Aprendendo a tocar o clarinete

Elaboração de:

Jorge Nobre

CLARINETE Instrumento musical de sopro. Compreende um tubo, geralmente de madeira, que tem a extremidade em forma de campânula e um bocal cônico com uma única palheta. Tem quatro registros: grave, médio, agudo e superagudo. Os sons são produzidos quando se sopra através da palheta, enquanto os dedos do músico abrem e fecham os orifícios ao longo do tubo Considerações Históricas, Evolução do Sistema de Chaves, O Período Romântico

Considerações Históricas
O predecessor do clarinete foi a charamela que se pode considerar como o primeiro instrumento musical de palheta única. Apareceu em finais de 1600 e era muito pouco versátil e funcional uma vez que a tua tessitura não chegava sequer às 2 oitavas. Johan Christoph Denner (Nuremberga) e o seu filho Jacob são apontados como os “inventores” da chamada “chave de registo” que permitiu à charamela aumentar significativamente o seu registo tímbrico. Contudo, curiosamente na charamela ( e actual clarinete) a mudança de registo faz-se ao intervalo de 12ª ao passo que nos restantes instrumentos de palheta tal transposição ocorre à 8ª. Dessa forma, por exemplo, com todos os orifícios tapados e sem a “chave de registo” accionada o clarinete emite a nota Mi, ao passo que com a chave activa não emite a oitava superior dessa nota mas sim a nota Si num intervalo de 12ª. Devido a esta inovação introduzida por J. C. Denner, este último é considerado como o inventor do clarinete. O clarinete é ainda distinto e único em termos da configuração do seu corpo. Enquanto os outros instrumentos de sopro apresentam uma configuração cónica (até mesmo a flauta), alargando à medida que se avança de uma extremidade para a outra, o corpo do clarinete é cilíndrico, o que justifica a excepcional mudança de registo já referida e uma unicidade em termos das suas particularidades tímbricas. Em finais de 1700 o clarinete sofreu diversas fases evolutivas com a introdução de novas chaves e alterações ao nível do diâmetro e posições dos orifícios, por exemplo. Iwan Muller (Alemanha) desenvolveu nesta fase o clarinete de 13 chaves cuja popularidade se manteve até finais do séc. XIX. Entre 1839 e 1843, Klosé e Buffet adaptaram ao clarinete o sistema Bohem (da flauta) de colocação dos dedos. Apesar deste ser o sistema habitualmente utilizado hoje em dia, subsistem ainda outros sistemas, como é o caso dos sistema “Albert” e “Oehler” (usados sobretudo na Alemanha). O “basset horn” é um tipo de clarinete habitualmente afinado em Fá.

nesta altura o clarinete era sobretudo tocado por oboeístas que tocavam ambos os instrumentos (oboé e clarinete) não havendo a tradição de um instrumentista se dedicar em exclusivo ao clarinete. Tal como se referiu anteriormente. de tal ordem que é por muitos considerado como o verdadeiro pai do clarinete moderno. O clarinete bohem é hoje em dia composto por 17 chaves. . Em 1710..Evolução do Sistema de Chaves A evolução da charamela para o clarinete. Denner colocou as 2 chaves de tal modo que uma delas (chamada “chave de registo”) possibilitou o aumento da tessitura do clarinete para aproximadamente 3 oitavas. Um sistema híbrido é ainda utilizado no fagote. O clarinete de 5 chaves manteve-se como standard até princípios do séc. Este sistema foi entretanto aplicado não apenas ao clarinete. mas também ao oboé e saxofone. nascido na Russia. A ideia básica deste sistema é que a colocação dos orifícios do instrumento é feita em função de critérios acústicos mais do que em critérios de conforto manual (os orifícios dos clarinetes não Bohem eram projectados para facilitar o manuseamento mecânico das mãos). mas sim do entendimento que os mestres da época partilhavam de que este tipo de clarinete. considerando a complexidade dinâmica. Começa então a introduzir alterações na construção do clarinete. poderia acabar com os outros tipos de clarinete então existentes (com diferentes afinações) pondo em causa a variedade tímbrica e recursiva a que tais diferentes clarinetes se prestavam. traduziu-se na criação de um instrumento que na época (ap. Desta forma. Por volta de 1700. e as limitações técnicas de um instrumento com apenas 5 chaves. desenvolvendo intrincados mecanismos de chaves. fixou-se por volta de 1809 em Paris. permitindo combinações técnicas que de outro modo só seriam possíveis com recurso a dedos suplementares. 1690) não tinha mais do que 7 buracos e 2 chaves “operando” num curtíssimo registo tímbrico de 12ª. Ivan Muller. É curioso notar que foi para o clarinete de 5 chaves que Mozart escreveu o seu Concerto e Quinteto. O passo seguinte da evolução do clarinete foi a adaptação ao clarinete do sistema Bohem. altura em que Ivan Muller introduziu lhe importantes modificações. com afinação em Sib. Muller apresentou o seu “invento” (um clarinete com 13 chaves) ao Conservatório de Música de Paris em 1815. e foi chumbado redondamente. efectuou várias experiências na colocação das chaves descobrindo posições que permitiam atingir registos mais agudos e uma melhor afinação. por um lado. Jacob Denner. Não obstante. 19. a introdução e estandardização do sistema Bohem decorreu a partir da adaptação do sistema usado na flauta (cuja criação é atribuída a Theobald Bohm). tímbrica e cromática das mesmas. Tal rejeição não derivou directamente do sistema apresentado por Muller. da responsabilidade de Johann Denner. cidade onde se situavam os principais fabricantes de instrumentos em madeira da época. filho de Johannn. É extraordinário imaginar a agilidade e virtuosismo do instrumentista a quem na altura coube a missão de executar tais obras. J.. Por volta de 1740 foi introduzida a terceira chave e em 1778 o clarinete standard tinha já 5 chaves. o recurso às chaves para abertura e oclusão dos orifício reveste-se de particular importância esbatendo assim as dificuldades mecânicas....

o clarinete apresenta-se como um dos que se presta a maiores virtuosismos técnicos por parte dos seus executantes. Dos instrumentos tradicionalmente usados nas bandas filarmónicas. metais e outros instrumentos de madeira tornaram o clarinete um alvo preferencial para os compositores da época. New York : The Instrumentalist Company. Edited by The Instrumentalist. 1976. ópera e música de câmara bem assim como ao nível da escrita de obras a solo. A principal limitação deste sistema de colocação dos dedos é que “obriga”. ao nível das bandas filarmónicas. The Use of the Clarinet in C. The Clarinet. nesta altura. ao nível da música sinfónica. também requer o cruzamento de dedos e difere bastante do sistema Bohem. o aumento da tessitura e aparecimento de instrumentistas virtuosos. é normalmente confiado às cordas. ao cruzamento de dedos (dificuldade que o sistema Bohem ultrapassou) o que se torna particularmente limitante em passagens mais difíceis que exijam destreza de dedos. Hoje em dia. Oxford : Clarendon Press. The Baroque Clarinet. 1992. New York : Schirmer. O sistema Oehler (pronuncia-se “oiler”) por seu turno. Daniel. Nos períodos anteriores a presença do clarinete no conjunto das obras musicais então escritas era claramente rudimentar ou inexistente. Norton Company. Leeson. Kroll. Albert. New York : W. Classical Music. Edição: STUDIO NOBRE . particularmente aos violinos. Jack. 1965. Clarinet. Philip. New York : Taplinger. Woodwind Anthology. como já se disse. a par da sua excepcional capacidade de mistura tímbrica com as cordas.O sistema Albert. em determinadas circunstâncias. W. Oskar. O Período Romântico marca assim o apogeu do clarinete. Este tipo de clarinete apresenta um conjunto de 22 chaves e é usado sobretudo na Alemanha. um papel de relevo ao nível de géneros como a música sinfónica. 1983. de tal modo que este instrumento adquire. A charamela (predecessor do clarinete) surgiu por volta dos séc. Downs. Referências bibliográficas Brymer. ainda é usado em algumas regiões da Europa e Estados Unidos. Os desenvolvimentos e aperfeiçoamentos mecânicos já referidos. A sua principal particularidade reside na utilização de chaves com “rolamentos” semelhantes às que se encontram nos saxofones. 1992. o clarinete assume o papel que. 16/17 e apenas no período Barroco. O Período Romântico O Romantismo pode ser considerado como o período no qual o clarinete adquiriu a sua identidade e maturidade enquanto instrumento de eleição. Rice. ainda que de modo insipiente começam a aparecer obras musicais com inclusão do clarinete.

DIGITAÇÃO DO CLARINETE .

˙ .Ce.Clarinete Clarinet in B b Estudar Lentamente e Marcando sempre o COMPASSO Jorge Nobre &c w 7 01 = NOTAS LONGAS w w w ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ w ˙ ˙ ˙ w ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ w w w w ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ w ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ w w ∑ w w w &w & ˙ ˙ w w 12 02 = Exercícios com as primeiras notas 17 &˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ w ˙ ˙ ˙ w w ˙ ˙ ˙ ˙ 21 & 26 &˙ w ˙ ˙ ˙ ˙ w w w ˙ w w 32 & & 03 = Região das notas graves 38 04 = Exercício com as notas graves 42 & & w 48 © Edição de Jorge Nobre / Ipu .

Ce. .54 & 05 = Exercício com as primeiras notas e com as graves ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ w w w ˙ ˙ ˙ ˙ w w w w ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ w w w w w ˙ ˙ ˙ ∑ 60 &˙ 06 = ˙ w w w w 67 & w Notas agudas w w w ∑ w w w w w #w w 73 &w & w 79 07 = Notas agudas 85 & & w w 08 = Exercício com o registro para conhecer toda a extensão do clarinete 92 108 &w w 120 & 134 w w w w bw w w w w #w w w #w #w bw #w w w bw bw w w w w #w #w w w #w #w bw bw w w bw bw #w w w w w bw w & w bw w w © Edição de Jorge Nobre / Ipu .

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Exercícios de Terças Clarinete B b 2 &4 ˙ 15 &˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ 29 & ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ 43 &˙ ˙ ˙ ˙ 59 œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ 2 & 4œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œœ œœ œœ œ œ 73 œ œ œœ œœ œœ œ œ & œ œ œœ œœ œœ œ œœ œœ ˙ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ &2 œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ œ 4œ œ œœ œ œœœ œ 98 œ œœœ œœœœ œ œ & œ œ œœœœ œœœ œœœœ ˙ œ 91 © Edição: Jorge Nobre / Ipu . .Ce.

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