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Held e McGrew (resumo do livro pros e contras da globalização)

Held e McGrew (resumo do livro pros e contras da globalização)

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Resumo Livro: Prós e Contras da Globalização David Held e Anthony McGrew Introdução – Hoje em dia o mundo está interligado

e conectado em vários aspectos. Para entender os acontecimentos internacionais não basta mais olhar apenas para ideologias e/ou fluxos econômicos. Nesse sentido, o discurso da globalização parece fazer cada vez mais sentido. – Entretanto, ainda há vários problemas com essa discurso, tais como sua definição e sua efetiva aplicabilidade. Não se sabe se o mundo está efetivamente globalizado ou se está apenas mais internacionalizado. Capítulo 1: Conceituando a globalização – De forma ampla, pode-se dizer que a globalização tem sido conceituada das seguintes formas: * Globalização como ação à distância (atos de um agente têm efeito em terceiros que estão longe) * Globalização como compressão espaço- temporal (as distâncias parecem mais curtas e quase tudo tem acontecido de forma praticamente simultânea no mundo) * Globalização como interdependência acelerada (os países têm ficado cada vez mais entrelaçados e um acontecimento em um deles costuma ter impactos e consequências diretas em outros) * Globalização como um mundo em processo de encolhimento (erosão das fronteias geográficas para as atividades econômicas) * Globalização como integração global, como reordenação das relações de poder interregionais, como consciência da situação global e como intensificação da interligação inter-regional. * Globalização sugere uma magnitude ou intensidade crescente de fluxos globais, de tal monta que os Estados e sociedades ficam cada vez mais enredados em sistemas mundiais e redes de interação. * Globalização representa uma mudança significativa no alcance espacial da ação e da organização sociais, que passa para uma escala inter- regional ou internacional * Globalização gera uma certa mudança cognitiva, que se expressa numa conscientização popular crescente do modo como os acontecimentos distantes podem

* Globalização refere-se a uma mudança ou transformação na escala da organização social que liga comunidades distantes e amplia o alcance das relações de poder nas grandes regiões e continentes do mundo. Os céticos marxistas consideram o discurso sobre a globalização como uma construção primordialmente ideológica. a) A visão cética da globalização.versa). sendo “internacionalização os laços crescentes entre economias ou sociedades nacionais essencialmente distintas. Assim. Este mito ajuda os políticos e governantes a disciplinarem seus cidadãos e a aceitarem as privatizações. Acreditam que sem uma nação hegemônica para policiar o sistema liberal. como um mito conveniente que. por exemplo. a criação de um livre mercado global e a consolidação do capitalismo anglo-americano nas principais regiões econômicas do mundo. o autor distingue dois grupos de teóricos: os céticos e os globalistas. visto que só elas têm o poderio militar e econômico suficiente para criar e manter as condições necessárias a uma ordem internacional (liberal) aberta. portanto. Consideram também a globalização como uma nova modalidade de imperialismo ocidental – Os céticos realistas consideram que a ordem internacional existente é construída primordialmente pelas ações dos Estados que são econômica e militarmente poderosos. todas essas visões geram discordâncias. e “regionalização” sendo o agrupamento geográfico de trocas econômicas e sociais transfronteiriças. – – Os céticos se dividem em dois grupos: os marxistas e os realistas. – . em parte. Basicamente.o mito da globalização – Perguntas dos céticos: * O que é o “global” na globalização? Os céticos consideram que esse conceito de “global” seja muito amplo e. Entretanto. os céticos concluem que uma conceituação mais válida das tendências atuais seria captada pelos termos “internacionalização” e “regionalização”. isto é. consideram que a internacionalização das relações econômicas ou sociais depende das políticas e preferências das grandes potências do momento. como no período 1919-39. seguem-se a corrida para a autosuficiência econômica e a ruptura da ordem mundial. – Em vez de globalização. bem como em percepções públicas de redução do tempo e do espaço geográfico. pouco operacional.afetar os destinos locais (e vice. sendo que há subdivisões em cada grupo. as desregulamentações e as intervenções de organismos internacionais como o FMI. ajuda a justificar e legitimar o projeto global neoliberal.

visão de longo prazo. Tais ordens não são nem hierárquicas e nem contraditórias. pelo crescimento das empresas multinacionais. – A análise globalista parte de uma concepção da globalização como um conjunto de processos inter-relacionados que operam através de todos os campos primários do poder social. – Esta visão promove uma concepção da globalização que reconhece a possibilidade de a globalização avançar em ritmos distintos em cada uma das regiões e em cada um de seus campos. entre outras manifestações. pelos mercados financeiros mundiais. ela não tem um padrão fixo ou pré-determinado de desenvolvimento e. – A visão globalista faz uma análise sócio-histórica da globalização. Isso se evidencia. – A globalização é tida como expressão da escala crescente em que o poder é organizado e exercido. consequentemente. pelo contrário elas são inter-relacionadas e suas relações são dinâmicas e fluidas. considerando-a composta por diversas ordens institucionais ou redes de poder distintas. e exige que ela (globalização) seja situada no contexto das tendências seculares do desenvolvimento histórico mundial. mas enfatiza que ele (o discurso da globalização) reflete mudanças estruturais reais na escala da organização social moderna. – Uma vez que a globalização é o resultado de forças e dinâmicas distintas (por vezes opostas). a globalização também implica uma reordenação das relações entre o território e o espaço socioeconômico e político. ela pode gerar tanto cooperação quanto conflito. por exemplo. a política e a cultural. o político e o cultural. inclusive o militar. Nesse sentido.e as respostas -dos globalistas – A visão globalista não nega que o discurso da globalização possa realmente servir aos interesses de forças sociais. políticas e econômicas poderosas. a tecnológica. – Ao transformar o contexto e as condições da interação e da organização sociais. tanto integração quanto fragmentação. Capítulo 2: Reconfiguração de Poder . como o cultural. tanto inclusão quanto exclusão entre as sociedades. como a econômica. pela difusão da cultura popular e pelo destaque dado à degradação ambiental do planeta.b) A visão. concepção que reflete uma compreensão weberiana e pós-estruturalista da realidade social. – Esta visão concebe a globalização como multidimensional. ela implica a reordenação das relações de poder entre e através das principais regiões do mundo. o tecnológico e o político.

– Divergências entre o poder.por uma política global – Os globalistas consideram que o Estado transformou-se numa arena fragmentada de formulação de decisões políticas. o que os globalistas chamam de fluxos globalizados de comércio. como também assumiu cada vez mais. criaram forças militares permanentes como símbolo do estadismo e como meio de garantir a segurança nacional. procuraram sistematizar a língua nacional oficial. estabeleceram infra. A soberania continua sendo um valor muito importante para os Estados. a qual é uma ordem baseada nas unidades dos Estados. consolidaram mecanismos fiscais e redistributivos. – Segundo a visão cética. – As penetrações das forças transnacionais alteraram a dinâmica da sociedade civil.a formação e a supremacia do Estado moderno – Noções gerais sobre o Estado moderno: * Dominação e controle político e militar legítimos sobre um território e sua população * Soberania externa (independência de outras autoridades) e soberania interna (autoridade suprema com jurisdição sobre o território e a população) O moderno Estado-nação não apenas se tornou o principal tipo de governo político em todo o globo. – . todas essas mudanças se ajustam às estruturas da ordem internacional. econômicas e culturais nacionais. e que permitam que seus territórios e suas populações passem a ser administrados e geridos por instituições internacionais. os céticos veem como uma dominação macroeconômica por parte de alguns países fortes sobre os mercados de países fracos. permeada por redes transnacionais (governamentais e nãogovernamentais) e por órgãos e forças internos. os Estados reivindicaram cada vez mais o monopólio do uso legítimo da força e da regulamentação jurídica. desde a descolonização e o colapso do império soviético. a autonomia (soberania) e a função do Estado a) A visão cética.estruturas nacionais de comunicação. parece muito improvável para os céticos que os Estados abram mão facilmente de tudo o que conquistaram e construíram. – Os céticos consideram que por mais que tenha havido mudanças nos padrões de comportamento e área de atuação dos Estados. uma forma política particular. b) A visão dos globalistas. promulgaram a identidade nacional e construíram um conjunto diversificado de instituições políticas. Assim. elevaram os níveis de alfabetização e criaram sistemas nacionais de ensino. ou seja. – Além disso. cristalizou-se como uma democracia liberal ou representativa.

nacional. A cooperação internacional e a coordenação de políticas nacionais tornaram-se requisitos indispensáveis para lidar com as consequências de um mundo que se globaliza cada vez mais. saúde e segurança) já não podem ser atendidos sem a institucionalização de formas multilaterais de colaboração. A soberania transformou-se em um exercício compartilhado de poder e já existem sistemas de governança global. – – – – – – – Capítulo 3: O destino da cultura nacional a) A história da cultura nacional: o recurso dos céticos – Visões sobre a cultura nacional. Houve um aumento muito significativo do número de OI's e OING's nas últimas décadas. além de vários regimes internacionais estabelecidos. Os governos nacionais estão cada vez mais presos a um sistema de governo de múltiplas camadas (local. Nesse contexto. os Estados já não podem ser concebidos.– – Rompeu-se o vínculo entre poder exclusivo sobre um território. A conclusão dos globalistas é a de que a globalização vem desgastando a capacidade de os Estados-nação agirem com independência na articulação e na busca de objetivos políticos internos e internacionais: o poder e o papel do Estado-nação territorial estão em declínio. muito menos permanecer no comando. isoladamente. Por conseguinte. além do crescimento de uma densa rede de atividades transnacionais. * A centralização do poder gerou uma situação em que os governantes dependiam dos . muitos dos campos tradicionais da atividade e da responsabilidade estatais (defesa. O Estado está inserido em redes de interligação regionais e globais. A produção de armamentos tem sido internacionalizada. O poder político está sendo reconfigurado. O regionalismo e a globalização são compatíveis Recentemente tem havido também uma mudança na ordem militar internacional: a maioria dos Estados tem optado por participar de uma multiplicidade de acordos e instituições multilaterais para aumentar a sua segurança. fenômeno que desafia a soberania e a legitimidade estatais. regional. como unidades políticas apropriadas para resolver grandes problemas políticos ou para gerir com eficiência uma vasta gama de funções públicas. global) e mal conseguem monitorá-lo. administração econômica. sua criação e seu papel: * As condições implicadas na criação do Estado moderno foram também as condições que geraram o sentimento de nacionalidade.

pelo desenvolvimento da chamada cultura global de massa. Isso implicaria na . Com isso tem havido o rompimento do elo tradicional entre as condições locais e as condições sociais. julgada em termos históricos. ideias. a economia mundial da época da belle époche era mais integrada e mais aberta. o sentimento de pátria. de um arcabouço comum de compreensão. através de um sistema de educação em massa. O nacionalismo é a força que liga os Estados às nações: ele descreve a complexa fidelidade cultural e psicológica dos indivíduos.governados para obter recursos humanos e financeiros. dentre eles: a tentativa de as elites dominantes e os governos criarem uma nova identidade que legitimasse o aumento do poder estatal e a coordenação da política. criando. sentidos e práticas. – Teoricamente. televisão. salários e taxas de juros) reage à competição global. preços. – Considerando que a difusão acelerada das tecnologias de rádio. – A luta pela identidade nacional e pela condição de nação foi tão vasta que os céticos duvidam que a nação possa ser desgastada por forças transnacionais e. b) Globalização cultural – O que os globalistas dizem a respeito da cultura nacional é que elas foram construídas e que. que criaram comunidades imaginárias. já que o valor real das principais variáveis econômicas (produção. a atual economia mundial continua longe de estar estreitamente integrada. numa economia globalizada. enfim. os globalistas dizem que as grandes empresas substituíram os Estados na função de produtoras e distribuidoras em massa de culturas e ideologias. comparativamente. a criação. – As nações envolvem coletividades de classes diversas que compartilham um sentimento de identidade e de destino político coletivo. portanto. Caítulo 4: Uma nova economia global? a) A persistência das economias nacionais – Os céticos afirmam que. sentidos de passado histórico compartilhado e de unidade étnica e cultural. * A consolidação das ideias e narrativas da nação e da nacionalidade foi ligada a muitos fatores. em particular. as forças mundiais de mercado têm precedência sobre a situação econômica nacional. – O fato de uma certa “consciência global” estar crescendo cada vez mais indica a emergência de uma nova “sociedade civil global”. para promover o processo de modernização coordenada pelo Estado. não são imutáveis e nem imunes aos fluxos globais. o surgimento de novos sistemas de comunicação. Eles dizem que. internet e satélites possibilitou a comunicação instantânea.

a qual não pode ser identificada na realidade material dos fatos. A economia internacional é um campo no qual o poder triunfa sobre o direito: em que o choque entre interesses nacionais rivais é resolvido. mas não historicamente sem precedentes. Nesse aspecto. – Em lugar de uma economia global. – A imensa maioria da humanidade continua excluída do chamado mercado global. não pode ser caracterizada como uma era de globalização econômica. da atividade econômica. eles citam o caso de as economias dos países da OCDE estarem se desindustrializando e estarem mandando as suas indústrias para os países em desenvolvimento. A abertura para os mercados globais fornece maiores oportunidades de crescimento econômico nacional sustentado. através do exercício do poder nacional e da negociação entre governos. a situação contemporânea não representa uma ameaça real para a soberania ou a autonomia nacionais. como exemplo. isto é. Esse fenômeno seria causado pelas forças de comércio. – Os céticos marxistas consideram a globalização como um mito para disfarçar a internacionalização das empresas norte-americanas. como uma intensificação dos vínculos entre economias nacionais distintas.existência de uma única economia global. pois lhes proporcionariam exportações com maiores valores agregados. portanto. os céticos afirmam que a interdependência aumentou a capacidade nacional de muitos Estados. os céticos interpretam as tendências atuais como prova de uma internacionalização significativa. – Os globalistas dizem que a globalização é sim mundial e que ela ajuda e melhora as condições de todos e. da disposição dos Estados mais poderosos em policiar o sistema. havendo uma defasagem crescente entre o norte e o sul. as instituições multilaterais devem ser concebidas como instrumentos dos Estados. Isso seria bom para os países em desenvolvimento. especialmente em épocas de crise. . – Portanto. mas sim devido a mudanças tecnológicas. as quais sempre buscam mão de obra mais barata e menos regulamentação. – A gestão da economia mundial ainda continua dependente. Longe disso. – A era atual defini-se por uma fragmentação crescente da economia mundial numa multiplicidade de zonas econômicas regionais dominadas por poderosas forças mercantilistas de competição econômica nacional e de rivalidade econômica e. especialmente dos mais poderosos. Mas os céticos discordam disso: eles dizem que a desindustrialização dos países da OCDE não aconteceu devido ao aumento dos fluxos de comércio. em última instância.

– A análise globalista aponta para a escala e a magnitude da interação econômica global contemporânea. os Estados estão tendo que se adaptar constantemente aos avanços e recuos das condições e forças do mercado global. A tendência é que se crie uma economia global única. em sua maioria. – Os globalistas apontam para o fenômeno das redes de produção globais e regionais: processos de produção que desconhecem/ignoram fronteiras nacionais. a qual é historicamente sem precedentes. a tendência é que todas as economias nacionais intensifiquem as suas integrações com os mercados globais. uma vez que proporciona mecanismos para as economias nacionais se engajarem nos fluxos internacionais. ao mesmo tempo que são também os principais agentes da coordenação e regulamentação econômicas internacionais. – A melhor maneira de descrever a economia global contemporânea é como uma ordem póshegemônica. – A globalização econômica contemporânea traz em si um mundo cada vez mais unificado para as elites nacionais. – O processo de regionalização facilita e incentiva a integração econômica global. – Segundo os globalistas é o capital empresarial global (e não os Estados) que exerce uma influência decisiva na organização. os governos nacionais. uma vez que a força de trabalho global. b) A visão dos globalistas. Os globalistas discordam quanto à comparação relativa da época da belle époche feita pelos céticos. porém traz também um mundo de nações cada vez mais divididas. – Para os globalistas. – Embora algumas economias nacionais possam não estar tão integradas à economia mundial quanto outras. que transcenda e integre todas as regiões econômicas do globo. localização e distribuição do poder e dos recursos econômicos na economia global contemporânea. uma vez que nenhum centro isolado pode ditar as regras do intercâmbio e do comércio globais.a nova economia global * Existem duas visões globalistas sobre a globalização econômica: a visão neoliberal e a visão social-democrata. regionais e globais.– Na opinião dos céticos. continuam a ser a única fonte de autoridade efetiva e legítima na gestão da economia mundial. tanto nos países ricos quanto nos .

– Os céticos e os globalistas identificam causas diferentes ao problema da desigualdade mundial. Os céticos (que acreditam que a globalização não exista e que. sem minar a posição competitiva das empresas nacionais e impedir investimentos estrangeiros muito necessários. segmenta-se em vitoriosos e derrotados. mesmo assim.pobres. Os globalistas (que acreditam que a globalização efetivamente exista) consideramna como a grande culpada da desigualdade. Contrair empréstimos para elevar os gastos públicos ou aumentar os impostos para esse fim são medidas igualmente restringidas pelos ditames dos mercados financeiros globais. do Estado de bem-estar social e da democracia social. ou pelo menos uma limitação. para não falar em criar as precondições de um mundo mais instável e desregrado. na medida em que as desigualdades globais condicionam as oportunidades de vida dos indivíduos e das coletividades. uma vez que os Estados não têm capacidade para regulá-los e que. – A antiga divisão internacional do trabalho entre o norte e o sul vem dando lugar a uma nova divisão global do trabalho. mundo desregrado – A globalização econômica contemporânea está associada a uma defasagem acelerada entre Estados ricos e pobres. não pode ser usada como explicação para nada) acreditam que a . – Os mercados globais escapam à regulamentação efetiva. se recusam a ceder autoridade a instituições internacionais para fazê-lo. os governos tornam-se cada vez mais incapazes de manter os níveis existentes de proteção social. que implica uma reordenação das relações inter-regionais e um novo padrão de riqueza e desigualdade. Isso tem implicações profundas para a segurança humana e para a ordem mundial. portanto. que transcende as economias pós-industriais e as que estão em processo de industrialização. a globalização econômica prenuncia o fim. – A autonomia econômica. a soberania e a solidariedade social dos Estados contemporâneos estão sendo drasticamente reduzidos pelos processos contemporâneos de globalização econômica. ou os programas estatais de bem-estar social. – À medida que se intensifica a competição global. Ao determinar a localização e a distribuição da riqueza e da capacidade produtiva na economia mundial. a globalização define e reformula os padrões globais de hierarquia e desigualdade. Capítulo 5: Nações divididas. Dessa forma.

bem como dentro delas. da globalização econômica desigual. – A reconstrução de um projeto social democrático exige a busca coordenada de programas nacionais. que procure combinar segurança humana e eficiência econômica. Resumindo: os neoliberais preferem desigualdade à b) O desafio da desigualdade duradoura. e na busca de uma integração mais estreita da economia mundial. e uma nova negociação global entre as nações ricas e pobres. pois consideram que tais desigualdades “naturais” sejam menos prejudiciais que a falta de liberdade acarretada pela intervenção multilateral para corrigir as consequências intervenção. – O que os social-democratas sugerem é que se crie uma nova ética global. – Reconhecendo os limites econômicos e morais da busca da igualmente global. – Os social-democratas veem na reestruturação econômica global uma segmentação horizontal da força de trabalho e consideram que isso divide as nações e desgasta a base da solidariedade entre elas. – Os globalistas de orientação social-democrata consideram a globalização econômica diretamente responsável por aumentar as disparidades de oportunidade de vida no mundo inteiro.desigualdade se deva à realidade política e à dinâmica imperialista.a visão dos céticos – Para os céticos de inclinação marxista a ideia de se fazer um acordo internacional que combata a desigualdade é completamente utópica. os neoliberais continuam dispostos a aceitar as desigualdades “naturais” criadas pelo mercado global.periferia. regionais e globais que regulem as forças da globalização econômica e façam com que os mercados globais comecem a servir às populações do mundo. . a) Rumo a um só mundo? A visão globalista – Os neoliberais enfatizam que a solução para as desigualdades globais deverá ser encontrada na adoção de uma política de abertura ao capital global e à competição global. Eles acreditam que a globalização cria um mundo mais abastado para alguns à custa da pobreza crescente dos outros. e não o inverso. que reconheça o “dever de cuidar” além das fronteiras. Eles afirmam que a pobreza mundial diminui em termos absolutos e que a nova divisão internacional do trabalho substitui o tradicional modelo centro. A globalização da pobreza gera uma fragmentação profunda na ordem internacional bem como um mundo mais instável.

eles não consideram que seja essa a causa única. embora possam admitir que a internacionalização econômica está associada a uma polarização cada vez maior entre as nações ricas e pobres. na qual os Estados socialistas sejam as peças essenciais da construção. é capaz de erradicar a pobreza global através da redistribuição resoluta da riqueza e dos privilégios. desobediente. da desigualdade crescente. insubmissível) da agenda global. o que se requer para acabar com o imperialismo é uma mudança nacional revolucionária. são tão ou mais importantes como determinantes do padrão de desigualdade internacional. e uma questão que desafia uma resolução eficaz.– Para a concepção marxista a internacionalização econômica contemporânea não é nada mais do que uma nova forma de imperialismo ocidental. Somente uma ordem internacional socialista. garantindo. – Uma governabilidade internacional eficaz. uma vez que a condição anárquica do sistema requeira Estados fortes para policiarem o sistema. na verdade. – Para os céticos de inclinação realista. Fatores nacionais. ou sequer primária. visto que a hierarquia internacional do poder é consequência de um sistema que classifica os Estados de acordo com sua dotação econômica e militar. a qual apenas reforça (em vez de substituir) padrões históricos de dominação e dependência. tal hierarquia de poder é essencial para a manutenção de uma ordem internacional estável. não deve se ocupar com aspirações morais como a de erradicar a desigualdade. A desigualdade é fruto da hierarquia. . uma vez que os fracos não têm condições de impor decisões aos fortes. Além disso. que vão desde a dotação de recursos até a política econômica. tanto nas metrópoles quanto nas periferias. assim. – Os céticos realistas acreditam que a desigualdade está inscrita na própria estrutura da ordem mundial. de tal sorte que as possibilidades de desenvolvimento real permanecem efetivamente bloqueadas. a paz e a segurança internacionais. uma vez que os Estados podem até tentar aplicar políticas que diminuam a desigualdade interna. os céticos realistas acreditam que esse seja um problema muito difícil de resolver. para os realistas. mas mesmo assim eles continuarão vulneráveis aos fatores externos que causam a desigualdade internacional. o problema da desigualdade global é. – Apesar de considerarem a desigualdade como moralmente inaceitável. mas sim deve ser preocupar com aspirações racionais como manter a ordem e a estabilidade do sistema. Com respeito a isso. – Na visão marxista. uma das questões internacionais mais refratárias (=rebelde. teimosa. – As tentativas multilaterais para enfrentar as desigualdades estão fadadas ao fracasso.

As redes de interação e o reconhecimento da . Essa pluralização de orientações se deve um desgaste sofrido pelo Estado devido à sua impossibilidade de manter uma identidade política singular. E o princípio subjacente da justificação é o comunitário: o discurso ético não pode ser desvinculado da “forma de vida” de uma comunidade. futuros normativos – Depois de a discussão sobre o Estado. políticas e institucionais.). fato que também prejudica a sua legitimidade. Os indivíduos têm compromissos de lealdade complexos e identidades multifacetadas. Segundo os céticos a comunidade política está adequadamente constituída e delimitada quando: 1. portanto.. o autor coloca neste capítulo as considerações normativas céticas e globalistas acerca deste período de globalização/internacionalização que o mundo está vivendo. de suas tradições e fronteiras. e suas limitações transformações. Tais concepções geram os recursos (conceituais e organizacionais) para a determinação do destino e da sorte de cada comunidade. as categorias do discurso político são parte integrante de uma determinada tradição. seus papel e autonomia. Os elementos centrais de discussão são o bem público e a comunidade política territorial. Hoje em dia é perfeitamente possível ter uma identificação estreita e até um engajamento com metas e ambições de um movimento transnacional (meio ambiente.. a identidade cultural e política hoje em dia está sob constante revisão e reconstrução. – A análise cética do bem político considera que as concepções adequadas do que é correto para a comunidade política e seus cidadãos decorrem de suas raízes culturais. mas sim construídas e compartilhadas. seus membros têm uma identidade sociocultural comum * Os globalistas dizem que as identidades culturais têm sido frequentemente questionadas e não acreditam que sejam dadas ou determinadas “de cima para baixo”. – Essa afirmação baseia-se nos pressupostos abaixo. para os quais seguem também as respostas dos globalistas. A mescla das culturas cria a base de uma sociedade civil transnacional e de identidades superpostas. e os valores dessa comunidade têm precedência sobre os requisitos individuais ou globais. há um projeto político comum * Os globalistas apontam para uma crescente possibilidade de os indivíduos se engajarem em comunidades políticas diferentes. Consideram que os valores comuns estão sob intensa disputa da era da globalização e que.Capítulo 6: Ordens mundiais. 2. em níveis diferentes e para fins diferentes. direitos humanos.

as várias comunidades acabam sendo protegidas e representadas. A manutenção e a promoção do bem público requerem uma ação multilateral coordenada. 5. leis e instituições regionais e globais. e o que os políticos podem prometer e cumprir. – Com isso. ele “espanta” as empresas e os investimentos). 4.interligação cada vez maior entre as comunidades políticas de diversos campos geram uma consciência de “destinos coletivos” superpostos. pois este tem se visto cada vez mais preso a restrições e limitações impostas por instituições internacionais. 3. há uma estrutura institucional representativa da comunidade como um todo * Os globalistas dizem que a globalização “esvaziou” o Estado. os quais exigem soluções coletivas. Hoje em dia. deveres e assistência a seus membros (se o governo promulgar muitas leis de apoio aos trabalhadores. ou nas mãos de seus governantes. ambientais e políticos internacionais redefinem profundamente o conteúdo das decisões nacionais. Em níveis diferentes. há uma estrutura comum de direitos e deveres compartilhada por todos os membros da sociedade * Os globalistas afirmam que as sociedades nacionais estão presas a redes de gestão internacionais. Os Estados já não têm mais a capacidade e os instrumentos políticos de que precisam para contestar os imperativos da mudança econômica global. Os direitos. Os governos nacionais estão tendo que reconsiderar seus papéis e funções. A globalização altera decisivamente o que uma comunidade nacional pode pleitear de seu governo. regional e global. Os processos econômicos. forem respaldados por regimes. os globalistas consideram que a comunidade política e o bem público devam ser entendidos levando-se em consideração a diversidade das “comunidades de destino” e a maneira como essa diversidade é reforçada pelas transformações políticas trazidas na esteira . Existe uma estrutura institucional que abrange elementos do governo local. os deveres e o bem-estar dos indivíduos só podem ser satisfatoriamente garantidos se. nacional. as quais alteram e comprometem a capacidade de a sociedade fornecer uma estrutura comum de direitos. os acontecimentos internacionais têm muita influência sobre os âmbitos nacionais e isso faz com que a margem de ação e a autonomia de uma comunidade sejam diminuídas. além de sua articulação adequada nas constituições nacionais. há a congruência entre os atos dos governantes e as expectativas aprovações dos governados * Os globalistas dizem que o destino de uma comunidade nacional já não está mais nas suas mãos.

Os globalistas propõem uma análise baseada nas “fronteiras rompidas” da aldeia global. * Os novos problemas transnacionais e transfronteiriços desafiam e questionam a validade das instituições e funções governamentais nacionais. a qual levantou importantes questões normativas acerca do tipo de ordem mundial que está sendo construído e dos interesses a que ela serve * Esses novos fenômenos exigem novas maneiras de pensar sobre a política. a economia e a mudança cultural. * Os novos padrões de competição internacional desafiam as antigas hierarquias e geram novas desigualdades. ainda que com consequências multifacetadas e desiguais nas diferentes regiões e comunidades. A sociedade civil deve ser vista como uma comunidade política transnacional. bem como exigem respostas criativas dos políticos e legisladores. * Houve uma expansão da gestão internacional nos planos regional e global.da globalização. – (anexar a este resumo a tabela da página 92!) . A fusão crescente de forças econômicas. sociais. culturais e ambientais mundiais exige que se repense a postura política e filosoficamente “isolacionista” dos comunitaristas e dos céticos. Conclusão – O livro não apresenta uma conclusão final sobre o debate entre céticos e globalistas. Mas na conclusão ressaltam-se alguns pressupostos comuns entre as duas visões: * Houve um aumento da interligação econômica.

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