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Geografia C 12º ano Ficha informativa nº3a

Geografia C 12º ano Ficha informativa nº3a

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09/14/2014

ESCOLA SECUNDÁRIA DE BENAVENTE FICHA INFORMATIVA Nº 3a - GEOGRAFIA – 12º ANO – (Tema 2: Mundo Policêntrico) - A (re)emergência de conflitos regionais  O USO

DE FILMES E DOCUMENTÁRIOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA  Na sala de aula, como em qualquer espaço educativo, o cinema é um rico material didáctico. Agente socializante e socializador, ele desperta interesses teóricos, questões sociopolíticas e enriquecimento cultural. O uso de filmes e documentários no ensino de Geografia aguça a curiosidade do aluno e torna um pouco concreto aquilo que é extremamente subjectivo nos conteúdos presentes nos livros didácticos. **************************************

Filme: Hotel Ruanda
Ficha Técnica Hotel Ruanda Título Original: Hotel Rwanda País/Ano de produção: EUA/Itália/África do Sul, 2004 Duração/Género: 121 minutos, Drama Direcção de Terry George Roteiro de Keir Pearson e Terry George Elenco: Don Cheadle, Desmond Dube, Hakeem Kae-Kazim, Tony Kgoroge, Neil McCarthy, Nick Nolte, Sophie Okonedo, Joachin Phoenix, Fana Mokoeda.

Hotel Ruanda: o Schindler africano

É inevitável que ao visualizar o filme Hotel Ruanda façamos uma comparação com o excelente filme “A Lista de Schindler”, do director Steven Spielberg. Em ambos os filmes, há evidentes pontos de encontro especialmente no que se refere aos personagens principais e ao clima de catástrofe reinante nos países em que acontece a acção. O que também impressiona muito quem assiste é saber que as histórias apresentadas nas telas são reais e que todo aquele sofrimento aconteceu... Guardadas as devidas proporções históricas, há um outro pormenor que pode ser percebido por todos. Trata-se da forma diferenciada como os dramas da vida real foram tratados pela imprensa internacional e pelos governantes dos países mais ricos do mundo. Na 2ª Guerra Mundial, ainda que de forma tardia, os países foram entrando no conflito e se posicionando contra a tirania e as violências praticadas pelos nazistas. Mobilizados pelo poder económico da comunidade judaica de todo o mundo, os principais órgãos noticiosos do planeta foram informando a população mundial das atrocidades de guerra cometidas pelos seguidores de Adolf Hitler. Após o cessar fogo e os tratados de paz, a memória do holocausto foi sendo recuperada e tornou-se tema de museus, estudos, pesquisas, livros, filmes,... O massacre da população do Ruanda, um pobre país exportador de chá e café, localizado na região central do continente africano, ex-colónia da Bélgica, não foi capaz de movimentar a imprensa internacional. Calcula-se que aproximadamente um milhão de pessoas tenha morrido na guerra civil que abateu o país em 1994 e praticamente nada a respeito do assunto foi divulgado para os países do Ocidente.

O desinteresse foi tão grande em relação ao Ruanda que as tropas de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) foram retiradas do país e recomendou-se que não

interviessem nos embates entre hutus e tutsis (as etnias locais que disputavam o controle político do país). A diferença quanto ao interesse internacional em relação aos dois acontecimentos também fica evidenciada pela repercussão quanto aos dois filmes. O investimento, a divulgação, a quantidade de salas de cinema, os números relativos ao lançamento do filme em vídeo e DVD, as vendas de ingressos e cópias da produção de Spielberg foram gigantescas quando comparadas com os resultados obtidos por Hotel Ruanda. Isso não quer dizer que um filme seja necessariamente melhor do que outro. Tanto é assim que o reconhecimento por parte do público e da crítica foi óptimo em ambos os casos. Isso permite-nos afirmar, com certeza, que Hotel Ruanda, do director Terry George, é uma daquelas pequenas e muito brilhantes pérolas que ocasionalmente são lançadas pelo cinema. Trata-se de um filme de grandes qualidades e que, entre todas elas, tem como seu maior trunfo levar-nos a reflectir sobre as desgraças que afligem o continente africano e a verdadeiramente nos sensibilizar e mobilizar em favor de uma maior justiça, paz e harmonia no mundo em que vivemos. O Filme

Paul Rusesabagina (Don Cheadle, indicado para um Óscar pelo seu papel) é gerente do hotel Milles Collines no Ruanda. Esse estabelecimento recebe hóspedes do mundo todo e é muito conceituado pela qualidade dos seus serviços e acomodações. Trata-se, evidentemente, de um hotel de luxo. Apesar de trabalhar nesse ambiente rico e privilegiado e também de ter uma vida confortável numa casa de bom padrão, Paul vive num país à beira do caos, uma autêntica bomba relógio prestes a explodir... O seu país é uma ex-colónia belga dividida entre duas etnias, os hutus e os tutsis. Avesso aos problemas políticos, Paul é uma pessoa muito bem informada quanto às pendências e disputas por trabalhar num dos locais onde se reúnem autoridades locais e internacionais que discutem o futuro do Ruanda. Pelos corredores do seu hotel circulam diplomatas, políticos, generais, representantes das Nações Unidas, investidores estrangeiros e turistas.

O hotel Milles Collines, em virtude da sua importante clientela internacional, torna-se então um local relativamente protegido contra os abusos e violências praticados na guerra. Quando estoura o conflito muitas pessoas (tanto da população local quanto estrangeiros que estão no país) buscam refúgio no estabelecimento gerido por Rusesabagina. É nesse momento que se revela a grande história que movimenta o filme e que sensibiliza todos quanto o assistem. Paul recebe os refugiados e torna-se protector de todos aqueles que estão escondidos no Milles Collines, inclusive sua mulher e filhos. Hotel Ruanda é um filme que tem como temática central a humanidade do seu personagem principal. Paul Rusesabagina é um daqueles anónimos heróis do quotidiano que, a despeito de qualquer glória que possam atingir, age movido pelo coração e pela fé apesar do medo e das ameaças que sofre. Numa atmosfera rodeada pela morte (com milhares de corpos de vítimas inocentes jogados pelas ruas e rios da região), era preciso ter muita coragem e dignidade para enfrentar as hostilidades e é nesse quesito que a história contada em Hotel Ruanda conquista todos os que assistem ao filme. Para Reflectir

1Numa das cenas mais importantes do filme Hotel Ruanda, o jornalista Jack Daglish (interpretado por Joaquin Phoenix) volta das ruas com fortes imagens do horror da guerra. Inúmeros mortos espalhados pelo chão, enquanto as violentas acções continuam, aparecem nas filmagens mostradas pelo repórter ao chefe da sua equipa e são também vistas por Paul Rusesabagina. Preocupado com a reacção do gerente do hotel, Daglish pede desculpa e Paul responde que acha importante que a comunidade internacional saiba dos acontecimentos no Ruanda para que se mobilize. A resposta do jornalista é então sintomática quanto à repercussão desses acontecimentos quando afirma que as pessoas verão isso enquanto jantam, sentir-se-ão sensibilizadas e, depois de alguns segundos de indignação, retornarão as suas refeições... De que forma podemos superar essa tão evidente indiferença? O que pode ser feito para que não fiquemos apenas pasmos com os acontecimentos e imobilizados nas nossas acções? Torna-se imprescindível conversar, discutir o assunto com todos para que se

encontre respostas. Leiam sobre o assunto. Algo terá que ser feito em situações como essa... 2- África é um continente esquecido e abandonado, em especial os países que não dispõem de petróleo, ouro, diamantes ou outros produtos de grande interesse comercial. Destruída por guerras em certas regiões, padecendo com epidemias de grandes proporções (como a SIDA), sofrendo com as guerras pelo poder e a ambição desmedida de líderes corruptos e despóticos, o berço da humanidade foi deixado à sua própria sorte, sem amparo e projectos de recuperação por parte da comunidade internacional. 3- O humanitarismo percebido nas acções de Paul Rusesabagina não pode ser desprezado. Carecemos de mais exemplos de solidariedade, dignidade, coragem e ética. Vivemos num mundo onde os escândalos parecem prevalecer, onde a corrupção endémica toma conta de vários países, onde a violência grassa vidas sem que os outros se sensibilizem e onde a desonestidade é a regra e não a excepção. Em suma: O filme conta a história verídica de Paul Rusesabagina que era um “gerente influente”, ou seja, conhecia pessoas poderosas, do Hotel “Milles Collines” no Ruanda, em África. No ano de 1994, o Ruanda presenciou uma sangrenta guerra civil travada por duas etnias rivais que disputavam o controle do país, os tutsis e os hutus. Através da película podemos observar as mazelas causadas pela “repartição” do continente africano (herança do imperialismo), como por exemplo, os conflitos étnicos, comuns na África Subsaariana, que atrapalham o desenvolvimento do país. Ademais, podemos visualizar os graves problemas sociais vividos não só pelo Ruanda, mas por grande parte dos países que compõem o continente africano. Conteúdos a ter em conta: Conflitos Étnicos em África; como os Organismos Internacionais vêem o continente africano (ex. ONU, FMI, etc.); articulação de povos autóctones com os antigos colonizadores (neste caso, os belgas), economia africana, características urbanísticas.

Filme: Paraíso Agora
Ficha Técnica Paraíso Agora Título Original: Paradise Now País/Ano de produção: França/Alemanha/Israel/Holanda, 2005 Duração/Género: 90 minutos, Drama Direcção de Hany Abu-Assad

Roteiro de Hany Abu-Assad, Bero Beyer e Pierre Hodgson Elenco: Kais Nashef, Ali Suliman, Lubna Azabal, Amer Hlehel, Hiam Abbass, Ashraf Barhom, Mohammad Bustami

PARADISE NOW - É o primeiro filme sobre os conflitos entre judeus e mulçumanos na região de Israel. Said e Khaled são dois jovens palestinianos, amigos de infância, escolhidos, quase que sem aviso, para cometerem um ataque suicida em Telaviv. Eles aguardavam a sua hora há vários anos e, quando ela chega, ambos têm tempo apenas para passar a última noite com as respectivas famílias. Mas, os seus instrutores terroristas avisam que ninguém pode desconfiar do facto. Assim, os agradecimentos são deixados para um vídeo. Após a última noite com as famílias, sem se poderem despedir, são levados à fronteira com as bombas atadas à volta do corpo. No entanto, a operação não corre como esperado e eles perdem-se um do outro. Separados, são confrontados com o seu destino e as suas próprias convicções... Durante as suas últimas horas de vida, um mergulha em dúvidas sobre a acção. Já o outro, filho de um colaborador executado como traidor, não hesita em seguir o seu destino. Paradise Now, trata-se de um pequeno e poderoso filme, realizado em Nablus, traz-nos uma visão interior das vidas normais de pessoas em condições desesperadas. As cenas deste filme, mostram-nos que actos pacifistas podem vir das fontes mais improváveis possíveis.

Num período em que o conflito entre Israel e a Palestina gera notícias constantes em grande parte dos telejornais, devido aos cenários de tensão quase diária, as abordagens cinematográficas centradas nesta temática começam também a evidenciar-se. Foi o caso do interessante filme "Syriana", de Stephen Gaghan, ou do soberbo "Munique", de Steven Spielberg, e é também o de "O Paraíso, Agora!" (Paradise Now), que ao contrário dos anteriores não nasce em Hollywood mas da iniciativa do palestiniano Hany Abu-Assad. Alvo de consideráveis distinções a nível internacional - Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, nomeado para os Óscares na mesma categoria e premiado no Festival de Berlim, entre outros -, o filme poderia ser um dos que se torna foco de atenção mais pela relevância da temática e boas intenções da sua "mensagem" do que pela abordagem

que propõe e méritos cinematográficos, mas felizmente Abu-Assad oferece aqui uma prova de sensibilidade e inteligência, suscitando a reflexão sem se tornar estridente, maniqueísta ou oportunista.

Alicerçado na recruta de dois jovens amigos palestinianos para a realização de um atentado suicida em Telavive, "O Paraíso, Agora!" mergulha nas inquietações que levam a que cidadãos comuns se transformem em terroristas, evitando o sensacionalismo de algum jornalismo e surpreendendo pela contenção com que trabalha questões tão controversas. Aqui as personagens não são meros instrumentos que se limitam a debitar posicionamentos políticos e morais (embora estes sejam discutidos), antes figuras complexas e credíveis que o filme explora com genuína densidade emocional, nunca abdicando da dimensão humana. A direcção de actores é, por isso, decisiva, e se todos são verosímeis é obrigatório destacar Kais Nashef, brilhante na pele de Saïd, o denso e circunspecto protagonista, muito longe dos lugares-comuns a que são associados muitas vezes os agentes suicidas. Notabilizando-se com uma das mais subtis interpretações do ano, Nashef cativa pelo seguro underacting, cujo olhar desencantado traduz todas as contrariedades de um quotidiano pouco esperançoso.

Os perigos do dia-a-dia dos palestinianos foram, de resto, testemunhados pela própria equipa do filme, que durante a rodagem em Nablus lidou com alguma desconfiança de parte da população local e reflexos dos ataques dos mísseis israelitas, o que levou a que elementos da equipa alemã desistissem ao fim de poucos dias.

Documentário - Darfur: Chamamento à Consciência
Ano: 2008 País: Espanha

Género: Documentário

Sinopse: A limpeza étnica que está a ocorrer na região sudanesa de Darfur passou a ser uma guerra esquecida para a comunidade internacional. Em 2006 correspondentes viajaram a Darfur e documentaram com gravações e testemunhos o genocídio que sofre há vários anos o Povo Fur e Zagagua. As equipas de gravação conseguiram ter acesso à zona proibida do conflito, onde não tinha ainda chegado a comunicação social nem as organizações internacionais. Deste modo, conseguiram obter as primeiras imagens dos horrores da zona, entre as quais se destacam valas comuns com 200 jovens assassinados ou relatos de meninas que asseguram ter sido violadas por mercenários árabes. Os chefes das tribos de Darfur rapidamente solicitaram que actuassem como representantes dos seus povos perante a ONU para informar sobre o que ali estava a acontecer. Não perca este exclusivo documentário de produção própria onde iremos seguir o processo de denúncia perante o Tribunal Penal Internacional contra numerosos membros do governo sudanês. Para tal, iremos contar com a presença de Mohamed, um jovem fur que perdeu grande parte da sua família nesta guerra...

Sobre o Conflito no DARFUR - SUDÃO
Geografia O Darfur (ou "terra dos fur", em árabe) - região no extremo oeste do Sudão. Faz fronteira com a Líbia, o Chade e República Centro-Africana. A sua superfície é de 493180 km2. Darfur divide-se em 3 zonas: o norte maioritariamente seco, deserto; centro e sul menos secos, petróleo, água no subsolo, mais propício à agricultura. As principais regiões do Darfur são: Fasher, Nyala e El Geneive. As principais tribos da região são: Fur (que emprestam o nome a região), Masalit e Zaghawa. O Darfur tem cerca de 6 milhões de habitantes. Apenas 44,4% das crianças do sexo masculino - e um-terço do feminino - frequentam a escola. O Conflito

Em 2003, dois grupos armados da região de Darfur revoltaram-se contra o governo central sudanês. O Movimento de Justiça e Igualdade e o Exército de Liberação Sudanesa acusaram o governo de oprimir os não-árabes em favor dos árabes do país e de negligenciar a região de Darfur. Em reacção, o governo lançou uma campanha de bombardeamentos aéreos contra localidades do Darfur em apoio a ataques por terra efectuados por uma milícia árabe, os janjauid. Incendeiam aldeias inteiras, forçando os sobreviventes a fugir para campos de refugiados localizados no Darfur e no Chade; muitos dos campos do Darfur encontram-se cercados por forças janjauid. As mortes causadas pelo conflito são estimadas entre 50 000 e 450 000). A maioria das ONGs trabalha com a estimativa de 400 000 mortes. A comunicação social descreve o conflito como um caso de "limpeza étnica" e de "genocídio". As Nações Unidas só recentemente admitiram, mas de maneira muito tranquila o genocídio. Há acusações de violações dos direitos humanos, inclusive assassinatos em massa, saques e o estupro sistemático da população não-árabe do Darfur. Têm sido assinados alguns acordos de paz entre as diferentes facções em conflito, mas nunca respeitados. Nem a presença no terreno de uma força de paz enviada pela união africana consegue manter a segurança. Intervenção da comunidade internacional
1. Passividade

Interesses diplomáticos: na altura em que surgiu o conflito em Darfur, a comunidade internacional estava concentrada mais no sucesso e na mediação do acordo de paz entre o Sul do Sudão e Cartum que ponha fim à guerra mais longa da história da África. Tomar medidas ou actuar neste foco de conflito que se anunciava era uma autêntica "pedra no sapato". Daí que o conselho de segurança das ONU tinha a informação da situação, mas para não atrapalhar o sucesso do acordo de paz absteve-se de qualquer medida ou declaração. Nesse momento, USA e UK estavam empenhadíssimos na guerra no Iraque. Omar el Bashir chegou mesmo a ameaçar que se houvesse alguma intervenção da ONU, a situação se tornaria um outro Iraque. Por outro lado China e Rússia sempre se opuseram a qualquer intervenção militar da ONU num estado soberano (por isso para o Iraque foram USA e UK mais alguns países e não a ONU); além disso, a China era um dos principais aliados do governo sudanês, como comprador e explorador do petróleo sudanês. As energias políticas e diplomáticas a nível internacional estavam sim na luta contra o terrorismo... Numa entrevista de Kofi Anan ao canal História o entrevistador perguntou-lhe: "quando as pessoas recordarem a história desta época ao pensarem no que aconteceu no Ruanda, de que forma julgarão a forma como a comunidade internacional reagiu à tragédia do Darfur e aos seus pedidos de socorro?" Kofi Anan não podia ser mais lacónico: "Será

um juízo muito desfavorável... é quase certo que fomos lentos, hesitantes e negligentes. E que não aprendemos nada com o Ruanda."

Intervenção Em 2006, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma Resolução de envio de uma força de manutenção da paz da UA, composta de 7 000 soldados. Esta força não tem nem meios nem autoridade para fazer o que quer que seja. Em Maio de 2006, o Exército de Liberação Sudanesa, principal grupo rebelde, concordou com uma proposta de acordo de paz com o governo. O acordo, preparado em Abuja, Nigéria, foi assinado com a facção do Movimento liderada por Minni Minnawi. No entanto, o acordo foi rechaçado tanto pelo Movimento Justiça e Igualdade como por uma facção rival do próprio Exército de Liberação Sudanesa, dirigida por Abdul Wahid Mohamed el Nur. Os principais pontos do acordo eram o desarmamento das milícias janjawid e a incorporação dos efectivos dos grupos rebeldes ao exército sudanês. Apesar do acordo, os combates continuaram. Em 31 de Julho de 2007 o Conselho de Segurança das Nações Unidas votou por unanimidade a resolução 1769 que aprova a constituição de uma força militar conjunta da ONU e da União Africana (UA) para o darfur. A resolução autoriza a formação de uma força denominada Unamid, constituída por 26 mil soldados e polícias. Esta força terá a missão:
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apoiar os sete mil soldados da União Africana, actualmente no terreno proteger o seu pessoal das nações unidas, assegurar a segurança e a livre circulação dos trabalhadores humanitários prevenir os ataques e as ameaças contra os civis. autoriza o uso da força se esta for necessária.

O Sudão opôs-se à Resolução e, no dia seguinte, lançou uma grande ofensiva na região. Mais tarde aceitou esta resolução. Intervenção humanitária Segundo o Eng António Guterres, mais de 14.000 pessoas de organizações humanitárias trabalham no terreno, além dos funcionários da ONU. Calculam-se cerca de 20.000 pessoas.

O cenário Darfur
Em apenas quatro anos, morreram no Darfur, vítimas da guerra, da fome ou da doença pelo menos 200 mil pessoas - os piores prognósticos apontam para 400 mil - na sua larga maioria civis indefesos.

Calcula-se que pelo menos 2,3 milhões de pessoas tenham sido obrigadas a deixar as suas casas e a procurar refúgio em campos onde estão totalmente dependentes das organizações humanitárias. Todos os dias morrem pessoas, a maior parte crianças, de todas as mais vulneráveis. Apesar do Tribunal Penal Internacional ter declarado a existência de práticas de Crimes de Guerra e Crimes contra a Humanidade e da ONU ter reconhecido a existência de indícios de um Genocídio, a tragédia da província sudanesa do Darfur arrasta-se desde Fevereiro de 2003, debaixo dos olhos de uma comunidade internacional pouco consequente. Os ataques às populações sucedem-se em redor dos próprios campos onde se concentram as populações deslocadas, não sendo garantida a sua segurança. As organizações de ajuda humanitária tem sido também alvos frequentes das milícias, que procuram paralisar a sua actuação, agravando ainda mais a situação de extrema debilidade de milhões de pessoas refugiadas. Entretanto o sofrimento causado pelo conflito já ultrapassou as fronteiras do Sudão, com milhares de refugiados a fugirem para o Chade (gerando por sua vez um número de deslocados internos que ascende já a 200 mil) e para a República Centro-Africana, aonde continuam a ser perseguidos pelas milícias Janjauid.

A situação actual
A decisão da comunidade internacional do envio de uma força híbrida de Paz da ONU e da União Africana (UNAMID) para a região, tomada no passado dia 31 de Julho, muito embora tardia, vem finalmente trazer alguma esperança a estas populações.

A pressão da sociedade civil parece ser agora fundamental para conseguir a pronta articulação internacional e a mobilização dos meios humanos e materiais necessários ao rápido estabelecimento de um contigente que garanta a segurança na região.

Documentário – Congo Files

Ano: 2009 País: França Género: Documentário Sinopse: Congo Files é imprescindível para entender o que aconteceu, acontece e acontecerá na República Democrática do Congo, um país rico de cidadãos pobres. A RDC é possuidora de um trágico recorde: alberga o conflito com maior número de vítimas depois da Segunda Guerra Mundial. Vítimas das quais são responsáveis não só os governos do país, como igualmente a comunidade internacional. Congo Files mostra a tragédia de um país parado no tempo, à margem das mudanças de governantes? Simplesmente, porque o mundo o tolera...

Histórico dos conflitos armados no Congo

A guerra no Congo (antigo Zaire) terminou oficialmente em 2003, mas o país continua sendo palco de conflitos e enfrenta uma das piores crises humanitárias do mundo. Apesar de ser rico em diamantes, ouro e outros minérios, milhões de congoleses ainda sofrem com a letal combinação de doenças e fome causadas pelo actual conflito, que ocorre no leste do país e os obriga a abandonar as suas casas.

A origem do confronto na Província Kivu do Norte data de 1998, quando teve início uma guerra de cinco anos, que deixou 4 milhões de mortos - o conflito mais mortífero no mundo desde a 2ª Guerra - e 3,4 milhões de refugiados. Ela foi detonada após o genocídio de 1994 no vizinho Ruanda, onde 800 mil tutsis foram assassinatos pelos hutus. Em 1996, o governo tutsi, que assumiu o poder depois da guerra, invadiu o Congo para perseguir os rebeldes hutus e deu início à guerra, que envolveu, o Ruanda, Angola, Uganda, Zimbábue e Namíbia. Eleito presidente em 2006, Joseph Kabila conseguiu desmobilizar vários grupos rebeldes e integrá-los no Exército congolês. No entanto, o general Laurent Nkunda rejeitou o acordo e formou uma milícia para, segundo ele, proteger os tutsis da região de Goma, na fronteira com Ruanda. Intensos conflitos entre os homens de Nkunda e o Exército estão arrastando o país de volta na guerra. A história do país tem sido marcada pela corrupção e guerra civil. Depois da independência, em 1960 (era colónia da Bélgica), o país imediatamente encarou um levante militar e uma tentativa de separação da província de Katanga, rica em riquezas minerais. Um ano depois, o seu primeiro-ministro, Patrice Lumuba, foi sequestrado e morto por tropas do Exército de Joseph Mobutu. Em 1965, Mobutu tomou o poder, passou a adoptar o nome de Mobutu Sese Seko e mudou o nome do país para Zaire. Mobutu tornou o Zaire numa plataforma de operações contra Angola, que era então apoiada pela União Soviética. No entanto, ele também fez o país transformar-se num sinónimo de corrupção. Em 1997, a Ruanda invadiu o Zaire para acabar com os rebeldes extremistas Hutu, o que deu impulso a outros grupos contra o presidente Mobutu. A capital Kinshasa foi capturada rapidamente e o novo ditador mudou outra vez o nome do país para República Democrática do Congo. Entretanto, os problemas continuaram. Kabila envolveu-se numa nova briga com os seus antigos aliados - e uma nova rebelião teve início. Angola, Namíbia e o Zimbábue tomaram o lado do governo, transformando o país num vasto campo de batalha. O governo deixou de controlar grandes partes do território, o que levou à situação que perdura até hoje. O motivo da guerra é um mortal coquetel de rivalidades étnicas e recursos naturais. A República Democrática do Congo tem o mesmo tamanho da Europa ocidental e mais de 250 grupos étnicos disputando poder e riqueza. Em 1998, rebeldes apoiados pelo Ruanda e Uganda tentaram depor o ex-presidente Laurent Kabila. Eles acusaram-no de deixar grupos rebeldes atacarem os países vizinhos partindo das suas bases no Congo. Os rebeldes estavam a ponto de tomar o poder quando Angola, Zimbábue e a Namíbia resolveram intervir em nome do governo congolês depois que a situação parecia estar num grande impasse. A ONU acusou altas autoridades do Ruanda, Uganda e Zimbábue de usarem a intervenção no Congo como desculpa para saquear as suas imensas riquezas minerais - em especial, os diamantes.

Entender as razões do conflito no Congo (2008)
Os confrontos entre tropas da República Democrática do Congo, vários grupos de milícias e rebeldes liderados pelo general Laurent Nkunda aumentam o risco de uma catástrofe humanitária na região.

Todos os envolvidos no conflito são acusados de atrocidades contra civis Segundo a Organização das Nações Unidas, ONU, cerca de 45 mil pessoas deixaram campos de deslocados no leste do Congo nas últimas semanas, fugindo dos rebeldes que estavam a avançar pela região - que já tem cerca de 1 milhão de deslocados. As forças rebeldes ameaçam tomar Goma, capital da província de Kivu do Norte e uma das maiores cidades do leste do país. Os confrontos ganharam força a partir de Agosto, quando um acordo de paz assinado entre o governo e os rebeldes em Janeiro foi suspenso. Por que estão a ocorrer novos confrontos? Não está claro ainda. O general Nkunda diz que luta para proteger a sua etnia, a tutsi, de ataques por parte de rebeldes ruandeses da etnia hutu. Entre esses rebeldes, segundo

Nkunda, estariam ruandeses acusados de participar do genocídio ocorrido no Ruanda em 1994, que se auto denominam Frente Democrática de Libertação do Ruanda, FDLR. No genocído do Ruanda, milícias extremistas hutu e integrantes do Exército ruandês foram acusados de cometer um massacre sistemático de tutsis. Em 100 dias, cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados foram chacinados.

O governo do Congo já prometeu repetidas vezes impedir que milícias hutus utilizem o seu território, mas até agora não cumpriu a promessa. Observadores referem que o governo congolês apoia igualmente grupos de milícias que actuam na região. O último prazo para cumprir essa medida expirou no final de Agosto, exactamente quando os confrontos foram retomados. No entanto, alguns analistas afirmam que os confrontos poderiam ter outro motivo. O leste do Congo é rico em recursos naturais, como ouro, e a luta poderia ser pelo controle dessas riquezas. O general Nkunda tem apoios? O governo do Congo acusa o Ruanda de apoiar o general Nkunda com tropas e artilharia pesada. O Ruanda nega essas acusações, apesar de ter invadido o Congo duas vezes nos últimos anos. O presidente de Ruanda, Paul Kagame, é um ex-combatente tutsi, líder da Frente Patriótica do Ruanda, FPR, que participou no derrube do regime responsável pelo genocídio. O Exército congolês é acusado de colaborar com rebeldes hutus tanto nos confrontos armados como na exploração das minas da região. Isso leva alguns analistas a Os conflitos já provocaram afirmar que seria plausível perto de 1 milhão de que o Ruanda estivesse a deslocados internos usar as forças do general Nkunda para pressionar o Congo a cumprir a sua promessa de desarmar as milícias hutus.

O que é que a ONU tem feito em relação ao conflito? Essa é a pergunta feita por muitos congoleses. A ONU tem uma força de paz de 17 mil soldados no Congo - a maior missão da organização no mundo, a MONUC. Alguns congoleses acusam a ONU de não fazer nada, e já houve ataques aos escritórios da organização em Goma. A missão da ONU, porém, enviou helicópteros para ajudar a travar o avanço das forças rebeldes em Goma e pediu reforços para ajudar a pôr fim aos confrontos. O próprio Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, está agora pessoalmente envolvido nas negociações e nomeou um enviado à região, o antigo presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo. Qual a situação dos civis? As agências humanitárias estão extremamente preocupadas com as dezenas de milhares de pessoas que vivem na área dos conflitos. Todos os lados são acusados de cometer atrocidades contra civis, principalmente violações em massa. Segundo a Organização das Nações Unidas, ONU, os confrontos violentos dos últimos meses estão a provocar uma catástrofe humanitária para a região que conta agora com cerca de 1 milhão de deslocados.

Bom estudo!

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