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  • I.1 Argumentos
  • I.3 Análise lógica
  • I.4 Nível proposicional
  • I.5 Nível quantificacional
  • I.6 Condições, substituição e quantificação15
  • I.7 Interpretações
  • I.8 Sobre a igualdade. Descrições definidas
  • I.9 Resolução de ambiguidades
  • I.10 O silogismo aristotélico
  • I.11 Sobre a implicação material
  • 1.15 Exercícios e Complementos
  • II.1 Introdução
  • II.2 A linguagem proposicional
  • II.3 Definições indutivas. Valorações
  • II.4 Um sistema dedutivo: dedução natural
  • II.5 Regras para a conjunção
  • II.6 Regras para a negação e o condicional
  • II.7 Introdução de teses
  • II.8 Regras para a disjunção
  • II.9 Regras para o bicondicional
  • II.10 Mais exemplos. Terceiro excluído
  • II.11 Semântica e metateoria
  • *II.12 Decidibilidade, enumerabilidade efectiva, complexidade
  • II.13 Completude funcional e formas normais
  • *II.14 Compacidade proposicional e aplicações
  • *II.15 Introdução às lgebras de Boole Á
  • *II.16 Outros sistemas dedutivos (I): semânticos
  • *II.17 Outros sistemas dedutivos (II): cálculo de sequentes
  • *II.18 Outros sistemas dedutivos (III): axiomatização à Hilbert
  • *II.19 Outros sistemas dedutivos (IV): resolução
  • II.20 Exercícios e Complementos

UMA INTRODUÇÃO À LÓGICA, MATEMÁTICA E COMPUTACIONAL

AUGUSTO J. FRANCO DE OLIVEIRA Universidade de Évora

LÓGICA & ARITMÉTICA
Introdução à Lógica, Matemática e Computacional

Terceira edição revista e ampliada

Depósito legal N 9 . Lda. r/c Esqo . 2.ª edição.a edição revista e ampliada da obra com o título Lógica e Artmética. 1998. . Reservados os direitos para Portugal por: Gradiva — Publicações. Rua Almeida e Sousa. /06 AMS Subject Classification (2000): 03-01 .© Augusto J. 1399-041 LISBOA 3. Lda. 21. Franco de Oliveira/Gradiva Capa: Fotocomposição: Gradiva Impressão e acabamento: Manuel Barbosa e Filhos.

À memória de António A. Monteiro (1907-1980) . R.

.

......................................................................................................... 30 10............................. Introdução de teses......................................... Valorações.......................................... 31 11...... Compacidade proposicional e aplicações........................................ substituição e quantificação..................... Condições....................... Sobre a igualdade....... 135 20......................... Regras para a negação e o condicional..........................35 *12.. 98 *16.....25 8.... 16 3................. Definições indutivas... 56 7............................................... Regras para o bicondicional...... Regras para a conjunção............ Um sistema dedutivo: dedução natural........................................... 53 5..................... Nível proposicional.................................................... Decidibilidade........................ Completude funcional e formas normais...............................................................65 10.................................. 65 11........................... 47 2...................................................19 5........................................ Árvores.....21 6....................62 8.................................................................... ARGUMENTACÃO VÁLIDA........... 93 *15.... Descrições definidas....... 54 6........ 118 *18...........17 4....................................................................... Outros sistemas dedutivos (I): tableaux semânticos... Outros sistemas dedutivos (II): cálculo de sequentes................................................................................... 106 *17.......................................... A linguagem proposicional................ 63 9..................... Argumentos............. Regras para a disjunção...................................... Outros sistemas dedutivos (IV): resolução..................................................... Exercícios e Complementos................... 22 7...............36 13................................27 9.............. 84 *14.................................................. Semântica e metateoria............... Resolução de ambiguidades... Outros sistemas dedutivos (III): axiomatização à Hilbert............................................................... ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 1.............................................................................................13 2...................................41 II... Exercícios e Complementos........................126 *19............................. CÁLCULO PROPOSICIONAL 1............... Forma vs. enumerabilidade efectiva....... Introdução........................................................................ 7 I...................................................................... Interpretações................................ complexidade............. Nível quantificacional........ Mais exemplos...................................................................................................................................... Sobre a implicação material................ Terceiro excluído.............................................................145 vii ............ÍNDICE PREFÁCIO........................................ conteúdo...............49 4...................... O silogismo aristotélico.......................79 13.............................. 70 *12....................................................................................................... 48 3.......... Análise lógica....... Introdução às Álgebras de Boole................................................

.III.......................................... Outros sistemas dedutivos (I): tableaux semânticos... Validade e completude semântica........................... Metateoria........ Formas normais........................................... SOLUÇÕES.......... Completude definicional.............................................................. As linguagens elementares: alfabeto............. 5....................................................190 *9............................................................................................................. viii .....................................................225 16. 309 ÍNDICE REMISSIVO................................. 246 Propriedades da ordem................ Semântica tarskiana... 4...............................268 V.... Indecidibilidade na lógica elementar. 3.....................227 IV............................................. O QUE É A LÓGICA MATEMÁTICA? Explicação prévia................ 212 *13...................195 10....291 Exercícios e Complementos............................... 159 3......... 19........................................................................................................ Os metateoremas de Gödel e Tarski........................................................................................... 5............................. 3.......273 Sobre a natureza da matemática........................................250 Divisibilidade.......................157 2........ Um sistema dedutivo: dedução natural................... 4....................... Sobre os conceitos de «elementar» e de «validade universal»................................................ 172 6................................................................ 162 4............................................................ 175 7...................................187 8......... 2........ Outras formas de indução........................ Regras para a igualdade........................ Teoria de Herbrand e unificação........................................................................... 1............................................................... ARITMÉTICA DE PEANO Linguagem e axiomas.............................................................. 237 Sobre a axiomática de Dedekind-Peano..............................................................203 *12...........................240 Desenvolvimento de AP... 260 Metateoria........................................ 7.............. 285 Sobre a lógica e a matemática intuicionistas..297 1.... 6................................................. 8................................................................. CÁLCULO DE PREDICADOS 1...................273 O universo da lógica matemática....................... Exercícios e Complementos........................ Isomorfismos....................................255 Modelos de AP.................................................... 299 BIBLIOGRAFIA............... 168 5..................... rectificação e skolemização........................................... 2.....................................200 11..................................... Termos e fórmulas........................................ 276 Sobre a teoria dos conjuntos................................. 6............................................ 262 Exercícios e Complementos...... Teorias elementares: introdução de símbolos definidos....

que se traduzem na escolha e nível de aprofundamento dos tópicos abordados. Por esta razão. não aprofundo discussões filosóficas ou técnicas de questões de fundamentos. As primeiras secções do último capítulo podem. ix . ou logo após o primeiro. em curtas incisões. primeiro para o cálculo proposicional e depois para o cálculo de predicados com igualdade. Mas alguma coisa vou dizendo. a todo e qualquer ramo do saber ou pensamento. exigindo. sobre árvores). por exemplo. validade. algumas noções conjuntistas. nomeadamente as proposições matemáticas e o raciocínio dedutivo comum em matemática. no entanto. e o sintáctico-dedutivo. No que respeita à lógica. Assim.Prefácio Este livro pretende ser uma iniciação informal à lógica e aritmética (formais). como a seguir se explica. com algumas reservas. não demonstro as propriedade de validade (ou 1 Por exemplo. e interessa. com maior desenvolvimento no final do Cap. são. Esta lógica é apresentada sob dois pontos de vista. interpretação. onde são discutidas algumas questões de filosofia e fundamentos da matemática. contudo. O ponto de vista dedutivo é desenvolvido a partir do segundo capítulo através de um sistema de dedução natural. Por esses motivos. trato essencialmente daquela parte da lógica «clássica» que analisa as proposições e sistematiza o raciocínio. maior destreza e maturidade matemática1 e os resultados metamatemáticos mais importantes. tendo em conta opções e condicionamentos diversos. sistema esse que é caracterizado por um grande número de regras de inferência de fácil aceitação e manipulação. obviamente. como motivação. O ponto de vista semântico. IV e no Cap. o semântico. aliás. bastante ameno e destina-se apenas a introduzir informalmente algumas ideias (formalização. V. e notações (simbolismo lógico e não lógico) que são precisadas e desenvolvidas em capítulos posteriores. deixar de reflectir a preferência e a experiência pessoais. sem. abordados mais levemente do que seria natural num livro ou curso avançado de lógica matemática. ser lidas em primeiro lugar. o seu conteúdo matemático é praticamente nulo (exceptuando a última secção. a este respeito. O primeiro capítulo é. como as noções de função ou aplicação e de estrutura matemática. em geral. consequência lógica).

o quinto. deôntica. mas chamo a atenção para a importância dessas propriedades. mas suficientemente preciso para permitir voos mais altos a quem se queira aventurar seriamente na lógica matemática. numa futura reedição) quando há oportunidade para desenvolver e aplicar as suas inúmeras e importantes consequências. Por outro lado. assinalados com *. Alguns exercícios. sobretudo nos capítulos intermédios. Uma versão reduzida dos três primeiros capítulos foi leccionada. identificar mais facilmente as ideias centrais de uma disciplina de lógica concebida em moldes actuais e orientar-se para os tópicos ou variantes mais especializados. complementar o texto dos primeiros capítulos com um pouco de teoria axiomática dos conjuntos ou de teoria da computabilidade. Os exercícios constituem parte integrante do livro. num tal primeiro curso de lógica e fundamentos. Sem dificuldade se complementa o texto com as demonstrações omissas. paraconsistente. intuicionista. dá conta de algumas linhas directrizes de desenvolvimento dos tópicos apresentados e de possibilidades de extensão ou aplicação. quem sabe. em Outubro de 1989. quer em notas de rodapé. com relativo sucesso. quer no final. próprio de uma iniciação. contudo. podendo ser omitidos numa primeira leitura.x adequação) e de completude semântica do sistema dedutivo para o cálculo de predicados. Em resumo. outra disciplina lamentavelmente ausente dos programas liceais e universitários. O último capítulo. assim. num encontro da Associação de Professores de Matemática (APM) em Viana do Castelo. são acompanhados de sugestões. O mesmo sistema dedutivo foi leccionado. criteriosamente escolhidas. como os metateoremas de Gödel e Tarski. No Cap. O estilo da prosa é intencionalmente informal. mas entendo que tais demonstrações se justificam somente num livro ou curso um tanto mais avançado (talvez. no primeiro e segundo anos da licenciatura em Matemática da Faculdade de Ciências de Lisboa. etc. no fim de cada capítulo. durante alguns anos. Com esta finalidade se dão bastantes referências bibliográficas. de alguns resultados limitativos acerca das teorias formais contendo a aritmética elementar.) às extensões infinitárias da lógica clássica. e muitos acompanham o texto. de grande importância para os fundamentos. desde as lógicas não-clássicas (modais. IV desenvolve-se um pouco a aritmética elementar (como teoria formal). e de alguns pontos de vista alternativos. Informática. tais referências existem nas nossas bibliotecas universitárias. . no curso de Lógica Matemática. é talvez mais vantajoso. se ele for utilizado como base de um curso universitário. Julgo parte do conteúdo (as secções não assinaladas com *) adequado para um primeiro contacto com coisas lógicas. Na sua grande maioria. Os mais difíceis são. Este capítulo termina com uma discussão. como já se disse. novamente informal. ao nível dos anos terminais do ensino secundário ou do primeiro ano de uma licenciatura em Matemática. mas nenhum é excessivamente difícil. penso que a selecção e nível de aprofundamento dos assuntos abordados tipifica os interesses e necessidades de um vasto leque de potenciais leitores que poderão. No fim do livro encontram-se algumas soluções.

Aqui fica a recomendação. Dedico este trabalho à memória do matemático e lógico António Aniceto Ribeiro Monteiro que.xi Engenharia ou Letras (Filosofia). Paulo Almeida (IST) a paciente revisão e os inúmeros comentários que muito contribuíram para a clareza e acuidade da exposição. ou até para o leitor autodidacta. aplicar uma regra de três. em particular. recorro muitas vezes a ele pelo prazer da leitura e para inspiração no seu extraordinário sentido didáctico. fundou e expandiu uma escola de lógica matemática.2. ao Prof. o livro como está já . A 2.ª edição) e à Gradiva terem proporcionado esta nova experiência editorial. Paulo Almeida. um pouco de teoria dos modelos e de lógica e matemática intuicionistas e uma introdução folgada à teoria da computabilidade. talvez.3) constitui uma versão revista e ampliada de um pequeno texto escrito noutra ocasião. Mas trata-se. mas mais do que gostaríamos fossem necessárias). Carlos Lourenço (CERN) e Prof. Utilizei-o em algumas passagens e para os exercícios do Cap. entre outras. Antes de partir. Algumas dessas secções contêm aplicações não triviais para as quais se exigem alguns conhecimentos matemáticos. As secções novas de índole mais técnica são assinaladas com * e podem ser omitidas sem quebra de continuidade ou deixadas para leitura posterior.1-V. Aumentou-se o leque de exercícios propostos e resolvidos de cada secção (alguns saídos em exames) e acrescentaram-se algumas secções novas para satisfazer os interesses dos vários públicos que. O Cap. aparentemente. que é do melhor que conheço em termos de iniciação matemática (e metamatemática!) em qualquer língua e época.ª edição (1996) teve algumas alterações e acrescentos à primeira. em todo o caso. Ao Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências de Lisboa e ao Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais agradeço as facilidades de preparação do manuscrito original. em 1945. Muitas matérias que eu gostaria de ver incluídas num manual de (introdução à) lógica matemática ficam ainda de fora. porém. Agradeço aos meus amigos Dr. O texto foi todo revisto e composto em ê 5. Devo também agradecer à APM (na 1. tão bem como saberá. é um livrinho actualíssimo que urge reeditar. publicou entre nós (em colaboração com José da Silva Paulo) um livrinho de Aritmética Racional. do mínimo que o leitor intencional quererá saber (e saber fazer). Mais algumas correcções para a primeira edição brasileira foram incorporadas em 1968. com o mínimo de pressupostos. cuja primeira parte (V. Não apenas por estas razões. o cálculo de sequentes de Gentzen. Além disso. para além das correcções que se impunham (não muitas. IV foi o que teve menos alterações. acolheram bem as duas primeiras edições.0. por me ter convencido a reescrever o prefácio e acrescentar o capítulo final. resolver uma equação do segundo grau ou calcular uma área. IV. Em todo o caso. Mencionemos. para não alterar substancialmente o carácter informal e popular que intencionalmente se quis imprimir à obra desde o primeiro momento. aliás. A escolha de assuntos e o nível de tratamento dos mesmos. tem fortemente em conta este público vasto e heterogéneo. em terras distantes de outro continente. Espero que resulte num incentivo a todos os meus colegas e mestres para tornarem acessíveis a um vasto público (que por certo existe ou existirá) os frutos da sua experiência e labor.

Colégio Luís Verney 1 de Fevereiro de 2006. O Prefácio da primeira edição foi ligeiramente retocado e a bibliografia foi também actualizada com algumas das melhores obras que têm sido publicadas nos últimos anos. Aos Professores F. incluindo os meus alunos na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa das cadeiras de Lógica e Fundamentos da Geometria e de Lógica de Primeira Ordem em anos recentes. R. A todos os meus sinceros agradecimentos e votos para que continuem criticando e sugerindo melhorias. e ao Francisco Coelho pelo apoio logístico relativamente a esta edição. as críticas a alguns aspectos (terminológicos e não só) da primeira edição e ao acompanhamento da redacção das alterações e acrescentos na segunda. Dias Agudo e aos meus colegas Fernando Ferreira e Ana Isabel Matos.xii contém matéria que excede as possibilidades de leccionação num semestre universitário. respectivamente. Agradeço particularmente a três pessoas e colectivamente a todas as outras. e aos alunos de Lógica Computacional na Universidade de Évora. T] Y b .

2 A ordem de colocação das premissas é irrelevante: é o conjunto Ö9" ß á ß 98 × das premissas que se deve considerar como relevante. ou Interessa distinguir entre os argumentos correctos ou válidos e os argumentos incorrectos. ao argumentarmos com alguém. 13 . Ao fazer a leitura de (‡) é costume inserir uma das locuções «portanto». forçam (racionalmente) a aceitação da conclusão como verdadeira sempre que as premissas forem aceites como verdadeiras. portanto <». dizem-se as premissas do argumento (‡). e a última proposição. < 9" ã . «9" . <. lendo. 98 . ÞÞÞ. isto é. interessa-nos que as conclusões a que chegamos sejam pelo menos tão aceitáveis quanto as premissas de que partimos. e isto acontece se utilizarmos somente argumentos válidos. inválidos ou falaciosos (do latim fallacia — engano). 98 . ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA I. ÞÞÞ. pois só estes preservam a verdade. «logo» (ou similares). é a conclusão do dito argumento.1 Argumentos Um argumento é uma sequência finita de proposições (asserções. «Portanto» abrevia-se « ¾ ». 9" . «por conseguinte». 98 . ÞÞÞ.2 E para sugerir esta leitura usam-se frequentemente as seguintes notações alternativas para (‡): 9" ß ÞÞÞß 98 . sentenças) de determinada linguagem.Capítulo I ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. 98 < 9" ß ÞÞÞß 98 Î< . entre as premissas e a conclusão. mas tentemos primeiramente precisar um pouco o que foi dito. por exemplo. Veremos adiante alguns exemplos de argumentos correctos e de argumentos incorrectos. < (8   ") As 8 primeiras proposições. Ao fazermos um raciocínio. digamos (‡ ) 9" .

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I. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA

1.1 Definição Um argumento 9" ß ÞÞÞß 98 Î< diz-se correcto ou válido sse a conclusão < for verdadeira sempre que as premissas 9" , ÞÞÞ, 98 forem simultaneamente verdadeiras, e diz-se incorrecto ou inválido no caso contrário, isto é, sse alguma situação ou circunstância permitir que as premissas sejam simultaneamente verdadeiras e a conclusão falsa.
A definição anterior envolve-nos com os conceitos semânticos de verdade e falsidade, e com o conceito sintáctico de proposição, não sendo uma definição precisa enquanto estes conceitos não forem previamente definidos com rigor. Nenhuma destas tarefas é tão fácil quanto se poderia julgar. Sem problematizar, diremos apenas, de momento, que tomamos o termo «proposição» na acepção linguística corrente, como sinónimo de «frase (asserção, expressão) declarativa (ou enunciativa) de um juízo ou pensamento, que tem o verbo no indicativo, e pode ser afirmativa ou negativa»3. Isto quer dizer que, num determinado contexto ou referencial interpretativo, a cada proposição 9 pode ser atribuído sem ambiguidade, pelo menos em princípio, um dos valores lógicos verdade (símbolo “Z ”, ou “"”) ou falsidade (“J ”, ou “!”); além disso, considera-se 9 verdadeira se e somente se a situação ou estado de coisas que 9 exprime acontece de facto [concepção tarskiana da verdade ou veracidade enquanto correspondência com os factos ou a (uma) realidade]4. Exemplificando: A proposição «A relva é verde» é verdadeira sse a relva é verde.5 Note-se que o valor lógico de uma proposição como «A relva é verde» não é um absoluto categórico e intemporal, pois depende do contexto interpretativo. Por exemplo, no contexto de um campo de golfe bem tratado, a dita proposição é certamente verdadeira, mas noutro contexto, como o alentejano no pino do estio ela é, provavelmente, falsa. Esta dependência do valor lógico relativamente ao contexto interpretativo é ainda mais evidente nas proposições matemáticas expressas em notação totalmente simbólica como, por exemplo, a proposição seguinte, que exprime a comutatividade de uma operação binária indeterminada  : Para todo o B e todo o C, B  C œ C  B. Esta proposição é verdadeira em certas estruturas matemáticas (por exemplo, nos
Gr. Dic. da Líng. Port., Soc. Líng. Port., Lisboa, 1981, tomo IX, p. 462. Alfred Tarski (1902-1983), um dos maiores lógicos de todos os tempos, criador da moderna semântica, enquanto disciplina científica (também chamada teoria dos modelos, como ramo da lógica matemática). Autor de um dos primeiros livros de introdução à lógica moderna e à metodologia das teorias dedutivas destinados ao grande público, um clássico escrito durante a ascenção do nazismo na Alemanha, recentemente reeditado (ver bibliografia). 5 Uma frase clássica com que se costuma exemplificar este ponto é devida a A. Tarski: a proposição «A neve é branca» é verdadeira sse a neve é branca. A expressão «sse» é uma abreviatura de «se e só se», ou de «se e somente se», muito do agrado dos matemáticos.
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I. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA

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grupos comutativos, em que o símbolo “  ” denota a operação de grupo) e é falsa noutras estruturas matemáticas (por exemplo, nos grupos não comutativos). Por outro lado, não é necessário que saibamos determinar, no momento actual, o valor lógico de cada proposição com que lidamos, mas apenas exigimos que ela possua um determinado valor lógico, independentemente do nosso conhecimento dele.6 Por exemplo, não sabemos, de momento, qual o valor lógico da proposição aritmética «existem infinitos pares de primos gémeos»7, mas admitimos que possua um valor lógico determinado no momento presente. Analogamente para a proposição «existe um bloco de cem zeros consecutivos na dízima infinita de 1.» Mas já não se poderá dizer que possua um valor lógico determinado no momento presente a frase (dita contingente futura) «Qualquer dia vou ser eleito Presidente da República.» Vejamos alguns exemplos de argumentos válidos e inválidos.

1.2 Exemplos (1) Consideremos o clássico
Todo o homem é mortal Sócrates é homem Sócrates é mortal. Este argumento é válido: se as premissas forem ambas verdadeiras (e são, de facto, na acepção corrente), a conclusão é também verdadeira. (2) Substituindo no argumento anterior «mortal» por «mudo», uma das premissas e a conclusão são falsas (interpretadas no sentido corrente); no entanto, o argumento continua válido: se ambas as premissas forem verdadeiras, a conclusão é verdadeira também.

Esta questão não é pacífica. A suposição de que toda a proposição matemática possui um valor lógico, independentemente do nosso conhecimento, releva já de certa atitude filosófica, de índole idealista ou platonista, que não é partilhada por todos os lógicos e matemáticos, nomeadamente, pelos intuicionistas/construtivistas, para quem uma proposição matemática só possui valor lógico a partir do momento em que é demonstrada ou é refutada. Veja-se a secção V.5. 7 Um par de primos gémeos é um par de números primos da forma Ð:ß :  #Ñ. O maior número primo : conhecido (Setembro de 2005) nestas condições, é 16 869 987 339 975 † 2"(" *'!  1, que se escreve com 51 779 algarismos.

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16 (3) O argumento

I. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA

A relva é verde e o céu é azul A relva é verde é obviamente válido, quaisquer que sejam a localização do relvado e o estado do tempo. (4) Substituindo no argumento anterior «e» por «ou», obtém-se um argumento inválido, pois é concebível uma situação em que a relva não é verde, mas o céu é mesmo azul, tornando verdadeira a premissa, mas falsa a conclusão. (5) O argumento Os mesões têm spin " e a Lua é um queijo # Os mesões têm spin " # é válido, e este facto é reconhecido por qualquer pessoa, mesmo que ignorante de Física ou que não tenha ido à Lua saborear o queijo!

I.2 Forma vs. conteúdo
Das ilações que podem ser tiradas dos exemplos acima, a mais importante é a de que a validade (ou invalidade) de um dado argumento é independente do seu conteúdo concreto ou significado das proposições intervenientes, e portanto é independente da sua verdade ou falsidade factual, só dependendo da presença ou não de uma certa relação entre a verdade (factual ou hipotética) das premissas e a verdade (factual ou hipotética) da conclusão, relação essa que tem o nome de relação de consequência (lógica ou semântica).8 O argumento é válido se a relação de consequência se manifesta (dizendo-se neste caso que a conclusão é consequência das premissas) e é inválido no caso contrário. E tal relação está ou não presente num dado argumento somente por virtude da forma lógica do argumento a qual, por sua vez, depende da forma lógica das proposições intervenientes. Em última análise, pois, a validade ou invalidade de um argumento só depende da sua forma. Antes de prosseguir, fixemos o conceito de consequência numa definição geral.

2.1 Definição Seja D um conjunto de proposições, < uma proposição. Dizemos que < é consequência (lógica, ou semântica) de D sse < é verdadeira sempre que as proposições de D são simultaneamente verdadeiras.

8 A razão porque se utiliza o adjectivo «lógica», no presente contexto, é a seguinte: se 9" ß …ß 98 } <, isto acontece somente por virtude do significado dos símbolos lógicos (conectivos) que ocorrem nas fórmulas 9" ß …ß 98 ß <.

98 } < em vez de Ö9" ß ÞÞÞß 98 × } <. devidos a matemáticos e lógicos como Boole. digamos D œ Ö9" ß ÞÞÞß 98 ×. Quanto à igualdade (símbolo “ œ ”). Comparando as definições 1. of Logic 7. É tarefa bem complexa e delicada. Peirce. a igualdade pode ser definida a partir de outros conceitos.1 concluimos imediatamente que um argumento 9" ß ÞÞÞß 98 é válido sse 9" ß ÞÞÞß 98 } <. Identificar e classificar as componentes lógicas e não lógicas das proposições (e demais expressões) de uma língua ou linguagem é uma tarefa. As linguagens formais que abordaremos são o (um) resultado de tais progressos. escrevemos simplesmente 9" .I. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA Escreve-se D}< 17 para exprimir que < é consequência (lógica. 143-154. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. já um tanto em desuso.10) e em certas teorias matemáticas (como a teoria axiomática dos conjuntos). n. 9 V. houve progressos notáveis desde meados do século passado. Peano e Russell. entre muitas. ou semântica) de D. particularmente no que respeita à linguagem (linguagens) da matemática (das teorias matemáticas). ÞÞÞ. chamada análise lógica. Graças à criação de um simbolismo adequado. 1986. TARSKI “What are logical notions?”. Schröder. A expressão «D } < » também se pode ler «de D conclui-se (logica ou semanticamente) <». e o de bicondicionalização de equivalência material. . por meio de certas operações (ou operadores) lógicas. < I. De Morgan. entre outros factores. and Phil. 6. deve-se referir que em certos sistemas lógicos mais fortes do que os considerados neste livro (por exemplo. Se D for vazio (D œ g) escrevemos } < em vez de g } <. Há um consenso relativamente grande entre os lógicos sobre quais os conceitos lógicos fundamentais presentes nas expressões e proposições matemáticas. Se D for finito. A coluna da direita contém alguns dos símbolos mais antigos.9 Na tabela seguinte indicam-se os símbolos dos conectivos e dos quantificadores e sua interpretação a utilizar neste livro. aos quantificadores (incluindo o uso de variáveis). o artigo de A. Hist. pp.1 e 2. O conectivo de condicionalização também é chamado de implicação material. e ao conceito de igualdade. na chamada lógica de segunda ordem. dos lógicos e linguistas. ou «D implica (logica ou semanticamente) <». São os que dizem respeito aos chamados conectivos proposicionais. Frege. ver III.3 Análise lógica Explicitar a forma lógica de uma proposição 9 é explicitar o modo como essa proposição é formada ou construída a partir de proposições (ou condições) mais simples.

ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA Por outro lado. tentou-se considerar o conceito de pertença (símbolo “ − ”). “<” para representar proposições arbitrárias).18 I. como conceito lógico. É costume distinguir dois níveis de análise lógica das proposições — o nível proposicional. por exemplo. em que todas as proposições.1. q Ê. Do ponto de vista da lógica tradicional os conceitos lógicos são aqueles que são os mais gerais e comuns a todos os ramos do saber (incluindo a matemática). mas há conceitos específicos de cada ramo que não fazem sentido noutros ramos. ¨ Í. ´ C. Em análise lógica as variáveis são imprescindíveis para exibir a forma das proposições e argumentos e até para podermos dizer algo acerca de proposições arbitrárias (como. então se e só se para todo existe Operação lógica conjunção disjunção negação condicionalização bicondicionalização quantificação universal quantificação existencial Alternativos &. por exemplo. são analisadas na sua estrutura gramatical interna. em certos sistemas lógicos desenvolvidos no final do século passado e princípios deste.10 CONECTIVOS E QUANTIFICADORES Símbolo • ” c p op a b Leitura e ou não seÞÞÞ. Por exemplo. mais rico e variado do que o adoptado para a análise ao nível proposicional. nomeadamente por Gottlob Frege e por Bertrand Russell. eivados de dificuldades (quando não contradições) e artificialismos inultrapassáveis. etc. contudo. na ligação das variáveis aos quantificadores. E A utilização de variáveis. do mesmo modo que o conceito de número primo não é um conceito específico da Biologia e o conceito matemático de pertença não é um conceito da lógica. etc. identidades algébricas. mesmo as encaradas como simples no nível proposicional. Tais sistemas revelaram-se. Ð Ñ D. o conceito botânico de semente não é um conceito específico em Química. no âmbito de um ambicioso programa de redução da matemática à lógica (o chamado programa logicista). na relação sujeito-predicado. obviamente. aceitando-se hoje em dia que aquele conceito é especificamente matemático. . para exprimir leis físicas. O simbolismo adoptado para efectuar a análise ao nível quantificacional é. na definição 1. 10 . em que só nos interessa o modo como uma proposição é composta de proposições mais simples por meio dos conectivos proposicionais. por exemplo. e o nível quantificacional. é uma prática já centenária em matemática e nas ciências que utilizam a matemática. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. em que utilizamos letras “93 ”. † + ~. não lógico. conceito fundamental da teoria dos conjuntos. que mais não são do que letras de certos alfabetos.

a componente <. ). por exemplo: «a letra : denota uma proposição simples».14159á ). que se lê «9 ou < ». A convenção autonómica não é utilizável em matemática: por exemplo. Assim. para representar proposições simples.1 Exemplos Ao nível proposicional. «9 é condição suficiente de (ou para) <». «9 é condição necessária e suficiente de <». se 9. < são proposições. ñ Ð9 ” <Ñ — a proposição disjunta [ou disjunção (inclusiva)] com 1a componente 9 e 2. Os conectivos12 • . 4. daí a possível ambiguidade. Quando não houver possibilidade de confusão. que se lê «não 9». «< é condição necessária de (ou para) 9 ». se 9 ». a distinção uso/menção. segundo a qual cada símbolo ou expressão se considera como um nome de si própria.ÞÞÞ. que se pode ler de muitas maneiras diferentes: «se 9. só (ou somente) se < ». podemos suprimir os parênteses (mais sobre esta supressão no Cap.I. para representar proposições arbitrárias. que se lê «9 sse <». é frequente lêr-se «9 implica < » para exprimir que a proposição 9 p < é verdadeira. «9 . o devem ser encarados como operadores que actuam sobre proposições e produzem proposições. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 19 I. diremos. ÞÞÞ. simples ou p compostas. <. ñ Ð9 p <Ñ — a proposição condicional (ou implicação material) com antecedente 9 e consequente <. II). <.11 possivelmente com índices. porém. Usando essa convenção. «9 implica (materialmente) < ».a componente <. ñ c9 — a negação de 9. «<. conforme o contexto. . lê-se «9 e < ». em vez de «a letra ‘:’ denotaá ». pois um número não é uma letra. ou «não se tem 9». os argumentos dos exemplos (1)-(5) acima podem ser simbolizados (ou formalizados) do seguinte modo: Recorde-se que para formar um nome de um símbolo ou de uma expressão se coloca esse símbolo ou expressão entre aspas “ ” ou entre comas ‘ ’.4 Nível proposicional A este nível é costume usar as letras latinas :.a componente <. e as letras gregas 9. também o são: ñ Ð9 • <Ñ — a proposição conjunta (ou conjunção) com 1a componente 9 e 2. mas não podemos usar a convenção autonómica relativamente a esta letra. Nomeadamente. à chamada convenção autonómica. possivelmente com índices. a letra ‘1’ denota em matemática um certo número irracional (1 œ 3. Os lógicos recorrem muitas vezes. deixando-se para o leitor. «9 é equivalente (materialmente) a <». p . . por razões que mais adiante se explicam e têm a ver com os diferentes significados ou usos possíveis do termo «implica». então < ». Das leituras possíveis indicadas para p e o devem preferir-se as primeiras p alternativas. 11 . ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. ñ Ð9 o <Ñ — a proposição bicondicional (ou equivalência material) com 1a p componente 9 e 2. ” . 12 Alguns colegas de ofício sugerem que deveriámos dizer «as conectivas». c .

o que mostra a insuficiência da análise lógica ao nível proposicional. e a tabela de verdade para ” . ” . resulta a conclusão : verdadeira também. isto é. Muitos teoremas em matemática têm aquela forma condicional. . o são indicadas a seguir. As tabelas de verdade para • . < os valores ". : (3w ) e (5w ): A validade de (3) [e de (5)] pode ser reconhecida através da forma (3w ): sempre que atribuirmos valores lógicos às letras :. < :•. indicamos já o valor respectivo. . se porventura 9 é verdadeira. de modo a tornar a premissa : • . . E. por exemplo). ser verdadeira e a conclusão : ser falsa: basta .20 (1w ) e (2w ): I. c. : (4w ): :”. nas linhas em que o antecedente tem o valor !. então certamente que 9 não implica <. a invalidade de (4) pode ser reconhecida pela forma (4w ). ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA : . já não pode ser reconhecida pela forma proposicional (1w ) (pois somos livres de atribuir a :. !. e a sua demonstração procede normalmente (pelo chamado método directo) de 9 para <. verdadeira. E é assim devido ao modo como utilizamos ‘e’ na língua comum. mas < é falsa. tenha-se em conta o modo como proposições da forma 9 p < são utilizadas em matemática. a condicional 9 p < é falsa. na conhecida tabela de verdade para o conectivo • (ver adiante). pelo menos. TABELAS DE VERDADE DOS CONECTIVOS 9 ! " c9 " ! 9 ! ! " " < ! " ! " 9•< ! ! ! " 9”< ! " " " 9p< " " ! " 9o < p " ! ! " Nos casos em que o antecedente tem o valor ". Ora. p . ". Uma p justificação da tabela de p . porém. . das componentes for verdadeira. Do mesmo modo. ser verdadeira. no sentido seguinte: admite-se 9 como verdadeira e tenta-se demonstrar a veracidade de <. respectivamente. que resulta do facto de uma disjunção (inclusiva) se considerar verdadeira quando e só quando uma. que nos leva a considerar uma proposição conjuntiva como verdadeira quando e só quando ambas as componentes são verdadeiras. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Este facto exprime-se esquematicamente. A validade do argumento (1) [ou (2)]. de modo condensado. será feita mais adiante mas. é possível a premissa : ” . de qualquer modo.

2. nas proposições (6) Sócrates é homem. concreta ou abstracta) — os sujeitos — e certos predicados ou relações entre eles. identificamos os indivíduos particulares Sócrates. I. Maria. pois. como veremos. está um certo domínio ou universo (do discurso): uma colecção a que pertencem os indivíduos ou sujeitos referidos (cujos nomes podem ocupar as posições livres nos predicados). +w . ou aridade 1). o segundo binário (duas posições livres ou dois «graus de liberdade». . Implícita ou explicitamente. … para este fim.5 Nível quantificacional No segundo nível da análise lógica das proposições encontramos como componente fundamental a ligação sujeito-predicado: certos objectos ou indivíduos têm certa propriedade. . ÞÞÞ. Tais letras são também chamadas constantes. .I. 3.13 No lugar dos espaços em branco «â» colocaremos variáveis. . os predicados e relações acima podem ser representados pelas expressões (‡‡) B é homem. para representar indivíduos arbitrários do domínio dado. em que seja tida em conta a «estrutura interna» das proposições :... B ama C. letras (do fim do alfabeto latino) B. 4 e os predicados e relações â é homem. (7) Manuel ama Maria. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 21 Necessitamos.. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Por razões que só serão explicadas no Cap. ou estão em certa relação com certos outros. consideradas simples ao nível proposicional. D . â ama â . . de passar a um nível mais profundo da análise. isto é. II. mas já não ao nível quantificacional. pois. < do exemplo (1). -" .. . B está entre C e D . possivelmente com índices. . Por exemplo..1 Notações Neste capítulo usaremos as letras . 13 . sendo o primeiro predicado unário (uma posição livre ou «grau de liberdade». â está entre â e â . 5. . possivelmente com índices.. (8) 3 está entre 3 e 4. Manuel. -# . como nomes (próprios) de indivíduos ou objectos particulares de um dado domínio. C. ou aridade 2) e o terceiro ternário (aridade 3).. preferimos não utilizar as letras +. Assim. Em cada proposição analisada identificamos certos indivíduos ou objectos (de natureza qualquer.

14 Mais geralmente. Relativamente às proposições (6)-(8) acima.. Manuel. por exemplo. -$ como nomes dos indivíduos particulares Sócrates. UBC.. usaremos letras como T . são T ÐBÑ. por VB" ÞÞÞB8 uma relação 8-ária (8   #). VÐBß Cß D Ñ. . 15 Definições mais precisas são dadas no Cap. possivelmente com índices. um predicado ou relação binária por UBC e um ternário por VBCD . mas nem por isso deixamos de ter aqui uma relação ternária num universo numérico (números inteiros. e colocaremos as variáveis e nomes de indivíduos à direita. num dado contexto. V . V . binários.6 Condições. VÐBß Cß DÑ respectivamente. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA respectivamente. VÐ$ß #ß %Ñ. são chamados símbolos predicativos (ou relacionais). UBC. 14 .. quer por meio das operações lógicas já indicadas. por vezes mais convenientes. U. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. associadas aos conectivos proposicionais. conforme o caso). por exemplo). Em exemplos matemáticos recorremos às notações comuns. dizer que x está entre C e D equivale (por definição) a dizer que C é menor do que x e x é menor do que D .. etc.. U-# -$ . ocupando tantas posições quanto o grau ou aridade respectivo. . ou D é menor do que x e x é menor do que C. UÐBß CÑ (ou BUC). respectivamente. que num contexto diferente se denote por T BC ou T ÐBß CÑ um predicado ou relação binária. Assim. podemos abreviar as expressões (‡‡) em T B. substituição e quantificação15 Os símbolos T . etc. e se usarmos as letras -" .. I. B œ C ou similares são chamadas condições simples ou atómicas. e expressões como T B. é conhecida a relação ternária (estar situado) entre. obtemos para expressão simbólica de (6)-(8) T -" . -# . como B  #. Maria. A partir de condições atómicas outras condições (ou proposições) se podem obter. quer por meio de duas outras operações Pese embora o facto de que. III.22 I. Notações alternativas. porém. um predicado unário pode ser expresso por T B. U. ou espaço) dos pontos. simbolicamente ÐC  x • x  D Ñ ” ÐD  x • x  C Ñ. VBCD . #  $  %. para números. etc. como nomes de predicados e relações (unários. no domínio (plano. Nada impede. respectivamente. Em geometria (euclidiana). respectivamente.

se 9 . O resultado de substituir numa condição atómica uma variável por um nome pode ser uma proposição ou ainda uma condição. 9ÐBÑ». obtém-se a condição na variável C. não quantificadas.I. 9 ” < . mas com menos variáveis. pelo menos (quer dizer. ou 9Ð-" ÎB" ß ÞÞÞß -8 ÎB8 Ñ o resultado da substituição. Admitiremos então que. ou similarmente. ou «algum B tem a propriedade 9». por quantificação da variável B: ñ aB9ÐBÑ — a quantificada universalmente em B de 9ÐBÑ. a substituição de variáveis por outras variáveis ou por nomes e a quantificação de variáveis. É usual a notação 9ÐB" ß ÞÞÞß B8 Ñ para indicar que 9 é uma condição nas variáveis B" . a quantificação de condições nem sempre produz proposições. Por exemplo. ou similarmente. 19).16 ñ bB9ÐBÑ — a quantificada existencialmente em B de 9ÐBÑ. denota-se por 9Ð-" ß ÞÞÞß -8 Ñ. a saber. desde que essa variável ocorra em 9 . outras variáveis além destas podem ocorrer em 9. que ninguém utiliza!) «9ÐBÑ. 9 p < . numa dada condição 9. é a leitura «9ÐBÑ. para algum B». B8 . Introduzimos agora outra maneira — a quantificação de variáveis. c9 . como é óbvio. mas com menos variáveis livres. Até este momento. obtemos a proposição T + mas. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 23 lógicas. mas isto não esgota as possibilidades gramaticais para obter condições (ver adiante). Então podemos formar as seguintes expressões. excepto se algo se disser em contrário). a única maneira de obter proposições consistiu em substituir variáveis por nomes. fazendo a mesma substituição na condição UBC. 9ÐBÑ». mas frequente. correspondente à escrita (formalmente incorrecta mas muito comum) «9ÐBÑ. substituindo B por + em T B. . A substituição de uma variável por um nome (constante) pode efectuar-se. em condições. que corresponde literalmente à escrita (incorrecta e absurda. U+C. . 9ÐBÑ». 17 Também é frequente a leitura «9ÐBÑ. isto é. aB». pois pode também produzir condições. Seja 9ÐBÑ uma condição numa variável B (e possivelmente noutras variáveis). mas se permanecerem variáveis por substituir obteremos ainda uma condição. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. com a leitura «existe (pelo menos um) B tal que 9ÐBÑ». se cada B3 for substituída por um nome -3 (" Ÿ 3 Ÿ 8). < forem condições (ou proposições. ou ainda «todo B tem a propriedade 9 ». Se todas as variáveis em 9 forem substituídas por nomes (constantes). bB». Todavia. atómicas ou não).17 16 Menos correcta. para todo B».. e. 9 o < p (mesma leitura que a indicada na pág. ou «para algum B. obtemos uma proposição.. ou «para qualquer B. então também o são as expressões 9 • < .. que se lê «para todo B.

numa dada condição 9ÐBß ÞÞÞÑ. devemos ter o cuidado de verificar que ? não ocorre já em 9ÐBß ÞÞÞÑ pois.. Por exemplo. 9ÐBÑ. pelo menos. Por abuso. exactamente o mesmo que exprime aD bC ÐD œ C  CÑ. por sinal. uma proposição da forma aB 9ÐBÑ ou da forma bB 9ÐBÑ. pelo contrário. 9ÐBÑ é o alcance do quantificador em B.. D . em contrapartida. . que não exprime acerca de ? o mesmo que a inicial exprimia acerca de B. a condição em ?. substituir a variável B por uma outra. e exactamente o mesmo exprime a proposição seguinte onde nem sequer ocorre B b? bC Ð? œ C  CÑ Como é também manifesto através destes exemplos. são variáveis para números inteiros). é falso). Em expressões da forma aB9ÐBÑ ou bB9ÐBÑ. nada diz acerca de B a proposição bB bC ÐB œ C  CÑ. D .. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA As expressões aB. resultando a proposição bC ÐC œ C  CÑ. pois todas as variáveis ou foram substituídas por nomes ou foram quantificadas. Mas. que. digamos ?. resultaria. bB 9ÐBÑ são proposições (ou sentenças). bB são os quantificadores em B. a proposição que se obtém da condição em B acima quantificando universalmente esta variável aB bC ÐB œ C  CÑ já nada diz acerca de B. caso ocorra. É claro que nas proposições não pode haver variáveis livres. ocorrem livres em 9ÐBÑ [isto é. nomeadamente «B é par». . C.. e naquelas expressões as ocorrências de B são mudas ou aparentes. se somente B é livre em 9ÐBÑ. possivelmente. respectivamente. bB 9ÐBß Cß D ß ÞÞÞÑ são condições nas variáveis C . 0. somente. 9ÐBß Cß Dß ÞÞÞÑ é uma condição nas variáveis B. se quisermos. dizemos que B é livre em 9 se B tem. D . isto é. já nada diz acerca de B. . ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. então as expressões aB 9ÐBß Cß D ß ÞÞÞÑ. se se substituísse B por C em bCÐB œ C  CÑ. exprime algo acerca de B. supondo que B. bC Ð? œ C  CÑ. uma condição com significado totalmente diferente do pretendido. por exemplo. Observe-se. .. .24 I. então aB 9ÐBÑ. na álgebra dos números inteiros (isto é.. por outro lado.. se outras variáveis C. D . Analogamente. C. a condição em B bC ÐB œ C  CÑ exprime algo acerca de B. uma ocorrência livre em B. Ocorrências de variáveis em condições que não são mudas dizem-se livres. exprime «? é par».. que exprime que existe um número inteiro igual ao seu dobro (o que é verdade: é o inteiro zero. aB ou bB. Assim é no caso acima. elemento neutro para a adição). Enquanto uma condição em B.. pois exprime «todo o número inteiro é par» (o que. ?. do mesmo modo. exprimindo «existe um número par» (o que é verdade).

I. I. 7. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 25 A distinção livre/muda é também pertinente em expressões matemáticas. ? são livres mas as variáveis 3. como por exemplo na seguintes condições " 8 3œ" 3œ J Ð?Ñ œ ( 0 ÐBÑ .B. (10) Toda a pessoa ama alguém. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. podem ser simbolizadas por (9w ) bC U-C. (10w ) aBbC UBC. isto é... Em geral. B são mudas. podemos também dizer: um referencial. supomos fixado um domínio [ou universo (do discurso)] para as variáveis. nas quais as variáveis 8.7 Interpretações As proposições da língua portuguesa (9) Sócrates ama alguém. suporemos tacitamente que tais substituições são feitas com os devidos cuidados para evitar a alteração do significado. ? ! 8Ð8  "Ñ . indicando ao mesmo tempo a interpretação respectiva. uma colecção ou conjunto de objectos ou indivíduos onde as variáveis tomam valores. e é sempre através de uma interpretação (dissemos anteriormente: um contexto interpretativo. — A constante . UBC significa B ama C. .1 Exemplos Simbolizemos agora os argumentos (1)-(5) ao nível quantificacional. isto é.denota o indivíduo Sócrates. neste capítulo. # ÖB − ‘ À " Ÿ B  8× œ Ò"ß 8Ò.) que as proposições simbólicas podem tomar um ou outro dos valores lógicos verdade (") ou falsidade (!). . a fixação de um domínio para as variáveis e a atribuição de significado aos nomes e aos símbolos predicativos de um dado simbolismo é o que se chama uma interpretação desse simbolismo. Sempre que efectuarmos substituições de variáveis (livres) por outras variáveis. respectivamente. — O símbolo U denota a relação de amar. etc. desde que façamos as convenções seguintes: — As variáveis B. denotam pessoas arbitrárias. C. por outras palavras.

Quine (1908-2000).: Sócrates: aBÐT B p UBÑ TU-. van O. é devido ao lógico americano Willard van Orman Quine. Outro exemplo mais complicado: a 2.• U. UB: B é azul.a componente da premissa do argumento (5). T B: B é um mesão. com ” no lugar de • . professor na Universidade de Harvard. excepto que UB: B é mudo: Idem. T B: B é verde. " (5ww ) Domínio: todas as coisas. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. VB: B é um queijo. Só para dar um exemplo.. UB: B é mortal. famoso. UB: B tem spin # . (2ww ) Idem. se queremos obter uma forma válida. T(4ww ) Idem. Idem. o predicado unário Q B: B é amante de Maria (ou: B ama Maria). «A Lua é um queijo».: a relva. O seguinte exemplo. na frase (7) acima podíamos ter preferido considerar. mas há casos em que é mesmo necessário utilizar o predicado de igualdade (interpretado como a relação de identidade.26 I.18 18 W. de estilo inconfundível (ver bibliografia). . . reputado lógico e filósofo da lógica e da linguagem da actualidade. na maioria dos casos. haver mais de uma simbolização e de uma interpretação possíveis. (3ww ) Domínio: todas as coisas. : o céu: T . T B: B é homem. no domínio das pessoas. A complicação é aqui dispensável. -: a Lua: aB ÐT B p UBÑ • V. . . . autor de alguns dos livros mais bem escritos de introdução à lógica.• VBÑ. em cada domínio) na simbolização de um dado argumento. aB ÐT B p UBÑ Devemos chamar a atenção para o facto de. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA (1ww ) Domínio: (colecção das) pessoas. de modo que (7) se simbolizaria simplesmente por Q . pode ser simbolizada por bB ÐB œ .

vol. vol. Interpretação: Domínio: pessoas. N. Whitehead. expressões como «o mestre de Platão». Descrições definidas Quando escrevemos. Mas também em (13)-(15) o «é» não é predicativo (como em «Sócrates é mortal») mas sim um «é idêntico a». respectivamente. por AYDA ARRUDA]. são chamadas descrições definidas por Bertrand Russell. (15) A honestidade é a virtude que mais admiro. o artigo de L. das próprias designações: «Lisboa» Á «capital de Portugal»!). (15w ) A honestidade œ a virtude que mais admiro. T B: B sabe a senha de passagem. œ .o 3 (1964) Òtraduzido de Science. Ver. por exemplo: (12) 2  3 œ 4  1. : a Sentinela. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 27 7. equivalentemente. Soc. ou «o autor de Os Maias».: o General. Formalização: aB ÐT B p B œ . Paranaense de Matemática. obviamente. UB: B rouba munições. Todavia. onde se procura pôr em prática o programa logicista de «redução» da matemática à lógica. Isto é claro em (12): o resultado de somar 2 com 3 é o mesmo número que o resultado de somar 4 com 1. . . estamos a utilizar o conceito de identidade. (14) Lisboa é a capital de Portugal. Þ I. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. 7. de colaboração com A. (14w ) Lisboa œ capital de Portugal.2 Exemplo (11) Argumento: Somente o General e a Sentinela sabem a senha de passagem Alguém que sabe a senha de passagem rouba munições O General ou a Sentinela rouba munições.” U.I. a propósito. podendo-se escrever. Ñ bB ÐT B • UBÑ U. Bol.19 Estamos encarando tais 19 O termo é utilizado no trabalho monumental Principia Mathematica (1910-1913). Em geral. expresso pelo símbolo de igualdade. 138 (1962) pp.8 Sobre a igualdade. . HENKIN “A Matemática e a Lógica são idênticas?”.” B œ . em três volumes (dos quatro previstos). o símbolo de igualdade ‘ œ ’ emprega-se entre duas designações ou expressões designatórias para exprimir a identidade dos entes designados (e não. (13w ) Sócrates œ mestre de Platão. 788-794. (13) Sócrates é o mestre de Platão. n.

A razão da discrepância reside no facto insuspeitado de a validade de (16) depender do predicado Q B. III). ou. vemos que a premissa de (16) afirma. que uma única pessoa escreveu Os Maias e que essa mesma pessoa escreveu O Crime do Padre Amaro.28 I. exprime-se «existe um único B tal que 9ÐBÑ» pela conjunção bB9ÐBÑ • aCaD ÐÐ9ÐCÑ • 9ÐD ÑÑ p C œ D Ñ. o que se pode simbolizar por (17) bB ÐQ B • aC ÐQ C p B œ CÑ • T BÑ. para efeitos de simbolização de frases. Com esta interpretação. mas a verdade é que nem sempre este modo de proceder é conveniente para efeitos de estabelecimento da validade de certas formas de argumentos. abreviadamente . (16) Argumento: O autor de Os Maias escreveu O Crime do Padre Amaro Alguém escreveu Os Maias e O Crime do Padre Amaro Este argumento é válido. A existência e unicidade de um indivíduo ou objecto sujeito a certa condição também tem de ser expressa através do predicado de igualdade. como facilmente se verifica por um contra-exemplo obtido com uma interpretação diferente (exercício). Supondo 9ÐBÑ uma condição em B. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA expressões como descrições ou designações ordinárias (tal como os nomes próprios). ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Bertrand Russell introduziu o chamado operador de descrição (definida). já se obtém uma forma válida. devido essencialmente a Quine. com a finalidade de poder simbolizar expressões como «o único B tal que 9ÐBÑ». Q B: B escreveu Os Maias. implícito na descrição «o autor de Os Maias». adaptado à nossa literatura.: o autor de Os Maias. actualmente em desuso. T B: B escreveu O Crime do Padre Amaro. Consideremos a seguinte interpretação: Domínio: pessoas. equivalentemente (equivalência a demonstrar no Cap. Reflectindo. Damos a seguir outro exemplo. que se omitiu na premissa de (16w ). . Substituindo na forma (16w ) a premissa por (17). + (letra grega iota). o argumento acima tem a forma (16w ) TbB ÐQ B • T BÑ mas esta forma não é válida. podendo qualquer destas expressões ser abreviada em b" B 9ÐBÑ. implicitamente. onde 9ÐCÑ œ 9ÐCÎBÑ e 9ÐDÑ œ 9ÐDÎBÑ. por bB Ð9ÐBÑ • aC Ð9ÐCÑ p B œ CÑÑ.

ou de selecção. É discutível. Note-se que (17) acima é precisamente da forma <Ð+B 9ÐBÑÑ. &. torna-se possível definir os quantificadores: define-se bB 9ÐBÑ como abreviatura de 9Ð7B 9ÐBÑÑ e depois aB 9ÐBÑ como abreviatura de cbB c9ÐBÑ. O que é mais interessante é que. De qualquer modo. a lógica clássica prescinde dos operadores + . a qual se considera como abreviatura de bBÐ9ÐBÑ • aC Ð9ÐCÑ p B œ CÑ • <ÐBÑÑ.20 Grosso modo. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. que N. O livrinho de COSTA & CARRION apresenta a lógica com o operador de Hilbert. se o operador de selecção (também dito de escolha) 7 é de natureza puramente lógica. isto é. Bourbaki denota 7 . considera-se <Ð+B 9ÐBÑÑ falsa se não existir nenhum objecto satisfazendo 9 . e verdadeira no caso de haver um único tal objecto. 29 onde 9ÐBÑ é uma condição tal que a proposição b" B 9ÐBÑ é verdadeira. Bertrand Russell (1872-1970) David Hilbert (1862-1943) Uns anos mais tarde. grosso modo. não prescinda de um axioma (o chamado Axioma da Escolha) que desempenha. pois não é mais que do que T Ð+B Q BÑ. 2003). David Hilbert dá um tratamento inovador ao operador de descrição. diz como se deve encarar uma expressão em que ocorra a designação +B 9ÐBÑ. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA +B 9ÐBÑ. Russell não define +B 9ÐBÑ explicitamente [isto é. este operador resulta de + suprimindo a exigência de unicidade relativamente a uma condição 9ÐBÑ a que se aplique: 7B 9ÐBÑ denota um qualquer objecto B tal que 9ÐBÑ. ou se houver mais de um. . antes fornece uma definição em contexto. como Apêndices ao seu livro Fundamentos da Geometria (Gradiva. considerando 7 como primitivo. porém. 7 (o que se faz com eles pode-se fazer sem eles). BOURBAKI Éléments de Mathématique. onde T e Q são como acima se indicou. Em boa verdade.I. que também foram recentemente traduzidos em português. o operador de descrição indefinida. se existir pelo menos um. popularizado entre o mundo matemático a partir da década de 40 pelo tratado de N. Semanticamente. não dá uma definição da forma +B 9ÐBÑ œ ---]. substituindo + por um operador mais simples e eficiente. o papel atribuído a 7 na lógica com este operador. 20 Ver os artigos de HILBERT insertos na colectânea de Van HEIJENOORT indicada na bibliografia. e não denota coisa alguma no caso contrário. digamos <Ð+B 9ÐBÑÑ. embora a «alta» matemática (e a teoria dos conjuntos). tendo como subjacente uma lógica sem o operador de Hilbert.

digamos. antes de passarmos à formalização.21 Por exemplo. estão implícitos nada menos que três quantificadores. que cada pescador tem a sua padroeira. imediatamente à direita do quantificador existencial em & (supondo tacitamente que B é uma variável para números reais): devia ser 21 A questão não é tão pertinente em se tratando de proposições matemáticas. 22 Mas a frase que figurava em edições anteriores «Todos os pescadores têm uma Santa Padroeira» já tem o significado consensual. Francisco Calheiros a chamada de atenção para este ponto. também. que é necessário saber explicitar para uma boa compreensão do significado. do ponto de vista lógico. com a convenção usual de que $ . como. são números reais (fixos): lim 0 ÐBÑ œ . & são variáveis para números reais positivos (quer dizer. . na frase Uma coisa bela é uma alegria eterna. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA.30 I.l  $ Ñ. Agradecemos ao Prof. $ . até porque estas já se apresentam. no domínio das pessoas) aBÐT B p bCWCBÑ como significar que há uma mesma Santa Padroeira para todos os pescadores (que é tendencialmente. Um outro exemplo de quantificador implícito muito frequente em matemática ocorre com a definição de limite. simbolicamente (com a interpretação óbvia. isto é. É claro que nesta expressão falta um quantificador em B.9 Resolução de ambiguidades Casos há. Explicitando: «Para toda a circunferência existe um ponto no qual todos os diâmetros se cortam». semiformalizadas. aB.22 Note-se ainda que o artigo indefinido «um» («uma») é utilizado como significando o mesmo que «um(a) qualquer». frequentemente. em certas frases matemáticas e não só. o significado consensual). &  !). em que uma dada proposição da língua natural possui um significado ambíguo. Por exemplo. cabendo-nos resolver primeiro a ambiguidade. simbolicamente bCaBÐT B p WCBÑ Escusado será dizer que as duas formalizações não são equivalentes. & − ‘ e $  !.. na frase Os diâmetros de uma circunferência cortam-se num ponto. . como um quantificador universal. Todo o pescador tem uma Santa Padroeira tanto pode significar. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA I. e . a presença de quantificadores implícitos. digamos de uma função real de variável real 0 À ‘ Ä ‘. por exemplo. sse BÄ- a$ b& Ð!  lB  -l  & Ê l0 ÐBÑ  . Também é frequente.

razão porque ainda têm a preferência de algumas pessoas e ainda se encontram em alguns livros. substituíam à Dialética («Ciência das Ideias») a Metafísica («Ciência das Causas»). 24 «Amigo de Platão.l  $ Ñ.. reformulamos a definição de validade de um argumento (ou seja. Todos os conceitos sintácticos e semânticos introduzidos informalmente neste capítulo serão precisados nos capítulos seguintes. “ Ê ”. 98 .. 222-262. em B)?!23 Atendendo a que a interpretação de proposições com quantificadores é algo mais complexa do que no caso proposicional. pelo menos. A maior obra de Aristóteles no campo das matemáticas e coisas afins é a sua formulação dos 23 A colocação do quantificador em B é imediatamente antes do parêntese esquerdo. Amer. of Mathematics. I. . provérbio traduzido de uma frase na Ética). quantificada universalmente (no caso. 150-182) encontramos a notação ¨B . Estas notações foram utilizadas por Sebastião e Silva nos anos B quarenta. 31 Em certos manuais encontramos as notações mais antigas (de há cem anos trás) e a expressão Þ a b Ð!  lB  -l  & Ê l0 ÐBÑ  . C. Um argumento 9" ß ÞÞÞß 98 Î< diz-se válido sse toda a interpretação que torne as premissas simultaneamente verdadeiras torna a conclusão verdadeira também. passeando) em princípios que. < proposições. reprod.10 O silogismo aristotélico Aristóteles (384-322 a. isto é. a relação de consequência) de uma maneira um pouco mais explícita. sed magis amica veritas24. Resulta que um argumento 9" ß ÞÞÞß 98 Î< é inválido sse existir uma interpretação. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA a$ b& aB Ð!  lB  -l  & Ê l0 ÐBÑ  . Journ.) foi discípulo de Platão durante cerca de vinte anos e é justamente considerado um dos maiores sábios da antiguidade. que significa precisamente uma implicação formal.I. e uma vintena de anos mais tarde nos seus manuais e guias para o ensino secundário (reforma das «matemáticas modernas»).1 Definição Sejam 9" . 9. 30 (1908). fazendo intervir o conceito de interpretação.l  $ Ñ. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Fundou a Escola Peripatética (assim designada pelo facto de o mestre ensinar. em Van HEIJENOORT. mas mais amigo da Verdade. que torne verdadeiras as premissas e falsa a conclusão. Notação alternativa é ‘ Ê ’.» . Em Russell (Mathematical logic as based on the theory of types. pois contemplou nos seus escritos todos os ramos do saber com grande profundidade. & $ mas quantas vezes se esquecem as pessoas do ponto por cima do símbolo de Þ implicação. em oposição à filosofia de Platão (Amicus Plato.. Uma tal interpretação dir-se-á um contra-exemplo para a validade do argumento dado.

(O): Algum professor não é competente. exemplo seguido por Euclides nos seus tratados geométricos e aritméticos. Também podemos dar uma representação conjuntista a estas quatro proposições simbólicas. as Analíticas Segundas.32 I.) e. ñ Universal negativa (E): Nenhum T é U. C. (I): Algum aluno é aplicado. (O): bBÐT B • cUBÑ. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. enquanto ‘E’ e ‘O’ são as da palavra «NEGO». a qual exerceu grande influência no desenvolvimento posterior dos métodos de exposição e tratamento das ciências matemáticas. Modernamente. (E): Nenhum lusitano é temeroso (ou. as Hermeneias ou tratado da Proposição. também.1 Exemplos (A): Todo o homem é mortal. Nas Analíticas Primeiras Aristóteles distingue quatro tipos básicos de proposições: ñ Universal afirmativa (A): Todo T é U. U de um conjunto dado H 25 As letras ‘A’ e ‘I’ são as duas primeiras vogais da palavra latina «AFFIRMO». ou tratado da Demonstração. ñ Particular (ou existencial) afirmativa (I): Algum T é U. respectivamente. U como subconjuntos T . ou tratado do Silogismo. característico das matemáticas (e não só) nas sua forma expositória mais perfeita. (I): bBÐT B • UBÑ. com o mesmo sentido: Todo o lusitano é não-temeroso). os Tópicos e os Argumentos Sofísticos. as Analíticas Primeiras. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA princípios e regras da lógica (clássica e modal). É dele. desde então. interpretando T . o emprego de letras para a representação de grandezas e de proposições. estes quatro tipos de proposições podem ser representados simbolicamente (domínio das pessoas) por: (A): aBÐT B p UBÑ. . Nos Analíticas Segundas. ñ Particular (ou existencial) negativa (O): Algum T não é U. (E): cbBÐT B • UBÑ [ou aBÐT B p cUBÑ].25 10. Aristóteles formula o método hipotético-dedutivo (ou método axiomático) adoptado por Euclides nos Elementos (300 a. O Organon (ou Lógica) compreende as Categorias.

Á g. a tentativa de «algebrização» da lógica do seu conterrâneo George Boole (1815-1864). mais conhecido por Lewis Carroll (autor de Alice no País das Maravilhas). T  U œ g [ou T © U. mediante diagramas conjuntistas. As proposições dos tipos (A) e (E). enquanto (A) e (O). Neste aspecto estão os lógicos e matemáticos modernos em desacordo com Aristóteles. ou (I) e (O) são ditas contrárias. por não existirem unicórnios. onde U. respectivamente. T  U Á g e T  U. que em 1854 publicara o importante tratado An Investigation of the Laws of Thought on which are founded The Mathematical Theories of Logic and Probabilities. complementação relativamente ao domínio (H Ï ) e inclusão ( © ).]. p como as operações conjuntistas de intersecção (  ). portanto. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 33 (o domínio da interpretação) e as operações lógicas • . representando por g o conjunto vazio: as formas (A). união (  ). Um passo mais adiante. o círculo mais pequeno é T e o maior é U.I.26 Nas figura seguintes. Pela mesma razão. e representamos tudo isto pelos chamados diagramas de Venn. lógico inglês que publicou o livro Symbolic Logic em 1881. o que é impossível. Charles Dodgson (1832-1898). ou (E) e (I) são contraditórias: Aristóteles entendia que uma universal afirmativa (A) implicava uma particular afirmativa (I) correspondente e.œ H Ï U. um unicórnio sem guelras. A ideia de incluir os diagramas num rectângulo que representa o domínio ou universo do discurso é de outro lógico inglês. precisamente por não existirem unicórnios: a falsidade da proposição significaria a existência de. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Assim. (E). como sói dizer-se). ” . consideraria a proposição Todo o unicórnio tem guelras como falsa. por considerarem a dita proposição verdadeira (trivialmente. respectivamente. c. 26 . (I) e (O) significam T © U. as zonas sombreadas são intersecções. onde tentou clarificar. pelo menos. é Jonh Venn (1834-1923).

Celarent. T –V V –U V –T . divididos em três Figuras. Felapton. para fácil memorização. Para mais informações sobre a lógica aristotélica. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. os dois primeiros da Terceira Figura. e os da Terceira Figura são Darapti. e. por nomes próprios com três vogais apenas (de entre a. Festino e Baroco. conforme as relações entre o termo médio e os extremos. enquanto nós escrevemos A–B simplesmente para indicar a ordem (da esquerda para a direita) pela qual ocorrem as partículas predicativas. Todo T é V Î Todo T é U . pelos escolásticos medievais.34 I. umas e outra de uma das formas acima. Aristóteles escreveria B–A para significar que o ‘sujeito’ A tem o atributo ou ‘predicado’ B (como. Camestres. na universal afirmativa Todo A é um B). Bocardo e Ferison São todos válidos excepto. o: as duas primeiras vogais respeitam à forma das premissas. no moderno entendimento. Estes esquemas não são os aristotélicos. em que as premissas devem ter em comum uma única partícula predicativa (a que Aristóteles chama o termo médio) e a conclusão deve conter as outras duas partículas predicativas das premissas (os extremos). T –U respectivamente. consulte-se LUKASIEWICZ ou KNEALE & KNEALE. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA verdade que todo o camelo com asas é daltónico e que o conjunto vazio está contido em qualquer conjunto. 27 . Datisi. ou a história da lógica em geral. por exemplo. os silogismos destas Figuras foram designados. i. da forma Todo V é U. As designações dos silogismos da Primeira Figura são Barbara. T –U V –U T –U . Darii e Ferio. Aristóteles identifica 14 silogismos. O livro de MATES tem um tratamento moderno da lógica aristotélica muito interessante. Um silogismo aristotélico é um argumento com duas premissas e uma conclusão. e a terceira vogal à forma da conclusão). As três Figuras podem ser representadas esquematicamente por27 V –U T –V . Dimasis. os da Segunda Figura são Cesare. O primeiro silogismo da Primeira Figura é o silogismo Barbara [premissas e conclusão da forma (A)].

pois. . há-de aceitar-se que todas as suas particularizações são verdadeiras também. as premissas de Felapton correspondem às relações conjuntistas (E) V  U œ g e (A) V © T . de modo que a referida proposição admite a seguinte simbolização (parcial) a8 Ð8 é primo p 8   #Ñ.11 Sobre a implicação material A terminar. no qual também se assinalou a sombreado a conclusão (O) T  U.. hão-de ser verdadeiras as particularizações a 8 œ %. atendendo ao significado intuitivo do quantificador «para todo».I. Consideremos a proposição aritmética Todo o número natural primo é maior ou igual a #. . IV). #. Convencionemos utilizar a letra ‘8’ como variável para os números naturais (!. também os silogismos válidos podem ser representados por diagramas de Venn. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA.).. ". que é verdadeira (por definição de número primo28). ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA Darapti: Todo V é U. 28 Um número natural é primo sse é maior do que 1 e só é divisível por si próprio e por 1 (ver Cap. nos dois casos em que o antecedente é falso: (i) (ii) 9 ! ! < " ! 9p< ? ? Vamos supor que não sabemos qual deva ser o valor lógico da condicional nestes dois casos. vamos dar uma justificação da tabela de verdade do conectivo p . Por exemplo. Felapton: Nenhum V é U.Á g: I. que representamos num mesmo rectângulo. Todo V é T Î Algum T não é U. Todo V é T Î Algum T é U. Em particular. Sendo esta proposição universal verdadeira no domínio dos números naturais. 35 respectivamente. Como é de esperar.

Representamos abreviadamente tais sucessões por Ø=" =# ÞÞÞ=5 Ù (5   "). no nível seguinte as quatro sucessões de comprimento #. . deduções formais. a árvore binária completa (ver página seguinte). onde cada =3 é ! ou ". no número total de nós. Outras árvores podem diferir desta em diferentes aspectos. isto é. crescem «de baixo para cima» — trata-se apenas de conveniências de representação. de leitura opcional.. Ambas estas particularizações (verdadeiras!) são da forma 9 p <. também opcionais.). que foram introduzidas na 3. no número de nós por debaixo de cada nó. que é uma parte da lógica mais vocacionada para as aplicações nas ciências da computação (programação em lógica. a primeira com antecedente falso e consequente verdadeiro [caso (i)]. respectivamente. demonstração automática. sucessões binárias e outras bases de dados diversas.ª edição e se destinam primordialmente a contemplar alguns assuntos mais próximos da chamada lógica computacional. etc. etc. A leitura profícua desta secção exige do leitor certos conhecimentos e maturidade matemática em maior grau do que as secções precedentes deste capítulo. Esta árvore é habitualmente designada por Ö!ß "ׇ ( œ conjunto das sucessões finitas de elementos de Ö!ß "×). o valor lógico da condicional 9 p < que deve figurar é o valor ". Esta secção. uma vez que se destina a aplicações mais especializadas. ea8œ" " é primo p "   #. contém algumas definições e resultados a utilizar noutras secções. O leitor atento há-de reparar que esta árvore tem uma «lógica formativa» deveras simples e ordenada. No topo ou raiz da árvore colocou-se a sucessão vazia.36 I. ou simples= mente por v #. no número de níveis. e não de qualquer diferença conceptual). sem nunca parar (algumas outras. sucessões finitas de !’s e "’s. para que não se quebre a harmonia do universo da lógica! *I. Observe-se que esta árvore «cresce de cima para baixo». ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Portanto. em vez de Ø=" ß =# ß ÞÞÞß =5 Ù. nas linhas (i) e (ii) da tabela acima. cuja utilidade advém principalmente da sua adequação para a representação de quantidades finitas (ou até infinitas) de informação organizada: fórmulas. Antes de dar as definições pertinentes apresentamos um exemplo de uma árvore. no nível imediatamente abaixo desta as duas sucessões de comprimento ". mas todas elas têm algo em comum que será estipulado numa definição.12 Árvores As árvores (matemáticas!) são estruturas ordenadas muito comuns na lógica e nas ciências da computação. a segunda com antecedente e consequente ambos falsos [caso (ii)]. por exemplo. análise de programas. e assim sucessivamente. cujos «nós» são ocupados pelas sucessões binárias finitas. g. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA % é primo p %   #. a considerar no próximo capítulo.

temse 5 Ÿ 7 sse 5 œ 7 ou 5 œ Ø=" ÞÞÞ=5 Ù e 7 œ Ø=" ÞÞÞ=5 =5 +1 ÞÞÞ=5 7 Ù para algum 5   " e algum 7   ". 229): para quaisquer elementos B. C de X . onde =45 œ >4 para 4 œ ". uma ordem total Ÿ é uma boa ordem sse não existir nenhuma cadeia infinita 29 Por outras palavras. tem-se 5 Ÿ 7 sse 5 © 7 (isto é. ver pág. C . afinal de contas. = para qualquer 5 em v #. para quaisquer elementos B. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Finalmente. pág. para qualquer elemento B de X ). claro está. D de X ). 5 é a função definida em Ö"ß …ß 5× com valores em Ö!ß "× tal que. então B œ C . III. 5 Ð3Ñ œ 5 3 œ =3 . 5 . 229). onde cada =3 é ! ou ". C de X ) e transitiva (se B Ÿ C e C Ÿ D .29 Por exemplo. tem-se B  C ou B œ C ou C  B. Uma maneira de obter uma extensão de uma sucessão finita 5 œ Ø=" …=5 Ù é mediante a sua concatenação com uma qualquer sucessão finita 7 œ Ø>" …>7 Ù: 5 s7 œ Ø=" …=5 =5" …=57 Ù. respectivamente (  é a relação estrita associada a Ÿ ). e para quaisquer sucessões binárias não vazias 5 e 7 . para 3 œ ".I. 7. São habituais as convenções seguintes: C   B é sinónimo de B Ÿ C. . y y Uma ordem parcial Ÿ é ordem total. e B  C de B Ÿ C • B Á C. a conformidade com a definição de árvore que será dada mais adiante) está de facto definida uma ordem parcial Ÿ : g Ÿ 5 . antisimétrica (se B Ÿ C e C Ÿ B. então B Ÿ D . ou uma cadeia sse a relação associada  tiver a propriedade de tricotomia fraca (ver Nota 135. atendendo a que as sucessões finitas (e infinitas) são. Na árvore = v # acima (estamos supondo. Ø!!"Ù  Ø!!""!Ù. …. mas Ø!!"Ù  Ø!"!Ù nem Ø!"!Ù  Ø!!"Ù (dizemos que Ø!!"Ù e Ø!"!Ù são incomparáveis). Se 5 œ Ø=" …=5 Ù. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 37 Precisamos de algumas noções sobre as ordens parciais (elas são dadas novamente em alguns exercícios do Cap. Uma ordem parcial num conjunto X é uma relação binária Ÿ («menor ou igual») em X que é reflexiva (B Ÿ B. de modo que 5 © 5 s7 para qualquer 7 . funções. 7 é uma extensão ou prolongamento de 5 ). num contexto mais formal. …. para quaisquer elementos B.

por exemplo: g  Ø=" Ù  Ø=" =# Ù  â  Ø=" ÞÞÞ=5" Ù  Ø=" ÞÞÞ=5" !Ù  Ø=" ÞÞÞ=5" !"Ù  ÞÞÞ Em geral. e não é difícil concluir que não pode haver mais de um primeiro elemento (exercício).30 30 Estamos cometendo um pequeno abuso. mas é claro que esta cadeia pode ser estendida ad infinitum. A ordem parcial Ÿ em v # acima definida não é uma ordem total (porquê?) nem. e qualquer elemento de v # tem exactamente dois sucessores imediatos = (quais?). se existir. onde Ÿ X é uma ordem parcial em X . escreve-se simplesmente Ÿ em vez de Ÿ X e designa-se a árvore por X . que são g  Ø=" Ù  Ø=" =# Ù  â  Ø=" ÞÞÞ=5" Ù. chamado raiz. g é o primeiro = elemento. um sucessor imediato de B. Outra propriedade que esta árvore possui em comum com todas as outras que serão consideradas neste livro é a de que todo o elemento. diz-se dos elementos C tais que C  B que precedem B. no qual está definida uma ordem parcial Ÿ com primeiro elemento. mas se pensarmos no conjunto dos predecessores de um elemento dado 5 œ Ø=" ÞÞÞ=5 Ù Á g. Na prática. e um predecessor imediato de B é um predecessor D de = B tal que não existe nenhum elemento > entre D e B. nem com elementos intermédios nem com elementos no fim diz-se maximal. isto é. e tal que os predecessores de todo o elemento diferente da raiz formam uma cadeia bem ordenada. e dos elementos D tais que B  D que sucedem B. ou que são os predecessores de B. Um ramo em X é uma cadeia maximal de elementos de X . é um sucessor D de B tal que não existe nenhum outro elemento > entre B e D . de mais de uma maneira (aliás. por outro lado. Na árvore v #. Devíamos dizer que uma árvore é um par ÐX ß Ÿ X Ñ. ou elemento mínimo: será um elemento + de X tal que + Ÿ B. que da definição de árvore resulta que todo o elemento diferente da raiz possui um único predecessor imediato (porquê?). Dado um elemento B de X . ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA ØB! ß B" ß B# ß ÞÞÞÙ de elementos de X tais que â  B#  B "  B ! . excepto a raiz. Observe-se que = uma cadeia maximal em v # começa sempre com g (porquê?). a cujos elementos chamamos nós. por conseguinte. uma boa ordem. se não houver confusão possível.38 I. eles formam uma cadeia bem ordenada. tal que B  >  D . uma cadeia que não pode ser estendida de nenhuma maneira. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. de infinitas maneiras). estamos prontos para a definição principal desta secção. etc. Observe-se.1 Definição Uma árvore é um conjunto não vazio X . Com o exemplo da árvore binária completa em mente. ou que são os sucessores de B. 12. . Pode acontecer que uma ordem parcial Ÿ num conjunto X tenha um primeiro elemento. para todo B em X . possui um único predecessor imediato.

. 34 O sinal ‘è’. >" . ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 39 Os níveis de uma árvore X definem-se indutivamente:31 o nível ! é constituído pela raiz. quer dizerÀ fim da demonstração. portanto. mediante uma função que associa a cada nó um objecto de certa espécie. Dem. e possui uma infinidade de sucessores. e o objecto associado a Para uma discussão geral sobre definições indutivas ver secção II.. por recorrência.. II. Ponhamos >8 œ ?. têm altura = aquelas cujos nós se dividem por todos os níveis 8. quando muito. um ramo infinito. Ponhamos >! œ raiz de X . possui uma infinidade de sucessores (caso contrário >8" possuiría. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. mas então um destes. . nos níveis !. 31 32 . Um elemento que não possui sucessores diz-se terminal. digamos ?. 8 sucessores imediatos. . para todo o natural 8. Uma ideia das definições por recorrência. de . de tal modo que cada >3 possui uma infinidade de sucessores. ". no final de um parágrafo de uma demonstração. visto que X é infinita. Uma tal função é chamada uma etiquetagem. se existir um tal 8.. de modo que podemos prosseguir com a definição de >8" e. se 8 œ #) se cada nó possui.32 Uma árvore diz-se finita ou infinita conforme tenha um número finito ou infinito de nós. respectivamente. por hipótese >8" possui um número finito de sucessores imediatos. A mesma forma pode servir para vários conteúdos diferentes. um número finito de sucessores imediatos. a propriedade de que todo o elemento diferente da raiz possui um único predecessor imediato implica a boa ordenação do conjunto (cadeia) dos predecessores de um tal elemento. o nível 8  " é constituído por todos os sucessores imediatos dos nós do nível 8. O principal resultado sobre as árvores de ramificação finita é o seguinte: 12.I. 33 Ou. que está no nível 8. >8" . Neste livro nunca consideraremos árvores de altura = superior a =. pelo menos. ao todo. por hipótese.. um número finito de sucessores). é dado no exercício 2.è34 Frequentemente. . Nas árvores de altura finita ou =. é apenas a forma ou «esqueleto» de uma árvore que é importante e não o conteúdo de cada nó. Definimos indutivamente33 um sucessão Ø>! ß >" ß ÞÞÞß >8 ß ÞÞÞÙ de elementos de X que constitui um ramo infinito .2 Lema de König Toda a árvore infinita de ramificação finita tem. pelo menos. é claro que >! possui uma infinidade de sucessores. De entre as árvores com altura infinita. mais propriamente. diz-se 8-ária (binária. = é o primeiro ordinal infinito. para cada natural 8   !. A árvore v # é um exemplo de árvore de altura =. caso contrário a árvore tem altura infinita. Seja X uma árvore infinita de ramificação finita. num contexto muito particular. A altura (cota ou profundidade) de uma árvore X é o maior natural 8 tal que existe um nó de nível 8.3. >! .. 8  ".. quando muito. Supondo já definidos os primeiros 8 termos da sucessão. diz-se de ramificação finita se cada nó possui.4 do Cap.

e foram concebidas para organizar. lógicos e filósofos. etc. As linguagens de programação. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA cada nó será a etiqueta que o nó recebe. Nesta secção descrevemos. algumas destas novas perspectivas. e (ii) regras. como é o caso das árvores de formação das fórmulas. que são descrições de predicados na forma condicional. mas encontrou novas aplicações e motivos de interesse nas ciências informáticas ou da computação. UÐ-Ñ. Outras linguagens mais recentes e próximas da lógica do discurso. 13. num domínio constituído por todos os entes (constantes) que são argumentos dos . que representam factos. manipular e extrair informação de bases de dados. como PROLOG (de PROgramação em LÓGica) são linguagens declarativas ou descritivas. bases estas que são constituídas por itens de dois tipos: (i) expressões predicativas como T Ð+ß . ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. até há poucas décadas. Convencionamos que comerÐBß CÑ significa «B come C».13 Programação em lógica A lógica quantificacional (cálculo de predicados).Ñ. Outros factos podem fazer parte da base de dados.1 Exemplo Uma base de dados para certa cadeia alimentar (em certo meio ambiente) é constituída por certos factos. (mas são frequentes notações mais explícitas ou descritivas. As árvores que utilizaremos aparecem já etiquetadas de origem. Também é possível ordenar os nós de cada nível (ordem lexicográfica). em forma de declarações ou descrições predicativas. interessava apenas aos matemáticos. como no exemplo seguinte). mui abreviadamente. como as descrições animalÐursoÑ animalÐpeixeÑ animalÐgazelaÑ animalÐleão) plantaÐervaÑ líquidoÐmelÑ .40 I. como comerÐursoß peixeÑ comerÐursoß melÑ comerÐgazelaß ervaÑ comerÐleãoß gazelaÑ . Esta base de dados tem subjacente uma determinada interpretação. são essencialmente linguagens procedimentais: os seus programas consistem em grande parte de instruções para executar determinados algoritmos para resolver os problemas pretendidos. 51). 1. que exemplificamos a seguir à definição de conectivo principal (pág. mas não vamos prosseguir nestes desenvolvimentos. como PASCAL.

não. que no caso acima são: urso. Em qualquer momento a base de dados pode ser ampliada com novos factos e o respectivo domínio expandido com novos entes. Os itens do segundo tipo de uma base de dados PROLOG chamam-se regras mas são. ao que o programa responde SIM ou NÃO. peixe. À pergunta argumentoÐB À carnívoroÐBÑÑ o programa responde com a lista urso leão. Portanto. . mas à pergunta baseÐplantaÐmelÑÑ o programa responde NÃO. por tomarem a forma condicional. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 41 predicados que lá estão. uma listagem de indivíduos). está na base de dados? ñ argumentoÐB À . por exemplo. erva. descrições predicativas especiais. Isto exprime que B é carnívoro se B come animais.Ñ: o facto .9 1.1-1. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. o Governo não mente. mel. na realidade. Entre o utilizador e o programa é possível estabelecer certos diálogos: ao utilizador é permitido formular certas perguntas sobre os factos ou inquirir se certa conclusão é consequência dos factos que compõem a base de dados.1 Simbolize ao nível proposicional os seguintes argumentos: (a) Se não existe petróleo no Algarve então os peritos estão certos ou o Governo mente. ? Por exemplo. cuja resposta é a lista dos entes que comem plantas. à pergunta baseÐanimalÐpeixeÑÑ. a regra para definir o predicado carnívoro: carnívoroÐBÑ se comerÐBß CÑ e animalÐCÑ. Perguntas mais elaboradas podem conter os conectivos e. argumentoÐB À comeÐBß CÑ e plantaÐCÑÑ. ou fornece uma resposta de outro tipo (por exemplo.Ñ: o ente B é um argumento do facto . ou. por exemplo. 1. gazela.15 Exercícios e Complementos §1. como.I. no caso. conforme a pergunta que for feita. somente a gazela. o programa responde SIM. Existe petróleo no Algarve ou os peritos estão errados. Perguntas simples típicas são da forma: ñ baseÐ. À pergunta argumentoÐB À comeÐursoß BÑÑ responde com a lista peixe mel .

ganho o totoloto ou os credores não ficam satisfeitos. Portanto. então " não é primo. e verifique. " não é primo. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Os vencimentos não aumentam. (5) Somente . Se # é o menor primo. (3) Nenhuma modelo é vaidosa. (4) Algumas modelos não são vaidosas. (c) Se # é primo. então o custo de vida aumenta. (g) aB ÐMB p aC ÐVC p cUÐBß CÑÑÑ. (e) aB ÐPB p aC ÐUÐBß CÑ p PCÑÑ. PB: B é par. Portanto. (b) bB ÐPB • UÐBß $ÑÑ. (d) Maria João é boa pianista ou é boa bailarina. então é o menor primo. (2) Algumas modelos são vaidosas. [NB. nelas.42 I. Maria João não é boa bailarina. (c) bB ÐMB • UÐ!ß BÑÑ. «excepto se» considera-se sinónimo de «ou». Maria João é boa pianista. # é primo. Se há inflação. (d) aB Ð cPB p cUÐ#ß BÑÑ.2 (a) Quais dos argumentos anteriores são válidos e quais são inválidos? [Sugestão: construa tabelas de verdade para as premissas e conclusão. UÐBß CÑ: B divide C . traduza para português coloquial as expressões simbólicas seguintes e diga quais as verdadeiras e quais as falsas para a interpretação dada: (a) aB ÐUÐ#ß BÑ p PBÑ. Os credores não ficam satisfeitos excepto se eu lhes pagar. se a conclusão é verdadeira sempre que as premissas são simultaneamente verdadeiras. ou C é múltiplo de B. Portanto. 1. MB: B é ímpar. (e) Só se eu ganhar o totoloto é que pago aos credores.] (b) O argumento Todo o homem é mortal Sócrates é homem ##œ& Sócrates é mortal é válido ou inválido? 1. VB: B é primo. Portanto.4 (a) Para cada um dos três grupos seguintes. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA (b) Os vencimentos aumentam somente se há inflação. o custo de vida aumenta. ou de «se não»]. (f) aB ÐVB p bC ÐPC • UÐBß CÑÑÑ. 1.3 Tendo em conta a interpretação com Domínio: conjunto dos números naturais (   0). fixe uma interpretação adequada e simbolize as proposições respectivas: AÞ (1) Toda a modelo é vaidosa.

todo o objecto está na relação V com. (r) Uma permutação do domínio interpretativo. não definidos (pontos e linhas). (i) Tricotómica fraca (com «ÞÞÞouÞÞÞouÞÞÞ»). + é linha e o predicado binário de incidência + incide com . que pode ser a pertença de pontos em linhas. simbolicamente +M.I. uma linha. Quando aqui se diz «dois» ou «duas» subentende-se «distintos(as)». exprima simbolicamente (utilizando œ . um domínio com pontos e linhas e uma relação de incidência. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 43 as modelos são vaidosas. 37 Não confundir o domínio interpretativo (universo do discurso) com o domínio da relação V . (7) Algumas modelos são bonitas. introduzindo-se neste domínio os predicados unários + é ponto. 36 A tricotomia forte é a propriedade de que. (ou . (d) Anti-simétrica.36 (j) Não transitiva. (m) Serial (isto é. pelo menos. é linha” abrevia-se Pb. (4) Para todo o número existe um primo maior do que ele. (k) Não simétrica. (h) Não vazia. (3) Por dois pontos não passa mais de uma linha. todo o objecto está na relação V com algum objecto). . um ponto comum. . (f) Irreflexiva. (q) Sobrejectiva. dê um exemplo de uma interpretação (isto é. BÞ (1) Todo o (número natural) primo maior que 2 é ímpar. CVB tem lugar. Aliás. é linha Ç bB BM. C . (n) Funcional (isto é. e “.35 (2) Por dois pontos passa. para quaisquer B. (e) Conexa (ou dicotómica). (6) Todas são vaidosas. 1. . passa por +Ñ. mas vaidosas. (c) Transitiva. (2) Existe um primo par. todo o objecto está na relação V com algum outro). ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. uma e uma só das condições B œ C . excepto as modelos. (5) Duas linhas têm. BVC . pelo menos. Como domínio pode-se considerar a colecção dos objectos geométricos primitivos. (b) Simétrica. (o) Uma função no domínio interpretativo. quando necessário) que V é: (a) Reflexiva. quando muito. (b) Relativamente à parte C. um objecto). (p) Injectiva. pode-se definir no domínio dos pontos e linhas: + é ponto Ç bC +MC . quando muito. (4) Quaisquer duas linhas têm um ponto comum. “+ é ponto” pode-se abreviar T +. que é o conjunto dos elementos B do domínio interpretativo tais que BVC para algum C.5 Utilizando um símbolo predicativo binário V e simbolizando «B está na relação V com C » por BVC. − ) com as propriedades 1-5). (3) Existe um e não mais de um primo par [não utilize b" ]. (g) Não reflexiva. D . CÞ (1) Com toda a linha incidem. dois pontos. (l) Definida em todo o domínio interpretativo37 (isto é. (5) 8 é primo [utilizando Ÿ e ‚ ]. 35 .

e traduza em português coloquial a última proposição ou sentença: (1) Existem pessoas sem dinheiro nenhum. (3) Ninguém compreende nada. mas não tem o dinheiro todo que há. +: Alice no País das Maravilhas. alguns animais ferozes não bebem água [domínio: animais]. (2) Ninguém compreende tudo. a partir dos quais conclui.. (1) Existem problemas matemáticos insolúveis. são fleumáticos. (3) Toda a gente tem algum dinheiro. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 1. HB: B é dinheiro. (b) Todos os britânicos. . . (2) Bill Gates tem algum dinheiro. (c) Há. O famoso detective Sherlock Holmes investiga e descobre certos factos (9" .8 Numa mansão victoriana. mas não tem o dinheiro todo que há.. intuitiva ou semanticamente. Ricardo Coração de Leão é britânico. . (4) aBÐT B • aCÐHC p VBCÑ p aDVBDÑ. Russell é um lógico coerente [use œ ] . Russell não é Frege. T B: B é uma pessoa. Portanto. 97 ). qual dos suspeitos é o . (4) Somente quem compreende Principia Mathematica compreende Lógica e Aritmética.: Lógica e Aritmética. WB: B é solúvel. (4) Alguns problemas lógicos são mais fáceis de resolver do que outros (problemas lógicos).44 I. Alguns leões não bebem água. o mordomo (C) e o jardineiro (D). Portanto. 1. GBC: B compreende C. um lógico incoerente. para a interpretação com domínio: tudo. excepto os escoceses. (1) Quem compreende Alice no País das Maravilhas ou Principia Mathematica compreende Lógica e Aritmética. J BC: B é mais fácil de resolver do que C . mas não é fleumático. e diga se são válidos os argumentos seguintes: (a) Todo o leão é feroz. (c) Idem. Portanto. várias pessoas são suspeitas de um crime. o cozinheiro (B).: Principia Mathematica. Q B: B é um problema matemático.6 Simbolize ao nível quantificacional. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. T B: B é uma pessoa. Frege é um lógico incoerente. (b) Idem. 1. (3) Os problemas matemáticos são mais fáceis de resolver do que os problemas lógicos. São elas o motorista (A). fornecendo ao mesmo tempo uma interpretação conveniente. PB: B é um problema lógico. para a interpretação: Domínio: tudo. (2) Nenhum problema lógico é insolúvel.: Bill Gates. VBC: B possui (ou tem) C. .. 9# . tendo em conta a seguinte interpretação: Domínio: todas as coisas. Ricardo Coração de Leão é escocês [domínio: pessoas].7 (a) Simbolize ao nível quantificacional. quando muito.

etc.I. na medida em que permitem que nelas se exprima a sua própria semântica (quer dizer. Se C é culpado então o crime não foi cometido com um revólver. D não é culpado se o crime não foi cometido com um machado.13 *1. Represente os silogismos válidos por relações entre subconjuntos (T . O crime não foi cometido suavemente. B é culpado ou A é culpado. :. assim. [Por exemplo. . 2 e escreva em cada página as frases seguintes: na página 1 escreva «A frase escrita na página 2 é verdadeira» e na página 2 escreva «A frase escrita na página 1 é falsa». Portanto.. ou C é culpado ou D é culpado. U. _____ é culpado. *1.. # œ  ‚  œ ÖÐ7ß 8Ñ À 7 −  • 8 − ×.12 Prove que uma ordem total Ÿ num conjunto X é uma boa ordem sse todo o subconjunto não vazio W de X possui elemento mínimo. (b) uma árvore infinita de altura #. possivelmente. *1. T © U.» [NB. Designando por 9 a frase escrita na página 1. Simbolize ao nível proposicional o argumento seguinte (cujas premissas são os sete factos descobertos por Sherlock Holmes). . V ) de um domínio interpretativo. . . ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA.9 Numa folha em branco. . (c) uma árvora de altura = com apenas # ramos. como o português. = como letras proposicionais].] §1.38 §1. Querendo. 1. define-se da seguinte maneira: 38 A situação descrita é conhecida como o paradoxo de Tarski e constitui um dos mais conhecidos paradoxos de natureza semântica de que está eivada qualquer língua natural. <. Se o crime foi cometido com um revólver ou com um machado então o crime foi premeditado e foi cometido suavemente. A é culpado sse o crime foi cometido com um revólver. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 45 culpado (<). pode utilizar +.10 1. «algum T é U» exprime que a intersecção T  U é não vazia. como a do paradoxo de Tarski. tais línguas incluem a sua própria metalíngua).11 Dê exemplos de: (a) uma árvore de ramificação finita que não seja 8-ária para nenhum 8. numere as páginas 1. «todo T é U» exprime que o conjunto T é subconjunto do conjunto U. verifique que 9 é verdadeira se e só se 9 é falsa. lugar a situações paradoxais.10 Simbolize e dê exemplos de silogismos aristotélicos válidos e contraexemplos para os inválidos (Darapti e Felapton). dando. e proceda como Sherlock Holmes descobrindo o culpado: «B é culpado somente se A é culpado. as mais adequadas à expressão de teorias científicas. Tais paradoxos mostram que as línguas naturais não são. 7.13 A ordem lexicográfica Ÿ P no conjunto de todos os pares ordenados de números naturais.

tem ela mesma intersecção não vazia. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA.14 Mostre que o lema de König para árvores binárias é equivalente à compacidade do espaço G œ = # œ  Ö!ß "× œ conjunto de todas as sucessões (infinitas) de !’s e "’s. onde 5 − v #. pág. ). A compacidade topológica de G pode ser formulada da seguinte maneira: toda a cobertura de G (formada por abertos) possui uma subcobertura finita.Ñ sse 7  : ou (7 œ : e 8  .14. é o conjunto dos conjuntos da forma = Ò5 Ó œ Ö7 − C À 7 ª 5 ×.16 e exercícios respectivos. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA Ð7ß 8Ñ  P Ð:ß . (Ver também II. descrita acima como a topologia produto da topologia discreta sobre Ö!ß "×. com a topologia produto da topologia discreta sobre Ö!ß "×. 39 .46 I. Este espaço é vulgarmente chamado espaço de Cantor. 154). Prove que Ÿ P é uma boa ordem.39. Equivalentemente: toda a família (não vazia) de fechados tal que toda a subfamília finita tem intersecção não vazia. chamados abertos básicosÞ Isto significa que um conjunto E © G é aberto sse para todo 5 − E existe 8 tal que todas as sucessões em G que coincidem com 5 nos primeiros 8 termos também pertencem a E. onde Ÿ é a ordem usual em . Os conjuntos fechados são os complementares dos abertos. especialmente 2.39 Uma base para a topologia do espaço de Cantor G . *1. final de II.

Capítulo II CÁLCULO PROPOSICIONAL

II.1 Introdução
Tendo apresentado no capítulo anterior alguns elementos de análise lógica, diversos exemplos de argumentos e uma definição informal da noção de validade de um argumento, é altura de matematizar um pouco a discussão, passo indispensável para a tarefa de sistematização e classificação das formas de argumentação válida, entre outras coisas. A fim de facilitar um pouco a nossa tarefa, concebemos uma linguagem artificial, com sintaxe e semântica perfeitamente definidas (matematicamente falando), coisa assaz difícil (quiçá impossível) de conseguir para uma língua natural. Tal linguagem é uma entidade abstracta e formal, mas sem grande esforço se compreende que ela formaliza um fragmento significativo da língua natural particularmente adequado à expressão de proposições e teorias matemáticas. Por conveniência táctica, dividimos a nossa tarefa em duas etapas. A primeira, neste capítulo, lida apenas com a chamada lógica proposicional (ou cálculo proposicional), e a segunda, no capítulo seguinte, com a lógica de primeira ordem (ou lógica elementar, ou cálculo de predicados). Em ambos os casos especificaremos uma linguagem formal e um sistema dedutivo (dito de dedução natural), isto é, um sistema de regras (daí a tónica no aspecto cálculo), ditas de inferência, para efectuar deduções, regras essas correspondentes a formas particularmente simples de argumentos ou raciocínios válidos (incluindo os tradicionalmente chamados silogismos) ou a métodos demonstrativos muito comuns em matemática, como o método directo, o método indirecto ou de redução ao absurdo e o método da demonstração por casos. Após o desenvolvimento do sistema dedutivo diremos também alguma coisa sobre a semântica da linguagem e as relações entre o cálculo dedutivo e a noção semântica de consequência — a chamada metateoria, porventura a parte mais interessante dos estudos lógicos. Na parte final de cada capítulo estudaremos outros sistemas dedutivos (e respectiva metateoria) equivalentes ao sistema de dedução natural anteriormente proposto, com características e funcionalidas específicas, em função das aplicações pretendidas, nomeadamente, das aplicações à chamada lógica computacional.

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II. CÁLCULO PROPOSICIONAL

II.2 A linguagem proposicional
Uma linguagem formal compreende sempre um alfabeto (ou vocabulário) primitivo e uma gramática ou sintaxe. Nesta secção introduzimos a linguagem do cálculo proposicional, _! . O alfabeto de _! compreende os seguintes símbolos: ñ Letras proposicionais :, ; , <, ... (também chamadas átomos, possivelmente com índices40); ñ Conectivos proposicionais primitivos • , ” , c, p ; ñ Parênteses Ð, Ñ. Com estes símbolos formaremos certas expressões41, chamadas as fórmulas (subentenda-se, salvo aviso em contrário, de _0 ), de acordo com certas regras sintácticas ou gramaticais, regras essas que constituem a gramática ou sintaxe de _! . As fórmulas de _! são definidas pelas seguintes regras de formação: F" . Toda a letra proposicional é uma fórmula; F# . Se 9 é uma fórmula então c9 é uma fórmula; F$ . Se 9, < são fórmulas então Ð9 • <Ñ, Ð9 ” <Ñ, Ð9 p <Ñ são fórmulas; F% . Nada mais é fórmula, isto é, uma expressão é uma fórmula sse puder ser obtida ou construída a partir de letras proposicionais de acordo com as regras F# , F$ aplicadas um número finito qualquer de vezes. Exemplos de fórmulas de _! : :, ; , <, c:, ccc; , Ð: • ; Ñ, ÐÐ: • ; Ñ p c<Ñ; exemplos de expressões que não são fórmulas: Ð Ñ, : c, : • ; , Ðcc; Ñ, p Ðc::.

2.1 Convenções de escrita Note-se que não incluímos o como símbolo p primitivo. Preferimos introduzir o como símbolo definido. Para quaisquer p fórmulas 9 e <, definimos
Ð9 o <Ñ œ ÐÐ9 p <Ñ • Ð< p 9ÑÑ.42 p

Muitas vezes é conveniente supor que as letras proposicionais estão indexadas pelos numerais, :! , :" , :# , á . 41 Uma expressão sobre um alfabeto é simplesmente um arranjo, possivelmente com repetições, inteiramente arbitrário, dos símbolos do alfabeto, isto é, uma sequência finita obtida justapondo ou concatenando horizontalmente os símbolos do alfabeto. Admitimos tacitamente que os símbolos do alfabeto são distintos dois a dois, e que nenhum símbolo é uma sequência de outros símbolos. Isto garante que a escrita de expressões é única: se =" , =# , á , =8 e =w" , =w# , á , =w7 são símbolos e =" =# â=8 œ =w" =w# â=w7 , então 8 œ 7 e =3 œ =w3 para 3 œ ", á , 8. 42 Utilizamos o símbolo œ em definições, que se deve ler «idêntico a, por definição». Também é frequente encontrar-se, na literatura, ³ , œ df , com o mesmo significado. Em qualquer caso, numa definição, a expressão à esquerda de œ deve-se encarar como uma abreviatura da expressão que figura à direita de œ . Analogamente, usa-se também o símbolo o (ou o df ) em definições, com o significado «equivalente a, por definição». p p

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II. CÁLCULO PROPOSICIONAL

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Note-se também que, em rigor, 9 e < não são fórmulas, estritamente falando, antes são letras do alfabeto grego (privilégio do relator) que utilizamos como variáveis para fórmulas.43 Por outro lado, os parênteses Ð, Ñ são necessários para evitar ambiguidades de escrita e de leitura, mas convencionamos desde já suprimir alguns sempre que tal supressão se puder fazer sem comprometer a leitura correcta.44 Nomeadamente, parênteses exteriores podem-se suprimir e, além disso, as expressões Ð9 ˆ <Ñ p ), 9 p Ð< ˆ )Ñ, 9 ˆ Ð< ˆ )Ñ abreviam-se 9 ˆ < p ), 9 p < ˆ ), 9 ˆ < ˆ ), respectivamente, onde ˆ é • , ou é ” . Finalmente, 9 p Ð< p )Ñ [ou seja, oficialmente, Ð9 p Ð< p )ÑÑ] abrevia-se 9 p < p ) . Note que para Ð9 p <Ñ p ) não é proposta nenhuma abreviatura e não deve, pois, simplificar-se.

II.3 Definições indutivas. Valorações
A definição de fórmula que foi dada é um exemplo do que em lógica se chama uma definição indutiva. Tais definições são muito comuns em lógica, e há toda uma teoria relativamente sofisticada sobre a legitimidade, o alcance e as aplicações de definições desse tipo. Aqui diremos apenas umas breves palavras sobre tais definições, particularizadas à lógica proposicional. A forma geral de uma definição indutiva é a seguinte. Supõem-se dados: um conjunto I , uma parte não vazia T de I , e um conjunto J de operações definidas em I com valores em I . Um conjunto H © I diz-se indutivo sse (i) T © H (isto é, T é subconjunto de H), e (ii) H é fechado para as operações de J (isto é, as operações de J aplicadas a elementos de H produzem elementos de H). Note-se que há, pelo menos, um conjunto indutivo: o próprio conjunto I é indutivo mas, em geral, pode haver outros conjuntos indutivos contidos em I . O mais pequeno conjunto indutivo contido em I (isto é, a intersecção de todos os conjuntos indutivos contidos em I ) denota-se J ‡ , e é este conjunto que se diz ter sido definido indutivamente (ou gerado) pelas operações de J com base T .

43 São chamadas, na gíria dos lógicos, metavariáveis, ou variáveis sintácticas. A linguagem em que está escrito este texto, isto é, o português corrente é, relativamente à linguagem objecto _! que acaba de ser criada, uma metalinguagem, chamada a linguagem do observador (ou do relator). 44 A chamada notação polaca, ainda em uso por alguns lógicos (polacos, e não só) dispensa os parênteses. Nesta notação escreve-se • 9<, ” 9<, p9< em vez de Ð9 • <Ñ, Ð9 ” <Ñ, Ð9 p <Ñ, respectivamente.

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II. CÁLCULO PROPOSICIONAL

No nosso caso, I é o conjunto de todas as expressões de _! (incluindo a expressão vazia), T é o conjunto das letras proposicionais e J o conjunto das operações lógicas em I determinadas pelos conectivos • , ” , c, p . O conjunto J ‡ vem a ser, finalmente, o conjunto das fórmulas de _! , que também pode ser designado por uma das notações seguintes: Form(_! ), ou Prop(T ). Em geral, é mais fácil mostrar que uma expressão é uma fórmula (se ela o é) do que mostrar que não é (se ela não é). No primeiro caso basta constatar que ela foi construída a partir de letras proposicionais (as letras proposicionais que nela ocorrem) de acordo com as regras F" a F$ . No segundo caso, o argumento tem de ser de outra natureza.

3.1 Exemplo Mostramos que a expressão p Ðc:: não é fórmula. Suponhamos, com vista a um absurdo, que esta expressão é fórmula, e seja J w o conjunto que se obtém de J ‡ suprimindo aquela suposta fórmula. Facilmente se vê que J w é indutivo. Por exemplo, se 9 está em J w , então c9 também está em J w , pois o primeiro símbolo desta expressão é ‘c’, enquanto o primeiro símbolo de p Ðc:: é ‘p’. Como J ‡ é o mais pequeno conjunto indutivo, tem-se J ‡ © J w , logo p Ðc:: pertence a J w , o que é absurdo. Uma outra maneira de caracterizar o conjunto das fórmulas de _! será dada no primeiro exercício deste capítulo, mas convém ler primeiro o que segue sobre indução nas fórmulas.
Uma fórmula é um objecto concreto espácio-temporal: é uma sequência finita de símbolos. Como tal, tem um comprimento, que é o número total de símbolos que ocorrem na fórmula. E como esse número é um inteiro positivo, é possível e conveniente, por vezes, demonstrar certos factos acerca das fórmulas por indução no seu comprimento. Porém, atendendo a que a definição de fórmula é uma definição indutiva, é também possível uma indução de outro tipo, chamada indução na complexidade das fórmulas. Seja Q uma propriedades que as fórmulas podem ter ou não, e escrevamos Q[9] para exprimir que a fórmula 9 tem a propriedade Q. Para provar, por indução na complexidade das fórmulas, que todas as fórmulas possuem certa propriedade Q, isto é, que para todo 9 − Form(_! ) se tem Q[9 ], basta provar que: I" . As letras proposicionais possuem a propriedade Q; em símbolos: Q[:], para toda a letra proposicional :; I# . Sempre que 9 possui a propriedade Q, então c9 também possui a propriedade Q; em símbolos: sempre que se tem Q[9], então tem-se Q[c9]; I$ . Sempre que 9 e < possuem a propriedade Q, então Ð9 • <Ñ, Ð9 ” <Ñ e Ð9 p <Ñ também possuem a propriedade Q; em símbolos: sempre que se tem Q[9] e Q[<], então tem-se Q[Ð9 • <Ñ], etc.

2 Princípio de indução nas fórmulas Se H é um conjunto indutivo de fórmulas de _! . e assim sucessivamente até que. o 3. Mencionemos duas dessas propriedades. Uma expressão 9 diz-se equilibrada sse tiver o mesmo número de parênteses esquerdos ‘Ð’ que de parênteses direitos ‘Ñ’ (em notação óbvia: /[9] œ .5 Árvores de formação A formação de fórmulas de _! pode ser representada por árvores finitas. construídas de acordo com as regras de formação. [9]). os primeiros exercícios no final deste capítulo) mas que. respectivamente. • .4 Propriedade da unicidade de representação Toda a fórmula escreve-se de uma e uma só maneira como sucessão finita (justaposição. 3. então o seu conectivo principal é c. que ocupa a raiz. arranjo. e analogamente para estas componentes. antes de se aplicarem as convenções relativas à supressão de parênteses). como se queria demonstrar. Exercício [Sugestão: mostre que o conjunto das fórmulas equilibradas é indutivo. todavia. Dem. < ” ). ou concatenação) de símbolos do alfabeto.II. conforme se trate de uma negação (c<) ou uma conjunção. ) tais que 9 é a fórmula Ð< • )Ñ. nos nós terminais. etc.3 Lema do equilíbrio Toda a fórmula de _! é equilibrada. por exemplo. só figuram as letras proposicionais que ocorrem em 9. supondo demonstradas estas três cláusulas.]. em termos gerais. uma conjunção. )) sucessores imediatos. mas H está contido em J ‡ œ Form(_! ) e este é o mais pequeno conjunto indutivo. ela terá um (<) ou dois (<. *3. facilmente se verifica que H é indutivo (exercício). 3. e portanto todas as fórmulas de _! têm a propriedade F. uma disjunção ou uma condicional (ou bicondicional). logo necessariamente H œ Form(_! ). No resultado seguinte as fórmulas supõem--se escritas na notação oficial (isto é. Exemplifiquemos com a . e considerando o conjunto H constituído por todas as fórmulas com a propriedade Q. Se uma fórmula é uma negação. disjunção ou condicional (< • ). Vejamos uma aplicação deste princípio. Dada uma fórmula 9.è Da definição indutiva de fórmula resultam algumas outras propriedades das fórmulas. Isto quer dizer. então existem e são bem determinadas fórmulas <. são intuitivamente evidentes. < p )). ” . p (op). em todo o caso. então H œ Form(_! ). que se uma fórmula 9 é uma conjunção. Podemos enunciar assim. CÁLCULO PROPOSICIONAL 51 Com efeito. Analogamente para disjunções. que não demonstramos (ver.

isto é. Ð< ” c:Ñ ÎÏ < c: Ï :. Mais geralmente. de que. dizer que é possível determinar o valor lógico resultante para 9. então há ao todo #5 tais arranjos. @ À T Ä Ö ! ß "× . ou que @ satisfaz ou realiza ou é um modelo de (não satisfaz ou não realiza.45 Dadas uma valoração @ e uma fórmula qualquer 9.. conformemente às tabelas dos conectivos (p. intuitivamente evidente. se em 9 ocorrem 5 letras proposicionais. mencionemos o facto. por meio de alguns conectivos.. é possível construir uma tabela de verdade para 9. :5 . alguns autores preferem os subconjuntos de T às valorações: a ideia é que cada valoração @ não é mais do que a chamada função característica de um (único) conjunto W © T . Antes de enunciar outra propriedade. CÁLCULO PROPOSICIONAL Ð: p Ð. dada uma fórmula qualquer 9.6 Definição Chamamos valoração (ou valuação) a toda a aplicação @ do conjunto das letras proposicionais no conjunto dos valores lógicos. isto é. pois. . 3. 20). Se @Ð:Ñ œ " ( œ !). o subconjunto W formado por todos os : − T tais que @Ð:Ñ œ ". nomeadamente. • Ð< ” c:ÑÑ ÎÏ . respectivamente) :. • Ð< ” c:ÑÑÑ ÎÏ : Ð. calculado de acordo com as tabelas dos conectivos é. dizemos que : é verdadeira (falsa) para @. é possível determinar o valor lógico resultante para 9. com linhas de entrada para todos os arranjos possíveis (com repetições) dos valores lógicos ". a lista de letras proposicionais que podem ocorrer em fórmulas é infinita. que existe uma aplicação 45 Em algumas situações parece conveniente considerar valorações parcias. digamos :" . • Ð< ” c:ÑÑÑ: II. Por outro lado. bastando para isso consultar as tabelas dos conectivos (p. Porém. dizer que a valuação @ se pode estender (ou prolongar) ao conjunto de todas as fórmulas. daí a necessidade de uma noção mais geral do que a de arranjo. ! atribuídos às letras proposicionais :3 que ocorrem em 9. que atribua de uma vez só valores lógicos a todas as letras proposicionais de _! . 20). construída a partir de certas letras proposicionais. e atribuídos certos valores lógicos às letras :3 . Note-se que. .52 fórmula Ð: p Ð.. que são funções definidas em partes (usualmente finitas) de T com valores em Ö!ß "×.

HATCHER. (ii) um conceito de derivabilidade ou dedutibilidade. que se designa por ¯DN . @ @ Podemos então enunciar a última das propriedades das fórmulas que nos interessa assinalar (ver sugestão para demonstração no exercício 2. @ @ sÐ<Ñ œ " ou sÐ)Ñ œ ". correspondente à noção intuitiva de demonstrabilidade em matemática. Foi introduzido por Gottlob Frege (1848-1925). ou ainda que 9 é verdadeira para s sse sÐ9Ñ œ ". para o Pensamento Puro). ou simplesmente DN. 3. @ @ sÐ<Ñ œ " œ sÐ)Ñ. ): @ sÐc<Ñ œ " @ sÐ< • )Ñ œ " @ sÐ< ” )Ñ œ " @ sÐ< p )Ñ œ " sse sse sse sse @ sÐ<Ñ œ !.46 se não houver possibilidade de confusão. Dizemos que s satisfaz ou realiza ou é um @ modelo de 9. correspondem a certas formas muito simples e frequentes de argumentação válida. ou simplesmente ¯ .è @ II. precisamente o trabalho onde se apresenta pela primeira vez a noção de linguagem formal e se desenvolvem. justamente considerado o maior lógico do seu tempo. sÐ:Ñ œ @Ð:Ñ para todo : em T ] e que satisfaz as condições @ seguintes. Modelada na Linguagem da Aritmética. eine der arithmetischen nachgebildete Formelsprache des reinen Denkens (Uma Linguagem Simbólica.7 Propriedade de extensão das valorações Toda a valoração @ estende-se de uma e uma só maneira a uma valoração booleana s. 46 . HEIJENOORT. O sinal ‘ ¯ ’ não pertence à linguagem _! . de maneira sistemática. o cálculo proposicional e o cálculo de predicados de feição moderna. Tal sistema compreende duas coisas: (i) uma lista finita de regras de inferência. num trabalho de 1879 intitulado Begriffsschrift.4 Um sistema dedutivo: dedução natural Iremos agora estabelecer um sistema (ou cálculo) dedutivo para a nossa linguagem _! . e que é uma relação entre conjuntos de fórmulas e fórmulas (tal como a relação } . Uma aplicação s À Prop(T ) Ä Ö!ß "× com estas propriedades diz-se uma @ valuação (ou valoração) booleana.4). V. porém. obviamente.II. que será designado por DNP (Dedução Natural Proposicional). não se deve confundir). com a qual. que. @ @ sÐ<Ñ œ ! ou sÐ)Ñ œ ". neste capítulo. CÁLCULO PROPOSICIONAL @ s À Prop(T ) Ä Ö!ß "× 53 que estende @ [isto é. como já foi dito. para quaisquer fórmulas <. etc.

. . ou é uma hipótese descarregada (ver adiante) ou é inferida (isto é. Admitimos. .. acontecerá com todos os sistemas a utilizar neste livro. e isto significa que existe uma sequência ou sucessão finita de fórmulas 9" ... Dizemos «em geral» porque. CÁLCULO PROPOSICIONAL (ler: «de 9" . que precedem < são as fórmulas (hipóteses descarregadas ou teses) intermédias.. 98 ») para exprimir que < é dedutível ou derivável de 9" . 47 . < tal que cada fórmula da sequência. Em todo o caso.47 Se 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ <.. o que. Para cada conectivo daremos duas ou três regras.. pelo facto de algumas regras fundamentais do sistema não terem a forma simples «premissasÎconclusão».54 Escrevemos 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ < II. .. 98 (no sistema DN).. 98 . II. isto é. tenha regras suficientes para de < poder deduzir <. isto é.5 Regras para a conjunção As regras de inferência para a conjunção são as seguintes: Em rigor isto só é verdade desde que o sistema de regras seja suficientemente rico. Vamos então indicar as regras do sistema DN. a possibilidade de < ser ela própria uma das fórmulas 93 com 3 Ÿ 8 já que isso em nada afecta o poder dedutivo do sistema... .... 98+1 . ... é uma das 8 primeiras 9" ... 98 deduz-se (ou deriva-se) < » ou «< deduz-se de 9" . as segundas dizem-nos que conclusões podemos tirar de premissas em que ocorre o conectivo em questão. 98 ) de uma dedução 9" . uma tal sequência é chamada uma derivação (formal) ou uma dedução (formal) da tese < com hipóteses 9" . 98 (sempre subentendido: no sistema DN)... em todo o caso. Por outro lado. ... 98 . a regra H a introduzir adiante dá conta desta possibilidade. . e a última fórmula < e a tese (final).48 Após a indicação de algumas regras e derivações daremos uma definição indutiva de derivação.. é a conclusão) de uma ou mais fórmulas precedentes (premissas) por uma das regras de inferência admitidas. as primeiras dizem-nos de que premissas podemos tirar uma conclusão em que ocorre o conectivo. pois... . as primeiras 8 fórmulas (9" . ´ 98 . há algumas excepções a este simplismo. umas de introdução e outras de eliminação.. .. . Em geral. sendo nesse caso as teses apelidadas de leis lógicas (proposicionais). incluindo <.. . mas há-de ser reformulada de modo a admitir um conceito mais geral de regra de inferência a introduzir proximamente. as fórmulas 98" . como veremos. a definição agora dada serve para os primeiros exemplos de regras e deduções. 98+1 .. < são as hipóteses (iniciais).. de deduções sem hipóteses. 48 Admitiremos adiante a possibilidade de se ter 8 œ !.. nomeadamente..

I com a noção de argumento. <. dizemos que a conclusão depende das hipóteses de que dependem as premissas. no seio de uma derivação. de facto. 9 é uma derivação da tese 9 com hipótese 9 • <. a sequência 9. para cada linha. Quanto a (3). e indicando. uma derivação de certa tese com certas hipóteses adoptaremos daqui em diante uma disposição na vertical das deduções. Por outro lado. a sequência 9 • 9. (4w ) 9 ¯ 9 • 9 Para facilitar a verificação de que uma dada sucessão de fórmulas é. CÁLCULO PROPOSICIONAL Eliminação da conjunção – ( • ") 55 Introdução da conjunção ( • ) 9ß < 49 9•< 9•< . . – A regra ( • " ) diz-nos que de uma conjunção se pode inferir a primeira – componente. numa coluna à (2w ) 9 • < ¯ < (3w ) 9ß < ¯ < • 9 49 Como já acontecia no Cap. a sequência 9 é uma dedução de 9 com hipótese 9. Analogamente para a regra ( • # ). Na maioria das vezes designaremos a regra de eliminação da conjunção simplesmente – por ( • – ). Mostramos de imediato que (1) 9 ¯ 9 (2) 9 • < ¯ 9 (3) 9ß < ¯ 9 • < Quanto a (1). < Em cada aplicação de uma destas regras. numerando consecutivamente as fórmulas. Para (2). 9 é uma dedução de 9 aplicando ( • – ). 9 • 9 é uma dedução de 9 • 9 com hipótese 9 . se o primeiro ( • " ). A regra ( • ) diz-nos que de duas premissas (não necessariamente distintas) se pode inferir a sua conjunção. < . se – o segundo ( • # ). o que mostra que (4) 9 • 9 ¯ 9. 9 • < é uma derivação da tese 9 • < com hipóteses 9 . Uma hipótese só depende de si mesma. e a sequência 9. Para (2w ) é análogo. 9 – ( • #) 9•< . numa coluna à esquerda.II. a sequência 9 • <. a ordem de colocação das premissas é irrelevante. deixando para o contexto a identificação do caso.

então 9 é falsa. aquela depende destas na dedução. logo c9 é verdadeira. 2 ( • ). Como estas são hipóteses. sendo. podemos também encarar (Hip) como uma regra sem premissas. Mas a formulação (c*) tem a desvantagem de envolver o condicional p . Assim. a justificação respectiva. embora certos autores a designem como regra de eliminação da negação. A fórmula da linha 3 foi inferida das fórmulas das linhas 1 e 2 por meio da regra ( • ). A conclusão depende das hipóteses de que depende a premissa. uma fórmula da forma < • c<). 50 Estamos aqui a afirmar. indicaremos apenas na coluna à direita ‘Hip’. Na realidade. a dedução de (2) acima poderá ser apresentada esquematicamente por: 1 2 3 9 < 9•< H H 1. ou simplesmente ‘H’. uma das quais permitirá simplificar um pouco a formulação da regra de introdução da negação. CÁLCULO PROPOSICIONAL direita. por exemplo. . isto é. como tal. Assim. por isso. qual a regra que foi aplicada e qual ou quais os números de ordem das premissas de que a fórmula nessa linha foi inferida. conveniente dar primeiro as regras para este conectivo. que uma proposição 9 implica uma outra < quando se quer apenas afirmar que a proposição condicional 9 p < é verdadeira. a regra de introdução de hipótese. Para as hipóteses. por isso. como o nome indica. A introdução da negação podia ser formulada desde já como sendo a regra (c*) 9 p Ð< • c < Ñ c9 e. De facto.56 II. não se deve ler «9 p <» como «9 implica <» excepto nos casos em que esta proposição é verdadeira. e não da negação simples. corresponde a uma versão do método de demonstração em matemática conhecido como método de redução ao absurdo: se 9 «implica»50 uma contradição (isto é. uma regra de eliminação da dupla negação.6 Regras para a negação e o condicional A nossa primeira regra para lidar com a negação é a seguinte: Eliminação da dupla negação (cc– ) cc9 9 É. como é habitual fazer-se em matemática. muitos autores afirmam «9 implica <» precisamente quando e só quando a proposição «9 p <» é verdadeira. para o qual ainda não demos qualquer regra. (c*) não será. II.

então < é verdadeira. (5) cc9 ¯ 9. embora passe despercebida. pois a sua premissa é. a conclusão depende das hipóteses de que dependem as premissas. 1 2 3 4 5 6 9 9 p Ð< p )Ñ 9p< <p) < ) H H H 1. ( ” – ) a indicar mais adiante serão outras. Vejamos uns exemplos de aplicação. . ela própria. e é conhecida classicamente como modus (ponendo) ponens: se 9 implica < e 9 é verdadeira. ou (MP) 9ß 9 p < < 57 Esta regra é de aplicação muito frequente em demonstrações matemáticas. 2 (MP) 3. Eliminação do condicional (p– ). 4 (MP). a fórmula da linha 4 depende das hipóteses das linhas 1 e 2. 3 (MP) 4. Dedução: 1 2 3 4 5 9 9p< <p) < ) H H H 1. Como se vê. A regra (p ) é uma dessas. 5 (MP). Acrescentaremos agora que algumas regras correspondem mais propriamente a certos métodos de demonstração em matemática. (7) 9. CÁLCULO PROPOSICIONAL adoptada como regra fundamental do sistema. enquanto a fórmula da linha 5 depende das hipóteses de que dependem as linhas 3 e 4. ou seja. (8) Dedução: 9ß 9 p Ð< p )Ñß 9 p < ¯ ). 2 (MP) 1. < p ). A regra de introdução do condicional (p ) que se formula a seguir é uma das mais importantes do nosso sistema. Numa aplicação desta regra. Somente efectuamos algumas das deduções. mas é de natureza um pouco diferente das anteriores. 9 p < ¯ <. (6) 9. e as regras (c ). 2 e 3. das hipóteses 1. 9 p <. uma derivação. Dissemos anteriormente que as nossas regras iriam corresponder a certas formas de argumentação válida frequentes.II. as deduções que não exibirmos ficam como outros tantos exercícios.

se pode inferir a conclusão 9 p <. mas não o faremos. pois esta não depende de 9 como hipótese. o método em causa é o conhecido método directo para demonstrar uma proposição condicional. no nosso cálculo dedutivo isto quer dizer construir uma dedução de < com hipótese adicional 9 .58 II. por exemplo. no sentido alargado. da forma 9 p <. Cada linha de eliminação da dependência uma dedução fica a depender apenas das hipóteses não descarregadas utilizadas anteriormente para aceder a essa linha.52 De notar que se uma hipótese (9) descarregada por uma aplicação da regra (p+ Ñ [ou de uma das regras (c ). Formalmente. tal linha posterior continua a depender daquela hipótese (9). CÁLCULO PROPOSICIONAL No caso de (p ). por isso. excluindo 9. Introdução do condicional 9 ã < 9p< [H] (p + ) . quando se aplica a regra (p ). Dizemos. o termo ‘item’ na definição de dedução. tanto mais que o 9p< 51 esta regra se poderá justificar facilmente mediante (39). englobando os itens singulares ou premissas. já não depende de 9 como hipótese. digamos 9 ã < H A regra (p ) diz-nos que de uma tal dedução. . descartada ou eliminada. é admitir (temporariamente) o antecedente 9 como nova hipótese e demonstrar o consequente <. e itens compostos ou derivações-premissa. mas apenas das hipóteses de que < depende. isto é. de acordo com este método. O que se faz. As deduções continuam a ser sequências finitas de fórmulas. como premissa. mas já não relativamente à conclusão final 9 p <. ( ” – ) a introduzir mais adiante] voltar a ser utilizada numa linha posterior àquela em que foi descarregada (9 p <). 52 Podíamos admitir desde já o caso degenerado da regra (p ). mas apenas das outras hipóteses iniciais (se algumas houver) de que < depende naquela dedução. que. (p ) < . Em vez do termo ‘premissa’ seria mais conveniente. mas o conceito de premissa deve ser alargado de modo a contemplar regras como (p ). a hipótese temporária 9 foi descarregada. como anteriormente. Em vez y de escrever ‘[H]’ à direita de 9 também se pode escrever ‘H’ para assinalar a 51 no momento de aplicação da regra. porém. Colocámos ‘H’ entre parênteses rectos ‘[ ]’ para chamar a atenção para o facto de 9 ser somente hipótese relativamente a <. no sentido prévio. a qual.

Dedução: {1} 1 {2} 2 {3} 3 {1. Veremos adiante uma outra maneira de encarar esta regra. e da regra (p ) que permite concluir a fórmula condicional. por aplicação de (p ). E o que se pode fazer uma vez pode fazer-se duas ou trêsÞÞÞ Repetindo o feito à dedução de (9w ). Se compararmos as deduções de (9) e de (9w ). 4 (MP) 3-5 (p ) 2-6 (p ). 3 (MP) 2. veremos que esta última só tem a mais a linha 7 e o facto de a hipótese 2 ser encarada como hipótese auxiliar. como regra de eliminação de hipótese. mas. por uma aplicação de (p ). Dedução: 1 2 3 4 5 6 7 9p< <p) 9 < ) 9p) Ð< p )Ñ p Ð9 p )Ñ H [H] [H] 1. 2} 6 9p< <p) 9 < ) 9p) H H [H] 1. por exemplo. Assim. a fórmula da linha 5 depende das hipóteses iniciais e da hipótese auxiliar. como acima se disse: qualquer hipótese pode ser eliminada. (9) 9 p <ß < p ) ¯ 9 p ) (silogismo hipotético). (9w ) 9 p < ¯ Ð< p )Ñ p Ð9 p )Ñ. enquanto tal. a dependência da linha 3 foi eliminada. pois. mas a tese na linha 6 já só depende das hipóteses iniciais uma vez que. A justificação da linha 6 (coluna à direita) consiste na indicação da subderivação entre as linhas 3 e 5. passando a antecedente de uma implicação. 2. 3} 4 {1. Para tornar visível a dependência. não sobrecarregamos a notação das deduções com a indicação das dependências. 4 (MP) 3-5 (p ). regra do método directo. indicámos na coluna mais à esquerda (o número de ordem de) as hipóteses de que cada fórmula depende nesta dedução. Tudo se passa. com hipótese auxiliar 9 e conclusão ). 3 (MP) 2. 3} 5 {1. em geral. Esta exibição das dependências pode ser feita relativamente a qualquer dedução. vindo a ser eliminada na linha 7.II. por aplicação da regra (p ). ou regra da hipótese auxiliar. Aconselhamos o leitor a preencher as dependências de hipóteses para auto-controlo do processo dedutivo. Alguns exemplos ajudarão a compreender melhor esta regra. obtemos uma dedução de . e permite um certo controlo sobre a aplicação das regras. como se (p ) funcionasse como regra de eliminação de hipótese. CÁLCULO PROPOSICIONAL 59 A regra (p ) também é conhecida como regra da dedução condicional.

como uma versão ou variante (fraca) da regra de redução ao absurdo. ela própria. Uma fórmula 9 que possua uma dedução sem hipóteses é o que se chama uma lei. uma negação (digamos c)). cc) . podemos reformulá-la como uma regra estruturalmente semelhante a (p ). Exactamente qual a contradição (< • c<) que a hipótese provisória (9) permite obter não é possível saber-se de antemão: é coisa a descobrir caso a caso. 3 œ 1. Pode ser encarada. para obter ) há que aplicar (cc– ) — ver (RA) adiante]. Regressando à regra de introdução da negação (c ). as seguintes leis: (10) 9 • < p 9. É o que se chama uma dedução sem hipóteses. Dos exemplos anteriores obtêm-se. Trata-se da regra seguinte: Introdução da negação 9 ã < • c< c9 [H] (c ) ou (RA*) . . Estas são ditas primitivas.60 (9ww ) Ð9 p <Ñ p Ð< p )Ñ p Ð9 p )Ñ. 2. por sua vez. em que a premissa é. excluindo a hipótese temporária (9). Em todo o caso.8 estão duas outras versões desta regra. a conclusão da regra continua a ser a negação de 9 [no caso. sem dificuldade. (12) cc9 p 9. (MTw3 ). (10w ) 9 • < p <. No exercício 2. a conclusão final ( c9) só depende das hipóteses de que depende a conclusão da derivação-premissa (< • c<). (13) 9 p Ð9 p <Ñ p <. aplicando (p ) tantas vezes quantas as necessárias. CÁLCULO PROPOSICIONAL com a particularidade de nela estarem eliminadas todas as hipóteses. e escreve-se ¯ 9 para exprimir esse facto. Como primeira aplicação desta regra derivamos a clássica modus (tolendo) tollens: (MT) 9 p < ß c< c9 Derivar esta regra é mostrar que das suas premissas é possível deduzir a sua conclusão usando as regras do sistema DN. Note-se que nada impede que 9 seja. uma derivação de uma contradição (digamos < • c<) a partir de uma hipótese auxiliar (9) e a conclusão é uma negação (c9). como já se disse. teorema lógico ou princípio lógico (proposicional). e regras como (MT) que se possam derivar a partir das primitivas dizem-se derivadas. (11w ) 9 p < p < • 9. conforme a fórmula 9 cuja negação se pretende derivar. (11) 9 p < p 9 • <. II.

tipicamente. é a regra derivada seguinte. não se faz uso do método de redução ao absurdo no estabelecimento de proposições não negativas (isto é. 61 Por razões a desenvolver no último capítulo. (16) 9 p < ¯ c< p c9. pode ser discutida a adequação da designação da regra (c ) como «regra de redução ao absurdo». Em consequência.II. é sabido que na matemática intuicionista/construtivista. Não fica bem. senão a maioria das demonstrações pelo método de redução ao absurdo procedem de acordo com aquela regra pois. 53 . portanto. mas reconheço a pertinência da objecção que me foi levantada pelo meu colega Prof. Dedução de (14): 1 2 3 4 5 6 9p< c< 9 < < • c< c9 (15) 9 ¯ cÐc9 • c<Ñ. CÁLCULO PROPOSICIONAL (14) 9 p <ß c< ¯ c9. um grande número. 60). portanto. em que se utiliza a lógica intuicionista (ver último capítulo). a proposição a demonstrar por tal método é negativa. reserva-se a designação (RA) para a regra derivada a introduzir adiante. com excepção de (cc– ). ter uma regra (mesmo que derivada) com uma designação que choca claramente com a filosofia e praxis intuicionistas.53 Outra aplicação importante de (c ). (17) 9 ¯ cc9. a qual não é. onde ¼ denota o absurdo (uma contradição indeterminada ou proposição sempre falsa)]. Acontece que todas as regras do sistema DN. nesta regra. atendendo à maneira sui generis como os intuicionistas definem habitualmente a negação [c9 œ 9 p ¼ . já que utiliza (cc– ) na sua derivação. a que chamaremos com propriedade regra de redução ao absurdo e designaremos (RA). Fernando Ferreira a este respeito. a quem devo e agradeço a sugestão da inclusão da presente nota. a designação referida não é gravosa. com o auxílio de (cc– ) como acima se explicou (pág. Todavia. pois é um caso particular da regra (p ). a regra (c ) é redundante. nesta lógica. são intuicionisticamente válidas. em geral. de modo que o ónus do classicismo está. Não há dúvida de que na matemática clássica. que não são negações). Ora. clássica mas não intuicionisticamente válida. 4 ( • ) 3-5 (RA*). 3 (MP) 2. que é o contexto privilegiado da lógica clássica. adimita pelos intuicionistas: Como este livro é primordialmente de lógica clássica. H H [H] 1.

O mesmo que se disse para (MT) e (cc ) pode ser dito de outras regras derivadas. utilizando somente regras primitivas. Por outras palavras.7 Introdução de teses A regra (MT) pode ser utilizada em deduções. Analogamente para a regra derivada correspondente a (17). cc9 Utilizando as regras derivadas (MT) e (cc ) derive-se. (18) c< p c9 ¯ 9 p < . tal como se fosse uma regra primitiva sem que. cuja justificação pode ser dada exactamente nos mesmos termos em que acima se justificaram as regras derivadas como (MT). a título de exercício. aplicável em qualquer dedução. Na verdade. derive-se novamente (18). sempre que estabelecemos uma relação de derivabilidade da forma 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ < podemos formular uma regra derivada correspondente 9" ß ÞÞÞß 98 < mas a maioria das regras assim obtidas não é suficientemente interessante para merecer uma designação especial e faria aumentar excessivamente o número de regras do sistema. por isso. Veremos adiante algumas aplicações desta regra.62 Redução ao absurdo c9 ã < • c< 9 [H] II. fique alterada a força dedutiva do sistema. CÁLCULO PROPOSICIONAL (RA) . pela simples razão de (MT) ser derivável. em qualquer aplicação de (MT) no seio de uma dedução podemos substituir essa aplicação (aumentando o número de linhas) pela derivação (utilizando as regras primitivas) da conclusão da regra (c9) a partir das suas premissas (9 p <. introdução da dupla negação (cc ) 9 . Quer dizer. . Ao invés. Como continuação do exercício. II. formulamos um princípio geral. não se obtêm teses nem leis que não possam já ser obtidas sem utilizar (MT). c<).

Vejamos um exemplo de aplicação. Comecemos pelas mais simples regras de introdução da disjunção. nomeadamente. . 8 é par ou 8 não é par (é ímpar)] se pretende concluir certa tese ) . partindo de certa hipótese disjuntiva 9 ” < [por exemplo.II.54 Procede-se então por casos. CÁLCULO PROPOSICIONAL 63 7. )) e também no caso < (no caso 8 ímpar. uma tal hipótese disjuntiva é da forma 9 ” c 9 (lei do terceiro excluído. procurando demonstrar ) no caso 9 (no caso 8 par.1 Princípio de introdução de teses (T ) Em qualquer linha de uma dedução pode-se introduzir uma lei ou tese anteriormente deduzida. desde que as hipóteses de que essa tese depende (numa sua dedução) ocorram em linhas precedentes (não necessariamente como hipóteses) naquela mesma dedução. a proposição a demonstrar ) é conhecida antes de se aventar uma hipótese disjuntiva que permita uma demonstração por (dois ou mais) casos. 14) 4 (cc– ) 2-5 (p ). II. 3 (T . . usualmente exclusivos e exaustivos.. a deduzir adiante). 54 Na maior parte das vezes. por causa da maior complicação estrutural de uma delas.8 Regras para a disjunção Deixámos para o fim as regras da disjunção. 9”< Numa dedução em que se aplique uma destas regras a conclusão depende das hipóteses de que dependem as premissas. também )).. em que. da regra de eliminação da disjunção. Antes de formular a regra de eliminação da disjunção. no caso (18) acima: 1 2 3 4 5 6 c< p c 9 9 cc9 cc< < 9p< H [H] 2 (T .. 17) 1. Introdução da disjunção ( ” +) " 9 9”< ( ” +) # < . . Muito frequentemente.. recordemos o conhecido método de demonstração por casos em matemática. também.

se pode concluir ). . Esquematicamente: Eliminação da disjunção 9 ã ) [H" ] < ã ) ) [H# ] 9”< (” ) – Vejamos dois exemplos onde se aplica esta regra. (19) 9 ” Ð< • )Ñ ¯ Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ (20) Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ ¯ 9 ” Ð< • )Ñ Dedução: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 9 ” Ð< • )Ñ 9 9”< 9”) Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ <•) < 9”< ) 9”) Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ H [H" ] 2 ( ”+) 2 ( ”+) 3. isto é. 4 ( • ) [H# ] 6 ( •–) 7 ( ”+) 6 ( •–) 9 ( ”+) 8. que de uma premissa disjuntiva 9 ” < e de duas derivações com hipóteses auxiliares 9 e <. No segundo exemplo (exercício) a regra ( ” – ) utiliza-se duas vezes. como em (*).64 II. isto significa admitir temporariamente 9 e < como hipóteses e em cada um dos casos derivar ) . 2-5. Numa dedução em que se aplique esta regra a conclusão final ) não vai depender das hipóteses auxiliares 9 e <. 6-11 ( ” – ). para todos os efeitos. Estas derivações comportam-se. excluindo 9 e <. já que estas são descarregadas no momento de aplicação da regra. mas somente das hipóteses de que 9 ” < depende e das hipóteses de que ) depende nas subderivações (*) acima. 10 ( • ) 1. CÁLCULO PROPOSICIONAL No nosso cálculo. Chama-se a atenção para que a hipótese de uma subderivação (*) não deve ser utilizada como hipótese na outra. precisamente. respectivamente. construir duas derivações: (*) 9 ã ) H < ã ) H A regra ( ” – ) diz. como se fossem premissas ordinárias.

II. p p Iterando (*) um número suficiente de vezes conclui-se que (***) 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ < sse ¯ 9" p 9# p â p 98 p <. CÁLCULO PROPOSICIONAL 65 II. facilmente se justificam p as seguintes regras derivadas para o bicondicional seguintes:55 (o + ) p 9 p <ß < p 9 . e (**) 9 °¯ < sse ¯ 9 o < sse 9 o < é uma lei lógica. seriam adoptadas estas duas regras como regras primitivas do sistema DN. <p9 (21) ¯ 9 ” Ð< • )Ñ o Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ p (22) 9 o <ß < o ) ¯ 9 o ) p p p (23) ¯ Ð9 p )Ñ p Ð< p )Ñ p Ð9 ” < p )Ñ (lei distributiva de ” com respeito a • ) No que segue.10 Mais exemplos. p (24) 9 p < °¯ cÐ9 • c<Ñ Muito útil no estabelecimento de outras leis de conversão. Terceiro excluído O exemplo seguinte está na base de uma importante lei de conversão [usando (**) acima]: a lei Ð9 p <Ñ o cÐ9 • c<Ñ. a chamada regra de trivialização (ou regra do absurdo) que. < 55 No caso de o bicondicional ser considerado como primitivo. nos diz que de um par de fórmulas contrárias (9 e c9) toda e qualquer coisa se pode inferir: (¼) que se justifica mostrando que (25) 9 ß c9 ¯ < 9 ß c9 . escrevemos 9 °¯ < para significar que 9 ¯ < e < ¯ 9. . Em virtude das regras para p e o facilmente se justifica que: p (*) 9 ¯ < sse ¯ 9 p < sse 9 p < é uma lei lógica. Para a dedução utilize-se (c ). p 9o < (o – ) p p 9o < .9 Regras para o bicondicional Atendendo à definição de o e às regras da conjunção. II. é a seguinte regra derivada. 9p< p 9o < . e não só. informalmente. neste caso dizemos que 9 e < são interderiváveis.

4 ( ¼ ) [H# ] 1 ( •–) 6. Alguns dos exemplos seguintes estão na base de outras tantas leis conhecidas. 7 ( ¼ ) 2. Dedução: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 9•< c9 ” c < c9 9 ) • c) c< < ) • c) ) • c) cÐ c9 ” c<Ñ H [H] [H" ] 1 ( •–) 3. 2 ( • ) 3 . CÁLCULO PROPOSICIONAL Uma primeira aplicação desta regra pode ser feita na dedução de (26) 9 • < ¯ cÐ c9 ” c<Ñ. Note-se a necessidade de obter a mesma contradição nas linhas 5 e 8.4 (c  ) 5 (cc– ). com vista a uma aplicação da regra ( ”  ) na linha 9. 6-8 ( ” – ) 2-9 (c ).66 Dedução: 1 2 3 4 5 6 9 c9 c< 9 • c9 cc< < H H [H] 1. (27) 9 • < °¯ < • 9 (28) 9 ” < °¯ < ” 9 (29) 9 • Ð< • )Ñ °¯ Ð9 • <Ñ • ) (30) 9 ” Ð< ” )Ñ °¯ Ð9 ” <Ñ ” ) (31) 9 • Ð< ” )Ñ °¯ Ð9 • <Ñ ” Ð9 • )Ñ (32) Ð9 • <Ñ ” Ð9 • c<Ñ ¯ 9 (33) 9 °¯ 9 ” Ð< • c<Ñ (34) 9 p Ð< p )Ñ ¯ Ð9 p <Ñ p Ð9 p )Ñ (35) 9 p < ¯ Ð< p )Ñ p Ð9 p )Ñ (36) 9 p Ð< p )Ñ °¯ 9 • < p ) (37) 9 o < °¯ c9 o c< p p . daí o artifício a que recorremos com ) • c) . 3-5. comutativas. como as leis associativas. etc. distributivas. II. onde ) é uma fórmula qualquer (por exemplo. a fórmula : ).

II. CÁLCULO PROPOSICIONAL (38) c9 ¯ 9 p < (39) < ¯ 9 p < (40) Ð9 p <Ñ p 9 ¯ 9

67

As leis que resultam de (38) e (39) são conhecidas tradicionalmente como paradoxos da implicação material, mas não são realmente paradoxos em nenhum sentido técnico. Informalmente, (38) interpreta-se assim: uma proposição falsa implica qualquer proposição; (39) pode-se interpretar: uma proposição verdadeira é implicada por qualquer proposição. Se há algo de «paradoxal» nos paradoxos da implicação material é apenas o facto de, num caso como no outro, poder não haver qualquer «relação» entre antecedente e consequente na fórmula condicional que é deduzida. Semanticamente já sabíamos ser assim (ver secção I.11). Uma lei da lógica clássica muito importante que não é uma condicional nem uma bicondicional é a chamada lei do terceiro excluído: (41) ¯ 9 ” c9 Dedução: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 cÐ9 ” c9Ñ [H] [H] 9 2 ( ”+) 9 ” c9 Ð9 ” c9Ñ • cÐ9 ” c9Ñ 1, 3 ( • ) 2-4 (RA*) c9 5 ( ”+) 9 ” c9 Ð9 ” c9Ñ • cÐ9 ” c9Ñ 1, 6 ( • ) 1-7 (RA*) ccÐ9 ” c9Ñ 8 (cc– ). 9 ” c9

A utilização desta lei em deduções, introduzida por meio de (T ), facilita a derivação de certas outras como, por exemplo, a importante lei de conversão Ð9 p <Ñ o c9 ” <, que se obtém a partir das derivações indicadas a seguir: p (42) 9 p < °¯ c9 ” < Dedução: ¯ : 1 2 3 4 5 6 7 8 9p< 9 ” c9 9 < c9 ” < c9 c9 ” < c9 ” < H (T  ) [H] 1, 3 (MP) 4 ( ”+) [H] 6 ( ”+) 2, 3-5, 6-7 ( ” – ).

° : Utilize os paradoxos da implicação material.

68 (43) 9 ¯ Ð9 • <Ñ ” Ð9 • c<Ñ (44) cÐc9 ” c<Ñ ¯ 9 • <

II. CÁLCULO PROPOSICIONAL

Daqui sai facilmente a lei cÐc9 ” c<Ñ p 9 • < e, contrapondo e eliminando a dupla negação, obtemos outra lei: (45) ¯ cÐ9 • <Ñ p c9 ” c< Analogamente, de (26) sai facilmente a lei 9 • < p cÐ c9 ” c<Ñ, e desta, c9 ” c< p cÐ9 • <Ñ. Combinando os resultados, obtemos uma das leis de De Morgan, (46) ¯ cÐ9 • <Ñ op c9 ” c< A outra lei de De Morgan é igualmente muito útil: (47) ¯ cÐ9 ” <Ñ op c9 • c< Como princípio estratégico geral na construção de deduções, deve-se começar tentando uma abordagem directa; falhando esta (por vezes, é simples falta de persistência!) tente-se a indirecta [(c ), (RA), etc.]; como último recurso, introduza-se uma lei do terceiro excluído conveniente e prossiga-se por casos. Os paradoxos da implicação material e a regra ( ¼ ) são também recursos muito úteis. Finalizamos esta secção com uma breve apresentação alternativa à «linear vertical» da configuração das deduções, e as definições que foram prometidas acima, nomeadamente as de derivação com hipóteses e hipóteses descarregadas. De facto, as deduções também podem ser configuradas como árvores binárias, com raiz em baixo e as hipóteses nos topos, podendo uma mesma hipótese figurar em mais de um topo. Vejamos o exemplo (27), da esquerda para a direita, a esta luz: 9•< < <•9 9•< 9 .

Acrescentando mais um nível obtemos uma derivação da lei 9 • < p < • 9 : Ò9 • < Ó < <•9 9 • <p< • 9 Ò9 • < Ó 9 .

Se quisermos ser mais informativos, colocamos à direita de cada traço inferencial ‘———’ a regra que foi aplicada e, se for o caso, o número, em índice superior, da hipótese (auxiliar) numerada que foi cancelada por aplicação dessa regra:

II. CÁLCULO PROPOSICIONAL
" Ò9 • < Ó " ( •  ) Ò9 • < Ó ( •  ) < 9 ( •) <•9 ( p  )" . 9 • <p< • 9

69

Agora, as definições prometidas, após algumas notações. Designamos as derivações (sucessões finitas de fórmulas) em geral por W, Ww , Www , W" , W# , ÞÞÞ, mas escrevemos (D) W <, 9 W <

para indicar que W é uma derivação com última fórmula < (portanto, < faz parte de W), e que W é uma derivação com hipótese 9 a descarregar de seguida [quando se aplica uma das regras (p ), ( ”  ), (c )] e última fórmula < (portanto, 9 e < fazem parte de W), respectivamente. As regras de inferência são regras para construir derivações a partir de uma, duas ou três derivações dadas (como premissas), e têm uma das formas (R) W W" W # W , , < < W" < W# 56 ,

onde as premissas W, W" , W# serão sempre apresentadas como em (D), quer dizer, exibindo a última fórmula que faz parte da derivação; < é a conclusão da regra respectiva. Do lado esquerdo da regra indicamos o seu nome ou designação (como acima). Algumas regras são sujeitas a restrições especificadas a seguir.

10.1 Definição indutiva das derivações
I Parte: 1. (Regra H) Uma sucessão finita constituída por uma única fórmula 9, é uma derivação com hipótese 9. Não há hipóteses descarregadas nesta derivação. 2. (Regras de introdução e eliminação dos conectivos • , ” , p ) Se W, W" , W# são derivações, então W" W# W" W" 9 < 9•< 9•<    9 , (•# ) < , (• ) 9 • < , (•" )

56

Estas disposições correspondem às sucessões Wß F ; W" ß W# ß F ; W" ß W# ß W$ ß F , respectivamente, com a convenção de que se podem permutar as premissas W3 de qualquer maneira.

II Parte: Além disso. no comprimento das derivações). . se quisermos.16). que o conjunto das derivações com hipóteses em > é o mais pequeno conjunto (de sucessões finitas de fórmulas) que contém as fórmulas de > (regra H) e é fechado para as outras regras. são descarregadas as hipóteses 9. activas ou abertas após a aplicação da regra (e diz-se que a conclusão depende dessas hipóteses)..70 Ò9 Ó W <  (p ) 9 p < . II. Também se pode dar uma definição indutiva das derivações em forma de árvore. < de W" . 98 . nota 52. a hipótese 9 em W é descarregada. uma dedução de < com hipóteses 9" . II. 9n . Pode-se dizer. . 3. Este tipo de definição (indutiva) permite que se façam demonstrações (metamatemáticas) por indução nas derivações (ou. W" W" W 9 < 9”< (”) 9 ” < . Nada mais é derivação. em aplicações da regra ( ”  ). W# . CÁLCULO PROPOSICIONAL W" 9 (p ) W# 9p< < Ò9 Ó W" ) ) Ò< Ó W# ) .. respectivamente..11 Semântica e metateoria Suponhamos dadas ao acaso certas fórmulas 9" . se estiver presente (ver caso degenerado. (”) " # são derivações. e que inquirimos (Q" ) 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ < ? Como obter a resposta a uma questão deste tipo? Se existe. (”) 9 ” < . Todas as hipóteses de uma premissa que não são descarregadas por uma destas regras permanecem não descarregadas. mas não iremos prosseguir nesta via com este sistema (ver II. por outras palavras. e em aplicações da regra (c ) é descarregada a hipótese c9. pág.. em aplicações da regra (p ). é muito possível que ao fim de algum . <. de facto. 58).. (Regra de eliminação da dupla negação) Se W é uma derivação. então W ¼ – (cc ) 9 é uma derivação. onde ¼ representa uma contradição qualquer. 4..

II. ou uma tautologia. @Ð9Ñ œ !]. respectivamente. e muitos outros depois deles tentaram descobrir fórmulas resolventes para equações algébricas de grau maior ou igual a &. contribuindo para a vitória dos aliados na II Grande Guerra (ver Cap. @w tais que @Ð9Ñ œ ". são inválida [isto é. obtemos a seguinte classificação das fórmulas de _! : ñ 9 é taulológica. nenhuma dedução. ou (ii) Não existe. CÁLCULO PROPOSICIONAL 71 tempo se encontre uma mas. a trissecção do ângulo arbitrário e a duplicação do cubo com régua e compasso. 57 . valoração e valoração booleana. Não será exactamente assim. p • q p q. p p Ðq p pÑ. Somente durante o século XIX se descobriu porque uns e outros falharam nas suas tentativas: era impossível! 58 Entendemos por algoritmo (procedimento efectivo ou mecânico) um sistema finito de regras deterministas que permite obter respostas a questões de certo tipo dado num número finito de passos. existe @ tal que @Ð9Ñ œ !]. Não seria a primeira vez. o matemático e lógico inglês Alan Turing. afinal. se ao fim de algum tempo (razoável) não for encontrada nenhuma dedução. Exemplos: ñ Válidas: p ” cp. antes de embarcarmos em tentativas de dedução que podem estar. enunciada na pág. Antes de formular as respostas de maneira precisa.3)]. Conforme os valores lógicos que uma fórmula 9 pode tomar para as diferentes valorações possíveis [quer dizer. no cálculo de predicados. ñ 9 é compatível: existe @ tal que @Ð9Ñ œ ". Os algebristas italianos da Renascença. e deixaremos de @ usar o adjectivo «booleana». ou é válida: para toda a valoração booleana @. para os diferentes arranjos de valores lógicos atribuídos às letras proposicionais que ocorrem em 9 (ver exercício 2. chefiou a equipa que decifrou o código secreto nazi Enigma. convém recordar as noções semânticas de consequência. Durante muitos e muitos séculos os geómetras tentaram fazer a quadratura do círculo. As negações dos conceitos de fórmula válida. duas explicações são possíveis: (i) Não tentámos o tempo suficiente. e no melhor sentido possível.57 No cálculo proposicional as questões anteriores têm respostas afirmativas. @w Ð9Ñ œ !. condenadas ao fracasso. podemos designar também por @ a extensão booleana s de uma valoração simples @. 53. porém. para todo @. O ramo da lógica matemática que estuda os algoritmos chama-se teoria da computabilidade e desenvolveu-se grandemente a partir de meados dos anos trinta do século XX. pois existe mesmo um algoritmo58 para decidir questões do tipo (Q" ). como veremos. Em virtude da propriedade de extensão das valorações. compatível. contraditória [isto é. ñ 9 é contingente: existem @. Um dos criadores deste ramo. de facto. @Ð9Ñ œ ". Como saber qual destes casos se dá? Seria interessante poder responder a estas questões em tempo útil. V).

e respectivas designações. p. então @ @ @ sÐ<Ñ œ ". p ” cp.2 Definição Seja D um conjunto (finito ou infinito) de fórmulas de _! . ñ Contingentes: p. e uma valoração @ que satisfaz todas as fórmulas de um conjunto D diz-se um modelo de D. Em termos de valorações. 9 é logicamente equivalente a <. e escrevemos 9" ß ÞÞÞß 98 } <. se e só se toda a valoração @ que satisfaz todas as fórmulas de D satisfaz <. e escreve-se 9 µ <. ou. Dizemos que D é compatível sse existe. CÁLCULO PROPOSICIONAL ñ Compatíveis: p • q. p ” q. idempotência comutatividade associatividade absorção distributividade DeMorgan dupla negação 11. 98 . se sÐ9" Ñ œ â œ sÐ98 Ñ œ ". .. tem-se: 9•9 µ9 9”9 µ9 9•< µ<•9 9”< µ<”9 Ð9 • < Ñ • ) µ 9 • Ð < • ) Ñ Ð 9 ” < Ñ ” ) µ 9 ” Ð < ” ) Ñ Ð9 • < Ñ ” 9 µ 9 Ð 9 ” < Ñ • 9 µ 9 Ð9 • < Ñ ” ) µ Ð 9 • ) Ñ ” Ð < • ) Ñ Ð 9 ” < Ñ • ) µ Ð 9 ” ) Ñ • Ð < ” ) Ñ cÐ9 • <Ñ µ c9 ” c< cÐ9 ” <Ñ µ c9 • c< cc9 µ 9 Além disso: 9•< µ< 9•< µ9 9”< µ9 9”< µ< se 9 é válida se 9 é incompatível. Vejamos alguns exemplos de equivalências lógicas notáveis. ñ Contraditórias: : • c:ß cÐ: ” c:Ñ.. e escreve-se D } <. < é consequência de 9" .72 II. < uma fórmula. < e ). sse 9 op < é válida). equivalentemente. p p r. Uma valoração @ que satisfaz uma fórmula 9 também se diz um modelo de 9. 11. qualquer c9. .1 Definição Seja D um conjunto de fórmulas. sse 9 } < e < } 9 (ou seja. pelo menos. Dizemos que < é consequência lógica de D. Para quaisquer fórmulas 9. se e somente se para toda a valoração @. A notação habitual para exprimir que uma fórmula 9 é válida é a seguinte: } 9.. onde 9 é válida. p • q. a definição de validade de um argumento ou de consequência é: um argumento 9" ß ÞÞÞß 98 Î< é válido. uma valoração @ que satisfaz todas as fórmulas de D.

. CÁLCULO PROPOSICIONAL 73 Portanto. .. . cada linha que figure abaixo das hipóteses é verdadeira também (mesmo que só dependa de algumas das hipóteses). A validade de regras como as de introdução de p e de c e a regra de eliminação de ” tem de ser entendida de modo apropriado. isto é. que contém a fórmula deduzida (tese final)..è Podemos argumentar a favor da plausibilidade da propriedade de validade. 98 . então 9" ß ÞÞÞß 98 } 9. é óbvio que sempre que as hipóteses forem verdadeiras. . como facilmente se constata. sempre falsa). . Dem. Por exemplo. derivável das hipóteses 9" . se 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ 9. Esta propriedade fornece imediatamente59 um critério de não dedutibilidade: se < não é consequência de 9" . < de _! . : não é derivável das hipóteses : p .. podemos agora enunciar os resultados fundamentais que lhes dão resposta.II. se 9 é uma lei lógica. . isto é. a última linha. . Uma demonstração rigorosa pode ser feita por indução no comprimento das derivações... : não é consequência de : p . 11. observando que as regras do sistema DN são válidas. por certo. se < não é válida. onde g é o conjunto vazio. então < não é lei lógica. . numa dedução em que tais regras são aplicadas. o que é impossível (pois 9 • c9 é contraditória. então < não é. Particularizemos ao caso da regra (p+ ): a conclusão 9 p < é verdadeira sempre que todas as hipóteses de que < depende na subderivaçãopremissa. com excepção da hipótese auxiliar 9 . os quais também são conhecidos como metateoremas da lógica proposicional: 11. são verdadeiras. e em particular..4 Corolário (Propriedade da consistência) O sistema DN é consistente (ou não contraditório). a propriedade de validade resulta do seguinte resultado um pouco mais geral: 59 60 Por contraposição ao nível metalinguístico. pois. pelo menos. D é compatível sse possui. . um modelo. então } 9.60 Ora. Em particular. Analogamente para as outras regras com subderivações-premissas (c+ ) e ( ” – ).3 Propriedade da validade (MV) Para quaisquer fórmulas 9" . de acordo com as definições acima. Vê-se facilmente que. fosse lei. De de acordo com a definição acima. Em particular. preservam a verdade. 98 . no sentido seguinte: não existe nenhuma fórmula 9 tal que 9 • c9 é derivável. 98 . então 9 é válida: se ¯ 9. Regressando às questões acima formuladas. Mais pormenorizadamente.. então seria válida. é verdadeira.. também podemos dizer que 9" ß ÞÞÞß 98 } < sse todo o modelo de Ö9" ß ÞÞÞß 98 × é modelo de <. isto é. a noção de validade para fórmulas é um caso particular da noção de consequência: g } < sse } <. Se alguma 9 • c9 fosse derivável. .

9 só pode ser uma hipótese. 9 é uma hipótese inicial ou auxiliar. neste caso. quando 9 é a última fórmula de uma dedução. se <" . 9 é da forma < • ) e é inferida de <. <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } 9). j ( •  ) . Dem.74 II. então <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } 9. 9 } 9. e este caso trata-se como em (i). Precisando. . <# .. e neste caso a conclusão é que 9 é válida. supomos que a regra (T ) não foi utilizada. então QÐ8Ñ é verdadeira para todo 8   ".. 2. Esquematicamente. QÐ8Ñ. então <" • <# • ÞÞÞ • <7 p 9 é válida (ou. e que 9 é inserida na linha 8  ". (i) Se 9 é a linha 1 de uma dedução. Diz o referido princípio de indução completa que se (i) QÐ"Ñ é verdadeira. CÁLCULO PROPOSICIONAL 11. A demonstração é por indução nas deduções. e (ii) para cada 8   ".. Caso ( •  ).5 Metateorema Para cada fórmula 9 de uma dedução com hipóteses em DN. estamos na situação seguinte:  ã i ã j ã n+1 ã < ã ) ã <•) ›<" ß <# ß ÞÞÞß <7 i. que só depende de si mesma. e é óbvio que. linha essa que pode depender de algumas hipóteses iniciais e. <7 são todas as hipóteses de que 9 depende nessa dedução. se QÐ8  "Ñ é verdadeira sempre que QÐ5Ñ é verdadeira para todo 5 Ÿ 8. equivalentemente. de algumas hipóteses auxiliares entretanto assumidas. ) dependem estão entre <" ß <# ß ÞÞÞß <7 . conforme a justificação para esta linha. (ii) Seja 8   " ao arbítrio e suponhamos (hipótese de indução) que QÐ5Ñ é verdadeira para qualquer 5 Ÿ 8. IV. Há vários casos a considerar. que exprime que se 9 é a fórmula número 8 (   ") numa dedução e 9 depende exactamente das hipóteses <" . <7 . Caso Hip.. O enunciado (MV) acima está obviamente contemplado como caso particular. ou melhor. Para simplificar. o tipo de indução mais apropriado é o de indução completa. eventualmente também. no número de ordem (número da linha) 8   " em que 9 se insere numa dedução.ª forma (ver Cap. <# . 252) que aqui reformulamos para a condição em 8. Considera-se incluído o caso em que 7 œ !. e as hipóteses de que <.. ) em linhas precedentes por ( • ).. pág. .

não é). pelo menos. e escreve-se > ¯ 9. Quer dizer. não tem de ser necessariamente membro de > (e. que é a propriedade recíproca da propriedade de validade. É. talvez. .62 Um conjunto > de fórmulas de _! diz-se consistente ou não contraditório sse não existe nenhuma fórmula < tal que > ¯ < • c<.. " Ÿ 6 Ÿ 7) de que 9 não depende. <" ß <# ß ÞÞÞß <7 ß < } < <" ß <# ß ÞÞÞß <7 ß < } ) . sse existe uma dedução de 9 com hipóteses em >. A consistência do sistema DN definida no enunciado do corolário acima não é mais do que a consistência do conjunto vazio > œ g. Esquematicamente estamos na situação seguinte: ã i ã j ã n+1 ã < ã ) ã <p) ›<" ß <# ß ÞÞÞß <7 H i-j (p ) (ver Nota 61) e Por hipótese de indução. porém. <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } < e <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } ) . 62 O caso 8 œ ! é para contemplar a possibilidade de 9 ser uma lei lógica. uma fórmula < tal que > ¯ < • c<. então é certamente consequência delas todas. isto é. 98 em > tais que 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ 9. em que < é uma hipótese auxiliar (diferente das <6 .6 Definição Para qualquer conjunto (finito ou infinito) > de fórmulas de _! e qualquer fórmula 9 . A propriedade de validade responde somente de modo parcial à questão (Q" ) acima. CÁLCULO PROPOSICIONAL 75 Por hipótese de indução. por hipótese de indução.. ou ainda que é um teorema de >. donde <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } < p ) . diz-se que 9 é dedutível (ou derivável) de >. mas ) depende de < e de algumas das <6 . 61 . e diz-se inconsistente ou contraditório no caso contrário. Caso (p ). o resultado mais importante da metateoria do cálculo Por maioria de razão: se < (ou ) ) depende de algumas das <6 e é consequência delas. em geral. sse existe.. isto é.II. existem 8   0 e 9" . Deixamos os outros casos como exercícios para o leitor. 9 é da forma < p ) .61 donde se conclui facilmente que <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } < • ) . bem mais difícil de demonstrar. todas as leis lógicas são automaticamente teoremas de >.è 11. se existir. A propósito da última parte desta definição observe-se que uma fórmula < tal que > ¯ < • c<. Para responder cabalmente a esta questão temos o resultado seguinte.

11. CÁLCULO PROPOSICIONAL proposicional. conhecida uma tabela de verdade que estabeleça que < é consequência daquelas hipóteses. Math. Todavia. não são estas mas sim outras versões das propriedades generalizadas que demonstramos. e deste simples facto podemos obter uma enumeração de todas as fórmulas de _! . Há diversas demonstrações desta propriedade. Refira-se ainda que quer uma quer outra das propriedades acima (validade e completude semântica) se pode generalizar a um conjunto arbitrário > de hipóteses.63 algumas das quais fornecem mesmo um método para construir uma derivação de < com hipóteses 9" . Em várias etapas. Post para um sistema dedutivo diferente. 98 . 9n . se 9" ß ÞÞÞß 98 } <.. digamos (1) 9! . então 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ <. se > é consistente.. 9" . *Dem. então > é compatível. :" e :# .. de seguida. para o sistema dedutivo dos Principia Mathematica de RUSSELL & WHITEHEAD.ª versão) (MCSwG ) Para todo o conjunto > de fórmulas de _! . Em particular. por um processo explicado no Cap. respectivamente. e assim sucessivamente.7 Propriedade da completude semântica (MCS) Para quaisquer fórmulas 9" .. a primeira foi obtida por E. 43 (1921). Amer. Uma terceira via seria recorrer ao teorema 63 . Alguns passos serão deixados para os exercícios.76 II.. e outras há baseadas noutros sistemas dedutivos (ver secções finais deste capítulo). POST “Introduction to a general theory of elementary propositions”.. IV. 9# . Denotamos as versões generalizadas de uma e outra por (MVG ) e (MCSG ). enumerar todas as fórmulas de comprimento Ÿ # onde só podem ocorrer :! ou :" .. .. reproduzido em HEIJENOORT. . 64 Esta enumeração peca por excesso de repetições. 98 ß ÞÞÞ Existem várias maneiras de obter uma tal enumeração. < de _! . possivelmente com repetições. 163-185. Journ. Uma delas será: enumerar todas as fórmulas de comprimento 1 onde só ocorre :! (há só uma. o artigo de E. o que será feito nos exercícios: 11. . pois é a prova de que o sistema dedutivo DN realiza completamente o objectivo que se propunha de «captar» dedutivamente a noção semântica de consequência. todas as fórmulas de comprimento Ÿ $ onde só podem ocorrer letras proposicionais de entre :! . de seguida. Uma enumeração mais comedida pode-se obter codificando os símbolos do alfabeto e as fórmulas por números naturais.. a saber. embora equivalente ao nosso. então ¯ <. Estamos supondo T œ Ö:! ß :" ß ÞÞÞ×. V.64 Historicamente. toda a fórmula válida é derivável: se } <. ficando por estabelecer a equivalência entre as duas versões de uma e de outra.8 Completude semântica generalizada (2. o próprio :! ). como é óbvio.

neste caso. existe 98 tal que 9 œ 98 . (2) para todo 8. então >_  Ö9× é contraditório. definimos se este conjunto é consistente no caso contrário.12 (b)]. >_ œ . portanto. 3. CÁLCULO PROPOSICIONAL 77 Seja então > um conjunto consistente qualquer. não pode ser >8  Ö9× œ >8  Ö98 × consistente. . atendendo a que (1) é uma enumeração de todas as fórmulas. Quanto a (i). Se provarmos que >_ é compatível.. porque neste caso teriámos 9 − >8" œ >8  Ö98 × œ >8  Ö9× © >_ . Ora. >_  Ö9× também não é consistente.. <5 em >_ e < tais que <" ß ÞÞÞß <5 ¯ < • c<.. para 8 suficientemente grande. Definimos indutivamente uma sucessão crescente de conjuntos de fórmulas >! © >" © ># © â © >8 © >8" © â pondo >! œ > e. etc. 2. para cada 8   !. dada 9 ao arbítrio... como >_ é a união dos conjuntos >8 (8   !) e estes formam uma sucessão crescente. . observando que o conjunto das fórmulas é a união dos conjuntos de fórmulas de comprimentos 1. A demonstração do metateorema estende-se a conjuntos T arbitrários (não numeráveis) mas. como o axioma da escolha ou o equivalente princípio da boa ordenação. <5 estão todos em >8 . e (ii) para qualquer 9 . >  Ö98 × >8" œ œ 8 >8  Öc98 × Finalmente. . >8 é consistente. resultará > compatível. Vejamos primeiramente algumas propriedades dos conjuntos >8 e da sua união >_ . _ É claro que > © >_ .. se 9  >_ . >8  Öc98 × é consistente [ver exercício 2. cada <3 está em algum >83 e. contra o estabelecido em (2).8œ! >8 . Se 9  >_ . para cada 8. <" . como >_  Ö9× ª >8  Ö9×. a saber: da teoria dos conjuntos que diz que a união numerável de conjuntos numeráveis é numerável. observe-se que se >_ fosse contraditório. Isto prova-se facilmente por indução matemática. há que recorrer a instrumentos mais poderosos da teoria dos conjuntos. (3) >_ é consistente maximal.II. um ou outro dos conjuntos >8  Ö98 ×. para obter uma enumeração das fórmulas. isto é. logo >8 ¯ < • c<. então existiriam <" . (i) >_ é consistente. Quanto a (ii). Das propriedades anteriores outras resultam. tendo em conta que.

donde >_ ¯ 9 • c9 [utilizando a regra ( • )]. Isto significa que @ é modelo de >_ . 65 . (iii) 9 p < − >_ sse 9  >_ ou < − >_ . com vista a provar que 9 − >_ e < − >_ . seria c9 − >_ ou c< − >_ . se >_ ¯ 9. Estamos próximos da conclusão da demonstração. principalmente. > é compatível. a utilizar no último passo da demonstração: (7) Para quaisquer fórmulas 9 e <. y Se tivermos >_ ¯ c9. Tiramos partido desta analogia definindo uma valoração @ pondo @Ð:3 Ñ œ " sse :3 − >_ . portanto. também. isto é.. então. mais exactamente.78 II. isto é. ou «se. >_ seria contraditório. >_ é compatível e.então» (exactamente as mesmas que motivaram o ‘ p ’ de _! ). Ö9 • <ß c<×. Exemplifiquemos com a demonstração de (i). (i) 9 • < − >_ sse 9 − >_ e < − >_ . >_ ¯ 9 ou >_ ¯ c9. ambos contraditórios. logo 9 − >_ por (3ii) e.17(c)]. 9 − >_ ou c9 − >_ . Se fosse 9  >_ ou <  >_ . no sentido ( Ê )65: suponhamos que 9 • < − >_ . então >_  Ö9× é consistente [exercício 2. é aparente uma analogia formal entre as condições «9 − >_ » e «9 é verdadeira». Por indução na complexidade das fórmulas prova-se facilmente que. (5) >_ é completo. em qualquer dos casos.è Utilizamos aqui o símbolo ‘ Ê ’ como abreviatura da expressão metalinguística «implica». para qualquer 9. para toda a fórmula 9. por (6). por (3ii). (ii) 9 ” < − >_ sse 9 − >_ ou < − >_ .. já se adivinha que o conjunto >_ tem algumas parecenças formais com as valorações booleanas. Portanto. então 9 − >_ . contra o estabelecido em (3i). se 9 fosse dedutível de >_ mas não pertencesse a >_ . por conter um dos conjuntos Ö9 • <ß c9×. De (4) e (5) resulta imediatamente (6) Para qualquer 9 . >_  Ö9× seria contraditório. as propriedades seguintes. O conjunto >_ tem. @Ð9Ñ œ " sse 9 − >_ . Tendo em conta. por maioria de razão. então. as propriedades (6) e (7). >_ ¯ 9. CÁLCULO PROPOSICIONAL (4) >_ é dedutivamente fechado. para qualquer 9 . Com efeito. logo Ö9 • <ß c9× © >_ ou Ö9 • <ß c<× © >_ e. logo >_ ¯ c9 (exercício).

*II. (3) dedidir se uma dada fórmula < é ou não válida e. . pode-se concluir a «equivalência» entre as abordagens semântica (valores lógicos...) e axiomático-dedutiva (regras de inferência.. um algoritmo). enumerabilidade efectiva. A secção seguinte é uma mui breve e informal introdução a questões de decidibilidade na lógica proposicional.. 98 no sistema DN (ou num outro sistema — ver adiante).. tabelas de verdade ou valorações...12 Decidibilidade. complexidade Por mais de uma vez neste capítulo deparámos com certas questões de decisão que podem ser resolvidas algoritmicamente (ver Nota 58). CÁLCULO PROPOSICIONAL 79 Das propriedades generalizadas da validade e da completude semântica. podemos também concluir que o problema de decisão para a noção de dedutibilidade (de um número finito de hipóteses) tem solução positiva: existe um algoritmo para decidir questões do tipo (Q" ). mais geralmente. A questão complica-se um pouco no caso de o conjunto de hipóteses ser infinito.. . consequência. 98 é ou não uma dedução no sistema DN (ou num outro sistema). pela impossibilidade de construção de tabelas de verdade com uma infinidade de entradas (linhas). pois todas as consequências semânticas de D são dedutíveis de D. .II. conjugadas. (2) decidir se uma sucessão de fórmulas 9" . pelo lado da validade (D ¯ 9 Ê D } 9) que o sistema dedutivo DN é correcto ou adequado. Não é demais sublinhar a importância filosófica deste resultado. pelo lado da completude semântica (D } 9 Ê D ¯ 9) que ele é suficiente. Se D é um conjunto infinito de fórmulas e queremos decidir questões da forma «D } 9?» ou da forma «D ¯ 9?» depara-se logo uma dificuldade de ordem prática. etc. sempre relativas ao sistema DN): para qualquer conjunto D de fórmulas e qualquer fórmula 9 tem-se D ¯ 9 sse D } 9. portanto que foi plenamente atingido o objectivo tradicional dos estudos lógicos.. Ele significa. a par de outras que poderíamos ter formulado e que também podem ser resolvidas algoritmicamente: (1) Decidir se uma dada expressão no alfabeto de _! é ou não uma fórmula de _! . Por outro lado. validade. etc. se ela é ou não derivável de certas fórmulas 9" . pois não permite deduzir de um conjunto D senão consequências semânticas de D e. 98 . do tipo (5) + − \ ? . atendendo a que a construção de uma tabela de verdade é um procedimento mecânico que termina ao fim de um número finito de passos (isto é. Relativamente à lógica proposicional clássica podemos dizer.. em última análise. Mas todas as questões anteriores são. mais geralmente. deduções formais. se ela é ou não consequência de certas fórmulas 9" . (4) decidir se uma dada fórmula < é ou não uma lei lógica e.

\ é o conjunto de todas as deduções no sistema DN. a questão (5) num número finito de passos. Um conjunto não decidível diz-se indecidível. o conjunto de todos os conjuntos de expressões c ÐI Ñ [de que Form(_! ) e o conjunto das fórmulas válidas são membros] é não numerável. então mais tarde ou mais cedo + será gerado. para cada objecto +. 12. para cada expressão 5. D‡ œ Ö9 − Form(_! ) À D } 9× œ Ö9 À D ¯ 9× não é.1 Definição Um conjunto \ diz-se decidível sse existe um algoritmo (procedimento mecânico ou efectivo. É decidível todo o conjunto finito. mas não é de esperar que todo o conjunto infinito seja decidível.80 II.. que particularizamos a conjuntos de expressões mas se aplica também a situações mais gerais: 12. Definimos um novo algoritmo U do seguinte modo: se e quando 5 aparecer nesta listagem. . dá a resposta SIM se e só se 5 − D. etc. se realmente + está em \ . mas nunca terminará num SIM.. Mais precisamente. . Suponhamos D efectivamente enumerável e seja 5 uma expressão qualquer. um a um. \ é o conjunto das expressões sobre o alfabeto. Deste modo. para cada objecto +. tem-se o seguinte resultado. descrito por um número finito de regras ou instruções e completamente determinista) que permite decidir. o novo algoritmo dá a resposta SIM. e alguns conjuntos infinitos são também decidíveis. ele começa a produzir expressões 5! . decidível. como o conjunto das fórmulas válidas de _! (estamos admitindo tacitamente que o alfabeto de _! é decidível). no caso (2). por um simples argumento de cardinalidade: a totalidade dos algoritmos é numerável mas. 12. o conjunto de todas as consequências de D. mas podemos obter um resultado que está a meio caminho entre a decidibilidade e a indecidibilidade. 5" . em geral. Iniciando o algoritmo T que gera D. Se D é um conjunto infinito de fórmulas de _! . o algoritmo poderá produzir a resposta NÃO ou continuar indefinidamente sem produzir resposta alguma.2 Definição Dizemos que um conjunto \ é efectivamente enumerável sse existe um algoritmo que permite gerar. os elementos de \ .66 Dem. o algoritmo que gera os elementos de \ não pára nunca mas. 5# . CÁLCULO PROPOSICIONAL No caso (1). se 66 Se 5  D.3 Lema Um conjunto D de expressões é efectivamente enumerável sse existe um algoritmo que. Se \ for infinito. por exemplo. .

a qual virá a constituir a enumeração efectiva pretendida. para que não se esgote o tempo todo com uma só expressão (o que poderia acontecer se ela não pertencer a D). . suponhamos que existe um algoritmo U que. . 3) testamos «5! − D ?» durante 3 minutos. CÁLCULO PROPOSICIONAL 81 realmente 5 − D. 5! . procedemos assim: 1) testamos «5! − D ?» durante 1 minuto. I . 5# . Dem.14 (metateorema da compacidade). mas.è . decidível mas é.. Se e quando alguma destas questões tem resposta positiva. sucessivamente. o conjunto D* das consequências de D não é. efectivamente enumerável. então 9! ß 9" ß ÞÞÞß 98 } 9 para algum 8 suficientemente grande. o novo algoritmo acabará por dar a resposta SIM e termina aí. «5" − D ?» durante mais 3 minutos e «5# − D ?» durante 3 minutos. Acontece que. . e aplicamos o algoritmo U a cada uma destas.4 Teorema de Post Um conjunto D é decidível sse D e o seu complementar no conjunto de todas as expressões. Sempre que obtemos um SIM como resposta colocamos a expressão correspondente numa outra lista. Se 5 Â D o novo algoritmo continua esperando sem dar resposta nenhumaÞÞÞ Reciprocamente. procedendo do seguinte modo: enumeramos por qualquer processo (ver início da demonstração do metateorema da completude semântica) todas as expressões. para cada expressão 5 .. 9! ß 9" ß 9# } 9 ?.II. em geral. Seja 9! . 9! ß 9" } 9 ?. podemos decidir algoritmicamente cada uma das questões 9! } 9 ?. se D } 9 . «9 − D* ?») é SIM. cuja demonstração deixamos como exercício: 12. 2) testamos «5! − D ?» durante 2 minutos e «5" − D ?» durante mais 2 minutos. Assim. 12. então o conjunto das consequências de D é efectivamente enumerável. uma enumeração efectiva de D.. são ambos efectivamente enumeráveis. dá a resposta SIM sse 5 − D. a resposta à questão «D } 9 ?» (isto é.è Das definições e lema precedentes facilmente de conclui a importante caracterização seguinte.. Mostramos que existe um algoritmo T que gera todas as expressões de D. 5" . Dada uma fórmula qualquer 9. podemos realmente produzir uma enumeração efectiva das consequências de D..è Mesmo que D seja decidível. por um resultado a estabelecer adiante na secção II.5 Teorema da enumerabilidade efectiva Se D é um conjunto decidível ou efectivamente enumerável de fórmulas de _! . 9" . em todo o caso. e assim sucessivamente..

a correcção significa que o resultado do algoritmo é a conclusão de que a fórmula é válida sse a fórmula é realmente válida.8 Definição Dizemos que um algoritmo (melhor: uma qualquer computação do algoritmo) corre em tempo polinomial se o tempo durante o qual ele corre até produzir um resultado é majorado por um polinómio no comprimento 8 da entrada. 80) uma ideia de algoritmo que. se 9 for verdadeira para essa atribuição (isto é. consequentemente. (2) Outros exemplos de algoritmos não deterministas são fornecidos pelas construções de derivações em alguns sistemas dedutivos: a partir de uma dada lista (finita) de premissas. está de acordo com o conceito informal clássico de algoritmo e é. mais de um resultado possível.. pois. para cada entrada. e dizemos que corre em tempo exponencial se o referido tempo é minorado por #-8 para alguma constante positiva .7 Exemplos (1) Um exemplo típico de um algoritmo não determinista para a compatibilidade das fórmulas é o seguinte: T: escolhemos ao arbítrio uma atribuição de valores lógicos às letras proposicionais que ocorrem em 9 (isto é. contingente. escolhemos um de vários caminhos possíveis com vista a deduzir 9 dada. embora não totalmente precisa. esperamos que o algoritmo seja adequado ou correcto. como se sabe. . No caso das tabelas de verdade para decidir da validade ou não de uma fórmula dada. isto é. para alguma atribuição @. apesar de tudo. O algoritmo das tabelas de verdade não é eficiente. Outras respostas (para outras atribuições) podem não dar a resposta correcta (se 9 vier falsa para elas). uma valoração @). Uma característica deste e doutros algoritmos deterministas é que. Estes conceitos são medidas da eficiência ou complexidade computacional dos algoritmos. pelo menos. a computação e o resultado («output») são únicos e completamente determinados pela entrada.82 II. então 9 é compatível. para qualquer entrada ou dado («input»). Estes não são algoritmos não deterministas típicos. o resultado é correcto (isto é. todavia. então. CÁLCULO PROPOSICIONAL 12. É claro que se 9 for compatível. pois alguns deles podem ser montados de maneira a que toda a construção produza uma resposta correcta (se alguma existe). útil no reconhecimento e na aplicação de certo tipo de procedimentos.6 Algoritmos não deterministas Demos acima (pág. etc.). possa haver mais de uma computação possível e. O algoritmo considera-se correcto sse pelo menos um resultado é correcto. @9 œ "). Um exemplo típico de um algoritmo ou procedimento efectivo ou determinista é o da construção de tabelas de verdade para decidir se uma fórmula ao arbítrio é ou não válida (compatível. mas em que para uma entrada. que a resposta ou resultado produzido seja correcto. mas isto não impede que o algoritmo T seja considerado como correcto. 12. Além disso. 12. Admitiremos agora uma extensão do conceito de algoritmo — a de algoritmo não determinista: um procedimento descrito por um número finito de regras ou instruções. @9 œ ").

em Proceedings of the Third Anual ACM Symposium on the Theory of Computing. de complexidade exponencial para certos tipos de fórmulas. conhecida como o problema P œ NP? Este problema foi formulado por S. Não devemos perder de vista. todos os outros terão uma tal. Se algum destes possuir uma solução determinista em tempo polinomial. nascida nos anos 30 do séc. precisamente. pp. P œ NP. mas a possibilidade de existir um problema de classe NP que não é de classe P permanece em aberto.16.9 As classes P e NP O algoritmo T acima para a compatibilidade 12. em geral. todavia. ainda é. 67 Ver o artigo “The complexity of theorem-proving procedures”. Como é evidente. Uma das aplicações de maior sucesso desta nova teoria é a criptografia. que estão na base da descoberta de novas codificações difíceis de decifrar. então todo o problema NP é P e. O objectivo central da teoria da complexidade. pág. Dizemos por isso que a compatibilidade é um de classe NP. todavia. II. Ora. CÁLCULO PROPOSICIONAL 83 para uma fórmula com 8 átomos. um ramo recente (pouco mais de 40 anos) na fronteira da lógica matemática e das ciências da computação.II. todo o problema da classe P é de classe NP. embora geralmente mais eficiente que o das tabelas de verdade. A. 1971. muito díficil de resolver. códigos difíceis de decifrar. mas todas as tentativas fracassaram até ao presente para encontrar tal coisa. portanto. Uma questão central da teoria da complexidade ainda em aberto é a de saber se a compatibilidade é ou não de classe P (quer dizer. é solúvel por um algoritmo NP (Não determinista em tempo Polinomial). são já conhecidas muitas centenas de problemas NP-completos. função computável) subjacente a esta discussão é a clássica. os especialistas da teoria da complexidade têm fornecido aos criptógrafos elementos sobre problemas computacionalmente difíceis.7 (1) é bastante eficiente: é de crescimento polinomial como função do comprimento da fórmula. o algoritmo das tabelas de verdade cresce exponencialmente em complexidade. Association for Computing Machinery. Cook67 em 1971. 106 e seguintes). computação. Deve dizer-se que a maioria dos resultados e indícios aponta no sentido de resposta negativa a esta questão. solúvel por um algoritmo determinista de complexidade polinomial). se este problema for de classe P. Cook demonstrou que o problema da compatibilidade na lógica proposicional é NP-completo. O método dos tableaux semânticos (ver adiante. Trata-se de uma questão. que a teoria da computabilidade (noção de algoritmo. é compreender a razão pela qual alguns problemas são computacionalmente fáceis e outros difíceis de resolver. na qual se procuram. há que construir #8 linhas: para fórmulas cujo comprimento é função polinomial do número de átomos. 12. . quer dizer. 151-158. aparentemente. o que torna P œ PN bastante improvável aos olhos dos especialistas. Ora. quer dizer.

isto é.13 Completude funcional e formas normais Uma fórmula 9 de _! determina uma função ? œ ?9 cujos argumentos e valores são valores lógicos. por convenção.− Ö!ß "×.). :8 . < os valores lógicos +. 69 Recorde-se que para qualquer conjunto \ e qualquer natural 8   !. . . Como tão-pouco sabemos se existe um algoritmo não determinista de crescimento polinomial para a incompatibilidade... \ 8 œ \ ‚ â ‚ \ (8 factores) e que. Para terminar. Prova-se que co-NP œ NP sse o problema da incompatibilidade (ou o da validade) está em NP. ?Ð+ß . ?Ð"ß "ß !Ñ œ !. . as tabelas dos valores lógicos de 9 e a tabela de ?9 são em tudo idênticas. Por outras palavras. ... .ß . no problema da incompatibilidade ou da validade (porque 9 é incompatível sse c9 é válida).ß .1 Definição Uma função booleana 8-ária (8   !) é uma função ? À Ö!ß "×8 Ä Ö!ß "×. . quando se atribuem a :. p <.) for alterado (computação quântica?.). ou de BOOLOS. BURGESS & JEFFREY constituem excelentes introduções à moderna teoria da computabilidade. 13. \ ! œ Ög×.p< " " ã ! " ?Ð+ß . por razões expostas acima (é necessário considerar todas as valorações.69 Se 9 é uma fórmula de _! onde ocorrem exactamente 8 letras proposicionais. respectivamente. p < determina a função ternária ? tal que. . CÁLCULO PROPOSICIONAL XX68.Ñ œ œ valor lógico de : • . Não é improvável que a discussão adquira outras tonalidades se o conceito de algoritmo (computação.. p < e : p . Este problema é aparentemente mais difícil que o da compatibilidade. a fórmula : • . ?Ð!ß "ß !Ñ œ ". duas tais fórmulas são sempre logicamente equivalentes (porquê?). \ " œ \ . p <. como é o caso das fórmulas : • . de EPSTEIN & CARNIELLI.. No entanto. . etc.84 II. pensemos no problema complementar ao da compatibilidade. Por exemplo. que fórmulas diferentes podem corresponder à mesma função ?. digamos :" . permanece em aberto a questão: co-NP œ NP? II. ! ! ã " " .. a função booleana associada a 9 é a 68 As monografias de BRIDGES.Ñ Note-se.. porém.. Trata-se de um problema de classe co-NP: classe dos problemas cujo complementar está em NP. Por exemplo. para quaisquer +. Isto mesmo exibimos na tabela seguinte: : ! ! ã " " + . < ! " ã ! " : • ..

?9 . CÁLCULO PROPOSICIONAL função booleana 8-ária ?9 definida por ?9 Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ œ @Ð9Ñ. :" • :# . então existem funções booleanas 7-árias ?w que tomam exactamente os mesmos valores que ? nos primeiros 8 argumentos +" . como já fizémos com o (ver exercício 2. existe uma fórmula 9 tal que ? é a função booleana associada a 9. que para quaisquer +" . é suposto ter o valor lógico @Ð ¼ Ñ œ 0 para qualquer valoração @. pois @Ð9Ñ só depende dos valores @Ð:3 Ñ para os :3 que ocorrem em 9 (exercício 2. ?” . conectivos 8-ários para qualquer 8   !. +7 . :" p :# . ¼ denota uma falsidade absoluta. que se denotam ?c . +8 desta: basta que ?w não dependa realmente de +8" .. é encarado tal como se fosse uma letra proposicional (modificando. definidas por ?! ÐgÑ œ !. V) e mesmo de alguns tratadistas de lógica clássica é o conectivo ¼ (absurdo) que.... Observe-se. ?p respectivamente. a nível sintáctico. tal que ? œ ?9 ? Antes de dar a resposta a esta questão vamos reformulá-la em termos de conectivos generalizados. p podemos ter. +7 − Ö!ß "× se tenha ?w Ð+" ß ÞÞÞß +8 ß +8" ß ÞÞÞß +7 Ñ œ ?Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ Mais interessante é a questão seguinte. a cláusula F" na definição de fórmula de _! ) e. Existem. incondicional. • . outros conectivos se podem definir. definir c9 œ 9 p ¼ . ?! (ou ?¼ .. semanticamente.. :8 . . ver adiante) e ?" . quer primitivos quer definidos... a função booleana associada ?9 é única. Um conectivo !-ário muito do agrado dos lógicos intuicionistas (Cap. 8. A partir dos primitivos c. ?" ÐgÑ œ ". em conformidade.. Na realidade.. para qualquer valoração @ tal que @3 Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ ".. . mas diferentes fórmulas (logicamente equivalentes) podem ter a mesma função booleana associada. como se viu acima. respectivamente.. no caso de N ser binário] e estipulando que. . então..3). . também. se 9" .. Podemos.. em princípio. Intuitivamente. Mais geralmente. digamos :" . . . mais exactamente. ” e p.19). correspondentes às fórmulas c:" . Devemos ainda observar que se ? é uma função booleana 8-ária e 7  8.. isto é. quer dizer. duas funções booleanas unárias.. 98 são fórmulas [ou Ð9N <Ñ. São particularmente importantes as funções booleanas correspondentes aos conectivos proposicionais. com 8   " ao arbítrio. 85 Note-se que ?9 está bem definida.. . podemos supor que no alfabeto de _! está um (ou mais) conectivo 8-ário N . isto é. ?• .II. :" ” :# . de que nos ocuparemos a seguir: (Q# ) Dada uma função booleana ao arbítrio ?. que se 9 é uma fórmula onde ocorrem exactamente 8 letras proposicionais. redifinindo a noção de fórmula de _! para acomodar expressões da forma N9" ÞÞÞ98 como fórmulas. por outro lado.

Dem. ” . 4. 9 ! ! ! ! " " " " < ! ! " " ! ! " " ) ! " ! " ! " ! " #9<) ! ! ! " ! " " " A questão anterior. 5.2 Metateorema da completude funcional (MCF) Para toda a função booleana 8-ária (8   ") ? existe. eles nem são todos necessários (na lógica clássica). tal que ? œ ?9 . pode ser agora reformulada como a questão de saber se todo o conectivo generalizado pode ser definido a partir dos primitivos c. uma fórmula 9 de _! . • . também. Seja ? uma função booleana 8-ária (8   ") qualquer. A resposta é afirmativa. o que nos diz.86 II. de saber se toda a função booleana ? é a função booleana associada a alguma fórmula (da linguagem _! primitiva). querendo. designá-lo por N? . <. . 6. a tabela de verdade de N é a tabela correspondente a uma função booleana 8-ária dada ? (ou ?N ): 9" â +" â 9# â +# â â â â â 98 â +8 â N9" 9# â98 â ?Ð+" ß +# ß ÞÞÞß +8 Ñ â Dizemos que N é o conectivo generalizado 8-ário associado a (ou determinado por) ? e podemos. Observe-se que #9<) tem o valor " quando e só quando a maioria das componentes 9. 3. 2. pelo menos. 7. ” . que do ponto de vista expressivo da lógica proposicional clássica nada se ganha de essencial em possuír mais conectivos primitivos do que aqueles. o conectivo ternário de maioria é o conectivo # com a tabela da seguinte. 13. 8. • . Há dois casos a considerar. p. Na realidade. ) tem o valor ". CÁLCULO PROPOSICIONAL semanticamente. 1. contendo apenas os conectivos c. Por exemplo.

ponhamos. " # Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ. T34 De seguida definamos 4 4 93 œ T" • ÞÞÞ • T8 para 4 œ ". . 9 œ 9" ” 9# ” 9$ ” 9% .... para todo 4 œ ".. Caso 2. :$ . ponhamos 9 œ 9" ” 9# ” ÞÞÞ ” 95 .. Para quaisquer valores lógicos +3 (" Ÿ 3 Ÿ 8). 9% œ :" • :# • :$ . 8. Resta verificar. um 8-uplo de valores lógicos Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ onde ? toma o valor ". :# . então. 5 . já que têm sempre os mesmos valores lógicos para as mesmas atribuições de valores lógicos às letras proposicionais :" . . ... 9$ œ :" • :# • c:$ . 5 e todo 3 œ ". . ?Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ œ !. Ð+# ß ÞÞÞß +8 Ñ. . isto é.3 Exemplo Particularizando à função booleana ? asociada ao conectivo ternário # acima considerado. • .. que ?9 œ ?. se N é um conectivo generalizado determinado por uma função booleana ?. Neste caso toma-se para 9 a fórmula contraditória Ð:" • c:" Ñ ” Ð:# • c:# Ñ ” ÞÞÞ ” Ð:8 • c:8 Ñ. e.è Mais geralmente. Ð+5 ß ÞÞÞß +5 Ñ " " " 8 (onde " Ÿ 5 Ÿ #8 para certo 5).. formamos as fórmulas 9" œ c:" • :# • :$ . 7 e 8. finalmente. que toma o valor " nas linhas 4. e podemos afirmar que 9 e #:" :# :$ são logicamente equivalentes. ” . pelo menos. que a função booleana dada ? é a função booleana associada à fórmula 9 construída na demonstraçãoÞè 13. N pode ser definido a partir dos conectivos c. : œ 3 c:3 se +4 œ " 70 3 . se +4 œ ! 3 e. o que deixamos como exercício.II. Numerando estes 8-uplos onde ? toma o valor ". no sentido seguinte: 9# œ :" • c:# • :$ . Existe. 70 Letras proposicionais ou suas negações são chamadas literais.. ?9 œ ?. 6.. finalmente. CÁLCULO PROPOSICIONAL 87 Caso 1.. Tem-se.

segundo a qual 38 93 œ 9" • 9# • … • 98 é uma abreviatura de 9" • 3œ" Ð9# • …Ð98" • 98 Ñ…Ñ. pelo menos. • ... • . A fórmula 9 construída na demonstração do (MCF) é uma disjunção de conjunções de literais (ver Nota 70). que se diz estar na forma normal disjuntiva: (FND) 2 5 4œ" 4 8 3œ" T34 . Analogamente para as disjunções. o referido conjunto não é funcionalmente completo. tal que < e 9 têm os mesmos valores lógicos para as mesmas atribuições.è Por virtude do metateorema de completude funcional (ou qualquer um dos corolários anteriores) dizemos que o conjunto Öcß • ß ” × é funcionalmente completo (para a lógica proposicional clássica71).è 13. onde cada T34 é uma literal :3 ou c:3 . < tem uma função booleana associada ?< cuja aridade é o número de letras proposicionais que ocorrem em <. a forma normal conjuntiva é a conjunção das disjunções :3 ” c:3 para 3 œ ". Dem.. existe. No exercício 2. . 8. para a lógica proposicional intuicionista.5 Corolário Para toda a fórmula < de _! existe. que estamos pondo em prática a convenção de escrita de associação da direita para a esquerda (pág. 48).4 Corolário Para todo o conectivo generalizado 8-ário (8   ") N . CÁLCULO PROPOSICIONAL 13. justificação suficiente para concluir o 71 A qualificação é necessária pois. mas trabalhando com as linhas onde a função booleana dada ? toma os valores ! permitiria construir 9w na chamada forma normal conjuntiva: (FNC) 4 5 4œ" 2 8 3œ" T34 . . ” tal que 9 e < são logicamente equivalentes.88 II. pelo menos. uma fórmula 9 de _! com 8 letras proposicionais e os conectivos c. Uma demonstração (como exercício) análoga à que foi feita. Observe-se.72 Temos. uma fórmula 9 com as mesmas letras proposicionais que < e somente os conectivos c.20 estuda-se a possibilidade de economizar ainda mais. por outro lado. ou seja. obtemos 9 com as mesmas letras proposicionais que < tal que ?9 œ ?< . 72 No caso de a função booleana u ter sempre o valor ". Uma consequência adicional importante da demonstração do metateorema da completude funcional é o facto de ela fornecer formas normais para as fórmulas de _! . assim. Pelo metateorema de completude funcional. ” tal que ?9 œ ? N .

” c< e esta última já está na forma normal conjuntiva (uma só componente conjuntiva. respectivamente. Em geral. 9 µ < sse } 9 o < p Observe-se (exercício) que µ é uma relação de equivalência no conjunto das fórmulas (e não um conectivo). . • .II. Uma fórmula de Horn é então uma fórmula na FNC tal que cada disjunção contém. conforme pretendido. 2. Dizemos de uma literal que é positiva ou negativa conforme é uma letra proposicional ou uma negação de letra proposicional. 9. Ñ ” c< µ c: ” c. p. e simplificar o resultado. cÐ< • )Ñ. p ñ substituir. eliminando das disjunções componentes da forma : • c: e eliminando das conjunções componentes da forma : ” c:. se necessário. uma literal positiva. c< ” c). e repetir a operação até obter uma equivalente 9ww em que c.7 Fórmulas de Horn São muito importantes nas ciências da computação as fórmulas na FNC de um tipo particular. 5 œ ").6 Corolário (Formas normais) Toda a fórmula de _! é logicamente equivalente a uma fórmula na forma normal disjuntiva e a uma fórmula na forma normal conjuntiva. respectivamente — isto produz uma equivalente 9w sem ocorrências de o . ” se apliquem somente a letras proposicionais.è Regressando ao exemplo do conectivo ternário # acima (valor ! nas linhas 1. dada uma fórmula qualquer. CÁLCULO PROPOSICIONAL 89 13. obtemos a fórmula equivalente na FNC seguinte: Ð:" ” :# ” :$ Ñ • Ð:" ” :# ” c:$ Ñ • Ð:" ” c:# ” :$ Ñ • Ðc:" ” :# ” :$Ñ. quando muito. c< • c). : • . se necessário. por exemplo. 3 e 5). ñ utilizar as leis associativas e distributivas para obter equivalentes na FND ou FNC. chamadas fórmulas de Horn (em homenagem ao lógico americano Alfred Horn que primeiro as identificou e estudou). Escrevamos 9µ< para significar que 9 e < são logicamente equivalentes. para obter uma equivalente numa forma normal pode-se proceder sistematicamente do seguinte modo: ñ substituir. 13. p c< µ cÐ: • . cÐ< ” )Ñ por <. Tem-se. subfórmulas da forma cc<. Todavia. muitas vezes é mais prático utilizar equivalências lógicas conhecidas para obter formas normais para uma dada fórmula 9 do que recorrer à demonstração do metateorema da completude funcional. quer dizer. p e < p ) por c< ” ). subfórmulas da forma < o ) por Ð< p )Ñ • Ð) p <Ñ.

tentamos completar o máximo possível a tabela. conforme o caso. colocamos “"” na 3œ" coluna 4 respectiva e. o resultado após esta primeira etapa do algoritmo é: : " . se 9 œ : • Ð. ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ " ! . e consiste basicamente no seguinte: Seja 9 œ 9Ð:" ß ÞÞÞß :8 Ñ œ 35œ" <4 œ 35œ" 18 T34 uma fórmula de Horn 4 4 3œ" contendo apenas as letras proposicionais :" .. O algoritmo termina quando não for possível continuar este procedimento. ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ " " ! . Cada <4 œ 18 T34 (" Ÿ 4 3œ" Ÿ 5) é uma disjunção de literais e é chamada uma componente disjuntiva de 9. < ! : • Ð. ” c<Ñ • c: não é. CÁLCULO PROPOSICIONAL Por exemplo. tivéssemos atribuído o valor ! a <. ao invés. obtemos: (1) : " . Se. No exemplo dado. < : • Ð. ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ " " ! " . não perdendo de vista que estamos tentando obter uma valoração que satisfaça a fórmula de Horn dada. Começamos por dispor estas letras e 9 como no cabeçário de uma tabela de verdade para 9. mas deixando espaço para uma única linha: :" :# ÞÞÞ ÞÞÞ :8 9 . A primeira coisa a fazer é verificar se alguma (algumas) :4 é uma componente disjuntiva da conjunção. ” <Ñ • c: é uma fórmula de Horn. a componente disjuntiva <4 œ 18 T34 reduz-se a :4 ). com vista a tornar verdadeira a segunda e a terceira disjunção. basta fazer a pesquisa numa única linha! Este método é conhecido por algoritmo da compatibilidade das fórmulas de Horn. nos casos afirmativos. I Etapa. " < : • Ð. II Etapa. Mostramos a seguir que a pesquisa da compatibilidade de fórmulas de Horn é extraordinariamente eficiente em comparação com a construção de tabelas de verdade. . Na realidade. também colocamos "’s ou !’s debaixo das posições onde se encontre :4 ou c:4 . Por exemplo. obteríamos (2) : " . ” c<).90 II. Em seguida. tendo atribuído o valor " a . :8 . de modo a obter o valor " para a segunda componente (. a todas as outras letras nas diferentes componentes disjuntivas (ocorrências positivas) que permitam atribuir o valor " a essas componentes.. : • Ðc. . mas : • Ðc.. . atribuindo "’s ou !’s. respectivamente. ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ. por baixo de 9. por si mesma (isto é.

A fórmula dada é. Isto pode e deve ser demonstrado. Mas ainda não se vê isso em (1). a fórmula dada é incompatível. Ou 9 é compatível ou não é. quando já não é possível prosseguir na execução da etapa II. pois as três componentes disjuntivas são verdadeiras (qualquer que seja o valor a atribuir a .8 Correcção do algoritmo (compatibilidade das fórmulas de Horn) Seja dada ao arbítrio uma fórmula de Horn. mas o que interessa é saber como o algoritmo de comporta relativamente a 9 . com 9 œ : • Ðc. . neste caso a fórmula dada é compatível. e podemos completar a atribuição de valores lógicos às letras proposicionais que ainda não receberam nenhum valor (se algumas houver) de maneira arbitrária — por exemplo. ” c:Ñ • . ficando (2w ) : " . isto. Damos de seguida uma ideia dademonstração. atribuindo valores às letras proposicionais de modo a tornar verdadeiras certas componentes disjuntivas (o algoritmo terminou) uma de duas coisas tem de acontecer: (a) tendo em conta todos os valores possíveis atribuídos às letras proposicionais em jogo.II. já terminou a pesquisa. em (2). o valor ". que não é necessário continuar. para qualquer fórmula de Horn dada. CÁLCULO PROPOSICIONAL 91 No caso (1) ainda podemos prosseguir e atribuir a < o valor !. ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ " " " ! ". " < ! : • Ð. 9 . Vejamos outro exemplo. só com !’s. conforme os requisitos das duas etapas. resulta forçosamente o valor ! para alguma componente disjuntiva: — neste caso. pois a segunda disjunção é forçosamente falsa. portanto. Já se vê. " < ! : • Ð. testar e classificar correctamente. ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ " " " ! " . ” c:Ñ • . incompatível. e agora sim. nomeadamente. (b) alguma atribuição de valores lógicas a algumas ou a todas as letras proposicionais que ocorrem na fórmula faz com que todas as componentes disjuntivas sejam verdadeiras. nenhuma valoração satisfaz a fórmula.25(c)] e ficar intuitivamente convencido que o algoritmo é correcto. " : • Ðc. Atribuindo a . Após a primeira etapa do algoritmo obtemos : " . e já não há nenhuma solução possível. com a certeza de que a fórmula dada é compatível. " ! ! ". . para fixar ideias. 13. obtemos (1w ) : " . O leitor pode nesta altura resolver alguns exercícios [2. ). se ela é ou não compatível. isto é. produz sempre e exactamente o resultado que é suposto produzir. de modo a tornar verdadeira a última disjunção. Em geral.

ou (ii) durante a execução. ou (i) cada uma das literais negativas acabou por receber o valor ! e. . adoptemos. há sempre algo comum a 9 e < que faz a «ponte» de uma a outra..è " Terminamos esta secção com uma outra consequência do (MCF).. como suposemos que 9 não foi classificada como falsa... isto é. Para 9 ser satisfeita por certa valoração @ basta. excepto em casos especiais. que vem confirmar que. para esta demonstração. quando muito uma 4 3œ" 4 4 4 das literais T" . o algoritmo classifica 9 como tal. uma fórmula ) cujas letras proposicionais ocorrem em 9 e em <. Falta mostrar que. ” â . 13. por hipótese). para cada 4. portanto.9 Lema de interpolação (LI) Se } 9 p <. e pôde finalmente receber o valor ". portanto. então. então 9 é realmente compatível. pois 9 é compatível. Se a componente <4 se reduz a uma letra proposicional. T# . ou (iii) existe uma interpoladora entre 9 e < . das literais T" . Dadas 9 e <. isto é. neste caso estamos na presença de uma disjunção de literais negativas. reciprocamente. foi-lhe atribuído o valor " na primeira etapa do algoritmo. a única literal positiva tem de ter o valor " (conforme execução da etapa II).92 II. para 3œ" 4 4 isto acontecer. ! ÞÞÞ ÞÞÞ <4 œ â ” c. Ora 9 é da 5 forma 9 œ 34œ" <4 œ 35œ" 18 T34 onde. basta que uma. se a componente tem uma literal positiva e também algumas literais negativas. que cada componente <4 œ 18 T34 seja satisfeita por v. ou (ii) < é válida.. o algoritmo atribuiu ! a uma letra proposicional cuja negação é uma literal que ocorre em <4 . numa tautologia da forma 9 p <. pois a única maneira de resultar para 9 o valor ! (e. pois a letra que lhe deu origem recebeu o valor !: ÞÞÞ ÞÞÞ . T8 é positiva. T# . uma destas literais negativas nunca recebeu o valor ! durante a execução do algoritmo. se o algoritmo classifica 9 como compatível. CÁLCULO PROPOSICIONAL Se 9 é realmente compatível. as notações seguintes: :" . T8 seja satisfeita por v. pelo menos. e. 9 ser incompatível) é sermos «forçados» a isso quando nenhuma atribuição às letras proposicionais que ocorrem em 9 satisfaz esta fórmula (o que é impossível. mas.... então (i) 9 é uma contradição. . . :8 são as letras proposicionais que ocorrem simultaneamente em 9 e em <. Dem. e tal que } 9 p ) e } ) p <. .. se não somos «forçados» a dar a 9 o valor ! (pelo facto de alguma componente disjuntiva ter de ser falsa). para cada índice 4. neste caso.

} 9 p ). quer dizer. então existe um modelo @" de 9 (pois 9 é compatível) e existe uma valoração @# tal que @# Ð<Ñ œ ! (pois < é inválida)... 5 possam ser nulos. então @Ð9Ñ œ @" Ð9Ñ œ " e @Ð<Ñ œ @" Ð<Ñ œ !. com vista a mostrar que @Ð<Ñ œ ".73 que se pode demonstrar directamente. que explica a razão de designação «compacidade». .14 Compacidade proposicional e aplicações Mencionemos um outro resultado. As duas aplicações que dele fazemos requerem do leitor um pouco mais de sofisticação matemática do que tem sido o mote neste livro e são..4 e com @ nos <6 .. .. .17)... Admitimos que alguns dos inteiros 7.. 3-4 (1980). por construção. Neste artigo refere-se um sistema dedutivo diferente de DN. pelo menos. o que significa que não há que considerar as letras proposicionais respectivas.. CÁLCULO PROPOSICIONAL 93 . <5 são as exclusivas de <. Pelo (MCF) existe ) nas letras proposicionais :" .. . 8 e @Ð9Ñ œ " no caso contrário. ou como corolário da segunda versão da propriedade de completude semântica generalizada (ver exercício 2." . *II. o nosso artigo “Sobre os conceitos de verdade em matemática”. Port.7 e com @# em <" . uma interpoladora ) [no caso (iii)]. Mostramos que. podemos construir ? e. Pondo +3 œ @Ð:3 Ñ para 3 œ ". <5 . Definamos uma função booleana 8-ária ? pondo ?Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ œ œ " ! se existe @ tal que @Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !. então @ww Ð9Ñ œ @w Ð9Ñ œ " e @ww Ð<Ñ œ @Ð<Ñ." . 73 V. também. in Boletim da Soc. 8.. . E se @ww coincide com @w nos :3 e nos . embora este facto em nada influa na obtenção do metateorema de compacidade ou das suas aplicações. se fosse 8 œ !. Aí se mostra. logo existe @w tal que @w coincide com @ nos :3 e @Ð9Ñ œ ".. . e <" . há uma letra proposicional. Vejamos que também } ) p <. contra a hipótese de 9 p < ser válida. de Mat.è Observe-se que a demonstração anterior é construtiva: conhecendo apenas a tabela de verdade de 9 e as letras proposicionais comuns a 9 e <. Falta encontrar uma interpoladora.. .. Se @ coincide com @" em .. N.II.. .7 são as letras proposicionais em 9 mas não em <. logo @Ð9 p <Ñ œ !. vem ?) Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ œ ". Portanto. por hipótese.. Mas 9 p < é válida. se nem (i) nem (ii). de diferentes maneiras. 8   ". Pois seja @ ao arbítrio tal que @Ð)Ñ œ ". :8 tal que ? œ ?) e... . comum a 9 e <. de leitura opcional. a ligação do referido metateorema com a topologia. 8.. portanto.. . com aplicações não triviais em matemática. então 8   " e tem-se (iii). De facto. logo @ww Ð<Ñ œ @Ð<Ñ œ ".. por isso.

todas as letras proposicionais que ocorrem em 9 estão entre :! . . é claro. finita ou infinita. Mostramos que toda a sequência prestável Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 Ù pode estender-se a uma sequência prestável Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 ß +8" Ù. como @w é modelo de D! . portanto. 48). e existe um modelo @w de 9 tal que @w Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !. mas. e o argumento anterior adapta-se trivialmente para mostrar que existe +! tal que Ø+! Ù. Note que a sequência vazia é prestável. reciprocamente. no qual cada novo valor +8" depende de todos os valores anteriormente obtidos +! . Ponhamos. .... existe um modelo @w de D!  Dw tal que @w Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !. o que mostre que Dw possui um modelo @w tal que @w Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !. Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 Ù.74 tal que. então @Ð:3" Ñ œ ". 8. 8  " e. então também é compatível qualquer parte de D. 8. Seja Dw uma parte finita qualquer de D. para todo o modelo @ de D! . por hipótese. o que significa que existe uma parte finita D! de D tal que. Suporemos. então é @w Ð:8" Ñ œ ". neste caso. a demonstração do metateorema de completude semântica generalizado (p. Uma sequência finita de !’s e "’s. 8. .. atendendo à hipótese sobre D.. coincidem em 9 . 8. CÁLCULO PROPOSICIONAL 14. É claro que se D é compatível. diferentes partes finitas podem ter modelos diferentes). que as letras proposicionais estão enumeradas: T œ Ö:! ß :" ß ÞÞÞ× (ver Nota 40.. p. e mostremos que a sequência Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 ß +8" Ù œ Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 ß "Ù é prestável. Suponhamos. 76) pode ser adaptada para se obter outra demonstração do (MC): substituir «consistente» por «finitamente compatível» (significando que toda a parte finita é compatível). para 3 œ !. a sequência Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 Ù é prestável. :8 .. se @Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !. que Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 ß "Ù é prestável. +" .. +8 . ".. Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 ß +8" ß ÞÞÞÙ. de modo que D!  Dw (com D! como no parágrafo anterior) ainda é uma parte finita de D.. Resulta do que precede que existe uma sequência infinita de !’s e "’s. . e então nada mais há a fazer. para todo 8... . Por outro lado. ou não é. 8.94 II.. é fácil verificar que @ é modelo de D: se 9 − D. portanto.. .. Como a sequência Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 Ù é prestável. logo @ Ð9 Ñ œ " . diz-se prestável sse para toda a parte finita Dw de D existe um modelo @ de Dw tal que @Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !. então @ e @w coincidem nas letras proposicionais que ocorrem em 9 e.1 Metateorema da compacidade (MCw ) Um conjunto D de fórmulas de _! é compatível sse todo o subconjunto finito de D é compatível. que toda a parte finita de D é compatível (mas. Definindo @ por @Ð:3 Ñ œ +3 .. …. è O processo de definição de Ø+! ß +" ß …ß +8 ß +8" ß …Ù é um exemplo de definição por recorrência.. para 8 suficientemente grande. *Dem. . +8" œ ". ou Ø+! ß +" ß ÞÞÞ ß +8 ß !Ù é prestável.. Seja Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 Ù uma sequência prestável ao arbítrio.... para esta demonstração. 74 . Ora.

5 namoradas. 4 Á 5×. 4   !. quaisquer 5 rapazes dispõem de. para cada inteiro positivo 5 . do caso em que o conjunto dos rapazes e o conjunto das raparigas são infinitos. CÁLCULO PROPOSICIONAL 95 14. 214-215. quaisquer 5 rapazes dispõem de.2 O problema do casamento Seja dado um conjunto Q de rapazes e um conjunto R de raparigas suas namoradas. O problema do casamento é o problema de casar cada rapaz com uma das suas namoradas. O caso finito é contemplado no seguinte resultado Ðexercício 2. Dem. o problema é solúvel. J. 14. 3 Á 4×. Math. nesta linguagem.. e ponhamos T œ Q ‚ R œ ÖÐ<3 ß =4 Ñ À 3   !ß 4   !×... >$ œ ÖcÐ:35 • :45 Ñ À 3. VAUGHAN. 75 Para a história deste problema ver P. cada rapaz tem um número finito de namoradas e..3 Lema do casamento Se Q é um conjunto finito de 7   " rapazes tal que. =#8 . .4 Teorema do casamento Se Q é um conjunto infinito (numerável) de rapazes. Trataremos agora do caso infinito. . =38 são as namoradas de <3 ×. Para facilitar a notação. HALMOS & H. a fórmula :##" ” ÞÞÞ ” :##8 exprime que o rapaz <# casa com uma das suas namoradas =#" . então o problema do casamento tem solução. 4. sem que seja cometida bigamia. os conjuntos de fórmulas >" œ Ö:33" ” ÞÞÞ ” :338 À 3   ! e =3" . Amer.II. Seja Q œ Ö<! ß <" ß ÞÞÞ× o conjunto dos rapazes. pelo menos. As fórmulas de ># e >$ exprimem que não há bigamia. O significado intuitivo das fórmulas que compõem estes conjuntos é claro.. “The marriage problem”. ponhamos :34 œ Ð<3 ß =4 Ñ para 3   !. . Por exemplo. 5   !. 5 namoradas. se encararmos :34 como verdadeira sse o rapaz <3 casa com a rapariga =4 .. 14. então o problema do casamento tem solução. Consideremos os :34 como letras proposicionais da linguagem proposicional sobre T e. ># œ ÖcÐ:34 • c:35 Ñ À 3. isto é.75 Sob certas condições. 4. 5   !. 72 (1950). pelo menos. R œ Ö=! ß =" ß ÞÞÞ× o conjunto das raparigas. para cada 5 Ÿ 7.24Ñ.

e atendendo ao que as fórmulas de > exprimem. Foi formulada por um jovem licenciado da Universidade de Londres em 1852.. nas quais ocorrem ao todo. neste último caso.. estudante de Física. a parte comum das fronteiras não se reduzindo a pontos isolados. isto é. mas quanto à conjecturaÞÞÞ passou-a aos seus discípulos e colegas. Assim dito e feito. Definimos o casamento da totalidade dos rapazes do seguinte modo: casamos <3 com =4 sse @Ð:3 4 Ñ œ ". 37 . que toda a parte finita de > seja compatível. Seja @ um modelo de >.. porém. . é a conjectura de que todo o mapa finito admite uma coloração própria. o problema do casamento tem solução para estes rapazes. Por @ ser modelo de >.. para isto acontecer. muitos matemáticos investiram na tentativa de . desde então.. pois. facilmente verificamos que todas as fórmulas de >! são satisfeitas por @! . CÁLCULO PROPOSICIONAL Para que o problema do casamento tenha solução basta. que @! é modelo de >! .5 O problema das quatro cores Chamemos mapa a um conjunto Q de regiões fechadas (com interior não vazio) do plano euclidiano. É o que mostramos de seguida.. Falta agora a grande núpcia final. ou conjectura das quatro cores. pois. Digamos de uma tal coloração que é própria. . Francis Guthrie. que o conjunto > œ >"  >#  >$ seja compatível e.. por (MCw ). vê-se que o problema do casamento tem solução e o teorema está demonstrado. Como acima se disse. mas de tal modo que duas regiões adjacentes recebam cores diferentes. 47 . <37 Pelo Lema do Casamento (cujas hipóteses são as mesmas que as do teorema. 4 œ 4" . que a passou a seu irmão Frederick. O problema das quatro cores é um problema clássico de coloração de mapas: colorir as regiões do mapa utilizando somente 4 cores.è 14. A Conjectura de Guthrie. digamos <3" . basta. sem bigamia. >! é compatível. duas a duas disjuntas ou adjacentes mas. as quais dizem respeito a um número finito de rapazes. .96 II.. De Morgan mostrou facilmente que 3 cores não são suficientes. irrelevante) para os :34 que não ocorrem em fórmulas de >! . e também mostrou (mais difícil) que não é possível 5 regiões de um mapa estarem numa posição tal que cada uma delas seja adjacente às outras quatro. excepto no que respeita ao número de rapazes). > é compatível. Arthur Cayley fez publicar a conjectura nos Proceedings da Sociedade Matemática de Londres em 1878 e. que por sua vez a passou ao seu mestre A. Em >! há somente um número finito de fórmulas de >. Seja >! uma parte finita qualquer de >. definimos a valoração @! pondo @! Ð:34 Ñ œ " sse o rapaz <3 casou com a rapariga =4 . também um número finito de letras :34 . por compacidade. Feito o casamento destes 7 rapazes com 7 raparigas. De Morgan. e @! Ð:34 Ñ œ ! (este valor é. Portanto.. para 3 œ 3" .

. " Ÿ 5 Ÿ %. Para um tratamento matemático mais detalhado ver T. anunciaram76 ter demonstrado o 14. provaremos a versão infinita do mesmo: 14. Multicolor Problems. utilizando ideias formuladas durante e como consequência do próprio decurso da computação. USPENSKI. Heath & Co. que o conjunto > é compatível e definir a coloração a partir de um modelo @ de > do 76 K. 7 de K. Mathematics: The New Golden Age. Assim.II. 108-121. CÁLCULO PROPOSICIONAL 97 resolver a conjectura. HAKEN. Designemos as quatro cores por ". #. Para demonstrar o teorema basta mostrar. A validade e legitimidade da demonstração foram questionadas por alguns críticos. e dando o teorema das quatro cores como provado.U. Pela primeira vez na história da matemática. " Ÿ 4 Ÿ %. L. partes substanciais e cruciais de uma demonstração (?) foram realizadas por um computador. APPEL & W. 4   !. " Ÿ 4 Ÿ %. B. 4 Á 5×. Bull. Em todo o caso. Soc. dois jovens matemáticos da Universidade de Ilinnois. no caso finito.A. “The solution of the four-color-map problem”. após quatro anos de labor intenso e mais de 1200 horas de cálculo num super-computador. C. em 1976. DEVLIN. Penguin Books. 237 (1977). vol. Sobre o assunto ver também o livrinho de E.A. 1977. 711-712. V3 e V4 são adjacentes×. . ># œ Ö:34 p c:35 À 3   !. para todo 3   !. 1963 e o Cap. SAATY & P. " Ÿ 5 Ÿ %. The Four Colour Problem. $ e % e consideremos a linguagem proposicional cujas letras proposicionais são :34 . Dem. Math. nos E. Amer. um novo tipo de argumentação matemática parece ter nascido: a análise da correcção de um programa computacional. Scientific American.7 Teorema das quatro cores (caso infinito) Todo o mapa infinito (numerável) Q œ ÖV! ß V" ß ÞÞÞ× admite uma coloração própria. DYNKIN & V. Pensemos nos conjuntos de fórmulas >" œ Ö:3" ” :3# ” :3$ ” :3% À 3   !×. Finalmente. 1988. KAINEN. as formulas do conjunto > œ >"  >#  >$ exprimem que o mapa Q admite uma coloração própria. “Every planar map is four colorable”. Se interpretarmos intuitivamente :34 como verdadeira sse a região V3 recebe a cor ´ 4.6 Teorema das quatro cores (caso finito) Todo o mapa planar finito admite uma coloração própria. pois.. >$ œ Ö:35 p c:45 À 3. McGrawHill. já que repousava ou parecia repousar na crença de que o programa utilizado fazia exactamente o que os seus autores haviam projectado. 82 (1976).

estes outros valores de @! são irrelevantes). durante o cerco de Varsóvia). Pierce (1839-1914) e outros. Nesta secção fazemos uma breve introdução a algumas questões pertinentes neste tipo de abordagem da lógica. Ñ p <. . 89.. CÁLCULO PROPOSICIONAL V3 recebe a cor 4 sse @Ð:34 Ñ œ ". a valoração booleana correspondente s! ) satisfaz todas as fórmulas de >! . C. 37 . e @! Ð:34 Ñ œ ! nos outros casos (na ralidade. ” <Ñ Ðc: ” c. Seja >! uma parte finita qualquer de >. p <Ñ µ µ c: ” Ð. para 3 œ 3" . digamos Q! œ ÖV3" ß ÞÞÞß V37 ×. Ñ ” < µ Ð: • . 1 Ÿ 4 Ÿ %. Lindenbaum (jovem matemático polaco falecido em 1941. Quer dizer. então não recebeu nenhuma outra cor. Halmos. as leis de De Morgan. Outro exemplo: : p Ð. Já nos nossos dias o assunto foi retomado com grande fôlego por A. Definimos a valoração @! pondo @! Ð:34 Ñ œ " sse V3 recebeu a cor 4. logo este conjunto é @ compatível. as quais dizem respeito a um número finito de regiões e formam. Tarski.15 Introdução às Álgebras de Boole A utilização de leis lógicas ou tautologias notáveis (como as leis distributivas. portanto. e foi iniciada em meados do século passado por G. então a região V3 está em Q! . Ñ ” < µ cÐ: • . A sistematização e desenvolvimento deste procedimento é um dos aspectos característicos da chamada «lógica algébrica». . A. no que respeita à lógica proposicional clássica. Pelo teorema das quatro cores no caso finito. Nas fórmulas de >! há não mais do que um número finito de letras :34 . Para mostrar que > é compatível basta mostrar que toda a parte finita de > é compatível e aplicar o metateorema da compacidade.) permite manipular «algebricamente» as fórmulas para obter fórmulas logicamente equivalentes. que trata do estudo da lógica do ponto de vista algébrico. Por exemplo. S. um mapa finito. Facilmente se pode concluir que @! (ou melhor. este mapa admite uma coloração própria. É o que fazemos de seguida.è @ *II. utilizando a transitividade da relação de equivalência lógica: se 9 µ < e < µ ) . donde s! Ð:34 p c:35 Ñ œ ".. etc. logo @! Ð:34 Ñ œ " e @! Ð:35 Ñ œ ! para todo 5 Á 4.98 seguinte modo: II. se esta região recebeu a cor 4. Boole (1815-1864) e continuada por A. D. P. p :Ñ µ c: ” Ðc.. Já vimos um exemplo de tal manipulação na pág. De Morgan (1806-1871). Monk e também o nosso António Aniceto Monteiro. então 9 µ ) . A primeira coisa a fazer é considerar os conectivos (ou conectivas) proposicionais como operações algébricas no conjunto J œ Form(_0 ). se a fórmula :34 p c:35 está em >! .

! † ! œ ! † " œ " † ! œ !.II.». mas como agora se consideram os símbolos ¼ e T como elementos de T estipulamos @Ð ¼ Ñ œ ! e @Ð T Ñ œ ". " œ !. Note-se que alguns autores preferem as notações «+ ” . conjunção ( • ). As valorações booleanas s À J Ä F! são. • e c . como sempre. À estrutura ¹ œ ÐJ ß ” ß • ß cß ¼ ß TÑ. @ @ @ @ sÐc9Ñ œ "  sÐ9Ñ. utilizando a terminologia algébrica usual. CÁLCULO PROPOSICIONAL 99 vamos encarar J como uma «álgebra». T representa uma fórmula válida (sempre verdadeira) e ¼ uma contradição (sempre falsa).  são as operações usuais sobre valores lógicos correspondentes às tabelas de ” . O conjunto quociente J ε é o conjunto das classes de equivalência modulo µ . para quaisquer fórmulas 9. † . podemos dizer. ! œ ". sÐ9 • <Ñ œ sÐ9Ñ † sÐ<Ñ.» a «+  . enquanto ÒTÓ é o conjunto das fórmulas válidas ou tautologias de _! . onde F! œ Ö!ß "× é o conjunto dos valores lógicos e  .» e «+ † . determinadas pelas @ valorações @ À T Ä F! . " † " œ ". Outra estrutura do mesmo tipo que ¹ é a álgebra dos valores lógicos µ! œ ÐF! ß  ß † ß  ß !ß "Ñ. ¼ e T (secção II. sÐ T Ñ œ ". s Ð ¼ Ñ œ !. chamamos álgebra das fórmulas de _! . !  " œ "  ! œ "  " œ " . que resulta de J «identificando» fórmulas .12). Como. < se tem @ @ @ @ @ @ sÐ9 ” <Ñ œ sÐ9Ñ  sÐ<Ñ. @ A relação µ em J é uma relação de equivalência. respectivamente: !  ! œ !.» e «+ • . e duas constantes ou operações 0-árias menos familiares. As classes de equivalência modulo µ são os conjuntos de fórmulas da forma Ò9 Ó œ Ö < − J À < µ 9 × Em particular. a operação unária  À F! Ä F! é usualmente chamada complementação. uma operação unária de negação (c). e neste caso µ! œ ÐF! ß ” ß • ß ß !ß "Ñ. na qual distinguimos as seguintes operações: as operações binárias usuais de disjunção ( ” ). Intencionalmente. Ò ¼ Ó é o conjunto das contradições. e + é o complemento de +. respectivamente. Por outro lado. que uma valoração booleana é um homomorfismo sobrejectivo (ou epimorfismo) s À ¹ Ä µ! .

• .. Tal é possível. ¼ . então 9 ” < µ < ” . esperando que o leitor saiba interpretar bem o contexto. ~ ~ ~ c. Deixamos a verificação destes factos como outros tantos exercícios. neste caso. Ò 9 Ó • Ò < Ó œ Ò 9 • < Ó . por exemplo. Princeton Univ. a passagem ao quociente das operações ” . c. podemos proceder do seguinte modo: supondo + œ Ò9Ó. Com estas definições obtém-se a álgebra das proposições ou álgebra de Lindenbaum de _! . ! µ Por abuso. T œ ÒT Ó. ¼ œ Ò ¼ Ó. Frege. • . œ .Ñ œ Ð+ ” . ~ ~ continuaremos a utilizar os símbolos habituais ” . Para verificar qualquer delas. Põe-se naturalmente a questão de «algebrizar» o conjunto das proposições de modo a obter uma «álgebra de proposições» do mesmo tipo que ¹ e µ! . Ñ • Ð+ ” . Examinemos as propriedades algébricas desta estrutura. 9 • < µ < • . a quem se devem várias distinções pertinentes na teoria das linguagens formais. ficam bem definidas as operações em J ε seguintes: ~ ~ Ò9 Ó ” Ò < Ó œ Ò 9 ” < Ó . • . por um processo familiar aos algebristas. Introduction to Mathematical Logic I.Ñ. e muitas outras vêm imediatamente à ideia. CÁLCULO PROPOSICIONAL Em homenagem a G. c9 µ c) . Para melhor esclarecimento ver a Introdução (68 páginas!) da monografia de A. CHURCH. + • + œ +.. Press. • e c .. dando assim origem a uma só proposição — a classe de equivalência de 9 modulo µ 77. pois. II. ~ ~ ~ c Ò9Ó œ Òc9Ó. Assim. c. Os elementos de ¿! satisfazem certas identidades. o conjunto quociente J ε é o conjunto das proposições. ) e . + ” Ð. possuindo todas elas. o mesmo significado.100 logicamente equivalentes: Ò9Ó œ Ò<Ó sse 9 µ <. Diferentes fórmulas podem ser logicamente equivalentes. (O volume II desta obra nunca chegou a ser publicado. • . 1956. 77 Estamos simplificando muito o que é.) . na realidade. A distinção fregeana. Deste modo. T . ~ ~ ~ ~ ~ ¿ œ ÐJ Î ß ” .T Ñ. <. ¼ . ” +. se 9 µ ) e < µ . como + ” .. a primeira. uma teoria bastante elaborada. é entre o objecto sintáctico que é a fórmula 9 e a proposição ou significado da fórmula. atendendo a que a relação µ é uma congruência com respeito àquelas operações: para quaisquer fórmulas 9. T em vez de ” . ¼ . é costume chamar proposições às classes de equivalência modulo µ .

então Ð= ” >Ñ.ÑÑÑ é uma identidade. as ideias básicas são suficientemente simples e naturais para anteciparmos (informalmente) alguns aspectos. Por exemplo. ou em qualquer outra estrutura do mesmo tipo. Estes conceitos. . e o resultado em questão. onde = e > são expressões designatórias ou termos construídos de acordo com as regras seguintes: (i) as variáveis +. Os parênteses podem ser omitidos. Tarefa impossível.1 Metateorema As identidades válidas em ¿! são exactamente as mesmas que as válidas em µ! . a estudar no Cap.Ñ ” Ð. ÐÐ+ ” .. (ii) se = e > são termos. . de uma definição indutiva de termo. uma unária e dois elementos fixos). Trata-se. respectivamente. Começamos por mostrar que este problema é equivalente a um problema do mesmo género relativo à álgebra dos valores lógicos. 101 Seria interessante poder conhecer ¿! através da especificação de todas as identidades válidas entre os seus elementos. utilizando os símbolos operatórios “ ” ”. Antes de tentar demonstrar este resultado devemos tornar preciso o seu enunciado.. isto é. Chamemos identidade a toda a igualdade da forma = œ >.Ñ œ ÐÐ+ • .Ñ ” Ð. como é óbvio. CÁLCULO PROPOSICIONAL .II. ” + .œ Ð+ • . um ramo particularmente simples da lógica de primeira ordem com igualdade.Ñ • . tem-se + ” .Ñ. que se abrevia Ð+ ” . nomeadamente. “ • ” preferivelmente a “  ” e “ † ”. . œ Ò<Ó. 15. • . se não houver possibilidade de confusão na leitura dos termos. os suficientes para se entender o enunciado e a sua demonstração. (possivelmente com índices) e as constantes ¼ e T são termos.. pertencem à chamada lógica equacional. III. (iii) nada mais é termo. precisando os conceitos de «identidade» e de «identidade válida em ¿! » (ou em µ! . Ð= • >Ñ e Ð=Ñ são termos. µ! . pois existem infinitas tais identidades! Mas talvez seja possível caracterizá-las de alguma maneira «finitária»ÞÞÞ A resolução deste problema pode ser feita de diferentes maneiras. Todavia..Ñ • . • Ð. com duas operações binárias. . œ Ò9 Ó ” Ò < Ó œ Ò 9 ” < Ó œ Ò < ” 9 Ó œ Ò < Ó ” Ò 9 Ó œ .

78 Dem.102 Será muito conveniente a notação (*) =Ð+ß .. @ Dem. ” +. . como se pode verificar exaustivamente: !  ! œ !  !. 2 está bem definido. Muito simples: dada s. !  " œ "  !.ß ÞÞÞÑ ou em >Ð+ß .. a identidade Ð+ ” . para simplificar a notação. por indução na complexidade dos termos. . "  " œ "  ".. a identidade + ” . então. <.. . ..è 15.Ñ do exemplo de construção não é válida em µ! : tem-se o contra-exemplo Ð!  "Ñ † " Á Ð! † "Ñ  Ð" † "Ñ Para a demonstração do metateorema necessitamos de alguns resultados preliminares. Exercício. Seja µ œ ÐF ß ” ß • ß  ß ¼ ß T Ñ uma estrutura do mesmo tipo que ¿! .ß ÞÞÞÑ œ >Ð+ß . • . para quaisquer fórmulas 9. . é também válida em µ! œ ÐF! ß  ß † ß  ß !ß "Ñ: quaisquer que sejam os valores em F! atribuídos a + e . . Dizemos que uma identidade (*) é válida em ¿! sse resultar de (*) uma igualdade verdadeira sempre que às variáveis +. .Ñ ” Ð. . forem dados valores no domínio ou suporte F de µ e os símbolos operatórios que ocorrem em =Ð+ß . CÁLCULO PROPOSICIONAL para representar uma identidade entre os termos =Ð+ß . 2Ò9Ó só depende de Ò9Ó e não do 78 Escrevemos 2> em vez de 2Ð>Ñ. de acordo com a definição.ß ÞÞÞÑ construídos. sÐ9Ñ œ 2Ò9Ó. defina-se 2 pondo 2Ò9Ó œ sÐ9Ñ (ver diagrama @ @ seguinte).ß ÞÞÞÑ é um termo.ß ÞÞÞÑ II..œ Ð+ • .ß ÞÞÞÑ forem interpretados da maneira natural. quer dizer. utilizando as variáveis +. œ . obtém-se uma igualdade verdadeira.3 Lema Para toda a valoração booleana s À ¹ Ä µ! existe um único epimorfismo @ 2 À ¿! Ä µ! tal que.. 2>ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ œ >Ð2Ò9Óß 2Ò<Óß ÞÞÞÑ. Por exemplo.. para toda a fórmula 9.Ñ • . 15. "  ! œ !  ". Ao invés.ß ÞÞÞÑ e >Ð+ß .2 Lema Se 2 é um homomorfismo de ¿! em µ! e >Ð+ß . por vezes. que acima se mostrou ser válida em ¿! .

<. . e é claramente um epimorfismo.ÞÞÞÑ como >ÐÒ9Ó. com vista a provar que a igualdade =ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ œ >ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ é verdadeira em ¿! . com efeito.. que para toda a valoração booleana @. CÁLCULO PROPOSICIONAL 103 representante 9.1: as identidades válidas µ! são válidas em ¿! . Ora. para qualquer valoração booleana @. 79 De facto. Ò)# Ó œ >ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ. pode-se tomar para )" a fórmula =Ð9ß <ß á Ñ. @Ð)" Ñ œ @Ð)# Ñ.Ò<Ó. A unicidade é também óbvia. )# . já que 2 é determinado por s. ou seja. e analogamente para )# . fórmulas quaisquer. tomando 2 como no lema 15.è @ Este lema já permite demonstrar uma parte do metateorema 15. pelo lema 2 pelo lema 3 pois = œ > em µ! o que demonstra uma parte do metateorema. tanto =ÐÒ9Ó. para certas fórmulas )" . Para demonstrar a outra parte utilizase o resultado seguinte. Tem-se. são classes de equivalência.ß ÞÞÞÑ válida em µ! . digamos Ò)" Ó œ =ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ.Ò<Ó. Pois suponhamos a identidade =Ð+ß .ÞÞÞÑ são elementos de J ε . @Ð)" Ñ œ 2Ò)" Ó œ 2=ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ œ =Ð2Ò9Óß 2Ò<Óß ÞÞÞÑ œ =Ð@Ð9Ñß @Ð<Ñß ÞÞÞÑ œ >Ð@Ð9Ñß @Ð<Ñß ÞÞÞÑ œ >Ð2Ò9Óß 2Ò<Óß ÞÞÞÑ œ 2>ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ œ 2Ò)# Ó œ @Ð)# Ñ.ß ÞÞÞÑ œ >Ð+ß . .II. isto é.3. e sejam 9 .79 Queremos mostrar que Ò)" Ó œ Ò)# Ó. isto é.. que )" µ )# .

Dem. Exercício. cÐMÑ o conjunto das partes ou subconjuntos de M . ou ainda µ œ ÐF ß  ß † ß  ß !ß "Ñ — para cada gosto a sua notação. que denotamos simplesmente  . ÃM œ Ðc ÐMÑß  ß  ß  ß gß MÑ. Mais geralmente. 15.  e complementação relativa. etc. Em particular. tal que g − F e M − F . se @ À T Ä F! é definida por @Ð:3 Ñ œ 2Ò:3 Ó.è Outro exercício finaliza a demonstração do metateorema 1. µ! é a álgebra de Boole dita matriz ou minimal. µ œ ÐF ß  ß  ß  ß gß MÑ. CÁLCULO PROPOSICIONAL 15.4 Lema Para todo o epimorfismo 2 À ¿! Ä µ! . considerando ainda os conjuntos g e M . T Ñ [ou µ œ ÐF ß ” ß • ß  ß !ß "Ñ. 23 À c ÐMÑ Ä F! por 23 Ð\Ñ œ " sse 3 − \ . dois elementos ! e ". Mostramos. Uma estrutura assim definida. obtemos a álgebra dos subconjuntos (ou das partes) de M .104 II. que toda a identidade válida em µ! é válida em ÃM .5 Teorema Toda a álgebra de conjuntos é uma álgebra de Boole. desde que subentendido que F é um conjunto com. intersecção  e complementação com respeito a M . @Ð ¼ Ñ œ ! e @Ð T Ñ œ ". apenas. pelo menos.è Uma álgebra µ œ ÐF ß ” ß • ß  ß ¼ . em vez de c ÐMÑ podemos considerar uma parte F © c ÐMÑ fechada para  . diz-se uma álgebra de conjuntos (sobre M ). para cada 3 − M . como vimos) diz-se uma álgebra de Boole. como objectos distintos de F . então @ estende-se a uma valoração booleana s tal que sÐ9Ñ œ 2Ò9Ó. Seja M um conjunto não vazio. Definamos. para toda a fórmula 9. Veremos de seguida uma outra maneira de obter álgebras de Boole. por indução na complexidade das fórmulas.] que valida exactamente as mesmas identidades que ¿! (ou µ! . e consideremos em cÐMÑ as operações de união  . . @ @ Dem.

Não demonstramos o teorema de representação de Stone mas demonstramos o seguinte. que é isomorfa a µ! . 23 =Ð\ ß ] ß ÞÞÞÑ œ =Ð23 Ð\Ñß 23 Ð] Ñß ÞÞÞÑ. CÁLCULO PROPOSICIONAL 105 Cada 23 é um homomorfismo de ÃM em µ! (exercício) e. para quaisquer \ . 23 Ð\Ñ œ 23 Ð] Ñ. de facto.7 Teorema A álgebra de Lindenbaum ¿! é isomorfa a uma álgebra de conjuntos. por = œ > ser válida em µ! . visto que a quantidade e variedade de identidades válidas em µ! é infinita! O procedimento típico de um matemático numa situação como esta é. por outras palavras. ÃM é. Isto quer dizer. para cada 3 − M . ] − c ÐMÑ. a álgebra de conjuntos (portanto. Supondo =Ð+ß . como melhor aproximação: 15. o de tentar axioma- . para quaisquer \ .è Um homomorfismo bijectivo 2 À µ" Ä µ# entre duas álgebras do mesmo tipo diz-se um isomorfismo. s Dem. Tem-se. por 23 ser homomorfismo. por 23 ser homomorfismo. para todo 3 − M . Seja Z o conjunto de todas as valorações booleanas s À J Ä F! .è A definição de álgebra de Boole que foi dada é de pouca utilidade ou conveniência prática (embora importante do ponto de vista da motivação histórica). 23 =Ð\ ß ] ß ÞÞÞÑ œ 23 >Ð\ ß ] ß ÞÞÞÑ. de Boole) maximal sobre M . tem-se \ œ ] sse para todo 3 − M . @ Façamos corresponder a cada classe Ò9Ó − J ε o conjunto 9 œ 2Ò9Ó das valorações s − Z que satisfazem 9.6 Teorema de representação de Stone Toda a álgebra de Boole é isomorfa a uma álgebra de conjuntos. œ >Ð23 Ð\Ñß 23 Ð] Ñß ÞÞÞÑ. por outro lado. que as álgebras de conjuntos são as álgebras de Boole típicas. Fica como exercício mostrar que a função @ s s 2 À J ε Ä c ÐZ Ñ assim definida é o isomorfismo procurado.II. ] − c ÐMÑ. como Euclides tentou fazer com a geometria há dois mil e trezentos anos atrás. A álgebra de conjuntos minimal sobre um conjunto não vazio M é a álgebra de Boole Ã! œ ÐÖgß M ×ß  ß  ß  ß gß MÑ. Pode-se demonstrar (mas a demonstração sai fora do âmbito deste curso) o seguinte *15. bastará ver que.ß ÞÞÞÑ válida em µ! . œ 23 >Ð\ ß ] ß ÞÞÞÑ.ß ÞÞÞÑ œ >Ð+ß .

Ñ œ Ð+ † . +  ! œ +.Ñ † Ð+  . é mais conveniente uma outra axiomatização da lógica proposicional (ver II. +  Ð+Ñ œ ". " — é simples rotina transcrever para outra notação) são suficientes para o fim em vista. AXIOMAS DAS ÁLGEBRAS DE BOOLE +  Ð. III.18). Ñ † . Sobre álgebras de Boole veja-se também o Cap. O leitor pode ensaiar (mas não é imediato!) uma demonstração da equivalência entre as duas definições propostas de álgebra de Boole: (i) uma álgebra µ que valida exactamente as mesmas identidades que µ! .  .  . transitividade e substituibilidade de iguais por iguais em termos).Ñ œ Ð+  . 1977.Ñ. os axiomas das álgebras de Boole. O resultado das pesquisas que foram feitas no sentido indicado permitiu concluir que as identidades seguintes (na notação  . porém. todas elas e só elas serão mais cedo ou mais tarde geradas pelo sistema.Ñ. do metateorema de completude semântica para o sistema DN. † +. † . œ . Ñ  Ð+ † . + † Ð. e montar um cálculo dedutivo. † . procurar de entre elas um pequeno número (os axiomas ou postulados). + † Ð.  . a estudar mais em pormenor no Cap. œ . +  . Utilizando a álgebra de Lindenbaum ¿! e o teorema de representação de Stone é possível dar uma outra demonstração. dos tableaux semânticos de Beth (1955). ou o livrinho de P. de tal modo que todas as outras se possam deduzir logicamente a partir daquelas primeiras. Quanto às regras do cálculo dedutivo. HALMOS. podemos montar um sistema que vai permitir gerá-las uma a uma. ! Á ". Springer-Verlag. *II. + † " œ +. CÁLCULO PROPOSICIONAL tizar as identidades válidas em µ! . (ii) uma álgebra µ não qual são válidas as 11 identidades acima. .Ñ œ Ð+  . que constitui um método para examinar sistematicamente as possibilidades 80 Pode-se consultar uma tal prova nos capítulos iniciais de BELL & SLOMSON. alternativos ao sistema de dedução natural para _! . + † Ð+Ñ œ !.. se o sistema estiver bem montado e tivermos escolhido bem os axiomas. isto é. inteiramente algébrica.Ñ  . Lectures on Boolean Algebras. elas são simplesmente as propriedades e regras lógicas da igualdade (reflexividade. ou simplesmente B. !. +  Ð. Elas são chamadas. † .  +. simetria. embora não possamos enumerar todas as identidades válidas de uma vez só. naturalmente.106 II. + † . 5 de STOLL.. 47) que iríamos apresentar outros sistemas dedutivos.Ñ œ Ð+ † . O primeiro a ser aqui apresentado é o sistema BP.16 Outros sistemas dedutivos (I): tableaux semânticos Dissemos acima (pág.80 Para tal. Deste modo.

também pode ser considerado um método alternativo ao das tabelas de verdade. J: J c9 l Z9 J Ð9 • < Ñ ÎÏ J9 J< 3a. 2b. . Z Ð9 p <Ñ ÎÏ J9 Z < 5b. e um tanto mais eficiente que este. p TABLEAUX ATÓMICOS 1a. 3b. J Ð9 ” < Ñ ¸ J9 l J< J Ð9 p < Ñ l Z9 l J< p J Ð9 o < Ñ ÎÏ Z 9 J9 l l J< Z < 5a. dois para letras proposicionais ou átomos e dois para cada conectivo principal (incluindo o ). 4b. Cada tableau é uma árvore binária (ver secção I. A construção de um tableau para uma fórmula proposicional composta 9 é feita indutivamente. 6a. «9 é falsa». Os tableaux atómicos são os tableaux seguintes. p Z Ð9 o <Ñ ÎÏ Z 9 J9 l l Z < J< 6b.12). isto é. respectivamente. que exprimem intuitivamente «9 é verdadeira». cujos nós ou entradas são fórmulas valoradas. como tal. expressões de uma das formas Z 9 . 2a.II. CÁLCULO PROPOSICIONAL 107 de uma fórmula dada tomar os valores lógicos ! ou " e. J 9 . 4a. Z: Z c9 l J9 Z Ð9 • < Ñ l Z9 l Z< Z Ð9 ” < Ñ ÎÏ Z9 Z< 1b. à custa de tableaux para as componentes de 9. .

o método de Beth permite derivar todas as fórmulas válidas. um tableau com raiz J 9 pode-se encarar como uma tentativa para falsificar a fórmula 9.# ). por isso. significa que é impossível falsificar a fórmula dada e.# ) l Z c: Z< l l J: Z= Œ (. a qual. no caso da raiz Z 9. Esta fórmula valorada será colocada no topo ou raiz. quando . ela é válida. é verdadeira (ramo . ” Ð< • =ÑÑ é verdadeira sob certas condições. em 4a.$ ). finalmente. a fórmula valorada Z Ð9 ” <Ñ ramifica-se nas valoradas Z 9 e Z < — a ramificação significa «ou». e somente fórmulas válidas. teve sucesso. É essencialmente por esta última razão que o método dos tableaux semânticos de Beth constitui um sistema dedutivo equivalente ao sistema de dedução natural — tal como este.108 II. e no caso da raiz J 9.# e . é contraditório. Z : e J :). e. Os outros dois ramos não são contraditórios. nomeadamente. Podemos ainda encarar a construção do tableau como uma tentativa sistemática para satisfazer a fórmula dada. em 5b." . CÁLCULO PROPOSICIONAL Por exemplo. 16. Nestes e nos outros casos observa-se uma conformidade com o significado intuitivo dos conectivos e respectivas tabelas de verdade. . ” Ð< • =ÑÑ l ÎÏ Z: Z . ou quando < e = são ambas verdadeiras (ramo . no final. ela é incompatível. desdobrando-se de cima para baixo de acordo com os tableaux atómicos. além . ” Ð< • =ÑÑÑ ÎÏ Z Ð: • c:Ñ Z Ð. para a fórmula valorada Z ÐÐ: • c:Ñ ” Ð. a fórmula valorada J Ð9 p <Ñ dá origem à sequência Z 9 e J < — sequência significa «e». Que conclusão podemos tirar do tableau acima? Podemos concluir que a fórmula Ð: • c:Ñ ” Ð. Z Ð< • =Ñ l (. ” Ð< • =ÑÑÑ. portanto. Uma e outra destas tentativas consideram-se falhadas se. até que cada ramo termine com uma fórmula atómica valorada. . o que significa que tem duas entradas que se contradizem (no caso.$ ) (. todos os ramos forem contraditórios.$ ). e por isso foi também assinalado com Œ .1 Exemplo Z ÐÐ: • c:Ñ ” Ð. Antes de dar a definição geral de tableau semântico para uma fórmula valorada arbitrária damos um exemplo. Analogamente." ." ) Neste exemplo há 3 ramos (. isto significa que é impossível satisfazer a fórmula e. O ramo mais à esquerda. como veremos —.

(3) um ramo de um tableau diz-se contraditório sse contiver as entradas Z 9 e J 9.. 82 Nesta secção tomamos «terminado» e «completo» como sinónimos. (4) um tableau diz-se terminado (ou completo82) sse nenhum dos seus ramos não contraditórios tiver nós não usados. Z 9 ou J 9. como raiz. III. escolhe-se o que estiver mais próximo da raiz de X8 e.2 Definição (1) Um tableau semântico é uma árvore binária de fórmulas valoradas. cada ramo não contraditório Chama-se a atenção para o facto de.3 Algoritmo de construção indutiva dos tableaux completos Constrói-se um tableau semântico para uma fórmula 9 procedendo por etapas. do seguinte modo: Etapa inicial (ou etapa 0): coloca-se uma fórmula valorada. no caso contrário. 81 . mas no sistema de tableaux para o cálculo de predicados ela é mesmo indispensável. . reduzindo certas entradas de X8 (que não voltarão a ser reduzidas): Etapa 8  ": de entre todos os níveis de X8 contendo entradas não reduzidas. X8" é construído a partir de X8 por aplicação de (ii). de um tableau sse \ for a raiz de um tableau atómico de tal modo que todas as entradas num ramo através daquele tableau atómico ocorrem em . X8 . 16. satisfazendo as seguintes regras indutivas: (i) os tableaux atómicos são tableaux finitos. (2) uma entrada \ diz-se reduzida (usada ou marcada) num dado ramo . para certa fórmula 9 . X" . também chamadas as entradas do tableau.. caso contrário diz-se não terminado. mas não será assim na secção 12 do Cap. (5) um tableau diz-se contraditório sse todos os seus ramos forem contraditórios.. em princípio. . fornece um método de decisão alternativo e mais eficiente do que o método das tabelas de verdade. para cada 8   !. e diz-se não reduzida no caso contrário. . um ramo de X e \ uma entrada em . então X w é um tableau finito. digamos \ . Acontece que no cálculo proposicional esta reinserção pode ser dispensada na prática.. é uma sucessão finita ou infinita de tableaux tal que. neste nível. escolhe-se a entrada não reduzida mais à esquerda. estende-se X8 a um tableaux X8" na etapa seguinte.. .. e X w resulta de X apensando o único tableau atómico com raiz \ no nó terminal de . e no caso contrário diz-se não contraditório.II. É altura de dar algumas definições rigorosas. então X œ -8 ! X8 é um tableau. a entrada \ ser reinserida por baixo do nó terminal de . Supondo construído um tableau X8 na etapa 8.. e diz-se não contraditório. CÁLCULO PROPOSICIONAL 109 disso. (ii) se X é um tableau finito. 16..81 (iii) Se X! .

uma vez que cada nível tem um número finito de entradas e cada entrada é reduzida mais tarde ou mais cedo. Voltaremos a esta questão a seguir à definição seguinte e alguns exemplos. 16. Este facto é intuitivamente plausível.5 Exemplos Aplicamos o algoritmo acima na construção de dois tableaux para a chamada lei de Peirce ÐÐ: p .Ñ p : l J: ÎÏ J:p.110 II.4 Definição Uma derivação à Beth de uma fórmula 9 é um tableau completo e contraditório com raiz J 9 . Z : l Œ Z: l J. como sabíamos). A construção termina quando todo o ramo não contraditório já não tiver entradas não reduzidas. Observe-se que todo o X8 é finito. até chegarmos a fórmulas atómicas valoradas.Ñ p :Ñ p : l Z Ð: p . Embora a definição acima contemple tableaux infinitos. e escreve-se neste caso ¯B 9. uma única vez. 9 diz-se derivável à Beth. a partir das quais é impossível reduzir mais. Œ Este tableau é contraditório. ou derivável-B sse existir uma derivação à Beth de 9. 0 1 2 3 4 5 J ÐÐ: p . acontece que no caso da lógica proposicional todos os tableaux assim construídos são finitos — o algoritmo acima termina sempre com a produção de um tableau completo e finito 7 X œ -8 ! X8 œ -8œ! X8 . e o tableau construído é X œ . Uma refutação à Beth de 9 é um tableau completo e contraditório com raiz Z 9.Ñ p :Ñ p :. CÁLCULO PROPOSICIONAL que passa por \ estende-se acrescentando à entrada terminal do ramo o sucessor ou sucessores de um tableau atómico com raiz \ .8 ! X8 . resultando sempre em fórmulas valoradas de menor complexidade lógica (menos conectivos). o que quer dizer que a tentativa de falsificar a lei de Peirce falhou — ela é derivável à Beth (e válida. onde X8 é o tableau construído na etapa 8. ou refutável-B sse existir uma refutação à Beth de 9. para certo 7 suficientemente grande. 9 diz-se refutável à Beth. 16. Numerámos .

6 Metateorema dos tableaux contraditórios (MTC) Dem. existe 7 tal que X e X7 coincidem até ao nível 8  ". Retomemos a questão da possibilidade de tableaux infinitos que.w . parece chocar com a ideia de que uma dedução. Isto quer dizer que toda a entrada de nível 8  " de X é contraditória com alguma predecessora de nível inferior. No 1. o nível 3 resulta da etapa 2. ou há dois predecessores dela que são contraditórios.. É claro que . todo o ramo . no ramo em que ela está. tem um ramo infinito. ao menos em princípio. X7 é o tableau finito e contraditório pretendido. para melhor se observar a aplicação do algoritmo: na etapa inicial apenas se escreve o nível 0 (raiz). e nela e acima dela não há duas entradas contraditórias. na etapa 1 resultam os níveis 1 e 2.º caso. é contraditório. o tal conjunto de entradas X w é finito e. logo. Em particular. consequentemente. Pensemos no conjunto de todas as entradas de X sem predecessores contraditórios (quer dizer. Portanto. então ele constitui uma árvore X w «contida» em X que também é de ramificação finita. da forma Z ) e J )). Façamos agora a tentativa para satisfazer a mesma fórmula: Z ÐÐ: p .Ñ l J: ÎÏ J : Z . toda a derivação à Beth é um tableau finito. 39). Assim. usando a única entrada não reduzida no nível 1.w é não contraditório e também é um ramo de X . o que contradiz o facto de todo o ramo em X ser contraditório. para algum 7. CÁLCULO PROPOSICIONAL 111 os níveis de 1 a 5.Ñ p :Ñ p : ÎÏ J Ð: p . É o lema de König que nos vem reconfortar a este respeito. digamos . para começar. pelo menos no caso das derivações. derivação ou demonstração deve ser essencialmente um objecto finito. Assim. então X7 é um tableau contraditório.II. por escolha de 8 e 7. No 2. Se X œ -8 X8 é um tableau contraditório.º caso. . . «visualizável». usando a entrada na raiz.Ñ p : Z : l Z Ð: p . numa coluna à esquerda. como já sabíamos). Aqui não há ramos contraditórios: a fórmula não é refutável à Beth (ela é compatível. Ora. . isto é. que X é uma árvore de ramificação finita. em X7 é um ramo em X (terminando numa entrada de nível Ÿ 8) ou contém uma entrada de nível 8  ". Recordemos. inclusive. tais entradas estão todas em níveis Ÿ que certo nível 8 de X . 16. pelo lema de König (p. é contraditório. dada ao arbítrio uma entrada de X . por hipótese sobre X . Se este conjunto é infinito.

Se X é atómico é imediato. onde cada R3 é uma fórmula valorada: para cada 3. no final de um ramo . no seu comprimento. Por indução nos tableaux. Recorde-se que a definição de tableaux é indutiva. de X .è Devemos agora encetar as provas das propriedades de validade ( ¯ B 9 Ê } 9) e de completude semântica ( } 9 Ê ¯ B 9) do sistema de Beth. . das quais resultará que ¯B 9 Í ¯ DN 9. ou R3 œ J 9. por simples inspecção. 5 . pelo que a relação   entre nós e ramos se mantém. Suponhamos (hipótese de indução) que o número de nós de X é maior ou igual ao número de ramos. para alguma fórmula 9. e seja X w uma extensão X com um tableau atómico com raiz \ . Nos outros casos. ou melhor. O œ ÖR" ß R# ß ÞÞÞß R5 × o conjunto das entradas em . pelo menos. Suponhamos que ela é verdadeira para X . mas o número de ramos permanece o mesmo.8 Lema básico Se uma valoração booleana @ concorda com a raiz de um tableau (isto é. 16. A propriedade é obviamente verdadeira para tableaux atómicos. pois estamos certos que não terá dificuldade de maior se atender ao seguinte exemplo de demonstração da propriedade dos tableaux QÐX Ñ: o número de nós de X é maior ou igual ao número de ramos. R 3 œ J 9 Ê @ 9 œ ! . e portanto X œ X7 é finito. o número de nós aumenta uma unidade. então @ concorda com algum ramo do tableau. embora esta última equivalência também pudesse ser estabelecida directamente. então X7 já não pode ser estendido em mais nenhuma etapa da construção de X . CÁLCULO PROPOSICIONAL Em particular.7 Definição Seja . sse para todo 3 œ ". . Se o nó terminal deste é Z c9 ou J c9 . e @9 œ ! se a raiz é J 9 ). há sempre. Deixamos ao cuidado do leitor a formulação de um tal princípio de indução nos tableaux. Dem. #. @9 œ " se a raiz é Z 9... um ramo de um tableau X . o que sugere imediatamente a possibilidade de uma indução nos tableaux. se X œ -8 X8 é uma derivação construída de acordo com o algoritmo acima e 7 é o mínimo possível tal que X7 é contraditório. mais dois nós e não mais de dois ramos novos. R3 œ Z 9 Ê @ 9 œ " . R3 œ Z 9..112 II.. entendendo por comprimento de um tableaux o número de tableaux atómicos utilizados na sua construção. 16. e seja X w o resultado de estender X com um tableaux atómico (conforme o algoritmo indicado na pág. Dizemos que uma valoração booleana @ concorda com o ramo . 109).

então @ concorda com \ e. Ú Ú ã Ý Ý Ý Ý Ý Ý \ XÛ Xw Û Ý ã Ý Ý Ý Ü (. com o qual @ concorda. Caso 2: @ não concorda com . então 9 é realmente válida. logo. Então existe um ramo .10 Lema de Hintikka Seja . vejamos num exemplo concreto de como isto funciona. mas se o tableau exibir um ramo não contraditório ." de X w que assim estende . . e portanto um tal ramo é não contraditório. concorda com um dos ramos (possivelmente há um só ramo na continuação de . Suponhamos que } 9.II. o lema mostra como construir uma valoração booleana que falsifica 9. no caso contrário. CÁLCULO PROPOSICIONAL conforme o algoritmo na pág. y Dem. Caso 1: @ concorda com todos os nós em .. Mas . Este lema fornece um algoritmo para a obtenção de um contra-exemplo para a pretensa validade de certa fórmula 9 : construindo um tableau completo com raiz J 9. Então existe @ tal que @9 œ !. se ele é contraditório. o que prova que 9 não é derivável-B. logo neste caso também há um ramo de X w com o qual @ concorda. Por hipótese de indução. um ramo não contraditório de um tableau completo X . portanto (examine os tableaux atómicos a este respeito!).è 16. Se @ é uma valoração booleana tal que @Ð:Ñ œ œ " ! se Z : é uma entrada em .è 16. Antes da demonstração. pelo lema básico.. . então @ concorda com o ramo . de qualquer tableau com raiz J 9 que seja construído. Por contraposição.. então 9 é válida: ¯B 9 Ê } 9.. ) Ý Ý Ü åä 113 Há dois casos a considerar. 109.w de X com o qual @ concorda.w também é ramo de X w . ) do tableau atómico com raiz \ . mas concorda com a raiz de X (caso contrário não haveria nada para provar).9 Metateorema da validade (MV) Se 9 é derivável-B. existe outro ramo . @ concorda com algum ramo .

de modo que Z 9 e Z < são entradas em . œ ! (não interessam os valores lógicos dos restantes átomos). .Ñ p Ð: ” . então. quer dizer. esta entrada foi reduzida alguma vez e um dos ramos da ramificação ÎÏ J9 J< faz parte de . pois .ÑÑ œ !.Ñ l J Ð: ” . então. Se Z Ð9 • <Ñ é uma entrada em . Se J Ð9 • <Ñ é uma entrada em .11 Exemplo Determinar @ tal que @ÐÐ: p .Ñ o ” . conforme o caso. então Z : não o é. como X é completo. e então temse @ÐÐ: p . Por indução nas fórmulas que entram em .# ) Aplicando o lema ao único ramo não contraditório. se J : é uma entrada em . e portanto @Ð9 • <Ñ œ !. CÁLCULO PROPOSICIONAL 16. como X é completo. não é contraditório. J. por hipótese de indução tem-se @9 œ ! ou @< œ !. Por hipótese de indução.Ñ o pÐ: ” . l l J: J: l l J. logo @Ð9 • <Ñ œ ". Os casos dos restantes conectivos são deixados como outros tantos exercícios. Em qualquer dos casos. ." . (.114 II. definimos @ tal que @: œ @. (ii) Admitamos a propriedade verdadeira para 9 e para <. . . Dem. como fórmulas valoradas. logo @ : œ !.ÑÑ l Z Ð: p .ÑÑ œ !. . @9 œ " e @< œ ". (i) Se : é um átomo e Z : é uma entrada em . ou J 9 ou J < é uma entrada de . . então @: œ " e @ concorda com . . . pÐ: J ÐÐ: p ." ) Œ (.è ..Ñ ÎÏ J: Z. esta entrada foi reduzida alguma vez e a sequência Z9 l Z< faz parte de . .

9 é derivável-B. Na definição de tableau (pág. Por outro lado.è Este resultado. ou não conseguimos. 83 Expressão latina que significa «mudando o que deve ser mudado». então o tableau que se forma entrando Z < no término de cada ramo não contraditório que não contenha Z < é um tableau finito com hipóteses em D. que 9 não é derivável-B. entende-se que existe uma entrada com Z < em cada ramo não contraditório. Dem. a que chamamos hipóteses. É claro que o algoritmo de construção de tableaux (pág. mas neste caso será por existir nesse tableau um ramo não contraditório. o qual. a claúsula (ii) desdobra-se em duas. na definição de tableau completo com hipóteses em D. usando o algoritmo). Portanto. na construção de tableaux. Construamos um tableau completo com raiz J 9 (por exemplo. 109). Suponhamos. e a seguinte: (ii# ) Se X é um tableau finito com hipóteses em D e < − D. ou conseguimos uma derivação à Beth (e neste caso a fórmula é válida). com justificações semelhantes. 110) é que.13 Tableaux com hipóteses Finalizamos esta secção com uma breve discussão da derivabilidade (à Beth) com hipóteses: D ¯B 9. pelo menos. 109) terá uma etapa correspondente a esta claúsula: desdobram-se as etapas a seguir à inicial em etapas pares e ímpares. em particular. então @9 œ " para toda a valoração booleana @. . é permitido entrar fórmulas valoradas da forma Z <. Se 9 é válida.12 Metateorema da completude semântica (MCS) Se 9 é válida. isto é. CÁLCULO PROPOSICIONAL 115 16. @9 œ !. Os resultados anteriores para a derivabilidade à Beth e a validade possuem correspondentes para a refutabilidade à Beth e a compatibilidade. temos a certeza de que 9 não é válida. Assim. pág. D œ Ö<! ß <" ß ÞÞÞß <7 × ou D œ Ö<! ß <" ß ÞÞÞß <7 ß ÞÞÞ×.II. o algoritmo resulta sempre num tableau completo. o que é absurdo. mutatis mutandis:83 9 é refutável-B sse 9 é incompatível. fornecem um método de decisão para a validade de fórmulas proposicionais: se tentamos construir (pelo algoritmo) um tableau completo com raiz J 9. onde < é uma hipótese. para cada hipótese <. então 9 é derivável-B: } 9 Ê ¯B 9. portanto. respectivamente. A única diferença para a definição de derivabilidade que foi dada ( ¯B 9. Além disso. um ramo não contraditório. pelo lema. com a sua raiz J 9 . com vista a um absurdo. reservando as pares para este efeito. 16. e o lema em que se baseia. nos permite obter uma valoração que falsifica 9 e. O lema de Hintikka mostra como construir uma valoração booleana @ que concorda com este ramo e. (ii" ) como (ii). Um tal tableau tem. todo o tableau completo com raiz J 9 é uma derivação à Beth de 9. agora chamados tableaux com hipóteses em D. onde D é um conjunto arbitrário (finito ou infinito) de fórmulas.

ñ Na demonstração do metateorema da validade generalizado (D ¯B 9 Ê D } 9). aplica-se o algoritmo modificado para construir um tableau completo com hipóteses em D e raiz J 9 e utiliza-se a nova versão do Lema de Hintikka. e não as linhas das sequências ou ramificações. p =Ñ Œ J. no enunciado do Lema Básico para tableaux com hipóteses. existe @ que satisfaz todas as hipóteses mas não satisfaz 9 . CÁLCULO PROPOSICIONAL No exemplo da página seguinte escrevemos apenas as entradas da árvore. ñ No Lema de Hintikka. Vale a pena expandir um pouco a discussão sobre a «finitude» das derivações com hipóteses. ß : p <ß .Ñ Z: Z. 0)..116 II. por exemplo. O Lema de König aplica-se tal e qual na demonstração do metateorema dos tableaux contraditórios (pág. do tableau completo X . há que supor que a valoração satisfaz todas as hipóteses. 16. ñ Na demonstração do metateorema de completude semântica generalizado (D } 9 Ê D ¯B 9). e a demonstração prossegue como dantes. que aqui designamos por . para tableaux com hipóteses. Z= Œ Œ. ao concordar com o ramo não contraditório . Os resultados anteriores conducentes às propriedades de validade e de completude semântica estendem-se imediatamente (com as modificações pertinentes) à derivabilidade com hipóteses. uma vez que todas elas são entradas em . Z Ð: p <Ñ Z Ð: p <Ñ J: Z< J: Z< Œ Œ Z Ð. especialmente. o facto de o conjunto D de hipóteses ser infinito.14 Exemplo : ” . ñ Assim. vai necessariamente concordar com todas as hipóteses. tendo em vista. supondo que 9 não é consequência de D. a valoração @ é definida exactamente da mesma maneira e. p = ¯ B < ” =: J Ð< ” =Ñ J< J= Z Ð: ” .

CÁLCULO PROPOSICIONAL 117 Se X œ -8 X8 é um tableau contraditório com hipóteses em D. então. onde cada 53 œ 5Ð3Ñ é ! ou "] e definimos X œ Ö5 À existe @ tal que. para algum 7. então X7 é um tableau contraditório com hipóteses em D. suponhamos que toda a parte finita de D é compatível. Dem. Definimos uma árvore X de sucessões binárias finitas. 16. Reciprocamente.12 e 2.Ð5Ñ. 37 e Nota 29). toda a derivação à Beth com hipóteses em D é um tableau finito. por definição. que lhe dá o nome: (‡ ) D ¯B 9 sse D! ¯B 9 para alguma parte finita D! de D. ver pág. ou © . É claro que (‡‡) resulta imediatamente de (‡) pelos metateoremas de validade e completude semântica para o sistema dos tableaux com hipóteses. . são totalmente ordenadas pela relação de extensão Ÿ . e seja @ a única valoração que estende as valorações parciais determinadas pelos 54 . ou seja. no caso . sse 54 Ð3Ñ œ " para todo 3 Ÿ .13 Metateorema da finitude Da segunda parte deste resultado resulta a propriedade seguinte. No outro sentido ( É ). isto é. Designamos por .Ð5Ñ]. . formam uma cadeia. mas pode ser demonstrado independentemente de várias maneiras. suponhamos que . T œ Ö:3 À 3   !×. isso já força a falsidade de uma <4 [4 Ÿ . é um ramo em X . pelo menos. onde 5 Ÿ T 7 sse 7 é uma extensão de 5 (5 © 7 . Começamos por mostrar que (1) existe um ramo infinito em X sse D é compatível.II.Ð5Ñ œ 5 se 5 œ Ø5"ß ÞÞÞß 55Ù. œ Ø54 À 4   !Ù é um ramo infinito em X .Ð54 Ñ. Se @ é um modelo de D. 5 é uma entrada na árvore X excepto se. Mas este facto só depende dos valores lógicos atribuídos a um número finito de letras proposicionais 84 Não perder de vista que as sucessões binárias finitas que constituem um ramo. o conjunto de todas as sucessões finitas 5 tais que 53 œ 1 sse @Ð:3 Ñ œ ".84 Se @ não fosse modelo de D. Em particular.22): (‡‡) D } 9 sse D! } 9 para alguma parte finita D! de D. Este resultado pode ser encarado como a versão sintáctica do metateorema da compacidade (MC) (ver exercícios 2. existiria <4 − D tal que @Ð<4 Ñ œ !. Quer dizer. Supomos D œ Ö<3 À 3   !×. tal que @Ð:3 Ñ œ " sse 54 Ð3Ñ œ " para algum 4. do (MC). Num sentido (esquerda para a direita) é imediato.Ð5Ñ o comprimento de 5 [. para todo 3 Ÿ . Damos a seguir uma demonstração baseada no Lema de König. @Ð<3 Ñ œ ". isto é. e @Ð:3 Ñ œ " sse 53 œ "×. encarando 5 como uma sucessão de valores lógicos (valoração @) atribuídos aos :3 com 3 Ÿ .Ð5Ñ.

:" . é um método para examinar sistematicamente as possibilidades de uma fórmula dada tomar os valores lógicos ! ou ". logo. buscamos sistematicamente a única ou únicas premissas que podem ter 9 como conclusão. CÁLCULO PROPOSICIONAL [as que ocorrem em <4 — ver exercício 2. D é compatível. também para a validade) baseado numa mecanização. Os sistemas de dedução natural são «progressivos» ou «de cima para baixo».118 II. diversas estratégias «ganhantes» possíveis. pelo Lema de König. As deduções ou derivações no sistema G são sucessões (ou árvores — ver adiante) finitas de itens sequenciais. Nesta secção veremos um método de decisão para a derivabilidade em DN (e. esta é apenas uma das mais simples.17 Outros sistemas dedutivos (II): cálculo de sequentes Na secção anterior vimos um método de decisão para a validade proposicional baseado nos tableaux semânticos.. os quais.. ao fim de um número finito de passos obtemos. Definamos 5 pondo 5Ð3Ñ œ " sse @8 Ð:3 Ñ œ " para 3 Ÿ 8. mas existem. sendo cada sequente uma sucessão finita de fórmulas. da forma 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 (8   "). Então. 106). ou sequentes. por definição de X . visto que só há um número finito de sucessões binárias de comprimento Ÿ 8.è *II. Da definição de X resulta então que nenhuma 5 com comprimento   8 pode estar em X . possui um ramo infinito. Mostramos a seguir que (2) para todo 8. embora as estratégias dedutivas sejam. portanto. Concluindo: por (2). alternativo ao método das tabelas de verdade. . em geral. que permite responder sem ambiguidade a todas as questões do tipo: dada uma linha (fórmula) qualquer de uma dedução. Tal 5 está em X . ou simplesmente por G. diversas maneiras de deduzir correctamente uma fórmula (a partir de hipóteses dadas). Isto contradiz a hipótese de . . e designa-se por GP.3(b)]. no maior grau possível. existe uma sucessão binária 5 em X de comprimento 8.. toda a parte finita de D é compatível. Por (1). ou uma derivação no sistema ou a confirmação de que tal não é possível. O novo sistema dedutivo é um cálculo de sequentes. Sem perda de generalidade. ser um ramo infinito em X . 85 Existem diversas versões. mais tarde ou mais cedo.85 de Gentzen. podemos supor que elas são :! . isto é. que linha ou linhas a devem preceder para que a linha (fórmula) dada seja inferida dessa ou dessas precedentes por uma das regras dadas? Requeremos. do processo dedutivo. @ } D. Por hipótese. além disso. como se disse (pág. neste capítulo. O novo método que vamos apresentar é essencialmente «regressivo» ou «de baixo para cima»: partindo de 9 . Portanto. que este processo regressivo termine sempre. X é infinita. :8 . em particular. para cada 8 existe um modelo @8 de Ö<3 À 3 Ÿ 8×. em larga medida «naturais».

. possivelmente com índices. regras de introdução de conectivos e certas combinações de conectivos. possivelmente vazia. @ >¸? @ Œou > ? . além disso. quando muito. cÐ9 p <Ñß ? Fazemos. somente literais (átomos :3 ou suas negações) podem preceder a fórmula introduzida pela regra. As regras de inferência são de uma das formas > . Este sistema tem as propriedades seguintes: (1) é dedutivamente equivalente a DN. @. REGRAS DE G 9ß ? cc9ß ? 9 ß ? l <ß ? 9 • <ß ? 9 ß <ß ? 9 ” <ß ? c9 ß < ß ? 9 p <ß ? (cc) ( • ) ( ” ) ( p) (c•) (c ” ) (cp) c9 ß c < ß ? cÐ9 • <Ñß ? c9 ß ? l c< ß ? cÐ9 ” <Ñß ? 9 ß ? l c< ß ? . a vírgula ‘ß ’ funciona como uma disjunção disfarçada. . Por comodidade abrevia-se 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 em 9" ß ? ou 9" ß 9# ß ?. ?.II. sendo a premissa ou premissas bem determinadas (a menos de uma permutação).. isto é. as seguintes convenções e restrições: (a) A ordem das fórmulas nas premissas é irrelevante. todas elas. As regras de inferência de G são. (b) a ordem das fórmulas numa conclusão. Gerhard Gentzen (1909-1945) (2) para qualquer sequente @ existe. CÁLCULO PROPOSICIONAL 119 Os sequentes são designados por gregas maiúsculas >. @ A interpretação intencional de um sequente > œ 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é a de que > corresponde a uma disjunção dos 93 . de um sequente. sendo agora ? a parte final.. . com a associatividade já imbuída na própria notação. uma regra de G da qual esse sequente pode ser a conclusão por uma das regras.

cp conforme essa primeira fórmula é da forma cc9. cÐ9 p <Ñ. a regra (cc) pode-se aplicar à premissa :ß . sendo a regra em causa cc. Com estas convenções e restrições fica garantida a propriedade (2) acima. c”. c •. 9 e 10. mas apenas 11. cÐ9 ” <Ñ. Por exemplo. Para se compreender bem a derivação. ”. •. p <Ñ p Ð: ” . mas não : p . e para saber qual a regra e premissa ou premissas para obter @ como conclusão basta inspeccionar @ da esquerda para a direita até se encontrar a primeira fórmula que não é uma literal. como exemplificamos logo a seguir à derivação na vertical.120 II. seguinte apresentamos uma lista de 15 sequentes. Como ilustração de (b). . convém percorrê-la de baixo para cima. correspondentes aos pares de linhas 1 e 2. A árvore não tem 15 nós. 9 • <. ß :p . a configuração «vertical» não é a mais conveniente. respectivamente. CÁLCULO PROPOSICIONAL (c) num sequente (numa premissa ou conclusão) podem omitir-se fórmulas repetidas. ß c: e 9 p <ß c)ß cÐ9 p <Ñ são axiomas. ß . pois juntamos num mesmo nó duas premissas. ß cc:ß . Para esta análise regressiva e. . 4 Ÿ 8). e pode ter como conclusão cc:ß . para a construção de uma derivação (se alguma existe — ver adiante) de baixo para cima. entre outras. . (ii) Uma dedução ou derivação em G é uma sucessão finita de sequentes ?" ß ?# ß ÞÞÞß ?7 (7   "). os sequentes cc:ß . 17. na qual cada ?3 é um axioma ou é inferido de um ou dois sequentes precedentes por uma regra. Na pág. ß cc: nem : p . 7 e 8. tentanto perceber como cada linha (conclusão) determina uma regra e uma ou duas linhas imediatamente acima dela. no sequente c:ß . que constitui uma derivação da fórmula Ð: p <Ñ • Ð. p.1 Definição (i) Um axioma de G é um sequente 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 (8   #) em que algum 93 é uma negação c94 (" Ÿ 3. cÐ9 • <Ñ. (d) uma fórmula é um sequente. ß cc:ß : p . ß c:ß : p < pode-se omitir uma única das ocorrências de “c:”. assinalando com ‘Ax’ os topos que são axiomas. 11 e 12 na derivação vertical. 9 ” <. . Na linha 10 pode-se omitir a fórmula repetida c<. e . 9 p <. até. ß : p . mas sim a configuração em árvore. com a raiz em baixo e os axiomas no topo (nós terminais). Como ilustração de (c). p <Ñ.

p < :ß cÐ: p <Ñß : ” .Ñß < c<ß cÐ: ” . ß c.p <Ñß : ” .Ñß < .p <Ñß : ” . p < Ð: p <Ñ • Ð. Para eliminar completamente esta réstea de indeterminação . ß < Ax Ax Ax :ß .p <ÑÑß : ” . p <Ñ.Ñß < :ß . p < cÐÐ: p <Ñ • Ð. p < cÐ: p <Ñß cÐ. 8 cp 9. p < l :ß c<ß : ” .p <Ñß : ” .Ñß < :ß .Ñß < :ß c<ß cÐ: ” . ß c:ß <l:ß .p <Ñ p Ð: ” . ß c<ß cÐ: ” . pois resta uma margem de arbitrariedade no que diz respeito à ordenação das fórmulas nas premissas. ß c.II. 10 cp 11. ß c<ß cÐ: ” . ß < :ß . à medida que vamos «subindo» na árvore. A forma ou esqueleto desta árvore é As derivações obtidas neste e noutros exemplo (ver exercícios 2. p < c<ß cÐ. 121 Ax Ax :ß . ß c<ß : ” . p < cÐÐ: p <Ñ • Ð. p < c<ß :ß : ” . p <Ñ Axioma Axioma 1. p < c<ß . ß c:ß < :ß . p < . ß : ” . p < c<ß c<ß : ” . ß : ” .p <ÑÑß : ” . p < c<ß cÐ.Ñß < c<ß cÐ: ” .p <Ñ p Ð: ” . ß cÐ: ” . ß : ” . 12 cp 13 c• 14 p. ß cÐ: ” . p < cÐ: p <Ñß cÐ.p <Ñß : ” . p < l :ß cÐ: p <Ñß : ” .Ñß < . 2 c” Axioma Axioma Axioma 3 p 4 p 5 p 6 p 7. p < l c<ß c<ß : ” . CÁLCULO PROPOSICIONAL 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 :ß . p < Ð: p <Ñ • Ð.36) não são ainda inteiramente deterministas.Ñß < :ß c<ß cÐ: ” .

ñ se o sequente não é um axioma e alguma fórmula não é uma literal. Além disso. digamos 95 . que facilmente se converte numa derivação sequencial (linear vertical). que ela é inválida. Se algum topo não for axioma. não há dúvida de que. Sequente dado ?ß cc9ß @ ?ß 9 • <ß @ ?ß cÐ9 • <Ñß @ ?ß 9 ” <ß @ ?ß cÐ9 ” <Ñß @ ?ß 9 p <ß @ ?ß cÐ9 p <Ñß @ Premissas ?ß 9ß @ ?ß 9ß @ ?ß <ß @ ?ß c9ß c<ß @ ?ß 9ß <ß @ ?ß c9ß @ ?ß c<ß @ ?ß c9ß <ß @ ?ß 9ß @ ?ß c<ß @. o peso de uma premissa > œ 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 .2 Algoritmo para a construção de possíveis derivações em G. atendendo à diminuição progressiva dos pesos. que o sequente não é derivável e. até que todos os topos são axiomas ou são sequentes formados por literais. VI. Se todos os topos da árvore assim obtida forem axiomas. para completar o método de decisão. 17. Casos I. aplica-se a cada uma o procedimento acima. III.122 II. o algoritmo pára — este caso será analisado mais adiante. sendo ?. V. agora. premissa ou premissas essas que são escritas por cima do sequente dado. CÁLCULO PROPOSICIONAL descrevemos um algoritmo para a construção de possíveis derivações em forma de árvore. @ possivelmente vazias) e a 3ª coluna contém a premissa ou premissas de que esse sequente é conclusão por uma das 7 regras do sistema. IV. então a árvore é uma derivação no sistema G. a premissa ou premissas são bem determinadas. há uma primeira tal fórmula (contando da esquerda para a direita). e não apenas a menos de uma permutação. pesoÐ>Ñ œ pesoÐ9" Ñ  pesoÐ9# Ñ  â  pesoÐ98 Ñ. . (ver definição de peso no exercício 2. e tal sequente é uma derivação em G. Dado um sequente qualquer 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 (8   ") como raiz: ñ se o sequente é um axioma o algoritmo pára.35. onde a 2ª coluna contém o sequente dado (da forma ?ß 95 ß @. pág. VII. ñ se o sequente não é um axioma mas toda a fórmula do sequente é uma literal (:3 ou c:3 ). que resumimos no quadro seguinte. 153) é sempre menor que o peso da conclusão. conforme a forma de 95 . Obtida a premissa ou premissas. teremos de provar. II. o que tem de acontecer mais tarde ou mais cedo. no caso de ser uma fórmula. Observando o quadro da página seguinte. Há sete casos a considerar.

4 Exemplo Aplicando o algoritmo a Ð: p .3 Relações entre diferentes conceitos de derivabilidade Resumindo. portanto 9 é inválida. Esta é a propriedade de completude semântica do sistema DN. Mostramos. (2) Val © TeorDN : as fórmulas válidas são teoremas lógicos de DN. pesquisando caso a caso. 73-75). obtemos: . (5) TeorG œ TeorDN œ Val. onde cada T3 é literal (:3 ou c:3 ) mas nenhum deles é a negação de um outro. de (3). por (1) e (3). fornece ao mesmo tempo um método de decisão para a derivabilidade em DN. o que é possível atendendo à diminuição sucessiva dos pesos dos sequentes. digamos > œ T" ß T# ß ÞÞÞß T8 . estabelecemos as seguintes relações entre a derivabilidade nos sistemas DN e G e a noção de validade: (1) TeorDN © Val: os teoremas lógicos de DN são válidos. ” <Ñ p Ð. o que prova (3). Em particular. p < ” :Ñ. o que só é possível porque algum topo não é axioma. e se é c:3 dá-se a :3 o valor " — não interessam os valores lógicos dos átomos que não ocorrem no sequente >). também já demonstrada anteriormente (pp. Dizemos que > é inválido. é o objectivo fundamental da concepção do sistema de Gentzen. Mais geralmente. Tal árvore não é uma derivação em G. ao invés. Ora.II. (4) TeorG © TeorDN : as fórmulas deriváveis em G são deriváveis em DN. donde se conclui. Esta é a propriedade de completude semântica do sistema G. 122 até obter uma árvore que não possa prolongar-se mais em nenhum ramo. que se 9 não é derivável em G. verificamos facilmente que se uma premissa (de uma regra de G) é inválida. Esta é a propriedade de validade do sistema DN. Dem. afinal de contas. É então possível definir uma valoração @ nos átomos que falsifique todos os T3 (se T3 é :3 . Pois apliquemos a 9 o algoritmo da pág. todos os sequentes do ramo da árvore que termina em > é formado por sequentes inválidos. dá-se a :3 o valor !. então a conclusão é inválida. via G e (3). A última igualdade já fora estabelecida anteriormente [por (1) e (2)]. 76-78). o que. Deste modo. mas a maneira como agora é estabelecida [de maneira alternativa e independente de (2)]. (3) Val © TeorG : as fórmulas válidas são deriváveis em G. que demonstramos a seguir. já demonstrada anteriormente (pp.è 17. CÁLCULO PROPOSICIONAL 123 17. Será demonstrado directamente. então 9 não é válida. um sequente 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é inválido sse existe uma valoração que falsifica todas as fórmulas (o que está de acordo com o considerar-se a vírgula ‘ß ’ como uma disjunção disfarçada).

Quanto a (4). Por exemplo. mas não é disjunção de Ö9" ß 9# ß 9$ ×. A tradução óbvia é numa disjunção dos 93 . ” <Ñ p Ð.124 II. cuja demonstração deixamos para o exercício 2. ß . p < ” : cÐ: p . (ii) se <. não interessa qual. são inválidos: basta definir @ pondo @Ð. p < ” : l cÐ. ß <ß : c<ß c. p < ” : l c<ß .5 Definição Chama-se disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 × a qualquer fórmula construída de acordo com as seguintes regras: (i) cada 93 é uma disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. que é confirmar que o topo assinalado e. portanto. p < ” : Ð: p . p < ” : :ß . e não se completou o ramo à esquerda por ser desnecessário fazê-lo para o fim em vista. ß <ß : c. Mas precisamos. mas não reciprocamente. de saber traduzir sequentes > œ 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 em fórmulas de _! . o procedimento indicado seria por indução no comprimento das deduções (configuração linear vertical) de 9 em G. ß < ” : c<ß c. Com Ð‡Ñ assinala-se um topo que não é axioma mas não se pode prolongar mais. ” <Ñß . ” <Ñß . todos os sequentes por baixo dele. mas para justificar isso há que recorrer à associatividade generalizada da disjunção em DN. ou outra. ) são disjunções sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. então Ð< ” )Ñ é uma disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. ß < ” : ã c. Necessitamos do seguinte resultado. Podíamos simplesmente adoptar a convenção de escrita de associação da direita para a esquerda (pág. pois falta uma ocorrência de 9$ . Analogamente para as conjunções. ß c. 17. ß c. Note-se que toda a disjunção de é uma disjunção sobre. Chama-se disjunção de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 × a qualquer disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 × que não seja uma disjunção sobre nenhum subconjunto próprio de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. p < ” :Ñ. Ð9# ” 9" Ñ ” 9# é uma disjunção sobre Ö9" ß 9# ß 9$ ×. 48 e Nota 72). CÁLCULO PROPOSICIONAL Ð‡Ñ Ax c. mas qual? Na realidade. @Ð<Ñ œ @Ð:Ñ œ !. até à raiz. mas não se ganharia grande coisa com isso. antes de mais.38: .Ñ œ ".

um para cada regra de G. ver pág. Ora. e cada uma das premissas (a menos de permutação) (a) <w ß 9# ß ÞÞÞß 98 . CÁLCULO PROPOSICIONAL 125 17. (b) <ww ß 9# ß ÞÞÞß 98 possui derivações de comprimento Ÿ 5 . deixando os restantes como exercícios.ª forma.è Nas condições deste enunciado.6 Metateorema da subdisjunção (MSD) Se < é uma disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 × e ) é uma disjunção de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é obtido pela regra •. Podemos então prosseguir com a demonstração de (4). logo ¯DN ) . respectivamente. digamos que 93 œ c94 . Caso II. (i) 5 œ ": 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é um axioma. Lidamos apenas com este último e dois dos primeiros sete. (ii) Suponhamos (hip. 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é um axioma. Por indução completa (2. mas esta propriedade resulta imediatamente do seguinte 17.II. Quer dizer que 9" é da forma <w • <ww .7 Metateorema Se o sequente 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é derivável em G e ) é uma disjunção de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. Ora 94 ” c94 é uma lei lógica (3º excluído) de DN. então ¯DN ). Caso 0. Há oito casos a considerar. e. por hipótese de indução. Podemos obter do . Dem. e mais um para os axiomas. (aw ) ¯DN <w ” $ e (bw ) ¯DN <ww ” $ . Seja $ uma disjunção qualquer de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. então <w ” $ e <ww ” $ são disjunções de (a) e (b). e que 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é derivável em 5  " linhas. 74) no comprimento 5 das deduções do sequente 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 em G. e é uma subdisjunção de ) ..ß 98 ×. em todo o caso interderivável com Ð<w • <ww Ñ ” $ pelo (MSD). ) é Ð<w • <ww Ñ ” $ ou alguma outra disjunção de Ö<w • <ww ß 9" ß 9# ß .. de indução) que a propriedade a demonstrar é verdadeira para todas derivações com Ÿ 5 linhas. Trata-se como em (i). então < ¯DN ). < diz-se uma subdisjunção de ) .

e usando estas duas é fácil obter ¯DN Ð<w ” <ww Ñ p $ (exercício). Então 9" é da forma cÐ<w ” <ww Ñ. 67]. pág. respectivamente. enquanto os de Gentzen mecanizam em maior grau o processo dedutivo e se prestam melhor a uma análise estrutural das deduções em si mesmas (tópico predilecto da chamada teoria da demonstração).18 Outros sistemas dedutivos (III): axiomatização à Hilbert Os sistemas de dedução natural. pretendem «modelar» de maneira natural os raciocínios lógicos. Seja $ como anteriormente. por uma conhecida lei de conversão [(42). mais do que quaisquer outros. 4-6. pela mesma lei de conversão. (c) c<ww ß 9# ß ÞÞÞß 98 possui derivações de comprimento Ÿ 5 . Por outro lado. (cww ) ¯DN <w p $ e (dww ) ¯DN <ww p $ .. e ) é cÐ<w ” <ww Ñ ” $ ou uma outra disjunção de ÖcÐ<w ” <ww Ñß 9" ß 9# ß . na medida em que se procura essencialmente refutar determinada fórmula ou consequência. 7-8 ( ”  ) [H# ] 10 ( ”  ) 1..126 seguinte modo uma dedução de ) em DN: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 ã 12 + 7 <w ” $ <w <ww ” $ <ww <w • <ww Ð<w • <ww Ñ ” $ $ Ð<w • <ww Ñ ” $ Ð<w • <ww Ñ ” $ $ Ð<w • <ww Ñ ” $ Ð<w • <ww Ñ ” $ ã ) II. sistemas como o dos tableaux semânticos de Beth e os sistemas de resolução (secção seguinte) são sistemas refutacionais. 4 ( •  ) 5 ( ”) [Hw# ] 7 ( ”) 3. . 10-11 ( ”  ) (T ) de 12. Caso V. Podemos obter do seguinte modo uma dedução de ) em DN: de (cw ) e (dw ) obtemos. em todo o caso interderivável com cÐ<w ” <ww Ñ ” $ pelo (MSD). ou seja. 2-9. Por hipótese de indução. 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é obtido pela regra c”.è *II.ß 98 ×. pelo (MSD). ¯DN cÐ<w ” <ww Ñ ” $ . (cw ) ¯DN c<w ” $ e (dw ) ¯DN c<ww ” $ . CÁLCULO PROPOSICIONAL (T ) (aw ) [H" ] (T ) (bw ) [Hw" ] 2. e cada uma das premissas (ou uma sua permutação) (c) c<w ß 9# ß ÞÞÞß 98 .

São conhecidas muitas axiomatizações à Hilbert para a lógica proposicional clássica. e 9 ” < abrevia c9 p <.1 Axiomas e regras proposicionais de H As fórmulas e regras de uma das formas seguintes são os axiomas e regras do sistema H: (H" ) 9 p Ð< p 9Ñ. de completude semântica. :! p Ð:" p :! Ñ. 86 87 . Uma axiomatização à Hilbert consta tipicamente de um certo número de axiomas (numa linguagem com o mínimo possível de primitivos) e de um pequeno número de regras de inferência. É claro que na definição de fórmula (p. 35. Fiéis à economia de meios que pervade as axiomatizações à Hilbert. Russell e Whitehead. XX. e caracterizam-se pela economia de meios. e como definidos • e ” e o p [9 • < abrevia cÐ9 p c<Ñ. por terem sido preferidos por Hilbert e a sua escola nos estudos de fundamentos nos anos vinte do século passado. 48) só se retém. por um lado.II. Pode não parecer à vista descuidada. todos estes sistemas. nomeadamente por Frege. Designamos por H o sistema dedutivo com os axiomas e regras seguintes86: 18. mas um número finito de esquemas de axiomas: por exemplo. de modo a garantir a propriedade de validade e a consistência do sistema e. consideramos como primitivos somente c e p . conforme a lista dos conectivos adoptados como primitivos e as listas de axiomas e regras. em F$ . mas a lista compreende uma infinidade de axiomas.87 Regra de inferência modus ponens (MP): 9ß 9 p < . Estes sistemas constituem axiomatizações da lógica num sentido tradicional. e são conhecidos genericamente por axiomatizações à Hilbert. O insucesso da tentativa de refutação corresponde à busta do sucesso da derivação nos anteriores sistemas. mas. p. em compensação. :" p Ð:" p :" Ñ. Lukasiewicz e outros. a parte respeitante a p . < A deribabilidade e a derivabilidade com hipóteses neste sistema definem-se como é de esperar: Este sistema é designado por L em MENDELSON. dificulta e artificializa o processo dedutivo em si mesmo. é claro também. de que são casos (axiomas) particulares as fórmulas :! p Ð:! p :! Ñ. mas em todas elas os axiomas são fórmulas válidas e as regras são válidas. concebidos com características e objectivos específicos em mente. são de génese mais recente do que os primeiros sistemas dedutivos para a lógica concebidos no final do séc. (H$ ) Ðc9 p c<Ñ p ÐÐc9 p <Ñ p 9Ñ. etc. CÁLCULO PROPOSICIONAL 127 no sentido de estabelecer que ela é incompatível. :" p Ð:! p :" Ñ. XIX e princípios do séc. o que. sob o esquema (H" ) estão compreendidas todas as fórmulas de _! da forma 9 p Ð< p 9Ñ. (H2 ) ÐÐ9 p Ð< p )ÑÑ p ÐÐ9 p <Ñ p Ð9 p )ÑÑ. o define-se à custa de p e p • pelo modo habitual]. Todavia. facilita grandemente os estudos metateóricos. são escolhidos de modo a garantir a propriedade recíproca.

uma tal sucessão é uma derivação (ou dedução) de 9 com hipóteses em > (ou: a partir de >). uma tal sucessão é uma derivação ou dedução de 9.2 Exemplos (1) ¯H 9 p 9 (lei da identidade). Deduzimos : p :. 5  3) pela regra (MP). (2) c< ¯H Ðc9 p <Ñ p 9 1 2 3 4 5 c< c< p Ðc9 p c<Ñ c9 p c < Ðc9 p c<Ñ p ÐÐc9 p <Ñ p 9Ñ Ðc9 p <Ñ p 9 Hip. (H# ) 1. o facto de todas as derivações serem sucessões finitas de fórmulas implica logo a propriedade de finitude: (PF) > ¯H 9 sse existe uma parte finita >! de > tal que >! ¯H 9 . os axiomas são trivialmente deriváveis. ou que é derivável de >. e a derivabilidade é um caso particular da derivabilidade com hipóteses. > ¯H 9 sse existe uma sucessão finita de fórmulas 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 (8   "). ou é uma hipótese (em >). para obter uma dedução de 9 p 9. pelo menos em comparação com as deduções em DN. Mas alguma coisa se pode fazer no sentido de facilitar o trabalho dedutivo. Se ¯H 9. ñ se > é um conjunto de fórmulas (finito ou infinito). (H" ) Ax. (H" ) 3. dizemos que 9 é derivável (em H). um teorema lógico ou uma lei lógica. qualquer que seja o conjunto >. todo o teorema lógico é um teorema de >. 4 (MP). 5  3) pela regra (MP). qualquer que seja 9. através de regras derivadas (tal como se fez para DN). Como se vê pelas definições. ou simplesmente que é um teorema de >. (H# ) 1. a última das quais é 9. O primeiro e mais importante passo nesse . ou é inferida de duas fórmulas precedentes 94 . a última das quais é 9. CÁLCULO PROPOSICIONAL ñ ¯H 9 sse existe uma sucessão finita de fórmulas 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 (8   "). tal que cada 93 com 3 Ÿ 8 é um axioma. Por estes exemplos já se vê como são «artificiais» as deduções no sistema H. Além disso. 95 (4. 18. tal que cada 93 com 3 Ÿ 8 é um axioma ou é inferida de duas fórmulas precedentes 94 . e se > ¯H 9 dizemos que 9 é um teorema com hipóteses em >.128 II. quando o conjunto de hipóteses é > œ g. Por outro lado. é só substituir em toda a parte “:” por “9”: 1 2 3 4 5 : p ÐÐ: p :Ñ p :Ñ Ð: p ÐÐ: p :Ñ p :ÑÑ p ÐÐ: p Ð: p :ÑÑ p Ð: p :ÑÑ ÐÐ: p Ð: p :ÑÑ p Ð: p :ÑÑ : p Ð: p :Ñ :p: Ax. nomeadamente. 4 (MP). 2 (MP) Ax. 95 (4. 2 (MP) (H$ ) 3.

Acontece. . .3 Metateorema da dedução (MD. 93 é 9 . Neste caso inserimos as duas fórmulas seguintes 93 ß 93 p Ð9 p 93 Ñ imediatamente antes de 9 p 93 . no sistema de dedução natural. ( p ).. (>) { i ã m 9 p 9" 9 p 93 9 p 97 m+2 9 p 97 1 ã i { i+1 i+2 9 p 9" 93 93 p Ð9 p 93 Ñ 9 p 93 Hip. e podemos supor. i+1 (MP) Caso 2.II. Caso 3. que inserindo mais algumas fórmulas nos locais apropriados se obtém uma tal derivação. e é claro que esta é inferida daquelas duas por (MP).. que corresponde à regra de introdução de p . vários casos a considerar: Caso 1. 18. sendo a segunda delas um axioma (H" ). então > ¯H 9 p <. 93 é uma hipótese em >. mas. Há. Dem. Esquematicamente. porém. portanto. Neste caso inserimos imediatamente antes de 9 p 93 œ 9 p 9 as quatro primeiras linhas da dedução de 9 p 9 . sem perda de generalidade. as transformações efectuadas foram: 1 ã i ã m 9" 93 97 1 ã Hip.. 93 é um axioma — trata-se de maneira análoga à do caso 1. Mostraremos como transformar toda a derivação de < com hipóteses em >  Ö9× numa derivação de 9 p < com hipóteses em >. a qual não é. um número finito delas [pela propriedade de finitude (PF)]. 1930) Se >  Ö9× ¯H <. que esta fórmula não está em > (caso 1). e analogamente para as fórmulas de >. Em seguida forme-se a sucessão (‡‡) 9 p 9" ß ÞÞÞß 9 p 97" ß 9 p 97 . embora a última fórmula seja a pretendida. 7. uma derivação de 9 p < com hipóteses em >. 9 pode estar ou não entre os 93 (" Ÿ 3 Ÿ 7). (>) (H" ) i. as fórmulas a inserir antes de 9 p 93 dependem da justificação de 93 na derivação (‡). Para cada 3 œ ". quando muito. Pois seja (‡ ) 9" ß ÞÞÞß 97" ß 97 uma derivação qualquer de < œ 97 com hipóteses em >  Ö9×. CÁLCULO PROPOSICIONAL 129 sentido é o resultado seguinte. em geral. como no exemplo 1 acima (com “9” no lugar de “:”). Herbrand-Tarski.

a seguir à actual segunda. portanto. sem necessidade de fazer qualquer derivação adicional. (4) O (MD) facilita enormemente o processo dedutivo de fórmulas condicionais. 9 p Ð< p )Ñ ¯H < p Ð9 p )Ñ.è 18.4 Exemplos (3) Como exemplo de aplicação. CÁLCULO PROPOSICIONAL Caso 4. finalmente. [exercício deveras simples. (6) ¯H cc9 p 9 (lei de eliminação da dupla negação). obtemos sucessivamente. exactamente as mesmas que as hipóteses de > utilizadas em (‡). começando por estabelecer (4a) 9 p Ð< p )Ñß <ß 9 ¯H ). Fazemos uma derivação abreviada. a teses anteriormente derivada de duas fórmulas precedentes. 4 (5a). Sem estes recursos teríamos de «encaixar» no seio da derivação seguinte mais quatro linhas a seguir à primeira e. correspondentes a (4b) e a (5a) acima. uma dedução de 9 p < com hipóteses em >. inserir tantas quantas as necessárias correspondentes a (4b): 1 2 3 4 5 Ðc9 p cc9Ñ p ÐÐc9 p c9Ñ p 9Ñ c9 p c 9 Ðc9 p cc9Ñ p 9 cc9 p Ðc9 p cc9Ñ cc9 p 9 (H$ ) (1) [com “9” em vez de “:”] 1. recorrendo num certo passo à lei da identidade (1) anteriormente estabelecida e. Deixamos os pormenores como exercício. 95 por (MP).130 II. donde (5a) 9 p <ß < p ) ¯H 9 p ) (silogismo hipotético). (5) 9 p <ß < p )ß 9 ¯H ) (exercício). noutros passos. 2 (4b) (H" ) 3. a lei de permutação dos antecedentes (4d) ¯H Ð9 p Ð< p )ÑÑ p Ð< p Ð9 p )ÑÑ. que só utiliza a regra (MP)]. e. Por exemplo. utilizando o exemplo 2 acima podemos concluir imediatamente que ¯H c< p ÐÐc9 p <Ñ p 9Ñ. (4b) (4c) 9 p Ð< p )Ñß < ¯H 9 p ) . . por (MD). Obtemos. 93 é inferida de duas fórmulas precedentes 94 .

2 T+ (5a) T+ (7) 1. Hip. por (MD). omitindo as referências às «dependências de hipóteses». 2 (MP) (H" ) 3. 5 (MP). (H# ) e (MD)]. 2 T+ (7) T+ (3) 3. aplicaremos o princípio todas as vezes que for conveniente.II. A justificação deste princípio no presente sistema é exactamente a mesma que foi aí dada e acima exemplificada duas vezes. c< p c9 9 cc9 cc9 p ÐÐc< p c9Ñ p <Ñ Ðc< p c9Ñ p < < Hip. (8) c9 ß 9 ¯H < [exercício: use (H" ). 4 T+ (5a). c< p c9 ¯H 9 p <. ¯H c9 p Ð9 p <Ñ. (7) ¯H 9 p cc9 (lei de introdução da dupla negação): 1 2 3 4 5 Ðccc9 p c9Ñ p ÐÐccc p 9Ñ p cc9Ñ ccc9 p c9 Ðccc9 p 9Ñ p cc9 9 p Ðccc9 p 9Ñ 9 p cc9 (H$ ) T+ (6) 1. T+ (6) 1. assim. o comprimento das derivações. Todavia. para o que basta mostrar que 9 p < ß 9 p c< ¯H c9. 63). mas escusamos fazê-lo. . CÁLCULO PROPOSICIONAL 131 O leitor reconhece nos expedientes utilizados nesta derivação abreviada uma situação descrita anteriormente no sistema DN: o Princípio da Introdução de Teses (T+ ) (p. (9a) (10) 9 p < ¯H c< p c9: 1 2 3 4 5 6 9p< cc9 p 9 cc9 p < < p cc< cc9 p cc< c< p c9 Hip. (11) ¯H Ð9 p <Ñ p ÐÐ9 p c<Ñ p c9Ñ. 9 ¯H <: 1 2 3 4 5 6 Então. 2 T+ (5a) 5 T+ (9a). donde (8a) (9) c< p c9. O seu enunciado até se pode simplificar um pouco. abreviando. 4 (MP) 1.

pois mostra como construir efectivamente uma derivação a partir de uma derivação dada. < 88 No sistema original de Kleene a numeração dos axiomas é ligeiramente diferente. CÁLCULO PROPOSICIONAL Ora. (i). além de facilitar a comparação com outros sistemas com estes primitivos e. (K%a ) 9 • < p 9. (K&a ) 9 p 9 ” <.88 (K3 ) 9 p Ð< p 9 • <Ñ. (K( ) Ð9 p <Ñ p ÐÐ9 p c<Ñ p c9Ñ. (13) ¯H Ð9 p <Ñ p ÐÐc9 p <Ñ p <Ñ: exercício. (K2 ) ÐÐ9 p Ð< p )ÑÑ p ÐÐ9 p <Ñ p Ð9 p )ÑÑ. para as transformações a efectuar. (12) ¯H 9 p Ðc< p cÐ9 p <ÑÑ: exercício. p. como se pretendia. e em vez dos axiomas (K# ) = (H# Ñ encontramos Ð9 p <Ñ p ÐÐ9 p Ð< p )ÑÑ p Ð9 p )ÑÑ. a qual também se deriva sem dificuldade no sistema K. a diferença não é essencial. (K%b ) 9 • < p <. que designamos por K. (K&b ) < p 9 ” <. Uma observação importante a respeito da demonstração do metateorema da dedução (MD) é que. até. apenas são necessários os axiomas (H" ) e (H2 ). a primeira hipótese 9 p < e o silogismo hipotético (5a) resulta (i) cc9 p <. analogamente.5 Axiomas e regras proposicionais de K As fórmulas e regras de uma das formas seguintes são os axiomas e regras do sistema K: (K" ) 9 p Ð< p 9Ñ. pelo menos. devido essencialmente a S. (K) ) cc9 p 9Þ Regra de inferência modus ponens (MP) 9ß 9 p < . resulta (ii) cc9 p <. com sistemas com outros primitivos. usando o axioma (H$ ). a demonstração é construtiva. Como se disse. Isto significa que o (MD) é válido para diversos subsistemas de H (nomeadamente. Além disso. nos primitivos c. o que. usando agora a segunda hipótese. como H. Kleene (1952). • e ” . (ii) e a regra (MP). em virtude da lei de permutação dos antecedentes do exemplo (4).132 II. contem (H" ) e (H2 ) entre os seus axiomas e a regra (MP). e a regra (MP). obtemos c9. . Um exemplo paradigmático do que acabamos de dizer é o sistema seguinte. duas vezes.C. pela lei (6) cc9 p 9 . 18. (K' ) Ð9 p )Ñ p ÐÐ< p )Ñ p Ð9 ” < p )ÑÑ. para o da lógica proposicional sem negação) e para subsistemas de sistemas que sejam variantes de H ou que.

KM . A propriedade recíproca do metateorema da dedução. Os exemplos (1)-(13) acima. 48) e às propriedades da p conjunção. m. por exemplo.40. é conveniente dispor de algumas propriedades adicionais da relação de derivabilidade em K. o tratamento do bicondicional (o ) reduz-se à sua definição (pág. obtemos cc9.. em > 9p< 9 < Hip. nos primitivos c. 9# . eliminando a dupla negação. 9# . A propriedade recíproca desta também vale. V). 61. pelo menos. clássica mas não intuicionisticamente válido. reside nos axiomas (K( ) e (K) ). 89 Esta lei justifica a versão forte do método de redução ao absudo. p. (‡ ) se > ¯K 9 p <.. c9 p < ¯K 9: a partir das duas hipóteses. p. • e ” (ver final do Cap. a qual já é intuicionisticamente válido. 98 ¯K < Ö 9" . m m+1 m+2 Para facilitar a comparação de K com DN e não só. ...II.. juntar simplesmente (K$ )-(K' ) a (H" )-(H# )] é a seguinte: mediante a omissão de um único axioma. e na presença dos dois primeiros. e daqui são 9. serão suficientes para convencer o leitor de que o sistema H é. Abreviamos >  Ö9× em >ß 9 e ¯K em ¯ . pelo facto de as listas de primitivos serem diferentes também). a nota 53. então >  Ö9× ¯K <. CÁLCULO PROPOSICIONAL 133 A diferença mais significativa relativamente ao sistema H (descurando as diferenças mais óbvias. os quais. pois basta acrescentar duas linhas a uma dedução de 9 p < com hipóteses em > para obter uma dedução de < com hipóteses em >  Ö9×: 1 ã Hip. grosso modo. Para mais pormenores veja-se o capítulo V e. Tal como em DN. tão forte como o sistema K: 9" . . é muito simples de provar (em H e em K). juntamente com os exercícios 2. ¯K Ðc9 p c<Ñ p ÐÐc9 p <Ñ p 9Ñ. obtém-se uma axiomatização da lógica proposicional intuicionista. em particular.89 para o que basta mostrar que c9 p c<. 98 ¯H <. Para isso. isto é. duas vezes.. limitamo-nos a mostrar que ¯K (H$ ). (K) ). m+1 (MP). utilizando (K( ) Ðc9 p <Ñ p ÐÐc9 p c<Ñ p cc9Ñ e (MP). enquanto (K( ) é a versão fraca do referido método. . que podemos encarar como propriedades de introdução e de eliminação dos conectivos. possuem uma força dedutiva equivalente ao axioma (H$ ). A razão fundamental para a escolha por Kleene destas axiomas [em vez de.

< ¯ 9 ” <. 9 • < ¯ <. passando pelos metateoremas da validade e da completude semântica para um ou outro dos . utilizando os axiomas (K( ) e a regra (MP).è As propriedades acima desempenham o papel de regras derivadas e algumas podem. (Io ): 9 p <ß < p 9 ¯ 9 o <. etc. (Ec): tem-se. donde. obtém-se > ¯ 9 ” < p ). duas vezes. obtém-se > ¯ c9. As justificações são. (I • ): 9ß < ¯ 9 • <. e a indirecta. (Ic): supondo >ß 9 ¯ < e >ß 9 ¯ c<. p p p Dem. pelo metateorema da dedução vem > ¯ 9 p ) e > ¯ < p ) . (E ” ): supondo >ß 9 ¯ ) e >ß < ¯ ). pelo metateorema da dedução vem > ¯ 9 p < e > ¯ 9 p c<. utilizando os axiomas (K' ) e (MP). 9•< < Tratamos de seguida da relação entre K e DN. (Eo ): 9 o < ¯ 9 p <. 9ß c9ß c< ¯ 9 e 9ß c9ß c< ¯ c9 . Como ilustração.6 Metateorema (Introdução e eliminação dos conectivos) (a) Introdução dos conectivos: (I p) = (MD): >ß 9 ¯ < Ê > ¯ 9 p <. Não é difícil prever que TeorK œ TeorDN . e como cc< ¯ <. por (‡) acima. por (Ecc). na maioria. (E • ): 9 • < ¯ 9. Para chegar a este resultado há duas vias. a directa (mostrando que para qualquer fórmula 9 se tem ¯ K 9 × ¯ DN 9). vem 9ß c9 ¯ <. ser formuladas como tal. é claro. CÁLCULO PROPOSICIONAL 18. donde 9ß c9 ¯ cc<. justificamos (Ic). (Ic) = (RA*): >ß 9 ¯ < e >ß 9 ¯ c< Ê > ¯ c9. e finalmente >ß 9 ” < ¯ ) . (E ” ): >ß 9 ¯ ) e >ß < ¯ ) Ê >ß 9 ” < ¯ ) . p p (b) Eliminação dos conectivos: (E p) = (MP): 9ß 9 p < ¯ <. (Ecc): cc9 ¯ 9. donde. por (Ic). (Ec) = ( ¼ ): 9ß c9 ¯ <. 9 o < ¯ < p 9 . por exemplo (I • ) 9ß < 9ß c9 . (Ec) = ( ¼ ) . imediatas. (E ” ) e (Ec).134 II. (I ” ): 9 ¯ 9 ” <. trivialmente.

9 • 9 µ 9. Os sistemas de dedução natural. 9w œ 9Ò5# Ó resulta de 9 substituindo uma ou mais ocorrências de 5" pela fórmula 5# . os sistemas à Hilbert são ineficazes na busca. O método dedutivo chamado resolução é o sistema mais eficiente para a lógica proposicional. 9 • Ð< ” c < Ñ µ 9 .13. então 9" µ 9$ . por exemplo. aliás. (2) a transitividade da relação de equivalência lógica: se 9" µ 9# e 9# µ 9$ . algumas semelhanças. depende de certos conhecimentos e propriedades. e outras equivalências lógicas como 9 ” 9 µ 9. reproduzido em SIECKMANN & WRIGHTSON (onde também se reproduzem outros trabalhos seminais sobre a demonstração automática). . a fórmulas na FNC. atendendo a que os axiomas de K são válidos e a regra (MP) é válida. CÁLCULO PROPOSICIONAL sistemas. mas perdem eficiência na lógica de primeira ordem.19 Outros sistemas dedutivos (IV): resolução Uma propriedade desejável de um sistema dedutivo é a facilidade de mecanizar eficientemente a busca de derivações. 9 ” Ð < • c < Ñ µ 9 . com o qual tem. Um tal procedimento algoritmico. incluindo as referentes às leis de De Morgan. e 5" µ 5# . 12 (1965). *II. A. cc9 µ 9. 23-41. Diferentes sistemas satisfazem este requisito de diferentes maneiras.90 O método de resolução só se aplica. tal como o dos tableaux de Beth. às leis associativas. porém. Foi concebido em 1963 pelo lógico americano J. comutativas e distributivas. É um método refutacional. TeorK © Val © TeorK . Robinson. ACM. dos tableaux ou de Gentzen são bastante bons para a lógica proposicional. (3) a propriedade de substituição de equivalentes: se 5" é uma subfórmula de 9 œ 9Ò5" Ó. 90 “A Machine oriented logic based on the resolution principal”. então 9 µ 9w . pelo que é conveniente conhecer técnicas para obter fórmulas logicamente equivalentes na FNC mais expeditas do que a exposta em II. que descrevemos mais adiante. A segunda inclusão (na versão generalizada) demonstra-se exactamente como para DN (pp. J. e está no cerne de muitas aplicações da lógica às ciências da computação. e é particularmente vantajoso na lógica de primeira ordem.II. 76-78 e exercícios respectivos). nele se baseando a linguagem PROLOG. 135 A primeira inclusão é simples de estabelecer por indução no comprimento das deduções. como: (1) Equivalências lógicas diversas. Deixamos os pormenores ao cuidado do leitor. Num extremo. pp.

Ñ ” :Ñ • ÐÐc: • c. simplificar as duplas negações cc:3 . p < µ c. quer dizer.Ñ ” cÐc: ” c.Ñ ” Ðcc: • cc. Aplicar as leis distributivas (1). Etapas do algoritmo: 1. com o bicondicional definido o ) obter p 9w tal que 9w está na FNC e 9w µ 9 (ver quadro seguinte). p <ÑÑ. A propriedade (3) pode-se demonstrar facilmente por indução na complexidade das fórmulas. Exemplo de aplicação a 9: Nada a fazer a 9 nesta etapa. p e. Ao mesmo tempo que descrevemos o algoritmo de conversão na FNC. p cÐ.ÑÑ • < µ ÐÐc: • c. mas na chamada forma clausural. 4. Regressar às etapas 3 e 4 tantas vezes quantas necessárias.Ñ • <. CÁLCULO PROPOSICIONAL 9 œ 9Ò. ” <ÑÑ µ 9. dada 9 ao arbítrio (na linguagem com primitivos c. aplicamo-lo à fórmula 9 œ cÐÐ: ” . ” <Ó œ : ” Ð. utilizando a propriedade de substituição (4).ÑÑ • <.ÑÑ • < µ ÐÐÐc: • c. Mover as negações para junto das fórmulas atómicas (letras proposicionais) utilizando as leis de De Morgan (1). 5. ” . p <Ó œ : ” Ð. as iteradas :3 • :3 e :3 ” :3 e eliminar :3 • c:3 e :3 ” c:3 .Ñ • • Ðc. Juntar as literais dos mesmos átomos utilizando as leis associativas e comutativas. de II. • . O algoritmo consiste em instruções para.Ñ ” .Ñ ” Ð: • . 9 µ ÐcÐ: ” . p cÐc.Ñ • < µ Ðc: ” . resulta 9w œ 9Òc. até obter uma equivalente a 9 na FNC. conforme as equivalências lógicas (1). Substituir toda a subfórmula de 9 da forma 5 p ) por c5 ” ). 2.Ñ • Ðc: ” c. e 5 o ) por p Ðc5 ” )Ñ • Ðc) ” 5 Ñ. possivelmente.Ñ • Ðc: ” . ” . 3.ÑÑ • < µ ÐÐc: • c.ÑÑ • < µ Ðc: ” :Ñ • Ðc. pois .136 Por exemplo. ” <. Para aplicar o método de resolução é conveniente apresentar as fómulas não na FNC usual (conjunção de disjunções de literais) 9 œ ÐT"" ” â ” T"58 Ñ • ÐT#" ” â ” T#58 Ñ • â • ÐT8" ” â ” T858 Ñ. ” :Ñ • Ðc: ” . como um conjunto de conjuntos de literais .

ß :×ß Öc:ß . admitiremos que existe uma cláusula nula (ou vazia). o que é impossível. Note-se o papel diferenciado da vírgula ‘ß ’ separando as literais dentro das cláusulas — correspondente a ‘ ” ’ — e separando as cláusulas dentro da forma clausural — como se fosse ‘ • ’. @< cláusulas G" œ Öc.m p :" ” â ” :5 .Ñ • < tem a forma clausural 9 œ V9 œ ÖÖc. s satisfaz todas as fórmulas de g.92 É claro. pelas leis de De Morgan. 3 œ ".. uma fórmula 9 − g que não era satisfeita por s. ß :×.91 Por virtude desta convenção.m . @ . então. pois não deixamos de interpretar (e qualquer outra cláusula) como «verdadeira» quando e só quando uma. um modelo. por abuso. G8 . 19.. ” :Ñ • Ðc: ” . Por razões técnicas. comutativas e de conversão. 137 o qual. pois satisfaz as três @ @: @. 19." • â • . 91 Queremos assim. designada por . s tal que s œ s œ s œ " satisfaz V9 . Uma forma clausural V é compatível sse V tem. por vezes também designamos por 9. . a qual é incompatível. Por exemplo. 92 Na realidade. G# œ Öc:ß . 9 œ Ðc.4 ’s são átomos. caso contrário existiria. ..II. que qualquer forma clausural V contendo é incompatível. No exemplo acima. Cada membro ÖT3" ß ÞÞÞß T358 ×. e dizemos que s satisfaz a forma clausural @ V œ ÖG" ß ÞÞÞß G8 × sse s satisfaz todas as cláusulas G" .×ß Ö<××. sse @ satisfaz a disjunção T3" ” â ” T358 ). portanto." ” â ” c. por convenção. para qualquer s.. pelo menos. não devemos confundir com o conjunto vazio de literais. onde os :3 ’s e os .2 Notações da «programação em lógica» Em várias versões do PROLOG e da «Programação em lógica» são comuns a terminologia e as notações seguintes: Se 9 é da forma :" ” â ” :5 ” c...×. g. CÁLCULO PROPOSICIONAL V9 œ ÖÖT"" ß ÞÞÞß T"58 ×ß ÖT#" ß ÞÞÞß T#58 ×ß ÞÞÞß ÖT8" ß ÞÞÞß T858 ××. pelo menos. pois nenhuma valoração booleana satisfaz . 9 µ :" ” â ” :5 ” cÐ. já que este é trivialmente compatível. 8 desta forma clausural é chamado uma cláusula." • â • . @ @ pelo menos.1 Definição Dizemos que uma valoração booleana s satisfaz (ou é modelo @ @ de) uma cláusula G3 œ ÖT3" ß ÞÞÞß T358 × sse s satisfaz alguma literal T34 (isto é. das literais em é verdadeira (como se continuasse a ser uma disjunção aos nossos olhos). G$ œ Ö<×.m Ñ µ .

é «falso» ou fracassou.138 sendo todavia mais comum a escrita sinónima (1) II. o objectivo falhou ou fracassou.. para estabelecer :" . no caso contrário. (que se lê e significa intencionalmente: «:" ou â ou :5 se . uma cláusula de Horn. de .." .m — primeiro o corpo. . que os lógicos informáticos abreviam em (2) Com 5 œ ". V. onde as cláusulas que constituem V representam informação sobre as relações entre as cláusulas. m . uma abreviatura de :" o .m ..." ß ÞÞÞß ." . se . devemos primeiro estabelecer . proveniente de uma fórmula de Horn (p.m ×." ß ÞÞÞß . e depois. isto pode significar ter uma derivação de :" a partir do corpo). Se 7 œ !.m p :" . que é. por isso. " • â • . A esta terminologia junta-se uma outra.m também são chamados os subobjectivos: intuitivamente. (3) diznos que.4 .m ). em conformidade. portanto. . pelo menos.. Como estamos normalmente interessados em estabelecer certo resultado..m . e as componentes . Observe-se ainda que um conjunto de cláusuras. pode ser considerado como uma base de dados." • â • . razão por que se chama também a (3). significa que um dos . a cláusula (5) :" : é uma cláusula unitária. a cláusula de Horn fica reduzida a (4) : ." • â • ." ” â ” c. obtemos (3) :" : . Os átomos do corpo . por ser equivalente a c. a cabeça..m ).m .. 89). . também é chamada um facto. ou à cláusula Ö:" ß c.m («:" . que o símbolo ‘ : ’ representa o pescoço que liga a cabeça ao tronco)..m . o átomo :" é o objectivo («goal») ou a cabeça de (3)." ß âß c. :" à ÞÞÞà :5 : ." . . interpretamos intuitivamente a afirmação (como «verdadeira») de uma cláusula de Horn (4) como a especificação das condições em que o objectivo :" é «verdadeiro»." e â e . Em termos de «derivabilidade» ou da escrita de programas." ß ÞÞÞß . e. . . a do sucesso/fracasso: o objectivo :" é bem sucedido se for «verdadeiro» quando os subobjectivos são «verdadeiros» (em termos de programação. Se 5 œ ! em (2). ou seja. que é chamada uma cláusula de objectivo definido ou objectivo de programa.m formam o corpo de (3) (será caso para dizer." e â e . CÁLCULO PROPOSICIONAL :" ” â ” : 5 o . e significa simplesmente que :" é «verdadeira» ou bem sucedida e. . e.

então a regra de resolução pode-se aplicar aos três pares possíveis: G" ß G # . ß =×.7 ×ß Öc:" ß :# ß ÞÞÞß :5 ß c<" ß ÞÞÞß c<6 × . onde G" œ Ö:ß c. (R).3 Regra de resolução O sistema de resolução.7 ß c<" ß ÞÞÞß c<6 × (3) Se V œ ÖG" ß ÞÞÞß G8 × é um conjunto finito de cláusulas. Ö:ß c<ß =× G" ß G$ . R. G$ œ Öc:. G" e G# em certas condições. a regra (R) poderá aplicar-se a vários pares de cláusulas.c=×. que a cada par de cláusulas. a resolvente de G" e G# é H œ ÐG" Ï ÖP×Ñ  ÐG# Ï ÖP×Ñ. Por exemplo. onde Pœœ c: : se P œ :. CÁLCULO PROPOSICIONAL 139 19.×ß Ö:ß <× . Resumindo. ß c<ß c=× G# ß G$ . Nestas condições. Öc. a regra de resolução. é baseado numa única regra. chamada uma resolvente daquelas duas. faz corresponder uma outra cláusula H. H G" ou ÏÎ H G# . Para se poder aplicar a regra (R) às cláusulas G" e G# é necessário que para alguma literal P se tenha P − G" e P − G# . Ö. G# œ Ö. se P œ c:. o que pode ser indicado por um esquema como G" ß G # . ß <× (2) Ö:" ß :# ß ÞÞÞß :5 ß c. então a regra tem a forma (R) G" ß G # . ÐG" Ï ÖP×Ñ  ÐG# Ï ÖP×Ñ 19." ß ÞÞÞß c. Ö. se V œ ÖG" ß G# ß G$ ×. Ö:# ß ÞÞÞß :5 ß c.II." ß ÞÞÞß c. se P − G" e P − G# para alguma literal P. ß c<×.4 Exemplos (1) Öc:ß . ß c:× .

G# − V e H é uma resolvente de G" e G# . ß c:××.×.×.8œ! V8 ÐVÑ œ V  V ÐVÑ  V# ÐVÑ  â . Ö:ß c:× . ÞÞÞ. por exemplo. Para o exemplo V œ ÖG" ß G# ß G$ × acima. CÁLCULO PROPOSICIONAL Às resolventes H" œ Ö:ß c<ß =× e H# œ Öc. Ö:ß . finalmente.140 II. mesmo que V seja finito. então G − V‡ ÐVÑ. chama-se conjunto resolvente de V ao conjunto de cláusulas VÐVÑ œ V  ÖH À H é uma resolvente de duas cláusulas em V×. tem-se VÐVÑ œ ÖG" ß G# ß G$ . 49. se V é finito.1) de fecho V‡ ÐVÑ: é o mais pequeno conjunto de cláusulas contendo (as cláusulas de) V e fechado para V .× Em geral. Öc:ß c. ß c<ß c=×ß Ö. Definimos recursivamente os conjuntos de cláusulas V8 ÐVÑ (8   !) por V! ÐVÑ œ V. então cada conjunto V8 ÐVÑ também é finito mas.3. Ö:ß c<ß =×ß Öc. e. Por outro lado. pelo menos em princípio. podemos voltar a aplicar a regra (R): H" ß H# . Ö. V" ÐVÑ œ V ÐVÑ. é conveniente ter em conta uma outra definição possível (equivalente à dada — veja-se a secção II.× . V8" ÐVÑ œ V ÐV8 ÐVÑÑ. e o exercício 2. pondo _ V‡ ÐVÑ œ .× Ö:ß .× . isto é. (ii) se G" . se V œ ÖG" ß ÞÞÞß G8 ×. o fecho de V por V . ß c. ß c<ß c=×. o fecho V‡ ÐVÑ pode não ser finito. 19. Note-se que.5 Observações 1) Um par de cláusulas pode ter mais do que uma resolvente. o mais pequeno conjunto de cláusulas tal que: (i) se G − V. Ö:ß c<ß c. ÞÞÞ. então H − V‡ ÐVÑ. Öc:ß c. V# ÐVÑ œ V ÐV ÐVÑÑ. pág. é claro.

Dem. nesta definição de derivabilidade a partir de V.II.6 Lema [Validade da regra (R)] Se uma valoração booleana s satisfaz uma forma clausal V. Ö:×.93 93 Na prática. 141 3) Recorde-se que uma cláusula G œ Ö:" ß ÞÞÞß :5 ß c. tem-se o seguinte: 19. pelo menos. a regra (R) preserva a compatibilidade: se V é compatível.è Montaremos agora o sistema dedutivo baseado na regra de resolução. podem-se omitir o prefixo «-R» e a expressão «a partir de V» quando não houver perigo de confusão. uma derivação a partir de V cuja última cláusula é precisamente H (e dizemos que se se trata de uma derivação de H a partir de V). H7 de tal modo que. e também uma das w w literais em G"  G# . então @ satisfaz uma das literais P. se @ satisfaz ambas as cláusulas. uma fórmula na FNC: V œ V9 œ 9 œ 31T34 . 7. estende-se natural e . ou. . Atendendo à definição de VÐVÑ. sse existe. Mais geralmente. e H é uma resolvente de G" e G# . a qual ainda está na resolvente H." ß ÞÞÞß c. mediante a definição do que constitui um derivação neste sistema. G# œ G#  ÖP× (com P  G" e P  G# ). abusivamente.. 19. e H é uma resolvente de G" e G# . por exemplo. pelo menos. Se H œ .. e escreve-se V ¯ R H (ou 9 ¯ R H).6 ).7 Definição Uma derivação-R a partir de um conjunto de cláusulas (em particular. basta realmente mostrar que se uma valoração @ é modelo das cláusulas G" e G# . 5  7 tais que H3 − VÐÖH4 ß H5 ×Ñ. a partir de uma forma clausural V œ V9 ." ” â ” c. Por conseguinte. então @ satisfaz H. a derivação de H a partir de V chama-se uma refutação-R de V. Sem perda de generalidade podemos supor G" œ w w w w G"  ÖP×. Assim. então VÐVÑ é compatível. Por outro lado. e que uma forma clausural ou conjunto de cláusulas V œ ÖG" ß ÞÞÞß G8 × representa uma conjunção («G" • â • G8 ») e.6 × representa uma disjunção (:" ” â ” :5 ” c. por conseguinte.. logo @ é modelo de H. por isso.. e H é refutável-R a partir de V sse existe uma refutação-R de H a partir de V. então @ é modelo de H.. H3 − V ou existem 4. a partir de 9 ) é uma sequência finita de cláusulas H" . então @ satisfaz @ VÐVÑ. CÁLCULO PROPOSICIONAL 2) Uma resolvente possível é a cláusula vazia. Öc:× . Uma cláusula H diz-se derivável-R a partir de V œ V9 (ou de 9). P.. Ora. V é um conjunto arbitrário (finito ou infinito) de cláusulas e. . para cada 3 œ 1. facilmente se compreende e demonstra que a regra de resolução é válida: sempre que uma valoração booleana @ satisfaz as cláusulas G" e G# .

ß c. então uma tal derivação é uma indicação de que V é incompatível (ver metateorema da validade mais adiante). 8. 7 R 3.×ß Öc:ß c. 7. ß :× Öc. ß <×ß Ö.8 Exemplos (1) Vamos determinar V‡ ÐVÑ. De quaiquer duas destas quatro cláusulas não se obtém nenhuma resolvente nova e. ß :× Ö:× Öc:ß c. então existe um conjunto finito de cláusulas V! © V tal que V! ¯ R G . ß :×ß Öc<ß :×ß Öc:ß . 2. ß c. onde V œ ÖÖ:ß . todavia. V8 considerando a união V œ -8 V3 . . de modo que V" ÐVÑ œ ÖÖ:ß . CÁLCULO PROPOSICIONAL Observe-se que esta definição assegura. (2) Dada 9 œ Ð: o Ð. compreende-se que.×ß Öc:ß c.Ñ • Ðc. e. 9. Atendendo ao lema acima e ao facto de ser incompatível. se é derivável-R de V. mostramos que 9 é incomp p p patível. 5 R V 6. 6. depois.×ß Ö:ß c:××. ” :Ñ • • Ðc: ” c<Ñ • Ð< ” c:Ñ. ß <× Öc:ß c<× Öc:ß c.Ñ • Ð: o c<Ñ ¯ R p p p Derivando: 1. imediatamente à derivabilidade a partir de V" .×ß Ö. portanto.× e Ö:ß c:×. Ö.142 II. V œ V9 œ ÖÖc:ß c. 19. portanto. a propriedade de finitude: se V ¯ R G .××. ” <Ñ • Ðc< ” :Ñ • Ðc: ” . ” <Ñ • Ð. p <ÑÑ • Ð: o . construindo uma derivação-R de a partir de 9. Ora. é obter 9 na FNC e. 3. …. as resolventes possíveis são Ö. 5. abreviamos ‘V ¯ H’ em ‘G" ß …ß G8 ¯ H’ .Ñ • Ð: o c<Ñ. podemos concluir que V" ÐVÑ œ V# ÐVÑ œ V‡ ÐVÑ. Tem-se 9 µ Ðc: ” c. ß :×ß Öc:ß c<×ß Ö<ß c:××.× Öc:ß . Exibimos a seguir a prova de que Ð: o Ð. 8 R. desde logo.× Öc:× V V 1. 2 R V V 4. Se 3œ" V œ ÖG" ß …ß G8 ×. na forma clausal. p <ÑÑ • Ð: o . 4. A primeira coisa a fazer.×ß Öc.

× ÏÎ ÏÎ Ö:× Öc:× ÏÎ . V ¯ R Í − V ‡ ÐV Ñ ....9 Lema (Caracterização da derivabilidade-R) Para toda a cláusula G e forma V.× ÏÎ Öc. ß <×ß Ö. . As definições da derivabilidade e do fecho por V são ambas indutivas. G# .II. que para todo 3 Ÿ 8 se tem G3 − V‡ ÐVÑ [com 3 œ 8 resulta. e é evidente que G − V‡ ÐVÑ œ V  ÞÞÞ . Se esse comprimento é 8 œ ".. nomeadamente. Até final desta secção ocupamo-nos da metateoria. em particular. ß <× Öc:ß c<× ÏÎ Ö. Isto acarreta. G# .. ß :× Öc:ß c.× Öc:ß c. Provamos. ß <× ÏÎ Ö:ß c. . Daqui também podemos facilmente obter uma outra derivação que mostre que: ÖÖ:ß c. o que vai permitir demonstrar o lema por indução.. Exemplificando: Öc:ß c.×ß Öc:ß c. por indução no comprimento 8 das derivações G" .×: Öc:ß c. (3) ÖÖ:ß c. ß <×× ¯ R Öc. ß :× Öc. ß c<× Öc:ß c. CÁLCULO PROPOSICIONAL 143 As derivações-R também podem ser apresentadas sob a forma de árvore. G8 de G œ G8 a partir de V. que que G − V‡ ÐVÑ]. em particular. que se demonstre um pouco mais do que o que aparenta ser necessário. em particular. Suponhamos que a propriedade em questão é verdadeira para 8 e seja G" .×. só pode ser G − V.×× ¯ R . ( Ê ) Suponhamos que V ¯ R G .× Öc:ß . existe uma derivação-R de G a partir de V sse G − V‡ ÐVÑ. em ambas as demonstrações. A derivabilidade-R pode ser caracterizada em termos do fecho por V do seguinte modo: 19.×ß Öc:ß c. ß c<×ß Öc:ß c. em ambos os sentidos. G é refutável-R a partir de V sse − V‡ ÐVÑ: V ¯ R G Í G − V‡ ÐVÑ. dos metateoremas da validade e da completude semântica. . Dem. ß c<×ß Öc:ß c.

Tomando V e V5" como no enunciado. Como V é incompatível. Iterando o lema 19.. com vista a uma contradição. Deixamos os pormenores ao cuidado do leitor. pois @" Ð:5 Ñ œ ". ou (ii) G8" é uma resolvente de G4 e G5 para alguns 4. e neste caso @" satisfaz V5" e @" Ð:5 Ñ œ ".. Dem. digamos G" − V que não é satisfeita por @" . O lema 19. caso em que G" − V5" e @" satisfaz G" .. suponhamos que G − V ‡ ÐVÑ. logo @" satisfaz G" . Dem. Como é incompatível. ou (a) :5  G" .. G# . nenhuma tal derivação pode ser uma derivação de . :5" . @# Ð:5 Ñ œ !. 5 Ÿ 8.. Então. então V5" é incompatível. G5 − V‡ ÐVÑ por hipótese de indução. seja @ um modelo de V5" e sejam @" ..11 Lema Se V é uma forma incompatível contendo apenas literais nos átomos :" .6 tantas vezes quantas as necessárias. digamos G − V 5 ÐVÑ. digamos G4 . Analogamente se pode chegar à conclusão que existe G# − V que não é satisfeita por @# e tal que :5 − G# . CÁLCULO PROPOSICIONAL G8 ... dos metateoremas da validade e da completude semântica. :5 (5   "). por hipótese... então cada G3 (1 Ÿ 3 Ÿ 8) é compatível.144 II. que toda a cláusula de V8 ÐVÑ é derivável-R a partir de V. e dois casos se podem dar: (i) G8" − V — neste caso é imediato que G8" − V‡ ÐVÑ. existe alguma cláusula em V.6 acima (p.. e V5" é o conjunto da cláusulas deriváveis-R a partir de V contendo apenas literais nos átomos :" . por hipótese de indução. . G" . por indução em 8.. 19. o que é absurdo. .è Até final desta secção ocupamo-nos da metateoria. .. então G8" − V7" ÐVÑ © V‡ ÐVÑ. @# valorações que coincidem com @ em :" . G8" uma derivação de G de comprimento 8  ". nomeadamente. . ( É ) Reciprocamente. Bastará provar.. se assim não fosse.è 19. como G4 . :5" e tais que @" Ð:5 Ñ œ ". pois.. e supondo V5" compatível. G8 − V‡ ÐVÑ.10 Metateorema da validade do sistema de resolução Se V é refutável-R. vê-se que se V for compatível e G" . G5 − V7 ÐVÑ com 7 suficientemente grande. Então c:5 − G" . 0) é a chave para o resultado mais «fácil». G8 for uma derivação a partir de V. ou (b) :5 − G" . então V é incompatível: V ¯R Ê V incompatível. o que é igualmente absurdo. . .

è 19. . então toda a expressão que possui uma construção formativa de comprimento 8  " pertence a Prop(T ). concluimos que V! é incompatível.. Repetindo 5 vezes. se toda a expressão que possui uma construção formativa de comprimento Ÿ 8 pertence a Prop(T ) (hipótese de indução). toda a fórmula possui.. por indução completa no comprimento das construções formativas das expressões. 5# . como em V! não há literais alguns. . nos átomos :" . ” ou p. onde ˆ é • . por indução na complexidade das fórmulas. . . uma construção formativa. As fórmulas que antecedem a fórmula 9 numa construção formativa de 9 [ver (a) e (b) adiante] de comprimento mínimo são as subfórmulas próprias de 9.. o que é absurdo.II. <.. @ satisfaz H. então V contém apenas um número finito de literais. o que é igualmente absurdo. . c:. que PropÐT Ñ © J‡ .. .. isto é.. por conseguinte. portanto. 53 é uma letra proposicional. O inteiro positivo 8 é o comprimento da construção formativa 51 . ou (bw ) @ satisfaz G# Ï Ö:5 ×. 145 Então H é uma resolvente de G" e G# e H − V5" .. só pode ser V! œ Ö × e..... :5" . c:. obtendo V5" incompatível. . então V é refutável-R: V incompatível Ê V ¯ R . CÁLCULO PROPOSICIONAL Ponhamos H œ ÐG" Ï Öc:5 ×Ñ  ÐG# Ï Ö:5 ×Ñ. *(b) Mostre. . • c:Ñ é outra..20 Exercícios e Complementos §II. 5# .1 2. logo @" satisfaz G" . Isto conduz a uma das condições seguintes: (aw ) @ satisfaz G" Ï Öc:5 ×. • c:Ñ de comprimento 4 e :. Denota-se J‡ o conjunto das expressões que possuem construções formativas. 8. Por exemplo. com literais nos átomos :" . de comprimento 5. ou existem 4.1 Uma construção formativa de uma expressão 5 é uma sequência finita de expressões 51 . V5" é incompatível.. − V‡ ÐVÑ. Se V é uma forma clausural finita e incompatível. 94 Mostre que (i) toda a expressão que possui uma construção formativa de comprimento 1 pertence a Prop(T ) e que (ii) para todo 8. ou existe 4  3 tal que 53 œ c54 .è II. (a) Prove. . Ð. 58 (8   ") tal que 58 œ 5 e para cada 3 œ ".11 uma vez. mas. Dem. e conclua que J ‡ œ J‡ œ PropÐT Ñ.. logo @# satisfaz G# . . e podemos aplicar o lema 19. pelo menos. Portanto. digamos. :. 58 . Ð. • c:Ñ é uma construção formativa de Ð. :5 . 5  3 tais que 53 œ Ð54 ˆ 55 Ñ.12 Metateorema da completude semântica do sistema R Se V é uma forma clausural finita e incompatível. que J‡ © PropÐT Ñ94.

por indução na complexidade das fórmulas. [Sugestão: para quaisquer valorações @ e @w tais que @Ðp3 Ñ œ @w Ðp3 Ñ para toda a letra proposicional p3 que ocorre em 9. @ @ @ ” ou p. . Dada uma valoração @ À PropÐT Ñ Ä Ö!ß "×.5 (n). ?• .4 A Propriedade de Extensão das Valorações é um caso particular de um princípio mais geral de definição de funções por recorrência. (o)]. ?” . IV).95 (b) Enuncie e demonstre para s um princípio de indução. Sejam ?c . <.] *2. mas fornecemos as indicações suficientes para demonstrar a referida propriedade. é a teoria dos conjuntos. @ Este modo de proceder é legitimado por uma versão do Princípio de Indução Completa nos números naturais (ver Cap. pretende-se provar que existe uma única valoração booleana s tal que @ (i) sÐ:Ñ œ @Ð:Ñ para todo : em T . @ (d) Prove que s é a única função definida em PropÐT Ñ tal que (i). símbolos do alfabeto). um subconjunto do produto cartesiano E ‚ F ) definida em E (todo o elemento de E está em relação com um elemento de F ) e funcional (nenhum elemento de E está em relação com mais de um elemento de F [ver exercícios 1. (ii) e (iii). @ (ii) para qualquer fórmula 9. onde ˆ é • . como conjunto de pares ordenados Ð9ß 3Ñ. portanto. Um segmento inicial próprio de 5 é uma expressão da forma =" â=5 com " Ÿ 5  8. CÁLCULO PROPOSICIONAL 2. (a) Prove que nenhum segmento inicial próprio de uma fórmula de _! é fórmula. tecnicamente. para toda a fórmula 9.3 Demonstre. (a) Dê uma definição indutiva de s. 95 Não perder de vista que uma função de um conjunto E para um conjunto F é. @Ð9Ñ só depende dos valores @Ðp3 Ñ atribuídos às letras proposicionais p3 que ocorrem em 9. Não pretendemos aqui embarcar nessa generalidade.] (b) Utilize o resultado anterior para demonstrar a Propriedade de Unicidade de Representação das fórmulas. sÐc9Ñ œ ?c ÐsÐ9ÑÑ e @ @ (iii) para quaisquer fórmulas 9. ?p as funções booleanas correspondentes aos conectivos proposicionais. na sua máxima generalidade. sÐ9 ˆ <Ñ œ ?ˆ ÐsÐ9Ñß sÐ<ÑÑ. O contexto adequado para enunciar e demonstrar este princípio. respectivamente.146 II. uma relação de E para F (isto é. tem-se @Ð9Ñ œ @w Ð9Ñ. @ (c) Prove que s é uma função definida em PropÐT Ñ. [Sugestão: mostre que.2 Seja 5 œ =" â=8 uma expressão de comprimento 8   " (onde os =3 são. (b) Para toda a fórmula 9 e toda a valoração booleana @. as seguintes propriedades: (a) Lema do Equilíbrio. os segmentos iniciais próprios de 9 começam com c ou têm mais parênteses esquerdos do que direitos. 2. @ com 9 em PropÐT Ñ e 3 em Ö!ß "×.

) :— Eu estou inocente.7 (a) Mostre que um conjunto D œ Ö9" ß ÞÞÞß 98 ß c<× é incompatível sse 9" ß ÞÞÞß 98 } < (ou. se > é incompatível.8 Mostre que as seguintes versões de modus tollens são regras derivadas no sistema DN: (MTw" ) 9 ” <ß c< . não necessita ser utilizada na dedução da tese. isto é. mas um dos outros dois é culpado. : uma letra proposicional que pode ou não ocorrer em 9. Se não houver ocorrências de : em 9 tem-se 9Ò<Ó œ 9. respectivamente: 9:— B é culpado.4-II. A fim de chamar a atenção para a(s) possível(eis) ocorrência(s) de : em 9 e para a substituição efectuada podemos denotar 9 por 9Ò:Ó e 9Ò<Ó por 9Ò:Î<Ó. aqui designados por A. < 2. respectivamente. (a) Prove. (a) Os três depoimentos são compatíveis? (b) Algum dos depoimentos é consequência dos outros dois? (c) Construa deduções correspondentes à alínea anterior. fazem os seguintes depoimentos. <:— Se A é culpado. então para qualquer 9. CÁLCULO PROPOSICIONAL 147 2.96 (d) Supondo os três réus inocentes.10 2. 2. > } 9. (b) Demonstre a seguinte: 96 Note que alguma hipótese pode ser redundante. 97 Este exercício [sem a parte (c)] correu o mundo e é devido ao lógico americano H. por indução na complexidade das fórmulas (9) que 9Ò:Î<Ó é fórmula. se algumas houver. então C é culpado. B e C. quem é inocente e quem é culpado?97 2. explicitando as dependências de hipóteses. equivalentemente. Mais geralmente. < uma fórmula qualquer.5 Efectue todas as deduções que foram indicadas no texto. que o conjunto D é compatível sse y 9" ß ÞÞÞß 98 } < ). J. >  Öc9× é incompatível sse > } 9 (b) Prove que. suspeitos de um crime.6 Três indivíduos. 9 (MTw# ) 9 ” < ß c9 .II. quem é inocente e quem é culpado? (f) Supondo que os inocentes disseram a verdade e os culpados mentiram. mas C é inocente.9 (Substituições) Seja 9 uma fórmula. Keisler. quem mentiu? (e) Supondo que todos disseram a verdade. . para qualquer conjunto > e qualquer fórmula 9. Denota-se por 9Ò<Ó o resultado de substituir todas as ocorrências de p em 9 por <. na qual também : pode ou não ocorrer. §II.

então >! ¯ 9 para alguma parte finita >! de >. conforme o caso: 98 Este resultado pode-se generalizar a mais de uma substituição simultânea 9Ò:" Î<" ß á ß :5 Î<5 Ó e também a substituições iteradas Ðá Ð9Ò:" Î<" ÓÑá ÑÒ:5 Î<5 Ó.148 II.] 2. 2. etc. onde @w é como @.98 [Sugestão: estude primeiramente um caso particular. o valor @Ð9Ò<ÓÑ é igual ao valor @w Ð9ÒpÓÑ.10 Formule todas as leis que resultam de deduções efectuadas e descubra leis não formuladas anteriormente. 2. derivando uma contradição com hipóteses em >. para cada valoração booleana @. Ð: • <Ñ o >. utilizando tabelas de verdade. denota-se CnÐDÑ o conjunto das consequências lógicas ou semânticas de D. > ¯ 9. se > ¯ 9 .11 2. formule e justifique diversas leis de conversão.12 (a) Demonstre. a partir da definição 3 (p. [Por exemplo. se > ¯ 9. 75). então > } 9. e denota-se TmaÐDÑ o conjunto dos teoremas de D.11 (a) Deduza ? p = com hipóteses : • Ð. Ðc= p p c>Ñ • c. p (b) Seja 9 uma fórmula qualquer de _! . . para qualquer fórmula 9. então } 9Ò:Î<Ó. < e letra proposicional :. ” <Ñ. no sistema DN. >  Öc9× é consistente. as leis de De Morgan. no sistema DN. excepto que @w ÐpÑ œ @Ð<Ñ. a importante propriedade seguinte: Propriedade de finitude (MF) Para quaisquer conjunto > e fórmula 9.15 Se D é um conjunto de fórmulas de _! . se } 9. c= ” <. justificando com uma demonstração (utilizando apenas noções semânticas) ou um contra-exemplo. (b) Demonstre a seguinte Propriedade da validade generalizada (MVG ) Para quaisquer conjunto > e fórmula 9. (b) se > é consistente.Ñ • <ß c. ” c<× é inconsistente.13 Mostre que: (a) um conjunto > é contraditório sse é trivial. 5   #.14 Mostre que o conjunto > œ Ö:ß Ðc: ” .] 2. em geral. 2. Observe que. então. (a) Diga se são verdadeiras ou falsas as asserções metateóricas seguintes. no sentido: para toda a fórmula 9. um dos conjuntos >  Ö9×. §II. CÁLCULO PROPOSICIONAL Propriedade de substituição numa tautologia Para quaisquer fórmulas 9. Prove que 9 o c9 é interderivável (no sistema DN) com a contradição 9 • c9.

(b) Demonstre. (4) Para qualquer conjunto D. na lista dos símbolos primitivos de _! . >  Öc9× é inconsistente sse > ¯ 9). §II. economizando. [Sugestão: 2. então > é compatível. se D © > então CnÐDÑ © CnÐ>Ñ.17 (a) Demonstre. CnÐCnÐDÑÑ © CnÐDÑ. CnÐDÑ © CnÐCnÐDÑÑ. substituindo em toda a parte “Cn” por “Tma”. utilizando (MVG ). assim. e utilizando somente noções sintácticas nas demonstrações. utilizando a propriedade de completude semântica generalizada. §II. D } 9 ou D } c9. (3) Para qualquer conjunto D. D  ?.19 (a) Mostre que se D e ? são conjuntos efectivamente enumeráveis de expressões. (d) Prove. «compatível» por «consistente» e «incompatível» por «contraditório». nomeadamente nos casos indicados a seguir: (a) Definir • .7(b). (b) Complete os passos que faltam na demonstração do metateorema da completude semântica generalizado. CÁLCULO PROPOSICIONAL (1) Para quaisquer conjuntos D. (c) Mostre que se D é efectivamente enumerável e. a propriedade seguinte. (b) Mostre que se D e ? são conjuntos decidíveis de expressões. DÏ? ( œ Ö5 À 5 − D e 5  ?×) e I ÏD também são.16 Enuncie e demonstre propriedades análogas às do exercício 2.20 Discuta a possibilidade de definir alguns dos conectivos à custa de outros. que é outra versão da referida propriedade: (MVwG ) Para todo o conjunto > de fórmulas.18 (a) Dê exemplos de conjuntos > e fórmula 9 tais que > ¯ 9 e > ¯ c9.7 substituindo em toda a parte “ } ” por “ ¯ DN ”. (2) Para quaisquer conjuntos D.14 2.] (c) Prove que para qualquer conjunto > e qualquer fórmula 9. >  Öc9} é compatível sse > } 9 (equivalentemente. para toda a fórmula 9. que se > é consistente. se CnÐDÑ © CnÐ>Ñ então D © >. p à custa de c. >  Öc9} é / consistente sse > ¯ 9 (equivalentemente. 2.13-II. que para qualquer conjunto > e / qualquer fórmula 9. então D  ? e D  ? também são. então > é consistente. y y 2. >  Öc9× é incompatível sse > } 9). 149 (b) Análogo a (a). >. . se > é compatível. ” . respectivamente. então D* œ CnÐDÑ é decidível.II. 2. então D  ?. >. utilizando apenas noções semânticas.12 2.

. p . ± nem». (b) Demonstre a versão anterior directamente a partir dos metateoremas da validade e da completude semântica generalizados. [Sugestão: fórmulas construídas só com • . se +  . ” são sempre verdadeiras para todas as valorações que atribuem o valor " a todos os :3 ’s. D } 9 sse existe uma parte finita D! de D tal que D! } 9.] ± (e) Os conectivos de Sheffer são os conectivos binários de rejeição ” [«nem± < œ cÐ9 ” <Ñ ] e de incompatibilidade • [«negação conjunta». #. (d) Idem.23 Um grupo abeliano (numerável) ÐKß  ß 0Ñ diz-se ordenável sse existe uma relação binária  em K que é uma ordem total estrita e..21 (a) Quantas funções booleanas 8-árias (8   0) existem? E quantos conectivos generalizados 8-ários? (b) Determine todos os conectivos generalizados binários (além dos já conhecidos). 2. • à custa de c.150 (b) definir ” . Ö • × são funcionalmente Þ completos. II. Öcß ” ×. (d) definir o conectivo de disjunção exclusiva ” à custa dos conectivos c. então +  . para quaisquer elementos +. • . (d) Mostre que Ö • ß ” × não é funcionalmente completo. (c) Mostre que os conjuntos Öcß • ×. (c) Mostre que o conjunto > œ Ö:3 ” :3" ß c:3 ” c:3" À 3 œ !.  .. *2. 9 ” ± ± ± 9 • < œ cÐ9 • <Ñ ]. . [Por exemplo. pois as fórmulas 9 • < e cÐ c9 ” c<Ñ são lógica e dedutivamente equivalentes.17). • . Mostre que os conjuntos Ö ” ×. ” .. .. ". . p à custa de c.] 2. CÁLCULO PROPOSICIONAL . mas Ö ” × não é funcionalmente completo. (c) definir ” . . (f) Mostre que os únicos conectivos binários N tais que ÖN × é funcionalmente completo são os conectivos de Sheffer.de K. para o conjunto > œ Ö:! ß :" ß :! • :" ß :# ß :! • :# ß :$ ß :! • :$ ß ÞÞÞ×. .22 (a) Mostre que a versão (MCw ) do metateorema da compacidade é equivalente à proposição seguinte: (MC) Para qualquer conjunto de fórmulas D e qualquer fórmula 9. Öcß p × são funcionalmente completos (exercício 2.× é compatível. pode-se definir 9 • < œ cÐ c9 ” c<Ñ.

Ñ • : • Ðc. usando letras :+.25 (a) Obtenha fórmulas logicamente equivalentes a (i) : o . seja 9‡ a fórmula que se obtém de 9 permutando • com ” e substituindo cada letra proposicional :3 em 9 por c:3 . ” <Ñ. • . (c) Aplique o algoritmo da pág. (b) Prove que para toda a fórmula 9 em Form(c. (v) Ð: • . ” ).Ñ ” c:.. (iii) Ðc: ” c.. (b) Determine equivalentes mais simples para as fórmulas (i) Ð: p .Ñ ” Ð: • c. Para cada fórmula 9 em Form(c. p :Ñ ” <Ñ • ÐÐ< p :Ñ ” c.Ñ ” Ð: • . (ii) : • Ðc: ” . ” c:Ñ • Ðc.Ñ • c<. • c<Ñ. Por exemplo. ” ) o conjunto das fórmulas sobre T contendo somente os conectivos indicados. (ii) para algum 5  7. . de 5 rapazes com exactamente 5 namoradas.] 2. CÁLCULO PROPOSICIONAL 151 Prove que um grupo abeliano é ordenável sse todo o subgrupo finitamente gerado é ordenável. (iii) : p .Ñ e Ðc: • c. p < p =. prove que é verdadeira para 7. [Sugestão: exprima por fórmulas proposicionais que o grupo é ordenável.Ñ ” : . • cÐ< • =ÑÑ. 2. quaisquer 5 rapazes têm. (c) Prove que para toda a fórmula 9 de Form(c. intuitivamente. 9‡ é chamada a dual de 9. .Ñ ” <ч œ Ðc: ” cc. na versão seguinte. utilize o metateorema da compacidade. (v) : ” Ð. 9 e c9‡ são logicamente equivalentes. Ð< • )ч œ c< ” c) e analogamente permutando • com ” . (ii) Ð: p . [Sugestão: por indução completa em 7   ".24 Demonstre o Lema do Casamento. . ” <Ñ. • . • . (iv) : • Ðc. ” ). 2. (a) Dê uma definição indutiva de 9‡ e formule um princípio de indução na complexidade das fórmulas de Form(c. pelo menos. p (ii) : p c. :+. há um conjunto . nas formas normal conjuntiva e disjuntiva.Ñ • c<. pode-se definir 9‡ pelas regras: :3 œ c:3 . ” ). 9‡ é uma fórmula do mesmo conjunto. • . para cada par ordenado Ð+ß . ÐÐ: • c. é verdadeira sse +  . (iii) Ð: p . Ðc<ч œ c<‡ .Ñ p .Ñ • :.Ñ..26 (Dualidade) Seja Form(c. 5  " namoradas. supondo (hipótese de indução) que é verdadeira para todo 8  7. A propriedade é verdadeira para 7 œ ". • .Ñ • =. ” <Ñ • Ðc: ” . 90 para testar se as fórmulas de Horn seguintes são ou não compatíveis: (i) : • Ð. considerando os dois casos (i) para todo 5  7.Ñ de elementos de K. (iv) : p Ð: • . respectivamente. (d) Determine três interpoladoras (logicamente equivalentes entre si) entre ÐÐ. ‡ Indutivamente.II. ” ). ” <.

œ infÖ+ß .×.Ñ œ +. infÖ+ß . 2. e pode ser caracterizado por duas condições análogas a (i) e (ii) (a fazer!).Ñ. (g) +  Ð+ † .28 Demonstre o lema 15. (b) + é o único elemento .31 Numa álgebra de Boole µ œ ÐF ß ÞÞÞÑ.Ñ œ + é válida na álgebra de Lindenbaum. Ð+ † . para todo + − F .×. prove que: (a) ÐFß Ÿ Ñ é parcialmente ordenado (quer dizer: Ÿ é reflexiva. tal que +  . œ ". definindo + Ÿ . (e) +  + œ + œ + † +. 2.152 §II.28. " œ 0. CÁLCULO PROPOSICIONAL 2. (c) Ð+Ñ œ +.29 Prove que numa álgebra de Boole µ œ ÐF ß  ß † ß  ß 0ß "Ñ: (a) 0 e " são os únicos elementos tais que +  0 œ +. isto é. − F . então .4 e conclua as demonstrações do metateorema 15. ” .× é o ínfimo de Ö+ß .Ñ œ Ð+Ñ † Ð.e .Ñ. œ .30 (a) Quais as equivalências lógicas na álgebra ¹ correspondentes às identidades (c)-(h) do exercício anterior? [Exemplo: Ð+Ñ œ + corresponde a cc9 µ 9].2.1 e do teorema 15. sse +  . (d) 0 œ ". . onde supÖ+ß . + † 0 œ 0.27 Mostre que a relação µ é uma congruência com respeito às operações • . 2.Ñ œ Ð+Ñ  Ð. œ +). (b) para quaisquer elementos +.× é o supremo de Ö+ß .Ÿ B. (f) +  " œ ". o lema 15. ou o maior dos minorantes de Ö+ß . +  . c em J .Ñ œ +. .. (b) Mostre que a identidade + † Ð+  . œ 0.15. + † " œ +.5 da secção II.tal que: (i) + Ÿ . œ supÖ+ß .×.× e + † . e demonstre-a a partir dos axiomas das álgebras de Boole e das propriedades do exercício 2. anti-simétrica e transitiva) com elemento mínimo 0 e elemento máximo ". + † Ð+  . um elemento .e (ii) para qualquer elemento B. (sse + † .×.×. 2. se B Ÿ + e B Ÿ . + † . Ÿ .15 II. (h) Ð+  . ou o menor dos majorantes de Ö+ß .

57 Uma dedução no sistema é uma sequência finita de expressões 5" . (g) uma expressão 5 é teorema de MU sse é da forma Q 7 . CÁLCULO PROPOSICIONAL §II... Tente melhorar esta majoração.. onde 7 é uma expressão só com M ’s e Y ’s mas o número de M ’s não é múltiplo de $.Ð9Ñ  dÐ9Ñ  #iÐ9Ñ.34 Mostre. respectivamente. para qualquer expressão 5. que se ¯B 9 e ¯B 9 p <. Mostre que: (a) Q Y MM é teorema de MU. um fabuloso manual moderno de lógica matemática. 5Y 7 (R% ) 5Y Y 7 . note que não ser múltiplo de $ é ser de uma das formas $<  " ou $<  #]. 33-41. dÐ9Ñ e iÐ9Ñ são os números de ocorrências dos conectivos c.33 Construa derivações à Beth de diversas leis anteriormente estabelecidas no sistema DN. 58 (8   ") tal que cada 53 é um axioma ou é inferida de alguma 54 com 4  3 por uma regra de inferência. Q . Mostre que se uma fórmula é derivável em G.Ð9Ñ.32 O sistema dedutivo MU aparece no livro de HOFSTADTER. toda a expressão é fórmula. *2. se 5 é ou não teorema de MU. O problema seguinte foi retirado do livro de HODEL.16-II. *2. (e) se 8 é da forma #7  $5 . (c) para todo 8. (f) para todo 8 que não é múltiplo de $. • . . isto é. M 5 œ MMâM (5 vezes). p em 9. onde 8Ð9Ñ. (b) o número de M ’s de um teorema de MU nunca é múltiplo de $ [Sugestão: indução completa no comprimento das deduções). (d) se 5MMM é teorema.II. o sistema tem um axioma (regra sem premissas) Q M e as seguintes regras de inferência. A última expressão de uma dedução é um teorema de MU. Q M # é teorema de MU onde.35 Chama-se peso de uma fórmula 9 ao número pesoÐ9Ñ œ 8Ð9Ñ  #. 8 . Q 55 (R$ ) 5MMM 7 . pp. *2. onde 5 e 7 denotam expressões arbitrárias (possivelmente vazias): (R" ) 5M . com 5   !. basta mostrar que todo 8 que não é múltiplo de $ é da forma indicada: supondo 7 tal que #7   8. . ou #7  8 ou #7"  8 é múltiplo de #. então ¯B <. Conclua que MU é decidível. 5MY (R# ) Q5 . A linguagem do sistema tem somente os símbolos. cuja leitura se recomenda. para qualquer 5 .17 153 2. ” . então Q M 8 é teorema. Q M 8 é teorema [por (e). então ela é derivável em Ÿ #pesoÐ9Ñ linhas. M e Y . utilizando as propriedades de validade e de completude semântica. existe um algoritmo para decidir. então 5 é teorema.

Ñ • ÐÐ< p :Ñ ” Ð< p . demonstre o Metateorema da Subdisjunção (pág. pelo que não advém grande mal se «identificarmos» C com o espaço das valorações. (c) Ð: p Ð. p Ð: p <ÑÑ. das fórmulas: (a) Ð: p Ð. p <ÑÑ p Ð. por indução completa (2ª forma. 122 aos sequentes (a) : p . p <ÑÑ p Ð. ) são disjunções sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. onde T œ Ö:! ß :" ß ÞÞÞ×. para cada 3. 74) no grau 7 de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. — se <. 9 é um aberto básico. (b) : • Ð. os conjuntos de valorações da forma Ò?Ó œ Ö@ À @ ª ?×. Designamos por Z o conjunto de todas as valorações. (c) Ðc: • c. aparte a notação.39 (Compacidade do espaço de Cantor) O espaço de Cantor C œ # œ  Ö!ß "× foi definido na pág. @ e a cada conjunto D de fórmulas o conjunto D œ Ö@ À sÐ9Ñ œ " para todo 9 − D× @ (Recorde que toda a valoração simples @ determina uma única valoração booleana @ s — ver pág. 71). (b) para quaisquer 9 ” < œ 9  <. 9 • < œ 9  <. Associamos a cada fórmula 9 de _! o conjunto de valorações o = 9 œ Ö@ À sÐ9Ñ œ "× © Z . p Ð< p :ÑÑ. fórmulas 9 e <. p <ÑÑ p Ð. no que segue. CÁLCULO PROPOSICIONAL 2. então. (b) Ð: p Ð.Ñ p <Ñ. Ora. uma sucessão infinita de !’s e "’s não é mais do que uma valoração simples @ À T Ä Ö!ß "×.36 Construa derivações em forma de árvore. p Ð: p <ÑÑ. portanto.37 Aplique o algoritmo descrito na pág. em G.38 (a) Mostre que se < é uma disjunção de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. p <ß < p :. e é constituído por todas as sucessões infinitas de !’s e "’s. Mostre que: (a) para cada fórmula 9. Os abertos básicos deste espaço são.154 II. ß . p =Ñ. ver pág. e também é fechado. 2.14). Utilizando (a). 2. então grauÐ< ” )Ñ œ "  maxÖgrauÐ<Ñß grauÐ)Ñ×. 125). Z . onde ? é uma função booleana (ou uma valoração parcial ? À Ö:! ß ÞÞÞß :8" × Ä Ö!ß "× para algum 8   !). 93 ¯ DN <.ÑÑ p Ð. 53 e a convenção feita na pág. . (b) Chama-se grau de uma disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 × ao número natural definido pelas seguintes regras: — o grau de cada 93 é !. 46 (exercício 2. *2. p <Ñ p ÐÐ: p . c9 œ Z Ï 9. e converta-as na configuração linear vertical.

ß <×ß Öc<ß :×ß Ö:ß <×ß Öc:ß c<××. (c) 9 • < p 9. (f) 9 p Ð< p Ð9 • <ÑÑ. (c) ÖÖ:×ß ×. (b) ÖÖc:×ß Ö:ß c.19 2.××.×. p §II.] §II.46 Justifique as afirmações seguintes: (a) Para qualquer fórmula 9.41 Obtenha a forma clausural de: (a) cÐ: • .×ß Öc:××. na forma (MC) (pág. (g) Ð9 p <Ñ o Ðc< p c9Ñ. ß =×ß Öc. 2.43 Determine V‡ ÐVÑ. 150) corresponde exactamente à compacidade do espaço das valorações [Sugestão: alínea (d) e formulação da compacidade em termos de fechados. ß c<×ß Öc:ß c. (e) ÐÐ9 p <Ñ p 9Ñ p 9.42 Diga se são ou não compatíveis e. 143). (c) o sistema de resolução constitui um método de decisão para a compatibilidade de fórmulas de _! . . 2. (b) : op Ðc.9 (pág. 9 é compatível sse (b) para qualquer fórmula 9. 2. indique um modelo da forma clausural: (a) ÖÖ:ß . (e) o metateorema da compacidade.45 Complete a demonstração do lema 19.II. (b) 9 ” < p < ” 9. D é fechado e D } 9 sse D © 9.18 2. que os conjuntos de cláusulas seguintes são incompatíveis: (a) ÖÖc:ß . • c<Ñ.×ß Ö. 2. no caso afirmativo. • c<Ñ. (d) Ð9 p )Ñ p ÐÐ< p )Ñ p Ð9 ” < p )ÑÑ. ” e o : p (a) 9 p Ð9 ” <Ñ.×ß Ö:ß .44 Mostre. CÁLCULO PROPOSICIONAL 155  (c) para quaisquer fórmulas 9 e <. ß =ß :×ß Öc=ß <×ß Öc=ß :×ß Ö:ß . ¼ œ g (onde ¼ representa uma contradição qualquer).×ß Öc.×ß Öc:ß c. e } 9 p < sse 9 © <.40 Mostre que são teoremas lógicos do sistema H. onde V œ ÖÖ:ß c. (d) para qualquer fórmula 9 e conjunto D de fórmulas.××. (b) ÖÖc:ß . } 9 sse 9 œ Z .  V ‡ ÐV 9 Ñ . mediante o sistema de resolução. } 9 sse Vc9 ¯R . 2.×ß Öc:ß . tendo em conta as definições dos conectivos • .×ß Ö.

47 Mostre. .40 são válidas. mediante o sistema de resolução [exercício anterior. (b)].156 II. CÁLCULO PROPOSICIONAL 2. que as fórmulas do exercício 2.

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