2011

Instituto Bíblico Betel Brasileiro

Introdução a sociologia da religião

Professor:
Pr. Josias Moura
http://josiasmoura.wordpress.com

Curso de Sociologia da religião

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Sumário
1) 2) 3) 4) Introdução ............................................................................................................................................................. 2 Religião ................................................................................................................................................................. 3 Senso religioso ...................................................................................................................................................... 4 Paradigmas ............................................................................................................................................................ 4 Qual a importância das pressuposições de uma sociedade? ......................................................................................... 6 Qual a diferença entre o homem comum e o cientista?................................................................................................ 6 A verdade científica x verdade religiosa ..................................................................................................................... 7 Algumas considerações sobre os sistemas de crenças dos individuos .......................................................................... 7 5) Por uma análise sociológica: O Simbolismo Religioso............................................................................................ 8 A finalidade do simbolismo religioso ......................................................................................................................... 8 A vida religiosa e o simbolismo ................................................................................................................................. 8 6) O método de investigação da sociologia ................................................................................................................. 9 O Método e os Métodos ............................................................................................................................................. 9 Método Histórico (promovido por Boas) ...................................................................................................................10 Método Comparativo (empregado por Tylor) ............................................................................................................10 Método Monográfico (criado por Le Play) ................................................................................................................10 Método Estático (planejado por Quetelet) .................................................................................................................10 Método Tipológico (aplicado por Max Weber) ..........................................................................................................11 Método Funcionalista (utilizado por Malinowski) .....................................................................................................11 Método Estruturalista (desenvolvido por Lévi-Strauss)..............................................................................................11 7) 8) 9) 10) 11) 12) 13) 14) Sociologia da Religião em Hume ..........................................................................................................................12 A sociologia da Religião em Durkheim .................................................................................................................13 Weber e a Religião ...............................................................................................................................................14 O que Weber mostra em relação a religião?...............................................................................................................14 O cristão em uma sociedade não-cristã .............................................................................................................16 A lei mosaica e os profetas ...............................................................................................................................18 Jesus e os apóstolos .........................................................................................................................................24 Religião no brasil.............................................................................................................................................25 OS FILÓSOFOS MODERNOS E A RELIGIÃO..............................................................................................33

OS PROFETAS........................................................................................................................................................19

A religiosidade atual .................................................................................................................................................30 a. Rousseau ..............................................................................................................................................................33 b. Durkheim - As formas elementares da vida religiosa .............................................................................................34 c. Karl Marx .............................................................................................................................................................35 15) 16) 17) 18) 19) BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................................................37 ANEXO I - Ritos corporais entre os Sonacirema .............................................................................................40 ANEXO II -Distribuição das crenças em 2000..................................................................................................45 ANEXO III -Desencantamento do Mundo ........................................................................................................47 Informações acerca do professor ......................................................................................................................52

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Sociologia da religião
1) Introdução
Sociologia da religião busca explicar as relações mútuas entre religião e sociedade. Os estudos fundamentam-se na dimensão social da religião (a religião é uma instituição social) e na dimensão religiosa da sociedade (os indivíduos que compõem a sociedade são seres religiosos e praticam rituais revestidos de sacralidade). WACH, (1990, p. 11, 205) diz que a sociologia da religião estuda a inter-relação da religião com a sociedade, e as formas de interação que ocorrem de uma com a outra, e dá como básica para a sociologia da religião a hipótese de que “os impulsos, as idéias e as instituições religiosas influenciam as formas sociais e, por sua vez, são por elas influenciados, além de receberem o influxo da organização social e da estratificação. Já NOTTINGHAM, entende que “o sociólogo da religião ocupa-se dela “como um aspecto do comportamento de grupo e estuda os papéis que a religião tem desempenhado através dos tempos.” São campos de pesquisa da sociologia da religião: a) Influências gerais do grupo sobre a religião; b) Funções dos rituais nas sociedades; c) Tipologias de organizações religiosas e de respostas religiosas ao mundo ou a ordem social; d) Influências diretas ou indiretas dos sistemas ideais religiosos na sociedade e seus componentes ou elementos (como classes, grupos de nacionalidades, grupos étnicos) e da sociedade nos sistemas ideais; e) Análise específica de números de seitas religiosas e movimentos tais como mormonismo e testemunhas de Jeová; f) Interação de entidades religiosas significativas em âmbito local ou de comunidade; g) Avaliações conscientes ocasionais, feitas por porta-vozes para grupos religiosos mais importantes, das circunstâncias sociais nas quais os grupos se encontram.

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Esta relação está incompleta e seus itens aparecem por isso menos especificamente sugeridos do que poderiam ser, mas o caráter geral dos interesses da sociologia da religião aparece, assim, razoavelmente bem indicados. Considerando que religião diz respeito a todos os homens, devemos, antes de mais nada, proceder a um auto-exame.

2) Religião
Ao longo de milhares de anos, a religião tem evidenciado um importante papel na vivência dos seres humanos. Apesar da universalidade que caracteriza o fenômeno religioso, de uma forma ou outra, a religião marca presença em todas as sociedades humanas, influenciando a forma como vemos e reagimos ao meio que nos rodeia. Não existe uma definição de religião genericamente aceita, a sua concepção varia naturalmente de sociedade para sociedade, cultura para cultura. Não obstante a isto, pode-se enumerar algumas das principais características "comuns" ou "partilhadas" entre todas as religiões:  Tradicionalmente, as diferentes religiões evidenciam um sistema de crenças no sobrenatural, envolvendo majoritariamente Deuses ou divindades.  Implicam igualmente um conjunto de símbolos; sentimentos e práticas religiosas.  Paralelamente, a religião apresenta-se como um fenômeno social e não apenas individual. O referido atributo de fenômeno social atribuído à religião perpetua-se através das cerimônias habituais, que decorrem predominantemente em locais de culto indicados para tal: igrejas, templos ou santuários.  Resumidamente, apresentam-se os principais indicadores comuns às várias religiões, que contribuem para uma melhor compreensão do fenômeno religioso: - A tendência para a sacralização de determinados locais; - A forte interação com o divino; - A exposição de grandes narrativas que explicam, legitimam e fundamentam o começo do mundo e sua existência.

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3) Senso religioso
O homem tem como dado emergente em seu comportamento – o que, como tendência, atinge toda a sua atividade – a interrogação sobre tudo o que realiza: “Que sentido tem tudo?” Como escreve o teólogo italiano Luigi Giussani: “O fator religioso representa a natureza do nosso eu enquanto se exprime em certas perguntas: “Qual é o significado último da existência? Por que existem a dor, a morte? Por que, no fundo, vale a pena viver?” Ou, a partir de outro ponto de vista: “De que e para que é feita a realidade?” O senso religioso coloca-se dentro da realidade do nosso “eu” ao nível dessas perguntas: coincide com aquele compromisso radical do nosso eu com a vida, que se mostra nessas perguntas”. (Giussani, 2000, p.71). O senso religioso surge em nossa consciência através de perguntas nascidas no encontro com a filosofia, a arte e toda a realidade circundante. Ele proporciona ao homem uma abertura na busca de uma resposta totalizante. Dessa forma, segundo Giussani, é que o senso religioso define o ‘eu’: “o lugar da natureza onde é afirmado o significado do todo”. (Giussani, op.cit., p.74). O senso religioso é, pois, o ímpeto que move o homem rumo à busca da exigência primordial da razão humana: a do significado.

4) Paradigmas
Paradigma (do grego Parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas. A palavra paradigma é geralmente utilizada no contexto de mudança de paradigmas, ou seja, a mudança de um conjunto de idéias básicas generalizadas e compartilhadas sobre a maneira de funcionar do mundo para novas possibilidades de entendimento do real, mudando-se ou ampliando-se o entendimento convencional do real. Esta palavra foi popularizada pelo físico Thomas Kuhn em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, publicado em 1962. Os paradigmas funcionam como uma lente colorida através da qual ela enxerga o mundo.

que não está presente no paradigma ocidental. sustentando umas às outras. teve dificuldades em aceitar a revolução seguinte. E continua mudando. e perfeitamente plausível". Brian Greene diz por exemplo que "A sugestão de que o nosso universo poderia ter mais de três dimensões pode parecer supérflua.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. esse passou a ser um caso especial de outro paradigma. a da Mecânica Quântica. contudo. Robert Dilts. acreditar em Jesus Cristo está vinculado a acreditar em coisas espirituais. A Física até o início do século tinha as leis de Newton como um de seus principais paradigmas. Acreditar no diabo envolve também acreditar que nossas escolhas podem ser influenciadas por fatores externos e ocultos. no livro Universo Elegante. O Sol girou em torno da Terra por 1. A medicina oriental há milênios tem em seu paradigma uma energia vital.com/ Pag. Podemos falar do paradigma espiritual.400 anos. exceto em medicinas e terapias alternativas. que revolucionou os paradigmas da Física. Paradigmas e crenças podem subsistir por séculos. Paradigmas são os filtros de percepção que criam a nossa realidade subjetiva. distinto da medicina psicossomática. Mudar um paradigma pode ser difícil. chamada de prana ou chi (entre outros nomes). 5 Para evitar que existam tantas lentes ou percepções diferentes de uma mesma realidade quanto é o número de pessoas existentes sobre a terra é que existem os paradigmas. ela é concreta. . Apenas poderemos ver (entenda-se "perceber") o mundo de outra forma se modificarmos nossos paradigmas. por exemplo.wordpress. Mesmo no meio científico isto ocorre: o próprio Einstein. já que em geral está enraizado nas profundezas do inconsciente e por vezes não sujeito a questionamento ou atualização por feedback. que são lentes padronizadas através das quais se olha para uma mesma realidade. no livro Crenças. Vírus e bactérias como causas de doenças é outro paradigma. Com a Teoria da Relatividade. mas porque eles eventualmente morrem. normalmente elas estão agrupadas. podendo estar associado também à crença na existência do diabo e de outros mundos ou dimensões. Por exemplo. conta que curou o câncer de sua mãe trabalhando durante quatro dias mudando crenças limitantes e resolvendo conflitos. Na realidade. Max Planck (citado por Stanislav Grof no livro Além do Cérebro) disse que "uma nova verdade científica triunfa não porque convença seus oponentes fazendoos ver a luz. Crenças e verdades dificilmente subsistem por si só. bizarra ou mística. Conjuntos de crenças ou verdades relacionadas entre si são chamados de paradigmas. e uma nova geração cresce familiarizando-se com ela".

Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. homem e natureza" (cit. e o que é importante ou não para nós (ou que pensamos ser para nós). na divisão tripartite dos poderes no Estado moderno. explicado a partir da redução de fenômenos complexos a certos elementos ou acontecimentos elementares. como lugar comum.alguns pressupostos comuns. sobre as comoções e intuições mais profundas. É o cientificismo. em que tipo de universo estamos. cuja expressão racionalizada assume a forma de uma teoria ou visão de cosmos.wordpress. Estas pressuposições básicas são formadoras do pensamento coletivo e constituem um conjunto de referenciais teóricos (ainda que tacitamente vigentes) e que estabelecem em linhas gerais quem somos. e seu método cartesiano. já obteve no meio científico o amplo reconhecimento da academia como de extrema eficácia para se atingir uma "verdadeira" compreensão da natureza. padrões de pensamento e sistemas de valores vigentes na sociedade. critérios estes que em muitas ciências apresentam um aspecto reducionista. 6 Lewis Munford observa que "Cada transformação do homem. como o óbvio (por exemplo. Muitas destas pressuposições são visíveis na constituição de instituições e costumes culturais (por exemplo.o que lhe dá ou davam suas características próprias . compartilhados a toda a sua população. portanto. ou/e tão assimiladas e introjetadas que passam a ser encaradas (caso se pensam nelas). A sociologia. a competitividade das pessoas refletindo a das empresas que.. elaboração e criação feitas pelo Iluminismo).com/ Pag. na forma de um conjunto de premissas básicas que dão identidade à uma forma de ser no mundo. ou à uma parcela significativa dela.e isto é ainda mais real na ciência moderna . refletem a "natural" competitividade animal . é considerada por muitos cientistas como apta a substituir as .etc) e dificilmente são questionados. ou melhor. que são ensinadas de modo indireto pelo contexto social em que se vive. 1989). in Harman.. e. ou seja. Qual a diferença entre o homem comum e o cientista? A diferença entre o homem comum e o cientista está em que este último geralmente adota . e são tão aceitas. por sua vez. Qual a importância das pressuposições de uma sociedade? Cada sociedade existente ou que já existiu tinha por base .um conjunto de pressupostos que o fazem explicar os fenômenos de uma maneira apropriada a certos critérios aceitos como sendo científicos.que realmente tem bem pouco da feroz competitividade refletida do homem. apóia-se numa nova base ideológica e metafísica (= visão de mundo).

que ela aceita como verdadeiras com relação ao mundo em que vive. por terem sido bem sucedidos na biologia e na medicina (embora em parte). Moderna. atitudes e outros processos mentais. conscientes e inconscientes . A verdade científica x verdade religiosa na explicação da origem e A possibilidade de descobrir todas as leis naturais do mundo. conflitantes com crenças bastante conservadoras. Pode ser dividido em compartimentos contendo crenças logicamente contraditórias e não contraditórias. na verdade. implícitas e explícitas. Observem que essa decisão de não se tornar conscientemente cônscio de algo é inconsciente. grande parte desses processos é inconsciente. dedução e indução. o certo e o errado” (CRISTINA COSTA. havia estimulado uma euforia racionalista e acabando por adquirir "parte da sacralidade que antes pertencia às explicações religiosas: a de descobrir e apontar aos homens o caminho em direção à verdade. 7 cristalizadas religiões dogmáticas funcionamento do mundo. "Esse sistema de crenças não precisa ter consistência lógica. A ciência já não parecia uma forma particular e especializada de saber. a verdade se descortinaria diante dos cientistas .. Os fenômenos de recusa e de resistência na psicoterapia ilustram a intensidade com que tendemos a não ver coisas que ameaçam imagens profundamente enraizadas. por crenças.com/ Pag. Inconscientemente. sem o que.os novos 'magos' da civilização -. Nós optamos. provavelmente nunca a tenha.wordpress. abolir e suplantar as crenças religiosas e até mesmo as discussões éticas. como também acreditamos inconscientemente (. 41 Ed. seus valores éticos sobre o bem e o mal. seguindo o exemplo bem sucedido as leis do movimento de Newton.expressas ou não. Supunha-se que.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Sociologia.) A forma como percebemos a realidade é fortemente influenciada por crenças.. mas a única capaz de explicar a vida. adquiridas do meio. Pesquisas demonstram reiteradamente que nossas percepções e “verificações” da realidade são influenciadas muito mais do que geralmente se acredita. de forma inconsciente. Algumas considerações sobre os sistemas de crenças dos individuos "O sistema total de crenças de uma pessoa consiste num conjunto de crenças e expectativas . . a pessoa rechaça os sinais que possam revelar tal contradição interior. quaisquer que fossem suas opiniões pessoais. 1999). por meio de procedimentos de experimentação. utilizando-se adequadamente os métodos de investigação. p.

monoteísmo. 1989). O simbolismo religioso alimenta-se do contexto social. Willis Harman. sacerdócio universal. os lugares sagrados dos lugares profanos. . tornar visuais e palpáveis realidades abstratas. 5) Por uma análise sociológica: O Simbolismo Religioso Independentemente do tipo de comunicação. biblicismo. Tudo isso caracteriza a vida religiosa de um individuo em sua comunidade. por ritos. como as oferendas. para construir hierarquias. que exprime realidades sociais. a religião é rica em símbolos que dividem para melhor reunir (Rocher. mentais ou morais.com/ Pag. sinais invisíveis. da sociedade.wordpress. A vida religiosa e o simbolismo A própria vida religiosa é quase. missionarismo. uma prática social. comunhões físicas. o clero dos fiéis. outras cerimônias como os ritos de iniciação. socialismo. Por exemplo. as cerimônias que apelam à participação dos assistentes. modernidade. A finalidade do simbolismo religioso O simbolismo religioso tem como fim ligar o homem a uma ordem supranatural ou sobrenatural. empirismo. pentecostalismo. os ritos fúnebres. universalmente. democracia. Estadismo. capitalismo. Seja pelo vestuário. os objetos puros dos impuros. Assim. trindade. detendo grande diversidade de símbolos para se exteriorizar e desenvolver. Mas pode sustentar-se que o simbolismo religioso não deixa de ser profundamente social. a constituição de comunidades humanas geograficamente identificáveis. serve para distinguir os fiéis dos não-fiéis. os símbolos têm outras modalidades de influência sobre a vida social. que tem alcance e consequências sociais. Configura desse modo a própria textura da sociedade.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. os sacrifícios. politeísmo. catolicismo. as cerimônias do casamento. 8 "Essa influência de crenças sobre a percepção se intensifica quando um grande número de pessoas acredita na mesma coisa. Os Grandes Paradigmas na história da humanidade: Misticismo (mitologia). iluminismo Os Grandes Paradigmas na história do cristianismo: monoteismo. sacramentos. principalmente porque servem para concretizar. Animismo. etc. 1994. Os antropólogos culturais documentaram em detalhe de que modo pessoas que crescem em culturas diferentes percebem com clareza realidades diferentes". etc. neo-pentecostalismo. em que a solidariedade mística tem um papel central. feudalismo. dogmatismo.

visibilidade e crença social. Ora. Definição um tanto abstrata à primeira vista. simultaneamente. que os símbolos servem:  Para ligar os atores sociais entre si. "dessa forma. tal como a religião. tanto pela participação ou identificação que ele favorece como pela comunicação de que é instrumento (Rocher. Pode-se dizer. Os métodos específicos das ciência sociais. também de imediato. 1989).Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. é que o "método" não é o mesmo que os "métodos". de que são a expressão mais concreta e mais diretamente observável. o universo ideal de valores passa para a realidade. inacessível diretamente. também diz que o método "é um conjunto de regras úteis para a integração. descobrir sua lógica e leis". em si. e.com/ Pag. paulatinamente.  servem igualmente para ligar os modelos aos valores. "Cada ciência". então. é porque faz referência a um universo invisível. A sociedade e a sua complexa organização. como ninguém ainda meditou. completa Lakatos. 6) O método de investigação da sociologia Para elaborar seus estudos. O método. "possui um conjunto de métodos. podem desarmonizar-se na confusão dos termos "método" e "métodos". a tarefa não é contemplar o que ninguém ainda contemplou. visando provocar respostas na natureza e na sociedade. apresenta-se como um tratado ." O que se constata. é um procedimento cuidadosamente elaborado. inicialmente. sobre o que todo mundo tem diante dos olhos". Lakatos cita Calderón. citado por Madaleine Grawitz. mas meditar. M. os símbolos recriam incessantemente a participação e a identificação das pessoas e dos grupos às coletividades e estabelecem constantemente as solidariedades necessárias à vida social. diz que. a Sociologia faz uso de métodos (conjunto de regras úteis à investigação). em sua definição de método. O Método e os Métodos Schopenhauer.  por último.wordpress. sem o contributo multiforme do simbolismo. não poderiam existir e perpetuar-se. por intermédio dos diversos meios de comunicação que põem ao seu serviço.  Por intermédio dos símbolos. quando E. 9 Se a religião é dotada de símbolos diversos. devendo portanto seguir a vida simbólica para manterem o homem em contato com esse universo. torna-se.

representações simples e constatar se essas verificações simplificadas têm . A Bíblia e o Bisturi." Ex. 2a ed. com a finalidade de obter generalizações. Com isso observa-se o método de abordagem.wordpress. quanto entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de desenvolvimento. processos e instituições do passado para verificar a sua influência na sociedade de hoje. Edijéce Martins. Ex.com/ Pag. Frans Leonard. Hipotético-dedutivo e Dialético. Vida Nova. instituições e costumes originados no passado. Os patriarcas A árvore genealógica Os mitos. A São Paulo de 1960 e a de hoje Colonização portuguesa e espanhola na América Latina Classes sociais na época colonial e atualmente Método Monográfico (criado por Le Play) Consiste no estudo de determinados indivíduos. ou entre os existentes e os do passado. Paulo. "O método histórico consiste em investigar acontecimentos. Missão Presbiteriana no Brasil. 1976 Método Estático (planejado por Quetelet) Os processos estáticos permitem obter. em se tratando de abstração mais elevada. condições. no passado. que podemos analisar nas seguinte divisões: Método Indutivo. com suas formas de vida social. Dedutivo. S. instituições. Ed. Recife .Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. SCHALKWIJK. Igreja e Estado no Brasil Holandês 16301654. profissões. grupos ou comunidades. Método Histórico (promovido por Boas) A sociedade. 10 de maior abrangência. Ex. dos fenômenos naturais e sociais. 1989 FERREIRA.PE. de conjuntos complexos. tradições e valores primeiros Método Comparativo (empregado por Tylor) Usado tanto para comparação de grupos no presente.

Ex. a partir daí. Ex. para que o mesmo sobreviva.com/ Pag. do presente e do passado. Só podem ser objeto de estudo do método tipológico os fenômenos que se prestam a uma divisão. . para estabelecer as características típicas ideais da democracia. ao nível abstrato. Entrementes.wordpress. Estuda a sociedade do ponto de vista da função de suas unidades. . detêm-se na observação dos tipos diferentes de cidades e governos (do passado e do presente) para. por intermédio da constituição de um modelo que represente o objeto de estudo. que permite comprovar as relações dos fenômenos entre si. Ex. Método Funcionalista (utilizado por Malinowski) É. 11 relações entre si. O nível econômico entre os estudantes universitários. a rigor. o método estático significa redução de fenômenos sociológicos. a seguir. criar o tipo ideal. ocorrência ou significado."organização burocrática" __ "organização não-burocrática". a termos quantitativos e a manipulação estatística.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Método Tipológico (aplicado por Max Weber) Possui algumas semelhanças com o método comparativo. dessa vez . eleva-se. Método Estruturalista (desenvolvido por Lévi-Strauss) O método parte da investigação de um fenômeno concreto. como um sistema organizado de atividades. e obter generalizações sobre sua natureza. políticos. a uma dicotomia de "tipo" e de "não-tipo"."cidade" __ "outros tipos de povoamento". Assim. isto é. Averiguação da função dos usos e costumes no sentido de assegurar a identidade cultural do grupo."capitalismo" __ "outros tipos de estrutura sócio-econômica. Análise das principais diferenciações de funções que devem existir num pequeno grupo isolado. mais um método de interpretação do que de investigação. econômicos etc. Os próprios estudos efetuados por Weber demonstram essa característica: . Estudo de todos os tipos de governo democrático. retornando por fim ao concreto. Verificar o número de filhos com a condição social.

wordpress. 4. 7) Sociologia da Religião em Hume David Hume ficou conhecido sobretudo pelas contribuições na filosofia. revistas.1) Dirigida (quando segue um roteiro). Mas não menos dignas de destaque são as observações na análise da religião. Pode falar-se de idéias pioneiras para a sociologia da religião. Dessa forma. Hume acredita que o que a história mostra é antes um oscilar irracional entre politeísmo e monoteísmo. Nas palavras de Hume: "a mente humana mostra uma tendência maravilhosa para oscilar entre diferentes tipos de religião: eleva-se do . Chama-lhe um "flux and reflux" (fluxo e refluxo. a Sociologia arma-se de técnicas variadas. liderança. só que o investigador encarregase de anotar as respostas do investigado às perguntas anteriormente formuladas.. 4) Entrevista: encontro entre entrevistador e entrevistado. um oscilar) entre as duas opções.. Hume rejeita a ideia de uma evolução linear desde o politeísmo para o monoteísmo como um sumário da evolução histórica dos últimos 2. Estudo das relações sociais (um casamento. 5) Questionário: dados obtidos a partir de uma série de perguntas (sem contato do entrevistado com o entrevistador). na segunda etapa. Ex. que ficam patentes na obra de 1757: The Natural History of Religion. para tornar expressivos dados complexos. cartas. 12 como uma realidade estruturada e relacionada com a experiência do sujeito social. 4.000 anos. por exemplo) e a posição que estas determinam para os indivíduos e os grupos.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. 3) História de vida: dados completos sobre alguém.. 2) Sociometria: relações interpessoais. Vejamos: 1) Documental: livros.com/ Pag. de um modelo para analisar a realidade concreta dos diversos fenômenos. b) participante 7) Cartográfica: quando se usam mapas. Além dessa variedade de métodos. 6) Formulário: semelhante ao anterior.. Podem ser: a) sitemática. o método caminha do concreto para o abstrato e viceversa. dispondo. Na verdade. desenhos.2) Não dirigida ou livre (quando leva o entrevistado a expor suas próprias idéias). tabelas e outros. gráficos. jornais. com a finalidade de construir um modelo que passa a retratar a estrutura social onde ocorre tais relações.

"Neste processo. a idolatria está de volta. do apoio. porque eles receiam que a carne seja fraca e que acabe por se deixar levar para a idolatria". analfabeto. Esse princípio psicológico é a idéia de que os homens vivem em busca da proteção. Como Gellner afirma. Por isso (entre os judeus e os muçulmanos) é que há proibição de figuras humanas na pintura e mesmo na escultura. os homens chegam ao estágio de um só Deus como ser infinito. é porém igualmente um Deus distante e de difícil acesso para o comum dos mortais (sobretudo se estes são analfabetos ..o clero. considerando a religião como uma “coisa social” (Ó Dea.. que são vistos pelos homens como parentes e lhes parecem menos distantes. 1969). incerteza. esta oscilação não é o resultado de qualquer racionalidade. Esse Deus único.. Os povos que adoram vários deuses com poderes limitados podem facilmente conceber um Deus com um poder mais extenso. Hume mostra exemplos desta evolução: É a luta de Jeová contra os Bealim de Canaã. "o Panteão torna a encher-se".Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. são objeto da adoração e assim. Torna-se necessária a figura de intermediários perante o comum dos mortais e o Deus todo poderoso. Neste momento. Hume: "À medida que estas diferentes formas de idolatria dia por dia descem às formas cada vez mais baixas e ordinárias. Uma função para os santos. a esmagadora maioria da população era analfabeta).com/ Pag. sente-se impossibilitado de aceder a Deus por via "direta". da superioridade e inferioridade". mas sim com os "mecanismos do medo." Mas mais uma vez. Como Gellner afirma. 8) A sociologia da Religião em Durkheim Durkheim é um autor que estudou a religião em sociedades pequenas. a partir do qual nenhum progresso é possível". e do Islão contra as tendências pluralistas (ver sufismo).. todo poderoso. em breve.. torna-se visível um princípio psicológico que caminha numa direção contrária.wordpress. "Estes semi-deuses e intermediários. A maioria do povo comum. da Reforma contra o Papado. O contacto direto com as escrituras sagradas na Idade Média permanecia um privilégio de uma casta limitada .e na Europa da Idade Média. relíquias. o pêndulo tem de retornar. ainda mais digno de veneração do que os outros.. . acabam por se auto-destruir e as horríveis formas de idolatria vão acabar por provocar um retorno e um desejo de regresso ao monoteísmo.. 13 politeísmo para o monoteísmo para voltar a afundar-se na idolatria".

pois o homem. As coisas sagradas são aquelas que os interditos protegem e isolam. como o caso dos rituais ou cerimônias. dão um prestígio social especial. o ritual pode ser considerado um mecanismo para reforçar a integração social. aquelas às quais esses interditos se aplicam e que devem permanecer à distancia das primeiras. o curso global da história. Teve em atenção a relação entre a religião e as mudanças sociais. dando o exemplo do Protestantismo. ilustrando uma das funções sociais da religião. acreditava que os movimentos inspirados na religião podiam produzir grandes transformações sociais. 1971). para Durkheim. como tal.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura.wordpress. que por sua vez. Durkheim conclui que a função substancial da religião é a criação.com/ Pag. 9) Weber e a Religião Weber concentrou a sua atenção nas religiões ditas mundiais. Enquanto persistir a sociedade. Dessa forma. as concepções religiosas eram cruciais e originárias das sociedades humanas. como dois mundos entre os quais nada há em comum (…) uma vez que a noção de sagrado é no pensamento dos homens. em grande medida. 14 Para o autor. persistirá a religião (Timasheff. sempre e por toda a parte separada da noção do profano (…) mas o aspecto característico do fenômeno religioso é o fato de que ele pressupõe uma divisão e bipartida do universo conhecido e conhecível em dois gêneros que compreendem tudo o que existe. Estas unificam o povo numa comunidade moral (igreja). é essencial ao desenvolvimento da religião. não simplesmente de ajustamento emocional. mas que se excluem radicalmente. há uma natural superioridade do sagrado em relação ao profano (Durkheim. mas de segurança cognitiva ao enfrentar . aquelas que atraíram um grande número de crentes e que afetaram. sempre esteve à procura de sentido e de significado para a sua existência. um compartilhar coletivo de crenças. na questão religiosa há uma preocupação básica que é a diferença entre sagrado e profano. o reforço e manutenção da solidariedade social. as coisas profanas. que pode ser definida como um sistema unificado de crenças e de práticas relativas às coisas sagradas. O que Weber mostra em relação a religião? Para Weber. 1990). Durkheim é bem explícito ao afirmar que: “o sagrado e o profano foram sempre e por toda a parte concebidos pelo espírito humano como gêneros separados. É possível constatar que a participação na ordem sagrada.” Ou seja.

Os dogmas religiosos e sua interpretação são partes integrantes dessa visão do mundo. um fator causal na determinação da ação. ao criar respostas a tais problemas – respostas que se tornam parte da cultura estabelecida e das estruturas institucionais de uma sociedade –. nomeadamente o seu comportamento econômico. ela torna-se. efetivamente. É a união do desejo de lucro e da disciplina racional que constitui historicamente o traço singular do capitalismo ocidental.com/ Pag. chamados por ele de “seitas”. pela inserção. com seus valores inerentes de individualismo. 15 problemas de sofrimento e morte (Ó Dea.wordpress. um determinante da conduta econômica e. como já afirmamos. Desse momento em diante. uma das causas das transformações econômicas das . em consequência. ao problema humano do sentido e significação existencial. influem de maneira mais íntima nas atitudes práticas dos homens com relação às várias atividades da vida diária (Ó Dea. a sua força é vista como indispensável (mas não a única) para o surgimento do fenômeno da modernidade ocidental. como resposta aos problemas básicos da condição humana: “contingência. o processo de racionalização religiosa ou de “desencantamento do mundo” culminou no calvinismo do século XVII e em muitos outros movimentos. Weber quis provar que as concepções religiosas são. democracia. Assim. liberdade. pela profissão. Weber considerava que. oferecia uma resposta final. Procura-se na religião signos de transcendência e de esperança. pela forma institucional que assume. é preciso entendê-los para compreender a conduta dos indivíduos e dos grupos. mas acreditando-se no mundo pelo trabalho. entre outros. Portanto. impotência e escassez”. Weber quis demonstrar que a conduta dos homens nas diversas sociedades só pode ser compreendida dentro do quadro da concepção geral que esses homens têm da existência. o capitalismo é definido pela existência de empresas cujo objetivo é produzir o maior lucro possível e cujo meio é a organização racional do trabalho e da produção. procurou-se assegurar a salvação (temporal e eterna) não por meio de ritos. progresso. Weber mostra que as religiões. Para ele. Com isto. segundo a teoria de Weber.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. 1969). Por conseguinte. Por outro lado. ou por uma fuga mística do mundo ou por uma ascética transcendente. a religião. No caso específico do protestantismo. religião é uma das fontes causadoras de mudanças sociais. Portanto. de maneira eficaz. 1969). Weber estava preocupado em destacar a integração racional dos sistemas religiosos mundiais e não apenas o calvinista (objeto especial dos seus estudos). segundo Weber.

wordpress. onde o suplicante está invocando. Um projeto de invocação. tem à sua frente. uma espiritualidade integral. (6. quem o suplicante está invocando. porque Deus o arrebatou. Esse é o desafio que o cristão. participantes (militantes) do projeto de Deus para este mundo. . individual e coletivamente. Que é invocação? A invocação é um chamado veemente. Dessa forma. a quem deu o nome de Enos. Faça para você uma arca de madeira resinosa.. requisitos para vivenciar. significa chamar Deus para perto de nós. que abranja a horizontalidade e a verticalidade do indivíduo social.26). o êxtase e o trabalho. pretendemos apresentar três mensagens que ecoam na História Sagrada. (4. uma prece.. Este foi o primeiro a invocar o nome de Javé. arrebatamento e construção. Observemos três textos do Gênesis: Sete também teve um filho. ou seja.  A construção. (5. Em resumo. que vá ter com Deus. comprometido em "trazer o reino de Deus" (Mt 6. que integre a oração. Então Deus disse a Noé: 'Para mim chegou o fim de todos os homens.13-14) Não pretendemos fazer uma exposição biográfica (o que nos levaria à utilização do Método Monográfico.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. três posturas de escuta: saber quem está invocando. 10) O cristão em uma sociedade não-cristã Vivemos em uma sociedade de indivíduos alienados. mas que assista aos homens. dizendo:  A invocação. para ouvirmos as mensagens que evocam da invocação. pelo menos. Desses três personagens ilustres do relato histórico.24). porque a terra está cheia de violência por causa deles. significa ser levado ou absorvido (absorto) por Deus. de Le Play).. uma súplica. significa trabalhar na contramão do caos social.com/ Pag. Devemos ser atuantes. é preciso. além de um piedoso exercício de espiritualidade integral. um apelo que implora. Enoque andou com Deus e desapareceu. temos o dever de atuar como participantes da história de transformação deste sistema pervertido. Vou destruí-los junto com a terra. 1999)..  O arrebatamento. 16 sociedades (Aron. Pretendemos mesmo é profetizar três desafios. De modo que. o capitalismo estaria motivado e animado por uma visão de mundo específica de um tipo de protestantismo que na sua ação social favoreceu a formação do regime capitalista. Como cristãos.10). uma vida de comunhão com Deus e com os homens. podemos simplificar a significação desses três atos litúrgicos e político-econômico-social. não podemos nos acomodar a margem histórica.

O que Enos ensina é que Deus precisa ser invocado não em "um". O caos social e humano era maquilado com os avanços tecnológicos e com as atividades culturais. num local que. pois o seu construtor. viviam . Os homens casavam-se. "debilitado". Invocar a Deus na sociedade de Caim era desejar subvertê-la. mas pastores . pelo que o Texto indica. Quando descrevemos a comunidade de Caim. Em Gênesis 4. uma habitação social edificada sob uma maldição. Foi em um ambiente ateisante que Enos invocou a Javé..11-12. da rivalidade e competição (a disputa de Caim com seu irmão).com/ Pag. Neste sentido. para aqueles que pedem socorro. invocamos ao Senhor num ambiente religioso e num local "propício" para invocar a Deus. É o pecado originário da insubordinação.semelhante aos dias de hoje . Revolução Metalúrgica.o mesmo sentido se aplica hoje à nossa sociedade e ao nosso desejo.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. do machismo (duas mulheres para ser subserviente a Lameque). O ambiente secularizado e caótico. A cidade. da violência (Lameque mata um jovem por ter pisado no seu pé: Gn 4. além de amplamente secularizada. pois isto significa aproximar a realidade de Deus para que ela substituísse a realidade humana . são auto-suficientes. que suplicam auxílio.23). parece até que estamos descrevendo a nossa sociedade capitalista pósmoderna. desenvolviam seus talentos sem invocar Deus. ninguém invocava mais o Senhor.. do progresso tecnológico e cultural (não eram nômades. depois desse período de silêncio (escuridão) espiritual. também. Isto nos sugere que a invocação está para os fracos.8).26). da hostilidade e impunidade (Lameque havia matado dois e ainda estava impune). Até o diálogo entre Caim e Deus é iniciado pelo próprio Deus: "Caim: onde está teu irmão?" (Gn 4. pois sabem que são impotentes. O nome de Enos significa "fraco". 17 Quem invoca? O Texto Sagrado parece sugerir que.). depois da morte de Abel.3). invocar . trabalhavam com o ferro fundido. primeiramente invocou a Deus. ou pelo menos para os que se acham "fortes". trabalhavam. era uma fábrica de ateísmo e.um ateísmo prático. da religião ritualística ("Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor": Gn 4. Geralmente.wordpress. lemos: "E agora maldito és tu desde a terra que abriu a boca para receber de tua mão o sangue do teu irmão". as nuanças são quase imperceptíveis. Diz o Texto Sagrado que "este foi o primeiro a invocar o nome de Javé" (Gn 4. carregava uma maldição consigo. do homicídio (Caim mata Abel).Revolução Pastoril. pois vivem como se não dependessem de Deus (e dizem que Deus é apenas uma "muleta" aos fracos). Onde Enos invoca o nome de Javé? Foi na cidade de Caim que Enos invocou o nome do Senhor. Era uma cidade construída sob os fundamentos da auto-suficiência (Deus não é convidado para participar da sua edificação). Caim. Foi Enos quem. os instrumentos musicais foram criados. A invocação não está para os "fortes". ninguém clamava a Deus. mas "no" ambiente que precisa de Deus.

Assim. no Império Romano.9) d) Fidelidade conjugal (v. Ef 6.17.10-12. havia uma lei severa para os que cometiam o adultério: Lv 2. Dt (5. passa a ser uma profecia.4. Mt 19. Desta forma. Não viole os mandamentos do Senhor.11. 16 comentar com Dt 17.2) c) Proibição ao homicídio ("assassinar".c/ Dt 5. Rm 13.20. idolatrias. 11) A lei mosaica e os profetas A LEI MOSAICA (apenas no decálogo) está registrada nos livros de Êx (20. Mt 5. diz: "Deteste a hipocrisia e tudo o que não seja agradável ao Senhor. Rm 13.21. 12 comp. 19. Guarde o que você recebeu. com Dt 5.3-17).9. comentar com Jo 8. sem nada acrescentar ou tirar" (IV.8. Tg 2. Significa trazer o Evangelho para uma realidade supra-evangélica. seja feita a tua vontade". 18 significa orar que ".27.20. Lc 18. no Império Capitalista Pós-moderno. feitiçarias.28. Logo.1-15 com Lc 19.15 comp. Mt 15. .19. Lv 19. Narcisismo-Elogio de outras belezas. o seu senhorio sobre tudo e todos. Invocar também significa aproximar o projeto de Deus.17-48.34-40. Violência-Paz.8-11) b) Educação familiar (v. O Didaché (catecismo dos primeiros cristãos).E isto requer um preço alto da nossa parte).1. com Dt 5. Lc 18. 23. 15. falsos testemunhos. Consumismo-Partilha. "Jesus Cristo é o Senhor!" Essa declaração perturbou. roubos. invocar significa gritar a plenos pulmões: "Maranata!" ("Ora vem. diz: “O caminho da morte é este: Em primeiro lugar.8-10) f) Fidelidade ao próximo (v. comentar Êx 22.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. 13 comp.18. significa "não obedecer aos homens..7-21) e em passagens do Novo Testamento.1-11) e) Proibição ao roubo (v.19. paixões.1-40). Egoísmo-Fraternidade. como em Mt 5. no império salvacionista. fornicações. já no cap. Lc 18. com Dt 5. um vaticínio contra uma sociedade ateisante. venha o teu Reino.11-13.wordpress. V..12-13) e. v. ensinado o caminho da vida pelo caminho da morte.18-30 etc. adultérios. contrariou o papado.18. mas sociais. e deve contrariar o "senhor" Mercado Global.5. Individualismo-Comunitarismo.com/ Pag. a) O Sabat (Êx 20. HedonismoServiço. práticas mágicas.6). abalou e contrariou a César. Ef 4.16. 15 comp. no final do capítulo IV. 22. rapinas. Senhor Jesus!". Os processos restritivos da lei não tinham apenas fins metafísicos. Mt 5. mas a Deus" (At 5. Mc 7. Is 61. é mau e cheio de maldições: homicídios. invocar a Deus deixa de ser meramente uma expressão religiosa.8-9.10.

7). Rm 7. 19 hipocrisias. o tradutor grego de Ben Sirac quer sugerir continuidade entre Moisés e os outros profetas e escreve que Josué foi "sucessor de Moisés no ofício profético" (Eclesiástico 46. de pessoas. Por esse caminho andam os perseguidores dos bons.23) e Demonstrativo (evidência à graça. ostentação e ausência de temor de Deus. Rm 5.” Os primeiros cristãos procuravam observar a lei mediante a dependência da graça.o que é veementemente criticado pelo Senhor Jesus (veremos isto mais adiante). avareza. Porém foi.20) OS PROFETAS Antes de tudo procuremos uma primeira compreensão global do fenômeno profético do A.10).814. os que ignoram a recompensa da justiça. altivez. 6.wordpress. conversa obscena. pensadas sobre o modelo mosaico elaborado pela teologia deuteronômica. Vale lembrar que a lei não se resume aos Dez Mandamentos. Por volta do fim do séc.1) (mas o hebraico usa "servo de Moisés"). A lei. mentalidades . Na realidade. A função e a missão dos profetas "canônicos" são.1-2a).. ciúme. orgulho. Aqui nasce a tradição judaica que visualiza a série dos profetas como a história da sucessão profética de Moisés. intérprete da vontade divina. fraude. mediador entre Deus e o povo. de mensagens. mas está contida neles..C. Os pormenores estão espalhados por todo o Pentateuco. escribas e doutores da lei. insolência. II a. fosse o que fosse que tenha sido do ponto de vista meramente "histórico" da possibilidade de realizar o que fez: quem a ele se adapta é autêntico profeta.T. antes ainda. a tornaram bem maior .com/ Pag. os inimigos da verdade. arrogância. portanto. exigências. onde Abraão já é apresentado como profeta (Gn 20. como porta-voz de Deus. Os fariseus. Cada época tem problemas. portanto. tem três aspectos: Restritivo (por regras. Punitivo (aplicação da justa justiça. guia carismático excepcional do povo de Israel. os amantes da mentira. do ponto de vista histórico. que tenta reconduzir sistematicamente qualquer figura profética a ser imagem de Moisés. não se pode assumir como critério de pesquisa a "definição" de profeta proposta pela tradição deuteronômica. A tradição deuteronômica depois exaltou Moisés como o maior profeta de Israel (Dt 34.7). de estilo. a teologia deuteronômica que traçou o modelo mosaico da figura ideal do profeta.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Cada profeta traz consigo na sua atividade toda sua personalidade. O profetismo bíblico não é fenômeno simples e homogêneo. maldade. mas apresenta grande variedade de formas. Rm 7.. (V. com o passar do tempo. duplicidade de coração. De tal modo se fez Moisés o paradigma teológico do verdadeiro profeta. de sensibilidade e cultura.

com certa cultura. Petersen mostra como o envolvimento profético do eu pode acontecer nos quatro graus intermediários: ritual acting (ação ritual). engrossed action (ação absorvente). divindade considerada como central na ordem social. o fenômeno profético é comparável a grande mosaico constituído de muitas pedras de cores e desenhos. 1981. hozeh. Sarbin. Sarbin1. 'Ofício'. Trata-se do papel "the central morality prophet" (profeta da moralidade central). c) ro'eh (vidente) era. 1991 . sinônimos. Em suma. o qual contempla oito graus de envolvimento que vão do não-envolvimento e da 'representação' casual até ao êxtase e à morte. 20 diferentes e cada profeta é homem de seu tempo. Três termos que podemos considerar. Ele julga inadequada a categoria de 'ofício' para definir os profetas e a sua missão. estes dois termos são dois títulos sociopolíticos. hypnotic role taking (assunção hipnótica do papel) e histrionic neurosis (neurose histriônica).Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. é aplicado pelos sociólogos a um tipo de papel que se encontra numa estrutura legal ou racional da autoridade. & Hudson. b) hozeh (visionário) é usado de preferência para os profetas da corte. predições ao seu soberano (quase sempre prevendo coisas favoráveis). L. pelo contrário. isto é. Melhor. na qual "o eu está plenamente integrado na atuação do papel". para compreender os profetas. Petersen. J. Uma pesquisa interessante sobre a 'função' do profeta é a publicada por Petersen. depois serviu para designar os profetas clássicos. Shapiro. o título que mais comumente o povo atribuía ao profeta. O papel indicado por hozeh e nabi não é diferente.wordpress. usados com referência a indivíduos que desenvolvem idêntico papel fundamental. a grosso modo. forma e colocação diferentes! Os nomes mais comumente usados em hebraico para designar os profetas são: Nabî. adota o conceito de role enactment (representação de papéis) desenvolvido pela psicologia social de T. Narrative psychology: The Storied nature of human conduct. profeta que regularmente legitima ou sanciona os valores e as estruturas centrais da sociedade e que venera divindade de qualidade moral elevada.com/ Pag. quer verdadeiros. quer falsos. New York: Praeger. com efeito. aquele tipo de funcionário do rei que dava respostas. ou educação religiosa. a) Nabî (profeta) foi usado de modo amplo para indicar os antigos profetas extasiados. Este papel era articulado de modo diferente em Judá e em Israel e por isso é designado com diferentes títulos-de-papel: 'nabî' no 1 T. oráculos. mas não se adapta aos profetas. ro'eh.

nem revolucionários. Mas propriamente o grego 'prophétes' não traduz nenhum vocábulo hebraico. de vários modos" (pp. prepotência. O leão ruge: quem não tem medo? O Senhor fala: quem não profetizaria?" (Am 3.7-8). O profeta atinge todos os lugares públicos da vida socioeconômica. Gad e Amós são justamente chamados 'hozeh' enquanto Oséias é justamente chamado 'nabî'. é um título novo. a preposição grega 'pro' poderia iniciar também o aspecto de predição do futuro. os profetas. Eles não têm a intenção de 'tomar o poder' prometendo que farão justiça. Os profetas são testemunhas porque tiveram experiência fascinante de Deus e estavam livremente conscientes para o chamado de Deus. Eles testemunham não tanto a sua fé e sua experiência. De fato grassavam os ladrões. luxo descarado e arrogante diante da miséria. nem agitadores classistas. Como exigir do poder político a atuação de sociedade fraterna. IHWH. de preferência. O profeta fala em nome de Deus diante da comunidade ou de um particular e pode também predizer o futuro. Judá e Israel. nem sindicalistas. porém pensado. os assassinos. está presente na profecia israelita: variedade no envolvimento da conduta com o qual o papel profético era realizado e variedade no número dos papéis que constituíam o fenômeno que nós chamamos sinteticamente como profecia israelita. assim também Miquéias nos três primeiros capítulos e Isaías 1-3. é que estes desenvolvem um papel ao serviço do único Deus. isto é. O papel profético da moralidade entre duas sociedades distintas. Is 7: o conflito com o rei Acaz.com/ Pag.. mas o Deus que suscitou a experiência da fé neles. O profeta contesta a sociedade israelita na qual vive com acusação muito grave. Uma variedade considerável. 98-99). Todo o livro de Amós é contestação de injustiça que corrompem a sociedade. que não quer a violência e a injustiça. política e religiosa. como era. O nosso termo 'profeta' deriva da tradução grega dos LXX. Por que os profetas intervêm desta forma. as violências de qualquer gênero. 21 Norte e 'hozeh' no Sul. São testemunhas que fazem valer o que 'viram': a justiça de Deus.. exploração etc.wordpress. igualitária. cada uma das quais tinha seu universo simbólico. em nome de outro e diante da comunidade ou de uma pessoa. por ex. livre e pacífica? O poder político se baseia na .Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Isto que unifica estas várias formas de atividade e de ideologia profética não é uma única sociedade nem uma única conduta teológica. O que nos permite falar de profecia israelita. "O Senhor não faz nada sem revelar o seu projeto aos seus servos. amiúde e solidariamente na 'questão social'? Eles não são reformadores sociais. portanto. Significa falar (da raiz 'femi') 'pro'. Amós e a condenação de Jeroboão) e a sua política. Os profetas entram na questão política contestando a atividade dos reis (cf.

como o anônimo homem de Deus de Judá (I Rs 13). não estamos em condições de conhecer com precisão o status social. muitos estudiosos recorreram à teoria dos papéis. De Samuel. de proteção e de paz interior estava ligada a pretensões culturais.13). a conjunção de liturgia e injustiça.com/ Pag. Outra arena na qual os profetas apresentam o seu público testemunho-contestação é a religiosa. para tentar delinear a situação social do profeta. separações sagradas e desinibição gerencial. A 'necessidade' de segurança. cria classes diferentes no seio da sociedade. Elias e Eliseu. Guilgal e Bersabéia eram famosos santuários onde o culto público alcançava o ápice da suntuosidade e da aberração. nas alianças. na qual o culto se tornou 'sistema' socialmente organizado e ao qual estava ligada a sorte econômica e social de pessoas influentes.4-5). até que ponto o profeta era condicionado por seu fator social?. Condenam um culto desligado da vida e vinculada com injustiças e malvadezas. de qual classe social eram recrutados os profetas?. oração e violência. . dada a escassez de informações das quais dispomos para reconstituir o ambiente social dos profetas. As perguntas propostas são deste tipo: qual era o grupo social que sustentava o profeta?. não passeis por Bersabéia" (Am 5. envolvendo também o povo no 'sistema das necessidades'. qual era a atitude do profeta para com as instituições. instituindo quem comanda e tem 'meios' e quem não tem 'meios' e obedece. provavelmente provinham de família camponesa. isto é. Betel. Apresentaremos brevemente alguns estudos relativos a esta temática sociológica. mas não podemos dizer nada além disto. Não sabemos quase nada sobre a situação social dos chamados profetas 'estáticos' ou peripatéticos. Como diz Isaías. Os profetas testemunham o Deus que deseja ser procurado e reconhecido como infinita capacidade de dádiva e não o Deus do qual nos sentimos reconhecidos e desejados por nossos próprios méritos. até que ponto o profeta legitima ou contesta o seu ambiente?. Os funcionários do culto conjugavam com desenvoltura mística e interesses econômicos. Numa sociedade. A contestação profética é feita em nome de Deus: "Procurai-me e vivereis! Não vos dirijais a Betel. a contestação profética soava como grito revolucionário.wordpress. à sociologia do conhecimento. Deus não pode suportar 'delito e solenidade' (1. no exercício. como a israelita. à teoria do reference-group etc. não andeis a Guilgal.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Nos últimos anos. 22 luta. na astúcia diplomática. sacerdócio e monarquia? Quem quer que conheça um pouco a literatura profética pode logo compreender a dificuldade em responder a semelhantes dúvidas.. antes que julgados e medidos pelas nossas ofertas e as nossas obras.

wordpress. por conseguinte.. ou ao menos excepcionais de modo específico.. assim na política interna. que se combatiam furiosamente sobre o cenário político de Israel. 239).. 274). não tinham motivações primárias de caráter político ou sociopolítico" (p. por mais pronunciadas que fossem. mencionar Max Weber (1864-1920). como guia" (Weber. pois. 23 Importa. profética. 277) "As tomadas de posições políticas dos profetas eram puramente religiosas. p.) atribuída a uma pessoa. Muito menos a posição que eles assumem em matéria de ética social nunca é determinada pela sua genealogia pessoal. por vezes panfletários (. tinham caráter totalmente utopístico" (p. Weber reconhece três tipos: tradicional. Mas "como na política externa. segundo Weber. ou então como enviada por Deus ou como revestida de valor exemplar e. que todas as características da profecia israelita se encontram necessariamente em todos os profetas. entendê-lo com um ideal-typus. as posições tomadas pelos profetas. O ideal-typus serve como esquema para sintetizar grande massa de elementos numa figura unitária. no plano político. que exerceu ampla influência sobre os estudiosos que o seguiram. Os profetas são de "origem camponesa. era totalmente homogênea a despeito das muitas condições sociais desiguais" (p. 314). enfim. Definir o profeta como 'autoridade carismática' é. 1980. Portanto.com/ Pag. "Quisessem ou não. 1963. com efeito.940-950 dedicou aguçado exame à concepção weberiana do profetismo.) publicamente". O profeta não faz valer o seu carisma no interior das instituições tradicionais (por exemplo. que somente o carisma confere. Traçando um quadro de várias noções de “autoridade”. 277). Recordemos. motivadas pela relação de Javé com Israel. considerando ilegítima a exclusão dos profetas da participação das estruturas da autoridade tradicional e burocrática. a definição de carisma dada por Weber: "É qualidade extraordinária (. considerados como filiados a uma delas" (P. mas opera como “indivíduo histórico”. burocrática. a família). consideradas. porém.296: "os profetas pré-exílicos. A autoridade profética implica a capacidade de liderança atraente e sedutora. e ao mesmo tempo eram propugnadores de determinada política externa e. p. não acessível aos outros. O conhecido sociólogo americano Berger. Entender o profeta como ideal-typus não significa.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Berger nota justamente que Weber dependia da . os profetas agiam de fato segundo as idéias dos conventículos políticos de serviço. antes de mais nada. eram sobretudo demagogos políticos e. 1974. de Amós até Jeremiais e Ezequiel. esta é considerada como dotada de forças e propriedades sobrenaturais ou sobre-humanas. portanto.. Esta. Não se diz nunca que provinham com predominância de classes proletárias ou também privilegiados só negativamente ou privados de cultura. Para Weber.

32-39. Lc 18. sacerdotes.15-17 etc. com relação à idéia dos profetas como fundadores do monoteísmo ético) e sublinha a conexão dos profetas com o culto. profetas. 8.com/ Pag. juizes. e foram registrados para avisar-nos" (v.17-22). 11). no caso de Elias. 9. Observemos alguns exemplos sócio/espirituais que Jesus nos deixou: a) exemplo de humildade e amor ao próximo (Jo 13. as coisas ensinadas e praticadas por Jesus são exemplos a serem seguidos pelos seus discípulos. c) exemplo de preocupação com os famintos e doentes (Mt 25. não parece que se possa admitir 'profissão' profética como a dos sacerdotes. parece-me também verdadeiro que os profetas não foram indivíduos isolados.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. um mestre nas palavras. Mc 8. Paulinas.1-9).23-35).1-9).16-22. Isaías e Jeremias). O Sermão no Monte (Mt 5. todavia. anciãos. e) exemplo de atenção e cuidado com as crianças e viúvas (Mt 19.). Como fez o Mestre.000 (Mt 15. A ênfase da conexão com o culto. Não existiam argumentos comprobatórios para sustentar que os profetas de Israel exerceram autoridade carismática. assim devem fazer os seus discípulos. Natã.18-30. O rico e Lázaro (Lc 16. A alimentação dos 4. O profeta é homem de muitas relações: com a corte do rei (por exemplo. chefes. 24 ciência exegética do seu tempo (por exemplo.27-31.35-43 etc. Lc 7. O Senhor Jesus não era. Ele utiliza os resultados de modernos antropólogos e sociólogos que indagaram sobre o fenômeno 'profético' nas sociedades modernas. Jesus e a samaritana (Jo 4. sem algum vínculo com instituições israelitas. Assim como o texto de I Co 10.1-42). Observe ainda estas lições e exemplos: Os dois julgamentos (Mt 25.18-21).31-46). Mt 19. que é o texto onde Paulo diz que "tudo isto (a morte do povo israelita no deserto) ocorreu para servir de exemplo. OS APÓSTOLOS 2 Para um estudo m ais amplo sobre a posição social dos profetas é o livro de Robert Wilson. O credor incompassivo (Mt 18. meramente.12.19-31). Lc 18.wordpress. Muitos outros exemplos poderiam ser citados. Deste modo. criando em torno de si 'grupos' de discípulos. Observemos agora outros exemplos encontrados na vida dos cristãos primitivos e nas cartas apostólicas. b) exemplo de benevolência (I Pe 2. 1992.13-15.31-46).). feita por Berger. O jovem rico (Lc 18. parece-me excessiva. Mc 10.2 12) Jesus e os apóstolos JESUS Os evangelhos e os demais livros que compõem o Novo Testamento estão repletos de ações (movimentos) sociais.6-7).5-13.1-11. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. Ed. d) exemplo de auxílio aos inválidos (Mt 8. gente do povo). . São Paulo. com o auditório ao qual se dirigem (reis.52. para compreender melhor a dimensão social do fenôm enos no Israel antigo. mas também na ação.

desde o século XVI. que instituiu o Estado laico.Gn 2. A mão-de-obra escrava.I Co 7.1-4. Gl 6. A população brasileira é majoritariamente cristã (89%). que hoje é o país com maior número de espíritas no mundo. uma religião apenas de palavras. 25 O Cristianismo não é.wordpress.10-16. Dt 24-25. na ignorância das coisas e do projeto de Deus. Rm 15. de ternura e luta contra as opressões do sistema que escraviza os homens: no pecado. Ef 2. a família é um retrato falado da sociedade. no amor fingido. com tendência de tolerância e mobilidade entre as religiões. A condenação aos ricos opressores (Tg 5.com/ Pag. São exemplos disso: O evangelho integral de João Batista (Lc 3. de fé e obras.14-26). O pão para o faminto (At 11. O Brasil é considerado o maior país do mundo em número de católicos nominais.31-32. Na segunda metade do século XIX. A questão do casamento (I Co 5. Seguem as descrições das principais correntes religiosas brasileiras.11. sendo sua maior parte católica. A questão do salário (I Co 9. Muitos praticantes das religiões afro-brasileiras.6-14). I Co 7.10. Esse tipo de tolerância com o sincretismo é um traço histórico peculiar da religiosidade no país.8% da população brasileira declarando-se .11.5. I Co 16. o catolicismo foi a religião oficial do Estado até a Constituição Republicana de 1891.31-32. Ela foi introduzida por missionários que acompanharam os exploradores e colonizadores portugueses nas terras do país recémdescoberto. tem sido o catolicismo romano.1-10). 9. com 73.2730.7-14).6. 7. A questão da fé e das obras (Tg 2. começa a ser divulgado o espiritismo no Brasil. De modo direto. mas de ação e amor. aumenta o percentual daqueles que declaram não ter religião. Gl 2. 13) Religião no brasil O Brasil é um país religiosamente diverso. Família .18. vinda principalmente da África. Sl 68.10. Mt 5. também se denominam "católicos". Nas últimas décadas. e nem pode ser. dando origem às religiões afro-brasileiras. que sobreviveram à opressão dos colonizadores.1-6).19. E os escritos dos apóstolos revelam isto claramente. grupo superado em número apenas pelos católicos nominais e evangélicos.1-40.A principal religião do Brasil. Vejamos: Divórcio . trouxe suas próprias práticas religiosas. Catolicismo . 19.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. ordenadas pela porcentagem de integrantes de acordo com o recenseamento demográfico do IBGE em 2000. Mt 5. Mc 10. Do mesmo modo. assim como alguns simpatizantes do espiritismo.11. alcançando atualmente uma parcela significativa da população.25-27. Herança da colonização portuguesa. e seguem alguns ritos da Igreja Católica.1-13. as religiões protestantes têm crescido rapidamente em número de adeptos. Ml 2.

comerciantes ingleses estabeleceram a Igreja Anglicana no país.wordpress. pesquisas mostram que o número de católicos parou de cair no Brasil depois de mais de 130 anos de queda. Assemelha-se em certos aspectos às Igrejas Pentecostais. Seguiu-se a implantação de outras igrejas de imigração: alemães trouxeram a Igreja Luterana. incentivando uma experiência pessoal com Deus através do Espírito Santo. e imigrantes americanos trouxeram as Igrejas Batista e Metodista.. foi perceptível uma diminuição no interesse pelas formas tradicionais de religiosidade no país.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. No transcorrer do século XX.MUL30391-5598. Um reflexo disso é o aparecimento de grande número de pessoas que se intitulam católicos não-praticantes. A maioria das denominações religiosas protestantes mantêm relações fraternais umas com as outras. sua hegemonia deve ser relativizada devido ao grande sincretismo religioso existente no país. concílio ou convenção geral que agregue e represente os protestantes como um todo. As primeiras igrejas chegaram ao Brasil quando. A partir de 1950. o . em 1811.2 milhões de pessoas (15. segundo o último Censo do IBGE.com/ Pag. 26 católica.00. de acordo com o IBGE. com a vinda da família real portuguesa para o Brasil e a abertura dos portos a nações amigas por meio do Tratado de Comércio e Navegação. Atualmente. respectivamente. como no uso dos dons do Espírito Santo. porém todas fazem parte de um mesmo movimento religioso interno ao cristianismo. em 2000. Os missionários Robert Kalley e Ashbel Green Simonton trouxeram as Igrejas Congregacional (em 1855) e Presbiteriana (em 1859). O protestantismo caracteriza-se pela grande diversidade denominacional. Estima-se que apenas 20% dos brasileiros sejam católicos praticantes. Cada denominação religiosa protestante tem plena autonomia administrativa e eclesiástica em relação as outras igrejas congêneres. livre interpretação da Bíblia. em 1890. o Brasil receberia o pentecostalismo. Em 1911. em 1824. O movimento busca dar uma nova abordagem à evangelização e renovar algumas práticas do misticismo católico.com/Noticias/Brasil/0.O Protestantismo é o segundo maior segmento religioso do Brasil com. Porém. aproximadamente.4% da população). e também a Igreja Adventista. e nenhuma instituição. e ganhou força em meados dos anos 1990. que começou com a Reforma Protestante de Martinho Lutero em 1517. ( http://g1.html) A Renovação Carismática Católica (RCC) chegou ao Brasil no começo dos anos 1970. na adoção de posturas que poderiam ser rotuladas como fundamentalistas e numa maior rejeição ao sincretismo religioso por parte de seus integrantes. com a chegada da Congregação Cristã no Brasil e da Assembleia de Deus. Protestantismo . 19. estas voltadas ao público brasileiro.globo.

tais como a Igreja "O Brasil Para Cristo" e a Igreja do Evangelho Quadrangular. 4 IBGE. Nas últimas décadas. 27 pentecostalismo transformou-se com a influência de movimentos de cura divina que geraram diferentes denominações. denominando todos estes grupos pelo termo "sem religião". in The Cambridge Companion to Atheism. Algumas linhas da tabela. Citado no site www.4 3 Número estimado de não-religiosos na população mundial: Fonte: Zuckerman. embora conserve a sua fé em algo transcendental.De acordo com o último Censo realizado pelo IBGE. e ênfase na teologia da prosperidade. surgiram igrejas neopentecostais com foco nas classes média e alta.wordpress. Nessa época.com/ Pag.com. . a Convenção Batista Nacional e as igrejas da convenção Presbiteriana Renovada surgida a partir da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e Igreja Cristã Maranata e também a Igreja Cristã Presbiteriana surgidas da Igreja Presbiteriana do Brasil Na década de 1970. com a marca "(total)". uma pesquisa com dados do período entre 2000 e 2003 mostra que o número de pessoas sem-religião caiu de pouco mais de 7% em 2000 para aproximadamente 5% em 2003 no Brasil.3 Atualmente. segundo a religião. apenas os ditos católicos e evangélicos superam em número os não-religiosos. como a Igreja Universal do Reino de Deus. o protestantismo vem ganhando muitos adeptos. agnósticos ou declaram acreditar em um Deus sem estarem filiados a alguma religião específica. Em comparação. como São Paulo. A partir dos anos 1980. por volta de 13 milhões de brasileiros (7. Censo Demográfico 2000. sendo o segmento religioso com maior índice de crescimento. e quem apenas não segue alguma religião preestabelecida. Belo Horizonte (onde as igrejas Batistas e Presbiterianas têm grande espaço). nas grandes capitais do sudeste. UK (2005). As crenças e grupos de crenças estão organizadas por ordem decrescente de crentes.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Cabe salientar que o IBGE. Não-religiosos . por sexo e situação do domicílio. maior grupo religioso da Alemanha até os dias de hoje). que trouxeram a Igreja Luterana. que são mais claras e indicadas por um ponto (·) à esquerda. "Atheism: Contemporary Rates and Patterns". não pergunta quem de fato é ateu. estima-se que a média mundial de não-religiosos é de 23. como exemplo.5% da população total. Phil. Cambridge University Press: Cambridge. surgiu o movimento neopentecostal. com igrejas mais secularizadas. Goiânia e Brasília (onde a igreja Sara Nossa Terra têm grande percentual da população).Adherents. órgão oficial de pesquisas.4% da população total) consideram-se ateus. trazendo um discurso ainda mais liberal quanto aos costumes e menos ênfase nas manifestações pentecostais. quem é agnóstico. A maioria das igrejas protestantes estão presentes: no Rio Grande do Sul (descendentes de alemães. Rio de Janeiro. Entretanto. são subtotais de linhas subseqüentes. algumas denominações protestantes que eram tradicionais adicionaram o fervor pentecostal. padrões morais menos rígidos. População residente. Dentre essas igrejas se destacam a Igreja Renascer em Cristo e a Igreja Evangélica Cristo Vive.

Em setembro de 1865. Rio de Janeiro e São Paulo. Como doutrina filosófica. que o número de simpatizantes do espiritismo no Brasil gire em torno de 20 milhões. o primeiro Centro Espírita Brasileiro. com o lema "Sem caridade não há salvação. Em 1873. Os mais de 400 livros psicografados por ele foram traduzidos em inúmeras línguas. que foram carregadas de um viés muito mais religioso do que o existente na Europa. tornando-se um dos maiores expoentes do espiritismo do país. No dia 2 de abril de 1910. A FEB foi fundada em janeiro de 1884.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. houve uma forte ressignificação das idéias espíritas. No Brasil. Elias da Silva. 28 Espiritismo . fundou-se a "Sociedade de Estudos Espíritas". seus costumes deram origem a diversas religiões. Esse grupo dedicou-se a traduzir para o português as obras de Kardec. e no Rio Grande do Sul. o Brasil concentrava 2. Bahia. em Salvador. com a finalidade de unificar o pensamento espírita no Brasil. Um dos aspectos mais interessantes das religiões de matriz africana é a conduta não proselitista. contudo. Aos 5 anos de idade. Foi nesse contexto que Adolfo Bezerra de Menezes aderiu à doutrina espírita. Belo Horizonte. Humanitário. além é claro uma maior tolerância com o diferente (fato não encontrado na maioria dos . "O Livro dos Médiuns". Responsável direto pelo grande número de adeptos que a religião conseguiu no Brasil. estimava-se a existência de 10 milhões de espíritas no mundo inteiro. Recife.Com a vinda dos escravizados para o Brasil. atraindo principalmente a classe média. "O Evangelho Segundo o Espiritismo". como "O Livro dos Espíritos". Estão concentradas em maior número nos grandes centros urbanos do Norte. sem caridade não há verdadeiro espírita". conhecido simplesmente como Chico Xavier. Em 2005. pelo Sr. o médium foi indicado duas vezes ao prêmio Nobel da Paz. Chico Xavier morreu em 30 de junho de 2002. Salvador. Religiões afro-brasileiras . Piauí e Alagoas. como Pará e Maranhão. tais como o candomblé. publicado em 1857. aproximadamente 3 milhões vivem no Brasil. o espiritismo foi sistematizado pelo pedagogo francês Allan Kardec em O Livro dos Espíritos. foi criado o "Grupo Familiar do Espiritismo".O espiritismo é uma das religiões que tem crescido no Brasil. Bezerra de Menezes foi presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB) por duas gestões. principalmente entre a população negra. Em 2000.3 milhões de espíritas.wordpress. Chico Xavier é reconhecido mundialmente pela comunidade espírita. ainda na segunda metade do século XIX. no Nordeste. Desse total. "O Céu e o Inferno" e "A Gênese". Chico afirmou conversar com o espírito de sua mãe. que tem milhões de seguidores. porém. descendente de africanos.com/ Pag. no sudeste. fazendo dessa a maior nação espírita do planeta. Foi dentro dessa perspectiva que o espiritismo foi amplamente divulgado no Brasil. nasceu Francisco Cândido Xavier. Estima-se.

principalmente na área profissional. Isto pode relacionar-se ao fato de que os antigos proprietários de escravos no Brasil permitiam que seus escravos continuassem sua tradição de tocar tambores (ao contrário dos proprietários de escravos dos Estados Unidos que temiam o uso dos tambores para comunicações). muitos de seus seguidores preferem dizer que são "católicos" para evitar algum tipo de discriminação. velas e flores em lugares públicos para os espíritos. Nas práticas atuais.Do estado da Bahia para o norte há também práticas diferentes tais como Pajelança. que representa o sincretismo religioso entre o catolicismo. como o Samba e a conhecida como MPB (música popular brasileira).com/ Pag. e acredita-se terem o poder para o bem e o mal. aos poucos. O Brasil é bastante conhecido pelos ritmos alegres de sua música.Começam a se difundir entre os brasileiros. atual órgão do Ministério da Justiça brasileiro. Tambor-de-Mina e Terecô com fortes elementos indígenas. os seguidores da umbanda deixam oferendas de alimentos. o xamanismo brasileiro e os orixás africanos. há também a Umbanda. Neopaganismo .wordpress. a Comissão Nacional Anti-Drogas (CONAD). Xamanismo . o batuque. Estas religiões estão em todo o país. as religiões neo-pagãs. Catimbó. como a Wicca e o Neo-druidismo. que é a religião sobrevivente da África ocidental. exceto em festas famosas. o Xangô do Recife e o Xambá foram trazidas originalmente pelos escravos que cultuavam seu Deus. Hoje são consideradas como religiões legais no país. Variação da afiliação religiosa por grupo: . Porém. Estas religiões foram perseguidas. 29 segmentos religiosos) As chamadas Religiões Afro-Brasileiras: o candomblé que é dividido em várias nações. mas mesmo assim. Voduns ou inkices com cantos e danças trazidos da África. após dezoito anos de espera da comunidade daimista.Diferente do candomblé. Religião brasileira .Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. e as divindades chamadas Orixás. Em 2004. Isto ocorre principalmente em Brasília e nas capitais da Região Sudeste. A Umbanda é considerado por muitos uma religião nascida no Brasil em 15 de novembro de 1908 no Rio de Janeiro. atualmente. espiritismo. Os terreiros de candomblé são discretos da vista geral. tais como a Festa de Iemanjá em todo o litoral brasileiro e Festa do Bonfim na Bahia. reconhece a legitimidade do uso religioso da ayahuasca e a legalidade de sua prática no culto do Santo Daime. Jurema. Embora existam relatos de outras datas e locais de manifestação desta religião antes e durante este período seus adeptos aceitam esta data como o início histórico da mesma. vão sendo mais bem compreendidos.

1980. um homem moderno pode ser religioso e. A religiosidade atual Em um artigo do ensaísta e diplomata Sérgio Paulo Rouanet. Religião e magia não são a mesma coisa. pode muito bem não acreditar que o botão que ele aperta para acender a luz faça qualquer mágica ao se produzir luz. a uma inversão daquele processo que Max Weber considerava típico da modernidade e que tínhamos nos habituado a ver como definitivo: a secularização.4 15.7 1.wordpress. Rouanet o sintetiza logo na entrada do texto: “Não chega a ser uma novidade que estamos assistindo desde algum tempo a um certo “reencantamento do mundo”.com/ Pag.3 1. há como discordar de Rouanet? No todo do artigo quase que não. se levamos a sério que tal enunciado seria o contrário da noção de "desencantamento do mundo" de Max Weber.6 7. Ou seja.4 1.8 Fonte: Recenseamentos demográficos do IBGE de 1970. mas em certos detalhes importantes que levam à razão do texto. no entanto.8 6.4 1.6 0. mas ele disse que o mundo se desencantava uma vez que perdia sua magia.” De fato. encontramos um dos temas centrais da década de noventa. Pois Weber não disse que o mundo moderno se desencantava.2 0.3 73. isto é.8 89.0 4.6 1. na Folha de SP de 19 de maio de 2004. sim. no sentido de que perdia sua religiosidade. com o título “A volta de Deus”.3 9. 2000.3 0. Mais detalhes no Anexo II. 1991.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura.0 83.6 1. ainda que ele não saiba qualquer . É difícil ver um "reencantamento do mundo". o século XXI. A primeira discordância é em relação ao que ele chama de "reencantamento do mundo". a segunda discordância é em relação ao modo como ele vê as simpatias de Rorty e Habermas em relação à religião.1 0. e que se mantém atual nessa primeira década do novo século. 30 Em porcentagem da população Religião Catolicismo Protestantismo Sem religião Espiritismo Religiões afro-brasileiras Outras religiões 1970 1980 1991 2000 91. Livro 'Atlas da filiacão religiosa e indicadores sociais no Brasil'.9 5.7 0.

Nenhum dos fanáticos que estiveram assassinando novaiorquinos no "11 de Setembro" acreditava que os aviões iriam. mas Habermas nunca fez a simples apologia do laicismo. acredita que energias religiosas fazem parte do mundo moderno. Sabemos que o foi. pregando o amor. e talvez até socialista. o homem moderno passa a viver com a idéia de que há explicações racionais e científicas para tudo. e sob ele. mas acredita que isso seria um passo diferente se Habermas ainda fosse um sociólogo marxista. todos nós seguimos as leis da causalidade. exatamente por compreender que no "mundo da vida" caberiam mais elementos que o laicismo. fizesse luz num quarto. Rouanet força Habermas a ficar simpático à religião de um modo estranho. Mas ele estranha tal comportamento. que poderia dar um salto de susto se alguém. a própria teoria de Habermas não já tivesse sido tomada por várias correntes religiosas. pregando a verdade. Isso é o "desencantamento do mundo" de Weber. e então pouca coisa lhe mete medo ou o espanta. na cabeça deles. não tem a ver com o fato do crescimento da religião no mundo.wordpress. o que os filósofos dizem com simpatia à religiosidade. Este filósofo. mas que a religião tem de viver sob as regras democráticas modernas. Ora. O mesmo se dá com Rorty. e as igrejas devem se submeter à vida estatal. que simplesmente deveria fazer a apologia do laicismo. por mais fanático que seja. em diversas formas de religião. no Ocidente ou no Oriente. do que Jesus-Deus. para o bem ou para o mal. explodir as torres . O que Rouanet acredita que sejam as posições de Habermas e Rorty não tem tanta ligação com o que é citado no conteúdo do seu artigo. Se assim é. está certo. por conta do fato de termos nos últimos anos um crescimento do número de igrejas e fiéis no mundo todo. Habermas. Mas todos eles sabem que o mundo natural é natural. Rouanet cita isso. como Rouanet nota. algum dia. para fomentar o que seria uma sociedade democrática. sozinhos.eles sabiam muito bem que eles é que tinham de fazer isso. inclusive a Teologia da Libertação a adotou. com um "clique".com/ Pag. ou quase tudo. Qual a razão do estranhamento? É isso que fica . como se. O que há. 31 física para explicar o surgimento da luz ali na lâmpada acima de sua cabeça. é igual a qualquer pré-moderno (na acepção de Weber). Ou seja. hoje como ontem. diz que prefere Jesus-homem. ou até mesmo analfabeto. é que o inimigo é inimigo por ser inimigo da vontade de seu deus. com a religiosidade cultivada pelos cidadãos de tais sociedades. nenhum religioso de hoje. por parte desses filósofos. achar que os deuses comandam a luz que se faz em um quarto. é um tanto complicado achar que há alguém em clima de reencantamento. Ou seja. como diz Rouanet. e Rouanet parece compreender isso. Não passa pela cabeça de nenhum oriental ou ocidental mais ou menos escolarizado. Não há mágica.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Ora. Não há nenhuma volta à religião. Por isso.

são argumentos antes de um filósofo pragmático que de um pregador religioso. Cada palavra de Jesus. que os argumentos de Jesus. Mas Rouanet. Ninguém procura única e exclusivamente "ajuda divina" quando vai a uma igreja. mas a conclusão do seu discurso poderia ter como título "A Profecia de um Ateu". não tem conotação mística. É isso que. de Balzac. forçadamente. O que há é um aumento do número de pessoas que escolheram ter como comunidade não só a paróquia criada pelas repúblicas ou estados constitucionais. era bastante útil . ainda. e.com/ Pag. o adjetivo "sagrado". mas tem conotação prática: energias religiosas e energias utópicas são energias privadas .fazem parte do campo do sagrado de cada um de nós. esquecendo da tradição filosófica de Rorty. o caso do amor aos semelhantes. Sua utopia se parece nos mínimos pormenores com uma utopia messiânica. com ensaios de Rorty e Gianni Vattimo. Num mundo onde o romanismo e o culto do forte e viril entravam em colapso. Por exemplo. A maioria das pessoas procura amigos. 32 difícil de entender. faz questão de usar. em Rorty. As igrejas são espaços includentes de socialização. muitas vezes. aquele campo no qual colocamos tudo sob uma aura (quase que num sentido benjaminiano do termo). pessoas com . Sagrado. pessoas para uma palavra amiga. Seu ateísmo soa estranhamente religioso. quando ele se põe como cidadão e busca a justiça social. para descrevê-la. então. Vou agora para o problema do título do artigo de Rouanet: há de fato uma volta de Deus? Não creio. Escolas. a linguagem de César. Qual a razão pela qual Rorty usa "sagrado"? Não é a razão pela qual Rouanet acredita.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. fica claro com o livro The future of religion. baseado em Rorty. mas também as paróquias criadas por grupos de crenças associadas ao desejo de ajuda-mútua. Roma não podia mais dar suas regras para todos. para não deixar dúvida. Essas energias fazem com que alguns se dediquem à pintura e outros se dediquem à oração. ?rotaris?. Pois a tradição do pragmatismo coloca a idéia de que jamais deveríamos pedir a extinção da religião. São as práticas privadas do homem quando da sua auto-construção individual não são as partes públicas desse homem. perdoar. tentar ajudar o outro? Muito mais útil.o homem que passasse a usar a linguagem de Jesus se adaptava melhor às necessidades do futuro do que os que usavam. não podia mais ajudar todos. e as pessoas estavam precisando se ajudar mutuamente.era isso que dizia William James. então. e teríamos sim de compreender que ela é um dos pontos de vista em uma sociedade plural . É isso que faz com que as pessoas procurem a religião: lugar para socialização. clubes e assim por diante não são espaços de socialização completos . publicado pelo teólogo Zabala. partidos.wordpress. quando se matricula numa religião. Posso dizer.são espaços de socialização excludentes. agora. não seria bem útil ser doce. escreve um trecho ininteligível para mim: Não sei se Rorty leu "A Missa de um Ateu". Não no sentido de uma crença muito diferente da que sempre houve.

É informal e não hierarquizada. em certos momentos. mas compete com o estado pela lealdade dos cidadãos. Mas a considera ruim para o Estado. preocupada somente com as coisas do céu. 33 quem compartilhar idéias. No fundo. "O Cristianismo é uma religião totalmente espiritual. para Rousseau.com/ Pag. aqui. A religião do homem que pode ser hierarquizada ou individual. nas igrejas. Como consequência os cristãos estão muito desligados do mundo real para lutar contra a tirania doméstica. mas também verdadeira. a religião em que ele nasceu e foi batizado. e eles teriam uma hierarquia organizada para apoiá-los e organizar resistência. solidões. centrada na moral e na adoração a Deus. crenças e.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Cristandade não é deste mundo e por isso tira do cidadão o amor pela vida na terra. podem funcionar na criação de uma sociedade de ajuda-mútua? Os imigrantes italianos fizeram muitas sociedades de ajuda-mútua. namoros. Se "Deus" é o "mediador" entre a minha vontade de não estar sozinho e a vontade do outro de escapar da solidão. mesmo as mais autoritárias e que exigem os maiores sofrimentos de seus membros. casamentos. Trocam-se também. a pátria do cristão não é deste mundo". Rousseau é claramente não hostil à religião como tal. De início Rousseau nos diz que esta forma de religião é não somente santa e sublime. amigos que se reúnem para orar e que. mas tem sérias restrições contra pelo menos três tipos de religião. Os indivíduos podem pensar que a consciência exige desobediência ao estado. de tanto estudar o iluminismo. Rousseau Conclui seu "Contrato social" com um capítulo sobre religião. o calvinismo. Esta é. Para começar. deixado de notar o que move as pessoas para a religião. negócios. Além disso. etc. perto de sua casa. trocas de favores. aparece como uma crença tipicamente religiosa . Quem é que não quer ter. 14) OS FILÓSOFOS MODERNOS E A RELIGIÃO a. As igrejas funcionam assim. de convívio. as seitas possuem esse caráter em todo o mundo.no sentido etimológico original da palavra religião. . Rouanet parece ter. é certo que "Deus". Este é o caso do Catolicismo. ele está embasbacado com o fato do crescimento da religião no mundo. quando se viram desesperados em um Brasil inóspito no começo do século XX. Não é incentivadora do patriotismo. Rousseau distingue a "religião do homem" e a "religião do cidadão". quase sempre. O exemplo de religião do homem não hierarquizada é o cristianismo do evangelho. com certeza. de re-ligare. para Rousseau. "Tudo que destrói a unidade social não tem valor" diz ele. os cristãos fazem maus soldados.wordpress. é organizada e multinacional. Mas Habermas e Rorty não estão.

em fazendo a pátria o objeto da adoração do cidadão. usa o método de definir o fenômeno.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. ou seja. ela ensina que o serviço do estado é o serviço do Deus tutelar. benevolente que prevê e provê. O fato de que o estado possa banir a religião considerada antisocial deriva do princípio de supremacia da vontade geral (que existe antes da fundação do Estado) à vontade da maioria (que se manifesta depois de constituído o Estado). Rousseau mostra uma natural e verdadeira susceptibilidade para a religião e para Deus. A religião do império romano é seu exemplo. e cada uma delas conceder tolerância às demais. É a religião de um país. em uma frase feliz. Eles não irão lutar com a paixão e patriotismo que um exército mortífero requer. Ele diz que ela reúne adoração divina a um amor da Lei. a religião nacional ou religião civil é a preferível. e se uma maioria deseja uma religião que vai contra essa primeira vontade. e os faz crédulos e supersticiosos". no qual. a punição dos pecadores. Profession de foi du vicaire savoyard. mas deveria usar a lei para banir qualquer religião que seja socialmente prejudicial. obediência ao estado. a felicidade do justo. 1762). uma vida após a morte. engana os homens. "ela está baseada no erro e mentiras. publicamente renovadas cada dia. A religião do cidadão é o que na sua época chamava-se também religião civil. O Estado não deveria estabelecer uma religião. Deveria ser concedida tolerância a todas as religiões. se todos querem o bem estar social. no qual. A parte mais admirável nisto é o credo do vigário da Saboia.As formas elementares da vida religiosa Ele tem como objetivo: elaborar uma teoria geral da religião. para ele. Do ponto de vista do estado. Mas ele quer a pena de banimento para todos que aceitarem doutrinas religiosas "não expressamente como dogmas religiosos. faz o povo "sedento de sangue e intolerante". mas como expressão de consciência social". inteligente. E diz mais: a religião nacional. diz Rousseau. pelo fato mesmo de que serve ao Estado. a religião civil será manipulada segundo certos interesses. b. ele advogava a liberdade de religião contra a Igreja e a polícia. e por isso. uma religião teria que limitar-se a ensinar "A existência de uma divindade onipotente. essa maioria terá que ser reprimida pelo governo. com base na análise da instituiçâo religiosa mais simples e mais primitiva (Totemismo). Esta ensina o amor ao país. uma religião nacional. Rousseau apresenta então sua proposta. e que. cuja omnipotência e grandeza são. a sacralidade do contrato social e da lei". refutar as teorias diferentes .wordpress. Para isso. No entanto. Refugiado em Neuchatel. e este é o aspecto que mais interessa a Rousseau. Durkheim .com/ Pag. Para que fosse legal. ele escreveu Lettres ecrites de la Montagne (Amsterdam. com referência à constituição de Genebra. e virtudes marciais. ou civil. 34 novamente porque eles não são deste mundo.

Os homens primitivos. sagrado. que supera a sua individualidade. Também critica a Religião da Humanidade de Auguste Comte.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. A outra fonte da religião está na dependência dos trabalhadores. o conjunto dessas crenças e desses ritos constitui uma religião. depois as sociais. reflexo em que as forças terrestres tomam aspectos de forças supra-terrestres. Marx vê em qualquer religião apenas o reflexo imaginário. Karl Marx Em suas teses sobre Feuerbach (1854) Marx o critica e vai mais longe em sua explicação sobre religião. nos cérebros humanos. esquecendo-se que a separação destes dois mundos tem seu fundamento no próprio mundo profano. a sociedade anterior a cada um dos indivíduos e que sobrevive a eles. Para Durkheim a essência da religião é a divisão do mundo em fenômenos sagrados ou profanos. 35 das suas. portanto. Recebem atributos sociais e os deuses se tornam os representantes das forças históricas. Durkheim refuta o animismo. Na fase seguinte.com/ Pag. mas às forças da produção e da minoria dominante. uma força. No primeiro estágio as forças misteriosas da natureza se tornam divindades. das forças externas que regem sua vida diária. Para que haja o sagrado é preciso que os homens façam a diferença entre o que é profano e cotidiano. no nível dos fetiches. todos os atributos naturais e sociais de todos os deuses são transferidos para um deus único e todo-poderoso que. por sua vez. nos fantasmas da imaginação. não mais às forças da natureza. subjugados pelas forças da natureza. pois a religião é uma criação coletiva e não individual. . e o que é diferente e. Feuerbach esquece que o homem se modifica.wordpress. modificando as circunstâncias. Primeiro se idealizam as forças da natureza. demonstrar a natureza essencialmente social da religião. O sagrado se compõe de um conjunto de coisas. c. a fé em espíritos. A moral e as religiões do passado. através da adoração do totem ou Deus os homens sempre adoraram a realidade coletiva: “Os interesses religiosos não passam da forma simbólica de interesses sociais e morais”. Eles têm consciência de que há alguma coisa. Limita-se a dissolver o mundo religioso no mundo profano. e o naturismo onde os homens adorariam as forças naturais transfiguradas. exprimem condições de vida servil (condições inevitáveis). projetam estas forças num mundo ideal e lhes atribuem poder mágico ou religioso. de crenças e de ritos. não passa de um reflexo do homem abstrato. Ele abstrai da história e não vê que o próprio sentimento religioso é um produto histórico do social. dividido por antagonismos. A religião é a transfiguração da sociedade. A dialética do capitalista explorador e do proletário explorado é a fonte do inumano no homem e do religioso na sociedade.

Mas. deve. de um paraíso perfeito. tão nobre. Um fato que lhe causou uma grande surpresa foi quando os crentes daquela tribo. pois cega como é às causas da miséria (por egoísmo de classe). começaram a tocar os tambores em sua primeira grande reunião de culto. tão belo quanto possível. pois. submissão a uma abstração que mantém a escravidão. conseguir que o ideal proposto se apresente tão grande. Esta é a alienação propriamente religiosa. não . É a projeção no além. A alienação religiosa é mantida pelo capitalismo que consola o operário de sua miséria presente. depois de longo tempo ali. A própria religião tranqüiliza a classe dos exploradores. no sobrenatural.desde que nos tornamos crentes só usamos os toques bons. Enquanto lá esteve. 36 O proletário procura a felicidade que não consegue encontrar nos círculos imediatos de sua existência. a religião é a forma ideal e abstrata encontrada pela classe dominante. presenciou por diversas vezes os toque de tambor chamando para a guerra.wordpress.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. A forma de religião bíblica dentro de uma cultura está constantemente em choque com a linha divisória entre a expressão religiosa cultural (religião herdada dos antepassados) e a expressão social cultural (modo de vida). alienando-o do desejo de ter algo aqui e agora em troca do algo futuro.Por que vocês continuam tocando os tambores como faziam antes de aceitar a Cristo? Isso não fará que seus irmãos voltem à sua antiga maneira de ser? . Tal idealismo é um materialismo sórdido: o do grande capital. Para Marx. Veja esse ex. Nunca mais tocaríamos como o fazíamos antes! . alcançou muitos para Cristo. o povo cantava. Terminado o "culto". recém-convertidos. Ensina-se o explorado a procurar a sua felicidade no além.Não. o evangelista foi falar com um dos tocadores de tambor: .Quer dizer que há toques de tambor bons e maus? . como a burguesia é uma classe em declínio. sociedade. A medida que o toque dos tambores se intensificava. Estado capitalista. cujo domínio está ameaçado. válvula de segurança para a consciência dos privilegiados. (nesse sentido ela é o ópio que enebria o pobre. para chegar a este duplo resultado. batia palmas e celebrava sua nova vida em Cristo. o fetiche religioso a satisfaz e lhe acalma a consciência com alguns gestos de caridade. prometendo-lhe o consolo e um além fictício.: "Certo missionário em uma determinada tribo africana. super-estruturas constituídas pelo capitalismo para garantir seu domínio. para justificar sua situação e para fazer a classe oprimida aceitar a sua sorte. propriedade.respondeu o tocador de tambor . para as danças das festas de seus deuses. A religião como fator sociológico vai sofrer a influência cultural e nela influenciar. enquanto a classe alta e média enriquece apropriando-se do produto do pobre).com/ Pag. completamente alienado.

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Bryan . Helena. Leuven: Leuven University Press. se nem todas as combinações logicamente possíveis de comportamento foram ainda descobertas.) . o primeiro a chamar a atenção dos antropólogos para os rituais dos Sonacirema. Jean-Paul. CANCIAN. Sociologia da religião. Abril de 2006 WEBER. através do rio Po-To-Mac e ter derrubado uma cerejeira na qual residiria o Espírito da Verdade. Paris: Presses Universitaires. Deste ponto de vista. Max. O foco destas atividades é o corpo humano. Sociologie des religions. Notgnihsaw. Macmillan. Jaak (Ed. Oxford-New York: Oxford University Press. Pouco se sabe sobre sua origem.Sociology and Religions: na ambigouous relationship. usado pelos Sonacirema como dinheiro. 1990. 40        VOYÉ. 1999 VILAÇA. São Paulo: Paulinas. que evolui em um rico habitat. 2006 WACH. o antropólogo bem pode conjeturar que elas devam existir em alguma tribo ainda não descrita.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Lisboa: Editorial Presença. p.wordpress. Liliane & BILLIET. por outro lado. as crenças e práticas mágicas dos Sonacirema apresentam aspectos tão inusitados que parece apropriado descrevê-los como exemplo dos extremos a que pode chegar o comportamento humano. os Yaqui e os Tarahumare do México. De fato. 1983 WILLAIME. Porto: Edições Afrontamento. Relógio D’Água Editores.Ritos corporais entre os Sonacirema O antropólogo está tão familiarizado com a diversidade das formas de comportamento que diferentes povos apresentam em situações semelhantes. Max. uma grande parte dos frutos deste trabalho e uma considerável porção do dia são dispensados em atividades rituais. 1995 WILSON. 1988 YINGER (“Religion. Trata-se de um grupo norte-americano que vive no território entre os Cree do Canadá. ele é. Joachim. que é incapaz de surpreender-se mesmo em face dos costumes mais exóticos. Society and the Individual”. deu origem à sua nação.Religion in Sociological Perspective. Da torre de Babel às terras prometidas: pluralismo religioso na em Portugal. Sociologia das Religiões. WEBER.20-1 16) ANEXO I . em 1936. Apesar do povo dedicar muito do seu tempo às atividades econômicas. Attilio.com/ Pag. um herói cultural. Conforme a mitologia dos Sonacirema. embora a tradição relate que vieram do leste. 1957. cuja aparência . Nex York. mas a cultura desse povo permanece insuficientemente compreendida ainda hoje. conhecido por duas façanhas de força: ter atirado um colar de conchas. A ética protestante e o espírito do capitalismo. Foi o Professor Linton. A cultura dos Sonacirema caracteriza-se por uma economia de mercado altamente desenvolvida. e os Carib e Arawak das Antilhas.

são discutidos apenas com as crianças e. a alusão à opulência de uma casa. irá. Eu pude. Cada moradia tem um ou mais santuários devotados a este propósito. Como tais substâncias mágicas são especificas para certas doenças e as doenças do povo. estabelecer contato suficiente com os nativos para examinar estes santuários e obter descrições dos rituais. Embora os nativos sejam muito vagos quanto a este aspecto. são muitas. contudo. Contudo. mas os colocam na caixa-de-encantamento do santuário doméstico. somente decidem quais devem ser seus ingredientes e então os escrevem em sua linguagem antiga e secreta.wordpress. Muitas casas são construções de madeira. por certo. é feita em termos do número de tais centros rituais que possua. aplicando placas de cerâmica às paredes de seu santuário. reais ou imaginárias. 41 e saúde surgem como o interesse dominante no ethos deste povo. a única esperança do homem é desviar estas características através do uso das poderosas influências do ritual e do cerimonial. Encarcerado em tal corpo. mas as câmeras de culto das mais ricas têm paredes de pedra. proteger o adorador.com/ Pag. de alguma forma. Embora tal tipo de interesse não seja. a caixa-de-encantamentos está geralmente a ponto de transbordar. raro. Tais preparados são conseguidos através de uma serie de profissionais especializados. Embora cada família tenha pelo menos um de tais santuários. Os ritos.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. . Esta escrita é entendida apenas pelos médicos-feiticeiros e pelos ervatários. normalmente. neste caso. mas sim cerimônias privadas e secretas. toscamente pintadas. seus aspectos cerimoniais e a filosofia a eles associadas são singulares. só podemos concluir que aquilo que os leva a conservar todas as velhas substâncias é a idéia de que sua presença na caixa-de-encantamentos. muito freqüentemente. O ponto focal do santuário é uma caixa ou cofre embutido na parede. Os Sonacirema não se desfazem do encantamento após seu uso. cujo auxilio deve ser recompensado com dádivas substanciais. os rituais a eles associados não são cerimônias familiares. os quais. Os indivíduos mais poderosos desta sociedade têm muitos santuários em suas casas e. providenciam o encantamento necessário. A crença fundamental subjacente a todo o sistema parece ser a de que o corpo humano é repugnante e que sua tendência natural é para a debilidade e a doença. Neste cofre são guardados os inúmeros encantamentos e poções mágicas sem os quais nenhum nativo acredita que poderia viver. de fato. em frente à qual são efetuados os ritos corporais. As famílias mais pobres imitam as ricas. os mais poderosos dos quais são os médicos-feiticeiros. Os pacotes mágicos são tão numerosos que as pessoas esquecem quais são suas finalidades e temem usá-los de novo. somente durante o período em que estão sendo iniciadas em seus mistérios. em troca de outra dadiva. os médicos-feiticeiros não fornecem a seus clientes as poções de cura.

wordpress. estão os especialistas cuja designação pode ser traduzida por "sagrados-homens-da-boca". este rito envolve uma prática que choca o estrangeiro não iniciado. alarga todas as cavidades que a degeneração possa ter produzido nos dentes. logo abaixo dos médicosfeiticeiros no que diz respeito ao prestígio. Esperemos que quando for realizado um estudo completo dos Sonacirema haja um inquérito cuidadoso sobre a estrutura da personalidade destas pessoas. quando ele enfia um furador num nervo exposto. 42 Abaixo da caixa-de-encantamentos existe uma pequena pia batismal. um após o outro. Acreditam que. que só pode considerá-lo revoltante. Basta observar o fulgor nos olhos de um sacerdote-da. pela cavidade bucal. onde os sacerdotes executam elaboradas cerimônias para tornar o líquido ritualmente puro. seus amigos os abandonariam e seus namorados os rejeitariam. Foi-me relatado que o ritual consiste na inserção de um pequeno feixe de cerdas de porco na boca juntamente com certos pós mágicos. As águas sagradas vêm do Templo da Água da comunidade. O sacerdote-da-boca abre a boca do cliente e. usando os instrumentos acima citados. Na hierarquia dos mágicos profissionais. sondas e aguilhões. Além do ritual bucal privado. Do ponto de vista do cliente. entra no santuário. para se suspeitar que este rito envolve certa dose de sadismo. cujo estado acreditam ter uma influência sobre todas as relações sociais. Estes profissionais têm uma impressionante coleção de instrumentos. não obstante o fato de seus dentes continuarem a degenerar. O ritual do corpo executado diariamente por cada um dos Sonacirema inclui um rito bucal. uma tortura ritual quase inacreditável. as pessoas procuram o mencionado sacerdote-da-boca uma ou duas vezes ao ano. Se isto puder ser provado. O caráter extremamente sagrado e tradicional do rito evidencia-se pelo fato de os nativos voltarem ao sacerdoteda-boca ano após ano.com/ Pag. e ao mesmo tempo fascinação. Nestas cavidades são colocadas substâncias mágicas. Caso não existam cavidades naturais nos dentes. consistindo de brocas. inclina sua fronte ante a caixa-de-encantamentos. para o cliente.boca. teremos um . uma ablução ritual da boca para as crianças que se supõe aprimorar sua fibra moral. Os Sonacirema têm um horror quase que patológico.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. o propósito destas aplicações é tolher a degeneração e atrair amigos. Todos os dias cada membro da família. e em movimentá-lo então numa série de gestos altamente formalizados. O uso destes objetos no exorcismo dos demônios bucais envolve. por exemplo. furadores. Apesar de serem tão escrupulosos no cuidado bucal. se não fosse pelos rituais bucais seus dentes cairiam. grandes seções de um ou mais dentes são extirpadas para que a substância natural possa ser aplicada. mistura diferentes tipos de águas sagradas na pia batismal e procede a um breve rito de ablução. Acreditam também na existência de uma forte relação entre as características orais e as morais: Existe.

enquanto parte dos ritos corporais. movimentam-se serenamente pelas câmaras do templo. quando possuem recursos para tanto. têm seus corpos nus submetidos ao escrutínio. Clientes do sexo feminino. Estas cerimônias envolvem não apenas o taumaturgo. Os médicos-feiticeiros têm um templo imponente. mas um grupo permanente de vestais que. ou latipsoh. acha-se subitamente nu e auxiliado por uma vestal. mas o que lhes falta em freqüência é compensado em barbaridade. pois a maioria da população demonstra tendências masoquistas bem definidas. Apesar disto. manipulação e aguilhadas dos médicosfeiticeiros. resistem às tentativas de levá-las ao templo. cuja doutrinação ainda é incompleta. Ritos especificamente femininos têm lugar apenas quatro vezes durante cada mês lunar. e sobrevivido às cerimônias.wordpress. com roupas e toucados específicos. enquanto executa suas funções naturais num recipiente sagrado. Na vida cotidiana os Sonacirema evita a exposição de seu corpo e de suas funções naturais. as mulheres usam colocar suas cabeças em pequenos fornos por cerca de uma hora. Mesmo depois de ter-se conseguido a admissão. As atividades excretoras e o banho. só podem ser executadas neste templo. por sua vez. 43 modelo muito interessante. O suplicante que entra no templo é primeiramente despido de todas as suas roupas.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. As cerimonias latipsoh são tão cruéis que é de surpreender que uma boa proporção de nativos realmente doentes que entram no templo se recuperem. adultos doentes não apenas querem mas anseiam por sofrer os prolongados rituais de purificação. são realizados apenas no segredo do santuário doméstico. Da perda súbita do segredo do corpo quando da entrada no latipsoh. Este tipo de tratamento cerimonial é necessário porque os excreta são usados por um adivinho para averiguar o curso e a natureza da enfermidade do cliente. As cerimônias mais elaboradas. os guardiões de muitos templos não admitirão um cliente se ele não puder dar uma dádiva valiosa para a administração. O aspecto teoricamente interessante é que um povo que parece ser preponderantemente masoquista tenha desenvolvido especialistas sádicos. porque "é lá que se vai para morrer". Como parte desta cerimônia. Esta parte do rito envolve raspar e lacerar a superfície da face com um instrumento afiado. Linton (1936) se referiu na discussão de uma parte específica dos ritos corporal que é desempenhada apenas por homens. Sabe-se que as crianças pequenas. cuja própria esposa nunca o viu em um ato excretor. Um homem. os guardiães não permitirão ao neófito abandonar o local se ele não fizer outra doação. em cada comunidade de certo porte.com/ Pag. . podem resultar traumas psicológicos. necessárias para tratar de pacientes muito doentes. Foi a estas tendências que o Prof. Não importa quão doente esteja o suplicante ou quão grave seja a emergência.

As excretoras são funções naturais de reprodução são. com os movimentos formais nos quais estas virgens são altamente treinadas. e possam mesmo matar o neófito. e banquetes cerimoniais para tornar gordas pessoas magras. Outros ritos são usados para tornar maiores os seios das mulheres que os têm pequenos e torná-los menores quando são grandes. em troca de uma taxa. e é programado enquanto ato. conhecido como um "ouvinte". contemplaremnos. As cerimônias diárias. elas inserem bastões mágicos na boca do suplicante ou o forçam a engolir substâncias que se supõe serem curativas. Com precisão ritual as vestais despertam seus miseráveis fardos a cada madrugada e os rolam em seus leitos de dor enquanto executam abluções. como os ritos do sacerdote-da-boca. Este "doutor-bruxo" tem o poder de exorcizar os demônios que se alojam nas cabeças das pessoas enfeitiçadas. O intercurso sexual é tabu enquanto assunto. distorcidas.wordpress. principalmente pelas dificuldades iniciais que consegue rememorar. rotinizadas e relegadas ao segredo. . De tempos em tempos o médico-feiticeiro vem ver seus clientes e espeta agulhas magicamente tratadas em sua carne. O paciente simplesmente conta ao "ouvinte" todos os seus problemas e temores. mas que decorrem da aversão profunda ao corpo natural e suas funções. Os Sonacirema acreditam que os pais enfeitiçam seus próprios filhos. deve-se fazer referência a certas práticas que têm suas bases na estética nativa.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. são tão idolatradas que podem levar uma boa vida simplesmente indo de cidade em cidade e permitindo aos embasbacados nativos. Já fizemos referência ao fato de que as funções ritualizadas. Em outras horas.com/ Pag. A insatisfação geral com o tamanho do seio é simbolizada no fato de a forma ideal estar virtualmente além da escala de variação humana. Umas poucas mulheres. particularmente. envolvem desconforto e tortura. O fato de que estas cerimônias do templo possam não curar. da mesma forma. não diminui de modo algum a fé das pessoas no médico feiticeiro. e uns poucos indivíduos reportam a origem de seus problemas aos feitos traumáticos de seu próprio nascimento. teme-se que as mães lancem uma maldição sobre as crianças enquanto lhes ensinam os ritos corporais secretos. A memória demonstrada pelos Sonacirema nestas sessões de exorcismo é verdadeiramente notável. quando bebê. Resta ainda um outro tipo de profissional. Como conclusão. ao ser desmamado. A contra-magia do doutor bruxo é inusitada por sua carência de ritual. dotadas de um desenvolvimento hipermamário quase inumano. 44 Poucos suplicantes no templo estão suficientemente bons para fazer qualquer coisa além de jazer em duros leitos. Existem jejuns rituais para tornar magras pessoas gordas. Não é incomum um paciente deplorar a rejeição que sentiu.

175 0.862 0.939.37 74. O parto tem lugar em segredo.189 73.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura.361.563 1.539 100.899 0.078 0.778 538.184.980.877.162.800 76.125 % 100.765 3. 17) ANEXO II -Distribuição das crenças em 2000 Distribuição da população segundo a religião ou crença.901.222 % 100.73 98.00 74. suas dificuldades práticas.512 15.com/ Pag.602.747 681.677.656 325.712 0.049 0.152 0.09 3.89 73.624 553.183 mulheres contingente % [10] por sexo 169.578. sem amigos ou parentes para ajudar.836 34.842 1.872 71.949 0.912.209.085 1.571 4.668 0.023 13.630 0.663 1.020 10. 45 São feitos esforços para evitar a gravidez.270.495 1.107 670.495 11.903 26.312 33. como o fêz.062.111 1.163 2.43 63.00 137.69 3.00 125.307 73.239 0.317 62.201 19.939.878 17.941 6. 1976.wordpress.719 4.618 26.959 71. Quando grávidas as mulheres vestem-se de modo a esconder o estado.940.226 83.022 14.224 17.174 70.031 931.20 82.192 0.52 .029.963 148. é fácil perceber toda a crueza e irrelevância da magia.645 0.947.916 0.937 15.062.584 61.458 146.12 250.444.593 2.100 4. Mas sem seu poder de orientação.256. pouco freqüente.665 250.37 98. quando escreveu: "Olhando de longe e de cima de nossos altos postos de segurança na civilização desenvolvida.014 10.893 380.220 0.625 0.860 0. MINER.344.022 15.245 0.391 homens contingente 83.064 340. pelo uso de substâncias mágicas ou pela limitação do intercurso sexual a certas fases da lua.994 427.171.475.511 0.642 7.627 0.201 0. É difícil compreender como tal povo conseguiu sobreviver por tão longo tempo sob a carga que impôs sobre si mesmo.856 100.40 430.236 125.194 1. no Brasil em 2000 por situação domiciliar Total religião ou crença contingente (total) Católicas (total) · Católica apostólica romana · Católica apostólic brasileira · Católica ortodoxa Igrejas evangélicas (total) · de missão (total) · · Batista · · Adventista · · Luteranas · · Presbiteriana · · Metodista · · Congregacional · · Outras · de origem pentecostal .48 6.504.518.00 63.642 194.910 16.290 18.380 0. nem poderia ter avançado aos estágios mais altos da civilização".345 0.617.727 0. Mas até costumes tão exóticos quanto estes aqui descritos ganham seu real significado quando são encarados sob o ângulo relevado por Malinowski.784 0.063 3.295 0.356 2.620 23.57 0.008.097 18.182 11.299 0.236 64.817.060 26.740. o homem primitivo não poderia ter dominado.946 538.578 0.347.552 0.96 0.014 7.091 29.448.582 0.074 0. A concepção é na realidade. e a maioria das mulheres não amamenta seus rebentos.342 0.774 124.872.085 11.337 4.925.total % urbana contingente % rural contingente 31.024 22. Nossa análise da vida ritual dos Sonacirema certamente demonstrou ser este povo dominado pela crença na magia.494 904.022 9.691 1.244 73.745 2.117 0.078.79 2.736.981 523.41 4.582 38.606 0.132 500.06 86.019 9.528 179.565 0.888 250.04 0.609 0.392 3.00 83.021 15.238 100.145 981.088 0.

772 0.900 312.352 0.139 0.758 107.051 0.400 0.418.110 0.323 4.001 0.482 5.758 195.028 70.132 51.383 0.803 15.244 945.581 1.6526445 331.354 0.050 0.770 127.832 12.033 100.002 0.553 0.418 1.901 9.805 774.089 86.042 0.065 0.024 0.016 0.987 0.262.200 43.088 91.575 1.352 784.063 55.686 305.077 39.318.558 1.645 235.025 0.070 0.658 1.118 0.035 0.546 893.333.889 17.013 0.368 509 2.009 0.616 0.005 2.597 27.264 450.005 7.478 17.091 0.206 198.253.943 46.185 99.399 4.830 277.342 1.707 309.173 0.104.303 0.066 1.618 128.707 117.088 2.957 4.224 592.033 0.403 383.448 0.087 144.972 2.904 7.358.956 1.116 120.887 1.315 1.582 86.463 0.557 35.339 3.464 526.583 92.316 0.484 7.245 159.283 11.560.148 145.004 0.393 96.080 109.715.015 0.230 65.650 0.066 1.237 0.393 3.825 58.785 1.014 0.382 10.082 43.084 0.064 0.009 1.101 5.175 59.055 0.222 1.141 0.532 55.533 397.211 6.091 0.152 0.613.831 0.018 6.225 0.140 0.171 0.076 0.348 1.008 0.172 108.050 0.720 0.397 0.370 0.259 710.5214 125.843 2.458 0.874 0.116 0.106 106.011 0.391 0.445 1.888 1.295 0.115 77.383 2.551 1.306 57.228 0.038 0.465 1.206 0.101.075 0.050 30.227 581.660 1.552 0.873 151.600 1.125 132.301.036 11.186 0.286 4.148 0.525 70.913 0.539 0.637 16.147 545.130.279 203.938 0.989 7.310 41.126 0.193 159.232 10.891 0.596.850 0.261 118.951.382 2.036 654.885 1.465 330.895.847 0.146 385.175 0.507 0.914 0.964 0.205.225 1.967 646.046.648 4.005 10.485 0.840.953 357.307 0.241 588 1.016 0.401 1.909 649.752 183 1.140 2.087 54.009 0.488 1.222 400.276 0.543 0.804.016 0.471 266.383 1.007 0.107 67.687 191.484 172.020 24.773 0.068 0.808 0.142 201.113 2.548 1.124 0.682 206.300 1.029 123.175 1.007 0.676 92.332 0.252 0.190 .929 0.034 0.492.722 58.002 4.wordpress.342 175.941 1.002 0.740 177.418 0.014 0.020 0.137 92.307 125.226 310.123 0.056.380 250.198 0.108 0.021 0.467 0.038 0.414 71.206.693 0.445 27.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura.247 0.234 0.529 0.776 0.052 0.861 0.198 0.784 41.521 7.000 0.487 336.002 0.153 225.539 0.103 0.013 14.068 0.734 0.431 214.011 0.227 4.214 0.764 7.079 24.064 1.443 12.com/ Pag.219 0.010 0.119 0.625 43 2.577 10.721 5.489.010 7.004 0.045 1.191 0.983 98.897 443.657 928.446 34.007 0.222 640.993.429 4.009 4.447 0.464 0.239 25.163 0.243 0.045.713 0.600 0.096 0.359 454.089 0.612 30.997 0.005 9.509 773.905 15.907 0.540.789 76.090 0. 46 · · Assembleia de Deus · · Congregação Cristã Brasil · · Universal do reino Deus · · Evangelho quadrangular · · Deus é amor · · Maranata · · Brasil para Cristo · · Casa da bênção · · Nova vida · · Outras · sem vínculo institucional (total) · · de origem pentecostal · · Outros · outras religiões evangélicas Espírita Outras cristãs (total) · Testemunhas de Jeová · Mórmon · Outras Um banda Budismo Novas religiões orientais (total) · Messiânica mundial · Outras Candomblé Judaísmo Tradições esotéricas Islâmica Espiritualista Tradições indígenas Hinduísmo Outras religiosidades Outras religiões orientais Sem religião sem declaração não determinadas 8.725 0.040 27.197 103.054 1.244 0.785 1.148.017 7.382 0.441.019 0.857.711 340.009 0.434 1.033 0.034 0.226 0.886 199.456 0.111 0.049 0.166 2.002 8.708 0.062 0.393 0.329 800.005 4.789 0.089 56.800 1.002 13.514 159.540.315 0.009 0.

139): um religioso (ou ético-prático). utilizando-se inclusive da pesquisa digital (CD-ROM das obras completas do pensador alemão). francês. em linguagem clara e agradável. A expressão "desencantamento do mundo" é apresentada como um "conceito" profícuo no esquema analítico weberiano. não é moeda corrente no mundo acadêmico. algo que.wordpress.19 no. para além das limitações ou mesmo dos equívocos. Quanto às variações. esforço que se evidencia já no subtítulo "todos os passos de um conceito". Editora 34.doutor em sociologia pela USP. pior ainda. elas só se fizeram possível a partir da riqueza do material selecionado e da força interpretativa da abordagem adotada pelo autor. na leitura. de Sociolog. 236 p.vol. O desencantamento do mundo: todos os passos de um conceito. Antes de passar às considerações críticas. 2004 Entre passos firmes e tropeços Renarde Freire Nobre . Trata-se de um texto muito bem escrito. transparece o gosto do autor pela escrita. quero frisar que gosto do livro como texto e como pesquisa. a obra reflete uma pesquisa extremamente minuciosa do que constitui seu tema central – desencantamento do mundo [Entzauberung der Welt].com/ Pag. da UFMG Antônio Flávio PIERUCCI. 2003. que leva Pierucci a falar num "mundo duplamente desencantado" (p. contra as interpretações de que se trataria de um "simples termo" ou. Além disso. tudo realizado com extremo cuidado e com a melhor tradução para o português. E foi precisamente isso que Pierucci fez: selecionou e analisou todas as aparições da expressão DM nos originais escritos por Weber. professor adjunto do Departam. São Paulo. faz-se mister apresentar um brevíssimo resumo do livro na forma de suas idéias principais. indicando o processo de "desmagificação" das vias de salvação.1 Assim. bem o sabemos. 31 e 35). espanhol. os quais lhe conferem uma qualificação superior.54 São Paulo Feb. Inicialmente gostaria de destacar dois méritos deste livro. Em sendo um "conceito". e outro científico (ou empírico- . uma "visão de mundo". auxiliada pelo cotejamento com traduções feitas em outras línguas (inglês. italiano). algumas contundentes. Se aqui lhe serão feitas críticas. doravante DM –.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. 47 18) ANEXO III -Desencantamento do Mundo Revista Brasileira de Ciências Sociais . e Antropol. elas se resumiriam a dois significados associados à expressão DM. seria preciso encontrar seu "núcleo duro" em meio às evidentes variações (pp.

que designa o processo de "deseticização" via transformação deste mundo num mero mecanismo causal (pp. seria "o verdadeiro Big Bang do racionalismo prático ao modo do Ocidente moderno" (p. Quanto ao caráter conceitual da expressão DM. porquanto uma resenha tem de ser curta. minimamente posto. A favor de tal pertinência. não a finalidade do conhecimento. pois o fato de o último aparecimento do termo DM num texto escrito por Weber – a saber. se se preferir. Dada a insistência de Pierucci na condição conceitual da expressão DM. ao juízo de Pierucci. 48 intelectual). E há o argumento de ordem biográfica. 198). meios para o conhecimento causal-significativo. em geral. é arbitrária no sentido de que visa a sustentar as considerações que farei a seguir. a exemplo de muitos cientistas de hoje. ao que se acrescentaria o fato de Weber não ser um "sociólogo da religião" stricto sensu. 165.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Pierucci apoia-se em dois argumentos cronológicos: um de ordem histórica. 147). "Conceitos". . seria útil se ele precisasse o que é. pois a "desmagificação". 42. O "núcleo duro" do conceito. perspectivas em relação às quais se justificaram os seus estudos sobre religiões (p. um "conceito" para Weber – para além de dizer que ele deve ter um "núcleo duro" –. operada no âmbito religioso – notadamente no judaísmo e no puritanismo –. são tipificações que auxiliam o pesquisador na sua tarefa de conferir significados à realidade ou. da noção de "tipos ideais". 146-147). e da modernização cultural do Ocidente. Em relação à interpretação da dupla semântica do "conceito" DM. 18). são instrumentais para a expressão de "problemas". a edição final de A ética protestante e o "espírito" do capitalismo. Essa articulação de idéias. Darei "passos" necessariamente largos. A última idéia importante do livro é a de que DM corresponderia a um "conceito histórico" (p.com/ Pag. parece-me que o problema está na ausência de uma distinção clara entre o "significado cultural" (histórico) do conceito e as suas significações pontuais. Em reforço está a idéia de que o modo de racionalização constitutivo do desencantamento é antes relativo ao "agir" do que ao "pensar". metodologicamente. de 19202 – vir em sua denotação ético-religiosa corroboraria. ligado ao processo geral de racionalização do Ocidente. o que exigiria o tratamento. 185 e 201). mas um sociólogo-historiador das racionalizações da vida.wordpress. em particular. a postulação do significado "desmagificação" como aquele que corresponde ao "núcleo duro" do conceito. sendo as religiões ocidentais o seio milenar de regularização da conduta prática (pp. em sentido weberiano. corresponderia à semântica religiosa. com o que melhor esclareceria como e por que o processo de DM se adequa à caracterização (metodológica) de um "conceito". parece-me que faltou uma devida apresentação do que vem a ser um "conceito" para Weber. não obstante fiel ao espírito geral do livro em exame.

sobretudo. A confusão pode ser observada na seguinte passagem: [. sua eficácia desencantadora ficou no passado. mas. A significação técnico-científica do DM. todavia. Estamos apenas na abertura de uma nova etapa do desencantamento do mundo. não são simultâneas. concomitantemente. Embora reconheça o caráter "histórico" ou "idiográfico-desenvolvimental" do "conceito" (pp. outra direção" (pp. um outro rumo. o "duplo" não corresponde à simultaneidade de dois significados e. só que ainda é religião. ela também efetivamente instaura uma era em que o DM adquire uma expressão radicalmente anti-religiosa.. pela qual o avanço de racionalidades mundanas de tipo seculares substituem o significado ético-religioso do DM por um significado não-ético.. É certo que a idéia de um "mundo duplamente desencantado" pode ser aplicada aos dois âmbitos. apenas no início do fim. 49 uma vez que a expressão é acionada por Weber em seus textos.com/ Pag. Perceberse-ia que o fato de os dois principais significados de DM – o religioso e o científico – serem coetâneos no contexto da obra não indica que o são na história cultural.] enquanto permanecer viva e influente no Ocidente essa religiosidade ético-ascética [em sua versão puritana]. mas de modo algum indefinida. sim. 211-212 Sem dúvida. contudo. com outro conteúdo. a religiosidade para o plano do irracional – e. de que se tratam de processos coetâneos. como "motivo" que posteriormente se dispensa. Se as religiões persistem – e. e ele não falou da fatalidade dos novos tempos em que o DM tornou-se sinônimo de racionalização e intelectualização seculares (Ciência como vocação)? Há sim um "mundo duplamente desencantado" na forma de duas "etapas" históricas. o que é mais incorreto. Pierucci insiste. a religiosidade –. na verdade e por outro ângulo. para uma abertura à mística.wordpress. ao mesmo tempo em que guarda sua herança das grandes religiões éticas – daí haver uma relação arqueológica da ciência com o ascetismo e o intelectualismo das dogmáticas proféticas –. ao contrário. a uma alteração de significado dentro de um mesmo e milenar processo de DM que constitui a singularidade cultural do Ocidente. Pois Weber não falou do "paradoxo das conseqüências" em relação ao processo em que as intenções ético-ascéticas que deram ensejo ao moderno racionalismo deixaram de ser necessárias. [A ascese puritana] é religião de saída da religião. Faltou a Pierucci mostrar o quanto o "aumento da carga semântica" na panorâmica do DM no Ocidente se deu na forma de uma inflexão histórica que desalojou o . mas que.. ao se dispensar qualquer justificativa ética para o mundo. outra materialidade substantiva e. no plano histórico.. quiçá. em gestação e. elas se sucedem na forma de uma inflexão histórica. nós estaremos. o que há é uma outra etapa de um mesmo processo.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. 198-199). antes de tudo. empurrando. que começa a se infletir apenas aí numa outra direção. em convivência com o processo tradicional de matiz religioso. não sucessivos.

então por que diabos insistir na tese de que o significado religioso é mais significativo do que o científico? Resta uma argumentação prá lá de desconfiável: na busca minuciosa dos aparecimentos da expressão nos escritos de Weber.com/ Pag. Embora se perpetue a ruptura com a magia no último âmbito. juntas. quando na verdade ele se manifesta em todas as esferas racionalizadas de modo "puro". o que se encontrou como último emprego foi [. perfazem o chamado "racionalismo de domínio do mundo". significando "técnicas de vida". de um "agir". Pelo que foi exposto. como a economia capitalista e o Estado de Direito. há a "origem". e que. Há o "núcleo duro". a mesma não se dá via dogmática. Talvez fosse mais coerente e convincente pensarmos em dois "núcleos duros" referidos às duas etapas: uma. E em todas elas também se trata. também romper com o que é característico em todas as profecias ético-emissárias que o precederam: a . Isso Pierucci compreende muito bem. O que ele não explora devidamente é o fato de o puritanismo. 150). não mais por referências éticas alicerçadas em crenças.wordpress. e outra. pode-se postular que o que há é uma mudança no "núcleo duro" do conceito. Pierucci vai se referir ao desencantamento no âmbito científico como "a acepção mais radical do termo" (p. sociologicamente falando. mas se constitui num pressuposto. 50 conceito da sua matriz religiosa via resignificação numa nova matriz: o racionalismo de tipo formal e instrumental.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. há a "acepção mais radical". mas "desenvolvimento" histórico da sua significação cultural. 218). cujo núcleo é a desdogmatização técnica e intelectual do mundo. Aliás. e não como efeito do esclarecimento científico.. Pierucci também se equivoca ao restringir o desencantamento tardio à esfera do intelectualismo científico. Comemoro porque esse achado refuta terminantemente [sic] a hipótese de uma evolução semântico no trabalho do conceito (p. O puritanismo foi decisivo no processo ocidental de "desencantamento do mundo" como ponte entre suas duas etapas. só que orientado por regras e interesses. Acontece que esse apoio na cronologia da obra só reforça a confusão entre os significados pontuais com que Weber lança mão da expressão DM e sua "significação cultural" numa visão panorâmica da trajetória de racionalização do Ocidente. há a "dimensão extremada": afinal. Não há "evolução semântica" do conceito na obra. a profanou. cujo núcleo é a desmagificação religiosa do mundo. para além da eliminação definitiva da magia. contudo. A ascese ético-prática inventada e cultivada pelas religiões ajudou a constituir um mundo moderno que.] a desmagificação da religiosidade ocidental como resultante da racionalização ético-ascética da conduta diária da vida. Embora não concorde..

51 tentativa de conferir um "sentido unificado e unificador à totalidade da vida". deletérios. Não se compreende bem como o puritanismo fornece o ethos do ascetismo peculiar ao Ocidente moderno e sua função de ponte para uma era pós-tradicional se não se considera o seu impacto sobre a metafísica religiosa tradicional. entre os dois significados do DM. não o será certamente do mundo. objetivamente cultivadas. e este é o seu grande paradoxo interno: ser uma religião que promove a profanação do mundo. não obstante "rejeite o mundo" e continue ligada a uma idéia de "além" e de "redenção". Por fim.com/ Pag. Tal crítica é pertinente. quero pontuar sobre o caráter problemático de duas outras interpretações. Se. desprovidas. em essência. 221). Por isso Weber dirá que o puritanismo é a única das religiões éticas que. de qualquer transcendência ou sentido ético absoluto. não obstante "deuses" inflamados e não tipicamente racionais. o amor sexual pode ser uma potência reencantadora. a ética é rigorosamente individual e racional. devemos tomar consciência para um posicionamento maduro e desencantado. em termos macro. A última coisa que quero examinar é a crítica de Pierucci à "confusão" do DM com desencanto e decepção (p. a de que o monoteísmo tradicional é mais desencantado que o politeísmo moderno. 111). se não queremos ser superficiais e levados à reboque. 141) – o que é correto –. E mesmo a estética e a erótica. o conceito weberiano de desencantamento refere-se inescapavelmente à perda de sentido" (p. porque certamente não é esta a interpretação principal que Weber dá a expressão. como resgata Pierucci (p. talvez nela encontrasse precisamente o ponto. Todavia. não há como negar que Weber concebeu efeitos espirituais perturbadores e.wordpress. no sentido da busca de fins práticos (tornados meios) e particulares (não universais e não fraternos). Quando Pierucci afirma que "Associado à ciência moderna. como se vê na banalização da política e o superficialismo das . são. afinal. intramundanas e estranhas à ética.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. do racionalismo do desencantamento tardio. Se Pierucci tivesse explorado o tema do "paradoxo" que prescreve a relação entre a religião puritana e a modernidade. rumo a um "racionalismo de domínio do mundo" definitivamente desencantado. Os novos "deuses" são impessoais e glaciais. poder-se-ia perfeitamente completar dizendo que o politeísmo moderno é a expressão máxima da perda de sentido. envolve o governo das nossas vidas por "entidades" impessoais. adapta-se com facilidade ao racionalismo tipicamente antiético das rotinas racionais secularizadas e tipicamente pós-religiosas. por vezes. eles existem como cursos mundanos e objetivados de ações em relação aos quais. No puritanismo. pois. Primeiro. conquanto são tipicamente racionais. para além do impacto sobre a magia. mas no âmbito das experiências interpessoais e num sentido mais psicológico do que propriamente histórico-sociológico. ao mesmo tempo de ligação e de inflexão. portanto.

planejamento estratégico. desabrigados da guarita dos velhos sentidos absolutos. Música instrumental. Fater (Faculdade Teológica do Recife). 161). Cursos de informática (Windows.wordpress. Sociologia da Religião e Lógica Filosófica. Faculdade Batista da Lagoinha (BH/Minas Gerais). Notas 1 O trabalho minucioso de exame das traduções levou o autor a confirmar os deploráveis erros de tradução em alguma das publicações da obra de Weber disponíveis em português. Relações humanas na empresa. correm o risco de se perderem na insignificância da vida ordinária. uma de 1904-1905 e outra. Seminário Congregacional de Brasília/DF (Extensão). teologia pastoral. 52 vivências. de 1920. as seguintes matérias: Teologia sistemática. Acess.com . Filosofia da Religião. Implantação e desenvolvimento de igrejas. Hermenêutica. Teologia Contemporânea. Curso preparatório para Lideres: Igreja Congregacional Central de BH/ MG. cujas rotinas se revelam mecanizadas e alheias ao destino pessoal das almas.Extensão Macau/RN e no seminário STEC . que nada mais são do que respostas éticas a um tempo em que os homens. Na área secular lecionou: Comunicação e postura pública. STEAD Seminário teológico Evangélico Assembléia de Deus no Rio Grande do Norte . Homilética. Escatologia. Email para contato: josiasmoura@gmail.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Lecionou ao longo destes anos. Introdução a filosofia.wordpress. Seminário teológico Evangélico Congregacional em João Pessoa. Aconselhamento pastoral.josiasmoura. administração eclesiástica da igreja. Compreendemos melhor as preocupações weberianas com os efeitos "espirituais" do DM na sua etapa profana ao verificarmos os convites à responsabilidade política e à integridade intelectual. Liderança cristã. Atualmente leciona no Instituto Bíblico Betel Brasileiro em João Pessoa. 19) Informações acerca do professor Pr Josias Moura de Menezes foi Professor nas seguintes instituições: STEB(Seminário teológico Batista Mineiro).Word. O "destino pessoal" ou o "sentido do ser e do fazer": eis os desafios éticos que Weber procurou enfrentar quando se viu diante de um mundo desencantado num sentido anti-religioso ou pósconvencional. ampliada e conclusiva.com Para outras informações acesse o site: www. Marketing pessoal.com/ Pag. Análise em Romanos e Apocalipse. Excel. Apologêtica. 2 Pierucci presta-nos uma esclarecedora informação sobre as duas versões de A ética protestante. Corew Draw). Internet. O próprio Pierucci parece reconhecer a carga "espiritual" negativa que acompanha a análise weberiana do desencantamento tardio quando afirma que "o tema ganha notas de melancolia e pessimismo" e que de conceito "produtivo" se transforma em conceito "crítico" (p.

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