PROPOSTA CURRICULAR

EDUCAÇÃO FÍSICA
CBC

SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS

ENSINOS FUNDAMENTAL E MÉDIO

Autoras
Eustáquia Salvadora de Sousa Maria Gláucia Costa Brandão Aleluia Heringer Lisboa Teixeira Vânia de Fátima Noronha Alves

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Governador Aécio Neves da Cunha Vice-Governador Antônio Augusto Junho Anastasia Secretária de Estado de Educação Vanessa Guimarães Pinto Chefe de Gabinete Felipe Estábile Morais Secretário Adjunto de Estado de Educação João Antônio Filocre Saraiva Subsecretária de Informações e Tecnologias Educacionais Sônia Andère Cruz Subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica Raquel Elizabete de Souza Santos Superintendente de Ensino Médio e Profissional Joaquim Antônio Gonçalves .

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Eixo Temático I .Jogos e Brincadeiras 3 .Avaliação do Processo Ensino-Aprendizado Conteúdo Curricular 1 .Finalidades da Educação Física 5 .Eixo Temático I .Eixo Temático III .Eixo Temático IV .Esporte 2 .Dança e Movimentos Expressivos CBC no Ensino de Educacão Física: Ensino Médio 1 .Dança e Expressões Rítmicas Bibliografia Bibliografia 65 7 .Educação Física: Uma Construção Histórica 3 .Eixo Temático III .Orientações Metodológicas 7 .Eixo Temático II .Eixo Temático IV .Eixo Temático III .Eixo Temático IV .Eixo Temático II .Diretrizes para o Ensino da Educação Física 6 .Esporte 2 .Introdução 2 .Eixo Temático II .Jogos e Brincadeiras 3 .Dança e Expressões Rítmicas 11 12 15 16 17 24 27 31 37 40 43 45 48 49 51 52 53 55 56 58 60 62 CBC de Educação Física: Ensino Fundamental da 6ª à 9ª série 1 .Ginástica 4 .Jogos e Brincadeiras 3 .Ginástica 4 .Ginástica 4 .Súmario Ensinos Fundamental e Médio 1 .Razões que Justificam o Ensino da Educação Física na Escola 4 .Eixo Temático I .Esporte 2 .

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Os CBCs não esgotam todos os conteúdos a serem abordados na escola.Apresentação Estabelecer os conhecimentos. e o Centro de Referência Virtual do Professor (CRV).. sugestões de planejamento de aulas. o qual pode ser acessado a partir do sítio da Secretaria de Educação (http://www. estão indicadas as habilidades e a competência que ele não pode deixar de adquirir e desenvolver. além de um Banco de Itens.educacao. No ensino médio. No CRV. Por meio do CRV. Ao mesmo tempo. O progresso dos alunos. textos didáticos. as habilidades e competências a serem adquiridos pelos alunos na educação básica. é uma condição indispensável para o sucesso de todo sistema escolar que pretenda oferecer serviços educacionais de qualidade à população. foi desenvolvido um sistema de apoio ao professor que inclui: cursos de capacitação. encontra-se sempre a versão mais atualizada dos CBCs.br). Ao mesmo tempo. e um tratamento mais quantitativo e aprofundado no segundo ano.gov. que deverão ser intensificados a partir de 2008. foram estruturados em dois níveis. mas expressam os aspectos fundamentais de cada disciplina. A definição dos conteúdos básicos comuns (CBC) para os anos finais do ensino fundamental e para o ensino médio constitui um passo importante no sentido de tornar a rede estadual de ensino de Minas num sistema de alto desempenho. A importância dos CBCs justifica tomá-los como base para a elaboração da avaliação anual do Programa de Avaliação da Educação Básica (PROEB). o que possibilitará reduzir as grandes diferenças que existem entre as várias regiões do Estado. para o Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar (PAAE) e para o estabelecimento de um plano de metas para cada escola. a constatação de um domínio cada vez mais satisfatório desses conteúdos pelos alunos gera conseqüências positivas na carreira docente de todo professor. que não podem deixar de ser ensinados e que o aluno não pode deixar de aprender. constitui a referência básica para o estabelecimento de sistema de responsabilização e premiação da escola e de seus servidores. etc. vídeos educacionais. os professores de todas as escolas mineiras têm a possibilidade de ter acesso a recursos didáticos de qualidade para a organização do seu trabalho docente. experiências simuladas. Vanessa Guimarães Pinto . orientações didáticas. Para assegurar a implantação bem-sucedida do CBC nas escolas. bem como as metas a serem alcançadas pelo professor a cada ano. reconhecidos por meio dessas avaliações. para permitir uma primeira abordagem mais geral e semiquantitativa no primeiro ano.mg. roteiros de atividades e fórum de discussões.

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Em relação às habilidades. entendido nesta proposta como uma das finalidades da Educação Física. As ponderações apresentadas pelos professores nos dois encontros de representantes de área. Nesse sentido. Dentre as principais alterações destacamos: • • A capoeira deixa de ser um conteúdo complementar. tendo em vista as condições atuais das escolas e as projetadas no PDPI. julgamos fundamental acrescentar alguns conhecimentos básicos sobre a capoeira e o lazer e. As análises efetuadas pelas consultoras durante o processo de elaboração das orientações Pedagógicas (OP´s) e dos Relatórios de atividades (RA´s). 11 . em maio de 2005. passa a ser considerado em todos os Eixos Temáticos. ainda. O lazer. Assim como os estudos sobre o corpo. tornando-se conhecimento pertinente ao CBC. outros. Feitas essas considerações. entendemos que este novo CBC contempla os conhecimentos mínimos necessários para que os adolescentes e jovens possam vivenciar a sua corporeidade com autonomia e responsabilidade. Esta revisão do CBC é fruto da avaliação contínua do seu processo de implantação e levou em consideração: • • • • As avaliações realizadas pelos professores e professoras das Escolas-Referência. o lazer perpassa todo o conhecimento da Educação Física. A viabilidade da proposta. dimensão fundamental da formação humana. Muitos foram aglutinados.Ensinos Fundamental e Médio 1. criados e alguns. várias foram remanejadas de acordo com sua pertinência no tópico e no nível de ensino. Os dados apontaram para a necessidade de reorganização dos tópicos do CBC. Introdução Este documento contempla a nova versão dos CBCs de Educação Física para o Ensino Fundamental e Médio. eliminados. para intervirem na sociedade desse nosso tempo. trazer sugestões de bibliografia para aprofundamentos. com ludicidade e qualidade de vida.

1999). no começo do século passado. especialmente. A Educação Física também teve seu ensino vinculado a teorias raciais (muito em voga na passagem do século XIX para o XX). em decorrência da miscigenação.2. no âmbito escolar. morais. a Igreja e a Indústria. foi motivada pela idéia de que ela seria capaz de higienizar. esses projetos foram orientados por expectativas em torno de suas possibilidades de intervenção na educação de crianças e dos jovens. tida como fraca. considerada causa da degeneração da raça). o que hoje estamos chamando de Educação Física passa. Sua inserção no currículo do curso primário da escola pública mineira. pela reflexão sobre o seu processo de constituição como componente curricular na história da escola moderna. mas também controlado e aperfeiçoado (BRACHT. no século XIX a Educação Física foi incorporada ao currículo do Ensino Secundário brasileiro na forma de exercícios ginásticos. de controle social. pautada na conquista individual do organismo sadio e da vontade disciplinada (SOARES. Inicialmente denominada Gymnastica. do mundo da produção. sua inserção como componente curricular foi motivada por um conjunto de fatores condicionados pela emergência de uma nova ordem social na Europa dos séculos XVIII e XIX. idealizados por diversas instituições. disciplinar e corrigir os corpos das crianças que freqüentavam as escolas como uma prática ortopédica eficiente para endireitar o que era considerado torto. Com esse objetivo. Desde então. quase sempre com a finalidade de adaptar seus corpos às necessidades sanitárias. em 1906. ela vem participando de diferentes projetos educacionais. a Medicina. ao longo do tempo. A ciência moderna destacou a importância do movimento como forma de promoção da saúde. necessariamente. 2002). nos conhecimentos da Medicina e na necessidade de constituição do Estado Nacional. de acordo com os princípios éticos da sociedade e os projetos político-pedagógicos construídos em cada época. buscando-se. doente e inapta ao trabalho (dentre outras alegações. Educação Física – Uma Construção Histórica A Educação Física. dentre as quais o Estado. com ela. O ideário de civilidade exigia uma nova forma de lidar com o corpo e conceber a vida. O corpo passou a ser entendido como uma estrutura mecânica passível de ser conhecido no seu funcionamento. Assim. empenado. vem mudando. a consolidação de uma nova ordem escolar. por exemplo. O corpo das crianças 12 . cívicas. esgrima e evoluções militares. tosco. o Exército. dentre outras. além do preparo dessas crianças (especialmente as empobrecidas) para a vida no meio urbano e para o trabalho (VAGO. fundamentada. 2001). que defendiam um projeto de eugenização e aperfeiçoamento da “raça brasileira”. Ao longo do século XX.

dada a sua potencialidade de produzir lucros. rendimento. vinculada à idéia da ausência de doença. de moldá-lo ainda mais radicalmente para as demandas do mundo do trabalho (VAGO. houve uma importante e significativa mudança: a ginástica. especialmente as públicas. ao mesmo tempo. sua transformação em mercadoria começou a despertar. revelando. promover a saúde foi outro objetivo atribuído à Educação Física. o Brasil vivia a expansão de sua industrialização. eficaz. De outro lado. como a “base da pirâmide esportiva nacional”.pobres. ginásios. então. Nesse movimento. deveriam. ser fortalecido. que a acompanha desde sua inserção nos currículos escolares no século XIX. foi sendo paulatinamente substituída por outra prática. também. a Educação Física passou a ser pensada. agora. Como decorrência. na escola. um interesse sem precedentes. Todas as disciplinas escolares foram-se adequando a essas novas exigências. Entretanto. que atravessa toda a segunda metade do século XX. desde a formação de professores até a organização de seu ensino na escola. do número de alunos por turma. Vale observar que estamos assistindo a uma radicalização desse movimento neste início de século XXI e tudo indica a sua progressiva expansão. Antes da Segunda Guerra Mundial. que passou a ocupar o centro de suas preocupações. disciplinado e robustecido com a prática de exercícios físicos na escola (VAGO. que vivia um processo de franca expansão e difusão pelo mundo – o esporte. do número de aulas dos professores) certamente dificultou a efetivação de tal projeto. a Educação Física passou a ser compreendida como a área responsável pelo estudo e ensino do esporte. aptos para o mercado de trabalho. resultado. mas porque o esporte se organiza em torno de valores semelhantes aos de uma sociedade industrializada: competição. isso não impediu que alguns dos valores presentes na organização dos 13 . Nesse movimento. Um duplo movimento estava ocorrendo: os meios de comunicação fizeram o esporte presente em todos os cantos do Planeta. Da Educação Física uma nova tarefa era esperada: não apenas corrigir e endireitar o corpo das crianças. 2002). Nesse quadro. e novas exigências foram colocadas para a escola. com destaque para a responsabilidade de formar homens produtivos. eficiência. Isso ocorre não por acaso. em torno dele. produtivo – tratava-se. agora cada vez mais voltado para a máquina e a técnica. é preciso perceber. considerado raquítico e fraco. especialmente a partir da década de 1960. bolas e outros equipamentos) e estruturais da escola (organização do tempo escolar. mas educá-lo também para torná-lo eficiente. uma compreensão bastante restrita e empobrecida de corpo humano reduzido à sua dimensão biológica. até então o seu conteúdo por excelência. atravessando o século XX. Começava um processo denominado esportivização da Educação Física. 2002). no entanto. que recebem a maioria de estudantes. A falta de condições materiais (quadras. diante da realidade das escolas. quase sempre. os limites desse projeto.

Assim. acabam de retornar à legislação do ensino. De acordo com esse decreto. Maior de trinta anos de idade.793. em certa medida. e em 1º de dezembro de 2003. de 12 de dezembro de 2001. em situação similar. sendo facultativa nos cursos noturnos” (BRASIL. sendo sua prática facultativa ao aluno: • • • • • 14 Que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas. de 20 de dezembro de 1996. A redação desse artigo da LDB foi alterada duas vezes. psíquicas e sociais do educando. Que tenha prole. só deveria interessar-se por corpos jovens e saudáveis. esse processo tem sido problematizado com maior ênfase por estudiosos da área. estavam dispensados: os maiores de 30 anos. integrada à proposta pedagógica da escola. Primeiramente. é componente curricular da educação básica. A educação física. morais.3º. Que estiver prestando serviço militar inicial ou que. tendo como referência a aptidão física dos educandos. 9.044. estiver obrigado à prática da educação física. a vivência dessa prática cultural nas aulas de Educação Física: a preocupação com o resultado. por meio do Decreto n. incorporando a seguinte redação: Art. em seu art. que estabeleceu. É importante destacar que a legislação federal. . os portadores de qualquer “anomalia”. integrada à proposta pedagógica da escola. 10.394. a referência às regras universais de cada modalidade. é componente curricular obrigatório da educação básica. Algumas dessas discussões foram contempladas pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB) n. pela Lei n. que. a otimização da vitória. tendo em vista a reconstrução de sua proposta pedagógica. concebia a Educação Física como “atividade. as mulheres com prole. por meio da Lei n. 26: “A Educação Física. a Educação Física. cívicas. ampliaram-se as discussões sobre o lugar ocupado pela Educação Física na escola. Na década de 80. 10. por seus meios. 69. desperta. 1996). incluindo o termo obrigatório. preferencialmente os que apresentassem potencial para se tornar atletas ou incorporar-se às forças armadas. dentre outros (dispensas que. como veremos logo adiante). 1971). A partir da década de 90.328. constituindo um dos fatores básicos da educação nacional” (BRASIL. ajustando-se às faixas etárias e às necessidades da população escolar. processos e técnicas. lamentavelmente.450 (vigente de 1971 a 1996). de 21 de outubro de 1969. a exacerbação da competição são alguns exemplos.esportes de alto rendimento orientassem. Amparado pelo Decreto-Lei n. em sintonia com a luta dos movimentos sociais pela democracia e com a renovação pedagógica que aflorava no Brasil. 1. desenvolve e aprimora forças físicas.

e passa a ser considerada como área do conhecimento. entre si e outros sujeitos. os PCNs reafirmam o direito de crianças.Essa alteração da LDB merece reflexão. ao incluir a Educação Física em todos os turnos de ensino da educação básica (eliminando. que não trabalham. e não privilégio dos considerados jovens. portanto. (BRASIL. Razões que Justificam o Ensino da Educação Física na Escola O processo de reconstrução da Educação Física tem como desafio contribuir com uma educação compreendida como um processo de formação humana que valoriza não só o domínio de conhecimentos. Um processo integral de formação humana que. ter horário garantido na grade curricular do turno e não ser utilizada como “moeda de troca” na negociação para que os alunos se comportem durante as outras aulas. na visão de Neidson Rodrigues (2001 p. as Diretrizes Curriculares Nacionais. independentemente da condição física e da idade. perceber e compreender as coisas. a discriminação de estudantes dos cursos noturnos). 243). sejam intelectuais ou motoras. afetos e emoções. com isso. receber o mesmo tratamento dispensado aos demais componentes curriculares como. retrocede ao prescrito na antiga LDB. abandonando o entendimento de ser mera atividade destituída de intencionalidade educativa (como na legislação de 1971). p. menores de 30 anos. Atua sobre os meios para a reprodução da vida – sua dimensão mais visível e prática – bem como coopera para estender a aptidão do homem para olhar. para se reconhecer na percepção do outro. adolescentes e jovens às práticas corporais de movimentos. ao se fundamentar no pressuposto de que esse componente curricular é essencial apenas para os alunos e alunas saudáveis. atribuem à Educação Física valor igual ao dos demais componentes curriculares. “com finalidades de lazer. contradizendo a atual legislação. de outro. 1997. recuperação e manutenção da saúde”. e com possibilidades de promoção. mas também a formação estética. 3. avança. mas também comporta um retrocesso. Se. A Educação Física na escola constitui direito de todos. expressão de sentimentos. competências e habilidades. política e ética dos educandos. Consideramos esse dispositivo legal já completamente ultrapassado e sem fundamento. A Educação Física deve. hábeis e produtivos. de um lado. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) também concebem a Educação Física como componente curricular responsável por introduzir os indivíduos no universo da cultura corporal que contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento. 27) Na perspectiva de uma educação inclusiva. por exemplo. sem filhos. Além da LDB de 1996. construir sua própria identidade. distinguir as semelhanças e diferenças entre si e o mundo das coisas. pois contém um avanço. estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação para a educação básica. 15 .

suas limitações. a arte. seus conceitos. aprender a viver. na organização dos espaços e tempos escolares. a Educação Física está comprometida com a construção de uma escola como tempo e espaço de vivência sociocultural. nas filas. nos conteúdos e metodologias de ensino. dança. da comunicação e de intercomunicação. dentro da escola. sentidos e significados são conteúdos legítimos a serem problematizados em todos os níveis da educação básica. na perspectiva de superá-las. à luz da proposta da Unesco para a educação no século XXI. dentre outros. cabendo-lhe assegurar aos alunos acesso aos bens culturais. a estética. a identidade. e sim daqueles que se apresentam na forma de esporte. aprender a conviver. 4. de superação ou de reconhecimento de limites. e suas potencialidades. muitas vezes ocultas – por exemplo. movimentos expressivos. Todavia. aprender a ser. A escola. sejam elas materiais. de expansão do prazer e outras. Nesse contexto. que é ainda enfatizado no contexto escolar tradicional e busca estratégias para considerar a corporeidade como elemento da formação humana. nas formas de movimentar-se. com o outro e com o meio ambiente. porque é ela que materializa nossa existência no mundo. articulada com outras práticas. ou psíquicas. Como área do conhecimento. aprendizado de saberes e desenvolvimento do sujeito. a Educação Física é desafiada a propiciar ao aluno oportunidades de: • Aprender a conhecer e a perceber. ginástica. dentre outros. assim pensada. nos regulamentos. Essas vivências. o sentimento. de forma permanente e contínua. e de conhecimento das necessidades humanas. a Educação Física deve tratar das práticas corporais construídas ao longo dos tempos. permitiu-nos redimensionar suas finalidades a partir de quatro pilares: aprender a conhecer e a perceber.A educação envolve todo esse instrumental de formas de percepção do mundo. valorizando o conhecimento. extrapola o âmbito da atividade intelectual. E propõe-se a prover as formas de superação dessas necessidades. • 16 . de maneira autônoma e responsável. Aprender a conviver consigo. não se trata de qualquer prática ou movimento. a emoção e as múltiplas linguagens. brincadeiras. aos conhecimentos que garantam autonomia em relação ao seu corpo e ao exercício da cidadania. nos livros didáticos e eventos comemorativos. jogos. nas formas de assentar-se. Concebida como parte intrínseca dessa educação. Finalidades da Educação Física Discutir a importância da Educação Física. A educação corporal envolve todas as áreas do conhecimento e está. no sentido de desenvolvê-las. seu corpo. de autoconhecimento. considerando a pluralidade das potencialidades humanas. É importante lembrar que o trabalho educativo do corpo não é exclusivo da Educação Física.

sensível. a articular seus interesses e pontos de vista com os dos demais: Apreende o conhecimento sobre si. A ludicidade como essência da vivência corporal. de forma lúdica. crítico. Aguça sua curiosidade e seu espírito investigativo. iremos discutir alguns princípios que julgamos fundamentais para orientar as ações educativas e os processos de tomada de decisões dos educadores. promoção e manutenção da saúde. sobretudo. dependente e agente transformador do meio ambiente. 17 . criativo.É por meio de vivências corporais e interações sociais éticas que o sujeito: • • • • • • • • • Apropria-se de conhecimentos sobre o corpo e suas práticas. Amplia sua capacidade de escutar e dialogar. 5. o compromisso com uma Educação Física voltada para a formação cidadã dos alunos deve ser orientado. Diretrizes para o Ensino da Educação Física Com base nas reflexões anteriores sobre Educação e Educação Física. tanto das diretrizes curriculares nacionais para o Ensino Fundamental e Médio como das diretrizes curriculares propostas para a formação de professores da educação básica. A qualidade de vida como requisito para a vivência corporal plena. A ética e a estética como princípios norteadores da formação humana. competente. o imprevisível e o diferente. Aprende. A democracia como fundamento do exercício da cidadania. em especial no que se refere à Educação Física nas Séries Finais do Ensino Fundamental. pelas seguintes diretrizes: • • • • • • • Corpo concebido na sua totalidade. tendo em vista a qualidade de vida. sobre o outro e sobre o mundo. nos eixos norteadores. As práticas corporais como linguagem. Percebe-se como integrante responsável. Aprende a ser cidadão consciente. gradativamente. desenvolve sua identidade. responsável. A escolarização como tempo de vivência de direitos. Assim. de trabalhar em equipe. na perspectiva de sua preservação. autônomo. Aprende a viver plenamente sua corporeidade. Educa-se para o lazer. de conviver com o incerto.

ginástica. é construído ao longo da vida. O corpo não é. tem sido predominante. ao tratar das questões relativas à corporeidade. histórica. lingüística. afetiva. Essa visão. qual a fatia do bolo lhe pertence. o homem. cultural e social. estética. sendo. jogos e brincadeiras. dança e movimentos expressivos). movido pela curiosidade de saber quem ele é. assim. sente e age. ele é também uma construção sociocultural e política.O Corpo Concebido na sua Totalidade Desde a Antigüidade Clássica. Significa compreender que o ser humano é um todo indivisível que pensa. Compreender o corpo como totalidade significa conceber o sujeito a partir da indissociabilidade de suas dimensões biológica. de onde veio e para onde vai. 2004). pensar e fazer. intelectual e manual. O nosso corpo revela nossa singularidade e caracteriza nosso grupo cultural. cognitiva. cabe a essa disciplina estudar e problematizar conhecimentos sobre o corpo e suas manifestações produzidas em nossa cultura (esporte. concretizada nos binômios corpo e mente. com o outro. tendo em vista a busca da qualidade de vida e a sua vivência plena. nas relações desses sujeitos consigo mesmos. em todas as suas dimensões. tem sido desafiado a conhecer a si mesmo. sobretudo. Entretanto. Em outras palavras. a qualidade de vida. Assim. cada vez mais. entendida como ausência de doença. falar em qualidade de vida implica pensar. na dignidade humana. Como dito anteriormente. as concepções que os seres humanos desenvolvem a respeito de seu corpo e da forma de se comportar corporalmente estão condicionadas a fatores sociais e culturais. simultaneamente. considerada na perspectiva do corpo totalidade. Como produto e produtor de cultura. suporte de signos sociais contraditórios (ALVES. no contexto educacional. lúdica. Ao longo da história da humanidade. Isso. dentre outras. e sim uma construção social resultante de significativos processos históricos. que o divide em duas dimensões – corpo e alma -. é o estado de bem-estar geral dos sujeitos. A Qualidade de vida como Requisito para a Vivência Corporal Plena É comum pensar a qualidade de vida apenas na perspectiva da saúde. tem influenciado várias dimensões da vida humana e. cultural. é preciso compreender que a forma como os sujeitos lidam com o corpo não é universal. contribuído para a fragmentação do currículo escolar em disciplinas. a Educação Física precisa compreender. valorização do cognitivo em detrimento das questões afetivas e motoras. Além de conceber o corpo na sua totalidade. Assim. a concepção dicotômica de homem. 18 . algo que possuímos “naturalmente”. bem como para a desarticulação entre teoria e prática. no caso da educação. com os meios físico.

implica levar em conta diferentes fatores que atuam nas condições de vida dessas pessoas. apreensão. sexo. de temperatura. etc. etc. bem como de suporte social. cultural econômica. destacam-se: movimentos corporais repetitivos. integra princípios. estão incluídos os fatores relacionados ao ambiente físico. como bem-estar. destacamos: limpeza. por sua vez. como os condicionantes das dimensões biológica. à sua estrutura anatômica e fisiológica. de sua determinação. segurança. características étnicas. dentre outras. do seu poder de mobilização e reivindicação. Na dimensão ambiental. hábitos e costumes adquiridos socialmente –. Pensar na qualidade de vida dos sujeitos significa. São exemplos desses fatores o direito de ir e vir e o acesso aos bens culturais. qualidade da água. podendo ser benéficos ou maléficos à saúde. considerar as possibilidades de superar seus limites.). a alimentação.Tais fatores dependem de políticas sociais e também da vontade política do sujeito. moradia. lazer. como saúde (prevenção.por sua vez. portanto. ou seja. degradação ambiental. 19 . nível de poluição sonora e do ar. de sua responsabilidade social. por sua vez. Assim. didaticamente consideradas em separado nesta proposta curricular. a perspectiva da vivência plena de sua corporeidade. ecossistema estável e sustentável (condições climáticas. o descanso adequado. meio de transporte. etc. As dimensões socioeconômica e política envolvem fatores relacionados à justiça e ao respeito mútuo. A dimensão psicológica agrega fatores psíquicos relacionados às emoções. proteção. ambiental. autoconhecimento. destacamos: idade. que deve ser prestado sem exploração e discriminação de qualquer espécie. condicionamento físico. A dimensão espiritual. tanto os naturais como os artificiais (de trabalho. falta de sono e de descanso. compreensão. psicológica. social. educação.). ocupação e renda. aos sentimentos. esporte. alimentação descontrolada. herança genética. às atitudes e capacidades cognitivas do sujeito. A dimensão biológica engloba fatores relativos à condição orgânica do sujeito. a higiene. dentre outros. uso de drogas lícitas e ilícitas. cuidados com o lixo. religiosos e morais: fé. capacidade de atenção. saneamento básico. Dentre outros condicionantes dessa dimensão. estado geral de saúde orgânica. comportamentos. Dentre os estilos de vida geradores de risco à saúde. Dentre outros. fazem parte dos estilos de vida que promovem saúde: a atividade física. o lazer. valores ideológicos. afetividade. percepção. crenças e convicções pessoais. treinamento esportivo precoce. demanda o exercício da cidadania na perspectiva da ética e da estética. auto-estima. de estudo. desenvolver suas potencialidades. participação social (convivência e interações familiares e sociais saudáveis). tratamento e reabilitação). Os fatores da dimensão cultural estão relacionados ao estilo de vida dos sujeitos – comportamentos. que.

assim. de descansar. Para compreendermos os sentidos e os significados do que se fala em cada discurso. constituído nas interlocuções entre sujeitos e deles com o mundo. Entretanto. escritos. interagimos e nos constituímos como identidades individuais e coletivas. a escola precisa também observar diariamente os diferentes discursos pronunciados pelos corpos dos alunos com o intuito de compreender e atender a suas demandas específicas e coletivas (vontade de beber água. Várias são as concepções de linguagem. a quem se fala. explícitas anteriormente. considerando quem fala. Para isso. de ir ao banheiro. Como educadores. como queremos que nossos alunos sejam capazes de ler. interpretar e produzir diversos tipos de textos – gestuais. de levantar-se da carteira. precisamos construir estratégias de ensino que auxiliem nosso aluno a desenvolver suas capacidades de ler. o quê e como se fala. de ser abraçado. produzidos pelos interlocutores em dadas condições de produção (GERALDI. sem nos referirmos à noção de discurso. de interpretar e de produzir diversos textos com seus corpos – jogando. quaisquer que sejam. Os sentidos e os significados são. de modo a compreender os limites e as possibilidades de sua vivência social. a construção de conhecimento é um fato sociocultural concreto. Vale observar que. orais. dançando. em detrimento de outras linguagens que também são 20 . caminhando. 1994). ocupamos espaços. As Práticas Corporais como Linguagem Esse princípio se funda na premissa de que o conhecimento sobre o corpo e vivido no corpo é que nos possibilita compreender a nossa existência no mundo. no contexto educacional. etc. brincando. a linguagem escrita e a oral ainda têm ocupado o centro das intervenções pedagógicas. de comer. precisamos analisar os enunciados a partir de sua condição de produção. pois é por meio dele que construímos significados. virtuais e outros – com senso crítico. porém. com base nesse pressuposto que concebemos as práticas corporais como linguagem. fundadas em sistemas de valores e de comportamentos expressos por meio da comunicação verbal. de movimentar-se. comunicamos. à luz desse conceito de qualidade de vida. onde. argumentativo. principalmente no que tange aos conhecimentos relacionados à vivência corporal. entendemos que a concepção de linguagem como enunciação constitutiva é um caminho importante. Nessa concepção de linguagem.A análise das finalidades da Educação Física. É. demonstra a importância desse componente curricular no contexto escolar. portanto. Não podemos.). estudar os mecanismos da comunicação. quando. gestual e audiovisual.

essas linguagens não podem ficar limitadas a um segundo plano no projeto da escola. a vivência lúdica constitui espaço de inovação e criatividade. das danças. bem como vivenciar. da ginástica. possuem significados para eles. expressar e comunicar suas idéias. enfim. no toque. constituindo-se historicamente como linguagem própria do ser humano. vai-se apropriando e construindo significados. nas inúmeras formas de manifestações corporais. o que implica tomadas de decisão dos participantes na organização da experiência. como essência da vivência corporal dos alunos. por isso. discute o comportamento lúdico como experiência cultural que confere sentido à ação. utilizar diferentes objetos durante os jogos/brincadeiras. além da escrita e da oralidade. Como expressões legítimas dos alunos. deve ocupar um lugar de destaque no trabalho pedagógico. na brincadeira. É uma ação movida pelo desejo e satisfação de quem participa. Tem limites de tempo e de espaço próprios. re-significando-os pela imaginação e criando múltiplas formas de discutir. A Ludicidade como Essência da Vivência Corporal A ludicidade. a partir de escolhas conscientes e autônomas. principalmente nas aulas de Educação Física: brincar de diferentes formas e em diferentes tempos e espaços. realizar algo que promova o bem-estar e a alegria. interpretar e usufruir as produções culturais. a partir de estudos sobre Huizinga. no esporte. o aluno representa a realidade. utilizando símbolos e. 21 . no jogo. Possibilita aos participantes organizar a atividade e construir ou (re)criar coletivamente suas regras. quais sejam: • • • • É uma atividade voluntária. na música. valores e conhecimentos sobre a cultura. Destacando que essa experiência absorve totalmente os que dela participa. assumindo quaisquer responsabilidades sobre elas. levado a sério pelos seus participantes. sua corporeidade. elas precisam ser trabalhadas com a intenção de ampliar as possibilidades do educando de produzir. Nesse sentido. o brincar. Ao brincar.importantes na formação humana. tem como características básicas o prazer e o exercício da liberdade. Pinto (1995). trata o lúdico como divertimento conscientemente tomado como nãosisudo. Nessa perspectiva. ludicamente. ou seja. a escola precisa levar em consideração. nas atividades físicas. limites dados pelos participantes e que. no ritmo. das brincadeiras. dessa forma. autor clássico nesse tema. ou seja. Além disso. Considerando a alegria como essência. construir brinquedos. criar ou alterar as regras dos esportes. Por isso. enfatiza cinco características fundamentais da vivência lúdica. dos jogos. na dramatização. a linguagem do corpo na dança.

criaram. Esses movimentos contribuíram. Comprometida com a busca da eqüidade no acesso a todos os benefícios sociais relativos à promoção da qualidade de vida dos sujeitos. portanto. o tempo de escolarização é o conjunto de tempos e espaços de vivência e de construção permanente da cidadania e dos direitos num tempo presente e. a democracia se expressa também no combate a todas as formas de preconceito e discriminação. qualquer que seja ele é um tempo de preparação para outros tempos. (BELO HORIZONTE. no âmbito da formação educacional. ao possibilitar aos alunos representar. portanto. 1999. É preciso que cada idade seja percebida como sendo um tempo específico de construção da experiência histórica.• Uma atividade que tem a tendência a se tornar permanente. dentre outros. de forma significativa. a vivência lúdica. permitem à criança e ao adolescente viver sua corporeidade e exercer a cidadania de forma plena e prazerosa. Assim. ritmos. A Democracia como Fundamento do Exercício da Cidadania A democracia. no contexto do processo ensino-aprendizagem da Educação Física. pois motiva a repetição do vivido e a formação de hábitos e de grupos com os mesmos interesses culturais. Adotar esse princípio como eixo norteador de ações educativas é. pois. para que a infância e a adolescência deixassem de ser concebidas como tempo de preparação para a vida adulta e passassem a ser entendidas como um tempo de direitos. A Escolarização como Tempo de Vivência de Direitos Os movimentos sociais. materiais para que o aluno se perceba como sujeito de direitos e também de deveres. tanto individuais como coletivos. de forma ética e estética. um novo estatuto para crianças e adolescentes. Assim. após sua vivência. culturas. este 22 . garantidos no presente. também nos momentos de negociação para a solução de conflitos. identidades. culturais. p. sua criatividade. É preciso que a escola garanta condições pedagógicas. em nome de um tempo por vir. Nessa perspectiva. uma possibilidade que os educadores têm para tornar o ensino prazeroso e significativo. assegurar aos alunos a vivência de todas as dimensões de sua vida. representações. Direitos que.28) A educação básica deve. cada idade configura-se num tempo de formação plena de direitos. no presente. criticidade e autonomia. linguagens. (re) interpretar e re-significar a realidade. um tempo que não sacrifica auto-imagens. Nas práticas corporais. É preciso que se rompa com a idéia de que tempo de escola. ao ampliarem a luta pelos direitos. fundamenta-se no reconhecimento dos direitos humanos e no exercício dos direitos e deveres da cidadania. instiga-os a desenvolver.

Escolhe livremente os meios e os objetivos de seu crescimento intelectual. Na perspectiva da educação cidadã.princípio deve ter como premissa básica a garantia de igualdade de oportunidades e de diversidade de tratamentos dos alunos. o imprevisível e o diferente. Em outras palavras. Auxilia os sujeitos a reconhecer e a valorizar a diversidade cultural. a vida social se deteriora. com o outro e com o mundo natural. e a buscar o aprimoramento permanente. a curiosidade pelo inusitado. paixões e emoções. independentemente de suas habilidades e performances nas práticas corporais. Na opinião desse autor. 1998). elementos essenciais para nossa convivência com a incerteza. como a justiça. a humildade. sua própria vida. a qualidade das produções humanas. na opinião de Rodrigues (2001). assumindo a responsabilidade de cuidar de seu corpo. não discriminatória entre homens e mulheres de todas as idades. Sem esses valores. classes sociais. a estética. perder de vista a perspectiva de uma prática pedagógica inclusiva. Nessa perspectiva. O fundamento estético. o respeito mútuo. suas necessidades. valorizando a afetividade e o prazer. estabelecendo uma relação saudável consigo mesmo. de forma racional e equilibrada. a tolerância. o espírito inventivo. etnias. bens ou conhecimentos. alicerça-se. pela autonomia e pelo exercício da liberdade com responsabilidade”. a solidariedade. na sensibilidade humana. seja em serviços. de forma independente. assentase no tripé constituído “pelo permanente reconhecimento da identidade própria e do outro. de maneira que eles compreendam o significado e a importância de outros valores. a cooperação. sobretudo. articulando. O ensino da Educação Física não pode. portanto. A Ética e a Estética como Princípios Norteadores da Formação Humana O fundamento ético da humanidade. o sujeito se torna autônomo e responsável quando é capaz de gerenciar. por sua vez. Controla sua vontade. é importante observar que esses princípios devem nortear a formação humana dos educandos. A estética também promove a crítica a qualquer forma estereotipada e reducionista de expressão humana (MELLO. dentre outros. estabelecendo juízos de valor e assumindo responsabilidade pelas escolhas. 23 . estimula a criatividade. o sujeito autônomo é aquele que: • • • Vive sua corporeidade. bem como as formas de sua conduta na vida social.

O professor decide. é necessário dialogar com • 24 . é essencial não só para conhecer melhor suas necessidades e os interesses e ampliar as possibilidades de construção de novas aprendizagens. é também uma das diretrizes da educação nacional. intervir e mediar todo esse processo. é mediado pela relação professor/aluno/conhecimento. O ensino da Educação Física considera a cultura local. O compromisso da área da Educação Física com a formação cidadã demanda que o processo ensino-aprendizagem seja orientado. fundamentado no reconhecimento do aluno como sujeito do processo educativo. entre eles o seu bom ou mau humor. e considerar a aula como um tempo e espaço intencionalmente organizado. ou seja. (KUNZ. o saber cultural. como nos alerta Elenor Kunz. argumentar e decidir coletivamente as ações. além de ser a essência dos princípios da democracia e da estética. regional – própria de um grupo social –. historicamente acumulado como patrimônio da humanidade. bem como a cultura universal. de acordo com alguns fatores. Precisamos romper com algumas práticas enraizadas no cotidiano escolar. como um processo de construção coletiva. consentir. p. deverá. porque o ensino. Orientações Metodológicas Não se constrói uma nova proposta de Educação Física Escolar por decreto. no cotidiano de nossas aulas.1994. Consideração da diversidade cultural como ponto de partida da educação inclusiva – O reconhecimento da diversidade. pelo menos. A organização de um ‘programa mínimo’ para a Educação Física. Precisamos ter um plano de ação. este princípio valoriza o conhecimento popular como possibilidade de reinventar o mundo cultural. nem objetivos claramente definidos para cada série de ensino. Por isso. o fato de não termos um programa de conteúdos numa hierarquia de complexidade.6. Os sujeitos envolvidos nesse processo precisam estar cientes dos seus objetivos e das diferentes possibilidades de alcançá-los. há de se considerar. ou seja. Nesse sentido. o que ensinar. Este será o nosso ponto de partida. Professores e alunos precisam ouvir. a possibilidade de alterar o planejamento previsto por meio de intervenções criativas e inovadoras que facilitem a aprendizagem dos alunos de maneira prazerosa e significativa. O professor tem a responsabilidade de conduzir.143). Além de prestigiar o saber que o aluno traz consigo como bagagem cultural. conseguir pôr fim à nossa ‘bagunça interna’ enquanto disciplina/atividade escolar. Partimos do pressuposto de que não existem fórmula mágica ou receitas prontas de como ensinar. como também para motivar o seu efetivo envolvimento e participação nas aulas. pelos seguintes princípios metodológicos: • Reconhecimento e valorização das experiências e conhecimentos prévios dos alunos – Esse princípio. sobretudo.

enfim. Só é possível encontrar respostas aos problemas complexos com um pensamento global. por sua vez. compreendendo-as na sua totalidade. Assim. independentemente da classe social. Para tanto. No contexto do ensino da Educação Física.a diversidade cultural e a pluralidade de concepções de mundo. seja no âmbito dos sujeitos (individual e coletivo) seja no âmbito da escola (disciplina curricular no contexto da educação básica). pela sua própria constituição como área do conhecimento multidisciplinar. como uma atividade desprovida de significado e intencionalidade educativa. faz-se necessário problematizar a vivência corporal dos alunos nas brincadeiras. Nessa perspectiva de ensino. denominada por Zabala (2002) de “enfoque globalizador”. demanda a criação de estratégias metodológicas que estimulem o aluno a apreender o conhecimento pelo processo de ação-reflexão-ação. sejam analisados e contextualizados de modo a formar uma rede de significados de modo tal que os alunos possam perceber e compreender sua pertinência. nos esportes. principalmente para a vivência plena de sua corporeidade. esse princípio desafia-nos a desenvolver uma prática pedagógica não discriminatória entre meninos e meninas. ou seja. e passam a ser percebidas como conhecimentos importantes e necessários à formação humana do educando. bem como a relevância de sua aplicação na sua vida pessoal e social. 25 . as práticas corporais deixam de ser vistas como um “fazer pelo fazer”. do grupo étnico e do credo religioso a que pertencem ou do nível de aptidão física ou mental que possuem. nas ginásticas. A Educação Física. esse princípio instiganos a repensar e re-significar nossa prática pedagógica e desafia-nos a superar a desarticulação entre as diferentes disciplinas curriculares e entre esses saberes e a vida cotidiana dos alunos. os conteúdos das disciplinas. ou seja. busca superar a perspectiva disciplinar de organização curricular. imprimindo-lhes sentidos e significados educativos. deixam de ter um fim em si mesmos e se tornam meios para o aluno desenvolver competências e habilidades de que necessita para viver e atuar como cidadão. como discutido anteriormente. Isso. posicionando-se diante das culturas em desvantagem social. lida permanentemente com a relação entre diferentes campos do saber e entre contextos particulares e mais amplos. • Integração teoria-prática – É importante ressaltar que os conhecimentos. nas danças. Essa forma de conceber o ensino. nos jogos. toda sistematização teórica deverá estar articulada com o fazer e todo fazer articulado com a reflexão. em todas as suas manifestações corporais. • Interdisciplinaridade – No contexto do processo educativo. no ensino da Educação Física.

Visita à comunidade. Os métodos e recursos didáticos são possibilidades de qualificar a intervenção profissional no cotidiano das aulas de Educação Física. músicas. dentro e fora da escola. Esse material didático deve ser interessante. jornais. excursões diversas. Assim. O trabalho por projetos é outra alternativa capaz de viabilizar ações coletivas e a interdisciplinaridade no interior da escola. poesias. revistas. Pesquisa. documentários). diplomas. como também a integração desses conhecimentos à realidade dos alunos. palestra. os seguintes recursos didáticos e estratégias de ensino: • Análise de imagens e sons (filmes. propagandas. seminário. Debate com profissionais e atletas convidados. vídeos. júri simulado. os professores poderão utilizar. desenhos. cenários. métodos e recursos didáticos – É imprescindível garantir a articulação entre conteúdos e métodos de ensino. Campeonatos. murais. um posicionamento crítico.Esse enfoque de ensino nos desafia não só a articular as disciplinas entre si. em quem os lê. de textos (livros. Constituindo-se como uma possibilidade de os educadores repensarem os tempos e espaços escolares e a organização do currículo. paródias). certificados. atual e instigador e provocar. Ele precisa estar atento àquilo que está acontecendo à sua volta para relacionar esses acontecimentos 26 . entrevista. Oficina de brinquedos e brincadeiras. Feira e eventos artísticos e culturais. medalhas. pinturas. fotografias. passam a ser meios para ampliar a formação dos alunos e suas possibilidades de intervenção na realidade de forma crítica e criativa. brinquedos. contos. • Articulação coerente entre conteúdos. o trabalho por projetos permite não apenas a construção do conhecimento de forma contextualizada e interdisciplinar. de objetos (troféus. em especial aos espaços de esporte e lazer. dentre outros. na opção didática que se fizer para que o ensino alcance os objetivos propostos. Teatro e cinema. Nessa ótica. dentre outros. os conteúdos das diversas disciplinas. acantonamentos. integrados. Essa prática exige do professor uma postura de pesquisador. histórias. charges. maquetes. fantasias). como professores. crônicas. de tornar o ensino significativo e prazeroso. Essa é uma forma que temos. • • • • • • • Uma possibilidade de utilização desses recursos didáticos são os recortes de revistas e de jornais. flâmulas. mas também a relacioná-las com o cotidiano da vida dos alunos.

Entretanto. é o meio pelo qual alguma ou várias 27 . tem contribuído para que os professores dessa área não avaliem o processo ensino-aprendizagem de forma sistemática. A realidade da maioria das escolas brasileiras exige do professor bom senso e criatividade para adaptar certos conteúdos aos espaços disponíveis. juntamente com os alunos. questionar. no processo educativo. na perspectiva de aprovação ou reprovação. segundo Sacristán (1998). ao longo do processo educativo. É importante que quadras e piscinas. em parceria com os alunos e colegas de trabalho. as quadras. Esse material didático poderá ser elaborado por ele. pátios. Os espaços livres. e. os pátios. aos diálogos interdisciplinares e às possibilidades de reorganização dos tempos educativos. • Aprendizagem continuada – O fato de os sujeitos e de os conhecimentos estarem em constante processo de construção e reconstrução demanda que. jogos e lutas. tornando-o mais significativo. brincadeiras. ginásticas. abertos às experiências teórico-práticas. professores e alunos tenham oportunidade não só de problematizar. avaliar o processo de ensino vivenciado. é importante ressaltar que os conteúdos não podem ser determinados pelo espaço. como tal. por exemplo. Como consolidar esse fazer pedagógico de maneira que se atinjam os objetivos propostos? Essa resposta será uma construção cotidiana de todos os envolvidos no processo educativo. ginásios. rever ações. A avaliação permanente das ações educativas. ao tratar pedagogicamente as práticas corporais. A avaliação. bem como seu aperfeiçoamento pessoal e profissional. mas também de apresentar sugestões e alternativas para reconstrução coletiva da proposta de ensino no que se fizer necessário para melhorá-la. podem ser utilizados tanto para as práticas esportivas como para as danças. auxilia os professores a aprimorar o ensino. laboratórios. tendo em vista a atualização permanente de seus conhecimentos. Cabe aos professores de Educação Física lidar com essas possibilidades e fazer escolhas. • Re-significação da concepção dos espaços e tempos – Os espaços destinados às aulas de Educação Física precisam ser compreendidos pela escola como “salas de aula”. • Avaliação processual e permanente – É preciso que. parques. 7. devem ser respeitados. sejam espaços dinâmicos. dentre outros.com suas aulas. campos. tanto alunos como professores assumam o compromisso de aprender a aprender na perspectiva da educação continuada. Avaliação do Processo Ensino-Aprendizado Historicamente. o fato de a Educação Física ser concebida como atividade e a avaliação escolar estar atrelada à idéia de atribuir nota.

bem como os processos de avaliação. seus limites e potencialidades.). assiduidade. competências. conteúdos. os avanços conquistados. dentre outros). O conhecimento sobre os limites/dificuldades e as 28 . pontualidade. atitudes/valores/comportamentos os alunos precisam desenvolver? Afinal. em primeiro lugar. Nesse cenário. de um ambiente. para a instituição escolar. utilizando-os em ações de realimentação e re-significação das práticas educativas escolares e políticas educacionais. ao longo do processo. • Para que Avaliar? Avalia-se para conhecer os alunos. pelos alunos. de um grupo de estudantes.características do aluno. bem como as dificuldades que precisam ser superadas pelos professores. dentre as quais destacamos: • • • A proposta de ensino da Educação Física (objetivos. da intencionalidade da nossa ação pedagógica: O que o aluno precisa aprender? Que conhecimentos. a metodologia e os recursos utilizados. não só para os alunos como para os professores. Assim. princípios. O nível de aprendizagem/desempenho do aluno (grau de desenvolvimento das competências e habilidades. para planejar o ensino – para detectar. etc. na perspectiva de conhecer suas características e condições. habilidades. o que pretendemos ensinar? Essas perguntas orientam a definição de objetivos. são analisadas por alguém. freqüência. o compromisso com o ensino. pela instituição e pela família. Nessa perspectiva de avaliação. interesse. a avaliação merece atenção especial. nível de participação. O desempenho do professor (competência/habilidade para ensinar. a relação com o aluno. A infra-estrutura física e material da escola. programas. metodologias de ensino. metodologias e recursos de ensino. ou dos materiais educativos. a avaliação está comprometida com o contínuo aprimoramento dos sujeitos e do processo ensino-aprendizagem. professores. suas necessidades e seus interesses. diferentes variáveis precisam ser analisadas. conteúdos de ensino. para diagnosticar se o aluno está aprendendo e se o professor está ensinando de forma adequada. relação com colegas e professores. para emitir um julgamento que seja relevante em termos educacionais. em razão de alguns critérios ou pontos de referência. a família e o sistema social. uma vez que desempenha diversas funções e serve a vários objetivos. Possibilita a criação de uma cultura de responsabilidade pelos resultados. O que Avaliar no Ensino da Educação Física? A resposta a essa pergunta depende.

tendo em vista as intencionalidades das ações pedagógicas estabelecidas em curto. entrevistas escritas e orais (aulas dialogadas com registro). Quando se Deve Avaliar? É fundamental que a avaliação. provas escritas e orais. relatórios. ela serve para selecionar/excluir. Mas quem Avalia? Partindo do pressuposto de que a avaliação é parte intrínseca do processo ensinoaprendizagem. bem como interesses. efetivamente. A partir daí. utilizando diversos instrumentos: observações sistemáticas (registros. todos aqueles que estão comprometidos com a melhoria do ensino da Educação Física. pesquisas. escola. É importante que os professores de Educação Física participem de todas as instâncias de avaliação coletiva. dirigentes. conselhos de pais. colegiados. questionários. fotos. No cotidiano. alunos e professores devem tornar essa prática uma constante. porém. aprovar/reprovar. ao longo de cada aula. Inicialmente. a avaliação pode ser utilizada para classificar/selecionar grupos de alunos para participar de determinados eventos culturais e esportivos. para acompanhar e retroalimentar a trajetória de aprendizagem do aluno. esteja presente ao longo de todo o processo educativo. também. as dificuldades passam a ser ponto de partida para a superação e melhoria do desempenho.). Além dessas funções. opiniões e sugestões que possam contribuir para a melhoria do processo ensinoaprendizagem. Cada um desses instrumentos possui especificidades quanto à sua utilização. os professores devem fazer um diagnóstico para detectar o que os alunos já sabem. auto-avaliação. seminários. Avalia-se. fichas avaliativas). Em outras palavras. 29 . famílias. família possam fazer uma leitura crítica dos seus significados. Como Avaliar? Coletando dados/informações sobre o processo ensino-aprendizagem.competências/potencialidades dos alunos e professores permite tomar decisões que. Nessa lógica de avaliação. alunos. possam promover o aperfeiçoamento pessoal e coletivo. É importante ressaltar que a escola possui instâncias e momentos específicos para que esses sujeitos se posicionem perante o processo de avaliação (conselho de classes. no contexto do ensino da Educação Física. vídeos. todos os que estão envolvidos devem participar de forma crítica e dialogada: alunos. categorizados e analisados de forma tal que professores. a avaliação deverá ser realizada de forma contínua. interpretação de desenhos. os dados precisam ser organizados. Uma vez coletados. avalia-se para verificar em que medida os alunos desenvolveram as competências e as habilidades esperadas. Enfim. o que eles ainda precisam aprender e quais são suas necessidades. para diagnosticar níveis de aprendizagem. testes. preferências. professores. etc. debates. dentre outros. médio e longo prazo. Nesse sentido. comunidade.

ou não. teremos respostas para as seguintes perguntas: • • • • • • O que os alunos aprenderam? Em que nível? O que eles ainda precisam aprender? O que o professor consegui ensinar? O que ele precisa para melhorar sua prática pedagógica? O que precisa ser modificado no processo ensino-aprendizagem? Uma discussão de grande importância para os avaliadores educacionais é a diferença entre os enfoques de medida com referência a normas e com referência a critério. isto é. utiliza-se a avaliação segundo critérios. atitude) previamente estabelecidos em coerência com os objetivos e princípios norteadores da proposta pedagógica da escola. Já os instrumentos de medida com referência a critério são utilizados quando queremos estimar o nível de desempenho do indivíduo em relação às suas potencialidades ou a algum critério padronizado (padrão de conhecimento. A utilização de um enfoque ou de outro vai depender dos objetivos propostos para a sua avaliação. bom. se o objetivo é identificar o aluno mais veloz da turma. Esse conjunto de informações subsidiará a tomada de decisão do professor sobre a aprendizagem do aluno e do redimensionamento. conduta. Nesse caso. 30 . Assim. o grupo é o referencial. de suas ações pedagógicas. conduta. o diagnóstico inicial é utilizado como critério. apto/inapto) sobre o nível de aprendizagem/desempenho dos alunos e também dos professores. regular. utilizam-se medidas com referência a normas. podemos dizer que os instrumentos de medida com referência a normas são utilizados para selecionar alguns indivíduos de determinado grupo ou para classificá-los em ordem crescente de desempenho. O exemplo clássico é a formação de equipes por turma para a participação em competições. Esse critério está associado à exclusão dos “menos habilidosos”. baixo/alto. aprovado/reprovado. ponto de partida para verificar os avanços conquistados. habilidade esperado). o nível de aprendizagem de cada aluno é comparado a seu próprio índice inicial. entretanto. Caracterizando esses dois enfoques. para detectar quem são os melhores. rápido/lento. Nesse caso. Esses critérios permitirão fazer um julgamento de valor (ótimo. se a intenção é verificar quanto o aluno melhorou em relação ao seu próprio desempenho inicial. de critérios (padrões de desempenho. ruim. Nesse enfoque em que os desempenhos dos alunos são comparados entre si. Numa aula de Educação Física.A análise dos dados deve ser feita à luz de referenciais.

a estruturação do Conteúdo Básico Comum (CBC) conteúdos relevantes e necessários ao desenvolvimento das competências e habilidades consideradas imprescindíveis aos alunos em cada nível de ensino e que. necessidades e avanços no processo educativo sejam identificados na perspectiva de seu redimensionamento e melhoria da sua qualidade. currículo é compreendido como um conjunto de experiências organizadas sistematicamente em dada realidade concreta. que ela entenda e conceba o ensino como tempo e espaço nos quais os alunos adquirem e desenvolvem competências e habilidades. por sua vez. portanto. Segundo Zabala (1998). Para enriquecer os CBCs. obrigatoriamente. está relacionada ao saber fazer. Em consonância com a LDB e os princípios norteadores dessa proposta. Conteúdo Curricular O processo de construção coletiva dessa proposta apontou para a necessidade da discussão sobre currículo como forma de embasar as decisões a serem tomadas em relação ao ensino da Educação Física. competência é a capacidade de o sujeito mobilizar saberes. conhecimentos. principalmente. destinado à formação de sujeitos autônomos. Habilidade. para que a educação escolar cumpra sua função humanizadora. ensinados em todas as escolas da rede estadual de ensino de Minas Gerais. capazes de intervir na realidade e transformá-la segundo a ética democrática. devem ser. habilidades e atitudes para resolver problemas e tomar decisões adequadas. a Secretaria Estadual da Educação definiu. 31 . observadas as condições da escola e as características locais e regionais da comunidade onde está inserida. No que tange à estrutura organizacional dos conteúdos da disciplina de Educação Física ao longo da Educação Básica. a partir das orientações da LDB. Essa concepção supera a tradicional compreensão de currículo como rol de disciplinas que compõem um curso ou relação de temas que constituem uma disciplina. Entretanto.O que Fazer com os Resultados? Os resultados precisam ser compartilhados com todos os envolvidos com o ensino para que os limites. cada escola deverá definir também os conteúdos complementares para atender às necessidades e aos interesses dos alunos. não basta apenas que a escola defina os CBCs e os conteúdos complementares. historicamente situada. mas.

Desse modo. São exemplos desses conteúdos os conceitos de corpo. tendo em vista a consciência da atuação e a utilização deles em contextos diferenciados. Zabala (1998) também nos ajuda a ampliar nossa compreensão sobre os conteúdos de ensino ao discutir suas três naturezas: procedimental. São informações e fundamentos básicos para a aprendizagem dos porquês. aprende-se uma atitude quando a pessoa pensa. técnica. tornando-os significativos. assim. sente e atua de forma coerente diante uma situação concreta. Por isso. escrever. tática. atitudes (predisposições relativamente estáveis para atuar de determinada maneira) e normas (padrões ou regras de comportamento segundo determinado grupo social). qualidade de vida e beleza. sempre podemos ampliar ou aprofundar saberes. Ao contrário. intervindo nessa realidade de forma crítica e criativa. evoluem historicamente com o avanço nas construções de saberes de cada área de conhecimento. Exemplos: respeito ao colega. compreensão. desenhar. saúde. adoção de hábitos saudáveis.Assim. dos limites e possibilidades das vivências corporais. solidariedade. esporte. quando adotamos a discussão dos conteúdos considerando suas três naturezas. é por meio dos conteúdos e do tratamento dado a eles que ocorre a construção e o desenvolvimento das competências. estamos compreendendo esses conteúdos como meios de instrumentalizar os alunos para resolver problemas e tomar decisões acertadas ao longo da vida. A aprendizagem desses conteúdos implica. da importância. dentre outras. • Conceitual: conteúdos relacionados a conceitos ou idéias-chave presentes na base da construção da identidade das ações pedagógicas. dançar. a realização de ações e a reflexão sobre a atividade. os conteúdos das disciplinas deixam de ter um fim em si mesmos e tornam meio para o aluno desenvolver competências e habilidades de que necessita para viver e atuar como cidadão em um mundo globalizado e complexo. fazer exercício físico. análise ou avaliação de uma situação. sem desarticulá-las. ler. cooperação. Em outras palavras. estamos superando a compreensão de conteúdos curriculares como mera listagem de atividades com um fim em si mesmas. A aprendizagem desses conteúdos não se mostra apenas quando o educando repete a definição do conceito. 32 . Assim. • Esses conteúdos são configurados pelos componentes cognitivos (conhecimentos e crenças). atitudinal e conceitual: • Procedimental: conteúdos que se referem aos fazeres/vivências das diferentes práticas educativas: jogar. mas quando é capaz de utilizá-lo para a interpretação. exposição. Os conceitos são dinâmicos. autonomia. afetivos (sentimentos e preferências) e de conduta (ações e intenções). organismo. Atitudinal: conteúdos relacionados à aprendizagem de valores (princípios ou idéias éticas).

pela explosão das novas tecnologias da informação e comunicação. por isso deverão ser contemplados em todos os eixos temáticos. Certamente. seus respectivos temas. das condições oferecidas pela escola. os quais. são apresentadas algumas sugestões. fruto da modernidade e das relações que se estabeleceram entre o tempo de trabalho e o tempo do nãotrabalho. a saber: esporte. O advento da industrialização provocou várias mudanças nas sociedades. dança e movimentos expressivos. As cidades se urbanizaram e o tempo passou a ser controlado pelo relógio. 1987. Grosso modo. Dessa forma. pela exacerbação do individualismo e competitividade. por sua vez. consideram-no como um fenômeno. é importante destacar que muitos autores . podemos considerar que.Nos CBCs da Educação Física. jogos e brincadeiras. além do fim de semana remunerado e o direito às férias. A concepção de corpo que permeia esta proposta foi discutida nesta proposta curricular. daqueles que forem considerados importantes. a partir da análise das características da comunidade local e regional. uma grande parcela de trabalhadores no setor informal e o número de 33 . os efeitos da globalização (ou melhor. percebidos pela velocidade das mensagens veiculadas pela mídia. consumindo boa parte do seu dia. Cada tópico é entendido como a menor unidade de ensino a ser trabalhada em sala de aula. A seguir. os trabalhadores do mundo inteiro reivindicaram a redução na jornada para que o tempo do lazer pudesse ser ampliado. Presenciamos. os trabalhadores conquistaram o direito de realizá-lo em 40 horas semanais em vários países. dentre outros-. se desdobram em tópicos. 2003). o tempo do trabalho e o do descanso se misturavam. têm provocado mudanças no contexto social e também uma crise nas relações de trabalho. Mascarenhas. nas sociedades de características agrárias e rurais. tendo em vista as competências e as habilidades que se deseja desenvolver. principalmente. Cada um desses eixos temáticos é constituído por uma rede de conhecimentos denominada temas. 2003. ainda.Marcellino. Sobre lazer. Além disso. 2003. antes da Revolução Industrial. sendo este último quase sempre privilégio das elites e dos intelectuais (GOMES. Entretanto. Melo e Alves Jr. O trabalho tornou-se a dimensão mais importante na vida dos sujeitos. Vale ressaltar que Corpo e Lazer são conhecimentos estruturadores da área. da carga horária e. da “ocidentalização” do mundo). subtemas/tópicos e habilidades. que deverão ser desenvolvidos como Conteúdo Básico Comum (CBC) no Ensino Fundamental. ou seja. estão apresentados os eixos temáticos. no sentido de contribuir com a escola na definição dos conteúdos complementares. das necessidades e dos interesses dos alunos. os conteúdos de ensino que estruturam e identificam essa área de conhecimento como componente curricular são denominados eixos temáticos. ginástica.

as atividades de lazer podem ser classificadas em: • Interesses culturais físico-esportivos (futebol. dentre tantos outros). freqüentemente.desempregados. tênis de mesa. após se livrar das obrigações com o trabalho. o lazer vem ganhando destaque e. quadrilhas. vidros e latas. aliadas à sedução das propagandas. sendo que o estresse já é considerado a doença do século XXI. ciclismo. ou sua livre capacidade criadora. induzindo o trabalhador a comprar até aquilo de que não necessita. enduro. peteca. tem se tornado urgente a preocupação com a qualidade de vida das pessoas. Interesses culturais artísticos e manuais (música. capoeira. saltos. handebol. ginástica de academia. como conquista de um tempo para a vivência do lazer. pintura. sociólogo francês que esteve no Brasil na década de 70. caminhadas. atualmente. quadrilhas. de descanso. voleibol. desenho. este debate deve ser realizado com os alunos e alunas para que percebam a importância do lazer em suas vidas. futvolei. divertimento e desenvolvimento pessoal. bocha. tem feito com que o lazer seja a primeira “gordurinha” a ser cortada em seus orçamentos. Além disso. o conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode se entregar de livre vontade. Desse modo. Assim. “sobra” para o trabalhador vivenciar em seus momentos de lazer a apreciação dos programas de televisão. brincadeiras. A conquista pelo tempo liberado do trabalho não tem se efetivado. recrear-se e entreter-se ou ainda para desenvolver sua formação desinteressada. seja para repousar. sua participação social voluntária. o lazer torna-se uma dimensão tão importante quanto o trabalho na vida dos sujeitos. escultura. atletismo: corridas. futsal. em nosso país. Uma outra grande contribuição foi a categorização das atividades do lazer. macroginástica. Joffre Dumazedier (1973). reciclagem com papéis. principalmente pelas camadas populares. As baixas remunerações e a dificuldade que os trabalhadores encontram para verem resolvidas suas necessidades básicas. Nesse contexto. Portanto. o lazer responde às necessidades. seja para divertir-se. afirma que lazer é. convivemos com novas possibilidades de trabalho e tem sido cada vez mais comum encontrarmos sujeitos envolvidos em 12. esportes radicais. hidroginástica. arremessos. Para este autor. é assustador. tem sido foco de debates. A partir desse entendimento. • 34 . família e sociais. veículo que se torna um instrumento eficaz ao agir com sutileza e eficiência na sedução do sujeito. no século passado. condicionamento físico. 14 até16 horas de jornada por dia. Segundo ele. dobraduras. natação. papel marché. inclusive em relação às políticas públicas. do indivíduo. dança. ginástica. basquetebol. arte carnavalesca.

como traço definidor. hobbys caseiros. acampamentos. sociólogo que foi aluno de Dumazedier. oficinas de papel. jardinagem. passeio ecológico.pelo menos fundamentalmente. festas populares. de artes plásticas e de teatro. colônia de férias. eco-arte. parques temáticos. escolinhas de atividade física e saúde. salas de bate-papo. Luís Otávio Camargo. Não se busca. esportes da natureza. O importante. Influenciada pela globalização e o avanço tecnológico. palavras cruzadas. cuidados com animais. amplia a sua compreensão afirmando que o lazer é. tevês a cabo. artes circenses. consertos caseiros. pipas. filmes. gravura. vídeo. arranjos florais. apresentado por Dumazedier. clube da amizade. • Interesses culturais intelectuais (aqui se pode pensar nos estudos sobre determinado assunto. Também a categorização apresentada por ele vem sendo problematizada. excursões no parque. maquiagem. astronomia. brinquedoteca. 35 .A disponibilidade de tempo significa possibilidade de opção pela atividade prática ou contemplativa. shows. mais recentemente. corte e costura. escolinhas de esporte. jornal. origami. cinema. conto. estádios de futebol. bordados. quadrinhos. videokês. tecelagem. brinquedos populares. revistas. porém. Interesses culturais sociais (competições esportivas. teatro. é inegável sua contribuição nos estudos do lazer em nosso país. mostras ambientais. • A esses interesses. penteados). a cultura – compreendida no seu sentido mais amplo – vivenciada (praticada ou fruída) no tempo disponível. mapa do meu bairro/cidade. bate papos com amigos. pontos turísticos. nas principais praças da cidade. Marcellino (1987). organização esportiva. em 1983. horticultura. bate-papos com especialistas). de teatro. principalmente pelo fato de restringir o fenômeno à prática de atividades e ser colocado em oposição ao trabalho. gincanas. colônias de férias). colagem. viajando no tempo e no álbum de memória do bairro. festivais de música. dominó. lançamentos de vídeos. encontros no coreto da praça. celulares). aniversários comunitários. Nelson C. datas comemorativas. bijuteria. O conceito de lazer. cinema. é o caráter desinteressado dessa vivência. informática. excursões em fábricas e cinemas. máscaras. trilhas. em museus. museu. a teoria do lazer já aponta para os interesses culturais virtuais (internet. de dança. fotografia.dança. de ginástica. damas. pelo simples fato de uma atividade se encaixar em mais de um bloco de interesses culturais. xadrez.outra recompensa além da satisfação provocada pela situação. no Zoológico. piqueniques. poesia. truco. biblioteca. leitura. culinária. cartas a amigos. marionetes. educação ambiental. festivais de truco e outros). videogames. quintais comunitários. hotelaria. bailes. arte digital. recebeu críticas em nosso país. encontros familiares. visitas. culinária. acrescentou os interesses culturais turísticos (caça ao tesouro.

no universo escolar. aliviar o estresse. Fernando Mascarenhas (2001). Marcellino (1987) denuncia as abordagens funcionalistas do lazer presentes nas sociedades capitalistas. Pinto (2003). afirmando serem elas conservadoras. Para Christianne L. que se materializa como um tempo e espaço de vivências lúdicas. afirma ser este “tipicamente moderno. pois é possível vivenciar momentos lúdicos também nessa condição. Segundo Leila M. o conceito de lazer é bastante complexo.S. brincadeira e festa). que no senso comum é entendido apenas como atividades para relaxar. distrair. entretanto. Torna-se fundamental. Para a autora. pois visam à manutenção da ordem social. autonomia. recuperar as forças físicas. direito de todos. perpassado por relações e hegemonia”. Nenhum autor. na coletividade e também na dimensão individual. uma vez que possibilita ao trabalhador suportar a disciplina e a regra. dentre outros. possibilidade de desenvolver a saúde e a qualidade de vida. compensar a insatisfação e alienação provocada pela mecanização das ações profissionais. lazer é “uma dimensão da cultura constituída por meio da vivência lúdica de manifestações culturais em um tempo/espaço conquistado pelo sujeito ou grupo social. discorda que. 36 . promotor do ser humano em si mesmo. o lazer quase sempre é visto como uma “válvula de escape”.Para ele. é saúde e qualidade de vida. os deveres e as obrigações. criatividade. resultante das tensões entre o capital e o trabalho. divertir. Em contraposição ao trabalho. a educação para a vivência do lazer. capazes de provocar mudanças na ordem social. lugar de organização da cultura. lazer é o “espaço privilegiado para a vivência lúdica (jogo. manifestações culturais e ações (atitude) como constituintes do lazer. ganham destaque.M. dentre as atividades possíveis de serem desenvolvidas dentro deste fenômeno. o lazer demanda dois elementos fundamentais: tempo e atitude. sempre em busca da paz e da harmonia social. e sua capacidade de (re)criação e transformação. Gomes (2003). o lazer é muito mais do que isso. Sua perspectiva revolucionária é acentuada diante das características de participação. A autora destaca os elementos tempo. Como se pode perceber. inseridas nas várias sociedades existentes em nosso país. na qual o prazer é a conquista da experiência da liberdade”. O lazer é instrumento de transformação da/na sociedade. criticidade. Para ele. Por isso. o lazer não é contraposição ao trabalho. espaço. as práticas corporais. é responsabilidade da Educação Física ampliar o entendimento dos alunos sobre esse fenômeno. “recarregando as baterias”. É preciso assumir o lazer como cultura. portanto. estabelecendo relações dialéticas com as necessidades. especialmente com o trabalho produtivo”. brinquedo. valendo-se de uma leitura marxista sobre o fenômeno. a formação do individual e do coletivo.

NEVES. Isso. ou mesmo desejar sua total desportivização.54). entre outras. no seu art. na perspectiva da transformação dos valores sociais vigentes. (PIRES. Criticar o esporte não significa desvalorizar a sua aprendizagem. bem como analisar os valores que as orientam. Diante das múltiplas possibilidades de sua difusão. Desse modo. seja como prática corporal propriamente dita seja pelos princípios e valores que expressa e ajuda a consolidar. porém. do tempo e do espaço das aulas de Educação Física como lugar de produção cultural. tende a tornarse ainda mais importante (PIRES. particularmente. competitivismo exacerbado. Ou. Para ser entendido como prática educativa escolar. estabelecer uma “tensão permanente” entre os valores produzidos a partir da escola e aqueles não-escolares. p. espetacularização e consumo simbólico em âmbito global – em decorrência do advento das novas tecnologias a serviço dos meios de comunicação de massa –. ainda. na sociedade contemporânea vem-se constituindo como principal referência. NEVES. Além disso. o esporte precisa. pois esta não se restringe ao domínio de suas técnicas. como chega até mesmo a confundir-se com ele. 217 que prevê que os recursos públicos sejam prioritariamente destinados à promoção do esporte educacional. Desse modo. É importante também que a escola discuta o esporte como um direito garantido na Constituição da Repúplica Federativa do Brasil de 1988. o esporte parece ter-se tornado o conteúdo determinante das aulas tanto no Ensino Fundamental como no Ensino Médio. É uma instituição social que já foi considerada o maior fenômeno cultural do século XX. mas. 2002. não tem acontecido sem que críticas sejam feitas às conseqüências que essa transposição dos sentidos e códigos do esporte de rendimento para o âmbito escolar podem acarretar: tendência ao selecionamento/exclusão. entendido como campo do conhecimento da Educação Física. capaz de sair de seus muros. O esporte.Eixo Temático I Esporte Manifestação específica da cultura de movimento que. 37 . especialização e instrumentalização precoces. 2002). parece não ter sido apenas adotado como seu principal objeto de estudo e intervenção prática. como nos diz Vago (1999). a vivência dessas práticas corporais de movimento na escola encerra dupla alternativa: podemos continuar reforçando maneiras excludentes e preconceituosas de vivenciálas ou apostar no potencial educativo e. ser situado histórica e socialmente e vivenciado criticamente a partir da compreensão de seus fundamentos e da re-significação de seus sentidos e significados. contextualizar a vivência de sua prática nas aulas. sim. ainda segundo esses autores. portanto. é preciso conhecer os benefícios e riscos das diferentes práticas esportivas. num processo referido como esportivização da Educação Física.

A Lei n. democracia. driblar. praticado nos sistemas de ensino e em formas assistemáticas de educação. evitando-se a seletividade. dentre outros valores importantes em nossa sociedade. 38 . poderíamos perguntar ainda: Como determinada modalidade esportiva poderá ser vivenciada e estudada? Que habilidades ela exige e que competências desenvolve? Tomemos o handebol como exemplo.615/1998. conhecido como “par ou ímpar”. E. grifo nosso). estão também presentes nessa prática. construindo com eles outras formas para solucionar o problema consistirá numa experiência rica. a hipercompetitividade de seus praticantes. Observe-se que todos os valores. consideramos que algumas ações metodológicas presentes em nossas aulas precisam ser problematizadas. caracterizando-o nas seguintes manifestações: • Esporte educacional. portanto. e estas com as de outras nações (BRASIL. aqueles menos habilidosos vão jogar menos tempo. com a finalidade de obter resultados e integrar pessoas e comunidades do País. privilegiando a formação de “panelinhas”. o processo de escolha dos times. • Esporte de participação. praticado segundo normas gerais desta Lei e das regras de práticas desportivas. No que tange ao esporte educacional. praticado de modo voluntário. com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer. ética. orientando o seu ensino pelos princípios explicitados nessa legislação e nesta proposta. batizada Lei Pelé. 98. • Esporte de rendimento. formar as equipes para jogar em nossas aulas? Discutir essa questão com os alunos. 9. Na perspectiva do ensino-aprendizagem. lançar. na promoção da saúde e educação e na preservação do meio ambiente. presentes no esporte moderno e na sociedade. por exemplo. então. é imprescindível conhecer e aprender seus fundamentos: passar. além de constituir uma possibilidade para ampliar a compreensão do significado de cidadania. regulariza o esporte em nosso país. Ao assumir o esporte como uma prática educativa. exclui-se a participação dos “menos habilidosos”. Ao escolher os melhores jogadores para selecionar os colegas que irão compor os respectivos times. cabe. ainda. respeito às diferenças. à escola a garantia do acesso dos alunos a esse direito. sendo-lhes negada a possibilidade de aquisição das habilidades necessárias ao jogo. Além de outros saberes. nacionais e internacionais. Resta saber: De que outra maneira poderíamos. se a regra for “o time que vence permanece em quadra”.Vejamos. compreendendo as modalidades desportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a integração dos praticantes na plenitude da vida social. objetivando re-significálas. arremessar.

Para isso. que o aluno entenda as alterações provocadas em seu organismo durante a atividade física. também. O importante é que os alunos possam jogar com prazer e criatividade. Mas. no jogo de 39 . Dependendo de quem joga. essas observações podem instigar as seguintes perguntas: Por que determinado aluno tem 60 batimentos por minuto (bpm) em repouso e outro 80 bpm? O que isso quer dizer? Em termos do sistema cardiovascular. por exemplo. A competição exige técnica apurada: quanto mais eficiente o gesto. na busca de adequação do seu tempo de apresentação. Uma boa estratégia é convidá-los para observar o jogo. O jogo lúdico. o que é um exercício aeróbico e qual a sua importância na vida dos sujeitos constitui conhecimento possível de ser discutido também com a prática do esporte. o processo é mais significativo do que o próprio resultado. devemos levar em consideração o fato de que existem maneiras diferenciadas de fazê-lo. mais eficaz ele será. deverão anotar os batimentos cardíacos em repouso. Após algumas aulas. neste caso. tem provocado mudanças nas regras de quase todos os esportes. dependendo do objetivo que se quer alcançar. Cabe ao professor motivá-los. no intervalo e no final de diferentes jogos. A vivência do jogo permitirá. é imprescindível. para viabilizar o jogo. Isso não significa que. os alunos poderão aprender a medi-la e a analisá-la. por sua vez. que. Tais alterações podem ter repercussão de curto. Como interferir para alterar essa realidade? O grupo poderá propor mudanças no sentido de tornar mais significativa a prática. O exemplo mais recente talvez seja o da televisão. das condições e dos objetivos do jogo. A vivência e o domínio desses fundamentos irão contribuir para que os alunos participem dos jogos com mais confiança em si mesmos e com maior motivação. por exemplo. acrescentando ou excluindo de acordo com a necessidade. Em relação à freqüência cardíaca. de uma forma ou de outra. ainda. médio e longo prazo na vida de cada um deles. não tem essa mesma exigência. que os alunos conheçam suas regras e significados. Saber. A própria história das modalidades esportivas nos mostra como isso vem ocorrendo. o que diferencia uma pessoa com bom condicionamento físico de outra que é sedentária? Quais exercícios melhoram a capacidade cardiovascular? Por que. Quem são os colegas que mais recebem a bola? Por que isso acontece? Quem nunca recebe? Por quê? Em que posição cada jogador se encontra? Como ele se movimenta em quadra para passar/ receber a bola? Como é possível perceber que ele está atento ao jogo? Essas e outras perguntas poderão contribuir para análises sobre a exclusão no esporte. Nem sempre todos eles querem jogar. receber. Outro fato muito comum em nossas aulas diz respeito à participação do aluno no jogo. o grupo tem autonomia para transformar suas regras. Na execução desses fundamentos. pois. extraindo fatos que poderão ser analisados pelo grupo num momento posterior. eles não possam participar da aula.fintar.

criativo. mas não é sisudo. tipo de vestuário e temperatura corporal? São fatos corriqueiros que acontecem diariamente em nossas aulas e que precisam ser problematizados pelos professores. ativamente. Ao defini-los. desinteressada. participa criando e recriando regras. seus respectivos tópicos. Para Callois (1990). Absorve inteiramente o jogador que. materiais e experiências culturais. lugar. a partir da análise das características da comunidade local e regional. isto é. das condições oferecidas pela escola. afirma ser esse um fenômeno anterior à cultura. O jogo cumpre funções sociais. É sério. dos interesses dos alunos.Todo jogo tem regras. e em itálico estão as sugestões de conteúdos complementares.“brinquedo” e “brincadeira” como sinônimos. foram definidos os Conteúdos Básicos Comuns (CBC) relativos a este eixo temático. a freqüência cardíaca dos alunos fica mais elevada do que no de voleibol? Ou. Aquele que desrespeita as regras é considerado um “desmancha-prazeres”. aqueles que os professores considerarem importantes de ministrar. hidratação. autônomo. Eixo Temático II Jogos e Brincadeiras Brincar é uma invenção humana. autor clássico na teoria do jogo. os jogos. será preciso indicar o nível de ensino. traz possibilidades de lidar com os limites como desafios. entendidos como motivações para a vivência lúdica. ação e avaliação coletivas. Os CBCs estão destacados em negrito. a realidade e o presente”. A partir do diálogo estabelecido com os professores neste PDP. o uso do corpo de formas diferentes e conscientes. podem ser categorizados em quatro grupos. a saber: os jogos de aventura. possibilitando a (re)construção de regras. os jogos e as brincadeiras possibilitam o uso de diferentes linguagens verbais e não-verbais. é liberdade. (Coletivos de Autores. 1992). além de elencar as habilidades específicas possíveis de desenvolver em cada prática corporal. pois ele cria ordem e é ordem. aqueles que nos colocam diante 40 . Além disso. “um ato em que sua intencionalidade e curiosidade resultam num processo criativo para modificar. e não como barreiras. principalmente. em situações de jogo. Os jogos e as brincadeiras são ações culturais cuja intencionalidade e curiosidade resultam em um processo lúdico. da carga horária e. imaginariamente. por que determinadas pessoas transpiram muito? Algum aluno teve necessidade de beber água? Qual é a relação entre transpiração. a organização. Huizinga (1980). ainda. diferentes modos de lidar com o tempo. É uma ação voluntária. o imaginário.basquete. pois todos eles sintetizam a vivência do lúdico. Alguns autores consideram os termos “jogo”. Provoca a evasão da vida real para uma esfera temporária de atividade com orientação e espaços próprios. bem como as habilidades básicas que devem ser desenvolvidas. A natureza dos jogos e das brincadeiras não é discriminatória. pois implica o reconhecimento de si e do outro. O importante é vincular esses conhecimentos à vivência dos alunos.

legítima de ser analisada. os jogos de salão. trabalho e lazer. por fim. o imaginário e o faz-de-conta A festa. como o 21. passeios e viagens. dentre outros). a queimada. folclore? Seja qual for a categorização que se dê à capoeira. e. cama elástica. os jogos de raquete. evento. devoção. dança. montanharussa. muitos jogos e brincadeiras têm como objetivo eliminar aqueles jogadores que “erram”. arte. o jogar e o “festar” na escola e nas aulas de Educação Física possibilitam a vivência do caráter lúdico que acompanha tais práticas corporais. vivenciar o brincar. espetáculo. Além disso. ginástica. o tico-tico fuzilado. brincadeira. encontro. o paulistinha. É importante considerar que as brincadeiras. o xadrez. relembrar. um livro. Os jogos e as brincadeiras tornam-se. os jogos de competição (e aqui entram também os de cooperação). os jogos de vertigem. do mistério (um filme. uma festa. Analisar a influência dos jogos eletrônicos. reconstruir. é considerar um importante conteúdo presente na diversificada cultura brasileira. como o pingue-pongue. o paredão. assim. tradição. por isso precisam ser discutidas e re-significadas. O jogo. para além do prazer. É tempo e espaço para a expressão. podem contribuir com determinado projeto de sociedade. diversão. frescobol. são entendidos como instantes de reconhecimento do homem como produtor de história e de cultura. exaltação. por mais “ingênuas” que possam parecer. conhecimentos e histórias. reforçando a exclusão. por isso merecem ser problematizados. oração. dos videogames e dos jogos de computador na vida de jovens e adolescentes é uma importante habilidade a ser desenvolvida por meio deste eixo temático. compreendida e vivenciada. o corta-três. cultura. (os escorregadores. por exemplo. Identificar como os pais. os jogos de carta. não podemos negar que é uma prática corporal viva em nosso país. esporte. espaços educativos de vivência e reflexão dos princípios norteadores desta proposta. da satisfação. saltar). os jogos de fantasia. fruição. reivindicação (ROSA. louras ou homossexuais. os tios e os avós de nossos alunos brincavam poderá contribuir para uma reflexão sobre as mudanças e permanências culturais em nossa sociedade hoje. Por isso mesmo. o rouba-bandeira. os jogos derivados de esportes coletivos. por sua vez. o peruzinho. brincadeira. a brincadeira e a festa. o futebol de prego. nos currículos escolares. Recuperar. 41 . pular. como a dama. é entendida como um fenômeno social que inclui celebração. podemos estar reforçando o racismo e o preconceito. É o que permite ao homem e à sociedade se manterem vivos. aqueles que dão um friozinho na barriga. pois é ela a própria humanidade do homem. que lidam com o simbólico. uma partida de futebol. rebeldia. manifestação.do novo. Jogo. 2002). Quando contamos piadas sobre negros. Também a capoeira pode e deve ser tratada nas escolas. Incluir os jogos e as brincadeiras populares como o bentealtas. luta. carregada de simbologias.

destreza. como manifestação da cultura popular. equilíbrio e coordenação em busca da coreografia e satisfação pessoal. Deverá ser ministrada com o objetivo de combate e de defesa. desenvolvendo. 42 . até os anos 30. “Como vários outros símbolos étnicos de matriz afro-brasileira. a partir da sua vivência e da discussão dos seus conteúdos. ritmo. principalmente os ligados à luta pela emancipação do negro no Brasil escravocrata. à antropologia e à pedagogia.Nesse caso. a capoeira era uma atividade marginal. sob o ponto de vista folclórico. recuperando seu caráter como manifestação cultural. rupturas e conchavos. • Capoeira Dança e Arte – A arte se faz presente através da música. instrumento.” (ESTEVES. literárias e cênicas. Por meio do diálogo corporal. expressão corporal. sobremaneira. criatividade de movimentos. flexibilidade. da criatividade. é um conhecimento que aflora da vivência e da luta das camadas sociais menos favorecidas contra o preconceito racial e discriminação social. à história. dentre outros conteúdos. agilidade. Só a partir dos anos 60. do ritmo. sendo reelaborada cotidianamente num processo contínuo de controvérsias. do canto. 2004). para o desenvolvimento do sujeito em todas as suas dimensões. que encerram a luta de emancipação do negro no Brasil escravocrata. assim como um riquíssimo tema para as artes plásticas. teve seu valor reconhecido como: • Capoeira Luta – Representa a sua origem e sobrevivência através dos tempos na sua forma mais natural. Alguns autores afirmam que. tem-se destacado como um importante referencial para compreender vários aspectos da nossa história. muita coisa mudou. destaca a perspectiva interdisciplinar e a necessária articulação com aportes teóricos vinculados à filosofia. portanto. à Educação Física compreender a riqueza de movimentos e de ritmos que a sustentam e a necessidade de não separá-los de sua história. A capoeira (angola ou regional). com sua inclusão nas escolas públicas e nos espetáculos apontados para turistas. como instrumento de defesa pessoal genuinamente brasileiro. canto. torna-se imprescindível considerar a historicidade presente em seus movimentos. Seus gestos tornaram-se esportivizados e é praticada também nas academias. Desde então. Cabe. A capoeira. Na dança. a capoeira pode contribuir. as aulas deverão ser dirigidas no sentido de aproveitar os movimentos da capoeira. à sociologia.

Na educação especial. desenvolvendo o físico. a dança e a luta também se fazem presentes. a capoeira encontra campo frutífero junto aos deficientes e excepcionais (CAMPOS. possibilite a continuidade da própria luta-jogo-dança. institucionalizada em 1972. a capoeira é uma atividade no qual o jogo. Embora o praticante da capoeira seja definido como um jogador.• Capoeira Esporte – Como modalidade esportiva. traumáticos. técnicos e táticos. numa relação recíproca. • Capoeira Educação – Apresenta-se como um elemento importantíssimo para a formação integral do aluno. Além dessas possibilidades. que não se efetiva num confronto direto. O jogo requer uma constante negociação gestual. Para Falcão et al (2005). quando o jogador é desafiado por golpes imprevisíveis mediados pela ginga. 43 . A dança se expressa no gingado em que o corpo desenha gestos no ar. mas numa constante simulação de ações e reações mediadas pela ginga. cantos e palmas. embalados pelos sons de seus instrumentos. e com isso. influenciando nas mudanças de comportamento. 37-38). A luta remonta às origens da manifestação e expressa por meio de golpes desequilibrantes. Cabe. com “rodas” espalhadas por todos os cantos do País. O jogo e a dança contribuem para a dissimulação da luta. portanto. podendo acertar um golpe. ela mesma deverá ter um enfoque especial para competição. a personalidade. a luta e a dança se interpenetram. o caráter. a capoeira tem sido amplamente vivenciada nos momentos de lazer. estabelecendo-se treinamentos físicos. p. não o faça. pelo Conselho Nacional de Desportos. à Educação Física compreender a riqueza de movimentos e de ritmos que sustentam a capoeira e a necessidade de não separá-los da história e de seu caráter como manifestação cultural. o importante é que o capoeirista. É também uma atividade privilegiada em projetos com cunho social. Nessa luta dissimulada e disfarçada. acrobáticos. proporcionando ainda um autoconhecimento e uma análise crítica das potencialidades e limites. em virtude da sua possibilidade de desenvolver competências e habilidades em crianças e jovens com pouco acesso aos bens culturais. 1990 apud ESTEVES. numa alternância de ataques e defesas. 2003.

compreendida como conquista e responsabilidade individual (SOARES.Eixo Temático III Ginástica Conceituar a ginástica não é uma tarefa simples. a musculação. braços. pensando em emagrecer. segundo seus defensores. “puxam” peso além daquilo que é devido e ficam “bombados”. a ginástica era prescrita como “receita” e “remédio” para todos os males. na Europa oitocentista. e. históricas e culturais dessas práticas. como vimos. até os exercícios físicos. Nesse âmbito. é marcante a influência da indústria cultural em relação à estética que. disseminando determinado padrão de beleza. uma vez que o termo é amplo e abarca uma infinidade de práticas corporais. na busca de um corpo ideal. dentre outras coisas. consideramos a ginástica uma prática cultural. Nas academias. intervalo. É proposta da Educação Física escolar contribuir para que o aluno conheça. tem provocado um verdadeiro culto ao corpo. patrimônio da humanidade. as corridas. sem sistematização. é importante que o ensino da ginástica permita: a liberdade de agir e descobrir formas de movimento individualmente significativas. freqüentam sauna ou compram aparelhos que dão “choquinhos” na barriga. Por isso. É comum a utilização de programas elaborados em outros contextos culturais. para que possa agir autonomamente em relação às suas vivências corporais. como a caminhada. Meninas fazem regimes milagrosos. legítima de ser problematizada e vivenciada nas aulas de Educação Física. Dessa forma. Nesse sentido. tronco e demais segmentos do corpo. seria a suposta aquisição e preservação da saúde. Foi. O estudo e a vivência da Ginástica envolvem o conhecimento sobre as diversas formas de exercitar e conhecer o próprio corpo. Meninos injetam anabolizantes para ficarem musculosos. 1998). conhecer e interpretar o contexto objetivo em que se realizam as atividades e participar nas decisões e soluções apresentadas (KUNZ. experimente e discuta. incluem desde as atividades físicas. as implicações fisiológicas. além da sua mercadorização. como exercícios militares. como a Ginástica Artística. A vantagem de sua prática. adolescentes. criticamente. Rítmica e Aeróbica. uma das primeiras práticas corporais a ser escolarizada. praticadas informalmente. Todas elas têm em comum a “arte de exercitar o corpo”. estão incluídas também as formas mais complexas. 2002). com controle de freqüência. traduzida em exercícios para pernas. sem considerar as necessidades específicas de 44 . os alunos estarão aptos a responder a diferentes questões como: Quais são os benefícios e riscos da ginástica nas suas diversas manifestações? Quais são os objetivos da ginástica? Quais os princípios científicos que fundamentam essas práticas? Atualmente. ainda. muitas delas já esportivizadas. Em suas primeiras sistematizações. praticados regularmente e de forma sistemática.

como árvores. saltar. morro. A experimentação dessas práticas não requer necessariamente o uso de materiais. que engloba movimentos de solo da ginástica artística ou olímpica. Além da ginástica geral. alongar.34): • • • • • Desenvolver atividades que sirvam de estímulo a um autoconhecimento sobre o funcionamento corporal. No ensino da ginástica. quando várias habilidades físicas – flexibilidade. equilíbrio. dentre outras – serão trabalhadas ao mesmo tempo. bastões. e não pela superação do outro. Destacar o efeito emocional dessa vivência é mais importante do que a produção objetiva de destrezas técnicas. 45 . correr. ou da vida. água. então. Desenvolver atividades e vivências com elementos da natureza. bancos. dentre outras. a motivação acontece pela auto-superação. Por não ter uma finalidade competitiva. terra. resistência e coordenação. como prestar atenção nos batimentos cardíacos e na respiração durante a atividade física. As aulas poderão ser organizadas em forma de temas específicos ou. por exemplo. os movimentos isolados (as acrobacias em si)e os exercícios estáticos.seus praticantes como. considerando-se a realidade de nossas escolas e alunos e as opções que ela oferece. rejeitados ou aceitos pelos seus pares. desassociada da sua história e filosofia. rolar. em circuito. a ginástica tem-se tornado a solução. tábuas. suspender. no qual as movimentações de várias lutas são “pinçadas” e coreografadas de forma genérica. transportar. podemos utilizar objetos como pneus. temos também a ginástica acrobática. dentre eles as pirâmides humanas. Essa expressão abarca ações como caminhar. consideramos pertinentes as seguintes recomendações de Kunz (2002. Promover o sentimento do “consegui!” é melhor do que constantes correções na realização das atividades de movimento. Nossos alunos convivem com esses parâmetros e por eles são avaliados. Ela possibilita o desenvolvimento de trabalhos com grupos mistos ou heterogêneos em termos de performance e habilidades. Promover atividades sem que haja constantes comparações entre os colegas. força. cordas. Entretanto. A ginástica geral é uma das possibilidades de trabalho. p. ripas de madeiras. Como parte desse processo de “esculpir o corpo” e adequá-lo a esses padrões. caixotes. o body combat. arcos.

a pensar. penetra no tempo e no espaço. sociais e pessoais produzidos historicamente. Toda dança comporta valores culturais. o diálogo. que o aluno poderia vivenciar e conhecer? A noção do espaço. é uma manifestação da cultura de movimento também importante e relevante em todo o mundo. Não estamos propondo domínio da técnica do jazz. aparecimento de novas bandas e outros). o pagode. conta histórias. Essa relação entre homens e mulheres pode ser repensada em nossa sociedade e. também é outro tema interessante a ser discutido com os alunos. sonhar e brincar com o corpo. social e cultural. o tecno. melodias e harmonias. ensina a sentir. enfim. criando e expandindose neles e com eles. é uma forma de comunicação que. Cabe à Educação Física (re)conhecer outras possibilidades encontradas na dança e em suas mais diversas manifestações populares. O fato de o professor não “saber dançar” não deve ser empecilho para seu ensino. Dançando. a agir e a comunicarse. a lambada. com o belo e a própria vida. O forró. A questão é: o que é comum nas danças? O que as unifica? Quais os elementos presentes. o que essa dança quer dizer? Sofre influência da cultura nova-iorquina. paulatinamente. constrói significados. A dança instiga a percepção dos corpos uns dos outros. como o forró. dentre outras. Essas expressões apresentam-se como alternativas de legitimação da cultura dos alunos. o corpo desenha formas. reconhecimento deles como sujeitos históricos. assim como as demais práticas corporais. Uma questão comum na Educação Física. imersos num contexto sociocultural. o hip-hop. Exemplificando: como podemos tematizar o hip hop em nossas aulas? Como expressão de determinado grupo. a dança em muito poderá contribuir para isso. nestas e em outras danças. por mais agradáveis e belos que possam parecer. o underground. clássico ou moderno. construídos social e culturalmente por nossa sociedade. diz respeito ao preconceito existente em relação aos homens que dançam. talvez. é mais que o piso que 46 . É uma prática que. o rap. por exemplo. Como forma de expressar a vida. denuncia e anuncia. Isso permite àquele que dança uma aproximação com a sensibilidade. deva fazer parte das nossas aulas. o funk. Ignorar essas questões faz da dança mera repetição mecânica dos gestos.Eixo Temático IV Dança e Expressões Rítmicas A dança. a vivência de diferentes ritmos. CDs de forró. e que merece ser problematizada nas aulas. a dança pode promover o desenvolvimento orgânico. Preconceitos enraizados nos modos conservadores de agir e pensar. vem perdendo suas origens e ganhando o “mercado das academias” e o comércio de acessórios próprios (sandálias de couro. dos guetos dos negros. certamente.

Neste caso. A melhor compreensão do ritmo musical é através do movimento corporal. partindo de um tema. por sua vez. pode ser alegre. Já se pode observar maior participação dos homens em danças mais soltas. desviando. Um exemplo são as danças dos grupos de axé music. auxilia na memorização de seqüências. a produção de sons com o próprio corpo. principalmente incentivados pela mídia e indústria cultural. não cabe negar a presença dessas práticas nas aulas. por outro. É possível ocupar esse espaço tomando várias direções. está relacionada ao ritmo. criem e improvisem movimentações/ evoluções. a dramatização. Ele unifica o trabalho do grupo. utilizando níveis diferentes. trazem algumas implicações. por um lado. trecho. Ainda nesse debate. mas não é a única forma. mas. O que a maioria dessas danças. seguindo a mesma seqüência dada pelos grupos musicais e pelo ritmo da música? Como ficam aquelas pessoas que não sabem dançar seguindo o padrão dado? Que outros estilos musicais e danças podem ser ensinados? O que pretendemos ensinar com elas? A abordagem dessas questões poderá partir dos próprios programas que nossos alunos assistem. reproduzidos no interior da escola. Este boom. Tem comprimento. e que o professor seja cuidadoso na seleção de músicas com ritmos e sons desafiadores. sexualizado e banalizado pelos bailarinos e bailarinas dos grupos artísticos. é bem positivo pelo fato de incluir maior número de pessoas. Atualmente. mas ele possui volume e densidade. não perdendo de vista as questões envolvidas na dança e que são exploradas pela mídia. pagodes e sertanejos. como na dança. sozinhos. moderado.serve de apoio. largura e altura. letras e músicas têm provocado na sociedade hoje? Em que elas contribuem para o relacionamento dos homens e das mulheres? Como a mulher é tratada? Que conceitos e preconceitos são transmitidos? Será que todos têm que dançar do mesmo jeito. É importante que os alunos experimentem. porém escolarizá-las sem problematização significa reproduzir todos os valores nelas inerentes. música ou materiais combinados. expressividade e espontaneidade. Podemos criar oportunidades para os alunos vivenciarem a pantomima. 47 . alguns estilos musicais têm provocado uma divulgação das danças. Da mesma forma que a ginástica. A dança é uma rica possibilidade de trabalhar os movimentos expressivos. pois envolve imaginação. Isso tem provocado mudanças na forma de dançar. Não é nossa intenção fazer um discurso moralista. bem como maior exploração dos gestos corporais tanto deles como das mulheres. lento ou sóbrio. o trabalho de improvisação deve ser considerado. A noção de tempo. mas estes modelos de dança. outra questão importante é a propagação de um ideal de corpo erotizado. traz algumas questões que precisam ser problematizadas no universo escolar. das músicas que ouvem e das revistas que lêem.

Conteúdo Básico Comum (CBC) de Educação Física do Ensino Fundamental da 6ª a 9ª série • Os tópicos obrigatórios são numerados em algarismos arábicos • Os tópicos complementares são numerados em algarismos romanos 48 .

3. do material e do espaço. 2.4.1. Conhecer os objetivos das regras de cada modalidade.3. História HABILIDADES 1. 5.2.1. Conhecer a história de cada modalidade esportiva. 6. Aplicar as regras em situações de jogo.3.2. 3. Elementos técnicos básicos 3.2. 2.5.1. Aplicar táticas em situações de jogo. Executar os elementos técnicos básicos de cada modalidade.2. Compreender o esporte como direito social. 6.1. 6.2.1. 2. Identificar os elementos técnicos básicos de cada modalidade. Diferença entre o esporte educacional. 2.Eixo Temático I Esporte TÓPICOS 1. 6. Compreender a possibilidade do esporte como opção de lazer. Diferenciar cooperação e hipercompetitividade no esporte. de rendimento e de participação 49 . Conhecer os riscos presentes em cada modalidade esportiva. Táticas das modalidades esportivas 4. Compreender as diferenças entre os esportes: educacional.1. Modificar as regras de acordo com as necessidades do grupo. Riscos e benefícios da prática esportiva 6. Identificar o lúdico na prática esportiva. 4. 5. Conhecer os benefícios da prática de cada modalidade esportiva. de rendimento e de participação. 4. Regras 5. 4. Aplicar os elementos técnicos básicos de cada modalidade em situações de jogo.3. 6. Conhecer as táticas de cada modalidade.

3. Reconhecer o potencial do esporte no desenvolvimento de atitudes e valores democráticos (solidariedade. 7. Compreender os benefícios do uso de vestuário adequado para a prática esportiva. • Aplicar os fundamentos básicos de cada modalidade em situações de jogo.2. Identificar o vestuário adequado para a prática de cada modalidade esportiva. 9. caminhadas e maratonas VII . • Identificar as práticas esportivas presentes em sua comunidade. Compreender o esporte na perspectiva de inclusão/exclusão dos sujeitos 8. Adotar atitudes éticas em qualquer situação de prática esportiva.3. Compreender as influências históricoculturais na participação da mulher no esporte.3. campeonatos. • Aplicar as regras em situações de jogo. 8. • Identificar os objetivos dos eventos esportivos. 7.Estratégias de jogo IV . respeito. 9.Fundamentos básicos III .7.4. confiança. 7. • Vivenciar os fundamentos básicos de cada modalidade. 8.Eventos: olimpíadas. Reconhecer as possibilidades corporais de pessoas portadoras de necessidades especiais nas práticas esportivas.1. • Conhecer os riscos e benefícios da prática de cada modalidade esportiva. • Identificar os fundamentos básicos de cada modalidade esportiva.Riscos e benefícios V .4.1. autonomia. Hidratação e vestuário nas práticas esportivas 8. 9.2.Regras: significados VI .1. passeios ciclísticos.2. 8. Aplicar os conhecimentos sobre a hidratação durante a atividade esportiva. Compreender o esporte como espaço de respeito às diferenças. liderança). • Conhecer as estratégias básicas de jogo de cada modalidade. • Conhecer as regras de cada modalidade. A inclusão no esporte 9. • Conhecer a história de cada modalidade esportiva.História II .Práticas esportivas vivenciadas na comunidade e em outras culturas 7. Conhecer os efeitos da hidratação no organismo durante as práticas esportivas. A importância do esporte no desenvolvimento de atitudes e valores éticos e democráticos I . • Identificar as diferentes formas de organização de eventos esportivos. 50 . Identificar o esporte como meio de superação de limitações dos sujeitos.

Conhecer a origem dos jogos e brincadeiras. Diferenciar jogos e brincadeiras de cada tema. Identificar os elementos básicos da capoeira. Vivenciar jogos e brincadeiras de cada tema. (Re)criar materiais para a vivência de jogos e brincadeiras.2.4.2. Capoeira. 51 . Jogos de Raquete.Eixo Temático II Jogos e Brincadeiras Temas: Jogos Populares. 10.1. (Re)construir jogos e brincadeiras. 12.1. Jogos Esportivos. Elementos básicos da capoeira 13. Diferenciar a capoeira angola da capoeira regional.1. O brincar na vida dos sujeitos 11. 10. 12. TÓPICOS HABILIDADES 10.3. 11. Origem e história da capoeira 13. 10. Identificar as implicações dos jogos eletrônicos e computadorizados na vida dos sujeitos. Conhecer a origem e a história da capoeira. 10. 10.7.2.6. 11. Compreender a importância das brincadeiras na vida dos sujeitos. 13. 12. (Re) construção de jogos e brincadeiras 11. Vivenciar os elementos básicos da capoeira.2. Identificar valores éticos nos jogos e brincadeiras.5. Jogos de Salão. Identificar os jogos e brincadeiras da comunidade local.3. 10.1. 10. (Re)criar espaços para a vivência de jogos.

1.2. muay thai.Eixo Temático III Ginástica Temas: Ginástica Geral. • Vivenciar jogos e brincadeiras no meio líquido. 16. • Diferenciar as características das modalidades. Alimentação e atividade física VIII – Jogos e brincadeiras aquáticas IX– Jogos de outras culturas X . • Conhecer as características das práticas corporais de outras culturas.1. 15. Movimentos Acrobáticos TÓPICOS 14. lazer e qualidade de vida 17.3. kung fu. Compreender a ginástica como possibilidade para vivência no lazer. Compreender a relação entre exercício físico.1. Conhecer características de cada modalidade de ginástica.Práticas corporais da cultura oriental: caratê. Vivenciar elementos ginásticos de cada modalidade. tae kwon do. dentre outras 52 .5. Ginástica de Solo.Tipos e características XI . • Conhecer jogos e brincadeiras de outras culturas. Compreender a importância da atividade física na prevenção e no tratamento da obesidade. tai chi chuan. Compreender as causas da dor e da fadiga muscular no organismo durante e depois da prática da ginástica. 17. Características da Ginástica 16. crescimento e postura. ioga. 15. Conhecer a história dos temas estudados. Origem e história da Ginástica HABILIDADES 14.4. 16.2. 15. 16. Conhecer os riscos da atividade física mal orientada na adolescência. 16. • Vivenciar exercícios das diferentes modalidades. • Identificar práticas corporais de outras culturas. Compreender a relação entre a alimentação e a prática de atividade física. • Compreender o processo de esportivização das práticas corporais. aikido. 17. 16.1. Compreender os benefícios dos exercícios físicos na promoção da saúde e qualidade de vida. A Ginástica como promotora de saúde.2.

elevar. Articular o gesto com sons e ritmos produzidos pelo próprio corpo.4. espaço.2.5. flexionar. alongar. 53 . dentre outras.1.2. 20.1. Vivenciar o movimento em diferentes ritmos. 21. 19. A diversidade cultural nas danças brasileiras 21. 19. Elementos constitutivos da dança: formas. Criação e improvisação 20. 19. Identificar os elementos constitutivos da dança. Conhecer as possibilidades do corpo na dança: impulsionar. 21. Vivenciar diferentes manifestações culturais da dança. 18. 19. Reconhecer a pluralidade das manifestações culturais na dança em nosso país. Compor pequenas coreografias a partir de temas. 20. Dramatização. contrair. Vivenciar os elementos constitutivos da dança.1. tempo 18. Expressar sentimentos e idéias utilizando as múltiplas linguagens do corpo.2.1.Eixo Temático IV Dança e Movimentos Expressivos Temas: Dança Criativa. relaxar.2. por diferentes objetos e instrumentos musicais. O corpo na dança e nos movimentos expressivos 19. Vivenciar processos de criação e improvisação. 19. materiais ou músicas. dobrar. Reconhecer as possibilidades corporais de pessoas portadoras de necessidades especiais na dança e nos movimentos expressivos.3. Pantomima TÓPICOS HABILIDADES 18.

22.1. Identificar estereótipos na dança. 22. Dança e mídia 22.2. Identificar a influência da mídia nas formas de dançar.

23. Dança como meio de desenvolvimento de valores e atitudes

23.1. Compreender a dança como meio de desenvolvimento de valores e atitudes (afetividade, confiança, criatividade, sensibilidade, respeito às diferenças, inclusão).

24. Dança e relações de gênero

24.1. Identificar a dança como possibilidade de superação de preconceitos. 24.2. Compreender as relações sociais entre homens e mulheres na dança.

XII - Características de cada modalidade de dança XIII - A dança nos eventos escolares: festivais

• Identificar as características das danças e dos movimentos expressivos. • Vivenciar a dança em eventos escolares.

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Conteúdo Básico Comum (CBC) no Ensino de Educação Física do Ensino Médio
• Os tópicos obrigatórios são numerados em algarismos arábicos • Os tópicos complementares são numerados em algarismos romanos

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Eixo Temático I
Esporte
Temas: Handebol, Basquete, Voleibol, Futsal, Atletismo, (Corridas e Saltos), Peteca
TÓPICOS 1. Aprimoramento técnico das modalidades HABILIDADES 1.1. Analisar os elementos técnicos de cada modalidade. 1.2. Vivenciar cada modalidade.

2. Aprimoramento tático das modalidades esportivas

2.1. Aplicar táticas das modalidades em situações de jogo. 2.2. Analisar táticas das modalidades em situações de jogo.

3. Regras

3.1. Analisar regras dos diferentes esportes. 3.2. Alterar regras de acordo com o interesse do grupo, espaços e materiais.

4. Relação entre esporte, saúde, doping e qualidade de vida.

4.1. Explicar as relações entre o esporte, saúde, doping e qualidade de vida. 4.2. Conhecer os efeitos do doping no organismo e seus malefícios para a saúde.

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Conhecer o Estatuto do Torcedor. 6. 5. Compreender 5.2. dança de rua. Compreender o esporte como conteú• Analisar a dança como possibilidade de do do lazer. mulheres na dançao esporte comodireitosocial.3. lazer e consumo ções. lazer e sociedade 19. 5. Identificar a influência da TV nas mudanças de regras dos diferentes esportes.18. lazer e consumo 5. Gênero e sexualidade na dança e movimentos expressivos 5.1. • Analisar a padronização de ritmos e gestos nas danças e suas conseqüências • Compreender a dança como possibilidade para a vivência do lazer Temas complementares 6. Analisar o esporte na perspectiva da in• Analisar a influência da mídia na prática da clusão dança /exclusão de sujeitos.1.7.2. consumo e mídia TÓPICOS 6.6. Relacionar os princípios da competição esportiva com a competição na sociedade capitalista. 5. superação de preconceitos 5. 5. Esporte.4. I . inDança folclórica. 5. Compreender a relação entre mídia. Conhecer o processo de esportivização • Compreender as relações entresuas implicade outras práticas corporais e dança.8. Dança.Aprimoramento das técnicas de cada modalidade • Aperfeiçoar técnicas de cada modalidade 57 . danças nacionais consumo.3. Analisar limites e possibilidades para a • Analisar as relações entre homens e prática esportiva de lazer. Esporte. dústria esportiva e e internacionais. Analisar a influência da mídia nas práticas esportivas.5. Analisar a profissionalização do esporte • Analisar a influência da indústria cultural de danças nasalto rendimento. HABILIDADES 6.

Reconhecer os jogos e brincadeiras como meio de educação para o lazer. Futevôlei. II .Aprimoramento técnico das modalidades • Analisar os elementos técnicos de cada modalidade. Futebol de Campo I .Aprimoramento tático das modalidades esportivas III – Regras Eixo Temático II Jogos e Brincadeiras Temas: Jogos de Rua. • Vivenciar cada modalidade. 7. Jogos de Salão e Capoeira TÓPICOS HABILIDADES 7.Temas Complementares Atletismo (Lançamentos e Corridas: Rústica. • Analisar regras dos diferentes esportes. 7. • Alterar regras de acordo com o interesse do grupo. 7. TÓPICOS HABILIDADES 58 .2. Compreender as implicações da urbanização para o brincar. com Barreiras).1. Compreender as implicações dos avanços tecnológicos para o brincar. Vôlei de Dupla. Conhecer as características do jogo lúdico. • Analisar táticas das modalidades em situações de jogo.3. espaços e materiais.4. • Aplicar táticas das modalidades em situações de jogo. O jogo lúdico 7.

(Re)criar jogos e brincadeiras em função dos sujeitos. Capoeira 9. 9.4.8. 59 . Analisar a esportivização da capoeira.1. Vivenciar jogos e brincadeiras de cada tema. Avaliar a participação coletiva e compartilhada nos jogos e brincadeiras.4. Analisar os aspectos histórico-culturais da capoeira .Jogos aquáticos • Vivenciar jogos e brincadeiras no meio líquido.2. Temas complementares Jogos Aquáticos e de outras Culturas I . Analisar a capoeira como jogo.3. 8. A diversidade cultural dos jogos e brincadeiras 8.2.1. II – Jogos de outras culturas • Analisar a influência dos jogos e brincadeiras de outras culturas em nossa sociedade.3. espaços e materiais. dança e/ou luta. 9. Relacionar os jogos e brincadeiras com a história da humanidade. 8. Aprimorar os elementos técnicos da capoeira. 9. 8. 9. • (Re)criar jogos e brincadeiras no meio líquido.

10.2. 12. Ginástica de Academia. Identificar as diferentes formas de caminhar e seus objetivos: lazer. força. Caminhada 13. Relacionar o conceito de zona-alvo e condicionamento físico. dieta. Conhecer as habilidades físicas básicas: flexibilidade.3. Identificar as alterações que ocorrem no organismo durante e depois da atividade física. Conhecer os cuidados necessários para a realização da caminhada. Compreender os benefícios da caminhada.2 Conhecer características e finalidades de cada modalidade. Balanço calórico 60 . saúde e qualidade de vida. 10. 13. 11. Avaliar a importância da atividade física na prevenção e tratamento da obesidade. balanço calórico e saúde. Relacionar alongamento e flexibilidade. 11. Conhecer a importância do alongamento antes e depois do exercício físico. resistência e coordenação.4. Alongamento e flexibilidade 12. Características e finalidades 11.1. 10. Caminhada TÓPICOS HABILIDADES 10.5. 13.2.3. 12.3. Executar alongamentos para os diferentes grupos musculares. 11. 13. Explicar a diferença entre ginástica.1. Analisar os efeitos dos moderadores de apetite no organismo e suas relações com a atividade física. Compreender a relação entre a atividade física.3.1. 12. Ginástica Localizada. atividade física e exercícios físicos. 12. equilíbrio.Eixo Temático III Ginástica Temas: Ginástica Geral.1. 12.2.

2. II . 15. dentre outras. 61 . ioga.2.14. Analisar os benefícios e riscos das diferentes modalidades de ginástica praticadas em academias e outros espaços. • Aperfeiçoar técnicas das modalidades. 15.3. tai chi chuan. 14. muay thai. Analisar a influência da mídia na prática da ginástica. Ginástica Artística.5. Analisar os padrões de corpo impostos pela cultura. Analisar a influência da mídia na prática da ginástica como lazer. Analisar razões e implicações do uso de anabolizantes para a obtenção do corpo “ideal”. tae kwon do. consumo e mídia 14. Compreender a prática da ginástica como possibilidade para a vivência do lazer. Ginástica. aikido.Práticas corporais da cultura oriental: caratê. 14. Práticas Circenses TÓPICOS HABILIDADES I – Aprimoramento técnico das modalidades • Aprimorar técnicas das modalidades. Temas complementares Ginástica Aeróbica. 14.1. A ginástica e o lazer 15.4. 14. • Vivenciar exercícios das diferentes modalidades.1. kung fu. Analisar as implicações do consumismo nas práticas das modalidades da ginástica.

Criar seqüências coreográficas.Eixo Temático IV Dança e Expressões Rítmicas Temas: Dança Criativa. 17. Vivenciar as danças e movimentos expressivos nos eventos escolares. 16. Desenvolver a capacidade de abstração na criação de temas. Compreender a dança e os movimentos expressivos como parte da história cultural da humanidade. A expressão corporal como linguagem 17.1.3. 62 . 16. 16.4. Exercícios coreográficos 17. Expressar-se corporalmente utilizando os elementos constitutivos da dança. Pantomima TÓPICOS HABILIDADES 16. 17. Aperfeiçoar a vivência dos elementos constitutivos da dança: forma.2.2. Compreender as danças e os movimentos expressivos como possibilidade de expressão individual e coletiva.3. 16. Dramatização. espaço e tempo.1.

Compreender a dança como meio de desenvolvimento de valores e atitudes (afetividade. A diversidade cultural nas danças brasileiras 22.2.3.2. Elementos constitutivos da dança: formas. elevar. inclusão). O corpo na dança e nos movimentos expressivos 19. 19. Reconhecer as possibilidades corporais de pessoas portadoras de necessidades especiais na dança e nos movimentos expressivos. 23. 21.2. Vivenciar os elementos constitutivos da dança. por diferentes objetos e instrumentos musicais. respeito às diferenças. 22. Compor pequenas coreografias a partir de temas. Identificar a influência da mídia nas formas de dançar. 19. tempo HABILIDADES 18. confiança. 22. Vivenciar processos de criação e improvisação. dobrar. sensibilidade. Conhecer as possibilidades do corpo na dança: impulsionar. Criação e improvisação 21. 20. Vivenciar o movimento em diferentes ritmos.1. contrair. Vivenciar diferentes manifestações culturais da dança. Dança como meio de desenvolvimento de valores e atitudes 63 . Identificar os elementos constitutivos da dança. espaço. 19. alongar. 20.TÓPICOS 18.1. materiais ou músicas. Dança e mídia 23. Identificar estereótipos na dança. Reconhecer a pluralidade das manifestações culturais na dança em nosso país.2. 20.1. 19. 21.1.2. criatividade.5. flexionar. Expressar sentimentos e idéias utilizando as múltiplas linguagens do corpo.1.4. 18. Articular o gesto com sons e ritmos produzidos pelo próprio corpo. relaxar. 19. dentre outras.1.

2.Aprimoramento tático das modalidades esportivas • Aplicar táticas das modalidades em situações de jogo. Futebol de Campo. Futevôlei. com Barreiras).Aprimoramento técnico das modalidades • Analisar os elementos técnicos de cada modalidade. Vôlei de Dupla. 24. • Vivenciar a dança em eventos escolares. I . Temas Complementares Atletismo (Lançamentos e Corridas: Rústica.A dança nos eventos escolares: festivais • Identificar as características das danças e dos movimentos expressivos.24. espaços e materiais. III – Regras • Analisar regras dos diferentes esportes. II .1. Identificar a dança como possibilidade de superação de preconceitos. • Analisar táticas das modalidades em situações de jogo.Características de cada modalidade de dança IV . Dança e relações de gênero 24. • Alterar regras de acordo com o interesse do grupo. 64 . • Vivenciar cada modalidade. III . Compreender as relações sociais entre homens e mulheres na dança.

Glaura Vasques de. (Org. .que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional” e dá outras providências.48. O primeiro ciclo de idade de formação. § 3°. 21. Regulamenta o art. Revista do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.83-114.).69-88. BELO HORIZONTE. Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte..394. Lei n. (Org.Noronha. 10. BETTI. v. Caderno Infância. recreação e educação física. 10 ed. 2003. de 20 dez. 1° nov.V. e dá outras providências. Lei n. Belo Horizonte: SEE-MG. BRASIL. . 1999. L. 40 da lei n.V. 1998. Caderno Cedes. ANDRADE.Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). n. investigação e intervenção. v. que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional” e dá outras providências. ASSIS. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e dá outras providências. 2001. Lazer. 1999. 1971. In:WERNECK.Valter. MIRANDA. Altera a redação do art. Prefeitura Municipal. . Educação Corporal voltada para qualidade de vida. ALMEIDA. In: SALGADO. Reinventando o esporte.394 de 20 de dezembro de 1996. Saber docente e prática educativa: construindo uma nova proposta de ensino da Educação Física na escola. Maria Umbelina C. Rio de Janeiro: Record. Formação superior de professores: módulo 6. Admir Soares. Belo Horizonte: SEE-MG. Campinas. Sávio. Mauro. Campinas. 1987. 9. Belo Horizonte: Autêntica. 1/SEE-MG. BRACHT. 65 . Maria Gláucia C. . 26. de 13 de julho de 1990. 1998. A política de esporte na escola no Brasil: a pseudovalorizaçãoda educação física.).540.24. e MIRANDA.. (Org). 2004.069.Veredas. Belo Horizonte.) Educação Física escolar: política. Educação física no Brasil e Argentina. n. 2/SEE-MG. 1968. BRANDÃO. formação superior de professores: módulo 6. Lei n.87-101.Bibliografia ALMEIDA JÚNIOR. 2001. Decreto 69. A janela de vidro: esporte televisão e educação física. Uma leitura antropológica sobre educação física e o lazer. p.793. possibilidades da prática pedagógica. . E. Estatuto da criança e do adolescente. 5. Dissertação (Mestrado em Educação) . 10.21-52. Saber e fazer pedagógicos: acerca da legitimidade da Educação Física como componente curricular. 26 § 3 e o art. 22 da lei n. Campinas: Autores Associados/ CBCE. Carlos Drummond de. p. A constituição das teorias pedagógicas da educação física. Lei n. v. SP: Autores Associados.A construção dos sentidos de corpo na sociedade ocidental. 1961.024. Vitória: Proteoria. 4. Francisco (Org. 92 da lei 9.8. maio 2003.328 de 12 de dezembro de 2001. 2003.450. de 1º de dezembro de 2003. p.67-79. Veredas. p. 1998. Glaura Vasques de. p. BRACHT. ALVES. p. 8. BRACHT. Corpo. Campinas: Papirus. Altera a redação do art.3. C. In: SALGADO. Maria Umbelina C. e a alínea “c” do art. In: CAPARROZ. de 28 nov.Vânia F. G. de 20 de dezembro de 1996. Campinas.

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