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Sistema Carcerário Brasileiro

Atualmente milhares de presos cumprem pena de forma subumana em celas


superlotadas, apinhados uns sobre os outros. O sistema carcerário se propõe a recuperar
e reeducar os presos e prepará-los para retornar à sociedade e se tornarem produtivos
para que não reincidam em práticas delituosas.

Infelizmente isso não ocorre, e cada vez mais encontramos presos reincidentes. Os
presos ficam na maior parte do tempo ociosos na maioria dos presídios, eles só se
movimentam na hora do jogo de futebol. Não há assistência médico-odontológica,
psicológica e nem por assistentes sociais junto aos familiares. O que a sociedade lucra
com isso? Nada, apenas mais violência.

O custo por apenado é bem elevado nas nossas cadeias, em torno de R$ 300,00 (em
média) para manter um status degradante e angustiante no seio dessas instituições.
Quem vai à uma penitenciária sente o clima degradante que reina e que entra em nossa
alma e empregna e que não nos deixa por alguns dias consecutivos à visita. Será que o
dinheiro destinado à manutenção do sistema carcerário é empregado nos projetos do
presídio? Ou será que toma outra destinação?

Muitos proclamam que os indivíduos ali trancafiados não têm nenhuma chance de
recuperação e que a pena de morte deveria ser aprovada e aplicada e com isso haveria
uma redução do problema da superpopulação carcerária. Bem, será que realmente seria
essa a solução? Penso que não. Poderia amenizar em médio prazo o problema da
superpopulação carcerária, reduzindo em cerca de 20 a 30%, mas teria que se dar aos
acusados a mais ampla e irrestrita possibilidade de defesa e recursos ex officio até o
último grau de jurisdição para diminuir as chances de erro judiciário. Mas esse tema é
bem complexo e merece uma atenção especial.

O prisioneiro deveria ter as horas preenchidas com alguma atividade profissionalizante


e que o ajudasse a recuperar a auto-estima e fosse uma fonte de renda para quando
tivesse de enfrentar o mundo fora do presídio. Atendimento constante de médicos,
psicólogos, odontólogos e assistentes sociais. Condições mínimas de saúde, o fim das
superlotações nas celas, o fim das agressões físicas e sexuais dos agentes carcerários e
de outros presos, e ter os seus direitos constitucionais assegurados.

O Estado não deveria arcar com o ônus de custear o sistema carcerário e deveria
transferir essas atividade para a iniciativa privada, a exemplo do que ocorre em outros
países. Com isso, tirar-se-ia um peso das costas do Estado, e o dinheiro que era utilizado
neste setor poderia ser utilizado em outra área com um maior retorno social.
Algumas pessoas perguntarão se a iniciativa privada vai querer dirigir e explorar
economicamente o sistema carcerário. Afirmo que pode ser um ótimo negócio, pois
tem-se em um único lugar várias pessoas que podem fornecer mão-de-obra barata e que
com treinamento pode gerar riquezas.

A ocorrência de fugas e rebeliões diminuiria consideravelmente em conseqüência da


situação favorável do meio, sendo os presos tratados e vistos como pessoas e não como
animais, como acontece hoje.

Destarte teríamos a ganhar, a iniciativa privada com mão-de-obra barata, o preso com o
tratamento humano e consequentemente a sociedade, com o resultado desta iniciativa.

É óbvio que o Estado não se afastaria totalmente, pois seria criada uma agência para
fiscalizar a atuação nos presídios e penitenciárias e também para punir as
irregularidades, a exemplo do que ocorre com a Anatel nas telecomunicações. Com isso
desentravaria o estado e conseguiríamos resocializar os detentos.

Luiz Guedes da Luz Neto

7º Período do UNIPÊ

luzneto@openline.com.br

CONCEITO

Direito Penitenciário, Ciência Penitenciária e Penologia

O art. 24 da Constituição Federal Brasileira optou pela denominação de "Direito


Penitenciário" eliminando outras denominações como "Direito da Execução Penal" ou
"Direito Penal Executivo".

O Direito Penitenciário é o conjunto de normas jurídicas que disciplinam o tratamento dos


sentenciados, é disciplina normativa. A construção sistemática do Direito Penitenciário
deriva da unificação de normas do Direito Penal, Direito Processual Penal, Direito
Administrativo, Direito do Trabalho e da contribuição das Ciências Criminológicas, sob os
princípios de proteção do direito do preso, humanidade, legalidade, jurisdicionalidade da
execução penal.

Já a Ciência Criminológica ou Penologia, é o estudo do fenômeno social, cuida do


tratamento dos delinqüentes, e o estudo da personalidade dos mesmos, sendo uma
ciência causal-explicativa inserindo-se entre as ciências humanas. O objeto da Ciência
Criminológica antigamente, limitava-se ao estudo científico das penas privativas de
liberdade e de sua execução, atualmente compreende ainda o estudo das medidas
alternativas à prisão, à medidas de segurança, o tratamento reeducativo e a organização
penitenciária.

HISTÓRICO DO DIREITO PENITENCIÁRIO E


A CONSEQÜENTE EVOLUÇÃO DA PENA DE PRISÃO

A Antigüidade

A antigüidade desconheceu totalmente a privação de liberdade, estritamente considerada


sanção penal. Mesmo havendo o encarceramento de delinqüentes, este não tinha caráter
de pena, e sim de preservar os réus até seu julgamento ou execução. Recorria-se à pena
de morte, às penas corporais e às infamantes.

Durante vários séculos a prisão serviu de contenção nas civilizações mais antigas ( Egito,
Pérsia, Babilônia, Grécia, etc. ), a sua finalidade era: lugar de custódia e tortura.

A primeira instituição penal na antigüidade, foi o Hospício de San Michel, em Roma, a qual
era destinada primeiramente a encarcerar "meninos incorrigíveis", era denominada Casa
de Correção.

Platão propunha o estabelecimento de três tipos de prisões: uma na praça do mercado,


que servia de custódia; outra na cidade, que servia de correção, e uma terceira destinada
ao suplício. A prisão, para Platão, apontava duas idéias: como pena e como custódia.

Os lugares onde se mantinham os acusados até a celebração do julgamento eram


diversos, já que não existia ainda uma arquitetura penitenciária própria. Utilizavam-se
calabouços, aposentos em ruínas ou insalubres de castelos, torres, conventos
abandonados, palácios e outros edifícios.

O Direito era exercido através do Código de Hamurabi ou a Lei do Talião, que ditava:
"olho por olho, dente por dente" tinha base religiosa (Judaísmo ou Mosaísmo) e moral
vingativa.

A Idade Média

As sanções da Idade Média estavam submetidas ao arbítrio dos governantes, que as


impunham em função do "status" social a que pertencia o réu. A amputação dos braços, a
forca, a roda e a guilhotina constituem o espetáculo favorito das multidões deste período
histórico.

Penas em que se promovia o espetáculo e a dor, como por exemplo a que o condenado
era arrastado, seu ventre aberto, as entranhas arrancadas às pressas para que tivesse
tempo de vê-las sendo lançadas ao fogo. Passaram a uma execução capital, a um novo
tipo de mecanismo punitivo.

Com o Império Bizantino (aglomerado étnico de até 20 povos diferentes: civilização cristã,
direito romano e cultura grega com influência helenística) fora criado o Corpus Juris Civilis,
pelo imperador Justiniano, restabelecendo a ordem com suas obras: Código, Digesto,
Institutas e Novelas

A Idade Moderna

Durante os séculos XVI e XVII a pobreza se abate e estende-se por toda a Europa.

E contribuíram para o aumento da criminalidade: os distúrbios religiosos, as guerras, as


expedições militares, as devastações de países, a extensão dos núcleos urbanos, a crise
das formas feudais e da economia agrícola, etc.

Ante tanta delinqüência, a pena de morte deixou de ser uma solução adequada. Na
metade do século XVI iniciou-se um movimento de grande transcendência no
desenvolvimento das penas privativas de liberdade, na criação e construção de prisões
organizadas para a correção dos apenados.

A suposta finalidade das instituições consistia na reforma dos delinqüentes por meio do
trabalho e da disciplina. Tinham objetivos relacionados com a prevenção geral, já que
pretendia desestimular a outros da vadiagem e da ociosidade.

Antes das casas de correção propriamente ditas, surgem casas de trabalho na Inglaterra
(1697) em Worcester e em Lublin (1707), ao passo que em fins do século XVII já haviam
vinte e seis. Nessas casas, os prisioneiros estavam divididos em 4 classes: os
explicitamente condenados ao confinamento solitário, os que cometeram faltas graves na
prisão e a última aos bem conhecidos e velhos delinqüentes.

A mais antiga arquitetura carcerária em 1596, foi o modelo de Amsterdã RASPHUIS, para
homens, que se destinava em princípio a mendigos e jovens malfeitores a penas leves e
longas com trabalho obrigatório, vigilância contínua, exortações, leituras espirituais.
Historicamente, liga teoria a uma transformação pedagógica e espiritual dos indivíduos por
um exercício contínuo, e as técnicas penitenciárias imaginadas no fim do século XVII, deu
direcionamento às atuais instituições punitivas.

Em 1597 e 1600, criaram-se também em Amsterdã a SPINHIS, para mulheres e uma


seção especial para meninas adolescentes, respectivamente.
Já as raízes do Direito Penitenciário começaram a formar-se no Século XVIII, com os
estudos de BECARIA e HOWARD. Durante muito tempo o condenado foi objeto da
Execução Penal e só recentemente é que ocorreu o reconhecimento dos direitos da
pessoa humana do condenado, ao surgir a relação de Direito Público entre o Estado e o
condenado.

Realmente, o Direito Penitenciário resultou da proteção do condenado. Esses direitos se


baseiam na exigência Ética de se respeitar a dignidade do homem como pessoa moral.

Os dois métodos aplicados no Direito Penitenciário são: método científico - é um dos


elementos da planificação da política criminal, especialmente quanto ao diagnóstico do
fenômeno criminal, a verificação do custo econômico-social, e a exata aplicação do
programa. Já a estatística criminal é estudada pelo método estatístico, o qual destina-se
a pesquisa da delinqüência como fenômeno massa. Estas estatísticas dividem-se em três
ordens: policiais, judiciais e penitenciárias.

Somente no Século XX avultou a visão unitária dos problemas da Execução Penal, com
base num processo de unificação orgânica, pelo qual normas de Direito Penal e normas de
Direito Processual, atividade da administração e função jurisdicional obedeceram a uma
profunda lei de adequação às exigências modernas da Execução Penal.

Todo esse processo de unificação foi dominado por dois princípios do Código Penal de
1930: a individualização da execução e o reconhecimento dos direitos subjetivos do
condenado.

BECARIA e HOWARD deram causa a uma grande evolução da doutrina de Execução


Penal, com a produção de longa série de tratados e revistas especializadas (DE
BEAUMONT, TOCQUEVILLE, DUCPETIAUX, PESSINA, VIDAL e CUCHE).

Sucessivamente realizaram-se congressos sobre o assunto, os quais já assumiam caráter


internacional, como o de Londres em 1872.

Dá-se a devida importância à criação da Comissão Penitenciária Internacional, que se


transformou na Comissão Penal e Penitenciária (1929), que deu origem à elaboração das
Regras Mínimas da ONU.

Após a 2ª Guerra Mundial, surgem em vários países a Lei de Execução Penal (LEP),
como na Polônia, Argentina, França, Espanha, Brasil, e outros estados-membros da ONU.

No Brasil, com o advento do 1º Código Penal houve a individualização das penas. Mas
somente à partir do 2º Código Penal, em 1890, aboliu-se a pena de morte e foi surgir o
regime penitenciário de caráter correcional, com fins de ressocializar e reeducar o detento.

Com o reconhecimento da autonomia do Direito Penitenciário pela Constituição Brasileira


(art. 24, I ), todas as Universidades terão de adotar o ensino do direito penitenciário. A
reforma penal não se fará sem a renovação do ensino universitário das disciplinas
relacionadas com o sistema penal.

Dentre os mais modernos estabelecimentos carcerários encontram-se: Walnut Street Jail,


na Filadélfia (1829); Auburn,Nova York, em (1817); e o sistema da Pensylvânia,todos nos
Estados Unidos da América. Consideram-se modernos pois instalam a disciplina, removem
a tentação da fuga e reabilitam o ofensor. No sistema de Auburn, os prisioneiros dormem
em celas separadas, mas trabalham, durante o dia, em conjunto com os demais
prisioneiros. Este método de sistema está sendo implantado em todo os EUA. Já o sistema
da Pensylvânia, o ofensor é isolado durante todo o período do confinamento.

Todos estes sistemas são baseados na premissa do isolamento, na substituição dos maus
hábitos da preguiça e do crime, subordinando o preso ao silêncio e a penitência para que
encontre-se apto ao retorno junto à sociedade, curado dos vícios e pronto a tornar-se
responsável pelos seus atos, respeitando a ordem e a autoridade.

A Conferência Nacional Penitenciária ( National Prison Conference), realizada em


Cincinnati, Ohio - EUA, em 1870, foi o primeiro sinal da reforma carcerária. Encorajados
pelo recente estabelecimento da condicional, a conferência abordou em seu tema
principal a prisão perpétua. Escolheu uma corte específica para os casos de prisão
perpétua, a qual delimitará o tempo mínimo e máximo para todas os tipos de penas. É
acreditável que este tipo de sentença dará ao ofensor maior incentivo à sua reabilitação, o
que determinará uma satisfatória mudança nos cárceres atuais.

A detenção se tornou a forma essencial de castigo. O encarceramento passou a ser


admitido sob todas as formas. Os trabalhos forçados eram uma forma de encarceramento,
sendo seu local ao ar livre. A detenção, a reclusão, o encarceramento correcional não
passaram, de certo modo, de nomenclatura diversa de um único e mesmo castigo.

DOS ESTABELECIMENTOS PENAIS

Os art. 82 a 86 da LEP - Lei de Execução Penal tratam das disposições gerais sobre o
estabelecimento penitenciário. O art. 82 prevê diferentes tipos de estabelecimentos penais,
os quais se destinam à execução da pena privativa de liberdade; à execução da medida de
segurança; à custódia do preso provisório e aos cuidados do egresso. A LEP atendeu ao
princípio da classificação penitenciária, que é prevista na Constituição Federal, art. 5º,
inciso XLVIII.

O art. 83 prevê para o estabelecimento penitenciário, dependências com áreas de serviços


para as atividades do tratamento reeducativo, sobrepondo-se às imposições de segurança.

Os estabelecimentos penais classificam-se segundo as diferentes fases do regime


progressivo de cada detento:

1ª fase - prisão provisória;

2ª fase - condenado;

3ª fase - sujeito a medida de segurança;

4ª fase - liberdade condicional;

5ª fase - egresso.

E são assim distribuídos:

1 - Centro de Observação - o qual corresponde ao exame criminológico do condenado


destinando-o ao regime de liberdade em que "melhor se enquadra" (art. 96 LEP);

2 - A Penitenciária - destina-se ao regime fechado (art. 87 LEP); Sob o enfoque de


segurança, a penitenciária se define como estabelecimento de segurança máxima.
Segundo C. Cálon, nas prisões de segurança máxima, as quais predomina a idéia de
prevenção contra fuga, os edifícios são de forte e sólida construção, rodeados de alto
muro, intransponível e dotados de torre, com guardas fortemente armados, bem como
refletores para prevenção de fuga à noite.

3 - A Colônia Agrícola ou Industrial - regime semi-aberto;

4 - A Casa do Albergado - regime aberto;

5 - A Cadeia Pública - à custódia do preso provisório e cumprimento de pena de breve


duração (art. 102 LEP). Este estabelecimento poderá contar com salas para o trabalhador
social ou Sociólogo, para o Psicólogo e Psiquiatra, além de salas para o pessoal
administrativo, advogados e autoridades.

6 - Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico - destina-se aos inimputáveis, e o


condenado depende de substâncias químicas entorpecentes, causando dependência física
e mental;

7 - Penitenciária para mulheres;

8 - Penitenciária para o Jovem adulto - destina-se ao menor de 21 anos, que poderá


permanecer no estabelecimento por necessidade do tratamento reeducativo e problemas
de personalidade. Está sujeito a regime aberto e semi-aberto.

As "orientações" do Ministério da Justiça prevêem para todo projeto de estabelecimento


penal os seguintes locais:
a) instalações de administração, com salas para serviço jurídico, social, psicológico;

b) assistência religiosa e culto ( capela ecumênica e auditório);

c) escola e biblioteca;

d) prática de esporte e lazer;

e) oficinas de trabalho;

f) refeitório;

g) cozinha;

h) lavanderia;

i) enfermaria;

j) palratório;

k) visitas reservadas aos familiares;

l) cela individual.

A cela individual e a construção em horizontal da prisão constituem as duas idéias


essenciais do estabelecimento penal moderno.

ALGUMAS CONSEQÜÊNCIAS DA
INEXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTOS PENAIS

• Cadeias Públicas segregam presos a serem condenados e com condenações


definitivas, em virtude da inexistência de vagas nas poucas penitenciárias em
atividade;
• A superlotação dos estabelecimentos penais em atividade, acarreta a violência
sexual entre os presos, a presença de tóxico, a falta de higiene que ocasionam
epidemias gastrointestinais, etc.;
• Presos condenados a regime semi-aberto recolhem-se a Cadeia Pública para
repouso noturno, gerando revolta entre os demais que não gozam de tal benefício,
pela inexistência de um grande número de Colônias Agrícolas;
• Doentes mentais, mantidos nas Cadeias, contribuem para o aumento da revolta
dos presos, os quais têm de suportar a perturbação durante o dia e no repouso
noturno, de tais doentes.
• As condições em que se encontram os estabelecimentos penais em atividade
(superlotação, falta de higiene, tóxico, violências sexuais) não fazem mais do que
incentivarem o crime.

O PROBLEMA SEXUAL NAS PRISÕES

O estado em que vivem os detentos é calamitoso, de sorte que, muitas vezes a não
obediência ao Código Penal, é a causa do surgimento da promiscuidade. O problema
sexual nas prisões surge com a imaginação exacerbada, provocando então, a
introspecção.

A abstinência sexual resulta em conseqüências graves no comportamento dos reclusos e


a escassez da atividade sexual nas prisões é conseqüência direta das condições objetivas
à forma da vida carcerária que não estimula a sua prática.

A privação das relações sexuais nos cárceres só pode acarretar conseqüências negativas
diversas, propiciando a perversão da personalidade do indivíduo. Além disso, contribui
para diversas práticas, tais como:

O Onanismo

É tido como um desvio para que se acalme o instinto sexual. Possui ainda, uma estreita
vincularão com o homossexualismo ( oculta um homossexualismo inconsciente ). Serve
como uma alternativa à repressão sexual.

O Homossexualismo

A homossexualidade é a preferência ou orientação pela filiação e atividade sexual com


pessoas do mesmo sexo. Para modernos psiquiatras, a possibilidade da
homossexualidade parece fazer parte da sexualidade humana como uma escolha ou
opção ou até como estudos mais recentes nos comprovam, da possibilidade genética.

Mas não é este o enfoque que preocupa psicólogos, sociólogos e criminalistas do mundo
inteiro; e quando o sexo é violento ou então forçado?

De caráter universal, o atentado violento ao pudor é uma prática comum nas prisões tendo
como conseqüência circunstâncias desumanas e anormais da vida prisional e supressão
da heterossexualidade.
O Stuprum Violentum ocorre quase sempre na presença de terceiros, e os reclusos mais
jovens são as maiores vítimas. É claro que há a resistência, mas no final e sem saída o
jovem acaba cedendo pelo temor que lhe é causado. Casos há em que o detento é
"passado" por todas os demais detentos das celas. São casos deprimentes que, muitas
vezes, se repete pelo consentimento dos próprios guardas, em troca de propinas.

O silêncio e o suicídio são os resultados, pois não é decente esquecer que as vítimas
pouco se queixam de violência, para assim, evitar a desmoralização. E o suicídio nada
mais é do que o medo e o desespero do recluso.

Emile DURKHEIM, defende em sua Teoria Sociológica dos Tipos de Suicídio


(Sociological Theories of Suicide Types), já revista por outros teoristas, que: " é claro
que o suicídio é o resultado da combinação de fatores severos, ou seja, sua origem é
multicausal, englobando hoje, componentes sociais, psicológicos e biológicos". Para
aprofundar-mos um pouco mais no assunto, abordaremos sobre a referida teoria de
Durkheim, haja vista a sua influência nas concepções atuais:

Durkheim posicionou três primários tipos de suicídios: egoísta, altruísta, e o alienado.


Esta tipologia, com diferentes causas de suicídio é produzida pelas circunstâncias de
integração com a sociedade e suas maiores instituições.

O suicídio egoísta ocorre quando falta uma adequada integração do indivíduo com a
sociedade. A pessoa não envolve-se na sociedade, cria suas próprias regras de conduta e
age conforme seus próprios interesses.

Ao contrário, o suicídio altruísta resulta da excessiva integração com a sociedade e


insuficiente individualização, sua personalidade é determinada pelo grupo social com o
qual convive.

Já o terceiro e maior tipo de suicídio, o alienado, é quando ocorre a falta de regulamentos


sociais ou normas sociais, pois os regulamentos sociais impõem um censo de equilíbrio e
também limites. O que ocorre então é a falta de equilíbrio em algumas circunstâncias que
o fazem levar ao suicídio.

A violência para o agredido, pode destruir sua auto imagem e auto estima, causando ainda
problemas psíquicos e físicos, desajustes graves que impedem ou dificultam o retorno a
uma vida sexual normal e a destruição da relação conjugal do recluso.

Na prisão, o homossexualismo pode ter duas origens distintas:

a) ser conseqüência de atos violentos;

b) resultar das relações consensuais; ocorrem sem que haja violência, consistindo apenas
uma manifestação de adaptação ao ingresso na prisão.

Soluções para o problema sexual nas prisões:


Há o que chama-se de solução tradicional. São os exercícios físicos, o trabalho, o regime
alimentar, a proibição de figuras, leituras e imagens, dentre outros. Tais soluções são até
consideradas, podendo no máximo reduzir o problema.

Mas qualquer tentativa de sublimar a sexualidade, implicarão numa posição coativa, o que
não se contará com o consentimento da sociedade. Como por exemplo:

- A utilização de Drogas: não produz nem moral nem juridicamente uma resposta
satisfatória ao conflito sexual prisional. Utilizam-se sedativos, derivados humanos,
anestesia sexual através de drogas, etc. Efetivamente tal atitude resolverá o problema
sexual, pois desestimula o apetite sexual do indivíduo e não converterá em prática
generalizada.

- Visita íntima: permite a entrada temporária na prisão dos cônjuges ou companheiras (os)
dos detentos (as). Deve-se entender que seus respectivos cônjuges não deixam de estar à
castidade forçada. Proibi-las do ato sexual é coagi-las psicologicamente ao caminho do
adultério ou prostituição. Isso pode ocasionar filhos adulterinos. Para evitar tal
desequilíbrio, tem-se uma solução viável: permissão para o ato amoroso. Por si só, a visita
íntima é insuficiente. Mas pode converter-se numa adequada solução da sexualidade.

- Prisão aberta: grande alternativa para o problema sexual carcerário. Não só resolve,
mas também permite a solução de graves inconvenientes que surgem numa prisão
tradicional. Como maior defeito, tem-se o de beneficiar apenas a minoria.

- Prisão Mista: poder-se-á lembrar como uma das vítimas alternativas a uma solução
adequada. Incertezas ainda são marcantes, mas não justificam o abandono total desta
alternativa.

JUSTIÇA CRIMINAL ALTERNATIVA - ALTERNATIVAS PARA A PRISÃO

A prisão em si, é uma violência à sombra da lei. O problema da prisão tem sua raiz na
estrutura econômica, política e social do país.

A legislação brasileira autoriza a aplicação de somente 03 tipos de penas alternativas: a


prestação de serviços comunitários, a limitação de algum direito, e a reclusão no fim de
semana. Porém, apenas 1.2% dos condenados brasileiros cumprem penas alternativas.

Na Inglaterra, o índice é de 50%. Nos EUA, 68% e na Alemanha, só 2% dos condenados


estão na prisão, todos os outros cumprem penas alternativas.

O governo brasileiro está concluindo um projeto que amplia para 19 os tipos de penas
alternativas, o que aumenta a possibilidade de sua aplicação para condenações de até 04
anos. O projeto resultaria na retirada de 44.000 presos das penitenciárias brasileiras.

O pretendido tratamento, a ressocialização, é incompatível ao encarceramento. O que se


observa, em toda parte, é que a prisão exerce um efeito devastador sobre a
personalidade, reforça valores negativos, cria e agrava distúrbios de conduta, é uma
escola do crime.

O isolamento forçado, o controle total da pessoa do preso não podem constituir


treinamento para a vida livre, posterior ao cárcere. Para tudo agravar, o estigma da prisão
acompanha o egresso, dificultando seu retorno à vida social.

Congressos de especialistas, documentos internacionais de direitos humanos e vozes


autorizadas de grupos, vem recomendando, incansavelmente, que se elimine, ou que se
reduza drasticamente o aprisionamento de pessoas, substituindo-o por outros
mecanismos, como a prisão provisória ou somente como medida de sanção.

Na 1ª Vara Criminal de Vila Velha - PR, o Juiz de Direito Dr. João Batista Herkenhoff,
acolheu este clamor de ciência e humanidade reduzindo o aprisionamento de pessoas a
casos extremos, de gravidade excepcional, já pensando em realizar uma pesquisa sócio-
jurídica, com base em sua experiência.

AS REBELIÕES

As prisões são cenários de constantes violações dos direitos humanos e


consequentemente dos direitos dos presos. São freqüentes o enfrentamento entre presos
e carcereiros, assim como brigas de ajuste de contas entre os próprios presos.

O desespero dos presos acaba gerando conflitos, onde milhares deles amotinam-se para
exigir melhores condições de vida em troca da liberdade de reféns.

Há um pequeno número de delegados da Polícia Federal com treinamentos feitos em


grupos tarimbados no exterior, como Swat americana, a SAS inglesa ou a GSG9, da
Alemanha. Em alguns estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e Rio
Grande do Sul, há grupos especializados, mas em geral, eles somente são chamados para
dar palpite, nunca para comandar a cena.

As blitz ou "batidas" são realizadas periodicamente nas prisões com o intuito de retirar
armas brancas, vulgarmente chamadas de "estoques" pelos presos.
CENSO PENITENCIÁRIO BRASILEIRO

A revista VEJA, publicada em 23 de outubro de 1996, apresenta em 1ª mão os resultados


do censo penitenciário feito pelo Ministério da Justiça, sob a responsabilidade de Paulo
Tonet Camargo, esclarecendo os principais problemas enfrentados pela atual realidade do
sistema carcerário brasileiro: " são números horripilantes e vergonhosos, com dados
estarrecedores. O senso mostra que os presos brasileiros são tratados feito animais"
ressaltando que "a construção de penitenciárias, além do custo muito elevado, é um
sistema comprovadamente ineficaz" e destaca:

- O país tem hoje 150.000 presos, 15% a mais do que em 1994, data em que fora
realizada a última pesquisa;

- A massa carcerária cresce ao ritmo de um preso a cada trinta minutos;

- A AIDS prolifera entre os detentos com a rapidez de uma peste. Cerca de 10% a 20%
dos presos estão contaminados. Um número tão assustador que o governo evita divulgá-lo
para não provocar rebeliões;

- 48.4% dos seqüestradores presos estão no Rio de Janeiro - RJ;

- Os homens representam 95.5% da massa carcerária, e a maioria cumpre pena por


assalto, furto ou tráfico de drogas.

- Hoje existem 50.000 - homens e mulheres - estão confinados irregularmente em celas de


delegacias e cadeias públicas.

- Há outro tipo de prisão irregular no brasil, mas o censo não tabulou, são aquelas pessoas
que já deveriam ser libertadas embora continuem presas.

Uma pesquisa realizada em 1964, demonstra-nos que 90% dos ex-detentos pesquisados
procuram trabalho nos 02 primeiros meses, após a conquista da liberdade. Depois de
encontrarem fechadas todas as portas, voltaram a praticar novos delitos. Estudos mostram
que, em média, 70% daqueles que saem das cadeias, reincidem no crime.

A questão para mais este problema é: Para um ex-preso, sem documentos, com
antepassado criminal, viciados em nada fazer, rejeitados pela sociedade, o que resta?

ESTATUTO JURÍDICO DO PRESO


O art. 41 da LEP enuncia os direitos do preso. Os direitos humanos do preso estão
previstos em vários documentos internacionais e nas Constituições modernas. A
Constituição Brasileira nada cita em seu contexto, somente o Código Penal, em seu art. 38
que reza:

Direitos do Preso

Art. 38. O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda
da liberdade, impondo-se a todas as autoridades o respeito à sua
integridade física e moral.

O preso não só tem deveres a cumprir, mas é sujeito de direitos, que devem ser
reconhecidos e amparados pelo Estado. O recluso não está fora do direito, pois encontra-
se numa relação jurídica em face do Estado, e exceto os direitos perdidos e limitados a
sua condenação, sua condição jurídica é igual à das pessoas não condenadas. São
direitos e deveres que derivam da sentença do condenado com relação a administração
penitenciária.

• Ao direito à vida, corresponde a obrigação da administração quanto à assistência


material, à assistência à saúde, à assistência jurídica e religiosa (art. 41 LEP).
• Quanto aos direitos civis, mantém o preso o direito de propriedade, o direito de
família, dentro das limitações da prisão;
• O preso tem direito de orientar a educação dos filhos, se a sentença não se referiu
expressamente a esse direito;
• A presa tem o direito de manter consigo o filho até a idade pré-escolar;
• Relativamente, aos direitos sociais: direito à educação e ao trabalho remunerado,
juntamente com os benefícios da seguridade social, descanso, pecúlio e
recreação;
• Direito à seguridade social, como direito adquirido, que não se suspende com o
rompimento da relação de emprego no meio livre.
• Direito ao tratamento reeducativo (é direito fundamental, do qual derivam os
demais direitos);
• Direito a cela individual (!);
• Direito a alojamento com condições sanitárias;
• Direito ao processo disciplinar, quando lhe for suposta infração disciplinar, não
tipificada ou sem justificativa;
• Direito à qualidade de vida;
• Direito à progressão e afetação do regime apropriado, e ao estabelecimento que
lhe for indicado pelo Centro de Observação;
• Direito do egresso à assistência pós-penal, que decorre da obrigação do Estado de
assistir moral e materialmente o recluso na sua volta ao meio livre.
• Direito de propor ação judicial para defesa de seus direitos por intermédio de
Defensoria Pública ou advogado constituído.

Numa visão global da situação carcerária brasileira, hoje destacam-se dois grupos com as
principais violências contra o preso:

1. Violência quanto à ilegalidade da prisão, ou duração excessiva da pena;

2. Violência quanto à maneira de execução da prisão;

No 1º caso, enquadram-se as prisões absolutamente arbitrárias, praticadas pela polícia:


falta de documentos, prisão para averiguações, prisões correcionais, por suposta
vadiagem, e por batidas ou blitz policiais; prisões que ultrapassam o cumprimento da pena;
prisões que se prolongam por simples falta de conveniência do advogado; etc.

No 2º caso, enquadram-se: superlotação das celas; falta de higiene e sanitários;


ociosidade dos presos; castigos arbitrários; o estupro; os espancamentos, maus tratos,
torturas; etc.

Contemplando uma análise sociológica-política da prisão, constatamos que: os pobres


e/ou negros constituíam quase que absolutamente o quadro de detentos. Só a prisão
política atingiu, no Brasil, as famílias de classe média e superior. Os presos políticos
contribuíram para que os presos comuns adquirissem a consciência de seus direitos
humanos e deram repercussão à denúncia da barbaridade do sistema carcerário,
sobretudo através de greves de fome e de livros publicados após a reconquista da
liberdade. Hoje, o censo carcerário demonstra que 54% dos presos são brancos, 27.5%
mulatos e 18.5% negros.

DI GENNARO e VETERE diferenciam os direitos inerentes ao "status" de cidadão dos


direitos do preso: os presos conservam o gozo dos direitos civis e sociais que lhes
competiam como cidadãos antes da condenação, cujo exercício não se torne
materialmente impossível pelo estado da prisão.

DO TRATAMENTO REEDUCATIVO

A educação tem por objetivo formar a pessoa humana do recluso, segundo sua própria
vocação, para reinserí-lo na comunidade humana, no sentido de sua contribuição na
realização do bem comum.

O tratamento reeducativo é uma educação tardia do recluso, que não a obteve na época
oportuna. A esse direito corresponde a obrigação da assistência educativa, prevista no art.
17 da LEP.

O legislador não adotou o termo "Tratamento Penitenciário", preferindo a denominação


"Assistência Penitenciária" que, segundo o art. 10 da LEP, tem por objetivo a reinserção
social do preso e prevenção da reincidência. São instrumentos do tratamento penal:

1. Assistência;

2. Educação;

3. Trabalho;

4. Disciplina.

O tratamento reeducativo é o termo técnico usado no Direito Penitenciário, na Criminologia


Clínica e na Legislação Positiva da ONU. Segundo a concepção científica, o condenado é
a base do tratamento reeducativo e nele observa-se: sua personalidade, através de
exames médico-biológico, psicológico, psiquiátrico; e um estudo social do caso, mediante
uma visão interdisciplinar e com a aplicação dos métodos da Criminologia Clínica. É ponto
de união entre o Direito Penal e a Criminologia.

Com efeito, o tratamento compreende um conjunto de medidas sociológicas, penais,


educativas, psicológicas, e métodos científicos que são utilizados numa ação
compreendida junto ao delinqüente, com o objetivo de tentar modelar a sua personalidade
para preparar a sua reincersão social e prevenir a reincidência.

"Não haverá desenvolvimento na personalidade do delinqüente sem


condições materiais, de saúde ou proteção de seus direitos, bem como
instrução escolar e profissional e assistência religiosa."

AS REALIDADES DO SISTEMA:

• Um em cada três presos está em situação irregular, ou seja, deveriam estar em


presídios, mas encontram-se confinados em delegacias ou em cadeias públicas.
• De 10% a 20% dos presos brasileiros podem estar contaminados com o vírus da
AIDS.
• A maioria dos presos cumprem penas de quatro a oito anos de reclusão, por
crimes como: roubos, furtos, tráfico de drogas etc.
• Para solucionar o problema da superlotação nos presídios, seria necessário
construir 145 novos estabelecimentos, a um custo de 1.7 bilhões de Reais.
• Os crimes mais comuns no Sul e Sudeste do Brasil são roubo e furto, enquanto
que no Amazonas e no Acre o crime mais comum é o tráfico de drogas. Alagoas é
o estado onde há mais presos por homicídio. Chegam ao número expressivo de
56,8% da massa carcerária.
• Já no Nordeste e Centro-Oeste, a maioria das prisões ocorre por assassinato.
• São Paulo é a cidade onde há maior número de presos por habitantes e também a
pior situação carcerária: 174 presos para cada grupo de 100.000 habitantes.
• Em Alagoas, por outro lado, há apenas 17 presos para cada 100.000 habitantes,
os dados não são animadores, apenas refletem a impunidade que prevalece no
estado. Mais da metade dos presos alagoanos são homicidas.
• O estado do Rio Grande do Sul é que reúne as melhores condições carcerárias.
Não há preso em situação irregular.
• Hoje o número de detentos na Prisão Federal dos EUA é de 628.000, sendo que
90% possuem pena de no mínimo 08 anos. A população carcerária aumentou 7%
desde 1988.
• O governo da Suécia despende US$ 61.000 dólares/ano por preso.
• O governo dos EUA destina US$ 25.000 a 30.000 dólares/ano para a manutenção
da prisão e salário para o prisioneiro. Sendo que a prisão de Massachusetts, oeste
da Virgínia, recebe algo próximo a US$ 140.000.
• O governo do Brasil destina US$ 4.300,00 dólares/ano a cada preso. Cerca de 06
vezes menos que o americano.
• O presídio de Cascavel/PR recebe R$ 0.14 mensais, para manutenção,
alimentação, limpeza, e "salário" para o prisioneiro! Mesmo com este absurdo, os
presos não se queixam da alimentação, e ainda ressaltam: "comemos melhor do
que muita gente lá fora. Aqui tem carne todos os dias".
• O referido presídio encontra-se em péssimas condições de administração,
contando apenas com 01 funcionário público, o carcereiro. O restante dos
ajudantes no cárcere, num total de 08 são presos considerados de "confiança".
• É bem verdade que não podemos atribuir como causa da reincidência, somente o
fracasso da prisão. Temos que levar em consideração a contribuição de outros
fatores pessoais, políticos e sociais.
• O direito à salvaguarda da dignidade, o direito ao respeito da pessoa humana, o
direito à intimidade são os direitos mais agredidos na maior parte das prisões do
mundo. Desde a admissão, começa o despojamento da personalidade do preso,
algemas nos pulsos, revista no corpo nu, à vista de todos, a troca de traje pessoal
e uso de chuveiros na presença de guardas, etc.
• O direito à informação, já enunciado no art. 26 da Declaração Universal dos
Direitos do Homem e do Cidadão, é de vital importância para a ressocialização do
detento, pois tanto humaniza o regime penitenciário, como concorre para o
aprimoramento cultural do recluso. O direito à comunicação com o mundo exterior
abre a prisão ao mundo livre e visa à desinstitucionalização da prisão. O
condenado não pode perder o contato com a sociedade, para qual se prepara
gradativamente.
• A liberação sem o prévio preparo, como o tratamento reeducativo, e sem
colaboração da sociedade na reinserção social do preso, é traumatizante e fator de
delinqüência.
• A importância do papel do advogado é bastante percebida pelos entrevistados,
presos ou não-presos. Reconhecem que a sorte do processo depende, em grande
parte, da atuação dos causídicos. Depositam grande esperança nas mãos do
advogado e do juiz.
• O Departamento Penitenciário Brasileirovem realizando um programa nacional
de formação e aperfeiçoamento do servidor, mediante convênios com os Estados,
cursos de formação do pessoal penitenciário e de extensão universitária para
diretores e pessoal de nível superior, juntamente com cursos de especialização e
pós-graduação do pessoal do sistema penal em todo o território nacional.

• O Ministério da Justiça, desde a sua primeira programação penitenciária, vem


construindo estabelecimentos penitenciários em todas as unidades da Federação,
de acordo com o Programa de Reformulação e Sistematização Penitenciária, que
determina perspectivas inéditas à arquitetura carcerária nacional. O moderno
estabelecimento deve permanecer ao nível da dimensão humana.
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Sistema penitenciário brasileiro:


aspectos sociológicos
criminologista Gresham Sykes, o qual é autor de "Sofrimentos no Cárcere", enumera que:
o primeiro sofrimento do preso está na privação de liberdade; o segundo sofrimento é
aquele no qual o preso está privado de todos os bons serviços que o "outro lado do
mundo" oferece, o que poderia reeducá-lo naturalmente; o terceiro e maior sofrimento está
na abstenção de relações heterossexuais; o quarto sofrimento é aquele em que o preso
está submetido a regras institucionais designadas a controlar todo os seus movimentos; e
o quinto e último sofrimento enumerado por Sykes é aquele causado pelo preso, ou seja,
a cultura da prisão refletirá na cultura da sociedade, quando aquele levá-la consigo para
fora do estabelecimento penal.

ANÁLISE DA REALIDADE SOCIOLÓGICA-JURÍDICA:

A prisão tem sido nos últimos séculos a esperança das estruturas formais do Direito em
combater o processo da criminalidade. Ela constituía a espinha dorsal dos sistemas penais
de feição clássica. É tão marcante a sua influência em todos os setores das reações
criminais que passou a funcionar como centro de gravidade dos programas destinados a
prevenir e a reprimir os atentados mais ou menos graves aos direitos da personalidade e
aos interesses da comunidade e do Estado.

A prisão é o monoacordo que se propõe a executar a grande sinfonia do bem e do mal.


Nascendo geralmente do grito de revolta das vítimas e testemunhas na flagrância da
ofensa, ela é instrumento de castigo que se abate sobre o corpo do acusado e o incenso
que procura envolver a sua alma caída desde o primeiro até o último dos purgatórios.

A recuperação social do condenado não seria um mito redivivo, assim como um estágio
moderno de antigos projetos de redenção espiritual?
Somos herdeiros de um sistema que encontrou o seu apogeu no século das luzes quando
o reconhecimento formal dos direitos naturais, inalienáveis e sagrados do Homem,
impunha a abolição das penas cruéis. E a prisão não seria, portanto, uma pena cruel
principalmente porque ela mantinha a vida que tão freqüentemente era o preço do resgate
para o crime cometido.

Reconhecendo a imprestabilidade da pena capital para atender aos objetivos de


prevenção e avaliando o sentimento popular, o legislador brasileiro viu na prisão uma
forma de reação penal condizente com os estágios de desenvolvimento cultural e político
do próprio sistema.

Na atualidade se promove em nosso país uma grande revisão em torno da eficácia das
sanções penais de natureza institucional. Tal processo de abertura rompeu com a
oposição funesta entre o Direito Penal e a Criminologia no concerto das demais ciências
do homem, que o pensamento italiano fascista implantou a partir de 1910 e que se
projetou para a América Latina.

A Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a proceder o levantamento da situação


penitenciária nacional, instituída na Câmara dos deputados em 1975, colheu um vasto
material que caracteriza o retrato fiel do antagonismo marcante entre os ideais
desenhados pela lei e as violências do cotidiano.

O relatório daquela investigação reconheceu que "grande parte da população carcerária


está confinada em cadeias públicas, presídios, casas de detenção e estabelecimentos
análogos, onde os prisioneiros de alta periculosidade convivem em celas superlotadas
com criminosos ocasionais , de escassa ou nenhuma periculosidade e pacientes de
imposição penal prévia ( presos provisórios ou aguardando julgamento) para quem é um
mito, no caso, a presunção de inocência".

E mais incisivamente foi dito que em tais ambientes de estufa a ociosidade é a regra; a
intimidade, inevitável e profunda. "A deteriorização do cárcere resultante da influência
corruptora da subcultura criminal, o hábito da ociosidade, a alienação mental, a perda
paulatina da aptidão para o trabalho, o comprometimento da saúde, são conseqüências
desse tipo de confinamento promiscuo, já definido alhures como "sementeiras de
reincidência", dados os seus efeitos criminógenos".

Torna-se urgente a necessidade de revisão da qualidade e quantidade das sanções, não


apenas quanto aos mo mentos da cominação e da aplicação, em torno dos quais se
levantou uma pirâmide monumental de teorias, mas também em referência à execução e
seus incidentes que se acomodam nos códigos e arquivos mal cuidados dos cartórios.

A esperança (honesta ou simulada) de alcançar a "recuperação", "ressocialização",


"readaptação", "reinserção" ou "reeducação social" e outras designações otimistas de igual
gênero, penetrou formalmente em sistemas normativos com proclamações retóricas em
modernas constituições, códigos penais e leis penitenciarias sem que a execução prática
das medidas corresponda aos anseios de "recuperação" que não raramente se exaurem
na literalidade dos textos. A ideologia da salvação do condenado tem sido incensada às
alturas, mas também denunciada como um dos grandes mitos dos projetos de prevenção.
Nos dias presentes se questiona com bastante insistência sobre um importantíssimo
ângulo do problema da pena-emenda. Tem o Estado do direito de oprimir a liberdade ética
do preso, impondo-lhe autoritariamente uma concepção de vida e um estilo de
comportamento através de um programa de "reeducação" que não seja condizente com a
sua formação e convicções? A tentativa de "retificar" a personalidade não seria uma das
formas de lavagem cerebral? O poder público pretende, às vezes, sob a capa da redução
invadir esferas totalmente alheias à sua competência e usar as pessoas como meros
objetos.

Uma das demonstrações evidentes de que o encarceramento, na forma como está sendo
posto em prática, não tem condições de melhorar a situação pessoal do condenado, se
deduz do próprio espírito que orientou a Reforma penal e penitenciária decorrente da lei Nº
6.416 de 24 de maio de 1977. A exposição de motivos da mensagem revelou a
preocupação de "resolver o problema da superlotação das prisões".

A sobrecarga das populações carcerárias, como antagonismo diuturno aos ideais de


classificação dos presidiários e individualização executiva da sanção, é uma denuncia
freqüente na doutrina, nas comissões de inquérito parlamentar e nos relatórios oficiais.

A prisionalização é terapia de choque permanente, cuja natureza e extensão jamais


poderiam autorizar a tese enfadonha de que constitui uma etapa para a liberdade, assim
como se fosse possível sustentar o paradoxo de preparar alguém para disputar uma prova
de corrida, amarrando-o a uma cama.

Relatando as suas memórias do cárcere, na intensidade dos maiores sofrimentos,


Dostoiewiski escreveu que "o famoso sistema celular só atinge, estou disto convencido,
um fim enganador, aparente. Suga a seiva vital do indivíduo, enfraquece-lhe a alma,
amesquinha-o, aterroriza-o, e, no fim, apresenta-no-lo como modelo de correção, de
arrependimento, uma múmia moralmente dissecada e semi-louca.

A degradação do sistema penitenciário a níveis intoleráveis vem sendo freqüentemente


retratada com a opinião de que os presídios brasileiros são verdadeiros depósitos de
pessoas e permanentes fatores criminológicos.

Já em 1973, na Moção de Goiânia, foi elaborado por penalistas de prestígio, um


documento que afirma alguns princípios básicos para a prevenção da criminalidade.
Destacam-se:

a) substituição do vigente sistema de penas;

b) melhores condições de dignidade para o tratamento dos presos;

c) o reconhecimento de que a pena privativa de liberdade tem se mostrado inadequada em


relação aos seus fins, tanto sob o ângulo retributivo como sob os aspectos preventivos;

d) a necessidade de se reservar a prisão penal para os casos de maior gravidade;


e) a recomendação da efetiva aplicação do regime de prisão-aberta e outras medidas
substitutivas da prisão.

Mas a decadência da instituição carcerária é somente a ponta do iceberg a mostrar a


superfície da crise geral do sistema, para o qual convergem muitos outros fatores.

O espancamento dos princípios e das regras que empreitam significação à ciência pode
brotar não somente dos profissionais que com ela trabalham na sua aplicação prática,
como também de outras camadas populares, sejam ou não funcionários a serviço do
processo, testemunhas ou partes. Perante o conceito popular o processo penal social de
prevenção e repressão à violência e à criminalidade será objeto de satisfação ou repúdio
em sua perspectiva total sem que a crítica faça distinções entre os ramos jurídico que
formam a estrutura.

Teoricamente a NORMA JURÍDICA deveria provir do FATO SOCIAL, assim


regulamentando-o. Entretanto àquela se afasta muito das necessidades sociais, não
alcançando seus objetivos básicos, nem satisfazendo a contento as necessidades da
sociedade.

A garantia penal processual da motivação da sentença é negada ostensivamente quando,


além de carência formal, o ato de julgamento em si mesmo é viciado pela distância
profunda, um abismo entre o magistrado e o réu, ou entre o magistrado e as testemunhas,
posto que não se adota no processo criminal a regra da identidade física.

A crise aberta que corrói até o cerne o prestígio do antigamente chamado magistério
punitivo não será evidentemente contornada através do recuso à legislação de impacto ou
das promessa de um direito penal do terror. É necessário cumprir etapas prévias, a
começar pela denúncia, apontando a falência dos procedimentos e mecanismos obsoletos
quanto à forma e antagônicos à realidade, quanto ao fundo. A inflação legislativa criticada
freqüentemente nos últimos anos é também responsável pelo descrédito da intimidação
que poderia gerar o ordenamento positivo, principalmente porque o fenômeno abateu um
poderoso dogma: o dogma da presunção do conhecimento da lei.

A marginalidade social envolvendo uma vasta gama de menores é um dos pontos


nevrálgicos da questão a preocupar intensamente a moderna orientação da Política
Criminal, que reconhece a necessidade de respostas interdiciplinares para a delinqüência
juvenil em lugar de rebaixar o limite de idade para estabelecer a capacidade penal.

Finalmente, o sistema está em regime de insolvência, sem poder quitar as obrigações


sociais e os compromissos assumidos individualmente. E para este debitum não remido
contribuiu também o desinteresse em tratar com o necessário rigor cientifico as figuras do
réu e da vítima, os protagonistas, enfim, do fenômeno criminal em toda a sua inteireza.
Antes, durante e depois da intervenção punitiva do Estado.

ALCATRAZ - A TEMIDA PRISÃO


Alcatraz é uma ilha na Bahia de São Francisco - USA, local da mais famosa prisão que
leva o seu mesmo nome. A ilha fora descoberta por Espanhóis em 1545, e nomeada em
1775 de "alcatraces" (pelicanos, em Espanhol).

Designada para reserva militar dos EUA, em 1850 foi fortificada e utilizada por prisioneiros
militares durante a Guerra Civil. Oficialmente tornou-se prisão militar em 1907 e, em 1933
tornou-se prisão federal.

A prisão era considerada anti-fugas pois sua estrutura era realmente forte, rodeada de
correntes marítimas frias e um sistema policial altamente qualificado. Mas o outro lado de
Alcatraz, o mesmo que inspirou filmes como: "Assassinato em 1º Grau", mostra-nos atos
desumanos, frios e cruéis, onde os castigos e torturas eram a lei daquele lugar.

Devido sua fama de ser intransponível, após o acontecimento de uma única fuga, fora
fechada em 1963. Sua estrutura vazia fora confiscada por um grupo de indígenas em
novembro de 1969.

Eles mantiveram-na até junho de 1971. Com o fracasso da reivindicação de obtê-la do


governo norte-americano, a ilha fora aberta novamente em 1972 para o público e faz parte
do Golden Gate Área de Recreação Nacional (GOLDEN GATE NATIONAL RECREATION
AREA).

CONCLUSÃO

Como já dito, as prisões são cenário de constantes violações dos direitos humanos. Os
principais problemas enfrentados são: a superlotação; a deterioração da infra-estrutura
carcerária; a corrupção dos próprios policiais; a abstenção sexual e a
homossexualidade; o suicídio; a presença de tóxico; a falta de apoio de autoridades
governamentais; as rebeliões; a má administração carcerária; a falta de apoio de
uma legislação digna dos direitos do preso-cidadão; a falta de segurança e pessoal
capacitado para realizá-la, e a reincidência que é de vital importância para às vistas
da sociedade; demonstram que o Brasil está torturando presos em penitenciárias,
aniquilando qualquer possibilidade que venham a se recuperar, ao mesmo tempo que
gasta dinheiro à toa. É preciso, urgentemente, mudar esse sistema cruel que forja mais
criminosos.

O direito à educação e ao trabalho, que estão vinculados à formação e desenvolvimento


da personalidade do recluso. São os direitos sociais de grande significação, pois o trabalho
é considerado reeducativo e humanitário; colabora na formação da personalidade do
recluso, ao criar-lhe hábito de autodomínio e disciplina social, e dá ao interno uma
profissão a ser posta a serviço da comunidade livre. Na participação das atividades do
trabalho o preso se aperfeiçoa e prepara-se para servir à comunidade. Porém, o nosso
sistema penitenciário ainda mantém o trabalho como remuneração mínima ou sem
remuneração, o que retira do trabalho sua função formativa ou pedagógica e o caracteriza
como castigo ou trabalho escravo.

Prisão: violência ou solução?

A prisão é uma universidade do crime. O sujeito entra porque cometeu um pequeno furto e
sai fazendo assalto a mão armada.

A violência não é um desvio da prisão: violenta é a própria prisão. Não é possível eliminar
a violência das prisões, senão, eliminando as próprias prisões. Mas a supressão das
prisões será somente possível numa sociedade igualitária, na qual o homem não seja
opressor do próprio homem e onde um conjunto de medidas e pressuposto anime a
convivência sadia e solidária entre as pessoas.

Se a prisão de indivíduos condenados pela Justiça é sempre uma violência, violência


ainda maior é a prisão de quem ainda não foi julgado, é o encarceramento sob respaldo
dos decretos de prisão preventiva.

Para diminuir a violência da prisão, a medida mais eficaz é a redução drástica do


aprisionamento. A prisão em si é uma violência amparada pela lei. O desrespeito aos
direitos do preso é uma violência contra a lei.

É visível a incompetência geral do sistema penitenciário que, além de não recuperar os


detentos, agora os "devolve" à sociedade sem que haja um aprimoramento psicológico e
sociológico suficiente para que o mesmo possa enfrentar uma nova realidade.

Não pode haver mais dúvidas de que o sistema penitenciário brasileiro rigorosamente está
falido, além de inútil como solução para os problemas da criminalidade, nele há um
desrespeito sistemático aos direitos humanos garantidos pela Constituição, inclusive aos
condenados.

Diante das lamentáveis condições penitenciárias, o discurso que prega a reclusão como
forma de ressocialização de criminosos, ultrapassa a raiz da hipocrisia tolerável.

BIBLIOGRAFIA

1. ALBERGARIA, Jason. Manual de Direito Penitenciário, São Paulo, Ed. Aide.

2. CARNELUTTI, Francesco. As Misérias do Processo Penal, Itália, Ed. Conam.


Tradução em 1957.
3. CATÃO, Yolanda; FRAGOSO, Heleno; SUSSEKIND, Elizabeth, Direito dos Presos,
Ed. Forense.

4. HERKENHOFF, B. João. Crime Tratamento Sem Prisão, Porto Alegre, 1995, Ed.
Livraria do Advogado, Edição 2ª.

5. NETO, M. Zahidé. Direito Penal e Estrutura Social, São Paulo, Ed. Da Universidade
de São Paulo - SP. Edição Saraiva.

6. PASTORE, Alfonso Pe. O Iníquo Sistema Carcerário, São Paulo, 1991, Edições
Loiola.

7. REVISTA VEJA, 23 de Outubro de 1996, Paulo Tonet Camargo

Realidade do sistema penitenciário


brasileiro
Desligar o modo marca-texto

Quase que diariamente vemos a imprensa noticiar a falta de vagas nos presídios e
o estado precário dos estabelecimentos já existentes, fatos que deterioram as
expectativas de recuperação dos presos; e também é sabido que o alto custo para
a criação e a manutenção dos estabelecimentos carcerários determina um terrível
desgaste da responsabilidade do Governo pela questão. Porém, as soluções
possíveis são diversas, todavia o que mais falta é vontade política para determinar
o fim do problema.

O Brasil tem ao todo 511 Estabelecimentos de Confinamento, somando


aproximadamente 60 mil vagas para presos. Todavia, estão presos nestes
estabelecimentos 130 mil presos, representando um déficit de 70 mil leitos. E ainda
existem 275 mil mandados de prisão expedidos e não cumpridos.

Cada preso custa por mês para os cofres da nação o total de 4,5 salários mínimos,
sendo que o gasto geral dos Governos Federal e Estaduais é de 60 milhões num
só mês (Dados obtidos na Teleconferência do Ministério da Justiça, Sistema
Penitenciário - Penas Alternativas, em 30.04.96).

A situação dos presos é desanimadora em decorrência da superlotação dos


estabelecimentos de cárcere e a escassez de recursos financeiros para construção
e manutenção dos presídios. Mas qual a solução satisfatória e imediata?

Uma das soluções pode ser facilmente encontrada na legislação criminal pátria.
Trata-se da adoção de Penas Alternativas ao invés de Penas Privativas de
Liberdade. Todavia, é bom que se esclareça que isto não significa deixar sem
punição os criminosos, mas sim aplicar-lhes penas condizentes com a gravidade
de seus crimes. Também, não se pretende deixar os criminosos fora das prisões
pelo simples fato de não existirem dependências nos presídios. O que se quer, na
realidade, é que sejam aplicadas as determinações legais já existentes na
legislação.

Dentre as penas alternativas pode-se citar as Restritivas de Direitos, previstas nos


arts. 32, 43 a 48 do Código Penal. Também podem ser adotadas outras formas de
sanção, como as penas intimidatórias, vexaminosas e patrimoniais, como:
admoestação, confisco, expropriação, multa, desterro, liberdade vigiada, proibição
de freqüentar determinados lugares, dentre outros.

Quando um juiz aplica a um condenado uma pena alternativa, ele não só está
depositando confiança na recuperação do mesmo, como está colaborando para
que ele não freqüente um ambiente não correspondente ao tipo de crime que ele
cometeu, além de aplicar uma pena condizente com o delito cometido.

Não se pode confundir um homicida com um ladrão de galinhas, com um


sonegador de impostos ou um funcionário que comete peculato. Os crimes são
bem diferentes, os primeiros implicam numa ação violenta, direcionada contra a
pessoa humana em relação à sua vida e à sua integridade física. Já os outros,
incidem no patrimônio e resultam de uma ação de astúcia e esperteza.

A aplicação de penas alternativas é uma das soluções para o sistema


penitenciário, porém, carece de meios de fiscalização capazes, mas que
certamente custariam muito menos para o Estado do que investir em casas de
reclusão. Sendo que o retorno social e educacional seria muito mais proveitoso
para a comunidade.

A FALÊNCIA DO SISTEMA CARCERÁRIOAutora: BARTIRA MOUSINHO LIMA

A falência do sistema penitenciário brasileiro é notório. Sabemos da


precariedade das instituições carcerárias e das condições subhumanas na qual
vivem os presos.

As prisões e penitenciárias brasileiras são verdadeiros depósitos humanos ,


onde homens e mulheres são deixados aos montes sem o mínimo de dignidade
como seres humanos que são. O excesso de lotação dos presídios, penitenciarias e
até mesmo distritos policiais também contribuem para agravar a questão do
sistema penitenciário. Locais que foram projetados para acomodar 250 presos,
amontoam-se em média 600 ou mais presos, acarretando essa superlotação, o
aparecimento de doenças graves e outras mazelas, no meio dos detentos.

As drogas e as armas são outros fatores determinantes no problema do


sistema penitenciários brasileiro. Temos visto e ouvido nos noticiários, o grande
número de armas e a grande quantidade de drogas que são apreendidos
diariamente nos presídios.

Impera dentro das prisões a lei do mais forte, ou seja, quem tem força ou
poder subordina os mais fracos. Vemos, também como as gangues estão
controlando o crime de dentro dos presídios através de aparelhos telefônicos, de
mensagens levadas pelos próprios parentes e ou visitas dos presos.

“Ora, se um preso usa um telefone celular, se serve das visitas para atuar
externamente, tal não se deve ao principio da progressividade das penas e o
respeito pelos direitos do preso, mundialmente reconhecidos, mas pelo tráfico que
é a tônica no sistema carcerário brasileiro. De que vale determinar o isolamento de
um criminoso por anos, se ele vai contar com a corrupção do pessoal penitenciário
1
para permanecer em contato com o mundo exterior? “

Sabe-se que existem presídios onde há apenas um agente penitenciário


para tomar conta de cerca de 100 a 200 detentos, profissionais esses mal
remunerados, acabam encontrando na corrupção de favorecimento a certos
detentos, um rendimento que chega a ser superior a seus proventos.

Aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de


1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em cujo preâmbulo está
escrito que devemos todos, indivíduos e comunidades, nos empenhar para que os
direitos nela inscritos se tornem uma realidade, mediante a adoção de medidas
progressivas de caráter nacional e internacional.

2
” O réu deve ser tratado como pessoa humana”.

E para reforçar ainda mais a Declaração dos Direitos Humanos, a Lei n.


7.210, de 11 de julho de 1984, Lei de Execuções Penais.

Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar


as disposições de sentença ou decisão criminal e
proporcionar condições para a harmônica
integração social do condenado e do internado.

Um indivíduo que cometeu um crime deve ser julgado segundo o devido


processo legal e, se condenado, sujeito a um sistema que objetive sua
ressocialização. Quem conhece a realidade das prisões brasileiras há de concluir
que o que está acontecendo se deve à corrupção e à violência que ali fazem
morada.

“Toda pena, que não derive da absoluta necessidade, diz o grande


Montesquier, é tirânica, proposição esta que pode ser assim generalizada: todo ato
de autoridade de homem para homem que não derive da absoluta necessidade é
3
tirânico”.

Na verdade, para adquirir-mos um mínimo de segurança, precisamos


investir naquilo em que nunca se investiu com seriedade: a reforma dos aparelhos
judiciais e, como conseqüência, no próprio sistema penal.

“Toda sociedade humana que traz em seu bojo a ética no viver e o equilíbrio
social entre seus semelhantes, cada vez menos precisará de um Estado forte a lhe
4
determinar regras de conduta”

Como conseqüências e frutos de políticas sociais injustas, o poder


dominante priva a maioria da população brasileira do alcance aos meios mínimos de
sobrevivência como educação, saúde e moradia, elevando cada vez mais as
diferenças sociais e os índices de criminalidade.

A pena deve ser usada como profilaxia social, não só para intimidar o
5
cidadão, mas também para recuperar o delinqüente.

As penas nos moldes que estão sendo aplicadas, no atual sistema prisional
brasileiro, longe está de ser ressocializadora. Busca-se dar uma satisfação a
sociedade que se sente desprotegida, assim sendo apresenta-se apenas a finalidade
retributiva. Não busca ela a recuperação do delinqüente , não busca reintegrá-lo no
seio da sociedade.

Dentre os graves problemas que isso acarreta, gera um falso entendimento


que com penas mais severas pode-se coibir os delinqüentes. Engana-se os que
assim pensam, pois o crime é reflexo de muitas outras causas.

Não é usurpando os direitos dos presos que se atingirá os objetivos


previstos nas sanções aplicadas aos mesmos, os seus direitos como os deveres
estão claros, como nos mostra o Decreto - Lei N.º 2.848, de 7 de dezembro de
1940.

Art.38. O preso conserva todos os direitos


não atingidos pela perda da liberdade,
impondo-se a todas as autoridades o
respeito à sua integridade física e moral.

Talvez uma das soluções para um melhor resultado das sanções aplicadas
seria colocar em prática o que já está previsto em lei, o trabalho dos detentos nos
sistemas prisionais, Lei N.º 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984. Leis de Execuções
Penais.

Art.28. O trabalho do condenado , como


dever social e condição de dignidade
humana, terá finalidade educativa e
produtiva.

Art. 126. O condenado que cumpre a pena


em regime fechado ou semi-aberto
poderá remir, pelo trabalho, parte do
tempo de execução da pena.

Art. 128. O tempo remido será


computado para a concessão de
livramento condicional e induto.

Laborterapia, trata-se de ocupar o tempo fazendo uma atividade


profissional . Poderão os detentos desenvolver atividades que varia da manutenção
do presídio, panificação, cozinha e faxina, até atividades como a confecção de bolas
, caixões e outras tantas atividades mais que possam ser desenvolvidas dentro dos
presídios.

As prisões deves ser reformuladas com a criação de oficinas de trabalho,


para que a laborterapia possa ser aplicada de fato, dando oportunidade para que o
condenado possa efetivamente ser recuperado para a vida em sociedade.

Outra alternativa para as superlotações e a redução dos custos do


sistema penitenciário, seria as penas alternativas. As penas alternativas são
destinadas aos criminosos não perigosos e às infrações de menor gravidade,
visando substituir as penas detentivas de curta duração. Elas podem substituir as
penas privativas de liberdade quando a pena imposta na sentença condenatória
por crime doloso não for superior a 4 anos. Tratando-se de crime culposo a
substituição é admissível qualquer que seja a pena aplicada. Entretanto, o crime
cometido com violência e grave ameaça não é passível de substituição, assim como
a reincidência em crime doloso impede a concessão da alternativa penal.

Com o advento da Lei 9.714/98, Penas Alternativas, criou-se uma maior


abrangência para a aplicação das penas alternativas.

“ O sucesso da inovação dependerá, e


muito do apoio que a comunidade der às
autoridades judiciais, possibilitando a
oportunidade para o trabalho do
sentenciado, o que já demonstra as
dificuldades do sistema adotado diante da
reserva com que o condenado é encarado
no meio social. Trata-se, porém, de medida
de grande alcance e, aplicada com critério,
poderá produzir efeitos salutares,
6
despertando a sensibilidade popular”.

Os crimes sujeitos às penas alternativas são: pequenos furtos,


apropriação indébita, estelionato, acidente de trânsito, desacato à autoridade, uso
de drogas, lesões corporais leves e outras infrações de menor gravidade.

Com o advento da nova lei, as penas alternativas são:

· Prestação pecuniária;
· Perda de bens e valores pertencentes ao condenado em favor do
Fundo Penitenciário Nacional;
· Prestação de serviço à comunidade ou a entidade pública;
· Proibição de exercício de cargo, função ou atividade pública,
bem como de mandato eletivo;
· Proibição de exercício de profissão, atividade ou ofício que
dependam de habilitação oficial, de licença ou autorização do Poder Público;
· Suspensão de autorização ou habilitação para dirigir veículos;
· Proibição de freqüentar determinados lugares;
· Limitação de fim de semana ou “ prisão descontínua”;
· Multa ;
· Prestação inominada.

Inseriu-se na Constituição Federal de 1988, em seu art. 98, I a previsão


de que à União, Estado e Distrito Federal, compete a criação de Juizados
Especiais, os quais com competência para o julgamento e execução de causas
cíveis de menor complexidade, além das infrações penais de menor potencial
ofensivo.

Atualmente no Brasil apenas 7% das penas são convertidas em


7
penas alternativas.

Lei N º 9.099/95. Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais.

“ O Art. 60 da Lei 9.099/95 determina


que o Juizado Especial Criminal, provido
por Juizes togados ou togados e leigos,
tem competência para a conciliação, o
julgamento e a execução das infrações
penais de menor potencial ofensivo......
Para efeito de classificação de crime de
menor potencial ofensivo, consideramos
aqueles de tímida repercussão social,
chamados de “crime de bagatela”, ou
seja, de pouca significancia, não
produzindo grande repercussão social,
ajustando-se ao princípio da
insignificância no Direito Penal, exigindo
assim tímida intervenção do Estado no
8
seu poder repressor ”.

E, ademais, não são penas pesadas e seu cumprimento cruel que podem
ser apontados como fator de diminuição da criminalidade.

BARTIRA MOUSINHO LIMA

Estudante de Direito

UNICEUMA - Centro Universitário do Maranhão

1
“Direitos humanos, conquistas do homem” Hélio Bicudo – artigo publicado pela
Folha de São Paulo caderno opinião f. A3 abril/2003.

2
DAMASIO E de Jesus, Direito Penal, ed. Saraiva 25º edição 2002 p.11

3
CECARIA, Cesare , Dos Delitos e Das Penas, Ed. Revista dos Tribunais1996
p.28 tradução J. Cretella Jr. e Agnes Cretella.

4
Dr. Douglas Mondo, fundador do Conselho de Segurança de Jundiaí

5
MIRABETE, Júlio Fabbrini. Op. Cit., p.39

6
MIRABETE, Júlio Fabbrini. Op. Cit., p.269

7
Jornalismo Band News 24.04.2003

8
SILVA, Luís Cláudio. Juizado Especial Criminal, Prática e
Teoria do Processo, Rio de Janeiro, Forense, 1997, p-7.

BIBLIOGRAFIA

CECCARIA, Cesare..Dos Delitos e Das Penas, 2 ed. Rio de


Janeiro, Revista dos Tribunais,1996

DAMASIO, de Jesus. Direito Penal, 25 ed. São Paulo, Saraiva,


2002

MIRABETE, Júlio Fabbrini. Manual de Direito Penal, 18 ed. São


Paulo, Atlas, 2001

SILVA, Luís Cláudio. Juizado Especial Criminal, Prática e


Teoria do Processo, Rio de Janeiro, Forense, 1997

O problemático sistema carcerário


Rebeliões, reféns, corrupção... o que fazer dos presídios do Brasil?

Publicado em 19/05/2006 - 00:01

Estão se tornando cada vez mais comuns as notícias de rebeliões e fugas em presídios
brasileiros. O atrasado sistema penal do país não colabora e junta, em cadeias
superlotadas, criminosos primários e homicidas, seqüestradores, estupradores e outros.
O resultado é que, ao invés de ser um espaço para reeducar o preso, o sistema carcerário
do Brasil se tornou uma espécie de 'pós-graduação' no mundo do crime. Um jovem
delinqüente que entre em uma dessas carceragens sai de lá como um líder de facção,
disposto a enfrentar a polícia.

Mais do que isso, faltam vagas, sobram prédios obsoletos e, principalmente, servidores
despreparados e alvos fáceis da corrupção. "Hoje, não se pensa em reeducar os presos,
apenas largam os caras lá. É preciso perceber que a política prisional é atrasada. É hora
de parar de construir grandes cidades prisionais porque isso só serve pra aumentar a
criminalidade", explica o especialista em Segurança Pública da UnB (Universidade de
Brasília) Roberto Aguiar. "Se é pra fazer prisões diferenciadas, que se faça pequenas
cadeias regionais."
A estrutura física do sistema prisional brasileiro é parte de um problema que parece de
difícil solução. É nas cadeias que tem surgido as grandes facções criminosas, como o
PCC (Primeiro Comando da Capital). Mal organizado, ele deixa os mais jovens à mercê
dos mais velhos. Estes, por sua influência, ou pela violência mesmo, conquistam novos
'adeptos'. A lógica da organização faz com que os que não são seus amigos passem
automaticamente para a condição de inimigos. Ameaçados, portanto, mesmo em um
ambiente em que deveria garantir a segurança da sociedade e dos próprios presos.

"O que é muito pernicioso hoje no Brasil é que tudo isso acontece dentro de um
ambiente carcerário muito nefasto. Há um contingente de criminosos comuns, não-
articulados com nenhuma organização, mas que, por conta das relações, não de
solidariedade, mas muito mais de opressão são obrigados a aderir a estas associações",
explica a professora do Departamento de Psicologia e Educação da USP (Universidade
de São Paulo) Marina Rezende Bazon. "E isso acontece até para que ele possa garantir
sua integridade psicológica e física também."

A violência nossa de cada dia

Some-se a estes fatos o despreparo de muitos dos agentes carcerários - já descontados


os que se deixam corromper. Para alguns destes, a brutalidade é o melhor meio para
instaurar a ordem dentro dos presídios. Um processo que só tende a gerar ainda mais
violência e que, na primeira oportunidade de rebelião, faz destes mesmos agentes os
alvos prioritários dos detentos que assumem o controle.

"Há uma violência extra-legal evidente no parque carcerário. Tem equipes que dão
surras de cano em prisioneiros e, enfim, há uma idéia de que a brutalidade possa
controlar preventivamente a violência. Para qualquer especialista, isso é uma bobagem.
Acontece que os servidores das penitenciárias não são especialistas", lamenta o
professor do departamento de Psicologia Evolutiva, Social e Escolar da Unesp
(Universidade Estadual Paulista), Luiz Carlos da Rocha. "O resultado é que há um
número de brutalidades fora do regimento que criam uma oportunidade muito grande
para movimentos, grupos de pressão. E nisso proliferam organizações."

Soluções

Para resolver o problema dos presídios brasileiros, o primeiro passo é mudar o sistema
penal, separando presos pela graduação de seus crimes. E punindo com o
encarceramento apenas os crimes que realmente fazem jus à pena - para isso, é preciso
estabelecer as regras de penas alternativas. Além disso, nada disso funcionaria sem um
judiciário ágil.

Esse conjunto básico de ações na legislação é fundamental, uma vez que é impossível
que a construção de novos presídios acompanhe a demanda do parque carcerário. Ao
mesmo tempo, é preciso reajustar o parque carcerário, que ofereçam vagas sustentáveis
e que dêem resultado - ou seja, que efetivamente reeduquem os presos.

"Não é possível, e nem desejável, criar um número muito grande de vagas


penitenciárias. Primeiro porque o encarceramento não é a melhor forma de
cumprimento de pena para grande parte dos sentenciados. Segundo porque o custo do
encarceramento penaliza fortemente a população, pois obriga a autoridade pública a
deslocar verbas para ele", diz Rocha. "O nosso parque carcerário, ainda que o de São
Paulo seja, de longe, melhor do que os dos outros estados, sofre de uma precariedade
muito grande. É super-lotado e tem dificuldades administrativas muito sérias. Ele vive
em crise."

O Sistema Penitenciário Brasileiro Tem Solução?


Respeito e Dignidade não ao preso, mas à Pessoa Humana que ele é.
Sabemos que muitos desses movimentos de presos, dessas rebeliões carcerárias, têm origens em
motivações político-partidárias, com finalidades eleitorais, por exemplo.

Mas, nós, envolvidos com a Segurança Pública que somos, conhecemos um pouco da história carcerária.
Sabemos como se acomodam os detentos diante da superpopulação; sabemos que dormem em "turnos",
onde um preso tem de dormir por determinado tempo, acordar, se levantar, para dar lugar a outro preso,
que precisa dormir;

sabemos que a integridade fisica de muitos presos não é respeitada: são violentados por um ou mais
detentos, quer por vingança, quer por serem novos no sistema, quer por não terem proteção dos líderes
das facções.

Conheço histórias aviltantes, de homens que foram levados ao hospital com o ânus dilacerado, às vezes
totalmente deformados...
Isso é indigno... desumano... Nada a ver com peninha, de eles serem coitadinhos... Devem cumprir sua
pena, pagar seu débito junto à Sociedade, mas esse tipo de coisa não está incluído nas penas aplicadas
pela Justiça.

Sobre o sistema carcerário paulista, o surgimento do Primeiro Comando da Capital, em agosto de 1993,
na cidade de Taubaté/SP, foi motivado, também, pela opressão nos presídios e penitenciárias, além da
vingança pela morte dos 111 presos, um outubro de 1992, na Casa de Detenção de São Paulo, que ficou
conhecido como "Massacre do Carandiru".

O descaso das autoridades com o que chamaram de "exigências dos presos", que nada mais eram que
condições dignas para o cumprimento de suas penas, permitiu que, em 2001, o então líder da facção, "o
Sombra", liderasse uma mega-rebelião via telefone celular, controlando cerca de 29 presídios no Estado.

Não podemos nos ater às motivações político-partidárias, sob pena de nos desviarmos da origem do
problema, da motivação da massa carcerária - falta de dignidade e respeito ao preso.

Se atacarmos sua origem, solucionando esse problema, ele deixará de ser palco para nossos
"politiqueiros" de plantão.

Nosso povo, alheio às conspirações e interesses dos grupos sociais detentores do poder econômico, é
movido por aquilo que acham que é certo.

Vejamos o Movimento dos Sem Terra. A reivindicação é justa. O agricultor e sua família precisam de um
pedaço de terra para plantar e sobreviver, enquanto existem latifúndios totalmente improdutivos. É hora
do Estado entrar em ação. Só que o Estado, representado por esses governos comandados pelos grupos
sociais detentores do poder econômico, não agem como deveriam. Assim, a grande massa de
agricultores, com suas justas reivindicações, seguem aquele líder carismático, surgido entre eles, mas
que, ao longo da jornada, se "rende" às vantagens de um cargo legislativo, ou um cargo comissionado no
governo. As minorias se resignam, reclamam "pra chuchu", e tudo fica na mesma.
Com o sistema carcerário não é diferente. A grande massa sofre com a indignidade e desumanidade do
sistema. Os líderes carismáticos se sobressaem, contando com o apoio da mídia e da corrupção de
funcionários públicos. A Sociedade se aliena. O governo se omite ou até age, com políticas totalmente
ineficazes (não sem antes gastarem rios de dinheiro público).

A população carcerária, sem voz, acaba seguindo seus líderes, sem se interessar com a motivação deles.
Acreditam que vão ser ouvidos, que seus líderes estão, realmente, clamando por condições dignas para o
cumprimento das penas - e estão, dentre outros não aparentes.

Com relação ao tratamento dado aos nossos policiais, nossa Comunidade surgiu, exatamente, para lutar
por reais melhorias nas condições de vida e de trabalho dos integrantes de Nossa Força de Segurança
Pública.

Sou a primeira a querer expurgar o mau policial, o mau agente de segurança, para que nossas
corporações fiquem livres dessas "maçãs podres". Porém, sou a primeira a defender seus direitos de
cumprirem suas penas em locais separados dos demais criminosos, uma vez que, enquanto policiais,
cumpriram com seu dever de prendê-los.

Portanto, quem comete crimes deve ser punido, nos limites da lei, sem a necessidade de ultrapassá-los,
dentro do respeito e da dignidade, não ao preso, mas à Pessoa Humana que ele é...

A realidade atual do sistema penitenciário


brasileiro

A superlotação das celas, sua precariedade e sua insalubridade tornam as prisões


num ambiente propício à proliferação de epidemias e ao contágio de doenças.

Os problemas relacionados à saúde no sistema penitenciário

A superlotação das celas, sua precariedade e sua insalubridade tornam as

prisões num ambiente propício à proliferação de epidemias e ao contágio de

doenças. Todos esses fatores estruturais aliados ainda à má alimentação

dos presos, seu sedentarismo, o uso de drogas, a falta de higiene e toda a

lugubridade da prisão, fazem com que um preso que adentrou lá numa

condição sadia, de lá não saia sem ser acometido de uma doença ou com

sua resistência física e saúde fragilizadas.

Os presos adquirem as mais variadas doenças no interior das prisões. As

mais comuns são as doenças do aparelho respiratório, como a tuberculose e

a pneumonia. Também é alto o índice da hepatite e de doenças venéreas

em geral, a AIDS por excelência. Conforme pesquisas realizadas nas


prisões, estima-se que aproximadamente 20% dos presos brasileiros sejam

portadores do HIV, principalmente em decorrência do homossexualismo, da

violência sexual praticada por parte dos outros presos e do uso de drogas

injetáveis.

Além dessas doenças, há um grande número de presos portadores de

distúrbios mentais, de câncer, hanseníase e com deficiências físicas

(paralíticos e semi-paralíticos). Quanto à saúde dentária, o tratamento

odontológico na prisão resume-se à extração de dentes. Não há tratamento

médico-hospitalar dentro da maioria das prisões. Para serem removidos

para os hospitais os presos dependem de escolta da PM, a qual na maioria

das vezes é demorada, pois depende de disponibilidade. Quando o preso

doente é levado para ser atendido, há ainda o risco de não haver mais uma

vaga disponível para o seu atendimento, em razão da igual precariedade do

nosso sistema público de saúde.

O que acaba ocorrendo é uma dupla penalização na pessoa do condenado:

a pena de prisão propriamente dita e o lamentável estado de saúde que ele

adquire durante a sua permanência no cárcere. Também pode ser

constatado o descumprimento dos dispositivos da Lei de Execução Penal, a

qual prevê no inciso VII do artigo 40 o direito à saúde por parte do preso,

como uma obrigação do Estado.

Outro descumprimento do disposto da Lei de Execução Penal, no que se

refere à saúde do preso, é quanto ao cumprimento da pena em regime

domiciliar pelo preso sentenciado e acometido de grave enfermidade

(conforme artigo 117, inciso II). Nessa hipótese, tornar-se-á desnecessária

a manutenção do preso enfermo em estabelecimento prisional, não apenas

pelo descumprimento do dispositivo legal, mas também pelo fato de que a

pena teria perdido aí o seu caráter retributivo, haja vista que ela não

poderia retribuir ao condenado a pena de morrer dentro da prisão.


Dessa forma, a manutenção do encarceramento de um preso com um

estado deplorável de saúde estaria fazendo com que a pena não apenas

perdesse o seu caráter ressocializador, mas também estaria sendo

descumprindo um princípio geral do direito, consagrado pelo artigo 5º da

Lei de Introdução ao Código Civil, o qual também é aplicável

subsidiariamente à esfera criminal, e por via de conseqüência, à execução

penal, que em seu texto dispõe que “na aplicação da lei o juiz atenderá aos

fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”. DIGITAR

ONDE PARAMOS

2. Direitos humanos do preso e garantias legais na execução da

pena privativa de liberdade

CONCLUSAO

As garantias legais previstas durante a execução da pena, assim como os

direitos humanos do preso estão previstos em diversos estatutos legais. Em

nível mundial existem várias convenções como a Declaração Universal dos

Direitos Humanos, a Declaração Americana de Direitos e Deveres do

Homem e a Resolução da ONU que prevê as Regras Mínimas para o

Tratamento do Preso.

INTRODUÇAO

Em nível nacional, nossa Carta Magna reservou 32 incisos do artigo 5º, que

trata das garantias fundamentais do cidadão, destinados à proteção das

garantias do homem preso. Existe ainda em legislação específica – a Lei de

Execução Penal – os incisos de I a XV do artigo 41, que dispõe sobre os

direitos infra-constitucionais garantidos ao sentenciado no decorrer na

execução penal.
No campo legislativo, nosso estatuto executivo-penal é tido como um dos

mais avançados e democráticos existentes. Ela se baseia na idéia de que a

execução da pena privativa de liberdade deve ter por base o princípio da

humanidade, sendo que qualquer modalidade de punição desnecessária,

cruel ou degradante será de natureza desumana e contrária ao princípio da

legalidade.

No entanto, o que tem ocorrido na prática é a constante violação dos

direitos e a total inobservância das garantias legais previstas na execução

das penas privativas de liberdade. A partir do momento em que o preso

passa à tutela do Estado ele não perde apenas o seu direito de liberdade,

mas também todos os outros direitos fundamentais que não foram atingidos

pela sentença, passando a ter um tratamento execrável e a sofrer os mais

variados tipos de castigos que acarretam a degradação de sua

personalidade e a perda de sua dignidade, num processo que não oferece

quaisquer condições de preparar o seu retorno útil à sociedade.

Dentro da prisão, dentre várias outras garantias que são desrespeitadas, o

preso sofre principalmente com a prática de torturas e de agressões físicas.

Essas agressões geralmente partem tanto dos outros presos como dos

próprios agentes da administração prisional.

Os abusos e as agressões cometidas por agentes penitenciários e por

policiais ocorre de forma acentuada principalmente após a ocorrência de

rebeliões ou tentativas de fuga. Após serem dominados, os amotinados

sofrem a chamada “correição”, que nada mais é do que o espancamento

que acontece após a contenção dessas insurreições, o qual tem a natureza

de castigo. Muitas vezes esse espancamento extrapola e termina em

execução, como no caso que não poderia deixar de ser citado do

“massacre” do Carandiru, em São Paulo, no ano 1992, no qual oficialmente

foram executados 111 presos.


O despreparo e a desqualificação desses agentes fazem com que eles

consigam conter os motins e rebeliões carcerárias somente por meio da

violência, cometendo vários abusos e impondo aos presos uma espécie de

“disciplina carcerária” que não está prevista em lei, sendo que na maioria

das vezes esses agentes acabam não sendo responsabilizados por seus atos

e permanecem impunes.

Entre os próprios presos a prática de atos violentos e a impunidade ocorrem

de forma ainda mais exacerbada. A ocorrência de homicídios, abusos

sexuais, espancamentos e extorsões são uma prática comum por parte dos

presos que já estão mais “criminalizados” dentro da ambiente da prisão e

que, em razão disso, exercem um domínio sobre os demais presos, que

acabam subordinados a essa hierarquia paralela. Contribui para esse quadro

o fato de não serem separados os marginais contumazes e sentenciados a

longas penas dos condenados primários.

Os presos que detém esses poder paralelo dentro da prisão, não são

denunciados e, na maioria das vezes também permanecem impunes em

relação a suas atitudes. Isso pelo fato de que, dentro da prisão, além da “lei

do mais forte” também impera a “lei do silêncio”.

Outra violação cometida é a demora em se conceder os benefícios àqueles

que já fazem jus à progressão de regime ou de serem colocados em

liberdade os presos que já saldaram o cômputo de sua pena. Essa situação

decorre da própria negligência e ineficiência dos órgãos responsáveis pela

execução penal, o que constitui-se num constrangimento ilegal por parte

dessas autoridades, e que pode ensejar inclusive uma responsabilidade civil

por parte de Estado pelo fato de manter o indivíduo encarcerado de forma

excessiva e ilegal.

Somam-se a esses itens o problema dos presos que estão cumprindo pena

nos distritos policias (devido à falta de vagas nas penitenciárias), que são
estabelecimentos inadequados para essa finalidade, e que, por conta disso,

acabam sendo tolhidos de vários de seus direitos, dentre eles o de

trabalhar, a fim de que possam ter sua pena remida, e também de auferir

uma determinada renda e ainda evitar que venham a perder sua capacidade

laborativa.

O que se pretende ao garantir que sejam asseguradas aos presos as

garantias previstas em lei durante o cumprimento de sua pena privativa de

liberdade não é o de tornar a prisão num ambiente agradável e cômodo ao

seu convívio, tirando dessa forma até mesmo o caráter retributivo da pena

CONCLUSAO

de prisão. No entanto, enquanto o Estado e a própria sociedade

continuarem negligenciando a situação do preso e tratando as prisões como

um depósito de lixo humano e de seres inservíveis para o convívio em

sociedade, não apenas a situação carcerária, mas o problema de segurança

pública e da criminalidade como um todo tende apenas a agravar-se.

A sociedade não pode esquecer que 95% do contingente carcerário, ou

seja, a sua esmagadora maioria, é oriunda da classe dos excluídos sociais,

pobres, desempregados e analfabetos, que, de certa forma, na maioria das

vezes, foram “empurrados” ao crime por não terem tido melhores

oportunidades sociais. Há de se lembrar também que o preso que hoje sofre

essas penúrias dentro do ambiente prisional será o cidadão que dentro em

pouco, estará de volta ao convívio social, junto novamente ao seio dessa

própria sociedade.

Mais uma vez cabe ressaltar que o que se pretende com a efetivação e

aplicação das garantias legais e constitucionais na execução da pena, assim

como o respeito aos direitos do preso, é que seja respeitado e cumprido o

princípio da legalidade, corolário do nosso Estado Democrático de Direito,

tendo como objetivo maior o de se instrumentalizar a função


ressocializadora da pena privativa de liberdade, no intuito de reintegrar o

recluso ao meio social, visando assim obter a pacificação social, premissa

maior do Direito Penal.

3. A rebelião e fuga dos presos

SISTEMA CARCERARIO

A conjugação de todos esses fatores negativos acima mencionados, aliados

ainda à falta de segurança das prisões e ao ócio dos detentos, leva à

deflagração de outro grave problema do sistema carcerário brasileiro: as

rebeliões e as fugas de presos.

As rebeliões, embora se constituam em levantes organizados pelos presos

de forma violenta, nada mais são do que um grito de reivindicação de seus

direitos e de uma forma de chamar a atenção das autoridades quanto à

situação subumana na qual eles são submetidos dentro das prisões.

Com relação às fugas, sua ocorrência basicamente pode ser associada à

falta de segurança dos estabelecimentos prisionais aliada à atuação das

organizações criminosas, e infelizmente, também pela corrupção praticada

por parte de policiais e de agentes da administração prisional.

De acordo com números do último censo penitenciário, cerca de 40% dos

presos, sejam eles provisórios ou já sentenciados definitivamente, estão

sob a guarda da polícia civil, ou seja, cumprindo pena nos distritos policiais.

Ocorre que estes não são locais adequados para o cumprimento da pena de

reclusão. No entanto, isso tem ocorrido em virtude da ausência ou da

insuficiência de cadeias públicas e de presídios em nosso sistema carcerário.

O problema maior é que, nesses estabelecimentos, não há possibilidade de

trabalho ou de estudo por parte do preso e, a superlotação das celas é

ainda mais acentuada, chegando a ser em média de 5 presos para cada


vaga, quando nas penitenciárias a média é de 3,3 presos/vaga. As

instalações nesses estabelecimentos são precárias, inseguras, e os agentes

responsáveis pela sua administração não tem muito preparo para a função,

e muitas vezes o que se tem visto é a facilitação por parte desses

funcionários para a fuga de detentos ou para que estes possam ser

arrebatados por membros de sua organização criminosa.

Ressalte-se ainda que a Lei dos Crimes Hediondos veio a agravar ainda

mais essa situação, em razão de que os vários crimes por ela elencados

como seqüestro, homicídio e o assalto à mão armada, passaram a não ter

mais o benefício legal da progressão de regime, fazendo com que o

sentenciado cumpra a pena relativa a esses crimes integralmente em

regime fechado, o que faz com o desespero e a falta de perspectivas desses

condenados ocasione um sentimento de revolta ainda maior, o que vem a

se constituir como mais uma causa de deflagração das insurreições nas

penitenciárias.

Todos esses fatores fazem com que não se passe um dia em nosso país sem

termos notícia da ocorrência de uma rebelião de presos, mesmo que seja

ela de pequenas proporções. No que se refere às fugas, em análise à todos

as falhas existentes dentro de nosso sistema carcerário e ainda levando-se

em conta o martírio pelo qual os presos são submetidos dentro das prisões,

não há que se exigir uma conduta diversa por parte dos reclusos, se não a

de diuturnamente planejar numa forma de fugir desse inferno.

Não se pode olvidar também que a liberdade é um anseio irreprimível do

ser humano, não se podendo esperar que por si só, o preso venha a

conformar-se com o estado de confinamento, mormente da forma pela qual

a privação de sua liberdade é executada em nosso sistema carcerário.


4. A FALÊNCIA DA POLÍTICA PRISIONAL COMO CONSEQÜÊNCIA DO

MODELO ECONÔMICO EXCLUDENTE

Podemos traçar um paralelo entre a escalada dos índices de criminalidade

(e o conseqüente agravamento da crise do sistema carcerário) e o modelo

econômico neoliberal adotado por nosso governo. É inegável que, pelo fato

de o crime tratar-se de um fato social, o aumento da criminalidade venha a

refletir diretamente a situação do quadro social no qual se encontra o país.

O modelo econômico neoliberal do qual falamos constitui-se numa filosofia

de abstenção do Estado nas relações econômicas e sociais. Ele nada mais é

do que a repetição do liberalismo outrora existente. A essência deste

pensamento, além da intervenção minimizada da economia, é a idéia de

que as camadas menos favorecidas da população devem trabalhar e se

adequarem ao sistema econômico vigente, ainda que este os trate com

descaso. Trata-se de um pensamento oriundo da filosofia capitalista, que foi

feito para se amoldar à ideologia das classes dominantes, e que tem como

principal resultado a acentuação da concentração de renda e o aumento da

desigualdade social entre ricos e pobres, sendo que estes últimos acabam

ficando lançados a sua própria sorte.

Como exemplo da política neoliberal, podemos citar em nosso país

atualmente a intenção do governo em minimizar as normas protetivas ao

trabalhador, o que eufemisticamente tem sido de chamado de “flexibilização

das relações de trabalho”, que na verdade nada mais é do que a política de

deixar os empregados (que são a parte hipossuficiente da relação

trabalhista) sob o jugo e arbítrio dos empregadores, que na verdade se

traduzem em sua maioria nos grandes grupos econômicos e também na

elite dominante de nosso país.

O resultado dessa política neoliberal, além da exploração e da perda das

conquistas já obtidas ao longo dos anos por parte dos trabalhadores, será a
criação de uma grande massa de desempregados, o que tende a deixar o

corpo social ainda mais intranqüilo e marginalizado, ocasionando assim o

aumento da criminalidade, que acabará refletindo num crescimento da

demanda do contingente do sistema prisional.

Dessa forma, o Direito Penal, assim como as prisões, estariam servindo de

instrumento para conter aqueles não “adequados” às exigências do modelo

econômico neoliberal excludente, que são os miseráveis que acabam não

resistindo à pobreza e acabam sucumbindo às tentações do crime e

tornando-se delinqüentes.

Dentro dessa lógica, tanto a lei penal como as prisões, estariam

materializando a doutrina de Karl Marx, segundo a qual o direito nada mais

é do que instrumento que serviria à manutenção do domínio pelas classes

dominantes.

Assim, o sistema penal e, conseqüentemente o sistema prisional, não

obstante sejam apresentados como sendo de natureza igualitária, visando

atingir indistintamente as pessoas em função de suas condutas, têm na

verdade um caráter eminentemente seletivo, estando estatística e

estruturalmente direcionado às camadas menos favorecidas da sociedade.

Concluímos que, pelo fato de estarem totalmente inter-relacionados, dentro

de uma mesma conjuntura, a falência do sistema prisional e o modelo

econômico neoliberal, não pode ser vislumbrada uma expectativa de

melhoria do sistema penitenciário e nem uma redução dos índices de

criminalidade se não for revisto o modelo de política econômica e social

atualmente implementado pelos governantes de nosso país.

5. A REINCIDÊNCIA DO EGRESSO COMO CONSEQÜÊNCIA DA

INEFICÁCIA DA RESSOCIALIZAÇÃO DO SISTEMA PENITENCIÁRIO


A comprovação de que a pena privativa de liberdade não se revelou como

remédio eficaz para ressocializar o homem preso comprova-se pelo elevado

índice de reincidência dos criminosos oriundos do sistema carcerário.

Embora não haja números oficiais, calcula-se que no Brasil, em média, 90%

dos ex-detentos que retornam à sociedade voltam a delinqüir, e,

conseqüentemente, acabam retornando à prisão.

Essa realidade é um reflexo direto do tratamento e das condições a que o

condenado foi submetido no ambiente prisional durante o seu

encarceramento, aliadas ainda ao sentimento de rejeição e de indiferença

sob o qual ele é tratado pela sociedade e pelo próprio Estado ao readquirir

sua liberdade. O estigma de ex-detento e o total desamparo pelas

autoridades faz com que o egresso do sistema carcerário torne-se

marginalizado no meio social, o que acaba o levando de volta ao mundo do

crime, por não ter melhores opções.

A acepção legal da palavra egresso é definida pela própria Lei de Execução

Penal, que em seu artigo 26 considera egresso o condenado libertado

definitivamente, pelo prazo de um ano após sua saída do estabelecimento

prisional. Também é equiparado ao egresso o sentenciado que adquire a

liberdade condicional durante o seu período de prova. Após o decurso do

prazo de um ano, ou a cessação do período de prova, esse homem perde

então a qualificação jurídica de egresso, bem como a assistência legal dela

advinda.

Legalmente, o egresso tem um amplo amparo, tendo seus direitos previstos

nos artigos 25, 26 e 27 da Lei de Execução Penal. Esses dispositivos

prevêem orientação para sua reintegração à sociedade, assistência social

para auxiliar-lhe na obtenção de emprego e inclusive alojamento e

alimentação em estabelecimento adequado nos primeiros dois meses de sua

liberdade. A incumbência da efetivação desses direitos do egresso é de


responsabilidade do Patronato Penitenciário, órgão poder executivo estadual

e integrante dos órgãos da execução penal.

O Patronato, além de prestar-se a outras atribuições relativas à execução

penal, no que se refere ao egresso, tem como finalidade principal promover

a sua recolocação no mercado de trabalho, a prestação de assistência

jurídica, pedagógica e psicológica. É um órgão que tem um papel

fundamental dentro da reinserção social do ex-detento.

O cumprimento do importante papel do Patronato tem encontrado obstáculo

na falta de interesse político dos governos estaduais, os quais não tem lhe

dado a importância merecida, não lhe destinando os recursos necessários,

impossibilitando assim que ele efetive suas atribuições previstas em lei.

A assistência pró-egresso não deve ser entendida como uma solução ao

problema da reincidência dos ex-detentos, pois os fatores que ocasionam

esse problema são em grande parte devidos ao ambiente criminógeno da

prisão, o que exige uma adoção de uma série de medidas durante o período

de encarceramento. No entanto, o trabalho sistemático sob a pessoa do

egresso minimizaria os efeitos degradantes por ele sofridos durante o

cárcere e facilitaria a readaptação de seu retorno ao convívio social.

A sociedade e as autoridades devem conscientizar-se de que a principal

solução para o problema da reincidência passa pela adoção de uma política

de apoio ao egresso, fazendo com que seja efetivado o previsto na Lei de

Execução Penal, pois a permanecer da forma atual, o egresso desassistido

de hoje continuará sendo o criminoso reincidente de amanhã.

6. Referências
BECCARIA, Cesare. Dos delitos e das penas. 1. ed. São Paulo. Edipro,

1999.

BITENCOURT, Cézar Roberto. Falência da pena de prisão. 3. ed. Revista

dos Tribunais. São Paulo, 1993.

BOLSANELLO, Elio. Panorama dos processos de reabilitação de

presos. Revista Consulex. Ano II, n. 20, p. 19-21, Ago. 1998.

JESUS, Damásio E. de. Sistema penal brasileiro: execução das penas

no Brasil. Revista Consulex. Ano I, n. 1, p. 24-28, Jan. 1997.

JUNIOR, João Marcelo de Araújo. Privatização das prisões. 1. ed. Rio de

Janeiro. Ruan, 1991.

DOTTI, Rene Ariel. Bases alternativas para um sistema de penas. 2.

ed. São Paulo. Revista dos Tribunais, 1998.

D'URSO, Luiz Flávio Borges. Privatização de Presídios. Revista Consulex.

Ano III, n. 31, p. 44-46, Jul. 1999.

THOMPSON, Augusto. A Questão penitenciária. 3. ed. Rio de Janeiro.

Forense, 2002.

Aspectos críticos ao sistema penitenciário


brasileiro

Breve comentário sobre os aspectos críticos e relevantes do sistema penitenciário


brasileiro.

Ramon Tome Bronzeado

10/10/2006

Aprendemos no decorrer do Curso de Direito, nas aulas de Sociologia

Jurídica que o individuo, a partir do seu nascimento, sofre um intrínseco


processo de socialização, adaptando-se ao meio que vive, aos costumes e

as normas de conduta pré-estabelecidas pela sociedade brasileira. O

sucesso de sua integração social será obtido através da obediência à moral

e aos bons costumes.

O infrator das normas sociais sofre a coação do Estado e, segundo o

pensamento sociológico, tal punição não tem como fim castigá-lo, mas,

inibi-lo a não cometer, novamente, uma infração. Ou seja, o infrator

pensará duas vezes antes de transgredir a Lei.

Comparando tais ensinamentos sociológicos com a nossa realidade,

questionamos; Será que o sistema penitenciário brasileiro é capaz de filtrar

a má conduta do indivíduo, reabilitando-o ao convívio social? Como

ressocializar o indivíduo, colocando-o para viver ociosamente, colocando-o

em cubículos superlotados, à mercê de condições animalescas e

verdadeiramente inumanas de higiene, além de por vezes serem

submetidos a tratamentos brutais desnecessariamente? Certamente, os

inocentes presos, transfomar-se-ão em presos de alta periculosidade ou

morrerão vitimas das mazelas físicas e morais do cárcere brasileiro. É de

bom alvitre citar o jurista, LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO (Mestre e

Doutor em Direito Penal – USP) que faz o seguinte comentário;

“O sistema penitenciário brasileiro não acompanha o crescente

ritmo do numero de detentos. As estatísticas obtidas mostram que,

ao longo dos anos, o numero de presos cresce assustadoramente,

enquanto o numero de vagas oferecidas permanece no mesmo

quantitativo há décadas”.

Indubitavelmente, nesta realidade, é economicamente impossível solucionar

os problemas existentes, no sistema penitenciário brasileiro. É também,

esta realidade penitenciaria que desacredita a sociedade e semeia a sua

discriminação ao ex-detento.
Faz-se mister, uma urgente reforma no sistema penitenciário brasileiro.

Temos que mudar, com razoabilidade e bom senso, a legislação que rege

esse cárcere medíocre e falido, onde a prisão é tida como uma violência à

sombra da Lei. Talvez seja a hora de confiar mais na pessoa humana, seja

preciso um maior envolvimento da sociedade com os problemas que o Brasil

enfrenta em todos os aspectos; políticos, financeiros e administrativos.

Talvez seja hora de refletirmos mais sobre nosso preconceito, egoísmo,

arrogância, ambição, enfim, sentimos que diariamente exaltamos ao meio

social e que atingem principalmente o nosso próximo mais carente.Segundo

o brilhante jurista supra citado, “ Em nossa alma há um espelho que, tudo

que produzimos, reflete e volta”.

Números do sistema carcerário brasileiro

O perigo da substituição de um Estado de bem-estar social - de caráter preventivo


em relação ao crime - por um Estado meramente punitivo e repressor. Nunca se
prendeu tanto e a mídia exorta cada vez mais a prisão irresponsável em nosso país. É
a magnificação do sistema penal.

Para Loïc Wacquant, o Brasil adotou uma estratégia na qual os americanos foram
pioneiros: usar práticas punitivas para controlar os problemas sociais gerados pela
desigualdade, prometendo soluções a curto prazo. ''É a receita do desastre, uma
trilha da qual é muito difícil sair''.

Veja notícia no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO

País tem 284 mil presos. Faltam 104 mil vagas


Em seis meses, o sistema carcerário do País recebeu mais 40 mil detentos. O
último censo do Departamento Penitenciário Nacional, de junho, revelou que o
Brasil tinha em suas cadeias 284.989 presidiários. Em dezembro do ano passado,
eram cerca de 240 mil. O déficit no sistema carcerário brasileiro é de 104.263
vagas.
Nos presídios, no chamado sistema fechado, onde estão recolhidos os detentos
com sentenças definitivas, se encontravam em junho 153.776 presidiários, a
maioria condenada por roubo e tráfico de drogas. Estavam aguardando
julgamento 86.417 detentos. No regime semi-aberto, em que os presos ficam fora
da cadeia durante o dia e voltam à noite para dormir na prisão, havia 36.085
presidiários.
No sistema de medida de segurança - para detentos de altíssima periculosidade
-, estavam recolhidos 4.998 em junho. Os beneficiados com o regime aberto, por
bom comportamento, foram 3.713 detentos. Eles deixaram as prisões entre
janeiro e junho e devem se apresentar à Justiça a cada 30 dias, comprovando
que estão trabalhando.
Do total de 284.989 detentos, 12.527 eram mulheres. O País tem 1.431 presídios.
São 168 presos por 100 mil habitantes.
O Estado de São Paulo abriga o maior número de detentos do Brasil: são
118.389, sendo 112.232 homens e 6.157 mulheres. São Paulo tem 320 detentos
por 100 mil habitantes e o déficit no Estado é de 43.659 vagas. O total de
presídios na capital, na Grande São Paulo e no interior é de 115
estabelecimentos.
(Renato Lombardi)

Fonte: Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO - 03/09/2003

Segunda-feira, 31 de Março de 2008

A CRISE DO SISTEMA PENITENCIÁRIO BRASILEIRO


Em sua posse na presidência do Conselho Nacional de Justiça - CNJ,
no último dia 26, o ministro Gilmar Mendes (STF) classificou como
"vergonha nacional" a situação do sistema carcerário nacional, tendo
demonstrado grande preocupação com os as dificuldades para
identificar as efetivas condições jurídicas de nossa população
carcerária.
,
Procede a preocupação do ministro, tendo a situação, que já era
ruim, se agravado a partir de 2003, conforme estatística publicada na
revista Superinteressante deste mês.
.
Para se ter uma idéia, em 1995 o Brasil dispunha de 68 mil vagas
para 148 mil presos, representando um excedente de 1 vaga para
2,17 presos, sendo necessária, à época, a construção de 160 novos
presídios de 500 vagas para cobrir esse déficit.
.
Desde então o Governo Federal, em conjunto com os estados, adotou
uma forte política de ampliação de vagas, visando reduzir o deficit,
tendo chegado, em 2002, a ter 240 mil presos para 181 mil vagas,
representando um exedente de 1 vaga para 1,32 presos, quando
seria ainda necessário a construção de 118 novos presídios de 500
vagas para cobrir esse déficit.
.
A partir de 2003, a curva do deficit voltou a uma forte ascendência,
chegando, em 2007, a 437 mil presos para 262 mil vagas,
representando um excedente de 1 vaga para 1,66 presos, sendo
necessário, hoje, PASMEM, a construção de 350 novos presídios de
500 vagas para cobrir esse déficit, representando investimento
necessários na ordem de R$ 5,95 bilhões (equivamente ao custo com
a transposição do Rio São Francisco).
.
Com raras e honrosas excessões, a exemplo de São Paulo, a
"política" prisional brasileira, de um modo geral, é um verdadeiro
descalabro. É como obra enterrada: não dá voto porque ninguém vê.
.
Ledo engano. O que não dá voto pode tirar. É como um barril de
pólvora esperando somente alguém riscar um fósforo para explodir.
.
Nesse sentido, a culpa deve ser dividida entre os Estados e o Governo
Federal, que não obstante disponha de Fundo Penitenciário (FUNPEN)
para financiamento do sistema penitenciário nacional, não consegue
dar celeridade a esse processos por diversos motivos, dentre os quais
se destaca a estrutura deficiente do órgão ness área.
.
No caso do Ceará, não se pode negar que houve razoáveis
investimentos estaduais na área prisional, com a construção de várias
unidades, tanto na gestão Tasso (IPPOO II, PIRC's de Juazeiro e
Sobral, etc.) como na gestão Lúcio Alcântara que conseguiu esvaziar
as delegacias de polícia da Região Metropolitna no final de sua gestão
(CPPL's de Itaitinga e Caucaia, início da construção de um presídio de
segurança máxima, etc.).
.
Cabe ao atual governo estadual da seguimento e velocidade nessa
política, pelos motivos já apontados anteriormente neste blog.

Levantamento sobre o sistema carcerário em destaque na Rádio Justiça


A Corregedoria Nacional de Justiça está fazendo um levantamento sobre o sistema
carcerário brasileiro. Os primeiros resultados serão conhecidos em
aproximadamente 30 dias. Sobre o assunto, o Jornal da Justiça desta terça (3)
entrevista o juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça, Murilo Kieling.

Balanço da operação Big Bang, promovida pelo Ministério Público e Secretaria de


Segurança Pública (SSP) com o objetivo de desarticular quadrilhas na Bahia, e
informações sobre seminários para capacitar magistrados sobre a Lei Maria da
Penha também são destaque do noticiário.

Ainda nesta terça, Caio dArcanchy apresenta a segunda reportagem da série


especial sobre pesquisas com células-tronco embrionárias depois do julgamento do
Supremo Tribunal Federal (STF). O Jornal da Justiça é transmitido das 6h às 8h.

E-Jud em discussão no Espaço Forense

O E-Jud, sistema processual único da Justiça Federal, deve reduzir pela metade o
prazo de tramitação dos processos. Juízes federais e representantes das áreas de
tecnologia das cinco regiões da Justiça Federal, do Conselho da Justiça Federal e do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reuniram-se na sexta-feira (30) para o quarto
encontro da comissão nacional do E-Jud. Para falar sobre os resultados do encontro
e sobre os benefícios do sistema, o programa entrevista o secretário-geral do CNJ,
juiz Sérgio Tejada, e o coordenador-geral da Justiça Federal, ministro Gilson Dipp.
Ele visitou os cinco tribunais regionais federais para explicar a importância do E-
Jud. Também participa do programa o juiz federal da 2ª Região Alexandre Libonati.
O Espaço Forense começa às 11h.

Hora Legal debate indenização por erro médico

Um paciente ganhou na Justiça R$ 20 mil por danos morais e o mesmo valor por
danos estéticos em ação contra o Rio de Janeiro. A decisão é da 14ª Câmara Cível
do Tribunal de Justiça do Estado. Em setembro de 1991, ele foi operado de
apendicite em um hospital público. Dezenove dias depois da cirurgia ainda sentia
dores no abdômen e, sem que os médicos descobrissem a causa, recebeu alta. O
motivo das dores foi descoberto bem mais tarde: uma compressa de gaze
esquecida em seu abdômen. O paciente foi operado novamente. Por causa de uma
infecção, os médicos precisaram retirar o umbigo, o que gerou uma grande cicatriz.
Sobre o tema, o Hora Legal entrevista o relator do processo, desembargador
Sérgio Jerônimo Abreu da Silveira. A partir das 8h.

Risco de certificado de curso profissionalizante é tema do Direito Direto

A oferta de cursos profissionalizantes por correspondência ou presenciais cresceu


nos últimos tempos, mas nem sempre as escolas e os certificados concedidos aos
alunos aprovados são confiáveis. Como evitar o risco de fazer um curso e descobrir
mais tarde que o diploma não tem validade? O Direito Direto desta terça (2)
entrevista especialistas sobre o assunto. A partir das 15h.

Radioagência Justiça

Emissoras interessadas podem receber boletins diários produzidos pela


Radioagência Justiça. Basta um cadastro no site. São jornais com as principais
notícias do Judiciário transmitidos diariamente.
A Rádio Justiça é sintonizada em 104,7 MHz, no Distrito Federal, pelo satélite ou
pelo site www.radiojustica.gov.br.

Maranhão

28/02/2008 - 14:44 - Imirante.com


Investigação
CPI do Sistema Carcerário chega ao Maranhão na sexta-feira
Tamanho da fonte:
Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Carcerário realizam amanhã (sexta-
feira, 29) visita à Penitenciária Agrícola de Pedrinhas e o Centro de Reintegração e Inclusão Social de
Mulheres. Os parlamentares estiveram essa semana em Fortaleza e Teresina, de 17 estabelecimentos
entre Penitenciárias, Centros de Reintegração e colônias agroindústria. O objetivo da viagem é coletar
dados para elaborar uma radiografia do sistema penitenciário brasileiro.

De acordo com o deputado federal, Pinto Itamaraty (PSDB/MA), que integra a comissão, além dos
parlamentares conhecerem in loco os presídios para levantamento dos aspectos positivos e negativos, os
trabalhos da CPI são direcionados também para a tomada de depoimentos. "O objetivo é que os
deputados tenham um conhecimento aprofundado das condições de trabalho dos profissionais que atuam
no Sistema Carcerário", explicou. No Maranhão seis pessoas prestarão esclarecimentos na Assembléia
Legislativa, ocupantes dos seguintes cargos: Juiz da Vara de Execução Penal de São Luiz, responsável
pelo presídio de Pedrinhas; Promotor de Justiça designado para a Vara de Execução Penal responsável
pelo presídio de Pedrinhas; Defensor Público designado para a Vara de Execução Penal responsável pelo
presídio de Pedrinhas; Representante da Seccional da OAB do Maranhão; Representante da Pastoral
Carcerária do Maranhão; Secretário de Justiça e Cidadania do Maranhão.

Os problemas enfrentados pelo Sistema Carcerário brasileiro têm sido comuns entre os presídios. A
ociosidade dos presos, a falta de assistência jurídica e médica aos detentos, a morosidade do Poder
Judiciário, a falta de qualificação dos agentes penitenciários, policiais têm sido detectados pelos
parlamentares nos presídios. "São raros os casos de projetos de ressocialização que realmente levam a
resultados satisfatórios", enfatizou Itamaraty.

As péssimas condições dos presídios e o tratamento recebido pelos detentos têm chamado a atenção dos
parlamentares. Em Fortaleza, por exemplo, as refeições são servidas em sacos plásticos aos presos, em
vez de pratos. O presidente da CPI, deputado Neucimar Fraga (PR-ES), afirmou que a visita a Fortaleza
não rendeu só notícias ruins. Ele assinalou experiências positivas no presídio feminino, que conta com
estrutura moderna, onde as detentas trabalham e estudam.
Imprensa

As visitas da CPI aos presídios brasileiros têm sido acompanhadas pela imprensa. Entretanto, em Minas
Gerais, de acordo com o presidente da CPI, não foi permitido que veículos de comunicação fizessem
filmagens dentro de cadeias de Contagem e Ribeirão das Neves e da carceragem do 16º Distrito Policial
de Belo Horizonte. Ainda na capital mineira, a TV da assembléia foi impedida de gravar os depoimentos
dados à CPI somente após a reclamação de integrantes da comissão, o veículo conseguiu fazer imagens
dos debates na assembléia.

Integram a comitiva os deputados Neucimar Fraga (PR-ES), presidente da CPI; Luiz Carlos Busato (PTB-
RS), Cida Diogo (PT-RJ), Maria Do Carmo Lara (PT-MG), Felipe Bornier (PHS-RJ), Dr. Talmir (PV-SP),
Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), Jorginho Maluly (DEM-SP), Raul Jungmann (PPS-PE) e Pinto Itamaraty
(PSDB-MA).
Sistema Penitenciário do Maranhão será reorganizado

Por: Assembléia Legislativa


Data de Publicação: 28 de março de 2007
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A Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final da Assembléia Legislativa aprovou ontem, 27,
a medida provisória 014, de 21 de dezembro de 2006, dispondo sobre a reorganização do Grupo
Ocupacional Atividades Penitenciárias (AP), composto de agente penitenciário e inspetor
penitenciário.

Analisaram a MP e deram parecer favorável os deputados Arnaldo Melo (PSDB), Edivaldo Holanda
(PTC), Carlos Alberto Milhomem (PFL), Víctor Mendes (PV), Joaquim Haickel (PMDB), Valdinar
Barros (PT), Marcelo Tavares (PSB) e Paulo Neto (PSB). Agora, a MP segue para apreciação em
plenário.

De acordo com a MP, O Sistema Penitenciário do Maranhão tem como finalidade a preservação da
integridade física e moral da pessoa presa, ou sujeita à medida de segurança, de vigilância e
custódia de presos, de promoção de medidas reintegradora sócio-educativas de condenados e a
conjugação da sua educação com o trabalho produtivo.

A MP diz, também, que as principais atribuições do agente penitenciário e do inspetor penitenciário


são garantir a ordem e a segurança das unidades penais; garantir a ordem e a segurança dos
presos; manter a ordem, a disciplina e a segurança nas dependências dos presídios, fiscalizando as
atribuições dos agentes penitenciários.

GRATIFICAÇÕES

A proposta do governo do Estado assegura aos servidores do Grupo Ocupacional Atividades


Penitenciárias as seguintes vantagens: Gratificação por Risco de Vida; Gratificação de Dedicação
Exclusiva e Gratificação Especial de Exercício da Função.

A Gratificação por Risco de Vida e a Gratificação Especial de Exercício serão concedidas, no


percentual de 100% do vencimento base, ao servidor que estiver em efetivo exercício nos
estabelecimentos penais.

Já a Gratificação de Dedicação exclusiva será concedida ao servidor que estiver em efetivo


exercício nos estabelecimentos penais e prisionais. O percentual desta gratificação está
estabelecido em tabela divulgada pela MP

Próximo texto:
Maranhao 2ª vara da comarca de Viana será instalada nesta sexta-feira

Texto Anterior:
Maranhao Fundeb é tema da primeira teleconferência do Ministério Público do Maranhão
em 2007

Índice da edição - Semana 5

Governo discute parceria na implantação de projetos para o Sistema Penitenciário.

Nas próximas semanas deverá ser consolidada uma parceria do governo do estado, por meio do
Departamento de Administração Penitenciária da Secretaria de Segurança Cidadã e a Secretaria de
Administração e Modernização, na implantação de mais uma grande ação que beneficiará as mulheres
internas do Sistema Penitenciário do Maranhão.

Trata-se da instalação do Albergue Feminino num prédio cedido pelo governo, que fica na rua da Estrela
– Centro Histórico de São Luis, que terá capacidade para abrigar cerca de 40 internas.

idéia é dar oportunidade a essas mulheres albergadas de terem uma qualificação profissional, por meio
do Projeto Liberdade pelo Trabalho, oferecendo cursos e oficinas de produção de artesanato, e daí a
importância de se instalar no Reviver, ponto de grande fluxo de turistas e comercialização de produtos
artesanais.

Amanhã, 14, um grupo da Sesec vai participar de uma reunião com a Secretaria de Administração, para
apresentar o projeto e discutir sobre os trâmites necessários para a consolidação do Albergue.

“Nossa intenção é dar uma ocupação a essas mulheres, já que todo o material produzido, não só pelo
Albergado Feminino, como também outras unidades, deverá ser comercializado dentro do Albergue. Para
isso, fizemos um estudo de acomodação no prédio, e iremos construir um espaço adaptado para a
realização dessas atividades, e onde os turistas poderão visitar e comprar esses artigos”, ressaltou
Sidonis Cruz, secretário adjunto de Administração Penitenciária da Sesec.

Uma das prioridades na gestão da Secretária Eurídice Vidigal, é a realidade hoje do Sistema Prisional do
Maranhão, que enfrenta uma superlotação nas suas unidades. A cúpula da Sesec temse reunido
constantemente para discutir propostas, que vão desde a ampliação e construção de novos presídios
regionais até a criação de novos programas sociais que possibilitem a efetiva ressocialização dos
internos, oferecendo- os a chance de aprender uma profissão para poderem ser inseridos no mercado de
trabalho após cumprir a pena.

“Uma novidade a ser aplicada na construção do Albergue Feminino é que todo o trabalho de reforma,
adaptação e construção do prédio estará sendo feito por internos do nosso sistema prisional, sob a
coordenação de uma equipe especializada. Então, desde o início já estaremos aproveitando a mão-de-
obra dessas pessoas, e com essa iniciativa, esperamos abrir portas para novas oportunidades”, declarou
Cecília Camargo, uma das coordenadoras do Projeto e futura diretora do Albergue Feminino.

Valorização da mulher – Numa época em que se observam mudanças na configuração do mercado,


surgimento de novos paradigmas, e principalmente aonde a mulher vem conquistando cada vez mais seu
espaço, inclusive ocupando lugares de destaque no poder público e nas organizações, é de extrema
relevância trabalhar a inserção das albergadas no convívio social.

“Essa ação vem reforçar a preocupação da Secretaria de Segurança Cidadã na criação de ações que
possam priorizar o trabalho feminino, abrindo frentes de trabalho capazes de gerar renda para as famílias
e, além disso, propor meios que promovam a auto-estima dessas mulheres albergadas”,

“Apesar de estarem presas e terem cometido delitos no passado, temos que procurar a reabilitação delas,
já que um dia, todas estarão de volta ao seio da sociedade e precisam estar preparadas para isso”,
finalizou Cecília.

Fonte: Jornal Pequeno.

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MARANHÃO / MARANHÃO 03/09/2008 - 14h40


''Inadmíssivel a crise no sistema carcerário''
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SÃO LUÍS - O presidente da Associação dos


Magistrados do Maranhão - AMMA, Gervásio
Santos, concedeu entrevista ao programa Rádio
Patrulha, na rádio Mirante AM. O magistrado disse
que é necessário empenho e vontade política para
solucionar a crise no sistema carcerário do Maranhão.

- Ao longo dos anos se investiu de maneira insuficiente para atender a demanda do


sistema carcerário no Maranhão. Esse déficit se acumulou ao longo dos anos
tornando a situação crítica. Temos que ter consciência de que o problema não é de
hoje e que não podemos mais conviver com o mesmo - esclareceu.

Gervásio Santos defendeu o respeito aos princípios fundamentais do detento.

- Não quero garantir privilégios aos detentos, mas eles não podem ser tratados como
animais. Em algumas unidades prisionais no Estado não temos condições adequadas
para se tratar uma pessoa de forma digna. A pena tem dupla finalidade: o de punir e
de também ressocializar o cidadão ou a cidadã para que voltem ao convívio social -
argumentou.

O presidente da AMMA saiu em defesa do Judiciário responsabilizando o Governo


por parcela considerável das dificuldades no sistema de execução penal do Estado.

- A população questiona o papel do Judiciário colocando responsabilidades em seus


ombros. Na verdade essas responsabilidades não pertencem apenas ao Judiciário.
Muita das vezes se fala da demora do andamento dos processos, da demora de uma
sentença condenatória. Para que o juiz possa realizar as audiências de réus que se
encontram presos são necessários que haja o transporte deles da Unidade Prisional
onde se encontram até o Fórum. Estávamos observando um grande número de
audiências que não estavam se realizando justamente porque o sistema de segurança
do Estado não estava efetuando esse transporte do preso com a eficiência desejada -
declarou.

Gervásio Santos comentou sobre a visita de cortesia, na tarde desta terça-feira (2)
da Secretária de Segurança Cidadã, Eurídice Vidigal. Disse o magistrado que a
Secretária assegurou que haverá uma unidade específica para fazer o transporte dos
detentos. A proposta será apresentada em reunião nesta quinta-feira (4) com a
participação dos juízes criminais.

O Presidente do AMMA também cobrou do Governo do Estado uma Defensoria


Pública habilitada para defender o réu.

- O Estado tem a obrigação constituir um advogado para fazer a defesa do réu.


Infelizmente, no nosso estado temos uma Defensoria Pública insuficiente - alertou.

Gervásio Santos elogiou o trabalho desenvolvido pelo juiz Jamil Aguiar da Silva
em frente Vara de Execuções Criminais e a portaria do juiz Jamil Aguiar da Silva.

- O trabalho do juiz Jamil Aguiar honra a magistratura do Maranhão. A portaria


emitida por ele foi justamente para evitar um caos nas unidades prisionais em São
Luís. Ao adotar esta medida, o juiz deixou bem claro que o sistema carcerário está
superlotado e precisa abrir novas vagas na capital e no interior do estado. Quanto a
separar os presos por delitos é uma medida louvável, porque se tem que separar o
joio do trigo.Evitar que o réu primário e de boa conduta entre na faculdade do crime
mantendo contato com aqueles considerados nocivos a sociedade. A portaria é
importante porque suscita o debate e chama atenção da sociedade para a situação do
sistema carcerário do Maranhão - ressaltou.

Pedro Sobrinho - Imirante.com

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Sesec oferece qualificação aos profissionais do Sistema


Penitenciário do Maranhão

Data de Publicação: 13 de janeiro de 2008


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A Secretaria de Segurança Cidadã deverá retomar, na segunda-feira (14), as atividades do Programa de
Cursos de Qualificação Profissional para o ano de 2008 do Núcleo de Capacitação e Desenvolvimento de
Agentes Ressocializadores do Sistema Prisional do Maranhão.

As aulas teóricas vão acontecem no Asilo de Mendicidade e as práticas na Academia Integrada de


Segurança Cidadã (AISC). Nesta etapa, estarão sendo oferecidas nove turmas, cada uma com duração
prevista de três semanas, que devem contemplar mais de 400 servidores penitenciários de todas as
unidades prisionais do Estado. Serão oferecidos os cursos de Segurança Penitenciária e Gestão
Penitenciária, envolvendo as disciplinas de Gerenciamento de Crise, Perfil Ressocializador do Agente
Penitenciário, Noções de Inteligência Penitenciária, Segurança nos Estabelecimentos Penais, Primeiros
Socorros, Noções de Direito Penitenciário e Direito Penal, dentre outras.

"Nossa intenção é investir na qualificação de todos os profissionais que atuam no Sistema Penitenciário
do Estado, uma vez que a maioria dos nossos servidores ainda utiliza métodos repressores no dia-a-dia
de trabalho. Com estes cursos vamos transformá-los em agentes ressocializadores, contribuindo para a
melhoria do funcionamento administrativo e operacional nas unidades prisionais", informou Cláudio
Araújo, coordenador de Convênios da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária.

Ele acrescentou que a proposta é mudar a visão do servidor penitenciário de que ele não é um agente
repressor; e sim um agente ressocializador, que tem um papel fundamental na reeducação dos internos
que cumprem pena nas unidades, para que eles possam ser reinseridos na sociedade.

Simultaneamente aos cursos, devem acontecer as Oficinas Vivenciais em que os participantes poderão
interagir entre si, apresentando relatos e depoimentos de acordo com as especificidades dos assuntos
trabalhados nos grupos. As atividades incluem ainda Painéis com temas a serem debatidos dentro de
propostas apresentadas pelos alunos.
Ainda como uma das ações estabelecidas pelo Núcleo, está incluído o Programa

Saúde e Qualidade de Vida, que oferece assistência médica e social aos servidores, especialmente
àqueles que vivenciaram e/ou presenciaram algum episódio de crise nas Unidades Prisionais. O
acompanhamento é feito por profissionais especializados em atendimento a pessoas vítimas de motins e
rebeliões.

A implantação do Núcleo de Capacitação do Maranhão é fruto do Convênio nº. 008/2007 firmado entre o
Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Segurança Cidadã, com o Departamento Penitenciário
Nacional (Depen) do Ministério da Justiça.

Na verdade, esse acordo havia sido assinado em 2005, com a já extinta Secretaria de Justiça e
Cidadania, e nesses dois anos de parceria, só haviam sido capacitadas cinco turmas, num total de 70
servidores. Já em 2007, a Secretaria de Segurança Cidadã conseguiu, junto ao Depen, a prorrogação e
ampliação do Programa, que passará a ser desenvolvido alinhado à filosofia cidadã de segurança,
alcançando todo o quadro funcional do Sistema Penitenciário do Maranhão.

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Segurança Cidadã Sesec acelera construção de novas unidades prisionais

Índice da edição - Janeiro


Soluções para nosso sistema penitenciário
Flávio Dino apóia novo enfoque do Departamento Penitenciário Nacional, de interagir com governos locais e
sociedade civil na busca de nova cultura de aplicação da lei penal no país, destacando aí iniciativas do
Maranhão, como a construção do Centro de Detenção Provisória, em Pedrinhas. O monitoramento eletrônico de
presos, em discussão na Câmara dos Deputados, também tem o aval do deputado.

Publicado no Jornal Pequeno, edição de 27/02/2008

Por Flávio Dino

Quando se fala em presos no Brasil, a imagem que nos vem à mente é a repetida à
exaustão nos jornais e emissoras de TV: celas superlotadas, tanto nas delegacias
como nos presídios, que devem abrigar os condenados após o julgamento pela
Justiça. Nelas misturam-se integrantes de quadrilhas de alta periculosidade com
infratores ocasionais. Os presos ficam anos nas celas das delegacias até que seja
realizado seu julgamento para, só então, serem encaminhados aos presídios.
Chegando lá, ainda ocorre que o condenado continue preso mesmo após o
cumprimento da pena, por falhas no acompanhamento da execução.

São graves violações aos direitos humanos, que merecem nossa repulsa e ações
concretas que superem esse quadro.

O diagnóstico que salta desse universo saturado é óbvio: não é possível, nesse
sistema, obter uma real recuperação dos condenados, que lhes viabilize a reinserção
na sociedade, com emprego e convivência social. A solução não pode se restringir a
“mais do mesmo” - a construção de dezenas de novos presídios, pois qualquer
projeto de recuperação só será eficaz se criarmos uma nova ambiência para os
condenados.
Sair desse caos exige, além de conhecer os números atuais e integrados do setor,
também buscar parcerias. Por isso, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen),
do Ministério da Justiça, decidiu ir além de avaliar os dados consolidados que
levanta anualmente – e que incluem, além do número de presos e presídios,
também em que tipo de estabelecimento eles cumprem pena, que tipo de pena e
quantos e quem são os servidores que operam o conjunto, entre agentes
penitenciários, médicos e advogados. O órgão inaugurou ano passado um novo
enfoque em seu diagnóstico: interagir com os governos locais e a sociedade civil em
busca de uma nova cultura de aplicação da lei penal no país.

É uma postura importante também para nós do Maranhão, onde, segundo os dados
de 2007 do Depen, temos uma população de mais de 5.500 presos nos 11
estabelecimentos do estado, mais de um terço deles presos provisórios e pouco
mais de 1% em regime aberto. Tal desproporção, mais do que reforçar a cena
padrão da superlotação nas cadeias, nos remete à necessidade premente dessa
atuação conjunta buscada pelo Depen.

O Maranhão já começou a fazer sua parte. No governo José Reinaldo, o ex-


secretário de Justiça e Cidadania, Sálvio Dino Júnior, atual secretário de Direitos
Humanos, implantou um Núcleo de Capacitação de Agentes Penitenciários, em
convênio do governo do estado com o Ministério da Justiça. Dentro de algumas
semanas, o governador Jackson Lago deve inaugurar em Pedrinhas o primeiro
Centro de Detenção Provisória de nosso estado, destinado a abrigar os presos que
hoje aguardam julgamento em delegacias.

Projeto da Secretaria de Segurança Cidadã, dirigida pela Drª. Eurídice Vidigal, o


Centro teve as obras bancadas pelo governo maranhense e o sistema de gestão
financiado pelo governo federal. Vai oferecer 400 vagas, suficientes para reduzir a
superlotação nas delegacias da região metropolitana de São Luís e, ainda, liberar
250 policiais civis, que hoje trabalham na custódia desses presos, para sua
atividade-fim: a investigação.

Outra medida com grande potencial para reduzir a crise de nosso sistema
penitenciário é o monitoramento eletrônico de presos, cujo projeto de lei, do qual fui
relator, acaba de ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da
Câmara dos Deputados. Ele pode reduzir a sobrecarga de nossos presídios, já que a
eficácia da pena privativa de liberdade é questionada por um segmento significativo
da Criminologia.

Pelo projeto aprovado, o monitoramento eletrônico poderá ser utilizado na aplicação


de penas nos regimes semi-abertos ou abertos; nas saídas temporárias do regime
semi-aberto, como no Dia das Mães, Dia dos Pais ou Natal; na restrição à freqüência
a determinados lugares e na necessidade de cumprimento de horários de
recolhimento domiciliar; na prisão domiciliar; e, ainda, no livramento condicional e
suspensão condicional da pena.

Assim, os presos poderão ser acompanhados por meio de um dispositivo eletrônico,


o que dá aos magistrados uma segurança bem maior na hora de decidir pela
aplicação das medidas que tirarão o preso da cadeia. Hoje, o juiz fica em dúvida se
o beneficiado com a saída temporária irá retornar no prazo combinado ou cometerá
novos crimes. O acompanhamento eletrônico obviamente não impede isso, mas
permite um maior controle da situação. É um mecanismo importante para,
incentivando as penas e medidas alternativas, desafogar o sistema carcerário, uma
vez que é absolutamente inviável produzir uma sociedade de encarcerados.
Encontrar soluções como as apontadas é fundamental para a consolidação de uma
cultura de direitos humanos e para melhor proteger a sociedade contra a violência
Veiculada em 23/09/2008 às 13:38

Maranhão tem exemplo de programa de ressocialização de presos

Durante reunião nesta terça-feira, 23, na presidência do Tribunal de Justiça, para discutir
mutirão carcerário, o desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos apresentou o
programa “Liberdade e Dignidade”, projeto em uso desde maio de 2007 na Vara de
Execuções Criminais de São Luís e que concede aos presos de justiça liberdade
temporária especial.

Joaquim Figueiredo, que coordena comissão responsável pelos projetos de execução


penal do TJ, juntamente com os desembargadores Paulo Velten e Lourival Serejo, disse
que o principal objetivo dessas ações é a ressocialização dos presos, de forma a garantir
a eles condições de se recuperar e voltar ao convívio social.

O juiz da Vara de Execuções Criminais, Jamil Aguiar, é responsável pela execução do


programa “Liberdade e Dignidade”, que possibilitou a ressocialização de quase 100 ex-
presidiários. Os presos com bom comportamento têm direito a saída temporária,
participam de cursos e palestras e podem trabalhar.

Ele anunciou para 10 de outubro a próxima etapa do programa. Segundo ele, serão
beneficiados com a liberdade temporária, nessa data, de 120 a 130 presos. “Se não
houver reincidência, o tempo fora da prisão pode ser prorrogado várias vezes”, explicou
o juiz.

Mutirão carcerário

O programa “Liberdade e Dignidade” e a criação das APACs (Associação de Proteção e


Assistência aos Condenados) são exemplos de iniciativas do Judiciário maranhense que
buscam a recuperação e ressocialização dos presos de justiça. Essas iniciativas fazem
parte do projeto “Novos Rumos da Execução Penal”, instituído em 2007 e que executa
uma série de ações de melhorias do sistema carcerário do Estado.

O mutirão carcerário idealizado pelo Conselho Nacional de Justiça já beneficiou 422


presos no Rio de Janeiro.

No Maranhão, segundo dados da CPI do sistema carcerário, há 5.258 presos para 1.716
vagas, apontando superlotação de mais de 100%. O objetivo do mutirão é revisar os
processos e conceder benefícios a esses presos, de forma a diminuir a superlotação e os
gastos públicos com essa demanda.

O trabalho consiste na verificação do cumprimento de requisitos objetivos pelos presos e


seleção dos processos para o mutirão. Para não gerar instabilidade no ambiente prisional,
o CNJ aconselha a revisão e resposta aos processos de todos os presos, ainda que não
seja uma resposta positiva.

Após a seleção e verificação dos requisitos objetivos - e se o preso não houver cometido
falta grave - o processo passará pela análise de equipe técnica, da Defensoria Pública, do
Conselho Penitenciário, do Ministério Público e do juiz, que lavrará a decisão.

O fluxo é rápido, de forma a não deixar processos sem análise ou sem resposta. Se não
houver impedimento, o benefício é concedido de imediato. Todo o trabalho será feito na
unidade prisional e contará com a colaboração de servidores, defensores e voluntários.

Juliana Mendes
Tribunal de Justiça
secomtj@tj.ma.gov.br
2106-9023 / 9024

ver outras

A vida humana é um mecanismo de escolha, preferência e adiamento.


Qualquer escolha é também uma exclusão.
(Julián Marías)

Implementação de uma política de adoção de penas


alternativas, a busca de soluções para a lei nº 7.210/84 e da
crise do Sistema Carcerário
por Rafael Damaceno de Assis
SUMÁRIO: 1. Introdução 2. Penas Alternativas: Uma Medida De Política
Criminal 3. Aspectos Positivos E Negativos Na Aplicação De Penas Alternativas
4. Substitutivos Penais Atualmente Em Vigência No Ordenamento Jurídico
Brasileiro 5. Implementação De Substitutivos Penais Como Alternativa À Crise
Do Sistema Penitenciário 6. A Efetivação E O Cumprimento Da Lei De
Execução Penal 7. Aplicação De Um Tratamento Executivo-Penal Adequado De
Acordo Com O Disposto Na Lei De Execução Penal 8. Bibliografia
1. INTRODUÇÃO

A idéia de que determinadas penas privativas de liberdade venham a serem substituídas


por penas alternativas (também chamadas de substitutivos penais) vem sendo
amplamente discutida e colocada como uma alternativa eficaz à crise do sistema
penitenciário.

Existem vários fatores e argumentos favoráveis no que se refere à substituição ao


encarceramento. O nosso ordenamento jurídico já prevê a aplicação de tais medidas, o
que acaba tornando mais simples a sua implementação por não encontrar já de início o
obstáculo de natureza legal, como a questão da privatização das prisões.

Embora também haja críticas no que se refere à adoção de tais medidas, entendemos
que sua aplicação constitui-se num fator decisivo para a reforma de nosso sistema
penitenciário, em razão das inúmeras vantagens e da viabilidade de essas medidas serem
concretizadas desde logo, oferecendo o que o sistema prisional brasileiro mais necessita
urgentemente: soluções eficazes e que busquem resultados à curto prazo e que façam
com que a pena cumpra sua função ressocializadora.
2. PENAS ALTERNATIVAS: UMA MEDIDA DE POLÍTICA CRIMINAL

Como pode ser constatado ao longo deste trabalho, a falência da função ressocializadora
da pena privativa de liberdade é incontestável. A exclusão social do condenado e o
ambiente criminógeno da prisão fazem com que a pena cumpra somente sua função
retributiva, funcionando apenas como um castigo ao condenado e agravando ainda mais
o seu quadro social.

Concomitantemente, além de não possibilitar a reintegração social do indivíduo, o


sistema penitenciário tem índices cada vez maiores de crescimento, não conseguindo
atender a demanda do aumento da população carcerária, o que acaba o tornando cada
vez mais ineficiente e oneroso ao erário público.

Com o advento da moderna corrente doutrinária denominada Direito Penal Mínimo, a


qual postula que o Direito Penal moderno deve restringir-se a uma intervenção mínima
e subsidiária, servindo apenas como instrumento de necessidade extrema, surge então a
idéia de que a pena de prisão deve ser reservada apenas aos crimes de natureza grave e
aos delinqüentes de intensa periculosidade.

As penas alternativas surgem nesse contexto como uma medida de política criminal que
visa não apenas diminuir o contingente carcerário das prisões, mas também como uma
alternativa que possibilite uma maior efetivação do caráter educativo da pena, o que
acarretaria uma maior oportunidade de ressocialização do criminoso, tendo em vista o
fato de ele não ser retirado do seu convívio social e de não sofrer a influência do
ambiente criminógeno da prisão.

3. ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS NA APLICAÇÃO DE PENAS


ALTERNATIVAS

As vantagens trazidas pela substituição da aplicação das penas privativas de liberdade


seriam de várias ordens. O reflexo imediato se sua aplicação seria o de atenuar a crise
de superlotação do sistema carcerário, pois um grande número de detentos já não
precisaria iniciar o cumprimento de sua pena em regime fechado, não tendo assim de
recolher-se a um estabelecimento prisional.

O ônus financeiro relativo à administração penitenciária por parte do aparelho estatal


seria reduzido, sendo que a verba destinada à construção de novas prisões poderia ser
redirecionada, podendo ser aplicada na modernização do sistema carcerário, na
contratação e qualificação de agentes penitenciários e no trabalho de ressocialização dos
egressos.

Haveria uma redução no quadro pessoal exigido para a administração carcerária, tendo
em vista que, em média, é necessário um funcionário para cuidar de três detentos, sendo
que para a fiscalização do cumprimento das penas alternativas um assistente social pode
ser responsável por até aproximadamente 50 prestadores desse tipo de pena.

É comprovadamente menor o índice de reincidência entre aqueles que cumpriram penas


alternativas do que em relação àqueles que cumpriram pena em regime fechado. Dessa
forma, haverá uma redução direta na reincidência e, conseqüentemente no índice de
criminalidade, o que se reverte num grande benefício à sociedade.
A pena alternativa, além de possibilitar uma maior chance de recuperação do criminoso,
também propicia uma maior possibilidade de que ele venha a reparar o dano causado
pela prática de seu crime à própria vítima ou ao Estado.

A adoção de penas alternativas também tem seus opositores. Uma das críticas em
relação a este substitutivo penal baseia-se no argumento de que o Direito Penal pode vir
a perder a sua força intimidativa, o que aumentaria a sensação social de impunidade, a
qual já tem sido bastante sentida em nossa sociedade.

Também cogita-se que o Estado não teria condições de exercer um controle efetivo
quanto ao cumprimento dessas penas, e que a adoção dessa medida estaria visando
apenas o controle do crescimento da massa carcerária e uma conseqüentemente
diminuição da parcela de responsabilidade do Estado na administração prisional.

Está muito ligada a essas críticas a idéia de que a sociedade brasileira ainda não
assimilou a cultura da substituição da pena privativa de liberdade pelas penas
alternativas. Ainda está arraigada a idéia de que só a cadeia é sinônimo de punição, e de
que o criminoso tem de passar pelo sofrimento do cárcere a fim de que possa pagar pelo
mal por ele causado.

No entanto, é desconsiderado por essa sociedade o fato de que se a prisão servir apenas
como instrumento de castigo, sem sua finalidade ressocializadora, o preso que hoje lá se
encontra será o homem que amanhã estará de volta ao seu convívio e voltando a praticar
os mesmos crimes.

Infere-se do exposto acima que existem muito mais argumentos favoráveis que
contrários à implantação de medidas despenalizadoras em nosso sistema prisional. A
efetividade e a viabilidade da implantação dessas medidas ficaram sujeitas ao interesse
político de nossos legisladores em fazer as reformas legislativas necessárias a sua
implantação, e de nossos governantes em disponibilizar recursos para a criação de
órgãos que venham a acompanhar e fiscalizar o cumprimento dessas penas, o que se
constitui num fator fundamental para sua eficácia.

4. SUBSTITUTIVOS PENAIS ATUALMENTE EM VIGÊNCIA NO


ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO

A adoção de medidas despenalizadoras tem evoluído ao longo do tempo dentro de nosso


ordenamento jurídico. A reforma da Parte Geral do Código Penal de 1984 tratou
expressamente da questão de estabelecer alternativas à pena de privação do direito de
liberdade como forma de política criminal. Esses ordenamentos procuravam se
subsumir a postura adotada pelo ONU, que ao estabelecer as Regras Mínimas para o
Tratamento do Preso, incentivou os países signatários a adotarem medidas que
substituíssem o encarceramento, restringindo essa hipótese aos casos de comprovada
necessidade.

A nova Parte Geral do Código Penal trouxe como inovação a substituição da pena
privativa de liberdade por penas restritivas de direitos, divididas em três naturezas:
1)Prestação de serviços à comunidade (artigo 46); 2)Interdição temporária de direitos
(artigo 47); 3)Limitação de fim de semana (artigo 48). Os requisitos exigidos (conforme
artigo 44) basicamente eram a condenação a pena privativa de liberdade não superior a
um ano ou condenação por crime culposo; não ser o réu reincidente, e atender às
circunstâncias judiciais do artigo 59 do CP.

A referida Reforma previu ainda o instituto do sursis, que seriam a suspensão


condicional da pena do condenado a pena privativa de liberdade não superior a 2 anos,
por um período de 2 a 4 anos (conforme artigo 77 do CP).

Com o advento da Lei dos Juizados Especiais Criminais (Lei nº 9.099), a qual entrou
em vigor em 1995, os crimes e contravenções penais que tinham pena máxima
cominada em abstrato não superior a um ano eram tidos como infrações penais de
menor potencial ofensivo, sendo que aos seus autores foi instituído o benefício da
transação penal e da suspensão condicional do processo, medidas despenalizantes por
excelência.

Em 1996, o então Ministro da Justiça Nelson Jobim submeteu à apreciação do


Presidente da República um projeto de lei por muitos denominado como projeto da “Lei
das Penas Alternativas”, o qual foi sancionado pelo presidente, convertendo-se na Lei nº
9.714, de 26 de Novembro de 1998, e que incorporou ao ordenamento jurídico penal
mais quatros espécies de penas alternativas, propiciando ao aplicador da lei uma maior
possibilidade da substituição de penas privativas de liberdade por penas de natureza
restritiva de direito.

Essas quatro novas modalidades de penas alternativas consistiam em:

1.Prestação pecuniária (artigo 43, inciso I) – consiste no pagamento à vítima, a seus


dependentes, a uma entidade pública ou privada com destinação social, uma
importância em dinheiro fixada pelo juiz, não inferior a 1 e nem superior a 360 salários
mínimos;

1.Perda de bens e valores pertencentes ao condenado em favor do Fundo Penitenciário


Nacional (artigo 43, inciso II) – considerava-se o prejuízo causado pela infração penal
ou o proveito dela obtido pelo próprio criminoso ou por terceiro (conforme artigo 45,
parágrafo 3º);

3)Proibição ao condenado de freqüentar determinados lugares (artigo 47, inciso IV);

4)Prestação inominada (artigo 45, parágrafo 2º) – havendo aceitação pelo condenado o
juiz poderia substituir a prestação pecuniária (conforme artigos 43 inciso I e 45
parágrafo 2º), que se cumprem com o pagamento do dinheiro à vítima em prestação de
outra natureza, por ele especificada em sentença.

Por causa da greve dos policiais civis a visita dos parentes foi interrompida na
Penitenciária de Pedrinhas, em São Luís, neste sábado (29). Na Central de Presos de
Justiça também houve confusão.
Tumulto em duas penitenciárias
no Maranhão
Em Pedrinhas, presos iniciaram uma rebelião e houve
confronto com policiais.
Na Central de Presos de Justiça, na mesma cidade,
também houve confusão.
Do G1, em São Paulo, com informações 29/09/07 - 17h30 - Atualizado em 29/09/07 - 17h3

Em Pedrinhas, havia sido permitida a entrada de 25 parentes. Quem ficou do lado de


fora se revoltou no início da manha de sábado.

Os familiares chegaram a interromper a rodovia em frente a penitenciária, mas a polícia


conseguiu liberar o trânsito de veículos.

Os presos começaram uma rebelião. Houve disparos e um preso ficou ferido.

Os policiais civis do estado estão em greve e reivindicam reajuste de salário, melhoria


de infra-estrutura nas delegacias e contratação de pessoal.

Segundo os grevistas, faltam pelo menos 900 policiais civis no Maranhão.

Oito presos fugiram na madrugada deste domingo da Casa de Detenção em Pedrinhas.


Segundo a Secretaria de Segurança Cidadã (sesec) os presos teriam aberto um buraco
na parede de uma das celas.

Já é a terceira fuga de presos, em apenas quatro dias, em penitenciárias no Maranhão.


Na quinta-feira, 25 presos fugiram do Centro de Ressocialização em Timon. Na sexta,
outro 8 detentos também conseguiram fugir do mesmo local.

Antes na quinta-feira à noite, um motim foi debelado na Central de Custódia de Presos


de Justiça (CCPJ), também no Complexo Penitenciário de Pedrinhas.
Já no sábado, um homem foi encontrado morto, dentro de uma das celas da Casa de
DetençãoPublicado em: 29/09/2008 - 10h27min(16 dias atrás)

Mais oito presos fogem de penitenciária do Maranhão

Com esses, o número de fugitivos já passa de 40, só na última semana


19/06/2008 - 11:13 - Uol
CPI do Sistema Carcerário
Maranhão: superlotação e tortura em um dos piores presídios do País
Tamanho da fonte:
Na madrugada desta quarta-feira, dia em que a greve dos agentes penitenciários e policiais civis do Maranhão
entrou em sua quarta semana, uma tentativa de fuga foi debelada pela polícia militar no complexo de
Pedrinhas, o maior do Estado e um dos piores do país, de acordo com relatório da CPI do Sistema Carcerário
que será divulgado nesta quinta-feira. A paralisação, que teve início dia 28/05 e negocia a contratação de
novos funcionários, reajustes salariais e aquisição de equipamentos, também agravou o precário quadro do
sistema carcerário maranhense.

As quatro unidades prisionais de Pedrinhas contam com apenas 27 agentes penitenciários para dar conta de
1.971 detentos, mais da metade dos 3.418 do estado. Somados os detidos nas delegacias do interior, o déficit
de vagas no Maranhão alcança algo em torno de 3.400 homens. A superlotação é o problema mais grave, mas a
ela se juntam constantes denúncias de torturas físicas e psicológicas, desvio de materiais e negligência no
acompanhamento jurídico. Nas celas, não é difícil encontrar homens que afirmam já ter cumprido sua pena há
meses e continuam ali por descaso estrutural.

O vice-presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Maranhão (Sindspem) Raimundo


Martins é categórico: "Quando chegou ao ponto de estrangulamento a elite percebeu o monstro que criou.
Hoje, o sistema carcerário é a retroalimentação da violência". Com vinte anos de experiência nas prisões
maranhenses, o inspetor penitenciário tem consciência de que a realidade é grave: "se em algum momento
não houver um agente comprometido com os seres humanos atrás das grades e o comando for conivente, a
situação é dramática. O pau canta", afirma.

No Brasil desde 2002, o padre italiano Luca Mainente é o responsável pela pastoral carcerária em São Luis. O
religioso entende que "o grande problema é o sistema funcionar na base da pessoa. As informações não são
partilhadas, ficam na mão de alguns diretores e coordenadores. O diálogo com a sociedade é abafado, não há
pesquisa científica. Eu entendo, é uma forma de mandar melhor".

Denuncia casos constantes de tortura, afirmando ouvir um número bem maior de relatos do que os que são
oficializados. Dá detalhes de espancamentos gratuitos, realizados apenas para intimidar os detentos. "A
desorganização generalizada do sistema facilita as arbitrariedades. A estrutura não cobra os desleixados e a
impunidade é uma realidade", conclui.

Hoje, não existe qualquer programa de atualização ou treinamento dos agentes penitenciários no Maranhão.
Seus salários vão de R$ 1.636 a R$ 1.841 e o dos inspetores não é muito maior. Martins afirma que os baixos
vencimentos e a ausência de plano de carreira, dois pontos de reivindicão dos grevistas, desestimulam o
trabalho. "Eu executo um serviço de qualidade, mas não ganho o suficiente para fazê-lo. Agora, pelo serviço
que realizam, muitos colegas não merecem nem isso", reconhece.

Os piores presídios do Brasil

Colônia Penal Agrícola de Campo Grande (MS)


Colônia Penal Feminina do Recife (PE)
Presídio Professor Aníbal Bruno (PE)
Cenrto de Detenção Provisória 1 de Pinheiros (SP)
Penitenciária Lemos Brito (BA)
Cadeia Pública de Valparaíso (GO)
2º Distrito Policial de Contagem (MG)
Casa de Detenção de Pedrinhas (MA)
Presídio Urso Branco (RO)
Instituto Penal Paulo Sarasate (CE)
Penitenciária Vicente Piragibe (RJ)
Presídio Central de Porto Alegre (RS)

A opinião que vem de dentro das celas de um dos presídios da cidade é clara: os agentes penitenciários
daquela prisão não estão comprometidos com a ressocialização de ninguém. Ao contrário, têm claro para si
que se trabalham por algo é para impedir que os presos se recuperem. "Eles são frustrados por não serem
policiais, muitos se consideram militares, mas o trabalho deles é outro, deveriam ser educadores. Eles nos têm
como inimigos, se consideram os vingadores da sociedade e nos tratam de forma brutal", avalia um detento
em voz baixa.

O método utilizado para retirar um prisioneiro de uma cela para uma sessão de espancamento inclui o uso de
bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta, enquanto, acima do teto feito de grades, outros agentes
mantêm todos sob a mira de armas. "Estamos num regime de leis, não? Se cometemos uma falta devemos ser
punidos de acordo com o regulamento, mas são castigos arbitrários que muitas vezes chegam ao óbito", afirma
um condenado por furto.

Um ex-detento explica que um dos piores castigos no sistema maranhense é um local conhecido como Noventa
Graus, onde as celas são todas de concreto nu e os presos ficam apenas de calção, tendo que dormir sobre
papelões sem qualquer cobertor no chão molhado. A média de castigo é de dez dias e se for descoberto que
alguém tem um lençol ele é confiscado e a permanência aumentada. Uma sessão de espancamento como
punição não está descartada.

A afirmação de que cada um deles custa R$ 1.200 por mês ao Estado do Maranhão arranca gargalhadas de toda
uma cela. "De que forma, meu patrão? Não tem lógica nisso aí, não temos assistência médica ou jurídica, o
serviço social nunca vem e a comida está sempre azeda. Remédio é pior, para ir ao médico nossa família tem
que ligar pro diretor, porque se falar com os agentes eles não levam, pode estar morrendo aqui", resume um
detento sentado na cama que conquistou por respeito.

Também criticam a atuação de movimentos sociais, religiosos e da imprensa dentro dos presídios. "Os direitos
humanos só funcionam enquanto eles estão aqui. Assim que saem a porrada come solta e quem denunciou já
sabe que vai sofrer", afirma um senhor de pele enrugada e olhos no chão. "Pastoral? Eles são bons de fazer
eventos, mas o que funciona aqui dentro como religião, como conforto espiritual, é o evangelho", diz um
detendo que conhece a Palavra, mas não é praticante. Repórteres são visto com bons olhos, mas um negro
com cabelos longos reconhece o bloco de anotações e indaga agressivo: "vai fazer o que com isso aí? Ganhar
seu pão em cima de gente e depois tchau e benção, não muda nada para a gente, não é?".

Dentro do presídio, sendo reconhecido como alguém que não é parente e está ali interessado na realidade
deles, é fácil ver os olhos brilhando daqueles que já estão com a pena cumprida. Se aproximam, pedem
intervenção, explicam em detalhes o caso, dão o nome e o local de nascimento. "Falar aqui não adianta. Se
não tiver alguém lá fora para atuar em nosso nome vamos ficar pra sempre perdidos no sistema. Minha
juventude se foi aqui dentro e todas as minhas palavras para fora ficam em nada, sem valor no ar", finaliza um
rapaz que não tem família.

Liberdade e dignidade
O juiz Jamil Aguiar é o único da Vara de Execuções Criminais (VEC) de São Luis. O órgão tem cerca de três mil
processos sob sua responsabilidade, número que funcionários reconhecem ser além de sua capacidade. Para
amenizar a situação do Judiciário no Maranhão, Aguiar lançou em 2007 o programa Liberdade e Dignidade que,
na prática, antecipa a liberdade de presos com bom comportamento. As exigências são que o detento tenha
passado pelo menos os últimos seis meses em regime semi-aberto e há pelo menos doze não tenha cometido
qualquer infração. Uma equipe da VEC analisa individualmente cada caso e, baseada em entrevistas pessoais,
busca separar bandidos profissionais de "ladrões de galinha", oferecendo a estes uma Saída Temporária
Especial Vinculada de 30 dias renováveis que, na prática, são renovados até o final da pena, caso o detento
tenha bom comportamento e participe das atividades do programa. Até agora, 96 homens já foram
beneficiados e apenas oito foram mandados de volta à prisão por infrações.

Outro lado
O secretário-adjunto de administração penitenciária do Maranhão, Sidonis Souza, considera ter recebido em
2007 uma estrutura que passou os quarenta anos anteriores ao governo Jackson Lago (PDT) sem uma política
de enfrentamento ao problema. "A situação era tão crítica quando assumimos que a polícia estava escolhendo
quais bandidos prender ou não, tão grave era a superlotação", afirma. Em abril deste ano foi inaugurado o
Centro de Detenção Provisória com 402 vagas, em frente ao complexo de Pedrinhas, na periferia de São Luis.
O CDP recebeu todos os presos das delegacias da capital e está hoje com 384 internos, liberando 250 policiais
civis no processo.

Souza também afirma que a expansão do presídio São Luis deve ser completada ainda este ano e que quatro
novas unidades devem ser entregues em 2009, somando cerca de mil novas vagas ao sistema. "Acredito que um
estado com recursos limitados que constrói cinco unidade prisionais quase ao mesmo tempo pode ser
considerado comprometido com a questão", avalia.

Defende a regionalização da execução penal, evitando assim a concentração de presos na capital, que hoje
abriga 60% dos presos do interior do Maranhão. Afirma que é primeiro necessário ampliar o número de vagas
para criar as condições necessárias à implantação de programas de ressocialização. Também aponta que estão
em andamentos projetos que prevêem a criação de uma escola penitenciaria para qualificar os agentes e de
um regimento único que padronize os procedimentos em todo o estado, ajudando a racionalizar o sistema.

Confrontado com acusações de desvio de materiais de higiene e remédios, faz uma ligação e ordena
investigação sobre o fato. Confirma o valor apresentado pelo Sindspem de que cada preso custaria R$ 1.200
por mês ao estado e reconhece que houve algum descompasso no levantamento interno que indicou que esse
valor seria gasto apenas com a alimentação do preso. Assim como a questão do desvio de materiais, garante
que vai investigar.
A SITUAÇÃO NO SISTEMA CARCERÁRIO DE IMPERATRIZ NA PERSPECTIVA
DA RESSOCIALIZAÇÃO DE SEUS PRESOS
Alcileia Anchieta Guimarães

Ana Cristina Alencar Barros
Julyanne da Silva Cunha
Vanusa Fonseca de Lima
RESUMO
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho propõe fornecer os subsídios necessários e estabelecer uma
discussão sobre a realidade vivenciada atualmente pelo sistema penitenciário brasileiro e
regional, partindo de uma visão panorâmica de sua história, desde o período colonial,
passando pelo império e período republicano. Regionalmente, procurar-se-á mostrar a
estrutura de funcionamento do sistema prisional no estado do Maranhão, drasticamente
representado pelo Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na capital, São Luis.
Localmente, a inexistência, ou insuficiência de publicações ou dados oficiais,
aliadas ao burocrático processo para acesso às informações sobre a CCPJ - Centro de
Custódia para Presos de Justiça, prejudicam quase que decisivamente a qualidade do trabalho
proposto, uma vez que limita ao extremo o conhecimento fático da situação carcerária.
Ainda assim, mesmo que a partir de poucos elementos, pretende-se entre outros
fatores mostrar que a realidade de Imperatriz, em muito se assemelha àquela que podemos
testemunhar, de forma até perplexa, sendo exposta nos meios de comunicação diuturnamente
e que traduz, de forma clarividente, o panorama complexo e extremamente desafiador da
realidade brasileira como um todo. Uma realidade que revela, a olhos nus, profundas
violações aos direitos mais fundamentais dos seres humanos e o total desrespeito à sua
dignidade.
Vivenciamos nesse contexto, inequivocamente, um dos momentos mais críticos

Acadêmicas do 4º período do curso de Serviço Social da Unidade de Ensino Superior do Sul do
Maranhão.
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4
de nossa história, onde se irrompem as mais variadas crises. Reinam problemas que passa
pelo desemprego, miséria, corrupção generalizada desrespeito ao meio ambiente crime
organizado, violência, decadência das instituições de saúde, educação, entre outros.
Por outro lado, frente a todos esses problemas, que podemos designar como de
ordem moral, econômica, política e social, cresce assustadoramente a criminalidade,
agravando -se a cada dia a situação do sistema carcerário como um todo, marcado
principalmente pela incapacidade da classe política de promover ações efetivas referentes ao
assunto e pela violência em especial.
O sistema carcerário, que teria como objetivo principal recuperar e reeducar os
presos prepará-los para que retornem à sociedade, sadios e hábeis para o convívio social, ao
contrário do que se propõe, tem se mostrado insuficiente, inoperante e incapaz de recuperar os
presos e ainda cuidar para que estes fossem tratados no interior do presídio minimamente de
forma condizente com sua condição de pessoa humana, as quais são garantidos por lei, mas
que na prática não são vivenciadas.
Serão discutidos durante todo o trabalho questionamentos sobre a ressocialização
e ou recuperação para o preso, o que se pode fazer para mudar essa realidade que se verifica
hoje no sistema penitenciário.
Assim, a proposta final do trabalho é apresentar alternativas, na perspectiva de
melhorar as políticas carcerárias, a fim de que sejam efetivas e capazes de garantir o processo
de ressocialização dos detentos. Outro objetivo é chamar a atenção ainda para o que diz a LEP
(Lei de Execuções Penais) em relação aos presos e condenados, os quais têm o seu direito
assegurado pela referida Lei, todavia não são respeitados.
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5
2 A ORIGEM HISTÓRICA DO SISTEMA CARCERÁRIO NO BRASIL
2.1 A prisão no Brasil - os primeiros passos
Muito são os problemas carcerários no Brasil, e falar de assunto requer uma
análise mais aprofundada em vários aspectos, especialmente os artigos que tratam de
execuções penais.
Olhando a história, observa-se que a primeira menção à prisão no Brasil foi
registrada no Livro V das Ordenações Filipinas do Reino, Código de leis portuguesas que foi
implantado no Brasil durante o período Colonial. O Código decretava a Colônia como
presídio de degredados
.
A pena era aplicada aos alcoviteiros, culpados de ferimentos por arma
de fogo, duelo, entrada violenta ou tentativa de entrada em casa alheia, resistência a ordens
judiciais, falsificação de documentos, contrabando de pedras e metais preciosos.
A utilização do território colonial como local de cumprimento das penas se
estende até 1808. A instalação da primeira prisão brasileira é mencionada na Carta Régia de
1769 , que manda estabelecer uma Casa de Correção no Rio de Janeiro (MATTOS apud
PEDROSO, 2004).
A Constituição de 1824 estabelecia que as prisões deveriam ser seguras, limpas,
arejadas, havendo a separação dos réus conforme a natureza de seus crimes (Constituição do
Império do Brasil, Art. 179), mas as casas de recolhimento de presos do início do século XIX
mostravam condições deprimentes para o cumprimento da pena por parte do detento. Segundo
Rothman (apud PEDROSO 2004), A prisão, a partir de uma visão utópica, tinha como
principais metas:
modificar a índole dos detidos através da recuperação dos prisioneiros;
reduzir o crime, a pobreza e a insanidade social;
dirigir suas finalidades para a cura e prevenção do crime;
reforçar a segurança e a glória do Estado.
Apesar destes objetivos tão claros, os órgãos públicos pouco se interessavam pela
administração penitenciária, que ficava entregue ao bel-prazer dos carcereiros que, por sua
vez, instituíam penalidades aos indivíduos privados de liberdade. Assim, a implantação dessas
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casas foi mascarada por uma realidade brutal, possível de ser observada só pelas pessoas que
lá conviviam diariamente. Utopias carcerárias pensadas pelos juristas da época entravam em
colisão com os poderes presentes na realidade penitenciária.
No entanto, todo o arcabouço legislativo montado pela regulamentação das
prisões e pelo conjunto de leis, decretos e códigos não humanizou o sistema penitenciário;
muito pelo contrário, a quantidade de novos mandamentos sobre a conduta e direção das casas
de aprisionamento fez com que se perdesse a finalidade da origem da prisão, transformando a
instituição em um mero aparelho burocrático.
2.2 Período Republicano
O Código Penal de 1890 estabeleceu novas modalidades de penas: prisão celular,
banimento, reclusão, prisão com trabalho obrigatório, prisão disciplinar, interdição, suspensão
e perda do emprego público e multa. Para Moraes apud Pedroso, (2004)
,
a estrutura
penitenciária ideal a partir deste novo código passou a exigir os seguintes quesitos:
segurança dos detentos;
higiene apropriada ao recinto da prisão;
segurança por parte dos vigilantes e guardas;
execução do regime carcerário aplicado;
inspeções freqüentes às prisões.
A questão penitenciária tratava do ponto de vista ideal, mais do que nunca, das
funções que a pena deveria exercer na vida social. Toda essa boa vontade entrou em colisão
com as condições deprimentes dos presídios brasileiros, detectáveis através de estudos e
depoimentos de época.
Em meio às reformas carcerárias do período, o governo autorizou em 1893 a
fundação da Colônia Correcional da Fazenda Boa Vista, na Paraíba, considerado como local
ideal: uma fazenda. Esta colônia foi edificada sob uma antiga colônia militar e deveria receber
os indivíduos de qualquer sexo que estivessem vagando pela cidade, em ociosidade; ou os que
andassem armados, incutindo o terror.
No imaginário jurídico a prisão ou colônia correcional deveria causar temor, para
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que a sociedade se sentisse amedrontada frente ao poder policial ou judicial. A ocultação do
condenado nas prisões deveria introduzir no imaginário popular a sensação de que todos eram
potencialmente condenáveis e sujeitos ao suplício carcerário. Era a alma o alvo preferencial
da punição.
2.3 Modernidade e continuidade
No início do século XX a legitimidade social da prisão ganhou variações para um
melhor controle da população carcerária. Surgiram tipos modernos de prisões adequadas à
qualificação do preso segundo categoriais criminais: contraventores, menores, processados,
loucos e mulheres.
Esse novo mecanismo, por outro lado, tinha por objetivo reforçar a ordem pública,
protegendo a sociedade através de uma profilaxia apropriada: o isolamento em um espaço
específico.
Medidas paliativas também eram tomadas pela direção dos presídios, que viam na
punição e no castigo aos presos, formas de suprir as deficiências operacionais dos presídios
que, na prática, não ofereciam condições adequadas para a recuperação do delinqüente,
conforme o Relatório da casa de correção do Districto Federal, 1908.
A profilaxia se fazia, portanto, em dois estágios: primeiramente apelava-se para os
castigos que, no caso de insatisfatórios, conduziam ao isolamento. Medida de grande
relevância para o bem da disciplina, uma vez que a punição e o castigo são modalidades de
fácil aplicação no universo da detenção (BRITO apud PEDROSO, 2004).
No entanto, a criminalidade não era considerada como um problema insolúvel.
Poderia ser resolvido através da prevenção. Nesse sentido, foi decretada em 1924, durante o
governo Arthur Bernardes, a criação da Escola de Reforma do Direito Penal, destinada a
recolher os menores desprovidos de qualquer orientação de vida: menores reincidentes
considerados "rebeldes pelos próprios pais".
Esse universo de idéias acolherá a possível solução do problema penitenciário
brasileiro, que pleiteava a criação de reformatórios agrícolas visto que a maioria dos
delinqüentes provinha da região rural. A prisão rural como modalidade de profilaxia ao crime
não comportava nenhum tipo de inovação, visto que as colônias agrícolas e correcionais
destinadas aos menores e vadios já existiam.
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2.4 Colônia de Defesa Social
As medidas de profilaxia ao criminoso social ganharam por parte dos governos
dos anos 20, ações diretas e incursões constantes junto aos possíveis delinqüentes. O
constante estado de sítio em vigor naqueles tempos permitiu que a polícia praticasse ações de
caráter violenta. Uma reforma mais ampla rumo à regulamentação geral das prisões estava em
andamento desde 1930.
Tendo em vista uma organização mais aprimorada do sistema penitenciário, foi
aprovado em 1935 o Código Penitenciário da República que, em seus inúmeros artigos,
legislava em direção ao ordenamento de todas as circunstâncias que envolviam a vida do
indivíduo condenado pela justiça.
As penas detentivas propostas a partir de 1935 seguiam o mesmo pressuposto do
Código Penal de 1890: a regeneração do condenado. Conforme o Código Penitenciário da
República, 1935, foram acionados como modelos ideais de prisão o chamado Sistema de
Defesa da Sociedade composto dos seguintes tipos de prisão:
1. Colônias de Relegação: espécie de instituições para a repressão. Deveriam ser
localizadas em ilha ou local distante onde seriam alojados os detentos de
péssimos procedimentos provenientes dos reformatórios ou penitenciárias;
2. Casas de Detenção: nestas seriam alojados os processados que aguardavam
sentenças e os condenados que esperavam transferência ou vaga em algum
presídio;
3. Escolas de Educação Correcional: destinadas aos menores delinqüentes de
mais de 18 anos e menores de 21 anos e que deveriam proporcionar aos
reclusos algum tipo de trabalho;
4. Reformatórios para homens e mulheres delinqüentes: destinados aos reclusos
condenados a mais de 5 anos de prisão;
5. Casas de Correção: destinados aos delinqüentes reincidentes e aos
considerados difíceis ou irreformáveis, cujo convívio poderia ser prejudicial
aos demais reclusos;
6. Colônias para delinqüentes perigosos: destinados aos reincidentes que fossem
trabalhar na agricultura;
7. Sanatórios penais: para tuberculosos, leprosos e toxicômanos/alcoólatras.
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2.5 A cidade prisional
A busca de soluções trouxa à luz outros tantos projetos irrealizáveis, como por
exemplo, o da Cidade Penitenciária do Rio de Janeiro que, idealizada em 1937, propunha
formas contemporâneas de regeneração ao preso segundo o modelo de uma "prisão moderna".
Pretendia-se dar ao prisioneiro condições de uma vida mais saudável no interior do cárcere,
ou seja: assistência médica, dentista, esporte, educação, trabalho e distração. O projeto previa:
1. Escolas e Oficinas com base na regeneração;
2. Estádio para cultura física, construído no centro da cidade;
3. Hospital, biblioteca, capela e lavanderia;
4. Cinema para menores e cassino para os funcionários;
5. Horta, pomar, estábulos para vacas leiteiras;
6. Oficinas de encadernação, tipografia, impressão e máquinas.
Frente ao mega projeto da construção da Cidade Penitenciária do Rio de Janeiro, a
idéia da penitenciária modelo foi colocada em questão, porque o ambiente e a conduta que o
preso deveria seguir em estabelecimento deste tipo não condizia com a situação de sua vida
extra-muros (Torres apud Pedroso, 2004). Projetos mirabolantes como esse, terminaram
esquecidos frente à necessidade de vagas em vários presídios brasileiros.
2.6 Selo prisional
A situação constrangedora, que ia desde a depravação, falta de higiene, de
conforto e de ordem nos infectos e superlotados presídios onde se confundiam e se
misturavam menores de todas as idades e criminosos de todos os graus, era uma verdade.
Com o objetivo de minimizar esta somatória de problemas do cárcere foi proposta
a circulação de um selo penitenciário, aprovado pelo Presidente da República em julho de
1934. A criação do selo visava a solução desta agravante situação das prisões em todo o país,
especialmente, na capital da República, cuja situação era alarmante (criação de um Fundo
Penitenciário destinado à realização de Reformas Penais, 1934)
.
Segundo Cândido Mendes (presidente do Conselho Penitenciário, ligado ao
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Ministério da Justiça em Negócios Interiores) da época, defendia a criação de um selo
especial - o selo penitenciário - cuja arrecadação seria destinada à celebração das reformas
penais no Brasil. Para isso a verba arrecadada ficaria à disposição do ministro da justiça que a
aplicaria:
na construção, reformas e manutenção dos estabelecimentos penitenciários,
colônias de egressos e penitenciários;
no cadastro judiciário;
no auxílio aos patronatos e aos asilos destinados a filhos de condenados;
na Administração Geral Penitenciária;
na realização de outras providências convenientes à prevenção e à repressão
criminal.
O selo seria impresso pela Casa da Moeda e vendido pelo Tesouro Federal na
Capital e nos Estados.
2.7 Geopolítica das Prisões
A utilização de navios, colônias correcionais, prisões comuns ou ilhas para o
confinamento carcerário fizeram parte das estratégias em torno de uma geopolítica das
prisões, implantadas a partir da criação das colônias correcionais. O intuito era de afastar o
criminoso dos grandes centros urbanos, objetivando o saneamento da sociedade: mais uma
forma de profilaxia social.
Fundamental é frisar, no final deste texto, que a inoperância das instituições públicas
brasileiras funcionou em prol da mentalidade autoritária da época, e trabalhou na
criação de lugares excludentes do mundo civilizado; sempre tomando como base
modelos ideais e perfeitos de aprisionamento - as utopias penitenciárias -, sobre as
quais, os juristas, via de regra, acreditavam que proporcionando leis em favor desses
pressupostos, livrariam os bons homens dos perigos que circulavam visivelmente
pelas ruas das cidades; protegiam o Estado do perigo que o afrontava e, sobretudo,
levariam à regeneração social o futuro encarcerado. Mera utopia. Na atualidade
presenciamos os frutos colhidos dos delírios dessa classe jurídica-penitenciarista.
(PEDROSO, 2004, p. 25).
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11
3 O SISTEMA CARCERÁRIO NO ESTADO DO MARANHÃO - PEDRINHAS E
CCPJ IMPERATRIZ
3.1 Complexo Penitenciário de Pedrinhas
A realidade do maior sistema prisional maranhense, o Complexo Penitenciário de
Pedrinhas, substancialmente em nada se difere dos demais sistemas prisionais do país no que
tange aos problemas comprometedores de seu ideal funcionamento. São eles: a superlotação
carcerária, a péssima qualidade da alimentação, corpo administrativo limitado, ausência de
condições para desempenho de ofícios por parte dos presos, a burocracia na apreciação dos
pedidos de benefícios, carência de medicamentos e de profissionais da área da saúde, dentre
outros.
A realidade mostra que os grandes depósitos de humanos não recebem a
importância devida. As autoridades públicas lhes são indiferentes. No caso específico do
Complexo Penitenciário de Pedrinhas no que diz respeito aos reclusos idosos e portadores de
deficiência, constatou-se em uma pesquisa realizada por alunos da Universidade Federal do
Maranhão, realizada no ano de 2006, mostram que suas estruturas não apresentam qualquer
adaptação (pisos antiderrapantes, eliminação de barreiras arquitetônicas) com o fim de
facilitar o deslocamento desses dois segmentos sociais.
Nessa pesquisa, constatou-se ainda que na cela em que fica aglutinada a maior
parte dos reclusos idosos e portadores de deficiência (pavilhão oito), há cerca de trinta presos
que viviam em condições insalubres, dispondo de apenas um sanitário e um lavatório em
precárias condições de higiene. Como é pequena para tantos presos, estes dormem
amontoados e ocupam todos os espaços do chão. Ademais, evidenciou-se em outras celas do
Complexo Penitenciário de Pedrinhas que portadores de doenças contagiosas, como
hanseníase, tuberculose e AIDS, convivem juntos, numa verdadeira promiscuidade.
Verificou-se, entre outras coisas, a presença de pessoas com visíveis sinais de perturbação
mental. Infelizmente, esse é um pequeno retrato da realidade do sistema prisional em estudo.
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3.2 O sistema Carcerário de Imperatriz - visão histórica
Imperatriz conviveu durante muitos anos com uma estrutura carcerária precária
que não oferecia a mínima segurança. Composta por seis celas, a cadeia municipal localizava-
se na Rua Sousa Lima, no centro da cidade, na zona do baixo meretrício, setor comumente
conhecido pelo nome de Farra Velha.
A cadeia totalmente sem estrutura, só tinha celas para homens. Na época não era
permitido visitas íntimas, e a saúde por falta de assistência médica era precária. As condições
de permanência dos presos naquele distrito eram as piores possíveis, o local estava
contaminado por fezes de ratos, baratas, restos de alimentos podres, etc.
A administração da cadeia era constituída por um comandante da polícia militar,
cinco agentes civis, onde estes exerciam todas as funções ao mesmo tempo, ou seja, eram
motoristas, escrivães, condutores de presos e carcereiros. Nestas condições, as fugas eram
constantes.
Os problemas aumentavam mediante o crescimento da população e conseqüente
aumento da criminalidade, o que tornava inviável a manutenção do Distrito Policial devido à
sua frágil estrutura, que na época não estava estruturada para atender a demanda crescente de
criminosos.
Diante do quadro aviltante, o Ministério Público, através de uma vistoria
constatou-se a impossibilidade de abrigar tamanho contingente de presos visto as subumanas
condições a que eram submetidos os presos. Houve interdição. O então, secretário de
Segurança pública do Maranhão, Agostinho Noleto, aprovou um projeto de criação da Central
de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ), localizado na Rua Dom Pedro II, Bairro Bacuri,
onde anteriormente funcionava um colégio.
A CCPJ, tinha inicialmente sete celas, cada uma com capacidade para abrigar
entre três a oito presos. Com o aumento da demanda a instituição foi reformada e esse número
foi ampliado para dezenove celas, o que continuou a ser um número insuficiente, pois assim
como continuou a crescer número de habitantes, também o de transgressores. Além disso,
durante todo esse tempo pouco se fez de efetivo para possibilitar a ressocialização dos presos
(SILVA, 2004, p. 21).
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3.3 A estrutura da CCPJ de Imperatriz.
Segundo informações concedidas pelo diretor A CCPJ, Mauro Veras a mesma
convive hoje com um problema sério que é o problema de infra-estrutura, a falta de espaço
físico suficiente para abrigar os presos de forma digna e o desenvolvimento de atividades que
permitam o processo de ressocialização destes. O número de detentos ultrapassa em muito a
capacidade ideal. Hoje existem 219 internos e 29 albergados, enquanto que o ideal seria de no
máximo 110 presos.
Estes se encontram em celas pequenas, mal cheirosas, iluminação precária, sem
um ambiente apropriado para fazer a higiene de suas roupas. As mesmas são lavadas no chão
do próprio banheiro que se encontra em condições inapropriadas até mesmo para a higiene
intima. Uma realidade que em muito se distancia daquela idealizada pela Lei de Execuções
Penais nº 7.210, de 11 julho de 1984, que estabelece no
Art. 13.em que diz que
o
estabelecimento disporá de instalações e serviços que atendam aos presos nas suas
necessidades pessoais.
Hoje a CCPJ ainda continua com dezenove celas, sendo duas especiais, uma
destinada a mulheres e outra para o preso de nível superior. Não existe uma cela especial
destinada a visitas íntimas. Elas acontecem no mesmo ambiente em que estão os demais
presos, o direito à privacidade é obtida apenas através do uso de cortinas. A superpopulação
da CCPJ é uma realidade lamentável e crítica.
A falta de recursos próprios é outro grande problema enfrentado pela
administração, que conta com setecentos reais mensais para resolver os problemas como falta
de material para escritório, manutenção e outros gastos imprevisíveis e imprescindíveis de
ordem burocrática.
3.4 CCPJ e a ressocialização de seus presos
A CCPJ na atual circunstância, não oferece as mínimas condições, necessárias à
ressocialização dos presos, embora haja por parte da administração local, voluntários,
entidades não governamentais e igrejas, esforços no sentido de possibilitar este intento.
Infelizmente ainda são insuficientes, pois se trata de medidas paliativas, mínimas diante da
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grandiosidade de ações que precisariam ser desenvolvidas. Existe hoje um trabalho
desenvolvido por uma equipe de voluntários que ensinam os presos a trabalharem com a
reciclagem de papel e ainda um projeto denominado Projeto Cristo Liberta, desenvolvido por
uma igreja local que realiza um trabalho de conscientização com as famílias dos presos.
Ações que indiscutivelmente são de fundamental importância para vida do preso, no entanto,
são tímidas e insuficientes mediante a real necessidade.
Não existe a implementação de nenhuma forma de trabalho profissionalizante,
tornando muito pequena as chances de uma reintegração desses indivíduos ao seio da
sociedade como sujeito útil e capaz de se auto-sustentar.
A escola de alfabetização que funcionava mesmo de forma precária está fechada
por falta de pagamento e por falta de uma estrutura suficiente e segura para o próprio
professor, que demonstra certo receio em ministrar para uma turma que pode se rebelar a
qualquer momento, devido às circunstâncias em que se encontram.
A CCPJ abriga hoje presos que em sua grande maioria, são constituídos por
homens com faixa etária predominantemente jovem, entre 25 e 29 anos, desempregados ou
com renda familiar inferior ou igual a um salário mínimo, baixa escolaridade, revelando uma
face da realidade social em que viviam antes de entrarem na prisão.
3.5 Principais problemas e desafios para o funcionamento ideal
3.5.1 Superlotação carcerária
A superlotação acarreta, inexoravelmente, situação desumana e degradante aos
custodiados, gera os mais preocupantes efeitos, como: promiscuidade, falta de higiene, falta
de comodidade, etc. As prisões superlotadas são extremamente perigosas: aumenta a tensão
elevando a violência entre os presos, tentativas de fugas e ataques aos guardas. Parcela
significativa das rebeliões e outras formas de protestos são resultado principalmente da
superlotação.
De acordo com Tavares: (2006, p, 45 [online]):
Apesar de a Constituição Federal prever no seu artigo 5º, inciso XLIX, do Capitulo
dos Direitos e Garantias Fundamentais, que “é assegurado aos presos o respeito à
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integridade física e moral”, o Estado continua fracassando nas prerrogativas
mínimas de custódia; não conseguindo nem mesmo garantir a vida dos apenados que
estão sob sua tutela e responsabilidade. À incapacidade do Estado soma-se a
incompetência do modelo prisional vigente para a recuperação de seus presos. O
resultado desta mistura é um local onde não existem as mínimas condições de
respeito aos direitos humanos. E sem respeito à pessoa humana, como garantia da
dignidade e da integridade física, o que se produz a cada dia são pessoas desprovidas
de humanidade.
A Lei N.º 7.210 de 11 julho de 1984 em seu artigo 40 que trata dos direitos e
garantias do cidadão preso, mostra:
Art.40. Impõem-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral
dos condenados e dos presos provisórios.
3.5.2 Ausência de condições para desempenho de oficio por parte dos presos
A Lei Nº. 2.848, de 7 de dezembro de 1940, deixa claro:
Art.28. O trabalho do condenado, como dever social e condição de dignidade
humana, terá finalidade educativa e produtiva;
Art. 126. O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semi-aberto
poderá remir pelo trabalho, parte do tempo de execução da pena.
Art. 128. O tempo remido será computado para a concessão de livramento
condicional e indulto.
Segundo Magnabosco; (1998 [ online]):
O direito à educação e ao trabalho, que estão vinculados à formação e
desenvolvimento da personalidade do recluso. São os direitos sociais de grande
significação, o trabalho é considerado reeducativo e humanitário; colabora na
formação da personalidade do recluso, ao criar-lhe hábito de autodomínio e
disciplina social, e dá ao interno uma profissão a ser posta a serviço da comunidade
livre. Na participação das atividades do trabalho o preso se aperfeiçoa e prepara-se
para servir à comunidade. Porém, o nosso sistema penitenciário ainda mantém o
trabalho como remuneração mínima ou sem remuneração, o que retira do trabalho
sua função formativa ou pedagógica e o caracteriza como castigo ou trabalho
escravo.
O fato do detento permanecer em um cárcere privado sem ocupar o tempo em
uma atividade produtiva, tira toda expectativa de vida que ele por ventura possa ter. A
laborterapia seria uma excelente oportunidade para o preso desenvolver um trabalho e assim
sentir-se mais útil e ocupar sua mente de forma saudável.
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Os prisioneiros deveriam obrigatoriamente ter as horas preenchidas com alguma
atividade profissionalizante que o ajudasse a recuperar a auto-estima e fosse uma fonte de
renda para que tenha condição de enfrentar a vida fora da prisão.
3.5.3 Assistência jurídica burocrática e escassa
É essencial para a população carcerária, principalmente para aqueles que estão
com processo em andamento, o acompanhamento jurídico dispensado por um advogado ou
promotor público, visto que a maioria não dispõe de recursos para constituir advogado.
Nos precisos termos do artigo 15 da Lei de Execução Penal, a assistência jurídica
é destinada aos presos e aos internados sem recursos financeiros para pagar por essa
assistência.
Art. 15. A assistência jurídica é destinada aos presos e aos internados sem
recursos financeiros para constituir advogado.
Art. 16. As Unidades da Federação deverão ter serviços de assistência jurídica nos
estabelecimentos penais.
Os juristas revelam que a assistência jurídica é considerada entre as assistências
garantidas por lei, a mais importante. A falta de perspectiva dentro da prisão e a sensação de
indefinição da pena, morosidade dos processos, causam inquietação, intranqüilidade,
refletindo diretamente na disciplina do preso.
Não obstante todo o aparato legal posto em resguardo aos direitos do preso, não
raras vezes as execuções, correm praticamente à revelia da defesa, a atuação defensória, como
regra, é quase inexistente.
3.5.4 Carências de assistência médica
Como parte do seu objetivo na reabilitação e ressocialização, a LEP determina que
os presos tenham acesso a vários tipos de assistência, inclusive assistência médica. Na prática,
nenhum desses benefícios são oferecidos na extensão contemplada pela lei, sequer a
assistência médica - o mais básico e necessário dos serviços. Quando oferecida, em níveis
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mínimos para a maior parte dos presos.
Por outro lado, várias doenças infecto-contagiosas tais como tuberculose e Aids
atingem população carcerária. Ao negar o tratamento adequado dos presos, o sistema prisional
não apenas ameaça a vida dos mesmos como também facilita a transmissão dessas doenças à
população em geral através das visitas conjugais e o livramento dos presos. Como os presos
não estão completamente isolados do mundo exterior, uma contaminação não controlada entre
eles representa um grave risco à saúde pública.
Dentre os fatores que favorecem a alta incidência de problemas de saúde entre os
presos está o estresse de seu encarceramento, condições insalubres, celas superlotadoas com
presos em contato físico contínuo e o abuso físico.
3.5.5 Falta de higiene
A Lei de Execuções Penais em seus artigos 12 e 14 diz:
Art. 12. A assistência material ao preso e ao internado consistirá no fornecimento
de alimentação, vestuário e instalações higiênicas.
Art. 14. A assistência à saúde do preso e do internado de caráter preventivo e
curativo, compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odontológico.
Sabemos, contudo que na realidade isso não ocorre na íntegra. Os presidiários
vivem em condições de higiene muito precárias e deficientes, os banheiros de uso coletivo
encontram-se em péssimo estado de conservação, muitos deles não dispõem de roupas
suficiente para fazer troca periódica. Por conta das péssimas condições de higiene acabam por
contrair doenças como sarnas, tuberculose e etc.
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4 PERFIL SOCIAL DOS PRESOS
Os presos, em sua maioria são jovens oriundos das camadas sociais mais pobres,
negros e já marginalizados socialmente, filhos de famílias desestruturadas, que não tiveram e
não têm acesso à educação nem à formação profissional.
São, portanto, pessoas que estão numa situação já delicada e, se não encontrarem
as devidas condições necessárias nos presídios, jamais poderão voltar à sociedade como
cidadãos de bem.
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5 ALTERNATIVAS E SOLUÇÕES PROPOSTAS
É um grande desafio para qualquer um apresentar soluções que no mínimo
amenizem a dura realidade manifesta no sistema penitenciário. Sabemos que essa realidade
não mudará da noite para o dia, mas acreditamos ser possível ações mais humanistas que
possam permitir maior êxito, no processo de reabilitação do preso, visto que estes se
encontram privados de sua liberdade e não de suas vidas, por isso, merecem uma
oportunidade que lhes permitam uma real transformação de vida.
Cabe principalmente ao Estado a grande responsabilidade de implementar
medidas que assegurem a aplicação correta das leis penais voltadas para a ressocialização do
detento. Investir em construção de novos presídios, adequados à necessidade de vagas,
treinamentos de agentes e contratação de novos, maior controle para que seja evitada a
corrupção no interior dos presídios fazem-se necessárias e urgentes.
5.1 Ações governamentais no processo educativo
Ações que estão sendo desenvolvidas recentemente pela Secretaria de Estado da
Educação (Seduc) em parceria com a Secretaria de Segurança Cidadã (SESEC) que estão
promovendo curso de formação para professores , técnicos e agentes penitenciários que atuam
na Educação de Jovens e Adultos no sistema prisional, são exemplos de medidas positivas
que visam beneficiar e contribuir com o processo de ressocialização.
5.2 Penas alternativas
As penas alternativas são uma boa opção que apontam à consciência dos homens,
o conceito de sociedade solidária e não a estulta idéia de que a violência se combate com
violência. Destinadas aos criminosos não perigosos e às infrações de menor gravidade, visa
substituir as penas detentivas de curta duração.
Embora setores mais tradicionais ainda reajam à adoção das "novas" sanções,
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lembramos o que diz Kuehne (1994, p.31) "Não se pode impor soluções que destoam da
realidade, do que se quer evitar, ou seja, o contato nefasto de presos de pouca ou nenhuma
periculosidade, com os profissionais do crime”.
É evidente que as sanções alternativas, quando empregadas para prevenção e
repressão dos crimes de baixa gravidade, têm maior utilidade como meio de recuperação do
criminoso, na medida em que conserva o delinqüente no meio social, ao mesmo tempo em
que expiando seu erro, através da pena imposta, dá-lhe o valor de membro útil à comunidade
em que está inserido, como agente de transformação social.
As penas alternativas, de outra feita, não deixam no condenado, o estigma de ex-
presidiário, talvez o maior mal que o Estado possa causar à pessoa, pela marca indelével que
essa qualidade deixa, cerrando-lhe as oportunidades em todos os setores sociais.
Acreditamos que o tratamento penal do condenado deve restaurar-lhe a estima
social, recuperação psicosocial e reeducação profissional do sentenciado o não acontece na
prática com a punição de encarceramento, visto sua fragilidade como instrumento meramente
punitivo que não permite a recuperação do infrator, e tem servido apenas como um
instrumento de proteção às camadas sociais, através do castigo imposto pelo Estado. Daí a
necessidade de se aperfeiçoar os sistemas alternativos de penas, dentro da realidade penal
brasileira.
Vimos nas penas alternativas uma boa opção porque apontam à consciência dos
homens, o conceito de sociedade solidária e não a estulta idéia de que a violência se combate
com violência. Além do mais, vemos que a aplicação sistemática das penas alternativas
aliviará o problema da superprodução carcerária, reduzindo, ao mesmo tempo o número de
rebeliões nos presídios e penitenciárias.
As penas alternativas conforme a Lei 9.714/98 são:
Prestação pecuniária;
Perdas de bens e valores ao condenado em favor do Fundo Penitenciário
Nacional;
Prestação de serviço à comunidade ou a entidade pública;
Proibição de exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de
mando eletivo;
Proibição de exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de
habilitação oficial, de licença ou autorização do poder público;
Suspensão de autorização para dirigir veículos;
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Proibição de freqüentar determinados lugares;
Limitação de fins de semana ou prisão descontínua;
Multa;
Prestação inanimada.
Os crimes sujeitos às penas alternativas são:
Pequenos furtos, apropriação indébita, estelionato, acidente de transito, desacato à
autoridade, uso de drogas, lesões corporais leves e outra infrações de menor gravidade.
5.3 APACs
Modelos de penitenciárias que, com seus modos inovadores, recuperam e ao
mesmo tempo ressocializam o detento, como ocorre com os presídios administrados pela
Associação de proteção e Assistência ao Condenado – Apac – onde os presos são tratados de
forma diferente, como se fossem pessoas detentoras de direitos e deveres assim como
qualquer outra, o que não ocorrem nos demais presídios brasileiros, onde às vezes são
forçados a esquecerem que são seres humanos.
Nos presídios sob administração da Apac não existem policiais civis nem
militares, os internos têm as chaves de todas as portas e portões da unidade – inclusive entrada
e saída. No interior da unidade há lanchonete e sorveterias, o dinheiro não é proibido, o uso de
roupas normais é permitido. Todas essas mudanças implicam na porcentagem de reincidência:
4,5% (por cento), contra 85% (por cento) de instituições tradicionais.
São doze os elementos fundamentais do método Apac, os quais aplicados em um
conjunto harmonioso encontram respostas positivas para os problemas existentes na maioria
dos presídios brasileiros, os quais são:
1. Participação da comunidade - reúne forças da comunidade em prol do ideal de
ressocialização do preso qualificado pelo método como recuperando;
2. Recuperando ajudando recuperando - consiste na necessidade do preso ajudar
o outro preso, para que o respeito se estabeleça;
3. Trabalho - A Apac se preocupa com a prática de trabalhos laborterápicos e
outros serviços voltados para ajudar o preso a se reabilitar;
4. Religião - A importância da religião, sem imposição de credos, desde que
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pautada na ética, levando a transformação moral do recuperando;
5. Assistência Jurídica - O recuperando está sempre preocupado em saber sobre o
andamento de seu processo , portanto a assistência jurídica importante, além
de ser uma garantia da Lei;
6. Assistência à Saúde - São oferecidas as assistências psicológicas,
odontológicas e outras de modo humano e eficiente, por de trabalho
voluntário;
7. Valorização Humana - busca recuperar a auto-imagem da pessoa que errou,
tendo a educação, melhoria das condições físicas do presídio, alimentação de
qualidade entre outros, como aspecto importante para fazer com que os
recuperando sintam-se valorizados;
8. A família - Considerada aspecto importante, mostrando-se como um dos
pilares da recuperação do condenado. A família se envolve e participa da
metodologia;
9. Voluntário e sua formação - O trabalho é baseado na gratuidade, no serviço ao
próximo como demonstração de amor e carinho para com o recuperando;
10. Centros de Reintegração Social (CRS) - Constituído por três pavilhões
destinados ao regime fechado, semi-aberto, não frustrando assim, a execução
da pena;
11. Mérito - A vida do recuperando é minuciosamente observada, no sentido de
apurar o mérito e a conseqüente progressão nos regimes;
12. A jornada de Libertação com Cristo - Constitui-se um ponto alto da
metodologia .É um encontro anual estruturado em palestras - misto de
valorização humana e religião, através de meditações e testemunhos dos
participantes, cujo o objetivo é provocar reflexão e interiorização de valores.
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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como vimos a História do Sistema Penitenciário brasileiro foi marcada por
episódios que revelam e apontam para o descaso com relação às políticas públicas na área
penal, também para a edificação de modelos que se tornaram inviável quando de sua
aplicação. O que ficou comprovado ao longo do tempo é que somente com a punição do
encarceramento, não há recuperação do infrator, pois elas simplesmente privam o infrator de
sua liberdade e não permitem o processo de ressocialização e reeducação.
O que se constata de fato no interior dos presídios são situações degradantes de
vida em que os presos são colocados em locais insalubres, mal cheirosos, em celas
superlotadas - ambiente propício para a violência sexual, a promiscuidade e transmissão de
doenças como a AIDS e doenças venérias, sem atendimento médico, psíquico e social
adequado para sua condições, e o que é pior, pessoas em completo estado de ócio.
Diante dessa realidade, pode-se perguntar: como pode ser possível querer que haja
a recuperação de um preso que vive o cotidiano de humilhações, descaso, em um ambiente
hostil, amontoados indignamente? Essa condição de vida além de uma ofensa aos direitos
humanos, fere drasticamente todos os princípios estabelecidos pela Constituição de
valorização da pessoa humana quer seja ela um cidadão em estado de liberdade ou em
condição de privação desta.
Para responder a tais questionamentos não precisaríamos ser nenhum cientista
social, filósofo ou ter qualquer outra especialidade, pois fica evidente que as penas nos
moldes que estão sendo aplicadas , no atual sistema prisional, longe está de ser
ressocializadora. Assim, podemos conceber como uma utopia essa possibilidade, visto que na
condição de seres humanos que são, dotados de sentimentos, memória, sensíveis ao mínimo
de estímulos, sejam eles positivos ou negativos, os presos reagirão, conforme a aplicação do
tratamento, ou seja, respondendo segundo o princípios com que são tratados.
Também fica evidenciada que no sistema penitenciário, a fatídica impossibilidade
de cumprir com a missão de recuperação e reinserção dos condenados mediante o modelo
vigente, que resolve apenas uma ínfima proporção da criminalidade, uma vez que aquilo que é
previsto pela legislação não tem sido cumprido de maneira efetiva. Na realidade, não falta
Legislação para o sistema penitenciário, há, contudo necessidade de evolução da prática.
É estupidez imaginar que homens amontoados como animais enjaulados em
pequenos espaços, tendo sua auto-estima diminuída, podem um dia voltar à sociedade
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recuperados de seus erros.
Enfim, urge a necessidade de implementação de programas de ressocialização
reforçados, com ênfase no oferecimento de trabalho e ensino aos presos, atenção às famílias
dos apenados e apoio às iniciativas de acompanhamento aos egressos do sistema.
Somente valorizando o preso como pessoa humana, dignificando-o mesmo dentro
da prisão, é o caminho para que ele se recupere de suas condutas delituosas. Isso ficou
provado com o modelo APAC. Apenas dessa forma a sociedade poderá ver seus presos
recuperados e as taxas de reincidência reduzidas, realidade que é tanto sonhada por todos.
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REFERÊNCIAS
BRASIL. LEP Lei de Execuções Penais. Lei N.º 7.210 de 11 julho de 1984.
_______________. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Projetos Novos Rumos
na Execução Penal. Belo Horizonte, 2006.
KUEHNE, Maurício. Doutrina e Prática da Execução Penal. Juruá, Curitiba, 1994.
MAGNABOSCO, Danielle. Sistema penitenciário brasileiro: aspectos sociológicos . Jus
Navigandi, Teresina, ano 3, n. 27, dez. 1998. Disponível em:
<http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1010>. Acesso em: 17 maio 2007.
PEDROSO, Regina Célia. Utopias penitenciárias. Projetos jurídicos e realidade carcerária
no Brasil. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 333, 5 jun. 2004. Disponível em:
<http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5300>. Acesso em 23 mar. 2007.
SILVA, Gilson Gomes da. Sistema carcerário de Imperatriz. Monografia Habilitação em
Direito da Universidade Federal do Maranhão “CAMPUS II”. Imperatriz, 2004.
TAVARES, Celma. Sobre o sistema penitenciário. Disponível em:
http://www.torturanuncamais.org.br/mtmn pub/pub artigos/pub art celma10.htm. Acesso em:
10/05/2007.
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Crepúsculo do sistema penitenciário


Desligar o modo marca-texto

Elaborado em 11.1996.

Francisco Fernando de Morais Meneses Filho

promotor de Justiça no Maranhão

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Para discorrer sobre o tema supracitado, mister se faz uma análise, ainda que
perfunctória, de uma relevante doutrina jurídica, bem como a exegese de uma
pletora de disposições estabelecidas nos textos frios e objetivos de alguns artigos
do Código Penal. De fato, a crítica ao crepúsculo do sistema penitenciário hodierno
constitui tema de indubitável interesse da comunidade jurídica brasileira, tendo
tomado, nos últimos decênios, maiores proporções em decorrência do
agravamento das condições sócio-econômicas por que tem passado este país de
dimensões continentais.

Primordialmente, lícito é que se direcione o prisma óptico de análise para os


aspectos teleológicos das punições criminais. Nas mais priscas eras, tinham essas
por escopo-mor satisfazer o comum sentimento de vindita de que todos homens
são naturalmente investidos. É a pena como automática conseqência da ação
coletivamente condenada. Ao mal do delito, sobrevinha o mal da pena. Perdurou
tal prática por incontáveis anos, sendo, supervenientemente, superada pelo
período marcado pela lei de Talião. Surgiam os primeiros indícios da preocupação
de aferir o dano causado, a fim de se proporcionar a punição que,
inexoravelmente, haveria de se aplicar. Foi, assim, galgando a humanidade
diversas fases evolutivas, graças a desmesuradas contribuições emanadas das
mentes de valiosos gênios, tais como o Marquês de Beccaria e o inglês John
Howard, os quais muito lutaram para impedir a postergação dos direitos
individuais. Apregoavam ser de inquestionável importância a reforma do sistema
penitenciário. Era o período humanitário. Surgiu, ainda, paulatinamente, o estudo
do homem na sua mais substancial natureza, o qual foi introdutoriamente brotado
das eruditas colocações de Lombroso, Garófalo e Ferri. Era o nascedouro da
criminologia e, irrefutavelmente, a continuação da luta para resguardar os direitos
integridade física e moral do ser humano.

Como se pode depreender do anteriormente exposto, deveria a humanidade jactar-


se pelos grandes êxitos logrados no decorrer de sua história, pois inegável é que
os direitos e garantias fundamentais estão afixados nas mais variadas
constituições do mundo, sendo o tema abordado no Título II da Lei Magna
brasileira. Entrementes, forçoso é que se concorde com Karl Marx, na sua “Gazeta
Renana” (1848), ao denominar tal paradoxo, entre a realidade e a norma, de uma
“ilusão constitucional”. Há, de fato, um verdadeiro descompasso entre a realidade
concreta e a utopia legal. Para se corroborar tal afirmação, suficiente é que se
experimente uma rápida passagem aos cárceres de qualquer grande ou média
cidade brasileira e, concomitantemente, aviste-se o que está disposto no art. 5º,
XLIX, da Lei Maior do Estado: “é assegurado aos presos o direito á integridade
física e moral”. Após célebre explanação, uma angustiante pergunta parece reboar:
por que há, no que tange ao sistema penitenciário, uma verdadeira antítese entre a
realidade prática e os almejos legais juridicamente tutelados?

Reputa-se, para solucionar tal questionamento, ser necessário remontar duas


razões básicas, as quais hão de constituir o fulcro do raciocínio desenvolvido: as
causas políticas e as causas jurídicas.

As razões de natureza política parecem sempre formar uma conexão direta com o
rendimento de quase todas as instituições e organizações brasileiras e, para o
infortúnio pátrio, relacionam-se, amiúde, com a queda da eficácia dessas
instituições. Tal regra geral atua, também, no que se refere ao sistema
penitenciário. O “princípio” político vigente é , na verdade, semelhante ao abordado
por Thomas Hobbes em seu livro “Leviatã”: homo homini lupus— o homem é o
lobo do homem. A preocupação com a situação populacional é duvidosa, quanto
mais no que alude aos dissidentes da ordem estatal. Locupletam-se, desta
maneira, muitos governantes do erário público, que deveria ser direcionado para a
reforma dos cárceres ou para as provisões destes. É a típica política nacional que,
durante anos, vem deixando sua mácula indelével na história do Brasil.

As razões de ordem jurídica, por sua vez, estão vinculadas, muitas vezes, aos
condutores principais da Justiça. No Brasil, conforme estatuído no art. 5º, XLVI da
Constituição, a lei regula, dentre outras, as seguintes penas: privação de liberdade,
perda de bens, multa, prestação social alternativa e suspensão ou interdição de
direitos. Não obstante isso, a reiterada execução das penas privativas de liberdade
ultrapassam, em muito, a das demais. Verifica-se então, que se está colidindo,
diretamente com o colocado por Ibrahim Abi-Ackel, na Exposição de Motivos da
nova Parte Geral do Código Penal (Lei nº 7209, de 11-07-1984), quando diz: “uma
política criminal orientada no sentido de proteger a sociedade terá de restringir a
pena privativa da liberdade aos casos de reconhecida necessidade, como meio
eficaz de impedir a ação criminógena cada vez maior do cárcere”. Não se deve,
desse modo, esquecer que a sanção não se resume, conforme divulga Hans
Kelsen, a simples conseqüência do ilícito. Visa ela à correção da personalidade
humana. Deve-se, portanto, sempre que possível, aplicar o princípio maior da
Escola Correcionalista, o qual, com diafanidade, expôs Concépcion Arenal em sua
máxima: “não há criminosos incorrigíveis e, sim, incorrigidos”. Verdade é que esta
afirmação vem carregada de uma exacerbada e irreal esperança, porém não deixa
de ser um alerta aos executores da lei. Não podem os juízes aceitar a tendência à
ociosidade, naturalmente imposta ao espírito humano. Ao revés, devem sempre
investigar os fatos, observá-los e analisá-los, a fim de aplicarem as penas mais
justas para o restabelecimento da capacidade social dos delinqüentes. Devem
difundir o uso maior das penas de prestação social, pois estas dignificam o espírito
do homem. E, aqui, vale parafrasear Charles Chaplin, em “O Último Discurso”:
“Juízes, não sois máquinas! Homens é o que sois!”. E, como homens, não podem
desprezar a responsabilidade que recai sobre seus ombros, para trazerem de
volta, por meio de justas sanções, a harmonia interior da maior quantidade
possível de delinqüentes. Afinal, de que adianta lançar um inexperiente criminoso
na verdadeira e mais reconhecida Universidade do crime, que é o cárcere?

Observa-se, destarte, que, nos seus referenciais teóricos e legais, a humanidade


tem merecido congratulações demasiadas. Contudo, o mesmo não se pode afirmar
sobre a decepcionante realidade prática. Além disso, não se pode olvidar que as
causas maiores do declínio da eficiência das sanções penais decorrem de
vilipêndios políticos e jurídicos. E, portanto, só há de se testemunhar a erradicação
completa destas mazelas com o desenvolvimento lento e gradual da ética política
no seio da sociedade brasileira, bem como com a assunção integral dos encargos
por parte dos magistrados. Devem estes, pois, achar em cada dissidente da ordem
jurídica, através, principalmente, da aplicação de punições sob forma de serviços
comunitários, o estímulo para a consecução do fim precípuo do Estado: o bem-
comum. Este fim que consiste, no entender do papa João XXIII, no “conjunto de
condições de vida social que consistam e favoreçam o desenvolvimento integral da
personalidade humana”. Feitas tais mutações, poder-se-á, então, orgulhosamente,
afirmar que o crepúsculo do sistema penitenciário brasileiro fez parte de um elenco
de problemas pretéritos e ultrapassados.

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