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A Personagem (Série Princípios) - Resenha

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Brait, B. (1985). A personagem. São Paulo: Ática - p. 28-68.
Brait, B. (1985). A personagem. São Paulo: Ática - p. 28-68.

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Resenha

Brait, B. (1985). A personagem. São Paulo: Ática - p. 28-68.

Crítica, ensaísta, docente, orientadora e coordenadora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Docente aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo). Fez doutorado (1981) e livre-docência (1994) na USP e pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, França. É pesquisadora nível 1 do CNPq. Foi crítica militante de Literatura no Jornal da Tarde e, é colaboradora da revista Língua Portuguesa (Segmento). A escritora convida o leitor a percorrer a história para refletir sobre a concepção da personagem, suas variações , o percurso crítico desde Aristóteles até perspectivas modernas. O terceiro capítulo da obra tem como título “a personagem e a tradição crítica”, e o como subtítulo: “no princípio está Aristóteles”, que indica onde se inicia a busca para a primeira reflexão, a Grécia antiga. Aristóteles foi o primeiro dos teóricos de renome a abordar esse problema de definição sobre a personagem. Um aspecto marcante é o termo mimesis, que tinha sua tradução como “imitação do real”, que durante um bom período de tempo foi a palavra que estereotipava como uma simples imitação do real, uma pobre relação entre personagem-pessoa. Mas Aristóteles detinha a preocupação com o que era “imitado” e apontou dois aspectos essenciais a sua poética: a personagem como reflexo da pessoa humana; A personagem delimitada as leis particulares que regem o texto. A autora aborda um ponto fundamental a compreensão de certos tipos de personagens, a verossimilhança interna da obra. Onde apesar de existir mimesis, a personagem pode estar amparada pelo contexto da obra, sendo justificado o seu comportamento e trajetória na necessidade da realização da mesma. Houve um poeta latino, Horácio, que divulgou as ideias a respeito da mimesis aristotélica, a exaltando não só por sua finalidade para arte mas para o lado da moralidade humana. O poeta contribuiu para uma tradição no concebimento e avaliação de personagens a partir de modelos humanos. Em meados do século XVI, o escritor inglês Philip Sidney partilhava das ideias de Aristóteles e Horácio, além de exaltar a função do poeta na sociedade. Já na segunda metade do século XVIII inicia-se o declínio da concepção da personagem de Horácio e Aristóteles. Esta é substituída por uma visão que entende a personagem como a representação do universo psicológico de seu autor. Até o fim do século XIX não há uma definição firme, rígida que possa tratar da especificidade da personagem. A grande metamorfose nos conceitos da personagem iniciaram-se no século XX, onde os escritores da época realizaram modificações significativas em suas narrativas, ao mesmo tempo que reagem contra a importância dada a referências biográficas dos autores, dando assim visibilidade a personagem por sua especificidade como um ser de linguagem. O formalismo russo foi um “divisor de águas” para a visão crítica e teórica da ciência da literatura, valorizando a obra, seus elementos e suas particularidades.

Kristopher Kim Silva Universidade Federal Rural de Pernambuco Curso: Licenciatura em Letras-Espanhol – 2º período – Turno: Noite Disciplina: Análise e Interpretação do Texto Literário Profº Fábio Andrade

e essa condição pode perpetuá-la na memória do leitor. sendo ele narrador em primeira ou terceira pessoa. A autora cita ainda a possiblidade de uma escrita com abertura a mais de uma interpretação. Isso a partir de um toque. Um texto rico em exemplos que conduz um caminho para a compreensão da personagem. Beth Brait termina o quarto capítulo fazendo uma ressalva muito importante: para mantermos a parcialidade na leitura. “O cortiço”. Brait destaca a importância do narrador e seu foco que ilumina a existência da personagem. com autores de diversos gêneros. da sensibilidade do autor ao construí-la. mesmo não sendo o foco narrativo daquele momento. não ficando presos a apenas a nossa visão técnica ou teórica e acabar reduzindo a gama de possibilidades de ângulos diferenciados de visão de uma obra. Sendo o narrador em terceira pessoa. A construção da personagem é o título do quarto capítulo. . a autora faz um percurso histórico-literário para demonstrar a luta em desmistificar a personagem e firmar a sua relação com o discurso literário. Já o narrador em primeira pessoa pode revelar durante a narrativa parte de sua personalidade e características. os artifícios linguísticos e literários. A personagem tem inúmeras possibilidades de formas de existência. demonstrando como as personagens agem umas sobre as outras e revelam-se umas pelas outras. são determinantes para uma personagem diferenciada. de Aluísio de Azevedo. Nesse terceiro capítulo. Ele apresenta o enredo por sua perspectiva. Se vale de inúmeras referências de várias as partes do mundo. A dosagem das características de personalidade. Exemplifica ainda estas relações entre personagens com trechos do clássico da literatura brasileira. demonstrando as várias ferramentas e artifícios utilizadas pelos autores para dar “vida” a suas personagens. a personagem “fica em suas mãos”. que se inicia com a abordagem ao processo de formação da personagem.Há passagens em que Brait relata a importância da personagem no romance. pois cabe a ele apresentá-la e materializá-la de forma progressiva.

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