Análise e síntese dos 78 incisos do artigo 5º da Constituição Federal do Brasil e de suas principais idéias, feita por Kamila Venuto

de Souza e Gabriel Freitas Angst.

Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
O artigo 5º trata dos direitos e deveres individuais e coletivos que são objeto dos incisos I ao LXXVIII e parágrafos. Estes são, em suma, os princípios fundamentais hoje genericamente denominados Direitos Humanos. O Caput do artigo 5º garante o princípio da isonomia, assegurando aos brasileiros (natos e naturalizados) e aos estrangeiros residentes no país os direitos nele elencados (há autores que afirmam que os turistas também têm os direitos do artigo 5º, e o caput desse artigo estaria com falha de construção; há também quem diga que a Constituição quis dizer isso mesmo, e os turistas seriam protegidos por tratados internacionais [{§3º} Leonardo Martins]. O princípio da isonomia é um princípio jurídico informador de toda a ordem constitucional. A igualdade pode ser formal ou material. Fala-se em igualdade formal [perante a lei] quando todos são tratados da mesma maneira (igualdade perante a lei), e em igualdade material [real; na lei] quando os mais fracos recebem um tratamento especial no intuito de se aproximar aos mais fortes.
O termo igualdade pode ser interpretado de duas formas: 1. a primeira no sentido de dar aos cidadãos as mesmas regras (“todos são iguais perante à Lei”) – sentido de “Igualdade Formal”; 2. o segundo no sentido de conceder a cada cidadão a devida norma, prezando por suas diferenças e igualdades (Conceito Aristotélico de justiça ) – sendo este no sentido de “Igualdade Material”.

“A legislação não pode diferenciar de forma arbitrária os indivíduos, para tanto considera-se três finalidades fundamentais: 1º - A limitação do legislador - O legislador está obrigado no exercício de sua função legislativa a respeitar o principio da igualdade não podendo por meio de leis diferenciar abusivamente e até mesmo arbitrariamente as pessoas; 2º - Limitação ao intérprete - Diz respeito principalmente à autoridade pública. Podemos citar como exemplo a limitação ao poder judiciário quando tribunais diferentes ao aplicar a mesma lei a fatos idênticos dão diversas interpretações aos casos concretos, neste caso caberá recurso especial para o STJ garantir o principio da igualdade; 3º - Limitação aos particulares - Os particulares em suas relações devem respeitar o princípio da igualdade, impedindo que façam discriminações abusivas, para tanto poderão responder pelos seus atos, como por exemplo: responder por danos morais ou constrangimento ilegal, etc”. São características dos direitos fundamentais: a) historicidade: tiveram origem no Cristianismo; b) universalidade: são destinados a todos os seres humanos; c) limitabilidade: não são absolutos. Dois direitos fundamentais podem se chocar, hipótese em que o exercício de um implicará a invasão do âmbito de proteção de outro. Nesse caso, exigese um regime de cedência recíproca; d) concorrência: podem ser “acumulados” (um mesmo titular pode ter diversos direitos); e) irrenunciabilidade: os indivíduos não podem dispor desses direitos; f) inalienabilidade; g) imprescritibilidade: não há perda pelo não-exercício;
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É preciso lembrar que os direitos fundamentais não são apenas os numerados pelo Título II da Constituição, podendo ser encontrados esparsamente. E, por fim, não esquecer que, segundo o artigo 60, §4º da Constituição Federal, todos os direitos e garantias individuais (o artigo 5º por completo) são cláusulas pétreas, sem prejuízo das demais enumeradas. Completa ainda o caput a garantia da inviolabilidade do direito à vida (o Estado deverá promover todas as ações necessárias à saúde das pessoas, criando e mantendo hospitais, por exemplo), o princípio da liberdade, o princípio do direito à segurança (segurança contra assaltos, contra o desemprego, etc.) e o direito à propriedade, onde a Constituição fornece alicerces para o desenvolvimento econômico e social do país.

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
Também faz parte do princípio da igualdade. Reforça o princípio da isonomia, no qual todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, mas dessa vez com enfoque na igualdade entre os sexos. Com relação a esse princípio, ele é baseado no artigo 3º, IV (afastamento de qualquer forma de discriminação) e firma, por exemplo, o artigo 7º, XXX (proibição da diferença de salários para a mesma função, por motivos de sexo, idade, cor ou estado civil). Nota-se influências também no artigo 5º, XLVIII.

II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
Vê-se aqui a enunciação de um princípio basilar do Estado de Direito: o Princípio da Legalidade, ou seja, somente a letra da lei pode impor obrigações ou dispensas. Alguns atos administrativos, no entanto, possuem força de lei quando nos obrigam à determinados procedimentos (apresentar determinados documentos pessoais, requerimentos, ou então obedecer a regulamentos de órgãos públicos). Embora determinados atos administrativos, como decretos e portarias, também obriguem os cidadãos, em última análise, isto só é possível porque alguma lei permite.

III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
Decorre do direito à vida. A lei 9.455/97 define em seu artigo 1º o que é tortura: “Art. 1º Constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; c) em razão de discriminação racial ou religiosa; II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.”
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Tratamento degradante é o que humilha e diminui a pessoa diante dos olhos dos outros, e dos próprios olhos. Tratamento desumano é o aplicado com intenso sofrimento físico ou mental, sem que tenha um propósito claro, sem haver uma motivação aparente. As garantias trazidas no inciso III do artigo 5º são valores individuais superiores a qualquer interesse coletivo.

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
A liberdade manifestação constitui um direito fundamental do cidadão, manifestação esta que se externa de diversas formas – oralmente, por escrito, entre outras. Porém, tais liberdades públicas não se dão de maneira absoluta e incondicionada, havendo limites que impossibilitam manifestações de conteúdo imoral e que venham a implicar qualquer ilicitude. Além disso, é vedado o seu anonimato, cuja finalidade consiste em prevenir mensagens apócrifas (suposta, secreta); de cunho calunioso, injurioso, difamatório. A vedação ao anonimato, nada mais é do que uma garantia à incolumidade dos direitos de personalidade como a honra, a vida privada, a imagem e a intimidade, visando desta maneira, inibir o abuso cometido no exercício de manifestar seu pensamento e sua possível responsabilização, “a posteriori”, civil ou criminal.

V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
Esse inciso está relacionado com a atividade da imprensa e com os limites à liberdade de expressão. Resposta proporcional ao agravo seria, por exemplo, “publicação de resposta ou retificação na mesma página de veículo impresso, com destaque, dimensões (...) idênticos ao escrito ofensivo e em edição com tiragem normal” (art. 20, §1º, Nova lei de imprensa).
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logotipo ou insígnia. 5º traz uma garantia imprescindível em relação aos assuntos concernentes à religião. através da exposição indevida. esta sem dúvida. corolário de tempos de intolerância e desrespeito religioso. ela se mantém até onde inicia a liberdade do outro. Quanto à sua violação. ao afeto. também conhecida por liberdade subjetiva ou liberdade moral. com a expressão da crença através do culto. estamos diante da liberdade objetiva. por exemplo. ao respeito. à liberdade. à profissão. entre outros. a liberdade de consciência de ateus e agnósticos (doutrina que declara o espírito humano incompetente para conhecer o absoluto). a liberdade de consciência pode apontar para uma adesão a certos valores morais e espirituais que não passam por sistema religioso algum. a melhor técnica. bem como a utilização indevida do conjunto de elementos como marca. e a “atributo”. Deve existir uma divisão muito acentuada entre o Estado e a Igreja (religiões em geral). à saúde. sem necessidade de ocorrência de prejuízo econômico) e dano à imagem (aqueles que denigrem. Em segundo. Não se pode. consoante a vigente Carta Magna. Em primeiro lugar. embora tendo por centro um apego à paz e o banimento da guerra. A Constituição assegura a todos escolher livremente a crença e a ideologia política ou filosófica que quiserem. fazer pregações às duas horas da manhã. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. ao bem estar e à vida. das pessoas jurídicas). tanto a sua utilização indevida quanto o desvio de finalidade de seu uso autorizado caracterizam-na. que também é resguardada pelo Estado. pois a liberdade de consciência não se confunde com a de crença. a que é dada proteção jurídica. a forma como a pessoa é vista socialmente. porque uma consciência livre pode determinar-se no sentido de não ter crença alguma — por exemplo. Assim. por exemplo. não implicam uma fé religiosa própria. A imagem pode ser de dois tipos: a “retrato”. Evidentemente esta liberdade não é absoluta: pela interpretação sistemática. para se protegerem ambas. à psique. a imagem das pessoas físicas.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 4 . VI .Importante observar também a previsão de indenização por dano material (lesão concreta que afeta um interesse relativo ao patrimônio da vítima). moral (O dano moral é aquele que traz como conseqüência ofensa à honra. que é literalmente o aspecto físico da pessoa. É. pois isso interfere no direito de intimidade e privacidade do outro. não autorizada ou reprovável. o Estado deve se preocupar em proporcionar a seus cidadãos um clima de perfeita compreensão religiosa (regime de tolerância). abolindo a intransigência e o fanatismo. ao crédito. que corresponde à exteriorização da personalidade do indivíduo. ao nome. Exemplo disto são os movimentos pacifistas que. Com essa afirmação se quer dizer que. Quando esse direito se exterioriza. A Constituição Federal de 1988 consagra como direito fundamental a liberdade de religião. É a chamada liberdade interna. para que possa ser garantido o livre exercício de todas as religiões. na forma de lei. o inciso VI. Outro ponto relevante do atual texto constitucional é o afastamento de consciência e crença. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. prescrevendo que o Brasil é um país laico. do art.

assim como de impedir-lhes o acesso a dados sobre a privacidade de cada um. no caso de algumas religiões. às dependências internas dos referidos estabelecimentos. serviços comunitários. impedindo a invasão à área intangível de sua personalidade. fixada em lei. aonde. VIII . “pacífico está que a censura foi definitivamente abolida do nosso sistema legal”. obrigatório para todas as pessoas do sexo masculino com 18 anos de idade. Consiste na faculdade que tem cada individuo de obstar a intromissão de estranhos na vida privada e familiar. salvo se as invocar para eximirse de obrigações legais a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa. De conseguinte. quando solicitado. Assim. É comum. não há prestação alternativa que possa ser aplicada. o homem detém direitos sobre si e sobre suas projeções na sociedade. deve então a autoridade competente conceder uma prestação alternativa (fixada em lei). artística.ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. 5º. e militares.ex. a vida privada. científica e de comunicação. primeira parte do §2º). quando esta estiver prevista em lei. na consecução das respectivas metas e contínuo aperfeiçoamento. A liberdade não pode ser interpretada de forma extrema. a honra e a imagem das pessoas. IX – é livre a expressão da atividade intelectual. o que se tem denominado de “direito de estar só” (não ser invadido na personalidade). “o preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra o “direito à incitação ao racismo“. dado que um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas. científica e de comunicação. acarretando ao individuo a perda de seus direitos políticos. Eis o direito de liberdade de expressão intelectual.). ou seja. observados os limites definidos na própria Constituição (CF. onde a tecnologia faz com que a informação prepondere. Conforme julgado de HC do STF. por exemplo. até mesmo. como por exemplo nos hospitais. e também de impedir que sejam divulgadas informações sobre esta área de manifestação existencial do ser humano. ao invés do treinamento militar. permitindo a manutenção e desenvolvimento de suas potencialidades individuais e sociais. “encontrando a sua justa medida de contenção na esfera jurídica do outro”. de forma que. as Cartas Políticas vêm buscando proteger o cidadão de devidas intromissões. 5º. Caso contrário. isto é. dada a garantia constitucional. a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva. nos termos da lei. da imagem e. artística. art. a lesão Direito Constitucional: Artigo 5º Página 5 . Nesses casos. do art.” há “prevalência dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade jurídica”. além de garantir o acesso dos religiosos. O inciso X. as liberdades públicas não são incondicionadas. Assim. alegar-se escusa de consciência (proibição do exercício de alguma atividade em virtude da opção religiosa) para a dispensa do serviço militar. da vida privada. oferece guarida ao direito à reserva da intimidade. portanto. X . Quem presencia um crime. Esse inciso também veda expressamente a censura. que contraria determinada religião. da honra. o cidadão deve cumprir o dever alternado. etc. como sucede com os delitos contra a honra. Assim. mediante identificação. ela não poderá ser alegada. protegendo os bens jurídicos da intimidade. assim como ao da vida privada.são invioláveis a intimidade. Um cuidado se deve ter: só se pode alegar escusa de consciência quando a obrigação legal a todos imposta permitir uma prestação alternativa. execução de serviços bancários. no que diz respeito ao direto de privacidade. de forma que devem ser exercidas de maneira harmônica. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Nos dias de hoje. Garantia ao cidadão do direito de assistência religiosa em entidade civis. o indivíduo preste algum outro serviço (p. não poderá mais votar ou ser votado em uma eleição – o que em um pais democrático como o Brasil é algo muito grave. em categoria jurídica.VII – é assegurada. não pode dizer ao juiz que não pode testemunhas por razões de consciência – não há ato que substitua o depoimento dessa pessoa e. independentemente de censura ou licença. sob pena de perder seus direitos políticos e deixar de ser um cidadão.

salvo em caso de flagrante delito ou desastre. XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo. de forma que ninguém pode entrar nem sem consentimento do morador. Porém. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 6 . por determinação judicial. Esse artigo consagra a inviolabilidade do domicílio. b) qualquer aposento ocupado de habitação coletiva. conforme o efeito produzido no ofendido. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. durante o dia. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução no processo penal. Deve se considerar casa como o próprio imóvel que serve para residência do indivíduo. é permitida a entra mesmo no período noturno (inclusive afasta a exigência de mandado judicial). por ordem judicial.provocada "contra ius" à esfera de outrem. tem-se a noção de dano no âmbito jurídico. desastre. c) qualquer compartimento privado onde alguém exerce profissão ou atividade (área interna não acessível ao público). o conceito de “casa” abrange: a) qualquer compartimento habitado. que pode ser material ou moral. Ela é inviolável. como estado de flagrância. prestação de socorro e por determinação legal. Os trailers que servem como residência estão protegidos. no último caso. ou. XII .é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. Nos casos de urgência. salvas as hipóteses de flagrante delito. a terminologia “casa” é mais ampla que domicílio. Segundo o STF. de dados e das comunicações telefônicas. ou para prestar socorro. salvo. durante o dia. razão pela qual foi utilizada na Constituição.

fins de investigação criminal ou instrução no processo penal. pois o bem jurídico protegido é a privacidade das pessoas.O direito assegurado neste inciso é reflexo do direito de intimidade. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. A importância dessa norma é que ela assegura que não é o Estado que determina a profissão. quando violada. ou seja. necessidades e conveniências. 5º: o da informação e do sigilo da fonte.é assegurado a todos o acesso a informação e a resguardo de sigilo da fonte. possui uma ação especifica para proteger os indivíduos: o habeas data. A inviolabilidade das correspondências e demais comunicações telegráficas é absoluta. sendo permitido colocar escutas e gravar conversas telefônicas. ainda que instalado no interior de presídio. É a garantia a liberdade para exercício de qualquer profissão ou ofício. até que a lei o defina. A Constituição assegura dois princípios no inciso XIV do art. o de se informar e o de ser informado. quando necessário ao exercício profissional.é livre o exercício de qualquer trabalho. ofício ou profissão. Tal garantia. mas desde que a opção não revele transgressão a qualquer norma proibitiva. XIV . prerrogativa dogmática de todos os cidadãos. e apenas com finalidade de investigação criminal ou de instrução no processo penal. desde que haja ordem judicial neste sentido ou quando feita por um dos interlocutores da conversa (excludente de antijuricidade). pelo que é descrito no texto legal. A garantia que a Constituição dá.. por exemplo. não é permitida a escuta telefônica. É importante notar que a redação do inciso XII é restritiva. XIII . vedando ao Estado a limitação laboral.. para instruir um processo civil. não distingue o telefone público do particular. O direito de informação contém um tríplice alcance: direito de informar. de forma que todos possam se orientar por suas vocações. desejos e necessidades. Assim. cabe apenas para “. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 7 . mas a das comunicações telefônicas não.”. mas o homem e as suas aptidões.

sendo apenas exigido o aviso prévio à autoridade competente. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 8 . de livremente ir e vir no território nacional. Além da pessoa. XVI . independentemente de autorização. em locais abertos ao público. nele entrar. permanecer ou dele sair com seus bens. podendo qualquer pessoa.todos podem reunir-se pacificamente. sem armas. organizado.250/67. vale também a garantia para os bens. sem qualquer limitação ou empecilho. sua finalidade é evitar a frustração de outra reunião previamente convocada para o mesmo local). 5º. No inciso XVI do art.é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz.Já o resguardo da segunda garantia abordada no inciso. podendo ser exercida de forma absoluta. A liberdade de reunião deve ser entendida como o agrupamento de pessoas. apenas é tratado o direito de liberdade de reunião. A reunião em locais fechados é garantida pelo Texto constitucional de forma implícita. Essa norma assegura o direito de locomoção a todas as pessoas. Em locais abertos ao público devem ser observados alguns requisitos: a) reunião pacifica. pois nada mais é do que o exercício do direito de reunião em movimento. nos termos da lei. Essa liberdade é garantida pelo Habeas Corpus. sem exigência de aviso prévio à autoridade competente. XV . em tempos de paz. de caráter transitório. permitindo a ampla apuração dos fatos comprometedores (direito regulamentado pela Lei n. As liberdades de expressão coletiva (pressupõem uma pluralidade de pessoas para ser exercido) são modalidades de direitos individuais (pertencem ao individuo). com uma determinada finalidade. vem com a necessidade do exercício da atividade jornalística. O sigilo da fonte é indispensável para o êxito de certas investigações jornalísticas. b) fins lícitos. 71). 5. sem armas. É importante salientar que o aviso prévio não deve ser confundido com a autorização do Poder Público. desautorizando qualquer lei que impeça a livre circulação de bens legitimamente adquiridos. e c) aviso prévio à autoridade competente (atende a uma necessidade administrativa. desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local. O direito de passeata também é assegurado pela Constituição. art. abrangendo o direito de reunião e o direito ou a liberdade de associação.

XVII . que visa um fim comum. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 9 . sendo vedada qualquer interferência estatal em seu funcionamento. com objetivos ilícitos. de qualquer forma. O direito à constituição de associações passa a ser livre e a personalidade jurídica adquire-se por mero ato de deposito dos estatutos. a de cooperativas independem de autorização. Associação paramilitar é a que se destina ao treinamento de pessoas no manejo de armas. sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento. configura-se como norma de eficácia contida. a Constituição assegura a sua liberdade de criação. Não é possível qualquer interferência estatal no funcionamento das cooperativas após terem sido legalmente constituídas. A associação é uma reunião estável e permanente.é plena a liberdade de associação para fins lícitos. na forma da lei. No que toca à formação da cooperativa. na medida em que esta sujeita a restrições a serem impostas pelo legislador ordinário que limitem sua eficácia e aplicabilidade. vedada a de caráter paramilitar. Direito coletivo que se diferencia da liberdade de reunião pela duração e pela finalidade. não é absoluta. a que tenha caráter paramilitar (que possui as características de uma força militar. XVIII . contudo. pois se exige que a associação seja para fins lícitos. estando proibida. O direito à livre associação constitui uma garantia básica de realização pessoal dos indivíduos na vida em sociedade. condicionando-a á observância do disposto na lei. Tal vedação.a criação de associações e. órgãos particulares que se estruturam de forma análoga às Forças Armadas). É mister destacar também que o inciso XVIII.

o direito de propriedade abrange qualquer direito de conteúdo patrimonial. têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. por exemplo. sem autorização ou constrangimento. Um sindicato de trabalhadores. pode entrar. representando-os judicial ou extrajudicialmente. sob pena de exercício ilegal da profissão. indica situação em que este inciso não é aplicado. Com autorização expressa dos filiados (como um mandado.as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial. CRM. nenhuma pessoa física ou jurídica. Dissolução é o término de uma associação. em caso de conflito. quando expressamente autorizadas. CRC. OAB. e. Porém. o interesse social pode prevalecer sobre o individual (ex. no primeiro caso. se for o caso de dissolução (mais grave). de uma propriedade rural improdutiva. a uma associação. A decretação de dissolução ou de suspensão de associações só poderá ser dada pelo Poder Judiciário. alcançando créditos e direitos pessoais.XIX . por fim de usufruir o status negativo de não se associar a nenhuma associação. em negociação com o sindicato patronal para efetuar determinados acertos salariais (representação extrajudicial). por exemplo) uma associação tem legitimidade para mover um processo contra o Estado para obter benefícios que a eles façam jus. tudo que possa ser convertido em dinheiro. O direito de propriedade importa em duas garantias sucessivas: Direito Constitucional: Artigo 5º Página 10 .ninguém poderá ser compelido a associar-se ou permanecer associado. exigindo-se.: em razão da função social da propriedade é prevista pela CF a desapropriação. também sem constrangimento ou independente de autorização. nem a se filiar.). O direito do dono deve ajustar-se aos interesses da sociedade e. Em outras palavras. em nome de seus filiados. etc. a faculdade de desvincular-se espontaneamente. com pagamento de indenização em títulos de divida agrária). o fato de se exigir a filiação de determinados profissionais aos respectivos Conselhos Regionais (CREA. o trânsito em julgado. para fins de reforma agrária. está obrigada a associar-se. XXI – as entidades associativas. vincular-se ou prestar conta a outra pessoa jurídica de direito privado. XX . A hermenêutica constitucional deste inciso permite consagrar três garantias: o direito de adesão voluntária. XXII – é garantido o direito de propriedade. enquanto suspensão é uma paralisação temporária das atividades da associação. econômico. de forma que. A utilização e o desfrute devem ser feitos de acordo com a conveniência social da utilização da coisa (função social da propriedade). deverá ter ocorrido o trânsito em julgado (quando não há mais recursos possíveis contra a decisão). Em termos constitucionais.

b) garantia de compensação: caso privado de seus bens. Desapropriação é a transferência compulsória da propriedade de um bem de uma determinada pessoa para o Estado. Prévia: o pagamento deve ser feito antes do ingresso na titularidade do bem 3. quando define. XXIV – a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública. que elas devem atender o aproveitamento racional e adequado. se houver dano. até os bens imateriais (direitos autorais. mediante justa e prévia indenização em dinheiro. A indenização consiste no pagamento de uma importância que recomponha o patrimônio da pessoa desapropriada. No entanto. em relação às propriedades rurais. para tais exigências existem algumas exceções. sua função social está definida no art. o proprietário tem o direito de receber a devida indenização. em razão da justa distribuição da propriedade ou da adequação a sua função social). casas. Em dinheiro: o pagamento deve ser feito em moeda corrente e não em títulos para pagamento futuro e de liquidez incerta. Esta é uma previsão de restrição ao direito de propriedade (requisição administrativa ou utilização de propriedade alheia). mediante o pagamento de posterior indenização. por exemplo. se houver dano. XXIV: Entretanto. Justa: deve ser feita de forma integral. 2. XXV – no caso de iminente perigo público. com prazo de resgate de dez anos. mas não haverá alteração de domínio. É justamente a indenização que distingue a desapropriação do mero confisco. a autoridade competente poderá usar de propriedade particular.). A propriedade poderá ser urbana ou rural. É a utilização de bens ou serviços particulares coativamente pelo Poder Público. ou por interesse social. salvo disposto na lei. jóias.Desapropriação para reforma agrária: o pagamento pode ser feito em títulos de divida agrária. resgatáveis no prazo de até vinte anos. A garantia estende-se desde os bens imóveis (terrenos. equivalente pelos prejuízos sofridos (desapropriação). objetos de arte). .a) garantia de conservação: ninguém pode ser privado de seus bens fora das hipóteses previstas na CF. o direito de posse da propriedade privada passará temporariamente para o Estado. 186 da Constituição. para a execução de obras. etc. empresas. serviços ou atividades públicas ou de interesse público. é conveniente para a realização de uma atividade estatal) ou interesse social (desapropriação conveniente para o progresso social. ressalvados os casos previstos nesta Constituição. previstas ao final do inciso . a função social da propriedade urbana será cumprida quando se atende às exigências do Plano Diretor (instrumento de política urbana) e. No caso desse inciso. aos bens móveis (veículos. A indenização deve atender determinadas exigências constitucionais para ser válida: 1. XXIII – a propriedade atenderá a sua função social.). . assegurada ao proprietário indenização ulterior. para o desenvolvimento da sociedade.Desapropriação para reforma urbana (desapropriação-sanção): o pagamento pode ser feito em títulos de divida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal. em razão da necessidade (desapropriação indispensável para a realização de uma atividade essencial do Estado) ou utilidade pública (embora não imprescindível. etc. Assim. reparando todo o prejuízo sofrido pelo particular.Iminente perigo público (requisição): a CF autoriza que a autoridade pública utilize qualquer propriedade particular. fazendas. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 11 . da simples transferência da propriedade particular para o Estado. essas garantias estão submissas aos preceitos restritivos previstos nos incisos seguintes. sem qualquer recomposição do patrimônio individual.

Se houver dano. ela deverá ser pequena e trabalhada pela família. Diz ainda o legislador que o pequeno produtor rural deverá receber recursos previstos em lei que financiem o seu desenvolvimento. Destarte. aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas. a Constituição vem assegurando direitos aos que contribuem para uma maior divulgação de obras intelectuais. pertencente às entidades de prática desportiva. bem como proteção às criações Direito Constitucional: Artigo 5º Página 12 . caberá indenização ulterior/posterior. O direito de arena (previsto no final do dispositivo) consiste na faculdade. São artistas. que por sua vez desembocam no chamado direito de arena. XXVII – aos autores pertence o direito exclusivo publicação ou reprodução de suas obras. inclusive nas atividades desportivas. este inciso protege o pequeno agricultor que poderia perder sua propriedade em virtude do não-pagamento dos empréstimos que fez para o plantio. na parede do imóvel do particular. e a obrigação que elas possuem de. quem de alguma forma colaborou na composição de uma produção deverá ser contemplado com uma porcentagem no lucro sobre a obra. O direito do autor de exploração exclusiva de sua obra é vitalício.A requisição poderá implicar perda irrecuperável. XXIX – a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. de forma que seu uso passa a ser inteiramente livre. A pequena propriedade rural foi considerada bem de família. há outras formas de requisição administrativa que são efetuadas sem a necessidade desse perigo presente. O favor constante neste inciso não abrange dividas fiscais. que pode requisitar um prédio particular a fim de nele realizar as eleições. Embora o inciso preveja caso iminente de perigo público. Os demais sucessores do autor gozarão de direito patrimonial pelo período de 60 anos.615/98 (Lei Pelé) como instituto exclusivo do Direito Desportivo. insuscetível de penhora. nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas. b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem os criadores. a divida deverá ser contraída em função da atividade produtiva. Trata-se de uma preocupação do constituinte com a fixação do pequeno produtor rural e sua família na terra em que trabalham. de negociar a imagem coletiva do espetáculo. intérpretes e produtores. Tal direito foi confirmado pela Lei 9. No inciso XXVIII. Assim. repassar aos atletas um quinto do valor comercializado. XXVI – a pequena propriedade rural. pessoas que participaram da elaboração de obras coletivas. alínea a. Já na alínea b do mesmo inciso. como nos casos da Justiça Eleitoral. desde que trabalhada pela família. dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento. para que a propriedade não seja objeto de penhora. XXVIII – são assegurados. a obra cai no domínio público. como novelas e semelhantes. Perdura também por toda a vida de seus herdeiros. Assim. ou da Prefeitura Municipal. com nome de rua. salvo expresso em acordo em sentido contrário. ficando a salvo de execução por dividas decorrentes da atividade produtiva. que pode requisitar a instalação de uma placa. se esses forem filhos. A penhora é o ato judicial pelo qual são apreendidos os bens do devedor para que por eles seja pago ao credor o que lhe é devido. conforme a lei 5988/73. não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva. nota-se uma mistura generalizada de conceitos: direito autoral (obras coletivas) funde-se com direitos de personalidade (imagem e voz). de utilização. pelo que poderá ser efetuada a penhora em decorrência do não-pagamento de tributos. além disso. pais ou cônjuges. transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar. Esgotados os prazos. assim definida em lei.

industriais. mas apenas temporariamente. pode esse buscar reparação do prejuízo pela via judicial. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. Na esfera do Poder Legislativo o Estado deve formular normas que garantam sua proteção. a fim de que haja transparência dos atos administrativos. caso a caso a demora da administração cause prejuízo ao requerente. É parte do princípio da publicidade administrativa. ainda que de pessoas indetermináveis. XXXI – a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros. Ao assegurar o direito de herança. promove-se uma investigação da vida do falecido ate que se encontrem parentes habilitados a receberem seus bens. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. à propriedade das marcas. O direito das sucessões está regulamentado pelo Código Civil nos arts. O direito de acesso às informações públicas e privadas está protegido nesse inciso. Esse é o direito de obter a patente de propriedade do invento. A violação dessa regra é passível de impetração de mandado de segurança e. a Constituição impede que o Estado se aproprie dos bens do falecido quando não forem encontrados herdeiros diretos logo após sua morte. que serão prestadas no prazo da lei. não dando sinais de possuírem parentes próximos. a defesa do consumidor. A lei ordinária o regulará. na forma da lei. Equipara-se ao consumidor a coletividade de pessoas. vivem sozinhos ou reclusos. XXXII – o Estado promoverá. A ressalva da lei se orienta para os casos que seu sigilo são imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado. deve garantir ao lesado amplo acesso a Justiça. elevada à condição de direito constitucional. assim como as vitimas que tenham experimentado lesão em razão de anterior relação de consumo. atualmente vige a Lei n. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. o que hoje é buscado por meio dos Juizados Especiais Civis e dos Juizados do Consumidor. de forma que ele não será perpétuo. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus. em conformidade com os ditames da justiça social. tendo-se o direito de sua utilização exclusiva. Em face da atual Constituição. deve diligenciar para que sejam efetivadas políticas de atendimento e prevenção. ou de interesse coletivo ou geral. inclusive por meio dos Procons. Quando a sucessão incidir sobre bens do estrangeiro situados no Brasil. é a possibilidade da transferência dos bens de uma pessoa falecida a seus herdeiros e legatários. sob pena de responsabilidade. que participe das relações de consumo. XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular. pode o Estado regular a política de preços de bens e serviços. “A prática demonstra que há casos em que informações relevantes Direito Constitucional: Artigo 5º Página 13 . tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. no âmbito do Poder Executivo. e na esfera do poder Judiciário. para conciliar o fundamento da livre iniciativa e do principio da livre concorrência com os de defesa do consumidor e da redução das desigualdades sociais. 8. e o prazo é de 15 dias. Uma decorrência do direito de propriedade (a propriedade se perpetua através da herança). XXX – é garantido o direito de herança. Porém. Isso acontece principalmente em relação aos bens de pessoas idosas que não providenciaram um testamento.078/90. aplicar-se-á sempre a lei que for mais favorável aos filhos ou cônjuge brasileiros. 1784 a 2027. O inciso é regulamentado por uma lei. diante da abusividade decorrente do poder econômico que visa ao aumento arbitrário dos lucros. Normalmente publicam-se editais em jornais de grande circulação. É o “privilégio da invenção industrial”.

Direito de certidão é o de obter do Estado esse documento para a defesa de direitos ou esclarecimento de situações de interesse pessoal. proibindo a cobrança de qualquer importância. nacional ou estrangeira. tarifa ou preço público). b) a obtenção de certidões em repartições públicas. A CF também assegura o exercício do direito de certidão “independente de pagamento de taxa”. para defesa de direitos e esclarecimentos de situações de interesse pessoal. bem como de formular reclamações contra atos ilegais e abusivos cometidos por agentes do Estado. Pode ser exercido por qualquer pessoa. como é o caso de financiamentos feitos pelo banco federal de investimento”. A CF assegura a gratuidade do exercício desse direito. o termo taxa (empregado no inciso) foi utilizado em sentido amplo. maior ou menor. A petição – presente em todas as Constituições brasileiras . XXXIV – são a todos assegurados.trata do direito pleitear. comprovando a existência de um fato e gozando de fé pública até prova em contrário. Já a certidão consiste no documento expedido pela Administração Pública. a que titulo for (taxa. No entanto. independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra a ilegalidade ou abuso de poder. física ou jurídica. sob o argumento do sigilo.e à disposição de órgãos públicos são omitidas da sociedade. admite-se a cobrança de um preço público que reponha o custo exigido para a confecção do documento pela Administração Pública. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 14 . que possa obstar ou dificultar seu exercício. de formular pedidos para a Administração Pública em defesa de direitos próprios ou alheios. XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. no caso de qualquer outra certidão sem os objetivos específicos (defesa de direito ou esclarecimento de interesse pessoal). tendo o órgão público o dever de prestar os esclarecimentos solicitados.

muitas vezes. Por fim. São eles tribunais que ferem o princípio da igualdade e da legalidade democrática. debaixo da lei velha. tal direito pode ser encarado como uma espécie de direito subjetivo definitivamente incorporado ao patrimônio jurídico do titular. Quem sustenta essa posição. mas não o representa totalmente]. respeitado o ato jurídico perfeito. ou seja.reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. aquele que se encontra insatisfeito com a decisão ainda poderá recorrer da decisão proferida. Importante notar que a o direito de ação é: Abstrato [independe do resultado final]. é importante frisar que a palavra lei foi empregada genericamente. no mesmo processo. não se confunde com este]. em latu sensu. tudo em prol da segurança jurídica. O direito adquirido consiste na faculdade de continuar a extrair os efeitos de um ato ou continuar a gozar dos efeitos de uma lei pretérita mesmo depois de ter sido revogada. Verifica-se após o trânsito em julgado da decisão. o Poder Judiciário é obrigado a efetivar o pedido de prestação judicial requerido pela parte de forma regular. O ato jurídico perfeito é aquele ato que se aperfeiçoou.a lei em vigor terá efeito imediato e geral. Tribunal de exceção é aquele constituído em caráter temporário e/ou excepcional. depois de incorporado um direito ao seu patrimônio. a Constituição está implicitamente autorizando ao Poder Judiciário interferir em atos da órbita administrativa”. Quanto à inafastabilidade jurisdicional. O ato jurídico perfeito possui definição normativa presente no art. voltar a ser discutida a decisão.Esse inciso garante o direito de ação e.”. Esse inciso tem inequívoca relação com o princípio do juiz natural. que reuniu todos os elementos necessários à sua formação. O direito de ação é um direito público subjetivo do cidadão. onde as pessoas são julgadas. porém exigível na via jurisdicional. mas há entendimentos de que com ele não se confunde [há quem ache que ele está ligado com o princípio. uma vez que. pois fere mortalmente o equilíbrio moral e material do individuo se. ato jurídico perfeito e coisa julgada) surgiram da necessidade de impedir a retroatividade das leis. toda jurisdição só pode ser executada pelo Poder Judiciário. havendo plausibilidade de ameaça ao direito. sendo somente dele a prerrogativa de. Todavia. diz que o princípio do juiz natural está consagrado no inciso LIII. o princípio da inafastabilidade da jurisdição. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil: “Art. já consumado ou não. obstando os seus efeitos onde há uma situação jurídica consolidada. solucionando um conflito de interesses. Assim. Autônomo [embora vise proteger um direito material. “Prevendo que cabe o controle judicial ocorrendo mera ameaça a direito individual. É dirigida contra o Estado. direito adquirido e a coisa julgada: § “1º . quando provocado. Entenda-se que a proteção constitucional aplica-se apenas a coisa julgada material. Já a coisa julgada formal ocorre quando há impossibilidade de. podendo significar dispositivo da Constituição ou de lei infraconstitucional. Tanto a lesão quanto a ameaça de direito (que ocorre antes da concretização da lesão) devem ser apreciados. A material é a qualidade da sentença que torna imutáveis e indiscutíveis seus efeitos substanciais. quando há impossibilidade de se manejar qualquer recurso. dizer o direito aplicável em cada fato concreto. presente mais comumente em estados ditatoriais. sem que haja lei para o caso correspondente. o direito adquirido. conseqüentemente. A coisa julgada divide-se em duas espécies: material e formal.6º . Direito Constitucional: Artigo 5º Página 15 . houver a abrupta modificação do mesmo. XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção. o ato jurídico Estes institutos (direito adquirido. XXXVI – a lei não prejudicará perfeito e a coisa julgada. que diz que “ninguém será processado nem julgado senão pela autoridade competente”.

serem cidadãos maiores de vinte e um anos. Além dos crimes dolosos. resoluções. à lei complementar. leis complementares. já o princípio da reserva legal. em regra. Esse postulado corresponde à interferência direta do principio da anterioridade da lei. O serviço do júri será obrigatório. salvo para beneficiar o réu. XXXVIII – é reconhecida a instituição do júri. Por outro lado. cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória”. mas espécie dele. insusceptível de modificação pelos Tribunais. Esse princípio confere ao cidadão a segurança de não ser punido. etc. reduzir a pena ou de qualquer outra maneira beneficiar o réu. ao prescrever: “Art. c) a soberania dos veredictos. a lei penal mais severa não pode retroagir para alcançar fatos praticados anteriormente a sua vigência. pelo cometimento de fatos que passaram a ser considerados crimes ou passaram a ter pena menos branda por uma lei posterior. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 16 .Não deve se entender por tribunal de exceção aquele que não seja realizado pelo Poder Judiciário. II). “Se todos os comportamentos humanos estão sujeitos ao princípio da legalidade. XL – a lei penal não retroagirá. mas. em suas formas tentadas ou consumadas. nem pena sem prévia cominação legal. leis ordinárias. A garantia constitucional do Tribunal do Júri esta prevista também nos arts. O principio da irretroatividade da lei penal está previsto tanto na Constituição.). 443 a 438 do Código de Processo Penal.. para regular determinado assunto. isto é. a lei poderá retroagir para alcançá-lo (retroatividade in mellius). O júri não julga pessoas que gozam de foro privilegiado. se uma lei nova incriminar algum fato (novatio criminis) ou agravar a pena. O princípio da legalidade estabelece a submissão e o respeito à lei (art. enquanto o segundo refere-se especificamente à emenda constitucional. b) o sigilo das votações. O tribunal de exceção não se caracteriza somente pelo órgão que julga. será menos favorável e não poderá retroagir. quanto no Código Penal. auxilio. 2º .. O primeiro trata de lei em sentido amplo (constituição. infanticídio. b) sigilo das votações: os jurados devem votar em segredo. é competência do Júri os crimes comuns que lhe são conexos. consiste em dizer que a regulamentação de determinadas matérias há de se fazer necessariamente por lei formal.ninguém poderá ser punido por fato que a lei posterior deixa de considerar crime. Constitucionalmente são assegurados para as atividades do Tribunal do Júri: a) plenitude de defesa: o réu tem assegurado o exercício irrestrito da sua defesa (autodefesa e defesa técnica). com organização que a lei lhe der assegurados: a) a plenitude de defesa. Não é sinônimo do princípio da legalidade. que constituirão o conselho de sentença em cada sessão de julgamento. ainda que pratiquem crimes contra a vida (salvo estabelecido em Constituição Estadual). por não ser legitimado pela própria Constituição para o regular exercício da jurisdição. d) competência para julgamento de crimes dolosos contra a vida: homicídios dolosos. c) soberania dos veredictos: somente os jurados podem dizer se é procedente ou não a pretensão punitiva e essa decisão. induzimento ou instigação ao suicídio e ao aborto. Eis o princípio da reserva legal. Mas se a lei nova for mais favorável de modo a eliminar uma incriminação (abolitio criminis). XXXIX – não há crime sem lei anterior que o defina. etc. é permitida a retroatividade da lei penal mais benéfica. Assim. ou não ser apenado mais severamente. escolhidos dentre os cidadãos de notória idoneidade. devendo os jurados. 5º. d) a competência para o julgamento de crimes dolosos contra a vida. fundamentalmente. somente alguns estão submetidos ao da reserva da lei” (Alexandre de Moraes). Tribunal do Júri é aquele composto por um juiz de direito (que é o seu presidente) e de sete jurados.

etnia. a Carta Magna foi absolutamente rigorosa no sentido de proibir a prática da discriminação racial.). cor. cor. religião ou procedência nacional. liberdade de pensamento.. No inciso XLII. é definida como a classificação pejorativa em virtude de fatos de diversas naturezas a eles relacionados.XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. Discriminação é o tratamento diferenciado no qual há prejuízo para uma das partes.)”. pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa”. A lei 7716/89 caracteriza o racismo como “qualquer discriminação ou preconceito de raça. nos termos da lei. e A Constituição Federal faz uma rigorosa proibição de qualquer forma de discriminação contra os direitos fundamentais e as liberdades fundamentais (direito de ir e vir. sujeito a pena de reclusão. O art. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 17 . etnia (. não pode haver dúvida que tanto a prática. Os atos discriminatórios de qualquer natureza são opostos à cidadania e à dignidade da pessoa humana. 20 deste diploma ainda decreta “Praticar. XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável imprescritível. induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça. constituem crime de séria gravidade e devem ser punidos como tal. contrários aos princípios e objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil. liberdade de culto etc. ou seja. Em relação a indivíduos.. os quais trazem a eles prejuízos de ordem moral e/ou material. como a simples defesa destas ações racistas. considerando um crime que não se admite o pagamento de fiança para o acusado aguardar o julgamento em liberdade (inafiançável) e poderá o responsável ser punido a qualquer momento (imprescritível) com a pena mais grave: reclusão.

Direito Constitucional: Artigo 5º Página 18 . a fim de poder defender-se em liberdade. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. como no caso do perdimento de bens ou da pena de confisco. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. não se podem inferir. estão definidos na lei 11. É a previsão do princípio da pessoalidade das penas. civis ou militares. Porém. Crimes hediondos são os mencionados na lei 8072/90. civis ou militares contra a ordem constitucional e o Estado Democrático) são taxativas: delas. por eles respondendo os mandantes. XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado. exceções a garantia constitucional. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. A lei 11464/07 é uma novatio legis in pejus. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade. entre outras. XLIV – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados. que foi parcialmente modificada pela lei 11464/07 no que diz respeito à progressão de regime. b) perda de bens. Terrorismo é a prática de violência que coloque em risco a incolumidade física de um número indeterminado de pessoas. ou por alguém para ele. como circunstância agravante ou como qualificadora. Ela prevê a possibilidade de progressão de regimes após 2/5 da pena cumprida (pelo réu primário) ou 3/5 (pelo réu reincidente). portanto.XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. estabelecida sem limitações em função da gravidade dos crimes investigados. Os crimes de tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. e não retroage para produzir efeitos em fatos anteriores a ela. No caso desse inciso. na qual as penas nunca poderão passar da pessoa do autor dos crimes. mas por sua própria natureza as restrições que estabelecem (ação de grupos armados. Fiança vem de garantia (em dinheiro. nos casos em que a lei permitir. ele admite exceções. XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará. os executores e os que. se omitirem. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. nos termos da lei. A Constituição Federal reservou a determinados crimes particular severidade repressiva.343/06. até o limite do valor do patrimônio transferido. É prestada perante a autoridade judicial ou policial. c) multa. os autores dos crimes mencionados devem permanecer presos até a sentença final do processo. A tortura pode ser tanto crime. por exemplo) prestada pelo réu. podendo evitá-los.

da atual CF. XIX. que serve de método de repressão política. e suspensão da autorização ou habilitação para dirigir veículos. E. Trata-se de uma pena principal substitutiva da privativa de liberdade imposta. A multa possui um caráter reparatório. O valor será fixado de acordo com a extensão do dano e a capacidade econômica do agente. No nosso caso. também chamada de pena capital. versa a respeito de temas que deverão ser objeto de regulação da lei. pelo qual um cidadão perde direito à nacionalidade de uma país. e as demais que restringem direitos e liberdades dos indivíduos infratores. b) a pena perpétua. favor ao inimigo. salvo em caso de guerra declarada. a prestação social alternativa e a suspensão ou interdição de direitos. deserção em presença do inimigo. ou em beneficio de entidades públicas. tais como proibição do exercício de cargo. c) a pena de trabalhos forçados. orfanatos e outros estabelecimentos congêneres. proibição do exercício de profissão. ao culpado pela prática de uma infração penal. junto a entidades sociais. mas que estão completamente fora da realidade cotidiana dos cidadãos. A perda de bens ocorre com o confisco generalizado do patrimônio licito do agente (bens móveis. atividade ou oficio que dependam de habilitação especial. em programas comunitários ou estatais. assim. mediante depósito judicial em favor da vitima e seus sucessores. a privação ou restrição da liberdade. e etc. em execução de uma sentença. Esse inciso proíbe expressamente: a) a pena de morte. imóveis ou de valores) para que seja revertido em favor do Fundo Penitenciário Nacional. ficando a cargo do juiz buscar a justa medida entre ambos. nos t. caráter perpétuo. como o principio da individualização da pena. a multa. Pelo principio da individualização da pena. proibição de freqüentar determinados lugares. XLVII a) de b) de c) de d) de – não haverá penas: morte. a pena de morte é permitida excepcionalmente em caso de guerra declarada. A privação ou restrição da liberdade consiste na sanção penal imposta pelo Estado. d) a pena de banimento. para cada crime tem-se uma pena que varia de acordo com a personalidade do agente. conspiração. detenção. no Brasil e na maioria dos países da América do Sul é permitida apenas para certos crimes. artigo 84. bem como de mandato eletivo. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 19 . por fim. e) suspensão ou interdição de direitos. Várias são as possibilidades dessa sanção estatal: reclusão. entende-se que não deve haver a padronização da sanção penal. banimento. passando a ser um apátrida. a suspensão ou interdição de direitos trata de limitações impostas ao agente infrator. A pena de morte é tratada pelo Código Penal Militar. autorização ou licença do Poder Público. meio de execução e etc. fuga em presença do inimigo. prisão simples. a perda de bens. hospitais.d) prestação social alternativa. A prestação social alternativa consiste na atribuição de tarefas ao condenado. O inciso XLVI. trabalhos forçados. função ou atividade pública. Ela é prevista em casos de traição.

de acordo com a natureza do delito. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 20 . de acordo com a natureza do delito. idade e o sexo do apenado. as mulheres devem cumprir suas sentenças em estabelecimentos prisionais distintos. a idade e o sexo do apenado". O preso terá direito de ser chamado pelo seu nome. Os presos cujas penas têm de ser cumpridas em regime fechado serão mantidos em unidades prisionais ou penitenciárias. integridade física e moral do preso. aos cultos e aos preceitos morais do preso. Impõe-se o respeito às suas crenças religiosas. XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral. Entretanto. diante das prerrogativas funcionais ou profissionais. em conformidade com o inciso XLVIII. Quanto à natureza do delito. 5º da Constituição Federal. A LEP (Leis de Execuções Penais) enumera as instituições nas quais as penas podem ser cumpridas. os presos deverão ser alojados individualmente”. Assim. tem-se a diferenciação das penas que deverão ser cumpridas em prisão especial. E os presos condenados cujas penas têm de ser cumpridas em regime aberto devem ser mantidos em uma "casa do albergado". do art. Diz a resolução nº14 de 11/11/04: “Salvo razões especiais.XLVIII – a pena será cumprida em estabelecimentos distintos. Já as pessoas com idade superior a 60 anos precisam ser acomodadas em uma instituição penal própria e adequada a sua situação pessoal. Deverão também ser supervisionadas por agentes penitenciários femininos. Garantia de respeito à individualidade. dispondo de berçários. As penas a serem executadas em regime semi-aberto devem ser cumpridas em colônias industriais ou agrícolas. onde possam cuidar de seus filhos. "a pena será cumprida em estabelecimentos distintos.

O dispositivo constitucional acima tem caráter eminentemente humanitário e trata-se de um desdobramento do princípio mais amplo de que a pena não pode passar da pessoa do réu. b) em hipótese de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas. desde que obedecidas as condições desse inciso: a) em caso de crime comum praticado antes da naturalização. Não poderá ser extraditado também o que houver de responder. na verdade. a outro Estado que o reclama e que é competente para promover o julgamento e aplicar a punição”.L – às presidiárias serão asseguradas condições para que possa permanecer com seus filhos durante o período da amamentação. perante Tribunal ou Juízo de exceção. ECA. no Estado requerente. LI – nenhum brasileiro será extraditado. na forma da lei. praticado antes da naturalização. está a necessidade de o crime não ser político. ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. Como um dos requerimentos essenciais da extradição. em caso de crime comum. 89.Art. É um ato bilateral que visa à cooperação internacional no combate ao crime. pois as providências nele referidas não chegam a exigir qualquer medida legislativa. é necessário que as cadeias e presídios femininos dispensem condições materiais. Para que a amamentação seja possível. Extradição é “um ato de entrega que um Estado faz de um indivíduo procurado pela Justiça para ser processado ou para a execução da pena. 9º) asseguram esse direito e muito embora o dispositivo constitucional faça referência a condições futuras que serão asseguradas. § 2º e art. salvo o naturalizado. A extradição pode ser ativa (quando solicitada pelo Brasil) ou passiva (quando for solicitada ao Brasil por outro Estado). por crime cometido fora de seu território. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 21 . Apenas o brasileiro naturalizado poderá ser extraditado. encerra. um dispositivo de aplicabilidade imediata. 82. A Constituição Federal e as leis infraconstitucionais (LEP.Art.

é um postulado fundamental de todo o sistema processual. Assim. de forma que não deverá haver juízes pré-constituídos nem tribunais de exceção. que de um lado asseguram às partes o exercício de suas faculdades e poderes de natureza processual e. que não se confunde com um simples acesso ao judiciário. LV – aos litigantes. É a consagração do princípio do juiz natural.“A extradição do naturalizado condiciona-se à prestação de compromisso de reciprocidade específico por parte do Estado requerente”. pois essas acusações muitas vezes poderão estar ocultando verdadeira intenção de perseguição do individuo. pelo qual “todas as pessoas têm o direito de ser processado e julgado por pessoa devidamente investida no cargo. de outro. É importante saber que. O devido processo legal é a garantia de um processo justo. Tal princípio se bifurca em dois aspectos: o contraditório e a ampla defesa. com os meios e recursos a ela inerentes. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. legitimam a própria função jurisdicional. será este absorvido pelo crime político. tendo sua competência previamente estipulada pela Constituição Federal ou por lei”. Não caberá extradição de estrangeiro acusado de crime político ou de opinião em seu país de origem. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 22 . LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. nenhum individuo poderá ser condenado a uma pena privativa de liberdade ou qualquer outra sem ter sua garantia constitucional do processo legal. Significa o conjunto de garantias de ordem constitucional. ainda que haja delito comum envolvido. não ensejando extradição. é a garantia do acesso à justiça. O devido processo legal. O juiz deve ser imparcial. em processo judicial ou administrativo. 5º. E a ampla defesa é a possibilidade de utilização de todos os meios e recursos legais previstos para a defesa de seus interesses e direito em juízo. LII – não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. O contraditório é a garantia da ciência bilateral dos atos e termos do processo. e a autoridade deve propiciar igualdade entre as partes. LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. com a conseqüente possibilidade de manifestação sobre os mesmos. versado no inciso LIV do art.

porque por disposição de lei é que não podem ser trazidas a juízo ou invocadas como fundamento de um direito. e das comunicações.Assegura-se aqui os princípios do contraditório e da ampla defesa. inadmissíveis. São as provas ilícitas espécie das chamadas provas vedadas. até que seja condenado”. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 23 . salvo nos casos permitidos no inciso XII do art. a prova ilícita por derivação fica maculada pela prova ilícita da qual derivou. pois a todo ato produzido pela acusação. enquanto o contraditório é a própria exteriorização da ampla defesa. da vida privada. caberá igual direito da defesa de opor-se-lhe ou de dar-lhe a versão que melhor se apresente. entre os direitos e garantias individuais. ou da “não-culpabilidade”. Esse inciso pertence ao Direito Processual Penal. existem as chamadas provas ilícitas por derivação. Dentro dessa mesma linha de raciocínio. É o princípio da presunção de inocência. Porém. da honra. ou seja. as provas obtidas por meios Na CF/88. porém a que a ela se chegou por intermédio da informação extraída de prova ilicitamente colhida. Houve discussão pois o texto da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão diz “todo o homem se presumirá inocente. no processo. de fornecer uma interpretação jurídica diversa da que foi dada pelo autor". diferentemente do que diz nesse inciso (essa discussão traz duas correntes político-ideológicas. ainda. O contraditório e a ampla defesa são garantias do cidadão baseadas no princípio da igualdade. entende-se o asseguramento que é dado ao réu de condições que lhe permitam trazer para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade ou mesmo de omitir-se ou calarse. 5º. "Por ampla defesa. LVI – são ilícitos. muitos debates levaram a dizer que. do domicilio. encontra-se referência às provas ilícitas. se entender necessário. provas obtidas de forma lícita. da forma como foi redigido. impondo a condução dialética do processo(par conditio). Assim. São elas as obtidas com violação da intimidade. da imagem. ou. ou seja. ambos os princípios derivam de um outro: isonomia processual. não é apenas uma questão semântica). LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. esse é verdadeiramente o princípio da “desconsideração prévia da culpabilidade”.

definidos em lei. a regra geral é a de que o civilmente identificado (aquele que já reúna suas características que o distinga dos demais) não será submetido à identificação criminal. Impera no ordenamento jurídico brasileiro o Principio da Publicidade dos Atos Processuais. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. O que esse inciso trata é a ação penal subsidiária da pública. percebe-se que a intenção do constituinte foi de evitar. conversão em divorcio. No direito brasileiro. apenas admitindo-a em casos excepcionais. separação dos cônjuges. guarda e recuperação de todos os dados e informações necessárias para estabelecer a identidade do acusado. o ofendido pode propor uma ação penal subsidiária da pública. esta apenas ocorrera como ultima ratio. iniciada através da denúncia). a identificação criminal. se esta não for intentada no prazo legal. e o representante do Ministério Público se omitir. quer pela ausência de qualquer outra forma de identificação civil confiável. as ações penais podem ser privadas (quando a iniciativa for do ofendido) ou públicas (quando a iniciativa for do Ministério Público. ou for negligente. Assim. constituindo exceção o sigilo. Quando o crime for de ação pública. filiação. norma cujos efeitos podem ser limitados por norma infraconstitucional. excepcionalmente correm em segredo de justiça os processos em que o exigir o interesse público. LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. salvo nas hipóteses previstas em lei. onde se justificasse quer pela potencialidade ofensiva do delito imputado. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 24 . que. alimentos e guarda de menores. via de regra. Ação penal é a atividade que impulsiona a jurisdição penal.054 veio para regular a identificação criminal. Por se tratar de uma norma de eficácia contida. LIX – será admitida ação privada nos crimes de ação pública. são públicos.LVIII – o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal. 5º. isto é. bem como aqueles que dizem respeito a casamento. Nesses casos. A identificação criminal no contexto constitucional significa o registro. o quanto possível. a audiência realiza-se a portas fechadas. em 07 de dezembro de 2000 a Lei nº 10. quando não sobrevier outra forma de individualização do suspeito presumidamente inocente. No inciso LVIIII do art. LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais ou o interesse social o exigirem. Assim.

5º trouxe uma verdadeira agitação no ordenamento jurídico. Qualquer restrição à liberdade da pessoa constitui medida de excepcionalidade. o preso não pode mais ficar incomunicável. Isso porque com o advento da CF de 1988. na fase de inquérito policial. tais como os que autorizam a prisão preventiva. temporária ou em flagrante. LXIII – o preso será informado de seus direitos. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. não é mais aceito no nosso ordenamento jurídico. o artigo do CPP que permitia a incomunicabilidade do preso. O preso também deverá ser informado de seus direitos. entre os quais o de permanecer calado.A prisão só pode ser efetivada em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de uma autoridade judiciária competente (juiz). somente permitida em casos especiais. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 25 . principalmente no que tange ao processo penal. entre eles o de ficar em silêncio. durante o estado de sítio e no caso de recaptura do evadido. A exceção a essa regra está nos casos de transgressão militar. ou pedir para conversar com seu advogado. outrora permitido. LXIV – o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial. A prisão e o local onde o preso se encontra devem ser informados imediatamente ao juiz competente. O instituto da incomunicabilidade do preso. O inciso LXII do art. foi revogado pela CF. à família do preso ou à pessoa por ele indicada. LXII – a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada.

pelo menos. a liberdade provisória com ou sem fiança somente é admissível na prisão em flagrante. ou seja. 5º. Desta garantia decorre o dever de identificação da autoridade.O preso tem direito de saber os nomes de quem o mandou prender e o nome de quem fez o interrogatório na policia. LXV – a prisão judiciária. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 26 . deverá relaxá-la. de imediato mandar soltar o acusado. ninguém poderá ser levado para a prisão se a lei diz que o ato se enquadra na liberdade temporária com ou sem fiança. pois. sendo dispensável parecer do membro do Ministério Público. LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei permitir a liberdade temporária. não sendo compatível com a prisão temporária ou preventiva. Prisão ilegal é aquela que não foi feita em flagrante nem ordenada pelo juiz. o objetivo é impedir ou. ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade O juiz. ao verificar a ilegalidade da prisão. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. neste caso. possibilitando a responsabilidade por eventuais abusos. com ou sem fiança. coibir as arbitrariedades e ilegalidades no ato da prisão ou do interrogatório. na prisão decorrente de pronuncia e na prisão resultante de sentença condenatória recorrível. vedado o anonimato. Todavia. LXVII – não haverá prisão civil por dívida. De acordo com o inciso LXVI do art.

em defesa dos interesses de seus membros ou associados. Como espécie do mandado de segurança. cujo objetivo é Direito Constitucional: Artigo 5º Página 27 .A prisão civil não é uma regra. Existem três figuras importantes quando se fala em tal remédio constitucional: impetrante (a pessoa que ingressa com o habeas corpus). como diretores de estabelecimento psiquiátricos. LXVIII – conceder-se-á “habeas corpus” sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. que não é exigível a capacidade postulatória para impetrá-lo e também que a ordem pode ser concedida contra atos de particulares. sempre em favor do bem jurídico maior: a locomoção. Embora não seja o único remédio jurídico para cessar uma prisão ilegal. não amparado por habeas corpus ou habeas data. por ilegalidade ou abuso de poder. clinicas de repouso e donos de fazenda. e a autoridade coatora (a pessoa em relação a quem é impetrada a ordem de habeas corpus). e que não pode ser defendido nem por habeas-corpus nem por habeas-data. paciente (é a pessoa em favor de quem é impetrada a ordem do habeas corpus. do qual não há dúvidas. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. constrangimento ilegal em seu direito de ir e vir. trata-se do mais eficaz e célere. ou na iminência de sofrer (habeas corpus preventivo. Mandado de segurança é uma medida constitucional que protege direito certo. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. Habeas Corpus são duas palavras de origem latina que significam: TENHA (habeas) CORPO (corpus). através do salvo-conduto). A constituição só permite prisão civil do devedor voluntário de prestação alimentícia e do depositário infiel. LXIX – conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo. b) organização sindical. Tratase de um rito especial. sempre pessoa física). Já se admitiu habeas corpus apresentado por telefone e reduzido a termo pela serventia judicial. casas geriátricas. O CPP estabeleceu o procedimento a ser adotado em ação de habeas corpus. não possuindo caráter criminal. É a ação constitucional para a tutela da liberdade de locomoção. o mandado de segurança coletivo pode igualmente ser conceituado como um instituto de direito processual constitucional. LXX – o mandado de segurança pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional. É importante saber que o habeas corpus pode ser concedido também de oficio pela autoridade judicial. São os casos em que se cabe mandado de segurança os de ilegalidade ou abuso de poder praticado por alguma autoridade. e sim uma exceção. utilizada sempre que alguém estiver sofrendo (habeas corpus liberatório). sem maiores formalidades.

507/97. que regula o direito de acesso as informações e disciplina seu rito processual. o qual tem por objeto a proteção de direito liquido e certo do impetrante em conhecer todas as informações e registros relativos à sua pessoa e constantes de repartições públicas ou particulares acessíveis ao público. visa ampliar a possibilidade de acesso à Justiça. poder-se-á utilizar o mandado de injunção. de uma ação constitucional que autoriza o juiz a romper com a tradicional aplicação rígida de lei ao caso concreto para. que só podiam buscar a segurança se a lesão de direito recaísse sobre a corporação em si. Esse meio de tutela diferenciada. É vedado o requerimento de informações através de terceiros. conteúdo e rito sumário. um. o mandado de injunção. pode ser pessoa física. de acordo com o pedido e o ordenamento jurídico. quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso. O habeas data é uma ação constitucional. brasileira ou estrangeira ou até mesmo pessoa jurídica. Assim. Quando a constituição assegura um direito que ainda precisa de uma lei regulamentadora. há nessa ação caráter personalíssimo. evitando decisões contraditórias nos pedidos para diversas pessoas que se encontrem na mesma situação jurídica. LXXII – conceder-se-á “habeas datas”: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 28 . sem ser particularmente incidente sobre os membros ou associados. à soberania e à cidadania. Jurisprudência: a) Não há necessidade de indicação nominal de todos os beneficiários da impetração na petição inicial. a fim de utilizar-se daquele direito previsto. judicial ou administrativo. ao exigir a legitimidade do sujeito ativo. O pressuposto essencial para o mandado de injunção é a falta de uma norma regulamentadora de qualquer espécie ou natureza. construir uma solução satisfatória. O mandando de segurança antes da atual CF. do ponto de vista processual. “Trata-se. 5º da CF como na Lei nº 9.o de que uma só decisão possa atingir a um numero maior de interessados. LXXI – conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. O habeas data está presente tanto no inciso LXXII. agrupando determinados indivíduos e dando ao grupo capacidade processual (alíneas a e b). art. de modo a concretizar o direito constitucional do impetrante”. alguns ou todos. de caráter civil. No que tange aos legitimados ativos para impetração desse remédio constitucional. para eventual retificação de seus dados pessoais. b) Podem ser postulados direitos de apenas alguns membros do sindicato ou entidade de classe. constantes de registros ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público. restringia o campo de atuação das corporações civis e sindicais. pois essa tem existência diversa das pessoas físicas que a integra. b) para a retificação de dados. a atual CF ampliou o âmbito de atuação do mandado de segurança coletivo.

3º Turma. se perder na justiça. ficando o autor. A garantia constitucional de não serem cobradas as custas processuais do hipossuficiente não revogou a de assistência judiciária gratuita da Lei nº 1. Min. dentro do espírito da CF que deseja que seja facilitado o acesso de todos a Justiça. j. de forma que o autor fica isento das custas judiciais e. 21+8+2001). que não zelam pelos bens públicos e pela natureza. fica isento da responsabilidade de pagar os ônus processuais. à moralidade administrativa. É um meio processual a que tem direito qualquer cidadão para se questionar os atos que forem considerados lesivos ao patrimônio público. 238. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Na Justiça gratuita a isenção suportada pelo Estado restringe-se às despesas processuais.060/50 (Lei de assistência judiciária aos necessitados). Na assistência judiciária. salvo comprovada má-fé. ademais. o Estado assume a obrigação de arcar não só com as despesas processuais. relator. como também com os honorários advocatícios do patrono do assistido (advogado). isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 29 .925-SP. Qualquer cidadão é titular desse direito. REsp. Para quem usa a ação popular de boa fé. A ação popular é um remédio legal para proteger a sociedade das autoridades corruptas. à moralidade administrativa. LXXIV – o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos. Essa norma infraconstitucional põe-se. ela é gratuita. sendo o patrono (advogado) escolhido. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Ari Pargendler.LXXIII – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. constituído e remunerado pelo próprio cliente (STJ. O inciso LXXIV vem com o propósito de assegurar aos que comprovarem insuficiência de recursos o direito fundamental a Justiça gratuita.

LXXVI – são gratuitos para os reconhecidamente pobres. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 30 . garantindo assim que qualquer prejuízo decorrente da atividade estatal será reparado pelo Estado. na forma da lei. o Estado é responsável pelos atos praticados pelos seus agentes que causem dano a terceiro. b) a certidão de óbito.534/97. independentemente de se caracterizar erro judiciário. LXXVII – são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data e. O documento será feito gratuitamente nos Cartórios de Registro Civil. bastando o atestado de pobreza. mediante pagamento de uma taxa. §6º da Constituição Federal. Essas são as garantias estabelecidas na Lei nº 9. independente de serem primeira via ou não. Previsão legal da gratuidade das ações de habeas corpus e habeas data. 5º reza que os comprovadamente hipossuficientes terão assegurados seus direitos ao registro civil de nascimento e à certidão de óbito gratuitos. Em caso de perda. no inciso LXXII do art. b) o condenado que ficar preso um tempo maior do que o que está fixado na sentença. os atos necessários ao exercício da cidadania. Têm direito a ser indenizado: a) o inocente que foi condenado. na forma da lei: a) o registro civil de nascimento. porém. outra via poderá ser requerida. além de atos necessários ao exercício da cidadania. No Brasil todos os cidadãos têm direito de serem registrados e de possuir uma certidão de nascimento. Já a CF. Conforme o artigo 37.LXXV – o Estado indenizará o condenado por erro judiciário. assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença.

sob a ótica da razoável duração do processo.Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de suas tramitações (EC nº 45/04). supressão de instâncias).aqueles referentes ao alistamento militar. em dois turnos. Conforme pondera Canotilho. 5º. II . Mas também. que causem a dilatação indevida da demanda. pagando-se o preço de uma proteção jurídica que se traduz em diminuição de garantias processuais e materiais (prazos de recurso. de forma que não sejam praticados atos processuais desnecessários. não se deve buscar uma “justiça acelerada”. LXXVIII – a todos. por outro lado. bem como a primeira certidão respectiva.Segundo a lei nº 9265/96. a atuação dos sujeitos processuais deve ser pautada pela boa-fé. V . §1º – As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.quaisquer requerimentos ou petições que visem as garantias individuais e a defesa do interesse público. elevando-o à categoria dos direitos e garantias constitucionais fundamentais.Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados.os pedidos de informações ao poder público. assim considerados: I . mas. §3º . LXXVIII faz referencia à razoável duração do processo.O registro civil de nascimento e o assento de óbito. §2º . são gratuitos os atos necessários ao exercício da cidadania.os que capacitam o cidadão ao exercício da soberania popular. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. corrupção ou fraude. mas materialmente injusta. em todos os seus âmbitos. por Direito Constitucional: Artigo 5º Página 31 . que regula o inciso LXXVII do artigo 5º da Constituição Federal. no âmbito judicial e administrativo. a que se reporta o Art. III .as ações de impugnação de mandato eletivo por abuso do poder econômico. em cada Casa do Congresso Nacional. principalmente o direito a um a tutela adequada e efetiva entregue ao jurisdicionado de forma tempestiva. O texto constitucional em seu art. Esse dispositivo foi incorporado ao texto constitucional pela Emenda nº 45/2004 e advém da compreensão que a tutela jurisdicional não engloba apenas a garantia do direito de ação. IV . VI . 14 da Constituição. objetivando a instrução de defesa ou a denúncia de irregularidades administrativas na órbita pública. conduzindo a uma justiça pronta.

DireitoNET. ABDL – Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças. 10. Fernando Capez. Referências utilizadas: Eliane Alfradique. Elias Rosa e Marisa F. 30. ClubJus – Clube Jurídico do Brasil. Ricardo Cunha Chimenti. Jornal Tribuna Popular. Direito Constitucional: Artigo 5º Página 32 . 18. Águia Brasil. 24. 15. 21. 27. 28.três quintos dos votos dos respectivos membros. 8. 14. Francisco Bruno Neto. Damásio de Jesus. Amaury Silva. Santos. 4. DIREITONET – Dicionário Jurídico. 3. 7. 19.br. 29.com. Fórum Jus Navegandi. E outras. Fernando Trizolini. Recanto das Letras. DHNet. Célio da Silva Aragon. Leonardo Martins e Dimitri Dimoulis. 9. serão equivalentes às emendas constitucionais. 17. Novo Curso de Direito Civil.com. Parte Geral. 6. 25. 20. 26.br. Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho. 22. 11. 23.O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. Curso de Direito Constitucional. 12. §4º . 13. VEMConcursos. Fernanda Maria Gundes Salazar. Reunião de julgados do STF. Bueno e Constanze Advogados. Alexandre de Moraes. 1. Márcio F. 5. BoletimJurídico. 16.com. ABE – Ministério das Relações Exteriores. Luiz Gonzaga Lima. Geomundo. Newton Freitas. 2. Emilson José Tavares.

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