Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais - Campus Barbacena Disciplina: História Professor: Paulo Pavani

A Importância dos Escravos Africanos para a Construção do Brasil

Alunos: Isabela Vieira Franco nº9 Laura Gisele Souza dos Santos nº13 Paulo Augusto de Paiva Silva nº22 Técnico em Química Integrado ao Ensino Médio – 2º Ano Outubro/2011

Introdução
“Alguns pretendem que o poder do senhor é contra a natureza, que se um é escravo, e outro livre, é porque a lei o quer, que pela natureza não há nenhuma diferença entre eles e que a servidão é obra não da justiça, mas da violência. A família, para ser completa, deve compor-se de escravos e de indivíduos livres. Com efeito, a propriedade

” Aristóteles .. entre os instrumentos. Se cada instrumento pudesse... útil ao próprio escravo. que. às reuniões dos deuses.. tanto quanto a alma é superior ao corpo. O escravo é um instrumento vivo.. um instrumento que é homem.é uma parte integrante da família. como as estátuas de Dédalo ou os tripés de Hefaístos. executar por si mesmo o seu trabalho. Há homens assim feitos por natureza? Existem homens inferiores.. segundo Homero. por uma ordem dada ou pressentida. Não se saberia. conceber lar sem certos instrumentos. Ora.. a escravidão é justa. então os chefes de famílias dispensariam os escravos. se as navetas tecessem sozinhas. O escravo é uma propriedade que vive. pois sem os objetos de necessidade é impossível viver e viver bem.. o emprego das forças corporais é o melhor partido a esperar do seu ser: são os escravos por natureza. e o homem ao bruto. dirigiam-se em marcha automática. uns inanimados. outros vivos. pois.

não lhes fora garantido o direito à cidadania e infelizmente. desde a antiguidade. já que só eram considerados cidadãos os aristocratas. importantes para o desenvolvimento de todas as atividades econômicas. “coisas”. que além de ter perdido a liberdade física. na Grécia Antiga. culinária. mesmo assim. não podem caracterizar uma política democrática. que inclui dimensões como língua. construtores de obras públicas e até educadores. escravos e mulheres. pois ocupavam quase todas as funções existentes. é fato que. continuaram a ser propriedade dos eupátridas (elite grega. Quanto à questão política. estrangeiros. os escravos exerciam funções indispensáveis. está mais do que nunca. valores sociais e estruturas mentais” (PRANDI. pois eram responsáveis pela educação dos filhos da elite. ou seja. atuando como pedagogos. os artesãos e os pequenos proprietários. Entretanto. excluíam-se desse grupo. Portanto. exclusão e xenofobia. os escravos contribuíram diretamente para o surgimento da “democracia” ateniense. Sem dúvidas os alicerces para a construção da sociedade moderna foram os escravos. perdendo a liberdade de pensamento também. na qual somente os cidadãos com posses de terras podiam se agremiar. Sem sombra de dúvidas o nosso anseio por mudanças. ‘bem nascidos’). Estavam presentes desde a burocracia à construção de obras públicas. os comerciantes. lembrando que o trabalho era considerado indigno pela elite de eupátridas. Portanto. pode ser atribuído como herança dos escravos que também sofriam diversas privações pelo sistema opressor. religião. que por sua vez. dedicavam-se única e exclusivamente ao ócio e a filosofia. seus feitos nunca carregaram seus nomes. Assim. já há muito tempo. . além disso. Também estavam diretamente ligados ao desenvolvimento cultural da população. pois os mesmos constituíam a base que movimentava a economia da sociedade.A Importância dos Escravos Africanos para a Construção do Brasil “A contribuição dos africanos na formação do Brasil foi essencial tanto na composição física da população quanto na conformação do que viria a ser sua cultura. 2005). Em especial. que veio a evoluir para o conceito de política e “democracia”. há uma controvérsia fortemente implícita nesse conceito de democracia e cidadania ateniense. mesmo os escravos sendo os indivíduos que mais contribuíram para a ascensão das sociedades. porém isso criou condições para o surgimento da idéia de discussão pública. seres inanimados e sem sentimentos. Por serem exatamente a base das sociedades. sendo. tamanha tirania. estética. os escravos trabalhavam duramente para sustentar uma elite aristocrática. na Grécia e Roma Antiga. ou seja. como: administradores. cerca de 90% da população grega não era considerada cidadã. que nunca perde tempo e vai logo estudar várias formas de estender suas influências sobre a população. música. pois os princípios básicos e essenciais da verdadeira democracia (discussão pública e senso comunitário) foram covardemente negligenciados por uma elite que se privilegia de uma hegemonia aristocrática.

tanto quanto a alma é superior ao corpo. o que fica devidamente esclarecido ao analisarmos o processo qual somente se tornavam escravos aqueles povos que perderam batalhas importantes e conseqüentemente. Durante o ciclo áureo da cana-de-açúcar do Nordeste. coube ao Rio de Janeiro receber o maior número de escravos. que era altamente lucrativo. como Belém. desses portos os escravos eram transportados aos mais diversos locais do Brasil. se tornavam escravos da mesma forma. São Luís.Em suma.. A proporção de desembarque de escravos em cada porto variou ao longo de 380 anos de escravidão.como fez Rui Barbosa quando mandou queimar a documentação existente sobre escravidão no Brasil . Rio de Janeiro e Recife. caracterizava as colonizações da época. Conhecer o tráfico e o comércio de escravos no Brasil é entender um pouco a importante contribuição dos africanos na formação da cultura brasileira. mas.. é extremamente importante que se quebre essa ideologia. . fumo e outros. segundo o mesmo. O tráfico de escravos não era exclusividade dos portugueses. e o homem ao bruto. o emprego das forças corporais é o melhor partido a esperar do seu ser. uma vez que. A maior parte dos escravos que aportavam inicialmente no Brasil provinha das colônias portuguesas na África. homens inferiores.”. são submetidos a serem espólio de guerra dos vencedores. ricos e pobres. mas cremos que atualmente. naturalmente não existem seres humanos diferenciados. A partir desse ponto de vista a escravidão comum das sociedades grega e romana. não convém qualquer tipo de trabalho escravo. Santos. como a existência de “. Algumas outras cidades recebiam escravos vindos diretamente da África. O que necessariamente não aconteceu e não acontece em nosso país.não se pode ignorar sua existência. onde a justificativa para a escravização de um indivíduo está na cor de sua pele. espanhóis e até norte-americanos se beneficiavam desse comércio. pois ingleses. holandeses. Os riscos dessa atividade estavam nos perigos dos oceanos e nas doenças que algumas vezes chegavam a dizimar um terço dos escravos transportados. por menos que se queira. além de que. não havendo distinção entre as pessoas. os portos de Recife e Salvador recebiam o maior número de escravos. Campos e outras. faz parte da nossa história. Os portos que recebiam maior número de escravos no Brasil eram Salvador. Eram negros capturados nas guerras tribais e negociados com os traficantes em troca de produtos como a aguardente. dependendo do aquecimento da atividade econômica na região servida pelo porto em questão.. que Aristóteles ilustra muito bem. mas nem por isso deixa de ser visto como desumano e absurdo. não se trata de uma injustiça. O modelo econômico baseado na monocultura e extratividade.. Escravidão no Brasil Tráfico e Comércio de Escravos Não se pode ignorar que o tráfico de negros da África para o Brasil decorreu do processo de colonização portuguesa iniciado na segunda metade do século XV. Mesmo que se tente esquecer ou esconder . O tráfico de escravos da África para o Brasil. durante o ciclo do ouro em Minas Gerais. com utilização de mão-deobra escrava.

muitos proprietários de escravos venderam parte de seu plantel para o Sudeste. que passou a ser o produto mais importante da balança comercial brasileira. Coisa que já se compreendia então perfeitamente. .Mas esse famoso quilombo não foi o único a existir. como se fosse um produto qualquer comerciável. Em “A História econômica do Brasil”. principalmente dos ingleses.Neste site são exibidos documentos que registram as mais variadas transações com o escravo. a escravidão seguir-lhe-ia o passo a curto prazo. As relações comerciais internas envolvendo escravos acentuavam-se em momentos específicos do processo escravocrata. em 13 de maio de 1888. enaltece a Princesa Isabel como a redentora dos negros. A partir da segunda metade do século XIX cresceram os movimentos abolicionistas. e os próprios negros passaram a se rebelar contra a situação com maior freqüência. para o Rio de Janeiro e São Paulo. Na Biblioteca Nacional. que valoriza os heróis como únicos responsáveis pelos grandes feitos da humanidade. esta não se podia manter sem aquele. e que os fatos posteriores comprovariam. muito pelo contrário. principalmente. já que a maior parte da documentação sobre escravidão no Brasil era produzida por escravagistas que exigiam o completo extermínio desses focos de resistência. Até hoje. em Alagoas. poucos documentos fazem referência aos acampamentos de negros fugidos. quando se fala em resistência negra à escravidão se é induzido a pensar em Zumbi dos Palmares e no quilombo que ele liderou. Com o declínio da produção de canade-açúcar no Nordeste. O Quilombo de Palmares. áreas de produção de café. através de leilões. no século XVII." (Prado Júnior. eles multiplicaram-se pelo Brasil como forma de organização de resistência dos negros fugidos do trabalho escravo. abolido o tráfico. Transações comerciais com escravos eram comuns. O acervo documental sobre os quilombos não é muito rico. também eram grandes.A venda dos escravos vindos da África era feita em praça pública. Os documentos presentes neste site demonstram a preocupação dos governantes nordestinos como esvaziamento de escravos das lavouras nordestinas e descreve as medidas adotadas para evitar tal processo. que passaram a pressionar cada vez mais o governo em busca de uma extinção definitiva da escravatura. mas o comércio de negros não se restringia à venda do produto do tráfico. Caio Prado Júnior afirmava que "o tráfico e a escravidão achavam-se indissoluvelmente ligados. por exemplo. 1945: 144) Resistência negra à escravidão A historiografia conservadora. a libertadora e ignora todo o processo conjuntural e estrutural que a levou a assinar. a Lei Áurea. tornou-se uma referência na história da resistência dos negros à escravidão. As pressões internacionais.

também foram uma alternativa para se livrarem da opressão dos senhores brancos. no século XIX. Na luta pela liberdade. O Trabalho Escravo no Brasil No Brasil colonial. exigia-se que o governo fosse mais incisivo na ação contra os quilombos existentes nas cercanias da Corte. um grupo étnico numeroso. O artigo enumerou alguns acampamentos de negros fugidos existentes então. praticamente. nos serviços domésticos e urbanos foi a força de trabalho fundamental para a economia brasileira. constantes do acervo da Biblioteca Nacional.Num dos artigos do periódico Aurora Fluminense. instaladas em locais de difícil acesso. homicídios praticados contra os brancos e as fugas eram maneiras de demonstrar sua rebeldia. Desse modo. Essa revolta foi tão significativa que na correspondência de pessoas importantes da Corte. tratava-se de uma questão de sobrevivência econômica para alguns. revoltas organizadas também fizeram parte da história da escravidão no Brasil. inclusive os coletivos. há diversas menções a ela. já islamizado. . exceto os mais pobres. que tinha capacidade de se organizar até mesmo nas senzalas. no acervo da Biblioteca Nacional uma bela coleção de imagens que documentam os castigos impostos aos escravos fujões. nem sempre os negros eram vítimas. todo o trabalho era escravo. aumentando ainda mais sua revolta. que se tornara muito caro com a diminuição da oferta." Os Malês. dependiam deles. eles eram os algozes. algumas vezes. suicídios. Suicídios. verdadeiras cidades de escravos fugidos. Os quilombos. Das revoltas históricas. assassinatos. em Salvador. O braço negro esteve sempre presente em todas as áreas e setores de atividades. todos os brancos. Em fins do século XIX. Havia o medo de que novas revoltas como aquela transformassem o Brasil numa "anarquia. onde eram vendidos para aqueles que fizessem a maior oferta. Nas lavouras. Os documentos mostram que a fuga e os quilombos não eram as únicas formas de resistência dos negros perante a escravidão: rebeliões. Os movimentos dos cativos contra o sistema escravocrata eram constantes. As providências exigidas não eram meros discursos retóricos da imprensa conservadora. Há ainda. Num dos documentos é relatado o assassinato de um capitão-do-mato pelos negros de uma fazenda. O escravo era habitualmente chamado "os pés e as mãos" do senhor e da senhora. Os negros dos diversos locais da África que aqui chegavam eram levados imediatamente ao mercado de escravos. pois o fim do tráfico e a promulgação da Lei do Ventre Livre limitavam a manutenção do numero de escravos à compra através do tráfico interno. Essa iconografia retrata a crueldade dos castigos infligidos àqueles que buscavam apenas sua liberdade. a mais conhecida foi a dos Malês. membros de uma mesma família ou de uma mesma tribo de separavam. privando o senhor de seu investimento. manter seus escravos era de extrema necessidade para alguns fazendeiros.

E os de ganho. era um trabalho árduo que ia da aurora ao escurecer. o proprietário se desobrigava de atender às necessidades básicas do escravo. um dito para todo serviço e um molecote com prática de carpinteiro". elas retratam cenas do quotidiano dos escravos domésticos. Na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional. o escravo era tratado como mercadoria. normalmente eram aqueles que realizavam. Podia ser vendido.Entretanto. classificava-o como "mercadoria” ou "peça”. verifica-se que no espaço urbano destacou-se o trabalho dos escravos de ganho e também dos escravos de aluguel. fotografias e mapas da época foram selecionados para facilitar a pesquisa dos interessados. entregar a seus senhores uma quantia previamente fixada. a seção de anúncios era utilizada por proprietários de escravos para esses serviços. um preto perfeito cosinheiro de forno. costureiras. e grande parte desse material está disponível neste site.Isso porque durante os séculos em que a instituição escravista durou legalmente.Podem-se distinguir dois tipos de trabalho escravo com características próprias: o produtivo. não há como negar que. quer nas minas. Segundo Charles R. Na Gazeta de Notícias lê-se o seguinte anúncio: "Aluga-se na Rua do Lavradio nL 6. fogão e massa. a vida média desses escravos era estimada entre sete e dez anos de trabalho. mucamas. periódicos. litografias. alugado. algum ofício como carpinteiros. Essa seção também era utilizada para compra e venda de escravos. Boxer. a todos os atos decorrentes do direito de propriedade. amas de crianças. Não se pode demarcar uma data como a da fundação do abolicionismo. onde vários manuscritos. emprestado. Movimentos Abolicionistas e Alforrias Os movimentos abolicionistas da sociedade civil visavam ao fim da escravidão.É justamente nesse período que se desenvolvem as maiores . Os diversos tipos da labuta escrava podem ser vistos nas litografias de Jean Baptiste Debret e Louis Buvelot que se encontram no acervo da Biblioteca Nacional. e o doméstico. os demais trabalhavam na casa de seus senhores como criados de quarto. pois inspirada no Direito Romano. sapateiros e cozinheiros.o abolicionismo tem seu grande desenvolvimento e apogeu entre as décadas de 1860 e 1880. vendedores e dos de ganho. ao fim do dia. Neste caso. cozinheiras. Nos jornais da época. Esses últimos. eram os que iam pelas ruas a fim de prestar serviços ocasionais e que deviam. a lei portuguesa considerava-o "coisa do seu senhor”. Como se pode observar.enquanto força social organizada. com propriedade. também se encontram várias cartas e processos referentes ao pagamento de diárias a escravos alugados. na medida em que este dispunha de seu tempo com maior liberdade.origem profissional ou credo. Subdividindo ainda mais esses setores de atuação do trabalho escravo. etc. ou seja. como o próprio nome diz. eram alugados por seu senhor a terceiros. O primeiro quer no campo. submetido. Nesse acervo encontra-se uma vasta documentação sobre o tema abordado. enfim. ela sempre amealhou partidários e opositores.composta por indivíduos das mais diferentes classes. nas lavouras ou nas minas.

Os exemplos são inúmeros. especificamente. Artistas do Império e do exterior detinham-se em gravar nas telas um retrato subjetivo do contexto e do clima. não se sabe se em discurso redigido por ele. Através das informações obtidas na pesquisa. Não se tratavam mais de questões ligadas ao desejo de emancipação política de uma nova nação.). Esses dados ilustram o clímax do percurso feito pelos debates sobre a escravidão iniciados após a Independência. da libertação obtida através de alforrias. davam voz e fôlego a uma discussão muitas vezes ambígua e de difícil definição. tornavam-se secundários diante da preocupação mais abrangente que era a fundação da nacionalidade. Pôde-se reunir ao longo da pesquisa abundantes informações acerca do abolicionismo.campanhas jornalísticas em prol da libertação dos escravos. são documentos que constituem os melhores subsídios para estudiosos do assunto. ora com os avanços do movimento e os prejuízos financeiros que poderia representar a abolição. embora se julguem também muito importantes.Os questionamentos sobre o maior ou menor lucro proporcionado pela economia escravista ou sobre as dúvidas quanto à legitimidade da escravidão perante a moral cristã. tem-se a nítida impressão de como esses movimentos sociais formaram. dirigidos pelos mais diversos interesses. mas agora eram os cidadãos de um país que. informaram e mobilizaram a sociedade da época. Foram apresentados na Câmara inúmeros projetos que visavam à emancipação do elemento servil e alguns outros aspectos complementares (como a formação de uma colônia à beira das estradas e dos rios para os libertos. da visão de viajantes e pintores e da participação de personagens de diferentes níveis sociais nas lutas abolicionistas. fazer menção aos esforços do governo e do Congresso para a resolução da questão servil. influenciado pelos abolicionistas. mas certamente sob sua orientação. A Biblioteca Nacional Brasileira. toda documentação trabalhada pertence ao século XIX. editoriais de jornais dos mais diferentes locais do Império. Sobre o movimento abolicionista. o quão importante foi o movimento abolicionista e o quanto ele . a coleta e a descrição de fontes das mais variadas origens e estudaram também relatos dos principais agentes dos movimentos emancipacionistas. lutando por um ideal libertário. estabeleciam os marcos definidores do caráter nacional. através do Projeto Slave Trade. da atuação das sociedades antiescravista. indiscutivelmente. Alguns importantes intelectuais participaram ativamente da campanha abolicionista. Os pesquisadores da Biblioteca Nacional desenvolveram a pesquisa. tentou congregar o mais importante acervo documental sobre o assunto. em 1867.Fundaram-se órgãos da imprensa explicitamente ligados à questão abolicionista e à criação de associações cujo fim era levantar fundos para a emancipação dos cativos. assim. ora com a demora de uma decisão do governo sobre o problema. criou-se um partido político que tinha o fim da escravidão como meta. Percebe-se. Cartas entre fazendeiros e proprietários de escravos preocupados.na Fala do Trono. naquele momento. chegando até ao ponto de o próprio Imperador. etc.

A riqueza da contribuição cultural africana na formação da cultura brasileira fica patente nas manifestações populares no Brasil. Uma cultura forjada com contribuições das mais diversas etnias africanas. André Rebouças. tiveram a oportunidade de escrever e dar força ao movimento em prol da abolição. por sua vez. José do Patrocínio. reformas nas instituições jurídicas e políticas. além de importante personagem desse movimento. por sua contribuição para a constituição da cultura brasileira. criando assim uma rede de comunicação comunitária entre seus leitores. compreendeu a importância dessa contribuição e. árabes. fazendeiros. De todos os documentos. foi diretor da Gazeta da Tarde. trazidas no período da escravidão. na capoeira. O historiador Francisco Adolfo Varnhagen fez questão de ressaltar a importância do índio e do negro nos trabalhos historiográficos. Joaquim Nabuco. na moda. só para citar os mais conhecidos. na língua. A esses elementos trazidos pelos negros escravos e adaptados por eles ao meio que encontraram no Brasil chama-se "cultura afrobrasileira. que é síntese das contribuições dos muitos povos que escolheram este território para viver. sem sombra de dúvida. quase que monopolizando o debate nacional. o racismo. José do Patrocínio. Veículos de comunicação antigos em outros países. para trazer discussões e ampliálas. Gilberto Freire. mas sobretudo pela sua qualidade. Luís Gama.” . não apenas pela quantidade de documentos reunidos. O jornal servia não só para informar como para formar. Como se tratava de uma nação que começava a ser construída de cima para baixo. um dos veículos de divulgação da campanha abolicionista. tornando a força dos militantes emancipacionistas abrangente e amplificada. era de se esperar que quem se ocuparia inicialmente com o tema abolicionista fossem os membros da elite política e cultural. só se desenvolveram aqui no Brasil com a vinda da Família Real no século XIX. discute pela primeira vez no Brasil a importância do negro na construção do país. dos portugueses e demais europeus que migraram para este país. está em todo arcabouço cultural brasileiro. jornalistas.chamou a atenção. talvez os que mais tenham dado voz ao movimento abolicionista tenham sido os jornais. a violência do Estado. Essa contribuição se mostra na religião. chineses. a marca da cultura do Brasil. editores. e filho de mãe negra. na culinária. das nações indígenas que habitavam este território antes da chegada dos portugueses. políticos.em seu livro Casa grande e senzala. no batuque do samba. Era o jornal que debatia questões como a vinda de mão-de-obra estrangeira ou colonos para o trabalho agrícola. juristas e poetas tinham seus nomes e suas palavras impressas nas páginas dos jornais da época. uma cultura. Proeminentes nomes do governo em seus diferentes níveis. enfim. Cultura afro-brasileira O sincretismo é. de japoneses.

principalmente depois da primeira apreensão de navio brasileiro pelos ingleses. João VI. passou a pressionar sistematicamente o governo brasileiro para que extinguisse o tráfico de escravos e a escravidão. O tratado assinado em 22 de janeiro de 1815 proibia que aportassem em terras brasileiras os navios negreiros provenientes das partes da costa africana que ficassem ao norte da linha do Equador. . Não se aceitava a escravidão como forma de trabalho. Esse acordo foi muito contestado no Brasil. pois o escravo não recebia salário e. quanto no Brasil. o Rei de Portugal. resolveu partir para uma ofensiva diplomática. não interessava à Inglaterra que os produtos brasileiros competissem com os de suas colônias. Diante do não cumprimento dos tratados pelo Império e com a alegação de que era impossível fiscalizar todo o nosso litoral. D. só conhecendo os elementos que a compõem. seja pela força dos movimentos pelos direitos humanos. que acumulava um poder econômico muito relevante naquele tempo. portanto. O Brasil passou a ser bastante pressionado. ainda na primeira década do século XIX. Depois desse primeiro acordo. Esses acordos não eram completamente respeitados pelo Império. o Império do Brasil e o governo britânico assinaram outro documento estendendo a proibição do tráfico a todos os navios negreiros vindos da África. afundando navios negreiros com se fossem navios piratas. continuava sem a repressão do governo imperial. Brasil e Algarves. Em 1826. o fato é que a Inglaterra. forçando estados mais fracos economicamente a assinar acordos que objetivavam o fim do tráfico. os ideais iluministas herdados da Revolução Francesa que havia proclamado a igualdade de todos os homens. Os objetivos dos ingleses eram de caráter econômico. assinou o primeiro tratado internacional com o objetivo de diminuir paulatinamente o tráfico de escravos para o Brasil. Antes mesmo da independência brasileira. isso representava desrespeito à soberania brasileira. Por considerá-lo prejudiciais a seus interesses comerciais. o capitalismo se consolidava na Inglaterra e também no restante da Europa. A riqueza da humanidade está exatamente nas muitas formas de ver o mundo. tanto na Europa. o governo britânico propôs novos acordos que autorizavam a marinha britânica a apreender em águas internacionais navios de bandeira brasileira utilizados no tráfico. não podia comprar qualquer tipo de produto.A contribuição africana na cultura brasileira é importantíssima. Havia também. ilegal em teoria. Na realidade. país com o qual o Brasil mantinha suas maiores relações comerciais. Acordos internacionais e legislação sobre escravidão No século XIX houve muita pressão da Inglaterra para que se desse fim à escravidão no Brasil. os ingleses começaram a investir contra o tráfico. Um dos documentos presentes neste site faz referência a esses fatos. o tráfico. Com os protestos de várias nações. respeitaremos a riqueza cultural do Brasil e as diferentes formas de interagir com o meio. respeitar a diversidade é respeitar a si próprio. Seja por razões econômicas. a Inglaterra. outros foram assinados. Por outro lado.

em 1850. os movimentos abolicionistas cresciam vertiginosamente. Pedro II. pois fortaleceu o movimento abolicionista. Com o fim do tráfico. regulamentava o castigo físico. Em 28 de setembro de 1871 o Visconde do Rio Branco apresentou projeto de Lei do Elemento Servil. Havia poucos escravos acima dessa idade. assinou. Regente do Império na ausência de D. criava o direito do escravo. em 13 de maio de 1888. a Lei Áurea. o Império do Brasil proibiu que navios negreiros aportassem no Brasil. que autorizava a marinha inglesa a afundar os navios que transportavam escravos como se fossem navios piratas. A expectativa de vida do escravo era muito baixa. Em 1885. à resistência dos escravos e às pressões internacionais. . a escravidão estava fadada a acabar. mas a Lei dos Sexagenários atingiu o caráter de marco histórico. Vários projetos surgiram para que acontecesse uma abolição paulatina. muitos traficantes passaram a investir em outras áreas. o baixo crescimento vegetativo da população escrava no Brasil e o alto custo do tráfico interno.Em 1845. que abolia a escravidão no Brasil. que mais tarde ficou conhecida como Lei do Ventre Livre. a Câmara dos Lordes aprovou a Bill Aberdeen. entre outras medidas. a atividade do tráfico passou a ter um risco econômico muito alto. Diante do esvaziamento dessa atividade motivado pela Bill Aberdeen . libertando todos os escravos com mais de sessenta anos. Foi nessa conjuntura que a Princesa Isabel. A pressão sobre o Brasil aumentou. Outras leis foram sendo promulgadas com o intuito de atender aos movimentos abolicionistas. As pressões se tornaram insuportáveis para o Império. A lei ia muito além de dar liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data. promulgou-se a conhecida Lei dos Sexagenários. Era o Império colocando em prática o projeto de abolição paulatina. as rebeliões de escravos contra seus donos eram cada vez mais comuns. A lei baseava-se em acordos internacionais assinados.

pois realmente fazem parte do que somos e do que precisamos ser. que a nós foi incorporado ao longo do tempo. assim." . explicada pelo (a): lucro obtido com o tráfico de escravos. Todos somos iguais na diferença. mas são respeitadas e aclamadas. vê-los como semelhantes. fato de a escravidão dos índios não atender aos interesses dos colonizadores. É necessário. toda a estruturação da sociedade brasileira é marcada por costumes africanos.Conclusão A introdução do negro no Brasil é. saliência de seu passado histórico. e quando percebemos isso nos tornaremos melhores. desestruturar o preconceito criado contra os negros. fato de a população nativa apresentar baixa densidade demográfica. Bob Marley. De fato. integrantes de um mundo onde diferenças existem. “humanos”. em uma simples frase. após um estudo geral do caso. origem e cultura. fato do aprisionamento de índios gerar guerras constantes com as tribos. é como uma árvore sem raízes. e simplifica o que foi dito: "Um povo sem conhecimento. traduz tudo isso. Esses são de extrema importância.

com/escravidao.Referências Bibliográficas http://www.com.htm Acesso em 04 de outubro de 2011 às 13h04min http://www.eumed.htm Acesso em 03 de outubro de 2011 às 18h20min http://www.br/historiadobrasil/o-negro-1.br/leitura_virtual/cultura_brasileira/negro.xangosol.claudialima.net/libros/2006b/lgs-art/3a.shvoong.pdf Acesso em 04 de outubro de 2011 às 11h25min http://www.com.htm Acesso em 04 de outubro de 2011 às 14h26min http://www.com/historiadobrasil/escravidao.htm Acesso em 04 de outubro de 2011 às 20h12min .com.com/humanities/1623722-import%C3%A2ncia-da-hist %C3%B3ria-comparada-da/ Acesso em 03 de outubro de 2011 às 18h00min http://mundoeducacao.htm Acesso em 03 de outubro de 2011 às 17h25min http://pt.uol.suapesquisa.br/pdf/REFLEXAO_SOBRE_A_HISTORIA_DO_ NEGRO_NO_BRASIL.pousadadascores.

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