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Crimes+Contra+a+Paz+Publica

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FACULDADE NACIONAL DE DIREITO/UFRJ DIREITO PENAL IV Prof.

Luciana Boiteux Setembro de 2011 Fonte: PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. v. 3. São Paulo: Revista dos Tribunais, BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Parte Especial. V. 4. São Paulo: Saraiva, DELMANTO, Celso. Código Penal Comentado. São Paulo: Saraiva. DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA (Título IX) Trata-se de título inserido como novidade no Código Penal de 1940, tendo em vista que o anterior Código de 1890 não cuidava desse tipo de delito. Em termos comparativos, o bem jurídico indicado na legislação brasileira é idêntico à nomenclatura usada em Portugal (paz pública), mas diverge da nomenclatura de outros países, por exemplo, na Argentina e Itália se emprega o termo “ordem pública”. Comentam os autores que a ordem pública seria gênero do qual a paz pública seria espécie. Conforme ensina Heleno Claudio Fragoso, o bem jurídico tutelado pela norma pode ser compreendido em dois sentidos: i) objetivamente, corresponde ao que se denomina ordem social (Rocco), ou seja, a ordem nas relações sociais que resulta das normas jurídicas que as regulam, compreendendo a paz, a tranquilidade, a quietude e a segurança sociais; ii) subjetivamente, corresponde ao sentimento coletivo de segurança na ordem jurídica, sendo nesse último sentido que a lei penal protege a paz pública, como um bem jurídico em si mesma. Este título contém três artigos que tipificam crimes contra a paz pública. Com isso, o legislador tem por objetivo garantir uma convivência harmônica em sociedade, afastando o sentimento de insegurança causado por atos anti-sociais, através da previsão legal de crimes que tutelam a paz e a tranquilidade públicas. O bem jurídico tutelado – a paz pública – refere-se ao aspecto subjetivo, ou seja, “o sentimento coletivo de segurança de um desenvolvimento ordenado da vida social, de acordo com as leis”, segundo Contieri citado por Luiz Regis Prado. A ideia é prevenir a realização de crimes, antecipando a intervenção da tutela penal e protegendo o bem jurídico não de forma direta, mas sim mediata, tanto é que se pune neste título atos preparatórios, como exceção à regra do art. 31 do CP. Contudo, tendo em vista a grande amplitude do termo “paz pública”, deve-se atentar para o fato de que a punição de atos meramente preparatórios como tipificações de crimes autônomos àquele que seria praticado pode trazer grande risco ao Estado Democrático de Direito e às liberdades individuais, pela excessiva utilização do aparato repressivo estatal. Assim, se deve atender aos limites da intervenção penal, sendo vedada a punição da “mera intenção” de praticar delitos, por ser inconstitucional. Trata-se, afinal de crimes de pergio concreto, e não hipotético ou abstrato.
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A incitação pode visar à prática delituosa cometida tanto no presente como no futuro: Ex. que tem a obrigação de garantir a segurança e o bemestar de todos. 287 – Apologia de crime ou criminoso Art. ou multa Bem jurídico Paz pública. por ser vaga. homicídio. que é o reforçar o propósito já existente (Bitencourt). roubos. excluem-se a contravenção e os fatos ou práticas imorais. é necessário que ocorra em público. Tipo Objetivo Incitar é instigar. pois a instigação genérica. ou seja. A publicidade do ato é elementar do tipo. sendo crime de perigo concreto. de 3 a 6 meses. a prática de crime. provocar. as pessoas serão constrangidas a roubar”). São delitos previstos neste título: Art. O conceito de instigação abrange tanto a influência psíquica (induzimento). mas a própria paz pública. constituem atos preparatórios à prática de crimes. Prevejo que. A incitação à prática de furtos. 2 . idôneo.Desta forma. Sujeito ativo Qualquer pessoa Sujeito passivo A Coletividade e o próprio Estado. sendo essencial que a conduta do agente seja percebida por um indeterminado número de pessoas (delito de perigo comum). não teria eficácia ou idoneidade a lesionar o bem jurídico tutelado. a prevenção legal abrange certas situações que. Também não se cogita de instigação a crime culposo. A vontade de incitar alguém à prática de um crime deve ser clara. Ex. Não se resguarda o bem jurídico tutelado pelo crime incitado. induzir. se esta crise continuar. por sua própria natureza. Trata-se da ameaça não apenas individual. INCITAÇÃO AO CRIME Art. A instigação deve ser dirigida a um crime determinado. 286: Incitar.. mas não há restrição quanto ao fato de serem abstratamente considerados. Quando tiver adquirido força suficiente poderá matar… No caso de instigação futura. 286 – Incitação ao crime Art. etc. ou seja. publicamente. 288 – Quadrilha ou bando. açular. e o meio para tanto. estimular. mas coletiva. deve-se distinguir quando se trata de “desejo reprovável” ou previsão pessoal de uma eventualidade (ex. excitar. eficaz e seriamente. quanto a instigação propriamente dita. a prática de crime Pena: detenção. embora não atinjam diretamente direitos individuais e sociais. que tem o sentido de fazer surgir em terceiros o propósito criminoso antes inexistente.

Tentativa Admite-se quando o meio de execução for a forma escrita. A incitação mais perigosa é quando é feita para uma multidão em tumulto. Pode ser realizada através de gestos. transmissão de rádio. não é instigar ao cometimento de um crime determinado. . § 2o. 155 (Cód. obviamente não constitui instigação a pregação ideológica. inclusive a internet. perceptível por um indeterminado número de pessoas.716/89 – incitação a crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor. respectivamente. Se a incitação não for pública não haverá ofensa à paz pública. cartazes. Consumação Com a simples incitação. 20 da lei 7. ainda que acidentalmente). Pregar o anarquismo. desde que seja cometida publicamente. . como sustentava Sebastian Soler.. da Lei n. circulares). consciência e vontade de incitar publicamente a prática de fatos previstos em lei como crimes a número indeterminado de pessoas.343/06 (nova lei de drogas) – “induzir. à ordem política e social. 23 da lei 7. Se a pessoa é instigada à prostituição ou ao suicídio.. sendo o fato atípico. O elemento subjetivo deve ser demonstrado à saciedade. da lei 2. instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga”. O agente não precisa saber que os fatos por ele instigados são previstos em lei como crimes. o que veria bis in idem. necessitando ser configurado. a necessidade de abolir a propriedade etc. p.. Não há previsão legal da forma culposa.art.art. . Tipo Subjetivo Dolo.Não importa que a incitação tenha sido feita a uma pessoa especificamente. . Porém.art. incitação ao genocídio. mesmo que em uma única conduta vários sejam os crimes incitados. “se se requer esse grau de determinação. por mais avançada que seja. 11. escritos (boletins. mas ao próprio fato e inclusive às pessoas e instituições. desenhos. palavras (discursos. ou por qualquer outro meio. Confronto Este art. 3º.7170/83 – incitação a crimes contra a segurança nacional.art. não poderá o instigador ser punido duplamente. teatros. 286 só será aplicado quando não houver lei especial dispondo a respeito. Penal Militar) – incitação à prática de crimes militares.art. 3 . Não é preciso que o delito incitado tenha sido efetivamente praticado (crime de perigo).889/56. no entanto. Concurso O crime será único. crimes semelhantes estão previstos também em leis especiais: . a relação de causalidade entre um e outro. 33. estarão caracterizados delitos específicos nos artigos 228 ou 122. mas seria apenas punido pela sua participação (moral) no delito incitado (artigos 29 e 31 do CP). Poderá haver concurso de crimes se o delito incitado vier a se concretizar. 277). Além disso. não somente quanto ao crime.” (apud Bitencourt.

aprovar. de forma que constitua incentivo direto ou implícito à repetição da ação delituosa. É a glorificação e a exaltação de fato criminoso ou de seu autor que estão previstos em lei como crime. publicamente. louvor. Apologia de Crime x Liberdades Públicas 4 . De acordo com Delmanto.O instigador poderá responder como co-autor do crime praticado pelo instigado apenas na situação em que a incitação tenha representado um contingente causal na formação do propósito delituoso deste. Trata-se de infração de menor potencial ofensivo. ou seja. encômio. de 3 a 6 meses. previsto em lei como crime. Sujeito ativo Qualquer pessoa Sujeito passivo Coletividade Tipo Objetivo Fazer apologia é elogiar. ou de pessoa trabalhadora não constitui o delito. Pune a lei também os elogios ao autor de um crime. exaltar. Exaltar que se trata de pai de família. defender. desde que públicos. A apologia pode ocorrer por qualquer meio: palavras.099/95). pois a apologia não deixa de ser uma incitação. A palavra apologia vem do grego e significa elogio. Já a apologia ao autor do crime deve se referir aos meios de execução necessários à prática deste e não à personalidade do delinquente. inciso LVII). Pena e ação penal Pública incondicionada. 5o. feita de modo implícito. muito embora isso não signifique dizer que não se possa tecer elogios às qualidade do autor. Bem jurídico Paz pública. Neste delito. já praticado. 287.2) e a CADH (art. Luiz Regis Prado diverge. APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO Art. ou seja. enquanto que. exprimindo um juízo positivo de valor em relação a um comportamento que a lei prevê em lei como crime. excluindo-se os crimes culposos. 2) é somente autor de crime aquele que tenha sido condenado por decisão transitada em julgado.. contravenções ou acontecimentos futuros. que cita a CF (art. sob o nome iuris de apologia é indireta. louvar. 8o. gestos. 287: Fazer. A apologia a fato criminoso deve ser um fato concreto. pela sua própria natureza. apologia de fato criminoso ou de autor de crime Pena: detenção. escritos. ou explicar as razões de sua conduta. este ainda não aconteceu. no crime de incitação. 14. o PIDCP (art. enaltecer. justificar. A diferença é que a incitação prevista nesse art. ou seja. o fato criminoso já ocorreu. Cabe transação e suspensão condicional do processo (lei 9. ou multa Este crime é muito próximo do anterior.

como ocorre com a liberdade de manifestação de pensamento (CF. O agente deverá ter consciência da publicidade. nem na defesa da descriminalização do aborto. Nesse caso. 5 . No caso da lei de drogas. em praça pública. CRIME DE QUADRILHA OU BANDO Art. uma união estável de pessoas com o intuito de cometer crimes. O fato de alguém fazer apologia de um crime ou de criminoso cria riscos para a sociedade. e os crimes referirem-se à segurança nacional. 22 da lei 7170/83. havendo um conflito aparente de normas com a proibição prevista no artigo 272. apologia de fato criminoso ou de autor de crime a um número indeterminado de pessoas. podendo ser direto ou eventual. 9099/95. em quadrilha ou bando. Pena: reclusão. por exemplo. de um a três anos. e da livre expressão da atividade intelectual. Não fora o grave perigo que a organização de quadrilha ou bando representa por si mesma. se a quadrilha ou bando é armado. haverá concurso formal. Concurso Não é preciso que haja a repetição do delito elogiado. ou seja. vide art. Caberá aplicação da Lei n. Pena e ação penal Pública incondicionada. Tipo Subjetivo Dolo. Ex. não passaria de mero ato preparatório. como é o caso. Se o agente fizer apologia de vários delitos ou de seus autores. nem na utilização de estampas com a folha da cannabis.. artística. independentemente de censura ou licença (inciso IX). 288. perceptível por um número indeterminado de pessoas. assim como a formação de quadrilha. A apologia de fato criminoso ou de autor de crime. art. publicamente. se o microfone está quebrado e o orador. IV). Tentativa Admissível nos casos em que o meio empregado permitir o fracionamento da conduta. científica e de comunicação. o legislador resolveu se antecipar e punir determinadas condutas que propiciam a prática de outros crimes. Trata-se de crime de perigo concreto (efetivo) à paz Pública. Punem-se aqui também os atos preparatórios. ou consciência e vontade de fazer. acaba não sendo ouvido. não há apologia na manifestação política pela legalização das drogas hoje ilícitas. a intervenção do direito penal somente pode se dar no abuso no exercício dessas liberdades.Aduz Delmanto que pode acontecer que a conduta do agente esteja amparada por garantias constitucionais. o que causa uma intranquilidade para a sociedade. Nesse delito. por exemplo de defesas pela descriminalização de determinadas condutas. mas não precisa ter ciência de que tal fato esteja previsto em lei como delito. Consumação Diz-se o crime consumado com a apologia. Associarem-se mais de três pessoas. sem depender de outras consequencias. Se o panfleto não é distribuído. 5o. para o fim de cometer crimes. § único: A pena aplica-se em dobro. penalmente irrelevante.

excluindo-se contravenções ou mesmo atos imorais. unirem-se. em regra. ajuntarem-se. determinação e o auxílio. para se consumar o crime de bando não há necessidade que o grupo pratique qualquer crime. salvo disposição expressa em contrário. que é uma associação eventual ou ocasional para a prática de um ou mais delitos determinados. que um dos componentes seja imputável. quatro pessoas ou mais. Não se deve confundir co-participação ou co-autoria. enquanto que os atos preparatórios. pelo menos. reunirem-se. para a maioria da doutrina. Não precisa ter somente esta finalidade. Assim. sendo praticado o delito enquanto existir a quadrilha. de perigo abstrato. assim como aquele que já saiu dela. com a finalidade de praticar mais de um crime. Quem entrar na quadrilha depois que esta já estava formada também responde pelo crime. há o crime do art. 6 . O crime de bando é a reunião de quatro ou mais pessoas que formam um grupo estável e permanente cuja finalidade seja praticar crimes.É um caso de ato preparatório que é punido. uma delas for praticar crimes. aliaremse. Para formar o número mínimo de quatro pessoas. embora eles não fiquem sujeitos a pena. agregarem-se. ou seja. segundo a maioria esmagadora da doutrina. mas por se tratar de crime plurissubjetivo ou coletivo. Os inimputáveis são contados para se chegar a esse número mínimo. são impuníveis. se além de outras. Não precisam existir os crimes visados. somente se pode punir o criminoso após o início da execução. ou seja. É um crime de concurso necessário. É crime permanente. 31 do CP que diz que “o simples ajuste ou instigação. uma vez que. Exige-se. para a configuração do tipo. com a associação para delinquir. Sujeito ativo Qualquer pessoa. Vide art. tem que ser praticado necessariamente por mais de três pessoas. é necessário apontar os outros membros. requer a participação de. a ser tentado” – é o início da execução. bastando. por tentativa. que o objetivo (elemento subjetivo do tipo) da associação seja praticar crimes (no plural) previstos em lei. que exige estabilidade e permanência para que o agente responda pelo delito de bando ou quadrilha. são computados os menores. pois as deliberações não são públicas. Não basta um ocasional e transitório acordo de vontades para determinado crime. no mínimo. presumindo-se o risco à paz pública quando se constitui uma associação criminosa. 288. como na co-participação. Bem jurídico Paz pública Trata-se de um crime formal. dentro de um certo prazo indeterminado. não são puníveis. se o crime não chegar. não em contravenção. mas desde que os menores tenham capacidade de entender e de se integrar àquela associação. Embora seja muito difícil se descobrir a quadrilha antes que ela venha a cometer crimes. pois perdura no tempo. Sujeito passivo A coletividade Tipo objetivo O verbo (núcleo) é associarem-se. para compor o total. quatro pessoas. para haver crime de bando. Está presente na descrição do tipo a ideia de estabilidade e permanência do grupo. Ressalte-se que a lei fala em crimes.

No entanto. Concurso de crimes O crime de bando é um crime autônomo. dentre eles Luiz Regis Prado Damásio. não se admitindo tentativa. Embora Nelson Hungria entenda que não há crime de quadrilha quando sua finalidade é praticar crime continuado. pois além dos componentes do bando. 71). bem como ver se cada um dos membros do grupo participou de outros crimes praticados pela quadrilha. porém a pena deve ser individualizada para cada componente. para a maioria dos doutrinadores. pena do mais grave somado ao aumento do art. responderá por concurso material de crimes. a corrente majoritária entende que o indivíduo será condenado pelo crime de bando mais o crime continuado (o crime continuado. porém só responderão pelos outros crimes se tiverem. pois a lei se refere a crimes. Crime continuado x Crime de bando Para Nelson Hungria. não há quadrilha. por ficção jurídica.Ressaltam Magalhães Noronha e Luiz Regis Prado ser inconciliável com o crime de bando o propósito de praticar delitos culposos ou preterintencionais. que é um especial fim de agir. efetivamente. pode haver participação de terceiros. é considerado um só. ou vínculo associativo entre os agentes. Em relação aos crimes que vierem a ser praticados. regulamentos ou normas. mas na realidade ocorrem vários crimes. no plural. Para a caracterização do crime não se exige que o bando obedeça a estatutos. é considerado um só crime. quando várias pessoas se reúnem para praticar um crime continuado que. que existe por si só. por ficção jurídica. sendo punidos pelo crime de quadrilha mais os crimes cometidos. Não há modalidade culposa. Cada pessoa tem direito à sua pena pelo crime de quadrilha e a pena relativa ao outro crime que tenha praticado. independente da prática de algum crime pela quadrilha. Concurso de pessoas Pode ocorrer em tese. todos os membros do bando responderão pelo crime de bando. independentemente do bando praticar os crimes que constituem sua finalidade. caracterizada pela continuada vontade de esforço comum. Ex. basta uma organização social rudimentar. com suas atenuantes e agravantes pessoais. A quadrilha é uma só. Na aplicação da pena. Celso Delmanto e parte da jurisprudência. 7 . Consumação e tentativa Com a efetiva associação das pessoas. mesmo se tratando de crime continuado existe a formação de quadrilha. participado destes últimos. Deve estar presente o acordo de vontades. deve-se conferir a configuração do crime de quadrilha com relação a cada membro da quadrilha. individualmente. Se o bando praticar efetivamente os crimes a que se propôs. Tipo Subjetivo O dolo e o elemento subjetivo do injusto “para o fim de cometer crimes”. Fragoso e Magalhães Noronha. auxílio nas reuniões do bando. É infração permanente. quando tipifica o crime de bando.

e pagamento de 700 a 1. 34 e 36 da lei de drogas. que é uma causa especial de aumento de pena na 3ª fase.034/95 (lei do crime organizado) – que “define e regula meios de prova e procedimentos investigatórios que versarem sobre crimes resultantes de ações de quadrilha ou bando”. Tal artigo deve ser interpretado de forma idêntica ao delito do art. 16 da LSN – associação para a prática de crimes políticos. terrorismo. . caput e § 1o. 288. Basta a posse da arma. O § único deste artigo 35 inclui ainda a possibilidade de associação para o delito do artigo 36 (financiamento do tráfico). e 34 desta Lei” e a pena será de reclusão. prática da tortura.889/56 – associação de mais de três pessoas para a prática de genocídio.). VII da Lei n.343/06) É crime previsto no artigo 35 da referida lei: “a associação de duas ou mais pessoas para o fim de praticar. segundo o § único.33.. aplica-se a pena em dobro. Há certos crimes que o simples fato de duas pessoas praticarem o crime. Vide também art.Forma qualificada Se a quadrilha é armada. Exemplo: furto (art. Art. de 3 a 10 anos. a tipificação penal de “organização criminosa”.613/98). não há necessidade de que esta seja portada ostensivamente. que não tipifica tal crime. 9. há um aumento de pena. Vide art. que configura causa especial de diminuição de pena. A maioria da doutrina entende que basta que um só membro da quadrilha esteja armado para a configuração da qualificadora. vide Art. nem é suficiente o fato de a Lei n. Ação penal Pública incondicionada. bem como a finalidade é praticar os crimes do art.. reiteradamente ou não. Se um grupo se reúne para praticar furtos. 11.. 1o. 9.. Exige estabilidade e permanência. Justifica-se pela maior periculosidade e potencialidade lesiva da associação criminosa. embora haja entendimentos contrários.Crime de associação previsto na Lei de Drogas (n. 8º: “Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no artigo 288 do Código Penal. no Brasil. qualquer dos crimes previstos nos artigos 33.200 dias-multa”. 155. responderá por quadrilha mais furto simples: o entendimento dominante é que o reconhecimento do crime de quadrilha exclui a qualificadora do furto e do roubo pelo concurso de agentes. terá a pena reduzida de 1 a 2/3”. com as únicas diferenças que neste o número mínimo é de duas pessoas. caput e § 1o. tortura. 10. § 4º). quando se tratar de crimes hediondos. tráfico de entorpecentes.217/01). 6º da Lei 9. Organização Criminosa x Quadrilha ou Bando Não existe. Considera-se tanto a arma própria quanto a imprópria. Trata-se da figura da delação premiada. mas somente dispõe sobre as medidas cautelares vinculadas a 8 . Confronto A lei 8.. referida na Lei de Lavagem de Dinheiro como um dos seus crimes antecedentes (art. 2º da Lei 2. possibilitando seu desmantelamento.034/95 (alterada pela Lei n. não constituindo o delito no caso de mera associação eventual. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo” § único: “o participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha.072/90 (crimes hediondos) criou uma pena diferente para o crime de quadrilha quando esta se destinar a praticar crimes hediondos (ex.

escuta e vigilância ambientais e infiltração de agentes). 1o. que depende de lei específica. 5. 9 . tais como ação controlada. 5o.ações praticadas por quadrilha ou bando.015/04). do Dec. Tampouco atende ao princípio da legalidade estrita. n. pois tal conceito não se confunde com o crime do artigo 288. do Código Penal o fato de o Brasil ter incorporado à sua normativa interna a Convenção de Palermo contra o crime organizado transnacional (art. previsto na CF e no art. não é suficiente para a tipificação de tal definição. ou “organizações criminosas de qualquer tipo”.

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