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11-Tiocompostos

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Nomenclatura e exemplos

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Os tio-compostos são moléculas que apresentam átomos de enxofre na sua estrutura. Em geral, são produzidos pela substituição dos átomos de oxigénio dos álcoois, fenóis, éteres e peróxidos, por átomos de enxofre, originando os tioálcoois (ou tióis), tiofenóis, tioéteres e dissulfetos. Para tio-álcoois e tio-fenóis: Nomenclatura oficial IUPAC: Nomenclatura usual I: Nomenclatura usual II: Para tio-éteres: Nomenclatura oficial IUPAC: Nomenclatura usual: Para dissulfetos: Nomenclatura oficial IUPAC: radical menor + tio + hidrocarboneto maior sulfeto de + radical menor + e + radical maior dissulfeto de + radial menor + e + radical maior nome do hidrocarboneto + tiol radical + mercaptana radical + hidrogenossulfeto

• Os tioálcoois aparecem, em pequenas quantidades, na putrefacção de proteínas sulfuradas, no gás de hulha e no petróleo. Os membros mais simples são líquidos incolores, pouco solúveis em água e bastante voláteis, caracterizados por um odor penetrante e desagradável, que os torna reconhecíveis mesmo em mínimas concentrações. Os tioálcoois são muito solúveis em soluções básicas fortes, pois apresentam um carácter ácido mais forte do que os álcoois. Os pontos de ebulição dos tioálcoois são bem inferiores aos dos álcoois correspondentes, pela baixa tendência do enxofre a formar ligações de hidrogénio, enfraquecendo assim as forças intermoleculares. • Os sulfetos (tioéteres) não ocorrem na natureza e são de pequena importância. A iperita, ou gás mostarda, que é um sulfeto clorado, foi usado durante a Segunda Guerra Mundial, como gás tóxico. Os sulfetos mais simples são líquidos incolores, de cheiro etérico, insolúveis em água e solúveis em álcool, éter etc. • O dissulfeto de alila (H2C=CH-CH2-S-S-CH2-CH=CH2) é um líquido de odor penetrante, que ferve a 139ºC, encontrado há muito tempo no alho. O radical -CH2-CH=CH2 recebeu, por esse motivo, o nome de alila. Os compostos em que este aparece são ditos alílicos.

Os principais métodos de preparação dos tioálcoois são (as duas primeiras dão bons rendimentos): • Reacção de sulfato de alquila com KSH (a quente): R-SO4 + 2 KSH → 2 R-SH + K2SO4 • Reacção de haletos de alquila com NaSH (a quente): R-X + NaSH → R-SH + NaX • Reacção de álcoois com P2S5: 5 R-OH + P2S5 → 5 R-SH + P2O5 • Reacção de álcoois com H2S (catalisada por óxido de tório): R-OH + H2S → R-SH + H2O Os sulfetos são preparados, normalmente, pelas reacções: • 2 R-X + Na2S → R-S-R + 2 NaX • R-X + R-SNa → R-S-R + NaX

• A facilidade com que os tioálcoois reagem com o óxido de mercúrio, e em geral com os metais de alta massa molecular, formando compostos cristalinos, distingue os tioálcoois dos álcoois. É dessa característica, aliás, que deriva o seu nome usual (mercaptana), formado a partir da expressão "mercurius captans", ou seja, traduzindo literalmente, significa que se “apodera do mercúrio". Os tioalcoolatos, ou mercaptatos, são compostos cristalinos obtidos com metais pesados, e correspondem aos alcoolatos. Entretanto, além de se formarem com mais facilidade, são mais estáveis que os alcoolatos. • A "iperita" sofre uma reacção interessante, chamada Substituição Nucleofílica Interna. Esse tipo de SN ocorre em moléculas que apresentam na sua estrutura um nucleófilo e um bom grupo de saída. No caso da iperita [Di-(2-cloroetiltioetil)-éter], o nucleófilo é o enxofre (que possui pares de electrões livres) e o grupo de saída é o cloro. A substituição do grupo de saída por outro grupo mais estável é facilitada pela acção do nucleófilo. A essa "ajuda“ dada pelo nucleófilo chama-se "ajuda anquimérica".

• Dentre as mercaptanas alifáticas (tioálcoois), destaca-se o etanotiol (C2H5SH), que constitui um comnposto intermediário para a produção do sulfonal, que se presta à obtenção de remédios hipnóticos. Das mercaptanas aromáticas, o tiofenol (C6H5SH) é um dos membros mais importantes. A partir das mercaptanas é possível obter, por oxidação, os ácidos sulfínicos (R-SO2H) e os ácidos sulfónicos (R-SO3H). As mercaptanas, pelo seu forte odor penetrante, são utilizados em misturas com gases de reservatórios e tubulações, para detecção de vazamentos.

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