Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais - Campus Barbacena Disciplina: História Professor: Paulo Pavani

A Importância dos Escravos Africanos para a Construção do Brasil

Alunos: Isabela Vieira Franco nº9 Laura Gisele Souza dos Santos nº13 Paulo Augusto de Paiva Silva nº22 Técnico em Química Integrado ao Ensino Médio – 2º Ano Outubro/2011

Introdução
“Alguns pretendem que o poder do senhor é contra a natureza, que se um é escravo, e outro livre, é porque a lei o quer, que pela natureza não há nenhuma diferença entre eles e que a servidão é obra não da justiça, mas da violência. A família, para ser completa, deve compor-se de escravos e de indivíduos livres. Com efeito, a propriedade

um instrumento que é homem. entre os instrumentos. a escravidão é justa. às reuniões dos deuses. por uma ordem dada ou pressentida. O escravo é uma propriedade que vive.” Aristóteles . Ora. Se cada instrumento pudesse. se as navetas tecessem sozinhas. segundo Homero. então os chefes de famílias dispensariam os escravos.... pois. Não se saberia.. que. e o homem ao bruto. útil ao próprio escravo. executar por si mesmo o seu trabalho.. tanto quanto a alma é superior ao corpo. o emprego das forças corporais é o melhor partido a esperar do seu ser: são os escravos por natureza. como as estátuas de Dédalo ou os tripés de Hefaístos. O escravo é um instrumento vivo.. Há homens assim feitos por natureza? Existem homens inferiores.. uns inanimados.é uma parte integrante da família. outros vivos. dirigiam-se em marcha automática. conceber lar sem certos instrumentos.. pois sem os objetos de necessidade é impossível viver e viver bem.

2005). que inclui dimensões como língua. estética. que além de ter perdido a liberdade física. os comerciantes.A Importância dos Escravos Africanos para a Construção do Brasil “A contribuição dos africanos na formação do Brasil foi essencial tanto na composição física da população quanto na conformação do que viria a ser sua cultura. pois ocupavam quase todas as funções existentes. escravos e mulheres. dedicavam-se única e exclusivamente ao ócio e a filosofia. culinária. na Grécia e Roma Antiga. estrangeiros. os escravos contribuíram diretamente para o surgimento da “democracia” ateniense. já que só eram considerados cidadãos os aristocratas. Assim. que nunca perde tempo e vai logo estudar várias formas de estender suas influências sobre a população. música. Quanto à questão política. lembrando que o trabalho era considerado indigno pela elite de eupátridas. pode ser atribuído como herança dos escravos que também sofriam diversas privações pelo sistema opressor. exclusão e xenofobia. continuaram a ser propriedade dos eupátridas (elite grega. como: administradores. Portanto. perdendo a liberdade de pensamento também. importantes para o desenvolvimento de todas as atividades econômicas. pois os princípios básicos e essenciais da verdadeira democracia (discussão pública e senso comunitário) foram covardemente negligenciados por uma elite que se privilegia de uma hegemonia aristocrática. que por sua vez. excluíam-se desse grupo. desde a antiguidade. valores sociais e estruturas mentais” (PRANDI. religião. além disso. seres inanimados e sem sentimentos. não lhes fora garantido o direito à cidadania e infelizmente. . mesmo assim. sendo. seus feitos nunca carregaram seus nomes. não podem caracterizar uma política democrática. ou seja. pois eram responsáveis pela educação dos filhos da elite. os artesãos e os pequenos proprietários. ou seja. na Grécia Antiga. Em especial. Também estavam diretamente ligados ao desenvolvimento cultural da população. Portanto. construtores de obras públicas e até educadores. “coisas”. mesmo os escravos sendo os indivíduos que mais contribuíram para a ascensão das sociedades. Sem dúvidas os alicerces para a construção da sociedade moderna foram os escravos. já há muito tempo. Por serem exatamente a base das sociedades. é fato que. cerca de 90% da população grega não era considerada cidadã. ‘bem nascidos’). que veio a evoluir para o conceito de política e “democracia”. tamanha tirania. pois os mesmos constituíam a base que movimentava a economia da sociedade. está mais do que nunca. porém isso criou condições para o surgimento da idéia de discussão pública. há uma controvérsia fortemente implícita nesse conceito de democracia e cidadania ateniense. na qual somente os cidadãos com posses de terras podiam se agremiar. Estavam presentes desde a burocracia à construção de obras públicas. Sem sombra de dúvidas o nosso anseio por mudanças. Entretanto. atuando como pedagogos. os escravos exerciam funções indispensáveis. os escravos trabalhavam duramente para sustentar uma elite aristocrática.

e o homem ao bruto. Os riscos dessa atividade estavam nos perigos dos oceanos e nas doenças que algumas vezes chegavam a dizimar um terço dos escravos transportados.não se pode ignorar sua existência. além de que. homens inferiores. A maior parte dos escravos que aportavam inicialmente no Brasil provinha das colônias portuguesas na África. são submetidos a serem espólio de guerra dos vencedores. que era altamente lucrativo. Santos. uma vez que. coube ao Rio de Janeiro receber o maior número de escravos. Algumas outras cidades recebiam escravos vindos diretamente da África. Durante o ciclo áureo da cana-de-açúcar do Nordeste. como a existência de “. A proporção de desembarque de escravos em cada porto variou ao longo de 380 anos de escravidão. Mesmo que se tente esquecer ou esconder . Os portos que recebiam maior número de escravos no Brasil eram Salvador. Eram negros capturados nas guerras tribais e negociados com os traficantes em troca de produtos como a aguardente. durante o ciclo do ouro em Minas Gerais. O que necessariamente não aconteceu e não acontece em nosso país.. A partir desse ponto de vista a escravidão comum das sociedades grega e romana. como Belém. mas. O modelo econômico baseado na monocultura e extratividade. não convém qualquer tipo de trabalho escravo. São Luís. não havendo distinção entre as pessoas. . com utilização de mão-deobra escrava. ricos e pobres. caracterizava as colonizações da época. faz parte da nossa história. fumo e outros.. se tornavam escravos da mesma forma. os portos de Recife e Salvador recebiam o maior número de escravos. dependendo do aquecimento da atividade econômica na região servida pelo porto em questão. onde a justificativa para a escravização de um indivíduo está na cor de sua pele. Campos e outras. tanto quanto a alma é superior ao corpo. Escravidão no Brasil Tráfico e Comércio de Escravos Não se pode ignorar que o tráfico de negros da África para o Brasil decorreu do processo de colonização portuguesa iniciado na segunda metade do século XV. é extremamente importante que se quebre essa ideologia. pois ingleses. o emprego das forças corporais é o melhor partido a esperar do seu ser.. holandeses. O tráfico de escravos da África para o Brasil. que Aristóteles ilustra muito bem. mas cremos que atualmente. por menos que se queira. Rio de Janeiro e Recife.como fez Rui Barbosa quando mandou queimar a documentação existente sobre escravidão no Brasil . segundo o mesmo. não se trata de uma injustiça. desses portos os escravos eram transportados aos mais diversos locais do Brasil.. espanhóis e até norte-americanos se beneficiavam desse comércio. O tráfico de escravos não era exclusividade dos portugueses. Conhecer o tráfico e o comércio de escravos no Brasil é entender um pouco a importante contribuição dos africanos na formação da cultura brasileira. o que fica devidamente esclarecido ao analisarmos o processo qual somente se tornavam escravos aqueles povos que perderam batalhas importantes e conseqüentemente. mas nem por isso deixa de ser visto como desumano e absurdo. naturalmente não existem seres humanos diferenciados.Em suma.”.

A partir da segunda metade do século XIX cresceram os movimentos abolicionistas. Em “A História econômica do Brasil”. Os documentos presentes neste site demonstram a preocupação dos governantes nordestinos como esvaziamento de escravos das lavouras nordestinas e descreve as medidas adotadas para evitar tal processo. Coisa que já se compreendia então perfeitamente. principalmente. Caio Prado Júnior afirmava que "o tráfico e a escravidão achavam-se indissoluvelmente ligados. a escravidão seguir-lhe-ia o passo a curto prazo. Transações comerciais com escravos eram comuns. que valoriza os heróis como únicos responsáveis pelos grandes feitos da humanidade. que passou a ser o produto mais importante da balança comercial brasileira. em Alagoas. Com o declínio da produção de canade-açúcar no Nordeste. que passaram a pressionar cada vez mais o governo em busca de uma extinção definitiva da escravatura. a libertadora e ignora todo o processo conjuntural e estrutural que a levou a assinar. Na Biblioteca Nacional. enaltece a Princesa Isabel como a redentora dos negros. tornou-se uma referência na história da resistência dos negros à escravidão. As pressões internacionais. O Quilombo de Palmares. As relações comerciais internas envolvendo escravos acentuavam-se em momentos específicos do processo escravocrata. . áreas de produção de café. O acervo documental sobre os quilombos não é muito rico. eles multiplicaram-se pelo Brasil como forma de organização de resistência dos negros fugidos do trabalho escravo. 1945: 144) Resistência negra à escravidão A historiografia conservadora." (Prado Júnior. já que a maior parte da documentação sobre escravidão no Brasil era produzida por escravagistas que exigiam o completo extermínio desses focos de resistência. principalmente dos ingleses. e que os fatos posteriores comprovariam. muitos proprietários de escravos venderam parte de seu plantel para o Sudeste. esta não se podia manter sem aquele. a Lei Áurea. através de leilões. quando se fala em resistência negra à escravidão se é induzido a pensar em Zumbi dos Palmares e no quilombo que ele liderou.Neste site são exibidos documentos que registram as mais variadas transações com o escravo. mas o comércio de negros não se restringia à venda do produto do tráfico. por exemplo. também eram grandes. abolido o tráfico. em 13 de maio de 1888. para o Rio de Janeiro e São Paulo. muito pelo contrário. como se fosse um produto qualquer comerciável.A venda dos escravos vindos da África era feita em praça pública. no século XVII.Mas esse famoso quilombo não foi o único a existir. e os próprios negros passaram a se rebelar contra a situação com maior freqüência. poucos documentos fazem referência aos acampamentos de negros fugidos. Até hoje.

exigia-se que o governo fosse mais incisivo na ação contra os quilombos existentes nas cercanias da Corte. também foram uma alternativa para se livrarem da opressão dos senhores brancos. Há ainda. Das revoltas históricas. nem sempre os negros eram vítimas. Num dos documentos é relatado o assassinato de um capitão-do-mato pelos negros de uma fazenda. privando o senhor de seu investimento. Na luta pela liberdade. a mais conhecida foi a dos Malês. em Salvador. há diversas menções a ela. exceto os mais pobres. praticamente. instaladas em locais de difícil acesso. todo o trabalho era escravo. algumas vezes. aumentando ainda mais sua revolta. As providências exigidas não eram meros discursos retóricos da imprensa conservadora. onde eram vendidos para aqueles que fizessem a maior oferta. Os movimentos dos cativos contra o sistema escravocrata eram constantes. Havia o medo de que novas revoltas como aquela transformassem o Brasil numa "anarquia. pois o fim do tráfico e a promulgação da Lei do Ventre Livre limitavam a manutenção do numero de escravos à compra através do tráfico interno. Em fins do século XIX. Suicídios. O braço negro esteve sempre presente em todas as áreas e setores de atividades. manter seus escravos era de extrema necessidade para alguns fazendeiros. que se tornara muito caro com a diminuição da oferta. no acervo da Biblioteca Nacional uma bela coleção de imagens que documentam os castigos impostos aos escravos fujões. verdadeiras cidades de escravos fugidos. . eles eram os algozes. todos os brancos. que tinha capacidade de se organizar até mesmo nas senzalas.Num dos artigos do periódico Aurora Fluminense. O Trabalho Escravo no Brasil No Brasil colonial. tratava-se de uma questão de sobrevivência econômica para alguns. membros de uma mesma família ou de uma mesma tribo de separavam. constantes do acervo da Biblioteca Nacional. revoltas organizadas também fizeram parte da história da escravidão no Brasil. inclusive os coletivos. suicídios. Os negros dos diversos locais da África que aqui chegavam eram levados imediatamente ao mercado de escravos. Nas lavouras. um grupo étnico numeroso. já islamizado. Os quilombos. no século XIX. Essa iconografia retrata a crueldade dos castigos infligidos àqueles que buscavam apenas sua liberdade. O artigo enumerou alguns acampamentos de negros fugidos existentes então. homicídios praticados contra os brancos e as fugas eram maneiras de demonstrar sua rebeldia. nos serviços domésticos e urbanos foi a força de trabalho fundamental para a economia brasileira. assassinatos. O escravo era habitualmente chamado "os pés e as mãos" do senhor e da senhora." Os Malês. Essa revolta foi tão significativa que na correspondência de pessoas importantes da Corte. Os documentos mostram que a fuga e os quilombos não eram as únicas formas de resistência dos negros perante a escravidão: rebeliões. dependiam deles. Desse modo.

Na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional. quer nas minas. sapateiros e cozinheiros. e grande parte desse material está disponível neste site. amas de crianças. e o doméstico. Nesse acervo encontra-se uma vasta documentação sobre o tema abordado. a todos os atos decorrentes do direito de propriedade. fotografias e mapas da época foram selecionados para facilitar a pesquisa dos interessados. etc. onde vários manuscritos. ela sempre amealhou partidários e opositores. Essa seção também era utilizada para compra e venda de escravos. também se encontram várias cartas e processos referentes ao pagamento de diárias a escravos alugados.composta por indivíduos das mais diferentes classes.origem profissional ou credo.Podem-se distinguir dois tipos de trabalho escravo com características próprias: o produtivo. periódicos. na medida em que este dispunha de seu tempo com maior liberdade. a vida média desses escravos era estimada entre sete e dez anos de trabalho. Movimentos Abolicionistas e Alforrias Os movimentos abolicionistas da sociedade civil visavam ao fim da escravidão. costureiras. o proprietário se desobrigava de atender às necessidades básicas do escravo. entregar a seus senhores uma quantia previamente fixada. Neste caso. Na Gazeta de Notícias lê-se o seguinte anúncio: "Aluga-se na Rua do Lavradio nL 6. emprestado. elas retratam cenas do quotidiano dos escravos domésticos. a seção de anúncios era utilizada por proprietários de escravos para esses serviços. nas lavouras ou nas minas. o escravo era tratado como mercadoria. Podia ser vendido.Isso porque durante os séculos em que a instituição escravista durou legalmente. normalmente eram aqueles que realizavam. era um trabalho árduo que ia da aurora ao escurecer. os demais trabalhavam na casa de seus senhores como criados de quarto.Entretanto.É justamente nesse período que se desenvolvem as maiores . Boxer. Segundo Charles R. O primeiro quer no campo. E os de ganho. ou seja. Nos jornais da época. litografias. cozinheiras. Esses últimos. pois inspirada no Direito Romano. Subdividindo ainda mais esses setores de atuação do trabalho escravo. a lei portuguesa considerava-o "coisa do seu senhor”. alugado. Os diversos tipos da labuta escrava podem ser vistos nas litografias de Jean Baptiste Debret e Louis Buvelot que se encontram no acervo da Biblioteca Nacional. um preto perfeito cosinheiro de forno. fogão e massa. um dito para todo serviço e um molecote com prática de carpinteiro". como o próprio nome diz. não há como negar que. mucamas.o abolicionismo tem seu grande desenvolvimento e apogeu entre as décadas de 1860 e 1880. eram alugados por seu senhor a terceiros.enquanto força social organizada. classificava-o como "mercadoria” ou "peça”. algum ofício como carpinteiros. com propriedade. ao fim do dia. verifica-se que no espaço urbano destacou-se o trabalho dos escravos de ganho e também dos escravos de aluguel. Não se pode demarcar uma data como a da fundação do abolicionismo. vendedores e dos de ganho. enfim. eram os que iam pelas ruas a fim de prestar serviços ocasionais e que deviam. submetido. Como se pode observar.

mas certamente sob sua orientação. da libertação obtida através de alforrias. informaram e mobilizaram a sociedade da época. editoriais de jornais dos mais diferentes locais do Império. são documentos que constituem os melhores subsídios para estudiosos do assunto. Foram apresentados na Câmara inúmeros projetos que visavam à emancipação do elemento servil e alguns outros aspectos complementares (como a formação de uma colônia à beira das estradas e dos rios para os libertos. Através das informações obtidas na pesquisa. ora com a demora de uma decisão do governo sobre o problema. Os exemplos são inúmeros. da visão de viajantes e pintores e da participação de personagens de diferentes níveis sociais nas lutas abolicionistas. Percebe-se. lutando por um ideal libertário. Esses dados ilustram o clímax do percurso feito pelos debates sobre a escravidão iniciados após a Independência. indiscutivelmente. tem-se a nítida impressão de como esses movimentos sociais formaram.). tentou congregar o mais importante acervo documental sobre o assunto. estabeleciam os marcos definidores do caráter nacional. A Biblioteca Nacional Brasileira. davam voz e fôlego a uma discussão muitas vezes ambígua e de difícil definição. Não se tratavam mais de questões ligadas ao desejo de emancipação política de uma nova nação. não se sabe se em discurso redigido por ele. etc. tornavam-se secundários diante da preocupação mais abrangente que era a fundação da nacionalidade. da atuação das sociedades antiescravista. Os pesquisadores da Biblioteca Nacional desenvolveram a pesquisa.campanhas jornalísticas em prol da libertação dos escravos. em 1867.na Fala do Trono. assim. chegando até ao ponto de o próprio Imperador. mas agora eram os cidadãos de um país que. o quão importante foi o movimento abolicionista e o quanto ele .Fundaram-se órgãos da imprensa explicitamente ligados à questão abolicionista e à criação de associações cujo fim era levantar fundos para a emancipação dos cativos. Pôde-se reunir ao longo da pesquisa abundantes informações acerca do abolicionismo. Sobre o movimento abolicionista. Alguns importantes intelectuais participaram ativamente da campanha abolicionista. ora com os avanços do movimento e os prejuízos financeiros que poderia representar a abolição. dirigidos pelos mais diversos interesses. Cartas entre fazendeiros e proprietários de escravos preocupados. a coleta e a descrição de fontes das mais variadas origens e estudaram também relatos dos principais agentes dos movimentos emancipacionistas. influenciado pelos abolicionistas. Artistas do Império e do exterior detinham-se em gravar nas telas um retrato subjetivo do contexto e do clima. fazer menção aos esforços do governo e do Congresso para a resolução da questão servil. através do Projeto Slave Trade. criou-se um partido político que tinha o fim da escravidão como meta. embora se julguem também muito importantes. naquele momento.Os questionamentos sobre o maior ou menor lucro proporcionado pela economia escravista ou sobre as dúvidas quanto à legitimidade da escravidão perante a moral cristã. especificamente. toda documentação trabalhada pertence ao século XIX.

Uma cultura forjada com contribuições das mais diversas etnias africanas. Era o jornal que debatia questões como a vinda de mão-de-obra estrangeira ou colonos para o trabalho agrícola. que é síntese das contribuições dos muitos povos que escolheram este território para viver. das nações indígenas que habitavam este território antes da chegada dos portugueses. de japoneses. na culinária. mas sobretudo pela sua qualidade. está em todo arcabouço cultural brasileiro. reformas nas instituições jurídicas e políticas.chamou a atenção. discute pela primeira vez no Brasil a importância do negro na construção do país. na moda. árabes. além de importante personagem desse movimento. editores. por sua contribuição para a constituição da cultura brasileira. e filho de mãe negra. tiveram a oportunidade de escrever e dar força ao movimento em prol da abolição. De todos os documentos. jornalistas. na capoeira. o racismo. fazendeiros. na língua. Proeminentes nomes do governo em seus diferentes níveis. André Rebouças. quase que monopolizando o debate nacional. José do Patrocínio. Joaquim Nabuco. chineses. Como se tratava de uma nação que começava a ser construída de cima para baixo. juristas e poetas tinham seus nomes e suas palavras impressas nas páginas dos jornais da época.em seu livro Casa grande e senzala. Gilberto Freire. compreendeu a importância dessa contribuição e. trazidas no período da escravidão. José do Patrocínio. foi diretor da Gazeta da Tarde. tornando a força dos militantes emancipacionistas abrangente e amplificada. Essa contribuição se mostra na religião. a marca da cultura do Brasil. no batuque do samba. enfim. um dos veículos de divulgação da campanha abolicionista. sem sombra de dúvida. políticos. A riqueza da contribuição cultural africana na formação da cultura brasileira fica patente nas manifestações populares no Brasil. O jornal servia não só para informar como para formar. A esses elementos trazidos pelos negros escravos e adaptados por eles ao meio que encontraram no Brasil chama-se "cultura afrobrasileira. só para citar os mais conhecidos. Cultura afro-brasileira O sincretismo é. dos portugueses e demais europeus que migraram para este país. talvez os que mais tenham dado voz ao movimento abolicionista tenham sido os jornais. criando assim uma rede de comunicação comunitária entre seus leitores. por sua vez. O historiador Francisco Adolfo Varnhagen fez questão de ressaltar a importância do índio e do negro nos trabalhos historiográficos. para trazer discussões e ampliálas. era de se esperar que quem se ocuparia inicialmente com o tema abolicionista fossem os membros da elite política e cultural. Veículos de comunicação antigos em outros países.” . uma cultura. Luís Gama. não apenas pela quantidade de documentos reunidos. só se desenvolveram aqui no Brasil com a vinda da Família Real no século XIX. a violência do Estado.

a Inglaterra. O Brasil passou a ser bastante pressionado. o capitalismo se consolidava na Inglaterra e também no restante da Europa.A contribuição africana na cultura brasileira é importantíssima. o governo britânico propôs novos acordos que autorizavam a marinha britânica a apreender em águas internacionais navios de bandeira brasileira utilizados no tráfico. portanto. ainda na primeira década do século XIX. não interessava à Inglaterra que os produtos brasileiros competissem com os de suas colônias. Em 1826. Esses acordos não eram completamente respeitados pelo Império. continuava sem a repressão do governo imperial. Acordos internacionais e legislação sobre escravidão No século XIX houve muita pressão da Inglaterra para que se desse fim à escravidão no Brasil. Um dos documentos presentes neste site faz referência a esses fatos. outros foram assinados. João VI. tanto na Europa. Com os protestos de várias nações. respeitaremos a riqueza cultural do Brasil e as diferentes formas de interagir com o meio. isso representava desrespeito à soberania brasileira. Diante do não cumprimento dos tratados pelo Império e com a alegação de que era impossível fiscalizar todo o nosso litoral. o tráfico. O tratado assinado em 22 de janeiro de 1815 proibia que aportassem em terras brasileiras os navios negreiros provenientes das partes da costa africana que ficassem ao norte da linha do Equador. ilegal em teoria. afundando navios negreiros com se fossem navios piratas. Por considerá-lo prejudiciais a seus interesses comerciais. passou a pressionar sistematicamente o governo brasileiro para que extinguisse o tráfico de escravos e a escravidão. Antes mesmo da independência brasileira. o fato é que a Inglaterra. respeitar a diversidade é respeitar a si próprio. país com o qual o Brasil mantinha suas maiores relações comerciais. que acumulava um poder econômico muito relevante naquele tempo. Os objetivos dos ingleses eram de caráter econômico. pois o escravo não recebia salário e. Na realidade. Esse acordo foi muito contestado no Brasil. Depois desse primeiro acordo. seja pela força dos movimentos pelos direitos humanos. Havia também. os ingleses começaram a investir contra o tráfico. Por outro lado. Brasil e Algarves. o Império do Brasil e o governo britânico assinaram outro documento estendendo a proibição do tráfico a todos os navios negreiros vindos da África. quanto no Brasil. A riqueza da humanidade está exatamente nas muitas formas de ver o mundo. Não se aceitava a escravidão como forma de trabalho. só conhecendo os elementos que a compõem. . assinou o primeiro tratado internacional com o objetivo de diminuir paulatinamente o tráfico de escravos para o Brasil. principalmente depois da primeira apreensão de navio brasileiro pelos ingleses. D. não podia comprar qualquer tipo de produto. o Rei de Portugal. os ideais iluministas herdados da Revolução Francesa que havia proclamado a igualdade de todos os homens. resolveu partir para uma ofensiva diplomática. forçando estados mais fracos economicamente a assinar acordos que objetivavam o fim do tráfico. Seja por razões econômicas.

A lei baseava-se em acordos internacionais assinados. muitos traficantes passaram a investir em outras áreas. . Vários projetos surgiram para que acontecesse uma abolição paulatina. a Câmara dos Lordes aprovou a Bill Aberdeen. Em 1885. pois fortaleceu o movimento abolicionista. promulgou-se a conhecida Lei dos Sexagenários. A expectativa de vida do escravo era muito baixa. que mais tarde ficou conhecida como Lei do Ventre Livre. à resistência dos escravos e às pressões internacionais.Em 1845. As pressões se tornaram insuportáveis para o Império. assinou. Em 28 de setembro de 1871 o Visconde do Rio Branco apresentou projeto de Lei do Elemento Servil. libertando todos os escravos com mais de sessenta anos. Diante do esvaziamento dessa atividade motivado pela Bill Aberdeen . em 13 de maio de 1888. Com o fim do tráfico. mas a Lei dos Sexagenários atingiu o caráter de marco histórico. A pressão sobre o Brasil aumentou. Regente do Império na ausência de D. que autorizava a marinha inglesa a afundar os navios que transportavam escravos como se fossem navios piratas. a Lei Áurea. os movimentos abolicionistas cresciam vertiginosamente. em 1850. as rebeliões de escravos contra seus donos eram cada vez mais comuns. Havia poucos escravos acima dessa idade. a atividade do tráfico passou a ter um risco econômico muito alto. o Império do Brasil proibiu que navios negreiros aportassem no Brasil. A lei ia muito além de dar liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data. o baixo crescimento vegetativo da população escrava no Brasil e o alto custo do tráfico interno. Pedro II. Foi nessa conjuntura que a Princesa Isabel. Era o Império colocando em prática o projeto de abolição paulatina. criava o direito do escravo. regulamentava o castigo físico. Outras leis foram sendo promulgadas com o intuito de atender aos movimentos abolicionistas. a escravidão estava fadada a acabar. entre outras medidas. que abolia a escravidão no Brasil.

fato de a escravidão dos índios não atender aos interesses dos colonizadores. explicada pelo (a): lucro obtido com o tráfico de escravos. integrantes de um mundo onde diferenças existem. e simplifica o que foi dito: "Um povo sem conhecimento. saliência de seu passado histórico. fato do aprisionamento de índios gerar guerras constantes com as tribos. é como uma árvore sem raízes. após um estudo geral do caso. pois realmente fazem parte do que somos e do que precisamos ser. “humanos”. mas são respeitadas e aclamadas. vê-los como semelhantes. De fato. É necessário. que a nós foi incorporado ao longo do tempo.Conclusão A introdução do negro no Brasil é. assim. e quando percebemos isso nos tornaremos melhores. fato de a população nativa apresentar baixa densidade demográfica." . em uma simples frase. Esses são de extrema importância. Bob Marley. toda a estruturação da sociedade brasileira é marcada por costumes africanos. traduz tudo isso. origem e cultura. Todos somos iguais na diferença. desestruturar o preconceito criado contra os negros.

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