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Apostila de Composicao Visual

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Uma breve apostila para leitura morfológica das imagens.
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Published by: arteduka on Oct 11, 2011
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ROTEIRO PARA ANÁLISE DE OBRAS DE ARTE I -Identificação da obra: a) Nome: b) Autor: c) Nacionalidade: d) Época de sua execução: e) Estilo ao qual

a obra pertence: f) Linguagem utilizada: g) Dimensões h) Material utilizado: II - Análise Compositiva (elementos da composição e suas significações, caso eles realmente apareçam nesta obra): *Predominam na obra imagens: ( ) Figurativas a) Tipos de linhas: b) Cor: c) Ritmo: d) Escala: e) Volume: f)Perspectiva: g)Equilíbrio: h)Simetria: i) Luz : (verifique a origem, a intensidade, a direção e se ela e técnica ou simbólica) III - Análise significativa (temas, idéias e conceitos presentes na obra): a) Tema(s): ou ( ) Não-figurativas

b )Mensagem transmitida:

Introdução ao estudo das artes visuais
1 - Conceito de arte. 2 - Linguagens artísticas. 3 - Funções básicas da arte: a) Individual: Possibilita ao autor a expressão livre de suas idéias e/ou sentimentos acerca do mundo ao seu redor. Além disso, favorece a ampliação do universo cultural do receptor e pode ajudá-lo a desenvolver ainda mais o seu senso crítico; b) Social: Colabora para que a sociedade possa rever sua forma de organização, seus valores, suas leis etc. Assim, é possível que a obra tenha ligação direta com profundas transformações sociais (não necessariamente boas para a comunidade); c) Ambiental: Essa função refere-se a duas questões: a relação homem/natureza e a relação do homem com o seu ambiente de trabalho, sua moradia etc. Implica que o indivíduo pode valer-se das artes para alterar esses ambientes de modo a torná-lo o mais adequado ao seu perfil humano. A partir dessas três funções básicas, encontraremos um grande número de outras funções "menores", isto é, ramificações dessas três grandes vertentes de aplicação. Dentre elas podemos citar as seguintes funções: entretenimento, religiosa, militar, política, ideológica, pedagógica, decorativa, crítica, humorística, erótica, filosófica entre outras. A grande questão que não podemos perder de vista é, pois, a idéia de que a única forma totalmente livre, simbólica e original de representação de nossas idéias e sentimentos se dá por meio da expressão artística, mas isso não significa que as outras áreas do conhecimento humana sejam pobres. Pelo contrário, elas chegam mesmo até a se relacionarem com o universo artístico em vários momentos, como ocorre, por exemplo, com a História. Composição Visual – Elementos A percepção plena do sentido e das significações contidas em uma obra somente ocorrerá quando nossa sensibilidade estiver apurada o suficiente para que possamos exercitar o verdadeiro ato de ver. O maior problema no que diz respeito a apreciação das obras de arte está na maneira como as observamos. Há, pois, grande diferença entre ver (apenas olhar) e observar (analisar), uma vez que nem tudo que se vê é realmente uma obra de arte. Sendo assim, como poderemos chegar à compreensão do significado de

tais obras? A partir do exercício da observação atenta dos elementos que as compõem, relacionando-os entre si e com as informações sobre as condições (históricas, pessoais, psicológicas e etc.) em que uma obra foi concebida. Para podermos compreender mais e melhor a obra artística é necessário conhecermos os seus elementos compositivos e suas respectivas simbologias mais comuns, além das diversas relações que se estabelecem entre esses mesmos elementos. De acordo com a estudiosa Donis A. Dondis (em seu livro Sintaxe da Linguagem Visual), nem todos conseguem ver uma obra realmente, ainda que consigam enxergá-la, pois ver significa algo muito além do simples contato visual.

Tema/Mensagem
Todas as obras de arte têm um tema - em alguns casos, mais de um - e quase sempre procuram expressar uma mensagem significativa. De acordo com a preocupação do artista e com a própria situação histórica na qual ele está inserido, podemos encontrar os mais diversos tipos de mensagens na produção artística de um povo. Assim, não basta apenas olhar para uma obra e dizer que "acha isso ou aquilo", pois se assim fosse, não existiria a própria mensagem do autor. Logo, não se pode perder de vista que cada obra possui um tema e sem sabermos qual é não podemos arriscar, levianamente, uma interpretação, sob a pena de perdermos o verdadeiro sentido de cada obra. A ANÁLISE DAS IMAGENS Basicamente, o ato de ver envolve uma resposta à luz. Em outras palavras, o elemento mais importante é necessário da experiência visual é de natureza tonal. Todos os outros elementos visuais nos são revelados através da luz, mas são secundários em relação ao elemento tonal, que é, de fato, a luz ou a ausência dela. O que a luz nos revela e oferece é a substância através da qual o homem configura e imagina aquilo que reconhece e identifica no meio ambiente, isto é, todos os outros elementos visuais: linha, cor, forma, direção, textura, escala, dimensão, movimento. Que elementos dominam quais manifestações visuais é algo determinado pela natureza daquilo que está sendo concebido ou, no caso da natureza, daquilo que existe. Mas quando definimos a pintura basicamente como tonal, como tendo referência de forma e, consequentemente, direção, como tendo textura e matriz, possivelmente referência de escala, e nenhuma

dimensão ou movimento, a não ser indiretamente, não estamos nem começando a definir o potencial visual da pintura. As possíveis variações de uma manifestação visual que se ajuste perfeitamente a essa descrição são literalmente infinitas. Essas variações dependem da expressão subjetiva do artista, através da ênfase em determinados elementos em detrimento de outros e da manipulação desses elementos através da opção estratégica das técnicas. É nessas opções que o artista encontra o seu significado. Vemos graças à presença ou à ausência relativa de luz, mas a luz não se irradia com uniformidade no meio ambiente, seja ela emitida pelo Sol, pela Lua ou por alguma fonte artificial. Quando observamos a tonalidade da natureza, estamos vendo a verdadeira luz, Quando falamos de tonalidade gráfica, pintura, fotografia e cinema, fazemos referência a algum tipo de pigmento, tinta ou nitrato de prata, que se usa para o tom natural. A luz circunda as coisas, é refletida por superfícies brilhantes, incide sobre objetos que têm, eles próprios, claridade ou obscuridade relativa. As variações de luz ou de tom são os meios pelos quais distinguimos oticamente a complexidade da informação visual do ambiente. Em outras palavras, vemos o que é escuro porque está próximo ou se superpõe ao claro, e vice-versa. Entre a luz e a obscuridade na natureza existem centenas de gradações tonais especificas, mas nas artes gráficas e na fotografia essas gradações são muito limitadas. 1) Luz: É o elemento básico de toda a composição, uma vez que quase todos os demais elementos, para serem percebidos, dependem dela. A quantidade de luz em uma obra pode ser indica somente pela palavra TOM associada a outra que indicada o grau de intensidade (ex: Tom forte = muita luz); 2) Ponto: O ponto é a unidade de comunicação visual mais simples e irredutivelmente mínima. Na natureza a rotundidade é a forma mais comum, sendo que, em estado natural, a reta ou o quadrado constituem uma raridade. Quando qualquer material líquido é vertido sobre um superfície, assume uma forma arredondada, mesmo que esta não simule um perfeito. Quando fazemos uma marca, seja com tinta, com uma substância dura ou com um bastão, pensamos nesse elemento visual como um ponto de referência ou um indicador de espaço. Qualquer ponto tem grande poder de atração visual sobre o olho, exista ele naturalmente ou tenha sido colocado pelo homem em resposta a um objetivo qualquer.

3) Linhas: Quando os pontos estão tão próximos entre si que se torna impossível identificálos individualmente, aumenta a sensação de direção, e cadeia de pontos se transforma em outro elemento visual distintivo: a linha. Também poderíamos definir a linha como um ponto em movimento, ou como a história do movimento de um ponto, pois, quando fazemos uma marca contínua, ou uma linha, nosso procedimento se resume a colocar um marcador de pontos sobre uma superfície e move-la segundo uma determinada trajetória, de tal forma que as marcas assim formadas se convertam em registro. As linhas também possuem grande carga expressiva, sejam elas retas, curvas, formem figuras fechadas ou abertas. A seguir veremos alguns exemplos. Linhas Retas e Curvas a) Retas Horizontais: nos dá a sensação de amplitude de espaço, levando-nos ao descanso, indicando paz e quietude; b) Retas Verticais: indica movimento, altura. É um sinal de alerta, de ação, de vida que começa, de força e de segurança; c) Retas Inclinadas (ou diagonais): demonstra vitalidade, movimento, instabilidade. d) Curvas Onduladas: movimento, ritmo, graça (posição horizontal); e) Curvas Sinuosas: movimento, leveza, sensualidade, graça, animação, alegria (posição vertical); Agora vejamos a expressividade de outros tipos de linhas. c) Retas Quebradas: força, agressividade, tensão; d) Mistas: há uma mistura de retas e curvas, as quais chegam a indicar, quase sempre, confusão, dinamismo. AS LINHAS E AS FORMAS Em qualquer desenho, as formas são representadas por meio de linhas ou manchas, podendo indicar várias coisas. Ex: a) Sentido Vertical: Ascendente ou descendente; b) Sentido Horizontal: Repouso, tranqüilidade; c) Sentido Arredondado: Suavidade; d) Sentido Angular: Dureza, peso;

e) Sentido Inclinado: Ação, movimento; f) Sentido Aberto: Variedade, dispersão. As linhas por si só também podem indicar algo. Ex: a) Linhas Retas: Calma, serenidade; b) Linhas Onduladas: Dunas, serpentes; c) Série de Linhas Curvas: Unidas em vértice, possuem certa agressividade (ex: montanhas) d) Quebrada: Linha arquitetônica; e) Onduladas paralelas: Superfície marítima ou direção dos ventos; f) Sinuosas irregulares: Representam líquidos agitados, movimentos marítimos; g) Sistemas curvos com vértice: Representam o mar, as montanhas; h) Conjunto de linhas quebradas: Representa sistemas montanhosos de grande altura, gráficos, ondas elétricas; i) Conjunto de curvas fechadas: Representa expressões de rotações, sistemas nebulosos 04) Plano: É o local ou área onde as representações visuais estão dispostas, isto é, onde o artista executa seu trabalho, utilizando as dimensões espaciais que melhor lhe convierem: bidimensionais ou tridimensionais. O plano nos dá noções de profundidade e distância, quais permitem a análise da perspectiva da imagem. 5) A Teoria das Cores: As representações monocromáticas que tão prontamente aceitamos nos meios de comunicação visual são substitutos tonais da cor, substitutos disso que na verdade é um mundo cromático, nosso universo profundamente colorido. Enquanto o tom está associado à questão da sobrevivência, sendo portanto essencial para o organismo humano, a cor tem maiores afinidades com as emoções. A cor está, de fato, impregnada de informação, e é uma das mais penetrantes experiências visuais que todos temos em comum. Constitui, portanto, uma fonte de valor inestimável para os comunicadores visuais. As cores possuem significações simbólicas diversas, as quais, geralmente, estão associadas aos sentimentos, aos diversos estados de espírito, enfim às várias sensações

humanas. O vermelho, por exemplo, significa algo, mesmo quando não tem nenhuma ligação com o ambiente. O vermelho que associamos a raiva passou também para a "bandeira (ou capa) vermelha que se agita diante do touro". Esta cor significa perigo, amor, calor e vida, e talvez mais uma centena de coisas. Assim, cada cor oferece um vocabulário enorme e de grande utilidade para o alfabetismo visual. A cor é um dos mais expressivos dos elementos da composição visual. A riqueza de significação das cores é infinita, uma vez que varia de acordo com o lugar, a época, o artista, o tema, entre outros fatores. Em uma análise mais elementar, dividimos as cores em dois grupos básicos, a saber: a) Primárias: azul, vermelho e amarelo; b) Secundárias: verde, laranjado e violeta. As cores podem ser definidas tecnicamente partindo-se de três idéias básicas, como veremos seguir: A) MATIZ OU CROMA: É a cor em si e existe em número superior a cem. Cada matiz tem características individuais, os grupos ou categorias de cores compartilham efeitos comuns. Existem três matizes primários ou elementares: amarelo, vermelho e azul. Cada um representa qualidades fundamentais. O amarelo é a cor que se aproxima mais da luz e do calor; o vermelho é a mais ativa e funcional; o azul é passivo e suave. O amarelo e o vermelho tendem a expandir-se; o azul a contrair-se. Quando são associadas a outras misturas, novos significados são obtidos. O vermelho, um matiz provocador, é abrandado ao misturar-se com o azul, e intensificado ao misturar-se com o amarelo. As mesmas mudanças são obtidas com o amarelo, que se suaviza ao se misturar com o azul. Em sua formulação mais simples, a estrutura da cor pode ser ensinada através do círculo cromático. As cores primárias (amarelo, vermelho e azul) e as cores secundárias (laranja, verde e violeta). B) SATURAÇÃO: É a pureza relativa de uma cor, do matiz ao cinza. A cor saturada é simples, quase primitiva, e foi sempre preferida pelos artistas populares e pelas crianças. Não apresenta complicações e é explícita e inequívoca; compõe-se dos matizes primários e

secundários. As cores menos saturadas levam a uma neutralidade, cromática, e até mesmo à ausência de cor, sendo sutis e repousantes. Quanto mais intensa ainda for a coloração de um objeto ou acontecimento visual, mais carregado estará de expressão e emoção. C) ANÁLISE ACROMÁTICA: É o brilho relativo, do claro ao escuro, das gradações tonais ou de valor. E preciso enfatizar que a presença ou a ausência de cor não afeta o tom, que é constante. Um televisor em cores é um excelente mecanismo para a demonstração desse fato visual. Ao acionarmos o controle da cor até que a emissão fique em branco e preto e tenhamos uma imagem monocromática, estaremos gradualmente removendo a saturação cromática. O processo não afeta em absoluto os valores tonais da imagem. Aumentar ou diminuir a saturação vem demonstrar a constância do tom, provando que a cor e o tom coexistem na percepção, sem se modificarem entre si. A imagem posterior é o fenômeno visual fisiológico que ocorre quando o olho humano esteve fixado ou concentrado em alguma informação visual. Quando essa informação, ou objeto, é substituída por um campo branco o vazio, vê-se uma imagem negativa no espaço vazio. O efeito está associado às manchas que vemos depois que nosso olho é atingido pelo clarão repentino de um flash, ou por luzes muito brilhantes. Embora esse seja um exemplo extremo, qualquer material ou tom visual provocará uma imagem posterior. Quanto à sua apresentação costumamos destacar o seu grau de intensidade, que é indicado pelo termo SATURAÇÃO. Assim, dizer que uma cor é muito saturada significa que ela está mais encorpada, isto é, mais próxima de sua ponto máximo de intensidade, o MATIZ. Todas as cores possuem um certo número de significações básicas, as quais lhes são atribuídas de acordo com a freqüência com que aparecem associadas a algumas idéias, desde o período da Idade Antiga até os nossos dias. Vejamos algumas das mais comuns: . Azul: calma, repouso, tranqüilidade, equilíbrio, afeto, espiritualidade, meditação;

. Vermelho: energia instintiva, força vital, amor físico, competição, irracionalidade, agitação; . Amarelo: riqueza, luminosidade, intelectualidade, independência, aventura; . Verde: tenacidade, resistência às mudanças, vontade de auto-afirmação, possessividade; . Alaranjado: segurança, dinamismo controlado, atividade, sociabilidade; . Cinza: falta de estímulo, passividade, apatia; . Marrom: vitalidade passiva, tendência ao bem-estar, fuga de conflitos, conservadorismo, insegurança; . Violeta: união entre a parte instintiva e a parte racional, profundidade de sentimento, fantasia, sofrimento íntimo; . Púrpura: dignidade, grande suntuosidade; . Branco: pureza, inocência, passividade, superioridade, paz; . Preto: medo, perigo, terror, tristeza, maldade, seriedade, concentração. 06 ) Volume: Indica o grau de ocupação do espaço que uma imagem tem em uma obra. Ele pode ser alterado (assim como a escala) para atender aos interesses do artista, ainda que algumas alterações possam parecer estranhas ou mesmo absurdas.

07) Textura: Indica as características físicas da superfície de um determinado ser. Ela pode ser de várias formas (lisa, rugosa, áspera, porosa etc) e para podermos percebê-la podemos utilizar o nosso TATO e/ou nossa VISÃO. A textura pode suscitar sensações diversas, desde de aconchego e amizade até medo e repugnância.

08) Primeiro e segundo planos: Indicam a posição ocupada pelas figuras em uma obra, se mais próxima ao observador (primeiro plano) ou mais distante (segundo plano). Porém, é muito importante não esquecermos que a posição nem sempre é referência utilizada pelos artistas para realçar ou dar destaque a uma parte da imagem, embora isso também seja

feito com freqüência por muitos deles. 09) Escala: Indica o tamanho de uma imagem em uma obra. Essa imagem pode ser direta ou inversamente proporcional ao real, o que dará sentidos diferentes de acordo com o interesse do artista;

10) Espaço positivo e espaço negativo: São definidos de acordo com o grau de destaque dentro de uma determinada imagem em uma obra. Quando temos algo que chama mais a atenção em um primeiro momento (seja pela cor, pelo brilho, pelo tamanho, pela posição etc) dizemos que ela ocupa um espaço positivo. Caso contrário, temos o espaço negativo. IMPORTANTE: nem sempre aquilo que se encontra no espaço positivo é o mais importante em termos significativos em uma composição; 11) Ritmo: Indica a sucessão regular e cadenciada de uma ou mais imagens em uma obra. Tipos: a) Repetição: 222222222; b) Alternância: 121212121212; c) Gradação (crescente ou decrescente): 54321; d) Simetria: Aparece em todas as direções de forma igual e simétrica (ex: os raios da roda de uma bicicleta); 12) Equilíbrio: Indica o tipo de divisão de peso das imagens e/ou partes de uma obra (nota: não se prenda ao número de figuras na obra, mas sim ao espaço ocupado por elas em conjunto). Pode ser de dois tipos: a) Simétrico (perfeito ou total):

b) Assimétrico (imperfeito ou parcial)

13) Simetria: Depende sempre da ocorrência do equilíbrio perfeito e refere-se ao posicionamento das partes de uma obra em relação ao seu centro geométrico. Não indica o peso, mas sim o tipo de arranjo das imagens (por isso, não confunda com equilíbrio). Como podemos notar, a simetria ocorre em situações cujo equilíbrio é perfeito. Ela indica, portanto, o tipo de arranjo (posicionamento em relação ao centro geométrico) entre as figuras em cada obra, que também pode ser exato (radial) ou inexato (axial). a) Radial (perfeita):

b) Axial (imperfeita):

14) Ritmo: Entendemos como ritmo a sucessão regular de elementos, de formas, de objetos, de cores, de movimentos que se repetem constantemente, em movimentos crescentes, decrescentes, alternados ou radiais. Os andamentos fundamentais do ritmo são:

a) Repetição: É a insistência de um elemento que vem repetido sempre com o mesmo motivo; b) Alternância: É constituído de dois ou elementos que se alternam, tomando um andamento constante; c) Simetria: Apresenta-se quando dividimos lago em duas partes iguais; d) Progressão: É o avanço regular e programado de vários elementos. 15) Perspectiva: É a arte de representar sobre uma superfície plana os objetos conforme eles se apresentam diante dos nossos olhos e na sua forma real. Com isso, é possível fazer com que qualquer coisa pareça maior o menor do que realmente é, ou simplesmente reproduzi-la de maneira proporcional ao seu tamanho real. Logo, na perspectiva as imagens mais próximas aparecem mais claramente e com maior riqueza de detalhes. A perspectiva pode ser percebida de vários pontos de vista, seja a partir do centro - com o observador posicionado no mesmo plano da linha do horizonte - do alto, de baixo, entre outras. Entretanto, poderemos notar que em todos os casos encontraremos o que convencionou-se chamar de ponto de fuga - que é o ponto imaginário do horizonte para onde as linhas paralelas parecem convergir quando vistas em perspectiva - e ele é o responsável pela organização das imagens em uma perspectiva, pois elas encontram-se ou partem - dele. 16) Contorno: É a parte que envolve as imagens e pode ser positivo, quando for branco ou de cor mais clara, ou negativo, quando for negro ou de uma cor bastante escura. 17) Massa e volume: Todas as obras das artes plásticas possuem uma composição bastante específica, apesar dos artistas utilizarem muitas vezes as mesmas técnicas de composição. Dessa forma, veremos que, independentemente do tipo da pintura, por exemplo, todos os pintores trabalham com os mesmos elementos compositivos, mudando apenas a maneira de adotá-los. Logo, em todos os trabalhos a presença dos conceitos de massa e volume é perceptível, pois cada figura possui uma certa massa (o que nos lembra a idéia do peso) e ocupa, é claro, uma parte do espaço (e aí nós percebemos a noção de volume).

18) Textura: É o elemento visual que com freqüência serve de substituto para as qualidades de outro sentido, o tato. Na verdade, porém, podemos apreciar e reconhecer a textura tanto através do tato quanto da visão, ou ainda mediante uma combinação de ambos. É possível que uma textura não apresente qualidades táteis, mas apenas óticas, como no caso das linhas de uma página impressa, dos padrões de um determinado tecido ou dos traços superpostos de um esboço. Onde há uma textura real, as qualidades táteis e óticas coexistem, mas não como tom e cor (que são unificados em um valor comparável e uniforme), mas de uma forma única e específica, que permite à mão e ao olho uma sensação individual, ainda que projetemos sobre ambos um forte significado associativo. A textura relaciona-se com a composição de uma substância através de variações mínimas na superfície material. 19) Escala: Todos os elementos visuais são capazes de se modificar e de se definir uns aos outros. O processo constitui, em si, o elemento daquilo que chamamos de escala. Em outras palavras, o grande não pode existir sem o pequeno. Porém, mesmo quando se estabelece o grande através do pequeno, a escala toda pode ser modificada pela introdução de outra modificação visual. A escala pode ser estabelecida não só através do tamanho relativo das pistas visuais, mas também através das relações com o campo ou com o ambiente. Dessa forma, aprender a relacionar o tamanho com o objetivo e o significado é essencial na estruturação da mensagem visual. O controle da escala pode fazer uma sala grande parecer pequena e aconchegante, e uma sala pequena, aberta e arejada. Esse efeito se estende a toda manipulação do espaço, por mais ilusório que possa ser.

Sensibilidade e senso crítico

Para finalizar essa nossa visão panorâmica sobre composição visual é interessante destacar duas condições necessárias para uma apreciação mais sensível de uma obra de arte. Em primeiro lugar, precisamos analisar cada obra individualmente, distanciandoa de outras obras e/ou objetos. O espaço que isola cada obra é tecnicamente conhecido como campo de ressonância, isto é, a área que permite a manutenção da singularidade

da obra, evitando interferências. Em segundo lugar, precisamos ter em mente que os elementos aqui estudados não podem ser analisados isoladamente, pois é da relação entre eles que nasce a mensagem passada pelo artista. Outra coisa que precisamos ter clara em nossa mente é que a arte não é como um mero objeto funcional, ou seja, que traz muitas vezes um manual de explicações técnicas. Na verdade, cada obra possui suas especificidades, com idéias e sentimentos ocultos, e a descoberta de cada um deles (com a ajuda das orientações dadas aqui) depende de uma análise mais atenta, além é claro, de uma estudo mais apurado sobre a história da arte. Dentro desta perspectiva, tente agora fazer exercícios de leitura da sintaxe visual de modo freqüente, pois só com a prática é que podemos aguçar nossos sentidos e aprimorar nosso senso crítico. Para julgar é preciso conhecer, e para conhecer é preciso estar atento às características de cada obra, além de “interagir” com ela. Lembre-se: mais que um mero enfeite ou passatempo, cada obra de arte é a expressão da sensibilidade de um ser humano para outro ser humano, isto é, do autor para você. Assim, procure valorizar as sensações e os conceitos contidos nela, pois isso poderá ajudá-lo em seu desenvolvimento pessoal, tanto afetivo quanto cultural.

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