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dissertação sobre globalização neoliberalismo e a vida do professor

dissertação sobre globalização neoliberalismo e a vida do professor

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Published by: Angélica Abdalla on Oct 16, 2011
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Vivemos na era da globalização, aonde os limites vão desaparecendo.

Quem nunca ouviu dizer, expressões como “Globalização e neoliberalismo são marcas do nosso tempo”. A globalização pode ser definida e discutida desde uma perspectiva geral ou a partir de um enfoque. Neste caso podemos exemplificar sobre a discussão na área da economia, no âmbito político, no aspecto sociocultural entre outros. Há sempre um risco parcial ou taxativo nas conclusões, através de suas características, apontando de modo limitado para as implicações sociopolíticas e econômicas neste aspecto. A mercantilização da sociedade, o elevado desenvolvimento tecnológico, o aguçamento das contradições e aprofundamento das desigualdades sociais são acompanhados, simultaneamente, do aperfeiçoamento dos mecanismos teóricos e ideológicos de justificativa e sustentação da realidade capitalista atual. Na sociedade globalizada sob a orientação do modelo neoliberal, a administração científica ganha força e passa a se constituir no arcabouço teórico fundamental das políticas públicas. Nele é forte o poder da ideologia, cujo uso abundante garante em grande parte o sucesso das teorias da administração moderna impregnando os principais conceitos que as norteiam. Estes apontam para a mobilização das forças produtivas engajando os agentes individuais e coletivos nos processos de funcionamento e administração de empresas, organizações sociais governamentais ou não, com o objetivo de aumento da produtividade a partir de racionamento de recursos com redução de gastos.

Segundo o sociólogo alemão Urich Beck(1997), como o termo globalização são identificados através de processos que tem por consequência “a subjugação e a ligação transversal dos estados nacionais e sua soberania, através de atos transnacionais, suas oportunidades de mercado, orientações, identidades e redes” (Beck 1997p.28-29). Ouvimos falar de defensores da globalização e de críticos à globalização, num conflito pelo qual, diferentes organizações se tornam cada vez mais conhecidas. Neste sentido, não se trata de um conflito em sentido estrito sobre a globalização, mas sobre a prepotência e a mundialização do capital. Esse processo, da forma como ele atualmente

vem acontecendo. ao mesmo tempo. p. da revolução tecnológica e da ideologia do livre mercado (neoliberalismo). Se observamos a circulação mundial de capital. o desemprego e o aumento da miséria. Essa forma de globalização significa uma situação em que o máximo possível é mercantilizado e privatizado. As políticas educacionais são projetadas e implantadas segundo as exigências da produção e do mercado. na África e na América Latina. sem lugar para morar. isto é. ao aprofundamento da divisão internacional do trabalho e da concorrência e à crise de endividamento dos estados nacionais. . oportunidade de romper fronteiras. A concentração do capital e o crescente abismo entre ricos e pobres e o crescimento do desemprego e da pobreza são os principais problemas sociais da globalização neoliberal e que vêm ganhando cada vez mais significado. mas também. com o agravante do desmonte social. o avanço científico e tecnológico proporcionou ao ser humano. Assim. Nunca se produziu tanto e. Com o aumento da distância entre os países pobres e os países ricos. juntamente com o projeto neoliberal. Libâneo e Oliveira (1998. com o predomínio dos interesses dos países ricos. à redução do espaço de ação para os governos. ainda permanece excluída. a competição limitada e a minimização do Estado na área econômica e social. nunca houve tanta gente com fome. os países são obrigados a aderir ao neoliberalismo. podemos constatar que a maioria da população mundial na Ásia. mas também muitas perdas. o que se deu de forma progressiva nas últimas décadas. Para que essa globalização pudesse ter condições de se desenvolver foram à interconexão mundial dos meios de comunicação e a equiparação da oferta de mercadorias. desempregada. ou seja. impõe aos países periféricos a economia de mercado global sem restrições. não deveria sequer ser chamado de globalização. Isso leva ao domínio mundial do sistema financeiro. aumentou também a dependência daqueles em relação a estes. 606) afirmam que: As transformações gerais da sociedade atual apontam a inevitabilidade de compreender o país no contexto da globalização. Isto nos trouxe enormes benefícios. Algumas das questões que aparecem em decorrência disso são a exclusão social. política. Esta dependência significa não só uma debilidade econômica. daqueles que dominam a economia. já que atinge o globo de forma diferenciada e exclui a sua maior parte. das moedas nacionais. A globalização é uma tendência internacional do capitalismo que.

que falem. • Atenção à eficiência. flexíveis. Quem não estiver capacitado de acordo com as exigências do mercado é excluído do processo produtivo e isso significa desemprego. diversificação. p. Podemos perceber isto. eficácia e competência. conhecimentos técnicos e um relativo domínio na área de informática. Modernização na educação. nitidamente. leiam e escrevam em vários idiomas. mais uma empresa à qual se paga pela obtenção de um serviço. “É preciso fazer os ajustes necessários para que o país se desenvolva em sintonia com as outras nações!”. como uma mercadoria e a escola tornou-se. o mercado exige pessoas polivalentes. são as palavras de ordem. miséria. todo esse processo econômico que predomina a política capitalista e neoliberal que está focalizada na educação são as políticas dos órgãos internacionais. 604) destacam e que transcrevemos na íntegra. ao desempenho e às necessidades básicas de aprendizagem. No Brasil. onde os investimentos e benefícios são projetados e calculados da mesma forma como se procedem a uma empresa. produtividade. atualmente. ágeis. as políticas sociais. econômicas e educacionais continuam se delineando de acordo com as propostas do mercado mundial. se observarmos alguns aspectos interessantes que Libâneo e Oliveira (1998. na verdade. como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. que possuam habilidades múltiplas. A educação é oferecida.Podemos exemplificar. fome. este é o tom dos discursos do governo. • Avaliação constante dos resultados/desempenho obtidos pelos alunos que comprovam a atuação eficaz e de qualidade do trabalho desenvolvida na escola. Os aspectos por eles apontados demonstram a transformação da escola em mais um negócio que se rege pela lógica do mercado: • Adoção de mecanismos de flexibilização e diversificação dos sistemas de ensino nas escolas. à qualidade. com visão do todo. doença. • • • O estabelecimento de rankings dos sistemas de ensino e das escolas públicas ou Criação de condições para que se possa aumentar a competição entre as escolas e Ênfase na gestão e na organização escolar mediante a adoção de programas privadas que são classificadas ou desclassificadas. gerenciais de qualidade total. e assim por diante. encorajar os pais a participarem da vida escolar e fazer escolha entre escolas. Neste sentido. a qualidade total na educação. .

Assim. de outro. assim. podem contribuir para exclusão social. por exemplo. 2000:100). Como se percebe. de um lado. Os fundos públicos sob o efeito da lógica de redução de gastos do . respondendo. Se... ao chamamento à participação.• • Valorização de algumas disciplinas: matemática e ciências naturais. O Banco já sabe qual é o objetivo que deve guiar essas decisões descentralizadas: desenvolver as capacidades básicas de aprendizagem no ensino primário e (quando se justifique para o país) no nível secundário inferior. As características da diretriz da descentralização administrativa acontecem em várias instâncias. O que era de jurisdição federal modifica-se para um nível regional e também municipal . orientando-os para preocupações de ordens administrativas e produtivas. Nas instituições escolares mobilizam a sociedade para o desenvolvimento de “gestões democráticas” orientadas pelas políticas públicas.a municipalização do ensino no Brasil é exemplo típico de política de ajuste educacional. porque o Banco também sabe que isso contribuirá para satisfazer a demanda por “trabalhadores flexíveis que possam facilmente adquirir novas habilidades” (Coraggio. devido à Estabelecimento de formas “inovadoras” de treinamento de professores como. pois mais do que ninguém é consciente das “recomendações” aos países periféricos as quais mais interessam a quem de fato ele representa. O Estado responde às reivindicações por mais decisão e participação política que produz o duplo efeito de ocupar o tempo dos sujeitos mediante execução de atribuições e de substituir a agenda política dos trabalhadores. bem como do repasse de recursos em conformidade com a avaliação do desempenho. Esta descentralização das ações anteriormente sob responsabilidade do Estado incorpora através da repartição do poder. educação à distância. competitividade tecnológica mundial que tende a privilegiar tais disciplinas. A descentralização promovida nas estatais de todo o mundo tem como protagonista o Banco Mundial que coloca como “coordenador da cooperação internacional e educação”. • • Valorização da iniciativa privada e do estabelecimento de parcerias com o O repasse de funções do Estado para a comunidade (pais) e para as empresas. reclamado muito por movimentos sociais democráticos. • Descentralização administrativa e do financiamento. há uma ambigüidade nos aspectos apontados. trazem o desafio de manter uma educação atualizada e de qualidade. empresariado.

da uniformização de conteúdos a ser avaliados nacionalmente. fazendo-os aceitarem as “diretrizes” como algo dado. bastante dependente do conteúdo e estrutura do livro didático.Estado são repassados a níveis cada vez mais micro na cadeia de responsabilidades na produção de resultados. e ainda há o controle do trabalho docente mediante lógica que subordina a dinâmica da gestão presente às políticas públicas neoliberais.Exame Nacional do Ensino Médio. Avaliação Nacional de Cursos Superiores.25). . tornando-se a escola peça ativa desta lógica. A centralização é encoberta por uma ideologia da descentralização cujo objetivo é o desviar dos sujeitos a atenção sobre o sofisticado controle do processo de produção escolar. cuja exigência mínima se aproxima da totalidade do currículo. códigos e significados. constituindo-se num exemplo bastante representativo desta realidade o surgimento em larga escala dos professores “conveniados” no sistema público. repletas de conteúdos. levando ao campo da educação um incremento da flexibilização dos contratos de trabalho docente. A perspectiva da constituição de trabalhadores flexíveis compõe a orientação neoliberal para a sociedade no seu todo. 1998 p. ressaltando o entendimento da distribuição do poder limitado ao âmbito da execução de mecanismos de financiamento e gestão do sistema (Gentili. ficando às escolas reduzidas sobras de autonomia para se trabalhar conteúdos de ordem regional. responsável pela padronização de uma dinâmica docente em sala de aula. Apresenta-se também nas diretrizes para os cursos de formação de professores e na intensa relação do Estado com o oligopólio da produção editorial brasileira. Ele se manifesta em várias iniciativas do Estado. caracterizando assim um trabalho extremamente precarizado. o que cria dúbia realidade de mãode-obra terceirizada no interior do sistema público de ensino. Ou ainda nos mecanismos de avaliação dos diversos níveis de ensino. e nem sequer lhes compete questionar sua essência. Embora a ênfase da política educacional seja a descentralização administrativa. Está presente na visível “recomendação” dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). meios. por razões econômicas e obviamente ideológicas não se ressalta o lado da centralização que completa a lógica da referida política: o controle pedagógico do sistema educacional (Sacristán. é o caso tanto do ENEM . 1998). e do “Provão”.

desveste-se do ingrediente político. característica de sujeitos históricos que se questionam. e. na razão direta da falta de responsabilidade perante o Estado. A expectativa de quem elabora políticas públicas em educação e convida professores e pais à participação é o consenso. lutam. portanto. O enfrentamento dos problemas assume sempre caráter emergencial e imediato. A concepção de cidadania na perspectiva neoliberal não pressupõe debate aprofundando conceitos. . e assume o caráter pragmático de fazer as coisas funcionarem a partir da mobilização da sociedade. revestindo-se de conteúdo ideológico para se alcançar na prática o efeito necessário à execução das atividades concebidas por sujeitos mentores das políticas públicas. ser envolvido e motivado. O envolvimento sugerido é apresentado sem o ingrediente fundamental da dimensão política. o consentimento em torno do que está sendo proposto (Bruno. 2001). que significa “participação” em prol de uma escola de qualidade para todos.Outro conceito sobre a fundamentação teórica. a expressão “formar para a cidadania” é abusivamente difundida. Entretanto. à comunidade. obrigando-se a contentar-se com arremedos de solução desses problemas. sua inclusão neste processo faz parte do movimento de não responsabilizar o Estado no provimento de todos os recursos humanos e materiais necessários à educação pública gratuita e de qualidade. Um dos fortes caminhos apontados para a realização da participação é o da parceria de diversos movimentos sociais. tocado e conduzido pela ideologia da participação. Por não serem confrontados com o real. os conceitos produzem práticas que os negam. O fenômeno da parceria cresce em importância por revelar uma face negativa da escola. o distanciamento da comunidade. A participação. A comunidade vai aos poucos assumindo para si responsabilidade pela existência dos problemas. tanto no nível das políticas quanto no cotidiano dos sujeitos da comunidade escolar. decide e intervém nos processos sociais e institucionais. À escola. nem para a formação de uma identidade profissional autônoma. aos pais. Cabe ao professor deixar-se envolver por este clima de integração. não contribuindo para a construção de uma escola materialmente de qualidade. No campo educacional. numa proporção absurdamente inversa a sua discussão. aos “amigos da escola” é prescrito um tanto de atribuições.

ocorre em consonância com os interesses dos grupos sociais hegemônicos. que as comunidades escolares constroem cidadania. 1986). A campanha da qualidade na educação é mascarada e diretamente sintonizada às necessidades do mercado nos espaços de decisões. impulsionar a ação dos sujeitos dentro desta lógica.sim. A ideologia neoliberal desenvolve importante papel na função da escola numa sociedade globalizada e de classe. pois somente colaborando na resolução de problema eleitos. onde o poder encontra-se estruturado (Enguita. mesmo formalmente. até então. na verdade há por trás algumas intenções não explicitamente reveladas. . e associá-la à realização de atribuições arquitetadas cientificamente e nunca ao produto real. como: retirar da qualidade o pressuposto humanístico. a distribuição da qualidade. incutir na cabeça dos sujeitos um conceito de qualidade útil à lógica do mercado. Contudo. 1994). discursiva e concreta. A definição da função social da escola na atualidade não pode ocorrer sem se contextualizar o golpe desfechado pela perspectiva neoliberal nos valores humanos e democráticos que. a execução dos desafios que estão postos. pondo em questão o princípio da promoção humana (Saviani. nortearam a experiência da humanidade. Desse modo. difundido em objetivos educacionais de diferentes perspectivas teóricas na história das idéias pedagógicas. quando nos deparamos com a afirmação oficial de que “o objetivo da escola é uma educação de qualidade”.

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