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APOSTILA betel - Sociologia da religião

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  • 1) Introdução
  • 2) Religião
  • 3) Senso religioso
  • 4) Paradigmas
  • Qual a importância das pressuposições de uma sociedade?
  • Qual a diferença entre o homem comum e o cientista?
  • A verdade científica x verdade religiosa
  • Algumas considerações sobre os sistemas de crenças dos individuos
  • 5) Por uma análise sociológica: O Simbolismo Religioso
  • A finalidade do simbolismo religioso
  • A vida religiosa e o simbolismo
  • 6) O método de investigação da sociologia
  • O Método e os Métodos
  • Método Histórico (promovido por Boas)
  • Método Comparativo (empregado por Tylor)
  • Método Monográfico (criado por Le Play)
  • Método Estático (planejado por Quetelet)
  • Método Tipológico (aplicado por Max Weber)
  • Método Funcionalista (utilizado por Malinowski)
  • Método Estruturalista (desenvolvido por Lévi-Strauss)
  • 7) Sociologia da Religião em Hume
  • 8) A sociologia da Religião em Durkheim
  • 9) Weber e a Religião
  • O que Weber mostra em relação a religião?
  • 10) O cristão em uma sociedade não-cristã
  • 11) A lei mosaica e os profetas
  • OS PROFETAS
  • 12) Jesus e os apóstolos
  • 13) Religião no brasil
  • A religiosidade atual
  • 14) OS FILÓSOFOS MODERNOS E A RELIGIÃO
  • a. Rousseau
  • b. Durkheim - As formas elementares da vida religiosa
  • c. Karl Marx
  • 15) BIBLIOGRAFIA
  • 16) ANEXO I - Ritos corporais entre os Sonacirema
  • 17) ANEXO II -Distribuição das crenças em 2000
  • 18) ANEXO III -Desencantamento do Mundo
  • 19) Informações acerca do professor

2011

Instituto Bíblico Betel Brasileiro

Introdução a sociologia da religião

Professor:
Pr. Josias Moura
http://josiasmoura.wordpress.com

Curso de Sociologia da religião

Site: http://josiasmoura.wordpress.com/

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Sumário
1) 2) 3) 4) Introdução ............................................................................................................................................................. 2 Religião ................................................................................................................................................................. 3 Senso religioso ...................................................................................................................................................... 4 Paradigmas ............................................................................................................................................................ 4 Qual a importância das pressuposições de uma sociedade? ......................................................................................... 6 Qual a diferença entre o homem comum e o cientista?................................................................................................ 6 A verdade científica x verdade religiosa ..................................................................................................................... 7 Algumas considerações sobre os sistemas de crenças dos individuos .......................................................................... 7 5) Por uma análise sociológica: O Simbolismo Religioso............................................................................................ 8 A finalidade do simbolismo religioso ......................................................................................................................... 8 A vida religiosa e o simbolismo ................................................................................................................................. 8 6) O método de investigação da sociologia ................................................................................................................. 9 O Método e os Métodos ............................................................................................................................................. 9 Método Histórico (promovido por Boas) ...................................................................................................................10 Método Comparativo (empregado por Tylor) ............................................................................................................10 Método Monográfico (criado por Le Play) ................................................................................................................10 Método Estático (planejado por Quetelet) .................................................................................................................10 Método Tipológico (aplicado por Max Weber) ..........................................................................................................11 Método Funcionalista (utilizado por Malinowski) .....................................................................................................11 Método Estruturalista (desenvolvido por Lévi-Strauss)..............................................................................................11 7) 8) 9) 10) 11) 12) 13) 14) Sociologia da Religião em Hume ..........................................................................................................................12 A sociologia da Religião em Durkheim .................................................................................................................13 Weber e a Religião ...............................................................................................................................................14 O que Weber mostra em relação a religião?...............................................................................................................14 O cristão em uma sociedade não-cristã .............................................................................................................16 A lei mosaica e os profetas ...............................................................................................................................18 Jesus e os apóstolos .........................................................................................................................................24 Religião no brasil.............................................................................................................................................25 OS FILÓSOFOS MODERNOS E A RELIGIÃO..............................................................................................33

OS PROFETAS........................................................................................................................................................19

A religiosidade atual .................................................................................................................................................30 a. Rousseau ..............................................................................................................................................................33 b. Durkheim - As formas elementares da vida religiosa .............................................................................................34 c. Karl Marx .............................................................................................................................................................35 15) 16) 17) 18) 19) BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................................................37 ANEXO I - Ritos corporais entre os Sonacirema .............................................................................................40 ANEXO II -Distribuição das crenças em 2000..................................................................................................45 ANEXO III -Desencantamento do Mundo ........................................................................................................47 Informações acerca do professor ......................................................................................................................52

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Sociologia da religião
1) Introdução
Sociologia da religião busca explicar as relações mútuas entre religião e sociedade. Os estudos fundamentam-se na dimensão social da religião (a religião é uma instituição social) e na dimensão religiosa da sociedade (os indivíduos que compõem a sociedade são seres religiosos e praticam rituais revestidos de sacralidade). WACH, (1990, p. 11, 205) diz que a sociologia da religião estuda a inter-relação da religião com a sociedade, e as formas de interação que ocorrem de uma com a outra, e dá como básica para a sociologia da religião a hipótese de que “os impulsos, as idéias e as instituições religiosas influenciam as formas sociais e, por sua vez, são por elas influenciados, além de receberem o influxo da organização social e da estratificação. Já NOTTINGHAM, entende que “o sociólogo da religião ocupa-se dela “como um aspecto do comportamento de grupo e estuda os papéis que a religião tem desempenhado através dos tempos.” São campos de pesquisa da sociologia da religião: a) Influências gerais do grupo sobre a religião; b) Funções dos rituais nas sociedades; c) Tipologias de organizações religiosas e de respostas religiosas ao mundo ou a ordem social; d) Influências diretas ou indiretas dos sistemas ideais religiosos na sociedade e seus componentes ou elementos (como classes, grupos de nacionalidades, grupos étnicos) e da sociedade nos sistemas ideais; e) Análise específica de números de seitas religiosas e movimentos tais como mormonismo e testemunhas de Jeová; f) Interação de entidades religiosas significativas em âmbito local ou de comunidade; g) Avaliações conscientes ocasionais, feitas por porta-vozes para grupos religiosos mais importantes, das circunstâncias sociais nas quais os grupos se encontram.

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Esta relação está incompleta e seus itens aparecem por isso menos especificamente sugeridos do que poderiam ser, mas o caráter geral dos interesses da sociologia da religião aparece, assim, razoavelmente bem indicados. Considerando que religião diz respeito a todos os homens, devemos, antes de mais nada, proceder a um auto-exame.

2) Religião
Ao longo de milhares de anos, a religião tem evidenciado um importante papel na vivência dos seres humanos. Apesar da universalidade que caracteriza o fenômeno religioso, de uma forma ou outra, a religião marca presença em todas as sociedades humanas, influenciando a forma como vemos e reagimos ao meio que nos rodeia. Não existe uma definição de religião genericamente aceita, a sua concepção varia naturalmente de sociedade para sociedade, cultura para cultura. Não obstante a isto, pode-se enumerar algumas das principais características "comuns" ou "partilhadas" entre todas as religiões:  Tradicionalmente, as diferentes religiões evidenciam um sistema de crenças no sobrenatural, envolvendo majoritariamente Deuses ou divindades.  Implicam igualmente um conjunto de símbolos; sentimentos e práticas religiosas.  Paralelamente, a religião apresenta-se como um fenômeno social e não apenas individual. O referido atributo de fenômeno social atribuído à religião perpetua-se através das cerimônias habituais, que decorrem predominantemente em locais de culto indicados para tal: igrejas, templos ou santuários.  Resumidamente, apresentam-se os principais indicadores comuns às várias religiões, que contribuem para uma melhor compreensão do fenômeno religioso: - A tendência para a sacralização de determinados locais; - A forte interação com o divino; - A exposição de grandes narrativas que explicam, legitimam e fundamentam o começo do mundo e sua existência.

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3) Senso religioso
O homem tem como dado emergente em seu comportamento – o que, como tendência, atinge toda a sua atividade – a interrogação sobre tudo o que realiza: “Que sentido tem tudo?” Como escreve o teólogo italiano Luigi Giussani: “O fator religioso representa a natureza do nosso eu enquanto se exprime em certas perguntas: “Qual é o significado último da existência? Por que existem a dor, a morte? Por que, no fundo, vale a pena viver?” Ou, a partir de outro ponto de vista: “De que e para que é feita a realidade?” O senso religioso coloca-se dentro da realidade do nosso “eu” ao nível dessas perguntas: coincide com aquele compromisso radical do nosso eu com a vida, que se mostra nessas perguntas”. (Giussani, 2000, p.71). O senso religioso surge em nossa consciência através de perguntas nascidas no encontro com a filosofia, a arte e toda a realidade circundante. Ele proporciona ao homem uma abertura na busca de uma resposta totalizante. Dessa forma, segundo Giussani, é que o senso religioso define o ‘eu’: “o lugar da natureza onde é afirmado o significado do todo”. (Giussani, op.cit., p.74). O senso religioso é, pois, o ímpeto que move o homem rumo à busca da exigência primordial da razão humana: a do significado.

4) Paradigmas
Paradigma (do grego Parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas. A palavra paradigma é geralmente utilizada no contexto de mudança de paradigmas, ou seja, a mudança de um conjunto de idéias básicas generalizadas e compartilhadas sobre a maneira de funcionar do mundo para novas possibilidades de entendimento do real, mudando-se ou ampliando-se o entendimento convencional do real. Esta palavra foi popularizada pelo físico Thomas Kuhn em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, publicado em 1962. Os paradigmas funcionam como uma lente colorida através da qual ela enxerga o mundo.

Paradigmas e crenças podem subsistir por séculos. chamada de prana ou chi (entre outros nomes). mas porque eles eventualmente morrem.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Crenças e verdades dificilmente subsistem por si só. distinto da medicina psicossomática. Mudar um paradigma pode ser difícil. Por exemplo. no livro Crenças. que revolucionou os paradigmas da Física. Acreditar no diabo envolve também acreditar que nossas escolhas podem ser influenciadas por fatores externos e ocultos. normalmente elas estão agrupadas. esse passou a ser um caso especial de outro paradigma. por exemplo. Podemos falar do paradigma espiritual. conta que curou o câncer de sua mãe trabalhando durante quatro dias mudando crenças limitantes e resolvendo conflitos. A medicina oriental há milênios tem em seu paradigma uma energia vital. Vírus e bactérias como causas de doenças é outro paradigma. no livro Universo Elegante. Robert Dilts. E continua mudando. podendo estar associado também à crença na existência do diabo e de outros mundos ou dimensões.com/ Pag. contudo. que não está presente no paradigma ocidental. exceto em medicinas e terapias alternativas. Conjuntos de crenças ou verdades relacionadas entre si são chamados de paradigmas. e perfeitamente plausível". Na realidade. que são lentes padronizadas através das quais se olha para uma mesma realidade. e uma nova geração cresce familiarizando-se com ela".400 anos. teve dificuldades em aceitar a revolução seguinte. Max Planck (citado por Stanislav Grof no livro Além do Cérebro) disse que "uma nova verdade científica triunfa não porque convença seus oponentes fazendoos ver a luz. bizarra ou mística. Paradigmas são os filtros de percepção que criam a nossa realidade subjetiva. Mesmo no meio científico isto ocorre: o próprio Einstein. A Física até o início do século tinha as leis de Newton como um de seus principais paradigmas. . Brian Greene diz por exemplo que "A sugestão de que o nosso universo poderia ter mais de três dimensões pode parecer supérflua. 5 Para evitar que existam tantas lentes ou percepções diferentes de uma mesma realidade quanto é o número de pessoas existentes sobre a terra é que existem os paradigmas. a da Mecânica Quântica. ela é concreta. sustentando umas às outras.wordpress. acreditar em Jesus Cristo está vinculado a acreditar em coisas espirituais. O Sol girou em torno da Terra por 1. já que em geral está enraizado nas profundezas do inconsciente e por vezes não sujeito a questionamento ou atualização por feedback. Apenas poderemos ver (entenda-se "perceber") o mundo de outra forma se modificarmos nossos paradigmas. Com a Teoria da Relatividade.

alguns pressupostos comuns.um conjunto de pressupostos que o fazem explicar os fenômenos de uma maneira apropriada a certos critérios aceitos como sendo científicos. Muitas destas pressuposições são visíveis na constituição de instituições e costumes culturais (por exemplo. cuja expressão racionalizada assume a forma de uma teoria ou visão de cosmos. como lugar comum. e são tão aceitas. refletem a "natural" competitividade animal .e isto é ainda mais real na ciência moderna . critérios estes que em muitas ciências apresentam um aspecto reducionista. ou à uma parcela significativa dela. na divisão tripartite dos poderes no Estado moderno. e..o que lhe dá ou davam suas características próprias . compartilhados a toda a sua população. já obteve no meio científico o amplo reconhecimento da academia como de extrema eficácia para se atingir uma "verdadeira" compreensão da natureza. e seu método cartesiano. 6 Lewis Munford observa que "Cada transformação do homem. como o óbvio (por exemplo. explicado a partir da redução de fenômenos complexos a certos elementos ou acontecimentos elementares. que são ensinadas de modo indireto pelo contexto social em que se vive. na forma de um conjunto de premissas básicas que dão identidade à uma forma de ser no mundo. a competitividade das pessoas refletindo a das empresas que. Estas pressuposições básicas são formadoras do pensamento coletivo e constituem um conjunto de referenciais teóricos (ainda que tacitamente vigentes) e que estabelecem em linhas gerais quem somos. sobre as comoções e intuições mais profundas. Qual a diferença entre o homem comum e o cientista? A diferença entre o homem comum e o cientista está em que este último geralmente adota . homem e natureza" (cit. ou melhor. é considerada por muitos cientistas como apta a substituir as . apóia-se numa nova base ideológica e metafísica (= visão de mundo). A sociologia.que realmente tem bem pouco da feroz competitividade refletida do homem. Qual a importância das pressuposições de uma sociedade? Cada sociedade existente ou que já existiu tinha por base .wordpress. in Harman. por sua vez. portanto. em que tipo de universo estamos..com/ Pag. elaboração e criação feitas pelo Iluminismo). É o cientificismo. 1989).etc) e dificilmente são questionados. ou seja. e o que é importante ou não para nós (ou que pensamos ser para nós). ou/e tão assimiladas e introjetadas que passam a ser encaradas (caso se pensam nelas).Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. padrões de pensamento e sistemas de valores vigentes na sociedade.

seus valores éticos sobre o bem e o mal. provavelmente nunca a tenha. havia estimulado uma euforia racionalista e acabando por adquirir "parte da sacralidade que antes pertencia às explicações religiosas: a de descobrir e apontar aos homens o caminho em direção à verdade..que ela aceita como verdadeiras com relação ao mundo em que vive. quaisquer que fossem suas opiniões pessoais. como também acreditamos inconscientemente (.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. mas a única capaz de explicar a vida. abolir e suplantar as crenças religiosas e até mesmo as discussões éticas. Supunha-se que. por terem sido bem sucedidos na biologia e na medicina (embora em parte). A verdade científica x verdade religiosa na explicação da origem e A possibilidade de descobrir todas as leis naturais do mundo. adquiridas do meio. Pode ser dividido em compartimentos contendo crenças logicamente contraditórias e não contraditórias.wordpress. Pesquisas demonstram reiteradamente que nossas percepções e “verificações” da realidade são influenciadas muito mais do que geralmente se acredita. Moderna. o certo e o errado” (CRISTINA COSTA. por crenças. sem o que. Sociologia. dedução e indução. A ciência já não parecia uma forma particular e especializada de saber. atitudes e outros processos mentais. p. 7 cristalizadas religiões dogmáticas funcionamento do mundo. na verdade. a pessoa rechaça os sinais que possam revelar tal contradição interior. por meio de procedimentos de experimentação. conscientes e inconscientes . Nós optamos. de forma inconsciente. Os fenômenos de recusa e de resistência na psicoterapia ilustram a intensidade com que tendemos a não ver coisas que ameaçam imagens profundamente enraizadas.) A forma como percebemos a realidade é fortemente influenciada por crenças. utilizando-se adequadamente os métodos de investigação. grande parte desses processos é inconsciente.expressas ou não. seguindo o exemplo bem sucedido as leis do movimento de Newton. 41 Ed.com/ Pag. Algumas considerações sobre os sistemas de crenças dos individuos "O sistema total de crenças de uma pessoa consiste num conjunto de crenças e expectativas . implícitas e explícitas. . Observem que essa decisão de não se tornar conscientemente cônscio de algo é inconsciente.os novos 'magos' da civilização -.. Inconscientemente. a verdade se descortinaria diante dos cientistas . conflitantes com crenças bastante conservadoras. "Esse sistema de crenças não precisa ter consistência lógica. 1999).

da sociedade. dogmatismo. neo-pentecostalismo. politeísmo. iluminismo Os Grandes Paradigmas na história do cristianismo: monoteismo. Mas pode sustentar-se que o simbolismo religioso não deixa de ser profundamente social. . os sacrifícios. etc. feudalismo. para construir hierarquias. O simbolismo religioso alimenta-se do contexto social.wordpress. Por exemplo. Seja pelo vestuário. sacramentos. o clero dos fiéis. as cerimônias que apelam à participação dos assistentes. universalmente. a religião é rica em símbolos que dividem para melhor reunir (Rocher. serve para distinguir os fiéis dos não-fiéis. outras cerimônias como os ritos de iniciação. pentecostalismo. principalmente porque servem para concretizar. socialismo. biblicismo. que exprime realidades sociais. 5) Por uma análise sociológica: O Simbolismo Religioso Independentemente do tipo de comunicação. etc. A vida religiosa e o simbolismo A própria vida religiosa é quase. A finalidade do simbolismo religioso O simbolismo religioso tem como fim ligar o homem a uma ordem supranatural ou sobrenatural. detendo grande diversidade de símbolos para se exteriorizar e desenvolver. monoteísmo. 8 "Essa influência de crenças sobre a percepção se intensifica quando um grande número de pessoas acredita na mesma coisa. a constituição de comunidades humanas geograficamente identificáveis. como as oferendas. Willis Harman. 1994. capitalismo. modernidade.com/ Pag. os símbolos têm outras modalidades de influência sobre a vida social. em que a solidariedade mística tem um papel central. trindade. catolicismo. tornar visuais e palpáveis realidades abstratas. sacerdócio universal. Assim. empirismo. que tem alcance e consequências sociais. Os Grandes Paradigmas na história da humanidade: Misticismo (mitologia). Animismo.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. 1989). os lugares sagrados dos lugares profanos. sinais invisíveis. Estadismo. Configura desse modo a própria textura da sociedade. Tudo isso caracteriza a vida religiosa de um individuo em sua comunidade. uma prática social. os ritos fúnebres. por ritos. os objetos puros dos impuros. democracia. as cerimônias do casamento. Os antropólogos culturais documentaram em detalhe de que modo pessoas que crescem em culturas diferentes percebem com clareza realidades diferentes". comunhões físicas. missionarismo. mentais ou morais.

1989). "possui um conjunto de métodos. a Sociologia faz uso de métodos (conjunto de regras úteis à investigação). é que o "método" não é o mesmo que os "métodos". "Cada ciência". inacessível diretamente. a tarefa não é contemplar o que ninguém ainda contemplou.  por último. diz que. descobrir sua lógica e leis". então. O Método e os Métodos Schopenhauer. e. citado por Madaleine Grawitz. Pode-se dizer. em sua definição de método. é um procedimento cuidadosamente elaborado. simultaneamente. inicialmente. torna-se.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. os símbolos recriam incessantemente a participação e a identificação das pessoas e dos grupos às coletividades e estabelecem constantemente as solidariedades necessárias à vida social. devendo portanto seguir a vida simbólica para manterem o homem em contato com esse universo. podem desarmonizar-se na confusão dos termos "método" e "métodos". 6) O método de investigação da sociologia Para elaborar seus estudos. Lakatos cita Calderón. paulatinamente. em si.  servem igualmente para ligar os modelos aos valores. M." O que se constata. 9 Se a religião é dotada de símbolos diversos. Definição um tanto abstrata à primeira vista. sobre o que todo mundo tem diante dos olhos". também de imediato. A sociedade e a sua complexa organização. de que são a expressão mais concreta e mais diretamente observável. por intermédio dos diversos meios de comunicação que põem ao seu serviço. tanto pela participação ou identificação que ele favorece como pela comunicação de que é instrumento (Rocher.  Por intermédio dos símbolos. como ninguém ainda meditou. não poderiam existir e perpetuar-se. "dessa forma. é porque faz referência a um universo invisível. Ora. o universo ideal de valores passa para a realidade. tal como a religião. mas meditar. O método. que os símbolos servem:  Para ligar os atores sociais entre si. visibilidade e crença social. Os métodos específicos das ciência sociais.wordpress. apresenta-se como um tratado . visando provocar respostas na natureza e na sociedade. sem o contributo multiforme do simbolismo. quando E. completa Lakatos.com/ Pag. também diz que o método "é um conjunto de regras úteis para a integração.

Vida Nova. Hipotético-dedutivo e Dialético. representações simples e constatar se essas verificações simplificadas têm .com/ Pag.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Ex. 1976 Método Estático (planejado por Quetelet) Os processos estáticos permitem obter. condições. Método Histórico (promovido por Boas) A sociedade. Frans Leonard. Dedutivo. Ex. Paulo. profissões. A São Paulo de 1960 e a de hoje Colonização portuguesa e espanhola na América Latina Classes sociais na época colonial e atualmente Método Monográfico (criado por Le Play) Consiste no estudo de determinados indivíduos. S. tradições e valores primeiros Método Comparativo (empregado por Tylor) Usado tanto para comparação de grupos no presente. com suas formas de vida social. processos e instituições do passado para verificar a sua influência na sociedade de hoje. 1989 FERREIRA. instituições e costumes originados no passado. SCHALKWIJK. Ed. 10 de maior abrangência. Missão Presbiteriana no Brasil. Os patriarcas A árvore genealógica Os mitos. no passado.PE. instituições. Com isso observa-se o método de abordagem. quanto entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de desenvolvimento. A Bíblia e o Bisturi. em se tratando de abstração mais elevada. Recife . ou entre os existentes e os do passado." Ex. "O método histórico consiste em investigar acontecimentos.wordpress. dos fenômenos naturais e sociais. Edijéce Martins. 2a ed. com a finalidade de obter generalizações. que podemos analisar nas seguinte divisões: Método Indutivo. Igreja e Estado no Brasil Holandês 16301654. de conjuntos complexos. grupos ou comunidades.

a seguir. que permite comprovar as relações dos fenômenos entre si. a termos quantitativos e a manipulação estatística. a partir daí. . Método Funcionalista (utilizado por Malinowski) É. ocorrência ou significado. como um sistema organizado de atividades. detêm-se na observação dos tipos diferentes de cidades e governos (do passado e do presente) para. 11 relações entre si. Estudo de todos os tipos de governo democrático. criar o tipo ideal. eleva-se. retornando por fim ao concreto. a uma dicotomia de "tipo" e de "não-tipo". Os próprios estudos efetuados por Weber demonstram essa característica: . Verificar o número de filhos com a condição social."cidade" __ "outros tipos de povoamento". . o método estático significa redução de fenômenos sociológicos. Método Estruturalista (desenvolvido por Lévi-Strauss) O método parte da investigação de um fenômeno concreto. Ex.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. do presente e do passado. para estabelecer as características típicas ideais da democracia. Ex. dessa vez . a rigor."organização burocrática" __ "organização não-burocrática"."capitalismo" __ "outros tipos de estrutura sócio-econômica. Análise das principais diferenciações de funções que devem existir num pequeno grupo isolado. mais um método de interpretação do que de investigação. por intermédio da constituição de um modelo que represente o objeto de estudo. e obter generalizações sobre sua natureza.wordpress. Só podem ser objeto de estudo do método tipológico os fenômenos que se prestam a uma divisão. Entrementes. políticos. isto é. Assim. Estuda a sociedade do ponto de vista da função de suas unidades. Averiguação da função dos usos e costumes no sentido de assegurar a identidade cultural do grupo. ao nível abstrato. Método Tipológico (aplicado por Max Weber) Possui algumas semelhanças com o método comparativo. para que o mesmo sobreviva. Ex. O nível econômico entre os estudantes universitários.com/ Pag. econômicos etc.

Nas palavras de Hume: "a mente humana mostra uma tendência maravilhosa para oscilar entre diferentes tipos de religião: eleva-se do . 5) Questionário: dados obtidos a partir de uma série de perguntas (sem contato do entrevistado com o entrevistador). para tornar expressivos dados complexos.com/ Pag. Na verdade. desenhos. um oscilar) entre as duas opções. Estudo das relações sociais (um casamento. liderança. 4. Vejamos: 1) Documental: livros... 4) Entrevista: encontro entre entrevistador e entrevistado. dispondo. o método caminha do concreto para o abstrato e viceversa.2) Não dirigida ou livre (quando leva o entrevistado a expor suas próprias idéias). na segunda etapa. tabelas e outros.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. gráficos. revistas. cartas. a Sociologia arma-se de técnicas variadas.. 2) Sociometria: relações interpessoais. que ficam patentes na obra de 1757: The Natural History of Religion. Dessa forma. b) participante 7) Cartográfica: quando se usam mapas. por exemplo) e a posição que estas determinam para os indivíduos e os grupos.. Podem ser: a) sitemática. 12 como uma realidade estruturada e relacionada com a experiência do sujeito social. Chama-lhe um "flux and reflux" (fluxo e refluxo. Pode falar-se de idéias pioneiras para a sociologia da religião. só que o investigador encarregase de anotar as respostas do investigado às perguntas anteriormente formuladas. Ex.wordpress. com a finalidade de construir um modelo que passa a retratar a estrutura social onde ocorre tais relações. 6) Formulário: semelhante ao anterior. jornais.1) Dirigida (quando segue um roteiro). Hume acredita que o que a história mostra é antes um oscilar irracional entre politeísmo e monoteísmo. 3) História de vida: dados completos sobre alguém.000 anos. Mas não menos dignas de destaque são as observações na análise da religião. 7) Sociologia da Religião em Hume David Hume ficou conhecido sobretudo pelas contribuições na filosofia. de um modelo para analisar a realidade concreta dos diversos fenômenos. 4. Hume rejeita a ideia de uma evolução linear desde o politeísmo para o monoteísmo como um sumário da evolução histórica dos últimos 2. Além dessa variedade de métodos.

Torna-se necessária a figura de intermediários perante o comum dos mortais e o Deus todo poderoso. que são vistos pelos homens como parentes e lhes parecem menos distantes. Como Gellner afirma. da Reforma contra o Papado. 13 politeísmo para o monoteísmo para voltar a afundar-se na idolatria". considerando a religião como uma “coisa social” (Ó Dea. Como Gellner afirma. torna-se visível um princípio psicológico que caminha numa direção contrária... 8) A sociologia da Religião em Durkheim Durkheim é um autor que estudou a religião em sociedades pequenas. Esse princípio psicológico é a idéia de que os homens vivem em busca da proteção. "o Panteão torna a encher-se".o clero. A maioria do povo comum.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. esta oscilação não é o resultado de qualquer racionalidade. da superioridade e inferioridade". é porém igualmente um Deus distante e de difícil acesso para o comum dos mortais (sobretudo se estes são analfabetos .. porque eles receiam que a carne seja fraca e que acabe por se deixar levar para a idolatria". Uma função para os santos. Os povos que adoram vários deuses com poderes limitados podem facilmente conceber um Deus com um poder mais extenso. "Estes semi-deuses e intermediários. o pêndulo tem de retornar. a esmagadora maioria da população era analfabeta). Hume: "À medida que estas diferentes formas de idolatria dia por dia descem às formas cada vez mais baixas e ordinárias. incerteza. Hume mostra exemplos desta evolução: É a luta de Jeová contra os Bealim de Canaã.wordpress. "Neste processo. analfabeto. a idolatria está de volta. sente-se impossibilitado de aceder a Deus por via "direta".e na Europa da Idade Média. acabam por se auto-destruir e as horríveis formas de idolatria vão acabar por provocar um retorno e um desejo de regresso ao monoteísmo. . Neste momento.. em breve. ainda mais digno de veneração do que os outros. Por isso (entre os judeus e os muçulmanos) é que há proibição de figuras humanas na pintura e mesmo na escultura. O contacto direto com as escrituras sagradas na Idade Média permanecia um privilégio de uma casta limitada .. e do Islão contra as tendências pluralistas (ver sufismo). 1969).com/ Pag. a partir do qual nenhum progresso é possível". relíquias... todo poderoso. Esse Deus único. os homens chegam ao estágio de um só Deus como ser infinito. do apoio." Mas mais uma vez. são objeto da adoração e assim. mas sim com os "mecanismos do medo.

1971). como dois mundos entre os quais nada há em comum (…) uma vez que a noção de sagrado é no pensamento dos homens. o reforço e manutenção da solidariedade social.wordpress. mas de segurança cognitiva ao enfrentar . Dessa forma. em grande medida. aquelas às quais esses interditos se aplicam e que devem permanecer à distancia das primeiras. sempre esteve à procura de sentido e de significado para a sua existência. aquelas que atraíram um grande número de crentes e que afetaram. dão um prestígio social especial. que por sua vez. como tal. as coisas profanas. Durkheim é bem explícito ao afirmar que: “o sagrado e o profano foram sempre e por toda a parte concebidos pelo espírito humano como gêneros separados.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Estas unificam o povo numa comunidade moral (igreja). pois o homem. As coisas sagradas são aquelas que os interditos protegem e isolam. O que Weber mostra em relação a religião? Para Weber. que pode ser definida como um sistema unificado de crenças e de práticas relativas às coisas sagradas. para Durkheim. na questão religiosa há uma preocupação básica que é a diferença entre sagrado e profano. não simplesmente de ajustamento emocional. um compartilhar coletivo de crenças. como o caso dos rituais ou cerimônias. 1990). ilustrando uma das funções sociais da religião. 14 Para o autor.” Ou seja. as concepções religiosas eram cruciais e originárias das sociedades humanas. mas que se excluem radicalmente. é essencial ao desenvolvimento da religião. o curso global da história. o ritual pode ser considerado um mecanismo para reforçar a integração social. acreditava que os movimentos inspirados na religião podiam produzir grandes transformações sociais. Enquanto persistir a sociedade. É possível constatar que a participação na ordem sagrada. há uma natural superioridade do sagrado em relação ao profano (Durkheim. 9) Weber e a Religião Weber concentrou a sua atenção nas religiões ditas mundiais. Teve em atenção a relação entre a religião e as mudanças sociais.com/ Pag. sempre e por toda a parte separada da noção do profano (…) mas o aspecto característico do fenômeno religioso é o fato de que ele pressupõe uma divisão e bipartida do universo conhecido e conhecível em dois gêneros que compreendem tudo o que existe. Durkheim conclui que a função substancial da religião é a criação. persistirá a religião (Timasheff. dando o exemplo do Protestantismo.

efetivamente. Weber considerava que.com/ Pag. como já afirmamos. o processo de racionalização religiosa ou de “desencantamento do mundo” culminou no calvinismo do século XVII e em muitos outros movimentos. oferecia uma resposta final. entre outros. ao criar respostas a tais problemas – respostas que se tornam parte da cultura estabelecida e das estruturas institucionais de uma sociedade –. um determinante da conduta econômica e. uma das causas das transformações econômicas das . pela inserção. ao problema humano do sentido e significação existencial. pela forma institucional que assume. Portanto. É a união do desejo de lucro e da disciplina racional que constitui historicamente o traço singular do capitalismo ocidental. Weber mostra que as religiões. pela profissão.wordpress. democracia. a sua força é vista como indispensável (mas não a única) para o surgimento do fenômeno da modernidade ocidental. Desse momento em diante. 15 problemas de sofrimento e morte (Ó Dea. religião é uma das fontes causadoras de mudanças sociais. como resposta aos problemas básicos da condição humana: “contingência. mas acreditando-se no mundo pelo trabalho. ou por uma fuga mística do mundo ou por uma ascética transcendente. Com isto. com seus valores inerentes de individualismo. liberdade. Weber estava preocupado em destacar a integração racional dos sistemas religiosos mundiais e não apenas o calvinista (objeto especial dos seus estudos). de maneira eficaz. em consequência. influem de maneira mais íntima nas atitudes práticas dos homens com relação às várias atividades da vida diária (Ó Dea. é preciso entendê-los para compreender a conduta dos indivíduos e dos grupos. Por outro lado. Weber quis provar que as concepções religiosas são. segundo a teoria de Weber. progresso. ela torna-se. Weber quis demonstrar que a conduta dos homens nas diversas sociedades só pode ser compreendida dentro do quadro da concepção geral que esses homens têm da existência. Procura-se na religião signos de transcendência e de esperança. um fator causal na determinação da ação. a religião. segundo Weber.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Assim. o capitalismo é definido pela existência de empresas cujo objetivo é produzir o maior lucro possível e cujo meio é a organização racional do trabalho e da produção. Portanto. impotência e escassez”. Para ele. procurou-se assegurar a salvação (temporal e eterna) não por meio de ritos. nomeadamente o seu comportamento econômico. chamados por ele de “seitas”. No caso específico do protestantismo. 1969). Por conseguinte. 1969). Os dogmas religiosos e sua interpretação são partes integrantes dessa visão do mundo.

Que é invocação? A invocação é um chamado veemente. porque Deus o arrebatou. . Um projeto de invocação. podemos simplificar a significação desses três atos litúrgicos e político-econômico-social. mas que assista aos homens. (5. o êxtase e o trabalho. onde o suplicante está invocando. para ouvirmos as mensagens que evocam da invocação. de Le Play). além de um piedoso exercício de espiritualidade integral.  A construção. é preciso. (6. Este foi o primeiro a invocar o nome de Javé. 10) O cristão em uma sociedade não-cristã Vivemos em uma sociedade de indivíduos alienados. Enoque andou com Deus e desapareceu.com/ Pag. Vou destruí-los junto com a terra. não podemos nos acomodar a margem histórica. uma súplica. que abranja a horizontalidade e a verticalidade do indivíduo social. Devemos ser atuantes. Faça para você uma arca de madeira resinosa. Em resumo. significa chamar Deus para perto de nós.. arrebatamento e construção.. temos o dever de atuar como participantes da história de transformação deste sistema pervertido. porque a terra está cheia de violência por causa deles. um apelo que implora.. Desses três personagens ilustres do relato histórico. individual e coletivamente.24). três posturas de escuta: saber quem está invocando..10).  O arrebatamento. Pretendemos mesmo é profetizar três desafios. uma prece.26).Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. tem à sua frente. ou seja. Como cristãos. pelo menos. dizendo:  A invocação. significa ser levado ou absorvido (absorto) por Deus. pretendemos apresentar três mensagens que ecoam na História Sagrada. Dessa forma. uma espiritualidade integral. requisitos para vivenciar. 16 sociedades (Aron. comprometido em "trazer o reino de Deus" (Mt 6.13-14) Não pretendemos fazer uma exposição biográfica (o que nos levaria à utilização do Método Monográfico. Esse é o desafio que o cristão. quem o suplicante está invocando. 1999). o capitalismo estaria motivado e animado por uma visão de mundo específica de um tipo de protestantismo que na sua ação social favoreceu a formação do regime capitalista.wordpress. significa trabalhar na contramão do caos social. a quem deu o nome de Enos. uma vida de comunhão com Deus e com os homens. Observemos três textos do Gênesis: Sete também teve um filho. De modo que. que vá ter com Deus. Então Deus disse a Noé: 'Para mim chegou o fim de todos os homens. participantes (militantes) do projeto de Deus para este mundo. que integre a oração. (4.

pelo que o Texto indica. trabalhavam.semelhante aos dias de hoje .um ateísmo prático. os instrumentos musicais foram criados. uma habitação social edificada sob uma maldição. Invocar a Deus na sociedade de Caim era desejar subvertê-la. pois sabem que são impotentes. além de amplamente secularizada.). Em Gênesis 4. da hostilidade e impunidade (Lameque havia matado dois e ainda estava impune). É o pecado originário da insubordinação. ninguém invocava mais o Senhor.11-12. A cidade. Foi Enos quem. parece até que estamos descrevendo a nossa sociedade capitalista pósmoderna. trabalhavam com o ferro fundido. Revolução Metalúrgica. Os homens casavam-se. também. primeiramente invocou a Deus.3). Caim.Revolução Pastoril. Até o diálogo entre Caim e Deus é iniciado pelo próprio Deus: "Caim: onde está teu irmão?" (Gn 4. O nome de Enos significa "fraco". carregava uma maldição consigo.wordpress. invocamos ao Senhor num ambiente religioso e num local "propício" para invocar a Deus. num local que. Diz o Texto Sagrado que "este foi o primeiro a invocar o nome de Javé" (Gn 4. pois isto significa aproximar a realidade de Deus para que ela substituísse a realidade humana . desenvolviam seus talentos sem invocar Deus. para aqueles que pedem socorro. lemos: "E agora maldito és tu desde a terra que abriu a boca para receber de tua mão o sangue do teu irmão".8). da rivalidade e competição (a disputa de Caim com seu irmão). O ambiente secularizado e caótico.. são auto-suficientes.o mesmo sentido se aplica hoje à nossa sociedade e ao nosso desejo. mas pastores . viviam . do progresso tecnológico e cultural (não eram nômades. pois vivem como se não dependessem de Deus (e dizem que Deus é apenas uma "muleta" aos fracos). "debilitado".26). depois desse período de silêncio (escuridão) espiritual. Isto nos sugere que a invocação está para os fracos. 17 Quem invoca? O Texto Sagrado parece sugerir que. era uma fábrica de ateísmo e. do machismo (duas mulheres para ser subserviente a Lameque). da religião ritualística ("Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor": Gn 4. ou pelo menos para os que se acham "fortes". mas "no" ambiente que precisa de Deus. Neste sentido. as nuanças são quase imperceptíveis. do homicídio (Caim mata Abel).23). Onde Enos invoca o nome de Javé? Foi na cidade de Caim que Enos invocou o nome do Senhor. Quando descrevemos a comunidade de Caim. da violência (Lameque mata um jovem por ter pisado no seu pé: Gn 4. Geralmente. A invocação não está para os "fortes". pois o seu construtor.com/ Pag. Era uma cidade construída sob os fundamentos da auto-suficiência (Deus não é convidado para participar da sua edificação). Foi em um ambiente ateisante que Enos invocou a Javé.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura.. O caos social e humano era maquilado com os avanços tecnológicos e com as atividades culturais. depois da morte de Abel. invocar . O que Enos ensina é que Deus precisa ser invocado não em "um". que suplicam auxílio. ninguém clamava a Deus.

invocar significa gritar a plenos pulmões: "Maranata!" ("Ora vem.E isto requer um preço alto da nossa parte).9. já no cap. 18 significa orar que ". contrariou o papado. no final do capítulo IV. o seu senhorio sobre tudo e todos. v. Desta forma. 23.19. Mc 7..1-40). HedonismoServiço. .1.19. adultérios. Invocar também significa aproximar o projeto de Deus.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura.18-30 etc. Ef 4. seja feita a tua vontade". roubos. 12 comp.28. Violência-Paz.15 comp.10. mas sociais. 13 comp. diz: “O caminho da morte é este: Em primeiro lugar.1-11) e) Proibição ao roubo (v. O Didaché (catecismo dos primeiros cristãos).11-13.3-17). V. com Dt 5. Guarde o que você recebeu. Lv 19. Os processos restritivos da lei não tinham apenas fins metafísicos. Logo. com Dt 5.. Rm 13.8-9. feitiçarias. rapinas. no Império Capitalista Pós-moderno. Dt (5. paixões. como em Mt 5.c/ Dt 5. comentar com Jo 8.17. falsos testemunhos.com/ Pag. com Dt 5.18.21. Narcisismo-Elogio de outras belezas. Tg 2. "Jesus Cristo é o Senhor!" Essa declaração perturbou.18. Lc 18. abalou e contrariou a César. Rm 13. e deve contrariar o "senhor" Mercado Global. no Império Romano. sem nada acrescentar ou tirar" (IV. é mau e cheio de maldições: homicídios. um vaticínio contra uma sociedade ateisante.17-48. mas a Deus" (At 5. práticas mágicas. diz: "Deteste a hipocrisia e tudo o que não seja agradável ao Senhor.8-11) b) Educação familiar (v.4. Lc 18. Mt 19. passa a ser uma profecia.10-12.11. comentar Êx 22. Significa trazer o Evangelho para uma realidade supra-evangélica. 22. no império salvacionista.12-13) e. 16 comentar com Dt 17. 15 comp. Mt 15.8. ensinado o caminho da vida pelo caminho da morte. Assim. idolatrias.1-15 com Lc 19.9) d) Fidelidade conjugal (v. invocar a Deus deixa de ser meramente uma expressão religiosa. Lc 18.16. Ef 6. Individualismo-Comunitarismo.27. 15. Mt 5. Não viole os mandamentos do Senhor. a) O Sabat (Êx 20.20.2) c) Proibição ao homicídio ("assassinar".20. fornicações. Senhor Jesus!".5.8-10) f) Fidelidade ao próximo (v. Consumismo-Partilha. Is 61. venha o teu Reino.34-40.7-21) e em passagens do Novo Testamento. 11) A lei mosaica e os profetas A LEI MOSAICA (apenas no decálogo) está registrada nos livros de Êx (20. Mt 5. 19.6).wordpress. havia uma lei severa para os que cometiam o adultério: Lv 2. Egoísmo-Fraternidade. significa "não obedecer aos homens.

6. Porém foi. avareza. onde Abraão já é apresentado como profeta (Gn 20. guia carismático excepcional do povo de Israel. mentalidades . de mensagens. insolência. 19 hipocrisias. (V. De tal modo se fez Moisés o paradigma teológico do verdadeiro profeta.wordpress. Rm 5. que tenta reconduzir sistematicamente qualquer figura profética a ser imagem de Moisés. o tradutor grego de Ben Sirac quer sugerir continuidade entre Moisés e os outros profetas e escreve que Josué foi "sucessor de Moisés no ofício profético" (Eclesiástico 46.T. Aqui nasce a tradição judaica que visualiza a série dos profetas como a história da sucessão profética de Moisés. mas está contida neles. pensadas sobre o modelo mosaico elaborado pela teologia deuteronômica. não se pode assumir como critério de pesquisa a "definição" de profeta proposta pela tradição deuteronômica. Por volta do fim do séc.7). ostentação e ausência de temor de Deus. orgulho. mas apresenta grande variedade de formas. Cada profeta traz consigo na sua atividade toda sua personalidade. O profetismo bíblico não é fenômeno simples e homogêneo.” Os primeiros cristãos procuravam observar a lei mediante a dependência da graça. de estilo. do ponto de vista histórico. Na realidade. arrogância.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. a tornaram bem maior . A função e a missão dos profetas "canônicos" são. exigências. duplicidade de coração. a teologia deuteronômica que traçou o modelo mosaico da figura ideal do profeta. Os pormenores estão espalhados por todo o Pentateuco. os amantes da mentira.814.7). altivez. II a.C. Vale lembrar que a lei não se resume aos Dez Mandamentos. mediador entre Deus e o povo.1) (mas o hebraico usa "servo de Moisés"). ciúme. tem três aspectos: Restritivo (por regras.10).. A lei.com/ Pag. de sensibilidade e cultura. Cada época tem problemas.1-2a). fraude. maldade. fosse o que fosse que tenha sido do ponto de vista meramente "histórico" da possibilidade de realizar o que fez: quem a ele se adapta é autêntico profeta. os que ignoram a recompensa da justiça.o que é veementemente criticado pelo Senhor Jesus (veremos isto mais adiante). antes ainda. conversa obscena. portanto. A tradição deuteronômica depois exaltou Moisés como o maior profeta de Israel (Dt 34.. escribas e doutores da lei. com o passar do tempo.. de pessoas. Punitivo (aplicação da justa justiça. como porta-voz de Deus. intérprete da vontade divina. os inimigos da verdade.23) e Demonstrativo (evidência à graça. Os fariseus.20) OS PROFETAS Antes de tudo procuremos uma primeira compreensão global do fenômeno profético do A. Rm 7. portanto. Por esse caminho andam os perseguidores dos bons. Rm 7.

Petersen mostra como o envolvimento profético do eu pode acontecer nos quatro graus intermediários: ritual acting (ação ritual). quer verdadeiros. o fenômeno profético é comparável a grande mosaico constituído de muitas pedras de cores e desenhos. 1981. pelo contrário. L. Uma pesquisa interessante sobre a 'função' do profeta é a publicada por Petersen. na qual "o eu está plenamente integrado na atuação do papel". usados com referência a indivíduos que desenvolvem idêntico papel fundamental. 1991 . aquele tipo de funcionário do rei que dava respostas. hypnotic role taking (assunção hipnótica do papel) e histrionic neurosis (neurose histriônica). oráculos. para compreender os profetas. Três termos que podemos considerar. a) Nabî (profeta) foi usado de modo amplo para indicar os antigos profetas extasiados. profeta que regularmente legitima ou sanciona os valores e as estruturas centrais da sociedade e que venera divindade de qualidade moral elevada. com efeito. a grosso modo. J. com certa cultura. adota o conceito de role enactment (representação de papéis) desenvolvido pela psicologia social de T. quer falsos. hozeh. New York: Praeger. forma e colocação diferentes! Os nomes mais comumente usados em hebraico para designar os profetas são: Nabî. ou educação religiosa. Shapiro. Petersen. Em suma.wordpress.com/ Pag. estes dois termos são dois títulos sociopolíticos. engrossed action (ação absorvente). b) hozeh (visionário) é usado de preferência para os profetas da corte. ro'eh. & Hudson. o título que mais comumente o povo atribuía ao profeta. c) ro'eh (vidente) era. Este papel era articulado de modo diferente em Judá e em Israel e por isso é designado com diferentes títulos-de-papel: 'nabî' no 1 T. depois serviu para designar os profetas clássicos. predições ao seu soberano (quase sempre prevendo coisas favoráveis). o qual contempla oito graus de envolvimento que vão do não-envolvimento e da 'representação' casual até ao êxtase e à morte. é aplicado pelos sociólogos a um tipo de papel que se encontra numa estrutura legal ou racional da autoridade. divindade considerada como central na ordem social. isto é. Narrative psychology: The Storied nature of human conduct. 20 diferentes e cada profeta é homem de seu tempo. 'Ofício'. Trata-se do papel "the central morality prophet" (profeta da moralidade central). Ele julga inadequada a categoria de 'ofício' para definir os profetas e a sua missão. Sarbin.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. sinônimos. O papel indicado por hozeh e nabi não é diferente. Sarbin1. mas não se adapta aos profetas. Melhor.

é que estes desenvolvem um papel ao serviço do único Deus. livre e pacífica? O poder político se baseia na . O profeta contesta a sociedade israelita na qual vive com acusação muito grave.wordpress. Os profetas são testemunhas porque tiveram experiência fascinante de Deus e estavam livremente conscientes para o chamado de Deus. por ex. Gad e Amós são justamente chamados 'hozeh' enquanto Oséias é justamente chamado 'nabî'. O que nos permite falar de profecia israelita. Eles não têm a intenção de 'tomar o poder' prometendo que farão justiça. os profetas. nem agitadores classistas. porém pensado. de vários modos" (pp. De fato grassavam os ladrões. Eles testemunham não tanto a sua fé e sua experiência. como era.. a preposição grega 'pro' poderia iniciar também o aspecto de predição do futuro. Isto que unifica estas várias formas de atividade e de ideologia profética não é uma única sociedade nem uma única conduta teológica. assim também Miquéias nos três primeiros capítulos e Isaías 1-3. isto é. O papel profético da moralidade entre duas sociedades distintas. Significa falar (da raiz 'femi') 'pro'. amiúde e solidariamente na 'questão social'? Eles não são reformadores sociais. Mas propriamente o grego 'prophétes' não traduz nenhum vocábulo hebraico. "O Senhor não faz nada sem revelar o seu projeto aos seus servos. de preferência. Uma variedade considerável. Por que os profetas intervêm desta forma. Judá e Israel. Todo o livro de Amós é contestação de injustiça que corrompem a sociedade.7-8). nem sindicalistas. O leão ruge: quem não tem medo? O Senhor fala: quem não profetizaria?" (Am 3. O profeta atinge todos os lugares públicos da vida socioeconômica.. Os profetas entram na questão política contestando a atividade dos reis (cf.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. é um título novo. exploração etc. O profeta fala em nome de Deus diante da comunidade ou de um particular e pode também predizer o futuro. O nosso termo 'profeta' deriva da tradução grega dos LXX. São testemunhas que fazem valer o que 'viram': a justiça de Deus. luxo descarado e arrogante diante da miséria. mas o Deus que suscitou a experiência da fé neles. que não quer a violência e a injustiça. as violências de qualquer gênero. portanto. cada uma das quais tinha seu universo simbólico. prepotência. 98-99). 21 Norte e 'hozeh' no Sul. política e religiosa. nem revolucionários. está presente na profecia israelita: variedade no envolvimento da conduta com o qual o papel profético era realizado e variedade no número dos papéis que constituíam o fenômeno que nós chamamos sinteticamente como profecia israelita. Is 7: o conflito com o rei Acaz. os assassinos. Como exigir do poder político a atuação de sociedade fraterna. igualitária.com/ Pag. Amós e a condenação de Jeroboão) e a sua política. IHWH. em nome de outro e diante da comunidade ou de uma pessoa.

22 luta. de qual classe social eram recrutados os profetas?. não andeis a Guilgal. isto é. cria classes diferentes no seio da sociedade. envolvendo também o povo no 'sistema das necessidades'. Condenam um culto desligado da vida e vinculada com injustiças e malvadezas. qual era a atitude do profeta para com as instituições. não estamos em condições de conhecer com precisão o status social. de proteção e de paz interior estava ligada a pretensões culturais. Como diz Isaías. Não sabemos quase nada sobre a situação social dos chamados profetas 'estáticos' ou peripatéticos. Outra arena na qual os profetas apresentam o seu público testemunho-contestação é a religiosa. Os funcionários do culto conjugavam com desenvoltura mística e interesses econômicos. como a israelita. como o anônimo homem de Deus de Judá (I Rs 13). antes que julgados e medidos pelas nossas ofertas e as nossas obras. Guilgal e Bersabéia eram famosos santuários onde o culto público alcançava o ápice da suntuosidade e da aberração.wordpress. oração e violência.13). A contestação profética é feita em nome de Deus: "Procurai-me e vivereis! Não vos dirijais a Betel. De Samuel. mas não podemos dizer nada além disto. instituindo quem comanda e tem 'meios' e quem não tem 'meios' e obedece. na qual o culto se tornou 'sistema' socialmente organizado e ao qual estava ligada a sorte econômica e social de pessoas influentes. até que ponto o profeta legitima ou contesta o seu ambiente?. no exercício. para tentar delinear a situação social do profeta. na astúcia diplomática. dada a escassez de informações das quais dispomos para reconstituir o ambiente social dos profetas.4-5).. Nos últimos anos. nas alianças.com/ Pag. A 'necessidade' de segurança. Os profetas testemunham o Deus que deseja ser procurado e reconhecido como infinita capacidade de dádiva e não o Deus do qual nos sentimos reconhecidos e desejados por nossos próprios méritos. à sociologia do conhecimento. Betel. a conjunção de liturgia e injustiça. Apresentaremos brevemente alguns estudos relativos a esta temática sociológica. até que ponto o profeta era condicionado por seu fator social?. separações sagradas e desinibição gerencial.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. não passeis por Bersabéia" (Am 5. As perguntas propostas são deste tipo: qual era o grupo social que sustentava o profeta?. Elias e Eliseu. Numa sociedade. provavelmente provinham de família camponesa. sacerdócio e monarquia? Quem quer que conheça um pouco a literatura profética pode logo compreender a dificuldade em responder a semelhantes dúvidas. . à teoria do reference-group etc. Deus não pode suportar 'delito e solenidade' (1. a contestação profética soava como grito revolucionário. muitos estudiosos recorreram à teoria dos papéis.

274). Weber reconhece três tipos: tradicional. Recordemos. Mas "como na política externa. A autoridade profética implica a capacidade de liderança atraente e sedutora. O profeta não faz valer o seu carisma no interior das instituições tradicionais (por exemplo.. como guia" (Weber. esta é considerada como dotada de forças e propriedades sobrenaturais ou sobre-humanas. entendê-lo com um ideal-typus. por mais pronunciadas que fossem. que exerceu ampla influência sobre os estudiosos que o seguiram.. por conseguinte. p. porém.) publicamente".Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura.940-950 dedicou aguçado exame à concepção weberiana do profetismo. mencionar Max Weber (1864-1920).. 1980. "Quisessem ou não. a família). pois. os profetas agiam de fato segundo as idéias dos conventículos políticos de serviço. não acessível aos outros. Traçando um quadro de várias noções de “autoridade”. tinham caráter totalmente utopístico" (p. era totalmente homogênea a despeito das muitas condições sociais desiguais" (p. que todas as características da profecia israelita se encontram necessariamente em todos os profetas. 1974. a definição de carisma dada por Weber: "É qualidade extraordinária (. com efeito.wordpress. motivadas pela relação de Javé com Israel.com/ Pag. Entender o profeta como ideal-typus não significa. O ideal-typus serve como esquema para sintetizar grande massa de elementos numa figura unitária. assim na política interna. 314).) atribuída a uma pessoa. 277). p. antes de mais nada. enfim. segundo Weber. eram sobretudo demagogos políticos e. no plano político. não tinham motivações primárias de caráter político ou sociopolítico" (p.296: "os profetas pré-exílicos. considerando ilegítima a exclusão dos profetas da participação das estruturas da autoridade tradicional e burocrática. ou então como enviada por Deus ou como revestida de valor exemplar e. O conhecido sociólogo americano Berger. 1963. considerados como filiados a uma delas" (P. Berger nota justamente que Weber dependia da . ou ao menos excepcionais de modo específico. e ao mesmo tempo eram propugnadores de determinada política externa e. por vezes panfletários (. de Amós até Jeremiais e Ezequiel. Portanto. que somente o carisma confere. portanto. 277) "As tomadas de posições políticas dos profetas eram puramente religiosas. profética. Muito menos a posição que eles assumem em matéria de ética social nunca é determinada pela sua genealogia pessoal. Para Weber. Definir o profeta como 'autoridade carismática' é. Os profetas são de "origem camponesa. burocrática. Não se diz nunca que provinham com predominância de classes proletárias ou também privilegiados só negativamente ou privados de cultura. 239). consideradas. Esta. as posições tomadas pelos profetas. mas opera como “indivíduo histórico”. que se combatiam furiosamente sobre o cenário político de Israel.. 23 Importa.

com relação à idéia dos profetas como fundadores do monoteísmo ético) e sublinha a conexão dos profetas com o culto. OS APÓSTOLOS 2 Para um estudo m ais amplo sobre a posição social dos profetas é o livro de Robert Wilson.23-35).com/ Pag.000 (Mt 15. Assim como o texto de I Co 10. Lc 18. que é o texto onde Paulo diz que "tudo isto (a morte do povo israelita no deserto) ocorreu para servir de exemplo. . um mestre nas palavras.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Lc 7.5-13. d) exemplo de auxílio aos inválidos (Mt 8. b) exemplo de benevolência (I Pe 2.1-42). Ed.32-39. e) exemplo de atenção e cuidado com as crianças e viúvas (Mt 19. 11). parece-me excessiva.13-15. no caso de Elias. para compreender melhor a dimensão social do fenôm enos no Israel antigo. Observemos alguns exemplos sócio/espirituais que Jesus nos deixou: a) exemplo de humildade e amor ao próximo (Jo 13.1-9). sacerdotes. O jovem rico (Lc 18. Lc 18. O Sermão no Monte (Mt 5.15-17 etc. gente do povo).17-22). Natã. 1992. 8. Como fez o Mestre. O rico e Lázaro (Lc 16. O Senhor Jesus não era. assim devem fazer os seus discípulos. as coisas ensinadas e praticadas por Jesus são exemplos a serem seguidos pelos seus discípulos. chefes.16-22. profetas. com o auditório ao qual se dirigem (reis. Mc 8. A ênfase da conexão com o culto. juizes.2 12) Jesus e os apóstolos JESUS Os evangelhos e os demais livros que compõem o Novo Testamento estão repletos de ações (movimentos) sociais.35-43 etc. anciãos. feita por Berger. Jesus e a samaritana (Jo 4.).6-7). 9.). todavia.wordpress.31-46). meramente. Isaías e Jeremias). O profeta é homem de muitas relações: com a corte do rei (por exemplo. mas também na ação.27-31. criando em torno de si 'grupos' de discípulos. Deste modo.19-31).52.31-46). Mt 19. c) exemplo de preocupação com os famintos e doentes (Mt 25.18-21). Muitos outros exemplos poderiam ser citados. não parece que se possa admitir 'profissão' profética como a dos sacerdotes. A alimentação dos 4. São Paulo. Paulinas.18-30. O credor incompassivo (Mt 18. Não existiam argumentos comprobatórios para sustentar que os profetas de Israel exerceram autoridade carismática. Profecia e Sociedade no Antigo Israel.1-11. sem algum vínculo com instituições israelitas. e foram registrados para avisar-nos" (v. Mc 10. parece-me também verdadeiro que os profetas não foram indivíduos isolados.1-9). Ele utiliza os resultados de modernos antropólogos e sociólogos que indagaram sobre o fenômeno 'profético' nas sociedades modernas. Observemos agora outros exemplos encontrados na vida dos cristãos primitivos e nas cartas apostólicas. 24 ciência exegética do seu tempo (por exemplo.12. Observe ainda estas lições e exemplos: Os dois julgamentos (Mt 25.

sendo sua maior parte católica. também se denominam "católicos". de fé e obras.1-10).1-6).18. Ef 2. Vejamos: Divórcio . A mão-de-obra escrava. assim como alguns simpatizantes do espiritismo. de ternura e luta contra as opressões do sistema que escraviza os homens: no pecado. vinda principalmente da África. que hoje é o país com maior número de espíritas no mundo. grupo superado em número apenas pelos católicos nominais e evangélicos. A questão do casamento (I Co 5.7-14).6-14). A questão do salário (I Co 9. e nem pode ser.1-4.A principal religião do Brasil. 13) Religião no brasil O Brasil é um país religiosamente diverso. 19. as religiões protestantes têm crescido rapidamente em número de adeptos. Ml 2. E os escritos dos apóstolos revelam isto claramente. Catolicismo .8% da população brasileira declarando-se . Na segunda metade do século XIX. tem sido o catolicismo romano. que sobreviveram à opressão dos colonizadores. com 73. I Co 7. O pão para o faminto (At 11. Do mesmo modo. O Brasil é considerado o maior país do mundo em número de católicos nominais. Família .10.com/ Pag. desde o século XVI. que instituiu o Estado laico. aumenta o percentual daqueles que declaram não ter religião. São exemplos disso: O evangelho integral de João Batista (Lc 3.wordpress.25-27.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Herança da colonização portuguesa. I Co 16.11.1-40. alcançando atualmente uma parcela significativa da população. A população brasileira é majoritariamente cristã (89%). Sl 68. Esse tipo de tolerância com o sincretismo é um traço histórico peculiar da religiosidade no país. Seguem as descrições das principais correntes religiosas brasileiras. Dt 24-25. com tendência de tolerância e mobilidade entre as religiões. a família é um retrato falado da sociedade. Mt 5.11.Gn 2.31-32. Gl 6.I Co 7. e seguem alguns ritos da Igreja Católica.6. Ela foi introduzida por missionários que acompanharam os exploradores e colonizadores portugueses nas terras do país recémdescoberto.14-26). A condenação aos ricos opressores (Tg 5.10-16. Muitos praticantes das religiões afro-brasileiras. Mc 10.19. o catolicismo foi a religião oficial do Estado até a Constituição Republicana de 1891. De modo direto. 7. 9.5. começa a ser divulgado o espiritismo no Brasil. trouxe suas próprias práticas religiosas. Gl 2.10. dando origem às religiões afro-brasileiras. Rm 15.11.31-32. Mt 5. A questão da fé e das obras (Tg 2. uma religião apenas de palavras. ordenadas pela porcentagem de integrantes de acordo com o recenseamento demográfico do IBGE em 2000. mas de ação e amor. 25 O Cristianismo não é.2730. Nas últimas décadas. no amor fingido. na ignorância das coisas e do projeto de Deus.1-13.

de acordo com o IBGE. em 1824. incentivando uma experiência pessoal com Deus através do Espírito Santo.globo. sua hegemonia deve ser relativizada devido ao grande sincretismo religioso existente no país.html) A Renovação Carismática Católica (RCC) chegou ao Brasil no começo dos anos 1970. pesquisas mostram que o número de católicos parou de cair no Brasil depois de mais de 130 anos de queda. Porém. livre interpretação da Bíblia.com/Noticias/Brasil/0. e ganhou força em meados dos anos 1990. em 1811.4% da população). Atualmente. Protestantismo . Assemelha-se em certos aspectos às Igrejas Pentecostais.O Protestantismo é o segundo maior segmento religioso do Brasil com. com a chegada da Congregação Cristã no Brasil e da Assembleia de Deus.00. e imigrantes americanos trouxeram as Igrejas Batista e Metodista. respectivamente. o Brasil receberia o pentecostalismo. estas voltadas ao público brasileiro. e nenhuma instituição.. Os missionários Robert Kalley e Ashbel Green Simonton trouxeram as Igrejas Congregacional (em 1855) e Presbiteriana (em 1859). em 1890. como no uso dos dons do Espírito Santo. ( http://g1. que começou com a Reforma Protestante de Martinho Lutero em 1517. 26 católica. O protestantismo caracteriza-se pela grande diversidade denominacional. Um reflexo disso é o aparecimento de grande número de pessoas que se intitulam católicos não-praticantes. A maioria das denominações religiosas protestantes mantêm relações fraternais umas com as outras.wordpress. Em 1911.MUL30391-5598. aproximadamente. 19. Seguiu-se a implantação de outras igrejas de imigração: alemães trouxeram a Igreja Luterana. porém todas fazem parte de um mesmo movimento religioso interno ao cristianismo. concílio ou convenção geral que agregue e represente os protestantes como um todo.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Estima-se que apenas 20% dos brasileiros sejam católicos praticantes. em 2000. No transcorrer do século XX. A partir de 1950. comerciantes ingleses estabeleceram a Igreja Anglicana no país. na adoção de posturas que poderiam ser rotuladas como fundamentalistas e numa maior rejeição ao sincretismo religioso por parte de seus integrantes. o . foi perceptível uma diminuição no interesse pelas formas tradicionais de religiosidade no país. O movimento busca dar uma nova abordagem à evangelização e renovar algumas práticas do misticismo católico. segundo o último Censo do IBGE. Cada denominação religiosa protestante tem plena autonomia administrativa e eclesiástica em relação as outras igrejas congêneres. e também a Igreja Adventista.2 milhões de pessoas (15. com a vinda da família real portuguesa para o Brasil e a abertura dos portos a nações amigas por meio do Tratado de Comércio e Navegação.com/ Pag. As primeiras igrejas chegaram ao Brasil quando.

27 pentecostalismo transformou-se com a influência de movimentos de cura divina que geraram diferentes denominações. uma pesquisa com dados do período entre 2000 e 2003 mostra que o número de pessoas sem-religião caiu de pouco mais de 7% em 2000 para aproximadamente 5% em 2003 no Brasil. com igrejas mais secularizadas. órgão oficial de pesquisas. "Atheism: Contemporary Rates and Patterns". As crenças e grupos de crenças estão organizadas por ordem decrescente de crentes. surgiram igrejas neopentecostais com foco nas classes média e alta. a Convenção Batista Nacional e as igrejas da convenção Presbiteriana Renovada surgida a partir da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e Igreja Cristã Maranata e também a Igreja Cristã Presbiteriana surgidas da Igreja Presbiteriana do Brasil Na década de 1970. in The Cambridge Companion to Atheism. quem é agnóstico. segundo a religião. que são mais claras e indicadas por um ponto (·) à esquerda.com/ Pag. Cambridge University Press: Cambridge. e ênfase na teologia da prosperidade. População residente. trazendo um discurso ainda mais liberal quanto aos costumes e menos ênfase nas manifestações pentecostais. algumas denominações protestantes que eram tradicionais adicionaram o fervor pentecostal. são subtotais de linhas subseqüentes. sendo o segmento religioso com maior índice de crescimento. agnósticos ou declaram acreditar em um Deus sem estarem filiados a alguma religião específica. com a marca "(total)".com. estima-se que a média mundial de não-religiosos é de 23. o protestantismo vem ganhando muitos adeptos. embora conserve a sua fé em algo transcendental. Dentre essas igrejas se destacam a Igreja Renascer em Cristo e a Igreja Evangélica Cristo Vive. por sexo e situação do domicílio. Entretanto. como a Igreja Universal do Reino de Deus. Belo Horizonte (onde as igrejas Batistas e Presbiterianas têm grande espaço). como São Paulo. Não-religiosos . UK (2005). maior grupo religioso da Alemanha até os dias de hoje). denominando todos estes grupos pelo termo "sem religião". nas grandes capitais do sudeste. que trouxeram a Igreja Luterana. Rio de Janeiro. Nas últimas décadas.5% da população total. e quem apenas não segue alguma religião preestabelecida.3 Atualmente.De acordo com o último Censo realizado pelo IBGE. como exemplo.Adherents. . Algumas linhas da tabela. Censo Demográfico 2000. A partir dos anos 1980.wordpress. Citado no site www. apenas os ditos católicos e evangélicos superam em número os não-religiosos. por volta de 13 milhões de brasileiros (7. Nessa época. Phil.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. 4 IBGE.4% da população total) consideram-se ateus.4 3 Número estimado de não-religiosos na população mundial: Fonte: Zuckerman. surgiu o movimento neopentecostal. Goiânia e Brasília (onde a igreja Sara Nossa Terra têm grande percentual da população). Em comparação. padrões morais menos rígidos. tais como a Igreja "O Brasil Para Cristo" e a Igreja do Evangelho Quadrangular. A maioria das igrejas protestantes estão presentes: no Rio Grande do Sul (descendentes de alemães. Cabe salientar que o IBGE. não pergunta quem de fato é ateu.

porém. aproximadamente 3 milhões vivem no Brasil. Chico Xavier morreu em 30 de junho de 2002. Elias da Silva. A FEB foi fundada em janeiro de 1884. Chico Xavier é reconhecido mundialmente pela comunidade espírita. principalmente entre a população negra.O espiritismo é uma das religiões que tem crescido no Brasil. descendente de africanos. Responsável direto pelo grande número de adeptos que a religião conseguiu no Brasil. no sudeste. o médium foi indicado duas vezes ao prêmio Nobel da Paz. o espiritismo foi sistematizado pelo pedagogo francês Allan Kardec em O Livro dos Espíritos. como "O Livro dos Espíritos". Salvador. Estão concentradas em maior número nos grandes centros urbanos do Norte. "O Livro dos Médiuns". Os mais de 400 livros psicografados por ele foram traduzidos em inúmeras línguas. Aos 5 anos de idade.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. foi criado o "Grupo Familiar do Espiritismo". Foi nesse contexto que Adolfo Bezerra de Menezes aderiu à doutrina espírita. Recife. seus costumes deram origem a diversas religiões. Estima-se. Em 2000. "O Céu e o Inferno" e "A Gênese". atraindo principalmente a classe média. o Brasil concentrava 2. no Nordeste. fazendo dessa a maior nação espírita do planeta. Em 1873. Chico afirmou conversar com o espírito de sua mãe. Em setembro de 1865. No Brasil. Desse total. estimava-se a existência de 10 milhões de espíritas no mundo inteiro. ainda na segunda metade do século XIX. tornando-se um dos maiores expoentes do espiritismo do país. Como doutrina filosófica. 28 Espiritismo . Um dos aspectos mais interessantes das religiões de matriz africana é a conduta não proselitista. conhecido simplesmente como Chico Xavier. contudo. Esse grupo dedicou-se a traduzir para o português as obras de Kardec. com o lema "Sem caridade não há salvação. tais como o candomblé. Bezerra de Menezes foi presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB) por duas gestões. que foram carregadas de um viés muito mais religioso do que o existente na Europa. Rio de Janeiro e São Paulo. Religiões afro-brasileiras . e no Rio Grande do Sul. que tem milhões de seguidores. fundou-se a "Sociedade de Estudos Espíritas". Em 2005. sem caridade não há verdadeiro espírita". No dia 2 de abril de 1910. além é claro uma maior tolerância com o diferente (fato não encontrado na maioria dos . Foi dentro dessa perspectiva que o espiritismo foi amplamente divulgado no Brasil. com a finalidade de unificar o pensamento espírita no Brasil. Belo Horizonte. que o número de simpatizantes do espiritismo no Brasil gire em torno de 20 milhões. o primeiro Centro Espírita Brasileiro. Humanitário. pelo Sr.Com a vinda dos escravizados para o Brasil. nasceu Francisco Cândido Xavier.wordpress. Piauí e Alagoas. houve uma forte ressignificação das idéias espíritas. "O Evangelho Segundo o Espiritismo".3 milhões de espíritas. publicado em 1857. em Salvador.com/ Pag. Bahia. como Pará e Maranhão.

exceto em festas famosas. O Brasil é bastante conhecido pelos ritmos alegres de sua música. Tambor-de-Mina e Terecô com fortes elementos indígenas. Em 2004. Variação da afiliação religiosa por grupo: . os seguidores da umbanda deixam oferendas de alimentos. o batuque. A Umbanda é considerado por muitos uma religião nascida no Brasil em 15 de novembro de 1908 no Rio de Janeiro. 29 segmentos religiosos) As chamadas Religiões Afro-Brasileiras: o candomblé que é dividido em várias nações.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. a Comissão Nacional Anti-Drogas (CONAD). Religião brasileira . Xamanismo . atualmente.wordpress. Embora existam relatos de outras datas e locais de manifestação desta religião antes e durante este período seus adeptos aceitam esta data como o início histórico da mesma. há também a Umbanda. Porém.Começam a se difundir entre os brasileiros. principalmente na área profissional. vão sendo mais bem compreendidos. velas e flores em lugares públicos para os espíritos. Estas religiões foram perseguidas. Isto ocorre principalmente em Brasília e nas capitais da Região Sudeste. como o Samba e a conhecida como MPB (música popular brasileira). Catimbó.Do estado da Bahia para o norte há também práticas diferentes tais como Pajelança. que representa o sincretismo religioso entre o catolicismo.com/ Pag. o Xangô do Recife e o Xambá foram trazidas originalmente pelos escravos que cultuavam seu Deus. Isto pode relacionar-se ao fato de que os antigos proprietários de escravos no Brasil permitiam que seus escravos continuassem sua tradição de tocar tambores (ao contrário dos proprietários de escravos dos Estados Unidos que temiam o uso dos tambores para comunicações). o xamanismo brasileiro e os orixás africanos. e acredita-se terem o poder para o bem e o mal. aos poucos. Voduns ou inkices com cantos e danças trazidos da África. muitos de seus seguidores preferem dizer que são "católicos" para evitar algum tipo de discriminação. atual órgão do Ministério da Justiça brasileiro. as religiões neo-pagãs. Hoje são consideradas como religiões legais no país. que é a religião sobrevivente da África ocidental.Diferente do candomblé. espiritismo. Os terreiros de candomblé são discretos da vista geral. reconhece a legitimidade do uso religioso da ayahuasca e a legalidade de sua prática no culto do Santo Daime. Nas práticas atuais. Estas religiões estão em todo o país. Jurema. Neopaganismo . e as divindades chamadas Orixás. mas mesmo assim. como a Wicca e o Neo-druidismo. após dezoito anos de espera da comunidade daimista. tais como a Festa de Iemanjá em todo o litoral brasileiro e Festa do Bonfim na Bahia.

6 1. encontramos um dos temas centrais da década de noventa. a segunda discordância é em relação ao modo como ele vê as simpatias de Rorty e Habermas em relação à religião.0 83. mas ele disse que o mundo se desencantava uma vez que perdia sua magia. e que se mantém atual nessa primeira década do novo século. 1980.4 1. ainda que ele não saiba qualquer .0 4. 2000.3 0. 1991.8 89.com/ Pag. A religiosidade atual Em um artigo do ensaísta e diplomata Sérgio Paulo Rouanet.1 0. Pois Weber não disse que o mundo moderno se desencantava. um homem moderno pode ser religioso e.3 1. a uma inversão daquele processo que Max Weber considerava típico da modernidade e que tínhamos nos habituado a ver como definitivo: a secularização. com o título “A volta de Deus”.8 6.3 9. A primeira discordância é em relação ao que ele chama de "reencantamento do mundo".6 7.7 0.3 73. no sentido de que perdia sua religiosidade.6 0. na Folha de SP de 19 de maio de 2004.4 1. Livro 'Atlas da filiacão religiosa e indicadores sociais no Brasil'. É difícil ver um "reencantamento do mundo".6 1. Religião e magia não são a mesma coisa. há como discordar de Rouanet? No todo do artigo quase que não. mas em certos detalhes importantes que levam à razão do texto. se levamos a sério que tal enunciado seria o contrário da noção de "desencantamento do mundo" de Max Weber. isto é.wordpress.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Rouanet o sintetiza logo na entrada do texto: “Não chega a ser uma novidade que estamos assistindo desde algum tempo a um certo “reencantamento do mundo”.9 5. no entanto. pode muito bem não acreditar que o botão que ele aperta para acender a luz faça qualquer mágica ao se produzir luz.2 0. sim.7 1.” De fato. o século XXI. 30 Em porcentagem da população Religião Catolicismo Protestantismo Sem religião Espiritismo Religiões afro-brasileiras Outras religiões 1970 1980 1991 2000 91.8 Fonte: Recenseamentos demográficos do IBGE de 1970.4 15. Ou seja. Mais detalhes no Anexo II.

do que Jesus-Deus. é igual a qualquer pré-moderno (na acepção de Weber). inclusive a Teologia da Libertação a adotou. com a religiosidade cultivada pelos cidadãos de tais sociedades. para o bem ou para o mal. O que há. Não há nenhuma volta à religião. e talvez até socialista. mas acredita que isso seria um passo diferente se Habermas ainda fosse um sociólogo marxista. pregando a verdade. Se assim é. como se. é que o inimigo é inimigo por ser inimigo da vontade de seu deus. o homem moderno passa a viver com a idéia de que há explicações racionais e científicas para tudo. na cabeça deles. Este filósofo. mas Habermas nunca fez a simples apologia do laicismo. Sabemos que o foi. Ou seja. que simplesmente deveria fazer a apologia do laicismo. Ora. e então pouca coisa lhe mete medo ou o espanta. Por isso. exatamente por compreender que no "mundo da vida" caberiam mais elementos que o laicismo. algum dia. como Rouanet nota. Mas ele estranha tal comportamento. Qual a razão do estranhamento? É isso que fica . por mais fanático que seja. Habermas. O mesmo se dá com Rorty. não tem a ver com o fato do crescimento da religião no mundo. nenhum religioso de hoje.com/ Pag. o que os filósofos dizem com simpatia à religiosidade. ou quase tudo. Isso é o "desencantamento do mundo" de Weber. Não passa pela cabeça de nenhum oriental ou ocidental mais ou menos escolarizado. como diz Rouanet. Ora. Nenhum dos fanáticos que estiveram assassinando novaiorquinos no "11 de Setembro" acreditava que os aviões iriam. Rouanet cita isso. por conta do fato de termos nos últimos anos um crescimento do número de igrejas e fiéis no mundo todo. que poderia dar um salto de susto se alguém. acredita que energias religiosas fazem parte do mundo moderno. Ou seja. e as igrejas devem se submeter à vida estatal. para fomentar o que seria uma sociedade democrática. a própria teoria de Habermas não já tivesse sido tomada por várias correntes religiosas. e Rouanet parece compreender isso. está certo.wordpress. Rouanet força Habermas a ficar simpático à religião de um modo estranho.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. é um tanto complicado achar que há alguém em clima de reencantamento. achar que os deuses comandam a luz que se faz em um quarto. ou até mesmo analfabeto. Não há mágica. todos nós seguimos as leis da causalidade. por parte desses filósofos. diz que prefere Jesus-homem. explodir as torres . com um "clique". e sob ele. no Ocidente ou no Oriente. sozinhos. mas que a religião tem de viver sob as regras democráticas modernas. Mas todos eles sabem que o mundo natural é natural. hoje como ontem. 31 física para explicar o surgimento da luz ali na lâmpada acima de sua cabeça.eles sabiam muito bem que eles é que tinham de fazer isso. O que Rouanet acredita que sejam as posições de Habermas e Rorty não tem tanta ligação com o que é citado no conteúdo do seu artigo. pregando o amor. em diversas formas de religião. fizesse luz num quarto.

quando se matricula numa religião. Vou agora para o problema do título do artigo de Rouanet: há de fato uma volta de Deus? Não creio.fazem parte do campo do sagrado de cada um de nós. É isso que. Qual a razão pela qual Rorty usa "sagrado"? Não é a razão pela qual Rouanet acredita. agora. e teríamos sim de compreender que ela é um dos pontos de vista em uma sociedade plural . 32 difícil de entender. Escolas. tentar ajudar o outro? Muito mais útil. É isso que faz com que as pessoas procurem a religião: lugar para socialização. não seria bem útil ser doce. e as pessoas estavam precisando se ajudar mutuamente. esquecendo da tradição filosófica de Rorty. Cada palavra de Jesus. escreve um trecho ininteligível para mim: Não sei se Rorty leu "A Missa de um Ateu". para não deixar dúvida. O que há é um aumento do número de pessoas que escolheram ter como comunidade não só a paróquia criada pelas repúblicas ou estados constitucionais. mas tem conotação prática: energias religiosas e energias utópicas são energias privadas . a linguagem de César. publicado pelo teólogo Zabala. com ensaios de Rorty e Gianni Vattimo. ?rotaris?. era bastante útil . Mas Rouanet. são argumentos antes de um filósofo pragmático que de um pregador religioso.são espaços de socialização excludentes. para descrevê-la. Sagrado.era isso que dizia William James. Essas energias fazem com que alguns se dediquem à pintura e outros se dediquem à oração. partidos. não tem conotação mística. Roma não podia mais dar suas regras para todos. As igrejas são espaços includentes de socialização. pessoas com . então. o adjetivo "sagrado". quando ele se põe como cidadão e busca a justiça social.o homem que passasse a usar a linguagem de Jesus se adaptava melhor às necessidades do futuro do que os que usavam. de Balzac. não podia mais ajudar todos.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. muitas vezes. clubes e assim por diante não são espaços de socialização completos .com/ Pag. perdoar. então. mas também as paróquias criadas por grupos de crenças associadas ao desejo de ajuda-mútua. ainda. Posso dizer. fica claro com o livro The future of religion. pessoas para uma palavra amiga. Seu ateísmo soa estranhamente religioso. Não no sentido de uma crença muito diferente da que sempre houve. faz questão de usar. o caso do amor aos semelhantes. em Rorty. Sua utopia se parece nos mínimos pormenores com uma utopia messiânica. A maioria das pessoas procura amigos. Ninguém procura única e exclusivamente "ajuda divina" quando vai a uma igreja. Pois a tradição do pragmatismo coloca a idéia de que jamais deveríamos pedir a extinção da religião. baseado em Rorty. e. São as práticas privadas do homem quando da sua auto-construção individual não são as partes públicas desse homem.wordpress. Por exemplo. aquele campo no qual colocamos tudo sob uma aura (quase que num sentido benjaminiano do termo). Num mundo onde o romanismo e o culto do forte e viril entravam em colapso. mas a conclusão do seu discurso poderia ter como título "A Profecia de um Ateu". forçadamente. que os argumentos de Jesus.

e eles teriam uma hierarquia organizada para apoiá-los e organizar resistência. Trocam-se também. as seitas possuem esse caráter em todo o mundo. ele está embasbacado com o fato do crescimento da religião no mundo. trocas de favores. Os indivíduos podem pensar que a consciência exige desobediência ao estado. De início Rousseau nos diz que esta forma de religião é não somente santa e sublime. Rousseau distingue a "religião do homem" e a "religião do cidadão". solidões. de re-ligare. crenças e. a pátria do cristão não é deste mundo". com certeza. Como consequência os cristãos estão muito desligados do mundo real para lutar contra a tirania doméstica. mesmo as mais autoritárias e que exigem os maiores sofrimentos de seus membros. mas compete com o estado pela lealdade dos cidadãos. mas também verdadeira. O exemplo de religião do homem não hierarquizada é o cristianismo do evangelho. Rousseau Conclui seu "Contrato social" com um capítulo sobre religião. nas igrejas. Cristandade não é deste mundo e por isso tira do cidadão o amor pela vida na terra. namoros. é organizada e multinacional. Rousseau é claramente não hostil à religião como tal. Mas a considera ruim para o Estado. deixado de notar o que move as pessoas para a religião. Para começar. aparece como uma crença tipicamente religiosa . os cristãos fazem maus soldados. para Rousseau. Mas Habermas e Rorty não estão. em certos momentos. quase sempre. negócios. de convívio. perto de sua casa. "O Cristianismo é uma religião totalmente espiritual. Além disso. . etc. podem funcionar na criação de uma sociedade de ajuda-mútua? Os imigrantes italianos fizeram muitas sociedades de ajuda-mútua. de tanto estudar o iluminismo. amigos que se reúnem para orar e que. As igrejas funcionam assim. "Tudo que destrói a unidade social não tem valor" diz ele. aqui. No fundo. 14) OS FILÓSOFOS MODERNOS E A RELIGIÃO a. centrada na moral e na adoração a Deus. casamentos. 33 quem compartilhar idéias. A religião do homem que pode ser hierarquizada ou individual. quando se viram desesperados em um Brasil inóspito no começo do século XX. Este é o caso do Catolicismo. o calvinismo.wordpress. para Rousseau. Não é incentivadora do patriotismo. Se "Deus" é o "mediador" entre a minha vontade de não estar sozinho e a vontade do outro de escapar da solidão. É informal e não hierarquizada. preocupada somente com as coisas do céu. é certo que "Deus".Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. mas tem sérias restrições contra pelo menos três tipos de religião. Quem é que não quer ter.no sentido etimológico original da palavra religião. Esta é. a religião em que ele nasceu e foi batizado.com/ Pag. Rouanet parece ter.

no qual. para ele. Esta ensina o amor ao país. uma religião teria que limitar-se a ensinar "A existência de uma divindade onipotente. ela ensina que o serviço do estado é o serviço do Deus tutelar. essa maioria terá que ser reprimida pelo governo. ou seja. refutar as teorias diferentes . e cada uma delas conceder tolerância às demais. inteligente. ou civil. ele advogava a liberdade de religião contra a Igreja e a polícia. a religião nacional ou religião civil é a preferível. ele escreveu Lettres ecrites de la Montagne (Amsterdam. pelo fato mesmo de que serve ao Estado. Ele diz que ela reúne adoração divina a um amor da Lei. Para isso. e que. No entanto. e virtudes marciais.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. e este é o aspecto que mais interessa a Rousseau. em uma frase feliz. a punição dos pecadores. e os faz crédulos e supersticiosos". b. E diz mais: a religião nacional. 34 novamente porque eles não são deste mundo.As formas elementares da vida religiosa Ele tem como objetivo: elaborar uma teoria geral da religião. em fazendo a pátria o objeto da adoração do cidadão. Mas ele quer a pena de banimento para todos que aceitarem doutrinas religiosas "não expressamente como dogmas religiosos. no qual. A religião do cidadão é o que na sua época chamava-se também religião civil. mas como expressão de consciência social". É a religião de um país. A religião do império romano é seu exemplo. com referência à constituição de Genebra. "ela está baseada no erro e mentiras. O fato de que o estado possa banir a religião considerada antisocial deriva do princípio de supremacia da vontade geral (que existe antes da fundação do Estado) à vontade da maioria (que se manifesta depois de constituído o Estado). Profession de foi du vicaire savoyard. obediência ao estado. cuja omnipotência e grandeza são. e por isso. a sacralidade do contrato social e da lei". Rousseau mostra uma natural e verdadeira susceptibilidade para a religião e para Deus. Eles não irão lutar com a paixão e patriotismo que um exército mortífero requer. mas deveria usar a lei para banir qualquer religião que seja socialmente prejudicial. e se uma maioria deseja uma religião que vai contra essa primeira vontade. engana os homens. Para que fosse legal. diz Rousseau.wordpress. Deveria ser concedida tolerância a todas as religiões. uma religião nacional. uma vida após a morte.com/ Pag. 1762). Durkheim . Rousseau apresenta então sua proposta. publicamente renovadas cada dia. usa o método de definir o fenômeno. Do ponto de vista do estado. Refugiado em Neuchatel. A parte mais admirável nisto é o credo do vigário da Saboia. a felicidade do justo. a religião civil será manipulada segundo certos interesses. benevolente que prevê e provê. se todos querem o bem estar social. com base na análise da instituiçâo religiosa mais simples e mais primitiva (Totemismo). faz o povo "sedento de sangue e intolerante". O Estado não deveria estabelecer uma religião.

e o naturismo onde os homens adorariam as forças naturais transfiguradas. Na fase seguinte. nos fantasmas da imaginação. exprimem condições de vida servil (condições inevitáveis). A dialética do capitalista explorador e do proletário explorado é a fonte do inumano no homem e do religioso na sociedade. O sagrado se compõe de um conjunto de coisas. nos cérebros humanos. através da adoração do totem ou Deus os homens sempre adoraram a realidade coletiva: “Os interesses religiosos não passam da forma simbólica de interesses sociais e morais”. Karl Marx Em suas teses sobre Feuerbach (1854) Marx o critica e vai mais longe em sua explicação sobre religião. a sociedade anterior a cada um dos indivíduos e que sobrevive a eles. a fé em espíritos. Primeiro se idealizam as forças da natureza. uma força. c. e o que é diferente e. por sua vez. das forças externas que regem sua vida diária. mas às forças da produção e da minoria dominante.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. o conjunto dessas crenças e desses ritos constitui uma religião. 35 das suas.com/ Pag. . projetam estas forças num mundo ideal e lhes atribuem poder mágico ou religioso. não passa de um reflexo do homem abstrato. subjugados pelas forças da natureza. Durkheim refuta o animismo. esquecendo-se que a separação destes dois mundos tem seu fundamento no próprio mundo profano. Os homens primitivos. depois as sociais. Feuerbach esquece que o homem se modifica. não mais às forças da natureza. sagrado. Eles têm consciência de que há alguma coisa. que supera a sua individualidade. No primeiro estágio as forças misteriosas da natureza se tornam divindades. de crenças e de ritos. Ele abstrai da história e não vê que o próprio sentimento religioso é um produto histórico do social. reflexo em que as forças terrestres tomam aspectos de forças supra-terrestres. A outra fonte da religião está na dependência dos trabalhadores. Para Durkheim a essência da religião é a divisão do mundo em fenômenos sagrados ou profanos. Para que haja o sagrado é preciso que os homens façam a diferença entre o que é profano e cotidiano. portanto. Recebem atributos sociais e os deuses se tornam os representantes das forças históricas. Marx vê em qualquer religião apenas o reflexo imaginário. Limita-se a dissolver o mundo religioso no mundo profano. A religião é a transfiguração da sociedade. Também critica a Religião da Humanidade de Auguste Comte. no nível dos fetiches. dividido por antagonismos. A moral e as religiões do passado.wordpress. demonstrar a natureza essencialmente social da religião. modificando as circunstâncias. pois a religião é uma criação coletiva e não individual. todos os atributos naturais e sociais de todos os deuses são transferidos para um deus único e todo-poderoso que.

depois de longo tempo ali. cujo domínio está ameaçado. É a projeção no além. enquanto a classe alta e média enriquece apropriando-se do produto do pobre).Por que vocês continuam tocando os tambores como faziam antes de aceitar a Cristo? Isso não fará que seus irmãos voltem à sua antiga maneira de ser? . Estado capitalista. para chegar a este duplo resultado. alcançou muitos para Cristo. o povo cantava. Terminado o "culto". recém-convertidos. não .com/ Pag. Tal idealismo é um materialismo sórdido: o do grande capital. Nunca mais tocaríamos como o fazíamos antes! . 36 O proletário procura a felicidade que não consegue encontrar nos círculos imediatos de sua existência.wordpress.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura.Não. Para Marx. (nesse sentido ela é o ópio que enebria o pobre. o evangelista foi falar com um dos tocadores de tambor: . para justificar sua situação e para fazer a classe oprimida aceitar a sua sorte. Um fato que lhe causou uma grande surpresa foi quando os crentes daquela tribo. tão belo quanto possível. Esta é a alienação propriamente religiosa. no sobrenatural. de um paraíso perfeito. prometendo-lhe o consolo e um além fictício. válvula de segurança para a consciência dos privilegiados. sociedade.desde que nos tornamos crentes só usamos os toques bons. tão nobre. A religião como fator sociológico vai sofrer a influência cultural e nela influenciar. a religião é a forma ideal e abstrata encontrada pela classe dominante. Mas. para as danças das festas de seus deuses. o fetiche religioso a satisfaz e lhe acalma a consciência com alguns gestos de caridade. pois cega como é às causas da miséria (por egoísmo de classe). pois. Enquanto lá esteve. alienando-o do desejo de ter algo aqui e agora em troca do algo futuro. super-estruturas constituídas pelo capitalismo para garantir seu domínio. como a burguesia é uma classe em declínio. Veja esse ex. completamente alienado. começaram a tocar os tambores em sua primeira grande reunião de culto.Quer dizer que há toques de tambor bons e maus? . presenciou por diversas vezes os toque de tambor chamando para a guerra. deve.respondeu o tocador de tambor . A própria religião tranqüiliza a classe dos exploradores. propriedade. conseguir que o ideal proposto se apresente tão grande. A forma de religião bíblica dentro de uma cultura está constantemente em choque com a linha divisória entre a expressão religiosa cultural (religião herdada dos antepassados) e a expressão social cultural (modo de vida). A medida que o toque dos tambores se intensificava. A alienação religiosa é mantida pelo capitalismo que consola o operário de sua miséria presente. submissão a uma abstração que mantém a escravidão. batia palmas e celebrava sua nova vida em Cristo. Ensina-se o explorado a procurar a sua felicidade no além.: "Certo missionário em uma determinada tribo africana.

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embora a tradição relate que vieram do leste. uma grande parte dos frutos deste trabalho e uma considerável porção do dia são dispensados em atividades rituais. O foco destas atividades é o corpo humano.wordpress. 1988 YINGER (“Religion. em 1936. Jean-Paul. Nex York. Conforme a mitologia dos Sonacirema. que evolui em um rico habitat.) . Pouco se sabe sobre sua origem. Macmillan. 1957.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. deu origem à sua nação. Oxford-New York: Oxford University Press. Paris: Presses Universitaires. 2006 WACH. que é incapaz de surpreender-se mesmo em face dos costumes mais exóticos. Society and the Individual”. Deste ponto de vista. e os Carib e Arawak das Antilhas. as crenças e práticas mágicas dos Sonacirema apresentam aspectos tão inusitados que parece apropriado descrevê-los como exemplo dos extremos a que pode chegar o comportamento humano. Helena. usado pelos Sonacirema como dinheiro. 1999 VILAÇA. Foi o Professor Linton. se nem todas as combinações logicamente possíveis de comportamento foram ainda descobertas. Apesar do povo dedicar muito do seu tempo às atividades econômicas. p. conhecido por duas façanhas de força: ter atirado um colar de conchas. 40        VOYÉ. 1995 WILSON. 1990. Joachim. um herói cultural. A cultura dos Sonacirema caracteriza-se por uma economia de mercado altamente desenvolvida. os Yaqui e os Tarahumare do México. Leuven: Leuven University Press. ele é. Abril de 2006 WEBER.Religion in Sociological Perspective.Sociology and Religions: na ambigouous relationship. Max. CANCIAN. 1983 WILLAIME.com/ Pag. WEBER. o antropólogo bem pode conjeturar que elas devam existir em alguma tribo ainda não descrita. Max. Da torre de Babel às terras prometidas: pluralismo religioso na em Portugal. De fato. A ética protestante e o espírito do capitalismo.20-1 16) ANEXO I . Porto: Edições Afrontamento. cuja aparência . por outro lado. Notgnihsaw. Trata-se de um grupo norte-americano que vive no território entre os Cree do Canadá. Relógio D’Água Editores. Lisboa: Editorial Presença. Sociologia das Religiões. através do rio Po-To-Mac e ter derrubado uma cerejeira na qual residiria o Espírito da Verdade. Liliane & BILLIET. São Paulo: Paulinas. Bryan . o primeiro a chamar a atenção dos antropólogos para os rituais dos Sonacirema. Attilio. Sociologie des religions. Sociologia da religião. mas a cultura desse povo permanece insuficientemente compreendida ainda hoje. Jaak (Ed.Ritos corporais entre os Sonacirema O antropólogo está tão familiarizado com a diversidade das formas de comportamento que diferentes povos apresentam em situações semelhantes.

irá. são muitas.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. só podemos concluir que aquilo que os leva a conservar todas as velhas substâncias é a idéia de que sua presença na caixa-de-encantamentos. por certo. Esta escrita é entendida apenas pelos médicos-feiticeiros e pelos ervatários. são discutidos apenas com as crianças e. mas sim cerimônias privadas e secretas. somente durante o período em que estão sendo iniciadas em seus mistérios. Os Sonacirema não se desfazem do encantamento após seu uso. Como tais substâncias mágicas são especificas para certas doenças e as doenças do povo. cujo auxilio deve ser recompensado com dádivas substanciais. Eu pude. Embora cada família tenha pelo menos um de tais santuários. 41 e saúde surgem como o interesse dominante no ethos deste povo. a alusão à opulência de uma casa. normalmente. reais ou imaginárias. contudo. As famílias mais pobres imitam as ricas. em frente à qual são efetuados os ritos corporais. neste caso. A crença fundamental subjacente a todo o sistema parece ser a de que o corpo humano é repugnante e que sua tendência natural é para a debilidade e a doença. Os pacotes mágicos são tão numerosos que as pessoas esquecem quais são suas finalidades e temem usá-los de novo. os médicos-feiticeiros não fornecem a seus clientes as poções de cura. Embora tal tipo de interesse não seja. Os ritos.com/ Pag. muito freqüentemente. providenciam o encantamento necessário. mas as câmeras de culto das mais ricas têm paredes de pedra. de fato. os quais. toscamente pintadas. Cada moradia tem um ou mais santuários devotados a este propósito. Encarcerado em tal corpo. de alguma forma.wordpress. Tais preparados são conseguidos através de uma serie de profissionais especializados. os rituais a eles associados não são cerimônias familiares. Os indivíduos mais poderosos desta sociedade têm muitos santuários em suas casas e. raro. Contudo. . estabelecer contato suficiente com os nativos para examinar estes santuários e obter descrições dos rituais. em troca de outra dadiva. proteger o adorador. somente decidem quais devem ser seus ingredientes e então os escrevem em sua linguagem antiga e secreta. os mais poderosos dos quais são os médicos-feiticeiros. O ponto focal do santuário é uma caixa ou cofre embutido na parede. a caixa-de-encantamentos está geralmente a ponto de transbordar. a única esperança do homem é desviar estas características através do uso das poderosas influências do ritual e do cerimonial. é feita em termos do número de tais centros rituais que possua. seus aspectos cerimoniais e a filosofia a eles associadas são singulares. aplicando placas de cerâmica às paredes de seu santuário. mas os colocam na caixa-de-encantamento do santuário doméstico. Neste cofre são guardados os inúmeros encantamentos e poções mágicas sem os quais nenhum nativo acredita que poderia viver. Embora os nativos sejam muito vagos quanto a este aspecto. Muitas casas são construções de madeira.

pela cavidade bucal. um após o outro. Acreditam que. e ao mesmo tempo fascinação. estão os especialistas cuja designação pode ser traduzida por "sagrados-homens-da-boca". usando os instrumentos acima citados. o propósito destas aplicações é tolher a degeneração e atrair amigos. logo abaixo dos médicosfeiticeiros no que diz respeito ao prestígio. Se isto puder ser provado. consistindo de brocas. entra no santuário. Foi-me relatado que o ritual consiste na inserção de um pequeno feixe de cerdas de porco na boca juntamente com certos pós mágicos. Nestas cavidades são colocadas substâncias mágicas. 42 Abaixo da caixa-de-encantamentos existe uma pequena pia batismal. Acreditam também na existência de uma forte relação entre as características orais e as morais: Existe. não obstante o fato de seus dentes continuarem a degenerar. O sacerdote-da-boca abre a boca do cliente e. inclina sua fronte ante a caixa-de-encantamentos. por exemplo.boca. e em movimentá-lo então numa série de gestos altamente formalizados. Caso não existam cavidades naturais nos dentes. As águas sagradas vêm do Templo da Água da comunidade. onde os sacerdotes executam elaboradas cerimônias para tornar o líquido ritualmente puro. quando ele enfia um furador num nervo exposto. teremos um . furadores. se não fosse pelos rituais bucais seus dentes cairiam. grandes seções de um ou mais dentes são extirpadas para que a substância natural possa ser aplicada.wordpress. sondas e aguilhões. que só pode considerá-lo revoltante. Estes profissionais têm uma impressionante coleção de instrumentos. Esperemos que quando for realizado um estudo completo dos Sonacirema haja um inquérito cuidadoso sobre a estrutura da personalidade destas pessoas. O caráter extremamente sagrado e tradicional do rito evidencia-se pelo fato de os nativos voltarem ao sacerdoteda-boca ano após ano. Na hierarquia dos mágicos profissionais. uma ablução ritual da boca para as crianças que se supõe aprimorar sua fibra moral. O ritual do corpo executado diariamente por cada um dos Sonacirema inclui um rito bucal. seus amigos os abandonariam e seus namorados os rejeitariam. mistura diferentes tipos de águas sagradas na pia batismal e procede a um breve rito de ablução. uma tortura ritual quase inacreditável.com/ Pag. as pessoas procuram o mencionado sacerdote-da-boca uma ou duas vezes ao ano. O uso destes objetos no exorcismo dos demônios bucais envolve. Todos os dias cada membro da família. Basta observar o fulgor nos olhos de um sacerdote-da. Os Sonacirema têm um horror quase que patológico. este rito envolve uma prática que choca o estrangeiro não iniciado. Do ponto de vista do cliente. Apesar de serem tão escrupulosos no cuidado bucal. para se suspeitar que este rito envolve certa dose de sadismo. para o cliente.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Além do ritual bucal privado. cujo estado acreditam ter uma influência sobre todas as relações sociais. alarga todas as cavidades que a degeneração possa ter produzido nos dentes.

pois a maioria da população demonstra tendências masoquistas bem definidas. cuja doutrinação ainda é incompleta. porque "é lá que se vai para morrer". por sua vez. Não importa quão doente esteja o suplicante ou quão grave seja a emergência. Os médicos-feiticeiros têm um templo imponente. ou latipsoh. movimentam-se serenamente pelas câmaras do templo. só podem ser executadas neste templo. Este tipo de tratamento cerimonial é necessário porque os excreta são usados por um adivinho para averiguar o curso e a natureza da enfermidade do cliente. são realizados apenas no segredo do santuário doméstico. Esta parte do rito envolve raspar e lacerar a superfície da face com um instrumento afiado. mas o que lhes falta em freqüência é compensado em barbaridade. os guardiões de muitos templos não admitirão um cliente se ele não puder dar uma dádiva valiosa para a administração.wordpress. As cerimônias mais elaboradas. As atividades excretoras e o banho. os guardiães não permitirão ao neófito abandonar o local se ele não fizer outra doação. Como parte desta cerimônia. Na vida cotidiana os Sonacirema evita a exposição de seu corpo e de suas funções naturais. Um homem. em cada comunidade de certo porte. O suplicante que entra no templo é primeiramente despido de todas as suas roupas. . As cerimonias latipsoh são tão cruéis que é de surpreender que uma boa proporção de nativos realmente doentes que entram no templo se recuperem. necessárias para tratar de pacientes muito doentes. podem resultar traumas psicológicos. quando possuem recursos para tanto. O aspecto teoricamente interessante é que um povo que parece ser preponderantemente masoquista tenha desenvolvido especialistas sádicos.com/ Pag. com roupas e toucados específicos. enquanto parte dos ritos corporais. mas um grupo permanente de vestais que. as mulheres usam colocar suas cabeças em pequenos fornos por cerca de uma hora.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Da perda súbita do segredo do corpo quando da entrada no latipsoh. 43 modelo muito interessante. manipulação e aguilhadas dos médicosfeiticeiros. cuja própria esposa nunca o viu em um ato excretor. Mesmo depois de ter-se conseguido a admissão. e sobrevivido às cerimônias. Linton (1936) se referiu na discussão de uma parte específica dos ritos corporal que é desempenhada apenas por homens. Estas cerimônias envolvem não apenas o taumaturgo. Foi a estas tendências que o Prof. têm seus corpos nus submetidos ao escrutínio. Clientes do sexo feminino. resistem às tentativas de levá-las ao templo. adultos doentes não apenas querem mas anseiam por sofrer os prolongados rituais de purificação. Apesar disto. acha-se subitamente nu e auxiliado por uma vestal. Sabe-se que as crianças pequenas. enquanto executa suas funções naturais num recipiente sagrado. Ritos especificamente femininos têm lugar apenas quatro vezes durante cada mês lunar.

são tão idolatradas que podem levar uma boa vida simplesmente indo de cidade em cidade e permitindo aos embasbacados nativos. As excretoras são funções naturais de reprodução são. mas que decorrem da aversão profunda ao corpo natural e suas funções. Este "doutor-bruxo" tem o poder de exorcizar os demônios que se alojam nas cabeças das pessoas enfeitiçadas. rotinizadas e relegadas ao segredo. como os ritos do sacerdote-da-boca. teme-se que as mães lancem uma maldição sobre as crianças enquanto lhes ensinam os ritos corporais secretos. e banquetes cerimoniais para tornar gordas pessoas magras. O fato de que estas cerimônias do templo possam não curar. O intercurso sexual é tabu enquanto assunto. e possam mesmo matar o neófito. distorcidas. Com precisão ritual as vestais despertam seus miseráveis fardos a cada madrugada e os rolam em seus leitos de dor enquanto executam abluções. Já fizemos referência ao fato de que as funções ritualizadas. O paciente simplesmente conta ao "ouvinte" todos os seus problemas e temores. e uns poucos indivíduos reportam a origem de seus problemas aos feitos traumáticos de seu próprio nascimento. Resta ainda um outro tipo de profissional. Existem jejuns rituais para tornar magras pessoas gordas. Em outras horas. . deve-se fazer referência a certas práticas que têm suas bases na estética nativa. A memória demonstrada pelos Sonacirema nestas sessões de exorcismo é verdadeiramente notável. elas inserem bastões mágicos na boca do suplicante ou o forçam a engolir substâncias que se supõe serem curativas.wordpress. envolvem desconforto e tortura. Umas poucas mulheres. e é programado enquanto ato. particularmente. Outros ritos são usados para tornar maiores os seios das mulheres que os têm pequenos e torná-los menores quando são grandes. 44 Poucos suplicantes no templo estão suficientemente bons para fazer qualquer coisa além de jazer em duros leitos. De tempos em tempos o médico-feiticeiro vem ver seus clientes e espeta agulhas magicamente tratadas em sua carne. contemplaremnos. não diminui de modo algum a fé das pessoas no médico feiticeiro. principalmente pelas dificuldades iniciais que consegue rememorar. Não é incomum um paciente deplorar a rejeição que sentiu.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. com os movimentos formais nos quais estas virgens são altamente treinadas. quando bebê. em troca de uma taxa. da mesma forma. A contra-magia do doutor bruxo é inusitada por sua carência de ritual. As cerimônias diárias. Como conclusão. Os Sonacirema acreditam que os pais enfeitiçam seus próprios filhos. conhecido como um "ouvinte". ao ser desmamado.com/ Pag. dotadas de um desenvolvimento hipermamário quase inumano. A insatisfação geral com o tamanho do seio é simbolizada no fato de a forma ideal estar virtualmente além da escala de variação humana.

201 19. 1976.085 1.582 38.862 0.132 500.994 427.029.912.175 0.899 0.145 981. MINER.014 7.719 4.171.total % urbana contingente % rural contingente 31. o homem primitivo não poderia ter dominado.878 17. Nossa análise da vida ritual dos Sonacirema certamente demonstrou ser este povo dominado pela crença na magia.088 0.09 3.078 0.617.317 62.com/ Pag.925.539 100. Mas até costumes tão exóticos quanto estes aqui descritos ganham seu real significado quando são encarados sob o ângulo relevado por Malinowski.100 4. pelo uso de substâncias mágicas ou pela limitação do intercurso sexual a certas fases da lua.668 0.220 0.163 2.512 15.183 mulheres contingente % [10] por sexo 169.740.345 0.256.238 100.244 73.511 0.504.111 1.593 2.665 250.00 74.245 0.20 82.618 26.963 148.565 0. O parto tem lugar em segredo.097 18.41 4.552 0. e a maioria das mulheres não amamenta seus rebentos.774 124.981 523.475.893 380.578.43 63.361.584 61.620 23. suas dificuldades práticas.941 6.606 0.00 125.064 340.37 98.236 125.947.677.980.00 83.152 0.712 0.578 0.625 0.307 73.444.448.014 10.800 76.946 538.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura.736.062.295 0.091 29.916 0.939. A concepção é na realidade.wordpress.89 73.959 71.194 1.270.624 553. nem poderia ter avançado aos estágios mais altos da civilização".031 931.00 137.06 86.747 681.872 71. Mas sem seu poder de orientação.836 34.00 63.224 17.910 16.642 194.312 33.239 0.085 11.107 670.022 9.299 0.226 83.117 0.872.96 0.342 0.528 179.609 0.860 0.52 .630 0.888 250. quando escreveu: "Olhando de longe e de cima de nossos altos postos de segurança na civilização desenvolvida. é fácil perceber toda a crueza e irrelevância da magia. no Brasil em 2000 por situação domiciliar Total religião ou crença contingente (total) Católicas (total) · Católica apostólica romana · Católica apostólic brasileira · Católica ortodoxa Igrejas evangélicas (total) · de missão (total) · · Batista · · Adventista · · Luteranas · · Presbiteriana · · Metodista · · Congregacional · · Outras · de origem pentecostal .745 2.062.290 18. É difícil compreender como tal povo conseguiu sobreviver por tão longo tempo sob a carga que impôs sobre si mesmo.392 3.019 9.049 0.856 100.582 0.877.494 904.458 146.901.063 3.765 3.074 0.79 2.73 98.162.949 0.192 0.209.078.347.940.023 13.380 0.627 0.125 % 100.022 15.817.236 64. pouco freqüente.645 0.40 430. sem amigos ou parentes para ajudar.642 7.391 homens contingente 83. 45 São feitos esforços para evitar a gravidez.37 74.939.495 11.024 22.222 % 100.663 1.344.04 0.937 15.021 15.174 70.57 0.842 1.727 0.12 250. Quando grávidas as mulheres vestem-se de modo a esconder o estado.48 6. 17) ANEXO II -Distribuição das crenças em 2000 Distribuição da população segundo a religião ou crença.182 11.337 4.903 26.563 1.571 4.356 2.784 0.691 1.495 1.602.022 14. como o fêz.189 73.656 325.020 10.518.201 0.008.778 538.184.69 3.060 26.

489.315 1.166 2.191 0.002 0.009 1.441.300 1.552 0.715.107 67.383 1.897 443.226 310.068 0.227 4.904 7.065 0.600 1.445 1.303 0.403 383.116 120.163 0.874 0.901 9.020 0.752 183 1.532 55.721 5.185 99.711 340.484 172.581 1.720 0.533 397.682 206.613.804.040 27.418 0.206.657 928.429 4.087 54.064 1.583 92.232 10.540.033 0.380 250.066 1.686 305.785 1.206 198.193 159.560.116 0.307 0.625 43 2.219 0.448 0.140 2.108 0.553 0.339 3.401 1.082 43.253.222 400.575 1.079 24.017 7.261 118.618 128.089 0.045.612 30.123 0.464 0.034 0.803 15.024 0.245 159.368 509 2.382 10.830 277.009 0.237 0.888 1.318.137 92.148 0.418 1.951.383 0.130.551 1.152 0.391 0.005 9.197 103.264 450.354 0.175 0.009 0.333.084 0.262.895.089 86.034 0.914 0.005 4.013 0.101 5.342 1.088 91.808 0.148.010 7.382 2.596.009 0.139 0.764 7.052 0.383 2.062 0.010 0. 46 · · Assembleia de Deus · · Congregação Cristã Brasil · · Universal do reino Deus · · Evangelho quadrangular · · Deus é amor · · Maranata · · Brasil para Cristo · · Casa da bênção · · Nova vida · · Outras · sem vínculo institucional (total) · · de origem pentecostal · · Outros · outras religiões evangélicas Espírita Outras cristãs (total) · Testemunhas de Jeová · Mórmon · Outras Um banda Budismo Novas religiões orientais (total) · Messiânica mundial · Outras Candomblé Judaísmo Tradições esotéricas Islâmica Espiritualista Tradições indígenas Hinduísmo Outras religiosidades Outras religiões orientais Sem religião sem declaração não determinadas 8.964 0.153 225.465 330.342 175.009 0.891 0.110 0.467 0.206 0.889 17.046.521 7.033 0.225 0.066 1.252 0.038 0.002 0.230 65.399 4.020 24.050 0.241 588 1.458 0.725 0.800 1.540.036 11.645 235.887 1.393 96.125 132.172 108.352 784.734 0.358.175 59.091 0.900 312.316 0.707 309.111 0.418.310 41.222 640.850 0.205.228 0.509 773.722 58.016 0.113 2.091 0.004 0.234 0.101.529 0.514 159.637 16.050 30.141 0.077 39.805 774.076 0.323 4.244 0.352 0.200 43.648 4.080 109.658 1.687 191.434 1.068 0.972 2.492.056.243 0.943 46.989 7.758 195.577 10.784 41.332 0.967 646.840.225 1.909 649.198 0.348 1.224 592.548 1.929 0.005 2.000 0.997 0.014 0.007 0.124 0.6526445 331.033 100.597 27.301.063 55.465 1.247 0.913 0.089 56.359 454.002 13.650 0.370 0.546 893.487 336.001 0.007 0.227 581.463 0.464 526.021 0.861 0.789 0.171 0.147 545.676 92.843 2.140 0.582 86.507 0.096 0.307 125.239 25.126 0.259 710.600 0.050 0.414 71.051 0.146 385.118 0.132 51.873 151.115 77.008 0.713 0.447 0.616 0.175 1.983 98.222 1.773 0.042 0.941 1.214 0.004 0.825 58.090 0.104.007 0.295 0.885 1.087 144.226 0.431 214.016 0.186 0.173 0.015 0.142 201.993.956 1.276 0.002 0.708 0.035 0.831 0.660 1.com/ Pag.036 654.758 107.038 0.244 945.957 4.wordpress.707 117.005 7.005 10.211 6.382 0.456 0.011 0.558 1.002 4.190 .049 0.198 0.393 0.987 0.557 35.286 4.789 76.329 800.315 0.740 177.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura.009 4.785 1.045 1.5214 125.857.016 0.907 0.283 11.119 0.070 0.019 0.905 15.525 70.400 0.011 0.443 12.397 0.488 1.543 0.393 3.693 0.088 2.482 5.064 0.938 0.018 6.055 0.478 17.075 0.025 0.148 145.028 70.279 203.832 12.847 0.772 0.485 0.306 57.484 7.014 0.953 357.776 0.029 123.013 14.103 0.106 106.445 27.471 266.886 199.002 8.770 127.054 1.539 0.446 34.539 0.

doutor em sociologia pela USP. e Antropol. da UFMG Antônio Flávio PIERUCCI. 2004 Entre passos firmes e tropeços Renarde Freire Nobre . 236 p. na leitura. professor adjunto do Departam.com/ Pag. São Paulo. italiano). Se aqui lhe serão feitas críticas. quero frisar que gosto do livro como texto e como pesquisa. 139): um religioso (ou ético-prático).1 Assim. auxiliada pelo cotejamento com traduções feitas em outras línguas (inglês. elas se resumiriam a dois significados associados à expressão DM. O desencantamento do mundo: todos os passos de um conceito. Editora 34. Em sendo um "conceito". transparece o gosto do autor pela escrita. bem o sabemos. francês. contra as interpretações de que se trataria de um "simples termo" ou. esforço que se evidencia já no subtítulo "todos os passos de um conceito". utilizando-se inclusive da pesquisa digital (CD-ROM das obras completas do pensador alemão). A expressão "desencantamento do mundo" é apresentada como um "conceito" profícuo no esquema analítico weberiano. não é moeda corrente no mundo acadêmico. 2003. faz-se mister apresentar um brevíssimo resumo do livro na forma de suas idéias principais. Trata-se de um texto muito bem escrito. de Sociolog. em linguagem clara e agradável. que leva Pierucci a falar num "mundo duplamente desencantado" (p.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. os quais lhe conferem uma qualificação superior. indicando o processo de "desmagificação" das vias de salvação. seria preciso encontrar seu "núcleo duro" em meio às evidentes variações (pp. pior ainda. Inicialmente gostaria de destacar dois méritos deste livro.vol. 47 18) ANEXO III -Desencantamento do Mundo Revista Brasileira de Ciências Sociais . algumas contundentes. 31 e 35). elas só se fizeram possível a partir da riqueza do material selecionado e da força interpretativa da abordagem adotada pelo autor.wordpress. tudo realizado com extremo cuidado e com a melhor tradução para o português. algo que. Antes de passar às considerações críticas. E foi precisamente isso que Pierucci fez: selecionou e analisou todas as aparições da expressão DM nos originais escritos por Weber.19 no. Além disso. doravante DM –.54 São Paulo Feb. espanhol. a obra reflete uma pesquisa extremamente minuciosa do que constitui seu tema central – desencantamento do mundo [Entzauberung der Welt]. e outro científico (ou empírico- . para além das limitações ou mesmo dos equívocos. Quanto às variações. uma "visão de mundo".

porquanto uma resenha tem de ser curta. não obstante fiel ao espírito geral do livro em exame. parece-me que o problema está na ausência de uma distinção clara entre o "significado cultural" (histórico) do conceito e as suas significações pontuais. 185 e 201). em particular. são tipificações que auxiliam o pesquisador na sua tarefa de conferir significados à realidade ou. A favor de tal pertinência. seria "o verdadeiro Big Bang do racionalismo prático ao modo do Ocidente moderno" (p. 48 intelectual). 42. são instrumentais para a expressão de "problemas".Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. meios para o conhecimento causal-significativo. com o que melhor esclareceria como e por que o processo de DM se adequa à caracterização (metodológica) de um "conceito". em geral. E há o argumento de ordem biográfica. Em relação à interpretação da dupla semântica do "conceito" DM. mas um sociólogo-historiador das racionalizações da vida. parece-me que faltou uma devida apresentação do que vem a ser um "conceito" para Weber. sendo as religiões ocidentais o seio milenar de regularização da conduta prática (pp. Essa articulação de idéias. que designa o processo de "deseticização" via transformação deste mundo num mero mecanismo causal (pp. "Conceitos". Quanto ao caráter conceitual da expressão DM. ligado ao processo geral de racionalização do Ocidente. Dada a insistência de Pierucci na condição conceitual da expressão DM. 146-147). corresponderia à semântica religiosa. a edição final de A ética protestante e o "espírito" do capitalismo. seria útil se ele precisasse o que é. não a finalidade do conhecimento. se se preferir. de 19202 – vir em sua denotação ético-religiosa corroboraria. Em reforço está a idéia de que o modo de racionalização constitutivo do desencantamento é antes relativo ao "agir" do que ao "pensar". a postulação do significado "desmagificação" como aquele que corresponde ao "núcleo duro" do conceito. Darei "passos" necessariamente largos. ao juízo de Pierucci. pois a "desmagificação". metodologicamente. e da modernização cultural do Ocidente.com/ Pag. 18). Pierucci apoia-se em dois argumentos cronológicos: um de ordem histórica. em sentido weberiano. um "conceito" para Weber – para além de dizer que ele deve ter um "núcleo duro" –. ao que se acrescentaria o fato de Weber não ser um "sociólogo da religião" stricto sensu. A última idéia importante do livro é a de que DM corresponderia a um "conceito histórico" (p. a exemplo de muitos cientistas de hoje. operada no âmbito religioso – notadamente no judaísmo e no puritanismo –. o que exigiria o tratamento. perspectivas em relação às quais se justificaram os seus estudos sobre religiões (p. da noção de "tipos ideais". . pois o fato de o último aparecimento do termo DM num texto escrito por Weber – a saber. 147). minimamente posto.wordpress. é arbitrária no sentido de que visa a sustentar as considerações que farei a seguir. 198). O "núcleo duro" do conceito. 165.

com outro conteúdo. contudo. não são simultâneas.. na verdade e por outro ângulo. Pierucci insiste.] enquanto permanecer viva e influente no Ocidente essa religiosidade ético-ascética [em sua versão puritana]. Faltou a Pierucci mostrar o quanto o "aumento da carga semântica" na panorâmica do DM no Ocidente se deu na forma de uma inflexão histórica que desalojou o . ao contrário. antes de tudo. não sucessivos. Pois Weber não falou do "paradoxo das conseqüências" em relação ao processo em que as intenções ético-ascéticas que deram ensejo ao moderno racionalismo deixaram de ser necessárias. 49 uma vez que a expressão é acionada por Weber em seus textos. quiçá. empurrando. todavia. no plano histórico.com/ Pag. concomitantemente. mas que. o "duplo" não corresponde à simultaneidade de dois significados e. apenas no início do fim. só que ainda é religião.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. [A ascese puritana] é religião de saída da religião. ao se dispensar qualquer justificativa ética para o mundo.wordpress. mas. em gestação e. pela qual o avanço de racionalidades mundanas de tipo seculares substituem o significado ético-religioso do DM por um significado não-ético. o que é mais incorreto. nós estaremos. A confusão pode ser observada na seguinte passagem: [. A significação técnico-científica do DM. outra direção" (pp. Embora reconheça o caráter "histórico" ou "idiográfico-desenvolvimental" do "conceito" (pp. a religiosidade para o plano do irracional – e. Estamos apenas na abertura de uma nova etapa do desencantamento do mundo. em convivência com o processo tradicional de matiz religioso. sua eficácia desencantadora ficou no passado. a uma alteração de significado dentro de um mesmo e milenar processo de DM que constitui a singularidade cultural do Ocidente. mas de modo algum indefinida. como "motivo" que posteriormente se dispensa. ela também efetivamente instaura uma era em que o DM adquire uma expressão radicalmente anti-religiosa. um outro rumo. o que há é uma outra etapa de um mesmo processo. sobretudo. 211-212 Sem dúvida.. 198-199). outra materialidade substantiva e. elas se sucedem na forma de uma inflexão histórica. que começa a se infletir apenas aí numa outra direção.. de que se tratam de processos coetâneos.. Se as religiões persistem – e. sim. para uma abertura à mística. a religiosidade –. ao mesmo tempo em que guarda sua herança das grandes religiões éticas – daí haver uma relação arqueológica da ciência com o ascetismo e o intelectualismo das dogmáticas proféticas –. Perceberse-ia que o fato de os dois principais significados de DM – o religioso e o científico – serem coetâneos no contexto da obra não indica que o são na história cultural. É certo que a idéia de um "mundo duplamente desencantado" pode ser aplicada aos dois âmbitos. e ele não falou da fatalidade dos novos tempos em que o DM tornou-se sinônimo de racionalização e intelectualização seculares (Ciência como vocação)? Há sim um "mundo duplamente desencantado" na forma de duas "etapas" históricas.

então por que diabos insistir na tese de que o significado religioso é mais significativo do que o científico? Resta uma argumentação prá lá de desconfiável: na busca minuciosa dos aparecimentos da expressão nos escritos de Weber.wordpress. Comemoro porque esse achado refuta terminantemente [sic] a hipótese de uma evolução semântico no trabalho do conceito (p. 218). de um "agir". também romper com o que é característico em todas as profecias ético-emissárias que o precederam: a .com/ Pag.. E em todas elas também se trata. Pierucci vai se referir ao desencantamento no âmbito científico como "a acepção mais radical do termo" (p. mas se constitui num pressuposto. Não há "evolução semântica" do conceito na obra. Pierucci também se equivoca ao restringir o desencantamento tardio à esfera do intelectualismo científico. quando na verdade ele se manifesta em todas as esferas racionalizadas de modo "puro". só que orientado por regras e interesses. Pelo que foi exposto. Acontece que esse apoio na cronologia da obra só reforça a confusão entre os significados pontuais com que Weber lança mão da expressão DM e sua "significação cultural" numa visão panorâmica da trajetória de racionalização do Ocidente. sociologicamente falando. cujo núcleo é a desdogmatização técnica e intelectual do mundo. Isso Pierucci compreende muito bem. Há o "núcleo duro". A ascese ético-prática inventada e cultivada pelas religiões ajudou a constituir um mundo moderno que. Talvez fosse mais coerente e convincente pensarmos em dois "núcleos duros" referidos às duas etapas: uma. há a "dimensão extremada": afinal. como a economia capitalista e o Estado de Direito. para além da eliminação definitiva da magia. e que. contudo. cujo núcleo é a desmagificação religiosa do mundo. O que ele não explora devidamente é o fato de o puritanismo. o que se encontrou como último emprego foi [. não mais por referências éticas alicerçadas em crenças. 50 conceito da sua matriz religiosa via resignificação numa nova matriz: o racionalismo de tipo formal e instrumental. pode-se postular que o que há é uma mudança no "núcleo duro" do conceito. juntas. a mesma não se dá via dogmática. significando "técnicas de vida". Aliás. Embora se perpetue a ruptura com a magia no último âmbito. Embora não concorde. e não como efeito do esclarecimento científico. há a "acepção mais radical". mas "desenvolvimento" histórico da sua significação cultural.. a profanou. há a "origem".] a desmagificação da religiosidade ocidental como resultante da racionalização ético-ascética da conduta diária da vida.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. 150). O puritanismo foi decisivo no processo ocidental de "desencantamento do mundo" como ponte entre suas duas etapas. e outra. perfazem o chamado "racionalismo de domínio do mundo".

entre os dois significados do DM. Por fim. envolve o governo das nossas vidas por "entidades" impessoais. poder-se-ia perfeitamente completar dizendo que o politeísmo moderno é a expressão máxima da perda de sentido. adapta-se com facilidade ao racionalismo tipicamente antiético das rotinas racionais secularizadas e tipicamente pós-religiosas. 111). não o será certamente do mundo. 221). a de que o monoteísmo tradicional é mais desencantado que o politeísmo moderno. em termos macro. talvez nela encontrasse precisamente o ponto. não obstante "deuses" inflamados e não tipicamente racionais. Se Pierucci tivesse explorado o tema do "paradoxo" que prescreve a relação entre a religião puritana e a modernidade.com/ Pag. Por isso Weber dirá que o puritanismo é a única das religiões éticas que. A última coisa que quero examinar é a crítica de Pierucci à "confusão" do DM com desencanto e decepção (p. 51 tentativa de conferir um "sentido unificado e unificador à totalidade da vida". por vezes. quero pontuar sobre o caráter problemático de duas outras interpretações. Tal crítica é pertinente. Primeiro. portanto. em essência.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. porque certamente não é esta a interpretação principal que Weber dá a expressão. E mesmo a estética e a erótica. para além do impacto sobre a magia. do racionalismo do desencantamento tardio. como se vê na banalização da política e o superficialismo das . 141) – o que é correto –. o conceito weberiano de desencantamento refere-se inescapavelmente à perda de sentido" (p. Todavia. não há como negar que Weber concebeu efeitos espirituais perturbadores e. No puritanismo. o amor sexual pode ser uma potência reencantadora. deletérios. objetivamente cultivadas. no sentido da busca de fins práticos (tornados meios) e particulares (não universais e não fraternos). Quando Pierucci afirma que "Associado à ciência moderna. eles existem como cursos mundanos e objetivados de ações em relação aos quais. desprovidas. pois.wordpress. mas no âmbito das experiências interpessoais e num sentido mais psicológico do que propriamente histórico-sociológico. ao mesmo tempo de ligação e de inflexão. conquanto são tipicamente racionais. como resgata Pierucci (p. Não se compreende bem como o puritanismo fornece o ethos do ascetismo peculiar ao Ocidente moderno e sua função de ponte para uma era pós-tradicional se não se considera o seu impacto sobre a metafísica religiosa tradicional. devemos tomar consciência para um posicionamento maduro e desencantado. rumo a um "racionalismo de domínio do mundo" definitivamente desencantado. se não queremos ser superficiais e levados à reboque. afinal. e este é o seu grande paradoxo interno: ser uma religião que promove a profanação do mundo. a ética é rigorosamente individual e racional. de qualquer transcendência ou sentido ético absoluto. Se. Os novos "deuses" são impessoais e glaciais. intramundanas e estranhas à ética. são. não obstante "rejeite o mundo" e continue ligada a uma idéia de "além" e de "redenção".

com Para outras informações acesse o site: www. O próprio Pierucci parece reconhecer a carga "espiritual" negativa que acompanha a análise weberiana do desencantamento tardio quando afirma que "o tema ganha notas de melancolia e pessimismo" e que de conceito "produtivo" se transforma em conceito "crítico" (p. Sociologia da Religião e Lógica Filosófica. Internet. 161). Cursos de informática (Windows. cujas rotinas se revelam mecanizadas e alheias ao destino pessoal das almas. Lecionou ao longo destes anos.wordpress. 52 vivências. ampliada e conclusiva. Na área secular lecionou: Comunicação e postura pública. planejamento estratégico.wordpress. Acess. Filosofia da Religião. as seguintes matérias: Teologia sistemática. que nada mais são do que respostas éticas a um tempo em que os homens. Seminário teológico Evangélico Congregacional em João Pessoa. Atualmente leciona no Instituto Bíblico Betel Brasileiro em João Pessoa. 19) Informações acerca do professor Pr Josias Moura de Menezes foi Professor nas seguintes instituições: STEB(Seminário teológico Batista Mineiro).Extensão Macau/RN e no seminário STEC . Liderança cristã. uma de 1904-1905 e outra. Escatologia. O "destino pessoal" ou o "sentido do ser e do fazer": eis os desafios éticos que Weber procurou enfrentar quando se viu diante de um mundo desencantado num sentido anti-religioso ou pósconvencional. Seminário Congregacional de Brasília/DF (Extensão). STEAD Seminário teológico Evangélico Assembléia de Deus no Rio Grande do Norte . Compreendemos melhor as preocupações weberianas com os efeitos "espirituais" do DM na sua etapa profana ao verificarmos os convites à responsabilidade política e à integridade intelectual. teologia pastoral. Hermenêutica. Relações humanas na empresa. Excel. Música instrumental. Análise em Romanos e Apocalipse. de 1920. Fater (Faculdade Teológica do Recife).josiasmoura.com/ Pag. Notas 1 O trabalho minucioso de exame das traduções levou o autor a confirmar os deploráveis erros de tradução em alguma das publicações da obra de Weber disponíveis em português. Implantação e desenvolvimento de igrejas. Email para contato: josiasmoura@gmail. Teologia Contemporânea. desabrigados da guarita dos velhos sentidos absolutos. Introdução a filosofia. Homilética. Faculdade Batista da Lagoinha (BH/Minas Gerais). Corew Draw). Aconselhamento pastoral.Word.com . administração eclesiástica da igreja. Marketing pessoal. 2 Pierucci presta-nos uma esclarecedora informação sobre as duas versões de A ética protestante. correm o risco de se perderem na insignificância da vida ordinária. Apologêtica.Curso de Sociologia da religião Site: http://josiasmoura. Curso preparatório para Lideres: Igreja Congregacional Central de BH/ MG.

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