Você está na página 1de 650

NOVÍSSIMO DICIONÁRIO

DE ECONOMIA
NOVÍSSIMO DICIONÁRIO
DE ECONOMIA
Organização e supervisão de
PAULO SANDRONI

1999
Copyright © Círculo do Livro, 1999

Todos os direitos reservados

Colaboradores da 1ª edição do Novíssimo Dicionário de Economia


Adriano Biava, Antônio Corrêa de Lacerda, Carlos Donizeti M. Maia, Claudemir Galvani, Cláudia
Helena Cavalieri, Celso Waac Bueno, Cleusa Sacardo, Cristina Helene P. Mello, Francisco Vignoli,
Gilmar Masiero, Gilval Mosca Froelich, Jair Pereira dos Santos,
José Benedito Zarzuela Maia, José Márcio Camargo, Ladislau Dowbor, Márcia Flaire Pedrosa, Maria
Teresa Audi, Orozimbo José de Moraes, Renaldo Antônio Gonçalves, Ricardo Bonanno, Rubens
Sawaya, Saulo de Tarso e Sousa, Sigmar Malvezzi, Sílvio Miyazaki (consultoria)
Alessandro Maia Carmona, Christina M. Borges, Gilvanir Batista da Silva, Jorge Luís Okomura,
Luciano Nava, Luís Alberto M. Sandroni, Marise Rauen Viana, Mateus Dias Marçal (pesquisa)

CÍRCULO DO LIVRO
Direitos exclusivos da edição em língua portuguesa no Brasil
adquiridos por Círculo do Livro Ltda.
que se reserva a propriedade desta tradução

EDITORA BEST SELLER


uma divisão do Círculo do Livro Ltda.
Rua Paes Leme, 524 - 10º andar - CEP 05424-010
Caixa Postal 9442 - São Paulo, SP

1999

Impressão e acabamento: Gráfica Círculo


Apresentação

“Medo maior que se tem é de vir canoando num ribeirãozinho e dar, sem
espera, no corpo dum rio grande”, no dizer de Guimarães Rosa, é o que nos
aconteceu pela terceira vez, agora em 1999. De fato, esta é a terceira revisão de
um trabalho de pesquisa inicialmente publicado há catorze anos. A missão do
Dicionário de Economia em sua primeira versão foi ajudar os leitores da coleção
Os Economistas, lançada em meados da década passada. Seus 48 títulos foram
esquadrinhados por um verdadeiro exército de “garimpeiros”, que selecionaram
cerca de 1 500 conceitos que poderiam apresentar alguma dificuldade aos leitores.
Alertávamos, contudo, desde então, que o dicionário era um guia, mas a travessia
ficava por conta do leitor.
A primeira revisão ocorreu em 1989, quando incorporamos mais quinhentos
verbetes, ampliamos os anteriores e acrescentamos boa quantidade de termos
sobre a economia brasileira, além de incluirmos todos os novos verbetes sobre
os planos Cruzado, Bresser e Verão. Iniciamos também uma prática que felizmente
se intensifica cada vez mais: a incorporação de sugestões de leitores, tanto no
que se refere a conceitos novos como à correção de erros, que são inevitáveis. As
opiniões dos usuários, entre os quais destaco as dos alunos da Faculdade de
Economia e Administração da Universidade Católica e da Escola de Administração
de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, foram de grande valia.
Na revisão de 1994, ampliamos consideravelmente o número de verbetes re-
lacionados com conceitos teóricos, mas também incorporamos muitos elementos
da área de estatística. Em função do intenso processo inflacionário então existente,
além de esmiuçarmos o Plano Collor, introduzimos vários termos novos vincu-
lados à questão monetária e à política fiscal.
Nesta 1.ª edição do Novíssimo Dicionário de Economia, foram incorporados cerca
de 1 500 verbetes novos, relacionados com as mudanças na economia brasileira
depois do Plano Real (mesmo com o risco de rápida obsolescência), com as con-
seqüências do processo de globalização, as crises do Sudeste Asiático, os ataques
especulativos, as análises do risco e da incerteza, o nascimento do Euro, biografias
de economistas nacionais e estrangeiros e, também, com a nossa formação histórica,
econômica e financeira.
Embora já tenhamos ultrapassado os 4 mil verbetes, o dicionário é obra aberta,
que não comporta ponto final. Como também é obra essencialmente coletiva,
esperamos continuar contando com o apoio e as críticas dos leitores, indispensáveis
para o aprimoramento futuro de nosso trabalho.

Paulo Sandroni
7 ABECIP

estas iniciais estiverem incluídas num contrato


de seguros, significa que o contrato cobre todos

A
os riscos.
A/D. Iniciais da expressão em inglês assets and
depreciation, que significa “ativos e depreciação”.
A1. Abreviação de first class, que significa “pri-
meira classe”. Aplicada a títulos e/ou ações, in-
dica que são papéis de primeira linha, isto é,
A. A letra A tem uma série de significados como papéis de elevada confiabilidade, grande liqui-
abreviação de conceitos ou termos técnicos em dez e rentabilidade, emitidos por empresas só-
economia e finanças. Pode significar: 1) aceite; lidas e de boa reputação no mercado.
2) action (ação, em francês); 3) anna (unidade AB INTESTATO. Expressão em latim que sig-
monetária da Índia); 4) argent (dinheiro, em fran- nifica “sem deixar testamento”, quando aconte-
cês); 5) assinado; 6) auditado; 7) classificação su- ce no caso de quem morre sem deixar testamento
perior de títulos e/ou ações de acordo com a ou herdeiro testamentado. Existe uma tendência
Moody’s Investor Bond Rating e a Standard & de aportuguesar a expressão para “abintestado”.
Poor’s Bond Rating; 8) American Stock Exchan-
ge (Nova York). Veja também Moody’s Investors ABAIXO DA LINHA (Below the Line). Expres-
Service; Standard & Poor’s. são utilizada na análise do Balanço de Pagamen-
tos, designando o ponto ou a linha que separa
AA. Iniciais da expressão em inglês after arrival, as transações correntes (Balança Comercial + Ba-
que significa “depois da chegada” e designa lança de Serviços + Transferências Unilaterais)
uma situação na qual determinada ação — um do Movimento de Capitais (Investimentos, Em-
pagamento, por exemplo — só se realizará de- préstimos e Financiamentos, Amortizações e Ca-
pois da chegada de uma mercadoria ou de um pitais de Curto Prazo). Este enfoque é impor-
navio que a transporta. Significa também uma tante na medida em que um déficit em transa-
classificação de qualidade de títulos ou ações ções correntes obriga a uma entrada substancial
desenvolvida pela Standard & Poor’s e pela de capitais para equilibrar o Balanço de Paga-
Moody’s Investors. Veja também Moody’s In- mentos. Acima da Linha (Above the Line) são as
vestors Service; Standard & Poor’s. transações correntes. O termo também é utili-
AAA. Classificação dada pela Standard & Poor’s zado entre as empresas, para as quais despesas
aos títulos de corporações ou de governos (mu- “acima da linha” são aquelas utilizadas na pu-
nicipais) da mais elevada qualidade, nos quais blicidade e propaganda diretas, e os gastos abai-
o pagamento do principal e dos juros é realizado xo da linha referem-se a outros tipos de promo-
no vencimento. Os títulos classificados por ção de vendas como brindes, ofertas a preço de
aquela empresa como AAA, AA, A, e BBB e custo etc.
aqueles classificados como Bbb para cima pela ABAMEC — Associação Brasileira dos Analis-
Moody’s Investors são considerados títulos para tas de Mercado de Capitais. Organismo que
investimento de bancos e instituições de pou- congrega profissionais do mercado financeiro,
pança como títulos recomendáveis de investi- com sede no Rio de Janeiro.
mento. Veja também Bond Rating; Moody’s In-
vestors Service; Standard & Poor’s; Títulos de ABANDONMENT VALUE. Expressão em in-
Investimento. glês que significa o montante que pode ser ob-
tido mediante a liquidação de um projeto antes
AAAA. Iniciais de American Association of Ad- que seu ciclo de vida econômica tenha termina-
vertising Agencies (Associação Americana de do. Veja também Valor de Sucata.
Agências de Publicidade), também chamada de
Quatro As. Sediada em Nova York, congrega as ABANDONO DE SERVIDÃO. Situação na qual
principais agências de publicidade dos Estados o proprietário do prédio serviente deixa, por
Unidos, possuindo um código de ética e de prá- quaisquer motivos, de usar uma servidão, po-
tica de negócios. dendo assim o proprietário do prédio dominan-
te fazer uso dela. Veja também Servidão.
AAD. Iniciais das expressões em inglês appro-
priation account data, que significa “data de re- ABCISSA. O eixo horizontal (x) num gráfico
gistro contábil”, e at a discount, que significa bidimensional onde os valores de uma variável
“com desconto”. são registrados.
AAR. Iniciais da expressão em inglês against all ABECIP — Associação Brasileira das Entida-
risks, que significa “contra todos os riscos”. Se des de Crédito Imobiliário e Poupança. Socie-
ABERDEEN 8

dade civil de direito privado, sem fins lucrativos, que congrega as empresas de capital aberto, com
criada como entidade de classe das empresas sede no Rio de Janeiro.
de crédito imobiliário, de âmbito nacional. Tem
como finalidades: colaborar no aprimoramento ABRH. Iniciais de Associação Brasileira de Re-
de suas associadas, zelar pelo legítimo interesse cursos Humanos.
de suas associadas, cooperar com o governo e ABRIDOR DE CUNHOS. Denominação dada
outras instituições nacionais, estrangeiras e in- àqueles que preparavam os moldes (geralmente
ternacionais que objetivem propiciar o desen-
em ferro) nos quais os metais preciosos (ouro e
volvimento do setor de crédito imobiliário, e exi-
prata, mas também o bronze) eram batidos
gir o cumprimento de normas éticas.
(prensados) para a fabricação de moedas. Os
ABERDEEN, Lei. Veja Lei Aberdeen. abridores de cunhos eram recrutados geralmen-
te entre os ourives, isto é, entre aqueles que já
ABERTURA DOS PORTOS. Ato pelo qual o tinham alguma experiência em lidar com metais
regente português dom João VI liberou os portos preciosos. O primeiro abridor de cunhos no Bra-
brasileiros para o comércio com as nações ami- sil foi Domingos Ferreira Azambuja, que desem-
gas, particularmente a Inglaterra, extinguindo penhou esta função na recém-criada Casa da
dessa forma o monopólio comercial de Portugal Moeda, em Salvador (Bahia), a partir de 1694.
com o Brasil Colônia. Foi decretado pela Carta
Régia de 28 de janeiro de 1808, em Salvador, a ABSENTEÍSMO. Sistema de exploração agríco-
conselho do visconde de Cairu e logo que o prín- la caracterizado pelo fato de o proprietário viver
cipe regente chegou ao Brasil, premido pela in- muito distante de suas terras e raramente visi-
vasão napoleônica. Representou um sério golpe tá-las para administrar a produção. O proprie-
para a política mercantilista de Portugal e um tário absenteísta vê em sua propriedade exclu-
passo importante rumo à separação política do sivamente uma fonte de renda, não estabelecen-
Brasil. Veja também Cairu, Visconde de; Mer- do vínculos mais profundos com a terra e com
cantilismo. os que nela trabalham. Exemplo de absenteísmo
encontra-se nos proprietários rurais irlandeses
ABNT — Associação Brasileira de Normas Téc- dos séculos XVIII e XIX, que viviam na Ingla-
nicas. Sociedade civil sem fins lucrativos fun- terra. Essa situação foi descrita por Maria Ed-
dada no Rio de Janeiro em 1940 pelo engenheiro geworth, no início do século XIX, em seu ro-
Paulo Sá, com o objetivo de elaborar normas mance The Absenteist. O termo é usado também
técnicas para atividades de cunho científico, co- para designar o número de faltas, ou a porcen-
mercial e industrial e incentivar a padronização tagem de ausências dos empregados ao trabalho,
de medidas no país. Abrange especificações, mé- numa empresa, instituição governamental etc.
todos de ensaio, de execução de serviços e obras, Quando esta porcentagem ultrapassa 2%, con-
códigos de segurança e terminologia. Suas de-
sidera-se que a empresa onde isso acontece está
terminações são adotadas pelos governos fede-
enfrentando um problema de absenteísmo. Veja
ral, estaduais e municipais nas compras e con-
também Agricultura; Sistemas Agrários.
tratos de serviços. A ABNT é a representante
do Brasil na ISO (International Organization for ABSOLUTISMO. Forma de governo na qual a
Standardization). Veja também ISO 9 000. autoridade do monarca, que se confunde com
o próprio Estado, se investe de poderes absolu-
ABO. Iniciais da expressão em inglês admnistra-
tos, limitados apenas por sua vontade. Organi-
tion by objectives, isto é, “administração por ob-
zação política característica do período de for-
jetivos”, conceito introduzido durante os anos
mação e consolidação dos Estados modernos,
50 por Peter Drucker, e da expressão em alemão
dominou a sociedade européia entre os séculos
Absatz-und Bezugsorganisation, que significa “or-
ganização de compras e marketing” (marketing XV e XVIII. No plano da economia, correspon-
and purchasing organization). Veja também Druc- deu à época da Revolução Comercial ou do mer-
ker, Peter. cantilismo. Originário da crise do feudalismo, o
Estado absolutista, aliado à burguesia mercantil,
ABOVE THE LINE. Veja Abaixo da Linha. empreendeu a integração do mercado nacional,
quebrando as barreiras regionalistas do feudo e
ABRAPP. Sigla de Associação Brasileira das En- da comuna; instituiu o protecionismo econômi-
tidades Fechadas de Previdência Privada. co; criou impostos e armou exércitos; realizou
ABRASÃO. Em relação às moedas, especial- as conquistas ultramarinas e impôs o monopólio
mente as de prata e ouro, consiste na perda de do comércio colonial. Foi ainda nesse regime que
peso devido ao uso e à circulação. a aristocracia (nobreza e clero) assegurou a ma-
nutenção de muitas formas de exploração das
ABRASCA — Associação Brasileira das Socie- terras, típicas do feudalismo, intensificando-se,
dades Anônimas de Capital Aberto. Organismo ao mesmo tempo, a apropriação das terras co-
9 AÇÃO DE COMPANHIA FECHADA

munais por grandes proprietários. Veja também com o Plano Cruzado. Veja também Plano Col-
Burguesia; Feudalismo; Mercantilismo; Revo- lor; Plano Cruzado.
lução Comercial.
AÇÃO. Documento que indica ser seu possui-
ABSTINÊNCIA. Privação voluntária do consu- dor o proprietário de certa fração de determi-
mo atual em nome de uma produção futura nada empresa. Existem vários tipos de ações,
maior mediante a acumulação de capital. Ex- cada um dos quais definindo formas diversas
posta pela primeira vez por Nassau Senior e de- de participação na propriedade e nos lucros da
fendida por outros economistas como forma bá- empresa. Ações ao portador (extintas pelo Plano
sica de acumulação de capital, a teoria da abs- Collor) não trazem expresso o nome de seu pos-
tinência foi vivamente criticada por Karl Marx, suidor, sendo, portanto, daquele que as tiver em
que mostrou como a acumulação primitiva ca- seu poder. Ações nominativas pertencem exclusi-
pitalista se fez por outros processos. Veja tam- vamente à pessoa nelas nomeada e só podem
bém Acumulação Primitiva de Capital; Forma- ser negociadas mediante registro em livro espe-
ção de Capital. cial da empresa que as emitiu. Ações endossáveis
são ações nominativas que podem ser negocia-
ABUNDÂNCIA. Estado de fartura e riqueza
das mediante simples endosso de seu proprie-
que possibilitaria a plena satisfação de todas as
tário. Ações ordinárias conferem a seu possuidor
necessidades econômicas, seja as de bens de con-
o direito de eleger a diretoria da empresa; em
sumo, seja as de serviços. As utopias econômicas
contrapartida, seus possuidores somente têm di-
colocam-na como meta final da atividade hu-
reito à distribuição dos dividendos depois de
mana. Veja também Escassez; Utopia.
paga a porcentagem prioritária a que têm direito
ABUNDANCISMO. Teoria econômica defendi- os portadores de ações preferenciais. Ações pre-
da por John Kenneth Galbraith em seu livro The ferenciais são aquelas cujos possuidores têm di-
Affluent Society (A Sociedade Afluente), publi- reito de receber uma porcentagem fixa dos lu-
cado em 1958. Para Galbraith, o alto estágio a cros, antes de distribuídos os dividendos da em-
que chegaram a tecnologia, a produção e a dis- presa. Quando a ação preferencial é emitida com
tribuição de bens de consumo tornou plenamen- a cláusula de direitos cumulativos, isso dá a seus
te possível a superação das precárias condições possuidores o direito de participar não só dos
econômicas em que vivem as camadas mais po- dividendos do ano em curso, mas também dos
bres da população. Seriam necessárias, no en- anos anteriores, na porcentagem estabelecida,
tanto — ainda segundo Galbraith —, certas re- desde que esses dividendos não tenham sido
formas que, sem alterar a estrutura do sistema distribuídos por qualquer razão. Caso a empresa
capitalista, criassem mecanismos compensató- entre em liquidação, as ações preferenciais go-
rios para impedir uma excessiva desigualdade zam da mesma prioridade. Em alguns casos, os
entre as diversas camadas da população. Entre possuidores de ações preferenciais podem ter
esses mecanismos estão o controle dos mono- direito a voto, mas em menor extensão que o
pólios e as associações de proteção ao consumi- portador de ações ordinárias. Veja também Pla-
dor. Veja também Galbraith, John Kenneth. no Collor.
AÇAMBARCAMENTO. Prática comercial que AÇÃO AGUADA. Aquela resultante da emis-
consiste em reter ou açambarcar matérias-pri- são de ações cujo valor nominal excede o capital
mas, bens de capital ou gêneros de primeira ne- investido numa empresa, resultando na baixa
cessidade, com o objetivo de provocar uma ele- do preço de mercado das já existentes. Veja tam-
vação nos preços, dominar o mercado ou elimi- bém Watered Stock.
nar concorrentes. O açambarcamento é pratica-
do sobretudo pelos grandes monopólios que do- AÇÃO BOJUDA. Veja Ação Cheia.
minam determinado setor da produção ou do
AÇÃO CARECA. Veja Ação Cheia.
comércio. No Brasil, é considerado crime contra
a economia popular de acordo com o art. 3º, AÇÃO CHEIA. Ação que contém dividendos
inciso IV, da lei nº 1 521, de 26-12-1951. A pena e/ou bonificações a receber e que também con-
varia de dois a dez anos de prisão. Apesar de tém direitos de subscrição de novas ações em
contar com mais de 40 anos de existência, esta decorrência de aumento do capital de uma em-
lei tem sido desrespeitada com grande freqüên- presa, também chamada Ação Bojuda. O con-
cia, sendo raros os casos de empresários açam- trário de Ação Vazia ou Careca, isto é, da ação
barcadores que tenham cumprido pena de pri- cujos direitos de dividendos, bonificações e
são por retenção de gêneros de primeira neces- subscrições já foram exercidos.
sidade, especialmente durante as épocas de con-
gelamento de preços, como aconteceu durante AÇÃO DE COMPANHIA FECHADA. Ação de
os diversos planos econômicos a partir de 1986 empresa não registrada junto às autoridades
AÇÃO DE FRUIÇÃO 10

competentes e, portanto, impedida de ser nego- se, por exemplo, a um Banco Central cujos di-
ciada nas Bolsas de Valores. rigentes mantêm contatos regulares com funcio-
nário graduados dos ministérios da Fazenda (ou
AÇÃO DE FRUIÇÃO. Ação emitida em subs-
Finanças), legisladores e políticos em geral, a
tituição àquelas que já foram totalmente amor-
tizadas antes do prazo normal de liquidação ou fim de obter, para a sua instituição, a legitimi-
de remissão. dade para a sua política ou atos que pratica.
Geralmente, este termo se aplica com mais pro-
AÇÃO DE PRIMEIRA LINHA. É a ação cor- priedade nos casos em que os bancos centrais
respondente às empresas mais sólidas do mer- são autônomos ou independentes do governo
cado, que apresentam a mais elevada liquidez central de um país.
e rentabilidade. Veja também Blue-chip.
ACCRUAL. Termo em inglês que significa o re-
AÇÃO DE SEGUNDA LINHA. Veja Blue-chip. gistro de transações financeiras (nos livros de
AÇÃO ENDOSSÁVEL. Veja Ação. contabilidade) antes da receita ou despesa efe-
tiva dos valores envolvidos nessas transações.
AÇÃO LISTADA EM BOLSA. É aquela que Um exemplo é o lançamento de créditos de ven-
apresenta todas as qualidades e preenche os re- da antes que o dinheiro correspondente seja efe-
quisitos exigidos pela direção das Bolsas de Va- tivamente recebido. No caso de uma dívida,
lores para participar de seus pregões. Veja tam- quanto maior for a garantia de pagamento,
bém Pregão. maior será a freqüência com que este método
AÇÃO NOMINATIVA. Veja Ação. poderá ser utilizado. O caso inverso denomina-
se nonaccrual. O accrual pode ser entendido tam-
AÇÃO ORDINÁRIA. Veja Ação. bém como o reconhecimento de receitas e des-
pesas no transcurso da existência de uma de-
AÇÃO PREFERENCIAL. Veja Ação. terminada operação financeira.
AÇÃO SINÉRGICA. Quando dois estímulos ACCRUAL DATE. Expressão em inglês que sig-
combinados provocam um resultado maior do nifica data final de uma provisão.
que a soma dos resultados dos estímulos atuan-
do separadamente. Por exemplo, se a política ACEITE. Compromisso de pagar a quantia ex-
dos investimentos públicos em infra-estrutura pressa em letra de câmbio, nota promissória ou
for combinada com a isenção de impostos sobre duplicata de fatura, na data de seu vencimento.
atividades que utilizarão os produtos dali oriun- O aceite pleno ou completo é representado pela
dos, o efeito final do investimento sobre o in- expressão aceito, seguida de data e assinatura
cremento da renda poderá ser maior do que se do sacado (aquele que se compromete a pagar).
as duas medidas não fossem tomadas simulta- O aceite condicional envolve condições expressas
neamente. pelo sacado no documento, como, por exemplo,
a de pagar em outra praça que não a da emissão
AÇÃO VAZIA. Veja Ação Cheia. do documento.
ACASO. Veja Estatística; Probabilidade. ACELERAÇÃO. Veja Princípio de Aceleração.
ACC — Antecipação de Contratos de Câmbio. ACH. Iniciais da expressão em inglês automated
Mecanismo pelo qual exportadores recebem por clearinghouse, que significa “compensação auto-
antecipado (o que tem variado entre 90 e 180 mática”.
dias) a conversão das divisas a serem obtidas
por exportações futuras em moeda nacional, e ACHESON, Dean Gooderham (1893-1971). Es-
aplicam estes recursos no mercado financeiro tadista norte-americano que serviu no Departa-
sendo compensados por uma eventual defasa- mento de Estado nas presidências de Roosevelt
gem cambial, através de elevadas taxas de juros. e Truman, tornando-se secretário de Estado em
Veja também Defasagem Cambial; Política 1949. Desenvolveu uma política de reconstrução
Cambial. econômica da Europa, após a Segunda Guerra
ACCELERATED DEPRECIATION. Veja Depre- Mundial, no período da Guerra Fria, caracteri-
ciação Acelerada. zado por prolongadas tensões entre Estados
Unidos e União Soviética. O objetivo era recu-
ACCOUNTABILITY. Termo em inglês que sig- perar economicamente a Europa para livrá-la de
nifica capacidade de prestar contas, e que no uma possível dominação pela União Soviética.
mercado financeiro representa a legitimidade e Acheson ajudou assim a criar a Doutrina Tru-
confiança que uma instituição financeira goza man, o Plano Marshall e a Organização do Tra-
junto ao público ou aos seus acionistas. Aplica- tado do Atlântico Norte (Otan).
11 ACORDO INTERNACIONAL DO CAFÉ

ACHTEL. Antiga unidade de medida utilizada ACORDO DE BRETTON WOODS. Veja Con-
na Alemanha, que significa a oitava parte de ferência de Bretton Woods.
um todo e que admitia grande variabilidade. Por
exemplo, como medida de volume de vinhos, ACORDO DE BUTTON WOOD TREE. Acor-
um achtel equivalia a 0,1785 litro. do estabelecido no final do século XVIII, nos
Estados Unidos, que lançou as bases do que se-
ACID-TEST RATIO. Veja Índice de Liquidez ria a Bolsa de Valores de Nova York.
Seco.
ACORDO DE JAMAICA. Denominação dada
ACIDENTALIDADE. Termo aplicado à eleva- ao acordo assinado entre os países membros do
ção rápida de preços devida a causas externas, FMI em reunião de janeiro de 1976 em Kingston
estranhas ao funcionamento considerado “nor- (Jamaica), onde aprovaram alguns pontos de
mal” de uma economia: desde alterações climá- reordenamento do sistema monetário interna-
ticas incomuns, como um período anormalmen- cional, destacando-se os seguintes: 1) reconhe-
te longo de baixas temperaturas, até guerras lo- cimento oficial do sistema de taxas flutuantes,
calizadas em países fornecedores de matérias- embora dentro da recomendação da busca da
primas. A acidentalidade influencia fortemente estabilidade das taxas cambiais pelos signatá-
os índices que medem custo de vida e inflação rios; 2) extinção do preço oficial do ouro, e com-
(INPC; IPA), em grau que varia conforme o cri- promisso do FMI em vender parte de seus es-
tério adotado pelas autoridades monetárias. toques do metal para, com os recursos obtidos,
Veja também Inflação. formar-se um fundo de ajuda aos países subde-
senvolvidos; reforço aos Direitos Especiais de
ACIDENTE ZERO. Um nível de acidentes mui- Saque; 3) viabilização do acesso dos países sub-
to baixo é um elemento importante do sistema desenvolvidos que tivessem problemas com o
Just in Time. A ocorrência de acidentes numa desequilíbrio de seus Balanços de Pagamento —
empresa não apenas pode causar danos irre- criados pela crise do petróleo (1973) — a em-
versíveis à integridade física e mental dos tra- préstimos do FMI. Veja também Acordo Smith-
balhadores, como criar um clima negativo entre soniano; Bretton Woods; Direitos Especiais de
os mesmos em relação ao desenvolvimento da Saque; FMI.
produção. Este estado de coisas pode durar mui-
to e a sensação de insegurança sobreviver à eli- ACORDO GERAL DE TARIFAS E COMÉR-
minação objetiva das causas reais que ocasiona- CIO. Veja GATT.
ram o acidente. Técnicas preventivas de aciden-
tes e de segurança em geral são também inse- ACORDO INTERNACIONAL DO CAFÉ. Con-
paráveis do método Just in Time. Veja também vênio firmado em Nova York, em 1962, entre
Just in Time. os países produtores de café e os principais paí-
ses consumidores do produto, com objetivo de
ACIMA DA LINHA. Veja Abaixo da Linha. criar mecanismos internacionais de controle da
produção e comercialização do café. Isso decor-
ACIONISTA MAJORITÁRIO. É aquele que, reu dos problemas causados pela superprodu-
em geral, possui pelo menos metade mais uma ção cafeeira, que se verificou em 1957 e que pro-
das ações de uma empresa e, portanto, retém o vocou uma catastrófica desvalorização do pro-
controle da mesma. Em casos especiais, o termo duto no mercado internacional. Entrou em vigor
se aplica também ao acionista que, embora não em 1964. Em 1965, os signatários do acordo es-
possua mais da metade das ações de uma em- tabeleceram um sistema de cotas de exportação
presa, é o acionista individual que detém uma para cada país produtor, bem como uma escala
porcentagem relativa maior entre os acionistas de preços. Para manter o equilíbrio entre a oferta
de uma empresa. e a demanda, a Organização Internacional do
A CONTRARIO SENSU. Expressão em latim Café (OIC) ficava autorizada a retirar do mer-
que significa “ao contrário” ou “pela razão con- cado certa quantidade do produto sempre que,
trária”. durante quinze dias consecutivos, se verificasse
uma queda nas cotações. O mesmo deveria ocor-
ACORDO DA BASILÉIA. Acordo firmado em rer no caso de um movimento de elevação dos
1988 no âmbito do BIS (Bank for International preços, quando o equilíbrio seria restabelecido
Settlements — Banco Internacional de Compen- com a colocação, no mercado, de certa quanti-
sações ou Banco Para Pagamentos Internacio- dade de café. O acordo é renovado peri-
nais), contendo resoluções para o requerimento odicamente, e, sempre que se estabelecem ne-
de capital próprio das instituições financeiras gociações para a sua renovação, estas são acom-
(associadas) em função do risco apresentado em panhadas de uma série de divergências entre os
suas operações financeiras. Veja também BIS países produtores — que buscam mais vanta-
(Bank for International Settlements). gens na comercialização do produto — e os paí-
ACORDO SMITHSONIANO 12

ses consumidores. Essas divergências ocorrem Opep, e o Acordo Internacional do Café. Veja
também entre os próprios países produtores também Acordo Internacional do Café; Opep.
(disputa pelo aumento das cotas individuais) e
entre os países consumidores, sobre os preços ACRE. Uma das mais antigas medidas agrícolas
que devem ser pagos aos exportadores. Veja de área, ainda utilizada hoje, especialmente nos
também IBC. Estados Unidos. Sua origem esteve associada à
quantidade de terra que uma junta de bois podia
ACORDO SMITHSONIANO. Acordo estabe- arar em um dia. Na medida em que este padrão
lecido pelo Grupo dos Dez, em dezembro de podia variar muito, fixou-se o acre como equi-
1971, para adotar taxas de câmbio flutuantes. A valente a uma área de 40 varas de comprimento
conferência, realizada no Smithsonian Institute, por 4 varas de largura. A área de um acre foi
em Washington, foi convocada para resolver o estabelecida — e permanece até hoje — em 160
problema do colapso das taxas fixas de câmbio varas quadradas ou 4 840 jardas quadradas, o
(adjustable peg), que existiam desde a Conferên- que equivale a 4 046,873 m2. Um Acre Foot é
cia de Bretton Woods, em 1944, e indiretamente medida de volume correspondente à capacidade
pela decisão dos Estados Unidos de abandonar de uma área de um acre por um pé (foot) de
o padrão câmbio-ouro. A conferência levou a profundidade, ou o equivalente a 43 560 pés cú-
um acordo em 1972, com a Comunidade Eco- bicos ou o equivalente a 325 851 galões (do sis-
nômica Européia, para limitar os movimentos tema consuetudinário norte-americano) de água.
monetários e cambiais numa faixa estreita de Veja também Conversão das Unidades de Pesos
flutuação na CEE, chamada snake (serpente), fi- e Medidas; Galão; Sistemas de Pesos e Medi-
xando as taxas de câmbio à moeda mais forte das; Unidades de Pesos e Medidas.
da Comunidade, o marco alemão.
ACRS. Iniciais das expressões em inglês accele-
ACORDOS DE OTTAWA. Série de acordos co- rated capital recovery system e accelerated cost re-
merciais assinados entre a Grã-Bretanha e seus covery system, que significam respectivamente:
domínios, por ocasião da Conferência Econômi- “sistema de recuperação acelerada do capital”
ca Imperial, realizada em Ottawa, Canadá, em e “Sistema de recuperação acelerada dos custos”.
1932. Segundo os acordos, ficava estabelecido o
princípio da Preferência Imperial nas relações ACSP — Associação Comercial de São Paulo.
comerciais entre as partes, propondo-se a Grã- Entidade privada de utilidade pública, sem fins
Bretanha a reduzir substancialmente, em favor lucrativos, que congrega todos os setores da ati-
dos domínios, os impostos sobre mercadorias vidade econômica (agricultura, pecuária, indús-
importadas, conforme determinavam as leis de tria, comércio, prestação de serviços e profissões
impostos sobre importações em 1932. E os do- liberais), tendo como objetivo: defender, ampa-
mínios concordavam em facilitar tarifas prefe- rar, orientar e coligar as empresas que ela re-
renciais para os produtos manufaturados ingle- presenta. Mantém-se das contribuições de seus
ses e os provenientes de suas colônias. A maior associados e de rendas oriundas das prestações
parte dos acordos tinha a duração de cinco anos. de serviços para as empresas associadas, tais
como o Serviço Central de Proteção ao Crédito
ACORDOS DE OURO PRETO. Acordos esta- (SCPC), que registra clientes considerados ne-
belecidos entre os países do Mercosul — Brasil, gativos, ou seja, aqueles que atrasam mais de
Argentina, Paraguai e Uruguai — em Ouro Preto sessenta dias o pagamento de seus compromis-
(Minas Gerais), dando seqüência aos ajustes ne- sos, bem como os títulos protestados de pessoas
cessários para o cumprimento do Tratado de As- físicas. Além do SCPC, a ACSP mantém o Ins-
sunção. Veja também Mercosul. tituto de Economia Gastão Vidigal, que realiza
estudos setoriais de interesse das empresas e
ACORDOS INTERNACIONAIS DE MERCA- atende a consultas dos associados, fornecendo-
DORIAS. Acordos entre os principais países lhes informações, dados estatísticos e orientação.
produtores e consumidores de certas mercado- Também mantido pela ACSP é o Serviço de Ga-
rias, com finalidade de impedir que os preços rantia ao Crédito Mercantil e de Serviços (Se-
sofram flutuações excessivas e assegurar cotas gam), que funciona como uma bolsa de infor-
de produção para os exportadores e de forne- mações.
cimento para os consumidores. Em passado re-
cente, vários desses acordos foram assinados en- ACTO. O termo possui dois significados: 1) an-
tre os países interessados: o do estanho (firmado tiga medida de comprimento utilizada pelos ro-
pela primeira vez em 1956 e várias vezes reno- manos e equivalente a cerca de 35,5 m; 2) prefixo
vado até 1976), o do cacau (1973), o da bauxita de origem grega com o significado de peso ou
(1974), o da borracha natural (1976) e outros. carga, como, por exemplo, actometria, que é a
Particularmente importantes são os acordos in- medição de cargas transportadas em carros por
ternacionais referentes ao petróleo, por meio da intermédio do actômetro.
13 ADDITIONAL WORKER HYPOTHESIS

ACTÔMETRO. Veja Acto. AD ABSURDUM. Expressão em latim que sig-


nifica “por absurdo”.
ACTUALS. Termo em inglês que designa as
commodities cuja negociação resulta na entrega AD ARBITRIUM. Expressão em latim que sig-
física das mesmas ao cliente. Nesse sentido, nifica “à escolha”, “à vontade” ou “arbitraria-
qualquer commodity, como o café, o cacau, o co- mente”.
bre ou a prata, pode ser classificada como actuals
AD CORPUS. Expressão em latim que significa,
desde que sua negociação resulte na entrega
na venda de um imóvel, um acordo sobre o pre-
efetiva do produto. Veja também Mercado de
ço considerando a casa um todo e não sua me-
Opções.
tragem, isto é, sem especificar a metragem da
ACU — Asian Currency Unit. Unidade de conta casa.
para depósitos em dólares mantidos em contas
separadas em Cingapura, Hong-Kong e outros AD HOC. Expressão em latim que significa
centros financeiros importantes da Ásia. O ter- “para isso” ou “para esse caso”, como acontece
mo se aplica aos depósitos em dólares de não- com pessoas que ocupam cargos transitoriamen-
residentes nos centros financeiros asiáticos. Não te ou foram nomeadas ad hoc, isto é, para cum-
é o equivalente asiático para a ECU (European prir determinada função transitoriamente.
Currency Unit).
AD INFINITUM. Processo que se desenvolve
AÇÚCAR. Veja Lei do Açúcar. sem limite ou sem fim em relação a dinheiro
ou a tempo. Por exemplo, alguns títulos trazem
ACUMULAÇÃO DE AÇÕES. Fase do mercado cláusulas segundo as quais paga-se ao seu pos-
de ações caracterizada pela compra maciça das suidor uma anuidade indefinidamente.
ações de determinada empresa por parte de al-
guns poucos investidores. Estes, depois de do- AD ITEM. Expressão em latim que designa um
minarem o mercado, põem à venda as referidas produto que é adicionado a uma mercadoria já
ações junto ao conjunto de investidores, fixando vendida como um acessório que muda a forma
preços mais elevados e com isso auferindo gran- pela qual o produto original é utilizado.
des lucros.
AD LITEM. Expressão em latim que significa
ACUMULAÇÃO DE CAPITAL. Veja Formação “para o processo” ou em razão da causa.
de Capital.
AD NUTUM. Expressão em latim que significa
ACUMULAÇÃO PRIMITIVA DE CAPITAL. “segundo a vontade” ou “ao arbítrio” de uma
Também conhecida como acumulação originá- das partes. A expressão se utiliza quando al-
ria. Processo de acumulação de riquezas ocor- guém revoga uma nomeação ou um contrato
rido na Europa entre os séculos XVI e XVIII, que assinou, tendo poderes para fazê-lo a qual-
que possibilitou as grandes transformações eco- quer momento sem apresentar razões. As pes-
nômicas da Revolução Industrial. Foi estudado soas nomeadas para cargos de confiança na ad-
e descrito por Karl Marx, que tomou a Inglaterra ministração pública são demissíveis ad nutum
como modelo de sua teoria. A acumulação pri- pela autoridade que os nomeou.
mitiva de capital, para Marx, se desenvolveu a
partir de dois pressupostos: 1) a concentração AD VALOREM. Expressão em latim que sig-
de grande massa de recursos (dinheiro, ouro, nifica “segundo o valor” ou “conforme o valor”.
prata, terras, meios de produção) nas mãos de Na cobrança ou no cálculo de um imposto, tri-
um pequeno número de proprietários; 2) a for- buto ou taxa, é aquele estimado como uma per-
mação de um grande contingente de indivíduos centagem do valor de uma mercadoria. Não se
desprovidos de bens e obrigados a vender sua trata de uma quantia fixa, mas dependente do
força de trabalho aos senhores de terra e donos valor da mercadoria que está sendo tributada.
de manufaturas. Historicamente, isso foi possí- Quando o tributo cobrado é uma quantia fixa,
vel graças às riquezas acumuladas pelos nego- o mesmo é denominado tributo específico.
ciantes europeus com o tráfico de escravos afri- AD VALOREM DUTY. Imposto lançado de
canos, ao saque colonial (metais preciosos), à acordo com o valor de uma mercadoria, em con-
apropriação privada das terras comunais dos traposição ao Specific Duty. Veja também Spe-
camponeses, ao protecionismo às manufaturas cific Duty.
nacionais e ao confisco e venda, a baixo preço,
das terras da Igreja por governos revolucioná- ADDITIONAL WORKER HYPOTHESIS. Ex-
rios. Com o advento da Revolução Industrial, pressão em inglês que designa um processo no
conclui Marx, a acumulação primitiva foi subs- qual a queda da renda real de uma família du-
tituída pela acumulação capitalista. Veja tam- rante um período de baixa do ciclo econômico
bém Formação de Capital. pode resultar num efeito-renda na medida em
ADELANTADO 14

que a mesma família tenderá a incorporar um 7 805, de 1º de novembro de 1972 (Lei do Zo-
número maior de seus membros no mercado de neamento), de maneira a permitir que o coefi-
trabalho com a finalidade de manter o nível de ciente de aproveitamento de um lote situado nas
renda da família. Segundo esta concepção, a taxa Zonas 3, 4 e 5 possa ser aumentado até o limite
de participação dos trabalhadores na força de máximo de 4 (a área construída poderá ser 4
trabalho ativa tenderia a evoluir de maneira con- vezes a área do lote), desde que a taxa de ocu-
trária ao ciclo econômico: aumentaria na fase de pação do lote (porcentagem da área do lote ocu-
baixa e diminuiria na fase de alta. Na medida pada pelo primeiro pavimento de uma edifica-
em que a oferta de postos de trabalho diminui ção) seja inferior ao máximo permitido para a
na fase de baixa do ciclo, esta hipótese não se zona, nas proporções estabelecidas pelas seguin-
confirmaria na prática. De fato, as pesquisas tes fórmulas: 1) nos lotes com área inferior a 1
mostram que a taxa de participação aumenta 000 m2, c = T / t + (C – 1) 2) para lotes com
na fase de expansão e diminui na fase de reces- área igual ou superior a 1 000 m2, c = T / t x
são. Esta hipótese se limitaria apenas a algumas C; c = coeficiente de aproveitamento do lote a
faixas de trabalhadores de baixos salários cuja ser utilizado; t = taxa de ocupação do lote a ser
renda familiar já se encontra próxima do nível utilizado; C = coeficiente de aproveitamento má-
de subsistência e cujos membros, para evitar a ximo do lote (especificado em lei para cada
miséria, aceitam empregos que pagam salários caso); T = taxa de ocupação máxima do lote (es-
ou que têm uma remuneração muito baixa. pecificado em lei para cada caso). De acordo com
este dispositivo, em nenhuma hipótese o Coe-
ADELANTADO. Na administração das colô-
ficiente de Aproveitamento poderá ser superior
nias espanholas nas Américas (Índias Ociden-
a 4. Veja também Coeficiente de Aproveitamen-
tais), o Adelantado era o governador de uma
to; Lei de Zoneamento; Taxa de Ocupação.
região colonial, investido diretamente pela au-
toridade real. Ele exercia seu poder, praticamen- ADIVAL. Antiga medida agrária equivalente a
te sem limites, sobre os habitantes da região qua- 12 braças, ou 26,4 m, uma vez que cada braça
se sem nenhum controle do próprio rei.Veja mede 2,2 m.
também Encomienda.
ADJUDICAÇÃO. Ato judicial pelo qual a pro-
ADENAUER, Konrad (1876-1967). Chanceler da
priedade de uma coisa penhorada ou de seus
Alemanha Ocidental no período 1949-63, que se
rendimentos é transferida de uma pessoa ou em-
notabilizou por comandar a recuperação econô-
mica e financeira do país, depois da derrota na presa para seu credor. Difere da arrematação
Segunda Guerra Mundial. Exercendo atividades pelo fato de que nesta a transferência se faz de-
políticas antes da guerra, foi preso pelos nazistas pois do leilão determinado pela autoridade ju-
em duas ocasiões. Em 1947, tornou-se líder da diciária competente. A adjudicação pode se re-
União Democrática e Cristã e ascendeu ao cargo ferir tanto a bens quanto a rendimentos. Veja
de chanceler. Para obter êxito na reconstrução também Arrematação.
do país, integrou-o no Mercado Comum Euro-
peu e na Organização do Tratado do Atlântico ADJUSTABLE PEG. Expressão em inglês que
Norte (Otan). designa o sistema de taxas de câmbio no qual
a taxa de câmbio de um país é fixada em relação
ADERÊNCIA. Propriedade que os pontos de a outra moeda (em geral o dólar), porém de tal
uma curva, ou valores de uma função, têm de forma que possa ser alterada de tempos em tem-
se aproximar mais ou menos dos pontos de um pos. Este sistema foi estabelecido na Conferência
diagrama ou de valores observados. Quanto de Bretton Woods, em 1944, mas, com o enfra-
maior for essa aproximação, maior será o grau quecimento do dólar e da libra esterlina, entrou
de aderência, e vice-versa. em decadência no final dos anos 60, sendo subs-
tituído pelo Crawling Peg. Veja também Confe-
ADF. Iniciais da expressão em inglês after de- rência de Bretton Woods; Crawling Peg; Pa-
ducting freight, que significa “depois de descon- drão-câmbio-ouro.
tados ou deduzidos os fretes”.
ADMINISTRAÇÃO. Conjunto de princípios,
ADIBOR. Iniciais de Abu Dhabi Interbank Offer normas e funções cuja finalidade é ordenar os
Rate, isto é, a taxa de juros interbancária prati- fatores de produção de modo a aumentar sua
cada na praça de Abu Dhabi — capital dos Emi- eficiência. Desde o século XIX, a administração
rados Árabes Unidos — com as mesmas carac- científica tem-se desenvolvido como resposta
terísticas da Libor. Veja também Libor. aos problemas e desafios enfrentados pelas em-
presas com o avanço da Revolução Industrial.
ADIRON (Fórmula de). Dispositivo que modi- A mecanização, a automação, a produção e o
fica o artigo 24 da Lei Municipal (São Paulo) nº consumo em massa forçaram as empresas a cres-
15 ADMINISTRATIVE LAG

cer extraordinariamente, de forma tal que os pa- do a formulação de objetivos, programas e es-
drões tradicionais de direção e controle se tor- tratégias mercadológicas, e em geral englobando
naram inadequados. A posição do capitão de o desenvolvimento de produtos, organização e
indústria, do empresário tradicional que tudo recrutamento de pessoal para realizar planos, a
controlava pessoalmente, foi seriamente abalada supervisão das operações de mercado e o con-
e começaram a surgir os especialistas em admi- trole do desempenho mercadológico.
nistração. A preocupação com a formação de um
corpo de conhecimentos sistematizados sobre as ADMINISTRAÇÃO POR EXCEÇÃO. Método
tarefas administrativas acentuou-se no início do de administração mediante o qual os subordi-
século XX, sobretudo na França, Estados Unidos nados mantêm seus superiores informados ape-
e Inglaterra. Frederick Taylor e Henri Fayol fo- nas dos eventos excepcionais que requerem tra-
ram os primeiros clássicos da administração. tamento especial ou decisões da diretoria, mas
Taylor preocupou-se mais com aspectos direta- não informam de detalhes que meramente con-
mente ligados ao trabalho nas fábricas, como firmam que tudo está marchando de acordo com
racionalização de tarefas, estudos de tempos e o que foi planejado. Por não receber dados sobre
movimentos de produção — em suma, com o as coisas que estão seguindo conforme os pla-
aumento da produtividade e da eficiência. Já nos, sua atenção pode se concentrar na correção
Fayol inaugurou uma nova tendência, defen- das falhas. Este método de administração está
dendo a tese de que a racionalização do trabalho relacionado com a técnica de Reporting by Res-
não se refere apenas à produção bruta em dado ponsability e a Lei de Pareto. Veja também Ótimo
instante do processo, mas a toda a estruturação de Pareto.
da empresa; os pontos capitais de uma admi-
ADMINISTRAÇÃO POR OBJETIVOS. Con-
nistração científica seriam, portanto, prever, or-
ganizar, comandar, coordenar e controlar. Por ceito de administração que estabelece uma série
isso, Fayol ocupou-se sobretudo em analisar de elementos que devem constar do processo
funções propriamente administrativas. Teóricos administrativo como: 1) o que deve ser feito,
posteriores procuraram mostrar que, além dos estabelecendo-se prioridades; 2) de que forma
processos, é importante estudar os comporta- devem ser realizadas as tarefas propostas (ou a
mentos. Sustentam que o poder de decisão não produção); 3) quais serão os custos daquilo que
se limita ao topo da escala hierárquica, mas ocor- vier a ser realizado; 4) quando deverá ser rea-
re em todos os níveis de uma empresa, onde se lizado aquilo que foi determinado no item (i);
encontrem pessoas e não apenas agentes pro- 5) o que constitui um desempenho satisfatório;
dutivos. Um dos representantes dessa tendência 6) quais e em que proporção estão sendo con-
é o sociólogo Robert K. Merton. Outra corrente seguidos avanços; 7) como e quando processar
enfatiza a necessidade de levar em conta que as correções. De acordo com este conceito de
qualquer empresa está necessariamente ligada administração, a direção de uma organização ou
a determinada sociedade: autores como Wright instituição ou empresa não apenas define a priori
Mills apontam distorções ideológicas de caráter os resultados que deverão ser obtidos e as etapas
conservador nas abordagens acadêmicas e in- que deverão ser vencidas para consegui-los, mas
sistem em que as condições econômicas, sociais também estabelece os critérios para avaliar o de-
e políticas deveriam merecer a atenção dos teó- sempenho de todos os envolvidos na realização
ricos da administração. Nesse sentido, desta- das tarefas. Já em 1954, Peter Drucker recomen-
cam-se ainda os trabalhos dos sociólogos da es- dava que em todas as áreas nas quais as ativi-
cola de Max Weber. Esse pensador alemão mos- dades pudessem afetar o desempenho da em-
trou como tanto a teoria quanto a prática da presa deviam ser estabelecidos objetivos e metas
administração dita científica surgiram a partir a serem alcançados. Veja também Drucker, Pe-
de condições econômicas peculiares aos países ter; MBA.
desenvolvidos, enquanto as economias subde-
senvolvidas apresentam formas administrativas ADMINISTRADOR DE RECURSOS DE TER-
aparentemente mais frágeis. Para os weberianos, CEIROS. Função desempenhada por pessoa es-
o que muitas vezes sugere ineficiência, na pers- pecializada que administra as carteiras de in-
pectiva das teorias acadêmicas, pode constituir vestimentos de empresas ou pessoas físicas nos
um conjunto de recursos altamente funcionais bancos e instituições de investimento.
e adequados à sociedade em questão. Veja tam-
bém Burocracia; Gerencialismo. ADMINISTRATIVE LAG. Expressão em inglês
que significa o lapso de tempo existente entre
ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA. Con- o reconhecimento da necessidade de tomar uma
ceito definido como o planejamento e o controle medida no campo financeiro, fiscal, monetário
de toda a atividade mercadológica de uma em- ou administrativo e o momento em que as me-
presa, ou de uma divisão de uma firma, incluin- didas necessárias são realmente tomadas. Este
ADR 16

lapso pode ser de grande importância no âmbito AFFIDAVIT OF TITLE. Consiste num affidavit
financeiro, onde o atraso na tomada de uma me- obtido pelo vendedor de um imóvel certificando
dida pode trazer conseqüências importantes ao comprador que não existe nenhum defeito
para o resultado de processos. ou falha no título de propriedade do vendedor.
ADR. Veja American Depositary Receipt. AFL-CIO. Sigla da American Federation of La-
bor-Congress of Industrial Organizations. Pode-
ADUANEIRA, União. Veja União Alfandegária. rosa central sindical dos operários norte-ameri-
AE. Iniciais da expressão em alemão Abrech- canos, oriunda da fusão de duas entidades sin-
nungseinheit, que significa “unidade de conta”. dicais. A primeira surgiu em 1886, congregando
trabalhadores do mesmo ofício, e a segunda foi
AES USIBUS OPTIUS ORO. Expressão em la- organizada em 1935, associando os operários
tim que significa “o cobre é mais apropriado sem especialidade. A fusão ocorreu em 1955, sob
para circular (como moeda) do que o ouro”. Du- a presidência de George Meany; atualmente, a
rante a época colonial, a Coroa Portuguesa fazia central reúne cerca de 125 sindicatos e mais de
esta recomendação para que as barras de ouro 15 milhões de trabalhadores. Na AFL-CIO, cada
deixassem de funcionar como moeda e em seu sindicato é livre; no entanto, para assinar acor-
lugar fossem utilizadas as moedas de cobre vin- dos coletivos quanto a aumentos salariais e ou-
das de Portugal. Na prática, reconhecia-se o tras reivindicações específicas, é necessária a ob-
princípio que fora enunciado por sir Thomas tenção do apoio da direção geral. A entidade é
Gresham, de que a “moeda má expulsa a moeda tradicionalmente anticomunista e conservadora
boa”. Veja também Crise do Xenxém; Lei de no que diz respeito às políticas interna e externa
Gresham. dos Estados Unidos. Veja também Sindicalis-
mo; Sindicato.
AFEGANE. Unidade monetária do Afeganistão.
Submúltiplo: Pul ou Kron. AFOLHAMENTO, Sistema de. Forma de pro-
dução agrícola, utilizada durante a Idade Média,
AFFECTIO SOCIETATIS. Expressão em latim em que as terras cultiváveis eram divididas em
que significa o sentimento de afeição ou afini- faixas ou folhas. Parte das terras permanecia lon-
dade que liga sócios de uma sociedade por quo- go tempo em pousio para recuperar sua capa-
tas de responsabilidade limitada. Aplica-se no cidade produtiva. Veja também Pousio; Rotação
caso de organizações de menor porte onde os de Cultivos.
laços de confiança e lealdade entre os proprie-
tários são elementos fundamentais para o bom AFORAMENTO. Veja Enfiteuse.
desempenho das atividades de uma empresa.
A FORTIORI. Expressão em latim que significa
AFFIDAVIT. Expressão latina que, na prática “por mais razão ainda”.
bancária, significa uma declaração escrita, jura-
mentada por intermédio do testemunho de um AFRETAMENTO. Contrato por meio do qual
tabelião. Os affidavits são geralmente exigidos o proprietário de um navio ou outro meio de
dos tomadores de empréstimos para que pos- transporte, mediante um preço previamente es-
tulem a obtenção de uma hipoteca. Este instru- tipulado, compromete-se a cedê-lo, parcial ou
mento pode ser utilizado também quando, por totalmente, para o transporte de mercadorias ou
alguma razão (incêndios, guerras etc.), os regis- de pessoas.
tros civis de uma comunidade foram destruídos
e uma pessoa deseja provar, por exemplo, sua AFTALION, Albert (1874-1956). Estatístico e eco-
idade, ou como uma declaração imposta por um nomista francês de origem búlgara. Professor
governo a estrangeiros portadores de valores das universidades de Lille e de Paris e autor de
mobiliários que, para receber determinadas isen- várias obras, exerceu grande influência entre os
ções ou vantagens no pagamento de impostos, economistas franceses, no período que vai da
devem provar e assegurar sua condição de es- Primeira à Segunda Guerra Mundial. Sua mais
trangeiros. Veja também Affidavit of Perfor- conhecida contribuição é a teoria das crises, que
mance; Affidavit of Title. se enquadra na teoria dos ciclos econômicos. Di-
vergindo de muitos outros economistas, Afta-
AFFIDAVIT OF PERFORMANCE. Atestado le- lion achava que a crise econômica não é simples
gal pelo qual o funcionário de um meio de co- resultado de deficiências ou erros de planeja-
municação (como o rádio, a tevê ou o cinema) mento, mas um fenômeno que tem raízes no
testemunha que o programa ou mensagem co- próprio processo de produção tomado como um
mercial do patrocinador foi realmente transmi- todo. Para ele, esse processo gera a crise porque:
tida (irradiada) com autorização, e que tal do- 1) a produção de bens de consumo se funda
cumento é enviado ao anunciante ou sua agência necessariamente na produção de bens de capital;
como prova de prestação de serviço. 2) mas é a produção de bens de consumo que
17 AGOSTINHO

aciona a de bens de capital, e isso só acontece AGER PUBLICUS. Expressão latina que desig-
depois de uma imprevisível expansão do con- na as terras de uso comunitário existentes na
sumo; 3) ocorre que o tempo exigido para a pro- Europa até o advento do capitalismo. O produto
dução de bens de capital é bem maior que aquele do trabalho realizado nessas áreas funcionava
exigido para a dos bens de consumo, de tal for- como reserva na eventualidade de más colheitas
ma que não é possível combinar os dois sem nas demais terras, para cobrir as necessidades
defasagens. E são essas defasagens os momentos da guerra, dos eventos religiosos e de outras
críticos do processo de produção. Aftalion ficou despesas da comunidade.
também conhecido por sua crítica ao socialismo: ÁGIO. Termo de origem italiana usado antiga-
para ele, a distribuição igualitária dos bens en- mente em Veneza para designar a diferença na
fraquece o incentivo para o trabalho, e a supres- troca entre moedas depreciadas e o metal do
são da propriedade privada anula a acumulação qual eram constituídas. Essas trocas eram efe-
de capital. Entre suas principais obras estão: Les tuadas pelos bancos de Veneza, Hamburgo, Gê-
Crises Périodiques de Surproduction (As Crises Pe- nova, Amsterdã e de outras cidades comerciais
riódicas de Superprodução), 1913; Les Fonde- e financeiras, os quais fixavam o ágio em cada
ments du Socialisme: Étude Critique (Os Funda- caso. De forma genérica, o ágio significa um prê-
mentos do Socialismo: Estudo Crítico), 1923; mio resultante da troca de um valor (moedas,
Cours de Statistique (Curso de Estatística), 1928. ações, títulos etc.) por outro. No comércio in-
ternacional de moedas, é a diferença entre o va-
AFTER-SALES-SERVICES (Serviços Pós-Ven- lor nominal e o real da moeda negociada. Oca-
das). Expressão em inglês que significa o con- sionalmente, o termo é utilizado para indicar
junto de serviços como assistência técnica, rede um prêmio pago por uma letra de câmbio es-
de lojas onde podem ser adquiridas peças de trangeira. O ágio pode surgir também quando
reposição, consertos etc. postos à disposição de o preço oficial de um produto (ou preço de ta-
um consumidor depois que a venda de um pro- bela) está fixado num nível muito baixo e sua
duto é efetuada. compra só se concretiza se o interessado estiver
disposto a pagar mais por essa transação. A di-
AGE. Iniciais de Assembléia Geral Extraordinária. ferença entre o preço oficial e o que o comprador
AGENDA 21. Documento assinado entre os go- realmente paga é considerada o ágio daquela
transação. Esse tipo de fenômeno ocorre quando
vernos de 170 países que se reuniram na Con-
há tabelamento ou congelamento de preços,
ferência Mundial do Meio Ambiente realizada
como aconteceu durante os planos econômicos
no Rio de Janeiro em 1992, com o objetivo de
de estabilização no Brasil durante os anos 80 —
promover o desenvolvimento sustentável no
especialmente em ocasião do Plano Cruzado, em
mundo a partir do século XXI. Isso significa que 1986 — e no início dos anos 90 com o Plano
cada um dos seus signatários, dentro dos prazos Collor. O ágio pode aparecer nesse contexto tam-
definidos, adotará um conjunto de atitudes e bém se, embora não haja congelamento, existir
procedimentos incorporados às suas políticas vi- uma forte descompensação entre oferta e de-
sando melhorar a qualidade de vida no planeta. manda, como aconteceu, durante os primeiros
meses do Plano Real, com a aquisição de auto-
AGENTE DEL CREDERE. Tipo de agente co-
móveis populares. Quando em lugar de um pre-
mercial ou distribuidor que, assim como um
ço maior paga-se um preço menor por um título,
consignatário, não compra as mercadorias com uma ação ou uma moeda, ocorre um “deságio”.
as quais transaciona, mas que eventualmente Veja também Câmbio; Letra de Câmbio; Plano
aceita a responsabilidade em última instância Collor; Plano Cruzado; Plano Real.
pelo pagamento das mercadorias transacionadas
se o cliente final não honrar seu compromisso AGLOMERAÇÃO. Veja Efeito Aglomeração.
de pagá-las.
AGO. Iniciais de Assembléia Geral Ordinária.
AGENTE PROVOCADOR. Indivíduo que in-
cita, geralmente sendo contratado para isso, uma AGOROT. Veja Shekel Novo.
greve ou uma revolta, ou mesmo resistência AGOSTINHO, Santo (354-430). Filósofo cristão.
aberta contra orientações da gerência de uma Manifestou seu temor de que o comércio afas-
empresa para desmoralizar um movimento sin- tasse o homem da procura de Deus e achava
dical ou a união dos trabalhadores em torno de que o cristão não deveria ser mercador; admi-
suas reivindicações. Na medida em que este tindo-o, no entanto, como um mal necessário,
agente pode conseguir que uma greve tenha iní- para ele, só se deveria cobrar pelas mercadorias
cio antes do momento mais propício para os tra- o justo preço. Não considerava a escravidão algo
balhadores, sua atuação contribui para o fracas- natural, como se pensava, em geral, na Antigui-
so da mesma. dade; aceitava-a, contudo, como punição do pe-
AGRÁRIO 18

cado. Em sua obra, influenciada por Platão, en- lação entre esses três fatores está ligada aos pa-
contra-se a primeira grande síntese filosófico- péis que a agricultura de um país cumpre no
teológica do cristianismo. Escreveu A Cidade de conjunto da organização social e econômica: 1)
Deus e Confissões. O de fornecedora de alimentos para o mercado
interno; 2) O de fornecedora de um excedente
AGRÁRIO. Veja Reforma Agrária; Sistemas agrícola capaz de ser exportado e proporcionar
Agrários. divisas para o país; 3) O de geradora de pou-
AGREGADO. Lavrador pobre, não proprietá- pança para a implantação ou desenvolvimento
rio, que se estabelece na propriedade de outro do setor industrial; 4) Ou, ainda, de acordo com
em troca de alguma espécie de pagamento. No o regime de propriedade vigente (grande, média
Brasil, entre os vários tipos de agregados, des- ou pequena), o papel de fornecedora principal
tacam-se: 1) O que planta e cria animais em pe- de mão-de-obra para as atividades urbano-indus-
quena escala em propriedade alheia, pagando triais. Veja também Contag; Revolução Agríco-
esse uso com alguns dias de trabalho por sema- la; Revolução Industrial; Sociedade Nacional
na, mediante remuneração inferior à de um as- de Agricultura; Terceiro Mundo.
salariado na mesma propriedade; 2) O que mora AGROINDÚSTRIA. Atividade constituída pela
numa casa fornecida pelo proprietário do sítio junção dos processos produtivos agrícolas e in-
ou fazenda, retribuindo com um dia de trabalho dustriais no âmbito de um mesmo capital social,
semanal; 3) O que planta e cria numa porção ou, quando tal não acontece, a atividade carac-
de terra alheia e paga ao proprietário uma par- teriza-se por uma grande proximidade física en-
cela do produto final. Nos engenhos de açúcar tre a área que produz a matéria-prima agrícola
do Nordeste brasileiro, o agregado é também e o seu processamento industrial. Com a cres-
conhecido por “morador”. O termo “agregado” cente preponderância da indústria sobre a agri-
pode também significar agregado macroeconô- cultura e a subordinação desta última à primei-
mico. Veja também Valor Agregado. ra, proporções crescentes das atividades agríco-
AGRIBUSINESS. Termo em inglês constituído las encontram-se hoje totalmente submetidas ao
das palavras agriculture e business, e que designa capital industrial, sendo esta uma tendência
as empresas industriais cujos produtos têm mundial. Veja também Agribusiness.
como base um produto agrícola, geralmente AGROVILA. Núcleo habitacional e produtivo
uma commodity como, por exemplo, as empresas construído geralmente em áreas rurais para o
que fabricam cigarros a partir do fumo, ou que desenvolvimento da agricultura e destinado a
produzem bebidas a partir da cevada. São tam- receber populações que estão sendo deslocadas
bém chamadas agroindústrias. Veja também de outras áreas por razões climáticas ou devido
Commodity. à construção de obras públicas como, por exem-
AGRICULTURA. Atividade produtiva integran- plo, barragens que servem como reservatórios
te do setor primário da economia. Caracteriza-se para a produção de energia elétrica.
pela produção de bens alimentícios e matérias- AGUAR AÇÕES. Ato que resulta em ações cujo
primas decorrentes do cultivo de plantas e da valor ao par excede o valor do patrimônio lí-
criação de animais. Na produção agrícola en- quido (tangível) que as mesmas representam.
tram três fatores básicos: o trabalho, a terra e o Este tipo de situação pode ser criado de diversas
capital. Numa unidade agrícola, quando o em- maneiras: 1) emitindo ações em troca de dinhei-
prego de capital é o fator predominante, diz-se ro ou propriedades cujo valor é inferior ao valor
que se trata de agricultura intensiva. No caso de ao par das ações; 2) entregando ações aos acio-
ser a terra o fundamental, trata-se então de agri- nistas como bônus; 3) emitindo ações contra um
cultura extensiva. A predominância do fator ca- ativo fictício ou intangível. A magnitude desse
pital, típico da agricultura moderna, permite alta processo pode ser medida pelo excesso do valor
produtividade por área cultivada e é encontrada ao par do conjunto de suas ações em comparação
sobretudo nos países industrializados (no Brasil, com seus ativos tangíveis (patrimônio líquido).
ocorre principalmente nas regiões Sul e Sudes- Veja também Ação Aguada.
te). A agricultura extensiva, no entanto, com a
utilização abundante de terras, é característica AIESEC — Associação Internacional de Estu-
dos países do Terceiro Mundo, onde a grande dantes em Ciências Econômicas e Comerciais.
propriedade é a marca da estrutura fundiária. Foi fundada em 1948 por estudantes de sete paí-
A predominância do fator terra, aliás, marcou ses europeus com a finalidade de ajudar na re-
até recentemente a história da agricultura, alte- construção da Europa devastada pela guerra. É
rando-se a relação com o trabalho e o capital uma organização apartidária, sem fins lucrativos
somente a partir da Revolução Industrial, cujas e oferece as seguintes oportunidades a seus in-
técnicas se estenderam ao setor agrícola. A re- tegrantes: 1) que se desenvolvam profissional-
19 ALAVANCAGEM

mente; 2) programas educacionais que visem à desenvolvidos (Bolívia, Equador e Paraguai); os


formação de líderes; 3) contatos com estudantes mais desenvolvidos (Argentina, Brasil e Méxi-
de outros países por intermédio de programas co); e os intermediários (Colômbia, Chile, Peru,
de viagens; 4) contactos com grandes empresas Uruguai e Venezuela). A organização estrutu-
nacionais e internacionais. Nos programas de in- ra-se em três órgãos: o Conselho de Ministros
tercâmbios, destaca-se o de intercâmbio de es- dos Negócios Estrangeiros, instância suprema
tagiários. Hoje, é a maior organização interna- encarregada da condução dos negócios políticos
cional dirigida por estudantes, estando presente e de integração econômica; a Conferência de
em 81 países e em mais de 750 universidades. Avaliação e de Convergência, que deve reunir-se
No Brasil a associação está presente em São Pau- de três em três anos e onde tomam assento os
lo (FGV e FAAP — Fundação Armando Álvares representantes plenipotenciários dos onze paí-
Penteado), no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, ses membros; o Comitê de Representantes, ór-
Brasília, Salvador, Curitiba, Joinville, Porto Ale- gão permanente encarregado de executar a apli-
gre, São Leopoldo, Santa Maria e Vitória. cação do tratado. O primeiro secretário-geral da
Aladi, eleito em 1980, foi o economista para-
AJUDA EXTERNA. Veja Dependência; Inves- guaio Júlio César Schupp. A organização está
timento Estrangeiro; Subdesenvolvimento; sediada em Montevidéu, Uruguai. Veja também
Unctad. Alalc; Alca; Mercosul.
AJUSTAMENTO. Linha descrita pela ligação ALALC — Associação Latino-Americana de Li-
dos pontos de um gráfico cartesiano no corres- vre-Comércio. Organização internacional criada
pondente a uma série estatística. Quando os pelo tratado de Montevidéu, em fevereiro de
pontos estão dispersos pelo gráfico, traça-se uma 1960, e extinta vinte anos depois. Previa o esta-
linha que passe o mais próximo possível de to- belecimento de uma área de livre-comércio, que
dos os pontos representados. seria a base para um mercado comum latino-
americano, à semelhança do Mercado Comum
AKA. Abreviação da expressão em inglês also
Europeu, com redução de tarifas e eliminação
known as, que significa “também conhecido por”
de barreiras comerciais. Assinaram o tratado Ar-
ou “aliás”.
gentina, Brasil, Chile, México, Paraguai, Peru e
AKTIE (Stamm). Termo em alemão que signi- Uruguai; ingressaram depois Colômbia e Equa-
fica ação ordinária. Ela representa direitos par- dor (1961), Venezuela (1966) e Bolívia (1967). A
ticipativos na direção de uma empresa e signi- Alalc desenvolveu-se bastante no início, fazendo
fica uma porção do capital da mesma. com que as exportações regionais quase dobras-
sem de 1961 a 1965, passando de 490 para 835
AKV. Iniciais da expressão em alemão Allgemei- milhões de dólares. De 1960 para 1970, foram
ne Kreditvereinbarungen, que significa “acordo aprovadas quase 900 concessões tarifárias, faci-
geral de empréstimos”. Veja também General litando as transações comerciais. Após esse iní-
Arrangements to Borrow. cio promissor, porém, a organização entrou em
crise: de 1970 a 1980, aprovaram-se apenas 2 mil
ALADI — Associação Latino-Americana de In- novas concessões tarifárias. As causas da crises
tegração. Organização internacional criada pelo nunca chegaram a ser exatamente definidas.
Tratado de Montevidéu, assinado em 12 de Uma das explicações levantadas diz respeito à
agosto de 1980, em substituição à antiga Asso- diferença de desenvolvimento econômico entre
ciação Latino-Americana de Livre-Comércio os membros da organização: os mais pobres não
(Alalc). O objetivo do tratado, que passou a vi- teriam condições de participar das negociações
gorar em 18 de março de 1981, era obter uma da mesma forma que os outros, e estes acabavam
entidade mais flexível, mais dinâmica e sem os recebendo os maiores benefícios. A instabilidade
erros da antecessora, capaz de estimular as re- política e econômica na região, principalmente
lações comerciais na América Latina. As princi- durante a década de 70, também teria favorecido
pais modificações da Aladi em relação à Alalc a crise. A Alalc foi extinta em 31 de dezembro
foram a possibilidade de acordos bilaterais entre de 1980. Em seu lugar, os países membros cria-
países e o estabelecimento de diferenças entre ram outra organização, menos ambiciosa e mais
os membros da associação, de acordo com seu flexível: a Aladi — Associação Latino-America-
estágio de desenvolvimento econômico. A Aladi na de Integração. Veja também Aladi; Mercosul;
não abandona o objetivo de criar um mercado Alca.
comum latino-americano, mas enfatiza que este
é um objetivo a longo prazo, ao qual chegará ALAVANCAGEM. Termo usado no mercado
de forma gradual. A Aladi é composta de onze financeiro para designar a obtenção de recursos
países, representando mais de 90% da popula- para realizar determinadas operações. Num sen-
ção e do território da América Latina. Esses paí- tido mais preciso, significa a relação entre en-
ses estão divididos em três grupos: os menos dividamento de longo prazo e o capital empre-
ALCA 20

gado por uma empresa. Assim, o quociente En- consideradas contrárias aos interesses da pro-
dividamento de Longo Prazo/Capital Total Em- dução nacional. O caráter protecionista das ati-
pregado reflete o grau de alavancagem aplicado. vidades alfandegárias acentuou-se nas econo-
Quanto maior for o quociente, maior será o grau mias ocidentais desde o mercantilismo, receben-
de alavancagem. do a atenção dos governos. Veja também Co-
mércio Internacional; Mercantilismo; Tarifas;
ALCA — Área Livre de Comércio das Améri- União Alfandegária.
cas. Proposto pelos Estados Unidos no início dos
anos 90, este organismo permitiria uma integra- ALFANUMÉRICO (Caracteres). Todos os ca-
ção comercial entre os países das Américas, es- racteres alfabéticos ou numéricos, isto é, todas
pecialmente daqueles pertencentes ao Nafta (Es- as letras de A a Z e todos os números de 0 a 9.
tados Unidos, México e Canadá) e Mercosul
(Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). Na me- ALGOL — Algorithmic Language. Linguagem
dida em que essa integração poderia afetar o algorítmica baseada na qual os procedimentos
desenvolvimento do Mercosul, o Brasil vem se numéricos são minuciosamente especificados
opondo aos prazos curtos para a sua implemen- numa forma-padrão ao computador. O Algol é
tação propostos pelos Estados Unidos. Veja tam- o resultado de uma cooperação internacional
bém Fast Track; Mercosul; Nafta. para a obtenção de uma linguagem algorítmica
padronizada tendo como precursora a Internatio-
ALCABALA. Termo de origem árabe que de- nal Algebric Language. Veja também Algoritmo.
signa imposto cobrado pela Coroa Espanhola a
partir do século XIV, incidindo sobre as vendas ALGORITMO. O termo tem origem no mate-
ou permutas de bens móveis. A alcabala incidia mático árabe Al-Kwarismi. Modernamente, sig-
praticamente sobre toda e qualquer transação e nifica as disposições especiais que se fazem com
permaneceu como importante meio de arreca- elementos matemáticos, com o objetivo prático
dação governamental na Espanha até o século e simples de efetuar cálculos. Um algoritmo
XIX. pode ser entendido como um método que indica
direções para que os cálculos sejam um processo
ALFA (α). Medida do retorno do investimento finito e que garanta o alcance de um resultado.
de uma ação particular quando for tomado como São exemplos de algoritmos o de Eratóstenes,
ponto de referência o índice S&P 500. Desta for- para a obtenção de números primos, o de Eu-
ma, no cálculo da inclinação de uma linha, a + clides, que, com divisões sucessivas, permite ob-
bx = y, se considerarmos b = 0, o que significa ter o maior divisor comum entre dois números
eliminar a volatilidade de uma ação, obteremos inteiros, o dispositivo de Briot-Ruffine, para a
o resultado pretendido. Se alfa for positivo e divisão de um polinômio por um polinômio de
equivalente a 10%, significará que o retorno do 1º grau, um programa de computador etc.
investimento nesta ação será 10% superior àque-
le alcançado pelo índice S&P 500; se o alfa for ALIANÇA PARA O PROGRESSO. Programa
igual a 0 (zero), a ação específica se comportará de cooperação multilateral criado em agosto de
em termos de rendimento da mesma forma que 1961 pelos signatários da Carta de Punta del
o índice S&P 500; e se o alfa for negativo e igual Este, com o objetivo de incrementar o desenvol-
a 15%, significará que o rendimento da ação em vimento econômico-social da América Latina. A
questão será 15% inferior ao indicado pelo índice idéia da aliança foi lançada pelo presidente nor-
S&P 500. Veja também Beta; S&P 500. te-americano John Kennedy, em março de 1961,
como resposta aos acontecimentos revolucioná-
ALFA 3 (α3). Medida estatística de distribuição rios em Cuba e às pressões de setores políticos
calculada pela fórmula: e governamentais latino-americanos preocupa-
dos com a situação econômica e social da região.
α3 = m3
(m2)3⁄2
Concretizada na reunião especial do Conselho
Interamericano Econômico e Social da Organi-
onde m2 e m3 são o segundo e o terceiro mo- zação dos Estados Americanos, realizada em
mentos de X em relação a sua média. Veja tam- Punta del Este, a aliança foi estruturada segundo
bém Momento. os princípios da operação Pan-Americana
(OPA), proposta pelo presidente Juscelino Ku-
ALFÂNDEGA. Repartição governamental que bitschek e aprovada em 1960, de acordo com a
fiscaliza a entrada e saída de mercadorias em Ata de Bogotá, assinada por dezenove países.
cada país, para assegurar o pagamento das ta- Em Punta del Este, os participantes proclama-
rifas correspondentes e o cumprimento das nor- vam sua decisão de “associar-se num esforço
mas locais de comércio internacional. Cumpre comum para alcançar o progresso econômico
também à alfândega impedir a prática do con- mais acelerado e a justiça social mais ampla para
trabando e a entrada no país de mercadorias seus povos, respeitando a dignidade do homem
21 ALLAIS, Maurice

e a liberdade pública”. Abrangendo um período ALIGATOR SPREAD. Veja Spread.


inicial de dez anos (1961-71), o programa visava
concretamente à redistribuição da renda, à eli- ALIMENTO DE BASE. É o alimento ou ali-
minação do analfabetismo, à reforma agrária, à mentos que constituem a base da alimentação
industrialização, ao desenvolvimento de proje- habitual de uma população. Por exemplo, no
tos de habitação popular e à integração das eco- caso brasileiro, o arroz e o feijão podem ser con-
nomias latino-americanas por um mercado co- siderados alimentos de base. Em algumas regiõ-
mum. Para viabilizar essas metas, os Estados es brasileiras, como no Nordeste, a farinha tam-
Unidos destinaram uma verba inicial de 20 bi- bém constitui um alimento de base. Geralmente,
lhões de dólares, ficando os demais governos quando os preços desses produtos sobem, o cus-
obrigados a contribuir com quantias equivalen- to da alimentação também sofre uma elevação.
tes à ajuda recebida do exterior. A coordenação ALL OR NONE (AON). Expressão utilizada no
e o controle do programa da aliança estavam a mercado financeiro indicando que uma ordem
cargo do Conselho Interamericano Econômico e de compra ou venda deve ser realizada por in-
Social, em colaboração com o Banco Interame- teiro ou então não deverá ser concluída. Se um
ricano de Desenvolvimento, a Associação Lati- corretor não conseguir executar a ordem (AON)
no-Americana de Livre-Comércio (Alalc), a Co- de um cliente por inteiro, ela não deverá ser
missão Econômica — da ONU — para a América concluída parcialmente. Mas a mesma não de-
Latina (Cepal), o Fundo Monetário Internacional verá ser cancelada, a menos que seja do tipo fill
(FMI) e o Banco Internacional para a Reconstru- or kill, isto é, “cumpra-se ou cancele”.
ção e Desenvolvimento (Bird). Embora acenasse
com reformas sociais e econômicas, a aliança, ALLA RINFUSA. Expressão em italiano que
com o tempo, mostrou-se inoperante: de um significa uma cláusula comercial segundo a qual
lado, pelos crescentes cortes na ajuda externa o embarque de mercadorias indevidamente em-
norte-americana, e, de outro, por apoiar-se em baladas ou acondicionadas pagará taxas corres-
governos conservadores, comprometidos com a pondentes a mercadorias vendidas a granel
situação vigente nos países participantes. como a madeira, o carvão e substâncias líquidas.

ALIENAÇÃO. Em Direito, o termo tem o sig- ALLAIS, Maurice (1911- ). Economista e mate-
nificado genérico de transferência da proprie- mático francês da escola econômica neoliberal,
dade de uma coisa ou direito de uma pessoa que pressupõe uma ordem natural derivada da
(física ou jurídica) para outra. Em economia po- livre decisão dos indivíduos, na qual a economia
lítica, a alienação é um dos conceitos básicos do de mercado e o livre mecanismo de preços são
marxismo, significando a perda sofrida pelo tra- requisitos fundamentais. Utilizando o que cha-
balhador de uma parte de seu ser, quando o mou de “teorema fundamental do rendimento
capitalista se apropria do fruto de seu trabalho. social”, procurou demonstrar que “todo sistema
Marx partiu da teoria da alienação do filósofo econômico, se quiser utilizar melhor seus recur-
Feuerbach, para quem o homem abdicaria de sos raros e não-renováveis, deve recorrer, expli-
sua própria essência ao criar a imagem de um citamente ou não, a um sistema de preços equi-
ser absoluto, superior (Deus), que, embora cria- valente ao do equilíbrio da concorrência perfei-
do pelo homem, é visto por este como seu cria- ta”. E sustentou que uma economia eficiente,
dor. Para Marx, a alienação ocorre não apenas seja coletivista ou privada, “deve organizar-se
nesse plano religioso (do homem a Deus), como numa base descentralizada e concorrencial”. Al-
acreditava Feuerbach, mas em muitos outros do- lais fez estudos sobre a teoria do equilíbrio eco-
mínios; alienação do cidadão ao Estado, do sol- nômico geral e da eficiência máxima, as funções
dado a sua bandeira, e, principalmente, do tra- do capital e seu desempenho no processo de
balhador ao capital. No sistema capitalista, se- crescimento capitalista, a pesquisa operacional
gundo Marx, os produtos do trabalho humano aplicada à economia, além da formulação de
passam a ser meras mercadorias que subjugam uma teoria quantitativa da moeda, em que es-
o homem, em vez de servir a ele, como era de tabelece uma dependência funcional entre o va-
esperar, já que são criações suas. Veja também lor da demanda monetária existente e os valores
Fetichismo da Mercadoria; Mais-valia; Marx, anteriores da taxa de expansão da renda nacio-
Karl Heinrich. nal. Também desenvolveu análises de economia
aplicada em pesquisas de minérios e infra-es-
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. Transferência ao trutura de transportes. Defende a integração eco-
credor do domínio e posse de um bem, em ga- nômica da Europa. Trabalhou no Centro de Aná-
rantia ao pagamento de uma obrigação que lhe lises Econômicas e na Escola Nacional Superior
é devida por alguém. O bem é devolvido a seu de Minas de Paris. Ganhou o Prêmio Nobel de
antigo proprietário depois que ele resgatar a Economia em 1988. Entre outras obras, escreveu:
dívida. A la Recherche d’une Discipline Économique (À Pro-
ALLE RECHTE VORBEHALTEN 22

cura de uma Disciplina Econômica), 1943; Éco- ALONGSIDE-DATE. Expressão em inglês que
nomie et Intérêt (Economia e Juro), 1947; L’Europe significa a data na qual se espera que um navio
Unie, Route de la Prosperité (A Europa Unida, Ca- esteja na posição correta no cais e preparado
minho da Prosperidade), 1959; e L’Impôt sur le para receber uma determinada carga.
Capital et la Réforme Monétaire (O Imposto sobre
ALQUEIRÃO. Veja Alqueire.
o Capital e a Reforma Monetária), 1977. Veja
também Paradoxo de Allais. ALQUEIRE. Denominação de unidade de área
e de capacidade (volume) utilizada pelo Sistema
ALLE RECHTE VORBEHALTEN. Expressão em Antigo Brasileiro de Unidades, antes da adoção
alemão que significa literalmente “todos os di- do Sistema Métrico Decimal, e também deno-
reitos reservados”, e que indica uma cláusula minada Quartel. Esta unidade é até hoje utili-
contratual comercial segundo a qual, nas expor- zada no meio rural, embora tenha equivalências
tações ou na aceitação de determinadas transa- diferentes, dependendo da região. São conheci-
ções comerciais (condições das mercadorias, das pelo menos 10 dimensões diferentes para o
quantidade das mesmas etc.), nenhum defeito alqueire, como mostra o quadro abaixo:
ou alteração se encontra visível. Esta expressão
aplica-se também ao caso de edições de livros, Braças Metro Hectares Estado onde é
vídeos, filmes etc. nas quais todos os direitos utilizado
de reprodução estão reservados com o editor. Alqueire 50 x 50 110 x 110 1,2100 SP, MG
Alqueire 50 x 75 110 x 165 1,8150 MG, MT
ALLEINSTEUER. Veja Imposto Único.
Alqueire 50 x 100 110 x 220 2,4200 MA, ES, RJ,
Paulista SP, MG, PE,
ALLEN, Roy George Douglas (1906-1983). Eco- SC, RS, MT,
nomista inglês, lecionou na London School of GO
Economics a partir de 1928, trabalhou no Te- Alqueire 75 x 80 165 x 176 2,9040 MG
souro e, no final da Segunda Guerra Mundial, Alqueire 79 x 79 173,8 x 173,8 3,0206 MG
foi indicado como professor de estatística na Alqueire 80 x 80 76 x 176 3,0976 ES, SP, MG
Universidade de Londres. Sua maior contribui- Alqueire 75 x 100 65 x 220 3,6300 RJ, MG
ção ao desenvolvimento da teoria econômica Alqueire 100 x 100 220 x 220 4,8400 AC, RN, BA,
data de 1934 quando, em conjunto com John Mineiro ES, RJ, SP, SC,
Hicks, publicou um artigo no qual se demons- MT, GO, MG
trava, mediante curvas de indiferença, que para Alqueire 100 x 150 220 x 330 7,2600 MG, MT
(Alqueirão)
explicar o sentido descendente de uma curva
de demanda é suficiente assumir que os bens Alqueire 200 x 200 440 x 440 19,3600 MG, BA, GO
(Alqueirão)
podem ser classificados de uma forma ordinal,
isto é, quando se ordenam vários bens, aquele
que representa a maior utilidade é colocado no Apesar da enorme variedade de dimensões, as
topo da escala. Suas obras mais importantes são mais utilizadas ainda hoje na agricultura brasi-
as seguintes: Mathematical Analysis for Economists leira (como medida de área) são o Alqueire Pau-
(Análise Matemática para Economistas), 1938; lista e o Alqueire Mineiro. Como medida de ca-
Statistics for Economists (Estatística para Econo- pacidade, o alqueire era utilizado pela Casa da
mistas), 1949; Mathematical Economics (Economia Moeda do Brasil antes da adoção do Sistema
Matemática), 1956; Macroeconomic Theory — A Métrico Decimal e equivalia a aproximadamente
Mathematical Treatment (Teoria Macroeconômica 10 canadas ou 26 litros. Veja também Sistemas
— Uma Abordagem Matemática), 1967. de Pesos e Medidas.
ALLONGE. Expressão em inglês que designa ALQUEIRE DO NORTE. Medida de área agrá-
um pedaço de papel anexado a um documento ria utilizada no Norte e no Nordeste do país e
para fornecer espaço onde endossos possam ser equivalente a 27 225 m2. Veja também Alqueire.
feitos, quando não sobra mais espaço no local
do documento destinado a esse fim. ALQUEIRE MINEIRO. Veja Alqueire.

ALMUDE. Medida de capacidade utilizada pela ALQUEIRE PAULISTA. Veja Alqueire.


Casa da Moeda do Brasil antes da adoção do
sistema métrico decimal e equivalente a 12 ca- ALTA. Momento em que as ações e demais tí-
nadas ou a aproximadamente 32 litros. Veja tam- tulos transacionados em Bolsa apresentam uma
bém Sistema Internacional de Unidades. elevação significativa de preços, normalmente
causada pelo incremento da demanda. Nos pe-
ALODIAL. Designação dos bens que podem ser ríodos em que a economia atravessa uma fase
possuídos livremente e sobre os quais não existe de prosperidade do ciclo econômico, o mercado
restrição alguma no caso de alienação. de ações geralmente é estimulado por uma
23 AMENITY VALUE

maior demanda de títulos e ações, e os preços da majoração dependia de o produto poder ou


apresentam uma tendência à elevação, embora não ser produzido no Brasil, bem como de sua
tais reflexos não sejam automáticos: isto é, pode importância para o mercado interno. Até a pro-
haver uma defasagem entre um momento de mulgação das Tarifas Alves Branco, os produtos
prosperidade e uma tendência à alta no mercado importados eram taxados em apenas 15%. As
de ações. Veja também Ação; Bolsa de Valores. mercadorias inglesas gozavam desse privilégio
desde 1810 (tratados de 1810 de comércio e na-
ALTER EGO DOCTRINE. Expressão anglo-la-
vegação). Com o tempo, essa tarifa foi estendida
tina que significa o princípio ou a doutrina ju-
às demais nações que comerciavam com o Brasil.
rídica que sustenta que, quando uma subsidiária
Além de amenizar os problemas orçamentários
é um mero instrumento da matriz — a ponto
de não possuir autonomia alguma — e é utili- do Segundo Reinado, a tarifa favoreceu alguns
zada simplesmente para que esta última supere setores da economia brasileira, embora tenha
obstáculos legais ou mesmo pratique fraudes (ge- sido alvo de violentos protestos dos países ex-
ralmente contra o fisco), os tribunais ignoram a portadores, sobretudo da Inglaterra e dos co-
ficção de que se trata de duas empresas separadas. merciantes ligados ao setor de importação. Veja
também Tratados de 1810.
ALTHUSSER, Louis (1918-1990). Filósofo fran-
cês de origem argelina que se notabilizou na AMA-KUDARI. Expressão em japonês que sig-
década de 60 por defender uma nova interpre- nifica literalmente “cair do céu” e aplicada nos
tação do pensamento marxista. Analisando as casos em que um elevado posto numa empresa
idéias de Marx do ponto de vista da distinção privada é ocupado por pessoa aposentada de
entre ideologia e ciência, Althusser opôs-se às altos cargos administrativos governamentais.
interpretações correntes na época, que centra- Na medida em que no Japão os cargos vagos
vam o marxismo na teoria da alienação e o apro- mais elevados são geralmente ocupados por pes-
ximavam de Hegel. Para Althusser, seria neces- soas do próprio corpo de funcionários de uma
sário restabelecer o sentido econômico do mar- empresa (na base do emprego por toda vida
xismo. Ler o Capital, publicado em 1964, e A Favor numa só empresa), o Ama-Kudari representa
de Marx, de 1965, estão entre suas principais uma prática criticável e desagradável para o cor-
obras. Veja também Alienação; Hegel; Marxis- po gerencial de uma empresa onde ela acontece.
mo.
AMARTYA SEN (1935- ). Nascido na Índia e
ALUGUEL. Preço pago pela utilização de um professor do Trinity College, em Cambridge (In-
bem alheio — particularmente um imóvel —, glaterra), pesquisou sobre a fome em Bangla-
calculado por unidade de tempo. No Brasil, desh, em 1974, e recebeu o Prêmio Nobel em
como na Inglaterra e outros países, o aluguel Economia por seus trabalhos teóricos na área
de imóveis é controlado por legislação específi- social e por haver contribuído para uma nova
ca. Veja também Arrendamento; Leasing; Lei compreensão dos conceitos a respeito de misé-
do Inquilinato. ria, pobreza e bem-estar social em regiões po-
bres, onde a principal atividade ainda é a agri-
ALVARÁ. Em termos jurídicos, é a ordem, com cultura.
equivalência de mandado judicial, expedida por
um juiz, determinando que seja cumprida uma AMBUSH MARKETING. Expressão em inglês
sentença ou despacho. Em termos administrati- que significa literalmente “marketing de embos-
vos, tem a conotação de licença (alvará para por- cada”, isto é, quando uma empresa consegue
te de armas, alvará para comércio etc.). Em de- fazer aparecer de alguma forma sua marca em
terminadas condições, o juiz pode expedir um evento patrocinado por outra. Por exemplo, du-
alvará permitindo que pessoas impedidas por rante a Copa do Mundo de 1994, em alguns jo-
algum motivo possam realizar venda de bens. gos da seleção brasileira de futebol cuja trans-
missão era patrocinada por uma marca de cer-
ALVES BRANCO, Manuel (1797-1855). Nasceu veja, sua principal concorrente colocou placas
em Salvador (Bahia), foi o segundo Visconde de nas laterais do gramado e contratou espectado-
Caravelas, jurista e estadista, foi ministro da Fa- res uniformizados com sua marca, que acabaram
zenda, da Justiça, e presidente do Conselho de aparecendo mais tempo durante a transmissão
Ministros do Império. Durante seu mandato dos jogos do que a própria marca do patrocinador.
como ministro da Fazenda, decretou as primei-
ras tarifas alfandegárias do Brasil, em 1844, que AMENITY VALUE. Expressão em inglês que se
passaram a ser conhecidas como Tarifas Alves refere às condições existentes no entorno de uma
Branco. Modificou as tarifas alfandegárias de propriedade imobiliária que geralmente elevam
quase 3 mil produtos importados aumentando o seu valor como, por exemplo, boa vizinhança,
os impostos em 30, 40, 50 e até 60%. O valor escolas, parques, áreas verdes etc.
AMERICAN DEPOSITARY RECEIPT 24

AMERICAN DEPOSITARY RECEIPT (ADR). rua. Veja também Bolsa de Valores; Insider;
Emissão de certificados, por bancos norte-ame- New York Stock Exchange; Wall Street.
ricanos, representativos de ações de empresas
sediadas fora dos Estados Unidos. Na medida AMIN, Samir (1931- ). Economista egípcio es-
em que tais certificados são negociáveis no mer- tudioso dos problemas dos países em desenvol-
cado de valores mobiliários nos Estados Unidos, vimento. Formado pela Universidade de Paris,
cria-se na prática a possibilidade de esse mer- trabalhou como assessor da Organização para
o Desenvolvimento Econômico, no Cairo, de
cado de títulos estar negociando ações de em-
1957 a 1960; foi conselheiro técnico para o setor
presas de outros países. Existem quatro tipos
de planejamento do governo do Mali, de 1960
de programas de negociação desses papéis (ní-
a 1963; é diretor do Instituto Africano para De-
veis I, II, III e “restrito”), os quais se diferenciam
senvolvimento Econômico e Planejamento des-
pelas vantagens de negociação de cada tipo de
de 1970. Professor de economia nas universida-
papel. No caso brasileiro, existem três modali-
des de Poitiers, Paris e Dakar, publicou vários
dades de ADRs: 1) Depositary Receipts (inves-
livros, que tratam principalmente dos proble-
tidor estrangeiro) são certificados que repre-
mas econômicos dos países do Terceiro Mundo:
sentam ações ou outros títulos de direito sobre Três Experiências Africanas de Desenvolvimento:
ações emitidos por uma instituição do exterior Mali, Guiné e Gana (1965); A Economia do Maghreb
e assegurados com títulos depositados em cus- (1967); O Mundo dos Negócios Senegaleses (1968);
tódia especial no Brasil. A base legal destas emis- O Maghreb no Mundo Moderno (1970); A Acumu-
sões é constituída pelas resoluções 1 927/1992, lação em Escala Mundial (1970); A África do Oeste
2 337/1996, 2 356/1997 e pela regulamentação Bloqueada (1971); O Desenvolvimento Desigual
do anexo V à resolução 1 289/1987 e pela circular (1973); A Nação Árabe (1978).
2 728/1996; 2) Depositary Receipts (investidor
brasileiro). As condições são estabelecidas para AMORTIZAÇÃO. Redução gradual de uma dí-
o registro de investimentos brasileiros no exte- vida por meio de pagamentos periódicos com-
rior em DRs, assegurados com títulos emitidos binados entre o credor e o devedor. Os emprés-
por empresas com matriz no Brasil. A base legal timos e hipotecas bancários são, em geral, pagos
é a circular 2 741/1997; 3) Brazilian Depositary dessa forma. No caso de empréstimos a longo
Receipts (investidor brasileiro) são certificados prazo, a amortização se faz mediante tabelas es-
que representam títulos emitidos por empresas peciais nas quais se incluem os juros relativos
estatais ou similares, com matriz no exterior e ao capital a reembolsar. Na técnica contábil, usa-
emitidos por instituição no Brasil. A base legal se o termo para designar as parcelas retiradas
é constituída pela resolução 2 318/1996, pela cir- anualmente pelo proprietário da empresa a fim
cular 2 723/1996 e pela instrução CVM (Comis- de atender à depreciação de certos bens ativos
são de Valores Mobiliários) 255/1996. como móveis, maquinaria e outros. Veja também
Dívida; Tabela Price.
AMERICAN STOCK EXCHANGE (Ase ou
Amex). A segunda maior Bolsa de Valores dos AMORTIZAÇÃO ACELERADA. Forma de
Estados Unidos, transacionando cerca de 10% amortização de um ativo (um equipamento p.e.)
de todas as ações negociadas no país. A Bolsa a uma velocidade superior à vida útil desse ati-
proporciona um lugar físico para as transações vo. Esta forma de depreciação é utilizada para
com ações, as quais têm de pertencer a uma em- inflar custos ou para a obtenção de benefícios
presa registrada, ou seja, uma empresa que fiscais. Esta forma aplica-se também no caso de
preencha os requisitos estabelecidos pela junta dívidas que são pagas em um número de pe-
ríodos inferior ao estipulado no contrato, se o
de diretores da Bolsa. As exigências para registro
devedor assim desejar, podendo inclusive obter
na American Stock Exchange são menores do
descontos nas taxas de juros cobradas.
que as existentes na Bolsa de Valores de Nova
York (New York Stock Exchange). As compa- AMORTIZAÇÃO NEGATIVA. Aumento do
nhias registradas devem apresentar relatórios fi- prin cipal de uma dívida, quando os pagamentos
nanceiros anuais e informes quinzenais de suas parciais da mesma são insuficientes para cobrir
movimentações e ganhos, além de impedir a o montante correspondente aos juros. A diferença
ação de insiders. Se o interesse do público dimi- é incorporada ao principal de tal maneira que a
nuir muito por um título ou ação, a empresa dívida, em lugar de diminuir, aumenta com o
correspondente poderá perder seu registro. A passar do tempo. É o que tem acontecido no Bra-
American Stock Exchange é muito antiga e teve sil com muitos contratos de aquisição da casa
início quando os corretores se encontravam na própria posteriores a 1988, nos quais as presta-
rua para transacionar lotes de ações. Só no início ções não cobrem os juros que incidem sobre o
do século XX essa Bolsa de Valores passou a saldo remanescente, o que tem causado crescente
ocupar um lugar coberto, saindo portanto da inadimplência entre os mutuários.
25 ANÁLISE DE BAYES

AMOSTRA. Conjunto de técnicas estatísticas bulação durante certo tempo, também um nú-
que possibilita, a partir do conhecimento de uma mero de ampéres passa por um fio condutor de
parte (a amostra), obter informações sobre o energia elétrica. O nome deve-se ao cientista
todo (universo). Para realizar uma amostragem, francês André Ampère. Veja também Sistema
é preciso, antes de mais nada, dividir o universo Internacional de Unidades.
em partes chamadas “unidades amostrais”.
Exemplificando: para selecionar uma amostra- AMPLITUDE. Tratando-se de um ciclo, é a me-
tade da diferença entre os valores absolutos do
gem de residentes de um município, a unidade
máximo e do mínimo das ordenadas desse ciclo,
amostral pode ser a pessoa, a família, o domi-
uma vez eliminada a tendência secular da res-
cílio, o quarteirão. Em seguida, é necessário de-
pectiva série. Pode ser entendida também como
terminar o tamanho da amostra, ou seja, o nú-
a diferença entre os preços máximo e mínimo
mero de unidades amostrais que deve ser pes- de um determinado título ou ação alcançada
quisado. Uma amostragem pode ser de dois ti- num determinado pregão ou num determinado
pos: probabilística (aleatória) ou não-probabilística espaço de tempo. Veja também Gráfico Máximo
(não-aleatória). Neste último caso, as unidades e Mínimo; Pregão; Tendência Secular.
amostrais são escolhidas intencionalmente. Na
amostragem probabilística, as unidades amos- AMSTEL CLUB. Denominação do grupo for-
trais resultam de uma seleção feita inteiramente mado pelos principais bancos e casas financeiras
ao acaso. A generalização a todo o universo das da Inglaterra e da Europa, cuja função é, me-
informações obtidas pelo estudo das unidades diante acordos recíprocos, financiar as importa-
amostrais só tem completa validez quando ba- ções e exportações dos países membros.
seada na amostragem probabilística. Veja tam-
bém Amostragem Aleatória; Amostragem Es- AMTLICHE KURSMAKLER. Expressão em ale-
tratificada; Amostra Piloto; Amostra Viesada; mão que designa os corretores das Bolsas de
Valores indicados (na Alemanha) pelo governo,
Estatística; Pesquisa de Mercado; Teorema do
cujas funções se assemelham aos Jobbers da Bolsa
Limite Central.
de Valores de Londres. Os corretores não indi-
AMOSTRA PILOTO. Denominação da amos- cados pelo governo são denominados Freie Mak-
tra que precede a amostragem propriamente ler. Veja também Stock Jobber; Broker.
dita, e que é obtida com a finalidade de avaliar
AMTLICHER MARKT. Expressão em alemão
— entre outras coisas — a variabilidade da po-
que significa o mercado oficial onde são nego-
pulação em estudo sobre a qual basear-se para
ciadas as securities nas Bolsas de Valores da Ale-
calcular o tamanho da amostra posterior.
manha. Outros mercados onde esse tipo de ne-
AMOSTRA VIESADA. É a resultante de um gociação se desenvolve são o mercado semi-ofi-
sistema de seleção que contém erro sistemático. cial denominado Geregelter Freieverkehr, e o
Veja também Amostra; Viés. não-oficial, Telefonverkehr. Veja também Am-
tliche Kursmakler.
AMOSTRAGEM ALEATÓRIA. Também deno-
minada amostra probabilística, é aquela em que ANÁLISE DA VARIÂNCIA. Veja Desvio Pa-
se pode calcular previamente qual é a pro- drão.
babilidade de obter cada uma das amostras pos-
ANÁLISE DE BAYES. A Análise de Bayes é
síveis de serem selecionadas (de uma popula-
utilizada no processo de tomada de decisões,
ção). Para tanto, é necessário que a seleção possa
na medida em que o tomador de decisões nem
ser considerada um experimento aleatório, dos
sempre pode limitar-se às probabilidades a priori
que constituem a base da teoria da pro-
ou subjetivas, uma vez que as informações ob-
babilidade na qual se fundamenta a estatística
tidas inicialmente são insuficientes para a toma-
matemática.
da eficaz de decisões. O tomador de decisões
AMOSTRAGEM ESTRATIFICADA. Tem a fi- deve complementar as informações a priori com
nalidade de melhorar as estimações estatísticas as informações objetivas obtidas mediante a ex-
mediante o agrupamento prévio dos elementos perimentação, com o intuito de reduzir as in-
de uma população que tenha certas caracterís- certezas e tomar decisões com maior garantia
ticas (sexo, faixas etárias, raça etc.) semelhantes de êxito. O Teorema de Bayes permite resolver
entre si. Assim, uma população é dividida em essa questão. Utilizando as probabilidades a
estratos e em cada um deles se faz uma seleção priori e o resultado da amostra obtida experi-
aleatória simples. mentalmente, o Teorema de Bayes nos permite
obter as chamadas “probabilidades revisadas”,
AMPÈRE. Unidade de medida da intensidade ou a posteriori. Estas probabilidades podem ser
de corrente elétrica. Por analogia com a quan- consideradas em seguida como probabilidades
tidade de água (litros) que passa por uma tu- a priori para que se obtenha outra amostra que
ANÁLISE DE REGRESSÃO 26

torne possível a obtenção de outras pro- ANÁLISE SWOT. Veja Swot.


babilidades “revisadas”, ou a posteriori, que se-
rão mais precisas do que as primeiras, e assim ANALISE TÉCNICA. Na análise do movimen-
sucessivamente. Em síntese, a Análise de Bayes to dos preços das ações, é o método que consi-
é um modelo em aberto que nos permite incor- dera única e exclusivamente os preços e volumes
porar novas informações na medida em que es- registrados, apresentados seja na forma de grá-
tas vão se produzindo. A Análise de Bayes é, ficos (grafismo) ou outra qualquer, para deter-
portanto, uma análise adaptativa e seqüencial minar a formação de tendências no mercado e
que se ajusta ao caráter cambiante da realidade orientar investimentos dos aplicadores no pre-
econômica. Este importante teorema formulado sente ou no futuro, tanto para ações individuais
por Bayes (pastor e estatístico inglês) no século como para conjuntos de ações.
XVII havia sido praticamente esquecido por in- ANALÓGICO. Veja Computador.
corporar a utilização da probabilidade “subjeti-
va”. Reabilitada pelos teóricos da decisão esta- ANARCO-SINDICALISMO. Variante do anar-
tística, a Análise de Bayes volta a ter grande quismo que se desenvolveu na Europa no final
importância na atualidade. Vejamos um exem- do século XIX e início do século XX. Considerava
plo da Análise de Bayes aplicada à indústria. que o sindicato era o principal órgão de luta e
Suponhamos um empresa que possui duas plan- de organização dos trabalhadores e núcleo da
tas onde são fabricados rolamentos, sendo a pri- futura sociedade anarquista. Somente a ação di-
meira mais antiga cronológica e tecnologicamen- reta nas fábricas e a greve geral espontânea e
te e que produz 40% do total fabricado. Se um revolucionária poderiam transformar radical-
rolamento for apanhado aleatoriamente da pro- mente a sociedade capitalista. O principal teó-
dução total, tem 40% de probabilidade de ter rico do anarco-sindicalismo foi o francês Geor-
sido fabricado na planta nº 1. Nesse caso, temos ges Sorel. Sua doutrina teve grande aceitação
as magnitudes da probabilidade anterior. No en- nos círculos operários e sindicais da França, da
tanto, a planta nº 1 produz duas vezes mais ro- Itália e da Espanha, sendo divulgada nos Esta-
lamentos com defeito do que a planta nº 2. Se dos Unidos, no Brasil e em outros países lati-
um rolamento defeituoso for encontrado, o res- no-americanos por emigrantes europeus. No
ponsável por qual das plantas deverá ser acio- Brasil, o anarco-sindicalismo foi no início do sé-
nado? Se levarmos em conta apenas a pro- culo a principal corrente política que orientou
babilidade anterior, o mais provável é que este a prática do movimento sindical mais comba-
rolamento com defeito tenha vindo da planta tivo; dele surgiram os primeiros agrupamentos
nº 2, uma vez que dela provém 60% da produ- marxistas que fundariam o Partido Comunista
ção. Mas, ao revisarmos essa probabilidade an- Brasileiro, em 1922. Veja também Anarquismo;
terior com o fato de a planta nº 2 produzir ape- Sindicalismo.
nas 1/3 dos rolamentos defeituosos, o mais pro-
ANARQUISMO. Doutrina política que prega a
vável é que o rolamento em questão tenha sido
abolição do Estado como ponto de partida para
produzido na planta nº 1, pois a probabilidade
a construção de uma sociedade alternativa, onde
de que a mais antiga tenha produzido o defeito
as relações entre os indivíduos sejam livres,
é de 57,2% contra 42,8% da planta nº 2, a mais
igualitárias e desprovidas de qualquer coerção.
nova. Esta probabilidade revisada é a pro-
babilidade a posteriori de Bayes. Por isso, os partidários do anarquismo são tam-
bém chamados de libertários. Nessa perspectiva,
ANÁLISE DE REGRESSÃO. Veja Regressão, o anarquismo rejeita qualquer princípio de au-
Análise de. toridade — seja do Estado, de instituições, de
grupos sociais ou de indivíduos. Essa proposta
ANÁLISE DE SENSIBILIDADE. Forma de abor- política implica uma nova organização econô-
dagem na qual um modelo é outra vez exami- mica da sociedade. De inspiração socialista, pro-
nado mudando-se uma de suas variáveis para põe a abolição da propriedade privada capita-
ver o que aconteceria com o resultado final.
lista, o fim da exploração do homem pelo ho-
ANÁLISE MULTIVARIÁVEL. Parte da Esta- mem, a coletivização dos meios de produção e
tística Matemática que se dedica ao estudo de a solidariedade entre os produtores (trabalha-
situações nas quais aparecem distribuições de dores). A administração geral da vida social ba-
probabilidade multidimensionais, tais como o seia-se na autogestão de cada unidade produti-
problema da estimação de médias e matriz de va; coletivamente, os trabalhadores decidiriam
covariâncias de diferentes distribuições multi- sobre as formas de organização do trabalho, pro-
dimensionais, em especial a normal, testes de dução, troca e distribuição dos produtos e rela-
hipóteses sobre um conjunto de variáveis em cionamentos com o conjunto da sociedade. Em
face de outro, estimação de coeficientes de re- escala regional e nacional, as unidades produ-
gressão, correlações canônicas etc. tivas se uniriam livremente em federações não-
27 ANGSTROM

burocráticas, que teriam funções administrati- reservas suficientes e de um balanço de paga-


vas, legislativas e executivas, podendo seus mentos sob controle para evitar o jogo especu-
membros serem destituídos a qualquer momen- lativo em torno de uma futura desvalorização
to, de acordo com a vontade dos indivíduos que do câmbio.
os elegeram. No século XIX, o anarquismo foi
uma das tendências mais expressivas no movi- ÂNCORA MONETÁRIA. Instrumento de po-
mento operário europeu. Embora tenha vários lítica monetária utilizado para estabilizar o valor
precursores, foi o francês Pierre Joseph Prou- de uma moeda numa conjuntura de grande ele-
dhon o primeiro a considerar-se anarquista. Para vação de preços e que consiste fundamental-
ele, no entanto, a abolição do Estado e da pro- mente no compromisso (legal ou não) de que
priedade capitalista viriam gradualmente, como as autoridades monetárias não emitirão moeda
resultado de um processo de organização dos para cobrir eventuais déficits governamentais,
trabalhadores e pequenos proprietários em coo- tornando o Banco Central independente do Te-
perativas de produção e colaboração mútua. Já souro Nacional. Novas emissões só teriam lugar
para o anarquista russo Mikhail Bakunin, dis- se houvesse correspondente aumento das reser-
cípulo de Proudhon, o fim do capitalismo e o vas internacionais.
advento de uma sociedade anarquista só seriam ANDAR DE LADO. Expressão utilizada geral-
possíveis por meio da ação revolucionária das mente no mercado financeiro para indicar uma
massas. Concordava nisso com os marxistas, situação na qual não há uma tendência clara de
chamados, entretanto, por Bakunin de “socialis- elevação ou baixa neste mercado, isto é, os ope-
tas autoritários”, por defenderem a organização radores estão aguardando que se delineie uma
política dos trabalhadores em partidos e advo- tendência e, enquanto isso, são prudentes em
garem a manutenção do Estado como instru- suas aplicações.
mento de construção da nova ordem econômica.
O anarquismo teve grande influência na Espa- ANDIMA. Iniciais de Associação Nacional de
nha, na França, na Itália, na Suíça e em Portugal. Instituições de Mercado Aberto. Instituição do
Foi trazido para o Brasil pelos imigrantes euro- mercado financeiro, sem fins lucrativos, que
peus no final do século XIX, tornando-se a prin- congrega mais de 310 associados, incluindo ban-
cipal tendência ativa no movimento sindical até cos comerciais, múltiplos, de investimento e cor-
meados dos anos 20. Veja também Bakunin; retoras. Sua finalidade é desenvolver novos pro-
Kropotkin; Proudhon; Sindicalismo; Socialismo. dutos e serviços para o mercado no qual está
inserida, e também o desenvolvimento dos sis-
ANATOCISMO. Termo que designa o paga- temas eletrônicos que acelerem e tornem mais
mento de juros sobre juros, isto é, a capitalização fáceis as operações financeiras, assim como a
de juros que foram acumulados por não ter sido criação de novas oportunidades de negócios en-
liquidados nos respectivos vencimentos. tre seus associados.

ANBID — Associação Nacional dos Bancos de ANEL DE MOEBIUS. Anel que contém uma
Investimento e Desenvolvimento. Entidade for- torção em determinado ponto de tal forma que,
mada por várias instituições financeiras sedia- dados dois pontos, pode-se uni-los mediante
das no Rio de Janeiro. uma linha sem passar pelas bordas. Constitui
até certo ponto um paradoxo, uma vez que, tra-
ANCHOR TENANT. Expressão em inglês que tando-se de uma figura tridimensional, possui
designa a principal loja num shopping center. apenas uma superfície.
Em alguns casos, o compromisso de uma “loja-
âncora” em se estabelecer num shopping center ANEXO 4. Dispositivo que permite a entrada
é condição para que o mesmo venha a ser cons- de capital estrangeiro segundo certas condições.
truído.
ANFAC — Associação Nacional de Factoring.
ÂNCORA CAMBIAL. Instrumento de política Associação que congrega as empresas de facto-
econômica utilizado para estabilizar o valor de ring no Brasil. Veja também Factoring.
uma moeda fixando-se seu valor na taxa cam- ANGLE OF INCIDENCE. Veja Ângulo de In-
bial. O instrumento é empregado nos casos de cidência.
inflação acelerada ou de hiperinflação, em con-
junto com outras políticas (congelamento de pre- ANGSTROM. Unidade de medida de compri-
ços, p.e.), para estabilizar os preços e as desva- mento de onda de luz, eletricidade ou calor. É
lorizações da moeda. A âncora cambial pode ser uma das menores unidades de medida, equiva-
acompanhada por uma política de conversibili- lendo a um décimo de milionésimo de milíme-
dade total ou parcial. A adoção desse mecanis- tro, ou 10-8 cm. Seu símbolo é Å. Veja também
mo exige, no entanto, que o país disponha de Unidades de Pesos e Medidas.
ÂNGULO DE INCIDÊNCIA 28

ÂNGULO DE INCIDÊNCIA. Ângulo formado ANTI-CORN LAW LEAGUE. Liga fundada em


no ponto de cruzamento entre a linha de receita Manchester (Inglaterra) em 1839 sob a liderança
de vendas e a linha dos custos totais num gráfico de Richard Cobden, que procurava a abolição
de Break-Even. Os administradores geralmente das leis dos cereais. Correspondia aos interesses
procuram conseguir o maior ângulo de incidên- dos industriais na medida em que, abolidas as
cia possível, pois isso significa que a empresa leis, o trigo importado dos países continentais
obtém uma alta lucratividade assim que o ponto como a França ou a Polônia poderiam baratear
de Break-Even é ultrapassado. Veja também o produto, e, com isso, o preço da mão-de-obra
Ponto de Equilíbrio (Break-even Point). também diminuiria.
ANIMUS LUCRANDI. Expressão em latim que ANTICRESE. Contrato pelo qual o devedor en-
significa “intenção de lucrar ou de tirar provei- trega provisoriamente um imóvel de sua pro-
to” de alguém ou de alguma situação. priedade como forma de pagamento dos juros
e saldo gradual da dívida. O credor pode usu-
ANNUITY BONDS. Expressão em inglês que fruir diretamente do imóvel ou arrendá-lo a ter-
significa títulos que proporcionam um montante ceiros.
de juros fixos anuais e de duração perpétua, isto
é, não possuem prazo de vencimento. ANTIDUMPING. Veja Dumping.
ANO-BASE. É aquele tomado como referência ANTIGONISH. Movimento cooperativo orga-
numa série de números-índices. Por exemplo, o nizado pelo monsenhor Coady, que conseguiu
índice de preços de determinado produto apre- infundir nos pescadores do norte do Canadá e
sentou a seguinte evolução: nos mineiros da ilha do Cabo Bretão o sentido
de sua capacidade e de suas responsabilidades.
1989 — 100
Graças a isso, várias pessoas deprimidas e mi-
1990 — 111 seráveis conseguiram se reerguer mediante a
ajuda mútua, de tal forma que Antigonish se
1991 — 137 tornou importante modelo de organização do
1992 — 146 cooperativismo.

1993 — 159 ANTILOGARITMO. Função inversa de um lo-


garitmo. É a base do logaritmo elevada à po-
1994 — 168 tência do número cujo antilogaritmo se deseja
determinar. Veja também Logaritmo.
1995 — 175
ANTIMONOPOLY LAW. Veja Lei Antimono-
1996 — 182
pólio.
Nesse caso, 1989 representa o ano-base, e pode-
mos afirmar que o preço desse produto em 1996 ANTITRUSTE. Veja Legislação Antitruste.
era 82% maior do que em 1989. AON. Veja All or None.
ANO FISCAL. Período geralmente corresponden- APARTHEID. Denominação da política oficial
te a 12 meses, no final do qual as contas são fechadas implementada pelo governo da África do Sul
para determinar resultados das operações financei- a partir de 1948, diferenciando direitos sociais
ras, tributárias, orçamentárias etc. Não necessaria- e políticos entre brancos e negros, e cerceando
mente coincide com o ano calendário. na prática o exercício da cidadania por parte
ANO-LUZ. Medida astronômica de distância, destes últimos. A base do apartheid consistia na
sendo aquela percorrida pela luz em um ano. separação (significado da palavra em afrikaner)
Como a velocidade da luz é de 300 mil km por entre brancos e negros, impedindo que os últi-
segundo, em um ano ela terá percorrido cerca mos permanecessem ou circulassem em espaços
de 9 460 bilhões de km, ou o equivalente a 9,46 físicos e sociais destinados exclusivamente a
x 1015 m. Veja também Sistemas de Pesos e Me- brancos. Esta política racista, que significou a
didas. morte de milhares de negros, foi condenada pela
ONU, e está sendo desmontada a partir da as-
ANÕES DE ZURIQUE. Veja Gnomos de Zu- censão, em 1994, de Nelson Mandela ao governo
rique. da África do Sul.

ANOVA. Termo formado pelas iniciais da ex- APE — Associação de Poupança e Empréstimo.
pressão em inglês Analysis of Variance, que sig- As APEs são sociedades cooperativas que têm
nifica Análise da Variância. Veja também Des- como finalidade a concessão de empréstimos ex-
vio Padrão. clusivamente aos associados. Particularmente
29 APOTHECARY

atuantes no Brasil, são as APEs pertencentes ao perderam poder aquisitivo desde 1979. Os tra-
Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo balhadores rurais se aposentam aos 60 anos de
e filiadas ao Sistema Financeiro da Habitação. idade e as trabalhadoras, aos 55 anos. O cálculo
dos futuros benefícios será baseado nos últimos
APO. Veja Administração por Objetivos. 36 salários de contribuição, corrigidos moneta-
riamente. No início de 1998, foram aprovadas
APÓLICE. O termo tem origem no italiano po-
novas e importantes regras para o sistema pre-
lizza, que significa promessa, isto é, promessa
videnciário brasileiro. As modificações mais im-
de pagamento se cumpridas determinadas con-
portantes são as seguintes: a idade para apo-
dições. Entre as principais apólices estão as apó- sentadoria passa a ser de 60 anos para as mu-
lices da dívida pública e as apólices de seguro. As lheres (antes era 55) e de 65 anos para os homens
primeiras referem-se a um empréstimo feito por (antes era 60). A idade mínima passa a ser 53
seu possuidor ao governo do município do Es- anos para os homens e 48 para as mulheres,
tado ou da União. As apólices de seguro são para aqueles que, estando trabalhando, ainda
documentos nos quais a empresa emitente se não cumpriram 30 anos (mulheres) e 35 anos
compromete a pagar a pessoas ou firmas (no- (homens) de contribuição; aqueles que já cum-
meadas no próprio documento) certa importân- priram esses prazos poderão se aposentar a
cia, no caso de ocorrerem certos fatos, tais como qualquer tempo. A aposentadoria proporcional
a morte do segurado ou a perda de determinado será mantida para quem já está trabalhando: o
bem. Veja também Seguro; Título. trabalhador que já cumpriu o prazo mínimo (30
anos para os homens e 25 para as mulheres)
APOSENTADORIA. É o direito que tem o se- poderá solicitar a aposentadoria proporcional;
gurado de retirar-se da atividade profissional e caso não tenha completado o prazo mínimo, terá
passar a receber um pagamento periódico por de trabalhar 40% a mais do que o tempo que
conta da instituição previdenciária. Esse afasta- está faltando para solicitar a aposentadoria pro-
mento ocorre quando o segurado não pode mais porcional. Quem ingressar no mercado de tra-
trabalhar, por invalidez ou velhice, ou depois balho depois de sancionada a reforma previden-
que houver exercido por longo tempo, fixado ciária não terá direito à aposentadoria propor-
em lei, sua atividade profissional. A finalidade cional e não poderá se aposentar com menos de
é manter o poder aquisitivo do segurado, ou 60 anos (homens) e 55 anos (mulheres), tendo
parte dele, garantindo-lhe um substitutivo do de trabalhar no mínimo 35 anos (homens) e 30
salário. No Brasil, há quatro tipos de aposenta- anos (mulheres) para solicitar a aposentado-
doria para os trabalhadores urbanos: 1) por in- ria.Veja também Previdência Social.
validez: devida ao segurado que, após 12 contri-
buições mensais, é considerado incapaz para APOTHECARY (Sistema). Este sistema para me-
qualquer atividade que lhe garanta a subsistên- dida de líquidos e remédios teve origem na mu-
cia; 2) por velhice: devida, após 60 contribuições dança do sistema de venda de drogas e remédios
mensais, ao segurado que completa 65 anos (ho- que até o início do século XVII podiam ser ob-
mens) ou 60 anos (mulheres) de idade; 3) por tidos tanto nas “farmácias” como nas vendas
tempo de serviço: devida, após 60 contribuições das demais mercadorias. Os farmacêuticos (apot-
mensais, ao segurado que conta no mínimo 30 hecaries em inglês) conseguiram do rei uma au-
anos de serviço; 4) especial: devida ao segurado torização de exclusividade na venda de remé-
que tenha trabalhado em atividades considera- dios e drogas e os comerciantes foram proibidos
das perigosas, insalubres ou penosas. O tempo de vender tais produtos. Mas havia o problema
de trabalho nesses casos varia entre 15, 20 e 25 de como os farmacêuticos aviavam as receitas
anos. Os mineiros que trabalham no subsolo, dos médicos. Em 1618, os farmacêuticos orga-
por exemplo, perfurando rochas, podem reque- nizaram um livro de receitas chamado Farma-
rer aposentadoria depois de 15 anos de trabalho; copéia, onde se estabeleciam as formas de com-
um mergulhador, depois de 20 anos; e um en- por cada remédio, e para as dosagens era utili-
genheiro químico, depois de 25. De acordo com zada uma combinação das medidas do sistema
a Constituição de 1988, nenhuma aposentadoria troy e das antigas medidas para vinho. A partir
poderá ser inferior a um salário mínimo. Além de 1825, esta atividade passou a ter um sistema
disso, tanto homens como mulheres poderão se padronizado de pesos, e, atualmente, o sistema
aposentar proporcionalmente; os primeiros aos apothecary utiliza, além dos elementos do seu
30 anos de serviço e as últimas aos 25. Os rea- próprio sistema, aqueles do sistema métrico e
justes das aposentadorias serão feitos na mesma ainda, eventualmente, dos sistemas troy e avoir-
época e com os mesmos índices obtidos pelos dupois. A unidade básica deste sistema, como
trabalhadores da ativa, e a Previdência Social no caso dos sistemas troy e avoirdupois, é o grão,
tem 6 meses, a partir de outubro de 1988, para que equivale em todos os sistemas a 64,8 mg.
corrigir os proventos das aposentadorias que Vinte grãos são equivalentes a um escrópolo ou
APOTHECARY SYSTEM 30

1,295 978 g. O escrópolo era o nome que se dava mentos (redução das taxas de juro, facilidades
antigamente a uma pequena pedra utilizada creditícias) e à expansão da demanda interme-
como medida de peso para quantidades muito diária e final. Essa expansão da demanda pro-
pequenas. Três escrópolos equivalem a uma voca uma pressão sobre os preços; assim, uma
dracma (ou dram), o que, por sua vez, é igual fase de aquecimento é geralmente acompanhada
a 3,889 g. Oito dracmas equivalem a uma onça de pressões inflacionárias. Veja também Mone-
apothecary, que tem o mesmo peso da onça no tarismo; Política Monetária.
sistema troy, isto é, 31,103 g. No sistema apo-
thecary, 12 onças são equivalentes a uma libra ARANHA, OSVALDO Euclides de Sousa
ou 373 g, o mesmo que no sistema troy. Os far- (1894-1960). Político e estadista brasileiro por
macêuticos usam também medidas líquidas de duas vezes ministro da Fazenda de Getúlio Var-
capacidade com unidades muito pequenas. A gas (1930-31 e 1953-54). Nesse cargo, após a Re-
menor de todas é o “mínimo”, que equivale mais volução de 1930, criou um novo sistema alfan-
ou menos a uma gota e corresponde a 0,06161 degário e organizou um esquema de consolida-
ml. Sessenta mínimos correspondem a uma ção da dívida externa, transferindo para o go-
dracma líquida ou o equivalente a 3,696 ml, e verno federal todas as dívidas contraídas no ex-
oito dracmas correspondem a uma onça líquida terior pelos Estados e municípios. Ministro das
ou o equivalente a 25,573 ml. Assim como a Relações Exteriores em 1938-44, negociou em
maioria das medidas de peso teve origem no 1939, nos Estados Unidos, os empréstimos para
grão, as medidas líquidas tiveram origem no vi- a construção da usina de Volta Redonda. No
nho e nas formas de consumo deste. Assim é último governo de Vargas, colocou em prática
que uma antiga medida já fora de uso, o gill, o Plano Aranha, restringindo o crédito e estru-
correspondia a quatro onças líquidas ou a 0,118 turando um sistema de câmbio múltiplo por
litro ou o que se considerava um gole de vinho. meio da Instrução 70 da Superintendência da
Moeda e do Crédito (Sumoc).
APOTHECARY SYSTEM. Veja APOTHECA-
RY (Sistema). ARAPENE. Antiga medida agrária francesa de
superfície que variava, conforme a região, entre
APPRAISAL. Termo em inglês que significa o 3 400 e 5 100 m2. Ela aparece como unidade de
ato de avaliar uma propriedade imobiliária, mo- medida nos textos dos fisiocratas, especialmente
biliária ou pessoal. Essas avaliações são feitas de François Quesnay. Seu correspondente na
por motivos tributários, de pagamento de segu- Alemanha era o morgen (manhã) ou o equiva-
ros, para a venda de imóveis, para a garantia lente a que um agricultor poderia lavrar durante
colateral de dívidas etc. Quando se trata de ava- esse período do dia.
liar objetos raros como antiguidades ou obras
de arte, ou ainda títulos, ações etc. de difícil ne- ARBITRAGEM. Atividade do mercado finan-
gociação para os quais não existe a rigor um ceiro e de commodities que consiste em comprar
preço de mercado, o especialista que efetua tais mercadorias — mas especialmente moeda es-
estimativas recebe o nome de evaluator (avalia- trangeira — numa praça e vendê-la em outra
dor). por preço maior. Tal atividade tende a igualar
o preço nas duas praças em questão, exercendo
APR — Ações Preferenciais Resgatáveis. Cor- assim uma função reguladora e estabilizadora
respondentes, no Brasil, às Redeemable Preference nos mercados. Isso ocorre porque o aumento da
Shares, utilizadas na Inglaterra e em outros paí- demanda de uma mercadoria ou de uma moeda
ses para acelerar as privatizações. numa praça onde o preço é mais baixo faz com
que este aumente, ocorrendo o inverso na praça
APRECIAÇÃO. Veja Valorização. onde o preço é mais elevado. No Brasil, a arbi-
APRÉS MOI, LE DELUGE. Expressão em fran- tragem é predominantemente cambial: os ban-
cês que significa literalmente “Depois de mim, cos que operam com moeda estrangeira pos-
o dilúvio”, utilizada em vários contextos, mas suem arbitradores que se encarregam de trocar,
basicamente naquele em que uma pessoa, go- nas praças internacionais, de uma para outra
vernante, empresário, utiliza meios para conse- moeda estrangeira as disponibilidades de divi-
guir seus objetivos sem se importar com o futuro sas que possuem, assim se precavendo contra
imediato, consumindo de forma predatória ou possíveis quedas e/ou auferindo lucros com a
vandálica os elementos de que dispõe num de- operação. A prática de arbitragem é comum no
terminado momento. mercado de títulos, ações, metais preciosos e
commodities como trigo, café, soja e outras. Na
AQUECIMENTO. O termo tem sido utilizado verdade, a prática é também muito antiga, tendo
para designar uma fase de expansão na econo- se iniciado no século XVI no chamado “câmbio
mia, provocada por uma política econômica (es- por arbítrio”, isto é, as transações com as dife-
pecialmente a monetária) favorável aos investi- rentes moedas. O lucro era obtido por meio das
31 ARIDA, Pérsio

diferentes cotações das moedas nas diferentes mais conversível, sendo substituída pelo dólar
praças ou mercados. Aquele que praticava o nas relações comerciais internacionais, a área do
câmbio por arbítrio atuava como fornecedor dólar perdeu seu significado inicial. Veja tam-
(vendedor) nos mercados onde o dinheiro estava bém Dólar, Escassez de.
caro e tomador (comprador) nos mercados onde
o dinheiro estava barato. Durante a segunda me- ÁREAS E VOLUMES (Cálculo de). 1) Áreas —
tade do século XVI, a Espanha foi palco de um Círculo: π x r2, onde π = 3,1415927... e r (o raio
processo muito amplo de câmbio por arbitra- do círculo cuja área se deseja medir); Retângulo:
gem, pois com a chegada do ouro e da prata Base (B) x Altura (A); Triângulo: Base (B) x Al-
da América o dinheiro tornou-se “barato” na tura (A) / 2; Paralelogramo: Base (B) x Altura
Península Ibérica e “caro” no resto da Europa. (A); Segmento de círculo: a / 360 x π x r2; Tra-
Arbitragem é também o julgamento de um con- pézio: Base Maior (B1) + Base Menor (B2) / 2
flito cuja solução das diferenças entre as partes x Altura (A). 2) Volumes — Cubo: Lado (L)3;
litigantes é dada por uma pessoa (árbitro ou Paralelepípedo: Base (B) x Comprimento (C) x
juiz), sendo seu fundamento a confiança que as Altura (A); Cilindro: π x r2 x Altura (A); Cone:
partes litigantes depositam nessa pessoa, uma π x r2 x Altura (A) / 3; Esfera: 4 / 3 x π r3;
vez que o resultado final não é passível de re- Pirâmide: Área da Base (B) x Altura (A) / 3.
curso. ARGUMENTO DE INDÚSTRIA NASCENTE.
ÁREA DA LIBRA. Abrange um grupo de paí- Veja Infant Industry Argument.
ses e territórios da Commonwealth (Comunidade
ARGUMENTUM AD HOMINEM. Expressão
Britânica de Nações), que vinculam suas moedas
em latim que significa “argumento para todos
à libra esterlina e mantêm, escrituralmente, a
os usos”, ou que pode ser utilizado em qualquer
maior parte de suas reservas cambiais no Banco
circunstância.
da Inglaterra. Foi criada em 1931, quando a Grã-
Bretanha abandonou o padrão-ouro, e adquiriu ARIDA, Pérsio (1952- ). Nasceu em São Paulo;
contornos mais precisos durante e após a Se- depois de cursar História e Filosofia na Univer-
gunda Guerra Mundial. Pela Lei de Controle sidade de São Paulo, formou-se em economia,
Cambial de 1947, a área da libra foi reconhecida em 1975, na mesma universidade. Estudou no
oficialmente, estabelecendo-se que: 1) os paga- Massachussets Institute of Technology (MIT).
mentos em libras esterlinas entre os países mem- Retornou ao Brasil e tornou-se professor do Ins-
bros seriam livres de controle; 2) os países in- tituto de Pesquisas Econômicas (IPE) da USP
tegrantes deveriam manter, em Londres, sua entre 1980 e 1982, quando passou a incorporar
contabilidade em libras esterlinas; 3) as reservas o quadro de professores da PUC do Rio de Ja-
em ouro e dólar da área seriam custodiadas pela neiro. Em 1984, tornou-se pesquisador visitante
Inglaterra, em benefício dos países membros. do Smithsonian Institution, em Washington,
Formada, inicialmente, pelos países da Common- onde apresentou um trabalho em parceria com
wealth em 1976, a área restringia-se ao Reino Uni- André Lara Resende, Inertial Inflation and Mone-
do, ilhas do Canal, ilha de Man, República da tary Reform in Brazil, que posteriormente passou
Irlanda e Gibraltar. a ser conhecido como Proposta Larida. Em 1985,
trabalhou no Ministério do Planejamento (ges-
ÁREA DE LIVRE-COMÉRCIO. Associação co-
mercial de vários países, entre os quais são ex- tão João Sayad) como secretário de coordenação
tintas todas as tarifas e cotas de importação, sub- e, em 1986, trabalhou no Banco Central — di-
sídios de exportação e outras medidas governa- retor da área bancária —, sendo um dos formu-
mentais semelhantes. Cada país, entretanto, con- ladores do Plano Cruzado. Ao sair do governo,
tinua livre para determinar as formas de comér- incorporou-se à iniciativa privada como mem-
cio com as demais nações. bro do conselho de administração do Unibanco.
Obteve seu doutoramento em 1992 com a tese
ÁREA DO DÓLAR. Formada por um grupo de Essays on Brazilian Estabilization Programs (En-
países cujas contas em libras esterlinas podiam saios Sobre os Programas de Estabilização Brasilei-
ser livremente convertidas em dólares, durante ros). Assumiu a presidência do Banco Central
o período de escassez dessa moeda, nos anos durante a permanência de Fernando Henrique
imediatamente posteriores à Segunda Guerra Cardoso como ministro da Fazenda (final do go-
Mundial. Conhecidos também como “países da verno Itamar Franco), ali permanecendo até
conta americana”, incluíam Estados Unidos e 1995, durante o governo Fernando Henrique
suas dependências, Canadá, Bolívia, Colômbia, Cardoso, tendo sido um dos formuladores do
Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equa- Plano Real. Suas obras mais importantes são as
dor, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, seguintes: Inflação, Recessão e Desajuste Estrutural
México, Nicarágua, Panamá, Venezuela, Libéria (1983); Inflação Zero — Brasil, Argentina, Israel
e Filipinas. À medida que a libra foi se tornando (1986) e História do Pensamento Econômico como
ARISTOCRACIA 32

Teoria e Retórica (1983). É sócio do Opportunity da administração doméstica” (que inclui o lar,
Asset Management. Veja também Plano Cruza- a aldeia e a cidade) e a “ciência do abastecimen-
do; Plano Real. to”. Na primeira área, encontram-se suas idéias
a respeito da propriedade privada, da escravi-
ARISTOCRACIA. Governo de um Estado por dão e outras. No estudo do abastecimento, Aris-
seus “melhores” cidadãos, no conceito original tóteles elaborou um recurso fundamental da teo-
usado por Platão quando formulou, como tipo ria econômica moderna: a distinção entre valor
ideal de governo, uma república dirigida por de uso e valor de troca: “Há dois usos para todas
filósofos. Segundo Aristóteles, “a virtude define as coisas que possuímos; ambos pertencem à coi-
a aristocracia como a riqueza define a oligar- sa em si, mas não da mesma maneira, pois um
quia”. Com o tempo, aristocracia passou a de- é próprio delas e outro impróprio ou secundário.
signar não uma forma de governo, mas a própria Por exemplo, um sapato se usa para calçar e
camada que monopoliza o poder na sociedade. para trocá-lo. São dois, portanto, os usos do sa-
Nela se incluem proprietários de terras, senhores pato”. Analisando as trocas, Aristóteles admite
feudais e indivíduos possuidores de bens de o uso do dinheiro, mas combate a hipertrofia
raiz. O termo atualmente designa também ca- das trocas quando estas passam a ter como único
madas privilegiadas no interior de um mesmo fim a acumulação de dinheiro. Nesse caso, diz,
grupo social. Veja também Elite; Oligarquia. o dinheiro perde sua função essencial e torna-se
um fim em si mesmo. Aqui se encontra sua con-
ARISTOCRACIA OPERÁRIA. Expressão que
denação da usura; seus argumentos nesse sen-
designa a camada superior do operariado do
tido desempenharam importante papel na dou-
ponto de vista salarial ou de outros elementos
trina cristã e na economia medieval.
que diferenciem este setor de outros grupos de
trabalhadores. No prefácio de seu livro A Situa- ARITMÉTICA POLÍTICA. Tendência estatísti-
ção da Classe Operária na Inglaterra, de 1889, En- ca surgida na Inglaterra durante o século XVII,
gels reconhece que a camada superior da classe e que tinha como principal preocupação o es-
operária, pelas diferenças de remuneração que tudo estatístico dos fenômenos sociais e políti-
obtinha devido a um certo grau de controle so- cos. Os representantes dessa tendência elabora-
bre a oferta, passava a constituir uma “aristo- ram as (primeiras) tabelas de mortalidade. Seus
cracia operária”. Lênin faz referência ao mesmo principais representantes foram William Petty,
fenômeno, localizando sua causa na exploração John Graunt e o astrônomo Edmund Halley.
imperialista que países como a Inglaterra exer-
ciam em nível mundial. Essa exploração permi- ARMADILHA DA LIQUIDEZ. Veja Liquidity
tia à burguesia, ao mesmo tempo que se aristo- Trap.
cratizava, neutralizar (com o aburguesamento)
a força de certos setores do proletariado com ARO — Antecipação de Receita Orçamentária.
Ação de um governo de comprometer receitas
uma remuneração mais elevada. Veja também
orçamentárias futuras para o financiamento ou
Engels; Gorz; Lênin.
custeio de suas atividades presentes, ou apre-
ARISTÓTELES. Filósofo grego (383-322 a.C.), sentá-las como garantias de operações financei-
um dos pensadores mais influentes de todos os ras ou comerciais.
tempos. Em suas obras Política, Ética a Nicômaco
e Ética a Eudemo, foi o primeiro a abordar os ARPANET. Rede de informações criada no in-
problemas econômicos de um ponto de vista terior dos Estados Unidos para apoio do Exército
analítico. Criticou a utopia política de Platão, e das Forças Armadas daquele país, e que foi a
precursora da Internet. Veja também Internet.
opondo-se a que, entre os membros da classe
governante, os bens materiais, as esposas e os ARRAS. É o sinal ou princípio de pagamento
filhos fossem comunitários. Para ele, a proprie- devolvido em dobro quando do arrependimento
dade privada é melhor do que a comunitária do vendedor, ou soma perdida quando do ar-
por incentivar a atividade econômica, ressalvan- rependimento do comprador. É aplicável a todos
do, contudo, que ela deveria submeter-se ao in- os contratos de fazer e não fazer, e significa tam-
teresse coletivo. Considerava a produção supe- bém a quantia em dinheiro desembolsada por
rior ao comércio, admitindo este dentro de certos uma das partes para assegurar a realização de
limites. Defendeu a escravidão que existia em um contrato ou o seu cumprimento, recebendo
seu tempo por achar que alguns homens são geralmente o nome de sinal.
escravos “por natureza”, mas somente os não-
helênicos deveriam ser escravizados. Aristóteles ARRÁTEL. Medida de peso utilizada pela Casa
defendeu a criação de uma ciência dos fatos eco- da Moeda do Brasil antes da adoção do Sistema
nômicos, determinou o campo da economia, Métrico Decimal e equivalente a 16 onças ou
analisou a troca e esboçou uma teoria da moeda. aproximadamente 457,104 g (cada onça avoirdu-
Distinguiu duas áreas na economia: a “ciência pois equivalendo a 28,569 g). Veja também Onça.
33 ARUBAITO

ARREMATAÇÃO. Compra em leilão dos bens trabalhador é dono dos meios de produção e
de um devedor, para que, com a quantia obtida, do produto de seu trabalho. No artesanato,
seja saldada a dívida ou parte dela. Este tipo usam-se instrumentos de trabalho rudimentares,
de solução ocorre nos casos em que o credor a divisão do trabalho é elementar (o artesão exe-
obtém judicialmente a execução da dívida. cuta todas ou quase todas as etapas da produ-
ção) e a produção pode destinar-se ao consumo
ARRENDAMENTO. Contrato pelo qual o pro- próprio ou ao mercado. A atividade artesanal,
prietário de um imóvel passa para uma pessoa presente em toda a história do homem, adquiriu
ou empresa (o arrendatário) o direito de uso e feição própria no Neolítico. Na Antiguidade
exploração do mesmo durante certo tempo, em Clássica, era executada sobretudo pelos escravos
troca de determinada soma paga geralmente em domésticos no âmbito da propriedade patriarcal.
dinheiro, mas também em produto ou em tra- Sua importância na história econômica vem da
balho, ou combinando duas ou três dessas mo- Idade Média, quando se tornou uma das prin-
dalidades. Na agricultura menos desenvolvida, cipais atividades dos homens livres que viviam
as duas últimas formas podem aparecer com cer- nas cidades nascentes. Antes, no início do feu-
ta freqüência. dalismo, o trabalho artesanal era realizado na
ARRENDAMENTO MERCANTIL. Veja Leasing. casa do próprio camponês ou pelos servos ar-
tesãos no castelo feudal: o camponês medieval,
ARRESTO DE PRÍNCIPE. Veja Fato do Príncipe. para vestir-se, tinha de tosquiar a ovelha, fiar,
tecer e costurar. Somente a partir do século XII,
ARRESTO. Veja Embargo. com o desenvolvimento do comércio e das ci-
dades, foi que se processaram modificações na
ARROBA. Medida de peso utilizada pela Casa organização do trabalho artesanal: o artesão dei-
da Moeda do Brasil antes da adoção do Sistema xou a agricultura e passou a dedicar-se exclu-
Métrico Decimal e equivalente a 32 libras ou sivamente ao seu ofício. Surgiu então o sistema
14,3073 kg. A arroba também é considerada um de corporações (onde trabalhavam mestres e
peso equivalente a 15 kg e, nesse caso, denomi- aprendizes), que produziam para um mercado
nada arroba métrica. O símbolo da arroba é @. pequeno, mas em desenvolvimento. Isso perdu-
ARROBA MÉTRICA. Veja Arroba. rou até o século XVI. Mas, daí ao século XVIII,
à medida que aumentava a demanda de pro-
ARROTEAMENTO. Técnica de cultivo do solo dutos nas cidades e se aperfeiçoavam os instru-
que até o advento da rotação de cultivos (sec. mentos de trabalho, o artesão foi perdendo sua
XVIII) consistia em dividir os campos de cultivo independência, passando a ser tarefeiro de um
em duas partes, sendo uma semeada, enquanto comerciante ou de um manufatureiro rico, ou
a outra permanecia em repouso, recuperando simplesmente assalariado. Com o advento da
sua fertilidade. Esse tipo de arroteamento era Revolução Industrial (séculos XVIII-XIX), o ar-
denominado de bienal, o mais comum utilizado tesanato tornou-se, na Europa, uma atividade
durante toda a Idade Média, apesar de existir produtiva marginal. O artesão foi substituído
também o roteamento trienal, cujo uso era es- pelo operário, que realiza apenas uma operação
porádico. Veja também Rotação de Cultivos; no processo de produção. Atualmente, o arte-
Rotação de Terras. sanato constitui atividade importante entre os
povos tribais e ainda expressiva em economias
ARROW, Kenneth (1921- ). Economista norte- subdesenvolvidas. Embora muito desenvolvido
americano professor da Universidade de Har- nos países orientais, é valorizado nas sociedades
vard e ex-consultor para assuntos econômicos industriais do Ocidente, sobretudo em termos
do governo dos Estados Unidos. Em 1972, di- estéticos. Veja também Corporação.
vidiu o Prêmio Nobel de Economia com J.R.
Hicks. Ligado aos neoclássicos, dedicou-se ao ARTIFICIAL CURRENCY. Veja Moeda Artifi-
estudo da chamada economia do bem-estar. cial.
Usando técnicas da econometria, procurou es-
tabelecer uma teoria da escolha social a partir ARUBAITO. Termo em japonês derivado da
das preferências individuais. Entre suas obras, palavra em alemão arbeit, que significa traba-
destacam-se Social Choice and Individual Values lho. Arubaito quer dizer trabalho em tempo
(Escolha Social e Valores Individuais), 1951, e parcial, trabalho temporário, ou trabalho no-
Public Investment, The Rate of Return and Optional turno (serão), moonlighting. As empresas, no Ja-
Fiscal Policy (Investimento Público, a Taxa de pão, geralmente têm uma categoria de traba-
Lucro e Política Fiscal Opcional), 1970, escrito lhadores denominados arubaito, que trabalham
em colaboração com Mordecai Kurz. regularmente em tempo integral, mas são pa-
gos por hora ou por dia e que não gozam de
ARTESANATO. Atividade produtiva individual benefícios e vantagens que têm os empregados
ou de pequenos grupos de pessoas em que o regulares. O termo também se aplica àqueles
ASCII 34

que fazem “bicos”, como os estudantes nos pe- ASSINATURAS DIGITAIS. Veja Digital Sig-
ríodos de férias. natures.
ASCII. Iniciais de Standard Code for Informa- ASSÍNTOTA. Valor para o qual tende a variá-
tion Interchange, que significa o código-padrão vel dependente de uma função na medida em
norte-americano para intercâmbio de informa- que a variável dependente se torna muito gran-
ções. É um código número 8 (7 dígitos e pari- de ou muito pequena, embora sem alcançá-la.
dade). Este código foi criado e desenvolvido com Na expressão Y = a + 1/X, Y se aproxima de a
a finalidade de padronizar e facilitar as comu- na medida em que X se torna muito grande.
nicações entre diferentes equipamentos de pro-
cessamento de dados. AT. Veja Kip Novo.

ASIENTO. Contratos estabelecidos entre a Co- ATACADO. Comércio em grande escala, reali-
roa Espanhola com empresas ou pessoas, me- zado entre produtores, grandes empresas de co-
diante os quais estas últimas obtinham da pri- mércio e varejistas, para que o produto possa
meira em arrendamento o monopólio sobre de- chegar ao consumidor final. No setor agrícola,
terminado tipo de exploração comercial. Esses os produtores geralmente se defrontam com
contratos tinham duração de três anos, podendo poucos compradores e não têm condições de de-
ser prorrogados, e foram amplamente difundi- fender seus preços de venda. Os atacadistas, por
dos nas colônias espanholas a partir do século sua vez, ao concentrarem a produção, podem
XVI até o século XVIII. Veja também Encomienda. comprar barato do produtor e vender mais caro
ao varejista. Essa estrutura oligopólica-oligop-
ASSAY. Veja Ensaio; Teste de Teor. sônica faz com que o consumidor final seja o
maior prejudicado no mercado de gêneros de
ASSET SWAP. Expressão em inglês que signi- primeira necessidade. O economista Ignácio
fica substituição de ativos, geralmente feita no Rangel atribui a essa estrutura uma das fontes
mercado financeiro para melhorar a situação da do processo inflacionário brasileiro. Veja tam-
carteira de empréstimos de um banco mediante, bém Oligopólio; Oligopsônio.
por exemplo, a conversão de títulos com taxas
de juros fixas por outros com taxas de juros flu- ATAQUE ESPECULATIVO. Situação do mer-
tuantes quando as análises financeiras indicam cado financeiro internacional, especialmente o
que as taxas de juros tenderão a subir no curto cambial, quando uma moeda de determinado
ou no médio prazo. Veja também Swap. país encontra-se debilitada e seu governo não
tem reservas suficientes para evitar uma desva-
ASSIGNATS. Papel-moeda emitido pelo gover- lorização. O ataque especulativo ocorre exata-
no revolucionário na França entre 1790 e 1795. mente quando existe a probabilidade de uma
Era lastreado nas terras expropriadas do clero
desvalorização, especialmente no caso de um
e da nobreza emigrada. Houve grande inflação
país apresentar déficits sucessivos em sua ba-
de assignats entre aqueles anos e, em 1796, eles
lança comercial ou déficits em transações cor-
foram substituídos por outras emissões, sendo
rentes. Os investidores naquela moeda abando-
ambas posteriormente repudiadas. Os assignats
nam suas posições vendendo intensivamente
eram na verdade bônus hipotecários garantidos
aquelas divisas, e, se o governo emissor da re-
por 400 milhões de francos de capital territorial
ferida moeda não dispuser de reservas suficien-
real em terras pertencentes à ex-Coroa e ao clero
tes, pode ser obrigado a desvalorizá-la. Casos
(decreto de dezembro de 1789 ordenando a ven-
da desses bens para constituir o lastro dos as- mais recentes ocorreram com o peso mexicano
signats). no final de 1994 e com o baht da Tailândia em
julho de 1997. O real brasileiro sofreu também
ASSIMETRIA. Conceito de estatística que sig- um ataque sem um desenlace desfavorável no
nifica a medida descritiva do desequilíbrio de primeiro semestre de 1995, quando foi anuncia-
uma distribuição. Por exemplo, a distribuição do o sistema de bandas cambiais. Veja também
da propriedade fundiária no Brasil é altamente Banda Cambial.
assimétrica. Um grande número de proprietá-
rios possuem pequenas propriedades, um nú- ATIVO. Conjunto de bens, valores, créditos e
mero menor agrupa-se em torno da propriedade semelhantes, que formam o patrimônio de uma
média, e um número ínfimo concentra em suas empresa, opondo-se ao passivo (dívidas, obri-
mãos as maiores áreas. A representação gráfica gações etc.). Nos balanços das empresas, o ativo
dessa assimetria mostraria uma elevação da cur- é subdividido em vários itens, de modo a dis-
va à esquerda e um alongamento da cauda à tinguir-se o dinheiro em caixa (saldos bancários,
direita. Nesse caso, a assimetria seria positiva títulos que podem ser vendidos imediatamente),
ou assimétrica à direita. Veja também Cauda; o depósito a curto prazo (recebimentos em trân-
Medidas de Achatamento. sito, empréstimos a curto prazo), o estoque de
35 AUDITORIA

mercadorias (inclusive as mercadorias em con- Inglaterra e levou o país à guerra com os ho-
signação), os terrenos e edificações, as instala- landeses das Províncias Unidas (1652-54).
ções e máquinas, as luvas e os direitos e privi-
légios. Conceitos particularmente importantes ATTENTION ECONOMY. Expressão em in-
no balanço de uma empresa são o de ativo cir- glês cuja tradução literal é “economia da aten-
ção”. Abordagem para estudar o novo contexto
culante ou disponível e o de ativo fixo ou imo-
dos mercados cada vez mais dependentes e, por-
bilizado. O ativo circulante compreende o dinhei-
tanto, saturados de publicidade e propaganda,
ro em caixa, os saldos bancários e todos os va-
contando com apenas 24 horas por dia para cha-
lores que podem ser convertidos em dinheiro mar a atenção dos clientes potenciais para seus
imediatamente. O ativo fixo são os imóveis, os produtos e serviços. Esses estudos se intensifi-
equipamentos, os utensílios, as ferramentas, as caram com a globalização dos sistemas de in-
patentes, tudo aquilo que é essencial para a em- formação mediante redes de computadores
presa continuar operando e que não pode ser quando os sites passaram a ser também arenas
convertido em dinheiro imediatamente. de propaganda e marketing de produtos e ser-
viços globalizados. Esta nova abordagem ajuda
ATIVO FINANCEIRO. Ativo caracterizado por a explicar também por que a remuneração de
direitos decorrentes de obrigações assumidas artistas, esportistas e personalidades globais
por agentes econômicos, normalmente negocia- vem alcançando cifras astronômicas e por que
dos no mercado financeiro. Compreendem prin- as despesas com promoção (marketing e propa-
cipalmente títulos públicos, certificados de de- ganda) de um produto ou serviço equivale ou
pósitos bancários (CDBs), debêntures e outros. mesmo supera muitas vezes os respectivos cus-
tos de produção.
ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. É
o ativo de uma empresa que só pode ser trans- ATUÁRIA. Área do conhecimento que, utilizan-
formado em dinheiro, isto é, realizado, a longo do-se da Matemática Financeira, do Cálculo das
prazo, o que significa um prazo superior a três Probabilidades e de dados estatísticos, tem por
anos. objeto de estudo o cálculo dos seguros em geral.
O termo vem do latim actuarius, designação da-
ATIVOS DIGITAIS. Denominação dada ao con- queles que, na Roma Antiga, elaboravam as acta
junto de informações de que uma empresa pode publica do Senado, assim como daqueles que se
dispor (que a capacita a usar suas competências). dedicavam à contabilidade e à intendência da
administração do exército. Mais tarde, na Ingla-
ATIVOS INTANGÍVEIS. Veja Intangíveis.
terra, era a denominação dada à atividade exer-
ATIVOS TANGÍVEIS. Em contraposição aos cida pelo contador ou técnico de uma compa-
ativos intangíveis, são aqueles representados nhia de seguros ou um lloyd.
pela propriedade de edifícios, máquinas, equi- AUDITAR. Realizar uma auditoria, nas contas
pamentos e estoques. Veja também Ativos In- de uma empresa pública ou privada, por pes-
tangíveis. soas especializadas ou auditores profissionais.
ATIVOS-OBJETO. Veja Derivativos. AUDITORIA. Exame analítico minucioso da
contabilidade de uma empresa ou instituição.
ATO BANCÁRIO DE 1933 (Banking Act of A auditoria é realizada por peritos que analisam
1933). Reforma da legislação bancária efetuada as operações contábeis desde seu início até o
pelo Congresso dos Estados Unidos, para redu- balanço final, concluindo pela correção ou in-
zir a instabilidade financeira do sistema bancário correção das mesmas. Para isso, o auditor se ba-
norte-americano durante a grande depressão seia: 1) nos procedimentos de controle interno
dos anos 30. O ato deu controle efetivo da po- da empresa; 2) nos registros contábeis, de ope-
lítica monetária à Junta de Governadores da Re- rações e outros; 3) em documentos de fontes ex-
serva Federal, criando o Comitê Federal de Open ternas, tais como bancos e fornecedores. Há dois
Market e o Federal Deposit Insurence Corpora- tipos de auditoria: auditoria interna, realizada por
tion. Os itens 16, 20, 21 e 32 do Ato, separando funcionários da própria empresa ou instituição;
os bancos comerciais dos bancos de investimen- auditoria externa, feita por uma firma de presta-
to, são mais conhecidos como Glass-Steagall Act. ção de serviços, contratada especialmente para
esse fim. Os relatórios emitidos por um auditor
ATO DE NAVEGAÇÃO. Decreto de Oliver seguem normas estabelecidas pelas associações
Cromwell, promulgado em 1651, pelo qual so- de classe. A expressão “auditoria” tem se esten-
mente os navios ingleses poderiam entrar ou sair dido a vários setores específicos: estão nesse
dos portos britânicos. O decreto estabelecia, as- caso a auditoria mercadológica, a de pessoal e
sim, o monopólio da navegação pelos navios da a fiscal.
AUFSICHTSRAT 36

AUFSICHTSRAT. Veja Lei da Co-Gestão. aos acionistas e em sua aplicação na empresa


para aumentar a capacidade produtiva. Além
AUSTRAL. Unidade monetária da Argentina de de isentar a empresa do pagamento de juros, o
1984 até 1991, quando foi substituída pelo peso. autofinanciamento viabiliza sua autonomia em
Submúltiplo: centavo. Veja também Plano relação às agências financeiras e ao mercado de
Austral. capitais. A prática do autofinanciamento é cri-
AUTARQUIA. Serviço estatal descentralizado ticada por retirar dos acionistas a possibilidade
e com autonomia econômica, embora tutelado de investir os lucros em outros setores da eco-
pelo poder público. No Brasil, surgiu depois de nomia, ou mesmo utilizar parte deles para o con-
sumo pessoal.
1930 para atender ao grande número de serviços
que deveriam ser prestados pelo Estado e des- AUTOGESTÃO. Modalidade de administração
centralizar os encargos em órgãos especializados que consiste em entregar as decisões ao conjunto
dotados de orçamento próprio e maior flexibi- dos trabalhadores a partir de seus locais de tra-
lidade. As autarquias brasileiras classificam-se balho e de moradia. Num sistema de autogestão,
em econômicas (caso do extinto Instituto Brasi- os operários de cada empresa decidem sobre as
leiro do Café), industriais (Instituto de Pesquisas metas de produção, salários e como sua unidade
Tecnológicas, IPT, de São Paulo), creditícias (Cai- produtiva deve se relacionar com a totalidade
xa Econômica Federal), assistenciais (Instituto da economia nacional. Em sua origem, a auto-
Nacional de Previdência Social), corporativas (Or- gestão econômica vincula-se ao ideário anar-
dem dos Advogados do Brasil) e culturais (Con- quista, embora de forma diversa esteja presente
selho Nacional de Pesquisas). Alguns anos de- também no pensamento de Karl Marx. Foi na
pois de sua criação, as autarquias brasileiras pas- Iugoslávia que a autogestão se tornou uma prá-
saram a perder suas características de autono- tica, em contraposição ao modelo econômico
mia e flexibilidade, ficando cada vez mais sub- centralizado dos demais países socialistas da Eu-
metidas à administração direta do Estado. Logo ropa Oriental, sobretudo o da ex-União Sovié-
após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), rí- tica. Veja também Co-gestão.
gidas medidas de padronização, controle e uni-
formização alcançaram as autarquias, tornando AUTOMAÇÃO. Iniciada e difundida no século
sua administração quase tão rígida quanto a dos XX, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial,
órgãos diretamente subordinados ao poder pú- a automação confiou as operações de controle,
blico. As autarquias são entidades de direito pú- regulagem e correção do processo de produção
blico, o que as distingue das empresas estatais, a aparelhos que substituem o trabalho intelec-
que são entidades de direito privado. O termo tual do homem. Tornou-se possível com a in-
autarquia pode se referir também à situação na venção dos computadores, servomecanismos e
qual um país se isola do comércio internacional, reguladores e com o desenvolvimento da ciber-
colocando uma série de restrições, como tarifas nética. Permite a realização rapidíssima de enor-
ou limitações quantitativas, numa tentativa de me quantidade de operações de cálculo e pro-
ser auto-suficiente, normalmente por razões de gramação, deixando à intervenção humana a in-
emprego ou defesa de uma indústria nascente, venção das próprias máquinas, sua programa-
mas também políticas e/ou religiosas. Na atua- ção inicial e o conserto de desvios graves. A
lidade, com a globalização e a intensa integração automação barateou os custos de produção e ele-
do comércio e das finanças, é muito difícil a um vou, em proporções gigantescas, a produtivida-
país manter-se economicamente isolado como de do trabalho. Trouxe, ao mesmo tempo, con-
aconteceu durante algum tempo, por exemplo, seqüências econômicas que provocaram modi-
com a ex-União Soviética. ficações na estrutura da sociedade e suscitaram
novos conflitos sociais. Veja também Ciberné-
AUTO-SUFICIÊNCIA ECONÔMICA. Veja Na- tica; Mecanização.
cionalismo.
AUTORIDADES MONETÁRIAS. Conjunto de
AUTOCATALÍTICA (Curva). Veja Curva de instituições e organizações que estabelecem nor-
Crescimento. mas e as executam no sentido de controlar o
volume de moeda em circulação, de meios de
AUTOCONSUMO. Veja Economia de Subsis- pagamento e as condições de crédito e de finan-
tência. ciamento na economia. As autoridades monetá-
AUTOCORRELAÇÃO. É a relação de uma va- rias são as seguintes no Brasil: Conselho Mone-
riável com ela própria no passado. Isto é, os tário Nacional (CMN), Banco Central do Brasil
valores presentes de uma variável são influen- (Bacen), Banco do Brasil (BB) e a Comissão de
ciados por seus valores passados. Valores Mobiliários (CVM). Veja também Banco
Central do Brasil; Banco do Brasil; Comissão
AUTOFINANCIAMENTO. Procedimento finan- de Valores Mobiliários; Conselho Monetário
ceiro que consiste na não-distribuição dos lucros Nacional.
37 AXIOMAS DA PREFERÊNCIA

AUXÍLIO-DESEMPREGO. Veja Seguro-Desem- anônima — da transferência de ações nomina-


prego. tivas ou endossáveis, ou do vínculo (penhor,
caução) estabelecido sobre determinada ação.
AUXÍLIO-NATALIDADE. De acordo com a lei
nº 8 112, de 11 de dezembro de 1990, o auxílio AVOIRDUPOIS. Termo de origem francesa que
natalidade é devido à servidora que, por motivo literalmente significa “bens de peso” e que de-
de nascimento de filho, recebe uma quantia signa um sistema de pesos utilizado no comér-
equivalente ao menor vencimento do serviço pú- cio, especialmente entre os países de língua in-
blico, mesmo no caso de natimorto. No caso da glesa e pela maioria dos países que com eles
mãe não ser servidora, o benefício caberá ao ma- comerciam. Este sistema pertence ao Sistema Im-
rido ou companheiro, no caso em que este o perial Inglês e é utilizado em quase todas as
seja. Se se tratar de parto múltiplo, esse valor pesagens, com exceção de metais, pedras pre-
será acrescido de 50% por nascituro. ciosas e de remédios na atividade farmacêutica.
As unidades do sistema avoirdupois são as se-
AVAL. Palavra de origem árabe, hawala, que sig- guintes: o grão (gr), a dracma (dr), a onça (oz),
nifica mandato. Na prática comercial, consiste a libra (lb), o quintal (cwt) e a tonelada (t). Veja
numa garantia dada por uma pessoa sob a forma também Sistemas de Pesos e Medidas; Troy
de sua assinatura num documento ou título ou (Sistema).
contrato comercial ou financeiro, obrigando-se
a pagar uma dívida se o titular da mesma não AXIOMA DA AVIDEZ. Veja Axiomas da Pre-
puder fazê-lo. A pessoa que concede o aval é ferência.
denominada avalista. O procedimento concreti-
za-se pela assinatura do avalista no anverso ou AXIOMA DA GANÂNCIA. Veja Axiomas da
no verso do título de crédito em questão. Diz-se Preferência.
que o aval é “pleno” ou “preto” quando a as-
sinatura do avalista é precedida pela expressão AXIOMAS DA PREFERÊNCIA. Na Teoria da
“por aval”; se isso não ocorre, diz-se que o aval Demanda (do consumidor), parte-se do pressu-
é “branco”. É uma obrigação que decorre da sim- posto que os consumidores agem racionalmente
ples assinatura do avalista, pouco importando e de acordo com axiomas os quais, combinados,
sua causa ou origem. É também uma obrigação constituem uma teoria (verificável) do compor-
autônoma e independente, produzindo efeito tamento do consumidor. Esses axiomas (da pre-
mesmo que as outras assinaturas sejam falsas. ferência), decorrentes da análise de curvas de
Se o avalista falir ou tornar-se insolvente, o cre- indiferença, são basicamente os seguintes: 1)
dor não poderá exigir que outro o substitua. axioma da completness, o qual tão-somente assi-
nala que o consumidor é capaz de indicar todas
AVAL BRANCO. Veja Aval. as combinações possíveis de bens de acordo com
suas preferências; 2) axioma da transitividade,
AVAL PLENO. Veja Aval.
o qual assinala que se uma combinação de bens
AVAL PRETO. Veja Aval. Y é preferível a outra combinação X, e X, por
sua vez, é preferível a Z, então, por transitivi-
AVALIADOR. Veja Appraisal. dade, Y é preferível a Z. A violação (negação)
deste axioma seria indicador de irracionalidade,
AVALISTA. Veja Aval. ou uma situação de paradoxo, como acontece
AVERAGE. Termo em inglês que significa “mé- no prova desenvolvida por Maurice Allais (veja
dia” em sentido genérico, o ponto médio de um Paradoxo de Allais); 3) axioma da seleção, o qual
conjunto de dados, independentemente da fór- simplesmente assinala que o consumidor busca
mula utilizada para calculá-lo. Ou seja, este ter- sempre seu estado de maior preferência (os axio-
mo genérico não especifica se a média é aritmé- mas 1 e 3 são considerados axiomas de racio-
tica, geométrica, harmônica etc. Veja também nalidade, enquanto os demais são denominados
Mean; Média; Média Aritmética; Média Geo- axiomas de comportamento); 4) axioma da do-
métrica; Média Harmônica. minância, o qual estabelece que os consumidores
preferirão mais e não menos bens disponíveis.
AVERBAÇÃO. Anotação feita por autoridade Este axioma é também conhecido como o axioma
competente em qualquer documento, referindo- da “ganância ou avidez”, da não-saciedade ou
se a fato que altere o conteúdo do documento da monotonicidade; 5) axioma da continuidade,
em questão. É o caso, por exemplo, da anotação o qual afirma que existe um conjunto de pontos
de uma sentença de divórcio feita em um regis- que forma um limite (ou uma curva de indife-
tro de casamento, ou da prorrogação de prazo rença), que constitui uma linha divisória sepa-
de uma hipoteca. Em direito fiscal, é a declaração rando as combinações preferidas daquelas rejei-
que confirma, num documento, o recolhimento tadas, ou melhor, que uma curva de indiferença
do imposto exigido por lei. Averbação é também apresenta um formato linear e não de uma nuvem
o registro — em livro especial de uma sociedade de pontos ou de um borrão; 6) axioma da con-
AYUNTAMIENTO 38

vexidade, o qual afirma que a curva de indife- cada um exigindo graus diferentes de habilidade
rença é convexa em relação à origem. Veja tam- e força, o empregador pode comprar exatamente
bém Curva de Indiferença; Paradoxo de Allais. a quantidade necessária de trabalho para cada
etapa”. Dessa forma, o empregador poderia eco-
AYUNTAMIENTO. Na administração das co- nomizar com o pagamento de força de trabalho,
lônias espanholas nas Américas, era a denomi- pois, se um mesmo trabalhador realiza tanto o
nação dada aos novos povoados em que se con- trabalho simples quanto o complexo, o empre-
centravam as moradias dos novos habitantes. gador teria de pagá-lo, durante o tempo em que
se dedicasse ao primeiro, pela cotação do se-
gundo, que é a mais elevada, pois, caso contrá-
rio, não conseguiria esse tipo de trabalhador. É

B
interessante assinalar que, mesmo afirmando
que o Princípio de Babbage foi deduzido por
ele ao analisar o sistema fabril existente na épo-
ca, não apenas na Inglaterra mas também no
continente, Babbage reconhece que um certo
Gioja, no livro Nuovo Prospetto delle Scienze Eco-
nomiche (tomo I, capítulo IV), editado em Milão
em 1815, já havia enunciado o mesmo princípio.
B. Inicial de uma série de termos cujos signifi-
cados, em economia e finanças, podem ser os BABEUF, François Noël (1760-1797). Revolucio-
seguintes: 1) baht (unidade monetária da Tailân- nário francês conhecido como Gracchus Babeuf.
dia); 2) balboa (unidade monetária do Panamá); Autor de Manifesto dos Iguais e Análise, pregava
3) belga (ex-unidade monetária da Bélgica); 4) a luta por uma sociedade igualitária, a proprie-
bani (ex-unidade monetária da Romênia); 5) bo- dade comum das terras e de todos os bens so-
lívar (unidade monetária da Venezuela); 6) bond ciais, o direito e a obrigatoriedade ao trabalho.
(título); 7) barrel (barril); 8) classificação de risco Foi guilhotinado por conspirar contra o Diretório.
de investimento da Moody’s Investors Service
e da Standard & Poors, que significa, no pri- BABY BONDS. Títulos com baixa denominação
meiro caso, falta de características de um inves- não superiores a 100 dólares emitidos para cap-
timento desejável, e no segundo, um investi- tar aplicações de pequenos investidores e am-
mento especulativo, isto é, de risco elevado. pliar os mercados para este tipo de papel. Os
Baby Bonds não se classificam como good deli-
B/L. Iniciais de Bill of Lading. Veja também Bill very, isto é, não podem ser utilizados para co-
of Lading. lateralizar dívidas.
BABBAGE, Charles (1791-1871). Nasceu na In- BABY BUSTERS. Expressão em inglês que de-
glaterra e é pouco reconhecido por suas contri- signa uma nova geração de administradores
buições para o pensamento econômico. Seu que, em contraposição aos yuppies, atribuem me-
nome é mais associado à origem do computador nor importância a dinheiro e status, valorizando
(a elaboração da máquina analítica de Babbage) mais o bem-estar na empresa, mesmo que isso
do que ao fato de ter tecido interessantes críticas signifique uma remuneração monetária relativa-
a Adam Smith. Educou-se no Trinity College, mente menor. Veja também Yuppie.
em Cambridge, e, ainda estudante, iniciou a So-
ciedade Analítica com Herschel e Peacock, para BACHA, Edmar Lisboa (1942- ). Nasceu em Mi-
a reforma da matemática na Inglaterra. Seu in- nas Gerais e formou-se em economia pela Fa-
teresse pela matemática foi a base de suas con- culdade de Ciências Econômicas da Universida-
tribuições para a economia e a estatística. Depois de Federal de Minas Gerais, em 1963. Obteve o
de Cambridge, Babbage transferiu-se para Lon- mestrado em 1965 e o doutorado em Yale em
dres, onde desenvolveu o trabalho durante o res- 1968 com a tese An Econometric Model for the
to de sua vida em torno da máquina analítica, World Coffee Market: The Impact of Brazilian Price
talvez a primeira tentativa de fabricar uma má- Policy (Um Modelo Econométrico para o Mercado
quina de calcular. Seu livro mais importante é Mundial de Café: O Impacto da Política de Preços
On the Economy of Machinery and Manufactures do Brasil). Foi pesquisador associado do Massa-
(Sobre a Economia de Maquinaria e Manufatu- chussets Institute of Technology (MIT) junto à
ras), de 1832. Uma de suas contribuições mais Oficina de Planificación Nacional, em Santiago
importantes para a economia é o chamado Prin- do Chile, onde permaneceu até 1969. Entre 1970
cípio de Babbage, que traz uma visão diferente e 1972, trabalhou na Escola de pós-graduação
das vantagens da divisão do trabalho enuncia- em economia da Fundação Getúlio Vargas, no
das antes por Adam Smith: “Pela divisão do tra- Rio, e no Ipea. Em 1971, publicou, em conjunto
balho a ser realizado nos diferentes processos, com Lance Taylor, Foreign Exchange Shadow Pri-
39 BAER, Werner

ces: A Critical Review of Currency Theories (Pre- muda suas posições de títulos de longo prazo
ços-Sombras do Comércio Externo: Uma Revisão crí- para aqueles de curto prazo, diz-se que ele en-
tica das Teorias da Moeda). A partir de 1972, tor- curtou seu porta-fólio ou se caracterizou como
nou-se professor da Universidade de Brasília, backup.
onde fundou a pós-graduação em economia. En-
tre 1983 e 1984, ocupou a Tinker Chair, no De- BACKWARDATION. Termo utilizado nas Bol-
partamento de Economia da Columbia Univer- sas de Valores quando um operador deseja pos-
sity. No ano seguinte, tornou-se presidente do tergar a entrega de ações vendidas num deter-
IBGE (governo Sarney), tendo participado da minado pregão. Isto pode ser conveniente para
implantação do Plano Cruzado; em 1994, como o operador (corretor), na medida em que ele
assessor especial do então ministro da Fazenda acredita que o preço das ações ou dos títulos
Fernando Henrique Cardoso, participou da ela- vendidos vai sofrer variações que o beneficiem,
boração do Plano Real. Assumiu a presidência ou por outra razão qualquer. O operador nego-
do BNDES em 1994, permanecendo ali até 1995, cia com o corretor para postergar a entrega das
quando se desligou da entidade. Suas obras mais ações, tendo de obter o consentimento do com-
importantes, além das já mencionados, são as prador. A concessão feita pelo comprador ao
seguintes: Os Mitos de uma Década: Ensaios de
vendedor se traduz em certa quantia paga pelo
Economia Brasileira (1976); Política Econômica e
segundo ao primeiro e recebe o nome de back-
Distribuição de Renda (1978); Introdução à Macroe-
conomia: uma Abordagem Estruturalista (1985). wardation. A operação inversa denomina-se con-
Veja também Belíndia; Plano Cruzado; Plano tango. Veja também Contango; Mercado a Futuro.
Real. BACKWASH EFFECTS. Expressão em inglês
BACKBONE. Termo em inglês que significa que significa, literalmente, “efeitos de retarda-
“tronco” ou “espinha”, e que, no âmbito da In- mento”. O termo é utilizado quando o cresci-
ternet, designa os grandes troncos de informa- mento econômico numa região provoca efeitos
ções daquele sistema, operando a partir de pro- adversos em outras, na medida em que o capital
vedores. e o trabalho destas possam migrar para a pri-
meira. Veja também Efeito Backwash.
BACK-END LOAD. Expressão em inglês do
mercado financeiro que significa a quantia paga BAD. Em oposição à palavra em inglês good,
por investidor no momento do resgate de um que significa “bem” (ou algum produto que pro-
título. Este dispositivo é utilizado para desen- voca satisfação no consumidor), bad (mau, ruim)
corajar o aplicador a resgatar seu dinheiro, na designa uma mercadoria ou um produto que
medida em que esta retirada tem um custo. O
representa uma desutilidade ao seu consumidor,
mesmo que deferred sales charge, exit fee e redemp-
e que se torna cada vez mais comum em eco-
tion charge.
nomia, especialmente na área de estudos dos
BACK-OFFICE. Expressão em inglês do merca- custos externos.
do financeiro que designa os setores de conta-
bilidade e processamento existentes nas institui- BADLANDS. Termo em inglês que significa li-
ções financeiras. Tais setores têm sido lembrados teralmente “terras ruins”, isto é, terras pobres.
em função da necessidade de controle sobre as
várias operações financeiras inovadoras que sur- BAER, Werner (1931- ). Professor de economia
gem constantemente. Essas unidades devem ter da Universidade de Illinois, Estados Unidos, es-
capacidade para interpretar adequadamente as tudioso dos problemas econômicos brasileiros.
informações necessárias aos objetivos e à estru- Lecionou nas universidades de Harvard, Yale e
tura das operações realizadas pelos operadores, Vanderbilt; foi professor visitante na Universi-
de maneira a constituir um sistema confiável de dade de São Paulo e na Fundação Getúlio Vargas
controle gerencial e contábil. e assessor da Fundação Ford no Brasil. Colabo-
rador freqüente de revistas econômicas norte-
BACKUP. Expressão em inglês que significa sú-
americanas, publicou os livros A Industrialização
bita mudança numa tendência de mercado.
e o Desenvolvimento Econômico do Brasil (1965),
Quando as taxas de juros estão subindo, as co-
tações dos títulos de renda fixa, como, por exem- Siderurgia e Desenvolvimento (1969), Inflation and
plo, os títulos do Tesouro (dos Estados Unidos), Growth in Latin America (Inflação e Crescimento
tendem a cair e o rendimento dos títulos auto- na América Latina), em 1970, organizado junta-
maticamente se eleva. Como os portadores des- mente com o professor brasileiro Isaac Kerste-
ses títulos não podem liquidá-los tão facilmente netzky, e The Brazilian Economy: Its Growth and
como podiam antes da mudança de tendência, Development (A Economia Brasileira: Seu Cres-
o mercado sofre um backup. Quando um inves- cimento e Desenvolvimento), em 1979. Escreveu
tidor, antecipando-se a uma inflexão do mercado, ainda o ensaio O Crescimento Brasileiro e a Expe-
BAGAROTE 40

riência do Desenvolvimento (1964/75), publicado mo autogestionário, partindo do local de traba-


no livro O Brasil na Década de 70 (1978). lho, prescindiria do Estado, tido como a base
de todos os males sociais. Bakunin expôs sua
BAGAROTE. Denominação popular das moe- doutrina sobretudo em O Estado e a Anarquia
das ou notas de mil réis. (1873). Veja também Anarquismo.
BAGEHOT, Walter (1826-1877). Economista e BALANÇA COMERCIAL. Relação entre as ex-
jornalista inglês que se notabilizou como diretor portações e as importações de um país. Quando
(1860-77) do semanário The Economist, de pro- o valor das exportações excede o das importa-
priedade de seu sogro. À frente desse órgão, foi ções, o país apresenta um superávit e torna-se
um influente analista dos fatos econômicos da credor do estrangeiro; quando, ao contrário, as
época. Sua obra Lombard Street, a Description of importações superam as exportações, o país está
the Money Market (Lombard Street, uma Descri- em dívida com o estrangeiro e apresenta um
ção do Mercado de Dinheiro), de 1873, é consi- déficit em sua balança comercial. Uma série de
derada um excelente estudo do papel do Banco fatores influi sobre a ocorrência de um déficit
da Inglaterra nas finanças inglesas da época e ou de um superávit na balança comercial. Entre
do sistema de crédito ali vigente. A obra é tam- os mais importantes, podemos citar: 1) a evolu-
bém célebre por suas idéias a respeito das crises ção dos preços das importações e das exporta-
econômicas, explicadas como resultantes de más ções de um país; 2) a evolução dos volumes im-
colheitas agrícolas. Escreveu ainda Universal Mo- portados e exportados. Um desequilíbrio entre
ney (Dinheiro Universal), 1869, Physics and Po- os preços de exportação e de importação poderá
litics (Física e Política), 1872, e Postulates of En- provocar um déficit na balança comercial, o mes-
glish Political Economy (Postulados de Economia mo acontecendo com alterações nos volumes das
Política Inglesa), 1876. importações e exportações. A balança comercial
BAHT. Unidade monetária da Tailândia. Sub- é também chamada balança visível e faz parte do
múltiplo: satang. balanço de pagamentos. Um país pode ter um
superávit na balança comercial e um déficit no
BAIXA. Momento em que as ações e demais balanço de pagamentos; é o que ocorre geral-
títulos transacionados em Bolsa apresentam mente com os países subdesenvolvidos. Veja
uma redução significativa de preços, geralmente também Balanço de Pagamentos; Capacidade
causada pela retração dos compradores. Se a bai- para Importar; Comércio Internacional; Rela-
xa for muito pronunciada e tender a se agravar, ções de Troca.
poderá provocar uma reação em cadeia, resul-
tando numa queda generalizada das cotações BALANÇA DE SERVIÇOS. Veja Balanço de
das ações, caracterizando uma situação de pâ- Pagamentos.
nico na qual todos desejam vender seus títulos BALANCETE. Levantamento dos saldos deve-
para não perder mais ainda. Foi o que ocorreu dores e credores de uma empresa, devidamente
na Bolsa de Nova York, no final de outubro de registrados em seu livro-razão. Costuma-se fazê-
1929, iniciando a maior crise econômica capita- lo mensalmente (balancete parcial), com duas
lista de todos os tempos. Veja também Ação. finalidades: retratar o andamento dos negócios
BAIZA. Veja Rial. da empresa mês a mês e controlar os lançamen-
tos feitos no mês para verificar sua exatidão.
BAKER. Veja Plano Baker. Faz-se também o balancete anualmente (balan-
cete geral), o que prepara o balanço exigido por
BAKUNIN, Mikhail Alexandrovitch (1814- lei. Veja também Balanço.
1876). Revolucionário russo, criador do anar-
quismo coletivista. Discípulo de Proudhon, re- BALANCIM. Prensa para cunhar moeda, origi-
belou-se contra os princípios mutualistas do nalmente criada na França com o nome de ba-
mestre e negou a eficácia das cooperativas de lancier, que funcionava pressionando-se o cunho
trabalhadores numa sociedade dominada pelo sobre o disco mediante um parafuso sem fim
capital. Afirmava que as cooperativas ou a au- movido por força humana. Foi introduzido no
togestão só poderiam ser a base de uma nova Brasil em 1693 e utilizado até 1855, quando se
sociedade por meio de uma revolução radical iniciou a cunhagem por meio de máquinas a
que expropriasse os burgueses e os proprietários vapor. A inauguração dessa nova tecnologia
rurais. Para ele, a organização política e econô- contou com a presença de D. Padro II. Em 1860,
mica da sociedade deveria ocorrer de baixo para a Casa da Moeda fabricou uma máquina de cu-
cima, pela livre união dos trabalhadores em as- nhar movida a vapor com capacidade para
sociações, comunas, até chegar a uma grande cunhar 45 moedas por minuto. Atualmente, a
federação nacional e internacional. Esse organis- cunhagem de moedas no Brasil é feita em má-
41 BALANÇO DE PAGAMENTOS

quinas elétricas com capacidade para produzir peso no balanço de pagamentos de países com
oito moedas por segundo. grande dívida externa, como é o caso do Brasil).
As transferências unilaterais registram as entra-
BALANÇO. Levantamento contábil que demons- das ou saídas de divisas decorrentes, por exem-
tra a situação econômico-financeira de uma em- plo, do envio de recursos ao exterior para a ma-
presa. Agrupando racionalmente os saldos cre-
nutenção de embaixadas e serviços consulares,
dores e os saldos devedores da empresa em certo
de imigrantes que mandam parte de seus salá-
período, o balanço representa a exata situação
rios para familiares em seus países de origem
econômico-financeira da empresa e constitui o
etc. O resultado conjunto dessas três contas é
documento oficial com que se dão por encerra-
consolidado nas transações correntes. Se houver
das as operações contábeis do período em ques-
superávit, diz-se que o país tem superávit em
tão. No balanço, os saldos das contas não apa-
conta corrente, ou, no caso oposto, déficit em
recem como crédito e débito (como no balance-
conta corrente. A conta de capital registra os
te), mas como ativo e passivo. O ativo é cons-
investimentos diretos, isto é, as entradas de ca-
tituído por todos os bens e haveres da empresa;
o passivo são as obrigações e encargos de qual- pital de risco das empresas estrangeiras que se
quer espécie. Um balanço só tem valor legal estabelecem no Brasil e as saídas de investimen-
quando extraído dos livros oficiais da empresa tos de empresas nacionais que se estabelecem
e assinado pelo dono (ou donos) e por atuário, no exterior; os empréstimos e financiamentos
contador ou guarda-livros. obtidos por residentes no Brasil, no exterior (en-
tradas de divisas) e as saídas representadas por
BALANÇO, Análise de. Estudo de um balanço, empréstimos concedidos a não-residentes; as
feito por sua decomposição e comparação, com amortizações, isto é, o pagamento de parte ou
a finalidade de avaliar o comportamento finan- da totalidade de uma dívida, representando
ceiro de uma empresa. A análise pode ser feita uma saída de divisas quando residentes no Bra-
por comparação com os balanços de exercícios sil transferem esses recursos para não-residen-
anteriores ou posteriores (análise horizontal), es- tes, e uma entrada, quando acontece o inverso;
tudando-se o comportamento e a evolução de e os capitais de curto prazo, que significam em-
determinada conta em períodos sucessivos; ou préstimos e financiamentos por um prazo infe-
podem se comparar as diversas contas que com- rior a um ano.A soma das transações correntes
põem um só balanço e sua participação no total e do movimento de capitais proporciona o re-
(análise vertical). sultado final do balanço de pagamentos. Se as
receitas totais (entradas) superarem as despesas
BALANÇO DE PAGAMENTOS. Registro de
todas as transações de caráter econômico-finan- totais (saídas), o balanço de pagamentos apre-
ceiro realizadas por residentes de um país com sentará um superávit; se ocorrer o inverso, ha-
residentes dos demais países. O balanço de pa- verá um déficit, e, se os valores forem equiva-
gamentos é constituído basicamente de quatro lentes, o balanço de pagamentos estará equili-
contas ou balanças. Dependendo da natureza da brado. No caso de países endividados e anfi-
transação econômica ou financeira, que dá lugar triões de empresas multinacionais, como o Bra-
à receita ou despesa de divisas, podem ser clas- sil, a conta de serviços apresenta-se geralmente
sificadas como operações em transações correntes deficitária devido à pressão ali exercida pelos
ou movimento de capitais. As transações correntes juros e pelos lucros e dividendos remetidos ao
incluem as contas de comércio ou balança co- exterior. Se esse déficit não for compensado por
mercial de serviços ou balança de serviços e as um superávit na balança comercial (as transfe-
transferências unilaterais. O movimento de ca- rências unilaterais são geralmente de pouca
pitais constitui uma conta também chamada de monta), a conta de capital terá de acusar um
conta de capital. A balança comercial registra os superávit muito elevado para que não ocorra
valores FOB das exportações e o valor das im- um déficit no balanço de pagamentos. É preciso
portações. Se o valor das exportações superar o salientar, no entanto, que as contas do balanço
das importações, diz-se que a balança comercial de pagamentos se influenciam mutuamente: por
apresenta um superávit. Se acontecer o contrá- exemplo, se na conta de capital entrar uma gran-
rio, teremos um déficit; e, se os valores forem de quantidade de investimentos diretos e de em-
equivalentes, a balança comercial estará em préstimos de financiamentos, algum tempo de-
equilíbrio. A balança de serviços registra as re- pois isto significará uma saída mais intensa de
ceitas e despesas de diversos tipos de transação, lucros e dividendos e juros pela conta de servi-
destacando-se os transportes, os seguros, as via- ços, provocando e/ou aumentando um eventual
gens internacionais, os royalties, a assistência téc- déficit. Veja também Balança Comercial; Divi-
nica, os lucros e os juros (estes últimos de grande sas; FOB; Incoterms; Lei 4 131; Royalty.
BALBOA 42

Síntese do balanço de pagamentos de 1986 préstimos. O banco executa várias outras ope-
(Em milhões de dólares correntes) rações conexas, como pagamento e cobrança em
1. Balança comercial 8 349 nome de terceiros, venda e desconto de títulos
1. Exportações 22 293 e operações com moedas estrangeiras. Na prá-
1. Importações (14 044) tica, a atividade bancária diminui a necessidade
2. Balança de serviços (12 911) de dinheiro para a realização de negócios e tran-
2. Viagens internacionais (486) sações, sobretudo na medida em que “cria” di-
2. Transportes (432) nheiro na forma da chamada moeda escritural
2. Seguros (121) (os depósitos bancários, movimentados por
2. Lucros e dividendos (1 236) meio de cheques). A origem dos bancos confun-
2. Juros (9 093) de-se com a própria moeda, sobretudo quando
2. Outros (inclui royalties, esta começou a ser negociada em cima de bancos
2. assistência técnica, de madeira (daí a expressão) nos mercados da
2. reinvestimentos etc.) (1 543) Antiguidade. Estudos arqueológicos compro-
3. Transferências unilaterais 86 vam a existência de atividades bancárias na Ba-
4. Transações correntes (1+2+3) (4 476) bilônia e na Fenícia. Tais atividades decorriam
5. Movimento de capitais (7 340) das dificuldades de transporte, que faziam com
2. Investimentos diretos 340 que muitos negociantes confiassem aos “ban-
2. Empréstimos e financiamentos 3 095 queiros” a incumbência de efetuar pagamentos
2. Amortizações (11 590) e cobranças em lugares distantes. Na Grécia, os
2. Capitais de curto prazo 540 primeiros centros bancários conhecidos (Delfos,
2. Outros capitais 274 Éfeso) estavam ligados aos templos religiosos,
6. Erros e omissões (540) que funcionavam como lugares seguros para
7. Superávit ou déficit (4+5+6) (12 356) aqueles que quisessem guardar seus tesouros.
A partir do século IV a.C. surgem os banqueiros
Síntese do balanço de pagamentos de 1996
laicos, chamados “trapezistas” (do grego trape-
(Em milhões de dólares correntes)
zión, que significa “banca”, “mesa pequena”).
1. Balança comercial 5 539
Em Roma, no século II a.C., as operações ban-
1. Exportações 47 747
cárias eram privilégio de uma categoria de ci-
1. Importações (53 286)
dadãos, os publicanos, mas na época imperial
2. Balança de serviços (21 707)
surgem os argentarii ou mensarii, cuja principal
2. Juros (9 840)
ocupação era o câmbio de moedas estrangeiras,
2. Outros (inclui royalties,
mas que também aceitavam depósitos e faziam
2. assistência técnica,
empréstimos. Na Idade Média, a atividade ban-
2. reinvestimentos, seguros etc.) (11 867)
cária deixou de existir até o século XI, quando
3. Transferências unilaterais 2 899
ressurgiu em íntima ligação com o desenvolvi-
4. Transações correntes (1+2+3) (24 347)
5. Movimento de capitais 33 012 mento do comércio. Judeus, lombardos e os
2. Investimentos diretos 16 005 membros da Ordem dos Templários destaca-
2. Empréstimos e financiamentos 27 104 ram-se na nova atividade. Os templários enri-
2. Amortizações (14 423) queceram extraordinariamente o patrimônio da
2. Capitais de curto prazo 3 995 ordem, financiando as Cruzadas; atribui-se a
2. Outros capitais 331 eles a criação dos arbítrios de câmbio e da con-
6. Erros e omissões 683 tabilidade por partidas dobradas. Em grandes
7. Superávit ou déficit (4+5+6) 9 348 feiras comerciais, como as de Champagne e
Lyon, na França, faziam-se grandes operações
A diferença mais importante entre as duas datas de câmbio e, para evitar o transporte de volu-
é: o superávit comercial dá lugar a um déficit, mosas somas de dinheiro, criou-se a letra de pa-
embora o déficit do balanço de pagamentos seja gamento. A extraordinária expansão do comér-
substituído por um superávit em função da en- cio no Renascimento e no século XVII foi a res-
trada maciça de capitais a partir de 1995. ponsável pelo aparecimento de grandes ban-
queiros (Medici, Fugger) e numerosos estabele-
cimentos bancários, como a Casa di San Giorgio
BALBOA. Unidade monetária do Panamá. Sub- (Gênova, 1586), Banco di Rialto (Veneza, 1587),
múltiplo: centésimo. Banco di Sant’Ambrosio (Milão, 1593), Banco de
Amsterdã (1609), Banco de Hamburgo (1619) e
BALCÃO. Veja Mercado de Balcão.
Banco de Roterdã (1635); nessa época, surgem
BANCARROTA. Veja Falência. a letra de câmbio e a técnica do desconto. No
século XVII, foi importante a participação dos
BANCO. Empresa cuja atividade básica consiste banqueiros (ourives) londrinos que, aceitando
em guardar dinheiro ou valores e conceder em- depósitos à vista, passaram a empregar o che-
43 BANCO DE DESENVOLVIMENTO

que. Foi também nesse século que os bancos pas- senvolvimento Asiático, uma linha de crédito
saram a emitir dinheiro. Em virtude dos abusos “suave” estabelecida em 1973, e patrocinada por
que se cometeram nessa função, o Estado inter- contribuições dos sócios e transferências do pró-
veio, reservando-se o direito de emissão e crian- prio capital do banco.
do estabelecimentos especializados; o primeiro
banco emissor oficial foi o Banco da Inglaterra, BANCO CENTRAL. Instituição financeira go-
fundado em 1694. No século XIX, em íntima li- vernamental que funciona como o “banco dos
gação com a extraordinária expansão do comér- bancos” e do próprio governo. Destina-se a as-
cio e da indústria, surgiram poderosas organi- segurar a estabilidade da moeda e o controle
zações bancárias. Na atualidade, podem-se dis- do crédito num país. Tem o monopólio da emis-
tinguir vários tipos de bancos, conforme sua es- são de papel-moeda, exerce a fiscalização e o
pecialidade. O banco comercial (também chamado controle dos demais bancos e controla a impor-
banco de depósitos) é o tipo mais comum. Faz ope- tação e exportação de dinheiro e metais precio-
rações de depósitos, empréstimos a curto prazo, sos. Na Inglaterra, as funções de banco central
descontos, saques, cobranças, câmbio, além de são exercidas pelo Bank of England; na França,
prestar serviços como transferência de dinheiro pelo Banque de France; nos Estados Unidos,
e recebimento de impostos, entre outros. O banco pelo Federal Reserve System; no Brasil, pelo
de investimento opera no recebimento e aplicação Banco Central do Brasil. O Banco Central do Bra-
de recursos a longo prazo, por meio de instru- sil é uma das autoridades monetárias. Veja tam-
mentos financeiros como repasse de recursos do bém Autoridades Monetárias.
exterior, financiamento a capital de giro, emis- BANCO CENTRAL DO BRASIL. Instituição fi-
são de certificados de depósito, letras de câmbio nanceira federal criada pela lei nº 4 595, de
e outros títulos. O banco de desenvolvimento (ou
31/12/1964. Substituiu a antiga Sumoc (Supe-
de fomento) é especializado na aplicação de re-
rintendência da Moeda e do Crédito) e algumas
cursos exclusivamente no incremento de uma
funções então exercidas pelo Banco do Brasil.
atividade, industrial ou agrícola, de particular
Tem, principalmente, as seguintes atribuições:
interesse para a economia do país. O banco de
executar a política financeira do governo, emitir
exportação dedica-se a operações de intercâmbio
papel-moeda, autorizar o funcionamento de ins-
comercial com outros países (um exemplo é o
tituições financeiras e fiscalizar suas operações
Eximbank, dos Estados Unidos). O banco hipo-
de acordo com leis específicas, receber depósitos
tecário trabalha com empréstimos sob garantia
compulsórios e voluntários do sistema financei-
de hipoteca imobiliária. Veja também Banco
ro nacional, realizar operações de compra e ven-
Central; Caixa Econômica; Moeda.
da de títulos públicos federais (de empresas de
BANCO AFRICANO DE DESENVOLVIMEN- economia mista ou estatais), custodiar e admi-
TO. Instituição de financiamento internacional, nistrar as reservas nacionais em ouro e moedas
criada por acordo entre países independentes estrangeiras, controlar o crédito e o capital es-
africanos em 1964. Em 1981, a participação de trangeiros, representar o governo brasileiro pe-
países não-africanos foi autorizada, e dele tor- rante os organismos financeiros internacionais.
naram-se membros os Estados Unidos. O banco É uma das autoridades monetárias. Veja tam-
concede empréstimos de longo prazo principal- bém Banco do Brasil; Comissão de Valores Mo-
mente para a agricultura. biliários; Conselho Monetário Nacional.

BANCO ÁRABE PARA O DESENVOLVI- BANCO COMERCIAL. Instituição financeira


MENTO ECONÔMICO DA ÁFRICA. Banco pública ou privada que se caracteriza por ter
de desenvolvimento fundado em 1975 pelos paí- como atividade principal a intermediação do
ses árabes, para estimular o desenvolvimento crédito, em geral a curto e médio prazos, ou
de países africanos não-árabes por meio da seja, captar de agentes com recursos disponíveis
transferência de capital e assistência técnica dos (superavitários) e emprestar para aqueles que
países árabes. O banco colabora com o Banco necessitam de tais recursos (deficitários), a fim
Africano de Desenvolvimento na coordenação de movimentar suas atividades econômicas. No
de projetos e em seu financiamento. Brasil, após a criação dos chamados Bancos Múl-
tiplos, que podem deter mais de uma carteira,
BANCO ASIÁTICO DE DESENVOLVIMEN- vários bancos comerciais adotaram essa forma,
TO. Instituição financeira de desenvolvimento uma vez que a mesma permite maior flexibili-
internacional, organizada em 1966, para prestar dade e versatilidade em suas operações. Veja
assistência econômica e técnica aos países em também Banco Múltiplo.
desenvolvimento da Ásia. A associação é aberta
aos países membros da Comissão Econômica e BANCO DE DESENVOLVIMENTO. Designa-
Social para a Ásia e o Pacífico da ONU. O banco ção dada a instituições financeiras voltadas para
empresta recursos por meio do Fundo de De- o financiamento de programas específicos, vin-
BANCO DE INVESTIMENTO 44

culados ao desenvolvimento do país ou de uma exerce o controle do banco, cabendo-lhe a no-


região. No Brasil, além do caso típico do Banco meação do presidente e dos principais diretores.
Nacional de Desenvolvimento Econômico e So- O Banco do Brasil tem como atribuições princi-
cial (BNDES), criou-se a figura do banco de de- pais: incrementar a produção nacional e executar
senvolvimento especificamente como uma ins- a política financeira e creditícia do governo; ar-
tituição financeira pública não-federal, com sede recadar os depósitos voluntários das instituições
na capital do Estado que detém seu controle financeiras; executar a política de preços míni-
acionário. Destina-se ao suprimento de recursos mos dos produtos agropecuários; comprar e fi-
a médio e longo prazos para programas e pro- nanciar a produção de produtos exportáveis;
jetos do Estado em que está sediado. Os bancos conceder empréstimos e descontos por meio de
de desenvolvimento tiveram grande importân- suas carteiras de Crédito Geral (Crege), de Cré-
cia durante os anos 70 no Brasil. Posteriormente, dito Agrícola e Industrial (Creai), e de Comércio
com a crise de financiamento do setor público Exterior (Cacex); arrecadar impostos ou rendas
e o problema do estrangulamento externo cau- federais e colocar no mercado obrigações, apó-
sado pela expansão do respectivo endividamen- lices e letras do Tesouro Nacional; ser agente
to durante os anos 80, a presença e participação recebedor e pagador fora do país; executar o
desses bancos tendeu a se reduzir. serviço de compensação de cheques e outros pa-
péis; receber com exclusividade, sob a forma de
BANCO DE INVESTIMENTO. Designação dada
depósitos, as disponibilidades financeiras dos
a instituições financeiras voltadas para captaçõ-
ministérios e demais repartições federais, civis
es e financiamentos de médio e longo prazos,
e militares. Fundado em outubro de 1808, por
normalmente voltados ao investimento das em-
dom João VI, o Banco do Brasil foi fechado em
presas, bem como a operações diversas na área
1829. Foi reaberto em 1851, por iniciativa do ba-
das sociedades anônimas como a colocação de
rão de Mauá, fundindo-se posteriormente com
ações. No Brasil, a modalidade “banco de in-
o Banco Comercial (1853) e com o Banco da Re-
vestimento” foi criada pela lei nº 4 728 de 14-
pública do Brasil (1905). Em 1964, com a criação
07-65, também chamada de Lei da Reforma do
do Banco Central, perdeu suas funções de agente
Mercado de Capitais.
do Tesouro Nacional para levar ao sistema ban-
BANCO DE LA PROVINCIA DE BUENOS AI- cário as emissões de papel-moeda. Em 1990, o
RES. Uma das primeiras entidades financeiras Banco do Brasil estava colocado entre as cem
da América Latina, o Banco da Província de Bue- maiores instituições financeiras do mundo. É
nos Aires foi fundado em 6/9/1822, seis anos uma das autoridades monetárias. Veja também
depois de alcançada a independência na Argen- Banco Central do Brasil; Comissão de Valores
tina e um dia antes da declaração da inde- Mobiliários; Conselho Monetário Nacional.
pendência do Brasil. Conhecido como o “Pro-
víncia” no jargão financeiro, é o maior banco BANCO DO NORDESTE DO BRASIL. Socie-
argentino e tem representações em São Paulo, dade de economia mista criada em 1953 pelo
Nova York, Santiago, Montevidéu, Caracas, Pa- governo federal para atuar como banco de de-
namá, Milão e Madri. senvolvimento do Nordeste. Sediado em Forta-
leza, seu espaço de ação engloba toda a área do
BANCO DE TROCOS. Instituição criada no Polígono das Secas, que inclui todos os Estados
Brasil em agosto de 1808, antes da fundação do nordestinos e parte de Minas Gerais. Financia
Banco do Brasil, que efetuava a permuta de bar- construções de açudes, barragens, perfuração de
ras de ouro existentes em mãos de particulares poços, compra de máquinas agrícolas e instala-
por moedas de ouro. ções de indústrias.
BANCO DE ÚLTIMA INSTÂNCIA. Também BANCO MÚLTIPLO. Instituição financeira que
denominado prestamista de última instância, é opera com mais de uma carteira. De acordo com
uma das principais funções e fundamentos dos as regras estabelecidas pelo Conselho Monetário
bancos centrais. A necessidade de uma instância Nacional e o Banco Central, os bancos múltiplos
desse nível tem origem durante as crises finan- devem constituir-se com no mínimo duas das
ceiras ou econômicas, quando a confiança do seguintes carteiras, sendo uma delas obrigato-
público nas instituições privadas se reduz muito riamente comercial ou de investimento: 1) co-
e torna-se indispensável trocar esses papéis por mercial; 2) de investimento e/ou de desenvol-
títulos de maior solidez e confiabilidade emiti- vimento, esta última exclusiva para bancos pú-
dos pelos bancos centrais. blicos; 3) de créditos imobiliários; 4) de crédito,
financiamento e investimento; 5) de arrenda-
BANCO DO BRASIL. A maior organização mento mercantil. Veja também Banco Central;
bancária do país. É uma sociedade anônima de Conselho Monetário Nacional.
economia mista, na qual o governo federal de-
tém 51% das ações. Com essa maioria, o governo BANCO MUNDIAL. Veja BIRD.
45 BARAN, Paul Alexander

BANCO NACIONAL DA HABITAÇÃO (BNH). tre os séculos XVI e XVIII, cuja finalidade era
Instituição criada pela lei nº 4 380, de 1964, e capturar índios para utilizá-los como escravos,
extinta em 1986 pelo decreto-lei nº 2 291. Exerceu mas também a obtenção de metais e pedras pre-
o papel de órgão normativo e fiscalizador do ciosas. Juntamente com as Entradas (organiza-
Sistema Financeiro da Habitação, tendo sido o das pelo governo com as mesmas finalidades),
órgão gestor do Fundo de Garantia por Tempo as Bandeiras constituíram um elemento decisivo
de Serviço (FGTS). Veja também FGTS; Sistema na expansão do território brasileiro além dos li-
Financeiro Habitacional. mites determinados pelo Tratado de Tordesi-
lhas. Veja também Tratado de Tordesilhas.
BANCO PARA PAGAMENTOS INTERNA-
CIONAIS (Bank for International Settlements BANDUNG. Veja Conferência de Bandung.
— BIS). Instituição financeira criada em 1930 e
sediada em Basiléia (Suíça). Tem como objetivo BANK CHARTER ACT. Lei inglesa de 1844 ins-
promover a cooperação entre os bancos centrais tituindo o controle sobre as emissões bancárias,
e facilitar as operações financeiras internacio- em decorrência da crise financeira de 1825-1837.
nais. Funciona, sobretudo, como coordenador de A lei permitia aos bancos apenas uma pequena
movimentações financeiras internacionais de emissão fiduciária, acima da qual seria exigido
curto prazo. Muitas das funções que lhe cabia o respaldo em ouro. Nenhum novo banco estava
exercer passaram para o Fundo Monetário In- autorizado a fazer emissões, e aqueles que já
ternacional (FMI), embora o BIS tenha mantido, tivessem realizado essa operação não poderiam
no âmbito europeu, o papel de banco dos bancos aumentá-la. O Banco da Inglaterra ficava auto-
centrais. É dirigido por representantes dos ban- rizado a elevar suas emissões fiduciárias em dois
cos centrais da Grã-Bretanha, Alemanha, França, terços das emissões desautorizadas de qualquer
Itália, Suíça, Holanda, Bélgica e Suécia. outro banco.

BANCOR. Nome proposto por Keynes (John BANK FOR INTERNATIONAL SETTLE-
Maynard) na Conferência de Bretton Woods (Es- MENTS. Veja Banco para Pagamentos Interna-
tados Unidos, 1944), durante a criação do Fundo cionais.
Monetário Internacional (FMI), para uma moeda BANKING PRINCIPLE. Princípio segundo o
internacional inteiramente destinada a ajustar qual as emissões de moeda não devem ser feitas
desequilíbrios dos balanços de pagamentos, em- em função da quantidade de reservas ou encai-
bora permanecendo cada país com seu sistema xes de metais preciosos monetizados, como que-
monetário particular. Segundo o projeto de Key- riam os defensores do currency principle, mas em
nes (também conhecido como Plano Keynes), o função das necessidades da economia.
Bancor não estaria totalmente desvinculado do
padrão-ouro, embora este metal não fosse to- BANTO. Termo em japonês que designa um
mado como base absoluta de seu valor. A pro- executivo contratado pelo proprietário de uma
posta não foi aceita por pressão dos delegados empresa para administrá-la. Os bantos eram ad-
norte-americanos, que pretendiam transformar ministradores profissionais que na época ante-
o dólar, sua moeda nacional, no padrão inter- rior à Segunda Guerra Mundial ganharam gran-
nacionalmente aceito, com as vantagens ineren- de influência nas empresas que constituíam os
tes a essa adoção. Veja também FMI — Fundo zaibatsus. Possuíam algumas características es-
Monetário Internacional; Keynes, John May- peciais como a perseverança, a capacidade de
nard; Plano Keynes. trabalho, a lealdade à empresa e à família à qual
pertencia a empresa e o respectivo zaibatsu. De-
BANDEIRA DE CONVENIÊNCIA. Artifício fis- pois da guerra, durante a ocupação, com a dis-
cal muito utilizado por companhias internacio- solução dos zaibatsus, os bantos foram destituídos
nais de navegação mercante, cujos navios trafe- de suas funções, criando-se um vazio de diri-
gam sob a bandeira de outra nação. A bandeira gentes nas empresas japonesas que foi logo ocu-
de conveniência assegura taxas tributárias e sa- pado pelos escalões inferiores, formando uma
lários da tripulação bem menores do que seriam camada de dirigentes que hoje gozam de maior
nos países de origem. Em 1969, por exemplo, liberdade na direção das empresas do que seus
433 navios mercantes dos Estados Unidos na- antecessores. Veja também Doyukai; Zaibatsu.
vegavam sob as bandeiras de oito outros países,
sobretudo Panamá e Libéria. Os sindicatos dos BAR CODE. Veja Código de Barras.
trabalhadores marítimos denunciam essa mano-
bra como uma violação aos direitos de seus fi- BARAN, Paul Alexander (1910-1964). Economis-
liados. ta russo, radicado nos Estados Unidos, estudioso
do subdesenvolvimento e do capitalismo mo-
BANDEIRAS. Designação das expedições orga- nopolista. Cursou economia no Instituto Plek-
nizadas por proprietários de terras paulistas en- hanov, em Moscou, continuando seus estudos
BARATARIA 46

e pesquisas na Alemanha, onde esteve ligado meros escritos, entre os quais os mais conheci-
ao Instituto de Frankfurt. Nos Estados Unidos, dos são: Questão Militar; Abolicionismo; Trabalhos
doutorou-se em Filosofia (Harvard) e lecionou Jurídicos; Swift (1889); Queda do Império; Diário
na Universidade de Stanford. Durante a Segun- de Notícias (1890); A Constituição de 1891 (1896);
da Guerra Mundial, esteve a serviço do governo Cartas de Inglaterra (1902); Réplica (1919) e Oração
norte-americano como especialista em assuntos aos Moços. Veja também Encilhamento.
soviéticos e como técnico em questões de pla-
nificação e controle de preços. Foi então um dos BARELLI, Walter (1938- ). Nasceu em São Pau-
iniciadores do planejamento econômico nos Es- lo e graduou-se em economia pela Faculdade
tados Unidos e um dos primeiros economistas de Economia e Administração da Universidade
a analisar a problemática do subdesenvolvimen- de São Paulo em 1963. Obteve o título de doutor
to. Durante a época do macarthismo, foi perse- em economia em 1976 pela Faculdade Municipal
guido por sua filiação teórica marxista. Suas de Economia e Administração de Osasco (SP).
principais obras são A Economia Política do De- Foi diretor-técnico do Dieese, entre 1967 e 1989,
senvolvimento (1957), e, juntamente com Paul e professor da Fundação Getúlio Vargas e da
Sweezy, O Capital Monopolista (1966). Pontifícia Universidade Católica (pós-gradua-
ção) de São Paulo, onde deu cursos sobre eco-
BARATARIA. Também denominado ribaldia ou nomia do trabalho. Entre 1990 e 1992 desenvol-
ribaldaria, é todo e qualquer ato, de natureza cri- veu cursos de economia do trabalho no Instituto
minosa, praticado pelo capitão de um navio no de Economia da Universidade Estadual de Cam-
exercício de seu emprego, ou pela tripulação ou pinas. Em outubro de 1992, assumiu o Ministério
por ambos, que resulte em dano grave ao navio, do Trabalho no governo Itamar Franco. Seu livro
aos passageiros ou à carga, em oposição à pre- mais importante é Distribuição Funcional dos Ban-
sumida vontade do dono do navio. cos Comerciais (1976). Walter Barelli tem escrito
vários artigos sobre distribuição da renda, salá-
BARBOSA, Fernando de Holanda. Graduou-se rios e questões trabalhistas. Atualmente é mi-
em economia pela Faculdade Cândido Mendes nistro do Trabalho e tem tentado introduzir a
(Rio de Janeiro) em 1968, e obteve o título de prática dos contratos coletivos como forma de re-
doutor pela Universidade de Chicago em 1975. lacionamento entre empregados e empregadores.
Seus trabalhos e pesquisas têm examinado as
questões da inflação e suas relações com o de- BARRACÃO. Veja Peonagem.
senvolvimento econômico no Brasil. Seus livros
mais importantes são: A Inflação Brasileira no Pós- BARREIRAS COMERCIAIS. Normas alfande-
Guerra: Monetarismo X Estruturalismo (1983) e En- gárias decretadas pelos governos para controlar
saios sobre Inflação e Indexação (1986). Foi secre- o intercâmbio internacional de mercadorias. Na
tário da Política Econômica do Ministério da Fa- prática, são tarifas, cotas, depósitos e licenças
zenda entre novembro de 1992 e março de 1993, de importação destinados a proteger as merca-
nas gestões de Gustavo Krause e Paulo Haddad. dorias nacionais ou até mesmo os produtos de
Atualmente é diretor de pesquisa da Escola de outro país, com o qual não existam acordos co-
Pós-Graduação em Economia da Fundação Ge- merciais não-restritivos. Veja também Protecio-
túlio Vargas (Rio de Janeiro). nismo.

BARBOSA, Rui de Oliveira (1849-1923). Polí- BARREN MONEY. Expressão em inglês que
tico e jurista brasileiro, ministro da Fazenda no significa “dinheiro improdutivo”, isto é, que não
governo provisório republicano (de janeiro de proporciona juros nem nenhum outro tipo de
1889 a novembro de 1891). Partidário da indus- renda (ganho).
trialização do país, sua política financeira, co-
nhecida historicamente como Encilhamento, ca- BARRIL. Antiga unidade de capacidade para
racterizou-se pelo estímulo sem limites à expan- produtos secos e líquidos, admitindo pesos di-
são do crédito e à formação de sociedades por ferentes dependendo do produto acondicionado
ações. A inexistência de instrumentos eficazes no barril. O costume fixou pesos determinados
de controle dessas medidas, por parte do go- para barris de um mesmo produto. Assim, um
verno, possibilitou uma grande especulação na barril de carne bovina, de porco ou peixe pesa
Bolsa de Valores, inflação e surgimento de com- 90,6 kg, enquanto um barril de farinha pesa 88,5
panhias-fantasmas. Essa situação gerou uma for- kg. A prática e o costume determinavam qual
te oposição dos proprietários rurais, levando-o era o peso de um barril (antes do sistema métrico
à renúncia. Sensível às tensões sociais, em 1919, decimal) em termos de stones (pedras), sendo o
por ocasião de sua segunda campanha eleitoral stone uma medida de peso também muito antiga,
à presidência da República, defendeu a neces- composta de uma pedra especial pesando cerca
sidade de uma legislação específica para atender de 6,200 kg cada. A farinha, por exemplo, era
aos conflitos entre capital e trabalho. Deixou inú- acondicionada em barris de 14 stones ou 88,5
47 BASE MONETÁRIA AMPLIADA

kg. Frutas e legumes, no entanto, quando são missão de Energia Atômica da ONU (1946),
acondicionados em barris, não são medidos por onde propôs o Plano Baruch (controle interna-
peso, mas sim por volume; nesse caso, conside- cional da energia nuclear).
ra-se que um barril deve ter 7 056 polegadas
BASE. É o valor de um determinado momento
cúbicas ou 115 626 cm3. Se o barril for utilizado
(ou atribuído a um determinado momento) que
para acondicionar algum líquido, sua medida se
serve de termo de comparação, quando se quer
dá por galões: a maioria dos barris costumava ter
calcular uma sucessão de números-índices. Por
cerca de 31 galões ou aproximadamente 118 l. exemplo, entre 1950 e 1960, o valor das expor-
Questões relacionadas com o transporte e o ato tações brasileiras em bilhões de cruzeiros cor-
de carregar e descarregar determinaram a exis- rentes foi o seguinte:
tência de barris mais fáceis de transportar e ma-
nejar com 15 galões ou o equivalente a 56,775 l. (A) valor das (B) índice do
Os óleos, no entanto, são acondicionados em exportações valor das
exportações
barris de maior capacidade denominados “tam-
(em bilhões de cruzeiros correntes, 1950 = 100)
bores”, que contêm de 50 a 55 galões (de 189,250
a 208,175 l). Veja também Sistema Internacional 1950 24,91 100,5

de Unidades. 1951 32,51 130,5


1952 26,01 104,4
BARRO, Robert. Veja Expectativas Racionais. 1953 32,01 128,5

BARROS DE CASTRO, Antônio (1938- ). Nas- 1954 42,91 172,2


ceu no Rio de Janeiro e graduou-se em economia 1955 54,51 218,8
pela Faculdade de Economia da Universidade 1956 59,51 238,5
Federal do Rio de Janeiro em 1959. Em 1976, 1957 60,61 243,3
obteve o título de doutor em economia pela Uni- 1958 63,71 255,8
versidade Estadual de Campinas. Foi professor
1959 109,4 439,3
e pesquisador do Instituto Latino-Americano de
1960 147,1 590,7
Pesquisas Econômicas e Sociais (Ilpes), professor
da Escolatina (Universidade do Chile) e profes-
sor-visitante da Universidade de Cambridge (In- Se considerarmos 1950 o ano-base e atribuirmos
glaterra) entre 1963 e 1974. Seus livros mais im- a ele o valor 100, os demais valores (guardando
portantes são: Introdução à Economia — Uma as mesmas proporções da coluna A) serão ex-
Abordagem Estruturalista (em co-autoria com pressos pela coluna B.
Carlos Lessa), Sete Ensaios sobre Economia Brasi-
leira e A Economia Brasileira em Marcha Forçada BASE MONETÁRIA. Denominação dada ao con-
(em co-autoria com Francisco Pires de Souza). junto de moeda em circulação no país mais os
Seus estudos e pesquisas têm se voltado para o depósitos à vista junto às autoridades monetá-
problema da industrialização. Foi presidente do rias. No Brasil, esta última parcela é constituída
Instituto dos Economistas do Rio de Janeiro (Ierj) pelo recolhimento compulsório dos bancos junto
entre 1980 e 1981, e presidente do Conselho Re- ao Banco do Brasil e também pelos depósitos à
gional de Economia (RJ) entre 1982 e 1983. As- vista do público junto à mesma instituição. Ao
sumiu a presidência do BNDES (Banco Nacional contrário do que acontece na maioria dos países,
de Desenvolvimento Econômico e Social) entre a regulamentação do sistema bancário brasileiro
outubro de 1992 e março de 1993. É professor possibilita a formação de depósitos não apenas
da Faculdade de Economia e Administração e pelos bancos comerciais, mas também pelas au-
do Instituto de Economia Industrial da Univer- toridades monetárias. Isto é, no Brasil, o Banco
sidade Federal do Rio de Janeiro. do Brasil acumula as funções de banco comercial
e de agente financeiro das autoridades monetá-
BARUCH, Bernard Mannes (1870-1965). Finan-
cista norte-americano. Aos trinta anos já acu- rias. A atuação sobre a base monetária, no sen-
mulara grande fortuna como especulador em tido de estimular sua expansão ou provocar sua
Wall Street, tornando-se então conselheiro eco- contração, desempenha um papel de grande im-
nômico de vários presidentes dos Estados Uni- portância em qualquer política de combate à in-
dos. Destacou-se no governo de Woodrow Wil- flação. Veja também M 1; M 2; M 3; M 4; M 5.
son, durante a Primeira Guerra Mundial, quan-
do presidiu o Conselho das Indústrias Bélicas e BASE MONETÁRIA AMPLIADA. Formada pe-
participou das conversações de paz de Versa- lo papel-moeda em poder do público (circula-
lhes. Serviu ainda aos presidentes Franklin Roo- ção) mais as reservas bancárias, e mais os títulos
sevelt, no esforço industrial da Segunda Guerra do Banco Central e do Tesouro Nacional. Veja
Mundial, e Harry Truman, como delegado à Co- também Base Monetária.
BASE MONETÁRIA RESTRITA 48

BASE MONETÁRIA RESTRITA. Formada pe- pela PUC (RJ) em 1977. Tornou-se mestre em
lo papel-moeda em poder do público (circula- História Econômica pela London School of Eco-
ção) mais as reservas bancárias. Veja também nomics and Political Science em 1978. Trabalhou
Base Monetária. no Centro de Estudos Monetários e de Economia
Internacional do Instituto Brasileiro de Econo-
BASE-STOCK METHOD. Expressão em inglês mia (Ibre) da FGV (RJ) entre 1979 e 1989. Foi
que significa, no âmbito da administração de professor do departamento de economia da PUC
estoques, “o último a entrar, o primeiro a sair”. (RJ) entre 1980 e 1984. A partir de 1989, é pro-
O mesmo que Lifo. Veja também Lifo. fessor da Escola de Administração de Empresas
da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. Em
BASIC. Sigla de Beginner’s All-Purpose Sym- 1985 tornou-se secretário-especial de Assuntos
bolic Instruction Code (Código de Instrução Econômicos do Ministério do Planejamento, sen-
Simbólica de Usos Múltiplos para Iniciantes). É do posteriormente assessor-especial do Ministé-
uma linguagem de programação de computa- rio da Fazenda (gestão Dílson Funaro) para as-
dores simples e relativamente fácil, de grande suntos da dívida externa. Entre 1989 e 1993, tra-
aceitação, própria para aplicação em microcom- balhou na Fundap como chefe do Centro de
putadores. Veja também Cibernética; Compu- Análises Macroeconômicas e na Assessoria Es-
tador. pecial de Assuntos Internacionais. Seus livros
BASTIAT, Frédéric (1801-1850). Economista fran- mais importantes são os seguintes: Mito e Rea-
cês, grande polemista e ardente defensor do li- lidade na Dívida Externa Brasileira (1983), Da Crise
beralismo econômico. Discípulo de Jean-Baptiste Internacional à Moratória Brasileira (1988) e A Luta
Say, defendeu a tese de que a liberdade serve pela Sobrevivência da Moeda Nacional: Ensaios em
ao progresso e este amplia a produção; ao mes- Homenagem a Dílson Funaro (1992), em conjunto
mo tempo, procurou desmontar ironicamente com Luiz Gonzaga Belluzzo.
todos os argumentos em favor do protecionismo BAUD. Veja Baudio.
econômico. O renome que alcançou com suas
obras — sobretudo Sophismes Économiques (So- BAUDIO. Unidade de medida da velocidade de
fismas Econômicos) e Harmonies Économiques modulação num sistema de transmissão de da-
(Harmonias Econômicas), 1850 — junto a um dos. Um baudio significa 1 bit por segundo. Ge-
público mais amplo resultou em sua eleição para ralmente, a medida é apresentada em termos
a Assembléia Nacional francesa em 1848. Por de bits por minuto. Transmissões telefônicas sig-
razões de saúde, não chegou a exercer o cargo. nificam, em geral, uma taxa de 300 baudios. Veja
Veja também Liberalismo. também BIT.
BATCH. Acumulação de elementos de informa- BBO. Iniciais da expressão em inglês billion bar-
ção com a finalidade de formar grupos. A dife- rels of oil, que significa “bilhão de barris de pe-
rença com o processo on line (em linha) é que tróleo”.
o processamento de cada unidade de informação
não se realiza imediatamente. BBOE. Iniciais da expressão em inglês billions
of barrels of oil equivalent, que significa “bilhões
BATCH PRODUCTION. Expressão em inglês de barris equivalentes de petróleo”.
que significa a produção de uma certa quanti-
dade de produtos, mas ainda não em condições BDR. Veja American Depositary Receipts.
de uma produção contínua ou padronizada.
BEAR. Palavra inglesa que significa literalmente
BATISTA, Homero (1861-1924). Ministro da Fa- “urso”, mas que, aplicada no mercado de ações
zenda no governo de Epitácio Pessoa (1919- e títulos, significa operador que acredita que a
1922). Em sua gestão, procurou garantir o equi- cotação dos títulos ou ações vai subir. Isto é, é
líbrio orçamentário e o saneamento do meio cir- um especulador que aposta na baixa, vendendo
culante, restabelecendo o fundo de conversibi- títulos, ações etc. que não possui, esperando
lidade do papel-moeda, instituído em 1889. comprá-las por um preço mais baixo antes do
Criou as Carteiras de Redesconto e de Crédito vencimento, e realizando lucros. Este termo já
Agrícola do Banco do Brasil, implantou a fisca- existia na Inglaterra no início do século XVIII,
lização bancária e reorganizou a administração e parece ter tido origem no mercado financeiro
do Tesouro Nacional. Em 1919, apresentou à Câ- do dito popular “não venda a pele antes de ma-
mara um projeto de lei propondo a redução das tar o urso”. O contrário de bull.
tarifas alfandegárias, o que provocou protestos
dos industriais e a rejeição da matéria. BEAR HUG. Nas aquisições do controle acio-
nário de empresas, esta expressão significa uma
BATISTA JR., Paulo Nogueira (1955- ). Nas- oferta apresentada pelo comprador bem acima
ceu no Rio de Janeiro e graduou-se em economia do valor de mercado das ações da empresa-alvo.
49 BEHAVIORISMO

Se a diretoria recusar, estará correndo o risco de Economia Pública). Na obra Dei Delitti e delle
de violação de um dos princípios da boa admi- Pene (Dos Delitos e das Penas), de 1764, Beccaria
nistração, que é zelar pelos interesses dos acio- condena o sistema penal e penitenciário da épo-
nistas. ca, sobretudo os processos secretos, as torturas
e a desigualdade das penas em função de dife-
BEAR PANIC. Situação na qual aqueles que ven- renças de classe social. A partir dessa obra, fo-
deram a descoberto, isto é, sem possuir as ações ram criados os fundamentos jurídicos da Decla-
ou títulos, diante de indícios de que tais títulos ração dos Direitos do Homem e do Cidadão,
irão ter suas cotações em elevação no mercado, documento básico da Revolução Francesa.
são obrigados a comprá-las antes que as mesmas
se elevem mais ainda, e, com tal ação, pressio- BEFIEX — Comissão Especial para a Conces-
nem a demanda e a elevação ainda mais intensas são de Benefícios Fiscais e Programa Especial
dessas cotações, criando um verdadeiro pânico de Exportação. Programa de incentivo às expor-
no mercado. Veja também Bear. tações criado no âmbito federal em 1972 e pelo
qual cada dólar importado deveria gerar três dó-
BEAR RAID. Expressão em inglês que designa lares em exportações. O programa concede às
uma ação concertada de vendedores a desco- empresas isenção parcial do Imposto sobre Pro-
berto, isto é, daqueles que venderam títulos para dutos Industrializados (IPI) e isenções parciais
entrega futura sem possuí-los e que forçam uma na importação de componentes essenciais. Veja
baixa nas cotações dos mesmos, vendendo títu- também Drawback.
los, ações ou commodities contra os quais o raid
se efetua. Os possuidores desses títulos, acredi- BEGGAR-MY-NEIGHBOUR POLICIES. Expres-
tando tratar-se de um movimento real de baixa, são em inglês que designa políticas econômicas
apressam-se em vendê-los, o que provoca uma adotadas por um país para melhorar suas con-
queda nas cotações, disso se aproveitando aque- dições internas — como ampliação de seu mer-
les que venderam a descoberto para comprá-los cado interno, seu nível de emprego — e que,
por baixo preço, para viabilizar a entrega futura geralmente, prejudicam as economias de seus
dos títulos já vendidos. Veja também Bear; Bear vizinhos. Por exemplo, um país pode pretender
Panic. aumentar seu nível interno de atividade econô-
mica (emprego) estimulando as exportações e
BEAR SPREAD. Expressão em inglês utilizada
inibindo as importações mediante uma forte
para designar uma estratégia de mercado na
desvalorização cambial, incrementando seu ní-
qual um operador vende contratos nos meses
vel interno de emprego em detrimento dos de-
próximos (torna-se curto) e compra contratos
mais países.
para meses futuros (torna-se longo), esperando
que as taxas de juros do curto prazo aumentem BEHAVIORISMO. Em psicologia, corrente de
mais rapidamente do que as de longo prazo e pensamento oriunda das experiências sobre
que o preço de mercado das divisas, dos títulos comportamento realizadas por Pavlov (1849-
etc. estejam caindo. O contrário de bull spread. 1936) e enunciadas por John Watson (1878-1958),
Veja também Bull Spread. de grande influência durante os anos 20 deste
século até a década seguinte. A denominação
BEAR SQUEEZE. Expressão em inglês utiliza-
vem do termo em inglês behaviour (comporta-
da no mercado financeiro quando o Banco Cen-
mento) e enfatiza a importância dos fatos obje-
tral de um país intervém no mercado de câmbio
tivos passíveis de observação, basicamente a fór-
para forçar especuladores (curtos) a vender uma
mula estímulo-resposta como base de uma psi-
determinada moeda para cobrir suas posições,
evitando assim que os mesmos realizem grandes cologia científica. Em administração, a Escola
lucros. Isto geralmente é feito quando um Banco Bahaviorista refere-se à Teoria das Organizações
Central oferece para comprar mais de uma moe- e, embora tenha como fonte inspiradora a cor-
da local do que se encontra disponível no mer- rente behaviorista em psicologia, não deve ser
cado cambial, geralmente provocando grandes confundida com ela. A origem da Escola Beha-
perdas para os especuladores. viorista encontra-se na oposição da Escola de
Relações Humanas à Escola Clássica. Ela é um
BECCARIA, Marquês de (Cesare Bonesana) desdobramento da primeira e, embora compar-
(1738-1794). Criminalista e economista italiano. tilhasse grande parte das formulações desta úl-
Foi um dos primeiros a tratar do comércio in- tima, não aceitava a concepção de que se o tra-
ternacional, a defender a aplicação da matemá- balhador desenvolvesse suas atividades num
tica à economia e analisar a função do capital ambiente de satisfação, isto por si só garantiria
e a divisão do trabalho. Suas aulas na cadeira um trabalho eficiente. Ou melhor, a Escola Be-
de economia política da Universidade de Milão haviorista seria um desdobramento da Escola
foram publicadas postumamente (1824) sob o das Relações Humanas, mas com uma ruptura
título Elementi di Economia Pubblica (Elementos com alguns elementos prescritivos tanto da Es-
BELÍNDIA 50

cola Clássica como da Escola das Relações Hu- BEM DE GIFFEN. Um bem cuja demanda au-
manas. menta quando o seu preço sobe e diminui quan-
do seu preço desce, aparentemente contrariando
BELÍNDIA. Palavra formada pelas iniciais de a lei da demanda. Essa forma de comportamento
Bélgica e Índia para denotar uma situação de dos consumidores foi verificada por Robert Gif-
polarização entre riqueza e pobreza, de tal forma fen (1837-1910) ao observar as famílias mais po-
que num mesmo país teríamos a riqueza da Bél- bres comprando mais pão à medida que os pre-
gica e a pobreza da Índia. O termo foi batizado ços deste produto iam aumentando. Isso acon-
pelo economista Edmar Bacha durante os anos tece quando a magnitude absoluta do efeito-ren-
70 referindo-se à situação brasileira. da (em relação aos preços) é maior do que a
magnitude negativa do efeito-substituição. Ou
BELLUZZO, Luiz Gonzaga de Mello (1942- ).
seja, embora mais caro, o pão ainda é o produto
Nasceu em São Paulo e graduou-se em Ciências
mais barato, o que faz com que os consumidores
Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da
deixem de comprar outros produtos (mais caros)
Universidade de São Paulo em 1965. Em 1975,
de sua dieta, para comprar mais pão. A elasti-
obteve o título de doutor em economia pela Uni-
cidade-renda da demanda para um “bem de Gif-
versidade Estadual de Campinas. Foi secretário
fen” é negativa.
especial de Assuntos Econômicos do Ministério
da Fazenda entre 1985 e 1987, e um dos elabo- BENCH MARK. Expressão em inglês que sig-
radores e executores do Plano Cruzado. Entre nifica “ponto de referência” ou “unidades-pa-
1988 e 1990, foi secretário de Ciência e Tecno- drão”, para que se estabeleçam comparações en-
logia e Desenvolvimento Econômico do Estado tre produtos, serviços, processos, títulos, taxas
de São Paulo (governo Quércia), e secretário-es- de juros etc., de tal modo a saber se os demais
pecial de Assuntos Internacionais do Estado de produtos, serviços, títulos etc. se encontram aci-
São Paulo (governo Fleury) a partir de 1991. Seus ma ou abaixo em relação ao que serve como
livros mais importantes são: Valor e Capitalismo, referência. Por exemplo, as taxas de juro dos
de 1980, cujo conteúdo é a tese de doutoramento; títulos de 90 dias do Tesouro norte-americano
Um Estudo sobre a Crítica da Economia Política e servem como benchmark para todas as taxas de
O Senhor e o Unicórnio — a Economia dos Anos juro praticadas nos Estados Unidos. A atividade
80, de 1984. É colaborador de vários jornais e do bench mark (ou benchmarking) vem sendo de-
revistas, entre eles Isto É-Senhor, Gazeta Mercantil senvolvida nos últimos anos com grande inten-
e Folha de S. Paulo. Atualmente, é professor de sidade em relação aos produtos industriais de-
economia do Instituto de Economia da Univer- vido ao acirramento da concorrência internacio-
sidade Estadual de Campinas (Unicamp). nal trazida pela globalização dos mercados e
pelo global sourcing. Veja também Global Sour-
BELLWETHER. Termo em inglês que designa
cing; Globalização.
um título do mercado financeiro considerado o
indicador da direção que o mercado como um BENCH MARK DATA. Expressão em inglês
todo tomará. Os títulos da IBM foram conside- que significa “dados de referência”.
rados durante muito tempo tendo esta caracte-
rística no mercado de ações norte-americano. No BENCH MARK JOBS. Funções típicas numa or-
caso brasileiro, as ações da Telebrás e de outras ganização utilizadas como exemplo ou pontos
estatais de primeira linha de certa forma enqua- de referência em relação aos quais outras fun-
dram-se nesta classificação. ções podem ser comparadas por classificação de
postos, pontuação etc.
BELOW THE LINE. Veja Abaixo da Linha.
BENCHMARKING. Veja Bench Mark.
BELT AND BRACES. Expressão em inglês que
significa literalmente “cinturão e suspensório”. BENEFÍCIOS ADICIONAIS. Veja Benefícios
Trata-se de uma política que se bifurca em duas Salariais.
vias separadas de ação, sendo que cada uma
poderá alcançar o objetivo almejado se a outra BENEFÍCIOS SALARIAIS. Em inglês, fringe be-
falhar. Ou melhor, se o cinturão não segurar a nefits. Benefícios oferecidos pelas empresas, a tí-
calça, o suspensório o fará. tulo de pagamento adicional dos salários, a seus
funcionários de alto nível. Dessa forma, os ren-
BEM. Iniciais da expressão em inglês big emer- dimentos sobre os quais incidem impostos e de-
gent markets, isto é, “grandes mercados emer- duções são reduzidos. Os benefícios mais co-
gentes”. Esta expressão começou a ser dissemi- muns são: fornecimento de automóvel (desde o
nada a partir da conferência em Cingapura (de- simples leasing do veículo até pagamento de to-
zembro de 1996) da Organização Mundial do das as despesas, inclusive motorista), casa, es-
Comércio (OMC), e inclui cerca de doze países, cola para os filhos, clube para toda a família,
entre os quais o Brasil. Veja também OMC. passagens e estadas no período de férias, cartões
51 BENS DURÁVEIS

de crédito e planos especiais de saúde e de se- aumentam sua utilidade. Exemplos de bens
guro de vida. O vale-alimentação e o vale-trans- complementares são o café e o açúcar, o auto-
porte também podem ser considerados benefí- móvel e a gasolina, a eletricidade e a lâmpada
cios salariais. elétrica. Do ponto de vista mercadológico, os
bens complementares apresentam certas pecu-
BENEFÍCIOS SOCIAIS. Conjunto das melho- liaridades porque a comercialização de cada um
rias auferidas por uma comunidade em decor- deles está associada à do outro: quando ocorre,
rência da implantação de uma indústria, ainda por exemplo, uma queda significativa na de-
que o empreendimento não esteja voltado para manda dos cigarros, é de esperar uma queda
tais objetivos. Entre os benefícios sociais, estão correspondente na demanda de isqueiros.
o aumento de oportunidades de emprego, o in-
cremento às atividades comerciais e de lazer, o BENS DE CAPITAL. São bens que servem para
saneamento básico e a abertura de estradas. Veja a produção de outros bens, especialmente os
também Multiplicador. bens de consumo, tais como máquinas, equipa-
mentos, material de transporte e instalações de
BENELUX. União alfandegária entre Bélgica, uma indústria. Alguns autores usam a expressão
Holanda e Luxemburgo, criada em 1944 em Lon- bens de capital como sinônimo de bens de pro-
dres e posta em prática gradualmente até 1948. dução; outros preferem usar esta última expres-
Seu objetivo, além da eliminação das tarifas são para designar algo mais genérico, que inclui
aduaneiras entre esses países e da adoção de ainda os bens intermediários (matéria-prima de-
tarifas comuns para as importações de outras pois de algumas transformações, como, por
nações, foi a completa integração econômica dos exemplo, o aço) e as matérias-primas.
países membros (um tratado nesse sentido foi
ratificado em 1960). O esquema do Benelux teve BENS DE CONSUMO DURÁVEIS. Bens de
grande influência na criação do Mercado Co- consumo que prestam serviço durante um pe-
mum Europeu, organização integrada também ríodo de tempo relativamente longo, como uma
por esses três países. As tarifas do Benelux foram máquina de lavar roupa ou um automóvel. Di-
unificadas às do Mercado Comum em julho de ferem dos bens de consumo não-duráveis, como
1968. os alimentos, que são usados uma única vez.
Além dessa diferença intrínseca, os bens de con-
BENS. Tudo o que tem utilidade, podendo sa- sumo duráveis diferem dos não-duráveis pelo
tisfazer uma necessidade ou suprir uma carên- fato de que sua comercialização está sujeita a
cia. Os bens econômicos são aqueles relativamente oscilações muito maiores, devido a modismos,
escassos ou que demandam trabalho humano. à situação econômica geral e a outras influências.
Assim, o ar é um bem livre, mas o minério de
ferro é um bem econômico. Existem vários tipos BENS DE PRIMEIRA ORDEM. Conceito de-
de bens econômicos, podendo-se distingui-los senvolvido pelos marginalistas (Carl Menger,
por sua natureza, por sua função na produção, Stanley Jevons) para classificar os bens de acor-
por suas relações com outros bens, por suas pe- do com sua distância do ato final de consumo.
culiaridades no que se refere à comercialização Quanto mais baixa a ordem de um bem, mais
etc. Entre as principais distinções feitas pelos próximo estaria ele do consumo final. Os bens
economistas estão: os bens de consumo (um ali- de segunda ordem seriam, por exemplo, aqueles
mento, um par de sapatos), os bens de capital ou bens que dariam origem aos de primeira ordem,
de produção (máquinas, equipamentos), os bens e assim por diante. Os bens de ordem mais bai-
duráveis (uma casa), os bens não-duráveis (uma xa, se não forem dádivas da natureza, sempre
fruta), os bens mistos (um automóvel é bem de se originam da combinação de bens de ordens
capital para um motorista de táxi e bem de con- superiores. Veja também Jevons, Stanley; Men-
sumo para a pessoa que o usa por prazer), os ger, Carl; Marginalistas.
bens necessários (alimentos, roupas), os bens su-
pérfluos (uma jóia), os bens complementares (pneu BENS DE PRODUÇÃO. Veja Bens de Capital.
e volante de automóvel) e os bens sucedâneos BENS DURÁVEIS. Categoria de bens que têm
(margarina, em relação à manteiga). utilidade durante um grande período de tempo,
BENS ALODIAIS. Bens dos quais um indiví- abrangendo, portanto, os bens de consumo du-
duo pode dispor livremente, sem necessidade ráveis e os bens de capital. As indústrias que
de licença de qualquer outra pessoa e que, con- produzem bens duráveis são muito mais afeta-
seqüentemente, se comunicam entre os cônjuges das pelas crises econômicas do que as que se
e se repartem entre os co-herdeiros. dedicam aos bens não-duráveis. Sua expansão
é de tal modo condicionada pela expansão do
BENS COMPLEMENTARES. São os bens eco- consumo — conforme o princípio da aceleração
nômicos que devem ser combinados para satis- — que qualquer queda ou simples nivelamento
fazer uma necessidade; usados em conjunto, eles na procura dos bens não-duráveis implica vio-
BENS INTERMEDIÁRIOS 52

lenta queda na produção de bens de capital e man) contra as proibições de escravização de


de bens de consumo duráveis. Veja também indígenas no Norte do Brasil (Pará) e contra as
Bens de Consumo Duráveis. abusivas condições impostas pela Companhia
de Comércio do Maranhão para a importação
BENS INTERMEDIÁRIOS. Bens manufatura- de nativos africanos que resolvessem o proble-
dos ou matérias-primas processadas que são em- ma da falta de braços existente na região na épo-
pregados para a produção de outros bens ou ca. A rebelião teve início em 1684 e foi uma das
produtos finais. O lingote de aço, originário de primeiras contra o domínio da Metrópole, com
uma siderúrgica, é um bem intermediário que, relativo êxito inicial. Os insurretos aprisionaram
numa fábrica de autopeças, pode se transformar o governador, formaram uma junta que deter-
em chassi, roda ou eixo, produtos que também minou a abolição do monopólio na importação
são bens intermediários na fabricação do auto-
de escravos e a deportação dos jesuítas (que de-
móvel — um produto final, acabado. Os pro-
fendiam os índios), cujas propriedades foram
dutos intermediários, portanto, são insumos que
ocupadas. Contra essa afronta à autoridade da
em geral uma empresa compra de outra para
Metrópole, foi organizada uma expedição puni-
elaboração dos produtos de sua especialidade.
tiva, que aprisionou e condenou à morte Manuel
Até o produto final, a produção passa por uma
Beckman e outros líderes do movimento. No
cadeia de bens intermediários, em decorrência
Norte, assim como em outras regiões do país,
da divisão do trabalho.
a falta de mão-de-obra durante o século XVII
BENS LIVRES. Bens que satisfazem necessida- foi um problema que só foi parcialmente resol-
des e suprem carências, mas são tão abundantes vido com a importação maciça de escravos. An-
na natureza que não podem ser monopolizados tes disso, porém, especialmente os jesuítas se
nem exigem trabalho algum para ser produzi- opunham à escravização dos indígenas, conse-
dos, não tendo, portanto, preço; por exemplo, guindo obter da Coroa Portuguesa algumas re-
o ar ou a luz do sol. gras que os proprietários de terras consideravam
inexequíveis, como, por exemplo, pagar salários
BENS-SALÁRIO. Conjunto de bens que em a esses trabalhadores e conceder-lhes um perío-
cada país constitui a cesta de consumo básico do relativamente longo para que pudessem cui-
do trabalhador, segundo seu padrão de vida. dar de suas próprias roças. Os colonos sempre
São formados pelos artigos de primeira neces- se opuseram a tais regras, que com toda a certeza
sidade para o trabalhador e sua família, como somente poderiam ser implementadas contra a
os alimentos, o vestuário, a habitação, o trans- vontade destes, isto é, pela força.
porte e os serviços de educação e saúde. Por lei,
o salário mínimo deveria ser suficiente para pro- BERLE JR., Adolf Augustus (1895-1971). Diplo-
porcionar ao trabalhador essa quantidade míni- mata e economista norte-americano que se des-
ma de bens, indispensáveis a sua sobrevivência tacou no estudo do capitalismo em seu país. Par-
familiar. ticipou da delegação dos Estados Unidos que
negociou a paz da Primeira Guerra Mundial
BENTHAM, Jeremy (1748-1832). Filósofo, ju- (1914-1918), atuou como diplomata especializa-
rista e economista inglês, criador do utilitarismo. do em América Latina nos governos de Roose-
Em 1787, escreveu Defence of Usury (Proibição velt, Truman e Kennedy, e foi embaixador dos
da Usura), onde se alinha com Adam Smith, a
Estados Unidos no Brasil (1945-1946). Formado
favor da liberdade de iniciativa econômica do
em Direito por Harvard, foi professor da Uni-
indivíduo. Com An Introduction to the Principles
versidade de Colúmbia de 1927 a 1964 e escreveu
of Morals and Legislation (Uma Introdução aos Prin-
vários livros sobre assuntos políticos e econô-
cípios da Moral e da Legislação), de 1789, Bentham
micos. Sua obra econômica de maior repercus-
expôs a doutrina utilitarista que o tornaria cé-
são, The Modern Corporation and Private Property
lebre. Considerando que apenas o egoísmo e a
(A Moderna Sociedade Anônima e a Proprieda-
busca da felicidade motivam a conduta humana,
de Privada), escrita em colaboração com Gardi-
defendia um sistema de governo que harmoni-
zasse os interesses, garantindo a maior satisfa- ner C. Means e publicada em 1932, mostra como
ção possível ao maior número de pessoas. Em se processou a concentração capitalista nos Es-
Plan of a Parliamentary Reform, in the Form of a tados Unidos. Nela, Berle prevê que a economia
Catecism (Plano de Reforma Parlamentar, sob a For- norte-americana seria inteiramente absorvida
ma de Catecismo), de 1817, propôs reformas de- pelas duzentas maiores empresas do país se fos-
mocráticas do sistema político inglês, defenden- se mantida a taxa de crescimento verificada nos
do eleições anuais, sufrágio universal e voto se- anos de 1909 a 1929. Ainda sobre a concentração
creto. Veja também Utilitarismo. da economia em grandes empresas, destaca-se
na obra de Berle o livro The Twentieth Century
BEQUIMÃO. Rebelião liderada por Manuel Capitalist Revolution (A Revolução Capitalista do
Beckman (Bequimão é uma corruptela de Beck- Século Vinte), de 1955.
53 BETA

BERNOULLI (Família). A família Bernoulli, per- o movimento revisionista, tentativa de rever a


tencente à religião protestante, oriunda da Ho- obra de Marx, retirando-lhe o caráter revolucio-
landa, estabeleceu-se na Suíça. Foi uma família nário e propondo a persuasão e educação gra-
da qual se originaram, no final do século XVI dual como meios de alcançar o socialismo. Foi
e ao longo do século XVII, oito matemáticos bri- amigo íntimo e colaborador de Engels durante
lhantes, e todos eles tiveram um papel impor- muitos anos e destacado representante da so-
tante no desenvolvimento do cálculo matemá- cial-democracia alemã. Logo após a morte de
tico. Os irmãos Jacob (1654-1705), Johann (1667- Engels (1895), contudo, e por influência do so-
1748) e Daniel (1700-1782), o segundo filho de cialismo fabiano inglês, abandonou toda idéia
Johann, foram destacados matemáticos. Jacob e de transformação revolucionária da sociedade,
Johann eram amigos de Liebniz, com quem tro- declarando que o Partido Social-democrata de-
caram nutrida correspondência por meio da veria ser um partido da reforma. Em sua prin-
qual pode-se dizer que o cálculo matemático se cipal obra, Die Voraussetzungen des Sozialismus
desenvolveu. Jacob estudou os problemas do und die Aufgaben der Sozialdemocratie (As Premis-
tautochrone, do brachistochrone, da geometria, da sas do Socialismo e as Tarefas da Social-Demo-
dinâmica e outros, inclusive o problema isope- cracia), de 1899, Bernstein nega o conceito mar-
rimétrico. Foi o primeiro a mudar, em 1690, o xista da intensificação da luta de classes e da
nome até então utilizado de calculus summatoris inevitabilidade da revolução, preconizando
para calculus integralis, que se mantém até hoje. meios graduais para melhorar as condições dos
Seu livro Ars Conjectandi foi publicado postu- operários mediante a ação sindical e política. E,
mamente em 1713. Nesta obra foram encontra-
em lugar da concepção marxista do socialismo
das as regras que tornaram seu nome destacado
como o resultado necessário de processos his-
na teoria da probabilidade. Ele foi professor de
tóricos objetivos, apresenta-o como uma escolha
física experimental na Universidade da Basiléia
da humanidade, de acordo com padrões éticos
e, mais tarde, tornou-se professor de matemá-
e morais. Do ponto de vista econômico, Berns-
tica. Ensinou matemática a seu irmão Johann,
tein ataca, em seu livro, a teoria marxista do
que o sucedeu como professor na mesma uni-
versidade. As descobertas de Johann aparece- colapso capitalista. Apoiando-se na situação eco-
ram nas publicações Acta Eruditorum e Journal nômica da Europa Ocidental, usou dados esta-
des Savants. Em 1701, o início do cálculo das va- tísticos para mostrar que o capitalismo estaria
riações foi utilizado em sua solução para o cál- apenas diferenciando e não polarizando as clas-
culo do problema isoperimétrico. Ele introduziu ses, e também para condenar o determinismo
o termo functio, a origem do termo atual “fun- econômico do processo histórico. Bernstein foi
ção”, amplamente utilizado em matemática. deputado no Reichstag, onde exerceu três man-
Apesar das discrepâncias entre os irmãos e tam- datos. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi
bém entre pais e filhos, os Bernoulli eram pes- um dos fundadores do Partido Social-democrata
quisadores brilhantes e grandes professores, que Independente. Exerceu ainda o cargo de secre-
ensinaram não apenas seus filhos, mas também tário do Tesouro do governo alemão.
matemáticos como Euler. Daniel Bernoulli des-
BESSIE. Apelido das ações da Bethlehem Stell
tacou-se especialmente na teoria da pro-
Co. na Bolsa de Valores de Nova York.
babilidade, dando também contribuições no
campo da hidrodinâmica e da teoria cinética dos BETA. Termo analítico utilizado para descrever
gases. Nicolau Bernoulli, neto de Johann, dis- diferenças de preços em instrumentos financei-
tinguiu-se como professor de matemática em ros, comparando o preço imediato de um título
São Petersburgo. O irmão mais novo de Daniel, específico ao movimento em geral de um mer-
Johann (1710-1790), sucedeu seu pai Johann Sr. cado. Se a diferença for grande, o título é con-
como professor na Universidade de Basiléia. O siderado possuidor de um beta elevado em re-
filho de Johann Jr., também chamado Johann lação aos demais, e, se a diferença for diminuta,
(1744-1807), foi catedrático de matemática na o título terá um beta pequeno. O Índice Standard
Academia de Berlim. Um filho do terceiro Jo-
& Poor’s 500 (que inclui as cotações de quinhen-
hann, chamado Jacob (1759-1789), foi professor
tas ações da Bolsa de Nova York) é o ponto de
de física experimental na Universidade de Ba-
referência e tem um beta igual a 1. Uma ação
siléia. Nicolau (1687-1759), neto do fundador da
específica mais volátil do que essa média teria
família Nicolau (1623-1708) e filho de Nicolau
um beta superior a 1, isto é, suas cotações au-
Bernoulli, o pintor (1662-1716), ocupou entre
mentariam ou cairiam mais rapidamente do que
1716 e 1719 a cátedra de matemática em Pádua,
que pertencera a Galileu. Veja também Lei dos as da S&P 500. Em geral, as ações com betas
Grandes Números; Risco. superiores a 1 são mais arriscadas, enquanto
aquelas com índices inferiores a 1 são mais se-
BERNSTEIN, Eduard (1850-1932). Político e pen- guras e suas oscilações, menos pronunciadas.
sador alemão. Fundou, em fins do século XIX, Veja também Alfa; S&P 500.
BETINHO 54

BETINHO. Veja Fome. bricar pesticidas numa fábrica da Union Carbi-


de, provocou a morte de no mínimo 2 500 pes-
BETRIEBSRAT. Termo em alemão que significa soas (a cifra exata é difícil de estabelecer, uma
conselho de trabalhadores, que constitui um re- vez que muitas famílias enterraram seus mortos
quisito legal nas indústrias da Alemanha, de fora da cidade onde o acidente ocorreu) e mais
acordo com a Lei de Co-gestão (Co-determina- de 200 mil pessoas foram feridas pelo desastre.
ção). Veja também Aufsichtsrat; Lei da Co-ges- O acidente provocou também seqüelas nos so-
tão; Vorstand. breviventes atingidos pelo gás: vários bebês nas-
BETTELHEIM, Charles (1913- ). Economista fran- ceram deformados e ocorreram muitos abortos
cês, autor de vários livros sobre a planificação espontâneos em Bhopal. Veja também Mal de
socialista e os problemas da planificação em ge- Minamata.
ral. Em 1936, visitou a União Soviética pela pri- BIB (Brazil Investment Bond). Veja Plano Bra-
meira vez, e seis anos depois publicou seu pri- dy; TJLP.
meiro livro sobre a planificação socialista. Logo
após o término da Segunda Guerra Mundial, pu- BIBOR. Veja Ibor.
blicou o segundo livro a respeito do mesmo as-
sunto, do ponto de vista teórico e prático. Sua BID — Banco Interamericano de Desenvol-
visão sobre a formação soviética modificou-se vimento. Instituição internacional sediada em
substancialmente depois da revolução cultural Washington, foi criada em 1959 para prestar aju-
chinesa e dos acontecimentos no Leste europeu da financeira aos países da América Latina e do
no início dos anos 70, especialmente na Polônia. Caribe. Subscrita inicialmente pelas nações ame-
Sua obra mais importante é a trilogia Les Luttes ricanas, conta desde 1974 com doze nações fora
de Classe en URSS, cujo primeiro volume, cor- do hemisfério, entre elas a Grã-Bretanha. Seus
respondente ao período 1917-23, foi lançado no principais acionistas são Estados Unidos, Cana-
Brasil em 1975 com o título A Luta de Classes na dá, Brasil, Argentina e México.
União Soviética. Na obra, sustenta a tese de que
na União Soviética prevalece o capitalismo de BIG-BANG. Expressão em inglês utilizada ori-
Estado e não um Estado socialista. O segundo ginalmente no campo da astronomia para ex-
volume, que analisa o período 1923-1930, foi edi- plicar a origem do universo, e tomada de em-
tado na França em 1977. Bettelheim escreveu préstimo pelo mundo financeiro para designar
ainda L’Économie Soviétique (A Economia Sovié- o que ocorreu na Bolsa de Valores de Londres
tica), 1950, e Problémes Théoriques et Pratiques de (London Stock Exchange) no dia 27/10/1986,
la Planification (Problemas Teóricos e Práticos da quando várias mudanças foram operadas nesta
Planificação), 1952. instituição de existência secular, no sentido de
eliminar barreiras que impediam maior compe-
BEVERIDGE, William Henry (1879-1963). Eco- tição nos mercados financeiros londrinos. Por
nomista inglês que se notabilizou por seus es- exemplo, foram eliminadas as comissões fixas
tudos sobre desemprego e propostas de previ- dos operadores, e em seu lugar estabeleceu-se
dência para os trabalhadores. Em 1911, colabo- um sistema de remuneração por faixas; foram
rou com o então secretário do Interior Winston eliminadas as distinções até então existentes en-
Churchill na instituição de um seguro-desem- tre jobbers e brokers e passou-se a permitir que
prego. Entre 1919 e 1937, dirigiu a London operadores não-britânicos tivessem acesso ao
School of Economics, e em 1941 tornou-se pre- floor da Bolsa de Valores. Veja também Broker;
sidente do comitê administrativo interministe- Jobber.
rial encarregado de analisar o sistema previden-
ciário vigente na Inglaterra. Disso resultou o Pla- BIG BLUE. Apelido das ações da IBM (Interna-
no Beveridge, em 1942, que serviu de base para tional Business Machines) em função da cor do
a reforma da estrutura da previdência social na seu logotipo. Constitui um dos papéis mais im-
Inglaterra e em vários outros países. Suas con- portantes da Bolsa de Nova York.
cepções teóricas encontram-se nos livros Unem-
ployment, 1931, e Full Employment in a Free Society BIG BOARD. Expressão que designa o grupo
(Pleno Emprego numa Sociedade Livre), 1944. de diretores da Bolsa de Valores de Nova York.
Veja também Plano Beveridge. A expressão é também utilizada para designar
a própria Bolsa de Valores de Nova York.
BEVERIDGE PLAN. Veja Plano Beveridge.
BIG EIGHT. Expressão em inglês que designa
BHOPAL. Nome de cidade na Índia Central as oito grandes empresas norte-americanas de
onde ocorreu um dos maiores desastres ecoló- contabilidade e auditoria, que realizam esses
gicos de origem industrial do mundo. Em de- serviços para as maiores e mais importantes cor-
zembro de 1984, um vazamento de isocianato porações daquele país, e são as seguintes: Arthur
de metila, produto químico utilizado para fa- Andersen, Coopers and Lybrand, Ernest Whit-
55 BIMETALISMO

ney; Deloitte Haskins & Sells; Peat, Marwick, 1771. Em 1803, pelo Alvará de 13 de novembro
Mitchell & Co.; Price Water House; Touche Ross; daquele ano às Reais Casas da Fundição de
Arthur Young. Ouro, foi autorizada a emissão de bilhetes para
a permuta do ouro em pó, com o objetivo de
BIG MAC INDEX. Veja Índice Big Mac. coibir a circulação do metal como moeda e fa-
BIG PUSH. Expressão em inglês que significa, cilitar as operações comerciais.
literalmente, “grande arrancada”. Este conceito BILHETES DE EXTRAÇÃO. Conhecimentos de
originou-se nas teses de Rosenstein-Rodan sobre depósito emitidos pelas administrações das Ca-
o desenvolvimento dos países em processo de sas da Moeda no início do século passado, ne-
industrialização. Ele defendia a tese de que o gociáveis por endosso e garantidos pelos ativos
desenvolvimento equilibrado com grandes in- do orgão emissor. Constituíram um precursor
vestimentos em diversos campos poderia supe- do papel-moeda. O Alvará de 13 de maio de
rar os problemas das indivisibilidades dos paí- 1803, do Príncipe Regente de Portugal e de Al-
ses cujos mercados internos eram estreitos. Se garve, dizia, entre outras coisas, o seguinte:
um grande número de indústrias fosse implan- “...Autorizo os administradores da mesma Casa
tado simultaneamente, cada uma poderia re- (da Moeda) a darem um bilhete extraído dos
presentar a demanda de outra, de tal maneira seus livros ou registros, no qual se declare a
que os setores que na ausência dessa demanda quantidade e título do ouro com que o mineiro
seriam anti-econômicos tornar-se-iam viáveis, entrar; indicando-se o valor total, e o dia em
permitindo um rápido e equilibrado desenvol- que achará na Casa da Moeda o seu ouro fabri-
vimento da economia. As críticas a esse tipo de cado, e cunhado; o qual dia não podendo em
concepção se concentraram em dois pontos: 1) caso algum ser alterado, poderá este bilhete ser
o hiperinvestimento levaria necessariamente a posto em circulação, e correrá como uma Letra
processos inflacionários expressivos; 2) não seria de Câmbio a vencer; fazendo-se nas costas dele
realista supor que um programa maciço de in- o seu trespasse para que o último portador fique
vestimentos fosse realizado pela simples expec- autorizado a receber o seu valor, quando quiser
tativa de que a demanda correspondente surgi- ir cobrá-lo à Casa da Moeda”.
ria na raiz dos próprios investimentos que es-
tivessem sendo realizados. Veja também Hipe- BILHETES DE PERMUTA. Títulos emitidos a
rinvestimento; Indivisibilidades. partir de 1803, similares aos “bilhetes de extra-
ção”, que eram uma espécie de conhecimentos
BILATERALISMO. Prática de acordos especiais de depósitos, negociáveis por endosso e garan-
de comércio e de pagamentos assinados entre tidos pelo ativo das Administrações da Casa da
dois países. Consiste, em geral, na fixação de Moeda, contra as quais eram sacados.
cotas de importação e taxas alfandegárias pri-
vilegiadas, não aplicadas ao comércio com os BILHETES DE PERMUTA DO OURO EM
demais países. O bilateralismo tornou-se uma PÓ. Emitidos em 1808 pela Capitania das Minas
prática comum no comércio internacional a par- Gerais com os valores representativos já impres-
tir da crise econômica de 1930 e intensificou-se sos em importâncias correspondentes a vinténs
de ouro nas denominações de 37,5; 75; 150; 300
depois da Segunda Guerra Mundial, como re-
e 600 réis. Foram autorizados pelo Alvará de 1º
curso para recuperar as economias destruídas
de setembro de 1808, que tratava de cédulas de
pelo conflito e criar mecanismos de controle do
papel-moeda.
comércio mundial. Ao mesmo tempo foi com-
batido como prejudicial ao comércio internacio- BILL OF LADING. Expressão em inglês que
nal como um todo, surgindo assim a necessidade significa conhecimento de embarque ou de
de um acordo global: isso foi conseguido por transporte e que consiste num documento que
meio do Acordo Geral de Tarifas e Comércio o responsável pelo transporte de uma mercado-
(General Agreement on Tariffs and Trade — ria (por trem, navio etc.) entrega ao seu pro-
GATT). Outra contrapartida às relações bilate- prietário, declarando que ela foi recebida para
rais são os acordos multinacionais regionais, transporte até um determinado destino, estabe-
como o Mercado Comum Europeu, que man- lecendo as condições sob as quais essa merca-
têm, contudo, um caráter restritivo em relação doria está sendo transportada.
aos países que não compõem esses grupos. Veja
também Multilateralismo. BIMETALISMO. Sistema monetário em que a
unidade monetária de um país é estabelecida
BILHETES DA REAL EXTRAÇÃO DE DIA- em lei em termos de dois metais — via de regra
MANTES. Certificados representativos da pro- o ouro e a prata —, numa relação de valor es-
priedade de diamantes, emitidos pelo Arraial pecífica entre eles. Cada metal é aceito em quan-
do Tejuco, na Capitania de Minas Gerais, e au- tidades ilimitadas para cunhagem e o que for
torizados pelo Regimento de 2 de agosto de cunhado deve ser aceito como moeda legal (legal
BIMETALISMO MANCO 56

tender). O principal problema dos sistemas bi- à evolução biológica. Veja também Teoria da
metalistas é a manutenção da relação de valor Complexidade.
entre os dois metais, tendo-se em vista a flutua-
ção de preços dos mesmos nos mercados interno BIRD — Banco Internacional de Reconstrução
e externo. Se tais flutuações provocarem a des- e Desenvolvimento. Instituição financeira inter-
nacional ligada à ONU e conhecida também
valorização de um metal em relação ao outro,
como Banco Mundial (World Bank). Criado em
as moedas cunhadas no metal desvalorizado
1944, na Conferência de Bretton Woods, teve o
tenderiam a expulsar de circulação as moedas
objetivo inicial de financiar os projetos de recu-
cunhadas no metal valorizado. O sistema foi uti- peração econômica dos países atingidos pela
lizado nos países europeus e nos Estados Unidos guerra. Sediado em Washington, reúne 139 paí-
durante o século XIX, embora de forma descon- ses (1980). Fornece empréstimos diretos a longo
tínua, em grande medida porque se acreditava prazo (15 a 25 anos) aos governos e empresas
que um sistema monetário baseado apenas em (com garantias oficiais), para projetos de desen-
um metal poderia resultar em deflação se a ofer- volvimento e assistência técnica. O maior volu-
ta do metal a ser monetizado não acompanhasse me de recursos, desde que o banco começou a
a expansão da atividade econômica, especial- operar, em 1946, até 1981, foi dirigido aos setores
mente do comércio. No entanto, se a relação de de energia, transporte e agricultura. As contri-
valor entre os dois metais fosse modificada pelas buições de cada país-membro ao capital do Bird,
flutuações dos respectivos preços, o metal de assim como o direito ao voto, são estabelecidas
valor relativo mais alto seria exportado, perma- proporcionalmente à participação do país no co-
necendo no país o metal de menor valor, ten- mércio internacional. O maior acionista do Bird
dendo assim o sistema para o monometalismo. é o governo dos Estados Unidos, que tem poder
Com a generalização do uso do papel-moeda, de veto sobre as decisões da organização. O ban-
no final do século XIX e início do XX, a neces- co opera por meio de duas agências filiadas: a
sidade de um sistema bimetalista perdeu sua Corporação Financeira Internacional e a Asso-
razão de ser. Veja também Mágico de Oz; Mo- ciação Internacional de Desenvolvimento.
nometalismo.
BIRR. Unidade monetária da Etiópia. Submúl-
BIMETALISMO MANCO. Veja União Latina. tiplo: cent.

BIMODAL. Característica de uma distribuição BIS (Bank for International Settlements). Veja
que possui duas modas. Veja também Moda. Banco para Pagamentos Internacionais.

BINÁRIO. Veja Sistemas de Pesos e Medidas. BIS. Iniciais da expressão em inglês british im-
perial system, que designa o sistema de pesos e
BINARY DIGIT. Veja Bit. medidas utilizado na Inglaterra, e também o
Bank for International Settlements. Veja também
BIOMASSA. Total da matéria orgânica contida Banco para Pagamentos Internacionais.
em determinado espaço, incluindo todos os ani-
mais e vegetais. Para a economia, interessa a BIT. O termo admite vários significados: 1) de-
biomassa que possa ser utilizada como matéria- nominação popular dada pelos americanos ao
prima, especialmente na produção de energia. real espanhol desde os tempos em que a Espa-
Com a crise do petróleo em 1973, intensificou-se nha colonizou a Flórida. Mais tarde, quando ha-
a pesquisa de novas fontes energéticas de ex- via poucos bits (pedacinhos em inglês) em cir-
culação e o dólar equivalia a oito reais espa-
ploração mais imediata. Do estudo da biomassa
nhóis, os americanos cortavam notas de dólar
surgiram, por exemplo, projetos para a produ-
em quatro pedaços, passando cada um deles a
ção de combustíveis como o etanol, o metanol
valer dois reais ou dois bits. Até hoje nos Estados
(a partir da cana-de-açúcar, mandioca, madeira
Unidos, na gíria, vinte e cinco centavos de dólar
etc.) e o gás metano (por industrialização de de- correspondem a dois bits, e meio dólar, a quatro
tritos orgânicos). No Brasil, destaca-se o plano bits; 2) contração da expressão em inglês binary
Proálcool, de produção de combustível para veí- digit (dígito binário), o bit é a unidade elementar
culos. de informação em computadores digitais, po-
dendo adotar o valor “um” ou o valor “zero”.
BIONOMICS. Termo em inglês formado pelas
Por exemplo, 1 101 é um número de quatro bits.
palavras biology e economics. Considera a econo-
O dígito binário significa um algarismo na re-
mia ecossistemas, e não maquinismos. Esta nova
presentação binária de um número; 3) o bit sig-
concepção foi desenvolvida pelo Bionomics Ins- nifica também uma pequena parte de um pro-
titute (San Rafael, Califórnia, EUA) e a idéia cen- grama radiofônico.
tral é que os indivíduos, as organizações e os
mercados existem numa teia complexa e adap- BITRIBUTAÇÃO. Ocorre quando dois impos-
tativa na qual o progresso tecnológico é análogo tos, decretados por entidades diferentes, inci-
57 BLUE-CHIP

dem sobre o mesmo bem ou fato gerador. Um envolvendo mecanismos para o comércio de
caso típico é a superposição dos impostos de produtos agrícolas no âmbito do Gatt. Elaborado
dois ou mais países. Alguns países sujeitam ao em 1992 depois de exaustivas discussões envol-
Imposto de Renda os lucros e dividendos aufe- vendo especialmente interesses dos Estados
ridos no estrangeiro por cidadãos que conti- Unidos e da França, teve como principais obje-
nuam residindo no país. Como esses contribuin- tivos os seguintes: 1) transformar todas as bar-
tes também devem pagar o imposto no país reiras não-tarifárias (como a fixação de cotas)
onde a renda é gerada, ficam sujeitos à dupla em tarifas, que serão reduzidas em 36% para os
tributação. países industrializados e em 24% para os países
em desenvolvimento; 2) os países cujos merca-
BLACK. Termo em inglês cujo significado é “ne- dos agrícolas estão fechados terão de importar
gro”, geralmente utilizado no mundo dos negó- pelo menos 3% do consumo interno do produto,
cios para designar o mercado ilegal de moeda subindo para 5% num prazo de seis anos; 3) os
estrangeira (no Brasil, especialmente o dólar), subsídios aos produtos agrícolas que distorcem
mas também se aplica a mercadorias contraban- o comércio serão cortados em 20% num prazo
deadas ou que não podem ser vendidas sem de seis anos, e em 13,3% para os países em de-
uma licença especial do governo. O grau de le- senvolvimento; 4) o valor dos subsídios diretos
gitimidade desses mercados pode ser tão grande às exportações será reduzido em 36% em 6 anos,
que os principais orgãos de comunicação de um enquanto o volume será reduzido em 21%. O
país — como acontece no Brasil — divulgam as período base é 1986-1990 ou 1991-1992, caso as
cotações do Black, do Negro ou do Paralelo dia- exportações fossem mais elevadas naquele pe-
riamente. Veja também Mercado Negro; Mer- ríodo; 5) as nações mais pobres estarão isentas
cado Paralelo. dessas regras na área agrícola.
BLACK MONDAY. Expressão em inglês que BLANC, J.J. Charles Louis (1811-1882). Socia-
designa um dia da semana (no caso uma segun- lista francês e um dos líderes da revolução de
da-feira) em que houve uma forte queda na Bol- 1848. Defendia uma reforma social baseada na
sa de Valores de Nova York. Nesse caso, tra- criação de associações operárias de produção,
tou-se do dia 19 de outubro de 1987, quando a mas sob a égide do Estado. Segundo ele, a ri-
média Dow Jones caiu 508 pontos na Bolsa de queza produzida deveria ser repartida da se-
Nova York, provocando um início de pânico, guinte forma: 25% para um fundo de amortiza-
na medida em que os aplicadores acreditavam ção do capital, 25% para um fundo de seguro
que estava se iniciando uma crise semelhante à social, 25% para um fundo de reserva, 25% para
de 1929, fato que, na realidade, não aconteceu. repartir entre os trabalhadores. Escreveu as
Veja também Black Tuesday; Dow Jones; Pâ- obras: Organização do Trabalho (1840), História de
nico. Dez Anos (1841) e Direito ao Trabalho (1848).

BLACK SCHOLES MODEL. Fórmula matemá- BLISS POINT. Expressão em inglês que signi-
tica bastante utilizada na avaliação de preços fica “ponto de felicidade” ou de “êxtase”. Es-
de contratos de opção. O modelo tenta estabe- pecificamente na teoria do consumidor, refere-se
lecer se os contratos de opções estão com seus ao ponto em que este experimenta uma total
preços razoavelmente bem ajustados, mediante saciedade em relação aos bens consumidos, sen-
a comparação do preço do instrumento (opção) do que tal ponto se encontra dentro de suas li-
mitações orçamentárias. Ele só pode ser alcan-
e o preço (strike price) do exercício da opção, a
çado se o consumidor não agir de acordo com
volatilidade do instrumento, o tempo que resta
o “axioma da dominância”, isto é, se não preferir
até a data da opção, e as taxas correntes de juro.
sempre mais de todos os bens existentes. Veja
O modelo black scholes também foi adaptado
também Axiomas da Preferência.
para a gerência dos ativos-passivos dos bancos
e da precificação das taxas de juro caps and collors. BLOCK TRADE (Transação em Bloco). Expres-
são inglesa utilizada nas Bolsas de Valores para
BLACK TUESDAY (Terça-feira Negra). Dia designar um negócio que envolve um lote ex-
29/10/1929, data da grande quebra da Bolsa de traordinariamente grande de ações, de uma só
Valores de Nova York, quando o volume de vez.
transações dobrou e o Dow Jones caiu, no início
do pregão, de 252 para 238 e, no encerramento, BLUE — Best Linear Unbiased Estimator. Veja
para 212. Teorema de Gauss-Markov.

BLADING. Veja Bill of Lading. BLUE-CHIP. Termo em inglês utilizado no jar-


gão das Bolsas de Valores para designar as ações
BLAIR HOUSE (Plano). Plano estabelecido en- mais estáveis de maior liquidez, mais seguras
tre os Estados Unidos e a Comunidade Européia e de maior rentabilidade. São também chamadas
BLUE COLLARS 58

de Ações de Primeira Linha, para diferenciá-las ou desenvolvimento de projetos de engenharia,


das Ações de Segunda Linha, que são ações de bem como atuar como agente do BNDES. Veja
menor liquidez, de menor segurança e menos também BNDES.
procuradas pelos investidores. No Brasil, são
consideradas blue-chips as ações das grandes em- BNH — Banco Nacional da Habitação. Insti-
presas estatais como o Banco do Brasil, a Petro- tuição de crédito vinculada ao Ministério do In-
brás e a Vale do Rio Doce. terior, criada em 1964 para financiar a execução
do Plano Nacional da Habitação. Fornecia finan-
BLUE COLLARS. Expressão em inglês que sig- ciamento a curto prazo para os construtores de
nifica literalmente “colarinho azul” e designa moradias e a longo prazo para os compradores
aqueles trabalhadores de fábrica diretamente li- de casa própria. Atuava também no fornecimen-
gados à produção. Veja também White Collar. to de recursos na implantação de projetos de
infra-estrutura urbana, destinados a melhorar as
BLUE SKY BARGAINING. Expressão em in-
condições de moradia da população. Utilizava
glês utilizada especialmente nos Estados Unidos
no âmbito das negociações coletivas entre em- recursos provenientes do Fundo de Garantia por
pregados e empregadores, quando as reivindi- Tempo de Serviço (FGTS) e de letras imobiliárias
cações dos primeiros se fazem em bases total- lançadas no mercado financeiro. O BNH foi ex-
mente irrealistas. tinto pelo decreto-lei nº 2 291, de 21 de novem-
bro de 1986. A Caixa Econômica Federal sucedeu
BNDES — Banco Nacional de Desenvolvimen- ao BNH em todos os seus direitos e obrigações,
to Econômico e Social. Instituição financeira fe- incluindo a administração do seu passivo e ati-
deral criada em 1952 para fomentar o desenvol- vo, do pessoal, dos bens móveis e imóveis, na
vimento dos setores básicos da economia brasi- gestão do Fundo de Garantia do Tempo de Ser-
leira, nos planos público e privado. Surgiu como viço, do Fundo de Compensação de Variação
órgão técnico para executar o programa de rea- Salarial, do Fundo de Assistência Habitacional,
parelhamento econômico elaborado pela Comis- do Fundo de Apoio à Produção de Habitação
são Mista Brasil—Estados Unidos, e recebeu para a População de Baixa Renda e das opera-
auxílio do Banco Internacional para Reconstru- ções de crédito externo realizadas pelo BNH
ção e Desenvolvimento (Bird) e do Banco de Ex- com a garantia do Tesouro Nacional. Veja tam-
portação e Importação dos Estados Unidos bém SFH.
(Eximbank). Por decreto-lei presidencial de
25/5/1982, a instituição recebeu a responsabili- BODEMERIA. Termo muito antigo, já registra-
dade de gerir o então criado Fundo de Investi- do no Código de Hamurabi 1 800 anos antes de
mento Social (Finsocial) e teve a palavra “social” Cristo, e que consistia num empréstimo ou
acrescentada a seu nome. numa hipoteca contraída pelo proprietário de um
navio para financiar sua viagem. Se o navio nau-
BNDESPAR — BNDES Participações S.A. So- fragasse, o empréstimo não precisaria ser pago.
ciedade por ações, subsidiária do Banco Nacio- É uma das formas mais antigas de seguro ma-
nal de Desenvolvimento Econômico e Social rítimo e, durante a época romana, quando co-
(BNDES). Com sede em Brasília, objetiva pro- meçaram a surgir os seguradores, essa forma
porcionar apoio: 1) à dinamização e ao fortale-
continuava a ser praticada.
cimento das empresas nacionais que atuam nos
diversos setores da economia do país; 2) à trans- BODIN, Jean (1530-1596). Jurista francês da Re-
ferência, incorporação e desenvolvimento de tec- nascença, precursor do mercantilismo. Monge
nologia; 3) ao desenvolvimento gerencial das carmelita, deixou o convento para dedicar-se à
empresas nacionais; 4) ao fortalecimento do teoria do Estado e trabalhar como consultor do
mercado de capitais; 5) à execução de programas Parlamento de Paris e do duque de Anjou, um
e projetos correlatos. Esse apoio se dá, funda- dos líderes católicos franceses que propunham
mentalmente, por meio das seguintes formas de a unidade nacional em torno do poder real. Em
ação: participação no capital social das empresas seu clássico A República, 1576, Bodin estabeleceu
nacionais, mediante a subscrição e integraliza- a doutrina da soberania do Estado como poder
ção de ações e cotas, preferencialmente em pro- central independente das corporações, do Par-
porções minoritárias; financiamento a empresas lamento e do papado. Em economia política, Bo-
nacionais, a título de adiantamento de partici- din distinguiu-se por um avançado estudo sobre
pação societária; garantia de subscrição de ações a moeda: Réponse aux Paradoxes de Sire de Ma-
ou debêntures conversíveis em ações; aval nos lestroit (Resposta aos Paradoxos do Senhor de
empréstimos em moeda nacional ou estrangeira Malestroit), 1568. Nessa obra, sustentou que a
e outras formas de colaboração compatíveis com alta dos preços na França era devida principal-
o objetivo social da empresa. A BNDESPAR mente ao grande afluxo de ouro e prata do Novo
pode contratar em seu próprio nome a aquisição Mundo e não à política real. Tornou-se assim
59 BOISGUILLEBERT, Pierre de

um pioneiro da teoria quantitativa da moeda. feições de casa e não têm condições de aquecê-
Condenava ainda os monopólios e os gastos ex- las nos locais onde trabalham. Na região Nor-
cessivos das cortes e, embora fosse adepto de deste do país, são chamados de corumbas; no
uma autoridade central soberana, achava que ela sudeste, de volantes, birolos, peões etc.
deveria obter o “consentimento dos súditos”,
para os quais defendia o direito à propriedade BOICOTE. Termo derivado do nome do capitão
privada e à liberdade de comércio. inglês C. Boycott, um corretor de terras com
quem os irlandeses se recusaram a tratar durante
BOGEY. Termo em inglês utilizado nos Estados os motins de 1879-1881 desencadeados contra a
Unidos nos primórdios do sistema de pagamen- legislação fundiária inglesa. O termo generali-
to por peça ou por tarefa. Os trabalhadores fi- zou-se para designar hoje em dia qualquer re-
xavam uma meta de produção por conta própria cusa coletiva de consumidores e compradores
quando as taxas de pagamento por peça conti- de adquirir produtos de certas fontes ou em-
nham uma folga e restringiam o volume total presas por considerar os preços ou as condições
produzido, temendo que a administração redu- em que são vendidos extorsivos ou inaceitáveis.
zisse as taxas de pagamento por peça. O boicote pode acontecer também por parte dos
BÖHM-BAWERK, Eugen von (1851-1914). Es- sindicatos de trabalhadores, cujos membros se
tadista e economista austríaco, um dos expoen- recusam, por exemplo, a transportar produtos
tes da escola austríaca e do marginalismo, es- de uma empresa onde não se respeitam os di-
pecialista na teoria do capital e dos juros. Pro- reitos trabalhistas, ou de países onde se pratica
fessor de economia da Universidade de Viena, o apartheid. Atualmente, com a generalização das
foi deputado e ministro das Finanças de seu país lutas ecológicas para a proteção do meio am-
por duas vezes (1895-1898 e 1900-1904). Escre- biente, o boicote vem acontecendo em relação
veu Grundzüge der Theorie des Wirtschaftlichen Gü- a lojas que vendem, por exemplo, casacos de
terwertes (Elementos da Teoria do Valor Econô- pele oriundos de animais em extinção. Quando
mico dos Bens), 1886; Kapital und Kapitalzins (Ca- esse tipo de ação se reveste de base jurídica,
pital e Juros), 1884, e Positive Theorie des Kapitales como, por exemplo, a recusa da venda de armas
(Teoria Positiva do Capital), 1889. Para Böhm- para países onde não se respeitam os direitos
Bawerk, os juros são o resultado de mecanismos humanos, o procedimento é denominado “em-
psicológicos que levam o indivíduo a depreciar bargo”. Veja também Embargo.
o futuro e valorizar o presente; o juro seria, as-
BOILER ROOM. Expressão em inglês da gíria
sim, a diferença entre o maior valor que o in-
do mercado financeiro que significa um escri-
divíduo confere a um bem presente e o menor
valor que atribui ao bem futuro. A isso se acres- tório geralmente localizado em pontos de difícil
centam — segundo o autor — uma razão de acesso, utilizado por corretores inescrupulosos
ordem econômica (um capital imediatamente para entrar em contato com clientes da lista de
disponível vale mais que um não imediatamente “otários” tentando vender-lhes títulos, ações etc.
disponível) e uma razão de ordem técnica (o de elevado risco e de empresas de solvência du-
tempo exigido pelo processo de produção capi- vidosa.
talista). Com essa teoria, Böhm-Bawerk preten- BOISGUILLEBERT, Pierre de (1646-1714). Eco-
deu mostrar que o sistema capitalista repousa nomista francês, precursor dos fisiocratas, um
sobre leis naturais que não podem ser transgre- dos primeiros representantes do liberalismo eco-
didas quando se quer utilizar eficazmente as for- nômico. Autor de Le Détail de la France (A Par-
ças produtivas; pretendeu também combater as ticularidade da França), de 1697, e de Le Factum
teorias socialistas sobre a exploração da força
de la France (O Memorial da França), de 1707,
de trabalho pelo capital. Veja também Escola
em que critica acerbamente a política econômica
Austríaca; Marginalismo.
de Colbert, ministro das Finanças de Luís XIV.
BÓIA-FRIA. Denominação dada ao trabalhador Essas obras valeram-lhe o exílio e foram apreen-
agrícola que não tem emprego de caráter per- didas. Boisguillebert propunha uma reforma fis-
manente (com um mesmo empregador). O bóia- cal que abolisse grande parte dos impostos, por-
fria vive em condições muito precárias na peri- que para ele o consumo é a fonte da riqueza da
feria das cidades pequenas ou médias e trabalha nação e esta só pode aumentar na medida em
por curtos períodos de tempo em várias fazen- que aquele aumente também, o que só seria pos-
das, sendo contratado por intermediários. Por- sível com a supressão dos impostos que pesam
tanto, não tem vínculo empregatício com o seu sobre os consumidores. Defendendo medidas de
real empregador, que, por meio desse mecanis- proteção à agricultura, antecipou certas teses dos
mo, se exime de pagar os encargos sociais cor- fisiocratas. Outras obras: Traité des Grains (Tra-
respondentes. O nome bóia-fria origina-se do tado sobre os Cereais) e Dissertation sur la Nature
fato de que esses trabalhadores trazem suas re- des Richesses, de l’Argent et des Tributs (Disserta-
BOLETIM 60

ção sobre a Natureza das Riquezas, da Prata e York Futures Exchange, Sydney Futures Exchan-
dos Impostos), publicadas em 1712. ge (Austrália), The International Futures Ex-
change Ltd. (Bermudas), Financial Futures Mar-
BOLETIM. Resenha diária do movimento de ket, Montreal Stock Exchange (Montreal, Que-
uma Bolsa de Valores. Elementos essenciais dos bec), Toronto Stock Exchange Futures Market,
boletins das Bolsas são: o comportamento do Winnipeg Commodity Exchange, London Inter-
índice; a quantidade de negócios efetuados; o national Futures Exchange, London Metal Ex-
volume das transações expresso em moeda cor- change, Hong-Kong Commodity Exchange, To-
rente; a relação das ações que mais subiram, que kyo International Financial Futures Exchange e
mais baixaram, que foram mais negociadas; as Gold Exchange of Singapore. Veja também Mer-
cotações de abertura e de fechamento; os preços cado a Futuro; Mercado a Termo.
máximos e mínimos. Veja também Cotação.
BOLSA DE MERCADORIAS. Mercado centra-
BOLETO (ou Boleta). Documento de circulação lizado para transações com mercadorias, sobre-
interna das Bolsas de Valores, no qual se resu- tudo os produtos primários de maior importân-
mem os pormenores de uma operação. Os bo- cia no comércio internacional e no comércio in-
letos contêm informações sobre quem comprou, terno, como café, açúcar, algodão, cereais etc.
quem vendeu, os títulos ou ações negociados,
(as chamadas commodities). Realizando negócios
o preço, as condições da transação e as datas.
tanto com estoques existentes quanto com esto-
BOLHA DE CONSUMO. Ocorre quando o con- ques futuros, as Bolsas de Mercadorias exercem
sumo final cresce repentinamente, mas sem ter papel estabilizador no mercado, minimizando
condições de continuidade. Como uma bolha, as variações de preço provocadas pelas flutua-
tem existência efêmera. Por exemplo, no Brasil, ções da procura e reduzindo os riscos dos co-
logo após o Plano Cruzado, a estabilização dos merciantes. Com a expansão do comércio inter-
preços, a redução das taxas de juro, a elevação nacional no fim da Idade Média, surgiram, nos
episódica dos salários e a transferência de re- séculos XV e XVI, grandes corporações de co-
cursos antes aplicados nas Cadernetas de Pou- merciantes e banqueiros que criaram as primei-
pança para o consumo provocaram uma expan- ras Bolsas propriamente ditas: a de Bruges
são muito intensa deste, mas que não teve con- (1487), a de Antuérpia e a de Amsterdã (1561),
tinuidade nos meses subseqüentes. as de Lyon, Bordeaux e Marselha (1595), a de
Paris (1639). Essas Bolsas tiveram influência no
BOLÍVAR. Unidade monetária da Venezuela.
extraordinário crescimento do capitalismo co-
Submúltiplo: céntimo.
mercial dos séculos XVI e XVII. Na atualidade,
BOLIVIANO. Unidade monetária da Bolívia. as mais importantes bolsas de mercadorias do
Submúltiplo: centavo. mundo são as de Chicago, Nova York e Londres;
suas cotações regulam os preços de quase todo
BOLSA DE EMPREGOS. Organismo governa- o comércio internacional. No Brasil, a primeira
mental ou sindical destinado a centralizar infor- foi a Bolsa de Mercadorias do Rio de Janeiro,
mações sobre o número de empregos disponí- inaugurada em 1912, na qual se faziam negócios
veis no mercado de trabalho. As empresas for- de café, açúcar e algodão. Desativada no ano
necem à entidade interessada dados sobre as va- seguinte, em 1920 foi substituída pela Bolsa de
gas existentes e essas informações são transmi- Café, que servia também para transações de açú-
tidas aos trabalhadores desempregados. As Bol- car e de algodão. Em 1913, o governo do Estado
sas de Empregos foram criadas na Inglaterra no
de São Paulo criou a Bolsa de Café de Santos.
início do século XX, difundindo-se posterior-
Em 1917, abriu-se a Bolsa de Mercadorias de
mente para outros países europeus. No Brasil,
essa atividade está institucionalmente reservada São Paulo.
ao Ministério do Trabalho, por intermédio do BOLSA DE VALORES. Instituição em que se
Sistema Nacional de Empregos (Sine). negociam títulos e ações. As Bolsas de Valores
BOLSA DE FUTUROS. Mercado de commodi- são importantes nas economias de mercado por
ties onde os contratos de futuros em instrumen- permitirem a canalização rápida das poupanças
tos financeiros ou as mercadorias físicas, como para sua transformação em investimentos. E
o trigo e a soja, são comercializados. Ações e constituem, para os investidores, um meio prá-
opções também são comercializadas nessas Bol- tico de jogar lucrativamente com a compra e
sas. As mais importantes são as seguintes: Chi- venda de títulos e ações, escolhendo os momen-
cago Board of Trade, Chicago Mercantile Ex- tos adequados de baixa ou alta nas cotações.
change/International Monetary Market, Com- Em suas origens, as Bolsas de Valores confun-
modity Exchange Inc. (Nova York), Mid-Ame- diam-se com as Bolsas de Mercadorias, mas a
rica Commodity Exchange Inc. (Chicago), New partir do século XVIII, com o extraordinário au-
61 BOND RATING

mento das transações com valores mobiliários concorrentes e a conjuntura econômica do país.
e, sobretudo, com o surgimento e posterior de- Mas há uma influência fundamental exercida
senvolvimento das sociedades por ações, ini- também por circunstâncias psicológicas: por
ciou-se um processo de especialização do qual exemplo, um clima de exagerado otimismo em
resultou o aparecimento de Bolsas dedicadas ex- relação a determinada empresa pode levar à su-
clusivamente a operações com títulos e ações. pervalorização de suas ações. De situações como
Na atualidade, as mais importantes Bolsas de essa podem surgir distorções perigosas no mer-
Valores do mundo são as de Nova York, Lon- cado. A fim de conter excessos e manter sua
dres, Paris e Tóquio. No Brasil, antes de 1800 credibilidade, as Bolsas, com certa freqüência,
já se negociava com papéis, mas só em 1845 sur- estabelecem limites máximos para a valorização
giu a primeira regulamentação governamental. dos papéis negociados. Além disso, as Bolsas
O Código Comercial Brasileiro de 1850 refere-se têm o dever de orientar os investidores por meio
às “praças de comércio”, precursoras das atuais de revistas, boletins, conferências que informem
Bolsas. Em 1893, estabeleceu-se a primeira Bolsa: sobre dados, tais como o comportamento das
a Bolsa de Fundos Públicos, com sede no Rio ações, as quantidades de compra e venda e os
de Janeiro. Atualmente, as mais importantes bol- índices de liquidez e rentabilidade de cada pa-
sas do país, pela ordem, são as de São Paulo, pel. No Brasil, a atividade das Bolsas é fiscali-
do Rio de Janeiro e de Porto Alegre. Duas fases zada pela Comissão de Valores Mobiliários, do
distintas marcam o funcionamento diário de Ministério da Fazenda. A partir de 15 de março
uma Bolsa de Valores: a da fixação das cotações de 1990, com o Plano Collor, segundo a medida
por anúncio (ou por chamada) e a da fixação provisória de nº 162, os papéis da Bolsa de Va-
por oposição. A primeira fase consiste num pre- lores, até então isentos, passaram a sofrer a in-
gão, em que os interessados declaram em voz cidência de 25% do Imposto de Renda sobre os
alta os preços que estão dispostos a pagar (ou ganhos líquidos do capital. Veja também Ação;
receber) pelos papéis que lhes interessam (ou Bolsa de Mercadorias; Bolsa de Valores de
queiram vender): trata-se, portanto, de um lei- Nova York; CNBV; Mercado de Capitais; Tí-
lão, no qual a regra básica é o encontro da oferta tulos; Wall Street.
e da procura. Terminada a primeira fase, inicia- BOLSA DE VALORES DE NOVA YORK. A
se a da fixação das cotações por oposição: a fim maior e mais importante Bolsa de Valores do
de conter uma possível flutuação extremada dos mundo, localizada no nº 11 da Wall Street, em
preços, a direção da Bolsa coteja (daí a expressão Nova York. Também conhecida como Big Board,
por oposição) os preços da primeira fase e fixa inclui as trinta empresas que formam o Dow
a cotação de cada papel para o restante do dia, Jones. Ela é auto-regulada por um conselho de
de tal forma que nenhum negócio poderá ser 20 membros que acompanha e regula as ativi-
feito fora da cotação estabelecida. As transações dades comerciais de seus 1 300 membros. Veja
podem ser feitas a pronto (também chamadas também Dow Jones.
à vista) ou a termo (a prazo). Na primeira mo-
dalidade, os papéis negociados são entregues BOM. Iniciais da expressão em inglês beginning
imediatamente após o registro da transação na of month, que significa “início do mês” e designa
Bolsa. Na segunda, os papéis só são entregues a posição no mês em que um pagamento deverá
ao fim de um prazo estabelecido pelas partes; ser efetuado, ou um título pago ou um compro-
entre a compra e a entrega, o comprador pode misso saldado.
revender os papéis que adquiriu, com isso ga-
nhando ou perdendo conforme as oscilações da BONA FIDE. Expressão latina que significa li-
cotação nesse período. Os negócios nas Bolsas teralmente “boa fé”. Utilizada na prática de ne-
não podem ser feitos diretamente por qualquer gócios entre empresas, bancos etc. quando um
pessoa ou empresa. Cada Bolsa de Valores cre- registro ou lançamento errado é feito de maneira
dencia certo número de pessoas, os corretores, não intencional.
que funcionam como intermediários entre com- BONA MONETAS. Veja Moeda de Boa Lei.
pradores e vendedores. São eles o centro ner-
voso do sistema, pelo conhecimento aprofunda- BOND RATING. Expressão em inglês utilizada
do que possuem dos títulos existentes no mer- no mercado financeiro para a qualificação de tí-
cado. O mercado da Bolsa é regulado, em pri- tulos transacionados no mercado. A classificação
meiro lugar, por fatores econômicos mais obje- desses papéis é realizada por várias empresas,
tivos, tais como a situação real da empresa que mas as que têm maior tradição e respeitabilidade
põe seus papéis à venda, suas condições de pro- são a Standard & Poor’s e a Moody’s Investors
dução e comercialização, a capacidade adminis- Service. As formas de classificação de títulos
trativa de sua direção, a situação das empresas dessas empresas são as seguintes:
BONIFICAÇÃO 62

Standard Moody’s peculação, especialmente de ações e títulos.


& Poor’s Investors Service Como o nível geral dos negócios apresenta uma
Da Mais Alta Qualidade AAA Aaa tendência à flutuação, variando segundo fatores
De Alta Qualidade AAA Aaa econômicos e também políticos e sociais, um pe-
Acima da Média AAA Aaa ríodo de prosperidade econômica ou boom é ge-
ralmente seguido de momentos de recessão ou,
Médios BBB Baa
às vezes, de crise profunda ou depressão. Foi o
Predominantemente Especu- BBA Baa
lativos
que ocorreu em 1929, quando chegava ao fim o
movimento ascendente de um ciclo econômico
Especulativos de Baixo Nível BAA Baa
nas sociedades capitalistas, tendo início a de-
Baixa Qualidade CCC Caa pressão mais grave que o mundo capitalista já
Altamente Especulativos CCA Caa sofreu. Veja também Ciclo Econômico; Depres-
Pior Qualidade sem pagamen- CAA Caa são Econômica.
to de juros
Em Default DDD BOPAL. Veja Bhopal.
Em Arrears DDA BORDERÔ. Palavra de origem francesa utiliza-
Valor Duvidoso DAA da na terminologia bancária brasileira para de-
signar a relação de títulos de crédito que o clien-
Veja Também Default. te leva ao banco para realizar uma operação de
desconto ou cobrança, entre outras.
BONIFICAÇÃO. Vantagem concedida pelo ven-
dedor ao comprador, seja pela diminuição do BORRACHA. Veja Ciclo da Borracha.
preço da mercadoria vendida, seja pela entrega
de uma quantidade maior que a estipulada. No BÖRSENORDNUNG. Termo em alemão que
mercado de ações, bonificação é a distribuição designa os regulamentos aplicados nas Bolsas
gratuita de ações novas aos acionistas (na pro- de Valores da Alemanha.
porção da quantidade de ações já possuídas por
BORTKIEWICZ, Ladislaus Von (1868-1931).
cada acionista) em virtude da incorporação ao
Nasceu em São Petersburgo, Rússia, de uma fa-
capital de reservas ou lucros acumulados ou da
mília de origem polonesa, e estudou na Univer-
reavaliação do ativo de uma empresa.
sidade de Estrasburgo. Lecionou durante 30
BONUM COMMUNIONIS. Expressão em la- anos na Universidade de Berlim. A obra de Bort-
tim que significa “bem comum” e é interpretada kiewicz abrange um leque bem amplo de as-
pelos utilitaristas como uma soma aritmética de suntos envolvendo a estatística, a economia e a
todos os indivíduos. Veja também Utilitarismo. matemática, entre outros. Foi considerado um
dos grandes acadêmicos de seu tempo no campo
BÔNUS. Bonificação em ações concedida aos da metodologia estatística. Sua “lei dos peque-
acionistas de uma empresa quando esta aumen- nos números” ou “eventos raros” (Das Gesetz
ta seu capital. Às vezes, a distribuição de bônus der Kleinem Zählen), de 1898, chamou muita aten-
faz-se por sorteio, como forma de incentivar a ção científica e desencadeou uma acirrada po-
venda das ações da empresa. No Brasil, bônus lêmica no Giornale degli Economisti (1907-1909),
são também os títulos de dívida pública emiti- em particular devido à aplicação dessa lei aos
dos em séries ao portador e com vencimento 280 soldados prussianos mortos por coices de
em data predeterminada; servem para pagamen- seus cavalos entre 1874-1894. No campo da eco-
to de débitos fiscais e são uma forma de o go- nomia, as contribuições de Bortkiewicz abran-
verno antecipar a receita. geram da teoria do valor à teoria e política mo-
netárias. Suas críticas à teoria dos juros de
BÔNUS DE SAÍDA. Veja Exit Bonds. Böhm-Bawerk, Der Kardinalfehler der Böhm-Ba-
werk Zinstheorie (O Principal Erro da Teoria dos
BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO. São títulos nego-
Juros de Böhm-Bawerk), foram publicadas em
ciáveis que conferem ao titular direito de subs-
1906. Bortkiewicz acreditava que as teses apre-
crever ações. Podem ter como finalidade a venda
sentadas pela “teoria da produtividade” (do ca-
de ações ou debêntures, contribuindo para pro-
pital) haviam sido definitivamente refutadas por
gramar e/ou agilizar um aumento de capital.
Böhm-Bawerk, mas a explicação alternativa des-
BOODLE. Termo em inglês, utilizado especial- te também não era satisfatória. De acordo com
mente na Inglaterra, para designar dinheiro fal- Böhm-Bawerk, métodos de produção mais lon-
sificado ou oriundo de atividades ilícitas. gos eram tecnicamente mais produtivos do que
métodos mais curtos, de tal forma que bens de
BOOM. “Explosão” em inglês: período de rá- capital atuais poderiam proporcionar maiores
pida e elevada expansão das atividades econô- quantidades de bens de consumo do que capitais
micas, geralmente acompanhado de grande es- futuros: eis aí a fonte do juro do capital. Mas,
63 BOULWARISMO

argumenta Bortkiewicz, se compararmos dois BOTERO, Giovanni (1540-1617). Economista ita-


investimentos, do mesmo montante e composi- liano da Renascença, defensor do mercantilismo
ção e iniciados em momentos diferentes com a e do industrialismo. Em sua obra Delle Cause
mesma eficiência, cada um deles produzirá a della Grandezza e Magnificenza delle Città (Sobre
mesma quantidade de produto, só que em mo- as Causas da Grandeza e da Magnificência das
mentos diferentes. Portanto, a superioridade ale- Cidades), 1558, critica as idéias do inglês John
gada por Böhm-Bawerk dos bens de capital pre- Halles, seu contemporâneo, defendendo a tese
sentes sobre os futuros não passa de um simples de que o número de habitantes de um país de-
intervalo de tempo, o que, por si só, não explica pende da massa de meios de subsistência dis-
a origem dos juros. Em seguida, Bortkiewicz tra- poníveis. Com isso foi, de certa forma, um pre-
ta de uma outra explicação proposta por Böhm- cursor de Malthus. Aconselhava também que se
Bawerk: a escassez de capital. A crítica é que incrementasse, ao lado da agricultura, a produ-
tal escassez só pode ser temporária e devida a ção industrial.
erros de previsão. Uma vez que o capital, de
acordo com Böhm-Bawerk, não é outra coisa que BOTTOM FISHER. Expressão em inglês que
“um produto intermediário”, a ação dos meca- significa literalmente “pescador de fundo do
nismos de mercado nivelariam a escassez ou ex- poço”, isto é, aquele que busca comprar títulos
cessos dos diferentes capitais nos diferentes se- cujos preços atingiram seus níveis mais baixos
tores.As críticas a Böhm-Bawerk levaram Bort- antes do início de uma esperada recuperação.
kiewicz a examinar as críticas daquele a Marx, Esse tipo de operação pode ocorrer com empre-
sobre a origem do lucro e sobre a questão da sas que estejam no limiar da falência, o que torna
transformação de valores em preços de produ- essas operações de alto risco.
ção. Apoiando-se nas contribuições de Tugan- BOTTOMRY. Termo em inglês que significa o
Barankowsky (1905) sobre o tema, Bortkiewicz ato de tomar dinheiro emprestado dando como
desenvolve uma sugestão, indicada pelo próprio garantia um navio ou sua carga.
Marx, de que o valor do capital constante e do
capital variável deveria ser transformado em BOULDING, Kenneth Ewart (1910- ). Econo-
preços, da mesma maneira que o valor do pro- mista inglês radicado nos Estados Unidos, liga-
duto. Dessa forma, poder-se-ia determinar si- do à escola institucionalista, estudou a influência
multaneamente preços e taxa de lucro. Apesar de fatores psicológicos e sociológicos na vida
de todos esses enfoques, não se deve concluir econômica. Seguindo a linha de pensamento de
que Bortkiewicz tivesse uma posição objetivista Veblen, Boulding propôs uma nova dimensão
em teoria econômica. Admitia que tanto as in- para a economia que abrangesse as estruturas
fluências objetivas como subjetivas (marginalis- sociais. Em sua principal obra, The Reconstruction
tas) deveriam ser consideradas na determinação of Economics (A Reconstrução da Economia), de
dos preços. Quanto à origem do lucro (e dos ju- 1950, salientou a função dos estoques, em vez
ros), sustentava que Marx tivera a visão correta dos fluxos, propondo uma macroteoria da dis-
de que o lucro tem origem na mais-valia, o que tribuição. Também enfatizou o papel social do
permite que as mercadorias sejam trocadas por empresário. Trabalhando numa perspectiva teó-
seu valor. Isto é, o lucro não surgiria da elevação rica de evolução econômica, Boulding propôs
do preço de uma mercadoria no momento de ainda a integração da economia a conceitos
sua venda, nem devido aos “serviços produtivos como o de equilíbrio ecológico e dinâmica bio-
do capital”. Bortkiewicz não considera o lucro, lógica. Considera que, além do sistema de trocas,
no entanto, como o fruto da exploração, mas a vida social se organiza segundo um sistema
como uma “dedução” do valor de uma merca- de desequilíbrio e um sistema integrativo. Sus-
doria. tentou que a política econômica não pode ser
julgada apenas por critérios econômicos. E, em
BOT. Iniciais das seguintes expressões em in- seu primeiro livro, Economic Analysis (Análise
glês: 1) build, operate and transfer (“construir, ope- Econômica), 1941, procurou sintetizar a teoria eco-
rar e transferir”), que significa tipos de contratos nômica neoclássica e keynesiana num só corpo
entre o setor público e o setor privado, no qual teórico. Foi professor das universidades de Mi-
este último constrói e opera um determinado chigan e Colorado. Escreveu ainda The Image (A
serviço público, como, por exemplo, o forneci- Imagem), 1956; Conflict and Defense (Conflito e De-
mento de água, energia elétrica ou transporte e, fesa), 1962, e Ecodynamics (Ecodinâmica), 1978.
posteriormente (depois de amortizado o inves-
timento), transfere ao setor público a obra; 2) BOULWARISMO. Forma de negociação de
abreviação inglesa do termo “comprado”; 3) ini- acordos coletivos de trabalho iniciada por Le-
ciais de Balance of Trade (Balança Comercial); muel Boulware, antigo vice-presidente para rela-
4) iniciais de Board of Trustees (Conselho de ções industriais da General Electric (Estados
Curadores). Unidos) e que consistia em fazer uma proposta
BOURBON 64

da empresa ao sindicato da categoria de traba- ou aproximadamente 2,20 m. Na Alemanha, cor-


lhadores ou, passando por cima deste, dirigir-se respondia ao faden e media 1,80 m. Veja também
diretamente aos trabalhadores e recusar-se a Unidades de Pesos e Medidas; Sistemas de Pe-
prosseguir negociando, na base do “pegar ou sos e Medidas.
largar”. Essa prática foi considerada contrária
ao êxito das negociações pela Junta Nacional de BRACEAGEM (Brassagem). Pagamento feito à
Relações de Trabalho dos Estados Unidos, e con- autoridade emissora pela cunhagem de moeda
trária ao espírito da Lei Taft-Hartley, isto é, con- metálica quando o montante cobre apenas o cus-
siderando que o processo de negociação coletiva to da fabricação da moeda. Quando o montante
sobre os termos e as condições de trabalho têm excede este custo, o pagamento passa a chamar-
como fundamentos a boa-fé, o compromisso e se senhoriagem. Veja também Senhoriagem.
concessões mútuas. Veja também Taft-Hartley
BRACERO (Sistema). Programa iniciado du-
(Lei).
rante a Segunda Guerra Mundial nos Estados
BOURBON. Variedade de café desenvolvida no Unidos para compensar a falta de mão-de-obra
Brasil e que se apresenta como: Bourbon Ama- na agricultura americana. Consistiu na impor-
relo (tem todas as características do Bourbon Co- tação de mão-de-obra mexicana (os braceros), a
mum, só que o fruto é amarelo), Bourbon Ca- fim de que os salários não subissem em demasia
turra (uma variedade de elevada produção, de nos períodos de colheita, especialmente nos Es-
arbusto pequeno e resistente ao sol), Bourbon tados do Texas e da Califórnia. Desde então, o
Pontiagudo (crescimento lento do arbusto e de termo designa mão-de-obra não especializada
baixa produtividade), Bourbon Santos (denomi- de trabalhadores agrícolas. Esses trabalhadores
nação do café cuja origem é a semente Moka; também foram denominados espaldas mojadas
depois do terceiro ou quarto ano de colheita, a (“costas molhadas”), sendo que, para migrar du-
semente muda de formato, tornando-se menos rante a época de colheita nos Estados Unidos,
arredondada e mais plana, recebendo a deno- tinham de atravessar, geralmente de forma clan-
minação de Flat Bean Santos, sendo um café ba- destina, o rio Grande, que separa os dois países.
rato e utilizado para mesclas.
BRACIAGEM. Veja Braceagem.
BOURSE. Termo em francês que significa Bolsa
ou o lugar onde são transacionados títulos, mer- BRADIES. Bônus da dívida brasileira apelida-
cadorias ou força de trabalho (Bourses du Tra- dos de bradies logo após a adesão do Brasil ao
Plano Brady, em 1994. O Plano Brady foi idea-
vail). A palavra tem origem na denominação do
lizado por Nicholas Brady, ex-secretário do Te-
lugar onde, durante o século XVI, eram feitas
souro dos Estados Unidos. Ele conseguiu refi-
transações cambiais e comerciais: o hotel da fa-
nanciar vários países endividados ao propor aos
mília Van der Burse.
bancos credores que abrissem mão de uma parte
BOX. Termo em inglês que significa “caixa”, dos créditos a receber em troca de novos títulos
onde eram guardados os comprovantes da ope- lastreados por papéis do Tesouro dos Estados
ração homônima. Na prática financeira, significa Unidos, considerados de risco zero pelo merca-
uma operação de tesouraria de captação ou apli- do. O Brasil emitiu cerca de US$ 50 bilhões de
cação de recursos que é realizada mediante a bradies. No mercado internacional da dívida ex-
combinação de várias operações de compra e terna brasileira, há nove tipos de papéis dife-
venda de opções, consistindo em: 1) compra de rentes — conhecidos por nomes diversos e que
opção de compra; 2) venda de opção de compra; se dividem em várias modalidades —, quais se-
3) compra de opção de venda; 4) venda de opção jam: Exit Bonds: valor de 1 bilhão de dólares,
de venda, com o mesmo vencimento, embora emissão em setembro de 1989, vencimento em
com preços de exercício e prêmios diferentes. A setembro de 2013, em 30 parcelas semestrais
captação ou aplicação de recursos é o resultado iguais a partir de março de 1999, juros de 6%;
IDU (Interest Due and Unpaid): valor total de 7,2
líquido dos prêmios recebidos e pagos. As ope-
bilhões de dólares, emissão em janeiro de 1991,
rações que envolvem um box são negociadas em
vencimento em janeiro de 2001, em 15 parcelas
conjunto nas Bolsas de Valores.
desiguais a partir de janeiro de 1994, juros va-
BOY. Iniciais de beginning of year, expressão em riando entre 7,8125 e Libor semestral + 0,8125%
inglês que significa “começo do ano” e designa (pre-Brady Bonds); Par Bonds (Bônus ao Par): valor
o momento no qual uma dívida deverá ser paga total de 10,5 bilhões de dólares, emissão em abril
ou um compromisso saldado. de 1994, vencimento em abril de 2024, juros va-
riando de 4% a 6%, amortizações em 60 parcelas
BRAÇA. Medida de comprimento utilizada pela semestrais; DCB (Debt Convertion Bond): valor to-
Casa da Moeda do Brasil, antes da adoção do tal de 8,5 bilhões de dólares, emissão em abril
Sistema Métrico Decimal, e equivalente a 2 varas de 1994, vencimento em abril de 2012, em 17
65 BRAND BOND

parcelas semestrais a partir de abril de 2004, ju- BRAIN DRAIN. Expressão em inglês que sig-
ros Libor semestral + 0,875%; FLIRB (Front-Loaded nifica “fuga de cérebros”, isto é, a emigração de
Interest Reduction Bond): valor total de 1,7 bilhão um país para outro de cientistas e pessoal alta-
de dólares, emissão em abril de 1994, vencimen- mente qualificado. Este fato se dá seja por razões
to em abril de 2009, em 13 parcelas semestrais econômicas, quando a remuneração no país de
a partir de abril de 2003, juros variando entre destino é muito superior à recebida no país de
4% e Libor semestral + 0,8125%; C-BOND (Front- origem e as condições de trabalho (acesso a equi-
Loaded Interest Reduction with Capitalization Bond): pamentos materiais etc.) são também superiores,
valor total de 7,4 bilhões de dólares, emissão seja por razões políticas, quando a intolerância
em abril de 1994, vencimento em abril de 2014, se traduz em perseguições, tornando a vida des-
em 21 parcelas semestrais a partir de abril de ses cientistas insegura. Um dos casos mais fa-
2004, juros crescentes a partir de 4% para as pri- mosos de brain drain foi a emigração de Albert
meiras parcelas e de até 8% para as últimas; EI Einstein para os Estados Unidos, a fim de esca-
BOND (Eligible Interest Bond): valor total de 4,3 par da perseguição dos nazistas contra os judeus
bilhões de dólares, emissão em abril de 1994, na Alemanha a partir de 1933. O Brasil também
vencimento em abril de 2006, em 19 parcelas sofreu um brain drain durante os anos da dita-
semestrais a partir de abril de 1997, com mon- dura militar, mas as razões políticas, com a aber-
tantes variando entre 1% para as primeiras e tura democrática do final dos anos 70, cede lugar
8% para as últimas, juros Libor semestral + à emigração por razões econômicas, provocada
0,8125; DISCOUNT BONDS Series Z: valor total pela crise econômica dos anos 80.
de 7,3 bilhões de dólares, emissão em abril de
1994, vencimento em abril de 2024, o valor total BRAINSTORMING. Termo em inglês que sig-
nifica, literalmente, tempestade ou tormenta ce-
no vencimento, juros Libor semestral + 0,8125;
rebral, isto é, um esforço concentrado da inteli-
NMBs (New Money Bonds): valor total de 2,1 bi-
gência do pessoal mais qualificado de uma em-
lhões de dólares, emissão em abril de 1994, ven-
presa na busca da solução de um problema. Ge-
cimento em maio de 2009, em 17 parcelas se-
ralmente é utilizado quando, por exemplo, uma
mestrais a partir de abril de 2001, juros Libor
empresa deseja encontrar o melhor nome para
semestral + 0,8125 (e mais 670 milhões de dó-
um produto novo, com determinadas caracte-
lares emitidos em outubro de 1988, com venci-
rísticas etc. Um dos traços mais destacados do
mento em outubro de 1999, em 14 parcelas se-
brainstorming é o estímulo para que cada um
mestrais a partir de abril de 1993 e juros Libor
apresente suas sugestões sem inibição e que ne-
semestral + 0,8125 (chamados de Old New Money
nhum membro do grupo se dedique mais em
Bonds). Veja também Plano Brady; Pre-Brady
criticar as propostas alheias do que em apresen-
Bonds; TJLP.
tar as suas próprias. Este método de produção
BRADY. Veja Plano Brady. de idéias foi desenvolvido nos Estados Unidos
depois da crise de 1929 e supõe que as pessoas
BRAGA, Cincinato César da Silva (1864-1953). designadas se mantenham num mesmo espaço
Nasceu em Piracicaba (SP) de uma família tra- e durante determinado tempo. As melhores
dicional e ingressou na Faculdade de Direito em idéias são selecionadas e aperfeiçoadas, sendo
1881, formando-se em 1886. Ainda como estu- então preparadas para serem adotadas ou não
dante, participou da Confederação Abolicionista pela administração da empresa. Quando o ob-
Acadêmica, e, depois, como advogado, envol- jetivo é avaliar os problemas que uma solução
veu-se abertamente nas campanhas em favor da provocará, o processo é chamado de “brainstor-
República e da Abolição da Escravatura. Elegeu- ming invertido”. Para evitar a desorganização
se à Assembléia Constituinte de São Paulo em ou a participação daqueles que têm dificuldades
1891, e, no ano seguinte, a deputado federal. na verbalização de idéias, estas são apresentadas
Tornou a se eleger deputado federal por São por escrito e o método é chamado de brainwri-
Paulo em 1894, 1897 e 1900. Na Câmara Federal, ting.
Cincinato Braga participou das Comissões de
Constituição e Justiça, Diplomacia e Tratados, e BRAINSTORMING INVERTIDO. Veja Brains-
de Finanças, tendo sido relator de diversos or- torming.
çamentos. Não conseguindo reeleger-se em BRAINWRITING. Veja Brainstorming.
1902, fundou no ano seguinte, com outras per-
sonalidades, uma sociedade para explorar ter- BRAND BOND. Expressão em inglês que sig-
renos na capital do Estado. Essa empresa ad- nifica “título de marca”, isto é, título emitido
quiriu várias áreas nos bairros do Pacaembu, sobre uma marca de grande aceitação e que por
Jardim América e outros, para logo em seguida si só constitui um valor intangível ou ativo in-
transferi-los a capitais ingleses que formaram a tangível. Por exemplo, marcas mundiais como
Companhia City de São Paulo. a Coca-Cola, que valem bilhões de dólares.
BRANQUEAMENTO 66

BRANQUEAMENTO. Veja Lavagem. segue bilheterias que proporcionem uma receita


dessa magnitude.
BRASIL-DEPENDÊNCIA. Expressão criada no
âmbito das relações comerciais Brasil-Argentina BREAK POINT. Veja Ponto de Corte.
no interior do Mercosul e que designa uma si-
tuação na qual a Argentina seria muito mais de- BREAKING DEPOSIT. Expressão em inglês que
pendente do Brasil (pois mantém uma balança significa a retirada de fundos de uma aplicação
comercial favorável) do que o Brasil em relação antes de seu prazo de vencimento. Geralmente
à Argentina. Veja também Balança Comercial; essa ação não dá lugar ao recebimento dos ren-
Mercosul. dimentos proporcionais ao tempo em que os re-
cursos foram aplicados, e vem acompanhada em
BRASSAGEM. Veja Braceagem. alguns casos de multa.

BRAVERMAN, Harry (1920-1976). De origem BRENTANO, Lujo (Ludwig Josef) (1844-1931).


operária, não conseguiu obter, por problemas Nasceu na Alemanha e estudou Economia em
financeiros, educação superior. Trabalhou como Heidelberg e Gottingen. A partir de 1871, ensi-
operário especializado na indústria siderúrgica nou economia política em Berlim, Breslau, Vie-
e envolveu-se na vida sindical e no movimento na, Leipzig e Munique. Um fato decisivo em
socialista. Ajudou a fundar o jornal The American sua carreira foi a participação no Seminário de
Socialist em 1954 e trabalhou como seu co-editor Estatística vinculado ao Instituto Prussiano de
por cinco anos. Em 1967, tornou-se diretor-ad- Estatística. Seu diretor era Ernst Engel, cujo in-
ministrativo da revista Monthly Review Press, teresse nas condições sociais da classe trabalha-
onde trabalhou até o seu falecimento. Sua obra dora teve grande influência sobre Brentano. En-
mais conhecida, Trabalho e Capital Monopolista gel defendia um esquema de participação nos
(1974), é um estudo clássico a respeito do pro- lucros como forma de resolver a questão social.
cesso de trabalho na produção capitalista. Nela, Em 1868, Brentano o acompanhou a uma visita
o autor destaca, em primeiro lugar, os esforços à Inglaterra, onde estudou os efeitos dessa me-
da gerência em obter controle crescente sobre o dida. Mas a experiência o convenceu da inade-
processo de trabalho, com o intuito de raciona- quação da participação nos lucros para a refor-
lizar a produção e extrair mais valor dos traba- ma do capitalismo, sugerindo outra alternativa:
lhadores produtivos. Em segundo lugar, que es- a melhoria da posição do trabalhador no mer-
ses esforços da gerência levam inevitavelmente cado de trabalho pela criação de sindicatos.
à homogeneização das tarefas e à redução da Brentano acreditava que essa era a única ma-
capacitação necessária nos empregos produti- neira de assegurar à classe trabalhadora maior
vos. Em terceiro lugar, que essa tendência se participação no crescimento geral da riqueza. In-
aplica aos estágios mais avançados do desen- teressou-se pela história dos sindicatos, que ras-
volvimento capitalista, com a proliferação de treou até as corporações de ofício (guildas) me-
empregos de escritório (colarinho-branco). Em- dievais em seu livro On the History and Develop-
bora as duas últimas tendências sejam discutí- ment of Guilds, and the Origin of Trade Unions
veis, não resta dúvida de que a primeira ajudou (Sobre a História do Desenvolvimento das Guil-
a recuperar e a estimular a análise marxista dos das e a Origem dos Sindicatos). Outro ponto
processos de trabalho. analisado e de grande interesse foram as dis-
cussões sobre os efeitos positivos na produtivi-
BRAZILIAN DEPOSITARY RECEIPTS. Veja dade da redução da jornada de trabalho. Ele
American Depositary Receipts. também considerava a introdução de um siste-
ma geral de seguridade social um ponto inte-
BREAK EVEN. Expressão em inglês do merca-
ressante para a reforma do capitalismo. Como
do financeiro utilizada quando uma transação
pretendia resolver a questão social sempre nos
de compra ou venda de títulos se realiza sem limites do sistema econômico existente, rejeitava
lucro ou prejuízo. as posições de Marx e dos social-democratas ale-
BREAK EVEN POINT. Veja Ponto de Equilí- mães do século XIX. Enfatizava que as condições
brio. desiguais da existência material eram absoluta-
mente necessárias para o desenvolvimento da
BREAK EVEN RULE. Expressão em inglês uti- humanidade. Outros campos de estudo de Bren-
lizada na indústria cinematográfica que designa tano foram as teorias da população de Malthus
a regra de que um filme deve gerar de receita e a teoria do valor, tendo ele se inclinado pela
aproximadamente 3 vezes seu custo de produ- concepção marginalista. Durante a República de
ção para alcançar o ponto de equilíbrio econô- Weimar, permaneceu preocupado com a política
mico-financeiro. Esta regra é na verdade mais social, especialmente com a luta pela jornada de
uma exceção, pois a maioria dos filmes não con- oito horas.
67 BUFFER

BRESSER PEREIRA, Luís Carlos (1934- ). Ba- BROKER. Veja Stock Broker.
charel em Direito, doutor pela Faculdade de Eco-
nomia e Administração da Universidade de São BROOK FARM. Comunidade agrícola fundada
Paulo (USP) e livre-docente na mesma univer- em 1841, em West Roxbury, Massachusetts, Es-
sidade a partir de 1984, é também professor-ti- tados Unidos, pelo casal George e Sophia Ripley.
tular da Escola de Administração de Empresas Inspirada no igualitarismo de Fourier, Brook
da Fundação Getúlio Vargas, onde leciona desde Farm organizou-se segundo o sistema do falans-
1959. Membro do Cebrap desde 1970, fundou, tério. A experiência, que recebeu o apoio de in-
no início dos anos 80, a Revista de Economia Po- telectuais como Nathaniel Hawthorne e Ralph
lítica. Diretor administrativo do Grupo Pão de Waldo Emerson, terminou em 1847, devido a pro-
Açúcar (1963-1983), presidente do Banespa blemas financeiros. Veja também Falanstério.
(1983-1985) e secretário de governo durante a BROOKINGS-SSRC. Veja Macromodelo; Mo-
gestão de Franco Montoro, em abril de 1987 as- delo Brookings.
sumiu o Ministério da Fazenda em substituição
a Dílson Funaro, tendo permanecido no cargo BTN — Bônus do Tesouro Nacional. Criado
até dezembro do mesmo ano. Em sua gestão no pela medida provisória nº 48, este título teve
Ministério da Fazenda deu prosseguimento, em- seu valor fixado em 1 cruzado novo, retroativo
bora com algumas modificações, à linha hete- a 1º de fevereiro de 1989. Ele é corrigido pela
rodoxa de seu antecessor, implementando uma inflação medida pelo IPC. Na realidade, o BTN
série de medidas denominadas Plano de Con- dá continuidade à extinta OTN sem, no entanto,
trole Macroeconômico, mais conhecido como considerar a inflação do mês de janeiro de 1989.
Plano Bresser. O fracasso do plano para conter Com o fim da correção monetária, o Bônus do
a inflação precipitou sua demissão em dezembro Tesouro Nacional foi oficialmente extinto em 1º
de 1987. Em 1995, assumiu como ministro a Se- de fevereiro de 1991. O valor de um BTN, no
cretaria de Administração Federal (SAF), deno- dia da promulgação da medida, era de 126,8621
minada Ministério da Administração e Reforma cruzeiros. BTN representa também as iniciais de
do Estado (MARE) no governo Fernando Hen- Brussels Tariff Nomenclature, que consiste num
rique Cardoso. Entre seus livros destacam-se: sistema de classificação comercial para finalida-
Desenvolvimento e Crise no Brasil (1969), Tecnobu- des alfandegárias. Atualmente, mais de 100 paí-
rocracia e Contestação (1972), Estado e Subdesen- ses aceitam esta classificação. Veja também Pla-
volvimento Industrializado (1977), Inflação e Reces- no Verão.
são (1984), em co-autoria com Yoshiaki Nakano,
e Lucro, Acumulação e Crise (1986). BÜCHER, Karl (1847-1930). Historiador e eco-
nomista alemão, representante da Jovem Escola
BRETTON WOODS. Veja Conferência de Bret- Histórica, que é basicamente descritiva. Bücher
ton Woods. fez uma periodização da história econômica em
três fases: economia doméstica fechada (autar-
BRIBOR. Veja Ibor.
quia sem trocas), economia urbana (permuta
BRIDGE-LOAN. Veja Empréstimo-Ponte. sem moeda, com produção direta para o con-
sumidor) e economia nacional. Essa divisão foi
BROFENBRENNER, Martin (1914- ). Nasceu utilizada por certo tempo na análise da Idade
nos Estados Unidos e formou-se na Universida- Média e da passagem à economia moderna. Bü-
de de Washington, obtendo o doutoramento na cher foi professor em Dorpat, Basiléia, Karlsruhe
Universidade de Chicago, em 1934. Aluno de e Leipzig. Entre suas obras destacam-se Die Ents-
Oskar Lange, sua carreira profissional se diver- tehung der Volkswirtschaft (O Surgimento da Eco-
sificou por temas como macroeconomia, econo- nomia Política), 1893; Beiträge zur, Wirtschafts-
mia monetária, história do pensamento econô- geschichte (Contribuições à História da Econo-
mico, economia marxista e economia japonesa. mia), 1922.
Embora Brofenbrenner seja um economista neo-
clássico treinado em Chicago, sua contribuição BUFFER. Termo em inglês que, relacionado com
à teoria da distribuição da renda modifica aquela os estoques, significa uma quantidade marginal
concepção de tal forma que é capaz de equacio- de matérias-primas ou produtos acabados man-
nar tanto questões levantadas pela economia tidos em estoque como precaução diante de pro-
clássica quanto pela neomarxista. Foi um dos blemas imprevistos de escassez ou para enfren-
primeiros a desenvolver análises do desenvol- tar aumentos excepcionais da demanda. No
vimento econômico japonês. Entre suas obras campo da informática, designa a parte interna
mais importantes, citam-se Income Distribution de um sistema de processamento de dados, que
Theory (Teoria da Distribuição da Renda), 1971, serve como memória intermediária entre duas
e Macroeconomic Alternatives (Alternativas Ma- memórias, ou para operar sistemas com dife-
croeconômicas), 1979. rentes tempos de acesso ou formatos, utilizados
BUG 68

para conectar um equipamento de entrada ou realizando lucros. É o contrário de bear. O termo


de saída à memória interna. já era utilizado desde princípios do século XVIII
em Londres.
BUG. Veja Mark-I.
BULL SPREAD. Expressão em inglês utilizada
BUG DO MILÊNIO (Y2K). Denominação dada no mercado financeiro para designar aquele ope-
ao problema existente na maioria dos principais rador que compra contratos (títulos) nos meses
sistemas informatizados do mundo, relacionado próximos, tornando-se “comprado”, e vende con-
com a data na passagem do milênio. Na passa- tratos nos meses futuros tornando-se “vendido”,
gem do dia 31 de dezembro de 1999 para 1º de esperando realizar lucros se os preços subirem.
janeiro de 2000, os computadores farão a leitura
do ano apenas pelos dois últimos dígitos e re- BULLDOG BONDS. Expressão em inglês que
gistrarão 1/1/2000 como se fosse 1/1/1900. A designa os títulos estrangeiros denominados em
menos que sejam reprogramados, esses sistemas libras esterlinas e emitidos em Londres.
informatizados causarão grandes transtornos,
especialmente na atividade financeira. Em in- BULLET LOAN. Expressão em inglês que de-
glês, o bug do milênio é denominado pela sigla signa um empréstimo pago de uma só vez no
Y2K. Veja também Mark I. seu vencimento. É similar ao Baloon Maturity
Loan, mas com a diferenca de que não possui
BUKHARIN, Nikolai Ivanovitch (1888-1938). nenhuma fonte predeterminada para o paga-
Economista e político russo, um dos principais mento da dívida. Para liquidar essa dívida, o
teóricos do Partido Bolchevista. Sua principal devedor poderá ter de refinanciá-la de acordo
obra, O Imperialismo e a Economia Mundial (1915), com a taxa de juros corrente, vender ativos ou
precedeu o estudo de Lênin sobre a mesma ques- vender os titulos colaterais. Veja também Ever-
tão. Publicou também A Economia da Renda (crí- green Loan.
tica ao marginalismo, em 1914), A Economia do
Período de Transição (1918), O ABC do Comunismo BULLION. Veja Lingote.
(1919, com Preobrajensky) e Teoria do Materia-
lismo Histórico (1921). Posicionou-se contra as BURGUESIA. Classe social composta dos pro-
medidas de Stálin durante a coletivização for- prietários do capital que vivem dos rendimentos
çada da agricultura e defendeu o prolongamento por ele gerados. Pertencem à burguesia os in-
da Nova Política Econômica (NEP), instituída dustriais, os comerciantes, os banqueiros, os em-
por Lênin após o comunismo de guerra. Advo- presários agrícolas e os donos de empresas de
gou também a continuidade, ainda que por certo serviços. Originalmente, o termo era aplicado
período, da pequena produção camponesa, aos habitantes dos aglomerados urbanos da Ida-
como compatível com a construção do socialis- de Média que se dedicavam ao comércio, à usura
mo. Foi fuzilado em 1938, durante um dos gran- e ao artesanato. Os interesses dessa burguesia
des “expurgos” de Stálin, e reabilitado em 1988 eram extremamente limitados pelo poder dos
durante o governo de Mikhail Gorbatchev. senhores feudais, que serviam de obstáculo tam-
bém às aspirações políticas dos reis. Por isso,
BULIONISMO. Designação dada ao sistema freqüentemente, burgueses e monarcas aliavam-
monetário em que o papel-moeda é livremente se para lutar contra a nobreza feudal, surgindo
conversível em metal e deve estar integralmente assim um dos fundamentos das monarquias na-
garantido por um encaixe metálico. O nome vem cionais. O crescimento econômico e social da
de bullion, que em inglês significa lingote ou bar- burguesia em ascensão chocou-se, finalmente,
ra de ouro ou prata. O mercantilismo espanhol com o poder dos soberanos, da nobreza e do
foi caracterizado como bulionista por apoiar-se clero, provocando os acontecimentos da Revo-
no grande fluxo de ouro e prata proveniente lução Francesa, que aboliu a monarquia e os pri-
das colônias na América. O bulionismo foi uma vilégios hereditários dos nobres senhores de ter-
concepção monetária muito apreciada durante ras. Concentrando em suas mãos os negócios
o século XIX e também muito combatida antes, do Estado, sobretudo na Europa, a burguesia
principalmente por William Petty, François criou condições propícias ao pleno desenvolvi-
Quesnay e Adam Smith. Veja também Escola mento do modo de produção capitalista. O ad-
das Contrapartidas Metálicas; Metalismo. vento da Revolução Industrial, nos séculos XVIII
e XIX, consolidou a força econômica da burgue-
BULL. Palavra inglesa cujo significado literal é sia e também gestou uma nova classe social —
“touro”. Porém, no mercado acionário ou de tí- o proletariado —, desprovida de meios de pro-
tulos, é a forma popular (gíria) para indicar a dução e dona apenas de sua força de traba-
pessoa que, acreditando que o valor desses tí- lho.Veja também Revoluções Burguesas.
tulos ou ações vai aumentar, compra-os, espe-
rando vendê-los no futuro antes do dia do ven- BURNHAM, James (1905- ). Sociólogo norte-
cimento por um preço mais elevado e, portanto, americano, autor de The Managerial Revolution
69 BUYING THE INDEX

(A Revolução dos Gerentes), 1941. Nessa obra, a 36,361 l. Esta diferença deve-se ao fato de que
sustenta que a evolução do capitalismo, longe os americanos utilizavam a antiga medida do
de conduzir ao socialismo, como afirmam os bushel inglês desde a época da colônia e a In-
marxistas, levaria, em futuro próximo, ao ge- glaterra fez uma reforma do seu sistema no se-
rencialismo, sistema caracterizado pelo domínio culo XIX mudando alguns destes valores, o que
dos tecnocratas. As exigências do progresso tec- não foi seguido pelos norte-americanos. No en-
nológico fariam com que os capitalistas, donos tanto, mesmo no interior dos Estados Unidos
dos meios de produção, cedessem gradualmente existem diferenças de Estado para Estado e na
o controle de suas empresas a administradores forma como um recipiente acondiciona, por
superespecializados, que constituiriam a nova exemplo, frutas ou legumes, isto é, se cheio ou
classe dominante. Outras obras do autor: The raso; no primeiro caso, maçãs, por exemplo, for-
mando uma pilha que ultrapassa a borda do
Coming Defeat of Communism (A Iminente Der-
recipiente, e no segundo, indo apenas até a al-
rocada do Comunismo), 1950, e Suicide of the
tura da borda deste. Como medida de capaci-
West (O Suicídio do Ocidente), 1964. dade o bushel parece ter mudado muito no de-
BUROCRACIA. Literalmente, o termo significa correr do tempo: esta denominação é derivada
o governo dos funcionários da administração. de uma palavra celta (povos que viveram nas
Inicialmente aplicado ao conjunto dos funcioná- Ilhas Britânicas e no Norte da Europa) que sig-
rios públicos, hoje em dia se refere, generica- nifica “punhado”; e, tomando a palavra ao pé
mente, a qualquer organização complexa, pú- da letra, seriam necessários muitos punhados
para constituir um bushel. Assim como na tone-
blica ou privada, baseada numa rígida hierar-
lada de registro, o peso de um bushel varia de
quização e especialização das funções. O conflito
acordo com os produtos que estiverem acondi-
entre autoridade e competência, nas grandes or-
cionados num recipiente. Por exemplo, um bu-
ganizações, tende a ser resolvido pelos meca- shel de sal pesa mais do que um bushel de carvão,
nismos internos de defesa da burocracia — nor- de tal forma que os americanos resolveram fixar
mas, hierarquia, especialização —, com freqüen- um peso para cada bushel de cada mercadoria
te prejuízo da racionalidade e da eficiência, que a ser medida, e assim ele só varia se for “raso”ou
são a própria razão de ser do organismo buro- “cheio”. O seam é um múltiplo do bushel, equi-
crático. As primeiras burocracias surgiram para valendo a 8 deles ou 281,904 kg, e sua origem
movimentar o aparelho administrativo dos relaciona-se com a quantidade que poderia ser
grandes impérios do passado (China, Assíria, carregada no alforje de um cavalo; o peck, é um
Babilônia, Egito, Roma).Também a Igreja Cató- submúltiplo, equivalendo a um quarto de bushel;
lica, depois de sua afirmação como religião uni- uma quarta equivale a um oitavo de peck o que
versal e oficial, desenvolveu um eficiente siste- significa 1 / 32 de bushel, e uma pinta (pint) —
ma burocrático, centralizado no poder papal. O inicialmente medida para vinhos — equivale à
processo de consolidação do capitalismo foi metade de uma quarta ou 1/ 64 de bushel. Veja
acompanhado de intenso desenvolvimento dos também Medidas de Cereais; Unidades de Pe-
mecanismos burocráticos, não só em nível esta- sos e Medidas.
tal, mas também no plano empresarial. Isso fez
BUSH INITIATIVE. Proposta desenvolvida pe-
com que os cientistas sociais passassem a ana- lo presidente norte-americano George Bush, em
lisar o funcionamento da burocracia como um 1990, que constituiu uma espécie de preparação
fenômeno típico do sistema capitalista, expres- à criação do Nafta. Veja também NAFTA.
são concreta de sua racionalidade. Embora para
um deles, Max Weber, não haja contradição ne- BUTT. Antiga medida de capacidade ainda hoje
cessária entre burocracia e democracia, para utilizada na Inglaterra para vinho, correspon-
muitos estudiosos da questão o sistema buro- dente a 130 galões ou 492 l. A palavra inglesa
crático é um dos principais impedimentos para bottle (garrafa), embora utilizada também como
o exercício da democracia. No que se refere às medida de vinho, é originária de butt, tendo uma
sociedades de organização socialista, o fenôme- capacidade muito menor.
no da burocracia foi analisado por Trotsky em BUTUT. Veja Dalasi.
sua crítica ao stalinismo. Veja também Admi-
nistração; Gerencialismo. BUYING-IN. Processo de obtenção de aprova-
ção para oferecer um produto ou serviço subes-
BUSHEL. Denominação de medida de capaci- timando-se seu custo total.
dade para produtos secos como cereais, frutas,
legumes etc. Esta medida utilizada tanto no Sis- BUYING THE INDEX. Expressão em inglês
tema Imperial Inglês como no Consuetudinário que significa literalmente “comprando o índice”.
Americano difere um pouco entre eles: no pri- No mercado financeiro e de ações dos Estados
meiro equivale a 35,238 l, enquanto no segundo Unidos, designa a compra de ações ou títulos
BY-BIDDER 70

na proporção determinada pela empresa de sob o comando de um computador. Veja tam-


aconselhamento de investimentos Standard & bém CAD; CAM.
Poor’s, na expectativa de que tal operação ob-
tenha o mesmo resultado das 500 grandes cor- CADASTRO. Conjunto de informações econô-
porações norte-americanas analisada pela refe- micas, financeiras, comerciais e outras, referen-
rida empresa. tes a pessoas ou empresas. Permite decidir quan-
to aos riscos de qualquer operação comercial
BY-BIDDER. Veja Puffer. com a empresa ou pessoa cadastrada.

BYTE (Binary Term). Unidade básica de infor- CADE — Conselho Administrativo de Defesa
mação, composta de oito bits. do Consumidor. Órgão criado em 10/9/1965,
cuja finalidade é a defesa da concorrência e a
vigilância, prevenção e repressão aos abusos do
poder econômico. O Cade foi reformulado e re-
forçado pela lei nº 8 884, de 1994, e hoje tem

C
representado um papel importante, especial-
mente diante da integração brasileira aos mer-
cados mundiais e da vinda maciça de capital de
investimento para o Brasil, em muitos casos para
a aquisição de empresas já existentes, ou facili-
tando fusões de empresas brasileiras e estran-
geiras.
C. Inicial de: 1) carat; 2) cash (dinheiro vivo); 3) CADERNETA DE POUPANÇA. Contas sobre
cent (centavo); 4) centime (unidade monetária cujos depósitos são creditados mensalmente (lei
francesa); 5) collateral (garantia); 6) colón (unida- de agosto de 1983) juros e correção monetária,
de monetária de Costa Rica e El Salvador); 7) uma vez observada a condição de que saques
córdoba (unidade monetária da Nicarágua). Veja e depósitos sejam feitos em épocas predetermi-
também Carat; Collateral. nadas. O funcionamento das Associações de
Poupança e Empréstimo foi decretado em 1966
C-BOND (Front-loaded Interest Reduction
com o objetivo de propiciar a aquisição de casa
with Capitalization Bond). Veja Bradies; Plano
própria a seus associados, desenvolvendo o há-
Brady; TJLP.
bito da poupança. Sua atuação efetiva data de
CA. Iniciais da expressão em inglês chief ac- junho de 1968, e, em 1974, os depósitos em ca-
countant, que significa “diretor” ou “chefe de derneta de poupança já representavam 17,4% do
contabilidade”. total de depósitos feitos em todo o país. A partir
de 1980, medidas econômicas adotadas pelo go-
CABEÇA-DE-PORCO. Veja Hogshead. verno federal, como a limitação das taxas de ju-
ros e a correção monetária, provocaram uma re-
CAÇA. Veja Pré-história. dução temporária da poupança privada interna,
mas uma grande campanha de recuperação do
CACAU. Veja Ciclo do Cacau. prestígio da poupança e a liberação dessas taxas
CAD. Iniciais da expressão em inglês computer acarretaram o enorme crescimento da poupança
aided design, que significa “projeto assistido por privada, que se verificou a partir de então. Com
computador”. É o método mediante o qual se a extinção do BNH, decretada pelo Plano Cru-
realiza um projeto — que pode ser um simples zado 2, em novembro de 1986, a caderneta de
desenho — com o auxílio de um computador. poupança foi perdendo sua finalidade de ins-
Normalmente, o computador possui em sua me- trumento de financiamento da casa própria para
mória informações e outros elementos correlatos transformar-se em mecanismo de financiamento
ao projeto que se deseja desenvolver. Por meio da dívida pública. Mesmo assim, estimulados
de um terminal de vídeo, esses elementos são pelos altos juros nominativos, nos períodos de
apresentados, modificados ou combinados de alta inflação de 1988 e 1989, os depósitos em
diferentes formas com o auxílio de uma “caneta caderneta de poupança continuaram a crescer.
eletrônica”. Em fevereiro de 1990, um mês antes da insti-
tuição do Plano Collor, os depósitos em cader-
CAD/CAM. Sistema de produção baseado na neta de poupança chegaram a representar 25%
interligação dos métodos CAD e CAM, isto é, dos ativos financeiros do país. Com o desestí-
um produto é projetado por um computador mulo provocado pelo Plano de Estabilização Fi-
(CAD), passando diretamente para a fase de exe- nanceira aplicado em março de 1990, quando
cução (CAM, computer aided manufacturing — grande parte de seus valores foram “bloquea-
“produção assistida por computador”), também dos” pelo governo, os depósitos em caderneta
71 CAIXA DE CONVERSÃO

de poupança começaram naturalmente a decres- 1862, em que analisou as conseqüências sociais


cer. Em maio do mesmo ano, eles representavam de uma economia baseada no escravismo, in-
apenas 20% dos ativos financeiros. Enquanto fluenciando a opinião pública inglesa em favor
isso, sua finalidade como instrumento do mer- dos Estados do Norte na Guerra Civil norte-
cado imobiliário para a construção de moradias americana. O livro é considerado um exemplo
praticamente deixou de existir. A partir de julho de interpretação econômica da História feita in-
de 1994, com o advento do Plano Real e a es- dependentemente do marxismo. Em Some Lea-
tabilização de preços, a caderneta de poupança ding Principles of Political Economy Newly Expoun-
voltou a ser uma opção de investimento finan- ded (Alguns Princípios Condutores da Economia
ceiro, apesar da “desilusão monetária” (confu- Política Expostos de Maneira Nova), de 1874,
são entre taxas de juros reais e nominais), em- Cairnes fez uma rigorosa exposição dos funda-
bora não recuperasse sua função de instrumento mentos da Escola Clássica inglesa, abalados com
para o financiamento da construção de mora- o abandono da teoria do fundo de salário por
dias. Veja também BNH; Desilusão Monetária; Mill, em 1869. A obra também procurou gene-
Plano Collor; Plano Real; Plano Verão. ralizar o conceito de grupos não-concorrentes
tanto ao comércio interno quanto ao internacio-
CAE. Iniciais da expressão em inglês computer
nal. Cairnes formou-se no Trinity College, em
aided engineering, que significa o ensaio técnico
Dublin, Irlanda. Iniciou sua carreira como jor-
ou a concepção de engenharia produzidos com
nalista, sendo em seguida professor de econo-
o auxílio ou por intermédio de um computador.
mia política em Dublin, em Galway e em Lon-
Veja também CAD; CAD/CAM; CAM.
dres. Veja também Escola Clássica.
CAETERIS PARIBUS. Expressão em latim que CAIRU, Visconde de (José da Silva Lisboa)
significa “permanecendo constantes todas as de- (1756-1835). Economista e político brasileiro, in-
mais variáveis”. Muito utilizada em economia
trodutor dos estudos de economia política no
quando se deseja avaliar as conseqüências de
país. Como conselheiro de dom João VI, influen-
uma variável sobre outra, supondo-se as demais
ciou a decisão do regente na abertura dos portos
inalteradas.
brasileiros (1808). Discípulo de Adam Smith, es-
CAFÉ. Veja Acordo Internacional do Café; Ci- creveu Princípios de Economia Política (1804), pri-
clo do Café; IBC. meira obra do gênero em português e na qual
divulga as idéias de Smith, Malthus e Ricardo.
CAFÉ TIPO SANTOS. Veja Santos. Publicou ainda Observações sobre o Comércio Fran-
co no Brasil (1808-1809), Observações sobre a Fran-
CAIPIRA 63. Denominação dada à Resolução queza da Indústria e Estabelecimento de Fábricas no
2 148 do Banco Central, de março de 1995, au- Brasil (1810), Observações sobre a Prosperidade do
torizando a entrada de capitais por um prazo Estado pelos Liberais Princípios da Nova Legislação
mínimo de 180 dias para empréstimo à agricul- do Brasil e Refutação das Declamações contra o Co-
tura. Como a resolução permitia também que mércio Inglês (1810), Ensaios sobre o Estabelecimen-
tais recursos fossem utilizados para aplicações to dos Bancos para o Progresso da Indústria e Riqueza
em títulos com garantia cambial, o mecanismo Nacional (1811), Extrato das Obras de Burke (1812).
foi amplamente utilizado neste âmbito (muito Veja também Abertura dos Portos.
mais rentável e seguro), em detrimento da agri-
cultura. Em março de 1998, o Banco Central re- CAIXA. Veja Facilidades de Caixa; Livro-caixa.
solveu dificultar essa utilização dos recursos ex-
ternos determinando que pelo menos 50% des- CAIXA DE CONVERSÃO. Instituição criada em
ses recursos fossem utilizados no crédito rural. 1906 pelo governo do presidente Rodrigues Al-
ves como instrumento de uma política de esta-
CAIRNES, John Elliott (1823-1875). Economis- bilidade cambial. A motivação central para a
ta irlandês conhecido como “o último dos eco- criação desta instituição foi a tendência da queda
nomistas clássicos”, representante da Escola das cotações do preço do café no mercado in-
Econômica Clássica inglesa. Sua obra principal, ternacional devido à superprodução de café ob-
The Character and Logical Method of Political Eco- servada no final do século XIX e início do século
nomy (O Caráter e o Método Lógico da Economia XX no Brasil. O estabelecimento de uma taxa
Política), de 1857, enfatiza a importância do mé- de câmbio de 15 d. (pence) por mil réis, além de
todo dedutivo e é considerada um tratado de- significar o retorno ao padrão-ouro, ia ao en-
finitivo sobre a metodologia da Escola Clássica. contro dos interesses dos cafeicultores e expor-
O livro fez parte de uma longa controvérsia tadores de café, que estavam sendo prejudicados
quanto ao objeto e método da economia política, não só pelas baixas cotações do produto no mer-
mantida por Cairnes com Stuart Mill e Nassau cado internacional, mas também pelas fortes os-
Senior. Cairnes aplicou seu método em estudos cilações da própria taxa de câmbio. Associada
como The Slave Power (O Poder Escravo), de à política de defesa dos preços do café estabe-
CAIXA DE ESTABILIZAÇÃO 72

lecida mediante o Convênio de Taubaté, a Caixa zadas, como o dólar e a libra esterlina: em 1931,
de Conversão contribuiu para a manutenção de as reservas em ouro eram praticamente inexis-
uma taxa cambial estabilizada até o início da tentes, e em moedas estrangeiras o Brasil man-
Primeira Guerra Mundial. Veja também Convê- tinha apenas 14 milhões de dólares. Veja tam-
nio de Taubaté; Caixa de Estabilização; Padrão- bém Caixa de Conversão; Conversibilidade; Pa-
ouro. ridade do Poder de Compra; Padrão Câmbio-
ouro; Padrão-ouro.
CAIXA DE ESTABILIZAÇÃO. Instrumento de
estabilização da moeda criado durante o gover- CAIXA DE SOCORRO E POUPANÇA. Veja
no do presidente Washington Luís pelo decreto Condorcet, Marquês de.
nº 5 108, de 18/12/1926. A criação deste instru-
mento significou a volta do Brasil ao padrão- CAIXA DOIS. Jargão utilizado nos meios em-
ouro (ou ao padrão câmbio-ouro), e a taxa cam- presariais e jornalísticos para designar as des-
bial foi fixada em 6 d. (pence) por mil réis. Para pesas e receitas de uma empresa que não são
muitos que desejavam a volta à paridade de 1846 registradas oficialmente e, portanto, podem dar
(27d./mil réis), ou à correspondente à de 1906, lugar a transações sem o respectivo pagamento
de 15d./mil réis (Caixa de Conversão), esta des- de impostos. Além disso, como se trata de re-
valorização significava um aviltamento da moe- cursos não existentes oficialmente, podem dar
da nacional — inclusive esta taxa foi apelidada lugar a usos irregulares e/ou ilícitos, geralmente
de Taxa Vil —, embora beneficiasse os produ- utilizados para financiar campanhas eleitorais
tores de café, especialmente os exportadores, e de políticos e obter dos mesmos favores gover-
correspondesse mais ou menos a uma taxa de namentais. Os recursos que alimentam o caixa
equilíbrio correspondente à paridade do poder dois geralmente, mas não necessariamente, têm
de compra da libra e do mil-réis. Os fundamen- origem também em fontes irregulares e ilegais
tos da Caixa de Estabilização estavam vincula- como, por exemplo, é o caso do narcotráfico.
dos à rejeição do recurso à deflação como meio
de estabilizar as economias que, depois da Pri- CAIXA ECONÔMICA. Estabelecimento bancá-
meira Guerra Mundial, haviam sofrido fortes rio oficial, do tipo autárquico, sem fins lucrati-
processos inflacionários, como a Alemanha, a vos, criado com a finalidade de captar e admi-
Áustria, a França e a Itália, à convicção de que nistrar as pequenas poupanças populares. No
as taxas deveriam ter como referencial a pari- Brasil, os governos federal e estaduais mantêm
dade do poder de compra, e à manutenção das Caixas Econômicas. Após a criação do Sistema
taxas cambiais estabelecidas por uma política Brasileiro de Poupança e Empréstimo, vinculado
fiscal rígida, isto é, sem déficits nas contas pú- ao BNH, a função de captar poupanças popu-
blicas que exigissem a emissão de moeda para lares passou a ser exercida também pelas insti-
cobri-los e, conseqüentemente, uma pressão in- tuições privadas filiadas a esse sistema. Veja
flacionária que colocasse em perigo a estabili- também BNH; Caderneta de Poupança.
dade cambial. O ideal de Washington Luís era
que toda a moeda emitida se tornasse conver- CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Instituição fi-
sível. Isso, no entanto, não acontecia: em relação nanceira, sob a forma de empresa pública, vin-
ao total de moeda em circulação, as emissões culada ao Ministério da Fazenda. Foi fundada
da Caixa de Estabilização alcançaram apenas em 1860 e sua atual constituição foi estabelecida
1/3 do total. No entanto, a fixação dessa taxa em 1969 e alterada em 1973. A empresa é pro-
cambial, considerada baixa (isto é, o mil-réis des- duto da unificação das 22 antigas Caixas Eco-
valorizado em face da libra), fez com que hou- nômicas Federais, autônomas, distribuídas pelos
vesse um fluxo de capitais estrangeiros para o Estados e Distrito Federal, substituídas por fi-
Brasil para a compra de ativos que teriam se liais. A Caixa atua num sistema de regionaliza-
tornado baratos devido a essa desvalorização. ção — as agências vinculam-se às agências re-
De fato, as reservas cambiais do Brasil entre 1925 gionais e estas, às respectivas filiais. Em dezem-
e 1929 cresceram de 69 milhões de dólares (54 bro de 1990, a Caixa Econômica Federal tinha
em ouro e 15 em moedas estrangeiras) para 177 em todo o país 2 157 unidades operacionais, das
milhões (sendo 150 em ouro e 17 em moedas quais 1 816 eram agências, 224 postos de aten-
estrangeiras). Com a crise econômica iniciada dimento bancário e 117 postos de arrecadação
em outubro de 1929, o fundamento da Caixa de e pagamento. Ao mesmo tempo, contava com
Estabilização desaparece e o sistema de conver- 70 062 funcionários, distribuídos entre a matriz,
sibilidade é abandonado. No entanto, a manu- as sedes das superintendências regionais e as
tenção da mesma taxa cambial praticamente du- unidades operacionais. A CEF é o maior agente
rante o ano de 1930 provoca o desaparecimento do Sistema Financeiro da Habitação e também
das reservas em ouro e a manutenção de apenas gestora do Programa de Integração Social (PIS)
uma fração das reservas anteriores em moedas e do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social
estrangeiras, que seriam em seguida desvalori- (FAS). O PIS, um programa de participação dos
73 CALL LOANS

empregados nos lucros das empresas, foi insti- ralmente designa uma empresa cuja situação fi-
tuído em 1970. Seu primeiro exercício financeiro nanceira, de custos, de formação de preços é
ocorreu em 1971-1972. A finalidade do PIS é pro- inextrincável, e com tal ausência de transparên-
porcionar a formação de patrimônio individual cia que sugere a existência de irregularidades.
do empregado e estimular a poupança em todos Nos aviões, a caixa-preta registra tudo o que
os níveis, corrigindo deformações na distribui- acontece durante um vôo e, em caso de acidente,
ção de renda e possibilitando acumulação de re- é possível descobrir suas causas mediante esses
cursos a serem aplicados no aumento da pro- registros, uma vez que ela é fabricada de tal
dução nacional. A partir de 1974, os recursos forma a resistir a impactos, ao calor e à umidade.
do PIS, juntamente com os do Programa de For-
mação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), CAIXAS DE LIQUIDAÇÃO. Organismos su-
passaram a ser aplicados pelo então Banco Na- bordinados às Bolsas de Valores, que efetuam
cional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), a liquidação das operações a termo e a compen-
hoje Banco Nacional de Desenvolvimento Eco- sação das operações (à vista ou a termo) reali-
nômico e Social (BNDES). Desde então, cabe à zadas entre as corretoras. Também recebem e
Caixa apenas reaplicar parte dos recursos do guardam os valores dados como margem de ga-
PIS, já alocados para financiamentos de capital rantia nas operações feitas no pregão, emitem
de giro, repassando-se ao BNDES as amortiza- certificados, realizam os desdobramentos e con-
ções dos empréstimos anteriores concedidos versões e fazem as transferências de títulos ne-
para capital fixo. O FAS, que entrou em vigor gociados. Veja também Bolsa de Valores; Des-
em 1975, concentra seus recursos nas áreas so- dobramento; Operação a Termo; Pregão.
ciais básicas — educação, saúde e saneamento,
previdência, assistência social e trabalho —, mo- CAIXINHA. Denominação popular da gorjeta
vimentando recursos originários da renda líqui- ou propina, especialmente quando se trata das
da das loterias, de dotações orçamentárias da relações entre empresas privadas e a adminis-
União, de operações de repasse e financiamento, tração pública, no âmbito das quais os primeiros
e, ainda, dos resultados operacionais da Caixa. “pagam” com propinas (caixinha) os favores re-
No final do exercício de 1990, de acordo com a cebidos pelos representantes da última.
transformação da Caixa Econômica Federal em
Banco Múltiplo, no sentido de participar nos di- CÁLCULOS BOOLEANOS. Cálculos que se
versos segmentos da atividade de intermediação utilizam da álgebra de Boole. Em informática,
financeira, a captação de recursos por meio da funcionam com o emprego de classes, preposi-
caderneta de poupança, CDBs/RDBs e outras ções, elementos de circuitos on-off. São operações
aplicações alcançou o total de 1,1 trilhão de cru- lógicas de n variáveis que permitem tomar uma
zeiros. Enquanto isso, os depósitos a curto prazo decisão por meio de uma comparação. Por
totalizavam 2,8 trilhões de cruzeiros, o que re- exemplo, uma comparação entre as variáveis A
presentou um crescimento real de 17% em rela- e B permite a tomada de uma das três decisões:
ção ao ano anterior. A quantidade de contas de A>B, A=B e A<B. Especificamente, operações
depositantes, no final do ano, situava-se em 24,9 como and (e), or (ou) e not (não) ocorrem com
milhões, assim divididos: 21,6 milhões de contas variáveis de dois estados. Compreendem os ope-
em cruzeiros e 3,3 milhões em cruzados novos. radores: and (e), or (ou), not (não), except (exceto),
Com a extinção do Banco Nacional de Habita- if (se, condicional), then (então) e else (senão).
ção, decretada pelo Plano Cruzado 2, em CALL. Termo em inglês cuja tradução literal é
21/11/1986, a Caixa Econômica Federal assumiu “chamada” e que, no mercado financeiro, tem
as atribuições daquela instituição. Além disso, a pelo menos dois significados: 1) opção de com-
Caixa mantém programas de financiamento de prar um título ou ativo de acordo com um preço
táxis a álcool, de apoio à pequena e à média em- especificado e dentro de um prazo determinado;
presa, de crédito educativo e de fomento à cons-
2) processo de remissão (redeem) de um título
trução de centros sociais urbanos e módulos es- ou ação preferencial antes de seu prazo de ven-
portivos. Veja também BNDES; BNH; PIS-Pasep.
cimento.
CAIXA-PRETA. Nome popular que se dá aos
CALLABLE. Termo em inglês derivado do ver-
sistemas cujos mecanismos internos não são
bo to call (chamar); significa “resgatável”, e, re-
acessíveis à observação. A expressão pode de-
ferindo-se a um título, indica que o mesmo é
signar o que ocorre seja dentro de uma empresa, resgatável e em que condições isso pode acon-
com registros financeiros irregulares, seja em tecer.
computação, quando um sistema qualquer só é
passível de ser estudado por meio do que entra CALL LOANS. Expressão em inglês que desig-
e do que sai, e não do que se passa em seu na os empréstimos que devem ser pagos no mo-
interior. No jargão do mundo dos negócios, ge- mento em que sejam chamados pelo credor.
CALL MONEY 74

CALL MONEY. Dinheiro emprestado por ban- caráter regional, servindo como órgão repre-
cos geralmente para corretores das Bolsas de Va- sentativo de seus membros junto aos poderes
lores, que pode ser requisitado de volta a qual- constituídos. Há também câmaras de comércio
quer momento. O call money também é conhe- em âmbito internacional, com o objetivo de in-
cido como day-to-day money ou demand money. centivar o intercâmbio comercial entre dois paí-
ses, cada um dos quais mantém, no outro, es-
CALL OPTION. Veja Opções de Compra.
critório de informações e mostruário dos pro-
CALL SALE. Expressão em inglês que significa dutos que pode oferecer ao mercado local.
literalmente “venda à chamada”. Designa a ven-
CÂMARA DE COMPENSAÇÃO. Organização
da de um produto de qualidade específica sob
que reúne vários bancos de uma localidade com
um contrato que prevê a fixação, pelo compra-
o objetivo de liquidar os débitos entre eles, com-
dor, de um preço no futuro, baseando-se num
pensando todos os cheques emitidos contra cada
mínimo especificado de pontos acima ou abaixo
um de seus membros, mas apresentados para
do preço corrente de algum mês futuro, também
cobrança em qualquer um dos outros. A com-
especificado, no dia em que o preço do contrato
pensação dos cheques se faz de maneira pura-
for fixado, sendo o dia escolhido pelo compra-
mente escritural, evitando-se assim o transporte
dor. Este tipo de operação denomina-se também
de grandes importâncias em dinheiro. A primei-
“chamada do comprador” (e é mais utilizado
ra câmara de compensação que surgiu foi a Clea-
no mercado de algodão).
ring-House, de Londres, em 1775; a de Nova
CALORIA. Unidade de medida de calor, sendo York data de 1853. No Brasil, a compensação
definida como a quantidade de calor necessária de cheques é feita pelo Banco do Brasil. Veja
para elevar de um grau centígrado a tempera- também Banco; Banco do Brasil.
tura de um grama de água. Veja também Uni- CAMBÃO, Regime de. É o trabalho realizado
dades de Pesos e Medidas. pelos foreiros no plantio e durante a colheita de
CALOTE. O não-pagamento de uma dívida. cana-de-açúcar nos engenhos nordestinos, em
troca de salários irrisórios ou mesmo de forma
CALVINO, João (1509-1564). Teólogo francês, gratuita. Veja também Foreiro.
um dos expoentes da Reforma protestante. Suas
idéias estão expostas na obra A Instituição da Re- CAMBIAL. Denominação dada aos certificados
ligião Cristã (1536). Acusado de heresia, refu- de compra de moeda estrangeira, utilizados na
giou-se em Genebra, onde liderou ampla refor- importação de mercadorias. Veja também Câm-
ma social, política e religiosa, que teria profunda bio; Confisco Cambial; Controle Cambial; Cor-
influência em todo o Ocidente, sobretudo nas reção Cambial; Política Cambial.
cidades mercantis. Quanto às idéias econômicas, CÂMBIO. Operação financeira que consiste em
Calvino divergia de Lutero, o outro grande re- vender, trocar ou comprar valores em moedas
formador da época, pois defendia a cobrança de de outros países ou papéis que representem
juros, desde que moderada, e o comércio, quan- moedas de outros países. Para essas operações,
do não proporcionasse lucros exagerados. Con- são utilizados cheques, moedas propriamente
siderava o sucesso no trabalho e nos negócios ditas ou notas bancárias, letras de câmbio, or-
um sinal de que o indivíduo estaria sob o sopro dens de pagamento etc. Até o século passado,
da graça divina. Por essas idéias, Calvino de- a maioria das moedas tinha seu valor determi-
sempenhou papel de relevo na justificação ideo- nado por certa quantia de ouro e prata que re-
lógica do capitalismo comercial. Tese nesse sen- presentavam. Atualmente, não há mais o lastro
tido foi defendida por Max Weber na obra A metálico para servir de relação no câmbio entre
Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1905). as moedas, e as taxas cambiais são determinadas
Veja também Reforma. por uma conjunção de fatores intrínsecos ao
CAM. Iniciais da expressão em inglês computer país, principalmente a política econômica vigen-
aided manufacturing, que significa “produção as- te. O câmbio não possui apenas o valor teórico
sistida por computador”. Consiste no método de determinar preços comparativos entre moe-
mediante o qual um produto é fabricado de for- das, mas a função básica de exprimir a relação
ma automática e com o comando de um com- efetiva de troca entre diferentes países — a troca
putador. Veja também CAD/CAM. de moedas é conseqüência das transações co-
merciais entre países. No Brasil, a rede bancária,
CÂMARA DE COMÉRCIO. Associação desti- liderada pelo Banco do Brasil, é a intermediária
nada a congregar comerciantes e industriais que nas transações cambiais. Os exportadores, ao re-
compartilham os mesmos interesses em deter- ceberem moeda estrangeira, vendem-na aos
minado ramo de atividade econômica. Pode ter bancos; e os bancos revendem essa moeda aos
75 CÂMBIO PORTUGUÊS

importadores para que paguem as mercadorias na compra de moeda estrangeira por turistas
compradas. Essas transações são sempre regu- brasileiros que viajavam ao exterior, criando na
ladas pelo governo, que fixa os preços de com- prática um dólar mais caro do que o oficial para
pra e venda das moedas estrangeiras. Veja tam- esse tipo de atividade. Estão no mesmo caso a
bém Política Cambial. taxação variável dos produtos de importação
(com alíquotas maiores para os chamados su-
CÂMBIO, Letra de. Veja Letra de Câmbio. pérfluos) e o confisco cambial incidente sobre
produtos de exportação como o café.
CÂMBIO DUPLO. Veja Câmbio Múltiplo.
CÂMBIO NEGRO (ou Câmbio Paralelo). Com-
CÂMBIO LIMPO. Veja Clean Float. pra e venda ilegais de moedas estrangeiras, aci-
CÂMBIO LIVRE. Regime de operações do mer- ma das taxas oficiais, com o objetivo de lucro.
cado de divisas sem interferência das autorida- O mecanismo básico do câmbio negro consiste
des monetárias. A liberação da taxa cambial faz em obter divisas pela taxa oficial (ou ligeiramen-
te acima) e vendê-las ao preço vigente nas tran-
com que o valor das moedas estrangeiras flutue
sações paralelas. O mercado paralelo de divisas
de acordo com o interesse que despertam no
está mais sujeito a oscilações que o mercado ofi-
mercado, segundo a interação da oferta e da pro-
cial, pois o valor das transações obedece estri-
cura. O câmbio livre é também chamado de flu-
tamente aos mecanismos da oferta e da procura.
tuante ou errático. As flutuações da taxa cambial Nos períodos que antecederam a desvalorização
apresentam uma série de riscos, pois o mercado do cruzeiro, por exemplo, observou-se uma de-
de divisas passa a sofrer variações determinadas manda acentuada de moedas fortes, principal-
também por fatores políticos, sociais e até psi- mente o dólar, ocasionando a escassez de divisas
cológicos. Quando, por exemplo, um país sofre no mercado. O câmbio negro intensifica-se
uma crise de liquidez, o regime de câmbio livre quando o controle cambial se torna mais rígido,
estimula a especulação com moeda estrangeira, geralmente em situações de crise no balanço de
o que eleva excessivamente sua cotação e agrava pagamentos. As transações ilegais são muito va-
sua escassez. Da mesma forma, os importadores riadas, incluindo desde a simples compra e ven-
passam a utilizar maior quantidade de divisas da de divisas entre particulares (turistas, em sua
(moeda estrangeira) para suas compras, queren- maior parte) até complexas operações de trans-
do evitar pagá-las mais caro com o avanço da ferência irregular de vultosas somas para o ex-
crise, o que agrava a crise de liquidez. Veja tam- terior, as quais retornam depois ao país para
bém Câmbio Negro. estimular ainda mais a especulação de moedas
estrangeiras. Essas operações supõem a existên-
CÂMBIO MANUAL. Designação do ato de tro- cia de redes de especuladores de divisas que
ca física da moeda de um país pela de outro. atuam em vários países, tendo às vezes a coni-
As operações manuais de câmbio só se fazem vência de funcionários de instituições monetá-
em dinheiro efetivo e restringem-se a quem viaja rias e financeiras. Veja também Câmbio Livre.
ao exterior, seja a negócios ou turismo, ou em
troca da moeda nacional: quem viaja ao exterior CÂMBIO OFICIAL. Conjunto das taxas de con-
recebe divisas estrangeiras na forma de moeda versão de divisas em relação à moeda nacional,
legal ou de traveller’s checks (cheques de viagem). fixadas pelas autoridades monetárias. As cota-
Nas transações de comércio exterior ou de país ções oficiais das moedas estrangeiras nos regi-
a país, utilizam-se divisas sob a forma de letras mes de controle cambial baseiam-se em taxas
de câmbio, cheques, ordens de pagamento ou rígidas, em geral um pouco mais baixas do que
títulos de crédito. se estivessem sujeitas à flutuação da oferta e da
procura. Essas cotações são mantidas por deter-
CÂMBIO MÚLTIPLO. Sistema de câmbio em minados períodos e sua correção reflete o índice
que as taxas variam de acordo com a destinação de desvalorização da moeda nacional em relação
do uso da moeda estrangeira. Acaba funcionan- à moeda forte ou moeda-padrão (geralmente o
do como um tipo de subsídio para a compra de dólar).
alguns produtos e/ou como taxação na compra
de outros. É adotado tanto para a importação CÂMBIO PARALELO. Veja Câmbio Negro.
quanto para a exportação, e alguns países o ado- CÂMBIO POR ARBÍTRIO. Veja Arbitragem.
tam oficialmente. O Brasil não possui câmbio
múltiplo, mas certas regulamentações de natu- CÂMBIO PORTUGUÊS. Forma coloquial de de-
reza cambial criam efeito semelhante. A taxa de signar a operação de compra de moeda estran-
câmbio para a compra de petróleo, por exemplo, geira realizada pelo exportador e enviada ao im-
é mais baixa do que a taxa oficial. Ao contrário, portador como forma real de reduzir o preço
durante certo tempo, houve uma taxação de 25% de venda do produto sem alterar o valor da ex-
de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) portação. Veja também Subfaturamento.
CÂMBIO SUJO 76

CÂMBIO SUJO. Veja Dirty Float. que qualquer atraso numa delas significa atraso
de igual magnitude na conclusão do projeto. As
CAMBISTRY. Termo em inglês que significa a atividades que não fazem parte do caminho crí-
ciência do câmbio de moeda estrangeira, espe- tico se denominam não-críticas, e um atraso em
cialmente no que se refere ao estabelecimento sua execução não significa necessariamente um
do método mais barato de remeter valores para atraso na terminação do projeto. Com esses ele-
o exterior. Ela implica o conhecimento dos sis- mentos, o planejador responsável pela coorde-
temas de pesos e medidas de vários países do nação geral do projeto possui uma visão de con-
mundo, o toque dos metais utilizados para a junto e pode estabelecer com exatidão as res-
cunhagem de moedas, métodos de manejo com ponsabilidades de cada participante. Existem
lingotes, operações de provas sobre metais (es- dois grandes grupos de técnicas de caminho crí-
pecialmente os preciosos), emissão de letras de tico: o CPM (Critical Path Method), que consi-
câmbio, ordens de pagamento postais, parida- dera a duração das tarefas perfeitamente deter-
des comerciais e computações nas arbitragens minada, e o PERT (Program Evaluation and Re-
cambiais. view Technique), que considera a duração das
CAMBRIDGE. Veja Escola de Cambridge. tarefas variável. Veja também CPM; PERT.

CAMEL RATING. Coeficiente utilizado para CAMPANELLA, Tommaso (1568-1639). Filóso-


medir a solidez de um banco. A palavra Camel fo e reformador social italiano. Monge domini-
é formada pelas iniciais das palavras em inglês cano, foi perseguido pela Inquisição por suas
capital, asset (ativo), management (gerência), ear- idéias igualitárias. Defendeu a partilha das ter-
nings (ganhos) e liquidity (liquidez); o coeficiente ras feudais e, depois de liderar uma rebelião
varia entre 1 e 5 e é utilizado pelas agências de camponesa na Calábria, ficou preso por 27 anos.
supervisão dos bancos para avaliar as condições Influenciado por Platão, escreveu La Città del Sole
nas quais se encontra um banco. O nível 1 é (A Cidade do Sol), 1623, obra que descreve uma
dado aos bancos que se encontram nas posições sociedade ideal, caracterizada pela comunhão de
o mais possível sólidas. Os níveis 4 e 5 corres- bens e de mulheres.
pondem àqueles bancos que se encontram em CAMPESINATO. O conjunto dos grupos so-
situação delicada e devem ser objeto de perma- ciais de base familiar que, em grau diverso de
nente observação. Este coeficiente é utilizado autonomia, se dedica a atividades agrícolas em
apenas pela gerência de um banco, isto é, o pú- glebas determinadas. Em termos gerais, carac-
blico não tem acesso a ele. teriza-se por produzir baseando-se no trabalho
CAMERALISMO. Variante do mercantilismo di- da família, empregando eventualmente mão-de-
fundida na Áustria e na Alemanha em meados obra assalariada; por possuir a propriedade dos
do século XVIII. Representava um amplo siste- instrumentos de trabalho (enxadas, arados, ani-
ma de administração pública e organização dos mais de tração etc.); por ter autonomia total ou
negócios financeiros. Ao contrário dos mercan- parcial na gestão da propriedade; por ser dono
tilistas ingleses, os cameralistas privilegiavam a de parte ou da totalidade da produção. Segundo
centralização industrial e não a expansão comer- sua relação com a propriedade, o campesinato
cial. Defendiam o aumento da população como pode ser dependente ou não. Eram dependentes
forma de incrementar o produto nacional e es- os servos medievais (considerados parte da pró-
timulavam o mercado interno mediante incen- pria terra) e os camponeses livres, que viviam
tivos ao consumo de produtos locais, visando sob a proteção do senhor feudal e lhe pagavam
depender menos das importações. Para os ca- um tributo em forma de trabalho (corvéia). Em-
meralistas, as receitas governamentais eram o bora a utilização do termo seja objeto de ampla
mais importante elemento de riqueza das na- discussão e controvérsias, atualmente estão nes-
ções. Veja também Mercantilismo. sa última categoria os rendeiros, meeiros ou par-
ceiros, que entregam ao proprietário parte do
CAMINHO CRÍTICO. Técnica de planejamen- produto ou pagam a ele uma renda (em dinhei-
to e controle da produção quando esta exige ro, em produto ou em trabalho, ou nessas formas
grande número de tarefas, muitas das quais re- combinadas) para cultivar determinada área. O
querendo execução simultânea. Consideram-se campesinato independente abrange, fundamen-
todas as condições que precisam ser satisfeitas talmente, o grupo familiar que tem a posse total
para a execução das tarefas. Isso leva à divisão da gleba em que trabalha. Na Idade Média, o
do projeto em tarefas elementares, cada uma das campesinato tornou-se base de todo o sistema
quais precisando ser claramente definida. É ne- social. Ao longo do processo de evolução do
cessário também estabelecer a seqüência em que capitalismo, sua existência tem sido constante-
as tarefas serão realizadas e o exato tempo de mente ameaçada diante do avanço da grande
cada uma. As atividades que fazem parte do propriedade e das técnicas de cultivo a ela ine-
caminho crítico são denominadas críticas por- rentes. O exemplo mais radical dessa tendência
77 CAPACIDADE PARA IMPORTAR

é a Inglaterra, onde a pequena propriedade cam- Adam Smith; o texto dessa obra por ele estabe-
ponesa praticamente desapareceu. Na História lecido em 1904 tornou-se padrão de todas as
recente do Brasil, o campesinato tem desempe- edições posteriores. Publicou ainda, em 1896, as
nhado importante papel no desbravamento das conferências do mesmo autor (Lectures on Justice,
regiões de expansão da fronteira agrícola (Norte Police, Revenue and Arms) e escreveu Theories of
e Centro-oeste), onde têm sido intensos seus Production and Distribution (Teorias da Produção
conflitos com a grande propriedade. Em geral, e da Distribuição), 1924, e A Review of Economic
à medida que a produção capitalista avança, o Theory (Retrospecto da Teoria Econômica), 1929.
campesinato vai perdendo espaço, enquanto Veja também Smith, Adam.
cresce o contingente de assalariados itinerantes
(os chamados bóias-frias) que compõem o pro- CANO, Wilson (1937- ). Nasceu em São Paulo
letariado rural. e formou-se em Economia na Faculdade de Eco-
nomia e Administração da Pontifícia Universi-
CAMPOS, Roberto de Oliveira (1917- ). Eco- dade Católica de São Paulo em 1962. Em 1975,
nomista, diplomata e político brasileiro, princi- obteve o título de doutor pela Universidade Es-
pal mentor do modelo econômico desenvolvido tadual de Campinas (Unicamp), SP, tornando-se
ao longo dos governos militares pós-1964. Foi professor titular daquela instituição em 1986.
conselheiro econômico da Comissão Mista Bra- Entre 1966 e 1980, colaborou com a Cepal como
sil-EUA (1950-1953); diretor econômico (1952- professor, desenvolvendo cursos sobre Elabora-
1953), diretor superintendente (1954-1958) e pre- ção e Avaliação de Projetos em diversos países
sidente (1958-1959) do BNDE (Banco Nacional latino-americanos. Sua obra está voltada para
de Desenvolvimento Econômico); embaixador as questões do desenvolvimento industrial. Seus
itinerante na Europa (1961) e embaixador nos livros mais importantes são os seguintes: Raízes
Estados Unidos (1961-1964). Ministro do Plane- da Concentração Industrial em São Paulo (1990), De-
jamento entre 1964-1967, foi o principal artífice sequilíbrios Regionais e Concentração Industrial no
fiscal e de investimentos do governo Castelo Brasil: 1930-1970 (1985) e Reflexões sobre o Brasil
Branco. A partir de 1967, atuou no setor privado, e a Nova (Des) Ordem Internacional (1993). Atual-
mas em 1975 tornou-se embaixador do Brasil mente, é professor de Economia do Instituto de
na Grã-Bretanha. Licenciou-se desse cargo ao se Economia da Unicamp.
eleger, em 1982, senador pelo Estado do Mato
Grosso, e, em 1990, deputado federal pelo Rio CANTILLON, Richard (1680-1734). Banqueiro
de Janeiro, pelo PDS (Partido Democrático So- e economista francês de origem irlandesa, pre-
cial). De 1956 a 1961, foi professor de Moeda e cursor dos fisiocratas e de Adam Smith. Seu Es-
Crédito e Ciclo Econômico na Universidade do sai sur la Nature du Commerce em Géneral (Ensaio
Brasil. É autor das seguintes obras: Economia, sobre a Natureza do Comércio em Geral), co-
Planejamento e Nacionalismo (1963), Ensaio de His- nhecido desde 1730, mas só publicado em 1755,
tória Econômica e Sociologia (1963), A Moeda, o Go- expõe as contradições do mercantilismo então
verno e o Tempo (1964), A Técnica e o Riso (1966), vigente. A obra esteve por muito tempo esque-
Ensaios Contra a Maré (1968), Tempos e Sistemas cida e foi redescoberta por Stanley Jevons, no
(1970) e A Nova Economia Brasileira (1974), esta final do século XIX. É considerada a mais sis-
última escrita em colaboração com Mário Hen- temática exposição dos princípios econômicos
rique Simonsen. que se fez antes de A Riqueza das Nações, de
Adam Smith. Cantillon começa por definir a ter-
CANA-DE-AÇÚCAR. Veja Ciclo da Cana-de- ra como única fonte de riqueza, na forma de
açúcar. um excedente econômico (acima dos custos de
produção), e o trabalho como força geradora
CANADA. Medida de capacidade para líquidos dessa riqueza. Trata, em seguida, dos problemas
utilizada pela Casa da Moeda do Brasil antes monetários, das trocas e dos juros. Estuda ainda
do sistema métrico decimal e equivalente a apro- o comércio exterior, o câmbio, os bancos e o crédito.
ximadamente 2,6 l. Veja também Sistemas de Pe-
sos e Medidas; Unidades de Pesos e Medidas. CAP (Interest Rate). Veja Collar.

CANF. Iniciais da expressão em inglês cost and CAPACIDADE PARA IMPORTAR (Índice da).
freight, que significa “o custo e o frete”, isto é, Capacidade medida pela razão entre o valor das
quando o preço da mercadoria inclui o seu custo exportações (preço x quantidade) e o preço das
e o respectivo frete. importações. Geralmente, este índice é calculado
pela seguinte fórmula: Cpi = P exp. x Q exp.
CANNAN, Edwin (1861-1935). Economista in- / P imp., onde o preço das exportações, a quan-
glês, renomado por seus estudos de história das tidade exportada e o preço das importações são
doutrinas econômicas e sobretudo pela edição incorporados à fórmula mediante índices a par-
crítica e comentada de A Riqueza das Nações, de tir de determinado ano-base. Por exemplo, entre
CAPACIDADE OCIOSA 78

1929 e 1939 este índice observou a seguinte evo- região das minas: cada minerador, ou pessoa
lução: estabelecida em outras atividades, pagava um
imposto à Coroa proporcional ao número de es-
Ano Export. Export. Import. Capacidade cravos que possuísse.
Índices de Índices de Índices de p/
preço quant. preço importar CAPITAL. É um dos fatores de produção, for-
1929 100 100 100 ,100 mado pela riqueza e que gera renda. É repre-
1931 174 115 118 72,1 sentado em dinheiro. O capital também pode
1933 163 118 109 68,2 ser definido como todos os meios de produção
1935 185 133 179 63,1 que foram criados pelo trabalho e que são uti-
lizados para a produção de outros bens. Assim,
1937 188 141 200 62,0
o capital de uma empresa ou de uma sociedade,
1939 177 187 208 69,2
por exemplo, é constituído pelo conjunto de seus
recursos produtivos que foram criados pelo tra-
Observa-se que a capacidade para importar não balho humano. Os recursos naturais, como a ter-
diminui tanto quanto as relações de troca, isto ra, por exemplo, não são considerados capital.
é, a relação entre os preços das exportações e o O conceito de capital abrange somente os meios
das importações, porque o volume ou a quan- de produção social, ou seja, aqueles utilizados
tidade exportada pelo Brasil naquele período em atividades que se inserem na divisão do tra-
cresceu 87% (cem em 1929 para 187 em 1939), balho. O que significa, num sistema capitalista,
neutralizando pelo menos em parte a forte ele- que o capital abrange os recursos usados na pro-
vação dos preços de importação, que mais do dução de bens e serviços destinados à venda,
que dobraram (cem em 1929 para 208 em 1939) isto é, as mercadorias. Aqueles meios de pro-
no mesmo período. Veja também Relações de dução que são utilizados para a satisfação direta
Troca. das necessidades dos produtores não fazem par-
te do capital. É o caso dos aparelhos e ferra-
CAPACIDADE OCIOSA. Diferença entre o vo-
mentas domésticos. Na teoria marxista, capital
lume efetivo da produção e o que seria possível
é o resultado da acumulação da mais-valia, ob-
produzir com a capacidade instalada. Se, por
tida pelos empresários pela exploração do tra-
exemplo, uma indústria de televisores possui
balho de seus operários ou empregados. O ca-
equipamentos capazes de produzir mil apare-
pital de uma firma ou empresa equivale aos re-
lhos por mês, mas só fabrica oitocentos, sua ca-
cursos produtivos: equipamentos, instalações,
pacidade ociosa é de 20%. O conceito é mais
estoques. Se esses recursos são propriedade da
comumente aplicado nas atividades industriais,
firma, constituem capital próprio, e seus pro-
mas vale também para outros setores. Nos paí-
prietários têm direito a receber os lucros pro-
ses altamente industrializados, a capacidade
duzidos por aquele capital; se forem tomados
ociosa constitui com freqüência sério problema,
de empréstimo, então constituem capital de ter-
sendo geralmente sintoma de recessão econô-
ceiros, os quais recebem juros como remunera-
mica e de desemprego. Nos países subdesen-
ção. O conjunto dos meios de produção de uma
volvidos, em geral, está ligada a planejamento
sociedade constitui seu capital real, que se ex-
inadequado, superdimensionamento da maqui-
pande quando novos meios de produção são co-
naria, escassez de matérias-primas e estreiteza
locados em atividade. Sua propriedade é ates-
do mercado; pode ainda fazer parte de mano-
tada por títulos negociáveis. Ao circular no mer-
bras monopolistas visando aumentos de preços
cado financeiro, esses títulos acabam por incor-
ou a manutenção de preços altos. porar um valor que já não corresponde ao do
CAPATAZIA. Taxa cobrada pelo movimento de capital que lhe deu origem, mas às expectativas
mercadorias nos portos e em seus armazéns, de sua lucratividade futura. O conjunto desses
com uso de trabalhadores e equipamentos por- papéis negociáveis denomina-se capital finan-
tuários. A taxa de capatazia é comumente arre- ceiro e engloba também títulos de crédito, títulos
cadada pelas alfândegas em benefício das com- da dívida pública, os quais não representam ne-
panhias que exploram os portos. cessariamente nenhum capital real. De modo
que o capital financeiro engloba os papéis ne-
CAPITAÇÃO. Tributação cobrada per capita, gociáveis e títulos que rendem juros. O montante
isto é, incidente sobre cada indivíduo morador do capital financeiro de uma sociedade tem uma
de uma comunidade, área ou região. Substituída relação bem distanciada de seu capital real. A
modernamente por outras formas de imposto teoria marxista considera que o conceito de ca-
(sobre a renda, sobre o consumo etc.), foi comum pital se assenta não na propriedade de determi-
na Antiguidade e na Idade Média. No Brasil, nado tipo de meios de produção, mas numa for-
foi regulamentada por Carta Régia em 1735 e ma específica de relação social, que se apresenta
subsistiu em forma pura até 1750, sobretudo na sob a forma de objetos: dinheiro, meios de pro-
79 CAPITAL DE GIRO

dução, mercadoria. A conceituação de capital pital, adquire seu caráter social. Depois de
aparece referida a uma situação histórica con- Adam Smith, alguns autores clássicos introdu-
creta: a sociedade capitalista. Os meios de pro- ziram modificações nos conceitos de capital.
dução e o trabalho humano constituem fatores Para Stuart Mill, capital é a provisão acumulada
indispensáveis para a produção social, mas é do produto do trabalho que fornece abrigo, pro-
no contexto do capitalismo que esses meios de teção, ferramentas e materiais para a realização
produção se tornam capital, de propriedade dos do processo produtivo, além de oferecer alimen-
capitalistas: assim como o trabalho humano as- tos para os trabalhadores empenhados na pro-
sume a forma de trabalho assalariado. O capital dução. Para a corrente marginalista, capital é o
surge, então, como resultado da mais-valia que conjunto de bens destinados a servir para ulte-
o capitalista obtém do trabalho de seus empre- rior produção, podendo ser considerado o con-
gados. Mesmo quando o capital inicial foi obtido junto dos bens intermediários. Entre os econo-
pelo esforço pessoal de um capitalista, no pro- mistas matemáticos, o capital se constitui pelo
cesso de produção ele se transforma em mais- excedente da produção sobre o consumo. Veja
valia acumulada. Os juros e os lucros não são também Bens de Capital; Capitalismo; Compo-
considerados renda do capital, e sim mais-valia sição Orgânica do Capital; Formação de Capi-
apropriada do trabalhador. Historicamente, o tal; Ganhos de Capital; Mercado de Capitais;
modo de produção capitalista desempenha o pa- Rotação do Capital.
pel de concentrar e desenvolver os meios de pro-
dução, que até então se encontravam dispersos CAPITAL ABERTO. Característica do tipo de
e pouco desenvolvidos. A teoria marxista dis- sociedade anônima em que o capital, repre-
tingue ainda entre capital constante e capital va- sentado pelas ações, é dividido entre muitos e
riável. Capital constante é aquela parte do valor indeterminados acionistas. Além disso, essas
do capital empregada na compra dos meios de ações podem ser negociadas nas Bolsas de Va-
produção: máquinas, matérias-primas e outros lores.
materiais. O valor desse capital não sofre alte-
ração durante o processo de produção, não po- CAPITAL ASSET PRICING MODEL. Veja Mo-
dendo, pois, constituir a fonte do aumento do delo de Precificação de Ativos de Capital.
capital inicial. O capital variável é a quantidade
CAPITAL CIRCULANTE. Parte do capital des-
de capital gasto na compra da força de trabalho
tinada às despesas correntes de uma empresa
e tem seu valor aumentado no processo de pro-
dução. Esse aumento se efetua por meio da ob- com matérias-primas, salários, matérias auxilia-
tenção da mais-valia, o que faz do capital va- res, combustíveis, energia elétrica, e com esto-
riável o responsável pelo aumento do capital ques de mercadorias. Nesse sentido, é também
inicial. O conceito inicial de capital remonta ao chamado de capital de giro. Do ponto de vista
período de desenvolvimento comercial da Idade da concepção marxista, é a parte do capital não
Média, quando foram criadas novas formas de fixa, isto é, aquela que não é destinada à compra
escrituração mercantil para o controle dos ne- de equipamentos, máquinas e instalações. Do
gócios. Nessa época, capital designava a quantia ponto de vista financeiro, pode ser considerada
de dinheiro com que se iniciava qualquer ativida- aquela parte do capital que é financiada com
de comercial. À medida que seu uso foi se con- créditos de longo prazo. A magnitude do capital
solidando, seu significado foi ganhando cono- circulante de uma empresa é um indicador do
tações mais amplas: assim, após os grandes des- seu grau de liquidez no mercado. Veja também
cobrimentos, representava o acervo das compa- Capital Fixo; Capital Variável.
nhias comerciais ou as parcelas de dinheiro com
que os associados contribuíam para a formação CAPITAL CONSTANTE. Na teoria marxista
de uma companhia. Capital era dinheiro inves- do valor, a parte do capital total que apenas
tido, nada tendo a ver com os bens nos quais transfere seu valor para as mercadorias que es-
o dinheiro fora aplicado. Alguns séculos depois, tão sendo produzidas, não criando a mais-valia.
Adam Smith apontou diferenças entre o capital Em termos materiais, é composto pelos meios
social e o capital individual. Da totalidade das de produção: máquinas, equipamentos, edifí-
riquezas do homem, uma parte é utilizada para cios, matérias-primas, combustíveis etc. Veja
suprir suas necessidades individuais; outra também Capital; Capital Variável; Composição
pode ser utilizada para obter renda ou lucro. A Orgânica do Capital; Mais-valia.
primeira parte constitui apenas consumo coti-
diano. A parcela destinada à obtenção de renda CAPITAL DE GIRO. Parte dos bens de uma
constitui capital. Para que dê lucros, deve ser empresa representados pelo estoque de produ-
investido em alguma atividade econômica, sain- tos e pelo dinheiro disponível (imediatamente
do da posse de seu investidor para retornar de- e a curto prazo). Também chamado de capital
pois. É em tal circulação que essa riqueza, o ca- circulante.
CAPITAL DE RISCO 80

CAPITAL DE RISCO. Capital investido em ati- lado, os recursos dos bancos transferem-se tam-
vidades em que existe a possibilidade de perdas. bém para a indústria, mediante a compra de açõ-
Em geral, esses investimentos são realizados por es, o que permite a criação de um “sistema de
capitalistas privados. No balanço de pagamen- participações” por meio do qual um pequeno
tos, os capitais de risco são os investimentos di- capital bancário passa a controlar somas muito
retos realizados por empresas estrangeiras no superiores de capitais industriais. Ao mesmo
Brasil (entrada) e por empresas brasileiras no tempo se dá a concentração e a centralização do
exterior (saídas). Os movimentos desses capitais próprio capital financeiro com a formação de
são registrados na conta de capital do balanço grandes conglomerados que passam a influir
de pagamentos. Veja também Balanço de Paga- não apenas na direção de um setor, mas de toda
mentos; Risco. a economia nacional, projetando-se no plano in-
ternacional. A dominação que os países impe-
CAPITAL ESTRANGEIRO. Veja Investimento rialistas exercem sobre os países subordinados
Estrangeiro; Lei da Remessa de Lucros. ocorre em grande medida por meio do capital
financeiro.
CAPITAL FECHADO. Característica do tipo de
sociedade anônima em que o capital, repre- CAPITAL FIXO. Em termos da contabilidade
sentado por ações, é dividido entre poucos acio- de uma empresa, é aquele representado por imó-
nistas. Além disso, as ações não são negociáveis veis, máquinas e equipamentos. É também cha-
em Bolsas de Valores e são transmitidas ou ne- mado de ativo fixo. De acordo com a concepção
gociadas apenas sob consenso dos acionistas. marxista, é a parte não circulante do capital
CAPITAL FINANCEIRO. No sentido microeco- constante, isto é, a parte do capital utilizada em
nômico, capital financeiro significa todas as par- máquinas, equipamentos, instalações etc. Veja
celas do capital de uma empresa que se encon- também Ativo; Capital Constante.
tram em estado de liquidez, isto é, podem ser CAPITAL HUMANO. Conjunto dos investimen-
transformadas em qualquer ativo físico de forma tos destinados à formação educacional e profis-
imediata. Do ponto de vista macroeconômico, sional de determinada população. O índice de
é todo capital empregado nos mercados de tí-
crescimento do capital humano é considerado
tulos (Bolsas de Valores, Bolsas de Mercadorias)
um dos indicadores do desenvolvimento econô-
e todo aquele movimentado pelos bancos e ins-
mico. O termo é usado também para designar
tituições financeiras em geral. O capital finan-
as aptidões e habilidades pessoais que permitem
ceiro pode também ser entendido como o capital
ao indivíduo auferir uma renda. Esse capital de-
representado por títulos, obrigações, certificados
riva de aptidões naturais ou adquiridas no pro-
e outros papéis negociáveis e que podem ser
convertidos em dinheiro com rapidez. Do ponto cesso de aprendizagem. Nesse sentido, o con-
de vista histórico, é o capital que se forma pela ceito de capital humano corresponde ao de ca-
fusão do capital dos monopólios bancários e in- pacidade de trabalho.
dustriais nos países imperialistas. A existência CAPITAL INTENSIVO. Forma de produção
do capital financeiro e a conseqüente aparição em que a proporção de capital empregado é
de uma oligarquia financeira constitui uma das muito elevada em relação aos demais insumos
características fundamentais do imperialismo. A ou fatores de produção, particularmente em re-
formação do capital financeiro, que corresponde lação ao custo do fator trabalho. Nesse sentido,
às últimas décadas do século passado e primei- mede-se a intensidade de emprego de capital
ras do século atual, resultou da elevada concen- por pessoa empregada. Isso ocorre especifica-
tração e centralização do capital nos setores in-
mente em certos tipos de indústria, como a quí-
dustrial e bancário desenvolvidas especialmente
mica e a nuclear, que têm um volume muito
na Europa durante o período anterior. De acordo
grande de capital fixo. Veja também Trabalho
com Lênin, em sua obra O Imperialismo, Fase Su-
Intensivo.
perior do Capitalismo, “a concentração da produ-
ção, os monopólios que surgem dessa concen- CAPITAL VARIÁVEL. Na teoria marxista do
tração, a fusão ou união dos bancos com a in- valor, a parte do capital total que sai valorizada
dústria, tal é a história do nascimento do capital do processo de produção mediante a criação da
financeiro e o conteúdo desse conceito”. Utili- mais-valia. Do ponto de vista material, é a parte
zando recursos monetários livres, os bancos não do capital utilizada para a compra de força de
apenas concedem às empresas industriais em- trabalho e, portanto, para o pagamento de sa-
préstimos a curto prazo, mas também créditos lários. Veja também Capital; Capital Constante;
a médio e longo prazos. Com isso obtêm a pos- Composição Orgânica do Capital; Mais-valia.
sibilidade de participar no desenvolvimento e
na administração das empresas, como também CAPITALISMO. Sistema econômico e social
de influir em seu próprio destino. Por outro predominante na maioria dos países industria-
81 CAPITALISMO TARDIO

lizados ou em fase de industrialização. Neles, a intermediários. No final do século, acentuavam-


economia baseia-se na separação entre trabalha- se as tendências à concentração, com cartéis,
dores juridicamente livres, que dispõem apenas trustes e monopólios, o que, no século XX, re-
da força de trabalho e a vendem em troca de sultaria na formação de gigantescas empresas
salário, e capitalistas, os quais são proprietários multinacionais. Para elas, o planejamento a lon-
dos meios de produção e contratam os traba- go prazo é fundamental, devido à tendência à
lhadores para produzir mercadorias (bens diri- diminuição da taxa de lucro. As crises são fre-
gidos para o mercado) visando à obtenção de qüentes, provocando falências, desemprego e in-
lucro. Vários cientistas sociais de destaque pro- flação em boa parte do mundo. Para amenizar
curaram explicar o surgimento e o funcionamen- essas crises, é crescente a intervenção do Estado
to do capitalismo. Para Werner Sombart, a es- na economia. Veja também Burguesia; Burocra-
sência do capitalismo não está na economia, mas cia; Capital; Capitalismo Tardio; Força de Tra-
no “espírito” que se desenvolveu dentro da bur- balho; Lucro; Mais-valia; Marx, Karl Heinrich;
guesia que surgiu na Europa no fim da Idade Meios de Produção; Multinacional; Reforma;
Média. Esse espírito teria levado os burgueses Revolução Industrial; Sombart, Werner; We-
a perceber que o melhor método para adquirir ber, Max.
riqueza não era acumular capital. Max Weber
caracteriza o capitalismo pela predominância da CAPITALISMO DE ESTADO. Envolvimento di-
burocracia: as empresas deixaram de ser domés- reto do Estado no setor produtivo e de serviços,
ticas e passaram a ter vida própria, exigindo, tendência verificada tanto em países “capitalis-
devido ao tamanho crescente, sistemas contábeis tas” quanto em “socialistas”. Particularmente
e administrativos altamente racionais para ga- nos países subdesenvolvidos, o Estado atua
rantir a obtenção de lucro. Para Karl Marx, o onde faltam recursos para o investimento pri-
que define o capitalismo é a exploração dos tra- vado ou nos setores em que a taxa de lucro não
é compensadora para as empresas privadas lo-
balhadores pelos capitalistas. O valor do salário
cais ou multinacionais. Brasil, México, Venezue-
pago corresponderia apenas a uma parcela mí-
la são alguns dos países onde o setor público
nima do valor do trabalho executado. A dife-
tem participação superior a 50% na formação
rença, denominada mais-valia, seria apropriada
anual de capital fixo. Veja também Estatismo.
pelos proprietários dos meios de produção sob
a forma de lucro. Historicamente, o capitalismo CAPITALISMO TARDIO. Conceito desenvol-
tem passado por grande evolução. Em sua ori- vido pelo economista belga Ernest Mandel em
gem está o empobrecimento da nobreza euro- seu livro O Capitalismo Tardio (1972), e que ca-
péia, devido aos gastos com as cruzadas e à fuga racterizaria a atual fase do capitalismo mono-
dos camponeses para as cidades (burgos). A par- polista, desencadeada a partir de uma terceira
tir do século XIII, sobretudo em alguns portos revolução tecnológica (1940-1945), com a cres-
do Norte da Itália e do mar do Norte, os bur- cente introdução da automação na produção, a
gueses passaram a enriquecer, criando bancos internacionalização e centralização do capital em
e dedicando-se ao comércio em maior escala, conglomerados multinacionais, a rápida depre-
primeiro na própria Europa e depois no resto ciação e o encurtamento do tempo de rotação
do mundo. Além disso, em vez de apenas com- do capital fixo e a busca do superlucro como
prar os produtos dos artesãos para revendê-los, principal estímulo de acumulação. Mandel des-
passaram a criar manufaturas e a contratar ar- taca o capitalismo em uma fase concorrencial,
tesãos para produzi-las, substituindo o antigo surgida como resultado da Revolução Industrial
vínculo de servidão feudal pelo contrato salarial. no fim do século XVIII, dividida em duas sub-
Aumentaram as oportunidades de trabalho, o fases, entre 1848 (ano que classifica como o do
volume de dinheiro e o mercado de consumo, início da primeira revolução tecnológica, com a
tornando-se necessárias a ampliação e a proli- produção de motores a vapor) e 1873; e o capi-
feração das manufaturas. Nos séculos XVIII e talismo monopolista ou imperialista, também
XIX, esse processo provocou, especialmente na subdividido em duas fases: a clássica, marcada
Inglaterra, a Revolução Industrial, com a meca- pelo esgotamento da expansão da primeira re-
nização das fábricas. A par da formação dos es- volução tecnológica, e a do capitalismo tardio,
tados nacionais, também a Reforma, a Revolu- moldado pela terceira revolução tecnológica,
ção Puritana e a Revolução Francesa foram mar- com a introdução da automação na produção e
cos importantes na luta da burguesia para a con- o desenvolvimento da energia nuclear. A segun-
quista do poder político, que havia pertencido da revolução tecnológica, iniciada em 1896, com
à nobreza durante a Idade Média. No século a criação e aplicação do motor elétrico e do mo-
XIX, o capitalismo apresentava-se definitiva- tor a explosão, apesar de sua repercussão, não
mente estruturado, com os industriais e ban- caracteriza para Mandel nenhuma subfase es-
queiros centralizando as decisões econômicas e pecífica do capitalismo. O crescente uso da au-
políticas, e os comerciantes atuando como seus tomação e da regulação eletrônica da produção,
CAPITALIZAÇÃO 82

que caracterizaria o capitalismo tardio, provoca, governo possa saldar seus compromissos. Em
segundo Mandel, aumento da composição or- ambos os casos, essa operação geralmente re-
gânica do capital e queda da taxa de lucro, de- sulta em aumento do endividamento do poder
finindo uma crise estrutural do modo de pro- público.
dução capitalista ou “uma crise histórica de va-
lorização do capital”, já que nas fábricas intei- CAPTURE THEORY. Teoria do campo da regu-
ramente automatizadas, não havendo trabalho lação desenvolvida por George Stigler (1911- ).
humano, também não haverá produção de mais- Esta teoria desenvolve a concepção de que um
valia. O desenvolvimento tecnológico, mediante ramo industrial regulamentado pode beneficiar-
o aumento de despesas com pesquisas e sua or- se dessa regulamentação “capturando” ou su-
ganização como ramo autônomo da divisão do bordinando a agência governamental encarre-
trabalho (possibilitada pela valorização das ren- gada de gerenciar tal regulamentação. As razões
das tecnológicas, que se tornaram a principal para que isso aconteça são várias: 1) a indústria
fonte de superlucros), proporcionou uma depre- geralmente dispõe de conhecimentos técnicos
sobre o setor bem maiores do que a agência go-
ciação mais rápida do capital fixo e o encurta-
vernamental, o que significa que esta última até
mento do tempo de sua rotação, exigindo um
certo ponto depende da indústria nesse âmbito;
planejamento empresarial mais abrangente. Esse
2) os funcionários da agência governamental po-
fato explicaria a centralização do capital por
dem sair dos quadros da indústria, ou então es-
meio dos conglomerados multinacionais e a ten-
tes poderão ocupar no futuro posições nas agên-
dência inerente ao capitalismo tardio de ampliar
cias governamentais; 3) a agência governamen-
o controle sistemático sobre todos os elementos
tal por vezes necessita que a indústria reconheça
dos processos de produção, circulação e repro- sua necessidade e obtenha cooperação informal
dução. No plano ideológico, o capitalismo tardio por parte da indústria.
substituiu a crença no individualismo e na com-
petição sem limites pela fé na ciência e na téc- CARAJÁS. Veja Projeto Carajás.
nica, cujos princípios devem organizar e planejar
a sociedade e a economia. Veja também Capi- CARAT. A palavra de uso internacional tem
talismo; Mandel, Ernest. dois significados: 1) como unidade de peso, o
carat (métrico) é equivalente a 3 086 grãos do
CAPITALIZAÇÃO. Veja Empresas de Capita- sistema troy e é utilizado para pesar pedras pre-
lização. ciosas, especialmente diamantes; 2) como uni-
dade de medida de qualidade, é utilizado entre
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS. Grandes ex-
joalheiros, ourives, etc. para denotar o toque ou
tensões de terras do Brasil colonial doadas à ex- a pureza do ouro ou outros metais, sendo a vi-
ploração hereditária pela Coroa portuguesa. gésima quarta parte de qualquer peso, isto é, o
Dom João III, rei de Portugal, implementou as ouro puro é metal de 24 carats. Uma pulseira
capitanias com a perspectiva de defender o ter- que por peso é metade ouro e metade latão tem
ritório recém-descoberto e desenvolvê-lo me- um toque de 12 carats. A expressão “ouro de 18
diante a colonização, pois os custos eram muito carats” significa que o ouro possui um toque de
elevados. A Coroa passou então a doar as ca- 18/24, isto é, consiste em 18 partes de ouro puro
pitanias (quinze ao todo) aos membros da corte, e 6 partes de outro metal que constitui a liga.
comerciantes ricos etc. As capitanias eram regi-
das pela Carta de Doação, instrumento por meio CARDOSO, Fernando Henrique (1931- ). Nas-
do qual se atribuíam os direitos e deveres do ceu no Rio de Janeiro e desenvolveu seus estu-
donatário. A crise do sistema deu-se devido à dos de sociologia em São Paulo, onde se gra-
falta de capital dos donatários para desenvolver, duou e tornou-se professor da Faculdade de Fi-
povoar e defender as capitanias e à rebeldia dos losofia, Ciências e Letras da Universidade de
colonos. O sistema de capitanias hereditárias vi- São Paulo. Entre 1964 e 1968, trabalhou na Co-
gorou de 1534 até a época pombalina (1750- missão Econômica para a América Latina (Cepal),
1777). na Faculdade Latino-americana de Ciências So-
ciais (Flacso), em Santiago, no Chile, e lecionou
CAPM (Capital Asset Pricing Model). Veja Ca-
na Sorbonne, em Paris, na França. Em 1969, foi
pital Asset Pricing Model.
um dos fundadores do Centro Brasileiro de Aná-
CAPTAÇÃO. Designação dada geralmente ao lise e Planejamento (Cebrap). Em 1978, elegeu-se
ato de venda de títulos por parte das autorida- suplente de senador por São Paulo, assumindo
des monetárias para a obtenção de recursos (di- o mandato quando o titular, André Franco Mon-
nheiro) no mercado. A captação pode ser utili- toro, tornou-se governador daquele Estado em
zada tanto no sentido de retirar liquidez do mer- 1983. Em 1986, elegeu-se senador por São Paulo
cado, quando a política monetária é contracio- e, em outubro de 1992, tornou-se ministro das
nista, como para obter recursos com os quais o Relações Exteriores no governo Itamar Franco.
83 CARRY-OVER

Em maio de 1993, foi nomeado ministro da contribuintes. Corresponde a uma parcela im-
Fazenda. Em 3 de outubro de 1994, foi eleito portante da renda nacional.
presidente da República para o período de
1/1/1995 a 31/12/1998. Seus livros mais impor- CARGA UNITIZADA. Expressão do comércio
tantes são: Autoritarismo e Democratização (1975); internacional que designa a carga transportada
Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional: o Ne- por containers, pallets ou pelo sistema roll-on/roll-
gro na Sociedade Escravocrata do Rio Grande do Sul off. Veja também Contêiner.
(1962); Homem e Sociedade: Leituras Básicas de So- CARIBBEAN FREE TRADE ASSOCIATION
ciologia Geral (1966), em colaboração com Octá- (CARIFTA). Zona de livre comércio estabeleci-
vio Ianni; Dependência e Desenvolvimento na Amé- da em 1968 por alguns países do Caribe como
rica Latina: Ensaio de Interpretação Sociológica Barbados, Guiana, Jamaica, Trinidad e Tobago.
(1970), em colaboração com Enzo Falleto. Em 1973, esta associação transformou-se no Ca-
ribbean Common Market (Mercado Comum do
CARDOSO DE MELLO, Zélia (1953- ). For- Caribe), designado pela sigla Caricom.
mou-se em economia pela Faculdade de Econo-
mia e Administração da Universidade de São CARICOM. Veja Caribbean Common Market.
Paulo em 1975. Obteve o título de mestre pela
mesma instituição em 1981. Entre 1983 e 1986, CARIFTA. Veja Caribbean Free Trade Associa-
trabalhou na Companhia de Desenvolvimento tion.
Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo CARIMBO. Aplicado por punção em moedas
como assessora. Entre 1986 e 1987, trabalhou na a fim de alterar para menos o seu primitivo valor
Secretaria do Tesouro Nacional durante a gestão facial. Moedas de cobre de 80 réis, por exemplo,
de Andrea Calabi. Posteriormente, montou uma emitidas durante a primeira metade do século
empresa de consultoria econômica, tendo pres- XIX no Brasil, receberam naquela época o ca-
tado serviços ao então governador de Alagoas,
rimbo com a denominação “40", valor que a
Fernando Collor de Mello. Durante a campanha
moeda carimbada passou a ter, isto é, 40 réis.
presidencial de 1989, foi contratada por este para
Embora aplicado nas moedas para a redução de
a elaboração do programa econômico do futuro
seu valor, pode ser aplicado nas cédulas para
governo e, com a vitória do candidato, foi es-
colhida como ministra da Economia. Durante transformar unidades monetárias antigas em
sua gestão (março de 1990 a maio de 1991), pre- atuais, ou para lastrear uma moeda não conver-
parou e colocou em execução dois planos de sível tornando-a conversível, como, por exem-
estabilização, o Plano Collor e o Plano Collor 2. plo, aconteceu no Brasil com as emissões da Cai-
Apesar das medidas drásticas utilizadas, espe- xa de Conversão (1906) e com a Caixa de Esta-
cialmente durante o primeiro Plano Collor, com bilização (1926), e também, mais recentemente,
os bloqueios dos depósitos à vista e a prazo, com a adoção dos vários planos para eliminar
das aplicações financeiras e cadernetas de pou- a inflação, quando se mudava a unidade mone-
pança durante dezoito meses, a estabilização não tária colocando-se um carimbo nas cédulas emi-
foi alcançada e a inflação prosseguiu num ritmo tidas anteriormente e atualizando seu valor. Ca-
acelerado. Atualmente, Zélia Cardoso de Mello é rimbo é também a denominação que os opera-
professora de Economia na Faculdade de Econo- dores do mercado financeiro dão aos aumentos
mia e Administração da Universidade de São Pau- de capital via aumento do valor nominal das
lo. Veja também Plano Collor e Plano Collor 2. ações que o constituem. Veja também Bracea-
gem; Caixa de Amortização; Caixa de Conver-
CARÊNCIA. Período de tempo, concedido pelo são; Escudete; Legislação Monetária Brasileira;
credor, durante o qual o devedor não paga o Recunho; Senhoriagem.
principal da dívida, mas apenas os juros.
CARRY BACK. Expressão em inglês que, lite-
CAREY, Henry Charles (1793-1879). Economis- ralmente, quer dizer “carregar para trás”, utili-
ta norte-americano, um dos criadores da teoria zada pelas empresas para evitar a incidência do
da “harmonia de interesses” entre o capital e o Imposto de Renda em determinado ano, quando
trabalho. Em relação às questões da renda da as perdas observadas num período podem ser
terra, aceitava a tese de Ricardo sobre a inexis- lançadas retroativamente ou no exercício se-
tência da renda absoluta e considerava o arren- guinte (carry forward), para reduzir a média dos
damento uma forma de pagamento dos juros lucros tributáveis.
correspondentes ao capital investido na terra.
Veja também Renda Absoluta; Renda da Terra; CARRY FORWARD. Veja Carry Back.
Renda Diferencial.
CARRY-OVER. Expressão inglesa (“transpor-
CARGA FISCAL. Soma de todos os impostos te”) utilizada no mercado de títulos negociáveis.
e tributos fiscais e sociais que são cobrados dos O detentor de um título pode adiar a data do
CARRYING COSTS 84

resgate, recebendo juros pelo prazo maior, en- ciação por parte de um banqueiro, comerciante
quanto o emitente do título pode dispor do di- ou operador de Bolsa de Valores. Especificamen-
nheiro para outras atividades. te, designa as seções dos bancos especializadas
apenas num tipo de operação, tais como carteira
CARRYING COSTS. Custos de manutenção de de crédito agrícola, carteira de descontos e carteira
estoques, ou “custos de carregação”. de câmbio.
CARTA DE CRÉDITO. Carta cujo signatário CARTEIRA DE AÇÕES. Veja Porta-fólio.
autoriza o destinatário a entregar a uma terceira
pessoa certa importância em dinheiro ou deter- CARTEIRA DE TÍTULOS. Veja Porta-fólio.
minada quantidade de mercadorias. A entrega
se faz sob a garantia do signatário, de forma CARTEL. Grupo de empresas independentes
que ele exerce o papel de fiador da operação. que formalizam um acordo para sua atuação
coordenada, com vistas a interesses comuns. O
CARTA DE INTENÇÃO. Documento enviado tipo mais freqüente de cartel é o de empresas
pelo governo brasileiro ao Fundo Monetário In- que produzem artigos semelhantes, de forma a
ternacional (FMI) contendo medidas de política constituir um monopólio de mercado. O termo
econômica (fiscais, monetárias, administrativas “cartel” refere-se em geral ao mercado interna-
e patrimoniais) a serem adotadas para ajustar a cional — onde chegam a existir cartéis de países
economia aos desequilíbrios provocados em seu —, enquanto se prefere utilizar termos como
setor externo. Geralmente, as Cartas de Intenção truste e sindicato para os mercados regionais. Os
contêm medidas que levam a economia à reces- objetivos mais comuns dos cartéis são: 1) con-
são. Quando as metas nelas contidas são exe- trole do nível de produção e das condições de
cutadas, raramente os objetivos são alcançados venda; 2) fixação e controle de preços; 3) controle
em sua integridade. Do ponto de vista da rene- das fontes de matéria-prima (cartel de compra-
gociação da dívida externa, esses documentos dores); 4) fixação de margens de lucros e divisão
contêm os elementos para que os credores, me- de territórios de operação. As empresas que for-
diante endosso do FMI, possam avaliar as con- mam um cartel mantêm sua independência e
dições futuras para o pagamento da dívida ex- individualidade, mas devem respeitar as regras
terna. Nenhuma das Cartas de Intenção que o aceitas pelo grupo, como a divisão do mercado
Brasil assinou junto ao FMI depois de 1982 che- e a manutenção dos preços combinados. Em ge-
gou a ser cumprida. Veja também Autoridades ral, formam um fundo comum que serve de re-
Monetárias; Dívida Externa; FMI. serva orçamentária ao cartel. Esse fundo é uti-
lizado para punir as empresas do grupo que
CARTA DE RECOMPRA. Documento utiliza- não respeitarem o acordo e também para impe-
do no mercado financeiro mediante o qual um dir que outras empresas penetrem em mercados
vendedor (geralmente um banco ou uma insti- já dominados. Na maioria dos países, a formação
tuição financeira), devidamente habilitado pelo de cartéis que atuem internamente é proibida,
Banco Central, se compromete a recomprar de por configurar uma situação de monopólio. No
um comprador (seu cliente) os títulos negocia- entanto, a cartelização é fenômeno normal nas
dos sob determinadas condições de preço, prazo economias capitalistas, tanto as desenvolvidas
e taxa de desconto. quanto as subdesenvolvidas. A atuação dos car-
CARTÃO DE CRÉDITO. Documento financei- téis elimina a concorrência; os consumidores po-
ro que dá a seu possuidor o direito de fazer dem ser lesados por preços construídos artifi-
compras em estabelecimentos comerciais, inde- cialmente e por produtos obsoletos; as fontes
pendentemente de pagamento imediato; o pos- de matérias-primas ficam submetidas a compra-
suidor apenas assina a fatura correspondente à dores que fixam condições de compra, preços
compra. A instituição financeira que emitiu o etc. Para o mercado externo, entretanto, alguns
cartão se incumbe de pagar ao vendedor e cobrar países chegam a estimular a cartelização como
a dívida do comprador (e possuidor do cartão), forma de constituir grupos para organizar ra-
geralmente em parcelas mensais acrescidas de cionalmente a produção e competir em igual-
juros. A principal função econômica dos cartões dade de condições nesse mercado. Veja também
de crédito é estimular poderosamente o consu- Monopólio; Truste.
mo. Veja também Consumo.
CARTELIZAÇÃO. Veja Cartel.
CARTA PARTITA. Expressão italiana que sig-
nifica um acordo para o afretamento (leasing) CARTISMO. Um dos primeiros movimentos
de um navio ou de parte dele por determinado político-reivindicatórios da classe operária, ocor-
tempo ou para uma viagem específica. rido na Inglaterra entre 1838 e 1848. Seu nome
deriva da Carta do Povo, um programa de seis
CARTEIRA (Porta-fólio). Conjunto dos títulos pontos que os operários apresentaram ao Par-
ou valores monetários que são objeto de nego- lamento, reivindicando: 1) sufrágio universal
85 CASAS DE CUSTÓDIA

masculino; 2) igualdade de direitos eleitorais; 3) corre às antigas empresas que fabricavam nosso
voto secreto; 4) legislaturas anuais; 5) abolição meio circulante, como aconteceu durante a in-
do censo eleitoral (baseado na propriedade); 6) trodução do Plano Real, quando a urgência em
remuneração das funções parlamentares. Inte- fabricar uma grande quantidade de moeda exi-
grado por diversas correntes político-ideológi- giu que uma parte fosse produzida no exterior.
cas (democratas, socialistas, jacobinos) e sob a A Casa da Moeda renovou seu parque industrial
liderança de Feargus O’Connor, William Lovett, durante os anos 80, e hoje conta com um parque
Julian Harney e Brontere O’Brien, o movimento tecnológico de elevada qualidade, produzindo
cartista promoveu numerosas manifestações de moedas, passaportes, selos etc. para outros paí-
denúncias das condições de vida dos trabalha- ses tanto da América do Sul (Paraguai e Vene-
dores e defendeu a jornada de dez horas de tra- zuela) como para a África (Guiné-Bissau). A
balho e o direito à organização de classe e re- Casa da Moeda produz anualmente cerca de 1
presentação parlamentar. O final do movimento bilhão de cédulas e moedas para substituir o
coincidiu com a derrota da revolução de 1848 meio circulante desgastado ou perdido, e tam-
na Europa. Apesar disso, até 1867 todos os pon- bém para expandi-lo. Nos períodos de inflação
tos da Carta do Povo, com exceção da legislatura acelerada vividos durante os anos 80 e início
anual, foram incorporados à lei inglesa. dos anos 90, a Casa da Moeda passou a produzir
e/ou carimbar uma quantidade maior de papel-
CASA DA GUINÉ E MINA; CASA DA ÍN- moeda e moedas metálicas, em função das exi-
DIA. Instituições da administração colonial por- gências da própria inflação. Além do dinheiro,
tuguesa, criadas no final do século XV para con- a Casa da Moeda detém o monopólio da pro-
trolar o comércio de Portugal com a África e a dução brasileira de selos fiscais e postais, pas-
Ásia. A elas competia organizar as frotas marí- saportes, diplomas, carteiras de motorista, cé-
timas destinadas a essas regiões, armazenar as dulas de identidade e medalhas comemorativas
mercadorias e fixar os preços. Os lucros das duas oficiais. Veja também Casa dos Pássaros; Legis-
casas constituíram por muito tempo cerca de lação Monetária Brasileira.
metade da receita da Coroa portuguesa.
CASA DA MOEDA DA BAHIA. Veja Casa da
CASA DA MOEDA. Instituição encarregada da Moeda; Legislação Monetária Brasileira.
fabricação da moeda e do meio circulante em
geral no Brasil. Desde 1643, funcionou no Rio CASA DA MOEDA DE VILA RICA. Veja Ca-
de Janeiro uma oficina para a remarcação dos sa da Moeda; Legislação Monetária Brasileira.
patacões portugueses que mais tarde, em 1698,
pela Carta Régia de 12/1, se transforma em Casa CASA DE CONTRATAÇÃO. Organismo cria-
da Moeda do Rio de Janeiro. Alguns anos antes, do na Espanha em 1503, composto por um te-
em 1694, havia sido criada a primeira Casa da soureiro, um controlador e um secretário, en-
Moeda na colônia, na Bahia (lei de 8/3). Em carregado de supervisionar as relações comer-
1720, é criada a Casa da Moeda de Vila Rica, ciais e marítimas entre as Índias e a metrópole,
MG, que funciona até 1734, quando é extinta, assegurar proteção aos comboios que iam para
permanecendo apenas as casas da moeda do Rio a América e cuidar da entrada das rendas da
de Janeiro e da Bahia. Em 1834 (decreto de 13/3), Coroa (especialmente os metais preciosos) de-
as atividades da Casa da Moeda da Bahia são correntes dessas atividades econômicas. As Ca-
encerradas, passando a existir apenas a Casa da sas de Contratação desempenharam também o
Moeda do Rio de Janeiro. Em 1950, a lei nº 1 216, papel de escola de navegação, de organismo de
de 28/10, criou o Museu da Casa da Moeda, pesquisas oceanográficas e, posteriormente, de
onde são conservadas as moedas e o papel-moe- Corte Soberana de Justiça nas relações comer-
da emitidos por aquela instituição, e também ciais com as Índias.
outros elementos como vales, certificados, do- CASA DOS PÁSSAROS. Local no centro do
cumentos e materiais que serviram como dinhei- Rio de Janeiro onde funcionou a Casa da Moeda
ro ou instrumento de crédito no decorrer de nos- do Brasil entre 1814 e 1868. O nome deveu-se
sa História. Atualmente, é uma autarquia vin- ao fato de a construção ali erguida ser destinada
culada ao Ministério da Fazenda, e, desde 1969, originalmente a um Museu de História Natural,
fabrica o papel-moeda em circulação no Brasil, onde foram acumulados, logo depois, muitos
além de cunhar as moedas metálicas do nosso animais embalsamados, especialmente pássaros.
meio circulante. Até 1969 o papel-moeda em cir-
culação no Brasil era fabricado por empresas es- CASAS DE CUSTÓDIA. Denominação dada às
trangeiras como a Thomas de La Rue, da Ingla- antigas casas onde eram depositadas moedas de
terra, e a American Bank of Notes, dos Estados ouro e prata em relação às quais eram emitidos
Unidos. Apesar de contar com imensa capaci- certificados de depósito, que posteriormente
dade de produção de papel-moeda e de moeda passaram a circular como notas (dinheiro), dan-
metálica, eventualmente o governo brasileiro re- do origem aos bancos. Veja também Dinheiro.
CASAS DECIMAIS 86

CASAS DECIMAIS. Quantidade de dígitos exis- te pela hereditariedade, o sistema de castas obe-
tentes depois da vírgula decimal. Por exemplo, dece a um conjunto de valores rígidos que fixa
a constante π (pi) pode ser apresentada da se- para cada casta seus direitos e obrigações, bem
guinte maneira: 3,1415, possuindo neste caso como a forma de relacionamento entre elas. O
quatro casas decimais, isto é, quatro dígitos de- sistema de castas mais conhecido é o da Índia,
pois da vírgula. Se desejássemos maior precisão mas ocorre também no Ceilão e existiu no Egito
para o cálculo da área de um círculo, podería- Antigo. Para muitos estudiosos do tema, todas
mos agregar mais casas decimais: por exemplo, as sociedades escravistas (até mesmo do Império
3,1415927, quando a constante π (pi) passaria a brasileiro) baseavam-se num sistema de castas.
ter sete casas decimais. Se não quiséssemos uma O sistema indiano tem quatro castas: os brâma-
precisão muito grande, poderíamos trabalhar nes (sacerdotes), os xátrias (guerreiros), os vai-
com um número bem menor de casas decimais, xás (mercadores) e os sudras (camponeses e tra-
por exemplo, 3,14, quando teríamos apenas duas balhadores); há ainda os párias, indivíduos so-
casas decimais, e assim sucessivamente. As fra- cialmente desqualificados que não integram ne-
ções têm seus equivalentes em decimais, sendo nhuma das castas socialmente reconhecidas e
que as mais utilizadas são as seguintes: 1/2 = 0,5; que, em muitas regiões, formam o principal con-
1/4 = 0,25; 1/8 = 0,125; 3/4 = 0,75; 3/8 = 0,375; tingente de trabalhadores braçais. As pessoas só
5/8 = 0,625; 7/8 = 0,875. Veja também Pi (π). podem se casar dentro da mesma casta, são o-
brigadas a partilhar os mesmos rituais religio-
CASH COMMODITY. Veja Produto Físico. sos, os mesmos alimentos e a mesma profissão,
transmitida de pai para filho. A mobilidade so-
CASH COW. Expressão em inglês que significa
cial nesse sistema é mais uma questão coletiva
uma empresa que entrega aos seus acionistas do que individual: uma pessoa poderá melhorar
todos os ganhos a que têm direito na forma de
sua condição dentro do grupo, mas só elevará
dividendos, isto é, em dinheiro, e não como bo- sua posição de casta se o fenômeno atingir toda
nificações em ações ou outra forma não mone- a sua família ou sua linhagem. Para Max Weber,
tária. essa rigidez social contribuiu para manter a so-
CASH MARKET. Veja Mercado à Vista. ciedade indiana em situação de imobilismo, im-
pedindo que a produção artesanal realizada nas
CASH FLOW. Veja Fluxo de Caixa. oficinas avançasse para um sistema fabril. Isso
porque numa oficina só trabalhavam pessoas
CASO FORTUITO. É o evento da natureza que, pertencentes à mesma casta e a inovação tecno-
por sua imprevisibilidade e inevitabilidade, cria lógica era condenada pela tradição. O sistema
para o contratante a impossibilidade intranspo- de castas na Índia foi profundamente abalado
nível de executar um contrato. Por exemplo, a a partir da dominação inglesa e, mais tarde, pelo
ocorrência de um terremoto em regiões não su- desenvolvimento industrial do país. Mesmo as-
jeitas a tal fenômeno pode tornar inexeqüível a sim, as castas persistem com grande força nas
construção de um túnel. Nesse caso, aplica-se o zonas rurais.
dispositivo, pois não houve culpa do contratante
se o contrato tornou-se inexeqüível. Veja tam- CATASTROFISTA. Denominação dada ao ana-
bém Força Maior. lista de mercado ou de uma economia que está
sempre prevendo catástrofes nos negócios ou no
CASSEL, Gustav (1866-1945). Economista neo- desempenho de uma economia. É sinônimo de
clássico sueco. Em sua juventude, sofreu a in- visão pessimista levada ao extremo. Veja tam-
fluência de Alfred Marshall. Em 1904, tornou-se bém Sinistrose.
professor de Economia Política da Universidade
de Estocolmo. Suas obras Grundriss einer Elemen- CATEGORIAS. Conceitos fundamentais para o
taren Preislehre (Esboço de um Estudo Elementar estudo da realidade. Por exemplo, as categorias
dos Preços), 1899, e The Nature and Necessity of produção, consumo, circulação, preço, lucro, ca-
Interest (Natureza e Necessidade do Juro), 1903, pital, salário, trabalho são usadas por todas as
foram contribuições importantes para a teoria escolas econômicas; mas a categoria produtivi-
do juro e para a análise do ciclo econômico. Es- dade marginal do capital é característica da es-
creveu ainda Memorando sobre os Problemas Mo- cola marginalista, enquanto os marxistas recor-
netários do Mundo (1920) e A Crise do Sistema Mo- rem a categorias como mais-valia, valor-traba-
netário Mundial (1932), obra na qual defende o lho, valor de uso e valor de troca.
controle permanente do dinheiro em circulação.
Veja também Escola Neoclássica. CATOLICISMO SOCIAL. Veja Doutrina So-
cial da Igreja.
CASTAS, Sistema de. Organização social for-
mada por camadas fechadas e distribuídas hie- CATS. Iniciais da expressão em inglês Certificate
rarquicamente segundo padrões étnicos, religio- of Accrual on Treasury Securities, que designa
sos e ocupacionais. Transmitido individualmen- emissões do Tesouro norte-americano vendidas
87 CAVEAT SUBSCRIPTOR

com grande desconto no valor de face e sem


cupons ou pagamento de juros. O rendimento
deste título é obtido no seu vencimento quando
o possuidor recebe o valor de face do mesmo.
Os cats não podem ser resgatados antes do ven-
cimento. Este tipo de título é adequado para in-
vestimentos de longo prazo, como, por exemplo, cauda
aqueles relacionados com planos de aposenta-
doria.

CATS AND DOGS. Expressão em inglês do


jargão financeiro que significa títulos altamente
especulativos, em particular ações que não pro- CAURI. Veja Zimbo.
porcionam dividendos, e são de valor indeter-
minado ou mesmo nulo. CAUSAÇÃO CIRCULAR. Teoria desenvolvida
pelo economista sueco Gunnar Myrdal, segundo
CATS CALL OPTIONS. Veja Opções de Com- a qual problemas sociológicos e econômicos são
pra Cats. provocados por causas que se encadeiam em cír-
culo vicioso. Assim, países subdesenvolvidos
CATS CASH MARKET. Veja Mercado à Vista não possuem condições de melhorar o nível da
Cats. população, que, por sua vez, não consegue tirar
CATS FORWARD MARKET. Veja Mercado a o país do subdesenvolvimento. Myrdal acredi-
Termo Cats. tava que esse círculo poderia ser rompido graças
a reformas sociais, políticas e econômicas que
CATS ODD-LOT MARKET. Veja Mercado Fra- atuassem diretamente em determinados pontos
cionário Cats. do círculo. Por exemplo, a melhoria das condi-
ções de saúde e educação do povo possibilitaria
CATS PUT OPTIONS. Veja Opções de Venda uma produção nacional mais elevada e menores
Cats. gastos sociais, o que acabaria por redundar em
aumento da riqueza da nação; enfim, seria cria-
CAUÇÃO. Contrato pelo qual uma pessoa se do um outro círculo vicioso que propiciaria o
obriga a satisfazer e cumprir as obrigações con- desenvolvimento do país. Veja também Myrdal,
traídas por um terceiro, se este não as cumprir. Gunnar Karl.
“Prestar caução” significa fazer depósito em va-
lores, títulos da dívida pública, papéis de crédito CAUTELA. Certificado representativo das açõ-
ou hipoteca de bens de raiz, para responder pe- es, emitido pelas sociedades anônimas. As cau-
los desfalques que se possam dar na adminis- telas, também chamadas de títulos múltiplos,
tração, gerência ou tesouraria de que se é en- são entregues aos acionistas para depois ser
carregado. Também é caução o depósito em tí- substituídas por ações.
tulos da dívida pública como garantia da serie-
dade de uma licitação ou do cumprimento de CAVALEIRO DE MÉRÉ. Veja Risco.
um contrato. CAVALO-VAPOR. Veja Horse Power.
CAUCUS. Reunião de um pequeno grupo de CAVEAT EMPTOR. Expressão em latim que
membros influentes de uma organização (em- significa “que o comprador esteja avisado” e que
presa) para estabelecer a estratégia de atuação constitui um princípio jurídico. Segundo este
numa assembléia geral. O termo tem maior di- princípio, o comprador deve estar (ou se supõe
fusão nos Estados Unidos, onde nas negociações estar) consciente das condições da mercadoria
coletivas entre empregados e empregadores é que está comprando, como preço, adequação,
também utilizado no sentido do estabelecimento qualidade etc., para posteriormente não sofrer
de um recesso para que cada parte possa discutir perdas e não ter respaldo legal para reclamações,
em separado questões sobre as quais cada grupo exceto nos casos de fraudes ou de garantias ex-
não tem uma posição prévia. pressas nos contratos de compra e venda. Veja
também Caveat Venditor.
CAUDA. Em estatística, significa as partes ex-
tremas de uma curva de freqüência em que as CAVEAT SUBSCRIPTOR. Expressão em latim
densidades de freqüência são significantemente que significa “que o subscritor esteja avisado”,
menores que para o restante da curva, embora isto é, que o subscritor de um título, ação etc.
sem um delimitação precisa entre ela e o restante esteja consciente das condições da operação que
(o corpo) da curva. Por exemplo: está prestes a realizar.
CAVEAT VENDITOR 88

CAVEAT VENDITOR. Expressão latina que reito a dividendos. Opõe-se a ED, que significa
significa “que o vendedor seja avisado” e que ex-dividendo (sem direito a dividendo).
constitui um princípio jurídico segundo o qual
se supõe que o vendedor deve estar consciente CDB — Certificado de Depósito Bancário. Do-
e informado das condições da venda que está cumento que comprova ter seu possuidor feito
realizando, para não ter o direito de reclamações um depósito a prazo fixo em estabelecimento
posteriores, exceto nos casos de fraudes ou de financeiro. É negociável, rende juros e, no Brasil,
garantias expressas nos contratos de compra e na época em que existia a correção monetária,
venda. Veja também Caveat Emptor. esta era agregada aos juros, sendo pré ou pós-
fixada.
CB. Abreviatura utilizada nos boletins emitidos
pelas Bolsas de Valores, indicando que deter- CDE — Conselho de Desenvolvimento Econô-
minada ação está sendo comercializada com di- mico. Criado pela lei nº 6 036 de 1/5/1974, para
reito a bonificação. Opõe-se a EB, que significa assessorar o Executivo na formulação da política
ex-bonificação (sem direito a bonificação). Veja econômica e, em especial, na coordenação das
também Boletim; Bonificação. atividades dos ministérios afins, de acordo com
a orientação definida no Plano Nacional de De-
CBIC — Câmara Brasileira da Indústria da senvolvimento Econômico. É presidido pelo pre-
Construção. Entidade de caráter nacional, com sidente da República e integrado pelos ministros
sede em Brasília-DF, que congrega sindicatos, da Economia, Agricultura e Infra-Estrutura, ten-
associações de classe, empresas e profissionais do como secretário-geral o ministro-chefe da Se-
da área de construção civil em geral, serviços cretaria de Planejamento.
de engenharia e consultoria. Objetiva defender
os interesses da engenharia nacional e promover CDI — Conselho de Desenvolvimento Indus-
seu desenvolvimento, em cooperação com as au- trial. Órgão federal criado em agosto de 1969,
toridades governamentais. É filiada à Federação para ser o principal formulador e coordenador
Internacional da Indústria da Construção (Fiic). da política industrial brasileira. Cabe-lhe esta-
Realiza, semestralmente, o Encontro Nacional da belecer programas e condições para a implan-
Indústria da Construção (Enic), que reúne em- tação dessa política, assim como providenciar a
presários e dirigentes classistas de todo o país compatibilização dos planos regionais de desen-
para a discussão de temas e propostas de ação volvimento industrial com os programas nacio-
para o setor. nais. Presidido pelo secretário da Indústria e Co-
mércio, é integrado também pelos ministros da
CBOE. Iniciais de Chicago Board Options Ex- Economia, Infra-Estrutura e Estado-Maior das
change (Bolsa de Opções de Chicago). Forças Armadas e pelos presidentes dos princi-
pais bancos estatais (BNDES, Banco Central e
CBT. Iniciais de Chicago Board of Trade (Bolsa
de Mercadorias de Chicago). Banco do Brasil) e das grandes entidades re-
presentativas do setor privado (confederações
CC-5. Denominação das contas correntes espe- da indústria e do comércio). O trabalho do CDI
ciais de pessoas físicas e empresas não residentes é organizado por seis grupos setoriais, integra-
no Brasil, mediante as quais entravam grandes dos ao gabinete do secretário-geral e correspon-
quantidades de dólares, que alimentavam a ofer- dentes às indústrias de bens de capital; produtos
ta dessa moeda no mercado interno até o final intermediários não-metálicos; cimento, papel e
de abril de 1996. Foi quando norma do Banco celulose; bens de consumo; indústrias metalúr-
Central estipulou que quantias superiores a 10 gicas básicas; químicas, petroquímicas e farma-
mil dólares deveriam ter sua origem justificada, cêuticas; automotivas e seus componentes. De
o que reduziu sensivelmente a entrada de moe- todos esses grupos fazem parte representantes
da norte-americana por essa via, e fez o black de órgãos ministeriais, autarquias e Forças Ar-
(mercado negro de dólares) reaparecer. madas.

CCQ — Círculo de Controle de Qualidade. É CDM. Iniciais da expressão em inglês chief de-
a organização, geralmente nos locais de trabalho cision makers, que significa “chefe dos tomadores
(mas também em âmbito de empresa), de grupos de decisão”.
de trabalhadores, por meio de iniciativa patro-
nal, com a finalidade principal de discutir as CEBRAE — Centro Brasileiro de Assistência
formas para melhorar a produção e o controle Gerencial às Pequenas e Médias Empresas. En-
de qualidade dos produtos. tidade vinculada ao Ministério do Planejamento,
criada em 1972. Em 9/10/1990, mediante o de-
CD. Abreviatura usada nos boletins emitidos creto-lei nº 99570, passou a chamar-se Serviço
pelas Bolsas de Valores, indicando que deter- Brasileiro de Assistência Gerencial à Pequena e
minada ação está sendo comercializada com di- Média Empresa (Sebrae). Veja também SEBRAE.
89 CEMIG

CEBRAP — Centro Brasileiro de Análise e Pla- CEE. Iniciais de Comunidade Econômica Euro-
nejamento. Instituição privada, sem fins lucra- péia. Veja também Comunidade Européia.
tivos, criada em São Paulo em 1969 por um gru-
po de cientistas sociais afastados de suas funções CEME — Central de Medicamentos. Órgão cria-
docentes na Universidade de São Paulo por mo- do em junho de 1971 por decreto presidencial,
tivos políticos. Especializada em pesquisas, es- com os objetivos de: 1) controlar a compra e o
tudos e assessoria técnica no campo das ciências fornecimento de medicamentos aos diversos se-
sociais, funciona independentemente dos órgãos tores da administração federal e fundações, re-
governamentais brasileiros, recebendo dotações gulando também a produção e distribuição de
remédios dos laboratórios subordinados ou vin-
de organismos nacionais e internacionais para
culados aos Ministérios da Marinha, Exército,
o desenvolvimento de suas atividades. Publica
Aeronáutica, Saúde, Trabalho e outros com os
livros e revistas como Cadernos Cebrap e Estudos
quais mantivessem convênio; 2) fornecer remé-
Cebrap. Edita, desde 1981, a revista quadrimes-
dios a preços acessíveis ou mesmo gratuitamen-
tral Novos Estudos Cebrap. te à população de baixa renda, bem como in-
CECA — Comunidade Européia do Carvão e tervir diretamente em sua produção, incentivan-
do Aço. Organização criada em 1951 pelo Tra- do a instalação, em território nacional, de ma-
tado de Paris e integrada mais tarde à Comu- térias-primas necessárias à confecção de medi-
camentos essenciais. Em seu primeiro plano di-
nidade Européia juntamente com o Mercado Co-
retor, de julho de 1973, a Ceme definia como
mum Europeu e a Euratom. Reúne Alemanha,
uma de suas metas o desenvolvimento de uma
Bélgica, França, Itália, Luxemburgo, Holanda, indústria farmacêutica genuinamente nacional e
Inglaterra, Irlanda, Dinamarca, Grécia, Portugal o apoio à pesquisa científica e tecnológica. Em
e Espanha. Tem como origem o Plano Schuman, 1975, porém, o órgão foi transformado em mero
que propunha unificar, sob um controle único distribuidor de remédios, passou para a esfera
e um mercado comum, a produção de aço e car- do Ministério da Previdência e transferiu a parte
vão da Alemanha e da França, com possibilidade de pesquisa ao Ministério da Indústria e Co-
de participação dos demais países europeus oci- mércio. Em 1979, técnicos do Ministério da Pre-
dentais. O tratado estabelece, no âmbito do car- vidência e da própria Central de Medicamentos
vão, ferro, aço e sucata, que os países-membros elaboraram um projeto de transformação da
se comprometem a eliminar entre si barreiras Ceme em empresa pública vinculada ao Minis-
alfandegárias, restrições monetárias, cotas de tério da Saúde, visando a incrementar a fabri-
importação, diferenças nos preços dos transpor- cação de insumos e medicamentos no país. Esse
tes, subsídios governamentais que impeçam a projeto, porém, não foi aprovado pela Secretaria
livre concorrência, e políticas discriminatórias do Planejamento. Em 1983, elaborou-se o Pro-
de preços. Proíbe ainda a formação de cartéis e grama Nacional da Indústria Químico-Farma-
cêutica, destinado a substituir as importações no
determina autorização prévia para o desenvol-
setor, fortalecendo a produção interna de maté-
vimento de concentrações verticais. O órgão exe-
rias-primas destinadas à fabricação de remédios
cutivo da Comunidade é a Alta Autoridade, se- da área da Ceme por empresas de capital na-
diada em Luxemburgo e formada por um repre- cional. Em 1990, com a reforma ministerial, a
sentante de cada país. Conta ainda com um Con- Ceme saiu do âmbito da Previdência e foi vin-
selho de Representantes, um Tribunal de Justiça culada ao Ministério da Saúde, onde desempe-
e uma Assembléia, integrada por parlamentares. nha a função de compradora e distribuidora de
remédios.
CEDI NOVO. Unidade monetária de Gana.
Submúltiplo: pesewa. CEMIG — Centrais Elétricas de Minas Gerais
S.A. Primeira empresa estatal brasileira de ele-
CÉDULA. Nome genérico dado a qualquer tipo tricidade e que serviu de modelo para as outras
de promessa de pagamento por escrito e, por centrais elétricas estaduais. Sua criação em 1952,
extensão, nome popular do papel-moeda. O ter- quando Juscelino Kubitschek era governador de
mo aplica-se também aos recibos emitidos por Minas Gerais, assinalou a quebra do monopólio
casas de penhor (cédula de penhor), nos quais das duas multinacionais que atuavam no setor
se especificam os objetos empenhados, o valor da energia elétrica no Brasil: a Light, no eixo
emprestado e o prazo de resgate. E, no Imposto Rio—São Paulo, e a Amforp, que detinha os mer-
de Renda, designa cada formulário específico a cados do Interior paulista, Vitória, Belo Hori-
ser preenchido pelo contribuinte, de acordo com zonte e Curitiba. A Cemig supria, em 1989, qua-
a categoria a que pertence (assalariado, proprie- se 15% do mercado brasileiro de energia elétrica
tário rural etc.). e, em números absolutos, era responsável pelo
segundo mercado energético nacional. Atendia
CÉDULA DE PENHOR. Veja Cédula. a 3 077 000 consumidores, atingindo 5 145 lo-
CENARISTA 90

calidades. Em sua área de concessão estavam básicos, como hospitais, escolas e creches. E a
instaladas indústrias responsáveis, em termos densidade demográfica permite ao governo di-
globais, por 100% da produção brasileira de mi- recionar as correntes migratórias, incentivando
nério de ferro e de ferro-níquel, 47% da produ- o desenvolvimento de determinadas regiões. Os
ção de ligas de ferro, 52% de alumínio, 85% de censos industrial, comercial, agropecuário e de
zinco, 47% da siderurgia, 33% do cimento e 70% serviços permitem o levantamento de dados re-
dos laticínios. Quando a Cemig começou a ope- lativos à mão-de-obra empregada, distribuição
rar, a única usina em funcionamento no Estado salarial, produtividade média, capital emprega-
era a de Gafanhoto, na cidade industrial de Con- do, estoques, índice de preços etc. São dados
tagem. A capacidade instalada da Cemig, em fundamentais para a construção de uma política
1989, chegava a 4 465 000 quilowatts, dos quais econômica baseada nos aspectos reais do país.
70% atendiam à demanda industrial. A energia
é produzida por dezenas de usinas espalhadas CENTIL. Veja Percentil.
pelas principais bacias hidrográficas do Estado
(rios Grande, Paranaíba, São Francisco, Jequiti- CENTRALIZAÇÃO. Veja Economia Centrali-
nhonha, Doce e Paraíba), das quais as maiores zada.
são as de São Simão (2,680 milhões de quilo- CENTRO DE ARBITRAGEM OMPI. Veja
watts), Emborcação (1 milhão de quilowatts), Ja- OMPI.
guara (660 mil quilowatts), Três Marias (516 mil
quilowatts) e Volta Grande (516 800 quilowatts). CENTRO INTERNACIONAL PARA A DECI-
SÃO DE DISPUTAS DE INVESTIMENTOS
CENARISTA. Pessoa que se dedica a estabele- (International Centre for the Settlement of In-
cer cenários de provável evolução futura dos vestment Disputes). Organização internacional
acontecimentos no plano da economia, da ad- que serve, às partes contratantes de investimen-
ministração e dos negócios em geral. Na medida tos, de fórum para resolver os conflitos de pa-
em que existem enormes massas de recursos fi- gamentos ou questões semelhantes. O centro foi
nanceiros e de investimento, que são aplicados criado em 1966 pelo Acordo sobre Disputas de
no médio e longo prazos, o papel dos cenaristas Investimentos entre Estados e empresas priva-
torna-se cada vez mais importante como ponto das estrangeiras, por iniciativa do Banco Inter-
de referência para a realização menos insegura nacional de Reconstrução e Desenvolvimento
de investimentos e aplicações financeiras. Em (Bird).
alguns casos, os cenaristas são também chama-
dos de futurólogos. CEO. Iniciais da expressão em inglês chief exe-
cutive officer, que significa o diretor-presidente
CENSO. Registro estatístico de determinada po- de uma empresa ou seu diretor-executivo mais
pulação, segundo critérios como sexo, idade, importante e com maiores poderes.
ocupação, religião etc. No Brasil, o primeiro cen-
so foi realizado em 1872 e destinava-se apenas CEPAC — Certificado de Potencial de Área de
à contagem da população; depois houve o censo Construção. Título criado em março de 1995 no
de 1890, e, desde então, um a cada dez anos. município de São Paulo, que faculta ao proprie-
Em 1920, o campo de investigação ampliou-se tário construir em seu terreno além do que a
e, a partir de 1970, o recenseamento incluía os Lei de Zoneamento permite. Estes certificados
censos demográfico (população e habitação), são adquiridos pelos particulares junto à prefei-
agropecuário, industrial, comercial e de serviços; tura, e esta, com os recursos obtidos com a ven-
esses últimos a cada cinco anos. No censo de- da, investe na construção de obras públicas. Veja
mográfico, são investigados tamanho e compo- também Operações Interligadas; Operações Ur-
sição populacional, estrutura familiar, movi- banas.
mentos migratórios, escolaridade, potencial e
qualificação da mão-de-obra, padrões de renda CEPAL — Comissão Econômica para a Amé-
individual e familiar, fecundidade e situação ha- rica Latina. Órgão regional das Nações Unidas,
bitacional. Esses dados são parâmetros para o ligado ao Conselho Econômico e Social; foi cria-
aferimento de outros dados estatísticos, e com do em 1948 com o objetivo de elaborar estudos
eles obtém-se uma visão ampla da estrutura eco- e alternativas para o desenvolvimento dos paí-
nômico-social do país. A estratificação da po- ses latino-americanos. É integrado por repre-
pulação ativa, por idade, ajuda a determinar a sentantes de todos os países do hemisfério e con-
estrutura da demanda de emprego. Renda e con- ta com a participação especial dos Estados Uni-
sumo dão idéia da poupança gerada pela po- dos, Grã-Bretanha, França e Holanda. Tem sede
pulação e como canalizá-la, na forma de inves- em Santiago do Chile e promove uma conferên-
timentos governamentais, para zonas prioritá- cia a cada dois anos para debater seus projetos
rias. A estratificação por idade pode ainda de- e analisar a situação dos países-membros. Os
terminar a necessidade de equipamentos sociais primeiros estudos da Cepal caracterizaram a
91 CESP

América Latina como região fornecedora de pro- CERTIFICADO DE ORIGEM. Documento que
dutos primários e consumidora de produtos in- comprova o país de origem de mercadorias tran-
dustrializados vindos do exterior. Buscando a sacionadas no mercado internacional. O certifi-
superação desse quadro de subdesenvolvimen- cado é exigido pelas autoridades alfandegárias
to, formou-se no organismo um quadro de es- quando os produtos do país em questão são be-
pecialistas renomados dos países da região (eco- neficiados por tarifas preferenciais.
nomistas, administradores, sociólogos) que, tra-
balhando numa direção comum, tornaram-se co- CERTIFICADO DE PRIVATIZAÇÃO. Como
nhecidos como integrantes da Escola da Cepal. complemento da medida que previa a desesta-
Esses técnicos (entre eles, Raul Prebisch — o tização de empresas públicas, o governo insti-
grande inspirador da Comissão —, mas também tuiu, em 15 de março de 1990, mediante medida
Celso Furtado, Felipe Herrera, Oswaldo Sunkel) provisória nº 157, o Certificado de Privatização,
título do Tesouro Nacional, nominativo e ine-
defenderam a necessidade de promover a in-
gociável, cujos detentores terão direito a utili-
dustrialização da América Latina e a diversifi-
zá-lo como pagamento de ações de empresas
cação geral de sua estrutura produtiva. Nesse
do setor público que venham a ser desestatiza-
sentido, propuseram medidas para uma melhor
das. A utilização dos certificados de privatização
distribuição da renda, reorganização adminis-
deverá ser limitada a leilões, especialmente con-
trativa e fiscal, planejamento econômico, refor-
vocados para a finalidade de venda de ações de
ma agrária e formas de colaboração entre os paí- empresas do setor público, a critério de órgão
ses para superar as deficiências concorrenciais ou instituição criada para esse objetivo ou, na
no mercado internacional (o que contribuiu para falta deste, do Ministério da Economia. Por ou-
a criação da Alalc — Associação Latino-Ameri- tro lado, cabe ao Conselho Monetário Nacional
cana de Livre-comércio). Além disso, a Cepal regular sobre os volumes e condições de compra
elaborou programas educacionais e de saúde dos Certificados de Privatização por parte da
pública, energia e transporte. Atualmente, mi- previdência privada, sociedades seguradoras e
nistra cursos de formação nas diversas áreas do de capitalização, além de instituições financeiras.
planejamento e presta assessoria técnica aos go-
vernos. As formulações que celebrizaram a Es- CESP — Companhia Energética de São Paulo.
cola da Cepal têm sido criticadas como incor- Empresa estatal paulista vinculada à Secretaria
retas por tentar repetir, num quadro histórico e de Obras e Meio Ambiente e associada à Ele-
econômico bastante diverso, os caminhos per- trobrás. Fundada em 1966, resultou da fusão de
corridos pelas nações industrializadas no século onze empresas estaduais de energia elétrica e
XIX. Veja também Furtado, Celso; Prebisch, da incorporação de várias usinas, algumas por
Raul. meio de nacionalização. Além do governo de
São Paulo, seu acionista majoritário, participam
CERCAMENTO. Veja Enclosure. do capital da Cesp a Eletrobrás, a Fundação
Cesp e várias outras entidades e órgãos públicos
CERTIFICAÇÃO DE SISTEMA DA QUALI-
e particulares. Em patrimônio líquido, era em
DADE. Processo mediante o qual uma institui-
1983 a terceira maior empresa do país, depois
ção credenciada de certificação realiza uma au- da Eletrobrás e da Petrobrás. Em 1975, a empresa
ditoria em uma empresa produtora de bens assumiu o controle acionário da Companhia
e/ou serviços para avaliar se o sistema de qua- Paulista de Força e Luz (CPFL), antiga Amforp
lidade implantado está de acordo com uma das (American Foreign Power), que em 1965 fora in-
normas da série ISO 9000. corporada pela Eletrobrás. Em 1977, teve o nome
CERTIFICADO. Na área de investimento finan- Centrais Elétricas de São Paulo S.A. mudado
ceiro ou monetário, o termo designa os docu- para o atual, estendendo o âmbito de sua atua-
mentos que atestam compra de papéis (por ção a outras áreas energéticas. Em 1979, consti-
exemplo, certificado de compra de ações) ou va- tuiu com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas
lores (certificado de investimento). Alguns cer- do Estado de São Paulo (IPT) o consórcio Pau-
lipetro, para exploração de petróleo, que não ob-
tificados (por exemplo, certificado de depósito
teve êxito e foi desativado em 1983. Ao ser fun-
bancário, CDB) são negociáveis.
dada em 1966, a Cesp tinha uma potência ins-
CERTIFICADO DE COMPRA DE AÇÕES. No talada de 662 mil quilowatts; em dezembro de
Brasil, documento emitido por entidade finan- 1988, essa potência chegava a 9 milhões de qui-
ceira que comprova ter o seu possuidor adqui- lowatts. Suas principais usinas são as de Capi-
rido cotas de um fundo de investimento como, vara, no rio Paranapanema, com 640 mil quilo-
por exemplo, o Fundo 157. watts; Engenheiro Sousa Dias (antiga Jupiá) e
Ilha Solteira, no rio Paraná, com 1,411 milhão
CERTIFICADO DE DEPÓSITO BANCÁRIO. de quilowatts e 3,230 milhões de quilowatts res-
Veja CDB. pectivamente; Água Vermelha, no rio Grande,
CESTA BÁSICA DE ALIMENTOS 92

com 1,380 milhão de quilowatts, e Paraibuna, mutatis mutandis, aos Direitos Especiais de Saque
no rio Paraibuna, com 86 mil quilowatts. Com (DES) do FMI. Veja também DES; FMI.
suas novas usinas de Porto Primavera, Rosana,
Taquaruçu e Três Irmãos, a Cesp produziu, em CETERIS PARIBUS. Veja Caeteris Paribus.
1988, 83% da energia elétrica consumida no Es- C & F. Expressão do comércio internacional que
tado de São Paulo. A Cesp mantém, em suas significa custo e frete, seguida geralmente da
zonas de atuação, programas de reflorestamen- indicação do porto de destino. Nessa modalida-
to, para compensar áreas desmatadas para a de, o vendedor assume todos os custos neces-
construção de suas usinas e reservatórios; pis- sários para transportar a mercadoria ao local de
cicultura, para conservação de espécies ameaça- destino designado, mas o risco de perdas e da-
das pelas alterações do meio ambiente; e desen- nos, bem como de qualquer aumento das des-
volvimento socioeconômico (eletrificação rural, pesas, é transferido do vendedor ao comprador
irrigação artificial, drenagens de áreas inundá- no momento em que a carga é colocada a bordo
veis etc.). Desenvolve ainda projetos de fontes do navio que a transportará para o porto de
alternativas de energia como metanol, solar, bio- embarque. Código ou abreviatura, CFR. Veja
massa, hidrogênio e processos eletroquímicos. também CIF; INCOTERMS.
Em 1981, fundou-se a Agência para Aplicação
da Eletricidade por meio de um convênio CFO. Iniciais da expressão em inglês chief finan-
Cesp/CPFL/Eletropaulo, visando à substitui- cial officer, que significa diretor-financeiro, ou
ção, nas indústrias, de derivados de petróleo por chefe da diretoria financeira.
eletricidade. As dificuldades financeiras decor- CFR. Veja C & F.
rentes de um elevado grau de endividamento e
da fixação de tarifas em níveis reduzidos oca- CGS. Iniciais das unidades fundamentais do sis-
sionaram uma queda na capacidade de investi- tema métrico decimal: centímetro (centimeter),
mento da empresa durante os anos 80 e no início grama (gram), segundo (second). Veja também
da década de 90. As dificuldades financeiras que Sistemas de Pesos e Medidas.
o próprio Estado de São Paulo atravessou du-
rante aquele período obrigaram o governo es- CGT. Veja Confederação Geral dos Trabalha-
tadual a estabelecer um amplo programa de pri- dores.
vatizações no setor energético, o que incluiu a CHADWICK, Edwin (1800-1890). Administra-
própria Cesp. A partir de 1996, durante o go- dor público e reformador social, sir Edwin Chad-
verno Mário Covas, o processo de privatização wick nasceu em Manchester, Inglaterra. For-
foi iniciado e a Cesp deverá ser alienada durante mou-se em direito e seu radicalismo o colocou
o ano de 1998. em contato com economistas e políticos de ins-
piração ricardiana. Foi secretário de Bentham e
CESTA BÁSICA DE ALIMENTOS. Conjunto
também amigo de Nassau Senior. Redigiu com
de bens que entram no consumo básico de uma
este último um relatório que em grande medida
família de trabalhadores, variando conforme o levou à completa reestruturação da Lei dos Po-
nível de desenvolvimento social do país. No Bra- bres em 1834. Seu trabalho mais importante
sil, a cesta básica de alimentos foi definida pelo como administrador público foi o Report on the
decreto-lei nº 399, de 30/4/1938, e calculada Sanitary Condition of the Labouring Population
para atender às necessidades de um trabalhador (1842), que estabeleceu as bases para medidas
adulto.Veja também: Bens-salário; Ração Essen- de modernização urbana da saúde pública (es-
cial Mínima. pecialmente esgotos) em toda a Inglaterra. Sua
CESTA DE MOEDAS. Depois da desvaloriza- obra foi bastante influenciada pelas análises or-
ção do dólar em 1971 e da perda de confiança todoxas, porém, em alguns aspectos, Chadwick
estava bem à frente de seu tempo. Por exemplo,
nesta moeda por parte do mercado financeiro
em seu trabalho nota-se a presença do problema
internacional, o recurso da cesta de moedas
das externalidades relacionadas com os custos
como índice de variação dos ativos financeiros
dos acidentes industriais. Ele considerava que
vem crescendo no mundo. O recurso a esse me-
os custos dos acidentes ocorridos na construção
canismo visa a evitar as bruscas variações que
de ferrovias deveriam ser absorvidos pelas pró-
uma única moeda utilizada como padrão ou re-
prias empresas. Contudo, só depois de 50 anos
ferência possa trazer para o mercado financeiro as primeiras leis de proteção aos trabalhadores
internacional. Na prática, se estabelece um de- foram aprovadas na Inglaterra, e a justificativa
terminado número de moedas de diferentes paí- teórica (econômica) para esse tipo de legislação
ses (geralmente os desenvolvidos) que entram só apareceu 100 anos depois naquele país.
numa cesta, determina-se uma ponderação para
cada uma delas, e o resultado é uma espécie de CHAEBOLS. Também denominados xibow, são
moeda contábil internacional que corresponde, conglomerados empresariais existentes na Co-
93 CHAYANOV

réia do Sul, reunindo capitais financeiros e in- monstra que todo empresário detém o mono-
dustriais e dirigidos por grandes famílias que pólio de seu produto cuja especificidade — seja
dominam importantes setores da economia do por meio de uma marca, seja por apresentação
país. Os chaebols assemelham-se aos zaibatsu ja- especial ou peculiaridade física — é explorada
poneses. Veja também Zaibatsu. pela publicidade, visando a vencer a concorrên-
cia de produtos semelhantes no mercado. Essa
CHAIN. Unidade de medida de comprimento noção de concorrência monopolista, mais que
utilizada nos Estados Unidos na agrimensura e uma mudança de técnica, implica uma nova vi-
topografia, equivalente a 66 pés, contendo 100 são do sistema econômico, já prenunciada por
links, e cada um com 7,92 polegadas cada. Existe Piero Sraffa em 1926 e por Joan Robinson em
também o chain de 100 links, cada um medindo 1932 (em seu estudo sobre a concorrência im-
um pé (foot). Veja também Conversão das Uni- perfeita). Titular da cadeira de Economia da Uni-
dades de Pesos e Medidas; Link; Sistemas de versidade de Harvard, Chamberlin publicou
Pesos e Medidas; Unidades de Pesos e Medidas. também Towards a More General Theory of Value
CHAMADA DE ACIONISTAS. Convocação dos (Por uma Teoria Mais Geral do Valor), 1957, e
acionistas de uma empresa, a fim de que pa- The Economic Analysis of Labour Union Power
guem a importância restante de suas subscrições (Análise Econômica do Poder dos Sindicatos),
de ações. Isso ocorre porque, no momento em 1958.
que subscrevem as ações, os acionistas pagam CHATELIER (Le). Veja Princípio de Le Chate-
apenas uma porcentagem de seu valor total; de- lier.
pois de algum tempo é que são chamados a com-
pletar a importância devida para integralizar as CHATTEL MORTGAGE. Expressão em inglês
respectivas participações acionárias na empresa que significa o penhor sobre bens que perma-
que lançou as ações. necem em poder do devedor, o que pode ocorrer
na atividade agrícola, industrial ou mercantil em
CHAMADA DE CAPITAL. Subscrição de no- relação a safras, mercadorias, bens móveis, ar-
vas ações de uma empresa pelo seu valor no- rendamentos etc.
minal. Quando uma empresa tem ações cotadas
em Bolsa e o valor nominal de suas ações é in- CHAYANOV, Alexander Vasilevitch (1888-
ferior ao seu valor de mercado ou de Bolsa, esta 1939). Um dos mais destacados estudiosos da
chamada pode ser uma forma disfarçada de dis- economia camponesa russa do início do século.
tribuir lucros, pois aqueles que têm o direito de Dirigiu a cadeira de Economia Agrícola na
subscrição (os acionistas da empresa) podem União Soviética até 1930, quando foi preso. Co-
subscrevê-las e, ato contínuo, vendê-las por um nhecido em toda a Europa, teve vários de seus
valor mais elevado na Bolsa ou então vender os escritos publicados em alemão, dentre eles A
próprios direitos de subscrição. Em condições Teoria da Economia Camponesa, editado em Berlim
normais, no entanto, uma empresa faz uma cha- em 1923, que pode ser considerado uma versão
mada de capital para aumentar os recursos dis- abreviada de sua principal obra, Peasant Farm
poníveis para investimento (a fim de não recor- Organization, editada em 1966 nos Estados Uni-
rer ao mercado financeiro, endividando-se) ou dos pela American Economic Association. Chaya-
para o financiamento de suas atividades em ge- nov defende a proposição de que a economia
ral. camponesa deve ser tratada como um sistema
econômico próprio, como um sistema não-capi-
CHAMADA DO COMPRADOR. Veja Call
talista de economia nacional, rejeitando a utili-
Sale.
zação de conceitos extraídos da análise do sis-
CHAMBERLIN, Edward Hastings (1899-1967). tema capitalista para o estudo das relações exis-
Economista norte-americano, conhecido por sua tentes no campo russo. Formula o conceito de
obra The Theory of Monopolistic Competition (A fazenda familiar camponesa, onde a produção
Teoria da Concorrência Monopolista), de 1933. repousa apenas no trabalho dos próprios mem-
Nela, propõe um enfoque da teoria econômica bros da família, sem a utilização de trabalho as-
que rompe com os antigos conceitos de concor- salariado ou da compra da força de trabalho por
rência pura (ou perfeita) ou do puro monopólio outros meios. Seu conceito baseava-se nas ca-
e introduz o conceito de concorrência monopo- racterísticas da economia camponesa russa,
lista, que, para ele, caracteriza as condições reais onde 90% ou mais das famílias camponesas não
em que a maioria das empresas opera nas eco- utilizavam trabalho assalariado. Em sua teoria,
nomias de mercado. Chamberlin considera ha- ocupa lugar central o conceito de equilíbrio entre
ver uma íntima combinação da concorrência e trabalho e consumo, equilíbrio entre a satisfação
do monopólio na maioria das situações econô- das necessidades familiares e o trabalho penoso.
micas: transportando a noção de monopólio da Nessa relação, cada família busca a produção
empresa para o produto que ela fabrica, de- anual para a satisfação de suas necessidades bá-
CHEQUE 94

sicas. Porém, isso envolve trabalho penoso, fa- CHEQUE CRUZADO EM PRETO. Veja Cheque.
zendo com que a família não leve seu trabalho
além do ponto em que o possível aumento na CHEQUE CRUZADO. Veja Cheque.
produção é superado pelas dificuldades do tra- CHEQUE DE VIAGEM. Veja Cheque.
balho.
CHEQUE NOMINAL. Veja Cheque.
CHEQUE. Ordem escrita, emitida por uma pes-
soa em talão especial (o sacador), para que uma CHEQUE PRÉ-DATADO. A transformação do
instituição financeira (um banco, o sacado) pa- cheque de meio de pagamento à vista como ins-
gue certa quantia a outra pessoa (o beneficiário). trumento de crédito, isto é, como meio de pa-
Não é instrumento de crédito, mas um meio de gamento a prazo. Para o vendedor de uma mer-
pagamento rápido, que facilita muito as opera- cadoria que concede o crédito, esse instrumento
ções comerciais e se enquadra na categoria de é mais seguro do que outras formas. Tem sido
moeda escritural. O cheque pode ser nominal muito utilizado no Brasil, especialmente durante
quando tem expresso o nome do beneficiário, e as épocas de intenso processo inflacionário. Veja
ao portador, quando não contém esse nome, de- também Cheque; Factoring.
vendo ser pago pelo sacado a qualquer pessoa
CHEQUE VISADO. Veja Cheque.
que o apresente. O cheque cruzado (atravessado
por duas linhas paralelas) só pode ser pago pelo CHESF — Companhia Hidrelétrica do São
sacado a outra instituição financeira; nesse caso, Francisco. Empresa de economia mista, sediada
o beneficiário precisa depositá-lo na instituição em Recife, subsidiária da Eletrobrás, criada em
em que tenha conta. O cheque cruzado em preto 1948, quando começou a construção da Hidre-
contém, entre as duas linhas paralelas, o nome létrica de Paulo Afonso, com a finalidade de pro-
da instituição encarregada de recebê-lo do sa- duzir e transmitir energia para todo o Nordeste
cado. O cheque é visado quando o sacado, antes brasileiro. Sua área de atuação abrange os Es-
de pagar a importância devida, atesta a existên- tados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco,
cia de fundos para isso, pondo o visto (visando) Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e
no cheque, no banco onde possui conta. O che- Maranhão. Integram o sistema da Chesf as usi-
que é endossado quando o beneficiário assina no nas hidrelétricas de Paulo Afonso (I, II, III e IV),
dorso do cheque, transferindo o benefício para Apolônio Sales (ex-Moxotó), Boa Esperança, Fu-
um terceiro. O cheque de viagem é “comprado” nil, Bananeiras, Araras, Curemas, Piloto, Sobra-
no banco para ser descontado em qualquer de dinho, Pedra do Cavalo, Itaparica, as termelé-
suas agências ou do sistema integrado com os tricas de Bongi, Aratu, Cotegipe (A e B) e São
demais bancos, ou mesmo para efetuar paga- Luís. Com 12 500 km de linhas de transmissão,
mentos em lojas que aceitem esse tipo de ins- beneficia uma área onde vivem 36 milhões de
trumento de crédito; quando destinado a via- pessoas (1983). A maior obra de geração da
gens internacionais, chama-se traveller’s check e Chesf é a usina de Paulo Afonso IV.
geralmente é emitido em moeda forte (dólar,
marco, libra, iene, franco etc.). O cheque é sem CHETURN. Veja Ngultrun.
fundos quando o emitente não tem em sua conta CHI-QUADRADO. Teste estatístico para des-
o dinheiro correspondente; popularmente, é cobrir se a diferença entre duas estimativas de
também chamado de cheque-borracha (porque duas pesquisas tem alguma significância.
vai, é depositado... e volta). O cheque-bumeran-
gue, esta também uma denominação popular, é CHINFRÃO. Moeda cunhada durante o reinado
aquele preenchido propositalmente de modo in- de D. Affonso em Portugal, entre 1450 e 1481.
correto, para que não possa ser descontado, vol-
CHIP. Placa de silício de diminuta dimensão,
tando para a pessoa que o emitiu. Embora não
capaz de conter transistores, diodos e circui-
seja instrumento de crédito, o cheque pré-datado
tos integrados, essenciais na fabricação de
tem ampla difusão no Brasil, e funciona como
computadores.
um verdadeiro instrumento de crédito fora do
controle da política monetária do Banco Central, CHIPS. Sigla de Clearing House Interbank Pay-
especialmente depois da disseminação das em- ment System. Um sistema altamente especiali-
presas de factoring, que atuam em muitos casos zado de compensação interbancária, constituído
como intermediários financeiros. Veja também em 1970. Operado pela New York Clearing As-
Factoring. sociation, o Chips é um serviço privado, que
funciona como uma espécie de Câmara de Com-
CHEQUE AO PORTADOR. Veja Cheque. pensação altamente sofisticada, abrangendo
CHEQUE-BORRACHA. Veja Cheque. bancos de todo o mundo e aparecendo como o
mais aperfeiçoado sistema interbancário de pa-
CHEQUE-BUMERANGUE. Veja Cheque. gamentos. A entidade registra um movimento
95 CICLO DA BORRACHA

médio de nada menos que 175 bilhões de dólares saúde oferece mais vantagens do que os con-
por dia em todo o mundo. correntes e possibilita a inscrição de novos só-
cios oriundos de outros planos, sem período de
CHÕ. Medida de superfície utilizada na agri- carência, está estimulando essa prática.
cultura da China e do Japão, equivalente a 109 m.
Uma área de 109 m ou 1 chõ de lado, ou o equi- CHU SHO KIGYO. Expressão em japonês que
valente a 118,81 m2, era denominada tsubo, e significa pequenas e médias empresas. Essas
cada tsubo era dividido em dez partes iguais de- empresas — como em outras economias — têm
nominadas tan. Veja também Alqueire. grande importância na economia japonesa. As
empresas classificadas nessa categoria, isto é, as
CHON. Veja Uon. que na indústria manufatureira têm menos de
trezentos funcionários ou menos de 100 milhões
CHOQUE HETERODOXO. Política econômica de ienes de capital (em 1994, eram necessários
de combate à inflação que consiste em aplicar aproximadamente 100 ienes para comprar um
o congelamento de preços em todos os níveis dólar); no comércio atacadista, aquelas com me-
durante um período determinado de tempo e nos de cem funcionários e menos de 30 milhões
liberar as políticas monetária e fiscal. Diante da de ienes de capital, e, no comércio varejista e
inflação intensa que diversos países vêm sofren- nos serviços, aquelas com menos de cinqüenta
do a partir do final dos anos 70, a política do funcionários e menos de 10 milhões de ienes de
choque heterodoxo foi aplicada em vários casos, capital, congregavam 80% de toda a força de
destacando-se a Argentina, Israel, Bolívia e Bra- trabalho e 98% das empresas no Japão no início
sil. Veja também Choque Ortodoxo; Plano Aus- dos anos 90.
tral; Plano Bresser; Plano Collor; Plano Collor
2 e Plano Cruzado. CHUVA ÁCIDA. É aquela cujo pH da água ou
da neve é inferior a 5,6, indicando grau de acidez
CHOQUE ORTODOXO. Política econômica de elevado. Este fenômeno decorre da existência de
combate à inflação que consiste em realizar um elementos ácidos na atmosfera — que contami-
corte brusco na expansão monetária e redução nam a água da chuva ou da neve quando estas
intensa do déficit público, acompanhado de uma caem na terra —, como também da evaporação
liberalização dos preços para que estes encon- de águas já contaminadas (rios, lagos etc.) que,
trem livremente seu ponto de equilíbrio no mer- ao cair em terra, a acidificam tornando-a impró-
cado. Esta política tem como resultantes a ele- pria para o cultivo.
vação da taxa de juros, a redução dos gastos
públicos (investimentos), a contenção do consu- CIBERNÉTICA. Em seu livro Cybernetics (Ci-
mo e, conseqüentemente, a recessão econômica, bernética), 1948, Norbert Wiener define ciberné-
cuja duração e profundidade dependem de uma tica como o “estudo do controle da comunicação
série de fatores. Veja também Choque Hetero- no animal e na máquina”. Assim, constitui um
doxo. ramo da teoria da informação que compara os
sistemas de comunicação e controle de aparelhos
CHOUKI SAI. Expressão em japonês que sig- produzidos pelo homem com aqueles dos orga-
nifica títulos com prazos de maturação superior nismos biológicos. Muitas comparações podem
a cinco anos, isto é, títulos de longo prazo. Os ser feitas, por exemplo, entre o processamento
de médio prazo — entre um e cinco anos — de dados nos computadores e várias funções do
são denominados Chyuki Sai, e os de curto prazo cérebro; as teorias da cibernética podem ser apli-
— menos de um ano —, Tanki Sai. Todos eles cadas em ambos com a mesma validade. Veja
podem ser emitidos ao portador ou nominati- também Automação; Computador.
vos.
CICLO. É a denominação dada a um movimen-
CHUN. Veja Uon. to completo de uma onda elétrica. As ondas de
rádio, por exemplo, são medidas em ciclos, e,
CHURN. Termo em inglês que significa a perda como seu movimento é muito rápido, são me-
de lealdade do consumidor em relação a deter- didas em quilociclos e megaciclos, que corres-
minado produto ou marca. A velocidade das pondem respectivamente a mil e um milhão de
inovações, a universalização das informações, o ciclos por segundo.
barateamento das comunicações e o acirramento
da concorrência entre os grandes conglomerados CICLO DA BORRACHA. Período da história
internacionais pode provocar nos consumidores econômica do Brasil marcado pela grande ati-
rápidas mudanças em suas preferências. Na me- vidade de extração do látex da borracha nos se-
dida em que os mercados se tornam mais efi- ringais da Amazônia, para exportação. Essa ati-
cientes, essas mudanças ficam menos custosas vidade atingiu seu apogeu na primeira década
e estimulam os deslocamentos em benefício do do século XX, quando o Brasil era o maior pro-
consumidor. Por exemplo, quando um plano de dutor mundial do látex, que respondia por 26%
CICLO DA CANA-DE-AÇÚCAR 96

do valor das exportações nacionais. A valoriza- CICLO DE VIDA. Etapas definidas em cada
ção da borracha no mercado internacional de- sociedade, nas quais se divide o período de vida
corria do desempenho da indústria automobi- de um indivíduo. Geralmente, o ciclo de vida
lística na Europa e nos Estados Unidos, o que se estende do nascimento até a morte, embora
intensificou a procura de matéria-prima para a o indivíduo já se torne um ente social antes do
produção de pneus. O predomínio brasileiro na nascimento, e muitas religiões afirmem a exis-
produção passou a declinar depois que os in- tência da alma depois da morte. Do ponto de
gleses iniciaram a cultura da seringueira no vista social, as etapas do ciclo de vida de um
Oriente, sobretudo na Tailândia e em Cingapu- indivíduo marcam a sua preparação para assu-
ra. Em 1914, o Brasil respondia apenas por me- mir papéis sociais e institucionais. Dependendo
tade da produção, e, em 1930, contribuía somen- do período histórico, do grau de desenvolvi-
te com 3%. mento de cada sociedade e de sua cultura, cada
povo tem a delimitação dessas etapas de forma
CICLO DA CANA-DE-AÇÚCAR. Período da diferente. Atualmente, nos países desenvolvidos
história econômica do Brasil em que a cultura e onde a esperança de vida superou os 70 anos,
açucareira era a principal atividade produtiva esses limites são em linhas gerais os seguintes:
da colônia. As primeiras mudas de cana-de-açú- 1) infância: até os sete anos; 2) adolescência: dos
car foram trazidas da ilha da Madeira, em 1502, sete aos 13 anos; 3) juventude: dos 14 aos 25;
e em meados do século XVI as plantações ca- 4) maturidade: entre os 26 e 60 anos; 5) velhice:
navieiras se estendiam por grandes extensões de 61 e mais. Estes limites de etapas variam tam-
do litoral brasileiro, concentrando-se sobretudo bém em relação aos sexos.
em Pernambuco e na Bahia. Na metade do sé-
culo XVII, o Brasil era o maior produtor mundial CICLO DO CACAU. Conjunto de característi-
de açúcar, mas gradativamente perdeu essa po- cas econômicas, políticas e socioculturais de de-
sição para as concorrentes mundiais, particular- terminada região — o sul da Bahia — no final
mente as Antilhas. Embora nunca tenha desa- do século XIX e nas primeiras décadas do século
parecido no Brasil colonial, a cultura canavieira XX, quando ali florescia a cultura cacaueira.
foi substituída no século XVIII como principal Planta nativa da América, o cacaueiro, plantado
fonte de renda da colônia pela atividade mine- na Bahia desde o século XVI, só se difundiu
radora, que deu origem ao Ciclo do Ouro. O como lavoura comercial a partir do século XIX.
comércio açucareiro, segundo as normas do Pac- O Brasil logo se tornou o primeiro produtor
to Colonial e da política mercantilista, era mo- mundial, o que veio fortalecer o predomínio, em
nopólio da Coroa e toda a produção, destinada escala regional, da figura do “coronel” do Sul
ao mercado externo. Em decorrência disso, a da Bahia, plantador de cacau. Posteriormente,
economia canavieira moldou no Brasil uma so- a liderança mundial passou à Costa do Ouro
ciedade que correspondia aos objetivos de sua (atual Gana) e à Nigéria. Na década de 70, po-
produção: os engenhos localizavam-se em lati- rém, em decorrência do aprimoramento técnico
fúndios e a mão-de-obra empregada, o escravo no cultivo, o Brasil voltou a ocupar o primeiro
negro, tornar-se-ia a base da economia brasileira lugar na produção mundial de cacau.
até o final do século XIX. Praticamente não exis-
tia uma camada social intermediária entre o se- CICLO DO CAFÉ. Período da história econô-
nhor e o escravo, o que configurava uma socie- mica do Brasil, compreendido entre 1830 e 1930,
dade tipicamente patriarcal. marcado pelo desenvolvimento da cultura do
café, produto dominante no comércio exterior
CICLO DE FLUXO DE CAIXA. Número de dias do país e motivador da expansão da fronteira
transcorridos entre a aquisição de matérias-pri- agrícola na época. Introduzido no Brasil por vol-
mas (no caso de uma indústria) e a conversão ta de 1727, o cultivo do café atingiu um peso
da venda do produto acabado em caixa. Quanto significativo no conjunto da economia nacional
mais curto for esse ciclo, melhor para a empresa,
em meados do século XIX, quando se tornou o
pois a rotatividade de seu capital será maior, e
principal produto de exportação. Contribuíram
menor sua dependência de empréstimos e fi-
para isso o declínio da economia açucareira do
nanciamentos.
Nordeste, a ruína da cultura do algodão e a de-
CICLO DE KONDRATIEFF. Veja Ciclo Eco- cadência da mineração, que liberaram grandes
nômico. contingentes de mão-de-obra escrava e recursos
financeiros para serem empregados em ativida-
CICLO DE KUZNETS. Ciclo sugerido por Si- des mais lucrativas. Ao mesmo tempo ocorria
mon Kuznets com duração aproximada de vinte um aumento da demanda de café na Europa e
anos (uma geração), cuja força propulsora se- nos Estados Unidos, e a ruína da agricultura
riam as mudanças populacionais e a expansão cafeeira em Java (devido a uma praga) e no Haiti
da construção de moradias decorrentes. Veja (por levantes de escravos), fatos que contribuí-
também Ciclo Econômico; Kuznets, Simon. ram para transformar o Brasil no maior forne-
97 CICLO ECONÔMICO

cedor do mercado mundial (desde 1840). Até Surgiram cidades ricas em Minas Gerais, e es-
1870, o principal centro de comercialização e ex- treitaram-se os laços entre as várias regiões da
portação do produto foi o Rio de Janeiro, pois colônia. O ouro brasileiro favoreceu o esplendor
a principal área produtora era o vale do rio Pa- da Corte de dom João V e as iniciativas econô-
raíba. Com o esgotamento das possibilidades micas do marquês de Pombal, mas fluiu, em
agrícolas da região, a expansão da cultura do sua maior parte, para a Inglaterra, estimulando
café deslocou-se para o Oeste paulista (região a Revolução Industrial. Com o esgotamento das
de Campinas), atingindo em seguida o Oeste jazidas, aguçou-se a contradição entre a metró-
novo, rumo a Ribeirão Preto e Araraquara. En- pole e sua colônia, dando origem à Inconfidência
tão, Santos tornou-se o principal centro expor- Mineira.
tador do produto e expandiram-se as ferrovias.
O desenvolvimento da economia cafeeira em CICLO DO PAU-BRASIL. Primeiro período da
São Paulo teve profundas conseqüências para o história econômica do Brasil, caracterizado pela
conjunto da sociedade brasileira. A necessidade exploração da árvore do mesmo nome (Caesal-
pinia cristal) e o pau-brasil do México (Caesalpinia
de mão-de-obra provocou o incremento à imi-
echinata). Estendeu-se desde os primeiros anos
gração de europeus (paralelamente à desagre-
após a descoberta até o início da segunda me-
gação do trabalho escravo) e as riquezas acu-
tade do século XVI, quando perdeu a primazia
muladas na comercialização do café proporcio-
para a cultura da cana-de-açúcar. Sendo ativi-
naram a ampliação, sem precedentes, das ativi-
dade apenas extrativa, consistia na coleta da ma-
dades industriais, comerciais e financeiras. No
deira e sua remessa para a metrópole, onde era
plano político, implantou-se a hegemonia de São
utilizada em marcenaria de luxo, fabricação de
Paulo, cujo papel foi decisivo na proclamação
violinos, indústria naval e, principalmente,
da República. Ao iniciar-se o século XX, o Brasil
como corante. A Coroa portuguesa arrendava
detinha três quartos da produção mundial de partes da região litorânea a comerciantes, que
café e acumulava grandes estoques, configuran- lhe deveriam entregar uma renda fixa e obriga-
do-se uma crise de superprodução. Para enfren- vam-se a construir feitorias: os primeiros nú-
tá-la, os principais Estados produtores (São Pau- cleos de população européia no Brasil. Um dos
lo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) reuniram-se primeiros arrendatários da Coroa foi Fernão de
em 1906 na Convenção de Taubaté e estabele- Noronha. Ao lado dos portugueses, os espa-
ceram um plano de valorização do produto nhóis e, principalmente, os franceses, também
(compra de toda a produção, proibição de novos se dedicaram à extração do pau-brasil na costa
plantios, retenção dos estoques enquanto os pre- brasileira, disso surgindo inúmeros conflitos que
ços não atingissem níveis adequados). Uma levaram a Coroa a criar as capitanias hereditá-
nova política de valorização, em âmbito federal, rias. A extração do pau-brasil continuou sendo
foi implantada em 1933 com a criação do De- uma atividade relativamente rendosa até mea-
partamento Nacional do Café (queima de esto- dos do século XIX, quando a invenção de co-
ques, erradicação de velhos cafezais). Com o rantes artificiais a tornou dispensável.
abandono dessa política no governo Dutra
(1946-51), sobreveio nova crise e, em 1952, o go- CICLO ECONÔMICO. Flutuação periódica e
verno Vargas restabeleceu o controle criando o alternada de expansão e contração de toda ati-
Instituto Brasileiro do Café (IBC). A partir de vidade econômica (industrial, agrícola e comer-
então, a participação do café no conjunto das cial) de um país ou de um conjunto de países.
exportações diminuiu sensivelmente, e em mea- Um ciclo típico consiste num período de expan-
dos da década de 70 as manufaturas já suplan- são econômica, seguido de uma recessão, de um
tavam aquele produto em termos de produção período de depressão e um novo movimento
de divisas. No início da década de 80, o café ascendente ou de recuperação econômica. Os ci-
participava com cerca de 10% do valor total das clos de longa duração, chamados ciclos de Kon-
exportações brasileiras. dratieff, são marcados por períodos de sessenta
anos de ascensão ou declínio da economia mun-
CICLO DO OURO. Período da história colo- dial. Distinguem-se do ciclo Juglar, de seis a dez
nial do Brasil, entre o final do século XVII e o anos, e do ciclo dos estoques ou ciclo Kitchin, de
final do século XVIII, em que a extração de ouro cerca de quarenta meses. Já na história econô-
e diamantes teve decisiva importância econômi- mica brasileira, o termo ciclo é usado para de-
ca. Cerca de dois terços das lavras se concen- signar os períodos de predomínio de determi-
traram em Minas Gerais, com o restante distri- nados produtos coloniais de exportação como
buído entre Goiás, Mato Grosso e Bahia. A ex- o açúcar, o ouro e o café. O registro das variações
ploração do ouro determinou um rápido cres- cíclicas, com períodos alternados de altas e bai-
cimento da população brasileira e sua inte- xas dos níveis da atividade econômica, remonta
riorização. A importação de escravos africanos ao fim do século XVIII. As teorias dos ciclos
triplicou em relação aos dois séculos anteriores. econômicos são numerosas e variadas. As teo-
CICLO KENNEDY DE NEGOCIAÇÕES 98

rias da superprodução e subconsumo explicam vos mercados e a ação da guerra, pois os perío-
os ciclos com base no aumento da produção, dos de alta coincidem com a atividade bélica.
dos lucros e dos investimentos, sem um corres- A teoria dos ciclos curtos (do economista francês
pondente aumento dos salários e do poder de Clément Juglar, o primeiro a assinalar a natureza
compra dos consumidores. As teorias monetá- periódica das crises) divide-se em teorias exó-
rias baseiam-se na quantidade de moeda em cir- genas e endógenas. As primeiras procuram as
culação e nas variações dos níveis das taxas de causas dos ciclos no meio exterior à economia.
juros e de investimentos. E as teorias psicológi- Desse modo, o ciclo econômico seria provocado
cas argumentam que a atividade econômica é por um ciclo físico (Jevons), psicológico (Pareto),
influenciada por ondas de pessimismo e de oti- técnico (Schumpeter) ou demográfico (Lösch).
mismo. Uma explicação genérica dos ciclos é As teorias endógenas procuram as causas do ci-
que, sempre que a demanda total de bens e ser- clo no próprio processo econômico, visando a
viços é menor do que a necessária para manter demonstrar basicamente a formação e a trans-
a produção no seu nível de desenvolvimento, missão de um processo cumulativo de alta ou
há queda na produção e no emprego. Isso pode baixa dos preços e as razões da suspensão desse
ser provocado pela tendência crônica da econo- processo. Assim, Wicksell argumentou que isso
mia a uma superpoupança (ou subconsumo) ou se deveria à disparidade entre a taxa natural do
por uma escassez de investimentos para preen- juro e a taxa do mercado. Já Kaldor e Kalecki
cher a insuficiência da demanda. Iniciada uma destacaram a idéia de expectativa de investi-
fase de recessão, a redução tende a ser cumu- mento, construindo um modelo econométrico de
lativa, com queda dos preços, esgotamento dos ciclo a partir do atraso entre a decisão do in-
estoques, adiantamento de investimentos e sub- vestimento e o resultado do investimento reali-
consumo. Mas, em determinado ponto, há ne- zado. Outros modelos econométricos de ciclos,
cessidade de substituir os estoques e equipa- trabalhando com dados fornecidos ou não pela
mentos desgastados, ainda que apenas para realidade, foram construídos por Leontief, pela
manter os baixos níveis da demanda de bens escola sueca (Lundberg), e também por Harrod,
de consumo. Isso conduz a um aumento do in- Samuelson e Hicks, atualmente os mais conhe-
vestimento, que, mesmo pequeno, leva a novo cidos. A maioria das teorias dos ciclos baseia-se
crescimento da produção, da renda e do consu- nas variáveis e determinantes do investimento
mo, tornando atrativo novos investimentos e e seus efeitos, vendo na renda nacional o me-
realimentando o ciclo econômico. A expansão canismo do multiplicador. Em combinação com
pode levar a economia a novo surto de prospe- o princípio do multiplicador, usa-se a teoria do
ridade, com seus habituais pontos de estrangu- acelerador para mostrar o ajustamento do grau
lamento: preços em alta e problemas de manu- de investimento à variação das vendas.
tenção do equilíbrio no comércio exterior. Nesse CICLO KENNEDY DE NEGOCIAÇÕES. Veja
ponto, pode haver uma tendência à subpoupan- Kennedy Round.
ça ou ao superinvestimento, e as tentativas de
corrigir as tendências inflacionárias podem levar CICLO KITCHIN. Flutuação curta e rítmica da
os empresários a rever suas expectativas de lu- atividade econômica, batizada ciclo Kitchin de-
cro, reduzindo os investimentos, com o que se vido a Joseph Kitchin, que foi o primeiro analista
inicia nova fase de contração da atividade eco- a estudá-lo em detalhes. O ciclo Kitchin é um
nômica. O estudo dos ciclos econômicos está in- ciclo regular de flutuação dos preços, da pro-
timamente ligado ao das crises, que podem ser dução, do emprego etc., de duração de quarenta
caracterizadas como um momento descontínuo meses. Utilizado por Schumpeter em sua análise
e desastroso de uma evolução cíclica contínua. dos ciclos econômicos, é explicado por mudan-
Embora tenha havido apenas três ciclos secula- ças em estoques e por pequenas ondas de ino-
res, ou de Kondratieff, no período que vai de vação, especialmente em equipamentos que po-
1790 a 1950, a teoria dos ciclos longos divide-se dem ser produzidos rapidamente. Superpostos
em dois grupos. Os adeptos da teoria quantita- aos ciclos longos de Juglar e de Kondratieff, exis-
tiva da moeda explicam as ondas seculares de tiriam três ciclos Kitchin em cada Juglar e de-
altas dos preços pelo aumento da massa mone- zoito em cada Kondratieff. Veja também Ciclo
tária, e, no caso da conversibilidade do ouro, Econômico.
pelo aumento do volume de ouro em circulação.
Outros destacam a influência das inovações téc- CIDADES. Veja Urbanização.
nicas que se sucederam no século XIX (vapor,
ferrovias, petróleo e eletricidade), como enfatiza CIDADES LIVRES. Cidades da Europa que,
Schumpeter: com a instalação das novas formas durante a Idade Média, conquistaram total ou
de energia e de transporte, a demanda ultrapas- parcialmente sua autonomia em relação ao pro-
sou a oferta, provocando a alta dos preços. Essa prietário da terra na qual se localizavam. Habi-
corrente destaca a influência da abertura de no- tadas por artesãos e comerciantes, sobretudo a
99 CIRCUIT BREAKER

partir do século XII, as cidades ou burgos pro- CIF. As estatísticas das exportações e importa-
curavam por vários meios — negociações ou ções brasileiras divulgadas pelo Banco Central
luta aberta — ter sua própria administração e geralmente são apresentadas na base FOB (free
livrar-se das numerosas taxas impostas pelo se- on board), isto é, sem incluir os custos dos se-
nhor do feudo. guros e dos fretes, os quais são registrados na
Conta de Serviços do Balanço de Pagamentos.
CIÊNCIA ECONÔMICA. Veja Economia. Veja também Balanço de Pagamentos; Incoterms.
CIÊNCIAS AFINS. Como ciência social, decor- CIFR. Veja Zero.
rente da atividade do homem organizado em
sociedade, a economia se relaciona com diversas CIM. Iniciais da expressão em inglês computer
outras ciências. Como atividade prática ou teó- integrated manufacturing, que significa a integra-
rica, é exercida sob certas condições permanen- ção total de todas as fases de produção realiza-
tes ou variáveis, que se manifestam no sujeito das com a assistência de um computador —
da atividade econômica ou no meio social onde CAD, CAD/CAM, CAE — num processo único,
ela atua. As condições do meio social estão re- de tal forma a integrar e automatizar um pro-
lacionadas com fatores geográficos, históricos, cesso produtivo. Veja também CAD; CAD/
culturais e com as instituições sociais. Assim, a CAM; CAE.
economia mantém relações estreitas com a his- CINTURÃO VERDE. Faixa de terra, de largura
tória, a sociologia, a psicologia, a política, o di- variável (em geral, alguns quilômetros), que cir-
reito, a geografia e a demografia. E, por sua na- cunda as grandes regiões urbanas e deve ser
tureza teórica, relaciona-se com a lógica, a ma-
mantida intata. Tem a finalidade de conter a ex-
temática e a filosofia.
pansão urbana, evitar ou direcionar conurbações
CIÊNCIAS SOCIAIS. Uma das principais di- (ligação contínua entre regiões urbanas) e tam-
visões do conhecimento humano. Conjunto de bém controlar problemas ecológicos, como po-
matérias que estudam o homem em relação com luição da atmosfera e dos mananciais.
seu meio físico, cultural e social. Embora muitos
cientistas sociais em geral tentem modelar suas CIP — Conselho Interministerial de Preços.
disciplinas conforme as ciências naturais, aspi- Órgão federal, subordinado à Secretaria do Pla-
rando atingir um nível semelhante de consenso, nejamento, criado em 1968 pela lei nº 63 196. É
seus esforços nesse sentido continuam a ser frus- responsável pela sistemática reguladora de pre-
trados devido à imperfeição de suas ferramentas ços, dentro dos objetivos da política econômica
conceituais em relação à complexidade de sua do governo. O controle de preços pelo CIP pode
matéria de estudo e ao campo limitado que exis- se dar de vários modos: liberação parcial, libe-
te para experimentos controlados. Há teóricos, ração vigiada, acordos setoriais e apreciação pré-
por outro lado, que afirmam a fundamental di- via dos reajustes por produtos. A liberação parcial
ferença entre o arcabouço lógico das ciências na- ocorre quando somente alguns produtos fabri-
turais (cujo modelo é matemático) e o das ciên- cados por uma empresa ficam sujeitos ao con-
cias sociais (cujo modelo seria jurídico); justa- trole. Na liberação vigiada, os aumentos do preço
mente por isso, essas últimas seriam argumen- de um produto são comparados aos índices de
tativas e dialógicas, não permitindo universali- preços elaborados pela Fundação Getúlio Var-
dade e consenso quanto a postulados e conclu- gas. Quando ocorre um aumento não justificá-
sões, ao contrário, permanecendo abertas, por vel, o produto passa para o controle direto do
sua natureza própria, às reinterpretações e às CIP. O controle setorial verifica-se quando os rea-
polêmicas. Incluem-se entre as ciências sociais justes de preços dizem respeito a todo o setor
a antropologia, a arqueologia, a criminologia, a de produção. Em todos os casos, os percentuais
demografia, a economia, a educação, a ciência de reajustes determinados pelo CIP têm como
política, a psicologia e a sociologia. base os custos de produção. Embora o CIP tenha
poderes para castigar de forma drástica as em-
CIF (Cost, Insurance and Freight). Expressão presas que ignorem suas determinações (até
do comércio internacional que significa “custo, mesmo com a expropriação de mercadoria), suas
seguro e frete”, geralmente seguida da designa- represálias consistem geralmente no corte dos
ção do porto de destino. Nessa modalidade, o créditos junto ao sistema financeiro público.
vendedor assume todos os custos necessários
para transportar a mercadoria a seu destino de- CIRCUIT BREAKER. Expressão em inglês que
signado, além de contratar seguro marítimo con- significa literalmente “interruptor de circuito” e
tra risco de perdas e danos, que cobre apenas é utilizada quando ocorrem oscilações muito for-
as condições mínimas exigidas, “livre de avaria tes na Bolsa de Valores, fazendo com que a co-
particular” (FPA ou free of particular average), que tação das ações ou outros títulos que estão bai-
é o preço CIF mais 10%. Código ou abreviação, xando muito seja interrompida para evitar que
CIRCUITO 100

efeitos momentâneos possam desencadear o pâ- teiros, recursos do mar, recursos humanos e
nico. Este dispositivo foi utilizado pela primeira apoio oceanográfico.
vez no Brasil na crise do final de outubro de
1997, provocada pela crise das Bolsas dos países CITY, The. Região do centro de Londres que
asiáticos. Em Bolsas mais importantes, como a congrega as principais instituições financeiras
de Nova York e Londres, o sistema já é utilizado do país. Reúne o Banco da Inglaterra, impor-
há mais tempo. tantes bancos comerciais e as principais casas
de câmbio e de comércio internacional. Esse cen-
CIRCUITO. Em economia, é o movimento de tro financeiro, também chamado de Square Mile,
duplo sentido existente no processo produtivo, comparável a Wall Street, desempenha quatro
formando um circuito que fecha o mercado e funções básicas: 1) facilitar o pagamento de qual-
revela a interdependência dos fatos econômicos. quer quantia, com rapidez e segurança, sem a
Esse processo é marcado por dicotomias: exis- utilização de papel-moeda; 2) financiar a pro-
tem produtores e consumidores, oferta e procu- dução e o transporte de matérias-primas em
ra, compra e venda. Incluem-se no circuito os todo o mundo; 3) centralizar a captação de pou-
compradores e vendedores dos fatores de pro- panças e suas aplicações; 4) centralizar opera-
dução, entre eles o próprio trabalho. A noção ções de câmbio e de comércio internacional. Veja
de circuito, de caráter orgânico e dinâmico, também Old Lady of Treadneedle Street; Wall
opõe-se à de equilíbrio, que é mecânica e está- Street.
tica. Foi explicitada, pela primeira vez, no céle-
CLARA BOW. Apelido das ações da Interna-
bre Tableau Économique, de Quesnay. Ganhou
tional Telephone & Telegraph (ITT) na Bolsa de
destaque na análise econômica a noção do cir-
Valores de Nova York.
cuito (ou circulação) monetária, sobretudo para
os estudos de conjuntura. Veja também Ques- CLARK, Colin Grant (1905- ). Economista aus-
nay, François; Tableau Économique. traliano, destacou-se, a partir de 1940, por de-
monstrar, usando dados estatísticos, os efeitos
CIRCULAÇÃO. Conjunto de estruturas e me-
do progresso técnico sobre a evolução econômi-
canismos referentes à distribuição do produto
ca. Sobre o assunto, escreveu The Conditions of
gerado socialmente entre os diferentes elemen-
Economics Progress (As Condições do Progresso
tos participantes da criação desse produto. Essa
Econômico), 1940, e The Economics of 1960 (A
distribuição baseia-se nos mecanismos de dis-
Economia de 1960), 1942. Colin Clark parte de
tribuição da renda, referidos à estrutura de clas-
estudos sobre a renda nacional para relacionar
se da sociedade. Veja também Classe Social.
os graus de evolução dos países e a produtivi-
CÍRCULO VICIOSO. Conceito derivado da con- dade do trabalho. Nesses estudos, reintroduziu
cepção de Gunnar Myrdal de causação circular uma distinção já esboçada pelos demógrafos do
como, por exemplo, a explicação do subdesen- século XVIII: a divisão das atividades em setores
volvimento pela escassez de poupança, e esta primário (agricultura), secundário (indústria) e
pelo subdesenvolvimento. Ao círculo vicioso terciário (serviços). Essa distinção generalizou-
opõe-se o círculo virtuoso, quando, por exem- se também por expressar o desenvolvimento das
plo, o aumento dos níveis médios de educação sociedades industrializadas, da terra à fábrica,
viabiliza o aumento da produtividade, e esta da fábrica ao escritório. Veja também Setores
o aumento da riqueza, que, por sua vez, per- de Produção.
mite o aumento dos recursos destinados à edu- CLARK, John Bates (1847-1938). Economista nor-
cação. Veja também Causação Circular; Efeito te-americano, principal representante da escola
Sinérgico. marginalista nos Estados Unidos. Estudou em
CÍRCULO VIRTUOSO. Veja Círculo Vicioso. Heidelberg e Zurique, tornando-se, em 1895,
professor-titular de Economia na Universidade
CIRM — Comissão Interministerial para os Re- de Colúmbia. Em Philosophy of Wealth (Filosofia
cursos do Mar. Criada em 1968, destina-se a reu- da Riqueza), 1885, procura reformular os pos-
nir toda a informação necessária à definição de tulados dos economistas clássicos. Distribution
uma política de exploração dos recursos naturais of Wealth (Distribuição da Riqueza), 1899, sua
marítimos do Brasil. Contribui para orientar a obra mais conhecida, estende o princípio mar-
participação do país num comitê de 35 nações ginalista à análise da produção e distribuição e
que estuda a utilização do fundo dos mares. A introduz o conceito de “produto marginal”. Para
comissão é presidida pelo ministro da Marinha John Bates Clark, o lucro aparece sempre como
e tem competência como órgão executivo. Em resultado de um desequilíbrio provisório devido
1981, aprovou o I Plano Nacional de Recursos a uma concorrência imperfeita ou a um jogo de
do Mar, a ser desenvolvido por meio de cinco preços. Essa é uma posição intermediária entre
subprogramas: sistemas oceânicos, sistemas cos- as explicações estáticas e as dinâmicas, pois sus-
101 CLAY-CLAY

tenta que numa concorrência perfeita (estática), salário). Seria essa, também, a base objetiva dos
nunca há lucro e que sem desequilíbrio e sem conflitos político-sociais e das transformações
lucro não há progresso. Escreveu ainda Essen- históricas. Outros autores consideram que,
tials of Economic Theory (Fundamentos da Teoria atualmente, a hierarquização social se processa
Econômica), 1907. Veja também Marginalismo. no âmbito das diferenças profissionais. Argu-
mentam que a mobilidade social nas modernas
CLARK, John Maurice (1884-1963). Economis- sociedades industriais, em decorrência da am-
ta norte-americano, filho de John Bates Clark, pliação das oportunidades, contribuiria para a
sucedeu o pai na cadeira de Economia na Uni- expansão das camadas médias e para a atenua-
versidade de Colúmbia em 1926. Em sua obra ção dos conflitos de classe, mais próprios do
Economics of Overhead Costs (Economia dos Cus- capitalismo passado. Nas pesquisas de mercado,
tos Fixos), 1923, estuda a questão dos custos fi- as classes são identificadas pura e simplesmente
xos baseando-se nas condições de mercado dos por estarem dentro de certas faixas (A, B, C, D
Estados Unidos. Essa obra foi importante no de- etc.) construídas a partir dos níveis de renda e
senvolvimento das análises dinâmicas. Em 1917, de consumo dos indivíduos.
John Maurice Clark publicou, no Journal of Po-
litical Economy, o artigo “Business Acceleration and CLÁSSICA. Veja Escola Clássica.
the Law of Demand” (“Aceleração dos Negócios
e a Lei da Demanda”). Nele, introduziu e de- CLÁSSICO. Denominação dada aos selos anti-
senvolveu o conceito de acelerador, que relaciona gos, quase sempre os das primeiras emissões
a taxa de crescimento da demanda de bens de dos países. No Brasil, os selos clássicos são olho-
consumo e a taxa de crescimento da demanda de-boi e olho-de-cabra. Veja também Selo Postal.
de bens de produção. Esse conceito tornou-se CLÁSSICOS. Veja Escola Clássica.
um dos princípios básicos da moderna teoria
macroeconômica. Em 1963, publicou Essays in CLÁUSULA DE NAÇÃO MAIS FAVORECI-
Preface to Social Economics (Ensaios Introdutórios DA. Cláusula existente em tratados de comércio,
à Economia Social). mediante a qual dois países estabelecem vanta-
gens mútuas entre si, diferenciando-se em rela-
CLASSE MÉDIA. Conjunto das camadas so-
ção a todos os demais países.
ciais situadas entre a burguesia e o proletariado,
especialmente o urbano. O processo de desen- CLÁUSULA SOCIAL. No âmbito da Organiza-
volvimento capitalista ampliou significativa- ção Mundial do Comércio (OMC), é a designa-
mente os estratos médios da sociedade atual, ção dada às cláusulas incluídas nos acordos por
que se diversificaram em relação ao trabalho e força dos países desenvolvidos. Tais cláusulas
ao nível de renda. Devido a essa heterogenei- dariam a esses países o direito de colocar bar-
dade, costuma-se dividir a classe média em alta, reiras alfandegárias específicas se fosse consta-
média e baixa. Assim, embora se incluam na tada a exploração de trabalho infantil ou escra-
classe média os pequenos empresários, atual- vo, por exemplo, nas importações realizadas dos
mente ela é formada sobretudo por profissionais países de menor desenvolvimento, isto é, se es-
assalariados que trabalham no setor de serviços tes estivessem praticando o “dumping social”.
(saúde, bancos, educação, comunicação) e em Veja também Dumping Social.
funções especializadas do setor industrial.
CLAY-CLAY. Expressão em inglês que designa
CLASSE SOCIAL. Cada um dos grandes gru- uma situação em uma função de produção na
pos diferenciados que compõem a sociedade. Os teoria do crescimento, segundo a qual a relação
critérios para definir-se um grupo social como entre capital e trabalho não varia nem antes, nem
classe são motivo de divergências. De modo ge- depois de realizado o investimento. Clay em in-
ral, nessa caracterização privilegiam-se fatores glês significa “argila” ou “barro” e é empregada
socioeconômicos tais como riqueza, apropriação em relação ao capital no sentido de argila en-
dos meios de produção, posição no sistema de durecida, isto é, com falta de maleabilidade. Se
produção, profissão, nível de consumo e origem opõe a putty-putty (putty significando uma mas-
dos rendimentos, entre outros. Considera-se ain- sa moldável), que denota uma situação na qual
da que os membros de uma classe social, além as proporções entre o capital e o trabalho podem
de terem no conjunto os mesmos interesses, ten- ser continuamente modificadas tanto antes
dem a compartilhar valores semelhantes. Para quanto depois do investimento, dessa forma
Marx, o que caracteriza uma classe social é sua dando à relação capital/trabalho grande varia-
posição no processo de produção, sua relação bilidade. A situação intermediária, putty-clay, se-
com o sistema de propriedade. No capitalismo, ria aquela na qual essas proporções pudessem
ele identificou duas classes sociais principais: variar antes do investimento; mas uma vez feito
burguesia (proprietários dos meios de produ- o investimento, haveria grande rigidez nessa
ção) e proletariado (trabalhadores que vivem de proporcionalidade, ou seja, a relação capital/tra-
CLE 102

balho poderia variar antes do investimento, mas Luxemburgo, Holanda, Noruega, Portugal, Sué-
não depois que este tivesse sido realizado. cia, Suíça, Turquia, Grã-Bretanha, Estados Uni-
dos, Canadá e Japão. Constituída em 1961, a
CLE. Veja Combined Leverage Effect. OCDE teve origem na Organização Européia de
CLEAN FLOAT. Veja Dirty Float. Cooperação Econômica (Oece), reunida em 1948
pelos países da Europa Ocidental para a distri-
CLIGNOTANT. Termo em francês que, por buição entre si dos recursos do Plano Marshall.
analogia a uma lâmpada que se acende de forma A OCDE tinha um âmbito de operações muito
intermitente, indica que alguma coisa vai mal mais amplo do que a Oece e um dos seus ob-
em determinado setor ou no conjunto da eco- jetivos era “contribuir para a expansão do co-
nomia. Por exemplo, existem vários clignotants mércio mundial com base em práticas multila-
ou sinais de alerta numa economia: a elevação terais e não discriminatórias”, o que significava
das taxas de juros, a elevação ou queda do con- a ampliação do comércio com todos os países
sumo de energia elétrica, a elevação do preço do mundo. Na realidade, os anos do pós-guerra
de matérias-primas de uso generalizado etc. se caracterizaram por grandes superávits no ba-
lanço de pagamento dos Estados Unidos e pela
CLIOMETRIA. Denominação do conjunto de
escassez de dólares em nível internacional. Para
estudos e pesquisas sobre história que se utiliza
defender sua indústria, seu nível de emprego
da econometria. A denominação vem de Clio,
interno e manter em equilíbrio seus balanços de
a deusa inspiradora dos estudos do passado e
pagamentos, os países industrializados da Eu-
suas medições quantitativas. Foi iniciada por
ropa apoiaram as exportações em grande escala.
economistas americanos durante os anos 60 e
A contrapartida foram algumas vantagens ofe-
70 em pesquisa sobre o papel que as ferrovias
recidas aos importadores, especialmente no que
tiveram no desenvolvimento dos Estados Uni-
dos no século XIX. Existem controvérsias sobre se refere ao financiamento de suas compras nos
a denominação da disciplina, alguns preferindo países europeus. A América Latina tornou-se
História Econométrica, História Quantitativa ou um pólo de atração para a expansão das expor-
Nova História Econômica. tações européias, não apenas porque constituía
um mercado em dinâmica de crescimento, mas
CLP — Controlador Lógico Programável. Dis- também porque havia acumulado reservas ex-
positivo que pode ser programado para contro- pressivas durante a Segunda Guerra Mundial.
lar uma ou mais funções de um processo pro- Mas essa capacidade aquisitiva não se manteve
dutivo. por muito tempo, e já na década de 50 alguns
países latino-americanos, começando pela Ar-
CLT — Consolidação das Leis do Trabalho. gentina e pelo Brasil, encontraram dificuldades
Conjunto de normas constitucionais que regem para saldar seus compromissos com os países
as relações entre empregados e empregadores. da Oece. Para tratar desses casos, foi constituído
O código, promulgado em 1º de maio de 1943, um espaço de negociações chamado Clube de
mediante o decreto-lei nº 5 452, reúne toda a Paris, isto é, uma reunião dos credores para dis-
legislação trabalhista elaborada após a Revolu- cutir o problema da dívida dos países que não
ção de 1930. A CLT sofreu, ao longo de seus pertenciam ao organismo. O Brasil já recorreu
anos de vigência, uma série de alterações que
várias vezes ao Clube de Paris para a renego-
não lhe modificaram, no entanto, o substrato bá-
ciação de sua dívida externa, tendo celebrado,
sico.
em julho de 1988, um acordo com esse organis-
CLUBE DE INVESTIMENTOS. Sociedade que mo. Veja também FMI.
congrega investidores com a finalidade de ope-
CLUSTERS. Termo em inglês que significa “blo-
rar no mercado de ações. Difere dos fundos mú-
cos” ou “agrupamentos”, utilizado em vários
tuos de investimento por não haver obrigato-
contextos para designar o agrupamento de ele-
riedade de patrimônio mínimo. Administrados
mentos comuns para um determinado fim. Em
pelos próprios sócios, os clubes de investimento
informática, por exemplo, o termo é utilizado
são supervisionados por sociedades corretoras
para designar agrupamentos ou conglomerados
que atuam nas Bolsas de Valores.
formados por computadores em geral de médio
CLUBE DE PARIS. Atualmente, o Clube de Pa- porte, por servidores — de terminais, arquivos
ris ou Clube dos Credores ou, ainda, Grupo dos e discos — e por periféricos. No setor industrial,
Dez, consiste num mecanismo para discutir os o termo é usado quando se deseja, por exemplo,
refinanciamentos multilaterais das dívidas dos paí- destacar agrupamentos ou ramos industriais de-
ses que não são membros da Organização de Coo- dicados à exportação que tenham alguma carac-
peração e Desenvolvimento Econômico (OCDE), terística comum, como o fato de ser produtos
formada por Áustria, Bélgica, Dinamarca, Fran- de consumo de massa, bens duráveis, semidu-
ça, Alemanha, Grécia, Islândia, Irlanda, Itália, ráveis etc.
103 CNP

CMN — Conselho Monetário Nacional. Órgão dinado à presidência da República, com o ob-
federal criado em 31/12/1964 pela lei que im- jetivo de criar as diretrizes para a racionalização
plantou a reforma bancária no país. Formado do consumo e o aumento da produção nacional
segundo o modelo do Federal Reserve System, de petróleo, a substituição de seus derivados por
dos Estados Unidos, veio substituir a Superin- outras fontes de energia e as medidas a serem
tendência da Moeda e do Crédito (Sumoc) como adotadas na hipótese de redução abrupta — to-
órgão responsável pelas normas dos ajustes dos tal ou parcial — dos suprimentos externos do
meios de pagamento de acordo com as neces- produto. Presidida pelo ministro da Infra-estru-
sidades do país, devendo regular o valor interno tura, é formada pelo ministro da Economia, pe-
da moeda, corrigir surtos inflacionários ou de- los secretários de Energia e de Planejamento,
flacionários e coordenar as políticas creditícia, pelo chefe do Gabinete Militar e pelo secretário
monetária, fiscal, orçamentária e da dívida pú- do Conselho de Segurança Nacional. A criação
blica (interna e externa). É responsável ainda pe- da CNE foi conseqüência direta da chamada cri-
las emissões de papel-moeda, pela fixação de se internacional do petróleo, em 1979. Na oca-
normas para a política cambial, pela aprovação sião, 70% do transporte de mercadorias, 90% do
de orçamentos monetários, pela limitação das transporte de passageiros e boa parte da ativi-
taxas de juros, descontos e comissões, e pela dis- dade industrial do país dependiam do petróleo.
ciplina do crédito, entre outras atividades de ca- CNEN — Comissão Nacional de Energia Nu-
ráter mais burocrático. As reuniões da CMN são clear. Autarquia ligada ao Ministério da Infra-
realizadas pelo menos uma vez por semana. Par- estrutura. É o órgão encarregado de coordenar,
ticipam do conselho representantes dos minis- orientar, supervisionar e executar a política nu-
térios da área econômica, de outros órgãos pú- clear brasileira, orientando as instituições liga-
blicos e de entidades representativas do setor das ao setor nuclear, financiando seus progra-
privado. mas e a formação de pessoal. Foi criada em 1956,
CMTC — Companhia Municipal de Transpor- com o nome de Comissão de Energia Atômica,
tes Coletivos. Fundada em 1947, na cidade de vinculada ao Conselho Nacional de Pesquisas.
São Paulo, como companhia de economia mista, Controla diversos órgãos, como o Instituto de
diante do desinteresse da Light (antiga conces- Engenharia Nuclear da Universidade Federal do
sionária) de continuar operando os serviços. A Rio de Janeiro, o Instituto de Pesquisas Radia-
CMTC implantou em São Paulo, na década de tivas da Universidade Federal de Minas Gerais
50, uma frota de trólebus que foram pouco a e a Associação de Produção de Monazita.
pouco substituindo os antigos bondes, assim
como uma grande frota a diesel. Com o cresci- CNI — Confederação Nacional da Indústria.
mento da cidade, empresas particulares foram Entidade sindical de cúpula do empresariado
aumentando sua participação e, em 1975, a industrial brasileiro, reúne representantes das
CMTC, embora concessionária exclusiva, conta- federações estaduais da indústria. Fundada em
va apenas com 15% do total do transporte co- 1942, no âmbito da estrutura sindical montada
letivo na cidade. Essa participação aumentou pelo governo, substituiu duas entidades que a
para 30% até o final dos anos 80 e início dos precederam: Sociedade Auxiliadora da Indústria
anos 90, quando sua frota total em operação al- Nacional (1827-1904) e Centro Industrial Brasi-
cançou cerca de 3 mil ônibus dos 8 500 existen- leiro — CIB (1904-42). Junto ao governo, a CNI
tes. Em 1991 constituiu a primeira frota de ôni- atua apresentando sugestões, reivindicações e
bus movidos exclusivamente a gás natural (cerca críticas aos programas oficiais de desenvolvi-
de sessenta veículos). A partir de 1993, teve iní- mento industrial. Colaborou na criação do an-
cio o seu processo de privatização, com a pas- tigo Ministério do Trabalho, Indústria e Comér-
sagem de oitenta das 156 linhas para o setor cio. O Serviço Nacional de Aprendizagem In-
privado. dustrial (Senai) e o Serviço Social da Indústria
CNBV — Comissão Nacional de Bolsa de Va- (Sesi) são entidades filiadas à CNI, destinadas
lores. Entidade civil brasileira que congrega as a proporcionar formação profissional e ativida-
Bolsas de Valores do país. des culturais aos trabalhadores.

CNC. Iniciais da expressão em inglês computer CNP — Conselho Nacional do Petróleo. Órgão
numerical control, que significa “máquina ope- do Ministério da Infra-estrutura, responsável
ratriz controlada por computador“. Veja tam- por formular a política nacional do petróleo e
bém MFCN (Máquina-ferramenta de Contro- do carvão mineral, controlar o abastecimento de
le Numérico). petróleo em todo o país e fixar o preço de seus
derivados. A criação do CNP pelo presidente
CNE — Comissão Nacional de Energia. Órgão Getúlio Vargas, em abril de 1938, juntamente
transitório criado em 1979 e diretamente subor- com a regulamentação das jazidas e a descoberta
CO-GESTÃO 104

de petróleo em Lobato (janeiro de 1939), assi- COBAL — Companhia Brasileira de Alimen-


nalaram a segunda fase da luta pelo controle tos. Empresa federal vinculada ao Ministério da
estatal do petróleo no Brasil (a fase anterior era Agricultura, criada em 1962 com o objetivo de
a da livre iniciativa no setor, e a posterior, a do assegurar o abastecimento de gêneros alimentí-
monopólio estatal, começou com a criação da cios em todo o país. Atua como reguladora do
Petrobrás em outubro de 1953). A União exerce mercado, evitando a excessiva especulação, e
o monopólio do petróleo por intermédio do atende diretamente áreas não cobertas devida-
CNP, como um órgão orientador e fiscalizador, mente pelo setor privado. Em 1972, a Cobal as-
e da Petrobrás e suas subsidiárias, como órgãos sumiu a direção do Sistema Nacional de Cen-
de execução. A instituição dos contratos de risco, trais de Abastecimento (Sinac), com participação
em 1976, retirou da Petrobrás o monopólio de societária no capital das Centrais de Abasteci-
pesquisa e exploração. mento (Ceasas), vinculadas ao sistema. A função
do Sinac é organizar a produção e intermediação
CO-GESTÃO. Forma de participação dos tra- de produtos de origem hortifrutigranjeira, ven-
balhadores na administração da empresa, por dendo-os ao comerciante varejista por melhores
meio de representantes eleitos em votação dire- preços. Em 1979, a Cobal instalou a Rede Somar
ta. É uma experiência típica da Europa Ocidental de Abastecimento para gêneros de primeira ne-
(Alemanha, França, Inglaterra), variando sua cessidade. A rede formou-se por meio de con-
forma de organização em cada um desses países. vênios com varejistas independentes instalados
De modo geral, no regime de co-gestão os re- em áreas de baixa renda, tornando-se a maior
presentantes dos trabalhadores são consultados rede varejista do país. A Cobal compra grandes
sobre questões salariais, benefícios sociais pro- quantidades de gêneros e os distribui a esses
movidos pela empresa, dispensa de emprega- varejistas, objetivando a redução de preços para
dos, utilização de novas tecnologias, e são tam- o consumidor. Mantém ainda postos de venda
bém informados sobre os planos de expansão nas chamadas “áreas de alto risco”, como as
da empresa e seu balanço anual. Veja também frentes de trabalho nas regiões de seca, nos ga-
Autogestão. rimpos, nas povoações ribeirinhas da Amazônia
e na periferia das grandes cidades. Os preços
COASE, Ronald Harry (1910- ). Nasceu em
da Somar só são subsidiados em casos excep-
Middlesex, na Inglaterra, e graduou-se em Eco- cionais em áreas consideradas muito pobres,
nomia pela London School of Economics em
onde o Instituto Nacional de Alimentação e Nu-
1932. Tornou-se professor na Universidade de trição (Inan) financia produtos básicos. Além
Liverpool e na própria London School, entre dos supermercados da Rede Somar, dos super-
1935 e 1951. Nos anos 50 transferiu-se para os
mercados Cobal e dos postos de venda, a em-
Estados Unidos, onde lecionou na Universidade presa possui mercados volantes para abasteci-
de Buffalo, na Universidade de Virgínia e na
mento pelas estradas e mercados flutuantes para
Universidade de Chicago. Nesta última, dirigiu, as hidrovias amazônicas.
entre 1964/1982, o Journal of Law and Economic.
A colaboração mais importante de Coase para COBB-DOUGLAS (Função de Produção). Uma
a ciência econômica consiste em seus estudos função com a fórmula Q = A.La.Kb, onde Q é a
sobre as economias externas ou externalidades. produção, A, a e b são constantes e L e K são,
Esses estudos e a preocupação com o tema ti- respectivamente, o trabalho e o capital. A função
veram início numa monografia, The Nature of é homogênea do grau a+b, uma vez que a mul-
the Firm (A Natureza da Firma), quando Coase tiplicação de L e K por uma constante c elevará
ainda cursava a graduação, culminando com o resultado na proporção de ca+b. Assim, Q1 =
suas análises sobre os custos de transação nas A.cLa.cKb = Ka+b(A.LaKa). Se a soma dos expoen-
concessões de faixas para transmissões de rádio tes for igual à unidade, a função Cobb-Douglas
e televisão. Tais análises permitiram a Coase for- é linear homogênea, isto é, o retorno será uma
mular o que veio a ser denominado Teorema constante em relação à escala de produção: se,
de Coase, estabelecendo que as externalidades por exemplo, o capital e o trabalho empregados
não determinam uma alocação imperfeita de re- aumentarem 50%, o produto também aumentará
cursos, desde que os custos de transação sejam em 50%; se esta soma for maior do que a uni-
nulos. Os textos mais importantes de Coase fo- dade, a função terá retornos crescentes à escala;
ram publicados entre 1959 e 1979 no Journal of e se a soma for inferior à unidade, o retorno
Law and Economics, destacando-se “The Federal será decrescente à escala. Veja também Função
Communications Commission” (1959), “The Homogênea.
Problem of Social Cost” (1960) e “Payola in Ra-
dio and Television Broadcasting” (1979). Por COBOL. Sigla da expressão inglesa Common Bu-
suas contribuições, Coase recebeu o Prêmio No- siness Oriented Language (Linguagem Comercial
bel de Economia em 1991. Veja também Teore- Comum Orientada), um tipo de linguagem uti-
ma de Coase. lizado na elaboração de programas de compu-
105 COEFICIENTE DE CONCENTRAÇÃO

tador e destinado principalmente a empresas. para ano: um preço relativamente elevado e uma
Veja também Informática. oferta reduzida alternando-se com um preço re-
lativamente baixo e uma oferta abundante. O
COBRA — Computadores e Sistemas Brasilei- termo cobweb, que em inglês significa “teia de
ros S.A. Empresa estatal criada em 1974 com o aranha”, tem origem no fato de que o gráfico
objetivo de incorporar à economia uma indústria que expressa tais oscilações de preços guarda
nacional de computadores. Em princípio, limi- semelhança com uma teia de aranha.
tava-se a prestar assistência às áreas militares,
especialmente serviços de controle e automação COD. Iniciais de cash on delivery (pagamento
das novas fragatas da Marinha fabricadas com contra entrega ou reembolso postal).
tecnologia inglesa. Em 1975, a Cobra comprou
projetos tecnológicos da corporação norte-ame- CÓDIGO COMERCIAL BRASILEIRO. Conjun-
ricana Sycor e obteve a transferência de know- to de leis que regula o comércio em todos os
how para a produção do primeiro minicompu- seus aspectos. Foi criado pela lei nº 556, de
tador comercial brasileiro, o Cobra 400. Ao mes- 22/6/1850, inspirado nos códigos espanhol,
francês e português. Posteriormente, acrescen-
mo tempo, assinou contratos com organizações
taram-se várias outras leis, entre as quais a Lei
brasileiras com programas de tecnologia de
Cambiária (1908), a Lei do Cheque (1912), a Lei
computador em fase de desenvolvimento. Num
das Sociedades Limitadas (1919), a Lei das So-
contrato com o Serviço Federal de Processamen-
ciedades por Ações (1940), a Lei das Falências
to de Dados (Serpro), adquiriu os direitos de (1945, modificada em 1966), a Lei do Mercado
desenvolvimento de duas linhas de equipamen- de Capitais (1965) e a Lei das Sociedades Anô-
to, os modelos TR e TD, que se transformariam nimas (1977).
em seu maior sucesso comercial. Em 1977, a em-
presa entrou no mercado de minicomputadores COEFICIENTE BETA. Medida da sensibilidade
para aplicações comerciais. Em 1980, por meio de uma ação específica em relação às alterações
do Projeto Guaranis, surgia o Cobra 530, pri- do mercado acionário em seu conjunto. É a me-
meiro computador projetado, desenvolvido e fa- dida de um risco sistemático.
bricado no Brasil, resultado do trabalho conjunto
de cientistas da Universidade de São Paulo COEFICIENTE DE ACELERAÇÃO. É o coefi-
(USP), responsáveis pelo projeto de hardware, e ciente pelo qual o investimento adicional cresce
da Pontifícia Universidade Católica do Rio de em função de um aumento na produção. Por
Janeiro (PUC), responsáveis pelo projeto de soft- hipótese, esse investimento adicional deve ser
ware. Mais de 50% das ações da Cobra pertencem proporcionalmente maior do que o incremento
a órgãos estatais — Banco do Brasil, Caixa Eco- na produção, uma vez que o capital fixo (má-
nômica Federal, Banco Nacional de Desenvol- quinas, equipamentos etc.) tem um valor maior
vimento Econômico e Digibrás —, e quase 40% do que o valor de sua produção anual. Veja tam-
das ações pertencem à holding Eletrônica Digital bém Princípio de Aceleração.
do Brasil S.A. (EDB), formada por onze bancos
nacionais, pelas Bolsas de Valores do Rio de Ja- COEFICIENTE DE ACHATAMENTO (Curtose,
neiro e de São Paulo e pela Caixa Econômica Kurtosis). Veja Medidas de Achatamento.
do Estado de São Paulo. Em 1982, as vendas da COEFICIENTE DE APROVEITAMENTO.
empresa equivaleram à soma das vendas de to- Conceito da Lei de Zoneamento que estabelece
das as suas concorrentes nacionais no setor de em cada caso o máximo de área construída que
computadores comerciais de portes pequeno e um lote urbano comporta. No município de São
médio. Veja também Computador; Informática. Paulo, o máximo permitido é um coeficiente 4,
COBRA. Veja Snake. embora os dispositivos das Operações Interliga-
das e Operações Urbanas possam ultrapassar
COBWEB. Representação gráfica das condições pontualmente tais limites. Veja também Adiron
existentes num mercado competitivo, no qual a (Fórmula de); Lei de Zoneamento; Operações
venda de um produto perecível (em geral pro- Interligadas; Operações Urbanas; Taxa de
duto agrícola), que exige certo tempo para a sua Ocupação.
produção, tem uma demanda relativamente
constante durante determinada época. O perío- COEFICIENTE DE CONCENTRAÇÃO (Espa-
do em que se realizam as vendas é muito curto cial). Medida estatística do grau de concentração
e o tempo necessário para a produção, muito de atividade econômica num determinado es-
longo, para que a oferta possa ser alterada por paço geográfico (município, Estado ou país). Em
qualquer produtor depois do início das vendas. termos concretos, mede-se tal concentração com-
A cada ano, portanto, a oferta depende do preço parando a atividade a ser medida com um ref-
do mercado do ano anterior. Isso tende a pro- erencial de distribuição espacial como, por
vocar consideráveis oscilações no preço de ano exemplo, a população. Se a distribuição de uma
COEFICIENTE DE CRESCIMENTO VEGETATIVO 106

atividade como a industrial se concentrar de ma- COEFICIENTE Q (de Tobin). Coeficiente obti-
neira diferente da população, o coeficiente de do dividindo-se o valor de mercado dos ativos
concentração tenderá a ser elevado; ao contrário, de uma empresa pelo seu valor de reposição.
se esta forma de distribuição acompanhar a dis- Se este valor for superior a 1 (um), significa que
tribuição da população, seu coeficiente de dis- a empresa em questão realizou decisões acerta-
tribuição espacial será muito pequeno. A fór- das de investimento.
mula para calcular este coeficiente é: Σj Caj –
Cij, onde Caj representa a porcentagem da ati- COEFICIENTE DE GINI. Medida de concen-
vidade a (indústria, por exemplo) na localidade tração, mais freqüentemente aplicada à renda,
j, e Cij é a porcentagem da característica utili- à propriedade fundiária e à oligopolização da
zada como base ou referencial i (população, por indústria. O coeficiente de Gini é medido pela
exemplo) na localidade j. A expressão entre bar- relação ou pela fórmula geral,
ras significa valores absolutos, uma vez que em n
alguns casos Caj pode ser menor do que Cij. G = 1 – ∑ (Yi + Yi–1)(Xi – Xi–1),
Quanto mais próximo de zero for o valor final i=1
do somatório, menos concentrada espacialmente
estará a atividade sendo considerada (no caso, sendo xi a porcentagem acumulada da popula-
a indústria); quanto mais elevado for o valor do ção (pessoas que recebem renda, proprietários
somatório, maior será o grau de concentração. de terra, indústrias etc.) até o estrato i; yi, a por-
centagem acumulada da renda, área, valor da
COEFICIENTE DE CRESCIMENTO VEGETA- produção etc., até o estrato i; e n, o número de
TIVO. Considerando-se uma determinada po- estratos de renda, área, valor da produção etc.
pulação num certo período de tempo, é o resto
da diferença que tem por minuendo o coeficiente
total de natalidade, e por subtraendo, o coefi- 1,0 A
ciente bruto de mortalidade. 0,9
0,8
COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO. Tam-
bém conhecido como R2, ou Coeficiente de Cor- 0,7
relação Múltipla, é uma medida estatística que 0,6
designa o poder explicativo de uma equação. 0,5
Em termos mais concretos, é a proporção de va- 0,4 α
riação na variável dependente que é devida à
0,3
variação combinada das variáveis explicativas
(independentes), e é expressa pela fórmula 0,2
0,1
Σe2 45o
R2 = 1 – , 1,0
Σy2 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 B

Onde Σe2 é o resíduo da soma dos quadrados, Aumentando a concentração da renda, da pro-
e Σy2 é a soma dos quadrados da variável de-
priedade fundiária ou do valor da produção,
pendente. Desta forma, R2 varia entre zero e 1.
cresce a curvatura da curva de Lorenz e, por-
Quanto mais o coeficiente se aproximar do zero,
menor será o poder explicativo, ou, o que é o tanto, a área entre a curva e a linha que passa
mesmo, maior será a variação residual como a 45o no gráfico. O índice ou coeficiente de Gini
uma proporção do total; e quanto mais se apro- se aproximaria de 1, refletindo o aumento da
ximar de 1, maior será o seu poder explicativo. concentração. Se a distribuição da renda, da pro-
priedade da terra, do valor da produção indus-
COEFICIENTE DE MORTALIDADE. Veja Mor- trial etc. fosse igualitária, a curva de Lorenz coin-
talidade. cidiria com a linha de 45o e o coeficiente de Gini
seria igual ou muito próximo de zero. Os valores
COEFICIENTE DE MORTALIDADE INFAN-
do coeficiente de Gini variam, portanto, entre 1
TIL. É o coeficiente demográfico (de uma socie-
e zero; quanto mais próximo de 1 for o coefi-
dade e relativo a um determinado período) que
ciente, maior será a concentração na distribuição
se obtém dividindo-se o total de óbitos de me-
de qualquer variável, acontecendo o contrário à
nores de um ano de idade (excluídos os nascidos
mortos) pelo total de nascidos vivos; o resultado medida que esse coeficiente se aproxima de zero.
é geralmente multiplicado por mil ou por 10 mil. Por exemplo, em 1972 o índice de Gini para a
distribuição da renda no Brasil alcançou 0,622,
COEFICIENTE PEARSON DE ASSIMETRIA. e o da propriedade da terra, em 1984, atingiu
Veja Medidas de Assimetria. 0,839. Veja também Lorenz, Curva de.
107 COLETIVISMO

COEFICIENTE DE NATALIDADE. Veja Nata- Incrementou a atividade comercial para superar


lidade. os mercados holandeses e criou várias compa-
nhias de comércio, como a das Índias Ocidentais
COETERIS PARIBUS. Veja Caeteris Paribus. e das Índias Orientais; aumentou os impostos
COFIE — Comissão de Fusão e Incorporação sobre artigos importados e construiu numerosas
de Empresas. Entidade vinculada ao Ministério vias de comunicação. Criou privilégios para vá-
da Economia e criada com a finalidade de esti- rias empresas privadas e fundou fábricas esta-
mular a formação de conglomerados industriais tais. Ministro da Marinha desde 1668, levou à
pela fusão de empresas. A Cofie propõe-se tam- frente a transformação da França numa grande
bém a incentivar a abertura de capital das pe- potência naval. Incentivou ainda as ciências e
quenas e médias empresas, na tentativa de for- as artes. Escreveu Mémoires sur les Affaires de Fi-
talecer o mercado de ações. nance de France (Memórias sobre os Assuntos Fi-
nanceiros da França), 1663. Veja também Mer-
COIVARA. Sistema de preparação do solo, mui- cantilismo.
to usado no interior do Brasil, desde os primór-
dios da colonização, especialmente nas áreas de COLBERTISMO. Denominação dada à política
fronteiras agrícolas, e que consiste em juntar em mercantilista levada a cabo na França durante
pilhas os galhos e outras partes das árvores da o período em que Jean-Baptiste Colbert (1619-
floresta queimada e atear-lhes fogo outra vez. 1683) foi ministro das Finanças de Luís XIV. Veja
A coivara era utilizada pelos índios, e, realizada também Colbert, Jean-Baptiste; Mercantilismo.
em pequena escala, não significava uma ameaça
à fertilidade geral das terras e ao equilíbrio eco- COLCÓS. Cooperativa de produção agrícola exis-
lógico das matas. Mas sendo utilizada em gran- tente na ex-União Soviética, cuja forma de fun-
de escala, como acontece atualmente, causa da- cionamento era a seguinte: os membros traba-
nos ecológicos irreversíveis. lhavam em uma gleba da qual eram co-proprie-
tários. Com a reforma agrária de 1918, todas as
COLATERAL. Título (security) dado ao empres- terras passaram à propriedade do Estado, que
tador por quem toma emprestado, como penhor confiou parte delas a essas cooperativas, com
pelo futuro pagamento do empréstimo. O em- usufruto perpétuo e gratuito. Cada colcós era
prestador torna-se assim credor assegurado. No administrado por um Conselho eleito por todos
caso de default, pode utilizar esse título (ven- os membros e que se incumbia de distribuir en-
dendo-o no mercado, por exemplo) como paga- tre eles a renda líquida (não reinvestida), de
mento da dívida, e no caso de o valor do título acordo com a cota de trabalho de cada um. Cada
colateral não ser suficiente, pode agir imediata- família tinha o direito de usufruir de pequena
mente como credor cujo devedor se tornou ina- área de terra, anexa à residência. O trabalho era
dimplente. Qualquer propriedade que tenha um altamente mecanizado, com o apoio das Esta-
valor relativamente estável no mercado e con- ções de Máquinas e Tratores, que atendiam, cada
siderável liquidez pode ser utilizada como co- uma, a grupos de dez a vinte colcoses. Na dé-
lateral. No entanto, o mais comum são títulos cada de 70, havia cerca de 40 mil colcoses, ocu-
da dívida pública de economias desenvolvidas, pando uma área total de 104 milhões de hectares.
ações de grandes empresas, imóveis e outros. Veja também Sovkhoz.
Título colateral é alguma coisa de valor — ge-
ralmente títulos —, facilmente convertida em di- COLCOZE. Veja Colcós.
nheiro, depositada como uma garantia junto ao
credor para assegurar o pagamento de um em- COLETIVA, Fazenda. Veja Colcós; Sovkhoz.
préstimo. Geralmente (mas não em todos os ca-
COLETIVISMO. Sistema político-social basea-
sos), seu valor é superior àquele do empréstimo.
do no controle da atividade econômica pela co-
Se o devedor for incapaz de pagar a dívida na
letividade ou pelo Estado. Os coletivistas negam
data estabelecida, o credor estará liberado para
a propriedade privada dos meios de produção
vender o “colateral” e recuperar o dinheiro em-
e afirmam que só vivendo em comunidade e a
prestado com o produto dessa venda. Veja tam-
ela se submetendo é que os indivíduos podem
bém Default.
ser efetivamente livres e realizar todas as apti-
COLBERT, Jean-Baptiste (1619-1683). Estadista dões pessoais. De inspiração socialista, foi en-
francês que, como ministro das Finanças de Luís fatizado sobretudo pelas correntes anarquistas,
XIV, foi o principal responsável pela aplicação cujo coletivismo tem como base a autogestão po-
da política mercantilista. Começou por obrigar lítica e econômica a partir dos locais de trabalho.
os homens de negócios a devolver parte de seus O coletivismo de inspiração marxista enfatiza o
lucros ao Tesouro Nacional. Empreendeu pro- papel transitório do Estado como instrumento
funda reforma fiscal, acabando com o confuso de planificação e coordenação econômica. Veja
sistema de taxações herdado da Idade Média. também Anarquismo; Comunismo.
COLIGADAS 108

COLIGADAS. Veja Empresas Coligadas. COLÔNIA CECÍLIA. Comunidade agrícola de


inspiração anarquista criada em 1890 no muni-
COLINEARIDADE. Termo que, em estatística, cípio de Palmeira (Paraná). Seu principal fun-
designa uma elevada correlação entre duas va- dador foi o agrônomo italiano Giovanni Rossi,
riáveis, isto é, ambas têm a mesma trajetória li- que conseguiu do imperador dom Pedro II a doa-
near. Numa análise de regressão, duas variáveis ção das terras para a organização da colônia. Che-
independentes podem estar altamente correla- gou a agrupar cerca de trezentas pessoas e existiu
cionadas, mantendo entre si elevada colineari- até 1893. A experiência foi narrada por Rossi em
dade, de tal forma que não é possível estabelecer Quaderni della Libertà, revista publicada em São
o efeito de cada uma delas sobre a variável de- Paulo em 1932. Veja também Anarquismo.
pendente. Por exemplo, a elevação das vendas
de um produto (variável dependente) pode ter COLONIAL, Pacto. Veja Pacto Colonial.
sido influenciada por um aumento de salários
e pela redução das taxas de juros, não sendo COLONIALISMO. Sistema de relações econô-
possível distinguir no curto prazo qual das va- micas, políticas, sociais e culturais que tornam
riáveis independentes teve a influência maior. dependente uma sociedade (a colônia) em rela-
Nesse caso, pode-se utilizar apenas a variável ção a outra (a metrópole). Pressupõe assim a
independente julgada a mais importante (o au- perda da autonomia de territórios colonizados,
mento de salários, no caso), ou combinar as duas sob ocupação militar e totalmente subordinados
variáveis independentes numa só, ou ainda es- à metrópole. Nesse sentido, o colonialismo apre-
colher uma terceira que substitua as duas pri- senta-se como um fenômeno resultante da Re-
meiras. Quando existe um grau de correlação volução Comercial européia (séculos XV e XVI),
muito elevado, com mais de duas variáveis, o que atingiu o apogeu no século XIX, prolongan-
fenômeno é denominado multicolinearidade. Veja do-se até os anos imediatamente posteriores à
também Análise de Regressão; Correlação. Segunda Guerra Mundial. Durante esse período,
utilizando formas diferentes de dominação, Por-
COLLAR. Garantia de taxas de juros máximas tugal, Espanha, Holanda, Bélgica, Alemanha,
e mínimas registradas em contratos para prote- França e Inglaterra construíram seus impérios
ger tanto o tomador de empréstimo quanto o coloniais. No primeiro momento (séculos XVI e
emprestador. O sistema consiste num “piso” XVII), a expansão colonial correspondeu à ne-
(floor) e num “teto” (cap). O piso (floor) garante cessidade de conquistar fontes fornecedoras de
ao credor que as taxas de juros não cairão mais produtos (metais preciosos, especiarias, açúcar
além de um determinado ponto; o teto (cap) ga- e outros produtos tropicais) indispensáveis ao
rante ao tomador que as taxas de juros não ul- comércio europeu em desenvolvimento. Assim
trapassarão um determinado ponto superior. se deu a colonização da América, da Ásia e a
primeira colonização da África. A segunda fase
COLLATERAL. Veja Colateral. do colonialismo (segunda metade do século XIX)
diz respeito às transformações verificadas no
COLLATERAL TRUSTS BONDS. Expressão em âmbito do modo de produção capitalista. A pro-
inglês que significa obrigações ou títulos garan- dução em larga escala levou à exportação de
tidos pelo penhor de outras obrigações ou títu- capitais, à conquista de novos mercados consu-
los. midores e ao controle de fontes fornecedoras de
matérias-primas: petróleo, borracha, minérios e
COLOCAÇÃO DIRETA. Situação na qual uma produtos tropicais. Deu-se então a nova partilha
empresa aumenta seu capital lançando novas da África, a penetração na China e a dominação
ações, e os únicos credenciados a adquiri-las são inglesa na Índia — e a hegemonia das metró-
aqueles que já possuem ações dessa empresa, e poles do capitalismo sobre a vida econômica,
têm o direito de adquiri-las em proporção às política e cultural de países de passado colonial
que já possuem. que, depois da independência, continuavam
como fonte de produtos primários para o mer-
COLOCAÇÃO INDIRETA. Situação na qual uma cado mundial. Veja também Capitalismo; Co-
organização financeira subscreve a totalidade lonização; Dependência; Imperialismo.
das emissões de novas ações de uma empresa
que aumenta seu capital para colocá-las ao pú- COLONIZAÇÃO. Processo de ocupação efetiva
blico em geral, no mercado secundário. e prolongada de determinado território por meio
de atividades agrícolas, pastoris, extrativas e co-
COLÓN. Unidade monetária da Costa Rica. merciais. Um dos primeiros exemplos históricos
Submúltiplo: cent. de expansão colonizadora foi o das cidades-es-
tados gregas, sobretudo Atenas, cujos cidadãos
COLÓN SALVADORENHO. Unidade mone- se estabeleceram em outros pontos do mar Egeu,
tária de El Salvador. Submúltiplo: centavo. Jônico, Adriático e Mediterrâneo, levando para
109 COMERCIALIZAÇÃO

aqueles locais sua cultura e estrutura social. Mo- COMANDO NUMÉRICO. Processo no qual a
dernamente, o conceito de colonização liga-se atividade de uma máquina ou equipamento é
ao sistema de dominação colonialista imposto realizada mediante informações de caráter nu-
pela Europa a vastas regiões da Ásia, África e mérico.
América Latina, no decorrer da Revolução Co-
mercial (séculos XV e XVI) e da Revolução In- COMBINED LEVERAGE EFFECT. Expressão
dustrial (séculos XVIII e XIX). Foi no contexto em inglês que significa alavancagem combinada
da Revolução Comercial que se desenvolveu a — financeira e operacional —, que indica o efeito
colonização portuguesa no Brasil, com a explo- sobre o rendimento por ação de determinada
ração do pau-brasil, a economia açucareira, a variação nas vendas.
cotonicultura e a mineração. O processo de co- COMECON — Conselho Econômico de Assis-
lonização pode ocorrer nos limites do território tência Mútua. Órgão de integração econômica
do próprio país, levando ao povoamento e à in- do bloco socialista. Criado em 1949 pela ex-
corporação econômica de uma região: isso ocor- União Soviética, Bulgária, Hungria, Polônia, Ro-
reu com vastas regiões da União Soviética e do mênia e Tchecoslováquia, teve a admissão pos-
Canadá; no Brasil, processa-se ainda a ocupação terior da Albânia (desde 1949 e desligada em
do Centro-oeste e da Amazônia. Veja também 1961), Alemanha Oriental (1950), Mongólia
Colonialismo. (1962), Cuba (1972) e Vietnã (1978). A ex-Iugos-
lávia tinha participação parcial desde 1964, e,
COLONO. Trabalhador livre, empregado na agri-
como observadores, participavam Afeganistão,
cultura cafeeira paulista a partir da extinção da
Angola, Etiópia, Laos, Moçambique e República
escravidão. O colonato foi também a relação de Popular do Iêmen. O objetivo do Comecon era
produção típica no período de implantação da a integração planificada das economias nacio-
cultura de café no norte do Paraná e marcou nais, associadas segundo os princípios de uma
sua presença na zona rural desses dois Estados “divisão socialista do trabalho”: cada país-mem-
até a década de 60. A partir de então, os colonos bro iria se especializar num ramo da economia,
foram sendo substituídos por trabalhadores as- conforme seus recursos naturais e seu nível tec-
salariados, sobretudo os chamados bóias-frias. nológico. Isso obrigava certos países a renunciar
O contrato entre o colono e o proprietário do a um desenvolvimento mais abrangente, tornan-
cafezal levava em conta, além do trabalho indi- do-os dependentes da União Soviética em seto-
vidual do colono, a força de trabalho de toda a res-chaves como o de bens de capital, o que le-
família, incluindo as crianças. Trabalhador sol- vou a Romênia a insubordinar-se em relação às
teiro não era aceito como colono. Como paga- determinações impostas pela direção do Come-
mento para cuidar do cafezal — em geral 5 mil con. Havia dois organismos financeiros ligados
pés de café —, o colono recebia um pagamento ao Comecon: o Banco Internacional para Coo-
em dinheiro, casa e um lote de terra, onde plan- peração Econômica, fundado em 1963, e o Banco
tava milho, feijão, arroz, hortaliças e criava ani- de Investimentos Internacionais, fundado em
mais. Segundo Thomas Holloway, no início do 1970. O Comecon tinha sede em Moscou. Com
século XX cerca de 80% dos ganhos do colono a extinção da União Soviética, o Comecon foi
eram provenientes de rendas não salariais. Isto também extinto em 1991.
é, consistiam na remuneração representada pela COMERCIALIZAÇÃO. Processo intermediário
casa e pelo que lhe rendiam os gêneros produ- entre o produtor e o consumidor. Consiste em
zidos na terra cedida pelo dono do cafezal. Parte colocar os bens e serviços produzidos à dispo-
dessa produção era vendida nas pequenas cida- sição do consumidor, na forma, tempo e local
des do Interior paulista, possibilitando ao colono em que ele esteja disposto a adquiri-los. Atual-
certa acumulação. Com esses recursos ele podia mente, a comercialização se realiza com a apli-
adquirir uma gleba de terra e tornar-se um pe- cação das técnicas e dos processos da mercado-
queno proprietário. Os primeiros contingentes logia (ou marketing), que estudam o mercado
de colonos eram formados de imigrantes euro- para descobrir quais os produtos e serviços que
peus, sobretudo italianos, que vieram para o ele demanda e em quais quantidades (mediante
Brasil no final do século XIX e início do século pesquisas de mercado), e orienta os testes de
XX. Formaram o primeiro mercado consumidor comercialização (para avaliar a aceitação do pro-
potencial de artigos produzidos no Brasil, con- duto), assim como as atividades de promoção
tribuindo decisivamente para o crescimento das e distribuição. A comercialização deve adequar-
atividades fabris em São Paulo. Veja também se às características do produto e ao mercado a
Ciclo do Café. que ele se destina. Alguns tipos de bens, como
máquinas e equipamentos, exigem a venda di-
COMANDITA, Sociedade em. Veja Sociedade reta do produtor ao consumidor, enquanto os
em Comandita. produtos chamados de consumo de massa de-
COMÉRCIO 110

pendem de outro tipo de comercialização. Há fenícios, foram alcançadas maiores distâncias e


produtos, como os alimentos básicos, cuja co- diversificaram-se as mercadorias. Até o século
mercialização é mais simples. A estrutura da co- VIII a.C., quando os gregos introduziram a moe-
mercialização sofreu várias mudanças a partir da nas relações de troca, o comércio era feito
de 1945, modernizando-se, segundo a experiên- mediante o escambo, isto é, com a simples troca
cia dos Estados Unidos e de outros países in- de uma mercadoria por outra. A introdução da
dustrializados que desenvolveram o marketing. moeda ampliou consideravelmente a circulação
A venda tornou-se mais direta e impessoal, me- dos bens. Desde a Antiguidade até o início da
diante o uso do correio (por mala direta), anún- Idade Moderna, os artigos de luxo e ornamen-
cios em revistas etc., e em massa, com o surgi- tação constituíam a maior parte dos bens co-
mento dos supermercados, grandes lojas de de- merciáveis. No fim do século XVIII, quando
partamentos e shopping centers. Veja também ocorreu a Revolução Industrial na Inglaterra, as
Consumo; Mercadologia. atividades comerciais passaram a envolver em
maior escala mercadorias destinadas ao consu-
COMÉRCIO. Troca de valores ou de produtos, mo das populações e matérias-primas para as
visando ao lucro. Os atos de comércio promo- indústrias. Ao mesmo tempo, o interior dos con-
vem a transferência de mercadorias entre os in- tinentes foi aberto ao comércio pela construção
divíduos, deslocando-os de regiões onde são de ferrovias. No século XX, o desenvolvimento
abundantes para outras onde não existem em tecnológico permitiu grande expansão e aprimo-
quantidade suficiente para satisfazer o consumo. ramento extremo dos mecanismos de distribui-
Além de sua função econômica fundamental, o ção comercial. A estrutura de comercialização
comércio estimula a expansão dos meios de co- passou a abranger todo tipo de mercadoria, e
municação e transporte e o intercâmbio cultural foram criados grandes centros comerciais dis-
entre as comunidades. Ao cumprir importante tribuidores (shopping centers). Nas sociedades de-
função social, qual seja a de possibilitar a troca senvolvidas, o comércio é hoje uma atividade
de mercadorias, estimulando em conseqüência preponderante, que absorve grandes parcelas da
a produção e o consumo, o comércio torna-se população economicamente ativa e contribui de
mais ou menos necessário de acordo com a di- modo significativo para o produto nacional. Nas
versificação da estrutura produtiva de uma so- regiões mais desenvolvidas do Brasil, como o
ciedade: quanto mais aprofundada for a divisão Estado de São Paulo, onde o nível de urbaniza-
do trabalho social, mais necessária será a função ção e os mercados são maiores, a participação
mediadora do comércio entre os grupos sociais. é ainda mais acentuada, chegando a absorver
O comércio pode ser varejista, quando vende mais de 10% da força de trabalho local. Veja
as mercadorias diretamente ao consumidor, ou também Comercialização; Consumo; Distribui-
atacadista, quando compra do produtor para ção; Escambo; Mercadologia; Moeda; Venda.
vender aos varejistas. O comércio atacadista, em
COMÉRCIO A VAREJO. Veja Varejo.
geral mais volumoso e menos diversificado, ad-
quire a mercadoria em grandes quantidades COMÉRCIO ATACADISTA. Veja Atacado.
para revendê-la em partidas menores e a preços
mais elevados. Se, por um lado, a presença do COMÉRCIO BILATERAL. Veja Bilateralismo.
atacadista onera o preço a ser pago pelo consu-
COMÉRCIO INTERNACIONAL. Intercâmbio
midor, por outro torna possível que os produ-
de bens e serviços entre países, resultante de
tores escoem rapidamente o produto sem ter de suas especializações na divisão internacional do
negociar diretamente e com grande número de trabalho. Seu desenvolvimento depende basica-
pequenos e médios varejistas. Em relação ao ata- mente do nível dos termos de intercâmbio (ou
cadista, o varejista dispõe de maior flexibilidade relações de troca), que se obtém comparando o
para decidir quanto à dimensão do estabeleci- poder aquisitivo de dois países que mantenham
mento, volume das transações, diversificação comércio entre si. Quando um país precisa ex-
dos produtos e práticas de atendimento. Desde portar maior quantidade de determinada mer-
seu início, o comércio está ligado ao desenvol- cadoria para importar a mesma quantidade de
vimento das técnicas de transporte e comunica- bens, diz-se que há uma deterioração de suas
ções. A primeira forma de comércio de grande relações de troca. O comércio internacional teve
distância foi a caravana, envolvendo a transação um primeiro grande impulso com a utilização
de produtos simples como tecidos, corantes e da via marítima pelos fenícios. Na Antiguidade,
objetos de metal e de cerâmica, entre as cidades sucederam-se como centros do comércio mun-
e aldeias do Egito e da Mesopotâmia. As cara- dial as cidades de Tiro e Sídon, sob predomínio
vanas eram agrupamentos de mercadores que fenício, Atenas, sob o grego, e Alexandria, no
percorriam juntos as rotas nos desertos, tendo período helenístico. Sob o Império Romano, a
os oásis como entrepostos. Mais tarde, com o base econômica era a troca de produtos entre
desenvolvimento do comércio marítimo pelos as regiões banhadas pelo Mediterrâneo. Com a
111 COMÉRCIO MUDO

decadência romana e as invasões bárbaras re- denunciado como conveniente apenas às nações
duzindo o volume do comércio na península Itá- industrializadas, pois na prática impedia que os
lica, o centro comercial se transfere gradativa- outros países se industrializassem. Em contra-
mente para o Mediterrâneo oriental, que se cons- posição, formulou-se a doutrina do protecionis-
titui em entreposto de ligação entre a Europa e mo, preconizando barreiras alfandegárias contra
a Ásia. Na época das Cruzadas, os empórios a importação de mercadorias que competissem
bizantinos perdem a supremacia para os novos com as indústrias passíveis de serem desenvol-
centros comerciais de Veneza e Gênova, enquan- vidas no país. O protecionismo foi posto em prá-
to algumas cidades da Alemanha e dos Países tica em primeiro lugar pelos Estados Unidos e
Baixos se organizam formando a Liga Hanseá- pela Alemanha, que disputavam os mercados
tica, que procura obter franquias em outros paí- de produtos industriais com a Grã-Bretanha,
ses para a colocação de suas mercadorias. Quan- sendo seguidos, gradualmente, pela maioria dos
do a queda de Constantinopla nas mãos do Im- países. A acirrada disputa de mercados culmi-
pério Otomano (1453) interrompe as correntes nou com a Primeira Guerra Mundial, durante
comerciais entre a Europa e a Ásia, novas rotas a qual se desorganizou o comércio internacional
marítimas são descobertas e utilizadas pelos eu- com o bloqueio das linhas industriais de nume-
ropeus. Nessa tarefa, Portugal e Espanha des- rosos países produtores de matérias-primas. Es-
cobrem novas terras e os produtos tropicais da tes aproveitaram a oportunidade para se indus-
América engrossam o tráfico mundial de mer- trializar. A desorientação do comércio interna-
cadorias. O comércio sai do Mediterrâneo para cional persistiu durante o período que se seguiu
os oceanos: os grandes descobrimentos maríti- ao conflito, predominando uma acentuada ten-
mos completavam o quadro iniciado com o apa-
dência ao controle governamental das ativida-
recimento dos Estados Nacionais na Europa,
des mercantis. As tentativas de restaurar as li-
configurando um comércio realmente interna-
berdades comerciais de antes da guerra fracas-
cional. Desde que se traçaram fronteiras entre
saram com a crise de 1929. A disseminação da
as nações, criaram-se barreiras ao fluxo de mer-
indústria em diversos países da Europa e no
cadorias, que passa a ser fiscalizado e regula-
mentado segundo políticas comerciais próprias. Japão, constituindo ameaça ao monopólio mun-
A primeira doutrina a definir uma política co- dial exercido pelas grandes potências, causou
mercial para os Estados Nacionais foi o mercan- nova retração das atividades comerciais. Nesse
tilismo, que prevaleceu na Europa do início do contexto, eclodiu a Segunda Guerra Mundial,
século XVI ao final do XVIII. Essa doutrina de- de que resultou nova redistribuição dos merca-
fendia, como objetivo primordial da política na- dos entre os países vitoriosos. Após a guerra,
cional, o máximo afluxo de ouro e prata ao país, numa tentativa de desobstruir as vias de inter-
pois sua retenção seria o meio mais adequado câmbio comercial, concluiu-se em Genebra o
de acumular riqueza. Para isso, praticava-se Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT).
uma política comercial que estimulasse as ex- Os países-membros negociam periodicamente
portações e restringisse as importações, de modo acordos de redução mútua das barreiras tarifá-
a garantir o maior saldo favorável possível na rias. Embora o efeito geral dessas reduções possa
balança comercial. Daí a tendência dos países ser interpretado como uma volta ao livre-cam-
mais adiantados a importar somente o essencial, bismo, na verdade a expansão do comércio in-
numa tentativa de auto-suficiência, e a mono- ternacional tem ocorrido sob cuidadoso controle
polizar certos fluxos de mercadorias para au- dos governos. São numerosos os acordos inter-
mentar as exportações. Esse monopólio era man- nacionais de mercadorias, buscando conciliar os
tido à força e subordinava totalmente os inte- interesses dos países compradores e vendedores
resses das colônias aos da metrópole, que mo- para evitar as bruscas oscilações de preços. Ou-
nopolizava o comércio exterior de suas depen- tro incremento ao comércio internacional tem
dências. Com o início da Revolução Industrial, sido a constituição dos blocos de países (como
no fim do século XVIII, a Inglaterra, encontran- o Mercado Comum Europeu — MCE) integran-
do-se numa situação em que suas mercadorias do seus mercados e, às vezes, suas economias.
podiam competir vantajosamente com as de- Desde meados da década de 70, com a crise eco-
mais, passou a opor ao mercantilismo o livre- nômica internacional evidenciada pelo grande
cambismo. Essa doutrina, que num contexto li- aumento nos preços do petróleo, surgiu um
beral mais amplo preconiza o mínimo de inter- novo surto de protecionismo, embora, formal-
ferência governamental, nega sentido econômi- mente, se conservassem os princípios da liber-
co às fronteiras nacionais e propõe ampla liber- dade de comércio. Veja também Custos Com-
dade de comércio. Tal liberdade propiciaria a parativos; Exportação; GATT; Importação; Tro-
especialização internacional e facilitaria o desen- ca, Relações de.
volvimento da concorrência, permitindo a am-
pliação dos mercados. Largamente difundido no COMÉRCIO MUDO. Forma primitiva de troca
século XIX, o livre-cambismo foi desde o início realizada sem a intervenção de negociações orais
COMÉRCIO MULTILATERAL 112

e pela avaliação silenciosa que cada um faz do ciel Filho. Todos esses técnicos foram transferi-
produto pertencente ao outro. dos para o BNDE (criado em 1952) com a dis-
solução da Comissão Mista em 1953.
COMÉRCIO MULTILATERAL. Veja Multila-
teralismo. COMISSÃO NACIONAL DE POLÍTICA AGRÁ-
RIA. Criado em 1951 e instalado no ano seguin-
COMISSÃO. Porcentagem do valor de uma te, este organismo surgiu num momento do go-
transação comercial, paga sempre que há um verno Getúlio Vargas em que as questões eco-
intermediário, a título de honorários por seus nômicas (abastecimento de alimentos, produti-
serviços. Está presente em todas as negociações vidade) coincidiam com as sociais e políticas (re-
realizadas em Bolsas de Valores e de Mercado- forma agrária, extensão da previdência e de po-
rias e nas negociações imobiliárias que envol- líticas salariais ao homem do campo, coopera-
vem corretores. Por isso, recebe também o nome tivismo, regulamentação das relações de traba-
de corretagem. lho etc.). Embora as propostas dessa comissão
tenham sido bloqueadas pelos proprietários ru-
COMISSÃO DE FÁBRICA. Forma de organi- rais, o grupo de técnicos que se envolveu com
zação dos trabalhadores que reúne represen- esses problemas reuniu informações e interpre-
tantes dos funcionários de uma mesma empresa. tações que contribuíram para o conhecimento
Sua atuação desenvolve-se em torno das reivin- da realidade agrária brasileira. Dela fizeram par-
dicações concretas surgidas no local de trabalho: te Luís Simões Lopes, Josué de Castro, Antônio
aumento de salários, melhoria das condições de Arruda Câmara, José Arthur Rios, Carlos Me-
trabalho, fixação da jornada de trabalho, con- deiros da Silva, Hermes Lima, Raul Cardoso de
tratação e dispensa de empregados, alimentação, Melo Filho, Rui Miller Paiva e outros.
transporte e outras. As comissões de fábrica sur-
giram na Europa no século XIX. Reprimidas na COMMERCIAL PAPERS. Expressão em inglês
época, atualmente constituem um importante que significa títulos que servem para a realiza-
mecanismo das relações trabalhistas nos países ção de empréstimos entre empresas mediadas
europeus. No Brasil, as primeiras comissões de por um banco. Isto é, são títulos de crédito emi-
tidos por uma empresa, representativos de sua
fábrica surgiram após 1945, mas foi a partir das
dívida perante o credor, utilizados para a cap-
greves operárias de 1978 que elas começaram a
tação de recursos. São usados no Brasil para su-
ser vistas nos meios sindicais e em certos setores
perar os obstáculos impostos pelas autoridades
do empresariado como instrumento básico das
monetárias à concessão de crédito pelos bancos
reivindicações dos trabalhadores e passaram a ao setor privado da economia. Veja também
ser implantadas em várias empresas. Nota Promissória.
COMISSÃO DE PLANEJAMENTO ECONÔ- COMMITMENT FEE. Expressão em inglês que
MICO. Comissão idealizada por Eugênio Gudin significa a taxa anual cobrada por bancos em-
em 1944 para contrabalançar as propostas do prestadores a título de reserva, sempre que os
Conselho Nacional de Política Industrial e Co- recursos liberados e postos à disposição do to-
mercial, liderado por Roberto Simonsen, e para mador não são levantados ou utilizados dentro
preparar a economia para os tempos de paz. de determinado prazo ou condições. Geralmen-
Com a deposição de Getúlio Vargas no ano se- te, esses empréstimos e/ou financiamentos são
guinte, a Comissão foi extinta, embora o plano os que requerem uma contrapartida do tomador,
ferroviário que preparou tenha sido adotado em e este não dispõe desta contrapartida em tempo
1946 e reformulado no Plano Salte. hábil. Em geral, são empréstimos feitos por ban-
cos oficiais internacionais ao setor público, seja
COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRI- da administração direta, seja da indireta, como
CA LATINA. Veja Cepal. tem acontecido no Brasil com os empréstimos
COMISSÃO MISTA BRASIL-EUA. Organis- do Banco Mundial à União, ou aos Estados. De-
mo criado em 1950 e instalado em 1951, tinha pendendo do montante dos recursos liberados,
por objetivo estudar os problemas básicos da o commitment fee pode alcançar níveis muito ex-
economia brasileira e propor projetos para o de- pressivos, isto é, o tomador paga multa por não
senvolvimento do país, cujo financiamento seria ter utilizado o empréstimo, como é o caso dos
realizado por bancos dos Estados Unidos. A Direitos Especiais de Saque (DES) ou da Euro-
prioridade seria dada aos setores de energia, pean Currency Unit (ECU). Veja também DES;
transporte e agricultura, considerados pontos ECU; Moeda Escritural.
críticos para o desenvolvimento econômico do COMMODITIES. Veja Commodity.
país. Participaram da comissão Roberto de Oli-
veira Campos, Ari Torres, Glycon de Paiva, Lu- COMMODITY (Commodities). O termo signifi-
cas Lopes, Valentim Rebouças e José Soares Ma- ca literalmente “mercadoria” em inglês. Nas re-
113 COMPANHIAS DE COMÉRCIO

lações comerciais internacionais, o termo desig- COMPANHIA HOLANDESA DAS ÍNDIAS


na um tipo particular de mercadoria em estado OCIDENTAIS. Sociedade por ações formada
bruto ou produto primário de importância co- em 1621 com capitais de mercadores e apoiada
mercial, como é o caso do café, do chá, da lã, pelo governo das Províncias Unidas dos Países
do algodão, da juta, do estanho, do cobre etc. Baixos (Holanda). Tinha o monopólio do comér-
Alguns centros se notabilizaram como impor- cio holandês com as Américas e a África, além
tantes mercados desse produtos (commodity ex- da prerrogativa de conquistar territórios e ad-
change). Londres, pela tradição colonial e comer- ministrá-los. Foi a serviço dessa companhia que
cial britânica, é um dos mais antigos centros de os holandeses ocuparam o Nordeste brasileiro
compra e venda de commodities, grande parte na primeira metade do século XVII. Sob sua
das quais nem sequer passa por seu porto. Veja orientação também se estabeleceram colônias na
também Mercado de Commodities. América do Norte, nas Antilhas e na África, de-
pois perdidas para Portugal, Espanha e Ingla-
COMPAGNIE DE LA LOUISIANE ET DE terra. Dedicada desde 1675 ao tráfico de escra-
L’OCCIDENT. Veja Mississippi Bubble. vos, a companhia foi extinta em 1794, depois
de ser encampada pelo governo holandês.
COMPANHIA. Veja Sociedade Anônima.
COMPANHIA HOLANDESA DAS ÍNDIAS
COMPANHIA DE INVESTIMENTO. Empre- ORIENTAIS. Sociedade por ações fundada em
sa comercial constituída com a finalidade de in- 1602 por um grupo de banqueiros e mercadores
vestir principalmente na compra de participa- holandeses com o apoio do governo. Monopo-
ções em outras empresas, sem procurar conse- lizava o comércio com o Oriente, conquistava
guir o controle delas. Em geral, são sociedades territórios e administrava-os em nome do go-
anônimas que procuram atrair capital com a verno holandês. Expulsou os portugueses de vá-
venda de suas ações ao público. Apesar do re- rios pontos da Ásia, dominando praticamente
lativo risco, e por isso mesmo, oferecem boa ren- toda a Indonésia, as ilhas Molucas e o Ceilão,
de onde levava para a Europa cravo, canela, noz-
tabilidade.
moscada, chá, café, metais e tecidos. Teve grande
COMPANHIA DO MISSISSÍPI. Veja Missis- prosperidade até meados do século XVIII, quan-
sippi Bubble. do os dividendos pagos aos acionistas chegavam
a 50%. Entrou em decadência a partir de 1750
COMPANHIA GERAL DO COMÉRCIO DO devido à concorrência de outras nações na ex-
BRASIL. Organização comercial e militar da Co- pansão colonial, e foi extinta em 1798.
roa portuguesa, criada em 10/12/1949. Operava COMPANHIAS DAS ÍNDIAS ORIENTAIS.
frotas de guerra para proteger os navios portu- Companhias comerciais de capital privado, apoi-
gueses dos ataques da marinha holandesa. De- adas por governos europeus do século XVII e
tinha também o monopólio da exportação do voltadas para a comercialização monopolista
pau-brasil e do comércio de azeite, farinha de dos produtos trazidos do Oriente (Índia, Indo-
trigo, bacalhau e vinho trazidos para a colônia. nésia, Molucas, Ceilão, China) após a descoberta
Responsável pela recuperação do comércio entre da rota marítima para as Índias por Vasco da
Brasil e Portugal, prejudicado pela presença ho- Gama. As companhias mais importantes foram
landesa no Nordeste brasileiro, tornou-se afinal a inglesa e a holandesa, mas todas competiam
deficitária e foi extinta em 1720. para a obtenção da hegemonia comercial da re-
gião e a conquista de territórios para a implan-
COMPANHIA GERAL DO GRÃO-PARÁ E tação de colônias. A Companhia Inglesa das Ín-
MARANHÃO. Instituição do comércio ultrama- dias Orientais (1600-1858) dominou o comércio
rino português criada em junho de 1755 por ini- com a Índia, além de controlar a quase totali-
ciativa do marquês de Pombal. Teve influência dade do território indiano. William Pitt restrin-
decisiva na valorização da economia do Norte giu seu poder em 1784, e, em 1858, suas prer-
do Brasil, onde introduziu a mão-de-obra escra- rogativas foram transferidas à Coroa inglesa.
va, vendendo 26 mil africanos a juros baixos e,
COMPANHIAS DE COMÉRCIO. Instituições
depois, sem juros. Financiou o cultivo de arroz típicas do período mercantilista, criadas por co-
branco e a comercialização das chamadas “dro- merciantes e governos europeus para controle
gas do sertão” (cacau, cravo, baunilha etc.). De- e incremento das relações comerciais entre a me-
tinha o monopólio comercial dos produtos da trópole e as colônias, ou ainda para a conquista
metrópole (vinhos, manteiga, azeite etc.), sendo e administração de territórios coloniais. Organi-
por isso muito combatida pelos comerciantes da zadas com objetivos monopolistas, constituíam
colônia. Foi dissolvida por dona Maria I, em 1777, uma versão atualizada das antigas associações
ao terminar seu prazo legal de funcionamento. de mercadores medievais, como a Liga Hanseá-
COMPENSAÇÃO 114

tica, e recebiam dos monarcas europeus o pri- assumem posição crítica em relação ao complexo
vilégio de exclusividade comercial com deter- industrial militar, esse sistema articula-se no
minada região colonial, o direito de administrá- sentido de impulsionar cada vez mais “a eco-
la e até mesmo de cobrar impostos. (Por isso, nomia armamentista permanente”. Além do as-
também ficaram conhecidas como “companhias pecto puramente político — segurança nacional
privilegiadas”.) Suas características variavam de —, a corrida armamentista não corresponde ape-
acordo com o país de origem: em Portugal, a nas aos interesses das companhias produtoras
Companhia Geral do Comércio do Brasil (1649) de armamentos, mas representa, em certa me-
teve o objetivo de defender o território colonial dida, uma saída para as crises cíclicas inerentes
e a frota comercial portuguesa contra piratas à economia capitalista. É uma tese polêmica e
franceses, ingleses e holandeses. De forma di- preocupou sobretudo teóricos marxistas, de
versa e para fins diferentes foram criadas as Rosa Luxemburgo a Ernest Mandel.
companhias Inglesa, Francesa e Holandesa das
Índias Orientais e Ocidentais. No Brasil colonial, COMPORTAMENTO. Em termos econômicos,
o modo como as pessoas procuram obter o bem-
a primeira sociedade comercial portuguesa foi
estar material individual e coletivo. O homem
a Companhia Geral do Comércio do Brasil
econômico procuraria reunir os recursos sob seu
(1649), inspirada pelo padre Antônio Vieira, con-
controle com o mínimo de esforço e redistribuí-
selheiro de dom João IV. Tinha o monopólio
los de um modo que proporcionasse o máximo
sobre o vinho, o azeite, a farinha, o bacalhau e
de satisfação, individual ou coletiva. A partir
a venda do pau-brasil, e podia proibir a fabri-
desse ponto de vista, o comportamento econô-
cação de produtos que concorressem com os da
mico consistiria no exercício da escolha entre
metrópole. Além dela, foram criadas a Compa-
vários bens e nas respectivas despesas que im-
nhia Geral do Grão-Pará e Maranhão (1755) e a
plicam sua aquisição. O equilíbrio seria alcan-
Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba çado quando o indivíduo não encontrasse meios
(1759), voltadas para o controle do comércio re- de mudar seu gasto entre um bem ou outro que
gional com Lisboa. As companhias privilegia- significasse uma melhoria em seu bem-estar ma-
das, em escala mundial, desapareceram defi- terial. Em contraposição ao racionalismo dos
nitivamente no século XIX, com o desenvolvi- economistas clássicos e sua abstração de “ho-
mento do capitalismo industrial, interessado mem econômico”, surgiu uma corrente econô-
em expandir a produção e penetrar em todos mica behaviorista que argumenta que os fenô-
os mercados. menos econômicos devem ser interpretados e
COMPENSAÇÃO. Em microeconomia, ajuste estudados como fenômenos de comportamento.
de contas entre duas pessoas ou empresas que Assim, para os behavioristas como Mitchell, a
sejam reciprocamente credoras e devedoras, me- economia deve deixar de “ser um sistema de
diante a apuração das diferenças. As contas de lógica pecuniária, um estudo mecânico dos equi-
compensação são registros de direitos e obriga- líbrios estáticos em situações inexistentes, para
tornar-se uma ciência da conduta humana”. Os
ções contingentes ou condicionais; por seu ca-
críticos da corrente behaviorista sustentam que,
ráter transitório e/ou hipotético, aparecem no
querendo tratar a economia com métodos e prin-
ativo e no passivo dos balanços em partidas do-
cípios da biologia e da psicologia, ela acabou
bradas, que têm origem simultânea, e são eli-
reduzindo o indivíduo e seu comportamento
minadas da mesma forma.
econômico a um feixe passivo que apenas rea-
COMPETIÇÃO. Veja Concorrência. giria aos estímulos do mundo exterior.

COMPLEXITY THEORY. Veja Teoria da Com- COMPOSIÇÃO ORGÂNICA DO CAPITAL.


plexidade. Conceito formulado por Karl Marx ao analisar
o processo de produção capitalista. Consiste na
COMPLEXO INDUSTRIAL MILITAR. Expres- relação entre o valor do capital constante e do
são cunhada pelo ex-presidente dos Estados capital variável, cujas variações se fazem sentir
Unidos D. Eisenhower, para designar a íntima na modificação da taxa de lucro. A composição
associação que existia entre as empresas produ- orgânica do capital resulta da relação de pro-
toras de material bélico, os altos comandos mi- porcionalidade existente entre o capital constan-
litares e líderes políticos norte-americanos. O te (c) e o capital variável (v), expressa na fórmula
complexo industrial militar representava, na de- Coc = c/ c+v. Ela será tanto mais elevada quanto
núncia feita por Eisenhower, o conjunto das for- maior for a parcela de capital constante em re-
ças sociais e políticas que detinham a hegemonia lação à parcela de capital variável. Se o capital
da sociedade norte-americana, influenciando de- variável aumentar, mas o capital constante apre-
cisivamente os rumos de sua vida política, eco- sentar um crescimento mais intenso (o que nor-
nômica e as relações com o exterior, sobretudo malmente acontece), ocorrerá uma elevação da
com a União Soviética. Para muitos analistas que composição orgânica do capital, com efeitos na
115 COMUNICAÇÃO

taxa de lucro. No mundo atual, a tendência das nhecimento do homem passaria por três estados:
empresas capitalistas orienta-se no sentido de o teológico ou fictício, o metafísico ou abstrato
elevar a composição orgânica do capital, com e, por último, o científico ou positivo. Com o
maior utilização de maquinarias e utensílios e positivismo, Comte tenta encontrar leis invariá-
um consumo maior de matérias-primas (elemen- veis do social e combate o negativismo dos ilu-
tos que compõem o capital constante); em con- ministas, que, segundo ele, estimulavam a re-
trapartida, vem ocorrendo uma queda relativa volução e a desordem social. A sociologia de
no volume de mão-de-obra utilizada (capital va- Comte tenta unir dois elementos antagônicos na
riável). Para compreender a relação da compo- realidade da época: a ordem e o progresso. As-
sição orgânica do capital com a taxa de lucro, sim, caberia ao sociólogo, como cientista, propor
devem ser consideradas a rotação de capital e soluções que dessem conta da harmonia social
a taxa de mais-valia. Tendo isso em vista, pode- (ordem) e de sua dinâmica (progresso), preco-
se afirmar que quanto mais alta for a composição nizando um desenvolvimento ordenado da so-
orgânica do capital, menor será a taxa de lucro, ciedade. Em sua obra, a sociedade supera o in-
e quanto mais alta for a mais-valia e mais intensa divíduo, as instituições surgem como um todo
a rotação do capital, maior será a taxa de lucro. harmonioso sem elementos contraditórios e as
Assim, pode-se dizer que a taxa de lucro varia mudanças decorreriam dos estudos dos cientis-
na razão direta da taxa de mais-valia e da ro- tas, que desprezariam as opiniões leigas. Escre-
tação do capital, e na razão inversa da compo- veu Curso de Filosofia Positiva (1830), Discurso so-
sição orgânica do capital. Veja também Mais- bre o Espírito Positivo (1844) e Sistema de Política
valia; Rotação do Capital. Positiva (1851-1854).

COMPOSITE COMMODITY THEOREM. Veja COMUNA. Comunidade de caráter igualitário,


Teorema da Mercadoria Composta. criada com objetivos econômicos e políticos. A
comuna popular é a unidade econômico-admi-
COMPUTADOR. Aparelho eletrônico dotado nistrativa característica da zona rural chinesa.
de esquemas lógicos de raciocínio e memória, A organização comunal na China processou-se
capaz de efetuar milhões de operações por se- a partir de 1958 como meio de promover a co-
gundo, utilizado nos mais variados campos da letivização da agricultura. A comuna é proprie-
ciência, da técnica e da administração. O pri- tária dos meios de produção (terra e instrumen-
meiro computador eletrônico, que usava válvu- tos de trabalho) e tem a seu cargo o governo
las eletrônicas em substituição aos relés eletro- local, a organização da produção, do abasteci-
mecânicos, mais lentos, foi o Electronic Nume- mento e dos serviços de educação e saúde. Na
rical Integrator and Calculator (Eniac), que con- Idade Média européia, comunas eram as cidades
tinha 18 mil válvulas e foi construído nos Esta- autônomas, particularmente na Itália e em Flan-
dos Unidos entre 1944 e 1946. A introdução de dres. Eram governadas por mercadores ricos e
transistores e circuitos integrados reduziu con- estavam voltadas para a defesa dos seus habi-
sideravelmente o tamanho dos aparelhos, pos- tantes (comerciantes e artesãos). A autonomia
sibilitando sua aplicação nos projetos espaciais. das comunas decorreu de freqüentes revoltas de
Computadores analógicos servem para medir e seus habitantes contra o senhor da cidade (bispo
comparar grandezas; os digitais, por sua vez, são ou barão), e também da compra desse direito,
utilizados para contar. Possuem seis partes prin- por meio de vultosas quantias. O termo “comu-
cipais: unidade de entrada, unidade central de na” também designa os governos revolucioná-
processamento, milhares de registros de memó- rios que se instalaram na França durante a re-
ria (que armazenam as informações), unidade volução de 1789 e 1871 (a Comuna de Paris).
aritmética e lógica (em que as operações são rea- Nesta última, as massas parisienses, influencia-
lizadas no sistema binário), unidade de controle das por ideais socialistas, sublevaram-se contra
e unidade de saída. Os dados codificados per- o governo conservador em decorrência da der-
correm os circuitos eletrônicos e chegam à uni- rota sofrida pela França na guerra com a Prússia.
dade de saída, onde são traduzidos para a lin-
guagem usual pelos compiladores. Esses empre- COMUNICAÇÃO. Do ponto de vista de orga-
gam diversos sistemas, entre os quais o Formula nização de empresas, a comunicação é o fenô-
Translation (Fortran), em programações de ca- meno pelo qual um emissor (empresa) influen-
ráter científico, e o Common Business Oriented cia ou esclarece um receptor (público) e vice-
Language (Cobol), no processamento comercial. versa. Além desses dois elementos — emissor
e receptor —, a comunicação conta ainda com
COMTE, Auguste (1798-1857). Pensador fran- alguns outros elementos básicos: mensagem, có-
cês, fundador do positivismo e um dos criadores digo e veículo. Em uma empresa, destacam-se
da sociologia científica. Foi secretário do filósofo dois tipos de comunicação: interna, responsável
francês Saint-Simon (1760-1825) e desenvolveu pelas informações necessárias ao funcionamento
a Lei dos Três Estados, segundo a qual o co- da empresa; externa, que permite o relaciona-
COMUNICAÇÃO HORIZONTAL 116

mento entre empresa e sociedade e a integração que controla os orçamentos das três comunida-
da empresa nessa sociedade. A comunicação ex- des. Veja também Tratado de Maastricht.
terna é composta por dois sistemas: um sistema
para fora, que fornece ao meio exterior informa- COMUNISMO. Doutrina que defende a aboli-
ções sobre a empresa, e um sistema de informações ção da propriedade privada dos meios de pro-
(ou inteligência), que fornece à empresa infor- dução, a distribuição igualitária dos bens pro-
mações sobre o exterior. No primeiro caso, além duzidos pela sociedade e que a organização da
do relacionamento com fornecedores de produ- riqueza social seja feita pela própria comunidade
de produtores. Propõe ainda a extinção do Es-
tos e serviços, inclui-se todo o complexo pro-
tado, o autogoverno da coletividade e o fim das
mocional da empresa. No segundo, são utiliza-
classes sociais. As primeiras formas de organi-
das as técnicas de pesquisa de mercado e de
zação humana são classificadas como modali-
opinião para sondar as necessidades do mercado
dades de comunismo primitivo. Nelas não havia
quanto a produtos e serviços ou para saber qual
diferenciação social e a existência do grupo ba-
a receptividade dos produtos e serviços que já
seava-se na cooperação entre todos os indiví-
estão sendo oferecidos. Nesse sistema incluem-
duos, que gozavam dos mesmos direitos e de-
se ainda as informações referentes à situação, à
veres. Não havendo Estado ou hierarquia social
atividade e aos planos de concorrentes, forne- rígida, essas organizações sociais sustentavam-
cedores e clientes. se não na sujeição de alguns indivíduos a outros,
COMUNICAÇÃO HORIZONTAL. É a comu- mas na responsabilidade de todos perante a co-
nicação que se processa entre duas pessoas per- munidade. No pensamento social moderno, o
tencentes a um mesmo nível hierárquico dentro comunismo apresenta-se como sistema econô-
de uma organização. mico a ser implantado em lugar do capitalismo,
a partir da destruição deste por uma revolução
COMUNIDADE. Agrupamento humano cujos social conduzida pelos trabalhadores. Idéias co-
participantes possuem interesses comuns e estão munistas, no entanto, já aparecem na Antigui-
efetivamente identificados entre si. É oposta, ge- dade. Na obra A República, Platão descreve uma
ralmente, à idéia de sociedade, na medida em sociedade ideal cuja camada dirigente obedece
que lhe são atribuídas as características de ho- a normas comunitárias de vida, embora o mes-
mogeneidade, afetividade e consenso, enquanto mo não ocorra com as camadas inferiores e os
à sociedade são atribuídas as propriedades de escravos. Na Idade Média, as heresias que se
heterogeneidade, interdependência e racionali- propagavam entre alguns setores do baixo clero
dade, além de luta e hostilidade. O sociólogo e entre os camponeses estavam comumente im-
alemão Ferdinand Tönnies, em sua obra Ge- pregnadas de aspirações igualitárias. A partir
meinschaft und Gesellschaft (Comunidade e Socie- do Renascimento, com as mudanças trazidas
dade), 1887, estabelece uma tipologia segundo pela desagregação da economia do feudalismo
a qual a comunidade seria o agrupamento hu- e pela Revolução Comercial, alguns autores
mano onde predominassem a economia domés- idealizaram sociedades comunistas, como as
tica e a organização social fundada nas relações descritas nas obras Utopia, de Thomas Morus,
de parentesco e no prestígio. Veja também So- e A Cidade do Sol, de Tommaso Campanella. Com
ciedade. a consolidação do modo de produção capitalista,
no decorrer da Revolução Industrial, o sonho
COMUNIDADE ECONÔMICA EUROPÉIA. de uma sociedade comunista tornou-se mais fre-
Veja Mercado Comum Europeu — MCE. qüente. As condições desumanas de vida a que
foi lançado o nascente proletariado geraram se-
COMUNIDADE EUROPÉIA. Denominação não- veras condenações à propriedade capitalista, re-
oficial dada ao conjunto da Comunidade Eco- voltas operárias e propostas de reforma social.
nômica Européia do Carvão e do Aço, Comu- Robert Owen, na segunda década do século XIX,
nidade Européia de Energia Atômica e Mercado propôs aos trabalhadores e artesãos ingleses a
Comum Europeu. As três organizações, que já criação de uma sociedade alternativa baseada
tinham algumas instituições em comum, só se nas cooperativas industriais e agrícolas. À me-
uniram oficialmente em 1967, quando seus di- dida que o capitalismo se impunha, cresciam as
rigentes passaram a compor a comissão das co- associações secretas, seitas e sindicatos, que se
munidades européias, que cuida da implementa- insurgiam contra as novas relações de produção.
ção dos acordos. Em junho de 1977, foi instituída Na França, as idéias reformadoras de Charles
ainda a corte dos auditores das comunidades eu- Fourier e Saint-Simon tiveram grande repercus-
ropéias. Da administração conjunta das comuni- são entre os trabalhadores. Ambos, ao lado de
dades européias fazem parte ainda o Conselho Robert Owen, seriam mais tarde chamados por
de Ministros (um de cada país-membro), que é Marx de socialistas utópicos, pois pretendiam
órgão decisório máximo, e o Parlamento Europeu, resolver os problemas dos trabalhadores sem in-
117 COMUNISMO DE GUERRA

tervir diretamente nas relações entre as classes, dos libertários e não comunistas. As divergên-
isto é, sem procurar desenvolver o antagonismo cias entre anarquistas e marxistas desenrolaram-
entre a burguesia e o proletariado. Manifesta- se ao longo de toda a I Internacional. A partir
ções e revoltas operárias eclodiram na Inglaterra de 1880, sobretudo, os termos “comunista” e
(o movimento cartista), na França (rebeliões em “socialista” ficaram ligados fundamentalmente
Lyon e Paris) e na Alemanha, em toda a primeira aos seguidores de Marx. Com a vitória da Re-
metade do século XIX. Na França, até os acon- volução Russa de 1917, o movimento comunista
tecimentos da Comuna de Paris (1871), o movi- expandiu-se por todo o mundo, sendo fundados
mento insurrecional de tendência comunista es- partidos comunistas em dezenas de países.
teve ligado basicamente às idéias de Auguste Aglutinados em torno da Internacional Comu-
Blanqui, partidário dos métodos conspirativos nista, sediada em Moscou, esses partidos em-
de François Babeuf (Gracchus). Novas aborda- preenderam movimentos insurrecionais e con-
gens da questão social na sociedade capitalista quistaram o poder em vários países. Mais tarde,
surgiram a partir de 1848, após os levantes ope- o movimento comunista contemporâneo passou
rários na França e na Alemanha. Então, as idéias por divergências que ganharam várias tendên-
dos socialistas utópicos perdiam influência e cias opostas, cada uma delas atribuindo a si pró-
duas tendências passavam a disputar a hege- pria a maior fidelidade ao pensamento de Marx
monia dos movimentos comunista e operário: e Engels. Assim ocorreu na divergência entre
os partidários de Karl Marx e Friedrich Engels Lênin e os representantes da II Internacional,
(fundadores do socialismo científico) e os par- no rompimento entre Stálin e Trotski, na de-
tidários de Joseph Proudhon, um dos pioneiros núncia de Stálin por Kruschev, nas divergências
do anarquismo. Em seu Manifesto Comunista e conflitos entre a União Soviética e a China,
(1848), Marx e Engels submeteram a uma crítica entre esta e a Albânia e no afastamento dos di-
rigorosa as relações sociais capitalistas e susten- rigentes do eurocomunismo em relação aos so-
taram que, intensificando a luta de classes, os viéticos. Atualmente, em conseqüência da desa-
trabalhadores poderiam destruir a dominação gregação dos regimes comunistas dos países do
da burguesia e construir a sociedade comunista. Leste Europeu, os partidos comunistas dos paí-
Para eles, ao desenvolver enormemente as forças ses capitalistas também entraram em colapso.
produtivas nos mercados nacionais e interna- Com uma estrutura burocrática muito rígida,
cionais e ao concentrar cada vez mais a riqueza com a excessiva centralização da economia e
social, o capitalismo criava as condições de sua com um aparato político repressivo, os regimes
própria superação. Por isso, ambos se insurgiam comunistas do Leste Europeu não puderam
contra as propostas dos socialistas utópicos e acompanhar a revolução tecnológica que mar-
afirmavam que a libertação dos trabalhadores cou os países capitalistas desenvolvidos a partir
deveria ser obra dos próprios trabalhadores. dos anos 70. Como durante todo esse período
Derrotando pela força a burguesia e apossan- continuaram a dar prioridade à indústria pesada
do-se do poder do Estado, os operários expro- e de armamentos, as populações desses países
priariam os capitalistas e coletivizariam todos continuaram à margem da produção dos pro-
os meios de produção e de distribuição de bens. dutos de consumo, responsável pela melhoria
Os dois pensadores pouco se detiveram sobre do padrão de vida dos seus vizinhos ocidentais.
as características e as formas de organização da À exceção de Cuba, da Coréia do Norte e da
futura sociedade da abundância, onde o trabalho Albânia, em todos os demais países o planeja-
deixaria de ser um sacrifício na qualidade de mento central deu lugar ao mercado como prin-
trabalho alienado e iria se tornar um prazer para cipal alocador de recursos. Na China, embora a
todos os membros da sociedade, porque seria orientação seja na direção de uma economia de
um trabalho livre e consciente. Ao mesmo tem- mercado, o regime político ainda continua fe-
po, cada pessoa receberia da sociedade o sufi- chado e dominado pelo Partido Comunista. Veja
ciente para satisfazer suas necessidades físicas também Anarquismo; Capitalismo; Marxismo;
e culturais. Com o desaparecimento das classes Socialismo; Utopia.
sociais, o Estado perderia suas funções, que se-
riam gradativamente absorvidas pela sociedade COMUNISMO DE GUERRA. Conjunto de me-
civil. O desaparecimento do Estado era também didas de rígido controle político e econômico
uma tese central dos anarquistas, principais ad- adotadas pelos bolcheviques após a Revolução
versários de Marx. Representados por Proudhon Russa para enfrentar a guerra civil e a interven-
e posteriormente por Bakunin, os anarquistas ção estrangeira. Abrange o período que vai de
sustentavam que a extinção do Estado e das clas- outubro de 1917 ao final de 1921, quando as
ses sociais deveria ser imediata (isto é, não seria forças brancas, apoiadas por tropas inglesas,
um processo gradativo), e a autogestão econô- francesas e japonesas, tentavam impedir a con-
mica e política, a prioridade do movimento an- solidação da revolução socialista liderada por
ticapitalista. Por isso, preferiam ser considera- Lênin e Trotski. Ao mesmo tempo que concen-
CONCENTRAÇÃO 118

travam todos os poderes do Estado, os bolche- estaduais, os Encontros Nacionais da Classe Tra-
viques submeteram toda a economia nacional balhadora (Enclat). Divididos em comissões de
ao esforço de guerra, buscando a “estrita regu- trabalho, os sindicalistas discutiram direito do
lamentação da produção e do consumo num trabalho, previdência social, política salarial e
país cercado” e adotando as seguintes medidas: econômica, política agrária, problemas nacionais
1) nacionalização das empresas; 2) expropriação e sindicalismo. Entre as resoluções da I Conclat,
dos bens de todos os emigrados; 3) confisco de destacam-se as reivindicações por um Código
toda a produção agrícola; 4) controle estatal da Nacional do Trabalho, seguro-desemprego, di-
comercialização dos alimentos; 5) racionamento reito de greve, convenção coletiva de trabalho,
dos artigos de primeira necessidade; 6) trabalho salário mínimo real unificado, jornada de traba-
obrigatório para todos (sob o lema “quem não lho de quarenta horas semanais, liberdade e au-
trabalha não come”); 7) coletivização das gran- tonomia sindicais, garantia de emprego, parti-
des propriedades rurais. Com a guerra e o im- cipação dos trabalhadores na administração da
pacto dessas decisões, a economia foi totalmente previdência social e reforma agrária. Decidiu-se
desorganizada. A produção industrial reduziu- ainda a criação de uma Central Única dos Tra-
se a um quinto da anterior à guerra e a produção balhadores (CUT) e, para viabilizá-la, foi eleita
de carvão ficou apenas em um décimo da nor- uma comissão nacional composta por 56 sindi-
mal. A população de Moscou ficou reduzida à calistas urbanos e rurais, de todos os Estados.
metade e a de Petrogrado diminuiu em 70%. As reivindicações aprovadas foram encaminha-
Com a devastação dos campos e a resistência das ao governo federal.
dos camponeses em aceitar o confisco das co-
lheitas — que reduzia as provisões familiares CONCORDATA. Recurso jurídico que permite
a continuação do comércio da empresa insol-
dos pequenos e médios agricultores —, a fome
vente (incapaz de saldar seus débitos nos prazos
matou milhões de pessoas. No final de 1921,
contratuais). Distingue-se, portanto, da falência,
com o fim da guerra civil e a retirada das forças
quando a empresa insolvente cessa todas as suas
estrangeiras, o Partido Comunista, objetivando
atividades. Há dois tipos de concordata judicial:
a reconstrução econômica do país, decidiu ado-
a preventiva, utilizada antes da falência; e a sus-
tar a Nova Política Econômica (NEP). Veja tam-
pensiva, que surge durante o processo de falên-
bém NEP; Planos Qüinqüenais.
cia, permitindo recolocar a empresa em funcio-
CONCENTRAÇÃO. Situação em que um pe- namento. Para pedir concordata, o empresário
queno número de empresas detém parte consi- deve atender a vários requisitos, entre eles o
derável do capital, investimentos, vendas, força exercício regular de comércio por mais de dois
de trabalho, ou qualquer outro elemento que sir- anos; possuir um ativo superior a 50% do pas-
va de medida ao desempenho de um setor in- sivo quirografário (aquele que não está onerado
dustrial, econômico ou de serviços. Costuma-se por direito real ou pessoal de preferência, como
calcular o índice de concentração de um setor ve- hipotecas); não ter título protestado e não ter
rificando-se qual percentual que determinado requerido outra concordata há menos de cinco
número de empresas detém sobre o total (de anos. Uma vez decretada a concordata pelo juiz,
vendas, por exemplo) do setor. O grau de con- todos os credores habilitados são obrigados a
centração é importante elemento da estrutura aceitá-la, mesmo que discordem. Todos os ven-
econômica do mercado e varia desde a concor- cimentos dos créditos sujeitos à concordata são
rência considerada normal (pequena concentra- antecipados e passam a receber juros de 12% ao
ção), passando pelo oligopólio e chegando até ano até seu pagamento. O prazo máximo é de
o monopólio (grau máximo de concentra- dois anos, mas, em qualquer caso, pelo menos
ção).Veja também Concorrência; Monopólio; dois quintos da dívida devem ser liquidados no
Oligopólio. primeiro ano. Apesar do concordatário conti-
nuar administrando seu negócio, o juiz nomeia,
CONCENTRAÇÃO DE RENDA. Veja Renda, entre os credores, um comissário com papel fis-
Concentração da. calizador. Existe também a concordata amigável:
espécie de convenção realizada entre o deve-
CONCLAT — Conferência Nacional da Classe dor e seus credores. No entanto, por seu caráter
Trabalhadora. Encontro de líderes sindicais dos extrajudicial, não vincula obrigatoriamente os
trabalhadores brasileiros, realizado pela primei- credores que dela discordarem. Veja também
ra vez de 20 a 23 de agosto de 1981 na Praia Falência.
Grande, São Paulo. Teve a participação de 5 036
delegados, representantes de 1 091 entidades de CONCORRÊNCIA. Também chamada livre-con-
classe — sindicatos urbanos e rurais, federações, corrência. Situação do regime de iniciativa pri-
associações de funcionários públicos, associaçõ- vada em que as empresas competem entre si,
es pré-sindicais e confederações de trabalhado- sem que nenhuma delas goze da supremacia em
res — e foi precedida de assembléias sindicais virtude de privilégios jurídicos, força econômica
119 CONDILLAC, Étienne Bonnot de

ou posse exclusiva de certos recursos. Nessas 4) inexistência de barreiras à livre movimentação


condições, os preços de mercado formam-se per- dos fatores de produção e dos empresários. O
feitamente segundo a correção entre oferta e pro- modelo impõe também, do lado da demanda:
cura, sem interferência predominante de com- 1) existência de muitos compradores, nenhum
pradores ou vendedores isolados. Os capitais deles capaz de variar o volume de suas compras
podem, então, circular livremente entre os vários a ponto de influir nos preços; 2) informação
ramos e setores, transferindo-se dos menos ren- completa sobre preços, locais de venda etc.; 3)
táveis para os mais rentáveis em cada conjuntura nenhum problema de locomoção; 4) homoge-
econômica. Nesse caso, o mercado é concorren- neidade do produto, ou seja, é indiferente com-
cial em alto grau. De acordo com a doutrina prar de um ou de outro vendedor. Num mer-
liberal, propugnada por Adam Smith e pelos cado assim estruturado, cada produtor operaria
economistas neoclássicos, a livre-concorrência com a mais alta taxa de eficiência, seu produto
entre capitalistas constitui a situação ideal para teria o mais baixo custo e seu lucro seria o mí-
a distribuição mais eficaz dos bens entre as em- nimo necessário para manter o também neces-
presas e os consumidores. Com o surgimento sário número mínimo de produtores. O conceito
de monopólios e oligopólios, a livre-concorrên- de concorrência perfeita é usado apenas por seu
cia desaparece, substituída pela concorrência valor analítico, pois não existe na prática. Veja
controlada e imperfeita. Veja também Cartel; também Mercado.
Concorrência Pública; Monopólio; Oligopólio;
CONCORRÊNCIA PÚBLICA. Procedimento ad-
Truste.
ministrativo governamental destinado a selecio-
CONCORRÊNCIA IMPERFEITA. Situação de nar o fornecedor de um serviço ou um bem.
mercado entre a concorrência perfeita e o mo- Consiste na tomada de preços e exame das pro-
nopólio absoluto — e que, na prática, corres- postas de cada concorrente, segundo critérios e
ponde à grande maioria das situações reais. Ca- prazos previamente fixados. A convocação de
racteriza-se sobretudo pela possibilidade de os qualquer interessado é realizada com antecedên-
vendedores influenciarem a demanda e os pre- cia mínima de trinta dias, mediante edital am-
ços por vários meios (diferenciação de produtos, plamente divulgado. O edital é publicado em
publicidade, dumping etc.). Veja também Con- resumo no Diário Oficial (da União, dos Estados
corrência; Concorrência Monopolista; Concor- e dos Municípios) durante três dias consecuti-
rência Perfeita; Mercado. vos, e uma ou mais vezes em jornal diário de
grande circulação (da capital) com a indicação
CONCORRÊNCIA MONOPOLISTA. Situação do local em que os interessados poderão obter
de mercado caracterizada pela existência de o texto integral e todas as informações sobre o
duas ou mais empresas cujos produtos são mui- objeto da solicitação. Pode a administração, con-
to semelhantes sem serem substitutos perfeitos forme o vulto da concorrência, utilizar-se ainda
um do outro, de forma tal que cada empresa de outros meios de publicidade para ampliar a
pode manter certo grau de controle sobre os pre- área de competição.
ços. Na concorrência monopolista — que é um
caso de concorrência imperfeita —, existem ele- CONCORRÊNCIA PURA. Veja Concorrência
mentos tanto da concorrência quanto do mo- Perfeita.
nopólio. Segundo E.H. Chamberlin, teórico do CONCORRENCIAL. Veja Concorrência.
assunto, “cada vendedor tem o monopólio do
seu produto, mas fica sujeito à concorrência CONDIÇÃO MARSHALL-LERNER. Veja Ler-
de produtos substitutos, mais ou menos im- ner, Abba P.
perfeitos”. Veja também Concorrência; Con-
corrência Imperfeita. CONDILLAC, Étienne Bonnot de (1715-1780).
Pensador francês, defensor da teoria utilitarista
CONCORRÊNCIA PERFEITA. Modelo, criado do valor. Desenvolveu seu pensamento baseado
pela economia clássica, da forma que assumiria na idéia de que todo o conhecimento deriva das
um mercado se fossem satisfeitas as seguintes sensações. Publicou, em 1776, Le Commerce et le
condições: 1) existência de grande número de Gouvernement Considérés Relativement l’Un à l’Au-
vendedores, cada um dos quais incapaz de for- tre (O Comércio e o Governo Considerados em
çar a baixa nos preços por não poder fornecer suas Relações Recíprocas), desenvolvendo uma
uma quantidade maior de produtos do que os teoria econômica que tem como ponto central a
demais; 2) todos os compradores e vendedores noção de valor. Rejeitando as concepções dos
com o mais completo conhecimento dos preços fisiocratas, sustenta que a fonte do valor é a uti-
e disponibilidades do mercado local e de outras lidade, entendendo esta não como uma quali-
praças; 3) inexistência de significativas econo- dade física das coisas, mas como decorrente da
mias de escala, de modo a nenhum vendedor importância que o indivíduo atribui às mesmas
poder crescer a ponto de dominar o mercado; para satisfação de suas necessidades. Procura
CONDITIO JURIS 120

ainda relacionar utilidade com escassez. Suas Mundo. Apesar de divergências entre os blocos
idéias exerceram influência sobre Jean-Baptiste pró-Ocidente, pró-comunista e neutro, a confe-
Say e, mais tarde, foram desenvolvidas pelos rência aprovou resoluções defendendo a coope-
marginalistas em sua teoria do valor-utilidade. ração econômica e cultural entre os países par-
Veja também Utilitarismo. ticipantes, a autodeterminação, o repúdio ao co-
lonialismo e a reafirmação dos princípios da De-
CONDITIO JURIS. Expressão em latim que claração Universal dos Direitos Humanos, da
significa “condição jurídica”. Por exemplo, a ONU. Participaram da conferência: Afeganistão,
posse de um funcionário nomeado pelo poder Arábia Saudita, Camboja, Ceilão (atual Sri Lan-
público é sua conditio juris para o exercício de ka), China, Costa do Ouro (atual Gana), Filipi-
suas funções. nas, Egito, Etiópia, Iêmen, Índia, Indonésia, Irã,
Iraque, Japão, Jordânia, Laos, Líbano, Libéria,
CONDOMÍNIO. Tipo de domínio conjunto, por
Líbia, Nepal, Paquistão, Síria, Sudão, Tailândia,
duas ou mais pessoas, de propriedade que não
Turquia, Vietnã do Norte, Vietnã do Sul. Parti-
foi ou não pode ser dividida. Normalmente, é
ciparam como observadores representantes de
empregado em propriedades imobiliárias dota-
Chipre, Estados Unidos e do congresso nacional
das de áreas de uso comum. Em investimentos,
africano (da África do Sul).
adotou-se também essa fórmula, tipo de pro-
priedade coletiva, por permitir ao conjunto de CONFERÊNCIA DE BRETTON WOODS. Nome
proprietários usufruir de vantagens maiores do pelo qual ficou conhecida a Conferência Mone-
que as que teriam isoladamente. O condomínio tária e Financeira das Nações Unidas, realizada
pode ser: fechado, se o número de proprietários em julho de 1944, em Bretton Woods (New
é limitado pelo regulamento, e aberto, se não há Hampshire, Estados Unidos), com repre-
restrições à entrada de novos condôminos. sentantes de 44 países, para planejar a estabili-
zação da economia internacional e das moedas
CONDORCET, Marquês de (1743-1794). Marie-
nacionais prejudicadas pela Segunda Guerra
Jean Nicholas Caritat, pensador francês liberal,
Mundial. Os acordos assinados em Bretton
condenado à morte durante a Revolução Fran-
Woods tiveram validade para o conjunto das
cesa (período da ditadura jacobina, época do
nações capitalistas lideradas pelos Estados Uni-
Terror), escreveu o livro Esquisse d’un Tableau
dos, resultando na criação do Fundo Monetário
Historique des Progrès de L’Esprit Humain (Ensaio
Internacional (FMI) e do Banco Internacional de
de um Quadro Histórico do Progresso do Espí-
rito Humano) em 1794, ano em que se suicidou Reconstrução e Desenvolvimento (Bird). Veja
também Bird; FMI.
na prisão. Em seu livro defendeu a propriedade
privada, que considerava estimulante ao estudo, CONFERÊNCIA DE BRUXELAS. Conferência
à educação e ao desenvolvimento da individua- monetária internacional realizada em Bruxelas
lidade. Propôs também a criação de uma “Caixa (Bélgica) em 1920 sob o patrocínio da Liga das
de Socorro e Poupança” para eliminar a pobreza Nações, que tratou fundamentalmente da esta-
e, dessa forma, a humilhação e a corrupção que bilidade do câmbio à raiz da desorganização
a acompanhavam, e todos os seus membros se- econômica e financeira do comércio internacio-
riam felizes. Esta proposta foi muito criticada nal provocada pela Primeira Guerra Mundial.
por Malthus, que dizia: “Se os ociosos e negli- Essa conferência recomendou a criação de or-
gentes são colocados em pé de igualdade em ganizações internacionais destinadas a ajudar os
relação a seus créditos e ao sustento futuro de países mais débeis, uma Caixa de Compensação
suas famílias, da mesma forma que os ativos Internacional e o estabelecimento de bancos cen-
trabalhadores, podemos esperar ver os homens trais nacionais, cuja finalidade seria manter a es-
exercerem aquela animada atividade de melho- tabilidade monetária interna dos países. Veja tam-
rar sua condição, que forma hoje a principal cau- bém Banco para Pagamentos Internacionais.
sa da prosperidade pública?”.
CONFERÊNCIA MUNDIAL DO MEIO AM-
CONDORCET. Veja Condorcet, Marquês de; BIENTE. Veja Agenda 21.
Critério de Condorcet.
CONFERÊNCIA DE CANCÚN. Continuação da
CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS PA-
Conferência para a Cooperação Econômica In-
RA O COMÉRCIO E DESENVOLVIMENTO.
Veja UNCTAD. ternacional (Conferência de Paris), realizada em
1975, onde pela primeira vez na história con-
CONFERÊNCIA DE BANDUNG. Primeira con- temporânea se reuniram representantes de 22
ferência intercontinental de países africanos e países desenvolvidos e em desenvolvimento
asiáticos, realizada em Bandung, Indonésia, em para debater pendências econômico-financeiras.
abril de 1955, e que foi um marco inicial na ten- A Conferência de Cancún ocorreu nos dias 22
tativa de organização dos países do Terceiro e 23 de outubro de 1981, naquela cidade turística
121 CONHECIMENTO DE DEPÓSITO

do México, e visava também a retomar o diálogo ciparam da conferência os seguintes países: Ale-
entre Norte e Sul, iniciado na Conferência de manha Ocidental, Áustria, Canadá, Estados Uni-
Paris. Foi precedida por reuniões preparatórias dos, França, Inglaterra, Japão e Suécia (Norte);
dos países do Terceiro Mundo, que buscavam Arábia Saudita, Argélia, Bangladesh, Brasil, Chi-
definir uma estratégia comum de atuação. A na, Costa do Marfim, Guiana, Índia, Iugoslávia,
principal reivindicação desses países, entre eles México, Nigéria, Filipinas, Tanzânia e Venezuela
o Brasil, era que se iniciasse um processo de (Sul).
negociação global na busca de soluções para os
problemas dos países subdesenvolvidos. Preten- CONFERÊNCIA MONETÁRIA E FINANCEI-
dia-se uma abordagem global e integrada dos RA DAS NAÇÕES UNIDAS. Veja Conferência
de Bretton Woods.
problemas de relacionamento econômico entre
o Norte e o Sul, em lugar dos tradicionais en- CONFIDENCE BUILDING. Expressão em in-
tendimentos bilaterais. Outros dois pontos im- glês que significa “construção da confiança” e
portantes preocupavam os países subdesenvol- que designa uma situação na qual um Estado,
vidos: de um lado, os preços baixos para a ex- antes desacreditado econômica e financeiramen-
portação de suas matérias-primas; de outro, as te no mercado, adota uma política de recupera-
altas taxas de juros cobradas nos Estados Uni- ção de sua credibilidade.
dos, em prejuízo dos países não-produtores de
petróleo, que obtinham dólares por meio de em- CONFISCO CAMBIAL. Quantia retida pelo go-
préstimos. Por pressão norte-americana, ficou verno brasileiro do montante de dólares obtidos
acertado que a Conferência de Cancún não teria pelos exportadores de certos produtos, em suas
caráter negociador, consistindo basicamente nu- transações com o exterior. O confisco cambial
ma troca de pontos de vista entre os chefes de foi aplicado pela primeira vez em 1953, nas ex-
Estado. Não se expediu tampouco nenhum do- portações de café, com o objetivo de controlar
cumento final. O presidente dos Estados Unidos, o preço do produto no mercado internacional e
fornecer divisas ao governo para financiamento
Ronald Reagan, presente à conferência, mani-
de outras atividades, especialmente a indústria.
festou-se contrário a qualquer tipo de negocia-
Em certas ocasiões, esse confisco também é apli-
ção global. A posição defendida pelo Brasil, de
cado às exportações de açúcar, soja e outros pro-
inter-relacionamento da economia mundial na
dutos, sobretudo quando eles atingem elevadas
presente conjuntura, com a abordagem global
cotações no exterior. Veja também Exportação.
de todos os problemas, e não apenas setorial e
gradualista, foi encampada pela maioria dos paí- CONGLOMERADO. Tipo de organização no
ses em desenvolvimento, com o apoio da França, qual várias empresas que atuam nos mais dife-
entre os desenvolvidos, seguida da Alemanha rentes setores e ramos da economia pertencem
Federal e de uma “predisposição favorável” do à mesma holding. O que caracteriza o conglome-
Japão. Para Reagan, porém, o desenvolvimento rado é a diversidade. Nele, nenhuma empresa
dos países do Terceiro Mundo dependeria do é fornecedora de elementos à linha de produção
auxílio que prestassem a si próprios, por meio de outra; por exemplo: uma siderúrgica, uma
de investimentos privados e do comércio inter- fábrica de perfumes e uma fazenda de gado.
nacional, sem esperar por ajuda maciça das na- Essa diversificação setorial visa a garantir uma
ções mais ricas. Em seu discurso, o presidente taxa média de lucratividade à holding, especial-
norte-americano enfatizou que a melhor manei- mente em situações de crise e recessão, em que
ra de acabar com a pobreza é dar rédeas livres alguns setores são menos atingidos que outros.
ao capitalismo por intermédio do setor privado, A fusão horizontal de empresas significa uma
em vez de contar com ajuda externa em massa tendência a conglomerizar uma economia. Veja
e melhor tratamento comercial. Representando também Holding.
o Brasil, o chanceler Saraiva Guerreiro reivindi-
cou a revisão dos padrões de intercâmbio co- CONGLOMERIZAR. Veja Conglomerado.
mercial; criticou as multinacionais pelo controle CONGRESS OF INDUSTRIAL ORGANIZA-
do mercado internacional; classificou de prote- TIONS. Veja AFL-CIO.
cionista e discriminatória a proposta de gradua-
ção dos países desenvolvidos e disse que os paí- CONHECIMENTO DE DEPÓSITO. Documen-
ses socialistas do Leste Europeu não poderiam to firmado por companhias de armazéns gerais,
eximir-se “da parcela de responsabilidade que ou semelhantes, dado como comprovação de re-
lhes cabe no campo da cooperação internacio- cebimento de mercadorias que ficarão sob sua
nal”. Criticava, assim, também a ausência da guarda. O conhecimento de depósito é um título
União Soviética, que não participou da confe- de propriedade, podendo, portanto, ser nego-
rência, apesar de oficialmente convidada. Parti- ciado à vontade por seu possuidor.
CONHECIMENTO DE EMBARQUE 122

CONHECIMENTO DE EMBARQUE. Documen- tura e fazer previsões, que serão utilizadas na


to firmado por uma empresa transportadora, elaboração de políticas econômicas mais eficien-
dado como comprovação de que tem em seu tes. Essas previsões são condicionais e aproxi-
poder uma mercadoria que irá transportar. mativas, uma vez que outras variáveis, de na-
Quando se trata de transporte marítimo, o co- tureza física (variações climáticas, por exemplo),
nhecimento de embarque é firmado por um política, social etc., também influem sobre a con-
agente ou capitão do navio, com especificação juntura. Veja também Ciclo Econômico; Crise
do nome deste, o porto de destino, o número e Econômica.
o peso das mercadorias embarcadas, as condi-
CONJUNTURA ECONÔMICA (Revista). Re-
ções de frete e o nome da pessoa ou empresa
vista mensal de análise econômica editada pela
a que se destinam as mercadorias. Com as adap-
Fundação Getúlio Vargas/Instituto Brasileiro de
tações necessárias, os conhecimentos de embar-
Economia. Criada pelo economista Richard Le-
que fluvial, ferroviário, rodoviário e aeroviário
winshn, em novembro de 1947, seu primeiro nú-
são semelhantes ao marítimo.
mero era um boletim mimeografado. Seu obje-
CONJUNTURA ECONÔMICA. Termo que de- tivo é divulgar os resultados de pesquisas sobre
fine, de forma mais dinâmica do que “situação a conjuntura econômica, observando as oscila-
econômica”, o fluxo e o refluxo das atividades ções da marcha dos negócios, a evolução finan-
de uma economia ou, de maneira mais genérica, ceira e monetária e suas repercussões sobre a
o estudo da totalidade das condições de merca- economia nacional. Divulga mensalmente índi-
do. O conceito de conjuntura originou-se em ces nacionais e regionais de preços em diversos
meados do século XIX, quando se observou, pela setores, um perfil das contas nacionais e as úl-
primeira vez, a periodicidade das crises econô- timas pesquisas na área econômica. Publica, a
micas. A freqüente instabilidade das condições cada ano, os resultados econômico-financeiros
das maiores sociedades anônimas do país. As
econômicas acarreta períodos de queda da pro-
edições de fevereiro apresentam, desde 1950, um
dução e do nível de emprego, de declínio dos
retrospecto das atividades econômicas do ano
preços e lucros (período de contração ou conjun-
anterior, e as edições de setembro trazem a re-
tura descendente). Há também épocas de recupe-
lação das quinhentas maiores sociedades anô-
ração, com aumento da produção, expansão da
nimas não-financeiras do Brasil.
oferta de emprego e melhoria dos padrões de
vida (período de expansão ou conjuntura ascen- CONSELHO DA EUROPA. Veja Europa, Con-
dente). Uma recuperação muito rápida, no en- selho da.
tanto, pode gerar inflação e especulação, muitas
vezes causando nova queda. Essa alternância da CONSELHO DE POLÍTICA ADUANEIRA. Ór-
prosperidade à depressão e vice-versa, que ca- gão do Ministério da Fazenda criado em 1957
racteriza o ciclo econômico, é um movimento para coordenar e orientar a política alfandegária
observável em todas as economias capitalistas, do país. Surgiu da necessidade de proteger a
desenvolvidas ou não. Para alguns autores, o indústria brasileira de bens manufaturados, por
termo “conjuntura” designa o conjunto de fato- meio da unificação das várias taxas de câmbio
res estritamente econômicos que influem na (taxas múltiplas de câmbio) até então em vigor.
marcha da economia, eliminando assim a inci- A partir de sua fundação, as tarifas para pro-
dência de forças naturais e de condições sociais dutos importados passaram a ser fixadas em
extra-econômicas. Outros definem conjuntura função de sua necessidade para o mercado na-
como a soma total das condições que afetam o cional e da existência de produto similar fabri-
cado no país. Durante o governo Collor (1990-
mercado, qualquer que seja a sua natureza. Os
1992) esse conselho passou a ser vinculado ao
indicadores de conjuntura são um grande número
Ministério da Economia, que reunia os Minis-
de variáveis econômicas, que se encontram em
térios da Fazenda e do Planejamento. Com o
relações múltiplas e complexas: produção, esto-
desmembramento do Ministério da Economia
ques, número de pessoas empregadas, taxa de
durante o governo Itamar Franco (1992-1994) e
juros, receita e despesa do governo, dívida pú-
a reconstituição do Ministério da Fazenda, o
blica, taxa de formação de capital, renda nacio-
Conselho de Política Aduaneira voltou a ser vin-
nal e índices de preços, entre outros. A análise
culado ao Ministério da Fazenda.
conjunta desses indicadores e de seus movimen-
tos fornece um quadro da situação econômica CONSELHO FEDERAL DE ECONOMIA —
em que se encontra o país naquele momento, Cofecon. Órgão criado pela lei nº 1 411 de agosto
ou seja, em que ponto se encontra a economia de 1951, em conjunto com a designação profis-
dentro do ciclo econômico. Sua identificação e sional do economista. É de sua responsabilidade
mensuração permitem delinear a evolução fu- a supervisão e fiscalização do exercício da pro-
123 CONSISTÊNCIA

fissão no país. Quando de sua fundação, cou- sem ter seguido a cartilha do Consenso de Wa-
be-lhe a organização dos conselhos regionais de shington, alguns autores vêm criticando, ulti-
economia nos Estados da federação. Ainda hoje mamente, a rigidez dessas políticas e tentando
aprova e examina o regimento interno desses encontrar alternativas de tal forma a combinar
conselhos. Sua diretoria é eleita entre os repre- um vigoroso combate à inflação com o progresso
sentantes dos conselhos regionais do país. econômico e social dos países em desenvolvimen-
to. Esta última tendência vem sendo denominada
CONSELHO FISCAL. Órgão de uma sociedade Pós-Consenso de Washington. Veja também Ba-
anônima, composto de no mínimo três pessoas, lanço de Pagamentos; Bird; FMI; Recessão.
escolhidas pelos sócios e encarregadas de fisca-
lizar e aprovar as contas da sociedade. CONSENSO NEOKEYNESIANO. Denomina-
ção dada ao domínio das concepções keynesia-
CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL. Veja nas na análise macroeconômica, no campo aca-
CMN. dêmico em geral e na política econômica durante
os anos 60. Na política econômica, essa influên-
CONSELHO ULTRAMARINO. Órgão da Co-
cia e predomínio foram característicos do go-
roa portuguesa criado em 1643 para orientar a
verno Kennedy, com a nomeação, em 1960, de
política colonial do reino, substituindo a Casa
um conselho de assessores econômicos de orien-
das Índias. Fundado após a Restauração portu-
tação keynesiana presidido por Walter Heller.
guesa, quando o país se libertou do domínio
Em vez de uma política de equilíbrio orçamen-
espanhol (1580-1640), era formado por altos fun-
cionários da Coroa e integrantes da nobreza. tário, o governo Kennedy acabou optando por
uma política de déficits fiscais que permitiria
Teve importância decisiva na reconquista dos
uma expansão econômica sem precedentes, a
territórios coloniais portugueses ocupados pela
criação de milhões de empregos e o aumento
Holanda, entre eles o Nordeste brasileiro.
do produto real do país. O sucessor de Kennedy,
CONSENSO DE WASHINGTON. Conjunto de Lyndon Johnson, deu prosseguimento a essa po-
trabalhos e resultado de reuniões de economis- lítica econômica. No entanto, os acontecimentos
tas do FMI, do Bird e do Tesouro dos Estados traumáticos da década seguinte representaram
Unidos realizadas em Washington D.C. no início um forte golpe nessa concepção de política eco-
dos anos 90. Dessas reuniões surgiram recomen- nômica. A guerra do Vietnã, a crise do sistema
dações dos países desenvolvidos para que os financeiro internacional com a desvalorização
demais, especialmente aqueles em desenvolvi- do dólar em 1971, o abandono do padrão-ouro
mento, adotassem políticas de abertura de seus no câmbio, a inflação de mais de um dígito, o
mercados e o “Estado Mínimo”, isto é, um Es- desemprego e a recessão mostraram as limita-
tado com um mínimo de atribuições (privati- ções dessa abordagem para promover a expan-
zando as atividades produtivas) e, portanto, são da renda.Veja também Curva de Phillips;
com um mínimo de despesas como forma de Reagnomics; Supply Side Economics.
solucionar os problemas relacionados com a cri-
se fiscal: inflação intensa, déficits em conta cor- CONSERVE — Programa de Conservação e
rente no balanço de pagamentos, crescimento Distribuição de Energia. Foi lançado em maio
econômico insuficiente e distorções na distribui- de 1981 pelo Ministério da Indústria e do Co-
ção da renda funcional e regional. O resultado mércio, com o objetivo de reduzir o consumo
mais importante dessas políticas (pelo menos no de energia importada — principalmente na for-
que se refere à América Latina) tem sido o êxito ma de óleo combustível extraído do petróleo. É
no combate à inflação nos países em que, du- aplicado em empresas com maioria de capital
rante os anos 80 e mesmo no início dos anos nacional, com preferência para as pequenas e
90, ela atingia níveis intoleráveis. Além disso, o médias empresas industriais. As empresas com
livre funcionamento dos mercados, com a eli- programas aprovados pelo Conserve contam
minação de regulamentações e intervenções go- com financiamentos do BNDES para cobrir até
vernamentais, também tem sido uma das mo- 80% do valor global de cada programa.
las-mestras dessas recomendações. Embora os CONSIGNAÇÃO. Contrato pelo qual o pro-
países que seguiram tal receituário tenham sido prietário de mercadorias as entrega a um co-
bem-sucedidos no combate à inflação, no plano merciante, ficando este obrigado a prestar contas
social as conseqüências foram desalentadoras: apenas da parte que efetivamente vender no pra-
um misto de desemprego, recessão e baixos sa- zo combinado previamente.
lários, conjugado com um crescimento econô-
mico insuficiente, revela a outra face dessa moe- CONSISTÊNCIA. Termo do campo da estatís-
da. Na medida em que alguns países, como a tica que significa uma característica desejável
China, por exemplo, têm combinado inflação dos estimadores econométricos. Um estimador
baixa com crescimento econômico acelerado, consistente é aquele cuja média tende para o
CONSOL 124

verdadeiro valor do parâmetro, e cuja variância deral de novembro de 1987, de acordo com as
tende a zero, na medida em que o tamanho da orientações da portaria nº 330 de 23 de setembro
amostra torna-se muito grande. Por exemplo, o de 1987 do Ministério da Fazenda. Dá-se também
estimador calculado mediante os mínimos qua- o nome de consórcio ao grupo de empresas for-
drados é um estimador consistente se não exis- mado para a execução de uma obra ou financia-
tirem problemas econométricos. Veja também mento de um projeto de grande envergadura.
Blue.
CONSÓRCIO MODULAR. Sistema de fabrica-
CONSOL. Denominação dada, no mercado fi- ção estabelecido pela Volkswagen em sua planta
nanceiro da Inglaterra e dos Estados Unidos, ao de fabricação de caminhões em Resende (RJ) em
título que proporciona juros (coupon) indefini- 1996, com o intuito de melhorar a produtividade
damente, isto é, para sempre, não tendo portanto e incrementar a qualidade de seus produtos. A
prazo de vencimento. Este termo tem origem idéia básica é que cada fornecedor de peças e
em títulos Gilt-Edged emitidos durante uma componentes execute a montagem da peça que
operação de conversão e consolidação de dívida forneceu e seja responsável pela qualidade de
em 1888 na Inglaterra. Em 1914, grande parte seu produto. Esse processo de “terceirização”
da dívida pública inglesa era registrada em con- da parte mais importante de uma planta desse
sols, formando o maior título individual transa- tipo (a linha de montagem) significa que nela
cionado na Bolsa de Valores. Em função de sua apenas uma porção muito pequena — de 10 a
segurança como títulos da dívida pública, eles 15% — são funcionários da própria empresa. Os
tinham fama de ativos financeiros muito seguros demais são vinculados às empresas fornecedo-
e de alta liquidez, sendo que os bancos os man- ras, denominadas parceiros. O edifício onde se
tinham como reservas líquidas. Em 1888, essas desenvolvem as atividades pertence à Volkswa-
ações foram emitidas com vencimento em 1923 gen, mas cada fornecedor tem um espaço nele
ou depois desta data, o que os tornou na prática que administra como se fosse um condomínio.
títulos sem data ou sem vencimento. O cresci- Cada empresa tem uma “doca” especial para
mento da dívida pública inglesa durante duas descarregar suas peças, e, durante a montagem
guerras mundiais, especialmente depois de 1945, do veículo, não intervêm os funcionários da
e o fato de que a partir de certo momento só Volkswagen; apenas um funcionário denomina-
foi permitido emitir títulos com data de venci- do “maestro” supervisiona todas as etapas de
mento reduziu os consols a uma pequena fração produção de um determinado número de veí-
dos títulos emitidos relacionados com a dívida culos. Os funcionários da empresa só entram na
pública. fase de teste dos caminhões. Todo caminhão,
no entanto, sai da fábrica com a assinatura do
CONSOLIDAÇÃO DA DÍVIDA FLUTUAN- “maestro”, o responsável pela qualidade daque-
TE. Conversão das obrigações de curto prazo le veículo diante dos consumidores. Em 1996,
em obrigações (permanentes) de longo prazo. as empresas fornecedoras que estão participan-
Veja também Funding. do desse sistema são as seguintes: Iochpe-Ma-
xion; Rockwell; Remon; MWM; Cummins; Ei-
CONSÓRCIO. Reunião de pessoas físicas ou ju- senmann; Delga e VDO. Veja Também Just in
rídicas interessadas na compra de determinados Time; Terceirização.
bens (automóveis, lanchas, caminhões, tratores,
videocassetes etc.) e que formam uma caixa co- CONSTITUIÇÃO DE 1988. Promulgada em
mum. No Brasil, os consórcios são regulamen- 5/10/1988, é a oitava Carta Magna do país e
tados pelo governo federal, e essas regulamen- alterou alguns pontos na área econômica e tra-
tações sofrem alterações quando a política eco- balhista. Ordem econômica: os impostos sobre cir-
nômica se orienta no sentido de inibir ou am- culação de mercadorias e serviços fundem-se
pliar o consumo de determinados bens. Os con- num único imposto (ICMS); o ICM e os impostos
sórcios reúnem um número variável de partici- únicos sobre energia elétrica, minerais, combus-
pantes, que contribuem com uma quantia men- tíveis e lubrificantes, transportes e comunicações
sal proporcional ao número de meses em que passam para os Estados. Ampliam-se os fundos
o grupo se manterá. Por exemplo: um grupo de de participação dos Estados e municípios para
cem participantes com duração de cinqüenta 47% das receitas do Imposto de Renda e do Im-
meses significará que cada um deles contribuirá posto sobre Produtos Industrializados. A trans-
mensalmente com, no mínimo, a qüinquagésima ferência dos recursos dar-se-á ao longo de cinco
parte do preço do bem em questão. Nesse exem- anos até atingir os 47%. O usucapião passa a
plo, a cada mês pelo menos duas pessoas rece- existir para aquele que ocupar área urbana de
berão o bem pretendido, sendo que a escolha até 250 m2 por cinco anos ininterruptos, sem
se faz geralmente por sorteio. A regulamentação oposição por parte do proprietário. Todas as ci-
dos consórcios foi estabelecida pela Instrução dades com população acima de 20 mil habitantes
Normativa nº 152 da Secretaria da Receita Fe- deverão ter um plano diretor para orientar seu
125 CONSUMIDOR, Soberania do

desenvolvimento. A reforma agrária mantém os particulares. O mais conhecido órgão federal


preceitos do Estatuto da Terra, mas exclui da nessa área é a Food and Drug Administration,
desapropriação as terras produtivas e pequenas que controla os padrões de pesos, medidas, se-
e médias propriedades. Passam a existir dois ti- gurança e publicidade dos produtos. A partir
pos de empresa: a empresa brasileira, constituí- de 1965, nos Estados Unidos, a luta dos consu-
da sob as leis brasileiras e com sede e adminis- midores adquiriu dimensões internacionais, sob
tração no país, e a empresa de capital nacional a liderança de Ralph Nader, que dirigiu um am-
cujo controle efetivo esteja em caráter perma- plo movimento de fiscalização popular, obrigan-
nente sob a titularidade direta ou indireta de do várias empresas a fabricar produtos menos
pessoas físicas domiciliadas e residentes no país. nocivos à saúde humana e ao meio ambiente.
Fica estabelecido o limite de juros a 12% ao ano No Brasil, a defesa do consumidor é uma preo-
em todos os créditos e operações financeiras, de- cupação relativamente recente e ainda muito li-
pendente de regulamentação complementar. A mitada ao poder público. A primeira iniciativa
exploração de minérios será efetuada exclusiva- ocorreu em São Paulo, onde foi criado, em 1976,
mente por brasileiros ou empresa brasileira de o Sistema Estadual de Proteção ao Consumidor
capital nacional. Trabalhadores: a multa indeni- (Procon), vinculado à Secretaria de Economia e
zadora sobre o valor do Fundo de Garantia pas- Planejamento do Estado. É integrado por dois
sa de 10 para 40%. A jornada de trabalho não órgãos: o Conselho Estadual de Proteção ao
poderá ultrapassar 44 horas semanais, e, para Consumidor (deliberativo) e o Grupo Executivo
os trabalhadores em empresas de turnos inin- de Proteção ao Consumidor (executivo). A partir
terruptos, a jornada será de seis horas; a remu- de leis existentes nos Estados Unidos e na Eu-
neração da hora extra sobre o salário normal ropa, o Congresso Nacional aprovou, em
passa de 25 para 50%. Em gozo de férias, o tra- 11/9/1990, a lei nº 8 078, com um amplo código
balhador terá direito a um terço a mais de seu de defesa do consumidor. Apesar de vários de
salário. O valor do aviso prévio será proporcio- seus artigos terem sido vetados pelo presidente
nal ao tempo de serviço e nunca inferior a um Fernando Collor de Mello, a lei aprovada pelo
salário. As licenças concedidas às trabalhadoras Congresso não foi alterada em sua essência. Em
gestantes passam de 89 para 120 dias. A licen- vigor desde 11/3/1991, são nove artigos que re-
ça-paternidade, que não existia, garante ao pai sumem todo o código. Entre os direitos básicos
cinco dias de ausência ao trabalho quando o fi- dos brasileiros incluem-se o de ter informações
lho nascer. O direito de greve é assegurado a corretas e claras sobre os produtos que consumir
todas as categorias. A lei definirá as atividades e o de ser protegidos contra a publicidade en-
essenciais, nas quais os trabalhadores em greve ganosa e abusiva e contra métodos comerciais
deverão garantir a manutenção dos serviços. Os coercitivos. Em nenhuma hipótese a vida, a se-
trabalhadores rurais terão legislação trabalhista gurança e a saúde das pessoas podem ser colo-
semelhante à dos trabalhadores urbanos. Os fun- cadas em risco por produtos e serviços consi-
cionários públicos terão limites salariais propor- derados nocivos. Também é direito do consu-
cionais aos maiores vencimentos, que serão de midor a modificação de cláusulas contratuais
deputados, senadores e ministros de Estado e que proporcionem prestações desproporcionais
do Supremo. A remuneração dos aposentados aos seus rendimentos. Ele ainda pode recusar a
e pensionistas nunca será inferior a um salário revisão de qualquer contrato, se isso implicar
mínimo. O reajuste será feito na mesma época prestações muito onerosas. Veja também Nader,
e com os mesmos índices dos trabalhadores ati- Ralph.
vos. Serão corrigidos os proventos de aposen-
tados e pensionistas que vêm perdendo poder CONSUMIDOR, Soberania do. Papel determi-
aquisitivo desde 1979. nante do consumidor numa economia de mer-
cado, em relação à compra e venda de bens e
CONSUMIDOR, Defesa do. Movimento de en- serviços. Segundo o princípio da soberania, sen-
tidades civis e governamentais existente em vá- do o consumidor a peça-chave do mercado, ele
rios países, visando à criação de um corpo de é também o elemento orientador do que é pre-
leis que estabeleçam padrões de qualidade, se- ciso produzir, limitando-se o produtor a seguir
gurança e higiene para os artigos e serviços ven- seus desejos e necessidades. A soberania seria
didos à população. A defesa do consumidor sur- exercida à medida que existisse concorrência en-
giu nos Estados Unidos com a fundação das en- tre os produtores, por meio do poder de decisão
tidades Consumer’s Research (1929) e Consu- dos consumidores em relação à compra dos
mer’s Union (1936), como reação aos preços ex- bens. Na prática, contudo, essa soberania tende
torsivos fixados pelos monopólios. Atualmente, a ser neutralizada pelos mecanismos impositi-
existem nos Estados Unidos cerca de mil pro- vos da concorrência monopolista e pela influên-
gramas de defesa do consumidor, desenvolvi- cia da publicidade. E, afinal, é o nível de renda
dos por agências governamentais e entidades dos consumidores que determina objetivamente
CONSUMIDOR, Superávit do 126

os limites dessa soberania. Veja também Con- tra escasso e diminui-se a produção daquilo que
sumo; Mercado. se revela supérfluo. É viável quando as dimen-
sões do mercado são pequenas e as necessidades
CONSUMIDOR, Superávit do. Diferença entre dos consumidores bastante limitadas e estáveis.
o preço que o consumidor paga por uma mer- A segunda maneira de ajuste entre produção e
cadoria ou serviço e a quantia máxima que ele consumo consiste no planejamento antecipado
estaria disposto a desembolsar para adquiri-la. da produção, dimensionando-a assim à capaci-
A existência do superávit do consumidor ba- dade do mercado. É um método característico
seia-se na tendência a diminuir a utilidade mar- das economias planificadas, como a socialista,
ginal de uma mercadoria em relação ao aumento em que não ocorre a oferta de ampla variedade
de seu consumo; assim, um consumidor pode de formas diferentes do mesmo produto. Por
pagar o máximo de mil reais pela primeira uni- último, existe a prática mercadológica típica da
dade de certa mercadoria, oitocentos reais pela sociedade capitalista moderna ou sociedade de
segunda (pois ele já é possuidor dessa mesma consumo: levar o consumidor, mediante a má-
mercadoria) e seiscentos reais pela terceira uni- quina publicitária e todas as técnicas de marke-
dade. Isso porque a propensão a consumir vai ting, a sentir necessidade de consumir aquilo
diminuindo em função da quantidade já adqui- que é produzido. Veja também Mercadologia;
rida. O conceito foi introduzido na teoria do va- Necessidade; Publicidade.
lor por Alfred Marshall. Sua concepção do pro-
blema, no entanto, gerou algumas críticas (apli- CONSUMO, Função. Veja Propensão a Consu-
cáveis ao conjunto de sua teoria de demanda mir.
do consumidor) porque se baseia na hipótese
CONSUMO CONSPÍCUO. É o dispêndio feito
de que a utilidade é mensurável da mesma for-
com finalidade precípua de demonstração de
ma que o lucro, as rendas e a produção. J. R.
condição social, manifestando-se por meio da
Hicks redefiniu a teoria da demanda de Mar-
compra de artigos de luxo e de quaisquer gastos
shall, baseando-se na utilidade ordinal e na aná-
ostentatórios. É praticado principalmente pelas
lise da indiferença.
camadas sociais de alta renda, cujo padrão de
CONSUMISMO. Veja Sociedade de Consumo. vida as camadas de renda mais baixa procuram
imitar. O conceito foi estabelecido e definido
CONSUMO. Utilização, aplicação, uso ou gasto pelo economista norte-americano Thorstein Ve-
de um bem ou serviço por um indivíduo ou blen em sua obra A Teoria da Classe Ociosa (1899).
uma empresa. É o objetivo e a fase final do pro- Veja também Veblen, Thorstein Bunde.
cesso produtivo, precedida pelas etapas de fa-
bricação, armazenagem, embalagem, distribui- CONSUMO IMPRODUTIVO. Ocorre quando
ção e comercialização. Numa sociedade em que os bens ou serviços produzidos se destinam à
a divisão social e técnica é relativamente com- satisfação física e/ou espiritual dos indivíduos
plexa, a apropriação e a transformação dos ele- e o produto não tem continuidade no processo
mentos da natureza são separadas, no tempo e produtivo: é destruído, gasto ou assimilado pelo
no espaço, de seu uso para a satisfação de ne- consumidor individual ou familiar. É o caso do
cessidades humanas. Por exemplo: a maçã co- consumo de gêneros alimentícios, roupas, calça-
lhida na Argentina pode vir a ser consumida só dos, eletrodomésticos e automóveis particulares.
no Brasil. Geralmente, o consumo é considerado
CONSUMO PRODUTIVO. Consumo de pro-
uma atividade que se desenvolve no âmbito da
dutos que retornam ao processo de produção
família, definida como unidade de consumo. Mas
— sob a forma de insumos ou bens intermediá-
há também o consumo no interior das empresas rios (matérias-primas elaboradas) — para serem
— especialmente nas fábricas — que utilizam transformados em novos produtos.
insumos ou bens provenientes de outras unida-
des produtivas (consumo produtivo). A separação CONTABILIDADE. Setor das ciências de ad-
entre produção e consumo suscita algumas ministração que cuida da classificação, registro
questões importantes para a atividade econômi- e análise de todas as transações realizadas por
ca, uma vez que as necessidades humanas e as uma empresa ou órgão público, permitindo des-
formas de satisfazê-las variam de acordo com sa forma uma constante avaliação da situação
vários fatores (idade, sexo, nível de renda). Tra- econômico-financeira. Tem por objeto o patri-
ta-se de saber de que modo podem os produ- mônio econômico das pessoas físicas ou jurídi-
tores conhecer as necessidades dos consumido- cas, comerciais ou civis, bem como o patrimônio
res, ou seja, como a produção se ajusta ao con- público e as questões financeiras do Estado. Seu
sumo. Há basicamente três maneiras. Uma con- objetivo é permitir o controle administrativo e
siste no processo de tentativa e erro: na busca o fornecimento de informações precisas a inves-
para conhecer as aspirações e desejos do con- tidores, credores e ao público. Envolve todos os
sumidor, aumenta-se a produção do que se mos- aspectos empresariais ou públicos que possam
127 CONTÊINER

ser expressos em números, como o ativo (pro- cabeçada por José Francisco da Silva, venceu as
priedade), o passivo (dívidas), as receitas e des- eleições e, desde essa época, a Contag vem se
pesas, os lucros e perdas e os direitos de inves- empenhando pela efetivação da reforma agrária.
tidores. A contabilidade, como simples registro, Edita um boletim, O Trabalhador Rural.
surgiu com as trocas de bens e serviços na An-
tiguidade. Na Babilônia, esses registros foram a CONTAINERIZATION. Termo em inglês que
base para a cobrança de impostos. Em 200 a.C., significa um sistema de transporte e distribuição
na república romana, as contas governamentais de mercadorias em contêineres padronizados,
eram apresentadas na forma de lucros e perdas que evita a necessidade de manipulação de pro-
e constantemente fiscalizadas pelos questores. dutos de volume e/ou volume heterogêneo,
Aos poucos, os dados registrados nas contas go- simplificando as tarefas de carga, descarga e dis-
vernamentais foram aumentando, mas só no fim tribuição de mercadorias nos terminais ferroviá-
da Idade Média, com os comerciantes italianos, rios, portuários, aeroviários e rodoviários, redu-
é que a contabilidade se incorporou aos negócios zindo os respectivos custos.
privados, que cresciam e se diversificavam. Foi
então que se desenvolveu o sistema de conta- CONTANGO. Situação na qual os preços spot
bilidade por registro duplo ou por partidas do- ou à vista de um determinado ativo financeiro
bradas, utilizado atualmente. Com a Revolução são mais baixos do que os preços de futuros ou
Industrial, o novo aumento no volume de ne- a termo deste mesmo ativo. Em termos situa-
gócios também levou ao aprimoramento do sis- cionais, é a quantia paga por um operador (es-
tema contábil. Nessa ocasião, começaram a ser peculador) que comprou ações e deseja poster-
feitas restrições à prática de contabilidade por gar o recebimento das mesmas. Essa quantia,
pessoas não qualificadas. O desenvolvimento do calculada de acordo com os juros sobre o valor
sistema capitalista no século XX, que deu origem da transação, é proporcional ao tempo que durar
a grandes corporações transacionais, criou novas a postergação do fechamento da operação. É o
exigências de aperfeiçoamento da contabilidade, inverso de Backwardation. Veja também Back-
atendidas basicamente pela introdução dos sis- wardation; Mercado a Futuro; Mercado Spot.
temas de computação. Veja também Adminis-
CONTAS NACIONAIS. Sistema de agregados
tração; Balanço; Contas Nacionais; Orçamento;
estatísticos correlatos que registra a atividade
Partidas Dobradas; PIB; PNB; Renda Nacional.
econômica global de um país num período de-
CONTABILIDADE NACIONAL. Veja Contas terminado, geralmente um ano. O registro con-
Nacionais. tábil é feito pelo método das partidas dobradas,
de tal maneira que os agregados são apresenta-
CONTABILIDADE SOCIAL. Veja Contas Na- dos duas vezes: a débito de uma conta e a crédito
cionais. de outra. Ao débito corresponde uma despesa
CONTA CORRENTE. Na acepção mais gené- ou um pagamento; ao crédito, um fundo origi-
rica, é uma conta entre duas ou mais pessoas nário da produção interna do país ou procedente
físicas ou jurídicas em que são lançados os cré- do estrangeiro. Os sistemas de contas nacionais
ditos e débitos das operações entre elas. Em ter- constituem indispensável instrumento de análi-
mos bancários, é a contabilidade entre um banco se para a macroeconomia. Obedecem a uma pa-
e seu cliente, pessoa física ou jurídica, em que dronização internacional estabelecida pela ONU
são computados os créditos e débitos desse e incluem os seguintes itens gerais: conta do pro-
cliente. O mesmo termo é utilizado internacio- duto interno, conta da renda nacional, conta dos
nalmente para indicar as transações efetuadas consumidores, conta do governo, conta das tran-
entre dois países, com respectivos créditos e dé- sações com o exterior e conta consolidada de
bitos, ou entre um país e os demais. capital. Cada conta se compõe de agregados e
subagregados, apresentados a preços correntes
CONTAG — Confederação Nacional dos Tra- e em termos reais, isto é, a preços deflacionados
balhadores na Agricultura. Entidade sindical (corrigidos do efeito inflacionário). Somente com
brasileira, sediada em Brasília, fundada em de- os agregados em termos reais é possível esta-
zembro de 1963. Integrada por 21 federações re- belecer tendências do desenvolvimento ma-
gionais, tem na base 2 500 sindicatos rurais, com croeconômico e comparar os resultados de
cerca de sete milhões de associados (1980). Tem anos diferentes. Veja também Balanço de Pa-
como objetivo a defesa dos interesses e direitos gamentos; Formação de Capital; Investimen-
dos assalariados agrícolas, pequenos proprietá- to; Renda Nacional.
rios, parceiros, meeiros e arrendatários que vi-
vem em regime de economia familiar. Em abril CONTÊINER. Sistema de embalagem de mer-
de 1964, sofreu intervenção do Ministério do cadorias em recipientes metálicos para o trans-
Trabalho. Em 1968, uma chapa de oposição, en- porte, o que aumenta a velocidade de embarque
CONTINGENCIAMENTO 128

e desembarque, reduzindo, portanto, os custos leão para fechar a Europa ao comércio britânico,
de transporte. foi em grande parte anulado pelas atividades
de contrabandistas. O contrabando floresce par-
CONTINGENCIAMENTO. Política econômica ticularmente nos casos de produtos sobre os
de intervenção governamental que consiste em quais incidem altas taxas alfandegárias (seda,
imposição de limites à produção, comercializa- álcool e chá na Inglaterra do século XVIII, ou
ção interna e importação ou exportação de um café e tabaco na maior parte da Europa, na mes-
produto. Com maior freqüência, o contingencia- ma época) ou onde haja proibições na importa-
mento é empregado para deter em determinado ção (narcóticos) e exportação (armas e divisas).
nível a importação de certo produto, estimulan- Os artigos mais propícios a ser contrabandeados
do sua produção no país. são os altamente taxados e os de pequenas di-
CONTINGENCIAR. Ação relacionada com a mensões, como relógios e drogas. Algumas con-
administração do orçamento governamental dições geográficas favorecem o contrabando:
mediante o qual um governo regula as despesas costas marítimas extensas, fronteiras remotas ou
de acordo com as receitas, de tal forma a não a proximidade de um território favorecido por
apresentar dificuldades financeiras no decorrer condições fiscais especiais — a ilha de Man já
de um exercício, embora a lei orçamentária pos- constituiu tal ameaça à Inglaterra, até 1765, ou
sa autorizá-lo a realizar despesas maiores do que Gibraltar em relação à Espanha; outros exem-
as que realiza em determinado período. plos são Hong-Kong, Macau e Andorra.

CONTINGENT VALUATION. Expressão em CONTRABANDO-FORMIGA. Contrabando rea-


inglês que significa uma técnica de valor não- lizado em pequenas quantidades, geralmente
monetário, isto é, procura-se aferir, por meio de contando com a complacência das autoridades
questionário, a concordância dos consumidores de um país, como acontece na fronteira entre o
em pagar por melhorias na prestação de um ser- Paraguai e o Brasil, onde, quando um sem-nú-
viço, melhorias essas que ainda não foram im- mero de “sacoleiros” atravessam a ponte que
plementadas. Trata-se, portanto, de avaliar a po- une ambos os países, compram no Paraguai e
tencialidade de um mercado hipotético, e não trazem mercadorias a preços muito mais baixos
do mercado existente, e é obtida mediante ques- para o Brasil, como cigarros (os mesmos cigarros
tões que procuram analisar o grau de consenti- brasileiros exportados para aquele país sem,
mento dos consumidores em efetuar pagamen- contudo, a incidência de impostos), pequenos
tos por serviços de que ainda não dispõem, com aparelhos eletrônicos, peças de vestuário etc.
o grau de qualidade que se pretende criar. Por Veja também Sacoleiros.
exemplo, busca-se, por meio dessa técnica, ava-
CONTRA BROKER. Expressão em inglês que
liar até que ponto os habitantes de determinada
designa o corretor que está do lado da compra
localidade estariam dispostos a pagar pela me-
numa ordem de venda, ou do lado da venda
lhoria das condições ambientais, pela existência
numa ordem de compra.
de áreas verdes nas proximidades do meio ur-
bano, ou pelo tratamento adequado ao proces- CONTRATO. Acordo de vontades entre duas
samento do lixo. ou mais pessoas que, reciprocamente, se atri-
buem direitos e obrigações. Os contratos são em
CONTO (de Réis). Unidade monetária utiliza-
geral escritos e, em alguns casos, a lei prevê uma
da no Brasil durante o século XIX até meados
forma solene para sua celebração, mas podem
do século XX, equivalente a 1 milhão de réis,
ser também consensuais ou verbais. Em princí-
ou a mil réis.
pio, ninguém é obrigado a vincular-se contra-
CONTRABANDO. Ato de importar ou expor- tualmente. Para que o contrato possua validade
tar mercadorias proibidas ou sonegar o paga- jurídica, exige-se que as partes tenham capaci-
mento de direitos ou impostos devidos ao Es- dade de contratar e que o objetivo do contrato
tado pela entrada e saída de mercadorias. Ge- seja lícito. A parte que causar o rompimento do
nericamente, o contrabando inclui o conceito de contrato se sujeita a ser constrangida pela Justiça
descaminho: todo e qualquer ato fraudulento a atender aos danos causados à outra parte. Em-
com o fim de evitar o pagamento dos direitos bora a própria natureza do contrato tenha como
estabelecidos sobre a entrada, saída, fabricação fundamento a concordância das partes, há con-
ou consumo de mercadorias. O contrabando tem tratos, como o de adesão, no qual o objeto do
sido praticado onde quer que haja restrições al- pacto é determinado de antemão por uma das
fandegárias. No século XVII, quando a Espanha partes, enquanto a outra se limita a aceitá-lo.
proibiu o comércio de suas colônias com outros Há outros tipos de contrato, destacando-se: aces-
países, contrabandistas ingleses praticavam lu- sório (subordinado a um principal ou a ele opos-
crativo comércio nas costas da América do Sul. to), administrativo (entre pessoa física ou jurídica
O Bloqueio Continental, estabelecido por Napo- e o poder público), gratuito (em que só uma das
129 CONTROLE DO MEIO CIRCULANTE

partes se beneficia), oneroso (que impõe ônus às é a coletividade. O conteúdo político do contrato
partes, como os de locação, compra e venda), social é essencialmente democrático, pois o po-
bilateral (em que as partes assumem obrigações der e a autoridade estão vinculados à soberania
recíprocas), unilateral (em que as obrigações são popular, que é indivisível e inalienável: ela não
apenas de uma parte), coletivo (entre grupos ou pode ser partilhada, mas pode ser delegada em
entidades representativas dos mesmos), comer- suas funções executivas (de governo). A lei,
cial (na esfera do direito comercial), de trabalho como ato da vontade geral, coletiva e expressão
(entre empregado e empregador), judicial (fir- de soberania, é de vital importância, pois deter-
mado perante um juiz). mina o destino do Estado. Veja também Rous-
seau, Jean-Jacques.
CONTRATO DE GAVETA. Sistema de trans-
ferência de contratos de compra, geralmente de CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA. Tributo ge-
imóveis, mediante o qual o vendedor continua rado pela valorização imobiliária decorrente das
sendo o titular de um financiamento, e o com- obras públicas realizadas pelo governo. Essa va-
prador paga o restante de um financiamento de lorização significa um acréscimo patrimonial
posse de uma procuração que lhe dá plenos di- dos detentores das propriedades imobiliárias be-
reitos, para que as condições vantajosas desse neficiadas. Uma parte dessa valorização poderia
financiamento não sejam perdidas por mudança se transformar em receitas públicas mediante a
de titularidade. Os contratos de financiamento cobrança da contribuição de melhoria, muitas
de casa própria — entre os quais os financia- vezes viabilizando investimentos infra-estrutu-
dos pelo extinto Banco Nacional da Habitação rais que de outra forma seriam muito custosos
(BNH) —, com condições muito favoráveis, são para ser realizados. A Constituição de 1988 fa-
submetidos a esse tratamento. Como o contrato culta à União, aos Estados e aos municípios a
de compra e venda só é registrado no final do instituição de contribuições de melhoria decor-
financiamento e permanece guardado até então, rentes da realização de obras públicas.
recebe o nome de “contrato de gaveta”.
CONTROLE CAMBIAL. Controle que as auto-
CONTRATO DE GESTÃO. Contratos celebra-
ridades monetárias exercem sobre o comércio
dos entre empresas estatais, por intermédio de
de moedas estrangeiras, por meio do sistema
suas diretorias e o acionista majoritário — o Es-
bancário (basicamente, pelo Banco Central). Esse
tado —, mediante ministérios, quando se trata
controle estende-se sobre toda a compra e venda
da União (governo federal), ou secretarias, quan-
de divisas pelas pessoas residentes e empresas
do se trata de Estados (governos estaduais),
estabelecidas no país. É apoiado sobretudo na
constituindo um compromisso gerencial com
metas e objetivos de produção a serem alcança- fixação das taxas de câmbio oficiais e numa série
dos em determinado período de tempo. O ob- de restrições para a compra de moeda estran-
jetivo básico desses contratos é estabelecer maior geira e sua remessa para o exterior. Um dos me-
transparência na gestão das empresas estatais e canismos mais comuns do controle cambial é a
permitir ao Estado um maior controle e super- venda obrigatória, ao Estado, da moeda estran-
visão sobre as empresas das quais é acionista geira recebida pelos exportadores. Outro é a li-
majoritário. O Estado de São Paulo implantou mitação para a aquisição de divisas pelos que
esses contratos a partir de 1992, em suas em- viajam ao exterior; no Brasil, a partir de 1991,
presas estatais, e o governo federal também ini- segundo decisão do Ministério da Economia,
ciou sua implantação na Companhia Vale do qualquer cidadão pode adquirir livremente dó-
Rio Doce e, em 1994, na Petrobrás. lares, desde que comprovada sua utilização.
Veja também Política Cambial.
CONTRATO DE MÚTUO. Veja Mútuo, Con-
trato de. CONTROLE DE PREÇOS. Veja Preços, Con-
trole de.
CONTRATO DE RISCO. Veja Risco, Contrato de.
CONTROLE DE QUALIDADE. Processo que
CONTRATO SOCIAL. Conceito elaborado pelo permite a uma empresa verificar, por meio de
filósofo francês Rousseau, segundo o qual a so- métodos estatísticos, a qualidade dos produtos
ciedade se origina de um acordo convencional que produz. À medida que a concorrência in-
entre os homens, com o objetivo de eliminar dis- ternacional vem se intensificando, o controle de
putas e possibilitar a vida em comum. A teoria qualidade torna-se uma exigência cada vez
do contrato social de Rousseau parte do seguinte maior e as empresas têm dedicado uma atenção
postulado: “A liberdade é um direito e um de- crescente a esse problema. Veja também ISO
ver”. A viabilidade da liberdade geral resulta 9000.
da renúncia individual a certas prerrogativas,
para que assim os homens se tornem cidadãos, CONTROLE DO MEIO CIRCULANTE. Veja
criadores e participantes da “vontade geral”, que Meio Circulante, Controle do.
CONTROVÉRSIA DE CAMBRIDGE 130

CONTROVÉRSIA DE CAMBRIDGE. Debate recém-unificada. Como o ministro da Educação


travado entre a Escola de Cambridge (Univer- em Berlim dava quase exclusiva preferência aos
sidade de Cambridge, Inglaterra) e a Escola Neo- adeptos de Schmoller na indicação de professo-
clássica, do Massachusetts Institute of Tecnology res universitários, a polêmica incorporou (além
(MIT), Cambridge, Massachusetts (Estados Uni- das questões do método e da política econômica)
dos) sobre a validade da abordagem neoclássica também as questões relacionadas com a liber-
em economia. Esse debate envolveu os econo- dade acadêmica, pois os ataques de Menger a
mistas mais destacados do MIT, como P. Sa- Schmoller abarcavam toda a comunidade uni-
muelson e R. Solow, e da Escola de Cambridge, versitária composta, em grande medida, de
como J. Robinson, P. Sraffa e N. Kaldor. O ponto “partidários” deste último. Sobre a importância
central da controvérsia girava em torno do con- da teoria e de estudos empíricos em economia,
ceito de capital e do papel por ele desempenha- no entanto, ambos concordavam. As divergên-
do numa função de produção agregada. De acor- cias estavam na ênfase que se devia dar a cada
do com a Escola de Cambridge, a possibilidade instância e no desenvolvimento das conclusões.
da reciclagem de técnicas seria suficiente para in- Menger argumentava que a economia “pura”
validar muitos dos supostos da Escola Neoclás- poderia ser desenvolvida por meio de análises
sica e especialmente sua teoria do crescimento lógicas cujas conclusões seriam amplamente
econômico. A Escola Neoclássica, embora admi- aplicáveis e, portanto, úteis do ponto de vista
tindo que a possibilidade de reciclagem enfra- prático. Proposições apoiadas em dados empí-
quecia suas concepções sobre o capital, não con- ricos, no entanto, seriam corretas apenas até os
cordava que por essa razão a teoria deveria ser limites dos dados em que as proposições se ba-
abandonada. Tal debate ainda prossegue, em- seassem. Na medida em que os dados empíricos
bora com menor ímpeto, uma vez que os de- eram sempre parciais e limitados no espaço e
fensores da Escola de Cambridge consideram no tempo, as conclusões deles emanadas seriam
que suas críticas foram comprovadas. Veja tam- problemáticas e de generalização limitada. Pro-
bém Escola de Cambridge; Escola Neoclássica; posições corretas e de aplicação geral poderiam
Reciclagem; Teoria Neoclássica do Crescimen- ser desdobradas por meio de rigorosa análise
to Econômico. lógica de supostos não limitados no tempo, es-
CONTROVÉRSIA DO CAPITAL. Veja Contro- paço ou circunstâncias especiais. Para Menger,
vérsia de Cambridge. os dados empíricos atuariam como uma espécie
de ponte entre a economia pura (teoria) e as
CONTROVÉRSIA DO MÉTODO (Metho- questões de política aplicada à economia, mas
denstreit). Polêmica desenvolvida entre Carl advertia que isso só poderia ser feito mediante
Menger e Gustav Schmoller no final do século exaustivos estudos empíricos. Schmoller tam-
XIX, considerada um dos principais debates me- bém defendia o uso de estudos empíricos e da
todológicos na história da ciência econômica. teoria econômica, mas de acordo com uma com-
Teve início com a publicação do livro de Menger binação diferente. Ele rejeitava o método lógico
sobre o método (1883), que recebeu de Schmoller dedutivo de Menger por três razões: os pressu-
uma resenha crítica muito desfavorável, a qual postos eram irreais, seu elevado nível de abs-
foi respondida com a mesma veemência por tração tornava a teoria irrelevante para resolver
Menger no ano seguinte (1884), no The Errors of os problemas do mundo real e não continha ele-
Historicism (Os Erros do Historicismo). Na ver- mentos empíricos. Dessa forma, a teoria seria
dade, as críticas de parte a parte estavam en- inútil para esclarecer as principais questões com
raizadas em discordância mais profunda, e não as quais os economistas se defrontavam: de que
apenas em questões metodológicas. Enquanto maneira se desenvolveram as instituições eco-
Menger acreditava que o comportamento eco- nômicas do mundo moderno, alcançando seu
nômico implicava um sistema social constituído presente estágio, e quais são as leis e as regu-
por indivíduos movidos por interesses egoístas, laridades que as governam? Para Schmoller, o
Schmoller considerava que os indivíduos for- método mais apropriado era a indução dos prin-
mavam grupos, nações, com objetivos e interes- cípios gerais por intermédio dos estudos histó-
ses grupais, embora também individuais. O rico-empíricos. Veja também Menger, Carl; Mé-
mais importante é que as concepções de Menger todo; Schmoller, Gustav.
resultavam e davam especial ênfase à primazia
das políticas liberais (laissez-faire), que deveriam CONVENÇÃO DE LOMÉ. Denominação dada
ser as mais abrangentes para permitir o funcio- a uma série de acordos de comércio e cooperação
namento dos mecanismos de ajuste e equilíbrio econômica assinados, a partir de 1975, na capital
dos mercados. As conclusões de Schmoller iam do Togo, entre a Comunidade Econômica Eu-
em direção oposta, supondo a intervenção do ropéia e países da África, do Caribe e do Pacífico.
Estado por meio de políticas governamentais Esses acordos substituíram e ampliaram o esta-
como as emanadas pelo governo da Alemanha belecido na Convenção de Yaoundé entre a Co-
131 CONVEXIDADE

munidade Econômica Européia e países da Áfri- assegurados. Depois da Segunda Guerra Mun-
ca e a República Malgaxe. O aspecto mais im- dial, por exemplo, os títulos de dívida pública
portante desses acordos foi a garantia dada pela ingleses foram trocados por outros, com juros
CEE de eximir de tarifas (e sem exigir recipro- menores. Ações ou debêntures podem ser tro-
cidade) todos os produtos manufaturados ou de cadas, com mudanças na sua essência, isto é,
agricultura tropical oriundos desses países. Veja passar de nominativas para ao portador ou de
também Convenção de Yaoundé. ordinárias para preferenciais. Veja também
Consols.
CONVENÇÃO DE YAOUNDÉ. Conjunto de
acordos assinados em Yaoundé (Camarões), a CONVERSÃO DAS UNIDADES DE PESOS
partir de 1963, entre a Comunidade Econômica E MEDIDAS. Medidas do Sistema Imperial In-
Européia e a Associação de Países da África e glês e do Sistema Consuetudinário Americano
da República Malgaxe, estabelecendo uma série e suas conversões ao Sistema Métrico Decimal:
de políticas recíprocas e não-discriminatórias de Ver tabelas nas págs. 647, 648 e 649.
comércio, ajuda financeira, assistência técnica e
eliminação gradual de barreiras alfandegárias. CONVERSÃO DE DÍVIDA. Troca de títulos de
A Convenção de Yaoundé prevaleceu até 1975, dívida pública, vencidos ou a vencer, por outros
quando foi substituída pela Convenção de Lomé. com vencimentos a prazo mais longo. Equivale,
Veja também Convenção de Lomé. na prática, a uma rolagem da dívida, já que seu
vencimento é “empurrado” para o futuro. No
CONVÊNIO DE TAUBATÉ. Convênio assina- que se refere à dívida externa de um país, pode
do em Taubaté (SP), em 1906, por representantes consistir na transformação de parte dessa dívida
dos três Estados maiores produtores de café — em capital de risco, operação que geralmente
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro —, implica um deságio no ato de conversão. Veja
com o objetivo de valorização do produto no também Capital de Risco; Deságio.
mercado internacional por meio do controle da
oferta. As cláusulas eram as seguintes: 1) a fim CONVERSIBILIDADE. Originalmente, era a
de garantir o equilíbrio entre a oferta e a de- possibilidade de trocar-se moeda-papel ou pa-
manda do café no mercado internacional, o go- pel-moeda por seu correspondente em ouro
verno federal interviria no mercado para com- amoedado, segundo cotações determinadas. Du-
prar os excedentes; 2) o financiamento necessá- rante o século XX, a conversibilidade existiu no
rio para essas compras e para a manutenção de Brasil por dois períodos curtos: entre 1906 e 1914
estoques seria feito mediante empréstimos es- com a Caixa de Estabilização, e entre 1926 e 1930
trangeiros; 3) o serviço da dívida externa resul- com a Caixa de Conversão. Atualmente, o termo
tante seria pago com um imposto em ouro sobre indica a situação em que uma moeda é livre-
cada saca de café exportada; 4) os governos dos mente trocável por moedas estrangeiras, segun-
países produtores deveriam desencorajar a ex- do taxas de câmbio determinadas ou preços es-
pansão das plantações. O ponto vulnerável des- tabelecidos pela oferta e demanda da moeda. A
se acordo residia no fato de o controle ser da conversibilidade monetária é considerada fun-
oferta e não da produção, o que aumentava con- damental para o desenvolvimento e a manuten-
sideravelmente o risco de superprodução. A cri- ção do comércio internacional. Em contraparti-
se econômica mundial de 1929-33 mostrou a ex- da, cria possibilidades de evasão de divisas e
tensão dessa vulnerabilidade. Veja também Cri- crises no balanço de pagamentos. Por isso, mui-
se Econômica; Dardanismo. tos países impõem limites à conversibilidade de
suas moedas. O real, por exemplo, só é conver-
CONVERGÊNCIA, Tese da. Concepção de que sível em moedas estrangeiras em condições de-
as economias capitalistas e socialistas, embora terminadas pela política cambial — viagens ao
partindo de pontos completamente opostos, exterior, por exemplo, e segundo uma quantia-
convergiriam crescentemente nas formas de limite. Veja também Caixa de Conversão; Caixa
comportamento, pensamento, instituições e mé- de Estabilização; Comércio Internacional; Pa-
todos. Essa hipótese foi levantada originalmente drão Câmbio-ouro; Padrão-Ouro.
pelo economista holandês Jan Tinbergen, no sen-
tido de que tal convergência seria inevitável em CONVERSOR. Em informática, é um equipa-
função da necessidade de padrões similares do mento capaz de transformar dados de uma for-
desenvolvimento tecnológico. Com as transfor- ma para outra, a fim de torná-los adequados a
mações ocorridas nos países do Leste Europeu um certo equipamento. Um conversor é por
e na ex-União Soviética depois de 1989, a tese exemplo uma unidade que transforma quanti-
foi totalmente superada. dades analógicas em quantidades digitais. Veja
também Computador.
CONVERSÃO. Mudança das características de
uma ação ou título, inclusive nos rendimentos CONVEXIDADE. Veja Função Convexa.
COOPERATIVA 132

COOPERATIVA. Empresa formada e dirigida COOPETITION. Termo em inglês constituído


por uma associação de usuários, que se reúnem das palavras cooperation (cooperação) e competi-
em igualdade de direitos com o objetivo de de- tion (concorrência), isto é, uma contradição em
senvolver uma atividade econômica ou prestar termos, na medida em que se trata de uma coo-
serviços comuns, eliminando os intermediários. peração entre competidores. Este conceito é apli-
O movimento cooperativista contrapõe-se às cado nos casos em que empresas competidoras,
grandes corporações capitalistas de caráter mo- mas desejosas de criar um novo mercado ou de
nopolista. Conforme a natureza de seu corpo reduzir riscos que envolvem investimentos vul-
de associados, as cooperativas podem ser de pro- tosos em inovações, cooperam entre si, até que
dução, de consumo, de crédito, de troca e comercia- o resultado seja alcançado, para então continuar
lização, de segurança mútua, de venda por atacado em sua trilha de competição. Não é raro encon-
ou de assistência médica. As mais comuns são as trar empresas que se enfrentam ferozmente em
cooperativas de produção, consumo e crédito; determinados mercados, cooperando amistosa-
há ainda as cooperativas mistas, que unem mente em outros. Por exemplo, as empresas Sun,
numa só empresa essas três atividades. Na Eu- IBM, Apple e Netscape entraram num processo
ropa e nos Estados Unidos, as cooperativas de de cooperação para sustentar o novo programa
crédito são a principal fonte do crédito rural, e para computadores Java, a fim de enfraquecer
na União Soviética formam a base de economia a Microsoft. A linha divisória entre o que vem
dos kolkhozes. No Brasil, a formação de coope- sendo denominado coopetition e a formação de
rativas é regulamentada por lei desde 1907. In- cartéis não é muito clara. As instituições encar-
ternacionalmente, a atividade é incentivada pela regadas de zelar pela manutenção da concor-
Aliança Cooperativa Internacional. Veja também rência ainda não definiram tais limites, que se-
Cooperativismo. param as duas formas de comportamento. Fa-
talmente, serão levadas a fazê-lo e até mesmo
COOPERATIVISMO. Doutrina que tem por a consolidar uma legislação correspondente, na
objetivo a solução de problemas sociais por meio medida em que essa aproximação entre empre-
da criação de comunidades de cooperação. Tais sas possa resultar em benefícios para o público.
comunidades seriam formadas por indivíduos Veja também Cartel; Concorrência.
livres, que se encarregariam da gestão da pro-
dução e participariam igualitariamente dos bens COORDENADAS CARTESIANAS. Método de
produzidos em comum. Sua realização prática representação gráfica no qual se constroem duas
linhas perpendiculares, sendo a horizontal de-
prevê a criação de cooperativas de produção,
nominada “eixo de X ” e a vertical, “eixo de Y”.
consumo e de crédito. O cooperativismo pre-
O ponto de intersecção chama-se “origem” e de-
tendeu representar uma alternativa entre o ca-
signa-se pela abreviação “0", ou o ponto zero a
pitalismo e o socialismo, mas sua origem en-
partir do qual medem-se as distâncias horizon-
contra-se nas propostas dos chamados socialis-
tais e verticais.
tas utópicos. O iniciador deste movimento foi
o inglês Robert Owen, que patrocinou a criação COPELAÇÃO. Veja Ouro.
da primeira cooperativa na Europa, a sociedade
Pioneiros Equitativos de Rochdale, em 1844, in- COPEQUE. Veja Rublo.
tegrada por tecelões. Na França, o movimento
COPYRIGHT. Direito de cópia ou de reprodu-
cooperativista representou uma negação do ca-
ção, em inglês. Direito de propriedade que tem
pitalismo e foi incentivado por Charles Fourier,
o autor de uma obra literária, artística ou
Saint-Simon e Louis Blanc, os quais procuraram
científica.
organizar cooperativas de produção, principal-
mente com os artesãos arruinados pela Revolu- CORBISIER, Roland. Veja ISEB.
ção Industrial. Mais tarde, em lugar do conteúdo
socialista, o cooperativismo adquiriu caracterís- CORD. Medida de volume para madeira utili-
ticas mais atenuadas de reforma social, nas for- zada nos Estados Unidos, equivalente a uma pi-
mulações de Beatrice Potter Webb, Luigi Luz- lha de 4 pés de altura por 4 pés de largura e 8
zatti e Charles Gide. No Brasil, o cooperativismo pés de comprimento. Veja também Sistemas de
iniciou-se no final do século XIX, principalmente Pesos e Medidas; Unidades de Pesos e Medidas.
no meio rural. Atualmente, é regulamentado por CÓRDOBA. Unidade monetária da Nicarágua.
leis especiais e subordinado ao Conselho Na- Submúltiplo: centavo.
cional de Cooperativismo, órgão do Ministério
da Agricultura. Conta ainda com uma institui- CORECON — Conselho Regional de Econo-
ção financeira especial, o Banco Nacional de Cré- mia. Órgão estadual vinculado ao Cofecon, que
dito Cooperativo. Veja também Banco Nacional tem por finalidade zelar pelo exercício da pro-
de Crédito Cooperativo; Fourier, Charles; Gide, fissão em nível estadual, proporcionando inclu-
Charles; Owen, Robert; Webb, Beatrice. sive a habilitação legal mediante registro pro-
133 CORONELISMO

fissional. O Corecon é responsável também pelo mica sobre as Corn Laws acentuou-se entre 1838
registro de pessoas jurídicas que exerçam a ati- e 1846, com a mobilização promovida pela Liga
vidade de economista. Os membros do Corecon contra as Corn Laws (criada pelos industriais)
(conselheiros) têm seus cargos renovados em e que recebeu a adesão de trabalhadores. Essa
um terço de seu número a cada ano. questão, em particular, foi tratada por Marx em
seu Discurso sobre o Livre-cambismo.
CORN BELT. Expressão que designa as regiões
onde se cultivam os principais cereais, como tri- CORNER. Termo em inglês que significa uma
go, arroz, cevada, milho etc. Em sentido estrito, situação na qual um investidor ou um grupo
corn significa “milho”, mas no sentido genérico articulado de investidores controla a maior parte
refere-se ao cereal mais importante de uma re- da oferta de uma ação ou título, podendo influir
gião (na Europa e nos Estados Unidos, geral- decisivamente sobre suas cotações. Desse termo
mente o trigo). Assim, a tradução mais apro- deriva a expressão cornering the market, que sig-
priada seria “cinturão cerealista”. nifica uma compra volumosa de um título ou
commodity de tal forma que o(s) comprador(es)
CORN-HOG RATIO. Expressão em inglês que passa(am) a deter o controle dos respectivos pre-
significa o coeficiente determinado pelo número ços. Quando isso acontece, aqueles que porven-
de bushels de milho igual em valor de cem li- tura tenham vendido a descoberto, isto é, ven-
bras-peso de carne de porco. Este coeficiente in- deram um volume maior do que os títulos pos-
dica — dados os preços de mercado dos dois suídos, deverão pagar cotações muito elevadas
produtos — se os fazendeiros tenderão a vender para honrar seus contratos. Embora esta prática
o milho que produzirem ou o utilizarão para seja considerada ilegal na maioria das Bolsas de
alimentar seus porcos e vender a carne destes Valores, ela continua sendo praticada. Veja tam-
no mercado. bém Bolsa de Valores.
CORN LAWS (Leis dos Cereais ou Leis do Tri- COROA. Unidade monetária da Islândia (Nova
go). Legislação inglesa que restringia a impor- Coroa Islandesa; Submúltiplo: aurar), da Dina-
tação de cereais. Essas leis existiam desde a Ida- marca (Coroa Dinamarquesa; submúltiplo: ore),
de Média, mas se tornaram uma questão central da Noruega (Coroa Norueguesa; submúltiplo:
na primeira metade do século XIX, gerando acir- ore), da Suécia (Coroa Sueca; submúltiplo: ore),
rada polêmica entre donos de terras e indus- da República Tcheca (Coroa Tcheca; submúlti-
triais. O isolamento imposto à Inglaterra durante plo: haléru). Territórios e dependências: Groen-
as guerras napoleônicas contribuiu para a ele- lândia (Dinamarca, Coroa — ore), Ilhas Faroë
vação dos preços dos cereais, particularmente o (Dinamarca, Coroa — ore), Sual Bard (Noruega,
trigo, beneficiando os donos de terras, que ti- Coroa — ore).
nham a maioria no Parlamento e queriam man-
ter as restrições às compras de trigo russo, nor- CORONELISMO. Termo que designa, no Bra-
te-americano e francês. Como o preço dos cereais sil, o tipo social do grande proprietário rural de
ingleses era muito alto, isso resultava numa comportamento despótico e patriarcal que, por
pressão constante sobre os salários, pois os tra- força do consenso geral de um sistema de o-
balhadores tinham nos cereais seu gasto princi- brigações e favores, confunde em sua pessoa
pal. Os industriais, sobretudo de Manchester atribuições de caráter privado e público. O “co-
(centro da produção de tecidos), insurgiram-se ronel” protege e sustenta economicamente seus
contra a manutenção das restrições impostas pe- agregados, exigindo deles obediência e fidelida-
las Corn Laws, pois de um lado queriam bara- de a sua chefia política. O termo surgiu no pe-
tear o preço de mão-de-obra (via importação de ríodo da Regência, com a criação da Guarda Na-
trigo mais barato) e, de outro, queriam intensi- cional, em 1831, um corpo militar formado por
ficar a exportação de produtos industriais para cidadãos armados em que o governo confiava
a Rússia, os Estados Unidos, a França e outros e que atuou várias vezes na repressão a movi-
países, que só podiam pagar esses produtos com mentos internos de rebeldia. Posteriormente, a
gêneros alimentícios. Era a política do livre-cam- Guarda Nacional perdeu sua função militar, tor-
bismo. A discussão pôs em confronto não só nando-se meramente honorífica e decorativa. O
industriais e latifundiários, mas também os eco- posto de coronel, o mais elevado da guarda, era
nomistas clássicos: Malthus colocou-se ao lado concedido aos indivíduos de maior força eco-
dos proprietários rurais, e Ricardo (que era tam- nômica e política nos municípios, em geral gran-
bém deputado) tomou o partido dos industriais. des proprietários rurais. Com o correr do tempo,
No seu trabalho teórico, Ricardo procurou ainda o termo “coronel” passou a designar os fazen-
ligar o preço dos cereais aos problemas de re- deiros mais abastados que, em cada município,
partição da renda, crescimento da população, ocupavam posições de liderança política, tor-
aumento da renda diferencial, salários e desen- nando-se os pontos de apoio locais do ordena-
volvimento do comércio internacional. A polê- mento político que caracterizou a Primeira Re-
CORPORAÇÃO 134

pública (1889-1930). O grande proprietário rural só podia ser pedreiro quem pertencesse à cor-
estendia seu domínio econômico e político a cen- poração dos pedreiros ou só podia ser comer-
tenas e até milhares de pessoas, que dependiam ciante de lã quem fizesse parte da guilda cor-
dele como agregados, meeiros ou colonos, tipi- respondente. Até os mendigos tinham suas cor-
ficando-se no exercício de um poder mercantil porações. As atividades de cada membro da cor-
e patriarcal-patrimonial. Embora produzisse poração eram regulamentadas por estatutos,
para o mercado, muitas vezes para o mercado cuja violação era punida severamente pelos pró-
externo, o “coronel” comportava-se como pa- prios tribunais da entidade — um privilégio que
triarca e chefe de clientela em seus domínios. era comprado ao senhor feudal. A corporação
Em torno do latifúndio, formava-se uma teia de controlava a qualidade da produção artesanal
reciprocidades e de lealdades mútuas. Em troca de seus membros, determinava o preço das mer-
de emprego, de um pedaço de terra para culti- cadorias, fiscalizava o aprendizado de ajudantes
var, de empréstimos ou outros “favores”, os e jornaleiros (que recebiam por dia ou jornada
agregados deviam incondicional fidelidade ao de trabalho) e realizava exames de capacitação
partido do coronel. A aplicação do sistema elei- para o aprendiz tornar-se mestre artesão e poder
toral pelo regime republicano, em vez de solapar ingressar na corporação. As corporações tam-
a força do coronelismo, conservou-lhe e deu-lhe bém tiveram importante papel político. Muitas
feição particular. O voto, teoricamente livre, con- cidades eram totalmente controladas pelas cor-
tinuou a ser, no Interior do país, um “voto de porações dos comerciantes; estes impediam a
cabresto”, cegamente atribuído pelo eleitorado participação político-administrativa das associa-
dependente economicamente aos candidatos de ções artesanais, que se sublevaram várias vezes
seu chefe político, que impunha ainda seu do- contra isso. Em troca de privilégios, muitas cor-
mínio eleitoral com as “atas falsas” e “eleições porações apoiaram os reis na luta contra os se-
de bico de pena”. Desse modo, durante a Pri- nhores feudais, durante o processo de formação
meira República, o poder central apoiou-se nos dos Estados Nacionais.
coronéis, que dele obtinham todas as prerroga-
tivas no setor municipal, onde controlavam a CORPORAÇÃO FINANCEIRA INTERNACIO-
vida econômica e política e dominavam o apa- NAL (International Finance Corporation).
relho administrativo, judiciário e policial. A par- Agência financeira das Nações Unidas criada em
tir de 1930, com o desenvolvimento e crescimen- 1956 e filiada ao Banco Mundial (Bird). Desti-
to da economia industrial e da urbanização, com na-se a prestar ajuda — nas formas de crédito
o peso cada vez maior da classe operária e das a longo prazo ou subscrição de capital — a em-
camadas médias urbanas, e com a adoção do presas privadas em países subdesenvolvidos,
voto secreto e o aperfeiçoamento do poder cen- sem necessidade de garantias governamentais.
tral nos municípios, o sistema de coronelismo Pode também investir em novos empreendi-
passou a enfraquecer-se, entrando em irre- mentos, mas essa participação limita-se, geral-
versível decadência nas últimas décadas. Isso se mente, a 25% do investimento total. Edita um
deu com a transformação das grandes proprie- relatório anual (Annual Reports).
dades rurais em empresas agrícolas capitalistas,
nas quais a mão-de-obra é assalariada e obrigada CORPORATIVISMO. Doutrina que prega a
a grande mobilidade, não permitindo vínculos harmonização dos desajustes da economia de
de dependência pessoal. Outros fatores que so- mercado e dos conflitos sociais por meio da cria-
laparam as bases políticas do coronelismo fo- ção de um sistema de corporações (unidades
ram a modernização dos meios de transporte profissionais) formadas por representantes de
e comunicação e a cada vez maior presença patrões e empregados. A corporação, eficiente
do poder central nos municípios. Veja também e autodisciplinada, regulamentaria as relações
Patriarcalismo. entre capital e trabalho, organizaria a produção
e seus limites, respondendo ainda pela qualida-
CORPORAÇÃO. Associação profissional de co- de dos produtos e pela comercialização. O cor-
merciantes ou artesãos da Idade Média. Conhe- porativismo abrange várias tendências doutri-
cidas também como confrarias, grêmios, fraterni- nárias, algumas enfatizando os problemas eco-
dades ou guildas, as corporações situavam-se nas nômicos e sociais, outras voltando-se mais para
cidades e comunas medievais. Desenvolveram- a ação do Estado como criador, controlador e
se entre os séculos XII e XIV, acompanhando o beneficiário do sistema corporativo. Todas cul-
processo do renascimento comercial. Foi na Itá- tuam o dirigismo estatal, visto como caminho
lia onde mais proliferaram; na França, perdura- intermediário entre o liberalismo e o socialismo,
ram até 1791, quando foram abolidas por lei. ambos condenados. As doutrinas corporativis-
Eram organizações fechadas, cujos membros tas surgiram no final do século XIX como reação
monopolizavam o exercício de determinada pro- ao espontaneísmo do liberalismo econômico
fissão ou atividade comercial. Numa comuna, para resolver os desequilíbrios do mercado, e
135 CORREÇÃO PREFIXADA

ao coletivismo defendido pelos socialistas. Con- CORREÇÃO CAMBIAL. Atualização das taxas
sideravam a luta de classes algo artificial, desa- cambiais, segundo a política econômica gover-
gregador e que deveria ser destruído por meio namental e a situação interna do país. Uma in-
da conciliação dos interesses conflitantes criados flação elevada pode provocar violento aumento
pelo capitalismo. Influenciados pelo catolicismo de custos dos produtos para exportação: acele-
tradicionalista e pelo saudosismo medieval, os rando-se a correção cambial, pode-se evitar que
defensores do corporativismo viam nas corpo- os aumentos de custo internos dificultem as ex-
rações romanas e medievais o padrão do meca- portações. A correção cambial pode ser utili-
nismo conciliador, capaz de unir interesses de zada também como um indexador de valores
patrões e empregados, como no passado unia de contratos, especialmente nas compras de
os de mestres e aprendizes e controlava a pro- bens duráveis a prazo. Veja também Desvalo-
dução artesanal. O ideal corporativista surgiu rização; Maxidesvalorização; Política Cam-
com a obra de La Tour du Pin, a ação parla- bial; Valorização.
mentar de Albert de Mun e as publicações da
revista Association Catholique, que se empenha- CORREÇÃO MONETÁRIA. Mecanismo finan-
ram na busca de uma ordem social cristã que ceiro criado em 1964 pelo governo Castelo Bran-
amenizasse os problemas sociais gerados pela co. Consiste na aplicação de um índice oficial
Revolução Industrial. Esse ideal foi uma das ins- para o reajustamento periódico do valor nomi-
pirações da encíclica Rerum Novarum (1891) e nal de títulos de dívida pública (Obrigações Rea-
influenciou muitos intelectuais europeus, entre justáveis do Tesouro Nacional) e privados (letras
eles o sociólogo Émile Durkheim. Foi na década de câmbio, depósitos a prazo fixo e depósitos
de 20, em decorrência dos efeitos da Primeira de poupança), ativos financeiros institucionais
Guerra Mundial e da crise econômica, que o cor- (FGTS, PIS, Pasep), créditos fiscais e ativos pa-
porativismo se concretizou como política de Es- trimoniais das empresas. Os índices de correção
tado, particularmente na Itália de Mussolini e monetária são calculados de acordo com a taxa
no regime salazarista português. Na Itália, foi oficial de inflação, tendo por objetivo compensar
oficializado em 1934, com a criação das 22 cor- a desvalorização da moeda. Com a decretação
porações subordinadas ao Ministério das Cor- do Plano Cruzado, em fevereiro de 1986, e a
porações: eram formadas por representantes de criação da Obrigação do Tesouro Nacional (OTN)
patrões, empregados, técnicos e representantes em substituição à ORTN, a correção monetária
do Partido Fascista; no topo do sistema ficava foi eliminada, sendo reintroduzida a partir de
o Conselho Nacional das Corporações, integran- 1987, quando a inflação retornou a níveis muito
te da Camera dei Fasci e delle Corporazioni — que elevados. Novamente, em 1991, em decorrência
substituiu a Câmara dos Deputados. Os mem- do Plano Collor 2, a correção monetária foi ofi-
bros das corporações, nomeados pelo governo, cialmente abolida com a extinção do Bônus do
atuavam nas questões trabalhistas e na regula- Tesouro Nacional (BTN). Com o recrudescimen-
mentação da economia. Toda essa estrutura ti- to da inflação, a correção monetária volta a ser
nha por base uma nova organização sindical, praticada até a adoção do Plano Real (1º/7/1994),
estreitamente vinculada ao Estado e estruturada quando é outra vez desativada. Veja também
não por setor industrial, mas por profissão. O Plano Cruzado; Plano Real; Plano Verão.
corporativismo aboliu, na teoria e na prática, o
pluralismo sindical, considerado um dos males CORREÇÃO MONETÁRIA PREFIXADA. Veja
do liberalismo. No Estado corporativo, os sin- Correção Prefixada.
dicatos, para não desenvolver atividades tidas
CORREÇÃO PREFIXADA. Mecanismo de po-
como anti-sociais, tornam-se coisa pública,
lítica econômica pelo qual as autoridades deter-
apêndices do Estado para servir de instrumentos
minam, antecipadamente, qual será a desvalo-
de conciliação e de paz social. Foi essa a política
rização da moeda em determinado período. Essa
sindical imposta pelo corporativismo fascista na
política, em geral, exige também prefixação da
Itália e em Portugal, e que também inspirou a
correção cambial. Baseia-se na premissa de que
regulamentação das atividades sindicais no Bra-
sil a partir de 1930. Um dos principais teóricos com uma correção prefixada (quase sempre sub-
do corporativismo brasileiro foi Oliveira Viana, valorizada), as expectativas inflacionárias pode-
que via como uma aplicação dos princípios cor- rão ser mais bem controladas, com resultados
porativistas a tendência crescente de intervenção benéficos no verdadeiro comportamento dos
do Estado na economia e a política desenvolvida preços. Em geral, no Brasil, tem sido adotada a
pelos monopólios capitalistas em relação ao con- correção pós-fixada. O termo também indica os
trole dos mercados e ao dimensionamento da títulos cujo rendimento é determinado anteci-
produção. padamente. Nesses casos, os investidores estão
sempre jogando contra a inflação: se diminuir,
CORPUS. Veja Trust. ganham mais; se aumentar, perdem.
CORRELAÇÃO 136

CORRELAÇÃO. Grau em que duas variáveis na verdade, um fenômeno nada ou pouco tem
estão relacionadas linearmente, seja por meio de a ver com o outro. Por exemplo, a freqüência
causalidade direta, indireta ou por probabilida- de aparecimento das manchas solares e a fre-
de estatística. A correlação é medida geralmente qüência de casamentos no interior da Bahia. Es-
pelo coeficiente: tes fenômenos podem encontrar-se estatistica-
mente correlacionados, mas eles não se deter-
Σx.y minam reciprocamente.
r= ,

√ Σ x2 √

Σ y2
CORRETAGEM. Atividade do intermediário en-
onde x e y são os desvios das médias das duas tre o vendedor e o comprador de títulos, pro-
variáveis respectivamente. Este coeficiente pode priedades imobiliárias etc. Nas Bolsas de Valo-
assumir valores entre -1 e 1. O primeiro indica res brasileiras, as taxas de corretagem variam
uma perfeita correlação negativa e o segundo, cumulativamente de acordo com o montante da
uma perfeita correlação positiva, enquanto o va- operação, desde 1,5% para valores menores, até
lor 0 (zero) ou próximo de zero indica não haver 0,5% para valores maiores. Nos casos de pro-
correlação entre as duas variáveis. Valores pró- priedades imobiliárias, esta taxa costuma ser
ximos dos extremos indicam a existência de cor- maior. O profissional que realiza esta atividade
relação, seja ela positiva ou negativa; valores denomina-se corretor. Veja também Broker;
afastados dos extremos indicam não haver cor- Jobber.
relação entre as variáveis. É necessário conside-
CORRETOR. Veja Corretagem.
rar, no entanto, que o coeficiente r indica apenas
a medida em que duas variáveis estão linear- CORRIDA BANCÁRIA. Saques generalizados
mente relacionadas, pois duas variáveis podem que depositantes fazem em seus bancos devido
estar perfeitamente relacionadas de forma não- à perda de confiança na solvência dos bancos
linear como, por exemplo, y = x2, e resultar num ou por notícias alarmantes sobre iminência de
valor muito baixo para r. guerra, cataclismos etc. No passado, as corridas
se caracterizavam pela presença dos depositan-
CORRELAÇÃO DE POSTOS (Coeficiente de). tes nos guichês dos bancos. Hoje, com os siste-
A correlação de postos é um conceito estatístico mas eletrônicos integrados, uma corrida pode
que significa a dependência estatística entre os acontecer de forma silenciosa (“corrida silencio-
pares de postos de um mesmo conjunto de in- sa”), isto é, por ordens de saque emitidas pelos
divíduos relativamente a duas classificações, sistemas integrados de computadores, nos quais
sendo uma delas tomada como ponto de refe- os depositantes transferem seus depósitos de
rência, e o seu coeficiente Pi calculado da se- um banco para outro ou fazem aplicações em
guinte maneira: suponhamos dez indivíduos instituições que representem maior segurança.
portadores de certo atributo que, pela apreciação Geralmente, quando uma corrida se generaliza,
de dois observadores, são classificados por or- as autoridades monetárias autorizam o fecha-
dem decrescente (ou por um observador, segun- mento temporário dos bancos declarando feria-
do dois atributos). Uma dessas observações dos bancários mais ou menos longos. Muitos
pode ser tomada como ponto de referência ou bancos, no entanto, podem quebrar (isto é, fe-
fundamental e seus elementos substituídos pela char suas portas unilateralmente) antes que a
seqüência 1, 2, 3, .... 10, números estes que pas- autorização chegue.
sarão a identificar os indivíduos. Então teremos
as seguintes séries: CORRIDA SILENCIOSA. Veja Corrida Bancária.
a) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10;
b) 2 4 1 3 6 5 7 10 9 8. CORTE TRANSVERSAL, Análise de. Método
Comparando-se cada elemento de b) com os se- de estudo econômico que consiste em fazer o
guintes, conta-se +1 se for menor, e -1 se for levantamento de uma “fatia” da população ou
maior. O mesmo se faz com o segundo termo, de setores produtivos, em determinado período
comparando-o aos sucessivos e assim por dian- de tempo. Esses dados são posteriormente ex-
te. A soma algébrica de todos esses valores será trapolados para o resto de cada conjunto que
equivalente a W, e o Coeficiente de Correlação estava representado no corte. Exemplo de aná-
de Postos π será igual a π = 2W/n(n-1). Se a lise de corte transversal é a Pesquisa Nacional
correspondência entre as duas classificacões for por Amostragem Domiciliar (PNAD), realizada
perfeita e direta, π = +1; se perfeita mas inversa, anualmente pelo IBGE, com o intuito de conhe-
π = -1; se for igual a zero, inexistirá correlação. cer constantemente a variação do comportamen-
No exemplo anterior, π será igual a W = 32 e to econômico dos vários segmentos da popula-
π = 2 x 32/90 = 0,711. ção. Esses dados, depois de extrapolados, ser-
vem de base para dar o peso relativo de cada
CORRELAÇÃO FALSA. Situação em que duas produto no cômputo da inflação, do custo de
variáveis aparecem altamente relacionadas, mas, vida e do INPC.
137 COTAÇÃO

CORUMBA. Veja Bóia-fria. em certos casos e condições, permitia grande


progresso da indústria. A fama de Cossa deve-se
CORVÉIA. Trabalho gratuito que o camponês, também, em boa medida, aos ensaios biblio-
notadamente na primeira fase da Idade Média, gráficos que publicou, como o Guida allo Studio
era obrigado a prestar ao senhor feudal. Este dell’Economia Politica (Guia para o Estudo da
dividia suas terras em parcelas ou glebas — re- Economia Política), 1876, reeditado com amplia-
tendo uma parte e entregando o restante a seus ções em 1892, com o título Introduzione allo Studio
servos — para que fossem por eles lavradas. Os dell’Economia Política (Introdução ao Estudo da
servos eram obrigados a trabalhar a terra do se- Economia Política).
nhor feudal com seus próprios instrumentos de
trabalho, durante alguns dias por semana, du- COST PLUS. Expressão em inglês da área do
ração que variava de região para região, mas cálculo tarifário (energia elétrica, transportes
que em todos os casos representava uma carga etc.) que consiste no retorno sobre o investimen-
consideravelmente pesada para o servo. Veja to feito (modelo tradicional), que se diferencia
também Jobagie. do sistema britânico do “preço-teto” ou price cap,
que implica na cobrança de um determinado
CO-SENO. Veja Funções Trigonométricas. preço por um serviço, mesmo que não seja re-
munerativo do capital empregado.
COSIPA — Companhia Siderúrgica Paulista.
Empresa de economia mista do grupo Siderbrás, COSTA, Artur de Sousa (1893-1957). Financis-
produtora de aço e laminados planos. Localiza- ta e político brasileiro, presidente do Banco da
da em Cubatão (SP), foi criada em 1953 com Província do Rio Grande do Sul e, em 1931, do
recursos do BNDES, em colaboração com o go- Banco do Brasil. Ocupou a pasta da Fazenda de
verno do Estado. Em 1975, seu controle acioná- 1934 até a deposição de Vargas, em 1945. Nesse
rio passou do BNDES para a Siderbrás, que de- período, empreendeu a reforma tributária e reor-
tinha 95% do seu capital social. Em 1983, a Co- ganizou o sistema de arrecadação de impostos,
sipa começou a operar sua primeira unidade, gerando recursos para o Estado impulsionar o
com capacidade inicial de produção de 500 mil processo de industrialização do país. Entre 1940
toneladas de aço por ano. Em 1965, inaugurou e 1944, efetuou a renegociação da dívida externa
seu complexo siderúrgico integrado, a usina José brasileira, tendo antes suspenso o pagamento
Bonifácio de Andrada e Silva, que ocupa uma de juros e parcelas de amortização aos credores.
área de 10,5 milhões de m2 e se distribuiu por Nessa época introduziu o regime de câmbio li-
dezenove unidades fabris, para a transformação vre, criou o Banco de Crédito da Borracha, fun-
das matérias-primas em aço e seu processamen- dou a Companhia Vale do Rio Doce e instituiu
to em laminados planos não-revestidos. A usina o cruzeiro como padrão monetário brasileiro. Foi
está localizada a 70 km do pólo industrial da também o criador da Cacex (Carteira de Expor-
capital paulista, o maior e mais importante do tação do Banco do Brasil) e da Sumoc (Superin-
país, e liga-se ao porto de Santos (também o tendência da Moeda e do Crédito). Foi deputado
maior do país) por um canal de acesso de 5 km federal pelo Partido Social Democrático (PSD)
de extensão. Seu terminal marítimo recebe toda de 1946 até sua morte, em 1957.
a matéria-prima destinada à produção de aço,
COT. Veja BOT.
procedente de outros Estados brasileiros e do
exterior. Também desse terminal saem suas ex- COTA. Também denominado “quota” no âm-
portações, que representam parcela substancial bito do comércio internacional, é o limite quan-
das exportações brasileiras de aço. Foi privati- titativo para a importação de determinados pro-
zada no dia 20 de agosto de 1993, tendo sido dutos, especialmente os primários. A limitação
adquirida pela Usiminas por intermédio da por cotas é considerada mais efetiva que as ta-
Brastubo. rifas diferenciadas de importação, pois não de-
pende da elasticidade da demanda. Cota é tam-
COSSA, Luigi (1831-1896). Nasceu na Itália e
bém a fração com que cada sócio participa do
foi professor de economia política na Universi- capital de uma sociedade por cotas de respon-
dade de Pádua, de 1858 até sua morte. Sua in- sabilidade limitada.
fluência se exerceu menos pela obra que pro-
duziu diretamente e mais pelos alunos que teve. COTAÇÃO. Preço de cada um dos títulos, açõ-
É considerado um dos “socialistas de cátedra” es, moedas estrangeiras ou mercadorias que es-
italianos e como tal foi acusado por Ferrara de tão sendo transacionadas. O termo é usado prin-
ser “germanófilo, socialista e corruptor da ju- cipalmente nas Bolsas de Valores ou de Merca-
ventude italiana”. Cossa foi muito influenciado dorias. A Cotação de Abertura é a primeira co-
por Roscher — com quem estudou — e aceitava tação de uma ação num dia de pregão; a Cotação
a idéia da relatividade histórica das leis econô- de Fechamento é a última negociação com uma
micas. Também admitia que o protecionismo, ação num dia de pregão; a Cotação Máxima é
COTAÇÃO DE ABERTURA 138

a mais elevada que uma ação teve durante um COUNTERVAILING DUTY. Expressão em in-
pregão; a Cotação Mínima é a mais baixa que glês que significa literalmente “taxa contraba-
uma ação teve num pregão, e a Cotação Média lançadora”, isto é, uma taxa alfandegária intro-
é o preço médio pelo qual uma determinada duzida acima dos tributos de importação de um
ação foi negociada em Bolsa durante um pregão. produto com o propósito específico de neutra-
lizar ou contrabalançar um subsídio às expor-
COTAÇÃO DE ABERTURA. Veja Cotação. tações, ou um dumping praticado pelo país de
COTAÇÃO DE FECHAMENTO. Veja Cotação. origem desse produto. Veja também Dumping.

COTAÇÃO DO BLACK. Veja Black. COUNTERVAILING POWER. Expressão em


inglês que significa literalmente “força contra-
COTAÇÃO MÁXIMA. Veja Cotação. balançadora”, e que consiste num conceito de-
senvolvido por John Kenneth Galbraith, segun-
COTAÇÃO MÉDIA. Veja Cotação. do o qual um excessivo poder econômico por
parte de um grupo pode ser combatido e neu-
COTAÇÃO MÍNIMA. Veja Cotação.
tralizado pela força de um grupo contrário. O
COTTAGE ECONOMY. Título de um livro es- exemplo mais freqüentemente citado é o de um
crito por William Cobbett, jornalista e escritor empregador (ou grupo de empregadores) pode-
que exerceu grande influência no início do sé- roso recebendo a oposição de um poderoso sin-
culo XIX. O livro consistia numa espécie de eco- dicato (ou de um grupo de sindicatos).
nomia doméstica rural, e com ele o autor pro-
COUNTRY LIMIT. Expressão em inglês utili-
curava fazer reviver as atividades domésticas e
zada no mercado financeiro internacional para
familiares. Dava conselhos sobre como preparar
designar o limite colocado por um banco no total
a cerveja em casa, não apenas por ser mais eco-
de empréstimos a ser concedido a devedores
nômico, mas também porque era um estímulo
tanto públicos como privados de um país. Esse
para que os homens passassem as noites em casa
teto é estabelecido pela direção de cada banco
em vez de ir para a taverna se embebedar. Para
e pode ser ampliado, dependendo das garantias
Cobbett, uma mulher que não soubesse fazer
proporcionadas pelo país devedor.
pão era “indigna de confiança” e “um peso para
a comunidade”. Ele assegurava aos pais que a COUNTRY OF ORIGIN. Veja País de Origem.
melhor maneira de garantir um bom casamento
para as filhas era conseguir que elas se tornas- COUNTRY RISK. Risco que os devedores tanto
sem “destras, hábeis e ativas nas tarefas indis- públicos como privados de um determinado
pensáveis de uma família”. As covinhas e as país representam para os bancos de outros paí-
faces rosadas não bastavam. Saber fazer pão e ses que concedem créditos ao primeiro.
cerveja, desnatar o leite e fabricar manteiga é
que permitia a uma mulher que fosse uma pes- COUPLING-UP. Expressão em inglês que sig-
soa digna de respeito. Haveria outra imagem nifica dobrar um turno de trabalho para garantir
mais tocante para o Senhor do que a de um a continuidade da produção. Empregados que
“trabalhador que, voltando do trabalho duro tenham responsabilidades de dobrar turnos po-
num dia frio de inverno, senta-se com sua mu- dem receber adicionais de salário especiais.
lher e filhos em volta de um bom fogo, enquanto COUPON. Veja Cupom.
o vento assobia na chaminé e a chuva tamborila
no telhado?”. COUPON BONDS. Expressão em inglês que
significa títulos ao portador, isto é, não regis-
COULISSE. Um dos mercados de títulos na Bol- trados em nome do possuidor, ao contrário dos
sa de Valores de Paris. O Parquet, no andar prin- registered bonds, que são nominativos. Os coupon
cipal, também denominado Corbeille, é onde os bonds são pagáveis ao portador, os títulos mu-
títulos mais importantes são comercializados. O dando de mãos sem necessidade de endosso.
papel da “Pequena Coulisse” é análogo ao de- Os juros sobre esses títulos são recebidos (em
sempenhado pela American Stock Exchange em geral semestralmente) destacando os cupons na
relação à Bolsa de Nova York, isto é, o local medida do seu vencimento e apresentando-os
onde os títulos de importância secundária são ao emissor (a organização devedora) ou ao agen-
transacionados. Veja também American Stock te fiscal (financeiro) do emissor.Veja também
Exchange; Curb Market. Zero Coupon Bond.
COULOMB. Unidade de medida da quantidade COUPON RATE. Expressão em inglês que sig-
de eletricidade que passa por um ponto de um nifica um título que traz declarada a taxa de
fio (condutor elétrico) em um tempo determi- juros que proporcionará.
nado. O nome tem origem no físico francês
Charles Coulomb. Veja também Ampère; Ohm; COUPONS. Certificados anexados a um título
Unidades de Pesos e Medidas; Volt; Watt. e que representam os montantes de juros devi-
139 CRAWLING PEG

dos no prazo de vencimento, estabelecidos na tas. A medida estatística da covariância entre a


própria emissão do título. variável x e a variável y no conjunto de pares
(xi, yi), onde i = 1, 2, 3, .... n, é dada pela fórmula
COURNOT, Antoine Augustin (1801-1877). Filó-
n __ __
sofo e professor de matemática francês, um dos
precursores da Escola Neoclássica (juntamente Σ (xi – x) (Yi – Y)
i=1
com Thünen e Gossen) por sua contribuição à COVxy = ,
teoria do valor-utilidade. Seu livro Recherches sur N
les Principes Mathématiques de la Théorie des Ri- que expressa a média aritmética dos produtos
chesses (Pesquisas sobre os Princípios Matemá- dos afastamentos em relação às médias aritmé-
ticos da Teoria das Riquezas), de 1838, é consi- ticas. A média aritmética de xi é x, e de yi é y.
derado o ponto de partida da teoria matemática
em economia. Nessa obra, ele considera que o CPM. Iniciais da expressão em inglês Critical
único fundamento da riqueza é o valor da troca. Path Method, denominação de uma das técnicas
Mostra que relações de mercado como demanda, de Caminho Crítico (que considera a duração
preço e oferta podem ser expressas em equações das tarefas perfeitamente determinada). CPM
funcionais e que as leis econômicas podem ser também significa Control Program for Microcom-
formuladas em linguagem matemática. A parte puters: programa de controle ou sistema opera-
central dos Principes é uma teoria dos preços de cional usado em grande parte dos modelos de
monopólio, em que o autor chega a determinar microcomputadores.
com precisão, em função da demanda de um
bem, o preço que será fixado pela empresa. As CPU (Central Processing Unit). Dispositivo ou
aplicações matemáticas de Cournot aos proble- máquina integrado em um sistema que contém
mas do preço no regime de concorrência per- a unidade aritmética e de controle e a memória
feita, de monopólio ou do que se conhece hoje central.
como duopólio foram esquecidas por muito
tempo e só retomadas por marginalistas como CR. Grafia da unidade monetária “cruzeiro
Jevons e Walras. Escreveu ainda Exposition de la real”, instituída no Brasil a partir de 2/8/1992
Théorie des Chances et des Probabilités (Exposi- e que vigorou até o advento do Real, em
ção da Teoria das Chances e das Probabilida- 1º/7/1994. Veja também Real.
des), 1843. CRASH. Denominação dada a uma forte queda
nas Bolsas de Valores. O crash mais famoso teve
COUTINHO, Luciano Galvão (1946- ). Nasceu
início no dia 24/10/1929, na Bolsa de Valores
em Recife (PE) e formou-se em economia na Fa-
de Nova York, inaugurando a grande crise eco-
culdade de Economia e Administração da Uni-
nômica mundial dos anos 30. Mais recentemen-
versidade de São Paulo, em 1968. Obteve dou-
toramento pela Universidade de Cornell (Esta- te, em 19/10/1987, a Bolsa de Nova York voltou
dos Unidos) e é professor titular da Universi- a sofrer uma queda acentuada, de cerca de 22%
dade de Campinas desde 1986. Foi presidente num só dia, mas que não teve conseqüências
do Conselho Regional de Economia da 2ª Região depressivas como a de 1929, isto é, as Bolsas
(São Paulo) em 1983 e em 1990, e secretário-geral mais importantes do mundo se recuperaram ra-
do Ministério da Ciência e Tecnologia entre 1985 pidamente e as economias dos países industria-
e 1988. Colabora com vários jornais como arti- lizados continuaram crescendo.
culista, entre os quais Gazeta Mercantil, Folha de CRAWLING PEG. Sistema de taxas de câmbio
S. Paulo, O Estado de S. Paulo e na revista Exame. flexíveis no qual um país trataria de manter sua
É professor de Economia do Instituto de Eco- moeda num valor fixo ou ao par, mas poderia
nomia da Unicamp. mudá-lo gradualmente, se isso fosse necessário
para corrigir um “desequilíbrio fundamental”
CÔVADO. Medida de comprimento utilizada
pela Casa da Moeda do Brasil antes da adoção no seu balanço de pagamentos. O sistema an-
do Sistema Métrico Decimal e equivalente a 3 terior, estabelecido em Bretton Woods, signifi-
palmos ou a 66 cm. cava que as mudanças dos valores ao par das
taxas de câmbio seriam realizadas com pouca
COVARIAÇÃO. Variação concomitante, em gran- freqüência, e, quando isso ocorresse, a alteração
deza e sinal, dos termos de duas séries crono- seria de uma só vez e por “degraus”, isto é, por
lógicas que se medem tomando os afastamentos meio de um adjustable peg. A intenção do craw-
dos termos de cada série em relação a sua res- ling peg é evitar possíveis desordens no fluxo
pectiva tendência secular. Veja também Cova- internacional de capitais por meio de uma mar-
riância; Tendência Secular. cha vagarosa da taxa de câmbio de um patamar
para outro. Para isso é necessário também que
COVARIÂNCIA. Medida estatística do grau em ela seja acompanhada por uma política apro-
que duas variáveis aleatórias se movimentam jun- priada de taxa de juros. Por exemplo, se fosse
CRAWLING PEG ASCENDENTE 140

necessário desvalorizar a moeda de um país em próprio imóvel é garantia do empréstimo, sob


6%, isso poderia ser realizado em três etapas de forma de hipoteca. As facilidades de crédito le-
2% para que a taxa interna de juros não tivesse vam os consumidores à tentação de uma me-
de ser elevada em 6% de uma só vez, e com lhoria imediata do padrão de vida, dado o ime-
isso o capital fluísse para países onde não hou- diatismo do consumo a crédito. Nos casos de
vesse desvalorização. Quando o sistema do ad- recessão prolongada ou de depressão econômi-
justable peg de Bretton Woods começou a se de- ca, no entanto, a tendência é de inadimplemento
sintegrar sob a influência dos fluxos de capital (ou falta de pagamento) generalizado, o que aca-
especulativo, no final dos anos 60, a adoção do ba por agravar a crise. O crédito ao governo ba-
sistema de taxas flexíveis de câmbio, com suas seia-se na expectativa de que os impostos futu-
dificuldades inerentes, começou a se tornar ine- ros serão capazes de cobrir o valor do emprés-
vitável. Este sistema permitia que os países de- timo e seus juros. Em geral, o governo obtém
fendessem o valor ao par de suas moedas e mu- crédito por meio da emissão de títulos de dívida
dassem este valor sem provocar uma ruptura pública negociáveis (como as ORTNs). Já o fi-
no sistema como um todo. A grande dificuldade nanciamento de obras de infra-estrutura, como
é que o crawling peg torna muito difícil ou mes- estradas e usinas, é conseguido junto a órgãos
mo impossível usar a política de taxas de juros internacionais (como o Bird) e consórcios de
no controle interno da economia. Por exemplo, bancos de grande porte. Finalmente, o crédito à
se um país tiver um déficit no balanço de pa- produção baseia-se na suposição de que será pago
gamentos e ao mesmo tempo níveis elevados por si mesmo, isto é, o investimento gerará
de desemprego, ao desvalorizar o câmbio (craw- meios necessários para o pagamento da dívida,
ling peg descendente; quando se trata de uma seus encargos e ainda sobrará algo para o lucro.
valorização cambial, temos o crawling peg ascen- Os créditos à produção podem ser a curto prazo
dente) para eliminar o déficit, teria de elevar as (crédito comercial) ou a longo prazo (crédito de
taxas de juros internas para evitar a fuga de ca- investimento). O crédito comercial, para pagamen-
pitais. Isso seria inibidor dos investimentos e, to no prazo de trinta a 129 dias, serve, na maioria
portanto, inconsistente com a política de com- dos casos, para a formação do capital de giro
bate ao desemprego. Veja também Adjustable da empresa. O crédito de investimento, a longo
Peg; Balanço de Pagamentos; Conferência de prazo, com vencimentos previstos para alguns
Bretton Woods. anos, tem o papel de desenvolver determinadas
áreas, inclusive proporcionando recursos para
CRAWLING PEG ASCENDENTE. Veja Craw- a pesquisa tecnológica. O crédito agrícola é feito
ling Peg. a médio prazo (vencimento em um ano ou mais)
e empregado na compra de insumos e imple-
CRAWLING PEG DESCENDENTE. Veja Craw- mentos. O governo tem criado carteiras agríco-
ling Peg. las, tanto nos bancos particulares como nos es-
CRÉDITO. Transação comercial em que um tatais, a juros subsidiados, com a intenção de
comprador recebe imediatamente um bem ou desenvolver o setor.
serviço adquirido, mas só fará o pagamento de- CRÉDITO CONTINGENTE (ou Crédito Stand-
pois de algum tempo determinado. Essa tran- by). Linha de crédito oferecida pelo Fundo Mo-
sação pode também envolver apenas dinheiro. netário Internacional aos países-membros, até o
O crédito inclui duas noções fundamentais: con- limite de suas respectivas cotas. É um emprés-
fiança, expressa na promessa de pagamento, e timo de curto prazo (geralmente um ano) e re-
tempo entre a aquisição e a liquidação da dívida. quer, para ser liberado, uma carta de intenções
O crédito direto ao consumidor financia a compra do país que solicita o crédito. Veja também Carta
de qualquer produto de consumo e até viagens. de Intenção; FMI.
O comprador passa a usufruir imediatamente
de um bem que será pago com sua renda pes- CRÉDITO-PRÊMIO. Linha de crédito criada
soal. Em muitos casos, as próprias vendedoras pelo governo federal para incentivar principal-
financiam o cliente, mas, em escala cada vez mente os setores ligados à exportação. Consiste
maior, financeiras especializadas pagam o ven- num empréstimo feito pelo Banco Central e que
dedor e “compram” a dívida e também o risco corresponde a uma porcentagem dos aumentos
de não-pagamento. O lucro da financeira é for- de faturamento das empresas exportadoras num
mado pelos juros cobrados do comprador. Os dado período. Em 29/12/1982, por exemplo, o
cartões de crédito, extremamente difundidos nos governo baixou um decreto-lei criando um cré-
Estados Unidos e alcançando boa receptividade dito-prêmio de 10% para as empresas que con-
no Brasil, são também uma forma de crédito seguissem converter seus empréstimos em moe-
direto ao consumidor. O financiamento de casas da estrangeira em investimentos no país (por
e apartamentos constitui o chamado crédito imo- exemplo, na compra de suas ações), diminuindo
biliário. Envolve pouco risco, pois em geral o assim a dívida externa. O pagamento do crédi-
141 CRISE DO XENXÉM

to-prêmio é feito pelo sistema de desconto da da receita nacional poupada e investida e pelo
receita tributária: os bancos descontam o paga- grau de aperfeiçoamento tecnológico. Os países
mento do empréstimo do volume de impostos industrializados atravessaram uma fase de cres-
que arrecadam das empresas para o Tesouro Na- cimento econômico e prosperidade desde o fim
cional. da Segunda Guerra Mundial até o início da dé-
cada de 70. Em 1974-1975, entretanto, o cresci-
CRÉDITO QUIROGRAFÁRIO. Veja Falência. mento da produção industrial em todo o mundo,
que foi de 6 a 7% ao ano na década de 60, co-
CRÉDITO SUBSIDIADO. Tipo de empréstimo meçou a declinar, enquanto o desemprego atin-
feito pelo governo a uma taxa de juros menor gia níveis elevados. Veja também Desenvolvi-
que a vigente no mercado. Pode ser implícito ou mento Econômico.
explícito. O implícito, destinado principalmente
aos financiamentos agropecuários e às exporta- CRESCIMENTO EQUILIBRADO. No âmbito
ções, corresponde à diferença entre as taxas de da teoria do crescimento econômico, é a situação
juros normais desses empréstimos e o custo real na qual todas as variáveis do crescimento eco-
pago pelo governo para a captação desse dinhei- nômico se alteram nas mesmas taxas proporcio-
ro. Crédito subsidiado explícito são os fundos nais na dinâmica econômica. Embora possa pa-
aplicados em programas especiais como o Proa- recer paradoxal, essas taxas de crescimento po-
gro, o Proterra e o Fundag, criados para incen- dem ser iguais a zero ou negativas. Veja também
tivar certas regiões ou atividades econômicas Crescimento Econômico.
por meio de empréstimos a taxas de juros ex-
tremamente baixas, variando entre 12 e 25%. CRESCIMENTO NATURAL. Veja Crescimen-
Atualmente, o crédito subsidiado (implícito e ex- to Vegetativo.
plícito) corresponde a 60% de todo o crédito con-
cedido (2,5 trilhões de cruzeiros, em 1982, contra CRESCIMENTO VEGETATIVO. Na popula-
4,2 trilhões do total de créditos aprovados). To- ção de determinado país, Estado, município ou
davia, com o programa de estabilização finan- cidade, em determinado intervalo de tempo, é
ceira proposto pelo Plano Collor, lançado em o resto da diferença que tem por minuendo o
15/3/1990, foram cortadas todas as formas de número de nascimentos e por subtraendo o de
crédito subsidiado, principalmente os que eram óbitos. É o mesmo que crescimento natural de
dados à agricultura e às exportações, em con- uma população.
formidade com a medida provisória nº 161,
aprovada pelo Congresso. CRIME DE 1873. Denominação dada pelos de-
fensores do bimetalismo (padrão ouro e prata)
CRÉDITO SUPLEMENTAR. Crédito destinado nos Estados Unidos à lei de 1873 que estabelecia
a reforçar as dotações consignadas no Orçamen- as condições para a cunhagem da prata, mas
to em vigor. A abertura de crédito suplementar que em termos práticos desmonetizava o metal.
depende de prévia autorização legislativa. Veja também Desmonetização; Mágico de Oz.
CREMATÍSTICA (ou Ciência das Riquezas). CRIME FALIMENTAR. Veja Falência.
Conceito criado por Aristóteles para designar
as atividades de comércio realizadas a distância. CRISE ASIÁTICA. Denominação genérica à
Ele distingue esse conceito do de economia, que crise que os países do Sudeste (Tailândia, Fili-
seria a atividade econômica basicamente agrí- pinas, Malásia e Indonésia) e do Nordeste (Co-
cola e ligada à cidade. Num sentido diferente, réia, Taiwan, Cingapura, Hong-Kong, China e
o termo foi retomado no século XIX por alguns Japão) sofreram a partir de meados de 1997 e
autores que consideraram a crematística uma que consistiu na forte desvalorização de suas
ciência econômica das coisas e da realidade moedas — com as exceções da China e Hong-
pura, distinguindo-a do conceito tradicional de Kong —, na baixa acentuada de suas Bolsas de
economia, que estaria excessivamente impreg- Valores, na interrupção do crescimento econô-
nado de filosofia moral e política. Veja também mico e até na queda de governos, como foi o
Aristóteles. caso da Indonésia em 1998. Veja também Novo
Acordo de Empréstimo.
CRESCIMENTO ECONÔMICO. Aumento da
capacidade produtiva da economia e, portanto, CRISE DO XENXÉM. Crise sofrida pelo siste-
da produção de bens e serviços de determinado ma monetário brasileiro logo depois de procla-
país ou área econômica. É definido basicamente mada a independência em 1822 e que durou até
pelo índice de crescimento anual do Produto Na- 1835. Sua eclosão deveu-se basicamente ao fato
cional Bruto (PNB) per capita. O crescimento de de D. João VI e sua corte, ao voltarem para Por-
uma economia é indicado ainda pelo índice de tugal em abril de 1821, terem levado todas as
crescimento da força de trabalho, pela proporção reservas metálicas do Tesouro, obrigando o Ban-
CRISE ECONÔMICA 142

co do Brasil a emitir papel-moeda sem lastro. partir desse ponto, haveria um aumento cres-
A aceitação cada vez mais precária desse tipo cente dos preços, uma desorganização no mer-
de moeda fez com que desaparecessem aquelas cado financeiro e de capitais, entrando a econo-
de ouro e prata de circulação, levando D. Pedro mia em processo de contração, pois os preços,
I a autorizar particulares a cunhar moedas de que se mantiveram relativamente estáveis du-
cobre cujo valor nominal era superior ao seu rante a fase de prosperidade, apesar da excessiva
peso legal de 10 réis por oitava. As moedas de taxa de juros para os investimentos, já não se
cobre assim cunhadas eram denominadas “xen- revelam rentáveis. Essa contração é também cha-
xém”. Para ter uma idéia da desproporção entre mada de recessão, pois a taxa de crescimento
o valor nominal e o valor do cobre no qual as da renda nacional decresce em termos absolutos.
moedas eram cunhadas, basta examinar o dis- O agravamento da fase recessiva caracteriza a
curso do deputado Lino Coutinho, na Câmara depressão, com aumento da taxa de desempre-
do Deputados em 20/5/1826, que encaminhava go, queda da capacidade produtiva, restrição
um projeto para resolver a crise do “xenxém”: dos investimentos e alta liquidez bancária. As
“...uma libra de cobre custa dezoito vinténs e, crises são classificadas em endógenas (crises de
cunhada, produz o valor de dois mil réis”. Na superprodução, venda, crédito e especulação) e
época, 18 vinténs equivaliam a 360 réis. exógenas (de causas não-econômicas, como guer-
ras, desastres naturais e epidemias). Veja tam-
CRISE ECONÔMICA. Perturbação na vida eco- bém Ciclo Econômico; Conjuntura; Depressão;
nômica, atribuída pela economia clássica a um Prosperidade; Recessão.
desequilíbrio entre produção e consumo, loca-
lizado em setores isolados da produção. Nas CRITÉRIO DE CONDORCET. Denominação
economias pré-capitalistas, as crises derivavam de sistema de escolha coletiva na qual a alter-
da escassez súbita no abastecimento de bens, nativa escolhida é de tal natureza que derrota
provocada por fenômenos naturais (secas, inun- todas as demais numa série de comparações por
dações, epidemia etc.) ou por acontecimentos so- pares (uma diante da outra), utilizando a regra
ciais como guerras e insurreições. Na economia de maioria simples. Este critério deve-se ao mar-
capitalista, embora também possam ocorrer per- quês de Condorcet, que analisou esta questão
turbações derivadas da escassez, as crises eco- no final do século XVIII. Por exemplo, se em
nômicas características do sistema são as de su- três cidades diferentes, quatro candidatos se
perprodução. Essas crises constituem uma fase apresentassem para representá-las e a preferên-
regular do ciclo econômico, caracterizada pelo cia do eleitorado fosse a seguinte:
excesso geral da produção sobre a demanda, pri-
meiro no setor de bens de capital e, em seguida, Cidades A, B, C
no setor de bens de consumo. Em conseqüência,
há queda brusca na produção, falência de em- Candidatos X, Y, W, Z
presas, desemprego em massa, redução de sa- Cidades A, B, C
lários, lucros e preços etc. A mais séria crise eco-
nômica mundial foi a de 1929-1933, chamada Candidatos 1º lugar W W W
Grande Depressão. Na teoria marxista, a noção
de crise está associada ao conceito de mais-valia Candidatos 2º lugar X Y Z
devido à tendência de o capital concentrar-se
mais e mais em poucas mãos e também à pau- Como o candidato W vence X na cidade A, vence
perização relativa da classe trabalhadora; por Y na cidade B, e vence Z na cidade C, teremos
isso, as crises tornam-se mais freqüentes e mais configurado o Critério de Condorcet.
fortes, o que levaria o sistema a uma ruptura.
As teorias mais modernas de conjuntura deno- CRITÉRIO DE IGUAL VEROSSIMILHANÇA.
minam a fase de crise de depressão. O desen- Veja Critério de Laplace.
volvimento econômico é entendido como um CRITÉRIO DE LAPLACE. Também denomi-
processo cíclico, dividido em várias fases, com nado “critério de igual verossimilhança”, consiste
pontos de mudanças nas partes inferior e supe- em atribuir a todas as situações de uma matriz
rior do ciclo. A partir de um ponto abaixo de de decisões igual probabilidade e, em seguida,
sua linha de equilíbrio, o processo de desenvol- utilizar o critério da esperança matemática.
vimento econômico sairia de uma fase de recu-
peração para uma fase de expansão, com au- CRITÉRIO DE SAVAGE. Critério de decisão
mento da taxa de investimento, aumento rela- que se fundamenta naquilo que se deixa de ga-
tivo da soma de salários, acréscimo do consumo. nhar por desconhecer o que vai acontecer com
Segue-se a fase de prosperidade (boom), na qual as condições gerais que um tomador de decisões
os fatores de produção estariam plenamente enfrentará no futuro. Esta perda não representa
ocupados e, em conseqüência, não poderiam outra coisa senão o custo da incerteza. O toma-
mais fazer crescer a renda nacional e o lucro. A dor de decisões deve tentar minimizar o custo
143 CRUZADO

da incerteza ou o que ele deixa de ganhar por CROWDING IN. Veja Crowding Out.
desconhecer as mudanças nas condições que
têm influência sobre suas atividades. Se da ma- CROWDING OUT. Expressão em inglês que
triz de decisões que, por exemplo, expressa ní- significa “efeito deslocamento”. É utilizada ge-
veis de lucro, subtrairmos todos os elementos ralmente para designar uma situação em que os
de cada coluna do maior valor encontrado, ob- gastos governamentais deslocam (crowd out) al-
teremos uma segunda matriz de decisões, que gum outro componente dos gastos, embora sem
expressará aquilo que se pode deixar de ganhar alterar a despesa agregada. Num sentido mais
por desconhecer as alterações que uma atividade concreto, significa que se o governo tomar gran-
sofrerá no futuro. O tomador de decisões deve des empréstimos no mercado, a elevação das
optar por aquela fila da matriz de decisões que taxas de juros (que o governo está disposto a
minimize o que se deixa de ganhar. pagar e pode fazê-lo) deslocaria tomadores do
setor privado (não-governamentais), que não te-
CRITÉRIO DE WALD. Também denominado riam condições de pagar taxas tão elevadas. Na
“critério pessimista”, o critério de Wald consiste prática, as coisas não se desenvolvem exatamen-
em escolher numa matriz de decisões a fila que te assim, pois na medida em que as taxas de
proporcione ao tomador de decisões o maior dos juros sobem, novas fontes de crédito surgem
menores lucros que possam ser obtidos, e por para suprir essa demanda. O contrário desse
isso é também chamado de critério “maxmin”. processo é o crowding in, quando os gastos go-
Nesse caso, o tomador de decisões se contentaria vernamentais estimulam os investimentos pri-
em ganhar o máximo de suas possibilidades mí- vados, em vez de deslocá-los ou inibi-los.
nimas. Este critério se assemelha ao critério de
“minimax” que Von Neumann e Morgenstern CROWN JEWELS. Veja Jóias da Coroa.
idealizaram para a teoria dos jogos de estratégia.
Wald adaptou o critério de “minimax” aos pro- CRUZADAS. Conjunto das expedições milita-
blemas da teoria da decisão. res empreendidas pelos europeus entre o final
do século XI e o século XIII, para acabar com a
CRITÉRIO OTIMISTA. Critério segundo o qual dominação dos turcos muçulmanos sobre Jeru-
o tomador de decisões escolhe a fila da matriz salém e outras regiões do Império Bizantino
de decisões que proporciona o máximo dos onde se iniciara o cristianismo. Além do senti-
maiores lucros que podem ser obtidos. mento religioso, o movimento foi animado por
importantes motivações econômicas. As Cruza-
CROSS-COLLATERAL. Expressão em inglês das ofereciam a possibilidade de saque às cida-
que significa uma garantia (collateral) utilizada des orientais e o acesso a glebas de terra numa
para diversos empréstimos sob um mesmo acor- época em que na Europa já não havia mais feudo
do de títulos. Também denominado dragnet clau- a ser doado. Para as cidades italianas, particu-
se e mother hubbard, é em essência o sistema no larmente Gênova, Veneza e Pisa, que domina-
qual a garantia para cada empréstimo serve para vam a venda de produtos orientais no Ocidente,
um conjunto de empréstimos. o empreendimento era um meio de ampliar seus
privilégios comerciais junto às cidades mediter-
CROSS-DEFAULT. Expressão em inglês que
râneas do Oriente fornecedoras de sedas, mus-
designa uma cláusula nos contratos de emprés-
timo (geralmente quando o empréstimo é rea- selinas, tapetes e especiarias. Assim, na organi-
lizado por vários emprestadores por intermédio zação da IV Cruzada, o doge de Veneza forneceu
de um sindicato) que dá ao emprestador o di- 4 500 cavalos, 30 mil soldados, 4 500 cavaleiros,
reito de acelerar o recebimento da dívida se o alimentos e armas, com a condição de receber
devedor deixar de pagar outra dívida, isto é, é metade do saque e das terras conquistadas.
declarado em default em relação a outro credor. Além disso, as Cruzadas provocaram o deslo-
camento, pela Europa, de milhares de pessoas,
CROSS HEDGE. Expressão em inglês que sig- antes isoladas nos feudos, aldeias e pequenos
nifica literalmente “salvaguarda cruzada”, ou burgos. Isso intensificou o rompimento com o
seja, o estabelecimento de um hedge contra o ris- particularismo e o imobilismo feudal e ampliou
co de variações nas taxas de juros mediante a as relações de troca entre as regiões. E o contato
compra de títulos financeiros a futuro num ativo com o Oriente divulgou e aumentou a pro-
diferente, mas relacionado com o primeiro. Este cura dos produtos daí originários, cujo co-
mecanismo é utilizado quando no mercado de mércio era monopolizado pelos italianos.
futuros não existem os títulos possuídos ou Veja também Feudalismo.
quando é mais lucrativo não utilizar o mesmo
mercado. CRUZADO. Denominação de moeda originária
da Europa, intimamente vinculada às Cruzadas,
CROWDING HYPOTHESIS. Veja Hipótese do expedições de caráter militar e religioso cujo ob-
Congestionamento. jetivo principal era reconquistar a Terra Santa
CRUZEIRO 144

em poder dos muçulmanos. A moeda que pas- Plano Collor, também chamado Plano Brasil
sou a ter essa determinação surgiu inicialmente Novo, uma profunda reforma monetária. Em
na Espanha, cunhada em prata, e seu uso em agosto de 1993, passou a ser chamado cruzeiro
Portugal foi determinado por D. Afonso V, em real, valendo mil cruzeiros. Veja também Cru-
1457, ao receber do papa Pio II a Bula da Cru- zado; Unidades Monetárias Brasileiras.
zada, que o autorizava a participar da guerra
santa contra os mouros. Ao iniciar-se a coloni- CRUZEIRO NOVO. Veja Unidades Monetárias
zação no Brasil, em 1532, o cruzado passou a Brasileiras.
integrar o meio circulante brasileiro, embora em CS. Abreviatura usada nos boletins emitidos pe-
pequena escala. Cunhado em ouro de 22 quila- las Bolsas de Valores, indicando que determi-
tes, nele se destacava, em uma das faces, a Cruz nada ação está sendo comercializada com direito
de São Jorge, com a legenda In Hoc Signo Vinces à subscrição de novas ações. Opõe-se a ES, que
("Sob Este Signo Vencerás"), dístico inscrito em significa ex-subscrição (sem direito a subscri-
grande parte da moedagem portuguesa para ção).
perpetuar a visão que, segundo a lenda, teve D.
Afonso Henriques antes da batalha de Ourique CSQ. Veja Certificação de Sistema da Quali-
(1139), da qual foi vencedor. Derrotados os mou- dade.
ros e triunfante o cristianismo, ficou a legenda CTA — Centro Técnico Aeroespacial. Antigo
como um marco de fé. Esse mesmo lema, tam- Centro Técnico de Aeronáutica, localizado em
bém segundo a lenda, foi o que apareceu, no São José dos Campos (SP), fundado com o ob-
céu, inscrito em uma cruz, ao imperador romano jetivo de desenvolver pesquisas aeronáuticas.
Constantino, o Grande, na véspera da batalha Mais tarde, suas atribuições foram ampliadas,
da ponte Milvius, no ano 312, em que derrotou passando a incluir as investigações espaciais. No
Maxêncio. Com o advento do ciclo do ouro, no CTA, funcionam o Instituto Tecnológico da
século XVIII, foi também cunhado no Brasil, na Aeronáutica (ITA), destinado à formação de en-
Casa da Moeda do Rio de Janeiro, entre 1707 e genheiros e técnicos em aeronáutica, e a Em-
1727, e na Casa da Moeda de Minas Gerais, entre braer, empresa dedicada à produção de aviões.
1724 e 1727. Seu valor nominal era de 400 réis Ao CTA subordinam-se o Instituto de Pesquisa
e circulava no Brasil e em Portugal. Mais tarde e Desenvolvimento (IPD), o Instituto de Ativi-
passou a ter o valor de circulação de 480 réis, dades Espaciais (IAE), o Instituto de Fomento
sendo denominado “cruzado novo”, e o de valor e Coordenação Industrial (IFCI) e o Instituto de
de 400 réis, “cruzadinho”. A cunhagem do cru- Ensaios e Padrões (IEP).
zado, no Brasil Colônia e no Império, foi reali-
zada em prata em substituição às patacas, que CUACHA. Unidade monetária de Malavi (sub-
integravam a moedagem provincial. Em feve- múltiplo: tambala) e da Zâmbia (submúltiplo:
reiro de 1986, com a decretação do Plano Cru- ngui).
zado e a reforma monetária correspondente, o CUANZA. Unidade monetária de Angola. Sub-
padrão monetário brasileiro passou a denomi- múltiplo: luei.
nar-se cruzado. Em janeiro de 1989, com a de-
cretação do Plano Verão, o cruzado foi substi- CUM DIVIDEND. Expressão anglo-latina que
tuído pelo cruzado novo. Este último foi extinto significa que um título contém dividendos, isto
em março de 1990, em decorrência da reforma é, o comprador de uma ação cum dividend rece-
decretada pelo Plano Collor. Em seu lugar foi berá os dividendos que este título proporcionar.
reintroduzido o cruzeiro como padrão monetá- É o contrário de ex-dividend.
rio. Em agosto de 1993, durante o governo Ita-
mar Franco, ocorreu nova mudança no padrão CUM RIGHTS. Expressão anglo-latina que sig-
monetário, agregando-se a palavra real ao cru- nifica que o portador de um título goza de todos
zeiro, sendo a nova moeda denominada cruzeiro os direitos que este título contém.
real. O cruzeiro real deixou de existir a partir CUNHA TRIBUTÁRIA. Expressão que desig-
de 1º/7/1994, quando foi substituído pelo Real. na a presença de impostos, taxas e demais co-
Veja também Unidades Monetárias Brasileiras. branças sobre as aplicações financeiras, tendo
por resultado um aumento da taxa de juros das
CRUZEIRO. Unidade monetária brasileira, im-
mesmas. O Imposto sobre Operações Financei-
plantada em novembro de 1942, em substituição
ras (IOF) é um caso típico de “cunha tributária”.
ao mil-réis. Em 1967, passou a valer mil cruzei-
Veja também IOF.
ros antigos, chamando-se durante algum tempo
cruzeiro novo. A partir de 28/2/1986, foi subs- CUNHAGEM. Antes da invenção da cunha-
tituída pelo cruzado. O cruzeiro foi reintrodu- gem, muitos bens móveis foram utilizados como
zido, como padrão monetário, a partir de meio de troca e padrão de valor. Esses bens eram
15/3/1990, quando foi realizada, por meio do relacionados uns com os outros, formando uma
145 CUNHAGEM

escala de valores. Os povos primitivos utiliza- produção de moedas tão diminutas e finas que
vam nas trocas intertribais, como dinheiro, os bastava cunhá-las de um só lado; e também pe-
produtos que via de regra representavam a ri- las emissões privadas de moeda. Desde o início,
queza na comunidade. Nas trocas com as demais a cunhagem foi uma prerrogativa de quem de-
tribos, a seleção de produtos dependia das pre- tinha o poder. Durante a Idade Média, era pra-
ferências dos outros povos. A partir daí, as ma- ticada não apenas pelo soberano, mas também
térias-primas começaram aparentemente a ser por aqueles que obtinham esse direito como
utilizadas como dinheiro, em substituição aos uma concessão feudal. Em conseqüência, entre
produtos acabados. Essa tendência pode ser ob- os séculos IX e XII, a cunhagem foi completa-
servada com mais clareza no caso dos metais, mente descentralizada. Durante a primeira fase
como o ferro, o cobre e o bronze, que gradual- medieval, esse fato não teve grande importância,
mente foram superando outros meios de troca. em função do incipiente desenvolvimento do co-
(É muito provável que os sistemas de pesos te- mércio. Mais tarde, com a expansão deste, tais
nham sido criados para medir os metais precio- concessões foram se extinguindo e, na Inglaterra
sos.) As civilizações antigas alcançaram esse es- e na França no tempo de Henrique VII, só o rei
tágio de desenvolvimento, fundamental para o tinha o poder de cunhagem. Durante os séculos
início do processo de cunhagem, no século VIII XII e XIII, com a descentralização política, o pri-
a.C., embora as primeiras notícias de cunhagem vilégio de cunhagem obtido por alguns (assim
datem do século VII a.C.: a Lídia (Ásia Menor) como outros privilégios reais) era exercitado
já nessa época produzia peças de uma liga de com a finalidade de realizar os maiores ganhos
ouro e prata chamada electrum. A escolha dos possíveis. As receitas da cunhagem dependiam
metais era determinada mais pelas necessidades não apenas da diferença permitida legalmente
econômicas imediatas e pelas oportunidades do entre o valor da face da moeda e o seu conteúdo
que por ordens dos governantes. O desenvolvi- metálico (a senhoriagem), mas particularmente na
mento do comércio, no entanto, superou as li- gradual e desautorizada redução do conteúdo
mitações ditadas pela distribuição geográfica metálico das unidades-padrão ou no peso e teor
dos metais, cuja escolha serviria de base material das moedas individuais. Mais importante, no
para a moeda. É por esta razão que na Grécia entanto, do ponto de vista da receita de quem
Antiga, assim como em Roma, depois da morte cunhava, era a produção total realizada: para
de César, moedas de ouro e prata foram cunha- aumentá-la, as moedas sofriam alterações cons-
das em substituição às de bronze. Na Idade Mé- tantes, o que exigia a necessidade de sua recu-
dia, com a retração do comércio, apenas moedas nhagem e renovação. Tais alterações consistiam
de cobre e prata foram cunhadas, com exceção tanto na elevação do valor de face das moedas
de uma cunhagem temporária de ouro durante como na redução do seu conteúdo metálico: com
a época carolíngea. Com o crescimento da de- a emissão de novas moedas depreciadas, as an-
manda de moedas, as cunhagens de ouro foram tigas eram geralmente “convocadas” à recunha-
retomadas com os florins florentinos, e os zecchini gem, de acordo com os novos padrões. Depois
de Veneza. Desde então, o ouro constituiu-se de certo tempo de depreciações, a medida in-
no metal preferido para a cunhagem de moedas, versa era adotada, e as moedas eram outra vez
e no comércio internacional na forma de lingo- convocadas, agora para sua valorização e con-
tes. O desenvolvimento da técnica de cunhagem, seqüente recunhagem. Assim, em algumas lo-
no entanto, foi relativamente lento. Só a partir calidades da Alemanha e da Áustria, durante o
do século XVI a produção deixou de ser manual século XIV, as cidades adquiriam do senhor feu-
e passou a ser mecânica. Em 1786, Boulton in- dal (detentor dos direitos de cunhagem) o pri-
troduziu a força a vapor na cunhagem, e em vilégio de controlar as depreciações de suas
1839, Ulhhörn inventou a prensa de cunhagem, moedas, elevando seu valor por meio da recu-
que acelerou enormemente seu processo de fa- nhagem. As recunhagens também eram proces-
bricação. O desenvolvimento econômico pro- sadas em função das dificuldades de circulação
porcionado por esses avanços técnicos é digno oriundas das imperfeições das técnicas de pro-
de nota. O custo de produção da cunhagem, que dução existentes até o século XVIII. Mas a his-
até o século XVIII oscilava entre 10 e 20% do tória da cunhagem até o início do século passado
valor da moeda, foi reduzido nas moedas de (com variação de país para país, especialmente
ouro a menos de 0,3%. As novas técnicas de no continente europeu) é a história de uma longa
cunhagem permitiriam também a uniformidade série de experimentos destinados a extrair da
das moedas, o que facilitava a aceitação por seu cunhagem o máximo de receita possível. No Bra-
valor de face, e não por peso, como ocorria em sil, os precursores do processo de cunhagem fo-
Roma, na Idade Média e mesmo na era moderna. ram as oficinas de fundição, onde se fundia o
A modernização das técnicas resolveu também ouro oriundo das minas recém-descobertas du-
um dos problemas mais graves do setor: a es- rante o século XVIII. Depois de pago o quinto à
cassez de moeda. A inadequação da oferta mo- Coroa, o ouro era fundido em barras com mar-
netária foi provavelmente a responsável pela cação do peso em onças, oitavas e grãos (medi-
CUNHAGEM DECIMAL 146

das usadas antes da adoção do sistema métrico ou brinde na compra de determinados produtos.
decimal no Brasil), o número de ordem, o título Veja também Coupon Bonds; Zero Coupon Bond.
ou toque, e o ano da fundição. Com a multipli-
cação das casas de fundição, as barras passaram CUPOM CAMBIAL COBERTO. Denominação
a ter os nomes ou as iniciais da respectiva oficina da taxa de rendimento efetivo (juros) de opera-
e as iniciais do chefe de cunhagem. Essas peças ções financeiras indexadas ao dólar, que podem
eram entregues aos proprietários acompanhadas ser aplicações com risco cambial coberto por de-
de um certificado ou guia que comprovava a rivativos, um swap de moedas, ou operações nos
posse como legítima e a efetivação do pagamen- mercados futuros de juros ou câmbio. Veja tam-
to do quinto. Mais tarde, com a intensificação bém Derivativos; Swap.
do comércio e para minimizar a falta de moedas CURB MARKET. Denominação dada aos mer-
no Brasil, a Metrópole autorizou que se fizesse cados de ações que originalmente se desenvol-
aqui a marcação de novas características em pe- viam fisicamente na rua, isto é, em locais des-
ças de outros países, especialmente moedas es- cobertos. A maioria desses mercados hoje opera
panholas, francos franceses, liras, moedas chile- em locais apropriados. Sua função original era
nas e argentinas. Essas alterações eram realiza- oferecer uma oportunidade para a transação de
das nas oficinas monetárias, que entravam em títulos que não estavam inscritos nas Bolsas de
funcionamento ou eram extintas dentro das ne- Valores, na medida em que não preenchiam as
cessidades ditadas pelas diversas conjunturas da condições estabelecidas por esses mercados.
época. Mas as freqüentes variações no valor das Constituíam, na verdade, mercados secundários
moedas que circulavam no Brasil, os aumentos e complementares para as Bolsas de Valores das
e rápidos rebaixamentos desses valores, as inú- grandes cidades norte-americanas. Em Nova
meras remarcações, as constantes proibições, as York, por exemplo, o mercado conhecido ante-
refundições e os recolhimentos em prazos cur- riormente como New York Curb Exchange hoje
tíssimos levaram à quase paralisação do comér- denomina-se American Stock Exchange. Veja
cio. Para superar essas dificuldades, foi autori- também American Stock Exchange.
zado o funcionamento de uma Casa da Moeda
no Brasil, no final do século XVII. Essa autori- CURRENCY BOARD (Comitê da Moeda). A
zação ocorreu durante o governo de D. Pedro II principal característica dos Currency Boards é
de Portugal, cognominado “O Pacífico”, que por a garantia de trocar moeda nacional numa taxa
Carta Régia de 8/3/1694 criou a Casa da Moeda determinada e fixa por reservas de moeda es-
na Bahia, a primeira do Brasil. Quatro anos depois trangeira. O Currency Board pode atuar também
ela foi transferida para o Rio de Janeiro. Veja tam- como um órgão emissor de moeda nacional con-
bém Casa da Moeda; Senhoriagem. tra lastro de moeda estrangeira mantida em re-
serva. Nessa medida, as emissões no Currency
CUNHAGEM DECIMAL. Sistema de circula- Board não são fiduciárias, ou melhor, sua acei-
ção monetária que utiliza a base dez. Quase to- tação decorre do fato de a moeda ser conversível
dos os sistemas mundiais operam nessa base. a qualquer momento e em qualquer quantidade
A importante exceção era a Inglaterra, onde, até por moeda forte (que se encontra em reserva).
1971, uma libra esterlina valia 20 xelins e cada Esse sistema foi muito utilizado nas colônias in-
xelim, 12 pence. A partir daquela data, a libra glesas da África, Ásia, Caribe e Oriente Médio
esterlina manteve o seu valor e foi dividida em até a independência, e em alguns casos de crise
100 novos pence (p), que equivalem a 2,4 dos ou de forte instabilidade política, como aconte-
antigos. ceu durante a guerra civil na Rússia, entre 1918
e 1921, nas regiões do Norte dominadas pelos
CUPOM. No mercado de capitais, cupom é a Brancos (contra-revolucionários). Hoje existem
parte destacável de uma ação ou obrigação uti- Comitês da Moeda em Cingapura, Brunei,
lizada no momento do pagamento dos dividen- Hong-Kong e na Estônia, depois da separação
dos ou da entrega de bonificações. O cupom da ex-União Soviética. A idéia da introdução de
também significa a taxa de juros estampada na um Currency Board no Brasil vem sendo dis-
face de um título de dívida, cujo emissor se com- cutida pelas autoridades monetárias como um
promete a pagar na data do vencimento, contra dos instrumentos para evitar a hiperinflação
recibo do cupom anexado ao título. Em outra e/ou dotar a moeda nacional de estabilidade.
acepção, quando há racionamento de alguma A condição prévia, no entanto, para que se es-
mercadoria (durante guerras, por exemplo), os tabeleça o Currency Board, é a existência de re-
governos emitem talões de cupons, cada um de- servas em quantidade suficiente para sustentar
les servindo para a aquisição de certa quanti- as emissões de moeda para a movimentação dos
dade da mercadoria racionada. Cupons são tam- negócios numa economia. É necessário também
bém cédulas destacáveis de jornais e revistas que que essas reservas se mantenham dentro de cer-
funcionam como um recurso de marketing, dan- tos limites, isto é, que a conversibilidade não pro-
do ao possuidor o direito de receber desconto voque sua redução a ponto de inviabilizar o pró-
147 CURVA DE CRESCIMENTO

prio sistema. Depois da crise financeira no Su- de demanda; isso, dependendo do caso, pode
deste Asiático durante o segundo semestre de equivaler a alguns meses ou, em caso extremo,
1997, a Indonésia vem tentando implantar esse a algumas horas. Veja também Longo Prazo.
sistema para aumentar a confiança da população
na rúpia, mas as autoridades do FMI condicio- CURVA A B C. Veja Método ABC.
naram um vultoso empréstimo a que o governo
CURVA DA DEMANDA. Relação entre o pre-
daquele país não adotasse aquele sistema, pois
a moeda local e a taxa de câmbio permaneceriam ço de mercado de um produto e a quantidade
engessadas, o que poderia não contribuir para desse mesmo bem que os consumidores desejam
que o país obtivesse os necessários superávits adquirir. É representada numa escala gráfica
comerciais. (daí ser também chamada Escala da Demanda)
em cujos eixos registram-se os preços do mer-
CURRENCY BONDS. Expressão em inglês que cado (eixo vertical) e a quantidade de produto
significa títulos cujos termos de emissão estabe- que os consumidores adquiririam àqueles pre-
lecem que o pagamento de juros e o resgate do ços (eixo horizontal). As alterações na Curva da
principal no vencimento serão feitos em moeda Demanda ocorrem em função das variações no
legal, para distingui-los dos gold bonds, que an- preço e na renda dos consumidores. Por exem-
teriormente, nos Estados Unidos, eram pagos plo, se ocorrer a elevação no preço da soja no
em moedas de ouro. mercado internacional, os consumidores deve-
rão demandar uma quantidade menor desse
CURRENCY SWAP. Expressão em inglês que produto no mercado. Ao contrário, se as safras
designa uma obrigação contratual mantida entre forem muito boas, os preços deverão cair e os
dois sujeitos que se comprometem a entregar consumidores deverão consumir mais desse
determinada soma em dinheiro na moeda de produto. Para estabelecer-se o equilíbrio anterior,
determinado país, contra uma soma em dinheiro deverá ocorrer retração na oferta, o esgotamento
na moeda de outro país em intervalos e condi- dos estoques, a elevação dos preços e a retração
ções estabelecidos. conseqüente da demanda. Veja também Bem de
CURSO FORÇADO. Atributo do papel-moeda Giffen; Curva Marshalliana da Demanda.
(e das moedas metálicas que não sejam de metais CURVA DA OFERTA. Relação entre o preço
preciosos) que faz dele um meio irrecusável de de mercado de um produto e a quantidade desse
pagamento. O papel moeda oficial é atualmente mesmo bem que os produtores se dispõem a
de curso forçado, o mesmo não acontecendo com destinar aos consumidores. É representada
o cheque ou a nota promissória. Nos antigos
numa escala gráfica (daí ser também chamada
sistemas monetários baseados no padrão-ouro,
Escala da Oferta) em cujos eixos registram-se os
em épocas de grave crise econômico-financeira,
preços do mercado (eixo vertical) e a quantidade
de convulsões sociais ou de guerras, os governos
de produto destinada aos consumidores (eixo
decretavam o curso forçado do seu papel-moeda
ou das notas bancárias, tornando obrigatória a horizontal). As alterações na Curva da Oferta
sua aceitação e ao mesmo tempo desobrigando ocorrem em função das variações no preço e, é
os bancos emissores, ou o Tesouro Nacional, de claro, da procura dos consumidores. Por exem-
convertê-los em ouro amoedado, ou em moedas plo, se ocorrer a elevação no preço da soja no
metálicas, suspendendo dessa forma a conver- mercado internacional ou a elevação do consu-
sibilidade. Este atributo do papel-moeda tem mo do produto, os agricultores tenderão a am-
origem em determinação governamental, obri- pliar as culturas da soja até o ponto em que os
gando a aceitação desse tipo de moeda despro- custos dos fatores de produção assegurem um
vida de lastro metálico (ouro ou prata). lucro compensador; até esse ponto, a curva será
ascendente. Todavia, tenderá a decrescer quan-
CURTO PRAZO. Termo aplicado aos vencimen- do houver uma saturação na capacidade consu-
tos (de créditos ou débitos) que ocorrerão dentro midora do mercado, que, então, ficará aquém
de pouco tempo. O período de tempo varia em da oferta do produto. Para estabelecer o equilí-
função do setor: um investimento financeiro a brio e para a curva tornar-se outra vez ascen-
curto prazo no open market refere-se a uma apli- dente, deverá ocorrer retração na oferta e o fim
cação para ser resgatada no dia seguinte (apli- dos estoques.
cação overnight); em outros setores, pode signi-
ficar até um ano de prazo. No âmbito financeiro, CURVA DE CRESCIMENTO. Em geral, é a ex-
curto prazo, geralmente referindo-se a um pro- pressão do tamanho de uma população y como
cesso de endividamento, é aquele inferior a um uma função de um tempo t e a descrição de sua
ano. Em outra acepção, Alfred Marshall definiu trajetória de crescimento. A expressão se aplica
curto prazo como o período insuficiente para também ao caso de um indivíduo. Se a taxa re-
que o abastecimento de insumos destinado à lativa de crescimento diminui numa taxa cons-
produção de commodities responda a mudanças tante, isto é, se
CURVA DE ENGEL 148

1 dy recadação, resultaria numa redução. Ao contrá-


. = –b b>0
y dt rio, uma redução da taxa de impostos propor-
cionaria um aumento da arrecadação. Para La-
a curva é conhecida como Curva de Gompertz, fer, a economia norte-americana se encontraria
e pode ser escrita como: na secção descendente da curva, onde a arreca-
y = ae-bt dação é inversamente proporcional à variação
da taxa fiscal. As causas principais desse fenô-
se o valor assintótico de y, na medida em que meno são a evasão fiscal (quando os impostos
t tende ao infinito, for uma constante positiva são muito elevados) e o desestímulo provocado
C, então: sobre os negócios em geral. No entanto, a in-
y = C+ae-bt tenção da Curva de Lafer não era determinar a
taxa de impostos que maximizaria a receita, mas
esta curva é também conhecida como Curva Ex- chamar a atenção dos formuladores de política
ponencial Modificada. econômica para os efeitos dinâmicos de uma po-
Uma Curva de Crescimento na qual lítica tributária.

dy
= bY (k – y) Curva de Lafer
dt Arrecadação
fiscal A taxa de impostos Tx2 maximiza a arrecadação
é chamada de Logística ou Autocatalítica, e sua (valor) (A2), enquanto a taxa Tx1, embora maior que
forma explícita é Tx2, proporciona uma arrecadação menor (A1).

K A2
Y=
1 + e –kbt
A1
uma forma mais geral do tipo
K
Y=
1 + e cø(t) 0
Tx2 Tx1 100
onde ø(t) é uma função do tempo, é chamada
Logística. CURVA DE LEXIS. É a que representa a extin-
ção gra