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Classificação_das_Rochas__vf

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02/23/2013

Classificação das Rochas

Objectivos:  sistematização do conhecimento  reconhecimento da diversidade das rochas e das suas afinidades;  compreensão da génese das rochas

Tendo

em atenção os processos genéticos, consideram-se

3

grupos

fundamentais de rochas: Ígneas, Sedimentares e Metamórficas

1. ROCHAS ÍGNEAS
São rochas formadas a partir da solidificação de magmas. Quando a solidificação se faz em profundidade o arrefecimento do magma é lento permitindo a formação de cristais de dimensão macroscópica; quando o magma atinge a superfície (lava) ou intrui a profundidades reduzidas, o arrefecimento é mais rápido e os minerais cristalizam sob a forma de grãos microscópicos. Nestas duas situações formam-se, respectivamente, rochas ígneas designadas como plutónicas e vulcânicas. Magma: fundido usualmente de natureza silicatada contendo gases dissolvidos e sólidos em suspensão. A sequência de cristalização dos silicatos a partir de um magma está reflectida nas Séries de Reacção de Bowen. O processo de cristalização sequencial, consoante a temperatura de cristalização dos minerais, permite, sob certas condições, a formação de vários tipos de rochas ígneas a partir do mesmo magma inicial.

Temperatura de fusão ~ 1 400º C Olivina (Ol) SÉRIES DE REACÇÃO DE BOWEN Plagioclase cálcica (Anortite) Piroxena (Px) Anfíbola (Anf) Biotite (Bt) Plagioclase sódica (Albite) Moscovite (Mosc) Ortoclase (Ort) ~ 600º C Quartzo (Qz) Critérios de classificação das Rochas Ígneas:  Composição mineralógica  Textura 1.Composição mineralógica Cristalização fraccionada Rocha plutónica Rocha vulcânica Ol Px Anf Bt Plag Na Mosc Ort Qz Plag Ca gabro (basalto) diorito (andesito) sienito (traquito) granito (riólito) .1.

Quanto à cor:  Rochas leucocratas – cor clara. quartzo e feldspato potássico no Granito Minerais acessórios: podem caracterizar diferentes variantes da mesma rocha. ricos em Fe e Mg Minerais claros densidade > Qz densidade ~ Qz Minerais Máficos Minerais Félsicos Os termos máfico e félsico derivam da composição química (Máfico: Mg e Fe) e da mineralogia (Félsico: feldspato e sílica) e não há correspondência absoluta em termos cromáticos. olivinas).g. granito biotítico ou granito de duas micas Minerais acidentais: ocorrem ocasionalmente. dominam os minerais félsicos (0% a 15% de minerais máficos)  Rochas mesocratas – cor intermédia (15% a 40% de minerais máficos)  Rochas melanocratas – cor escura (> 40% minerais máficos). Feldspatóides são silicatos qualitativamente semelhantes aos feldspatos. Quanto à sílica:  Rochas sobressaturadas – com quartzo  Rochas subsaturadas – sem quartzo e com minerais deficientes em sílica (e. feldspatóides. Albite – NaAlSi3O8. sendo por definição um mineral Félsico.g. Minerais essenciais: caracterizam uma família de rochas. Nefelina – (Na. e.K)2Al2Si2O8. Minerais escuros. Note-se que uma anortite. .g. granito) podem formar-se por fusão parcial da crusta continental.g. mas deficientes em sílica.Algumas destas rochas (e. não resultando portanto de processos de cristalização fraccionada de magmas resultantes de fusão parcial do manto. é escura. e.

textura típica de rochas vulcânicas. de precipitação química e biogénicas .e. forma e arranjo dos minerais que constituem as rochas.  Pegmatítica – minerais muito desenvolvidos (centimétricos a decimétricos) e frequentemente com grande perfeição morfológica. São exemplos o basalto vesicular.  Vesicular – rocha com pequenas cavidades (vesículas) de forma variada (tipicamente esferóides). 2. As Rochas Sedimentares representam um conjunto de rochas com constituição e génese muito diversificadas. textura característica das rochas plutónicas (granularidade grosseira.1. cobrem ~ 75% da superfície da crosta terrestre. e formam depósitos estratificados (i. a pedra pomes e a escória vulcânica. textura característica das rochas vulcânicas  Vítrea – ausência de minerais. parcialmente preenchidas (textura amigdalóide) ou não por minerais secundários. a rocha é constituída por uma pasta vítrea amorfa (obsidiana).  Fanerítica – grãos minerais todos visíveis a olho nu. Representam ~ 5% do volume da crosta terrestre (continental e oceânica). de processos exógenos de meteorização e erosão de rochas pré-existentes. portanto. Consideram-se 3 grupos fundamentais de rochas sedimentares: detríticas. apresentam-se quase sempre em estratos sobrepostos). ROCHAS SEDIMENTARES Formam-se à superfície da Terra e resultam.2.Textura Diz respeito às dimensões. O termo porfiróide é utilizado para granitos.  Porfírica – grandes cristais – fenocristais – dispersos no seio de uma matriz afanítica ou fanerítica de grão fino. média ou fina)  Afanítica – grãos minerais não visíveis a olho nú.

constituído por uma mistura de litoclastos e grãos angulosos de quartzo e feldspato. ocorre a circulação de água rica em elementos químicos que precipitam nos interstícios do sedimento e que vão agregar (cimentar) os clastos.litoclastos  fragmentos de origem orgânica . Rochas detríticas Rochas constituídas por mais de 50% de materiais herdados:  fragmentos de minerais . com cimento variado que lhe confere cores também variadas.2.063 mm – siltito φ < 0. O metamorfismo transforma o arenito quártzico em quartzito  Calcarenito – constituído por areias calcárias (geralmente fragmentos de conchas calcárias e corais) agregados por um cimento carbonatado Os clastos numa mesma rocha podem mostrar calibração diversa:  rocha bem calibrada – diâmetro dos clastos pouco variável  rocha mal calibrada – diâmetro dos clastos variável . A classificação das rochas sedimentares detríticas consolidadas faz-se de acordo com a dimensão (φ) dos clastos: φ> 2 mm – conglomerado (se os clastos forem angulosos denomina-se brecha) 0. tipicamente bem rolados.063 mm < φ <2 mm – arenito 0.004 mm < φ <0. tipicamente agregados por uma matriz argilosa  Arcose – essencialmente constituído por quartzo e feldspato (> 25 %) agregados por uma matriz argilosa  Arenito quártzico .mineraloclastos  fragmentos de rochas .1.bioclastos Após a deposição de um sedimento (não consolidado e muito poroso).constituído por mais de 90% de clastos de quartzo.004 mm – argilito Os Arenitos podem ainda ser classificados de acordo com os clastos que os constituem:  Grauvaque – cinzento escuro.

a partir da precipitação de CaCO3. devido à evaporação da água em lagunas confinadas ou em lagos. rios.  Carbonatados (CaCO3) – formam-se em ambientes áridos continentais ou em ambientes marinhos tropicais. como as estalactites e as estalagmites (travertinos).NaCl).2. microcristalino. Calcário pisolítico – constituído por partículas arredondadas (podem não ser esféricas e podem não ter núcleo). Resultam da precipitação de camadas concêntricas de CaCO3 em torno de um núcleo. Calcário cristalino – corresponde aos calcários com uma textura cristalina uniforme. como a zona intertidal. Em termos macroscópicos podem definir-se os seguintes tipos: Calcário maciço – compacto. semelhantes a ovos de peixe. Dolomito – rocha essencialmente constituída por dolomite. conferindo-lhe cores diversas. lagos. semelhantes a ervilhas. nascentes). silvite (KCl) e gesso (CaSO4 . φ < 2mm. fibroradiada (calcedónia). Este mineral pode precipitar directamente em condições anaeróbicos em lagunas salinas . φ > 2 mm. Consoante os materiais que se associam à precipitação da sílica.2. Os depósitos mais comuns na natureza são de 3 tipos:  Evaporíticos (sais/halogenetos) – formam-se principalmente em climas áridos quentes.  Siliciosos (SiO2) – constituídos por sílica de neoformação microcristalina (chertes). Formam-se no mesmo tipo de ambiente dos calcários oolíticos. Rochas de precipitação química Rochas sedimentares constituídas por > 50% de materiais formados por precipitação química directa de compostos a partir de uma solução aquosa (mar. Formam-se em ambientes de elevada energia hidrodinâmica. 2H2O). consideram-se vários tipos de chertes: argilas e carbonatos – silex (tons cinzentos). Calcário oolítico – constituído por partículas esféricas. óxidos de ferro – jaspe (tons vermelhos). São rochas constituídas essencialmente por sal-gema (halite . criptocristalina ou amorfa (opala). sujeitos a correntes de vai-vem. material carbonoso – Lidito (cor negra).

menos de 5% de argila (> 95% de carbonato) .(Ca. bancos de ostras.3. a menos que haja grande circulação de fluidos (e. Em regra o metamorfismo ocorre sem alteração significativa da composição química global da rocha. Lumachelas 3. quando sujeitas a condições de pressão (P).calcário.g. 35 . de rochas pré-existentes (ígneas. sem transporte significativo. bancos de rudistas  Bioacumuladas siliciosas – Diatomito (acumulação de frústulas de diatomáceas). ou por substituição tardia da calcite por dolomite em calcários por introdução de magnésio [CaCO3 . Tal conduz à cristalização de novos minerais e aquisição de texturas particulares relacionadas com o hábito cristalino dos minerais e com as tensões sofridas pelas rochas. conchas.5% de argila (65 . 95 – 65% de argila (5 – 35% de carbonato) – calcário margoso. A adaptação dos minerais às novas . 65 – 35 % de argila (35 – 65% de carbonato) – marga.Mg) (CO3)2]. ROCHAS METAMÓRFICAS Rochas formadas a partir da transformação. 2. etc. de esqueletos. temperatura (T) e fluidos diferentes das que presidiram à sua génese e das que caracterizam os processos diagenéticos.95% de argila (podendo ter até 5% de carbonato) – argilito. no estado sólido.  Bioedificadas – calcários recifais. metamorfismo oceânico).supersaturadas.95% de carbonato) . Radiolarito (acumulação de conchas de radiolários). sedimentares ou metamórficas). Estas percentagens podem ser estimadas macroscopicamente mas só podem ser determinadas exactamente no laboratório (calcimetria). As rochas da família das margas constituem um contínuo de composições entre a dos argilitos e a dos calcários: 100 . bioacumuladas – resultam da acumulação. Rochas Biogénicas Estas rochas podem ser de dois tipos: bioedificadas – resultam da actividade directa de seres vivos.calcário margoso. Espongólito (acumulação de espículas siliciosas de espongiários)  Bioacumuladas carbonatadas – Calcários conquíferos.

para protólitos de natureza básica( e. da energia de activação e da quantidade de fluido presente na rocha.condições de P e T depende da cinética das reacções. As . Xistos verdes Anfibolítica Granulítica Xistos azuis Eclogítica Fig. C – cálcio. um protólito calcário e um basáltico não dão origem a uma associação mineralógica semelhante. Nas mesmas condições de metamorfismo. O tipo de minerais que se formam na rocha depende da composição do protólito (rocha original antes da metamorfose). A – alumínio. e F – ferro.g. 1). utiliza-se também terminologia baseada na textura. Representação triangular ACF. No entanto. A sistematização e a identificação fazem-se portanto recorrendo essencialmente a critérios mineralógicos e texturais. basalto). as rochas metamórficas podem ser classificadas em foliadas e não foliadas. A classificação das rochas metamórficas pode basear-se na sua associação mineralógica. das principais associações minerias típicas das diferentes fácies metamórficas. Quanto à textura. A composição mineral da rocha metamórfica define a sua fácies (Fig. 1.

A ardósia forma-se a partir do argilito por aumento da temperatura  Xisto luzente (filito. com grãos invisíveis a olho nú (argilas. de grão fino. As rochas metamórficas apresentam muitas vezes uma foliação (fabric planar penetrativo – visível à escala microscópica – presente nas rochas) que se denomina de xistosidade. à semelhança dos fenocristais nas rochas ígneas. micas e quartzo). o talco. de grão médio a grosseiro. O quartzo ocorre frequentemente como grãos que se salientam da matrix xistosa. o que dá origem a uma fissilidade fraca por rotação incompleta das palhetas de argila para o plano perpendicular à compressão máxima  Ardósia (slate) – rocha francamente xistosa.g. a presença deste mineral indica metamorfismo de grau médio a alto .foliadas podem apresentar uma textura xistosa ou gnáissica. Uma rocha metamórfica que apresenta uma textura foliada ou laminar é genericamente denominada xisto em Português. Os micaxistos são frequentemente granatíferos. constituída preponderantemente por minerais lamelares como as micas. O micaxisto forma-se a partir do xisto luzente por aumento da temperatura  Xisto mosqueado – apresenta minerais desenvolvidos e destacados da matriz (e. mica branca e clorite. Uma sequência muito típica de rochas metamórficas que exibem xistosidade é a que resulta de metamorfismo de rochas pelíticas (argilosas) associado a deformação tectónica:  Argilito (shale) – rocha sedimentar que resulta da evolução diagenética de uma argila por compacção. O xisto luzente forma-se por metamorfismo progressivo da ardósia  Micaxisto (schist) – rocha francamente xistosa. a horneblenda e a grafite. constituído essencialmente por quartzo. estaurolite). estes minerais achatados conferem um brilho acetinado (por vezes dourado) aos planos de xistosidade. a clorite. As não foliadas apresentam uma textura granular (semelhante à fanerítica nas rochas ígneas). phyllite) – rocha francamente xistosa. Na literatura inglesa schist tem conotação com grau metamórfico.

granatífero. Um granito deformado a quente por cisalhamento adquire uma foliação muito penetrativa. etc. mas podendo englobar muitos minerais acessórios dependendo das impurezas originais e do grau metamórfico). podendo apresentar uma textura granoblástica. tipicamente resultantes de metamorfismo de contacto. acreção nos riftes oceânicos). equivalente dos fenocristais nas rochas ígneas) no seio de uma matriz mais fina denomina-se gnaisse ocelado (equivalente da textura porfiróide de alguns granitos.As rochas gnáissicas são foliadas e podem apresentar um bandado grosseiro (segregação metamórfica) onde alternam bandas de côr clara e escura. A este ciclo juntam-se constantemente rochas ígneas cristalizadas a partir de magmas com origem no manto (e. 2). embora o grau metamórfico possa ser tão baixo como o da fácies dos xistos verdes (na presença de fluidos). albítico. resultam da recristalização de um arenito quártzico). no entanto. os minerais mais comuns dos gnaisses são o quartzo e o feldspato. alguns mármores (constituídos essencialmente por calcite ou dolomite recristalizadas. i. Nem sempre as rochas metamórficas apresentam foliação. São exemplos de rochas granoblásticas alguns quartzitos (constituídos quase exclusivamente por quartzo. A composição mineralógica dos gnaisses depende da composição do protólito. e muitas das corneanas (rochas de granularidade muito fina. do qual se pensa poder derivar). Quando o gnaisse apresenta grandes porfiroclastos (tipicamente feldspato potássico. com fractura conchoidal. o gnaisse pode ser denominado anfibólico. a maioria das rochas encontra-se num ciclo permanente de transformações (Fig. a composição mineralógica depende da composição química do protólito e da temperatura). .e.g. Dependendo dos minerais acessórios. pelo que vulgarmente se denomina de ortognaisse. que reflectem composições mineralógicas diferentes. Num planeta rochoso e dinâmico como a Terra. um aspecto granular semelhante à fanerítica nas rochas ígneas. Podem formarse a partir de rochas sedimentares (paragnaisses) ou de rochas ígneas (ortognaisses) por metamorfismo de grau superior ao da fácies dos xistos verdes. biotítico.

.Fig. Março 2009. 2. FCUL. Representação esquemática do ciclo das rochas.

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