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Acórdãos STJ Processo: Nº Convencional: Relator: Descritores

:

Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça
247/09.4YFLSB 6ª SECÇÃO SOUSA LEITE PROPRIEDADE INDUSTRIAL REGISTO NACIONAL DE PESSOAS COLECTIVAS FIRMA MARCA NOTÓRIA DENOMINAÇÃO SOCIAL PRINCÍPIO DA NOVIDADE CONFUSÃO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO TRIBUNAL CÍVEL SJ 10/20/2009 UNANIMIDADE S 1 REVISTA NEGADA A REVISTA

Nº do Documento: Data do Acordão: Votação: Texto Integral: Privacidade: Meio Processual: Decisão: Sumário :

I - O juízo sobre a distinção de firmas, denominações ou marcas, decompõe-se em duas questões: uma, de facto, da exclusiva competência das instâncias, que consiste na apreciação da existência de semelhanças ou dissemelhanças entre as duas expressões que constituem as firmas, denominações ou marcas, quanto aos seus aspectos gráfico e fonético; outra, de direito, da competência do STJ, atenta a sua natureza de tribunal de revista – arts. 26.º da LOFTJ e 721.º do CPC –, que consiste em apurar se, perante tais semelhanças ou dissemelhanças, uma delas deve, ou não, considerar-se ser susceptível de confusão ou erro com a outra. II - O critério principal a atender, quanto à aferição da confundibilidade/inconfundibilidade da denominação de uma nova firma, reside no facto de tal sinal distintivo não apresentar semelhanças com o de outra firma já constituída e existente em território nacional, de tal modo que, a ocorrência dessa similitude seja susceptível de conduzir terceiros que possam vir a ter relações negociais com as mesmas, considerados aqueles na veste de qualquer cidadão que actue com mediana diligência e atenção, à indução em erro quanto ao objecto social desenvolvido por cada uma das referidas firmas, assim se preterindo a realidade, que sob o ponto de vista da actividade económica e empresarial, cada uma delas visa individualizar. III - O princípio da novidade não se deve reportar, apenas, às firmas dos comerciantes concorrentes, mas também às firmas de comerciantes não concorrentes. IV - A sigla comum às denominações da autora e da ré, traduzida na expressão “GALP”, embora constitua a mera expressão inicial da denominação completa de ambas as firmas, não parece poder considerar-se, no que respeita à ré, como o núcleo-chave da sua firma, isto é, como o meio, que, pela sua natureza apelativa e sintética, constitua a forma identificativa da mesma perante o público em geral, já que tal sigla é conotada, pelo cidadão comum, como uma expressão respeitante à designação identificativa de uma marca de combustíveis e produtos afins. V - Sendo diversas, quer a forma abreviada de utilização pelo cidadão comum da denominação de ambas as firmas, quer a localização das suas sedes sociais, quer a total distinção do objecto social a que se reporta a actividade por cada uma das mesmas desenvolvida, não se vislumbra que a firmadenominação GALP ENERGIA, SGPS S.A. ofenda o princípio da novidade relativamente à firmadenominação GALP – GABINETE DE URBANISMO, ARQUITECTURA E ENGENHARIA, LDA, atendendo a que os fundamentos subjacentes àquele princípio, traduzidos, sobretudo, em evitar a concorrência desleal e a indução em erro, quer dos consumidores relativamente às firmas que comercializem produtos que pretendam adquirir, quer de outros comerciantes que com as firmas em causa realizem quaisquer operações comerciais, não se mostram passíveis de ser objecto de violação. VI - No domínio do direito administrativo, em que a nulidade tem carácter excepcional e a anulabilidade carácter geral – art. 135.º do CPA –, a omissão da prévia obtenção do certificado de admissibilidade de denominação social não se enquadra no âmbito do preceituado no art. 133.º do CPA, apenas se podendo configurar como um vício de forma, a que corresponde a anulabilidade como sanção do acto que se mostre desconforme com o ordenamento jurídico, por ofensa de normas jurídicas legais ou regulamentares, anulabilidade essa que, para além de se mostrar da exclusiva competência dos tribunais administrativos, encontra-se excluída do conhecimento oficioso.
Decisão Texto Integral:

Acordam no Supremo Tribunal de Justiça
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em razão da matéria. o que não mereceu deferimento do tribunal – fls. na sequência de agravo da A – fls. para conhecer das acções de anulação de denominação social provenientes de decisões do Director-Geral dos Registos e Notariado.º 129/98. 142 a 144 -. que declarou o tribunal de comércio incompetente. agora. a Ré veio alegar a incompetência material do tribunal onde a acção foi instaurada.Que seja considerado ilícito o uso da sigla GALP na denominação social da Ré. nas alegações que apresentou. negou provimento ao agravo da Ré e confirmou a decisão proferida pela 1ª instância. pelo que. admitido no que respeita à questão da competência. Do referido aresto a A vem. Na réplica que apresentou.A. Enunciada a matéria de facto assente e organizada a base instrutória. então interposto pela Ré. Tendo a A apelado. a mesma sigla – GALP . sendo. o que tem gerado a existência de confusões. comunicando o indeferimento desses pedidos .). Ldª veio demandar no Tribunal do Comércio de Lisboa. despacho esse revogado por acórdão da Relação de Lisboa. 244 a 246. por tais acções constituírem matéria cujo conhecimento é atribuído aos tribunais comuns. Arquitectura e Engenharia. o tribunal foi declarado competente em razão da matéria e improcedente a excepção de erro na forma de processo que havia sido alegada. que. tendo. quer a condenação da A como litigante de má fé. e pelo facto da constituição da Ré não ter sido precedida do pedido. . n. 55º do DL n.pedidos de certificados de admissibilidade de firmas contendo a palavra “GALP" e ofícios do Registo Nacional de Pessoas Colectivas. na qual foram julgadas improcedentes. contém na sua denominação. uma vez que a referida denominação foi objecto de apreciação e aprovação pelo Registo Nacional de Pessoas Colectivas previamente à sua inscrição no registo comercial. em agravo desta decisão. 78. o qual não foi. S. S.A. No despacho saneador. veio a ser proferida sentença. data muito posterior à da constituição da A. quer na actual. com a consequente proibição do uso de tal sigla por parte desta e a anulação do seu registo na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa. 200 a 203 -. por outro lado. pelo que. a A pronunciou-se pela improcedência das excepções e da sua condenação como litigante de má fé. por manifesta nulidade. traduzidas através dos inúmeros telefonemas e correspondência. o erro na forma de processo já que o meio próprio para a impugnação ora deduzida seria o recurso hierárquico relativamente à admissibilidade da denominação social que passou a utilizar.com .utilizada pela A. 748º. do respectivo certificado de admissibilidade. em virtude da insistência desta na validade de actos contrários à lei. Contestando. No prosseguimento da normal tramitação processual. pedir revista. dada a inexistência do certificado de admissibilidade de denominação social no acto de constituição daquela. mantido o decidido pela 2ª instância – fls.º 2 do CPC – fls. questões estas que foram objecto de recurso por parte da Ré. em que alega. porém. sem que porém tenha dado cumprimento ao estatuído no art. SGPS. extremamente remota a possibilidade de confusão entre as duas entidades e constituindo uma manifesta falsidade que a coincidência de siglas tenha dado origem a que a A seja “sufocada” de telefonemas e correspondência dirigidas à contestante. em consequência.. aduzidas na contestação. na redacção vigente na data da apresentação desses converted by Web2PDFConvert. que esta última.Os elementos . quer a acção. que se encontra constituída e a exercer actividade desde 22/04/1999. requerendo. caso assim se não entenda. a Relação de Lisboa. sendo tal denominação ilícita. peticionou a condenação daquela como litigante de má fé.I – GALP – Gabinete de Urbanismo. por violar o princípio da novidade. dirigidos à Ré são enviados à A. tendo este STJ. a condenação da Ré nos mesmos moldes. nem da emissão. ou. por violação do princípio da novidade. por tal motivo.protestados apresentar na alegação do recurso de apelação e oferecidos imediatamente a seguir visam dar a conhecer a orientação administrativa da entidade competente para “[v]elar pelo respeito da exclusividade e verdade das firmas e denominações” [art.°/1 e 2-f) do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas. por violação do consignado no art. formulado as seguintes conclusões: 1º .Que seja considerado ilícito. foi proferido despacho – fls. 638. quer na original (GALP – Petróleos e Gás de Portugal. por seu turno. ambas as partes reclamaram daquelas indicadas peças. e a título subsidiário: . o uso da sigla GALP na denominação social da Ré. 1013 e 1029 -. já que a sua propositura deveria ter lugar na jurisdição administrativa.GALP – Energia SGPS. Seguidamente. peticionou: .

o acórdão sub censura violou o disposto no art. 2.º . quanto às duas primeiras letras.previamente à constituição desta.º 32.A inexistência de “declaração de admissibilidade” da firma originária da Ré . a sigla "GALP".(B). determinante da sua nulidade. então ofendeu. 11º . pelo que não há violação do "princípio da novidade ou da exclusividade". 55º do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas.. L. +++++ II – Da Relação vem considerada como assente a seguinte matéria de facto: “GALP – Gabinete de Urbanismo. Porto.da firma da A. impressivo.A palavra "GALP" não é usual na linguagem comum.º .O vocábulo "GALP" é o elemento prevalente. já nos termos das disposições conjugadas dos art. na sua denominação social “é manifesta a impossibilidade de confusão dos denominações em confronto".elementos em Tribunal (aprovado pelo art.A A integra desde a sua constituição. nem como “palavra do léxico”. aglutinando duas iniciais de outros tantos elementos dela [Gabinete de Urbanismo.A. nuclear. da Alegria. Subsidiariamente. apesar do uso da sigla "GALP"... 524º.O acórdão sub censura violou o disposto nos art.º 1880-Hab 12.R. Arquitectura e Engenharia.º .98. 375. tem por objecto social “actividade de elaboração de projectos de urbanismo. 5.da] e. induzir uma relação entre ambas. Colhidos os vistos legais. todos do Código de Processo Civil (na redacção vigente na data do seu oferecimento.. NUIPC n.º .º 303/2007. na acepção do art.ºs 523º.º 22. a Ré pronunciou-se pela manutenção do acórdão impugnado." . dominante .. quanto às duas últimas letras. o acórdão recorrido decidiu questão “de que não podia tomar conhecimento”.069/760728 – (A). com sede na R. 17.Em ambas as firmas. n. 14º . 441. cumpre decidir. 525º e 706º/2 e 3 do Código de Processo Civil (na redacção vigente na data da apresentação dos documentos em Tribunal anterior ao Decreto-Lei n. na firma da Ré. nem reflectem a "(não) afinidade ou (não) proximidade" das “actividades” e do "objecto" delas.º 500. insere-se logo no início.a "palavra-vedeta" .].0/3 do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas. no seu “discurso”.As firmas da A e da Ré nenhum elemento contêm que permita ao “ homem médio” distinguir se uma é sociedade “criada pelos seus sócios” e outra o foi “por Dec-Lei" ou apreender onde são as sedes das sociedades... com absoluta e total semelhança gráfica e fonética. de duas iniciais dos nomes dos seus fundadores [J. sanável.C. preponderante. 3. encontra-se matriculada na Conservatória do Registo Comercial do Porto sob o n. Lda. a não se entender assim: 13º .ºs 525º e 706º/2 e 3. pela Ré. de 24 de Agosto).próprio e característico desta..º 303/ /2007. nos termos do estatuído nos artºs 661º/1 e 668º/1-d) do Código de Processo Civil.. arquitectura e engenharia” . 15º . sem qualquer previsão de sanção. que no caso foi sanada". o estatuído ou nos artºs 45º/2 e 55º do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas ou nos artºs 294º e 295º do Código Civil.°/1 do Código de Processo Civil).. 4º/1-a e c) do Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais. anterior ao Decreto-Lei n. resultante. 8º . na sua "firma".P. 4. de 13 de Maio)].ºs 45°/2 e 55° do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas [aplicáveis analogicamente].ºs 523º e 524º.Não são elementos de prova.E violou o preceituado nos artºs 268º/4 da Constituição. acarreta a nulidade do respectivo acto de constituição.A apresentação desses referidos pedidos de certificados de admissibilidade e ofícios de resposta a eles não está sujeita às regras dos art.º .. em termos de precipitar confusão entre ambas. em termos de uma se associar à outra e.L. e L.Julgando a ilegalidade do acto de constituição da Ré “irregularidade. 52º/1 do Código de Processo nos Tribunais Administrativos e 98º/1 do Código de Processo Civil. 7º . em termos de as siglas de ambas as firmas coincidirem letra por letra." 129/98. característico. converted by Web2PDFConvert. porque da competência dos tribunais administrativos [art. mas sim às estabelecidas nos art... consoante se entenda.° A julgar-se que não incorreu em “ excesso de pronúncia".Decidindo que. não é qualificável como “vocábulo de uso corrente”. 12º . de 24 de Agosto). a firma da Ré contém um elemento retirado da A – “GALP” . 10º/3 do Código das Sociedades Comerciais e nos art. 9º . da “descrição” da sua actividade. já nos do estatuído nos artºs 294º e 295º do Código Civil.Esse mesmo vocábulo repete-se."GALP Petróleos e Gás de Portugal SGPS S.Assim. Arquitectura e Engenharia.º 1 º do Decreto-Lei n.com . A A. 6. 10º .Incorreu em "excesso de pronúncia". 16º .ºs 33º e 35º do Regime do Registo Nacional de Pessoas Colectivas. Contra alegando.

foi emitida declaração do seguinte teor: “Nos termos do art. NUIPC n.º A sociedade adopta a firma GALP – Petróleos e Gás de Portugal. na qualidade de titular das marcas GALP e Petrogal e das firmas Petrogal Madeira – Distribuição e Comercialização de Combustíveis e Lubrificantes Lda.º A sociedade tem por objecto a gestão de participações sociais de outras sociedades. Artigo 2. entre outras que usam os vocábulos GALP e PETROGAL. foi admitida com a validade de 180 dias. A Ré tem por objecto social “gestão de participações sociais de outras sociedades. GALPLUB – .09. SA .(C). A sociedade Ré exerce a sua actividade desde 22 de Abril de 1999 . Freguesia do Coração de Jesus. 26. 57 a 60. a denominação “GALP – PETRÓLEOS E GÁS DE PORTUGAL. como forma indirecta de exercício de actividades económicas”.º 88 de 13 de Abril de 1976 .Serviços de Lubrificação. referindo esses estatutos. encontra-se matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa. Petróleos de Portugal – Petrogal SA. Pelo DL 137-A/99 de 22. SGPS. em 10/05/2000.º 9216/990518 .. . que “autoriza o Estado Português a incorporar qualquer dos vocábulos e denominações registadas a seu favor. designadamente: Artigo 1. por escritura pública exarada de folhas 144 a 150 verso do livro 15F e de folhas 1 a 3 do Livro 16-F das notas do 8º Cartório Notarial do Porto . Sociedade Unipessoal Lda. constantes do documento de fls. 2 – Compete. desde a data da sua inscrição inicial .(1º). 45º e 49º do DL 129/98 de 13 de Maio. na Rua Mouzinho de Silveira. não alterou a sua denominação social.A sede social é em Lisboa. SA.C. 26. foi constituída a sociedade Ré.04. como forma indirecta de exercício de actividades económicas.A A. em 10 de Maio de 1999.º 2 do DL 129/98 de 13 de Maio. SA”.com . foi objecto de publicação no Diário do Governo n. pelos seus estatutos.º 4. SGPS. da qual será inicialmente o titular da totalidade do seu capital social” .. encontra-se registada a mudança da firma da Ré para GALP ENERGIA. sob a denominação de GALP Petróleos e Gás de Portugal SGPS. “GALP – Petróleos e Gás de Portugal SGPS..13.(E). respeitante a sociedade anónima cujos estatutos se mostram já aprovados pelo DL 137-A/99 de 22 de Abril e que terá sede no concelho de Lisboa e o seguinte objecto social: “gestão de participações sociais de outras sociedades. em Portugal e no estrangeiro. quer nas denominações das sociedades suas participadas. nos termos e para os efeitos dos arts. 3 – A sociedade é constituída por tempo indeterminado.(2º). de Mouzinho da Silveira. em 12/05/1999. Petrogal Açores – Distribuição e Comercialização de Combustíveis e Lubrificantes Lda. quer na sua denominação. A Ré rege-se pelo DL citado em (D). pelas normas reguladoras das sociedades anónimas e demais legislação aplicável . sob n. publicado na I Série do Suplemento n.”.de S. com sede na R.. SA”.º 504 499 777. . As acções representativas do capital social da Ré pertencem ao Estado na sua totalidade . converted by Web2PDFConvert. Assinado pela Conservadora I. Lda. que: em cumprimento do requerido em pedido de certidão entrado neste Registo Nacional em vinte e quatro de Março de dois mil. GALPGESTE – Gestão de Áreas de Serviço. O pacto social da A. SGPS.(G).(M).(F). 33º n. sociedade anónima. podendo ser deslocada pelo conselho de administração nos limites da lei. A conservadora auxiliar do Registo Nacional de Pessoas Colectivas certificou. A A.. Pela apresentação 27/2000. quer ainda. tendo sido pelo referido diploma aprovados os seus estatutos.(L). ao conselho de administração criar e encerrar sucursais.(H).º 1 . como forma indirecta de exercício de actividades económicas” . declarou.(D).(I). na denominação que vai constituir sob a forma de lei e do tipo SGPS. Lisboa. nas marcas de que é proprietária. delegações e outras formas de representação da sociedade.. que. Artigo 3.º 94/99 do Diário da República da mesma data.. constituiu-se em 05/03/1976..(J). 2ª Secção.º 45º n.

(4º).ºs 2 e 3 da mesma codificação. adquiriu outra dimensão e realiza a sua actividade em todo o território nacional . a sua apresentação não se enquadra nas regras dos arts. A Ré tem uma estrutura muito pequena de apoio à sua administração . 973 a 984.(12º). na sua denominação social. sem as vestes do Poder. dos pedidos relativos ao certificado de admissibilidade das firmas “GALP – Guedes. Ora. pedidas em 30 de Junho de 1986 . dos docs. reconduz-se ao indeferimento do referido pedido. 1054. portanto.decisão sobre as consequências da inexistência de declaração de admissibilidade da firma original da Ré. Com efeito. e acompanha vários projectos de obra.O artigo 1º. arquitectura e engenharia em todo o país . quer privados .(10º). n. ++++++ IV – Temos. expandiu-se.º 1 do CPC. 523º e 524º do CPC – fls. n. parece inexistir qualquer impedimento legal que obstaculize à inserção nos autos dos documentos em causa. com fundamento na confundibilidade de tal vocábulo com a sua firma e com as firmas de outras sociedades. com quem sugere relação e indução em erro sobre a titularidade da marca notoriamente conhecida “GALP” – fls. podendo. agências.(3º). de fls. § único do pacto social da A. e “GALP – Grande Agricultura em Portugal.decisão respeitante ao uso pela Ré.º 2º do referido pacto social determina que: “A sociedade tem por objecto a actividade de elaboração de projectos de urbanismo. 523º e 524º do CPC. que a A começa por sustentar.(7º). como foi invocado pela Relação para o indeferimento da sua junção. tem vindo a receber diariamente telefonemas sucessivos de clientes da Ré que é a si dirigida. pelo requerimento de fls. Lopes e Pinto. em 2008. delegações ou outras formas de representação social” . a sociedade A.(10º). arquitectura e engenharia.indeferimento da junção dos documentos apresentados na alegação da apelação. A A. por engano . 951 -. A A. quer públicos. que “as partes podem juntar documentos às alegações no caso de a junção apenas se tornar necessária em virtude do julgamento proferido na 1ª instância”. . continua a exercer a sua actividade . todavia. que se não encontrava alegada e demonstrada a ocorrência do condicionalismo previsto nos arts. Ldª”. por tal motivo. A A. invocando.com . da sigla GALP. requeira um certificado de admissibilidade de uma firma onde se contenha aquela indicada palavra GALP. 706º. já que visam apenas dar a conhecer a orientação do Registo Nacional de Pessoas Colectivas sobre a admissibilidade de firmas contendo a palavra GALP. bem como proceder à abertura ou encerramento de sucursais. “ ++++++ III – Como se extrai das conclusões da recorrente. converted by Web2PDFConvert. elabora projectos de urbanismo. a discordância desta relativamente ao conteúdo do aresto da Relação. O art. 968 a 971. A A.(13º). A sua actividade é dirigida para as empresas em cujo capital participa . objectiva-se nas seguintes questões: . Ldª”. “GALP – Grande Agricultura em Portugal. que a A. mas sim nas constantes dos arts. dedicar-se a qualquer outro ramo de actividade comercial ou industrial que seja permitida por lei e que a assembleia geral resolva que seja explorado” . é titular de duas marcas mistas que contêm o vocábulo GALP. detêm. junção essa que a Relação indeferiu. por parte daquele organismo registral.º). e . que é a si dirigida por engano . determina que: “Por simples deliberação da assembleia-geral. 525º e 706º.(14º). por todo o país. que os elementos documentais por si juntos na 2ª instância não constituem elementos de prova. para tal. à data da sua constituição. no corpo da minuta que apresentou na apelação. A A. Alpoim. que. onde se contém o indeferimento.(5º). no dia imediato. dispondo-se no art. através da junção.(8º). asserção essa que comprovou. A sociedade Petróleos de Portugal SA. SA” (dois pedidos). a A veio alegar. relativamente a quem. a orientação seguida pelo RNPC.(6. recebe correspondência pertencente à Ré. anonimamente.. pelo que. Desde 05/03/1976. poderá deslocar a sede social dentro da mesma localidade. em que o respectivo objecto social consistia na produção e comercialização de vinho de mesa e vinho do Porto.

10º. portanto. e atendendo a que. 1056. SGPS S. ou seja. constituindo esta entidade administrativa o órgão estadual a quem incumbe apreciar a admissibilidade da denominação das firmas – art. denominações ou marcas. precipita a confusão entre ambas. da exclusiva competência das instâncias. a discrepância da apontada disparidade de opiniões. se uma firma pode ser confundida com outra. a extinção da firma-denominação original da Ré tornou inútil a apreciação de quaisquer questões que tenham como pressuposto a sua existência jurídica como tal. de 13/05 (RRNPC) -. e relativamente à situação que ora vem suscitada pela A. questionar a pelas instâncias decidida inexistência de violação do princípio da novidade ou da exclusividade. ou dissemelhanças. à indução em erro quanto ao objecto social desenvolvido por cada uma das referidas firmas. de molde a que. que sob o ponto de vista da actividade económica e empresarial. fundando-se.Na verdade. violação do princípio da novidade ou possibilidade de confusão ou associação para o consumidor entre aquela e a firma-denominação da A.º 129/98. ao referido princípio da novidade será o de verificar. vol. cada uma delas visa individualizar. a denominação particular escolhida não seja “idêntica à firma registada de outra sociedade ou por tal forma semelhante que possa induzir em erro” . pois. de tal. de direito. 2. “o melhor critério para dar execução. entre as duas expressões que constituem as firmas. que admitir a junção dos documentos apresentados pela A/recorrente. que o raciocínio expendido na decisão então recorrida colidia frontalmente com a opinião sustentada pelo RNPC. na prática. considerar-se ser susceptível de confusão ou erro com a outra . a qual. que. e no caso que para aqui ora releva. à data da propositura da acção -17/04/2001 (art. que o juízo sobre a distinção (de firmas. assim se preterindo a realidade. à data da emissão dos referidos documentos. evidente. em que a firma da Ré contém um elemento retirado da sua firma. 267º. considerados aqueles na veste de qualquer cidadão que actue com mediana diligência e atenção. Na situação que constitui objecto dos autos. denominações ou marcas) decompõe-se em duas questões: uma. e que não merecera acolhimento do tribunal de 1ª instância. 200º e 275º do CSC . elemento esse que sendo próprio e característico desta.Acórdãos de 18/06/1985 (BMJ 348º/436). em sede de impugnação recursiva. com a já existente firma-denominação da A (GALP – Gabinete de Urbanismo. a ocorrência dessa similitude seja susceptível de conduzir terceiros que possam vir a ter relações negociais com as mesmas. para tal.130).art. uma delas deve. que consiste em apurar se. com o critério técnico seguido por aqueles indicados serviços. Ferrer Correia. que consiste na apreciação da existência de semelhanças. Há. a outra firma.com . outra. 63 -.A. poderá ser induzida em erro pela semelhança do nome e dirigir-se. apenas através de documento emanado de tais serviços registrais poderia a recorrente demonstrar.respeitar o princípio da novidade ou do exclusivismo. 26º da LOFTJ e 721º do CPC -. de fls. perante tais semelhanças ou dissemelhanças. da competência deste STJ. se o aludido princípio da novidade deverá reportar-se apenas às firmas dos comerciantes concorrentes. devendo a composição da denominação da firma de uma sociedade anónima ou por quotas – arts. pág. n. resida no facto de tal sinal distintivo não apresentar semelhanças com o de outra firma já constituída e existente no território nacional. Arquitectura e Engenharia. Ora. vem sendo entendido por este Supremo Tribunal. constando do acórdão recorrido “que a única semelhança entre as duas denominações em questão reside no elemento comum GALP” – fls. Temos. quanto à aferição da confundibilidade/inconfundibilidade da denominação de uma nova firma. haverá a considerar. 1º do anexo ao DL n. de tal decorre. Com efeito. ++++++ V – A recorrente vem. mostra-se. se uma pessoa que tenha em mente o nome de uma firma e pretenda dirigir-se a esta. mostra-se em causa a confundibilidade da firmadenominação da Ré (GALP ENERGIA. ou não. igualmente. a firma a relevar na impugnação formulada terá de reportar-se à resultante da referida modificação. citando os ensinamentos de Ferrara Júnior in La teoria giuridica dell’azienda. no sentido de fazer reverter em seu benefício a tese que havia sustentado nos articulados. com referência à diligência normal do homem médio. quanto aos seus aspectos gráfico e fonético. portanto. de 14/06/1995 (CJSTJ III. de 29/10/1998 (BMJ 480º/503) e de 06/12/2001.º 3 do CSC -.º 1 do CPC) – a denominação da Ré já havia sido alterada cerca de seis meses antes – (I) e doc. Ldª). daqueles que exercem actividades económicas converted by Web2PDFConvert. coincidia. A possibilidade de confusão deve subsistir de modo objectivo” – vide Lições de Direito Comercial do Prof. I. n. uma vez que. Por outro lado. atenta a sua natureza de tribunal de revista – arts. que inexistia. que o critério principal a atender. tendo sido considerado na sentença. Assim. relativamente à firma-denominação da Ré. de facto.). de tal modo que. aliás. pelo que. 300.

90. de 08/07. Coutinho de Abreu -. 144/145 – e da jurisprudência – Acórdãos deste Supremo de 18/06/1996. à forma oficiosa dos signos. “a afinidade ou proximidade das suas actividades” e “o âmbito territorial destas” . como uma expressão respeitante à designação identificativa de uma “marca” de combustíveis e produtos afins. inclusive. dir-se-á que tal se verifica. ao efeito fonético das expressões. vol. dada a semelhança entre elas. traduzida na expressão “GALP”. à confundibilidade das firmas-denominação. atendendo à grafia das palavras. respectivamente -. dotados de eficácia distintiva. de 26/09/1996 (BMJ 459/562). na realidade. “o seu domicílio ou sede”. Por outro lado. pelo que a sua apreciação comparativa. de 28/04/1998. como é defendido por uma parte da doutrina – Lições de Direito Comercial. se é evidente que. tomando uma por outra. não podem deixar de merecer protecção reforçada . Ora. por si só. 33º. se propende a subscrever. do Prof. que. ainda que como critérios secundários.art. n.º 111/2005. 382 – e da jurisprudência . 301 das Lições citadas do Prof. há que apreciar se aquela se verifica. Pinto Coelho. 388. como à susceptibilidade de ser imputável a uma das firmas os reveses económicos da outra. págs. factor este susceptível de potenciar. que. Raul Ventura. pela eventual confusão nestes gerada quanto à firma com quem. e para a apreciação da susceptibilidade da indução em erro da denominação de uma firma nova relativamente à de uma firma já existente. ou. como é propugnado por outra parte da doutrina – pág. pela sua predominância. não só em relação à perda de potenciais clientes. em manifesto detrimento das diferenças que poderiam oferecer os seus diversos pormenores quando isolados e separadamente considerados. segunda parte. 35º. de acordo com o segundo dos critérios antecedentemente enunciados. tal confundibilidade se mostra desde logo excluída. para além dos eventuais prejuízos decorrentes do envio indevido das comunicações telefónicas. e pelos motivos acima referenciados. 713º. ao núcleo caracterizante. pelo elevado número de aderentes a tal procedimento simplificado. arquitectura e engenharia e gestão de participações sociais de outras sociedades. o que é manifestamente conducente. embora constitua a mera expressão inicial da denominação completa de ambas as firmas. já que tal sigla é conotada. em que os respectivos objectos sociais são os mais diversos e díspares. que se mostrem. 660º. às firmas de comerciantes não concorrentes. pelo cidadão comum. pág. .º 2. 142/143 da obra e volume citados do Prof. n. isto é.idênticas ou similares dentro do mesmo ramo. Dr. relativamente a tal juízo de apreciação. sendo que esta última posição corresponde àquela. págs. de 03/04/2001. à ocorrência de prejuízos. ou também. como o meio. “quando. todavia. Assim. efectivamente. I. as confunde. no momento presente.Acórdãos deste Supremo de 23/05/1991 (BMJ 407º/571). -.º 2 do RRNPC e Estudo do Dr. tal não impede que a simples existência de um elemento comum possa. Direito Comercial do Dr. crê erroneamente referirem-se a comerciantes distintos mas especialmente relacionados” – págs. manter relações comerciais. vol. atendendo a que o certificado da sua admissibilidade constitui mera presunção de exclusividade da referida denominação – art. não parece poder considerar-se. ou inverifica.com . dar lugar à confusão ou erro entre as mesmas. e de 01/07/2003 -. n. pág. 248/253. mostra-se aqui e agora totalmente deslocada relativamente à questão que constitui objecto da impugnação que vem aduzida pela recorrente – arts. e atenta a diversidade respeitante ao objecto social da A e da Ré – elaboração de projectos de urbanismo. por via on-line – DL n. Comentário ao Código das Sociedades Comerciais do Cons. a sigla comum às denominações da A e da Ré. de 19/02/2002. de 06/10/1998. do Prof. ser tido em conta. de 07/07/1999 e de 15/02/2000 -.º 2 e 726º converted by Web2PDFConvert. de 29/06. Carlos Olavo in Estudos em homenagem ao Prof. telegráficas e postais a uma firma a quem as mesmas não respeitem. constitua a forma oficiosa identificativa da mesma perante o público em geral. pág. o público médio as não consegue distinguir.º 2 do RRNPC -. Carlos Olavo. por serem os que mais facilmente são retidos na memória pelo público. Coutinho de Abreu. de acordo com o primeiro dos indicados critérios. de 28/05/1992 (BMJ 417/652). nomeadamente através da insistentemente propagandeada constituição de “empresas na hora” – DL n.º 125/2006.ou. e concomitantemente. 392. relativamente às firmas-denominação da A e da Ré. elemento este que constitui sinal distintivo do comércio diverso e distinto do ora em análise. já que aquele constitui o elemento sensibilizador do público consumidor. Pinto Furtado. 393 a 395 do Estudo citado do Dr. no que respeita à firma já antecedentemente constituída. I. e ainda que a comparação das firmas deva ser efectuada pela semelhança que resulta do conjunto dos elementos que constituem o conteúdo global de cada uma das mesmas. Ferrer Correia. pela sua natureza apelativa e sintética. Direito Comercial (Direito da Empresa) do Dr. pretendem. devendo. Curso de Direito Comercial. no que respeita à Ré. Pereira de Almeida. como o núcleo-chave da sua firma. por ser aquela que se mostra mais consentânea no sentido da abrangência da crescente fobia a que vem de assistir-se relativamente à constituição de sociedades. II. já que os elementos prevalecentes de um sinal complexo. pág. Pupo Correia. n. “o tipo de pessoa”. vol.págs. no âmbito da sua confundibilidade pelo cidadão comum como simples “marca”. E.

já que relativamente às suas firmas “oficiais” nenhuma hipótese de confundibilidade é susceptível de conjecturar-se – art. de uma actividade económica. Ldª. por seu turno. concretizada. Ferrer Correia -. gestão e venda de participações financeiras. quer a localização das suas sedes sociais. e daí que lhes seja exigível um grau de diligência manifestamente superior ao daquele último. como elementos atendíveis na distinção das “denominações” em causa. que. o mesmo mostra-se. se não mostram ao alcance do cidadão comum. como regra geral. se reconduzem a que a sede social da A se situa no Porto e a da Ré em Lisboa – (A) e (D) – e que se mostram manifestamente dissemelhantes o objecto social de cada uma das sociedades em causa. por tal motivo. que. relativamente à identificação da firma a que se reportem os eventuais negócios bolsistas ou de aquisição de participações não cotadas em bolsa. como foi referido. sendo certo. os respectivos intervenientes sejam portadores de conhecimentos. constante dos documentos cuja admissão consta do antecedente item IV. quer a forma abreviada de utilização pelo cidadão comum da denominação de ambas as firmas. Olavo Cunha. no acto de constituição desta última não houve lugar à apresentação do certificado de admissibilidade da sua denominação social. a recorrente. se traduziu no facto desta última induzir em erro sobre a titularidade da “marca” notoriamente conhecida “GALP”. passível de discordância. na apontada situação apresentada àqueles serviços estava em causa uma “denominação” e não uma “marca”. e tendo em consideração que “a circunstância de uma confusão ter tido lugar pelo descuido ou ligeireza de qualquer cliente não é suficiente quando as firmas se apresentem diferenciadas aos olhos de uma pessoa de diligência média” – local e volume indicados das Lições citadas do Prof. em que o fundamento invocado por aquele serviço registral para a não admissibilidade da denominação requerida. em evitar a concorrência desleal e a indução em erro. 790 e segs. não se vislumbra que a firma-denominação GALP ENERGIA. os autos devem ser remetidos à 1ª instância. que. por outro lado. 171º do CSC -. relativamente ao entendimento sufragado pelo RNPC. pág. e desde já. ++++++ VI – Invoca. que o núcleo impressivo da denominação da Ré se reconduz à expressão “GALP ENERGIA” – vide certidão registral de fls. para além de que os elementos a considerar. sobretudo. ou. e por violação do preceituado no art. Com efeito. Com efeito. e Direito das Sociedades Comerciais do Dr. portanto. 33º do RRNPC tem específica aplicação aos sinais distintivos no mesmo referenciados. traduzidos. E. já. 63 -. ofenda o princípio da novidade relativamente à firma-denominação GALP–GABINETE DE URBANISMO. para a prolação de decisão no foro competente sobre a legalidade/ilegalidade do acto de constituição da Ré. que. nos seus precisos termos fonéticos. em seu entender. 55º do RRNPC. então. pelo que. quer de outros comerciantes que com as firmas em causa realizem quaisquer operações comerciais.com . haverá.do CPC. sem qualquer separação (hífen) entre os vocábulos que a compõem. a nulidade de tal constituição. quer a total distinção do objecto social a que se reporta a actividade por cada uma das mesmas desenvolvida. através da realização da compra. que. igualmente. como critérios secundários de atendibilidade. P. desenvolvendo-se o objecto social da A no domínio da elaboração de projectos de urbanismo. e o conteúdo do n. caso assim não seja entendido. a actividade da Ré. pressuponha. atendendo a que os fundamentos subjacentes àquele princípio. exclusivamente através de negócios em bolsa. sempre se dirá. quer dos consumidores relativamente às firmas que comercializem produtos que pretendam adquirir. Temos. caso improceda a questão por si suscitada relativamente à violação do princípio da novidade. constitutiva do exercício. pelo que. que aquela nomeada expressão em que se concretizavam as denominações requeridas não coincide. pelo que o exercício da referida actividade de gestão financeira. advindo-lhe os proventos económicos de tal actividade dos dividendos e lucros recebidos das respectivas participadas e das mais-valias realizadas com a alienação das participações de que seja detentora – art. pela sua especificidade. ter-se-á de considerar que o acórdão da Relação enferma de excesso de pronúncia. de 30/12. sinais esses onde se não integra o respeitante à apontada “denominação”. deve concretamente ser tida em linha de consideração para a apreciação da sua confundibilidade. converted by Web2PDFConvert. a título subsidiário. relativamente à mesma. e desde já a referir. o que configura. nula. Por outro lado. 1º do DL n. também. por forma indirecta. tem por objecto a gestão de participações sociais de outras sociedades. que tal constituição deve ser declarada. sendo diversas. ARQUICTETURA E ENGENHARIA. que.A. com a sigla da Ré. para além do critério ora sustentado pelo RNPC se mostrar inócuo para a decisão em causa nos autos. em consequência do mesmo se ter pronunciado sobre uma questão da competência do foro administrativo. uma vez que.º 5 do art. não se mostram passíveis de ser objecto de violação. SGPS S. -. também. arquitectura e engenharia. arguição essa a que. a A formulou o pedido de declaração da ilicitude do uso pela Ré da sigla GALP.º 495/88.

o tribunal declarou-se competente. 294º e 295º daquela última codificação. o que origina. Pedro Gonçalves e Pacheco de Amorim. como pretende a Ré a atribuição de competência ao Supremo Tribunal Administrativo. E. nomeadamente ao preceituado no seu art. anulabilidade essa. Pinto Furtado -. nunca poderia colher aqui qualquer pertinência a invocação levada a cabo pela recorrente relativamente à violação. Esteves de Oliveira. que.com . rege-se pelas regras de direito privado. e dado que. 981º. necessariamente. 133º do CPA. Freitas do Amaral -. dado que a Ré foi constituída através do DL n. que. sob pena de se ter de considerar que o legislador estabeleceu uma imposição sem sanção. não permite configurar tal ocorrência. n.. do CC. para conhecer esta acção sob pena de distorcer e de uso e abuso de especificidades que o próprio legislador não quis atribuir. com fundamento em que a anterior decisão proferida por este STJ sobre a competência do Tribunal do Comércio abrangia a competência material do referido tribunal – fls. pelos entes públicos. pelo que. como uma mera irregularidade no âmbito do direito substantivo civil. que apreciar a pela recorrente arguida nulidade da constituição da Ré. E. 295 da obra citada do Cons. dos arts. 93 -. que. sempre se referirá. a invocada omissão da prévia obtenção do aludido certificado não se enquadra no âmbito do preceituado no art. no foro administrativo. e no domínio do direito administrativo. Não detêm pois sentido. 389. podendo. a que corresponde a anulabilidade como sanção do acto que se mostre desconforme com o ordenamento jurídico. contrariamente ao que ora vem defender na presente revista. face ao estatuído nos arts. da legalidade da constituição da recorrida. Por seu turno. Com efeito. vol. “. mormente ser uma sociedade de capitais públicos. ainda. face ao disposto nos arts. quando este deva ser exigido. ainda que de uma forma meramente tabelar.º 3 do CC. como decidiram as instâncias.na contestação. 9º. no despacho saneador. se mostrar da exclusiva converted by Web2PDFConvert. que a mesma fundou na violação dos arts. apenas se podendo configurar como um vício de forma – págs. não são aplicáveis as normas substantivas civis – art. o que se mostra em frontal desacordo com o princípio geral vertido no art. 2º do CSC e 980º e segs. para além da A. adjuntar-se. se é certo que no RRNPC não foi consagrada qualquer sanção para a inobservância. despacho esse que transitou em julgado. para o conhecimento da referida questão – fls. Porém. 45º. 656 -. que se inverifique a nulidade processual que ora vem arguida. a Ré contrapôs a incompetência material do tribunal para o conhecimento de tal matéria. em que a nulidade tem carácter excepcional e a anulabilidade carácter geral – art. ao qual. no primeiro daqueles invocados normativos dispunha-se: O Estado e outros entes públicos devem também. de 22/04.º 1. a circunstância de ter sido apenas sancionada tal omissão para o caso da constituição voluntária da mesma. Freitas do Amaral. 668º.º 2 do CPC. recurso esse.º 2.º 2 e 55º do RRNPC. atenta a já antecedentemente enunciada natureza deste Supremo Tribunal como tribunal de revista. a sua criação foi levada a cabo através de um acto que reveste a natureza de um verdadeiro acto administrativo – pág. que: “A sociedade Ré. e perante o conteúdo da apontada decisão respeitante à competência material. e. na criação da Ré. será no âmbito deste ramo de direito que a solução deve ser encontrada. 2º do CPA -. e como tal é um ente sujeito a tais regras. n. que foi rejeitado. atento o já referenciado trânsito em julgado da decisão proferida sobre a competência material do tribunal civil. 420 e 421 da obra citada do Prof. n. e independentemente da apontada natureza do referido acto constitutivo. II. também tal questão nunca foi considerada pelas instâncias como revestindo a natureza de uma questão prejudicial. ……obter do RNPC declaração de admissibilidade das correspondentes firmas ou denominações. 660. 398 -. Assim. a peticionada remessa dos autos à 1ª instância mostra-se legalmente inadmissível. d) e 713º. ter sustentado na réplica – fls. no restante: É nula a escritura pública lavrada ……sem exibição do certificado de admissibilidade. como é óbvio. porém. n. Assim. já que residindo tal forma de constituição da sociedade num acto de direito público. 408 -. por impositivo legal.º 137-A/99. al. pág. 321 -. da obtenção prévia do certificado de admissibilidade da denominação de um qualquer sociedade pelos mesmos criada. porém. n. há. por ofensa de normas jurídicas legais ou regulamentares – Código do Procedimento Administrativo dos Drs. antes de promover a criação de pessoas colectivas. para além de. no que respeita à requerida remessa dos autos à 1ª instância para decisão. pág. 135º do CPA e Curso de Direito Administrativo do Prof. 332 -. a Ré agravou do mesmo – fls. inclusive.

podendo ainda e por outro lado acrescentar-se. 20 de Outubro de 2009 Sousa Leite (Relator) Salreta Pereira João Camilo converted by Web2PDFConvert. no sentido da declaração por este Supremo Tribunal da nulidade do acto administrativo de constituição da Ré se mostra legalmente inadmissível. n. que a pretensão da recorrente. e por outro lado.competência dos tribunais administrativos.º 1 al. a mesma encontra-se excluída do conhecimento oficioso – . nas redacções à data vigentes. que o prazo respeitante à impugnação contenciosa tendente à sua anulabilidade se mostra já esgotado – arts. pág. 408 do volume e obra citados do Prof. Freitas do Amaral e págs. e ainda que por fundamentos substancialmente distintos dos aduzidos no acórdão da Relação. Temos. Custas pela recorrente. também. improcedem. Perante o que vem de explanar-se. n. pois. portanto. ++++++ VII – Face ao exposto. 28º da LPTA e 26º. + + + + + + LISBOA. e) do ETAF. vai negada a revista. 136º. as conclusões da recorrente. 661/662 daquele último indicado comentário ao CPA.vide art.º 2 do CPA.com .

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