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DIÁRIO DA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE (Suplemento "C") Destaque nº 1665, requerido pelo Constituinte Délio Braz. Retirado. Destaque nº 3186-87 – Emenda nº ES-34476-5, do Sr. José Lins "que suprime o § 1º, do art. 30, do Substitutivo nº 1 (art. 19, § 1º, do Substitutivo nº 2)". (208ª votação) O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Destaque nº 3186, requerido pelo Constituinte José Lins. É um destaque supressivo do parágrafo. Concorda V. Ex.a Constituinte José Lins? O SR. CONSTITUINTE JOSÉ LINS: – Concordo, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – V. Ex.a tem a palavra. O SR. CONSTITUINTE JOSÉ LINS: – Sr. Presidente, Srs. Constituintes, o § 1º do art. 19 está assim redigido: "É assegurada aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, nos termos da lei, participação no resultado da exploração econômica e do aproveitamento de todos os recursos naturais, em seus territórios, bem como da plataforma continental e do mar territorial, respectivos." Ora, Sr. Presidente, isto significa que o Estado será sócio de todos os empreendimentos que digam respeito à exploração de riquezas de qualquer natureza em seus territórios. Assim, aquele pequeno industrial que queira estruturar uma fábrica de tijolo, uma fábrica de telha ou que queira colher palha de carnaúba, babaçu ou qualquer outra riqueza natural do seu Estado, ele terá como sócio também o Estado. E, nestas condições ele terá um sócio que será, ao mesmo tempo, lançador de impostos sobre sua atividade. Ocorre, Sr. Presidente, que o artigo não abrange apenas as riquezas minerais, é inteiramente geral, diz respeito a todas as atividades extrativas ou industriais que beneficiem recursos do Estado. O de que o Estado necessita, na realidade, é incentivar o desenvolvimento da iniciativa privada, criar riquezas, explorar suas riquezas dentro de uma norma legal, que incentive a produção, para que aumentem os benefícios, não só do Estado, através dos impostos, como também do povo, através de novos bens que devem ser produzidos ou adquiridos. A riqueza vem pela produção e pelos impostos; é impossível admitir que o Estado seja sócio, seja proprietário de uma parte de todo empreendimento, que tenha parte na exploração de todo e qualquer bem do seu território. O parágrafo em questão significa a completa estatização de toda e qualquer atividade que venha a se desenvolver dentro do seu território. Não é só isso. Como eu disse, o Estado passa a ser co-participante nesse empreendimento, passa a ser sócio do empreendimento e ainda passa a ser, ao mesmo tempo, um sócio que cobra imposto da sua própria empresa. Ora, Sr. Presidente, o que se deseja, certamente, são os royalties que a Petrobrás pagará sobre o petróleo que extrair em determinados territórios, ou sobre o gás natural que explorar na costa da Bahia ou do Rio de Janeiro. Isso nada tem a ver com o texto do parágrafo. Este é um caso especial que foi objeto de uma lei própria para isso, ao passo que o parágrafo, tal como está redigido, estatizará todas as atividades extrativas ou exploratórias que se realizem dentro do território. Sr. Presidente, na realidade esse parágrafo está assim redigido por engano, e é impossível que nós, em sã consciência, o aprovemos. Proponho, Sr. Presidente, a retirada pura, única e exclusiva, do texto da Constituição deste parágrafo, que é nocivo a toda a iniciativa privada, que é o que o Estado, hoje, deve e procura incentivar.

O SR. CONSTITUINTE ISRAEL PINHEIRO: – A respeito do destaque do nobre Constituinte Brandão Monteiro, comunico, para facilitar os nossos trabalhos, que a emenda do nobre Constituinte já está incluída pelo Relator no seu Substitutivo, no art. 255. Queria chamar a atenção do nobre Constituinte Brandão Monteiro – art. 255, § 4º, que diz: "A Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal e a Zona Costeira são patrimônio nacional e sua utilização,..." É para ganharmos tempo, e comunico ao ilustre Constituinte que a sua emenda já está contemplada no texto original do Relator Bernardo Cabral. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Se V. Ex.a permanecer com a idéia de defendê-lo, peço se inscreva para falar. O SR. CONSTITUINTE ISRAEL PINHEIRO: – Não estou contra nem a favor. Estou querendo ajudar. O SR. CONSTITUINTE BRANDÃO MONTEIRO: – Senador Jarbas Passarinho, Presidente da Comissão de Sistematização, na verdade, o ilustre Constituinte Israel Pinheiro tem razão. A nossa preocupação era exatamente a preservação, como bem da União, do Pantanal MatoGrossense, da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. Considero-me perfeitamente gratificado com a inclusão pelo Relator Bernardo Cabral, e no momento, evidentemente, desisto do meu destaque. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Peço a V. Ex.a que venha à Mesa, Constituinte Brandão Monteiro. Peço à assistência alguns minutos. Suspendo a reunião por 5 minutos, enquanto consulto os Líderes. (Suspensa às 15 horas e 22 minutos a reunião é reaberta às 15 horas e 26 minutos) O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Está reaberta a reunião. Devo uma informação à Casa: houve solicitações para que suspendêssemos os trabalhos, hoje, às 17 horas, para que os Constituintes pudessem levar cumprimentos aos Ministros, sobretudo os egressos desta Casa do Congresso. Porém, essa medida não foi acolhida, e por uma razão muito simples. É que a posse dos Srs. Ministros foi transferida para amanhã pela manhã. Então, de acordo com as Lideranças, unanimemente decidiu-se fazer a reunião amanhã, até às 11 horas; às 11 horas suspendê-la e recomeçar a partir do momento do retorno dos Srs. Constituintes ao Plenário. Como amanhã haverá duas reuniões normais, a da tarde, ao invés de com eçar às 15 horas, começará às 14 horas. Na segunda-feira, que é dia 28, Dia do Funcionário Público, vamos realizar a nossa reunião normal de segunda-feira, e também teremos a reunião de sábado. Passamos ao art. 19, § 1º: "É assegurada aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, nos termos da lei, participação no resultado da exploração econômica e do aproveitamento de todos os recursos naturais, em seus territórios, bem como da plataforma continental e do mar territorial, respectivos." A Presidência está tentando orientar a votação. Se os atletas vocais não deixarem, automaticamente, os microfones serão pouco ouvidos. Destaque nº 1448, requerido pelo Constituinte Arnaldo Prieto. S. Ex. a está presente? S. Ex. a retira o destaque.

DIÁRIO DA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE (Suplemento "C") O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Para encaminhar contra, a palavra está com o Constituinte Ademir Andrade. O SR. CONSTITUINTE ADEMIR ANDRADE: – Sr. Presidente, em primeiro lugar, congratulo-me com o Relator Bernardo Cabral, que, num grande esforço e atendendo praticamente ao interesse de quase todos os Parlamentares desta Casa, conseguiu compor este parágrafo do art. 19, que resguarda o direito dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, sobre a exploração dos seus recursos minerais. Estou inscrito, também, para manifestar-me contra as propostas que virão em seguida, as propostas dos Constituintes Prisco Viana e José Serra, e reservo as minhas argumentações para colocar-me contra a proposta de S. Ex. as, que são substitutivas do texto atual. Tenho certeza de que a proposta do Constituinte José Lins será fragorosamente derrotada nesta comissão, e não cabe, portanto, que percamos tempo no encaminhamento contra. Até apelaria, para que ganhássemos tempo nesta comissão, que o Constituinte José Lins retirasse a sua proposta, porque, se S. Ex.ª tem a preocupação com a iniciativa privada, há toda uma preocupação generalizada desta Casa em defender os interesses dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É esta a nossa manifestação, Sr. Presidente. O SR. CONSTITUINTE JORGE HAGE: – Peço a palavra, pela ordem, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Tem a palavra V. Ex.ª, pela ordem. O SR. CONSTITUINTE JORGE HAGE: – Sr. Presidente, o destaque ora em exame refere-se à Emenda nº 34476. Correto? O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Exato. O SR. CONSTITUINTE JORGE HAGE: – A Emenda nº 34476 tem o seguinte teor: "Suprima-se o § 1.o do art. 30". § 1º do art. 30 do Substitutivo 1 não tem o texto do atual § 1º do art. 19, é outra coisa. Talvez a intenção fosse referir-se ao então § 2º do art. 30, mas a emenda refere-se ao § 1º do art. 30, que já não existe no texto do Substitutivo nº 2. Portanto, o destaque, na verdade, está prejudicado, ele não existe. Ele pretende suprimir o que o nobre Relator já suprimiu. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Antes de dar solução à questão de ordem, consulto o Constituinte José Lins. A emenda a que V. Ex.ª se refere, nobre Constituinte, é a de nº 344765. O SR. CONSTITUINTE JOSÉ LINS: – Sr. Presidente, estou convencido de que o parágrafo é absolutamente estatizante, já me disseram que não vai ser aplicado. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Não estou entrando no mérito, peço a V. Ex.ª que me ouça primeiro. É questão de metodologia, não de mérito. V. Ex.ª se refere ao § 1º do art. 30. Embora não tenha dito que é o Substitutivo nº 1, não existe o § 1º, arábico, no art. 30. O parágrafo II, romano, do art. 30 é completamente diferente. O SR. CONSTITUINTE JOSÉ LINS: – Sr. Presidente, desculpe-me V. Ex.ª. O destaque existe, foi classificado pela Mesa nessa posição e se refere exatamente a este texto do artigo. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – V. Ex.ª poderia repetir, porque eu estava verificando o número do artigo. O SR. CONSTITUINTE JOSÉ LINS: – O destaque foi feito, como V. Ex.ª sabe, por mim, foi classificado pela Mesa como referindo-se ao § 1º do art. 19, e está absolutamente colocado em posição correta, segundo o meu ponto de vista. Como o parágrafo é nocivo, voto pela supressão.

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O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Apenas há a dúvida, Constituinte José Lins, subseqüente à maneira pela qual V. Ex.ª apresentou o destaque. V. Ex.ª fez uma emenda que pode ser referente ao Projeto Zero e ao Projeto Um e, em nenhum deles a assistência da Mesa encontrou o parágrafo a que V. Ex.ª se refere. É este o problema... O SR. CONSTITUINTE JOSÉ LINS: – Agora, Sr. Presidente, pergunto a V. Ex.ª: com que capacidade paranormal a Mesa acertou exatamente, em colocá-lo para ser discutido, neste momento? O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Convoco uma reunião à meia-noite e decido isto com V. Ex.ª; já que a capacidade da Mesa foi paranormal, à meia-noite discutiremos. Peço a V. Ex.ª que tenha generosidade no caso, porque houve aqui um duplo problema. Um, quando o Constituinte apresentou a emenda, e assiste razão a V. Ex.ª inteiramente, porque, como está referida, a emenda não existe no substitutivo que procuramos; mas a Mesa classificou como sendo compatível com o § 1º do art. 19. S. Ex.ª fez a defesa, porque cons idera o parágrafo estatizante, e temos oradores inscritos para combater; já tivemos o primeiro, Constituinte Ademir Andrade, e agora o Constituinte Pimenta da Veiga. Peço a V. Ex.ª que concorde em que prossigamos. Tem a palavra o nobre Constituinte Pimenta da Veiga. O SR. CONSTITUINTE PIMENTA DA VEIGA: – Sr. Presidente, antes de iniciar a minha fala, gostaria de consultar a Mesa numa questão de ordem: se votada e rejeitada esta emenda supressiva, todas as demais que procuram suprimir este parágrafo estarão prejudicados? O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – É o que compreendo. Ficam prejudicadas. O SR. CONSTITUINTE PIMENTA DA VEIGA: – Sr. Presidente, Srs. Constituintes, ouvi com atenção a exposição, a defesa do nobre Constituinte José Lins, a sua proposta de suprimir não o artigo indicado originalmente em seu destaque, mas, ao contrário, o § 2º do art. 30, que foi reproduzido no Substitutivo nº 2, que é o seguinte: "É assegurada aos Estados, Distrito Federal e Municípios, nos termos da lei, participação nos resultados da exploração econômica e do aproveitamento de todos os recursos naturais, renovados ou não, bem assim os recursos minerais em seu território." Apesar de ter ouvido o Constituinte José Lins com toda atenção, não pude compreender a defesa que fez de sua emenda, pois diz S. Ex.ª que este dispositivo seria inibidor da atividade privada. Não socorre razão ao Constituinte José Lins. O que se pretende apenas é proteger o interesse do Município e do Estado contra uma injusta espoliação que ocorre hoje, quando suas riquezas são retiradas, não ficando ao Estado e ao Município pouco mais do que nada. Na verdade, o que acontece em muitos Estados brasileiros, e no meu Estado, Minas Gerais, é uma situação de absoluta injustiça; as riquezas do Estado são há muito tempo espoliadas e o que fica não cobre sequer os estragos que são produzidos pela atividade extrativa. Não é apenas essa a situação de Minas Gerais, mas é de grande interesse a manutenção de texto do relator, pois garante o direito, além de Minas Gerais, do Pará, do Maranhão, de Goiás, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul, especialmente dos Estados produtores de petróleo, a Bahia, o Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, para não dizer daqueles que têm grandes extensões alagadas por u sinas hidrelétricas, como o Paraná e novamente Minas Gerais.

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DIARIO DA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE (Suplemento "C") O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – A Mesa vai proclamar o resultado: votaram SIM 5 Constituintes; votaram NÃO 85 Constituintes. Total: 90 votos. O Destaque foi rejeitado. Vou anunciar os destaques que, por analogia, estão automaticamente prejudicados: Destaque nº 4015, do Constituinte Alísio Campos que seria também supressivo. Prejudicado duas vezes, inclusive pela ausência. Destaque nº 4261, do Constituinte Lúcio Alcântara, que era no mesmo sentido do já rejeitado. Destaque nº 5975, requerido pelo Constituinte Darcy Pozza, também rejeitado. (Pausa) Peço a atenção da Casa, especialmente do Ministro Prisco Viana. S. Ex.ª tem um destaque apresentado. Ainda há pouco, quando o Deputado Pimenta da Veiga perguntou-me se todas as supressões idênticas àquelas propostas, na medida em que o destaque foi rejeitado, estariam prejudicadas, eu respondi afirmativam ente. É esse o meu entendimento. O destaque do eminente Ministro Prisco Viana é referente à Emenda nº 26092-8. O SR. CONSTITUINTE PRISCO VIANA: – Eu retiro, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – S. Ex.ª desiste do destaque. O SR. CONSTITUINTE OSWALDO LIMA FILHO: – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Tem a palavra, pela ordem, o nobre Constituinte Oswaldo Lima Filho. O SR. CONSTITUINTE OSWALDO LIMA FILHO: – Sr. Presidente, há o Destaque nº 1863-87, de minha autoria, sobre a Emenda Substitutiva nº 33640-1, também de minha autoria; essa emenda não foi votada nesse destaque. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – É porque, por enquanto, estávamos votando só as supressivas e aquelas que foram consideradas prejudicadas, por supressivas serem. Sobre a mesa, requerimento de preferência, assinado pelo nobre Constituinte Prisco Viana. S. Ex.ª requer preferência para o Destaque nº 3367, referente à Emenda nº 26093, de sua autoria. É uma emenda modificativa. O SR. CONSTITUINTE PRISCO VIANA: – Sr. Presidente, pela ordem. Pergunto a V. Ex.ª se, regimentalmente, cabe requerer neste instante transformar a emenda de modificativa para aditiva de expressões, na forma de precedentes já registrados em nossos trabalhos. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Essa classificação, naturalmente, dependeu de um trabalho técnico de Assessoria. Peço um minuto a V. Ex.ª para ler o texto e lhe dar a resposta. (Pausa) Entendo nobre Constituinte Prisco Viana, que V. Ex.ª propõe é uma metodologia de como se fazer a distribuição de recursos, conseqüentemente eu a entendo como aditiva. O SR. CONSTITUINTE PRISCO VIANA: – Agradeço a V. Ex.ª. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – O requerimento está em votação. Os Srs. Cons tituintes que estão de acordo permaneçam sentados. (Pausa) Aprovado o requerimento.

Não é possível suprimir esses dispositivos porque, se os suprimíssemos, estaríamos permitindo que continuasse acontecendo, por exemplo, o que acontece no Município mineiro de Nova Lima, um grande produtor de ouro. Existe lá uma grande empresa mineradora, que traz para o Município grandes problemas urbanos e incontornáveis problemas sociais. No entanto, o que fica para o Município, em virtude dessa exploração – pasmem, Srs. Constituintes – é apenas 20%, ou seja, 1/20 de 1%, quantia absolutamente insuficiente para atender apenas aos problemas sociais e urbanos gerados por essa exploração, sem falar na exaustão de suas enormes riquezas minerais irrecuperáveis, porque não-renováveis. Por estas razões, defendemos, com ênfase, a manutenção do texto do relator, votando contra a emenda do Constituinte José Lins. (Palmas) O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Tem a palavra o nobre Relator Adolfo Oliveira. O SR. RELATOR (Adolfo Oliveira): – Sr. Presidente e Srs. Constituintes, apenas para lembrar ao Plenário da Comissão de Sistematização, quero dizer do rigor e da correção do texto do § 1º, que se pretende suprimir: "É assegurada aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, nos termos da lei, participação no resultado da exploração econômica e do aproveitamento de todos os recursos naturais, em seus territórios, bem como da plataforma continental e do mar territorial, respectivos." Este é o dispositivo do royalty do petróleo e da participação dos Estados e Municípios na exploração das riquezas minerais existentes nos seus territórios. O eminente Constituinte Pimenta da Veiga colocou com absoluta propriedade as razões que determinaram a compreensão manifestada pelo relator, quando redigiu esse parágrafo; portanto, a relatoria tem confiança em que será mantido o texto e será rejeitada a emenda de autoria do eminente Constituinte José Lins. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Em votação. (Procede-se à votação) Votaram SIM os seguintes Senhores Constituintes: Theodoro Mendes, Délio Braz, Edme Tavares, José Lins, Darcy Pozza. Votaram NÃO os Senhores Constituintes: Abigail Feitosa, Ademir Andrade, Almir Gabriel, Antônio Britto, Artur da Távola, Bernardo Cabral, Celso Dourado, Cid Carvalho, Egídio Ferreira Lima, Fernando Bezerra Coelho, Francisco Pinto, Haroldo Sabóia, João Calmon, João Herrmann Neto, José Fogaça, José Paulo Bisol, José Richa, José Ulisses de Oliveira, Manoel Moreira, Nelson Jobim, Nelton Friedrich, Nilson Gibson, Oswaldo Lima Filho, Paulo Ramos, Pimenta da Veiga, Rodrigues Palma, Severo Gomes, Sigmaringa Seixas, Virgildásio de Senna, Wilson Martins, Roberto Brant, José Carlos Grecco, Marcos Lima, Aécio Neves, José Tavares, Antonio Mariz, Michel Temer, Israel Pinheiro, Miro Teixeira, Nelson Wedekin, Vilson Souza, Daso Coimbra, Vicente Bogo, Octávio Elísio, Ziza Valadares, Euclides Scalco, Alceni Guerra, Aloysio Chaves, Arnaldo Prieto, Christóvam Chiaradia, Eraldo Tinoco, Francisco Benjamim, Inocêncio Oliveira, José Santana de Vasconcellos, José Thomaz Nonô, Luís Eduardo, Mário Assad, Oscar Corrêa, Osvaldo Coelho, Ricardo Fiúza, Sandra Cavalcanti, Enoc Vieira, José Tinoco, Paes Landim, Jonas Pinheiro, Simão Sessim, Valmir Campelo, Antônio Carlos Konder Reis, Gerson Peres, Jarbas Passarinho, José Luiz Maia, Virgílio Távora, José Maurício, Lysâneas Maciel, Luiz Salomão, Francisco Rossi, Gastone Righi, Ottomar Pinto, Plínio Arruda Sampaio, José Genoíno, Adolfo Oliveira, Aldo Arantes, Roberto Freire, Jamil Haddad e Antonio Farias.

DIÁRIO DA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE (Suplemento "C") Destaque nº 003367-87 – Emenda nº ES-26093-6, do Sr. Prisco Viana, "que modifica o § 1º, do art. 30, do Substitutivo nº 1 (art. 19, § 1º, do Substitutivo nº 2)" (209ª votação) O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Passaremos à votação do destaque. Tem a palavra S. Ex.ª o Constituinte Prisco Viana. O SR. CONSTITUINTE PRISCO VIANA: – Sr. Presidente e Srs. Constituintes, dirijo-me preliminarmente a V. Ex.ª, Sr. Presidente, para expor o seguinte: O texto do substitutivo que estamos votando, referente ao § 1º do art. 19, diz o seguinte: "É assegurada aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, nos termos da lei, participação no resultado da exploração econômica e do aproveitamento de todos os recursos naturais, em seus territórios, bem como da plataforma continental e do mar territorial, respectivos." A emenda, que pretendia fosse substitutiva, estabelece, além de explorar sobre a forma e as condições de participação dos Estados, Distrito Federal, Territórios, Municípios e órgãos da administração direta da União, os resultados da exploração econômica e do aproveitamento dos recursos naturais, renováveis ou não, da plataforma continental do mar territorial e do subsolo. O que venho propor a V. Ex.ª é que a votação se faça para aduzir-se ao texto do substitutivo, que acabei de ler as seguintes expressões: "e órgãos da administração direta da União." Explico, Sr. Presidente: primeiro, o interesse de que conste do texto constitucional esse dispositivo. Votei aqui, no Congresso Nacional, pelo menos quatro projetos de lei tratando de regulamentação da indenização aos Estados e Municípios produtores de petróleo, na forma de royalty. O Executivo, por três vezes, vetou esta proposta por inconstitucional. De fato, a Constituição em vigor deixa dúvidas quanto a esse direito dos Estados e Municípios. O que se quer, agora, é deixar bastante claro, bem definido, que esses Estados que pagam um alto preço pela exploração de petróleo, em seus territórios, tenham esta indenização. A lei atualmente em vigor, sancionada pelo Excelentíssimo Senhor Presidente José Sarney, em fins do ano de 1985, estabelece a participação dos Estados, dos Municípios e da Marinha de Guerra do Brasil. O que pretendo com esta emenda é preservar a participação da Marinha de Guerra nesse processo. É que a Marinha de Guerra do Brasil tem todo um programa de reaparelhamento sustentado pelos recursos provenientes dos royalties. Se não fizermos a inserção dessas expressões, amanhã, o legislador não encontrará amparo constitucional para manter a situação hoje vigente, de p articipação da Marinha de Guerra nesses programas. É bom se diga que é necessário manter essa participação porque, na medida em que se expande o esforço nacional de .exploração de petróleo no mar, a Marinha tem mais e maiores encargos na sua atuação ali. H oje, a Marinha executa grandes programas de apoio à Petrobrás, sobretudo no campo da pesquisa e do próprio apoio logístico para exploração do petróleo no mar. Portanto, o que venho pedir, neste instante, aos Srs. Constituintes da Comissão de Sistematização é que aprovem a inserção desta expressão no texto do substitutivo: "e órgãos da administração direta da União", por quem estaremos mantendo a situação que hoje tem a Marinha e garantindo a continuidade dos seus programas de reaparelhamento naval, técnico e cientifico.

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Sr. Presidente, meus Colegas da Comissão de Sistematização, quero valer-me destes poucos minutos que tenho, talvez até contrariando o dispositivo regimental, para prestar uma informação a esta comissão e, por seu intermédio, à Assembléia Nacional Constituinte, à Câmara e ao Senado, dizendo que acabo de ser honrado pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República com o convite para exercer função de ministro, ocupando o Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, que haverá de ter, daqui a pouco, outra nomenclatura, em função das transformações que o Governo está operando, nesta hora, na estrutura administrativa. Quero dar esta informação para acrescentar-lhes uma declaração: estou nesta Casa desde 1971, quando assumi o primeiro mandato legislativo de Deputado Federal. Portanto, sou, ao longo desses anos, forçasamente e por vocação, prazerosa e orgulhosamente, um homem do Congresso Nacional, e dele vou sair. Estou me licenciando hoje para assumir esse cargo como homem do Congresso Nacional, mas, sobretudo, como um político. (Palmas). Tenho posição política e partidária, mas quero declarar que exercerei esta função como desafiadora experiência no campo administrativo, para quem exerceu, por mais de 15 anos, a função legislativa, convencido de que aquilo que de bom levar para aquele ministério a adquiriu nesta Casa, na convivência com os colegas e no trabalho legislativo. Sai desta Casa um deputado para ser um deputadoministro, que atuará fiel ao seu partido, fiel ao Governo, mas fidelíssimo ao Congresso Nacional e aos seus colegas deputados e senadores. Muito obrigado. (Palmas) O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – S. Ex.ª acaba de encaminhar em favor do seu destaque. O Regimento da Casa, assim como o Regimento das duas Casas do Congresso Nacional é omisso em relação à palavra de assunção de ministro de Estado no momento em que se despede. Por isso, foram dados a S. Ex.ª mais três minutos do que o tempo natural. Mas, pelos aplausos recebidos, penso que a Mesa está absolvida do espaço de tempo que deu, (Palmas) Para encaminhar contra, tem a palavra o Constituinte Ademir Andrade. O SR. CONSTITUINTE ADEMIR ANDRADE: – Sr. Presidente, desisto da palavra. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Para encaminhar contra, tem a palavra o Constituinte José Serra. O SR. CONSTITUINTE JOSÉ SERRA: – Sr. Presidente, Srs. Constituintes: Quero, de maneira muito breve, apresentar a minha justificativa para encaminhar contra a proposta do Constituinte Prisco Viana e dizer que lamento este fato, uma vez que preferiria, hoje, aqui, apoiar uma proposta e uma emenda desse Constituinte que hoje deixa esta Casa. Antes de apresentar as minhas razões, quero advertir que, a meu var, a emenda do Constituinte Prisco Viana, com os aditivos que faz ao texto atual, é melhor, aperfeiçoa o texto atual. A minha oposição, portanto, não é propriamente à emenda do Constituinte; a minha oposição é ao § 1º, ao que ele tem de essencial e que, se aprovado, prejudicará a minha emenda, que deveria ser colocada em votação logo em seguida. E explico o porquê. Na minha emenda fica assegurada a participação dos Estados, Municípios e órgãos da União, exclusivamente, nos recursos de petróleo e de gás natural, não se permitindo a amplitude que é dada no atual parágrafo único do art. 19. Creio que este é o primeiro e bastante sério problema: estamos incluindo com este parágrafo na Constitui-

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DIÁRIO DA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE (Suplemento "C") Estados do País, não há nem petróleo nem gás. De modo que essa emenda que o Constituinte José Serra defende como substitutiva da que está ora em exame divide o Brasil. Quem tem petróleo e gás poderá ter participação. Quem não tem, mas tem outras terras inundadas, problemas de eletricidade, como o Paraná, por exemplo, deixa de ter esse direito. A emenda que se vai aprovar, já que essa é a manifestação do Plenário, essa emenda não distingue, inclui o petróleo e o gás, mas não exclui nenhum outro recurso mineral. Uma emenda para o Brasil, e não para os Estados q ue têm petróleo e gás. E eu falo isso como um dos que mais trabalharam pela votação do texto hoje em vigor, que assegura royalties para petróleo e gás, tendo sido inclusive o autor do projeto, que resultou, não só do meu trabalho, mas do trabalho conjugado de todas as Bancadas. E, hoje, estende-se, com maiores benefícios, por numerosos Estados do País, não só pelo Rio de Janeiro, mas pelo Espírito Santo, pela Bahia, por Sergipe, por Alagoas, por Pernambuco, pelo Rio Grande do Norte, pelo Ceará. E Deus permita que se espalhe por todos os Estados do País. A presença da Marinha foi indispensável para a aprovação da lei em vigor. Sem ela, sem a sua presença, pelo trabalho que ela realiza, pela fiscalização das plataformas do petróleo, pela segurança dessas plataformas, o texto ou a emenda agora defendida pelo Constituinte Prisco Viana merece o aplauso e o apoio desta Casa. A minha intervenção foi para explicitar que a emenda defendida pelo nobre Constituinte José Serra divide o Brasil, e esta é uma emenda que une o Brasil: onde houver recursos minerais, seja petróleo ou não, haverá aí recursos. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Com a palavra o Relator-Geral. O SR. RELATOR (Bernardo Cabral): – Sr. Presidente, Srs. Constituintes, a Emenda Prisco Viana corrige um lapso da relatoria. No entanto, não fosse S. Ex.ª ter dado à Mesa a redação completa que agora deu, no sentido de garantir o texto do Substitutivo nº 2, pois no texto diz: é assegurada aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, no termo da lei, a participação, já se assegura desde logo. A emenda diz: a lei disporá sobre a forma e condições de participação. O Constituinte Prisco Viana retirou e proferiu uma frase que me corrige o lapso, dizendo que a sua emenda preserva a Marinha de Guerra. Acho, Sr. Presidente, que a frase está incompleta e ouso fazer a inclusão de uma expressão – e aí, sim, torná-la merecida; ela não só preserva a Marinha de Guerra, ela preserva, de forma justa, a nossa Marinha que até h á algum tempo, foi a segunda no mundo e, hoje, está relegada ao mais completo último ou penúltimo lugar, por falta exatamente de verba. De forma, Sr. Presidente, que o Relator e a sua equipe de auxiliares votam favoravelmente à Emenda Prisco Viana, Deputado de hoje e Ministro de amanhã, a quem parabenizo. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Isto posto, passamos à votação. Os Srs. Constituintes queiram tomar os seus lugares. Chamo a atenção dos Srs. Constituintes que estão agitados em torno do Ministro que, por obséquio, deixem espaço para que S. Ex.ª possa transitar e queiram sentar para votar. (Procede-se à votação) Votaram SIM os seguintes Senhores Constituintes: Antônio Britto, Artur da Távola, Bernardo Cabral, Carlos Mosconi, Carlos Sant'Anna, Celso Dourado, Egídio Ferreira Lima, Fernando Bezerra Coelho, Fernando Gasparian, Fernando Lyra, Francisco Pinto, José Fogaça, José Paulo Bisol, José Richa, José Ulisses de Oliveira, Manoel Moreira,

ção um dispositivo de extraordinária amplitude, porque assegura aos Estados, Municípios e Distrito Federal, nos termos da lei é bem verdade, participação nos resultados da exploração econômica e aproveitamento de todos os recursos naturais em seus territórios, da plataforma continental e da plataforma submarina. Todos os recursos naturais! Estamos colocando isso numa Constituição, e muitos dos companheiros Constituintes que aqui estão ficam pensando no petróleo, no Município que fica pauperizado a partir da exploração de certos recursos minerais e outros, como no caso dos companheiros do Paraná, em áreas inundadas dentro de seu Estado por hidrelétricas. Só que, através desse dispositivo, nós perpetuamos uma possibilidade de cobrança de um quase tributo, porque é um quase tributo – não é juridicamente, mas é do ponto de vista econômico – a exploração de todos os recursos naturais renováveis e não-renováveis, inclusive da agricultura, da atmosfera, da atividade da pesca, da atividade de silvicultura de todos os tipos. Não obstante requerer lei, através de processos de negociação ao longo dos anos, nós podemos realmente estruturar todo um sistema tributário paralelo, sem a disciplina e sem os critérios que formam a organização do Sistema Tributário. Esta é a razão essencial da minha oposição a este artigo, e esta é a razão pela qual venho aqui explicitar porque me parece um dever que essa posição seja explicitada. Estamos, realmente, criando um sistema tributário paralelo que, mediante uma lei, se poderá tributar todo um conjunto de atividades relacionadas com recursos naturais – insisto – inclusive a agricultura, porque a agricultura é exploração de um recurso natural chamado solo. O segundo argumento é que isso implica, evidentemente, a retirada de recursos ou da União ou do setor privado, porque os recursos não saem do céu, não saem do nada! E nós já estamos realizando no capítulo tributário uma redistribuição ela União em favor dos Estados e dos Municípios da ordem de 20% dos recursos ela União, que é um montante considerável! Em terceiro lugar, já estamos transferindo para os Estados e Municípios a competência sobre impostos que incidem sobre o aproveitamento dos recursos naturais, que é o caso do Imposto único sobre Energia Elétrica, que é o caso do Imposto único sobre Minerais. Acho que e ste é outro aspecto a ser tomado em conta: O ônus sobre a União que isso poderá representar implicará aumentos de preços da empresa ou tarifas públicas, ou aumento de déficit público, evidentemente porque os recursos não saem do nada. E, finalmente, poderá incidir sobre atividades do setor privado que, nesse caso serão tributadas. Uma tributação que não está enquadrada dentro do nosso sistema tributário. Essas são as razões pelas quais eu me permito encaminhar contra a proposta do Constituinte Prisco Viana, embora reconheça que, para os que querem o atual texto, ela melhora o atual texto. A minha oposição é porque ela prejudicaria uma outra emenda que estreita o campo de incidência infinito do atual dispositivo do § 1º, do art. 19, e mantém, apenas no caso de petróleo e gás, que já pagam royalty e, nesse sentido, não representa uma inovação, digamos, dentro dessa regulamentação, no País. O SR. PRESIDENTE (Jarbas Passarinho): – Tem a palavra para encaminhar a favor, o Constituinte Nelson Carneiro. O SR. CONSTITUINTE NELSON CARNEIRO: – Sr. Presidente, Srs. Constituintes, o nobre Constituinte José Serra sustenta que apenas deva ser paga essa participação no que diz respeito a petróleo e gás, e, em numerosos

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