P. 1
A formação Histórica do Território Brasileiro

A formação Histórica do Território Brasileiro

5.0

|Views: 6.538|Likes:

More info:

Published by: Nivaldo Ribeiro Jacinto Pereira on Oct 25, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/17/2013

pdf

text

original

E E E F M – Profa. Esther Bandeira Geografia Nivaldo R J Pereira 2011 3º. Ano E.M.

Formação Histórica e Ocupação do Território Brasileiro A expansão marítima comercial (séc. XV e XVI) inaugurou uma nova geografia para o mundo, pois provocou uma verdadeira revolução espacial. A busca de novos produtos para incrementar o comércio (ouro, prata, açúcar, tabaco, algodão e etc.) e da conquista de novas terras se inseriu na necessidade europeia de expansão e ampliação do capital mercantil. A partir desse momento praticamente todos os cantos do mundo foram submetidos às metrópoles europeias da época. A partir da Europa foram impostas funções econômicas (DIT) às novas colônias. Assim sendo, as colônias da América, África e Ásia ficaram com a função de fornecer riquezas (minerais, florestais e agrícolas) e mão de obra às metrópoles, enquanto estas se incumbiam da administração, do comércio e do fornecimento de produtos manufaturados às suas colônias. A Formação Histórica Territorial Brasileira e sua ocupação é resultado da (o)-: - A inserção do Brasil na D.I.T. (fase do capitalismo comercial) Estrutura que estabeleceu uma função para o que hoje corresponde ao território brasileiro, e que através das frentes de expansão econômicas (pau-brasil, cana-de-açúcar, drogas do sertão, mineração, cafeicultura) foi construindo a configuração do território brasileiro; - O Processo de colonização lusa pela qual os portugueses vão se territorializando e desterritorializando as nações indígenas. - Necessidade da Coroa Portuguesa de ocupar de forma permanente a colônia com o intuito de protegê-la das invasões estrangeiras. Características gerais do espaço Pré-colonial: - Espaço pouco modificado (Meio Natural); - Relação de reciprocidade entre homem e a natureza (concepção de natureza como fonte de vida); - Ausência de noção de propriedade privada da terra. A terra não tem valor de troca, constituía apenas um meio de sobrevivência e um local sagrado; - A posse de um determinado território dava-se a partir do uso que a comunidade indígena fazia dele; - Para o índio, nada acontecia por acaso, e os ritos religiosos refletiam a relação mágica que se estabelece entre o homem e a natureza. Os deuses e as explicações obedeciam a essa relação na qual tudo era considerado sagrado. - A geometria da aldeia não refletia apenas uma concepção teórica de mundo, mas uma prática cotidiana de vida igual e comunitária, na qual não existiam exploradores ou explorados, dominantes ou dominados. Primeiros núcleos habitacionais A ocupação do Brasil teve início no século XVI, a partir de sua faixa litorânea com as capitanias hereditárias. Os núcleos litorâneos desenvolveram-se em função da

principalmente em Pernambuco e na Bahia (maior número de engenhos instalados). mão de obra escrava.1532. especialmente a cana-deaçúcar. O Povoamento no Século XVI 1. uso da mão de obra indígena e do escambo. Pau-Brasil (1500-1530): Praticada na fachada litorânea – representou o início da devastação da Mata Atlântica–. apesar das dificuldades com o meio físico.Experiência dos Portugueses (Açores) . Ilhéus -1536. são fundadas as primeiras vilas (Olinda -1535. . voltada para a exportação. litoral nordestino. indicando um vínculo e uma fraca articulação com o interior do território.Aceitação na Europa (caro e raro) . Essa primeira etapa de ocupação territorial foi caracterizada por atividades predatórias voltadas para extração da madeira. Filipéia – 1585 e. fatos que foram compensados pelo preço do açúcar no mercado europeu. solo argiloso e fértil (Massapé). Cana-de-açúcar (séc. em sua maior parte.exploração de produtos extrativos e da produção agrícola. Nossa economia colonial (1500. XVI e XVII) Após a experiência na capitania de São Vicente (SP). à exportação e às necessidades da metrópole portuguesa. devido as condições favoráveis . Posteriormente.latifúndio. O Povoamento e as frentes de Expansão Econômica As atividades econômicas foram fator essencial para a ocupação e expansão territorial brasileira. o governo português concentrou esforços para difusão da produção de cana-de-açúcar. dos altos custos dos meios de transporte e da escassez da mão de obra. da hostilidade dos índios.Plantation : monocultura.Clima litorâneo. foi introduzido na Zona da Mata. exportação (Em 1530 a ocupação através das .1822) girava em torno da produção de gêneros primários voltados. São Vicente.Financiamento pelo capital holandês . Rio de Janeiro – 1565). Santos -1534 e Igaraçú – 1536 dentre outras) e Cidades (Salvador – 1549 . 2.

que exploravam o vale do Amazonas e praticavam o escambo com as tribos indígenas que habitavam suas margens. Pecuária bovina (séc. sementes oleaginosas. XVII e XVIII). povoados. (os animais eram utilizados como força motriz e na alimentação da população) posteriormente foi se interiorizando. Tem . o povoamento da área concentra-se na faixa litorânea. pois a pecuária era extensiva e utilizava pouca mão de obra. Levavam da colônia algodão. XVII) inicialmente praticada na faixa litorânea nos engenhos de açúcar. franceses e holandeses. Portugal vai implementar a colonização e interiorização da região do Amazonas fundando. onde havia diversas aldeias indígenas. para o qual Portugal vai contar com um forte aliado: as Ordens Religiosas Católicas. Interioriza-se até atingir o sertão semiárido nordestino. Do ponto de vista do povoamento ela foi danosa. fortes e feitorias. madeiras e urucu (REIS. As entradas e bandeiras: Ocorreram no Séc. ao adentrarem os rios da região. consistia na coleta de frutos e especiarias como (cravo.sesmarias. aprisionaram e escravizaram indígenas e exterminaram entre 400-500 mil deles. pois despovoou o território. Os bandeirantes penetraram sertão adentro. missões. serviu para que o colonizador tivesse maior conhecimento do território. A colonização portuguesa na Amazônia é marcada pelo combate aos ingleses. sem substituí-los pela população branca. Atividade extrativista. cidades. como forma de demarcar a área como pertencente ao reino português. que vieram com o intuito de pacificar e converter os gentios à Religião Católica e à Coroa portuguesa. 1972. notadamente a partir de São Paulo. O tipo de povoamento foi escasso. consiste na origem do Latifúndio) – Sociedade basicamente rural O desenvolvimento da economia açucareira permitiu ao nordeste manter-se como região hegemônica dentro do território brasileiro. atacaram aldeias. em pontos estratégicos à defesa da área. motivados pela busca de metais preciosos e/ou captura de índios. cacau nativo. fator importante nas futuras penetrações em direção ao oeste. além da linha divisória do Tratado de Tordesilhas. os vales superior e médio do São Francisco. canela e outras) destinadas à Metrópole. 4. Drogas do Sertão (séc. 5. XVII e XVIII. Entretanto. foram movimentos de penetração para o interior. irlandeses. vilas. não necessariamente nessa ordem. com baixa densidade demográfica. As missões religiosas tiveram importante papel na expansão da presença dos portugueses na região pois. exercida na Amazônia. O Povoamento nos séculos XVII e XVIII 3. p. que mais tarde se converteram em vilas e cidades. Contribui para expansão dos domínios territoriais português na colônia. às margens dos grandes rios. Desenvolvida como atividade acessória dada a necessidade de abastecer a população residente no litoral. 19). Objetivavam o escambo mais também a apropriação da terra e o estabelecimento de núcleos populacionais a exemplo das feitorias de Orange e Nassau nas margens do rio Xingu. Grajaú e Itapecuru. fundaram as margens destes pequenos núcleos habitacionais e fortificações. atingi o Piauí pelo rio Parnaíba e o Maranhão pelos rios Mearim. A adesão dos nativos à bandeira portuguesa também fazia parte desse projeto de colonização.

Barbacena. o surgimento e crescimento de núcleos urbanos – vilas e cidades (Vila Rica. mas voltada apenas para a subsistência. Cáceres e outras). iniciada em 1616. a existência de muitos rios permitiu a implantação de pequenos e espaçados núcleos habitacionais (vila de Cametá – 1632 e vila Sousa Caeté – 1634) ao longo de suas margens. a transferência da capital da colônia para o Rio de Janeiro (1763). Essa ocupação inicial não mudou quase nada as condições naturais. MT e MG). São João del Rei. Mineração (séc. além de converterem os gentios ao credo católico e à coroa portuguesa exploram-no nessa atividade. 6. A população indígena foi bastante utilizada no transporte de cargas e nos remos das canoas por conhecerem o território. Sabará. como a área ao redor de Belém. Como consequência. o aumento da população colonial devido à migração de portugueses que vinham em busca de riquezas e a expansão do território devido à incorporação de terras do interior. o povoamento do interior trouxe consigo a dizimação de inúmeros povos indígenas.início com a chegada das missões religiosas a região que. Do ponto de vista do povoamento. Nossa Senhora do Carmo. O Povoamento nos séculos XIX e XX . Uma efetiva ocupação do solo ocorreu na região. A ocupação da Amazônia foi motivada pela necessidade de defesa do território contra a invasão estrangeira. um grande dinamismo econômico no interior da colônia e o desenvolvimento de várias atividades econômicas complementares à mineração. Do ponto de vista do povoamento observou-se a intensificação da mobilidade interna da população colonial. através da construção de fortes e estabelecimento das missões religiosas. ultrapassando inclusive o limite de Tordesilhas. com a cidade de Belém.XVIII) ocorreu na parte central da colônia no que correspondente atualmente a áreas do sudeste e centro-oeste (GO. Ocorreu nesse período a transferência do eixo econômico (açúcar) para a nova atividade (mineração). Cuiabá. exceto em algumas regiões. sendo a extração de produtos vegetais a base da economia regional.

O café originou uma verdadeira marcha do Vale do Paraíba até a região de Campinas. favorecido pela construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Esse percurso ficou conhecido por “marcha do café” e criou uma série de novas cidades em áreas até então pouco povoadas. que se estabeleceram em áreas de campo. tendo como finalidade a exportação do couro. Essa ocupação representa uma grave ameaça ao bioma do cerrado. com a chegada dos imigrantes (alemães. O critério para a definição foi “uti possidetis” (se possui vai permanecer possuindo). XIX e início do séc. até atingir o norte do Paraná. a colonização se deu com núcleos portugueses. no Rio Grande do Sul. XX. tem início a “marcha para o Oeste”. ocorreram as frentes pioneiras – movimento de desbravamento e povoamento de áreas novas – começando por São Paulo. destaca-se a cidade de São Paulo como centro de comercialização para integração das diferentes áreas povoadas. movimento de ocupação do Centro-Oeste.) que a que a área tornou-se efetivamente povoada.7. A ocupação da região sul tem como particularidade as pequenas propriedades. colonos açorianos e paulistas. devido a utilização das áreas de cerrado para o plantio de soja e criação de gado. que encontrou condições ambientais favoráveis para o desenvolvimento. . italianos. OBS 1. amparada na cultura do café.). assentando. Entretanto. A partir de 1940. Nessa época. Um novo impulso de ocupação do Brasil Central ocorreu a partir dos anos 1970.: O Tratado de Madri (1750) serviu para redefinir os limites fronteiriços do país. XVII). foi a partir do final do século XIX. No sul do Brasil (séc. A região dos pampas gaúchos já havia sido objeto de incursões de criadores de gado de origem espanhola. praticando a pecuária. cidades e etc. etc. eslavos. No final do séc. que chegou até Corumbá e pela compra de grandes lotes de terras por particulares a espera da valorização das mesmas por ações do Estado ( construção de estradas.

contrastando com os latifúndios monocultor do Nordeste. .Café: sudeste – modernidade espacial – infra-estrutura – trabalho assalariado – sistema de transporte (ferroviário) – melhorias urbanas e modernização dos portos Ocupação do sul do Brasil no final do século XIX: A ocupação do sul do Brasil no final do século XIX por colonos de vários países europeus. Obs 3. . b) A concentração da população próxima ao litoral. em detrimento às necessidades do mercado interno.Desenvolvimento da indústria automobilística e pneumática.Organização de pequena propriedade de base familiar.Imigrantes europeus não portugueses: alemães. .Policultura(plantio de diversos gêneros) de subsistência/ trabalho familiar em lugar da monocultura. Surgimento de centros comerciais como Belém e Manaus. Algumas transformações decorrentes da apropriação do território . deu-se em moldes diferentes dos que ocorriam no restante do Brasil apresentando as seguintes características: . . assim como a utilização das melhores terras para o cultivo de exportação. – fluxo imigratório – anexação do Acre através do Tratado de Petrópolis. Sistema de aviamento.: Heranças deixadas na espacialidade brasileira decorrente do processo de colonização: a) A extrema concentração fundiária (monopolização das terras – a Lei de Terras de 1850 contribuiu para perpetua o latifúndio). . italianos.A inserção definitiva do Brasil na DIT. .As Frentes de Expansão Econômicas do Século XIX: . bem como das principais metrópoles. Obs 2.Combinação de agricultura com pecuária.Formação de números núcleos urbanos. 1903.Borracha: Amazônia . com introdução de técnicas agrícolas européias e de novo gêneros na agricultura. eslavos e poloneses.

A montagem de uma infraestrutura facilitando a concentração industrial na região sudeste.A população brasileira em grande parte tem um modo de vida relacionado a atividades rurais (70%). do capital comercial.O espaço da circulação se constitue em meios para escoar a produção do interior (ex: ferrovia). suas funções resumiam-se a realizar a ligação direta da produção agroexportadora à circulação internacional de mercadorias.Acumulação de capital. Características Gerais do Brasil agrário . . principalmente. mas. .A expansão das atividades primárias fortaleceu o modelo agrário-exportador.O crescimento do mercado consumidor.A desarticulação entre as regiões fortaleceu a economia de arquipélago (ilhas econômicas). As Transformações decorrentes da cafeicultura e as condições para a industrialização. sendo característica desse período a dificuldade de integrar o território nacional através da articulação de economias regionais que se mantinham relativamente autônomas.– A desterritorialização das populações indígenas. Por isso. composta por imigrantes italianos. .A existência de uma mão de obra especializada. . . . . por serem a sede da burocracia e. Somente parte do consumo era atendida pela produção local ou regional. ao contrário.exportador: . as cidades não representavam os nós de uma rede articulada. . . assim como seu extermínio. .Fraca intervenção do estado na economia.Ausência de um amplo mercado interno.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->