zé mcgill

na barriga do boi

denize

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Denize, meu sol. Em primeiro lugar, perdoe minha longa falta em nossas correspondências. Saiba que a saudade e a vontade que sinto quando penso em você não minguaram, de forma alguma. Pelo contrário, busco forças para tolerar o suplício que causa a distância que nos separa. Acontece que, nos últimos dias, Jussara – essa monstruosidade peçonhenta que chamam de minha mulher – foi acometida do mais alto grau de desconfiança e irritabilidade de que tenho conhecimento desde o malfadado dia em que nos casamos. Estávamos sentados à mesa de jantar, na noite da última terça-feira, quando a infeliz largou os talheres sobre o prato e iniciou uma série de perguntas sem sentido, imersa num estado de alteração que me deixou atemorizado. Depois disse que havia encontrado, minimizado na tela do computador, um daqueles nossos e-mails fogosos, recheados com a nossa intimidade, e finalmente me perguntou, entre os dentes cerrados: “Quem é Denize?”. Pergunta à qual recusei resposta retrucando com imediata indignação e fazendo a discussão enveredar para o âmbito da invasão de minha privacidade. Me custa crer que tenha sido leviano a esse ponto! Todavia, cuidarei para que Jussara não tome mais ciência da nossa troca de mensagens e voltarei a lhe 15

escrever assim que possível. Ela me vigia. Vigia o computador. Um inferno. Com carinho, Jofre.

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_enize, meu sol. Aproveito este momento em que a casa está vazia para lhe escrever e para confirmar o recebimento _e sua última mensagem. Sim, é provável que eu consiga subir a serra na próxima sexta-feira, sob o pretexto _e presi_ir um seminário em Belo Horizonte. Como você reparou, a quarta letra _o alfabeto sumiu _o tecla_o _o meu computa_or. Logo a letra que inicia o seu nome, o nome mais belo que há! Oh, pequena garbosa! Se você soubesse o calor que sinto quan_o mentalizo nossos feria_os secretos em Saquarema! Envio notícias assim que possível e assim que conseguir consertar o problema no tecla_o. A miserável chegou, preciso ir agora. Um beijo na sua coxa. Eternamente seu, Jofre.

iii
M&u sol. Jussara ficou louca! Foi &la qu&m arrancou a inicial _o s&u nom& _o t&cla_o. Agora, tirou o “&” tamb&m, com uma colh&r. Avisou ain_a, qu& as próximas l&tras s&rão o “N”, o “I” & o “Z”. Não s&i mais o qu& faz&r com &ssa vaca! Por favor, t&nha paci&ncia. Não posso subir a s&rra na s&xta-f&ira. Jofr&.

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Sol, &sta s&rá a últ!ma v&s qu& m& comu~!co com voc&. Pr&c!so f!car com Jussara, &la ~ão &stá b&m. M& p&r_o&, por favor!

&u t& amo

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