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Sermão do Monte XX: Os Juramentos e as Palavras do Crente (Mateus 5.33-37)

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Capítulo XX Os juramentos e as palavras do crente
Alejandro G. Frank

Introdução
Este capítulo apresenta um novo ponto do Sermão do Monte. Nele, o Senhor exemplifica mais uma vez aquilo que ele já tinha afirmado quando disse: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mateus 5.20). O Senhor mostra no Sermão que existe uma essência no caráter do crente, o qual está retratado nas bem-aventuranças. No verso em destaque, o Senhor enfatiza que esses princípios não eram vividos pelos mestres da época, os fariseus e escribas. Por isso, ele enfatiza que a vida dos seus verdadeiros discípulos tem que se diferenciar em muito desses falsos mestres. Estes viviam uma vida legalista, baseada em regras práticas de justiça própria, porém, os discípulos de cristo deveriam viver uma vida espiritual, guiada pelo sentido espiritual da Palavra de Deus. Temos visto que o Senhor criticou três aspectos das regras de justiça própria que os mestres da lei viviam: a forma de encarar a questão do homicídio, o adultério e o divórcio. Vamos agora considerar o quarto ponto que o Senhor destaca:
“Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos. Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.” (Mateus 5.33-37)

Estamos aqui mais uma vez frente a um problema muito atual. Ao igual que nos tempos de Jesus, a questão da palavra e dos juramentos segue sendo um grave problema. Talvez me atrevesse a dizer que estamos em uma situação cada vez pior. Digo isto porque, quando comparo a nossa geração atual com a dos nossos avós, vejo uma grande diferença sobre este assunto. Muitos de vocês já devem ter escutado alguma pessoa idosa falar sobre a importância da sua palavra. “Eu dei minha palavra para fulano que faria tal coisa, portanto vou cumpri-la” ou, por exemplo: “O Sr. Fulano é uma pessoa de palavra”. Por outro lado, por acaso já escutaram pessoas mais jovens dar a sua palavra como forma de garantia? Já escutaram as novas gerações falar da palavra como algo que tem muita importância? Atrevo-me a dizer que não, ninguém se atreveria hoje a tentar estabelecer um compromisso baseado na palavra. As complexas situações legais de nossos dias também são uma evidência do que estou afirmando. Ninguém mais se atreve a realizar um acordo sem ter, de por meio, um contrato por escrito. Também nos casamentos, tem sido comum evitar as cerimônias religiosas e contratos matrimoniais, pois a maioria das pessoas não quer mais se comprometer. Não esqueçamos que, além disso, são poucos os que ainda acreditam na promessa de uma união permanente do casamento. Tudo isto que tenho descrito é consequência da falta de credibilidade nas promessas e nas palavras dos homens. É isto o que também acontecia na época do Sermão do Monte.

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O contexto da época de Jesus
O juramento era uma questão muito respeitada e considerada solene pelos fariseus e escribas na época de Jesus. Eles sabiam muito bem que na lei mosaica do Antigo Testamento existiam várias leis que regulamentavam esta questão. Quando se tratava de juramentos, era comum apelar o nome de Deus como testemunha do que estava sendo pronunciado: “O SENHOR, teu Deus, temerás, a ele servirás, e, pelo seu nome, jurarás” (Deuteronômio 6.13). Por conseguinte, a principal preocupação, quando se tratava de juramentos, era a de não quebrar o terceiro mandamento: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êxodo 20.7). A questão toda do juramento estava ligada com a honra do nome de Deus. Até aqui, é evidente que não temos nada de errado. Os juramentos em si mesmo não eram maus. Inclusive, eles estavam regulamentados na lei de Moisés. Além disso, podemos ver vários exemplos de homes santos de Deus que juraram e isto não foi considerado como um ato pecaminoso. Jonatas e Davi fizeram um pacto sob juramento acerca da união que haveria entre as suas descendências. Davi jurou a Jonatas que se lembraria da benevolência recebida e que trataria os filhos deste de acordo com a misericórdia que tinha recebido da parte de Jonatas. Podemos encontrar muitos outros exemplos bíblicos, principalmente os do próprio Deus jurando por si mesmo acerca da aliança que tinha feito com seu povo Israel. No novo Testamento temos também um bom exemplo, o do autor aos Hebreus quando escreveu: “Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda. Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento...” (Hebreus 6.16). O autor aos Hebreus diz que Deus fez juramento. O autor trata também os juramentos das pessoas, não como algo mau em si mesmo, mas como um acordo de paz. Ele até diz que o fim de uma contenda se dá através do juramento, isto é, através do compromisso que uma pessoa faz para finalizar a contenda. Por exemplo, se eu e minha esposa estamos tendo uma discussão e não estamos nos entendendo, chega uma hora que um dos dois dirá: “está bem, vamos parar de discutir sobre isto, eu me comprometo a evitar que isto siga acontecendo, te dou a minha palavra que não ocorrerá de novo”, assim a contenda chega a seu fim. Embora não tenha sido apelada a palavra “juramento”, é um compromisso que se está fazendo, um voto ou uma promessa. Chame-o como quiser, mas todos eles significam o mesmo na sua essência. Ora, se não é o juramento em si algo mau, qual é a verdadeira questão que o Senhor Jesus está tratando nesta parte do Sermão do Monte? Para entendermos isso vamos a dividir o estudo nas quatro seguintes partes: (i) o que considerava a Lei do Antigo Testamento acerca dos juramentos; (ii) o que ensinavam os mestres da Lei sobre o assunto na época de Jesus; (iii) o ensinamento de Jesus a respeito e (iv) e umas considerações finais sobre as implicações práticas que isso tem para nós hoje.

Os juramentos na Lei do Antigo Testamento
Dois textos são os que abordavam a questão dos juramentos na Lei de Moisés. O primeiro deles era o seguinte:
“Quando um homem fizer voto ao SENHOR ou juramento para obrigar-se a alguma abstinência, não violará a sua palavra; segundo tudo o que prometeu, fará. Quando,

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porém, uma mulher fizer voto ao SENHOR ou se obrigar a alguma abstinência, estando em casa de seu pai, na sua mocidade, e seu pai, sabendo do voto e da abstinência a que ela se obrigou, calar-se para com ela, todos os seus votos serão válidos; terá de observar toda a abstinência a que se obrigou. Mas, se o pai, no dia em que tal souber, o desaprovar, não será válido nenhum dos votos dela, nem lhe será preciso observar a abstinência a que se obrigou; o SENHOR lhe perdoará, porque o pai dela a isso se opôs. Porém, se ela se casar, ainda sob seus votos ou dito irrefletido dos seus lábios, com que a si mesma se obrigou, e seu marido, ouvindo-o, calar-se para com ela no dia em que o ouvir, serão válidos os votos dela, e lhe será preciso observar a abstinência a que se obrigou. Mas, se seu marido o desaprovar no dia em que o ouvir e anular o voto que estava sobre ela, como também o dito irrefletido dos seus lábios, com que a si mesma se obrigou, o SENHOR lho perdoará. No tocante ao voto da viúva ou da divorciada, tudo com que se obrigar lhe será válido. Porém, se fez voto na casa de seu marido ou com juramento se obrigou a alguma abstinência, e seu marido o soube, e se calou para com ela, e lho não desaprovou, todos os votos dela serão válidos; e lhe será preciso observar toda a abstinência a que a si mesma se obrigou. Porém, se seu marido lhos anulou no dia em que o soube, tudo quanto saiu dos lábios dela, quer dos seus votos, quer da abstinência a que a si mesma se obrigou, não será válido; seu marido lhos anulou, e o SENHOR perdoará a ela. Todo voto e todo juramento com que ela se obrigou, para afligir a sua alma, seu marido pode confirmar ou anular. Porém, se seu marido, dia após dia, se calar para com ela, então, confirma todos os votos dela e tudo aquilo a que ela se obrigou, porquanto se calou para com ela no dia em que o soube. Porém, se lhos anular depois de os ter ouvido, responderá pela obrigação dela”. (Números 30.2-15)

O segundo era similar, mas mais suscinto:
“Quando fizeres algum voto ao SENHOR, teu Deus, não tardarás em cumpri-lo; porque o SENHOR, teu Deus, certamente, o requererá de ti, e em ti haverá pecado. Porém, abstendo-te de fazer o voto, não haverá pecado em ti. O que proferiram os teus lábios, isso guardarás e o farás, porque votaste livremente ao SENHOR, teu Deus, o que falaste com a tua boca”. (Deuteronômio 23.21-23)

Ambos os textos colocam os votos e juramentos no mesmo nível. Não existe diferença entre prometer e jurar algo. Mas o que pretendia a Lei com estes estatutos? Em primeiro lugar, ao igual que no caso do divórcio, que tratamos no capítulo anterior, temos aqui outro exemplo de uma lei para refrear o mal no meio do povo. Se os homens não tivessem pecado, esta lei não seria necessária, pois naturalmente todos cumpririam os compromissos pactuados. Esta lei dava uma elevada importância aos compromissos realizados pelos homens, de maneira que se evitasse agir impulsivamente prometendo qualquer coisa que depois não se poderia cumprir. Também buscava refrear o pecado do engano e a mentira entre as pessoas, pois ela condenava o perjúrio. Um segundo aspecto desta lei, especialmente no primeiro texto considerado (Nm.30.2-15), é que ela estabelecia a questão da autoridade e submissão. Vimos nesse texto que os votos das mulheres estavam sujeitas à aprovação do pai, no caso das solteiras, ou do marido, no caso das casadas. Já as viúvas e divorciadas tinham liberdade sobre o seus votos. É isto machismo? Porque esta sujeição das mulheres? A resposta jaz na questão da responsabilidade do marido

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ou pai, no caso das solteiras, sobre a liderança do lar. O princípio bíblico, tanto do antigo testamento como do novo também (veja por exemplo Efésios 5.22-33), é que o homem deve ser a cabeça do lar e ser o responsável pelas decisões da família. Isto pode parecer injusto para as mulheres, mas na verdade a Bíblia está tirando um grande peso das costas delas. Considere o seguinte: segundo a Bíblia, se a esposa foi quem tomou uma decisão errada que prejudicou a família, no dia final não será ela quem deverá responder, em primeiro lugar, pelo acontecido, mas o marido. Se a família está atravessando uma crise de qualquer tipo, não é ela quem deverá responder primeiro diante do Senhor, mas o marido. Se um filho estiver em pecado, o primeiro a dar contas diante do Senhor é o marido. A primeira em pecar foi Eva, mas o fardo da responsabilidade diante de Deus recaiu sobre Adão, por ter-se calado e não ter agido como líder do lar. Se observarmos o assunto desde uma perspectiva eterna, considerando o dia do Juízo Final, no qual deveremos dar contas a Deus dos nossos atos, podemos ver que a Bíblia está beneficiando às mulheres nesta situação, pois “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” (Hebreus 10.31). É por este motivo que a lei coloca ao pai ou ao marido como o responsável pelos votos da mulher, pois se esta fizesse um voto que prejudicasse a família, seria ele quem deveria responder diante do Senhor. Que bênção seriam os lares se entendêssemos isto! Os homens levariam mais a sério a responsabilidade familiar, e as mulheres descansariam muito mais nas mãos de um marido amoroso e responsável pelo seu cuidado! Um bom exemplo do caso de uma promessa feita por uma mulher e que teve que contar com a aprovação do marido podemos encontrar na história dos pais de Samuel (veja 1 Samuel 1.1-24). Um último aspecto desta lei é que ela tinha o objetivo de lembrar ao povo que deveriam dar contas das suas palavras perante Deus. Isto tornava a presença de Deus muito próxima ao povo, pois esta lei fazia lembrar que o seu Deus estava ouvindo tudo o que eles falassem e que por deveriam dar contas por cada palavra perante Ele. Por conseguinte, esta lei trazia uma verdadeira noção da santidade na conduta diária do povo de Israel.

O ensino dos fariseus e escribas sobre o juramento
Podemos ver em Mateus 5.33 qual era a preocupação dos fariseus e escribas sobre este assunto da Lei na seguinte explicação de Jesus: “Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos”. O que há de errado com isto? Não é isto exatamente o que a lei diz? Tudo é uma questão de perspectiva. Podemos enfatizar uma mesma lei do lado positivo ou negativo. O lado positivo é o ensino sobre o principio dela, porém o lado negativo é a ênfase em dizer “não faça isto, não faça aquilo... não, não e não...”. Os mestres da lei estavam preocupados apenas com a questão do perjúrio, como se esta fosse toda a questão desta lei. Isto refletia em algumas inferências erradas que eles faziam a respeito da aplicação prática dos juramentos. Vamos a ver esses pontos a seguir. a) Primeiro, eles faziam qualquer tipo de juramento sempre que não fosse perjúrio. Então, eles podiam prometer qualquer coisa e facilmente poderiam se justificar se não a cumpriam. Como? A questão do perjúrio ficava sujeita àquilo que estava no coração deles. Por exemplo, vamos supor que eles prometiam ajudar o próximo em algum tipo de tarefa no dia seguinte. Eles se comprometiam em fazê-lo dando sua palavra precipitadamente. “Prometo que amanhã estarei aqui para te ajudar”. Mas no dia seguinte acontecia algum imprevisto, alguma chuva ou

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algum problema com outros negócios que os impedia cumprir com a promessa. Tinham feito perjúrio nesse caso? Não, diziam eles, “pois no meu coração eu queria ajudar mesmo o irmão, são que aconteceu isto ou aquilo e não consegui ir”. Vem como a questão fica muito sutil? Já recebemos promessas de pessoas que nos ajudariam em alguma mudança ou organização e não apareceram? Elas parecem as mais interessadas em ajudar na hora de prometer, mas depois colocam mil desculpas por não terem ido ao compromisso. É assim que viam os fariseus a questão do perjúrio em muitos casos. Realmente, nestes casos não há uma intenção de perjúrio, mas a pessoa foi negligente ao se comprometer sem considerar as consequências e todos os possíveis acontecimentos. A lei era uma forma de incentiva às pessoas ponderarem suas promessas de compromisso, mas isto tinha sido esquecido. b) Segundo, eles faziam uma linha de distinção entre os tipos de juramentos obrigatórios e não obrigatórios. Vejam o que disse o Senhor Jesus:
“Ai de vós, guias cegos, que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou! Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro ou o santuário que santifica o ouro? E dizeis: Quem jurar pelo altar, isso é nada; quem, porém, jurar pela oferta que está sobre o altar fica obrigado pelo que jurou. Cegos! Pois qual é maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta? Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo o que sobre ele está. Quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita; e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que no trono está sentado.” (Mateus 23.16-22)

Jurar por algumas coisas era muito importante para eles, mas por outras não. Eles hierarquizavam os juramentos como se alguns eram realmente importantes e outros não. Havia aqui um sentido ganancioso e desonesto por traz, pois eles tiravam proveito de alguns juramentos feitos pelas pessoas. Desta maneira, uma consequência trágica é que eles estavam muito preocupados por definir quais juramentos eram válidos e quais não. A discussão se centrava em definir se o templo ou o ouro eram relevantes ou não para os juramentos. Isto é, a preocupação estava no procedimento do juramento para que este seja válido e não nas intenções do coração quando se proferia uma promessa. c) O terceiro ponto, e acredito que seja o mais importante, é que o elevado interesse que eles davam pelos juramentos fazia com que eles dessem pouco valor às palavras proferidas sem juramento. Tudo tinha que se jurado para que tivesse um valor real. Se eles não juravam algo não se sentiam comprometidos a ter que cumprir. Isto não nos faz sentir que estamos naqueles tempos? Alguém disse que faria algo para nós e depois nos falhou e nos diz: “Ah, me desculpa, eu tentei ir, até disse para você que eu iria, mas eu não te jurei nada...”. Isso é falta de compromisso e seriedade, é achar que somente o a frase “eu te juro” ou “eu te prometo” é o que valida as nossas palavras diante de Deus. É isso o que os mestres da lei estavam fazendo.

O ensinamento de Jesus sobre os juramentos
A resposta do Senhor Jesus a estas atitudes foi a seguinte:
“Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja,

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porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.” (Mateus 5.34-36)

Lamentavelmente muitos tomam este texto de maneira literal, sem entender a essência do mesmo. Existem denominações e seitas cristãs que não realizam nenhum tipo de voto para não quebrantar este ensinamento. Eles se recusam a fazer juramentos patrióticos ou compromissos legais por causa deste texto. Contudo, eles acabam se tornando legalistas como os mestres da lei daquela época. A preocupação do Senhor Jesus tem que ser considerada à luz do verso 37: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”. O Senhor está enfatizando que as simples palavras dos seus discípulos devem ser verdadeiras, sem a necessidade de juramentos para validar a palavra. Não é o juramento o problema, o problema é a falta de compromisso e verdade nas palavras proferidas sem juramento. Já temos dito anteriormente que há muitos exemplos na Bíblia de juramentos feitos por servos do Senhor e, inclusive, do próprio Deus, sem que isto seja considerado uma coisa má em si mesma nesses relatos. Há casos de solenidade nos quais o voto ou juramento dá uma ênfase especial à promessa realizada e isto não tem problema nenhum. Por exemplo, o voto realizado no casamento, é um claro exemplo de um pacto juramentado de duas partes perante o Senhor. É claro que o Senhor se agrada por este tipo de pactos e os abençoa. Então, o que podemos aprender com o ensinamento de Jesus? Vejamos os seguintes pontos: a) O Senhor está mostrando como os juramentos levam a usar o nome de Deus em vão. “Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus”, disse Jesus. Os juramentos feitos apressadamente, sem reflexão, podem fazer com que zombemos de Deus. Na época de Jesus, os juramentos eram realizados invocando o nome de Deus como testemunha. Nós, como cristãos, também deveríamos realizar qualquer compromisso lembrando que o Senhor é testemunha da nossa promessa. Então, o Senhor está enfatizando a seriedade da questão. É melhor sermos corretos e comprometidos com o que falamos do que fazermos pactos e votos que depois não teremos certeza de cumprir, usando assim o nome do Senhor em vão. Lembre o que diz em Eclesiastes 5.4-5:
“Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não votes do que votes e não cumpras. Não consintas que a tua boca te faça culpado, nem digas diante do mensageiro de Deus que foi inadvertência; por que razão se iraria Deus por causa da tua palavra, a ponto de destruir as obras das tuas mãos?”.

b) O Senhor Jesus está mostrando que não existem níveis diferentes de juramentos, todos eles tem que ser cumpridos. Os fariseus e escribas consideravam, por exemplo, o juramento pelo templo pouco importante, mas pelo ouro do templo muito importante. O Senhor diz que “de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; nem jures pela tua cabeça”. Isto significa que tudo é de Deus, não há coisas muito importantes e coisas pouco importantes pelas que possamos jurar. Diante de Deus pouco importa se juramos pela nossa mãe, pelos nossos filhos ou se simplesmente nos comprometemos a fazer algo sem ter dito: “eu te juro”. Seja vossa palavra “sim, sim” e “não, não”, disse Jesus. Isto já é suficiente para Deus. Todas as

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nossas palavras são vistas como votos diante do Senhor quando elas têm um tom de compromisso. c) O Senhor Jesus está ensinando que os juramentos apressados desconsideram a soberania de Deus sobre a nossa vida. Vejam o que Jesus disse: “nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto”. Isto significa que somos incapazes de mudar alguma coisa em base a nossos juramentos. Muitas vezes juramos apressadamente sem considerar que o futuro não está em nossas mãos. Aquele que é ciente que o futuro está nas mãos de Deus pensará duas vezes antes de prometer algo que talvez não o consiga cumprir. É isto o que Tiago disse no seguinte texto:
“Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo”. (Tiago 4.13-15)

Você é uma daquelas pessoas que fala tudo sobre o futuro como se fosse certíssimo? Conheço pessoas que falam sobre o seu futuro como se estivesse absolutamente sob o controle delas. Falam de sua formatura daqui a quatro anos e que logo depois trabalharão nisto ou naquilo por um determinado tempo que elas já sabem muito bem. Em nada disso mencionam que é apenas um plano e que depende de “se o Senhor quiser”. Este tipo de pessoas não tem problemas em se comprometer facilmente para fazer alguma coisa. Eles não ponderam as possíveis mudanças de situações que podem impedir o compromisso. Quando algum imprevisto acontece, elas dizem: “não consegui fazer o que prometi para você, mas é porque aconteceu um imprevisto, então me desculpa, mas não foi minha culpa”. Claro que foi sua culpa! Elas se justificam em base às mudanças de situações! A culpa está em terem sido tolas por não considerarem as possíveis mudanças de planos. Se você for, por exemplo, uma dessas pessoas que chega sempre tarde a todos os compromissos marcados e que, quando chega, diz: “desculpa, é que o trânsito estava muito ruim”, comece a ponderar seu comportamento. Quando se compromete com um horário, considere essas situações e se planeje de maneira a cumprir seus compromissos no horário certo. Nos compromissos, é sempre melhor sermos sinceros e dizermos “eu pretendo fazer isto ou aquilo, mas sei que existem estas e aquelas condições que podem mudar, então, farei todo o possível para concretizar o prometido, se Deus quiser”. Vem como isto muda a situação? Isto nos leva a um nível muito maior de reflexão e consideração acerca do que pretendemos fazer. Também evita que a outra pessoa se frustre conosco e nos considere irresponsáveis por termos falado algo que não cumprimos. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”. d) O Senhor Jesus está colocando nossas palavras no nível de promessas e juramentos. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.”. O “sim, sim; não, não” não significa que evitemos compromissos. Muitas pessoas se valem desse texto para concluir que não têm que prometer nada, nem serem comprometidas! Este tipo de pessoas são aquelas que, quando alguém lhe pede uma ajuda, dizem: “Olha, vou tentar te ajudar amanhã, mas não te prometo nada...”. Na verdade, elas estão querendo ser diplomáticas para não dizer diretamente: “não tenho muita vontade em te ajudar”. São as pessoas nas quais nunca se pode confiar, pois elas não se comprometem com nada. Elas fogem dos

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compromissos. Mas não é essa a atitude do crente, nem é isso o que o Senhor está ensinando aqui. O que o Senhor está dizendo neste texto é que devemos ser diretos, sinceros e comprometidos. Quando o crente diz “sim”, ele está se comprometendo. Por este motivo, quando alguém começa a jurar pelo céu e pela terra, poderíamos lhe perguntar em base a esse texto: “Porque juras? Por acaso a tua palavra não tem valor algum? Tua palavra não é suficientemente confiável?”. Uma pessoa que tem temor do Senhor não precisa jurar e prometer, pois ela sabe que o que ela disse fará, ela já tem um compromisso diante do Senhor. O crente deve ser uma pessoa de palavra, é isso o que o Senhor está ensinando aqui. Não devemos prometer o tempo todo, mas devemos ser comprometidos sempre. e) O Senhor está ensinando acerca da verdade e contra a mentira e a hipocrisia. Observem que Ele não disse: vosso sim seja não e o não seja sim. Esta é a atitude dos hipócritas, daqueles que dizem uma coisa e pensam outra. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não”. As atitudes do crente tem que corresponder a suas palavras, e as palavras refletem aquilo que está no coração do homem, pois “a boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6.45b). O crente deve ser alguém que fala com clareza, de maneira direta e sincera. Por acaso você não é uma daquelas pessoas que falam sempre com ambiguidade? Tem pessoas que nunca falam muito claro. Elas enrolam, se contradizem, ou falam as coisas pela metade, sendo assim pouco sinceras. Mas o crente não, o discípulo de Jesus diz deve expressar sempre a verdade e dizer sim, quando pensa sim, e não, quando pensa não. f) O Senhor está ensinando contra o exagero. Esta é outra classe de mentira, e poderia ser colocada no ponto anterior, mas acho que merece um destaque particular. Embora não tenha um relacionamento tão direto com os juramentos, acho que vale a pena refletirmos também sobre esta implicação do ensinamento de Jesus. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não”. Isto implica que devemos ser fieis aos fatos. Há pessoas que não são confiáveis por serem exageradas. Quando elas contam algo o fazem com tanta exageração que distorcem a realidade. Muitas vezes não são pessoas mal intencionadas, mas são tão empolgadas e querem mostrar tanta graça nos seus relatos que acabam exagerando. Se sondássemos no fundo de corações assim, provavelmente encontraremos um desejo de chamar a atenção ou o interesse das outras pessoas. Claro que isto desagrada ao Senhor, pois ele quer que sejamos fiéis nas palavras, dizendo “sim, quando é sim” e “não, quando é não”; palavras diretas, exatas e reais.

Considerações finais
Decidi deixar uma última implicação deste ensinamento para o final. Acho que é muito importante refletirmos a respeito: considero que este ensinamento de Jesus é a favor de uma vida espiritual amadurecida. As pessoas mais sábias e amadurecidas que eu conheço são pessoas muito calmas e que controlam as suas palavras. Parece ser que estas pessoas pesam e ponderam cada palavra proferida. Se considerarmos que a nossas palavras devem ser “Sim, sim; não, não”, acho que chegaremos à conclusão que devemos viver como essas pessoas sábias vivem. Se isto não for suficiente, permitam-me lembrar-lhes os seguintes conselhos do sábio rei Salomão: “Quem retém as palavras possui o conhecimento, e o sereno de espírito é homem de inteligência”. “Tens visto um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança há para o insensato do que para ele”. “Porque, como na multidão dos sonhos há vaidade, assim também, nas muitas palavras; tu, porém, teme a Deus” (Provérbios 17.27, 29.20; Eclesiastes 5.7). Nas muitas palavras nunca falta o pecado. Facilmente prometemos,

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juramos e exageramos por falarmos demais. Talvez seja bom cuidarmos mais nossa língua e os excessos nas conversas, de maneira que nos identifiquemos com o que escreveu Tiago: “Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (Tiago 3.2). O resumo de toda esta parte do sermão de Jesus pode ser sintetizado da seguinte maneira: “cuide as suas palavras, pois delas você terá que prestar contas diante do Senhor”. Portanto, sejamos comprometidos com o que falamos e cumpramos as nossas promessas. Acredito que esta seja uma das melhores maneiras de testemunhar que somos verdadeiros filhos de Deus. Faz toda a diferença sermos pessoas comprometidas. Que bênção é para a sociedade e para a própria Igreja contar com crentes comprometidos, que trabalham e cumprem com sua palavra em todo tempo. É esta uma das melhores maneiras de mostrarmos ao mundo que nós temos temor do Senhor e que tudo que nós falarmos é com reverência àquele que há de julgar vivos e mortos no seu grande Dia. Que o Senhor nos conceda sua graça para vivermos assim! Toda glória seja dada a Ele!

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