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47 a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia Salvador, BA – UFBA, 27 a

47 a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia Salvador, BA UFBA, 27 a 30 de julho de 2010

Empreendedorismo e Progresso Científicos na Zootecnia Brasileira de Vanguarda

UFBA - Salvador, BA
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Salvador, BA

Degradabilidade in situ da Leucena em diferentes idades de rebrota 1

Aline Mendes Ribeiro 2 , Lília Raquel Fé da Silva 2 , Marcelo de Oliveira Alves Rufino 2 , Marcônio Martins Rodrigues 3 , Maria Elizabete de Oliveira 4 , Arnaud Azevêdo Alves 4

1 Parte do trabalho de conclusão de curso do primeiro autor, financiada pelo CNPq 2 Mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal UFPI/Teresina. e-mail: alineufpi@yahoo.com.br 3 Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal UFPI/Teresina. 4 Departamento de Zootecnia - UFPI/Teresina.

Degradabilidade in situ da Leucena em diferentes idades de rebrota

Resumo: Em algumas áreas do Brasil já se incorporou aos sistemas produtivos o uso de leguminosas exóticas, destacando-se a Leucena (Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit.). Esta pesquisa foi realizada com o objetivo de avaliar a influência de três idades de rebrota sobre a degradablidade in situ da matéria seca (MS) e da proteína bruta (PB) da Leucena. Adotou-se o delineamento inteiramente casualizado em parcelas subdivididas e utilizou-se um bovino adulto com cânula ruminal. A Leucena foi coletada aos 45, 60 e 75 dias de rebrota e foram determinadas a fração solúvel (a) e potencialmente degradável (b) e a taxa de degradação da fração b (c) da MS e PB, nos tempos de incubação ruminal 6, 24 e 72 h. Determinou-se a degradabilidade efetiva (DE), considerando-se taxa de passagem 5%/h. A fração a foi 42,62; 33,99 e 25,96% para MS e 32,08; 29,11 e 27,91% para PB e a fração b foi 52,38; 56,47 e 58,06% para MS e 61,4; 57,23 e 51,85% para PB aos 45, 60 e 75 dias de rebrota, respectivamente. A degradabilidade potencial e a degradação efetiva foram maiores aos 45 dias de rebrota, diminuindo com o avanço da idade, para MS e PB, nos três tempos de incubação. A degradabilidade in situ da MS e da PB é influenciada pela idade de rebrota, verificando-se redução com a maturação da Leucena.

Palavras-chave: degradação efetiva, fração solúvel, taxa de passagem, tempos de incubação

In situ degradability of Leucaena leucocephala in different regrowth ages

Abstract: Exotic leguminous plants, especially Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit, are incorporated in production systems in some areas of Brazil. This study was realized with the aim to evaluate in situ degradation of dry matter (DM) and crude protein (CP) of L. leucocephala collected at 45, 60 and 75 days of regrowth, in a completely randomized design with split plots. Was utilized a mature rumen- cannulated steer and soluble fraction (a), potentially degradable (b) and rate of degradation of b fraction (c) of DM and CP were determined at 6, 24 and 72 h of ruminal incubation. The effective degradability was determined considering passage rate 5%/h. The a fraction was 42.62; 33.99 and 25.96% for DM and 32.08; 29.11 and 27.91% for CP and the b fraction 52.38; 56.47 and 58.06% for DM and 61.4; 57.23 and 51.85% for CP at 45, 60 and 75 days of regrowth, respectively. The potential degradability and effective degradation of DM and CP were higher at 45 days of regrowth and decreased with advancing of age after regrowth in the three incubation times. The in situ degradability of the DM and CP is influenced by regrowth age and reduce with maturation of L. leucocephala.

Keywords: effective degradation, incubation time, passage rate, soluble fraction

Introdução Em virtude das gramíneas tropicais apresentarem comprometimento da qualidade, associado a sazonalidade de produção, em algumas áreas do Brasil já se incorporou aos sistemas produtivos o uso de leguminosas exóticas, com destaque para a Leucena (Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit.). Em geral as leguminosas apresentam taxas de degradação e degradabilidade dos nutrientes mais altas que às gramíneas. No manejo das forrageiras, a freqüência de corte influi no rendimento e na qualidade da forragem. Em geral, o aumento do intervalo entre cortes resulta em maior produção de matéria seca, porém, ocorre declínio no valor nutritivo da forragem produzida. A degradação e degradabilidade do alimento podem ser estimadas in situ, avaliando frações solúveis e insolúveis em água e a taxa de

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Progresso Científicos na Zootecnia Brasileira de Vanguarda Salvador, BA passagem das partículas. Este trabalho

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passagem das partículas. Este trabalho objetivou avaliar a influência de três idades de rebrota sobre a degradablidade in situ da matéria seca e da proteína bruta da Leucena, no período chuvoso.

Material e Métodos O experimento foi realizado no Departamento de Zootecnia (DZO) do Centro de Ciências

Agrárias (CCA) da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina, PI. As amostras foram analisadas no Laboratório de Nutrição Animal do DZO/CCA/UFPI. Utilizou-se um bovino macho adulto, com peso vivo 450 kg, provido de uma cânula ruminal, recebendo dieta a base de Leucena, além de água

e mistura mineral completa ad libitum. A Leucena foi coletada no período chuvoso, aos 45, 60 e 75 dias após corte de uniformização. A composição bromatológica do material apresenta-se na Tabela 1.

Tabela 1 Composição bromatológica da Leucena (Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit.) em três idades de rebrota

Idades de Rebrota

Constituintes (%)

45

60

75

Matéria Seca (MS) Proteína Bruta (PB) Fibra em Detergente Neutro (FDN) Fibra em Detergente Ácido (FDA) Nitrogênio Insolúvel em Detergente Neutro (NIDN) Nitrogênio Insolúvel em Detergente Ácido (NIDA)

24,67

26,19

32,26

27,83

23,31

19,87

32,70

35,45

38,68

20,30

22,90

24,22

7,07

9,66

15,70

4,21

6,42

8,02

As incubações in situ foram realizadas utilizando-se sacos de náilon de dimensões 8x12 cm e porosidade de 50 μm, com 4 g de amostra cada, suspensos por fio de náilon, distribuídos na porção

ventral do rúmen e ancorados por um peso de 1 kg. Os sacos desincubados foram imediatamente colocados em água gelada para paralisação do processo fermentativo. A fração prontamente solúvel em água foi determinada a partir da imersão de sacos com todos os tratamentos, em banho-maria a 39 o C, por uma hora. Após a lavagem, os sacos contendo os resíduos foram secos em estufa, sendo posteriormente pesados. Os resíduos de degradação foram utilizados para determinação dos teores de matéria seca (MS)

e proteína bruta (PB) segundo as metodologias descritas por Silva & Queiroz (2002). Os parâmetros de

degradação in situ e a degradabilidade potencial foram estimados segundo o modelo proposto Ørskov & McDonald (1979): P = a + b (1 e -ct ), sendo: P = degradabilidade potencial (%); a = fração solúvel (%);

b = fração insolúvel, mas potencialmente degradável (%); c = taxa de degradação da fração b (%/h); t =

tempo de incubação, em horas. A degradabilidade efetiva (DE) foi calculada pela equação proposta por Ørskov & McDonald (1979): DE = a + [(bc)/(c + k)], sendo: DE = degradabilidade efetiva (%); k = taxa de passagem das partículas (0,05h -1 ); a = fração solúvel (%); b = fração insolúvel, mas potencialmente degradável (%); c = taxa de degradação da fração b (%/h). Para estimativa de parâmetros de degradação ruminal, utilizou-se o PROC GLM do SAS (2000). Os parâmetros não lineares a, b e c foram obtidos

pelo método interativo de Gauss-Newton do PROC NLIN do SAS (2000).

Resultados e Discussão Os parâmetros de degradação a, b e c da MS e PB estão apresentados na Tabela 2. Para MS, os valores de a variaram de 25,96 a 42,62%, diminuindo com o aumento da idade de rebrota, o que pode ser justificado pelo aumento dos componentes fibrosos FDN e FDA. Veloso et al. (2006) verificaram para folhas de Leucena um valor de a 26,65%. Pires et al. (2006) obtiveram uma fração a intermediária às obtidas neste trabalho, sendo 28,3%. Para o parâmetro a de degradação ruminal da PB, o maior valor observado foi 32,08%, aos 45 dias de rebrota, superior aos obtidos aos 60 e 75 dias. A diminuição da fração solúvel da PB com o aumento da idade está associada ao aumento do teor de NIDN e NIDA. Para

o parâmetro b de degradação ruminal da MS, o maior valor observado foi 58,06%, aos 75 dias de rebrota, sendo superior aos obtidos aos 45 e 60 dias. Observou-se um decréscimo do parâmetro b de degradação ruminal da PB com o aumento da idade de rebrota. O maior valor observado foi 61,40%, aos 45 dias de rebrota, sendo superior aos valores obtidos aos 60 e 75 dias, 57,23 e 51,85%, respectivamente.

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Progresso Científicos na Zootecnia Brasileira de Vanguarda Salvador, BA Tabela 2 Parâmetros da degradação ruminal da

Salvador, BA

Tabela 2 Parâmetros da degradação ruminal da matéria seca e da proteína bruta da Leucena (Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit.) em três idades de rebrota

Parâmetros de degradação ruminal

Idades de rebrota (dias)

a (%)

b (%)

c (%/h)

r 2 (%)

Matéria seca

45

42,62

52,38

2,33

94,25

60

33,39

56,47

1,98

99,64

75

25,96

58,06

1,27

96,40

 

Proteína bruta

 

45

32,08

61,40

1,97

95,07

60

29,11

57,23

1,68

99,89

75

27,91

51,85

1,35

90,09

Os valores para degradabilidade potencial e degradação efetiva da MS e PB estão apresentados na Tabela 3. A degradabilidade potencial da MS e da PB foi superior aos 45 dias de rebrota, nos três tempos de incubação. A degradação efetiva da MS e PB foi maior aos 45 dias e menor aos 75 dias de rebrota, o que está associada à taxa de degradação (c), de 2,33 e 1,27%, obtidas para estas idades, respectivamente. Os valores para degradação efetiva da MS foram inferiores ao obtido por Veloso et al. (2006) (65,3%), considerando a mesma taxa de passagem, o que está associado à alta taxa de degradação (6%), em comparação aos valores observados neste trabalho, que variaram de 1,27 a 2,33%.

Tabela 3 Degradabilidade potencial e degradação efetiva da matéria seca e da proteína bruta da Leucena (Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit.) em três idades de rebrota

Degradabilidade potencial (%)

Idades de rebrota (dias)

6 h

24 h

72 h

Degradação efetiva (%)

Matéria Seca

 

5%/h

45

43,35

57,46

76,40

53,26

60

39,23

51,61

73,54

42,20

75

34,68

51,21

72,94

37,92

 

Proteína bruta

 

45

50,48

62,40

81,84

54,32

60

48,46

60,81

77,03

44,80

75

43,43

53,03

70,66

26,64

Conclusões A idade de rebrota influencia a degradabilidade in situ da matéria seca e da proteína bruta da Leucena, reduzindo a degradabilidade potencial e efetiva com a maturação desta leguminosa.

Literatura citada ØRSKOV, E.R.; McDONALD, I. The estimation of protein degradability in the rumen from incubation measurements weighted according to rate of passage. Journal of Agricultural Science, v.92, n.2, p.499-503, 1979.

PIRES, A.J.V.; REIS, R.A.; CARVALHO, G.G.P. et al. Degradabilidade ruminal da matéria seca, da fração fibrosa e da proteína bruta de forrageiras. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasília, v.41, n.4, p.643-648, 2006. STATISTICAL ANALYSIS SYSTEM (SAS). SAS/STAT User’s Guide. Cary, NC: SAS Institute,

2000.

SILVA, D.J.; QUEIROZ, A.C. Análise de alimentos: métodos químicos e biológicos. 3.ed. Viçosa:

UFV, 2002. 235p. VELOSO, C.M.; RODRIGUEZ, N.M.; CARVALHO, G.G.P. et al. Degradabilidade ruminal da matéria seca e da proteína bruta de folhas e folíolos de forrageiras. Revista Brasileira de Zootecnia, v.35, n.2, p.613-617, 2006.

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