral ainda mantém a capacidade de ouvir música. Esse declínio. como tempo de audição. para facilitar o aparecimento de respostas prazerosas e produtivas. Em geral. em que a música evocaria estórias e cenas imaginadas. auto-conceito e auto-estima. mas os resultados revelam. com outras épocas. Muitos estudiosos analisam meticulosamente os efeitos da música sobre a emoção humana. tanto agradáveis quanto desagradáveis. além de tocar e reger (como tantos músicos com idade avançada). é necessário que o profissional que irá empregá-la em uma intervenção considere com profundidade as características e potencialidades. d) comunicação. já está ocorrendo quando o indivíduo tem quarenta anos. através das qualidades sedativas ou estimulantes. expectativas essas baseadas na aprendizagem cultural. seja por aumento na auto-eficácia. Ci. mediante do uso do tempo com atividades envolvendo música. muita variabilidade de resultados em função da ocorrência de interação entre diversos fatores. a indicação de relações causais entre as variáveis estudadas. tanto da música quanto dos idosos. existe uma grande amplitude de respostas possíveis. aumento da energia. Tal fato denota que. mediados pelo contexto cultural e pelas experiências anteriores com música. c) integração social. e da tensão e relaxamento resultantes que se forma a base das respostas emocionais à música. f) afastamento da inatividade. O relacionamento entre música e afeto. estados emocionais podem ser disparados por certas músicas em determinados indivíduos e como essas respostas são relativamente constantes deveriam ser provocadas (se prazerosas) ou evitadas (se desagradáveis). Outras respostas podem ser decorrentes de associações extra-música. a pesquisa envolvendo indivíduos idosos e música é restrita e muita investigação ainda é necessária. 2003 89 . embora as experiências estéticas sejam consideradas as sensações mais importantes provocadas pela música. ao ouvir a música os indivíduos têm algumas expectativas de como as coisas vão ocorrer. como melhora na resistência cardiovascular. as evidências apresentadas até o momento têm força suficiente para sustentar os dados obtidos. Afinal. e g) associações extra-musicais. que provocariam lembranças de experiências associadas a ela. mas se ela se desvia. pois entre os vários sons que formam um tom musical. isto é. É preciso considerar que a perda auditiva que acompanha o processo de envelhecimento pode causar mudanças na intensidade sonora preferida e uma diminuição na capacidade de discriminação da tonalidade 40 . 4 p. a ansiedade e a depressão. seja por diminuição dos sintomas. também provocam tais alterações. a perda auditiva mais pronunciada é o declínio da sensibilidade para tons de alta freqüência. nos afetos. e) expressão emocional. até. ou a melhora. tolerância à dor. Para Rosenfeld 41. Segundo Radocy e Boyle 39. pelo fator aprendizagem. da qualidade de vida da população idosa. a atividade física apresenta vantagens para indivíduos idosos: evita os efeitos colaterais das drogas e favorece benefícios físicos. De acordo com Clair 7. Pode-se encontrar na relação entre indivíduos idosos e música as mesmas características presentes em outras faixas etárias. ainda. causando o declínio do limite superior da nossa audição. b) respostas emocionais que estão associadas às respostas fisiológicas. este precisa ser dez vezes mais intenso para parecer tão alto quanto há vinte anos atrás. significado das palavras (letra da música). atendidas e frustradas. existe o desgaste da cóclea em decorrência da inevitável passagem dos anos. 11 n. principalmente para idosos que têm problemas de comunicação verbal e pela música conseguem interagir significativamente com os outros. idade em que o ouvido tem um décimo de sua sensibilidade original nas freqüências mais elevadas. Música e idosos Há tempos reconhece-se que a música influencia o estado afetivo-emocional do ouvinte. A música é um instrumento poderoso para trabalhar com os idosos. para ouvir um som de alta freqüência. mas muitas outras variáveis. ainda. As respostas afetivas à música podem ser de vários tipos. um mecanismo que permite ao indivíduo reviver eventos significantes da sua vida. além de contribuir para piorar a qualidade de vida. os estudos disponíveis na literatura enfocam R. É por meio da sucessão de expectativas. pois este está altamente associado a índices de doenças e mortalidade. Em comparação com outras técnicas de redução de estresse. Apesar do recente e crescente interesse pela Gerontologia. Para Corso. envolve muita complexidade. que são a base para os relacionamentos. do desconforto e da rotina cotidiana. a possibilidade de ocorrerem associações intrasubjetivas. e Mov. Mesmo que os estudos existentes ainda necessitem de maior rigor metodológico para permitirem avaliações psicométricas adequadas. Entretanto. melhorando a qualidade de vida dos idosos. bras. Não somente as características inerentes à música provocam alterações nos estados subjetivos. a atividade física reduz a tensão muscular.idosos em decorrência da atividade física./dez. Em termos de sintomas específicos. fatores integrantes dos recursos pessoais e necessários para lidar com eventos estressores. De acordo com Jourdain 20. Os benefícios físicos e psicológicos advindos da prática da atividade física favorecem um melhor enfrentamento do estresse. pois utiliza a comunicação não-verbal. Contudo. eles relaxam. como alterações nos estados de ânimo. respiração. redução de peso corporal. o som fundamental situa-se relativamente baixo e poucos indivíduos vivem tempo suficiente para que a perda auditiva torne-se tão acentuada a ponto de não ouvilos. Há. As respostas mais comuns seriam os estados de ânimo refletidos ou eliciados pelos padrões musicais.

Ainda. Brasília v. originárias dos tecidos e órgãos trabalhados nas atividades físicas de intensidade moderada e duração prolongada 32. respostas correspondentes a cada um dos itens podem ser incitadas. quando ocorre realmente essa influência. incongruentes. De acordo com Gfeller 15. As pesquisas existentes apontam para a idéia de que a música pode beneficiar a atividade física. têm sido utilizadas pelas pesquisas como fontes de atenção e distração das sensações relacionadas ao exercício. deixando suficientemente apoiada a noção de que a percepção subjetiva de esforço é menor durante a atividade física com a atenção focalizada externamente. poderá favorecer a motivação para executar as tarefas e a permanência em atividade por tempo mais prolongado. 21. 38. 15. o fato de que certos tipos de informações são mais prováveis de serem processadas do que outras e que a quantidade de informação a ser processada num dado tempo é limitada. Essas propriedades colativas provocam conflito . ainda. apresentando a possibilidade de a música poder interferir na focalização da atenção durante a atividade física. mas elas devem necessariamente competir entre si. 14. com música ambiente 7. e Mov. 48. ou esta funcionar simplesmente como fundo musical. 46. 43. A utilização de estímulos agradáveis originados externamente é viável como estratégia de dissociação das sensações induzidas pelo exercício. Parece ser crucial. Pesquisadores de diferentes áreas têm buscado respostas relacionadas aos efeitos que a música pode ter sobre a atividade física. como ela se processa. ao passado ou elementos que estão simultaneamente presentes em diferentes partes de um campo de estímulo. a música tem um papel significante no sucesso das sessões de exercícios. o benefício pode ocorrer ao favorecer o desenvolvimento de capacidades físicas como força e resistência. com base nas propriedades colativas dos estímulos. além da pesquisa de Gfeller 15. Em geral. tornando as comparações dos resultados dessas investigações muito difícil. 18. Conforme indicou Berlyne. ambíguos. 28. tanto por meio de métodos ativos (solução de problemas) quanto passivos (audição. 40. levantam a necessidade de uma ampla compreensão desse enfoque. se estruturado adequadamente. para a análise dos efeitos que a música pode ter sobre a atividade física. e para uma percepção subjetiva de esforço diminuída. por exemplo. Os estudos de Steptoe e Cox 45 e Copeland e Franks 9./dez. 17. os autores sugerem que a probabilidade da atenção ser dirigida para estímulos externos depende das características inerentes aos estímulos em si. dentre as quais pode-se citar: doença de Alzheimer ou outros tipos de demências 16. Tarefas cognitivas. pela utilização de fones de ouvidos. a literatura disponível sobre a utilização da música para beneficiar os estados psicológicos de indivíduos idosos apóia a noção de que um ambiente de atividade física com música. o esforço físico.indivíduos pacientes de hospitais ou residentes em instituições geriátricas (como por exemplo. ou quando a resposta ao exercício é devida a outros fatores que não a música. ativos e independentes. pela motivação para a atividade e da distração do desconforto que acompanha. 87-94 out. 28. essa prática de atividade física como parte importante da sua vida e obteriam resultados significativos para a manutenção de uma ótima qualidade de vida. por exemplo. pois o indivíduo não será capaz de realizar todas ao mesmo tempo. seja em situação de prática individual. bras. 4 p. esclerose múltipla 35. Isso tem efeitos motivacionais sobre o comportamento. Ao serem analisados os tipos de estimulação externa que seriam mais eficazes para tirar a atenção do indivíduo das sensações de desconforto. freqüentemente. indicadas por Berlyne e seus 90 R. Vários estudos empregaram a audição musical como uma das estratégias para afastar o foco de atenção das sensações internas provenientes do esforço físico. provenientes do trabalho físico. sendo raros os estudos envolvendo idosos saudáveis. faz referência ao emprego da música como uma excelente intervenção terapêutica para idosos que apresentam vários tipos de patologias. além de sensações visuais e auditivas. como. Ci. 17. ou contribuindo para uma atitude mental positiva. relacionando a audição musical e a percepção subjetiva de esforço. Música e atividade física para idosos A atividade física acompanhada por música ocorre com muita freqüência. 28. Em ambas as situações.incitação simultânea de respostas incompatíveis: quando um indivíduo é assoberbado por itens de informação discrepantes. 2003 . Os idosos incluiriam. 49. os estudos presentes na literatura avaliam a resistência à fadiga e a percepção subjetiva de esforço resultantes de situações envolvendo estratégias de manipulação de atenção. uma parcela significativa da população idosa (como por exemplo. 21. sejam eles pertencentes ao presente. tornando relevante a escolha da seleção musical que contribua para o prazer de estar naquele ambiente e para a motivação na prática da atividade 8. garantindo a agradabilidade. elevando o grau de incerteza sobre o objeto e que necessariamente deve ser reduzido para que seja dada a resposta. complexos. Procura-se entender. 46. Dentro desse contexto. serão processados preferencialmente aqueles estímulos que forem novos. então. acidente vascular cerebral. Tais resultados apoiaram-se no enfoque discutido por Pennebaker e Lightner 36. 29. 30. dependência física devido a fratura. Não se pode negar. conforme indicaram os estudos de Nethery et al 32 e White e Potteiger 52. 22. investigar como têm sido encaminhadas as pesquisas para fundamentar essa abordagem. 11 n. visualização). os movimentos executados pelos praticantes podem estar sincronizados com a música. o processamento de uma restringirá o da outra. De acordo com Pennebaker e Lightner 36. Embora pequena. uma variedade de modalidades de exercício tenha sido empregada. citado por Pennebaker e Lightner 36. Além disso. a audição musical apareceu como estímulo mais potente em relação ao estímulo visual. 4 colocou que essas propriedades intrínsecas do estímulo são denotadas pelo termo Colativas. 40. uma vez que todas dependem da colação ou comparação de informações de diferentes elementos do estímulo. que muitos a consideram como uma forma de prevenção contra a monotonia existente na atividade física sistematizada 7. vários estudos examinaram os efeitos da manipulação do foco de atenção sobre a duração e a percepção do trabalho físico. 49. conduzem à idéia de que um ambiente onde tanto fontes de informações internas quanto externas estão potencialmente disponíveis. entretanto. 45. Berlyne 3. E em se tratando de indivíduos idosos. os princípios gerais da percepção que governam o processamento de informações. A maioria dos estudos. seja em situação grupal.

1990. os resultados corroboraram a teoria de que. com portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica. 4. sendo este último um fator importante para o aparecimento de muitos dos benefícios psicológicos e sociais 34. e com indivíduos adultos jovens. R. No estudo de Thornby et al 47. 52. Os resultados obtidos indicaram que a percepção de esforço pode ser influenciada por fatores externos (música). um agente de relaxamento e auxiliar na memorização. que não atingiu o nível previsto. ou deveriam ocorrer. em função de atividade física aeróbia com música. Miranda 28 investigou a influência da música sobre o bem-estar subjetivo de idosos durante atividades aeróbias. Ci. As autoras discutiram a possibilidade dos resultados terem sido dependentes da intensidade do trabalho. f) a diminuição do nível de respostas fisiológicas induzido pela música lenta e menos intensa 9. Nas intervenções com os idosos é preciso considerar que ambas as variáveis. prazer e dar apoio aos objetivos propostos. Algumas dessas pesquisas estudaram a percepção de esforço de idosos portadores de doenças crônico-degenerativas em exercício realizado em esteira. d) a influência sobre os estados de ânimo 29. 28. A partir da literatura revisada. Seria necessário poder chegar a resultados semelhantes em situações mais próximas à realidade em que ocorrem. Partindo de evidências científicas existentes sobre a influência da música sobre os indivíduos e os benefícios advindos daí. 15. música desagradável e sem música. Os resultados expostos até aqui são provenientes de investigações sobre atividades físicas ocorridas predominantemente em situações individualizadas. g) a diminuição da percepção subjetiva de esforço durante a atividade física 5. que a sua presença funcionava como uma estimulação mental. seja em esteira ou em cicloergômetro. Submeteu cada um de três grupos de idosos a atividade física sob uma das seguintes condições: música agradável. dentro de laboratórios. como. h) a avaliação do ambiente como mais agradável 1. foi subestimada a capacidade de movimentação dos idosos participantes. Brasília v. os efeitos que a atividade física com música provoca sobre os indivíduos podem ser assim sumarizados: a) o desenvolvimento de capacidades físicas e de uma atitude mental positiva 7. Manifestaram.colaboradores 3. durante e/ou após os exercícios. Beckett A. porém 60% dos sujeitos relataram voluntariamente que foi prazeroso ouvir música durante o exercício. nas quais se pode exercer um maior controle sobre as variáveis. segundo as quais a audição musical seria uma estimulação mais complexa do que assistir a imagens sem som. 28. Apontaram ainda. 19. 45. Com relação à tensão. tanto de natureza positiva quanto negativa. Provavelmente./dez. podem promover alterações fisiológicas e psicológicas. somente os sujeitos do grupo controle relataram níveis menores dessa variável após o exercício. depressão. Pfister et al 37 examinaram os efeitos da música sobre a tolerância ao exercício e a percepção de esforço e de sintomas de desconforto. b) o aumento da motivação para exercitar-se 7. Miranda et al 29 propuseram um estudo para investigar as alterações dos estados de ânimo em idosos. cujas características (músicas percussivas e de ritmo forte) compensaram uma possível perda de tônus muscular esperada ao término do exercício. O programa teve como metas aumentar a consciência espacial. diminuindo significativamente os sintomas de desconforto respiratório. na seqüência e andamento planejados. reconheceram a música como um suporte positivo. sociais e de saúde. Journal of Music Therapy. c) a distração da monotonia das atividades físicas repetitivas 1. contrariando os estudos que indicam a atividade física como favorecendo a diminuição do seu nível. 27(3): 126-136. 52. Justamente para tentar avaliar os efeitos de uma intervenção com idosos em situação próxima do real. ao ter sido escolhida faixa de andamento musical insuficiente para fazê-los atingir a intensidade moderada de trabalho. promover relaxamento. Muitos idosos caracterizaram o programa com música como um “gatilho” para a incorporação da atividade física nas suas vidas. The effects of music on exercise as determined by physiological recovery heart rates and distance. Isto faz supor ter sido este um resultado decorrente da seleção musical escolhida. 45. como a música. bras. Considerações finais Frente ao que está disponível cientificamente. 4 p. 32. 45. dependendo de como forem manipuladas as diversas características de cada uma delas. no indivíduo. Ao final. atingindo um treinamento mais efetivo no seu recondicionamento. experiências subjetivas ao exercício e percepção de esforço foram obtidas antes. e Mov. promovendo a saúde. Teel e colaboradores 46 elaboraram um programa de movimento criativo com música para idosos no sentido de propiciar benefícios psicológicos. Medidas de auto-eficácia. ainda. as intervenções com indivíduos idosos: atividade física realizada em ambientes amplos e em grupo. durante atividade física. Em outro estudo. e) a diminuição do desconforto resultante do exercício 15. 28. por exemplo. 2003 91 . diminuindo as percepções internas desagradáveis. A música utilizada foi criada e desenvolvida especialmente para complementar os movimentos. possa reduzir a percepção do esforço respiratório. o equilíbrio e a amplitude dinâmica de movimento. os estudos de Thornby et al 47 e Pfister et al 37. os participantes. Referências Bibliográficas 1. percebese a complexidade que envolve a análise da atividade física com música e a sua relação com alterações em variáveis psicológicas em idosos. permitindo ao paciente exercitar-se em intensidades maiores. da percepção do seu meio interno e para guiar a interação da pessoa com o meio externo. Apesar de as diferenças entre músicas agradáveis e desagradáveis não serem efetivas. que fornecia “dicas” para orientar a execução dos movimentos. 7. 15. que isso pode ter provocado alguns dos efeitos psicológicos obtidos. a música pode desviar o foco de atenção. Há poucas investigações envolvendo idosos em atividade física com música. 11 n. mediante relatos. foi testada a hipótese de que um estímulo que distraia introduzido durante o exercício. 15. 95-110 out. Os resultados indicaram que a atividade física influenciou os níveis de raiva. vigor e tensão. 28. Os autores indicam que música e movimento são vistos como mecanismos complementares na contribuição para o aumento. música e atividade física. Não foram observadas diferenças significativas entre o exercício com e sem música.

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