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Resumo Sobre a Lei Dos Crimes Hediondos - DIRIGIDO PF

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LEI DOS CRIMES HEDIONDOS Diz a CF que: “A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça (perdão, que extingue

a punibilidade) ou anistia (renúncia a jus puniendi) a prática da TORTURA, o TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES E DROGAS AFINS, o TERRORISMO e OS DEFINIDOS COMO CRIMES HEDIONDOS, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem”. Para viabilizar a aplicação do dispositivo, foram criadas várias leis, dentre as quais se destaca a Lei dos crimes hediondos (Lei 8.072/90). A referida lei, além de definir os crimes dessa natureza, traz diversas providências de cunho penal, processual penal, bem como referentes à execução penal. Nesse momento, vale destacar que o tráfico ilícito de entorpecentes, o terrorismo e a tortura NÃO são crimes hediondos, pois que não constam do rol do art. 1o da lei 8.072/90. Eles são denominados pela doutrina de FIGURAS EQUIPADAS. Obs. 1: O crime previsto no art. 243 do ECA não é considerado pela doutrina como tráfico ilícito de entorpecentes, já que a lei se refere a produtos de outra natureza - não listados como entorpecentes ou assemelhados, como, por exemplo, o cigarro, bebidas alcoólicas, cola de sapateiro etc. Estabelece o referido dispositivo legal: “Vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida”. Obs. 2: O crime de tráfico de entorpecentes atualmente se encontra descrito nos artigos 33, caput e §1º, e 34 (no caso desse crime, LFG discorda em corrente minoritária), da Lei 11.343/06. Há quem sustente (Fernando Capez) que os artigos 36 e 37, da Lei 11.343/06, também são hediondos, senão vejamos: Tráfico clássico - Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Tráfico equiparado - § 1o Nas mesmas penas incorre quem: I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas; II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matériaprima para a preparação de drogas; III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas. Tráfico de maquinismo - Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou

o juiz não poderá lhe conferir o caráter hediondo. ORDEM CONCEDIDA. que o magistrado deixe de reconhecer a natureza hedionda em delito que expressamente conste do rol. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Associação para o tráfico .368/76 como não hediondo. CÁLCULO.  ROL DOS CRIMES HEDIONDOS: (HO-LA EST-EXM2S FA-G-EP) . O rol trazido pelo art. qualquer dos crimes previstos nos arts. Colaborar. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. reiteradamente ou não. CRIME NÃO HEDIONDO.qualquer objeto destinado à fabricação. em confirmação à liminar já deferida. O crime de associação para o tráfico não é equiparado a hediondo. O crime de associação para o tráfico não integra a listagem legal de crimes considerados hediondos. que considerou o crime previsto no artigo 14 da Lei 6. Impossível analogia in malam partem com o fito de considerá-lo crime dessa natureza. já que estabeleceu que o caráter hediondo depende única e exclusivamente da existência de previsão legal. 33. Assim. DECISÃO HOMOLOGATÓRIA DO CÁLCULO CASSADA. 1. organização ou associação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. para que seja restabelecido o cálculo efetuado pelo juízo da execução criminal. 2. o judicial e o misto. 1: Em recentes julgados o STJ vem entendendo que o delito de associação para o tráfico de drogas não é crime hediondo. (HC 56. caput e § 1o. uma vez que não está expressamente previsto no rol do artigo 2º da Lei 8.072/90. por mais grave que seja o crime. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar. 33. mas o da legislação penal comum sim. produção ou transformação de drogas. 2. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CONFIGURADO. LISTAGEM TAXATIVA DOS CRIMES COM TAL NATUREZA. Nossa legislação adotou o sistema legal.Art.072/1990. 37.Art. 35. DJe 23/03/2009) Existem 3 sistemas que buscam eleger os crimes hediondos: o legal. Ordem concedida. Rel. caput e § 1o. A lei dos crimes hediondos NÃO ALCANÇA OS CRIMES MILITARES. como informante. por exemplo. preparação. 33. e 34 desta Lei: Financiamento do tráfico .1. NÃO CARACTERIZAÇÃO. de modo que o crime de estupro previsto no Código Penal Militar. não admite ampliação pelo juiz.993/RJ. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 1o da lei 8. CRIME CONSIDERADO NÃO HEDIONDO.529/RJ. caput e § 1o. com grupo. não será considerado hediondo. AGRAVO EM EXECUÇÃO. assim. e 34 desta Lei: Colaboração como informante para o tráfico . SEXTA TURMA.Art. julgado em 05/03/2009. 1. ARTIGO 35 DA LEI 11. além disso. Não se admite. cassar a decisão proferida no acórdão impugnado. ORDEM CONCEDIDA. QUINTA TURMA. ANALOGIA. (HC 130.343/2006. e 34 desta Lei: Obs. julgado em 27/04/2010. NATUREZA HEDIONDA. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. 2. DJe 28/06/2010) HABEAS CORPUS. Ordem concedida para. IMPOSSIBILIDADE. Nesse sentido: HABEAS CORPUS. Rel. Ministro JORGE MUSSI. EXECUÇÃO PENAL. 36.

de emboscada. sendo suficiente que as vítimas estejam ocasionalmente vinculadas. que não serão retroativos aos crimes perpetrados antes de sua vigência. O reconhecimento é feito. fogo. e o homicídio qualificado. ou por outro motivo torpe (=reprovável). três pessoas (Luiz Vicente Cernicchiaro e Alberto Silva Franco). Damásio de Jesus classifica esse delito hediondo como condicionado. (meios empregados) IV . HC 71. as normas relativas à liberdade provisória. portanto. asfixia. (modos de execução) V .mediante paga ou promessa de recompensa. A circunstância do homicídio ter sido praticado em atividade típica de grupo de extermínio torna incompatível o reconhecimento do privilégio. independente de ligação racial ou social.por motivo fútil (=de pequena expressão).com emprego de veneno. a nova conceituação provoca apenas a incidência de efeitos penais e processuais penais mais gravosos. tortura ou outro meio insidioso ou cruel. por tal razão. Contudo. REsp 10. causa de aumento de pena ou agravante genérica do homicídio e. STJ. A finalidade do grupo de extermínio é especial em relação ao crime de quadrilha ou bando. Não há consenso quanto ao número de integrantes. Obs. admite-se que somente um dos agentes execute a ação para que se configure a hediondez do crime. também NÃO ocorrerá a quesitação da hediondez do . que são as seguintes: I . no mínimo. consumadas ou tentadas. Ex. Capez entende que exige-se no mínimo duas pessoas. REsp 61. 2: Não é possível a existência do homicídio privilegiado seja ao mesmo tempo hediondo. submetidas ao princípio da retroatividade in mellius (STJ. (motivação) III . Contudo.: Carandirú.009. O grupo de extermínio deve ser formado por. muito embora o homicídio privilegiado não deixe se ser o homicídio previsto no tipo básico (caput). 1: Segundo o STF e o STJ. No que se refere ao homicídio qualificado.). A atividade de grupo de extermínio não é elementar. O 1o caso trata-se de situação bastante rara. os dispositivos de natureza processual podem retroagir. explosivo. quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. Quanto às normas que disciplinam o regime de cumprimento de pena. Na realidade. não deve ser objeto de quesitação aos jurados do Tribunal do Júri. por exemplo. já que aquele é formado para eliminar fisicamente um grupo de pessoas. como. ou de que possa resultar perigo comum.897-0).678).• Homicídio. Obs. a ocultação. a lei dos crimes hediondos possui dispositivos penais gravosos. mas com a presença de certas circunstâncias subjetivas que conduzem a uma menor reprovação social da conduta criminosa. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. qualificadora.à traição. (motivação) II . a impunidade ou vantagem de outro crime: (motivação) De modo similar ao que ocorre com o crime de homicídio praticado em atividade típica de grupo de extermínio. pelo juiz presidente. pois depende da verificação de um requisito ou pressuposto: que o delito tenha sido praticado em atividade típica de grupo de extermínio. o STJ já firmou entendimento de que são normas de caráter penal. vale destacar que a hediondez abrange todas as formas qualificadas. ainda que cometido por um só agente. Atividade típica de grupo de extermínio NÃO se confunde com quadrilha ou bando.para assegurar a execução. uma vez que o homicídio praticado por grupo de extermínio geralmente apresenta alguma qualificadora (motivo torpe etc. apelação em liberdade e prisão temporária (STF.

158 . a reclusão é de 20 a 30 anos. e multa. Art. 158. Por fim. NÃO TEM CARÁTER HEDIONDO (posição de Damásio). 2: Por ocasião do Tribunal do Júri. ou depois de havê-la. uma vez que dizem respeito aos motivos determinantes do crime. Mesmo que não haja a morte da vítima. • O envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal NÃO é considerado mais crime hediondo.Constranger alguém. dessa violência. por qualquer meio. que ofendem os mesmos bens jurídicos: o patrimônio. 157 . 157. são crimes praticamente idênticos. §3o . ambos os casos. ao mesmo tempo. a lei não conferiu caráter hediondo ao crime de extorsão qualificado pela lesão grave. além da multa. a fazer.se da violência resulta lesão corporal grave. O latrocínio (art. o delito será considerado hediondo. por força da Lei 8. motivo fútil. sendo que. o crime é de extorsão (preenchimento de um cheque ou de uma nota promissória).Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no §3 o do artigo anterior. Existe o latrocínio quando o agente emprega violência para cometer um roubo e. mediante violência ou grave ameaça. se resulta a morte. O homicídio qualificado-privilegiado. retroagiu a todos os casos anteriores. decorrente do concurso entre privilégio e qualificadoras objetivas (hipóteses dos incisos III e IV). A extorsão e o roubo. nos termos do art. Contudo. já que essa característica decorre automaticamente do reconhecimento de uma das qualificadoras. o delito poderá ser considerado hediondo (modalidade tentada).homicídio qualificado. mediante grave ameaça ou violência a pessoa. o reconhecimento do privilégio impede que o juiz ponha em votação as qualificadoras subjetivas (motivação do crime). e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica. no concurso entre circunstâncias objetivas e subjetivas. resulta a morte da vítima ou de terceiro. Observe a diferença: se a vítima pratica um ato que o agente poderia realizar em seu lugar. Exatamente como ocorre no latrocínio.930/94. § 2o. para si para outrem. reduzido à impossibilidade de resistência: Pena . por ser medida mais benéfica. qualificados ou não. tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa: Pena . Tal inovação. O roubo do qual resulte lesão corporal grave não configura crime hediondo. que diz: se da violência resulta lesão corporal grave. do CP): apenas o roubo qualificado pelo resultado morte é considerado hediondo. sem prejuízo da multa. vale dizer que o resultado morte pode decorrer de conduta dolosa ou culposa do agente. e multa. §2 o do CP). o crime é de roubo (entrega da carteira). a pena é de . de 7 a 15 anos. pois que.reclusão de 4 a 10 anos. a pena é de reclusão. A extorsão qualificada pelo resultado morte foi erigida à categoria de crime hedindo. • • A extorsão qualificada pelo resultado morte (art.reclusão de 4 a 10 anos. já que não é possível que seja reconhecido o relevante valor social e. não há muita diferença entre as condutas. Pelo que se observa dos exemplos. Obs. já que plenamente compatíveis. 67 do CP. poderá o juiz quesitar as qualificadoras objetivas. 2ª parte. se a vítima pratica um ato que o agente não poderia cometer em seu lugar. Art. §3o.subtrair coisa móvel alheia. seja consumado ou tentado. prevalecem estas últimas.

Se da violência resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 anos e maior de 14 anos: Pena . Diante desse novo quadro.reclusão de 8 a 12 anos. Contudo. §1º e 2º.Se da conduta resulta a morte: Pena . mediante violência ou grave ameaça.reclusão de 12 a 20 anos.072/90. convém notar que o seqüestro (CP. ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha: Pena . 213 .reclusão. ainda que tentados (STJ). se resulta a morte. que previa três hipóteses em que se presumia a violência (vítima com idade igual ou inferior a 14 anos. tendo sido revogado pela Lei 12. Estupro de vulnerável . vítima impossibilitada. bem como suas formas qualificadas pelo resultado lesão grave ou morte. Trata-se de mais um delito de extorsão.Constranger alguém.reclusão de 24 a 30 anos. embora extremamente grave. se o seqüestrado é menor de 18 ou maior de 60 anos. como condição ou preço do resgate. O artigo 224. 2º.reclusão de 16 a 24 anos. de 7 a 15 anos. pode-se afirmar que a figura do artigo 213. que só possuem caráter hediondo quando qualificados pelo resultado morte. se cuida aqui da privação da liberdade da vítima tendo por fim a obtenção de vantagem. a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena .se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . conforme informa a nova redação dada ao artigo 1º. 159. caput e §§ 1o. por qualquer razão. embora o crime seja contra o patrimônio (incongruência da lei). 159 .se o seqüestro dura mais de 24 horas. • O estupro.Seqüestrar pessoa com o fim de obter.se resulta a morte: Pena . caput e §§ 1º. a reclusão é de 20 a 30 anos. do CP. Estupro Art. 1: O estupro x violência ficta. para si ou para outrem. § 3o . vítima fosse alienada ou débil mental. artigo 148). o crime de extorsão mediante seqüestro é considerado hediondo em todas as suas formas (simples ou qualificada). é considerado crime hediondo (artigo 213. Ao contrário do que ocorre com o roubo e com a extorsão. 2o e 3o do CP). Além disso. • A extorsão mediante seqüestro EM TODAS AS SUAS FORMAS (art. da Lei 8. Art. Obs. vale destacar que o crime em questão não possui pena de multa. não se inclui no rol dos crimes hediondos. qualquer vantagem. e o agente conhecia essa circunstância.reclusão de 6 a 10 anos. além da multa. § 1o .015/09. são considerados hediondos. Parágrafo único . e 217-A.reclusão de 8 a 15 anos. caput. em TODAS AS SUAS FORMAS (mesmo a simples). § 2o . Por oportuno. do CPB): o crimes de estupro simples.reclusão de 12 a 30 anos. sem prejuízo da multa. §1º . 3º e 4º são considerados crimes hediondos. de oferecer resistência) não mais está vigente. como condição ou preço do resgate: Pena .

corrompido. que são descritas no art.sem registro. 267. § 4o Se da conduta resulta morte: Pena . os insumos farmacêuticos. III . de forma que aquele que vende um único produto de limpeza adulterado comete crime hediondo. § 1o-A . vende. se repute hediondo. mediante a propagação de germes patogênicos: Pena . tem em depósito para vender ou. distribui ou entrega a consumo o produto falsificado.reclusão. por qualquer outra causa. mediante a propagação de germes patogênicos. adulterado ou alterado. de qualquer forma. § 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que. não pode oferecer resistência. adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. . adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais: Pena . §1o . 273 . os cosméticos. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. quando exigível. Art. ainda que provoque a morte de alguém. e multa. de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.sem as características de identidade e qualidade admitidas para a sua comercialização. II . O crime culposo de epidemia NÃO é considerado hediondo. §1o-B . • A epidemia com resultado morte (art.reclusão. 1o-A e 1o-B): a hediondez alcança as formas simples e qualificadas (lesão corporal ou morte.em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no inciso anterior. as matérias-primas.Art. § 2o (VETADO) § 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . corrupção. assim. caput e §§ 1o. • A falsificação.Nas mesmas penas incorre quem importa. V . Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena . Segundo Delmanto. §1o .reclusão de 10 a 15 anos. 273. Vale observar que os cosméticos (destinados ao embelezamento) e os saneantes (destinados à higienização e à desinfecção ambiental) constituem objeto material desse crime.reclusão. corromper. Basta a morte de uma única pessoa para que o crime se qualifique e. Art. Por outro lado. 273 do CP).de procedência ignorada.Falsificar. IV .Incluem-se entre os produtos a que se refere este artigo os medicamentos. os saneantes e os de uso em diagnóstico.reclusão de 10 a 15 anos. O crime somente terá caráter hediondo se resultar em morte. 217-A.Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no §1o em relação a produtos em qualquer das seguintes condições: I . não tem o necessário discernimento para a prática do ato. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. §1o do CP): Epidemia é o surto de uma doença que atinge um grande número de pessoas em determinado local ou região. por enfermidade ou deficiência mental. no órgão de vigilância sanitária competente.Causar epidemia. a pena é aplicada em dobro. não se considera hediondo o crime de falsificação culposa de medicamento (seja na forma simples ou qualificada).Se do fato resulta morte. ou que.com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade. 267 . a inclusão dos cosméticos e saneantes entre os produtos objetos deste artigo fere o princípio da proporcionalidade. expõe à venda.

não se confunde com os bens primários também lesados por essas ações instrumentais.889/56): A lei 2. A anistia retira todos os efeitos . 1: O crime de genocídio é da competência da Justiça Federal. pois que o objeto jurídico tutelado imediatamente pelo crime de genocídio há de ser. bem como que incita.  A ANISTIA. já que foi excluído da lista pela lei 8. que. segundo o STJ e o STF. a tortura. promovendo o esquecimento jurídico. 2o da Lei 8. 2o e 3o da lei 2. à integridade física. Uma vez concedida não pode ser revogada. nada impede que o TPI proceda outro julgamento.93094. dispõe que: ficam sujeitos à lei brasileira. 2: Convém lembrar que o nosso CP. Neste último caso.889/56 pune quem. com a sanção do Presidente da República. A GRAÇA. Obs. Por oportuno. em grave prejuízo ao princípio da irretroatividade da lei penal. É da competência exclusiva da União e privativa do Congresso Nacional. que possui competência para processar e julgar o crime de genocídio. É o ato legislativo com que o Estado renuncia o jus puniendi. Obs. somente se impondo na hipótese de omissão ou favorecimento por parte da justiça interna do país subscritor ao genocida. 3: O crime de envenenamento de água potável não é mais considerado crime hediondo. étnico. direta e publicamente. (as limitações em negrito foram impostas pela lei e não constam da CF!) Inicialmente. cumpre distinguir os institutos acima elencados. • O genocídio. senão vejamos:  anistia: é a lei penal que retira as conseqüências de alguns crimes praticados. os crimes hediondos. grupo nacional. não afasta sua competência. no todo ou em parte. A lesão à vida. graça e indulto. demonstrada a parcialidade da jurisdição interna do país. à liberdade de locomoção etc. em seu artigo 7º. adota medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo. os crimes de genocídio. e não do Tribunal do Júri. com a intenção de destruir. nos diversos tipos de ação genocida. Além disso. o tráfico e o terrorismo são insuscetíveis de: • • anistia. causa lesão grave à integridade física ou mental em membros do grupo.072/90. A Lei também pune a associação de mais de três pessoas para a prática dos crimes supracitados. a existência de um grupo nacional. O INDULTO. pois a lei posterior revogadora prejudicaria todos beneficiados. efetua a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo. pois. alguém a cometer qualquer dos crimes. pois que a jurisdição do TPI é subsidiária. 1o. cumpre destacar que o fato do Brasil se submeter ao Tribunal Penal Internacional.VI . inclusive com sanção penal mais rigorosa. quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil. A FIANÇA E A LIBERDADE PROVISÓRIA: Segundo o art. a competência para o julgamento de crime de genocídio é do juiz singular. racial ou religioso. consumado ou tentado (arts. Obs.. étnico. fiança e liberdade provisória. submete intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição total ou parcial. racial ou religioso: mata membros do grupo. embora cometidos no estrangeiro.adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária competente.

reduzindo a pena. Também funciona como uma causa extintiva de punibilidade. a CF é um texto genérico e. Nesse sentido: “A comutação (Art. trafico ilícito de entorpecentes e terrorismo. Atinge somente os efeitos principais da condenação. É uma forma de indulgência do Estado (um perdão). tortura. São insuscetíveis de graça os crimes hediondos. A comutação ameniza o cumprimento. o MP dará também seu parecer. Procurador Geral de República e ao Advogado Geral da União. . tortura. o faz em seu sentido amplo. 3. a comutação de pena (que é denominado pela doutrina como indulto parcial). O Presidente poderá delegar aos Ministros de Estado. São insuscetíveis de indulto os crimes hediondos. tortura. consumados ou tentados. inclusive. A lei de execução penal considera a graça um indulto individual. trafico ilícito de entorpecentes e terrorismo. Em seguida. 7º. não há nada de inconstitucional nisso (STF. XII) é espécie de subespécie de indulto. sendo vedada sua concessão aos condenados por crimes hediondos. O indulto é um benefício coletivo.  graça: é um benefício individual concedido mediante provocação da parte interessada. Pode o indulto ser pleno (quando atinge toda a pena) ou parcial (quando diminui ou comuta a pena em outra de menor gravidade).226/1999. trafico ilícito e terrorismo. Assim. Pode ser concedido sob a condição do preenchimento de determinados requisitos (indulto condicional). O indulto somente poderá ser recusado se for parcial. Após. irretroativa. Segundo a jurisprudência (STF. concedido espontaneamente por decreto do Presidente de República. mas não os extrapenais. A norma que veda a anistia. haja vista que a CF apenas proíbe a concessão de fiança. subsistindo todos os efeitos secundários penais e extrapenais (civis). São insuscetíveis de anistia: hediondos. pelo MP. pois. principais e secundários. Logicamente. conforme dispõe o art. Procurador Geral de República e ao Advogado Geral da União. vedada a comutação de penas ao condenado por crimes hediondos”. A vedação alcança.penais. tentados ou consumados. quando o constituinte menciona graça. Desse modo. englobando o indulto. ADIn 2795 – Decisão Plenária) e a doutrina atuais (José Frederico Marques). Segundo Capez. Além disso. concedida através de decreto. A Lei 8. a sentença condenatória ainda poderá ser executada no juízo cível. Para a concessão. para ser submetido a despacho do Presidente da República ou autoridade a quem delegou competência. o indulto e a graça ao crime hediondo possui conteúdo penal. Mutatis mutandis. as considerações são válidas para a graça. O Presidente poderá delegar aos Ministros de Estado. É uma providência de ordem administrativa.567) . a comutação da pena é espécie de indulto parcial.  indulto: é uma causa extintiva que atinge somente os efeitos principais da condenação. por essa razão não se exige o preciosismo técnico em suas disposições. do Decreto n. subsistindo todos os efeitos secundários penais e extrapenais (civis). O requerimento pode ser feito pelo próprio condenado. mesmo que se interpretasse a referência do legislador apenas em relação à graça strictu sensu. I.072/90 aumentou as vedações impostas aos crimes hediondos. Pode ser pleno (quando atinge toda a pena) ou parcial (quando diminui ou comuta a pena em outra de menor gravidade). ainda assim poderia o legislador proibir também o indulto. HC 81. A graça somente poderá ser recusada se for parcial. 84. deixada ao poder discricionário do Presidente de República. Os autos vão para o Conselho Penitenciário para parecer. o Juiz poderá atuar de oficio. consumados ou tentados. graça e anistia. Segundo o STJ. sendo. Conselho penitenciário ou autoridade administrativa onde a pena e cumprida. do MP ou por iniciativa do Conselho Penitenciário ou de autoridade administrativa. uma vez que a CF não vedou tal possibilidade. a requerimento do interessado. os autos serão encaminhados ao Ministério da Justiça. ou substituindo-a por outra que enseja execução mais branda.

quando o acusado tiver o direito de recorrer em liberdade – CPP. e que tem aplicabilidade geral em relação aos crimes hediondos. permitida. artigos 408. vedada. Portanto. Além disso. Além disso. do devido processo legal e da dignidade da pessoa humana (STF.643). adequando-se que dispõe o texto constitucional (STJ. que pode ocorrer com ou sem fiança (nas hipóteses em que não couber prisão preventiva. HC 94.921). SE O REFERIDO ENTENDIMENTO FOR MANTIDO. vale destacar que a CF estabelece que ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória. §2º.343/06). que veda no seu artigo 44. HC 93. sustenta que: a lei de drogas (artigo 44) é norma especial em relação à Lei dos crimes hediondos (STF. a prisão antes do trânsito em julgado da condenação ofende ao princípio da não culpabilidade (HC 94791). para o autor de tráfico de drogas não se admite liberdade provisória com ou sem fiança (STF.No que se refere à liberdade provisória. Nossa legislação prevê hipóteses em que a liberdade provisória é: • obrigatória (infração penal punida com pena não privativa de liberdade ou quando a máxima prevista não exceder três meses).278). há duas correntes: • Mesmo com o advento da Lei 11.503). Não é possível vedar de maneira absoluta e automática a concessão de liberdade provisória. No caso dos crimes hediondos.921). podendo ser revogado a qualquer tempo. fundamento suficiente para o indeferimento de eventual requerimento de liberdade provisória (STF. com ou sem fiança (artigo 44. DO STF: a vedação da liberdade provisória nos processos por crimes hediondos não impede o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo (enquanto o constrangimento for legal não . e 594).464/07.343/06) para a concessão da liberdade provisória em favor dos sujeitos ativos do crime de tráfico ilícito de drogas é. com ou sem fiança. bem como nos casos em que o autor do fato (nas infrações de menor potencial ofensivo) assumir o compromisso de comparecer em Juízo.302 – STJ. • • • Outra corrente (MAJORITÁRIA). CONSIDERA-SE PRESERVADA A SÚMULA 697. Em outro julgado recente. o STF também decidiu que o impedimento para conceder liberdade provisória à pessoa presa em flagrante por tráfico de drogas é expressiva afronta aos princípios constitucionais da presunção de inocência. da Lei 11. por si só.343/06. HC 111. Embora haja previsão legal. exige-se motivação concreta para a manutenção da segregação cautelar. a Lei 11. vinculado ou não a certas obrigações. contudo. HC 94. proíbe somente a liberdade provisória com fiança. e não a liberdade provisória sem fiança. o STF entendeu que. HC 99. se não for preventiva. HC 119. a proibição legal (artigo 44. da Lei 11. que é posterior à Lei 11. Em recente julgado a respeito de um preso condenado por crime de tráfico. a concessão da liberdade provisória aos acusados da prática de tráfico de entorpecentes presos em flagrante.343/06. a concessão de liberdade provisória é vedada. O instituto da liberdade provisória garante ao acusado o direito de aguardar em liberdade o transcorrer do processo.

Recentes julgados do STJ e STF (HC 84. da isonomia e da humanidade da pena. sendo.928). que a pena do crime hediondo será cumprida em regime inicialmente fechado. em 23 de fevereiro de 2006. tendo sido.959/SP. em sua composição plenária. firmou-se na interpretação sistêmica dos princípios constitucionais da individualização.072/90. 5: A Lei que trata dos crimes de tortura admite a concessão do indulto. inconstitucional o óbice contido na Lei dos Crimes Hediondos que veda a possibilidade de progressão do regime prisional aos condenados pela prática dos delitos nela elencados. a proibição legal quanto à impossibilidade de progressão carcerária aos condenados pela prática de crimes hediondos e equiparados.464/07. que não poderá retroagir (normas que tratam de regime de cumprimento da pena possuem natureza jurídica de norma penal. A progressão do regime. com a declaração da inconstitucionalidade do art. ou se for reincidente. inexiste. do STF: será cumprido o percentual considerando a pena imposta.714/97. somente é fixado regime inicial fechado quando o réu for condenado a uma pena superior a oito anos. Se for ilegal.º. alguns passaram a sustentar a possibilidade da substituição em relação aos crimes hediondos. Tal entendimento. 2. É o entendimento do STF.  CRIMES HEDIONDOS X PENAS ALTERNATIVAS: Com a alteração promovida pela lei 9. ou 3/5 da pena se o réu for reincidente (seja específico ou não). ressalvado pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei 11. Assim. portanto. irretroativas).cabe liberdade provisória. contudo.º 82. que caberá ao juízo da execução penal analisar os pedidos de progressão considerando o comportamento de cada condenado.  REGIME INICIALMENTE FECHADO: Estabelece a lei 8. PERGUNTA-SE: O que será considerado para efeito de fração de cumprimento da pena: a pena imposta ou a pena máxima a ser cumprida (30 anos). pois se trata de lei especial. no julgamento do HC n. caberá o relaxamento da prisão). tendo em vista que. assim. independentemente da quantidade de pena aplicada no caso concreto.072/90. atendidos. pelos seguintes argumentos: ENTENDIMENTO DO STF: O Pretório Excelso. por força da Lei. permissão esta que não se estende aos demais crimes hediondos (STF). no mencionado precedente. que ampliou a incidência da aplicação das penas alternativas nas condenações inferiores a 4 anos. em sede de controle difuso. por força da alteração promovida pela Lei 11.464/07? Haverá progressão de regime após o cumprimento de 1/6 da pena. . PERGUNTA-SE: Qual o percentual de cumprimento da pena para os crimes praticados antes da Lei 11. declarou.º 8. resta superado o único óbice à concessão do benefício da substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos nos crimes hediondos e equiparados. Afastou-se. Por conseqüência.464/07 trouxe uma regra prejudicial ao réu. da Lei n. na legislação comum. têm admitido a substituição da pena. somente ocorrerá após o cumprimento de: 2/5 da pena se o réu for primário. todavia. os demais requisitos legais.º. Obs. Súmula 715. é claro. Trata-se de regra especial. o qual residia no caráter especial dos rigores do regime integralmente fechado. § 1.

caput e § 1º da referida lei de tráfico de entorpecentes. qualquer empecilho quanto à concessão do indigitado benefício. 44 DA LEI 11. não examinando a questão do "sursis" e. Ayres Britto.343/2006. em se cuidando de crime hediondos.698). foi considerado inconstitucional. Por exceção. não há falar em óbice à substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos. vale dizer que A NOVA LEI DE DROGAS PROÍBE EXPRESSAMENTE A CONVERSÃO DE SUAS PENAS EM RESTRITIVAS DE DIREITOS (artigo 44. ENTENDIMENTO DO STJ: A norma penal prevê a possibilidade de se aplicarem sanções outras que não a pena privativa de liberdade para crimes de pequena e média gravidade. da isonomia e da humanidade da pena (STF. A inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do HC nº 97256-RS . por força da quantidade da pena e do atendimento aos demais pressupostos a tanto exigidos.º 11.Rel. tudo com fundamento na interpretação sistêmica dos princípios constitucionais da individualização. TRÁFICO DE DROGAS.072/90 e o disposto no Código Penal (art. é certo. Rel. em sede de comprometimento ao direito à liberdade. decidiu-se "remover o obstáculo da Lei 11. julgado em 26/10/2010. que as penas de tais crimes serão cumpridas. DJe 16/11/2010)  CRIMES HEDIONDOS X SURSIS: Capez entende ser incompatível a concessão do benefício da suspensão condicional da pena ao réu condenado por crime previsto na Lei 8. indulto. . como na hipótese ocorre. prevalece a vedação legal ao benefício. Min. nos seguintes termos: RECURSO ESPECIAL. e não para as hipóteses em que. desde que acusado atenda. por consequência. 3. (REsp 1182021/RJ. QUINTA TURMA. como meio eficaz de combater a crescente ação criminógena do cárcere. prevalece o entendimento de que é possível a incidência do sursis em relação aos crimes hediondos.072/90. do Código Penal. pois. seja viável a suspensão condicional. integralmente. HC 86. entretanto. Esse dispositivo. 2. vale mencionar a posição do Ministro Marco Aurélio sobre o tema: "Embora se batam alguns pela inadmissibilidade do sursis. que determina que os crimes de tráfico são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis. IMPOSSIBILIDADE VEDAÇÃO DO ART. Disse. é claro. A disciplina da Lei nº 8. como esta eg. em regime fechado. Por fim. graça. Ministro HONILDO AMARAL DE MELLO CASTRO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/AP).343/06). Ao crime de tráfico de entorpecente cometido na vigência da nova lei de drogas aplica-se a vedação prevista no artigo 44 da Lei n. 44. 5ª Turma também não o fez. CONCESSÃO DE SURSIS. mas assim dispôs. 44) não são incompatíveis. anistia e liberdade provisória. Contudo. Em se tratando de delinqüente sem periculosidade.343/06. PENAL. os requisitos previstos no art. o certo é que a lei especial não impôs nenhuma restrição a esse respeito. conforme artigos 33. não se aceita interpretações analógicas ou extensivas".343/2006". restringiu-se ao tema da "substituição da pena. A restrição ao sursis reclama imposição expressa. CRIME OCORRIDO NA VIGÊNCIA DA LEI NOVA. ou seja. 1.agora. Recurso especial conhecido e provido. somente para os casos em que o condenado deva ser recolhido a estabelecimento prisional. da Lei 11.

devendo ser afastados enfoques ampliativos. Por força dela. Min. adverte PACELLI que: a imposição de prisão provisória por sentença penal condenatória recorrível só é possível quando determinada pelo Poder Judiciário e jamais pelo Poder Legislativo. indulto. (REsp 1182021/RJ. afirma que nada impede que seja concedido o sursis ao condenado por crime hediondo ou equiparado que preencha os requisitos legais.689/08 e 11. A inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do HC nº 97256-RS . SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA . A interpretação sistemática dos textos relativos aos crimes hediondos e à suspensão condicional da pena conduz à conclusão sobre a compatibilidade entre ambos” (STF. deve ser decretada somente quando presentes – e motivadamente reconhecidos – os fundamentos da prisão preventiva: • SE O ACUSADO PERMANECEU SOLTO DURANTE O PROCESSO. caput e § 1º da referida lei de tráfico de entorpecentes. Ao crime de tráfico de entorpecente cometido na vigência da nova lei de drogas aplica-se a vedação prevista no artigo 44 da Lei n. que determina que os crimes de tráfico são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis.719/08. “NORMAS PENAIS . por fim. Rel. 5ª Turma também não o fez. aplicam-se as regras gerais sobre a substituição condicional da pena. para quem a prisão processual. TRÁFICO DE DROGAS. senão vejamos: RECURSO ESPECIAL. Recurso especial conhecido e provido.CRIME HEDIONDO . DJe 16/11/2010)  DIREITO DE APELAR EM LIBERDADE: Se o acusado fosse reincidente ou portador de maus antecedentes. conforme artigos 33. inclusive. 1. decidiu-se "remover o obstáculo da Lei 11. Ministro HONILDO AMARAL DE MELLO CASTRO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/AP). em se tratando de crime hediondo.343/06. 3. 44 DA LEI 11. tendo sido finalmente revogados pela Lei 11. já se manifestou sobre o tema. 1: No que diz respeito ao tráfico de drogas. Ayres Britto. CONCESSÃO DE SURSIS. Na falta de regra especial que o proíba. Ao legislador não compete ultrapassar o plano da abstração. Segundo Rogério Sanches. 2. QUINTA TURMA. As normas penais restritivas de direitos hão de ser interpretadas de forma teleológica . julgado em 26/10/2010. criando a regra de que todos os condenados provisórios por crimes hediondos devem responder ao processo preso. anistia e liberdade provisória. Obs. Nesse sentido. ou seja. HC 84. o legislador ordinário.INTERPRETAÇÕES.414). DEVE CONTINUAR EM LIBERDADE QUANDO DA PRONÚNCIA OU DA SENTENÇA . medida de exceção. graça. prevalece a vedação legal ao benefício. desconsiderou princípios basilares previstos na CF.COMPATIBILIDADE. há regra específica. É o caso concreto que vai apontar a necessidade ou não dessa prisão.Mirabete. PENAL. a Lei previa como efeito automático da pronúncia e da sentença condenatória recorrível o recolhimento à prisão do acusado. a interpretação literal do texto legal vem sendo corrigida pela jurisprudência.º 11. Diante disso. Esses dispositivos foram considerados inconstitucionais pela doutrina. O STJ. não se admite sursis.343/2006". CRIME OCORRIDO NA VIGÊNCIA DA LEI NOVA. como esta eg. hoje. não examinando a questão do "sursis" e.Rel. IMPOSSIBILIDADE VEDAÇÃO DO ART. por consequência. restringiu-se ao tema da "substituição da pena.de modo a confirmar que as leis são feitas para os homens -.343/2006.

Embora essa seja a redação legal. O prazo da prisão é de 5 dias. pois o crime de falsificação não está previsto na Lei de Prisão Temporária. • epidemia com resultado morte. • estupro. Da mesma forma.343/06 possui regra especial. PRISÃO TEMPORÁRIA Requisitos: a) Imprescindível para a investigação b) Fragilidade na identidade do suspeito c) Indícios de participação nos crimes de: • homicídio simples e na forma qualificada. vem reconhecendo o direito ao duplo grau de jurisdição de modo incondicionado. aliás. 1: No que diz respeito ao tráfico de drogas. A primeira não admite. que. xxxx • roubo somente forma qualificada. Logo. Obs. também prevalece o entendimento de que a prisão do réu condenato provisoriamente somente ocorrerá se estiverem presentes os motivos da prisão preventiva. inclusive na sua forma qualificada. • crime de falsificação de remédios. vale dizer que prevalece no STF o entendimento de que o direito de apelar não está condicionado ao recolhimento ao cárcere. terá o prazo máximo de 30 dias nos crimes hediondos. inclusive na sua forma qualificada. • roubo. prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade. • seqüestro e cárcere privado. • envenenamento de água potável. xxxxx xxxxx • genocídio. • extorsão. decretada quando imprescindível para as investigações do IP. SE O ACUSADO PERMANECEU PRESO DURANTE O CURSO DO PROCESSO. • tráfico. Além disso.072/90 Requisitos: a) Imprescindível para a investigação b) Fragilidade na identidade do suspeito c) Indícios de participação nos crimes de: • homicídio simples e na forma qualificada. a Lei 11.• CONDENATÓRIA RECORRÍVEL.  PRISÃO TEMPORÁRIA: A prisão temporária. • extorsão mediante seqüestro. 1: É necessário a conjugação dos requisitos do inciso I e III ou II e III. • tráfico. PRISÃO TEMPORÁRIA NA LEI 8. • crime contra o sistema financeiro. Obs. • quadrilha ou bando. o prazo da prisão temporária não é computado dentro do prazo para o término da instrução. • estupro. • extorsão mediante seqüestro. que prevê que o réu poderá apelar em liberdade se for primário e de bons antecedentes. Segundo a jurisprudência. • epidemia com resultado morte. exceto se surgir alguma hipótese que autorize sua prisão preventiva. A outra corrente diz que a Lei dos Crimes Hediondos ampliou o rol dos crimes passíveis de prisão temporária. • genocídio. xxxx • extorsão. DEVE PERMANECER PRESO. o que deve ser reconhecido pelo juiz por ocasião da sentença. deverá ser recolhido à prisão. • atentado violento ao pudor. prorrogável por mais 5 dias. • crime contra o sistema financeiro. xxxx Obs. inclusive na sua forma qualificada. . • atentado violento ao pudor. salvo se desaparecer a hipótese que autorizava sua prisão preventiva. Caso contrário. 1: Cabe prisão temporária no crime de falsificação de remédios? Há duas correntes.

. prorrogável por mais 30 dias. e acarreta o deslocamento da competência do juízo da execução. já que vedou-se a concessão do benefício ao reincidente específico. Os objetivos dizem respeito ao fato e à pena. O artigo 83. só precisará cumprir 1/3 da pena.072/90 acresceu ao artigo 83. do CPB. de segurança máxima. prova da cessação da periculosidade. quantidade da pena: não pode ser inferior a 2 anos. por exemplo). Segundo Capez.O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade superior a 2 anos. foi acrescentado outro requisito subjetivo. destinados ao cumprimento de penas impostas a condenados de alta periculosidade. nos casos de condenação por crime hediondo. comprovada possibilidade de obtenção de ocupação licita. considera-se reincidente específico quem praticou dois crimes hediondos ou equiparados.) V . desde que: (. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. exigindo o atendimento aos princípio da ampla defesa e do contraditório. Além disso. cuja permanência em presídios estaduais ponha em risco a ordem ou a incolumidade pública. Os requisitos classificam-se em objetivos e subjetivos. trata do livramento condicional e elenca os requisitos para sua concessão. cumprimento de parte da pena: se o réu não for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes. o condenado terá que cumprir 2/3 da pena. mas jurisdicional. A remoção do presidiário para o cumprimento de pena em outro Estado não é medida meramente administrativa. Se reincidente. precisará cumprir 1/2 da pena. do CPB. de modo que considera-se reincidente o réu que comete novamente qualquer dos delitos .cabe prisão temporária. Mas o que é reincidente específico? Há três correntes: é reincidente específico quem praticou dois crimes hediondos idênticos. reparação do dano. o seguinte inciso: Art. assim. São requisitos subjetivos: • • • comportamento carcerário satisfatório. Foi alterado.  ESTABELECIMENTOS PENAIS: A União manterá estabelecimentos penais. salvo comprovada impossibilidade de fazê-lo. Com o advento da lei 8. um requisito objetivo. ficando o restante em liberdade. se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza. prática de tortura.072/90. O prazo da prisão será de 30 dias. 83 .072/90 adotou a teoria ampliativa. considera-se reincidente específico quem praticou dois crimes com a mesma objetividade jurídica (mesmo bem jurídico: liberdade sexual. e são os seguintes: • • • • qualidade da pena: deve ser privativa de liberdade. no caso de condenação por crime hediondo ou equiparado. e terrorismo.cumpridos mais de 2/3 da pena.  LIVRAMENTO CONDICIONAL: A lei 8. na hipótese de crime cometido com violência ou grave ameaça à pessoa.. a lei 8.

também aumentou as penas em abstrato para os crimes hediondos. exige que: o crime tenha sido cometido por. O delator.  O quantum a ser reduzido pelo juiz varia de acordo com a maior ou menor contribuição da delação para a libertação do seqüestrado. fica acrescido o seguinte parágrafo: §4o . Obs. Daí porque o nome de delação eficaz. do CP (que trata da extorsão mediante seqüestro).807/99 (Lei de proteção à testemunha) prevê. A inovação trazida pela lei 8. de ofício ou a requerimento das partes. além de todas as providências já estudadas. tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e o processo criminal. De acordo com o artigo 7º. para ser aplicada. ao ser interrogado em juízo ou ouvido na polícia.Embora os dispositivos em apreço sejam aplicáveis genericamente a todos os delitos.807/99 (Lei de Proteção às Testemunhas). a recuperação total ou parcial do produto do crime.  A ALTERAÇÃO DAS PENAS DOS CRIMES HEDIONDOS: A lei dos crimes hediondos. desde que dessa colaboração tenha resultado: a identificação dos demais coautores ou partícipes da ação criminosa.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos). é contemplado com o benefício da redução obrigatória da pena.hediondos ou equiparados. hediondos ou não.  A DELAÇÃO EFICAZ: A delação eficaz consiste na afirmativa feita por um acusado. MP ou juiz). Além de confessar a autoria de um fato criminoso. tampouco o resultado. terá a sua pena reduzida de 1/3 a 2/3. que possui benefício (apenas a redução da pena) e requisitos diferenciados.034/95 (Lei do Crime Organizado) e 9. duas pessoas (liame subjetivo entre os agentes). facilitando a libertação do seqüestrado. sendo primário.  que o seqüestrado seja libertado. da Lei 8. ainda. pelo menos. 83 do CP é irretroativa. a localização da vítima com a sua integridade física preservada. Trata-se da chamada delação eficaz ou premiada. em seu artigo 13. 7: A lei 9. A majoração das penas é irretroativa. Ela funciona como uma causa obrigatória de diminuição da pena que. . prevê a redução da pena ao indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e os processo criminal na identificação dos demais co-autores e partícipes do crime. O crime. o concorrente que o denunciar à autoridade.se o crime é cometido em concurso. É circunstância de caráter pessoal que não se comunica aos demais agentes. na localização da vítima com vida e na recuperação total ou parcial do produto do crime (aqui a lei não exige primariedade. Para que a delação seja tida como eficaz são necessários dois requisitos: a efetiva libertação do ofendido e o nexo causal entre esta e a delação. O artigo 14 da referida Lei. bastando a colaboração). assim. perdão judicial ao delator que. a possibilidade do juiz conceder. no caso. já que trata de novatio legis in pejus.072/90 ao art. não precisa ser da mesma espécie.  que qualquer delas (co-autor ou partícipe) arrependa-se e delate os demais agente à autoridade (policial. §4 o do CP. Se a delação em nada ajudar à libertação do seqüestrado. a pena não sofrerá qualquer redução.072/90: ao artigo 159. 9. igualmente atribui a um terceiro a participação como seu comparsa. eles não revogaram o artigo 159. preenchidos os requisitos legais. conforme dispõem as Leis 8.

8o da lei 8. O art. terá a pena reduzida de 1/3 a 2/3. Somente haverá a redução da pena do comparsa se a delação implicar no efetivo desmantelamento da quadrilha. tráfico. que é posterior. já que implica na redução da pena do comparsa traidor. de três a dez anos. de modo reiterado ou não. terrorismo. São requisitos da traição: a) a existência da quadrilha ou bando formada para a prática de crimes hediondos. Nestes casos. tráfico ou tortura.072/90 que: o participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha. chamado de associação para o tráfico. prevê um crime específico para a hipótese. não mais se aplica o dispositivo legal trazido pela Lei dos Crimes Hediondos. 8o. O instituto da traição benéfica. possibilitando seu desmantelamento. previsto na Lei 11. parágrafo único da lei 8. terá a pena reduzida de um a dois terços (artigo 41). Deve haver um nexo causal entre a delação e o desmantelamento da quadrilha ou bando. a associação de duas ou mais pessoas para o fim de praticar. há que ser feita uma ressalva: a Lei 11. b) finalidade praticar reiteradamente. terrorismo e hediondos. Em nenhum momento a lei faz menção aos crimes praticados pelo bando. O quantum da redução deve guardar relação com a maior ou menor colaboração do agente. Desmantelar significa impedir que as atividades do bando prossigam.343/06. no caso de condenação. b) a delação da existência da quadrilha à autoridade (delegado.072/90 criou o crime de quadrilha ou bando qualificado pela especial finalidade de cometer crimes definidos na lei dos crimes hediondos. c) crimes de tortura. que pune com reclusão. 288 do CP trata do crime de quadrilha ou bando. No caso de concurso material entre o crime de quadrilha e outros delitos. senão vejamos: “O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime.  TRAIÇÃO BENÉFICA: Estabelece o art.343/06.  CAUSAS DE AUMENTO DA PENA: . A pena do crime de quadrilha qualificada é maior. pois há uma regra especial. c) a eficácia da delação. QUADRILHA OU BANDO QUALIFICADA: O art. o tráfico de drogas. Esse instituto foi chamado por Damásio de Jesus de traição benéfica. No que diz respeito à quadrilha ou bando para cometer crimes de tráfico. São requisitos dessa nova modalidade de crime: a) reunião permanente de 4 ou mais agentes. em função da superveniência de norma especial. possibilitando seu desmantelamento. não se aplica ao crime de associação criminosa. que consiste na associação de 4 ou mais pessoas (a lei fala mais de três pessoas) com o fim de cometer reiteradamente crimes. MP ou juiz) por um dos seus integrantes (co-autor ou partícipe). a redução somente atingirá o crime de quadrilha ou bando (Capez).

da lei 8. o juiz estava obrigado a elevar a pena. essa disposição pode gerar uma situação curiosa: a pena do referido crime. do CP. se aplica a causa de aumento independente do crime.072/90. independente da existência de agravante ou outras circunstâncias que elevem a pena. (STJ. Obs. alienado mental ou pessoa incapaz de oferecer resistência. Em todos esses casos. Resultado: o réu somente poderá ser condenado à pena de 30 anos. em sua modalidade ficta. contudo. Como visto. HC 25. mostra-se perfeitamente possível considerar a idade da vítima para tipificar o crime sexual. Na atualidade. por qualquer razão. do CP. e esta.O art. permitindo a tipificação do crime sexual. O juiz não pode condenar o réu a mais de 30 anos. . de oferecer resistência. O STJ. varia de 20 a 30 anos de reclusão. somente tem incidência sobre os crimes de estupro e atentado violento ao pudor dos quais resultem morte ou lesão corporal de natureza grave. do CP: • • • não for maior de 14 anos. não elimina outra conseqüência distinta. contudo. que é o crime sexual ter se consumado contra a vítima capaz. respeito o limite superior de 30 anos de reclusão. já constitui elemento constitutivo do tipo penal. Em hipótese alguma a aplicação da causa de aumento de metade pode fazer com que a pena a ser fixada pelo juiz exceda a 30 anos. pois o fundamento dessa causa é a violência contra criança. Assim. for alienada ou doente mental. sendo inadmissível um bis in idem. 9 o da lei dos crimes hediondos é a do limite máximo de 30 anos de reclusão. o artigo 9º da Lei dos Crimes Hediondos não mais pode causar o aumento da pena daqueles que forem condenados pela prática dos crimes previstos no citado artigo por se encontrar a vítima nas hipóteses do artigo 224. Com a causa de aumento da metade. 9o da lei 8. como sabido. pois não há bis in idem (posição do STF: não há bis in idem. não mais existem as hipóteses do artigo 224. do CP (presunção de violência e majoração da pena)? Há duas correntes: somente se aplica a causa de aumento para os crimes sexuais com violência real. No caso do latrocínio. for impossibilitada. 2: A outra regra trazida pelo art. Parte da doutrina sustenta que estaria violado o princípio constitucional da individualização da pena.321) Obs. a pena passará a situar-se entre o mínimo de 30 e o máximo de 45 anos. 1: Como evitar um inaceitável bis in idem. pois o fato da pessoa não poder consentir validamente.072/90 determina um aumento de metade da pena. tem entendido que a causa de aumento do artigo 9o. bem como para aumentar a pena – HC 76004-RJ). diante da dupla utilização do artigo 224. nos crimes hediondos de cunho patrimonial e sexual com fundamento no artigo 224.

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